Prévia do material em texto
<p>Literatura Comparada</p><p>Literatura comparada (LC) é um dos campos mais prazerosos do nosso curso. Trata-se da leitura e comparação entre, no mínimo, dois textos literários, que podem ser de épocas e culturas diferentes.</p><p>Nos perguntamos até que ponto ambas as obras seguem a estrutura narrativa de enquadrar várias histórias ao mesmo tempo ou ainda desvendar dois pontos de vista opostos.</p><p>“Qualquer estudo que fale sobre as relações entre duas ou mais literaturas nacionais pertence ao âmbito da literatura comparada. Relações entre obra e obra; autor e autor; entre movimento e movimento; análise da fortuna crítica ou da fortuna de tradução de um autor em outro país que não o seu; estudo de um tema ou de uma personagem em várias literaturas; etc.”</p><p>As possibilidades de estudo comparado são muitas, incluindo as relações entre texto literário e outras mídias, tais como cinema, história em quadrinhos (HQ), música etc. Abre caminho para estudos interdisciplinares, como “literatura e artes, literatura e psicologia, literatura e folclore, literatura e história.”</p><p>A LC é considerada uma vertente de estudo crítico, com métodos próprios e que trata de teorias e metodologias de estudos até exemplos de análises realizadas por especialistas.</p><p>TEXTOS FUNDADORES DE LITERATURA COMPARADA</p><p>Conceitos e reflexões iniciais</p><p>Conceituar a literatura comparada (LC) é uma tarefa difícil, pois o termo foi interpretado e aplicado de diversas formas ao longo de sua história.</p><p>· Para Sandra Nitrini, a Literatura Comparada não busca simplesmente comparar obras literárias de diferentes tradições, mas sim investigar as relações entre elas, identificando semelhanças, diferenças e influências mútuas. Ela destaca que essa disciplina não se restringe apenas à análise textual, mas também incorpora elementos históricos, sociais, culturais e políticos na interpretação dos textos.</p><p>· Para Tania Carvalhal, a Literatura Comparada não se resume apenas a comparar obras literárias de diferentes tradições, mas também envolve uma análise profunda e contextualizada das relações entre elas. Ela ressalta que a comparação não é um fim em si mesma, mas sim um meio para compreender melhor as obras e os contextos em que foram produzidas.</p><p>Os estudos comparados cada vez mais têm se pautado pelo rigor teórico e conceitual, com métodos específicos e adequados para cada objeto de análise e uma abordagem válida.</p><p>Segundo Carvalhal, a comparação não é feita apenas por comparar, mas sim porque através dela é possível explorar adequadamente os campos de estudo da Literatura Comparada e alcançar os objetivos pretendidos, como entender melhor as relações entre obras de diferentes tradições, identificar padrões e influências, entre outros.</p><p>Nitrini discute a definição de Literatura Comparada proposta por Pichois e Rousseau, em resumo, eles apontam que a Literatura Comparada é uma disciplina que busca entender as relações entre obras literárias e entre a literatura e outros domínios de expressão e conhecimento, independentemente de sua origem temporal, espacial, linguística ou cultural.</p><p>Entendemos a LC, como uma forma específica de interrogar os textos literários na sua interação com outros textos, outras linguagens, em diferentes suportes, épocas e países, na mesma língua ou em línguas diversas.</p><p>TEXTOS FUNDADORES DE LITERATURA COMPARADA</p><p>Origens e breve histórico</p><p>As origens da literatura comparada se confundem com as da própria literatura. Sua pré-história remonta às literaturas grega e romana, pois bastou existirem duas literaturas para se começar a compará-las.</p><p>Em meados do século XIX o termo literatura comparada difundiu-se e propagou-se por toda a Europa, vinculado a um contexto neocolonial e cosmopolita, marcado pelo cientificismo, com destaque para o positivismo e o evolucionismo.</p><p>Na França, onde a expressão se firmou e se espalhou mais rapidamente, três nomes marcaram seu efetivo ingresso na teoria literária.</p><p>· Abel-François Villemain: empregou em sua obra sobre literatura do século XVIII os termos literatura comparada, panoramas comparados, estudos comparados e história comparada.</p><p>· Jean-Jacques Ampère: usou a expressão história comparativa das artes e da literatura.</p><p>· Charles Augustin Sainte-Beuve: reconhece em Ampère o fundador da história literária comparada.</p><p>Em 1887 surgiu o primeiro ensino de LC em Lyon, e outra em 1910, em Sorbonne, ambas na França, destacando Joseph Texte, Fernand Baldensperger e J. M. Carré.</p><p>Podemos dividir a LC em duas vertentes, eventualmente chamadas de escolas francesa e norte-americana.</p><p>Paul Van Tieghem aponta diferenças entre LC e literatura geral. Para ele, a LC “tem por objeto o estudo das relações entre duas ou mais literaturas, enquanto a alçada da literatura geral são” os fatos de ordem literária que pertencem a várias literaturas”. Foi o precursor do que se chamaria posteriormente de escola francesa.</p><p>Sua metodologia baseava-se em três elementos:</p><p>· O emissor (ponto de partida da influência)</p><p>· O receptor (ponto de chegada)</p><p>· O transmissor (intermediário entre o emissor e o receptor).</p><p>· Sua preocupação era o contexto que envolvia a estrutura interna do texto sendo.</p><p>QUESTÕES DE AUTORIA: CONCEITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Intertextualidade</p><p>Várias disciplinas e áreas do conhecimento contribuíram e vêm contribuindo para o aprimoramento da LC, seus conceitos e métodos, sua estruturação e atuação.</p><p>Dentre elas, destacamos a teoria literária e o importante conceito de intertextualidade, a partir da segunda metade do século XX.</p><p>O processo de escrita está ligado à leitura anterior de um corpus literário. Assim, por trás de um texto literário podemos vislumbrar outros que foram absorvidos e replicados, dando origem à nova composição.</p><p>Gérard Genette considera que certos procedimentos permitem verificar a presença de outro texto e elucidar a intertextualidade, como a imitação, a cópia, a apropriação, a paródia, a tradução, entre outros.</p><p>Para se referir aos textos gerados nesses processos, Genette utiliza o termo palimpsesto em sentido figurado.</p><p>“Todas as obras derivadas de uma obra anterior, por transformação ou por imitação.”</p><p>É preciso ficar atento aos conceitos de fonte e influência.</p><p>A intertextualidade é conceito mais neutro, porque dá conta de que todo escritor é, antes de tudo, leitor, e seus textos emanam de outros textos.</p><p>OBS</p><p>Anteriormente, considerava-se que havia uma relação de dependência entre um texto e outro, como se o segundo texto criado, o palimpsesto, fosse inferior, principalmente se considerarmos as relações de poder envolvidas, como já dissemos. Atualmente, isso não é mais aceito, pois compreendemos que a intertextualidade é um procedimento natural e contínuo de reescrita de textos.</p><p>Há três processos pelos quais podemos observar a intertextualidade:</p><p>· A citação, que mostra explicitamente a relação discursiva entre os dois textos;</p><p>· A alusão, que mostra a relação discursiva, porém reproduzindo uma ideia de um texto em outro;</p><p>· A estilização, que mostra o discurso do outro já estilisticamente modificado.</p><p>Estava terrivelmente frio. A neve caía sem parar e já começava a escurecer. Era a última noite de dezembro, véspera de Ano-Novo. Por entre o frio e a escuridão, caminhava uma garotinha. Tão pobre era ela, que trazia os pés descalços e a cabeça descoberta.</p><p>Oh, divina mãe das fadas</p><p>Dai-me senso criador,</p><p>Para contar uma história</p><p>Comovente e com ardor,</p><p>De Hans Christian Andersen</p><p>Com carinho e muito amor</p><p>Na véspera de ano novo</p><p>Nevava e fazia frio</p><p>A menina ali estava</p><p>Ao lado do grande rio,</p><p>E suas águas congeladas</p><p>Andando no meio fio.</p><p>Na primeira estrofe, a cordelista confirma que o autor dinamarquês é sua inspiração, evidenciando as relações intertextuais e antecipando o que leremos a seguir. Ao comparar os dois textos, constatamos que o segundo, o palimpsesto, dialoga com o primeiro em um processo de estilização, ou seja, a autora relê ou adapta o conto de fadas para versos de cordel, sendo o discurso andersiano estilisticamente modificado.</p><p>Criança de três anos morre de frio em</p><p>de vista europeu, cuja concepção de sistema de vida é diferente. A Carta é o maior discurso fundador sobre o Brasil e o povo originário do país.</p><p>· Pergunta 10</p><p>0 em 0,3 pontos</p><p>No período posterior à Independência, houve um esforço entre os intelectuais do Império em definir uma identidade nacional para o Brasil. Enquanto o historiador Varnhagen afirmava que, para os indígenas, “povos na infância, não há história: há só etnografia”, escritores como José de Alencar e Gonçalves Dias retratavam os indígenas no movimento indianista romântico, em obras como “lracema”, “O Guarani” e “I-Juca- Pirama”. (Fonte: UFPR - 2013)</p><p>Sobre essas duas posturas em relação aos indígenas e a construção de uma identidade nacional brasileira, é correto afirmar:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>A posição de Varnhagen compreendeu que os indígenas não tinham ainda capacidade de escrever sua própria história, por não conhecerem a escrita, enquanto os escritores indianistas procuraram fazer um levantamento histórico e etnográfico dos povos indígenas para escrever a história da jovem nação.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>A posição de Varnhagen compreendeu que os indígenas não tinham ainda capacidade de escrever sua própria história, por não conhecerem a escrita, enquanto os escritores indianistas procuraram fazer um levantamento histórico e etnográfico dos povos indígenas para escrever a história da jovem nação.</p><p>b.</p><p>A posição de Varnhagen visava excluir os povos indígenas da identidade nacional brasileira, por considerá-los povos inferiores e sem herança cultural, enquanto os indianistas os incluíram nessa identidade de forma idealizada, como heróis românticos e nobres selvagens, que encarnariam os ideais desejados para a jovem nação.</p><p>c.</p><p>A posição dos escritores indianistas assemelhou-se à de Varnhagen, tomada com base em levantamento etnográfico dos povos indígenas, pois ambas consideravam esses povos despojados de uma cultura própria que pudesse ser analisada e incorporada à identidade nacional brasileira.</p><p>d.</p><p>A posição dos escritores indianistas concordou com a postura de Varnhagen no que se refere ao papel negativo dos indígenas no processo da colonização, que teria causado um atraso cultural ao povo brasileiro, mas enquanto os indianistas tratavam os indígenas como seres idealizados, Varnhagen defendeu o combate a eles.</p><p>e.</p><p>O historiador Varnhagen defendia o uso da etnografia para se conhecer a cultura indígena, incluindo-a na História do Brasil, enquanto que os escritores indianistas não viam necessidade desse recurso, por acreditarem que os indígenas já estivessem assimilados à identidade nacional brasileira.</p><p>CERTOS TEMAS, CERTAS RELAÇÕES</p><p>Diferentes concepções de infância</p><p>Temas como a morte, o amor, a família, a educação, a mulher, o negro, o indígena, a criança, a infância, o adolescente e a juventude, entre outros, têm sido muito explorados por pesquisadores de Letras por serem bases para a compreensão do nosso sistema literário.</p><p>O tema de uma obra literária pode ser visto de duas maneiras diferentes.</p><p>1. Primeiro, podemos considerá-lo como a inspiração inicial, a ideia principal que impulsiona a escrita, como se fosse o ponto de partida para o autor. Quando olhamos para o tema como ponto de partida, estamos focando nas ideias e imagens que o autor ou a época em que viveu trouxeram para a história. O primeiro caminho nos distancia um pouco da obra, pois a tratamos como um meio para entender algo maior.</p><p>2. Segundo, podemos vê-lo como algo que molda e influencia toda a estrutura da obra, sendo fundamental para sua composição e desenvolvimento. Quando o vemos como ponto de chegada, estamos observando como esse tema é apresentado e desenvolvido ao longo da obra, como ele influencia a estrutura e contribui para a sua formação. O segundo caminho nos permite fazer uma análise mais profunda e interna da obra, usando o tema como uma chave para entender melhor como ela é construída e como funciona.</p><p>Verificar como um determinado tema se apresenta em uma obra literária contribui muito para compreendermos sua estrutura e funcionamento.</p><p>Lembre-se, determinado tema nem sempre é abordado da mesma forma, o que nos leva a uma crítica robusta e consistente.</p><p>Temas muito interessantes podem ser o ponto de partida de um estudo comparado, levando-se em conta um dos principais conceitos da LC: a intertextualidade temática.</p><p>A criança é um ser que sempre existiu, obviamente. Mas, o que distinguiria a infância da vida adulta? Ingenuidade, fragilidade e inocência seriam suas principais marcas? As respostas a essas questões não são tão simples, principalmente se pensarmos que, ao longo da história, tais questionamentos chegaram a ser impensáveis ou mesmo irrelevantes.</p><p>Segundo Marisa Lajolo, infância é:</p><p>· Veem a criança como um adulto em miniatura;</p><p>· Um ser essencialmente diferente do adulto;</p><p>· A criança é uma tábula rasa, onde se pode inscrever qualquer coisa;</p><p>· Seu modo de ser adulto é predeterminado pela sua carga genética;</p><p>· Crianças do sexo feminino já nascem carentes de pênis;</p><p>Pelo viés histórico, precisamos considerar que o termo infância nem sempre teve a acepção atual. O mundo medieval ignorava a infância e não percebia uma transição para a idade adulta, pois havia uma certa indiferença aos fatores biológicos, a ideia de infância estava mais ligada às relações de poder, mais especificamente à de dependência.</p><p>Nem mesmo jogos ou trajes separavam as crianças dos adultos na Idade Média, pois todos jogavam da mesma forma e se vestiam igualmente. Entretanto, pessoas de classes sociais diferentes vestiam-se de formas diferentes e possuíam seus próprios jogos, independentemente de ser uma criança ou um adulto.</p><p>Somente a partir do século 17 XVII a criança passou a ser diferenciada do adulto em seus trajes, brincadeiras e jogos, sendo então vista como um ser frágil que precisa de proteção, um ser gracioso, que se pode admirar. “Um novo sentimento da infância havia surgido, em que a criança, por sua ingenuidade, gentileza e graça, se tornava uma fonte de distração e de relaxamento para o adulto, um sentimento que poderíamos chamar de paparicação”.