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<p>ERGONOMIA E</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Fernando Pinheiro Weber</p><p>Introdução aos conceitos</p><p>de conforto ambiental</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Conceituar os diferentes tipos de conforto ambiental — térmico,</p><p>acústico e luminoso e ergonômico.</p><p> Identificar as áreas de aplicação dos conceitos de conforto ambiental.</p><p> Descrever soluções práticas de conforto ambiental em engenharia.</p><p>Introdução</p><p>As exigências no cotidiano das organizações são cada vez maiores. Isso</p><p>está relacionado a diversos fatores, como crescimento das indústrias,</p><p>novos entrantes no mercado, novos produtos e serviços, expansão da</p><p>economia, etc. Assim, o constante aperfeiçoamento do desempenho</p><p>corporativo é essencial, visto que tem se tornado requisito para a sobre-</p><p>vivência das empresas.</p><p>Uma vez que é composta por pessoas, a análise do ambiente físico</p><p>interno de trabalho é primordial para impulsionar a produção. Só é pos-</p><p>sível estabelecer um ritmo laboral alinhado aos objetivos estratégicos da</p><p>organização em um ambiente limpo, organizado e confortável.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar os conceitos de conforto ambiental</p><p>e definir as bases teóricas que fazem parte de cada um. Você também</p><p>vai verificar os pontos críticos para a aplicação de cada tema e identificar</p><p>os locais de aplicação.</p><p>Os diferentes conceitos de conforto ambiental</p><p>Conforto ambiental é uma medida para o grau de satisfação do indivíduo no</p><p>ambiente. Dizer que se está ambientalmente confortável signifi ca estar com boas</p><p>condições proporcionadas pelo espaço — higrotérmicas, acústicas, visuais,</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 39 17/09/2018 14:26:44</p><p>de qualidade do ar e ergonômicas — para a realização de uma tarefa. Nos</p><p>projetos arquitetônicos e de engenharia, uma das principais diretrizes é prever</p><p>espaços e edifi cações com condições satisfatórias para o conforto ambiental,</p><p>que permitam a melhor relação do homem com o ambiente.</p><p>Conforto térmico</p><p>O conforto térmico está ligado diretamente com os processos de transferência</p><p>de calor — fenômenos que ocorrem em uma edifi cação, entre pessoas, entre</p><p>materiais de construção, entre outros. Existem quatro formas básicas para</p><p>ocorrer a transferência de calor:</p><p> condução — nesse caso, a transferência de energia é realizada por meio</p><p>de um material, sem transporte de matéria, e ocorre principalmente</p><p>nos sólidos;</p><p> convecção — quando a troca de calor é realizada entre dois corpos,</p><p>dos quais um deles é um fluido (líquido ou gás) e o outro é um sólido;</p><p> evaporação e condensação — representam a mudança do estado do</p><p>fluido (na evaporação, a mudança ocorre do estado líquido para o</p><p>gasoso, enquanto na condensação, o gás se transforma em líquido);</p><p> radiação — transferência térmica entre duas superfícies (dois corpos)</p><p>sem que exista o aquecimento do ar entre elas.</p><p>Um exemplo do fenômeno da radiação é a transferência de calor do Sol para a Terra,</p><p>o qual se desloca por meio do vácuo do espaço.</p><p>Tendo em vista os conceitos básicos de transferência de calor, o projetista</p><p>deve prever, no desenho do projeto, meios de proporcionar conforto ao usuá-</p><p>rio. Podem ser dados de entrada para o projeto fatores como clima, vedações</p><p>externas da edificação, serviços de climatização e vedações internas, além</p><p>de outros fatores a serem observados em cada situação. É importante lembrar</p><p>que cada projeto é diferente, então soluções prontas ou repetitivas correm o</p><p>risco de serem ineficientes.</p><p>Introdução aos conceitos de conforto ambiental40</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 40 17/09/2018 14:26:44</p><p>Como forma de organizar as etapas de um projeto de conforto térmico,</p><p>podemos dividir as premissas de projeto em três etapas:</p><p>1. A primeira etapa são as condições ambientais internas da edificação</p><p>para os usuários. Nesse caso, é preciso criar espaços confortáveis e</p><p>produtivos para os ocupantes da edificação. As condições térmicas</p><p>devem estar no limite de conforto aceitáveis, e a qualidade do ar deve</p><p>ser livre de poluentes e poeiras.</p><p>2. A segunda etapa consiste na modificação do clima por meio das</p><p>vedações externas da edificação. As vedações devem ser projetadas</p><p>com o objetivo de interagirem com o ambiente externo. Basicamente,</p><p>essa interação consiste na proteção do calor ou no aquecimento por</p><p>meio de elementos de fachada (pele da edificação) e na criação de</p><p>condições para o fluxo de ar na edificação, promovendo a ventilação</p><p>e o resfriamento.</p><p>3. Por fim, a terceira etapa consiste nas instalações prediais e nos equi-</p><p>pamentos mecânicos a serem utilizados.</p><p>Apesar de existirem projetos de conforto térmico tecnicamente muito bem elabo-</p><p>rados, existem poucos climas no mundo em que equipamentos de resfriamento e/</p><p>ou aquecimento possam ser dispensados. O objetivo é a minimização do uso de</p><p>equipamentos por meio de um projeto com a maior eficiência energética possível.</p><p>Para reduzir o uso de equipamentos mecânicos e começar a pensar no</p><p>projeto de conforto térmico, três características fundamentais dos materiais de</p><p>construção precisam ser conhecidas: a emissividade e a absortância, tratadas</p><p>no Quadro 1, e a inércia térmica.</p><p>Conceitualmente, emissividade é a radiação transmitida por uma super-</p><p>fície quando comparada com uma superfície preta fosca; ou seja, compara-se</p><p>a emissão de radiação de uma superfície com uma superfície padrão. Esse</p><p>índice varia de 0 a 1. Já a absortância é o inverso da emissividade; portanto,</p><p>é definida como a capacidade que um corpo tem de absorver radiação, quando</p><p>comparada com a mesma superfície padrão.</p><p>41Introdução aos conceitos de conforto ambiental</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 41 17/09/2018 14:26:44</p><p>Fonte: Adaptado de Bruxton (2017).</p><p>Acabamento Absortância Emissividade</p><p>Alumínio (fosco/</p><p>levemente polido)</p><p>0,40–0,65 0,18–0,30</p><p>Alumínio (polido) 0,10–0,40 0,03–0,06</p><p>Cimento-amianto (velho) 0,83 0,95–0,96</p><p>Cimento-amianto (novo) 0,61 0,95–0,96</p><p>Tijolo (escuro) 0,63–0,69 0,85–0,95</p><p>Tijolo (claro) 0,36–0,62 0,85–0,95</p><p>Ferro galvanizado (novo) 0,64–0,66 0,22–0,28</p><p>Ferro galvanizado (velho) 0,89–0,92 0,89</p><p>Vidro (comum) 0,88</p><p>Vidro (hemisférico) 0,84</p><p>Calcário 0,33–0,53 0,90–0,93</p><p>Mármore 0,44–0,592 0,90–0,93</p><p>Tinta (galvanização) 0,30 0,95</p><p>Madeira (carvalho) 0,89–0,90</p><p>Quadro 1. Absortância e emissividade de superfícies</p><p>Já a inércia térmica quantifica a capacidade que um material tem de</p><p>armazenar o calor. Quanto mais denso o material, maior a inércia térmica.</p><p>Materiais de alta densidade armazenarão mais calor do que os de baixa den-</p><p>sidade, conforme demonstrado no Quadro 2.</p><p>Introdução aos conceitos de conforto ambiental42</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 42 17/09/2018 14:26:44</p><p>Fonte: Adaptado de Bruxton (2017).</p><p>Material</p><p>Densidade</p><p>(kg/m3)</p><p>Calor específico</p><p>(J/kg.K)</p><p>Inércia térmica</p><p>(J/K.m3)</p><p>Granito 2.880 840 2.419 × 103</p><p>Tijolo 1.700 800 1.360 × 103</p><p>Concreto (denso) 2.240 840 1.882 × 103</p><p>Concreto (leve) 620 840 521 × 103</p><p>Fibra mineral 12 710 9 × 103</p><p>Chapa de poliestireno 23 1.470 34 × 103</p><p>Quadro 2. Densidade, calor específico e inércia térmica de materiais de construção</p><p>comuns</p><p>Com os conceitos apresentados, fica evidente a importância da correta</p><p>escolha dos materiais de construção, proporcionando um ambiente adequado</p><p>para o uso. Mas, afinal, de que forma é possível atingir o conforto térmico?</p><p>O conforto térmico é alcançado quando existe um equilíbrio entre a</p><p>produção e a perda de calor. Para que o equilíbrio seja atingido, as variáveis</p><p>externas da edificação, como a temperatura do ar, a temperatura radiante,</p><p>a umidade relativa do ar e a velocidade do ar também devem ser avaliadas.</p><p>O equacionamento desse balanço energético (produção e perda de calor)</p><p>proporciona um nível de conforto térmico adequado.</p><p>Por fim, vale ressaltar que a aceitabilidade do conforto térmico é uma</p><p>percepção: sempre haverá uma porcentagem de pessoas insatisfeitas. A Norma</p><p>Regulamentadora (NR) nº. 17, do Ministério do Trabalho, estabelece uma</p><p>zona de conforto aceitável para atividades</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2015.</p><p>VASCONCELOS, C. S. F.; VILLAROUCO, V.; SOARES, M. M. Avaliação ergonômica do am-</p><p>biente construído: estudo de caso em uma biblioteca universitária. Ação ergonômica, v.</p><p>4, n. 1, 2009. Disponível em: <http://www.abergo.org.br/revista/index.php/ae/article/</p><p>view/69>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>FERNANDES, L. O. et al. Potencial do uso de iluminação natural com dimmers e per-</p><p>sianas automatizadas: estudo de edifício de pequeno porte com uso comercial para</p><p>diferentes orientações em clima tropical. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 18,</p><p>n. 2, p. 217-235, 2018. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-</p><p>-86212018000200217&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>OCHOA, J. H.; ARAÚJO, D. L.; SATTLER, M. A. Análise do conforto ambiental em salas de</p><p>aula: comparação entre dados técnicos e a percepção do usuário. Ambiente Construído,</p><p>Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 91-114, 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ac/</p><p>v12n1/v12n1a07>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>WEBER, F. P. Ergonomia e conforto ambiental. Porto Alegre: SAGAH, 2018.</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico20</p><p>Conteúdo:</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Fabiana Galves Mahlmann</p><p>Noções de conforto</p><p>ambiental</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir conforto ambiental em arquitetura.</p><p> Reconhecer as formas de obtenção do conforto nas edificações e</p><p>nos seus entornos.</p><p> Descrever, por meio de exemplos, projetos arquitetônicos que con-</p><p>templem conforto ambiental.</p><p>Introdução</p><p>Estamos vivenciando mudanças no clima causadas pelo aquecimento</p><p>global, que gera oscilações bruscas de temperatura; isso interfere di-</p><p>retamente no nosso dia a dia, nos ambientes em que vivemos e no</p><p>nosso conforto térmico. Assim, é importante entender o que é conforto</p><p>ambiental e como ele interfere na arquitetura.</p><p>Ao elaborar um projeto ou uma revitalização de um espaço, o arqui-</p><p>teto deve realizar o levantamento de todos os fatores necessários para</p><p>que essa obra proporcione bem-estar aos futuros usuários (CABEZAS,</p><p>2013). Esse bem-estar está diretamente associado ao conforto ambiental.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar o conforto ambiental, verificando a</p><p>sua relação com a arquitetura e as formas como ele pode ser obtido nas</p><p>edificações. Você também vai analisar exemplos de projetos arquitetô-</p><p>nicos que contemplam o conforto ambiental.</p><p>Influência do conforto ambiental na arquitetura</p><p>Ao realizar um projeto arquitetônico, o arquiteto deve observar diversos</p><p>fatores que o infl uenciam; entre esses fatores está o conforto ambiental que</p><p>será propiciado aos seus usuários (SIQUEIRA, [2018]). Conforto ambiental é</p><p>o termo usado para defi nir o conforto de cada ambiente, abrangendo também</p><p>a questão estética. Assim, o conforto ambiental abrange os confortos acústico,</p><p>térmico, lumínico, higrotérmico e visual de uma edifi cação (CABEZAS, 2013).</p><p>O conforto ambiental visual trata do impacto que a poluição visual causa</p><p>no nosso dia a dia. As placas, os outdoors, as pichações e outros tipos de</p><p>interferências visuais nas fachadas são exemplos tratados no conforto am-</p><p>biental visual. Em alguns casos, as placas acabam gerando poluição visual,</p><p>já que o excesso de informações sem um tamanho padrão acaba se tornando</p><p>apenas um amontoado de painéis que nem sempre gera o retorno desejado.</p><p>As pichações, por sua vez, muitas vezes são feitas sem nenhuma regra e sem</p><p>autorização dos proprietários dos espaços, dando origem a fachadas “sujas”.</p><p>Elas são o oposto dos grafites, que são obras de arte que proporcionam belas</p><p>imagens, que podem ser apreciadas por todos ao serem criadas nas paredes</p><p>externas das edificações.</p><p>O conforto ambiental térmico envolve a preocupação do arquiteto em</p><p>tornar um cômodo climatizado, proporcionando um ambiente agradável in-</p><p>dependentemente da localização, da estação e do período do dia (CABEZAS,</p><p>2013). Por sua vez, o conforto ambiental acústico de uma edificação é um</p><p>dos condicionantes da sonoridade do lugar, proporcionando o isolamento</p><p>acústico. Além de deixar os ambientes mais confortáveis, esse tipo de con-</p><p>forto proporciona bem-estar e previne problemas de saúde relacionados à</p><p>audição. Já o conforto higrotérmico é a sensação de bem-estar relacionada</p><p>com a umidade e a temperatura em determinado ambiente e está relacionado</p><p>à atividade desenvolvida naquele espaço.</p><p>Morais Junior (2012), autor do artigo “Considerações sobre iluminação</p><p>e trabalho”, descreve a importância do conforto ambiental lumínico nos</p><p>ambientes (Figura 1) no seguinte trecho:</p><p>[...] o processo da visão é bastante complexo e implica em uma série de fatores.</p><p>Por isso mesmo é de grande importância tanto para a segurança das pessoas</p><p>como para a qualidade do produto que a iluminação do posto de trabalho</p><p>seja adequada às exigências da tarefa. Iluminação insuficiente implica di-</p><p>retamente na perda de desempenho e no aumento do número de acidentes.</p><p>A busca pelo equilíbrio entre temperatura, sons e ruídos, luminosidade e</p><p>o estudo visual do ambiente são essenciais em um projeto arquitetônico;</p><p>com estes fatores bem trabalhados é possível obter ambientes cada vez mais</p><p>personalizados e agradáveis aos seus usuários (MORAIS JUNIOR, 2012,</p><p>documento on-line).</p><p>Noções de conforto ambiental2</p><p>Figura 1. Conforto lumínico em um ambiente.</p><p>Fonte: ImageFlow/Shutterstock.com.</p><p>Os fatores de conforto ambiental possuem normas próprias que servem</p><p>de referência para legislações específicas, além de serem a base da certifi-</p><p>cação ambiental de edifícios brasileiros. As principais normas de conforto</p><p>ambiental são listadas abaixo. Elas foram elaboradas por agências como</p><p>a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responsável pelas</p><p>Normas Brasileiras (NBRs), pela Organização Internacional de Norma-</p><p>lização (ISO, do inglês International Organization for Standardization),</p><p>pela Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração</p><p>e Ar-condicionado (ASHRAE, do inglês American Society of Heating,</p><p>Refrigerating and Air-Conditioning Engineers) e pela Agência Nacional</p><p>de Vigilância Sanitária (ANVISA).</p><p> Conforto higrotérmico: ABNT NBR 15220-3:2005, ISO 7730 e</p><p>ASHRAE 55:2013.</p><p> Conforto acústico: ABNT NBR 10152:2017 e ABNT NBR 12179:1992.</p><p> Conforto visual: ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013.</p><p> Conforto lumínico: ABNT NBR 15575:2013.</p><p> Qualidade do ar: Resolução RE/ANVISA nº. 9.</p><p> Ergonomia: Norma Regulamentadora nº. 17 e ABNT NBR 9050:2015.</p><p>3Noções de conforto ambiental</p><p>O conforto ambiental trata das sensações físicas e psicológicas compreendi-</p><p>das pelo corpo humano em um determinado ambiente, enquanto a sustentabili-</p><p>dade é o fator que trata do uso racional dos recursos da construção, do impacto</p><p>ambiental, da qualidade e durabilidade das construções, do atendimento dos</p><p>níveis de conforto exigidos, da eficiência energética, da gestão dos recursos das</p><p>edificações e do desmonte ou reúso dos materiais. Os níveis de sustentabilidade</p><p>de uma edificação são medidos por meio de selos de certificação ambiental.</p><p>A eficiência energética, juntamente com o conforto ambiental, compõe as</p><p>qualidades daquilo que é visto como sustentável (PROJETO..., [2018]).</p><p>Atualmente, existe uma preocupação muito grande com os materiais utilizados nas</p><p>construções e com a sustentabilidade, para que se possa atingir o resultado desejado</p><p>proporcionando o conforto das pessoas e o menor impacto possível no meio ambiente.</p><p>As pessoas passaram a se preocupar em estar dentro de construções mais confortáveis,</p><p>recorrendo ao conforto ambiental para atingir esse objetivo; daí a necessidade de se</p><p>utilizar materiais de nível sustentável.</p><p>Em resumo, conforto ambiental é o termo utilizado para representar o estado</p><p>de satisfação dos usuários de um determinado espaço. O conforto ambiental,</p><p>aplicado da maneira correta na arquitetura, permite que seus usuários futuros</p><p>tenham melhores condições psicológicas, higrotérmicas, acústicas, visuais,</p><p>lumínicas,</p><p>de qualidade do ar e ergonômicas para a realização de suas tarefas,</p><p>sejam de lazer, trabalho, descanso ou estudo. O arquiteto, na hora de projetar,</p><p>deve analisar diversos fatores para atender aos desejos dos seus clientes, pois</p><p>prever espaços e edificações com condições satisfatórias para o conforto</p><p>ambiental é essencial. O objetivo é permitir a melhor relação do homem com</p><p>o espaço e o seu conforto psicológico (PROJETO..., [2018]).</p><p>O ser humano utiliza o sistema sensorial para identificar seu estado de</p><p>conforto ambiental, pois é por meio das relações de sinestesia que consegue</p><p>perceber o espaço no seu entorno. Não existe uma regra que indique quais</p><p>as melhores condições para o conforto das pessoas, mas o conforto de um</p><p>indivíduo é determinado levando-se em consideração vários fatores, como</p><p>saúde, idade, atividade, roupas, sexo, etc (PROJETO..., [2018]).</p><p>Noções de conforto ambiental4</p><p>Como obter o conforto nas edificações</p><p>Ao iniciar a coleta de informações para a elaboração de um projeto arquite-</p><p>tônico, seja de uma edifi cação nova, uma revitalização ou uma reforma, o</p><p>arquiteto deve levar em consideração alguns pontos para que se obtenha o</p><p>melhor aproveitamento das condições naturais do ambiente. Observar o clima,</p><p>a orientação solar e os ventos e procurar aproveitar a energia solar como fonte</p><p>de energia renovável são pontos fundamentais no desenvolvimento do projeto</p><p>para se obter o resultado desejado.</p><p>Percebemos mudanças significativas nos grandes centros urbanos; as</p><p>alterações que ocorrem nas cidades e regiões afetam diretamente os climas</p><p>e microclimas, que acabam impactando no conforto ambiental. O ritmo de</p><p>vida das pessoas, os deslocamentos diários, a refrigeração ou o aquecimento</p><p>artificial dos ambientes, as iluminações dos edifícios e locais públicos, as</p><p>grandes concentrações de pessoas em determinados lugares e o fluxo de</p><p>automóveis constituem fontes de calor e de diversos tipos de poluição, como</p><p>ruídos e poeira, que alteram o microclima urbano e, assim, modificam o</p><p>conforto da população.</p><p>Um ponto que influencia o conforto térmico é a localização geográfica da</p><p>edificação. As regiões com grandes depressões criam barreiras naturais para</p><p>os ventos, por exemplo, não permitindo sua circulação. Em muitas regiões</p><p>litorâneas, foram criadas grandes barreiras por prédios nas avenidas próximas</p><p>ao mar, com a intenção de privilegiar a vista; no entanto, essas construções</p><p>criam corredores de ventos, e a incidência solar é prejudicada, originando</p><p>regiões quentes e úmidas e gerando um adensamento dos gases e uma situação</p><p>de poluição muito grave (PROJETO..., [2018]). A poluição traz como conse-</p><p>quências a modificação do regime de chuvas e o aumento da nebulosidade.</p><p>Em alguns lugares, a água das chuvas é escoada para o sistema de esgoto,</p><p>devido à presença de solo impermeável, e não tem tempo de refrescar o solo</p><p>e o ar, exceto onde há parques, praças e jardins, onde as águas da chuva são</p><p>drenadas pelo solo. Por isso, bairros inteiros sofrem com as altas temperaturas</p><p>e acabam atraindo massas de ar carregadas de partículas de poluentes, que</p><p>tornam os bairros ainda mais quentes e poluídos (PROJETO..., [2018]).</p><p>Outro ponto que modificou bastante o conforto térmico das edificações é</p><p>a falta de segurança dos dias atuais. Antigamente as pessoas dormiam com</p><p>as janelas abertas, e as edificações não tinham grades ou muros — quando</p><p>existiam, eram com alturas muito baixas, somente para demarcar os limites,</p><p>5Noções de conforto ambiental</p><p>e não como proteção. Com as modificações na arquitetura decorrentes da</p><p>insegurança, as construções não contam mais com a livre circulação de ar</p><p>em seu interior, já que os muros cada vez mais altos e impenetráveis e a ne-</p><p>cessidade de manter as janelas fechadas impedem os ventos de adentrarem o</p><p>terreno (CABEZAS, 2013).</p><p>As zonas rurais também sofrem alterações climáticas. No processo de</p><p>urbanização, os terrenos são limpos e planificados, e, em seguida, inicia-se</p><p>o projeto de implantação. Com essa limpeza, retira-se a camada fértil do solo</p><p>e a variedade florestal existente, e o microclima sofre uma grande alteração.</p><p>Uma parte importante da fauna e da flora desaparecem e ocorre a erosão e o</p><p>empobrecimento progressivo do solo. A qualidade da água dos rios e mananciais</p><p>é comprometida, tornando-se um grande problema para as futuras gerações.</p><p>Conforto ambiental aplicado aos projetos</p><p>de arquitetura</p><p>A arquitetura sempre teve um papel importante no desenvolvimento das</p><p>cidades e civilizações. Novas tecnologias surgem com o crescimento dos</p><p>grandes centros urbanos e com as mudanças climáticas. No entanto, existem</p><p>lugares onde os conceitos tecnológicos estão bem distantes do dia a dia das</p><p>pessoas. É a partir do estudo sobre o local onde será realizado o projeto ou a</p><p>reforma, levando em consideração fatores como o clima, a incidência solar e</p><p>as tecnologias disponíveis, dentre outros, que o arquiteto poderá desenvolver</p><p>a melhor opção para atender às necessidades do seu cliente.</p><p>Hoje as populações ocupam principalmente os grandes centros urbanos</p><p>e passam muito tempo dentro das edificações, seja trabalhando, estudando,</p><p>descansando ou divertindo-se; daí a importância do conforto desses ambientes</p><p>nas diferentes situações. As novas tecnologias e o desenvolvimento das cons-</p><p>truções trouxeram informações e alternativas que permitem criar melhores</p><p>condições acústicas, térmicas, lumínicas e de sustentabilidade nas edificações</p><p>que sejam satisfatórias para a maioria das pessoas. Hoje são desenvolvidos</p><p>projetos arquitetônicos inteligentes, com o uso de sistemas construtivos</p><p>aprimorados, empregando equipamentos para climatização ambiental. Os</p><p>aspectos de sustentabilidade estão sendo muito observados — há todo um</p><p>cuidado para se produzir edificações econômicas e ambientalmente corretas,</p><p>além de confortáveis para os futuros usuários, conforme aponta Alves (2016).</p><p>A sensação de conforto é muito pessoal, o que é reconhecido também</p><p>pelos órgãos de normalização que cuidam e regulamentam esse assunto. Um</p><p>Noções de conforto ambiental6</p><p>exemplo pode ser verificado na definição de conforto térmico apresentada na</p><p>norma ASHRAE 55: “Conforto térmico é aquela condição mental que expressa</p><p>satisfação com o ambiente térmico” (ASHRAE STANDARD COMMITTEE,</p><p>2004, documento on-line). Trata-se, portanto, de uma sensação individual;</p><p>ou seja, é impossível obter condições satisfatórias que agradem a todos os</p><p>ocupantes de um grande ambiente ao mesmo tempo, a menos que cada um</p><p>tenha a possibilidade de controlar o microambiente que o cerca.</p><p>Para muitos, o conforto térmico diz respeito somente à temperatura do ar;</p><p>no entanto, existem diversas situações que podem alterar esse fator. Podemos</p><p>mencionar as variáveis ambientais, como a temperatura, a umidade relativa</p><p>do ar, a temperatura radiante e a velocidade dos ventos, bem como os fatores</p><p>como idade, sexo e hábitos alimentares, já que as sensações térmicas variam</p><p>de uma pessoa para outra, o que também interfere na sensação de conforto.</p><p>Assim, não podemos afirmar qual é a temperatura ideal de um ambiente.</p><p>As soluções de conforto térmico em um projeto arquitetônico dependem do</p><p>contexto climático, dos materiais aplicados, do local, dos sistemas e dos equi-</p><p>pamentos utilizados em cada projeto. Após as análises e os estudos necessários</p><p>para o desenvolvimento do projeto, o arquiteto poderá desenvolver as melhores</p><p>opções de conforto térmico para o seu cliente (CONFORTO..., [2018]). As</p><p>condições de conforto satisfatórias são diretamente ligadas à fase de projeto</p><p>das edificações. Durante a execução da obra, dificilmente será possível tomar</p><p>medidas que consigam melhorar as condições de conforto ambiental.</p><p>Em edifícios comerciais, com plantas de áreas muito grandes e extensas,</p><p>nas quais o ponto central está localizado a muitos metros de distância de</p><p>qualquer fachada, há pouca disponibilidade de iluminação natural e pouquís-</p><p>simo ou nenhum contato visual com o exterior. Esse fator, em conjunto com</p><p>o uso contínuo de sistemas de iluminação artificial, pode causar sensação</p><p>de confinamento aos trabalhadores, gerando uma queda de produtividade. A</p><p>retomada do antigo conceito de átrio central é uma solução para essa questão,</p><p>pois, além de minimizar e até eliminar os problemas acima citados, ainda</p><p>permite o uso de ventilação cruzada nos ambientes. Outro ponto importante</p><p>nesse tipo de edificação é a necessidade do uso prolongado de sistemas</p><p>de climatização, de modo que os ocupantes do edifício tenham condições</p><p>satisfatórias de conforto térmico durante a sua estada nesses ambientes</p><p>(FERREIRA; MARQUES, 2018).</p><p>Atualmente, tem-se dado maior ênfase à definição estética da fachada e do</p><p>sistema construtivo. Os edifícios brasileiros, principalmente os comerciais e</p><p>de escritórios, estão sendo concebidos, de modo geral, com base em premissas</p><p>internacionais, que se sobrepõem a outros fatores que influenciam a qualidade</p><p>7Noções de conforto ambiental</p><p>final da edificação, conforme aponta Alves (2016). Veja, a seguir, alguns</p><p>exemplos de tendências de conforto ambiental que estão sendo empregada.</p><p> Estudo do clima: analisando o clima, a região, a localização do ter-</p><p>reno, entre outros fatores, o arquiteto poderá tirar o melhor proveito</p><p>das condições climáticas para apresentar soluções no projeto. Essa</p><p>análise é o que vai determinar o que será apresentado para o conforto</p><p>térmico, como o tipo de ventilação, que pode influenciar na redução</p><p>da carga térmica gerada e absorvida dentro dos ambientes. Para que</p><p>esse aspecto do projeto funcione de forma eficaz, é necessário que os</p><p>ventos circulem por meio de diferenças de pressão ou por torres de</p><p>ventilação, conforme leciona Alves (2016).</p><p> Resfriamento evaporativo: pode ser realizado por meio de espelhos</p><p>de água e é indicado para locais quentes e secos.</p><p> Aquecimento solar passivo: acontece por meio de aberturas translú-</p><p>cidas voltadas para o sol.</p><p>É recomendado atrelar o uso de soluções como ventilação cruzada, pé-</p><p>-direito duplo, beirais e brises a outras tecnologias. Em algumas regiões,</p><p>também é indicado o sombreamento das aberturas, principalmente no verão,</p><p>quando a radiação solar é mais intensa. Estudos simples de geometria da</p><p>insolação nos indicam a melhor posição de brises — horizontal, vertical ou</p><p>mista — para determinada orientação e local, conforme leciona Alves (2016).</p><p>O uso de paredes e telhados verdes é outra opção de conforto térmico. Esse</p><p>tipo de estratégia fornece resistência térmica à cobertura, onde a radiação solar</p><p>é mais intensa no período de verão. A instalação do sistema de refrigeração</p><p>se faz necessária em algumas, regiões, para que se proporcione melhores</p><p>condições de conforto para os usuários desses espaços (CONFORTO..., [2018]).</p><p>A arquitetura deve proporcionar o conforto térmico necessário ao usuário</p><p>para que ele desempenhe plenamente suas atividades. No entanto, em tempos</p><p>de redução do consumo de energia, isso tornou-se um verdadeiro desafio.</p><p>A climatização artificial — o ar-condicionado — nem sempre é garantia de</p><p>conforto e ainda pode gerar um grande consumo energético. Em edificações</p><p>com grandes fachadas envidraçadas, os brises, as persianas e as películas apli-</p><p>cadas sobre o vidro, criando barreiras e proteções, são recursos que reduzem e</p><p>auxiliam no controle do aquecimento desses ambientes. Para se obter eficiência</p><p>energética, o ideal é mesclar as técnicas artificiais às técnicas naturais de</p><p>resfriamento, que utilizam sombra, brisa e água para reduzir a temperatura</p><p>interna (CONFORTO..., [2018]).</p><p>Noções de conforto ambiental8</p><p>O conforto ambiental é a adequação dos princípios físicos envolvidos e das necessidades</p><p>do ambiente. Como vimos, para obter o conforto em uma edificação, o profissional</p><p>deve estar atento aos seguintes pontos: conforto térmico, conforto lumínico, conforto</p><p>acústico e conforto visual. Os obstáculos naturais fazem com que sempre sejam</p><p>buscadas novas tecnologias para proporcionar as melhores soluções para o dia a</p><p>dia das pessoas. É necessário que os profissionais de arquitetura sejam conscientes e</p><p>busquem soluções e ações visando ao conforto e à sustentabilidade dos ambientes em</p><p>que vivemos, empregando adequadamente os recursos e proporcionando bem-estar</p><p>aos usuários das edificações.</p><p>ALVES, R. R. Administração verde: o caminho sem volta da sustentabilidade ambiental</p><p>nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.</p><p>ASHRAE STANDARD COMMITTEE. ANSI/ASHRAE Standard 55-2004 (Supersedes ANSI/ASHRAE</p><p>Standard 55-1992): Thermal environmental conditions for human occupancy. Atlanta.</p><p>USA, 24 jan 2004. Disponível em: <http://www.aicarr.org/Documents/Editoria_Libri/</p><p>ASHRAE_PDF/STD55-2004.pdf>. Acesso em: 23 out. 2018.</p><p>CABEZAS, C. Fundamentos para projetar espaços públicos confortáveis. ArchDaily, 2</p><p>out. 2013. Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/01-143845/fundamentos-</p><p>-para-projetar-espacos-publicos-confortaveis>. Acesso em: 23 out. 2018.</p><p>CONFORTO ambiental: veja soluções arquitetônicas que oferecem bem-estar. AECweb,</p><p>[2018]. Disponível em: <https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/conforto-ambiental-</p><p>-veja-solucoes-arquitetonicas-que-oferecem-bemestar_10668_0>. Acesso em: 23</p><p>out. 2018.</p><p>FERREIRA, F. D.; MARQUES, T. H. T. Carga térmica: princípios básicos. Engenharia e Ar-</p><p>quitetura, 2018. Disponível em: <http://www.engenhariaearquitetura.com.br/2018/01/</p><p>carga-termica-principios-basicos>. Acesso em: 23 out. 2018</p><p>MORAIS JUNIOR, C. P. Considerações sobre iluminação e trabalho. ECivil Unicamp.</p><p>2012. Disponível em: < http://www.iar.unicamp.br/lab/luz/ld/Arquitetural/interiores/</p><p>consideracoes_sobre_iluminacao_e_trabalho.pdf>. Acesso em: 01 nov. 2018.</p><p>PROJETO e eficiência térmica. Galeria da Arquitetura, [2018]. Disponível em: <https://</p><p>www.galeriadaarquitetura.com.br/i-d/projetos/com-eficiencia-termica/8/>. Acesso</p><p>em: 23 out. 2018.</p><p>9Noções de conforto ambiental</p><p>SIQUEIRA, C. Conforto ambiental, desafio para arquitetos In: INSTITUTO BRASILEIRO</p><p>DE DESENVOLVIMENTO DA ARQUITETURA. Fórum da Construção, [2018]. Disponível</p><p>em: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=4&Cod=800>. Acesso</p><p>em: 23 out. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15220: desempenho térmico</p><p>de edificações. Rio de Janeiro, 2003. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/patri-</p><p>cialopes9480/nbr-15220>. Acesso em: 23 out. 2018.</p><p>BORGES, A. C.; MONTEFUSO, E.; LEITE, J. Prática das pequenas construções. São Paulo:</p><p>Edgard Blucher, 1996.</p><p>CHING, F. D. K.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura [recurso eletrônico]: dados eletrô-</p><p>nicos. Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>CONFORTO ambiental. Wikipedia, [2018]. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/</p><p>wiki/Conforto_ambiental>. Acesso em: 23 out. 2018.</p><p>CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Ministério das Cidades. Secretaria Nacional</p><p>de Habitação. Resolução nº. 307, de 5 de julho de 2002. Diário Oficial da União, Brasília,</p><p>DF, 17 jun. 2002. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_arqui-</p><p>vos/36_09102008030504.pdf>. Acesso em: 23 out. 2018.</p><p>CORNETET, B. C.; PIRES, D. G. M. (Org.). Arquitetura [recurso eletrô nico]. Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2016.</p><p>LEED v4.1 is here: better buildings are our legacy. LEED, [2018]. Disponível em: <www.</p><p>usgbc.org>. Acesso em: 23 out. 2018.</p><p>SÃO PAULO. Prefeitura de São Paulo. Secretaria de Urbanismo e Licenciamento. Lei nº.</p><p>11.228, de 4 de junho de 1992. Código de Obras e Edificações (COE). São Paulo, SP, 1992.</p><p>Disponível em: <https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/</p><p>upload/pinheiros/arquivos/COE_1253646799.pdf>. Acesso em: 23 out. 2018.</p><p>SILVA, C. L. Inovação e sustentabilidade. Curitiba: Aymará Educação, 2012.</p><p>UNITED STATES OF AMERICA. Department of Energy’s (DOE). EnergyPlus: energy si-</p><p>mulation software. Version 9.0.1. Washington DC., [2018]. Disponível em: <https://</p><p>energyplus.net/>. Acesso em: 23 out 2018.</p><p>ZYLBERSZTAJN, D.; LINS, C. Sustentabilidade e geração de valor: a transição para o século</p><p>XXI. Rio de Janeiro: Elsevier,</p><p>2010.</p><p>Noções de conforto ambiental10</p><p>Conteúdo:</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Ana Cristina Castagna</p><p>Evolução urbana e conforto</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Relacionar evolução urbana com conforto ambiental.</p><p> Explicar como o urbanismo pode proporcionar conforto ambiental</p><p>nas cidades e nos seus diferentes espaços.</p><p> Exemplificar projetos arquitetônicos em que o conforto ambiental é</p><p>relacionado com o processo urbanístico.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai estudar a relação entre a evolução da cidade</p><p>construída e o conforto ambiental. Você vai verificar a origem das dis-</p><p>cussões sobre conforto ambiental e racionalização energética dentro</p><p>da cidade e como o planejamento urbano pode auxiliar na geração de</p><p>conforto ambiental nas edificações.</p><p>Você também vai analisar alguns exemplos de projetos nos quais</p><p>o conforto ambiental foi levado em consideração nas estratégias de</p><p>lançamento projetual e vai verificar como o conforto ambiental pode</p><p>ser colocado em prática hoje em dia. Além disso, você vai identificar</p><p>quais fatores climáticos são mais impactantes e devem ser levados em</p><p>consideração na hora de projetar pensando no conforto ambiental.</p><p>Evolução urbana e conforto ambiental</p><p>A preocupação com o conforto do ambiente construído é percebida desde a</p><p>Pré-História, quando o homem adaptava as construções ao clima em que se</p><p>localizava. Nas civilizações greco-romanas, por exemplo, a construção das</p><p>cidades era embasada no genius loci — o espírito do lugar —, o que garantia,</p><p>mesmo que de forma empírica, certa preocupação com a forma de construir.</p><p>As cidades gregas e romanas eram orientadas a partir do Sol, sendo inclusive</p><p>parte do Código de Justiniano — o Corpus Juris Civilis, código de leis do</p><p>imperador Justiniano I, publicado no ano 529 — o direito ao acesso à luz solar.</p><p>Norberg-Schulz (1980) adaptou o antigo conceito grego de genius loci ao campo da</p><p>arquitetura, conceituando o termo como a expressão conjunta das características natu-</p><p>rais e construídas, incluindo, entre outras, as ambientais, socioculturais, arquitetônicas</p><p>e de hábitos que caracterizam um lugar e o diferenciam de outro.</p><p>Tem-se registro da construção orientada por elementos climáticos, como</p><p>insolação e ventos, desde os escritos de Vitrúvio, no seu Tratado de Arquitetura</p><p>(27 a. C.). Vitrúvio e os seus contemporâneos registraram a preocupação com</p><p>a habitabilidade das edificações e das cidades, sugerindo, por exemplo, que as</p><p>pequenas ruas e vielas não fossem retilíneas — para evitar correntes de ventos</p><p>frios —, mas que fossem dimensionadas de forma que não se acumulassem</p><p>ares quentes infecciosos.</p><p>As cidades medievais apresentavam algumas adaptações ao clima se-</p><p>melhantes, como as ruas curvas, que evitavam a criação de túneis de vento</p><p>frio no inverno. Entretanto, durante a Idade Média, tornou-se comum a</p><p>construção de casas muito próximas umas das outras, sem recuos (Figura 1).</p><p>Isso impedia que houvesse incidência de luz solar e ventilação em todos os</p><p>cômodos da edificação. Além disso, era comum que o lixo e os excrementos</p><p>humanos fossem descartados nas próprias ruas e vielas, sem nenhuma solução</p><p>para o saneamento. Isso acabou facilitando a disseminação da peste negra,</p><p>que dizimou cerca de um terço da população europeia no período. No livro</p><p>Vigiar e Punir (1987), Michel Foucault descreve como é a cidade tomada</p><p>pela peste. A partir dessa trágica constatação, foram colocadas em prática</p><p>algumas estratégias de construção, como afastamentos entre edificações</p><p>e incidência de ventilação e luz natural, para garantir melhores condições</p><p>de habitabilidade e higiene tanto nas edificações como nas cidades como</p><p>um todo.</p><p>Evolução urbana e conforto2</p><p>Figura 1. Ruelas de uma cidade medieval,</p><p>Sarlat, na França.</p><p>Fonte: Adaptada de 0slava17/Shutterstock.com.</p><p>Essa breve contextualização demonstra que a evolução urbana, ao longo</p><p>da sua história, levou em consideração também as questões relativas ao con-</p><p>forto ambiental. A evolução das técnicas construtivas ao redor do mundo</p><p>possibilitou que o homem, de forma gradativa, se adaptasse ao local onde</p><p>fundamenta sua cidade.</p><p>A chamada arquitetura vernacular é o conjunto de conhecimentos em-</p><p>píricos que fazem o abrigo humano estar adaptado ao meio em que se insere,</p><p>utilizando materiais presentes no próprio local. Esse tipo de arquitetura tem</p><p>origem na ancestralidade, quando as primeiras migrações do continente afri-</p><p>cano se deslocaram para os ambientes frios do Norte, há centenas de milhares</p><p>de anos, conforme lecionam Roaf, Crichton e Nicol (2009). A necessidade de</p><p>adaptação às temperaturas provocou o desenvolvimento de roupas mais pesa-</p><p>das e abrigos mais resistentes, que garantissem a adaptação ao novo ambiente.</p><p>Roaf, Crichton e Nicol (2009) explicam que essa necessidade de adaptação</p><p>ao clima acaba moldando os costumes de toda a comunidade. As ocas indíge-</p><p>nas do Xingu, como no exemplo da Figura 2, são construídas em madeira e</p><p>3Evolução urbana e conforto</p><p>bambu e garantem conforto térmico, além de, segundo os indígenas, estarem</p><p>sob a proteção xamânica.</p><p>Figura 2. Oca na vila Kamayura, região do Xingu.</p><p>Fonte: Adaptada deFrontpage/Shutterstock.com.</p><p>As casas dos alpes europeus (Figura 3) possuem telhados com inclinação,</p><p>para que a neve não se acumule sobre a cobertura e coloque sua estrutura em</p><p>risco, conforme leciona Barreto (2018).</p><p>Figura 3. Telhados com inclinações evitam grandes acúmulos de neve</p><p>nos Alpes.</p><p>Fonte: Adaptada de SABPICS/Shutterstock.com.</p><p>Outro exemplo de arquitetura adaptada às condições climáticas locais</p><p>são as palafitas no norte do Brasil (Figura 4), que são assim construídas para</p><p>Evolução urbana e conforto4</p><p>que se mantenham tanto nos períodos de seca quando nos períodos de cheia,</p><p>quando o nível de água sobe, ainda de acordo com Barreto (2018).</p><p>Figura 4. Palafitas em Manaus, Amazonas.</p><p>Fonte: Adaptada de Hans Denis Schneider/Shutterstock.com.</p><p>Na cidade contemporânea, a qualidade ambiental das edificações deriva</p><p>da qualidade ambiental urbana, que, por sua vez, deveria ser levada em</p><p>consideração nos planos reguladores urbanísticos. Todavia, os planos diretores</p><p>levam em consideração primordialmente as densidades máximas, as taxas</p><p>de ocupação e os índices de aproveitamento, muitas vezes deixando de lado</p><p>características climáticas como os ventos, a insolação e os efeitos térmicos,</p><p>que poderiam otimizar o conforto dos espaços, conforme apontam Barbirato,</p><p>Souza e Torres (2007).</p><p>Dentro da legislação de cada cidade (plano diretor ou código de obras) estão expli-</p><p>citados alguns condicionantes que balizam as construções de acordo com local e</p><p>uso. Dentro desses condicionantes estão as densidades máximas (número máximo</p><p>de usuários por unidade, alturas máximas que a edificação pode atingir), as taxas de</p><p>ocupação (diz respeito à projeção de área construída no lote e à porcentagem obriga-</p><p>tória de áreas permeáveis) e os índices de aproveitamento (a metragem máxima que a</p><p>edificação pode atingir). Esses condicionantes levam em consideração a capacidade</p><p>da rede de infraestrutura e algumas condições climáticas e urbanísticas de cada local,</p><p>o que acaba influenciando no ambiente urbano. É imprescindível, na hora de projetar,</p><p>que se tenha acesso à legislação atualizada da sua cidade.</p><p>5Evolução urbana e conforto</p><p>Conforto ambiental nas cidades</p><p>Breve panorama histórico</p><p>O planejamento urbano é uma disciplina de grande importância para a</p><p>criação e a manutenção do conforto ambiental nas cidades. A partir da Revo-</p><p>lução Industrial e do desenvolvimento tecnológico, verifi cou-se o surgimento</p><p>da urbanização e o crescimento populacional em grandes centros. Essa</p><p>urbanização, se comparada com a ocupação do meio rural, é de grande valia</p><p>para a sociedade, já que garante melhores condições de higiene e conforto,</p><p>além da possibilidade de oferecer serviços de saúde, educação, cultura,</p><p>entre muitos outros. Entretanto, trouxe alguns resultados devastadores sob</p><p>o ponto de vista ambiental, como a degradação do meio natural a partir</p><p>dos desmatamentos e escavações, a poluição das águas e do ar e o gradual</p><p>aumento da temperatura. As cidades contemporâneas acabam sendo muito</p><p>custosas sob os pontos de vista ecológico e econômico, conforme lecionam</p><p>Roaf, Crichton e Nicol (2009).</p><p>Na história do urbanismo, é possível verificar alguns exemplos de experi-</p><p>ências que levaram em consideração uma visão integrada entre a urbanização</p><p>e o meio ambiente, certamente como tentativa de equalizar esses danos. A</p><p>cidade-jardim, criada no início do século XX pelo inglês Ebenezer Ho-</p><p>ward, por exemplo, tinha a intenção de equalizar as vantagens da vida em</p><p>comunidade encontradas na cidade com o meio natural do campo. Howard</p><p>criou, então, um esquema radial, com limite de 2.400 hectares, composto</p><p>por unidades de parques para a produção agrícola e unidades destinadas às</p><p>edificações e à vida urbana, conforme apontam Panerai, Castex e Depaule</p><p>(2013).</p><p>No urbanismo do movimento moderno, percebe-se a preocupação com</p><p>os recuos e a insolação nas edificações. Um grande exemplo desse urbanismo</p><p>é a Ville Radieuse, de Le Corbusier, uma rigorosa composição dividida em</p><p>zonas (lazer, comércio, residências e negócios), em que os edifícios eram</p><p>densos e as áreas verdes e a luz solar, abundantes (Figura 5). A cidade nunca</p><p>foi construída, mas a intenção era a de racionalizar os transportes e os custos</p><p>energéticos da cidade, que ofereceria qualidade de vida aos seus habitantes.</p><p>Alguns desses princípios acabaram guiando o desenvolvimento urbano</p><p>contemporâneo e os edifícios modernistas, conforme lecionam Panerai,</p><p>Castex e Depaule (2013).</p><p>Evolução urbana e conforto6</p><p>Figura 5. Ville Radieuse, projeto modernista de Le Corbusier.</p><p>Fonte: Adaptada de Merin (2016).</p><p>Conforto no planejamento urbano</p><p>Segundo Barbirato, Souza e Torres (2007), o ambiente urbano se confi gura</p><p>como o resultado da interação humana com o espaço natural, sendo inserido,</p><p>portanto, na categoria de espaço adaptado. Dessa forma, essa interação hu-</p><p>mana produz consequências no ambiente natural. Como vimos anteriormente,</p><p>a qualidade ambiental das edifi cações está diretamente ligada com a qualidade</p><p>ambiental urbana. Por isso, o assunto tem ganhado relevância tanto no âmbito</p><p>acadêmico quanto no ofício cotidiano do arquiteto e urbanista.</p><p>Não há dois climas exatamente iguais, já que o clima de uma localidade</p><p>é, de acordo com Barbirato, Souza e Torres (2007), uma integração de fatores</p><p>globais (latitude, altitude, etc.) e locais (pavimentações do solo, topografia,</p><p>vegetação) e elementos climáticos (ventos, temperatura, umidade). Portanto,</p><p>planejar locais adequados a esses fatores faz com que sejam produzidos espaços</p><p>confortáveis para a vida de seus habitantes.</p><p>A massa edificada da cidade produz alterações de paisagem que acabam por</p><p>gerar microclimas diferentes. Sejam as conhecidas ilhas de calor — geradas</p><p>a partir da grande absorção de calor pelas pavimentações, como asfalto, e dos</p><p>materiais de construção utilizados nas cidades mais densas — ou as ilhas</p><p>frias — caracterizadas pela criação de um microclima mais frio do que os</p><p>7Evolução urbana e conforto</p><p>demais, devido à falta de insolação nos arredores de arranha-céus —, qualquer</p><p>intervenção na paisagem tem um efeito nocivo ao clima local.</p><p>Para qualquer alteração no meio urbano, é necessário um estudo climático apro-</p><p>fundado. Esse tipo de estudo auxilia todos os envolvidos no processo urbanístico</p><p>(planejadores, urbanistas, sociólogos, ecologistas, biólogos, etc.) a projetarem espaços</p><p>urbanos confortáveis no que diz respeito tanto aos critérios técnicos e de desenho como</p><p>também aos critérios ambientais, conforme apontam Barbirato, Souza e Torres (2007).</p><p>Segundo Barbirato, Souza e Torres (2007), os elementos climáticos que mais afetam</p><p>o conforto dos habitantes de uma localidade são a umidade do ar, a temperatura e</p><p>a exposição à radiação solar. São esses elementos que devem, primordialmente, ser</p><p>levados em consideração quando da definição das estratégias projetuais.</p><p>Relação entre projeto arquitetônico e conforto</p><p>do meio urbano</p><p>Por meio de exemplos, é possível entender como as estratégias projetuais podem</p><p>estar adaptadas ao conforto urbano. As já citadas cidades-jardim e as concepções</p><p>modernistas de cidade (como a Ville Radieuse) levavam em consideração essa</p><p>disciplina, cada qual de sua forma. A primeira, a cidade-jardim, primava pela</p><p>manutenção de uma escala limitada, possibilitando a convivência harmônica</p><p>da produção de subsistência com uma organização urbana. A segunda, a cidade</p><p>moderna, prezava pelo zoneamento quase totalitário, além da alta densifi cação</p><p>— em compensação, implantava severas regras de insolação e ventilação, além</p><p>da criação de vastos espaços abertos e estratégias racionais para o transporte,</p><p>conforme lecionam Panerai, Castex e Depaule (2013).</p><p>Entretanto, dificilmente uma cidade é projetada do zero. Muitas vezes</p><p>os edifícios, parques e espaços abertos precisam se adaptar a uma estrutura</p><p>existente e, assim, criar espaços confortáveis. Diversas obras pertencentes ao</p><p>movimento moderno no Brasil levaram em consideração fatores climáticos na</p><p>sua composição. Aliás, o movimento moderno, como um todo, apesar de se</p><p>desvincular do vernáculo, teve intenções de priorizar o conforto gerado pelas</p><p>condições climáticas favoráveis nas edificações, segundo Panerai, Castex e</p><p>Depaule (2013).</p><p>Evolução urbana e conforto8</p><p>O Conjunto Pedregulho, de Afonso Eduardo Reidy, é um exemplo</p><p>(Figura 6). Com a temática de habitação social, foi construído no Rio de</p><p>Janeiro na década de 1940. Além de ser implantado de forma harmônica com</p><p>a topografia, o projeto leva em consideração condições como a ventilação</p><p>natural constante, o controle da luz e a circulação facilitada, conforme</p><p>leciona Nascimento (2017). O edifício foi tombado e passou por importante</p><p>obra de restauro recentemente.</p><p>Figura 6. Conjunto habitacional Prefeito Mendes de Moraes</p><p>(Pedregulho): adaptação ao terreno, controle da luz por meio</p><p>de elementos nas fachadas e garantia de ventilação.</p><p>Fonte: Adaptada de Fracalossi (2011).</p><p>Na Figura 7, observa-se o corte do complexo, mostrando o seu acesso</p><p>principal, a adaptação à topografia e a ventilação cruzada presente no edifício.</p><p>Figura 7. Conjunto habitacional Prefeito Mendes de Moraes</p><p>(Pedregulho): no corte, percebe-se melhor a adaptação à to-</p><p>pografia e o aproveitamento da ventilação natural.</p><p>Fonte: Silva (2005, documento on-line).</p><p>9Evolução urbana e conforto</p><p>Esse projeto fazia parte de um complexo ainda maior que visava a implantar</p><p>todas as necessidades dos usuários deste grande edifício no mesmo local</p><p>(escola, serviços, comércio, espaços de lazer e prática esportiva), permeando</p><p>um grande parque. Esse tipo de estratégia auxilia no conforto urbano, uma</p><p>vez que reduz a necessidade de deslocamentos — trazendo economia de</p><p>tempo e recursos e evitando a liberação de gases provenientes dos veículos</p><p>na microrregião — e proporciona a geração de um microclima sustentável e</p><p>confortável.</p><p>No artigo disponível no link a seguir você vai poder conhecer mais detalhes do projeto</p><p>do Pedregulho.</p><p>https://goo.gl/KK7R7w</p><p>O urbanista dinamarquês Jan Ghel defende, na sua visão contemporânea</p><p>de cidade, que as cidades não deveriam ser planejadas como uma aglomeração</p><p>de edificações individuais. Ele estabelece uma crítica às cidades modernistas,</p><p>alegando que foram pensadas na escala do automóvel e que o que torna uma</p><p>cidade agradável e confortável é planejá-la sob o ponto de vista da escala do</p><p>usuário, equalizando a densidade populacional — necessária para a raciona-</p><p>lização do consumo energético e de transportes — com a escala das formas</p><p>construídas e a relação com os espaços abertos. As ideias de Ghel se difundem</p><p>mais a cada dia, com exemplos como Copenhagen e algumas zonas de Nova</p><p>York, conforme aponta Mahfuz (2016).