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Proporcionar ambientes linguisticamente estimulantes e interagir 2 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3 2 A LINGUAGEM COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO ............................................. 5 3 AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM ................................... 10 3.1 Aquisição da linguagem oral ........................................................................... 11 4 TEORIAS DA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM ..................................................... 13 4.1 Piaget e Vygotsky: divergências e aproximações para a compreensão da aquisição e desenvolvimento da linguagem .............................................................. 14 5 DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM: PRESSUPOSTOS DAS TEORIAS AQUISICIONISTAS ................................................................................................... 22 6 A ORALIDADE NO DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM ..................... 27 6.1 A aprendizagem da oralidade por crianças de quatro anos: algumas dificuldades encontradas neste processo ..................................................................................... 29 7 AÇÕES QUE AJUDAM A CRIANÇA ENFRENTAR AS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DA ORALIDADE: O PAPEL DO DOCENTE ................................ 33 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 46 3 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 4 2 LÍNGUA E LINGUAGEM Fonte: todamateria.com.br Considerando a língua como um meio de comunicação de todos os falantes do mundo, é necessário estabelecer certas considerações sobre ela, pois esta, vai muito além de ser apenas um objeto de uso dos falantes, ela é, também, um objeto de poder. A princípio parece difícil definir ou chegar a um conceito sobre o que seja língua. Existem vários estudos a respeito da língua, pois, trata-se de um assunto de considerável complexidade. Cabe aqui apenas estabelecer conceitos básicos que possam mostrar os modos diferentes de se conceber a língua e perceber como o gênero propaganda a concebe. Para isso, será feita uma breve retomada de alguns conceitos sobre Língua e Linguagem. Mas o que é língua? Para nós, ela não se confunde com a linguagem; é somente uma parte determinada, essencial dela, indubitavelmente. É ao mesmo tempo, um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias, adotadas pelo corpo social para permitir o exercício dessa faculdade nos indivíduos. Tomada em seu todo, a linguagem é multiforme e heteróclita; a cavaleiro de diferentes domínios, ao mesmo tempo física, fisiológica e psíquica (...). (Saussure, 1970, apud SOLTES, 2017, p. 5). Língua, segundo Saussure “é um objeto de natureza concreta, o que oferece grande vantagem para seu estudo” (Saussure, 1970,23). A língua é um “sistema de signos” um conjunto de unidades, ocorrendo uma relação entre significante (imagem acústica) e o significado (conceito). Partindo do ponto de vista de Saussure: 5 A língua existe na coletividade sob a forma duma soma de sinais depositados em cada cérebro, mais ou menos como um dicionário cujos exemplares, todos idênticos, fossem repartidos entre os indivíduos. Trata-se, pois, de algo que está em cada um deles, embora seja comum a todos e independa da vontade dos depositários. (Saussure, 1970, apud SOLTES, 2017, p. 5). Logo, essa “coletividade sob a forma duma soma de sinais depositados em cada cérebro”, manifesta-se em duas formas: na fala e escrita. Através da fala e da escrita é possível notar a dimensão histórica da língua, por meio do seu caráter social. A língua existe desde os primórdios, nascemos com ela já imposta, já feita e muito bem definida por seus usuários, ela é comum a todos os seres humanos e é através da língua que podemos nos comunicar com diversas pessoas, de diversos países, continentes e hemisférios. Segundo Saussure: Língua e escrita são dois sistemas distintos de signos; a única razão de ser do segundo é representar o primeiro; o objetivo linguístico não se define pela combinação da palavra escrita e da palavra falada; essa última, por si só, constitui tal objeto. Mas a palavra escrita se mistura tão intimamente com a palavra falada, da qual é a imagem, que acaba por usurpar-lhe o papel principal; terminamos por dar importância à representação do signo vocal do que ao próprio signo. É como se acreditássemos que, para conhecer uma pessoa, melhor fosse contemplar-lhe a fotografia do que o rosto (Saussure 1970, apud SOLTES, 2017, p. 5). Para esclarecer a ideia do que seria língua, na perspectiva estruturalista, apresentamos mais uma citação de Saussure: A língua é um sistema de signos que exprimem ideias, e é comparável, por isso, à escrita, ao alfabeto dos surdos-mudos, aos ritos simbólicos, às formas de polidez, aos sinais militares etc., etc. ela é apenas o principal desses sistemas (SAUSSURE, 1970, apud SOLTES, 2017, p. 5). “O mestre genebrino concebia a língua como um fenômeno social, mas analisava-a como um código e um sistema de signos” (MARCUSCHI, 2008, p. 27). Marcuschi (op. Cit., p. 27) destaca que interessava a Saussure, somente o sistema e a forma e não os aspectos de sua realização na fala ou no seu funcionamento em textos. Não havia, portanto, atenção ao uso. No entanto, Marcuschi ressalta que Saussure não havia fechado as portas para a análise do uso, da enunciação ou do texto, nem ignorado o sentido, embora em seu “Curso de Linguística Geral”, desenvolvido entre 1911-1913 e postumamente publicado em 1916, não haja preocupação com tais aspectos, outros manuscritos de Saussure “dão conta de que ele tinha uma visão muito mais ligada à análise da língua 6 em uso do que se deu a entender” (MARCUSCHI, 2008, p. 28) e “nesses novos textos, lembra que a linguagem é discurso” (op. Cit.) Ao contrário da língua, a linguagem, na visão estruturalista, sofre modificações; surgem ou modificam-se ano a ano, novas palavras, novas expressões. “A linguagem tem um lado individual e um lado social, sendo impossível conceber um sem o outro”, afirma Saussure (1970, p.16). Na linguagem, é possível ocorrerem modificações, pois a linguagem modifica-se pelo constante uso da língua através de seus interlocutores que a utilizam como meio de comunicação em diversas épocas e situações. A esse respeito, Saussure destaca que: Articular palavras não se exerce senão com ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade; não é, então, ilusório dizer que é a língua que faz a unidade da linguagem (SAUSSURE, 1970, apud SOLTES, 2017, p. 6). Sendo assim, podemos concluir que a linguagem advém da língua e nãopodemos confundi-las, uma tem caráter individual e social (linguagem) e a outra, possui um caráter adquirido e convencional (língua). No entanto, é importante perceber que: A cada instante, a linguagem implica ao mesmo tempo um sistema estabelecido e uma evolução: a cada instante, ela é uma instituição atual e um produto do passado. Parece fácil, à primeira vista, distinguir entre esses sistemas e sua história, entre aquilo que ele é e o que foi; na realidade, a relação que une ambas as coisas são tão íntimas que se faz difícil separá-las (Saussure, 1970, apud SOLTES, 2017, p. 6). Finalizando essa fase estruturalista, na linha de estudos de Saussure, vejamos como Marcuschi retrata a linguística saussuriana em seu livro: Daí surgiu a linguística como ciência autônoma, separando-se dos estudos históricos, da psicologia, da filologia e literatura, áreas nas quais se achava integrado os estudos das línguas (1970, apud SOLTES, 2017, p. 6). A linguagem corresponde a um conjunto de símbolos e instrumentos utilizados pelo sujeito para comunicar sentimentos, pensamentos e ideias. É uma função de representação do pensamento e pode ser expressa por meio de gestos, olhares, mímica e fala. Esta última é uma das formas de linguagem utilizadas pelo homem. O desenvolvimento da linguagem depende tanto de fatores ambientais quanto de fatores biológicos: • fatores ambientais: o ambiente em que a criança se desenvolve fornecerá o clima emocional, os modelos verbais e as experiências nas quais o sujeito irá se 7 apropriar dos códigos de representação do pensamento e dos sentimentos. Nesse sentido, o meio influencia desde muito cedo, e seus efeitos são duradouros. Ambiente descontraído, segurança afetiva e modelos verbais de qualidade influenciam de maneira positiva; escassez ou exageros, bem como construções gramaticais e articulações inadequadas desfavorecem o desenvolvimento; • fatores biológicos: a hereditariedade e o estado de saúde também influenciam o desenvolvimento da linguagem. A hereditariedade fornece o potencial para a aprendizagem, ou seja, representa as diferenças individuais do sujeito para aprender. O estado de saúde é fundamental, principalmente, até os três anos, uma vez que doenças e carência alimentar (privação proteica e vitamínica) nesse período podem prejudicar a aquisição da linguagem pelo sujeito. De acordo com José e Coelho (2002), a linguagem é um processo de aquisição que ocorre em etapas ao longo do desenvolvimento da criança, apresentadas a seguir: 0 a 3 meses: a fala se manifesta por meio de gritos e choro. 4 a 5 meses: fase do balbucio. O bebê emite sons, ouve e repete seus próprios gritos, em uma espécie de “jogo vocal”. As crianças se expressam do mesmo modo, qualquer que seja o idioma. 5 a 10 meses: período pré-linguístico. Vocaliza e escuta suas vocalizações, compreende palavras e ordens simples. 10 a 12 meses: período linguístico. Pronuncia uma ou mais palavras (não, mamã, papa). É capaz de empregar palavras isoladas. 12 a 15 meses: fase da dominação. Repete palavras, usa frases sem verbo (mamãe bola). Associa duas palavras. 15 a 16 meses: período da representação. É capaz de representar mentalmente objetos ausentes e repete canções. 16 a 21 meses: a criança faz perguntas, possui vocabulário com cerca de vinte palavras, gosta de ouvir histórias, obedece a ordens simples. Usa orações curtas. 2 a 4 anos: linguagem estruturada. Apresenta linguagem compreensível. Usa frases com verbos, advérbios etc. Domina de quinhentas a seiscentas palavras. Muitas vezes, a criança apresenta erros na fala, mas isso é normal, já que os órgãos de fonação estão em desenvolvimento. 5 anos em diante: a linguagem já se apresenta totalmente estruturada, por isso não é esperada nenhuma deformação. A criança fala muito, apresenta monólogo, inventa e reproduz histórias; é capaz de dialogar, começa a dominar plurais e verbos futuros. (COELHO, 2002). Tendo em vista a importância da linguagem, podemos avaliar a problemática vivida por indivíduos com deficiência nessa área. Além de tornar o sujeito desajustado no meio em que vive, a deficiência provocará reflexos na aprendizagem e no aproveitamento escolar. 