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<p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 105</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>PROTEÍNAS NA NUTRIÇÃO ANIMAL</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>As proteínas são compostos orgânicos formados por unidades básicas, os</p><p>aminoácidos, ligadas por ligações peptídicas. A quantidade e a sequência dos amino-</p><p>ácidos diferenciarão e definirão a função de uma proteína. As proteínas são compos-</p><p>tas por átomos de carbono (50%), hidrogênio (7%), oxigênio (22%), nitrogênio (18,0</p><p>%), enxofre (2,0 %) e fósforo (1%). Para que as células possam produzir proteínas é</p><p>necessária a presença de aminoácidos, que podem ser obtidos a partir da alimentação</p><p>ou fabricados pelo próprio organismo.</p><p>Durante muitos anos, a formulação de rações esteve baseada no conceito de</p><p>proteína bruta, o que frequentemente resultava em dietas com níveis de aminoácidos</p><p>acima das exigências reais dos animais. Com isso, o excesso de aminoácidos é utili-</p><p>zado de forma ineficiente pelos animais, pois são reduzidos a nitrogênio e acarretam</p><p>em alto custo metabólico para excreção.</p><p>Níveis excessivos de proteína na ração não significam apenas alto</p><p>custo da formulação, mas também afetam o desempenho produtivo dos</p><p>animais.</p><p>Com a produção de aminoácidos sintéticos a nível comercial, os nutricionistas</p><p>passaram a formular rações com menor custo e níveis mais adequados de aminoáci-</p><p>dos, mas com níveis de proteína ainda elevados. À medida que mais aminoácidos</p><p>sintéticos surjam no mercado, menor será o nível de proteína bruta da dieta.</p><p>Em animais monogástricos as exigências de aminoácidos são de difícil defini-</p><p>ção, uma vez que são influenciados por alguns fatores, como a densidade calórica da</p><p>dieta, consumo alimentar, condições ambientais etc. Genéticas de alto desenvolvi-</p><p>mento necessitam de mais aminoácidos quando comparadas a genéticas de baixo</p><p>desenvolvimento. O problema enfrentado pelo nutricionista é a formulação de uma</p><p>ampla variedade de dietas necessárias para cumprir as diferentes exigências dos ani-</p><p>mais, considerando também os diferentes padrões nutricionais existentes.</p><p>AULA 9</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 106</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>2. CLASSIFICAÇÃO DAS PROTEÍNAS</p><p>As proteínas podem ser classificadas de acordo com a estrutura ou com a</p><p>função que desempenham.</p><p>De acordo com a estrutura, podem ser classificadas em:</p><p>• globulares: representadas pelas enzimas, antígenos e hormônio</p><p>de natureza proteica;</p><p>• fibrosas: proteínas animais, insolúveis em água e resistentes às enzimas</p><p>digestivas;</p><p>• conjugadas: proteínas que por hidrólise liberam aminoácidos mais grupos</p><p>não proteicos.</p><p>De acordo com a função, as proteínas podem ser classificadas em:</p><p>• estruturais: proteínas que fazem parte de componentes estrutu-</p><p>rais no organismo animal, como a queratina, componente importante na composição</p><p>de pelos, chifres e cascos;</p><p>• contráteis: proteínas participam do processo de contração muscular, como</p><p>a actina e a miosina;</p><p>• reserva: proteínas utilizadas pelo organismo animal para manutenção ou</p><p>desenvolvimento, como a albumina presente em ovos, que funcionam como uma re-</p><p>serva proteica utilizada para o desenvolvimento do embrião;</p><p>• transportadoras: proteínas que atuam no transporte de nutrientes no orga-</p><p>nismo animal, como as hemoglobinas, que transportam oxigênio;</p><p>• enzimas: proteínas que atuam na quebra de substratos liberando os nutri-</p><p>entes que serão utilizados pelo animal. As enzimas podem ser endógenas e sintetiza-</p><p>das pelo animal (como a tripsina e a quimiotripsina) ou exógenas e com necessidade</p><p>de