</p><p>No link abaixo, conheça um pouco mais das ideias e do trabalho do urbanista Jan Gehl,</p><p>em artigo</p><p>escrito pelo Professor Edson Mahfuz.</p><p>https://goo.gl/hn2SkJ</p><p>Evolução urbana e conforto10</p><p>É possível concluir que, quando se leva em consideração as características</p><p>climáticas e a sensação planejada para os usuários na hora de projetar tanto</p><p>exemplares arquitetônicos quanto estruturas urbanas, o ambiente construído é</p><p>mais saudável. A análise e a adaptação climática e ambiental trazem conforto</p><p>para o usuário direto e constroem uma cidade mais sustentável, equilibrando</p><p>espaços construídos com espaços abertos, sempre bem-dimensionados para</p><p>as funções que virão a receber.</p><p>1. Sabe-se que, na civilização</p><p>greco-romana, a construção das</p><p>cidades era embasada no genius</p><p>loci (espírito do lugar). Qual era a</p><p>principal orientação utilizada para</p><p>o conforto das construções?</p><p>a) Ventos.</p><p>b) Marés.</p><p>c) Sol.</p><p>d) Temperatura.</p><p>e) Latitude.</p><p>2. Como pode ser definida a</p><p>arquitetura vernacular?</p><p>a) Uma arquitetura voltada ao</p><p>usuário direto, por meio do</p><p>correto dimensionamento</p><p>dos espaços e da relação</p><p>com os espaços abertos.</p><p>b) A arquitetura projetada a</p><p>partir do estudo climático-</p><p>científico do local.</p><p>c) O conjunto de elementos</p><p>climáticos levados em</p><p>consideração no projeto</p><p>de edificações.</p><p>d) A adaptação das construções ao</p><p>local onde estão implantadas,</p><p>levando em consideração</p><p>conhecimentos empíricos e</p><p>materiais próprios do local.</p><p>e) As edificações que levam em</p><p>consideração o respeito ao</p><p>meio ambiente, sem poluí-lo.</p><p>3. Selecione a alternativa que traz</p><p>algumas das desvantagens</p><p>da urbanização a partir da</p><p>Revolução Industrial, no que diz</p><p>respeito ao meio ambiente.</p><p>a) Acesso da população a</p><p>melhores condições de higiene</p><p>e conforto e a serviços de</p><p>saúde, educação e cultura.</p><p>b) Degradação do meio natural</p><p>por meio de desmatamentos</p><p>e escavações, poluição das</p><p>águas e do ar e gradual</p><p>aumento de temperatura.</p><p>c) Efeito estufa e desmatamento</p><p>de matas nativas.</p><p>d) Escassez de alimentos devido</p><p>à redução do número de</p><p>pessoas no meio rural.</p><p>e) Escassez de água potável.</p><p>4. Quais fatores definem</p><p>conjuntamente o clima</p><p>de uma região?</p><p>11Evolução urbana e conforto</p><p>BARBIRATO, G. M., SOUZA, L. C. L., TORRES, S. C. Clima e cidade: a abordagem climática</p><p>como subsídio para estudos urbanos. Maceió: EDUFAL, 2007. v. 1.</p><p>BARRETO, A. M. Como arquitetura vernacular ajuda nas soluções sustentáveis. Green-</p><p>topia, 26 jan. 2017. Disponível em: <http://greentopia.com.br/arquitetura-vernacular-</p><p>-e-sustentabilidade/>. Acesso em: 20 nov. 2018.</p><p>FOUCAULT, M. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.</p><p>FRACALOSSI, I. Clássicos da Arquitetura: Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes</p><p>(Pedregulho)/Affonso Eduardo Reidy. ArchDaily, 2 dez. 2011. Disponível em: <https://</p><p>www.archdaily.com.br/br/01-12832/classicos-da-arquitetura-conjunto-residencial-</p><p>-prefeito-mendes-de-moraes-pedregulho-affonso-eduardo-reidy>. Acesso em: 20</p><p>nov. 2018.</p><p>GHEL, J. Cidade para as pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2014.</p><p>MAHFUZ, E. C. Projetos que valorizam a vitalidade das cidades. Fronteiras do Pensamento,</p><p>23 nov. 2016. Disponível em: <https://www.fronteiras.com/artigos/projetos-que-</p><p>-valorizam-a-vitalidade-das-cidades>. Acesso em: 20 nov. 2018.</p><p>MERIN, G. Clássicos da Arquitetura: Ville Radieuse/Le Corbusier. ArchDaily, 9 maio 2016.</p><p>Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/787030/classicos-da-arquitetura-</p><p>-ville-radieuse-le-corbusier>. Acesso em: 20 nov. 2018.</p><p>a) Latitude, altitude e albedo.</p><p>b) Locais, regionais e ventos</p><p>predominantes.</p><p>c) Globais, terrestres e aquáticos.</p><p>d) Locais, elementos climáticos</p><p>e temperatura.</p><p>e) Latitude, topografia e</p><p>ventos predominantes.</p><p>5. Quais são as principais</p><p>características da cidade-jardim,</p><p>de Ebenezer Howard?</p><p>a) Estrutura radial, racionalização</p><p>dos transportes e incidência solar.</p><p>b) Edifícios recuados, grandes</p><p>espaços ao ar livre e</p><p>grandes bulevares.</p><p>c) Estrutura radial, convivência</p><p>harmônica de núcleos</p><p>urbanos com espaços</p><p>agrícolas e escala limitada.</p><p>d) Produção agrícola, estrutura</p><p>quadrangular e densificação.</p><p>e) Convivência harmônica de</p><p>núcleos urbanos com espaços</p><p>agrícolas, densificação e</p><p>racionalização dos transportes.</p><p>Evolução urbana e conforto12</p><p>NASCIMENTO, F. B. A restauração do Conjunto Residencial do Pedregulho: trajetória da</p><p>arquitetura moderna e o desafio contemporâneo. Rev. CPC, São Paulo, nº. 22 especial,</p><p>p.138-175, abr. 2017.</p><p>NORBERG-SCHULZ, C. Genius loci: towards a phenomenology of architecture. New</p><p>York: Rizzoli, 1980.</p><p>PANERAI, P.; CASTEX, J.; DEPAULE, J. C. Formas urbanas: a dissolução da quadra. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2013.</p><p>ROAF, S.; CRICHTON, D.; NICOL, F. A adaptação de edificações e cidades às mudanças</p><p>climáticas: um guia de sobrevivência para o século XXI. Porto Alegre: Bookman, 2009.</p><p>SILVA, R. S. O conjunto Pedregulho e algumas relações compositivas. Arquitextos, São</p><p>Paulo, ano 06, nº. 062.06, Vitruvius, jul. 2005. Disponível em: <http://www.vitruvius.</p><p>com.br/revistas/read/arquitextos/06.062/446>. Acesso em: 20 nov. 2018.</p><p>13Evolução urbana e conforto</p><p>Conteúdo:</p><p>ERGONOMIA E</p><p>COMFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Fernando Pinheiro Weber</p><p>Comportamento e conforto</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar os fatores ergonômicos, psicológicos, socioculturais, am-</p><p>bientais e físicos relacionados ao conforto.</p><p> Descrever as exigências do conforto ambiental e os efeitos do des-</p><p>conforto sobre o comportamento humano.</p><p> Resolver problemas de engenharia com base no conceito de conforto</p><p>ambiental.</p><p>Introdução</p><p>Em todos os setores de trabalho, observamos uma busca incessante</p><p>pela melhoria na linha de produção, cujo objetivo é o aprimoramento</p><p>dos processos envolvidos na fabricação do produto. Para atingirmos a</p><p>performance desejada, devemos estudar todos os aspectos relacionados</p><p>à produção, como o ambiente de trabalho e os fatores ergonômicos</p><p>envolvidos, ambos de grande importância para o sistema produtivo.</p><p>Neste capítulo, estudaremos quais são os fatores ergonômicos, psi-</p><p>cológicos, socioculturais, ambientais e físicos relacionados ao conforto,</p><p>e verificaremos as influências e exigências do organismo humano para</p><p>a manutenção do ritmo de trabalho. Por fim, aplicaremos alguns desses</p><p>conceitos na resolução de problemas de engenharia recorrentes na prá-</p><p>tica profissional, com destaque para a relevância do conforto ambiental</p><p>na rotina dos trabalhadores.</p><p>Fatores relacionados ao conforto</p><p>O objetivo fundamental da ergonomia é tornar o ambiente de trabalho mais</p><p>seguro, confortável e efi ciente. A consequência dessa combinação de fatores é</p><p>o aumento da produtividade na linha de produção, o que muitas vezes signifi ca</p><p>prestar atenção aos detalhes.</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 1 13/08/2018 17:13:54</p><p>Para um ambiente produtivo, além dos fatores ergonômicos, relacionam-se</p><p>também fatores psicológicos, socioculturais, ambientais e físicos. Portanto,</p><p>um bom ambiente produtivo depende de aspectos do ambiente (espaço físico)</p><p>e das características humanas de quem executa as tarefas, de maneira que a</p><p>combinação vantajosa desses elementos é uma tarefa a ser constantemente</p><p>desenvolvida e monitorada pelas empresas.</p><p>Os fatores ergonômicos propriamente ditos muitas vezes encontram-se</p><p>nas situações comuns do ambiente de trabalho, o que pode ocasionar a falsa</p><p>impressão de normalidade quando, na verdade, eles apresentam riscos. Nesse</p><p>sentido, a repetitividade excessiva das tarefas, por exemplo, pode provocar</p><p>fadiga e desgaste. Fisicamente, pode motivar o surgimento de lesões, como</p><p>tendinite e lombalgia. A postura inadequada dos colaboradores é outro pro-</p><p>blema comum nos locais de trabalho e origina lesões. Logo, a combinação entre</p><p>a repetitividade de uma tarefa e a postura inadequada é ainda mais prejudicial</p><p>para o trabalhador, pois associa duas variáveis negativas, responsáveis por</p><p>problema físicos, na mesma atividade.</p><p>Quando prazos e metas muito difíceis de serem atingidos são estabelecidos,</p><p>o ritmo de trabalho se torna</p><p>ainda mais intenso que o normal. Frequentemente,</p><p>essa situação pode ser bastante desgastante no que concerne a aspectos físicos</p><p>e psicológicos, afetando inclusive o sistema imunológico, que fica vulnerável a</p><p>vírus e bactérias, motivo pelo qual adoecemos. Além disso, o ritmo acelerado de</p><p>trabalho pode causar depressão, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares</p><p>e uma série de outras complicações que variam de acordo com cada pessoa.</p><p>Outro ponto importante a considerarmos é a possibilidade de retrabalho nas</p><p>mais diversas atividades, principalmente quando os prazos são muito apertados,</p><p>de forma que o indivíduo repete a ação por não ter alcançado os resultados</p><p>esperados na primeira vez.</p><p>Além do ritmo, as jornadas prolongadas de trabalho também apresentam</p><p>efeitos colaterais. Jornadas de 10 a 12 horas diárias representam um risco</p><p>ergonômico, pois, além de provocarem estresse e fadiga, em casos mais extre-</p><p>mos também são responsáveis por provocar a síndrome de burnout, também</p><p>conhecida como síndrome do esgotamento profissional, o que obviamente</p><p>compromete a produtividade. Afinal, até mesmo as máquinas têm um limite</p><p>de produção; não seria diferente com os seres humanos.</p><p>Atividades monótonas tendem a gerar distúrbios psicológicos, como</p><p>ansiedade e depressão. Em geral, esse tipo de atividade desmotiva o funcio-</p><p>nário, que pode estar fisicamente presente na empresa, mas com preocupações</p><p>subjetivas que impedem que ele se concentre e despenda a atenção necessária</p><p>Comportamento e conforto2</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 2 13/08/2018 17:13:54</p><p>à execução das suas tarefas. Assim, ocorre a diminuição da sua produtividade</p><p>e da qualidade dos seus serviços.</p><p>Os turnos de trabalho e hábitos alimentares são fatores associados à</p><p>cultura da empresa ou da região em que se situa. No Ocidente, é recorrente</p><p>a divisão da semana de trabalho em cinco dias, cada um com 8 horas de</p><p>trabalho, e a fixação de dois dias reservados ao descanso. Porém, várias pro-</p><p>fissões devem ter a sua carga horária reduzida devido ao desgaste excessivo</p><p>próprio da atividade, assim como outros podem ter uma duração um pouco</p><p>maior justamente por não exigirem tanto dos seus executores. No que tange</p><p>à alimentação, a pausa para o almoço passou de 2,5 horas para um intervalo</p><p>de 1 hora na maioria dos lugares. Isso porque uma alimentação mais leve</p><p>ao meio-dia possibilita maior rendimento no trabalho, já que assim alguns</p><p>problemas digestivos são facilmente evitados.</p><p>Existe uma demanda das empresas pelo trabalho em turnos, visto que muitas</p><p>vezes elas operam 24 horas por dia, isto é, três turnos de 8 horas ou quatro</p><p>turnos de 6 horas. Contudo, dessa lógica decorre o problema de que o traba-</p><p>lhador noturno realiza as atividades trabalhistas durante a fase trofotrópica</p><p>do organismo humano, que é a fase de recuperação e reposição de energia,</p><p>sempre à noite. Outro aspecto problemático do trabalho noturno é o isolamento</p><p>social e o distanciamento da vida familiar tradicional, uma vez que a maioria</p><p>das integrantes executa as suas ações ao longo do dia e reúne-se à noite em</p><p>família. O desafio ergonômico proposto nesse caso consiste em estabelecer</p><p>uma forma de trabalho na qual os impactos sofridos pelo trabalhador possam</p><p>ser atenuados (KROEMER; GRANDJEAN, 2007).</p><p>Além dos fatores já mencionados, para um bom ambiente de trabalho, as</p><p>condições ambientais, como ruído, iluminação, temperatura e clima, devem</p><p>ser levadas em consideração. Assim, a iluminação deve ser projetada de acordo</p><p>com o ambiente e a necessidade da tarefa. O ruído, por sua vez, pode ser</p><p>entendido como qualquer som indesejado e os seus níveis variam de acordo</p><p>com cada local de trabalho. Embora escritórios emitam menos ruídos do que</p><p>indústrias, os limites de aceitação são muito menores. Para verificar se um</p><p>ruído é aceitável ou não, é necessário confrontarmos o seu nível de ocorrência</p><p>no ambiente com o limite aceitável para aquele lugar.</p><p>A temperatura é outro elemento muito importante nos ambientes de</p><p>trabalho. Os seres humanos trocam calor com o ambiente pela condução,</p><p>convecção, evaporação e radiação. Entretanto, o trabalhador costuma notar</p><p>a variação de temperatura no seu ambiente de trabalho apenas quando ela</p><p>é desconfortável, sendo que um local com uma temperatura desagradável</p><p>gera efeitos fisiológicos. Nesse sentido, o superaquecimento gera cansaço e</p><p>3Comportamento e conforto</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 3 13/08/2018 17:13:55</p><p>sonolência, ao passo que um ambiente frio proporciona superatividade, redu-</p><p>zindo o estado de alerta e a concentração, especialmente no que diz respeito</p><p>a atividades mentais.</p><p>Exigências do conforto ambiental</p><p>e efeitos do desconforto</p><p>A fadiga pode ser defi nida como uma perda de efi ciência e desinteresse na</p><p>execução da atividade, embora essa defi nição não seja única. Além disso,</p><p>podemos classifi car esse agravo em fadiga muscular, relacionada a dores mus-</p><p>culares, e fadiga geral, manifestada como uma sensação difusa acompanhada</p><p>por sentimentos de desinteresse.</p><p>Como efeito, a fadiga muscular provoca a diminuição da altura máxima</p><p>de levantamento de carga, pois a contração do músculo e o seu relaxamento</p><p>ocorrem de forma mais lenta. Consequentemente, o intervalo entre o estímulo</p><p>e o início da contração torna-se maior. Nesse processo, ocorrem duas perdas: a</p><p>da força e a da velocidade do movimento. Correlacionados às perdas estão os</p><p>problemas de coordenação motora e aumento de erros na execução da tarefa.</p><p>Na Figura 1 a seguir, podemos visualizar a diferença de estímulos muscu-</p><p>lares presentes na relação da contração em função do tempo.</p><p>Figura 1. Diferença de estímulo muscular após estresse com base na relação da contração</p><p>em função do tempo. Curva I: músculo descansado; curva II: músculo após estresse mo-</p><p>derado; curva III: músculo após estresse intenso; curva IV: músculo após estresse violento.</p><p>Fonte: Kroemer e Grandjean (2007).</p><p>Comportamento e conforto4</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 4 13/08/2018 17:13:55</p><p>A fadiga geral está associada a uma sensação generalizada de cansaço</p><p>e bloqueio produtivo. As atividades são prejudicadas até a paralisação total,</p><p>quando o cansaço é extremo, ao que sucede a ausência de motivação tanto</p><p>para o trabalho físico quanto para o mental. Essa situação ocorre quando,</p><p>frente ao cansaço, não há a possibilidade de descanso, o que pode inclusive ser</p><p>doloroso para o trabalhador. Afinal, o cansaço é um mecanismo de proteção</p><p>que desencoraja a sobrecarga e estimula um intervalo para a o restabelecimento</p><p>do organismo.</p><p>Introduzido por Selye, em 1930 (apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007),</p><p>o termo estresse pode ser definido como a reação do organismo a uma situação</p><p>ameaçadora ou depressiva. É uma reação do corpo humano que resulta da</p><p>ativação de uma cadeia de mecanismos neuroendócrinos cujos efeitos são, na</p><p>maioria dos casos, distúrbios gastrointestinais, que podem ocasionar úlceras</p><p>gástrica ou duodenal.</p><p>A medição do estresse não é fácil, pois se trata de um estado psicológico</p><p>individual que depende da maneira como a pessoa se situa e se adapta ao</p><p>ambiente. Portanto, não existe uma medida fisiológica direta do estresse, de</p><p>modo que são necessários dados subjetivos para analisá-lo. Ele pode decorrer de</p><p>um descompasso entre as demandas impostas pelo trabalho e a capacidade de</p><p>realizá-lo, por exemplo. Todavia, em algumas hipóteses certo grau de estresse</p><p>pode aumentar a motivação do funcionário e, assim, melhorar a sua capacidade</p><p>de atingir determinadas demandas. Portanto, a dosagem adequada da carga</p><p>de trabalho é fundamental para que tenhamos um ambiente produtivo, pois a</p><p>subutilização das capacidades humanas gera tédio e monotonia.</p><p>De acordo com Kroemer e Grandjean (2007), monotonia é a falta de</p><p>estímulos e o tédio é a reação das pessoas que se encontram nessa condição.</p><p>O tédio geralmente é originado pelos seguintes fatores:</p><p> trabalho repetitivo e prolongado, que não exige muito em termos cog-</p><p>nitivos, mas também</p><p>não permite que o trabalhador pense em outros</p><p>assuntos;</p><p> trabalho de supervisão prolongado e monótono, exigindo vigilância</p><p>contínua.</p><p>A Figura 2 evidencia a diferença entre tarefas mentais estimulantes e</p><p>tarefas repetitivas.</p><p>5Comportamento e conforto</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 5 13/08/2018 17:13:55</p><p>Figura 2. Valores médios de frequência de fusão de pulsos de luz</p><p>dos olhos com base na frequência em função do tempo.</p><p>Fonte: Kroemer e Grandjean (2007).</p><p>Notemos que em nenhum dos dois fatores existem elementos que exigem</p><p>qualquer tipo de ação do operador. Nas indústrias, ciclos muito pequenos de</p><p>operações com poucas oportunidades de movimento corporal são favoráveis</p><p>ao tédio, assim como ambientes de trabalho à meia luz, com temperaturas</p><p>elevadas ou isolados, sem contato com colegas de trabalho.</p><p>O trabalho noturno prolongado é propício ao tédio, pois isola a pessoa do</p><p>convívio social e priva o seu contato com colegas de trabalho. Em síntese, a</p><p>possibilidade de tédio é maior nos seguintes casos:</p><p> pessoas que se encontram em estado de fadiga;</p><p> trabalhadores não adaptados ao trabalho noturno;</p><p> pessoas com baixa motivação e pouco interesse;</p><p> pessoas com alto nível de educação, conhecimento e habilidade;</p><p> pessoas ativas que buscam uma atividade desafiadora.</p><p>Comportamento e conforto6</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 6 13/08/2018 17:13:55</p><p>Por outro lado, há características atenuantes e resistentes ao tédio:</p><p> pessoas descansadas e alertas;</p><p> pessoas em fase de aprendizado (estágio, nova função no trabalho, etc.);</p><p> pessoas satisfeitas com o seu emprego.</p><p>A insatisfação em relação ao trabalho é uma equação muitas vezes de difícil</p><p>dedução e solução por estar ligada a diversos fatores, como fadiga, estresse,</p><p>tédio, cansaço, entre outros. Como já comentamos, o índice de motivação no</p><p>trabalho relaciona-se ao tédio e, consequentemente, à fadiga. Assim, quanto</p><p>maior é a satisfação com o trabalho, mais eficiente é o processo produtivo.</p><p>Linhas de produção repetitivas e motorizadas raramente são vistas com</p><p>interesse pelos colaboradores, uma vez que são mais atrativas as que per-</p><p>mitem a montagem livre, concedendo certa liberdade para o funcionário,</p><p>conforme indicaram os estudos de Wyatt e Marriot (1956, apud KROEMER;</p><p>GRANDJEAN, 2007). Outro fator a ser considerado na análise da motivação</p><p>é a jornada de trabalho, posto que o objetivo da empresa deve produzir com</p><p>qualidade e não manter os funcionários no trabalho pelo máximo de tempo</p><p>possível. Frequentemente, diminuir a jornada de trabalho pode aumentar a</p><p>produção. Da mesma forma, aumentar a jornada pode ocasionar o resultado</p><p>inverso, de modo que a qualidade da produção decai.</p><p>A curva ótima da jornada de trabalho foi proposta por Lehman (1962, apud</p><p>KROEMER; GRANDJEAN, 2007) e está expressa na Figura 3. Fundamentados</p><p>por essas curvas, podemos concluir facilmente que aumentar a jornada de</p><p>trabalho não acarreta um aumento proporcional da produção, sobretudo no</p><p>que se refere a trabalhos físicos de intensidade média ou pesada. Em algumas</p><p>situações, após 10 horas de trabalho, a queda na produtividade é total devido</p><p>à redução do ritmo de trabalho ocasionado pela fadiga.</p><p>Portanto, horas extras e o consequente aumento na jornada de trabalho</p><p>geram resultados decepcionantes em grande parte das vezes, pois a maioria</p><p>dos trabalhadores tende a manter um resultado diário. Assim, à medida que</p><p>a jornada de trabalho se estende, ocorre um ajuste no ritmo de trabalho para</p><p>compensar. É evidente que a velocidade do ritmo de trabalho pode aumentar</p><p>com a adoção de incentivos financeiros. Porém, ainda que essa prática se torne</p><p>um hábito, ela não é eficaz a longo prazo, o que exige medidas mais adequadas</p><p>em conformidade com as limitações dos funcionários.</p><p>7Comportamento e conforto</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 7 13/08/2018 17:13:55</p><p>Figura 3. Relação entre horas trabalhadas e produtividade. Curva A: trabalho leve; curva</p><p>B: trabalho moderado; curva C: trabalho manual pesado.</p><p>Fonte: Kroemer e Grandjean (2007).</p><p>A semana organizada em cinco dias de trabalho e dois para descanso</p><p>combina bem com a jornada diária de 40 horas de atividade. A redução da</p><p>semana de seis para cinco dias reduz o número de faltas, além de proporcionar</p><p>mais oportunidades de descanso e relaxamento, que também estimulam o</p><p>convívio social.</p><p>Ademais, há a possibilidade de estabelecer uma semana de quatro dias,</p><p>estendendo a jornada diária de trabalho. A experiência foi favorável em alguns</p><p>locais nos Estados Unidos, na Alemanha e na França, embora especialistas e</p><p>médicos considerem essa extensão do trabalho diário negativa para a saúde</p><p>geral da população. Na Europa, podemos verificar uma experiência de tra-</p><p>balho com semanas de três dias e carga horária de 30 horas (KROHEMER;</p><p>GRADJEAN, 2007).</p><p>No contexto da preocupação com o tempo da jornada de trabalho, devemos</p><p>refletir acerca das pausas: qual é a sua relação com o descanso e a produ-</p><p>tividade? É consenso entre os autores que as pausas para descanso tendem</p><p>a aumentar a produção, pois previnem a fadiga e estimulam o relaxamento.</p><p>Contudo, no caso dos trabalhos em turnos ou noturnos, a situação é um pouco</p><p>diferente, pois o organismo humano é naturalmente voltado para a performance</p><p>durante o dia. Por isso, o trabalhador noturno não exerce a sua atividade na</p><p>fase de performance, mas no ciclo de descanso, o que pode ser entendido como</p><p>um problema fisiológico e psicológico (IIDA, 1990).</p><p>Comportamento e conforto8</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 8 13/08/2018 17:13:55</p><p>O papel da ergonomia nessa situação é planejar a atividade para que ela gere</p><p>o menor problema possível à saúde e ao convívio social do indivíduo. Além da</p><p>tendência natural a uma produtividade menor, o trabalho noturno aumenta a</p><p>frequência de acidentes e a disposição para doenças ocupacionais. A resposta</p><p>a esses problemas é a perturbação causado pela mudança do trabalho diurno</p><p>para o noturno, gerando um conflito no organismo do trabalhador em função</p><p>da desarmonia dos ciclos internos ambientais claro-escuro e dos ciclos de con-</p><p>tatos sociais que estão relacionados a saúde física. Por exemplo, o isolamento</p><p>social pode provocar tédio e depressão (KROHEMER; GRADJEAN, 2007).</p><p>Tanto no trabalho diurno quanto no noturno, a iluminação de ser ade-</p><p>quada ao ambiente para que tenhamos o conforto visual necessários. Assim,</p><p>é necessário o equilíbrio na distribuição da luminosidade, de forma que os</p><p>ofuscamentos sejam eliminados. Os níveis de iluminação aumentaram signi-</p><p>ficativamente ao longo do tempo, fato que não deve ser confundido com uma</p><p>teoria simplista do tipo “quanto mais luz, melhor”.</p><p>Em pesquisa realizada em 1971, Nemecek e Grandjean (1971) apontaram</p><p>que mais de 1.000 lux de potência luminosa aumentam os riscos de reflexos,</p><p>fortes sombras e contrastes excessivos. Quando ocorre de forma direta (luz</p><p>diretamente nos olhos do trabalhador) ou indireta (reflexo de espelho, lumi-</p><p>nária de trabalho refletida na tela do computador, etc.), o ofuscamento torna o</p><p>trabalho visual praticamente impossível. Logo, ambos os tipos de ofuscamento</p><p>devem ser evitados por meio de medidas ergonômicas.</p><p>O ruído nos ambientes altera o estado de alerta e perturba aspectos gerais,</p><p>uma vez que dificuldade a comunicação entre os trabalhadores. Com relação</p><p>ao desempenho, o barulho interfere nas atividades mentais complexas e nas</p><p>tarefas físicas de precisão, além de tornarem o aprendizado mais difícil.</p><p>Quando o ruído perturba o sono, ele irrita o sistema nervoso central e pode</p><p>causar fadiga crônica.</p><p>Mais um fator importante na variação da produtividade é a condição cli-</p><p>mática no local de trabalho. O nível de conforto não está ligado apenas à</p><p>temperatura do ambiente, mas também à temperatura das superfícies do</p><p>entorno, bem como à umidade, ao movimento e à qualidade do ar. Dessa forma,</p><p>estabelecer uma zona de conforto térmico é essencial, pois o superaquecimento</p><p>gera cansaço, sonolência,</p><p>redução de desempenho físico e aumento de erros.</p><p>Ademais, o corpo reduz a troca de calor quando realiza menos atividades, o</p><p>que é um mecanismo de defesa do nosso organismo. Assim, o superesfriamento</p><p>reduz a atenção e o alerta, sobretudo nas atividades que exigem precisão.</p><p>9Comportamento e conforto</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 9 13/08/2018 17:13:55</p><p>Conforme discutirmos até este momento dos nossos estudos, os fatores ergonômicos,</p><p>psicológicos, socioculturais, ambientais e físicos não atuam de forma isolada. Um</p><p>exemplo disso é a fadiga, que pode ser resultado de uma demanda excessiva de</p><p>trabalho, da execução de atividades no turno noturno ou da temperatura do ambiente.</p><p>Para a máxima produção, todos os fatores devem ser considerados, de forma que o</p><p>pensamento da tarefa seja global, dadas todas as variáveis.</p><p>Resolução de problemas com base</p><p>no conforto ambiental</p><p>Como estudamos anteriormente, o conforto térmico está relacionado à tem-</p><p>peratura, umidade, qualidade e movimento do ar. A temperatura de zona de</p><p>conforto é a entre 20°C e 23°C.</p><p>Contudo, qual é a relação entre a temperatura e a umidade do ar? Na</p><p>prática, a umidade relativa do ar não varia muito, situando-se na faixa entre</p><p>30% a 70%, de forma que pouco influencia a variação da temperatura. To-</p><p>davia, é importante ressaltarmos a influência da umidade do ar na zona de</p><p>desconforto. O limite para a sensação de abafamento impõe a umidade do</p><p>ar em 80% e a temperatura de 18°C ou a umidade de 60% e a temperatura</p><p>de 24°C. Outra observação relevante é que, quando a umidade relativa do ar</p><p>encontra-se abaixo de 30%, o ar torna-se muito seco, o que provoca o aumento</p><p>da incidência de doenças respiratórias e irritações crônicas das passagens de</p><p>ar nasal e brônquica.</p><p>A iluminação enquanto fator prático é muito relevante. A Associação</p><p>Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) editou uma norma, a NBR ISO/CIE</p><p>8995-1:2013 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,</p><p>2013), intitulada “Iluminação de ambientes de trabalho”, que especifica os</p><p>requisitos relativos à iluminação nos locais internos de trabalho. Como no Brasil</p><p>as normas dispõem de força legislativa, o projetista deve obrigatoriamente</p><p>atender os requisitos mínimos estabelecidos. Porém, somente essa ação não</p><p>basta, pois também é preciso escolher o tipo adequado de iluminação, uma</p><p>vez que evitar o ofuscamento em uma sala de escritórios é uma das tarefas</p><p>ergonômicas mais importantes.</p><p>A capacidade de visão piora quando a fonte de ofuscamento se aproxima</p><p>do eixo óptico, conforme podemos verificar na Figura 4.</p><p>Comportamento e conforto10</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 10 13/08/2018 17:13:55</p><p>Figura 4. Efeito do ofuscamento na capacidade de visão.</p><p>Fonte: Kroemer e Grandjean (2007).</p><p>11Comportamento e conforto</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 11 13/08/2018 17:13:56</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Iluminação de ambientes de traba-</p><p>lho. Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br/norma.</p><p>aspx?ID=196479>. Acesso em: 25 jul. 2018.</p><p>IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Blucher, 1990.</p><p>KROEMER, K. H. E.; GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao</p><p>homem, 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007.</p><p>NEMECEK, J.; GRANDJEAN, E. Grossraumbüro in arbeitsphysiologischer Sicht. Industrielle</p><p>Organisation, v. 40, p. 233-234, 1971.</p><p>Leitura recomendada</p><p>BEECORP. Principais riscos ergonômicos encontrados nas empresas. BeeCorp, 11 mai.</p><p>2017. Disponível em: <http://beecorp.com.br/blog/riscos-ergonomicos-encontrados-</p><p>-nas-empresas/>. Acesso em: 25 jul. 2018.</p><p>Comportamento e conforto12</p><p>C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 12 13/08/2018 17:13:56</p><p>LUMINOTÉCNICA</p><p>Fernanda Lyrio Ursine</p><p>Iluminação deficiente:</p><p>conforto lumínico</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Definir conforto lumínico.</p><p>� Reconhecer como o projeto luminotécnico pode interferir no conforto</p><p>ambiental.</p><p>� Listar exemplos de ambientes ideais e problemas relacionados ao</p><p>conforto luminoso.</p><p>Introdução</p><p>Uma iluminação eficiente, seja natural ou artificial, melhora a visualiza-</p><p>ção do ambiente, a segurança e o desempenho de tarefas, evitando</p><p>fadiga visual ou desconforto. A luminosidade também influencia no</p><p>comportamento dos indivíduos e na maneira como eles se relacionam</p><p>e percebem o espaço.</p><p>Para um bom desempenho lumínico, é importante respeitar a acui-</p><p>dade visual, a sensibilidade ao contraste e a eficiência das funções ocula-</p><p>res. Para isso, é necessário o planejamento da quantidade e qualidade da</p><p>iluminação, além de considerar as características da cor da fonte de luz, o</p><p>índice de reprodução de cor, o tipo de iluminação, o nível de ofuscamento</p><p>do sistema, o ambiente e a tarefa a ser realizada nele.</p><p>Neste capítulo, você vai aprender os conceitos de conforto lumínico e</p><p>como o projeto luminotécnico pode contribuir para o conforto ambiental.</p><p>Esses aspectos serão demonstrados por meio de exemplos e análises.</p><p>O que é conforto lumínico?</p><p>A qualidade da iluminação é definida pelas exigências visuais, fisiológicas e</p><p>psíquicas dos usuários e varia de acordo com a função dos ambientes e o tipo</p><p>de atividade que é desempenhada neles. A iluminação assume qualidades que</p><p>vão além do conforto e do bem-estar, pois ela confere também personalidade e</p><p>características aos ambientes, como, por exemplo, a possibilidade de torná-los</p><p>confortáveis, saudáveis ou produtivos (VALVERDE, 2014). Há muitos estudos</p><p>que buscam compreender os efeitos da iluminação em relação ao comporta-</p><p>mento humano considerando aspectos ambientais, sociais e comportamentais.</p><p>Para Lima e San Martín (2009), a qualidade lumínica ocorre quando o</p><p>sistema de iluminação é adequado para a realização de tarefas e promove</p><p>conforto visual, apresentando uma eficiente distribuição de luz no ambiente,</p><p>bem como a ausência de reflexos e contrastes excessivos, como a incidência</p><p>solar direta no plano de trabalho. Assim, realiza-se a junção do sistema lumínico</p><p>com as necessidades dos indivíduos, levando em conta aspectos emocionais,</p><p>além de fatores como o conforto visual, o julgamento estético, a saúde, a</p><p>segurança, a comunicação visual e o desempenho do ambiente de trabalho,</p><p>conforme ilustrado na Figura 1.</p><p>Figura 1. Esquema de necessidades em relação à qua-</p><p>lidade lumínica.</p><p>Fonte: Adaptada de Lima e San Martín (2009).</p><p>Necessidades</p><p>emocionais</p><p>Realização</p><p>de</p><p>tarefas</p><p>Conforto</p><p>visual</p><p>Saúde,</p><p>segurança e</p><p>bem-estar</p><p>Julgamento</p><p>estético</p><p>Qualidade</p><p>lumínica</p><p>Comunicação</p><p>visual</p><p>Iluminação deficiente: conforto lumínico2</p><p>O conforto lumínico ou visual se refere às condições que permitem que o</p><p>indivíduo desenvolva suas tarefas com o máximo de acuidade, considerando</p><p>a medida da habilidade do olho humano em discernir detalhes e a precisão</p><p>visual. É, portanto, a qualidade dos estímulos ambientais à visão provocados</p><p>pela quantidade de luz, sua variação e distribuição, seja natural, seja artificial.</p><p>A iluminação natural é a luz que melhor se adapta ao olho humano e</p><p>interfere “[...] diretamente na fisiologia, no bem-estar e na saúde humana”</p><p>(ALVES, 2011, apud VALVERDE, 2014, p. 29). Em ambientes internos,</p><p>a luz natural sofre variações em função da composição espectral com o clima.</p><p>Em janelas laterais, é possível criar uma distribuição de luminância devido</p><p>ao fluxo horizontal. Além das janelas, a iluminação natural pode ser obtida</p><p>por aberturas zenitais e outros elementos de fenestração (ASSOCIAÇÃO</p><p>BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS [ABNT], 2013).</p><p>A iluminação artificial deve ser utilizada sempre que há insuficiência ou</p><p>ausência da iluminação natural, permitindo a criação de efeitos intencionais,</p><p>a variação de luz para o mesmo ambiente ou até mesmo o destaque de algum</p><p>elemento. O conforto ambiental é uma condição de satisfação do indivíduo</p><p>em relação ao ambiente e influencia em fatores de natureza térmica, acústica</p><p>e lumínica.</p><p>O conforto visual contribui para:</p><p>� condições ergonômicas</p><p>de uso;</p><p>� eficiência no desenvolvimento das tarefas;</p><p>� segurança;</p><p>� bem-estar;</p><p>� qualidade de vida.</p><p>Como o projeto luminotécnico pode interferir</p><p>no conforto ambiental?</p><p>O projeto luminotécnico para ambientes se baseia no conhecimento do es-</p><p>paço físico, no levantamento funcional do espaço, no foco da atividade, na</p><p>definição do tipo de iluminação, na especificação das lâmpadas e luminárias,</p><p>na análise de custos e no controle e nos ajustes das especificidades do projeto</p><p>(TOLEDO, 2008).</p><p>3Iluminação deficiente: conforto lumínico</p><p>Uma boa iluminação requer igual atenção para a quantidade e qualidade da</p><p>iluminação. Embora seja necessária a provisão de uma iluminância suficiente</p><p>em uma tarefa, em muitos exemplos a visibilidade depende da maneira pela</p><p>qual a luz é fornecida, das características da cor da fonte de luz e da superfície</p><p>em conjunto com o nível de ofuscamento do sistema (ABNT, 2013, p. vii).</p><p>A ABNT possui diversas normas, como a NBR 5413 (ABNT, 1992) e</p><p>a NBR ISO/CIE 8995-1 (ABNT, 2013), que estabelecem parâmetros mínimos</p><p>adequados a determinados tipos de locais e atividades para conferir conforto</p><p>visual aos usuários, como, por exemplo, em iluminação de interiores e de</p><p>ambientes de trabalho.</p><p>No projeto luminotécnico, devem ser considerados aspectos como os lis-</p><p>tados a seguir.</p><p>� Função do ambiente e tarefa desempenhada: o primeiro passo é iden-</p><p>tificar a função e a atividade realizada no ambiente. Em seguida, é</p><p>preciso verificar os parâmetros de luminância das normas da ABNT.</p><p>� Economia de energia: avaliar o uso de luminárias e lâmpadas de melhor</p><p>eficiência energética. Em casos específicos, é necessário considerar o</p><p>uso de sensores de acendimento acionados pela presença dos usuários</p><p>ou pela redução da iluminação natural.</p><p>� Limpeza e manutenção: considerar condições de substituição de lâm-</p><p>padas ou luminárias, bem como limpeza e reparo das peças.</p><p>� Tipo de iluminação: a iluminação é categorizada em três tipos: direta,</p><p>difusa e indireta, conforme é ilustrado na Figura 2.</p><p>Figura 2. Tipos de iluminação: (a) direta; (b) difusa; (c) indireta.</p><p>Fonte: Tipos de luminárias (2019, documento on-line).</p><p>(a) (b) (c)</p><p>Iluminação deficiente: conforto lumínico4</p><p>A iluminação direta ocorre quando a luz incide diretamente sobre a su-</p><p>perfície. Nesse caso, a luminária possui fonte de luz visível. A luz direta é</p><p>utilizada para focar algo ou para criar sombras intencionais. Geralmente, são</p><p>utilizadas com plafons e lâmpadas com facho direcionado.</p><p>A iluminação direta é muito aplicada em lojas e museus para destacar objetos e merca-</p><p>dorias. Em residências, é comumente utilizada para evidenciar elementos decorativos,</p><p>como quadros e esculturas, ou até mesmo em luminárias de mesa para leitura.</p><p>O uso de iluminação direta, em uma loja de roupas, por exemplo, pode ser</p><p>produzido com plafons embutidos no forro de gesso e com facho direcionado,</p><p>conforme a Figura 3a. Na Figura 3b, a iluminação direta também é feita com</p><p>plafons, mas, nesse caso, a instalação é em trilhos. Utilizou-se ainda ilumi-</p><p>nação indireta nos nichos da parede para complementar o efeito lumínico.</p><p>Outra maneira de empregar a iluminação direta é por meio de luminárias de</p><p>piso ou de mesa, ideais para leitura. Os modelos de luminárias com hastes</p><p>flexíveis são interessantes para ajustes do posicionamento do foco de luz,</p><p>como mostra a Figura 3c.</p><p>Figura 3. Iluminação direta. (a) Luminária embutida no forro de gesso. (b) Luminária de</p><p>trilho. (c) Luminária de mesa.</p><p>Fonte: Yllera (2014); Ava Intimates (2019, documento on-line); Galpão Design (2015).</p><p>(a) (b) (c)</p><p>5Iluminação deficiente: conforto lumínico</p><p>A iluminação difusa é aquela que distribui a luz uniformemente por um</p><p>difusor, que é uma espécie de filtro, geralmente em acrílico ou vidro e com</p><p>possibilidade de reter aproximadamente 20% da luz. A luz difusa pode ser</p><p>utilizada de maneira a evitar o ofuscamento, garantindo a homogeneidade da</p><p>luz no ambiente (G-LIGHT, 2019).</p><p>A iluminação difusa pode ser utilizada em ambientes de relaxamento e descanso. Na</p><p>maioria dos casos, é aplicada para criar efeitos decorativos que não ofuscam os usuários.</p><p>A iluminação difusa é utilizada para criar ambientes com eficiência lumi-</p><p>nosa sem ofuscamento, como, por exemplo, o uso de abajur ao lado da cama,</p><p>ilustrado na Figura 4a, em que a luz para leitura é capaz de criar um clima</p><p>de repouso. A luz difusa é indicada quando se deseja realizar boa luminância</p><p>de uma fonte de luz frontal, porém, evitando ofuscamento, como é o caso da</p><p>Figura 4b, na qual a iluminação nas bordas do espelho é difundida por vidro.</p><p>A iluminação difusa é muito usada em situações em que a fonte luminosa</p><p>se encontra no campo de visão dos usuários, como os pendentes em mesas,</p><p>conforme a Figura 4c.</p><p>Iluminação deficiente: conforto lumínico6</p><p>Figura 4. Iluminação difusa. (a) Abajur. (b) Espelho iluminado. (c) Pendente em mesa.</p><p>Fonte: Lima (2017); Modelos de lustres e pendentes (2017, documento on-line).</p><p>(a)</p><p>(b) (c)</p><p>A iluminação indireta é formada quando a luz é refletida em uma su-</p><p>perfície. Nesse tipo de iluminação, parte da luz é dissipada pela superfície,</p><p>uniformizando a forma. Esse tipo de luz pode ser empregado por meio de</p><p>luminárias, sancas, forros ou até mesmo estantes e mobiliários. Em quartos,</p><p>o uso de iluminação indireta é um recurso interessante para proporcionar</p><p>relaxamento aos usuários, como no caso da Figura 5a, em que a luz foi insta-</p><p>lada em cabeceira e rebatida na parede. Na Figura 5b, a iluminação indireta</p><p>embutida nos nichos destaca o móvel e valoriza a composição. Há diferentes</p><p>modelos de arandelas de iluminação indireta que criam efeitos decorativos e</p><p>funcionam como balizadores. Em alguns casos, essas peças complementam</p><p>a iluminação geral, como na Figura 5c, na qual a luz é utilizada como um</p><p>elemento decorativo.</p><p>7Iluminação deficiente: conforto lumínico</p><p>A sanca invertida é um recurso muito usado para produzir iluminação</p><p>indireta, podendo ser a principal fonte luminosa ou um complemento da</p><p>iluminação. Na Figura 5d, a sanca produz a iluminação geral do ambiente e os</p><p>abajures fazem a iluminação complementar. O uso desse tipo de iluminação é</p><p>interessante em quartos, uma vez que os feixes luminosos não são direcionados</p><p>para os olhos dos usuários, favorecendo o repouso.</p><p>Figura 5. Iluminação indireta. (a) Lâmpada embutida em painel. (b) Nichos com iluminação</p><p>superior. (c) Arandela. (d) Sanca.</p><p>Fonte: F.Schmidt/Shutterstock.com; Studio Deux (2018); Aguiar (2017); Quarto de casal moderno (2017).</p><p>(a)</p><p>(c) (d)</p><p>(b)</p><p>Iluminação deficiente: conforto lumínico8</p><p>A iluminação deve ser alinhada à função e ao caráter dos ambientes,</p><p>possibilitando a combinação de mais de um tipo de luz no mesmo espaço.</p><p>Assim, ela pode proporcionar diferentes sensações. Portanto, a escolha do seu</p><p>tipo é fundamental para que o ambiente seja coerente com suas atividades e</p><p>seus usuários.</p><p>Temperatura de cor da lâmpada</p><p>A aparência da cor influencia em aspectos psicológicos e estéticos e depende</p><p>da luminância, das cores e das funções do ambiente. A temperatura da cor é</p><p>dada em escala Kelvin e se refere à cor aparente da luz emitida pela lâmpada,</p><p>podendo ser amarela, neutra ou branca.</p><p>A iluminação amarela, isto é, quente e com temperatura de cor até 3.300 K,</p><p>é ideal para ambientes de caráter aconchegante e confortável. Já a iluminação</p><p>neutra, de 3.300 K a 5.300 K, é adequada para locais de passagem e atividades</p><p>moderadas. Para ambientes que necessitam de concentração, produtividade</p><p>e limpeza, a luz branca, ou seja, acima de 5.300 K, é a mais apropriada.</p><p>Na Figura 6, confira o uso das três temperaturas de cor — amarela, neutra e</p><p>branca — no mesmo ambiente (ABNT, 2013).</p><p>Figura 6. Três temperaturas no mesmo ambiente: a) luz amarela; b) luz neutra; c) luz branca.</p><p>Fonte: Adaptada de gualtiero boffi/Shutterstock.com.</p><p>(a) (b) (c)</p><p>Para uso adequado, os fabricantes de lâmpadas devem informar ao con-</p><p>sumidor a temperatura de cor, conforme pode ser observado no Quadro</p><p>que exigem produção intelectual,</p><p>estabelecendo uma temperatura efetiva entre 20° e 23°C, umidade relativa</p><p>do ar não inferior a 40% e velocidade do ar não superior a 0,75 m/s (SÃO</p><p>PAULO, 2007).</p><p>43Introdução aos conceitos de conforto ambiental</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 43 17/09/2018 14:26:44</p><p>Acesse o link abaixo para conferir a NR nº. 17 na íntegra:</p><p>https://goo.gl/kysnKf</p><p>Conforto acústico</p><p>Para obter melhores resultados em projetos, é essencial que, nas etapas ini-</p><p>ciais, as premissas sejam bem defi nidas. No caso do conforto acústico, não</p><p>é diferente. Existem três pontos a serem atingidos para que o desempenho</p><p>acústico seja satisfatório. O primeiro é o controle das barreiras sonoras dos</p><p>ruídos externos. Em resumo, trata-se da verifi cação dos sons emitidos pelas</p><p>indústrias, pontos comerciais, veículos, entre outros. O segundo ponto a ser</p><p>verifi cado é o desempenho da própria edifi cação, este projetado e mais bem</p><p>controlado. O terceiro é o desempenho acústico da própria peça, o nível de</p><p>reverberação no interior da peça estudada.</p><p>O som pode ser definido como sendo o deslocamento das partículas de ar</p><p>adjacentes que vão deslocando outras, indefinidamente, formando movimento</p><p>de ondas através do ar. O movimento permite que o som seja difratado e se</p><p>propague, como qualquer outro movimento ondulatório. Para amenizar os</p><p>efeitos sonoros em termos de projeto, é necessário alterar o percurso de trans-</p><p>missão sonora, executar a quebra da onda. Para isso, devem ser combinados</p><p>materiais com boa absorção acústica e boa reflexão acústica, reduzindo o som</p><p>transmitido ao ambiente.</p><p>Materiais de boa absorção acústica, na maioria das vezes, são porosos,</p><p>macios, fibrosos (todos esses com capacidade de quebrar as ondas sonoras).</p><p>A reflexão acústica é a capacidade do material de expelir o som incidente.</p><p>Geralmente, bons isoladores são materiais de maior densidade, como visua-</p><p>lizado na Figura 1.</p><p>Introdução aos conceitos de conforto ambiental44</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 44 17/09/2018 14:26:44</p><p>Figura 1. Divisão de energia sonora.</p><p>Fonte: Adaptada de Carvalho (2006).</p><p>Som incidenteSom re�etido</p><p>Som absorvido</p><p>Som transmitido</p><p>Material absorvente</p><p>Som transmitido</p><p>Material isolante</p><p>Som absorvido</p><p>Som incidente Som re�etido</p><p>Tanto os materiais de boa absorção quanto os de reflexão acústica variam</p><p>conforme a frequência da onda; em ambos, o desempenho é melhor para</p><p>ondas de frequências mais altas. Esse fato é explicado porque ondas de alta</p><p>frequência têm menor comprimento, e esse valor é próximo ao tamanho das</p><p>fibras e poros dos materiais. Dessa forma, não é possível o deslocamento</p><p>através do material.</p><p>No Brasil, com relação ao controle de conforto acústico, podemos citar</p><p>as seguintes normas:</p><p> ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) NBR (Norma Brasi-</p><p>leira) 10151:2000 — Acústica — Avaliação do ruído em áreas habitadas,</p><p>visando o conforto da comunidade — Procedimento;</p><p> ABNT NBR 10152:2017 — Acústica — Níveis de pressão sonora em</p><p>ambientes internos a edificações;</p><p> ABNT NBR 15575:2013 — Edificações habitacionais — Desempenho;</p><p> NR nº. 17.</p><p>Além dessas, existem diversas normas internacionais relacionadas ao</p><p>conforto acústico.</p><p>45Introdução aos conceitos de conforto ambiental</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 45 17/09/2018 14:26:45</p><p>Com base nos parâmetros de ruído estabelecidos, muitas vezes por normas,</p><p>outras por solicitações do usuário, o projetista deve atuar nos três vértices do</p><p>projeto já citados. Para o controle do ruído externo, os fatores atenuadores</p><p>podem ser:</p><p> a distância da edificação em relação à fonte sonora;</p><p> o uso de barreiras acústicas, de forma a interromper a linha direta da</p><p>onda sonora;</p><p> a modificação da orientação da edificação;</p><p> a atenuação do som por elementos de fachada.</p><p>Internamente à edificação, a escolha do arranjo interno correto é extre-</p><p>mamente importante para um bom desempenho acústico, separando as zonas</p><p>com ruído das regiões nas quais os sons precisam ser atenuados.</p><p>Por fim, em relação à estrutura, seis fatores devem ser levados em con-</p><p>sideração no projeto acústico:</p><p> rigidez estrutural;</p><p> isolamento acústico da estrutura, tendo como objetivo isolar elementos</p><p>estruturais;</p><p> massa da estrutura;</p><p> absorção interna da estrutura;</p><p> identificação e ruptura das ondas de som que afetam a estrutura;</p><p> integridade estrutural.</p><p>Dessa forma, podemos perceber a importância da identificação de todo</p><p>o ambiente no qual o projeto está inserido. O estudo começa pelo ambiente</p><p>externo, passa pelo leiaute interno, pela escolha do sistema estrutural e chega</p><p>à escolha dos materiais de construção. Somente interligando essas áreas será</p><p>possível projetar um ambiente com nível de ruído satisfatório.</p><p>Conforto luminoso</p><p>Com relação ao conforto luminoso, mais do que adaptar o uso ao ambiente, o</p><p>profi ssional deve buscar a máxima efi ciência energética. O correto controle</p><p>de iluminação pode ser um importante fator para a redução de custos opera-</p><p>cionais, além de proporcionar uma melhor produção, no caso de uma fábrica,</p><p>ou bem-estar, em uma residência.</p><p>Introdução aos conceitos de conforto ambiental46</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 46 17/09/2018 14:26:45</p><p>O nível de iluminação desejado depende do ambiente a ser projetado.</p><p>A ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013 estabelece requisitos mínimos para o</p><p>nível de iluminância com base nas tarefas visuais ou nos locais de trabalho.</p><p>Existem diferentes objetivos em iluminação. Para os locais de trabalho, o</p><p>objetivo é o conforto. Nesse caso, busca-se a quantidade de luz, e a ilumi-</p><p>nância pode ser medida a 0,75 m do piso, quando o campo de trabalho não</p><p>for exatamente definido. Além disso, mais duas exigências são descritas:</p><p>a primeira exigência é que não ocorra iluminância menor do que 1/10</p><p>do adotado no campo de trabalho; a segunda exigência é que a média de</p><p>nenhum ponto no campo de trabalho seja inferior a 70% da iluminância</p><p>média encontrada. Já para residências e pontos comerciais, o objetivo,</p><p>além do conforto, é a demarcação dos espaços, o que significa também a</p><p>busca por cores.</p><p>Além desses itens, o conforto luminotécnico envolve também evitar o</p><p>velamento, o ofuscamento, o deslumbramento e o iluminamento uniforme</p><p>prolongado.</p><p>O iluminamento uniforme prolongado pode trazer prejuízo à saúde dos trabalhadores,</p><p>quando estes, por exemplo, fazem plantões em áreas fechada, a exemplo do ambiente</p><p>na figura abaixo.</p><p>Fonte: Saikorn/Shutterstock.com.</p><p>47Introdução aos conceitos de conforto ambiental</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 47 17/09/2018 14:26:45</p><p>Para que a iluminância desejada seja atendida de forma eficiente, apro-</p><p>veitando-se ao máximo os recursos disponíveis, devem ser estudados o po-</p><p>tencial de luz diurna, o potencial de insolação, a geometria solar, o projeto</p><p>de esquadrias e os demais elementos que podem ser representativos em cada</p><p>situação de projeto.</p><p>Ergonomia</p><p>Os conceitos apresentados anteriormente atuam de forma indireta ao homem;</p><p>são sensações de calor, falta ou excesso de visibilidade, e excesso de ruído,</p><p>por exemplo. No caso da ergonomia, o conceito se aplica de forma direta.</p><p>Esforços repetitivos e realizados com postura e de forma inadequada geram</p><p>fadigas e lesões. A consequência é a redução da produção e, até mesmo, o</p><p>afastamento do trabalho. Para realizar trabalhos prolongados em uma mesma</p><p>posição, é necessário que se tenha uma postura adequada para tal atividade,</p><p>por exemplo, ao digitar em um computador (Figura 2).</p><p>Figura 2. Exemplo de postura correta em frente ao computador.</p><p>Fonte: Maanas/Shutterstock.com.