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<p>GOVERNANÇA CORPORATIVA,</p><p>CONTROLE INTERNO</p><p>E COMPLIANCE</p><p>Unidade 2</p><p>Fundamentos do</p><p>compliance</p><p>Diretor Executivo</p><p>DAVID LIRA STEPHEN BARROS</p><p>Gerente Editorial</p><p>ALESSANDRA FERREIRA</p><p>Projeto Gráfico</p><p>TIAGO DA ROCHA</p><p>Autoria</p><p>NATHALIA ELLEN SILVA BEZERRA</p><p>ELLEN THAYNNA MARA DELGADO BRANDÃO</p><p>4 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>A</p><p>U</p><p>TO</p><p>RI</p><p>A</p><p>NATHALIA ELLEN SILVA BEZERRA</p><p>Olá, sou mestre em Administração, pela Universidade Federal</p><p>de Campina Grande (UFCG). Especialista em Direito do Trabalho e</p><p>Previdenciário, pelo Centro Universitário de Patos. Bacharel, em</p><p>Direito pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Atuei como</p><p>conciliadora Jurídica no Centro Judiciário de Solução de Conflitos</p><p>V (CEJUSC V), do Tribunal de Justiça da Paraíba, na Comarca de</p><p>Campina Grande/PB. Tenho como principais áreas de interesse:</p><p>Direito Ambiental, Direitos Humanos, Direito Civil, Direito do</p><p>Trabalho, Direito do Consumidor, Direito Previdenciário, Direito</p><p>Constitucional e Direito Administrativo. Também atuo como</p><p>advogada e já fui membro da Comissão de Direito Previdenciário</p><p>da Ordem dos Advogados do Brasil (Campina Grande/PB).</p><p>ELLEN THAYNNA MARA DELGADO BRANDÃO</p><p>Olá, tenho graduação em Direito pela Unifacisa –</p><p>Universidade de Ciências Sociais Aplicadas e pós-graduação em</p><p>Docência do Ensino Superior, pela Faculdade Campos Elíseos.</p><p>Atualmente, sou professora conteudista e elaboradora de</p><p>cadernos de questões. Como jurista, atuo nas áreas de Direito</p><p>Penal, Direito do Trabalho e Direito do Consumidor. Como</p><p>esportista, atuo em diferentes tipos de modalidades.</p><p>Desse modo, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a</p><p>integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito</p><p>felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e</p><p>trabalho. Conte conosco!</p><p>5GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>ÍC</p><p>O</p><p>N</p><p>ESEsses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que:</p><p>OBJETIVO</p><p>Para o início do</p><p>desenvolvimento</p><p>de uma nova</p><p>competência. DEFINIÇÃO</p><p>Houver necessidade</p><p>de apresentar um</p><p>novo conceito.</p><p>NOTA</p><p>Quando necessárias</p><p>observações ou</p><p>complementações</p><p>para o seu</p><p>conhecimento.</p><p>IMPORTANTE</p><p>As observações</p><p>escritas tiveram que</p><p>ser priorizadas para</p><p>você.</p><p>EXPLICANDO</p><p>MELHOR</p><p>Algo precisa ser</p><p>melhor explicado ou</p><p>detalhado.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Curiosidades e</p><p>indagações lúdicas</p><p>sobre o tema em</p><p>estudo, se forem</p><p>necessárias.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Textos, referências</p><p>bibliográficas</p><p>e links para</p><p>aprofundamento do</p><p>seu conhecimento.</p><p>ACESSE</p><p>Se for preciso acessar</p><p>um ou mais sites</p><p>para fazer download,</p><p>assistir vídeos, ler</p><p>textos, ouvir podcast.</p><p>REFLITA</p><p>Se houver a</p><p>necessidade de</p><p>chamar a atenção</p><p>sobre algo a</p><p>ser refletido ou</p><p>discutido.</p><p>RESUMINDO</p><p>Quando for preciso</p><p>fazer um resumo</p><p>acumulativo das</p><p>últimas abordagens.</p><p>ATIVIDADES</p><p>Quando alguma</p><p>atividade de</p><p>autoaprendizagem</p><p>for aplicada. TESTANDO</p><p>Quando uma</p><p>competência for</p><p>concluída e questões</p><p>forem explicadas.</p><p>6 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Abordagem conceitual do compliance .................................... 9</p><p>Aspectos introdutórios do compliance ............................................................ 9</p><p>Conceito gerais de compliance ................................................................10</p><p>Vantagens e desvantagens da adoção e não adoção do</p><p>compliance ......................................................................................17</p><p>Principais tipos e aplicações do compliance .............................20</p><p>Princípios do compliance .........................................................................21</p><p>Tipos de compliance ................................................................................25</p><p>Compliance ambiental ......................................................................28</p><p>Regras de saúde e segurança no trabalho ..................................... 29</p><p>Compliance anticorrupção ................................................................29</p><p>Responsabilidade social .....................................................................30</p><p>Controle de qualidade........................................................................30</p><p>Outros tipos de compliance .......................................................32</p><p>Normas brasileiras e internacionais sobre compliance e</p><p>órgãos reguladores ................................................................. 34</p><p>Leis internacionais acerca de compliance ...............................................34</p><p>FCPA .......................................................................................................34</p><p>UKBA ......................................................................................................37</p><p>ISO 37301 .............................................................................................40</p><p>Leis nacionais que disciplinam o compliance ..........................................42</p><p>Os pilares do compliance ..............................................................48</p><p>Os pilares do Sistema de Compliance .....................................................48</p><p>Programa de compliance ............................................................51</p><p>Conceito de Programa de Integridade e Compliance ................54</p><p>Pilares do programa de integridade e compliance ....................55</p><p>SU</p><p>M</p><p>Á</p><p>RI</p><p>O</p><p>7GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>A</p><p>PR</p><p>ES</p><p>EN</p><p>TA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>A corrupção e a fraude fazem-se presentes de diversas</p><p>formas, sendo vistas tanto nos países desenvolvidos, quanto</p><p>nos que ainda se encontram em fase de desenvolvimento. As</p><p>organizações e os setores da sociedade como um todo lutam</p><p>com a intenção de combater as suas consequências e impactos,</p><p>estabelecendo legislações e normas de caráter interno e externo,</p><p>direcionadas a esse combate. Nesse cenário, o compliance ganha</p><p>destaque, e, ao longo dessa unidade, iremos destinar atenção</p><p>para o que é compliance e como ele atua em diversos setores.</p><p>Além disso, ainda abordaremos a sua presença no âmbito do</p><p>ordenamento jurídico brasileiro. Entendeu? Ao longo dessa</p><p>unidade letiva, você vai mergulhar nesse universo!</p><p>8 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo é</p><p>auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências</p><p>profissionais até o término desta etapa de estudos:</p><p>1. Definir a abordagem conceitual de compliance.</p><p>2. Identificar os principais tipos e aplicações do compliance.</p><p>3. Interpretar as normas brasileiras e internacionais ati-</p><p>nentes ao compliance e seus órgãos regulatórios.</p><p>4. Aplicar os pilares fundamentais do compliance.</p><p>O</p><p>BJ</p><p>ET</p><p>IV</p><p>O</p><p>S</p><p>9GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Abordagem conceitual do</p><p>compliance</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de defi-</p><p>nir a abordagem conceitual do compliance. Isto se-</p><p>rá fundamental para o exercício de sua profissão. E</p><p>então? Motivado para desenvolver esta competên-</p><p>cia? Vamos lá. Avante!</p><p>Aspectos introdutórios do</p><p>compliance</p><p>Vivemos em um momento no qual as mudanças estão,</p><p>cada vez mais, presentes nos modelos de negócio, ressaltando</p><p>a necessidade de um maior dinamismo, sendo preciso que seja</p><p>vista e implementada uma conduta, marcada pela integridade</p><p>e pelo respeito nas organizações. A presença e o estímulo da</p><p>comunicação irão promover um aumento da transparência</p><p>nessas empresas, elevando a expectativa de que a sociedade tem</p><p>quando se menciona questões relativas ao comprometimento</p><p>ético.</p><p>Infelizmente, vivemos um momento em que a má conduta</p><p>se faz presente nos mais diversos cenários. O Brasil, por exemplo,</p><p>é um país, mundialmente, conhecido pela prática da corrupção,</p><p>estando presente não só no cenário político, mas na sociedade</p><p>como um todo. Como prova disso temos o uso da emblemática</p><p>frase atrelada ao “jeitinho brasileiro”, que indica, em regra,</p><p>formas de</p><p>processos mais sensíveis é que se faz possível que</p><p>sejam criados ou adaptados os controles de forma preventiva.</p><p>Destacamos ainda que o levantamento e a análise dos</p><p>riscos devem ser realizados de forma prévia à implementação</p><p>do Programa de Integridade e Compliance, pois assim haverá</p><p>uma maior chance de que tais riscos sejam identificados e que as</p><p>devidas medidas de combate possam ser aplicadas.</p><p>58 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 14 – Riscos</p><p>Fonte: Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (2018, on-line).</p><p>Ainda quanto a esse pilar, destaca-se que a quebra</p><p>de integridade pode ser identificada por meio de algumas</p><p>características específicas, por exemplo:</p><p>• Ato humano – que é praticado por uma pessoa ou até</p><p>mesmo por um grupo de pessoas.</p><p>• Envolver um conjunto de princípios acerca da</p><p>administração pública, estando eles previstos no texto</p><p>da Constituição da República Federativa de 1988,</p><p>como a legalidade, a imparcialidade, a moralidade, a</p><p>publicidade e a eficiência.</p><p>59GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>• Envolver as formas de deturpação, desvio ou negação,</p><p>acerca da finalidade pública ou do serviço público que</p><p>deverá ser entregue ao cidadão.</p><p>Diante do exposto, é correto o entendimento de que a</p><p>análise de risco é um dos principais pilares para que o programa</p><p>de compliance e de integridade se desenvolva, pois sem que haja</p><p>a identificação dos riscos, esse programa não conseguirá definir</p><p>as políticas, os treinamentos e o monitoramento tido como</p><p>necessário para que se garanta a efetividade dos demais eventos.