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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 2Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
VÍDEO DE INTRODUÇÃO
Síncope e ArritmiAS
CLÍNICA MÉDICA - VoLuMe 28
Diagnóstico Diferencial 
(Hypothesis) 
Seção 1
Síncope 
Definição
Causas
Abordagem
Seção 2
arritmiaS 
taquiarritmiaS 
taquiarritmias Supraventriculares 
1) Fibrilação Atrial 
 Controle da Frequência
 Controle do Ritmo
 Terapia Antitrombótica
2) Flutter Atrial 
 Flutter de Condução Variável
 Flutter Reverso
 Flutter de Condução 1:1
 Flutter Atípico
3) Taquicardia Supraventricular Paroxística (TSVP ou 
“Taqui Supra”)
 Taqui AV Nodal Reentrante
 Taqui AV Reentrante com Via Acessória
 Síndrome de Wolff-Parkinson-White .
4) Taquicardia Juncional Não Paroxística
5) Taquicardia Atrial
taquiarritmias Ventriculares 
 Síndromes Específicas
extrassístoles
Diagnóstico das taquiarritmias – as 5 perguntas 
essenciais
manejo das taquiarritmias pelo acLS
BraDiarritmiaS
Bradiarritmias Sinusais
1) Ritmos Benignos
2) Ritmos Malignos
Bloqueios atrioventriculares
1) Ritmos Benignos
2) Ritmos Malignos
DiStúrBioS Da conDução 
intraVentricuLar 
1) Bloqueios de Ramo
2) Hemibloqueios ou Bloqueios Divisionais
3) Bloqueio Bifascicular
4) Bloqueio Trifascicular
5) Tratamento dos DCIVs
manejo das Bradiarritmias pelo acLS
Seção 3
paraDa carDiorreSpiratória (pcr) e 
morte SúBita 
atendimento inicial à parada cardíaca não 
traumática
Suporte Básico de Vida (BLS) 
 C (Circulation – Compressões Torácicas) 
 A (Airway – Abrir a Via Aérea)
 B (Breathe – Ventilação)
 D (Defibrillation – Monitorização de Desfibrilação)
Suporte avançado de Vida em cardiologia (acLS)
 Ritmos de PCR
 1- FV/TV sem Pulso
 2- PEA/Assistolia
conduta pós-reanimação 
morte Súbita 
meD r3 – cLínica méDica 
Área de treinamento m.e.D
queStõeS De concurSoS 
comentÁrioS 
2019
m.E.d - 2019
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4
Caso 1Dona 
Maria José , 
82 anos, 
hipertensa 
de longa data, em uso de 
hidroclorotiazida
12,5 mg/dia e enalapril 
20 mg/dia, queixa-se 
de palpitação e procura 
pronto-socorro. Refere dois 
episódios semelhantes nos 
últimos seis m
eses, tod
os 
com resolução espontânea, 
embora esse tenha sido o 
mais incômodo de todos. 
Nega outras morbidades. PA 
110 x 70mmHg. Realizou 
prontamente o segu
inte ECG.
Qual é o diagnóstico do ECG?
Quais seriam as medidas indicadas para esta paciente?
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5
De acordo com o traçado, qual o 
diagnóstico eletrocardiográfico?
Qual seria a conduta preferencial no caso dele?
Caso 2
No mesmo dia , outro paciente chega ao pronto-socorro 
com queixa muito semelhante à de Dona Maria José . 
Trata-se de um homem de 60 anos com história 
prévia de isquemia cerebral . PA 120 x 70 mmHg. 
Ritmo regular. Pulmões limpos. Realizou prontamente o 
seguinte ECG (projeção).
Caso 3 Raimunda resolve embarcar num 
cruzeiro marítimo à procura de um 
novo amor. A exemplo de Genésia, sua 
amiga que se casou com o comandante do navio no 
ano passado, ela também acredita nas armadilhas do 
destino. Ainda no primeiro dia, diante de toda aquela 
gente bonita, Raimunda se emociona e começa a sentir 
palpitações. No entanto, elas pioram e a tripulante 
começa a se sentir muito mal, necessitando de 
atendimento médico. O navio tem então que apor tar 
para completar o atendimento e realizar um ECG da 
paciente. Como se fosse mágica, o médico ao olhar 
o ECG abaixo, opta por uma conduta que resolve 
prontamente a arritmia sem qualquer medicação. 
Raimunda impressionada, não tinha mais dúvida: esse 
era o homem de sua vida.
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6
Supondo que o ECG de base de Raimunda mostrasse 
o padrão acima, qual seria o diagnóstico?
Qual foi a medida ‘mágica’ adotada pelo médico e qual seria o 
próximo passo se ela não tivesse obtido sucesso?
Qual é o diagnóstico do ECG?
Caso 4
Mário, 58 anos, foi internado na unidade coronariana após ser submetido à 
angioplastia percutânea há 8 horas, por conta de IAM de parede ântero-lateral. 
Durante o plantão, no entanto, Mário passa a apresentar hipotensão ar terial e o 
seguinte traçado no moni tor.
Qual é o diagnóstico do ECG?
TV monomórfica.
Quais são as medidas terapêuticas indicadas para este quadro? 
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7
João, 22 anos, estudante de engenharia, está na entrevista para 
o seu primeiro emprego, em uma firma de construção civil. Diante 
de perguntas difíceis e embaraçosas, apresenta palpi tações súbi tas 
e cai no chão, apresentando discretos abalos. A queda se deu 
enquanto ele ainda estava sentado e não foi precedida de nenhum 
mal-estar. Enquanto o empregador contactava o serviço 
de emergência, a secretária trazia um copo de 
água com açúcar e um funcionário colocava uma 
caneta para o jovem “não enrolar a língua”, 
João foi recuperando o nível de consciência, 
sem se lembrar de nada. Ao médico da 
ambulância que acabara de chegar, relatou 
apenas ter iniciado tratamento para 
rinossinusi te há duas semanas e que 
é alérgico à penicilina. Realizou 
ECG que mostra ri tmo sinusal, 
FC 80 bpm, PR 160 ms, QT 
480 ms, QRS 100 ms.
Caso 5
De acordo com o quadro apresentado como iniciaríamos nossa investigação? 
Existe algum dado que aponte para alguma condição mais grave?
Considere os seguintes eletrocardiográficos: ri tmo sinusal, FC 80 bpm,
PR 160 ms, QT 480 ms, QRS 100 ms. Qual a explicação mais provável?
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8
Operador de fotocopiadora, 50 anos, dá entrada na emergência com 
dispneia, vômitos e mal-estar. Nos seus documentos, consta uma consulta 
de retorno com o cardiologista marcada ainda para aquela semana. No papel, 
encontra-se o relato de uma alteração no ECG a esclarecer. Refere ter morado em 
Minas Gerais e Bahia há vinte anos, mas reside em São Paulo há, pelo menos, cinco anos. 
Realizado prontamente o ECG abaixo:
Caso 6
Confirmada a hipótese diagnóstica principal, foram iniciadas as medidas 
terapêuticas necessárias com melhora significativa dos sintomas. Após 5 
dias de tratamento, o paciente recebia alta hospitalar levando consigo o 
ECG abaixo:
Qual é o diagnóstico do ECG (1) e qual poderia ser a 
alteração prévia do ECG descri ta pelo cardiologista?
Quais foram as medidas terapêuticas indicadas 
para este quadro?
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9
Hoje é um dia mui to especial. 
Finalmente, a dupla Mané e Manezinho, 
sucesso das rádios locais, irá tocar no 
ginásio da cidade. O único problema é que 
os ingressos estão esgotados e sua única 
opção é o emprego que lhe ofereceram 
como médico da ambulância. Na 
verdade, é uma Kombi improvisada 
com sirene da polícia, mas que 
está devidamente equipada segundo 
as exigências.. . Logo no início do show, 
uma catástrofe! Manezinho despenca em 
frente ao público e você é chamado às 
pressas para socorrê-lo no palco.
Caso 7
Qual a primeira medida a ser tomada?
Com a chegada dos equipamentos de resgate ao 
palco, você observa o ri tmo abaixo no moni tor.
Qual a sua próxima conduta?
Ainda na Kombi, a caminho do hospi tal, o paciente retorna para 
o ri tmo anterior no traçado do ECG. Quais os próximos passos?
Mais um choque é desferido. O que fazer em seguida?
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10
Caso 8
Manezinho é conduzido ao hospi tal onde fica internado na unidade 
intensiva. Oito horas depois, apresenta nova parada cardiorrespiratória. 
O ri tmo ao moni tor é este:
Qual o ri tmo observado neste traçado?
Qual a primeira medida a ser tomada e 
as medidas sequenciais?
O que deve constar no diagnóstico diferencial 
deste paciente?
M ulher, 76 anos, branca, casada dá entrada na 
emergência queixando-se de palpitação e cansaço 
iniciados há cerca de 2 horas. Refere ter diagnós ticoconclusões.
Será que devemos reverter o ritmo 
de todo paciente com FA para 
ritmo sinusal???
• Os dois principais estudos que temos para 
responder a essa questão ainda são o 
AFFIRM	e o RACE, publicados em 2002. 
Ambos demonstraram que não houve di-
ferença estatística na mortalidade quando 
comparadas as duas estratégias. O risco 
de tromboembolismo e de sangramento 
importante também foi semelhante entre 
os pacientes com “FA não revertida” ou “FA 
revertida” e não houve melhora significativa 
na qualidade de vida. Ou seja, ao contrário 
do que se imaginava, reverter ou não a ar-
ritmia não fazia diferença. 
• Como explicar? Uma curiosa constatação é 
a de que os	pacientes	com	FA	revertida,	
ou	seja,	que	se	encontram	em	ritmo	si-
nusal,	possuem	uma	chance	considerá-
vel	de	recidiva	da	FA,	mesmo	na	vigência	
da	 terapia	 antiarrítmica	profilática. No 
estudo AFFIRM, ao longo de cinco anos, 
40% destes indivíduos recidivaram a FA, um 
percentual que aumenta para 80% com a 
utilização do ECG-Holter (monitoração con-
tínua do ritmo em 24h). Cerca	de	90%	das	
recidivas	da	FA	são	assintomáticas,	não	
percebidas	pelo	paciente	e	20%	destas	
duram	mais	de	48h,	explicando	a	ocor-
rência	dos	fenômenos	tromboembólicos	
neste	grupo!!	Em outras palavras: a FA é 
uma arritmia “tinhosa” e que, muitas vezes, 
não respeita as drogas antiarrítmicas profi-
láticas. Por isso, a reversão para ritmo sinu-
sal não previne a complicação mais temida 
da FA: o AVE isquêmico!!
• Para completar, outro	importante	dado	foi	
uma	 tendência	à	maior	mortalidade	no	
grupo	da	“FA	revertida”!!! É isso mesmo, 
você não entendeu errado! Pacientes com 
FA que tinham o ritmo revertido para sinu-
sal morriam mais do que aqueles que não 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 28Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
eram revertidos. Qual é a explicação??? 
Acabamos de ver que a FA tende a recidivar. 
Com isso, após a reversão são necessárias 
drogas para prevenir a recidiva. Mas são 
essas mesmas drogas (ditas antiarrítmicas) 
que, em algumas situações, podem levar 
a efeitos	 adversos	pró-arrítmicos.	 Isso 
mudou um conceito antigo e tradicional de 
que “toda FA tinha que ser convertida a rit-
mo sinusal”. Agora sabemos que essa não 
é mais a regra.
• Em todo caso, a controvérsia persiste e não 
é nosso objetivo nos aprofundarmos nela, já 
que nem os cardiologistas especializados no 
tema chegaram a um consenso... Em linhas 
gerais, para auxiliar na decisão entre uma 
conduta e outra, o que podemos dizer é que:
 * Controle da FC – argumentos: simplifica-
ção da terapia, baixo custo e menor risco 
com as drogas antiarrítmicas. Costuma ser 
a escolha preferencial para os quadros re-
correntes, em pacientes acima de 65 anos 
assintomáticos ou com sintomas leves. 
 * Controle do ritmo – argumentos: melhor 
controle dos sintomas, evitar persistência do 
ritmo de FA e o remodelamento estrutural 
que vem com ela. Costuma ser indicada para 
pacientes com menos de 65 anos, principal-
mente os sintomáticos, incluindo aqueles que 
foram refratários à terapia do “controle da 
FC” e nos quadros secundários reversíveis 
associados à função cardíaca normal. 
Com estes conceitos na cabeça, vamos agora 
traçar as principais recomendações terapêu-
ticas para a FA. 
Vamos dividir nossos passos nas duas estra-
tégias aceitas para esses pacientes: 
• Controle	da	frequência	(“FA	não	revertida”);
• Controle	do	ritmo	(“FA	revertida”).
Controle da Frequência
Nesta conduta, em vez de tentar converter a 
FA ao ritmo sinusal, nós nos limitamos a redu-
zir a sua frequência cardíaca, agindo somente 
sobre o nódulo AV, o “filtro” natural da passa-
gem elétrica entre o átrio e o ventrículo. Ela 
se baseia no uso dos inibidores	do	nódulo	
AV, que agem apenas baixando a resposta 
ventricular da FA, sem reverter a arritmia. Os 
antiarrítmicos capazes de reverter a fibrilação 
atrial, a princípio, devem ser evitados pelo 
risco de tromboembolismo. 
Quais são os inibidores do nódulo AV de 
eficácia comprovada na fibrilação atrial?
São eles: Betabloqueadores e antagonistas 
do cálcio não di-hidropiridínicos - Diltiazem, 
Verapamil. O Digital só é indicado nos casos 
de ICC sistólica sintomática (embora, mesmo 
nesses casos, o betabloqueador seja a droga 
preferencial). No hospital, estas drogas podem 
ser administradas por via venosa e depois 
passadas à via oral. No ambulatório (ou em pa-
cientes hospitalizados assintomáticos), já são 
iniciadas pela via oral. A Amiodarona também 
pode ser utilizada para reduzir a FC em pa-
cientes com ICC, embora o risco de reversão 
do ritmo não desejada deva ser considerado.
Como considerar que há um bom controle 
da FC?
Os	sintomas	da	FA	 (palpitações,	 fadiga,	
dispneia,	 lipotímia,	 desconforto	 precor-
dial,	 intolerância	aos	esforços,	etc.)	são	
decorrentes,	principalmente,	da	frequên-
cia	cardíaca	alta	e	não	da	perda	da	contra-
ção	atrial.	Assim, eles podem ser aliviados 
apenas com o controle da FC a partir dos 
inibidores do nódulo AV! Mesmo nos pa-
cientes assintomáticos é importante manter 
a FC média abaixo de 100 bpm, para evitar 
a síndrome da taquicardiomiopatia: uma 
disfunção sistólica do VE decorrente da so-
brecarga crônica de frequência.
Agora vejam um detalhe importante que já 
consta na mais recente diretriz de FA. Com 
base nos dados do estudo RACE II, o contro-
le da FC não precisaria ser tão rígido quan-
to proposto anteriormente! E, por isso, foram 
definidas duas abordagens: controle	 estri-
to (FC 40%. 
Ou seja, como a FC não será rigorosamen-
te controlada, é sugerido que a função ven-
tricular seja monitorizada com mais cuidado 
caso o controle brando seja escolhido. Basta 
recordar o que acabamos de mencionar: a ta-
quicardia mantida pode levar à deterioração 
desta função (taquicardiomiopatia).
O controle da frequência também pode ser 
aplicado à FA paroxística. Neste caso, os ini-
bidores do nódulo AV são iniciados durante o 
surto da FA ou após sua reversão espontânea 
para ritmo sinusal, prevenindo os sintomas 
durante as recidivas da FA.
O que fazer com os pacientes que não con-
trolam a FC com terapia farmacológica?
Os pacientes tratados sob a estratégia de contro-
le da frequência, mas que mantêm uma FC mé-
dia acima de 100 bpm, apesar do uso otimizado 
dos inibidores do nódulo AV, podem receber uma 
conduta intervencionista clássica: a ablação	
do	nódulo	AV	+	MP	definitivo. A ablação do 
nódulo AV é realizada durante estudo eletrofisio-
lógico, utilizando a energia da radiofrequência 
e provocando um bloqueio atrioventricular total. 
Um marca-passo definitivo é implantado, pro-
gramado no módulo VVIR	(ver adiante).
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 29Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Principais medicações usadas no controle da FC
Droga Dose	IV Dose	de	manutenção	VO
Metoprolol
Tartarato: 2,5-5 mg em bolus 
por 2min; até 3 doses
Succinato: não se aplica
Tartarato: 25-100 mg 2x/dia
Succinato: 50-400 mg 1x/dia
Atenolol Não se aplica 25-100 mg 1x/dia
Esmolol
500 mcg/kg em bolus por 
1min; seguido por 50- 
300 mcg/kg/min
Não se aplica
Propranolol 1 mg por 1min; até 3 doses com 
intervalos de 2min 10-40 mg 3-4x/dia
nadolol Não se aplica 10-240 mg 1x/dia
Carvedilol Não se aplica 3,125-25 mg 2x/dia
Bisoprolol Não se aplica 2,5-10 mg 1x/dia
Verapamil
0,075-0,15 mg/kg em bolus 
por 2min; adicional possível 
de 10 mg após 30min; seguido 
de 0,005 mg/kg/min
180-480 mg 1x/dia 
(libera ção prolongada)
Diltiazem 0,25 mg/kg em bolus por 
2min; seguido de 5-15 mg/h
120-360 mg 1x/dia 
(libera ção prolongada)
Digital 0,25 mg; máximo de 1,5 mg 
em 24h 0,125-0,25 mg 1x/dia
Amiodarona 300 mg por 1h; seguido de 
10-50 mg/h em 24h100-200 mg 1x/dia
Controle do Ritmo
A segunda estratégia no tratamento da fibrila-
ção atrial é o controle do ritmo, isto é, reverter 
a FA para ritmo sinusal (com antiarrítmicos 
e/ou cardioversão elétrica) e iniciar drogas 
antiarrítmicas para a profilaxia das recidivas.
(1)	Reversão	com	antiarrítmicos	 (cardio-
versão	química	ou	farmacológica): a FA 
pode ser convertida em ritmo sinusal pelo 
uso de um antiarrítmico de ação sobre o 
miocárdio atrial (antiarrítmicos dos grupos 
IA, IC	e III). A chance de reversão é maior na 
FA paroxística do que na FA persistente. As 
drogas devem ser iniciadas com o paciente 
hospitalizado, pelo risco de pró-arritmia! Os 
antiarrítmicos mais usados para reverter 
uma FA pelas diretrizes da ACC/AHA são:
• Amiodarona	IV (150 mg de ataque, máxi-
mo de 300 mg, em 30-60min + 1 mg/min 
por 8h + 0,5 mg/min por 16h);
• Propafenona	VO	(600 mg em dose única);
• Flecainida IV;
• Dofetilida VO;
• Ibutilida IV.
 *As três últimas não são encontradas em 
nosso meio, embora sejam mais eficazes 
do que as duas primeiras. A quinidina (an-
tiarrítmico do grupo IA) é usada por alguns 
autores, embora tenha saído do rol das dro-
gas de primeira linha para reversão de FA. É 
importante frisar que a quinidina é vagolítica 
(anticolinérgica), aumentando a condução 
pelo nódulo AV, com risco de aumentar 
a resposta ventricular da FA. Por isso, se 
usarmos quinidina, é obrigatório associar 
um inibidor do nódulo AV (betabloqueador, 
antagonista do cálcio ou digital). A flecai-
nida e a propafenona (Ritmonorm®) são 
antiarrítmicos do grupo IC e também devem 
ser associadas a um inibidor do nódulo AV, 
pois, caso contrário, a FA pode se degenerar 
num flutter atrial com frequência extrema-
mente alta (flutter atrial 1:1). Elas podem 
ser utilizadas em dose única oral, em bolus, 
no ambiente extra-hospitalar (estratégia 
“pill-in-the-pocket”), desde que já tenham 
sido utilizadas durante a internação com 
segurança (na ausência de disfunção do nó 
sinusal ou AV, bloqueio de ramo, aumento 
do intervalo QT, síndrome de Brugada ou 
doença cardíaca estrutural). As demais 
(amiodarona, dofetilida e ibutilida) são an-
tiarrítmicos do grupo III, não havendo ne-
cessidade de associação com os inibidores 
do nódulo AV. A	amiodarona	além	de	seus	
efeitos	antiarrítmicos,	também	possui	a	
propriedade	de	inibir	o	nódulo	AV.
(2)	 Cardioversão	 elétrica	 sincronizada: 
pode ser realizada de forma eletiva na FA 
estável ou de forma emergencial na FA ins-
tável hemodinamicamente. Se o paciente 
estiver consciente, analgesia (opioide) as-
sociada a um agente sedativo (midazolam 
ou propofol) devem ser feitos. A oxigena-
ção é fundamental e, por vezes, a ventila-
ção com ambu-máscara é necessária. Um 
oxímetro de pulso deve ser conectado. 
O choque deve ser sincronizado (cardio-
versão elétrica) e a carga inicial utilizada 
é de 120-200	J (se bifásico) ou 200	J (se 
monofásico). Para reverter uma FA per-
sistente, pode-se iniciar um antiarrítmico 
pré-cardioversão (ex.: amiodarona), pois 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 30Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
pode aumentar a eficácia de cardioversão 
elétrica na FA. Um detalhe: a cardioversão 
fica contraindicada na presença de intoxi-
cação digitálica ou hipocalemia.
(3)	Antiarrítmico	 profilático	 oral: após a 
reversão farmacológica e/ou elétrica ou es-
pontânea da FA, um antiarrítmico profilático 
oral é iniciado. Os estudos mostram que a 
FA persistente ou paroxística recorrente, 
após ser revertida, possui uma chance de 
recidiva bastante alta, chegando a 70-80% 
em 1 ano. Com a terapia antiarrítmica profi-
lática, esta taxa cai para 20-60% em 1 ano. 
As drogas utilizadas com este fim são:
• Propafenona	450-900 mg/dia;
• Sotalol	80-320 mg/dia;
• Amiodarona	100-200 mg/dia (pode-se 
fazer 400-600 mg/dia no primeiro mês);
• Dronedarona; 
• Flecainida;
• Dofetilida; 
• Ibutilida IV.
 A escolha da droga para manutenção do 
ritmo sinusal é pautada no perfil de toxici-
dade, efeitos pró-arrítmicos e na presença 
de cardiopatia de base. Sabidamente, a 
amiodarona é a mais relacionada a efeitos 
adversos a longo prazo. Assim, o sotalol 
é o preferido dos americanos nos pacien-
tes sem disfunção de VE, intervalo QT 90%
Fotossensibilidade cutânea 25-75%
Elevação das 
aminotransferases
15-50%
Anorexia, náusea e constipação 30%
Neuropatia periférica, tremor, 
disfunção cognitivas e distúrbio 
do sono
3-30%
Disfunção tireoideana (hipo ou 
hipertireoidismo)
2-24%
Pneumonite (risco de fibrose 
pulmonar)
5-15%
 Perceba que citamos apenas os mais fre-
quentes e, a questão quer saber qual alter-
nativa contém um incomum dessa droga 
(ainda que ele também possa ocorrer). Logo, 
resposta: C. Distúrbios da marcha (ex.: ata-
xia) podem ocorrer com o uso de amiodaro-
na, porém, figuram entre as manifestações 
neurológicas adversas menos encontradas 
na prática!
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2006
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE 
JANEIRO – UERJ
Eva tem 60 anos e tem a sua fibrilação atrial 
controlada satisfatoriamente com o uso de 
200 mg/dia de amiodarona. Evolui progressi-
vamente com sintomas atribuíveis a hipoti-
reoidismo, comprovado laboratorialmente com 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 31Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
 Terapia intervencionista para 
controle do ritmo na FA
• A terapia invasiva da FA por meio da abla-
ção por cateter pode ser considerada em 
dois cenários: (1) controle da frequência; ou 
(2) controle do ritmo. 
 Em relação ao controle da frequência, o 
tratamento medicamentoso com inibidores 
do nodo AV é, normalmente, o método pre-
ferencial. A ablação do nodo AV associada 
ao implante de Marca-Passo (MP) é um 
procedimentomenos utilizado atualmente 
e indicado para pacientes resistentes ou in-
tolerantes aos fármacos. No procedimento, 
o implante do MP deve preceder à ablação 
da junção AV em 4 a 6 semanas, permitindo 
a maturação dos cabos-eletrodos, já que o 
paciente ficará dependente do dispositivo. 
 A grande indicação da terapia intervencio-
nista se dá para a estratégia de controle 
do ritmo, baseada no isolamento das veias 
pulmonares por ablação por radiofrequência, 
ou mais recentemente por crioablação e 
cateteres a laser. Isso porque grande parte 
dos casos de FA paroxística recorrente é 
desencadeada por focos ectópicos do mio-
cárdio atrial esquerdo adjacentes às veias 
pulmonares. A utilização de mapeamento 
eletroanatômico e/ou da ecocardiografia 
intracardíaca aumenta ainda mais a eficá-
cia do método. Nesse caso, já temos boas 
evidências mostrando superioridade em 
relação aos antiarrítmicos, sendo a eficácia 
da ablação da FA dependente das caracte-
rísticas clínicas da arritmia e da extensão 
da cardiopatia de base. Nos últimos anos, 
T3 baixo e TSH elevado. Com relação à tera-
pêutica, você deve orientar Eva a:
a) Manter amiodarona e iniciar levotiroxina.
b) Suspender amiodarona e iniciar levotiroxina.
c) Suspender amiodarona e observar a evolução.
d) Manter a amiodarona e repetir exames em 
um mês.
 Muitos erraram esta questão!! O hipoti-
reoidismo iatrogênico não é indicação abso-
luta de suspender a amiodarona!! Podemos 
manter o antiarrítmico e iniciar L-tiroxina. 
Resposta: A.
(4)	Outras	drogas: 
• Inibidores	da	ECA	e	Antagonistas	AT1: 
estudos demonstraram que estas drogas 
reduzem o risco de FA em pacientes hiper-
tensos, ou com ICC, ou no pós-operatório 
de revascularização miocárdica. O meca-
nismo parece ser a inibição do “remodela-
mento atrial”.
• Estatinas:	alguns estudos também de-
monstraram benefício com estas drogas. 
Provavelmente, o mecanismo de preven-
ção acontece pelo controle da doença 
coronariana, por efeitos anti-inflamatórios, 
antioxidantes e antiarrítmicos diretos nos 
canais iônicos.
alguns trabalhos mostraram um sucesso que 
pode chegar a 85%, com recidiva da FA de 
apenas 20% a longo prazo, um resultado 
bem superior aos antiarrítmicos profiláticos 
e com a vantagem de poupar o paciente dos 
efeitos adversos dessas drogas. A ablação 
está indicada naqueles que continuam tendo 
recidivas sintomáticas da FA apesar do uso 
dos antiarrítmicos ou que não os toleram. 
Além disso, os melhores resultados são 
para os pacientes jovens com FA paroxísti-
ca/persistente sintomática sem cardiopatia 
estrutural relevante. Entre as complicações 
do isolamento ablativo das veias pulmonares, 
temos: formação de fístula traqueoesofágica, 
espasmos pilóricos, estenose das veias pul-
monares, desenvolvimento de um flutter atrial 
originado no átrio esquerdo e tamponamento 
cardíaco (apesar de raro, é a principal causa 
de óbito). Cabe marcar que a ablação de FA 
não é curativa e recorrências são comuns, 
devido à reconexão das veias pulmonares 
ou à progressão do substrato atrial. Após a 
ablação, todos os pacientes devem ser an-
ticoagulados por 2 a 3 meses. Em seguida, 
fica autorizada a suspensão dos anticoagu-
lantes apenas nos pacientes com baixo risco 
de fenômenos tromboembólicos.
• Cirurgia	de	Maze: é um método operatório 
altamente eficaz (90% de sucesso) para 
reverter e prevenir a recidiva da FA. A téc-
nica consiste em fazer incisões cirúrgicas de 
isolamento miocárdico nos átrios esquerdo 
e direito, evitando a propagação dos focos 
de reentrada. É indicado apenas como com-
plemento operatório nos pacientes com FA 
persistente ou recorrente que terão que se 
submeter a uma cirurgia cardíaca por outro 
motivo (ex.: cirurgia de valva mitral).
Este	é	o	conceito	mais	importante!!! Pela 
estase sanguínea atrial (o miocárdio dos átrios 
perde o seu poder de contração), existe um 
risco importante de formação de trombo no 
átrio esquerdo (em torno de 10-15%), especial-
mente no apêndice atrial esquerdo, visualiza-
do apenas no ecocardiograma transesofágico. 
Daí a necessidade de instituirmos a terapia 
antitrombótica na maioria dos pacientes com 
fibrilação atrial, visando a prevenção dos even-
tos tromboembólicos, principalmente o AVE 
isquêmico. Existem dois momentos distintos 
na terapia antitrombótica da FA: 
(1)	Anticoagulação pré e pós-reversão da 
FA (tema bastante comum nas provas!!): 
	 *	Toda	FA	de	instalação	há	mais	de	48h	
ou	de	 instalação	 indeterminada	ou	em	
paciente	de	 risco	muito	alto	para	 trom-
boembolismo	 (ver adiante)	 necessita	de	
um	protocolo	de	 anticoagulação	antes	
e	depois	da	reversão!!! Sem a anticoagu-
lação, existe um risco em torno de 2% de 
evento tromboembólico nas primeiras quatro 
semanas pós-reversão, ocorrendo geralmen-
te nos primeiros dez dias. A anticoagulação 
também é necessária após a restauração 
Terapia Antitrombótica
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 32Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
do ritmo sinusal por causa do fenômeno do 
stunning atrial: o miocárdio atrial pode demo-
rar até quatro semanas para recuperar a sua 
contração, portanto um novo trombo pode 
se formar no átrio esquerdo nesse período. 
Atualmente, dois protocolos são aceitos: 
 (1) Postergar a reversão da FA após, no míni-
mo, três	semanas de anticoagulação plena 
e fazer, no mínimo, mais quatro	semanas 
de anticoagulação plena após a reversão;
 (2) Fazer um Eco	Transesofágico	 (TE). 
Na ausência de trombo, reverter a FA após 
6-12h de heparina plena (com bolus e infusão 
contínua para atingir PTTa 1,5-2 x controle) 
e fazer, no mínimo, mais quatro	semanas 
de anticoagulação plena após a reversão. Na 
presença de trombo no Eco TE ou “contraste 
ecogênico espontâneo” no átrio esquerdo, a 
reversão só poderá ser realizada após 3-4 
semanas de anticoagulação (INR = 2-3 ou, 
pelo menos, 2,5 em caso de prótese valvar 
metálica) e repetição do Eco TE confirmando 
a resolução (desaparecimento) do trombo.
 * Em	caso	de	FA	paroxística,	instalada	há	
menos	de	48h,	sem	situações	de	alto	ris-
co	para	tromboembolismo, não há neces-
sidade de anticoagulação por três semanas 
antes da reversão, nem de Eco TE!! Pode-se 
apenas optar pela heparinização do paciente 
antes da reversão. Contudo, após a rever-
são, a anticoagulação por quatro semanas 
continua sendo orientada. A única exceção 
é o paciente com o primeiro episódio de FA 
paroxística, com reversão espontânea: nes-
te caso, recomenda-se apenas o AAS 325 
mg por quatro semanas após a reversão.
 Em relação à escolha do anticoagulante, ti-
vemos nos últimos anos a inclusão, ao lado 
do warfarin, dos novos anticoagulantes orais 
(NACO ou NOAC, do inglês), representados 
pelo dabigatran (pró-droga convertida a ini-
bidor direto da trombina) e rivaroxaban, api-
xaban e edoxaban (inibidores do fator Xa). 
 Atualmente, devido a alguns aspectos, como 
a menor incidência de alguns desfechos des-
favoráveis (ex.: sangramento maior e AVEh), 
menor interação com a dieta e por não preci-
sarem de monitorização seriada, os NACOs 
têm sido considerados as drogas de escolha. 
Contudo, pacientes já em uso de warfarin e 
com bom controle do INR não parecem ter 
muitos benefícios com a sua substituição. 
Ainda, o warfarin é a preferência quando o 
clearance de creatinina éde risco. Segundo a mais 
recente diretriz de fibrilação atrial da AHA/
ACC, o escore recomendado para estratifi-
cação é o CHA2DS2-Vasc,	recebendo um a 
dois pontos cada item, num total de 9 pontos:
C = Congestive heart failure (ICC) / disfunção 
de ventrículo esquerdo – [1 pt]
H	= Hipertensão – [1 pt]
Age = Idade ≥ 75 anos – [2 pts]
Diabetes (1 pt)
S	= Stroke (AVE prévio), AIT, tromboembo-
lismo – [2 pts]
VASc = doença vascular (infarto do miocárdio 
prévio, doença arterial prévia, placa aórtica) – 
[1 pt]
Age = Idade 65-74 anos – [1 pt]
Sexo categoria = feminino – [1 pt]
Escore ≥ 2 = anticoagulante oral (warfarin, da-
bigatran, rivaroxaban, apixaban e edoxaban). 
Escore 1 = anticoagulante oral, AAS com ou 
sem clopidogrel, ou sem terapia antitrombótica.
Escore 0 = sem terapia antitrombótica.
Avaliação de risco 
pelo CHA2DS2-Vasc
POnTuAçãO TAxA	DE	AVE	
AJuSTADA	(%/AnO)
0 0%
1 1,3%
2 2,2%
3 3,2%
4 4%
5 6,7%
6 9,8%
7 9,6%
8 6,7%
9 15,2%
RESUMINDO!
 Devem ser cronicamente anticoagulados 
todos aqueles com prótese valvar ou que 
pertençam ao grupo de alto risco para trom-
boembolismo (escore CHA2DS2-Vasc ≥ 2). 
Nos homens com escore = 1, alguns autores 
optam pela anticoagulção, quando a pontu-
ação se dá pela idade 65-74 anos. 
 Os demais podem ser tratados apenas com 
aspirina e clopidogrel, aspirina isolada ou 
mesmo sem terapia antitrombótica. 
Detalhes: 
1- As mulheres têm um risco maior de trom-
bose do que os homens. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 33Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
2- Os pacientes com flutter atrial devem re-
ceber anticoagulação da mesma forma que 
os pacientes com FA.
3- A terapia antitrombótica crônica vale tanto 
para os pacientes em FA persistente não 
revertida como para a FA persistente ou 
paroxística revertida, já que, como vimos, 
neste último grupo o risco de tromboembo-
lismo é mantido pela alta chance de reci-
diva da FA, mesmo com o uso da terapia 
antiarrítmica profilática!!
4- A anticoagulação crônica para o hiperti-
reoidismo é feita da mesma forma que em 
pacientes sem doença tireoideana.
Da mesma forma que temos um escore para 
pontuar o alto risco para tromboembolismo 
na FA, também dispomos de um escore para 
contrabalanceá-lo, baseado no risco de san-
gramento em pacientes anticoagulados. O 
que parece mais acurado até o momento é o 
HAS-BLEED, conforme o quadro a seguir. A 
partir de três pontos, teríamos um risco anual 
de sangramento elevado.
Risco	HAS-Bled Pontuação
Hypertension (hipertensão) 1
Abnormal renal or liver function 
(1 point each) 
(alteração da função renal ou 
hepática)
1 ou 2
Stroke (AVC) 1
Bleeding (sangramento prévio) 1
Labile INRs (labilidade RNI) 1
Elderly (e.g. age > 65 years) 
(idade avançada) 1
Drugs or alcohol (1 point each) 
(uso de drogas ou álcool) 1 ou 2
AVC: Acidente Vascular Cerebral; RNI: Razão 
Normalizada Internacional
Saiba MaiS!
Por conta de algumas limitações terapêuticas 
dos anticoagulantes orais, exigindo muitas ve-
zes a suspensão destas medicações, tivemos 
o desenvolvimento de novas estratégias para 
redução de eventos tromboembólicos baseadas 
na oclusão do Apêndice Atrial Esquerdo (AAE). 
Atualmente, existem dispositivos para oclusão 
percutânea, cada um com suas características 
próprias, embora todos baseados na obtenção 
de acesso vascular e punção transeptal, ge-
ralmente sob orientação de ecocardiograma 
transesofágico e/ou intracardíaco.
Falamos	até	agora	da	situação	mais	habi-
tual	e	também	a	mais	cobrada	em	provas	
que	seria	o	caso	de	uma	FA	persistente	ou	
paroxística	recorrente.	Como	FA	é	a	arrit-
mia	que	mais	cai,	vamos	discutir	algumas	
situações	especiais:
SITuAçãO	1: 
Qual é a conduta no primeiro 
episódio de fibrilação atrial?
nos	 pacientes	 com	 instabilidade	 hemo-
dinâmica	não	há	o	que	pensar:	a	conduta	
imediata	deve	 ser	 a	 cardioversão	 elétrica	
emergencial!!
SITuAçãO	2:	
Qual é a conduta na fibrilação atrial 
secundária a causas reversíveis?
As causas mais importantes são tireotoxicose, 
Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH), síndrome 
coronariana aguda, pós-operatório imediato de 
cirurgia cardíaca e embolia pulmonar. Em todos 
esses casos, na ausência de instabilidade he-
modinâmica (isso exclui a fase aguda do IAM), 
a opção costuma ser o emprego da estratégia 
de controle da frequência (inibidores do nódulo 
AV) e terapia antitrombótica, até que a causa 
básica seja corrigida. Uma alternativa seria re-
verter a FA ao mesmo tempo em que se corrige 
a causa básica.
SITuAçãO	3: 
Qual é a conduta na síndrome bradicardia-
-taquicardia (doença do nódulo sinusal)?
Nestes pacientes, a maior importância deve ser 
dada à bradiarritmia, em vez da taquiarritmia. 
Qualquer antiarrítmico (especialmente a amio-
darona) é contraindicado nesses pacientes na 
ausência de um marca-passo funcionando, pois 
todos estes fármacos podem agravar a disfun-
ção sinusal. Portanto, a conduta começa pela 
colocação de um marca-passo definitivo. O MP 
de dupla câmara, modo DDDR	(estimula átrio 
e ventrículo diretos, deixando-os em sincronia) 
é o de escolha, pela vantagem de prevenir (por 
mecanismo pouco conhecido) os surtos de FA 
paroxística. Como ainda podem ocorrer reci-
divas assintomáticas, a terapia antitrombótica 
crônica também está indicada.
SITuAçãO	4:	 
Qual é a conduta na fibrilação atrial de 
baixa resposta ventricular?
Estes pacientes geralmente são idosos com 
FA persistente e doença degenerativa do 
nódulo AV associada. Apresentam-se com 
frequência cardíaca inferior a 100 bpm e, por 
vezes, até bradicárdicos. A conduta resume-
-se à terapia antitrombótica crônica. Não há 
necessidade de inibidores do nódulo AV (ele 
já está ruim!!!) e não está indicado o controle 
do ritmo!! Se a FC estiver abaixo de 40 bpm, 
um MP definitivo, única câmara, modo VVIR 
(estimula apenas o ventrículo direito), deve 
ser implantado.
Nos pacientes sem instabilidade hemodinâ-
mica, a conduta depende dos fatores de risco 
para recidiva da FA (principais: idade avançada, 
múltiplas comorbidades, átrio esquerdo > 5,0 
cm no ECO, ausência de causas reversíveis 
de FA). Na ausência deles, o paciente deve ser 
revertido para ritmo sinusal (“é sempre válida 
pelo menos uma tentativa de reversão!”). não	
há	indicação	de	rotina	para	terapia	antiar-
rítmica	 de	manutenção	 (profilática),	 nem	
antitrombótica	 crônica	 (exceto	 se	 for	 de	
risco	elevado	para	tromboembolismo	pela	
estratificação)!	Inclusive esse é um caso de 
tamanha exceção que, se for uma FAe ao es-
vaziamento deficiente do apêndice atrial, com 
risco de formação de aneurismas e trombos.
c) A sua investigação deve incluir a investiga-
ção de possíveis causas reversíveis de arrit-
mia, como hipertireoidismo ou anemia.
d) Os pacientes que apresentam cardiopa-
tia estrutural podem experimentar sintomas 
mais acentuados, especialmente quando a 
frequência ventricular impedir um enchimen-
to ventricular adequado.
e) O tratamento deve levar em consideração a 
situação clínica, a cronicidade, a anticoagula-
ção, os fatores de risco para acidente vascular 
encefálico e a sua repercussão hemodinâmica.
 Todas as opções são bem conceituais e 
pontuam aspectos importantes do quadro clí-
nico à abordagem. O que precisamos desta-
car aqui, por serem alternativas bem genéri-
cas, é um pequeno detalhe que passou des-
percebido por muita gente: a FA, conquanto 
promova “remora” do sangue na auriculeta, 
não é causa de ANEURISMA do átrio es-
querdo! Pacientes com taquicardiomiopatia 
(como pode ocorrer na FA de “alta resposta” 
não controlada) desenvolvem dilatação das 
câmaras cardíacas e disfunção contrátil, prin-
cipalmente no lado esquerdo (tanto em átrio 
quanto em ventrículo). Todavia, a definição 
de “aneurisma cardíaco” não passa por uma 
mera dilatação global dessas cavidades! Por 
“aneurisma cardíaco” nos referimos a uma 
evaginação bem delimitada da parede mio-
cárdica, em geral de constituição tecidual di-
ferente do miocárdio normal (parede fina e 
fibrosada). A principal causa de aneurisma 
cardíaco é o IAM e outras causas importan-
tes são as diversas formas de miocardite. As-
sim, resposta: letra B.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – PE
Qual das drogas abaixo é um anticoagulante 
que tem como mecanismo de ação a inibição 
direta da trombina?
a) Enoxaparina. 
b) Dabigatran. 
c) Warfarina.
d) Estreptoquinase.
e) Clopidogrel.
 As heparinas, como a enoxaparina, são 
cofatores que aumentam a ligação entre fato-
res anticoagulantes endógenos (como a anti-
trombina III) e fatores pró-trombogênicos, como 
a trombina. Logo, não podem ser considerados 
“inibidores diretos” da trombina. A warfarina é 
um antagonista de vitamina K que impede uma 
modificação pós-translacional de certos fatores 
de coagulação sintetizados no fígado (os cha-
mados “fatores de coagulação vitamina K-de-
pendentes”: II, VII, IX e X), os quais se tornam, 
desta maneira, desprovidos de atividade pró-
coagulante adequada. A estreptoquinase é um 
trombolítico, e o clopidogrel é um antagonista 
do receptor de ADP na superfície das plaque-
tas. Sobrou apenas o DABIGATRAN (Prada-
xa): trata-se de um anticoagulante oral apro-
vado desde 2010 pelo FDA para o tratamento 
da fibrilação atrial. Esta droga é uma inibidora 
DIRETA da trombina e, até o momento, ainda 
não possui um antídoto específico capaz de 
reverter o efeito anticoagulante (sendo esta 
sua grande desvantagem). Resposta: letra B.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO 
ANTÔNIO PEDRO – RJ
Paciente, 76 anos, hipertenso e diabético che-
ga à unidade de pronto atendimento com pal-
pitações e cansaço, que têm ocorrido de modo 
intermitente nas últimas três semanas. Ao 
exame, está lúcido, com frequência cardíaca 
de 140 bpm; ritmo cardíaco irregular; pressão 
arterial de 124 x 62 mmHg; saturação arterial 
de oxigênio de 92%; frequência respiratória 
de 20 irpm. A equipe de saúde instala oxigênio 
suplementar, monitorização cardíaca e obtém 
um acesso venoso periférico. Um ECG é rea-
lizado e mostra ritmo de fibrilação atrial. A 
primeira conduta a ser adotada pelo médico 
deve ser:
a) Administrar digoxina venosa para controle 
da frequência cardíaca.
b) Sedar e realizar cardioversão elétrica sin-
cronizada com 120 J bifásicos.
c) Proceder à infusão de amiodarona para 
cardioversão química imediata.
d) Fazer desfibrilação cardíaca imediata com 
200 J bifásicos.
e) Administrar metoprolol venoso para contro-
le da frequência cardíaca.
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 35Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
 A presença de fibrilação atrial com evolução 
> 48h contraindica qualquer forma de reversão 
para o ritmo sinusal sem a realização prévia 
de um ecocardiograma transesofágico para a 
exclusão de trombo em átrio esquerdo. Sendo 
assim, não podemos marcar, nesse momento, 
as alternativas B ou C. A letra D traz uma mo-
dalidade de tratamento que não deve ser em-
pregada na fibrilação atrial: a desfibrilação é 
uma estratégia exclusivamente indicada para 
pacientes em parada cardíaca por FV (lembre-
-se: o termo “desfibrilação” indica que o cho-
que não é SINCRONIZADO aos complexos 
QRS. Eletroterapia não sincronizada em al-
guém que apresenta ritmo cardíaco eletrica-
mente “organizado” e com pulso pode produ-
zir o fenômeno “R sobre T”, isto é, o choque 
incide durante a repolarização ventricular em 
um momento que parte das fibras já saíram 
do período refratário, enquanto outras não. Tal 
fato pode levar à despolarização imediata das 
fibras que saíram do período refratário, o que, 
diante da heterogeneidade do período refra-
tário em uma porção de miocárdio, pode cul-
minar na formação de circuitos de reentrada 
ventricular e degeneração do ritmo para uma 
fibrilação ventricular. Assim, o ideal é inicial-
mente reduzir a resposta ventricular do pa-
ciente e, dentre as opções restantes, a melhor 
é o betabloqueador (letra E). O uso de digoxi-
na (letra A) é ainda uma possibilidade para o 
controle da frequência cardíaca, mas sua 
escolha é feita em pacientes que tenham tam-
bém uma disfunção diastólica de VE, o que 
não foi o caso. Resposta: letra E. 
