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<p>GERENCIAL II</p><p>DA ASSISTÊNCIA</p><p>TÉCNICA E GERENCIAL</p><p>©2021. FATECNA - Faculdade CNA a Distância</p><p>Todos os direitos reservados.</p><p>A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte,</p><p>constitui violação dos direitos autorais (Lei Nº 9.610).</p><p>Fotos</p><p>Banco de imagens do SENAR</p><p>Getty Images</p><p>Shutterstock</p><p>Informações e Contato</p><p>SBN – Quadra 1, Bloco F. Edifício Palácio da Agricultura – 1º e 2º andar</p><p>Asa Norte - Brasília – CEP 70.040-908</p><p>Telefone: (061) 3878-9500</p><p>Site: www.faculdadecna.com.br/ead/</p><p>Presidente do Conselho Deliberativo</p><p>João Martins da Silva Júnior</p><p>Entidades integrantes do Conselho Deliberativo</p><p>Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA</p><p>Confederação dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG</p><p>Ministério do Trabalho e Emprego - MTE</p><p>Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA</p><p>Ministério da Educação - MEC</p><p>Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB</p><p>Agroindústrias / indicação da Confederação Nacional da Indústria - CNI</p><p>Diretor Geral</p><p>Daniel Klüppel Carrara</p><p>Coordenação de Assistência Técnica e Gerencial</p><p>Matheus Ferreira Pinto da Silva</p><p>Cálculo de custo de produção</p><p>Módulo 3</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 4</p><p>Sumário</p><p>Introdução do módulo ............................................................................................................... 6</p><p>Introdução ..............................................................................................................................10</p><p>Tópico 1: Custo operacional efetivo ..................................................................................12</p><p>Tópico 2: Mão de obra familiar ...........................................................................................23</p><p>Tópico 3: Depreciação ..........................................................................................................33</p><p>Tópico 4: Custo operacional total ......................................................................................45</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos .....................................................................................56</p><p>Encerramento do tema ........................................................................................................72</p><p>Atividade de Passagem ........................................................................................................73</p><p>Tema 2: Cálculo do custo de produção II ............................................................................74</p><p>Introdução ..............................................................................................................................74</p><p>Tópico 1: Custos fixos ...........................................................................................................76</p><p>Tópico 2: Custo total ..........................................................................................................100</p><p>Tópico 3: Margem bruta ....................................................................................................107</p><p>Tópico 4: Margem líquida ..................................................................................................120</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos ...................................................................................132</p><p>Encerramento do tema ......................................................................................................146</p><p>Atividade de passagem ......................................................................................................147</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 5</p><p>Tema 3: Cálculo dos indicadores ....................................................................................... 150</p><p>Introdução ............................................................................................................................150</p><p>Tópico 1: Lucro ....................................................................................................................152</p><p>Tópico 2: Ponto de cobertura ...........................................................................................163</p><p>Tópico 3: Ponto de cobertura total .................................................................................174</p><p>Tópico 4: Taxa de retorno de capital ...............................................................................179</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos ...................................................................................188</p><p>Encerramento do tema ......................................................................................................192</p><p>Atividade de Passagem ......................................................................................................193</p><p>Encerramento do módulo .................................................................................................... 195</p><p>Final de etapa ......................................................................................................................... 197</p><p>Gabarito das Questões......................................................................................................... 199</p><p>Referências bibliográficas .................................................................................................. 203</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 6</p><p>Introdução do módulo</p><p>Bem-vindo! Você está iniciando o módulo Gerencial II da Assistência Técnica</p><p>e Gerencial. Observe no infográfico a sua posição no curso e atente-se ao</p><p>seu progresso!</p><p>Você está aqui!</p><p>Início da</p><p>jornada Final da</p><p>jornada</p><p>Módulo 1</p><p>Metodologia da</p><p>Assistência Técnica</p><p>e Gerencial</p><p>Aprimorar conhecimentos</p><p>metodológicos para o</p><p>desempenho necessário</p><p>de ações de assistência</p><p>técnica, destacando as</p><p>competências requeridas</p><p>ao exercício da atividade.</p><p>Módulo 2</p><p>Gerencial I da</p><p>Assistência</p><p>Técnica e</p><p>Gerencial</p><p>Reconhecer os</p><p>conceitos gerenciais</p><p>da Metodologia de</p><p>Assistência Técnica</p><p>e Gerencial.</p><p>Módulo 4</p><p>Gerencial III</p><p>da Assistência</p><p>Técnica e</p><p>Gerencial</p><p>Calcular e</p><p>interpretar</p><p>indicadores técnicos</p><p>e econômicos nas</p><p>principais cadeias</p><p>produtivas da</p><p>pecuária ou da</p><p>agricultura.Módulo 3</p><p>Gerencial III</p><p>da Assistência</p><p>Técnica e</p><p>Gerencial</p><p>Contextualizar os</p><p>conceitos gerenciais</p><p>da Metodologia de</p><p>Assistência Técnica</p><p>e Gerencial.</p><p>Módulo 5</p><p>Planejamento</p><p>da Propriedade</p><p>Rural</p><p>Definir em</p><p>que consiste o</p><p>planejamento</p><p>estratégico da</p><p>propriedade rural</p><p>assistida pela</p><p>Metodologia de</p><p>ATeG, facilitando</p><p>sua compreensão e</p><p>aplicabilidade.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 7</p><p>Na prática, este módulo tem o objetivo de apresentar a você as diversas</p><p>peculiaridades que envolvem a identificação dos custos na linha de produção</p><p>vegetal, desenvolvendo uma visão mais crítica para o momento da aplicação</p><p>em seu trabalho prático. Dessa forma, você terá embasamento em critérios</p><p>técnicos, de acordo com a metodologia de Assistência Técnica e Gerencial</p><p>para uma análise econômica mais real da empresa rural. Para isso, o módulo</p><p>foi dividido em três temas</p><p>Tema 1</p><p>Cálculo de</p><p>custos de</p><p>produção I</p><p>Tema 2</p><p>Cálculo de</p><p>custos de</p><p>produção II</p><p>Tema 3</p><p>Cálculo de</p><p>indicadores</p><p>Nossa expectativa é que, ao final do módulo, você entenda a teoria geral</p><p>de custos com maior aprofundamento e com a prática de realizar cálculos</p><p>importantes para levantar o custo de produção e de fazer algumas análises</p><p>econômicas sobre a empresa rural.</p><p>Tudo isso para que você possa se tornar um autêntico educador agente de</p><p>transformações no campo, capaz de:</p><p>• identificar a correta alocação das despesas, investigando e diferenciando os</p><p>gastos para produção,</p><p>• estratificar custos operacionais e custo total, alocando apropriadamente cada</p><p>elemento desse cálculo,</p><p>• identificar os fatores de maior impacto e os limitantes de desenvolvimento da</p><p>atividade, elaborando um planejamento adequado ao final do processo,</p><p>• definir os conceitos de margem bruta e lucro, entendendo a relação com o</p><p>“lucro da atividade”, além da margem líquida, que fornece dados essenciais</p><p>para aplicação da taxa</p><p>– R$ 1.680,00 – R$ 6.000,00 – R$ 5.000,00 – R$ 2.000,00 x)</p><p>94,31% } + R$ 1.680,00 + R$ 6.000,00 + R$ 5.000,00</p><p>COEAL = R$ 54.460,46</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 62</p><p>Com base nos resultados, é possível observar como é grande a diferença</p><p>encontrada (R$ 4.520,74) entre o COE total da atividade e o COE específico</p><p>da alface.</p><p>Viu como não é justo que uma atividade arque sozinha com as despesas</p><p>de outras? Esse erro pode comprometer a análise de viabilidade da</p><p>atividade</p><p>O mesmo raciocínio pode ser adotado em qualquer atividade. Por exemplo:</p><p>a embalagem específica da alface é custo só da produção de alface, que logo</p><p>não deve ser rateado com a produção de composto.</p><p>COEAL por unidade</p><p>Agora, veja como encontrar o indicador COEAL/unidade da Fazenda Santa</p><p>Felicidade.</p><p>Para isso, basta dividir o COEAL pela produção obtida nos últimos 12 meses.</p><p>Acompanhe!</p><p>• COE da alface (COEAL) = R$ 54.460,46</p><p>• Produção = 360.365 unidades</p><p>O cálculo fica dessa forma:</p><p>COEAL/unidade = = R$0,15</p><p>R$ 54.460,46</p><p>360.365 unidades</p><p>Assim, para a produção total de alface, foi despendido R$ 0,15 para cada</p><p>unidade de alface.</p><p>COEAL por preço médio</p><p>A renda representa a receita obtida com a venda de alface ao longo do período</p><p>analisado. Sabendo que a atividade de olericultura:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 63</p><p>quando executada de</p><p>forma racional é</p><p>ininterrupta,</p><p>e que ao longo do ano, devido a</p><p>diferentes fatores mercadológicos</p><p>(disponibilidade do produto,</p><p>demanda, região analisada, época</p><p>do ano etc.), os preços sofrem</p><p>diversas alterações,</p><p>é necessário investigar qual é o</p><p>valor médio recebido ao longo do</p><p>período analisado, que será</p><p>chamado de preço médio.