</p><p>É importante ter em mente que avaliar apenas no momento</p><p>anterior ao estabelecimento do programa não é suficiente,</p><p>sendo preciso que ocorram reavaliações de risco de forma</p><p>periódica para que as novas necessidades e os novos cenários</p><p>das organizações sejam considerados e os novos riscos possam</p><p>ser devidamente combatidos e dirimidos.</p><p>IMPORTANTE</p><p>O quarto pilar - o monitoramento contínuo- é ne-</p><p>cessário para que assim um certo dinamismo se</p><p>faça presente e para que ocorra a promoção de</p><p>uma atualização constante das suas iniciativas co-</p><p>mo um todo, para que as novas necessidades, ris-</p><p>cos e processos estejam incluídos no cenário em</p><p>questão.</p><p>Assim, para que esse pilar se concretize, entende-se como</p><p>necessário que sempre ocorram avaliações das ações e das</p><p>medidas adotadas pelo programa, e diante, desse contexto, é</p><p>necessário que sejam identificadas as medidas mitigadoras de</p><p>caráter inicial.</p><p>Monitorar de forma contínua também significa efetuar uma</p><p>identificação acerca dos novos riscos, áreas ou dos processos</p><p>que possam gerar prejuízos ou quebra para integridade de</p><p>60 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>alguma forma. Além disso, faz menção dar prioridade aos riscos</p><p>que já foram identificados para que assim se tornem possíveis</p><p>que novas medidas mitigadoras possam ser aplicadas.</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Apren-</p><p>deu mesmo tudinho? Agora, só para termos cer-</p><p>teza de que você realmente entendeu o tema de</p><p>estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que</p><p>vimos. Você deve ter aprendido que diversos são</p><p>os pilares do compliance, mas existem três deles</p><p>que merecem uma maior atenção: a prevenção,</p><p>a detecção e o fornecimento de respostas. Desta-</p><p>que-se ainda que o pilar da prevenção é visto co-</p><p>mo o mais importante dos três e, portanto, aquele</p><p>que merece uma maior atenção e investimento</p><p>por parte das organizações, mas isso não significa</p><p>dizer que os outros podem ser ignorados, tendo</p><p>em vista que também são fundamentais para o al-</p><p>cance do desenvolvimento da organização. Além</p><p>disso, estudamos que o programa de compliance</p><p>consiste na sistematização e no aperfeiçoamento</p><p>dos instrumentos que já existem na organização,</p><p>direcionando-os e guiando o seu uso de maneira</p><p>que se coloque em prática a prevenção e o com-</p><p>bate a corrupção, fraudes e outros tipos de atos ilí-</p><p>citos. Aprendemos ainda que os quatro pilares do</p><p>programa de integridade e compliance são: com-</p><p>prometimento da alta direção; alçada responsável;</p><p>análise de riscos de integridade e compliance e</p><p>monitoramento contínuo.</p><p>61GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>ABBI – Associação Brasileira dos Bancos Internacionais. Disponível</p><p>em:</p><p>http://www.abbi.com.br/ Acesso em:10 fev.2023.</p><p>ATRIGNA, T. Antiriciclaggio e compliance – regolamento interno</p><p>per el monitoraggio del rischio, Torino, Itália: Sinergia Formazione,</p><p>2011.</p><p>BARBOSA, G. S. O desafio do desenvolvimento sustentável. Revista</p><p>Visões, n.4, v.1, jan./jun, 2008.</p><p>BLOK, M. Compliance e governança corporativa. [s.l.]: Freitas</p><p>Bastos, 2020.</p><p>BRASIL. Lei n.º 12.846, de 1.º de agosto de 2013. Dispõe sobre</p><p>a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas</p><p>pelas prática de atos contra a administração pública, nacional ou</p><p>estrangeira, e dá outras providências. Diário Oficial da União.</p><p>Brasília, DF: Presidência da República, [2013]. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/</p><p>l12846.htm. Acesso em: 10 fev. 2023</p><p>BRASIL. Decreto n.º 11.129, de 11 de julho de 2022. Dispõe sobre</p><p>a Lei de Anticorrupção, regulamenta a Lei 12.846, de 1.º de agosto</p><p>de 2013. Diário Oficial da União. Brasília, DF: Presidência da</p><p>República, [2002]. Disponível em: https://www.planalto.gov.</p><p>br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2022/Decreto/D11129.htm#art70.</p><p>Acesso em: 10 fev.2023.</p><p>FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos, [s.d.]. Disponível em:</p><p>www. febraban.org.br. Acesso em: 10 fev. 2023.</p><p>ITI. Programa de Integridade e Compliance, [s.d.].Disponível em:</p><p>http://www.gov.br/iti/pt-br/acesso-a-informacao/institucional/</p><p>Programa_de_Integridade_e_Compliance___Assinado_1.pdf.</p><p>Acesso em: 10 fev. 2023.</p><p>RE</p><p>FE</p><p>RÊ</p><p>N</p><p>CI</p><p>A</p><p>S</p><p>Abordagem conceitual do compliance</p><p>Aspectos introdutórios do compliance</p><p>Conceito gerais de compliance</p><p>Vantagens e desvantagens da adoção e não adoção do compliance</p><p>Principais tipos e aplicações do compliance</p><p>Princípios do compliance</p><p>Tipos de compliance</p><p>Compliance ambiental</p><p>Regras de saúde e segurança no trabalho</p><p>Compliance anticorrupção</p><p>Responsabilidade social</p><p>Controle de qualidade</p><p>Outros tipos de compliance</p><p>Normas brasileiras e internacionais sobre compliance e órgãos reguladores</p><p>Leis internacionais acerca de compliance</p><p>FCPA</p><p>UKBA</p><p>ISO 37301</p><p>Leis nacionais que disciplinam o compliance</p><p>Os pilares do compliance</p><p>Os pilares do Sistema de Compliance</p><p>Programa de compliance</p><p>Conceito de Programa de Integridade e Compliance</p><p>Pilares do programa de integridade e compliance</p><p>burlar o sistema em proveito próprio.</p><p>Diante desse cenário, a temática relativa à governança cor-</p><p>porativa e à preocupação das organizações, quanto ao atendi-</p><p>mento de questões relativas ao cumprimento das leis, obedecen-</p><p>10 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>do os seus valores, princípios, transparência e responsabilidade,</p><p>devem ser respeitadas em seu ambiente.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A globalização foi benéfica em uma variedade cada</p><p>vez maior de contextos, incentivando e ampliando</p><p>a competitividade nos mais diversos cenários, po-</p><p>rém ser competitivo não pode ser visto como al-</p><p>cançar ou buscar o lucro a qualquer custo.</p><p>Perante esse contexto, verifica-se a necessidade de que</p><p>o desenvolvimento nas organizações esteja, cada vez mais,</p><p>atrelado a questões éticas, para que ocorra o combate à fraude,</p><p>à corrupção, à lavagem de dinheiro e ao desvio da conduta ética</p><p>como um todo.</p><p>A governança e a sustentabilidade são discursos frequentes</p><p>nas organizações como um todo, mas a mera discussão não é o</p><p>suficiente para que elas sejam vistas e se concretizem no cenário</p><p>prático, por isso se faz necessário que seja criado um programa</p><p>efetivo de compliance, responsável por envolver e integrar tais</p><p>temas.</p><p>Ainda que a inserção de um programa de compliance nem</p><p>sempre seja o suficiente para que uma organização esteja a prova</p><p>de desvios de conduta e das crises por eles causadas, já será</p><p>o indicativo de uma proteção de integridade, voltada à redução</p><p>de riscos, visando abordar e aprimorar questões relativas ao</p><p>sistema de controle interno e ao combate da corrupção e das</p><p>fraudes como um todo.</p><p>Conceito gerais de compliance</p><p>Quando partimos para uma análise etimológica da palavra</p><p>compliance, vemos que esse termo vem do latim complere,</p><p>que tem significado atrelado à vontade de fazer aquilo que foi</p><p>11GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>solicitado ou até mesmo de agir e estar em concordância com as</p><p>regras, as disposições legais e as condições relativas às normas</p><p>em questão.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Quando o conceito é analisado no contexto da Es-</p><p>panha, temos que cumprimento funciona como</p><p>sinônimo de compliance, já em países com a Itá-</p><p>lia e o Brasil esse termo pode ser traduzido para</p><p>conformidade. Eles foram os primeiros a fazer uso</p><p>do termo compliance, voltado para um significado</p><p>atrelado à ideia, de cumprir, executar, satisfazer e</p><p>realizar as imposições.</p><p>Mas se compliance é estar em conformidade, isso implica</p><p>estar em conformidade com o quê?</p><p>Estar em conformidade significa fazer cumprir as leis</p><p>que existem em âmbito nacional e internacional, bem como</p><p>os regulamentos internos e externos a que estão expostas as</p><p>atividades atreladas à instituição. Assim, é importante que se</p><p>tenha em mente que apenas atender às leis não é o suficiente, é</p><p>preciso que sejam observados também os princípios relativos à</p><p>integridade e às condutas éticas.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A ética é uma área pertencente à filosofia que se</p><p>dedica a estudar as ações e o comportamento dos</p><p>seres humanos. Dessa forma, seu estudo irá partir</p><p>dos princípios responsáveis por orientar as ações</p><p>humanas e a capacidade que têm de avaliar as si-</p><p>tuações em que estão inseridas e o que devem fa-</p><p>zer perante cada um desses contextos.</p><p>Assim, estar em conformidade, também, inclui o atendi-</p><p>mento dos procedimentos que são recomendados, por isso que</p><p>agir dessa forma está ligada à ideia de ser correto e coerente,</p><p>12 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>agindo com ética e com idoneidade, tanto nas ações humanas,</p><p>quanto aquelas dotadas de um caráter empresarial.</p><p>Diante disso, a ideia de estar em conformidade deve ser</p><p>colocada acima de tudo, e ser encarada como uma obrigação</p><p>individual, pertencente ao colaborador de uma dada instituição.</p><p>Mas é importante que não sejam deixados de lado os aspectos</p><p>relativos à formação individual do ser humano como pessoa</p><p>e cidadão, já que ele irá refletir no papel exercido para os</p><p>contribuintes, os empregadores e o agente da mudança.</p><p>Em contrapartida, o risco de compliance consiste e está</p><p>atrelado ao risco das sanções legais ou de caráter regulamentador,</p><p>em que podem estar presentes perdas financeiras ou até</p><p>mesmo de caráter reputacional que irão derivar da ausência</p><p>de cumprimento de disposições legais, regulamentares ou</p><p>vinculadas aos códigos de conduta.