</p><p>Por isso, existe a necessidade cada vez maior de adequar o homem à máquina,</p><p>sendo este o pilar da criação da ergonomia. Explicitamente, o objetivo da ergo-</p><p>nomia é a satisfação e o conforto do usuário, garantindo que, durante a operação</p><p>do equipamento, ocorra a correta prática laboral, evitando fadigas e lesões.</p><p>Introdução aos conceitos de conforto ambiental48</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb</p><p>1.</p><p>9Iluminação deficiente: conforto lumínico</p><p>Fonte: ABNT NBR ISO/CIE 8995-1:2013.</p><p>Aparência da cor Temperatura de cor correlata</p><p>Quente Abaixo de 3.300 K</p><p>Intermediária 3300 K a 5.300 K</p><p>Fria Acima de 5.300 K</p><p>Quadro 1. Relação da temperatura de cor em Kelvin</p><p>Índice de reprodução de cor</p><p>A fidelidade de cor das lâmpadas é medida por meio do índice de reprodução</p><p>de cor, representado pela sigla Ra e criado para fornecer uma indicação obje-</p><p>tiva das propriedades da fonte de luz. O valor máximo de Ra é 100, podendo</p><p>diminuir de acordo com a redução da qualidade de reprodução da cor (ABNT,</p><p>2013). A utilização de lâmpadas com Ra acima de 80 assegura ao usuário a</p><p>qualidade visual das cores, evitando desconforto ou confusão em relação à</p><p>visualização cromática.</p><p>O projeto luminotécnico planeja as características da iluminação no</p><p>ambiente, atribuindo, além de caráter, significados intencionais, a partir da</p><p>quantidade e da qualidade da iluminação, das características da cor da fonte</p><p>de luz, do tipo de iluminação, do nível de ofuscamento do sistema, do tipo</p><p>de ambiente, da tarefa realizada e do índice de reprodução de cor. O objetivo</p><p>do projeto luminotécnico é desenvolver uma solução de iluminação artificial</p><p>adequada para que as atividades possam ser realizadas com segurança, pro-</p><p>dutividade, sentido de ordem e prazer visual.</p><p>Para conhecer melhor as especificações indicadas para o uso de luz, confira as seguintes</p><p>normas da ABNT: NBR 5413 — Iluminância de interiores e NBR ISO/CIE 8995-1 — Ilu-</p><p>minação de ambientes de trabalho.</p><p>Iluminação deficiente: conforto lumínico10</p><p>Ambientes ideais e problemas relacionados</p><p>ao conforto luminoso</p><p>Os parâmetros presentes em normas e legislações de iluminação contribuem</p><p>com os aspectos funcionais, como a segurança e o conforto, entre outros.</p><p>Porém, planejar ambientes ideais pode incluir aspectos relativos e subjetivos,</p><p>sendo necessário extrapolar questões normativas, analisar os usuários e suas</p><p>necessidades, bem como fatores culturais e psicológicos. A seguir, serão</p><p>exemplificados casos de iluminação ideal, em ambientes como: área residencial,</p><p>escritórios, instituições educacionais, academias, lojas, museus, restaurantes</p><p>e supermercados.</p><p>Iluminação ideal</p><p>Para ambientes de descanso, como quartos e salas, é interessante o uso de</p><p>iluminação indireta e temperatura de cor mais quente. O uso de dimmer</p><p>também é um bom recurso para controle da intensidade da luz artificial.</p><p>A mescla de iluminação direta, difusa e indireta é uma boa fórmula para</p><p>ambientes multiuso (LOPES, 2011). Para ambientes de atividade moderada,</p><p>como cozinha, banheiro e área de serviço, recomenda-se o uso de iluminação</p><p>direta ou difusa, com temperatura de cor neutra ou branca. Todavia, nesses</p><p>ambientes, é importante verificar também a necessidade de iluminação para</p><p>execução de tarefas.</p><p>Em escritórios, é preciso considerar luminárias direcionadas para o campo</p><p>de trabalho, quantidade de luz, tipo de atividade e número de telas de com-</p><p>putadores. Nas instituições de educação e ensino, a distribuição da luz deve</p><p>ser homogênea, visando minimizar esforços visuais. No caso de academia,</p><p>a iluminação deve ser estimulante, mas, ao mesmo tempo, confortável para</p><p>quem está deitado ou sentado. Luminárias embutidas ou externas, com dispo-</p><p>sitivos antiofuscantes, ajudam a evitar reflexos no espelho, por exemplo. Nesse</p><p>caso, podem ser especificadas temperaturas de cor mais alta, como 6.000 K.</p><p>A iluminação em lojas reforça os valores da empresa, além de ser respon-</p><p>sável pela valorização dos produtos comercializados. A temperatura de cor</p><p>utilizada e o tipo de iluminação podem variar de acordo com os objetivos de</p><p>comunicação do espaço. É possível utilizar iluminação amarelada, branca ou</p><p>até mesmo a junção de iluminação direta, indireta e difusa. Assim como nas</p><p>11Iluminação deficiente: conforto lumínico</p><p>lojas, em bares e restaurantes é importante alinhar a definição da temperatura</p><p>de cor das lâmpadas com a intenção do estabelecimento. Dessa forma, tempe-</p><p>ratura de cor mais baixa traz a sensação de aconchego, enquanto a iluminação</p><p>com temperatura de cor mais alta transmite a sensação de agilidade, sendo</p><p>ideal para lanchonetes.</p><p>A iluminação de espaços como supermercados ou bancos, por exemplo,</p><p>deve priorizar as tarefas técnicas mais do que aspectos estéticos. Desse modo,</p><p>recomenda-se utilizar lâmpadas com Ra acima de 85, com temperatura de</p><p>cor acima de 4.000 K e distribuição de luminárias regulares (LOPES, 2011).</p><p>Museus são espaços que possibilitam iluminação flexível, sendo indicado</p><p>o uso de peças direcionáveis e articuláveis que façam iluminação pontual ou</p><p>mesmo em trilhos, o que permite a mudança dos pontos das luminárias de</p><p>acordo com a necessidade. A luz indireta, nesse caso, pode ser utilizada como</p><p>iluminação geral.</p><p>A combinação de mais de um tipo de iluminação pode criar cenas diferentes no</p><p>mesmo ambiente. Lembre-se de avaliar as atividades que serão realizadas no espaço</p><p>para melhorar o conforto e a funcionalidade.</p><p>Conforto luminoso</p><p>Apontamos alguns aspectos importantes para evitar desconfortos lumínicos</p><p>nos ambientes internos em relação à iluminação. Para proporcionar um maior</p><p>conforto luminoso, é necessário ter atenção para aspectos como: o uso de</p><p>lâmpadas com temperaturas de cor diferentes no mesmo ambiente; excesso</p><p>de luminosidade produzido por iluminação natural ou artificial, pois pode</p><p>provocar fadiga visual, irritação ocular e dores de cabeça; feixes de luz nos</p><p>olhos dos usuários e problemas na intensidade de luz em um ponto ou no seu</p><p>direcionamento.</p><p>Iluminação deficiente: conforto lumínico12</p><p>AGUIAR, D. Biblioteca. 2017. 1 fotografia. Disponível em: https://www.livinggazette.</p><p>com/wp-content/uploads/2017/03/mostra-artefacto-17-costanza2.jpg. Acesso em:</p><p>24 nov. 2019.</p><p>ALVES, S. N. A percepção visual como elemento de conforto na arquitetura hospitalar. 2011.</p><p>202 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) — Universidade de Brasília,</p><p>Brasília, 2011. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/10143/3/2011_</p><p>SamaraNetaAlves.pdf. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 5413: iluminância de</p><p>interiores. Rio de Janeiro, 1992.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR ISSO/CIE 8995-1: iluminação</p><p>de ambientes de trabalho — parte 1: interior. Rio de Janeiro, 2013.</p><p>AVA Intimates. [Luminária embutida no forro de gesso]. Disponível em: https://www.</p><p>avaintimates.com.br/p/lojas. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>GALPÃO DESIGN. Luminária de mesa: quadro abstrato e luminária de mesa. 2015. 1</p><p>fotografia. Disponível em: https://imagens-revista.vivadecora.com.br/uploads/2015/05/</p><p>lumin%C3%A1ria-de-mesa-quadro-abstrato-e-lumin%C3%A1ria-de-mesa-</p><p>Galp%C3%A3o-Design.jpg. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>G-LIGHT. Luz difusa, direta e indireta. 2019. Disponível em: http://www.glight.com.br/</p><p>blog/luz-difusa-direta-e-indireta/. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>LIMA, F. Banheiro com espelho para banheiro iluminado com LED. 2017. 1 fotografia.</p><p>Disponível em: https://imagens-revista.vivadecora.com.br/uploads/2017/07/Banheiro-</p><p>com-espelho-para-banheiro-iluminado-com-LED-Projeto-de-Fernando-Lima.jpg.</p><p>Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>LIMA, M. R. C.; SAN MARTÍN, R. Análise experimental da influência da luz nas emoções</p><p>de estudantes universitários. In: ENCONTRO NACIONAL DE CONFORTO NO AMBIENTE</p><p>CONSTRUÍDO, 9., 2009, Natal; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE CONFORTO NO</p><p>AMBIENTE CONSTRUÍDO, 6., 2009, Natal. Anais […]. Natal, RN: ANTAC, 2009.</p><p>LOPES, R. Iluminação comercial: resumo de aula. 2011. (Disciplina do Curso de Prática</p><p>Projetual V-A — Universidade do Estado de Minas Gerais).</p><p>MODELOS de lustres e pendentes: não erre na escolha! 35 modelos para você se</p><p>inspirar. Entenda Antes [Revista digital sobre o mundo da construção], 02 fev. 2017.</p><p>Disponível em: https://entendaantes.com.br/modelos-de-lustres-e-pendentes/. Acesso</p><p>em: 24 nov. 2019.</p><p>QUARTO de casal moderno: 60 ideias, fotos e projetos. 2017. 1 fotografia.</p><p>Disponível</p><p>em: https://www.decorfacil.com/wp-content/uploads/2017/10/20171024quarto-de-</p><p>casal-moderno-57.jpg. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>13Iluminação deficiente: conforto lumínico</p><p>Os links para sites da Web fornecidos neste livro foram todos testados, e seu funciona-</p><p>mento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede</p><p>é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local</p><p>e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre</p><p>qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>STUDIO DEUX. Nichos para sala: arranjo de formatos quadrados e retangulares. 2018. 1</p><p>fotografia. Disponível em: https://www.tuacasa.com.br/wp-content/uploads/2018/10/</p><p>nichos-para-sala-14.jpg. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>TIPOS de luminárias. Disponível em: https://www.casaeplanos.com/iluminacao/tipo-</p><p>de-luminarias.html. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>TOLEDO, B. G. Integração de iluminação natural e artificial: métodos e guia prático para</p><p>projeto luminotécnico. 2008. 165 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)</p><p>— Universidade de Brasília, Brasília, 2008.</p><p>VALVERDE, J. V. L. A influência do conforto luminoso na satisfação dos profissionais que atuam</p><p>no ginásio do Centro de Reabilitação Infantil, Natal- RN. 2014. 206 f. Dissertação (Mestrado</p><p>em Arquitetura e Urbanismo) — Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal,</p><p>2014. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/19534/1/</p><p>influenciaConfortoLuminoso_Valverde_2014.pdf. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>YLLERA, M. Maniquí. 10 sept. 2014. 1 fotografia. Disponível em: https://aws.revistaad.</p><p>es/prod/designs/v1/assets/666x1000/8336.jpg. Acesso em: 24 nov. 2019.</p><p>Iluminação deficiente: conforto lumínico14</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Vanessa Scopell</p><p>Vegetação como elemento</p><p>de conforto ambiental</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Explicar por que utilizar vegetação é importante para o conforto</p><p>ambiental.</p><p> Identificar as formas de aplicação do paisagismo sustentável.</p><p> Exemplificar o uso do paisagismo na arquitetura para obtenção do</p><p>conforto ambiental.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai estudar sobre a importância da vegetação no</p><p>meio urbano, verificando a sua contribuição para o conforto ambiental</p><p>das cidades e a melhoria da qualidade de vida da população. Além disso,</p><p>você vai verificar do que se trata o paisagismo sustentável e como ele</p><p>pode ser aplicado nos projetos arquitetônicos da atualidade.</p><p>Importância da vegetação para</p><p>o conforto ambiental</p><p>A migração dos trabalhadores do campo para a cidade, no período da Revolu-</p><p>ção Industrial, foi um fator que contribuiu para o crescimento da população,</p><p>a urbanização de espaços antes não habitados e a substituição do ambiente</p><p>natural pelo ambiente construído. Para Shams, Giacomeli e Sucomine (2009),</p><p>a nova conformação das cidades e as mudanças na sociedade aos poucos foram</p><p>alterando a paisagem urbana. As áreas antes vazias ou com vegetações foram</p><p>sendo substituídas gradativamente por blocos de edifi cações e vias urbanas.</p><p>Essa realidade passou a interferir no conforto ambiental das cidades, infl uen-</p><p>ciando a qualidade de vida da população. Ainda conforme Shams, Giacomeli</p><p>e Sucomine (2009, p. 37):</p><p>O aumento da população humana e o surgimento da industrialização em</p><p>larga escala, intensificou o fluxo de pessoas do campo para as cidades, que</p><p>por falta de um planejamento adequado cresceram desordenadamente. Esse</p><p>crescimento desordenado vem alterando de forma significativa o ambiente</p><p>desses locais, provocando, como uma de suas diversas consequências, mu-</p><p>danças nas características climáticas do meio, afetando a qualidade de vida</p><p>de seus habitantes e distanciando os mesmos de uma relação harmoniosa</p><p>com o ambiente natural.</p><p>O crescimento desordenado das áreas urbanas e dos locais de habitação</p><p>acarreta a remoção de partes da vegetação para ampliar espaços de circulação</p><p>e construir novos edifícios. Conforme Abreu (2008, p. 37):</p><p>As principais modificações climáticas das cidades, causadas pela ausência</p><p>de espécimes arbóreos, são: maior incidência de radiação solar direta, au-</p><p>mento da temperatura do ar, redução da umidade, modificação da direção</p><p>dos ventos, aumento da emissão de radiação de onda longa, alteração dos</p><p>ciclos de precipitação.</p><p>Essas alterações no espaço urbano geram um desequilíbrio térmico no</p><p>meio. Já a relação equilibrada entre as manifestações do homem e o meio</p><p>ambiente produzem um conforto ambiental para os habitantes.</p><p>Bartholomei (2003) define conforto ambiental como a sensação de bem-estar que</p><p>está relacionada a fatores ambientais como temperatura ambiente, umidade relativa,</p><p>velocidade do ar, níveis de iluminação, níveis de ruído, entre outros, e a funcionalidade,</p><p>levando em consideração a individualidade do ser humano; ou seja, as sensações</p><p>variam de pessoa para pessoa.</p><p>O conforto ambiental pode ser dividido em conforto térmico, relacionado</p><p>à temperatura, conforto lumínico, relacionado à iluminação, e conforto</p><p>Vegetação como elemento de conforto ambiental2</p><p>acústico, relacionado aos ruídos. O conforto ambiental térmico “[...] repre-</p><p>senta a satisfação do usuário com o ambiente, sem reclamações quanto ao</p><p>frio ou calor”, conforme leciona Ghisi (2003, documento on-line), ou seja, é</p><p>a satisfação psicofisiológica que um indivíduo sente em relação às condições</p><p>térmicas de um ambiente.</p><p>O conforto ambiental é diretamente influenciado pela existência ou não</p><p>de áreas verdes e vegetações nas cidades. O ambiente urbano deveria ser um</p><p>local em que o conforto do usuário fosse garantido; no entanto, em muitos</p><p>casos, esses ambientes não oferecem condições adequadas para que isso, de</p><p>fato, aconteça.</p><p>Segundo Muller (1998), a árvore é a forma vegetal mais característica,</p><p>a qual, ao longo da história, tem se incorporado em estreita relação com a</p><p>arquitetura das cidades. A arborização urbana contribui para a obtenção de</p><p>um ambiente agradável e tem influência decisiva na qualidade de vida nas</p><p>cidades e, portanto, na saúde da população. A vegetação apresenta diversos</p><p>benefícios para o meio urbano, que vão muito além da composição de espaços</p><p>de lazer e contemplação. As árvores conseguem filtrar a poluição das cidades,</p><p>melhorando a qualidade do ar e, consequentemente, o conforto ambiental.</p><p>Além disso, por meio de suas copas, geram sombreamento e amenizam as</p><p>temperaturas nas ilhas de calor. Gomes e Amorim (2003) destacam que as</p><p>regiões centrais das cidades, por serem áreas mais artificializadas, geram</p><p>maiores alterações no clima. Já as porções urbanas que mantêm as condições</p><p>normais da natureza, como as áreas arborizadas, apresentam condições tér-</p><p>micas e ambientais mais satisfatórias.</p><p>Segundo Robba e Macedo (2004), as áreas verdes, especificamente as praças,</p><p>sempre foram celebradas como espaços de convivência e lazer dos habitantes</p><p>urbanos. Para Gangloff (1996), esses locais valorizam o ambiente e a estética,</p><p>além de promoverem um excelente meio para as atividades da comunidade,</p><p>criando importantes espaços e oportunidades de recreação e educação. Além</p><p>disso, a arborização das vias públicas serve como um filtro para “[...] atenuar</p><p>ruídos, retenção de pó, reoxigenação do ar, além de oferecer sombra e a sensação</p><p>de frescor”, conforme lecionam Lima e Amorim (2006, p. 71). Abreu (2008)</p><p>acrescenta que a vegetação exerce o papel de controlar a incidência de radiação</p><p>solar, o ganho de calor, a umidificação e a depuração do ar, evitando efeitos</p><p>maléficos para o microclima urbano, equilibrando-o e mantendo a qualidade</p><p>do ambiente construído e o conforto térmico dos espaços externos.</p><p>A falta de vegetações pode resultar em situações negativas para o ambiente</p><p>urbano, como “[...] alterações do clima local, enchentes, deslizamentos e falta</p><p>de áreas de lazer para a população”, conforme elenca Amorim (2001, p. 38).</p><p>3Vegetação como elemento de conforto ambiental</p><p>Por isso, é fácil</p><p>perceber que a conscientização sobre a importância da vege-</p><p>tação para o ambiente urbano é um de tema de grande relevância tanto para o</p><p>funcionamento dos espaços das cidades como para o seu conforto ambiental.</p><p>Nas áreas urbanas, a produção de calor e o aquecimento das superfícies externas,</p><p>aliados à falta de vegetação, implicam diretamente em um aumento de temperatura</p><p>nos centros urbanos, produzindo o efeito conhecido como ilha de calor. A utilização</p><p>da vegetação integrada ao projeto possibilita a criação de áreas sombreadas que filtram</p><p>a radiação solar, contribuindo para a qualidade do meio ambiente. As folhas absorvem,</p><p>refletem e transmitem energia incidente de forma seletiva, isto é, em quantidades</p><p>diferentes segundo os comprimentos de onda da radiação. A absorção é alta: por volta</p><p>de 90% das ondas lumínicas e 60% das ondas infravermelhas (EARGDESIGN, 2010).</p><p>A ausência de vegetação, aliada ao emprego de materiais sem planejamento prévio,</p><p>tem alterado significativamente o clima urbano, devido à incidência direta da radiação</p><p>solar nas construções. Outro problema que a falta de vegetação tem causado é a</p><p>diminuição da temperatura no inverno, devido à facilidade com que os materiais</p><p>de construção perdem calor para o meio, onde não existem barreiras naturais para</p><p>detê-lo. Portanto, a vegetação tem grande importância para amenizar a temperatura</p><p>ambiente e controlar a radiação solar, proporcionando ao ser humano uma sensação</p><p>de conforto principalmente em cidades com temperaturas elevadas, contribuindo,</p><p>assim, para a melhoria da qualidade de vida (EARGDESIGN, 2010).</p><p>Paisagismo sustentável</p><p>Pode-se dizer que a cidade é uma grande modifi cadora do clima, principalmente</p><p>devido às suas áreas pavimentadas que vêm substituindo cada vez mais as</p><p>áreas de vegetação. Conforme Gonçalves, Camargo e Soares (2012), a atividade</p><p>humana desenvolvida nas cidades gera mudanças profundas no clima local,</p><p>podendo também alterar a temperatura e o regime de chuvas da região.</p><p>O paisagismo consiste na utilização de vegetação para compor espaços e</p><p>foi empregado por diversas civilizações ao longo da história, conformando-se</p><p>sob variados estilos e preferências. Em um primeiro momento, a utilização da</p><p>vegetação, a criação de parques e praças, a arborização e o ajardinamento de</p><p>avenidas estava ligado à estética das cidades. Porém, à medida que os centros</p><p>urbanos foram evoluindo, além da necessidade de criar locais abertos para lazer,</p><p>descanso e contemplação, as áreas verdes passaram a ter como objetivo melhorar</p><p>Vegetação como elemento de conforto ambiental4</p><p>a qualidade do ar, proporcionar sombra e contribuir para o conforto ambiental</p><p>desses locais, em virtude de as cidades terem se tornado cada vez mais fontes</p><p>de poluição. Para Oliveira e Alves (2013), a presença de vegetação em porções</p><p>da área urbana contribui para a ocupação desses espaços, oferecendo conforto</p><p>térmico aos habitantes. Gonçalves, Camargo e Soares (2012, p. 47) destacam que:</p><p>A arborização é uma alternativa que pode contribuir de diversas maneiras</p><p>com a paisagem urbana, interagindo com os indivíduos a partir de benefícios</p><p>físicos e climáticos. São características da vegetação a diminuição da incidên-</p><p>cia de radiação solar sobre a superfície, a atenuação do ruído, a diminuição</p><p>da poluição do ar e a redução do consumo de energia em regiões quentes.</p><p>Quando bem planejada, a arborização tem o poder de valorizar áreas urbanas</p><p>e as edificações do entorno imediato.</p><p>Labaki et al. (2011) complementam essas informações, afirmando que as</p><p>árvores, usadas em grupos ou até mesmo de forma isolada, têm o poder de</p><p>atenuar a radiação incidente e, dessa maneira, impedi que parte dessa radiação</p><p>atinja o solo ou as construções. Com isso, a vegetação promove o resfriamento</p><p>das edificações por meio do sombreamento.</p><p>Diante da importância da vegetação para os centros urbanos, a prática do</p><p>paisagismo torna-se aliada na melhoria do conforto ambiental das cidades. Muito</p><p>além de propor e pensar a vegetação para cada espaço, o paisagismo da atualidade</p><p>necessita ser sustentável, conforme leciona Lopes ([2018], documento on-line):</p><p>Projetos paisagísticos que levem em conta o desenvolvimento sustentável vão</p><p>além e não só geram cenários belos e agradáveis, como prezam por uma rotina</p><p>funcional e o total respeito à natureza e aos habitantes. Ou seja, paisagismo</p><p>sustentável e qualidade de vida andam juntos e, para isso, exigem comporta-</p><p>mentos capazes de eliminar o uso de substâncias tóxicas como fertilizantes</p><p>e praguicidas, além de utilizarem técnicas de sustentabilidade que resultem</p><p>em um paisagismo eficiente.</p><p>O paisagismo sustentável pode ser aplicado nas áreas das cidades por meio</p><p>de diversas ações, segundo Lopes ([2018]), tendo como princípios:</p><p> reaproveitar a água da chuva para a irrigação dos jardins;</p><p> usar espécies nativas de cada localidade e adequadas à temperatura;</p><p> reciclar materiais e usá-los como delimitadores entre os espaços;</p><p> propor implantação e manuseio de baixo impacto ambiental que con-</p><p>servem o solo original;</p><p> usar energias renováveis, que garantam a eficiência e o baixo consumo.</p><p>5Vegetação como elemento de conforto ambiental</p><p>Por meio dessas ações, é possível propor áreas vegetadas de grande</p><p>qualidade para as cidades, minimizando os custos de implantação e manu-</p><p>tenção e contribuindo para a estética do espaço e para o conforto ambiental</p><p>dos usuários.</p><p>Além disso, atualmente existe uma grande preocupação não só com a</p><p>criação de novas áreas verdes, mas também com a recuperação de áreas</p><p>perdidas em virtude da construção civil. Diante disso, o paisagismo sus-</p><p>tentável pode ser um importante aliado para o fomento de áreas verdes</p><p>urbanas, por meio da proposição de coberturas vegetais e fachadas verdes</p><p>para as edificações existentes, e para as novas, com espécies apropriadas</p><p>para sobreviverem a essa condição. As coberturas e fachadas verdes não</p><p>somente contribuem para o conforto ambiental das cidades, melhorando</p><p>o isolamento acústico interno do ambiente e controlando a absorção de</p><p>ruídos do exterior, como também se tornam uma prática sustentável, já que</p><p>reduzem o consumo de energia por meio do equilíbrio das temperaturas</p><p>da edificação, protegem as superfícies contra as intempéries, diminuem a</p><p>formação de ilhas de calor e propiciam a biodiversidade. Além disso, esses</p><p>elementos paisagísticos contribuem para a estética da edificação.</p><p>O paisagismo sustentável é aquele que se adapta à realidade em que será inserido e</p><p>que busca encontrar o equilíbrio entre as dimensões da sustentabilidade, integrando</p><p>a arquitetura, os usuários e a natureza. Ele possibilita a prática de atividades de lazer</p><p>voltadas ao público e favorece o plantio de espécies nativas e de relevância ambiental.</p><p>No âmbito social, o paisagismo sustentável tem como princípio a criação de espaços</p><p>integrados, considerando as áreas verdes como espaços de educação ambiental para</p><p>a comunidade. Na questão cultural, essa prática visa à preservação do patrimônio, ao</p><p>valorizar a memória local integrando de maneira harmoniosa as áreas verdes, conside-</p><p>rando as características originais das edificações existentes e unindo a vegetação local,</p><p>os recursos minerais e os recursos humanos (artesanatos e esculturas). Já no âmbito</p><p>econômico, o paisagismo sustentável adere ao planejamento eficiente, ao selecionar</p><p>materiais de baixo custo para a criação das estruturas, considerando o seu ciclo de</p><p>vida, e inserir plantas nativas para evitar a necessidade de manutenção frequente e</p><p>reduzir a demanda de água. Por fim, na questão ambiental, o paisagismo sustentável</p><p>defende a realização do projeto considerando as condições climáticas da região e</p><p>aproveitando as condições hídricas, a ventilação e a permeabilidade do terreno, por</p><p>exemplo (O PAISAGISMO..., 2013).</p><p>Vegetação como elemento de conforto ambiental6</p><p>Paisagismo, arquitetura e conforto ambiental</p><p>Para iniciar uma proposta de arquitetura, é preciso, antes de tudo, estabelecer</p><p>os objetivos principais</p><p>e a noção de funcionalidade. Da mesma maneira, quando</p><p>se pensa em um projeto paisagístico sustentável, não se pode levar em conta</p><p>somente a questão estética, mas também o funcionamento do espaço e das</p><p>espécies, bem como os principais objetivos ambientais e de conforto para a</p><p>proposição dessa vegetação. Segundo Fischer ([2018], documento on-line):</p><p>[...] a arquitetura da paisagem — ou simplesmente paisagismo — é uma</p><p>área na qual o arquiteto e urbanista está habilitado a trabalhar, que engloba</p><p>vários aspectos multidisciplinares, como arte, arquitetura, design, psicologia</p><p>comportamental, geografia e, evidentemente, a botânica.</p><p>Para Maruyama (2014), os pontos fundamentais e iniciais que devem ser</p><p>considerados, após serem elencados os objetivos e o funcionamento do espaço,</p><p>são as questões topográficas e de orientação solar e as opções de uso de mate-</p><p>riais de qualidade que poderão contribuir para a estética e para a valorização</p><p>da paisagem e da vegetação. É importante, ainda, compreender a paisagem</p><p>em que será inserida a obra arquitetônica, procurando valorizar o ambiente</p><p>natural existente e os visuais, buscando propostas em que a edificação consiga</p><p>se integrar ao seu entorno. Além disso, conforme ressalta Fischer ([2018]), o</p><p>paisagismo deve levar em conta pisos, texturas, aparatos, desníveis, volumes</p><p>horizontais e verticais, água, insolação e clima, além das questões do com-</p><p>portamento humano, a psicologia da apropriação dos espaços e as sensações</p><p>que cada local pode passar ao seu usuário.</p><p>Atualmente, algumas ideias vêm ganhando espaço nos projetos de novas</p><p>edificações. É o caso das paredes verdes e dos telhados jardim. Os telhados-</p><p>-jardim podem ser chamados também de ecotelhados, telhados ecológicos</p><p>ou telhados verdes e consistem na implantação de vegetação nas coberturas</p><p>das edificações (Figura 1). Essa ação consegue isolar a radiação direta do</p><p>sol nos elementos de cobertura, diminuindo o calor que chega até a parte</p><p>interna da edificação. Isso colabora para a redução do uso de aparelhos de</p><p>climatização, já que mantém a temperatura interna em equilíbrio. Além disso,</p><p>o uso da vegetação na cobertura consegue reter a poeira, diminuir a absorção</p><p>de ruídos e purificar o ar. Segundo o site eCycle, pesquisas indicam que, com</p><p>um telhado verde, a temperatura da cobertura não passa de 25ºC, enquanto</p><p>coberturas normais podem chegar até 60ºC (TELHADOS..., [2018]).</p><p>7Vegetação como elemento de conforto ambiental</p><p>Figura 1. Exemplo de telhado verde.</p><p>Fonte: Telhados... ([2018]).</p><p>Segundo Alvarenga (2017), outra opção é a utilização de paredes verdes,</p><p>conhecidas também como jardins verticais ou paredes vivas. Apresentando</p><p>os mesmos benefícios dos telhados jardins, elas podem ser usadas em grandes</p><p>ou pequenas superfícies. Além disso, seu emprego reduz a manutenção das</p><p>fachadas e protege as mesmas dos efeitos do tempo. Segundo Durante (2016,</p><p>documento on-line):</p><p>Além da beleza visual e de proporcionar um contato mais próximo com a</p><p>natureza, as paredes verdes oferecem benefícios importantes, como o aumento</p><p>da umidade do ar, a redução da temperatura ambiente, a reciclagem dos gases</p><p>tóxicos e a diminuição da poluição sonora. Quando executada em áreas exter-</p><p>nas, ela também cria um nicho ecológico propício para a visita de pássaros.</p><p>Atualmente existem instalações de jardins verticais que contam com sistemas</p><p>de irrigação automatizados, garantindo a preservação das espécies da maneira</p><p>mais adequada. Outros materiais constantemente utilizados para adotar essa</p><p>ideia verde nas fachadas são os blocos cerâmicos específicos ou a combinação de</p><p>vasos meia-lua presos a telas metálicas. Durante (2016) afirma que os efeitos das</p><p>paredes verdes são facilmente notados pelos ocupantes da edificação. Segundo</p><p>a autora, no projeto de jardins verticais, é importante levar em consideração a</p><p>proporção do mesmo em relação ao todo da construção (Figura 2).</p><p>Vegetação como elemento de conforto ambiental8</p><p>Figura 2. Exemplo de jardim vertical.</p><p>Fonte: Jardim... (2016).</p><p>Outra ideia que vem ganhando espaço nos projetos de arquitetura é a utili-</p><p>zação de espaços abertos do lote, de quintais de residências ou, até mesmo, de</p><p>terraços de edificações (Figura 3) para a criação de hortas urbanas. Segundo</p><p>Andrade (2014), esses espaços podem ser públicos ou privados, localizados</p><p>em espaços já utilizados ou abandonados. Essa tendência surge com o objetivo</p><p>de desenvolver uma alimentação saudável, além de ser uma forma de aliviar</p><p>a tensão do dia a dia, mantendo o contato com a natureza. Andrade (2014)</p><p>elenca alguns benefícios das hortas urbanas:</p><p> aumento do número de áreas verdes, que diminuem as ilhas de calor</p><p>e retiram o CO2 do ar;</p><p> reutilização da matéria orgânica descartada para produção de adubo e</p><p>redução dos resíduos sólidos;</p><p> preservação de espécies da fauna urbana, como abelhas e pássaros;</p><p> facilidade de acesso aos alimentos saudáveis e menor gasto com trans-</p><p>porte de alimentos vindos do interior;</p><p> promoção da consciência ambiental para preservação do meio ambiente</p><p>e do uso de técnicas agrícolas sustentáveis;</p><p> resgate dos valores morais e cívicos a partir da união da vizinhança</p><p>em prol do bem comum;</p><p>9Vegetação como elemento de conforto ambiental</p><p> aumento da segurança local, inclusão social e redução dos preconceitos</p><p>por meio da proximidade entre os vizinhos e da vivência do espaço</p><p>público;</p><p> controle dos terrenos baldios, que podem ser requisitados como áreas</p><p>de agricultura urbana.</p><p>Figura 3. Exemplo de horta urbana no Japão.</p><p>Fonte: Andrade (2014).</p><p>Para Fischer ([2018]), além dessas propostas atuais, é importante ressaltar</p><p>que, mesmo em áreas menores, cada um pode fazer a sua parte e utilizar os</p><p>recuos das edificações para plantar espécies e criar espaços que, além de</p><p>contribuírem para os visuais das ruas, contribuem também para o conforto</p><p>ambiental dos bairros e de porções das cidades (Figura 4).</p><p>Vegetação como elemento de conforto ambiental10</p><p>Figura 4. Ajardinamento no recuo da edificação.</p><p>Fonte: Dicas... (2015).</p><p>Em todos os casos, é importante pensar nas espécies que melhor se adap-</p><p>tarão à temperatura, aos ventos e às chuvas do local, garantindo a eficiência</p><p>dessas técnicas.</p><p>Nem sempre o paisagismo é complementar em relação à arquitetura. Muitas vezes</p><p>acontece o contrário. Um exemplo disso é quando se projetam equipamentos para</p><p>uma praça. O abrigo para a espera de ônibus, a banca de jornal, o coreto, os espelhos</p><p>d’água, as fontes e os sanitários, por exemplo, são elementos arquitetônicos necessários</p><p>como infraestrutura, mas que não devem prevalecer em relação às funções principais</p><p>da praça, como passeio, recantos, vegetação, ar livre, lazer, recreação. Às vezes, o projeto</p><p>de uma edificação nas imediações de uma praça procura uma acomodação visual com</p><p>ela, usando materiais que funcionam como espelho para o entorno (PAISAGISMO..., 2018).</p><p>11Vegetação como elemento de conforto ambiental</p><p>ABREU, L. V. Avaliação da escala de influência da vegetação no microclima por diferentes</p><p>espécies arbóreas. 2008. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) — Faculdade de</p><p>Engenharia Civil, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.</p><p>ALVARENGA, B. Jardim vertical: 44 modelos lindos + melhores plantas + dicas. Viva-</p><p>DecoraBlog, 19 mai. 2017. 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Disponível em: <http://studiolabdecor.com.br/jardim-vertical-das-fachadas-</p><p>-dos-predios-para-os-ambientes-de-casa/>. Acesso em: 31 ago. 2018.</p><p>LABAKI, L. C. et al. Vegetação e conforto térmico em espaços urbanos abertos. Fórum</p><p>Patrimônio, v. 4, n. 1, p. 23-42, 2011.</p><p>LIMA, V.; AMORIM, M. C. C. T. A importância das áreas verdes para a qualidade am-</p><p>biental das cidades. Revista Formação, n. 13, p. 139-165, 2006. Disponível em: <http://</p><p>revista.fct.unesp.br/index.php/formacao/article/viewFile/835/849Val>. Acesso em:</p><p>31 ago. 2018.</p><p>LOPES, M. Paisagismo sustentável: por mais espaços acolhedores e responsáveis. TEM</p><p>Sustentável, São Paulo, [2018]. Disponível em: <http://www.temsustentavel.com.br/</p><p>paisagismo-sustentavel-por-mais-espacos-acolhedores-e-responsaveis/>. Acesso</p><p>em: 31 ago. 2018.</p><p>MARUYAMA, C. M. Roteiro para projeto paisagístico de espaços públicos abertos. 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Acesso em: 31</p><p>ago. 2018.</p><p>13Vegetação como elemento de conforto ambiental</p><p>Conteúdo:</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Vanessa Guerini Scopell</p><p>Zoneamento e conforto</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Relacionar zoneamento a conforto ambiental.</p><p> Reconhecer as formas de interferência das leis de zoneamento na</p><p>configuração espacial das cidades.</p><p> Identificar as consequências do zoneamento no conforto ambiental.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai estudar sobre os conceitos de zoneamento e</p><p>conforto ambiental, entendendo o seu significado e a sua importância</p><p>para a Arquitetura e Urbanismo. Além disso, você vai compreender a</p><p>relação entre zoneamento e conforto, verificando como um colabora</p><p>para a obtenção do outro e identificando as suas contribuições para a</p><p>organização das cidades.</p><p>Definições de zoneamento e conforto ambiental</p><p>Zoneamento e conforto ambiental são dois conceitos bastante complexos e</p><p>abrangentes que requerem um estudo aprofundado para que, juntos, possam</p><p>contribuir para melhorar a vida dos usuários das edifi cações e dos espaços</p><p>externos. Conforme Silva (1981), o conceito de zoneamento se originou nas</p><p>cidades industrializadas a partir da necessidade de se estabelecer áreas com</p><p>destinações para usos especiais. Assim, para o autor, o zoneamento pode ser</p><p>compreendido como “[...] um procedimento urbanístico, que tem por objetivo</p><p>regular o uso da propriedade do solo e dos edifícios em áreas homogêneas no</p><p>interesse do bem-estar da população” (SILVA, 1981, p. 291).</p><p>U N I D A D E 3</p><p>lalves</p><p>Retângulo</p><p>lalves</p><p>Retângulo</p><p>Segundo Giehl (2007), existem vários tipos de zoneamento, como o zone-</p><p>amento ambiental urbano, o zoneamento costeiro e o zoneamento agrícola,</p><p>além das zonas de uso industrial, de uso especial, de uso diversificado, entre</p><p>outras. Além disso, se relacionado ao conforto ambiental, pode-se citar também</p><p>o zoneamento bioclimático. Para Antunes (1999, p. 125):</p><p>[...] existe zoneamento quando são estabelecidos critérios legais e regulamentos</p><p>para que determinadas parcelas do solo, ou mesmo de cursos d’água doce ou</p><p>do mar, sejam utilizadas ou não utilizadas, segundo critérios preestabelecidos.</p><p>Tais critérios, uma vez firmados tornam-se obrigatórios, seja para o particular,</p><p>seja para a Administração Pública, e assim constituindo-se em limitação</p><p>administrativa incidente sobre o direito de propriedade.</p><p>Segundo Barbosa e Carvalho (2010, documento on-line), o zoneamento</p><p>“[...] é uma forma de planejamento físico territorial, é o dispositivo legal que</p><p>o planejamento urbano tem para a implantação de planos de uso do solo,</p><p>assegurando a distribuição adequada dos usos do solo em uma área urbana”.</p><p>Já Montaño et al. (2007, p. 53) resumem o conceito, afirmando que o zonea-</p><p>mento “[...] consiste em dividir o território em parcelas nas quais se autorizam</p><p>determinadas atividades”. Nery Júnior (2005, p. 65), por sua vez, afirma que o</p><p>zoneamento urbano “[...] melhora as condições de habitação [...] e o uso mais</p><p>adequado da terra. Por isso é preciso acentuar que o seu papel não é somente</p><p>restritivo, mas também construtivo”.</p><p>Já o termo conforto ambiental, segundo Siqueira (2018), diz respeito ao</p><p>índice de satisfação das pessoas com relação ao local em que vivem, traba-</p><p>lham e se divertem. Assim, o conforto ambiental tem como objetivo tornar</p><p>as edificações e os espaços urbanos adequados para a satisfação dos seus</p><p>usuários. Esse conceito está diretamente ligado ao intuito básico e primordial</p><p>de proporcionar as condições necessárias de habitabilidade, tendo em vista o</p><p>uso racional</p><p>dos recursos disponíveis.</p><p>Pode-se dizer que o conforto é uma condição mental que expressa satisfação</p><p>em relação ao ambiente, podendo ser térmico, acústico ou lumínico. É muito</p><p>difícil alcançar condições que sejam satisfatórias para todos os ocupantes dos</p><p>espaços; por isso, existem algumas normas técnicas como a norma ANSI/</p><p>ASHRAE Standard 55: Thermal Environmental Conditions for Human Oc-</p><p>cupancy, que fornece critérios para o conforto e aborda aspectos que possi-</p><p>bilitam que pelo menos 80% dos usuários estejam em condições satisfatórias</p><p>de conforto ambiental. O Quadro 1 traz alguns exemplos de exigências de</p><p>conforto ambiental estabelecidas por diferentes normas técnicas.</p><p>Zoneamento e conforto2</p><p>Fonte: Adaptado de Sustentabilidade... (2010).</p><p>Requisito</p><p>Critério para bom desempenho ou</p><p>atendimento de exigência mandatória</p><p>Documento</p><p>de referência</p><p>Conforto</p><p>térmico</p><p>Porcentagem máxima de pessoas</p><p>insatisfeitas com a movimentação de ar: 10%</p><p>ISO 7730</p><p>Assimetria máxima de temperatura</p><p>radiante na horizontal: < 10 ºC</p><p>Temperatura operativa interna máxima como</p><p>uma função da temperatura média mensal</p><p>externa, para ambientes não climatizados</p><p>ASHRAE</p><p>55/2005</p><p>Conforto</p><p>acústico</p><p>Nível de ruído máximo no interior</p><p>de dormitórios: 45 dB (A)</p><p>ABNT NBR</p><p>10152:2017</p><p>Tempo de reverberação máximo</p><p>em salas de aula: entre 0,6 s e 0,7 s,</p><p>dependendo do volume do recinto</p><p>ANSI/ASA</p><p>S12.60</p><p>Nível de pressão sonora total, ponderado em</p><p>A, maior que o nível de interferência na fala</p><p>ISO 9921:2003</p><p>Conforto</p><p>visual</p><p>Nível de iluminância mínima de 500</p><p>lux no entorno imediato e maior</p><p>ou igual a 750 lux na tarefa</p><p>ABNT NBR ISO/</p><p>CIE 8995-1:2013</p><p>Possibilidade de ter contato</p><p>visual com o exterior</p><p>DIN 5034-1</p><p>Índice de ofuscamento máximo de 19,</p><p>causado pelo sistema de iluminação</p><p>artificial, em salas de espera</p><p>AS/NZS 1680.2</p><p>Qualidade</p><p>do ar</p><p>Concentração máxima de CO2 no ar: 1.000</p><p>PPM em ambientes de escritório climatizados</p><p>Resolução</p><p>da Agência</p><p>Nacional de</p><p>Vigilância</p><p>Sanitária</p><p>Valor máximo recomendável para</p><p>contaminação microbiológica deve</p><p>ser < 750 ufc/m3 de ar ambiente em</p><p>ambientes de escritório climatizado</p><p>Quantidade máxima de aerodispersoides</p><p>deve ser < 80 µg/m3 de ar em</p><p>ambientes de escritório climatizados</p><p>Quadro 1. Exemplos de exigências de conforto ambiental</p><p>3Zoneamento e conforto</p><p>O conforto ambiental térmico abrange condições e alternativas para tornar</p><p>os espaços equilibrados com relação às temperaturas. A insatisfação com o</p><p>ambiente térmico pode ser causada pela sensação de desconforto por calor ou</p><p>frio quando o balanço térmico não é estável, ou seja, quando há diferenças</p><p>entre o calor produzido pelo corpo e o calor perdido para o ambiente. Conforme</p><p>Conforto... (2018, documento on-line):</p><p>É muito comum as pessoas relacionarem o conforto térmico apenas à tempera-</p><p>tura do ar, porém o número de variáveis que influenciam no conforto térmico</p><p>é muito maior do que apenas a temperatura. Temos as variáveis ambientais,</p><p>como a própria temperatura e umidade relativa do ar, a temperatura radiante</p><p>e a velocidade dos ventos. Também influenciam as variáveis humanas, em</p><p>que se destacam a vestimenta e o metabolismo. Fatores como idade, sexo,</p><p>hábitos alimentares, entre outros, também interferem na sensação de conforto.</p><p>Já o conforto ambiental acústico, segundo a Associação Brasileira de</p><p>Normas Técnicas (ABNT) Norma Brasileira (NBR) 10152:2017, diz respeito</p><p>aos níveis de ruídos dos ambientes e do meio urbano (ASSOCIAÇÃO BRA-</p><p>SILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2017). As normas apresentam índices</p><p>aceitáveis para cada ambiente, de maneira a preservar o conforto acústico</p><p>dos espaços e impedir que o nível de ruído atrapalhe a produtividade e a</p><p>saúde dos usuários.</p><p>O conforto lumínico, ou visual, segundo Lamberts, Dutra e Pereira (2004),</p><p>corresponde à existência de um conjunto de condições, em determinado</p><p>ambiente, nas quais o ser humano pode desenvolver suas tarefas visuais com</p><p>o máximo de acuidade (medida da habilidade do olho humano em discernir</p><p>detalhes) e precisão visual.</p><p>O conforto ambiental dos usuários nas edificações e nos espaços da cidade</p><p>está diretamente ligado ao zoneamento. Isso porque cada área, com as suas</p><p>especificidades, influencia em como será tratado o conforto para que os</p><p>espaços se tornem adequados. Por exemplo, em zonas residenciais, os ruídos</p><p>serão mais controlados, as áreas de ajardinamento serão maiores, em virtude</p><p>dos recuos dos lotes, e a altura das edificações e os espaçamentos entre as</p><p>mesmas facilitarão a entrada de sol e ventilação natural, contribuindo para o</p><p>bem-estar das pessoas. Assim, no que tange ao conforto ambiental, existem</p><p>Zoneamento e conforto4</p><p>três tipos de zoneamento que estão mais relacionados com esse conceito e</p><p>que merecem destaque:</p><p> o zoneamento ambiental;</p><p> o zoneamento urbano;</p><p> o zoneamento bioclimático.</p><p>Andrade (2018, documento on-line), com base na Política Nacional do</p><p>Meio Ambiente (PNMA), que tem o zoneamento ambiental como um forte</p><p>instrumento para a proteção do ambiente natural, define o termo como “[...]</p><p>o conjunto de áreas legalmente estabelecidas pelo poder público as quais são</p><p>protegidas obtendo-se a preservação do meio e de suas condições naturais em</p><p>certos espaços territoriais do país”.</p><p>O Ministério do Meio Ambiente define o zoneamento urbano como um</p><p>[...] instrumento utilizado nos planos diretores, através do qual a cidade é</p><p>dividida em áreas sobre as quais incidem diretrizes diferenciadas para o uso</p><p>e a ocupação do solo, especialmente os índices urbanísticos. O zoneamento</p><p>urbano atua, principalmente, por meio do controle de dois elementos princi-</p><p>pais: o uso e o porte (ou tamanho) dos lotes e das edificações. Através disso,</p><p>supõe-se que o resultado final alcançado através das ações individuais esteja</p><p>de acordo com os objetivos do município, que incluem a proporcionalidade</p><p>entre a ocupação e a infraestrutura, a necessidade de proteção de áreas frágeis</p><p>e/ou de interesse cultural, a harmonia do ponto de vista volumétrico, etc.</p><p>(BRASIL, documento on-line).</p><p>O zoneamento bioclimático é outro instrumento que facilita a obtenção</p><p>de diretrizes de conforto ambiental. Segundo a plataforma Projetee, esse</p><p>zoneamento diz respeito a um estudo sobre o clima do território brasileiro,</p><p>realizado entre os anos de 1931 e 1990. A partir desse estudo, foram elenca-</p><p>das oito zonas principais, que deram origem à carta bioclimática de Givoni,</p><p>adaptada ao nosso País.</p><p>Essa relação entre os zoneamentos e o conforto ambiental permite a pro-</p><p>posição de edificações e espaços adequados tanto no que diz respeito aos</p><p>usos como em relação às estratégias adequadas de conforto ambiental para</p><p>cada área e clima.</p><p>5Zoneamento e conforto</p><p>Além dos zoneamentos ambiental, urbano e bioclimático, existem outros tipos de</p><p>zoneamento elencados pelo Ministério do Meio Ambiente. São eles (BRASIL, 2018,</p><p>documento on-line):</p><p>Zoneamento agroecológico (ZAE) — a Política Agrícola, regida pela Lei federal</p><p>nº. 8.171, de 17 de janeiro de 1991, prevê, no art. 19, III, a realização de zoneamentos</p><p>agroecológicos, estabelecendo critérios para o disciplinamento e o ordenamento</p><p>da ocupação espacial pelas diversas atividades produtivas. Até mesmo a aprovação</p><p>do crédito rural está condicionada às disposições dos zoneamentos agroecológicos</p><p>elaborados. Entre estes, destaca-se o ZAE da cana-de-açúcar, instituído por meio do</p><p>Decreto federal nº. 6.961, de 17 de setembro de 2009.</p><p>Zoneamento agrícola de risco climático — outro instrumento da Política Agrícola,</p><p>o zoneamento agrícola de risco climático é elaborado com o objetivo de minimizar</p><p>os riscos relacionados aos fenômenos climáticos, permitindo a identificação da melhor</p><p>época de plantio das culturas, nos diferentes tipos de solo e ciclos de cultivares. O</p><p>zoneamento agrícola de risco climático foi usado pela primeira vez na safra de 1996</p><p>para a cultura do trigo. Ele recebe revisão anual e é publicado na forma de portarias no</p><p>Diário Oficial da União e no site do Ministério</p><p>da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.</p><p>Atualmente, os estudos de zoneamentos agrícolas de risco climático já contemplam 40</p><p>culturas, alcançando 24 unidades da federação.</p><p>Zoneamento industrial — disciplinado pela Lei federal nº. 6.803, de 2 de julho de</p><p>1980, trata-se do tipo de zoneamento realizado nas áreas críticas de poluição a que se</p><p>refere o art. 4º do Decreto-Lei nº. 1.413, de 31 de julho de 1975. Envolve a identificação</p><p>das zonas destinadas à instalação de indústrias a partir do esquema de zoneamento</p><p>urbano aprovado por lei, compatibilizando as atividades industriais com a proteção</p><p>ambiental.</p><p>As leis de zoneamento e a configuração</p><p>espacial das cidades</p><p>A ideia de zoneamento, mais especifi camente, de zoneamento urbano, veio</p><p>junto com a ideia de urbanismo. Logo após a Revolução Industrial, quando</p><p>as cidades sofreram forte impacto com a criação das indústrias e a chegada</p><p>dos trabalhadores vindos do campo para trabalharem nelas, percebeu-se a</p><p>necessidade de se começar a pensar os centros urbanos de uma maneira mais</p><p>organizada. O objetivo era melhorar as condições urbanas e evitar problemas,</p><p>voltando-se, em um primeiro momento, principalmente para a salubridade dos</p><p>centros urbanos. Segundo Costa (2009, p. 36):</p><p>Zoneamento e conforto6</p><p>Como propulsor ao desenvolvimento da área urbana, a criação de fábricas nas</p><p>cidades, no período da Revolução Industrial, iniciou um rápido aumento da sua</p><p>população que deixavam a agricultura para se alojarem nas áreas onde estavam</p><p>instaladas as fábricas, gerando vários problemas sociais, prejudicando toda a</p><p>cidade. Iniciou-se, a partir desse desajuste, as reivindicações por reformas sociais,</p><p>para melhorar as condições precárias de vida das pessoas, sugerindo assim planos</p><p>voltados ao zoneamento, com casas, jardins e áreas verdes. Em seguida, surgiu</p><p>a ideia de separação de zonas industriais e residenciais. O rápido crescimento</p><p>urbano, juntamente com os problemas sociais do final do século XIX, compe-</p><p>liram os governos de muitos países, como dos Estados Unidos, a participarem</p><p>com efetividade no planejamento urbano, introduzindo normas ao zoneamento.</p><p>Nesse momento, surgiram diversas propostas de urbanistas, que elabo-</p><p>raram ideias e planos com o intuito de resolver os problemas que estavam</p><p>prejudicando a vida nas cidades. Dentre os planos, os principais propunham</p><p>a divisão das cidades em zonas industriais, comerciais, industriais e de lazer.</p><p>Alguns desses planos foram implantados em algumas cidades, como Paris,</p><p>com o Plano Voisin, e Brasília, que foi construída tendo como base o Plano</p><p>Piloto de Brasília, o que resultou em seu projeto urbanístico modernista. Assim,</p><p>pode-se constatar que o zoneamento surgiu junto com o desenvolvimento das</p><p>cidades, a partir da determinação de espaços e áreas para fins específicos.</p><p>Segundo Silva (2004), a partir da necessidade de se planejar cidades levando-</p><p>-se em conta a preservação ambiental, foi promovida no ano de 1972, na cidade</p><p>de Estocolmo, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente</p><p>Humano, com o objetivo de conscientizar a população global sobre a importância</p><p>da relação saudável entre homem e meio ambiente. Já no ano de 1981, no Brasil,</p><p>a partir de pressões de ambientalistas, foi instituída a PNMA, que apresentou</p><p>o primeiro conceito de zoneamento ambiental e estabeleceu padrões para o</p><p>desenvolvimento sustentável. Para Silva (2004, p. 72):</p><p>[...] o desenvolvimento sustentável, possui como o principal objetivo a ser</p><p>conseguida pela Política Nacional do meio ambiente, a junção ao mesmo</p><p>tempo do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade</p><p>do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. Necessitando assim, de meios e</p><p>instrumentos que proporcionasse maior proteção ao meio ambiente, entre elas</p><p>a exigência de licenciamento ambiental, do Cadastro de empreendimentos e</p><p>atividades poluidoras e do Zoneamento Ecológico Econômico.