</p><p>Esse indicador é encontrado dividindo o valor total obtido com a venda de alface</p><p>(exclusivamente) pelo volume total produzido durante o período compreendido</p><p>pela análise, independentemente de quantas alterações o preço tenha sofrido.</p><p>Acompanhe os números da Fazenda Santa Felicidade!</p><p>Preço médio = Renda da alface = R$ 0,73/unidade</p><p>R$ 265.565,38</p><p>R$ 360.365 unidades</p><p>Assim, pode-se dizer que o Sr. Ariovaldo, ao longo do período analisado,</p><p>recebeu em média o valor de R$ 0,73 por cada uma das 360.365 unidades</p><p>de alface que comercializou. Note que o destacado é o valor e as quantidades</p><p>comercializadas, não o produzido. A outra parte pode ter sido destinada para</p><p>consumo interno da propriedade.</p><p>Tendo o COE da alface por unidade, é interessante descobrir, também,</p><p>quanto representa o COE em relação à renda (pode-se assumir que a renda</p><p>bruta unitária seja igual ao preço unitário) obtida na comercialização.</p><p>COEL/PREÇO MÉDIO = = 20,54%</p><p>0,15</p><p>R$ 0,73</p><p>De acordo com o resultado obtido, sabe-se que 20,54% do que o produtor recebe</p><p>(R$ 0,73) já estão comprometidos com o pagamento do COE (R$ 0,15/unidade).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 64</p><p>Depreciações</p><p>Conforme visto, a depreciação consiste em uma reserva monetária contábil,</p><p>anual, para a substituição de um bem ao final de sua vida útil.</p><p>Ela é calculada de forma linear, dividindo o valor do novo pela vida útil, conforme</p><p>a fórmula a seguir:</p><p>DEPRECIAÇÃO =</p><p>VALOR DE NOVO - VALOR DE SUCATA</p><p>VIDA ÚTIL</p><p>Vale relembrar que o valor de sucata recomendado pela metodologia de ATeG</p><p>é igual a R$ 0,00. Isso visa minimizar subjetividades.</p><p>Ao final da vida útil do bem, ele é considerado sucata, logo não serão mais</p><p>contabilizadas depreciações, mesmo que ele ainda possua utilidade.</p><p>Agora, você vai rever os inventários da Fazenda Santa Felicidade apresentados</p><p>no Módulo 2, mas agora compreendendo ainda mais os conceitos.</p><p>Inventário de benfeitorias</p><p>Item Quant.</p><p>Utilização na</p><p>atividade de</p><p>horticultura</p><p>Valor unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos) Idade</p><p>Galpão de 96 m² de</p><p>madeira (depósito) 1 100% 30.000,00 30.000,00 20 10</p><p>Galpão de 80 m² de</p><p>madeira (máquinas) 1 80% 20.000,00 16.000,00 20 23</p><p>Banheiros 1 100% 1.000,00 1.000,00 20 5</p><p>Estufa de</p><p>40 m x 50 m 4 100% 15.000,00 60.000,00 15 5</p><p>Estufa de produção</p><p>de mudas</p><p>10 m x 20 m</p><p>1 100% 1.500,00 1.500,00 15 16</p><p>Poço artesiano 1 80% 7.000,00 5.600,00 20 22</p><p>Unidade de lavagem</p><p>de hortaliças 1 100% 1.800,00 1.800,00 20 5</p><p>Unidade de</p><p>produção de</p><p>compostagem</p><p>1 50% 1.000,00 500,00 20 5</p><p>TOTAL 116.400,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 65</p><p>Inventário de máquinas e equipamentos</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização na</p><p>produção de</p><p>alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Caminhão-baú</p><p>– câmara fria 1 100% 80.000,00 80.000,00 15 5</p><p>Pulverizador</p><p>costal 3 100% 100,00 300,00 10 5</p><p>Carrinho de</p><p>mão 3 100% 200,00 600,00 5 1</p><p>Ferramentas</p><p>diversas 1 80% 2.300,00 1.840,00 10 12</p><p>Sistema de</p><p>irrigação 1 100% 10.000,00 10.000,00 15 16</p><p>Trator 65 CV 1 80% 50.000,00 40.000,00 15 16</p><p>Enxada</p><p>rotativa</p><p>encanteiradora</p><p>1 100% 1.000,00 1.000,00 15 5</p><p>Semeadora</p><p>de hortaliças</p><p>manual</p><p>1 100% 400,00 400,00 15 5</p><p>Computador</p><p>com</p><p>impressora</p><p>1 80% 2.500,00 2.000,00 5 7</p><p>Equipamento</p><p>para lavagem</p><p>de hortaliças</p><p>1 100% 1.200,00 1.200,00 5 2</p><p>Bebedouro tipo</p><p>gelágua 1 100% 300,00 300,00 5 2</p><p>TOTAL 137.640,00</p><p>Inventário de móveis, utensílios e outros bens</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização na</p><p>produção de</p><p>alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Mesa de</p><p>escritório 1 100% 250,00 250,00 10 5</p><p>Armário com</p><p>fichário 1 80% 350,00 280,00 10 12</p><p>Mesa para</p><p>computador e</p><p>impressora</p><p>1 100% 200,00 200,00 10 11</p><p>Bandeja para</p><p>produção de</p><p>mudas (com</p><p>200 células)</p><p>500 100% 9,00 4.500,00 5 2</p><p>Equipamento</p><p>de proteção</p><p>individual (EPI)</p><p>1 100% 80,00 80,00 5 2</p><p>Caixas de PVC 300 100% 20,00 6.000,00 5 2</p><p>TOTAL 11.310,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 66</p><p>Tome nota</p><p>Em relação à aplicação de defensivos agrícolas, perante</p><p>a Instrução Normativa nº 46, de 24 de julho de 2002,</p><p>a recomendação técnica de mistura em tanque de</p><p>agrotóxicos é proibida. Isso explica a utilização de</p><p>três pulverizadores costais (aplicação de herbicida,</p><p>inseticida e fungicida), e somente será necessário um</p><p>equipamento de proteção individual (EPI) pelo fato</p><p>de utilizar um pulverizador costal para cada classe de</p><p>produtos aplicados.</p><p>O que acha de fazer uma busca rápida? Identifique nas tabelas anteriores os</p><p>itens que possuem idade superior à vida útil.</p><p>Saiba Mais</p><p>Como foi a sua busca? Observe a lista e veja se bate com</p><p>os itens que você identificou!</p><p>Inventário de benfeitorias</p><p>• Galpão de 80 m² de madeira (máquinas)</p><p>• Estufa de produção de mudas 10 m x 20 m</p><p>• Poço artesiano</p><p>Inventário de máquinas e equipamentos</p><p>• Ferramentas diversas</p><p>• Sistema de irrigação</p><p>• Trator 65 CV</p><p>• Computador com impressora</p><p>Inventário de utensílios e outros bens</p><p>• Armário com fichário</p><p>• Mesa para computador e impressora</p><p>Mesmo que bens tenham funcionalidade devido às manutenções realizadas,</p><p>ao final da vida útil eles são considerados sucata, ou seja, sua vida útil é igual</p><p>a zero. Matematicamente, a depreciação passa a não existir, pois o resultado</p><p>matemático de qualquer valor atribuído ao bem dividido por zero é zero.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 67</p><p>Quanto às benfeitorias, é difícil atribuir um valor comercial, logo, para</p><p>efeito de cálculos, deve-se utilizar o valor de novo para calcular a</p><p>depreciação.</p><p>Depreciação do galpão de 96 m² de madeira (depósito) = 30.000,00 ÷ 0 = 0</p><p>Calculando a depreciação</p><p>Observe os valores de depreciação de acordo com os inventários da Fazenda</p><p>Santa Felicidade e entenda o cálculo de alguns itens!</p><p>Inventário de benfeitorias</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização</p><p>na</p><p>produção</p><p>de alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Depreciação</p><p>(R$)</p><p>Galpão de 96</p><p>m² de madeira</p><p>(depósito)</p><p>1 100% 30.000,00 30.000,00 20 10 1.500,00</p><p>Galpão de 80</p><p>m² de madeira</p><p>(máquinas)*</p><p>1 80% 20.000,00 16.000,00 20 23 Não existe</p><p>Banheiros 1 100% 1.000,00 1.000,00 20 5 50,00</p><p>Estufa de 40 m x</p><p>50 m 4 100% 15.000,00 60.000,00 15 5 4.000,00</p><p>Estufa de</p><p>produção de</p><p>mudas 10 m x</p><p>20 m</p><p>1 100% 1.500,00 1.500,00 15 16 Não existe</p><p>Poço artesiano 1 80% 7.000,00 5.600,00 20 22 Não existe</p><p>Unidade de</p><p>lavagem de</p><p>hortaliças</p><p>1 100% 1.800,00 1.800,00 20 5 90,00</p><p>Unidade de</p><p>produção de</p><p>compostagem</p><p>1 50% 1.000,00 500,00 20 5 25,00</p><p>TOTAL 116.400,00 5.665,00</p><p>Cálculo usado para chegarmos a esse resultado:</p><p>Galpão de 96 m² de madeira (depósito) = (R$ 30.000,00 - 0) ÷ 20 = R$ 1.500,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 68</p><p>Inventário de máquinas e equipamentos</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização</p><p>na</p><p>produção</p><p>de alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo</p><p>(R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Depreciação</p><p>(R$)</p><p>Caminhão-baú</p><p>– câmara fria 1 100% 80.000,00 80.000,00 15 5 5.333,33</p><p>Pulverizador</p><p>costal 3 100% 100,00 300,00 10 5 30,00</p><p>Carrinho de</p><p>mão 3 100% 200,00 600,00 5 1 120,00</p><p>Ferramentas</p><p>diversas 1 80% 2.300,00 1.840,00 10 12 Não existe</p><p>Sistema de</p><p>irrigação 1 100% 10.000,00 10.000,00 15 16 Não existe</p><p>Trator 65 CV 1 80% 50.000,00 40.000,00 15 16 Não existe</p><p>Enxada</p><p>rotativa</p><p>encanteiradora</p><p>1 100% 1.000,00 1.000,00 15 5 66,66</p><p>Semeadora</p><p>de hortaliças</p><p>manual</p><p>1 100% 400,00 400,00 15 5 26,66</p><p>Computador</p><p>com</p><p>impressora</p><p>1 80% 2.500,00 2.000,00 5 7 Não existe</p><p>Equipamento</p><p>para lavagem</p><p>de hortaliças*</p><p>1 100% 1.200,00 1.200,00 5 2 240,00</p><p>Bebedouro tipo</p><p>gelágua 1 100% 300,00 300,00 5 2 60,00</p><p>TOTAL 137.640,00 5.876,65</p><p>Cálculo usado para chegarmos a esse resultado:</p><p>Equipamento para lavagem de hortaliças = (R$ 1.200,00 - 0) ÷ 5 = R$ 240,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 69</p><p>Inventário de móveis, utensílios e outros bens</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização</p><p>na</p><p>produção</p><p>de alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Depreciação</p><p>(R$)</p><p>Mesa de</p><p>escritório 1 100% 250,00 250,00 10 5 25,00</p><p>Armário com</p><p>fichário 1 80% 350,00 280,00 10 12 Não existe</p><p>Mesa para</p><p>computador e</p><p>impressora</p><p>1 100% 200,00 200,00 10 11 Não existe</p><p>Bandeja para</p><p>produção de</p><p>mudas (com</p><p>200 células)</p><p>500 100% 9,00 4.500,00 5 2 900,00</p><p>Equipamento</p><p>de proteção</p><p>individual</p><p>(EPI)</p><p>1 100% 80,00 80,00 5 2 16,00</p><p>Caixas de</p><p>PVC* 300 100% 20,00 6.000,00 5 2 1.200,00</p><p>TOTAL 11.310,00 2.141,00</p><p>Cálculo usado para chegarmos a esse resultado:</p><p>Caixas de PVC = (R$ 6.900,00 - 0) ÷ 5 = R$ 1.200,00</p><p>Total das depreciações</p><p>Depois de aplicar a fórmula com os dados fornecidos na planilha, confira o</p><p>resultado da somatória do total das depreciações.</p><p>Inventário Total de depreciações</p><p>Benfeitorias R$ 5.665,00</p><p>Máquinas R$ 5.876,65</p><p>Móveis e utensílios R$ 2.141,00</p><p>Total R$ 13.682,65</p><p>Custo da mão de obra familiar</p><p>O custo da mão de obra familiar representa o quanto o empresário rural</p><p>deveria pagar no mercado em que ele atua para substituir o trabalho realizado</p><p>por ele e sua família. Vale lembrar de que isso não tem nada a ver com os</p><p>gastos pessoais do produtor – é simplesmente o valor de mercado das tarefas</p><p>realizadas pela família.