</p><p>IMPORTANTE</p><p>O código de conduta ou de ética pode ser com-</p><p>preendido como um documento, responsável pela</p><p>reunião dos princípios e dos valores que são ado-</p><p>tados por uma organização, classe profissional ou</p><p>até mesmo por uma nação. Dessa forma, ele fun-</p><p>ciona como uma espécie de regimento interno e</p><p>terá como finalidade principal a promoção de uma</p><p>postura homogênea, ou seja, que deverá ser segui-</p><p>da por todos os integrantes do grupo que o tive-</p><p>rem formado. Esse código, a depender da situação</p><p>pode ser abordado como sinônimo de código de</p><p>conduta ética, de conduta moral e código de ética.</p><p>Ainda sobre o conceito de compliance é importante que</p><p>se destaque que diversos são os autores que apresentam um</p><p>posicionamento acerca da definição desse termo que vem</p><p>ganhando cada vez mais espaço de discussão no âmbito das</p><p>organizações e da sociedade como um todo.</p><p>13GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>O compliance relaciona-se uma obrigação de caráter nor-</p><p>mativo. Partindo desse conceito, o cumprimento do exposto nas</p><p>normas será relevante para que sejam evitadas responsabilida-</p><p>des atreladas à seara administrativa, bem como sejam evitadas</p><p>que se imputem punições de nível civil e criminal. Dessa forma,</p><p>observar e cumprir as normas de cuidado irá garantir a proteção</p><p>da empresa e dos seus dirigentes da prática de delitos e da co-</p><p>laboração em caso de crimes, o que irá promover uma redução</p><p>quanto aos riscos de responsabilidade penal e aos desgastes, re-</p><p>lativos à opinião público, ou seja, aquilo que os consumidores e</p><p>os clientes podem esperar e visualizar da empresa, a partir da</p><p>maneira que ela exerce a sua atenção.</p><p>Então, mais uma vez, vemos que a ideia de compliance está</p><p>diretamente relacionada ao atendimento das diretrizes, das</p><p>regras e dos regulamentos que fazem parte e essenciais para o</p><p>âmbito dos processos das empresas. Em contrapartida a esse</p><p>pensamento, temos que compliance irá combater as fraudes</p><p>e aos atos corruptos, visando, inclusive, punir os sujeitos que</p><p>desobedeçam a lei, ou seja, ele é dotado de um caráter punitivo,</p><p>ao mesmo tempo, que tem um papel preventivo.</p><p>Já em conformidade com o posicionamento, adotado pelo</p><p>Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o termo</p><p>tem vínculo com as questões relativas à adoção de políticas de</p><p>boa governança que estão destinadas a abordar a diminuição</p><p>dos riscos das empresas, por isso que o compliance pode estar</p><p>relacionado à a questão da estratégia perante a redução dos</p><p>riscos. Assim:</p><p>Compliance é entendido em sentido amplo como a</p><p>busca permanente de coerência entre aquilo que</p><p>se espera de uma organização – respeito a regras,</p><p>propósito, valores e princípios que constituem sua</p><p>identidade – e o que ela de fato pratica no dia a dia. É</p><p>14 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>uma questão que atinge entidades de todos os portes</p><p>e setores independentemente do nível de maturidade</p><p>dos seus sistemas de governança (IBGC, [s.d.], on-line).</p><p>Já para Atrigna (2011), a função do compliance é monitorar</p><p>se as empresas estão atuando em conformidade com os valores</p><p>corporativos. Então, quando analisamos todos os conceitos</p><p>apresentados até o presente, o termo que aparece com</p><p>mais frequência, quando a intenção é definir compliance, é a</p><p>necessidade de “observância”, ou seja, esse é o aspecto-chave</p><p>para que a fraude e a corrupção sejam evitadas.</p><p>Figura 1 – Compliance</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>Quais são as empresas que podem ter o compliance aplicado</p><p>em seu âmbito? Todas, tendo em vista que essa é uma questão</p><p>estratégica que pode</p><p>ser aplicada a qualquer modalidade de</p><p>organização, sejam empresas privadas, entidades do terceiro</p><p>15GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>setor ou, ainda, entidades públicas, empresas de capital aberto</p><p>ou fechado que se localizem nas mais variadas regiões do mundo.</p><p>Nesse cenário para que o compliance cumpra a sua função</p><p>como se espera, é de extrema importância e necessidade que a</p><p>alta administração demonstre estar comprometida com a ética</p><p>e as normas em todos os seus sentidos, promovendo a atuação</p><p>que promova reflexos para a cultura organizacional, para que</p><p>assim possa se contar com o comprometimento de todos os</p><p>funcionários.</p><p>Atrelar a responsabilidade do compliance apenas à alta</p><p>administração ou aos funcionários, além de incoerente, é errado,</p><p>pois todos são responsáveis pelo tema. Assim, um programa</p><p>de compliance só irá funcionar, quando houver uma boa</p><p>comunicação no âmbito da organização, incluindo treinamentos</p><p>e capacitações, destinados a todos que compõem a organização,</p><p>inclusive os diretores e os líderes, que também devem se</p><p>atualizar e obter novas certificações.</p><p>Figura 2 – Compliance e certificações</p><p>Fonte: Freepik</p><p>16 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Mesmo que a inserção de um programa de compliance</p><p>nem sempre seja o responsável por garantir que crises e riscos</p><p>não estarão presentes no ambiente organizacional, é parte</p><p>importante para diminuir os seus impactos e fazer com que uma</p><p>quantidade menor de riscos se faça presente, isso implica dizer</p><p>que o compliance irá aprimorar o sistema de controle internos e</p><p>irá tornar possível a implementação e a presença de uma gestão</p><p>de riscos, marcada por uma maior eficiência.</p><p>A Associação de Bancos ABBI e FEBRABAN indicam que o</p><p>compliance na empresa deverá ocorrer de forma independente</p><p>da sua função e terá o seguinte escopo:</p><p>Visará assegurar questões relativas às (aos):</p><p>• Leis – visando a sua aderência e cumprimento.</p><p>• Princípios éticos e normas de conduta – levando em</p><p>consideração a sua existência e observância.</p><p>• Regulamentos e normas – abordando as questões</p><p>acerca de sua implementação, aderência e atualização.</p><p>• Sistemas de informações – visando a sua implementação</p><p>e funcionalidade.</p><p>• Planos de contingência – aqui devem ser asseguradas</p><p>a sua implementação e efetividade, devendo ainda</p><p>serem garantidos testes periódicos.</p><p>• Segregações de funções – tidas como adequadas à</p><p>implementação com a finalidade de evitar a presença</p><p>de conflitos de interesse.</p><p>• Relatórios do sistema de controles internos (gestão de</p><p>compliance) – sendo abordadas as questões acerca dos</p><p>riscos e do controle interno.</p><p>17GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>• Políticas internas – incumbidas pela prevenção de</p><p>problemas de não conformidade a partir de leis e de</p><p>regulamentações.</p><p>Além disso, a Associação de Bancos ABBI e FEBRABAN</p><p>indicam ainda que por meio do compliance devem ser</p><p>desenvolvida algumas modalidades de cultura: a) a cultura de</p><p>prevenção da lavagem de dinheiro por meio de treinamentos</p><p>específicos; b) a cultura de controle em conjunto com os demais</p><p>pilares do sistema de controles internos, perante a busca de</p><p>questões atreladas à conformidade; c) a cultura que visa certificar</p><p>determinadas relações como aquelas presentes entre órgãos</p><p>reguladores e fiscalizadores, auditores externos e internos, as</p><p>associações de classe, pessoas de relevância para a participação</p><p>do mercado.</p><p>Dessa forma, também é correto o pensamento de que o</p><p>compliance tem entre as suas missões a intenção de assegurar</p><p>que o controle interno da empresa funcione da maneira que</p><p>se espera e de maneira sistemática, buscando-se, assim, a</p><p>diminuição dos riscos, tendo como base o modelo de negócios e</p><p>a sua complexidade. Além disso, deve ser disseminada a cultura</p><p>de controle interno em toda a organização com a intenção de que</p><p>seja assegurado o cumprimento das leis, normas, regulamentos</p><p>internos e externos existentes.</p><p>Vantagens e desvantagens</p><p>da adoção e não adoção do</p><p>compliance</p><p>No cenário atual vem sendo exigida de grandes</p><p>multinacionais e dos próprios governos, a presença de boas</p><p>práticas de compliance para firmar parcerias com as organizações</p><p>18 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>brasileiros. Esse programa consiste em um diferencial marcante</p><p>para o âmbito da competição, além disso, outras vantagens estão</p><p>atreladas a sua utilização e presença.</p><p>Nesse sentido, o compliance é responsável por agregar valor</p><p>para as instituições, com algumas das vantagens, exemplificadas</p><p>a seguir:</p><p>• Aumento de qualidade e de velocidade na interpretação</p><p>regulatória de políticas e procedimentos, sendo que os</p><p>novos produtos já são criados em conformidade para o</p><p>mercado.</p><p>• Melhoria no âmbito do relacionamento com os</p><p>reguladores, incluídas nessa perspectiva as revisões dos</p><p>supervisores e as questões associadas à necessidade</p><p>de correções e das não conformidades por parte dos</p><p>agentes de compliance.</p><p>• Melhoria de relacionamento com os clientes, acionistas</p><p>e demais stakeholders.</p><p>• Disseminação de elevados padrões éticos/culturais de</p><p>compliance pela organização.</p><p>Por outro lado, as empresas que não contam com a</p><p>presença do compliance precisarão lidar com alguns aspectos</p><p>negativos, como aqueles apresentados na figura a seguir.</p><p>19GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 3 – Exemplo de agregação de valor promovido pelo compliance</p><p>Fonte: Blok (2022).</p><p>Diante do exposto, temos que o compliance não é uma</p><p>estratégia direcionada apenas para a obtenção de ganho de valor</p><p>e de competitividade a longo prazo, pois as suas contribuições</p><p>e vantagens também são vistas no âmbito da sobrevivência da</p><p>organização.</p><p>É importante que seja destacado ainda o impacto que a</p><p>adoção do compliance tem para o âmbito externo, principalmente,</p><p>quando se considera que boa parte do sucesso das organizações</p><p>está atrelado ao fator da administração e da confiança pública.</p><p>Assim, as organizações, que têm uma estrutura sólida e firmada</p><p>em preceitos éticos e uma atuação responsável, conseguem</p><p>um desempenho e uma atratividade bem elevada, quando</p><p>comparadas às demais que atuam de maneira diversa.</p><p>20 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos.</p><p>Você deve ter aprendido que o termo compliance,</p><p>por meio de uma tradução direta, pode ser enten-</p><p>dido como conformidade, assim, ele implica estar</p><p>em conformidade com as leis, com as regulamen-</p><p>tações, com os princípios e com os padrões éticos</p><p>de conduta. Dessa forma, pode ser compreendido</p><p>como um dos pilares para uma boa governança.