</p><p>Do surgimento da noção de zoneamento até o momento em que este passou</p><p>a ser diretamente aplicado no Brasil, passou-se um longo tempo. Foi somente</p><p>a partir da Constituição Federal de 1988 que se consagrou a importância do</p><p>tema. Por meio da formalização do Estatuto da Cidade (Lei nº. 10.257, de 10</p><p>7Zoneamento e conforto</p><p>de julho de 2001), as leis de zoneamento ambiental, juntamente aos requisitos</p><p>de uso e ocupação do solo, começaram a ser efetivamente implantadas nas</p><p>cidades, por meio do instrumento denominado plano diretor.</p><p>O plano diretor é um instrumento básico que tem por intuito orientar a política de</p><p>desenvolvimento e de ordenamento da expansão urbana dos municípios. Segundo</p><p>Oliveira, Taveira e Camarotto (2015, documento on-line), trata-se de “[...] uma lei mu-</p><p>nicipal elaborada com a participação da Câmara Municipal e da sociedade civil que</p><p>visa sintetizar um conjunto de ações destinadas ao desenvolvimento do espaço físico,</p><p>atendendo a todas as expectativas destinadas à cidade e a sua população”.</p><p>Assim, as leis de zoneamento, voltadas para o zoneamento urbano, são</p><p>normas de caráter municipal que têm por objetivo principal restringir ou permitir</p><p>os usos apropriados para as diferentes áreas das cidades, levando em conta as</p><p>funções e o número de ocupantes dos empreendimentos e das edificações, bem</p><p>como a taxa de ocupação e o coeficiente de aproveitamento de cada construção.</p><p>Pode-se considerar o zoneamento municipal como um instrumento sociojurídico</p><p>destinado a condicionar o uso do solo urbano às regras do bom e adequado</p><p>aproveitamento dos espaços urbanísticos em prol da coletividade, de maneira a</p><p>expressar a melhoria e a harmonização dos vários recursos naturais e artificiais,</p><p>sempre voltados ao desenvolvimento local e regional sustentável e em conivência</p><p>com os interesses socioeconômicos e ambientais de toda a coletividade, conforme</p><p>lecionam Oliveira, Taveira e Camarotto (2015).</p><p>As leis de zoneamento, portanto, interferem diretamente na concepção</p><p>das novas cidades e na expansão dos centros urbanos existentes. Por meio da</p><p>divisão da área do município conforme o uso do solo permitido, o zoneamento</p><p>se torna um instrumento de definição da urbanização. Além disso, é a partir</p><p>de áreas apropriadas zoneadas para determinados fins que se pode garantir</p><p>aos centros urbanos aspectos como:</p><p> a convivência harmoniosa entre os setores;</p><p> a conformação dos fluxos;</p><p> a implantação de áreas verdes e zonas de preservação ambiental;</p><p> a determinação do local correto para a implantação de empreendimentos</p><p>que causem significativo impacto ambiental.</p><p>Zoneamento e conforto8</p><p>Nesse sentido, passamos a tratar o zoneamento como um importante ins-</p><p>trumento para os planos diretores das cidades, onde a sua implantação garante</p><p>um controle por parte dos gestores municipais.</p><p>Além das áreas urbanas delimitadas para usos admitidos ou conformes, os</p><p>índices de ocupação dos terrenos e os coeficientes de aproveitamento, como</p><p>integrantes do plano diretor e das leis de zoneamento, possibilitam a implan-</p><p>tação mais harmoniosa das edificações, garantindo aos espaços das cidades</p><p>iluminação, ventilação e permeabilidade do solo adequadas, contribuindo</p><p>não só para a organização espacial das cidades, mas também para o conforto</p><p>ambiental da população.</p><p>Ville Radieuse (Cidade Radiante) foi um plano urbano não construído criado pelo</p><p>arquiteto e urbanista francês Le Corbusier, apresentado pela primeira vez em 1924</p><p>e publicado em livro homônimo em 1933. Projetado para conter meios eficientes</p><p>de transporte, bem como uma abundância de espaços verdes e luz solar, a cidade</p><p>do futuro almejava não só oferecer uma vida melhor aos residentes, mas também</p><p>contribuir para criar uma sociedade melhor. Embora radicais, rigorosos e quase</p><p>totalitários em sua ordem, simetria e padronização, os princípios propostos por Le</p><p>Corbusier tiveram extensa influência sobre o planejamento urbano moderno, levando</p><p>ao desenvolvimento de novas tipologias de habitação de alta densidade.</p><p>De acordo com os ideais modernistas de progresso, a nova cidade conteria</p><p>arranha-céus pré-fabricados de alta densidade e idênticos, distribuídos por vastas</p><p>áreas verdes e organizados em uma grade cartesiana, permitindo que a cidade</p><p>funcionasse como uma “máquina viva”. No cerne do plano de Le Corbusier estava a</p><p>noção de zoneamento: a divisão estrita da cidade em áreas segregadas comerciais,</p><p>de negócios, de lazer e residenciais. A área de negócios se localizaria no centro e</p><p>apresentaria mega-arranha-céus monolíticos, cada um atingindo uma altura de</p><p>200 metros e com capacidade para entre cinco e oito mil pessoas. Localizada no</p><p>centro desse distrito cívico estaria a principal plataforma de transporte, a partir da</p><p>qual um vasto sistema subterrâneo de trens transportaria cidadãos para os distritos</p><p>de habitação do entorno.</p><p>Os bairros habitacionais contariam com edifícios de apartamentos pré-fabricados</p><p>conhecidos como unités. Atingindo uma altura de cinquenta metros, uma única unité</p><p>poderia acomodar 2.700 habitantes e funcionar como uma vila vertical. Instalações</p><p>de restaurantes e lavanderias ficariam no piso térreo; jardim de infância e piscina</p><p>ficariam na cobertura. Entre os blocos existiriam parques, proporcionando aos</p><p>residentes um máximo de luz natural, um mínimo de ruído e instalações de lazer</p><p>logo à porta (MERIN, 2016).</p><p>9Zoneamento e conforto</p><p>Consequências do zoneamento</p><p>no conforto ambiental</p><p>Tendo como base as defi nições de zoneamento e seus tipos, pode-se dizer que</p><p>tanto os zoneamentos ambiental e urbano como o zoneamento bioclimático</p><p>têm papel fundamental na proposição de estratégias de conforto ambiental,</p><p>infl uenciando diretamente o mesmo. Segundo Oliveira (2012, documento on-line),</p><p>[...] a delimitação de áreas estabelecidas para uso e ocupação do solo tem como</p><p>propósito evitar possíveis problemas urbanos tais como: construção de edifica-</p><p>ções acima do gabarito permitido pelo terreno, ocupações em áreas de riscos</p><p>ambientais, realização de atividades industriais, comerciais e turísticas em luga-</p><p>res inapropriados que influenciam para a qualidade do ar, do solo, dos recursos</p><p>hídricos, da fauna e flora afetando consequentemente a saúde do ser humano.</p><p>Os parâmetros urbanísticos, juntamente com o zoneamento, são impor-</p><p>tantes ferramentas para regular a densidade urbana e sua volumetria, tendo,</p><p>assim, efeitos na paisagem urbana e no conforto ambiental, dependendo do uso</p><p>que se faz deles. Como instrumentos para regular a densidade e a volumetria,</p><p>podemos citar o índice de aproveitamento e a taxa de ocupação dos terrenos,</p><p>que dizem respeito à área máxima a ser construída total e por pavimento</p><p>(Figura 1). Esses parâmetros garantem os afastamentos do lote e condicionam</p><p>a construção de novas edificações para que respeitem esses limites.</p><p>Figura 1. Parâmetros urbanísticos.</p><p>Fonte: Setor... (2011).</p><p>Zoneamento e conforto10</p><p>O zoneamento ambiental, que delimita áreas verdes e de preservação,</p><p>garantindo espaços abertos e saudáveis para os centros urbanos, colabora</p><p>diretamente para a sensação de conforto térmico nas cidades. Isso se dá pelo</p><p>fato de que a presença de áreas verdes e vegetações melhora as variações de</p><p>temperatura, amenizando ilhas de calor e contribuindo para a conversão da</p><p>poluição em ar limpo, melhorando também a saúde da população.</p><p>Já o zoneamento urbano permite que, por meio da delimitação de usos</p><p>e funções nas diferentes áreas das cidades, seja possível elaborar estratégias</p><p>adequadas de conforto térmico, acústico e lumínico para cada situação, evi-</p><p>tando-se, por exemplo, que residências fiquem próximas a indústrias de grande</p><p>porte, que geralmente geram mais barulho e poluição. Além disso, as taxas de</p><p>ocupação e aproveitamento do solo urbano garantem recuos nas edificações,</p><p>que facilitam a iluminação e a ventilação natural, influenciando diretamente</p><p>no conforto ambiental dos usuários. Ainda, nesse tipo de zoneamento, existem</p><p>as áreas de proteção permanente de córregos, matas e florestas que, apesar de</p><p>estarem relacionadas ao zoneamento ambiental, vinculam-se ao zoneamento</p><p>urbano se fizerem parte da área urbana e rural do município.</p><p>O zoneamento bioclimático, que diz respeito às zonas e climas do território</p><p>brasileiro, também se comporta como uma referência importante na busca pelo</p><p>conforto ambiental das pessoas. É por meio desse zoneamento que se pode</p><p>constatar com mais clareza quais são as estratégias bioclimáticas necessárias</p><p>para atingir a satisfação dos usuários nas diferentes zonas. Conforme destaca</p><p>a arquiteta Monica Dolce (CONFORTO..., 2018, documento on-line):</p><p>A especificação de soluções de projeto para obtenção de conforto térmico</p><p>depende do contexto climático, materiais aplicados na construção e ocupa-</p><p>ção do local, sistemas e equipamentos utilizados. A análise de diagnósticos</p><p>climáticos permite afirmar que a ventilação natural é uma boa estratégia para</p><p>grande parte das cidades brasileiras. Esse recurso tem capacidade de retirar</p><p>muito da carga térmica absorvida e/ou gerada dentro de um ambiente. Para</p><p>sua aplicação, é necessário que o projeto tenha fluidez nos espaços permitindo</p><p>que os ventos circulem por diferenças de pressão ou efeito chaminé.</p><p>Assim, com base nessas explanações, pode-se perceber que a relação entre</p><p>os conceitos de zoneamento e conforto ambiental é de grande importância para</p><p>a vida nas cidades. Como vimos, o zoneamento é um estudo de limitações de</p><p>áreas, vegetações, climas, entre outros aspectos, que serve como referência e</p><p>base para novos projetos urbanos. Os parâmetros urbanísticos empregados no</p><p>desenvolvimento desses estudos contribuem para a adoção de melhores estraté-</p><p>gias de conforto ambiental (sendo este um requisito imposto por lei), resultando</p><p>em espaços mais confortáveis do ponto de vista térmico, lumínico e acústico.</p><p>11Zoneamento e conforto</p><p>A divisão do território brasileiro em oito zonas foi resultado da análise de dados</p><p>climáticos obtidos entre 1931 e 1990. Esses dados foram classificados por meio da</p><p>carta bioclimática de Givoni adaptada ao Brasil. O zoneamento brasileiro apresenta</p><p>uma relação de 330 cidades cujos climas foram classificados segundo os parâmetros</p><p>e as condições de conforto para tamanho e proteção de aberturas (janelas), vedações</p><p>externas (paredes e coberturas) e estratégias de condicionamento térmico passivo.</p><p>Para saber mais, acesse o link abaixo.</p><p>https://goo.gl/erVsMa</p><p>ANDRADE, L. L. Zoneamento ambiental. InfoEscola, 2018. Disponível em: <https://</p><p>www.infoescola.com/ecologia/zoneamento-ambiental/>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>ANTUNES, P. B. Direito Ambiental. 3. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1999.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152: níveis de pressão sonora</p><p>em ambientes internos e edificações. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: <http://www.</p><p>abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=382777>. Acesso em: 31 ago. 2018.</p><p>BARBOSA, C.; CARVALHO, P. F. Zoneamento urbano-ambiental: possibilidades de com-</p><p>patibilização entre análise geomorfológica e padrões de ocupação urbanos para a</p><p>construção de cidades sustentáveis. In: Seminário Latino Americano de Geografia Física,</p><p>7., 2010, Coimbra. Anais... Universidade de Coimbra, 2010. Disponível em: <http://www.</p><p>uc.pt/fluc/cegot/VISLAGF/actas/tema3/camila_barbosa>. Acesso em: 28 ago. 2018.</p><p>BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Outros tipos de zoneamento. 2018. Disponível</p><p>em <http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento-territorial/item/8188-</p><p>-outros-tipos-de-zoneamento>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>CONFORTO ambiental: veja soluções arquitetônicas que oferecem bem-estar. AECweb,</p><p>2018. Disponível em: <https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/conforto-ambiental-veja-</p><p>-solucoes-arquitetonicas-que-oferecem-bemestar_10668_10_0>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>COSTA, C. M. M. Direito urbanístico comparado: planejamento urbano — das constitui-</p><p>ções aos tribunais luso-brasileiros. Curitiba: Juruá. 2009.</p><p>GIEHL, G. O zoneamento ambiental. Âmbito Jurídico, jan. 2007. Disponível em: <http://</p><p>www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_</p><p>id=3203>. Acesso</p><p>em: 29 ago. 2018.</p><p>LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3.</p><p>ed. São Paulo: Procel, 2004. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/docu-</p><p>Zoneamento e conforto12</p><p>https://goo.gl/erVsMa</p><p>http://www.infoescola.com/ecologia/zoneamento-ambiental/</p><p>http://abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=382777</p><p>http://uc.pt/fluc/cegot/VISLAGF/actas/tema3/camila_barbosa</p><p>http://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento-territorial/item/8188-</p><p>https://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/conforto-ambiental-veja-</p><p>http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_</p><p>http://www.mme.gov.br/docu-</p><p>ments/10584/1985241/Livro%20-%20Efici%C3%AAncia%20Energ%C3%A9tica%20</p><p>na%20Arquitetura.pdf>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>MERIN, G. Clássicos da arquitetura: Ville Radieuse/Le Corbusier. ArchDaily, 9 mai. 2016.</p><p>Disponível em: https://www.archdaily.com.br/br/787030/classicos-da-arquitetura-ville-</p><p>-radieuse-le-corbusier>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>MONTAÑO, M. et al. O zoneamento ambiental e a sua importância para a localização de</p><p>atividades. Revista Pesquisa e Desenvolvimento Engenharia de Produção, n. 6, p. 49–64, 2007.</p><p>NERY JÚNIOR, J. M. O zoneamento como instrumento de segregação em São Paulo.</p><p>Cadernos Metrópole, n. 13, p. 171-198, 2005.</p><p>OLIVEIRA, A. A.; TAVEIRA, A. V. A.; CAMAROTTO, M. R. Zoneamento municipal: implanta-</p><p>ção dos parques como fator de desenvolvimento em Francisco Beltrão. In: ADM 2015,</p><p>2015, Ponta Grossa. Anais... Paraná, 2015. Disponível em: <www.admpg.com.br/2015/</p><p>down.php?id=1509&q=1>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>OLIVEIRA, E. B. S. Algumas considerações sobre o zoneamento urbano: o exemplo do</p><p>município de Gandu-BA. Revista Caminhos de Geografia, v. 13, n. 42, p. 130-137, 2012.</p><p>Disponível em: <http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/</p><p>view/16759>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>O QUE é zoneamento ambiental. Cultura Mix, 2013. Disponível em: <http://meioambiente.cul-</p><p>turamix.com/recursos-naturais/o-que-e-zoneamento-ambiental>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>SETOR habitacional de terra. TERRACAP, 23 jul. 2011. Disponível em: <https://pt.slideshare.</p><p>net/shpontedeterra/apresentao-oficina-diagnstico-urbanismo>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>SILVA, J. A. Direito Ambiental Constitucional. 2. ed. São Paulo: Malheiros, 2004.</p><p>SILVA, J. A. Direito urbanístico brasileiro. São Paulo: RT, 1981.</p><p>SIQUEIRA, C. Conforto ambiental, desafio para arquitetos. Instituto Brasileiro de De-</p><p>senvolvimento da Arquitetura, Belo Horizonte, 2018. Disponível em: <http://www.fo-</p><p>rumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=4&Cod=800>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>SUSTENTABILIDADE e conforto ambiental em edificações. Téchne, n. 162, set. 2010.</p><p>Disponível em: <http://techne17.pini.com.br/engenharia-civil/162/artigo-sustentabi-</p><p>lidade-e-conforto-ambiental-em-edificacoes-286741-1.aspx>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DORNELES, A. C. B. O direito urbanístico como instrumento de equilíbrio entre a função socio-</p><p>ambiental da propriedade e o direito à propriedade privada. 2011. Dissertação (Mestrado em</p><p>Direito) – Programa de Pós-graduação em Direito, Universidade de Caxias do Sul, Caxias do</p><p>Sul, 2011. Disponível em: <https://repositorio.ucs.br/xmlui/bitstream/handle/11338/592/Dis-</p><p>sertacao%20Ana%20Claudia%20B%20Dorneles.pdf?sequence=1>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>ZONEAMENTO bioclimático brasileiro. Bioclimatismo: Blog de Arquitetura Bioclimá-</p><p>tica, 2018. Disponível em: <http://bioclimatismo.com.br/bioclimatismo/zoneamento-</p><p>-bioclimatico-brasileiro/>. Acesso em: 29 ago. 2018.</p><p>13Zoneamento e conforto</p><p>https://www.archdaily.com.br/br/787030/classicos-da-arquitetura-ville-</p><p>http://www.admpg.com.br/2015/</p><p>http://www.seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/</p><p>http://meioambiente.cul/</p><p>http://turamix.com/recursos-naturais/o-que-e-zoneamento-ambiental</p><p>https://pt.slideshare/</p><p>http://www.fo/</p><p>http://rumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=4&Cod=800</p><p>http://techne17.pini.com.br/engenharia-civil/162/artigo-sustentabi-</p><p>https://repositorio.ucs.br/xmlui/bitstream/handle/11338/592/Dis-</p><p>http://bioclimatismo.com.br/bioclimatismo/zoneamento-</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Gabriela Ferreira Mariano</p><p>O homem e o ambiente</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Explicar a relação entre o homem e o ambiente.</p><p> Reconhecer os impactos da relação entre o homem e o ambiente</p><p>na arquitetura.</p><p> Descrever, por meio de exemplos, projetos arquitetônicos que con-</p><p>siderem a relação do homem com o ambiente.</p><p>Introdução</p><p>Hoje, o desenvolvimento de uma consciência ambiental é obrigatório</p><p>para diminuir os impactos do homem na natureza. Os problemas am-</p><p>bientais são consequência direta da intervenção humana nos diferentes</p><p>ecossistemas da Terra, causando desequilíbrios no meio ambiente e</p><p>comprometendo a qualidade de vida de inúmeras espécies.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar sobre a relação entre o homem e</p><p>a natureza, verificando como o uso da construção sustentável pode</p><p>preservar o meio ambiente e poupar os recursos naturais, diminuindo os</p><p>impactos dessa relação por meio da arquitetura. Você também vai analisar</p><p>alguns exemplos de projetos que consideram essa relação.</p><p>Relação entre o homem e o ambiente</p><p>Diferentes áreas vêm destinando esforços ao estudo das consequências da</p><p>relação homem–natureza, antes estudada com exclusividade pelas ciências</p><p>biológicas e naturais. Tal apropriação da temática do meio ambiente é de</p><p>grandiosa positividade, já que todos nós somos afetados tanto pelos problemas</p><p>quanto pelas soluções ambientais.</p><p>Segundo Bernardino (2017), a psicologia ambiental vem sendo estudada</p><p>há muito tempo e está entre as áreas que vêm se dedicando à compreensão do</p><p>ambiente. Ela trata de problemas sociais adotando uma orientação humanística,</p><p>reconhecendo que, ao lidar com o meio ambiente, o indivíduo não só afeta o</p><p>local em que vive, mas também aqueles que compartilham esse espaço.</p><p>Para Cavalcanti e Elali (2011), por meio da psicologia ambiental, entende-</p><p>-se que o ambiente pode ser alterado por determinadas ações do homem e,</p><p>também, que circunstâncias ambientais podem alterar o comportamento</p><p>humano. Esse estudo tem como foco a inter-relação homem–ambiente, em</p><p>uma perspectiva de influência recíproca, compreendendo que os espaços</p><p>são modificados pelos seres humanos e que os comportamentos dos seres</p><p>humanos produzem interferências no meio ambiente. Esse meio inclui</p><p>tanto os ambientes construídos pelos homens e as inter-relações sociais</p><p>intrínsecas quanto o meio natural, como rios e f lorestas. Diversas áreas</p><p>vêm investigando as questões pertinentes ao meio ambiente, como a ar-</p><p>quitetura, a biologia, o planejamento urbano, a geografia, a comunicação</p><p>e a psicologia.</p><p>Cada indivíduo tem a obrigação de interferir o mínimo possível no meio onde vive;</p><p>é importante fortalecer em cada um o senso crítico contra a degradação do meio</p><p>ambiente. Essa consciência ambiental e o senso crítico são necessários à qualidade</p><p>de vida, conforme lecionam Noro et al. (2012).</p><p>Para que o homem encontre o equilíbrio, é necessário que viva perto da</p><p>natureza. Nossos lares precisam recriar ambientes naturais que contribuam</p><p>para uma sensação de liberdade. Nossos antepassados construíram suas casas</p><p>com tudo aquilo que tinham disponível: as casas foram feitas nas rochas,</p><p>levantadas com árvores, talhadas no gelo e moldadas no barro. Hanan e</p><p>Norris (2001) lecionam que as civilizações viviam no ritmo das estações,</p><p>alterando seus padrões de vida para se adaptarem ao ambiente. Ao viver</p><p>dessa maneira, a sua pegada ecológica dificilmente causou impacto na terra;</p><p>mas, hoje, isso não é mais assim. Estamos diante do desafio da mudança,</p><p>da adaptação às necessidades de um consumidor atento aos cuidados com</p><p>o planeta. Não se trata de cortar confortos, apenas de utilizar os recursos</p><p>de</p><p>forma mais racional, com o olhar no mundo que deixaremos para nossos</p><p>filhos e netos.</p><p>O homem e o ambiente2</p><p>A pegada ecológica mede a quantidade de recursos naturais renováveis necessária</p><p>para manter nosso estilo de vida. Basicamente, tudo o que usamos para viver vem da</p><p>natureza e, mais tarde, voltará para ela. Sob a ótica coletiva, o cálculo da pegada de uma</p><p>cidade, um estado ou um país tem por missão melhorar a gestão pública e mobilizar</p><p>a população a rever seus hábitos. A pegada ecológica brasileira é de 2,9 hectares</p><p>globais por pessoa, segundo o Relatório Planeta Vivo da rede WWF. Isso significa que,</p><p>se as pessoas do mundo inteiro consumissem como nós, seria necessário 1,6 planeta.</p><p>Acessando o link a seguir, você pode calcular quantos planetas seriam necessários</p><p>para suportar o seu estilo de vida.</p><p>https://goo.gl/MDK0fE</p><p>A urbanização e a industrialização transformaram a natureza em uma</p><p>estranha em meio ao caos das cidades. A questão da qualidade do ambiente</p><p>interno vem ganhando importância há algumas décadas, especialmente nos</p><p>países desenvolvidos, onde a população urbana passa cerca de 90% de seu</p><p>tempo em ambientes fechados, seja em casa, no trabalho ou em meios de</p><p>transporte, conforme aponta Marè (2010).</p><p>Não é estranho que a chamada “síndrome do edifício doente”, na qual ambientes</p><p>inadequados e artificiais são a causa de vários problemas de saúde dos trabalhadores,</p><p>tenha se tornado um problema do século XXI. Essa síndrome se refere à relação de causa</p><p>e efeito das condições de um ambiente interno e à agressão à saúde dos ocupantes</p><p>causada por fontes poluentes de origem física, química ou biológica. Um edifício é</p><p>considerado doente quando cerca de 20% de seus ocupantes apresentam problemas</p><p>de saúde associados à permanência em seu interior. Sintomas relacionados com a</p><p>construção podem ter um impacto substancial sobre a saúde.</p><p>De acordo com a classificação da OMS, existem dois tipos de edifício doente: edifícios</p><p>temporariamente doentes e edifícios permanentemente doentes. A síndrome do edifício</p><p>doente temporária se refere a edifícios recém-construídos, ou com remodelação recente,</p><p>que apresentam irregularidades que desaparecem com o tempo (aproximadamente seis</p><p>meses). Já edifícios permanentemente doentes podem apresentar erros de projeto, falta</p><p>de manutenção, ou outros fatores que ocasionaram dano permanente (O QUE..., [2018]).</p><p>3O homem e o ambiente</p><p>Recintos naturais estão intimamente ligados à Terra. Tudo o que faze-</p><p>mos tem importantes repercussões no mundo em que vivemos. Quando</p><p>se trata de preservar a casa herdada pela natureza, os pequenos e grandes</p><p>gestos fazem a diferença. Nota-se, portanto, que entre homem e natureza</p><p>há uma relação de íntima dependência, isto é, o homem é fruto do meio, do</p><p>mesmo modo que o meio é fruto do homem, conforme afirmam Cavalcanti</p><p>e Elali (2011).</p><p>Andrade (2018) afirma que, a partir da percepção integrada do meio am-</p><p>biente, torna-se possível uma ação mais racional que responde às necessidades</p><p>sociais. Assim, gera-se uma consciência na qual as intervenções nos hábitos e</p><p>atitudes da sociedade como um todo e suas orientações subsidiam o homem</p><p>para que ele compreenda e utilize corretamente os recursos naturais, com</p><p>o objetivo de satisfazer as suas necessidades. Dessa forma, o homem toma</p><p>consciência de que faz parte do meio ambiente, reconhecendo as consequências</p><p>de suas atitudes sobre o ambiente e o próximo.</p><p>Segundo Monteiro (2010), a população está cada vez mais envolvida com as</p><p>novas tecnologias e com cenários urbanos, perdendo, assim, a relação natural</p><p>que tinha com a Terra e as suas culturas. Alguns elementos arquitetônicos</p><p>podem ser considerados para que a relação entre o homem e o ambiente se es-</p><p>treite, contribuindo para o bem-estar dos usuários das edificações e produzindo</p><p>espaços mais acolhedores, salubres e estimulantes. É de suma importância o</p><p>uso de elementos que possibilitam maior funcionalidade, conforto e estímulo</p><p>para a permanência nesses espaços, se bem aplicados.</p><p>O ambiente em si e os elementos que o compõem formam um conjunto</p><p>inseparável que tem influência direta sobre as pessoas que nele estão inseridas.</p><p>Em uma escala maior, todas as decisões que tomamos relativas ao projeto,</p><p>à decoração e à aquisição impactam diretamente no meio ambiente local e</p><p>global. Mais do que nunca, é necessário que consideremos o contexto mais</p><p>amplo e como o uso dos nossos recursos afeta o ambiente que nos rodeia.</p><p>Grande parte da revolução verde no mundo gira em torno dos quatro Rs: reduzir,</p><p>reutilizar, reciclar e reparar. Observe que as pequenas e frequentes atitudes — desde</p><p>a redução do uso de artigos plásticos e sintéticos até a reciclagem do vidro e do</p><p>papel e o descarte daqueles produtos que não são biodegradáveis — representam,</p><p>literalmente, um mundo de diferença.</p><p>O homem e o ambiente4</p><p>Impactos da relação entre o homem</p><p>e o ambiente na arquitetura</p><p>Segundo Souza (2009), nos últimos anos temos nos confrontado com proble-</p><p>mas que envolvem a relação homem–meio ambiente em situações que geram</p><p>confl itos, esgotamento e destrutividade. Tais situações se manifestam devido</p><p>ao crescimento econômico, à expansão urbana e demográfi ca, à tendência ao</p><p>esgotamento de recursos naturais e energéticos não renováveis, ao crescimento</p><p>da desigualdade socioeconômica local e global, dentre outros fatores.</p><p>Rocha (2017) afirma que é muito importante entender como os usuários</p><p>de determinado espaço percebem o local e o que sentem quando permanecem</p><p>nele, para, assim, poder compreender de que modo esse ambiente influencia</p><p>no comportamento e nas sensações das pessoas. É imprescindível observar os</p><p>cuidados com o meio ambiente e as atitudes relevantes à qualidade de vida.</p><p>A preservação e a manutenção das condições naturais do meio ambiente se</p><p>estabelecem como categoria imprescindível para a qualidade de vida das</p><p>gerações futuras, bem como para a própria estabilidade neste planeta. A</p><p>destruição do meio ambiente devida aos constantes impactos pode tornar</p><p>inexequível a preservação da vida dos seres humanos.</p><p>É necessário educar e conscientizar as pessoas quanto às questões de preser-</p><p>vação da natureza, buscando formar cidadãos preocupados com o meio ambiente</p><p>e com a construção de valores sociais; cidadãos que apoiem o desenvolvimento</p><p>de formas conscientes de crescimento da sociedade e que desenvolvam práticas</p><p>que não acarretem danos ao meio ambiente. A maioria das pessoas não se vê</p><p>como participante do processo de interferência na natureza. Importam-se com o</p><p>meio ambiente apenas de modo teórico, ao ouvir falar de uma ou outra espécie</p><p>ameaçada ou de um ecossistema alterado. A falta de relação direta com os pro-</p><p>cessos naturais torna o ser humano ignorante sobre sua dependência, próxima</p><p>e direta, com o meio ambiente, conforme aponta Bortolotti (2013).</p><p>Por meio de uma consciência ambiental, é possível aumentar o entendimento sobre as</p><p>demandas ambientais, ampliando os cuidados com a preservação dos recursos naturais,</p><p>minimizando os impactos na natureza e potencializando a qualidade de vida urbana.</p><p>Quando se coloca em prática a cidadania que considera a natureza, a sociedade a aceita</p><p>como boa atitude e passa a incorporar essa prática aos hábitos do dia a dia. É importante</p><p>salientar que a visão integrada do meio ambiente, quando se vê o mundo como um todo,</p><p>fortalece a relação homem–natureza no espaço vivido e nas paisagens transformadas.</p><p>5O homem e o ambiente</p><p>O setor da construção civil é um dos que mais causam impacto no meio</p><p>ambiente. No Brasil, por exemplo, aproximadamente 35% de todos os materiais</p><p>extraídos da natureza anualmente (madeira, metais, areia, pedras, etc.) são</p><p>empregados na construção civil. Algumas propostas, como a certificação</p><p>LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), do Green Building</p><p>Council, estão sendo adotadas por vários países para aumentar o número de</p><p>construções sustentáveis. Esse selo já foi adotado por 41 nações, contabili-</p><p>zando mais de 744 milhões de</p><p>48 17/09/2018 14:26:46</p><p>Quando esse objetivo é alcançado, a ergonomia garante a minimização das</p><p>limitações do homem, pois estas são complementadas pelos sistemas, máquinas,</p><p>produtos, entre outros. Com base nesse raciocínio, pode ser estabelecida uma</p><p>relação de cooperação entre homem e máquina, contrapondo, portanto, o</p><p>pensamento do engenheiro mecânico norte-americano Frederick Winslow</p><p>Taylor, o qual defendia a necessidade da adaptação do homem como método</p><p>mais eficiente de trabalho (TAYLOR, 2010).</p><p>Para que a ergonomia atenda o seu objetivo, devem ser levados em consi-</p><p>deração os seguintes elementos:</p><p> homem — todas as adversidades inerentes ao usuário, como idade,</p><p>força, altura, experiência, cultura, habilidade cognitiva e objetivos;</p><p> máquina — todas as ferramentas utilizadas, mobiliário, equipamentos</p><p>e instalações;</p><p> ambiente — ruídos, vibrações, luz, cor, temperatura, entre outros ele-</p><p>mentos inerentes a cada local;</p><p> informação — sistema de transmissão das informações;</p><p> organização — elementos do sistema produtivo, como horários, equipes,</p><p>turnos, etc.;</p><p> consequências do trabalho — questões relativas à segurança, à fadiga,</p><p>ao estresse, ao afastamento por lesões, etc.</p><p>A ergonomia propicia a melhoria da produção, devido ao conforto fornecido</p><p>aos trabalhadores, e deve ser um objetivo de projeto, com base nas exigências</p><p>da NR nº. 17 (SÃO PAULO, 2007).</p><p>Áreas de aplicação do conforto ambiental</p><p>Os conceitos de conforto ambiental podem ser aplicados a praticamente todos</p><p>os ambientes, sejam fábricas, hospitais, laboratórios, universidades, edifi cações,</p><p>etc. São uma série de aplicações, cada uma com base em uma necessidade</p><p>diversa, de acordo com as características a serem atendidas. As diferentes</p><p>necessidades dos ambientes impõem que cada projeto seja único. Difi cilmente</p><p>uma solução aplicada duas vezes em locais distintos terá o mesmo efeito; isso</p><p>é praticamente impossível.</p><p>49Introdução aos conceitos de conforto ambiental</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 49 17/09/2018 14:26:46</p><p>Podemos citar uma série de locais em que se pode elaborar projetos de</p><p>conforto térmico, acústico, luminoso e ergonômico, como:</p><p> estúdios de gravação;</p><p> ruas e espaços para pessoas e veículos;</p><p> espaços esportivos;</p><p> escolas;</p><p> lojas;</p><p> restaurante e locais com serviços de alimentação;</p><p> templos e locais de culto;</p><p> agências bancárias e similares;</p><p> escritórios;</p><p> museus e galerias de arte;</p><p> bibliotecas;</p><p> laboratórios;</p><p> edificação industrial;</p><p> edificação residencial;</p><p> instalações industriais;</p><p> alojamentos;</p><p> residências;</p><p> residências para idosos;</p><p> hospitais;</p><p> auditórios.</p><p>Esse é apenas um rol explicativo, e não taxativo, podendo ser ampliado</p><p>conforme a necessidade de cada local, cliente e investidor e os impactos</p><p>de vizinhança. Também vale destacar que, por vezes, nem todos os con-</p><p>ceitos se aplicam a determinado projeto. Pode ser que, em determinado</p><p>empreendimento, o cliente escolha o conforto térmico como primordial,</p><p>por exemplo.</p><p>Soluções práticas em engenharia</p><p>Para o atendimento de requisitos de conforto ambiental, existem diversas</p><p>soluções de engenharia. Conforme já mencionado, toda solução deve ser</p><p>Introdução aos conceitos de conforto ambiental50</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 50 17/09/2018 14:26:46</p><p>minuciosamente verifi cada, pois não existem soluções prontas para cada</p><p>caso. O que existe são métodos e conceitos reconhecidos de engenharia,</p><p>que devem ser aplicados.</p><p>Para conforto térmico, uma solução prática é a ventilação natural cru-</p><p>zada, tanto na horizontal quanto na vertical da edificação. A ventilação bem</p><p>projetada torna possível a entrada de ar frio e a retirada de ar quente. Outra</p><p>solução são os telhados verdes. Uma das suas principais características é</p><p>a retenção do calor da cobertura, além do combate aos efeitos de ilhas de</p><p>calor em grandes centros (Figura 3).</p><p>Figura 3. Telhados verdes em zona urbana.</p><p>Fonte: Sunflowerey/Shutterstock.com.</p><p>Em indústrias, a utilização de lanternins combinados com brises propor-</p><p>cionam projetos bem iluminados e ventilados, reduzindo significativamente</p><p>o custo energético da edificação. Nas rodovias, é possível atenuar os ruídos</p><p>utilizando barreiras para o som, conforme demonstrado na Figura 4.</p><p>51Introdução aos conceitos de conforto ambiental</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 51 17/09/2018 14:26:46</p><p>Figura 4. Uso de barreiras como forma de proporcionar melhor conforto acústico para os</p><p>moradores da região.</p><p>Fonte: vladdon/Shutterstock.com.</p><p>Introdução aos conceitos de conforto ambiental52</p><p>Ergonomia_conforto_ambiental.indb 52 17/09/2018 14:26:47</p><p>BRUXTON, P. Manual do arquiteto: planejamento, dimensionamento e projeto. 5. ed.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2017.</p><p>CARVALHO, R. P. Acústica arquitetônica. Brasília: Thesaurus, 2006.</p><p>SÃO PAULO. Tribunal Regional do Trabalho. Norma Regulamentadora NR nº. 17 — Er-</p><p>gonomia (117.000-7). 2007. Disponível em: <http://www.trt02.gov.br/geral/tribunal2/</p><p>LEGIS/CLT/NRs/NR_17.html>. Acesso em: 31 jul. 2018.</p><p>TAYLOR, F. W. Princípios de administração científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2010.</p><p>Leitura recomendada</p><p>CORRÊA, V. M. BOLETTI, R. R. Ergonomia: fundamentos e aplicações. Porto Alegre:</p><p>Bookman, 2015.</p><p>PROJETO DE</p><p>PAISAGISMO I</p><p>Anna Carolina Manfroi Galinatti</p><p>Paisagismo e conforto</p><p>ambiental</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Relacionar o conforto ambiental ao paisagismo.</p><p> Aplicar elementos paisagísticos para obter conforto ambiental em</p><p>pequena e média escalas.</p><p> Empregar elementos paisagísticos como forma de promover o con-</p><p>forto ambiental nas cidades.</p><p>Introdução</p><p>O conforto ambiental é um tema discutido dentro da disciplina de</p><p>Arquitetura e Urbanismo há muitos séculos. Vitrúvio, em sua obra Dez</p><p>livros sobre a arquitetura, já demonstrava preocupações com a iluminação</p><p>natural nos ambientes, estabelecendo regras de composição e distri-</p><p>buição dos espaços, de modo a aproveitar os condicionantes naturais</p><p>do sítio. A habitabilidade de um espaço não se resume, no entanto, à</p><p>iluminação. O conceito de conforto abrange questões relacionadas à</p><p>temperatura e à umidade do ar, à acústica e à estética. Uma vez que</p><p>um projeto paisagístico é capaz de responder satisfatoriamente a tais</p><p>questões, ele se torna um excelente aliado na criação de ambientes</p><p>agradáveis e confortáveis.</p><p>Neste capítulo, você conhecerá a relação entre conforto ambiental e</p><p>paisagismo, bem como identificará formas de aplicação dos elementos</p><p>paisagísticos para obter conforto ambiental em projetos de pequena e</p><p>média escalas. Por fim, reconhecerá o emprego dos elementos paisagís-</p><p>ticos em uma cidade, de forma a promover o conforto ambiental.</p><p>Conforto ambiental e paisagismo</p><p>A arquitetura e o paisagismo devem servir aos indivíduos, oferecendo, como</p><p>uma de suas funções, condições térmicas compatíveis ao conforto humano no</p><p>interior dos edifícios, quaisquer que sejam as condições climáticas externas</p><p>(FROTA; SCHIFFER, 2001). O conceito de conforto ambiental, apesar de</p><p>subjetivo, está relacionado à sensação de bem-estar e à resposta dos sentidos</p><p>humanos aos estímulos externos. De forma simplifi cada, pode-se dizer que o</p><p>conforto ambiental é a adequação das características físicas de um ambiente,</p><p>como luz, temperatura, som e visual, às necessidades dos usuários.</p><p>O crescimento urbano, muitas vezes desordenado, tem comprometido</p><p>o desempenho ambiental da cidade. Conforme coloca Pivetta (2010, p. 14):</p><p>O aumento da temperatura nas á reas urbanas, devido à grande impermeabilizaç ã o</p><p>do solo com construç õ es ou com pavimentaç ã o, ao aumento da concentraç ã o de</p><p>poluentes, aos materiais de vedaç ã o altamente refletores e absorventes, contribui</p><p>para a formaç ã o das ilhotas té rmicas. O descaso com a vegetaç ã o també m está</p><p>aliada a este fato, lesionadas ou até mesmo banidas, causam desequilí brio té rmico</p><p>nas aglomeraç õ es urbanas e conseqü entemente no interior das edificaç</p><p>metros quadrados de obras, conforme leciona</p><p>Veronezzi ([2018]).</p><p>O LEED é um sistema internacional de certi ficação e orientação ambiental para edi-</p><p>ficações utilizado em mais de 160 países e possui o intuito de incentivar a transfor-</p><p>mação dos projetos, das obras e da operação das edificações, sempre com foco na</p><p>sustentabilidade de suas atuações.</p><p>Algumas atitudes podem ajudar a minimizar os impactos da construção</p><p>sobre o meio ambiente. Por meio de um pensamento sustentável, podemos</p><p>considerar algumas soluções para colocar isso em prática, como:</p><p> evitar o desperdício;</p><p> posicionar bem a casa no terreno;</p><p> privilegiar a ventilação natural cruzada;</p><p> utilizar materiais ecológicos;</p><p> fazer uso de placas coletoras de energia solar;</p><p> captar a água da chuva.</p><p>A partir da preocupação com o consumo de energia, originada na dé-</p><p>cada de 1970, o tema da arquitetura sustentável passou a abranger outros</p><p>aspectos do impacto ambiental da construção, como o impacto gerado pelos</p><p>processos de industrialização dos materiais e a busca por sistemas prediais</p><p>mais eficientes. O tema da sustentabilidade vem influenciando abordagens</p><p>de projeto na arquitetura contemporânea e conta com iniciativas e exemplos</p><p>nas mais diversas condições urbanas e ambientais. Gonçalves e Duarte (2006)</p><p>afirmam que, extrapolando as questões de conforto ambiental e suas relações</p><p>O homem e o ambiente6</p><p>com a eficiência energética, os recursos para a construção e a operação do</p><p>edifício, como materiais, energia e água, fazem parte das variáveis que vêm</p><p>sendo exploradas, com especial atenção para a formulação de propostas de</p><p>menor impacto ambiental.</p><p>Além dos recursos naturais utilizados, mais de 50% de toda a energia</p><p>produzida no Brasil é usada para abastecer nossas casas e condomínios. Uma</p><p>parte considerável de energia poderia ser facilmente economizada se essas</p><p>construções aproveitassem melhor a luz solar, ou então usassem lâmpadas e</p><p>chuveiros econômicos, por exemplo.</p><p>Segundo Veronezzi ([2018]), para diminuir esse impacto ambiental, nas</p><p>últimas décadas do século XX os profissionais de engenharia civil começa-</p><p>ram a desenvolver a construção sustentável. A construção sustentável é um</p><p>conceito que pode ser aplicado ao projeto de qualquer tipo de estrutura, desde</p><p>pequenas casas populares até grandes prédios, como fábricas ou hospitais.</p><p>Nesse tipo de construção, os engenheiros civis e arquitetos procuram usar</p><p>tecnologias ecológicas na obra para preservar o meio ambiente e poupar os</p><p>recursos naturais.</p><p>Diversos autores, como Lêdo (2015), apontam o conceito da construção</p><p>sustentável como sendo composto por cinco ideias básicas:</p><p>1. Projetos inteligentes — projetos de engenharia civil e arquitetura</p><p>inteligentes que aproveitam melhor as características do terreno e da</p><p>natureza, como o aproveitamento da iluminação solar natural para</p><p>poupar o uso de lâmpadas quando a construção ficar pronta.</p><p>2. Redução da poluição — uma obra de engenharia civil sempre gera</p><p>muita poluição. Essa poluição pode ser reduzida drasticamente a</p><p>partir do melhor aproveitamento dos materiais (redução de desper-</p><p>dício) e do uso de ferramentas e estruturas inteligentes (andaimes de</p><p>metal reutilizáveis, em vez dos tradicionais andaimes de madeira,</p><p>muito comuns na construção civil). Outra maneira interessante de</p><p>reduzir a poluição é separar as sobras da construção, como pedaços</p><p>de concreto, tijolos quebrados, tocos de madeira, pedaços de ferro,</p><p>etc. — as chamadas caliças. O que puder ser reaproveitado em outras</p><p>obras é armazenado e o que puder ser reciclado é enviado para a</p><p>reciclagem.</p><p>3. Materiais ecológicos — o uso de materiais ecológicos é outro princípio</p><p>fundamental da construção sustentável. Plástico reciclado, madeira de</p><p>reflorestamento, concreto reciclado (concreto aproveitado a partir da</p><p>demolição de outros edifícios) são opções de materiais que podem ser</p><p>7O homem e o ambiente</p><p>usados pela engenharia civil para aumentar a sustentabilidade de uma</p><p>construção, dentre diversas outras.</p><p>4. Eficiência energética — além de construir obras de maneira ecológica,</p><p>a construção sustentável também busca casas e prédios que possam ser</p><p>mantidos de modo econômico. Uma das formas de tornar um edifício</p><p>mais econômico e sustentável é por meio da eficiência energética.</p><p>Isso pode ser alcançado com o uso de lâmpadas e eletrodomésticos</p><p>econômicos e de energia solar para aquecer a água e melhorar o</p><p>aproveitamento do calor e do frio (que evita a necessidade do uso de</p><p>ar condicionado).</p><p>5. Aproveitamento da água — a água, um dos bens mais preciosos da</p><p>humanidade, também pode ser aproveitada, segundo os conceitos da</p><p>construção sustentável. A água das chuvas, por exemplo, pode ser</p><p>facilmente estocada em cisternas e caixas de água para ser usada em</p><p>tarefas como regar plantas, lavar o chão ou, então, nos vasos sanitários. O</p><p>desperdício também pode ser evitado por meio do uso de encanamentos</p><p>de maior resistência e de modelos de torneiras mais eficientes.</p><p>Conforme Jacques (2011), outras soluções voltadas à sustentabilidade que</p><p>podem ser consideradas para minimizar os impactos da relação do homem</p><p>com o meio ambiente na arquitetura são:</p><p> leiaute interno modular, permitindo mais liberdade aos usuários;</p><p> aproveitamento da energia solar para aquecimento de água e para a</p><p>produção de água destilada;</p><p> aproveitamento das águas pluviais por meio de reservatório de captação;</p><p> instalação de telhado verde modular sobre a cobertura, aumentando</p><p>o isolamento térmico e colaborando para a redução no consumo de</p><p>energia;</p><p> desenvolvimento de projeto paisagístico funcional, voltado a auxiliar</p><p>na correta gestão e aproveitamento da água pluvial;</p><p> uso de sistemas de automação nos projetos de iluminação, climatização,</p><p>segurança e comunicação, permitindo uma gestão integrada e inteligente</p><p>dos sistemas para reduzir o consumo de energia elétrica;</p><p> coleta e separação de resíduos gerados na operação de todo o edifício;</p><p> preservação e valorização da paisagem, possibilitando o mínimo impacto</p><p>ambiental sobre o entorno;</p><p> correta orientação, com a implantação das edificações de forma a</p><p>otimizar o conforto térmico e a iluminação natural.</p><p>O homem e o ambiente8</p><p>Projetos relevantes que consideram a relação</p><p>do homem com o ambiente</p><p>Durante um curto espaço de tempo, as considerações sobre as premissas fundamen-</p><p>tais de projeto e seu impacto nas condições de conforto ambiental e no consumo de</p><p>energia não eram tidas como determinantes. Dentro do conceito de sustentabilidade,</p><p>a arquitetura bioclimática ganhou importância devido à estreita relação entre</p><p>o conforto ambiental e o consumo de energia, estando presente na utilização dos</p><p>sistemas de condicionamento ambiental artifi cial e de iluminação artifi cial. Com</p><p>isso, o conforto ambiental ganhou, ou melhor, retomou sua importância para o</p><p>projeto de arquitetura, como afi rmam Corbella e Yannas (2003, p. 17):</p><p>A Arquitetura Sustentável é a continuidade mais natural da Bioclimática,</p><p>considerando também a integração do edifício à totalidade do meio ambiente,</p><p>de forma a torná-lo parte de um conjunto maior. É a arquitetura que quer criar</p><p>prédios objetivando o aumento da qualidade de vida do ser humano no ambiente</p><p>construído e no seu entorno, integrando as características da vida e do clima</p><p>locais, consumindo a menor quantidade de energia compatível com o conforto</p><p>ambiental, para legar um mundo menos poluído para as próximas gerações.</p><p>No início de 2018, a Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard</p><p>relançou o seu Centro para o Clima, Saúde e Meio Ambiente, com a missão</p><p>de defender a qualidade de vida de todas as pessoas, em todos os edifícios,</p><p>em todos os lugares e todos os dias (MCMANUS, 2018). A equipe do He-</p><p>althy Buildings está desenvolvendo diferentes pesquisas sobre o impacto</p><p>dos ambientes construídos na saúde, na produtividade e no bem-estar das</p><p>pessoas nos dias de hoje. Com a finalidade de esclarecer as suas definições e</p><p>apresentar o resultado das suas pesquisas</p><p>de uma forma compreensível para</p><p>o público leigo, divulgou uma lista completa e detalhada de como pequenas</p><p>coisas podem ajudar a tornar um edifício mais saudável para as pessoas. Os</p><p>nove fundamentos para edifícios mais saudáveis são (MCMANUS, 2018):</p><p>1. Ventilação — as taxas mínimas de ventilação e troca de ar de um</p><p>ambiente devem ser sempre atendidas e, quando possível, excedidas. O</p><p>ar deve ser purificado constantemente, para que a livre circulação possa</p><p>remover até as nanopartículas de forma mais eficiente. As entradas de</p><p>ar devem ser colocadas o mais longe possível de possíveis fontes de</p><p>poluição ao nível da rua.</p><p>2. Qualidade do ar — o critério para a escolha dos materiais utilizados deve</p><p>levar em conta os índices de emissão química durante a sua produção.</p><p>9O homem e o ambiente</p><p>Barreiras de vapor devem ser utilizadas para limitar a entrada de vapor de</p><p>água, e os níveis de umidade devem ser estáveis para controlar os odores.</p><p>3. Conforto térmico — as condições de temperatura devem atender aos</p><p>padrões de conforto e manter níveis consistentes de temperatura e</p><p>umidade do ar ao longo do dia.</p><p>4. Umidade — inspeções regulares devem ser realizadas para encontrar</p><p>e corrigir quaisquer fontes de umidade indesejada e possíveis pontos</p><p>de condensação dentro do envelope do edifício.</p><p>5. Poeira & controle de pragas — todas as superfícies devem ser limpas</p><p>e aspiradas regularmente. Pragas devem ser evitadas com medidas</p><p>preventivas, como a vedação de possíveis entradas e a inibição do</p><p>acúmulo de umidade e lixo.</p><p>6. Segurança — iluminação adequada, monitoramento por vídeo, proto-</p><p>colos de prevenção de acidentes, treinamentos de combate a incêndios e</p><p>manutenção de um plano de emergência podem promover as condições de</p><p>segurança de um edifício, assim como reduzir o estresse dos seus ocupantes.</p><p>7. Qualidade da água — a qualidade da água deve ser regularmente tes-</p><p>tada e mantida segundo os padrões de potabilidade, utilizando sistemas</p><p>de purificação para eliminar qualquer risco de contaminação. Medidas</p><p>devem ser tomadas para evitar a água parada dentro e fora do edifício,</p><p>inclusive nas tubulações.</p><p>8. Ruído — os ruídos externos devem ser controlados, e medidas podem</p><p>ser tomadas para minimizar os ruídos produzidos internamente. Fontes</p><p>de ruído devem estar abaixo de 35 db e o tempo máximo de reverberação</p><p>deve ser abaixo de 0,7 segundos.</p><p>9. Iluminação e vistas — todos os espaços de trabalho e de moradia</p><p>devem possuir linhas de visão direta para o exterior. A iluminação de</p><p>tarefa deve ser utilizada quando necessário, e a luz natural deve ser</p><p>maximizada sempre que possível.</p><p>Brant (2018) considera que o contexto onde será inserido um projeto é</p><p>parte essencial do exercício da arquitetura. Entender o que há em volta como</p><p>atuante direto nas decisões de desenho e organização do espaço vai além de</p><p>simplesmente considerar boas vistas, ventilação natural ou orientação — trata-</p><p>-se de enxergar essas condições como agentes ativas nos projetos, isto é, como</p><p>coautoras. Alguns arquitetos adotam os elementos da natureza como partido</p><p>inicial para o desenho dos espaços. A ideia da natureza como coautora no</p><p>processo de elaboração projetual é dada como ponto de partida para propostas</p><p>que reconectam a sociedade contemporânea com alguns elementos da natu-</p><p>O homem e o ambiente10</p><p>reza, com os quais a arquitetura não pretende se confrontar. Pelo contrário, as</p><p>estratégias projetuais estão ligadas ao aproveitamento desses recursos naturais</p><p>disponíveis para criar ambientes e programas diversos.</p><p>Há uma estreita conexão entre o processo de desenho e a análise do lugar</p><p>de implantação dos projetos, sobretudo no que diz respeito à leitura das po-</p><p>tencialidades locais e de elementos que favoreçam a relação homem–natureza.