8 A linguagem é defeituosa quando se desvia do modo de falar de outras pessoas a tal ponto que chega a chamar a atenção para ela; quando prejudica a comunicação; ou quando faz a pessoa tornar-se desajustada no grupo (VAN RIPER apud JOSÉ; COELHO, 2002). De acordo com José e Coelho (2002), existe um problema de linguagem em uma criança quando sua maneira de falar interfere na comunicação, distraindo a atenção do ouvinte sobre o que ela diz para enfocá-la em como diz, ou quando a própria criança se sente excessivamente tímida e/ou apreensiva com seu modo de falar. Segundo esses autores, são várias as causas dos distúrbios de linguagem: Defeitos anatômicos ou funcionamento fisiológico anormal dos maxilares, da língua e do véu palatal; Sentimentos, emoções ou atitudes perturbadoras; Conceitos inadequados do eu; Hábitos de linguagem defeituosos; Dificuldade de adaptação ao ambiente. O atraso na linguagem corre quando a criança não apresenta uma linguagem até por volta dos três anos. Muitas vezes, é superado de maneira natural; outras vezes, por meio de tratamento especializado (fonoaudiólogo). As causas são: problema específico de articulação, problemas de audição, problemas emocionais (traumas, carência afetiva, superproteção, uso de outro idioma em casa). Crianças mimadas, cujos desejos são atendidos prontamente, não se expressam porque não querem, ou porque não precisam. Aquelas que vivem em orfanatos ou hospitais não se expressam por não terem quem as escute, nem estímulo para falar. 9 3 A LINGUAGEM COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO Fonte: drapaulagirotto.com.br A expressão oral é muito relevante no desenvolvimento de uma criança, pois é através dela que comunica com o outro, transmite os seus sentimentos, diz o que pensa ou o que está a observar. Este aspeto reflete-se por exemplo no tipo de vocabulário que utiliza (Sim-Sim, 1998). Ao exercitar a linguagem, a criança apropria-se de um conjunto de conceitos e regras que lhe permitem melhorar a sua comunicação e adequá-la aos contextos nos quais se insere, como indicam Sim-Sim I., Silva, & Nunes (2008): Ser capaz de comunicar eficaz e adequadamente ao contexto implica dominar um conjunto de regras e usos da língua, e o jardim-de-infância é um espaço privilegiado para proporcionar oportunidades às crianças para se expressarem individualmente, interagirem verbalmente e, deste modo, desenvolverem as suas capacidades de expressão oral. (p. 40). (SIM-SIM, 2008, apud MARQUES 2016, p. 7). Os mesmos autores referem ainda que a conversa é uma forma de a criança interagir verbalmente com o outro, através da qual pode pedir algo, expressar as suas ideias, ou tirar dúvidas. Gonçalves, Guerreiro, & Freitas (2011), complementam esta ideia explicando que a conversa é muito importante para o conhecimento linguístico da criança, porque esta para participar tem de aprender a alternar os papéis, a tomar a sua vez, falar da sua experiência e processar vários tipos de informação, “mobilizando um vasto conjunto de competências cognitivas, sociais e linguísticas” (p.48). No mesmo sentido, Hohmann & Weikart (2011) dão grande ênfase às 10 conversas em pequeno grupo, porque através delas as crianças expressam as suas ideias e experiências vividas, comunicam umas com as outras. Segundo Sim-Sim (1998), “para comunicar através da linguagem não basta dominar as regras de estrutura da língua da comunidade a que se pertence” (p.183), tem que se saber o que dizer, o contexto em que se deve dizer e a quem dizer. 4 AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM Fonte: tuasaude.com Discorrer a respeito do processo de aquisição e desenvolvimento da linguagemrequer um conhecimento prévio acerca dos processos de pensamento. Isto é, exige uma compreensão a relativa à capacidade de simbolizar e da formação dos conceitos. Esses processos foram bastante estudados por autores como, por exemplo, Piaget (2007,1967) e Vygotsky (2007,1998), e embora explicitem significativas divergências entre si, um fator comum pode ser identificado em suas concepções relativas ao desenvolvimento cognitivo (pensamento e linguagem), que é a importância das ações exercidas e/ou “sofridas” por um indivíduo em relação a si mesmo e ao contexto em que vive, e o impacto de tais ações no curso do desenvolvimento de processos psicológicos básicos (atenção, memória, pensamento, linguagem), e em todo o processo do desenvolvimento humano. De acordo com Atkinson, Atkinson, Smith, Bem e Nolen-Hoeksema (2002) a linguagem é o uso organizado e combinado de palavras para fins de comunicação, 11 principalmente, do pensamento. Para o autor, a linguagem tem caráter universal, pertence à espécie humana, o que possibilita que as pessoas sejam capazes de dominar e usar um sistema linguístico bastante complexo. A utilização da linguagem possui dois aspectos: um de produção e um de compreensão. Produzir linguagem significa partir de um pensamento que de alguma maneira é traduzido numa oração e expressado através de sons. Compreender parte da audição de sons, atrelar significado a estes sons na forma de palavras que consistem na criação de uma oração para posteriormente extrairmos significados dela. Ambos aspectos compõem o processo de aquisição da linguagem e apresentam os níveis da sintaxe, da semântica e da fonologia, que envolvem, respectivamente, as unidades de oração, a transmissão de significados e os sons da fala (ATKINSON ET AL, 2002, apud MIRANDA, 2002, p. 2). Contudo, é importante salientar que a linguagem não consiste apenas na comunicação e transmissão de ideias pelas palavras, que são cruciais no desenvolvimento cognitivo, mas também na comunicação não verbal, isto é, em gestos e as ações, movimentos que expressam emoções sociais (Papalia & Olds, 2000). As mesmas autoras, ao explanarem a respeito do desenvolvimento da linguagem afirmam que antes das primeiras palavras serem pronunciadas há uma fase denominada pré-linguística. Esta fase é caracterizada pela emissão de sons que progridem do choro e da produção de fones como “ahhh” ou “gritinhos”, para os balbucios, gestos e imitação de sons embora não haja compreensão dessa imitação. Há um repertório de sons sequenciados em padrões que soam como linguagem, mas que parecem não possuir significado. Ao longo desse período os bebês desenvolvem a habilidade de reconhecimento e de compreensão dos sons da fala e a capacidade de utilização de gestos com significado, e apenas no final do primeiro ano dizem a primeira palavra. Vale ressaltar que a fase pré linguística é rica em expressão emocional. 4.1 Aquisição da linguagem oral A Linguagem Oral é uma faculdade muito importante que o ser humano realiza, pois através dela comunica com o outro, resolve os seus problemas, expressa as suas ideias. Deste modo, salienta-se a ideia de Rigolet (2000), quando refere que a aquisição da linguagem é uma das aquisições mais importantes durante a infância, sendo tão importante quanto o gatinhar e o caminhar. 12 A linguagem assenta numa capacidade natural e é adquirida pela criança ao longo da sua infância e adolescência, durante um processo que implica a passagem por várias etapas, já que a criança começa por chorar, depois palreia, repete sílabas, diz palavras e por último constrói frases (SIM-SIM, 1998, apud MARQUES 2016, p. 8). Para Hohmann & Weikart (2011), “A linguagem é constituída por um processo interativo, e não por uma capacidade inata” (p.526). As crianças não nascem a falar nem aprendem a falar porque lhes ensinam, mas por sentirem necessidade de comunicar com as outras pessoas, daí estes autores nomearem a linguagem como um processo interativo, no qual tem de existir troca de ideias entre crianças e criança/adulto. No mesmo sentido, Sim-Sim, Silva, & Nunes (2008) mencionam que a aquisição da linguagem não se restringe às aprendizagens de palavras novas ou à capacidade para produzir todos os sons da língua. É um processo gradual, no qual a criança, ao interagir com o outro, se vai apropriando da sua língua materna, utilizando- a para comunicar. Durante este processo, a criança aprende as regras da comunidade em que está inserida. Contudo, nos casos em que existem algumas exceções à regra, como por exemplo na forma do verbo fazer na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo. Tipicamente, a criança diz “fazeu”, realizando uma sobregeneralização, ou seja, “a criança demonstra que já interiorizou uma regra específica da língua” (SIM-SIM, 2008, apud MARQUES 2016, p. 8). Sim-Sim (2002) distingue aquisição de aprendizagem, sendo aquisição a interiorização inconsciente da criança de um código linguístico, daí justifica-se a passagem do palreio para a palavra dita com valor de frase (holófrase). Por conseguinte aprendizagem envolve interiorização consciente, através do qual a criança vai interiorizando o conhecimento conforme este lhe vai sendo explicado. Para esta autora, o nível de compreensão do significado das palavras por parte da criança é mais elevado do que o nível de palavras que ela produz, ou seja, a criança compreende mais do que concebe. As palavras servem para classificar objetos, ações e a aquisição do seu significado surge no contexto, por isso as primeiras palavras de uma criança estão de acordo com o meio em que está inserida. A linguagem é, pois, uma capacidade natural que vai evoluindo ao longo do tempo, envolvendo diversas fases de aquisição, o conhecimento dos sons da língua materna, a produção das primeiras palavras e posteriormente a construção de frases. 13 Nestas fases, a compreensão da criança antecede a sua produção, ou seja, a criança compreende primeiro, produz posteriormente Freitas, Alves, & Costa (2007). 5 TEORIAS DA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM Fonte: analuciakozonara.com.br Na perspectiva de Sim-Sim (1998), muitos cientistas têm estudado sobre a aquisição da linguagem, procurando responder a questões como O que se adquire? Quando se adquire, como se adquire? As respostas têm variado ao longo dos anos, tendo sido criadas diferentes teorias sobre este assunto. Segundo a teoria behaviorista (ou comportamentalista), a aprendizagem está relacionada com a modificação do comportamento. Isto é, só se consegue verificar que uma criança aprende quando esta modifica o seu comportamento perante o estímulo, o que normalmente advém da sua experiência. Relativamente à linguagem, esta teoria permite falar de comportamento verbal, segundo o qual a criança desenvolve a linguagem através da interação com o meio e por imitação do outro (SKINNER 1957, apud SIM-SIM, 1998). Para este autor, a linguagem desenvolve-se através da experiência da criança, por observação e por condicionamento operante, ou seja, a aprendizagem depende de um reforço. Se este for positivo a criança tende a repetir o mesmo comportamento, se o reforço for negativo, aumenta a probabilidade de a criança não repetir o mesmo comportamento. Noam Chomsky veio contrariar a perspectiva de Skinner, defendendo que a criança já nasce com uma capacidade inata para a aquisição da linguagem e que 14 qualquer criança passa a dominar a sua língua materna de forma natural, sem nenhum ensino formal. Para este autor, só assim se explica porque as crianças adquirem a língua materna tão cedo e sem dificuldade. A esta capacidade o autor deu nome de dispositivo para aquisição da linguagem (DAL) (Papalia, Olds, & Feldman (1999). Skinner afirmava ainda que a criança desenvolvia a linguagem através da imitação, uma ideia que Chomsky contraria, alegando que,se assim fosse, as crianças não produziriam palavras que nunca ouviram, nomeadamente, ”Eu fazi”em vez de “Eu fiz”. Nestes casos, as crianças não estão propriamente a inventar palavras, mas a conjugar verbos irregulares como se fossem verbos regulares, o que demonstra a sua capacidade para fazer um uso autónomo e criativo da língua materna. O principal responsável pela teoria Cognitivista, Jean Piaget, defendeu que o desenvolvimento linguístico da criança está dependente do seu desenvolvimento cognitivo, pois “a linguagem faz parte de uma organização cognitiva mais vasta” (Sim- Sim 1998, p.303). Segundo o mesmo autor, o desenvolvimento cognitivo é realizado por quatro estádios: Sensório-Motor, Pré-Operatório, Operações Concretas e Operatório Formal. Cada estádio decorre do anterior e prepara a criança para o estádio seguinte. 