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 70</p><p>Entenda melhor, acompanhando como funciona esse aspecto na Fazenda Santa</p><p>Felicidade</p><p>O Sr. Ariovaldo tem um</p><p>funcionário chamado</p><p>Roberto. Ele é contratado</p><p>com carteira assinada e os</p><p>dois trabalham juntos, de</p><p>forma que seus desempenhos</p><p>são muito semelhantes.</p><p>Desconsiderando encargos</p><p>sociais, férias e</p><p>13º salário, Roberto recebe</p><p>R$ 1.100,00/mês.</p><p>Porém, além dessas atividades, o Sr. Ariovaldo também realiza a administração</p><p>de sua empresa e negocia ativamente com seus fornecedores e clientes.</p><p>Portanto, um valor justo para a remuneração dessa mão de obra familiar (ou</p><p>pró-labore do administrador) foi avaliado em R$ 1.600,00 por mês.</p><p>Logo, o custo da mão de obra* familiar é:</p><p>12 meses R$</p><p>19.200,00</p><p>R$</p><p>1.600,00/</p><p>mês</p><p>Na verdade, esse é um custo anual que não vai se distanciar muito do valor real do custo de</p><p>um funcionário contratado com carteira assinada, quando se consideram todas as obrigações</p><p>patronais (pagamento de encargos, férias e 13o salário).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 71</p><p>Custo operacional total da atividade (COTA)</p><p>Conforme visto, o custo operacional total da atividade é obtido pela adição da</p><p>depreciação e do custo da mão de obra familiar ao COE.</p><p>• Total de depreciações = R$ 13.682,65</p><p>• Custo da mão de obra familiar (MOF) = R$ 19.200,00</p><p>• COEAT = R$ 58.981,20</p><p>COEAT Depreciações MOFCOTAT</p><p>COTAT = R$ 58.981,20 + R$ 13.682,65 + R$ 19.200,00</p><p>COTAT = R$ 91.863,85</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quinto tópico, você:</p><p>Aprofundou seus</p><p>conhecimentos sobre</p><p>o tema, através de</p><p>exemplos práticos.</p><p>Analisou</p><p>informações e</p><p>dados relevantes</p><p>de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Compreendeu a</p><p>importncia dessas</p><p>análises para um</p><p>gerenciamento</p><p>eficiente.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 72</p><p>Encerramento do tema</p><p>Você chegou ao final deste primeiro tema e, durante os estudos, pode conhecer</p><p>o conceito e o comportamento de um dos principais custos de produção da</p><p>metodologia de ATeG, os custos variáveis. Você pôde compreender:</p><p>Como diferenciar</p><p>elementos de custo</p><p>fixo de uma despesa</p><p>de valor fixo, como</p><p>arrendamentos,</p><p>aluguéis, mão de</p><p>obra contratada e</p><p>energia elétrica.</p><p>A forma de decompor</p><p>os custos fixos, a</p><p>depreciação e a</p><p>contabilização dos</p><p>valores de mão de</p><p>obra familiar.</p><p>A importância de</p><p>realizar uma análise</p><p>profunda dos custos,</p><p>ou seja, ter uma</p><p>anotação detalhada</p><p>das despesas como</p><p>uma ferramenta</p><p>de controle dos</p><p>processos produtivos</p><p>e administrativos.</p><p>Esta primeira etapa de preparação para um trabalho de excelência no campo</p><p>foi intensa e fundamental. São conceitos de gerenciamento essenciais para que</p><p>você cumpra o atendimento de assistência técnica e gerencial de qualidade.</p><p>Para finalizar, o que acha de retornar ao seu Ambiente</p><p>de Estudos, assistir ao vídeo e seguir acompanhando</p><p>Marcelo e o seu trabalho na Fazenda Santa Felicidade?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 73</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu!</p><p>Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo</p><p>estudado até aqui para passar para o próximo tema, ok?</p><p>Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao</p><p>assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre</p><p>em contato com o tutor no seu Ambiente de Estudos.</p><p>Questão</p><p>Leia os itens a seguir e relacione cada um deles com os seguintes elementos:</p><p>• (COE) custo operacional efetivo;</p><p>• (COT) custo operacional total;</p><p>• (d) depreciação;</p><p>• (MOF) mão de obra familiar.</p><p>( ) Despesas diretas</p><p>( ) Reserva contábil</p><p>( ) Exige desembolso de capital</p><p>( ) Ocorrendo retiradas na forma de</p><p>“salário fixo”, deixa de ser um custo fixo,</p><p>tornando-se COE</p><p>( ) Serve como parâmetro de análise</p><p>de viabilidade da empresa no curto e</p><p>médio prazos</p><p>Assinale a alternativa que contém a ordem correta:</p><p>1. COE / d / COE / COT / MOF</p><p>2. COE / COE / d / COT / MOF</p><p>3. COE / d / COT / MOF / COE</p><p>4. COE / d / COT / COE / MOF</p><p>5. COE / d / COE / MOF / COT</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 74</p><p>Tema 2: Cálculo do custo de</p><p>produção II</p><p>Introdução</p><p>Você está iniciando o segundo tema do módulo. O objetivo é que você se</p><p>aprofunde nos custos fixos, entendendo a sua importância no planejamento</p><p>das atividades agropecuárias, compreenda que os custos totais oferecem</p><p>condições de analisar com maior precisão a real situação econômica da</p><p>propriedade, direcionando uma tomada de decisões mais assertivas. Além de</p><p>iniciar a compreensão do conceito de viabilidade financeira do negócio.</p><p>Ao final deste tema, você será capaz de:</p><p>• analisar de forma completa o panorama de custos de uma empresa,</p><p>• compreender que poucos são os negócios verdadeiramente inviáveis, mas que</p><p>são muitos os negócios mal dimensionados para o mercado em que atuam e</p><p>para a infraestrutura que possuem.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 75</p><p>Estrutura do tema</p><p>PPara que todo esse conteúdo fique mais claro e de fácil entendimento, o tema</p><p>foi dividido em tópicos. Conheça, a seguir, o objetivo de cada um deles.</p><p>Tema 2</p><p>Tópico 1</p><p>Tópico 2Tópico 5</p><p>Tópico 4</p><p>Tópico 3</p><p>Custos fixos</p><p>Entender o dimensionamento total do custo fixo, assim como diversas análises</p><p>que podem ser feitas a partir da sua identificação.</p><p>Custo total</p><p>Conhecer a determinação do</p><p>custo total de uma produção</p><p>agrícola, respeitando as</p><p>peculiaridades de cada cadeia</p><p>produtiva quando houver.</p><p>Aplicação dos conceitos</p><p>Saberá aplicar os conceitos</p><p>estudados de forma</p><p>detalhada.</p><p>Margem líquida</p><p>Compreender o conceito de margem</p><p>líquida, saber como calcular, interpretar</p><p>os resultados e tomar decisões com base</p><p>nela, que é fundamental para checar se o</p><p>negócio tem capacidade de se manter no</p><p>longo prazo e para verificar a coerência</p><p>entre a estrutura de custos do negócio e</p><p>sua escala de produção.</p><p>Margem bruta</p><p>Conhecer a margem bruta e</p><p>aprender a calcular, interpretar</p><p>os resultados e tomar decisões,</p><p>além de analisar a viabilidade de</p><p>um negócio.</p><p>Agora que você já viu o objetivo de cada tópico, siga em frente neste tema e</p><p>ótimos estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 76</p><p>Tópico 1: Custos fixos</p><p>O que você entende como custo fixo?</p><p>Durante este tópico você verá como é a formação dos custos</p><p>fixos, além de algumas análises que são possíveis a partir da sua</p><p>identificação.</p><p>A depreciação e a mão de obra familiar já foram estudadas no tema 1, agora</p><p>você vai se aprofundar no terceiro componente – o custo de oportunidade do</p><p>capital.</p><p>A clássica divisão dos custos em variáveis e fixos muitas vezes é arbitrária e</p><p>difícil de ser operacionalizada, já que um fator de produção pode ser classificado</p><p>como fixo ou variável, dependendo do tempo considerado. O mesmo fator pode</p><p>ser fixo no curto prazo e variável no longo prazo.</p><p>Em razão dessas dificuldades, existem outros critérios para a</p><p>classificação dos custos que se ajustam melhor às necessidades</p><p>do empresário rural, como despesas diretas e indiretas e custos</p><p>operacionais</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 77</p><p>Na metodologia de Assistência Técnica e Gerencial, custos fixos são:</p><p>Aqueles que não resultam em</p><p>despesas diretas, ou seja, não</p><p>ocorre um desembolso físico de</p><p>capital para sua remuneração.</p><p>Eles tendem a permanecer</p><p>inalterados em curto e médio</p><p>prazos (desde que forem</p><p>mantidas as mesmas estruturas</p><p>produtivas), porque seu valor</p><p>independe do volume produzido</p><p>e jamais será igual a zero.</p><p>• Mão de obra familiar</p><p>• Depreciação</p><p>• Custo de oportunidade do capital empatado</p><p>Entenda a fórmula:</p><p>CF = MOF + d + CO</p><p>DepreciaçãoCusto fixo</p><p>Custo de oportunidadeMão de obra</p><p>Observe que a fórmula do CF (custo fixo) engloba todos os elementos de</p><p>custos, exceto os variáveis (COE). É possível afirmar também que a somatória</p><p>de ambos os elementos resulta no CT (custo total).</p><p>Para ficar mais claro, acompanhe o exemplo a seguir.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 78</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade tem um galpão de máquinas no valor de</p><p>R$ 36.000,00 com vida útil de 30 anos.</p><p>Agora, é preciso calcular o custo fixo dele.</p><p>1º Passo: Calcular a depreciação</p><p>2º Passo: Calcular o custo de oportunidade</p><p>3º Passo: Calcular o custo fixo</p><p>VN – S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>36.000,00 – 0</p><p>30</p><p>d = R$ 1.200,00d =</p><p>CO = 1.080,00/ano</p><p>VN – S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>CO = MOF + d + CO CF = 0 + R$ 1.200,00 + R$ 1.080,00</p><p>CF = R$ 2.280,00</p><p>CO = X 6%</p><p>36.000,00 – 0</p><p>2</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 79</p><p>Note que no exemplo, a mão de obra familiar foi considerada igual a zero,</p><p>pois estamos avaliando o custo fixo de um bem, então não podemos envolver</p><p>esse item.</p><p>Os elementos na análise de uma propriedade</p><p>A mão de obra familiar, a depreciação e o custo de oportunidade do capital</p><p>empatado são custos que não geram desembolsos diretos ao produtor rural.</p><p>A realidade do campo</p><p>Ao analisar uma propriedade, você deverá prestar</p><p>atenção nesses três elementos de custos, pois eles</p><p>podem demonstrar qual é a capacidade produtiva</p><p>da empresa rural.</p><p>Ao mesmo tempo, eles limitam a capacidade</p><p>produtiva pela falta, podendo inviabilizar a atividade</p><p>quando a estrutura for muito pesada.</p><p>Outra observação importante é que deve se realizar o inventário somente</p><p>de bens que compõem a atividade e considerando seu uso efetivo na</p><p>atividade rural.