</p><p>Brant (2018) afirma ainda que explorar as relações entre homem e arquitetura</p><p>envolve, muitas vezes, incorporar ao pensar projetual a noção de natureza</p><p>como força de ação permanente que traz consigo características que podem ser</p><p>exploradas de forma muito rica na composição da arquitetura, como texturas,</p><p>cores, temperaturas e contrastes.</p><p>Isso se torna evidente em alguns projetos que se valem de uma implanta-</p><p>ção específica para estabelecer essas conexões compositivas, como é o caso</p><p>das piscinas de marés de Leça da Palmeira (Figura 1), projeto do arquiteto</p><p>português Álvaro Siza Vieira. Considerando as formações rochosas da costa</p><p>e a dinâmica própria das marés, a construção dialoga ora em um sentido de</p><p>evidenciar a ação humana no local, ora de incorporá-la a uma leitura global</p><p>da paisagem, uma vez que o material escolhido para a intervenção vai de</p><p>encontro à materialidade do espaço natural.</p><p>Figura 1. Imagem das piscinas de marés de Leça da Palmeira,</p><p>projeto do arquiteto Álvaro Siza (1966).</p><p>Fonte: Adaptada de Araújo ([2018]).</p><p>Segundo os arquitetos do escritório 3D Reid (APPROACH..., [2018]), a</p><p>compreensão de que o lugar é um elemento presente e ativo, que dita dinâmicas,</p><p>faz incorporar características, orienta o desenho e, portanto, torna-se dado de</p><p>11O homem e o ambiente</p><p>projeto, ajuda a criar a noção de que a arquitetura não pode ser vista de forma</p><p>restrita, como elemento isolado, mas sim como forma de interação, reação e</p><p>mediação entre as funções e necessidades cotidianas e o espaço que elas ocupam.</p><p>O One Angel Square (Figura 2), que fica em Manchester, projeto do es-</p><p>critório 3D Reid, é considerado um dos edifícios de grande dimensão mais</p><p>sustentáveis do mundo. O edifício conta com aproximadamente 30.000 m² de</p><p>espaços de escritório de alta qualidade e foi projetado especificamente para</p><p>flexibilidades máximas. A estrutura do edifício e seus sistemas mecânicos e</p><p>elétricos permitem que os ocupantes reorganizem facilmente a acomodação e</p><p>subdividam o espaço. Assim, mesmo que as necessidades mudem, o edifício</p><p>permanece relevante — sem custos excessivos de reajuste.</p><p>Figura 2. Imagem do One Angel Square, projeto do escritório</p><p>de arquitetura 3D Reid (2012).</p><p>Fonte: Adaptada de Angel... ([2018]).</p><p>Segundo os arquitetos do 3D Reid responsáveis pelo projeto, o One Angel</p><p>Square foi projetado para oferecer uma redução de 50% no consumo de energia,</p><p>em comparação com o atual complexo de Manchester da Co-operative, e uma</p><p>redução de 80% no carbono. Isso levará a uma redução nos custos operacio-</p><p>nais de até 30%. Os projetistas abordaram a questão do aquecimento global</p><p>e prepararam o prédio considerando os dados meteorológicos previstos para</p><p>2050. Assim, o prédio pode lidar com um aumento potencial de 3 a 5 graus na</p><p>O homem e o ambiente12</p><p>temperatura do verão e de 30% no inverno. O tecido e os sistemas ambientais</p><p>do edifício foram projetados para se tornarem mais eficientes à medida que a</p><p>temperatura média anual aumenta. Outras áreas de inovação são a implemen-</p><p>tação de pontos de carregamento de carros de piscina elétricos, alimentados</p><p>a partir de um sistema CHP (cogeração de energia) de baixo carbono, e o</p><p>desenvolvimento de um aplicativo de usuário de construção que transmite</p><p>informações do usuário em tempo real sobre o desempenho do edifício.</p><p>O One Angel Square é considerado o edifício BREEAM Outstanding (em</p><p>português, excepcional) de maior pontuação do país e define um novo marco</p><p>nacional em design sustentável dentro do setor comercial. Conheça mais sobre</p><p>o conceito BREEAM no box Saiba Mais a seguir.</p><p>O BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method, ou Método</p><p>de Avaliação Ambiental do Estabelecimento de Pesquisa Predial) é uma avaliação que</p><p>utiliza métricas e índices de sustentabilidade com base científica, abrangendo uma série</p><p>de questões ambientais. É realizado por avaliadores independentes e licenciados. Suas</p><p>categorias avaliam o uso de energia e água, a saúde e o bem-estar, a poluição, o transporte,</p><p>os materiais, os resíduos, a ecologia e os processos de gestão. Os edifícios são classificados</p><p>e certificados em uma escala de “regular”, “bom”, “muito bom”, “excelente” e “excepcional”.</p><p>O BREEAM trabalha para conscientizar</p><p>os proprietários, ocupantes e projetistas sobre</p><p>os benefícios de se adotar uma abordagem de sustentabilidade. Isso os ajuda a adotar</p><p>com sucesso soluções sustentáveis de maneira econômica e fornece reconhecimento</p><p>de mercado de suas conquistas. O objetivo é reduzir os efeitos negativos da construção</p><p>e do desenvolvimento sobre o meio ambiente (WHAT..., [2018]).</p><p>Outro exemplo de projeto arquitetônico que considera a relação do homem</p><p>com o ambiente é o edifício da Biblioteca da Universidade de Varsóvia (Fi-</p><p>gura 3). Esse edifício apresenta um conceito que combina a funcionalidade</p><p>de uma biblioteca moderna, o respeito pela modelagem do aterro do Vístula</p><p>e o fascínio pela mistura entre cultura e natureza, criando um edifício de</p><p>surpreendente diversidade. O conjunto é feito de cobre patinado (Figura 4),</p><p>e a sua cor verde harmoniza com os elementos externos do edifício, subindo</p><p>até o telhado e as fachadas, que foram cobertas com redes de cobre, dando</p><p>suporte às trepadeiras e vidraças que refletem a vegetação.</p><p>O jardim no telhado da Biblioteca da Universidade de Varsóvia é um dos</p><p>maiores e mais bonitos jardins de telhado da Europa. É um local de descanso</p><p>13O homem e o ambiente</p><p>muito popular para estudantes, residentes de Varsóvia e turistas. É usado pelos</p><p>organizadores de concertos e eventos como cinema de verão e jogos urbanos.</p><p>O jardim é composto por duas partes: a parte superior (2.000 m2) e a inferior</p><p>(15.000 m2). Do telhado, os visitantes podem admirar o horizonte da cidade, as</p><p>vistas do rio Vístula e uma abundância de espécies vegetais de cor dominante.</p><p>As áreas do jardim estão ligadas por passagens, caminhos, pontes e pérgulas,</p><p>nas quais crescem vinhedos Zilga, hortênsias, trepadeiras e clematites.</p><p>Figura 3. Jardim da Biblioteca da Universidade de Varsóvia.</p><p>Fonte: Adaptada de Warsaw (2012).</p><p>Figura 4. Fachada da Biblioteca da Universidade de Varsóvia.</p><p>Fonte: Adaptada de B285d8342d7f6151d1f6c94e80b12c6d.jpg ([2018]).</p><p>O homem e o ambiente14</p><p>Paralelamente, experiências isoladas de edifícios projetados para reduzir</p><p>o impacto ambiental da arquitetura continuam sendo válidas para o avanço</p><p>do tema. Devemos lembrar que a transformação do ambiente construído em</p><p>direção à sustentabilidade ambiental urbana depende de uma abordagem mais</p><p>complexa e mais ampla, envolvendo várias escalas de atuação. O comporta-</p><p>mento humano frente às essas alternativas será determinante para o incentivo</p><p>às boas práticas.</p><p>ANDRADE, C. A percepção ambiental na formação do professor em educação ambiental.</p><p>Santos: Universidade Metropolitana de Santos. Web Artigos, 2 jul. 2018. Disponível em:</p><p><https://www.webartigos.com/artigos/a-percepcao-ambiental-na-formacao-do-</p><p>-professor-em-educacao-ambiental/158720>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>ANGEL square, co-opertive society headquarters, Miller Street, Mancehster. Manchester</p><p>Story, Manchester, UK, [2018]. Disponível em: <http://manchesterhistory.net/architec-</p><p>ture/2010/coopHQ.html >. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>APPROACH. 3D Reid, London, [2018]. Disponível em: <https://www.3dreid.com/appro-</p><p>ach/>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>ARAÚJO, R. W. Proj lazer: piscinas de Leça de Palmeira, Porto. Blog Prancheta de Arquiteto,</p><p>[2018]. Disponível em: <https://pranchetadearquiteto.blogspot.com/2014/08/proj-lazer-</p><p>-piscinas-de-leca-de-palmeira.html?m=1>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>B285D8342D7F6151D1F6C94E80B12C6D.JPG. [2018]. Largura: 427 pixels. Altura: 320</p><p>pixels. Formato: JPG. Disponível em: <https://i.pinimg.com/originals/b2/85/d8/</p><p>b285d8342d7f6151d1f6c94e80b12c6d.jpg>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>BERNARDINO, C. M. N. Psicologia ambiental, uma ponte entre homem e arquitetura.</p><p>Revista On Line IPOG Especialize, Goiânia, GO, Ano 8, v. 14, n. 1, p. 1-17, dez. 2017. Disponível</p><p>em: <https://www.ipog.edu.br/download-arquivo-site.sp?arquivo=cledja-maria-das-</p><p>-neves-bernardino-13121712.pdf>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>BORTOLOTTI, S. L. V. Percepção da sustentabilidade: uma avaliação nos moradores do</p><p>município de Medianeira-PR. In: Seminário de Extensão Universitária da Região Sul,</p><p>31., 2013, Florianópolis. Anais... Santa Catarina: Universidade Federal de Santa Catarina,</p><p>2013. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/117447>. Acesso</p><p>em: 24 out. 2018.</p><p>BRANT, J. A natureza como coautora em projetos de arquitetura. ArchDaily, 8 fev. 2018.</p><p>Disponível em: <https://www.archdaily.com.br/br/888530/a-natureza-como-coautora-</p><p>-em-projetos-de-arquitetura>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>15O homem e o ambiente</p><p>CAVALCANTE, S.; ELALI, G. A. Temas básicos em psicologia ambiental. Petrópolis: Vozes, 2011.</p><p>CORBELLA, O.; YANNAS, S. Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos:</p><p>conforto ambiental. Rio de Janeiro: Revan, 2003.</p><p>GONÇALVES, J. C. S.; DUARTE, D. H. S. Arquitetura sustentável: uma integração entre</p><p>ambiente, projeto e tecnologia em experiências de pesquisa, prática e ensino. Ambiente</p><p>Construído, Porto Alegre, v. 6, n. 4, p. 51-81, out./dez. 2006. Disponível em: <http://www.</p><p>seer.ufrgs.br/ambienteconstruido/article/download/3720/2071>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>HANAN, A.; NORRIS, P. Natural. Barcelona: Acanto, 2001.</p><p>JACQUES, E. Universidade apresenta soluções para reduzir impacto ambiental na</p><p>construção civil: A construção de um novo laboratório da UFPR começa respeitando o</p><p>meio ambiente. Atitude Sustentável, 6 jul. 2011. Disponível em: <http://atitudesustentavel.</p><p>com.br/blog/2011/07/06/universidade-apresenta-solucoes-para-reduzir-impacto-</p><p>-ambiental-na-construcao-civil/>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>LÊDO, S. O conceito de construção sustentável na engenharia civil. Revista da Susten-</p><p>tabilidade, 30 jun. 2015. Disponível em: <https://revistadasustentabilidade.wordpress.</p><p>com/2015/06/30/o-conceito-de-construcao-sustentavel-dentro-da-engenharia-civil/>.</p><p>Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>MARÈ, R. M. 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O Impacto da Construção Civil no Meio Ambiente In: INSTITUTO BRASI-</p><p>LEIRO DE DESENVOLVIMENTO DA ARQUITETURA. Fórum da Construção, [2018]. Dispo-</p><p>nível em: <http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=23&Cod=1827>.</p><p>Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>WARWAW University Library: roof garden. Tourwarsaw, 11 mar. 2012. Disponível em: <ht-</p><p>tps://tourwarsaw.wordpress.com/warsaw-photo-gallery/buw2/>.</p><p>Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>WHAT is BREEAM? BREEAM, [2018]. Disponível em: <https://www.breeam.com/>. Acesso</p><p>em: 24 out. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ANGEL Square / 3D Reid. ArchDaily, 27 fev. 2013. Disponível em: <https://www.archdaily.</p><p>com/337430/1-angel-square-3d-reid/>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>CUTTS. S. Man. Youtube, 21 dez. 2012 (3 m 36 s). Disponível em: <https://www.youtube.</p><p>com/watch?v=WfGMYdalClU>. Acesso em: 24 out. 2018.</p><p>MELAZO, G. C. Percepção ambiental e educação ambiental: uma reflexão sobre as</p><p>relações interpessoais e ambientais no espaço urbano. Olhares & Trilhas, Uberlândia,</p><p>MG, v. 6, n. 1, p. 45-51, jan./dez. 2005.</p><p>PHILIPPI JUNIOR, A.; PELICIONI, M. C. F. (Ed.). Educação ambiental e sustentabilidade.</p><p>Barueri: Manole, 2005.</p><p>SCHWANKE, C. Ambiente: conhecimentos e práticas [recurso eletrônico]. Porto Alegre:</p><p>Bookman, 2013.</p><p>SERRA, G. G. Pesquisar em arquitetura e urbanismo: guia prático do trabalho de pesqui-</p><p>sadores em pós-graduação. São Paulo: EDUSP, 2006.</p><p>17O homem e o ambiente</p><p>Conteúdo:</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Orientação solar</p><p>das edificações</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir a importância da orientação solar para o projeto de edificações.</p><p> Identificar as interferências da insolação nos ambientes.</p><p> Exemplificar projetos arquitetônicos em que a interação entre edifi-</p><p>cação e orientação solar é considerada.</p><p>Introdução</p><p>A correta orientação solar de uma edificação é um dos principais fatores</p><p>para otimizar a utilização dos recursos naturais disponíveis no ambiente,</p><p>como a luz solar e o vento, gerando conforto e bem-estar para os usuários.</p><p>Para tanto, o projeto arquitetônico deve ser desenvolvido de acordo</p><p>com as características bioclimáticas de cada local, aproveitando o que</p><p>o clima traz de bom e resolvendo os problemas que poderiam interferir</p><p>no desempenho da edificação.</p><p>Condições de conforto ambiental são imprescindíveis para a saúde e o</p><p>bem-estar das pessoas. Nos projetos de edificações, devemos considerar</p><p>os fatores que influenciam direta ou indiretamente o conforto ambiental.</p><p>O clima, as condições de vento, a temperatura, a insolação, a umidade e</p><p>a luz natural serão determinantes para o conforto térmico da edificação.</p><p>De acordo com Mascaró (1991), são quatro os principais fatores que</p><p>afetam a perda de calor no ser humano, também chamados de fatores</p><p>dinâmicos do clima: temperatura, umidade, movimento do ar e radiação.</p><p>Uma edificação projetada sem considerar esses fatores pode se tornar</p><p>inapropriada para os usuários dela, além de representar gastos maiores</p><p>com consumo energético para compensar o desconforto térmico natural</p><p>da edificação. Um exemplo são os edifícios envidraçados em climas quen-</p><p>tes e com orientações com muita incidência solar. A menos que sejam</p><p>utilizados materiais especiais e, muitas vezes, extremamente caros, esses</p><p>edifícios requerem soluções de climatização artificial para compensar o</p><p>calor intenso no verão e o frio no inverno.</p><p>Há que se observar que todas as decisões que afetam o consumo</p><p>energético de uma edificação ocorrem na elaboração dos desenhos</p><p>preliminares de um projeto. O esforço necessário para implementar tais</p><p>decisões na fase preliminar do projeto é pequeno quando comparado</p><p>àquele que seria necessário para a sua posterior implementação, con-</p><p>forme lecionam Brown e Dekay (2004).</p><p>Neste capítulo, você vai verificar a importância da orientação solar no</p><p>projeto de edificações e como a insolação pode interferir no conforto</p><p>dos ambientes, analisando, por fim, exemplos de projetos arquitetônicos</p><p>em que a interação entre edificação e orientação solar foi considerada.</p><p>Importância da orientação solar para o projeto</p><p>de edificações</p><p>Na elaboração de projetos de arquitetura adequados aos diferentes climas,</p><p>destacam-se alguns fatores que infl uenciam as decisões de projeto em</p><p>função das características climáticas. De acordo com Frota (2003), são eles:</p><p> forma (geometria) mais apropriada;</p><p> orientação e dimensionamento das aberturas;</p><p> localização dos diversos blocos no espaço físico;</p><p> determinação da sombra projetada das edificações;</p><p> determinação das máscaras produzidas por obstruções externas às</p><p>aberturas;</p><p> indicação de elementos externos de projeção da radiação solar (cons-</p><p>truções, vegetação, etc.).</p><p>O controle da radiação solar é um dos fatores com maior impacto no</p><p>conforto térmico da edificação. Em locais onde o clima é muito quente, por</p><p>exemplo, deve-se evitar que a radiação solar penetre em excesso nos ambientes,</p><p>prevenindo ganhos de calor.</p><p>No inverno, as pessoas perdem calor e, com isso, sentem frio; no verão,</p><p>sentem calor e buscam se refrescar. Há muitas formas de isolar o calor e o</p><p>frio nas construções, visando minimizar o desconforto térmico. As soluções</p><p>Orientação solar das edificações2</p><p>estão, basicamente, na adequação do projeto do edifício, especialmente no que</p><p>tange à sua orientação e ao seu envoltório (paredes, aberturas e cobertura).</p><p>Determinar a posição do sol para o local da edificação e proteger o seu</p><p>envoltório requer um estudo da geometria da insolação, que vai determinar</p><p>graficamente a incidência do sol de acordo com a latitude, a hora e a época</p><p>do ano, conforme leciona Frota (2003).</p><p>No exemplo demonstrado nas Figuras 1 e 2, você observar que, de acordo</p><p>com o horário do dia e a época do ano, há uma variação significativa na</p><p>sombra projetada pela edificação no terreno devido à mudança da incidência</p><p>solar. Nesse exemplo hipotético, a edificação está em um terreno situado no</p><p>Hemisfério Norte, em Saint Louis, Missouri.</p><p>Figura 1. Sítio hipotético para demonstrar a incidência solar sobre a edificação no terreno</p><p>em diferentes horários e épocas do ano.</p><p>Fonte: Brown e Dekay (2004, p. 29).</p><p>3Orientação solar das edificações</p><p>Figura 2. Incidência solar sobre a edificação no terreno (sítio hipotético)</p><p>em diferentes horários e épocas do ano.</p><p>Fonte: Brown e Dekay (2004, p. 30).</p><p>Na prática</p><p>Veja, por meio de realidade aumentada, o quanto a incidência de luz solar em terreno</p><p>no Hemisfério Sul influencia os aspectos construtivos de uma edificação, bem como</p><p>as decisões arquitetônicas.</p><p>Aponte para o QR code ou acesse o link</p><p>https://goo.gl/RtwuxK para ver o recurso..</p><p>Orientação solar das edificações4</p><p>Para determinar os horários do dia e do ano nos quais o sol estará pre-</p><p>sente em determinado sítio, utilizamos a carta solar, com a representação</p><p>dos elementos existentes no sítio. A Figura 3 mostra um solaroscópio, um</p><p>instrumento que simula o movimento do Sol e permite identificar a incidência</p><p>solar sobre uma edificação e a sombra projetada no terreno.</p><p>Figura 3. Representação de um solaroscópio.</p><p>Fonte: Adaptada de Lamberts, Dutra e Pereira (2014).</p><p>Para melhor compreender a carta solar e a utilização do solaroscópio para</p><p>simulações em projeto, veja a Figura 4, que demonstra o movimento do planeta</p><p>Terra em torno do Sol e os diferentes ângulos de incidência da radiação solar</p><p>de acordo com o período do ano e o horário do dia. Já a Figura 5 demonstra</p><p>a trajetória solar em um dia qualquer na carta solar.</p><p>5Orientação solar das edificações</p><p>Figura 4. Trajetória da Terra ao redor do Sol (translação), com</p><p>o ângulo de inclinação do eixo norte-sul, os solstícios e os</p><p>equinócios para o Hemisfério Sul.</p><p>Fonte: Adaptada de Lamberts, Dutra e Pereira (2014).</p><p>Figura 5. Trajetória solar em um dia qualquer na carta solar.</p><p>Fonte: Adaptada de Lamberts, Dutra e Pereira (2014).</p><p>Orientação solar das edificações6</p><p>A carta solar representa a trajetória do Sol na abóbada celeste como se</p><p>ele estivesse projetado sobre uma superfície horizontal, conforme apontam</p><p>Libbey-Owens-Ford (1974), Olgyay (1963) e Hoke (1996, apud BROWN;</p><p>DEKAY, 2004). Na Figura 6 é demonstrado um exemplo de carta solar para</p><p>a latitude 40º.</p><p>Figura 6. Carta solar para a latitude 40°.</p><p>Fonte: Brown e Dekay (2004, p. 31).</p><p>Interferências da insolação nos ambientes</p><p>As edifi cações são nossa terceira pele. No tempo</p><p>em que nossos ancestrais</p><p>se deslocavam em busca de áreas para se fi xar, há centenas de milhares de</p><p>anos, eles não somente necessitavam adequar suas vestimentas, mas também</p><p>as edifi cações para os abrigar e proteger. Assim, surgiu a necessidade de se</p><p>construir edifi cações mais resistentes tanto ao frio quanto ao calor.</p><p>7Orientação solar das edificações</p><p>O que não mudou com essas migrações foi o metabolismo humano pree-</p><p>xistente. Em todas as sociedades, as pessoas têm a fi siologia e a temperatura</p><p>corporal de aproximadamente 37,5 ºC, além dos mecanismos de adaptação</p><p>para que possam manter seus corpos a essa temperatura mesmo nos climas</p><p>mais rigorosos, conforme lecionam Roaf, Crichton e Nicol (2009).</p><p>Assim, para tornar possível a sobrevivência em temperaturas que podem</p><p>variar de mais de 50 ºC, nas latitudes menores, até −50°C, no Círculo Ártico,</p><p>outros fatores entraram em jogo: o uso de vestimentas mais pesadas ou mais</p><p>leves (a segunda pele) e o projeto das edificações (a terceira pele). A Figura</p><p>7 resume as interações entre clima, pessoas e edificações.</p><p>Figura 7. Interação entre clima, pessoas e edificações: as edificações amenizam o clima de</p><p>assentamentos ocupados de forma tradicional para ficarem adequados aos ocupantes e</p><p>para trazer conforto dentro das normas culturais.</p><p>Fonte: Roaf, Crichton e Nicol (2009, p. 52).</p><p>A insolação nos ambientes afeta diretamente as pessoas e o conforto</p><p>dos espaços. Dependendo da orientação solar, da distribuição das aberturas,</p><p>dos materiais utilizados e da forma da edificação, haverá maior ou menor</p><p>penetração dos raios solares. Com isso, há um impacto sobre a iluminação</p><p>natural dos ambientes e a quantidade de calor dentro deles.</p><p>A orientação do edifício influencia a quantidade de calor que ele recebe</p><p>e pode representar o aumento do consumo de energia. Mascaró (1991) destaca</p><p>que o uso adequado da orientação solar da edificação pode reduzir em cerca</p><p>de 50% o consumo energético. O autor também exemplifica que um edifício</p><p>Orientação solar das edificações8</p><p>na latitude 30ºS (correspondente a Porto Alegre), com suas fachadas maiores</p><p>orientadas favoravelmente, recebe 1,7 milhão de quilocalorias/dia, ao passo</p><p>que, quando orientado desfavoravelmente, a carga térmica recebida é da ordem</p><p>de 4,2 milhões de quilocalorias/dia (quase 150% maior).</p><p>Além da orientação, a forma da edificação também vai influenciar na carga</p><p>térmica recebida por ele. Para que um edifício se torne confortável, ele deve</p><p>ser projetado para o clima em que está inserido e deve considerar a orientação</p><p>solar desde a fase preliminar do projeto. Esse cuidado deve ter como base o</p><p>controle da radiação solar direta nos ambientes internos e a minimização da</p><p>radiação solar direta e difusa nas fachadas e coberturas do edifício.</p><p>No Hemisfério Sul (abaixo da Linha do Equador), a melhor orientação solar</p><p>para a iluminação natural nas edificações é a orientação solar norte. Nessa</p><p>orientação há maior incidência de luz solar direta e é relativamente fácil de</p><p>sombrear as aberturas para o controle da entrada de radiação solar. A orientação</p><p>solar sul também é benéfica para a iluminação natural, considerando que a</p><p>incidência de luz é constante e que se trata da orientação que menos recebe</p><p>luz solar direta, evitando assim o ofuscamento nos ambientes.</p><p>Já as orientações solares leste e oeste são as que recebem a luz solar direta</p><p>com mais intensidade no verão e menos no inverno, dificultando o projeto</p><p>de proteções solares. A Figura 8 ilustra uma planta ideal considerando a</p><p>orientação solar e a luz natural.</p><p>Figura 8. Planta com orientação ideal em relação à iluminação natural.</p><p>Fonte: Adaptada de Lamberts, Dutra e Pereira (2014).</p><p>9Orientação solar das edificações</p><p>Projetos arquitetônicos em que a interação</p><p>entre edificação e orientação solar é</p><p>considerada</p><p>As estratégias de projeto são utilizadas para melhorar a interação entre a</p><p>edifi cação, o clima e a orientação solar. A maioria delas trata da orientação</p><p>e da localização dos recintos com relação à insolação e à ventilação do lo-</p><p>cal. A seguir serão apresentados alguns exemplos em que essa interação foi</p><p>considerada no projeto arquitetônico. Nesses exemplos foram considerados</p><p>principalmente a forma e o fechamento dos recintos, de modo a reduzir as</p><p>cargas de aquecimento ou esfriamento, ou para responder às necessidades</p><p>de uma edifi cação quanto ao aquecimento, ao esfriamento e à iluminação,</p><p>por meio do uso dos recursos disponíveis no sítio. As estratégias apresentam</p><p>recomendações de como os recintos podem ser projetados de forma a coletar,</p><p>armazenar e distribuir o calor solar e/ou melhor utilizar o recurso de ventilação</p><p>natural, conforme apontam Brown e Dekay (2004).</p><p>Plantas baixas compactas</p><p>As plantas baixas compactas reduzem a área de pele e, portanto, as perdas</p><p>e os ganhos térmicos (aquecimento e esfriamento), conforme mostra a</p><p>Figura 9. A quantidade de pele exposta em relação ao volume envolvido</p><p>aumenta à medida que formas compactas, como cubos, são alongadas e</p><p>se transformam em prismas retangulares ou fechamentos mais articula-</p><p>dos. Consequentemente, as perdas e os ganhos térmicos por condução e</p><p>convecção através da pele são maiores nas formas alongadas do que na</p><p>formas compactas com o mesmo volume, conforme lecionam Brown e</p><p>Dekay (2004).</p><p>Orientação solar das edificações10</p><p>Figura 9. Exemplo de edificação no estilo New England Salt Box, com planta baixa compacta,</p><p>e seu desempenho térmico.</p><p>Fonte: Brown e Dekay (2004, p. 168).</p><p>Estratégias de ventilação</p><p>Na Figura 10 estão demonstradas de forma esquemática diferentes soluções</p><p>em planta baixa e corte que permitem melhor utilização da ventilação natural</p><p>nos ambientes da edifi cação. A ventilação cruzada é uma estratégia particu-</p><p>larmente valiosa pois, além de remover o calor dos recintos, também promove</p><p>uma melhor sensação térmica em climas quentes, uma vez que auxilia na</p><p>evaporação das pessoas, conforme apontam Brown e Dekay (2004).</p><p>11Orientação solar das edificações</p><p>Figura 10. Estratégias de organização dos espaços que favorecem tanto a ventilação</p><p>cruzada quanto a ventilação por efeito chaminé.</p><p>Fonte: Brown e Dekay (2004, p. 170).</p><p>Conjunto habitacional em blocos com jardins</p><p>Nem sempre os terrenos apresentam uma condição que permita a melhor</p><p>orientação solar da edifi cação. A Figura 11 traz o exemplo do conjunto habi-</p><p>tacional Brunnerstrasse-Empergasse, dos arquitetos Reinberg-Trebersperg-</p><p>-Raith, em Viena, na Áustria, que foi concebido em doze barras de blocos com</p><p>três pavimentos voltados para o sul (a maior incidência solar no Hemisfério</p><p>Norte, ao contrário do Hemisfério Sul). As unidades voltadas para o sul</p><p>garantem o aquecimento térmico necessário por meio da insolação direta</p><p>nas fachadas e da criação de jardins de inverno, conforme apontam Brown</p><p>e Dekay (2004).</p><p>Orientação solar das edificações12</p><p>Figura 11. Conjunto habitacional Brunnerstrasse-Empergasse, corte norte-sul típico.</p><p>Fonte: Brown e Dekay (2004, p. 177).</p><p>No link a seguir, leia um estudo de caso de um edifí cio de escritó rios em Brasí lia cujo</p><p>projeto levou em consideração a análise bioclimática da cidade.</p><p>https://goo.gl/kMHchn</p><p>13Orientação solar das edificações</p><p>BROWN, G. Z.; DEKAY, M. Sol, vento & luz: estratégias para o projeto de arquitetura. 2.</p><p>ed. Porto Alegre: Bookman, 2004.</p><p>FROTA, A. B. Manual de conforto térmico. 8. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.</p><p>LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3. ed.</p><p>Brasília: PROCEL Edífica, 2014. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/docu-</p><p>ments/10584/1985241/Livro%20-%20Efici%C3%AAncia%20Energ%C3%A9tica%20</p><p>na%20Arquitetura.pdf>. Acesso em: 6 nov. 2018.</p><p>MASCARÓ, L. R. Energia na edificação. 2. ed. São Paulo: Projeto, 1991.</p><p>ROAF, S.; CRICHTON, D.; NICOL, F. A adaptação de edificações e cidades às mudanças climá-</p><p>ticas: um guia de sobrevivência para o século XXI. 1. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.</p><p>Orientação solar das edificações14</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Gabriela</p><p>Ferreira Mariano</p><p>Conforto térmico</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Definir conforto térmico.</p><p> Reconhecer as formas de trocas de calor entre o homem, as edificações</p><p>e o entorno.</p><p> Identificar as formas de controle e equilíbrio que proporcionam con-</p><p>forto térmico.</p><p>Introdução</p><p>Conforto térmico é um conceito que não pode ser definido com exatidão.</p><p>A zona de conforto não é algo objetivo, pois varia conforme cada indivíduo</p><p>e depende de fatores quantificáveis, como temperatura e umidade do</p><p>ar, e não quantificáveis, como hábitos e estado mental.</p><p>O bem-estar, no contexto do conforto térmico, significa não sen-</p><p>tir calor nem frio. Quando as condições exteriores permitem que os</p><p>mecanismos de regulação térmica de um indivíduo sejam reduzidos</p><p>o máximo possível, ou seja, que o organismo esteja em equilíbrio com</p><p>o meio envolvente, dizemos que o indivíduo está termicamente con-</p><p>fortável. Entretanto, sempre existem trocas térmicas entre o corpo</p><p>humano e o meio.</p><p>Neste capítulo, você vai verificar a definição de conforto térmico,</p><p>identificar as formas de trocas de calor entre o homem e seu entorno</p><p>e vai explorar as formas de controle e equilíbrio que visam ao conforto</p><p>térmico.</p><p>Introdução ao conforto térmico</p><p>O conforto ambiental é fruto do atendimento das necessidades orgânicas dos</p><p>usuários — térmica, visual, acústica e de qualidade do ar —, por meio da com-</p><p>preensão do clima externo e das decisões arquitetônicas compatíveis, conforme</p><p>conceituam Lamberts, Dutra e Pereira (2014). O desempenho das atividades</p><p>no interior das edifi cações requer a observância aos padrões climáticos, de</p><p>forma a propiciar condições favoráveis ao metabolismo dos indivíduos, sem</p><p>prejuízo ao rendimento de suas atividades e à sua saúde.</p><p>É imprescindível também que as novas edificações não interfiram des-</p><p>favoravelmente nas condições climáticas do meio externo, devendo garantir</p><p>o equilíbrio ambiental por meio da manutenção da qualidade do ambiente</p><p>construído, da temperatura, da umidade do ar, do nível de ruído, da incidência</p><p>solar, entre outros aspectos.</p><p>Segundo Frota e Schiffer (2007), a arquitetura deve servir ao homem e ao seu conforto,</p><p>o que abrange o seu conforto térmico. O homem tem melhores condições de vida</p><p>e de saúde quando seu organismo pode funcionar sem ser submetido à fadiga ou</p><p>ao estresse, inclusive térmico. A arquitetura tem como uma de suas funções oferecer</p><p>condições térmicas compatíveis ao conforto térmico humano no interior dos edifícios,</p><p>sejam quais forem as condições climáticas externas.</p><p>As principais variáveis climáticas do conforto térmico são temperatura,</p><p>umidade e velocidade do ar e radiação solar incidente. Elas mantêm estreitas</p><p>relações com o regime de chuvas, a vegetação, a permeabilidade do solo, as</p><p>águas superficiais e subterrâneas, a topografia, entre outras características</p><p>locais que podem ser alteradas pela presença humana.</p><p>O conforto térmico é definido como uma condição mental que expressa</p><p>satisfação com o ambiente térmico do seu entorno. Ter conforto térmico sig-</p><p>nifica que uma pessoa, usando uma quantidade normal de roupas, não sente</p><p>nem frio nem calor demais, conforme apontam Lamberts e Xavier (2008).</p><p>Alguns fatores que determinam o conforto térmico:</p><p> fatores pessoais (de saúde, psicologia, sociologia) e fatores situacionais;</p><p> temperatura do ar;</p><p> radiação térmica;</p><p>Conforto térmico2</p><p> vento;</p><p> roupas;</p><p> nível de atividade.</p><p>Sendo o calor a forma mais comum de energia, é muito fácil produzi-lo.</p><p>Existe uma tendência pela qual as diferentes formas de energia são convertidas</p><p>naturalmente em calor; quando uma forma de energia é transformada em</p><p>outra, parte dela se torna calor. O calor pode ser do tipo sensível ou latente,</p><p>conforme apontam Frota e Schiffer (2007) e demonstra a Figura 1.</p><p>O calor sensível é aquele transferido entre duas porções de matéria com</p><p>diferença de temperatura. É o calor perdido para o ambiente por meio das</p><p>trocas secas. Ele pode ser transmitido por condução, convecção ou radiação.</p><p>Cada forma de transmissão de calor apresenta seu próprio mecanismo.</p><p>O calor latente é a porção de energia necessária para mudar o estado</p><p>físico da matéria, ou seja, mudar seu estado sólido, líquido ou gasoso.</p><p>Ele é aquele envolvido em uma mudança de estado físico (de sólido para</p><p>líquido, de líquido para vapor, de sólido para vapor, ou vice-versa), que</p><p>ocorre à temperatura constante para as substâncias puras. É o calor perdido</p><p>por meio de trocas úmidas. Sua importância para o conforto térmico é</p><p>enorme, pois, assim como o suor sobre a pele ao evaporar vai aliviando a</p><p>sensação de calor, uma roupa úmida, no corpo, vai secando e aumentando</p><p>a sensação de frio.</p><p>Figura 1. Os tipos de calor e as suas trocas térmicas.</p><p>3Conforto térmico</p><p>A temperatura do corpo e, consequentemente, o conforto térmico são resultado da</p><p>aplicação dos mecanismos de transferência de calor sensível e latente entre o indiví-</p><p>duo e o ambiente. Esse processo obedece às leis da física. Os parâmetros corporais</p><p>(temperatura e taxa de transpiração da pele, roupa e atividade física) normalmente são</p><p>inegociáveis. As variáveis climáticas nos são impostas; mas em um cenário limitado, por</p><p>meio do ambiente construído, conseguimos modificá-las. Quatro variáveis resumem</p><p>as influências do clima e da paisagem sobre o conforto térmico (COSTA, 2003):</p><p> temperatura do ar;</p><p> velocidade do ar;</p><p> umidade do ar;</p><p> fontes de calor radiante direto ou refletido.</p><p>Formas de troca de calor entre o homem,</p><p>as edificações e o entorno</p><p>As exigências humanas de conforto térmico estão relacionadas com o funcio-</p><p>namento de seu organismo, cujo mecanismo, complexo, pode ser, grosso modo,</p><p>comparado a uma máquina térmica que produz calor durante a sua atividade.</p><p>O homem precisa liberar calor em quantidade sufi ciente para que sua tempe-</p><p>ratura interna se mantenha na ordem de 37°C — a chamada homeotermia.</p><p>Quando as trocas de calor entre o corpo humano e o ambiente ocorrem</p><p>sem maior esforço, a sensação do indivíduo é de conforto térmico, e a sua</p><p>capacidade de trabalho, desse ponto de vista, é máxima. Se as condições</p><p>térmicas ambientais causam sensação de frio ou de calor, é porque nosso</p><p>organismo está perdendo mais calor ou menos calor do que o necessário</p><p>para a homeotermia. Esta passa a ser alcançada com esforço adicional, que</p><p>representa sobrecarga, com queda de rendimento no trabalho, até chegar ao</p><p>limite, sob condições de rigor excepcionais, com perda total da capacidade</p><p>de trabalho e/ou problemas de saúde.</p><p>O conhecimento do clima, dos mecanismos de trocas de calor e do com-</p><p>portamento térmico dos materiais permite uma intervenção consciente da</p><p>arquitetura, incorporando os dados relativos ao meio ambiente externo. Assim,</p><p>torna-se possível aproveitar o que o clima apresenta de agradável e amenizar</p><p>seus aspectos negativos.</p><p>Conforto térmico4</p><p>O homem é um animal homeotérmico. Ou seja, seu organismo é mantido a uma</p><p>temperatura interna sensivelmente constante. Essa temperatura é de 37°C, com limites</p><p>muito estreitos — entre 36,1 e 37,2°C — sendo 32°C o limite inferior e 42°C o limite</p><p>superior para sobrevivência, em estado de enfermidade.</p><p>O organismo dos homeotérmicos pode ser comparado a uma máquina térmica</p><p>— sua energia é obtida por meio de fenômenos térmicos. A energia térmica pro-</p><p>duzida pelo organismo humano advém de reações químicas internas, sendo a</p><p>mais importante a combinação do carbono — introduzido no organismo sob a</p><p>forma de alimentos — ou do oxigênio, extraído do ar pela respiração. Esse processo</p><p>de produção de energia interna a partir de elementos combustíveis orgânicos é</p><p>denominado metabolismo.</p><p>A quantidade de calor liberada pelo organismo é função da atividade de-</p><p>senvolvida e dissipada por meio de mecanismos de trocas térmicas entre</p><p>o corpo e o ambiente, que envolvem trocas secas — condução, convecção e</p><p>radiação — e trocas úmidas — evaporação e condensação. Vejamos a seguir</p><p>alguns conceitos</p><p>relacionados às trocas térmicas.</p><p>Trocas térmicas</p><p>Trocas secas ou calor sensível: convecção, radiação e condução. As trocas</p><p>térmicas secas são aquelas que envolvem variações de temperatura.</p><p> Convecção — é a troca de calor entre dois corpos, sendo um deles um</p><p>sólido e o outro um fluido (líquido ou gás). É o calor que viaja associado</p><p>a porções da matéria, como o movimento da água nos tubos de um</p><p>radiador ou do vento que atravessa um edifício. Ela pode ser natural</p><p>ou forçada, sendo a convecção natural provocada pelas próprias dife-</p><p>renças de temperatura. Já a convecção forçada ocorre por algum fator</p><p>externo, por exemplo, a água nos tubos, que se movimenta pela ação</p><p>de uma bomba, ou o ar que circula propulsionado por um ventilador,</p><p>conforme aponta Costa (2003).</p><p>5Conforto térmico</p><p>No caso, por exemplo, de um edifício bem ventilado, mesmo que o movimento do ar</p><p>advenha de causas naturais, como o vento, o mecanismo de troca entre a superfície e</p><p>o ar passa a ser considerado convecção forçada. Segundo Frota e Schiffer (2007, p. 32):</p><p>[...] quando o fluxo é ascendente, há coincidência do sentido do fluxo</p><p>com o natural deslocamento ascendente das massas de ar aquecidas,</p><p>enquanto no caso de fluxo descendente, o ar, aquecido pelo contato</p><p>com a superfície, encontra nela mesma uma barreira para sua ascensão,</p><p>dificultando a convecção — seu deslocamento e sua substituição por</p><p>nova camada de ar à temperatura inferior à sua.</p><p> Radiação — as trocas por radiação acontecem entre dois corpos que</p><p>não se tocam e que apresentam temperaturas distintas. O fluxo de calor</p><p>ocorre do mais quente para o menos quente, em função das propriedades</p><p>óticas dos dois elementos, até que ambos estejam na mesma temperatura,</p><p>conforme leciona Krause (2011).</p><p> Condução — é a troca de calor entre dois corpos sólidos, ou mesmo entre</p><p>partes do corpo que estejam a temperaturas diferentes e se tocam. A pro-</p><p>priedade fundamental de um material na transmissão de calor por condução</p><p>é a condutividade térmica, conforme apontam Frota e Schiffer (2007).</p><p>A condutibilidade térmica mede a capacidade de um material de conduzir calor e</p><p>é definida como a relação entre o fluxo de calor e o gradiente de temperatura. A</p><p>condutividade térmica é medida em joules por segundo por metro quadrado de área</p><p>de um corpo quando a diferença de temperatura é de 1°C por metro de espessura do</p><p>corpo, conforme aponta Neville (2016).</p><p>Trocas úmidas ou calor latente: evaporação e condensação (calor latente).</p><p>As trocas térmicas úmidas são aquelas que advêm da mudança de estado de</p><p>agregação da água, do estado líquido para o estado de vapor e do estado de</p><p>vapor para o estado líquido, cujos mecanismos são evaporação e condensação.</p><p>Conforto térmico6</p><p> Evaporação — troca térmica úmida proveniente da mudança do es-</p><p>tado líquido para o estado gasoso. Para ser evaporada, passando para</p><p>o estado de vapor, a água necessita de um certo dispêndio de energia</p><p>(calor latente). Por meio da pele, o calor é transmitido do organismo</p><p>para o ar ambiente pela evaporação cutânea e respiratória. Essa perda</p><p>de calor corporal depende da quantidade de suor (água) evaporada, e a</p><p>evaporação depende da velocidade do ar ambiente, da sua temperatura</p><p>e da pressão parcial do vapor de água, conforme lecionam Frota e</p><p>Schiffer (2007).</p><p> Condensação — troca térmica úmida decorrente da mudança do</p><p>estado gasoso do vapor de água contido no ar para o estado líquido.</p><p>Quando o grau higrométrico do ar se eleva a 100%, a temperatura em</p><p>que ele se encontra é denominada ponto de orvalho e, a partir daí, o</p><p>excesso de vapor de água contido no ar se condensa — passa para o</p><p>estado líquido. A condensação superficial passageira em cozinhas e</p><p>banheiros, nos horários de uso mais intenso, é considerada normal.</p><p>Ela se torna problemática quando se dá em paredes e, principalmente,</p><p>em coberturas de baixa resistência térmica. Um meio para evitar a</p><p>condensação superficial consiste na eliminação do vapor de água</p><p>pela ventilação. Nos edifícios, o mecanismo de troca de calor mais</p><p>frequente é a condução e depende da condutividade térmica dos ma-</p><p>teriais, da espessura do elemento envolvente, da área da superfície e</p><p>da diferença de temperatura entre os elementos envolvidos, conforme</p><p>apontam Frota e Schiffer (2007).</p><p>Conforto térmico de um indivíduo</p><p>É importante lembrar que o ser humano não sente a temperatura do ambiente</p><p>em si, mas sim a energia perdida pelo seu corpo; tal consideração é importante</p><p>para se avaliar a temperatura de uma determinada divisão do ambiente. Há</p><p>quatro grandes parâmetros a serem considerados para a garantia do conforto</p><p>térmico no ambiente, conforme aponta Silva (2014):</p><p>1. Temperatura do ar.</p><p>2. Temperatura média radiante (temperatura média na superfície dos</p><p>elementos que envolvem a divisão).</p><p>3. Velocidade do ar.</p><p>4. Umidade.</p><p>7Conforto térmico</p><p>A influência que esses parâmetros têm na energia perdida pelo corpo não é</p><p>igual. No entanto, não é suficiente a medição de apenas um deles. Por exemplo,</p><p>a temperatura média radiante tem normalmente uma maior influência do que</p><p>a temperatura do ar, ainda conforme Silva (2014).</p><p>Conforto térmico nas habitações/edifícios</p><p>A maior parte das pessoas passa muitas horas em espaços fechados, normal-</p><p>mente no trabalho ou em casa. O conforto dos usuários desses ambientes é de</p><p>extrema importância, pois garante que possam se concentrar ao máximo, ou</p><p>tirar o maior proveito do seu tempo de relaxamento. A forma como os edifícios</p><p>são construídos determina em grande parte o conforto térmico futuro das</p><p>pessoas que vão habitá-los. São as edifi cações que garantem o contraste entre o</p><p>interior e o exterior, permitindo manter uma temperatura adequada no interior,</p><p>enquanto o exterior se encontra demasiado quente ou frio. Elementos como</p><p>paredes, coberturas, pavimentos, portas e janelas, por exemplo, contribuem</p><p>para uma construção consistente e adequada, segundo Silva (2014). Assim,</p><p>quais são as soluções disponíveis no setor da construção que nos permitem</p><p>aumentar o conforto térmico humano em habitações e edifícios? Quais as</p><p>causas do desconforto? Abordaremos esse tema na sequência.</p><p>Formas de controle e equilíbrio que</p><p>proporcionam conforto térmico</p><p>O conforto térmico, gerido pelo sistema termorregulador, que mantém o</p><p>equilíbrio térmico do corpo humano, pode sofrer infl uências de determinados</p><p>fatores como: taxa de metabolismo, isolamento térmico da vestimenta, umi-</p><p>dade relativa, temperatura e velocidade relativa do ar e temperatura radiante</p><p>média. A combinação desses fatores é o principal determinante da sensação</p><p>de conforto ou desconforto térmico, conforme apontam Oliveira et al. (2010).</p><p>A compreensão das exigências humanas de conforto térmico e do clima,</p><p>associada ao conhecimento das características térmicas dos materiais e das</p><p>premissas genéricas para o partido arquitetônico adequado a climas específi cos,</p><p>proporciona condições de projetar edifícios e espaços urbanos cuja resposta</p><p>atenda às exigências de conforto térmico.</p><p>O conforto higrotérmico pode ser definido como a ausência de descon-</p><p>forto térmico. Em fisiologia, conforme leciona Krause (2011), é dito que</p><p>Conforto térmico8</p><p>há conforto higrotérmico quando não é preciso intervir nos mecanismos</p><p>de termorregulação do corpo para uma atividade sedentária e com roupas</p><p>leves. Essa situação pode ser registrada usando índices que não devem ser</p><p>ultrapassados para evitar o acionamento de sistemas de termorregulação</p><p>(aumento ou diminuição do metabolismo, sudorese e outros). O conforto</p><p>higrotérmico é obtido sempre que se consegue manter um equilíbrio entre</p><p>as necessidades do corpo em cada atividade e a oferta climática do entorno,</p><p>de forma que a temperatura de equilíbrio interna permaneça constante e</p><p>em torno de 36,7°C, o que é fundamental para o pleno exercício de todas</p><p>as atividades humanas.</p><p>As principais trocas higrotérmicas entre o homem e a construção estão</p><p>representadas na Figura 2, onde, segundo Krause (2011):</p><p> R representa as trocas</p><p>por radiação entre o Sol e a construção, entre</p><p>a abóboda celeste e a construção, entre o corpo e as paredes, entre as</p><p>faces internas das paredes e demais fontes geradoras de calor;</p><p> C representa as trocas por condução, isto é, o contato entre o corpo e</p><p>qualquer superfície em que ele toca, por meio das paredes e do solo</p><p>ou piso;</p><p> Cv consiste nas trocas por convecção entre o corpo e o ar com que está</p><p>em contato direto e entre o ar e as paredes (externa e internamente).</p><p>Figura 2. Principais trocas higrotérmicas entre o homem e a construção.</p><p>R = trocas por radiação; C = trocas por condução; Cv = trocas por convecção.</p><p>9Conforto térmico</p><p>A norma NBR 15220-3:2005 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que</p><p>trata do desempenho térmico de edificações, em sua Parte 3, apresenta o zoneamento</p><p>bioclimático brasileiro e as diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de</p><p>interesse social. A Norma é a referência maior para o planejamento das edificações em</p><p>geral e a especificação das obras em garantia das condições de conforto ambiental,</p><p>segundo as especificidades climáticas locais. Para tanto, essa Norma subdivide o País</p><p>em oito zonas bioclimáticas, tendo em vista o estabelecimento de diretrizes construtivas</p><p>e de estratégias de condicionamento térmico passivo para cada zona bioclimática.</p><p>Nos seus anexos, são avaliadas as propriedades térmicas dos materiais utilizados na</p><p>construção de paredes e coberturas.</p><p>Um dos fatores fundamentais para o conforto ambiental das cidades é a</p><p>presença de vegetação no meio urbano, seja em áreas verdes, parques e praças,</p><p>seja na arborização dos passeios e lotes. Alguns dos benefícios da vegetação</p><p>comprovadamente aferidos são apresentados abaixo, com base em Bahia e</p><p>Guedes (2012).</p><p> A distribuição por todo o território urbano de massas vegetais, de</p><p>arborização urbana e no interior das quadras é desejável para a eficácia</p><p>da amenização de ilhas de calor, bem como a criação de oásis urbanos,</p><p>minimizando o desconforto térmico e, dessa forma, relacionando-se</p><p>diretamente com a redução do consumo de energia elétrica.</p><p> A distribuição das massas vegetais pela cidade é importante, uma vez</p><p>que os benefícios diretos em conforto térmico são percebidos apenas em</p><p>suas proximidades. Da mesma maneira, o sombreamento das copas das</p><p>árvores ao filtrar a incidência solar direta sobre áreas impermeabilizadas</p><p>favorece o conforto térmico do local.</p><p>O entorno construído é determinado pela tipologia e densidade das</p><p>edificações vizinhas e pela presença e pelo tipo de pavimentações e paisa-</p><p>gismo. Por isso, deve-se considerar nesse entorno a existência de fontes de</p><p>poluição atmosférica e sonora, além de obstáculos e impedimentos à circu-</p><p>lação natural dos ventos e massas construídas e/ou naturais que retenham</p><p>calor e que possam vir a causar interferência na edificação, ainda conforme</p><p>Bahia e Guedes (2012).</p><p>Conforto térmico10</p><p>As condicionantes externas terão pesos diferenciados no tratamento dos</p><p>aspectos de conforto térmico das edificações, conforme a situação de con-</p><p>dicionamento que se pretende para a edificação. Segundo Bahia e Guedes</p><p>(2012), as edificações, com relação ao condicionamento térmico, podem</p><p>ser dos seguintes tipos.</p><p> Climatizadas: edificações que lançam mão de sistemas artificiais</p><p>para o controle da temperatura e da umidade do ar em seu interior.</p><p>Nesse caso, os prédios deverão funcionar com o mínimo de trocas</p><p>térmicas com o exterior. Entretanto, deverá ser garantida a possibi-</p><p>lidade de um sistema de ventilação em caso de pane do equipamento</p><p>de climatização.</p><p> Não climatizadas: aquelas sem sistemas artificiais e que utilizam</p><p>climatização natural, nas quais os fatores climáticos externos são ad-</p><p>ministrados para atingir níveis desejáveis de habitabilidade e conforto.</p><p> Híbridas: aquelas projetadas para utilizar sistemas artificiais de con-</p><p>dicionamento do ar apenas parte do tempo da sua operação, em geral</p><p>quando condições climáticas extremas de frio ou calor se apresentam.</p><p>Alguns parâmetros e condições de contorno podem ser considerados na</p><p>hora de projetar, para assegurar um maior conforto térmico da edificação,</p><p>segundo a ABNT NBR 15220-3:2005 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE</p><p>NORMAS TÉCNICAS, 2005):</p><p> tamanho das aberturas para ventilação;</p><p> proteção das aberturas;</p><p> vedações externas (tipo de parede externa e tipo de cobertura);</p><p> estratégias de condicionamento térmico passivo.</p><p>De acordo com as características climáticas de cada região do Brasil, a</p><p>ABNT NBR 15220-3:2005 orienta sobre a adoção de soluções que assegu-</p><p>rem o conforto térmico da edificação, como a necessidade de proteção de</p><p>fachadas e coberturas da insolação indesejável ou o uso de paredes isolantes</p><p>para conservar o calor, em regiões mais frias. A localização e a implantação</p><p>da edificação em relação às construções vizinhas, o clima local, o uso a que</p><p>se destina e suas características construtivas são aspectos que influenciam o</p><p>conforto interno e o desempenho quanto à racionalização do gasto de energia</p><p>elétrica ao longo do tempo.</p><p>11Conforto térmico</p><p>As estratégias de design passivo objetivam o bom desempenho ambiental</p><p>do edifício por meio de sua arquitetura, permitindo, no inverno, maximizar</p><p>a captação de radiação solar e armazená-la e, no verão, proteger e dissipar o</p><p>calor dos edifícios, reduzindo a necessidade de acionamento de aquecimento</p><p>ou resfriamento artificiais. Para tanto, o design passivo lança mão de um</p><p>planejamento de projeto que favorece, ainda, a ventilação e iluminação natural,</p><p>assegurando melhores condições para a redução do consumo de energia elétrica.