5.1 Piaget e Vygotsky: divergências e aproximações para a compreensão da aquisição e desenvolvimento da linguagem Em razão da linguagem ter a finalidade também de comunicar principalmente o pensamento, Piaget (1967), com os estudos referentes à gênese do conhecimento, evidencia também aspectos relativos à aquisição e desenvolvimento da linguagem. Segundo ele, a linguagem não é suficiente para explicar o pensamento, uma vez que o mesmo tem raízes na ação e nos mecanismos sensório-motor, os quais, para o autor, são mais significativos que o fator linguístico. Porém; [...] não é menos evidente que quanto mais refinadas as estruturas do pensamento, mais a linguagem será necessária para complementar a elaboração delas. A linguagem, portanto, é condição necessária, mas não suficiente para a construção de operações lógicas. Ela é necessária, pois sem o sistema de expressão simbólica que constitui a linguagem, as operações permaneceriam no estado de ações sucessivas, sem jamais se integrar em sistemas simultâneos ou que contivessem, ao mesmo tempo, um conjunto de transformações solidárias. Por outro lado, sem a linguagem as operações permaneceriam individuais e ignorariam, em consequência, esta regularização que resulta da troca individual e da cooperação (PIAGET, 1967, apud MIRANDA, 2002, p. 3). 15 De um modo geral, em relação aos tipos de fala, que é uma das manifestações da linguagem, vale ressaltar a fala privada. Papalia e Olds (2000) afirmam que ela é referente à fala consigo mesmo, sem a função de comunicar. Essas autoras apresentam as concepções de Piaget e de Vygotsky relativas a este tipo de fala, e afirmam que enquanto para Piaget ela é denominada egocêntrica pelo fato de a função simbólica não estar plenamente desenvolvida e, com isso, fazer com que palavras e ações representadas por palavras não sejam distinguidas; Vygotsky a concebe como elo de integração entre linguagem e pensamento, pois, à medida que ela aumenta no curso do desenvolvimento, a criança torna-se capaz de orientar e dominar ações, só desaparecendo quando o mesmo processo é feito silenciosamente. Nos estudos referentes às raízes genéticas do pensamento e da linguagem, ao descrever os experimentos que realizou, Vygotsky (1998) compara tais estudos àqueles realizados por Piaget. De acordo com Vygotsky (1998) há divergências entre eles, sobretudo no que concerne às funções da fala egocêntrica. Enquanto para este autor a fala egocêntrica deve ser concebida a partir da compreensão da função primordial da fala, que é o contato social e a comunicação, e que sua função consiste na transferência dos modos sociais e cooperativos de conduta para o âmbito das funções psíquicas superiores e pessoais; para Piaget, esse tipo de fala não objetiva comunicação, caracteriza-se por ser uma fala consigo mesmo desprovida de intencionalidade, e sem qualquer funcionalidade útil para o comportamento da criança. A fim de que se possa compreender essa concepção divergente dos dois autores, é importante salientar que para Vygotsky (1998) o desenvolvimento da fala segue o curso das demais operações mentais, as quais ocorrem em quatro estágios: (a) estágio natural ou primitivo, que corresponde à fala pré-intelectual e ao pensamento pré-verbal; (b) estágio da psicologia ingênua, no qual acontece o exercício da inteligência prática em virtude da experiência da criança com as propriedades físicas do seu corpo e dos objetos que a circundam; (c) estágio das operações com signos exteriores usados como auxiliares na solução de problemas, caracterizado pela fala egocêntrica; e (d) estágio do crescimento interior. Neste, as operações externas se interiorizam e passam por mudança no processo, a criança passa a operar com relações intrínsecas e signos interiores. (Vygotsky, 1998, apud MIRANDA, 2002, p. 4). Segundo Vygotsky (1998), os estudos desses estágios permitiram concluir que a medida em que as crianças se desenvolvem, dirigindo sua fala para comunicações específicas com os outros como, por exemplo, pedir comida ou brinquedo, elas começam a dirigir a fala para si mesmas, levando à internalização de palavras e à 16 constituição da fala interior. Esta, por sua vez, envolve pensamentos verbais norteadores do comportamento e da cognição, processo fundamental no desenvolvimento e funcionamento psicológico humano, logo, na construção do conhecimento. Papalia e Olds (2000), ao discorrerem a respeito dos aspectos da linguagem, mencionam que as crianças ao adquirirem a capacidade de representar, começam a formar e utilizar conceitos e a compartilhá-los com adultos. Segundo as autoras, as crianças, em função do contexto em que vivem, rapidamente aprendem palavras por meio de um mapeamento que logo as possibilitam absorver um significado, embora ele seja usado de maneira generalizada para quaisquer objetos, espaço e tempo. Isto é, uma criança, inicialmente, pode referir-se há diversos tempos futuros com a palavra amanhã, em razão de a interpretação ainda ser bastante literal, o que faz a criança assimilar um significado distinto daquele pretendido. No curso do desenvolvimento, esta criança realiza com recorrência o referido mapeamento, o qual a possibilita lançar mão do uso de metáfora. Em outras palavras, o referido mapeamento viabiliza a utilização de uma figura de linguagem em que palavra ou frase designadoras de uma coisa são aplicadas à outra. A recorrência do uso desta figura fornece à criança a capacidade necessária para a aquisição de vários tipos de conhecimento (Papalia & Olds, 2000). Por seu curso, Oliveira (1992) faz alguns apontamentos referentes ao processo de formação de conceitos investigado por Vygotsky em seus estudos acerca da origem e dos tipos de fala. Através desses apontamentos a autora coloca que; [...] a linguagem humana, sistema simbólico fundamental na medição entre sujeito e objeto de conhecimento, tem, para Vygotsky, duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante. Isto é, além de servir ao propósito de comunicação entre indivíduos, a linguagem simplifica e generaliza a experiência, ordenando as instâncias do mundo real em categorias conceituais cujo significado é compartilhado pelos usuários dessa linguagem. Ao utilizar a linguagem para nomear determinado objeto estamos, na verdade, classificando esse objeto numa categoria, numa classe de objetos que têm em comum certos atributos. A utilização da linguagem favorece, assim, processos de abstração e generalização. (OLIVEIRA, 1992, apud MIRANDA, 2002, p. 5). Ao considerar que a linguagem consiste num sistema simbólico que estabelece mediação entre o sujeito e seu objeto de conhecimento, Oliveira (1992), ao citar Vygotsky, afirma que as palavras, enquanto signos mediadores das relações do indivíduo com o mundo, são generalizações. Cada palavra refere-se a uma classe de 17 objetos, constitui-se num signo e numa forma de representação da categoria de objetos e de conceitos. De acordo com a autora, os conceitos são construções culturais internalizadaspelos indivíduos no curso do processo de desenvolvimento, e são definidos por atributos estabelecidos pelas características dos elementos localizados e selecionados no mundo real, no universo da cultura. Nesta concepção, é a cultura na qual um sujeito se desenvolve que fornece os significados, permitindo ao indivíduo ordenar o real em categorias e conceitos. Papalia e Olds (2000) salientam que [...] as crianças, ao longo do desenvolvimento, se tornam mais competentes na comunicação à medida que dominam as palavras, as frases e a gramática, o que revela a existência de uma ligação entre a forma e a função da fala. (PAPALIA E OLDS, 2000, apud MIRANDA, 2002, p. 5). Essa ligação evidencia seus aspectos pragmático e social. O primeiro aspecto envolve conhecimentos práticos para fins comunicativos inclusive no sentido de adequar os comentários à perspectiva do ouvinte; o segundo, constitui todas as características do conhecimento pragmático e compõe a fala socializada, a qual pretende ser compreendida pelo ouvinte. É importante ressaltar que Papalia e Olds (2000) enfatizam a interpretação feita por Vygotsky a respeito da fala privada, principalmente por se basearem em pesquisas que deram sequência aos estudos realizados por ele. Essas autoras mencionam que a compreensão deste tipo de fala tem relevância significativa no contexto escolar, pois falar ou sussurrar consigo mesmo evidencia ou pode evidenciar a tentativa da criança de resolver um problema e, por isso, ainda necessita pensar em voz alta. No que concerne ao tipo supracitado de fala e sua função, Vygotsky (1998) afirma que a fala exterior dá origem à interior (privada). Em outros termos, as mudanças estruturais e funcionais acumuladas e ocasionadas pela fala exterior e pela diferenciação das funções social e egocêntrica da fala, possibilitam o desenvolvimento da fala interior, a qual constitui a gênese da formação dos conceitos. Essa formação, segundo o autor, tem início na infância. Entretanto, as funções intelectuais combinadas de maneira específica, que compõem a base psicológica desta formação, são configuradas e desenvolvidas apenas na puberdade. As formações intelectuais que se aproximam daquelas dos conceitos verdadeiros estão por surgir. Vygotsky (1998) concebe o homem e seu desenvolvimento numa perspectiva sociocultural. Contudo, referindo-se aos estudos experimentais da formação dos 18 conceitos, o autor afirmou que “[...] a tarefa cultural, por si só, não explica o mecanismo de desenvolvimento em si, [...]” (Vygotsky, 1998, p.73). Por meio desta afirmativa explicitou a necessidade de compreender o desenvolvimento de um indivíduo de maneira global. Noutras palavras, salientou o quão importante é verificar todas as funções implicadas nesse processo, as quais continuamente são construídas, reconstruídas e incorporadas à uma já existente ou nova estrutura, porque durante a formação dos conceitos este indivíduo aprende “[...] a direcionar os próprios processos mentais com a ajuda de palavras e signos [...]” (p.74), mesmo que a capacidade de regulação de ações por meio de auxiliares seja plena apenas na adolescência. Durante o processo de formação de conceitos, antes do período da adolescência, a criança transita por alguns estágios. Esses estágios são compreendidos pelos momentos que partem da agregação desorganizada de objetos, para um conglomerado vago e sincrético de objetos isolados, até a composição do grupo, quando ocorre uma organização também sincrética do campo visual da criança. Nestes períodos, o significado passa por uma espécie de transição, uma vez que, inicialmente, “[...] revela uma extensão difusa e não direcionada do significado do signo (palavra artificial) a objetos naturalmente não relacionados entre si [...]” (VYGOTSKY, 1998, apud MIRANDA, 2002, p. 7). Posteriormente, a criança passa à etapa do pensamento por complexos. Neste modo de pensamento, os componentes estão ligados de maneira concreta e factual, isto é, ainda há carência de abstração e de lógica. O pensamento por complexos envolve cinco tipos básicos de complexos: (a) associativo, que se baseia em relações de semelhança ou diferenças percebidas entre as coisas; (b) coleções, uma combinação de objetos ou impressões concretas proporcionada pela experiência prática; (c) cadeia: uma conexão dinâmica e consecutiva de elos isolados numa só corrente, com a emissão de significados de um elo para outro (a formação em cadeia denota a gênese concreta e factual do pensamento por complexos); (d) difuso, o qual caracteriza-se pela fluidez do próprio atributo que une os seus elementos. Nele, conjuntos de imagens ou objetos