Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>4 VOZ: LIVRO DO ESPECIALISTA 1 ANATOMIA DA LARINGE E FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO VOCAL 5 Corno superior Cartilagens aritenóideas da cartilagem tireóidea Epiglote As cartilagens são um par de pequenas car- Cartilagem tilagens móveis, consideradas a unidade funcional da larin- Cartilagem tireóidea corniculada ge pela sua importância nas funções fonatória e respirató- Cartilagem Ligamento ria. Possuem forma geométrica piramidal, um ápice, três vocal faces verticais e uma horizontal. A variabilidade dessas car- aritenóidea Membrana tíreo-hióidea Osso hióide tilagens entre os sexos é muito pequena, representando os Corno inferior (estiramento) elementos cartilaginosos de configuração mais estável da da cartilagem tireóidea Cartilagem laringe (Figs. 1-3 a 1-5). Na base de cada cartilagem aritenói- Arco da cricóidea dea encontramos três ângulos: o mais anterior projeta-se Cartilagem cartilagem cricóidea para dentro da laringe e é chamado de processo vocal, sen- Membrana tireóidea cricotireóidea Cartilagem tireóidea do o ponto de fixação posterior da prega vocal; o ângulo mediana Lâmina da Primeiro anel póstero-lateral projeta-se para fora da laringe e recebe o Cartilagem cartilagem cricóidea traqueal cricóidea nome de processo muscular, por ser o local de fixação de vários músculos, tais como o cricoaritenóideo posterior (CAP), abdutor da laringe, e o cricoaritenóideo lateral (CAL), Traquéia adutor da região anterior das pregas o ângulo póste- ro-mediano não recebe nenhum nome. Cartilagem Cartilagem As aritenóideas possuem dois movimentos básicos, fei- cuneiforme Fig. 1-4. Desenho esquemático das cartilagens laríngeas em visão cuneiforme lateral, indicando também a movimentação da cartilagem tireóidea tos na superfície articular convexa da cartilagem cricóidea (pontilhado). (Fig. 1-5). Na verdade, a base horizontal da cartilagem arite- Fig. 1-2. Desenho esquemático da laringe e da traquéia no pescoço. nóidea apresenta forma côncava, o que facilita sua articula- Cartilagens ção com a cricóidea e sua complexa movimentação. cricóidea e a epiglote; a cartilagem par principal é a aritenói- Cartilagens corniculadas aritenóideas Tradicionalmente os livros didáticos apontam esses dea; e as duas cartilagens acessórias, também pares, são as dois movimentos básicos: rotação médio-lateral e desliza- corniculadas e as cuneiformes (Fig. 1-3). Há ainda outras mento ântero-posterior, agindo na aproximação e no afasta- duas cartilagens pares, de menor importância, nem sempre Os cornos posteriores da cartilagem tireóidea são os mento das pregas vocais. Na verdade, tal descrição é sim- presentes e também consideradas acessórias, chamadas de elementos de conexão dessa cartilagem com outras estrutu- plista e inadequada, como esclarecem Letson Jr. & Tatchell tritíceas e ras, sendo que os cornos superiores conectam-se ao osso Cartilagem cricóidea (1997). Pelo fato de a superfície articular da cricóidea ser De todas as cartilagens laríngeas, as mais importantes hióide e os inferiores, à cartilagem cricóidea. curva e convexa, com forma elíptica, mantendo uma relação são a tireóidea, a cricóidea e as aritenóideas. Tais cartila- convexo-côncava com cada uma das o movi- gens são constituídas principalmente por fibras hialinas, Cartilagem cricóidea mento cartilagíneo é bem mais complexo, semelhante ao mas também há a participação de fibras colágenas e elásti- A cartilagem cricóidea também é uma cartilagem única, que se observa em um cavalinho ou cadeira de balanço. Em cas. Todas as cartilagens possuem tanto fibras colágenas Fig. 1-3. Desenho esquemático das cartilagens laríngeas em visão a segunda maior da laringe, com formato circular de anel outras palavras, ao se mover anteriormente, o processo vo- quanto elásticas distribuídas ao longo das estruturas, ha- posterior. completo. Possui uma região anterior mais estreita, o arco, cal descende e o processo muscular se eleva; ao se mover vendo predomínio de fibras elásticas em região de grande e uma região posterior mais larga e mais elevada, a lâmina, posteriormente, o processo muscular descende e o proces- mobilidade laríngea