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<p>O MÍNIMO SOBRE DIGESTÃO</p><p>Dra. Priscila Antunes</p><p>1ª edição — agosto de 2023 — CEDET</p><p>Copyright © Dra. Priscila Antunes 2023</p><p>Sob responsabilidade do editor,</p><p>não foi adotado o Novo Acordo Ortográfico de 1990.</p><p>Os direitos desta edição pertencem ao</p><p>CEDET — Centro de Desenvolvimento</p><p>Profissional e Tecnológico</p><p>Av. Comendador Aladino Selmi, 4630</p><p>Condomínio GR Campinas 2 — módulo 8</p><p>CEP: 13069-096 — Vila San Martin,</p><p>Campinas-SP</p><p>Telefones: (19) 3249–0580 / 3327–2257</p><p>e-mail: livros@cedet.com.br</p><p>CEDET LLC is licensee for publishing and sale of the electronic edition of this book</p><p>CEDET LLC</p><p>1808 REGAL RIVER CIR - OCOEE - FLORIDA - 34761</p><p>Phone Number: (407) 745-1558</p><p>e-mail: cedetusa@cedet.com.br</p><p>Editor:</p><p>Thomaz Perroni</p><p>Assistente editorial:</p><p>Gabriella Cordeiro de Moraes</p><p>Preparação & revisão:</p><p>Gabriella Cordeiro de Moraes</p><p>Copidesque:</p><p>Daniela Aparecida Mandú Neves</p><p>Capa:</p><p>Laura Barreto</p><p>Diagramação:</p><p>Virgínia Morais</p><p>Revisão de provas:</p><p>Juliana Gurgel</p><p>Tomaz Lemos</p><p>Flávia Regina Theodoro</p><p>Conselho editorial:</p><p>Adelice Godoy</p><p>César Kyn d’Ávila</p><p>Silvio Grimaldo de Camargo</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>Antunes, Priscila (Dra.).</p><p>O mínimo sobre digestão / Dra. Priscila Antunes</p><p>Campinas, SP: O Mínimo, 2023.</p><p>isbn 978-65-85033-19-0</p><p>1. Saúde: nutrição 2. Intestino.</p><p>I. Autor II. Título</p><p>CDD 613 / 611.3</p><p>ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO:</p><p>1. Saúde: nutrição – 613</p><p>2. Intestino – 611.3</p><p>www.ominimoeditora.com.br</p><p>Reservados todos os direitos desta obra. Proibida toda e qualquer reprodução desta</p><p>edição por qualquer meio ou forma, seja ela eletrônica, mecânica, fotocópia, gravação</p><p>ou qualquer outro meio de reprodução, sem permissão expressa do editor.</p><p>Sumário</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>PRINCÍPIOS FUNDAMEN TAIS DO AYURVEDA</p><p>DESVENDANDO A AYURGENOMICS</p><p>AGNI: O PODER DO FOGO DIGESTIVO</p><p>A MEDICINA E A A SUA DIGESTÃO NUTRIÇÃO AUXILIANDO</p><p>CONCLUSÃO</p><p>SANTA HILDEGARDA E A DIGESTÃO</p><p>A digestão, em seu sentido mais amplo, é uma das funções vitais fundamentais do</p><p>organismo. É por meio desse processo complexo que os alimentos que ingerimos são</p><p>transformados e assimilados, fornecendo os nutrientes essenciais para sustentar nossa</p><p>energia e vitalidade. No entanto, a maneira como cada indivíduo digere e absorve os</p><p>alimentos pode variar, e essa é uma das áreas em que o Ayurveda, uma ciência milenar da</p><p>medicina tradicional, se destaca.</p><p>Neste livro, pretendo abordar o mínimo sobre a conexão entre Ayurveda e a digestão.</p><p>Para isso, vamos nos aprofundar nos princípios fundamentais dessa antiga tradição</p><p>indiana, que nos guia, orienta e auxilia a alcançar maior saúde e harmonia em nossas</p><p>vidas.</p><p>Envelhecimento não deve ser sinônimo de adoecimento. Embora com o passar do tempo</p><p>nosso organismo enfrente algumas debilitações naturais, isso não significa que a</p><p>qualidade de vida deva ser comprometida. Felizmente, o Ayurveda nos auxilia a viver</p><p>bem esse processo, permitindo-nos aproveitar plenamente cada fase da vida, desde a</p><p>infância e adolescência até a vida adulta e o envelhecimento. Dessa forma, a sabedoria</p><p>milenar do Ayurveda se mostra valiosa ao nos proporcionar os meios para desfrutarmos</p><p>de uma vida plena, saudável e significativa em todas as etapas da nossa jornada.</p><p>Além de ser uma ciência, o Ayurveda é também uma filosofia de vida que nos lembra</p><p>que a saúde é um estado de equilíbrio entre corpo, mente e espírito, e que devemos nutrir</p><p>todas essas áreas para alcançar uma vida plena e satisfatória.</p><p>Neste livro, combino conhecimentos médicos e nutricionais com os princípios do</p><p>Ayurveda, a fim de que você possa compreender de forma clara e prática a importância</p><p>da digestão em sua vida. Exploro também como adotar as práticas do Ayurveda e ajustar</p><p>nossos hábitos alimentares de acordo com nossa constituição e as necessidades de nosso</p><p>sistema digestivo, para que possamos colher os benefícios de uma digestão saudável. Isso</p><p>inclui promover uma melhor absorção de nutrientes, prevenção de distúrbios</p><p>gastrointestinais e um aumento geral de bem-estar.</p><p>Você vai conhecer ferramentas e orientações práticas para melhorar sua digestão e,</p><p>consequentemente, sua saúde e qualidade de vida. Por meio da combinação da ciência</p><p>ocidental com a sabedoria ancestral do Ayurveda, você estará capacitado a fazer escolhas</p><p>conscientes e benéficas para seu corpo, mente e espírito. Essa é uma oportunidade de</p><p>entender o processo digestivo e descobrir o poder transformador que ele pode ter em sua</p><p>vida.</p><p>V</p><p>PRINCÍPIOS FUNDAMEN TAIS DO AYURVEDA</p><p>amos começar a explorar o universo do Ayurveda. Essa antiga ciência da medicina</p><p>tradicional, que é também uma filosofia de vida, tem como objetivo primordial</p><p>promover a saúde e a harmonia em todos os aspectos do ser humano. Descobriremos</p><p>neste capítulo como os princípios e os conhecimentos do Ayurveda se entrelaçam com a</p><p>ciência moderna, oferecendo uma abordagem abrangente e completa para a melhoria da</p><p>qualidade de vida.</p><p>Vale ressaltar que o Ayurveda não busca ser a solução para todos os problemas da</p><p>humanidade, mas sim proporcionar uma visão conectada e integrada, que considera</p><p>o equilíbrio entre corpo, mente e espírito como</p><p>chave para a saúde e para o bem-estar em todas as</p><p>áreas da vida.</p><p>Ao longo destas páginas, exploraremos os fundamentos e benefícios do Ayurveda,</p><p>compreendendo como ele pode contribuir de forma significativa para uma vida saudável e</p><p>plena.</p><p>A palavra Ayurveda significa a “Ciência da Vida” ou “Conhecimento da Vida”, e essa</p><p>sabedoria ancestral nos guia para alcançar a longevidade e para vivermos de maneira</p><p>saudável e plena em todas as fases da vida. Enquanto a ciência moderna, também</p><p>conhecida como medicina contemporânea ou alopática, baseia-se em princípios físicos,</p><p>bioquímicos e botânicos, o Ayurveda possui uma abordagem mais sutil e abrangente,</p><p>enraizada na filosofia védica, que considera o ser humano em sua totalidade física,</p><p>mental, emocional e espiritual.</p><p>Essa integração entre saberes milenares e conhecimentos científicos contemporâneos</p><p>nos oferece uma perspectiva enriquecedora para promover a saúde e o bem-estar. Para</p><p>estudarmos o Ayurveda, baseamo-nos em textos clássicos, como o Charaka Samhita, o</p><p>Sushruta Samhita e o Ashtanga Hrdayam, que formam a tríade do Ayurveda.</p><p>De acordo com essa sabedoria milenar, estamos no mundo para seguir nosso Dharma, o</p><p>nosso propósito de vida. Mas, antes disso, precisamos entendê-lo. Ao seguir nosso</p><p>propósito com devoção e entrega, colhemos prosperidade, riqueza (Artha) e felicidade</p><p>como consequências naturais. Entretanto, é essencial manter-nos desapegados dessas</p><p>conquistas (Moksha), pois o apego gera desequilí- brio e pode levar ao surgimento de</p><p>doenças, como veremos mais adiante.</p><p>O QUE SÃO DOSHAS?</p><p>O Ayurveda reconhece que cada pessoa possui uma constituição única, conhecida como</p><p>dosha, composta pelos elementos básicos da natureza: ar, fogo, água, terra e éter. Por sua</p><p>vez, esses elementos manifestam-se em três doshas principais: Vata, Pitta e Kapha. Cada</p><p>dosha tem características específicas que influenciam diretamente a maneira como</p><p>digerimos e metabolizamos os alimentos, assunto que abordaremos mais especificamente</p><p>em outro capítulo. A saúde está intrinsecamente ligada ao equilíbrio dos doshas e ao</p><p>funcionamento adequado do Agni, o fogo digestivo.</p><p>Quando entendemos nossa constituição individual e as características predominantes de</p><p>nosso dosha, podemos ajustar nossa alimentação e estilo de vida para promover uma</p><p>digestão saudável e um equilíbrio conectado. Por exemplo, uma pessoa com</p><p>predominância do dosha Vata (ar), que é associado aos elementos ar e éter, pode se</p><p>beneficiar de alimentos quentes, oleosos e nutritivos, além de rotinas regulares e</p><p>relaxantes, para acalmar o sistema digestivo sensível.</p><p>Da mesma forma, um indivíduo com predominância do dosha Pitta, que está</p><p>relacionado aos elementos fogo e água, pode se beneficiar de alimentos frescos, leves e</p><p>refrescantes, evitando alimentos picantes e excessivamente quentes que possam aumentar</p><p>o fogo digestivo.</p><p>Já aqueles com predominância do dosha Kapha, associado aos elementos água e terra,</p><p>podem se beneficiar de alimentos leves,</p><p>a forma das fezes humanas</p><p>em sete categorias distintas, proporcionando novos insights científicos nesse campo.</p><p>Vejamos cada tipo de fezes de acordo com essa escala:</p><p>Tipo 1: fezes caprínicas, com formato redondo.</p><p>Tipo 2: fezes caprínicas mais grudadas, assemelhando-se a um cacho de uvas.</p><p>Tipo 3: uma melhora em relação às fezes caprí- nicas, porém ainda apresentam</p><p>rachaduras. Essas fezes tendem a boiar, indicando um alto consumo de gordura. É comum</p><p>encontrá-las em dietas cetogênicas, mas pode ser também um sinal de problemas no</p><p>sistema digestivo.</p><p>Tipo 4: considerado o ideal, as fezes têm formato de salsicha, são lisas, suaves e</p><p>afundam na água.</p><p>Tipo 5: fezes mais soltas e com bolhas suaves. Tipo 6: fezes bastante moles e</p><p>esfareladas.</p><p>Tipo 7: diarreia aquosa.</p><p>Os tipos 1 e 2 indicam constipação, sugerindo uma alimentação pobre em fibras, saladas</p><p>e água. Nesse caso, é importante aumentar a ingestão de líquidos, sucos, chás, frutas com</p><p>casca e bagaço, verduras, linhaça, granola, aveia, quinoa e cereais integrais. É</p><p>recomendado evitar carnes vermelhas, farinhas brancas, açúcares e laticínios. A dieta</p><p>anti-AMA ou vegana pode ser uma opção ideal nesse contexto.</p><p>O tipo 3 indica que as fezes ainda estão um pouco secas. Nesse caso, recomenda-se</p><p>aumentar a ingestão de líquidos e água. Já o tipo 4 é considerado ideal, indicando um</p><p>bom trânsito intestinal. As fezes são expelidas facilmente e não causam desconforto.</p><p>Os tipos 5 a 7 estão associados à diarreia e à síndrome do intestino irritável.</p><p>No tipo 5, as fezes são mais moles e indicam um trânsito intestinal mais rápido que o</p><p>normal. Isso pode levar a deficiências nutricionais e desidratação. Recomenda-se</p><p>aumentar o consumo de fibras solúveis provenientes de legumes cozidos, grãos, aveia,</p><p>cevada e frutas. A utilização de probióticos, sob prescrição de um nutricionista, pode</p><p>ajudar na regular do trânsito intestinal. No Ayurveda, é comum utilizar preparações como</p><p>o lassi.</p><p>Já o tipo 6 indica um trânsito intestinal excessivamente rápido, em que a água é mal</p><p>absorvida. Além disso, pode ser um sinal de intolerâncias alimentares ou desequilíbrio na</p><p>flora bacteriana intestinal. Nesse caso, recomenda-se evitar frutas e legumes crus,</p><p>priorizando os alimentos cozidos. Acompanhamento nutricional com o uso de probióticos</p><p>também pode ser benéfico, mas exames adicionais devem ser realizados para descartar</p><p>patologias, como alergias ou intolerâncias alimentares.</p><p>O tipo 7 provavelmente é resultado de uma infecção. Nesse caso, é importante procurar</p><p>um médico para obter um diagnóstico adequado. É recomendável adotar uma alimentação</p><p>leve, evitando gorduras, frituras, açúcares e laticínios. Consumir alimentos cozidos,</p><p>caldos, sopas, líquidos e água para manter-se hidratado.</p><p>De acordo com o Charak Samhita, “Tudo no universo busca alimento. Ele é o princípio</p><p>da vida de todos os seres. Clareza, longevidade, inteligência, felicidade, contentamento,</p><p>força e conhecimento têm suas raízes no alimento”. Portanto, é importante parar de culpar</p><p>exclusivamente a comida.</p><p>Não é a comida em si que leva bactérias para o</p><p>intestino, mas sim o estilo de vida inadequado</p><p>e pensamentos desordenados que podem colaborar para o seu adoecimento. É aqui que o</p><p>papel do jejum ganha destaque no universo do Ayurveda. O jejum não se trata apenas de</p><p>privar-se de comida, mas de um ato consciente que permite ao nosso sistema digestivo</p><p>descansar, recuperar-se e rejuvenescer-se, como veremos a seguir.</p><p>PARA QUE SERVE O JEJUM?</p><p>Ao adotar o jejum de maneira adequada, somos capazes de restabelecer o equilíbrio em</p><p>nosso corpo, fortalecer nossa digestão e prevenir o adoecimento. Portanto, é essencial</p><p>compreender que a prática do jejum, em harmonia com os princípios ayurvédicos, pode</p><p>ser um aliado poderoso na promoção da saúde digestiva e no cultivo de um estilo de vida</p><p>adequado que nos conduza ao bem-estar integral.</p><p>No contexto do Ayurveda, a desarmonia entre os doshas mentais e corporais é</p><p>considerada uma das principais causas de doenças. No tratamento do sistema digestivo,</p><p>pode-se incluir o Pancha Karma, um conjunto de terapias de desintoxicação ou</p><p>tratamentos preventivos para promover a digestão e eliminar toxinas tanto do corpo</p><p>quanto da mente.