</p><p>Com a grande mudança de costumes ocorrida durante o século XVII, surgiu uma farta bibliografia moral e pedagógica e uma nova iconografia religiosa: a da inocência infantil.</p><p>A criança passou a ser vista não somente como um ser inocente, mas também ignorante, que deveria ser civilizado e educado.</p><p>A partir de uma perspectiva social e histórica, o autor Colin Heywood conclui que não existe somente uma infância, mas várias:</p><p>· No Ocidente, associou a infância a características como inocência, vulnerabilidade e a assexualidade;</p><p>· As favelas da América Latina ou regiões devastadas pela guerra da África, provavelmente não fariam isso;</p><p>Muitos textos literários, de poemas a romances, trazem entre suas temáticas a criança e a infância, o conceito de infância é uma construção social e histórica que muda conforme o contexto de produção, o estilo do autor, o estilo de época, assim como a ideologia vigente.</p><p>Veja diferentes concepções de infância:</p><p>NO ROMANTISMO</p><p>Como são belos os dias</p><p>Do despontar da existência!</p><p>– Respira a alma inocência</p><p>Como perfumes a flor;</p><p>O mar é – lago sereno,</p><p>O céu – um manto azulado,</p><p>O mundo – um sonho dourado,</p><p>A vida – um hino d’amor!</p><p>[…]</p><p>Oh! dias da minha infância!</p><p>Oh! meu céu de primavera!</p><p>Que doce a vida não era</p><p>Nessa risonha manhã! (Abreu, 1981, p. 55).</p><p>NO REALISMO</p><p>Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de ‘menino diabo’; e</p><p>verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo,</p><p>arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei</p><p>a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco</p><p>que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de</p><p>cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que</p><p>a escrava é que estragara o doce ‘por pirraça’; e eu tinha apenas seis anos</p><p>(Assis, 2008, p. 32).</p><p>NO MODERNISMO</p><p>– Eh, carvoero!</p><p>Só mesmo estas crianças raquíticas</p><p>Vão bem com estes burrinhos descadeirados.</p><p>A madrugada ingênua parece feita para eles…</p><p>Pequenina, ingênua miséria!</p><p>Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!</p><p>– Eh, carvoero!</p><p>Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,</p><p>Encarapitados nas alimárias,</p><p>Apostando corrida,</p><p>Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos</p><p>[desamparados (Bandeira, 2007, p. 47).</p><p>Você pôde observar como as crianças e a infância foram representadas de formas distintas em três momentos e estilos literários – Romantismo, Realismo e Modernismo –, levando-nos a confirmar que não há apenas uma concepção de infância, mas várias.</p><p>A literatura é arte e uma representação da realidade, sendo que as concepções de infância depreendidas dos textos literários podem se aproximar ou se distanciar do mundo real, conforme os objetivos de seus autores, seu estilo e as ideologias vigentes.</p><p>CERTOS TEMAS, CERTAS RELAÇÕES</p><p>Os caminhos da floresta em contos tradicionais</p><p>Os contos tradicionais – popularmente conhecidos como contos de fadas – passam por diversas releituras textuais por meio da alusão, paródia etc.</p><p>A história da menina de capuz vermelho, por exemplo, perdida no caminho da floresta, é uma das mais divulgadas e reescritas.</p><p>Charles Perrault criou a primeira versão em 1697, por sua vez baseada na tradição oral: “La petit chaperon rouge”.</p><p>Perrault é considerado o precursor da literatura infantil por ter sido o primeiro a registrar narrativas populares por escrito. Entretanto, ele escrevia para a nobreza, ou seja, para adultos.</p><p>O final de “Chapeuzinho Vermelho” corrobora seu público-alvo com a apresentação em verso de uma moral com advertência:</p><p>Aqui se vê que os inocentes,</p><p>Sobretudo se são mocinhas</p><p>Bonitas, atraentes, meiguinhas,</p><p>Fazem mal em ouvir todo tipo de gente.</p><p>E não é coisa tão estranha</p><p>Que o lobo coma as que ele apanha.</p><p>Digo-o logo porque nem todos</p><p>São da mesma variedade.</p><p>Há uns de grande urbanidade,</p><p>Sem grita ou raiva, e de bons modos,</p><p>Que, complacentes e domados,</p><p>Seguem as jovens senhorinhas</p><p>Até nas suas casas e até nas ruinhas;</p><p>Mas todos sabem que esses lobos tão bondosos</p><p>De todos eles são os mais perigosos (Perrault, 2015, p. 29).</p><p>Reflete a crueldade a que eram submetidos os camponeses daquele tempo.</p><p>O final e os versos de cunho moral direcionam o texto a adultos, em especial às moças palacianas, e dão ao lobo um valor metafórico, associado à figura masculina e ao ato sexual.</p><p>Na versão dos irmãos Grimm, essas inferências são suprimidas e outros elementos são acrescentados para o público infantil.</p><p>A expressão “Era uma vez” é incluída, a descrição de Chapeuzinho é modificada para ser meiga e crédula, a mãe recomenda à filha ter juízo e se manter no caminho. O lobo chamar a atenção da menina para a beleza das flores. Há o acréscimo do caçador, que tira a menina da barriga do lobo, e dessa última alteração decorrem a morte do lobo e a salvação da menina.</p><p>A obra dos irmãos foi publicada na Alemanha com base nos ideais da burguesia ascendente, cuja concepção de família e infância atribui à criança um papel estruturante. Nessa perspectiva, a história “Chapeuzinho Vermelho” dá destaque à criança (e não ao lobo), tornando-a vencedora da luta contra o antagonista.</p><p>A versão dos irmãos Grimm leva o texto de um gênero a outro:</p><p>O conto “Fita verde no cabelo”, de Guimarães Rosa (2022), também é uma releitura de “Chapeuzinho Vermelho”.</p><p>Fita Verde decidiu por ela mesma ir pelo caminho mais longo, e foi se divertindo com as avelãs e as flores até chegar à casa de sua avó. Com sua cesta nas mãos, Fita Verde entrou e viu a avó deitada, que pediu para que a menina fosse para perto dela enquanto era tempo. Nesse momento, Fita Verde já perdera sua fita do cabelo, pelo caminho, e ficou espantada ao se dar conta do ocorrido. Fita Verde presenciou então a morte de sua avó, dando-se conta do significado da vida e da morte. O misterioso Lobo que nos amedronta e ao mesmo tempo nos encanta é a Morte.</p><p>LITERATURA E OUTRAS MÍDIAS E LINGUAGENS</p><p>Práticas intermidiáticas</p><p>As análises comparadas entre literatura e outras mídias cresceram principalmente a partir do século 21 (XXI). O avanço tecnológico possibilitou mais relações midiáticas, fomentando mais obras constituídas de mais de uma mídia.</p><p>Intermidialidade é um termo empregado para fazer referência à tal relação entre a arte e as mídias.</p><p>Irina Rajewsky propôs três categorias em seu estudo:</p><p>· Transposição midiática: São as adaptações, em que a qualidade intermidiática se relaciona com a transformação de determinado produto de mídia.</p><p>Um filme adaptado em outra mídia leva a um novo produto.</p><p>· Combinação de mídias: Trata de filme, teatro, quadrinhos, entre outros, que resultam da combinação de no mínimo duas mídias diferentes.</p><p>· Referências intermidiáticas: São as referências de um texto literário em um filme, cujas técnicas contribuem para a significação total do produto.</p><p>O processo de adaptação do texto literário para outra mídia não é integral nem literal, devido à incompatibilidade da extensão dos suportes.</p><p>A adaptação é feita de seleções, escolhas, acréscimos e alterações no texto literário. Além disso, Irina comenta que muitos estudiosos consideram o diálogo entre as obras mais importante do que a fidelidade da adaptação ao texto de origem.</p><p>Dick Higgins foi o criador do conceito de intermídia lá pra 1800. Partindo de um exemplo de teatro versátil e criativo, criou e montou uma peça em um formato que podemos considerar parte do movimento intermídia, porque mistura teatro, música e colagem.</p><p>Nos estudos sobre intermidialidade pressupõe-se que não há mídias puras, pois elas integram estrutura, conceitos, princípios e procedimentos de outras mídias. Intermidialidade é a relação entre a arte e as mídias.</p><p>Os estudos das práticas intermidiáticas envolvem os seguintes fatores:</p><p>· Materiais (materialidade);</p><p>· Sensoriais;</p><p>· Espaçotemporais;</p><p>· Semióticos.</p><p>As práticas intermidiáticas possuem três categorias:</p><p>· Intermidialidade de transposição midiática: É a transformação midiática, como a adaptação de texto literário em filme; Transforma a configuração de uma mídia em outra. Werner Wolf descreve como categoria extracomposicional, que não afeta, o significado ou aparência da mídia-fonte.</p><p>· Intermidialidade de combinação de mídias: Mescla mídias, tal como em ópera, teatro, HQ; É intracomposicional.</p><p>· Intermidialidade de referência intermidiática: É a referência de uma mídia em/pela outra, como a referência a um filme em um texto literário, ou a referência a uma pintura em um filme, e assim por diante. É intracomposicional. A diferença entre as mídias não é apagada: ocorre uma aproximação da mídia referida, mas não uma atualização ou realização para outro sistema</p><p>A intermidialidade de transposição midiática é basicamente quando algo é transformado de uma forma de mídia para outra. Isso significa que, por exemplo, um livro pode ser adaptado para um filme. Mesmo mudando de livro para filme, o significado da história não se perde. A essência da história permanece a mesma, mesmo que a aparência ou o formato da mídia mudem. Por exemplo, os personagens e enredos podem permanecer os mesmos, mesmo que a maneira como são apresentados seja diferente.</p><p>Apesar de adotarem linguagens distintas – a literatura emprega a linguagem verbal escrita, e o cinema, as linguagens verbo-oral e não verbal –, ambas as modalidades artísticas são capazes de produzir uma narrativa ficcional, podendo-se perceber uma forte relação entre elas no processo de adaptação de uma obra literária para a fílmica.</p><p>O termo adaptação é bem abrangente e definido de acordo com o contexto, consistindo em transformações operadas por seleção, amplificação, concretização e efetivação.</p><p>A adaptação fílmica não objetiva uma reprodução exata, e sim um diálogo com a obra de origem. Como o livro e o filme têm extensões incompatíveis, eventos específicos da obra literária podem ser destacados e outros suprimidos para sustentar um equilíbrio</p><p>e adequar a estética na obra adaptada.</p><p>Pelo olhar do diretor, que carrega consciente ou inconscientemente uma bagagem cultural e ideológica e que pode ou não estar inserido no mesmo contexto social ou momento histórico que o autor do texto literário, a adaptação é criada por meio de seleções, acréscimos e transformações da obra original.</p><p>[por isso mts filmes não são retratados como é no livro realmente, porque o intuito da adaptação não é esse, e grande parte do que vai ao ar nos filmes, depende do diretor e seu contexto social, suas ideologias e etc.]</p><p>Além dos conhecimentos sobre teoria e linguagem literária, ao comparar um quadro e um poema, por exemplo, o pesquisador precisa “aprender a ler imagens”.</p><p>A sociedade contemporânea está cada vez mais imagética, são anúncios publicitários, fotografias, vídeos, gravuras, outdoors, placas, entre outros, os quais encontramos nas ruas, na escola, no trabalho, nos livros, em revistas ou nas telas do computador e dos smartphones, sendo assim, surge a necessidade de se reconhecer a imagem como uma linguagem e compreender suas especificidades.</p><p>Em uma obra bem realizada, a ilustração não é apenas um enfeite, e deve ser analisada e valorizada, assim como os ilustradores, também autores dos livros.</p><p>LUCIA SANTAELLA</p><p>Para analisar uma imagem precisamos considerar os diferentes elementos que a compõem, como cores, linhas, proporção, figuras e fundo, conteúdo, assim como o contexto de produção e público-alvo.</p><p>A relação entre imagem e texto pode ter diferentes propósitos e significados.</p><p>Por um lado, em enciclopédias científicas e outros contextos técnicos, a imagem serve principalmente para explicar conceitos de maneira clara e objetiva.</p><p>Por outro lado, em obras literárias e livros ilustrados, a imagem pode ter uma função mais emocional e imaginativa, complementando o texto de forma simbólica e sugestiva.</p><p>Para Santaella (2012), há quatro formas de classificar as relações entre texto e imagem:</p><p>· Dominância: quando a imagem ou o texto é superior ao outro, é mais valorizada(o). Em um anúncio publicitário, por exemplo, predomina a imagem.</p><p>· Redundância: quando a imagem simplesmente repete o que está no texto verbal, ou vice-versa. Uma imagem redundante não enriquece o texto, mas pode contribuir para memorizá-lo.</p><p>· Complementaridade: texto e imagem se complementam, um se integra ao outro. O texto verbal pode representar ideias, marcações do tempo, por exemplo, enquanto a imagem pode representar objetos concretos.</p><p>· Discrepância ou contradição: a imagem e o texto não combinam e podem até se contradizer. Quando não há uma intenção artística por trás, isso é considerado um erro, uma displicência. Às vezes, enquanto recurso estético, para expressar ironia, a imagem e o texto são apresentados de forma discrepante, contraditória.</p><p>As relações entre pintura e literatura existem desde a Antiguidade greco-latina.</p><p>Nessa perspectiva de diálogo entre as artes, é importante lembrar de Bakhtin (2000), para quem os discursos literário e artístico não se separam, pois resultam de fenômenos sociais.</p><p>Muitas obras literárias serviram e servem de inspiração para as artes plásticas, pinturas e esculturas em geral.</p><p>Inspirado em Romeu e Julieta</p><p>O estudioso precisa também conhecer o estilo do pintor e a que movimento artístico pertence. Atualmente, as capas dos livros, também são um material importante a ser analisado, pois em algumas há um trabalho artístico considerável.</p><p>As relações possíveis entre literatura e outras mídias são:</p><p>A crítica literária tradicional, principalmente da linha francesa, costuma se concentrar apenas em analisar livros e ignora outras formas de expressão e materiais. No entanto, com a influência dos teóricos da escola americana, práticas diferentes foram adotadas, incluindo estudos comparativos entre literatura e outras formas de linguagem e mídia. Apesar dessa mudança, a base para comparação continua sendo uma obra literária.