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011
UNIVERSIDADE DO ESTADO 
DO RIO DE JANEIRO – UERJ
Jovem de 28 anos procura setor de emergên-
cia por quadro de palpitações iniciadas duas 
horas antes. Relata passado de dispneia a 
esforços de seis meses de evolução, além de 
um episódio de lipotímia após jogo de futebol 
entre amigos. Seu exame físico mostra ritmo 
cardíaco irregular, com frequência cardíaca de 
145 bpm, ictus propulsivo e sopro sistólico em 
foco aórtico aumentado com a manobra de Val-
salva. O eletrocardiograma evidencia fibrilação 
atrial. A droga que não poderá ser utilizada para 
o tratamento da situação acima é:
a) Digoxina. 
b) Diltiazem. 
c) Propanolol.
d) Disopiramida. 
 
 A questão se refere provavelmente a um 
paciente com FA (ritmo irregular é FA até 
prova em contrário!). Mas uma FA diferente, 
em um jovem que já tinha histórico de qua-
dro cardiorrespiratório com ictus propulsivo 
(“coração forte”) e sopro sistólico QUE PIO-
RA com Valsalva. Certamente temos que 
encará-lo como portador de cardiomiopatia 
hipertrófica – a mais importante causa de 
morte súbita nesta faixa etária. Nessa situa-
ção, em geral existe uma hipertrofia assimé-
trica do septo interventricular e o paciente 
experimenta o fenômeno de OBSTRUÇÃO 
INTRAVENTRICULAR – no “meio” da sístole. 
Isso porque o septo interventricular “encosta” 
na parede contralateral, obstruindo a saída 
de sangue. Mas qual é a conduta para este 
paciente??? Como não há INSTABILIDADE, 
não é necessário reverter a arritmia imedia-
tamente com cardioversão! O primeiro passo 
será controlar a FC! As três primeiras drogas 
são inibidoras do nódulo AV e podem reduzir 
a resposta ventricular. Todavia, como vimos 
em Síndrome Edemigênica, num paciente 
com grave disfunção diastólica está CON-
TRAINDICADO utilizar digoxina!!! Na IC com 
FE preservada, o problema é justamente o 
relaxamento e o uso de digoxina (cardiotô-
nico) agravará este problema. A dúvida fica 
para a disopiramida, mas que, em se tratando 
de um antiarrítmico da classe IA, poderia ser 
utilizada para reverter a FA. Logo, a única 
resposta é a letra A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ONOFRE 
LOPES – UNIVERSIDADE FEDERAL 
DO RIO GRANDE DO NORTE – RN
Paciente masculino, 49 anos, dá entrada no 
Pronto-Socorro, com história de palpitações 
intensas, acompanhadas de dispneia, de início 
há duas horas, mal-estar, palidez cutânea e 
sudorese fria. Ao exame,além dos sinais já 
citados, apresentava estertores subcrepitantes 
nos 2/3 inferiores de ambos os pulmões, sopro 
diastólico em foco mitral, com ritmo cardíaco 
irregular, FC de 179 bpm, PA: 110 x 60 mmHg. 
O ECG mostrava um taquiarritmia irregular, 
sem onda P com complexos estreitos, com 
uma FC variando de 171 a 186 bpm. A melhor 
conduta terapêutica a ser realizada é:
a) Cardioversão elétrica. 
b) Desfibrilação. 
c) Amiodarona IV.
d) Adenosina IV.
 Paciente relativamente jovem se apresen-
tando no pronto-socorro com quadro taquiar-
rítmico INSTÁVEL de início agudo. O ECG 
permite o diagnóstico de fibrilação atrial de alta 
resposta (ausência de onda P, QRS estreito, 
RR irregular). Lembre-se de que o termo “ins-
tável”, em arritmologia, se refere não apenas 
ao franco choque circulatório (com hipotensão 
arterial), mas também à presença de outros 
sinais e sintomas de gravidade como dispneia, 
palidez mucocutânea, tonteira e sudorese 
fria. Qual é o tratamento de toda taquiarritmia 
supraventricular “instável”? Cardioversão 
elétrica imediata! O termo “cardioversão” se 
refere ao choque sincronizado ao complexo 
QRS. O objetivo da sincronização é evitar o 
fenômeno “R sobre T”, que pode transformar 
o ritmo com QRS organizado numa fibrilação 
ventricular. A “desfibrilação”, por sua vez, é 
o choque não sincronizado ao QRS, sendo 
indicada na fibrilação ventricular (ausência de 
QRS organizado e, por conseguinte, sem risco 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 36Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
de fenômeno “R sobre T”). Mas por que será 
que o paciente desenvolveu este grave quadro 
clínico? Vamos ao exame físico. Perceba que 
há um nítido sopro diastólico em foco mitral. 
Perceba também que o paciente, na verda-
de, está em franco edema agudo de pulmão 
(estertores nos 2/3 inferiores dos hemitórax). 
Como juntar todas as peças deste quebra-
cabeça? Fácil! Provavelmente, se trata de um 
portador de estenose mitral (que em nosso 
meio, até se prove o contrário, tem origem 
reumática – ainda mais num paciente jovem), 
que evoluiu ao longo dos anos com aumento 
atrial esquerdo importante até descompensar 
com fibrilação atrial. Uma frequência cardíaca 
extremamente elevada reduz de forma signi-
ficativa o tempo de enchimento diastólico. Na 
presença de estenose mitral grave, o menor 
tempo diastólico propicia um grande aumento 
na pressão diastólica do átrio esquerdo. Como 
não há valvas que impeçam o fluxo retrógrado 
de sangue entre o átrio esquerdo e as veias 
pulmonares, ocorre congestão venocapilar 
pulmonar aguda e consequente extravasa-
mento de líquido para o interstício e alvéolos 
(edema agudo de pulmão). Logo, resposta: A.
2) FLUTTER ATRIAL
 Como é o ecg do Flutter Atrial Típico?
 RR regular, FC de 150 bpm, ondas F de flutter 
com aspecto em “dente de serra” e negativas 
em DII, DIII e aVF.
 Quais são as Causas de Flutter Atrial ?
	 Praticamente	as	mesmas	da	FA.	ICC	sistólica	
sintomática, DPOC, doença	mitral	reumática, 
pós-operatório de cirurgia cardíaca, miocardite, 
pericardite aguda, TEP, doença do nódulo sinu-
sal, cardiopatia congênita (ex.: CIA), atriotomia, 
tireotoxicose. O flutter atrial isolado (lone atrial 
flutter) é raro, respondendo por apenas 2% dos 
casos. É muito comum a associação de flutter 
com fibrilação atrial (estas arritmias podem se 
alternar no mesmo paciente!).
 Qual é o Comportamento Clínico do Flutter 
Atrial ?
 O flutter é uma arritmia geralmente transitó-
ria, revertendo espontaneamente para ritmo 
sinusal ou convertendo-se em fibrilação atrial. 
Os sintomas do flutter são os mesmos da FA: 
palpitações, fadiga, intolerância aos esforços, 
tontura, dispneia, precordialgia.
 Qual é a Conduta Frente a um Flutter Atrial ?
 Nos pacientes com alta chance de reversão 
espontânea (sem ICC sintomática grave, átrio 
esquerdopelo seu efeito vagolítico 
sobre o nódulo AV, e do grupo IC (propafenona, 
flecainida, encainida, morizicina), pelo seu efei-
to redutor da frequência das ondas F, facilitando 
a passagem pelo nódulo AV. Por isso, nunca 
se deve administrar estas drogas no flutter sem 
um inibidor do nódulo AV associado.
Neste ECG você observa ondas atriais com 
aspecto em “dente de serra” (“uma emenda na 
outra”), porém a frequência atrial não é de 300 
bpm; é maior que 300 bpm. Vamos calculá-la 
precisamente. A distância entre as ondas F é de 
3,5 mm: 1.500 dividido por 3,5 = 430 bpm. Este 
é o flutter atípico	(tipo	II),	no qual as ondas F 
apresentam uma frequência entre 350-450 bpm.
Mecanismo
Causas
Tal como a fibrilação atrial, o flutter é uma ta-
quiarritmia por reentrada, só que neste caso 
trata-se de um circuito único de macro reentra-
da, localizado no átrio	direito. No flutter típico 
(tipo I), o circuito passa pelo istmo, entre a valva 
tricúspide e o óstio da cava inferior e percorre 
o sentido	anti-horário, explicando as ondas F 
negativas em DII, DIII e aVF. Veja a FIGURA 2.
Figura 2
Tanto a sobrecarga atrial esquerda quanto 
a sobrecarga atrial direita podem predispor 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 38Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
ou desencadear um flutter atrial. A grande 
maioria dos casos de flutter ocorre em car-
diopatas ou pneumopatas. Raramente (2% 
dos casos), o flutter ocorre de forma isolada 
(lone atrial flutter). As doenças mais asso-
ciadas ao flutter atrial são a ICC	sistólica, o 
DPOC	e a doença	mitral	reumática. Uma 
causa especialmente comum de flutter é a 
CIA	 (Comunicação	 Interatrial). O flutter 
também é relativamente comum (tal como a 
fibrilação atrial) no pós-operatório imediato 
de cirurgia cardíaca.
Abordagem
O flutter atrial é uma arritmia frequentemente 
sintomática (palpitações, fadiga, intolerância 
aos esforços, tontura, dispneia, precordialgia) 
e pode descompensar a ICC ou a estenose 
mitral. Além disso, pode se converter a qual-
quer momento em fibrilação atrial, trazendo 
os problemas inerentes a esta última arritmia, 
como a predisposição aos fenômenos trom-
boembólicos. Por isso, o flutter atrial precisa 
sempre ser tratado.
Na maioria das vezes, o flutter é uma taquiar-
ritmia com tendência à reversão espontânea 
(flutter atrial	 paroxístico), mas com risco 
elevado de recidiva (flutter paroxístico	recor-
rente). Num grupo menor de pacientes, o flu-
tter se comporta com cronificação da arritmia 
(flutter atrial	persistente); este último, se não 
tratado pode provocar a taquicardiomiopatia.
*Existem	algumas	semelhanças	e	diferen-
ças	em	relação	ao	tratamento	da	fibrila-
ção	atrial.
Uma semelhança é a decisão entre a estra-
tégia de “controle da frequência” versus a 
estratégia de “controle do ritmo”. No flutter, 
o controle da frequência pelos inibidores do 
nódulo AV é favorecida naqueles pacientes 
estáveis hemodinamicamente e com alta chan-
ce de reversão espontânea para ritmo sinusal 
(ver quadro amarelo). Os inibidores do nódulo 
AV transformam um flutter 2:1 (FC = 150 bpm) 
num flutter 4:1 (FC = 75 bpm), controlando os 
sintomas do paciente!! A arritmia então acaba 
revertendo sozinha. Nos pacientes com ins-
tabilidade hemodinâmica ou que apresentam 
alta chance de recidiva ou persistência (doen-
ça mitral reumática, ICC sistólica sintomática, 
disfunção de VE com FE 5,0 cm, flutter paroxístico recorrente), a 
conduta é a reversão para ritmo sinusal, ou 
seja, o “controle do ritmo”. 
Para reverter o flutter, a conduta mais utilizada 
é a cardioversão	elétrica, usando a carga ini-
cial de 50-100	J (onda bifásica) ou 100	J (onda 
monofásica). A chance de reversão é bem alta: 
o flutter é a taquiarritmia mais responsiva à 
cardioversão elétrica. Um choque de 25-50 J 
já poderia reverter o flutter, mas também pode 
transformá-lo em fibrilação atrial. Com 100 J, 
no entanto, a chance de conversão para fibri-
lação atrial é menor. Em relação aos antiar-
rítmicos, o flutter é a taquiarritmia reentrante 
mais difícil de reverter quimicamente. Recen-
temente, estudos demonstraram alta eficácia 
da Ibutilida venosa (60% de reversão!!). Após 
ser revertido, um antiarrítmico profilático oral 
deve ser iniciado, sendo a Dofetilida e, em 
segundo lugar, a Amiodarona 200 mg/dia, as 
melhores drogas para este intuito!
*A chance de recidiva não é pequena, mesmo 
com o antiarrítmico (mais de 50% em um ano). 
Por isso, atualmente, a conduta intervencionista 
tem sido cada vez mais favorecida no flutter. Esta 
arritmia, na sua forma típica (flutter tipo I) pode 
ser curada através da ablação	por	 radiofre-
quência	do	istmo do átrio direito, com sucesso 
primário de 85%	e taxa de recidiva de 15%.
Precisa anticoagular o flutter atrial?
Guarde o conceito: o flutter atrial também pode 
predispor à formação de trombo no átrio es-
querdo, situação de risco para eventos trom-
boembólicos (AVE isquêmico)!!! Este problema 
ocorre especialmente naqueles pacientes que 
alternam fibrilação atrial com flutter. Na prática, 
recomenda-se a mesma terapia antitrombóti-
ca preconizada para fibrilação atrial (antes e 
depois da reversão e terapia antitrombótica 
crônica com anticoagulante oral ou AAS, na 
dependência do Grupo de Risco). 
*Estimulação Atrial Programada (overdrive 
pacing): este é o método de eleição para rever-
ter o flutter em pacientes que apresentam um 
cabo de MP epicárdico no átrio direito, como 
os indivíduos no pós-operatório de cirurgia 
cardíaca. O método usa um aparelho chama-
do cardioestimulador que, ligado ao cabo de 
MP atrial, é programado para uma frequência 
10% acima da frequência do flutter (300 pm) 
e depois esta frequência é lentamente redu-
zida. A chance de reversão é de 70-80%. A 
estimulação programada também pode ser 
executada através de um cabo de MP no 
esôfago (estimulação atrial transesofágica). 
Esta técnica é menos eficaz que a estimulação 
atrial direta e mais desconfortável. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 39Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
3) TAqUICARDIA SUPRAVENTRICULAR PAROxíSTICA 
(TSVP OU “TAqUI SUPRA”)
 	Como é o ecg da Taqui Supra?
 RR regular, FC entre 120-250 bpm, QRS 
estreito, sem onda P.
 	Quais são os dois tipos principais?
 (1) Taquicardia	AV	por	 reentrada	nodal	
(75% dos casos): mecanismo de reentra-
da utilizando duas vias do nódulo AV, a via 
alfa (lenta) e a via beta (rápida). O tipo dito 
“comum” (90% dos casos) é forma “lenta-
-rápida” – o estímulo desce pela via alfa 
(lenta) e sobe pela via beta (rápida). O tipo 
dito “incomum” (10% dos casos) é a forma 
“rápida-lenta” – o estímulo desce pela via 
beta (rápida) e sobre pela via alfa (lenta). 
 (2) Taquicardia	AV	por	reentrada	na	via	
acessória (15-25% dos casos): mecanismo 
de reentrada utilizando o nódulo AV e uma 
via acessória (feixe de fibras musculares 
que comunica átrio com ventrículo e com-
pete com NAV). O tipo mais comum é a ta-
quicardia ortodrômica (95% dos casos) – o 
estímulo desce pelo nódulo AV e sobe pela 
via acessória. O tipo menos comum (raro) é 
a taquicardia antidrômica (5% dos casos) – 
o estímulo desce pela via acessória e sobe 
pelo nódulo AV.
 	Qual é a Apresentação Clínica?
 Acomete qualquer idade (predomínio em 
jovens) e não depende de cardiopatia es-
trutural. Manifesta-se com palpitações no 
precórdio ou pescoço, tonteira, dispneia, 
poliúria ou síncope. Os sintomas começam e 
terminam subitamente (caráter “paroxístico”).
 	Qual é a Conduta Frente a uma Taqui 
Supra (qrs Estreito)?
	 1-	Reversão	aguda: manobra vagal (pode re-
verter alguns casos). Droga de escolha: Ade-
nosina IV. Se não reverter, tentar Verapamil 
IV ou Diltiazem IV. Se instabilidade hemodi-
nâmica: cardioversão elétrica sincronizada.
	 2-	Terapia	profilática: atualmente a maioria 
dos arritmologistas indica a ablação por ra-
diofrequência (sucesso > 95% e baixo índice 
de complicações). Terapia farmacológica: 
antiarrítmicos do grupo IC (Propafenona 
VO) ou Inibidores do nódulo AV (Verapamil,Diltiazem, Betabloqueador, Digital).
Tipicamente, a Taqui supra se apresenta como 
uma taquicardia de frequência bastante alta 
(120-250 bpm). O QRS é estreito, o que signifi-
ca que os ventrículos são estimulados pela via 
normal (sistema His-Purkinje), o RR é regular 
(ao contrário da fibrilação atrial) e geralmente 
não se detecta onda P. Veja o ECG abaixo 
com o aspecto típico da taqui supra:
Definição
Qual é a frequência desta taquiarritmia? 
Primeiramente, perceba que os intervalos RR 
são perfeitamente regulares. Agora, analise 
um intervalo RR (por exemplo: o assinalado 
na figura) e observe que ele apresenta um 
pouco menos de 2 “quadrados” e, portanto, a 
frequência está acima de 150 bpm. Para saber 
a frequência com exatidão, divida 1.500 pelo 
intervalo RR, em milímetros (neste caso, 9 
mm): 1.500 dividido por 9 = 166	bpm.
O QRS é estreito? 
Com certeza sim! Definimos um QRS estreito 
quando a sua duração é inferior a 0,12 segun-
do (3 mm). 
Vamos ampliar dois complexos QRS da deri-
vação DI:
Cada milímetro do papel de ECG, rodado 
na velocidade normal (25 mm/s), representa 
0,04 segundo (ou 40ms). Portanto, 1,5 mm 
representa 0,06 segundo. Este QRS é sem 
dúvida estreito!! O que significa o QRS estrei-
to? Significa que os ventrículos estão sendo 
ativados pela via normal, ou seja, pelo sistema 
His-Purkinje.
Como regra, podemos dizer que 
a maioria das taquiarritmias são 
de QRS estreito: Taqui sinusal, 
Taqui atrial, Fibrilação atrial, Flu-
tter atrial, Taqui supra. Já a Taqui 
ventricular é caracterizada pelo 
QRS alargado. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 40Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Como veremos, existem exceções: todas as 
taquiarritmias que normalmente têm o QRS 
estreito podem, eventualmente, se apresentar 
com QRS alargado, inclusive a Taqui supra. 
Por que isso acontece? A principal explicação 
é o bloqueio de ramo. Uma taquiarritmia que 
deveria ter o QRS estreito passa a ter o QRS 
alargado quando surge um bloqueio de ramo 
no QRS – este fenômeno é referido como 
“taquicardia supraventricular com aberrância” 
(no assunto taquiarritmias, podemos dizer que: 
bloqueio de ramo = aberrância).
Mecanismo
A Taqui supra é uma arritmia por reentrada. 
Depende, portanto, de um substrato arritmo-
gênico, que forma o caminho para o circuito 
reentrante. Na verdade, existem dois tipos de 
“Taqui supra”. Na primeira, o circuito de reen-
trada se faz no nódulo AV (Taqui AV nodal 
reentrante) e na segunda, o circuito reentrante 
é uma grande alça formada pela via acessória, 
o nódulo AV, o sistema His-Purkinje, o mio-
cárdio atrial e o miocárdio ventricular (Taqui 
AV reentrante com Via acessória). Veja as 
FIGURAS 3 e 4.
Taquicardia AV nodal reentrante: respon-
sável por 75% dos casos de Taqui supra. À 
esquerda: anatomia funcional da dupla via 
nodal. Detalhe: representação do circuito 
de reentrada da arritmia, no tipo “comum” 
(via alfa = via lenta; via beta = via rápida).
Taquicardia AV reentrante com Via acessó-
ria: responsável por 15-25% dos casos de 
Taqui supra. Na forma clássica (taquicardia 
ortodrômica), o estímulo “desce” pelo nó-
dulo AV e “sobe” pela Via acessória.
Figura 3 Figura 4
Taqui AV Nodal Reentrante
Esta é a causa mais comum de Taqui supra 
(75% dos casos)!!! Essa taquiarritmia, geral-
mente, é precipitada por uma extrassístole 
atrial e tem como substrato arritmogênico a 
presença da dupla	 via	nodal, ou seja, um 
nódulo AV composto por duas vias de pro-
priedades eletrofisiológicas distintas: (1) a via 
beta, de condução rápida e período refratário 
longo; e (2) a via alfa, de condução lenta e 
período refratário curto. A maioria das pessoas 
só possui a via beta, sem ter o risco, portanto, 
de desenvolver esta arritmia.
Obs.: Existem duas propriedades eletro-
fisiológicas das fibras cardíacas:	 (1) velo-
cidade de condução (que pode ser rápida ou 
lenta); e (2) período refratário (que pode ser 
curto ou longo). Período refratário é “tempo em 
que a fibra demora a se recuperar do estímulo 
anterior” – é importante ressaltar que, durante 
o período refratário, nenhum estímulo elétrico 
é capaz de ativar a fibra. Ela está, provisoria-
mente, não responsiva (não excitável). Detalhe: 
uma propriedade não tem necessariamente a 
ver com a outra! Por exemplo: existem fibras 
com velocidade de condução lenta e período 
refratário curto, assim como também existem 
fibras com velocidade de condução rápida e 
período refratário longo. Aliás, este parece ser 
o caso da Taqui supra.
Vejamos	como	é	desencadeada	a		
Taqui	supra	por	reentrada	nodal	
Em pessoas com dupla via nodal, a via alfa 
(lenta) geralmente tem o período refratário cur-
to (alfa = lenta = curto), enquanto que a via beta 
(rápida) tem o período refratário longo (beta 
= rápida = longo). Durante o ritmo sinusal, há 
tempo suficiente entre os batimentos para que 
ambas as vias se recuperem do período refra-
tário – o estímulo sinusal alcança o sistema 
His-Purkinje pela via beta, de condução mais 
rápida, ativando em seguida os ventrículos. O 
ECG por enquanto está normal. Porém, uma 
extrassístole atrial poderá a qualquer momento 
desencadear a Taqui supra!!! Veja como.
• Um estímulo precoce (extrassístole atrial) 
pode chegar ao nódulo AV no momento em 
que a via beta está refratária, mas a via alfa 
não!! Esta	possibilidade	só	existe	porque	
o	período	refratário	da	via	beta	é	longo	e	o	
da	via	alfa	é	curto!! A extrassístole, portanto, 
alcançará o sistema His-Purkinje através da 
via alfa (FIGURA 5A) e não pela via beta. 
• Como a condução pela via alfa é lenta, há 
tempo suficiente para que a via beta recupe-
re a sua excitabilidade, assim que o estímulo 
chega ao feixe de His. Isso permite o retorno 
do estímulo pela via beta, encontrando no-
vamente a via alfa (FIGURA 5B) e iniciando 
repetidas rotações (FIGURA 5C). Acabou de 
ser disparado o circuito de reentrada. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 41Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
FIG. 5A FIG. 5B FIG. 5C
*Durante a reentrada nodal, o estímulo “vai” 
aos ventrículos utilizando a via alfa (lenta) e 
“volta” aos átrios utilizando a via beta (rápida).
Acabamos de descrever o tipo “comum” da 
Taqui AV nodal reentrante, também chamado 
de forma	“lenta-rápida”	(slow-fast), pois o 
circuito de reentrada, como vimos, “vai” aos 
ventrículos pela via alfa (lenta) e “volta” aos 
átrios pela via beta (rápida). 
*No ECG, teremos, via de regra, um QRS es-
treito, pois os ventrículos estão sendo ativa-
dos, normalmente, pelo sistema His-Purkinje.
Analise minuciosamente o ECG da inicializa-
ção de uma Taqui AV nodal reentrante, tipo 
“comum” (forma “lenta-rápida”), e compreenda 
alguns conceitos importantes:
RITMO SINUSAL TAqUI AV NODAL REENTRANTE
*A taquiarritmia começa numa extrassístole 
atrial com PR longo. O PR mede a condu-
ção pelo nódulo AV e, como a extrassístole 
avança pela via alfa, de condução lenta, o 
PR torna-se prolongado.
*O QRS é, via de regra, estreito, pois os 
ventrículos são ativados normalmente pelo 
sistema His-Purkinje.
*Os átrios são ativados, retrogradamente, pela 
via beta. A ativação atrial é representada pela 
onda P retrógrada (onda P’), tipicamente nega-
tiva em DII, DIII e aVF e positiva em V1. Como 
a via beta é de condução rápida, a ativação 
atrial ocorre quase ao mesmo tempo que a 
ativação dos ventrículos. Portanto, a onda P 
retrógrada se inscreve praticamente dentro do 
QRS: ou a onda simplesmente não aparece ou 
aparece no final do QRS como uma pequena 
deflexão, simulando uma onda s em DII, DIII e 
aVF (pseudo-s) ou uma onda r’ em V1 (pseu-
do-r’). O asterisco da figura é a onda pseudo-s! 
A distância entre a pseudo-r’ e o próximo QRS 
depende da condução da via alfa que, portanto, 
determina a frequência da taquiarritmia.
Taqui AV Reentrante com 
 Via Acessória
É responsável por 15-25% dos casos de Ta-
qui supra. O ECG desta taquiarritmia é quase 
idêntico ao da Taqui AV nodal reentrante (RR 
regular, QRS estreito, sem onda P), porémo 
mecanismo é bem diferente. Estes pacientes 
nascem com uma via	acessória	congênita, 
ou seja, um feixe de fibras semelhantes às 
do miocárdio atrial, criando uma nova “ponte” 
entre átrios e ventrículos, além do conjunto 
nódulo AV-feixe de His. A presença de uma 
via acessória pode ser revelada no ECG em 
ritmo sinusal, pelo famoso padrão da sín-
drome de Wolff-Parkinson-White (PR curto 
e onda delta), que será abordada adiante. 
Entretanto, isso só acontece quando a via 
acessória permite a condução anterógrada, 
isto é, do átrio para o ventrículo. Contudo, o 
paciente pode ter uma via acessória sem con-
dução anterógrada e, neste caso, o padrão 
Wolff-Parkinson-White (WPW) estará ausente 
no ECG sinusal. Chamamos este tipo de via 
“não manifesta” de via acessória oculta. 
*O fato é que tanto uma via acessória mani-
festa (padrão WPW no ECG sinusal) quanto 
uma via acessória oculta (ECG sinusal nor-
mal) podem servir de substrato arritmogênico 
para a Taqui supra!!! O tipo mais comum de 
Taqui AV reentrante com via acessória exige 
apenas a condução retrógrada pela via, isto é, 
do ventrículo para o átrio. Uma via acessória 
oculta, embora não tenha condução anteró-
grada, pode apresentar condução retrógrada 
durante a taquiarritmia.
Vejamos	 como	é	desencadeada	 a	 Taqui	
supra	por	via	acessória. O mecanismo se 
parece com o da Taqui AV nodal reentrante, 
embora o circuito de reentrada seja diferente. A 
arritmia pode ser desencadeada tanto por uma 
extrassístole atrial como por uma extrassístole 
ventricular. A propensão à taquiarritmia vem da 
existência de diferentes propriedades eletrofi-
siológicas entre a via acessória e o nódulo AV. 
Comparativamente, podemos dizer que o nódulo 
AV possui condução lenta e um período refratá-
rio curto, enquanto que a via acessória possui 
condução rápida e um período refratário longo. 
Uma extrassístole atrial (batimento precoce) é 
bloqueado na via acessória, atingindo o sistema 
His-Purkinje e o miocárdio ventricular através 
do nódulo AV. Durante a ativação ventricular, a 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 42Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
via acessória se recupera do período refratária, 
permitindo o retorno do estímulo ao miocárdio 
atrial, que então começa um circuito “descendo” 
pelo nódulo AV, ativando o miocárdio ventricular, 
“subindo” pela via acessória e ativando o mio-
cárdio atrial. Acabou de ser disparado o circuito 
de reentrada de uma Taqui supra. Trata-se de 
um grande circuito que utiliza o nódulo AV, o 
sistema His-Purkinje, o miocárdio ventricular, a 
via acessória e o miocárdio atrial.
Assim, um dos parâmetros que podemos uti-
lizar nesta diferenciação é o de que na Taqui 
AV reentrante com via acessória o intervalo 
RP’ é maior que 70ms; na Taqui AV nodal 
reentrante, é menor que 70 ms. Outra carac-
terística particular da primeira é que nela po-
demos encontrar eventualmente a alternância 
da amplitude do QRS. Analise os dois ECGs 
seguintes e destaque as diferenças.
Comparando-os, podemos dizer que:
- Taqui AV nodal reentrante: pseudo-s em 
DII, pseudo-r’ em V1;
- Taqui AV reentrante com Via acessória: 
onda P’, alternância do QRS (observada em 
V1 e V6 do segundo ECG).
OBS.: Observe que, durante a Taqui supra, 
é comum o aparecimento de infradesnível 
do segmento ST e/ou onda T negativa em 
algumas derivações, sugerindo isquemia 
miocárdica! Mesmo após a reversão, estas 
alterações podem permanecer por um tempo. 
Esses “sinais isquêmicos” no ECG ocorrem 
mesmo na ausência de coronariopatia e 
isquemia miocárdica – não se conhece exa-
tamente o mecanismo.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE 
DE SÃO PAULO – SUS – SP
O traçado eletrocardiográfico, em um menino 
de 7 anos, evidencia complexos QRS estrei-
tos não precedidos de ondas P e frequência 
cardíaca de 210 bpm. O diagnóstico é:
a) Taquicardia sinusal. 
b) Extrassístoles ventriculares. 
c) Taquicardia ventricular.
d) Taquicardia juncional.
e) Taquicardia supraventricular.
 Independentemente do tipo de “taqui su-
pra”, sua manifestação eletrocardiográfica é 
a de uma taquicardia de frequência bastan-
te alta (120 – 220 bpm, portanto, compatível 
com a questão), com QRS estreito, RR regu-
lar, sem detectar a onda P precedendo QRS. 
Resposta: E. Apenas para marcar um concei-
to nessa questão, existem 2 tipos de “taqui 
supra”: por reentrada nodal AV (tipo mais co-
mum na população em geral, especialmente 
nas mulheres), mas também temos a reen-
trada por via acessória (predominante nas 
crianças por ser uma alteração congênita).
TAqUI AV REENTRANTE 
COM VIA ACESSÓRIA
RITMO SINUSAL
Taquicardia	AV	nodal	reentrante
Pseudo-sPseudo-r’
Taquicardia	AV	reentrante	com	via	acessória
Onda	P’
Esta é a forma mais comum de Taqui AV reen-
trante com via acessória, também chamada de 
Taqui AV ortodrômica. Como os ventrículos 
são ativados normalmente pelo nódulo AV e 
sistema His-Purkinje, o QRS é, via de regra, 
estreito. Daí vem a semelhança com a Taqui 
AV nodal reentrante. Porém, existe uma dife-
rença importante entre elas: a ativação atrial 
retrógrada ocorre após se completar a ativação 
ventricular; portanto, a onda P retrógrada (onda 
P’) se inscreve um pouco depois do QRS.
FIG. 6
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 43Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Obs.: A manobra vagal inibe o nódulo AV, reduzindo 
a frequência da Taqui supra ou mesmo revertendo-a. 
Muitas vezes quando pegamos um ECG com taqui-
cardia de origem supraventricular (QRS estreito) não 
conseguimos definir se é realmente TSVP ou então 
um flutter ou FA. Nesse caso, a manobra pode ser 
utilizada para diferenciar estas condições. Com a 
redução da FC, os complexos QRS são afastados, 
dando uma visão mais clara das ondas atriais.
Figura 7
Se não reverter com Adenosina, a próxima 
medida é fazer o Verapamil	venoso 5-10 mg 
ou o Diltiazem	venoso 20-25 mg. Todas es-
tas drogas agem inibindo o nódulo AV, parte 
obrigatória do circuito de reentrada da taqui-
cardia, tanto na Taqui AV nodal como na Taqui 
AV com via acessória! Betabloqueadores 
venosos seriam outras drogas disponíveis. 
Existe também a opção de reverter a arritmia 
com estimulação atrial programada, tal como 
no flutter. Em caso de instabilidade hemodi-
nâmica, escolhe-se a cardioversão elétrica 
emergencial com 150 J.
*Terapia	de	manutenção	(profilaxia): após a 
restauração do ritmo sinusal, deve-se observar 
se o ECG apresenta critérios da síndrome de 
Wolff-Parkinson-White (PR curto e onda delta) 
– ver adiante. Na ausência de tais critérios, o 
paciente poderá fazer uso de Verapamil ou 
Diltiazem oral, combinados ou não com a Di-
goxina. Os betabloqueadores são drogas de 
segunda linha. Os antiarrítmicos do grupo IC 
(ex.: Propafenona) são eficazes em alguns 
casos refratários, por inibirem tanto o nódu-
lo AV quanto a via acessória. Atualmente, 
a maioria dos arritmologistas recomenda a 
terapia definitiva intervencionista, através da 
ablação	por	radiofrequência da via alfa (na 
Taqui AV nodal) ou da via acessória (na Taqui 
AV por via acessória). O sucesso do procedi-
mento é de 95%, com risco de complicações 
maior para a Taqui AV nodal (1-2% de BAVT, 
com necessidade de MP definitivo). A Taqui 
supra é a arritmia mais curável pela ablação.
Veja as questões:
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013 
HOSPITAL DAS CLÍNICAS 
DO PARANÁ – PR
Paciente adulto atendido no serviço de emer-
gência devido a quadro de taquicardia sem 
evidência de comprometimento hemodinâmi-
co. Ao monitor, apresentava ritmo cardíaco 
regular com QRS estreito e frequência car-
díaca de 168 bpm. Qual a melhor conduta a 
ser instituída?
a) Desfibrilação cardíaca não sincronizada 
com choque bifásico de 100 J.
b) Desfibrilação cardíaca sincronizada com 
choque bifásico de 100 J.
c) Manobra vagal seguida de adenosina 6 mg 
EV caso não ocorra reversão ao ritmo sinusal.
d) Manobra vagal seguida de cardioversão 
elétrica sincronizada com choque bifásico 
de 50 a 100 J caso não ocorra reversão ao 
ritmo sinusal.
e) Manter apenas monitorizado, pois o pacien-te encontra-se hemodinamicamente estável.
 Quando nos deparamos com uma taquicar-
dia com QRS estreito e ritmo regular com FC = 
168 bpm, devemos sempre aventar a hipótese 
de uma taquicardia supraventricular paroxísti-
ca. A ausência de onda F afasta a hipótese de 
flutter atrial. Dificilmente teríamos uma taquicar-
quadro Clínico
Como o nome diz, esta arritmia se manifesta 
de forma paroxística, ou seja, começa e ter-
mina subitamente, como num estalo. E o que 
chama a atenção é que predomina em jovens e 
o paciente não precisa ter uma cardiopatia es-
trutural! Os episódios arrítmicos quase sempre 
provocam sintomas significativos, que variam 
desde palpitações até síncope, passando por 
tonteira, lipotímia, dispneia, desconforto toráci-
co e até poliúria (pela liberação aguda do peptí-
deo natriurético atrial). As palpitações da Taqui 
supra devem ser diferenciadas das palpitações 
não arrítmicas, decorrentes de estresse emo-
cional e da síndrome de ansiedade. Na Taqui 
supra, as palpitações geralmente são muito 
fortes, fazendo o paciente parar o que está fa-
zendo. No caso da Taqui AV nodal reentrante, 
é comum o paciente referir as palpitações no 
pescoço, um dado altamente sugestivo.
Abordagem
Se o paciente não apresentar sinais de insta-
bilidade hemodinâmica, a primeira medida é 
tentar reverter a taquiarritmia com manobra 
vagal, através da compressão do seio carotí-
deo (FIGURA 7) ou da manobra de Valsalva. 
Cabe lembrar que a compressão carotídea é 
contraindicada na presença de sopro e em 
pacientes idosos pelo risco de doença ate-
roesclerótica associada. 
Se a Taqui supra não for extinta pela manobra 
vagal, a conduta é tentar reversão farmacoló-
gica. E qual é a droga de escolha?
É a Adenosina	venosa, na dose inicial, em bo-
lus, de 6 mg. Se não houver reversão, faremos 
uma nova dose de 12 mg. Então, não esqueça!!! 
Adenosina, Adenosina = droga de 
escolha na Taqui supra!! 
Isto “cai” na prova de Residência!!
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 44Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
dia sinusal em repouso com essa frequência, 
na ausência de condições clínicas subjacen-
tes (sepse, por exemplo). Outras taquiarritmias 
com QRS estreito, como a FA, caracterizam-se 
por ritmo cardíaco irregular. Logo, existe uma 
chance altíssima de estarmos diante de um 
caso de TSVP. Diante de um paciente como 
o apresentado, na emergência, a conduta é a 
tentativa de reversão com manobra vagal e, em 
caso de insucesso, adenosina 6 mg IV, a qual 
pode ser repetida na dose de 12 mg em caso 
de não reversão. Apenas no caso de instabili-
dade hemodinâmica, não apresentada por este 
paciente, é que recorremos à cardioversão elé-
trica sincronizada com 150 J. Gabarito: letra C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
HOSPITAL ISRAELITA ALBERT 
EINSTEIN – SP
Um lactente de 1 ano e 6 meses chega ao 
pronto-socorro com quadro de arritmia cardía-
ca. O médico da emergência decide aplicar 
uma bolsa de gelo sobre a face do bebê ten-
tando induzir uma manobra vagal. A arritmia 
que este paciente provavelmente apresenta:
a) Taquicardia ventricular ou fibrilação ventri-
cular, sem pulso.
b) Bradicardia ou assistolia.
c) Taquicardias ventricular ou supraventricu-
lar hemodinamicamente instáveis.
d) Taquicardia ventricular hemodinamicamen-
te estável.
e) Taquicardia supraventricular hemodinami-
camente estável.
 
 As arritmias que classicamente são contro-
ladas e, muitas vezes, revertidas pela manobra 
vagal são as Taquicardias Supraventriculares 
Paroxísticas (TSVP). Lembre-se de que exis-
tem 2 tipos de “taqui supra”: por reentrada 
nodal (mais comum na população em geral, 
especialmente nas mulheres) e por reentrada 
em via acessória (predomina nas crianças por 
ser uma alteração congênita), de modo que a 
2ª opção é a mais provável para este caso. 
Mas, de qualquer maneira, o tratamento das 
“taqui supra” não muda, sendo indicada algu-
ma estratégia para redução da condução do 
estímulo pelo nodo AV, como a manobra vagal 
e a adenosina. Nos casos de instabilidade 
hemodinâmica, a terapêutica de escolha seria 
a cardioversão elétrica sincronizada.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011
UNIVERSIDADE FEDERAL 
DE SANTA CATARINA – UFSC
Um paciente de 35 anos chega à emergência 
com história de palpitações e sensação de que 
“o coração parece que quer sair pela boca”. 
Sua pressão arterial é estável, o ritmo é regu-
lar e a frequência cardíaca é de 150 bpm. O 
eletrocardiograma mostra uma taquiarritmia 
de complexo estreito. Qual o diagnóstico mais 
provável e qual a terapêutica de escolha?
a) Fibrilação atrial; Fazer cardioversão com 300 J.
b) Taquicardia supraventricular; Administrar ade-
nosina endovenosa.
c) Flutter atrial; Fazer verapamil endovenoso.
d) Taquicardia ventricular; Fazer adenosina 
endovenosa.
e) Fibrilação atrial; Fazer cedilanide endovenoso.
 O quadro clínico não poderia ser mais 
clássico: paciente jovem com palpitações 
que chega à emergência. Para ficar ainda 
mais característico, seria uma mulher ainda 
mais jovem após um momento de estresse... 
A descrição do ECG nos confirma a opção 
pela Taqui Supra, visto que complexo estreito 
exclui Taqui Ventricular e ritmo regular, a FA. 
Agora é claro que uma taquicardia regular com 
complexos QRS estreitos pode ser tanto um 
flutter atrial (a arritmia matemática que bate a 
150 bpm – condução 2:1) quanto uma Taqui 
Supra paroxística. Como decidir então entre as 
opções B e C? Na prática, a primeira conduta 
será visualizar melhor as ondas que precedem 
o QRS, com a realização de alguma manobra 
vagal. Caso a taquicardia não se resolva, o 
próximo passo é ministrar adenosina 6 mg IV 
em bolus, com possível segundo bolus de 12 
mg. Já em relação ao flutter atrial, o tratamento 
de escolha é a cardioversão elétrica ou com 
ibutilida/dofetilida (pouco disponíveis)! Uma 
droga como o verapamil teria a função de re-
duzir a condução pelo nódulo AV e controlar a 
FC, o que só deve ser feito em casos de flutter 
se não dispusermos de equipamentos para a 
cardioversão elétrica. Logo, a melhor opção 
é, sem dúvida, a letra B.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011
HOSPITAL ESTADUAL DO ACRE – AC
Assinale a alternativa CORRETA: qual a ar-
ritmia mais comum na faixa etária pediátrica?
a) Taquicardia supraventricular.
b) Taquicardia juncional.
c) Taquicardia ventricular.
d) Bloqueio atrioventricular total.
e) Flutter atrial.
 A principal arritmia em crianças se chama 
arritmia sinusal, uma variação da normalidade 
em que a frequência cardíaca se modifica em 
função da fase do ciclo respiratório. Quando o 
paciente inspira, a FC aumenta, e quando ele 
expira, a FC diminui... Excluída esta entidade 
(que é benigna e comumente assintomática, 
não necessitando de tratamento), temos como 
distúrbio arrítmico mais prevalente o grande 
grupo das Taquicardias Supraventriculares 
(TSV)! Este termo inclui diversas arritmias com 
origem acima dos ventrículos, sendo a mais co-
mum na criança a taquicardia supraventricular 
por reentrada em via acessória. A taquicardia 
supraventricular por reentrada nodal é rara em 
crianças, assim como as demais entidades ci-
tadas nas alternativas. Resposta: A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DO 
ESPÍRITO SANTO – UFES 
Mulher de 25 anos é atendida no Pronto-So-
corro com história de palpitações taquicárdi-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 45Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
cas, de início súbito, após discussão familiar, 
associada a mal-estar geral, sem sinais de 
baixo débito. PA = 110/70 mmHg. Frequência 
Cardíaca = 180 bpm e eletrocardiograma de-
monstrando taquicardia de QRS estreito. Qual 
a primeira conduta a ser tomada?
a) Amiodarona 300 mg endovenosa. 
b) Propafenoma 600 mg via oral. 
c) Cedilanide meia ampola endovenosa.
d) Manobra vagal.
e) Adenosina 02 ampolas endovenosa.
 Taquicardia de QRS estreito em uma mulher 
jovem??? Não há como não pensar em Taqui 
supra... Neste caso, já que não temos reper-
cussão hemodinâmica, a manobra vagal fica 
indicada como primeiro passo. Resposta: D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2003
UNIVERSIDADEde 
HAS há cerca de 20 anos, es tando em u so de hidroclorotiazida 25 mg/dia e anlodipina 10 
mg/dia. Relata um episódio de isquemia cerebral há 2 anos, quando ficou internada por 1 
semana. Ao exame físico inicial, mos trava-se taquidispneica, afebril , normocorada, hidratada, 
PA 130/80 mmHg, FC 140 bpm, ri tmo cardíaco irregular sem sopros, au scul ta pulmonar com 
discreta crepitação bibasal. Realizado ECG que evidenciou a presença de taquiarri tmia de 
complexos QR S es treitos e irregulares, sem visualização de onda P. Nesse momento, após 
solicitar a punção venosa periférica e a coleta de alguns exames laboratoriais, defina qual 
seria sua conduta terapêutica inicial.
Prescrição
Continua...
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11
Astrongiloides, 27 
anos, branco, solteiro é internado na unidade 
coronariana após quadro de mor te súbi ta abor tada durante par tida 
de futebol. O evento ocorreu 20 minutos após o início da par tida e rever tido dentro de 
3 minutos por paramédicos que trabalhavam no clube em que se dava a par tida. O quadro 
foi súbi to e não houve qualquer trauma craniano ou torácico. O ri tmo relatado pelos 
profissionais no momento da parada foi de fibrilação ventricular, rever tida com uma carga de 
200J em um aparelho bifásico. 
A história colhida com a família revela um paciente hígido, com hábitos de vida não 
sedentários, sem qualquer relato prévio de palpi tações ou síncope. Os parentes inclusive 
referem exames ocupacionais recentes que não mostravam alteração eletrocardiográfica nem 
metabólica. Não é usuário de drogas intravenosas, não faz uso regular de qualquer medicação 
e também não há qualquer relato de antecedentes familiares semelhantes.
Ao exame, temos um paciente lúcido, em bom estado geral, corado, hipo-hidratado +/4+, 
afebril, anictérico, longilíneo. PA 128 x 80 mmHg; FC 87bpm; FR 16 irpm. Pulso regular, 
bulhas normofonéticas, sopros cardíacos ausentes. Abdome e aparelho respiratório atípicos. 
Extremidades sem alterações relevantes.
Exames laboratoriais solici tados na unidade mostravam-se todos normais e PCR-ultrassensível 
em valores reduzidos. Durante a investigação do quadro, ainda na unidade coronariana, 
fez um ECG de alta resolução que mostrou apenas alterações na fase de repolarização 
ventricular e um ECG-Holter sem alterações expressivas, com raras extrassístoles 
ventriculares e supraventriculares. Realizou teste de esforço que levou à reprodução de 
algumas taquiarri tmias de complexo aberrante, necessi tando a interrupção do exame. 
Prosseguiu investigação com uma cineangiocoronariografia que mostrou os achados abaixo 
respectivamente na sístole e na diástole:
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12
Com a chegada deste paciente à unidade coronariana, quais devem ter 
sido as principais hipóteses diagnósticas levantadas pela equipe médica?
Quais são os achados observados na cineangiocoronariografia? 
Qual o diagnóstico recebido pelo paciente?
Qual a conduta que deve ser orientada ao paciente?
Cite outros distúrbios que entrariam no diagnóstico 
diferencial da alteração de base deste paciente.
Com relação ao caso, pergunta-se:
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 13Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
SÍNCOPE
13
Definição
Quando alguém lhe diz que atendeu um pa-
ciente com síncope, qual é a primeira ideia que 
vem à cabeça? Um desmaio?! Uma queda?! 
Uma perda de consciência?! Repare então 
que, inicialmente, podemos ter alguns termos 
muito similares que costumam ser utilizados 
no mesmo contexto e gerar confusão.