percentualmente concretos são construídos através de ligações difusas e indeterminadas; e, por fim, (e) o pseudoconceito. Este complexo constitui a ponte entre complexos e o estágio final e mais alto do desenvolvimento da formação de conceitos. Além disso, neste tipo, 19 “[...] a generalização formada na mente da criança, embora fenotipicamente semelhante ao conceito dos adultos é psicologicamente muito diferente do propriamente dito; em sua essência, ainda é um complexo. ” (VYGOTSKY, 1998, apud MIRANDA, 2002, p. 7). Nesse sentido, a construção gradativa de complexos e de significados das palavras através da manipulação de objetos agrupados é feita pelas crianças de acordo com suas preferências. Isso evidencia a característica ativa que elas possuem para originar generalizações, cujo percurso é apontado pela linguagem com seus significados estáveis e permanentes, mesmo que haja interferências da fala de um adulto. (Vygotsky, 1998,). Ainda em referência ao pensamento por complexos, é importante destacar que o autor citado acima o considerava fundamental em razão de a história da linguagem evidenciá-lo como a base do desenvolvimento linguístico. Em relação a este desenvolvimento e de acordo com a linguística, ele afirma que ocorre uma distinção entre o significado de uma palavra ou expressão e o seu referente, ou seja, pode haver diversos referentes para um só significado. “[...] as palavras da criança e do adulto coincidem quanto aos seus referentes, mas não quanto aos seus significados. ”. (Vygotsky, 1998). Aos poucos, acontecem, necessariamente, transferências de significados que constituem, além de indicativas do pensamento por complexos, a regra no desenvolvimento da linguagem, e, obviamente, no percurso de formação dos conceitos desde a fase mais primitiva dos conceitos potenciais, até os conceitos espontâneos, verdadeiros e científicas, no qual a palavra ocupa lugar central. Diante disso, Vygotsky (1998, p. 104) aponta que “[...] O desenvolvimento dos conceitos, ou dos significados das palavras, pressupõe o desenvolvimento de muitas funções intelectuais: atenção deliberada, memória lógica, abstração, capacidade para comparar e diferenciar. ” (VYGOTSKY, 1998, apud MIRANDA, 2002, p. 8). As referidas funções, segundo o mesmo autor, não podem ser dominadas apenas por meio de aprendizagem inicial. Este processo envolve aprendizagem contínua, durante todo o curso do desenvolvimento, sobretudo quando a criança está em idade escolar, pois ela passa a perceber os seus próprios processos psíquicos enquanto processos significativos, o que a habilita a conceber as coisas sob uma nova forma e a criar novas possibilidades de manipulá-las. 20 Através do estabelecimento de uma relação entre aprendizagem e desenvolvimento, verifica-se que o desenvolvimento da linguagem oral e da escrita diferem entre si. De acordo com ele, neste processo estão envolvidas as etapas de compreensão do significado figurado, a influência da gramática sobre o desenvolvimento mental e “[...] a compreensão das relações no estudo das ciências sociais e naturais. ” (Vygotsky, 1998, p. 122), o que promove a citada diferença. Considerando isso, o autor salienta que a linguagemescrita difere tanto estrutural quanto funcionalmente da linguagem oral por exigir um nível de abstração com o qual a criança possa se desligar do aspecto sensorial da fala e substituir palavras por imagens de palavras; isto é, exige uma capacidade de representação simbólica ainda mais sofisticada. A capacidade de representação simbólica exigida pela linguagem escrita explicita a relação que esta variação da linguagem estabelece com a fala interior e com a oral, ambas constituintes da linguagem como um todo. A escrita segue o curso da fala interior, a qual é precedida pela fala oral, que por sua vez permanece em posição intermediária em relação àquelas. A fala interior é condensada e abreviada, é predicativa e conhecida pelo sujeito que pensa, enquanto a escrita deve possuir o caráter explicativo para se fazer inteligível. Por um processo de transição a fala interior (compacta) passa à oral (detalhada) através de uma semântica deliberada, isto é, uma “[...] estruturação intencional da teia de significado. ” (Vygotsky, 1998, p. 124). Com essas observações referentes aos tipos de fala – oral, interior e escrita – no decorrer do desenvolvimento, especialmente no período escolar, Vygotsky (1998) constatou não somente que a gramática e a escrita contribuem para o desenvolvimento da fala, como também que o aprendizado precede o desenvolvimento, mas não em relação às bases psicológicas que o sustentam. O que acontece de maneira contínua é uma interação e uma contribuição de/ entre ambos. Nesse processo de influência mútua, não apenas o aprendizado tem função importante, a imitação é também um mecanismo essencial, pois juntos – aprendizado e imitação inclusive da fala – fazem emergir qualidades especificamente humanas que orientam o indivíduo a novos níveis de desenvolvimento, de formação de conceitos. Nesta perspectiva, Vygotsky (1998) faz uma crítica a Piaget em relação à compreensão dissociada de pensamento e de aprendizado, afirmando que aprendizado não se inicia na escola. Vygotsky amplia sua crítica ao discorrer a respeito da inexistência de um elo primário entre pensamento e fala, o qual num 21 determinado momento promoveria uma influência mecânica de um sobre outro, de maneira que o pensamento verbal seria resultado de uma união externa de ambos em razão de serem elementos isolados e independentes. Contudo, de acordo com ele, há uma evolução desses processos que promove a ocorrência de uma conexão que se modifica e desenvolve. Esta conexão é denominada significado ou conceito, como já abordado anteriormente. [...] O significado das palavras é um fenômeno de pensamento apenas na medida em que o pensamento ganha corpo por meio da fala, e só é um fenômeno da fala na medida em que esta é ligada ao pensamento, sendo iluminada por ele. É um fenômeno do pensamento verbal, ou da fala significativa – uma união da palavra e do pensamento. (VYGOTSKY, 1998, apud MIRANDA, 2002, p. 8). Como componente essencial e elo do pensamento e da palavra, o significado é fundamental para a compreensão do desenvolvimento da linguagem de acordo com a concepção de Vygotsky (1998). Para ele, este desenvolvimento implica também no desenvolvimento do pensamento, pois é através das palavras que o pensamento ganha existência, se materializa e promove a relação entre coisas. Isso denota que há uma distinção entre os planos interior (semântico e significativo) e exterior (fonético) da fala, mesmo que deem origem a uma unidade e tenham suas próprias leis. A diferenciação constatada nos planos de fala evidenciou que a unidade da fala é complexa e envolve um movimento independente nos âmbitos fonético e semântico. No momento em que uma criança começa a dominar a fala exterior utilizando uma palavra, ela passa logo a relacionar duas, três palavras entre si até a construção de frases cada vez mais sofisticadas e coerentes. Entretanto, em relação ao significado, a primeira palavra é uma frase completa, o que denota que a criança parte do todo para depois dominar “[...] as unidades semânticas separadas, os significados das palavras, e a dividir o seu pensamento, anteriormente indiferenciado, nessas unidades. ”. (Vygotsky, 1998, p. 157). Em outras palavras, enquanto o aspecto semântico segue do particular para o geral, o fonético faz o caminho inverso. É interessante expor que o autor citado verificou uma divergência entre semântica e fonética na fala de indivíduos adultos que causa ainda mais surpresa no que se refere aos sujeitos e predicados gramaticais e psicológicos em razão de fatores como: (a) o predicado psicológico poder assumir qualquer fragmento de uma frase; e 22 (b) da possibilidade de significados distintos ocultarem-se numa determinada estrutura gramatical. Não apenas sujeito e predicado têm seus duplos psicológicos, mas também gênero, número, caso, grau, etc. Um enunciado espontâneo, errado do ponto de vista gramatical, pode ter seu encanto e seu valor estético. A correção absoluta só é alcançada para além da linguagem natural, na matemática. Nossa fala cotidiana flutua entre os ideais da matemática e da harmonia quantitativa. (VYGOTSKY, 1998, apud MIRANDA, 2002, p. 8). Como se pode observar, os estudos referentes à aquisição e desenvolvimento da linguagem, partem, de algum modo, dos processos de pensamento, do período pré linguístico, do processo de formação de conceitos, dos processos de aprendizagem e de socialização. 6 DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM: PRESSUPOSTOS DAS TEORIAS AQUISICIONISTAS Discorrer a respeito da aquisição da linguagem requer buscar o início desse processo, bem como as teorias que o embasam, sendo que o desenvolvimento é o fator preponderante para a discussão de tal assunto e, ao vislumbrar um vasto contexto histórico sobre o início dos estudos relacionados à aquisição da linguagem que, pelas suas indagações é considerada uma área híbrida, heterogênea ou até mesmo multidisciplinar, na qual possui o primeiro registro no século XIX, onde tem sido uma arena de discursões teóricas na linguística, deparando-se com Saussure e Bloomfield na primeira metade do século XX e, em seguida, encontra-se com Chomsky e sua adotada postura inatista do processo em que ser humano adquire a linguagem. Nesse contexto, dar-se vida a Sociolinguística e a Psicolinguística da qual se reporta a aquisição da linguagem. Desse modo, Skinner surge na reformulação da filosofia behaviorista, propondo algumas mudanças, pois sua teoria ficou conhecida como behaviorismo radical, isto é, a explicação da escolha do termo radical obtém-se a ideia do que Skinner propunha para essa filosofia. Dessa forma, segundo Skinner (1978), há uma básica mudança no comportamento devido a aprendizagem, sendo esta ensinada através dos reforços imediatos, com a continuação de uma resposta e também a um estímulo dado pelo sujeito, tendo como a mais adjacente do que se quer, com isso as respostas que foram fortalecidas se tornam cada vez mais adequadas até se chegar ao comportamento 23 desejado. Partindo do pressuposto de que sua teoria behaviorista da linguagem propõe que o processo de aprendizagem consiste numa cadeia de estímulo-resposta, isto é, o ambiente fornece os estímulos, que podem ser definidos como: estímulos linguísticos, e a criança que fornece as repostas, tanto pela compreensão como pela produção linguística. O comportamento humano se caracteriza por sua complexidade, sua variedade, e pelas suas maiores realizações, mas os princípios básicos não são por isso necessariamente diferentes. A ciência avança do simples para o complexo: constantemente tem que decidir se os processos e leis descobertos para um estágio são adequados para o seguinte. Seria precipitado afirmar neste momento que não há diferença essencial entre o comportamento humano e o comportamento de espécies inferiores; mas até que se empreenda a tentativa de tratarcom ambos nos mesmos termos, seria igualmente precipitado afirmar que há. (SKINNER, 1978, apud PEREIRA, 2015, p. 3). Skinner alega que a linguagem é essencialmente uma questão de aprendizagem, no sentido especifico de aquisição pela mente, através de um sistema exterior. Busca explicar os fenômenos da comunicação linguística e da significação na língua em termos de estímulos observáveis e respostas produzidas pelos falantes em situações específicas. Enfatiza-se a importância de uma breve abordagem quanto ao termo psicolinguística, que começou a ser usado pela primeira