</p><p>Nesse contexto, histórias em quadrinhos (HQ) e animações são dois exemplos de mídias que se entrelaçam neste estudo. As HQs são uma forma moderna de expressão que combinam imagens (visuais e não verbais) com texto (literário), usando recursos como balões, quadros variados, cores, perspectivas e estilos de desenho para comunicar ideias. Elas são uma forma de mídia visual, onde as figuras são desenhadas e a página é dividida em quadrinhos.</p><p>O retirante explica ao leitor</p><p>Quem é e a que vai</p><p>– O meu nome é Severino,</p><p>como não tenho outro de pia.</p><p>Como há muitos Severinos,</p><p>que é santo de romaria,</p><p>deram então de me chamar</p><p>Severino de Maria;</p><p>como há muitos Severinos</p><p>com mães chamadas Maria,</p><p>fiquei sendo o da Maria</p><p>do finado Zacarias (Melo Neto, 2008, p. 34)</p><p>Essa obra foi transposta ainda para outras mídias:</p><p>· foi recriada em tirinhas por Miguel Falcão em 2009</p><p>· Teve animação, dirigida por Afonso Serpa em 2010.</p><p>· A animação Morte e vida severina tem como texto-fonte a HQ de Falcão</p><p>Cada forma de mídia, como livros, filmes, pinturas, etc., possui características físicas específicas que a tornam única e diferente das outras.</p><p>Essas características físicas incluem coisas como o tipo de material utilizado (papel, tela, filme, etc.), a maneira como as informações são apresentadas (texto, imagem, som, etc.) e como o público interage com ela (ler, assistir, ouvir, etc.).</p><p>Essa "materialidade" é o que diferencia uma mídia da outra e influencia a forma como ela é percebida e experimentada pelo público.</p><p>LITERATURA E OUTRAS MÍDIAS E LINGUAGENS</p><p>Experiências literárias no ciberespaço</p><p>As poesias digitais de Antero de Alda misturam uma iconografia lírica e semiótica, variando entre interação, significados e recursos tecnológicos.</p><p>Suas poesias digitais consistem de movimentos giratórios, puzzle, nuvem, objeto, esqueleto, e todas permitem a interação com o leitor.</p><p>O autor explorava recursos livremente, como o JavaScript e o Flash, que possibilitavam a movimentação e estabeleciam os limites da interação, cabendo ao espectador mover o mouse e clicar na tela.</p><p>Antero também usava sons e recorria bastante à episodicidade, na qual a repetição de uma forma irregular compõe a imagem vista, dando a sensação de textura.</p><p>Notamos em sua obra a integração e o uso de movimento, textura, cor, direção, dimensão, texto e som.</p><p>No ciberespaço, o poema adquire um efeito mais dinâmico. Além de nuances de cores, passa a ser animado, uma vez que as palavras mudam de quadro em quadro automaticamente por causa do prefixo que se movimenta. O leitor não move os quadros, cabendo a ele observar sem interferir no desenrolar do texto.</p><p>Existe a gradação de interatividade que se refere a uma escala ou sistema de classificação que avalia o nível de interatividade em uma obra, geralmente em meios digitais ou multimídia.</p><p>Essa gradação pode variar de acordo com diferentes teorias ou propostas:</p><p>· Grau 1: Baixo nível de interatividade. Isso pode incluir obras em que o público tem poucas ou limitadas opções de interação, como apenas a leitura de um texto ou a visualização de uma imagem sem possibilidade de manipulação.</p><p>· Grau 2: Médio nível de interatividade. Aqui, o público pode ter mais opções de interação, como clicar em links para acessar informações adicionais, escolher entre diferentes caminhos de navegação em um site ou participar de atividades simples, como quizzes interativos.</p><p>· Grau 3: Alto nível de interatividade. Neste nível, a obra permite uma participação mais ativa do público, oferecendo uma ampla gama de opções de interação e engajamento. Isso pode incluir elementos como simulações, jogos complexos, ambientes virtuais imersivos ou experiências personalizadas com base nas ações do usuário.</p><p>· Pergunta 1</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>Em Literatura Comparada, é comum o estudo temático. Leia as afirmações e indique a resposta correta.</p><p>I. O tema de uma obra literária pode ser considerado como fonte, ponto de partida, referente, ou como formador e modalizador das estruturas da obra.</p><p>II. Há muitos textos literários, desde</p><p>poemas a romances, que trazem as temáticas da criança e da infância. Por se tratar de criança, a infância é apresentada nas obras em conformidade com características físico-biológicas inerentes ao ser humano.</p><p>III. As diversas textualidades contemporâneas e a interação com uma multiplicidade de mídias e suportes constituem o estudo temático.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>I e II, apenas.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>I e II, apenas.</p><p>b.</p><p>I e III, apenas.</p><p>c.</p><p>II, apenas.</p><p>d.</p><p>I, II e III.</p><p>e.</p><p>I, apenas.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: A</p><p>Comentário: A comparação entre obras por meio do tema é muito comum nos estudos da literatura comparada. Há temas recorrentes na história da literatura (que atravessam tempo e culturas diferentes) que são tratados de acordo com a época, a intencionalidade etc.</p><p>· Pergunta 2</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>Ao comparar os dois poemas, a seguir, o leitor pode verificar proximidades e distâncias entre eles.</p><p>Texto 1 – Meus oito anos, do romântico Casimiro de Abreu, publicado em 1849:</p><p>Como são belos os dias</p><p>Do despontar da existência!</p><p>—Respira a alma inocência</p><p>Como perfumes a flor;</p><p>O mar é — lago sereno,</p><p>O céu — um manto azulado,</p><p>O mundo — um sonho dourado,</p><p>A vida — um hino d'amor!</p><p>(....)</p><p>Oh! dias da minha infância!</p><p>Oh! meu céu de primavera!</p><p>Que doce a vida não era</p><p>Nessa risonha manhã!</p><p>ABREU, Casimiro de. Meus oito anos. In: CANDIDO, A.; CASTELLO, J. A. Presença da literatura brasileira. 9. ed. São Paulo: Difel, 1981, p. 55.</p><p>Texto II – “Meninos carvoeiros”, de Manuel Bandeira, um dos principais poetas modernistas, publicado em 1921:</p><p>- Eh, carvoero!</p><p>Só mesmo estas crianças raquíticas</p><p>Vão bem com estes burrinhos descadeirados.</p><p>A madrugada ingênua parece feita para eles...</p><p>Pequenina, ingênua miséria!</p><p>Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!</p><p>-Eh, carvoero!</p><p>Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,</p><p>Encarapitados nas alimárias,</p><p>Apostando corrida,</p><p>Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos</p><p>[desamparados.</p><p>BANDEIRA, Manuel. Meninos carvoeiros. In: Meus poemas preferidos. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007, p.47.</p><p>I. No Texto II, as crianças retratadas se diferem das apresentadas no Texto I por terem uma infância marcada pelo trabalho infantil em condições insalubres, pela miséria, pela desnutrição e pelo desamparo.</p><p>II. No Texto II, tanto a madrugada quanto a miséria são caracterizadas como ingênuas, não as crianças.</p><p>III. Para a caracterização da infância dos carvoeirinhos, a idealização de Casemiro de Abreu se encaixa; pois, apesar da fome e miséria, as crianças se divertem.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>b.</p><p>I e II, apenas.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>I, II e III.</p><p>b.</p><p>I e II, apenas.</p><p>c.</p><p>II e III, apenas.</p><p>d.</p><p>I e III, apenas</p><p>e.</p><p>III, apenas.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: B</p><p>Comentário: Temos concepções diferentes da criança/infância. No Texto I, a infância é idealizada, em que imperam a inocência e a alegria, e o poeta escolhe metáforas que remetem à beleza, à proteção, ao sonho e ao amor. No Texto II, as crianças brincam, mas passam fome, têm um sistema de vida miserável e são exploradas.</p><p>· Pergunta 3</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>Leia os textos poéticos I e II.</p><p>Texto I – Soneto de fidelidade</p><p>De tudo, ao meu amor serei atento</p><p>Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto</p><p>Que mesmo em face do maior encanto</p><p>Dele se encante mais meu pensamento</p><p>Quero vivê-lo em cada vão momento</p><p>E em seu louvor hei de espalhar meu canto</p><p>E rir meu riso e derramar meu pranto</p><p>Ao seu pesar ou seu contentamento</p><p>E assim quando mais tarde me procure</p><p>Quem sabe a morte, angústia de quem vive</p><p>Quem sabe a solidão, fim de quem ama</p><p>Eu possa lhe dizer do amor (que tive):</p><p>Que não seja imortal, posto que é chama</p><p>Mas que seja infinito enquanto dure</p><p>Fonte: https://www.culturagenial.com/melhores-poemas-amor-vinicius-de-moraes/</p><p>Texto II – Poema de amor</p><p>Fonte: https://www.anterodealda.com/poema_de_amor.htm</p><p>Ao comparar os dois textos, verifica-se que:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>b.</p><p>O Texto II é constituído de múltiplas linguagens, entre elas a palavra, a cor, a disposição visual das palavras.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Os poemas são produzidos por palavras em uma estrutura rígida de versos e estrofes.</p><p>b.</p><p>O Texto II é constituído de múltiplas linguagens, entre elas a palavra, a cor, a disposição visual das palavras.</p><p>c.</p><p>O Texto I é texto literário por compor de versos, estrofes e rimas, enquanto o Texto II é um jogral em que as palavras amor e poema adquirem movimento na tela.</p><p>d.</p><p>São textos poéticos por tratarem da mesma temática: o amor.</p><p>e.</p><p>Os Textos I e II são poéticos por serem produzidos no ciberespaço e constituírem, portanto, a ciberliteratura.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: B</p><p>Comentário: Ambos os textos são literários, mas o Texto II é poesia digital e só é possível ser criado no ciberespaço, com múltiplas linguagens: a língua, a cor, o movimento etc.</p><p>· Pergunta 4</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>Quando uma obra literária passa por uma transposição, por exemplo, para uma história em quadrinhos ou animação no cinema, temos um processo chamado:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>Intermidialidade.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Intertextualidade.</p><p>b.</p><p>Paródia.</p><p>c.</p><p>Intermidialidade.</p><p>d.</p><p>Transcodificação.</p><p>e.</p><p>Imitação.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C</p><p>Comentário: A prática da intermidialidade é a passagem de uma mídia para outra, em que há reconhecimento de características de uma mídia em outra.</p><p>· Pergunta 5</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>A obra de Melo Neto, criada na década de 1950, é transposta para outras mídias, como história em quadrinho e animação.</p><p>O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR</p><p>QUEM É E A QUE VAI</p><p>— O meu nome é Severino,</p><p>como não tenho outro de pia.</p><p>Como há muitos Severinos,</p><p>que é santo de romaria,</p><p>deram então de me chamar</p><p>Severino de Maria;</p><p>como há muitos Severinos</p><p>com mães chamadas Maria,</p><p>fiquei sendo o da Maria</p><p>do finado Zacarias.</p><p>MELO NETO, João Cabral de. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008. p. 34.</p><p>Fonte: FALCÃO, Miguel. Morte e vida severina/João Cabral de Melo Neto. Recife: Fundaj, Massangana, 2009, p. 9.</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>O sentido da obra Morte e vida severina foi mantido na história em quadrinhos de Miguel Falcão.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>O sentido da obra Morte e vida severina foi mantido na história em quadrinhos de Miguel Falcão.</p><p>b.</p><p>A obra Morte e vida severina foi deformada pela linguagem visual da história em quadrinhos.</p><p>c.</p><p>A linguagem visual da história em quadrinho causa dificuldade para o entendimento da obra de Melo Neto devido às formas não realistas das personagens.</p><p>d.</p><p>A transposição da obra de Melo Neto para história em quadrinhos deveria ser uma versão colorida para tornar a história mais realista.</p><p>e.</p><p>A história em quadrinho diminui a criticidade da obra de Melo Neto.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: A</p><p>Comentário: O sentido da obra de Melo Neto é mantido na HQ. Cada mídia – literatura, HQ etc. – possui linguagem própria, bem como o estilo do autor, e uma não é melhor do que a outra.</p><p>· Pergunta 6</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>Intermidialidade, que significa tipo de relação entre a arte e as mídias, abrange a(s) categoria(s):</p><p>I. Transposição midiática refere-se às adaptações, em que a qualidade intermidiática se relaciona com a transformação de determinado produto de mídia, ou seja, um filme adaptado em outra mídia leva a um novo produto.</p><p>II. Combinação de mídias trata de filme, teatro, quadrinhos, entre outros, que resultam da combinação de no mínimo duas mídias diferentes.</p><p>III. Referências intermidiáticas compreendem, por exemplo, referências de um texto literário em um filme, cujas técnicas contribuem para a significação total do produto.</p><p>A abrangência da intermidialidade consiste de:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>I, II e III.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>I e II, apenas.</p><p>b.</p><p>I, apenas.</p><p>c.</p><p>I, II e III.</p><p>d.</p><p>II e III, apenas.</p><p>e.</p><p>III, apenas.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C</p><p>Comentário: Intermidialidade é a relação entre a arte e as mídias. O prefixo inter implica interferência, interação ou reciprocidade das fronteiras midiáticas, e o termo intermidialidade traz-nos de volta ao jogo de estar entrelugar, com diversos valores ou parâmetros em termos de significados, materialidades, formatos ou gêneros.</p><p>· Pergunta 7</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>Construindo um painel gigantesco da paisagem física e humana do sertão nordestino, Euclides reúne um incrível volume de informações, uma espantosa multiplicidade de fatos e interpretações, fixando, na figura de Antônio Conselheiro, a expressão desse mundo atormentado e esquecido. A narrativa da terceira e última parte do livro, "A Luta", surge, dessa forma, como uma campanha sem glória, em que as forças governistas investem, cegas, contra uma comunidade miserável.</p><p>A obra é prejudicada pela visão fatalista de Euclides, que erra, em sua análise da “sub-raça sertaneja”, com a ciência da época. Apesar disso, Os Sertões permanece como uma contribuição essencial para o conhecimento de parcela da realidade brasileira.</p><p>Já no que se refere às características estéticas da obra, seu estilo de exuberância barroca explode numa linguagem rebuscada, verdadeiro convite a saborear as infinitas possibilidades da língua portuguesa. (Inclassificável, Os Sertões é, segundo Alfredo Bosi, “um testamento de paixão e de ciência”.)