</p><p>Acompanhe um exemplo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 80</p><p>Na prática</p><p>Na olericultura, não deve ser</p><p>alocado um curral de ordenha</p><p>para essa atividade, mesmo que a</p><p>propriedade desenvolva ambas.</p><p>Quando uma infraestrutura é</p><p>compartilhada entre duas ou mais</p><p>atividades, seu custo deverá ser</p><p>rateado proporcionalmente.</p><p>Se um mesmo galpão é utilizado</p><p>para guardar rações do gado</p><p>leiteiro e também fertilizantes,</p><p>a atividade que for mais</p><p>representativa em uso deverá</p><p>arcar com uma maior porcentagem</p><p>dos custos fixos desse local.</p><p>Outra situação a se observar é o inventário das terras. Quando a propriedade</p><p>trabalha exclusivamente com uma atividade, toda a área deverá ser lançada</p><p>como sendo dessa atividade. Porém, quando é desenvolvida mais do que uma</p><p>atividade, devemos considerar para a área da atividade o espaço que ela utiliza</p><p>diretamente e fazer o rateio das áreas consideradas de uso comum, como</p><p>pátios, estradas, aplicativos, reservas etc.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 81</p><p>Uma propriedade com valores</p><p>de depreciação e custo de</p><p>oportunidade muito elevados</p><p>mostra que possui uma vasta</p><p>infraestrutura (benfeitorias,</p><p>máquinas, equipamentos</p><p>e ferramentas). Ou seja,</p><p>que existe uma grande</p><p>capacidade produtiva</p><p>instalada.</p><p>De outra maneira, quando</p><p>encontramos propriedades</p><p>com esses mesmos custos</p><p>muito baixos, podemos</p><p>supor que têm pouca</p><p>capacidade produtiva, ou</p><p>que estão operando abaixo</p><p>da capacidade.</p><p>Em ambos os cenários, a empresa poderá operar em situação de ociosidade,</p><p>normalidade ou até mesmo abaixo da necessidade. Tudo isso só será possível</p><p>analisar quando avaliarmos o negócio como um todo, com a obtenção de mais</p><p>dados, conforme veremos a seguir.</p><p>Mão de obra familiar</p><p>Resumindo...</p><p>Resumindo...</p><p>É contabilizada no custo fixo porque geralmente não existe um</p><p>pagamento efetivo ‒ o produtor não paga a si mesmo.</p><p>Configura-se como um custo indireto, não havendo desembolso.</p><p>É um custo que sempre existirá, a não ser que se interrompa a atividade</p><p>e não haja mais possibilidade de executá-la</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 82</p><p>Durante todo o ciclo produtivo, o produtor realiza diversas pequenas retiradas</p><p>de valores para honrar compromissos pessoais, geralmente não uniformes,</p><p>mas de acordo com suas necessidades. Essas retiradas devem sair dos ganhos</p><p>da atividade olerícola e não devem ser consideradas como remuneração da</p><p>mão de obra familiar.</p><p>O valor atribuído à mão de obra familiar deve ter como base os valores</p><p>praticados na região. Ou seja, caso o produtor contrate alguém em seu</p><p>lugar, quanto pagaria pelo mesmo serviço? O mesmo critério deve ser</p><p>utilizado para todos os membros da família envolvidos na atividade.</p><p>Dois pontos críticos devem ser observados, pois são facilmente solucionados</p><p>quando se atêm a realidades distintas, mas que podem ocorrer na propriedade.</p><p>Conheça!</p><p>O produtor não possui mais condições físicas e/ou mentais de realizar</p><p>trabalho algum, muitas vezes já recebe os benefícios de aposentado rural.</p><p>Nessa situação, por não haver a oportunidade de venda da sua mão de obra,</p><p>esse custo não deverá ser computado.</p><p>Incapacidade de trabalho do produtor</p><p>Quando o administrador ou administradores realizam retiradas sistemáticas</p><p>e padronizadas, caracterizando salário. Sendo assim, elas vão compor o</p><p>COE (pagamento da administração), e não o custo fixo. Tal situação é mais</p><p>comum em grandes propriedades rurais, que podem até mesmo ter vários</p><p>proprietários (grupos empresariais).</p><p>Retirada sistemática de valores pelo administrador</p><p>A mão de obra familiar é tratada como custo fixo também pelo fato de não</p><p>responder, de forma imediata, às variações de escala de produção.</p><p>Note que não estamos dizendo que a aposentadoria que o produtor recebe</p><p>anula a contabilização na mão de obra familiar. Renda pessoal não possui nexo</p><p>algum com a renda oriunda da atividade rural. Em muitos casos, o produtor</p><p>é aposentado por idade ou tempo de contribuição, mas ainda se encontra em</p><p>pleno gozo de suas faculdades físicas e mentais, gerando uma oportunidade</p><p>e, portanto, um custo de mão de obra familiar</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 83</p><p>Depreciação</p><p>Resumindo...</p><p>Resumindo...</p><p>É um custo fixo e consiste em uma reserva monetária</p><p>para que a propriedade possa substituir os bens</p><p>duráveis no final de sua vida útil, mantendo a</p><p>capacidade produtiva da empresa.</p><p>Os principais itens geradores desse custo são</p><p>equipamentos, máquinas, veículos, forrageiras e</p><p>outra culturas não anuais, fertilizantes, sementes.</p><p>Na metodologia de ATeG para o cálculo dos custos de produção aplica-</p><p>se o método linear, ou seja, o valor da depreciação anual é igual em</p><p>todos os anos durante sua vida útil do bem.</p><p>Para minimizar a subjetividade, a mesma metodologia considera o valor de</p><p>sucata sempre igual a zero. Observe a fórmula:</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Vida útil</p><p>Depreciação</p><p>Valor de novo</p><p>VN - S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>Acompanhe como foi feito o cálculo da depreciação anual de um caminhão-</p><p>baú/câmara fria na Fazenda Santa Felicidade!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 84</p><p>Fazenda Santa Felicidade</p><p>O Técnico de Campo Marcelo sugeriu que o sr. Ariovaldo</p><p>analisasse a depreciação do seu caminhão-baú/câmara fria.</p><p>Juntos, chegaram a estes dados:</p><p>• Valor de novo do caminhão (VN) = R$ 80.000,00</p><p>• Vida útil (VU) = 15 anos</p><p>• Valor de sucata (S) = 0</p><p>Assim, foi calculado:</p><p>A depreciação anual do bem é de R$ 5.333,33, valor que o sr. Ariovaldo deve reservar para</p><p>a reposição do veículo ao final de sua vida útil.</p><p>R$ 80.000,00</p><p>15</p><p>d = R$ 5.333,33/anod =</p><p>Para situações em que há aquisição de máquinas, equipamentos e veículos usados</p><p>ainda dentro da vida útil, a metodologia prevê um tratamento diferenciado.</p><p>Para calcular a depreciação nesses casos, é utilizado o valor pago pelo bem,</p><p>denominado na fórmula como valor de compra (VC). O valor atribuído à sucata</p><p>será sempre zero e para a vida útil consideramos o valor residual (VR).</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Valor residual</p><p>Depreciação</p><p>Valor de compra</p><p>VC - S</p><p>VR</p><p>d =</p><p>Continue acompanhando o Sr. Ariovaldo e a sua história com o caminhão baú.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 85</p><p>Fazenda Santa Felicidade</p><p>O Técnico Marcelo fez os cálculos supondo que o sr. Ariovaldo</p><p>vá comprar de uma propriedade vizinha um caminhão já com</p><p>cinco anos de uso.</p><p>• Valor de compra (VC) = R$ 57.000,00</p><p>• Valor de sucata (S) = R$ 0</p><p>• Vida útil residual (VR) = 10 anos</p><p>Assim, foi calculado:</p><p>Nesse caso, sr. Ariovaldo deverá reservar R$ 5.700,00 por ano para que, ao final da vida</p><p>útil do bem, tenha condições de fazer sua reposição.</p><p>R$ 57.000,00 – 0</p><p>10</p><p>d = R$ R$ 5.700,00/anod =</p><p>Custo de oportunidade do capital</p><p>O custo de oportunidade sobre o capital empatado consiste na remuneração</p><p>anual esperada pelo dono do capital por emprestá-lo à atividade. Se</p><p>o valor dos bens (investimento do dono do capital em toda a propriedade)</p><p>estivesse aplicado na poupança, por exemplo, daria ao capitalista um retorno</p><p>de aproximadamente 6% de juros ao ano. É o mínimo que se espera que a</p><p>atividade seja capaz de remunerar pela oportunidade de uso do capital.</p><p>Como já visto, para calcular o custo de oportunidade do capital investido em</p><p>bens dentro do prazo de vida útil, devemos usar a seguinte fórmula:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 86</p><p>Taxa de juros</p><p>(6% a.a.)Custo de oportunidade</p><p>Valor de novo Sucata (sempre igual a “0”)</p><p>VN - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>O cálculo do custo de oportunidade sobre o capital empatado se apoia no ideal</p><p>de capital médio (divisão do valor de novo por 2), enquanto o bem avaliado</p><p>ainda está dentro do prazo de vida útil.</p><p>A lógica para utilizarmos o capital médio é:</p><p>Porque os juros sobre esse</p><p>capital ficam estabilizados</p><p>(linearmente) ao longo de</p><p>toda a vida útil do bem, pois</p><p>durante parte do tempo a</p><p>avaliação será mais próxima</p><p>do valor de novo e, no</p><p>restante, se aproximará do</p><p>valor totalmente depreciado.</p><p>Para minimizar a</p><p>subjetividade no momento</p><p>do levantamento do valor</p><p>dos bens, já que para apurar</p><p>o valor de novo existem</p><p>parâmetros diferentes ao</p><p>estimar o valor atual de um</p><p>bem usado.</p><p>A avaliação dos itens do inventário deverá ser realizada individualmente, item</p><p>a item, e não uma avaliação genérica de todos os itens conjuntamente. O</p><p>cálculo é realizado uma única vez, enquanto o item ainda está dentro de seu</p><p>prazo de vida útil</p><p>Entenda!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 87</p><p>Na prática</p><p>Agora, veja como calcular o valor do custo de oportunidade</p><p>sobre o capital empatado.</p><p>• Trator com valor de novo igual a R$ 150.000,00.</p><p>• Vida útil dentro do prazo.</p><p>Nesse caso, o custo de oportunidade desse trator será de R$ 4.500,00 por ano.</p><p>VN - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>R$ 15.000,00 - 0</p><p>2</p><p>CO = X 6%a.a</p><p>R$ 4.500,00/anoCO =</p><p>A metodologia de ATeG não considera o cálculo de juros sobre o capital empatado</p><p>em terras, somente sobre benfeitorias, máquinas, equipamentos, ferramentas,</p><p>pastagens, culturas não anuais e rebanho.</p><p>Informação extra</p><p>Também não é considerado o cálculo de juros sobre o</p><p>capital de giro, pois devem ser observadas, em cada caso,</p><p>a dimensão e a necessidade desse item. A metodologia</p><p>de ATeG atende, sob a mesma ótica, diversas cadeias</p><p>produtivas com características individuais diversas,</p><p>o que a torna pouco prática para a realização de uma</p><p>análise de capital de giro caso a caso.