adição por meio da alimentação do animal (como a fitase, a carboidrolase e a pep-</p><p>tidase). Nos últimos anos, o emprego de enzimas exógenas na alimentação animal</p><p>tem sido cada vez mais frequente com o objetivo de reduzir custos de produção, o que</p><p>gera a oportunidade de utilização de vários ingredientes alternativos na dieta;</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 107</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>• defesa: proteínas representadas pelas imunoglobulinas, que desempe-</p><p>nham papel primordial na resposta imunológica do animal. No caso dos animais ma-</p><p>míferos, a ingestão do colostro logo após o nascimento do animal reside no fato desse</p><p>alimento ser rico em imunoglobulinas e, consequentemente, garantir ao animal a</p><p>transmissão de imunidade aos filhotes pelo leite da lactente;</p><p>• reguladoras: proteínas que atuam na regulação do metabolismo no orga-</p><p>nismo animal, destacando-se o papel da insulina na regulação dos níveis de glicose</p><p>circulante e, consequentemente, na regulação da glicemia.</p><p>3. CLASSIFICAÇÃO DOS AMINOÁCIDOS</p><p>Todas as proteínas que compõem um organismo vivo são construídas a partir</p><p>do mesmo conjunto de vinte aminoácidos. São atribuídas abreviações de três letras</p><p>aos aminoácidos comuns das proteínas, que indicam a composição e a sequência de</p><p>aminoácidos em uma proteína. Assim, temos as abreviações dos aminoácidos pa-</p><p>drões: alanina (Ala), valina (Val), leucina (Leu), isoleucina (Ile), prolina (Pro), metionina</p><p>(Met), fenilalanina (Fen), triptofano (Trp), glicina (Gli), serina (Ser), treonina (Tre), cis-</p><p>teína (Cis), tirosina (Tir), asparagina (Asp), glutamina (Gln), ácido aspártico (Asp),</p><p>ácido glutâmico (Glu), lisina (Lis), arginina (Arg) e histidina (His).</p><p>A classificação dos aminoácidos depende de sua composição, portanto é im-</p><p>portante que se entenda as funções que desempenham.</p><p>Todo aminoácido apresenta a</p><p>mesma estrutura básica: um átomo de</p><p>carbono, outro de hidrogênio, um grupo</p><p>carboxila, um grupo amino e um radical R</p><p>(Figuras 8). O que diferencia os aminoáci-</p><p>dos é o radical R, que pode variar em fun-</p><p>ção do comprimento da cadeia e da pre-</p><p>sença ou não de um átomo de enxofre, o</p><p>que forma aminoácidos sulfurados.</p><p>Fonte: Araújo et al., 2019.</p><p>Figura 8 – Estrutura básica de um aminoácido.</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 108</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>Do ponto de vista da nutrição animal, os aminoácidos podem ser classificados</p><p>quanto à essencialidade, destino e estrutura.</p><p>Em relação à essencialidade, os aminoácidos podem ser classificados em es-</p><p>senciais, não essenciais e limitantes.</p><p>• Essenciais: não são sintetizados pelo organismo animal em velocidade su-</p><p>ficiente para atender as exigências;</p><p>• Não essenciais: são sintetizados pelo organismo animal em velocidade su-</p><p>ficiente para atender as exigências animais e não precisam ser fornecidos na dieta;</p><p>• Limitantes: são aqueles que apresentam concentração limitada para permi-</p><p>tir o máximo desempenho animal e a síntese proteica.</p><p>Os aminoácidos podem ser classificados quanto ao destino, que está relacio-</p><p>nado ao destino tomado pelo aminoácido quando o grupo amina é excretado do corpo</p><p>na forma de ureia (mamíferos), amônia (peixes) e ácido úrico (aves e répteis):</p><p>• Cetogênicos: é quando o álcool restante da quebra de aminoácidos vai para</p><p>qualquer fase do Ciclo de Krebs na forma de Acetil coenzima A ou outra substância.