</p><p>Os Sertões, de Euclides da Cunha, é uma obra de difícil classificação.</p><p>I. A obra apresenta características de texto literário porque descreve a alma simples e leal do sertanejo, pronto a seguir um líder e a morrer combatendo a seu lado.</p><p>II. A obra tem caráter de tratado científico, porque analisa as características do solo do sertão nordestino.</p><p>III. A obra segue investigação socioantropológica, já que se preocupa em caracterizar minuciosamente o sertanejo ou explicar a gênese de Antônio Conselheiro como líder messiânico.</p><p>IV. A obra é matéria jornalística, pois registra em detalhes as lutas entre as tropas oficiais e os revoltosos.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>I, II, III e IV.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Apenas I e III.</p><p>b.</p><p>Apenas I.</p><p>c.</p><p>I, II, III e IV.</p><p>d.</p><p>Apenas IV.</p><p>e.</p><p>Apenas I e IV.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C</p><p>Comentário: A obra apresenta uma mistura de linguagens.</p><p>· Pergunta 8</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>O processo de intermidialidade é fundamental para compreender a letra de música “Os sertões”, de Em Cima da Hora. Leia a letra:</p><p>Os Sertões</p><p>Em Cima da Hora</p><p>Marcado pela própria natureza</p><p>O Nordeste do meu Brasil</p><p>Oh! Solitário sertão</p><p>De sofrimento e solidão</p><p>A terra é seca</p><p>Mal se pode cultivar</p><p>Morrem as plantas e foge o ar</p><p>A vida é triste nesse lugar</p><p>Sertanejo é forte</p><p>Supera miséria sem fim</p><p>Sertanejo homem forte</p><p>Dizia o Poeta assim</p><p>Foi no século passado</p><p>No interior da Bahia</p><p>O Homem revoltado com a sorte</p><p>do mundo em que vivia</p><p>Ocultou-se no sertão</p><p>espalhando a rebeldia</p><p>Se revoltando contra a lei</p><p>Que a sociedade oferecia</p><p>Os Jagunços lutaram</p><p>Até o final</p><p>Defendendo Canudos</p><p>Naquela guerra fatal</p><p>(Edeor de Paulo. 1976. Letras.mus.br)</p><p>A letra do samba foi inspirada na obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A obra de Cunha está dividida em três partes: a terra, o homem e a luta, e ela aborda o episódio da Guerra de Canudos (1896-1897).</p><p>A letra de música, vinculada à obra de Cunha, apresenta uma imagem do sertão nordestino:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>b.</p><p>Determinismo ambiental.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Continuísmo político.</p><p>b.</p><p>Determinismo ambiental.</p><p>c.</p><p>Mandonismo local.</p><p>d.</p><p>Fatalismo político.</p><p>e.</p><p>Miscigenação racial.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: B.</p><p>Comentário: O local – sertão seco e inóspito – molda as condições da pobreza, apontando para o determinismo ambiental e, em paralelo, reforçando a coragem e o ímpeto dos que se revoltaram contra tal situação.</p><p>· Pergunta 9</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>Leia as proposições I e II:</p><p>I. A adaptação de um texto literário em histórias em quadrinhos reapresenta a estrutura do texto original e sua relação com o conteúdo e com a forma, trazendo uma nova, porém não definitiva, leitura para a obra original.</p><p>PORQUE</p><p>II. A adaptação é uma leitura que se transpõe em releitura e, com essa releitura, alguns elementos estruturadores do texto de origem ganham destaque.</p><p>Indique a alternativa correta:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>d.</p><p>As duas proposições são verdadeiras e a segunda é justificativa da primeira.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>As duas proposições são falsas.</p><p>b.</p><p>As duas proposições são verdadeiras e a segunda não é justificativa da primeira.</p><p>c.</p><p>A primeira proposição é verdadeira e a segunda proposição é falsa.</p><p>d.</p><p>As duas proposições são verdadeiras e a segunda é justificativa da primeira.</p><p>e.</p><p>A primeira proposição é falsa e a segunda proposição é verdadeira.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: D.</p><p>Comentário: A adaptação de uma obra literária em história em quadrinhos é uma releitura com destaque a determinados elementos ou partes da obra original. Por ser uma releitura, a adaptação traz nova leitura, um novo “olhar” para o texto original.</p><p>· Pergunta 10</p><p>0,4 em 0,4 pontos</p><p>As obras literárias podem ser adaptadas em histórias em quadrinhos, constituindo duas linguagens diferentes: uma a literária, que recorre apenas à escrita; outra, a história em quadrinhos, que usa linguagem visual, além da própria linguagem verbal. Nesse sentido, as histórias em quadrinhos para o texto literário representam:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>A perspectiva da intertextualidade.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>A destruição da obra original.</p><p>b.</p><p>O processo de reconstrução fiel ao original.</p><p>c.</p><p>A perspectiva da intertextualidade.</p><p>d.</p><p>A interpretação textual única e fechada.</p><p>e.</p><p>O enfraquecimento da literatura.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C.</p><p>Comentário: Há um diálogo entre o texto literário e a adaptação em quadrinhos. A adaptação pode subverter, recriar, reconfigurar o texto literário, mas marca a intertextualidade.</p><p>De obra para adultos</p><p>Estilização da intertextualidade</p><p>Gênero da literatura infantil</p><p>image3.jpeg</p><p>image4.jpeg</p><p>image5.jpeg</p><p>image6.jpeg</p><p>image7.jpeg</p><p>image8.jpeg</p><p>image9.jpeg</p><p>image10.jpeg</p><p>image11.png</p><p>image12.jpeg</p><p>image13.jpeg</p><p>image14.jpeg</p><p>image15.jpeg</p><p>image16.png</p><p>image17.png</p><p>image18.png</p><p>image19.gif</p><p>image20.gif</p><p>image21.jpeg</p><p>image22.jpeg</p><p>image23.jpeg</p><p>image24.png</p><p>image25.jpeg</p><p>image26.png</p><p>image27.jpeg</p><p>image28.jpeg</p><p>image29.jpeg</p><p>image30.png</p><p>image31.jpeg</p><p>image32.png</p><p>image33.gif</p><p>image34.gif</p><p>image35.jpeg</p><p>image36.jpeg</p><p>image37.jpeg</p><p>image38.jpeg</p><p>image39.jpeg</p><p>image40.png</p><p>image41.jpeg</p><p>image42.jpeg</p><p>image43.jpeg</p><p>image44.jpeg</p><p>image45.jpeg</p><p>image46.jpeg</p><p>image47.png</p><p>image48.jpeg</p><p>image49.jpeg</p><p>image50.jpeg</p><p>image51.png</p><p>image52.jpeg</p><p>image1.jpeg</p><p>image2.jpeg</p><p>Toronto após noite ao relento</p><p>Uma criança de três anos morreu, quinta-feira, em Toronto, no Canadá,</p><p>depois de passar várias horas ao relento com temperaturas negativas. Elijah</p><p>Marsh conseguiu sair da casa durante a noite, apenas vestido com uma</p><p>camisola e uma fralda e calçado com umas botas. Um outro bebé de três</p><p>anos foi encontrado a deambular, esta sexta-feira, também sozinho na rua</p><p>e ao frio (Criança…, 2015).</p><p>É importante esclarecer que nos versos de cordel há a intenção da autora de estabelecer intertextualidade com o conto de Andersen, o que fica evidente desde o título. Já as relações de intertextualidade entre a situação relatada na notícia e o conto foram estabelecidas por nós e podem ser vislumbradas por aqueles que conhecem o conto e seu enredo.</p><p>Muitos contos de fadas tomaram como base situações reais para transfigurá-las em fantasia.</p><p>Além desses processos (de citação, alusão e estilização), podemos pensar nos conceitos de paródia e paráfrase.</p><p>· A paródia existe desde a Antiguidade clássica, mas se tornou um efeito de linguagem muito frequente nas obras contemporâneas. Nem toda paródia é satírica. Há riqueza estilística na paródia, que pode ser uma simples inversão estrutural ou até uma homenagem. É imitação com distância crítica, cuja ironia pode beneficiar e prejudicar ao mesmo tempo.</p><p>Minha terra tem palmeiras</p><p>Onde canta o sabiá,</p><p>As aves que aqui gorjeiam</p><p>Não gorjeiam como lá.</p><p>Minha terra tem palmares</p><p>Onde gorjeia o mar</p><p>Os passarinhos daqui</p><p>Não cantam como os de lá</p><p>A paródia apresentada deforma o sentido original do poema de Gonçalves Dias, que trata das saudades e do amor à pátria e à sua natureza, temas da 1° fase romântica. Já o poema do modernista Oswald de Andrade ironiza o do romântico em tom de crítica, substituindo, na paronomásia o termo palmeiras por palmares, uma referência ao quilombo de Palmares e à escravidão, situação de vergonha e não de orgulho ou saudades, apresentando, portanto, uma crítica social importante.</p><p>· A paráfrase apresenta um desvio mínimo do texto original e seu sentido é mantido.</p><p>Como exemplo de paráfrase da “Canção do exílio”, há um trecho do poema “Europa, França e Bahia”, de Carlos Drummond de Andrade, que cita diretamente o poema de Gonçalves Dias sem que o sentido original, as saudades da pátria, seja modificado.</p><p>Meus olhos brasileiros se fecham saudosos</p><p>Minha boca procura a “Canção do exílio”.</p><p>Como era mesmo a “Canção do exílio”?</p><p>Eu tão esquecido da minha terra…</p><p>Ai terra que tem palmeiras</p><p>Onde canta o sabiá</p><p>Esta saudade que fere</p><p>Mais do que as outras quiçá,</p><p>Sem exílio nem palmeira</p><p>Onde cante o sabiá…</p><p>Minha terra tem palmeiras</p><p>Onde canta o sabiá,</p><p>As aves que aqui gorjeiam</p><p>Não gorjeiam como lá.</p><p>OBS</p><p>Na paráfrase há um desvio mínimo do texto original e seu sentido é mantido, enquanto na paródia há um desvio total, em que o sentido original é deformado.</p><p>Cabe ao comparativista examinar os recursos utilizados (paráfrase, paródia, estilização, alusão, citação, tradução…), reconhecer as formas de recriação, identificá-las e analisá-las.</p><p>- Ah, tem intertextualidade sim.</p><p>Mas como o intertexto absorveu o texto anterior e se lhe atribuiu novos sentidos por meio de novos contextos?</p><p>“Não estacionar na simples identificação de relações, mas analisar em profundidade, chegando às interpretações e motivos que geraram essas relações.”</p><p>QUESTÕES DE AUTORIA: CONCEITOS FUNDAMENTAIS</p><p>Influência, imitação e originalidade</p><p>Influência é entendida na LC como a ação exercida por obras ou personalidades literárias sobre outras.</p><p>Ao lermos uma obra, podemos identificar, mesmo que intuitivamente, que o autor teve contato com outro autor, já que o texto traz indícios de alguma influência.</p><p>A influência de outras obras e autores pode ter um papel complexo no desenvolvimento da originalidade de um escritor.</p><p>O poeta Paul Valéry contribuiu significativamente para o conceito, e praticamente o renovou. Valéry apresenta quatro tipos de influência:</p><p>· A influência recebida, que consiste no contato misterioso de dois espíritos ou na dívida de um autor com outro.</p><p>· A influência existente sobre a posteridade.</p><p>· A influência do autor sobre si mesmo.</p><p>· A influência por reação, ou seja, a recusa da influência.</p><p>Para nossos estudos comparados, é importante considerar os dois planos paralelos que ocorrem no processo de influência segundo Valéry.</p><p>COMO ASSIM?</p><p>Quando um escritor é influenciado por outras obras, isso o leva a refletir sobre sua própria personalidade e estilo.</p><p>Essa reflexão pode levá-lo a se tornar mais consciente de sua própria voz e identidade como escritor. OU a influência pode provocar uma ruptura com as influências anteriores, permitindo que o escritor se liberte das convenções e estilos de escrita que o influenciaram no passado.</p><p>O termo imitação recebeu quatro sentidos distintos, que hoje não são aplicáveis, mas precisam ser considerados em seu contexto de produção.</p><p>· O primeiro é mimesis, trata da imitação da natureza como fonte de arte, situando-se na</p><p>tradição de Platão, não representa uma ação específica. MUNDO DAS IDEIAS.</p><p>· O segundo é a retórica do Renascimento, época em que os clássicos gregos e romanos eram exemplos de perfeição e deveriam ser imitados a partir de um novo espírito contemporâneo.</p><p>· O terceiro é o sentido de imitação como produto literário, obra literária, e não processo, atitude comum no método de adaptação renascentista.</p><p>· O quarto é o sentido de equivalência entre imitação e influência.</p><p>Outro fator importante é a noção de originalidade. O estilo do autor deve ser considerado, assim como o estilo de época e o contexto de produção.</p><p>Embora um autor possa ter sido considerado original em seu tempo, as características que o tornaram original podem se tornar comuns e até mesmo esperadas em obras posteriores.</p><p>Isso acontece porque outros escritores podem se inspirar e assimilar essas características em seus próprios trabalhos, levando a uma diluição da originalidade original.</p><p>Portanto, ao analisar a originalidade de um autor, é importante considerar não apenas suas características individuais, mas também como elas se encaixam no contexto mais amplo de sua época e no panorama literário subsequente.</p><p>“Nada mais original, nada mais próprio do que nutrir-se dos outros.</p><p>Mas é preciso digeri-los. O leão é feito de carneiro assimilado”.</p><p>O Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade propunha uma abordagem única para a literatura brasileira.</p><p>O termo "antropofagia" refere-se ao ato de comer carne humana, mas no manifesto, Oswald de Andrade usou essa metáfora para descrever a assimilação da cultura europeia pela cultura brasileira. Em vez de simplesmente imitar a cultura europeia, o manifesto defendia que os brasileiros devorassem e digerissem essa cultura para criar algo genuinamente brasileiro. Ou seja, assim como os "leões" na metáfora anterior, os brasileiros deveriam se tornar os "devoradores", transformando as influências estrangeiras em algo próprio e original.</p><p>Antônio Candido considera a originalidade como algo que surge das relações entre diferentes literaturas, especialmente entre aquelas que são consideradas "periféricas" ou "culturas dominadas", como a literatura brasileira em relação às literaturas europeias mais estabelecidas.</p><p>LITERATURA CENTRAL-PERIFÉRICA E CIBERLITERATURA</p><p>O regional, o nacional e o transnacional</p><p>Quando se fala em Literatura Comparada, a disciplina é firmada e desenvolvida em um determinado país, o que pode levar a uma visão de primazia ou superioridade da literatura desse país sobre as literaturas de outras nações.</p><p>Isso significa que a literatura do país onde a Literatura Comparada se estabeleceu “pode ser vista” como o padrão ou referência central, enquanto as literaturas de outros países podem ser consideradas secundárias ou subordinadas.