em suas diferentes funções, com predo- como se fosse um anel de dedo com a pedra virada para a vocal se eleva. Esta associação de movimentação ântero- mínio de fibras colágenas na região de maior sustentação da região posterior. posterior e vertical é o que dá a impressão do movimento de cartilagem (Hirano, 1996). sendo composta de duas lâminas laterais, de forma qua- cadeira de balanço. Cada unidade de deslocamento vertical drangular, e dois pares de cornos posteriores. o limite supe- De modo similar à tireóidea, observa-se uma acentuada o esqueleto cartilagíneo laríngeo é sustentado principal- corresponde a duas unidades de deslocamento médio-la- rior externo, na junção das duas lâminas laterais, chama-se variação entre os diâmetros ântero-posterior e lateral da mente pelo osso hióide, que também serve de apoio para os teral, dando a impressão de que as aritenóideas apresentam incisura tireóidea superior e, inferiormente, incisura tireói- cartilagem cricóidea de acordo com o sexo, apresentando músculos da língua. Esse osso, o único do corpo humano que um movimento real vertical, o que não é possível pela confi- dea inferior. Na superfície externa de cada uma das lâminas, um formato ovóide nos homens e circular nas mulheres. não se articula a nenhum outro, tem forma de uma ferradura guração da junta movimento vertical encontra-se uma depressão chamada linha oblíqua, local de o possível impacto da variação anatômica da cartilagem deitada, situado superiormente na laringe, com as hastes vol- descrito, geralmente ignorado, é de muita importância na inserção de alguns músculos (tíreo-hióideo, cricóidea na fonação é desconhecido e pouco estudado, função fonatória. Quando as aritenóideas movem-se anteri- tadas para o plano posterior, ou seja, a abertura da ferradura e o músculo constritor inferior da faringe). o ângulo de união mas pode ter relação com a fenda glótica posterior constitu- ormente e inferiormente, as pregas vocais movem-se em tem direção posterior; sua inclusão no esqueleto anatômico entre as lâminas direita e esquerda, chamado de proeminên- cional, devido a uma posição mais lateralizada das cartila- direção à linha mediana, ou seja, em adução. Quando as ari- da laringe é bastante polêmica (Fig. 1-2). osso hióide apre- cia laríngea, varia de acordo com sexo, sendo facilmente gens observada principalmente nas mulheres tenóideas movem-se posteriormente e superiormente, tan- senta um corpo central e dois pares de cornos, mediais e late- observado como uma proeminência anterior de pescoço de (Fig. 1-4). to as aritenóideas como as pregas vocais movem-se lateral- rais, que servem de pontos de inserção para os músculos e alguns homens. Na população masculina, observa-se um A cartilagem cricóidea articula-se com a cartilagem ti- mente, em abdução. Desta forma, o movimento das cartila- ligamentos da laringe e de outros órgãos. ângulo ao redor de e na população feminina o ângulo é reóidea através dos cornos inferiores desta última, que se gens aritenóideas ocorre em três direções: ântero-posterior, mais aberto, com de Esta variação gera grande conectam por pequenos feixes musculares, na face superior vertical e médio-lateral. Cartilagem tireóidea impacto entre os sexos na fisiologia vocal, como por exem- da lâmina da recebe ainda a A cartilagem tireóidea é uma cartilagem única, a maior plo na medida que define o tamanho das pregas vocais e conexão das cartilagens aritenóideas na região póstero-su- Cartilagem epiglote cartilagem da laringe, e possui o formato de um escudo, contribui na definição da vocal emitida (Fig. 1-4). perior (sobre a pedra do anel), em uma região levemente A epiglote é uma cartilagem única em forma de folha, convexa, a faceta articular. sendo mais fechada na infância, passando a uma configura-</p><p>1 ANATOMIA DA LARINGE E FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO VOCAL 7 6 VOZ: LIVRO DO ESPECIALISTA nas elevações esbranquiçadas, localizadas em frente às car- A A tilagens aritenóideas. oblíquo transverso CAP Deslizamento Cartilagem epiglote Por sua vez, as cartilagens tritíceas estão situadas nos CAL ântero-posterior Rotação médio-lateral ligamentos e membranas que conectam o corno