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 88</p><p>Custo de oportunidade de bens depreciados</p><p>Após o encerramento da vida útil dos bens, a forma de calcular o custo de</p><p>oportunidade sobre o capital empatado é alterada. A justificativa é de que não</p><p>haverá mais tempo de uso desse bem para estabilizar o cálculo desses juros</p><p>no decorrer do período analisado.</p><p>Porém, o administrador (produtor rural) ainda detém o bem em sua posse,</p><p>portanto, tem oportunidade de capital implícito, mesmo que o item já não</p><p>valha mais o que valia no início de sua vida útil.</p><p>A metodologia de ATeG prevê particularidades no cálculo do custo</p><p>de oportunidade dos bens depreciados, conforme a categoria a que</p><p>pertencem: animais, benfeitorias e plantações, máquinas, veículos e</p><p>equipamentos.</p><p>Particularidades no cálculo do custo de</p><p>oportunidade sobre o capital empatado em</p><p>máquinas, veículos e equipamentos já depreciados</p><p>Nesses casos, deverá ser considerado o valor atual de mercado do bem, a fim</p><p>de valorar quanto se poderia obter de capital ao comercializá-lo. Entretanto,</p><p>este já não será capital médio, e sim integral, de acordo com a fórmula a seguir:</p><p>Taxa de juros</p><p>(6% a.a.)Custo de oportunidade</p><p>Valor de mercado Sucata (sempre igual a “0”)</p><p>VM - SCO = X i</p><p>Uma vez que, ano a ano, todos os bens sofrem paulatinamente uma redução</p><p>no seu valor de mercado, será necessária a realização de uma atualização</p><p>do inventário de bens depreciados anualmente, a fim de que o inventário se</p><p>aproxime o máximo possível do custo real.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 89</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade rural possui em seu inventário um trator:</p><p>• quando novo valia: R$ 120.000,00,</p><p>• atualmente vale: R$ 30.000,00.</p><p>Considerando a taxa de juros médios de 6% a.a., observe o</p><p>cálculo do custo de oportunidade do capital investido.</p><p>Assim, observamos que o custo de oportunidade desse trator é de R$ 1.800,00 ao ano.</p><p>CO = R$ 30.000,00 - 0 X 6%a.aCO = VM - S X i</p><p>CO = R$ 1.800,00/ano</p><p>Custo de oportunidade sobre benfeitorias e</p><p>lavouras não anuais já depreciadas</p><p>No caso de benfeitorias e lavouras com a vida útil esgotada, o custo de</p><p>oportunidade do capital investido continua sendo calculado com base no capital</p><p>médio. Acompanhe!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 90</p><p>Na prática</p><p>Observe como é feito o cálculo do custo de</p><p>oportunidade do capital do seguinte item:</p><p>• estufa para produção de olerícolas com a vida útil</p><p>já esgotada,</p><p>• (VN) valor de nova de R$ 50.000,00,</p><p>• juros médios de 6%</p><p>a.a.</p><p>VM - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>R$ 50.000,00 - 0</p><p>2</p><p>CO = X 6%a.a</p><p>R$ 1.500,00/anoCO =</p><p>Custo de oportunidade sobre uma área de cultivo</p><p>de seringueiras</p><p>Extraído da seringueira, o látex usado na produção de borracha e luvas cirúrgicas</p><p>também está presente em pneus de carros, aviões e variado número de</p><p>utensílios. Essa árvore deve ser vista como um dos componentes para a</p><p>mensuração da riqueza do produtor rural, pois a madeira possui valor de</p><p>mercado. Isso se mostra totalmente verdadeiro quando o produtor decide</p><p>paralisar sua atividade de produção de látex e se desfazer das plantas</p><p>de seringueira</p><p>florestal</p><p>(madeira) em capital</p><p>corrente</p><p>(dinheiro).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 91</p><p>A forma de mensuração desse capital empatado em madeira se dará pela</p><p>quantificação do estoque por categoria por estágio de desenvolvimento das</p><p>seringueiras (inventário florestal), multiplicado pelo valor médio de mercado local</p><p>para cada uma das fases de desenvolvimento das plantas arbóreas cultivadas.</p><p>O valor considerado deve ser uma média dos preços pagos na região,</p><p>para não correr o risco de mascarar os resultados, superdimensionando</p><p>esse capital considerando o valor máximo, ou subdimensionando</p><p>considerando o valor mínimo</p><p>Uma vez estabelecido o critério de avaliação pelo valor médio, é utilizada a</p><p>mesma base da fórmula de custo de oportunidade sobre bens depreciados.</p><p>Observe!</p><p>CO = VM - S X i</p><p>Entenda!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade rural desenvolve atividade de cultivo da</p><p>seringueira.</p><p>• O inventário total da floresta está avaliado em</p><p>R$ 3.850.000,00.</p><p>• O valor do custo de oportunidade sobre capital</p><p>empatado será:</p><p>CO = (VM + S) × i</p><p>CO = (R$ 3.850.000,00 + 0) × 6%</p><p>CO = R$ 231.000,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 92</p><p>Conforme observado no exemplo, geralmente será encontrado um grande impacto</p><p>do custo de oportunidade nas florestas analisadas. Por isso, é fundamental ter</p><p>muito critério no momento dessa análise, pois corre-se o risco de distorcer o</p><p>custo total de produção.</p><p>Pare para pensar</p><p>O capital empatado em madeira pode ser elevado, o que</p><p>impacta os custos fixos na forma de custo de oportunidade</p><p>sobre o capital. O que precisa ser investigado é se</p><p>o seringal está desestruturado e os motivos dessa</p><p>desestruturação.</p><p>Pode ser que:</p><p>• a atividade esteja sendo ineficiente, com muitas plantas</p><p>improdutivas na floresta;</p><p>• as plantas estejam sendo intensivamente exploradas com</p><p>o propósito de aumentar a produção ao ponto de perder</p><p>unidades por morte — a utilização de mão de obra não</p><p>qualificada na extração do látex pode gerar o mesmo</p><p>problema de mortes de plantas;</p><p>• a área de cultivo de seringueira está muito elevada em</p><p>relação à produção.</p><p>O que acha? Já pensou nisso?</p><p>Escreva o que você acredita quanto a esse questionamento</p><p>e siga. Ao finalizar o tema, volte e veja se sua opinião</p><p>mudou!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 93</p><p>É fundamental entender as motivações do elevado estoque de capital empatado</p><p>em plantas de seringueiras para que se tenha condições de fazer uma boa</p><p>leitura da situação e, junto com o produtor, tomar as decisões mais coerentes.</p><p>Observe um exemplo!</p><p>Uma propriedade conta com:</p><p>• 500 plantas</p><p>• em três fases diferentes de desenvolvimento</p><p>Para o cálculo do custo de oportunidade (juros)</p><p>sobre o capital empatado em plantas de seringueira,</p><p>estando dentro ou fora da vida útil, utiliza-se a</p><p>seguinte fórmula:</p><p>CO = VM - S X i</p><p>Observe na tabela a forma prática desse cálculo!</p><p>Descrição Quant. de</p><p>plantas</p><p>Valor médio</p><p>unitário (por</p><p>planta)</p><p>Vida útil</p><p>(anos) Idade Custo de</p><p>oportunidade</p><p>Seringueiras 1 225 R$ 7,00 24 10 R$ 94,50</p><p>Seringueiras 2 200 R$ 7,70 24 15 R$ 92,40</p><p>Seringueiras 3 75 R$ 8,40 24 20 R$ 37,80</p><p>TOTAL R$ 224,70</p><p>Juros de financiamento versus custos de produção</p><p>É importante que o Técnico de Campo e o produtor tenham plena consciência</p><p>de que a atividade em si não necessita de financiamento, apenas de recursos,</p><p>para que possa ser executada, não importando a fonte ou as taxas envolvidas.</p><p>Entenda!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 94</p><p>Na prática</p><p>Uma produtora de milho adquiriu um trator financiado</p><p>com os seguintes parâmetros:</p><p>• valor de novo igual a R$ 120.000,00,</p><p>• vida útil de 15 anos,</p><p>• taxa de juros anuais contratada definida pela</p><p>instituição financeira em 8% ao ano,</p><p>• tempo de carência de 3 anos,</p><p>• 7 parcelas anuais até a quitação do bem, totalizando</p><p>10 anos.</p><p>VN - S</p><p>VU</p><p>d = d = R$ 8.000/ano</p><p>R$ 120.000 - 0</p><p>15</p><p>d =</p><p>Observe a maneira de contabilizar a entrada desse bem no sistema produtivo, no custo de</p><p>produção da atividade.</p><p>A aquisição dessa máquina resultará em três alterações financeiras na propriedade:</p><p>• custo de oportunidade sobre capital empatado,</p><p>• depreciação do bem,</p><p>• fluxo de caixa.</p><p>As duas primeiras dizem respeito ao custo de produção; a última, apenas ao próprio fluxo</p><p>de caixa.</p><p>Cálculo da depreciação:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 95</p><p>Cálculo do custo de oportunidade:</p><p>Em relação ao fluxo de caixa, temos:</p><p>• valor de novo = R$ 120.000,00,</p><p>• valor total dos juros contratados = R$ 96.000,00 (R$120.000,00 x 6% a.a. x 10 anos)</p><p>• custo total do bem para a produtora = R$ 216.000,00,</p><p>• valor da parcela anual = R$ 30.857,14 (7 parcelas após 3 anos de carência).</p><p>Esse será o valor (R$ 30.257,14) que vai compor o fluxo de caixa – é um pagamento, uma</p><p>saída de capital da empresa. Não há nenhuma relação com o custo de produção.</p><p>VM - S</p><p>2</p><p>CO = X i</p><p>R$ 120.000,00 - 0</p><p>2</p><p>CO = X 6%a.a</p><p>R$ 3.600,00/anoCO =</p><p>De acordo com a análise do exemplo, essa máquina comporá o custo de produção</p><p>de milho com a depreciação e o custo de oportunidade do capital empatado.</p><p>Observe que o valor do equipamento foi aportado no inventário de recursos da</p><p>propriedade, totalmente no início do primeiro ciclo, não tendo ligação alguma</p><p>com seu parcelamento e prazo de carência. O que foi contabilizado é seu custo</p><p>(depreciação e custo de oportunidade) durante sua vida útil produtiva.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 96</p><p>Custo fixo médio</p><p>O custo fixo médio nos remete ao custo fixo por unidade produzida em</p><p>determinado período analisado, e é calculado desta forma:</p><p>Custo fixo médio</p><p>Custo fixo total</p><p>Produção total no período</p><p>analisado (ano, mês etc.)</p><p>CF Total</p><p>Produção</p><p>CFM =</p><p>É importante que o Técnico de Campo realize o cálculo do custo fixo médio</p><p>por unidade, para que possa fazer a análise da eficiência dessa empresa em</p><p>ofertar seus produtos ao mercado. O aumento do custo fixo unitário pode ser</p><p>um indicativo de ineficiência da atividade.</p><p>Porém, isso não é regra, pois é possível que a aquisição dos bens, que geram</p><p>aumento no custo fixo, causem redução no COE. Acompanhe um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade de produção de alface realizou, de uma só vez,</p><p>todo o investimento necessário em infraestrutura de:</p><p>• galpões para depósito;</p><p>• estufas para produção;</p><p>• sistema de irrigação;</p><p>• pulverizador;</p><p>• automóvel;</p><p>• etc.</p><p>Porém, ainda está em fase de formação da escala de produção</p><p>de alface.</p><p>Logo, sua análise de custo fixo unitário será altamente prejudicada,</p><p>uma vez que o cenário aponta alto custo fixo, com pouca produção.