</p><p>Quanto aos programas de compliance, serão cons-</p><p>tituídos por ferramentas que irão integrar e for-</p><p>talecer os processos de governança corporativa,</p><p>materializando as práticas reconhecidas como efi-</p><p>cazes e direcionadas para a diminuição dos riscos,</p><p>tendo como intenção o favorecimento da resiliên-</p><p>cia das organizações, sem deixar de lado as ques-</p><p>tões que visam disseminar a ética e a integridade</p><p>por toda a organização. É importante ter em mente</p><p>que implementar um programa de compliance não</p><p>implica dizer que todos os problemas serão resol-</p><p>vidos e que os riscos serão afastados, mas que</p><p>uma melhor forma de lidar com essas situações</p><p>estarão presentes na empresa, à medida que é es-</p><p>tabelecido um combate às fraudes e à corrupção.</p><p>Principais tipos e aplicações do</p><p>compliance</p><p>21GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de iden-</p><p>tificar os principais tipos e aplicações do complian-</p><p>ce. Isto será fundamental para o exercício de sua</p><p>profissão. E então? Motivado para desenvolver es-</p><p>ta competência? Vamos</p><p>lá. Avante!</p><p>Princípios do compliance</p><p>Em conformidade com o Comitê de Basileia (Suíça),</p><p>o compliance é abordado como função e não como uma</p><p>estrutura fixa, da mesma maneira que se aplica à diretoria ou</p><p>ao departamento, levando em consideração as diferenças que</p><p>possam se fazer existentes no âmbito da função da jurisdição,</p><p>porte ou até mesmo da modalidade da instituição e da natureza</p><p>da atividade que está sendo desenvolvida.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>O Comitê de Basileia foi o responsável pelo estabe-</p><p>lecimento de uma variedade de padrões interna-</p><p>cionais, voltados para a regulamentação bancária</p><p>por meio dos acordos: Basileia I, Basileia II e Ba-</p><p>sileia III. Assim, as regras dos Acordos de Basileia</p><p>irão servir como uma espécie de indicador de se-</p><p>gurança acerca das instituições financeiras, mes-</p><p>mo que ainda não sejam voltadas para a liquidez</p><p>e solvência.</p><p>Os princípios, de maneira geral, podem ser compreendidos</p><p>como um conjunto de normas ou de padrões de conduta que</p><p>devem ser seguidos por uma pessoa ou por uma instituição.</p><p>Dessa forma, eles podem estar relacionados à ideia de algo</p><p>basilar, e que por isso, devem ser considerados como pontos</p><p>iniciais para a abordagem de um determinado assuntou ou de</p><p>uma certa questão.</p><p>22 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Dessa forma, os princípios podem ser empregados</p><p>nos mais diversos contextos e ambientes, adequando-se às</p><p>particularidades e às necessidades das áreas em que estejam</p><p>sendo avaliados. Por exemplo, no âmbito do Direito, podemos</p><p>mencionar a existência de princípios atrelados aos Direitos</p><p>Humanos, ao Direito Civil e aos princípios Constitucionais,</p><p>previstos entre os artigos 1º ao 4º da Constituição.</p><p>No âmbito administrativo e das organizações também</p><p>existem princípios que precisam ser seguidos para que a empresa</p><p>se desenvolva e atinja os objetivos esperados.</p><p>Nesse sentido, Blok (2020) apresenta uma série de</p><p>princípios que foram apresentados no Comitê de Basileia acerca</p><p>das atividades de compliance.</p><p>A partir do exposto, o princípio 1 determina que o conselho</p><p>de administração é responsável por efetuar o acompanhamento</p><p>acerca do gerenciamento do risco de compliance e da instituição</p><p>financeira que deverão aprovar a sua política, levando em</p><p>consideração as questões relativas ao documento, incumbido</p><p>por estabelecer uma área de compliance permanente e efetiva.</p><p>Por meio desse princípio, também, deve ser determinado que</p><p>o conselho, pelo menos, uma vez ao ano, deverá avaliar a</p><p>efetividade do gerenciamento do risco de compliance.</p><p>Por sua vez, o segundo princípio estabelece que a alta</p><p>administração da instituição financeira será responsável pelo</p><p>gerenciamento do risco de compliance.</p><p>23GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>IMPORTANTE</p><p>A alta administração é formada pelos indivíduos</p><p>que são responsáveis pela tomada das principais</p><p>decisões de um negócio, o que implica dizer que</p><p>eles encontram-se no topo da hierarquia corpo-</p><p>rativa e são dotados de um certo grau de respon-</p><p>sabilidade, quando comparados às outras pessoas</p><p>que integram a organização. Assim, os membros</p><p>da alta administração têm os poderes relativos</p><p>aos acionistas ou ao conselho de administração da</p><p>empresa. Todavia, ainda que exerçam uma função</p><p>superior, é imprescindível que estabeleçam uma</p><p>boa comunicação com os setores inferiores, pois</p><p>só assim o sucesso da organização como um todo</p><p>poderá ser alcançado.</p><p>Em conformidade com o terceiro princípio, caberá à alta</p><p>administração estabelecer e divulgar a política de compliance</p><p>presente na instituição, de maneira que seja assegurada a sua</p><p>observância e cumprimento, por isso o conselho de administração</p><p>deve estar sempre informado, acerca do gerenciamento do risco</p><p>de compliance.</p><p>Por sua vez, o princípio quatro determina que a alta</p><p>administração é a responsável pelo estabelecimento de uma</p><p>área de compliance permanente e efetiva e que seja integrante</p><p>de sua política de compliance.</p><p>No que se refere ao princípio cinco, a área de compliance</p><p>precisa ser marcada por uma certa independência e é preciso</p><p>que se pressuponha a existência de quatro elementos básicos,</p><p>apresentados conforme a figura.</p><p>24 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 4 – Elementos básicos</p><p>Fonte: Adaptado de Blok (2020).</p><p>Quando se analisa o sexto princípio, temos que a área de</p><p>compliance é aquela com os recursos necessários ao desempenho</p><p>de suas responsabilidades de maneira eficaz.</p><p>Já o princípio de número sete determina que a área de</p><p>compliance deverá fornecer auxílio à alta administração no</p><p>gerenciamento efetivo desse risco de compliance, que poderá ser</p><p>alcançado por meio de alguns aspectos:</p><p>1. Atualizações e recomendações.</p><p>2. Manuais de compliance, voltados para determinadas</p><p>legislações e regulamentos.</p><p>3. Identificação e avaliação de riscos de compliance,</p><p>incluindo os aspectos relativos aos novos produtos e</p><p>as atividades.</p><p>4. Responsabilidades estatutárias perante a relação ao</p><p>combate à corrupção, incluindo as questões relativas</p><p>25GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>à lavagem de dinheiro e quanto ao financiamento ao</p><p>terrorismo, assim como as relações com reguladores.</p><p>5. Implementação do programa de compliance na</p><p>organização.</p><p>O oitavo princípio determina que o escopo e a extensão</p><p>das atividades da área de compliance precisam estar sujeitos à</p><p>revisão periódica por meio da auditoria interna.</p><p>O nono princípio fixa que as instituições precisam cumprir</p><p>as exigências legais e os regulamentos que têm aplicação</p><p>perante as jurisdições que operam, devendo também serem</p><p>observados os critérios relativos à organização e à estrutura da</p><p>área de compliance, sendo incluídas as suas responsabilidades.</p><p>Destaca-se ainda que, quando se fala no atendimento às</p><p>normas menciona-se aquelas de caráter nacional, bem como</p><p>aquelas aplicadas a cada regionalidade em que a organização</p><p>se encontra, não podendo ser deixado de lado as legislações de</p><p>âmbito interno.</p><p>O último princípio a ser destacado é aquele que afirma</p><p>que o compliance precisa ser visualizado como uma atividade</p><p>central, voltada para o gerenciamento dos riscos relativos a um</p><p>banco. Diante disso, existem aquelas atividades que podem ser</p><p>terceirizadas, porém é necessário que elas estejam submetidas</p><p>ao crivo de responsabilidade do chefe do compliance.</p><p>Tipos de compliance</p><p>O compliance faz com que as empresas se mantenham nos</p><p>padrões “comportamentais” esperados, ou seja, façam menção</p><p>à observância e ao cumprimento daquilo que se estabelece nas</p><p>legislações, regulamentos e nos preceitos éticos como um todo.</p><p>26 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Por isso, o compliance visa estabelecer um conjunto de</p><p>procedimentos, voltado para a padronização de tarefas e a</p><p>formação de regras, destinando ainda atenção para o preparo</p><p>dos funcionários e para a fiscalização da sua atuação de forma</p><p>correta. Colocá-lo em prática, irá gerar uma variedade de</p><p>vantagens para as empresas.</p><p>Em razão de sua natureza e daquilo que se propõe a</p><p>fazer, o compliance pode ser praticamente aplicado a qualquer</p><p>organização, incluindo aquelas que não tenham finalidade</p><p>lucrativa, pois o respeito às normas e aos bons costumes devem</p><p>ser tidos como uma prática necessária para a sociedade.</p><p>O fato de ser aplicado em praticamente todas as organizações</p><p>não significa dizer que a sua aplicação será igual em todos os</p><p>casos, ou seja, o compliance pode ser diferente, dependendo da</p><p>área na qual seja aplicado. Por exemplo, pensando no âmbito</p><p>das organizações, ainda que tanto as grandes como as pequenas</p><p>possam fazer uso dessa conformidade, as maiores terão mais</p><p>benefícios e um indicativo maior quanto ao atendimento das</p><p>suas responsabilidades.</p><p>27GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 5 – Exemplos de campos em que o compliance pode ser aplicado</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).</p><p>Além de poder ser aplicado em diversos ambientes, em</p><p>um mesmo espaço de uma empresa, o compliance pode ser</p><p>destinado aos mais diversos assuntos, por exemplo, em uma</p><p>organização, ele pode abordar questões tributárias, trabalhistas,</p><p>de saúde e voltadas à proteção de dados.</p><p>Assim, considerando que o compliance pode ser aplicado</p><p>para várias áreas também é certo apresentar posicionamento no</p><p>sentido de que são variadas as tipologias de compliance.</p><p>28 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 6 – Principais tipos de compliance</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).