Utilizando as definições da Diretriz de Síncope 
da AHA (American Heart Association), pode-
mos defini-la como um sintoma que se apre-
senta com perda abrupta, transitória e com-
pleta da consciência, associada à inabilidade 
de manter o tônus postural, com recuperação 
rápida e espontânea. Ela corresponde a, apro-
ximadamente, 3% das admissões à emergên-
cia nos EUA. O mecanismo atribuído é a re-
dução do fluxo sanguíneo cerebral e não deve 
haver achados de outras causas de perda da 
consciência como convulsão, TCE prévio ou 
apenas uma perda aparente (pseudosíncope).
E quanto aos outros termos???
Bem, vamos a eles:
•	Pré-síncope: são os sintomas (cabeça vazia, 
turvação visual, náusea, sudorese, tonteira) 
que precedem um quadro de síncope, sem a 
perda completa da consciência. Podem ser 
abortados ou progredir para síncope; 
•	Lipotímia e desmaio: apesar de diferencia-
dos em alguns manuais mais tradicionais de 
Semiologia, são termos, na prática, bastan-
te inespecíficos e que são citados ora como 
sinônimo de síncope, ora como pré-síncope;
•	Perda da consciência: estado cognitivo em 
que o indivíduo não tem a percepção de si e 
da sua situação, não conseguindo respon-
der aos estímulos; 
•	Intolerância ortostática: síndrome caracteri-
zada por alterações frequentes, recorrentes 
ou persistentes da visão, palpitações, tre-
mores, fraqueza generalizada, intolerância 
ao exercício e fadiga quando em ortostase, 
associadas à capacidade reduzida de man-
ter o tônus postural. Estes sintomas podem 
ocorrer com ou sem taquicardia, hipotensão 
postural ou síncope; 
•	Taquicardia ortostática: aumento sustentado 
da FC (≥ 30 bpm ou ≥ 40 bpm em indivíduos 
de 12-19 anos) dentro de 10min da mudan-
ça de decúbito para ortostase; 
•	Síndrome Taquicárdica Ortostática Postural 
(POTS): síndrome caracterizada por (1) in-
tolerância ortostática e (2) taquicardia ortos-
tática. Pode incluir sintomas não associados 
à posição como náuseas, diarreia, dor ab-
dominal, distúrbios do sono e enxaqueca; 
•	Pseudosíncope psicogênica: perda aparente, 
mas não verdadeira, da consciência que 
ocorre na ausência de uma causa orgânica 
ou metabólica identificável.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2016 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO 
ESTADO DO RIO DE JANEIRO – RJ
Paciente com síndrome de taquicardia ortos-
tática postural, ao assumir a posição ortostá-
tica, além das alterações específicas relacio-
nados ao aumento da frequência cardíaca, 
caracteristicamente, também irão apresentar.
a) Vertigem.
b) Sudorese.
c) Ritmo cardíaco irregular.
d) Queda acentuada da pressão arterial.
e) Intolerância ortostática sintomática.
 A síndrome de taquicardia ortostática está 
dentro do espectro da síndrome do ortosta-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 14Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
tismo, condição relacionada à existência de 
graus variáveis de disautonomia (disfunção 
do sistema nervoso autônomo, com prejuí-
zo aos reflexos que mantêm a estabilidade 
cardiovascular em resposta às mudanças de 
postura). Nesta condição, o paciente apre-
senta taquicardia e intolerância sintomática 
postural (relacionada apenas a essa taqui-
cardia), sem que haja uma queda acentuada 
da pressão arterial... Outra faceta (mais gra-
ve) do espectro da síndrome do ortostatismo 
é a famosa síndrome de hipotensão postural, 
condição em que o paciente apresenta, além 
de taquicardia, franca hipotensão arterial sin-
tomática (com vertigem, sudorese, síncope 
etc). Logo, resposta: letra E.
Causas
Embora as causas variem de acordo com a fai-
xa etária, as síncopes são benignas na maioria 
dos casos, sendo principalmente do tipo reflexas 
ou neuromediadas. Elas devem, no entanto, ser 
diferenciadas de condições mais graves, espe-
cialmente nos pacientes idosos que apresentam, 
caracteristicamente, uma taxa muito mais ele-
vada de arritmias e doença cardíaca estrutural. 
Veja a seguir na Tabela 1 as principais causas 
deste distúrbio. A síncope reflexa é a principal 
delas (21%), seguida da cardíaca e hipotensão 
postural (ambas com 9%).
	 1)	Reflexa	(neuromediada	ou	
neurocardiogênica) 
- Síncope vasovagal: deflagradas por medo, dor, 
ansiedade, emoção intensa, visões e odores 
desagradáveis, exercício intenso.
- Síncope situacional: tosse, espirro, micção,FEDERAL DO
ESPÍRITO SANTO – UFES
Mulher de 24 anos, com história de taquicar-
dia recorrente, chega à sala de emergência 
com falta de ar nas últimas duas horas. Tem 
longa história de asma, mas não apresen-
tou exacerbações desde que começou a 
 	O que é?
 É uma síndrome decorrente da presença de 
uma via acessória congênita com capacida-
de de condução anterógrada (do átrio para 
o ventrículo), revelando-se no ECG sinusal 
com o padrão da “pré-excitação ventricular” 
(PR curto e onda delta) e manifestando-se 
clinicamente com taquiarritmias de repeti-
ção, geralmente do tipo Taqui supra.
 	Quais são as Arritmias da Síndrome de 
wpw?
(1) Taqui	supra	em	via	acessória	ortodrô-
mica: é a mais comum! Apresenta-se 
com RR regular, QRS estreito, sem onda 
P e com onda P’. 
(2) Taqui	 supra	 em	 via	 acessória	 anti-
drômica: rara (5% das Taqui supra da 
síndrome de WPW). Apresenta-se com 
RR regular, QRS alargado, sem onda P. 
Geralmente, não é possível detectar a 
onda P’. O ECG é praticamente idêntico 
ao da Taqui ventricular monomórfica.
SíNDROME DE WOLFF-PARkINSON-WHITE
usar teofilina. Ao exame físico, não está em 
desconforto respiratório, PA: 90/60 mmHg, 
frequência cardíaca de 196 bpm com ritmo 
regular, ausência de sopros ou atritos. O ele-
trocardiograma mostra taquicardia regular de 
complexo QRS estreito. Qual das seguintes 
é a escolha de tratamento mais apropriada:
a) Adenosina intravenosa. 
b) Digitálicos intravenoso. 
c) Metoprolol EV. 
d) Verapamil intravenoso. 
 Uma bem antiga, mas extremamente válida 
como um alerta no nosso treinamento! Como 
é droga fundamental no tratamento da TSVP, 
vamos aproveitar para falar um pouco mais 
sobre a adenosina. Esta droga pode provocar 
rubor facial, cefaleia e desconforto precordial, 
porém são efeitos passageiros. O paciente às 
vezes relata sensação de “morte iminente”. 
Pode também provocar broncoespasmo em 
asmáticos e por isso não pode ser a opção 
preferencial desta questão (MALDADE!). 
Além disso, drogas como teofilina e cafeína 
podem reduzir o efeito da droga. A melhor 
opção passa a ser então o verapamil e, em 
seguida, o diltiazem. Resposta D.
(3) Fibrilação	atrial	com	WPW: taquiarrit-
mia incomum, mas muito perigosa, pelo 
risco de degenerar-se em FV. Apresenta-
-se com RR irregular, QRS alargado, sem 
onda P e eventual onda delta.
 	Qual é o Tratamento?
1-		Reverter	 a	 taquiarritmia – (1) Taqui 
supra ortodrômica: Adenosina (segunda 
escolha: verapamil ou diltiazem); (2) Taqui 
supra antidrômica: Procainamida (opção: 
Amiodarona); (3) FA com WPW: Procai-
namida (opções: Ibutilida, Amiodarona). 
Instabilidade hemodinâmica: Cardioversão 
elétrica emergencial.
2-		Terapia	profilática – A ablação por ra-
diofrequência da via acessória está sem-
pre indicada!!! Terapia famacológica: (1) 
Taqui supra ortodrômica: Grupo IC (Pro-
pafenona, Flecainida); segunda escolha: 
verapamil, diltiazem ± digoxina; (2) Taqui 
supra antidrômica: Grupo IC (Propafeno-
na, Flecainida); opção: Amiodarona; (3) 
FA com WPW: Grupo IC (Propafenona, 
Flecainida); opção: Amiodarona.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 46Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Definição
Entenda a Síndrome de Wolff-Parkinson-
White (WPW)
Trata-se de uma síndrome de diagnóstico ele-
trocardiográfico, tendo como patologia básica 
a presença de uma via acessória, congênita 
que predispõe à ocorrência de taquiarritmias. 
Todo paciente com história de palpitações de 
início e término súbitos, ou de síncope inexpli-
cada, ou com episódio registrado de Taqui su-
pra, deve ter o seu ECG de repouso avaliado 
visando descartar ou confirmar a síndrome de 
WPW. Os pacientes com esta síndrome apre-
sentam uma “marca” no ECG sinusal: o padrão 
de “pré-excitação	ventricular”. Este termo 
refere-se a uma ativação ventricular precoce 
e anômala, dependente de uma via acessória 
com propriedades de condução anterógrada.
 
*Veja o que acontece: o estímulo sinusal 
chega ao nódulo AV e à via acessória, mas, 
como esta última apresenta condução rápida 
(em comparação com o nódulo AV), os ventrí-
culos são ativados precocemente, explicando 
o intervalo PR	curto. A ativação ventricular, 
proveniente da via acessória, começa pelo 
miocárdio (e não pelo sistema His-Purkinje), 
justificando um alentecimento na porção inicial 
do QRS, representado pela onda	delta. A por-
ção final do QRS é estreita, já que o término da 
ativação ventricular se faz normalmente pelo 
nódulo AV e sistema His-Purkinje. Em outras 
palavras: os ventrículos são ativados por duas 
vias: pela via acessória (fase inicial) e pelo 
nódulo AV-sistema His-Purkinje (fase final).
Figura 8
Veja como fica o ECG sinusal do paciente.
Um PR curto tem menos de 0,12 segundo 
(3 mm). Lembre-se de que o intervalo PR é 
medido do início da P até o início do QRS!! 
Geralmente, quando o PR está curto, a onda 
P praticamente “cola” no QRS. A onda delta, 
como você vê na figura (setas, círculos), é um 
alentecimento ou “espessamento” na porção 
inicial do QRS. O restante do QRS é estreito, 
embora a sua amplitude e polaridade possam 
ser modificadas, o que faz do padrão de WPW 
o “grande simulador” eletrocardiográfico: pode 
ser confundido com infarto, hipertrofia de VE 
e bloqueio de ramo!!
Obs.: Quando temos um PR curto, mas 
sem onda delta (QRS totalmente normal), 
estamos diante da “síndrome”	de	 lown-	
-Ganong-levine, que representa a presen-
ça de um feixe átrio-Hissiano. Embora se 
acreditasse ser uma síndrome associada à 
Taqui supra, provavelmente não passa de 
uma curiosidade eletrocardiográfica.
Quais são as taquiarritmias da Síndrome 
de WPW?
A arritmia mais comum é a Taqui supra!! A 
presença de uma via acessória pode participar 
do megacircuito de reentrada atrioventricular, 
como vimos anteriormente. É a Taqui AV reen-
trante com via acessória. O tipo mais comum 
continua sendo a Taquicardia	ortodrômica 
(“desce” pelo nódulo AV e “sobe” pela via 
acessória), que se manifesta como qualquer 
Taqui supra por via acessória: RR regular, 
QRS estreito, sem onda P e presença da onda 
P’. Veja o ECG no quadro amarelo. O QRS tor-
na-se estreito e sem onda delta, pois durante 
a Taqui supra os ventrículos são totalmente 
ativados pelo nódulo AV e sistema His-Purkin-
je. Raramente (5% dos casos), a via acessória 
funciona com passagem anterógrada durante 
a Taqui supra, quando então encontramos a 
Taquicardia	 antidrômica (“desce” pela via 
acessória e “sobe” pelo nódulo AV). Esta ta-
quicardia é praticamente idêntica a uma Taqui 
ventricular monomórfica (ver adiante), faltando 
apenas da dissociação AV (ver adiante). Veja 
o ECG do quadro amarelo.
*Os pacientes com a síndrome de WPW pos-
suem, por razões desconhecidas, um risco 
aumentado de fibrilação	atrial	paroxística e, 
em menor grau, de flutter atrial. Cerca de 20-
30% dos indivíduos com síndrome de WPW 
desenvolvem fibrilação atrial em algum momen-
to!! Aí está o grande problema. A via acessória 
não possui a propriedade de “filtro” típica do 
nódulo AV; portanto, uma taquiarritmia atrial de 
alta frequência torna-se perigosa se a maioria 
dos estímulos atriais passarem aos ventrículos 
pela via acessória, em vez de serem “filtrados” 
pelo nódulo AV. O resultado pode ser catas-
trófico. Se o período refratário anterógrado da 
via acessória for muito curto, inferior a 250 ms, 
grande parte dos estímulos da fibrilação atrial 
e todos os estímulos do flutter atrial passarão 
para os ventrículos por meio da via acessória. 
O resultado é uma FA se manifestando com FC 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 47Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
altíssima, em torno de 300 bpm ou mais ou um 
flutter 1:1 (300 bpm). 
Como será o ECG?
não	parece,	mas	este	ECG	é	de	uma	fibrila-
ção	atrial!!! É uma FA num paciente com sín-
drome de WPW e condução preferencial pela 
via acessória, que apresenta período refratário 
anterógrado curto. Quais são as características 
deste ECG? RR totalmente irregular (princi-
pal pista para o diagnóstico!), QRS alargado(lembrando uma Taqui ventricular polimórfica), 
ondas delta eventuais (setas) e frequência 
muito alta, em torno de 300 bpm. Pode ocorrer 
em qualquer idade, mas é mais frequente em 
pacientes jovens, sem cardiopatia estrutural. 
O paciente quase sempre se apresenta com 
quadro sincopal ou qualquer outro tipo de ins-
tabilidade hemodinâmica! O motivo do QRS 
alargado é a ativação ventricular anômala, que 
se procede através da via acessória diretamen-
te no miocárdio ventricular.
*Toda taquicardia com QRS alargado com fre-
quência cardíaca muito alta pode se degenerar 
em fibrilação	ventricular	(morte	súbita), pela 
fragmentação do estímulo elétrico no miocár-
dio ventricular. De uma forma geral, o risco de 
morte súbita na síndrome de WPW oscila em 
torno de 1%, sendo uma importante causa de 
morte súbita em jovens.
Abordagem
*Reversão	da	taquiarritmia: todos os casos 
de instabilidade hemodinâmica devem ser 
prontamente revertidos com Cardioversão	
elétrica	emergencial. Na FA com WPW, a 
carga deve ser mais alta, começando com 200 
J. A droga de escolha para reverter ou esta-
bilizar o paciente com fibrilação atrial + WPW 
é a Procainamida venosa 15 mg/kg (infundir 
em 30min, em 50 ml de soro), seguida por 1-4 
mg/min em infusão contínua. A Amiodarona 
venosa e a Ibutilida venosa são as drogas de 
segunda escolha. A Taqui supra ortodrômica 
(QRS estreito) deve ser revertida com manobra 
vagal, Adenosina (primeira escolha), Verapa-
mil venoso ou Diltiazem venoso. Já a Taqui su-
pra antidrômica deve ter o mesmo tratamento 
descrito para a FA com WPW! O mesmo vale 
para o flutter atrial com WPW.
*Terapia	profilática: o procedimento de abla-
ção	por	 radiofrequência da via acessória 
está sempre indicada na síndrome de WPW 
(pré-excitação no ECG sinusal + taquiarritmias 
de repetição). Portanto, estes pacientes devem 
sempre ser encaminhados ao arritmologista. A 
terapia farmacológica depende da taquiarritmia 
que o paciente apresentou: (1) Taqui supra 
ortodrômica: Verapamil, Diltiazem ± Digoxina, 
ou Propafenona (Grupo IC); (2) Taqui supra 
antidrômica, Fibrilação atrial + WPW ou flutter 
+ WPW: a droga profilática de escolha nesses 
casos é um antiarrítmico do Grupo IC – em 
nosso meio, utiliza-se a Propafenona 450-900 
mg/dia (3 tomadas). Nos EUA, dá-se prefe-
rência pela Flecainida. As drogas do Grupo 
IC são potentes inibidores da via acessória. 
Aliás, muitos autores recomendam a profilaxia 
com drogas do Grupo IC (Propafenona) em 
todos os pacientes com síndrome de WPW e 
taquiarritmia, independentemente do tipo de 
taquiarritmia. Esta é uma segurança para evitar 
problemas, caso ocorra uma fibrilação atrial.
IMPORTAnTE!!!
Na presença de fibrilação atrial ou flutter com 
WPW, todas as drogas inibidoras do nódulo 
AV (adenosina, verapamil, diltiazem, betablo-
queadores, digitálicos) são absolutamente con-
traindicadas!!! O motivo é o risco de dificultar 
a passagem dos estímulos atriais pelo nódulo 
AV, forçando-os a passarem todos pela via 
acessória, precipitando eventualmente uma fi-
brilação ventricular!! Estas drogas também são 
contraindicadas na Taqui supra antidrômica...
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
HOSPITAL ISRAELITA 
ALBERT EINSTEIN – SP
Um homem de 26 anos procura o médico 
com queixa de episódios frequentes de palpi-
tações, com o coração acelerado, há meses. 
É sedentário, tabagista e tem peso próximo 
do ideal; teve doença na infância, relatada 
como reumatismo pelos seus pais, e se con-
sidera estressado no trabalho e em casa. O 
seu ECG é mostrado abaixo. O médico deve:
a) Solicitar ecocardiografia na suspeita de 
valvopatia reumática.
b) Orientá-lo com o diagnóstico de síndrome 
de Wolff-Parkinson-White.
c) Prosseguir na investigação com Holter e eco-
cardiografia uma vez que não tem diagnóstico.
d) Acalmá-lo em relação a qualquer tipo de 
doença cardíaca e orientar exercícios físicos 
e suspensão do tabagismo.
e) Iniciar um betabloqueador por evidência 
de tônus simpático aumentado.
 Estamos diante de um caso clássico da Sín-
drome de Wolff-Parkinson-White (SWPW). 
Paciente jovem, com queixas de episódios 
súbitos e repetitivos de palpitação (taquiarrit-
mia), cujo “minúsculo” traçado em ritmo sinusal 
(período assintomático) revela a existência de 
pré-excitação ventricular: intervalo PR curto (refratárias aos antiarrítmicos. 
A causa mais importante é a intoxicação	di-
gitálica!! Devemos suspeitar de TJNP quando 
um paciente com FA e uso crônico de digital 
começa a ficar com o ritmo regular. Afinal, 
não é esperado que o digital reverta a FA. A 
conduta neste caso é a suspensão do digital. 
Não confunda Taqui supra por reentrada 
nodal com esta arritmia: a Taqui Juncional 
Não Paroxística.
 Como é o ECG da TJNP? 
 Parece com as outras Taqui supras, mas 
a FC costuma ser menor (variando entre 
100-120 bpm). Uma arritmia idêntica, mas 
com uma frequência entre 60-100 bpm, é 
denominada Ritmo Idiojuncional Acelerado, 
possuindo as mesmas causas da TJNP.
 Observe no primeiro ECG da TJNP uma 
taquicardia com RR regular, QRS estreito, 
sem onda P e frequência de aproximada-
mente 110 bpm. Há também o aspecto da 
impregnação digitálica no ST-T (“pá de 
pedreiro”: infra de ST côncavo com onda T 
positiva arredondada). 
 Observe no segundo ECG algumas on-
das P. O que elas estão fazendo aí?? Na 
TJNP pode ou não ocorrer o fenômeno 
da dissociação	AV, isto é, as ondas P si-
nusais se inscrevem independentemente 
dos complexos QRS. É como se a onda 
P sinusal “entrasse e saísse” do QRS. 
É o que você está vendo neste traçado! 
Este tipo de dissociação AV é denomina-
da “dissociação isorrítmica”, pois a fre-
quência ventricular (complexos QRS) é 
semelhante à frequência sinusal (ondas 
P). Eventualmente, uma onda P sinusal 
se associa a um QRS, como ocorreu no 
sexto QRS do traçado: este QRS não é da 
arritmia, mas um batimento sinusal normal 
(P-QRS), que pode aparecer intermiten-
temente no traçado da TJNP. Chamamos 
este batimento de “batimento de captura”.
*Tratamento	da	TJnP:	
 Nos adultos, esta arritmia geralmente é bem 
tolerada pelo paciente, não provocando sin-
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 49Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
tomas, e tende a ser autolimitada. A conduta 
é apenas suspender o digital (se for intoxi-
cação digitálica). Nos casos sintomáticos, 
sem uso prévio de digital, a administração 
de verapamil, diltiazem ou betabloqueadores 
pode reduzir a FC ou reverter a arritmia.
5) TAqUICARDIA ATRIAL
 	Como é o ecg Típico da Taqui Atrial?
RR regular, FC entre 100-250 bpm, QRS es-
treito, com onda P de morfologia diferente da 
sinusal. A onda P está mais próxima do QRS 
seguinte do que do QRS anterior (PRassociada à surdez 
neurossensorial.
 *TV	polimórfica	não	Torsades: por defini-
ção, é uma TV polimórfica como o Torsades, 
mas não se associa ao QT longo no ECG 
basal. A causa mais comum é a isquemia 
miocárdica aguda por oclusão coronariana. 
A intoxicação digitálica pode desencadear 
a TV bidirecional (forma especial de TV). 
Menos comumente, pode ser hereditária: TV 
polimórfica catecolaminérgica familiar.
 *Ritmo	 idioventricular	 acelerado: comu-
mente encontrado na fase aguda do IAM 
ou após a reperfusão miocárdica. Pode ser 
considerada uma “arritmia de reperfusão”.
 Quais são as Causas e Mecanismos da 
Taqui Ventricular?
 *TV	monomórfica: 
 É uma taquiarritmia por reentrada no miocár-
dio ventricular ou utilizando os ramos, fascí-
culos e fibras de Purkinje. A imensa maioria 
http://#videomiolo=13734-CM228059
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 51Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
A Taqui ventricular é o exemplo mais típico de 
uma taquiarritmia com QRS alargado, ou seja, 
com duração > 0,12 segundo (3 mm)!! Tanto 
é que existe o famoso macete: 
Aspectos gerais
“Diante	de	uma	taquicardia	com	QRS	
alargado,	considere	Taqui	Ventricular	
até	que	se	prove	contrário”.
Contudo, existem também dois outros me-
canismos que podem explicar taquiarritmias 
atriais ou supraventriculares com QRS alar-
gado: (1) bloqueio de ramo (taqui supraven-
tricular com aberrância); e (2) pré-excitação 
ventricular, na síndrome de WPW.
*O bloqueio	de	ramo (condução aberrante), 
quando instalado de forma plena, torna o 
QRS alargado e de morfologia bem diferente 
da sinusal, sendo, portanto confundido com 
um QRS de origem ventricular. Falaremos no 
próximo capítulo destes bloqueios. Por ora, 
basta entendermos que alguns pacientes que 
já possuem bloqueio de ramo crônico (BRE 
ou BRD) quando fazem uma taquiarritmia, por 
exemplo, uma fibrilação atrial ou uma Taqui 
supra, continuarão tendo o QRS alargado. 
Existe também o fenômeno do bloqueio de 
ramo taquicárdico-dependente: o bloqueio 
só ocorre durante a taquiarritmia, quando o 
estímulo supraventricular encontra um dos 
ramos em período refratário. Neste caso, após 
a reversão da taquiarritmia, o QRS voltará a 
ser estreito, de padrão normal.
*A pré-excitação	ventricular, como vimos, é 
a ativação dos ventrículos através de uma via 
acessória. Como a ativação atinge diretamente 
o miocárdio, sem passar pelo sistema His-Pur-
kinje, o QRS também alarga e se torna mor-
fologicamente alterado. Vimos dois exemplos 
na síndrome de WPW: a fibrilação atrial com 
WPW (que se parece uma TV polimórfica) e a 
Taqui supra antidrômica (que se parece uma 
TV monomórfica). O flutter atrial com WPW 
se manifesta como uma taquicardia de QRS 
largo, batendo a 150 bpm e com as ondas F 
de flutter (se estas ondas forem difíceis de 
serem percebidas, a taquicardia é confundida 
com uma TV monomórfica).
ATENÇÃO: Na prática, outras duas situações 
que deveriam ser descartadas – taqui supra 
em usuários de marca-passo (estes tendem a 
ativar os ventrículos diretamente e alargar o 
QRS) ou mesmo a presença de artefatos ele-
trocardiográficos (ex.: tremores).
Como diferenciar a Taqui Ventricular de 
outras taquiarritmias com QRS alargado?
Existem algumas características que podem 
ser pesquisadas numa taquicardia de QRS 
alargado que, quando presentes, indicam o 
diagnóstico de Taqui ventricular. Vejamos 
quais são elas:
1- Dissociação	AV	 (Atrioventricular): é o 
encontro de ondas P eventuais, “perdidas” 
no traçado da taquicardia, sem relação com 
o QRS. Ou seja, não é o estímulo atrial que 
está levando à despolarização ventricular. O 
ventrículo está agindo de forma independente. 
Dissociação AV = TV. Veja o ECG (setas = 
ondas P dissociadas).
2-	Batimentos	de	Captura	e	Fusão: even-
tualmente, na Taqui ventricular, uma onda P 
sinusal que está “perdida”, dissociada con-
segue produzir um QRS próprio. Quando o 
QRS é estreito (padrão normal), o batimento 
é dito de captura (BC). Quando o QRS é de 
morfologia mista (entre o normal e o alargado), 
o batimento é dito de fusão (BF). Também 
indicam TV. Veja os ECGs.
3-	QRS	muito	alargado: um QRS > 0,16 se-
gundo (4 mm) é muito sugestivo de TV. A ideia 
é a de que quanto mais alargado, maior é a 
chance de ser ventricular.
4-	 Irregularidade	do	 ritmo: a presença de 
irregulares discretas fala a favor de TV (na 
taqui supra, por definição, temos intervalos 
RR regulares). Nas irregularidades muito evi-
dentes, devemos pensar na TV polimórfica ou 
FA com condução aberrante.
5-	Variações	do	QRS	e	do	segmento	ST: 
falam a favor de TV e são normalmente sutis 
e sem relação com a FC (na taqui supra, o 
QRS tende a ser uniforme).
6-	Todos	os	QRS	precordiais	positivos	ou	
todos	negativos: as derivações precordiais são 
de V1 até V6. Se o QRS for positivo em todas 
ou for negativo em todas, deve ser uma TV.
7-	Para	as	taquicardias	de	padrão	BRD	ou	
BRE: chamamos de taquicardia “padrão BRD” 
quando o QRS de V1 tem predomínio positivo 
e o de V6 predomínio negativo. O inverso é 
observado na taquicardia “padrão BRE” (V1 
negativo e V6 positivo). É fundamental analisar 
o V1!! Veja a regra:
•	Taquicardia padrão BRD: a ideia central é a 
de que o foco se localiza no miocárdio do VE. 
Em V1, teremos o achado de R monofásico 
em V1 ou complexo bifásico qR. Um padrão 
RsR’ (orelha de coelho) indica uma taqui su-
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 52Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
pra com BRD. Em V6, teremos o achado de 
rS. Um padrão Rs fala a favor de taqui supra.
•	Taquicardia padrão BRE: a ideia central é a 
de que o foco se localiza no miocárdio do VD 
ou septo interventricular. Em V1, teremos o 
achado de R inicial ampla (≥ 40ms) e uma 
porção descendente da onda S entalhada 
ou de inscrição lenta. Na ausência de uma 
R inicial ou de curta duração, bem como 
uma fase descendente da onda S lisa e de 
inscrição rápida indicaria uma taquiarritmia 
atrial ou supraventricular com BRE. Em V6, 
fala a favor da TV a presença de qualquer 
Q ou QS. A ausência de onda Q fala a favor 
de taqui supra.
Veja os ECGs A, B, C e D. Compare o ECG 
A com o ECG C: ambos são taquicardias com 
QRS alargado, mas no ECG A existe um V1 
diferente de rsR’, além de ter ondas P dissocia-
das (Taqui ventricular) e no ECG C existe um 
V1 tipo rsR’ e uma onda P precedendo cada 
QRS em DI e DII (Taqui atrial ou sinusal com 
BRD). Agora compare o ECG B com o ECG D: 
ambos têm QRS alargado, mas o ECG B tem 
uma onda S de V1 com a porção descendente 
entalhada (Taqui ventricular) e o ECG D tem 
o V1 com onda S com a porção descendente 
lisa e de inscrição rápida.
ECG A: Taqui Ventricular 
monomórfica (padrão BRD).
ECG B: Taqui Ventricular 
monomórfica (padrão BRE).
ECG C: Taqui Atrial com BRD.
ECG D: Taqui Supraa (Reentrada 
nodal) com BRE.
DI
DI
DI
DI
V1
V1
V1
V1
V6
V6
V6
V6
DII
DII
DII
DII
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
FUNDAÇÃO JOÃO GOULART – HOSPITAIS 
MUNICIPAIS – RJ
Uma paciente de 62 anos, portadora de car-
diopatia isquêmica, apresenta quadro sú-
bito de mal-estar, hipotensão e lipotimia, e 
padrão de ECG - taquicardia (precedida de 
ESV) com FC > 130 bpm, desvio do eixo 
para a esquerda e BRE. Este quadro sugere 
diagnóstico de: 
a) Extrassístole ventricular.
b) Taquicardia atrial.
c) Taquicardia supraventricular.
d) Taquicardia ventricular.
 Preste atenção ao que está sendo ressal-
tado pelo enunciado: os complexos QRS têm 
morfologia de BRE, ou seja, trata-se de uma 
taquicardia com COMPLEXOS QRS ALAR-
GADOS! Ora, sabemos que diante desse tipo 
de taquicardia, dois grandes grupos diagnós-
ticos se impõem: (1) taquicardias ventriculares; 
(2) taquicardias supraventriculares conduzidas 
com aberrância. Analisando de forma bem 
objetiva, estatisticamente, num paciente sabi-
damente cardiopata (em particular no portador 
de cardiopatia isquêmica), a presença de ta-
quicardia com QRS largo e instabilidade he-
modinâmica mais provavelmente representa 
uma taquicardia ventricular. Resposta: D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011
SISTEMAÚNICO DE SAÚDE – SUS – RR
Constituem taquicardias de complexo largo: 
I - Taquicardia supraventricular. 
II - Taquicardia ventricular. 
III - Flutter atrial. 
IV - Taquicardia supraventricular com pré-
-excitação (Wolf-Parkinson-White).
a) Somente a afirmativa II está correta.
b) As afirmativas II e IV estão corretas.
c) Todas as alternativas estão corretas.
d) Apenas a afirmativa III está correta.
e) As afirmativas I, II e III estão corretas.
CRITéRIOS	DE	BRuGADA
Diferentes critérios para auxiliar na distin-
ção das taquicardias de QRS largo já foram 
descritos (Griffith, Vereckei etc.). Desses, o 
mais famoso são os critérios de Brugada, 
um algoritmo composto de quatro perguntas 
que, segundo alguns trabalhos, ainda seria 
bastante acurado:
 1- Ausência de complexo RS em todas as 
 derivações precordiais?
 2- Duração do intervalo RS > 100 ms em 
 uma derivação precordial?
 3- Dissociação Atrioventricular?
 4- Existem critérios morfológicos para TV?
Se a resposta for positiva para qualquer um 
dos critérios 1, 2 ou 3, fecha-se como TV. 
Se forem negativas, partimos para o critério 
morfológico que acabamos de ver no item 5. 
Na ausência de um padrão que sugira uma 
taqui supra com bloqueio de ramo associado 
(ex.: rsR’ em V1), ficamos com o diagnóstico 
de TV.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 53Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
 A duração dos complexos QRS é um dado 
importantíssimo do ECG a nos orientar para 
o diagnóstico diferencial das arritmias car-
díacas. Quando largo (QRS > 120ms), pode 
indicar: (1) taquicardia ventricular – grande 
diagnóstico!; (2) taquicardia supraventricular 
com “aberrância”; ou (3) taquicardia supra-
ventricular na Síndrome de Wolff-Parkinson-
-White (SWPW). Nesta última, muitos QRS 
apresentam-se relativamente largos pela 
existência de “pré-excitação” ventricular, com 
a passagem de uma parte do estímulo pelo 
feixe de Kent (via anômala). As taquicardias 
supraventriculares, por sua vez, sempre pro-
duzirão complexos QRS estreitos ( 180 bpm, caso não seja pron-
tamente revertida. Além disso, uma TV muito 
rápida pode por si só levar à parada cardíaca 
(TV sem pulso). Para uma mesma FC, a Taqui 
ventricular prejudica mais a hemodinâmica 
cardíaca do que qualquer outra taquiarritmia, 
talvez pela perda da sincronia de contração 
atrioventricular (dissociação AV).
*Os sintomas servem como um importan-
te aviso: toda Taqui ventricular que cursa 
com episódio sincopal ou qualquer sinal 
de instabilidade hemodinâmica pode se 
degenerar em FV!! A gravidade dos sintomas 
depende da frequência da taquicardia e da 
reserva miocárdica.
*Uma fração de ejeção menor que 40% (e 
principalmentedeve ser dessincronizado 
(desfibrilação), com as mesmas cargas re-
comendadas na PCR. Após a reversão, um 
antiarrítmico venoso deve ser prontamente 
administrado e depois passado para a dose 
de manutenção. Os antiarrítmicos de primei-
ra linha para a terapia aguda dependem do 
tipo de Taqui ventricular:
	Taqui ventricular monomórfica: Amio-
darona	(150-300 mg de ataque + 1 mg/min 
por 6h + 0,5 mg/min por 18h), Procaina-
mida	(15 mg/kg de ataque + 1-4 mg/min 
de manutenção) ou Sotalol	(1-1,5 mg/kg 
a 10-20 mg/min). A lidocaína, antiarrít-
mico do grupo IB, na dose de 1-1,5 mg/
kg de ataque + 1-4 mg/min, é bem menos 
eficaz, salvo em algumas situações como 
nas primeiras 48h do IAM.
	Torsades	de	pointes: Correção de distúr-
bios eletrolíticos (K+ para 4,5-5,5 mEq/L) 
e suspensão de drogas relacionadas. Sul-
fato de magnésio 2 g em bolo (repetir em 
15min, se necessário) + 3-20 mg/min de 
manutenção, até 10 g em 5h. Esta conduta 
é seguida pela introdução de um marca-
-passo transvenoso provisório, programa-
do a 100 bpm, especialmente nos casos 
refratários ao magnésio. Isoproterenol 
também pode ser utilizado nos casos de 
bradicardia, assim como os antiarrítmicos 
lidocaína e betabloqueadores (no caso de 
QT longo congênito).
 TV polimórfica não Torsades: Amioda-
rona	(melhor antiarrítmico). Na vigência 
de isquemia miocárdica, a revasculariza-
ção imediata (angioplastia ou cirurgia) é 
fundamental.
Qual é a Terapia Crônica Profilática?
O objetivo principal é a prevenção da morte 
súbita!! Depois da publicação de diversos 
estudos comparativos, a Amiodarona	oral 
400 mg/dia passou a ser a droga de escolha, 
seguida pelo Sotalol	com dose guiada por 
estudo eletrofisiológico. Entretanto, para o 
grupo de pior prognóstico a terapia antiar-
rítmica não é suficiente!! Por isso:
 Todo paciente que teve uma Taqui ventri-
cular sustentada com síncope ou instabili-
dade hemodinâmica ou que apresenta FE 
podem prevenir os episódios de torsades de 
pointes. O exercício físico extenuante e os 
esportes competitivos são contraindicados. 
Pacientes com história de síncope, torsades 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 56Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
de pointes assintomático ou oligossintomáti-
co ou história familiar de morte súbita devem 
receber um MP	definitivo	modo	DDDR. 
Ressaltamos que um cardiodesfibrilador	
implantável está indicado para os casos 
de síncope com TV registrada, ou síncope 
refratária às demais terapias, ou morte sú-
bita abortada. 
3-	Miocardiopatia	hipertrófica: mesmas in-
dicações do cardiodesfibrilador implantável 
descritas para os pacientes com TVMS por-
tadores de doença isquêmica do miocárdio 
e miocardiopatia dilatada.
4-	TV	Ramo	a	Ramo:	uma forma rara, porém 
curável de TV em pacientes com miocardio-
patia dilatada. Provém de uma reentrada na 
qual o estímulo “desce” pelo ramo direito e 
“sobe” pelo ramo esquerdo. Apresenta-se 
como TVMS com padrão BRE, sendo con-
fundida com uma Taqui supra com BRE. A 
cura é obtida pela Ablação	por	 radiofre-
quência no estudo eletrofisiológico.
5-	Taqui	ventricular	bidirecional: é uma TV 
polimórfica típica da intoxicação digitálica, 
caracterizada por morfologia BRD alternan-
do o eixo do QRS; o QRS está ora de um 
formato ora de outro. As TVs da intoxicação 
digitálica podem ser monomórficas (TV fas-
cicular) ou polimórficas (TV bidirecional). A 
conduta é prescrever antiarrítmicos do grupo 
IB (lidocaína	ou fenitoína).
6-	TV	polimórfica	catecolaminérgica	fami-
liar: são pacientes sem cardiopatia estrutu-
ral e sem QT longo que fazem surtos de TV 
polimórfica de alta frequên cia, geralmente 
desencadeados por esforço físico ou es-
tresse emocional. Os betabloqueadores 
estão sempre indicados! Um cardiodesfi-
brilador	 implantável	é preconizado para 
aqueles que tiveram TV com síncope ou 
morte súbita abortada. 
7-		TV	idiopática	benigna: existem dois tipos 
de TV monomórfica que podem ocorrer em 
pacientes jovens, na ausência de cardiopatia 
estrutural, possuindo um curso totalmente 
benigno (sem risco de morte súbita). (1) TV	
fascicular	 (septal	 esquerda): originária 
de um foco no fascículo posterior do ramo 
esquerdo, no septo baixo; a TV apresenta 
um QRS mais estreito que as demais TVs 
e um padrão BRE com o eixo do QRS para 
cima (DII, DIII e aVF negativos); (2) TV	do	
trato	 de	 saída	 do	VD: originária de um 
foco no trato de saída do VD; se apresen-
ta com episódios repetitivos de TVNS (TV 
monomórfica repetitiva) ou de TVMS, com 
padrão BRD e eixo do QRS para baixo (DI, 
DII e aVF positivos). Tratamento: ambas as 
arritmias respondem ao verapamil, betablo-
queadores ou adenosina. A profilaxia pode 
ser feita farmacologicamente (verapamil ou 
betabloqueadores), mas a ablação por ra-
diofrequência pode curá-las. 
8-	Síndrome	de	Brugada: doença genética 
do sistema elétrico cardíaco, sem anoma-
lias estruturais detectadas nos exames de 
imagem (ecocardiograma, ressonância) ou 
na coronariografia. O distúrbio está relacio-
nado à herança autossômica dominante e 
o defeito encontra-se nos canais de sódio 
do miocárdio ventricular, propiciando uma 
heterogeneidade dos períodos refratários, 
um fator predisponente a taquiarritmias 
ventriculares malignas. A síndrome é nove	
vezes mais comum em homens. O critério 
eletrocardiográfico para o diagnóstico da 
Síndrome de Brugada é o padrão típico no 
ECG em ritmo sinusal, demonstrando um 
pseudo-BRD com supra de ST nas deriva-
ções precordiais direitas (V1 e V2 ± V3). 
Alguns pacientes, a princípio com “ECG nor-
mal”, podem passar a apresentar o “padrão 
de Brugada” após estímulo com antiarrítmi-
cos bloqueadores de canal de sódio (flecai-
nida, procainamida, ajmalina). A chance de 
morte súbita é maior nos seguintes grupos 
de paciente, em ordem decrescente risco: 
(1) história de morte súbita abortada (risco 
muito alto); (2) história de síncope inexplicá-
vel (risco alto); (3) história familiar de morte 
súbita antes dos 45 anos; (4) taquiarritmias 
ventriculares malignas induzíveis no Estudo 
Eletrofisiológico (EEF); (5) “padrão de Bru-
gada” espontâneo, em comparação com o 
“padrão de Brugada” que aparece apenas 
com o uso de bloqueador de sódio. Os indi-
víduos devem receber um cardiodesfibrila-
dor	implantável se apresentarem sobretu-
do um dos seguintes critérios: (1)	História	
de	morte	súbita	abortada; (2) História	de	
síncope	ou	instabilidade	hemodinâmica.
TV bidirecional (típica da intoxicação digitálica).
Síndrome de Brugada.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013
SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE – RJ
Paciente de 36 anos estava acompanhando 
sua mãe em uma unidade de pronto atendi-
mento, quando apresentou subitamente qua-
dro de síncope, sendo prontamente atendido 
e detectado ausência de pulso. Iniciadas ma-
nobras de ressuscitação cardiopulmonar e 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 57Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
identificado à monitorização a presença de 
Taquicardia Ventricular (TV), sendo o pacien-
te rapidamente submetido à desfibrilação, com 
retorno de pulso e recuperação da consciên-
cia. Logo após reanimado e estabilizado, rea-
lizado Eletrocardiograma (ECG), que eviden-
ciou o seguinte padrão: 
Considerando o diagnóstico mais provável 
do quadro acometido por esse paciente, qual 
é a medida MAIS ADEQUADA para o trata-
mento dele?
a) Encaminhamento com urgência para reali-
zação de cateterismo e angioplastia primária.
b) Início de amiodarona venosa dose de ata-
que de 300 mg e posterior impregnação com 
900 mg em 24 horas.
c) Encaminhamento para implante de Cardio-
desfibrilador Implantável (CDI).
d) Administração de sulfato de magnésio 2 g EV.
 Apesar de bastante específico, esta é uma 
condição que vem aparecendo um pouco mais 
nas provas. A síndrome de Brugada, herdada 
em caráter autossômico dominante, é carac-
terizada pela presença de: (1) Padrão pseu-
do-BRD + supra de ST em V1 a V3 no ECG, 
durante ritmo sinusal; (2) Propensão à FV 
espontânea (morte súbita), que geralmente 
ocorre durante o repouso ou sono (precipitada 
por hipertonia vagal). Geralmente ocorrem 
extrassistolias ventriculares, que podem se 
converter em TV polimórfica e, finalmente de-
generar em FV; (3) Ausência de cardiopatia 
estrutural. Os pacientes com síndrome de 
Brugada e história de morte súbita abortada 
(como o caso em questão) SEMPRE devem 
ser submetidos à implantação de um CDI, 
devido ao alto risco de novo episódio. Alter-
nativa C correta.
Saiba MaiS!
As drogas antiarrítmicas
 Quando a fibra miocárdica recebe um es-
tímulo elétrico, ela sofre uma “perturbação” 
da sua polaridade. Esta “perturbação elé-
trica” é chamada de Potencial de Ação. Ela 
é transmitida como uma onda de fibra para 
fibra, propagando-se pelo miocárdio. A figura 
1 mostra o que acontece com a polaridade 
da fibra miocárdica, quando ela recebe um 
“potencial de ação”. Como observamos, ela 
primeiramente se despolariza, em seguida 
permanece num estado despolarizado (pla-
tô) e depois se repolariza. No seu estado de 
repouso elétrico (diástole) a fibra mantém-se 
polarizada (– 70mV).
Fase 0 (Despolarização) – abertura dos 
canais de sódio.
Fase 2 (Platô) – abertura dos canais de 
cálcio.
Fase 3 (Repolarização) – abertura dos 
canais de potássio.
Fase 4 (Diástole elétrica).
Obs. 1: O período refratário é proporcio-
nal à duração do potencial de ação na 
fibra. Ou seja, o bloqueio dos canais de 
potássio da Fase 3 atrasa a repolarização 
e, portanto, aumenta a refratariedade da 
fibra.
Obs. 2: A fase 0 do potencial de ação das 
células do NSA e do NAV é dependente 
da abertura de canais de cálcio (não de 
sódio) e está representada pela linha 
pontilhada da figura.
As drogas antiarrítmicas atuarão justamente 
sobre estes canais iônicos, sendo uma das 
classificações mais clássicas a de Vaughan 
Williams. Apesar das limitações desta classi-
ficação, ela ainda continua sendo muito utili-
zada e divide as drogas dessa forma. 
Classe	 IA	 (quinidina,	 procainamida,	 diso-
piramida):as drogas atuam bloqueando os 
canais de sódio, responsáveis pela fase 0 
(despolarização) do potencial de ação. Com 
isso, reduzem ou bloqueiam a condução no 
sistema His-Purkinje e no miocárdio atrial ou 
ventricular, aumentando em 10-20% a dura-
ção do complexo QRS. O bloqueio dos canais 
de sódio pode prolongar o período refratário 
da fibra, efeito exacerbado pelo bloqueio dos 
canais (lentos) de potássio da repolarização, 
aumentando a duração do potencial de ação 
e, portanto, o intervalo QT. O aumento do QT 
pode precipitar a atividade deflagrada por 
pós-potenciais precoces, desencadeando o 
torsades de pointes (em 2-3% dos casos). A 
quinidina pode precipitar esta arritmia mesmo 
em doses terapêuticas, justificando relatos de 
morte súbita com esta droga. Pela lentificação 
heterogênea da condução (pelo bloqueio dos 
canais de sódio), o período vulnerável para fi-
brilação ventricular aumenta, estendendo-se 
para além do final da onda T, facilitando a FV 
desencadeada por extrassístoles mais tardias. 
Os efeitos adversos deste grupo são: (1) qui-
nidina – hipotensão arterial (pelo efeito alfa-
bloqueador), chinchonismo (náusea, cefaleia, 
zumbido), diarreia (mais comum), trombocito-
penia autoimune, efeito vagolítico (taquicardia, 
aumento da resposta ventricular da fibrilação 
ou flutter atrial); (2) procainamida – síndrome 
lúpus-like (ocorre em 20% dos casos); (3) di-
sopiramida – efeito anticolinérgico (boca seca, 
retenção urinária, constipação, crise de glau-
coma), depressão miocárdica severa.