</p><p>Essa ideia pode gerar uma visão de mundo literário hierárquica, onde a literatura de um país é considerada superior às literaturas de outros países.</p><p>Essa visão de primazia da literatura nacional pode ser vista na obra de Coutinho</p><p>e Carvalhal.</p><p>Quando Coutinho e Carvalhal publicaram "Literatura Comparada: Textos Fundadores" em 1994, eles reuniram uma coleção de artigos sobre Literatura Comparada (LC) publicados entre 1886 e 1974 em várias línguas. Esses artigos estavam dispersos em livros e revistas de difícil acesso, o que dificultava o acesso dos brasileiros a esses recursos. Portanto, a publicação dessa obra beneficiou os estudiosos brasileiros ao disponibilizar uma fonte abrangente de textos fundamentais para o estudo da LC.</p><p>No entanto, mesmo reconhecendo a importância dessa obra, Figueiredo destaca algumas limitações. Uma possível limitação é que a coleção de textos pode refletir uma visão eurocêntrica da Literatura Comparada, privilegiando as perspectivas e contribuições dos estudiosos europeus em detrimento das contribuições de outras regiões do mundo. Isso poderia perpetuar a visão de primazia da literatura nacional ao dar mais destaque às tradições literárias europeias em detrimento das literaturas de outros países.</p><p>Portanto, esse trecho sugere que, embora obras como "Literatura Comparada: Textos Fundadores" tenham sido importantes para facilitar o acesso dos brasileiros aos textos fundamentais da LC, elas também podem refletir as limitações e viéses do campo, incluindo a visão de primazia da literatura nacional.</p><p>Coutinho e Carvalhal, lançaram uma obra em 1994, onde destacam a perspectiva dominante da Literatura Comparada ao se concentrarem principalmente na linha francesa.</p><p>Eles afirmam que a Literatura Comparada teve origem na França por volta de 1830 e se consolidou como disciplina no século XX, com um foco central na literatura francesa no ensino e na pesquisa.</p><p>A França era vista como o modelo principal a ser seguido, e a literatura francesa era analisada em relação à sua influência sobre outras literaturas.</p><p>No entanto, essa visão é contestada por outros estudiosos, como Wellek.</p><p>Wellek argumenta que a Literatura Comparada vai além das fronteiras de um único país e que sua evolução é paradoxal.</p><p>Embora tenha surgido como uma reação contra o nacionalismo limitado e o isolacionismo, acabou gerando uma competição entre países para provar quem exerceu mais influência sobre os outros.</p><p>POR OUTRO LADO...</p><p>Na Alemanha, J. W. Goethe introduziu o conceito de literatura mundial, destacando a coexistência e interação entre diferentes literaturas nacionais ou regionais.</p><p>Goethe acreditava que a tradução desempenhava um papel fundamental na promoção da compreensão e apreciação das diversas tradições literárias do mundo.</p><p>Assim, a noção de literatura mundial na Alemanha enfatiza a importância da diversidade cultural e linguística na produção literária global.</p><p>Para Coutinho, o conceito de literatura nacional evoca, tradicionalmente, uma nação, uma língua, etnia e determinados componentes culturais relativamente homogêneos.</p><p>Coutinho fala sobre os estudos comparatistas e afirma que as línguas europeias – como espanhol, francês, português e inglês – foram apropriadas e transformadas em muitas variações por muitos escritores fora do centro europeu. Temos, então, autores descentrados e literaturas migrantes, diaspóricas, transnacionais.A criação literária contemporânea está rompendo com paradigmas rígidos, especialmente em relação à influência de países colonizadores.</p><p>· Rejeição do termo "lusofonia" pelos países africanos de língua portuguesa: Esses países não gostam do termo "lusofonia" porque o consideram uma extensão e uma afirmação de Portugal, ligando-os simbolicamente ao colonizador.</p><p>· Ampliação do mercado editorial no Brasil para autores africanos de língua portuguesa: O Brasil oferece um mercado editorial expandido, o que representa um desequilíbrio de poder em relação a Portugal, devido ao seu grande peso demográfico e editorial.</p><p>· Invenção na escrita por escritores africanos de língua francesa: Eles estão criando uma literatura que expressa realidades diferentes da sensibilidade e cultura francesas, mostrando um processo de descentralização e afirmação de identidade própria.</p><p>· Descentralização da língua inglesa e da literatura: A língua inglesa não é mais vista como propriedade exclusiva dos ingleses, e a ideia de periferia, na qual os escritores imigrantes e colonizados historicamente foram relegados, está sendo destruída. Isso é atribuído em parte ao enfraquecimento da Inglaterra e ao crescente poder dos Estados Unidos.</p><p>· Literatura transnacional e eliminação de guetos: Os escritores estão produzindo uma literatura transnacional que transcende fronteiras nacionais, linguísticas e territoriais. Isso significa que há uma tendência para a eliminação de qualquer tipo de segregação ou isolamento, permitindo um diálogo mais amplo entre os escritores de todo o mundo.</p><p>O trecho acima discute como a criação literária contemporânea está desafiando as estruturas de poder tradicionais e abrindo espaço para uma expressão mais diversificada e globalizada da literatura.</p><p>O romance contemporâneo foi revitalizado pelos escritores de países considerados pobres, mostrando como diferentes tradições literárias se influenciam e se renovam mutuamente.</p><p>Autores de países economicamente desfavorecidos estão contribuindo significativamente para a renovação do romance. Um exemplo disso é a absorção e atualização do realismo mágico latino-americano por escritores indianos, por meio do intercâmbio e da intertextualidade.</p><p>Segundo Figueiredo (2013), os maiores prosadores contemporâneos são indivíduos com identidades duplas ou múltiplas, pessoas que não estão rigidamente ligadas a uma única nação, mas que ocupam um "entrelugar" entre culturas.</p><p>Escritores contemporâneos situam suas obras em suas regiões locais, mas as conectam com questões universais, o que as torna relevantes e valorizadas no mercado internacional. Um exemplo é Milton Hatoum, cujas obras se passam em Manaus, mas exploram a complexidade sociocultural da Amazônia.</p><p>A Literatura Comparada oferece um campo rico para a análise das literaturas nacionais com histórico colonial, das diversas culturas e dos efeitos da globalização, especialmente em relação à internet e à abertura de fronteiras culturais e literárias.</p><p>LITERATURA CENTRAL-PERIFÉRICA E CIBERLITERATURA</p><p>Ciberliteratura</p><p>A discussão acerca da literatura nacional confronta-se hoje com o ciberespaço, que, no contexto literário, derruba determinadas ideias, mas abre várias outras questões.</p><p>A base do ciberespaço é a comunicação em rede, e a presença física do ator social é desnecessária para alcançá-lo, oferece ainda condições para que materiais sejam abundantemente publicados e distribuídos, além de agregar culturas de ideais libertários de comunicação e interação social.</p><p>O ciberespaço não é homogêneo, a internet, ou o ambiente virtual em geral, não é uniforme ou consistente em todos os aspectos pois existem diversas camadas de complexidade, diversidade e diferenciação dentro do ciberespaço.</p><p>Temos hoje acesso ilimitado aos mais variados textos das mais diversas línguas, pois os ambientes virtuais desterritorializam os conteúdos, diluindo o conflito entre literatura central e periférica, assim como qualquer espécie de divisa.</p><p>No ciberespaço, o universo literário é expandido de diversas maneiras. Os escritores criam sites pessoais, leitores críticos (jornalistas, especialistas em literatura, leitores apaixonados) divulgam suas resenhas, bibliotecas virtuais crescem e disponibilizam seu acervo para download, obras são lançadas em formato de e-books e plataformas oferecem tradução automática (dando acesso, portanto, a obras de outras línguas). Ou seja, vários sistemas existem para viabilizar a produção dos leitores, entre outras expansões.</p><p>Nesse ambiente se formou uma cibercultura, à qual se relaciona a ciberliteratura, composta de textos literários construídos segundo processos informáticos.</p><p>A ciberliteratura distingue-se da literatura digital(izada), que se constitui de uma hipertextualização de estratégias textuais pré-existentes, em que se verifica uma transição do papel</p><p>para o pixel em termos meramente técnicos.</p><p>Podemos caracterizar a ciberliteratura de acordo com o próprio ciberespaço: a interatividade, a não linearidade, a hipermidialidade, a heterogeneidade, a multissequencialidade.</p><p>O leitor pode seguir caminhos variados dentro do próprio texto, tornando-se um coautor, porque ele constrói sua leitura de acordo com seu interesse, criando assim novas maneiras de ler.</p><p>No ciberespaço temos, em especial, a multissemiose: sistema midiático, híbrido, interativo, semiótico, que viabiliza a absorção de diferentes aportes sígnicos e sensoriais numa mesma superfície de leitura (palavras, ícones, efeitos sonoros, diagramas, tabelas tridimensionais).</p><p>Com o avanço tecnológico, a interatividade ocorre com mais frequência devido à relação contínua do leitor com múltiplos autores, praticamente em superposição em tempo real.</p><p>A noção de literatura no ciberespaço levanta questões dos estudiosos da LC, entre as quais consta o estilo literário.</p><p>· Dificuldades em estilizar a ciberliteratura: Gimenes destaca a dificuldade em estilizar a ciberliteratura pois a ciberliteratura não se encaixa facilmente nas categorias devido aos obstáculos relacionados à linguagem digital, que incluem o hipertexto, recursos multimídia, som e movimento.</p><p>· Tendências na criação textual: há três tendências distintas na criação textual:</p><p>- Poesia animada: incorpora elementos de tempo e movimento, oferecendo uma experiência visual dinâmica.</p><p>- Literatura generativa: baseada em modelos, geradores automáticos criam infinitas variantes de leitura visual. Isso proporciona uma experiência interativa e em constante evolução para o leitor.</p><p>- Hiperficção: Este estilo de ciberliteratura apresenta narrativas que se desenvolvem como labirintos, utilizando a noção de hipertexto para permitir ao leitor explorar diferentes caminhos de leitura. Cada leitura pode ser única, dependendo das escolhas do leitor ao navegar pelo texto.</p><p>- Hibridação: É a hibridação entre linguagem, mídias e gêneros.</p><p>LITERATURA E OUTRAS ÁREAS DO CONHECIMENTO</p><p>Em LC, estudamos as relações entre os textos literários, mas também entre a literatura e outras esferas do conhecimento, como sociologia, história, psicologia, filosofia e artes.</p><p>Além de comparar ou diferenciar obras literárias, a LC também pode adotar as interfaces de outras áreas como metodologia para os seus estudos, ou seja, mesclar-se a elas.</p><p>A partir do século XX a LC aproximou-se de outras artes e saberes, entre elas a filosofia, a sociologia, a história, a geografia etc.</p><p>Por exemplo: Literatura e História.</p><p>Ambas atuam no tempo-espaço com narrativas sobre personagens, na história o espaço é real, e na literatura ele pode ou não ser real. Em relação às personagens, a realidade sobre elas é imperiosa na história, diferentemente dos textos literários, em que, mesmo quando baseadas em pessoas que existiram (ou existem), tornam-se ficcionais. Historiadores são comprometidos com documentos e vestígios de fatos objetivos, e escritores literários não se limitam a arquivos nem precisam de comprovação.</p><p>O fato é que as artes, a literatura incluída, espelham em maior ou menor grau a realidade.</p><p>O grupo Oulipo trabalha com restrições (no francês, contraintes), sejam matemáticas ou outras, discutindo e compondo livros, textos etc. a partir delas. Oulipo trabalha com estruturas bem definidas.</p><p>Um exemplo de contraintes tecnológicas é o Twitter, que restringe as postagens a textos com até 280 caracteres.</p><p>QUESTIONÁRIO 1</p><p>· Pergunta 1</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>A dificuldade em conceituar Literatura Comparada se deve à:</p><p>I. Seleção múltipla e variada do objeto de seu estudo.</p><p>II. Consolidação da Literatura Comparada como uma disciplina curricular.</p><p>III. Adoção de diferentes e variados métodos de pesquisa.</p><p>Está correto apenas:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>d.</p><p>I e III.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>I e II.</p><p>b.</p><p>II e III.</p><p>c.</p><p>I, II e III.</p><p>d.</p><p>I e III.</p><p>e.</p><p>II.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: D</p><p>Comentário: é difícil conceituar Literatura Comparada devido à sua história, cujo processo é longo, com métodos e objetos de estudo variados. Afinal, são vários estudos sobre LC, em diversos países e focos diferentes. No entanto, uma questão sobre LC está resolvida, que é sobre sua consolidação como disciplina em cursos de Letras.</p><p>· Pergunta 2</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Um dos maiores estudiosos da Literatura Comparada é René Wellek (1903-1995) e entre as contribuições desse estudioso para essa área está:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>O estudo entre os elementos inerentes ao texto com o elemento histórico e importante fora do texto.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>O estudo da literatura comparada pautado em uma visão neocolonial, eurocêntrica e cosmopolita.</p><p>b.</p><p>O estudo de fontes e influências dos textos literários comparados, por considerá-los exteriores ao texto e relevantes.</p><p>c.</p><p>O estudo entre os elementos inerentes ao texto com o elemento histórico e importante fora do texto.</p><p>d.</p><p>O estudo das relações de causa e efeito, principalmente por fatos não literários, no texto literário.</p><p>e.</p><p>O estudo comparado de obras literárias nacionais.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C</p><p>Comentário: Wellek não aceitou a restrição de estudo apenas de obras nacionais, em uma visão eurocêntrica, nem aceitou análise de obra literária com base em fatos externos (históricos, políticos etc.). Para o autor, é necessário um equilíbrio entre a obra e o mundo externo, com foco no que seja indissociável entre ambos.</p><p>· Pergunta 3</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Em Literatura Comparada, existem a escola francesa e a escola americana, cujas vertentes de pesquisa se diferenciam. Qual das características a seguir condiz com a escola francesa?</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>e.</p><p>Prestígio à literatura nacional.