</p><p>Os exemplos presentes na figura anterior são apenas alguns</p><p>desse âmbito, mas não podem ser vistos como uma maneira de</p><p>esgotar o que está sendo abordado, pois a partir do momento em</p><p>que o compliance se aplica a outras áreas, poderá corresponder a</p><p>outras modalidades.</p><p>Compliance ambiental</p><p>As questões voltadas à preocupação com o meio ambiente</p><p>estão, cada vez mais, presentes nos diversos campos de atuação</p><p>e de discussão. Nessa perspectiva, não seria diferente a inserção</p><p>das discussões, relativas à proteção e a prevenção do meio</p><p>ambiente, estar atrelada a práticas que visam combater a fraude</p><p>e a corrupção.</p><p>As empresas e os consumidores estão atentos aos riscos a</p><p>que as ações humanas podem estar submetidas, podendo gerar</p><p>prejuízos para o meio ambiente. Nessa perspectiva, o compliance</p><p>29GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>ambiental tem como intenção fazer com que a organização</p><p>esteja em harmonia com a natureza, intencionado um mundo</p><p>mais sustentável a ser alcançado. Dessa forma, as organizações</p><p>buscam aliar aspectos econômicos, sociais e ambientais na busca</p><p>pelo desenvolvimento.</p><p>Regras de saúde e segurança no</p><p>trabalho</p><p>A saúde é um direito fundamental dos seres humanos,</p><p>prevista em várias legislações, inclusive, na Constituição da</p><p>República Federativa de 1988. Assim, a saúde é uma das</p><p>responsabilidades mais importantes do gestor, pois é necessário</p><p>que ele se destine a proporcionar um ambiente de trabalho mais</p><p>saudável, seguro e produtivo para os envolvidos.</p><p>A partir dos procedimentos de compliance direcionados</p><p>para questões acerca da saúde, teremos uma menor quantidade</p><p>de acidentes de trabalho ou a diminuição de uma jornada,</p><p>responsável por extrapolar os limites da lei.</p><p>Compliance anticorrupção</p><p>Infelizmente, a corrupção está presente nos mais variados</p><p>setores do mundo e da sociedade. Presente nos países</p><p>desenvolvidos, ainda que promova uma quantidade menor de</p><p>impactos, ou nos subdesenvolvidos, em que causa uma maior</p><p>quantidade de danos.</p><p>Vivendo em um mundo em que a corrupção é notícia</p><p>frequente, é de extrema importância que as empresas sejam</p><p>responsáveis pelos funcionários que a praticam e que para isso</p><p>tenha um controle preciso e rigoroso. Dessa forma, a organização</p><p>precisa ter em mente e estabelecer métodos de identificação e</p><p>30 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>de combate à corrupção, bem como atos fraudulentos e de má-</p><p>fé.</p><p>Responsabilidade social</p><p>Além dos pontos indicados nas tipologias apresentadas,</p><p>ainda, é de extrema importância que a organização demonstre</p><p>uma preocupação acerca da responsabilidade social. Em outras</p><p>palavras, é necessário que a empresa volte-se para os impactos</p><p>que pode causar à sociedade.</p><p>Para que essa avaliação seja feita, é importante que a</p><p>organização e os gestores tenham um ponto de vista mais crítico,</p><p>acerca da responsabilidade social que precisa ser cumprida.</p><p>Controle de qualidade</p><p>Ainda que exista uma dificuldade marcante quanto à</p><p>definição do que é enquadrado como qualidade, é um dos</p><p>objetivos que a organização visa alcançar. O conceito de qualidade</p><p>já passou por várias modificações e pode ser encarado como um</p><p>termo marcado pela subjetividade, ou seja, o que é bom e de</p><p>qualidade para uns, pode não ser para outros.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A visão e a perspectiva de qualidade que se tem</p><p>hoje, já não é a mesma de alguns anos atrás, pois</p><p>em um momento anterior, as preocupações eram</p><p>destinadas apenas a questões relativas à econo-</p><p>mia, enquanto que no contexto atual, o consumi-</p><p>dor demonstra interesse e preocupação quanto à</p><p>qualidade dos produtos e dos serviços que estão</p><p>sendo adquiridos.</p><p>Diante desse contexto, as organizações devem buscar</p><p>entregar um produto ou um serviço de qualidade, que atenda</p><p>31GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>às necessidades e às expectativas dos consumidores. Perante</p><p>essa logística, a presença do compliance será indispensável na</p><p>elaboração de estratégias que irão definir o grande diferencial de</p><p>uma organização no mercado competitivo.</p><p>O controle de qualidade, a partir do disposto na ISO 9000,</p><p>pode ser conceituado como a parte da gestão que foca no</p><p>atendimento dos requisitos de qualidade, implicando dizer que</p><p>ele irá verificar as formas obrigatórias ou definidas atreladas a</p><p>um produto ou a um serviço, levando ainda em consideração as</p><p>questões relativas à eficácia, à eficiência e à rastreabilidade.</p><p>Figura 7 – Vantagens do Controle de Qualidade</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).</p><p>Diante do exposto, a finalidade principal do controle de</p><p>qualidade faz menção a determinar, se o produto ou o serviço</p><p>avaliado está em conformidade com os padrões de qualidade</p><p>que foram definidos e se ele tem a capacidade de satisfazer os</p><p>clientes, sem gerar prejuízos de qualquer tipo.</p><p>32 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Outros tipos de compliance</p><p>São diversos os tipos de compliance existentes no contexto</p><p>atual, apresentamos, nos tópicos anteriores, apenas aqueles</p><p>entendidos pela doutrina como os principais, mas esse rol</p><p>não é taxativo, como prova disso outros exemplos podem ser</p><p>mencionados.</p><p>Uma das modalidades que recebe uma maior atenção é o</p><p>compliance tributário, sendo ele uma das razões principais para a</p><p>existência de um atendimento da conformidade das obrigações</p><p>em âmbito fiscal. Afinal, seu não cumprimento pode gerar</p><p>prejuízos financeiro para as organizações.</p><p>Em outras palavras, o compliance fiscal e tributário tem como</p><p>principal finalidade fazer com que as rotinas dessa categoria</p><p>em uma empresa estejam em dia quanto ao cumprimento e</p><p>ao atendimento das obrigações de pagamento de tributos e da</p><p>demonstração fiscal e contábil.</p><p>Em um mundo tecnológico e de grande propagação de</p><p>informações, é importante que os dados de caráter pessoal</p><p>sejam protegidos de alguma forma. Perante essa logística, o</p><p>crescimento do uso das informações pode ser utilizado com</p><p>a intenção de que um negócio seja impulsionado. Assim, é</p><p>considerado como obrigatório que as empresas façam uso das</p><p>leis que visem proteger os dados pessoais, entre elas, menciona-</p><p>se a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como uma das mais</p><p>importantes.</p><p>33GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu</p><p>mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de</p><p>que você realmente entendeu o tema de estudo</p><p>deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos.</p><p>Você deve ter aprendido que os princípios servem</p><p>como base para as mais diversas discussões, estan-</p><p>do atrelados a variados campos e se adequando às</p><p>características de cada um deles, dependendo da-</p><p>quilo que esteja sendo discutido. Assim, aprende-</p><p>mos que no âmbito do compliance não podia ser</p><p>diferente, por isso abordamos os dez princípios</p><p>mais relevantes para esse âmbito, destacando a</p><p>importância de uma boa atuação, partindo da al-</p><p>ta administração, bem como do cumprimento das</p><p>normas para o bom funcionamento desse sistema.</p><p>Além disso, também estudamos o que elencamos</p><p>ser os principais tipos de compliance, dando des-</p><p>taque para algumas modalidades específicas: o</p><p>compliance ambiental, as regras relativas à saúde</p><p>e a segurança do trabalho, o compliance anticor-</p><p>rupção, a responsabilidade social e o controle de</p><p>qualidade. Discutimos ainda</p><p>que esses não são os</p><p>únicos tipos de compliance, avaliando esse rol co-</p><p>mo exemplificativo e não como taxativo.</p><p>34 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Normas brasileiras e</p><p>internacionais sobre</p><p>compliance e órgãos</p><p>reguladores</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de in-</p><p>terpretar as normas brasileiras e internacionais</p><p>atinentes ao compliance e seus órgãos. Isto será</p><p>fundamental para o exercício de sua profissão. E</p><p>então? Motivado para desenvolver esta competên-</p><p>cia? Vamos lá. Avante!</p><p>Leis internacionais acerca de</p><p>compliance</p><p>O cenário da corrupção não se faz presente apenas nos</p><p>dias atuais, é fenômeno verificado ao longo da história humana.</p><p>Dessa forma, a necessidade de práticas, ações e leis que visem</p><p>combater a corrupção e a fraude se tornou, cada vez mais clara,</p><p>até que se estabeleceram normas de caráter internacional com</p><p>a intenção de combater e evitar as consequências atreladas à</p><p>corrupção.</p><p>FCPA</p><p>Um dos escândalos americanos mais conhecidos foi</p><p>o Watergate, que envolveu a descoberta de pagamentos</p><p>ilícitos a funcionários estrangeiros. Diante dos casos e de sua</p><p>repercussão, o Congresso Norte-Americano aprovou, em 1977,</p><p>a denominada Foreign Corrupt Act, também conhecida por meio</p><p>de sua sigla FCPA, sendo dotada da intenção de combater a</p><p>35GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>corrupção transnacional por pessoas ou por entidades nacionais</p><p>e internacionais.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Essa lei é de extrema importância não apenas no</p><p>cenário norte-americano, mas no âmbito mundial,</p><p>pois além de dispor acerca da corrupção nacional,</p><p>também trazia discussões sobre a presença de</p><p>fraude e crimes internacionais.</p><p>Além disso, a sua relevância também é vista por ter sido</p><p>a primeira lei a estabelecer um sistema anticorrupção e ser</p><p>responsável por incentivar e impulsionar a criação de outras leis</p><p>nessa mesma perspectiva. Em outras palavras, essa legislação</p><p>funciona como uma espécie de modelo para as leis anticorrupção,</p><p>de outros países, por isso até hoje é vista como de extrema</p><p>relevância.</p><p>Quando analisamos essa lei sob uma ótica geral, vemos que</p><p>ela apresenta como crime não apenas o pagamento da propina</p><p>em si, mas todos os tipos de pagamento que forem feitos pelas</p><p>empresas que estão listadas à Bolsa de Valores norte-americana</p><p>e que não estejam devidamente registradas ou que esse registro</p><p>não aconteça de maneira clara e precisa.