superior da cartilagem tireóidea e o corno maior do osso Final- mente, as cartilagens nem sempre presentes Cartilagem aritenóidea no homem, situam-se nas bordas laterais das cartilagens ari- tenóideas e conectam-se com as cartilagens corniculadas por ligamentos elásticos. Cartilagem cricóidea Músculo ariepiglótico AE Músculos Laríngeos A musculatura laríngea é dividida em dois grupamentos regionais, os músculos intrínsecos e os músculos extrínse- Ta interno São denominados intrínsecos os músculos que têm ori- (músculo vocal) TA externo Músculo aritenóideo A gem e inserção na laringe, ao passo que os músculos extrín- secos apresentam apenas uma das inserções na laringe e Glote outra fora dela, como no tórax, mandíbula ou no crânio. Músculo cricoaritenóideo A) Musculatura intrínseca posterior CAP A musculatura intrínseca possui relação direta com a Cartilagem Cartilagem aritenóidea aritenóidea função fonatória e é constituída por músculos esqueléticos que se originam e se inserem na laringe. Os músculos esqueléticos são compostos primariamen- Cartilagem tireoídea te por três tipos de fibras. Henick & Sataloff resumem as características desses três tipos da seguinte forma: tipo Fig. Músculos intrínsecos da laringe em visão superior: TA- Fig. 1-6. Cartilagens laríngeas e musculatura intrínseca em visão reoaritenóideo; CAL lateral; posterior. fibras altamente resistentes à fadiga, de diâmetro reduzido, deo posterior; A com contração lenta e metabolismo aeróbio (oxidativo), apresentam baixos níveis de glicógeno e altos níveis de en- zimas oxidativas; tipo IIA fibras de contração rápida, mas externo, chamado de tireomuscular. Reconhece-se ainda nóideas através das pregas ariepiglóticas, uma dobra exten- também resistentes à fadiga, com metabolismo principal- um terceiro feixe do músculo conhecido Cartilagem sa de tecido e músculo. Apresenta enorme variabilidade de cricóidea forma e curvatura. Sua função é de proteger as vias aéreas mente oxidativo, porém com altos níveis de enzimas oxida- como feixe superior, de poucas fibras e com inserção prová- inferiores, através de abaixamento e fechamento do ádito tivas e de glicógenos; tipo IIB fibras de contração muito vel nas pregas vestibulares. laríngeo. A epiglote movimenta-se bastante durante a pro- rápida, mas também de rápida fadiga, são as de maior diâ- o músculo vocal apresenta suas fibras a partir do ti- dução dos sons da fala, acompanhando a direção do movi- metro e utilizam primariamente um mecanismo aeróbio por reomuscular até praticamente mergulhar no ligamento vo- glicose, contendo elevados níveis de glicógeno, mas baixos cal. Este feixe interno do TA insere-se diretamente no pro- mento da língua; contudo participa muito pouco na produ- ção vocal, embora seu deslocamento parcial sobre a laringe níveis de enzimas oxidativas. Os músculos da laringe têm cesso vocal, apresenta fibras de contração rápida e tem par- Adução uma maior proporção de fibras IIA que os outros músculos ticipação ativa na produção da fonação, ou seja, o vocal pareça contribuir para o volume e em certos esti- los e técnicas de canto. É formada principalmente por fibras do corpo; o e o cricoaritenóideo lateral são vibra de modo sincronizado com a vibração da mucosa, elásticas. altamente especializados em contração rápida. embora não tão ampla e vigorosamente como esta; sua ação Os músculos intrínsecos, com exceção do músculo arite- é complexa e não está ainda bem definida. o vocal possui Cartilagens acessórias são todos pares. A musculatura intrínseca da laringe também, em sua contração, uma ação de tensão diferencial aproxima (aduz), afasta (abduz) e é responsável pela tensão da prega vocal, envolvida no controle refinado da fonação, a As principais cartilagens acessórias são as corniculadas das pregas vocais, nas funções laríngeas de respiração, esfínc- fim de manter a prega rígida, independentemente de seu e as cuneiformes, ambas de pequeno tamanho (Fig. 1-3). Além dessas, ainda temos outras duas, pares, de importân- ter de proteção e fonação. Os músculos intrínsecos da laringe comprimento. Geralmente imagina-se que quanto mais lon- cia pouco definida, as cartilagens tritíceas e as são: (TA), cricoaritenóideo