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 97</p><p>Assim como no exemplo, temos ainda o comportamento do custo fixo médio</p><p>(CFM), que, diante de diferentes volumes anuais de produção de alface</p><p>(aumentados em uma escala de 200 unidades/dia em cada simulação — 200</p><p>unidades por dia x 365 dias = 73.000 unidades), mantém inalterada a estrutura</p><p>de custo fixo total (CFT).</p><p>Veja na tabela!</p><p>Simulação Volume</p><p>(unidade da alface) CFT (R$) CFM (R$)</p><p>1 73.000</p><p>R$ 190.000,00</p><p>R$ 2,60</p><p>2 146.000 R$ 1,30</p><p>3 219.000 R$ 0,87</p><p>4 292.000 R$ 0,65</p><p>A partir dos dados apresentados, teremos diferentes impactos dos custos</p><p>fixos totais sobre a unidade produzida, de acordo com a escala de produção</p><p>estabelecida.</p><p>Observe o gráfico!</p><p>Observe também o</p><p>comportamento do custo fixo</p><p>médio, que tem tendência de</p><p>redução por unidade produzida</p><p>quando a</p><p>produção aumenta.</p><p>Essa redução pode chegar a</p><p>valores irrisórios, porém</p><p>jamais será igual a zero.</p><p>É possível observar que o</p><p>custo fixo total se mantém</p><p>estável ao longo de todo o</p><p>período analisado.</p><p>Isso ocorre</p><p>independentemente do</p><p>volume de produção, desde</p><p>que se mantenham estáveis as</p><p>variáveis que o compõem</p><p>(mão de obra familiar,</p><p>depreciação e custo de</p><p>oportunidade).</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Produção</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 98</p><p>Observe também o</p><p>comportamento do custo fixo</p><p>médio, que tem tendência de</p><p>redução por unidade produzida</p><p>quando a produção aumenta.</p><p>Essa redução pode chegar a</p><p>valores irrisórios, porém</p><p>jamais será igual a zero.</p><p>É possível observar que o</p><p>custo fixo total se mantém</p><p>estável ao longo de todo o</p><p>período analisado.</p><p>Isso ocorre</p><p>independentemente do</p><p>volume de produção, desde</p><p>que se mantenham estáveis as</p><p>variáveis que o compõem</p><p>(mão de obra familiar,</p><p>depreciação e custo de</p><p>oportunidade).</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Produção</p><p>R</p><p>$</p><p>Custo</p><p>Fixo Total</p><p>Custo</p><p>Fixo Médio</p><p>Valor da Terra</p><p>A metodologia de cálculo do custo de produção utilizada não considera o valor</p><p>da terra como componente do custo de produção. São avaliadas todas as</p><p>benfeitorias úteis que estão sobre ela (incluindo poço artesiano, se houver).</p><p>Pare para pensar</p><p>Em duas propriedades com a mesma atividade, porém</p><p>em regiões onde há grande variação no valor da terra,</p><p>não existe a oportunidade de comparação. Isso acontece</p><p>porque a atribuição de menores custos da atividade vai</p><p>para quem tem a terra com valor menor, e os maiores</p><p>custos da atividade vão para quem tem a terra com</p><p>valor maior.</p><p>Os bens são inventariados à parte, quando o estoque de capital médio é</p><p>apurado. Para obtermos o valor da terra nua, deve ser desconsiderado todo o</p><p>inventário realizado, contabilizando somente o tamanho da área multiplicado</p><p>pelo valor de mercado do hectare naquela região.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 99</p><p>Utilizamos a seguinte fórmula:</p><p>Área Valor do</p><p>hectare</p><p>Valor da</p><p>terra nua</p><p>Na metodologia de ATeG, não é contabilizada a remuneração do capital empatado,</p><p>nem a depreciação sobre o valor da terra nua. O capital empatado em terras será</p><p>levado em consideração apenas quando for calculada a taxa de remuneração do</p><p>capital com terra, conforme você verá mais adiante no tema sobre indicadores.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Compreendeu</p><p>como é formado o</p><p>custo fixo em uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Analisou a forma</p><p>que esse indicador</p><p>é aplicado em casos</p><p>práticos.</p><p>Entendeu como realizar os</p><p>cálculos necessários para</p><p>chegar aos resultados</p><p>esperados.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 100</p><p>Tópico 2: Custo total</p><p>Será que determinar o custo total é somar todos os demais</p><p>custos, simples assim?</p><p>A partir de agora, você verá como determinar o custo total de uma</p><p>produção agropecuária, compreendendo as peculiaridades de cada</p><p>cadeia produtiva.</p><p>O custo total engloba todos os custos, tanto variáveis como fixos, pois é a</p><p>soma do custo operacional total (COT) com o custo de oportunidade (CO) do</p><p>capital empatado em benfeitorias, máquinas, equipamentos, veículos, móveis,</p><p>utensílios e outros bens.</p><p>Sua fórmula é a seguinte:</p><p>CT = COT + COCusto total</p><p>Custo operacional total Custo de oportunidade</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 101</p><p>Além da depreciação e da mão de obra familiar, devemos contabilizar o custo</p><p>de oportunidade do capital investido na atividade, que corresponde à remuneração</p><p>pelo uso do capital no processo produtivo analisado.</p><p>É como se todo o dinheiro aplicado na atividade estivesse</p><p>alocado em outro tipo de investimento e a nossa base</p><p>de comparação é a taxa de remuneração da poupança,</p><p>que paga juros reais de 6% ao ano, em média.</p><p>O custo de oportunidade do capital investido corresponde, em média,</p><p>a 6% ao ano sobre o somatório dos valores investidos na atividade</p><p>rural avaliada.</p><p>Nesse ponto, é importante dividir o produtor em duas figuras distintas: o</p><p>empreendedor e o capitalista.</p><p>O empreendedor é quem realiza o</p><p>processo produtivo. Ele precisa de</p><p>recursos financeiros para executar</p><p>a atividade de sua opção. Porém, o</p><p>empreendedor é tão somente um</p><p>executor que não detém recursos</p><p>financeiros e deve recorrer ao</p><p>capitalista para tomar emprestado os</p><p>recursos necessários.</p><p>Capitalista é o dono do capital.</p><p>Ocorre que, na maioria das vezes, o</p><p>empreendedor e o capitalista são a</p><p>mesma pessoa, ou seja, o produtor</p><p>rural tem recursos próprios, que</p><p>serão empregados na execução da</p><p>produção. Em caso de tomada de</p><p>crédito de custeio e/ou investimentos</p><p>– aquisição de dívidas – o dono do</p><p>capital (capitalista) deverá arcar com as</p><p>parcelas e os juros do financiamento.</p><p>A atividade, representada pelo</p><p>empreendedor, remunera o capitalista</p><p>(dono do capital) pela oportunidade de</p><p>uso do capital, o que na metodologia</p><p>de ATeG chamamos de custo de</p><p>oportunidade sobre o capital empatado.</p><p>Empreendedor Capitalista</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 102</p><p>Quando o produtor é, ao mesmo tempo, empreendedor e capitalista, não é</p><p>nada mais natural que o capital aplicado/emprestado seja remunerado.</p><p>Na configuração apresentada, isso não vai gerar desembolsos diretos, pois a</p><p>remuneração será paga a ele mesmo. Além disso, não vai compor o fluxo de</p><p>caixa, apenas o custo de produção.</p><p>Entenda!</p><p>Na prática</p><p>Um produtor de cítricos financiou um valor em uma</p><p>instituição de crédito para a compra de fertilizantes.</p><p>• Valor financiado: R$ 50.000,00.</p><p>• Taxa cobrada para esse capital de giro: 25% a.a.</p><p>• Prazo de pagamento: seis meses.</p><p>Veja como encontrar o valor atribuído ao COE dessa atividade e o valor de juros pago.</p><p>O valor a ser atribuído ao COE será apenas a quantia de R$ 50.000,00. Isso se dá pelo fato</p><p>de que a atividade necessitava do fertilizante (comprado por esse valor no mercado), e não</p><p>do capital, muito menos dos juros.</p><p>Como a metodologia de ATeG não considera juros sobre capital de giro, não incidirão juros</p><p>no custo de produção.</p><p>O produtor contratou o crédito com a taxa de 25% a.a., ou seja, pagará o equivalente a</p><p>12,5% no período correspondente ao prazo de pagamento (6 meses).</p><p>Calculando o valor total a ser pago pelo produtor, temos:</p><p>Apenas a título de juros à instituição credora, o produtor tomador pagará a quantia de R$</p><p>6.250,00. Essa quantia não vai compor o custo de produção, somente o fluxo de caixa,</p><p>uma vez que vai de fato “sair do caixa”. Esse custo, apesar de efetivo, é debitado ao</p><p>empreendedor, e não à atividade.</p><p>R$ 50.000 x 12,5</p><p>100</p><p>Valor a ser pago = Valor a ser pago = R$ 6.250,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 103</p><p>Custo total médio</p><p>O custo total médio é o resultado da divisão do custo total da atividade pelo</p><p>volume produzido, calculado assim:</p><p>Custo total</p><p>Produção</p><p>Custo total médio =</p><p>É fundamental conhecer e analisar o custo total por unidade produzida. Ele nos</p><p>dará condições de analisar a eficiência da empresa, se seus custos e receitas</p><p>estão equilibrados e se a escala de produção está adequada em relação à</p><p>estrutura envolvida.</p><p>O gráfico a seguir nos ajuda a compreender a tendência de comportamento</p><p>do custo total médio em função da escala de produção. Observe!</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 104</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>t</p><p>o</p><p>ta</p><p>l m</p><p>éd</p><p>io</p><p>Produçãoq0</p><p>Quando a escala de produção</p><p>é pequena, o custo total</p><p>médio tende a ser alto, pois</p><p>as unidades produzidas são</p><p>poucas para poderem diluir o</p><p>custo fixo.</p><p>A diluição vai acontecendo com o aumento</p><p>da escala de produção.</p><p>Para fazer com</p><p>que a produção</p><p>aumente, geralmente os custos</p><p>variáveis aumentam, com o</p><p>pagamento de insumos, mão de</p><p>obra, serviços de máquinas etc.,</p><p>fazendo com que o custo total</p><p>médio volte a subir.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 105</p><p>O custo total médio pode ser utilizado para diversas unidades comerciais, como:</p><p>• unidade de alface, repolho, couve-flor;</p><p>• arroba de erva-mate;</p><p>• litro de leite;</p><p>• metros cúbicos ou lineares de madeira;</p><p>• hectares de terra (10.000 m²);</p><p>• toneladas de resíduos orgânicos;</p><p>• quilo da carne;</p><p>• sacas de milho (ou de café, feijão, arroz, trigo, soja);</p><p>• caixa de tomate (ou de laranja, uva, maçã etc.).</p><p>Custo total por área</p><p>O custo total por área é resultado da divisão do custo total da atividade pela</p><p>área utilizada. O cálculo é realizado da seguinte forma:</p><p>Custo total</p><p>Área da</p><p>atividade/ha</p><p>Custo total por área =</p><p>A análise do custo total por área oferece elementos para compreender a</p><p>eficiência do uso dos recursos, especialmente da terra, permitindo ainda fazer</p><p>comparações entre áreas da propriedade e outras propriedades.