Classe	IB	(lidocaína,	fenitoína,	mexiletine): 
bloqueiam os mesmos canais de sódio, porém 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 58Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Fase 0 (Despolarização) – abertura 
dos canais de sódio.
Fase 2 (Platô) – abertura dos canais 
de cálcio.
Fase 3 (Repolarização) – abertura dos 
canais de potássio.
Fase 4 (Diástole elétrica).
Obs. 1: O período refratário é propor-
cional à duração do potencial de ação 
na fibra. Ou seja, o bloqueio dos canais 
de potássio da Fase 3 atrasa a repo-
larização e, portanto, aumenta a refra-
tariedade da fibra.
Obs. 2: A fase 0 do potencial de ação 
das células do NSA e do NAV é depen-
dente da abertura de canais de cálcio 
(não de sódio) e está representada 
pela linha pontilhada da figura.
apresentam uma cinética mais rápida que as 
do grupo IA. Por esse fato, permanecem me-
nos tempo ligados a esses canais, revertendo 
o efeito durante a diástole. Assim, essas dro-
gas não agem nos tecidos de condução nor-
mais do coração na faixa fisiológica de frequ-
ência cardíaca, não influindo na duração do 
QRS. Contudo, são eficazes em bloquear o 
tecido isquêmico, já que a isquemia deprime 
a atividade dos canais de sódio (por reduzir o 
potencial de repouso) e durante as taquiarrit-
mias com frequência mais rápida (menor tem-
po de diástole). Estas drogas não bloqueiam 
canais de potássio da repolarização, portanto, 
não aumentam (pelo contrário, reduzem) a 
duração do potencial de ação e o período re-
fratário da fibra. A lidocaína só pode ser feita 
sob a forma intravenosa. Os seus efeitos ad-
versos são: nistagmo, disartria, tremores, 
sonolência, confusão mental, convulsões. O 
mexiletine deve ser feito por via oral. Seus 
efeitos adversos são tremores e náuseas.
Classe	 IC	 (propafenona,	 flecainida): blo-
queiam os mesmos canais de sódio, porém 
apresentam uma cinética mais lenta que os do 
grupo IA. Com isso, têm ação mesmo na faixa 
de frequência cardíaca fisiológica, bem como 
nos tecidos de condução normais. Logo, são 
as drogas que mais aumentam a duração do 
QRS (em 25%). O bloqueio mais longo e hete-
rogêneo dos canais de sódio propicia a forma-
ção de áreas de condução lenta no miocárdio, 
predispondo a arritmias reentrantes desenca-
deadas por extrassístoles. O período vulnerável 
para fibrilação ventricular aumenta, estenden-
do-se para além do final da onda T, facilitando 
a FV desencadeada por extrassístoles mais 
tardias. Podem predispor a taquiarritmias reen-
trantes atriais (flutter com condução 1:1) e 
ventriculares (TVMS), que se degeneram em 
FV com certa facilidade. Os efeitos adversos 
da propafenona são as bradiarritmias e bron-
coespasmo (efeito betabloqueador associado). 
Classe	II	 (propranolol,	metoprolol,	ateno-
lol): bloqueiam os betarreceptores adrenérgi-
cos. O efeito beta-adrenérgico é arritmogêni-
co, exacerbando a corrente de cálcio para o 
citoplasma (precipitando a formação de pós- 
-potenciais e atividade deflagrada) e aumen-
tando o automatismo. Ao bloquear esses re-
ceptores, essas drogas podem ser eficazes 
nas arritmias supraventriculares ou ventricu-
lares dependentes do sistema adrenérgico 
(ex.: arritmias do pós-IAM e da tireotoxicose). 
Outro efeito é a inibição da condução e au-
mento da refratariedade do nódulo AV. Portan-
to, podem ser utilizados no tratamento das 
arritmias dependentes do nódulo AV (reentra-
da nodal, Wolff-Parkinson-White). Cabe lem-
brar as principais contraindicações dos beta-
bloqueadores que são: broncoespasmo, 
claudicação intermitente, BAVT e Insuficiência 
cardíaca descompensada. 
Classe	III	(sotalol,	amiodarona,	bretílio,	ibu-
tilide): bloqueiam os canais de potássio da re-
polarização, aumentando a duração do poten-
cial de ação e, consequentemente, o período 
refratário. Com isso, podem bloquear o circui-
to de reentrada. São drogas bastante eficazes 
no tratamento das taquiarritmias por reentrada 
funcional, como a fibrilação atrial e a fibrilação 
ventricular. A amiodarona possui um pequeno 
efeito bloqueador de canal de sódio e betablo-
queador e reduz o automatismo. Apesar de 
aumentar o intervalo QT, a ocorrência de tor-
sades de pointes é muito rara com a amioda-
rona, mas não com o sotalol. O sotalol possui 
um importante efeito betabloqueador. O ibuti-
lide é um antiarrítmico relativamente novo no 
mercado que se mostrou extremamente eficaz 
na reversão das arritmias atriais reentrantes 
(flutter e fibrilação atrial). Os efeitos adversos 
da amiodarona já vimos. Quanto aos demais, 
devemos destacar: sotalol – efeitos do beta-
bloqueio e torsades de pointes; (3) ibutilide – 
cefaleia e torsades de pointes.
Classe	IV	(verapamil,	diltiazem): bloqueiam 
os canais de cálcio, responsáveis pela fase 
despolarizante do potencial de ação do nódu-
lo sinusal e AV e pelo período refratário desses 
elementos. Com isso, são capazes de bloque-
ar os circuitos de reentrada dependentes do 
nódulo AV (reentrada nodal, Wolff-Parkinson-
-White) e podem controlar algumas arritmias 
dependentes de atividade deflagrada por pós-
-potenciais tardios. Reduzem a frequência 
cardíaca e inibem o nódulo AV, diminuindo a 
resposta ventricular da fibrilação ou flutter 
atriais. Os efeitos adversos são as bradiarrit-
mias e a descompensação da insuficiência 
cardíaca sistólica.
Existem ainda algumas drogas que não estão 
agrupadas nas classes de Vaughan-Willians. 
Uma delas, a adenosina, age bloqueando ca-
nais de cálcio e aumentando o efeito da ace-
tilcolina nos canais de potássio da diástole. 
Com isso, acaba sendo a droga de escolha 
nas taquiarritmias reentrantes que utilizam o 
nódulo AV (reentrada nodal, Wolff-Parkinson-
-White). Os digitálicos, apesar de serem alta-
mente pró-arrítmicos, podem ser também an-
tiarrítmicos, pelo efeito vagotônico, eficazes 
nas arritmias dependentes do nódulo AV. O 
magnésio, por mecanismos não muito escla-
recidos é capaz de controlar o torsades de 
pointes, uma taquiarritmia ventricular por ati-
vidade deflagrada por pós-potenciais preco-
ces, associada ao intervalo QT prolongado.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 59Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Extrassístoles
Estes distúrbios do ritmo compõem os bati-
mentos precoces, que ocorrem fora do tempo 
esperado. Podem ser supraventriculares (ex.: 
extrassístoles atriais) ou ventriculares. Vamos 
falar um pouco mais delas.
1-	Extrassístoles	Atriais:	O que caracteriza 
a extrassístole atrial no ECG é a presença de 
uma onda P que se inscreve “antes do tempo” 
e apresentauma morfologia diferente da P 
sinusal. Na maioria dos casos, o QRS da ex-
trassístole é idêntico ao QRS dos batimentos 
sinusais – ECG	A. Após a extrassístole, temos 
uma pausa até o próximo batimento sinusal – 
a pausa pós-extrassistólica.
ECG A: O terceiro batimento é iniciado por 
uma P extrassistólica, caracterizada por 
vir “antes do tempo” e por ser morfologi-
camente diferente da P sinusal. Observe 
a pausa pós-extrassistólica.
Eventualmente, a extrassístole atrial, ao se 
propagar para os ventrículos pelo nódulo AV, 
pode ser bloqueada em um dos ramos (es-
querdo ou direito), por encontrá-lo em período 
refratário. Neste caso, o seu QRS será “aber-
rante”, isto é, com morfologia diferente do QRS 
do batimento sinusal – ECG	B. A aberrância 
do QRS pode ser do tipo Bloqueio de Ramo 
Esquerdo (BRE) ou Bloqueio de Ramo Direito 
(BRD) – ECG	C. Às vezes, a extrassístole 
atrial encontra os dois ramos em período re-
fratário, sendo bloqueada nos dois. Neste 
caso, não haverá QRS após a extrassístole. 
Falamos de uma extrassístole atrial bloquea-
da – ECG	C. Ela é muito confundida com o 
bloqueio AV na prática médica.
ECG C: Observe logo após o primeiro bati-
mento sinusal, uma onda P extrassistólica 
sem QRS – trata-se de uma extrassístole 
atrial bloqueada. As outras três extras-
sístoles atriais da figura conduzem com 
aberrância (ora com BRE ora com BRD).
ECG B: O terceiro batimento é iniciado 
por uma P extrassistólica, mas o QRS é 
aberrante, semelhante ao QRS de uma ex-
trassístole ventricular. O mecanismo da 
aberrância é que a extrassístole atrial, 
ao se propagar para os ventrículos pelo 
NAV, pode ser bloqueada em um dos ra-
mos (esquerdo ou direito). Neste ECG, a 
aberrância é do tipo BRD.
que vem “antes do tempo”, mas sem ser pre-
cedido por uma P extrassistólica – ecg D. São 
muito difíceis de serem diferenciadas de outro 
tipo de extrassístole – as extrassístoles juncio-
nais com condução aberrante. Porém, essas 
últimas são encontradas com muito menos fre-
quência do que as extrassístoles ventriculares 
na prática médica. Uma característica eletro-
cardiográfica típica da extrassístole ventricular 
é o fato de a pausa pós-extrassistólica ser do 
tipo compensatória, ou seja, o intervalo entre o 
batimento sinusal que precede e o que sucede 
a extrassístole é igual ao intervalo de dois ciclos 
de batimento sinusal. As extrassístoles atriais e 
as juncionais geralmente possuem uma pausa 
pós-extrassistólica não compensatória.
ECG D: Extrassístole Ventricular. O 
terceiro batimento é uma extrassístole 
ventricular. Observe o QRS aberrante e 
não precedido por uma P extrassistólica. 
A pausa é compensatória, pois o intervalo 
entre o 2º e o 3º batimentos sinusais é 
igual ao intervalo entre o 3º e o 4º bati-
mento sinusal.
Existem diferentes padrões de extrassístole 
ventricular, ditos complexos. São eles:
1- Bigeminismo (ECG E);
2- Trigeminismo;
3- Extrassístoles pareadas;
4- Extrassístoles polimórficas;
5- Extrassístoles R-sobre-T. 
Denominamos bigeminismo quando temos 
uma extrassístole para cada batimento sinusal 
e trigeminismo, quando temos uma extrassís-
tole a cada dois batimentos sinusais. Duas 
extrassístoles seguidas são denominadas 
extrassístoles pareadas. Três ou mais extras-
sístoles seguidas denomina-se taquicardia 
não sustentada (ECG F). O termo arritmia 
sustentada se refere à duração acima de 30 
segundos ou associação à instabilidade he-
modinâmica. Ao encontro de duas ou mais 
extrassístoles com mais de uma morfologia na 
mesma derivação, chamamos extrassístoles 
polimórficas. O intervalo entre o batimento 
sinusal anterior e a extrassístole é denomina-
do período de acoplamento. Se este for muito 
curto, a extrassístole se inscreve no final da 
onda T precedente (fenômeno R-sobre-T).
ECG E: Bigeminismo Ventricular.
2-	Extrassístoles	Ventriculares:	Aparecem no 
ECG como um QRS de morfologia aberrante, 
ECG F: Taquicardia Ventricular Não 
Sustentada.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 60Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Diagnóstico das Taquiarritmias – As 5 Perguntas Essenciais
Agora que passarmos pelos aspectos clínicos 
de cada uma das taquiarritmias, recordaremos 
um algoritmo (você que fez MEDCURSO se 
lembrará muito bem!) que nos ajudará a iden-
tificá-las facilmente na hora da prova. Como 
dissemos, o objetivo não é ajudar ninguém a 
se tornar um especialista em Ar ritmias Cardí-
acas, mas a fazer questões de prova. É claro 
que, nessa preparação, acabamos por nos 
surpreender com a quantidade de conheci-
mento adquirido naturalmente...
PRIMEIRA	PERGunTA: “Existe uma 
taquicardia?”
A resposta será sim, se os intervalos R-R ti-
verem uma distância entre si inferior a 1,5 cm 
(3 quadradões), o que corresponde a uma 
frequência cardía ca acima de 100 bpm.
Obs.: alguns pacientes podem ter uma ta-
quicardia apenas dos átrios, sem aumentar 
a frequência cardíaca. É o caso da taquicar-
dia atrial com bloqueio e do flutter atrial com 
bloqueio. Neste caso, teremos intervalos P-P 
inferiores a 1,5 cm, mostrando uma frequ-
ência atrial > 100 bpm, porém, os intervalos 
R-R distam mais de 1,5 cm, revelando uma 
frequência ventricular menor que 100 bpm.
SEGunDA	PERGunTA:	“Existe onda P?”
Olhe agora somente para a derivação D2!! 
Vamos chamar de “onda P” toda onda atrial 
que precede o QRS (estando próxima a ele), 
na derivação D2. Se existir “onda P”, há duas 
alternativas principais: 
(1) taquicardia sinusal; 
(2) taquicardia atrial.
Na taquicardia	sinusal, temos ondas P posi-
tivas em D2 e D1.
Na	taquicardia	atrial, temos ondas P de mor-
fologia diferente da morfologia sinusal (geral-
mente negativas em D2).
Na taquicardia	atrial	multifocal, temos três 
ou mais morfologias diferentes de onda P na 
mesma derivação.
Obs.: Quando a “onda P” é negativa em D2, a 
causa mais comum é taquicardia atrial, porém 
existem duas outras hipóteses mais raras:
(1) taquicardia de Coumel, rara e de caráter 
incessante, que desce pelo nodo AV e utiliza 
uma via acessória de condução lenta para 
retornar ao átrio;
(2) taquicardia por reentrada nodal, forma 
atípica, em que ocorre algo semelhante: o 
estímulo desce pela via rápida (beta) e sobe 
pela via lenta (alfa).
Se	não	houver	“onda	P” (tal como descre-
vemos), passe para a próxima pergunta.
	
TERCEIRA	PERGunTA:	“Existe onda F de 
flutter atrial?”
Olhe agora somente para as derivações infe-
riores (D2, D3 e aVF) e para V1!! Vamos cha-
mar de “onda F” toda onda atrial com uma 
frequência em torno de 300 bpm, ou seja, que 
dista entre si de um espaço de 0,5 cm (5 “qua-
dradinhos”). Elas geralmente (mas nem sem-
pre) têm o aspecto de “dente de serra” nas 
derivações D2, D3 e aVF.
Se tiver ondas F, o diagnóstico é flutter atrial.
Uma grande dica: na maioria das vezes, no 
flutter atrial a frequência cardíaca é de 150 
bpm (intervalo R-R de 1 cm) ou de 75 bpm 
(intervalo R-R de 2 cm).
Se	não	houver	“onda	F”, passe para a pró-
xima pergunta.
QuARTA	PERGunTA:	 “QRS estreito ou 
alargado?”
QRS alargado é aquele diferente do QRS si-
nusal (aberrante), com uma duração (largura) 
≥ 120 ms. Se o QRS for alargado ou aberran-
te, temos uma taquicardia	ventricular, até 
se prove o contrário. Se os complexos QRS 
forem idênticos entre si na mesma derivação, 
pode ser uma TV monomórfica. Se forem di-
ferentes entre si, deve ser uma TV polimórfica. 
 
Se durar mais de 30 segundos ou causar 
instabilidade hemodinâmica, estamos diante 
de uma TV sustentada (monomórfica ou po-
limórfica); se durar menos de 30 segundos e 
não causar instabilidade hemodinâmica, de-
finimos a TV não sustentada (monomórfica 
ou polimórfica).
Obs.1: A TV monomórfica deve ser diferencia-
da das taquicardias supraventriculares com 
aberrância (bloqueio de ramo), através dos 
“critérios de Brugada” (ver no texto principal).
Obs.2: Se a taquicardia com QRS alargado 
tiver o intervalo R-R totalmente irregular, de-
vemos suspeitar de fibrilação atrial no paciente 
com Wolff-Parkinson-White, ou fibrilação atrial 
com aberrância (bloqueio deramo).
Se	o	QRS	for	estreito, passar para a próxima 
e última pergunta. Um detalhe: QRS estreito 
é aquele que é idêntico ao QRS sinusal, com 
uma duração (largura) 120 bpm, o 
diagnóstico é Taquicardia	Supraven	tricular	
Paroxística	 (TSVP). Esta pode ser do tipo 
reentrada nodal (70% dos casos) ou do tipo 
reentrada em via acessória (30% dos casos). 
Esta última é a taquiarritmia mais comum da 
síndrome de Wolff-Parkinson-White.
Obs.: Para diferenciar um tipo do outro, usa-
mos os critérios:
• Se tiver pseudo-s ou pseudo-R’: reentrada 
nodal;
• Se tiver onda P’ um pouco depois do QRS 
(procurar em V1, principalmente): reentrada 
em via acessória;
• Se tiver alternância na amplitude do QRS: 
reentrada em via acessória;
• Se, após a reversão para ritmo sinusal, apa-
recer um PR curto + onda delta: reentrada em 
via acessória (S. de Wolff-Parkinson-White).
Se ele for regular, mas a FC for 100 bpm)? Sim, a 
FC neste caso está próxima a 150 bpm (2 
quadradões entre as ondas R). 
2- Tem onda P? Não. O que estamos vendo 
entre os complexos QRS são ondulações bi-
fásicas com frequência em torno de 300 por 
minuto (distância de 1 quadradão entre elas) 
sem que haja linha isoelétrica intercalada. 
Logo, há atividade atrial conduzida na propor-
ção 2:1 aos ventrículos, o que é típico do flut-
ter atrial. 
3- Há onda F de flutter? Sim, as ondulações 
bifásicas que acabamos de descrever são a 
marca do flutter! No jargão cardiológico são 
conhecidas como dentes de serra. 
4- QRS estreito ou alargado? Complexos lar-
gos indicam origem ventricular ou supraven-
tricular conduzida com aberrância, mas com-
plexos estreitos sempre indicam origem acima 
do ventrículo! 
5- RR regular ou irregular? Por fim, os inter-
valos RR são regulares, o que descarta fibri-
lação atrial e nos permite concluir, valorizando 
a presença das ondas F, que se trata mesmo 
de um flutter atrial. 
Resposta: B.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2009
UNIVERSIDADE FEDERAL DE 
SÃO PAULO – UNIFESP
Lactente, com seis meses de idade, levado 
ao Pronto-Socorro pela mãe, com história 
de choro, palidez e hipoatividade. Ao exame, 
apresentava frequência cardíaca 240 bpm, 
pulsos filiformes e enchimento capilar > 3 
segundos. Solicitado ECG com ausência de 
onda P e complexo QRS 150 bpm.
2 - Tem onda P? Não, então não é sinusal nem 
atrial.
3 - Tem onda F de flutter? Não, então não é 
flutter.
4 - QRS estreito ou alargado? Estreito, então 
é problema “lá de cima”.
5 - RR regular ou irregular? Regular, então não 
é fibrilação atrial, sobrou a taquicardia supra-
ventricular!!! Ainda mais batendo bem acima 
de 120 bpm! 
Resposta: C.
Manejo das Taquiarritmias pelo ACLS
Sim
Sim
não
não
Entendendo que o profissional de saúde nem sempre será capaz de definir exatamente a ar-
ritmia em questão, as diretrizes do ACLS organizaram um algoritmo baseado apenas na de-
tecção da taquiarritmia e na sua classificação em “QRS estreito” e “QRS alargado”. Observe 
a seguir:
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 63Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
BRADIARRITMIAS
assaremos agora ao estudo das bradiarritmias... Elas Não 
são tantas como as taquiarritmias. Na verdade, são muito mais 
simples e existem basicamente por dois motivos: falha no início 
do impulso elétrico (bradiarritmias sinusais) ou falha na condução 
(Bloqueios atrioventiculares). Clinicamente, podemos dizer que as mais 
importantes, ditas “malignas” são marcadas por hipoperfusão cerebral e 
síncope e que, no tratamento, encontra-se indicado o implante de marca-
passo. No entanto, há aquelas mais “benignas”, que podem se referir a 
um processo fisiológico ou resolverem apenas com a suspensão de uma 
droga e início de outra (atropina). Assim, de forma bem direta, a pergunta 
que nos impõe diante de um ECG de bradiarritmia é simplesmente: trata-se 
de uma arritmia “benigna” ou “maligna”?
P
Bradiarritmias Sinusais
Por definição, são considerados como bradi-
cardia os batimentos cardíacos menores que 
60 bpm. Contudo, é importante marcar que os 
quadros sintomáticos aparecem basicamente 
quando os batimentos estão abaixo de 50 
bpm, daí alguns autores utilizarem apenas 
este valor de frequência para defini-la. 
Neste primeiro grupo que estudaremos, como 
o próprio nome já diz, encontramos bradicar-
dias que ocorrem em ritmo sinusal. Aqui, gra-
ças a uma disfunção do nó sinusal, a frequên-
cia está mais lenta. Por vezes, ele pode até 
falhar e outros focos assumirem temporaria-
mente o comando do automatismo cardíaco.
1) RITMOS BENIGNOS
Quais são?
Aqui se encontram três grupos principais de 
bradiarritmias:
	Bradicardia sinusal;
	Arritmia sinusal;
	Bloqueio sinoatrial.
Como aparecem no ECG?
A principal característica eletrocardiográfica é 
que aparecem sempre	com	ondas	P,	positivas	
em	D1	e	D2,	precedendo	cada	QRS.	Veja a 
seguir o traçado de cada uma delas.
Quais são as causas?
A primeira diferença que deve ser estabelecida 
é entre quadros fisiológicos e não fisiológi-
cos. Isso porque a bradicardia sinusal pode 
ser simplesmente uma situação normal que 
ocorre em crianças e adultos, principalmente 
em pacientes jovens (defecação, deglutição, hiperventilação, pres-
são ocular, massagem prostática.
- Hipersensibilidade do seio carotídeo.
 2)	Hipotensão	ortostática
- Pós-prandial.
- Iatrogênica (induzida por drogas): diuréticos, 
bloqueadores alfa-adrenérgicos, vasodilata-
dores, cocaína, barbitúricos.
- Hipovolemia.
- Distúrbio autonômico primário: demência 
por corpúsculos de Lewy, doença de Parkin-
son, atrofia de múltiplos sistemas (síndrome 
de Shy-Drager).
- Neuropatia periférica: diabetes, álcool, des-
nutrição, amiloidose, HIV, paraneoplásica.
- Simpatectomia.
- Idiopática.
	 3)	Síncope	cardíaca: 
- Arritmias.
- Isquemia miocárdica e ICC.
- Alterações estruturais (cardiomiopatias, este-
nose aórtica, etc.).
- Embolia pulmonar.
 4)	Síncope	neurológica: 
- Isquemia vertebrobasilar.
- Enxaqueca de artéria basilar.
- Doença carotídea bilateral.
- Hemorragia subaracnoide.
Principais Causas de Síncope
TABELA 1
Vamos	falar	agora	um	pouco	mais	sobre	
cada	uma	delas!
	Reflexa (neuromediada ou neurocardio-
gênica): é resultante de reflexos autonômi-
cos, em que se observa uma exacerbação 
parassimpática por estimulação direta ou 
em resposta a um estímulo simpático. 
Como resultado, temos um reflexo vagal, 
levando à vasodilatação (vasoplegia) e/ou 
componente cardioinibitório (bradicardia ou 
pausa sinusal). É chamada genericamente 
de episódio vasovagal ou, quando defla-
grada por eventos específicos (ex.: tosse, 
micção, defecação), de situacional. Carac-
teriza-se por uma síncope precedida de 
sintomas prodrômicos (sudorese fria, náu-
seas, mal-estar), ocorrendo quase sempre 
em posição ortostática e desencadeada 
por situações como estresse emocional 
ou dor. Pela resposta vagal, náuseas, dia-
forese e salivação também são comuns. 
Pode ocorrer em qualquer idade, mas pre-
domina em mulheres jovens, muitas vezes 
associada à história familiar em parente de 
primeiro grau. Idosos comumente fazem 
manifestações atípicas. O diagnóstico é 
clínico e, em algumas situações, pode 
ser corroborado pelo teste de inclinação 
(tilt test), com ou sem sensibilização com 
nitrato ou isoproterenol. Neste grupo, tam-
bém podemos incluir a hipersensibilidade 
do seio carotídeo, rara causa de síncope, 
em que o paciente desmaia após qualquer 
estímulo mecânico ao seio (ex.: rodar subi-
tamente a cabeça, camisa de gola aperta-
da, ao se barbear). Ocorre principalmente 
em pacientes do sexo masculino, idade 
≥ 50 anos. Este tipo de síncope pode ser 
diagnosticado pela compressão (5 a 10 
segundos) da artéria carótida logo abaixo 
do ângulo da mandíbula (local de bifurca-
ção). A resposta normal desta compressão 
é uma queda na frequência cardíaca pela 
diminuição da condução atrioventricular. 
Na hipersensibilidade do seio carotídeo 
temos uma pausa sinusal ≥ 3 segundos 
e/ou uma queda na pressão sistólica ≥ 50 
mmHg (obs.: esta compressão deve ser 
evitada em pacientes com ataques isquê-
micos transitórios, AVE nos últimos três 
meses e sopro em região carotídea). 
 Tratamento: durante a síncope, apenas 
colocar o paciente deitado com as pernas 
para cima. 
 Profilaxia (para síncopes recorrentes): me-
didas gerais (meia elástica, exercícios iso-
métricos de panturrilhas, etc.), ingesta de 
sal liberada e fludrocortisona (mineralocorti-
coide); casos refratários: betabloqueadores, 
inibidores da recaptação da serotonina; ra-
ramente é indicado MP definitivo (somente 
para os casos de componente cardioinibitó-
rio puro, refratários a outras medidas). Na hi-
persensibilidade do seio carotídeo, devemos 
evitar compressão da região. Além disso, 
agentes vasoconstrictores e MP definitivo 
também são alternativas.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 15Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
	Hipotensão Ortostática (HO): Os dois 
mecanismos de base são a depleção de 
volume (cursando com a redução do re-
torno venoso) e a alteração de reflexos 
autonômicos (só que agora uma redução 
da resposta simpática que deveria levar 
à vasoconstricção e também aumentar o 
retorno venoso na ortostase). Sua preva-
lência aumenta conforme a idade, assim 
como na síncope cardiovascular, em virtu-
de da redução dos reflexos barorrecepto-
res e da complacência cardíaca. Além dos 
sintomas clássicos que se assemelham à 
sincope neuromediada, o paciente pode 
apresentar uma dor cervical associada à 
isquemia muscular desta região (“cefaleia 
em cabide”). Existem pequenas variações 
para caracterizá-la, sendo a mais tradi-
cional como a queda na pressão sistólica 
≥ 20 mmHg ou na diastólica ≥ 10 mmHg, 
quando assumida a posição ortostática 
após três minutos. Obs.: Alguns autores 
ainda citam o tempo de ortostatismo para 
2-5 minutos, o aparecimento de uma ta-
quicardia reflexa (aumento de 20 bpm) ou 
trazem diferentes valores para redução 
na sistólica e diastólica (30 mmHg e 10 
mmHg, respectivamente). Ela pode ser 
dividida em: (1) imediata ou inicial, quan-
do a queda na PA se dá nos primeiros 
15 segundos; (2) clássica, dentro de três 
minutos; e (3) retardada, quando demora 
mais de três minutos para se desenvolver.
 Tratamento: além da reversão dos eventos 
causadores (hidratação, suspensão de 
drogas, etc.), incluem-se a utilização da 
fludrocortisona associada ou não a agen-
tes simpaticomiméticos como a midodrina.
	Síncope cardíaca
 Principais causas:
• Cardiopatia estrutural: IAM, TEP, valvulopa-
tias, mixoma atrial, CMH;
• Arritmias cardíacas (segunda causa mais 
comum de síncope).
 A Síncope por Taquiventricular: deve ser 
suspeitada em todo paciente cardiopata 
(pós-IAM, miocardiopatia dilatada ou hiper-
trófica, etc.). O exame de escolha é o Es-
tudo	Eletrofisiológico	(EEF), firmando-se 
o diagnóstico pelo surgimento de uma TV 
instável induzível. O tratamento é a coloca-
ção de um cardiodesfibrilador implantável.
 Síncope Bradicárdica (síndrome de Stoke-
-Adams): causa	mais	comum	de	síncope	
nos	idosos!!	Pode ser decorrente da doen-
ça do nódulo sinusal ou de um BAV maligno. 
O exame indicado é o Estudo eletrofisioló-
gico, para avaliação da função sinusal e da 
junção AV. Conduta: MP definitivo.
	Síncope neurológica
 Ao contrário do que muitos pensam, a 
doença cerebrovascular, por si só, rara-
mente, causa síncope! Basicamente, em 
duas ocasiões isto pode acontecer: insufi-
ciência vertebrobasilar, pois estas artérias 
irrigam o tronco cerebral, responsável 
pela vigília; ou estenose de carótidas bi-
lateral grave com hipofluxo generalizado 
(estenose unilateral não causa!). Ou seja, 
não faz sentido solicitar TC de crânio para 
todos os pacientes com síncope, mas 
apenas naqueles com algum sinal focal. 
Outras condições seriam a enxaqueca da 
artéria basilar (adolescentes) e a hemor-
ragia subaracnoide.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2009
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA 
DE VITÓRIA – EMESCAM
Em um paciente idoso com hipotensão arterial 
postural sintomática idiopática, qual medica-
mento poderá ser empregado?
a) Amiodarone. 
b) Aminofilina. 
c) Codeína.
d) Midodrine.
e) Cloridrato dietilefedrina.
 Pequeno detalhe do conhecimento, mas 
que faz a diferença na hora da prova. A opção 
inicial seria a fludrocortisona podendo vir as-
sociada ou não a uma droga simpaticomimé-
tica como a midodrina. Resposta: letra D.
Abordagem
Como vários trabalhos já mostraram, a abor-
dagem de pacientes com síncope não é algo 
tão elucidativo, já que, mesmo em centros 
especializados, até 30% dos pacientes po-
dem permanecer sem um diagnóstico. De 
qualquer forma, é importante que, diante 
de um paciente que chega ao hospital com 
quadro de síncope, duas grandes perguntas 
sejam respondidas: 
 Qual é a causa da síncope?
 Qual é o risco, em relação à morbimortalidade, 
no curto e longo prazo, para este paciente?
1– DESCOBRINDO A CAUSA
Como já diz a famosa frase: “A clínica é 
soberana!”. Assim, não nos espanta que os 
dados mais importantes inicialmente são a 
história	e o exame	físico. Como a síncope 
cardíaca costuma trazer um prognóstico pior 
que a não cardíaca, ela é a grande condição 
a ser descartada. ObserveSinoatrial: 
 Suspeitar na presença de diversas pausas 
sinusais (períodos sem onda P e sem QRS).
Pausa sinusal sintomática (síncope) 
em idoso com doença degenerativa 
do nódulo sinusal.
Entre as disfunções intrínsecas, temos prin-
cipalmente a doença do nó sinusal (DNS ou 
SSS, do inglês síndrome do sinusal doente) 
– uma condição fibrodegenerativa; doença 
coronariana; doenças inflamatórias (pericar-
dite, miocardite, doenças reumáticas e cola-
genoses, doença de Lyme, febre amarela); 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 64Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
amiloidose senil; actínica; pós-cirúrgica e 
congênita. Elas são mais importantes nas 
bradiarritmias sinusais malignas, que vere-
mos adiante. 
Como causas de disfunção extrínseca e mais 
relacionadas às bradiarritmias benignas que 
acabamos de ver, temos:
	Drogas bradicardizantes	– antagonistas 
dos canais de cálcio, digital, amiodarona, 
betabloqueador, adenosina, clonidina, ci-
metidina, amitriptilina, fenotiazinas, penta-
midina, metadona;
	Vagotonia	– hipoxemia, hipertensão intracra-
niana, passagem de cateter nasoenteral, IAM 
de parede inferior, micção, dor, medo, defe-
cação, reten ção urinária, compressão do seio 
carotídeo ou do globo ocular, hipotireoidismo.
E o tratamento?
Consiste na suspensão/resolução de fatores 
desencadeantes. Em caso de sintomas de 
baixo débito: atropina 0,5 mg IV, em bolus, po-
dendo ser repetida em 3-5 minutos, até a dose 
máxima de 3 mg. Nas bradiarritmias sinusais 
sintomáticas não responsivos à atropina, fica 
indicada a implantação do marca-passo.
Alguns Achados na Disfunção do Nódulo 
Sinusal – Ritmos de Escape
 Consequência direta de um distúrbio ar-
rítmico... Veja como é simples. Apesar de 
o nódulo sinusal ser o marca-passo domi-
nante do ritmo cardíaco, ele não é o único! 
Na verdade, outras células que possuem a 
capacidade de gerar estímulos automáti-
cos (células atriais, junção AV, células de 
Purkinje) também podem “mandar” no ritmo! 
A questão é que o nódulo sinusal passa a 
ser o grande comandante apenas porque é 
o que tem estímulos mais “rápidos”, numa 
frequência bem conhecida entre nós, de 60 
a 100 bpm.
 
 Contudo, quando falha, o coração não para 
de bater. Começam a aparecer então o que 
chamamos de ritmos de escape. Eles são 
representados sempre pelo termo “IDIO” 
antes do sítio em que são originados. 
 
 Veja a seguir:
Ritmo	Idioatrial	
 (1) QRS estreito; (2) FC entre 40-60 bpm; 
(3) P de morfologia ou polaridade diferente 
da sinusal, com intervalo PR ≥ 120ms; (4) 
Todas as ondas P de escape com morfolo-
gia similar.
	Bradicardia	Atrial	Multifocal	(Marca-
-passo Migratório Bradicárdico): 
 Ritmo Idioatrial com três ou mais morfologias 
diferentes da onda P na mesma derivação.
Aqui temos a presença de um batimento sinusal, 
seguido de 2 batimentos atriais iguais (de origem 
alta), um batimento atrial baixo (P negativa em D2) 
e um batimento juncional (P sucedendo o QRS), 
totalizando 4 morfologias diferentes de onda P.
Ritmo	 Idiojuncional	 (estímulo nasce na 
junção AV): 
 (1) QRS estreito; (2) FC entre 40-60 bpm; 
(3) Pode ou não aparecer uma onda P retró-
grada (P’), negativa em D2 e “colada” ao QRS 
(“dentro” do QRS, logo antes ou logo depois).
Aqui temos escapes de QRS estreito, iguais 
aos dos batimentos sinusais precedentes. O 3º, 
o 4º e o 5º batimentos são de escape juncional. 
Como o estímulo elétrico agora nasce na junção 
AV (e não mais no nódulo sinusal), os átrios são 
ativados retrogradamente (“de baixo para cima”), 
aparecendo no ECG como uma onda P negativa 
em D2 (onda P’). Esta onda pode se inscrever 
logo antes (com PR sempre 3 segundos sem esca-
pe apropriado; 
	bloqueio sinoatrial;
	síndrome braditaqui (taquiarritmias atriais 
paroxísticas, seguidas de longas pausas 
sinusais).
Quais são as causas?
Estão representadas basicamente pela dis-
função intrínseca do nó sinusal, em particular 
a DOEnçA	DO	nÓDulO	SInuSAl (DNS), 
uma condição fibrodegenerativa que acomete 
o nódulo sinusal e o miocárdio atrial adjacente, 
mais comum em idosos (> 65 anos).
E o tratamento?
Em primeiro lugar, as condições reversíveis, 
quando presentes, devem ser descartadas. 
Em seguida, tendo em vista que a SSS é a 
grande causa nesses pacientes, partiremos 
para a colocação do marca-passo. Só nos 
EUA, 50% deles são implantados em pacien-
tes portadores de DNS. O MP	provisório 
fica indicado nos casos de instabilidade he-
modinâmica e o MP	definitivo nos quadros 
irreversíveis. Outras abordagens incluiriam 
a utilização de drogas capazes de aumentar 
a automaticidade e velocidade de condução 
pelo nódulo, a exemplo da atropina, xantinas 
e isoproterenol, bem como a ablação de ta-
quiarritmias em pacientes com a síndrome 
taqui-bradi.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010 
FUNDAÇÃO JOÃO GOULART – HOSPITAIS 
MUNICIPAIS 
Em condições normais, a função de marca-
-passo do coração reside no nó sinoatrial, lo-
calizado na junção do átrio direito com a veia 
cava superior. A disfunção do nó sinoatrial é 
encontrada, com frequência, em:
a) Jovens atletas, no decorrer da diminuição 
do estímulo vagal, hipertensão e hipercapenia.
Saiba MaiS!
Motivo de muita dúvida entre os alunos, os 
marca-passos costumam ser designados por 
5 letras, de acordo com suas características. 
	A primeira letra indica a câmara que o 
MP estimula: O (nenhuma); A (átrio); V 
(ventrículo); D (dupla – átrio + ventrículo); 
S (única – vem do inglês, single). 
	A segunda letra é onde está o sensor do 
MP (mesmas acima).
	A terceira é como ele responde ao rece-
ber o estímulo: O (nenhuma); I (inibitória): 
T (deflagradora – do inglês, triggered); D 
(inibitória + defla gradora).
	A quarta se refere à programação, indi-
cando que o MP tem um modu lador de fre-
quência (do inglês, rate responsiveness).
	A quinta é relacionada ao mecanismo de 
antitaquicardia, se houver: O (nenhuma); 
P (marca-passo antitaquicardia); S (cho-
que); D (marca-passo + choque). Esta é 
raramente utilizada.
Os MP mais utilizados no nosso meio de câ-
maras única e dupla são, respectivamente, 
VVIR e DDDR. 
Assim, podemos dizer que o VVIR é um 
marca-passo unicameral com um eletrodo 
no ventrículo (observem que, ao invés de 
colocarem “SV”, preferiram “VV”), que inibe 
a transmissão do impulso ao receber o estí-
mulo (I), modulando a frequência conforme 
a demanda do paciente (R). Este é utilizado 
quando não há necessidade de sincronizar 
átrio e ventrículo.
Já o DDDR seria um marca-passo bicameral, 
com eletrodos no átrio e ventrículo (DD), que 
pode inibir ou estimular o impulso, sincroni-
zando átrioe ventrículo (D) e modulando a 
frequência conforme a demanda do paciente 
(R). Este é bom quando se deseja a sincroni-
zação atrioventricular.
b) Idosos, na vigência de descompensação 
de condições como hipertermia, hipertensão 
e hipertireoidismo.
c) Idosos, como fenômeno isolado, manifes-
tando-se por episódios paroxísticos de tonteira 
e síncope. 
d) Adolescentes com antecedentes de car-
diopatia orovalvular, hipertireoidismo e febre 
tifoide.
 
 Como típica doença fibrodegenerativa do 
nódulo sinusal e região perinodal, trata-se ge-
ralmente de um distúrbio idiopático, isolado, 
mais comum em idosos e associado a quadros 
de síncope. Resposta: C.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 66Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Bloqueios Atrioventriculares
Neste grupo de arritmias, encontramos graus 
variados de bloqueio na condução do estímu-
lo pela junção AV. O mais importante é defi-
nir em que ponto da junção está o problema. 
Lembre-se de que, ao falarmos de junção AV, 
incluímos desde o nódulo AV até o feixe de 
His. O primeiro, recebendo ampla inervação 
parassimpática (vagal); já o feixe de His e 
seus ramos sem esse tipo de inervação. 
 
Assim, dividiremos os distúrbios em “benig-
nos” (acima do feixe de His – supra-hissianos, 
responsivos à atropina) ou “malignos” (intra ou 
infra-Hissianos, não responsivos à atropina). 
Os “malignos” geralmente se apresentam com 
sintomas mais graves, que vão desde síncope 
até PCR em assistolia ou FV.
1) RITMOS BENIGNOS
Quais são e como aparecem no ECG?
São arritmias em que o bloqueio da condução 
atrioventricular ocorre acima do feixe de His 
(supra-hissiano). Estão incluídos: BAV de 1º 
grau, BAV de 2º grau Mobitz I e algumas for-
mas de BAV 2º grau 2:1. 
	BAV	de	1º	Grau	
 Intervalo PR > 200ms (ou 0,2s)
	BAV	de	2º	Grau	Mobitz	I
 (1) Ondas P eventualmente bloqueadas 
(sem QRS). De acordo com a relação en-
tre o número de ondas P para o número de 
complexos QRS, podemos dizer que são: 
3:2, 4:3, 5:4, etc. O intervalo PR antes da 
P bloqueada é maior que o intervalo PR 
depois da P bloqueada.
 (2) Fenômeno de Wenckebach: aumento 
progressivo do PR até o bloqueio da P.
Bloqueio AV de 2º Grau Mobitz	I 4:3 
(4 ondas P para 3 QRS).
	BAV	de	2º	Grau	Mobitz	II			
 (1) Ondas P eventualmente bloqueadas. 
 (2) Os intervalos PR antes do bloqueio da P 
são iguais entre si. Além disso, o intervalo 
PR antes da P bloqueada = intervalo PR 
depois da P bloqueada.
Bloqueio AV de 2º Grau Mobitz II 3:2 (3 P para 
2 QRS). Outros indícios de Mobitz II são: QRS 
alargado e aberrante (pois o bloqueio é infra-
Hissiano) e FC 200ms) 
= BAV benigno (de origem acima do feixe 
de His – supra-Hissiano) 	ECG A;
 • QRS largo, sem BAV de 1º grau = BAV 
maligno (infra ou intra-hissiano) 	ecg B;
 • Casos dúbios: fazer dose-teste de atropi-
na (a ausência de resposta indica malig-
nidade), estudo eletrofisiológico ou teste 
ergométrico.
ECG	A:	Bloqueio AV de 2º Grau 2:1. 
Comportamento sugestivo de Mobitz I.
ECG	B:	Bloqueio AV de 2º Grau 2:1. 
Comportamento sugestivo de Mobitz II.
Quais são as causas?
Todas as causas reversíveis de bradiarritmia 
sinusal também podem causar BAV benig-
nos! O QRS geralmente é estreito. Podem 
ser sintomáticos ou assintomáticos. 
 
E o tratamento?
Nos quadros assintomáticos, nenhuma medi-
da específica, exceto pela remoção de fatores 
desencadeantes. Nos sintomáticos, por se 
tratarem de condições benignas, a droga de 
escolha é a atropina. Nos BAV benignos sin-
tomáticos não respon sivos à atropina, fica 
indicada a implantação do MP.
2) RITMOS MALIGNOS
Quais são e como aparecem no ECG? 
Nessas condições, o local do bloqueio cos-
tuma ser infra-Hissiano (QRS alargado), mas 
também pode ser intra-Hissiano (QRS estrei-
to). Estão incluídos: BAV de 2º grau Mobitz 
II, BAV de 2º grau 2:1 ou BAVT. Podem ser 
assintomáticos, mas geralmente são sintomá-
ticos (síncope, cansaço, dispneia). 
http://#videomiolo=13734-CM228072A
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 67Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
	BAV	avançado	
 • BAV com relações P/QRS de 3:1, 4:1, 
5:1, etc.
	BAV	Total
 (1) Completa dissociação AV (entre P e 
QRS). A P aparece em várias posições com 
relação ao QRS (dentro, logo antes, logo 
depois, no segmento ST, em cima da onda 
T, etc.).
 (2) Intervalos P-P na frequência sinusal e 
intervalos R-R regulares, respeitando a 
frequência de escape.
 (3) O escape pode ser juncional (QRS es-
treito, FC > 40 bpm) ou ventricular (QRS 
alargado, FC 3 segundos após discreto estímulo 
do seio carotídeo.
O modo mais utilizado é o DDDR, um	MP de 
duplo cabo que estimula átrios e, em seguida, 
ventrículos e ainda aumenta a sua frequência 
com o esforço físico. O modo VDD	consiste 
em	um cabo único que estimula o ventrículo 
após detectar a onda P do paciente e é uma 
ótima opção para os casos de BAV maligno 
com nódulo sinusal normofuncionante.
O que fazer no BAV 2o grau 2:1? 
Este BAV está “em cima do muro”! Pode ser 
do tipo benigno (supra-Hissiano) ou maligno 
(intra ou infra-Hissiano). Veja a regra: Sem-
pre que um BAV deixa dúvidas quanto à sua 
importância clínica, um estudo	eletrofisioló-
gico está indicado para avaliar a localização 
do bloqueio, através da medida dos intervalos 
AH e HV (por eletrodos intracardíacos). Para 
ficar mais claro, estas medidas simplesmente 
representam: intervalo A-H (condução pelo nó 
AV); intervalo H (período de condução intra-
-hissiana) e intervalo H-V (período de condu-
ção infra-hissiana).
BEnIGnAS
Ritmos
Conduta
MAlIGnAS
Ritmos
Conduta
RESuMInDO	AS	BRADICARDIAS
http://#videomiolo=13734-CM228072B
http://#scrolldown
http://#page=194
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 68Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Repare no quadro a seguir que até existem 
indicações bem específicas para a implanta-
ção do marca-passo em cada bradiarritmia. 
Exatamente da forma que o cardiologista ado-
ra – cheia de níveis de recomendação! Exis-
tem também aquelas para o Cardiodesfibrila-
dor Implantável (CDI). No entanto, preferimos 
não destacar estas categorias pela reduzida 
chance de serem memorizadas para as pro-
vas. Porém, aos que quiserem seaventurar, 
reparem naquelas de maior evidência (classes 
I e IIa)...
InDICAçõES	DE	MARCA-PASSO	DEFInITIVO
Doença	do	nodo	
Sinusal
Classe I
Bradicardia sintomática documentada.
Incompetência Cronotrópica.
Bradicardia sintomática por medicamentos necessários.