</p><p>Isso implica dizer que a FCPA inibe e proíbe de forma rigorosa</p><p>qualquer tipo de pagamento de suborno feito aos representantes</p><p>dos governos estrangeiros, tendo como finalidade a obtenção, a</p><p>retenção e o direcionamento de um negócio específico. Dessa</p><p>forma, para essa norma é proibido que as empresas deem,</p><p>forneçam, prometam ou autorizem qualquer tipo de valor aos</p><p>funcionários estrangeiros de governo, seja de forma direta ou</p><p>indireta, tendo como intenção influenciar o funcionário para que</p><p>obter vantagens impróprias.</p><p>36 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 8 – Princípios da FCPA</p><p>Fonte: Adaptado de Blok (2020).</p><p>Em conformidade com o princípio relativo às disposições</p><p>antissuborno, a FCPA proíbe as empresas de efetuar qualquer</p><p>tipo de pagamento que tenha motivação corrupta, seja esse</p><p>efetuado de forma direta ou indireta, por qualquer funcionário</p><p>público estrangeiro, partidos políticos ou seus candidatos com</p><p>a intenção de que se obtenha ou que se mantenha negócio,</p><p>transação direta com qualquer pessoa, tendo como finalidade o</p><p>ganho de qualquer vantagem comercial indevida.</p><p>Entende-se como pagamento ilegal aquele que vise a</p><p>obtenção ou a manutenção de contratos governamentais ou</p><p>pagamentos, realizados com a intenção de que se consiga</p><p>qualquer modalidade benefício de um funcionário do governo,</p><p>como a redução de impostos, a aprovação legal e a alteração da lei</p><p>ou ainda o recebimento de qualquer modalidade de autorização</p><p>tida como necessária.</p><p>37GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Já o princípio relativo às disposições de registro</p><p>contábeis deixam claro que a FCPA exige que as</p><p>empresas mantenham esses registros incumbidos</p><p>por refletir de forma precisa e justa no âmbito das</p><p>transações, visando o estabelecimento de controle</p><p>contábeis, voltados para o fornecimento da garan-</p><p>tia razoável do registro das transações de forma</p><p>proibida. Por meio dessa determinação ficam proi-</p><p>bidos os falsos registros, enganosos ou incomple-</p><p>tos como presentes nos livros ou em outras moda-</p><p>lidades de documento.</p><p>Esse princípio faz com que sejam ainda evitadas que as</p><p>empresas encubram subornos e práticas contábeis fraudulentas,</p><p>sendo aplicado de forma extensiva a proibição para qualquer</p><p>tipo de pessoa de natural que atue em nome da empresa.</p><p>Destaca-se ainda que essa legislação anticorrupção deve ser</p><p>aplicada tanto para aqueles que praticam a corrupção de forma</p><p>ativa, como para os indivíduos que visam incentivar a corrupção</p><p>de alguma forma.</p><p>A menção à fiscalização das suas determinações legais</p><p>acontece por meio de dois órgãos: o Departamento de Justiça</p><p>norte-americano, o DOI, e o SEC que funcionam de forma</p><p>semelhante à Comissão de Valores Mobiliários, no Brasil,</p><p>responsável pela sua coordenação.</p><p>A aplicabilidade da FCPA é extraterritorial, tendo em vista</p><p>que pode ser aplicada a qualquer cidadão norte-americano,</p><p>subsidiária norte-americano ou de outra nacionalidade.</p><p>UKBA</p><p>Mais recentemente, em 2010, foi promulgada o United</p><p>Kingdom Bribery Act, legislação britânica que visa combater a</p><p>38 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>corrupção e prevenir qualquer modalidade de suborno. Assim,</p><p>essa norma regula tão somente os atos de suborno como sendo</p><p>uma espécie que pertence ao gênero corrupção, além disso não</p><p>apresenta normas anticompliance.</p><p>Em conformidade com essa legislação, fica criminalizada a</p><p>oferta, a promessa ou a concessão de vantagens ou a solicitação,</p><p>aceitação ou o acordo quanto ao recebimento dessas vantagens.</p><p>Dessa forma, tanto a corrupção ativa, quanto a corrupção passiva</p><p>são inibidas por meio dessa legislação.</p><p>Figura 9 – Princípios da UKBA</p><p>Fonte: Adaptado de Blok (2020).</p><p>O compromisso do Tone at the top determina que os órgãos</p><p>superiores de gestão da empresa precisam estar devidamente</p><p>envolvidos e comprometidos perante o combate relativo ao</p><p>suborno e à corrupção, bem como se deve adotar uma cultura que</p><p>tenha uma forte repulsa a essa corrupção e devem ser incluídas</p><p>formas de comunicação acerca da política anticorrupção.</p><p>39GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Já no due diligence terá como finalidade mitigar, ou</p><p>seja, diminuir os riscos e fornecer uma orientação ou uma</p><p>mensuração adequada, que deverá ser realizada em conjunto</p><p>com as contrapartes negociais.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Quanto aos procedimentos proporcionais, vemos</p><p>que os riscos de corrupção e a natureza, escala e</p><p>a complexidade da atividade ou do ato ilícito pra-</p><p>ticado por meio de uma pessoa jurídica, precisam</p><p>estar claros. Além disso, é preciso que esses sejam</p><p>marcados pela acessibilidade e efetividade.</p><p>Por sua vez, a avaliação do risco deve acontecer de maneira</p><p>periódica, informada e documentada, destinando atenção para</p><p>a natureza e para a extensão da exposição da entidade aos</p><p>potenciais riscos, internos e externos relativos à corrupção. Os</p><p>mencionados riscos externos, a partir do apontado por Blok</p><p>(2020), podem ser divididos em cinco categorias:</p><p>• Risco do país.</p><p>• Risco do setor.</p><p>• Risco da transação.</p><p>• Risco da oportunidade do negócio e</p><p>• Risco de parcerias de negócios.</p><p>No que se refere ao princípio da comunicação, por meio</p><p>das medidas, tanto internas, quanto externas de comunicação e</p><p>de formação, a política anticorrupção precisará ser acolhida por</p><p>meio da organização, sendo uma medida proporcional aos riscos</p><p>que ela enfrenta.</p><p>O último princípio a ser explicado é da monitorização e</p><p>avaliação,</p><p>segundo o qual os procedimentos que tenham como</p><p>intenção combater a corrupção serão monitorizados e avaliados</p><p>40 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>sempre que for necessária a efetuação de alguns ajustes e</p><p>melhorias. Além disso, eles devem ser revistos e implementados,</p><p>sempre que necessário.</p><p>ISO 37301</p><p>As normas ISO visam maximizar a eficiência e fazer a</p><p>empresa que opte por seguir tais determinações passar a um</p><p>patamar diferenciado, quando comparada às demais. Assim,</p><p>por meio de tais normas, há a possibilidade de que sejam</p><p>potencializadas a performance do negócio.</p><p>IMPORTANTE</p><p>As normas ISO são aquelas estabelecidas pela Or-</p><p>ganização Internacional para Padronização, e for-</p><p>mam uma série de regras e normas, criadas pela</p><p>empresa homônima, tendo como objetivo firmar</p><p>a normatização das condutas e dos processos em</p><p>organizações e entidades públicas nos mais dife-</p><p>rentes segmentos no mercado.</p><p>No Brasil tais normas relacionam-se com as determinações,</p><p>firmadas pela Associação Brasileiras de Normas Técnicas (ABNT),</p><p>que visa normatizar uma série de questões que precisam ser</p><p>seguidas por todas as instituições nacionais.</p><p>Considerando a importância do compliance na luta contra a</p><p>corrupção e as fraudes, entende-se, como de extrema relevância,</p><p>o estabelecimento de normas que visem evitar tais práticas,</p><p>principalmente, em um ambiente organizacional.</p><p>Nesse sentido, a ISO 37301, relativa aos Sistemas de</p><p>Gestão de Compliance, intenciona substituir a ISO 19600, e em</p><p>sua certificação estarão todas as questões relativas à estrutura</p><p>normativa de requisitos.</p><p>41GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Essa norma tem como base o Anexo SL, o que implica dizer</p><p>que pode ser incluída com facilidade no sistema de gestão, o que</p><p>torna provável e possível que ocorra a integração do sistema</p><p>de gestão de compliance com outras temáticas de extrema</p><p>importância para a organização, que são disciplinas em outras</p><p>normas ISO, como é o caso da qualidade ambiental, da segurança</p><p>e da proteção a informação, entre outros tipos comuns de</p><p>temáticas atrelados ao compliance.</p><p>Assim, a certificação ISO 37301 visa proporcionar resulta-</p><p>dos positivos para a organização que cumpre as suas obrigações.</p><p>Dessa forma, as determinações presentes nessa norma indicam</p><p>que o compliance tem como base a sustentabilidade e deve ser</p><p>incorporado à cultura da organização, influenciando o compor-</p><p>tamento e a atitude das pessoas que trabalham nesse espaço.</p><p>Um sistema gestão de compliance, que seja dotado da</p><p>certificação atrelado a essa norma, será visto como eficaz e</p><p>tornará possível que a organização demonstre que tem um sério</p><p>comprometimento quanto ao cumprimento das leis pertinentes,</p><p>aos requisitos regulatórios, aos códigos setoriais da indústria e</p><p>às normas organizacionais.</p><p>Entre as principais vantagens e benefícios da inserção dessa</p><p>norma, podemos mencionar:</p><p>• Melhoria quanto às oportunidades e a sustentabilidade</p><p>do negócio.</p><p>• Proteção e melhoria quanto à credibilidade e à</p><p>reputação da organização.</p><p>• Consideração das expectativas e das necessidades dos</p><p>interessados.</p><p>42 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>• Demonstração do comprometimento da organização</p><p>quanto ao seu gerenciamento na busca pelo sucesso</p><p>almejado.</p><p>• Diminuição da ocorrência de riscos, associados a</p><p>qualquer tipo de dano reputacional.</p><p>Assim, a certificação ISO 37301 será a responsável por</p><p>tornar clara a especificação das diretrizes, acerca dos sistemas</p><p>de gestão de compliance e quais são as práticas recomendadas</p><p>por eles.</p><p>Leis nacionais que disciplinam o</p><p>compliance</p><p>No Brasil, apesar dos escândalos, envolvendo a corrupção e</p><p>a fraude acontecerem com uma certa frequência, principalmente,</p><p>quando avaliamos o âmbito da política, houve a criação tardia da</p><p>lei responsável por ir ao encontro das práticas de corrupção de</p><p>forma direta.</p><p>Dessa forma, a Lei Anticorrupção, sancionada em 2013, tem</p><p>como intenção regular a responsabilidade administrativa e civil</p><p>das pessoas jurídicas, envolvendo a prática de qualquer tipo de</p><p>ato que seja contrário à administração pública.</p><p>A legislação em análise é considerada como um importante</p><p>avanço para a adequação legal das atividades, efetuadas no</p><p>âmbito da administração pública, porém a sua função não pode</p><p>ser reduzida a esse aspecto, já que também destina atenção</p><p>e regulação para a atuação das pessoas jurídicas de caráter</p><p>privado, perante o poder público.