</p><p>De um modo geral, as estratégias de design passivo podem ser conformadas</p><p>em duas estações do ano principais, verão e inverno, conforme leciona Bahia</p><p>e Guedes (2012):</p><p> No verão — estratégia de arrefecimento, com o propósito de proteger</p><p>da insolação e dissipar o calor, considerando os seguintes aspectos:</p><p>■ orientação solar;</p><p>■ sombreamento exterior;</p><p>■ dimensionamento de vãos e áreas envidraçadas;</p><p>■ fator solar dos materiais;</p><p>■ inércia térmica;</p><p>■ arrefecimento evaporativo.</p><p> No inverno — estratégia de aquecimento, com o objetivo de captar o</p><p>calor, proteger dos ventos e do frio e manter a renovação interna do ar:</p><p>■ promoção de ganhos solares;</p><p>■ posicionamento dos compartimentos;</p><p>■ proteção dos ventos dominantes;</p><p>■ isolamento térmico.</p><p>Devemos considerar ainda alguns aspectos para se obter um maior conforto</p><p>térmico, como evitar a insolação excessiva, a partir da adoção de elementos de</p><p>proteção das fachadas e da utilização de materiais construtivos com desempe-</p><p>nho térmico adequado ao clima da região, ou permitir o seu aproveitamento,</p><p>quando desejável. Trata-se de estratégias que promovem a eficiência energética</p><p>e o conforto ambiental da edificação.</p><p>Outra diretriz a ser seguida é a de dimensionar e orientar o prisma</p><p>levando em consideração a carta solar e as temperaturas do ar. Deve-se</p><p>dimensionar os vãos e as aberturas dos ambientes voltados para o prisma,</p><p>quando possível, projetando-os maiores do que a área mínima determinada</p><p>pelo Código de Obras para os compartimentos em geral, conforme leciona</p><p>Bahia e Guedes (2012).</p><p>Conforto térmico12</p><p>Os chamados prismas de ventilação e iluminação são espaços livres dentro de</p><p>uma edificação em toda a sua altura e que se destinam a garantir a iluminação e a</p><p>ventilação dos compartimentos.</p><p>Segundo a Factor Segurança (2006, documento on-line), existem algumas</p><p>medidas de caráter geral que ajudam a obter boas condições térmicas nos</p><p>ambientes; são elas:</p><p>• A regulação da temperatura e a renovação do ar devem ser feitas em função</p><p>dos trabalhos executados e mantidos dentro de limites convenientes para</p><p>evitar prejuízos à saúde dos trabalhadores.</p><p>• [...] a temperatura e a humidade dos locais de trabalho devem ser adequa-</p><p>das ao organismo humano, levados em conta os métodos de trabalho e os</p><p>condicionalismos físicos impostos aos trabalhadores.</p><p>• É recomendável que a temperatura dos locais de trabalho</p><p>oscile entre 18ºC</p><p>e 22ºC, salvo em determinadas condições climatéricas, em que poderá</p><p>atingir os 25ºC.</p><p>• A humidade da atmosfera de trabalho deverá oscilar entre 50% e 70%.</p><p>• Quando, por diversos condicionalismos, não for possível ou conveniente</p><p>modificar as condições de temperatura e humidade, deverão ser adoptadas</p><p>medidas tendentes a proteger os trabalhadores contra temperaturas e humida-</p><p>des prejudiciais, através de medidas técnicas localizadas ou meios de proteção</p><p>individual ou, ainda, pela redução da duração dos períodos de trabalho no local.</p><p>• Não devem ser adaptados sistemas de aquecimento que possam prejudicar</p><p>a qualidade do ar ambiente.</p><p>Considerando-se o recorte do desempenho ambiental da arquitetura unido</p><p>ao conforto e à eficiência energética dentro do conceito de sustentabilidade,</p><p>partindo da fase conceitual e da definição do partido arquitetônico, o projeto</p><p>de um edifício deve incluir o estudo dos seguintes tópicos, conforme lecionam</p><p>Gonçalves e Duarte (2006):</p><p> orientação solar e ventos;</p><p> forma arquitetônica, arranjos espaciais, zoneamento dos usos internos</p><p>do edifício e geometria dos espaços internos;</p><p> características, condicionantes ambientais (vegetação, corpos de água,</p><p>ruído, etc.) e tratamento do entorno imediato;</p><p>13Conforto térmico</p><p> materiais da estrutura e das vedações internas e externas considerando</p><p>o desempenho térmico e as cores;</p><p> tratamento das fachadas e coberturas, de acordo com a necessidade</p><p>de proteção solar;</p><p> áreas envidraçadas e de abertura, considerando a proporção quanto à</p><p>área de envoltório, o posicionamento na fachada e o tipo de fechamento,</p><p>seja ele vazado, transparente ou translúcido;</p><p> detalhamento das proteções solares, considerando o tipo e o</p><p>dimensionamento;</p><p> detalhamento das esquadrias.</p><p>O aproveitamento da iluminação natural também é, indubitavelmente, inerente</p><p>a muitos desses aspectos do projeto, como a orientação solar, a geometria dos</p><p>espaços internos, as cores e o projeto das aberturas e das proteções solares. Somado</p><p>a isso, é importante lembrar que são as exigências humanas e os usos, além das</p><p>condições climáticas e urbanas locais e das possibilidades construtivas, que vão</p><p>determinar o grau de independência de um edifício em relação aos sistemas</p><p>ativos de climatização. Por exemplo, problemas de ruído urbano e poluição po-</p><p>dem impedir o uso de estratégias passivas em um projeto, mesmo que o partido</p><p>arquitetônico, o uso e o clima sejam favoráveis a elas. Por essa razão, em um caso</p><p>como esse, a iluminação natural é mais facilmente resolvida no projeto do que a</p><p>ventilação natural.</p><p>Todos esses aspectos do projeto vistos em conjunto exercem um impacto</p><p>no desempenho térmico do edifício, por terem um papel determinante no uso</p><p>das estratégias de ventilação natural, de reflexão da radiação solar direta,</p><p>de sombreamento, de resfriamento evaporativo, de isolamento térmico, de</p><p>inércia térmica e de aquecimento passivo. O uso apropriado de uma dessas</p><p>estratégias, ou de um conjunto delas, por sua vez, vai ser determinado pelas</p><p>condições climáticas, pelas exigências de uso e ocupação e pelos parâmetros</p><p>de desempenho.</p><p>Conforto térmico14</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15220: desempenho térmico</p><p>de edificações. Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.</p><p>br/norma.aspx?ID=11>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>BAHIA, S. R.; GUEDES, P. A. Elaboração e atualização do código de obras e edificações. 2.</p><p>ed. ver. e atual. Rio de Janeiro: IBAM/ DUMA, ELETROBRAS/PROCEL, 2012. Disponível</p><p>em: <http://www.ibam.org.br/media/arquivos/estudos/guia_codigo_obras_1.pdf>.</p><p>Acesso em 29 out. 2018.</p><p>COSTA, E. Física aplicada à construção: conforto térmico. 4. ed. São Paulo: Blücher, 2003.</p><p>FACTOR SEGURANÇA. Ambiente térmico saudável. Tecnometal, nº. 163, mar./abr. 2006.</p><p>Disponível em: <http://www.factor-segur.pt/wp-content/uploads/2014/11/Ambiente-</p><p>-termico.pdf>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>FROTA, A. B.; SCHIFFER, S. R. Manual de conforto térmico. 8. ed. São Paulo: Studio Nobel,</p><p>2007. 243 p.</p><p>GONÇALVES, J. C. S.; DUARTE, D. H. S. Arquitetura sustentável: uma integração entre</p><p>ambiente, projeto e tecnologia em experiências de pesquisa, prática e ensino. Ambiente</p><p>Construído, Porto Alegre, v. 6, n. 4, p. 51-81, out./dez. 2006.</p><p>KRAUSE, C. Desempenho térmico e eficiência energética em edificações. Rio de Janeiro:</p><p>PROCEL EDIFICA, 2011.</p><p>LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. Rio de</p><p>Janeiro: Eletrobrás, PROCEL EDIFICA, 2014. 366 p.</p><p>LAMBERTS, R.; XAVIER, A. A. P. Conforto e stress térmico. Florianópolis: UFSC, 2008. 87 p.</p><p>Disponível em: <http://www.labeee.ufsc.br/antigo/arquivos/publicacoes/Apconforto.</p><p>pdf>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>NEVILLE, A. Propriedades do concreto. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2016. 912 p.</p><p>OLIVEIRA, G. S. F. et al. Conforto térmico no ambiente de trabalho: avaliação das variáveis</p><p>subjetivas da percepção do calor. In: Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia, 7.,</p><p>2010, Resende. Anais... Rio de Janeiro: AEDB, 2010. Disponível em: <http://www.aedbaja.</p><p>aedb.br/seget/artigos10/201_ARTIGO%20-%20SEGET.pdf>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>SILVA, A. et al. Conceito de conforto térmico humano. Projeto FEUP 2014/2015. Faculdade</p><p>de Engenharia, Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2014. Disponível em: <https://</p><p>paginas.fe.up.pt/~projfeup/submit_14_15/uploads/relat_Q1FQI04_1.pdf>. Acesso</p><p>em: 29 out. 2018.</p><p>15Conforto térmico</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15220: desempenho térmico</p><p>de edificações. Rio de Janeiro, 2003.</p><p>BROWN, G. Z.; DEKAY, M. Sol, vento e luz [recurso eletrônico]: estratégias para o projeto</p><p>de arquitetura. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007.</p><p>ENERGY standart for buildings except low-rise residential buildings. I-P Edition. SHRAE</p><p>Standing Standard Project Committee, Atlanta, GA, USA, 2010. Disponível em: <http://</p><p>www.usailighting.com/stuff/contentmgr/files/1/b90ce247855d0f17438484c003877338/</p><p>misc/ashrae_90_1_2010.pdf>. Acesso em: 29 set. 2018.</p><p>MASCARÓ, L. R. Energia na edificação: estratégia para minimizar seu consumo. 2. ed.</p><p>São Paulo: Projeto, 1991. 213 p.</p><p>SCHMID, A. L. A ideia de conforto: reflexões sobre o ambiente construído. Curitiba:</p><p>Pacto Ambiental, 2005. 338 p.</p><p>VAN LENGEN, J. Manual do arquiteto descalço. Rio de Janeiro: Casa do Sonho, 2002. 724 p.</p><p>Conforto térmico16</p><p>Conteúdo:</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Vanessa Guerini Scopell</p><p>Tipologias climáticas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar as diferentes tipologias climáticas.</p><p> Definir as características de cada clima.</p><p> Reconhecer as interferências do clima na arquitetura.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você vai estudar o que são as tipologias climáticas, enten-</p><p>dendo o seu conceito e a sua aplicação. Além disso, você vai estudar sobre</p><p>os diferentes climas, suas características e especificidades, reconhecendo</p><p>como as condições e tipologias climáticas podem influenciar os projetos</p><p>de arquitetura.</p><p>Tipologias climáticas</p><p>Quando se pensa em clima, percebe-se a sua infl uência direta na satisfação ou</p><p>não com o ambiente natural, bem como na sensação de frio ou calor, abrangendo</p><p>também diversos outros aspectos. Segundo Pena ([2018], documento on-line),</p><p>o clima pode ser compreendido como “[...] o comportamento e a dinâmica</p><p>das condições da atmosfera em um dado local, composto por um conjunto</p><p>de condições meteorológicas que se sucedem e repetem-se ciclicamente ao</p><p>longo de alguns meses ou anos”. O autor ressalta a distinção do termo clima</p><p>em relação ao termo tempo, esse último se referindo às condições naturais</p><p>momentâneas do ar. Conforme Nascimento, Luiz e Oliveira (2016, documento</p><p>on-line), “[...] o clima é o resultado das interações da radiação solar com os</p><p>aspectos físicos geográfi cos e a circulação atmosférica”.</p><p>Para se avaliar o clima de determinada área ou região, é preciso levar em</p><p>conta alguns fatores. Segundo</p><p>Pena ([2018], documento on-line), é necessário</p><p>estabelecer “[...] um panorama sobre o regime anual de chuvas, as estações</p><p>que se definem localmente, as temperaturas médias e uma série de elementos</p><p>que marca as suas condições naturais”.</p><p>Existem vários tipos de clima atuantes no nosso planeta, que são in-</p><p>fluenciados por aspectos como continentalidade, latitude, altitude, massas</p><p>de ar, correntes marinhas, entre outros. Assim, cada tipo de clima apresenta</p><p>especificidades relacionadas à temperatura, à pressão atmosférica, à radiação</p><p>solar e à umidade do ar. Conforme Pena ([2018]), é possível representar</p><p>as condições climáticas de um determinado lugar por meio de um climo-</p><p>grama, que se resume a um gráfico em que são demonstradas as tempera-</p><p>turas médias e o índice de precipitação a cada mês do ano (Figura 1). Esse</p><p>gráfico pode auxiliar no planejamento de cada atividade, prevendo ações</p><p>mais apropriadas para determinadas épocas do ano com base nos registros</p><p>climáticos.</p><p>Figura 1. Exemplo de climograma.</p><p>Fonte: Adaptada de Pena ([2018].</p><p>Para Nascimento, Luiz e Oliveira (2016, documento on-line), os estudos</p><p>sobre os aspectos climáticos são importantes para auxiliar nas atividades hu-</p><p>manas, uma vez que fatores variados “[...] são analisados de forma a sintetizar</p><p>as informações do clima de uma dada localidade e efetuar a classificação</p><p>climática”. Assim, considera-se todas as variações e classificações do clima</p><p>como tipologias climáticas, conforme leciona Ayoade (2003, p. 141):</p><p>Tipologias climáticas2</p><p>As tipologias climáticas dos diferentes lugares, definidas com base nas caracte-</p><p>rísticas dos parâmetros atmosféricos, correspondem a importantes insumos ao</p><p>planejamento urbano, rural, regional e ambiental, principalmente a atividades</p><p>diretamente relacionadas à organização e produção do espaço, a exemplo da</p><p>agricultura, da indústria e do turismo.</p><p>Segundo Vianello (1991, p. 216), “[...] uma região ou domínio climático</p><p>se refere a certa área da superfície da Terra delimitada por um conjunto de</p><p>condições climáticas aproximadamente homogêneas”. Mendonça e Danni-</p><p>-Oliveira (2007, p. 52) acrescentam que:</p><p>[...] apesar de que distintos lugares na superfície terrestre não apresentem</p><p>climas idênticos, é possível que a combinação de diferentes elementos e fatores</p><p>do clima resulte em uma região com condições climáticas homogêneas quando</p><p>comparada à outras, sendo denominada de região climática.</p><p>É importante destacar que toda classificação ou tipologia climática é ba-</p><p>seada nos diferentes padrões do clima e tem como objetivo “[...] sistematizar,</p><p>sintetizar, simplificar, condensar e comunicar a grande quantidade de infor-</p><p>mações referentes às características do clima de dada localidade, denominada</p><p>de região ou de domínio climático”, conforme lecionam Nascimento, Luiz</p><p>e Oliveira (2016, documento on-line). Ressalta-se ainda que, em virtude da</p><p>transitividade gradual entre os diferentes tipos de clima, a delimitação de cada</p><p>tipologia e a classificação de cada área não pode ser considerada com exatidão.</p><p>As diferenças climáticas vêm sendo estudadas desde o início da civilização</p><p>grega. Segundo Strauss (2007, p. 34, documento on-line):</p><p>É nesse contexto que se enquadra a primeira classificação climática, realizada</p><p>por Parmênides em 500 a.C., na qual foram definidas, conforme a influência</p><p>da latitude na insolação e, por conseguinte, na temperatura, três zonas gerais:</p><p>a zona tórrida, entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio; a zona temperada,</p><p>entre os Trópicos e os Círculos Polares e; a zona frígida, entre os Círculos</p><p>Polares e os Polos.</p><p>Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007), com a evolução dos sistemas</p><p>de meteorologia e o desenvolvimento da tecnologia, atualmente existem pelo</p><p>menos 200 esquemas de classificações climáticas. Dentre eles, duas abordagens</p><p>se destacam, sendo a primeira delas considerada empírica, que leva em conta</p><p>a combinação de vários elementos ou características do clima, e a segunda</p><p>chamada de genética, que considera os controladores ou fatores climáticos.</p><p>Sobre a abordagem empírica, Maluf (2000, p. 147) explica o seguinte:</p><p>3Tipologias climáticas</p><p>A abordagem empírica, também considerada como descritiva, apresenta</p><p>dois segmentos. Um dos segmentos utiliza essencialmente a descrição dos</p><p>elementos climáticos, com base em dados meteorológicos, enquanto o outro</p><p>se baseia no efeito do clima sobre os elementos naturais, geralmente sobre</p><p>a vegetação ou o solo. Os sistemas de classificação do clima apoiados na</p><p>abordagem empírica se baseiam geralmente na descrição dos elementos climá-</p><p>ticos: temperatura do ar, precipitação, umidade e evapotranspiração. Alguns</p><p>empregam como critérios o balanço de radiação, as amplitudes térmicas, a</p><p>temperatura dos meses mais frios e mais quentes, a duração dos períodos</p><p>chuvosos e de estiagem ou a quantidade de dias com chuva.</p><p>A abordagem genética também se divide em duas vertentes: uma delas</p><p>leva em consideração a “[...] dinâmica das massas de ar e o regime das chu-</p><p>vas, enquanto a outra considera o balanço de energia como principal fator</p><p>controlador do clima”, conforme lecionam Nascimento, Luiz e Oliveira (2016,</p><p>documento on-line).</p><p>Uma importante classificação climática é datada do ano de 1874 e foi</p><p>criada por De Candolle, um cientista francês. O autor, a partir de uma vertente</p><p>empírica, classifica o clima com base no desenvolvimento da vegetação,</p><p>elencando cinco zonas: megatherms, xerophiles, mesotherms, microtherms</p><p>e hekistotherms (Figura 2).</p><p>Figura 2. Classificação climática proposta por De Candolle.</p><p>Fonte: Nascimento, Luiz e Oliveira (2016).</p><p>Tipologias climáticas4</p><p>No ano de 1879, Alexandre Supan elaborou outro tipo de classificação</p><p>climática, a qual dividia o planeta nos climas quente, frio e temperado, usando</p><p>como referência as temperaturas médias de cada região (Figura 3).</p><p>Figura 3. Classificação climática elaborada por Alexandre Supan.</p><p>Fonte: Nascimento, Luiz e Oliveira (2016).</p><p>Essas primeiras propostas definiram regiões climáticas de uma maneira</p><p>mais generalizada. Nascimento, Luiz e Oliveira (2016, documento on-line) res-</p><p>saltam que, após essa primeira fase, surgiram outras propostas mais completas:</p><p>Mais do que uma classificação dos climas, Herbertson propôs em 1905 uma</p><p>classificação das principais regiões naturais do mundo. Para tanto, utilizou</p><p>como critério as idades geológicas, as médias anuais de temperatura, a de-</p><p>finição da estação chuvosa, os diferentes tipos de vegetação e a densidade</p><p>populacional. O autor destaca que o clima não pode ser visto apenas como um</p><p>dos elementos físicos a serem quantificados e considerados na classificação,</p><p>mas, sobretudo, como a síntese das várias influências que atuam na superfície.</p><p>O estudo de Herbertson resultou em uma divisão de seis regiões principais,</p><p>subdividas em outras categorias, sendo elas: polar, temperada fria, temperada</p><p>quente, deserto ocidental, montanhas tropicais ou subtropicais elevadas (tipo</p><p>tibetano) e planícies equatoriais (tipo amazônico). No ano de 1947, Holdridge</p><p>classificou o clima em 37 regiões, denominadas por ele de zonas vitais. Segundo</p><p>Nascimento, Luiz e Oliveira (2016, documento on-line), “[...] essas zonas corres-</p><p>ponderiam aos tipos de vegetação condicionados pelos parâmetros de temperatura</p><p>média anual, precipitação média anual, evapotranspiração e umidade”.</p><p>Um dos principais sistemas que classifica as tipologias climáticas foi</p><p>elaborado em 1918 por Wladimir Köppen. Esse estudo sofreu uma alteração</p><p>5Tipologias climáticas</p><p>no ano de 1936 e recebeu contribuições de Rudolf Geiger no ano de 1961. A</p><p>partir desses estudos, surge a classificação climática de Köppen-Geiger.</p><p>Segundo Nascimento, Luiz e Oliveira (2016, documento on-line):</p><p>A classificação Köppen-Geiger relaciona o clima com a vegetação e se baseia</p><p>em critérios numéricos da temperatura média do mês mais frio para definir</p><p>cinco regiões climáticas principais: tropical, árida, temperada, fria e polar,</p><p>representadas por letras maiúsculas — A, B, C,</p><p>õ es.</p><p>A crescente impermeabilização do solo urbano, com as grandes áreas</p><p>construídas e pavimentadas, contribui para a elevação da temperatura do ar.</p><p>Somado a isso, o escasso ou incorreto uso da vegetação causa desequilíbrio</p><p>térmico nos ambientes externos, refletindo no desempenho das edificações.</p><p>Bueno (1998) atribui à falta de vegetação, aliada aos materiais utilizados,</p><p>a alteração significativa do clima dos agrupamentos urbanos. Isso ocorre em</p><p>função da incidê ncia direta da radiaç ã o solar nas construç õ es. Uma boa parte</p><p>da radiação de onda curta absorvida acaba retornando ao exterior na forma</p><p>de onda longa, que, devido à poluição atmosférica, dissipa-se muito pouco,</p><p>elevando a temperatura do ar.</p><p>Quase toda a energia do planeta Terra provém da radiação solar, uma onda curta.</p><p>A radiação que a Terra emite para o espaço, por meio da emissão dos gases atmosféricos</p><p>e de superfícies líquidas e sólidas, é uma onda longa. A radiação que um corpo emite</p><p>tem comprimento de onda inversamente proporcional à sua temperatura; é por isso</p><p>que a radiação emitida pelos materiais sobre a Terra tem comprimento de onda maior,</p><p>se comparado ao comprimento de onda da radiação emitida pelo Sol.</p><p>Paisagismo e conforto ambiental2</p><p>O projeto paisagístico, ao definir o uso de vegetações e de pisos perme-</p><p>áveis, é uma estratégia muito interessante para o controle da temperatura</p><p>ambiente. Por meio dos processos biológicos de fotossíntese e transpiração,</p><p>as plantas absorvem a radiação solar emitida. Um superfície vegetada, quando</p><p>exposta ao sol, consome parte do calor recebido, para que seja possível fazer</p><p>a fotossíntese (Figura 1). O calor que não é consumido para essa finalidade é</p><p>absorvido para realizar a evapotranspiração (evaporação da água), processo</p><p>que gera um microclima mais ameno no ambiente.</p><p>Figura 1. Processo de fotossíntese.</p><p>Fonte: sumstock/Shutterstock.com.</p><p>Além dos processos naturais pelos quais as plantas passam, sua disposição,</p><p>tamanho e geometria também podem ser utilizados como estratégias de projeto</p><p>para reduzir o uso de recursos artificiais de climatização. Sua capacidade de</p><p>bloqueio físico da incidência solar em uma fachada, por exemplo, pode ser</p><p>um recurso eficiente para minimizar o efeito da radiação na edificação. São</p><p>inúmeros os benefícios da vegetação para o conforto ambiental. De acordo</p><p>com Pivetta (2010 apud ALVES et al., 2016, documento on-line):</p><p>3Paisagismo e conforto ambiental</p><p>As á rvores, por suas caracterí sticas naturais, proporcionam inú meras vantagens</p><p>ao homem nas á reas urbanas, como; bem-estar psicoló gico, efeito esté tico,</p><p>sombra, protegem e direcionam o vento, amortecem o som, reduzem impacto</p><p>da á gua de chuva, auxiliam na diminuiç ã o da temperatura, refrescam o am-</p><p>biente pela grande quantidade de á gua transpirada pelas folhas, melhoram a</p><p>qualidade do ar, preservam a fauna silvestre.</p><p>Conforto ambiental por meio do paisagismo</p><p>em pequena e média escalas</p><p>Em pequena e média escalas, a radiação solar pode ser interceptada pelos</p><p>elementos vegetais e topográfi cos do local. Ao contrário dos elementos que</p><p>simplesmente bloqueiam a radiação solar, o uso da vegetação pode, ao mesmo</p><p>tempo, permitir e bloquear essa passagem. Isso é possível por meio do uso</p><p>de árvores com folhas caducas, que permitem a incidência solar no inverno</p><p>e a bloqueiam no verão, sendo possível interceptar até 90% da radiação</p><p>(Figura 2) (PIVETTA, 2010).</p><p>Figura 2. As árvores exercem múltiplas funções no paisagismo. Filtrar ou</p><p>bloquear a incidência solar e gerar áreas de sombreamento são algumas delas.</p><p>Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (1997, p. 282).</p><p>A influência da vegetação em um espaço envolve, além da diminuição da</p><p>temperatura, o aumento da umidade relativa do ar, o suprimento de ar fresco,</p><p>a filtragem do ar, a absorção de ruídos e a produção de oxigênio.</p><p>Além da incidência solar, outro aspecto importante do conforto de um</p><p>ambiente pode ser controlado com o uso de elementos vegetais: a incidência</p><p>Paisagismo e conforto ambiental4</p><p>de ventos (Figura 3). Uma massa vegetada, se disposta na direção dos ventos</p><p>predominantes de inverno, por exemplo, pode funcionar como barreira física,</p><p>reduzindo perdas de calor por infiltração (Figura 4).</p><p>Figura 3. Conforme a disposição da vegetação em relação à edificação, os</p><p>ventos podem ser absorvidos, bloqueados ou direcionados.</p><p>Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (1997, p. 182).</p><p>Figura 4. Barreira vegetal influenciando nas perdas de calor.</p><p>Fonte: Lamberts, Dutra e Pereira (1997, p. 180).</p><p>5Paisagismo e conforto ambiental</p><p>A escolha da vegetação em um projeto não deve ser feita de modo aleatório.</p><p>Deve-se fazer uma análise das condições naturais do local, como topografia e</p><p>clima. A partir disso, traçam-se estratégias para amenizar possíveis condições</p><p>extremas, como calor, frio, ventos, entre outras.</p><p>É natural que, com tantas espécies de árvores, cada uma possua caracterís-</p><p>ticas físicas próprias. Uma variável importante a ser analisada é a forma das</p><p>copas, que proporcionam geometrias de sombra diferentes. Segundo Pivetta</p><p>(2010), o porte e a forma de uma árvore afetam diretamente a área coberta por</p><p>sua sombra; árvores de forma esférica lançam amplas sombras, ideais para</p><p>o controle solar, ao contrário de árvores altas e estreitas, que têm sombras</p><p>reduzidas, devido ao seu porte (Figura 5).</p><p>Figura 5. Formas diferentes de árvores.</p><p>Fonte: Parrot Ivan/Shutterstock.com.</p><p>O desenho da paisagem e da vegetação contribui para a eficiência energética</p><p>dos espaços construídos. Uma vez que a as plantas externas podem afetar a</p><p>exposição ao sol e ao vento, as condições de conforto no interior melhoram,</p><p>Paisagismo e conforto ambiental6</p><p>e o uso da energia diminui. Um projeto paisagístico eficiente baseia-se no</p><p>sol e no vento, as duas maiores forças que influenciam o funcionamento do</p><p>edifício (PIVETTA, 2010).</p><p>Recomenda-se o uso de plantas nativas, visto que, dessa forma, os gastos com</p><p>manutenção são menores e há garantia de desenvolvimento da espécie vegetal.</p><p>A seleção de uma espécie ideal para sombreamento dependerá da orientação</p><p>do que se deseja sombrear, da direção do vento dominante, do tipo de solo, da</p><p>topografia, do espaço disponível no lote e do clima da região.</p><p>Para cumprir com o microclima de um espaço, a massa vegetada deve representar,</p><p>no mínimo, 30% da superfície construída.</p><p>Conforto ambiental nas cidades</p><p>As cidades são ambientes construídos que podem apresentar vegetação primi-</p><p>tiva de suas áreas naturais ou espécies que foram implantadas posteriormente.</p><p>As áreas verdes, principalmente as árvores, oferecem diversos benefícios nos</p><p>centros urbanos. Dentre eles, pode-se citar o benefício estético, ecológico e</p><p>social (ALVES et al., 2016).</p><p>No benefício estético, considera-se que a vegetação é responsável por</p><p>adicionar cor aos cenários urbanos, além de fornecer a identidade local e a</p><p>dinâmica da paisagem. Sob o ponto de vista ecológico, a vegetação melhora</p><p>as condições do solo da cidade e de sua drenagem, além de auxiliar na</p><p>redução da poluição atmosférica e oferecer estabilidade microclimática.</p><p>A vegetação também equilibra os ecossistemas, trazendo maior diversidade</p><p>de fauna para o meio urbano. Socialmente, oferece mais opções de lazer</p><p>e recreação para seus habitantes.</p><p>Dentre esses fatores, o que exerce maior impacto é o ecológico. Há diversas</p><p>condições que podem colaborar com o conforto ambiental nas cidades,</p><p>como o material utilizado nas edificações, a relação entre espaços abertos</p><p>e construídos e os elementos vegetais. A vegetação pode auxiliar muito</p><p>7Paisagismo e conforto ambiental</p><p>na atenuação da temperatura, tanto na pequena como na média escala da</p><p>cidade. Pivetta (2010) coloca que a árvore, além ser a forma vegetal mais</p><p>característica da paisagem urbana, fomenta um microclima mais confor-</p><p>tável, tanto dentro das construções quanto no espaço aberto. Para que o</p><p>potencial da vegetação seja otimizado, as espécies não devem ser escolhidas</p><p>aleatoriamente, e sim levando-se em</p><p>D e E, respectivamente. Com</p><p>base na distribuição sazonal da precipitação e em características adicionais</p><p>de temperatura, este sistema divide-se, respectivamente, em tipos e subtipos,</p><p>representados por letras minúsculas.</p><p>A tabela de Köppen-Geiger foi transformada por Kottek e seus colaboradores em um</p><p>mapa que facilita a visualização das tipologias climáticas de cada região do mundo.</p><p>Para acessá-lo, visite o link a seguir.</p><p>https://goo.gl/51YKut</p><p>Outra classificação bastante utilizada como referência é o estudo elaborado</p><p>por Strahler. O mesmo criou grupos climáticos divididos em 13 zonas, base-</p><p>adas em aspectos como as massas de ar e as latitudes. Conforme Sant’Anna</p><p>Neto (2001, p. 41):</p><p>Além de considerar os elementos precipitação e temperatura para definir e dis-</p><p>tinguir as regiões climáticas do mundo, na proposta de classificação de Strahler</p><p>também é incorporado o paradigma dinâmico no que se refere às características</p><p>e aos regimes das massas de ar, sendo apontada como a contribuição mais sig-</p><p>nificativa na busca de uma classificação climática de base genética e dinâmica.</p><p>Para visualizar o mapa da classificação utilizada por Strahler, acesse o link a seguir.</p><p>https://goo.gl/UUpeyt</p><p>Tipologias climáticas6</p><p>Pode-se perceber que os estudos desenvolvidos apresentam algumas se-</p><p>melhanças entre si. As tipologias climáticas, apesar de serem tratadas por</p><p>meio de diferentes nomenclaturas, têm como referência aspectos em comum,</p><p>tratando as regiões a partir de reflexões e percepções diferentes. Nota-se</p><p>que a diferença entre os sistemas se baseia principalmente nas vertentes de</p><p>pesquisa, sendo a classificação empírica voltada especificamente à descrição</p><p>das características do clima de cada área, enquanto a vertente genética busca</p><p>esclarecer os motivos dos diferentes climas do planeta.</p><p>O que é climatologia e para que serve?</p><p>A climatologia é fundamental na medida em que fornece dados para projetar</p><p>edificações, possibilitando uma arquitetura mais regionalista e eficiente em termos</p><p>de conforto humano e consumo de energia. Trata-se de um ramo da geografia física</p><p>que se dedica a estudar o clima e o tempo. Como vimos, entende-se como “tempo”</p><p>o estado meteorológico da atmosfera, como condições de vento, ar, temperatura e</p><p>umidade, e como “clima” o conjunto de condições atmosféricas que caracterizam um</p><p>determinado local ou região.</p><p>A climatologia, como ciência, tem se tornado cada vez mais importante, já que</p><p>inúmeras atividades humanas, como agricultura, economia, indústria e comércio,</p><p>dependem de dados do clima para a tomada de decisões e a obtenção de eficiência.</p><p>Um agricultor tem necessidade de informações do clima para saber quais decisões</p><p>tomar com relação às melhores épocas do ano para plantio, como poderá plantar e</p><p>em que época colher determinado gênero agrícola.</p><p>A partir de dados de satélites e de estações medidoras, a climatologia moderna</p><p>vem fornecendo dados e informações mais precisas sobre chuvas, geadas, secas,</p><p>ventanias, temporais, furacões, etc. Em países que estão ainda em desenvolvimento,</p><p>a climatologia tem se desenvolvido mais devido à sua importância para a agricultura</p><p>e a aviação. No Brasil, já existem estudos, pesquisas e, inclusive, informações prontas</p><p>e disponíveis para auxiliar e orientar projetos de edificações que seguem diretrizes</p><p>bioclimáticas (Renato ([2018]).</p><p>Características do clima</p><p>Dentre diversos estudos, mapas e tipologias climáticas, algumas propostas</p><p>se destacam por serem voltadas especifi camente para o território brasileiro.</p><p>Jurca (2005) cita as propostas de Delgado de Carvalho, Peixoto, Guimarães</p><p>e Bernardes, e destaca a proposta de Henrique Morize (Quadro 1), iniciada</p><p>7Tipologias climáticas</p><p>no ano de 1889 e aprimorada no ano de 1922. Conforme Sant’Anna Neto</p><p>(2001, p. 13), essa classifi cação climática</p><p>[...] foi elaborada com base em dados de 106 estações meteorológicas no</p><p>território brasileiro e se baseou nos conceitos apresentados por Köppen,</p><p>utilizando-se de médias anuais de temperatura e de totais pluviométricos para</p><p>definir três tipos climáticos: equatorial, subtropical e temperado — divididos</p><p>em outros nove subtipos.</p><p>Fonte: Adaptado de Nascimento, Luiz e Oliveira, 2016.</p><p>Tipo Subtipo Localização</p><p>Equatorial Superúmido Amazônia</p><p>Úmido continental Interior do Norte</p><p>Semiárido Nordeste</p><p>Subtropical Semiúmido marítimo Litoral oriental</p><p>Semiúmido de altitude Altiplanos centrais</p><p>Semiúmido continental Interior do Brasil</p><p>Temperado Superúmido marítimo Litoral meridional</p><p>Semiúmido/latitudes médias Planícies do interior do Sul</p><p>Semiúmido das altitudes Locais de grande altitude</p><p>Quadro 1. Classificação climática de Henrique Morize</p><p>Para Sant’Anna Neto (2001), essa proposta é considerada como um marco</p><p>para a evolução da climatologia e meteorologia do Brasil, pois reúne um conjunto</p><p>de registros das estações meteorológicas que servem de embasamento para as</p><p>análises climáticas. Segundo Nascimento, Luiz e Oliveira (2016), as classifi-</p><p>cações foram se desenvolvendo cada vez mais, tornando-se mais específicas</p><p>e fundamentadas. Nesse contexto surge a proposta de Nimer, que é utilizada</p><p>como referência pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p><p>A proposta de classificação dos climas brasileiros de Nimer se apoia na de-</p><p>finição de três sistemas: o primeiro é relativo à gênese climática baseada nos</p><p>padrões de circulação atmosférica, configurando três climas zonais (equatorial,</p><p>tropical e temperado); o segundo emprega as frequências médias de valores</p><p>extremos de temperatura, definindo regiões térmicas (quente, subquente, meso-</p><p>térmico brando e mesotérmico mediano); e o terceiro, que relaciona o número</p><p>Tipologias climáticas8</p><p>de meses secos com o tipo de vegetação natural predominante, define regiões</p><p>com padrões homogêneos de umidade e seca (que variam de superúmido a</p><p>semiárido) (NASCIMENTO; LUIZ; OLIVEIRA, 2016, documento on-line).</p><p>Os climas zonais brasileiros considerados pelo IBGE são: equatorial,</p><p>tropical (dividido em zona equatorial, Nordeste oriental e Brasil central) e</p><p>temperado.</p><p>Para visualizar o mapa da classificação climática adotada para o Brasil, acesse o link a seguir.</p><p>https://goo.gl/NhTayZ</p><p>O clima equatorial está localizado mais especificamente na área da Floresta</p><p>Amazônica, ao norte do território brasileiro e em parte do estado do Mato Grosso.</p><p>Essa tipologia climática prevalece nas áreas próximas à Linha do Equador. As</p><p>suas principais características são a alta umidade do ar e a temperatura elevada,</p><p>que geram chuvas constantes. Segundo dados do IBGE, a temperatura média</p><p>do clima equatorial é de 26ºC, com umidade relativa média de 90%.</p><p>O clima tropical é encontrado nas áreas entre o Trópico de Capricórnio e</p><p>o Trópico de Câncer. Apresenta como características gerais a temperatura alta,</p><p>porém com menos precipitações se comparado ao clima equatorial. O clima</p><p>tropical da zona equatorial compreende áreas dos estados de Piauí, Tocantins,</p><p>Ceará, Rio Grande de Norte, Pernambuco, Maranhão, leste de Roraima e</p><p>oeste da Paraíba. Nessas áreas, os invernos sãos mais secos e os verões, mais</p><p>chuvosos. O clima tropical Brasil central tem como características mais</p><p>acentuadas a estiagem e os verões bastante chuvosos. Com temperatura média</p><p>anual de 20º C, compreende os estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo,</p><p>Mato Grosso do Sul, Bahia, sul do Piauí e do Tocantins e norte do Paraná.</p><p>Já a tipologia tropical Nordeste oriental concentra-se na faixa litorânea da</p><p>região nordeste e tem temperatura média anual de 25ºC.</p><p>O clima temperado pode ser caracterizado como a tipologia mais fria se</p><p>comparada ao clima equatorial e tropical. Esse clima é encontrado na Região</p><p>Sul do país, mais especificamente nos estados de Paraná, Santa Catarina e</p><p>Rio Grande do Sul. Esse clima apresenta as estações bem definidas; durante o</p><p>inverno, a temperatura dessa região pode chegar a menos de 0ºC, com granizo</p><p>9Tipologias climáticas</p><p>e neve. A média de temperatura do clima temperado fica em torno de 19ºC,</p><p>com umidade relativa do ar de 80%.</p><p>Interferências do clima na arquitetura</p><p>À medida que o desenvolvimento das cidades foi acontecendo, as edifi cações</p><p>foram evoluindo, considerando para as suas adaptações também as regiões</p><p>em que estavam inseridas. Após a Revolução Industrial, com o surgimento</p><p>da arquitetura moderna, muitas edifi cações passaram a ser padronizadas,</p><p>tornando-se independentes de especifi cidades e condições climáticas das</p><p>áreas em que estavam inseridas. Segundo Renato ([2018], documento on-line),</p><p>“[...] esta arquitetura, cujas características convergiam, seja onde é que fosse</p><p>construída, foi chamada de ‘Estilo Internacional’, e em muito ignorava os</p><p>princípios da arquitetura regionalista, fomentando gasto excessivo de energia”.</p><p>A maioria das edificações propostas nesse período era conformada em</p><p>grandes volumes quadrados ou retangulares, com concreto e panos de vidro,</p><p>implantados em qualquer espaço, independentemente do solo, da vegetação</p><p>e do clima. Segundo Renato ([2018]), para obter conforto térmico interna-</p><p>mente utilizava-se ventiladores, ar-condicionado ou aquecedores. Esse estilo</p><p>arquitetônico ocasionou falta de energia e demandou a construção de usinas</p><p>hidrelétricas, no Brasil, e termoelétricas e nucleares, na Europa. Ainda con-</p><p>forme Renato ([2018], documento on-line):</p><p>Tais práticas degradam o meio ambiente, aquecem e destroem belos cenários</p><p>naturais, o que faz o mundo acordar para fontes alternativas de energia e edifi-</p><p>cações com melhor eficiência energética, que aproveitem os recursos naturais, e</p><p>assim produzindo construções e edificações que sejam adequadas ao clima local.</p><p>O preceito de adequar a edificação ao clima em que será inserida, apesar</p><p>de ter sido esquecido durante o movimento moderno, vem de muito antes</p><p>desse período, destacado ainda por Vitrúvio na arquitetura romana. O mesmo</p><p>dizia que, para as edificações estarem bem adequadas, era necessário levar</p><p>em conta o clima local de cada construção. Para Renato ([2018]):</p><p>[...] ter boas informações do local e do clima onde uma edificação será cons-</p><p>truída, é importante para que se obtenha um resultado de qualidade em termos</p><p>de projeto e consequentemente de conforto e eficiência energética com relação</p><p>à edificação à ser construída. É baseado nestas informações com relação às</p><p>Tipologias climáticas10</p><p>variáveis climáticas (como temperatura, umidade, ventos, movimentos do</p><p>sol) que se adotam as estratégias de conforto térmico (técnicas apropriadas)</p><p>para se obter soluções eficientes com relação às variáveis do meio ambiente.</p><p>Pode-se dizer que adequar a edificação por meio de propostas para obtenção do</p><p>conforto térmico é um papel importante da arquitetura, e o seu resultado é diretamente</p><p>influenciado pelas condições climáticas de cada local. Conforme Lamberts (2017), em</p><p>locais com altas temperaturas, a adoção de ventilação natural e proteção solar das</p><p>paredes é um importante artifício para amenizar o calor, que pode ser feito por meio</p><p>de beirais e do isolamento térmico com mantas ou outros materiais. Além disso, em</p><p>áreas onde a luz direta do sol é importante em algumas estações e em outras não,</p><p>pode-se utilizar os brises móveis, que ajudam no controle da entrada de sol na edificação.</p><p>Já para climas mais frios é importante o isolamento térmico da edificação,</p><p>que evita a entrada do vento na mesma, mantendo o calor interno. Para as co-</p><p>berturas, quanto mais área tiverem, mais calor conseguirão reter, melhorando a</p><p>temperatura interna. Além disso, com essas condições climáticas, é necessário</p><p>esquadrias duplas e com boa vedação, juntamente com paredes mais grossas e</p><p>o uso de alguns revestimentos especiais. Segundo Soares (2012), é importante</p><p>utilizar nas paredes revestimentos com alta inércia térmica, pois são materiais</p><p>que vão retendo o calor do sol durante o dia e, com o pôr do sol, começam a troca</p><p>de calor com a parte interna da vedação. São boas opções as paredes externas</p><p>revestidas em pedras e as internas com revestimento drywall e lã de rocha.</p><p>Quando as condições climáticas são consideradas, é possível propor constru-</p><p>ções adequadas para cada região do Brasil e do mundo, garantindo que todas as</p><p>necessidades dos ocupantes daquela edificação possam ser satisfeitas, amenizando</p><p>também os impactos ambientais da mesma e o consumo de energia. Para Lamberts</p><p>(2017, documento on-line), “[...] conhecer os dados climáticos de um local permite</p><p>identificar os períodos de maior probabilidade de desconforto e, consequentemente,</p><p>definir as estratégias que devem ser incluídas no projeto para compensar essas</p><p>condições”. Assim, a ideia de relacionar a arquitetura com o clima, levando em</p><p>conta as condições climáticas e os aspectos sustentáveis, possibilita chegar a uma</p><p>harmonia entre o espaço construído e o espaço natural existente, minimizando os</p><p>impactos e considerando as modificações na paisagem urbana.</p><p>11Tipologias climáticas</p><p>Como adotar estratégias arquitetônicas que sejam adequadas para o inverno</p><p>e o verão?</p><p>Para evitar ambientes muito quentes, é importante priorizar a ventilação cruzada,</p><p>que se dá por janelas em fachadas opostas, permitindo a saída do ar quente e a</p><p>entrada do ar fresco.</p><p>Fonte: Adaptada de Instituto Brasileiro de desenvolvimento da Arquitetura ([2018]).</p><p>Já para a proteção contra o frio, o ideal é usar materiais que tenham grande inércia</p><p>térmica para o revestimento das paredes. Trata-se de materiais que vão retendo o</p><p>calor do sol lentamente durante o dia e, com o pôr do sol, começam a troca de calor</p><p>com os ambientes ao seu redor. Paredes revestidas de pedra voltadas para o poente</p><p>são um exemplo disso.</p><p>O ideal é que haja a associação de ambas as soluções, já que, no Brasil, as estações</p><p>causam mudanças bruscas na temperatura, e temos regiões em que há calor durante</p><p>o dia e frio à noite. Até mesmo os revestimentos podem ser associados, como os</p><p>carpetes, tapetes e pisos de madeira, que aquecem os ambientes, e as cerâmicas, vidros</p><p>e algumas pedras, que esfriam os espaços. Esses materiais precisam ser combinados</p><p>no mesmo projeto para garantir não somente o conforto em relação ao clima, mas a</p><p>eficiência e a durabilidade da edificação.</p><p>Além disso, é importante estudar o posicionamento da casa em relação ao sol,</p><p>verificando as necessidades do verão e do inverno. As fachadas devem ser analisadas</p><p>para que as aberturas sejam suficientes para circulação do ar e para que o sol não</p><p>invada o interior da casa, gerando desconforto no calor, mas que, ao mesmo tempo,</p><p>ofereça proteção no frio (SOARES, 2012).</p><p>Tipologias climáticas12</p><p>AYOADE, J. O. Introdução à climatologia para os trópicos. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand</p><p>Brasil, 2003.</p><p>INSTITUTO BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO DA ARQUITETURA. Refresque sua casa</p><p>usando a ventilação cruzada. Fórum da Construção Civil, [2018]. Disponível em: <http://</p><p>www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=4&Cod=2064>. Acesso em: 12 set. 2018.</p><p>JURCA, J. Classificações climáticas: variações têmporo-espaciais e suas aplicações nos livros</p><p>didáticos e como subsídios ao zoneamento agroclimático. 2005. Dissertação (Mestrado em</p><p>Geografia) - Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente</p><p>Prudente, 2005.</p><p>LAMBERTS, R. Desempenho térmico de edificações. Aula 3: arquitetura e clima. Universidade</p><p>Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2017. Disponível em <http://www.labeee.ufsc.br/si-</p><p>tes/default/files/disciplinas/Aula-Arquitetura%20e%20Clima_0.pdf>. Acesso em: 12 set. 2018.</p><p>MALUF, J. R. T. Nova classificação climática do estado do Rio Grande do Sul. Revista Brasileira</p><p>de Agrometeorologia, v. 8, n. 1, p.141-150, 2000.</p><p>MENDONÇA, F.; DANNI-OLIVEIRA, I. M. Climatologia: noções básicas e climas do Brasil. São</p><p>Paulo: Oficina de Textos, 2007.</p><p>NASCIMENTO, D. T. F.; LUIZ, G. C.; OLIVEIRA, I. J. Panorama dos sistemas de classificação</p><p>climática e as diferentes tipologias climáticas referentes ao estado de Goiás e ao Distrito</p><p>Federal (Brasil). Élisée — Revista de Geografia da UEG, Porangatu, v.</p><p>5, n. 2, p. 59-86, jul./dez. 2016</p><p>Disponível em <http://www.revista.ueg.br/index.php/elisee/article/viewFile/5769/3986>.</p><p>Acesso em: 12 set. 2018.</p><p>PENA, R. F. A. Clima. Mundo Educação, Goiânia, [2018]. Disponível em: <https://mundoedu-</p><p>cacao.bol.uol.com.br/geografia/clima.htm>. Acesso em: 12 set. 2018.</p><p>RENATO, J. Clima, construção e arquitetura. JRRIO, Rio de janeiro, [2018]. Disponível em:</p><p><https://www.jrrio.com.br/construcao-sustentavel/pb-clima-e-construcao.html>. Acesso</p><p>em: 12 set. 2018.</p><p>SANT'ANNA NETO, J. L. História da climatologia no Brasil: gênese, paradigmas e a constru-</p><p>ção de uma geografia do clima. 2001. Tese (Livre-Docência) — Faculdade de Ciências e</p><p>Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2001.</p><p>SOARES, F. Conheça soluções para criar moradias a prova do clima. Bonde, Londrina, 7 mai.</p><p>2012. Disponível em: <https://www.bonde.com.br/casa-e-decoracao/noticias/conheca-</p><p>-solucoes-para-criar-moradias-a-prova-do-clima-223752.html>. Acesso em: 12 set. 2018.</p><p>STRAUSS, R. F. International annotated bibliography of climate classifications. Scientific Com-</p><p>munity of nations, out. 2007. Disponível em: <http://paws.wcu.edu/strauss/annotatedbib.</p><p>pdf>. Acesso em: 12 set. 2018.</p><p>VIANELLO, R. L. Meteorologia básica e aplicações. Viçosa: UFV, 1991. 449 p.</p><p>13Tipologias climáticas</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Arquitetura bioclimática</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Conceituar arquitetura bioclimática.</p><p> Identificar os materiais e as tecnologias bioclimáticas disponíveis para</p><p>a construção civil.</p><p> Exemplificar projetos de arquitetura bioclimática.</p><p>Introdução</p><p>Muito se fala de arquitetura ecológica, sustentável, verde e eficiente.</p><p>Na verdade, os primeiros estudos de uma arquitetura integrada com a</p><p>natureza e o clima surgiram há aproximadamente 45 anos. Neste capítulo,</p><p>você vai estudar a chamada arquitetura bioclimática, que surgiu na década</p><p>de 1960. Esta consiste na adequada e harmoniosa relação entre ambiente</p><p>construído, clima e os seus processos de troca de energia, tendo como</p><p>objetivo final o conforto ambiental humano em todas as suas formas</p><p>(térmico, luminoso, acústico, etc.). Você também vai identificar materiais</p><p>e tecnologias bioclimáticas destinadas à construção civil e vai verificar</p><p>exemplos de projetos que empregam a arquitetura bioclimática.</p><p>O que é arquitetura bioclimática?</p><p>A chamada arquitetura bioclimática é um conceito que visa à harmonização das</p><p>construções com o meio ambiente, de forma a otimizar a utilização dos recursos</p><p>naturais disponíveis (como a luz solar e o vento), proporcionando conforto ao</p><p>homem em harmonia com a natureza.</p><p>Corbella e Yannas (2003) apresentam o conceito de arquitetura biocli-</p><p>mática como sendo uma arquitetura focada na integração com o clima local,</p><p>visando à habitação centrada no conforto ambiental do ser humano e na sua</p><p>influência sobre o planeta. Esse conceito surgiu em decorrência da crise de</p><p>energia decorrente do grande aumento no preço do petróleo, em 1973.</p><p>Esse tipo de arquitetura visa à estruturação do projeto arquitetônico de</p><p>acordo com as características bioclimáticas de cada local nos mínimos deta-</p><p>lhes. Assim, consegue-se aumentar a eficiência energética das construções e</p><p>reduzir os impactos ambientais destas.</p><p>A arquitetura bioclimática envolve também o desenvolvimento de técnicas</p><p>e equipamentos necessários para a melhoria da eficiência energética nas</p><p>edificações. No entanto, o fator predominante ainda é o aproveitamento da</p><p>energia proveniente do sol, seja na forma de calor, quando pode ser usada</p><p>para o aquecimento da água, por exemplo, ou na forma de luz, que pode ser</p><p>melhor aproveitada com o intuito de reduzir o uso da iluminação artificial,</p><p>conforme aponta Figueiredo (2017).</p><p>Figueiredo (2017) afirma ainda que são quatro os princípios básicos da</p><p>arquitetura bioclimática:</p><p> criação de espaços em ambiente saudável para os moradores e usuários;</p><p> eficiência energética e consideração do ciclo de vida da estrutura</p><p>edificada;</p><p> minimização de desperdícios;</p><p> uso de fontes renováveis de energia e materiais que não agridem o</p><p>meio ambiente.</p><p>A importância da sustentabilidade foi evidenciada inicialmente com a</p><p>primeira definição de desenvolvimento sustentável concebida pelo Relatório</p><p>Brundtland, em 1987 (NASCIMENTO, 2002). Segundo o Relatório, o de-</p><p>senvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente,</p><p>sem comprometer o atendimento às necessidades das gerações futuras. Tal</p><p>conceito foi ampliado e aperfeiçoado em uma nova visão do próprio processo</p><p>de desenvolvimento sustentável. Segundo Ribeiro et al. (1996, p. 99):</p><p>Desenvolvimento Sustentável poderia ser, então, o resultado de uma mudança</p><p>no modo da espécie humana se relacionar com o ambiente, no qual a ética não</p><p>seria apenas entendida numa lógica instrumental, como desponta no pensa-</p><p>mento eco- capitalista, mas sim, embasada em preceitos que ponderassem</p><p>as temporalidades alteras à própria espécie humana, e, porque não, também</p><p>as internas à nossa própria espécie.</p><p>O desenvolvimento sustentável surge para harmonizar o desenvolvimento</p><p>econômico com a preservação ambiental, visando a obter melhor qualidade</p><p>Arquitetura bioclimática2</p><p>de vida e melhores condições de sobrevivência por meio do equilíbrio entre</p><p>tecnologia e ambiente.</p><p>O desenvolvimento sustentável deve ser compreendido como parte integrante</p><p>do processo de desenvolvimento e não ser considerado de forma isolada. Isso</p><p>implica o surgimento de uma consciência ecológica criada a partir de um modelo</p><p>de educação, sendo a chave para a inversão dos valores da sociedade em direção a</p><p>uma nova ordem econômica que compreende, com o mesmo grau de importância,</p><p>o ambiente e o futuro.