</p><p>Com esse objetivo,</p><p>o jejum pode trazer benefícios para a cognição, para o</p><p>metabolismo e para a mobilização de gordura.</p><p>Ao jejuar, nosso corpo é capaz de mobilizar a gordura armazenada para obter energia. No</p><p>entanto, jejuns prolongados podem levar a um armazenamento excessivo de gordura</p><p>como uma resposta de sobrevivência, por isso é importante encontrar um equilíbrio e</p><p>evitar jejuns muito longos.</p><p>O jejum intermitente e o time-restricted feeding (alimentação com restrição de tempo)</p><p>têm benefícios semelhantes a um dia completo de jejum. O período de jejum pode variar</p><p>de oito a dezoito horas, a depender da adaptação individual. Não é necessário jejuar por</p><p>mais de 24 horas. Além disso, ele pode ser uma estratégia eficaz para a regeneração</p><p>intestinal. É importante permitir que o intestino se regenere, portanto, ficar sem se</p><p>alimentar por um período é benéfico. A monodieta é uma forma de jejum que promove a</p><p>regeneração intestinal e melhora a digestão, permitindo uma melhor absorção dos</p><p>alimentos.</p><p>Existem diversas variações de jejum intermitente e os protocolos de estudo variam em</p><p>suas interpretações sobre seus efeitos na perda de peso. A maioria dos estudos em</p><p>humanos resulta em uma perda de peso mínima e melhorias marginais nos biomarcadores</p><p>metabólicos. Além disso, o jejum tem efeitos anti-inflamatórios, promove a autofagia e</p><p>beneficia o microbioma intestinal. Já em ensaios clínicos, tanto a monodieta quanto o</p><p>jejum intermitente apresentaram resultados semelhantes em termos de perda de peso e</p><p>resistência à insulina. Logo, ambos podem produzir resultados similares.</p><p>A ciência identifica diferentes abordagens para o jejum com base no perfil de frequência</p><p>alimentar. Aqui estão algumas formas comuns:</p><p>a. Três refeições e lanches ao longo do dia: alimentar-se regularmente, com café da</p><p>manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e ceia. Não há períodos específicos de jejum.</p><p>b. Jejum de 12 horas: alimentar-se ao longo de 12 horas do dia e ficar 12 horas sem se</p><p>alimentar.</p><p>c. Jejum de 14 a 16 horas: pular o café da manhã e iniciar a primeira refeição do dia</p><p>algumas horas depois.</p><p>d. Três pequenas refeições: realizar três refeições menores ao longo do dia, mantendo</p><p>um intervalo de cerca de 12 horas entre a última refeição do dia anterior e a primeira</p><p>refeição do dia seguinte. Essa abordagem é conhecida como monodieta.</p><p>e. Jejum completo de 24 horas: opção menos comum e geralmente não é necessária,</p><p>pois o corpo humano precisa de energia para realizar as atividades diárias.</p><p>MONODIETA, DISTÚRBIOS DA DIGESTÃO E COMO TRATAR O AMA</p><p>Tendo ciência da importância do funcionamento adequado do nosso sistema digestivo e,</p><p>em especial, da perspectiva do Ayurveda a esse respeito, além de termos aprendido como</p><p>identificar o estado do nosso Agni, entendemos que é urgente a necessidade de tratarmos</p><p>quaisquer sinais de distúrbios relacionados a ele. Nesse contexto, o Ayurveda oferece</p><p>diversas ferramentas para o tratamento de distúrbios no processo digestivo, incluindo o</p><p>uso de sopas terapêuticas. No entanto, como abordamos anteriormente, o Ayurveda não</p><p>se trata apenas de prescrições alimentares, mas de um sistema conectado que abrange</p><p>diversos aspectos da saúde em geral do indivíduo.</p><p>Desse modo, as terapias de shamana e shodana são opções de tratamento integrantes à</p><p>perspectiva Ayurvédica. As prescrições alimentares e dietas também podem auxiliar</p><p>nessas terapias, contudo,</p><p>no dia a dia, a conduta não se baseia em fazer dietas</p><p>restritivas, mas em alimentar-se de maneira adequada e</p><p>saudável.</p><p>É importante ter hábitos alimentares equilibrados para a manutenção da saúde e</p><p>prevenção de doenças.</p><p>Em situações pontuais em que ocorrem distúrbios digestivos, como uma desregulação</p><p>temporária do Agni devido a eventos especiais ou excessos alimentares, medidas como</p><p>monodieta e jejum podem ser utilizadas</p><p>para auxiliar na recuperação. Essas medidas têm</p><p>o foco na alimentação como ponto central de orientação, mas devem ser adaptadas de</p><p>acordo com cada pessoa e suas necessidades.</p><p>Nesse contexto, as medidas aqui apresentadas são possíveis formas de tratamento para</p><p>equilibrar o Agni. Elas envolvem o uso de substâncias ou práticas que aumentam o Agni</p><p>quando ele está lento ou irregular e auxiliam na digestão do AMA quando há dificuldade</p><p>de digestão. Essas medidas podem ser aplicadas por meio de chás (infusões quentes ou</p><p>frias) e sopas terapêuticas contendo ervas. Além disso, é importante remover certos</p><p>hábitos da rotina quando há toxinas presentes, por exemplo, evitando o uso de óleo no</p><p>corpo, já que, se não estamos digerindo adequadamente o que entra em contato com o</p><p>sistema, não será possível digerir o que está na pele. Somente após uma digestão efetiva</p><p>do AMA pode-se retomar a prática de oleação corporal.</p><p>PROBLEMAS QUE PODEM AFETAR A DIGESTÃO</p><p>No Ayurveda, como abordamos anteriormente, somos convidados a agir com o objetivo</p><p>de que nosso Agni não fique em desequilíbrio. Mas para isso precisamos conhecer alguns</p><p>problemas comuns que podem afetar nossa saúde digestiva, como a indigestão e a</p><p>constipação. Esses processos ocorrem devido a diversos fatores que podem comprometer</p><p>o bom funcionamento do sistema digestivo. Vamos, então, conhecê-los.</p><p>Indigestão (Ajirna)</p><p>A indigestão, conhecida como Ajirna, ocorre quando a digestão da comida ingerida não é</p><p>concluída adequadamente, sendo a principal causa de problemas digestivos. Quando o</p><p>Agni é afetado, ocorre digestão e metabolismo incompletos, levando à formação de AMA</p><p>— que se manifesta por meio de sinais como peso, lentidão na digestão e desconforto.</p><p>Essa desestabilização pode ter origem em desequilíbrios antigos, maus hábitos</p><p>alimentares ou episódios de alimentação excessiva. Se não for tratada, pode resultar no</p><p>surgimento de novas doenças ou no agravamento das já existentes.</p><p>No tratamento da indigestão, é utilizada como estratégia a prática do jejum (completo,</p><p>líquido ou monodieta com sopas terapêuticas). Além disso, outras medidas de purificação</p><p>e pacificação devem ser consideradas para obter alívio, por exemplo, quando o alimento</p><p>está completamente parado no processo de digestão, não é indicado o consumo de</p><p>alimentos sólidos. O ideal é começar com um caldo de arroz (Manda), seguido de Peya e,</p><p>somente após melhora, na próxima refeição, partir para um Yavagu ou uma sopa</p><p>terapêutica (Pathya Kalpana) de feijão moyashi ou kichadi. O importante é iniciar com</p><p>preparações mais líquidas e progredir para as mais sólidas.</p><p>Um preparado chamado Trikatu Churna pode ser tomado após as refeições para</p><p>incrementar o Agni. Ele consiste em uma mistura de três especiarias picantes (tri= três,</p><p>katu= picantes). Tradicionalmente, ele é feito com partes iguais de pipale — podendo ser</p><p>substituída por cominho, cravo ou canela —, pimenta do reino e gengibre em pó. As</p><p>especiarias devem ser adquiridas em grãos para moê-las apenas na hora da preparação,</p><p>assim garantindo sua pureza. Antes de moer, aqueça-as de 30 segundos a um minuto para</p><p>ativar suas propriedades terapêuticas de aroma e sabor. Em seguida, misture com o</p><p>gengibre em pó (descascado, ralado e aquecido no forno a 180°C por 15 minutos, e</p><p>depois triturado no liquidificador ou moedor). Tome uma colher de chá dessa mistura</p><p>após a refeição, acompanhada de um pouco de água morna.</p><p>Antes da refeição, é possível ralar o gengibre e mastigá-lo com um pouco de sal para</p><p>auxiliar na digestão, incrementar o Agni e digerir o AMA que está estagnado no sistema.</p><p>Evite beber água ou líquidos durante a refeição, mas, se necessário, prefira água morna ou</p><p>chás que aumentem o Agni ou auxiliem na digestão do AMA, como gengibre com canela,</p><p>cravo, canela e cardamomo, erva doce e gengibre, ou erva doce e canela.</p><p>Existem outras medidas que podem ajudar a tratar a indigestão, como o uso da Phanta,</p><p>uma infusão quente com uma pitada de gengibre em pó e sementes de coentro, ou uma</p><p>infusão quente com gotas de limão, suco de gengibre (obtido após ralar o gengibre e</p><p>espremê-lo em uma gaze) e uma pitada de pimenta do reino em pó. O buttermilk, feito</p><p>com nata de leite fresco de boa qualidade, ou iogurte com uma pitada de cominho em pó,</p><p>pimenta do reino e gengibre em pó, também são recomendados para melhorar o Agni e</p><p>aumentar a imunidade.</p><p>Na dieta diária, é recomendado incluir alimentos como Kichadi, arroz, lentilha, ervilha</p><p>partida e cereais bem cozidos. Legumes e frutas como romã, lima, abacaxi, figo e maçã</p><p>também podem ser incluídos. Por outro lado, evite alimentos velhos (requentados ou</p><p>preparados há mais de seis horas), alimentos picantes, oleosos, fermentados, junk food e</p><p>processados. Evite também a combinação de laticínios com carnes e frutas ácidas, pois</p><p>são consideradas incompatíveis.</p><p>Constipação (Vibandha)</p><p>A constipação não é algo normal, trata-se apenas de um fenômeno comum devido a</p><p>hábitos inadequados. Ela se caracteriza por movimentos intestinais pouco frequentes ou</p><p>difíceis, fezes duras e solidificadas, defecação dolorosa e sensação de inchaço,</p><p>desconforto abdominal ou eliminação incompleta. Diversos fatores podem causar</p><p>constipação, como uso de medicamentos (antidepressivos, analgésicos, vitaminas), falta</p><p>de hidratação, falta de exercício físico, sedentarismo ou, até mesmo, doenças mais graves.</p><p>A constipação é uma causa comum de defecação dolorosa e pode evoluir para quadros</p><p>mais graves, como obstrução intestinal. Os tratamentos para a constipação envolvem:</p><p>Nidana parivarjana (prevenção dos fatores causadores), Samshodhana chikitsa (terapias</p><p>de limpeza) realizada por profissionais especializados, Snehapana (terapias de oleação),</p><p>massagens, sauna, uso de supositórios e enemas, e consumo de alimentos e ervas</p><p>laxativas.</p><p>Para prevenir a constipação, recomenda-se o consumo de alimentos como trigo, feijão</p><p>moyashi, arroz, alho, frutas da estação, uma dieta rica em fibras, uvas (especialmente uva</p><p>passa refogada com manteiga ghee e água morna antes de dormir), gengibre seco,</p><p>vegetais de folhas verdes cozidos e água morna. Também é aconselhável dar preferência</p><p>a uma dieta cozida, leve e de fácil digestão, beber um copo de água morna com limão</p><p>pela manhã, praticar exercícios regulares, evitar hábitos alimentares irregulares e</p><p>alimentos pesados, oleosos, picantes, processados, ultraprocessados e conservas.</p><p>Além disso, é importante evitar a supressão dos impulsos naturais, o consumo excessivo</p><p>de chá preto e café (embora o café possa ter efeito laxativo em algumas pessoas),</p><p>automedicação, incluindo o uso indiscriminado de ervas, e estabelecer um horário regular</p><p>para ir ao banheiro, utilizando um banquinho para os pés para uma posição adequada.</p><p>Também é recomendado seguir o dinacharya, a</p><p>rotina diária de cuidados com a saúde.</p><p>DIETAS PARA DESINTOXICAR SEU ORGANISMO</p><p>Diante dos problemas que podem acometer nosso sistema digestivo, como elencamos</p><p>anteriormente, podemos recorrer a algumas dietas de desintoxicação do nosso organismo</p><p>e digestão do AMA, como as sopas terapêuticas, o jejum e a monodieta. Essas práticas</p><p>têm sido amplamente utilizadas no Ayurveda como ferramentas eficazes para restaurar o</p><p>equilíbrio digestivo e eliminar toxinas do corpo.</p><p>Nesse contexto, as sopas terapêuticas podem ajudar de forma importante nas terapias de</p><p>pacificação e purificação do corpo, além de também auxiliarem no tratamento de</p><p>resfriados, diarreias e pequenas infecções intestinais. No Ayurveda, é possível desfrutar</p><p>de uma variedade de alimentos naturais, desde que se observe a procedência e a</p><p>compatibilidade individual na absorção desses alimentos. É importante entender que</p><p>o Ayurveda não se limita a estratégias isoladas, mas</p><p>engloba uma gama de abordagens terapêuticas,</p><p>como o uso de ervas, compostos, metais e outros procedimentos específicos para</p><p>promover a saú- de e o bem-estar do indivíduo. A alimentação, incluindo as sopas</p><p>terapêuticas, desempenha um papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento</p><p>de doenças, sendo integrada a um sistema médico</p><p>abrangente e holístico.</p><p>Já o jejum, como dito anteriormente, é considerado uma prática poderosa no Ayurveda,</p><p>pois estimula o fogo digestivo e promove a eliminação de toxinas acumuladas no corpo e</p><p>na mente. No entanto, é fundamental que o jejum seja realizado sob a supervisão de um</p><p>profissional qualificado para garantir sua segurança e eficácia. Uma abordagem comum é</p><p>a adoção da monodieta, que consiste em consumir um único alimento ou preparação</p><p>durante o jejum, seja por um curto ou longo período de tempo. Essa prática é adotada no</p><p>Ayurveda devido aos seus potenciais benefícios sem causar danos à saúde.