</p><p>Os aminoácidos que são degradados a acetil-CoA ou acetoacetil-CoA são chamados</p><p>de cetogênicos porque dão origem a corpos cetônicos. A sua capacidade de formação</p><p>de corpos cetônicos fica mais evidente em casos de pacientes com Diabetes melitus,</p><p>o que faz que o fígado produza grande</p><p>quantidade dos mesmos;</p><p>• Glicogênicos: é quando o álcool restante da quebra de aminoácidos vai</p><p>para a via glicolítica. Os aminoácidos que são degradados a piruvato, alfa-cetogluta-</p><p>rato, succinil-CoA, fumarato ou oxaloacetato são denominados glicogênicos. A síntese</p><p>de glicose é possível a partir desses aminoácidos, porque esses intermediários e o</p><p>piruvato podem ser convertidos em fosfoenolpiruvato e depois em glicose ou glicogê-</p><p>nio. Do conjunto básico dos vinte aminoácidos, os únicos que são exclusivamente</p><p>cetogênicos são leucina e lisina. A fenilalanina, triptofano, isoleucina e tirosina são</p><p>tanto cetogênicos quanto glicogênicos. E os catorze aminoácidos restantes são estri-</p><p>tamente glicogênicos (lembrando que o corpo pode gerar Acetil-CoA a partir da gli-</p><p>cose).</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 109</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>Quanto à estrutura, os aminoácidos podem ser classificados em ramificados</p><p>e aromáticos:</p><p>• Ramificados: indispensáveis para a manutenção da proteína corporal, além</p><p>de fonte de nitrogênio para a síntese de alanina e glutamina. São representados pelos</p><p>aminoácidos leucina, valina e isoleucina;</p><p>• Aromáticos: são todos os aminoácidos que possuem em sua estrutura pelo</p><p>menos um derivado do grupo benzeno. Nesse grupo temos os aminoácidos tirosina,</p><p>triptofano e fenilalanina.</p><p>4. FUNÇÕES</p><p>As proteínas desempenham diversas funções no organismo, entre as quais,</p><p>podemos destacar a formação de substâncias celulares, a síntese de enzimas, os</p><p>hormônios e anticorpos, a síntese de vitaminas do complexo B, a desintoxicação, a</p><p>oxidação para liberação de energia, a composição de estruturas e órgãos, a reparação</p><p>de tecidos, a função mecânica da contração, a composição do sistema nervoso, o</p><p>transporte de substâncias, a síntese de proteínas para produção, a transmissão de</p><p>caracteres hereditários (DNA e RNA) e a regulação do metabolismo da água.</p><p>Diante da importância da nutrição proteica dos animais, vários são os sinto-</p><p>mas de deficiência que podem ser encontrados, como crescimento reduzido, diminui-</p><p>ção da eficiência alimentar, reprodução ineficiente, problemas cutâneos, queda da</p><p>imunidade e queda da produtividade.</p><p>5. FONTES PROTEICAS</p><p>As principais fontes proteicas utilizadas na alimentação animal são as de ori-</p><p>gens animal e vegetal. A maioria delas é oriunda do processamento da indústria de</p><p>alimentos, como os farelos que são produzidos na indústria de óleos e as farinhas de</p><p>origem animal, resultante de subprodutos de matadouros. Existem também fontes de</p><p>nitrogênio não proteico, como a ureia utilizada na alimentação de ruminantes. A seguir</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 110</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>será discutida a composição nutricional de algumas fontes proteicas importantes na</p><p>nutrição animal.</p><p>Além das fontes proteicas tradicionais, os aminoácidos sintéticos também são</p><p>utilizados, com destaque para a DL-metionina, a lisina-HCL, o L-valina, L-treonina e o</p><p>L-triptofano. As formas DL e L dos aminoácidos estão relacionadas à configuração da</p><p>molécula, que pode ser dextrógira ou levógira. A metionina é a única fonte que apre-</p><p>senta a configuração DL.</p><p>Cada vez mais a produção animal de forma orgânica se torna mais presente.</p><p>Para que ocorra a produção orgânica é necessário que os animais ingiram somente</p><p>alimentos naturais, que não tenham sido produzidos com a utilização de agrotóxicos</p><p>ou qualquer produto resultante de síntese química, eliminando aminoácidos, enzimas</p><p>etc. Assim, um dos alimentos introduzido na alimentação animal foi a farinha de inse-</p><p>tos, que representa uma importante fonte de proteínas para os animais (Tabela 6).