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Apresentação de uma visão mais eclética da Literatura Comparada e de seus objetos de análise.</p><p>b.</p><p>Privilégio à análise do texto literário, sem prestigiar elementos externos à obra.</p><p>c.</p><p>Inclusão dos estudos comparados dentro das fronteiras de uma única literatura.</p><p>d.</p><p>Absorção das questões teóricas do New Criticism.</p><p>e.</p><p>Prestígio à literatura nacional.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: E</p><p>Comentário: a escola francesa, considerada fundadora dos estudos da Literatura Comparada, prestigia a literatura nacional. As outras características constituem a escola americana.</p><p>· Pergunta 4</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Para o desenvolvimento da Literatura Comparada no Brasil, na década de 1970, destacam-se os estudos e as publicações universitárias referentes à língua e à literatura francesas, o projeto Léry y-Assu, bem como diversos autores e teses da USP, cujo objetivo era estudar as relações culturais e literárias entre Brasil e França. Quem colaborou substancialmente para essa relação Brasil-França foi:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>Leyla Perrone Moisés.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Leyla Perrone Moisés.</p><p>b.</p><p>Antonio Candido de Mello e Souza.</p><p>c.</p><p>Benjamim Abdala Júnior.</p><p>d.</p><p>Tânia Carvalhal.</p><p>e.</p><p>Roberto Schwarz.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: A</p><p>Comentário: todos os nomes são referências de grandes estudiosos da Literatura Comparada no Brasil. No entanto, Moisés foi responsável pela implantação de curso de pós-graduação na USP, em 1978, para o desenvolvimento dos estudos comparados entre a literatura francesa e a brasileira.</p><p>· Pergunta 5</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>“Com o advento dos estudos culturais, uma série de conceitos-chave para a literatura passa a ser profundamente criticados e problematizados, tais como os de fontes/influências, originalidade/imitação e nacional/estrangeiro. Em cada um hierarquicamente superior ao segundo, instaurando assim um jogo de valorações no interior dos próprios conceitos” (ALÓS, A. P. Literatura Comparada ontem e hoje: campo epistemológico de ansiedades e incertezas. Organon, Porto Alegre, v. 27, n. 52, 2012, p. 10).</p><p>Indique a alternativa que contém uma ideia em</p><p>concordância com essa crítica.</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>A globalização rompe com a concentração à literatura nacional e leva a literatura comparada a introduzir a noção de literatura mundial.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>A globalização rompe com a concentração à literatura nacional e leva a literatura comparada a introduzir a noção de literatura mundial.</p><p>b.</p><p>A literatura comparada se nivela à literatura francesa, porque o estudo comparado surgiu na França.</p><p>c.</p><p>Um dos grandes autores de língua inglesa é William Shakespeare que fundou concepções dramatúrgicas e textuais até então inexistentes ou obsoletas.</p><p>d.</p><p>No Brasil, sem dúvida, uma grande voz literária é Machado de Assis, com suas referências à literatura europeia.</p><p>e.</p><p>Sem dúvida, uma das maiores influências da literatura mundial é Dom Quixote, de Cervantes, não apenas pela riqueza textual, mas igualmente pelo personagem idealista.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: A</p><p>Comentário: devido ao desenvolvimento da Literatura Comparada, atribui-se à França o surgimento dela. No país, os estudiosos tomaram a literatura francesa (nacional) como base. Assim, a noção de literatura mundial vai em sentido diferente dessa fundada na França.</p><p>· Pergunta 6</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>“[...] que percebemos numa obra literária, ou seja, sua marca própria, não é outra senão o gênio criador que levou um escritor a escolher um assunto, modificar uma técnica, nas suas relações complicadas e variáveis com a tradição, com as influências específicas que agiram sobre ele e com o gosto de sua época. É muito importante considerar algum cuidado às relações entre os dois elementos da originalidade relativa: o esforço criador e o condicionamento da época” (NITRINI, S. Literatura Comparada: história, teoria e crítica. 2. ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2000, p. 141).</p><p>Essa percepção se refere à:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>d.</p><p>Originalidade.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Imitação.</p><p>b.</p><p>Influência.</p><p>c.</p><p>Equivalência entre imitação e influência.</p><p>d.</p><p>Originalidade.</p><p>e.</p><p>Tradução.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: D</p><p>Comentário: a originalidade é marcada pelo estilo do autor, assim como o estilo de época e o contexto de produção.</p><p>· Pergunta 7</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Há três principais processos pelos quais podemos observar a intertextualidade:</p><p>I. Há aquele que mostra explicitamente a relação discursiva entre os dois textos, revelando o texto que se encontra dentro do outro.</p><p>II. Há aquele que mostra a relação discursiva, porém reproduzindo uma ideia de um texto em outro.</p><p>III. Há aquele que mostra o discurso do outro já estilisticamente modificado.</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>I. Citação; II. Alusão; III. Estilização.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>I. Citação; II. Estilização; III. Alusão.</p><p>b.</p><p>I. Estilização; II. Citação; III. Alusão.</p><p>c.</p><p>I. Citação; II. Alusão; III. Estilização.</p><p>d.</p><p>I. Alusão; II. Citação; III. Estilização.</p><p>e.</p><p>I. Alusão; II. Estilização; III. Citação.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C</p><p>Comentário: a intertextualidade é um procedimento natural e contínuo de reescrita de textos. Há três principais processos pelos quais podemos observar a intertextualidade. Primeiramente, há a citação, que mostra explicitamente a relação discursiva entre os dois textos, revelando o texto que se encontra dentro do outro. Em segundo, a alusão, que mostra a relação discursiva, porém reproduzindo uma ideia de um texto em outro. Finalmente, a estilização, que mostra o discurso do outro já estilisticamente modificado.</p><p>· Pergunta 8</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Leia os primeiros versos do cordel de:</p><p>“Oh, divina mãe das fadas</p><p>Dai-me senso criador,</p><p>Para contar uma história</p><p>Comovente e com ardor,</p><p>De Hans Christian Andersen</p><p>Com carinho e muito amor</p><p>Na véspera de ano novo</p><p>Nevava e fazia frio</p><p>A menina ali estava</p><p>Ao lado do grande rio,</p><p>E suas águas congeladas</p><p>Andando no meio fio”</p><p>(LONGOBARDI, Nireuda. A pequena vendedora de fósforos em cordel. Petrolina-PE: Folheto de Cordel, 2022, p. 4)</p><p>O cordel de Longobardi evidencia as relações intertextuais com o conto A pequena vendedora de fósforos (1845), de Hans Christian Andersen. Essa intertextualidade é do tipo:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>d.</p><p>Estilização.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Citação.</p><p>b.</p><p>Alusão.</p><p>c.</p><p>Tradução.</p><p>d.</p><p>Estilização.</p><p>e.</p><p>Paródia.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: D</p><p>Comentário: o cordel dialoga com o conto de Andersen em um processo de estilização. Longobardi faz uma releitura ou adaptação do conto de fadas para versos de cordel, sendo o discurso de Andersen estilisticamente modificado.</p><p>· Pergunta 9</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Leia o início do conto A pequena vendedora de fósforos (1845), de Hans Christian Andersen.</p><p>“Estava terrivelmente frio. A neve caia sem parar e já começava a escurecer. Era a última noite de dezembro, véspera de Ano-Novo. Por entre o frio e a escuridão, caminhava uma garotinha. Tão pobre era ela, que trazia os pés descalços e a cabeça descoberta” (Contos de Fadas de Andersen. Belo Horizonte: Garnier, 2019, p. 311).</p><p>Agora leia um trecho de uma notícia veiculada no Jornal de Notícias de Portugal, em 2015:</p><p>“Criança de três anos morre de frio em Toronto após noite ao relento</p><p>Uma criança de três anos morreu, quinta-feira, em Toronto, no Canadá, depois de passar várias horas ao relento com temperaturas negativas. Elijah Marsh conseguiu sair da casa durante a noite, apenas vestido com uma camisola e uma fralda e calçado com umas botas. Um outro bebé de três anos foi encontrado a deambular, esta sexta-feira, também sozinho na rua e ao frio” (https://www.jn.pt/mundo/crianca-de-tres-anos-morre-de-frio-em-toronto-apos-noite-ao-relento-4412639.html).</p><p>O conto A pequena vendedora de fósforos parte da ideia central de uma criança passando frio e fome que morre congelada. O leitor pode estabelecer intertextualidade entre a situação da criança canadense, no mundo real, e a história do conto de fadas, no mundo ficcional. A esse tipo de intertextualidade dá-se o nome de:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>b.</p><p>Alusão.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Citação.</p><p>b.</p><p>Alusão.</p><p>c.</p><p>Tradução.</p><p>d.</p><p>Estilização.</p><p>e.</p><p>Paródia.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: B</p><p>Comentário: as relações de intertextualidade entre a situação relatada na notícia e o conto é alusão, estabelecida pelo leitor que conhece o conto e seu enredo.</p><p>· Pergunta 10</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Os textos a seguir fazem intertexto com o famoso poema Canção do exílio, de Gonçalves Dias. Identifique o tipo de intertextualidade ocorrido nos textos.</p><p>“Minha terra tem palmares</p><p>Onde gorjeia o mar</p><p>Os passarinhos daqui</p><p>Não cantam como os de lá”</p><p>(SANT’ANNA. Canto de regresso à pátria, de Oswald de Andrade, p. 24).</p><p>“Minha terra tem campos de futebol, onde cadáveres amanhecem emborcados pra atrapalhar os jogos. Tem uma pedrinha cor-de-bile que faz “tuim” na cabeça da gente. Tem também muros de bloco (sem pintura, é claro, que tinta e a maior frescura quanto falta mistura) onde pousam cacos de vidro pra espantar malandro. Minha terra tem HK, AR15, M21, 45 e 38 (minha terra, 32 é uma piada). As sirenes que aqui apitam, apitam de repente e sem hora marcada. Elas não são mais as das fábricas, que fecharam. São mesmo é dos camburões, que vêm fazer aleijados, trazer tranquilidade e aflição” (BONASSI, 2000, p. 10).</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>e.</p><p>Paródia.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Citação.</p><p>b.</p><p>Alusão.</p><p>c.</p><p>Tradução.</p><p>d.</p><p>Estilização.</p><p>e.</p><p>Paródia.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: E</p><p>Comentário: nos dois textos, ocorre paródia ao deformar o sentido original do poema de Gonçalves Dias que trata das saudades, de amor à pátria e à sua natureza. O poema do Oswald de Andrade ironiza o poema de Dias ao substituir o termo “palmeiras” por “palmares”, uma referência ao quilombo de Palmares e à escravidão, situação de vergonha e não de orgulho ou saudades. Já o texto de Bonassi expõe a realidade de muitos brasileiros, imersos na pobreza,</p><p>cercados de violência e morte.</p><p>O CLÁSSICO NA LITERATURA COMPARADA</p><p>A Bíblia na literatura</p><p>O mito e a Bíblia judaico-cristã são dois grandes pilares da literatura ocidental.</p><p>Diferentemente da mitologia grega, a Bíblia apresenta um único Deus e conta a história de um povo – o hebreu.</p><p>Esse Deus caracteriza-se como exigente e austero, com rígido código moral. Exige obediência, impondo várias proibições e punições, sendo um dos seus castigos a condenação da humanidade, a qual, para ter salvação divina, necessita esperar um salvador que viria para resgatar os escolhidos.</p><p>Dessa parte do livro surge o judaísmo, religião monoteísta, e dele nascem o cristianismo e o islamismo.</p><p>A segunda parte da Bíblia, conhecida como Novo Testamento, trata especialmente do cristianismo.</p><p>Inicia-se com a crença de vários hebreus sobre a já chegada do salvador, Jesus Cristo. Também é longa a história dos hebreus com diferentes pontos de vista sobre Jesus Cristo, Sua morte, Sua palavra e Seus ensinamentos.</p><p>A Bíblia apresenta variedade textual, com partes mais poéticas, como os Salmos, o Cântico dos Cânticos e o Apocalipse, com passagens filosóficas ou com profecias.</p><p>Frye chama atenção para o modo como a Bíblia foi escrita, e o caracteriza como revelação, pois possui uma sequência ou progressão dialética que caminha do começo para o fim de sua história, e há uma divisão em sete fases tipológicas, separando seus acontecimentos de maneira que estejam ligados um ao outro, tanto no passado quanto no futuro.</p><p>· Criação</p><p>· Revolução ou êxodo (Israel no Egito)</p><p>· Lei</p><p>· Sabedoria</p><p>· Profecia</p><p>· Evangelho</p><p>· Apocalipse</p><p>O autor entende que cada uma dessas fases está ligada a outra; os acontecimentos ocorrem de maneira crescente, como se as ações passadas estivessem conectadas às futuras, ampliando, assim, as possibilidades de a história continuar exatamente do ponto em que parou.</p><p>Na Bíblia, tudo é criado a partir do nada, tudo começa ao ser verbalizado.</p><p>Após a criação e todos os acontecimentos que nela estão ligados, como a queda do homem, o primeiro homicídio, o dilúvio, tudo leva à continuidade da história. Os povos se multiplicam e vão em busca de seus territórios, começam a surgir governos, deveres, escravidão, disputa de poder e leis.</p><p>A segunda fase é a revolução, quando o povo de Israel estava submetido ao faraó, rei do Egito. Quando, ainda bebê, foi abandonado por sua mãe em um cesto e colocado em um rio. Moisés foi parar nas águas do palácio do faraó, que acabou por cuidar do menino, o qual cresceu ao redor da nobreza, mas foi predestinado a outro caminho, o de salvar o povo de Israel das mãos de faraó, que escravizava o povo num sistema egípcio.</p><p>É bom ressaltar que Moisés não estava só em sua missão: por todo o tempo recebia ordens de Deus, dizendo-lhe o que fazer e como fazer, atraindo assim a atenção dos egípcios para aquele poder concedido por Deus e levando o povo de Israel a acreditar mais do que nunca que os deuses egípcios eram falsos.</p><p>Moisés salva o povo de Israel das mãos do faraó, cumpre aquilo que lhe fora ordenado por Deus. Após libertar os hebreus, continuando sua longa jornada, Moisés os lidera pelo deserto, onde lhes ensina os dez mandamentos, dando-nos assim um gancho para a história e para a próxima fase a ser analisada: a lei.