</p><p>Além disso, o Ayurveda oferece uma variedade de preparações terapêuticas chamadas</p><p>Pathya Kalpana, que são utilizadas para auxiliar o processo digestivo, especialmente</p><p>quando o fogo digestivo está desequilibrado, irregular ou fraco. Essas preparações</p><p>incluem:</p><p>• Manda: uma preparação líquida feita com uma medida de arroz para 14 medidas de</p><p>água, adicionando especiarias e sal. É consumida coada, ou seja, apenas o líquido, sendo</p><p>recomendada para estimular um Agni extremamente lento.</p><p>• Peya: segue a mesma receita do Manda, mas, nesse caso, o arroz é consumido com o</p><p>líquido.</p><p>• Yavagoo: utiliza os mesmos ingredientes do Manda, mas varia a proporção de água,</p><p>sendo recomendada uma medida de arroz para seis medidas de água. Pode-se adicionar</p><p>um pouco de óleo nessa preparação. À medida que a digestão melhora, é possível tornar a</p><p>preparação mais sólida.</p><p>• Yush: uma sopa terapêutica feita com feijão moyashi, guandu ou ervilha partida, água,</p><p>especiarias e sal. Essa preparação oferece benefícios para o sistema digestivo.</p><p>• Kichadi: uma sopa terapêutica semelhante ao Yush, mas acrescida de arroz. Também é</p><p>uma opção para promover o equilíbrio digestivo e a nutrição do organismo.</p><p>É importante ressaltar que, caso não seja possível encontrar os ingredientes específicos</p><p>recomendados nas preparações, como o arroz vermelho ou o feijão moyashi, pode-se</p><p>fazer substituições adequadas de acordo com a disponibilidade local.</p><p>COMO A MONODIETA PODE AUXILIAR NA DIGESTÃO?</p><p>Como abordamos anteriormente,</p><p>a monodieta pode ser uma importante aliada no</p><p>restabelecimento da força do nosso fogo digestivo.</p><p>Ela consiste em consumir um único alimento ao longo de um dia para melhorar a saúde</p><p>do Agni, geralmente, por meio de sopas do tipo manda e peya. É possível variar a</p><p>quantidade de água, mas as especiarias permanecem as mesmas ao longo do dia.</p><p>Ela pode ser utilizada como medida preventiva, sendo realizada pontualmente uma vez</p><p>por mês ou a cada quinze dias para evitar o estresse, excesso de trabalho, irregularidades</p><p>na rotina e no Agni, assim como prevenir processos patológicos. Para aqueles que nunca</p><p>fizeram jejum, é recomendado começar diretamente com o kichadi. Em seguida, sempre</p><p>que sentir fome, deve-se consumir essa preparação. É importante seguir o dinacharya</p><p>completo nesse dia, não como tratamento, mas como prevenção para evitar indigestão e</p><p>produção de AMA.</p><p>As sopas devem preferencialmente ser preparadas o mais próximo possível das</p><p>refeições. Embora elas possam melhorar a condição, a cura só será alcançada ao eliminar</p><p>a causa subjacente dos distúrbios. A mistura de especiarias pode variar em termos de tipo</p><p>(como gengibre, cominho, pimenta) e forma (pó, ralada, fresca). Por exemplo, em casos</p><p>de diarreia e infecção intestinal, a cúrcuma pode ser utilizada.</p><p>Não há medidas específicas de quanto comer durante a monodieta. Deve-se comer até</p><p>saciar a fome e quantas vezes forem necessárias. Aproveite esse momento para relaxar,</p><p>especialmente ao realizar a monodieta de forma preventiva, aproveitando o dia para</p><p>cuidar de si mesmo, evitando o uso de celular, computador, entre outros. Em casos de</p><p>Agni muito lento, obesidade ou secreção, é possí- vel adotar esse tratamento uma vez por</p><p>semana. Além disso, evite fazer a monodieta durante o período menstrual, em casos de</p><p>doenças graves ou debilitantes e durante a gestação.</p><p>As terapias são eficazes na pacificação dos desequilíbrios do sistema e na melhoria da</p><p>saúde. Elas envolvem ações que acalmam, acolhem e nutrem os tecidos — além de</p><p>auxiliarem na digestão da AMA — como: jejuns líquidos que incluem chás de ervas com</p><p>propriedades digestivas, como gengibre, cominho, erva-doce, funcho, pimenta-do-reino e</p><p>coentro; seguir uma monodieta por 24 horas, uma vez por semana ou a cada 15 ou 30</p><p>dias, como medida preventiva; reduzir o consumo excessivo de líquidos e praticar</p><p>atividades físicas suaves; tomar sol; pranayamas (exercícios respiratórios) e yoga</p><p>regenerativa também têm sido associados à melhoria do Agni excessivo e da digestão.</p><p>No entanto, pessoas debilitadas, idosos, crianças, gestantes e indivíduos em tratamento</p><p>médico devem ser avaliados por profissionais antes de adotarem a monodieta. Essas</p><p>orientações devem ser seguidas como prevenção ou tratamento para distúrbios pontuais e</p><p>flutuações do sistema digestivo causadas por hábitos inadequados, combinações</p><p>incompatíveis e momentos de estresse.</p><p>Em casos de doenças estabelecidas, como constipação crônica, podem ser necessários</p><p>tratamentos mais intensos, que incluem combinações específicas de ervas ou</p><p>medicamentos individualizados. Para uma digestão lenta, recomenda-se iniciar com a</p><p>sopa Manda ou Peya, ou utilizar o kichadi se houver fome.</p><p>Caso o Agni esteja em excesso, podemos optar pela sopa Manda para não agravar o</p><p>fogo interno, embora seja importante contar com acompanhamento especializado,</p><p>especialmente se a pessoa já estiver debilitada. Já para Agni regular, as opções são Peya,</p><p>Yavagoo ou Kichadi. Para auxiliar na digestão, podemos consumir água morna temperada</p><p>com gengibre em pó e pimenta-do-reino. Após as refeições, em casos de digestão lenta,</p><p>podemos ingerir uma colher de café de mel (com mais de seis meses de embalado)</p><p>temperado com uma pitada de gengibre em pó, pimenta em pó e canela em pó, para</p><p>estimular o Agni e auxiliar na digestão.</p><p>Idealmente, precisamos fazer duas refeições por dia. Porém, é importante distinguir a</p><p>fome real e a ansiedade mental causada pela restrição alimentar. Nos dias em que se</p><p>realiza a monodieta, devemos reduzir as atividades e o esforço físico para permitir a</p><p>digestão adequada do que está acumulado no sistema.</p><p>No dia seguinte, podemos fazer escolhas alimentares mais adequadas, seguindo a</p><p>melhor seleção de alimentos de acordo com o Ayurveda e com a estação do ano em que</p><p>estamos, respeitando assim a sazonalidade. No dia a dia, o Ayurveda não preconiza uma</p><p>dieta restritiva. É possível consumir todos os alimentos naturais, mas é fundamental</p><p>observar as características individuais para fazer escolhas adequadas diariamente. É</p><p>importante seguir a rotina diária recomendada. No geral, a adoção da monodieta aliada ao</p><p>uso de especiarias auxilia na manutenção do fogo digestivo, colaborando,</p><p>consequentemente para a melhoria de nossa saúde em sua totalidade.</p><p>C hegamos ao fim da nossa jornada de conhecimento em busca de uma digestão</p><p>saudável por meio dos princípios ancestrais e tradicionais do Ayurveda. Como</p><p>médica, minha maior satisfação é poder compartilhar conhecimentos que possam</p><p>transformar positivamente a vida das pessoas, e espero sinceramente que você tenha</p><p>encontrado inspiração nestas páginas.</p><p>Ao longo desta obra, exploramos os fundamentos do Ayurveda, da medicina ancestral,</p><p>destacando a importância do fogo digestivo, ou Agni, como a raiz de todas as doenças.</p><p>Aprendemos que</p><p>não somos apenas aquilo que comemos, mas sim o</p><p>que digerimos e absorvemos.</p><p>Por isso, é necessário que tomemos conhecimento da nossa constituição individual, nosso</p><p>dosha, e identifiquemos o estado funcional do Agni para tomarmos decisões conscientes</p><p>em busca do equilíbrio.</p><p>Ao adotarmos as práticas do dinacharya, abraçamos uma rotina que fortalece a</p><p>capacidade digestiva — permitindo que nosso Agni funcione e que as excreções sejam</p><p>eliminadas adequadamente — e que promove a produção de melatonina, favorecendo um</p><p>sono reparador e a restauração dos tecidos do corpo. Além disso, enfatizamos a conexão</p><p>profunda entre o corpo</p><p>e a mente, reconhecendo a importância das práticas mentais e</p><p>morais para uma consciência plena e um equilíbrio duradouro.</p><p>O Ayurveda também destaca a conexão entre o corpo e a mente, reconhecendo que as</p><p>doenças podem se manifestar inicialmente no corpo e, posteriormente, afetar a mente.</p><p>Nesse contexto, as práticas mentais e morais são essenciais para desenvolvermos uma</p><p>consciência plena do nosso corpo, uma vez que a alimentação, os hábitos de vida e o</p><p>ambiente em que vivemos podem causar desequilíbrios que afetarão nossa mente.</p><p>Ao seguirmos os princípios do Ayurveda em nossas vidas, nos tornamos agentes ativos</p><p>em nossa própria jornada de saúde. Mas é importante lembrar: a busca pelo equilíbrio é</p><p>contínua. A vida está sempre em movimento e nossas circunstâncias podem mudar. Que</p><p>continuemos nutrindo nosso fogo digestivo e nos lembrando de que somos os</p><p>protagonistas de nossa própria jornada de saúde! Este mínimo foi um guia para ajudá-lo a</p><p>compreender os princípios fundamentais da digestão saudável, mas é importante</p><p>continuar adaptando-se às suas necessidades individuais ao longo da vida. Desejo sucesso</p><p>contínuo em sua busca por uma digestão saudável e uma vida equilibrada, e que você</p><p>sempre se lembre: você possui o poder de transformar sua saúde e viver plenamente.</p><p>S</p><p>SANTA HILDEGARDA E A DIGESTÃO</p><p>anta Hildegarda de Bingen (1098−1179) foi uma monja beneditina, musicista,</p><p>naturalista médica, poetisa e escritora alemã, cujo trabalho médico na era medieval</p><p>estabeleceu uma conexão entre os distúrbios da saúde digestiva e os vícios emocionais</p><p>presentes na alma. De acordo com ela, para alcançar a cura completa, além do tratamento</p><p>físico por meio de dieta, chás e um sono reparador, é necessário neutralizar os ví- cios</p><p>emocionais, que consistem em pensamentos, sentimentos e ações que afetam</p><p>negativamente o corpo físico.</p><p>O corpo humano, em particular o estômago e o intestino, sofre consideravelmente com</p><p>os problemas psíquicos. Durante momentos de dificuldade ou estresse, os ácidos biliares</p><p>do fígado inundam o intestino, perturbando o desenvolvimento de uma microbiota</p><p>intestinal saudável. Esses fatores de risco, conhecidos como “vícios e virtudes”, afetam</p><p>diretamente o estômago e o intestino. Por essa razão, é de extrema importância aplicar</p><p>com seriedade e consciência os princípios curativos das virtudes espirituais. Dessa forma,</p><p>a alma, ao encontrar solução para seus conflitos, pode transmitir serenidade ao corpo,</p><p>especialmente ao estômago e ao intestino.</p><p>Hildegarda de Bingen também destaca a importância de cuidar dos pensamentos que</p><p>temos durante o dia, enfatizando a necessidade de manter pensamentos elevados, assim</p><p>como uma alimentação sã, equilibrada e feita com amor. Seu tratamento consiste em</p><p>praticar as virtudes que neutralizam os vícios, os quais são responsáveis pela inflamação e</p><p>desordem no sistema digestivo. Alguns exemplos dessas virtudes são: temperança em vez</p><p>de depravação, generosidade em vez de amargura, bondade em vez de incredulidade,</p><p>amor pela verdade em vez de mentira e traição, pacifismo em vez de humor belicoso,</p><p>felicidade em vez de melancolia, espírito moderado em vez de excesso e alma salva em</p><p>vez de alma seca.</p><p>O caminho a ser trilhado por meio da prática dessas virtudes deve ser o objetivo de cada</p><p>um de nós. Confiança, harmonia, bondade, fé, coragem, honestidade, paciência,</p><p>humildade, sabedoria e muitas outras virtudes são essenciais. Sem a prática dessas</p><p>virtudes, nossa vida se torna vazia, levando a inflamações, doenças, procrastinação,</p><p>medo, ansiedade e uma série de adversidades que nos afastam da abundância e da fonte</p><p>de toda a abundância — Deus.</p><p>Introdução</p><p>Princípios fundamen tais do Ayurveda</p><p>Desvendando a Ayurgenomics</p><p>Agni: o poder do Fogo Digestivo</p><p>A medicina e a a sua digestão nutrição auxiliando</p><p>Conclusão</p><p>Santa Hildegarda e a digestão</p><p>quentes e bem temperados, evitando alimentos</p><p>pesados e excessivamente frios, que podem causar lentidão no metabolismo.</p><p>Além disso, os Dhatus (nossos tecidos corporais) devem se regenerar de maneira</p><p>harmoniosa, enquanto as excreções, conhecidas como Malas, devem ser produzidas e</p><p>eliminadas adequadamente. É também crucial manter a harmonia entre a alma (satwa), a</p><p>mente (rajas) e os sentidos (tamas), assim como estabelecer uma relação equilibrada com</p><p>o ambiente que nos cerca.</p><p>O objetivo principal do Ayurveda é prolongar a vida e</p><p>promover a saúde perfeita,</p><p>buscando erradicar completamente as doenças e os desequilíbrios do corpo, que podem</p><p>surgir quando não seguimos hábitos saudáveis e não cuidamos da mente e do espírito.</p><p>Para alcançar esses objetivos, utilizamos duas abordagens principais: Shamana e</p><p>Sodhana.</p><p>COMO AS TERAPIAS SHAMANA E SODHANA PODEM AUXILIAR NA</p><p>SAÚDE?</p><p>As terapias de Shamana são voltadas para pacificar o sistema desequilibrado, enquanto as</p><p>terapias de Sodhana têm como objetivo purificar o organismo quando ele já se encontra</p><p>doente. No primeiro caso, podemos empregar ajustes simples na dieta ou monodieta com</p><p>massagens; já no segundo, temos o Panchakarma, um conjunto de cinco terapias de</p><p>purificação que devem ser realizadas apenas quando necessárias e quando o organismo é</p><p>capaz de suportar um tratamento mais intenso.