</p><p>Segundo o site do Ministério das Relações Exteriores brasileiro (MRE,</p><p>2018, online), foram concluídas em 2015 as negociações que culminaram</p><p>na adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), após a</p><p>Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu</p><p>de 25 a 27 de setembro de 2015 (BRASIL, 2016). Esses objetivos deverão</p><p>orientar as políticas nacionais e as atividades de cooperação internacional nos</p><p>próximos anos, sucedendo e atualizando os Objetivos de Desenvolvimento</p><p>do Milênio (ODM).</p><p>Após essas negociações, chegou-se a um acordo que contempla 17 Objetivos</p><p>e 169 metas envolvendo temáticas diversificadas, como erradicação da pobreza,</p><p>segurança alimentar e agricultura, saúde, educação, igualdade de gênero,</p><p>redução das desigualdades, energia, água e saneamento, padrões sustentáveis</p><p>de produção e de consumo, mudança do clima, cidades sustentáveis, proteção</p><p>e uso sustentável dos oceanos e dos ecossistemas terrestres, crescimento</p><p>econômico inclusivo, infraestrutura e industrialização, governança e meios</p><p>de implementação.</p><p>O papel do Brasil foi fundamental na implementação dos ODM, e o</p><p>País tem mostrado empenho desde a Conferência Rio +20, que ocorreu</p><p>em 2012, promovendo a Agenda Pós-2015. As inovações brasileiras em</p><p>termos de políticas públicas também são vistas como contribuições para</p><p>a integração das dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvi-</p><p>mento sustentável.</p><p>3Arquitetura bioclimática</p><p>Se quiser saber mais sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável acordados,</p><p>acesse o link a seguir.</p><p>https://goo.gl/6ZMQRr</p><p>Corbella e Yannas (2003) afirmam que a arquitetura sustentável é a</p><p>continuidade mais natural da arquitetura bioclimática, considerando também</p><p>a integração do edifício à totalidade do meio ambiente, de forma a torná-lo</p><p>parte de um conjunto maior. O tema da arquitetura sustentável começou a ser</p><p>discutido na arquitetura dos edifícios em conjunto com o ambiente urbano.</p><p>Atualmente, na escala urbana, as discussões e propostas vêm abordando as</p><p>seguintes questões:</p><p> estruturas morfológicas compactas;</p><p> adensamento populacional;</p><p> transporte público;</p><p> resíduos e reciclagem;</p><p> energia;</p><p> água;</p><p> diversidade;</p><p> pluralidade</p><p>socioeconômica, cultural e ambiental.</p><p>Isso reforça o papel do edifício como um elemento do projeto urbano</p><p>e da sustentabilidade da cidade. Discute-se principalmente a localização e</p><p>infraestrutura, a qualidade ambiental dos espaços internos, o impacto na</p><p>qualidade do entorno imediato, a otimização do consumo de recursos como</p><p>água, energia e materiais, e o potencial de contribuição para as dinâmicas</p><p>socioeconômicas do lugar, conforme apontam Gonçalves e Duarte (2006).</p><p>Estratégias de arquitetura bioclimática</p><p>O objetivo do projeto de arquitetura bioclimática é prover um ambiente cons-</p><p>truído com conforto físico, que seja sadio, agradável e adaptado ao clima</p><p>Arquitetura bioclimática4</p><p>local, que minimize o consumo de energia convencional e que exija o mínimo</p><p>de instalações elétricas possível, o que também leva à mínima produção de</p><p>poluição, conforme apontam Corbella e Yannas (2003).</p><p>Pode-se projetar, hoje, com tecnologia disponível no Brasil, uma ar-</p><p>quitetura bioclimática que funciona perfeitamente, integrada ao clima e à</p><p>tradição local e com baixo consumo de energia convencional. No Quadro 1,</p><p>podemos visualizar os diferentes aspectos a serem considerados em cada</p><p>tipo de construção.</p><p>Aspectos</p><p>Construção</p><p>convencional</p><p>Construção</p><p>bioclimática</p><p>Construção</p><p>ecoeficiente</p><p>Configuração</p><p>do edifício</p><p>Outras</p><p>influências</p><p>Influenciada</p><p>pelo clima</p><p>Influenciada</p><p>pelo meio</p><p>ambiente</p><p>Orientação</p><p>do edifício</p><p>Pouco</p><p>importante</p><p>Crucial Crucial</p><p>Fachadas e</p><p>janelas</p><p>Outras</p><p>influências</p><p>Dependentes</p><p>do clima</p><p>Dependentes</p><p>do meio</p><p>ambiente</p><p>Fontes de</p><p>energia</p><p>Gerada Gerada/ambiente Gerada/</p><p>ambiente/local</p><p>Controle do</p><p>ambiente interno</p><p>Eletromecânico</p><p>(artificial)</p><p>Eletromecânico/</p><p>natural</p><p>Eletromecânico/</p><p>natural</p><p>Consumo de</p><p>energia</p><p>Geralmente</p><p>elevado</p><p>Reduzido Reduzido</p><p>Fontes de</p><p>matérias-primas</p><p>Pouco</p><p>importante</p><p>Pouco importante Reduzido</p><p>impacto</p><p>ambiental</p><p>Tipos de</p><p>materiais</p><p>Pouco</p><p>importante</p><p>Pouco importante Reutilizáveis</p><p>Quadro 1. Tipos de construção (convencional, bioclimática e ecoeficiente) e aspectos da</p><p>edificação</p><p>5Arquitetura bioclimática</p><p>Há diversas técnicas de projeto capazes de amenizar o sobrecarregamento dos recursos</p><p>naturais, seja por meio de elementos construídos, como as coberturas verdes, ou por</p><p>meio da seleção de materiais. Na escala urbana, os princípios de ecologia industrial</p><p>— ou seja, agrupar indústrias pequenas para que elas compartilhem os processos de</p><p>calefação e refrigeração por meio de suas fontes de aproveitamento de resíduos e</p><p>perdas térmicas — oferecem inúmeros benefícios por meio de uma única estratégia.</p><p>Em escala menor, encontra-se a substituição de serviços, um método que envolve</p><p>a troca da propriedade individual de produtos por um modelo que se baseia no</p><p>compartilhamento de recursos com fins semelhantes, conforme lecionam Keeler e</p><p>Burke (2010).</p><p>O conceito de tecnologia apropriada é relevante para edificações susten-</p><p>táveis e para o meio ambiente, visto que as comunidades rurais e os países</p><p>em desenvolvimento que utilizam essa tecnologia se baseiam mais na mão</p><p>de obra do que nos recursos materiais na hora de construir infraestruturas e</p><p>edificações. Os resultados são construções duráveis e com pouca necessidade</p><p>de manutenção, que utilizam materiais e tecnologias apropriados para a região,</p><p>como adobe e taipa.</p><p>Segundo Keeler e Burke (2010), as chamadas edificações integradas têm</p><p>como meta a eficiência de recursos por meio de técnicas que envolvem tanto</p><p>materiais como métodos de construção. Essas técnicas incluem:</p><p> reduzir a quantidade de matéria-prima utilizada em materiais, produtos</p><p>e sistemas de produção;</p><p> utilizar produtos que minimizem os impactos da nova construção ou</p><p>reforma;</p><p> projetar utilizando componentes reutilizáveis visando à flexibilidade</p><p>ou à adaptabilidade;</p><p> projetar pensando na desconstrução, o que reduz o impacto na hora</p><p>da demolição;</p><p> projetar utilizando componentes pré-fabricados, como painéis de con-</p><p>creto pré-fabricado do sistema tilt-up — esse tipo de construção reduz</p><p>o impacto da construção no sítio e diminui as perdas da obra como</p><p>um todo;</p><p> selecionar produtos, materiais e sistemas com base em atributos rela-</p><p>cionados à pré-ciclagem.</p><p>Arquitetura bioclimática6</p><p>As chamadas edificações integradas, então, são aquelas nas quais se considera</p><p>que cada decisão de projeto tem inúmeras consequências, não um efeito isolado.</p><p>O projeto integrado de qualidade demanda o entendimento das inter-relações de</p><p>cada um dos materiais, sistemas e elementos espaciais. Durante o seu processo,</p><p>o projetista deve estar ciente de um conjunto mais amplo de impactos, incluindo</p><p>a estética, a energia, o meio ambiente e a experiência do usuário.</p><p>O conceito de pré-ciclagem pode ser aplicado a um produto que é reusável, durável</p><p>e reparável e feito de recursos renováveis ou não renováveis; a sua embalagem não</p><p>deve ser exagerada, ou deve ser reusável/reciclável.</p><p>Alguns aspectos que ocorrem no ambiente externo deverão ser levados em</p><p>consideração para que se tenha um bom projeto de arquitetura bioclimática.</p><p>Segundo Gonçalves e Duarte (2006), ao focarmos o projeto no desempenho</p><p>ambiental da arquitetura, atrelado ao conforto e à eficiência energética dentro</p><p>do conceito de sustentabilidade, partindo da fase conceitual e da definição</p><p>do partido arquitetônico, o projeto de um edifício deve incluir o estudo dos</p><p>seguintes tópicos:</p><p> orientação solar e dos ventos;</p><p> forma arquitetônica, arranjos espaciais, zoneamento dos usos internos</p><p>do edifício e geometria dos espaços internos;</p><p> características condicionantes ambientais — como vegetação, corpos</p><p>de água e ruídos — deverão ser consideradas, assim como o tratamento</p><p>do entorno imediato;</p><p> materiais da estrutura e das vedações internas e externas e cores, con-</p><p>siderando o desempenho térmico;</p><p> tratamento das fachadas e coberturas, de acordo com a necessidade</p><p>de proteção solar;</p><p> áreas envidraçadas e de abertura, considerando a proporção quanto à</p><p>área de envoltória, o posicionamento na fachada e o tipo de fechamento,</p><p>seja ele vazado, transparente ou translúcido;</p><p> detalhamento das proteções solares, considerando tipo e dimensionamento;</p><p> detalhamento das esquadrias.</p><p>7Arquitetura bioclimática</p><p>Na Figura 1 é possível visualizar algumas soluções arquitetônicas que</p><p>atendem à critérios de economia de energia, com a aplicação de algumas</p><p>tecnologias.</p><p>Figura 1. Diagrama de uma casa moderna apontando sugestões de tecnologias que</p><p>economizam energia.</p><p>Fonte: Adaptada de Slavo Valigursky/Shutterstock.com.</p><p>Esses aspectos terão papel determinante no uso das estratégias de venti-</p><p>lação natural, reflexão da radiação solar direta, sombreamento, resfriamento</p><p>evaporativo, isolamento térmico, inércia térmica e aquecimento passivo.</p><p>A sustentabilidade de um projeto arquitetônico começa na leitura e no</p><p>entendimento do contexto no qual o edifício se insere e nas decisões iniciais</p><p>de projeto. No que se relaciona aos recursos tecnológicos envolvendo os</p><p>sistemas prediais, são muitas as opções para minimizar o impacto ambiental</p><p>dos edifícios, tais como painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas para geração</p><p>Arquitetura bioclimática8</p><p>de energia (Figura 2), painéis solares para aquecimento de água, sistemas de</p><p>reaproveitamento de águas cinzas e outros. Essas técnicas devem ser aplica-</p><p>das desde a concepção do projeto, para que possam contribuir para o melhor</p><p>desempenho.</p><p>Figura 2. Ilustração de uma casa com painéis solares e turbinas eólicas, promovendo o</p><p>uso de energia sustentável e a conservação ambiental.</p><p>Fonte: Adaptada de Grimgram/Shutterstock.com.</p><p>Uma alternativa à demolição e à construção de novos edifícios, cujo impacto</p><p>ambiental é característico, ocorre a partir da reabilitação tecnológica, ou</p><p>retrofit. O retrofit tem como objetivos adaptar o edifício a novos usos, melhorar</p><p>a qualidade ambiental dos ambientes internos, otimizar o consumo de energia</p><p>em médio e longo prazos, aumentar o valor arquitetônico e econômico de</p><p>um edifício existente</p><p>ou mesmo restaurar o seu valor inicial. A reabilitação</p><p>tecnológica deverá incluir o tratamento da estrutura, da envoltória, dos espaços</p><p>internos e dos sistemas prediais de uma maneira integrada, conforme apontam</p><p>Gonçalves e Duarte (2006).</p><p>9Arquitetura bioclimática</p><p>Arquitetura bioclimática na prática</p><p>O alto desenvolvimento tecnológico, gerando novos materiais e sistemas pre-</p><p>diais, pode diminuir impactos e promover um aumento do bem-estar humano</p><p>e um incremento no ecossistema local. Exemplo disso são as edifi cações que</p><p>integram materiais orgânicos e inorgânicos, utilizam coberturas verdes e</p><p>minimizam os impactos ambientais sem abrir mão do emprego de alta tecno-</p><p>logia, como apresentado na Figuras 3. Nos projetos de edifícios que utilizam</p><p>recursos da própria natureza, como coberturas verdes, deve-se considerar</p><p>a altura e as espécies orgânicas utilizadas, pois, à medida que as vegetações</p><p>fi cam mais altas, mais alterações pode sofrer o microclima, e algumas espécies</p><p>podem não se desenvolver adequadamente.</p><p>Outro exemplo de construção sustentável que não implica necessariamente</p><p>em emprego de materiais naturais são as edificações construídas com materiais</p><p>pré-fabricados. Na maioria das vezes, os materiais pré-fabricados podem ser</p><p>montados, desmontados, transportados e mesmo reciclados ou reaproveitados</p><p>facilmente. Essas construções geralmente são projetadas de forma modular e</p><p>apresentam planta flexível, podendo incorporar mais ambientes, se necessário,</p><p>sem desperdício de materiais.</p><p>Figura 3. ACROS Building, Fukuoka, Japão, 1989-95. Edificação sustentável projetada pelo</p><p>arquiteto Emílio Ambasz.</p><p>Fonte: Adaptada de Thanya Jones/Shutterstock.com.</p><p>Arquitetura bioclimática10</p><p>Integrando-se os princípios da ecoeficiência com as condicionantes eco-</p><p>nômicas, a equidade social e o legado cultural, é possível apresentar uma</p><p>lista de prioridades — como se pode observar no quadro da Figura 4 — que</p><p>podem ser consideradas os pilares da construção sustentável. Essa aborda-</p><p>gem integra todas as fases que compõem o ciclo de vida de uma construção,</p><p>como leciona Mateus (2004): projeto, construção, operação/manutenção e</p><p>demolição/deposição.</p><p>Figura 4. Abordagem integrada e sustentável das fases do ciclo de vida de uma construção.</p><p>Fonte: Adaptada de Mateus (2004).</p><p>Na prática</p><p>Você sabe como funciona a geração de energia elétrica em uma residência por meio</p><p>de soluções sustentáveis?</p><p>Aponte para o QR code ou acesse o link</p><p>https://goo.gl/RtwuxK para ver o recurso.</p><p>.</p><p>11Arquitetura bioclimática</p><p>Podemos identificar o arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, como um dos</p><p>mais representativos desse tipo de arquitetura no Brasil. Ele demonstrou na</p><p>prática o que vem a ser essa arquitetura, empregando-a em belos projetos de</p><p>forma confortável, prática, suntuosa, regional, nacional e internacionalmente</p><p>reconhecida, reconhecendo nossa riqueza bioclimática e utilizando-se dela</p><p>com maestria.</p><p>Projeto de Lelé de 1994, o Hospital do Aparelho Locomotor da Rede de</p><p>Hospitais Sarah Kubitschek, em Salvador, na Bahia, é um bom exemplo de</p><p>adoção das técnicas bioclimáticas. O aproveitamento das brisas devido à</p><p>implantação do edifício em terreno elevado, a inércia térmica e umidifica-</p><p>ção e o uso de luz natural para a produção de conforto dominam o espaço</p><p>arquitetônico. Nesse projeto, fica evidente a preocupação do arquiteto em</p><p>integrar o projeto à paisagem, com ventilação natural e proteção da radiação</p><p>solar, sem causar conflito com a natureza e a topografia do lugar. É também</p><p>um exemplo da utilização da tecnologia da construção industrializada no</p><p>Brasil, no qual se reuniu toda a experiência acumulada a partir do primeiro</p><p>hospital da rede, construído em 1980, em Brasília, conforme apontam Cor-</p><p>bella e Yanna (2003).</p><p>Outros projetos pelo mundo podem ser reconhecidos como bons exemplos</p><p>dessa prática, como o California Academy of Sciences, em São Francisco, na</p><p>Califórnia. Trata-se de um projeto do arquiteto Renzo Piano em parceria com</p><p>o escritório Chong Partners Architecture, de 2008, e oferece, dentre as várias</p><p>soluções, a cobertura verde (Figura 5), que cobre um hectare com seis espécies</p><p>de plantas nativas do Estado da Califórnia, que se conectam com os sistemas</p><p>fotovoltaicos integrados às marquises. Placas de fibra de coco foram usadas</p><p>para configurar as grandes ondulações da cobertura, além de a edificação ser</p><p>dotada de ventilação natural, com janelas de abrir, e ainda possuir brises e</p><p>claraboias (Figura 6) que abrem automaticamente com o auxílio de sensores,</p><p>conforme lecionam Keeler e Burke (2010).</p><p>Arquitetura bioclimática12</p><p>Figura 5. Imagem da cobertura verde da edificação do California Academy of Sciences,</p><p>em São Francisco, conectada aos sistemas fotovoltaicos integrados às marquises.</p><p>Fonte: Adaptada de huangcolin/Shutterstock.com.</p><p>Figura 6. Imagem interna com a entrada de luz zenital.</p><p>Fonte: Adaptada de Teecom (c2018).</p><p>13Arquitetura bioclimática</p><p>Nas estratégias do conceito de edifício passivo, considera-se que é sempre</p><p>necessária uma renovação de ar nas divisões do edifício, de forma a garantir os</p><p>requisitos de qualidade do ar interior. Essas estratégias de arquitetura passiva</p><p>se baseiam na tradição da arquitetura vernacular, mas foram desenvolvidas</p><p>para satisfazer ao conforto climático de um usuário contemporâneo durante</p><p>o ano inteiro.</p><p>Dessa forma, o resultado das estratégias apresentadas difere da concepção das</p><p>antigas casas passivas e corresponde a uma interpretação moderna mais adequada</p><p>aos padrões atuais de vida, conforto e construção, como no exemplo da Figura 7,</p><p>em que foram utilizadas técnicas e tecnologias como a energia solar, o aquecedor</p><p>solar de água, os painéis solares e as claraboias instaladas em telhado de betume.</p><p>Figura 7. Exemplo de residência com uso eficaz da energia renovável: aquecedor</p><p>solar para água, painéis solares e claraboias instaladas em telhado de betume,</p><p>garantindo a iluminação e a ventilação naturais.</p><p>Fonte: Adaptada de Radovan1/Shutterstock.com.</p><p>O arquiteto tem a responsabilidade ambiental de conhecer o clima e suas</p><p>vantagens e desvantagens, principalmente diante do panorama de crise am-</p><p>biental atual. Mais do que inter-relacionar o ambiente construído com o clima</p><p>local, o arquiteto deverá ter uma visão interdisciplinar, capaz de agregar e</p><p>harmonizar outras importantes variáveis nos seus projetos, visando a um</p><p>futuro sustentável para nossa geração e para as que estão por vir.</p><p>Arquitetura bioclimática14</p><p>Cabe aos profissionais ligados à construção civil retomar, nos seus pro-</p><p>jetos, os conceitos de bioclimatologia básicos, simples e eficientes, pois nem</p><p>todas as edificações visam a serem certificadas, e nem todo cliente quer a</p><p>certificação. O projeto, certificado ou não, necessita nascer resolvido no seu</p><p>âmbito bioclimático.</p><p>Os selos de certificação como BREEAM e LEED visam à sustentabilidade</p><p>e à gestão em todo o processo, que vai do lançamento do projeto até sua</p><p>execução, relacionando as edificações ao ambiente. Já o certificado WELL</p><p>Building Certification tem como foco o bem-estar e a saúde mental do ser</p><p>humano e atende às demandas relacionadas ao edifício e seus ocupantes,</p><p>conforme lecionam Cole e Valdebenito (2013).</p><p>O Ministério do Meio Ambiente tem uma ferramenta eletrônica para orientar a constru-</p><p>ção de prédios sustentáveis, principalmente residenciais, com informações bioclimáticas</p><p>de aproximadamente 400 cidades brasileiras. Chama-se Projeteee (Projetando Edifícios</p><p>Energicamente Eficientes) e conta com 20 mil consultas por mês pela internet.</p><p>Se quiser saber mais sobre essa ferramenta que orienta a construção de edifícios</p><p>sustentáveis, acesse o link a seguir.</p><p>https://goo.gl/exRP3r</p><p>Só se atingirá um futuro sustentável com a redução do consumo de</p><p>energia das cidades e com a mudança da atual concepção economicista-</p><p>-consumista de mundo por seus habitantes. Para isso, devemos reavaliar a</p><p>dimensão espacial do processo de desenvolvimento em busca da ecoefici-</p><p>ência das cidades, proporcionando</p><p>conforto ao homem e preservação ao</p><p>meio ambiente. Nesse contexto, deverá ser dada ênfase ao planejamento</p><p>urbano sustentável, com especial destaque para o ambiente construído,</p><p>responsável por grande parte da poluição e do desperdício energético do</p><p>planeta. Quanto mais adaptada ao clima e mais passiva energeticamente,</p><p>mais sustentabilidade bioclimática terá nossa arquitetura e urbanismo, uma</p><p>questão fundamental. Além disso, não podemos esquecer da arquitetura</p><p>bioclimática, que conta com projetos regionais, adaptados ao clima, passivos</p><p>e acessíveis a qualquer classe social, conforme expõe Ferreira (2015) — o</p><p>conforto ambiental nesses projetos é vital.</p><p>15Arquitetura bioclimática</p><p>No Brasil, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL), em parceria</p><p>com universidades e instituições, visa à definição de uma regulamentação nacional</p><p>para a adoção de edificações mais eficientes, além de fomentar o desenvolvimento</p><p>de tecnologias e pesquisas relacionadas ao tema.</p><p>Outras iniciativas brasileiras incluem o Concurso Estudantil Latino-Americano de</p><p>Arquitetura Bioclimática, que faz parte da Bienal José Miguel Aroztegui, promovida</p><p>pelo Grupo de Conforto e Eficiência Energética da Associação Nacional de Tecnologia</p><p>do Ambiente Construído, em parceria com outras instituições.</p><p>Saiba mais sobre o programa PROCEL, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia</p><p>e executado pela Eletrobras, no link a seguir.</p><p>https://goo.gl/YHTbvv</p><p>BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Coordenadoria-geral de Desenvolvimento</p><p>Sustentável. Objetivos de desenvolvimento sustentável. Brasília, DF, 2016. Disponível em:</p><p><http://www.itamaraty.gov.br/images/ed_desenvsust/ODSportugues12fev2016.pdf>.</p><p>Acesso em: 8 nov. 2018.</p><p>COLE, R. J; VALDEBENITO, M. J. The importation of building environmental certification</p><p>systems: international usages of BREEAM and LEED. Building Research & Information, v.</p><p>41, n. 6, p. 662-676, 2013.</p><p>CORBELLA, O.; YANNAS, S. Em busca de uma arquitetura sustentável para os trópicos:</p><p>conforto ambiental. Rio de Janeiro: Revan, 2003.</p><p>FERREIRA, D. B. Por uma arquitetura bioclimática brasileira. AECweb, 27 fev. 2015. Dis-</p><p>ponível em: <https://www.aecweb.com.br/cont/a/por-uma-arquitetura-bioclimatica-</p><p>-brasileira_10869>. Acesso em: 7 nov. 2018.</p><p>FIGUEIREDO, L. Arquitetura da paz. São Paulo: Scortecci, 2017.</p><p>GONÇALVES, J. C. S.; DUARTE, D. H. S. Arquitetura sustentável: uma integração entre</p><p>ambiente, projeto e tecnologia em experiências de pesquisa, prática e ensino. Ambiente</p><p>Construído, Porto Alegre, v. 6, nº. 4, p. 51-81, out./dez. 2006.</p><p>KEELER, M.; BURKE, B. Fundamentos de projeto de edificações sustentáveis. Porto Alegre:</p><p>Bookman, 2010.</p><p>Arquitetura bioclimática16</p><p>MATEUS, R. Novas tecnologias construtivas com vista à sustentabilidade. Dissertação</p><p>(Mestrado) — Escola de Engenharia, Departamento de Engenharia Civil, Universidade</p><p>do Minho, Guimarães, 2004. Disponível em: <https://repositorium.sdum.uminho.pt/</p><p>bitstream/1822/817/5/Parte%20I.pdf>. Acesso em: 7 nov. 2018.</p><p>NASCIMENTO, E. P. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, do social ao</p><p>econômico. Estudos avançados, v. 26, nº. 74, 2012. Disponível em: < http://www.scielo.</p><p>br/pdf/ea/v26n74/a05v26n74.pdf>. Acesso em: 9 nov. 2018.</p><p>RIBEIRO, W. C. et al. Desenvolvimento sustentável: mito ou realidade? Terra Livre, São</p><p>Paulo, n. 11/12, 1996.</p><p>TEECOM. California Academy of Sciences. c2018. Disponível em: < http://teecom.com/</p><p>media/CAS_Hero-Image-1.jpg>. Acesso em: 9 nov. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>HERNANDÉZ, A. (Coord.). Manual de desenho bioclimático urbano. Manual de orientações</p><p>para a elaboração de normas urbanísticas. Bragança [Portugal]: Instituto Politécnico</p><p>de Bragança, 2013.</p><p>LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiência energética na arquitetura. 3. ed.</p><p>Rio de Janeiro: Eletrobrás, PROCEL, Procel Edifica, 2018. Disponível em: <http://</p><p>www.mme.gov.br/documents/10584/1985241/Livro%20-%20Efici%C3%AAncia%20</p><p>Energ%C3%A9tica%20na%20Arquitetura.pdf>. Acesso em: 8 nov. 2018.</p><p>MASCARÓ, L. R. Energia na edificação: estratégia para minimizar seu consumo. 2. ed.</p><p>São Paulo: Projeto, 1991. 213 p.</p><p>VAN LENGEN, J. Manual do arquiteto descalço. Rio de Janeiro: Casa do Sonho, 2002. 724 p.</p><p>17Arquitetura bioclimática</p><p>CONFORTO</p><p>AMBIENTAL</p><p>Edificação e meio ambiente</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Identificar as influências do meio natural sobre o meio construído.</p><p> Explicar os impactos ambientais da implantação da edificação.</p><p> Reconhecer os recursos sustentáveis aplicáveis na construção civil.</p><p>Introdução</p><p>Atualmente, muito se fala a respeito da sustentabilidade, do melhor</p><p>aproveitamento dos recursos nos projetos arquitetônicos. Por isso, é muito</p><p>importante o amplo conhecimento do profissional na hora da execução</p><p>do seu projeto, apresentando as melhores soluções para cada caso.</p><p>O processo de criação que antecede um projeto arquitetônico é</p><p>longo e trabalhoso. Os terrenos, os estilos arquitetônicos, os materiais</p><p>e os recursos variam em cada situação. Caberá ao profissional analisar</p><p>a solicitação do seu cliente e, a partir disso, desenvolver o projeto que</p><p>melhor possa atendê-lo.</p><p>Influências do meio natural na arquitetura</p><p>Sempre ouvimos falar que o sol é uma fonte de vida e energia e que a luz</p><p>natural oferece mais conforto e vantagens para o corpo humano do que a luz</p><p>artifi cial. Por isso, cada vez mais os profi ssionais se preocupam com esses e</p><p>outros fatores do meio natural na hora de elaborar um projeto arquitetônico.</p><p>Aliada ao cruzamento da ventilação em uma residência, a orientação solar</p><p>proporcionará um melhor aproveitamento do espaço, garantindo o conforto</p><p>térmico e a valorização do imóvel.</p><p>As diferentes situações geográficas das edificações proporcionam condições</p><p>bem diferentes nos projetos. Por exemplo, um projeto arquitetônico que con-</p><p>sidera a orientação solar pode tirar vantagem das posições mais privilegiadas</p><p>em relação ao sol, aproveitando a energia solar tanto em termos térmicos</p><p>quanto de iluminação, reduzindo as necessidades energéticas da habitação.</p><p>Atualmente temos muitos aparelhos eletrônicos e mapas de navegação</p><p>baseados em orientações geográficas, que nos dizem o ponto em que estamos</p><p>e para onde queremos ir, mostrando rotas e direções para chegarmos ao local</p><p>desejado pelo melhor caminho. No entanto, deve-se sempre ter em mente</p><p>os princípios básicos de orientação espacial e cartografia, especialmente os</p><p>pontos cardeais e colaterais representados na rosa dos ventos (Figura 1), para</p><p>que se possa realizar o levantamento topográfico do local da construção.</p><p>Figura 1. Rosa dos ventos mostrando os pontos</p><p>cardeais e colaterais.</p><p>Fonte: Adaptada de Viewgene/Shutterstock.com.</p><p>A orientação do terreno é obtida por meio da bússola. A ponta da agulha</p><p>indica o norte magnético. O norte verdadeiro ou norte astronômico é, em</p><p>geral, diferente do norte magnético. Trata-se de um fator muito importante para</p><p>que o arquiteto faça o projeto levando em conta a posição do sol (insolação)</p><p>e a direção dos ventos nas diferentes épocas do ano.</p><p>Edificação e meio ambiente2</p><p>Quando o terreno é acidentado ou inclinado, o levantamento topográfico</p><p>não é suficiente para o seu entendimento. A variação de alturas será medida</p><p>no levantamento altimétrico e representada por meio de curvas de nível,</p><p>que são a representação dos pontos de mesma cota ou altura em relação a um</p><p>plano horizontal, tomado como referência (Figura 2).</p><p>Figura 2. Perfil topográfico e planta topográfica com as cotas de nível, em que cada</p><p>curva representa uma altura. Na parte superior da imagem é possível visualizar essas</p><p>curvas no sentido vertical, representando a topografia do terreno.</p><p>Fonte: Adaptada de Pena ([2016]).</p><p>Um projeto arquitetônico envolve muitos fatores, que devem ser observa-</p><p>dos e cuidadosamente desenvolvidos para que sejam apresentadas as melhores</p><p>opções para o cliente, conforme a região em que se situa. Por exemplo, o</p><p>estudo dos ventos nos ambientes é um ponto muito importante para o impacto</p><p>ambiental nas edificações, pois privilegia as ventilações de forma natural,</p><p>mantendo as temperaturas agradáveis com o menor consumo de energia.</p><p>3Edificação e meio ambiente</p><p>Outro exemplo, como já vimos, é a orientação solar e seu aproveitamento</p><p>para garantir conforto térmico e iluminação natural. Outro aspecto que deve</p><p>ser atentado pelos profissionais é a adequada drenagem das águas, já que,</p><p>nos períodos de chuvas, áreas pavimentadas e asfaltadas sem cuidado com</p><p>os escoamentos podem ocasionar alagamentos e enchentes. Isso se observa</p><p>devido ao desenvolvimento e crescimento acelerado das edificações e das</p><p>cidades, muitas vezes envolvendo construções nas quais o impacto ambiental</p><p>não foi considerado em seus projetos.</p><p>Na prática</p><p>Está claro para você o que são curvas de nível? De forma simplificada, podemos dizer</p><p>que se trata de linhas que ligam pontos, na superfície do terreno, cuja altitude é a</p><p>mesma (cota). Para facilitar o seu entendimento, veja, em realidade aumentada, as</p><p>camadas de um perfil topográfico.</p><p>Aponte para o QR code ou acesse o link</p><p>https://goo.gl/RtwuxK para ver o recurso.</p><p>Orientação solar</p><p>A orientação solar é um dos fatores que determinam o maior ou menor valor</p><p>de um imóvel. A orientação dos compartimentos no projeto arquitetônico</p><p>quanto ao movimento do sol depende da fi nalidade a que servem. Para</p><p>compreender melhor a incidência do sol na Terra, observe, na Figura 3, que</p><p>os movimentos de translação fazem com que os raios incidam mais direta-</p><p>mente ora em um hemisfério, ora em outro; assim, temos verão e inverno</p><p>em hemisférios diferentes.</p><p>Edificação e meio ambiente4</p><p>Figura 3. Exemplo da incidência dos raios solares no globo terrestre</p><p>durante os equinócios.</p><p>Fonte: Adaptada de Pena ([2016]).</p><p>Quando acontece o solstício de verão no hemisfério sul, por exemplo,</p><p>temos o dia mais comprido do ano, ou seja, é o momento de maior incidência</p><p>de radiação solar nesse hemisfério; ao mesmo tempo, no hemisfério oposto,</p><p>será inverno, e teremos menor incidência de radiação solar, conforme mostra a</p><p>Figura 4. Assim, os pontos cardeais terão características que variam conforme</p><p>as estações do ano (SOLSTÍCIO, 2018).</p><p>Figura 4. Exemplo da inclinação dos raios solares durante o solstício de verão no hemisfério</p><p>norte do globo terrestre.</p><p>Fonte: Adaptada de Pena ([2016]).</p><p>5Edificação e meio ambiente</p><p>O Brasil está localizado no hemisfério sul, ou seja, abaixo da Linha do</p><p>Equador. No hemisfério sul, a orientação norte é uma ótima opção, pois</p><p>permite maior incidência de sol dentro dos ambientes no período do inverno,</p><p>mantendo, assim, o conforto térmico nos ambientes. A orientação sul costuma</p><p>ser um problema para alguns, pois, como não há a incidência de sol durante</p><p>o inverno, e muitas pessoas mantêm os ambientes fechados, sem ventilação,</p><p>tais condições geram mofo e umidade, além de os ambientes ficarem extre-</p><p>mamente gelados, causando desconforto nos seus usuários. Já no verão, os</p><p>raios incidem somente nas primeiras horas da manhã e nas últimas horas da</p><p>tarde. Escolha voltar para essa direção apenas os ambientes secundários ou</p><p>de permanência transitória, como escadas, depósitos, garagem, entre outros</p><p>(SOLSTÍCIO, 2018).</p><p>Quanto às orientações leste e oeste, elas apresentam características pare-</p><p>cidas em relação à incidência dos raios solares, mas em horários diferentes</p><p>do dia e em estações diferentes do ano. As fachadas leste recebem sol pela</p><p>manhã, também conhecido como sol de higienização. Esta é a nossa melhor</p><p>orientação solar, e os imóveis são mais valorizados quando têm face voltada</p><p>para o leste. Já nas fachadas oeste, a incidência do sol é no período da tarde. Os</p><p>ambientes com essa fachada são mais quentes e mantêm essa alta temperatura</p><p>no período da noite.</p><p>Existem muitos fatores que favorecem ou não cada posição solar, mas</p><p>cabe ao profissional verificar junto ao seu cliente o que ele busca e ajudá-lo</p><p>a obter o imóvel desejado de acordo com a sua real necessidade. Também é</p><p>muito importante um olhar atento do profissional quanto à ventilação natural,</p><p>para tornar os ambientes agradáveis e confortáveis para os seus usuários,</p><p>interferindo o mínimo possível no espaço urbano e no patrimônio natural e</p><p>cultural, que será o tema do tópico a seguir (SOLSTÍCIO, 2018).</p><p>Os impactos ambientais ocasionados</p><p>pelas edificações</p><p>Tanto as novas construções quanto as revitalizações de ambientes e espaços</p><p>já existentes produzem algum impacto, seja ele ambiental, social ou econô-</p><p>mico, uma vez que provocam mudanças e infl uenciam diretamente no dia a</p><p>dia das populações envolvidas. No entanto, existem formas de minimizar os</p><p>impactos gerados por essas mudanças, como a utilização de novos materiais e</p><p>a organização do canteiro de obras para que os resíduos da construção sejam</p><p>menores e tenham o descarte correto.</p><p>Edificação e meio ambiente6</p><p>Os impactos gerados pelas intervenções podem criar transtornos para as</p><p>pessoas que moram ou transitam na região, mas é necessário ter a consci-</p><p>ência de que serão momentâneos e, no futuro, trarão benefícios. O Manual</p><p>de Impactos Ambientais do Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 1999)</p><p>aponta alguns dos principais impactos ambientais gerados pelas cons-</p><p>truções. São eles:</p><p> a degradação da flora e da fauna devido à manutenção da vegetação</p><p>natural do local da construção;</p><p> a geração de resíduos sólidos, material de aterro e poeira, na terrapla-</p><p>nagem e no descarte dos materiais da obra;</p><p> a geração de ruídos (poluição sonora) devido ao uso de maquinário</p><p>pesado;</p><p> o aumento do consumo de água e energia para a execução dos serviços;</p><p> o aumento da geração de esgoto durante a execução da obra;</p><p> as mudanças em depósitos hídricos naturais e fluxos de águas super-</p><p>ficiais devido à terraplanagem e ao preparo do terreno;</p><p> a emissão de poluentes atmosféricos devido ao transporte dos materiais</p><p>e do maquinário.</p><p>Porém, alguns desses impactos podem ter efeitos a longo prazo, como o</p><p>adensamento populacional. Por isso, é necessária a previsão de equipamentos</p><p>urbanos e comunitários para a região em transformação, que possam aten-</p><p>der a população que já usa o espaço e abarquem a expansão populacional</p><p>prevista. Deve-se sempre atentar para o que o plano diretor prevê para a</p><p>região, considerando o uso e a ocupação do solo, bem como as legislações</p><p>ambientais.</p><p>Além disso, segundo a Lei nº. 10.257, de 10 de julho de 2001, chamada</p><p>de Estatuto da Cidade, em alguns empreendimentos privados ou públicos,</p><p>especificados pela prefeitura municipal, deverão ser avaliados os “[...] efeitos</p><p>positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de</p><p>vida da população residente na área e suas proximidades” (BRASIL, 2001,</p><p>documento on-line), dando origem ao chamado estudo prévio de impacto de</p><p>vizinhança (EIV), conforme lecionam Spadotto et al. (2011).</p><p>Nesse contexto, com base no Estatuto da Cidade, as questões que podem</p><p>ser afetadas pela construção da edificação são:</p><p> o adensamento populacional;</p><p> os equipamentos urbanos e comunitários;</p><p>7Edificação e meio ambiente</p><p> o uso e a ocupação do solo;</p><p> a valorização imobiliária;</p><p> a geração de tráfego e demanda por transporte público;</p><p> a ventilação e iluminação;</p><p> a paisagem urbana e o patrimônio natural e cultural.</p><p>Os recursos sustentáveis aplicados</p><p>na construção civil</p><p>A preocupação com o meio ambiente e os processos sustentáveis é recente.</p><p>Somente nas últimas décadas essa temática começou a fazer parte de agen-</p><p>das do governo e da sociedade organizada. São muitas as ações de sus-</p><p>tentabilidade que podem gerar valor para um imóvel, empreendimento ou</p><p>condomínio. Na construção, por exemplo, a gestão dos resíduos, com sua</p><p>efetiva destinação, pode gerar valor por meio da reciclagem e da geração de</p><p>agregados (material desenvolvido a partir dos resíduos). A gestão de energia</p><p>e do consumo de água, a seleção e reciclagem de lixo, a manutenção de</p><p>áreas verdes e a implantação</p><p>de hortas comunitárias também são exemplos</p><p>de ações sustentáveis que são percebidas pelos consumidores e geram valor</p><p>(SILVA, 2012).</p><p>Gestão de energia: o uso de fontes renováveis</p><p>Nos últimos tempos, podemos verifi car que as construções passaram a em-</p><p>pregar janelas maiores, com mais vidro nas suas fachadas e menos alvenaria</p><p>(tijolo/reboco). Além disso, os projetos arquitetônicos passaram a valorizar</p><p>mais a orientação solar, orientando suas faces para uma maior incidência</p><p>da luz solar. Essas ações são realizadas com o intuito de permitir a entrada</p><p>de luz natural pelo maior período possível. Com isso, o consumo de energia</p><p>elétrica será menor.</p><p>O Brasil possui uma grande extensão territorial, com inúmeras formas de</p><p>geração de energia. As incorporadoras e condomínios em geral já começaram</p><p>a fazer investimentos em fontes renováveis de geração de energia. Entre</p><p>elas, podemos destacar a geração de energia eólica (Figura 5) e a geração de</p><p>energia solar fotovoltaica (Figura 6).</p><p>Edificação e meio ambiente8</p><p>Figura 5. Geração de energia eólica: aerogerador de três pás</p><p>no alto de um edifício.</p><p>Fonte: Adaptada de Engster (2013).</p><p>Figura 6. Painéis de energia solar no alto de um prédio: o telhado tradicional</p><p>substituído e, sobre a laje de concreto impermeabilizada, foram instalados vários</p><p>painéis com células fotovoltaicas para captação de energia solar, e canteiros com</p><p>áreas verdes, que proporciona o conforto térmico.</p><p>Fonte: Adaptada de Kittibowornphatnon/Shutterstock.com.</p><p>Outra ação de sustentabilidade, no sentido de preservar e gerenciar a cadeia</p><p>de consumo de energia elétrica, é a instalação de sensores ou temporizadores</p><p>de acionamento em lâmpadas e equipamentos, principalmente em condomínios.</p><p>9Edificação e meio ambiente</p><p>Gestão de resíduos: contribuindo com o meio ambiente</p><p>A gestão consciente do lixo gerado nos condomínios, além de contribuir para</p><p>a preservação do meio ambiente e o consumo sustentável, pode gerar valor</p><p>aos imóveis e renda extra para a administração condominial. Cada vez mais</p><p>se verifi cam condôminos dispostos a contribuir com programas de seleção e</p><p>reciclagem de lixo. Esses produtos podem ser separados, reciclados e retornados</p><p>para o condomínio em forma de receita. Esse processo pode contribuir para</p><p>maiores investimentos, com menor custo.</p><p>Gestão de recursos hídricos: coleta e reuso de águas</p><p>Ambientalistas vêm, ao longo dos anos, alertando para a possibilidade de</p><p>escassez de água potável, sendo essa uma das maiores preocupações da mo-</p><p>dernidade. Pensando nisso, alguns projetos de arquitetura e engenharia vêm</p><p>desenvolvendo sistemas próprios de coleta e armazenamento de água da chuva.</p><p>Nesses processos, a água já usada poderá ser utilizada, por exemplo, para a</p><p>limpeza de áreas comuns e a lavagem de lixeiras.</p><p>Podemos concluir que a consciência sobre a importância de mantermos</p><p>nossas fontes naturais de subsistência está muito presente no dia a dia dos</p><p>profissionais da Arquitetura e da construção civil, fazendo com que estes</p><p>busquem soluções sustentáveis. Deve-se sempre ter em mente que os recursos</p><p>que extraímos da natureza são limitados e podem acabar. Desse modo, a busca</p><p>por soluções e o trabalho em conjunto com a gestão sustentável é cada vez</p><p>mais solicitado pelos clientes aos profissionais, visando à preservação do meio</p><p>ambiente e ao desenvolvimento das gerações futuras.</p><p>Edificação e meio ambiente10</p><p>BRASIL. Lei Federal nº. 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183</p><p>da Constituição Federal, estabelece diretrizes geria da política urbana e dá outras</p><p>providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 jul. 2001. Disponível em: <http://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10257.htm>. Acesso em 3 set. 2018.</p><p>BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Manual de impactos ambientais: orientações</p><p>básicas sobre aspectos ambientais de atividades produtivas. 1999. Disponível em:</p><p><http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/manual_bnb.pdf>. Acesso</p><p>em: 3 set. 2018.</p><p>ENGSTER, A. Prédios verdes ganham terreno no Brasil. Jornal do Comércio, Porto Alegre,</p><p>28 out. 2013. Disponível em: <http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=138303>.</p><p>Acesso em: 3 set. 2018.</p><p>PENA, R. A. Geografia. Mundo Educação, [2016]. Disponível em: <https://mundoedu-</p><p>cacao.bol.uol.com.br/geografia>. Acesso em: 3 set. 2018.</p><p>SILVA, C. L. Inovação e sustentabilidade. Curitiba: Aymará Educação, 2012.</p><p>SOLSTÍCIO. Wikipedia, 22 jun. 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/</p><p>Solst%C3%ADcio>. Acesso em: 14 set. 2018.</p><p>SPADOTTO, A. et al. Impactos ambientais causados pela construção civil. Unoesc &</p><p>Ciência — ACSA, v. 2. n. 2, p. 173-180, 2011. Disponível em: <https://editora.unoesc.edu.</p><p>br/index.php/acsa/article/viewFile/745/pdf_232>. Acesso em: 3 set. 2018.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ALVES, R. R. Administração verde: o caminho sem volta da sustentabilidade ambiental</p><p>nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 1522: desempenho térmico de</p><p>edificações. Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: <http://www.abntcatalogo.com.br/</p><p>norma.aspx?ID=11>. Acesso em: 3 set. 2018.</p><p>BARBIRATO, G. M.; SOUZA, L. C. L.; TORRES, S. C. Clima e cidade: a abordagem climática</p><p>como subsídio para estudos urbanos. 1. ed. Maceió: EDUFAL, 2007. v. 1.</p><p>BORGES, A. C.; MONTEFUSO, E.; LEITE, J. Prática das pequenas construções. São Paulo:</p><p>Edgard Blucher, 1996.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº. 307, de 5 de julho de</p><p>2002. Estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da</p><p>construção civil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 jul. 2002. Disponível em: <http://</p><p>www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_arquivos/36_09102008030504.pdf>. Acesso em: 3</p><p>set. 2018.</p><p>11Edificação e meio ambiente</p><p>CHING, F. D. K.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>CORNETET, B. C.; PIRES, D. G. M. (Org.). Arquitetura. Porto Alegre: SAGAH, 2016.</p><p>LARA, L. C. Técnicas de orientação solar no projeto arquitetônico. Aprenda! Portal</p><p>44, 15 abr. 2014. Disponível em: <http://44arquitetura.com.br/2014/04/tecnicas-de-</p><p>-orientacao-solar-no-projeto/>. Acesso em: 3 set. 2018.</p><p>PINTO, T. P. Gestão ambiental de resíduos da construção civil: a experiência do SindusCon-</p><p>-SP. São Paulo: Obra limpa, 2005.</p><p>ROSA dos Ventos. Dicionário de Símbolos, [2018]. Disponível em: <https://www.dicio-</p><p>nariodesimbolos.com.br/rosa-ventos/>. Acesso em: 3 set. 2018.</p><p>SILVA, C. L. Inovação e sustentabilidade. Curitiba: Aymará Educação, 2012.</p><p>ZYLBERSZTAJN, D.; LINS, C. Sustentabilidade e geração de valor: a transição para o século</p><p>XXI. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.</p><p>Edificação e meio ambiente12</p><p>SOL, VENTO & LUZ</p><p>ESTRATÉGIAS PARA O PROJETO DE ARQUITETURA</p><p>2ª Edição</p><p>G. Z. Brown • Mark DeKay</p><p>B877s Brown, G.Z.</p><p>Sol, vento e luz [recurso eletrônico] : estratégias para o projeto de</p><p>arquitetura / G. Z. Brown, Mark DeKay ; tradução Alexandre Ferreira</p><p>da Silva Salvaterra. – 2. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre :</p><p>Bookman, 2007.</p><p>Editado também como livro impresso em 2004.</p><p>ISBN 978-85-7780-090-2</p><p>1. Arquitetura. I. Título.</p><p>CDU 72</p><p>Catalogação na publicação: Juliana Lagôas Coelho – CRB 10/1798</p><p>G. Z. BROWN é arquiteto registrado e catedrático de arquitetura na University of Oregon, nos EUA. É co-autor da obra Inside Out: Design</p><p>Procedures for Passive Environmental Technologies e do software de projeto de arquitetura Energy Scheming.</p><p>MARK DEKAY é arquiteto registrado e professor assistente de arquitetura na Washington University, em Saint Louis. Em 2000 foi Fullbright</p><p>Fellow, na Índia, e seu sítio Ecological Design Resources está na Internet em: http://ecodesign.arch.wustl.edu.</p><p>Estas técnicas de análise visam à compreensão de um contexto</p><p>que influencia profundamente o quanto uma edificação usa ener-</p><p>gia e quando a usa para aquecimento, esfriamento e iluminação.</p><p>As técnicas estão divididas em cinco seções: sol, vento, sol e ven-</p><p>to juntos, luz e conforto. Todas as técnicas permitem ao</p><p>projetista</p><p>avaliar os recursos do sítio sem a inconveniência da medições in</p><p>loco. Os métodos da seção sobre o sol permitem ao projetista ava-</p><p>liar a disponibilidade de insolação usando duas técnicas. A pri-</p><p>meira, Quadrante Solar (técnica 1), é tridimensional; a Segunda,</p><p>Carta Solar (técnica 2), é gráfica. Esta seção também auxilia o</p><p>projetista na estimativa da quantidade de radiação solar disponí-</p><p>vel para compensar temperaturas baixas, para uso posterior na se-</p><p>ção sobre Conforto.</p><p>As técnicas sobre o Vento são obtidas através da tradução dos</p><p>dados das tabelas fornecidas pelos órgãos meteorológicos para</p><p>um formato gráfico, de tal forma que a direção, velocidade e fre-</p><p>qüência dos ventos possam ser mais facilmente visualizadas pelo</p><p>projetista. As primeiras duas técnicas de análise são semelhantes,</p><p>mas a Rosa-dos-Ventos enfatiza a orientação e a freqüência (téc-</p><p>nica 4), enquanto a Carta de Ventos (técnica 5) enfatiza o horário</p><p>e as variações ao longo do ano. A seção sobre o Vento termina</p><p>com uma explanação dos Princípios do Movimento do Ar, para</p><p>que os dados dos órgãos meteorológicos possam ser relativizados</p><p>a um sítio específico (técnica 6).</p><p>A seção de análise do Sol e Vento inclui técnicas para a análise</p><p>dos efeitos conjuntos destes elementos em um sítio e auxilia o pro-</p><p>jetista a avaliar localizações alternativas para a implantação da edi-</p><p>ficação e de seus espaços exteriores.</p><p>A seção sobre a Luz contém três técnicas. Níveis de Nebulosi-</p><p>dade (técnica 8) analisa os dados climáticos para que se determine</p><p>se as condições são de céu claro, parcialmente nublado ou enco-</p><p>berto; como elas mudam ao longo do ano; e qual é a condição pre-</p><p>dominante, de modo que possam ser estabelecidas as condições</p><p>mínimas para o projeto. A Disponibilidade de Luz Natural (técni-</p><p>ca 9) auxilia o projetista a determinar qual o percentual de dias do</p><p>ano em que um certo nível de luz natural estará disponível em um</p><p>dia nublado e qual nível de iluminância externa deve ser usado pa-</p><p>ra um projeto considerando o céu claro. As Obstruções à Luz Na-</p><p>tural (técnica 10) ajudam a prever os efeitos das edificações contí-</p><p>guas, topografia e árvores na quantidade de luz natural que atinge</p><p>a edificação. A seção sobre Luz, do mesmo modo que a seção so-</p><p>bre o Sol e o Vento, preocupa-se principalmente com a determina-</p><p>ção da disponibilidade de recursos, e não de que forma estes recur-</p><p>sos serão usados,</p><p>A seção sobre Conforto avalia a interação entre temperatura,</p><p>umidade relativa do ar, radiação e velocidade do vento em termos</p><p>de conforto humano, usando a Carta Bioclimática (técnica 11) pa-</p><p>ra sugerir ao projetista como os recursos do sol, vento e luz podem</p><p>ser utilizados. Isoladamente, é o capítulo mais importante na seção</p><p>sobre o Clima; este gráfico provavelmente deve ser preenchido em</p><p>primeiro e depois ser reforçado por uma análise do vento e da dis-</p><p>ponibilidade de radiação. Estas análises podem ser aplicadas a um</p><p>sítio particular usando os Princípios de Movimento do Ar (técnica</p><p>6) e as técnicas de disponibilidade solar, o Quadrante Solar e a</p><p>Carta Solar (técnicas 1 e 2) e resumidas usando a técnica Microcli-</p><p>mas do Sítio (7). As técnicas de iluminação são mais freqüente-</p><p>mente usadas depois que o nível de iluminação natural desejável</p><p>tiver sido demonstrado pelo uso das técnicas 18–23 da seção Com-</p><p>binando o Clima, o Programa e a Forma, mas se as Cartas Biocli-</p><p>máticas (técnicas 11 e 18) indicarem um período significativo de</p><p>superaquecimento, é provável que a iluminação natural venha a ser</p><p>importante.</p><p>IA O clima como um contexto</p><p>1 O QUADRANTE SOLAR usado com uma maquete</p><p>simula a posição variável do sol e de sua sombra</p><p>durante o dia e ao longo do ano.</p><p>Um quadrante solar pode ser usado para avaliar os efeitos das con-</p><p>dições existentes no sítio, os impactos das alternativas de volume-</p><p>tria, o nível de penetração do sol nas edificações e a eficiência dos</p><p>elementos de sombreamento.</p><p>Usando o Apêndice A, selecione o quadrante solar com uma</p><p>latitude mais próxima àquela do sítio da edificação. A maquete de-</p><p>ve ser feita em escala e incluir tudo que possa fazer uma sombra –</p><p>as características significativas da topografia, vegetação, edifica-</p><p>ções, muros, etc. Coloque uma cópia do quadrante solar sobre a</p><p>maquete do terreno de tal forma que o norte da maquete coincida</p><p>com o norte do sítio. O quadrante solar foi desenhado de modo a</p><p>funcionar com latitudes sul ou norte*. Para o uso no Hemisfério</p><p>Norte, vire o quadrante solar 180o para que a leitura das latitudes</p><p>norte estejam corretas.</p><p>Certifique-se que o quadrante solar esteja em uma superfície</p><p>horizontal (não inclinada). Coloque uma pequena estaca do tama-</p><p>nho indicado junto ao ponto de referência. O ponto de referência</p><p>estará posicionado sobre a linha vertical do meio-dia; conforme a</p><p>latitude poderá estar acima ou abaixo da linha de 21 de dezembro</p><p>(21 de junho no Hemisfério Norte). Inclinando-se a maquete sob o</p><p>sol, pode-se fazer que o final da sombra da estaca recaia sobre uma</p><p>interseção qualquer do quadrante solar. Somente os raios de sol</p><p>funcionarão; lâmpadas de luminárias não produzem raios parale-</p><p>los e, portanto, fazem sombras que se espalham em ângulo. Cada</p><p>interseção representa o horário do dia e o dia do ano corresponden-</p><p>te às duas linhas que se encontram naquela interseção. Quando a</p><p>sombra alcança uma determinada interseção, as sombras e a pene-</p><p>tração do sol na maquete simulam as condições reais para o horá-</p><p>rio e a data determinada (Lynch, 1971, p. 71).