Classe IIa
Bradicardia sintomática, porém não documentada.
Síncope de origem indeterminada com doença do nodo sinusal 
documentada em estudo eletrofisiológico.
Bloqueios	AV	
Adquiridos
Classe I BAVT ou BAV avançado se:
- Bradicardia sintomática (pelo bloqueio ou por medicamentos 
necessários).
- Pausas ≥ 3 segundos em ritmo sinusal ou escape 40 bpm sem cardiomegalia.
BAV 2º grau intra ou infra-hissiano documentado em Estudo Ele-
trofisiológico.
BAV de 1º Grau ou 2º Grau sintomáticos.
BAV de 2º Grau Mobitz II assintomático com QRS alargado.
Bloqueio		
Bifascicular	
Crônico
Classe I BAVT intermitente ou BAV avançado.
BAV 2º Grau Mobitz II.
Bloqueio de ramo alternante.
Classe IIa Síncope não demonstrada como sendo por BAV, mas com Estudo 
eletrofisiológico afastando Taquicardia Ventricular (TV).
Estudo Eletrofisiológico com intervalo H-V ≥ 100ms.
Pós-IAM
Classe I BAV de 2º grau infra-hissiano persistente as sociado a bloqueio de 
ramo alternante ou BAVT infra-hissiano.
BAVT ou BAV avançado infra-hissianos e tran sitórios associados 
bloqueios de ramo.
BAVT ou BAV 2º grau persistentes e sintomáticos.
Hipersensibilidade	
Carotídea	e	
Síncope	neuro-	
cardiogênica
Classe I Hipersensibilidade do seio carotídeo sintomática (pausa > 3 se-
gundos após estimulação carotídea).
Classe IIa Síncope inexplicada, mas com tilt test alterado (pausa > 3 segundos).
Prevenção	de	
Taquicardia
Classe I Taquicardia ventricular pausa-dependente, com ou sem prolonga-
mento do intervalo QT.
Classe IIa Síndrome do QT longo congênita em pacientes de alto risco.
Ressincronização	
na	Insuficiência	
Cardíaca
Classe I Fração de Ejeção ≤ 35%, ritmo sinusal com BRE e QRS ≥ 150ms 
e Classe Funcional II, III ou IV a despeito da terapia otimizada.
Classe IIa Fração de Ejeção ≤ 35%, ritmo sinusal com BRE e QRS entre 
120 e 149ms e Classe Funcional II, III ou IV a despeito da tera-
pia otimizada.
Fração de Ejeção ≤ 35%, ritmo sinusal com QRS ≥ 150ms sem 
padrão de BRE e Classe Funcional III ou IV a despeito da te-
rapia otimizada.
FA com Fração de Ejeção ≤ 35% se: (A) Paciente requer marca-
-passo ventricular; OU (B) Ablação do nodo AV ou controle far-
macológico da frequência vão permitir controle artificial do ritmo 
cardíaco pelo ressincronizador.
Pacientes com fração de Ejeção ≤ 35% que serão submetidos à 
implante de marca-passo e já se antecipou uma necessidade 
significativa (> 40%) de estimulação ventricular artificial.
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 69Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
InDICAçõES	DE	CARDIODESFIBRIlADOR	IMPlAnTáVEl
Classe I
FE ≤ 45% com Classe Funcional II ou III em, no mínimo, 40 dias pós-infarto.
FE ≤ 30% com Classe Funcional I em, no mínimo, 40 dias pós-infarto.
Morte Súbita Abortada (sobreviventes) por FV ou TV sem pulso desde que 
excluídas causas reversíveis.
FE ≤ 35% com Classe Funcional II ou III em Miocardiopatia Dilatada de ori-
gem não isquêmica.
FEBloqueio fixo 2 para 1.
 O fenômeno de Wenckebach consiste num 
alargamento progressivo do intervalo PR (a 
cada ciclo cardíaco) até que a onda P seja 
bloqueada. A cada batimento, a onda P vai se 
afastando do QRS até surgir uma onda P de-
sacompanhada de QRS, sendo o próximo 
evento elétrico uma nova onda P, desta vez 
normalmente conduzida. Este fenômeno de-
fine a existência de um BAV de 2º grau Mobitz 
tipo I, que pode ter condução 3:2, 4:3 e por aí 
em diante. Resposta: B.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010 
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP
Homem de 71 anos de idade é levado ao 
pronto-socorro devido a episódio de perda 
aguda da consciência testemunhada, sem 
evidência de trauma ou quadro convulsivo. 
No momento da perda de consciência esta-
va fazendo exercícios físicos na academia, a 
cerca de 30 minutos. Permaneceu desacor-
dado por menos de 1 minuto, com recupe-
ração rápida e completa. Nega dor torácica, 
palpitações, tonturas, dispneia ou episódios 
prévios. Há 4 meses iniciou tratamento para 
hipertensão arterial e desde então está em 
uso de atenolol 50 mg/dia e diltiazem 8/8 ho-
ras. No momento, está assintomático. Exame 
clínico: bom estado geral, consciente, orien-
tado, PA: 100 x 60 mmHg (deitado e em pé), 
frequência cardíaca: 50 bpm, frequência res-
piratória: 20 ipm, saturação de oxigênio: 96% 
(em ar ambiente), glicemia capilar: 90 mg/dl. 
Não apresenta outras alterações ao restante 
do exame clínico, incluindo o neurológico. Na 
sala de emergência foi realizado monitora-
mento cardíaco e obtido o acesso venoso. O 
eletrocardiograma também foi realizado. Fo-
ram realizados os seguintes exames comple-
mentares: hemograma, eletrólitos e marca-
dores de injúria cardíaca, os quais estavam 
dentro dos limites da normalidade. Qual é o 
diagnóstico eletrocardiográfico? Não é ne-
cessário justificar.
 Temos aqui um idoso com episódio de sín-
cope associado à realização de exercício físico. 
Neste momento, devemos imediatamente nos 
preocupar com as causas cardiológicas, entre 
elas a isquemia miocárdica, as arritmias cardí-
acas e as valvopatias. Quem nos dará essa 
orientação inicialmente será o traçado do ECG. 
Assim, ao observarmos o DII longo do traçado 
que é oferecido, notamos que a onda P está 
completamente dissociada dos complexos QRS 
(a onda P entra e sai do QRS), o que configura 
o diagnóstico de BAV de 3º grau (BAVT).
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010 
FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS 
DA UNIVERSIDADE DE CAMPINAS – SP
Homem, 62 anos, portador de amiloidose pri-
mária, apresenta quadro súbito de perda da 
consciência. Iniciou medicação anti-hiperten-
siva há 1 dia. Seu eletrocardiograma está 
demonstrado abaixo.
ESTE EVENTO ESTÁ PROVAVELMENTE 
ASSOCIADO AO USO DE:
a) Captopril. c) Prazosin.
b) Verapamil. d) Nifedipina.
 Nesta questão, temos um paciente idoso 
com episódio de síncope e relato de início há 
24h de medicação anti-hipertensiva nova. 
Será que essa medicação foi a responsável 
pela síncope? Vejamos o ECG. Existe um ní-
tido BLOQUEIO ATRIOVENTRICULAR DE 3º 
GRAU! Perceba como a onda P está dissocia-
da do QRS, ela simplesmente “não respeita o 
QRS” e “passa por dentro dele” (inclusive “por 
dentro” da onda T). Com uma rápida “olhada” 
neste traçado, não é difícil ter a impressão de 
que “os átrios e ventrículos estão funcionando 
cada um por si, totalmente dissociados”. Per-
ceba que os intervalos PP são regulares e 
constantes, bem como o intervalo RR. Entre-
tanto, como a grande responsável pelo débito 
cardíaco é a contração ventricular, o que “im-
porta” para a hemodinâmica do paciente é a 
frequência dos complexos QRS (que está 
extremamente baixa nesse caso, causando 
bradicardia e redução do fluxo sanguíneo ce-
rebral). Assim, o paciente tem síncope pelo 
baixo débito cardíaco! E se o problema está 
no nódulo AV, para culparmos alguma droga 
ela necessariamente deve ser uma inibidora 
do nódulo AV. Os inibidores farmacológicos do 
nódulo AV são: (1) adenosina; (2) betabloque-
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 71Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
adores; (3) digital; e (4) antagonistas dos ca-
nais de cálcio não di-hidropiridínicos, como 
verapamil e diltiazem. Logo, a resposta é a 
letra B (verapamil).
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010
INSTITUTO ORTOPÉDICO 
DE GOIÂNIA – IO – GO
Em qual situação não se deve indicar marca-
-passo definitivo:
a) Doença do nódulo sinusal. 
b) Bloqueio infra-hissiano. 
c) BAV total. 
d) Síndrome taqui-bradi. 
e) Bloqueio supra-Hissiano. 
 
 Os BAV proximais ou Supra-Hissianos, 
como acabamos de ver, são bloqueios de bom 
prognóstico e que respondem bem à atropina. 
Nesse caso, não há indicação de implante 
de marca-passo definitivo. Todas as demais 
condições representam ritmos “malignos” e 
são indicações clássicas para o implante. 
Resposta: Letra E.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2009
SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – SUS – BAHIA
Mulher, 73 anos de idade, com hipercoles-
terolemia, apresentou síncope de duração 
de 5 minutos em domicílio. Filha nega uso 
de medicações, exceto sinvastatina e colírio 
para glaucoma. Esteve no cardiologista há 3 
meses, que não recomendou novas medidas. 
Foi trazida ao PA onde se apresenta confusa, 
com pulso radial de 36 bpm, com pausas à 
inspiração. TA: 120 x 60 mmHg, FR: 20 ipm. 
Mucosas coradas, sem sinais neurológicos 
de localização ou de irritação meníngea. Pul-
mões limpos. Ausculta cardíaca mostra bulhas 
arrítmicas à custa de pausas, que duram até 
30 segundos, além de sopro sistólico suave 
em foco aórtico. O ECG dessa paciente revela 
presença de onda P em D2, com intervalo PR 
de 0,13 segundos, períodos de pausa não pre-
cedidos de onda P, não múltiplos do intervalo 
RR, com duração de até 50 segundos e QRS 
com morfologia normal e eixo de 30 graus. 
Esses achados são compatíveis com:
a) Bloqueio AV de segundo grau, mobitz tipo II.
b) Bloqueio AV de primeiro grau.
c) Bloqueio AV total.
d) Marca-passo migratório.
e) Bradicardia sinusal com parada sinusal.
 Idosa com história de síncope, batendo a 
36 bpm, sem nenhuma comorbidade, exce-
to pela hipercolesterolemia. ECG com onda 
P em D2 e, apesar da descrição não estar 
completa, parece compatível com um ritmo 
sinusal. Como explicar as pausas? Pelas 
“pausas sinusais” que podem ocorrer entre-
meadas ao ritmo sinusal destes pacientes. 
Neste caso específico, pausas muito longas 
(30 segundos) que justificam o quadro e dão 
um aspecto arrítmico à ausculta. Não há alar-
gamento de intervalo PR que fale a favor de 
um BAV. Agora, revendo o caso, será que ela 
não tem nenhum evento causador mesmo? 
Sim, se olharmos com atenção ela utiliza um 
colírio para glaucoma, provavelmente à base 
de betabloqueadores e que podem levar a 
repercussões sistêmicas como as bradiarrit-
mias sinusais. Resposta E.
Continuando a questão, pergunta-se:
A melhor conduta imediata é:
a) Fazer atropina EV. 
b) Fazer manitol EV. 
c) Instalar marca-passo transitório.
d) Instalar noradrenalina EV.
e) Fazer adrenalina EV.
 Neste caso, o primeiro passo é sempre a 
suspensão do colírio. Em segundo lugar, não 
havendo melhora do quadro, entraria a atropina 
para o controle sintomático. Resposta: A.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 72Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
DISTÚRBIOS DA CONDUçãO 
INTRAVENTRICULAR
proveitando que acabamos de falar sobre bradiarritmias, 
vamos falar um pouco também sobre os distúrbios que 
podem ocorrer na condução pelos ramos do feixe de His. A 
maioria deles não apresentará sintomas, sendo simplesmente 
um achado eletrocardiográfico. Contudo, não podemos 
ignorar sua importância, pois podem nos apontar a existência de 
um importante distúrbio de base. De todos, a nossa preocupação 
maior se dará para os bloqueios bi e trifasciculares pelo risco de 
evoluírem para um BAVT “maligno”.
A
Inicialmente, devemos nos recordar que o 
feixe de His se divide em dois ramos: o ramo 
direito e o ramo esquerdo. O primeiro corre 
pelo endocárdio do lado direito do septo inter-
ventricular, originando a rede de Purkinje do 
VD. O último, já na porção superior dosepto, 
se bifurca em dois fascículos: fascículo an-
terior esquerdo (que leva a condução para a 
região anterossuperior do endocárdio do VE) 
e o fascículo posterior esquerdo (que leva à 
condução para a região posteroinferior do en-
docárdio do mesmo ventrículo). Haveria ainda 
um outro fascículo, o anteromedial, mas este 
de menor relevância clínica. 
O bloqueio da condução elétrica pelos ramos 
direito ou esquerdo podem ser de 1º e 2º graus 
(“incompletos”) ou de 3º grau (“completos”) 
e juntamente com o bloqueio dos fascículos 
(“hemibloqueios”) compõem o que se conven-
cionou denominar de Distúrbios da Condução 
Intraventricular (DCIV). 
Figura 1 – Sistema de condução elétrico 
atrioventricular.
1 - BLOqUEIOS DE RAMO
	Definição Eletrocardiográfica
	 •	 Bloqueio	de	Ramo	Direito	(ECG	1) – 
critérios:
 Definido pela presença de onda R’ alar-
gada em V1 e ondas S alargadas em D1 
e V6.
 Nos bloqueios incompletos, o padrão é 
semelhante, mas as ondas R’ e S não 
são alargadas.
	 •	 Bloqueio	de	Ramo	Esquerdo	(ECG	2) 
– critérios:
 Definido pela presença de onda S alarga-
da em V1 e onda R alargada + ausência 
de onda q em D1 e V6. 
 Nos bloqueios incompletos, o padrão é 
semelhante, mas as ondas S e R não 
são muito alargadas.
Bloqueio	de	Ramo	Direito
A prevalência do BRD na população varia con-
forme a faixa etária: 0,8% aos 50 anos, 10% 
aos 75 anos e 11% aos 80 anos. Um estudo 
realizado em militares da Força Aérea Ameri-
cana demonstrou uma prevalência de 0,2%. A 
identificação de um BRD isolado não aumenta 
a chance de o indivíduo ser portador de uma 
cardiopatia. Neste caso, o BRD provavelmente 
provém de uma leve degeneração localizada 
do sistema de condução cardíaco e não tem 
influência no prognóstico de longo prazo. En-
tretanto, várias cardiopatias e pneumopatias 
podem se manifestar com BRD: hipertensão 
arterial, doença coronariana, infarto agudo do 
miocárdio, cardiomiopatias, cardiopatias con-
gênitas (CIA), cor pulmonale crônico (DPOC) 
e cor pulmonale agudo (embolia pulmonar). O 
BRD ainda pode ser devido à doença dege-
nerativa senil (doença de Lenégre).
Bloqueio	de	Ramo	Esquerdo
A prevalência do BRE também depende da 
faixa etária: 0,4% aos 50 anos, 2,3% aos 75 
e 5,7% aos 80 anos. Nos militares da Força 
Aérea Americana, a prevalência foi de apenas 
0,05%. O BRE em pessoas jovens assintomá-
ticas só está associado à cardiopatia em 5% 
dos casos. Contudo, pelos dados do estudo 
Framingham, a ocorrência de BRE na faixa 
etária dos 60 anos está associada à cardio-
patia e disfunção de VE em 50% dos casos. 
Como etiologia, predominam as cardiopatias 
hipertensiva, coronariana e por valvopatia aór-
72
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 73Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
tica. Nestes pacientes, o BRE é um importante 
preditor de mau prognóstico: cerca da metade 
desses pacientes morreram de causas cardio-
vasculares nos 10 anos seguintes! Tal como 
o BRD, o BRE também pode ser devido a do-
ença degenerativa senil (doença de Lenégre).
Bloqueio	de	Ramo	no		
Infarto	Agudo	do	Miocárdio
No IAM, os bloqueios de ramo direito e esquer-
do são descritos em 2% e 5% dos casos, res-
pectivamente, predominando no infarto anteros-
septal e anterior extenso (com grande extensão 
de injúria septal). Em 40 a 50% dos casos, os 
bloqueios de ramo são “novos”, isto é, surgiram 
pelo próprio infarto. Neste contexto, o bloqueio 
de ramo funciona como um preditor indepen-
dente de mortalidade, pois está associado aos 
maiores infartos. Além disso, aumentam o risco 
de BAVT, especialmente o BRD de instalação 
recente, ainda mais quando associado aos he-
mibloqueios ou quando têm o comportamento 
alternante (BRD alternando com BRE).
Bloqueio	de	Ramo	+	Bloqueio	AV
Quando o bloqueio de ramo (direito ou esquer-
do) está associado ao BAV (1º, 2º ou 3º grau), 
geralmente existe um grave distúrbio de condu-
ção cardíaco, com risco de BAV de grau avan-
çado e morte súbita. As causas mais comuns 
são: a doença de Lenégre e o IAM. Um bloqueio 
de ramo completo associado a um BAV de 1º 
grau pode indicar que o alentecimento da con-
dução AV se dá no outro ramo, podendo indicar 
um risco elevado de BAVT futuro.
ECG 1: Ritmo sinusal com Bloqueio de 
Ramo Direito de 3o Grau (BRD). É carac-
terizado por um QRS alargado e aberran-
te, com a clássica morfologia rsR’ (com R’ 
espessado) em V1 e aVR e a morfologia RS 
(com S espessado) em D1 e V6.
V1 V2 V3 V4 V5 V6
ECG 2: Ritmo sinusal com Bloqueio de 
Ramo Esquerdo de 3o Grau (BRE). É ca-
racterizado por um QRS alargado e aber-
rante, com a clássica morfologia rS ou QS 
(com S espessado) em V1 e a morfologia R 
espessado em D1 e V6.
V1 V2 V3 V4 V5 V6
D1 D2 D3 aVR aVL aVF
O Bloqueio Divisional Anterossuperior (BDAS) 
ou Hemibloqueio Anterior Esquerdo (HBAE) é 
bem mais comum do que o Bloqueio Divisional 
Posteroinferior (BDPI) ou Hemibloqueio Pos-
terior Esquerdo (HBPE), talvez pelo fato de o 
hemifascículo anterior esquerdo ser mais fino e 
suscetível à lesão do que o hemifascículo pos-
terior esquerdo. O HBAE é um achado bastante 
frequente nos cardiopatas e coronariopatas, 
porém pode ser visto em pessoas normais, 
não cardiopatas, especialmente os idosos. Há 
quem considere que o HBAE seja um proces-
so degenerativo natural da idade avançada. O 
HBPE é raro, mesmo nos cardiopatas, neste 
caso representando um pior prognóstico (maior 
comprometimento miocárdico). 
2 - HEMIBLOqUEIOS OU 
BLOqUEIOS DIVISIONAIS
	Definição Eletrocardiográfica
	 	 •	Bloqueio	 Divisional	 Anterossuperior	
(BDAS)	ou	Hemibloqueio	Anterior	Esquerdo	
(HBAE)	(ECG	3)	–	critérios:
 Definido por um importante desvio do eixo do 
QRS para esquerda, numa faixa entre -30º e 
-120º, uma vez afastada necrose da parede 
inferior (D2, D3 e aVF). No eletrocardiograma, 
o QRS nas derivações D2 e aVF tem predo-
mínio negativo, com complexos rS.
	 •	Bloqueio	Divisional	Posteroinferior	(BDPI)	
ou	Hemibloqueio	Posterior	Esquerdo	(ECG	
4)	–	critérios:
 Definido por um importante desvio do eixo do 
QRS para direita, numa faixa em torno de 
+120º, uma vez afastada necrose da parede 
lateral alta (D1, aVL) e hipertrofia do ventrí-
culo direito. No eletrocardiograma, o QRS 
nas derivações D1 e aVL tem predomínio 
negativo, com complexos rS e na derivação 
aVR, predomínio positivo, com complexo qR.
ECG 4: Ritmo sinusal com Hemibloqueio 
Posterior Esquerdo (HBPE). O HBPE é 
caracterizado por complexos rS (predo-
mínio negativo) em D1 e aVL e complexo 
qR (predomínio positivo) em aVR (eixo em 
torno de 120o).
D1 D2 D3 aVR aVL aVF
V1 V2 V3 V4 V5 V6
ECG 3: Ritmo sinusal com Hemibloqueio An-
terior Esquerdo (HBAE) em um hipertenso. 
O HBAE é caracterizado por complexos 
rS (predomínio negativo) em D2 e aVF (eixo 
acima de -30o).
D1 D2 D3 aVR aVL aVF
V1 V2 V3 V4 V5 V6
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 74Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Hemibloqueios	no	Infarto		
Agudo	do	Miocárdio
Tal como os bloqueios de ramo, predominam no 
IAM anterosseptal, sendo o HBAE mais comum 
que o HBPE. Enquanto o fascículo anterior é 
irrigado apenas pela DA, o fascículo posterior 
possui vascularização dupla (DA e CD) – o seu 
acometimento quase sempre indica doença 
multivascular e pior prognóstico. A evolução 
para BAVT é comum quando o hemibloqueio 
se associa ao bloqueio de ramo (nos bloqueios 
bi e trifasciculares – ver adiante).
Outros	hemibloqueios
Dentro dos bloqueios divisionais do ramo es-
querdo ainda temos o anteromedial (BDAM) 
e dos bloqueios divisionais dos ramos direito, 
o superior e o inferior. No entanto, para fins 
didáticos (em virtude do menor destaque des-
tes achados na prática e nas provas), eles não 
foram definidos aqui.
3 - BLOqUEIO BIFASCICULAR
4 - BLOqUEIO TRIFASCICULAR
5 - TRATAMENTO DOS DCIVS
Consideramos os “fascículos” do sistema 
de condução intraventricular o ramo direito, 
o fascículo anterior esquerdo e o fascículo 
posterior esquerdo. O bloqueio bifascicular 
clássico é a associação do BRD com um he-
mibloqueio esquerdo:
(1) BRD + HBAE(ECG 5)
(2) BrD + HBpe
A primeira associação é, sem dúvida, a mais 
comum. É vista frequentemente nos corona-
riopatas, no IAM, na cardiomiopatia dilatada e 
principalmente na doença de Chagas.
O bloqueio bifascicular pode evoluir posterior-
mente para BAVT. No estudo Framingham, 
este percentual foi pequeno, mas outros es-
tudos mostraram taxas expressivas: entre 10 
e 16% para BRD + HBAE e entre 21 e 75% 
para BRD + HBPE. As maiores taxas são nos 
bloqueios bifasciculares “novos” na fase aguda 
do IAM. 
ECG 5: Ritmo sinusal com Hemibloqueio 
Anterior Esquerdo (HBAE) + BRD em um 
paciente com doença de Chagas. O HBAE 
é caracterizado por complexos rS (pre-
domínio negativo) em D2 e aVF (eixo acima 
de -30o).
D1 D2 D3 aVR aVL aVF
V1 V2 V3 V4 V5 V6
O BRE teoricamente é um bloqueio bifasci-
cular, pois implica no bloqueio dos dois fas-
cículos esquerdos (anterior e posterior). Con-
tudo, existem dois motivos pelos quais não o 
consideram um bloqueio bifascicular clássico: 
(1) não possui uma chance tão alta como o 
BRD + hemibloqueio de evoluir para BAVT; 
(2) é possível encontrarmos num ECG a as-
sociação de BRE com hemibloqueio anterior 
ou posterior esquerdos (ou seja, na verdade, 
o BRE “completo” não é de fato completo, e 
sim um grande alentecimento de condução 
pelo ramo esquerdo).
Veja os principais exemplos de bloqueio tri-
fascicular:
(1) BRD + HBAE alternando com HBPE (blo-
queio de ramo direito com hemibloqueio 
alternante).
(2) BRD alternando com BRE (BR alternante) 
– ECG	6.
(3) Bloqueio bifascicular + BAV de 1º grau 
(neste caso, o alentecimento AV prova-
velmente se dá pelo comprometimento do 
terceiro fascículo).
O bloqueio trifascicular possui uma alta taxa de 
evolução para BAVT (especialmente na fase 
aguda do IAM), sendo considerado um DCIV 
bastante avançado.
ECG 6: Ritmo sinusal com Bloqueio de 
ramo alternante (BRD com BRE na mes-
ma derivação). 
V1
Os bloqueios de ramo ou hemibloqueios, 
quando isolados, não necessitam de tratamen-
to. As drogas cronotrópicas e dromotrópicas 
negativas (betabloqueadores, verapamil, dil-
tiazem digital, etc.) não são contraindicadas!
Uma pequena exceção: Alguns autores re-
comendam a introdução de um marca-passo 
provisório em pacientes com bloqueio de ramo 
“novo” durante a fase aguda do IAM, principal-
mente se houver BAV de 1º grau associado.
A preocupação maior é com os bloqueios bi-
fasciculares e, principalmente, com os trifas-
ciculares, pela possibilidade de evolução para 
BAVT “maligno”.
Bloqueios trifasciculares ou um bloqueio bi-
fascicular “novo” na fase aguda do IAM indica 
um marca-passo provisório. 
Um marca-passo definitivo é preconizado 
quando o distúrbio fascicular é crônico e o 
paciente tem história de BAV de 3º grau inter-
mitente ou síncope inexplicada.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 75Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
ALIANÇA SAÚDE – PR
O eletrocardiograma apresenta complexos 
QRSs de 140 ms, intervalo PR de 160 ms e o 
seguinte padrão: 
a) Bloqueio completo do ramo direito.
b) Bloqueio da divisão anterossuperior do 
ramo direito.
c) Bloqueio completo do ramo esquerdo.
d) Bloqueio atrioventricular de primeiro grau.
e) Bloqueio incompleto de ramo direito.
 Temos aqui um ECG compatível com blo-
queio completo do ramo esquerdo (BRE de 
3º grau): QRS > 120 ms; Ondas R alargadas 
– com entalhes em “torre” ou “meseta”, ou R 
“puro” – em V5 e V6 (e também em DI e AVL); 
ausência de q em V5, V6 e DI; Onda T oposta 
ao sentido do QRS. Resposta: C.O que se encontra no eletrocardiograma é:
Manejo das Bradiarritmias pelo ACLS
Mais uma vez, entendendo que o profissional de saúde nem sempre será capaz de definir 
exatamente a arritmia em questão, assim como fizeram com a “taqui”, as diretrizes do ACLS 
organizaram um algoritmo facilitando a abordagem da bradiarritmia. Confira:
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 76Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
 ParaDa CarDiOrrESPiratÓria 
(PCr) E mOrtE SÚBita
N este módulo, concentraremos as atenções em outro tema 
bastante frequente nas questões de prova: a Abordagem à 
Parada Cardíaca (PCR). Como bem sabemos, para facilitar e, 
com isso, melhorar a sobrevida destes quadros, foi criada uma 
estratégia de atendimento bastante conhecida entre os profissionais 
de saúde, que inclui o BLS (Suporte Básico de Vida) e ACLS (Suporte 
Avançado de Vida em Cardiologia). Vamos detalhar os principais aspectos 
dessa abordagem!
76
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 77Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Atendimento Inicial à Parada Cardíaca não Traumática
Obter o máximo de sucesso no atendimento 
de um paciente que sofreu uma PCR exige 
organização da estrutura e de procedimentos, 
a partir de etapas elencadas como a “Cadeia 
de Sobrevivência”. Como o ambiente é deter-
minante nestas etapas, recomenda-se o uso 
de cadeias distintas, considerando se é uma 
PCR Intra-Hospitalar (PCRIH) ou no Ambiente 
Extra-Hospitalar (PCREH). 
 Observe que os pacientes que têm uma 
PCREH dependem da assistência da comuni-
dade, sendo a parada reconhecida pelos so-
corristas leigos inicialmente para, em seguida, 
pedir ajuda, iniciar a RCP, desfibrilar, até que 
um time de Serviço Médico de Emergência 
(SME) com formação profissional assuma a 
responsabilidade (ligar para o telefone 193, 
da Defesa Civil – Corpo de Bombeiros). Algo 
recente foi a possibilidade de utilização de 
tecnologias de mídia social para convocação 
de socorristas que estejam nas proximidades 
da vítima. Na sequência, temos o transporte 
do paciente para um pronto-socorro e/ou 
um laboratório de hemodinâmica, quando é 
finalmente transferido para uma unidade de 
cuidados intensivos.
 Para os pacientes que têm uma PCRIH, é 
valioso dispor inicialmente de um sistema de 
vigilância adequado (ex.: times de resposta 
rápida, sistema de alerta imediato) para for-
necer intervenção àqueles com piora clínica 
e evitar a PCR. Obviamente, serão dispen-
sados, ao longo da cadeia, os cuidados com 
o transporte. 
 Eventualmente essa regra pode ser quebra-
da. Se estivermos diante de uma suposta 
vítima de PCR por asfixia (ex.: afogamento 
e crianças), a prioridade seria iniciar medi-
das de RCP antes de acionar o serviço de 
emergência/urgência. A medicina não é uma 
ciência exata... Apesar de toda a padroniza-
ção, os profissionais são, na verdade, incen-
tivados a realizar as ações mais apropriadas 
para a causa mais provável da PCR.
Definidos estes conceitos iniciais sobre a 
estrutura dos sistemas de atendimento, foca-
remos agora na revisão das manobras orien-
tadas pelo Suporte Básico de Vida (SBV, ou 
BLS do inglês); Suporte Avançado de Vida 
(SAV, ou ACLS do inglês); e nos cuidados 
pós-PCR. As atualizações sobre o tema 
são cada vez mais frequentes e devemos 
ficar atentos, inclusive com a utilização da 
plataforma digital da AHA (American Heart 
Association), além das diretrizes tradicional-
mente publicadas.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 78Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Suporte Básico de Vida (BLS)
 MANOBRAS DO BLS: destaque para as 
compressões torácicas, na estratégia 
“C-A-B”.
 C	 (circulation –	 compressão	 torácica):	
no paciente irresponsivo sem respiração 
ou respirando de forma anormal (gasping), 
observar a presença de pulso carotídeo em, 
no máximo, 10 segundos (apenas profissio-
nais de saúde) e executar imediatamente 
30 compressões torácicas, na frequência de 
100-120 por minuto. 
	 A	(airway –	abrir	via	aérea):	na ausência 
de trauma cervical ou craniano, colocar o 
paciente em decúbito dorsal sobre superfície 
sólida e realizar a manobra do “head tilt chin 
lift” – estender a cabeça e levantar o queixo, 
retirando qualquer corpo estranho da boca 
do paciente (incluindo prótese dentária). 
 B	(breath –	ventilar): após as compres-
sões iniciais e abertas as vias aéreas, 
realizar duas ventilações utilizando res-
piração boca a boca ou ambu-máscara 
(manter sempre a relação compressão/
ventilação de 30:2). Leigos podem fazer 
apenas ascompressões sem ventilação 
(Hands-only).
	 D	(defibrillation –	monitorizar	o	ritmo	e	
desfibrilar,	 se	necessário):	 assim que 
o Desfibrilador Automático Externo (AED) 
ou o cardiodesfibrilador manual estiverem 
disponíveis, monitorar o ritmo e, em caso de 
FV ou TV sem pulso, proceder a um choque 
dessincronizado de 360 J (monofásico) ou 
120-200 J (bifásico), voltando imediatamen-
te depois às manobras de RCP.
Tudo começa pela verificação do local de 
atendimento, analisando se é seguro para o 
socorrista e a vítima. Deve-se então solicitar 
ajuda para alguém próximo e acionar o servi-
ço médico de emergência por telefone celular 
(se apropriado). Iniciaremos avaliando se o 
paciente não está simplesmente dormindo ou 
chocado, e não exatamente em uma parada 
cardíaca. As recomendações que veremos se 
aplicam para o atendimento de todo	pacien-
te	não	responsivo,	sem	respiração	ou	com	
respiração	anormal	(apenas	gasping). Para 
simplificar, elas foram condensadas em ma-
nobras que visam a Reanimação Cardiopul-
monar (RCP, ou CPR, da sigla em inglês). 
Observe as principais etapas representadas 
na FIGURA 2.
respiração de resgate. Fazer o C	–	A	–	B ao 
invés do A	–	B	–	C	como se fazia no passado.
 Validada para bebês, crianças e adultos, com 
exceção de neonatos, enfatiza-se aqui o be-
nefício de uma compressão de qualidade em 
relação a qualquer outra medida que possa 
ser tentada. O tempo gasto para posicionar 
o paciente, elevar a mandíbula e promover 
as duas ventilações de resgate pode afetar 
a sobrevida do paciente. Por isso, atualmen-
te, a primeira medida que deve ser feita é a 
compressão! E esta deve ser mantida com 
as mínimas interrupções possíveis. Métodos, 
ainda que eletrônicos, para monitorar esta 
etapa devem ser estimulados.
•	Somente compressão torácica (“Hands-
-Only”), sem ventilação, deve ser estimulada 
quando o BLS for realizado por leigos.
 É sabido que uma compressão torácica de 
qualidade, mesmo em centros de saúde, só 
é alcançada em torno de 20-30% dos casos. 
Para tentar diminuir a chance de erros, ela 
deve ser priorizada em relação à ventilação 
quando for feita por leigos (se realizado por 
socorristas treinados, o método convencio-
nal – compressão + ventilação, na sequência 
30:2, deve ser mantido).
•	Minimizar a importância em se checar o pulso.
 Profissionais de saúde não devem gastar mais 
de 10 segundos para checar o pulso. Caso não 
seja sentido um pulso central nesse período de 
tempo, a compressão deve ser imediatamente 
reiniciada. Leigos não devem tentar checar o 
pulso, até que a ajuda especializada chegue 
ao local. Ou seja, quando a ressuscitação não 
estiver sendo feita por pessoas treinadas, de-
vemos sempre tentar o Hands-Only e o pulso 
não precisa ser checado. 
Vejamos alguns detalhes da sequência 
atualmente recomendada do BLS.
Figura 2
É importante marcar que, desde as recomen-
dações de 2010, alguns passos receberam 
grande destaque:
•	A compressão torácica deve vir antes da 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 79Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
C (CIRCULATION – 
COMPRESSÕES TORÁCICAS)
Identificada a PCR, a compressão torácica é 
considerada o principal componente nas ma-
nobras de reanimação de uma PCR. Cabe 
apenas lembrar que, embora o termo mais 
adequado seja “compressão torácica”, muitas 
vezes encontraremos a denominação “mas-
sagem cardíaca” nos textos e nas questões, 
pois seu uso ficou consagrado na literatura.
O grande valor das compressões se dá pelo 
fato de que, nos primeiros 5 minutos de PCR, 
a concentração de oxigênio do sangue ain-
da parece ser adequada para a homeostase 
tecidual e, portanto, o principal determinante 
da lesão miocárdica e cerebral neste momen-
to não é a hipoxemia, mas sim a parada do 
fluxo sanguíneo. A compressão, quando feita 
corretamente, garante 30% do fluxo cerebral 
e coronariano e pode manter uma PA sistólica 
em torno de 60 a 80 mmHg e uma Pressão 
Arterial Média (PAM) em torno de 40 mmHg!! 
Ela retarda a lesão isquêmica (por hipóxia e 
acidose) do miocárdio, aumentando compro-
vadamente o sucesso da reversão de uma fi-
brilação ventricular pelo choque desfibrilatório. 
Como veremos a seguir, o principal ritmo de 
parada é a Fibrilação Ventricular (FV). Se, 
durante este tempo, não forem executadas 
adequadamente as manobras de RCP, a chan-
ce de reverter a FV é de apenas 30 a 50% 
(espera-se uma grave sequela de anóxia ce-
rebral); porém, se a RCP for executada corre-
tamente desde o início, a chance de reversão 
aumenta para 70 a 80 %, com pouca ou ne-
nhuma sequela! Sem a RCP, a chance de 
reverter uma FV se reduz em 7	a	10% a cada 
minuto de demora do choque desfibrilatório. 
Com a RCP, a chance de reversão da FV se 
reduz muito menos: 3	a	4% a cada minuto! 
Diversos estudos mostraram que a realização 
da RCP iniciada nos primeiros 4-5 minutos da 
parada cardíaca aumenta	em duas	a	 três	
vezes a chance de sobrevivência de uma fi-
brilação ventricular!!!
Em outras palavras, a compressão torácica 
é mais importante do que a ventilação e há 
estudos demonstrando a eficácia de se 
massagear o paciente sem ventilá-lo.
E como deve ser feita a compressão torá-
cica? Qual é a técnica correta?
Com o paciente em decúbito dorsal, ideal-
mente sob superfície rígida, o socorrista deve 
colocar o “calcanhar” de uma das mãos sobre 
o centro do peito da vítima (que é a metade in-
ferior do esterno) e o “calcanhar” da outra mão 
no topo da primeira, de modo que as mãos 
fiquem sobrepostas e paralelas. Estando os 
braços totalmente esticados, com o movimento 
do tronco, ele aplicará as compressões, na 
frequência 100	a	120	por	minuto, procurando 
deprimir ativamente o esterno, no mínimo, com 
5 cm de profundidade (1/3 do diâmetro AP do 
tórax) evitando excesso na profundidade (su-
periores a 6 cm). Nos treinamentos de RCP, 
utiliza-se a expressão “push hard push fast” 
(comprima vigorosamente, comprima numa 
frequência rápida) para estimular a execução 
correta da técnica. Veja a FIGURA 3. O so-
corrista deve evitar apoiar-se sobre o tórax 
entre as compressões, permitindo o completo 
retorno da parede torácica.
Figura 3
Caso seja possível, as compressões devem 
ser alternadas com as ventilações, na relação 
de 30:2, ou seja, 30 compressões seguidas 
por 2 ventilações (ambu-máscara ou boca a 
boca). Esta proporção de 30:2 é utilizada para 
os adultos, independente do número de pro-
fissionais no atendimento à parada cardíaca. 
Define-se, portanto, 1	ciclo	de	RCP como a 
execução de 30 compressões e 2 ventilações. 
Cada ciclo dura cerca de 25 segundos. Geral-
mente, pelo menos 5	ciclos de RCP (aproxi-
madamente 2	minutos) devem ser realizados 
antes de qualquer nova medida de reanimação 
(ex.: avaliação do ritmo, choque desfibrilatório, 
intubação traqueal). Para uma RCP de alta 
qualidade, as compressões devem ser inter-
rompidas o mínimo possível (recomenda-se 
limitar a menos de 10 segundos.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
INSTITUTO DE CARDIOLOGIA 
DO RIO GRANDE DO SUL – RS
Recomenda-se durante a reanimação cardior-
respiratória de paciente com idade gestacional 
de 31 semanas:
a) Realizar massagem cardíaca externa aplica-
da na região acima do ponto médio do esterno.
b) Realizar intubação traqueal com tubo de 
calibre equivalente ao indicado para pacientes 
não gestantes.
c) Ventilar com oxigênio a 100% e volumes 
correntes altos para evitar as repercussões da 
hipoxemia no concepto.
d) Contraindicar desfibrilação antes da retira-
da do concepto.
e) Deslocar o útero lateralmente, e não em-
pregar drogas vasoativas para evitar diminui-
ção do fluxo placentário.
 Vamos aprender mais um conceito com esta 
questão! Inicialmente, a posição de atendimen-
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 80Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
to à gestante deve ser o decúbito lateral es-
querdo para evitar compressões sobre a veia 
cava inferior. Durante as compressões, a posi-
ção que mais favorece as medidas apropriadas 
é a supina com deslocamento manual do útero 
para a esquerda ou, se nãoadequada, sob leve 
inclinação para a esquerda. Com a evolução 
da gravidez, o diafragma se eleva, deslocando 
o coração da gestante para a esquerda e para 
cima. Como consequência, o ápice cardíaco é 
movido lateralmente. Desse modo, diferente do 
que se indica habitualmente, recomenda-se 
que a compressão em gestantes seja aplicada 
na região acima do ponto médio do esterno no 
terceiro trimestre da gestação. Resposta: A. 
Todas as demais estão incorretas, uma vez que 
o calibre da via aérea pode se reduzir em com-
paração com não gestantes (é mais difícil intu-
bar mulheres grávidas) e não existem recomen-
dações contra desfibrilação nem uso de drogas 
vasopressivas, muito menos sugerindo a hiper-
ventilação, que pode ser ainda mais deletéria, 
pois há elevação diafragmática.
A (AIRWAy – ABRIR A VIA AéREA)
B (BREATHE – VENTILAçãO)
Após a aplicação de 30 compressões torácicas, 
o socorrista que atuar sozinho deverá abrir a 
via aérea da vítima e aplicar 2 ventilações. Se 
houver outro socorrista, este se encarregará da 
etapa enquanto o outro já tenha iniciado as com-
pressões. Em pacientes que não apresentem 
suspeita de traumatismo encefálico ou cervical, 
a abertura das vias aéreas pode ser facilmente 
conseguida pela manobra do “Head tilt Chin lift”, 
ou seja, estender a cabeça e levantar o queixo, 
com o paciente em decúbito dorsal. Nesta po-
sição, o eixo da traqueia e laringe é alinhado ao 
eixo da faringe; a epiglote e a base da língua são 
afastadas da faringe. Compare a posição neutra 
da cabeça com a posição do “Head tilt Chin lift” 
na FIGURA 4. Alguns pacientes não responsi-
vos estão em parada respiratória simplesmente 
pela queda de língua – neste caso, a manobra 
“Head tilt Chin lift” permitirá a sua respiração.
Figura 4: Posição neutra compara-
da ao posicionamento para aber-
tura de vias aéreas. Observe o 
alinhamento entre o eixo da tra-
queia, laringe e faringe.
A abertura de vias aéreas inclui a inspeção 
da cavidade oral e, caso visualizado, remo-
ver manualmente qualquer corpo estranho. 
Na suspeita de corpo estranho obstruindo a 
laringe, recomenda-se a manobra de Heimli-
ch quando, na posição supina, deve ser feita 
súbita compressão abdominal (FIGURA 5).
Em caso de politrauma, a primeira manobra 
deve ser a colocação de um colar cervical. A 
extensão cervical é contraindicada! A manobra 
Jaw Thrust é indicada no lugar da “Head tilt 
Chin lift” para vítimas de trauma, com risco de 
lesão cervical. Nesta manobra, a cabeça do 
paciente não é estendida e apenas tracionam-
-se anteriormente os ângulos mandibulares 
(FIGURA 6).
Figura 5: Manobra de Heimlich no pacien-
te consciente e no paciente inconsciente 
(posição supina).
Figura 6: Manobra de elevação da mandí-
bula (Jaw Thrust).
Quase que de forma imediata, depois de 
abertas as vias aéreas, são iniciadas duas 
ventilações de resgate, mantendo a posi-
ção do “Head tilt Chin lift”. isto pode ser feito 
utilizando-se o ambu-máscara ou através da 
respiração boca a boca (tampando-se o nariz 
do paciente) – FIGURA 7. 
Um cuidado a ser tomado é que a máscara 
deve ser acoplada de forma a evitar o esca-
pamento de ar e mantendo a posição “Head 
tilt Chin lift”. Para isso, o ideal é o auxílio de 
mais uma pessoa: um indivíduo para segurar 
a máscara acoplada (com as duas mãos) e 
outro para ventilar o ambu. Se for uma pessoa 
só, esta terá que segurar a máscara com a 
pinça polegar-indicador e mantê-la acoplada 
utilizando os outros dedos para tracionar a 
mandíbula do paciente para cima, ao mesmo 
tempo em que mantém a cabeça estendida. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 81Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
O objetivo é ventilar o paciente de modo a 
garantir expansão torácica!! Cada ventilação 
deve ser feita devagar, em 1	segundo, para 
minimizar a distensão gástrica e reduzir o 
risco de broncoaspiração! Se for possível, 
conecte o ambu no oxigênio	a	10	l/min.
A respiração boca a boca é reservada para os 
casos de parada respiratória em locais des-
providos de ambu-máscara. O risco de trans-
missão de infecção é mínimo e não se deve 
desencorajar o procedimento. Métodos de 
barreira são disponíveis, embora não eliminem 
totalmente o risco de contágio. A respiração 
boca-nariz também é eficaz e está indicada 
quando a respiração boca a boca é impraticá-
vel, como em alguns casos de trauma de face.
Anteriormente, o examinador deveria checar 
se o paciente estava respirando, aproximan-
do o ouvido da boca do paciente, enquanto 
olhava fixamente para o seu tórax – etapa 
conhecida como “VER, OUVIR E SENTIR”. 
Isso foi retirado para ganharmos tempo!!!
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2008
ASSOCIAÇÃO MÉDICA DO PARANÁ – AMP
Quando a técnica de ventilação não está 
CORRETA, o problema mais frequente é:
a) Má adaptação da máscara à face.
b) Uso de concentração baixa de oxigênio.
c) Uso de balão com válvula de escape mal 
ajustada.
d) Uso de volume corrente excessivo.
e) Uso de balão em tamanho inadequado para 
o tamanho da máscara.
 Situação comum nas emergências. Nem 
sempre temos uma máscara ideal para cada 
paciente, o que prejudica bastante a eficácia 
da ventilação.
Resposta A. 
Figura 7: A) Ventilação boca a boca. B) Ventilação Ambu-máscara.
D (DEFIBRILLATION – 
MONITORIzAçãO DE 
DESFIBRILAçãO)
Observe que apesar de ser a letra D, não quer 
dizer que seja o quarto passo. Na verdade, 
ele deve ser utilizado assim que disponível. 
O choque desfibrilatório é a única medida 
confiável capaz de reverter uma fibrilação 
ventricular e uma taquicardia ventricular sem 
pulso. Para os cardiodesfibriladores tradicio-
nais (monofásicos), o choque aplicado para 
reverter a FV ou a TV sem pulso deve ser de 
360	J, sempre dessincronizado. Para os mais 
modernos (bifásicos) a carga gira em torno 
de 120 a 200 J. Tradicionalmente, a posição 
dos eletrodos para o choque deve ser: um 
na região apical (“foco mitral”) e o outro na 
região infraclavicular direita (“foco aórtico”) – 
FIGURA 8. Esta é a posição convencional, 
chamada de esterno-apical ou anterolateral; 
o eixo longitudinal cardíaco está exatamente 
entre estes pontos. 