vez, no início da década de 1950, indicava um interesse pelos métodos linguísticos para descrever a produção dos usuários da linguagem; em especial, a análise estrutural em unidades linguísticas tais como fonemas, morfemas e frases, as quais pareciam oferecer uma formulação mais precisa das unidades tão obviamente psicológicas quanto às letras, frases e sentenças. "Psicolinguística" é, portanto, um neologismo que surgiu da necessidade de se denominar essa fase de revolução na Linguística e na Psicologia, principalmente depois que Chomsky publicou nos Estados Unidos um trabalho sobre gramática gerativa denominado Syntactic Structures. Sendo a linguagem um fenômeno em grande parte mental, seu estudo pode ser considerado um ramo da Psicologia. Qualquer teoria adequada da Psicologia Humana deve dar alguma explicação de nossos processos de pensamento; a linguagem é de importância central aí porque a maioria de nossos pensamentos assume forma lingüística. Muitos, se não a maior parte de nossos conceitos, recebem algum tipo de rótulo verbal. Assim, a relação entre linguagem e formação de conceitos é de grande interesse para os psicólogos. A linguagem também testa significativamente teorias de organização psicológica. As línguas são altamente estruturadas, e aprendemos a identificar e descrever suas estruturas de forma consideravelmente detalhada. Qualquer teoria da organização psicológica, 24 portanto, deve conciliar adequadamente os tipos de estruturas que sabemos serem características das línguas humanas. (LANGACKER, 1972, apud PEREIRA, 2015, p. 4). Demonstrando que a competência linguística possibilita a criação de todas as frases da língua que fala, a teoria chomskyana da gramática gerativa mostrou que a linguagem é um tipo de comportamento humano muito mais complexo do que até então era considerado. A linguagem é considerada como instrumento complexo que viabiliza a comunicação e a vida em sociedade, sendo também a evolução do meio cultural, isto é, não existiria socialização sem linguagem e nem linguagem sem o ser humano para usufrui-la. Entretanto, evidenciar algumas características e implicações do processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem torna meramente necessário, pois o estudo que aqui se destaca busca explicitar aspectos essencialmente humanos como o uso e o domínio de um sistema linguístico em atos de pensamento e fala influenciando a oralidade. No entanto, a linguagem funciona ao mesmo tempo como instrumento que possibilita a comunicação com o exterior, com o outro, e como condição que viabiliza o pensamento e a consciência reflexiva. [...] não é menos evidente que quanto mais refinadas as estruturas do pensamento, mais a linguagem será necessária para complementar a elaboração delas. A linguagem, portanto, é condição necessária, mas não suficiente para a construção de operações lógicas. Ela é necessária, pois sem o sistema de expressão simbólica que constitui a linguagem, as operações permaneceriam no estado de ações sucessivas, sem jamais se integrar em sistemas simultâneos ou que contivessem, ao mesmo tempo, um conjunto de transformações solidárias. Por outro lado, sem a linguagem as operações permaneceriam individuais e ignorariam, em consequência, esta regularização que resulta da troca individual e da cooperação. (PIAGET, 1967, apud PEREIRA, 2015, p. 5). Desta maneira, traz-se uma abordagem que discute as teorias utilizadas pelos pesquisadores e, em seguida, a metodologia que segue os pressupostos teóricos, sendo eles, Chomsky (1998, p.23) ressalta que, “A aquisição da língua se parece muito com o crescimento dos órgãos em geral; é algo que acontece com a criança e não algo que faz a criança”. O teórico consiste afirmar que a criança nasce em condições de aprender línguas, segundo ele, ela possui o órgão da linguagem embutido no sistema nervoso central, essa questão admite que o ser humano possua, em seu estágio inicial, uma Gramatica Universal (GU), dotada de princípios pertencentes a “faculdade da 25 linguagem” (CHOMSKY, 1998), e de parâmetros “fixados pela experiência” (SCARPA; MUSSALIM; BENTES, 2001). Porém, mesmo que o ser considerado normal esteja exposto ao ambiente exterior ele tem a capacidade de aprimorar a língua natural de acordo com a pré- determinada GU que possui, no entanto, esse processo se desenvolve em seu estado inicial. O processo de aprendizagem do indivíduo é constituído a partir de todo conhecimento construído da interação do ser humano nas relações com os outros indivíduos. Piaget com a teoria de que o conhecimento é construído através da interação do sujeito com seu meio, a partir de estruturas existentes vem comprovar que o processo de aprendizagem não é algo isolado, sendo assim, o conhecimento não é adquirido de forma individual, tampouco verdadeiro, é necessário que se observe a relação que o aprendiz tem com a sociedade, o meio em que ele está inserido, e o contexto social de cada indivíduo. Mediante esse fato, faz-se necessário conhecer as teorias de aquisição da linguagem, a fim de buscar embasamento teórico para o trabalho a ser desenvolvido. Segundo Santos (2008), A mente do aprendiz não é de fundamental importância para justificar o processo de aquisição da linguagem, o conhecimento é derivado da experiência que o aprendiz adquire através da interação com o seu meio, porém não se tem experiência devido o conhecimento não sair da mente do aprendiz. (SANTOS, 2008, apud PEREIRA, 2015, p. 5). O Behaviorismo descarta o que o empirismo aborda, o que é meramente mental é descartado, tendo em vista que para essa teoria faz-se necessário o contato e a experiência que o aprendiz adquire junto ao meio. Diferentemente dos inatistas, os behavioristas acreditam que a aquisição da linguagem é semelhante à aquisição de outros comportamentos, como andar, brincar, comer. O desenvolvimento do conhecimento linguístico é gerado através da experiência, estímulos e respostas, sendo que a criança ao nascer ainda não possui nenhum conhecimento, sendo necessária a convivência com falantes da língua para que o conhecimento comece a ser adquirido. Skinner (1978, p.5) "Quando nosso comportamento é reforçado positivamente, nós dizemos que gostamos do que estamos fazendo; dizemos que estamos felizes." O que possibilita as respostas são os estímulos obtidos, isto é, o que deve ser 26 analisado diante a essa aprendizagem adquirida por meio dos estímulos é psicológico de cada indivíduo. Portanto, para os estruturalistas, deve-se trabalhar apenas com os dados observáveis, buscando descrever a língua e identificar suas características estruturais. Não levamos em consideração o a mente do indivíduo. Partindo desse ponto, o contexto comunicativo da fala está incluído na análise de uma estrutura gramatical. Portanto, é necessário se fazer um estudo gramatical da língua falada pelo indivíduo, buscando observar o contexto em que ele está inserido, analisando a língua profundamente. Entretanto, as teorias da linguagem são discutidas com as divergências de ideias seguidas pelos estudiosos do campo. A fim de compreender essa concepção divergente dos dois autores é importante salientar que para Vygotsky, o Interacionismo social, onde propõe que a criança não é um aprendiz passivo, mas sujeito queconstrói seu conhecimento pela mediação do outro, sendo a interação social e a troca comunicativa a base da aquisição. Vygotsky, acredita que a aquisição da linguagem se dá devido à interação que a mesma possui com o ambiente que a rodeia, considerando não apenas uma expressão do conhecimento adquirido pela criança, mas observar que entre pensamento e palavra existe uma inter-relação fundamental, em que a linguagem tem papel essencial na formação do pensamento e do caráter do indivíduo. Contudo: “É no significado da palavra que o pensamento e a fala se unem em pensamento verbal. É no significado, então, que podemos encontrar as respostas as nossas questões sobre a relação entre pensamento e a fala”. (Vygotsky, 2005, apud PEREIRA, 2015, p. 6). É possível identificar que o significado é a ação do pensamento, entretanto ele não pode ser alienado da palavra, pois pertence tanto ao domínio da linguagem quanto ao domínio do pensamento. [...] a linguagem humana, sistema simbólico fundamental na medição entre sujeito e objeto de conhecimento, tem, para Vygotsky, duas funções básicas: a de intercâmbio social e a de pensamento generalizante. Isto é, além de servir ao propósito de comunicação entre indivíduos, a linguagem simplifica e generaliza a experiência, ordenando as instâncias do mundo real em categorias conceituais cujo significado é compartilhado pelos usuários dessa linguagem. Ao utilizar a linguagem para nomear determinado objeto estamos, na verdade, classificando esse objeto numa categoria, numa classe de objetos que têm em comum certos atributos. A utilização da linguagem favorece, assim, processos de abstração e generalização. (OLIVEIRA, 1992, apud PEREIRA, 2015, p. 7). 27 Ao considerar que a linguagem consiste num sistema simbólico que estabelece mediação entre o sujeito e seu objeto de conhecimento, Oliveira (1992), ao citar Vygotsky, afirma que são generalizações enfatizar as palavras como mediação para as relações dos indivíduos. O poderoso instrumento da linguagem é trazido pelo que chama de internalização da ação e do diálogo. Vygotsky entende o processo de internalização como uma reconstrução interna de uma operação externa, mas diferentemente de Piaget, para a internalização de uma operação deve concorrer a atividade mediada pelo outro, já que o sucesso da internalização vai depender da reação de outras pessoas. 7 A ORALIDADE NO DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM Fonte: novaescola.org.br A oralidade é uma importante maneira de reflexão, um gesto de expressão ou concepção sobre determinado assunto. É uma prática de interação que viabiliza a comunicação, transmissão de valores, culturas e ideologias. Nesta não é visto somente o ato da fala e sim quais os contextos que o falante está inserido, tornando assim a oralidade como meio de pratica social. De acordo com Marcuschi (2001). A oralidade seria uma prática social interativa para fins comunicativos que se apresenta sob várias formas ou gêneros textuais fundados na realidade sonora, ela vai desde uma realidade mais informal a mais formal nos mais variados contextos de uso [...] (MARCUSCHI, 2001, apud PEREIRA, 2015, p. 10). 28 Nesse sentido, a oralidade é um ato de extrema importância na humanidade, pois através dela ocorrem inúmeras formas de comunicação, tanto de indivíduo no meio familiar como extrafamiliar e também é uma fortíssima ferramenta para aqueles que a dominam e a utilizam como principal meio de expressão com auxílio de comunicação gestual. A oralidade é um grande sinônimo de poder na sociedade, uma vez que a linguagem oral surgiu primeiro do que a linguagem escrita e o sujeito apropriando-se desta e conseguindo utilizá-la nas situações adequadas desenvolve, a competência comunicativa com êxito segundo Mainguenau. A competência comunicativa é largamente implícita e adquire-se através de interações. Esta inclui regras que incidem sobre aspectos variados: saber gerir o uso da palavra, saber de que fala numa determinada situação, saber sincronizar a mímica com as palavras que se pronunciam e com as do coenunciador, saber gerir as faces do outro… e dominar claramente os comportamentos requeridos por diversos géneros de discursos… Esta competência modifica-se constantemente, em função das experiências de cada um. Além disso, um mesmo indivíduo dispõe de diversas competências comunicativas quando entram em interação com comunidades variadas. (MAINGUENAU,1997, apud PEREIRA, 2015, p. 11). Entretanto, nem todos conseguem desenvolver uma competência comunicativa satisfatória seguindo os padrões que a envolvem como entonação na voz, expressões faciais e gesticulações. Principalmente porque nas escolas a linguagem oral não é vista como prioridade, mas como complemento a partir do desenvolvimento da leitura. Infelizmente a linguagem oral nas escolas não é trabalhada com objetivo de formar cidadãos dominantes da própria língua, nesta perspectiva ouve-se dos alunos a frase “detesto a aula de português! ”. Pois as aulas giram em torno de leituras teóricas e poucos momentos de prática na qual o aluno pode ser considerado como parte do processo ensino-aprendizagem. Assim as escolas públicas e particulares contrapõem o que descreve os PCN’s (1998). Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral no planejamento e realização de apresentações públicas com realização de palestras, debates seminários apresentações teatrais etc. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de fato, pois é descabido treinar um nível mais formal da fala, tomado como mais apropriado para todas as situações. (PCN’s, 1998, apud PEREIRA, 2015, p. 11). Sabendo-se que a linguagem oral é a principal responsável no processo de ensino aprendizagem, uma vez que é através dela que ocorre a interação professor aluno, ainda falta ser mais explorada por parte dos docentes. Estes precisam extrair dos seus alunos mais “falas” de uma forma contextualizada e concisa, não somente 29 perguntas sobre o que está escrito no livro, mas expor suas opiniões, pois cabe ao professor tornar o aluno como agente comunicador na sociedade ato este que não acontece de fato, assim como explicita Albuquerque (2006). A oralidade continua a permanecer como um parente pobre que tanto professores, quanto alunos não sabem como abordar, desconhecendo claramente os limites do oral, assim como os trajetos do seu aperfeiçoamento. No ensino mais tradicional, a oralidade estava claramente subordinada à escrita, de tal modo que as atividades orais que eram mais divulgadas, eram a leitura em voz alta e, através do recurso à memorização, a recitação de poemas e outros textos, que nos revela que o oral mantinha um aspecto de estereótipo convencional e normativo, reduzindo-se a uma verbalização do escrito. Não advinha, portanto, de situações espontâneas ou simuladas de comunicação. (ALBUQUERQUE, 2006, apud PEREIRA, 2015, p. 11). Todavia, não é somente responsabilidade dos professores desenvolver um bom ensino de aprendizagem da linguagem oral, mas também de todo o corpo técnico, visando quebrar conceitos tradicionalistas que se prendem somente ao ensino da leitura e escrita deixando a oralidade em segundo plano. 7.1 A aprendizagem da oralidade por crianças de quatro anos: algumas dificuldades encontradas neste processo A linguagem oral surge não só como uma necessidade de aprendizagem, mas também como uma necessidade social, de comunicar, de informar e ser informado, de interagir com as pessoas próximas e com a sociedade em geral. São diversos os fatores que podem influenciar as dificuldades relacionadas com a oralidade (como deficiência mental, deficiência motora, paralisia cerebral, atraso global de desenvolvimento, síndromes e lesões cerebrais), parece engraçado quando uma criança fala (“amaieio”, “figulinha”, “bebelo”), na maioria das vezes, pronunciar as palavras demaneira errônea, sem um “L” ou “R”, faz parte do desenvolvimento normal das crianças. Mas, se trocas e omissões de sons permanecem depois dos três anos, isso pode se tornar um problema no futuro ou até mesmo indicar uma doença mais grave. Aneja (1999) indica alguns sinais de alerta para desordens da linguagem na criança, tais como: Nenhuma palavra emitida até os 18 meses; não colocação de duas palavras juntas aos 2 anos; ausência de desempenho imitativo e simbólico aos 2 anos; não formação de sentenças aos 3 anos; discurso incompreensível aos 3 anos” (ANEJA, 1999, apud MOREIRA, 2016, p. 6). 30 Oller e Cols (1999) mostraram que o balbuciar produzido por volta dos 10 meses de idade, quando atrasado, pode prognosticar desordens da fala. Balkwin (1968) mostra que, por volta dos três anos, a criança já deve se expressar oralmente, entretanto, um leve retardo nesta idade não é incomum. Cuberos (1997) afirma que a aquisição da linguagem oral é determinada pela interação entre fatores biológicos, cognitivos, psicossociais e ambientais, resultado de um processo interativo que envolve a manipulação, combinação e integração das formas linguísticas e das regras que são impostas. Para Allen e Rapin (1988), quando a criança não faz uso de estruturas linguísticas, ela pode se comunicar de outras maneiras: gestos, vocalizações, ou algumas poucas palavras isoladas. Por volta de 18 meses, as crianças que apresentam um desenvolvimento da linguagem compatível com a sua idade, vão substituindo os gestos, as vocalizações, ou mesmo suas características comportamentais, por palavras propriamente ditas. A insistência da criança nestes meios de comunicação merece investigação por parte de um especialista. De acordo com Lima (2000), o período de 0 aos 3 anos é crucial para o desenvolvimento linguístico. Nele se verificam todas as etapas do desenvolvimento da linguagem que vão permitir à criança apropriar-se das competências necessárias e, a partir dos três anos e meio, ser capaz de dominar a estrutura da língua alvo. Para enfim, ser capaz de falar inteligivelmente sem grandes dificuldades. As trocas de sons fazem parte do processo de aquisição da fala e são esperadas até por volta dos quatro anos, quando a criança já está apta a produzir todos os sons. O Quadro 1 a seguir apresenta o percurso normal de aquisição da linguagem ao longo do tempo, nas suas vertentes receptiva, expressiva, articulatória e pragmática. Quadro 1: O percurso normal de aquisição da linguagem ao longo do tempo. 31 (SIM-SIM, 2008, apud MOREIRA, 2016, p. 8). Para Strick e Smith (2001), os atrasos da fala são definidos como problemas que interferem no domínio de habilidades escolares básicas, e elas só podem ser 32 formalmente identificadas até que uma criança comece a ter problemas na escola. As crianças com dificuldades de aprendizagem encontram muitas barreiras na escola, por isso é muito importante que seja feito um o diagnóstico correto das dificuldades de aprendizagem em relação a outros transtornos parecidos que também dificulta o aprendizado do aluno. Souza (1996), afirma que as dificuldades de aprendizagem aparecem quando a prática pedagógica diverge das necessidades dos alunos. Por isso, Castro e Gomes (2000) alertam aos sinais: Quando aos 18 meses a criança não compreende ordens simples; quando com 2 anos completos a criança não diz nenhuma palavra; quando aos 3 anos não formula frases com três palavras; quando aos 4 anos produz frases que não se submetem às regras gramaticais; quando aos 5 anos persistem omissões ou alterações relativamente frequentes na articulação, em particular nas consoantes sibilantes (s, z, x, y) e consoantes liquidas (l, m, n, r). (CASTRO; GOMES, 2000, apud MOREIRA, 2016, p. 8). De acordo com Aimard (1998), crianças com atraso de linguagem, não apresentam necessariamente o mesmo problema ou as mesmas dificuldades. Algumas não irão precisar de atendimento terapêutico específico, e apenas com orientações aos pais, poderão superar o atraso. Outras necessitarão de atendimento terapêutico para superarem suas dificuldades e por outro lado, outras, mesmo com atendimento, não conseguirão superar totalmente as dificuldades que poderão persistir até a idade adulta. A observação de uma dificuldade de linguagem não basta por si só para entender qual é o problema. Após a identificação das dificuldades, a criança deverá ser indicada para avaliação especializada, para depois se decidir se precisa ou não de um acompanhamento adicional, por exemplo, de um terapeuta da fala ou um educador especializado. Portanto, o papel do educador continua a ser o de estimular a linguagem e as trocas linguísticas. Como afirmam Sim-Sim; Silva; Nunes: É através da interação comunicativa que as crianças adquirem a língua da comunidade a que pertencem. As trocas conversacionais são, portanto, determinantes no processo de desenvolvimento da linguagem. (…), a interação com o adulto funciona como um “andaime” que lhe vai permitindo caminhar no seu percurso de aprendiz de falante (SIM-SIM, 2008, apud MOREIRA, 2016, p. 8). Todas as crianças com história de distúrbios na linguagem e/ou fala devem ser avaliadas, sabendo-se dos vários fatores que cercam essa criança. O diagnóstico precoce permite o acompanhamento multidisciplinar e a instituição de medidas terapêuticas eficazes. Desta maneira, médicos e profissionais da área da saúde que 33 lidam com crianças devem estar atentos para este tipo de distúrbio, visando minimizar o impacto do problema no desenvolvimento global dessa criança. Uma vez sendo feito o diagnóstico, a criança deve ser adequadamente encaminhada, para introdução das condutas terapêuticas o mais rapidamente possível. 7.2 Ações que ajudam a criança enfrentar as dificuldades de aprendizagem da oralidade: o papel do docente Ainda que a linguagem oral esteja presente no dia a dia das instituições de Educação Infantil, nem sempre é tratada como algo a ser intencionalmente trabalhado com as crianças. Embora, tenham sido produzidas orientações curriculares oficiais para a educação escolar de crianças, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e o Referencial Curricular nacional para a Educação Infantil (RCNEI), que exigem o trabalho na sala de aula com a linguagem oral. Ensinar língua oral deve significar para a escola possibilitar acesso a usos da linguagem mais formalizados e convencionais, que exijam controle mais consciente e voluntário da enunciação, tendo em vista a importância que o domínio da palavra pública tem no exercício da cidadania (BRASIL, 1998, apud MOREIRA, 2016, p. 10). O PCN (1997) afirma que embora a linguagem oral seja um processo natural, o professor deve atentar-se quanto a sua importância, para que seja desenvolvida como objeto de trabalho propositado e metódico no processo de alfabetização. O professor precisa primeiramente conhecer as habilidades e limitações de seus alunos para poder traçar estratégias para ajudá-lo da melhor maneira possível. O docente pode desempenhar um papel muito importante ao longo do processo de construção do conhecimento, ao utilizar as ferramentas corretas. O RCNEI (1998) propõe que a oralidade, a leitura e a escrita sejam trabalhadas de forma integrada e complementar, potencializando-se os diferentes aspectos que cada uma dessas linguagens solicita das crianças. O docente deve desenvolver um trabalho tendo como objetivos: “encorajar o uso da fala como forma de expressão; criar condições para a aprendizagem de palavras novas; incentivar a compreensão e a produção de enunciados complexos” (CASTRO; GOMES, 2000, p.178-179). As técnicas mais usadas para desenvolver estes objetivos são a modelação (o adulto serve de modelo linguístico para a criança), a incitação (o adulto 34 questiona diretamente a criança com perguntas que contêm pistas para a resposta),a expansão (o adulto completa os enunciados simples da criança) e a reformulação (o adulto repete o enunciado da criança, alterando alguns elementos da estrutura produzida por esta) (CANTWELL; BAKER, 1987, apud CASTRO; GOMES, 2000) Cabe ao educador infantil zelar pela expressão oral das narrativas infantis desde muito cedo, aproveitando o