posterior (CAP), gas ficam as pregas vocais, mais esticadas e tensas estarão. cricoaritenóideo lateral (CAL), aritenóideo (A), cricotireóideo Porém, na verdade, quando os músculos ficam tensos eles As cartilagens corniculadas, do tipo (CT), ariepiglótico (AE) e tireoepiglótico (TE). estão contraídos e encurtados. antes chamadas de cartilagens de Santorini, apresentam for- feixe externo do TA insere-se no processo muscular e ma de cone e localizam-se no ápice das cartilagens aritenói- Abdução Músculo TA apresenta fibras de contração rápida, tem menor ação sobre deas, as quais se ligam através de uma junta sinovial às arite- nóideas, podendo aparecer totalmente fundidas. As cartila- o TA é um músculo par que compõe o corpo das pregas as características da fonação e parece estar mais envolvido vocais (Fig. 1-7), cada um deles com a forma de um grosso na adução das pregas vocais. Finalmente, o feixe superior é Fig. 1-5. Movimentos das cartilagens aritenóideas sobre a cartila- gens corniculadas servem para prolongar as aritenóideas gem para cima e para trás. feixe, originam-se no ângulo da cartilagem tireóidea e inser- caracterizado pela presença de algumas fibras do TA que se As cartilagens cuneiformes, antes chamadas de cartila- ção principalmente no processo vocal, mas com extensões dirigem para as pregas vestibulares e provavelmente estão em direção ao processo muscular. o TA aduz, abaixa, encur- envolvidas nos casos de fonação vestibular, através do des- gens de Wrisberg, têm forma de haste e estão mergulhadas ta e espessa a prega vocal, deixando a borda da mucosa arre- locamento das pregas vestibulares. nas pregas ariepiglóticas, com provável participação na ção mais aberta na puberdade (Figs. 1-3 e 1-6). Fixa-se atra- constrição supraglótica ântero-posterior (fechamento do dondada. Possui dois feixes principais: um medial, interno, A ação principal do TA é encurtar e aduzir as pregas vo- vés de um ligamento na superfície mesial da cartilagem ti- ádito da laringe pelo abaixamento da epiglote). Por vezes, chamado de vocalis, vocal ou tireovocal; e outro lateral, cais, diminuindo a distância entre as cartilagens aritenói- reóidea, na junção anterior de suas o chamado pe- observamos essas cartilagens na superfície interna da mem- da epiglote. Conecta-se também às cartilagens arite- brana mucosa das pregas ariepiglóticas, como duas peque-</p><p>1 ANATOMIA DA LARINGE E FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO VOCAL 9 VOZ: LIVRO DO ESPECIALISTA eas e tornando-se um feixe mais largo e reduzin- Processo muscular o a da voz gerada. da cartilagem aritenóidea Músculo cricoaritenóideo posterior CAP Compressão mediana o CAP é um músculo par e constitui-se no único múscu- ) abdutor das pregas vocais, permitindo a respiração e sen- Músculo o, por isso, denominado músculo da vida. o CAP é um mús- cricoaritenóideo Ápice ulo em forma de leque, com origem na lâmina da cartila- da cartilagem em cricóidea e inserção no processo muscular da cartila- aritenóidea em aritenóidea. Processo vocal Músculo o CAP abduz, eleva, alonga e afila a prega vocal, manten- da cartilagem aritenóideo aritenóidea o todas as camadas da mucosa porém a borda livre trasverso A contração desse músculo desloca o processo Músculo aritenóideo posteriormente, abduzindo as pregas vocais (Fig. Fig. 1-9. Ação do músculo cricoaritenóideo lateral. oblíquo -8). o CAP é ativado na respiração, mas é um engano acredi- an que sua ação é ausente no processo de produção de voz músculo desloca o processo muscular anteriormente, adu- fala. Ao contrário, observa-se a ativação do CAP já no final zindo as pregas vocais. e uma emissão, a fim de abduzir rapidamente as pregas o CAL é. portanto, ativado na fonação, sendo responsá- permitindo a inspiração. Além disso, na produção vel pelo fechamento da glote anterior. Para que uma adução os sons surdos durante a fala encadeada sua ação de dispa- completa ocorra é necessária a ação do CAL e do músculo rápido permite a suspensão da vibração da mucosa para a responsável pelo fechamento da glote posteri- Fig. 1-10. Ação do músculo feixe oblíquo e feixe transverso em visão posterior. produção correta desses sons. Vale lembrar