</p><p>Tabela 6 – Ingredientes proteicos utilizados na alimentação animal.</p><p>Fonte: adaptado de Rostagno et al., 2017 apud Araújo et al., 2019.</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 111</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>7. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DE QUALIDADE PROTEICA</p><p>Existem diferentes métodos para avaliar a qualidade de uma proteína. Esta</p><p>avaliação é de grande importância para o nutricionista, já que podem existir diferentes</p><p>tipos de adulteração em ingredientes utilizados na alimentação animal. Por exemplo,</p><p>há farinhas de origem animal adulteradas com pedaços de cascos e chifres, constitu-</p><p>ídos de queratina, que é uma proteína de baixa digestibilidade. Por isso, o alimento</p><p>pode apresentar um nível proteico elevado mas de baixa qualidade nutricional, porque</p><p>o animal não será capaz de digerir o alimento por completo. Outro exemplo é a adul-</p><p>teração de alimentos de animais pets com melanina. Embora seja uma fonte proteica,</p><p>a melanina é tóxica para os animais, podendo levar a morte. Entre os métodos de</p><p>avaliação proteica podemos destacar:</p><p>• proteína bruta: fornece apenas uma ideia da quantidade e não da qualidade</p><p>proteica, pois determina a quantidade de proteína do alimento. Pressupõe que toda</p><p>proteína tem 16% de nitrogênio; portanto, deve ser aplicado um fator de correção para</p><p>cada tipo de alimento para determinação da quantidade correta de nitrogênio;</p><p>• balanço de nitrogênio: é a diferença entre o nitrogênio ingerido e o excre-</p><p>tado;</p><p>• valor biológico: é o percentual de nitrogênio digerido e absorvido que é re-</p><p>tido no organismo;</p><p>• digestibilidade proteica: leva em conta o coeficiente de digestibilidade, dá</p><p>uma ideia do aproveitamento da fração;</p><p>• proteína metabolizável: corresponde ao total de proteína disponível para</p><p>absorção no intestino delgado;</p><p>• conteúdo de aminoácidos: determina a quantidade de aminoácidos pre-</p><p>sente no alimento. Existem alimentos que apresentam altos níveis de determinados</p><p>aminoácidos e baixos níveis de outros. O conhecimento da composição aminoacídica</p><p>do alimento é importante pois possibilita que o nutricionista formule dietas de forma</p><p>econômica e eficiente.</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 112</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>8. DIGESTÃO E ABSORÇÃO DE PROTEÍNAS EM MONOGÁSTRICOS E RUMI-</p><p>NANTES</p><p>A digestão das proteínas, como dos demais nutrientes, ocorre por ação de</p><p>processos mecânicos, químicos e/ou microbiológicos sobre os alimentos ingeridos.</p><p>Nos animais domésticos, há duas etapas para sua digestão, uma gástrica, em animais</p><p>monogástricos, e uma microbiana seguida pela digestão gástrica, nos animais rumi-</p><p>nantes.</p><p>Nos animais monogástricos, a digestão das proteínas tem início no</p><p>estômago, onde ocorre a secreção de ácido clorídrico e de pepsinogênio pe-</p><p>las células pépticas e principais.</p><p>O pepsinogênio chega ao lúmen do estômago desativado e então, por ação</p><p>do ácido clorídrico e de moléculas de pepsina ativadas anteriormente, ocorre o rom-</p><p>pimento em uma determinada porção de sua molécula, transformando-o em pepsina,</p><p>a forma ativa. Em aves, a digestão péptica ocorre preferencialmente na moela. O ácido</p><p>clorídrico promove a ruptura das ligações peptídicas indiscriminadamente, enquanto</p><p>a pepsina, que é uma endopeptidase, rompe somente as ligações peptídicas entre os</p><p>aminoácidos leucina e valina, tirosina e leucina, e fenilalanina e fenilalanina-tirosina.