</p><p>No entanto, para que esse tratamento seja eficaz, contamos com quatro agentes básicos:</p><p>o médico, o enfermeiro, o Dravya (farmacologia) e o paciente. O médico desempenha um</p><p>papel essencial na avaliação e no diagnóstico de doenças, enquanto o enfermeiro deve</p><p>seguir as orientações médicas e aplicar as terapias prescritas. Quando é identificado</p><p>algum distúrbio, os alimentos e os medicamentos prescritos (Dravyas) são importantes no</p><p>processo de cura e, consequentemente, o paciente deve ser obediente e seguir as</p><p>orientações médicas com precisão, comprometendo-se a transformar seu estado de saúde.</p><p>Pela perspectiva do Ayurveda, a alimentação desempenha um papel fundamental na</p><p>nossa saúde. Porém,</p><p>ter uma vida saudável não se resume a cuidar do que</p><p>comemos,</p><p>mas também do ambiente que nos cerca, das sensações que experimentamos,</p><p>pensamentos e sentimentos, e das influências que recebemos. De acordo com o</p><p>Sutrasthana do Charaka Samhita, “o alimento sustenta a vida dos seres vivos”. Logo, ele é</p><p>responsável por nossa clareza, voz, longevidade, inteligência, felicidade, satisfação,</p><p>nutrição e vigor. Dessa forma, a escolha de alimentos saudáveis e a manutenção de uma</p><p>rotina adequada são essenciais para equilibrar nosso sistema e promover a saúde em sua</p><p>plenitude.</p><p>ESTRATÉGIAS QUE PODEM PROLONGAR NOSSA VIDA</p><p>Como abordamos anteriormente, o Ayurveda tem dois principais objetivos: prolongar a</p><p>vida mantendo a saúde perfeita e erradicar completamente a doença e os desequilíbrios do</p><p>corpo, como a desinflamação. Para alcançar esses objetivos, contamos com três</p><p>estratégias que podem nos auxiliar neste caminho: o dinacharya, o ritucharya e o</p><p>sadvritta. Essas três práticas são fundamentais para estabelecer uma rotina saudável,</p><p>alinhar nosso estilo de vida com os ritmos naturais do universo e cultivar hábitos</p><p>benéficos para a saúde física, mental e espiritual. Vamos, então, conhecê-las.</p><p>A primeira delas, o Dinacharya (rotina diária), é um conjunto de práticas diárias de</p><p>hábitos saudáveis recomendados para manter a saúde geral do corpo, incluindo o Agni.</p><p>Essas práticas podem ser resumidas em treze orientações básicas:</p><p>1. Acordar antes do nascer do sol.</p><p>2. Agradecer e fazer uma oração.</p><p>3. Lavar o rosto e os olhos com água fresca para acordar.</p><p>4. Eliminar as excreções, como fezes e urina.</p><p>5. Raspar a língua e escovar os dentes.</p><p>6. Fazer bochecho com óleo de gergelim morno para fortalecer gengivas e dentes.</p><p>7. Aplicar uma gota de óleo de gergelim nas narinas, especialmente em ambientes secos</p><p>e em casos de rinites.</p><p>8. Beber água em temperatura ambiente ou morna para melhorar e incrementar a</p><p>digestão.</p><p>9. Realizar abhyanga (uma massagem com óleo morno em todo o corpo) ou uma</p><p>massagem a seco, com escova.</p><p>10. Praticar atividade física, preferencialmente pela manhã.</p><p>11. Tomar banho para limpar o corpo e aumentar a vitalidade.</p><p>12. Seguir regras de boa conduta, ética e moral.</p><p>Conforme os ensinamentos do Ayurveda, podemos entender que</p><p>a qualidade da digestão e a absorção dos alimentos é</p><p>fundamental para a saúde.</p><p>Nesse contexto, a prática do dinacharya é importante para mantermos nossa capacidade</p><p>digestiva, garantindo o bom funcionamento do Agni e a eliminação adequada das</p><p>excreções.</p><p>Além disso, a adoção dessas práticas promove a manutenção da higiene adequada,</p><p>clareza nos órgãos dos sentidos, aumento da força e vitalidade no corpo, envelhecimento</p><p>saudável e longevidade. A rotina diária também ajuda a equilibrar a mente, promove o</p><p>autoconhecimento, a observação, o autocuidado e melhora a capacidade digestiva.</p><p>A primeira orientação da rotina diária é acordar em Brahma Muhurta. Muhurta significa</p><p>“período de tempo” e Brahma é “o período mais auspicioso” para seguirmos nossas</p><p>práticas espirituais, orações e práticas de conexão com aquilo que acreditamos. Em geral,</p><p>esse período é 90 minutos antes do sol nascer.</p><p>Outro aspecto fundamental possibilitado por essas práticas é a eliminação regular das</p><p>excreções, mais conhecidas como malas, como fezes, urina e suor. A supressão dos</p><p>impulsos naturais de urinar ou evacuar pode causar desequilíbrio nos doshas e levar ao</p><p>acúmulo de toxinas (AMA) no corpo.</p><p>Na rotina diária, a limpeza da língua desempenha um papel fundamental na manutenção</p><p>da saúde bucal e do sistema digestivo como um todo. Charaka Samhita afirma que “o</p><p>resíduo que fica na raiz da língua obstrui a expiração e provoca mau hálito, sendo assim,</p><p>a língua deve ser limpa regularmente”. Esse resíduo, conhecido como AMA, pode</p><p>acumular toxinas e bactérias, afetando negativamente a nossa saúde e o funcionamento</p><p>adequado do Agni (digestão).</p><p>Para adotar essa prática, recomenda-se o uso de um raspador de língua de prata, cobre,</p><p>inox, bambu ou uma colher para remover os resíduos acumulados na raiz da língua. Além</p><p>da limpeza da língua, a higiene bucal também inclui a escovação dos dentes pela manhã e</p><p>após as refeições. Nesse sentido, é recomendado o uso de produtos dentais naturais, de</p><p>sabor amargo, picante e adstringente, preferencialmente com menos substâncias químicas</p><p>e sem adição de açúcar. Esses sabores auxiliam na estimulação da digestão e ajudam a</p><p>equilibrar os doshas, promovendo uma boca saudável e contribuindo para a saúde</p><p>digestiva geral.</p><p>Já a prática da Abhyanga (massagem), que envolve a aplicação de óleo no corpo,</p><p>desempenha um papel crucial na rotina diária. Segundo o Charaka, essa prática diária é</p><p>fundamental para afastar o esforço, o envelhecimento e o agravamento de Vata. A</p><p>oleação fortalece a pele e os músculos, tornando o corpo mais resistente e preparado para</p><p>atividades extenuantes. Para isso, recomenda-se a aplicação de óleo todos os dias, de</p><p>preferência em todo o corpo.</p><p>No entanto, caso não seja possível, o Vagbhata sugere a aplicação do óleo na cabeça,</p><p>orelhas e pés, massageando-os. É importante ressaltar que indivíduos com problemas de</p><p>saúde (como náuseas, gripes, febre), que estão no período menstrual ou são gestantes, que</p><p>estão fazendo uso de medicação debilitante ou que têm excesso de peso necessitam de</p><p>recomendações específicas para essa prática. Por outro lado, a massagem a seco com</p><p>escova pode ser realizada por todos.</p><p>Além disso, se o intestino não funciona bem, é indicado aplicar óleo na região</p><p>abdominal e lombar, massageando para auxiliar no movimento intestinal. Essa prática</p><p>diária também lubrifica as articulações, melhora a circulação e a saúde da pele, contribui</p><p>para a calma do sistema nervoso, flexibilidade e força, auxilia na eliminação de</p><p>impurezas do corpo e melhora o sono. Realizar a Abhyanga pela manhã promove não</p><p>apenas uma noite de sono melhor, mas também uma sensação de</p><p>disposição ao longo do dia.</p><p>Outra prática essencial para a manutenção da saúde e</p><p>o equilíbrio do nosso corpo é o</p><p>exercício físico, conhecido como Vyayama. Além dos benefí- cios estéticos, o exercício</p><p>regular oferece uma série de vantagens para o funcionamento adequado do sistema</p><p>digestivo. Ao nos exercitarmos, estimulamos a circulação sanguínea e o fluxo de energia</p><p>no corpo, o que resulta em uma melhora significativa na capacidade de realizar tarefas</p><p>diárias. Além disso, o exercício ajuda a aumentar a digestão, estimulando o Agni (fogo</p><p>digestivo) e promovendo uma absorção mais eficiente dos nutrientes.</p><p>No entanto, indivíduos com doenças, crianças, idosos e pessoas com problemas de</p><p>indigestão devem evitar atividades intensas, como aquelas realizadas em academias. Para</p><p>as crianças, a atividade física é naturalmente realizada por meio do movimento e da</p><p>brincadeira. Nesse contexto, a prática de exercícios deve ser gradual, aumentando a</p><p>capacidade do corpo à medida que ele se fortalece. Nunca devemos nos exercitar a ponto</p><p>de causar lesões ou sobrecarregar nosso corpo.</p><p>Para realizar os exercícios com vigor, recomenda-se o consumo regular de alimentos</p><p>gordurosos, como abacate, azeite, girassol, manteiga ghee e alimentos oleosos em geral.</p><p>Além disso, é preferível praticar exercícios mais intensos durante as estações frias,</p><p>quando o nosso metabolismo precisa ser estimulado, já que naturalmente nos tornamos</p><p>mais lentos e sonolentos nessa época do ano. Nas demais estações, o exercício deve ser</p><p>realizado de forma suave, evitando-se a exaustão. Essas recomendações que relacionam o</p><p>clima e nossas práticas diárias são chamadas de Ritucharya, o qual será abordado adiante.</p><p>As recomendações descritas neste tópico são essenciais para a manutenção da saúde. Ao</p><p>incorporar gradualmente essas práticas em sua rotina diária, você poderá experimentar</p><p>melhorias significativas na saúde ao longo do tempo. Comece com uma prática e, aos</p><p>poucos, adicione as demais, pois elas naturalmente se complementam. Não deixe de</p><p>começar imediatamente para colher os benefícios e restabelecer sua saúde.</p><p>Além disso, devemos considerar que a restauração do sistema após uma doença requer</p><p>uma abordagem individualizada e não existe uma solução instantânea no Ayurveda. Para</p><p>tanto, é necessário identificar a causa subjacente do problema e eliminá-la. Por exemplo,</p><p>se ocorre azia após beber vinho, a solução é parar de consumir essa bebida</p><p>completamente. Não há negociação e é importante estar ciente das consequências. É por</p><p>isso que a prática de autoconhecimento, auto-observação e autorreconhecimento diário é</p><p>tão importante.</p><p>Ao acordar, observe-se. Feche os olhos e perceba como você se sente naquele momento.</p><p>É necessário observar a si mesmo para saber quais</p><p>decisões tomar, em vez de cair em um ciclo automático de acordar todos os dias, tomar</p><p>café da manhã e fazer exercícios. Entenda que você não é a mesma pessoa todos os dias,</p><p>o clima não é o mesmo todos os dias. Portanto, você terá que se adaptar e fazer ajustes.</p><p>Já a segunda estratégia, o Ritucharya, trata-se da prática de ajustar a rotina de acordo</p><p>com certos períodos, como as estações do ano e/ou o período menstrual, como</p><p>mencionamos anteriormente. Antes da menstruação, por exemplo, é comum sentir mais</p><p>fome, pois o corpo se prepara para a perda de tecido, assim o desejo por alimentos doces</p><p>surge porque eles nutrem o organismo e os tecidos.</p><p>O corpo sabe reconhecer suas necessidades. No entanto, é importante evitarmos açúcar</p><p>refinado, chocolate, lecitina de soja, leite em pó e gordura hidrogenada, em vez disso,</p><p>podemos optar por alimentos como a batata doce, que são recomendados para saciar esse</p><p>desejo de energia.</p><p>Por fim, o Sadvritta, a terceira estratégia, é o conjunto de práticas de conduta éticas e</p><p>morais.</p><p>Tanto o Astanga quanto o Charaka destacam a importância de respeitar os pais, os</p><p>professores e proteger partes específicas do corpo, como a cabeça do sol, a cabeça e as</p><p>orelhas da chuva e do frio, e os pés de ambientes gelados.</p><p>Além disso, é essencial o respeito pela fome e pela digestão. Comer apenas quando se</p><p>sentir realmente faminto é uma forma de demonstrar moralidade e ética em relação a si</p><p>mesmo, demonstrando respeito pela sua saúde e pela sua própria vida.</p><p>As práticas de conduta são consideradas senso comum, pois envolvem cuidar e proteger</p><p>o ambiente em que vivemos; cuidar e respeitar as pessoas ao nosso redor; viver em</p><p>harmonia com a família, prestando cuidados e respeito aos mais velhos; trabalhar de</p><p>maneira ética e moral, seguindo nosso dharma com responsabilidade e integridade. Ao</p><p>agirmos dessa maneira, respeitamos nossa própria vida, valorizando a oportunidade de</p><p>existir.</p><p>Ao adotarmos esse princípio em relação à nossa digestão e ao nosso estilo de vida,</p><p>contribuímos para um equilíbrio saudável não apenas dentro de nós mesmos, mas também</p><p>no mundo que nos cerca. Trata-se de uma abordagem holística que honra a interconexão</p><p>entre nossa saúde individual e a saúde do planeta.</p><p>N</p><p>DESVENDANDO A AYURGENOMICS</p><p>o capítulo anterior, exploramos a importância do equilíbrio dos doshas (elementos)</p><p>para alcançar uma saúde vigorosa e satisfatória.</p><p>Para seguir esse caminho em direção ao bem-estar, é crucial compreender a</p><p>interconexão entre nossos doshas (Vata, Pitta e Kapha) e nossa constituição genética. Na</p><p>vasta sabedoria da medicina ayurvé- dica, essa relação é conhecida como Ayurgenomics.</p><p>A evolução da população humana teve início na África e, posteriormente, ocorreu uma</p><p>miscigenação abrangente em todo o mundo. Logo, embora sejamos resultado de uma</p><p>miscigenação, há uma base molecular que conecta todos nós.</p><p>há uma base molecular que conecta todos nós.</p><p>Existem cerca de dez milhões de polimorfismos genéticos que representam variações</p><p>comuns na sequência de DNA dos seres humanos e podem ocorrer em diferentes locais</p><p>do genoma. Apesar dessa diversidade genética, os polimorfismos gené- ticos têm a</p><p>capacidade de se conectar e interagir uns com os outros, influenciando a complexidade e</p><p>a diversidade do nosso perfil genético. A ciência tradicional tem se dedicado ao estudo</p><p>desse assunto, pois cada dosha parece estar associado a certas predisposições a doenças</p><p>específicas, incluindo aquelas relacionadas à digestão.