que a adução completa não é essencial para Músculo cricoaritenóideo lateral CAL que a fonação se produza. ra a nômina anatômica indique unicamente o nome aritenói- da ação do músculo aritenóideo aproxima e aduz as cartila- deo. o feixe transverso percorre horizontalmente o caminho gens oferecendo compressão medial glótica pa- o CAL é um músculo par, representando os principais Músculo aritenóideo - A de uma cartilagem aritenóidea a outra, inserindo-se nos pro- ra fechar a glote posterior. dutores das pregas vocais. o CAL aduz, abaixa e alonga a cessos musculares sua ação aproxima as ba- vocal, afilando sua borda livre, que fica mais angulada, o músculo aritenóideo é um músculo único, também ses dessas cartilagens. o feixe oblíquo estende-se da base de Músculo cricotireóideo CT leixando todas as camadas da mucosa rígidas. CAL auxi- com ação adutora. Possui dois feixes, um que corre em dire- uma cartilagem no processo muscular, ao ápice o CT é um músculo par, com ação adutora secundária portanto, a coaptação glótica necessária para a fonação. ção horizontal chamado de transverso: e outro, mais super- da outra cartilagem bilateralmente; sua ação das pregas vocais (Fig. 1-11). o CT é o maior músculo intrín- possui forma de leque, com origem na margem su- ficial, denominado oblíquo. Este como o nome indi- aproxima as pontas das cartilagens (Fig. 1-10). o efeito global seco da laringe, possuindo a forma de um leque, com ori- da cartilagem cricóidea e inserção no processo mus- ca, situa-se entre as duas cartilagens sendo tam- da cartilagem aritenóidea (Fig. 1-9). A contração desse bém chamado de interaritenóideo ou embo- Com CT relaxado Músculo cricoaritenóideo Com CT posterior CAP Processo contraído muscular Processo muscular Cartilagem Ligamento Estiramento tireóidea vocal CAP Músculos Processo cricotireóideos vocal Cartilagem cricóidea Proeminência tireóidea Fig. 1-11. Ação do músculo cricotireóideo em visão anteriorizada e visão lateral. Fig. 1-8. Músculo cricoaritenóideo posterior em visão posterior e visão superior.</p><p>1 ANATOMIA DA LARINGE E FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO VOCAL 11 10 VOZ: LIVRO DO ESPECIALISTA Quadro 1-1. Principais músculos intrínsecos da laringe, sua ação no corpo e na cobertura da prega vocal e inervação gem no arco da cartilagem na região anterior, e abaixa a epiglote, aproximando-a das promo- inserção na borda inferior da cartilagem tireóidea. o CT vendo fechamento do ádito da laringe (Fig. 1-12). Músculos Intrínsecos Ação Principal Inervação aduz na posição paramediana, abaixa, estira, alonga e afila a TA prega vocal, enrijecendo todas as camadas e angulando a Músculo tireoepiglótico TE borda livre da prega vocal. o CT é largamente responsável Tireoaritenóideo Aduz, abaixa, encurta e espessa a prega vocal Nervo laríngeo inferior par) pela tensão longitudinal da prega vocal, um fator importan- o TE é um músculo par, pequeno, que se estende da car- corpo rígido e cobertura solta, margem livre arredondada Ramo anterior te no controle da o CT apresenta dois feixes: um tilagem tireóidea à epiglote, responsável pelo retorno da Tireovocal interno, fonação e tensão vertical, denominado parte reta, e outro mais horizontal, epiglote à posição original, depois da contração causada denominado parte oblíqua, cuja ação parece ser diferente, pela ação do AE (Fig. 1-12). Tireomuscular externo, adução da prega vocal entre cantores treinados e não-treinados, no controle da É importante ressaltar que, apesar de termos descrito a do som. CAP ação individual de cada um dos músculos intrínsecos da la- portanto, o músculo do controle de ringe, raramente ocorre uma ação isolada, mas, ocorre uma Cricoaritenóideo Abduz, eleva, alonga e afila a prega vocal; Nervo inferior (X da voz, e sua contração produz elevação da ou combinação de ações múltiplas e interdependentes. o resu- posterior camadas rígidas margem livre arredondada par) seja, sons mais agudos. A ativação do CT aproxima as cartila- Ramo posterior mo da ação dos principais músculos intrínsecos está no gens cricóidea e através principalmente do deslo- Quadro 1-1. camento da cartilagem tireóidea para baixo, mas também da CAL cricóidea