</p><p>As proteínas, já em processo de digestão promovido pelo suco gástrico e pela</p><p>ação mecânica, passam para o intestino</p><p>delgado, onde recebem as secreções pan-</p><p>creáticas e intestinais. A substância mais importante da secreção intestinal para a di-</p><p>gestão proteica é a enteroquinase. Essa enzima ativa o tripsinogênio pancreático, que</p><p>chega inativado no lúmen do intestino, transformando-o em tripsina (forma ativa), res-</p><p>ponsável pela ativação das demais enzimas proteolíticas secretadas pelo pâncreas.</p><p>As enzimas dos estômago, também do proventrículo no caso das aves, e do pâncreas</p><p>agem sobre as proteínas transformando-as em oligopeptídeos, que são transforma-</p><p>dos posteriormente pela ação das enzimas intestinais, que se encontram na borda em</p><p>escova em peptídeos menores e aminoácidos que serão absorvidos. Dessa forma,</p><p>durante a digestão gástrica há participação de diferentes enzimas, que atuam sobre</p><p>proteínas, peptídeos e aminoácidos possibilitando sua absorção, como ácido clorí-</p><p>drico, pepsina tipo A, B e C, tripsina, quimiotripsina, carboxipeptidases A e B, enzimas</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 113</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>que fazem parte do suco entérico composto por enzimas do sulco duodenal, sintetiza-</p><p>dos pelas glândulas de Brunner, e enzimas do suco intestinal, sintetizados pelas glân-</p><p>dulas de Lieberkühn.</p><p>Os monogástricos possuem pelo menos três sistemas de transporte para ami-</p><p>noácidos neutros: um para glicina, um para metionina e aminoácidos alifáticos e um</p><p>para os demais aminoácidos. Esses sistemas são sódio-dependentes e aparente-</p><p>mente não são exclusivos. Além deles, existe um mecanismo de transporte para ami-</p><p>noácidos básicos e também um</p><p>para aminoácidos ácidos. Bell e Fre-</p><p>eman (1971 apud Araújo et al.,</p><p>2019), demonstraram que a veloci-</p><p>dade de transporte dos L-aminoáci-</p><p>dos não depende do peso molecu-</p><p>lar, e que aminoácidos com radical</p><p>R não polar são rapidamente absor-</p><p>vidos, enquanto aminoácidos com</p><p>radical R polar são absorvidos mais</p><p>lentamente. Os demais aminoáci-</p><p>dos são absorvidos com velocidade</p><p>intermediária. Também já foi de-</p><p>monstrado que os D-aminoácidos</p><p>são absorvidos mais lentamente</p><p>que os L-aminoácidos, e que os D-</p><p>aminoácidos podem inibir ou ativar</p><p>a absorção dos L-aminoácidos. A ab-</p><p>sorção dos peptídeos é importante no processo de utilização dos aminoácidos pelos</p><p>animais. Essa forma de absorção favorece o processo, pois os peptídeos são absor-</p><p>vidos por um mecanismo não competitivo ao dos aminoácidos e também absorvidos</p><p>mais rapidamente. A hidrólise final ocorre na superfície intestinal (borda em escova)</p><p>ou por peptidases existentes no citosol das células epiteliais. Os sistemas de trans-</p><p>porte de peptídeos são muitos e nenhum é sódio- dependente. Di e tripeptídeos com-</p><p>petem na absorção, e os peptídeos que contém D-aminoácidos são absorvidos mais</p><p>Figura 10 – Digestão e absorção proteica em mono-</p><p>gástricos.</p><p>Fonte: Whittemore, 1998 apud Araújo et al., 2019.</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 114</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>lentamente (Junqueira e Oba, 1999 apud Araújo et al., 2019). A Figura 10 apresenta</p><p>um esquema da digestão da proteína e utilização dos aminoácidos em monogástricos.</p><p>No caso da digestão proteica em ruminantes, a primeira fase de digestão é a</p><p>digestão microbiana ocorrida no rúmen. Na cavidade pré-gástrica, a proteína ingerida</p><p>pelo animal é metabolizada pelos microrganismos ruminais, onde sofre hidrólise que</p><p>libera aminoácidos. Esses aminoácidos passam pelo processo de desaminação e dis-</p><p>ponibilizam uma cadeia carbônica juntamente com a amônia. Assim, há novamente o</p><p>agrupamento dessa cadeia carbônica com a amônia, formando uma nova proteína,</p><p>chamada de proteína ruminal, que é direcionada ao abomaso. No abomaso ocorre a</p><p>digestão gástrica da proteína, seguindo o mesmo processo observado na digestão</p><p>proteica nos monogástricos. Vale ressaltar a importância do fornecimento de nitrogê-</p><p>nio não proteico na dieta de ruminantes. A ureia começou a ser fabricada industrial-</p><p>mente em 1870, quando Bassarow a sintetizou a partir do gás carbônico e da amônia.