</p><p>Por meio da Ayurgenomics (estudo da genética a partir do Ayurveda), começamos a</p><p>compreender como certos genes podem predispor indivíduos a uma maior sensibilidade a</p><p>fatores alimentares, estilo de vida e, até mesmo, a doenças. Essa ideia proporciona uma</p><p>visão mais personalizada sobre como nutrir, cuidar e equilibrar nossos doshas, a fim de</p><p>promover uma digestão saudável e eficiente.</p><p>O QUE O DOSHA PODE REVELAR SOBRE NOSSO ORGANISMO?</p><p>Todos nós possuímos os três doshas — Vata, Pitta e Kapha — em nosso interior, mas</p><p>cada um de nós tem uma predominância específica determinada pela herança genética.</p><p>No entanto, o ambiente em que vivemos pode alterar essa constituição genética, tornando</p><p>ainda mais complexa a interação dos doshas com o nosso organismo. Por exemplo, você</p><p>pode ter herdado a constituição Pitta (fogo e água), mas o meio em que vive o tornou</p><p>Kapha (terra e água), e isso se aplica tanto para a constituição corporal quanto mental.</p><p>Aqueles com uma constituição Vata (ar e éter) tendem a ter um corpo mais magro,</p><p>cabelos volumosos e uma constituição física ágil. Eles são secos, leves, frios, ásperos e</p><p>inteligentes. Quando em equilíbrio, essas pessoas exibem entusiasmo, flexibilidade,</p><p>adaptabilidade e criatividade. No entanto, quando desequilibradas, enfrentam desafios</p><p>como ansiedade, falta de foco, insegurança, indecisão e inconstância. Se o desequilíbrio</p><p>se tornar exacerbado, podem se tornar medrosos, desonestos, reclamões, depressivos e</p><p>podem tender para a dependência química e autodestruição.</p><p>O Vata se manifesta nos espaços vazios do corpo, como o cólon e os canais sutis do</p><p>sistema nervoso, o que pode afetar a saúde digestiva. O principal órgão em que há</p><p>acúmulo de Vata é o intestino grosso. Além disso, ele tende a se acumular no cérebro,</p><p>gerando ansiedade e agitação.</p><p>As pessoas de constituição Vata são secas e magras, têm voz mais rouca,</p><p>aparência mais</p><p>sombria e grosseira. Têm o tom obstruído e trêmulo e não costumam desfrutar de boas</p><p>noites de sono. Os hábitos alimentares são instáveis, portanto, trata-se de pessoas frágeis.</p><p>Suas articulações, olhos, sobrancelhas, maxilares, língua, cabeça, escápula, mãos e pés</p><p>estão sempre agitados. São pessoas que falam muito e, por isso, não conseguem entender</p><p>o que as outras pessoas falam. Têm ligamentos e vasos proeminentes e salientes. São</p><p>pessoas precipitadas e desorganizadas. Elas não suportam o frio. Têm cabelo, bigode,</p><p>pele, unhas, dentes, face, mãos e pés ásperos e quebradiços.</p><p>As pessoas que têm dosha Pitta (Fogo e Água) têm uma constituição física voluptuosa,</p><p>cabelos claros ou avermelhados; uma natureza ardente, inteligente e de liderança. São</p><p>fogo e água, quentes e untuosos (pele oleosa), agudos, leves, com odor (transpiram muito)</p><p>e móveis. Quando equilibrado, o Pitta traz inventividade, lógica e coragem. No entanto,</p><p>quando desequilibrado, pode levar a problemas como irritabilidade, crítica, tendências de</p><p>dominação e apetite exacerbado. Quando em muito desequilíbrio, são manipuladores,</p><p>vingativos, vaidosos, com tendência à destruição, à psicopatia e ao crime.</p><p>O dosha Pitta fica localizado no intestino delgado e no estômago, nas glândulas</p><p>sudoríparas e sebá- ceas, no sangue, na linfa e nos olhos. Geralmente, essas pessoas não</p><p>suportam o calor, apresentam fome e sede em excesso, além de sintomas de</p><p>envelhecimento, sêmen e potencial sexual reduzidos precocemente.</p><p>Já o Kapha (terra e água) é aquele que tem uma estrutura corporal e mental maiores. As</p><p>pessoas Kapha são untuosas, pesadas, lentas, suaves, frias, sólidas e viscosas (apresentam</p><p>pele fria e grudenta).</p><p>São estáveis, calmas, pacíficas, resilientes, espirituosas e receptivas. Em desequilíbrio,</p><p>podem ser apegadas, invejosas, materialistas e tender à luxúria. Em maior desequilíbrio,</p><p>apresentam a necessidade de segurança, são lentas, apáticas, rudes, letárgicas e com</p><p>tendências ao roubo. O Kapha se manifesta principalmente no estômago, tórax, garganta,</p><p>cabeça, pâncreas, linfa, gordura, nariz e língua. Se desequilibrado, o Kapha acumula-se</p><p>nos rins.</p><p>Além disso, o Kapha apresenta estruturas mais macias e brilhantes no corpo, atração,</p><p>ternura e charme. O seu poder sexual é maior, inclusive são pessoas mais férteis. Eles</p><p>possuem ossos e articulações firmes, fortes e ativos. Sua alimentação e seu</p><p>comportamento são lentos, não são apressados e não se corrompem ou se entristecem em</p><p>situações difíceis. Têm olhos brilhantes e atraentes, são charmosos, com cor e compleição</p><p>atraentes e voz melodiosa. Têm um sistema de ligamentos forte e bem integrado.</p><p>As pessoas podem apresentar uma combinação de doshas, como: Vata-pitta, Pitta-</p><p>kapha, Vata-kapha, Vata-pitta-kapha. Além disso, há momentos em que nosso estilo de</p><p>vida apresenta mais características de um dosha em relação a outro, por exemplo, na</p><p>infância, principalmente até os 16 anos, somos predominantemente Kapha, podendo</p><p>sofrer mais desordens desse dosha, como congestão pulmonar, tosse, resfriados e</p><p>secreções de muco; na fase adulta, dos 16 aos 50, somos mais Pitta; e após os 51 anos,</p><p>quando idosos, nos tornamos mais Vata, com o surgimento de tremores, ansiedade, falta</p><p>de ar, artrite e perda de memória. Um aspecto importante é que as mulheres com</p><p>constituição Vata, na menopausa, tendem a apresentar os sintomas de forma exacerbada,</p><p>tanto na questão digestiva como comportamental.</p><p>Um trabalho da Scientific Reports analisou os principais componentes de polimorfismo</p><p>genético do tipo Single nucleotide polimorphism (SNP) e classificou 262 indivíduos em</p><p>grupos independentemente de sua ancestralidade. Posteriormente, descobriu-se que o</p><p>gene PGM1 correlaciona-se com o fenótipo de Pitta, conforme descrito no texto antigo de</p><p>Charaka Samhita, o que corrobora a ideia de que a classificação fenotípica da medicina</p><p>tradicional da Índia tem uma base genética; e sua prática baseada em doshas, em voga por</p><p>muitos séculos, ressoa na medicina personalizada.</p><p>Um estudo apontou que o dosha Kapha tem uma deposição de gordura maior, com a</p><p>presença de maiores taxas de colesterol, triglicerídeos e LDL. Contudo, embora saibamos</p><p>de todas essas preciosas informações,</p><p>muitas pessoas são diagnosticadas e tratadas de</p><p>forma incorreta, pois as características do dosha são apenas sinais de sua constituição, não</p><p>significa que necessariamente há uma doença instalada nele.</p><p>O dosha Pitta, por exemplo, tende a ter mais alterações hepáticas, por isso, é importante</p><p>que as pessoas que pertencem a esse grupo utilizem ervas mais amargas e depurativas,</p><p>como boldo e dente de leão, que auxiliam no funcionamento fígado. Por sua vez, o tipo</p><p>Vata se beneficia de plantas mais calmantes, como o campim-limão. Já as pessoas do tipo</p><p>Kapha podem utilizar plantas mais picantes, como o trikatu (mistura de três pimentas), o</p><p>gengibre, a galanga ou a canela.</p><p>Após a auto-observação e a descoberta do tipo de dosha que nos constitui, podemos</p><p>utilizar os alimentos que são mais facilmente digeridos por cada dosha, visando alcançar</p><p>o equilíbrio desejado em nossa saúde. No entanto, é fundamental entender que nossa</p><p>saúde não se resume apenas à alimentação. Como mencionado anteriormente, ela também</p><p>é influenciada pela forma como digerimos o que nos é oferecido.</p><p>Nesse contexto, é essencial estudar outros fatores que desempenham um papel</p><p>importante no processo de absorção dos nutrientes: os ritmos biológicos e os ciclos</p><p>naturais do corpo humano. A ciência que estuda tais fatores se chama cronobiologia.</p><p>COMO A CRONOBIOLOGIA PODE CONTRIBUIR PARA NOSSA DIGESTÃO?</p><p>A cronobiologia é o estudo dos ritmos biológicos associados ao ciclo circadiano de 24</p><p>horas, o qual inclui os ciclos anuais e mensais que dizem respeito à rotação da Terra e às</p><p>estações do ano. Assim como os animais, os seres humanos também são afetados por</p><p>essas mudanças biológicas. Nesse sentido, o Ayurveda propõe a implementação da rotina</p><p>diária para nos reconectar com os ciclos naturais do universo dos quais estamos</p><p>desconectados.</p><p>O astrônomo Jean-Jacques d’Ortous de Mairan foi o primeiro cientista a observar a</p><p>influência da luminosidade nos ciclos biológicos, notando como uma planta abria e</p><p>fechava suas folhas de acordo com a luz solar. Embora a cronobiologia tenha sido</p><p>reconhecida apenas em 1960, as discussões sobre esse tema já estavam presentes nos</p><p>textos ayurvédicos há mais de cinco mil anos.</p><p>Contudo,</p><p>os ciclos biológicos não são simplesmente afetados</p><p>pelo ambiente, mas estão sincronizados com ele.</p><p>Assim, tanto a luz quanto a sincronia com o ambiente e as estações do ano são</p><p>responsáveis por regular o sono e a digestão ao longo do dia.</p><p>De fato, nossos organismos evoluíram em sincronia com os ciclos naturais do planeta,</p><p>incluindo os ritmos diários e sazonais. Esses ciclos desempenham um papel fundamental</p><p>na regulação dos nossos processos biológicos, incluindo a digestão e o metabolismo.</p><p>Então, por que devemos comer as mesmas coisas todos os dias ou agir da mesma forma?</p><p>Essa falta de variedade e flexibilidade pode levar a desequilíbrios em nossa saúde e bem-</p><p>estar. Para lidar com essa variação temos uma valiosa aliada: a auto-observação.</p><p>Por meio da auto-observação, podemos compreender a</p><p>relação entre nosso ciclo de vida e o ciclo do universo.</p><p>De forma geral, pela manhã, o hormônio cortisol prepara nosso organismo para as</p><p>atividades diá- rias. Teoricamente, é nesse período que saímos da “caverna” para caçar,</p><p>então, recomenda-se praticar atividade física pela manhã, aumentando os níveis de</p><p>endorfina, que possui propriedades analgésicas. Isso nos ajuda a lidar com dores — de</p><p>cabeça e nas articulações — ao longo do dia. Além disso, a endorfina contribui para a</p><p>redução da ansiedade, melhora a compreensão do ciclo diário, promove um sono melhor à</p><p>noite e aumenta a atenção plena.</p><p>Logo após acordarmos e nos exercitarmos, o estômago começa a produzir enzimas</p><p>digestivas em preparação para a chegada do alimento. Se nos alimentarmos de forma</p><p>inadequada pela manhã ou à noite e tivermos</p><p>um sono de má qualidade, essa preparação</p><p>hormonal e enzimática não ocorrerá adequadamente. O que acarretará sensações de</p><p>ardência ou queimação quando o estômago está vazio, ou a digestão inadequada quando o</p><p>estômago não está preparado para receber o alimento.</p><p>No período da tarde, as células nervosas estão mais ativas, o que pode intensificar a</p><p>percepção de dor e neuropatias. Também nos tornamos mais nervosos e ansiosos no</p><p>período vespertino, o que pode aumentar o desejo por ficar “beliscando” alimentos.</p><p>Quando observamos essa ação em nosso dia a dia, podemos identificar que nosso corpo</p><p>está enviando um sinal de que algo não está funcionando corretamente, indicando a</p><p>presença de inflamação.</p><p>Já durante a madrugada, é importante estarmos dormindo para permitir que nosso</p><p>sistema endó- crino trabalhe e aumente a secreção de hormônios que são menos ativos ao</p><p>longo do dia ou têm uma secreção mais lenta. É nesse momento que ocorrem processos</p><p>inflamatórios agudos e uma diminuição do sistema imunológico. Nesse sentido, é</p><p>possível que as pessoas que trabalham durante a noite apresentem um sistema</p><p>imunológico mais frágil e inflamações mais acentuadas.</p><p>Para manter nosso ciclo circadiano em sintonia com o universo, o Ayurveda preconiza</p><p>ter uma refeição mais robusta no café da manhã, um almoço mais regular e um jantar</p><p>mais leve, a fim de facilitar a digestão. O objetivo dos ciclos circadianos é antecipar e</p><p>preparar o corpo para eventos regulares em nosso ambiente, como a alimentação.</p><p>Portanto, para nutrir o corpo adequadamente e ter uma boa digestão, é necessário ter um</p><p>ciclo bem regulado.</p><p>A desregulação do ciclo circadiano pode causar resistência à insulina e,</p><p>consequentemente, ao diabetes tipo 2, uma vez que ele regula todo o metabolismo —</p><p>incluindo o sistema nervoso central, a ingestão alimentar, a fome e a respiração</p><p>mitocondrial muscular. Essa interconexão entre o ciclo circadiano e o metabolismo</p><p>também se estende a outras áreas da saúde. Por exemplo, para ganhar massa muscular e</p><p>ter articulações saudáveis, é essencial que o ciclo circadiano “converse” com os</p><p>músculos, o fígado, o intestino e até mesmo com nossas bactérias. Além disso, é essencial</p><p>estabelecer uma comunicação adequada com o nosso ciclo circadiano, pois isso promove</p><p>o aumento da produção de ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, que</p><p>desempenham um papel importante na prevenção do câncer de cólon e na melhoria da</p><p>digestão. O ciclo circadiano atua como um elo vital que conecta vários aspectos da saúde</p><p>e bem-estar.