para cima, em até Tal movimento, conhecido B) Musculatura extrínseca Cricoaritenóideo lateral Aduz, abaixa, alonga e afila a prega vocal; Nervo laríngeo inferior (X par) como movimento de báscula, alonga secundariamente as A musculatura extrínseca é composta por músculos in- camadas rígidas, margem livre angulada Ramo anterior pregas vocais, do momento em que a diminuição do espaço seridos nas cartilagens laríngeas, porém provenientes de entre as cartilagens tireóidea e cricóidea aumenta a distância estruturas não-laríngeas. Tais músculos não interferem de entre a cartilagem tireóidea e as o alongamen- modo direto na fonação, mas sua ação indireta é de extrema A to das pregas vocais diminui a massa em vibração, aumenta a importância, modificando a laringe, a ponto de constituí- Aritenóideo Aduz a glote posterior Nervo laríngeo inferior (X par) tensão e eleva a fundamental. CT também apre- rem um mecanismo secundário no controle da Ramo posterior senta, portanto, uma ação de tensor secundário. da Além disso, a hipertonicidade desses músculos pode ser um fator muito importante nos casos de disfonia por CT Músculo ariepiglótico AE tensão muscular, elevando a laringe no pescoço, aumentan- Aduz na posição paramediana, abaixa, alonga e afila a prega vocal, Nervo laríngeo superior AE é um músculo par, composto por fibras esparsas, do a massa muscular e tornando a palpação dolorosa. tensor longitudinal; camadas margem livre angulada (X par) Ramo externo situando-se nas pregas ariepiglóticas. na verdade, um A função básica da musculatura extrínseca é manter a músculo contínuo ao feixe oblíquo do músculo laringe no pescoço, sendo crítica na manutenção da estabili- inserindo-se abaixo da epiglote. A contração deste músculo dade laríngea, a fim de que a musculatura intrínseca possa trabalhar efetivamente. Através da elevação ou do abaixa- lo-hióideo do osso temporal, inserindo-se no corpo do osso mento da laringe no pescoço altera-se o ângulo entre as car- hióide. o digástrico apresenta dois ventres com origens Cartilagem epiglote tilagens e a tensão entre elas (Quadros 1-3). Os múscu- diferentes e uma mesma inserção: o ventre anterior tem sua Músculo los extrínsecos dividem-se em dois grupos musculares: mús- origem na face interna da mandíbula, próximo à linha medi- culos e de acordo com sua ana, e a posterior origina-se na face medial do processo inserção no osso hióide e sua função principal (Figs. 1-13 mastóideo do osso temporal; sua inserção faz-se no tendão 1-14). intermediário, logo acima do osso hióide, fazendo um loop, Os músculos (Fig. 1-13) elevam a laringe e insere-se no corpo e corno menor do osso hióide. o Músculo no pescoço; são eles: estilo-hióideo, digástrico, milo-hiói- milo-hióideo é um músculo em forma de folha, formando a ariepiglótico deo, genioglosso e hioglosso. o músculo es- base da boca; origina-se na mandíbula e insere-se no osso tilo-hióideo origina-se na base do no processo esti- hióide. o genio-hióideo é um músculo par, origina-se na su- Quadro 1-2. Principais músculos supra-hióideos da laringe, sua ação principal e inervação Supra-Hióideos Ação Principal Inervação Estilo-hióideo Eleva e retrai osso hióideo VII par nervo facial M. aritenóideo oblíquo Digástrico Eleva e deprime a mandíbula V par nervo ventre anterior VII par nervo facial, ventre posterior Milo-hióideo Eleva e projeta o hióideo e a língua par nervo trigêmeo Puxa a língua hióideo para a frente XII par nervo hipoglosso Fig. 1-12. Ação do músculo ariepiglótico (AE) e do músculo tireoepiglótico (TE), em visão posterior e visão lateral.