</p><p>Mas foi no período de 1914 a 1918, devido à escassez de alimentos ocasionada pela</p><p>primeira guerra mundial, que a Alemanha intensificou a utilização de ureia como fonte</p><p>proteica na alimentação de ruminantes, visando uma produção intensiva e de baixo</p><p>custo de carne e leite.</p><p>Uma das vantagens da utilização da ureia é o custo quando comparado ao de</p><p>diferentes fontes proteicas. Além disso, apresenta a mesma eficiência quando com-</p><p>parado com as demais proteínas.</p><p>Quando o animal ingere</p><p>ureia, há liberação de amônia,</p><p>que é combinada a uma cadeia</p><p>carbônica, normalmente oriunda</p><p>de um carboidrato solúvel, e de</p><p>energia disponível para a forma-</p><p>ção da proteína microbiana.</p><p>Parte da amônia pode ser absor-</p><p>vida pela parede ruminal e ser</p><p>transportada para a corrente circulatória. Quando em excesso, a ureia pode intoxicar</p><p>o animal, sendo mortal em alguns casos. Em ruminantes há também a ureia oriunda</p><p>do ciclo da ureia, que é produzida pelo fígado e depositada na saliva, retornando ao</p><p>rúmen.</p><p>Fonte: Teixeira, 1992 apud Araújo et al., 2019.</p><p>Figura 11 – Metabolismo proteico no rúmen.</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 115</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>ATIVIDADES DE FIXAÇÃO</p><p>1 - Qual a principal função das enzimas exógenas na nutrição animal?</p><p>a) Promover a absorção de aminoácidos.</p><p>b) Aumentar a quantidade de proteínas na dieta.</p><p>c) Reduzir custos de produção e permitir o uso de ingredientes alternativos.</p><p>d) Estimular o desenvolvimento genético dos animais.</p><p>2 - Quais aminoácidos são exclusivamente cetogênicos?</p><p>a) Leucina e lisina.</p><p>b) Fenilalanina e triptofano.</p><p>c) Valina e isoleucina.</p><p>d) Asparagina e glutamina.</p><p>3 - O que caracteriza as proteínas fibrosas?</p><p>a) Solubilidade em água e fácil digestão pelas enzimas.</p><p>b) Insolubilidade em água e resistência às enzimas digestivas.</p><p>c) Capacidade de transportar oxigênio.</p><p>d) Liberação de aminoácidos por hidrólise.</p><p>4 - Como os aminoácidos aromáticos são classificados?</p><p>a) Por possuírem pelo menos um grupo amino em sua estrutura.</p><p>b) Por conterem enxofre em seu radical R.</p><p>c) Por incluírem ao menos um derivado do grupo benzeno em sua estrutura.</p><p>d) Por serem exclusivamente glicogênicos.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>1) ANDRIGUETTO, José Milton et al. As bases e os fundamentos da nutrição</p><p>animal. Reimpressão. São Paulo: Nobel, 2006.</p><p>2) CARVALHO, H. H. et al. Alimentos: métodos físicos e químicos de análise.</p><p>Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 2002.</p><p>Vá no tópico VÍDEO COMPLEMENTAR em sua sala virtual e</p><p>acesse o vídeo “Metabolismo proteico”.</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p><p>NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 116</p><p>secretariaead@funec.br</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>UNEC / EAD</p><p>CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA</p><p>DISCIPLINA: Zootecnia II</p><p>3) ARAÚJO, Lúcio Francelino et al. Proteínas na nutrição animal. In: ARAÚJO, Lúcio</p><p>Francelino; ZANETTI, Marcus Antônio (Eds.). Nutrição Animal. Barueri: Manole,</p><p>2019.</p><p>4) PESSOA, Ricardo Alexandre Silva. Nutrição animal: conceitos elementares. 1.</p><p>ed. São Paulo: Editora Érica, 2014.</p><p>mailto:secretariaead@funec.br</p>