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<p>A África dos grandes reinos e impérios</p><p>Antes de os europeus escravizarem os africanos, a partir do século XV, e colonizarem a África, no século XIX, diversas sociedades autônomas já existiam nesse continente, ou seja, as</p><p>sociedades africanas já tinham a sua própria história. Algumas sociedades africanas pré-coloniais, sob o comando de chefes poderosos, ampliaram suas áreas de influência e dominaram outros</p><p>povos, transformando-se, assim, em impérios e reinos prósperos e organizados, conforme relatos da época.</p><p>O reino de Gana: a “terra do ouro”</p><p>Localizado a oeste do continente africano, em uma</p><p>zona chamada Sael e ao sul do Deserto do Saara, região</p><p>também conhecida como África Subsaariana, o Reino de</p><p>Gana cresceu a partir do ano 300 e teve seu apogeu entre os</p><p>séculos IX e X, quando dominou os povos vizinhos e ocupou</p><p>uma faixa territorial maior do que ocupa nos dias de hoje.</p><p>O rei recebia o título de gana e era visto como elo</p><p>entre os deuses e os homens. Ele liderava um poderoso</p><p>exército e ocupava o topo de uma sociedade hierarquizada.</p><p>Sacerdotes, nobres e funcionários cuidavam da administração</p><p>do reino.</p><p>A população se dedicava à agricultura e à criação</p><p>de gado, mas o comércio era a principal atividade econômica</p><p>do reino. O Reino de Gana controlava as rotas de comércio</p><p>que atravessavam o Saara e chegava às cidades e aos portos</p><p>do norte África. Esse comércio era feito por meio de</p><p>caravanas de camelos, pois esses animais conseguem viver</p><p>com pouca quantidade de água.</p><p>O principal artigo transportado era o ouro retirado</p><p>das minas do sul de Gana, isso explica por que seus reis eram</p><p>chamados pelos povos do norte de “senhores do ouro”.</p><p>Durante o domínio português, Gana era chamada de Costa de</p><p>Ouro, por causa da grande quantidade de jazidas de ouro</p><p>nessa região. Atualmente, ao lado da exportação de cacau e</p><p>de madeira, a exploração de ouro ainda é uma das atividades</p><p>econômicas mais importantes do país. Gana é um dos maiores</p><p>produtores de ouro do mundo.</p><p>Também se comercializava o sal, extraído das</p><p>salinas do litoral ou das jazidas no deserto. Do norte vinham</p><p>produtos manufaturados, tecidos europeus asiáticos, barras de</p><p>cobre, contas de vidro e tipos diferentes de arma que</p><p>abasteciam as sociedades africanas.</p><p>O império do Mali: o “lugar onde o senhor reside”</p><p>Este império desenvolveu-se entre os séculos XIII e XVI, período em que impôs sua</p><p>hegemonia sobre a bacia do Rio Níger. Constituído pela atual República de Mali e algumas</p><p>regiões dos atuais Senegal e Guiné, o reino do Mali, no século XIV, expandiu-se por meio da</p><p>anexação das cidades de Tombuctu, Gao e Djenne que foram importantes cidades, centros de</p><p>troca e de concentração de pessoas, graças à rede de rios que fertilizava as terras e facilitava o</p><p>transporte na região.</p><p>O Mali era um império poderoso, pois controlava o comércio transaariano e as rotas</p><p>caravaneiras que se dirigiam para as principais cidades do reino, localizados em sua maioria às</p><p>bordas do Rio Níger, semelhante a rota comercial de Gana. O comércio e principalmente as</p><p>taxas sobre o tráfico de ouro, sal, escravos, marfim, noz-de-cola e outros produtos eram</p><p>fundamentais para a manutenção do Estado, da corte e do mansa. O artesanato era bastante</p><p>desenvolvido. Cada grupo de artesãos tinha seu representante junto ao imperador. Os</p><p>governantes do Mali recebiam o título de mansa. Viajantes árabes relatavam histórias de alguns</p><p>governantes que se tornaram famosos, como Sundiata, herói fundador que reinou de 1230 a</p><p>1255, e Mansa Musa, que governou entre 1312 e 1337.</p><p>A cidade de Tombuctu destacou-se como grande centro cultural do continente</p><p>africano, onde havia vastas bibliotecas, madrassas (universidades islâmicas) e magníficas</p><p>mesquitas que é o lugar onde a comunidade muçulmana se reúne para tratar de todas as questões</p><p>que lhe interessa, questões religiosas, sociais, políticas e locais e também para rezar. Além disso,</p><p>a cidade passou a ser o ponto de encontro de poetas, intelectuais e artistas da África e do Oriente</p><p>Médio. Mesmo após o declino do império, Tombuctu permaneceu como um dos principais polos</p><p>islâmicos da África subsaariana. Em 1988, a cidade de Timbuctu foi declarada patrimônio</p><p>mundial pela UNESCO.