</p><p>ANATOMIA DA LARINGE E FISIOLOGIA DA PRODUÇÃO VOCAL 13 12 VOZ: LIVRO DO ESPECIALISTA Quadro 1-3. Principais músculos infra-hióideos da laringe, sua do com origem na linha oblíqua da cartila- ação principal e inervação gem tireóidea e inserção no corpo e no corno maior do osso Mandíbula Infra-Hioideos Ação Principal Inervação hióide. o omo-hióideo apresenta dois ventres, origina-se na margem superior da escápula e insere-se na margem inferi- Esterno-hióideo Abaixa o osso hióide XII par nervo or do corpo do osso hióide. hipoglosso Abaixa a cartilagem XII par nervo hipoglosso Ligamentos, Juntas e Membranas Laríngeas Osso hióide tireóidea A laringe possui ligamentos intrínsecos e extrínsecos, Aproxima a cartilagem XII par nervo tireóidea e o osso hióide hipoglosso além de membranas e tecidos com a função básica de inter- Músculo ligação. Os ligamentos intrínsecos conectam as cartilagens Cartilagem Abaixa e retrai osso XII par tireóidea laríngeas entre si: já os ligamentos extrínsecos conectam o hióide hipoglosso osso hióide com a cartilagem tireóidea e a epiglote, e a car- Músculo tilagem cricóidea com os anéis traqueais. esternotireóideo A) Ligamentos intrínsecos da laringe e juntas Músculo Músculo articulares esterno-hióideo Os ligamentos intrínsecos da laringe apresentam suas perfície interna da mandíbula, próximo à linha mediana, e duas inserções nesse órgão, auxiliando sua sustentação e insere-se na superfície anterior do osso flexibilidade. As juntas cricotireóidea e cricoaritenóidea es- Por outro lado, os músculos infra-hióideos (Fig. 1-14) abai- tão intimamente relacionadas à mecânica laríngea, favore- xam a laringe; são eles: cendo as mudanças de e a adução das pregas vo- reo-hióideo e o esterno-hióideo origina-se no limite superior do tórax, na extremidade medial da clavícu- Músculo la, no do osso esterno e no ligamento esternocla- Clavícula Ligamento cricotireóideo mediano e Escápula vicular, inserindo-se na superfície inferior do corpo do osso membrana cricotireóidea o esternotireóideo situa-se próximo à linha mediana Osso do pescoço, junto com o originando-se o ligamento cricotireóideo mediano encontra-se ante- esterno nas porções superior e posterior do esterno e na primeira riormente na laringe, conectando a cartilagem tireóidea ao Fig. 1-14. Músculos laríngeos extrínsecos infra-hióideos. cartilagem costal, inserindo-se na linha oblíqua da cartila- arco da cartilagem cricóidea. Este ligamento estende-se gem tireóidea. o parece ser uma continuação lateralmente através da membrana Ligamento cricoaritenóideo posterior onde cada uma das cartilagens aritenóideas articula-se o ligamento cricoaritenóideo posterior conecta a car- na face superior da cartilagem cricóidea, permitindo uma tilagem aritenóidea à cartilagem cricóidea, em sua região pos- movimentação complexa, que é responsável pela adução terior. das pregas vocais. Essa junta é crucial na mecânica laríngea. Ligamento tireoepiglótico Pregas ariepiglóticas o ligamento tireoepiglótico insere o pecíolo da cartila- As pregas ariepiglóticas são formadas por músculo arie- gem epiglótica no ângulo da cartilagem interna- piglótico (AE), tecido conectivo e mucosa, estendendo-se mente e logo acima da comissura anterior das pregas vocais. das pontas das cartilagens aritenóideas até a epiglote, for- Músculo mando um vigoroso que permite o fechamento da Músculo estilo-hióideo Junta cricotireóidea gênio-hióideo laringe durante a deglutição e nas situações de proteção das Músculo A junta cricotireóidea é uma articulação verdadeira, do vias aéreas inferiores. Durante a produção da voz, uma con- tipo sinovial, com ligamentos capsulares, formada em cada tração parcial dessas pregas pode ocorrer em certos estilos lado pela interligação dos cornos inferiores da cartilagem de canto, como na emissão típica da Broadway e no repente Músculo tireóidea e pelas regiões laterais da cartilagem cricóidea. Tal nordestino: ou também em certas línguas, como o portu- Músculo digástrico junta é extremamente complexa e apresenta seis pares de (ventre posterior) guês brasileiro e inglês australiano. digástrico pequenos músculos, o que permite que a cartilagem cricói- (ventre anterior) dea mova-se para cima, elevando o arco em direção à cartila- Membrana fibroelástica Músculo gem tireóidea, abaixando posteriormente a sua lâmina. Este A membrana fibroelástica é a maior membrana da larin- movimento aumenta a distância entre a cartilagem tireóidea ge e compreende duas porções: a porção superior, chamada e as alongando, desta forma, as pregas vocais. membrana quadrangular, e a inferior, o cone elástico (Fig. Osso 1-15). hióide Junta cricoaritenóidea Loop do A membrana quadrangular é uma membrana elástica músculo digátrico A junta cricoaritenóidea é também uma articulação ver- que recobre a região interna superior da laringe, conectan- dadeira, do tipo sinovial, reforçada por ligamentos capsula- do as laterais da epiglote às cartilagens assim, Fig. 1-13. Músculos laríngeos extrínsecos supra-hióideos.