</p><p>Muitos são os empresários rurais que se preocupam com os preços dos</p><p>produtos e poucos são os que dedicam tempo e energia para conhecer</p><p>e controlar os custos de produção. São os custos que estão sob nosso</p><p>controle, não os preços.</p><p>Todos os fatores formadores de custos de uma atividade precisam ser conhecidos</p><p>e, a partir daí, administrados. Só dessa forma seremos bem-sucedidos em</p><p>nossas atividades.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 106</p><p>No Youtube, neste link:</p><p>https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=JxDDwCliOew&list=PLpvd_</p><p>yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=18</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Compreendeu</p><p>o conceito de</p><p>custo total.</p><p>Entendeu as</p><p>complexidades existentes</p><p>em cada cadeia produtiva</p><p>para a determinação do</p><p>custo total.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=JxDDwCliOew&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=19</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=JxDDwCliOew&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=19</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=JxDDwCliOew&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=19</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 107</p><p>Tópico 3: Margem bruta</p><p>Afinal, o que é margem bruta na prática?</p><p>A partir de agora, você verá o conceito de margem bruta e como</p><p>defini-la considerando as variáveis de uma atividade rural.</p><p>Margem bruta é um indicador que é frequentemente utilizado de forma empírica</p><p>pelos produtores. Muitas vezes é interpretado erroneamente como lucro (cujo</p><p>conceito ainda será estudado neste módulo).</p><p>RB COEMB</p><p>Em um reflexo natural, depois que o produtor vende a produção e paga as</p><p>despesas, ele analisa quanto sobrou e chama isso de lucro, o que não passa</p><p>da margem bruta. Ele esquece que foram pagos apenas os custos operacionais</p><p>efetivos, sem considerar a mão de obra familiar, a depreciação e o custo de</p><p>oportunidade do capital.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 108</p><p>A margem bruta permite ao gestor analisar aspectos fundamentais da produção</p><p>e do negócio. A partir da sua apuração é possível:</p><p>• identificar se a margem bruta é suficiente para cobrir os custos fixos,</p><p>• analisar se essa unidade produtiva é capaz de suportar oscilações de mercado,</p><p>tanto nos preços dos insumos quanto no preço de venda dos produtos.</p><p>Conheça os passos para calcular a margem bruta!</p><p>Assuntos do campo</p><p>E o papo da vez é a margem bruta, o indicador</p><p>essencial para que uma propriedade continue</p><p>produzindo.</p><p>Afinal, para que isso aconteça, ela precisa de fluxo</p><p>de caixa positivo, o que só é possível se tiver a</p><p>margem bruta positiva.</p><p>A margem bruta permite analisar a capacidade</p><p>operacional da empresa a curto prazo.</p><p>Para calcular esse indicador de forma correta, o</p><p>gestor precisa realizar três passos. Anote, porque</p><p>é importante!</p><p>O primeiro passo é considerar a receita obtida pela</p><p>venda dos produtos e subprodutos da atividade.</p><p>A riqueza que foi produzida no período analisado,</p><p>mas que ainda não foi vendida, também entra como</p><p>renda.</p><p>Essa situação acontece nas atividades de criação</p><p>animal, caso tenha ocorrido uma variação no</p><p>inventário, em que o produtor aumentou seu</p><p>patrimônio.</p><p>Outra consideração é o consumo de produtos gerados</p><p>pela atividade e que não são comercializados,</p><p>como carne e feijão para o consumo das pessoas,</p><p>leite para o aleitamento de bezerros, esterco ou</p><p>composto para adubar as lavouras e pastagens.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 109</p><p>O segundo passo é retirar os pagamentos ou</p><p>recebimentos referentes a empréstimos, pois eles</p><p>não são componentes da renda, mas apenas do</p><p>fluxo de caixa.</p><p>Se o dinheiro for utilizado como capital de giro, os</p><p>insumos adquiridos entram no custo operacional</p><p>efetivo do produto.</p><p>Já o terceiro passo é retirar os itens de</p><p>investimento, ou seja, verificar se atendem a mais</p><p>de um ciclo produtivo, não fazendo parte do custo</p><p>operacional efetivo.</p><p>É importante fazer esse filtro antes da análise, pois</p><p>é muito comum considerar um item que foi pago</p><p>à vista como despesa, mesmo que ele possa ser</p><p>utilizado por mais de um ciclo produtivo.</p><p>Os itens que devem ser destacados podem ser, por</p><p>exemplo, latões de leite, roçadeira costal e aparelho</p><p>de cerca elétrica, entre outros.</p><p>É isso! Seguindo esses três passos, fica mais fácil</p><p>calcular a margem bruta.</p><p>Fazer com que o empreendimento tenha margem bruta positiva e sustentável</p><p>é a primeira tarefa do gestor, pois qualquer empreendimento com margem</p><p>bruta negativa, se não tiver sua estrutura de custos revisada, estará à beira</p><p>do fechamento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 110</p><p>Análise da margem bruta</p><p>Veja os tipos de margem bruta:</p><p>Numa empresa em situação de margem bruta negativa, a renda obtida com a</p><p>venda da produção não cobre os custos operacionais efetivos (desembolsos),</p><p>o que gera dificuldades operacionais que comprometem o fluxo de caixa,</p><p>chegando a inviabilizar completamente a atividade. É preciso muita cautela</p><p>ao interpretar indicadores, pois eles nos dão informações sobre o momento</p><p>da análise, não significando que a situação apresentada seja definitiva. É</p><p>necessário um constante acompanhamento de sua evolução.</p><p>MB < 0 | Margem bruta negativa</p><p>Na empresa que apresenta resultados de margem bruta iguais a zero, a</p><p>renda obtida com a venda da produção é suficiente apenas para cobrir os</p><p>custos operacionais efetivos. Ela não consegue pagar mão de obra familiar,</p><p>depreciação e custo de oportunidade do capital empatado. Caso a situação</p><p>não seja revertida, a tendência é a de que seus bens venham a se exaurir, já</p><p>que a empresa não terá condições de mantê-los, tampouco de substitui-los.</p><p>MB = 0 | Margem bruta igual a zero</p><p>Quando a margem bruta for maior do que zero, significa que a propriedade</p><p>é viável no curto prazo, podendo pagar todos os custos operacionais efetivos</p><p>e sobrando recursos para pagar toda ou parte da mão de obra familiar, da</p><p>depreciação e do custo de oportunidade do capital.</p><p>A empresa que apresenta uma situação de margem bruta positiva, porém</p><p>com margem líquida negativa, requer um acompanhamento da evolução de</p><p>seus indicadores, a fim de que sejam identificados os principais gargalos e</p><p>realizados os ajustes necessários.</p><p>MB > 0 | Margem bruta positiva</p><p>MB < 0</p><p>MB = 0</p><p>MB > 0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 111</p><p>Acompanhe um exemplo prático!</p><p>Na prática</p><p>Ao analisar os dados da Fazenda Jussara, o seguinte quadro se apresentou. Observe!</p><p>Fazenda Jussara</p><p>A Fazenda Jussara é uma propriedade de médio</p><p>porte destinada à produção de batata-doce, cujo</p><p>cultivo é realizado com variedades precoces e tardias</p><p>em várias etapas durante o ano para garantir a</p><p>venda ininterrupta do produto. O seu proprietário</p><p>está analisando qual é a viabilidade da sua</p><p>fazenda no curto prazo e quer saber se o negócio é</p><p>sustentável pelo cálculo da margem bruta. Para isso,</p><p>conta com a ajuda de um Técnico de Campo.</p><p>Renda bruta da produção de batata-doce</p><p>Mês Quantidade em caixas Valor unitário Valor total</p><p>Janeiro 725 R$</p><p>30,00 R$ 21.750,00</p><p>Fevereiro 765 R$ 35,00 R$ 26.775,00</p><p>Março 830 R$ 30,00 R$ 24.900,00</p><p>Abril 750 R$ 40,00 R$ 30.000,00</p><p>Maio 715 R$ 30,00 R$ 21.450,00</p><p>Junho 900 R$ 45,00 R$ 40.500,00</p><p>Julho 915 R$ 40,00 R$ 36.600,00</p><p>Agosto 940 R$ 40,00 R$ 37.600,00</p><p>Setembro 925 R$ 30,00 R$ 27.750,00</p><p>Outubro 850 R$ 30,00 R$ 25.500,00</p><p>Novembro 835 R$ 35,00 R$ 29.225,00</p><p>Dezembro 850 R$ 35,00 R$ 29.750,00</p><p>Renda bruta total 10.000 R$ 351.800,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 112</p><p>Analisando os dados fornecidos nas planilhas, temos:</p><p>• RB = R$ 351.800,00</p><p>• COE = R$ 57.230,00</p><p>MB = RB – COE</p><p>MB = R$ 351.800,00 – R$ 57.230,00</p><p>MB = R$ 294.570,00</p><p>Assim, chegamos à conclusão de que na propriedade a atividade proporcionou margem</p><p>bruta positiva no valor de R$ 294.570,00/ano.</p><p>Dessa forma, o proprietário pode ficar tranquilo, já que a atividade é viável a curto prazo,</p><p>pois cobre os custos operacionais. Mas o Técnico de Campo já avisou que não se pode</p><p>estender essas informações para um longo prazo, já que não existem dados sobre os custos</p><p>fixos, que podem ser maiores do que a margem bruta.</p><p>Planilha do custo operacional efetivo (COE) da produção de batata-doce</p><p>Item Valor</p><p>Mão de obra permanente R$ 17.000,00</p><p>Mão de obra avulsa (diarista) R$ 4.000,00</p><p>Subsolagem do solo R$ 1.750,00</p><p>Gradagem do solo R$ 2.300,00</p><p>Levantamento de leiras R$ 4.000,00</p><p>Adubos R$ 5.000,00</p><p>Corretivos R$ 2.000,00</p><p>Fungicida R$ 500,00</p><p>Transporte R$ 1.200,00</p><p>Energia e combustível R$ 7.000,00</p><p>Inseticida R$ 350,00</p><p>Impostos e taxas R$ 2.500,00</p><p>Reparos de benfeitorias R$ 2.300,00</p><p>Reparos de máquinas R$ 2.750,00</p><p>Outros gastos de custeio R$ 4.580,00</p><p>COE TOTAL R$ 57.230,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 113</p><p>Apenas conhecendo a margem bruta da atividade não é possível concluir a</p><p>viabilidade da atividade a médio e longo prazos.</p><p>Margem bruta/área</p><p>Considerando a manutenção das estruturas de custos fixos, esse indicador</p><p>pode ser utilizado para comparar diversas atividades agropecuárias e decidir</p><p>qual explorar. Vamos voltar ao exemplo da Fazenda Jussara.</p><p>Na prática</p><p>O proprietário viu que ocupa uma área de 10 hectares da propriedade para a produção de</p><p>batata-doce. Mais uma vez, com a ajuda do Técnico de Campo, realizou o seguinte cálculo:</p><p>• produção média por hectare de batata-doce: 1.000 caixas de 20 kg cada uma;</p><p>• área: 10 hectares da propriedade;</p><p>• comercialização em caixas de madeira e papelão: R$ 35,18 em média na lavoura (sem</p><p>o processo de lavagem da batata-doce) para cada caixa de 20 kg.