</p><p>Também</p><p>é indispensável que os nossos ciclos de sono</p><p>funcionem adequadamente para mantermos nosso</p><p>metabolismo saudável.</p><p>O sono é dividido em duas fases: NREM (sono não REM) e REM (movimento rápido dos</p><p>olhos), que desempenham papéis distintos na qualidade do nosso descanso. Equilibrar as</p><p>porcentagens dessas fases é essencial para alcançar um descanso de qualidade e promover</p><p>uma boa saúde geral. Durante o sono NREM, nosso corpo se dedica à recuperação e</p><p>restauração da energia física, permitindo a reparação dos tecidos, a consolidação da</p><p>memória e o fortalecimento do sistema imunológico. Por outro lado, o sono REM</p><p>desempenha um papel importante no processamento emocional, na consolidação da</p><p>memória emocional e na criatividade.</p><p>A desregulação em uma dessas fases pode levar a problemas de saúde, como fadiga</p><p>crônica, comprometimento cognitivo e emocional. Portanto, é importante adotar práticas</p><p>saudáveis para equilibrar as porcentagens das fases de NREM e REM, garantindo assim</p><p>uma boa saúde e bem-estar geral.</p><p>NREM</p><p>• N1: 10% do sono (transitório).</p><p>• N2: 50% do sono.</p><p>• N3: 20% do sono (sono de onda lenta).</p><p>REM</p><p>• N4: 20% do sono (a atividade cerebral é parecida com o acordado, trata-se do período</p><p>em que ocorre a maior parte dos sonhos).</p><p>As fases do sono desempenham papéis fundamentais na nossa saúde e longevidade, e é</p><p>importante que haja uma interação harmoniosa entre elas. O sono desempenha um papel</p><p>crucial na regulação de substâncias anti-inflamatórias e, se permanecermos por muito</p><p>tempo em um sono superficial e transitório, podemos comprometer nossa imunidade, ou</p><p>seja, estaremos mais susceptíveis à inflamação. Além disso,</p><p>quando combinamos estresse e uma alimentação</p><p>inadequada, potencializamos ainda mais os efeitos</p><p>negativos no sistema imunológico,</p><p>aumentando o risco de desenvolvimento de doenças autoimunes.</p><p>COMO MELHORAR O CICLO DO DIA?</p><p>Podemos melhorar a qualidade do sono por meio de algumas práticas e hábitos saudáveis.</p><p>Nesse contexto, seguindo o princípio da rotina diária, é essencial estabelecermos horários</p><p>regulares para dormir e acordar; praticarmos exercícios físicos regularmente; evitarmos o</p><p>consumo de bebidas com cafeína próximo ao horário de dormir, especialmente a partir</p><p>das 16h, levando em consideração o estado da nossa digestão e nosso dosha pessoal.</p><p>Para dormirmos bem, também é importante criarmos um ambiente calmo, escuro e</p><p>confortável, pois a produção de melatonina, um hormônio essencial para uma boa noite</p><p>de sono, ocorre na ausência de luz. Logo, devemos evitar o uso de dispositivos</p><p>eletrônicos na cama, a fim de reduzir a estimulação visual; cultivar hábitos relaxantes,</p><p>como meditação, yoga e massagem, para estimular a produção de hormônios que</p><p>auxiliarão no sono noturno; e consumir alimentos que promovam a produção de</p><p>serotonina, que é convertida em melatonina.</p><p>Como dito anteriormente, a melatonina é uma substância crucial para a qualidade do</p><p>sono e desempenha múltiplos papéis na saúde. Além de regular o sono, ela possui efeitos</p><p>cardioprotetores, previne o Alzheimer, atua no pâncreas para prevenir o diabetes e</p><p>modula o sistema imunológico, protegendo contra o câncer. Vale ressaltar que a produção</p><p>adequada dessa substância pode ser estimulada por meio da alimentação.</p><p>No entanto, é importante notar que dietas que incluem gorduras industriais, proteína</p><p>animal e carboidratos prejudiciais são conhecidas por serem inflamatórias e podem afetar</p><p>negativamente a produção adequada de melatonina. Por outro lado, a dieta do</p><p>mediterrâneo tem sido amplamente estudada e reconhecida por seus benefícios à saúde,</p><p>incluindo a regulação da produção de melatonina. Essa abordagem alimentar enfatiza</p><p>uma maior ingestão de carboidratos saudáveis, como grãos integrais, legumes e frutas,</p><p>além de gorduras benéficas encontradas em alimentos como azeite de oliva, nozes e</p><p>peixes ricos em ômega-3.</p><p>Além disso, práticas como jantar cedo, adotar o jejum intermitente, aumentar a ingestão</p><p>de alimentos no café da manhã e até mesmo experimentar a monodieta, a qual</p><p>abordaremos melhor mais adiante, também têm sido associadas a uma maior produção de</p><p>melatonina.</p><p>Contudo, a eficácia da melatonina pode variar de acordo com a capacidade de</p><p>metabolização e o funcionamento do sistema digestivo de cada indivíduo. No entanto,</p><p>existem alimentos e frutas que são precursores naturais</p><p>de melatonina,</p><p>como amêndoas, banana, farelo de aveia, kiwi, cereja e iogurte. Consumir esses alimentos</p><p>no perí- odo da tarde, a partir das 17h ou 18h, pode ajudar a estimular a produção de</p><p>hormônios necessários para a síntese da melatonina, contribuindo para um sono mais</p><p>reparador à noite.</p><p>Já o jejum intermitente tem demonstrado efeitos benéficos na neuroplasticidade e na</p><p>prevenção de doenças neurológicas, além de promover proteção contra a resistência à</p><p>insulina em indivíduos diabéticos. O ciclo do hormônio cortisol desempenha um papel</p><p>crucial nesse processo.</p><p>Por volta das 5h30, 6h da manhã, o cortisol começa a aumentar, marcando o momento</p><p>ideal para acordar e realizar as práticas da rotina diária, que visam melhorar a digestão ao</p><p>longo do dia. O cortisol atinge seu pico no início do dia, impulsionando a energia e a</p><p>atividade diárias, e diminui à medida que a noite se aproxima, preparando o organismo</p><p>para uma menor digestão no jantar e o início do sono. Durante a noite, outros hormônios</p><p>são produzidos, não requerendo mais a presença do cortisol elevado.</p><p>O relógio do Ayurveda segue o ciclo circadiano, em que: às 6h, no nascer do sol,</p><p>entramos no horário</p><p>Kapha, caracterizado pela lentidão e consistência. É importante</p><p>nutrir o corpo e realizar atividades físicas durante esse período para fornecer energia ao</p><p>organismo ao longo do dia. Entre 10h e 14h, entramos no horário Pitta, associado ao sol</p><p>quente e ao fogo. É o momento de trabalhar, produzir e organizar estratégias. A partir das</p><p>14h, entramos no horário Vata, em que a mente está mais criativa, permitindo a realização</p><p>de exercí- cios e execução de tarefas. Às 18h, no pôr do sol, retornamos ao horário</p><p>Kapha, devemos jantar de forma leve para processar todas as atividades do dia e produzir</p><p>hormônios restauradores durante o sono. Entre 22h e 2h da manhã, entramos novamente</p><p>no horário Pitta, necessário para a digestão e produção hormonal. Em seguida, entre 2h30</p><p>da manhã e 6h, voltamos ao horário Vata, quando ocorrem as transformações do sono e se</p><p>inicia o novo ciclo.</p><p>No café da manhã, o Ayurveda recomenda uma refeição mais nutritiva, como um</p><p>mingau de aveia com frutas.</p><p>É importante também seguir o ciclo das frutas e</p><p>alimentos sazonais,</p><p>priorizando-os no café da manhã. No almoço, sugere-se incluir cereais e leguminosas,</p><p>como arroz e feijão, que estimulam a produção de hormônios e, posteriormente, de</p><p>melatonina. Pode-se incluir proteína animal, priorizando aquelas de melhor digestão,</p><p>como peixes e frango.</p><p>O lanche da tarde pode consistir em banana com kiwi ou um lassi, uma bebida feita com</p><p>frutas e iogurte. O iogurte também estimula a produção de melatonina. Pode-se utilizar</p><p>frutas ricas em triptofano combinadas com sementes, como sementes de abóbora ou</p><p>girassol, que são ricas em magnésio e auxiliam no sono. Também é possível incluir um</p><p>chá anti-inflamatório, como capim-limão e melissa, devido ao aumento da inflamação no</p><p>início da noite.</p><p>No final do dia, é recomendado o consumo de uma refeição mais leve, como uma sopa,</p><p>para evitar sobrecarregar a digestão, liberando energia digestiva para outros processos no</p><p>organismo, como a produção hormonal. Para finalizar o dia, um chá calmante, como chá</p><p>de mulungu, capim-limão ou melissa, pode ser utilizado para auxiliar o sono.</p><p>J</p><p>AGNI: O PODER DO FOGO DIGESTIVO</p><p>á exploramos os princípios fundamentais da Ayurveda, aprendemos sobre práticas</p><p>para restabelecer a saúde e descobrimos a relação entre o dosha e nossa constituição</p><p>genética. Agora, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre um elemento crucial</p><p>nesse processo de saúde: o Agni. No Ayurveda,</p><p>o Agni é frequentemente referido como o “fogo</p><p>digestivo”.</p><p>Ele representa a capacidade do nosso sistema digestivo de metabolizar os alimentos que</p><p>ingerimos e transformá-los em nutrientes que nosso corpo pode utilizar adequadamente.</p><p>O Agni desempenha um papel vital na manutenção da saúde e é considerado a base para o</p><p>equilíbrio dos doshas.</p><p>A digestão é um fator muito importante para o Ayurveda, portanto distúrbios como azia,</p><p>gases, refluxo, desconforto e constipação intestinal não são considerados normais,</p><p>apesar de serem comuns, e precisam ser tratados. O Ayurveda pode ser usado</p><p>individualmente para tratar algum distúrbio de forma preventiva ou de forma conjugada</p><p>com outras terapias e outras ciências médicas para melhorar uma condição patológica.</p><p>Mas é importante lembrar que existe um protocolo ayurvédico para melhorar ou tratar</p><p>algum tipo de patologia, e esse protocolo deve ser seguido rigorosamente.</p><p>O Agni é capaz de transformar tudo o que entra em contato com o nosso corpo. Para ter</p><p>força, vitalidade, saúde, para crescer, precisamos ter um bom Agni. Esse é um conceito</p><p>que não tem como comparar efetivamente, por exemplo, com as enzimas da ciência</p><p>moderna. É um conceito completamente único de explicação do processo de digestão,</p><p>absorção e eliminação para o Ayurveda. Podemos dizer que Agni é o nosso fogo</p><p>digestivo. Quando ele se desestabiliza, todo o nosso sistema entra em desequilíbrio.</p><p>Como dito anteriormente, para o Ayurveda não somos aquilo que comemos, mas sim o</p><p>que digerimos e absorvemos. Nossa capacidade de quebra ou de transformação dos</p><p>alimentos, dos tecidos corporais, da energia e das excreções é o que determinará a nossa</p><p>saúde. Por exemplo, podemos escolher uma banana orgânica ou morangos orgânicos,</p><p>uma boa aveia ou o trigo da melhor qualidade, mesmo que você plante e colha esse</p><p>alimento, e que acredite ele esteja numa escala excelente em comparação com um</p><p>alimento congelado; se você não tiver um bom Agni, isso não ajudará sua saúde.</p><p>A digestão se inicia desde o momento em que</p><p>colocamos o alimento na boca e começamos a mastigar.</p><p>Esse processo deve ocorrer de maneira eficiente, pois assim formamos tecidos</p><p>saudáveis. Porém, tudo o que não foi devidamente digerido é chamado de AMA, toxinas</p><p>que prejudicam o funcionamento do organismo.</p><p>Desde o momento da concepção até a idade avançada e morte, o Agni passará por</p><p>alterações devido à idade, clima e fatores emocionais, mas é essencial que ele esteja</p><p>sempre funcionando. Durante a infância, ele é fundamental para gerar tecidos e auxiliar</p><p>no crescimento corporal; à medida que envelhecemos, ele é essencial na regeneração das</p><p>nossas células diariamente.</p><p>Ao longo de nossa vida, o Agni é responsável por garantir a regeneração dos tecidos,</p><p>atuando como um guardião do equilíbrio no corpo. Ao sustentar o bom funcionamento do</p><p>metabolismo celular, o Agni não apenas fornece energia vital, mas também desempenha</p><p>um papel fundamental na manutenção da saúde e na prevenção de doenças. Quando o</p><p>Agni está em desequilíbrio, o processo digestivo não ocorre de maneira eficiente, os</p><p>nutrientes não são adequadamente absorvidos e nem os resíduos são eliminados de forma</p><p>eficaz. Portanto, devemos compreender os sintomas apresentados em cada estado do</p><p>Agni, a fim de identificarmos quais ações devemos tomar para uma boa digestão e um</p><p>organismo saudável como um todo.</p><p>OS ESTADOS DO AGNI</p><p>No Ayurveda, há quatro estados funcionais do Agni que descrevem diferentes níveis de</p><p>equilíbrio e desequilíbrio: Sama Agni, Vishama Agni, Tikshna Agni e Manda Agni.</p><p>Sama Agni é o estado ideal do Agni, em que todas as funções de transformação ocorrem</p><p>adequadamente. Nesse estado, há uma boa digestão, absorção e eliminação dos alimentos,</p><p>sem desconforto ou sintomas indesejados. Quando o Agni está em Sama Agni, ele é</p><p>considerado saudável.</p><p>No entanto, vários fatores podem desequilibrá-lo, como a negligência em relação à</p><p>alimentação, ao estilo de vida e às práticas espirituais, podendo afetar a capacidade de</p><p>lidar com as experiências da vida e a interação com o ambiente. Dependendo do tipo de</p><p>desequilíbrio, o Agni pode gerar sintomas diferenciados, podendo agravar distúrbios</p><p>existentes ou desenvolvendo novas patologias, de acordo com a natureza específica do</p><p>desequilíbrio.</p><p>Por exemplo, se em um dia específico comemos uma quantidade excessiva de pizza</p><p>tarde da noite e depois dormimos, é possível que no dia seguinte o Agni esteja</p><p>desequilibrado. Podemos experimentar um Agni lento e errático, com dificuldade na</p><p>evacuação, diarreia, sensação de inchaço, perda de apetite, entre outros sintomas. Se</p><p>cuidarmos do Agni durante esse dia, é possível que acordemos bem no dia seguinte. No</p><p>entanto, se não cuidarmos adequadamente, essa situação pode se tornar crônica.