momento privilegiado da roda de histórias. “... ensinar a produzir textos orais significa organizar situações que possibilitem o desenvolvimento de preparação prévia e monitoramento da fala” (BRASIL, 1997, p.74). Por vezes, a roda de conversa é usada como meio de apresentação de assuntos, de instrução do professor para uma atividade ou para as etapas de trabalho de um projeto, mas a comunicação quase sempre fica centrada na fala do adulto, restando à criança o lugar de ouvinte, tantas vezes respondendo em coro. Para Castro e Gomes (2000), a detecção precoce de problemas linguísticos permite a prevenção. As atividades de interação comunicativa e de desenvolvimento linguístico, especificamente as atividades de desenvolvimento da consciência fonológica, são fundamentais para as crianças que apresentam dificuldades ao nível da linguagem oral. Além de constituir uma oportunidade para trabalhar questões linguísticas em situação natural e lúdica, estas atividades permitem ao educador identificar problemas existentes a este nível. Sim-Sim (2008) defende que proporcionar ambientes linguisticamente estimulantes e interagir verbalmente com cada criança da Educação Infantil, são os dois caminhos que podem ajudar a combater as dificuldades que afetam o desenvolvimento da linguagem. De acordo com a autora, a criança adquire os modelos de linguagem do meio onde está inserida, sendo assim, o modelo da fala do adulto é que dá forma aos progressos linguísticos da criança entre os três/quatro anos. Por volta dos cinco/seis anos a criança atinge o nível e a qualidade de produção fonológica de um adulto. Tanto na escola como em casa o estímulo deve começar com a leitura de histórias infantis dos pais para os filhos, a estimulação de jogos de rimas, que ajudam na consciência fonológica, jogos com letras e desenhos, para a criança já ir se familiarizando com a leitura de rótulos é uma estratégia que desenvolve a memória visual como o processo de leitura e escrita. Mysak (1998) afirma que desenvolverá a fala mais cedo a criança cujo ambiente propicie rica experiência verbal com adultos e com outras crianças. O RCNEI apresenta alguns benefícios que isso proporciona. 35 Nas inúmeras interações com a linguagem oral, as crianças vão tentando descobrir as regularidades que a constitui, usando todos os recursos de que dispõem: histórias que conhecem, vocabulário familiar, etc. Assim, acabam criando formas verbais, expressões e palavras, na tentativa de apropriar-se das convenções da linguagem (BRASIL, 1998, apud MOREIRA, 2016, p. 10). A atividade lúdica pode ser um reforço, assim como todas as estratégias mencionadas acima para estimular o desenvolvimento da linguagem oral. Com a finalidade de melhorar as aprendizagens e a comunicação, fazendo com que a criança tenha uma melhor relação escolar e social. O educador deve sempre propor novas atividades, pois nesta idade, as crianças se cansam muito rápido das coisas. A música é um artifício que pode ser utilizado de muitas formas, através desta, a criança pode comunicar-se pela linguagem oral, ou mesmo pensar em expressar-se com outras formas de linguagem como: a dança, gestos, mímicas, etc. Existem vários fatores que contribuem para que os alunos da Educação Infantil criem certo bloqueio em seu processo de aprendizagem, como: métodos de ensino inadequados, falta de percepção por parte da escola, nível de maturidade da criança, professores que não dominam determinados assuntos, superlotação das classes, dificultando a atenção do professor para todos os alunos. Sim-Sim (1998) menciona que se a escola empregar mais tempo e esforço na promoção de desenvolvimento da linguagem, as aprendizagens serão favorecidas em todas as áreas curriculares. Todos os profissionais que trabalham em instituições educacionais têm importância no processo de formação da criança. Todos que atuam neste ambiente são responsáveis em tornar este meio, ainda mais aconchegante e saudável para uma convivência mútua. As crianças possuem uma linguagem própria para interagir com o outro, o docente deve respeitar o tempo de aprendizagem de todas as crianças. Embora por vezes, seja conveniente intervir em algum momento neste processo. Nunca se deve ignorar o tempo em que cada criança leva para adquirir esta interação. 8 DESENVOLVIMENTO DA COMUNICAÇÃO No desenvolvimento inicial da comunicação, é importante observar o vocabulário; a extensão frasal (número de palavras utilizadas); a complexidade sintática das frases; a entonação; a articulação de cada um dos fonemas (sons) da língua; as trocas presentes na fala da criança; o uso da linguagem pelo discurso e pela iniciativa comunicativa; bem como a fluência de fala (número de rupturas ou 36 disfluências na fala e velocidade de fala). Desde o nascimento a criança se comunica através do choro, olhar e gestos. A criança pequena é capaz de discriminar vozes, diferenciar padrões de entonação, gestos e movimentos corporais, que são bases para o desenvolvimento comunicativo e de linguagem. É a partir da interpretação do adulto que os comportamentos inatos adquirem significado para a criança e, posteriormente, são reproduzidos intencionalmente por ele. Assim, o contato mãe-criança por meio do olhar e melodia da fala são pré-requisitos para o desenvolvimento comunicativo. Além disso, a amamentação, além de ser um importante momento de trocas entre mãe e filho, assume destacado papel no desenvolvimento e maturação dos órgãos fonoarticulatórios, possibilitando, futuramente, a complexa tarefa de articulação dos sons da fala. (PRATES, 2011, p. 56). Nos primeiros meses de vida a criança apresenta vocalizações automáticas como, por exemplo, choro, grito e sons primitivos que, além de assumirem papel comunicativo, são fundamentais para o exercício do trato vocal. O balbucio e o sorriso iniciam-se a partir do segundo mês de vida e, apesar de ainda reflexos, expressam satisfação ou prazer. Aos quatro meses transformam- -se em jogo vocal, quando a criança amplia seu repertório incluindo sons consonantais e, mais tarde, produções silábicas, mas ainda sem intenção comunicativa. No primeiro ano de vida descobre a própria voz e sua capacidade de se comunicar e, no final deste, inicia a produção das primeiras palavras com valor de enunciado, enquanto seu vocabulário aumenta progressivamente. Por volta dos dois anos é capaz de manter conversação com turnos e aos três já está pronta para manter uma conversa coesa. Na Tabela 1 é possível observar os marcos principais do desenvolvimento da linguagem. Tabela 1 - Desenvolvimento de linguagem em crianças de zero a seis anos. 37 PRATES, 2011, p. 56. Os primeiros anos de vida da criança são determinantes para o desenvolvimento adequado da linguagem. Em ambiente comunicativo e a partir da interação com a família, a criança adquire as bases para um desenvolvimento sadio da linguagem, no que diz respeito à sua forma, conteúdo e uso. A aquisição normal da linguagem é dependente de uma série de fatores como o contexto social, familiar e histórico pré, peri e pós-natal do indivíduo, suas experiências, capacidades cognitivas e orgânico-funcionais. A integridade auditiva é um pré-requisito para esse processo, bem como as estruturas envolvidas na produção de fala. É por meio da audição que a criança tem acesso à linguagem oral, sendo capaz de detectar, identificar, discriminar, reconhecer os sons da fala para, posteriormente, compreendê- los e produzi-los. Nos primeiros anos de vida, pela função auditiva,a criança se 38 familiariza com a estrutura da língua materna e organiza informações linguísticas necessárias ao desenvolvimento da linguagem oral. Durante o desenvolvimento da fala a criança adquire o inventário fonético, articulação dos sons e os organiza de acordo com as regras linguísticas da língua materna. Para isso, a criança experimenta diversos processos fonológicos na tentativa de aproximar a sua produção de fala à do adulto para que, aos quatro anos, já tenha condições de produzir e utilizar adequadamente todos os sons da língua materna. 9 DISTÚRBIOS DA COMUNICAÇÃO NA INFÂNCIA Fonte: orthofono.com.br A etiologia dos distúrbios da comunicação pode envolver fatores orgânicos, intelectuais/cognitivos e emocionais (estrutura familiar relacional), ocorrendo, na maioria das vezes, inter-relação entre todos esses fatores. De acordo com a “American Speech, Language and Hearing Association”, os distúrbios da comunicação podem ser conceituados como impedimentos na habilidade para receber e/ou processar um sistema simbólico, observáveis em nível de audição (sensibilidade, função, processamento e fisiologia); linguagem (forma, conteúdo e função comunicativa); e processos de fala (articulação, voz e fluência). Esses distúrbios podem variar em gravidade; ser de origem desenvolvimental ou adquirida; resultar numa condição de déficit primário (doenças de manifestação 39 primária ou idiopáticas) ou secundário (doenças de manifestação secundária, decorrentes de manifestação maior) e, ainda, ocorrer isolados ou combinados. Na Tabela 3 são destacados os principais distúrbios da comunicação diagnosticados em crianças e adolescentes, bem como suas principais características. (PRATES, 2011, p. 58). Tabela 3, PRATES, 2011, p. 58 Os distúrbios de desenvolvimento da fala e da linguagem (oral e escrita) de causa idiopática em crianças e adolescentes são aqueles que não ocorrem em conjunto com outras anormalidades, tais como: deficiência mental, paralisia cerebral, deficiências auditivas e outras. Tais distúrbios, idiopáticos ou secundários, podem ser acentuados por influências externas, como, por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente ou inapropriada. De maneira geral, os estudos epidemiológicos em distúrbios da comunicação apresentam os valores de prevalência e incidência quanto à idade, sexo, nível socioeconômico e diagnóstico do distúrbio da comunicação. Desta forma, observa-se que, a partir dos três anos, a prevalência de distúrbios idiopáticos da comunicação eleva-se até os oito anos de idade, sendo que 40 a fase crítica vai dos quatro aos seis anos, decrescendo a partir dos sete anos mais alta prevalência no sexo masculino; predomínio geral dos distúrbios articulatórios e/ou fonológicos; predomínio de alteração do desenvolvimento da linguagem em crianças menores de três a quatro anos, transtorno fonológico dos quatro aos oito anos e alteração na linguagem escrita a partir dos nove anos. Em relação aos fatores socioeconômicos, os estudos revelam que pais com baixo nível educacional têm mais chances de ter filhos com problemas de linguagem e podem ter mais dificuldades para perceber e relatar tais problemas. As alterações no desenvolvimento da fala e da linguagem podem causar sérios problemas no desenvolvimento cognitivo e socioemocional na idade escolar ou adolescência. Estudos demonstram que a detecção de tais alterações aos dois a três anos reduz 30% a necessidade de acompanhamento terapêutico (fonoaudiologia, psicologia, educação especial, entre outros) aos oito anos de idade. Da mesma forma, reduz 33% o número de crianças com problemas na linguagem escrita. Tais dados reforçam a importância do pediatra na detecção precoce dos atrasos e desvios no desenvolvimento da fala e da linguagem. (PRATES, 2011, p. 58). Muitos distúrbios da comunicação que ocorrem na infância poderiam ser evitados ou minimizados por meio de medidas simples de estimulação de linguagem, orientação aos familiares e identificação precoce. Sabe-se que as dificuldades de aprendizagem estão intimamente relacionadas à história prévia de alteração no desenvolvimento da linguagem. Desta