</p><p>Ao observar os dez mandamentos, fica clara a existência de leis a serem seguidas pelo povo, que, no entanto, ao chegar à Terra Prometida, acaba se esquecendo de onde veio e de quem o tirou da escravidão.</p><p>Esse povo buscava a Deus somente quando lhe era conveniente: em seus momentos de tristeza e aflição ou diante de qualquer outra dificuldade, clamava a Deus, e Ele o respondia por misericórdia, mas algumas vezes se calava para que Israel notasse que sua fé estava adormecida, a ponto de se esquecer de Deus.</p><p>O povo agia por suas próprias mãos: praticou sua própria justiça em tempos de guerra e disputa de território, assim se afastando cada vez mais de Deus, lembrando d’Ele apenas ao precisar de socorro.</p><p>Isso trouxe a próxima fase, sabedoria. O livro de Jó traz a história de um homem rico cuja fé em Deus é colocada à prova de todas as maneiras: ele perde seu gado, seus filhos e tudo quanto tinha para que sua fé fosse realmente testada.</p><p>Há momentos em que Jó passa a coxear entre dois pensamentos sobre o Deus em que sempre creu e se Este era realmente bom como pensava, mas ele continua a ser fiel em meio a tudo. Trata-se de um forte exemplo de sabedoria, pois Jó não desiste diante de todas as tribulações.</p><p>A profecia é a quinta fase e fala sobre a vinda do Messias à Terra.</p><p>O que se cumpre na Bíblia é algo que já estava predestinado. Em Lucas 2:11, os anjos anunciaram aos pastores a chegada do Messias prometido a Israel: “Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.</p><p>A penúltima fase é o evangelho, segundo Frye, intensifica a visão profética. Ele sugere dois níveis:</p><p>1. Identidade original, simbolizada pelo jardim do Éden</p><p>2. Identidade definitiva, que representa o retorno deste elemento após o Juízo Final</p><p>Frye também menciona o uso de metáforas, como a descida do nível superior e a ascensão de volta a ele, relacionando-os com a ressureição de Cristo.</p><p>A última fase é o apocalipse, que, ao contrário do que muitos pensam, não trata da destruição de tudo. O livro do Apocalipse traz consigo circunstâncias que nos levam a lê-lo com cautela para que sua interpretação seja válida.</p><p>Para Frye, o apocalipse segue um panorama de restauração de elementos, como a árvore da vida, a terra prometida, a ressureição e o novo corpo, seguindo um nível ascendente para essa nova vida que havia sido prometida.</p><p>Visando comparar a Bíblia com outra obra literária, escolhemos: As crônicas de Nárnia, obra-prima do autor C. S. Lewis.</p><p>A obra é dividida em sete partes:</p><p>· “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa” (1950)</p><p>· “Príncipe Caspian” (1951)</p><p>· “A viagem do peregrino da alvorada” (1952)</p><p>· “A cadeira de prata” (1953)</p><p>· “O cavalo e seu menino” (1954)</p><p>· “O sobrinho do mago” (1955)</p><p>· “A última batalha” (1956).</p><p>A personagem Jill encontra Aslam logo que chega a Nárnia, e ele a faz guardar para si alguns objetivos a serem cumpridos durante sua jornada. Ela, porém, não os cumpre por esquecimento, com exceção do último.</p><p>A personagem Jill se encontra sedenta após descer uma cansativa trilha, vê um riacho e pensa em se abaixar e beber um pouco de água, mas, após dar uns poucos passos, vê, à beira do riacho, um leão de proporções incomuns, e fica com muito medo de ser atacada. Mesmo com muito medo do animal, a garota não sai correndo nem deixa de encarar toda aquela água.</p><p>A princípio, a garota não sabe de quem era aquela voz, e só percebe que era do leão quando a ouve pela segunda vez.</p><p>Esse trecho nos remete à Bíblia, especificamente ao evangelho de João 7:37: “No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba”.</p><p>A personagem Aslam, um leão que é autoridade em Nárnia, é uma alegoria de Jesus: assim como Jesus, Aslam oferece água para os que têm sede.</p><p>Ambos os textos – Bíblia e As crônicas de Nárnia – ensinam a seguir o que é ordenado, para que os futuros acontecimentos não sejam desvirtuados.</p><p>OUTRAS OBRAS QUE SE RELACIONAM COM A BÍBLIA:</p><p>· "Paraíso Perdido" de John Milton - Este poema épico retoma muitos temas e imagens bíblicas, especialmente a queda de Adão e Eva, e explora questões de livre arbítrio, tentação e redenção.</p><p>· "O Estrangeiro" de Albert Camus - Este romance filosófico aborda questões existenciais e éticas que ressoam com temas bíblicos, como a natureza da culpa, o absurdo da vida e a busca por significado em um mundo aparentemente indiferente.</p><p>· "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" de José Saramago - Saramago reimagina a vida de Jesus Cristo de uma maneira provocativa e controversa, explorando temas como a natureza da divindade, o papel da fé e a complexidade da condição humana.</p><p>O CLÁSSICO NA LITERATURA COMPARADA</p><p>O mito na/da literatura</p><p>Desde a infância somos expostos</p><p>a histórias que contam sobre deuses, semideuses e heróis como Hércules, Perseu, Jasão, Aquiles, Ulisses, Andrômeda, Perséfone e outros. Essa tentativa de explicar o fato inacreditável, envolvendo seres utópicos, seduz a nossa imaginação.</p><p>É por meio da palavra que os mitos sobreviveram até hoje.</p><p>Na Odisseia de Homero (autor), acompanhamos a aventura heroica de Ulisses, travada em 10 anos de viagem, assim como a história de sua amada Penélope, que desfaz todas as noites o seu trabalho tecido durante o dia para ludibriar seus mal-intencionados pretendentes, e como seu filho Telêmaco é estimulado pela deusa Atena a proteger sua mãe.</p><p>Os mitos que conhecemos sobrevivem pela literatura, sendo atualizados em novos e diferentes contextos literários.</p><p>Na mitologia greco-romana deparamos com a história de Narciso, famoso por sua beleza e orgulho. No dia do seu nascimento, o Tirésias profetizou que Narciso teria vida longa desde que jamais apreciasse a própria imagem.</p><p>Narciso representava vaidade, embevecimento e insensibilidade, era emocionalmente entorpecido às solicitações daquela que se enamorara por sua beleza, a ninfa Eco, e que, depreciada e humilhada, definhou até a morte. Então, Narciso foi amaldiçoado a apaixonar-se perdidamente por sua imagem refletida na água, ou seja, o Outro e, assim, Narciso se entregou à morte.</p><p>Com base nesse mito, a literatura criou seu próprio: o mito do duplo. O mito do duplo pode ser representado pelo reflexo, pelo gêmeo, pelo sósia ou pela consciência da personagem. O duplo pode até mesmo ser o oposto da pessoa duplicada.</p><p>"O Retrato de Dorian Gray" acompanha Dorian Gray, um jovem aristocrata que tem seu retrato pintado por Basil Hallward. Dorian deseja manter sua juventude e beleza para sempre, fazendo um pacto que transfere os efeitos do envelhecimento para o retrato. Ele leva uma vida de excessos e imoralidade, enquanto o retrato envelhece e mostra os sinais de seus pecados. A obra explora temas como vaidade, moralidade, decadência e dualidade entre aparência e realidade.</p><p>A aparição do duplo no romance de Wilde opera como um aspecto de consciência de suas transgressões: cada crime ou má conduta é refletida em seu duplo, o quadro. Gray reconhece que esse é o seu verdadeiro eu, seu estado de ser – é o testemunho de quem ele realmente é.</p><p>O duplo tem a missão de agir como o peso da consciência.</p><p>Ocorre igualmente em O estranho caso do doutor Jekyll e do senhor Hyde, de Robert Stevenson, obra também inglesa, de 1886 – o original não sobrevive sem o seu duplo e vice-versa, ou seja, se um morrer, o outro obrigatoriamente morre junto.</p><p>IDENTIDADE NACIONAL</p><p>Nação mitopoetizada</p><p>A psicanálise, a teoria desenvolvida por Freud, ajuda a entender o papel do Mito do Duplo na literatura ao analisar o subconsciente humano. O Mito do Duplo refere-se à presença de um segundo eu, uma figura que representa os aspectos ocultos ou reprimidos da personalidade de um personagem.</p><p>A psicanálise sugere que os escritores muitas vezes exploram esse conceito para representar os conflitos internos de seus personagens. O duplo pode personificar desejos não realizados, medos profundos ou até mesmo impulsos violentos que o personagem não está consciente.</p><p>Em 2022 o Brasil comemorou os 200 anos de sua independência. Essa ocasião foi marcada por várias celebrações e por um interesse renovado em examinar criticamente o significado e as consequências desse evento histórico.</p><p>As comemorações foram acompanhadas por uma reflexão profunda sobre o passado do país, suas conquistas e desafios, e como a independência influenciou sua trajetória ao longo dos anos.</p><p>Desde os primeiros anos após a independência, os brasileiros buscaram construir uma identidade nacional após séculos de colonização.</p><p>Especialmente durante o Romantismo, produziram obras que retratavam o país, seus heróis e sua paisagem, contribuindo para a formação dessa identidade.</p><p>Para os artistas que participaram da Semana de 22, esse evento marcou o início de uma independência cultural.</p><p>Gonçalves Dias nasceu um ano após a Independência do Brasil e viveu suas duas primeiras décadas em meio ao entusiasmo produzido por esse fato histórico.</p><p>Parece-nos natural que o sentimento nacional e o amor à terra estejam presentes no poema e em sua obra geral.</p><p>O nacionalismo de Gonçalves Dias, portanto, se traduziu em sua obra com furor ativista pós-independência e transcendeu tempo e espaço, abrindo caminho para uma lírica brasileira não apenas com aspectos formais poéticos, mas também com veio político.</p><p>Outra obra extremamente relevante à busca pela identidade nacional é O guarani, de José de Alencar, também pós-independência.</p><p>Temos, também, o mito do herói na figura do índio Peri, um jovem que deixou sua tribo para viver na propriedade de D. Antonio, em uma cabana, depois de salvar a filha do fidalgo, Ceci, e se encantar pela moça.</p><p>IDENTIDADE NACIONAL</p><p>Nação indígena</p><p>Ao longo da história da literatura brasileira, a forma como os povos indígenas foram retratados reflete preconceitos e estereótipos perpetuados principalmente pela perspectiva eurocêntrica.</p><p>Essas representações estereotipadas contribuíram significativamente para a manutenção de preconceitos e visões distorcidas sobre os povos indígenas.</p><p>Tradicionalmente, a cultura indígena (incluindo a literatura) é oral, e suas histórias são passadas de geração a geração.</p><p>A cultura se atualiza, e as tecnologias – da pedra lascada à eletricidade, imprensa e internet – são inovadas. A mesma lógica perpassa a cultura indígena.</p><p>O indígena, denominado índio nos séculos passados, é descrito primeiramente como um ser selvagem e exótico, depois como indolente e preguiçoso, e então como puro, abnegado e heroico, nos moldes do indianismo romântico no século XIX.</p><p>Aos poucos, a literatura indianista cedeu lugar à literatura indígena, uma literatura com voz própria, que nos apresentam diferentes representações dos povos originários a partir de cosmogonias, culturas e visões de mundo bem específicas que fogem dos estereótipos anteriores.</p><p>· Pergunta 1</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Leia as proposições e indique a alternativa correta.</p><p>I. Em Literatura Comparada, muitos estudiosos consideram o conteúdo da Bíblia Sagrada literário.</p><p>PORQUE</p><p>II. O modo como a Bíblia Sagrada foi escrita e a sua divisão em sete fases tipológicas (criação, revolução ou êxodo, lei, sabedoria, profecia, evangelho e apocalipse), separando seus acontecimentos de maneira que estejam ligados um ao outro, tanto no passado quanto no futuro, são marcas de textos literários.</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>As proposições I e II são verdadeiras e a II justifica a I.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>As proposições I e II são verdadeiras e a II justifica a I.</p><p>b.</p><p>As proposições I e II são verdadeiras, mas a II não justifica a I.</p><p>c.</p><p>As proposições I e II são falsas.</p><p>d.</p><p>A proposição I é verdadeira e a II é falsa.</p><p>e.</p><p>A proposição I é falsa e a II é verdadeira.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: A</p><p>Comentário: O texto sagrado é considerado literatura, pois apresenta, além de outras características literárias, uma sequência ou progressão dialética que caminha do começo para o fim de sua história.</p><p>· Pergunta 2</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>“Uma biblioteca inteira concentrada em volume único, com escritos milenares, entre crônicas históricas, cartas, livros de reis, cantigas de amor, peças de folclore, textos proféticos”.</p><p>(Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2015/08/24/interna_diversao_arte,495815/biblia-e-um-grande-classico-da-literatura-mundial.shtml)</p><p>Essa caracterização se refere:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>À Bíblia Sagrada.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>À Bíblia Sagrada.</p><p>b.</p><p>À obra O Pequeno Príncipe.</p><p>c.</p><p>Aos contos de fada de tradição europeia.</p><p>d.</p><p>Ao Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa.</p><p>e.</p><p>À obra Mil e uma noites.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: A</p><p>Comentário: A Bíblia Sagrada é vista como uma “biblioteca</p><p>inteira”, como um texto literário, devido a diversos fatores, sendo um deles a diversidade de gêneros literários.</p><p>· Pergunta 3</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>A Bíblia Sagrada e os mitos greco-latinos são os pilares da literatura ocidental. Qual mito deu base para o “mito do duplo” criado no mundo literário?</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>b.</p><p>Mito de Narciso.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Mito de Zeus.</p><p>b.</p><p>Mito de Narciso.</p><p>c.</p><p>Mito de Cronos.</p><p>d.</p><p>Mito de Pandora.</p><p>e.</p><p>Mito de Aquiles.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: B</p><p>Comentário: O mito do duplo pode ser representado pelo reflexo, pelo gêmeo, sósia, ou pela consciência da personagem. O duplo pode até mesmo ser o oposto da pessoa que é duplicada. O duplo na literatura, então, tem base em Narciso, que se apaixona pelo próprio reflexo.</p><p>· Pergunta 4</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Canção do exílio</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá;</p><p>As aves, que aqui gorjeiam,</p><p>Não gorjeiam como lá.</p><p>Nosso céu tem mais estrelas,</p><p>Nossas várzeas têm mais flores,</p><p>Nossos bosques têm mais vida,</p><p>Nossa vida mais amores.