</p><p>O Vishama Agni é o estado irregular ou desigual do Agni. Nesse estado, pode haver</p><p>flutuações na digestão, como períodos de digestão lenta ou fraca, seguidos por períodos</p><p>de digestão intensa ou hiperativa. Isso pode levar a sintomas como má digestão, gases,</p><p>constipação ou diarreia. Quando se trata de irregularidades no Agni, é importante</p><p>estabelecer uma rotina consistente, tanto em relação à alimentação quanto aos hábitos</p><p>diários.</p><p>Por exemplo, se percebermos que a causa da irregularidade em nosso Agni é jantar uma</p><p>refeição de difícil digestão enquanto assistimos TV, devemos, então, eliminar esse hábito</p><p>prejudicial. Por isso,</p><p>saber observar, identificar e remover a causa do</p><p>problema é crucial para o sucesso e equilíbrio do Agni.</p><p>Como abordamos anteriormente, estabelecer uma rotina adequada é a base do tratamento,</p><p>mas outras estratégias também</p><p>podem ser adotadas, como a monodieta e a estratégia de</p><p>comer várias vezes ao dia em horários fixos, o que abordaremos no último capítulo deste</p><p>livro.</p><p>Já o Tikshna Agni é um estado de Agni muito intenso ou agudo. Nesse estado, o fogo</p><p>digestivo é muito forte e pode levar a uma digestão excessivamente rápida e intensa. Isso</p><p>pode causar uma sensação de fome constante, metabolismo acelerado, sensibilidade a</p><p>alimentos picantes ou irritantes e perda de peso.</p><p>Para tratar o Agni intenso e ajudar a pessoa a ganhar tecido corporal é recomendado</p><p>evitar alimentos que aumentem o fogo interno, como alimentos de natureza aérea e</p><p>alimentos quentes. Em vez disso, é preferível consumir alimentos mais pesados e frios em</p><p>uma monodieta, evitando especiarias picantes. As ervas como funcho, erva-doce e</p><p>cominho podem ser utilizadas para acalmar o Agni. Alimentos pesados e empapados</p><p>também são indicados, pois ajudam a reduzir a intensidade do fogo interno. É</p><p>aconselhável beber água em temperatura ambiente, evitando água morna, que poderia</p><p>aumentar o fogo interno.</p><p>Outra abordagem para tratar o Agni intenso é o jejum, pois quando o combustível é</p><p>retirado, o fogo se apaga. No entanto, é importante realizar o jejum com o</p><p>acompanhamento adequado para monitorar a evolução do diagnóstico e garantir a</p><p>segurança.</p><p>Já o Manda Agni é um estado de Agni lento ou fraco. Nesse estado, a digestão é lenta e</p><p>ineficiente, resultando em uma sensação de peso após as refeições, falta de apetite,</p><p>letargia e acumulação de AMA no sistema. Além disso, o Agni lento resulta em sintomas</p><p>como salivação excessiva, acúmulo de muco na boca, fezes com presença de secreção,</p><p>muco ou pedaços de alimento, e letargia em todas as áreas da vida, não apenas na</p><p>digestão.</p><p>Para equilibrar essa letargia, é possível adotar uma monodieta com preparações líquidas,</p><p>com poucos alimentos sólidos. Exercícios físicos e pranayamas (técnicas de controle da</p><p>respiração) também podem ser realizados para estimular o Agni e restaurar uma digestão</p><p>saudável.</p><p>Para determinar a dieta adequada, os medicamentos e os procedimentos de purificação</p><p>quando um indivíduo tem uma doença e precisa passar por um processo de purificação</p><p>para equilibrar os doshas, a avaliação da força do Agni é essencial. Para isso, temos as</p><p>terapias de pacificação (shamana) e as terapias de purificação (shodhana). Às vezes, o</p><p>desequilíbrio pode indicar a necessidade de um panchakarma (um processo de</p><p>purificação); mas se a pessoa não tiver uma boa força digestiva, ela não poderá realizar o</p><p>tratamento de shodhana, porque não será capaz de suportá-lo. Se a digestão de um</p><p>indivíduo está deficiente, ele pode ser impedido de ingerir um alimento ou tomar um</p><p>medicamento específico. Ou seja, para desinflamar, é necessário tratar a raiz do</p><p>problema, que é a digestão, por meio da alimentação e da rotina diária.</p><p>Por exemplo, se ele emagreceu e está fraco devido à perda de tecido muscular e</p><p>gorduroso, precisará comer em maior quantidade e consumir alimentos mais</p><p>substanciosos. No entanto, se essa pessoa não tiver uma boa capacidade digestiva, não</p><p>adiantará comer arroz, tâmaras, trigo ou alimentos rejuvenescedores e nutritivos, porque</p><p>eles não serão digeridos adequadamente. Portanto, é importante descobrir nossa</p><p>capacidade digestiva antes de determinar se podemos digerir um alimento específico.</p><p>Contudo, devemos frisar que</p><p>há alimentos que podem ser incompatíveis com a nossa</p><p>digestão e devemos evitá-los</p><p>independentemente do estado do nosso Agni. Por isso, é importante observar e</p><p>compreender nossos sinais digestivos e usar esse conhecimento para tomar decisões</p><p>alimentares adequadas. Avaliar a condição do Agni é essencial para uma vida longa e</p><p>livre de distúrbios. Para isso, podemos considerar os seguintes pontos:</p><p>• Apetite: observe se sua fome é excessiva ou inexistente. É aconselhável fazer duas</p><p>refeições por dia, evitando comer em excesso.</p><p>• Capacidade digestiva: verifique se há peso ou desconforto após as refeições e a</p><p>quantidade de comida ingerida. É importante sair da mesa satisfeito, mas não “estufado”.</p><p>• Língua: verifique a cor da língua. Deve ser uniforme e sem uma camada branca</p><p>excessiva.</p><p>• Urina: observe a cor da urina. Deve ser amarela clara e sem odor forte.</p><p>• Fezes: avalie a coloração e a consistência das fezes utilizando a escala de Bristol. É</p><p>importante evacuar diariamente, mas evacuar em excesso pode indicar problemas de</p><p>absorção de nutrientes.</p><p>Anote suas sensações antes, durante e após as refeições por alguns dias consecutivos.</p><p>Isso fornecerá uma ideia do estado do seu fogo digestivo, se está excessivo, irregular,</p><p>lento ou regular, e se algum alimento específico ou a capacidade digestiva estão causando</p><p>alterações.</p><p>Segundo o Ayurveda, os seguintes fatores podem desequilibrar o Agni:</p><p>• Alimentação inadequada: evite o consumo excessivo de alimentos processados e</p><p>priorize comida fresca e de qualidade. A comida deve ser preparada e consumida dentro</p><p>de um período de até quatro horas.</p><p>• Incompatibilidades alimentares: a combinação inadequada de alimentos pode afetar a</p><p>digestão, como: lácteos com ovos ou carnes; leite com sal; leite com alho; leite ou iogurte</p><p>com frutas, principalmente as ácidas.</p><p>• Administração inadequada de terapias de shodhana.</p><p>• A realização incorreta de terapias de purificação.</p><p>• Supressão de impulsos naturais, como a vontade de urinar ou evacuar.</p><p>• Estilo de vida sedentário.</p><p>• Fatores emocionais e psicológicos: emoções como raiva, ganância e medo.</p><p>• Atividades incompatíveis: realizar atividades incompatíveis com a condição física,</p><p>como exercícios intensos em condições inadequadas.</p><p>• Condições não higiênicas.</p><p>Tendo consciência dos diferentes estados do Agni, agora podemos direcionar nossa</p><p>atenção para as ações que podemos realizar a fim de manter a saúde do nosso fogo</p><p>digestivo.</p><p>COMO IMPULSIONAR O AGNI E MANTER A SUA CHAMA ACESA</p><p>Como abordamos anteriormente, o Ayurveda nos oferece uma série de diretrizes práticas</p><p>que nos auxiliam nessa jornada de cuidado e equilíbrio do Agni. Para realizar tal façanha,</p><p>podemos colocar em ação os princípios da rotina diária; buscar ter uma alimentação</p><p>adequada; fazer as terapias de purificação; não suprimir impulsos naturais; praticar</p><p>exercícios físicos regularmente; dormir bem; buscar o equilíbrio emocional; evitar</p><p>excesso de trabalho; e, por fim, escolher atividades que sejam adequadas à nossa idade,</p><p>saúde e condição física.</p><p>Além disso, o Ayurveda também se atenta à qualidade da digestão e à eliminação de</p><p>excreções como indicadores importantes da saúde e bem-estar geral do indivíduo. Nesse</p><p>contexto, as malas (excreções) devem ser eliminadas de forma satisfatória, pois, quando o</p><p>Agni começa a ficar prejudicado, pode ocorrer a formação de toxinas (AMA) no</p><p>organismo. Essas toxinas se acumulam no corpo e se espalham pelos canais e tecidos,</p><p>afetando especialmente as áreas mais sensíveis ou debilitadas devido a traumas,</p><p>medicações ou problemas de saúde preexistentes.</p><p>A formação de AMA é um resultado do Agni ineficiente, podendo apresentar sintomas</p><p>como: obstrução dos canais, perda de força, sensação de peso, obstrução do fluxo de ar,</p><p>preguiça, indigestão, salivação excessiva, constipação, perda do paladar e fadiga. Quando</p><p>pequenos problemas de digestão não são tratados adequadamente e o Agni não é cuidado,</p><p>o acúmulo de AMA pode ocorrer e problemas de saúde mais graves podem se manifestar.</p><p>Além da alimentação, outros fatores contribuem para a formação de AMA, por</p><p>exemplo: um estilo de vida inadequado, como dormir tarde, acordar tarde e falta de</p><p>exercícios físicos; e distúrbios da mente, como nossas emoções e estados psicológicos.</p><p>Para evitar a formação de AMA, é importante manter o Agni estável e adotar práticas</p><p>saudáveis, como a rotina diária. Alguns aspectos específicos da alimentação podem</p><p>ajudar a estabilizar o Agni e promover a saúde e a desinflamação:</p><p>• Prefira alimentos cozidos e mornos: o processo de cozimento facilita a digestão e</p><p>ajuda a digerir AMA.</p><p>• Opte por alimentos untuosos e úmidos: alimentos secos, como feijão sem</p><p>caldo, couve</p><p>sem óleo e farinha d’água, podem dificultar a digestão. Prefira alimentos com oleosidade</p><p>e umidade em sua dieta, como azeite, óleo de gergelim, castanhas, nozes, amêndoas e</p><p>abacate.</p><p>• Controle a quantidade de alimentos: a quantidade de alimentos necessária varia de</p><p>acordo com a atividade física realizada. É recomendável utilizar um bowl para controlar a</p><p>quantidade de comida no dia a dia e desenvolver uma noção adequada da quantidade</p><p>necessária.</p><p>• Coma apenas quando a refeição anterior estiver totalmente digerida: evite comer para</p><p>“garantir” ou antecipar a fome. Coma apenas quando estiver realmente com fome e tiver</p><p>digerido completamente a refeição anterior.</p><p>• Escolha o ambiente adequado para comer: evite comer em lugares inadequados, como</p><p>no carro ou em situações emocionalmente desestabilizadoras.</p><p>• Não coma quando estiver emocionalmente desestabilizado: evite comer quando estiver</p><p>com raiva, chorando ou emocionalmente perturbado. É melhor adiar a refeição para um</p><p>momento mais propício.</p><p>• Evite comer muito devagar ou muito rápido: mastigue os alimentos de forma eficiente,</p><p>apreciando o sabor e comendo com foco no que está fazendo. Comer muito devagar pode</p><p>fazer com que você se distraia e perca o apetite.</p><p>• Escolha alimentos que preservem a sua saúde: tenha consciência de que os alimentos</p><p>que você escolhe afetam a sua saúde. Opte por alimentos saudáveis que contribuam para</p><p>uma vida longa e saudável.</p><p>Portanto, é importante reconhecer em qual estado funcional do Agni você se encontra,</p><p>pois as medidas e orientações para equilibrá-lo serão diferentes em cada caso. Por</p><p>exemplo, se você teve uma refeição pesada e indigesta, pode estar experimentando um</p><p>desequilíbrio temporário do Agni, e cuidados específicos, como uma alimentação leve e</p><p>práticas para estimular a digestão, podem ser necessários para restabelecer o equilíbrio.</p><p>No entanto, se o desequilíbrio do Agni se torna crônico e persistente, pode ser</p><p>necessário um tratamento mais abrangente para restaurar a saúde digestiva e o equilíbrio</p><p>geral do corpo, o que você aprenderá no capítulo a seguir.</p><p>O</p><p>A MEDICINA E A A SUA DIGESTÃO NUTRIÇÃO</p><p>AUXILIANDO</p><p>Ayurveda enfatiza a importância da auto-observação e do equilíbrio entre a mente, o</p><p>corpo e o espírito para manter uma boa saúde, especialmente quando se trata da</p><p>digestão. Essa medicina reconhece que cada indivíduo possui uma constituição única, que</p><p>pode ser classificada como Vata, Pitta ou Kapha, e que o seu desequilí- brio pode levar ao</p><p>surgimento de doenças.</p><p>De acordo com o Ayurveda, o início das doenças geralmente ocorre no trato</p><p>gastrointestinal, o que não significa que todas as doenças sejam exclusivamente</p><p>relacionadas à constituição do indivíduo. Por exemplo, uma pessoa com uma constituição</p><p>Kapha pode experimentar problemas cuja causa inicial é o estômago, como amigdalite,</p><p>sinusite, bronquite ou congestão pulmonar. Da mesma forma, o Pitta pode ter doenças</p><p>iniciadas no intestino delgado, como alterações na vesícula biliar, formação de bílis,</p><p>problemas hepáticos e úlcera gástrica. Para aqueles com a constituição Vata, é comum</p><p>doenças que comecem no intestino grosso e apresentem sintomas como gases, dor nas</p><p>articulações, artrite e paralisia.</p><p>No entanto, é importante ressaltar que o Ayurveda não se limita apenas às constituições</p><p>Vata, Pitta e Kapha. O foco principal está na observação e avaliação individual de cada</p><p>pessoa, tanto em relação à doença quanto à digestão, a fim de compreender o processo e</p><p>melhorá-lo.</p><p>As doenças podem se manifestar primeiro no corpo e</p><p>depois na mente.