Figura 8: Posição das pás na desfibrilação.
No entanto, outras posições também são 
aceitas (anteroposterior, anteroesquerda in-
fraescapular e anterodireita infraescapular), 
já que não há nenhum estudo de relevância 
que avalie a importância do posicionamento 
das pás sobre o sucesso das reanimações. 
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011
UNIVERSIDADE FEDERAL 
FLUMINENSE – UFF 
Assinale a alternativa que corresponde às 
posições ideais dos eletrodos para desfi-
brilação durante manobras de reanimação 
cardiorrespiratória.
a) Infraclavicular direita e inframamária es-
querda.
b) Infraclavicular direita e infraclavicular es-
querda.
c) Supraesternal e inframamária esquerda.
d) Infraclavicular direita e supraesternal.
e) Supraesternal e infraescapular esquerda.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 82Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
 Segundo as diretrizes do ACLS, o posicio-
namento ideal das pás do desfibrilador deve 
obedecer ao alinhamento do eixo longitudinal 
do coração, passando entre o foco aórtico e o 
foco mitral. Para tanto, o ideal é colocar uma 
pá na região infraclavicular direita (base) e 
outra na região inframamária esquerda (ápex). 
Resposta: A.
Além do cardiodesfibrilador	manual, utiliza-
do nos hospitais, existe também o Desfibri-
lador	Externo	Automático		(AED	ou	DEA), 
que pode ser manipulado por leigos (FIGURA 
9) no atendimento da parada cardíaca extra-
-hospitalar. O AED é portátil e provido de ele-
trodos adesivos, facilmente posicionados no 
paciente. O aparelho, basta ser ligado, que, 
automaticamente, reconhece se o ritmo da 
parada cardíaca é “chocável” (FV ou TV) ou 
“não chocável” (qualquer outro ritmo). Esta in-
formação é dada imediatamente à equipe de 
resgate por meios visuais (através do visor) 
ou auditivos (por um gravador interno). Se 
o aviso for de ritmo “chocável”, é só apertar 
o botão do choque – o aparelho produzirá o 
choque desfibrilatório previamente programa-do pelo fabricante. Existem AEDs monofási-
cos ou bifásicos. O aparelho não precisa ser 
ligado em tomada, pois funciona na bateria.
Figura 9: Demonstração do Desfibrilador 
Automático Externo (AED).
Saiba MaiS!
Choque Dessincronizado 
(Desfibrilação) versus Sincronizado 
(Cardioversão elétrica)
 O termo “desfibrilação” indica um choque de 
alta energia (ex.: 360 J) e dessincronizado. O 
termo “cardioversão elétrica” indica um cho-
que de energia mais baixa e sincronizado. 
O que é dessincronizado e sincronizado?? 
Quando o cardiodesfibrilador está monito-
rando o ritmo do pacien te, ao se apertar o 
“botão da sincronia”, o aparelho reconhece 
todos os complexos QRS do paciente e o 
choque será aplicado exatamente “em cima 
do QRS”, momento da despolarização ven-
tricular, daí o nome “choque sincronizado”. 
 Todas as taquiarritmias com QRS facilmen-
te identificável no monitor, na presença de 
pulso (ou seja, o paciente não está “parado”) 
só podem ser eletricamente revertidas com 
choque sincronizado (cardioversão elétrica) 
– um choque dessincronizado seria extrema-
mente perigoso neste caso, pois se “cair no 
final da repolarização ventricular (onda T)”, 
pode desencadear uma FV!!! São exemplos 
de arritmias que exigem a sincronia do cho-
que: fibrilação atrial, flutter atrial, taqui supra, 
TV monomórfica com pulso. 
 Por outro lado, a FV, a TV sem pulso e a TV 
polimórfica exigem um choque dessincroni-
zado de alta energia (desfibrilação), pois o 
monitor do aparelho não pode identificar o 
QRS. Se o “botão da sincronia” estiver ati-
vado, o choque simplesmente não ocorrerá.
No caso do cardiodesfibrilador manual (dos 
hospitais), o executor deve pedir a alguém 
para “dar a carga”, programando-a para 360 
J (se for do tipo monofásico). O contato das 
pás com o tórax do paciente precisa da inter-
posição de um gel condutor, de um emplastro 
especial (que já vem com os aparelhos mais 
modernos) ou simplesmente de gazes em-
bebidas em soro fisiológico. Nunca se deve 
passar gel, soro fisiológico ou qualquer outro 
condutor no meio do tórax do paciente, entre 
as posições das pás, pois, nesse caso, o cho-
que não passará pelo coração, mas tomará o 
caminho pelo tórax superficial, através do gel. 
Não precisa nem dizer que, logo antes de pro-
duzir o choque, o executor deve certificar-se 
de que ninguém está em contato físico com o 
aparelho e nem com o paciente! Do contrário, 
outras pessoas expostas poderiam inclusive 
sofrer uma FV.
Como saber o ritmo da parada cardíaca 
com o cardiodesfibrilador manual utilizado 
nos hospitais?
Os cardiodesfibriladores manuais mais mo-
dernos são capazes de monitorar o ritmo do 
paciente através das próprias pás de desfi-
brilação. Com o aparelho ligado, ao encostar 
as pás na posição adequada (uma apical e 
a outra na borda esternal direita alta), o rit-
mo do paciente logo aparecerá no visor do 
aparelho! Se for mostrada uma FV ou TV 
(sem pulso), o executor deve imediatamente 
proceder ao choque desfibrilatório (após “dar 
a carga” necessária).
Infelizmente, ainda existem muitos hospitais 
no Brasil que ainda utilizam o cardiodesfi-
brilador mais antigo, obsoleto, incapaz de 
monitorizar o ritmo do paciente (é o famoso 
“desfibrilador marronzinho”). Se somente 
este aparelho estiver disponível, enquanto é 
aplicada a RCP, alguém deve colocar rapida-
mente os eletrodos de um monitor cardíaco 
convencional, que deve ser ligado e progra-
mado na derivação DII.
Ou seja, se o cardiodesfibrilador for do mo-
delo antigo, o “carrinho de parada” deve 
obrigatoriamente conter um monitor cardíaco 
(obviamente, um que funcione bem). O fato 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 83Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
de o choque desfibrilatório estragar o moni-
tor, se o mesmo estiver ligado, é uma lenda 
totalmente infundada!!
Qual é a estratégia atual do 
choque desfibrilatório?
Desde 2005, preconiza-se apenas um cho-
que, seguido imediatamente da continuação 
da RCP (compressão + ventilação). Nem o 
ritmo, nem o pulso devem ser checados de-
pois do choque, mas apenas após dois mi-
nutos de RCP!!
Situação especial – Paciente portador de 
marca-passo definitivo ou cardiodesfibri-
lador implantável:
Estes pacientes possuem um gerador posi-
cionado no tecido subcutâneo, geralmente na 
região infraclavicular direita. Um choque desfi-
brilatório próximo ao gerador poderá inativá-lo 
ou danificá-lo permanentemente. Neste caso, 
o eletrodo infraclavicular direito deve ser des-
locado pelo menos 2,5 cm de distância do 
gerador ou então os eletrodos (pás ou adesi-
vos) podem ser colocados um em cada região 
infraescapular (posição biaxilar), ou ainda na 
posição anteroposterior (um na borda esternal 
esquerda e outro na região interescapular). A 
ideia geral é a de que convém não colocar 
diretamente as pás sobre o dispositivo. Mas 
a última diretriz reforça que, acima de tudo, a 
preocupação com o posicionamento das pás 
não deve retardar a tentativa de desfibrilação.
Choque	monofásico	
versus	choque	bifásico
Atualmente, existem dois tipos de choque des-
fibrilatório: monofásico (tradicional) e bifásico. 
No primeiro, a onda elétrica caminha apenas 
em um sentido, enquanto, no segundo, a onda 
elétrica faz um percurso de ida e volta, aumen-
tando a eficácia da desfibrilação. A carga do 
choque bifásico não precisa ser de 360 J. A 
carga deve estar numa faixa entre 120 a 200 
J (geralmente a metade da carga), na depen-
dência do tipo de onda bifásica (retilínea: 120 
J ou exponencial: 150 a 200 J). Na prática, se 
você dispõe de um cardiodesfibrilador bifásico 
e não sabe o tipo de onda, dê um choque de 
200 J. 
Fibrilação	ventricular		
tornando-se	Assistolia
À medida que o tempo vai passando, a fibri-
lação ventricular, se não revertida, pode mo-
dificar o seu aspecto eletrocardiográfico, até 
se tornar uma assistolia. Isto acontece com a 
ausência de fluxo e oxigênio para o miocárdio, 
que vai desenvolvendo hipóxia e acidose cada 
vez mais graves, deteriorando totalmente a 
sua atividade elétrica. Veja na FIGURA 10	a 
sequência de registros de uma FV durante 12 
minutos sem atendimento (nem RCP).
Figura 10
Início
2	min
8	min
12	min
Observe que logo após a sua instalação, a 
FV é do tipo “grossas ondas”, ou seja, com-
plexos irregulares de maior amplitude. Com o 
passar dos minutos, a amplitude das ondas 
vai se reduzindo, até se transformar numa 
FV do tipo “finas ondas” e, finalmente, uma 
assistolia. De uma forma geral, quanto maior 
a amplitude das ondas da FV, maior a chance 
de ser desfibrilada!! Por isso, quanto antes o 
choque desfibrilatório for aplicado, maior será 
o sucesso da reanimação!! Como vimos ante-
riormente, a execução das manobras de RCP 
permite que a FV possa ser revertida com um 
tempo maior de espera.
Agora vejam esta situação: você é chama-
do para atender a uma PCR no andar, mas 
não sabe exatamente há quanto tempo o 
paciente está “parado”. Faremos choque 
primeiro ou as manobras de RCP?
Aqui é importante marcar que não foi obser-
vada nenhuma diferença no desfecho se as 
manobras de RCP eram aplicadas primeira-
mente. Assim, a recomendação passa a de-
pender da disponibilidade do desfibrilador. 
Quando disponível imediatamente, deve-se 
usá-lo o mais rapidamente possível. Em adul-
tos com PCR sem monitoramento ou quando 
não houver um DEA prontamente disponível, 
deve-se iniciar a RCP enquanto o desfibrilador 
é obtido e aplicado e tentar a desfibrilação, se 
indicada, assim que o dispositivo estiver pron-
to para uso. Nesse caso, a RCP deve ser 
administrada enquanto as pás do DEA são 
aplicadas e até que esteja pronto para analisar 
o ritmo.
Qual é o papel do “soco precordial”?
Diversos estudos já mostraram que existe uma 
chance muito pequena de reverter taquiarrit-
mias ventriculares apenas com o soco precor-
dial. Duas grandes séries de casos mais re-
centes, por exemplo, mostraram que o soco 
foi inefetivo em mais de 98% dos pacientes. 
Além desta ínfima eficácia, outros trabalhos 
também já mostraramalguns riscos associa-
dos (fratura de esterno, osteomielite, AVE e 
desencadeamento de arritmias malignas).
 
Assim, as recomendações mais recentes são 
de que o soco precordial só deve ser aplica-
do nas taquicardias ventriculares instáveis 
(incluindo FV) assistidas, com o paciente sob 
monitorização, se não dispusermos pronta-
mente de um desfibrilador. Mas sempre com 
a lembrança de que não se atrasem as ma-
nobras de ressuscitação nem a busca do 
desfibrilador. Esta medida não deve ser utili-
zada em paradas não assistidas fora do am-
biente hospitalar.
Qual é o papel da massagem cardíaca 
aberta?
Nesse tipo de manobra, temos o acesso ao 
coração por uma toracotomia (geralmente no 
5º espaço intercostal esquerdo) e a compres-
são é feita com o polegar e os dedos ou com 
a palma da mão e os dedos contra o esterno. 
Embora esteja associada a maior fluxo e 
maior perfusão coronariana que a massagem 
fechada, não há evidências suficientes que 
suportem o uso rotineiro desta técnica. Uma 
de suas utilidades seria na parada cardíaca 
que ocorre durante a cirurgia quando tórax 
ou abdome já estiverem abertos ou num pós-
-operatório precoce de cirurgia cardíaca. Ela 
também poderia ser considerada em casos 
bem selecionados de paradas cardíacas 
extra-hospitalares por trauma penetrante, 
com tempo de transporte curto até uma uni-
dade de trauma.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 84Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
RITMOS DE PCR
Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS)
 	Quais são os Quatro Mecanismos (Rit-
mos) de Parada Cardíaca?
 1- Fibrilação Ventricular (FV);
 2- Taquicardia Ventricular sem pulso (TV 
sem pulso);
 3- Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP ou 
PEA: Puseless Electrical Activity);
 4- Assistolia.
 	Abordagem do ACLS:
 Podemos organizar as medidas no ABCD, 
observando que elas não são exatamente 
sequenciais, mas simultâneas. O algoritmo 
deixa isso claro ao orientá-las de forma cir-
cular (ver adiante):
	 A	(airway	–	via	aérea	avançada): assegurar 
uma via aérea avançada para o paciente.
	 B	 (breathe –	ventilar): ventilar com ambu 
ligado ao oxigênio a 10L/min. No paciente 
intubado, não há necessidade de parar a 
compressão para ventilar (a proporção 30:2 
é só para ventilação com ambu-máscara ou 
boca a boca). A compressão continua a 100-
120 por minuto, ao mesmo tempo em que 
o paciente é ventilado a 10 respirações por 
minuto (uma ventilação a cada 6 segundos).
	 C	(circulation –	acesso	periférico	e	dro-
gas): puncionar veia antecubital para infundir 
drogas: adrenalina, antiarrítmicos, etc.
	 D	(diagnóstico	diferencial): inferir a prová-
vel causa da parada cardíaca e pensar nos 
5 T’s (tension pneumothorax, tamponamento 
cardíaco, trombose coronariana, tromboem-
bolismo pulmonar, toxicidade exógena) e nos 
5 H’s (hipóxia, hipovolemia, hipo/hipercale-
mia, hidrogênio da acidose, hipotermia).
 	Qual é o Protocolo para a FV/TV Sem 
Pulso? 
 Temos a seguinte sequência: BLS, incluindo o 
primeiro choque + RCP por 2min + checagem 
do ritmo. Se mantiver ritmo chocável, iniciar 
ABCD do ACLS: via aérea avançada + acesso 
venoso periférico + vasopressores (adrenalina) 
+ choque → RCP por 2min → Checagem do 
ritmo. Se mantiver ritmo chocável: antiarrít-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 85Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
micos (amiodarona ou lidocaína) + choque 
→ RCP por 2min → Checagem do ritmo. E 
assim, sequencialmente: droga + choque → 
RCP → checagem do ritmo (alternando entre 
vasopressor e antiarrítmico). Amiodarona: 
pode ser usada duas vezes (300 mg – 150 
mg); Lidocaína: usada na falta da amiodarona; 
Sulfato de magnésio: torsades de pointes.
 	Qual é o Protocolo para a PEA/Assistolia? 
 Seguir a seguinte sequência: BLS com 
RCP por 2min + checar o ritmo. Descartar 
outras causas de “linha reta”. Se mantido, 
iniciar ABCD do ACLS: via aérea avançada 
+ acesso venoso periférico + vasopressores 
(adrenalina) + RCP por 2min. E assim, se-
quencialmente, alterando apenas se houver 
algum ritmo chocável. Durante todo o atendi-
mento, pensar nos 5 T’s e nos 5 H’s. Bicar-
bonato de sódio: indicado na hipercalemia ou 
intoxicação por cocaína ou antidepressivos 
tricíclicos. A	atropina	não	está	mais	indi-
cada	de	rotina	nessas	situações!!!
Neste segundo passo, estão presentes me-
didas de suporte mais avançado, incluindo a 
obtenção de uma via aérea definitiva (ex.: tubo 
endotraqueal), acesso venoso periférico com 
administração de drogas e medidas específicas 
para algumas causas de parada cardíaca (ex.: 
pneumotórax hipertensivo). A RCP deve ser 
continuada durante todo o ACLS, com pequenas 
interrupções para intubação traqueal, determi-
nação do ritmo e novos choques desfibrilatórios. 
A conduta será individualizada de acordo com 
o ritmo de parada cardíaca, lembrando que os 
quatro principais mecanismos são:
•	Fibrilação	Ventricular	(FV);	
•	Taquicardia	Ventricular	Sem	Pulso	 (TV	
sem	pulso);
•	Atividade	Elétrica	Sem	Pulso	 (PEA	ou	
AESP);
•	Assistolia.
Para	as	questões	de	prova,	consideraremos	
a	FV	como	a	principal	causa	de	PCR	de	uma	
forma	geral	(o	Harrison	cita	uma	frequência	
de	50	a	80%)!!!	Contudo, na prática, a proporção 
de cada um destes ritmos depende de onde e 
em que circunstâncias ela ocorreu. No ambien-
te intra-hospitalar, particularmente na UTI geral 
e na enfermaria de cirurgia ou clínica médica, 
predominam a atividade elétrica sem pulso e 
a assistolia relacionadas a doenças terminais 
(sepse, pneumonia, hipertensão intracraniana, 
embolia pulmonar ou câncer terminal). Na uni-
dade coronariana e na enfermaria de cardiolo-
gia, ou mesmo no ambiente extra-hospitalar, 
a FV/TV predomina. Como regra auxiliar, um 
paciente que estava lúcido e deambulando e 
de repente sofre uma parada cardíaca, prova-
velmente o mecanismo é FV/TV!!
Considerando que o atendimento à parada car-
díaca ocorra prontamente e seja realizado de 
forma correta, a parada em FV/TV é aquela com 
maiores chances de sucesso de reanimação. 
A parada em assistolia é a de pior prognóstico.
Descreveremos separadamente a condu-
ta nos dois principais grupos de parada 
cardíaca. 
1 – FV/TV SEM PULSO
ConCeito 1 – O ChOque DesfibrilatóriO
Ainda na letra “D” do BLS, se o ritmo for FV ou 
TV sem pulso, a conduta deve ser aplicar ime-
diatamente um choque desfibrilatório de 360 
J (monofásico) ou de 120 a 200 J (bifásico). 
Logo após o choque desfibrilatório, retomar a 
RCP durante dois minutos, antes de checar o 
ritmo e o pulso!! Este conceito vale para todo 
o choque desfibrilatório desferido durante o 
atendimento da FV/TV sem pulso!!
 Figura 11
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 86Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Pergunta imediata: Mas e se o paciente 
foi reanimado logo no primeiro choque? 
Não há riscos de realizar as compressões 
em seguida? 
Pelo protocolo atual, mesmo reanimado, ele 
será submetido a compressão e ventilação por 
dois minutos, até que se verifique que houve 
recuperação do ritmo e do pulso. Não há pro-
blema: pela visão do BLS/ACLS, esta condu-
ta não oferece riscos e ainda pode ajudar a 
melhorar o estado hemodinâmico, geralmente 
comprometido após a ressuscitação. 
ConCeito 2 – transiçãO BLS – ACLS
O ACLS começa, normalmente, pela obtenção 
de uma via aérea avançada (embora não seja 
exclusivo deste protocolo), que está indicada 
quando a FV/TV sem pulso não se recupera 
após o primeiro choque desfibrilatório do BLS. 
Para facilitar, manteremos aqui o ABCD do 
ACLS. Repare que não é necessariamente 
uma etapa sequencial, mas um raciocínio ló-
gico para orientar a fixação. Como você pode 
perceber, o algoritmo atual nem é mais feito 
por etapas, mas de uma forma circular para 
indicar a simultaneidade dos procedimentos.
A	(via	aérea): considerar via aérea avançada 
(ex.: intubação traqueal).
B	 (ventilar): ventilar sem sincronia com as 
compressões.
C	(acesso	venoso,	drogas): puncionar veia 
periférica e administrar drogas.
D	(diagnóstico	diferencial): pensar em cau-
sas de parada cardíaca que exijam condutasuma comparação 
entre elas. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 16Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Síncope Cardíaca Síncope Não Cardíaca
Idade avançada (> 60 anos), sexo masculino Jovem
Doença cardíaca conhecida Ausência de doença cardíaca
História familiar de cardiopatias hereditárias ou morte 
súbita prematura
Síncope apenas em ortostase
Pródromo breve de palpitações ou quadro súbito Alteração com mudança na posição de supina 
ou sentada para ortostase
Síncope durante exercício Presença de pródromo (ex.: náuseas, vômi-
tos etc.)
Síncope na posição supina Presença de gatilhos 
Poucos episódios (1-2) Recorrente e história de longa data com 
quadros similares
Exame cardiovascular alterado
Quanto aos exames complementares, o único 
de rotina é o ECG de 12 derivações, devido a 
sua grande disponibilidade e custo reduzido. 
Contudo, ele é capaz de fazer poucos diag-
nósticos na emergência (5%) e, até o momen-
to, não mostrou em estudos prospectivos que 
altere significativamente na conduta. 
2 – DEFININDO O RISCO
Para facilitar a abordagem, podemos dividir 
o risco em curto (até 30 dias do evento) e 
longo (de 30 dias a um ano) prazos. De 
modo geral, contribuem para ambos: sexo 
masculino, idade avançada, ausência de 
pródromos, doença estrutural e insuficiência 
cardíaca, palpitações, AVE e ECG anormal. 
Mais especificamente, para o risco de curto 
prazo, teríamos: história familiar, trauma, 
evidência de sangramento, alteração persis-
tente dos sinais vitais e aumento de tropo-
nina. Para o risco de longo prazo, seriam: 
câncer, diabetes, risco elevado de episódio 
tromboembólico e redução da taxa de filtra-
ção glomerular. 
Além dos dados clínicos obtidos, podemos 
utilizar escores para facilitar nessa estratifi-
cação de risco. Entre os vários disponíveis 
(nenhum ainda que tenha se provado melhor 
que o julgamento clínico), teríamos as “Re-
gras de São Francisco”. Essas regras mos-
traram uma sensibilidade de 98% e especifi-
cidade de 56% em eventos graves nos sete 
dias que seguiam o quadro.
Por elas, definiu-se como portadores de alto 
risco a presença de um destes fatores:
 História de Insuficiência cardíaca;
 Hematócrito 50 anos, dispositivo cardíaco sem evi-
dência de disfunção etc.) poderiam fazer uma 
avaliação mais estruturada ainda na própria 
emergência. Síncopes reflexas, normalmente, 
são abordadas em regime ambulatorial, assim 
como naqueles em que a abordagem inicial não 
revelou nenhuma condição cardíaca específica.
Observe na página seguinte o algoritmo propos-
to pela AHA/ACC para investigação de síncope.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 17Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Saiba MaiS!
Quais são os três principais diagnósticos diferenciais?
 Convulsão: Ajudam a diferenciar de síncope os seguintes achados: presença de aura, paciente 
se machuca ao cair (pode acontecer, porém é mais raro na síncope), movimentos tonicoclônicos 
sustentados (30 a 60 segundos), maior período com rebaixamento da consciência e retorno 
mais lento (na síncope o retorno é súbito), incontinência urinária (podem estar presentes na 
síncope, mas são mais comuns na epilepsia, especialmente a incontinência fecal), cianose 
(palidez na síncope) e cefaleia (na síncope, a principal sequela é a fraqueza). 
 Psicogênica: Ataques de ansiedade.
 Metabólica:	Hipoglicemia, hipóxia, anemia.
	História	/	Exame	físico	/	ECG	normais:	
 Síncope reflexa se torna a principal hipó-
tese diagnóstica. Avaliar com tilt test as 
síncopes que oferecem risco ao paciente, 
recorrentes ou como diagnóstico diferen-
cial para convulsões e pseudosíncope.
	Hipotensão	Postural:
• Se houver alguma medicação “cul-
pada” = suspender ou reduzir a dose 
quando possível.
• Se exame neurológico alterado: conside-
rar neuropatia periférica, atrofia de múlti-
plos sistemas, doença do SNC. Avaliar 
necessidade de eletroneuromiografia, 
exames de neuroimagem (TC ou RM) e 
encaminhamento para unidade de avalia-
ção de disautonomias. Cabe marcar que 
a diretriz de síncope é clara: não estão 
indicados TC ou RM de crânio na rotina 
da avaliação da síncope, em pacientes 
que não tenham sofrido um trauma ou não 
tenham alguma sinal neurológico focal!!!
• Se exame físico normal: considerar 
idiopática.
	Síncope	inexplicada:	
• Devemos descartar doença estrutural 
com Ecocardiograma Trans torácico (TC 
ou RM também) e isquemia com teste de 
esforço / coronariografia.
• Para pesquisa adicional de arritmias, 
temos métodos como o ECG-Holter 
(episódios diários); monitor de eventos 
(episódios mensais); monitor implantável 
subcutâneo (episódios infrequentes – até 
14 meses de observação); estudo eletro-
fisiológico (não utilizado de rotina, mas 
indicado para coronariopatas e aqueles 
com episódios mais graves de síncope).
	Síncope	na	criança:	
 Nos quadros em que as doenças cardíacas 
foram excluídas, considerar a hipótese de 
“perdas de fôlego” (breath-holding spells) 
seguidas a quadros chorosos que podem 
aparecer em até 5% dos casos.
Mais alguns detalhes sobre esta avaliação...
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013 
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA
DO RIO DE JANEIRO – RJ
Paciente jovem apresenta perda transitória da 
consciência com queda da própria altura. Re-
cupera-se totalmente e espontaneamente. O 
diagnóstico mais comum é:
a) Síncope vasovagal.
b) Isquemia cerebral transitória.
c) Bloqueio A-V de terceiro grau.
d) Hipotensão postural.
 Temos poucos dados, mas, nessa questão, 
quando o autor nos informa que se trata de um 
paciente jovem, devemos supor a ausência de 
alguma doença mais grave subjacente. Assim, 
o fenômeno vasovagal (reflexo “neurocardiogê-
nico”), extremamente comum na prática médica 
e predominante nesta faixa etária, é muito mais 
provável do que as demais opções. Resposta: 
A. Nas alternativas B e C, por exemplo, o pacien-
te não teria motivo para melhorar com o decúbi-
to, podendo ter a síncope em qualquer posição. 
Para ser hipotensão postural (letra D), por sua 
vez, seria preciso ter alguma forma de disauto-
nomia (disfunção do sistema nervoso autonômi-
co) ou hipovolemia, seja em associação a uma 
doença (ex.: neuropatia diabética, doenças de-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 18Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
generativas do sistema nervoso periférico), seja 
em associação ao uso de certos medicamentos. 
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
HOSPITAL SÃO LUCAS DA PONTIFÍCIA 
UNIVERSIDADE CATÓLICA – RS
Em qual das situações clínicas abaixo citadas, 
o teste da inclinação (Tilt-Test) está indicado?
a) Taquiarritmia em paciente com hipertireoi-
dismo.
b) Palpitações em paciente com insuficiência 
cardíaca.
c) Síncopes recorrentes associadas a estres-específicas (ex.: tamponamento cardíaco, 
intoxicação exógena, hipercalemia, etc.).
ConCeito 3 – a Via aérea aVançaDa
Aqui é importante ressaltar que, apesar de ser 
a mais utilizada, a intubação endotraqueal não 
é definida pelas diretrizes como a “via de es-
colha”. Na verdade, essa opção dependerá 
da experiência do socorrista, do suporte local 
e das condições do paciente. Em caso de in-
tubação, preconiza-se que as compressões 
torácicas sejam interrompidas apenas o tem-
po suficiente para o socorrista visualizar as 
cordas vocais e inserir o tubo, o que não deve 
ultrapassar 10 segundos. Se não houver su-
cesso, uma nova tentativa deve ser realizada, 
devendo-se já considerar outras formas de 
obter uma via aérea avançada (ver adiante).
Logo após a obtenção de uma via aérea avan-
çada, a RCP deve ser retomada por mais 2 
minutos, agora sem a relação 30:2, ou seja, 
um indivíduo fica realizando as compressões 
“100-120 por minuto” e outro fica ventilando o 
paciente com ambu ligado ao oxigênio 10L/
min, numa frequência de 10	por	minuto (uma 
ventilação a cada 6 segundos). 
No caso de a escolha ter sido pelo tubo oro-
traqueal, a posição dele deve ser checada, 
sem interrupção das compressões. Esta ava-
liação se faz pela visualização da expansão 
pulmonar bilateralmente, auscultando-se a 
região epigástrica (não devem ser percebidos 
sons) e, em seguida, ambos os pulmões do 
paciente (observando se o tubo está ou não 
seletivo para o pulmão direito). O método 
mais confiável, no entanto, para o posiciona-
mento adequado do tubo é a capnografia de 
onda contínua. Esse método também pode 
ser utilizado para monitorizar a eficácia da 
ressuscitação. Na sua essência, o capnógra-
fo é um aparelho que mede o CO2 expirado 
durante um ciclo respiratório, dependendo 
basicamente de três fatores: produção, trans-
porte e eliminação. O principal valor avaliado 
é o CO2 do final da expiração (ETCO2, do 
inglês End Tidal) e sua medida nos traz in-
formações sobre a perfusão pulmonar (quan-
to menor o fluxo pulmonar, menos CO2 é 
expirado), a ventilação alveolar (quando me-
nor a ventilação pulmonar, mais alto o CO2 
expirado) e até o débito cardíaco (quedas 
importantes na pressão arterial cursam com 
baixo CO2 eliminado).
Figura 12: Monitorização contínua com 
capnógrafo. Observe do lado direito a 
pressão parcial de CO2 exalado (PetC O2 
– 42 mmHg). Após a intubação estes valo-
res passam a ser detectados, elevando-
-se de forma mais acentuada no final da 
expiração.
Se estiver bem posicionado, o tubo deve ser 
devidamente fixado. Se o tubo estiver no 
esôfago, deve ser retirado e retomada a RCP 
30:2, ventilando com ambu-máscara, por mais 
2 minutos, antes da segunda tentativa de in-
tubação. Em caso de dúvida, a laringoscopia 
deve ser utilizada, mas, se a dúvida ainda 
assim permanecer, o tubo deve ser removido 
e posteriormente recolocado.
ConCeito 4 – O aCessO VenOsO 
(PerifériCO Ou intraósseO)
Durante a RCP, sem parar de fazer as com-
pressões torácicas, deve-se puncionar uma 
veia antecubital calibrosa (na impossibilidade 
desta, tentaremos a jugular externa – também 
periférica) e introduzir um cateter, ligando-o 
ao equipo com soro fisiológico. Na impossi-
bilidade de acesso periférico, a segunda via 
de escolha é o acesso intraósseo (transtibial). 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 87Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Somente na impossibilidade de acesso veno-
so periférico e intraósseo, uma veia profunda 
deve ser puncionada.
ConCeito 5 – as DrOgas 
na FV/TV sem PulsO
	Adrenalina: durante a RCP, logo após 
obter o acesso venoso periférico, faz-se 
adrenalina (epinefrina) 1 mg (1 ampola) 
pela veia periférica, infundindo em seguida 
cerca de 20 ml de soro fisiológico ou água 
destilada e elevando o braço do paciente. 
A adrenalina (epinefrina) deve ser repe-
tida a cada	3	a	5	minutos durante todo 
o ACLS. A adrenalina é um vasopressor 
muito potente, capaz de aumentar o fluxo 
coronariano e cerebral, reduzindo a hipóxia 
e acidose teciduais e facilitando a desfibri-
lação. O paciente reanimado menos de 5 
minutos após infusão de adrenalina pode 
voltar hipertenso – porém a hipertensão 
desaparece em muito pouco tempo.
 * Desde 2015, a vasopressina foi removida 
do Algoritmo de PCR em adultos. O motivo 
está no fato de que o uso combinado de 
vasopressina e epinefrina não oferece ne-
nhuma vantagem em comparação ao uso 
da dose padrão de epinefrina em PCR. 
Além disso, a vasopressina também não 
oferece nenhuma vantagem sobre o uso 
isolado de epinefrina.
 ** Embora não seja recomendado como ro-
tina, um dado da atualização de 2015 foi a 
possibilidade de benefício na administra-
ção de esteroides em conjunto com vaso-
pressina e epinefrina no tratamento da 
PCR intra-hospitalar.
	Amiodarona: é o antiarrítmico considera-
do de escolha na FV e TV sem pulso que 
não responde à adrenalina (refratária), fa-
cilitando o sucesso da desfibrilação. Pode 
ser feita duas vezes: na primeira, a dose é 
de 300 mg (duas ampolas) e na segunda, 
de 150 mg (uma ampola). 
Grave a seguinte sequência de eventos do 
ACLS para FV/TV (FIGURA 13):
	Lidocaína: na falta da amiodarona, pode-se 
utilizar a lidocaína em seu lugar. A dose é 
de 1-1,5 mg/kg (5 ml = 100 mg). Pode ser 
repetida até a dose cumulativa de 3 mg/kg.
Saiba MaiS!
 Um tema frequente nos concursos médicos 
é a administração de drogas pelo tubo endo-
traqueal durante a parada cardíaca. Embora 
não haja comprovação em estudos de meto-
dologia confiável, CInCO drogas podem ser 
administradas por via endotraqueal: vaso-
pressina, adrenalina	(epinefrina), atropina, 
lidocaína	e naloxone	(esta última usada na 
parada por intoxicação opioide em crianças). 
A amiodarona não pode ser feita por esta via.
 Na prática, a via endotraqueal é usada em 
último caso, na impossibilidade de acesso 
venoso ou intraósseo. Por exemplo, na au-
sência de acesso venoso e necessidade de 
um antiarrítmico na FV/TV sem pulso, pode-
mos usar a lidocaína endotraqueal, no lugar 
da amiodarona venosa. Podemos guardar as 
drogas feitas pelo tubo com a sigla VAnEl 
(E = epinefrina).
 Não existe uma dose ideal a ser administrada 
pela via endotraqueal, embora seja recomen-
dada uma dose cerca de 2,5 vezes a dose 
venosa. A droga deve ser diluída em 5-10 
ml de água ou salina e injetada diretamente 
no tubo endotraqueal. Segundo alguns es-
tudos, a diluição com água ofereceria maior 
absorção que com salina.
	Sulfato de magnésio: indicado quando o 
monitor mostra uma TV sem pulso polimór-
fica (torsades de pointes) ou quando a FV 
é supostamente decorrente desta arritmia. 
A dose do sulfato de magnésio na parada 
cardíaca é de 1 a 2 g venoso.
	Bicarbonato de sódio: indicado quando 
a FV/TV sem pulso é decorrente de hiper-
calemia ou de intoxicação por cocaína ou 
por antidepressivos tricíclicos.
FIG. 13
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 88Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
	Betabloqueador: um estudo observacio-
nal mostrou que a administração desta 
droga após uma PCR por FV e TV sem 
pulso foi associada à maior probabilida-
de de sobrevivência. No entanto, o uso 
rotineiro é potencialmente perigoso, pois 
pode causar ou agravar a instabilidade 
hemodinâmica, exacerbar a insuficiência 
cardíaca e causar bradiarritmias. Assim, 
a diretriz coloca que não há evidências 
adequadas que respaldem o uso rotineiro 
de betabloqueadores, embora possa ser 
considerado o início ou a continuação, 
por via ou EV, imediatamente após a 
hospitalização causada por uma PCR 
devida a FV / TV sem pulso.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013 
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DO PARANÁ – PR
Durante o procedimento de reanimação car-
diopulmonar, instituído suporte avançado 
com acesso venoso, quais as medicações a 
serem utilizadas?
a) Epinefrina e amiodarona em fibrilação ven-
tricular e atividade elétrica sem pulso.
b) Epinefrina e amiodarona em fibrilação ven-
tricular, assistolia e atividade elétrica sem pulso.
c) Epinefrina e vasopressina em fibrilação 
ventricular refratária.
d)Epinefrina e atropina em assistolia e ativi-
dade elétrica sem pulso.
e) Epinefrina e amiodarona em fibrilação ven-
tricular refratária.
 Vamos lá: o termo “refratária” significa que 
a FV ou a TV sem pulso não respondeu à 
administração de adrenalina (epinefrina). A 
droga de escolha neste caso, é a amiodarona, 
sendo permitidas duas doses: a primeira de 
300 mg (duas ampolas) e a segunda de 150 
mg (uma ampola). A lidocaína já foi utilizada 
com este intuito, mas atualmente só é pres-
crita se não houver amiodarona disponível. 
Logo, opção E CORRETA.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
HOSPITAL ESCOLA DA UNIVERSIDADE 
FEDERAL DE PELOTAS – RS
Paciente do sexo masculino, 58 anos, etilista 
pesado, desnutrido, está internado na enfer-
maria. O paciente está monitorado e no scope 
se visualiza o ritmo da figura:
d) Sulfato de magnésio. 
e) Adrenalina. 
 Qual é a primeira droga a ser administrada no 
atendimento à parada cardíaca segundo o pro-
tocolo de Suporte Avançado de Vida em Cardio-
logia (ACLS)? A adrenalina: 1 mg IV em bolus! 
O objetivo é gerar vasoconstrição periférica e 
desvio de sangue da periferia para os órgãos 
nobres (coração e cérebro) de modo que o fluxo 
promovido pela massagem cardíaca profunda 
preferencie tais tecidos. Logo, resposta: E. Só 
uma observação – qual é o ritmo de parada nes-
te caso? A princípio, estamos diante de uma TV 
polimórfica sem pulso: repare que há complexos 
QRS mais ou menos estruturados, porém, sem-
pre diferentes. Não se pode dizer exatamente 
que é torsades de pointes, pois é preciso de-
monstrar a existência prévia de intervalo QT 
prolongado para firmar este diagnóstico. Mas 
deveríamos ficar atentos para esse diagnóstico.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DO 
MATO GROSSO DO SUL – UFMS 
Paciente de 45 anos de idade, hipertenso, 
diabético, é admitido no pronto socorro em 
PCR (parada cardiorrespiratória). Familiares 
relatam que o mesmo apresentou perda da 
consciência durante o transporte ao hospital; 
antes do evento, queixava-se de intensa dor 
precordial em opressão. Foi constatado PCR 
em FV (fibrilação ventricular) e iniciada RCP 
(reanimação cardiopulmonar) na unidade de 
emergência. Após ter sido aplicado o choque 
inicial sem sucesso e considerada a possibi-
lidade de administração de um fármaco para 
essa condição, o que se recomenda? 
a) Amiodarona, 300 mg IV em bolus.
b) Lidocaína, 0,75 mg/kg.
c) Epinefrina, 1 mg IV em bolus.
d) Atropina, 1 mg IV em bolus.
e) Fibrinólise com Estreptoquinase, 1.500.000 
UI, IV em 30 a 40 minutos.
 Percebam como a grande maioria das 
questões é de resposta imediata, assim como 
deve ser o raciocínio sempre que se pensar 
em PCR. Choque sem sucesso, qual é a pri-
meira droga? Adrenalina – o que é o mesmo 
que Epinefrina!!! Resposta: C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2007 
FUNDAÇÃO JOÃO GOULART – FJG 
Na parada cardiorrespiratória por taquicardia 
ventricular polimórfica, com intervalo QT pro-
longado, o tratamento preconizado é:
a) Sotalol. c) Amiodarona.
b) Magnésio. d) Procainamide.
 Questão direta, sem enrolação: além de 
todas as medidas do BLS, no momento das 
drogas do ACLS, caso haja suspeita do tor-
sades de pointes, devemos administrar 1 a 2 
g de sulfato de magnésio. Resposta B.
Segundo as orientações constantes no algo-
ritmo para manejo da Parada Sem Pulso da 
American Heart Association, qual a primeira 
droga a ser administrada?
a) Amiodarona. 
b) Atropina. 
c) Lidocaína.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 89Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2007 
HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS – HSL
São medicações que podem ser utilizadas via 
endotraqueal, EXCETO:
a) Adrenalina. 
b) Lidocaína. 
c) Atropina.
d) Amiodarona.
e) Vasopressina.
 Questão clássica! Existem cinco drogas que 
podem ser administradas pela via traqueal – 
VANEL – Vasopressina, Atropina, Naloxona, 
Epinefrina, Lidocaína. Drogas como amioda-
rona e bicarbonato não podem ser utilizadas 
por esta via. Resposta D.
2 - PEA (AESP)/ASSISTOLIA
Vejamos alguns conceitos sobre a PEA (AESP, 
em português) e a assistolia.
ConCeito 1 – ObtençãO De Vias aéreas
A obtenção de uma via aérea avançada é 
a primeira medida após o monitor revelar 
uma atividade elétrica sem pulso ou uma 
assistolia. A ventilação com ambu ligado ao 
oxigênio a 10 a 15L/min é capaz de fornecer 
uma fração inspirada de O2 bem mais alta 
do que a ventilação ambu-máscara, próxima 
a 100%. Os pacientes que sofreram parada 
cardíaca por hipóxia ou asfixia (uma causa 
particularmente comum nas enfermarias e 
na UTI geral) podem se recuperar apenas 
com esta manobra.
Técnicas	de	obtenção	de	via	aérea
Além da intubação traqueal, existem mais 
duas técnicas de obtenção de via aérea 
avançada que podem substituí-la, com uma 
eficácia semelhante e maior facilidade de 
execução, pois podem ser realizadas às ce-
gas, sem o uso do laringoscópio e a visuali-
zação das cordas vocais. 
São elas:
1-		Combitubo: são dois tubos combinados, 
sendo que um deles possui fenestras 
por onde o ar poderá passar e ventilar 
diretamente a traqueia. O dispositivo é in-
troduzido às cegas e geralmente penetra 
no esôfago, devidamente ocluído após a 
insuflação do cuff distal (com 10 ml de ar). 
O cuff proximal é inflado com 100 ml de ar, 
ocluindo a orofaringe. O ar sai pelas fenes-
tras e penetra diretamente na traqueia. Se, 
porventura, o tubo entrar na traqueia, em 
vez de no esôfago, é só ventilar pelo outro 
tubo. Para compreender o mecanismo do 
combitubo, fica bem mais fácil analisando 
a FIGURA 14	a seguir.
2-		Máscara	laríngea: é um dispositivo pro-
vido de uma peça que, quando inflada 
de ar, é acoplada longitudinalmente ao 
esôfago, ocluindo-o e permitindo que o 
ar seja ventilado para a traqueia pela 
abertura do tubo (FIGURA 15).
Figura 14
Figura 15: Máscara laríngea.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 90Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
ConCeito 2 – mOnitOrizaçãO 
eletrOCarDiOgráfiCa
O ritmo ao monitor na Atividade Elétrica Sem 
Pulso (PEA) pode ser de vários tipos: sinu-
sal, idiojuncional (QRS estreito sem onda P), 
idioventricular (QRS alargado sem onda P), 
bradicárdico (frequênciaparada (atente que para a 
bradicardia sintomática ela continua como 
droga de escolha).
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2014 
HOSPITAL EVANGÉLICO DE 
CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM – ES
Conforme o último guidelines de atendimento 
da parada cardiorrespiratória da American 
Heart Association, em que momento do pro-
tocolo de atendimento da assistolia a atropina 
deve ser usada?
a) Assim que identificada no monitor.
b) Após o primeiro ciclo de ressuscitação car-
diopulmonar.
c) Após a passagem do marca-passo trans-
venoso.
d) Não deve ser usada rotineiramente neste 
protocolo.
e) Após a passagem do marca-passo trans-
cutâneo.
 Segundo a última versão do protocolo 
ACLS, a atropina NÃO DEVE ser utilizada em 
nenhum ritmo de parada, pois foi reiterada-
mente demonstrado na literatura que ela não 
aumenta a probabilidade de retorno da circu-
lação espontânea e, por conseguinte, repre-
senta uma medida fútil nesse sentido. Res-
posta: letra D.
ConCeito 5 – aValiar 
COnDições reVersíVeis
É muito importante lembrar os 5 H’s e os 5 
T’s diante de uma parada cardíaca em PEA 
ou assistolia!!! 
Os	5	H’s Os	5	T’s
Hipovolemia Tenso pneumotórax 
(pneumotórax 
hipertensivo)
Hipóxia Tamponamento 
cardíaco
Hidrogênio 
(Acidose)
Toxicidade
Hipo/hipercalemia Trombose pulmonar
Hipotermia Trombose coronariana
A avaliação das veias jugulares do paciente 
durante a parada cardíaca é muito útil neste 
contexto: a presença de turgência jugular indica 
um dentre os primeiros 4 T’s: pneumotórax	hi-
pertensivo,	tamponamento	cardíaco,	infarto	
extenso	com	dissociação	eletromecânica	
(trombose	coronariana)	e	tromboembolismo	
pulmonar	maciço. Para facilitar sua memoriza-
ção, lembre que são 2 T’s do coração (tampona-
mento e trombose coronariana) e 2 do pulmão 
(TEP e pneumotórax)...
	Pneumotórax hipertensivo: causa comum 
de parada cardíaca pós-trauma torácico ou 
em pacientes que estavam em ventilação me-
cânica. A grande pista é a turgência jugular 
associada à assimetria de tórax e hipertimpa-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 91Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
nismo no hemitórax mais volumoso. Na sus-
peita de pneumotórax hipertensivo, um jelco 
calibroso deve ser introduzido imediatamente 
na junção da linha hemiclavicular com o 2o 
espaço intercostal do hemitórax acometido. 
O diagnóstico é confirmado pela saída de ar 
sob pressão. O jelco deve ser então conec-
tado a um equipo num soro em selo d’água, 
enquanto um cirurgião é chamado para exe-
cutar a drenagem torácica definitiva.
	Tamponamento cardíaco: suspeitar em pa-
cientes com trauma torácico ou com uma his-
tória clínica compatível com dissecção aórtica 
ou pericardite. Um jelco deve ser introduzido 
através da região subxifoide, em direção à 
escápula esquerda. A punção pericárdica 
com retirada de apenas 20 ml já pode reverter 
uma parada cardíaca por tamponamento.