</p><p>Vale destacar que as 150 escolas que existiam em Tombuctu eram muito diferentes</p><p>das escolas medievais europeias. Não possuíam uma administração central, registros de</p><p>estudantes ou cursos pré- determinados. Eram formadas por diversas faculdades independentes.</p><p>Os estudantes se associavam a um único professor, o objetivo do ensino era transmitir os</p><p>ensinamentos do Alcorão, livro sagrado do islamismo.</p><p>É importante mencionar que o império do Mali e também de Gana assimilaram a</p><p>cultura e a religião islâmica. Maomé que viveu entre Meca e Medina, de 570 a 632, foi fundador</p><p>do Islã, que significa submissão a um deus, única e onipotente.</p><p>Reino do Congo: “saudações ao manicongo”</p><p>Fundado no século XIV, o reino do Congo abrangia grande extensão da</p><p>África centro-ocidental e se compunha de diversas províncias, governado por um</p><p>rei que recebia o título de Manicongo. Hoje a região que fazia parte do reino</p><p>Congo, recebe o nome de Republica Democrática do Congo.Os habitantes do reino</p><p>do Congo organizavam-se em vários clãs. Esses clãs eram compostos de pessoas</p><p>que acreditavam descender de um mesmo antepassado.</p><p>A base da economia do Congo era a agricultura, pastoreio e o comércio.</p><p>O comércio no território do Congo era intenso, os comerciantes congoleses</p><p>lucravam com a comercialização de tecidos, sal, metais e derivados de animais,</p><p>como o marfim. O comércio poderia ser à base de trocas ou com moedas (conchas</p><p>chamadas de nzimbu) encontradas na região de Luanda em Angola.</p><p>O manicongo, cercado de seus conselheiros, controlava o comércio, o trânsito de</p><p>pessoas, recebia impostos, exercia a justiça, buscava garantir a harmonia da vida do</p><p>reino e das pessoas que viviam nele.</p><p>Os limites do reino eram traçados pelo conjunto de aldeias que pagavam</p><p>tributos ao poder central, devendo fidelidade a ele, recebendo proteção, tanto para</p><p>assuntos deste mundo como para os assuntos do além, pois manicongo também era</p><p>responsável pelas boas relações com os espíritos e os ancestrais.</p><p>Em 1483 iniciou no reino do Congo o contato com os portugueses.</p><p>Império Songhai</p><p>Do início do século 15 ao fim do século 16, foi um</p><p>dos maiores impérios islâmicos na história, com organização</p><p>mais elaborada que a do grande Mali, por exemplo. Seu nome</p><p>vinha do seu principal grupo étnico, os Songhai. Eles haviam</p><p>formado uma província desde o século 11 na região que passava</p><p>a ser capital do império, Gao.</p><p>Ferramentas, artefatos religiosos e minas de ouro</p><p>independentes formavam a base econômica do Império.</p><p>Socialmente, o sistema era organizado em clãs: no topo, nobres</p><p>e descendentes dos povos originais Songhai; na base,</p><p>prisioneiros de guerra e escravos europeus condenados a</p><p>trabalhar especialmente na agricultura.</p><p>No governo de Askia Muhammad, o Império assistiu</p><p>a uma crescente centralização. Ele encorajou a aprendizagem</p><p>em Tombuctu, recompensando os professores com pensões</p><p>maiores.</p><p>O império foi perdendo força com guerras civis. Em</p><p>uma delas, o sultão da Dinastia Saadi do Marrocos ordenou uma</p><p>invasão a Songhai. Ele contou com a ajuda do espanhol Judar</p><p>Pasha, que dispersou o numeroso exército Songhai com armas</p><p>de pólvora do Saadi, na Batalha de Tondibi, em 1591.</p><p>Reino do Benin – um dos principais reinos</p><p>iorubás</p><p>Indícios apontam para seu</p><p>desenvolvimento entre os séculos XII e XIII, na</p><p>região onde estão Nigéria, Camarões e o próprio</p><p>Benin.</p><p>A localização favorecia o encontro de</p><p>mercadores, o que também contribui para o</p><p>processo de urbanização das cidades, convertidas</p><p>em reinos cercados por muralhas.</p><p>O comércio era a principal atividade</p><p>econômica, especialmente peixe seco, sal, inhame,</p><p>dendê, feijão, animais de criação e cobre, um</p><p>produto raro. Também faziam parte</p><p>das transações</p><p>itens como pimenta, marfim, tecidos e escravos</p><p>O governo temia a redução da</p><p>população nativa masculina, pois muitos estavam</p><p>sendo vendidos como escravos. A solução:</p><p>importar homens de outras regiões do continente</p><p>para comerciá-los com os europeus a partir do</p><p>século 16.</p><p>Sob o domínio dos ingleses, o reino foi</p><p>destruído pelas formas armadas em 1897, sob o</p><p>comando de Harry Rawson. A cidade foi saqueada,</p><p>destruída e incendiada.</p><p>Uma coleção dos famosos bronzes de Benin está</p><p>exposta no British Museum, em Londres. Parte do</p><p>acervo levado pelas tropas britânicas voltou para a</p><p>Nigéria em 1972.</p>