</p><p>14 VOZ: LIVRO DO ESPECIALISTA Cartilagem pode ser também observada durante a produção do sussur- epiglote ro em alguns indivíduos. Contudo a maior ativação dessas estruturas ocorre nas situações em que é requerido o sela- mento laríngeo, como na execução de atividades de esfor- tais como a defecação e a ação de levantar ou empurrar pesos. Cartilagem Ventrículo laríngeo tireóidea o ventrículo laríngeo (Fig. 1-15), anteriormente deno- Prega minado de ventrículo de Morgagni, situa-se entre as pregas vestibular vestibulares e as pregas vocais, bilateralmente, sendo tam- bém uma membrana mucosa, possuindo comprimento se- melhante ao tamanho das pregas vocais. Conjuntamente TA com as pregas vestibulares, possui importante suprimento laríngeo externo de glândulas, com função de lubrificar a laringe, especial- mente as pregas vocais. Além da função de lubrificação, a Prega TA vocal presença do ventrículo laríngeo permite que as pregas vo- interno cais vibrem livremente. Uma função secundária é a resso- nância dos componentes graves do espectro. Cone Ligamento vocal elástico o ligamento vocal é, na verdade, parte da mucosa que recobre o músculo vocal, constituindo a camada interme- Ligamento vocal diária e profunda da lâmina própria, paralelo à borda livre da Fig. 1-15. Esquema das membranas e ligamentos laríngeos, em sec- prega vocal e aderido aos feixes musculares em suas regiões ção coronal. mais profundas. Em outras palavras, o ligamento vocal é o cone elástico junto à borda livre das pregas vocais (Fig. 1-15). a membrana quadrangular recobre a laringe interiormente, envolvendo toda a extensão da supraglote, incluindo as pre- B) Ligamentos extrínsecos da laringe gas vestibulares e o ventrículo laríngeo. Os ligamentos extrínsecos da laringe apresentam uma o cone elástico é uma membrana elástica que recobre inserção neste órgão e outra fora dele. toda a parede interna da laringe, a partir do limite do mús- culo vocal até a cartilagem cricóidea; ou seja, o cone elástico Ligamento hioepiglótico localiza-se praticamente logo abaixo da superfície das pre- A cartilagem epiglote é também ligada ao osso hióide gas vocais e atinge a cartilagem o cone elástico é através de sua superfície anterior pelo ligamento hioepigló- recoberto por mucosa que se move independentemente tico, que se conecta ao corpo do osso hióide. dele, o que é essencial na região da borda livre para a produ- ção da fonação Ligamentos e membrana tireo-hióidea Existem dois ligamentos o lateral e o Pregas vestibulares mediano. lateral estende-se do final do corno maior do As pregas vestibulares, antes chamadas de falsas pregas hióide até a ponta do corno superior da cartilagem tireói- vocais ou bandas ventriculares, são duas dobras de tecido dea, sendo que a membrana tireohióidea corre, em toda a localizadas acima das pregas vocais (Fig. 1-15). As pregas extensão, da margem inferior do osso hióide à margem vestibulares são formadas por um tecido espesso e mole, superior da cartilagem tireóidea. Junto à linha mediana ante- com inúmeras glândulas em seu interior. São constituídas rior, tal membrana se espessa, formando o ligamento pelos ligamentos vestibulares e recobertas por mucosa. Em tireo-hióideo mediano. sua região inferior podem ser encontradas algumas fibras do chamado feixe superior do músculo às Ligamento cricovocal vezes referido como músculo ventricular. Em situações habituais, as pregas vestibulares não participam do proces- Este ligamento conecta a cartilagem cricóidea ao primei- fonatório, ficando lateralizadas em relação às pregas ro anel traqueal. vocais; observa-se porém que, em muito graves, ANATOMIA HISTOLÓGICA DA PREGA VOCAL como as do registro basal, elas podem ser envolvidas passi- vamente, vibrando durante a produção do som ou abafando Neste item vamos discutir a estrutura anatômica da prega sua ressonância. Uma constrição mediana dessas pregas vocal, seguida pela apresentação da zona da membrana basal.</p>

Mais conteúdos dessa disciplina