forma, a identificação precoce dessas alterações no curso normal do desenvolvimento pode prevenir posteriores consequências educacionais e sociais desfavoráveis. Alguns sinais de possíveis alterações podem ser detectados na criança ainda muito pequena, como ausência de contato de olhos; não reação a sons como telefone e campainha; não reação quando chamada pelo nome; volume de televisão muito alto; ausência de fala ou fala incompreensível; vocabulário restrito; dificuldade de interação social e agressividade. Aneja indicou alguns sinais de alerta para desordens da linguagem na criança, tais como: nenhuma palavra emitida até os 18 meses; não colocação de duas palavras juntas aos dois anos; ausência de desempenho imitativo e simbólico aos dois anos; não formação de sentenças aos três anos; discurso incompreensível aos três anos). Para Oller et al., o balbuciar que normalmente é produzido por volta dos 10 meses de idade, quando atrasado, pode prognosticar desordens da fala. 41 Sabe-se que o input linguístico que a criança recebe antes dos três anos de idade está fortemente relacionado com o subsequente desenvolvimento cognitivo e de linguagem. Estudo recente mostra a importância da conversa entre adultos e crianças para o desenvolvimento inicial da linguagem. Tal estudo ressalta que a conversa entre adultos e crianças é determinante para o adequado desenvolvimento de fala e linguagem, pois, interagindo com adultos, a criança tem oportunidade de errar e ser corrigida, além de praticar e consolidar o conteúdo recém-adquirido. De maneira oposta, a grande exposição da criança à televisão está relacionada a atrasos no desenvolvimento da linguagem, pois contribui para a redução das oportunidades de interação entre ela e o adulto. Ela precisa de oportunidades para vivenciar o aprendizado da linguagem, com interações ricas com adultos e outras crianças, em que o adulto é responsável por fornecer o modelo adequado de fala. Assim, orienta-se que pais e educadores conversem com as crianças de maneira simples, porém correta e adequada em forma e conteúdo para a idade. (PRATES, 2011, p. 56). É importante, nessa interação, que a criança tenha oportunidade de expressar e manifestar seus desejos. Assim, o adulto deve deixá-la falar e perguntar o que quer em vez de tentar adivinhar. Além disso, como forma de estimulação da linguagem, a família e educadores devem ser orientados a brincar com as crianças utilizando músicas, livros, desenhos de colorir, faz-de-conta, etc. A criança aprende brincando e suas atividades de vida diária, como tomar banho e comer, podem ser momentos de interação prazerosos e ricos em aprendizagem. Para avaliar se a criança se encontra dentro do esperado para o desenvolvimento da fala e da linguagem, é fundamental que o pediatra complemente sua observação com as informações e/ou queixas da família e/ou da escola, uma vez que estudos recentes salientam que a detecção inicial dos distúrbios da comunicação em crianças é realizada principalmente por pais e educadores. Assim, o pediatra, ao deparar com queixas de familiares referentes ao desenvolvimento da comunicação da criança, como atraso na aquisição da fala, vocabulário pobre, trocas articulatórias ou dificuldades escolares, deve imediatamente investigar o desenvolvimento global da criança, bem como o histórico familiar para tais alterações e o ambiente comunicativo em que a mesma está inserida. Em muitos casos, é necessário investigar fatores orgânicos como alterações auditivas e neuropsicológicas. O pediatra deve estar atento aos sinais de risco de deficiências auditivas na infância, como história de 42 prematuridade, complicações pré, peri e pós-natais,hereditariedade, otites médias recorrentes, hospitalizações, traumatismos cranianos, entre outros. Após tais investigações, que deverão ser realizadas em curto espaço de tempo, é fundamental encaminhar a criança para avaliação completa de linguagem, realizada pelo fonoaudiólogo e equipe interdisciplinar, quando for o caso. 10 GAGUEIRA INFANTIL Fonte: oficinadefluencia.com.br O desenvolvimento infantil é determinando e influenciado conforme o meio e a maneira que essa criança está inserida dentro da sociedade, sendo essencial a estimulação desde as fases iniciais do seu desenvolvimento, por meio de interação com o outro e a funcionalidade que se dá para cada função executada (VYGOTSKY, 1998). Ainda segundo o mesmo autor, a criança aprende e se desenvolve conforme a interação a qual estará sendo exposta. No período de 0 a 5 anos a criança passará por constante desenvolvimento de aquisição/aprendizagem, sendo necessário um estímulo efetivo constante em todo o período de desenvolvimento interpessoal e linguístico desse indivíduo, uma vez que o meio terá a função de interferir diretamente na construção deste. (DUARTE; BATISTA, apud ALMEIDA, 2017, p. 2). A criança inicia seu processo de socialização por meio da linguagem, antes mesmo de aprender a falar, ela já demonstra valores, crenças e regras conforme a 43 sua cultura. De acordo com Villa (1995, apud BORGES; SALOMÃO, 2003, s/p), a intenção comunicativa ocorre de maneira precoce, sendo observada por meio de gestos, expressões faciais, olhares, tornando-se a forma de comunicação do bebê, esta forma de comunicação é conhecida como “protoconversação ou protolinguagem”. É necessário que a linguagem tenha um significado, relacionando os aspectos fonológicos, semânticos e sintáticos da fala. A gagueira é considerada um distúrbio de fluência, com características de interrupções na fala e a perda de controle do próprio indivíduo, ocorrendo de maneira involuntária o fluxo normal da fala. Barbosa,1998, apud MARTINS, 2002). A Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1997 descreveu que: “a gagueira é definida como um distúrbio no ritmo da fala, nos quais o indivíduo sabe precisamente o que vai dizer, porém é incapaz de dizê-lo devido a um prolongamento involuntário repetitivo ou cessação de um som” (MARTINS, 2002, p.7). Para o mesmo autor, essa alteração atinge cerca de 5% em todo o mundo, com sua persistência até a fase adulta em 1% da população. Segundo Jakubovicz (2009), a população adulta é atingida em 1% e as crianças em 4%. Estudos recentes afirmam que 60% dos casos estudados de gagueira têm um fator genético envolvido. Segundo Friedman (1986, apud JAKUBOVICZ, 2009), existem três aspectos que contribuem para o desenvolvimento da gagueira, sendo eles: o orgânico, o social e o psicológico. Para a autora, esses aspectos agem de forma complexa e contribuem para o desenvolvimento desta. A autora ainda afirma que, a pessoa que possui a gagueira sente a necessidade de uma fala sem erros, ou seja, uma fala com fluência. A característica da pessoa considerada mau falante irá afetar diretamente os aspectos emocionais desse indivíduo, causando tensões e sinergismo, gerando um quadro de gagueira mais grave do que o atual. Para Jakubovicz (2009) a gagueira é definida em 4 fases: a primeira fase, tem seu início entre 2 e 6 anos, possuindo episódios de gagueira em que ocorrem estágios de hesitação, aborrecimentos e pressões comunicativas. É observável nesta fase ocorrências maiores de fluência, pois a criança ainda não se preocupa com a fala fluente, nem tem consciência da disfluência que ocorre em sua fala Almeida (2017). A segunda fase, tem seu início aos 4 anos e pode chegar à idade adulta, na qual o distúrbio se torna crônico e há possibilidade de pouco tempo de fluência. A 44 gagueira, está presente nesta fase, em verbos, advérbios, substantivos, adjetivos, não mostrando preocupações com a fluência da fala. Para a autora, a terceira fase inicia-se aos 8 anos e é levada à idade adulta, com características de gagueira em determinadas situações, como: falar com pessoas desconhecidas, conversar ao telefone, fazer compras, ocorrendo episódios de substituições de palavras, esquivando-se de determinados fonemas. A quarta fase e a última, inicia-se aos 10 anos percorrendo até a idade adulta, tem como característica principal a instalação da gagueira, ocorrendo medo e vergonha no ato da fala, evitando situações que necessitem o uso direto da linguagem (JAKUBOVICZ, 2009, apud ALMEIDA, 2017, p. 5). Para Martins (2002) a etiologia da gagueira pauta-se na não existência de apenas uma causa patológica e sim em vários fatores que são predominantes para seu desenvolvimento, sendo eles: os multicausais, comportamento aprendido, questões biológicas, psicológicas, linguísticas, genéticas e ambientais. De acordo com Andrade (2009 apud SILVA et al, 2015), existem 3 subgrupos que classificam a gagueira, sendo eles: gagueira neurogênica, do desenvolvimento ou idiopática e psicogênica. Silva et al (2015) destaca a existência da gagueira do desenvolvimento no período da infância, que ocorre no período de aquisição de linguagem. Em avaliação de exames de imagens cerebrais, foi observado que a gagueira aparece em diversos “centros cerebrais de linguagem”, ocorrendo as “dificuldades no controle motor da fala” (BARBOSA, 2005, apud MERÇON; NEMR, 2007). Travis e Orthon (1929 apud JAKUBOVICZ, 2009) relataram em seus estudos a diferença de ondas cerebrais referentes a regularidade e sincronização inter- hemisférica, de pessoas gagas, evidenciando o bloqueio gago intenso durante a atividade alfa. Já para a autora, Jakubovicz (2009), os exames eletroencefálicos são muito controversos, pois quando comparados aos estudos de não-gagos, não foi observado diferença entre as áreas cerebrais. Conforme Merçon e Nemr (2007) em crianças pré-escolares pode-se observar o processo de maturação fisiológica e neuroanatômica, relacionada a gagueira desenvolvimental vinculadas às habilidades metalinguísticas, que estão sendo adquiridas, no período de 0 a 5 anos. De acordo com Martins (2002), a família tem papel fundamental na fase da manifestação inicial e desenvolvimento da gagueira, sendo ela também necessária para a efetivação do tratamento. 45 Para Yairi e Howell (2007, apud OLIVEIRA et al., 2010) a gagueira apresenta um período de recuperação espontânea, ocorrendo entre os primeiros 12 meses ao longo do desenvolvimento da disfluência. Tendo como fator determinante para essa recuperação espontânea, o tempo que cada indivíduo possui a disfluência. O contexto que envolve a influência e cobrança por parte dos pais perante o desenvolvimento da gagueira, afirmando que quando desconhecem as fases de desenvolvimento da linguagem, a gagueira passa se tornar patológica, mediante a influência negativa destes, modificando o que era natural, tornando em uma gagueira de sofrimento. (FRIEDMAN,1986 apud MARTINS, 2002), Martins (2002), ainda afirma que, a maneira que será abordada essa gagueira no ambiente familiar, influenciará em seu desenvolvimento, transformando o distúrbio em natural ou desagradável, dependendo da maneira que será conduzida. Ainda em seu estudo o autor, cita diversos outros autores referentes aos tipos de tratamentos para a gagueira infantil, sendo eles, por meio de orientações aos pais, professores, psicólogos e demais profissionais envolvidos de maneira direta no cotidiano da criança, para obtenção de eficácia do tratamento da disfluência. 46 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AIMARD, P. O Surgimento da linguagem na criança. Tradução de Cláudia Schiling. Porto Alegre: Artmed, 1998. AIRES, L. Paradigma Qualitativo, E suas práticas e investigação educacional. Lisboa: Universidade Aberta. 2011 ALBUQUERQUE, F. “Em busca do sentidoperdido: Para uma didática possível da oralidade”. Lisboa: LIDEL, 2006. ALLEN, D. A.; RAPIN, I. 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