	Tromboembolismo pulmonar maciço: o 
prognóstico deste tipo de parada cardíaca 
é precário. Contudo, estudos recentes têm 
demonstrado a recuperação de alguns casos 
pela infusão de trombolítico venoso (rtPA) du-
rante as manobras do ACLS. Portanto, esta 
medida pode ser tentada em último caso.
Em relação aos 5 H’s e o quinto “T” (toxicidade 
exógena), o paciente não apresenta turgência 
jugular. A história prévia à parada cardíaca 
ajudará no diagnóstico diferencial. 
	Hipóxia/asfixia: como vimos, é uma causa 
comum de PEA e assistolia nas enfermarias e 
UTIs (pneumonia, crise asmática, DPOC des-
compensado, edema agudo de pulmão, bron-
coaspiração, SDRA), enfatizando a importância 
da intubação traqueal e oxigenação adequada. 
 Hipovolemia/hemorragia: é uma causa co-
mum no trauma ou em pacientes com hemor-
ragia digestiva aguda ou rotura espontânea 
de baço. Neste caso, a reposição já durante o 
ACLS de cristaloide, coloide e concentrados 
de hemácia, com ou sem plasma fresco e 
plaquetas, pode ser uma medida salvadora. 
No trauma, estes pacientes devem ser sub-
metidos à abordagem cirúrgica imediata!
	Hipercalemia: todo paciente com insuficiên-
cia renal aguda ou crônica que sofre uma 
parada cardíaca deve aventar a suspeita da 
causa ser a hipercalemia. Na hipercalemia, 
o coração pode parar em FV, em atividade 
elétrica sem pulso ou em assistolia. 
 O ritmo na PEA por hipercalemia se parece 
muito com um ritmo idioventricular, porém a 
onda T está tipicamente alta e apiculada:
bras de ressuscitação. Para evitar a perda 
de calor, recomenda-se a remoção de roupas 
molhadas, isolar e proteger do vento (quente 
ou frio) e, se possível, ventilar com oxigênio 
umedecido e aquecido. Só para lembrar, po-
demos notar na monitorização de pacientes 
hipotérmicos a onda de Osborne, uma defle-
xão pequena e precoce no segmento ST.
 Hipotermia: cabe ressaltar que não devemos 
aguardar o aquecimento do paciente para 
que sejam colocadas em prática as mano-
 Toxicidade (intoxicação exógena): a pa-
rada cardíaca na intoxicação por cocaína 
pode ocorrer em FV, TV sem pulso ou as-
sistolia. A infusão de bicarbonato de sódio e 
de lidocaína (no caso de FV/TV) pode ajudar 
na recuperação do paciente. Na intoxicação 
por antidepressivos tricíclicos, à parada ge-
ralmente sucede uma TV polimórfica do tipo 
torsades de pointes (ver adiante), podendo 
ser revertida com bicarbonato de sódio e 
sulfato de magnésio. Nas intoxicações por 
antagonista do cálcio e por betabloqueado-
res, a ressuscitação geralmente precisa da 
administração de gluconato de cálcio e de 
glucagon, respectivamente.
 * Um dado interessante da atualização de 2015 
se deu em relação aos pacientes com depen-
dência de opioides, conhecida ou suspeita, 
que não respondem, apresentam respiração 
anormal, mas têm pulso. Neste caso, seria 
adequado que socorristas leigos treinados e 
profissionais de saúde administrem naloxona 
por via Intramuscular (IM) ou Intranasal (IN).
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE 
CIÊNCIAS DA SAÚDE DE PORTO 
ALEGRE – RS
Mulher de 56 anos foi encontrada em apneia 
e sem pulso. A monitorização cardíaca mos-
trou taquicardia sinusal com frequência car-
díaca de 130 bpm. Qual o próximo passo no 
manejo da paciente?
a) Iniciar Ressuscitação Cardiopulmonar 
(RCP) e administrar 500 ml de soro fisiológico.
b) Intubar imediatamente e administrar adre-
nalina.
c) Iniciar RCP e administrar atropina.
d) Iniciar RCP e cardioverter com choque não 
sincronizado de 200 joules.
e) Iniciar RCP e cardioverter com choques 
sincronizados de 50 joules.
 Estamos diante de um caso de AESP (Ativi-
dade Elétrica Sem Pulso), um ritmo de parada 
cardiorrespiratória classificado como não cho-
cável. Logo, pelo menos neste momento do 
atendimento, não há NENHUMA indicação para 
o uso de um desfibrilador (D e E erradas) – se 
posteriormente houver mudança do traçado para 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 92Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
um ritmo chocável, a desfibrilação deverá ser 
realizada conforme a sequência de RCP. Aqui, 
a primeira conduta após chamar ajuda deve ser 
o início dos procedimentos de compressão to-
rácica de qualidade. A obtenção de uma via 
aérea avançada (ex.: intubação orotraqueal), 
conquanto importante, jamais deve ser a priori-
dade imediata, e jamais deve anteceder a RCP 
(B errada). Lembre-se de que, recentemente, a 
atropina foi retirada do protocolo AESP por não 
possuir evidências convincentes de benefício 
(não aumenta a chance de retorno da circulação 
espontânea). Assim, sobrou apenas a letra A, 
que é uma conduta válida no protocolo de as-
sistolia/AESP. Enquanto o paciente está sendo 
submetido às compressões, devemos conside-
rar as causas de assistolia/AESP, basicamente 
os 5 H’s e 5 T’s. Um passo importante nesta 
avaliação é a pesquisa de turgência jugular. Na 
ausência deste achado semiológico, o raciocínio 
deve se voltar para as hipóteses de hipovolemia, 
hipóxia, acidose (H+), hipo/hipercalemia e toxi-
cidade. Para cada uma dessas situações exis-
tem condutas específicas, mas na abordagem 
de praticamente todas elas há indicação de 
expansão volêmica com soluçõescristaloides 
(que no caso da AESP por hipovolemia – uma 
etiologia frequente na prática – consiste na prin-
cipal medida terapêutica). Resposta: A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2008
UNIVERSIDADE FEDERAL
DO PARANÁ – UFPR 
Assinale a alternativa que apresenta a causa 
MENOS provável de uma atividade elétrica 
sem pulso com QRS estreito.
a) Hipovolemia.
b) Hipoxemia.
c) Tromboembolismo pulmonar.
d) Isquemia miocárdica.
e) Tamponamento cardíaco.
 Todas essas condições estão incluídas no 
diagnóstico diferencial dos 5 H’s e dos 5 T’s. 
Mas qual é o ritmo mais esperado para uma 
isquemia miocárdica, ou seja, uma doença 
ventricular? FV ou TV sem pulso, ambos os 
ritmos com QRS alargado. Resposta D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2008
HOSPITAL CENTRAL ARISTARCHO 
PESSOA – BOMBEIROS – HCAP
Durante os Jogos Pan-americanos, você aten-
de atleta do triatlo socorrido inicialmente pela 
equipe de apoio. Você o encontra inconscien-
te e identifica ao monitor, onda J no traçado 
eletrocardiográfico. Diante dos dados acima, 
o diagnóstico mais provável é:
a) Cardiopatia hipertrófica e arritmia ventricular.
b) Síndrome de Brugada.
c) Hipocalemia.
d) Hipotermia.
 Eis aqui uma onda eletrocardiográfica a ser 
lembrada para as provas: a onda J de Osborne. 
Trata-se de uma deflexão precoce no segmento 
ST característica da hipotermia. Resposta D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2007 
FUNDAÇÃO JOÃO GOULART – FJG 
O uso de bicarbonato de sódio, na parada 
cardiorrespiratória, está indicado quando há:
a) Intoxicação por antidepressivo tricíclico. 
b) Hipomagnesemia. 
c) Hipocalcemia.
d) Hipocalemia.
 O bicarbonato está indicado na PCR, 
quando esta aconteceu em vigência de hi-
percalemia ou intoxicação por tricíclicos. 
Alguns autores também consideram o bi-
carbonato em intoxicação por cocaína e 
salicilatos. Resposta A.
Quando	parar	os	esforços		
de	reanimação?
Eis aqui um tema bastante controverso, até 
mesmo porque interfere com valores sociocul-
turais e legais que podem variar entre diferen-
tes regiões. Nas diretrizes americanas, temos 
o seguinte trecho: “Profissionais de saúde 
não são obrigados a oferecer suporte quan-
do houver consenso científico e social que o 
tratamento seja inefetivo”. Elas ainda definem 
esta situação como o princípio da futilidade, 
considerando como fútil, “as intervenções e 
terapias farmacológicas que tragamComo em al-
guns estudos observacionais, a febre, após o 
reaquecimento com relação ao CDT, está as-
sociada ao agravamento dos danos neurológi-
cos, é aconselhável evitar ativamente a febre 
em pacientes comatosos após o CDT.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2007 
HOSPITAL DE CLÍNICAS DE GOIÁS – HCG 
Com o tratamento da parada cardíaca pela 
Fase 1 (suporte básico) e Fase 2 (suporte 
avançado), pode-se recuperar a respiração e 
a circulação espontânea e chega-se à Fase 
3, que é a da recuperação cerebral. Todos 
os esforços no tratamento da parada car-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 94Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
diorrespiratória devem visar à preservação 
do sistema nervoso central e suas funções, 
no período crítico em que este sistema sofre 
os efeitos da hipóxia. Uma série de medidas 
deve ser tomada, algumas já provadas na 
prática, enquanto que outras possuem so-
mente bases teóricas. Dentre essas medidas, 
destaca-se a diminuição:
a) Da pressão arterial com expansores plas-
máticos.
b) Do consumo de oxigênio por hipotermia.
c) Do aporte de oxigênio ao cérebro.
d) Do edema cerebral com transfusão de sangue.
 A parada cardíaca pode ser dividida em 3 
fases: elétrica, circulatória (hemodinâmica) 
e metabólica.
A fase 1 – elétrica – vai do momento da pa-
rada até aproximadamente os primeiros 5 
minutos após a mesma. A intervenção mais 
importante neste momento é a terapia elétrica 
– desfibrilação.
A fase 2 – circulatória / hemodinâmica – aconte-
ce entre 5 e 10 minutos após a parada. A RCP 
é a conduta mais importante nesta fase (manter 
pressão de perfusão miocárdica e coronária) – 
mais importante do que a desfibrilação.
A fase 3 – metabólica – acontece entre 10 e 
15 minutos após a parada. A eficácia da des-
fibrilação e RCP diminui de forma importante 
nesta fase. As taxas de sobrevida são baixas. 
Vários estudos têm demonstrado benefício 
com a indução de hipotermia nesta fase por 
diminuir as lesões de reperfusão, melhorar o 
fornecimento de oxigênio ao encéfalo e ainda 
por diminuir a FC e aumentar a RVS, manten-
do o volume sistólico constante. 
Resposta: letra B.
Morte Súbita
 	Definições:
 Morte súbita: óbito que acontece até 1 hora 
depois do início dos sintomas. (Na prática, a 
maioria ocorre segundos após os sintomas ou 
mesmo sem nenhum sintoma pré-terminal).
	Parada cardíaca (súbita): interrupção súbi-
ta da atividade cardíaca deixando a vítima 
irresponsiva, sem respiração e sem sinais 
de circulação, mas que pode ser revertida 
com intervenção médica.
	Morte súbita abortada: parada cardíaca que 
foi revertida com sucesso.
 	Epidemiologia:
 	Representa cerca de 15% da mortalidade to-
tal nos EUA e outros países desenvolvidos.
		Pico de incidência entre o nascimento até 
os 6 meses de idade (síndrome da morte 
súbita infantil); redução do risco até os 30 
anos; risco volta a crescer a partir dos 30 
anos (pico entre 45-75 anos).
		O sexo masculino é o mais acometido, mas 
a diferença entre os sexos cai conforme o 
aumento da idade.
 	Mecanismos: 
	São os mesmos mecanismos de qualquer 
parada cardíaca. O principal mecanismo é 
a fibrilação ventricular!!!
 	Causas: 
 	Cardiopatias estruturais: (1) isquêmica: 
aterosclerose, embolia, arterite, dissecção, 
anomalias congênitas, espasmo; (2) não is-
quêmica: estenose aórtica, cardiomiopatias 
(dilatada, hipertrófica, restritiva), miocardite, 
displasia arritmogênica de VD, cardiopatias 
congênitas, tamponamento cardíaco.
 	Ausência de cardiopatia estrutural: síndro-
me de Brugada, síndrome de Wolff-Par-
kinson-White, síndrome do QT longo con-
gênita, TV polimórfica catecolaminérgica, 
intoxicação por antiarrítmicos, FV idiopática, 
commotio cordis.
 	Doença não cardíaca: hemorragia intra-
craniana, ruptura de aorta, TEP, obstrução 
aguda de via aérea superior, overdose, 
hipocalemia, hipomagnesemia.
 *Causa mais comum: Doença coronariana 
aterotrombótica oclusiva (especialmente em 
indivíduos com mais de 30 anos).
	*Causa	mais	comum	em	jovens	e	atletas	
( 30 anos, a doença coronaria-
na é responsável por 75% dos casos. Outras 
cardiopatias, distúrbios elétricos primários 
(não estrutural) e causas também podem ser 
incriminadas (releia o quadro acima!).
2 - Qual é a causa mais comum de morte 
súbita em jovens?
Nas estatísticas americanas parece ser a 
cardiomiopatia hipertrófica. Neste grupo de 
pacientes, as doenças elétricas primárias, não 
estruturais, aumentam o seu percentual como 
causa de morte súbita.
3 - Quais são os fatores de risco para morte 
súbita?
A maioria deles também serve como fator de 
risco para aterosclerose coronariana: hiperten-
são, diabetes, tabagismo, dislipidemia, inati-
vidade física, história familiar de IAM. Outros 
fatores de risco são: história familiar de morte 
súbita, consumo excessivo de álcool, isola-
mento social. Recentemente, a variabilidade 
da frequência cardíaca durante o exercício 
também foi considerada um fator de risco de 
acordo com estudo publicado na New England.
4 - Quais são as principais síndromes 
relacionadas à morte súbita que precisa-
mos conhecer? 
Já comentamos sobre elas ao longo da nos-
sa seção de Arritmias Cardíacas, mas vamos 
recordá-las:
	Síndrome de Wolff-Parkinson-White: Nes-
ses pacientes, portadores de via acessória 
para a condução do estímulo atrioventricu-
lar, o mecanismo é uma fibrilação atrial com 
resposta ventricular muito alta, pois quase 
todos os estímulos passam a descer por 
esta via acessória. A chance de FV (morte 
súbita) nesta síndrome chega a 1%;
	Síndrome de Brugada: Esta síndrome 
autossômica dominante é responsável por 
cerca de 30 a 40% dos casos de FV em 
corações sem anomalia estrutural. A morte 
súbita costuma ocorrer entre 20 e 65 anos 
de idade e tem maior prevalência durante 
o período noturno (especialmente o sono);
	Síndrome do QT longo congênita: É uma 
síndrome hereditária, mais comumente por 
herança autossômica dominante (síndro-
me de Romano-Ward) e mais raramente 
autossômica recessiva (síndrome de Jer-
vell ou síndrome de Lange-Nielsen, asso-
ciadas à surdez neurossensorial).Estes 
pacientes apresentam risco aumentado 
de TV polimórfica (torsades de pointes) e 
de FV (morte súbita). Os casos sintomá-
ticos graves devem receber um CDI. Nos 
demais pacientes, os betabloqueadores 
são as drogas indicadas;
	TV polimórfica catecolaminérgica: Pode 
ter herança autossômica dominante ou 
recessiva. O paciente possui risco aumen-
tado de TV polimórfica desencadeada por 
estresse adrenérgico (ex.: emoções for-
tes), que podem se manifestar como sín-
cope e podem se degenerar em FV (morte 
súbita). A indicação do CDI é a mesma 
para a síndrome do QT longo congênita 
e os demais pacientes são tratados com 
betabloqueadores;
	FV idiopática: um diagnóstico de exclusão. 
Esta síndrome é mais comum em homens, 
entre 30-40 anos. Nos sobreviventes, um 
CDI está indicado, dada a chance conside-
rável de recidiva da FV nos próximos anos. 
Antiarrítmicos como a quinidina também 
são eficazes na profilaxia secundária;
	Commotio	 cordis: esta interessante e 
temida síndrome ocorre quando um golpe 
é desferido subitamente no precórdio de 
um indivíduo, geralmente durante uma ati-
vidade atlética (impacto da bola no peito). 
Se o golpe atingir o coração exatamente 
no final da repolarização ventricular (onda 
T), uma FV pode ser desencadeada.
5 - Qual é a conduta após uma morte súbita 
abortada?
A verdadeira morte súbita abortada é o pacien-
te que teve uma FV ou TV sem pulso que foi 
prontamente revertida, com o paciente voltan-
do ao estado de lucidez e deambulação. Se 
um paciente teve a grande sorte de ter sido re-
vertido de uma FV ou TV sem pulso, o médico 
deve estar consciente de que ele possui ainda 
uma chance significativa de ter uma outra FV 
(30% no próximo ano), que desta vez pode 
culminar numa morte súbita não abortada. Daí 
a necessidade de se implantarem medidas de 
prevenção secundária!!
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 96Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
A princípio, a abordagem inclui a realização de 
ecocardiograma e coronariografia. Se o qua-
dro for atribuído a um evento isquêmico agudo, 
revascularização miocárdica e terapia farma-
cológica são as únicas medidas necessárias. 
No entanto, até 75% dos pacientes saem de 
um FV/TV extra-hospitalar sem apresentar 
uma causa aguda identificável. Nestes casos, 
a estratégia antiarrítmica ganha importância.
De todas, a medida mais eficaz é o Cardio-
desfibrilador implantável!! Este aparelho tem 
um gerador implantado no subcutâneo infra-
clavicular (tal como um MP definitivo), ligado 
a cabos no átrio e ventrículo direitos. O dis-
positivo possui a capacidade de reconhecer 
as taquiarritmias malignas (FV ou TV de alto 
risco), respondendo automaticamente com 
um choque desfibrilatório interno ou com um 
mecanismo antitaquicardia. Está indicado para 
toda morte súbita abortada, sobretudo naque-
las associadas à disfunção de VE, exceto nos 
casos de distúrbio transitório ou reversível. Di-
versos estudos randomizados, como o CASH, 
CIDS, AVID, SCD-Heft Trial comprovaram a 
redução da mortalidade com o uso do Cardio-
desfibrilador Implantável (CDI), mesmo quando 
comparado ao uso regular de antiarrítmicos.
O CDI não evita a arritmia ventricular poten-
cialmente fatal, mas simplesmente a reverte. 
O paciente muitas vezes sente o choque! Para 
evitar problemas psicológicos ou pânico pela 
possibilidade de tomar vários choques, um an-
tiarrítmico deve ser administrado como adjuvan-
te ao tratamento, visando reduzir ou prevenir 
os choques do aparelho. A droga de escolha é 
a Amiodarona	400 mg/dia, de acordo com os 
estudos CASCADE e o OPTIC, demonstrando 
um significativo benefício da amiodarona sobre 
os demais antiarrítmicos. A droga alternativa, 
também eficaz, é o Sotalol, indicado nos pa-
cientes intolerantes à amiodarona.
6 - Quando não indicar o CDI na morte sú-
bita abortada?
Saiba MaiS!
 Em Março de 2010, a revista The New 
England Journal of Medicine lançou uma 
excelente revisão sobre commotio cordis. 
De acordo com dados epidemiológicos 
norte-americanos trazidos, seria uma im-
portante causa de morte súbita em jovens 
atletas, perdendo apenas para a cardiomio-
patia hipertrófica e as anomalias congêni-
tas coronarianas. Talvez seja um problema 
ainda maior, conforme cita o artigo, já que 
seria muito pouco documentada e, por isso 
mesmo, subnotificada. Os principais deter-
minantes fisiopatológicos são a localização 
do choque (no centro da silhueta cardíaca) 
e o momento do ciclo em que ocorre (10-20 
ms do início da onda T, ainda antes do seu 
pico). Quanto à energia? Nem tanto... Mesmo 
choques aparentemente inocentes poderiam 
deflagrar uma FV. A grande estratégia seria 
a promoção de medidas preventivas, como 
alterações nos equipamentos dos atletas.
Nos seguintes casos: 
(1) o paciente se recusa veementemente; 
(2) quando a FV/TV ocorreu por distúrbios 
transitórios (primeiras 48 horas do IAM, intoxi-
cação por antiarrítmicos, overdose, distúrbios 
eletrolíticos graves); ou
(3) por desordens totalmente reversíveis, 
como na síndrome de Wolff-Parkinson-White, 
na qual uma ablação por radiofrequência da 
via acessória é suficiente.
Veja estas questões:
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013 
FUNDAÇÃO JOÃO GOULART –
 HOSPITAIS MUNICIPAIS – RJ
Paciente em pós-reanimação de parada car-
díaca intra-hospitalar revertida eficazmente 
apresenta melhor prognóstico quando a causa 
do evento está associada a:
a) Acidente vascular cerebral agudo.
b) Insuficiência renal crônica.
c) Neoplasia de tubo digestivo.
d) Distúrbio metabólico grave.
 O prognóstico da “morte súbita abortada” 
apresenta correlação estreita com a presen-
ça ou ausência de lesão neurológica irrever-
sível. Logo, se houve um acidente vascular 
cerebral agudo, deve-se esperar, de ante-
mão, um pior prognóstico global! O prognós-
tico de um paciente oncológico também não 
é nada favorável, por conta da doença de 
base. E o prognóstico de alguém que possui 
uma falência orgânica crônica (ex.: IRC), 
sem dúvida nenhuma tende a ser igualmen-
te ruim. Distúrbios metabólicos graves (ex.: 
hipo ou hipercalemia) podem levar um pa-
ciente previamente hígido à parada cardíaca 
arrítmica. A reversão do ritmo de parada, 
aliada à resolução completa do distúrbio 
metabólico (que em muitos contextos pode 
ser apenas transitório), elimina completa-
mente o risco imediato de óbito e permite a 
continuidade da vida sem que se tenha, 
necessariamente, expectativa de um pior 
prognóstico. Resposta: letra D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE 
PERNAMBUCO – PE
Qual a causa mais frequente de morte súbi-
ta cardíaca?
a) Miocardiopatia chagásica.
b) Doença cardíaca coronariana.
c) Miocardiopatia dilatada.
d) Displasia arritmogênica do ventrículo direito.
 Questão direta. Estima-se que, em adultos, 
a doença coronariana seja a causa de aproxi-
madamente 80% das mortes súbitas cardía-
cas. Resposta: B.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 97Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
CENTRO MÉDICO DE 
CAMPINAS – CMC – SP
A morte súbita da hipóxia miocárdica deve-se 
principalmente à:
a) Hiperpotassemia.
b) Hipercalcemia.
c) Fibrilação auricular.
d) Fibrilação ventricular.
e) Bloqueio atrioventricular total.
 Questão semelhante, mas sob outra pers-
pectiva! O principal mecanismo de morte 
súbita no paciente com isquemia miocárdica 
é a fibrilação ventricular. É o que se observa 
nos pacientes que evoluem com parada car-
díaca no contexto das síndromes coronaria-
nas agudas. Resposta: D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010
SECRETARIA DE ESTADO DA 
SAÚDE DE SANTA CATARINA – 
SES – SC
Assinale a alternativa CORRETA. O “commo-
tio cordis” é caracterizado por:
a) Síndrome do QT longo congênita.
b) TV polimórfica catecolaminérgica, por he-
rança autossômica dominante ou recessiva.
c) Ser uma variante da síndrome de Wolf-Par-
kinson-White.
d) FV idiopática, tornando-se um diagnóstico 
de exclusão após investigação.
e) Um golpe acidental desferido no precórdio, 
coincidindo com o final da repolarização ven-
tricular, desencadeandouma TV.
 Uma aposta para as provas, pois é frequen-
temente confundida com a história da car-
diomiopatia hipertrófica por acometer jovens 
atletas. Havendo no caso clínico o relato de um 
impacto torácico não podemos nos esquecer: 
commotio cordis! Resposta E.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010
INSTITUTO ORTOPÉDICO 
DE GOIÂNIA – IO – GO
Maiores causas de morte súbita em atletas:
a) Infarto agudo do miocárdio; doença de Cha-
gas; crise hipertensiva.
b) Infarto agudo do miocárdio; estenose aór-
tica; taquicardia supraventricular.
c) Miocardiopatia hipertrófica, displasia arrit-
mogênica de VD; WPW.
d) Estenose subaórtica; doença de Chagas; 
tromboembolismo.
e) Displasia arritmogênica de VD; acidente 
vascular cerebral; ICC.
 Morte súbita por cardiomiopatia hipertró-
fica deve constar obrigatoriamente entre as 
opções. Além dela, incluiríamos ainda nesta 
lista para ficar mais completa: anomalias 
congênitas da coronária, commotio cordis 
e as síndromes de Brugada e do QT longo 
congênito. Resposta C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2009
FUNDAÇÃO JOÃO GOULART – 
HOSPITAIS MUNICIPAIS – FJG
O mecanismo elétrico mais comum da parada 
cardíaca é:
a) Fibrilação ventricular. 
b) Assistolia.
c) Bradiarritmia.
d) Atividade elétrica sem pulso.
 
 Questão que ainda cai, com relativa frequên-
cia. O principal mecanismo de parada é a FV, 
associada à doença aterosclerótica obstrutiva. 
Resposta A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2008
ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA 
DO CEARÁ – ESPCE
Paciente jovem recuperado de morte súbita 
(morte súbita abortada) exibe no ECG morfo-
logia de BRD com supra de ST nas precordiais 
direitas. Tal aspecto sugere:
a) Síndrome de Jervelle Lange-Nielsen. 
b) Síndrome de Romano-Ward. 
c) Miocardiopatia hipertrófica.
d) Displasia arritmogênica do VD.
e) Síndrome de Brugada.
 Uma questão bastante específica, mas que 
apresenta morfologia marcante, caracterizada 
pelo supradesnivelamento de ST em V1, V2, 
V3 e pseudo-BRD. Temos que saber, pois tem 
caído cada vez mais. Resposta E.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2008
ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA 
DO CEARÁ – ESPCE
Assinale a causa mais frequente de morte 
súbita no atleta.
a) Doença coronária. 
b) WPW. 
c) Displasia arritmogênica do VD.
d) Miocardiopatia hipertrófica.
e) Ruptura de aneurisma de aorta (Marfan).
 Em pacientes jovens e atletas, devemos 
pensar obrigatoriamente em cardiomiopatia 
hipertrófica. Cuidado apenas com algumas 
armadilhas que podem aparecer no mesmo 
paciente, em outro enunciado, principalmente 
um QT longo ou uma TSVP e pré-excitação 
ventricular (Wolff). Resposta D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2006
UNIVERSIDADE ESTADUAL 
DO RIO DE JANEIRO – UERJ
Eduardo, 35 anos, é levado pela família à 
Emergência próxima de sua residência, che-
gando em parada cardiorrespiratória, com 
constatação de óbito pela equipe. Buscando 
identificar a causa, você solicita informações 
à família, que apresenta ECG realizado há 
oito meses para admissão em academia de 
ginástica. Este exame mostrava supradesni-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 98Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
velamento do segmento ST de V1 a V3, com-
patível com BRD, sendo normal o intervalo 
QT. O ecocardiograma realizado na época 
foi normal e, por ser o jovem assintomático, 
não houve prosseguimento na investigação. 
O caso sugere o diagnóstico de:
a) Displasia arritmogênica de ventrículo direito. 
b) Síndrome de Ganong-Levine. 
c) Síndrome de Romano-Ward.
d) Síndrome de Brugada.
 Este paciente teve uma morte súbita sem 
anomalia estrutural cardíaca (ecocardiogra-
ma normal), sem intervalo QT longo, mas 
com supra de ST lembrando um BRD nas 
derivações precordiais direitas (V1, V2 e V3). 
Que síndrome é esta mesmo? Resposta D. 
Apenas como detalhe: a síndrome da opção 
B se refere à presença de taquicardias pa-
roxísticas por via acessória e a da opção C 
ao QT longo.
Saiba MaiS!
Drowning	(“Afogamento”)
Embora pouco lembrado, o afogamento é 
considerado uma situação especial dentro da 
PCR, presente inclusive nas diretrizes para 
reanimação. Assim, vamos aproveitar e definir 
os aspectos principais sobre este tipo de 
evento, com base em uma recente publicação 
sobre o tema na revista The New England 
Journal of Medicine, assinada por um médico 
brasileiro (Dr. David Szpilman).
 Definição: segundo a Organização Mundial 
de Saúde (OMS), afogamento é o processo 
de disfunção respiratória decorrente de sub-
mersão/imersão em meio líquido. O termo 
“submersão” refere-se ao posicionamento 
da via aérea abaixo da superfície de uma 
massa líquida, enquanto o termo “imersão” 
refere-se à entrada de líquido na via aérea 
sem que a mesma tenha ficado abaixo da 
superfície de uma massa líquida. Situações 
de submersão ou imersão não acompanha-
das de disfunção respiratória não devem ser 
chamadas de afogamento. Em tais casos, 
se o paciente for resgatado por terceiros, 
trata-se apenas de um resgate	 aquático. 
Inúmeras expressões muito utilizadas no 
passado – como “quase-afogamento”, “afo-
gamento secundário”, entre outras – têm sido 
abandonadas atualmente.
 Epidemiologia: dentre os fatores de risco 
para o afogamento acidental, temos: (1) sexo 
masculino; (2) idadeespontâneos, colocamos o paciente 
em “posição de recuperação” (decúbito 
lateral). Se não houver respiração, as ma-
nobras de Suporte Básico de Vida (BLS) 
devem ser iniciadas de imediato, e uma 
Equipe de Suporte Avançado de Vida 
(ACLS) deve ser acionada. Aqui há uma 
importante diferença em relação ao BLS: 
como a causa da PCR é a hipoxemia grave, 
no BLS do afogamento, a sequência inicial 
ainda é o “ABC” (Airway, Breathing, Circu-
lation – via aérea, ventilação e circulação). 
Inclusive, nos casos de afogamento preco-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 99Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
niza-se a administração de até	5 ventila-
ções	antes	de	iniciar	a	compressão	to-
rácica! Após essas 5 ventilações pode ter 
início a sequência: 30 compressões toráci-
cas para cada 2 ventilações, até que o 
paciente se recupere, o socorrista fique 
exausto ou a equipe de suporte avançado 
chegue ao local.
Após chegada da equipe de socorro médico, o 
paciente afogado deve ser clinicamente esta-
diado em seis grupos: 
GRAu DESCRIçãO COnDuTA SOBREVIDA
GRAu	1 Paciente responsivo. Aus-
culta pulmonar normal. 
Tosse presente.
Na ausência de comorbidades 
que demandem maiores investi-
gações, liberar o paciente.
100%
GRAu	2 Paciente responsivo. Aus-
culta pulmonar mostrando 
estertores limitados a alguns 
campos pulmonares.
Oxigenoterapia a baixo fluxo, 
observação por 6-8h no serviço 
de emergência (manter a SpO2 
entre 92-96%).
99%
GRAu	3 Paciente responsivo. Aus-
culta pulmonar mostrando 
estertores difusos (edema 
agudo de pulmão). Pressão 
arterial normal.
Oxigenoterapia a alto fluxo (15 l/
min com máscara facial) ou intu-
bação orotraqueal e ventilação 
mecânica invasiva. Internação 
em terapia intensiva.
95-96%
GRAu	4 Paciente responsivo. Aus-
culta pulmonar mostrando 
estertores difusos (edema 
agudo de pulmão). Pressão 
arterial reduzida ou choque.
Mesma conduta respiratória do 
grau 3, acrescida de infusão in-
travenosa/intraóssea de solu-
ções cristaloides isotônicas/dro-
gas vasoativas, caso a hemodi-
nâmica não melhore após a 
normalização da SpO2.
78-82%
GRAu	5 Paciente não responde e 
não respira (administrar 5 
ventilações imediatamente, 
checando o pulso depois). 
Pulso carotídeo presente.
Intubação orotraqueal e ventila-
ção mecânica invasiva sempre. 
Restante idêntico ao grau 4.
56-69%
GRAu	6 Paciente não responde e não 
respira (administrar 5 venti-
lações imediatamente, che-
cando o pulso depois). Pulso 
carotídeo ausente. Submer-
são ≤ 1h, ausência de sinais 
óbvios de morte (ex.: livor, 
decomposição orgânica).
RCP (Ressuscitação Cardiopul-
monar) seguindo a sequência 
“ABC”. Caso o procedimento 
seja bem-sucedido, restante 
idêntico ao grau 5.
7-12%
AFOGAMEnTO	
FATAl
Paciente não responde e 
não respira. Pulso carotídeo 
ausente. Submersão > 1h 
ou presença de sinais ób-
vios de morte (ex.: livor, 
decomposição orgânica).
Nenhuma intervenção médica é 
necessária. Encaminhar o corpo 
para o instituto médico-legal.
Zero
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012
INSTITUTO DE CARDIOLOGIA 
DO RIO GRANDE DO SUL – ICRS 
Em uma vítima de quase afogamento, não 
responsiva, e sem respiração, qual das ações 
a seguir é MAIS efetiva para restaurar a oxi-
genação e ventilação?
a) Retirar a água dos pulmões da vítima atra-
vés da manobra de Heimlich.
b) Retirar água dos pulmões da vítima atra-
vés de compressões torácicas.
c) Estabilizar a coluna cervical com um colar 
e uma prancha e então iniciar os ABCs.
d) Abrir as vias aéreas com manobra de ele-
vação da mandíbula, alinhar e estabilizar a 
coluna cervical e então iniciar os ABCs.
e) Chamar ajuda o mais rápido possível.
 Temos aqui um paciente vítima de afoga-
mento, irresponsivo e sem respiração: é um 
paciente que com certeza está em Parada 
Cardiorrespiratória (PCR). A PCR no afoga-
mento possui uma causa óbvia: HIPÓXIA. 
Logo, esta é uma situação de exceção à regra 
da PCR em que a abordagem emergencial, se 
realizada precocemente, pode restaurar o rit-
mo cardíaco somente pela realização de ven-
tilação e restauração da oxigenação. Assim, 
na abordagem à vítima de afogamento é es-
sencial iniciarmos pela abertura de vias aére-
as (tomando o cuidado de proteger a cervical 
do paciente, pois nos afogamentos acidentais 
pode coexistir lesão traumática da coluna) e 
ventilação-oxigenação. As compressões torá-
cicas são iniciadas posteriormente. Outro de-
talhe: se você resgata um afogado, a tentativa 
de abrir vias aéreas e ventilar o paciente deve 
vir antes da chamada por ajuda (pois, às ve-
zes, o paciente reverte a PCR nesse momen-
to, se agirmos rápido). Resposta: D. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 100Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Mais uma apostila rica em questões para a prova de R3! Como era de se 
esperar, as arritmias dominam completamente esse módulo, caindo tanto 
as taqui quanto as bradiarritmias. PCR é outro tema que não poderia 
faltar e algumas questões também foram selecionadas. Confiram!
MED R3 
CLíNICA MéDICA
SEçãO	1	–	SínCOPE
SEçãO	2	–	ARRITMIAS
SEçãO	3	–	PCR	E	MORTE	SúBITA
 As	questões	sobre	o	tema	também	aparecem	e	com	grau	de	dificuldade	semelhante	
às	do	Acesso	Direto.
 São	diversas	as	questões	sobre	taqui	e	bradiarritmias,	algumas	com	nível	de	com-
plexidade	raramente	encontrado	no	Acesso	Direto.
 Outro	tema	que	também	cai	bastante	nas	provas	de	R3,	tanto	nas	provas	escritas	
quanto	nas	provas	práticas!
100
http://#videomiolo=13734-MEDCLM28_R3_CLM_2017
http://#scrolldown
101
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 101Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
qUESTÕES R3 – CLíNICA MéDICA
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2016 
R3 CLÍNICA MÉDICA
FACULDADE DE CIÊNCIAS 
MÉDICAS DA UNICAMP – SP
Mulher de 65 anos tem dor precordial em 
aperto, de aparecimento duas horas antes 
de ser atendida. Em consulta médica anterior 
foi diagnosticada hipertensão arterial e en-
contra-se em uso de anti-hipertensivo. Exa-
me físico: ansiosa, inquieta e queixando-se 
de intenso desconforto precordial. FC = 156 
bpm, PA = 98 x 50 mmHg. Foram colhidos 
marcadores bioquímicos de necrose miocár-
dica e foi diagnosticado o infarto agudo do 
miocárdio. O ECG mostrou um flutter atrial. 
Qual deve ser a conduta?
a) Iniciar dopamina em veia central.
b) Cardioversão elétrica.
c) Administrar um betabloqueador endovenoso.
d) Administrar Lanatosídeo-C endovenoso.
 Questão direta e semelhante às que apare-
cem na prova de acesso direto. Taquiarritmia 
instável (pela presença de SCA associada, 
hipotensão, dispneia e/ou outras manifesta-
ções de franco baixo débito cardíaco e má 
perfusão tecidual generalizada) deve ser tra-
tada com cardioversão elétrica imediata, já 
que existe risco iminente à vida com a manu-
tenção da taquiarritmia. Resposta: letra B.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2016
R3 CLÍNICA MÉDICA
FACULDADE DE CIÊNCIAS 
MÉDICAS DA UNICAMP – SP
Com relação ao controle da frequência car-
díaca na fibrilação atrial, é CORRETO afir-
mar que:
a) Na presença de pré-excitação, é recomen-
dada a administração intravenosa de beta-
bloqueadores, verapamil ou diltiazem.
b) Digital, amiodarona ou propafenona são 
recomendados em pacientes com insuficiên-
cia cardíaca.
c) Em pacientes com sintomas relacionados 
ao esforço, o controle da frequência cardíaca 
deve ser avaliado durante o exercício.
d) A digoxina por via oral é eficaz no controle 
da frequência cardíaca na fibrilação atrial, e 
deve ser utilizada em pacientes com insufi-
ciência cardíaca congestiva ou em atletas.
 Na presença de pré-excitação ventricular 
(síndrome de Wolff-Parkinson-White) deve-
mos evitar bloqueadores do nódulo AV, pois 
sob efeito destes últimos, os estímulos pas-
sarão preferencialmente pela via acessória, 
o que no caso da FA pode levar a uma FV 
(Fibrilação Ventricular). Propafenona é con-
traindicada na presença de IC. E digoxina só 
é indicada na IC, mas não em atletas com 
coração normal. Enfim, o objetivo do controle 
de frequência na FA crônica é manter a FC 
nesse momento, 
assim como é possível também que o esforço 
esteja desencadeando isquemia miocárdica 
(angina pectoris) - o que, de qualquer forma, 
requer uma avaliação em teste ergométrico. 
Resposta: letra C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2016
R3 CLÍNICA MÉDICA
INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA 
MÉDICA AO SERVIDOR 
PÚBLICO ESTADUAL – SP
Assinale a alternativa que apresenta a princi-
pal causa de morte súbita em atletas abaixo 
de 40 anos no Brasil:
a) Displasia arritmogênica do ventrículo direito.
b) Síndrome do QT longo tipo Romano-Ward.
c) Síndrome de Brugada.
d) Doença arterial coronária.
e) Miocardiopatia hipertrófica.
 Definimos Morte Súbita (MS) como o óbito 
que ocorre até uma hora após o início dos sin-
tomas, sendo que a maioria ocorre segundos 
após, ou mesmo sem nenhum sintoma pré- 
-terminal. Podemos dividir as causas de MS 
em cardiopatias estruturais do tipo isquêmica 
(aterosclerose, embolia, arterite, dissecção, 
anomalias congênitas e espasmo) ou não is-
quêmicas (estenose aórtica, cardiomiopatias 
dilatada, hipertrófica ou restritiva, miocardite, 
displasia arritmogênica do ventrículo direi-
to, cardiopatias congênitas e tamponamento 
cardíaco). Dentre as causas não estruturais, 
podemos citar a síndrome de Brugada, sín-
drome de Wolff-Parkinson-White, QT longo 
congênito, taquicardia ventricular polimórfica, 
dentre outras. Dentre as causas não cardía-
cas de morte súbita, podemos citar a hemor-
ragia intracraniana, ruptura de aorta, trom-
boembolismo pulmonar, obstrução aguda de 
via aérea superior, overdose, hipocalemia e 
hipomagnesemia. De um modo geral, a cau-
sa mais comum é a doença coronariana, mas 
em indivíduos jovens ( 6,5 mEq/L) e, pela história clínica, cer-
tamente essa hipercalemia era aguda! Daí só 
precisávamos lembrar que a hipercalemia é 
um dos 5 H que justificam a parada cardior-
respiratória na AESP. Resposta: letra C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2015
R3 CLÍNICA MÉDICA DISCURSIVA
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO 
PEDRO ERNESTO – RJ
Jovem de 24 anos, previamente hígido, é le-
vado à unidade de emergência de um hospi-
tal com quadro de dispneia intensa. Segun-
do familiares, enquanto caminhava por uma 
avenida próxima ao hospital, o paciente rela-
tou início súbito de dor torácica do tipo pleu-
rítica à direita e evoluiu ao longo de alguns 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 103Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
minutos para quadro de dispneia progressi-
va e cianose, sendo prontamente trazido ao 
hospital. Ao exame físico inicial, o paciente 
revela-se intensamente dispneico, cianótico 
(3+/4+), hipotenso (80 x 40 mmHg), taquicár-
dico (FC = 134 bpm) e taquipneico (FR = 40 
irpm); observa-se que o hemitórax direito não 
se expande adequadamente, além de haver 
turgência jugular patológica e a traqueia es-
tar desviada para o lado esquerdo. Ofertado 
oxigênio sob máscara de Hudson a 8 litros/
minuto, enquanto erarealizado o exame fí-
sico dirigido, o paciente evolui com perda de 
consciência, ausência de pulsos centrais e 
apneia. Ao cardioscópio, há um ritmo com-
patível com fibrilação atrial com alta resposta 
ventricular. A respeito do caso apresentado, é 
formulada a seguinte questão: Indique como 
deve ser interpretada a evolução do caso en-
quanto se dava o exame físico do paciente. 
GABARITO: Atividade Elétrica Sem Pulso 
(AESP).
 Ao exame físico, o paciente encontra-se 
em parada cardiorrespiratória (ausência de 
pulsos centrais e apneia) e o ritmo cardíaco 
ao monitor é de uma fibrilação atrial. Lembre-
-se de que só existem 4 ritmos de parada – 
Fibrilação Ventricular (FV), Taquicardia Ven-
tricular (TV) sem pulso, assistolia, Atividade 
Elétrica Sem Pulso (AESP) – e qualquer ativi-
dade elétrica ao monitor que não seja FV ou 
TV será caracterizada como AESP. 
A respeito do caso apresentado, é formulada 
a seguinte questão: Considerando o relato de 
todo o caso, determine a causa mais prová-
vel de tal desfecho. GABARITO: pneumotó-
rax hipertensivo.
O paciente apresentava história de dor to-
rácica súbita e, ao exame físico, hipoten-
são, turgência jugular patológica, expansão 
incompleta do hemitórax direito e traqueia 
desviada para a esquerda. Esse quadro é 
compatível com um pneumotórax hiperten-
sivo (muito provavelmente primário por tra-
tar-se de um paciente previamente hígido) 
que causa abolição do murmúrio vesicular 
no lado acometido, desvia o mediastino para 
o lado oposto, ocasionando desvio conco-
mitante da traqueia e, ao induzir uma angu-
lação importante dos vasos centrais, reduz 
retorno venoso com consequente turgência 
jugular e hipotensão. 
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2015
R3 CLÍNICA MÉDICA
HOSPITAL ISRAELITA 
ALBERT EINSTEIN – SP
Homem, 40 anos de idade, dá entrada na 
emergência com quadro de palpitações e 
tonturas. Encontra-se normotenso, com fre-
quência cardíaca = 180 bpm. Eletrocardio-
grama: taquicardia de QRS estreito, intervalo 
RR regular e observa-se intervalo PR > RP e 
Frequência ventricular = 190 bpm. Qual é a 
opção terapêutica indicada dentre as descri-
tas a seguir?
a) Adenosina.
b) Amiodarona.
c) Propafenona.
d) Metoprolol.
e) Digitálico endovenoso.
 Baseado na descrição eletrocardiográfica 
do enunciado da questão, estamos diante de 
uma taquicardia supraventricular, provavel-
mente por reentrada nodal! Como o pacien-
te encontra-se estável, poderíamos iniciar 
seu manejo com uma manobra vagal. Caso 
o paciente mantivesse a arritmia, o primeiro 
passo consiste em administrar adenosina na 
dose de 6 mg IV. Resposta: letra A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2015
R3 MEDICINA INTENSIVA
HOSPITAL ISRAELITA 
ALBERT EINSTEIN – SP
Você é o plantonista e é chamado para ava-
liar uma paciente na enfermaria com quei-
xa de palpitação e forte desconforto respi-
ratório de início há menos de 10 minutos. 
Ao chegar você encontra: J.S.A., 63 anos, 
diabética, hipertensa, cirrótica, internada na 
enfermaria em tratamento de uma peritoni-
te bacteriana espontânea com antibiótico, 
terapia guiada por antibiograma. Faz uso 
de espironolactona 100 mg/dia, propranolol 
80 mg/dia e insulina NPH. Está acordada, 
responsiva aos comandos, com perfusão 
periférica prejudicada e com extremidades 
frias; ausculta respiratória com crepitações 
em ambas as bases. Ausculta cardiovascu-
lar com bulhas arrítmicas; Pulsos periféricos 
arrítmicos. Abdome: ascite, ruídos hidroaé-
reos presentes, sem dor à palpação; Quei-
xa-se de intenso desconforto e palpitações 
“no peito’’. Pressão arterial = 70 x 45 mmHg 
frequência cardíaca = 140 a 145 bpm, SatO2 
= 85%; temperatura axilar = 36ºC e Glice-
mia capilar = 156 mg/dl. Você solicitou na 
sequência: M-monitor, O-oxigênio, V-veia 
periférica e E-eletrocardiograma de 12 deri-
vações. RESULTADOS: Monitor e Eletrocar-
diograma (ECG): mostram o mesmo traçado 
reproduzido a seguir; a saturação de O2 da 
paciente subiu para 95%, porém persiste a 
queixa de desconforto respiratório. A enfer-
magem instalou acesso periférico com jelco 
18, fluindo bem. Traçado do ECG: 
Diante dos dados clínicos e do eletrocardio-
grama, qual deve ser a conduta para o caso?
a) Cardioversão sincronizada.
b) Cardioversão dessincronizada.
c) Administrar lidocaína endovenosa.
http://#scrolldown
ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 104Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
d) Administrar betabloqueador endovenoso.
e) Administrar amiodarona, mantendo com in-
fusão contínua de lidocaína.