</p><p>Nesse sentido, a possibilidade de responsabilização tem</p><p>como intenção promover um impulsionamento quanto ao</p><p>43GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>movimento adequado e de conformidade tanto no âmbito</p><p>público, quanto no setor privado. Dessa forma, as organizações</p><p>que demonstram a sua atuação devem buscar o estabelecimento</p><p>de cláusulas anticorrupção em seus contratos. Além disso,</p><p>também devem criar políticas que sejam consideradas como</p><p>mais rigorosas para que assim se possam combater os atos</p><p>lesivos visualizados, quando se fala da participação em licitações.</p><p>Assim, o artigo 1.º da Lei n.º 12.846/2013 determina que:</p><p>Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a responsabilização</p><p>objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas</p><p>pela prática de atos contra a administração pública,</p><p>nacional ou estrangeira.</p><p>Parágrafo único. Aplica-se o disposto nesta Lei às</p><p>sociedades empresárias e às sociedades simples,</p><p>personificadas ou não, independentemente da</p><p>forma de organização ou modelo societário adotado,</p><p>bem como a quaisquer fundações, associações de</p><p>entidades ou pessoas, ou sociedades estrangeiras,</p><p>que tenham sede, filial ou representação no território</p><p>brasileiro, constituídas de fato ou de direito, ainda que</p><p>temporariamente. (BRASIL, 2013, on-line)</p><p>A partir do exposto no mencionado dispositivo legal, temos</p><p>que a lei anticorrupção deixa claro que a responsabilidade civil</p><p>e administrativa das pessoas jurídicas é de caráter objetivo,</p><p>assim, para que essa fique caracterizada, é necessário apenas</p><p>que se comprove, se o ato lesivo foi praticado no interesse ou em</p><p>benefício da pessoa jurídica.</p><p>A mencionada legislação apresenta ainda em seu texto,</p><p>artigo 5º, as modalidades de atos lesivos que podem ser aplicados,</p><p>no caso da corrupção ficar caracterizada.</p><p>44 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 10 – Modalidades de atos lesivos na Lei Anticorrupção</p><p>Fonte: Adaptado de Brasil (2013, on-line).</p><p>Já no que faz menção às sanções de caráter administrativo,</p><p>são previstas duas dessa modalidade a serem aplicadas para</p><p>as pessoas jurídicas que praticarem os atos lesivos: a multa e a</p><p>publicação extraordinária da decisão condenatória, como dispõe</p><p>o artigo 6º:</p><p>Art. 6º Na esfera administrativa, serão aplicadas às</p><p>pessoas jurídicas consideradas responsáveis pelos</p><p>atos lesivos previstos nesta Lei as seguintes sanções:</p><p>I - multa, no valor de 0,1% (um décimo por cento) a</p><p>20% (vinte por cento) do faturamento bruto do último</p><p>exercício anterior ao da instauração do processo</p><p>administrativo, excluídos os tributos, a qual nunca</p><p>será inferior à vantagem auferida, quando for possível</p><p>sua estimação; e</p><p>II - publicação extraordinária da decisão condenatória.</p><p>(BRASIL, 2013, on-line)</p><p>Ainda no que se refere à sanção o artigo 7º da legislação em</p><p>estudo, apresenta nove fatores, pois o inciso X presente no texto</p><p>45GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>normativo original foi vetado, que devem ser considerados no</p><p>momento da aplicação das sanções:</p><p>Art. 7º Serão levados em consideração na aplicação</p><p>das sanções:</p><p>I - a gravidade da infração;</p><p>II - a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator;</p><p>III - a consumação ou não da infração;</p><p>IV - o grau de lesão ou perigo de lesão;</p><p>V - o efeito negativo produzido pela infração;</p><p>VI - a situação econômica do infrator;</p><p>VII - a cooperação da pessoa jurídica para a apuração</p><p>das infrações;</p><p>VIII</p><p>- a existência de mecanismos e procedimentos</p><p>internos de integridade, auditoria e incentivo à</p><p>denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de</p><p>códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa</p><p>jurídica;</p><p>IX - o valor dos contratos mantidos pela pessoa jurídica</p><p>com o órgão ou entidade pública lesados. (BRASIL,</p><p>2013, on-line)</p><p>Destaque-se ainda que uma importante inovação dessa</p><p>lei faz menção à previsão do acordo de leniência, instrumento</p><p>responsável por tornar mais fácil a recuperação dos prejuízos</p><p>que podem ser causados aos cofres públicos, tendo em vista</p><p>a intenção de que ocorra a redução da multa, caso a empresa</p><p>admita a sua participação no ilícito e estabeleça uma cooperação</p><p>efetiva perante as investigações e ao processo administrativo,</p><p>abordando ainda que os danos causados possam ser ressarcidos.</p><p>46 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Todavia, o ponto mais forte e importante dessa lei consiste</p><p>no fato de que passou a ser possível o estabelecimento de pu-</p><p>nição para as pessoas jurídicas corruptas, atingindo então dois</p><p>pontos importantes da corrupção vista no Brasil: o servidor pú-</p><p>blico corrupto e a organização privada corrupta.</p><p>47GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>RESUMINDO</p><p>E então? Gostou do que lhe mostramos? Apren-</p><p>deu mesmo tudinho? Agora, só para termos cer-</p><p>teza de que você realmente entendeu o tema de</p><p>estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que</p><p>vimos. Você deve ter aprendido que diversas são</p><p>as legislações que dispõem sobre o compliance</p><p>tanto no âmbito internacional, quanto nacional.</p><p>Assim começamos o nosso estudo dando ênfase à</p><p>importância, desempenhada pela FCPA, a primeira</p><p>legislação anticorrupção presente no mundo e res-</p><p>ponsável por influenciar e por servir de base para</p><p>criação de outras normas contra a corrupção, até</p><p>no Brasil. Outra norma relevante, quando se dis-</p><p>cute a corrupção é a UKBA, norma britânica que</p><p>estabelece uma série de princípios que vão ao en-</p><p>contro de práticas corruptas. Além disso, também</p><p>destacamos a existência da certificação ISO 37301</p><p>que irá especificar os requisitos e estabelecer pre-</p><p>visão sobre as diretrizes dos sistemas de gestão de</p><p>compliance e as práticas devidamente recomenda-</p><p>das. No âmbito nacional, aprendemos que a Lei nº</p><p>12.846, de 2013, também denominada como Lei</p><p>Anticorrupção é a responsável por dispor acerca</p><p>da responsabilização administrativa e civil das pes-</p><p>soas jurídicas por meio da prática de atos estabe-</p><p>lecidos contra a administração pública, nacional ou</p><p>estrangeira, dando ainda outras determinações e</p><p>providências sobre a temática.</p><p>48 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Os pilares do compliance</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao término deste capítulo, você será capaz de apli-</p><p>car os pilares fundamentais do compliance. Isto se-</p><p>rá fundamental para o exercício de sua profissão. E</p><p>então? Motivado para desenvolver esta competên-</p><p>cia? Vamos lá. Avante!</p><p>Os pilares do Sistema de</p><p>Compliance</p><p>Um bom mecanismo de Integridade e um Sistema de</p><p>Compliance para ser bem-sucedido precisa ter como base alguns</p><p>pilares, incumbidos por definir a maneira por meio da qual a</p><p>organização irá desempenhar as suas funções no dia a dia.</p><p>Dessa forma, os pilares podem ser entendidos como as</p><p>linhas-mestre que são simples, fortes e abrangentes que não</p><p>dão margem a dúvidas, quando se pensa no caminho que deve</p><p>ser seguido na organização. Em outras palavras, os esses pilares</p><p>servem como orientação para o funcionamento do mecanismo</p><p>de integridade e do sistema de compliance. Assim, o sucesso da</p><p>sua aplicação prática irá depender de forma direta do apoio,</p><p>destinado de maneira incondicional à alta direção da empresa.</p><p>Além disso, também se vê que esses pilares são importantes</p><p>para que se entenda como funcionam o compliance e por tornar</p><p>a compreensão acerca da sua colocação em prática simplificada</p><p>para os funcionários como um todo, gerando valores considerados</p><p>como fundamentais que irão guiar as ações da empresa, das</p><p>pessoas e de todas as partes relacionadas à organização.</p><p>49GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>IMPORTANTE</p><p>Diversos são os pilares, mas alguns são enquadra-</p><p>dos como os mais comuns, assim, a maior parte</p><p>dos modelos de compliance é dotado de um viés,</p><p>voltado à prevenção. Assim, esse é um dos pon-</p><p>tos que merece destaque e relevância, mas não é</p><p>o único tido como importante, pois outras medi-</p><p>das precisam ser tomadas para que o compliance</p><p>seja efetuado, como o poder de resposta perante</p><p>o surgimento de problemas e a detecção da sua</p><p>ocorrência.</p><p>Destacam-se que os pilares apresentados na figura a seguir</p><p>não são taxativos, mas exemplificam e apontam os principais</p><p>pilares do compliance de forma geral para que, em seguida,</p><p>possamos abordar as particularidades desse programa.</p><p>Figura 11 – Pilares do compliance</p><p>Fonte: Elaborado pelas autoras (2023).</p><p>50 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Como apontado anteriormente, a maior parte dos modelos</p><p>relativos ao compliance entende que o pilar da prevenção é</p><p>visto como o mais importante, por isso é nesse âmbito que as</p><p>organizações precisam efetuar um maior investimento. Para que</p><p>uma organização seja eficaz na prevenção, é necessário que a</p><p>instituição estabeleça políticas e procedimentos claros, devendo</p><p>fornecer instruções de forma inequívoca para as pessoas, ou</p><p>seja, deve-se ensinar como as pessoas devem agir e o que devem</p><p>fazer para que estejam em sintonia com o sistema de compliance.</p><p>Para que a prevenção ocorra da maneira que se espera, é</p><p>essencial que um Código de Conduta eficiente seja traçado e que</p><p>a sua elaboração ocorra da melhor forma possível para que sejam</p><p>abrangidos os aspectos de maior relevância da organização, das</p><p>suas relações, riscos e princípios.</p><p>Por isso que se aponta a extrema relevância e imprescindi-</p><p>bilidade quanto ao treinamento e à sensibilização daqueles que</p><p>integram a organização, visando que sejam assegurados e ga-</p><p>rantidos os objetivos de todos que pertencem a um dado grupo.