</p><p>Por exemplo, quando o dosha Vata está perturbado, pode surgir medo, depressão e</p><p>ataques nervosos. Um desequilíbrio no dosha Pitta pode resultar em raiva, ódio e inveja.</p><p>Já o dosha Kapha desequilibrado pode gerar possessividade, cobiça, apego e depressão.</p><p>De acordo com o Ayurveda, a raiz de todas as doenças começa no Agni, e, pela</p><p>medicina moderna, sabemos que o local inicial de qualquer inflamação é o fígado e o</p><p>intestino. Dessa forma, um desequilíbrio no Agni pode prejudicar a digestão e absorção</p><p>dos alimentos de maneira adequada, acumulando-os no intestino grosso. Isso gera a</p><p>formação de AMA, que obstrui os canais do corpo, cria toxinas e afeta o sistema</p><p>imunológico, gerando inflamação.</p><p>O Ayurveda destaca a importância de uma boa digestão, equilíbrio dos doshas, práticas</p><p>mentais e morais adequadas, além de hábitos alimentares saudáveis e um ambiente</p><p>propício para manter a saúde e prevenir doenças. Esses princípios do Ayurveda estão</p><p>alinhados com os conceitos atuais de conexão entre intestino e cérebro e o papel da saúde</p><p>intestinal na saúde geral do corpo.</p><p>As alterações na microbiota intestinal podem afetar a barreira do trato gastrointestinal,</p><p>resultando em deficiências na metabolização hepática e potencialmente levando a</p><p>problemas como esteatose hepática e intolerâncias imunológicas, como alergias</p><p>alimentares.</p><p>Além disso, a saúde intestinal desempenha um papel fundamental na regulação do</p><p>sistema imunológico, humor e função cerebral, devido à conexão íntima entre o intestino</p><p>e o cérebro. A presença de toxinas, causadas pela obstrução dos intestinos, pode</p><p>comprometer o mecanismo imunológico e contribuir para o desenvolvimento de doenças</p><p>autoimunes, como esclerose múltipla, artrite reumatoide, diabetes tipo 1, espondilite</p><p>anquilosante, e doenças imunomediadas, como artrite psoriática.</p><p>COMO O AGNI SE RELACIONA COM OS DOSHAS</p><p>Tanto a medicina tradicional quanto a milenar concordam que tudo começa no centro do</p><p>nosso corpo, ou seja, no intestino. Nesse contexto, cada dosha está associado a uma parte</p><p>específica do sistema digestivo (cólon, intestino delgado e estô- mago, respectivamente),</p><p>mas isso não significa que as doenças sejam exclusivas de um dosha. Os desequilíbrios</p><p>que começam nessas áreas do aparelho digestivo se espalham pelo corpo, afetando órgãos</p><p>vitais e causando danos tanto físicos quanto psí- quicos por meio da inflamação.</p><p>Compreender a digestão é essencial, pois ela está</p><p>intimamente ligada à mente.</p><p>Logo, o excesso de ansiedade e a tendência à depressão estão relacionados ao Agni, não</p><p>sendo culpa do dosha Vata ou Kapha. É responsabilidade individual alimentar-se de</p><p>forma adequada para garantir uma digestão saudável e melhorar o equilíbrio do dosha</p><p>específico.</p><p>No Ayurveda, o tratamento sempre começa no intestino, assim como em áreas como</p><p>endocrinologia, medicina preventiva e nutrição. A escolha da dieta deve levar em</p><p>consideração como diferentes alimentos afetam cada dosha. No entanto, o autocuidado é</p><p>uma responsabilidade pessoal, e os profissionais podem apenas orientar nesse processo.</p><p>Os alimentos podem aumentar ou reduzir os doshas. Por exemplo, o Kapha, que possui</p><p>uma digestão mais lenta, deve evitar alimentos de difícil digestão, como gorduras e</p><p>alimentos ricos em trigo, amêndoas, leites e queijos. Alimentos adstringentes, como</p><p>feijões, ervilhas, batatas, peras, maçãs e bananas, são mais bem digeridos pelo Kapha,</p><p>pois ajudam a reduzi-lo. No entanto, mesmo ao consumir esses alimentos, é importante</p><p>garantir uma boa digestão por meio de técnicas adequadas de preparo e temperos que</p><p>estimulem corretamente a digestão.</p><p>Quanto à prática da rotina diária, é importante respeitar os horários das refeições,</p><p>quando possível. Por exemplo, o Kapha geralmente não sente muita fome pela manhã e</p><p>começa a ter fome por volta das 10h, no horário Pitta. Portanto, é essencial respeitar esses</p><p>ritmos naturais. Não é necessário tomar café da manhã se não estiver com fome, pois isso</p><p>indica que a digestão da refeição anterior ainda não foi concluída.</p><p>Mas a relação entre dosha e Agni não para por aqui,</p><p>nossos doshas também podem nos guiar a uma</p><p>composição de prato ideal</p><p>para auxiliar no bom funcionamento do nosso fogo digestivo. Por exemplo, para uma</p><p>pessoa com constituição Vata, recomenda-se que metade do prato seja composto por</p><p>carboidratos e leguminosas, enquanto a outra metade seja dividida entre uma proteína</p><p>levemente apimentada e uma salada cozida.</p><p>Já para uma pessoa com constituição Pitta</p><p>(fogo e água), caracterizada por uma</p><p>musculatura um pouco mais acentuada, recomenda-se aumentar o consumo de proteína de</p><p>origem animal e reduzir o consumo de arroz ou amido. O prato pode ser dividido em três</p><p>partes iguais: carboidratos com manteiga ghee, vegetais e proteína com pouca ou</p><p>nenhuma pimenta.</p><p>No caso do tipo Kapha (terra e água), que possui uma digestão mais lenta, é necessário</p><p>um prato com porções menores. Metade da porção deve ser composta por legumes</p><p>cozidos com um toque de pimenta, um quarto do prato deve conter carboidratos com</p><p>pouca manteiga ghee, e o um quarto restante deve ser de proteína pouco apimentada,</p><p>sendo uma porção menor, já que o Kapha tem dificuldade em digerir proteína animal. A</p><p>pimenta pode ser usada em pequena quantidade para aumentar o fogo digestivo, pois o</p><p>Kapha tende a ter um fogo digestivo mais baixo.</p><p>TIREOIDE E INTESTINO</p><p>Você sabia que existe uma conexão entre a tireoide e o intestino? Um desequilíbrio na</p><p>tireoide pode impactar diretamente o funcionamento do intestino e do metabolismo, que</p><p>são responsáveis pela absorção de grande parte dos nutrientes que ingerimos. É uma</p><p>relação complexa, mas entender essas conexões nos ajuda a cuidar melhor da nossa</p><p>saúde. Por exemplo, o supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO) pode</p><p>causar alterações na motilidade gastrointestinal, resultando em sintomas como distensão</p><p>abdominal e gases. Por isso é importante estar atento e monitorar a saúde da tireoide,</p><p>especialmente em indivíduos com maior prevalência de hipotireoidismo, como em muitos</p><p>casos do Brasil.</p><p>Observar a língua, uma prática recomendada pelo Ayurveda, pode ser útil para avaliar a</p><p>saúde geral do corpo. Marcas nas laterais da língua, inflamação, cor anormal ou inchaço</p><p>podem indicar deficiências nutricionais e outros distúrbios. Eles também podem estar</p><p>relacionados aos sintomas de falta de memória e unhas quebradiças. Ao raspar a língua, é</p><p>importante observá-la cuidadosamente no espelho, verificando sua cor, presença de</p><p>marcas de dentes, inflamação ou qualquer alteração.</p><p>No entanto, é fundamental lembrar que</p><p>a avaliação e o diagnóstico adequados devem ser</p><p>realizados por profissionais de saúde qualificados.</p><p>Se houver suspeita de problemas na tireoide ou outros distúrbios, é importante consultar</p><p>um médico para obter um diagnóstico preciso e um plano de tratamento apropriado.</p><p>DIETA FODMAP COMO ALIADA NA DIGESTÃO</p><p>Como abordamos anteriormente, diversos distúrbios gastrointestinais podem nos</p><p>acometer durante a vida, com sintomas desconfortáveis como inchaço, dor abdominal e</p><p>irregularidades intestinais.</p><p>Nesse contexto, a dieta low FODMAP trouxe uma nova esperança para aqueles que</p><p>enfrentam esses desafios digestivos. Ao compreender a influência dos carboidratos</p><p>fermentáveis de cadeia curta, conhecidos como FODMAPs, na nossa saúde digestiva,</p><p>podemos finalmente fornecer orientações práticas e personalizadas para aliviar os</p><p>sintomas e restaurar o bem-estar intestinal.</p><p>A dieta low FODMAP é uma abordagem dieté- tica frequentemente utilizada no</p><p>tratamento da Síndrome do Intestino Irritável (SII) e outras condições relacionadas à</p><p>digestão. Ela envolve a redução temporária de alimentos ricos em FODMAPs, podendo</p><p>ser adaptada para atender às necessidades individuais do nossa dosha constituinte.</p><p>Durante um período de seis a oito semanas, essa dieta prioriza a escolha de alimentos</p><p>com baixa fermentação. A ideia é minimizar a quantidade de carboidratos fermentáveis</p><p>que podem causar desconforto digestivo, como gases, inchaço e alterações no</p><p>funcionamento intestinal. Durante esse período, é recomendado evitar o consumo de</p><p>prebióticos (fibras que podem aumentar a fermentação) e de probióticos. Após as oito</p><p>semanas, é possível reintroduzir gradualmente os alimentos ricos em FODMAPs para</p><p>identificar quais deles podem causar desconforto ou agravar os sintomas.</p><p>Durante a implementação de diferentes estraté- gias para melhorar a saúde digestiva, é</p><p>fundamental recorrer a uma variedade de temperos que possam estimular as enzimas</p><p>proteolíticas endógenas, responsáveis pela quebra de proteínas no nosso sistema</p><p>digestivo. Entre essas enzimas estão a lactase, a bromelina e a papaína, cuja ativação pode</p><p>ser promovida pelo uso de temperos como gengibre, alecrim, suco de limão e a panaceia,</p><p>uma mistura ayurvédica composta por meio limão espremido, açúcar mascavo, sal de</p><p>rocha e suco de gengibre, que pode ser consumida em uma colher de chá antes das</p><p>refeições para estimular a digestão.</p><p>Indivíduos do tipo Kapha, que geralmente chegam ao horário do almoço sem sentir</p><p>fome, podem beneficiar-se do consumo da panaceia com um pouco de chá de gengibre,</p><p>uma combinação que pode estimular o apetite e despertar o sistema digestivo.</p><p>Além disso, é recomendado o consumo de alimentos que auxiliam na reparação da</p><p>mucosa gastrointestinal e intestinal, ricos em nutrientes como glutamina, arginina,</p><p>triptofano, vitamina A, zinco, ácido ascórbico, pantotenato de cálcio, metilfolato e</p><p>complexo B. Esses nutrientes essenciais podem ser encontrados em alimentos e temperos</p><p>como iogurte, feijão, banana, uva passa, aveia, leite e chá de alecrim, os quais</p><p>desempenham um papel crucial na restauração da saúde intestinal.</p><p>Os temperos podem ser verdadeiros aliados na busca</p><p>pelo equilíbrio digestivo,</p><p>mas devemos evitar o consumo excessivo de sal, alho e cebola, pois esses ingredientes</p><p>podem dificultar o processo digestivo. Portanto, é necessário aprimorar o uso de temperos</p><p>naturais, explorando suas propriedades benéficas e sabores diversificados.</p><p>Uma vez concluída a fase de adoção de uma dieta com baixo teor de FODMAPs, é</p><p>possível considerar a implementação de um cardápio que leve em consideração não</p><p>apenas a condição do dosha, mas também a estação do ano. Por exemplo, no outono, é</p><p>preciso ajustar a alimentação para lidar com as peculiaridades desse período, que podem</p><p>agravar os sintomas relacionados à digestão, diferentemente da primavera.</p><p>Para reduzir o desequilíbrio do dosha Vata (ar) e aliviar os sintomas da síndrome do</p><p>intestino irritável, podemos incluir em nossa dieta alimentos como laticínios orgânicos,</p><p>especialmente queijos e iogurtes, além de optar por grãos como arroz basmati, aveia e</p><p>trigo. Outras opções saudáveis incluem rapadura, açúcar mascavo, mel e melado como</p><p>alternativas naturais aos adoçantes refinados. Vegetais cozidos, como abóbora japonesa,</p><p>batata doce, cenoura, beterraba, abobrinha, chuchu, vagem e inhame, desempenham um</p><p>papel importante na restauração da saúde intestinal.</p><p>Ao adotar uma abordagem dietética para equilibrar os doshas podemos priorizar os</p><p>sabores picante, adstringente e amargo. Nesse estágio, é recomendado reduzir, mas não</p><p>eliminar completamente os sabores doce, salgado e azedo ou ácido. O ideal é seguir uma</p><p>lista de alimentos pacificadores específica para cada dosha e, a partir dela, observar como</p><p>nosso corpo reage a cada alimento. Desse modo,</p><p>precisamos eliminar aqueles alimentos que não</p><p>digerimos bem</p><p>e manter apenas aqueles que são facilmente tolerados e digeridos.</p><p>Ainda nesse contexto, uma forma de também analisarmos o funcionamento do nosso</p><p>Agni e o estado de absorção dos nutrientes dos alimentos é observando as características</p><p>das nossas fezes. Elas desempenham um papel fundamental na eliminação de resíduos e</p><p>toxinas do nosso organismo, além de nos revelar aspectos importantes da nossa própria</p><p>digestão.</p><p>OBSERVE AS SUAS FEZES</p><p>Observar nossas fezes pode ser uma maneira importante de avaliar nossa saúde digestiva</p><p>e identificar possíveis problemas ou intolerâncias alimentares. No Ayurveda, a</p><p>observação diária das fezes, pode nos revelar sinais da conexão das mudanças climá- ticas</p><p>e do nosso processo digestivo. Por exemplo, quando o dia tem características</p><p>predominantemente Vata, como agitação e instabilidade, esses aspectos também podem</p><p>se manifestar em nossa digestão e fezes.</p><p>É nesse contexto que a</p><p>Escala de Bristol,</p><p>também conhecida como Escala de Meyers, uma ferramenta médica desenvolvida pelo</p><p>Dr. Ken Heaton, na Universidade de Bristol, em 1997, avalia</p>

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