 O ritmo da paciente é compatível com uma 
taquicardia supraventricular por reentrada 
nodal, mecanismo mais comum (70%) das 
“taqui supra”, um diagnóstico que deve sem-
pre ser considerado nas taquicardias com 
QRS estreito e intervalo RR regular, inde-
pendente da presença de onda P retrógrada 
(P’). Em casos de instabilidade hemodinâ-
mica (hipotensão, angina, dispneia ou sín-
cope), a melhor conduta é cardioversão elé-
trica sincronizada (25-50 J). Em casos está-
veis, pode-se tentar a manobra vagal, que 
reverte alguns casos, sendo a adenosina IV 
(6-12 mg) a droga de escolha para reversão 
química. Se não reverter, tentar verapamil 
ou diltiazem IV. Como a paciente do caso 
apresenta sinais de instabilidade hemodinâ-
mica (hipotensão e dispneia com estertores 
pulmonares), a melhor conduta é cardiover-
são elétrica sincronizada. Resposta: letra A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2015
R3 MEDICINA INTENSIVA
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA 
DE SÃO PAULO – SP
Homem, 34 anos, sem antecedentes conhe-
cidos, procurou o PS com quadro de síncope 
após esforço físico acompanhado de dor torá-
cica. Nega episódios semelhantes prévios. Ao 
exame físico apresentava PA: 120 x 60 mmHg, 
FC: 88 bpm, com sopro mesossistólico em 
foco aórtico, irradiado para a fúrcula, que se 
intensifica após manobra de Valsalva. Qual a 
provável causa da síncope?
a) Estenose aórtica grave devido ao aumento 
da intensidade do sopro com manobras que 
aumentam o volume sistólico.
b) Estenose aórtica grave devido ao aumento 
da intensidade do sopro com manobras que 
diminuem o retorno venoso.
c) Miocardiopatia hipertrófica devido ao au-
mento do sopro com manobras que aumen-
tam o enchimento ventricular.
d) Estenose aórtica leve, devido ao aumento 
da intensidade do sopro com manobras que 
diminuem o retorno venoso.
e) Miocardiopatia hipertrófica devido ao au-
mento do sopro com manobras que diminuem 
o enchimento ventricular.
 A Cardiomiopatia Hipertrófica (CMH) é 
uma doença primária do miocárdio, caracte-
rizada por hipertrofia ventricular concêntrica 
e função sistólica hiperdinâmica. Ao exame 
físico, é comum o achado de ictus propulsi-
vo, B4 e sopro sistólico. Este sopro classi-
camente aumenta com manobras que redu-
zem a cavidade ventricular, como Valsalva e 
posição ortostática, pois estas geram apro-
ximação do septo interventricular do apare-
lho mitral. A maioria dos portadores de CMH 
é assintomático, porém podem cursar com 
dispneia, angina, síncope e morte súbita. 
Resposta: letra E. 
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2015
R3 MEDICINA INTENSIVA
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA 
DE SÃO PAULO – SP
Homem, 58 anos, etilista, morador de rua, en-
contrado desacordado em via pública e tra-
zido pelo SAMU ao Serviço de Emergência. 
Realizado eletrocardiograma abaixo, qual o 
provável diagnóstico?
a) Infarto agudo do miocárdio com suprades-
nivelamento do segmento ST anterolateral.
b) Hipercalemia.
c) Pericardite.
d) Hipotermia.
e) Infarto agudo do miocárdio com suprades-
nivelamento do segmento ST inferior.
 O que vemos no eletrocardiograma? Po-
demos observar um típico “entalhe” ao fim do 
QRS, que seriam as ondas de Osborn (on-
das J convexas), típicas da hipotermia! A hi-
potermia é caracterizada pela temperatura 
centralse ortostático.
d) Hipertensão arterial supostamente secun-
dária em adulto jovem.
e) Parestesia de membro superior à rotação 
cervical.
 Embora componha um valioso método com-
plementar na abordagem dos quadros de 
síncope, o tilt test não deve ser realizado de 
rotina, estando indicado, sobretudo, nas se-
guintes situações: (1) síncope recorrente; (2) 
episódio sincopal único que promoveu injúria 
física ou em pacientes que se envolvem em 
situações de “alto risco” (ex.: piloto de avião, 
motorista profissional etc.) haja ou não história 
prévia de cardiopatia estrutural ou episódios 
vasovagais. Eventualmente, a necessidade de 
exclusão de outros diagnóstico também pode-
ria motivar a solicitação do exame. Assim, 
melhor resposta: letra C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE 
DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO DA 
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP
Criança, 8 anos de idade, previamente hígida, 
é trazida ao PS, pois há 20 minutos apresentou 
perda súbita da consciência por aproximada-
mente 1 minuto quando da realização de exer-
cício físico. Ao exame físico não se observa 
anormalidades e no momento a criança está 
consciente e orientada. Relata que sofreu epi-
sódio semelhante há 2 meses quando jogava 
futebol. O diagnóstico e a conduta são:
a) Síncope por causas cardíacas; realização 
de eletrocardiograma e ecocardiograma.
b) Síncope vasovagal; “Tilt-Test” e expansão 
volumétrica com baixas doses de corticoides.
c) Síncope por causas neurológicas; realiza-
ção de eletroencefalograma + administração 
de anticonvulsivantes.
d) Síncope por intoxicação exógena; solicitar 
“screening” toxicológico e realização de lava-
gem gástrica.
 No caso em questão há uma nítida correlação 
temporal entre a prática de exercícios físicos e 
os episódios de síncope. Não há relato de uso 
de medicamentos, tampouco, não há nada que 
sugira intoxicação exógena (ex.: ausência de si-
nais prévios e posteriores à síncope compatíveis 
com o efeito de alguma droga). Na convulsão, 
também esperamos manifestações pré (ex.: 
aura) e pós-sincopais (ex.: paralisias pós-ictais). 
Além disso, é comum que os circunstantes 
relatem uma evidente atividade motora con-
vulsiva durante o período de inconsciência. A 
síncope vasovagal é um fenômeno de disfunção 
autonômica em que ocorre súbita descarga 
vagal sobre o coração e vasos de resistência 
periférica (síncope neurocardiogênica). Assim, 
a perda da consciência é causada pelo baixo 
fluxo sanguíneo cerebral secundário a uma sú-
bita vasodilatação (componente vasodepressor) 
e/ou a uma queda transitória na performance 
cardíaca (componente cardiodepressor). O fato 
é que além desta forma de síncope geralmente 
não ser desencadeada por exercícios físicos, 
com frequên cia, ela é acompanhada de sinto-
mas pré-sincopais, descritos em conjunto sob o 
termo lipotímia (ou pré-síncope) – ex.: fraqueza, 
sensação de cabeça vazia, escurecimento vi-
sual e náusea. Nosso pequeno paciente apre-
senta episódios de síncope sem sintomas de 
aviso (sem pródromos), o que é muito sugestivo 
de uma causa primariamente cardiogênica! 
O provável nexo causal com a prática de ati-
vidades físicas também reforça esta hipótese 
diagnóstica (outro dado significativo seria a 
ocorrência dos episódios com o paciente em 
posição supina)! Possíveis condições associa-
das incluem a obstrução do trato de saída do 
ventrículo esquerdo e diversas anomalias na 
condução cardíaca, como a síndrome de Wolff-
-Parkinson-White e a síndrome do QT longo. Um 
eletrocardiograma sempre deve ser solicitado 
em todo paciente com síncope (independente 
da suspeita diagnóstica), e o ecocardiograma 
é obrigatório nos casos suspeitos para síncope 
de origem cardíaca. Resposta: A
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011
HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA 
FACULDADE DE MEDICINA
DA USP – RP 
Homem, 45 anos de idade, previamente sau-
dável e assintomático, apresentou episódio 
sincopal durante a micção logo após acordar. 
Não houve liberação esfincteriana. Recuperou-
-se prontamente ao cair no chão. A conduta é:
a) ECG.
b) ECG e teste de inclinação passiva (Tilt-test).
c) ECG e eletrocardiografia dinâmica (Holter) 
de 24 horas.
d) ECG e teste ergométrico.
 O paciente da questão apresenta uma pro-
vável síncope situacional, considerada por 
alguns autores uma variação da síncope vaso-
vagal. Nesse caso, o ECG, por ser um exame 
rápido, não invasivo e de baixo custo está in-
dicado para todos os pacientes que sofreram 
síncope. O tilt test está indicado para pacientes 
com síncopes recorrentes, naqueles com alto 
risco sem doença estrutural cardíaca em que 
outras causas de síncope foram descartadas e 
nos pacientes cuja causa de síncope já foi de-
terminada e pode ser influenciada por reflexo 
vagal. Deve ser também realizado em pacien-
tes com história ocupacional de risco. Perce-
bam que o paciente da questão não apresenta 
nenhum desses critérios. O HOLTER deve 
ser solicitado, principalmente, naqueles com 
alteração eletrocardiográfica e com histórias 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 19Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
de arritmias e múltiplas síncopes. O teste de 
esforço está indicado nos episódios de sínco-
pe associados a exercício físico, dor precordial 
ou a presença de importantes fatores de risco 
cardiovasculares. Sendo assim, a resposta 
mais adequada é fazer apenas ECG – letra A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE CIÊNCIAS 
DA SAÚDE DE PORTO ALEGRE – RS
Homem de 72 anos foi levado à emergência 
por familiares após episódio de síncope ao 
subir as escadas de casa. À admissão, quei-
xava-se apenas de dor no hematoma, surgi-
do na região malar direita. Referiu fazer uso 
de atenolol (50 mg, 1 vez/dia) e enalapril (10 
mg, 2 vezes/dia) para hipertensão arterial sis-
têmica, porém sem acompanhamento médi-
co há 5 anos. Realizou prostatectomia radical 
por hiperplasia benigna de próstata aos 60 
anos. Foi tabagista por 20 anos (parou com 
50 anos). Os sinais vitais mostraram pressão 
arterial de 150/90 mmHg, frequência cardíaca 
de 68 bpm, frequência respiratória de 16 mpm 
e temperatura axilar 36,8°C. Ao exame físico, 
foram observados hematoma malar à direita e 
escoriações; ao exame neurológico, não havia 
alterações; à ausculta cardíaca, foi verificado 
sopro sistólico em foco aórtico com irradiação 
para fúrcula esternal (4+/6+). O eletrocardio-
grama demonstrou ritmo sinusal, sobrecarga 
atrial esquerda, sobrecarga ventricular es-
querda e alterações mistas da repolarização 
ventricular. Qual a provável etiologia da sínco-
pe e qual o tratamento adequado?
a) Estenose aórtica – troca valvar.
b) Hematoma subdural – drenagem cirúrgica 
do hematoma.
c) Neoplasia de pulmão com metástases ce-
rebrais – radioterapia e quimioterapia.
d) Hipotensão postural – suspensão dos me-
dicamentos anti-hipertensivos.
e) Estenose de carótidas bilateralmente – en-
darterectomia em dois tempos.
 Quando um episódio de síncope apresenta 
nítida relação com esforço físico, é manda-
tório afastar, inicialmente, três importantes 
etiologias, as quais poderiam levar o pacien-
te ao óbito: (1) taquicardia ventricular, em 
geral relacionada à doença isquêmica mio-
cárdica; (2) estenose aórtica, mais comum 
em idosos; e (3) cardiomiopatia hipertrófica 
obstrutiva, mais comum em jovens. Indiví-
duos jovens sem doença estrutural cardíaca 
também podem apresentar síncope esforço
-induzida, eventualmente, e nestes casos o 
mecanismo é a síncope neurocardiogênica. 
Pois bem, no caso em questão, onde temos 
um idoso previamente hipertenso e tabagis-
ta, nos preocuparemos com as duas primei-
ras hipóteses acima citadas – TV e EA! Ao 
exame físico encontramos uma importante 
pista que corrobora o diagnóstico da segun-
da hipótese: sopro sistólico em foco aórtico, 
intenso (4+/6+ indica existência de frêmito 
sistólico), com a típica irradiação para a fúr-
cula esternal. Outras manobras semiológicas 
também seriam úteis nessa situação, como 
a análise pormenorizada de um pulso cen-
tral (tardo e parvo) e o handgrip (redução na 
intensidadeResposta: letra D.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2015
R3 CLÍNICA MÉDICA
UNIVERSIDADE ESTADUAL 
PAULISTA – SP
Homem de 80 anos teve AVC isquêmico e, 
em sua investigação etiológica, foi detecta-
da fibrilação atrial paroxística. No momen-
to, apresenta-se estável e em ritmo sinusal. 
Deve-se: 
a) Antiagregar de maneira perene.
b) Aguardar novo evento de fibrilação atrial 
para indicar anticoagulação.
c) Anticoagular de maneira perene.
d) Solicitar Holter e, se episódios de fibrilação 
atrial, indicar anticoagulação.
 Definimos a fibrilação atrial como paroxís-
tica quando esta tem duração menor que 7 
dias. Apesar do caráter espontâneo da re-
versão, os pacientes que desenvolvem esta 
categoria de arritmia têm elevada chance de 
recorrência, e por isso encontram-se sob o 
mesmo risco de eventos embólicos que os 
portadores de FA permanente. Pelo risco au-
mentado de eventos tromboembólicos, no-
tadamente o AVE isquêmico, a anticoagula-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 105Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
ção deve ser instituída virtualmente em todos 
os pacientes com fibrilação atrial, exceto na 
FA isolada. Nos pacientes de alto risco para 
eventos embólicos, devemos manter a anti-
coagulação indefinidamente. Uma das for-
mas de calcularmos este risco é através da 
aplicação de escores. O CHA2DS2-VASC 
é amplamente utilizado com esta finalidade. 
Nosso paciente (idade + AVE isquêmico pré-
vio) possui 4 pontos e é considerado de alto 
risco para novos eventos cardioembólicos, e 
deve, portanto, ser anticoagulado de forma 
perene. Resposta: letra C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2014
R3 CLÍNICA MÉDICA 
DISCURSIVA UNIVERSIDADE 
FEDERAL DE SÃO PAULO – SP
Mulher de 22 anos de idade chegou no pron-
to-socorro com palpitações que começaram 
há 10 minutos. Ao exame físico: PA: 100 x 
60 mmHg, FC: 150 bpm, SatO2: 97% em ar 
ambiente; feito ECG (abaixo). 
dal. Após a alta, devido ao caráter paroxístico 
e recorrente da arritmia, a paciente deve ser 
orientada a prosseguir a investigação com 
encaminhamento para estudo eletrofisiológi-
co, com possível ablação.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2014 
R3 CLÍNICA MÉDICA
FACULDADE DE CIÊNCIAS 
MÉDICAS DA UNICAMP – SP
Homem, 78 anos, com antecedente de hi-
pertensão arterial, queixa-se de “batedei-
ra” no peito com início há três dias. Refere 
episódios anteriores semelhantes, de me-
nor duração. Nega dor torácica ou dispneia. 
Ao exame: bom estado geral, consciente 
e orientado. FR = 14 irpm, PA = 162 x 102 
mmHg, SatO2 = 98% em ar ambiente. Eco-
cardiografia: Átrio Esquerdo = 54 mm (20-
40 mm), Diâmetro Diastólico Final de VE = 
46 mm (35-54 mm), Fração de ejeção (Tei-
cholz) = 41% (> 58%), Espessura diastólica 
do Septo = 13 mm (7-10). ECG: 
Cite a medida inicial para reverter este qua-
dro clinico. 
 Mulher jovem, sem morbidades citadas, 
com taquicardia... Essa história já é bastante 
sugestiva! Ao analisarmos o traçado, iden-
tificamos que a taquicardia é de complexo 
QRS estreito, intervalo RR regular e não se 
observa onda P, nem onda F de flutter – fica-
mos então com o diagnóstico de taquicardia 
supraventricular. É claro que por bater a 150 
bpm exatamente (de forma matemática!), a 
suspeita de flutter ainda não está completa-
mente descartada. Quem nos definirá então 
esse diagnóstico, e que ao mesmo tempo 
pode ser capaz de abortar esta arritmia, é a 
manobra	vagal.
Qual seria a conduta neste momento? 
Não havendo a interrupção da arritmia com 
a manobra vagal, e considerando que a pa-
ciente esteja hemodinamicamente estável, o 
próximo passo seria a administração de ade-
nosina 6 m IV, em bolus. Curiosamente, o ga-
barito oficial contemplou apenas a Cardiover-
são Elétrica (CVE).
Qual a conduta mais importante no segui-
mento desta paciente após a alta do setor 
de emergência? 
O aspecto desta taqui supra, com a presença 
de pseudo-s em DII, DIII e aVF e pseudo-r’ 
em V1, caracteriza a forma por reentrada no-
O que deve ser feito?
a) Cardioversão elétrica e varfarina durante 
4 semanas.
b) Propafenona via oral e AAS durante 4 
semanas.
c) Metoprolol via oral e varfarina continua-
mente.
d) Nifedipino via oral, varfarina e AAS con-
tinuamente.
 No traçado apresentado, temos nitida-
mente uma taquiarritmia com complexo QRS 
estreito, ausência de onda P e intervalo RR 
irregular que caracterizam a fibrilação atrial. 
Clinicamente, é um paciente idoso (78 anos) 
e hipertenso, com disfunção sistólica e au-
mento do átrio esquerdo e vários episódios 
prévios. Ou seja, é muito pouco provável que 
esta arritmia seja revertida – a melhor con-
duta é o controle da frequência arterial (be-
tabloqueadores e antagonistas do cálcio não 
di-hidropiridínicos). Como ele já apresenta 
três pontos na estratificação de risco trom-
boembólico (idade, hipertensão, insuficiência 
cardíaca), fica indicada também a anticoagu-
lação crônica. Resposta: letra C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013
R3 – CLÍNICA MÉDICA
UNIVERSIDADE ESTADUAL 
DE CAMPINAS – UNICAMP
Homem, 29 anos, queixa-se de palpitação e 
mal-estar generalizado há 3 dias. Refere epi-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 106Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
sódios semelhantes anteriores com duração 
mais curta e melhora espontânea. Pressão 
arterial: 110 x 60 mmHg, frequência cardíaca: 
150 bpm, saturação de O2: 93%, estase de 
jugulares: +/4, edema de membros inferiores: 
++/4. Ausculta cardíaca demonstra sopro sis-
tólico em foco mitral ++/6. Pulmões limpos. 
Realizou o ECG abaixo. 
c) Deve-se iniciar dose diária de 100 mg de 
ácido acetilsalicílico.
d) Deve-se associar ácido acetilsalicílico à 
anticoagulação com INR entre 1,5 e 2,0.
e) Deve-se iniciar anticoagulação plena com 
INR entre 2 e 3.
 Temos aqui uma paciente com FA per-
sistente, o que automaticamente já a coloca 
numa situação de maior risco para eventos 
tromboembólicos (arritmia > 48h). Além dis-
so, ela tem mais de 75 anos, é hipertensa 
e diabética – 3 outros fatores de risco im-
portantes. Não há dúvidas mesmo de que o 
risco dela é elevado e de que esta pacien-
te precisa de anticoagulação crônica. Nes-
se caso, a droga classicamente utilizada é a 
varfarina, buscando a faixa de INR entre 2 e 
3. Resposta: letra E.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013
R3 – CLÍNICA MÉDICA
ALIANÇA SAÚDE – PR 
Homem, 48 anos, procura Centro Municipal 
de Urgências e Emergências Médicas por 
sintoma de “batedeira no peito’’. Refere que 
a taquicardia havia iniciado há 3 horas e evo-
luído com dispneia ao repouso. O paciente 
negava dor torácica, síncope, deficit neuro-
lógicos focais e não usava medicação. Seus 
dados vitais na chegada eram: PA: 60 x 20 
mmHg, FC: 210 bpm, FR: 26 irpm, SpO2: 
89% (ar ambiente), Tax.: 36,2ºC, Glicemia 
capilar: 74 mg/dl. Auscultavam-se crepitantes 
em ambas as bases pulmonares. Seu eletro-
cardiograma de 12 derivações documentou 
a presença de uma taquicardia supraventri-
cular. Dado esse quadro de taquicardia su-
praventricular, pergunta-se: qual a conduta 
CORRETA a ser instituída?
a) Adenosina 6 mg endovenosa.
b) Amiodarona 300 mg endovenosa.
c) Cardioversão elétrica.
d) Massagem do seio carotídeo.
e) Atropina 0,5 mg endovenosa.
 Observem mais uma vez aquela já tradi-
cional questão do acesso direto, quando se 
coloca um paciente com um distúrbio arrítmi-
co associado à instabilidade hemodinâmica 
(hipotensão e congestão pulmonar). Não im-
porta se uma taquicardia é supraventricular 
ou ventricular – o que nos preocupa nesse 
momento é o pronto abortamento da arritmia, 
evitando o desenvolvimento de formas mais 
complexas que ameacem a vida do paciente. 
Resposta: letra C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2013
R3 – CLÍNICA MÉDICA
HOSPITAL ANGELINA CARON – PR
Em pacientes com fibrilação atrial, quais si-
tuações abaixo tem indicação formal para o 
uso de cumarínicos:
a) Insuficiência renal crônica e Angina pectoris.
b) Miocardiopatia hipertrófica e idade entre 
50 e 63 anos de idade.
c) Insuficiência cardíaca diastólica.
A conduta inicial mais apropriada é:
a) Cardioversão elétrica com 100 joules.
b) Angiografia coronariana de urgência.
c) Ecocardiograma transesofágico.do sopro). O ECG revela sinais 
de hipertrofia do ventrículo esquerdo (sobre-
carga de VE e, por conseguinte, sobrecarga 
de AE), o que é condizente com o quadro 
de estenose aórtica. Lembre-se de que o 
mecanismo da síncope de esforço-induzida 
nestes casos é o seguinte: vasodilatação na 
musculatura esquelética (redução da resis-
tência vascular periférica) não acompanha-
da por aumento do débito cardíaco (que se 
encontra “fixo” pela obstrução no trato de 
saída do VE). Tal desequilíbrio leva a uma 
súbita queda da pressão arterial, que reduz 
a perfusão do cérebro. Todo portador de EA 
SINTOMÁTICO tem indicação de troca val-
var cirúrgica. Resposta: A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
SECRETARIA DE ESTADO
DE SAÚDE – SES – RJ
Durante partida de futebol de várzea, um jo-
vem de 22 anos subitamente caiu em campo 
e, mesmo atendido de imediato, veio a fale-
cer. Seus familiares sabiam que ele sofria de 
cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, diag-
nosticada por estudo ecocardiográfico, mas 
ele desdenhava o problema por nada sentir. 
A suspeita surgira meses antes, quando um 
primo cardiologista o auscultara e identificara 
um sopro com as seguintes características:
a) Diastólico, musical, em forma de diamante 
e que ocorre logo após a primeira bulha.
b) Sistólico, rude, em forma de diamante e 
que ocorre logo após a primeira bulha.
c) Sistólico, musical, “em decrescendo” e que 
se irradia para o pescoço.
d) Diastólico, rude, “em decrescendo” e que 
se irradia para o pescoço.
 A Cardiomiopatia Hipertrófica Obstrutiva 
(CMHO) é a causa mais comum de morte 
súbita em atletas jovens, sendo uma doen-
ça caracterizada por hipertrofia – genetica-
mente determinada – do miocárdio ventri-
cular esquerdo; hipertrofia essa, em geral, 
assimétrica, de predomínio no septo inter-
ventricular. Tal alteração promove uma obs-
trução dinâmica na região subaórtica (isto 
é, obstrução variável do trato de saída do 
VE em função da fase do ciclo cardíaco, 
sempre pior durante a sístole), resultando 
na formação de um gradiente pressórico 
intraventricular. Este gradiente promove 
tanto um aumento retrógrado da pressão, 
gerando hipertensão venocapilar pulmonar 
e congestão (ex.: dispneia de esforço-indu-
zida), quanto uma queda de pressão no ter-
ritório arterial anterógrado, manifestando-
se com sinais e sintomas de baixo débito 
(ex.: síncope de esforço-induzida). Devido 
ao grande aumento da massa miocárdica, 
acompanhado, conforme se demonstra na 
histologia, de uma profunda desorganiza-
ção das fibras musculares, o coração do 
portador de CMHO tem chance aumentada 
de desenvolver taquiarritmias ventriculares 
por reentrada, não raro com fibrilação ven-
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 20Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
tricular e morte súbita cardíaca durante ati-
vidades esportivas. Assim, é importantíssi-
mo saber reconhecer o sinal clínico clássi-
co indicativo desta condição – no mais das 
vezes silenciosa – de modo a se poder ten-
tar evitar o trágico e temido desfecho com 
o tratamento apropriado. No caso em tela, 
infelizmente, não bastou o reconhecimen-
to prévio da doença pelo médico: como o 
paciente típico é um adolescente ou adulto 
jovem, existe sim um risco real de não ade-
são terapêutica, motivado pela rebeldia e 
inconsequência juvenil. Pois bem: o achado 
clássico, patognomônico ao exame físico, é 
um sopro mesossistólico (não “encosta” em 
B1 nem em B2 – ocorre logo após a primei-
ra bulha e termina logo antes da segunda 
bulha), RUDE, descrito como “romboide” ou 
em “forma de diamante” (porque aumenta e 
diminui de intensidade entre B1 e B2. Este 
sopro é melhor audível no foco mitral e na 
borda esternal esquerda baixa, pode se ir-
radiar para a axila, mas, geralmente, não 
para a carótida, e se acompanha de au-
mento do ictus cordis, que pode ser “duplo” 
ou mesmo “triplo”. Vale lembrar que, devido 
à HVE e disfunção diastólica associadas, é 
comum ausculta de uma B4 (ritmo cardíaco 
em três tempos). Resposta: B.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
PEDRO ERNESTO – RJ
Jovem de 28 anos procura setor de emergên-
cia por quadro de palpitações iniciadas duas 
horas antes. Relata passado de dispneia a 
esforços de seis meses de evolução, além de 
um episódio de lipotímia após jogo de futebol 
entre amigos. Seu exame físico mostra ritmo 
cardíaco irregular, com frequência cardíaca de 
145 bpm, ictus propulsivo e sopro sistólico em 
foco aórtico aumentado com a manobra de 
Valsalva. O eletrocardiograma evidencia fibri-
lação atrial. A droga que não poderá ser utili-
zada para o tratamento da situação acima é:
a) Digoxina. c) Propranolol.
b) Diltiazem. d) Disopiramida.
 Vejam mais uma vez... O relato clínico tí-
pico faz saltar aos nossos olhos uma im-
portante possibilidade diagnóstica: este pa-
ciente deve ser portador de cardiomiopatia 
hipertrófica! Sabemos que essa doença é 
uma importante causa de morte súbita em 
jovens, particularmente naqueles que se en-
gajam em atividades esportivas. Conceito 
fundamental: um achado clássico ao exame 
físico que corrobora este diagnóstico é a exa-
cerbação de um sopro mesossistólico pela 
manobra de Valsalva. Lembre-se que quase 
todos os sopros diminuem de intensidade du-
rante essa manobra, sendo uma exceção no-
tável o sopro da cardiomiopatia hipertrófica 
obstrutiva! Qual é a explicação? Na manobra 
de Valsalva a pressão intratorácica aumenta, 
o que reduz o retorno venoso e o enchimen-
to cardíaco (tanto do coração direito quanto 
do esquerdo). Em outras palavras, podemos 
dizer que durante o Valsalva o ventrículo es-
querdo do paciente reduz seu tamanho! Ora, 
se ele for portador de cardiomiopatia hipertró-
fica, o que acontece é uma exacerbação da 
redução no tamanho da cavidade ventricular 
naturalmente imposta pela doença. Desse 
modo, o fenômeno “obstrutivo” e o sopro que 
ele produz, AUMENTAM durante a manobra! 
Bem, compreender esses fatos era apenas 
uma parte do problema. Neste exato momen-
to o nosso paciente está em franca fibrilação 
atrial aguda, com alta resposta ventricular e 
sintomas correlatos. Como veremos adiante, 
se não há INSTABILIDADE, não é necessário 
reverter a arritmia imediatamente! Por outro 
lado, como temos um “delta-T” curto (2h), po-
demos tentar a reversão química sem anti-
coagular o paciente. O primeiro passo no tra-
tamento da FA de alta resposta é controlar a 
frequência cardíaca! As três primeiras drogas 
são inibidoras do nódulo AV, e podem redu-
zir a resposta ventricular. Todavia, num pa-
ciente com grave disfunção diastólica (como 
o nosso paciente), está CONTRAINDICADO 
utilizar digoxina! Esta última é a droga de es-
colha para controlar a frequência no paciente 
com FA + insuficiência cardíaca sistólica, pois 
o problema nesses casos é o deficit contrátil 
ventricular, e não o relaxamento da parede. 
Na IC diastólica o problema é justamente o 
relaxamento, e o uso de digoxina (um car-
diotônico) pode até agravar este problema. 
A disopiramida é um antiarrítmico da classe 
IA que também pode ser usado para tentar 
reverter a FA. Logo, inquestionavelmente, a 
resposta aqui é a letra A.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010
UNIVERSIDADE FEDERAL 
DO PARANÁ – UFPR 
Em relação à síncope, é CORRETO afirmar:
a) Em pacientes jovens é comum encontrar 
como causa a síndrome do seio carotídeo.
b) A epilepsia contribui em 20% das causas 
de síncope.
c) Torsades de pointes é uma das causas de 
síncope em pacientes com abuso alcoólico e 
desnutridos.
d) A síncope neuromediada é diagnosticada 
após exames como EEG e ressonância mag-
nética cerebral.
e) Hipoglicemia é a causa mais comum de 
síncope.
 Como acabamos de ver, a hipersensibilida-
de do seio carotídeo é mais comum em pa-
cientes com mais de 50 anos (opção A erra-
da). Por outro lado, epilepsia e hipoglicemia, 
na verdade, são diagnósticos diferenciais a 
serem considerados nos quadros sincopais, 
em que a síncope neuromediada é a princi-
pal causa – 25-65% dos casos (opções B e 
E erradas). Contudo, este diagnóstico se faz 
mais por dados clínicosque por exames como 
EEG ou RM e podem ser eventualmente cor-
roborados pelo tilt test (opção D errada). Com 
relação a torsades de pointes, veremos que 
se trata de uma taquiarritmia ventricular asso-
ciada a intervalo QT longo que pode ser uma 
condição congênita ou adquirida. No caso de 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 21Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
adquirida, poderíamos citar alguns distúrbios 
eletrolíticos, como a hipocalemia, a hipocal-
cemia e a hipomagnesemia, que podem estar 
presentes em pacientes desnutridos e com 
história de abuso de álcool. 
Resposta: C.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2010
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE 
CATÓLICA – PUC – PR
L.W., 30 anos, sexo feminino, apresenta his-
tória de crises recorrentes de perda do estado 
de consciência e atonia postural precedidas 
por náuseas, zumbido bilateral e diminuição 
da acuidade visual. As crises ocorriam no pe-
ríodo diurno durante a sua jornada de traba-
lho como balconista em uma loja de roupas, 
onde permanecia a maior parte do tempo em 
pé. Há cinco dias ocorreu o último episódio, 
quando acordou para ir ao banheiro. Seu es-
poso conta que a viu sentada com o corpo en-
rijecido, seguido de abalos musculares com a 
duração de 15 segundos. Houve recuperação 
espontânea da orientação e da consciência 
de forma simultânea. Com esses dados, qual 
a sua principal hipótese diagnóstica?
a) Síncope neurocardiogênica. 
b) Epilepsia. 
c) Síncope cardiogênica.
d) Cataplexia.
e) Síncope cerebrovascular.
 Percebam que o caso é de uma mulher 
jovem, sem comorbidades ou alterações neu-
rológicas (o que nos faz descartar inicialmente 
as opções C e E) que apresentava crises sem-
pre que em ortostase, no ambiente de trabalho 
(situacional), com sintomas prodrômicos como 
“escurecimento da vista”. Isso nos lembra mui-
to a síncope neuromediada. Onde eles vão 
tentar nos confundir? Com a epilepsia! Nota-
ram que o autor coloca abalos musculares?! 
Mas são abalos não sustentados, de pequena 
duração e mais importante ainda: com recu-
peração rápida da consciência. Isso não pode 
ser epilepsia... A hipótese mais provável fica 
então sendo a opção A. Só por curiosidade, 
a cataplexia representa a atonia muscular sú-
bita com consciência preservada, seguida de 
queda, que pode estar presente nos quadros 
de narcolepsia (distúrbio do sono).
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 22Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
arritmiaS
22
O quadro clínico começa com uma palpitação, queixa sensitiva 
definida como um batimento cardíaco intenso e desagradável 
ao paciente e que representa 16% das consultas médicas. Nesse 
momento, devemos pensar, obrigatoriamente, em uma arritmia. 
Ok, mas e a partir daí? Bom, sabemos que, por trás de uma arritmia, muitas 
vezes se escondem doenças gravíssimas, a exemplo da coronariopatia e 
de síndromes genéticas que predispõem à morte súbita. Outras vezes, 
representam nada mais que o efeito adverso de uma droga (facilmente 
reversível com a suspensão da mesma), um estado hipercinético (como a 
febre ou a anemia) ou simplesmente um distúrbio psicogênico. Percebam 
então que nosso grande papel neste momento é distinguir as causas 
reversíveis e menos graves daquelas realmente importantes do ponto 
de vista hemodinâmico. 
Não bastasse isso, falar de arritmias cardíacas é falar também de ECG. E 
sabemos que muitos alunos ainda se “arrepiam” com o tema. No entanto, 
mesmo sem ser um “expert” em ECG, você pode acertar a maior parte das 
questões com um treinamento direcionado para buscar o que realmente 
importa num traçado. É isso o que faremos agora, relacionando as arritmias 
mais clássicas dos concursos de Residência Médica. Utilizaremos aqui a 
divisão tradicional de acordo com a frequência (taqui ou bradiarritmias) 
e sítio de origem (supraventriculares e ventriculares). 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 23Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Taquiarritmias Supraventriculares
1) FIBRILAçãO ATRIAL
TAqUIARRITMIAS
 	Como é o ecg da Fibrilação Atrial?
 RR irregular, ausência de onda P ou qualquer 
atividade atrial rítmica. Qualquer FC, mas 
geralmente entre 110-180 bpm.
	Algumas informações fundamentais:
 *Epidemiologia: arritmia sustentada mais 
comum, acometendo 1-2% da população 
adulta (3-9% dos idosos > 65 anos).
 *Fatores de risco: Principais – idade avan-
çada; hipertensão; doença isquêmica do 
miocárdio e doença orovalvar mitral (mais 
comumente estenose e de etiologia reumá-
tica). Outros – hipertireoidismo, cardiopatia 
dilatada de qualquer etiologia (incluindo pós-
-IAM); cardiomiopatia hipertrófica; diabetes, 
obesidade, apneia do sono; miocardite, pe-
ricardite, pós-operatório de cirurgia cardioto-
rácica; TEP, DPOC descompensado; libação 
alcoólica (Holiday syndrome); tabagismo.
 Obs.: um termo menos empregado atualmente, 
mas que ainda pode ser encontrado é “Lone 
fibrillation (FA isolada)”, que responde por 10-
20% dos casos e representa a FA na ausência 
de doença estrutural cardíaca ou hipertensão.
 	Quais são os Tipos Clínicos de Fibrilação 
Atrial?
	 FA	paroxística: cessa espontaneamente ou 
com intervenção em até 7 dias. 
	 FA	persistente: dura mais de 7 dias.
  FA	persistente	de	 longa	duração: dura 
mais de 1 ano.
  FA	permanente: decisão conjunta médico-
paciente de não realizar tentativas de 
restaurar e/ou manter ritmo sinusal. 
 	Outros termos utilizados...
	 FA, primeiro episódio: todo paciente com FA 
pela 1ª vez, independentemente da duração 
ou da presença de sintomas. Alguns autores 
consideram também o termo FA recorrente 
quando ocorrem dois ou mais episódios 
(maioria dos pacientes). 
	  FA de baixa resposta: FCcom FA 48h, com instabilidade hemodinâ-
mica = administrar heparina junto com 
cardioversão. Se instabilidade e FA 180 bpm (até mais de 200 bpm), assim 
como há aqueles com FCuma desordem degenera-
tiva do nódulo sinusal e do miocárdio atrial, 
observada em alguns idosos com mais de 
65 anos. Estes pacientes manifestam episó-
dios agudos (paroxísticos) de fibrilação atrial, 
seguidos por paradas sinusais prolongadas, 
frequentemente relacionadas a episódios sin-
copais. É o que chamamos de “síndrome bra-
dicardia-taquicardia”. Veremos esta condição 
mais adiante, no capítulo de Bradiarritmias. 
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 26Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
Observe o Quadro 1, abaixo, com os princi-
pais fatores relacionados à fibrilação atrial.
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2011 
INSTITUTO JOSÉ FROTA – IJF – CE
Na emergência, comparece uma mulher de 25 
anos, ciclista, com queixa de desconforto to-
rácico e coração acelerado. Ela é portadora 
de vitiligo e não usa drogas lícitas ou ilícitas. 
No ECG há ritmo irregular e não é visualizada 
onda P. Qual o diagnóstico mais provável 
como causa de base da arritmia?
a) Apneia do Sono Obstrutiva.
b) Hipertireoidismo.
c) Hipertrigliceridemia familiar.
d) Infarto Agudo do Miocárdio.
 Vamos lá! Mulher jovem, 25 anos, com 
queixa de palpitação e com um ECG sem evi-
dência de onda P e ritmo irregular. Que arrit-
mia é essa? FIBRILAÇÃO ATRIAL. Agora, por 
que uma mulher jovem apresenta um quadro 
de FA? O autor da questão já excluiu para a 
gente uma das principais causas: uso de dro-
gas ilícitas e ainda nos dá uma pista: ela é 
portadora de vitiligo, uma doença autoimune; 
geralmente associada a uma série de outras 
doenças. Bom, concluindo o raciocínio: mulher 
jovem com FA; sem uso de drogas ilícitas; 
portadora de doença autoimune = HIPERTI-
REOIDISMO, POR PROVÁVEL DOENÇA DE 
GRAVES. Portanto, melhor resposta, item B.
Elevação	da	pressão	atrial:
•	Valvulopatia tricúspide ou mitral;
•	Doença miocárdica (primária ou secundária);
•	Anormalidades da valva semilunar;
•	Hipertensão pulmonar ou sistêmica.
Isquemia	atrial
Doença	atrial	inflamatória	ou	infiltrativa:
•	Pericardite;
•	Amiloidose;
•	Miocardite;
•	Neoplasia primária ou metastática; 
•	Alterações fibróticas induzidas pela idade.
Drogas:
•	Álcool, cafeína;
•	Tabagismo.
Distúrbios	endócrinos:
•	Hipertireoidismo;
•	Feocromocitoma.
Pós-operatório	de	cirurgias	cardiotorácicas
Cardiopatia	congênita
Familiar
Idiopática	(Isolada)
Alterações	eletrofisiológicas	e	autonômicas
Principais Causas de 
Fibrilação Atrial
quadro 1
quadro Clínico
A FA pode ser simplesmente um achado as-
sintomático no ECG, o que ocorre em 25% 
dos casos, principalmente em idosos e pa-
cientes com FA persistentes. Pode, no en-
tanto, estar associada a quadros graves, em 
que se observa que quanto	maior	a	respos-
ta	ventricular	(frequência	cardíaca),	maior	
a	sintomatologia.	As queixas mais comuns 
são palpitações, fadiga, dispneia, intolerância 
aos esforços e lipotímia. Poliúria pode ocorrer 
por liberação do peptídeo natriurético atrial.
Os sintomas são particularmente mais im-
portantes quando a FC está acima de 150 
bpm e/ou na presença das seguintes condi-
ções: estenose mitral, estenose aórtica, 
doença do nódulo sinusal, insuficiência car-
díaca diastólica (ex.: miocardiopatia hiper-
trófica), coronariopatia, fração de ejeção 
muito baixa. Nestes pacientes, a FA pode 
se manifestar com edema agudo de pulmão, 
pré-síncope ou síncope. A combinação sín-
drome de Wolff-Parkinson-White + FA é 
perigosa: além de síncope, existe risco de 
morte súbita nestes pacientes (ver adiante). 
Ao exame físico, encontramos um pulso irre-
gularmente irregular, em consonância com o 
achado eletrocardiográfico. Um deficit de pul-
so também pode ser notado, isto é, a auscul-
ta de batimentos sem palpação do pulso pe-
riférico. Isso ocorre porque a taquicardia não 
permite o enchimento adequado do coração, 
resultando num baixo débito sistólico. Variação 
da fonese de B1 também pode ser encontrada, 
bem como um dado clássico para as provas: 
a ausência de B4, que depende da contração 
atrial. Pelo mesmo motivo, nota-se a ausência 
da onda “A” no pulso venoso jugular.
A fibrilação atrial também pode se apre-
sentar com a sua principal complicação: 
o fenômeno	 tromboembólico! Nesta ar-
ritmia, os átrios perdem a sua contração 
(estase atrial), predispondo à formação de 
trombo, geralmente localizado no apêndice 
atrial esquerdo (visualizado apenas no eco-
cardiograma transesofágico). O fenômeno 
tromboembólico é quase sempre um AVE	
isquêmico, que pode ou não ser precedi-
do por episódios de AIT (Ataque Isquêmico 
Transitório). A	fibrilação	atrial	é	a	causa	
mais	comum	de	AVE	isquêmico	cardioem-
bólico!!! O risco de AVE isquêmico pode 
chegar a 3-6%	ao	ano!!
CONCEITO
As principais consequências da FA se dão sobre 
a hemodinâmica (aumento da FC e perda da 
contração atrial) e tromboembolismo (estase).
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2012 
SECRETARIA MUNICIPAL DE
SAÚDE DE CAXIAS – MA
Qual dos achados abaixo não sugere Fibrila-
ção Atrial?
a) Hiperfonese da quarta bulha.
b) Pulso radial irregular.
c) Pulso venoso variável.
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ClíniCa MédiCa - VoluMe 28 27Medgrupo - CiClo 2: M.e.d
d) Variação na intensidade da primeira bulha 
cardíaca.
e) Nenhuma das alternativas anteriores.
 Questão clássica!!! Se na fibrilação atrial 
os átrios não se contraem com eficácia, como 
pode haver 4ª bulha, um som que representa 
a contração atrial contra um ventrículo duro? 
Não dá. Resposta: A.
Tratamento
Ao avaliarmos um paciente com FA, a primeira 
pergunta a ser feita é: Existe instabilidade 
hemodinâmica?
Tradicionalmente, estamos acostumados a 
chamar de instabilidade hemodinâmica sempre 
que existe hipotensão arterial, não é verdade? 
No entanto, em arritmologia, vamos considerar 
como “instabilidade hemodinâmica” todos os fa-
tores a seguir. Cabe lembrar que uma taquiarrit-
mia, para produzir instabilidade hemodinâmica, 
geralmente, possui uma FC	≥	150	bpm.
Fatores	 definidores	 de	 “instabilidade	
hemodinâmica”:
• Rebaixamento do nível de consciência ou 
síncope;
• Hipotensão arterial sintomática;
• Edema agudo de pulmão (ou descompen-
sação da ICC);
• Fase aguda do IAM;
• Dor anginosa típica em repouso.
No paciente com FA e instabilidade hemo-
dinâmica, devemos reverter a arritmia com 
cardioversão elétrica emergencial, utilizando 
a mesma técnica para a cardioversão elétrica 
eletiva. Como não dá tempo de anticoagular por 
três semanas ou de fazer um ECO transesofá-
gico, o paciente deve apenas ser heparinizado 
junto com a reversão e anticoagulado por, no 
mínimo, quatro semanas após, seguido da tera-
pia antitrombótica crônica apropriada de acordo 
com o grupo de risco (ver adiante).
RESIDÊNCIA MÉDICA – 2009 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO 
ESPÍRITO SANTO – UFES 
Qual a conduta imediata preconizada para um 
paciente que chega à emergência queixando-se 
de palpitação súbita há 25 minutos, encontran-
do-se taquicárdico (FC=200bpm), dispneico 
(FR>30 ipm, presença de estertores em bases), 
sudorese fria, leve letargia e hipotenso (PA = 
70/50 mmHg) com ECG mostrando quadro de 
Fibrilação Atrial?
a) Desfibrilação imediata com 360 Joules.
b) Cardioversão Elétrica Sincronizada inician-
do-se com 100 Joules.
c) Bolus de 150 a 300 mg de Amiodarona EV, 
seguida de posterior infusão contínua de dro-
ga (01 mg/min primeiras 06 horas e 0,5 mg/
mn nas 18 horas seguintes).
d) Digitálico EV.
e) Betabloqueador EV (Metoprolol 05 mg EV 
em bolus, podendo-se repetir até dose máxima 
de 15 mg).
 Questão que se repetirá com muita... 
muita frequência. FA (ou qualquer arritmia) 
+ sinais de instabilidade = cardioversão ime-
diata. Resposta: B.
No paciente estável hemodinamicamente, 
não há necessidade de cardioversão elétrica 
emergencial. E, nesse momento, devemos 
ter em mente os dois objetivos primordiais 
no tratamento da fibrilação atrial: (1) alívio 
dos sintomas; e (2) prevenção dos episódios 
tromboembólicos. OU SEJA, a reversão do 
ritmo não está entre as prioridades se não 
for fundamental para que estes objetivos se-
jam alcançados! Inclusive, ela pode não ser 
proposta... Leia o quadro a seguir e tire suas 
próprias

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