</p><p>Em cismar, sozinho, à noite,</p><p>Mais prazer eu encontro lá;</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p>Minha terra tem primores,</p><p>Que tais não encontro eu cá;</p><p>Em cismar –sozinho, à noite–</p><p>Mais prazer eu encontro lá;</p><p>Minha terra tem palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p>Não permita Deus que eu morra,</p><p>Sem que eu volte para lá;</p><p>Sem que disfrute os primores</p><p>Que não encontro por cá;</p><p>Sem qu'inda aviste as palmeiras,</p><p>Onde canta o Sabiá.</p><p>DIAS, G. Poesias completas. São Paulo: Saraiva,1957, p. 83-84.</p><p>O poema de Gonçalves Dias é um exemplo da relação entre literatura ocidental e os mitos. No entanto, uma informação sobre o poema desconsidera essa relação. Qual?</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>d.</p><p>O poema apresenta uma realidade mais efetiva da natureza.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>O poema Canção do exílio é valorizado pelo seu exemplo de ser o primeiro esteticamente válido em sua totalidade, fundamentado na nacionalidade.</p><p>b.</p><p>Gonçalves Dias nasceu um ano após a Independência do Brasil e seu entusiasmo por esse fato histórico causou, no poema, o efeito do sentimento nacional, amor à terra.</p><p>c.</p><p>O mito de uma identidade nacional ufanista e ideal é marcado no poema.</p><p>d.</p><p>O poema apresenta uma realidade mais efetiva da natureza.</p><p>e.</p><p>A relevância do poema está no fato de abrir caminho para os poetas posteriores expressarem seus sentimentos sobre a terra natal.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: D</p><p>Comentário: O mito está presente no poema na idealização do país, por meio da natureza que é constituída por exagero e não como ela é (era) de fato.</p><p>· Pergunta 5</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Em Literatura Comparada, diferem-se a literatura indianista e a literatura indígena. Indique a característica que marca a literatura indianista, sabendo que as outras se referem à literatura indígena.</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>José de Alencar buscou no passado dos povos originários do país o herói nacional. Muniu o personagem Peri, um indígena, de características heroicas.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>José de Alencar buscou no passado dos povos originários do país o herói nacional. Muniu o personagem Peri, um indígena, de características heroicas.</p><p>b.</p><p>A cultura referente ao indígena engloba muito mais que o texto escrito, abrangendo as diversas manifestações culturais como a dança, o canto, o grafismo, as preces e as narrativas tradicionais.</p><p>c.</p><p>Daniel Munduruku mostra representações dos povos originários com base em cosmogonias, culturas e visões de mundo específicas desses povos.</p><p>d.</p><p>Sua tradição é oral e performática, pois envolve a palavra dos contadores de história, sua voz, entonação, e também elementos de tradição ocidental de compor narrativas, poemas, entre outros gêneros literários.</p><p>e.</p><p>A importância da ligação dos mitos com os ancestrais e com o sagrado para os indígenas.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: A</p><p>Comentário: A idealização de personagem indígena, como Peri, é uma caracterização da literatura indianista. O personagem é visto pela perspectiva europeia, mesmo o autor sendo brasileiro, e tem seus traços identitários e culturais anulados.</p><p>· Pergunta 6</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>(UFMA – 2008) A questão a seguir refere-se a uma passagem da Bíblia Sagrada (“Primeira Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios”) e a uma canção do grupo Legião Urbana, intitulada “Monte Castelo”.</p><p>1 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.</p><p>2 E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.</p><p>3 E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.</p><p>4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.</p><p>5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;</p><p>6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;</p><p>7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.</p><p>8 O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;</p><p>9 Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;</p><p>10 Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.</p><p>11 Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.</p><p>12 Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.</p><p>13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.</p><p>Legião Urbana - Monte Castelo</p><p>Ainda que eu falasse a língua dos homens.</p><p>E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.</p><p>É só o amor, é só o amor.</p><p>Que conhece o que é verdade.</p><p>O amor é bom, não quer o mal.</p><p>Não sente inveja ou se envaidece.</p><p>O amor é o fogo que arde sem se ver.</p><p>É ferida que dói e não se sente.</p><p>É um contentamento descontente.</p><p>É dor que desatina sem doer.</p><p>Ainda que eu falasse a língua dos homens.</p><p>E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.</p><p>É um não querer mais que bem querer.</p><p>É solitário andar por entre a gente.</p><p>É um não contentar-se de contente.</p><p>É cuidar que se ganha em se perder.</p><p>É um estar-se preso por vontade.</p><p>É servir a quem vence, o vencedor.</p><p>É um ter com quem nos mata a lealdade.</p><p>Tão contrário a si é o mesmo amor.</p><p>Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem.</p><p>Agora vejo em parte. Mas então veremos face a face.</p><p>É só o amor, é só o amor.</p><p>Que conhece o que é verdade.</p><p>Ainda que eu falasse a língua dos homens.</p><p>E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.</p><p>Da leitura dos textos acima, depreende-se que a canção “Monte Castelo”, do grupo Legião Urbana, retoma dois outros gêneros textuais consagrados como a “Primeira Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios” e o soneto de Camões. Para os compositores de “Monte Castelo”:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>Tanto o apóstolo Paulo quanto Camões concebem o amor como sentimento que transcende as paixões humanas e trilha o caminho da edificação espiritual.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>A “Primeira Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios” se aproxima do soneto de Camões no que concerne às contradições do espírito humano, ora soberbo e hipócrita, ora humilde e verdadeiro.</p><p>b.</p><p>O soneto de Camões contraria o pensamento bíblico, na medida em que enaltece a contradição inerente às paixões humanas, mergulhadas na luxúria e na posse do ser amado.</p><p>c.</p><p>Tanto o apóstolo Paulo quanto Camões concebem o amor como sentimento que transcende as paixões humanas e trilha o caminho da edificação espiritual.</p><p>d.</p><p>Camões, por pertencer à época do Renascimento, valoriza a condição humana</p><p>em detrimento da divina, o que o distancia, consequentemente, da mensagem espiritual do apóstolo Paulo.</p><p>e.</p><p>O diálogo entre o discurso bíblico e o poema camoniano atinge as raias da inépcia, dado o comportamento impassível do eu lírico diante da coita d’amor.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C</p><p>Comentário: Na relação entre os textos, há manutenção temática e de perspectiva da Bíblia na obra posterior, que é a de Camões. A Bíblia é a base para o poema camoniano e para a letra de música.</p><p>· Pergunta 7</p><p>0 em 0,3 pontos</p><p>A relação do homem com a natureza sempre foi um tema presente na literatura universal, desde os seus primórdios. Leia os textos abaixo e considere a questão, assinalando a opção inaceitável.</p><p>Criou, pois, Deus o homem à sua imagem; homem e mulher os criou. E ambos estavam nus, o homem e sua mulher; e não se envergonhavam. Então Deus os abençoou e lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre todos os animais. Disse-lhes mais: eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão para mantimento. E assim foi. ... Mas chamou o Senhor Deus ao homem, e perguntou-lhe: Onde estás? Respondeu-lhe o homem: Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; e escondi-me. Deus perguntou-lhe mais: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Ao que respondeu o homem: A mulher que me deste por companheira deu-me da árvore, e eu comi. E ao homem disse: Porquanto deste ouvido à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei dizendo: Não comerás dela; maldita é a terra por tua causa; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos; e comerás das ervas do campo. Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás. O Senhor Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden para lavrar a terra, de que fora tomado. (Livro do Gênesis)</p><p>A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Não fazem o menor caso de encobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Os homens trazem os beiços de baixo furados e metidos neles ossos brancos e verdadeiros. Os cabelos seus são corredios. Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm nem entendem nenhuma crença. ...</p><p>Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha. Não comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes e carne comemos. ...</p><p>Esta terra, Senhor, é de muitos bons ares. Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo. (Carta de Pero Vaz de Caminha)</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>a.</p><p>A descrição que os portugueses fazem do Novo Mundo aproxima-se da descrição do paraíso na Bíblia, quando Adão e Eva, como os índios na floresta tropical, viviam em inocência, paz e harmonia no jardim do Éden.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>A descrição que os portugueses fazem do Novo Mundo aproxima-se da descrição do paraíso na Bíblia, quando Adão e Eva, como os índios na floresta tropical, viviam em inocência, paz e harmonia no jardim do Éden.</p><p>b.</p><p>O trecho bíblico revela por que a ideia do domínio antropocêntrico da natureza, profundamente ligada à cultura judaico-cristã, parece tão familiar ao imaginário ocidental.</p><p>c.</p><p>A Carta de Caminha mostra a sua preocupação em informar ao Rei as condições de cultivo e criação na terra descoberta, bem como a natureza dos nativos aqui encontrados, que ele considerava tão passíveis de serem doutrinados quanto a floresta circundante de ser explorada.</p><p>d.</p><p>De acordo com o relato bíblico, a expulsão do casal do paraíso assinala o início de uma nova etapa de bem-aventurança para os seres humanos, que assumiriam o controle de suas próprias vidas e poriam a seu serviço, com grande facilidade, os recursos selvagens da natureza.</p><p>e.</p><p>A escassez de recursos naturais, como minérios e especiarias, em alguns países da Europa renascentista, como Portugal, contribuiu para incentivar as grandes navegações, que incluíram a descoberta do continente americano.</p><p>· Pergunta 8</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>Em um poema escrito em louvor do livro “Iracema”, Manuel Bandeira afirma que, ao compor esse livro, José de Alencar:</p><p>“escreveu o que é mais poema</p><p>Que romance, e poema menos</p><p>Que um mito, melhor que Vênus.”</p><p>Segundo Bandeira, em Iracema:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>b.</p><p>O caráter poético dado ao texto predomina sobre a narrativa em prosa, sendo, por sua vez, superado pela constituição de um mito literário.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Alencar parte da ficção literária em direção à narrativa mítica, dispensando referências a coordenadas e personagens históricas.</p><p>b.</p><p>O caráter poético dado ao texto predomina sobre a narrativa em prosa, sendo, por sua vez, superado pela constituição de um mito literário.</p><p>c.</p><p>A mitologia tupi está para a mitologia clássica, predominante no texto, assim como a prosa está para a poesia.</p><p>d.</p><p>Ao fundir romance e poema, Alencar, involuntariamente, produziu uma lenda do Ceará, superior à mitologia clássica.</p><p>e.</p><p>Estabelece-se uma hierarquia de gêneros literários, na qual o termo superior, ou dominante, é a prosa romanesca, e o termo inferior, o mito.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: B</p><p>Comentário: Apesar de o texto ser escrito em prosa, suas caraterísticas poéticas e mitológicas colocam Iracema em uma condição de obra-prima de Alencar e do Romantismo brasileiro, de caráter fundante.</p><p>· Pergunta 9</p><p>0,3 em 0,3 pontos</p><p>(CEV-URCA - 2021) Na formação de nossa identidade nacional, a literatura desempenhou um papel de extrema importância, determinando temas e modos de expressão que, ainda hoje, são muito presentes em nossa maneira de ver o mundo e falar sobre ele. Leia atentamente o trecho a seguir e assinale o que que se pede:</p><p>“Os outros dois, que o Capitão teve nas naus, a que deu o que já disse, nunca mais aqui apareceram – do que tiro ser gente bestial, de pouco saber e por isso tão esquiva. Porém e com tudo isso andam muito bem curados e muito limpos. E naquilo me parece ainda mais que são como aves ou alimárias montesas, às quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que às mansas, porque os corpos seus são tão limpos, tão gordos e tão formosos, que não pode mais ser.</p><p>Isto me faz presumir que não têm casas nem moradas a que se acolham, e o ar, a que se criam, os faz tais. Nem nós ainda até agora vimos nenhuma casa ou maneira delas.” CAMINHA, Pero Vaz de. A Carta de Pero Vaz de Caminha. Disponível em: http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronic os/carta.pdf)</p><p>No trecho citado, a atitude de Caminha revela principalmente:</p><p>Resposta Selecionada:</p><p>c.</p><p>Etnocentrismo, por apreciar negativamente a diversidade da cultura do outro, por meio de critérios baseados no modo de viver europeu.</p><p>Respostas:</p><p>a.</p><p>Racismo, pelo emprego da palavra “bestial”, que denota o desejo de escravizar os indígenas, por serem como animais.</p><p>b.</p><p>Tolerância, pelo esforço de compreender as diferenças culturais e defendê-las diante do Rei, destinatário da Carta.</p><p>c.</p><p>Etnocentrismo, por apreciar negativamente a diversidade da cultura do outro, por meio de critérios baseados no modo de viver europeu.</p><p>d.</p><p>Xenofobia, pois a desqualificação do indígena se dá em todos os aspectos, pelo fato de eles não serem portugueses.</p><p>e.</p><p>Autoritarismo, pois está implícito que os portugueses têm o direito de impor aos indígenas a adoção de seus costumes e crenças.</p><p>Comentário da resposta:</p><p>Resposta: C</p><p>Comentário: A descrição dos indígenas feita pelo português é do ponto</p>