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Quanto ao pilar da detecção, temos que a orga-</p><p>nização é formada por pessoas e os seres huma-</p><p>nos são falhos, assim, ainda que exista um Código</p><p>de Conduta que tenha sido bem estabelecido, as</p><p>normas presentes podem ser burladas e transgre-</p><p>didas, em decorrência de vários motivos. Assim,</p><p>mesmo que a prevenção seja altamente efetiva,</p><p>não conseguirá dar conta de todas as situações, os</p><p>problemas irão existir, por isso a detecção se faz</p><p>necessária.</p><p>Os controles profissionais são requeridos para que sejam</p><p>reduzidas as chances de ocorrência dos atos ilícitos e caso esses</p><p>se façam presentes que possam ser identificados com uma</p><p>51GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>certa facilidade. Diante desse contexto e da natureza humana,</p><p>os canais de denúncia assumem um papel de grande relevância</p><p>para que a detecção aconteça.</p><p>Em conjunto com o pilar da detecção, a prevenção irá fazer</p><p>o papel de convenção das pessoas para que o canal de denúncia</p><p>seja utilizado da forma correta e para que ele seja transformado</p><p>perante um controle social eficaz na instituição.</p><p>Por fim, o último pilar a ser ressaltado é o da correção em</p><p>conformidade com a qual há uma tolerância zero para desvios,</p><p>quanto ao princípio da instituição, independentemente, do nível</p><p>hierárquico que está envolvido. Assim, após a detecção da falha,</p><p>é preciso que alguma medida seja tomada em relação a ela,</p><p>sendo esse papel desempenhado pela correção, que deve ser</p><p>efetuada de imediato.</p><p>A correção é tão relevante que a sua utilização de maneira</p><p>errada poderá colocar todo o sistema do compliance em risco,</p><p>por isso a sua credibilidade não pode ser deixada de lado, pois,</p><p>caso contrário todo o trabalho direcionado para a construção de</p><p>um bom sistema de conformidade poderá “ser jogado no lixo.”</p><p>Programa de compliance</p><p>A gestão de compliance será aquela responsável por</p><p>monitorar os atos normativos, tendo como foco questões</p><p>atreladas à ética e à transparência e à integridade, visando a</p><p>ocorrência do controle das condutas e o fortalecimento da</p><p>ferramenta, voltada para o combate da corrupção e à busca da</p><p>saúde da organização.</p><p>52 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Figura 12 – Diferença entre compliance e integridade</p><p>Fonte: Adaptado do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (2018).</p><p>Para que o compliance seja realmente integridade por meio</p><p>de um programa efetivo, é necessário que exista o atendimento</p><p>a certos requisitos como:</p><p>a. Comprometimento da alta direção.</p><p>b. Criação da comissão de ética.</p><p>c. Implementação da área.</p><p>d. Implantação do Código de Ética e diretrizes de</p><p>integridade e compliance.</p><p>e. Estrutura e autoridade da instância interna que é</p><p>considerada responsável pela colocação em prática do</p><p>Programa de Integridade e Compliance.</p><p>f. Necessidade de que os controles internos visem</p><p>assegurar a elaboração de relatórios confiáveis, acerca</p><p>das demonstrações financeiras, abordando ainda os</p><p>registros contábeis que irão promover reflexos nas</p><p>transações que estão sendo efetuadas.</p><p>g. Comunicação e treinamento periódicos.</p><p>53GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>h. Procedimentos específicos, voltados à prevenção de</p><p>fraudes e atos ilícitos, presentes no âmbito da execução</p><p>dos contratos ou de qualquer tipo de interação com o</p><p>setor público ou de caráter privado.</p><p>i. Canais de denúncia abertos e que sejam amplamente</p><p>divulgados a empregados e a terceiros, a partir do uso</p><p>e do respeito destinado aos mecanismos de proteção</p><p>daqueles que agem com boa-fé.</p><p>j. Diligência apropriada para contratação e para a</p><p>supervisão de terceiros.</p><p>k. Monitoramento contínuo do Programa de Integridade</p><p>e Compliance.</p><p>As organizações que fazem uso das ferramentas</p><p>relacionadas à integridade e ao compliance tendem a manter a</p><p>organização saudável e ter uma reputação excelente no âmbito</p><p>dos agentes internos e em toda a sociedade. Assim, até mesmos</p><p>os riscos que se verificam e que se fazem presentes podem ter os</p><p>seus impactos minimizados.</p><p>Um bom programa de compliance gera economia de tempo</p><p>e de dinheiro para as organizações, pois uma quantidade cada</p><p>vez menor de sanções será aplicada. Assim, uma sinergia entre</p><p>os membros da organização será criada e as pessoas farão com</p><p>que o sistema seja mais efetivo e que toda a organização seja</p><p>beneficiada a partir disso.</p><p>54 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Conceito de Programa de Integridade</p><p>e Compliance</p><p>Um Programa de Integridade e Compliance consiste na</p><p>sistematização e no aperfeiçoamento dos instrumentos que já</p><p>existem na organização. Dessa forma, tal programa irá atuar na</p><p>prevenção e no combate à corrupção e pode ser entendido como</p><p>um sistema de políticas que são desenvolvidas com a intenção de</p><p>que se garanta a conformidade das ações de uma organização,</p><p>com base em preceitos éticos e na obediência das regras internas,</p><p>das leis e das regulações como um todo.</p><p>No Brasil, a Lei Anticorrupção, por meio do decreto que a</p><p>regulamenta, qual seja o Decreto n.º 11.129, de 2022, apresenta</p><p>disposições acerca do programa de compliance, que em seu texto</p><p>aparece como programa de integridade, dispondo que:</p><p>Art. 56. Para fins do disposto neste Decreto, programa</p><p>de integridade consiste, no âmbito de uma pessoa</p><p>jurídica, no conjunto de mecanismos e procedimentos</p><p>internos de integridade, auditoria e incentivo à</p><p>denúncia de irregularidades e na aplicação efetiva de</p><p>códigos de ética e de conduta, políticas e diretrizes,</p><p>com objetivo de:</p><p>I - prevenir, detectar e sanar desvios, fraudes,</p><p>irregularidades e atos ilícitos praticados contra a</p><p>administração pública, nacional ou estrangeira; e</p><p>II - fomentar e manter uma cultura de integridade no</p><p>ambiente organizacional.</p><p>Parágrafo único. O programa de integridade deve</p><p>ser estruturado, aplicado e atualizado de acordo com</p><p>as características e os riscos atuais das atividades de</p><p>cada pessoa jurídica, a qual, por sua vez, deve garantir</p><p>o constante aprimoramento e a adaptação do referido</p><p>55GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>programa, visando garantir sua efetividade. (BRASIL,</p><p>2022, on-line)</p><p>Considerando que cada organização tem as suas próprias</p><p>características e peculiaridades, podemos ver que cada uma delas</p><p>poderá adotar estruturas diferentes e processos específicos,</p><p>acerca da sua tomada de decisões singulares, por isso as funções</p><p>à integridade e ao compliance das organizações serão autônomas</p><p>e independentes.</p><p>Ainda que cada organização deva criar o seu próprio</p><p>programa de compliance, levando em consideração as suas</p><p>características e necessidades, existem pilares que devem ser</p><p>seguidos em todos esses cenários, sendo que tais servirão como</p><p>uma espécie de guia.</p><p>Pilares do programa de integridade e</p><p>compliance</p><p>Para que o programa de compliance atinja os seus objetivos,</p><p>é indispensável que quatro pilares entendidos como essenciais</p><p>se façam presentes, sinalizados na figura a seguir.</p><p>Figura 13 – Pilares do programa de integridade e compliance</p><p>Fonte: Adaptado do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (2018, on-line).</p><p>56 GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>O primeiro pilar, o comprometimento da alta direção, é</p><p>voltado para o fomento de uma cultura ética e faz menção às leis</p><p>e a implementação das políticas de integridade, dando destaque</p><p>para a condição considerada como indispensável para a criação</p><p>e para o funcionamento de um programa de integridade e</p><p>compliance.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Dessa forma, a liderança irá ocupar um papel de</p><p>destaque e receberá uma atenção marcante por</p><p>parte dos funcionários, sendo comum que eles re-</p><p>produzam os seus atos, motivados pela admiração</p><p>lealdade, respeito ou até mesmo por outros moti-</p><p>vos.</p><p>Mas como o comprometimento da alta direção pode ficar</p><p>representado e demonstrado? Esse comprometimento pode</p><p>ser demonstrado de diversas formas. Assim, consistem em</p><p>exemplos:</p><p>• Patrocínio do programa de integridade destinado</p><p>ao público, seja esse interno ou externo, devendo</p><p>ser ressaltada a sua importância para a organização,</p><p>sendo solicitado o comprometimento de todos os</p><p>colaboradores e das partes interessadas.</p><p>• Participação e manifestação de apoio para todas as</p><p>fases e implementação do programa.</p><p>• Adoção de uma postura ética tida como exemplar, en-</p><p>volvendo ainda a solicitação de que todos os colabo-</p><p>radores e órgãos relacionados à organização também</p><p>demonstrem um elevado índice de comprometimento.</p><p>• Aprovação e supervisão das políticas e das medidas</p><p>de integridade, dando destaque para os recursos</p><p>humanos e para os materiais suficientes, voltados para</p><p>o seu desenvolvimento e implementação.</p><p>57GOVERNANÇA CORPORATIVA, CONTROLE INTERNOE COMPLIANCE</p><p>U</p><p>ni</p><p>da</p><p>de</p><p>2</p><p>Já o pilar relativo à alçada responsável, faz-se necessário,</p><p>pois será importante para que se concretize o acompanhamento,</p><p>o monitoramento e a gestão das ações e das medidas de</p><p>integridade a serem implementadas. Dessa forma, a unidade,</p><p>grupo ou a pessoa deve ter autonomia, independência,</p><p>imparcialidade, recursos materiais, financeiros e humanos</p><p>suficientes e necessários para que ocorra as devidas atribuições</p><p>financeiras. A mencionada alçada deve estar localizada no nível</p><p>hierárquico mais alto da organização.</p><p>IMPORTANTE</p><p>É fato que mesmo que um programa de complian-</p><p>ce e integridade extremamente efetivo se faça pre-</p><p>sente na organização, ainda existirão riscos a que</p><p>ela poderá ser submetida, por isso é necessário</p><p>que uma atenção específica sempre seja dada a</p><p>esse tipo de hipótese.</p><p>Nesse cenário, um programa de integridade e compliance</p><p>precisará ser guiado de forma contínua, visando identificar,</p><p>analisar e avaliar os riscos a que os órgãos e as entidades como</p><p>um todo estão vulneráveis. Dessa forma, apenas a partir das</p><p>áreas e dos</p>