</p><p>O exemplo apresentado mostra um sítio hipotético em Saint</p><p>Louis, Missouri, EUA, na latitude 39o N. Para este sítio, foi usado</p><p>o quadrante solar de 40o para a produção de sombras das 9 h,</p><p>meio-dia e 15 h do dia 21 de janeiro (o mês mais frio no Hemisfé-</p><p>rio Norte) e para o dia 21 de julho (o mês mais quente). Em janei-</p><p>ro, os ângulos solares são baixos e as sombras são longas, com a</p><p>topografia do terreno produzindo sombras. No verão, o sol está</p><p>mais alto e as sombras são muito menores; o relevo não produz</p><p>sombras. Os padrões de sol e vento podem ser combinados na téc-</p><p>nica 7 para a determinação dos microclimas do sítio.</p><p>*N. de T. Para maior praticidade de consulta, na edição brasileira os qua-</p><p>drantes solares são apresentados com o norte para cima (para serem usados</p><p>no Hemisfério Sul).</p><p>Quadrante solar, 40o de latitude.</p><p>Quadrante solar, 60o de latitude.</p><p>Tamanho da estaca</p><p>Tamanho da estaca</p><p>40</p><p>o</p><p>de latitude N</p><p>60</p><p>o</p><p>de latitude N</p><p>40o de latitude S</p><p>60o de latitude S</p><p>21 Dez</p><p>21 Dez M</p><p>eio-Dia</p><p>M</p><p>eio-Dia</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Jun</p><p>21 Jun</p><p>21 Jun</p><p>21 Jun</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Out/21 Fev</p><p>21 Out/21 Fev</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 Out/21 Fev</p><p>21 Out/21 Fev</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Dez</p><p>21 Dez</p><p>6 h</p><p>18 h</p><p>17 h</p><p>7 h</p><p>14 h</p><p>10 h</p><p>13 h</p><p>11 h</p><p>11 h</p><p>13 h</p><p>10 h</p><p>14 h</p><p>9 h</p><p>15 h</p><p>7 h</p><p>17 h</p><p>6 h</p><p>18 h</p><p>8 h</p><p>16 h</p><p>15 h</p><p>9 h</p><p>16 h</p><p>8 h</p><p>15 h</p><p>9 h</p><p>7 h</p><p>17 h</p><p>16 h</p><p>8 h</p><p>10 h</p><p>14 h</p><p>13 h</p><p>11 h</p><p>14 h</p><p>10 h</p><p>6 h</p><p>18 h</p><p>5 h</p><p>19 h</p><p>8 h</p><p>16 h</p><p>18 h</p><p>6 h</p><p>17 h</p><p>7 h</p><p>15 h</p><p>9 h</p><p>11 h</p><p>13 h</p><p>19 h</p><p>5 h</p><p>SOL</p><p>28</p><p>TÉCNICAS DE ANÁLISE 29</p><p>Para a determinação dos horários e das datas em que a edifica-</p><p>ção precisa de sombra, ver a técnica 20. Os períodos de sombrea-</p><p>mento são diferentes para os ambientes externos, para edificações</p><p>dominadas pela carga da pele e para edificações com carga interna</p><p>dominante.</p><p>Em sítios urbanos densos, a projeção de uma edificação fre-</p><p>qüentemente alcança as divisas do terreno. Neste caso, as sombras</p><p>podem ser analisadas em um plano vertical na divisa do terreno,</p><p>para que se possa avaliar o impacto do sombreamento produzido</p><p>pelos demais prédios. As partes da elevação sombreadas durante</p><p>os horários em que ela efetivamente necessitaria de sombreamen-</p><p>to não necessitarão de recursos de proteção solar. As partes das</p><p>elevações que se encontrarem sob sol de inverno entre as 10 h e as</p><p>14 h. podem representar oportunidades para a localização de aber-</p><p>turas para captação</p><p>do sol.</p><p>Os recursos relativos de insolação e ventilação nas superfícies</p><p>das edificações urbanas podem também sugerir estratégias de zo-</p><p>neamento para fins de aquecimento, esfriamento ou iluminação.</p><p>Por exemplo, os ambientes podem ser organizados internamente</p><p>de acordo com a necessidade de calor, com as peças que precisam</p><p>de mais calor voltadas para orientações mais ensolaradas e aquelas</p><p>com cargas internas mais elevadas voltadas para orientações mais</p><p>sombreadas (ver estratégias 46, 57, 58 e 59).</p><p>Sítio hipotético, Saint Louis, Missouri.</p><p>Como usar o quadrante solar.</p><p>NN</p><p>30 SOL, VENTO E LUZ</p><p>Janeiro, 9 h Janeiro, Meio-dia Janeiro, 15 h</p><p>Julho, 15 hJulho, Meio-diaJulho, 9 h</p><p>A carta solar representa a trajetória do sol na abóbada celeste co-</p><p>mo se estivesse projetado sobre uma superfície horizontal (Libbey-</p><p>Owens-Ford, 1974; Olgyay, 1963, p. 35; Hoke, 1996). As linhas</p><p>grossas que correm de leste a oeste representam o movimento do</p><p>sol no 21o dia de cada mês. As linhas grossas que passam perpen-</p><p>dicularmente às linhas do percurso aparente do sol indicam os ho-</p><p>rários do dia. As linhas fracas irradiando do centro do diagrama in-</p><p>dicam o azimute solar. As linhas concêntricas finas indicam a altu-</p><p>ra solar. No Apêndice A, podem ser encontrados os diagramas de</p><p>percurso aparente do sol para cada 4o de latitude.</p><p>A carta solar para uma determinada latitude pode ser usada pa-</p><p>ra determinar a posição do sol em termos de altura e azimute para</p><p>qualquer horário do ano. Por exemplo, para determinar a posição</p><p>solar à latitude 40o N, às 8 horas do dia 21 de agosto, busque a in-</p><p>terseção da linha grossa das 8 e a linha grossa do percurso aparen-</p><p>te do sol do dia 21 de agosto. Depois, siga a linha radial que corre</p><p>através da interseção em direção ao círculo externo e leia o azimu-</p><p>te de 80o sudeste. Por fim, siga o anel concêntrico que corre atra-</p><p>vés da interseção em direção à linha norte-sul e leia a altura solar</p><p>de 30o. Todas as datas, os horários, as alturas e os azimutes podem</p><p>ser interpolados a partir dos valores dados.</p><p>O mesmo diagrama de alturas e azimutes também pode ser usa-</p><p>do para descrever a posição e o tamanho de objetos a partir de um</p><p>determinado ponto de observação de um sítio. Árvores, edificações</p><p>e colinas podem ser descritas em termos de sua altura e azimute a</p><p>partir daquele ponto de observação. Traçando sua projeção no dia-</p><p>grama do percurso aparente do sol, pode-se determinar quando irão</p><p>obstruir o sol e, portanto, sombrear o ponto de referência no sítio.</p><p>2 A CARTA SOLAR, com a representação dos</p><p>elementos existentes no sítio, pode determinar os</p><p>horários do dia e do ano no qual o sol estará presente</p><p>em determinado sítio.</p><p>Carta solar, 40o de latitude. Carta solar, 60o de latitude.</p><p>21 Jun</p><p>21 Jun</p><p>21 Jun</p><p>21 Jun</p><p>W</p><p>E</p><p>W</p><p>E</p><p>W</p><p>E</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Jul/21 M</p><p>ai</p><p>21 Jul/21 M</p><p>ai</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 Set/21 M</p><p>ar</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 Set/21 M</p><p>ar</p><p>21 Out /21 Fev</p><p>21 O</p><p>ut /21 Fev</p><p>21 Out /21 Fev</p><p>21 Out /21 Fev</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Dez 21 Dez</p><p>21 Dez</p><p>21 Ago/21 Abril</p><p>40o de latitude sul 60o de latitude sul40</p><p>o</p><p>de latitude norte 60</p><p>o</p><p>de latitude norte</p><p>W</p><p>E</p><p>SOL</p><p>80º</p><p>70º</p><p>60º</p><p>50º</p><p>40º</p><p>30º</p><p>20º</p><p>10º</p><p>80º</p><p>70º</p><p>60º</p><p>50º</p><p>40º</p><p>30º</p><p>20º</p><p>10º</p><p>31</p><p>32 SOL, VENTO E LUZ</p><p>Em períodos de calor muito intenso, o sombreamento por</p><p>tais obstruções pode ser vantajoso (estratégia 27), mas, durante</p><p>os períodos de frio intenso, ele pode ser uma desvantagem (es-</p><p>tratégias 29 e 42).</p><p>A altitude e o azimute dos objetos do sítio podem ser medidos</p><p>no sítio através do uso de um compasso e um medidor de altitude,</p><p>como um telescópio meridiano ou esquadro regulável, ou podem</p><p>ser determinados geometricamente a partir de uma planta do terre-</p><p>no que mostre a localização e a altura dos objetos.</p><p>No exemplo, foi determinado um ponto A na planta do terre-</p><p>no, para o qual será avaliada a possibilidade de insolação. Para</p><p>determinar a obstrução potencial da edificação existente, trace</p><p>uma linha do ponto A até uma aresta da edificação, que será de-</p><p>nominada de ponto B. Meça o ângulo de azimute entre aquela li-</p><p>nha e uma linha direcionada ao sul. Meça a distância x do pon-</p><p>to A ao ponto B e a altura, y, da edificação. A altitude do ponto C,</p><p>que está diretamente acima do ponto B na aresta da edificação,</p><p>poderá então ser determinada através da fórmula.</p><p>Se a altura do prédio, y, é de 6,10 m e a distância do ponto A a</p><p>B, x, é de 11,00 m, a altitude do ponto C é 29o. A altitude do ponto</p><p>B é 0o porque ele localiza-se no plano horizontal do ponto de refe-</p><p>rência A. O azimute de tanto o ponto B quanto o de C é de 34o SW.</p><p>Os pontos B e C agora podem ser registrados no diagrama</p><p>do percurso aparente do sol. A linha que os conecta representa</p><p>a aresta da edificação no diagrama. Registre um número signi-</p><p>ficativo de pontos para cada objeto existente no sítio para que</p><p>tais objetos possam ser representados no diagrama do percurso</p><p>aparente do sol. Os locais onde os objetos do diagrama cobrem</p><p>o movimento do sol mostram os horários nos quais o ponto A</p><p>estará à sombra.</p><p>No exemplo, a edificação irá sombrear o ponto A desde apro-</p><p>ximadamente as 13:30 h até as 16 h entre 21 de novembro e 21</p><p>de janeiro e entre as 14 h e as 15 h ou 15:30 h entre 21 de outu-</p><p>bro e 21 de novembro e entre 21 de janeiro e 21 de fevereiro. A</p><p>linha de borda irá sombrear o ponto A por algumas horas de ma-</p><p>nhã o ano inteiro.</p><p>21 Jun</p><p>21 Jun</p><p>W</p><p>EW</p><p>E</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Jul/21 M</p><p>ai</p><p>21 Jul/21 Mai</p><p>21 Ago/21 Abr</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 Set/21 Mar</p><p>21 O</p><p>ut /21 Fev</p><p>21 Out /21 Fev</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Nov/21 Jan</p><p>21 Dez</p><p>21 Dez</p><p>Localização.</p><p>Corte.</p><p>Registro das obstruções</p><p>solares do sítio.</p><p>11,0 m</p><p>C</p><p>E</p><p>AB</p><p>X</p><p>y</p><p>6</p><p>,10</p><p>m</p><p>tg E= y/xA</p><p>D</p><p>B</p><p>80º</p><p>70º</p><p>60º</p><p>50º</p><p>40º</p><p>30º</p><p>20º</p><p>10º</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>consideração o porte, que deve ser</p><p>proporcional à área que se deseja sombrear, bem como as correntes de ar</p><p>no ambiente.</p><p>Em climas tropicais, o sombreamento é um elemento fundamental para</p><p>a obtenção de conforto nos espaços abertos. A copa das árvores exerce a</p><p>função de obstruir a radiação solar direta, difusa, refletida e de onda larga</p><p>(PIVETTA, 2010), em maior ou menor porcentagem. Além do sombreamento,</p><p>que reduz a temperatura dos objetos sombreados, a evapotranspiração na</p><p>superfície da folha resfria o ar adjacente.</p><p>Você sabia que uma árvore pode transpirar até 380 litros de água por dia? Isso equivale</p><p>ao resfriamento de cerca de 20 horas de funcionamento de cinco aparelhos de ar-</p><p>-condicionado de médio porte (GREY; DENEKE, 1986 apud ALVES et al., 2016).</p><p>Na hora de definir as espécies de árvores, é preciso levar em conside-</p><p>ração, juntamente com os objetivos que se precisa alcançar, alguns outros</p><p>critérios, de forma que a árvore se implante sem prejuízo ao sistema urbano.</p><p>O tamanho das raízes, por exemplo, é um fator importante, pois não deve</p><p>prejudicar ruas, passeios públicos e fundações; o porte e a altura da árvore</p><p>adulta precisam ser previstos, a fim de preservar a rede elétrica, a segurança</p><p>e o bem-estar. É preciso decidir, também, entre árvores de folhas decíduas ou</p><p>não. Em regiões frias, esse tipo de vegetação é bem-vinda, pois, nos períodos</p><p>mais frios do ano, as árvores de folhas caducas permitem a passagem de luz</p><p>solar, auxiliando no aquecimento dos ambientes (Figura 6). O correto uso</p><p>de vegetação em áreas urbanas pode, sim, reduzir o consumo de energia,</p><p>transformando-se em gerador de economia. Em locais com alta taxa de</p><p>utilização de combustíveis fósseis, a vegetação também é responsável pela</p><p>promoção de sustentabilidade.</p><p>Paisagismo e conforto ambiental8</p><p>Figura 6. Árvores decíduas permitem a passagem de sol em parques urbanos,</p><p>gerando mais conforto para os usuários.</p><p>Fonte: saulpaz/Shutterstock.com.</p><p>Por fim, a presença de vegetação indica uma cidade viva, que oferece qua-</p><p>lidade de vida para seus habitantes, oportunizando convívio social e educação</p><p>ambiental melhores, além de bloquear a incidê ncia dos raios solares nas á reas</p><p>pavimentadas e construí das como estraté gia para o controle da temperatura</p><p>nos centros urbanizados.</p><p>9Paisagismo e conforto ambiental</p><p>FROTA, A. B.; SCHIFFER, S. R. Manual de conforto té rmico: arquitetura, urbanismo. 5. ed.</p><p>Sã o Paulo: Studio Nobel, 2001.</p><p>LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. Eficiê ncia energé tica na arquitetura. Sã o Paulo:</p><p>PW, 1997.</p><p>PIVETTA, J. Influê ncia de elementos paisagí sticos no desempenho té rmico de edificaç ã o</p><p>té rrea. 2010. Dissertaç ã o (Mestrado em Engenharia de Edificaç õ es e Saneamento) −</p><p>Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2010.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>BUENO, C. L. A influê ncia da vegetaç ã o no conforto té rmico urbano e no ambiente</p><p>construí do. 2003. Tese (Doutorado em Engenharia Civil) – Faculdade de Engenharia</p><p>Civil, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.</p><p>SATTLER, M. A. Mediç õ es de campo da transmissã o da radiaç ã o solar atravé s de á rvores.</p><p>In: ENCONTRO NACIONAL DE CONFORTO TÉ RMICO NO AMBIENTE CONSTRUÍ DO, 1.,</p><p>1992, Gramado. Anais [...]. Porto Alegre: Associaç ã o Nacional de Tecnologia no Ambiente</p><p>Construí do, 1992.</p><p>SATTLER, M. A.; SHARPLES, S.; PAGE, J. K. The geometry of the shading of buildings by</p><p>various tree shapes. Solar Energy, [s. l.], v. 38, n. 3, p. 187–201, 1987.</p><p>Paisagismo e conforto ambiental10</p><p>LUMINOTECNICA</p><p>APLICADA</p><p>Jaqueline Ramos</p><p>Grabasck</p><p>Conforto luminoso,</p><p>térmico e acústico</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p> Conceituar conforto luminoso, térmico e acústico.</p><p> Reconhecer como o projeto luminotécnico pode interferir no conforto</p><p>ambiental.</p><p> Listar exemplos de ambientes ideais e problemáticos em relação ao</p><p>conforto ambiental.</p><p>Introdução</p><p>O conforto ambiental, além de ser uma das premissas para atingir a</p><p>eficiência energética, é também um importante influenciador na saúde</p><p>e no bem-estar dos usuários de uma edificação. Para se atingir as ne-</p><p>cessidades dos usuários e tornar o ambiente confortável, é necessário</p><p>conhecer os elementos integradores do local, do entorno e a finalidade</p><p>à qual a edificação se destina.</p><p>A arquitetura é a área responsável por gerar e dar vida ao conforto</p><p>ambiental, sendo essencial que o profissional da área conheça os métodos</p><p>e as técnicas para atingir os objetivos preestabelecidos.</p><p>Neste capítulo, você vai aprender o que é conforto luminoso, térmico</p><p>e acústico, ou seja, a conceituação dos elementos integradores para se</p><p>obter o conforto ambiental. Além disso, vai ver como o projeto lumino-</p><p>técnico pode interferir no conforto ambiental e vai identificar ambientes</p><p>ideais e problemáticos em relação a esse conforto.</p><p>Conceituação — conforto ambiental</p><p>A edifi cação é o elo entre o ambiente externo e o interno para o ser hu-</p><p>mano, sendo responsável por garantir conforto e segurança aos seus usuários</p><p>(CASAGRANDE; ALVAREZ, 2013). Para manter a edifi cação confortável,</p><p>normalmente, utiliza-se uma grande quantia de energia elétrica, mas estraté-</p><p>gias construtivas podem ser assumidas para reduzir esse consumo e elevar o</p><p>desempenho das edifi cações (CASAGRANDE; ALVAREZ, 2013).</p><p>A redução do consumo de energia não é o principal fator a ser considerado</p><p>quando se almeja o aproveitamento da luz natural na arquitetura; é preciso</p><p>considerar, também, o conforto ambiental e o conceito de qualidade ambiental</p><p>(TOLEDO, 2008).</p><p>O ser humano apresenta grande facilidade de se adaptar à luz natural.</p><p>Por possuir um espectro completo, a luz natural é a melhor fonte de luz,</p><p>apresentando as cores com fidelidade (TOLEDO, 2008). Essa luz varia</p><p>constantemente nos ambientes, apresentando alterações de cor, intensidade,</p><p>direção e distribuição, o que a torna mais estimulante que a luz artificial,</p><p>além de causar bem-estar mental nos seres humanos, pois as aberturas</p><p>permitem visualizar o exterior (TOLEDO, 2008).</p><p>Para aproveitar ao máximo as condições bioclimáticas do local em que será</p><p>inserida a edificação, o projetista deve conhecer as características climáticas e</p><p>culturais do local, além de considerar o perfil dos usuários, para garantir que</p><p>serão atendidas as necessidades de ventilação, iluminação, arrefecimento e</p><p>aquecimento de água, de forma a atender a qualidade ambiental e a eficiência</p><p>energética (COTO, 2016).</p><p>O bem-estar térmico, visual, acústico e antropométrico são condições am-</p><p>bientais que compõem o conjunto responsável por gerir o conforto ambiental,</p><p>combinado à adequada qualidade do ar e ao conforto olfativo (LAMBERTS;</p><p>DUTRA; PEREIRA, 2013).</p><p>Todas as edificações causam impacto no entorno imediato, podendo gerar</p><p>desconfortos olfativos, acústicos, visuais, luminosos, entre outros. Cabe ao</p><p>programa de necessidades definir as soluções para amenizar esses desconfortos</p><p>por meio de arborização, afastamento dos outros edifícios, coberturas de área</p><p>externas e até mesmo de fechamentos (GUILHON, 2015).</p><p>Guilhon (2015) afirma que, em função das atividades a serem realizadas</p><p>na edificação, do partido arquitetônico adotado e das variáveis culturais da</p><p>região, é possível identificar quais aspectos de conforto apresentam prioridade</p><p>no momento da definição do projeto. A autora exemplifica com o fato da</p><p>priorização da eficiência energética, que evidencia o uso da ventilação natural</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico2</p><p>e, consequentemente, prejudica o conforto acústico no ambiente. Apesar de o</p><p>ideal ser o atendimento de todos os aspectos, nem sempre é possível atender</p><p>a todos os requisitos, devendo ser escolhidos os mais importantes.</p><p>A entrada de frio, calor, luz e ruídos é controlada pelo envoltório da edifica-</p><p>ção; cortinas de vidro, por exemplo, não protegem os ambientes das variações</p><p>ambientais, sendo necessária a utilização de proteções para garantir o conforto,</p><p>sejam elas internas ou externas (MARAGNO,</p><p>2000).</p><p>Gemelli (2009) define conforto ambiental como algo além das variáveis que</p><p>influenciam na edificação, compreendendo a harmonia entre o ambiente e o seu</p><p>usuário, sendo uma premissa necessária para se obter uma arquitetura susten-</p><p>tável, além de garantir condições mínimas de saúde e bem-estar aos usuários.</p><p>Antropometria é o estudo das dimensões e das partes do corpo humano, enquanto</p><p>ergonomia é o estudo da adaptação dos membros do corpo humano ao ambiente</p><p>à sua volta. A ergonomia utiliza as técnicas antropométricas para adaptar o ambiente</p><p>ao ser humano.</p><p>Conforto luminoso</p><p>Ao entrar em um ambiente, a luz solar proporciona luminosidade no local,</p><p>sendo também a fonte mais poderosa que um projetista pode utilizar (TRE-</p><p>GENZA; LOE, 2015).</p><p>Pizarro (2005) define conforto luminoso como um conjunto de condições</p><p>que permitem ao ser humano desenvolver suas tarefas com o máximo de</p><p>acuidade e com extrema precisão, exigindo do usuário o mínimo possível de</p><p>esforço, com probabilidades reduzidas de prejuízo à vista e riscos de acidentes.</p><p>Acuidade visual é a habilidade que o olho apresenta ao identificar detalhes mais</p><p>delicados, observando as cores com mais nitidez, e está relacionada diretamente</p><p>com a luminância do objeto. Porém, a acuidade visual também diretamente ligada</p><p>à capacidade do cérebro de interpretar os sinais enviados pelos olhos, sendo função</p><p>do sistema ótico e da condição física que a retina apresenta (GEMELLI, 2009).</p><p>Luminância (L) pode ser definida como a claridade que é gerada por uma</p><p>fonte luminosa ao refletir em determinada superfície; sendo essa a única grandeza</p><p>visível aos olhos, seus resultados são expressos em candelas por metro quadrado</p><p>3Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>(cd/m²) (LUMIDEC, 2018; OSRAM, 2009). Já a iluminância (E) pode ser definida</p><p>como a quantidade de luz dentro de um ambiente (Figura 1); é a grandeza gerada</p><p>pela luz irradiada por algo que emite luz e pela superfície na qual essa luz incide,</p><p>e sua medida é expressa em lux, representada pelas letras lx (OSRAM, 2009).</p><p>Figura 1. Exemplo de iluminância por meio da iluminação natural.</p><p>Fonte: WorldWide/Shutterstock.com.</p><p>Até 2013, era utilizada a NBR 5413 — Iluminância de interiores (ASSOCIA-</p><p>ÇÃO..., 1992) para a obtenção dos valores médios em lux para cada atividade</p><p>realizada em determinado ambiente. Em 2013, para substituí-la, entrou em</p><p>vigor a NBR ISO/CIE 8995-1 — Iluminação de ambientes de trabalho — Parte</p><p>1: Interior (ASSOCIAÇÃO..., 2013), que apresenta conceitos de iluminação</p><p>e critérios para a execução de projetos luminotécnicos para ambientes de</p><p>trabalho, mas que não abrange projetos residenciais. A Associação Brasileira</p><p>de Normas Técnicas (ABNT) optou por utilizar os parâmetros das normas</p><p>europeias para criar essa legislação.</p><p>Essa normativa não apresenta os índices mínimos, médios e máximos</p><p>de iluminância, como a sua antecessora, mas disponibiliza o índice de ilu-</p><p>minância mantida (Ēm) na superfície de referência para um ambiente ou</p><p>atividade, o índice limite de ofuscamento (UGRL) e o índice de reprodução</p><p>de cor mínimo (Ra). No Quadro 1, é possível observar esses parâmetros para</p><p>alguns ambientes.</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico4</p><p>Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (2013).</p><p>Tipo de ambiente, tarefa ou atividade</p><p>Ēm</p><p>(lux)</p><p>UGRL Ra</p><p>Áreas</p><p>gerais da</p><p>edificação</p><p>Saguão de entrada 100 22 60</p><p>Sala de espera 200 22 60</p><p>Área de circulação e corredores 100 28 40</p><p>Escritórios</p><p>Escrever, teclar, ler,</p><p>processar dados</p><p>500 19 80</p><p>Desenho técnico 750 16 80</p><p>Estações de projeto</p><p>assistido por computador</p><p>500 19 80</p><p>Quadro 1. Iluminância, limite de ofuscamento e qualidade de cor por tipo de atividade</p><p>Apesar de não apresentar parâmetros para áreas residenciais, os projetistas</p><p>podem utilizar os parâmetros apresentados pela NBR ISO CIE 8995-1 para as</p><p>áreas de trabalho em ambientes correlatos; por exemplo, os índices apresentados</p><p>nas áreas gerais da edificação, como corredores, vestiários e salas de descanso,</p><p>podem ter seus parâmetros aplicados em áreas residenciais correspondentes.</p><p>As unidades fotométricas foram definidas por uma vela, a partir da qual: uma candela</p><p>corresponde à intensidade luminosa da chama da vela; um lux corresponde à iluminância</p><p>em uma superfície localizada a um metro de distância da vela, porém voltada direta-</p><p>mente para ela; já um lúmen por pé quadrado (unidade utilizada em alguns escritórios</p><p>americanos) corresponde à iluminância de uma superfície que se encontra a um pé de</p><p>distância da localização da vela. Uma vela proporciona 4π lumens (TREGENZA; LOE, 2015).</p><p>Conforto térmico</p><p>Roman (2013) defi ne que conforto térmico não está ligado apenas aos parâ-</p><p>metros exteriores ao ser humano, mas também às suas condições intrínsecas</p><p>5Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>— sendo assim, é uma sensação complexa. O conforto térmico apresenta</p><p>diversas variáveis que infl uenciam diretamente na sua avaliação e defi nição e</p><p>que podem ser classifi cadas como ambientais ou pessoais. As ambientais podem</p><p>ser: o metabolismo gerado devido à atividade que está sendo desenvolvida</p><p>no ambiente, a resistência térmica do vestuário dos usuários, a temperatura</p><p>do ar, a temperatura radiante média, a umidade relativa do ar e a velocidade</p><p>do ar. As pessoais estão diretamente ligadas ao usuário, como idade, sexo,</p><p>raça, hábitos alimentares, peso, altura, entre outras infl uências que afetam o</p><p>conforto do usuário (ROMAN, 2013; LAMBERTS et al., 2016).</p><p>Lamberts et al. (2016) definem conforto térmico como o estado mental</p><p>que concede satisfação ao ser humano com relação ao ambiente onde ele se</p><p>encontra. Pode ser não satisfatório, quando o calor produzido pelo corpo e o</p><p>calor perdido para o ambiente não estão em equilíbrio, causando desconforto</p><p>pelas sensações de frio ou calor. Os autores ainda afirmam que, além dos</p><p>fatores físicos, o conforto térmico está diretamente relacionado aos fatores</p><p>fisiológicos e psicológicos. Os fatores físicos estão relacionados à troca de</p><p>calor do corpo humano com o meio; os fisiológicos são condicionados pelo</p><p>resultado da exposição contínua a determinada temperatura, estando vinculados</p><p>à resposta fisiológica do organismo; já os psicológicos estão relacionados a</p><p>estímulos sensoriais, resultados de experiências passadas e das expectativas</p><p>do usuário.</p><p>Estudos de conforto térmico estão baseados em três fatores, que são a</p><p>satisfação do ser humano ao sentir-se confortável, a produtividade do ser</p><p>humano e a conservação de energia. Esses estudos visam avaliar e estabelecer</p><p>as condições térmicas necessárias para que o ser humano desenvolva as suas</p><p>atividades de forma produtiva (LAMBERTS et al., 2016).</p><p>Entretanto, Lamberts et al. (2016) ressaltam que é impossível criar um</p><p>ambiente confortável para todos os ocupantes do espaço, pois há variação</p><p>biológica entre cada um dos usuários, o que condiciona a criação de um</p><p>ambiente confortável termicamente para um percentual maior dos usuários</p><p>desse ambiente.</p><p>As condições climáticas do local, as atividades a serem realizadas no ambiente</p><p>e a resposta térmica envoltória são condicionantes que determinam o desempenho</p><p>térmico de uma edificação, sendo responsáveis pela determinação da necessidade,</p><p>ou não, do uso de condicionamento térmico (GUILHON, 2015). A autora afirma</p><p>que não é habitual a realização de análises para identificar as necessidades para</p><p>qualificar a climatização natural e a artificial, embora a utilização de ambas</p><p>seja necessária, pois as fontes de calor encontradas no ambiente, juntamente às</p><p>condições climáticas, impossibilitam a dispensa de climatização artificial.</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico6</p><p>Guilhon (2015) afirma que a implantação de brise-soleil em uma edi-</p><p>ficação melhora o conforto térmico e reduz consideravelmente os gastos</p><p>com energia elétrica, pois diminui a carga térmica incidente no ambiente</p><p>(Figura 2), reduzindo, assim, a necessidade do condicionamento artificial.</p><p>Figura 2. Exemplo de brise-soleil e prateleira de luz.</p><p>Fonte: cate_89/Shutterstock.com.</p><p>A Figura 2 apresenta um exemplo de prateleira de luz e um de brise-soleil,</p><p>mecanismos que podem ser utilizados para barrar a incidência solar direta e</p><p>garantir apenas a entrada de iluminação natural, caso sejam dimensionados</p><p>corretamente para as necessidades da edificação na qual estão inseridos.</p><p>Conforto acústico</p><p>A NBR 10152 — Níveis de ruído para conforto acústico (ASSOCIAÇÃO...,</p><p>2017) determina o nível sonoro para garantir conforto acústico em um ambiente</p><p>considerando o tipo de atividade a ser realizada nesse local. O nível sonoro</p><p>ao qual os usuários são submetidos é defi nido como desempenho acústico do</p><p>ambiente (GUILHON, 2015).</p><p>O nível sonoro é a integração da frequência do nível de pressão acústica da</p><p>energia sonora presente em um ambiente e é expresso em decibel — dB(A).</p><p>Cada valor de nível de pressão sonora possui um valor de NC (Noise Criteria),</p><p>que descreve o espectro correspondente. O NC permite avaliar e corrigir um</p><p>ruído por meio de frequência, o que não seria possível apenas com a utilização</p><p>dos dB(A) (GUILHON, 2015). O NC corresponde à curva de avaliação de</p><p>ruído, que é o método utilizado para avaliar um ruído dentro de um ambiente</p><p>específico (ASSOCIAÇÃO..., 2017).</p><p>O Quadro 2 apresenta os valores em dB(A) e NC para alguns ambientes,</p><p>conforme a NBR 10152 (ASSOCIAÇÃO..., 2017).</p><p>7Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>Fonte: Adaptado de Associação Brasileira de Normas Técnicas (2017).</p><p>Locais dB(A) NC</p><p>Residências Dormitórios 35–45 30–40</p><p>Salas de estar 40–50 35–45</p><p>Escritórios Salas de reunião 30–40 25–35</p><p>Salas de gerência, de projetos</p><p>e de administração</p><p>35–45 30–40</p><p>Salas de computadores 45–65 40–60</p><p>Salas de mecanografia 50–60 45–55</p><p>Escolas Biblioteca, salas de música,</p><p>salas de desenho</p><p>35–45 30–40</p><p>Salas de aula, laboratório 40–50 35–45</p><p>Circulação 45–55 40–50</p><p>Hotéis Apartamentos 35–45 30–40</p><p>Restaurantes, salas de estar 40–50 35–45</p><p>Portaria, recepção, circulação 45–55 40–50</p><p>Quadro 2. Valores dB(A) e NC</p><p>Os valores inferiores representam o nível sonoro para se ter conforto no</p><p>ambiente, enquanto os valores superiores indicam o nível sonoro aceitável</p><p>para a finalidade, sendo considerados de desconforto, mas sem apresentar</p><p>risco de dano à saúde dos usuários (ASSOCIAÇÃO..., 2017).</p><p>O ruído aéreo é definido e ocasionado pelas fontes internas e pelas externas à</p><p>edificação. Para controlar as fontes internas, pode ser utilizado um isolamento nas</p><p>divisórias internas, enquanto para isolar as fontes externas, comumente representa-</p><p>das pelo tráfego de veículos, seria necessário realizar o fechamento das aberturas.</p><p>Entretanto, essa solução acarreta prejuízo à ventilação natural, o que poderia ser</p><p>evitado se fosse identificado no início do processo projetual (GUILHON, 2015).</p><p>Interferência do projeto luminotécnico</p><p>no conforto ambiental</p><p>A luz natural, ao entrar em uma edifi cação, apresenta duas funções: admitir</p><p>luz externa e proporcionar uma atmosfera agradável, além de reduzir o</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico8</p><p>consumo de energia elétrica e, consequentemente, o uso de iluminação</p><p>artifi cial (Figura 3) (GEMELLI, 2009).</p><p>Figura 3. Entrada de iluminação natural em um ambiente.</p><p>Fonte: Zastolskiy Victor/Shutterstock.com.</p><p>Tregenza e Loe (2015) citam algumas maneiras para aproveitar corretamente a</p><p>luz natural: 1) criação de pequenas áreas com luminosidade variável, porém com</p><p>predominância de luminosidade alta, a fim de gerar brilho e contraste, criando</p><p>ambientes únicos que podem ser apreciados com prazer em um momento de</p><p>descanso — além de criar um ambiente cênico, essa combinação pode ser gerada</p><p>e controlada por meio de esquadrias com vidros, cortinas e até mesmo pelas</p><p>superfícies do ambiente —; 2) utilização de forma terapêutica, como emissor de</p><p>luz e calor — o calor excessivo pode ser considerado incômodo em ambientes de</p><p>estudo, mas, em locais de clima frio e temperado, é considerado essencial para</p><p>manter uma vida saudável —; 3) utilização da luz solar refletida em superfícies</p><p>externas para o interior da edificação, que acarretará uma distribuição homogênea</p><p>da iluminação no ambiente, o que é preferível no lugar da incidência direta.</p><p>Tregenza e Loe (2015) afirmam que as atividades tornam-se difíceis de</p><p>serem executadas quando o nível de iluminação em um ambiente é muito</p><p>baixo; consequentemente, ao aumentar esse nível, o desempenho dos usuários</p><p>também irá aumentar. Entretanto, os autores ressaltam que o acréscimo no</p><p>nível de iluminação não apresenta uma melhoria indefinidamente.</p><p>9Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>O desempenho da iluminação em um ambiente construído pode ser afetado</p><p>pelos seguintes parâmetros: área da edificação, orientação da edificação, área</p><p>das janelas, tipos de vidros, sombreamento e obstruções externas (LI; TSANG,</p><p>2008). Além das aberturas, as dimensões e cores dos ambientes internos interferem</p><p>diretamente no conforto lumínico dos ambientes (ROMERO; ORNSTEIN, 2003).</p><p>Para Gemelli (2009), a área das janelas define a entrada de iluminação natural,</p><p>sendo esse o fator mais crítico em uma edificação. Tregenza e Loe (2015) apre-</p><p>sentam as áreas mínimas para aberturas que se encontram em uma única parede</p><p>do ambiente, exemplificando que, em escritórios, a profundidade do ambiente</p><p>requer um tamanho de janela proporcional. No Quadro 3, os autores apresentam</p><p>as áreas mínimas para a implantação dessas aberturas em ambientes retangulares.</p><p>Fonte: Adaptado de Tregenza e Loe (2015).</p><p>Profundidade do cômodo em</p><p>relação à parede da janela (m)</p><p>Percentual de envidraçamento da</p><p>parede fenestrada (medido no interior)</p><p>Menos de 8 20</p><p>8–11 25</p><p>11–14 30</p><p>Mais de 14 35</p><p>Quadro 3. Áreas mínimas de aberturas envidraçadas em ambientes retangulares com</p><p>janelas panorâmicas em uma parede</p><p>Dispositivos de proteção externa são mais eficientes que os internos, pois</p><p>bloqueiam a radiação solar direta, garantindo, assim, que o calor não entre no</p><p>ambiente, o que, além de proporcionar eficiência luminosa, auxilia no conforto</p><p>térmico (GEMELLI, 2009).</p><p>Gemelli (2009) indica que o aproveitamento ideal da luz natural se dá por</p><p>meio da reflexão, pois, dessa maneira, há iluminação uniforme no ambiente,</p><p>sem a ocorrência de ofuscamentos. Entretanto, Tregenza e Loe (2015) afirmam</p><p>que as janelas não são fontes luminosas, mas, sim, elementos modificadores da</p><p>iluminação que as transpõe — ambientes com janelas em apenas uma parede</p><p>têm o consequente escurecimento dessa parede, pois não há recebimento de</p><p>luz direta. Os autores ainda afirmam que as paredes que se encontram na face</p><p>oposta da janela serão mais claras que a parede em que se situa essa janela,</p><p>pois a face oposta recebe iluminação direta.</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico10</p><p>Tregenza e Loe (2015) indicam que aberturas como clarabóias e lanternins</p><p>proporcionam iluminação nas superfícies horizontais, porém, em ambientes</p><p>que apresentam um pé-direito baixo, esse tipo de iluminação tende a não ser</p><p>suficiente, já que a iluminação no teto se dará apenas por reflexo. Entretanto,</p><p>se essa abertura superior for substituída por uma equivalente na parede lateral,</p><p>a iluminação ocasionada pela abertura lateral apresentará uma iluminação</p><p>mais eficiente. Apesar disso, deve-se atentar para o ofuscamento acarretado</p><p>pelas aberturas laterais, que geram desconforto e reduzem o desempenho das</p><p>atividades realizadas no ambiente.</p><p>O lanternim é um telhado pequeno colocado sobre as cumeeiras com a finalidade de</p><p>proporcionar ventilação e iluminação natural ao ambiente.</p><p>Fonte: Bannafarsai_Stock/Shutterstock.com.</p><p>A qualidade ambiental de um ambiente está diretamente relacionada ao</p><p>impacto causado pelas janelas e pela iluminação elétrica, que não deve ser</p><p>considerada isoladamente com relação a custos, mas, também, no que concerne</p><p>a implicações no projeto de estrutura e às demais instalações (TREGENZA;</p><p>LOE, 2015).</p><p>A fim de encontrar o equilíbrio ideal ao utilizar iluminação natural combi-</p><p>nada com iluminação artificial, Tregenza e Loe (2015)</p><p>apontam as seguintes</p><p>premissas: as aberturas devem contribuir para a iluminação natural e garantir</p><p>que os usuários visualizem as condições do ambiente externo (Figura 4); a</p><p>iluminação artificial deve ser controlada corretamente, para complementar a</p><p>11Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>iluminância da luz natural e a ocupação do ambiente; e a iluminação artifi-</p><p>cial deve ser projetada de forma a completar as variações apresentadas pela</p><p>iluminação natural no decorrer do dia.</p><p>Figura 4. Equilíbrio ideal entre iluminações com visualização da</p><p>área externa.</p><p>Fonte: KieferPix/Shutterstock.com.</p><p>Ambientes ideais e ambientes problemáticos</p><p>Ambientes ideais devem apresentar iluminação uniforme, sem contrastes ex-</p><p>cessivos e refl exos indesejáveis, pois a luminância média do ambiente é que</p><p>será responsável pelo conforto ambiental — é a ela que o olho humano deverá</p><p>adaptar-se para realizar as atividades no local (FREIRE, 1996; GEMELLI, 2009).</p><p>O excesso de luz e a falta do controle da luz podem causar desconforto ao</p><p>campo de visão do observador, pois geram ofuscamento, o que dificulta que</p><p>o observador execute as tarefas com acuidade (GEMELLI, 2009).</p><p>Elementos de proteção solar vêm sendo incentivados para uso em proje-</p><p>tos de arquitetura, pois comprovadamente aumentam o conforto lumínico</p><p>e reduzem as cargas térmicas na edificação; consequentemente, acarretam</p><p>eficiência energética e conforto ambiental da edificação (FONTENELLE;</p><p>CLARO; ARAÚJO, 2011).</p><p>Fontenelle, Claro e Araújo (2011) realizaram uma análise para averiguar</p><p>a iluminância em um ambiente residencial com protetores solares externos.</p><p>Os autores avaliaram dois modelos, um com protetores e um sem protetores,</p><p>no software de simulação Apolux Beta, desenvolvido no Laboratório de</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico12</p><p>Conforto Ambiental da Universidade de Santa Catarina (UFSC). Chegaram</p><p>à conclusão de que a utilização de protetores solares proporciona um índice</p><p>de iluminância mais satisfatório do que o modelo que foi testado sem os</p><p>protetores. Entretanto, os resultados demonstraram que a iluminação artificial</p><p>se faz necessária mesmo durante o período diurno.</p><p>No link a seguir, você encontra a pesquisa completa realizada por Fontenelle, Claro</p><p>e Araújo (2011).</p><p>https://goo.gl/hMftuV</p><p>Já Vasconcelos, Villarouco e Soares (2009) realizaram um levantamento</p><p>em uma biblioteca universitária para análise física, análise de percepção do</p><p>usuário e um diagnóstico ergonômico, a fim de averiguar a existência de</p><p>interações prejudiciais à produtividade dos usuários. Apesar de a edificação</p><p>contar com protetores solares verticais, foram observados altos índices de</p><p>incidência solar, prejudiciais ao rendimento dos usuários.</p><p>Na área do acervo, os autores concluíram que a iluminação natural era</p><p>insuficiente, não atendendo aos parâmetros mínimos exigidos pelas normativas,</p><p>e que a iluminação artificial foi distribuída de maneira incorreta, apresentando</p><p>pontos com grandes variações nos níveis de iluminância.</p><p>Para tirar todas as suas dúvidas referentes à pesquisa realizada por Vasconcelos, Villa-</p><p>rouco e Soares (2009), acesse o link a seguir.</p><p>https://goo.gl/GbA1Xb</p><p>Apesar de a iluminação natural ser um fator importante para garantir o</p><p>bem-estar dos usuários, nem sempre o seu uso se faz adequado, pois pode gerar</p><p>desconforto, como mostra o exemplo da análise realizada por Vasconcelos,</p><p>Villarouco e Soares (2009).</p><p>13Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>Tregenza e Loe (2015) apresentaram um projeto de luminotécnica desen-</p><p>volvido por Robert Barranger para um escritório de serviços de tecnologia e</p><p>informática. As premissas dos clientes determinavam a criação de estações</p><p>de trabalho com divisórias baixas, a fim de aumentar a interação entre os</p><p>funcionários, e iluminação que fosse do agrado dos funcionários e propor-</p><p>cionasse bem-estar, juntamente a um consumo eficiente de energia elétrica.</p><p>Os projetistas indicaram uma iluminação mista, composta por uma ilumi-</p><p>nação geral e sobre o plano de trabalho, combinando luminosidade aparente e</p><p>variação de luminância para, com isso, manter o interesse visual no ambiente,</p><p>garantindo que os usuários mantivessem controle sobre a iluminação gerada</p><p>em seu espaço de trabalho (TREGENZA; LOE, 2015).</p><p>Para atender às necessidades dos usuários, os projetistas utilizaram um arranjo</p><p>suspenso no teto de luminárias com lâmpadas fluorescentes únicas do tipo T8,</p><p>fornecendo luz para cima e para baixo e garantindo, dessa maneira, uma iluminação</p><p>geral e parte da iluminância das mesas. Para complementar a iluminação, nos postos</p><p>de trabalho, foram utilizadas luminárias de LED sob as prateleiras, com 52,5 cm</p><p>de comprimento e potência de 6,5 W, proporcionando uma iluminância média</p><p>de 355 lx sobre as mesas e podendo ser controladas individualmente, conforme a</p><p>necessidade dos usuários. Nas áreas de circulação e nas salas de reuniões, foram</p><p>utilizadas lâmpadas fluorescentes próximas às paredes para iluminar as pinturas</p><p>e criar leveza visual no ambiente (Figura 5) (TREGENZA; LOE, 2015).</p><p>Figura 5. Utilização de luminárias suspensas sobre a área de trabalho e</p><p>junto à parede em um escritório.</p><p>Fonte: Tregenza e Loe (2015, p. 153).</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico14</p><p>Embora a implantação do projeto tenha despendido um alto valor inicial,</p><p>a estimativa de economia com o projeto e a seleção de luminárias chegará a</p><p>500 mil dólares nos 10 anos decorrentes (TREGENZA; LOE, 2015).</p><p>Nessa mesma bibliografia, os autores apresentam o projeto luminotéc-</p><p>nico do Museu da Acrópole, em Atenas, com projeto de luminotécnica de</p><p>Florence Lam. O objetivo principal era replicar as condições externas devido</p><p>à origem das esculturas, que, inicialmente, encontravam-se expostas. O</p><p>projeto arquitetônico desse museu foi baseado no percurso que se inicia no</p><p>Período Arcaico e segue até o Período Romano. A Galeria Arcaica conta</p><p>com pé-direito duplo e um conjunto de clarabóias projetadas para eliminar</p><p>a insolação direta, mas fornecendo uma iluminação geral difusa; como as</p><p>pinturas das esculturas desapareceram no decorrer dos anos, a conservação</p><p>pela iluminação não foi uma preocupação na realização do projeto. Entre-</p><p>tanto, era preciso eliminar permanentemente o sol e regular a entrada de</p><p>luz natural (TREGENZA; LOE, 2015).</p><p>A pele de vidro da fachada recebeu um tratamento com serigrafia nas</p><p>chapas inferiores, enquanto nas superiores foram dispostas persianas regu-</p><p>láveis sobrepostas. A iluminação artificial foi projetada com a finalidade</p><p>de complementar a luz natural durante o dia e gerar, durante a noite, uma</p><p>experiência distinta. A iluminação artificial diurna está vinculada a sensores</p><p>de luz natural na cobertura, para ser acionada apenas quando é realmente</p><p>preciso. Já a iluminação geral foi projetada com alto índice de reprodução</p><p>de cores — Ra>90 — e duas temperaturas de cor — 3.000 K e 5.400 K</p><p>—, dispostas ao redor do perímetro interno das clarabóias. Para realizar a</p><p>iluminação de destaque, foram utilizados spots de tungstênio e halogênio</p><p>Q12 de feixes estreitos e médios, todos embutidos em sancas nas laterais</p><p>das clarabóias (Figura 6). Os projetistas tiveram todo o cuidado necessário</p><p>para criar uma boa modelagem às obras de arte, evitando o ofuscamento aos</p><p>visitantes (TREGENZA; LOE, 2015).</p><p>A composição adequada do ambiente é de suma importância, mas o conforto</p><p>ambiental é essencial para o desenvolvimento de qualquer tarefa. Assim, é</p><p>necessário realizar conjuntamente o projeto luminotécnico e o arquitetônico,</p><p>para que haja complementação e seja possível criar um ambiente confortável</p><p>e eficiente energeticamente.</p><p>15Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>Figura 6. Iluminação utilizada no Museu da Acrópole.</p><p>Fonte: Tregenza e Loe (2015, p. 167).</p><p>O conforto ambiental é um fator extremamente importante para a saúde e</p><p>para o bem-estar de seus usuários. Ambientes confortáveis tendem a aumentar</p><p>a produtividade e a satisfação dos que ali realizam determinadas atividades.</p><p>Cada edificação apresenta prioridades</p><p>específicas que devem ser avaliadas,</p><p>para que o profissional encontre as melhores alternativas para atender às ne-</p><p>cessidades dos usuários, sem comprometer os demais requisitos. Os confortos</p><p>luminoso, térmico e acústico são parâmetros de suma importância na definição</p><p>do programa de necessidades de uma edificação, sendo grandes influenciadores</p><p>na estrutura e no processo organizacional dos ambientes internos.</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico16</p><p>Acesse o link a seguir para saber mais sobre o potencial do uso da iluminação natural</p><p>com dimmers e persianas automatizadas.</p><p>https://goo.gl/uc3ueC</p><p>1. O aproveitamento de luz natural está</p><p>diretamente relacionado à redução</p><p>do consumo de energia e, conse-</p><p>quentemente, está ligado, também,</p><p>à eficiência energética e às premissas</p><p>de qualidade ambiental, que preco-</p><p>nizam qual tipo de conforto?</p><p>a) Conforto acústico.</p><p>b) Conforto ambiental.</p><p>c) Conforto térmico.</p><p>d) Conforto olfativo.</p><p>e) Conforto digestivo.</p><p>2. Escritórios de criação, espaços para</p><p>exposições de arte e áreas comer-</p><p>ciais necessitam de um excelente</p><p>índice de reprodução de cores para</p><p>que as cores dos elementos sejam</p><p>reproduzidas com precisão e total fi-</p><p>delidade. Qual IRC deve ser indicado</p><p>para esses ambientes?</p><p>a) 100%.</p><p>b) 10%.</p><p>c) 50%.</p><p>d) 80%.</p><p>e) 1%.</p><p>3. A claridade gerada por uma fonte</p><p>luminosa ao refletir em determinada</p><p>superfície é chamada de luminância,</p><p>que é a única grandeza visível aos</p><p>olhos. A partir disso, qual é a gran-</p><p>deza que representa a quantidade</p><p>de luz dentro de um ambiente?</p><p>a) Temperatura de cor.</p><p>b) Decibel.</p><p>c) Lúmen.</p><p>d) Iluminância.</p><p>e) Lux.</p><p>4. Lâmpadas que apresentam uma</p><p>temperatura de cor de até 3000 K</p><p>são classificadas como luz quente</p><p>por apresentarem uma aparência</p><p>amarelada. Lâmpadas que apre-</p><p>sentam temperatura de cor acima</p><p>de 6000 K são classificadas como</p><p>luz fria, pois emitem uma luz com</p><p>aparência azulada. Para se obter</p><p>uma reprodução de cores correta, é</p><p>necessária a utilização de luz branca,</p><p>que corresponde à luz solar ao meio-</p><p>-dia. Para isso, deve-se utilizar uma</p><p>17Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>temperatura de cor de 5800 K. Nesse</p><p>contexto, qual temperatura de cor é</p><p>indicada para se obter um ambiente</p><p>aconchegante?</p><p>a) Luz fria.</p><p>b) Luz azulada.</p><p>c) Luz quente.</p><p>d) Luz neutra.</p><p>e) Luz branca.</p><p>5. Iluminação uniforme, sem contrastes</p><p>excessivos e reflexos indesejáveis são</p><p>fatores determinantes para classificar</p><p>um ambiente como ideal. A qual</p><p>grandeza o olho deverá se adaptar</p><p>para realizar as devidas atividades</p><p>e que é responsável por garantir o</p><p>conforto ambiental?</p><p>a) Lux.</p><p>b) Lúmen.</p><p>c) Metro.</p><p>d) Temperatura de cor.</p><p>e) Iluminância média.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5413. Iluminância de interiores.</p><p>Rio de Janeiro: ABNT, 1992.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10152. Níveis de pressão sonora</p><p>em ambientes internos a edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 2017.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO/CIE 8995-1. Iluminação de</p><p>ambientes de trabalho — Parte 1: Interior. Rio de Janeiro: ABNT, 2013.</p><p>CASAGRANDE, B. G.; ALVAREZ, C. E. Preparação de arquivos climáticos futuros para</p><p>avaliação de impactos das mudanças climáticas no desempenho termoenergético de</p><p>edificações. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 13, n. 4, p. 173-187, 2013. Disponível</p><p>em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-86212013000400012&script=sci_</p><p>abstract&tlng=pt>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>COTO, P. D. Construção de Edifícios Energeticamente Eficientes: comparação entre as</p><p>Classificações Sustentáveis SBTOOL-PT e PROCEL Edifica. Dissertação (Mestrado em</p><p>Engenharia Civil) — Instituto Superior de Engenharia do Porto, Porto, 2016. Disponível</p><p>em: <http://recipp.ipp.pt/bitstream/10400.22/11139/1/DM_PhilipeCoto_2016_MEC.</p><p>pdf>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>FONTENELLE, M. R.; CLARO, A.; ARAÚJO, B. C. D. Influência de elementos de proteção</p><p>solar no conforto lumínico de um edifício residencial multifamiliar em Fortaleza — CE.</p><p>In: ENCONTRO NACIONAL DE CONFORTO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 11., 2011 Búzios.</p><p>Anais... Brasília, DF: InfoHab, 2011. Disponível em: <http://www.infohab.org.br/encac/</p><p>files/2011/topico6artigo22.pdf>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>FREIRE, M. R. Iluminação natural em salas de aula: o caso das escolas FAEC em Salvador.</p><p>1996. Dissertação (Mestrado em Arquitetura) — Universidade Federal do Rio Grande</p><p>do Sul, Porto Alegre, 1996.</p><p>Conforto luminoso, térmico e acústico18</p><p>GEMELLI, C. B. Avaliação de conforto térmico, acústico e lumínico de edificação escolar com</p><p>estratégias sustentáveis e bioclimáticas: o caso da Escola Municipal de Ensino Fundamental</p><p>Frei Pacífico. 2009. 175 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) — Universidade</p><p>Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009. Disponível em: <https://lume.ufrgs.</p><p>br/handle/10183/21926>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>GUILHON, V. V. Adensamento habitacional na cidade de São Paulo: procedimentos para</p><p>avaliação de desempenho térmico, acústico e luminoso. 2015. 281 f. Tese (Doutorado</p><p>em Arquitetura) — Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. 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Análise térmica e energética de uma edificação comercial visando conforto</p><p>térmico e redução da demanda de energia elétrica. 2013. 124 f. Dissertação (Mestrado</p><p>em Engenharia Mecânica) — Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo,</p><p>2013. Disponível em: <http://www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/handle/UNISI-</p><p>NOS/3428/Leila%20Maria%20Tamanini%20Roman.pdf?sequence=1&isAllowed=y>.</p><p>Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>ROMERO, M. A.; ORNSTEIN, S. W. (Coord.). Avaliação pós-ocupação: métodos e téc-</p><p>nicas aplicados à habitação social. Porto Alegre: ANTAC, 2003. (Coleção Habitare).</p><p>Disponível em: <http://www.habitare.org.br/publicacao_colecao1.aspx>. Acesso</p><p>em: 11 jan. 2019.</p><p>19Conforto luminoso, térmico e acústico</p><p>TOLEDO, B. G. Integração de iluminação natural e artificial: métodos e guia prático para</p><p>projeto luminotécnico. 2008. 190 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)</p><p>- Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2008. Disponível em: <https://www.iar.unicamp.</p><p>br/lab/luz/ld/Arquitetural/Ilumina%E7%E3o%20Natural/Pesquisa/integracao_de_ilu-</p><p>minacao_natural_e_artificial_metodos_e_guia_pratico_para_projeto_luminotecnico.</p><p>pdf>. Acesso em: 11 jan. 2019.</p><p>TREGENZA, P.; LOE, D. Projeto de iluminação. 2 ed.</p>