</p><p>A renda bruta é calculada levando em consideração a quantidade de caixas produzidas por</p><p>hectare multiplicada pela quantidade de hectares utilizados na produção para obter seu</p><p>total. Depois, é multiplicado o total produzido pelo preço de venda.</p><p>Renda bruta:</p><p>• Produção = 1.000 caixas/ha</p><p>• Produção = 1.000 x 10 ha = 10.000 caixas</p><p>• Preço médio = R$ 35,18/caixa</p><p>Renda bruta = 10.000 cx. x R$ 35,18 = R$ 351.800,00</p><p>Renda bruta = 36.000 sacas x R$ 33,00 = R$ 1.188.000,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 114</p><p>O cálculo do COE total da produção de batata-doce é simples, basta saber o valor do custo</p><p>operacional efetivo por hectare e multiplicar pela quantidade de hectares ocupados pela</p><p>cultura.</p><p>COE = x 10 ha</p><p>R$ 5.723,00</p><p>ha</p><p>Então, para calcular a margem bruta total, basta utilizar o valor da renda bruta da produção</p><p>e subtrair o valor do COE total, tendo assim a margem bruta da atividade.</p><p>MB</p><p>ha</p><p>294.570,00</p><p>10</p><p>MB = R$ 351.800,00 – R$ 57.230,00 =</p><p>MB = R$ 294.570,00</p><p>=</p><p>MB</p><p>ha</p><p>R$ 29.457,00/ha=</p><p>Diante desse cenário, o empresário identificou que, com a mecanização</p><p>que tinha disponível e com as características de clima e topografia, poderia</p><p>explorar milho na mesma área. Para definir se manteria a batata-doce ou</p><p>exploraria milho, ele calculou a margem bruta/ha projetada para o milho</p><p>naquele ano agrícola.</p><p>Observe!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 115</p><p>Na prática</p><p>Planilha de custo operacional efetivo (COE) da produção de milho por hectare:</p><p>Item Valor (R$)</p><p>Semente de milho 461</p><p>Corretivo de solo 93</p><p>Macronutrientes 899</p><p>Micronutrientes 217</p><p>Fungicida 85</p><p>Inseticida 223</p><p>Adjuvante 31</p><p>Herbicida 263</p><p>Operações mecanizadas 165</p><p>Reparos de benfeitorias 124</p><p>Reparos de máquinas 161</p><p>Operações e aéreas 92</p><p>Transporte da produção 240</p><p>Beneficiamento 191</p><p>Assistência técnica 15</p><p>Armazenagem 70</p><p>Impostos e taxas 42</p><p>Despesas de administração 128</p><p>COE TOTAL 3.500</p><p>Atividade principal: milho</p><p>COE: R$ 3.500,00/ha</p><p>Renda bruta:</p><p>• Produção = 120 sacas/ha</p><p>• Produção = 120 x 10 ha = 1.200</p><p>• Preço = R$ 33,00/saca</p><p>• Renda bruta = 1.200 x R$ 33,00 = R$ 39.600,00</p><p>COE da atividade = R$ 3.500 x 10 ha = R$ 35.000,00</p><p>MB = R$ 39.600,00 – R$ 35.000,00 = R$ 4.600,00</p><p>MB/ha = 4.600,00/10 = R$ 460,00/ha</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 116</p><p>Por fim, ele comparou os resultados:</p><p>MB/ha – batata-doce: R$ 29.457,00/ha</p><p>MB/ha – milho: R$ 460,00/ha</p><p>Diante desse cenário, o empresário pôde tomar a decisão de explorar a atividade</p><p>de produção de batata-doce, e não de milho.</p><p>Margem bruta por unidade produzida</p><p>A margem bruta por unidade produzida, ou margem bruta unitária, é obtida</p><p>com a divisão da MB pela quantidade de unidades produzidas. Logo, nesse</p><p>indicador devemos utilizar as unidades comerciais.</p><p>Exemplos de unidades comerciais:</p><p>• arroba de erva-mate;</p><p>• unidade de alface, repolho, couve-flor etc.</p><p>• metro cúbico ou linear de madeira;</p><p>• hectares de terra;</p><p>• tonelada de resíduo orgânico;</p><p>• sacas de milho (ou de café, feijão, arroz, trigo, soja);</p><p>• caixa de tomate (ou de laranja, uva, maçã etc.).</p><p>Entenda!</p><p>Na prática</p><p>No exemplo da Fazenda Jussara, a margem bruta unitária seria:</p><p>MB total</p><p>Produção</p><p>MB Unitária =</p><p>R$ 294.570,00</p><p>10.000 caixas</p><p>MB Unitária =</p><p>MB Unitária = R$ 29,45/caixa</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 117</p><p>A margem bruta unitária é utilizada para identificar:</p><p>Quanto do preço do</p><p>produto sobra ao</p><p>produtor para pagar</p><p>seus custos fixos e</p><p>dimensionar seu lucro.</p><p>Rendimentos</p><p>Capacidade daquele</p><p>negócio para suportar</p><p>oscilações de preços</p><p>no mercado.</p><p>Sustentabilidade</p><p>Uso da margem bruta como ferramenta para</p><p>dimensionar o sistema produtivo</p><p>Esse indicador pode ser utilizado para projetar quantas unidades devem ser</p><p>produzidas para alcançar determinada meta financeira. Entenda melhor,</p><p>acompanhando a Fazenda Jussara!</p><p>Na prática</p><p>Na Fazenda Jussara, o produtor decidiu que deve produzir um</p><p>número mínimo de caixas de batata-doce suficiente para pagar o</p><p>custo fixo de R$ 16.000,00 e fazer uma retirada de R$ 80.000,00</p><p>anualmente.</p><p>Ele precisa saber o número de caixas a serem colhidas para atingir</p><p>essa meta financeira.</p><p>O número de caixas a serem colhidas é igual à meta financeira:</p><p>Isso significa que, para cobrir um custo fixo de R$ 16.000,00 e fazer uma retirada anual de</p><p>R$ 80.000,00, o produtor deverá colher ao menos 3.260 caixas de batata-doce anualmente.</p><p>R$ 16.000,00 + R$ 80.000,00 =</p><p>=</p><p>=</p><p>R$ 96.000,00 anualmente</p><p>MB por caixa (R$ 29,45)</p><p>Número de caixas Número de caixas = R$ 96.000,00</p><p>R$ 29,45 por caixa</p><p>Número de caixas Número de caixas = 3.260 caixas</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 118</p><p>Nas outras cadeias, o mesmo raciocínio pode ser utilizado para:</p><p>● sacas de cereais;</p><p>● unidade de alface, repolho etc.;</p><p>● número de poedeiras;</p><p>● tonelada de laranja;</p><p>● quilograma de frutas</p><p>Margem bruta em equivalentes às unidades</p><p>produzidas</p><p>É a conversão do valor financeiro da margem bruta em unidades produzidas.</p><p>Isso é obtido pela margem bruta dividida pelo preço médio de venda.</p><p>Entenda!</p><p>Na prática</p><p>Na Fazenda Jussara, cuja atividade é a produção de batata-doce, o cálculo fica da</p><p>seguinte forma:</p><p>MB em equivalente</p><p>unidades produzidas</p><p>=</p><p>Margem bruta</p><p>Preço médio</p><p>MB eq =</p><p>R$ 294.570,00</p><p>R$ 35,18</p><p>(valor médio do ano/caixa)</p><p>MB eq = 8.373 caixas</p><p>MB em equivalente</p><p>unidades produzidas</p><p>=</p><p>Margem bruta</p><p>Preço médio</p><p>MB eq =</p><p>R$ 294.570,00</p><p>R$ 35,18</p><p>(valor médio do ano/caixa)</p><p>MB eq = 8.373 caixas</p><p>MB em equivalente</p><p>unidades produzidas</p><p>=</p><p>Margem bruta</p><p>Preço médio</p><p>MB eq =</p><p>R$ 294.570,00</p><p>R$ 35,18</p><p>(valor médio do ano/caixa)</p><p>MB eq = 8.373 caixas</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 119</p><p>A margem bruta em equivalentes às unidades produzidas permite ao gestor:</p><p>Comparar sua</p><p>eficiência com</p><p>outras regiões onde</p><p>o preço de mercado</p><p>é diferente,</p><p>pois a unidade</p><p>comercializada</p><p>é a mesma nas</p><p>regiões.</p><p>Conhecer sua</p><p>margem bruta</p><p>convertida na</p><p>unidade de</p><p>comercialização.</p><p>Analisar os</p><p>resultados obtidos</p><p>em safras ou</p><p>ciclos produtivos</p><p>diferentes.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste terceiro tópico, você:</p><p>Reconheceu a renda</p><p>bruta como um</p><p>indicador de extrema</p><p>relevância para a</p><p>propriedade rural.</p><p>Entendeu como</p><p>realizar a análise</p><p>da margem bruta,</p><p>incluindo as suas</p><p>variáveis.</p><p>Compreendeu como usar</p><p>a margem bruta para</p><p>dimensionar o sistema</p><p>produtivo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 120</p><p>Tópico 4: Margem líquida</p><p>Você sabe a importância de analisar o resultado do cálculo</p><p>da margem líquida?</p><p>A partir de agora, você verá como calcular a margem líquida,</p><p>interpretar os resultados e tomar decisões com base nela.</p><p>A margem líquida (ML) é o resultado da soma do custo operacional efetivo</p><p>mais a depreciação e a mão de obra familiar menos a renda bruta da</p><p>atividade (RB). Ou seja, é a renda bruta menos o custo operacional total.</p><p>Observe a fórmula!</p><p>RB COE d MOFML</p><p>RB COTML</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 121</p><p>A análise da margem líquida permite ao administrador identificar se a atividade</p><p>está sendo viável em curto e médio prazos.</p><p>• Se positiva, sinaliza ao empresário que a estrutura empregada na atividade</p><p>está compatível com a escala de produção.</p><p>• Se negativa, indica desequilíbrio na estrutura de custos e, muitas vezes, elevado</p><p>estoque de capital empatado na atividade, sem uma escala de produção que</p><p>a justifique.</p><p>Análise da margem líquida</p><p>Ao analisar a margem líquida e identificar que ela é menor que zero, ou seja,</p><p>negativa, deve-se investigar em qual das duas situações ela se enquadra:</p><p>ML negativa com MB negativa ou ML negativa com MB positiva. Entenda as</p><p>diferenças!</p><p>Essa atividade não é sustentável nem mesmo no curto prazo, portanto requer</p><p>uma revisão minuciosa na estrutura de custos e no sistema de produção.</p><p>Vale destacar que alguns itens do COE, em situações de baixa escala de</p><p>produção, podem comprometer grande parte da renda, mas podem ser diluídos</p><p>com a escala de produção como energia elétrica, mão de obra contratada e</p><p>combustível.</p><p>ML < 0 com margem bruta negativa</p><p>ML > 0</p><p>MB > 0</p><p>ML > 0ML = 0</p><p>ML < 0</p><p>MB < 0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 122</p><p>Significa que a atividade está cobrindo os custos operacionais efetivos, mas</p><p>não consegue cobrir todas as depreciações e o custo da mão de obra do</p><p>produtor, além de não pagar o custo de oportunidade sobre o capital investido.</p><p>Analisando economicamente, podemos dizer que a atividade é viável apenas</p><p>no curto prazo.</p><p>Caso a situação de margem líquida negativa persistir, ocorrerá o empobrecimento</p><p>da empresa, inviabilizando a atividade, que não conseguirá recursos suficientes</p><p>para renovar seus bens duráveis.</p><p>ML < 0 com margem bruta positiva</p><p>Uma atividade na situação de margem líquida igual a zero é considerada viável</p><p>no médio prazo, porém ela fica muito sensível às oscilações de mercado e de</p><p>tecnologia. Pode-se dizer também que o negócio não é atrativo, pois não paga</p><p>o custo de oportunidade do capital empatado, nem mesmo com uma taxa de</p><p>6% ao ano, conhecida como taxa de atratividade mínima.</p><p>ML = 0</p><p>Quando a margem líquida é maior que zero, significa que essa atividade é</p><p>viável em médio prazo, pois é capaz de cobrir o custo operacional efetivo, as</p><p>depreciações, o custo da mão de obra familiar e ainda sobram recursos para</p><p>pagar pelo menos parte do custo de oportunidade sobre o capital empatado.</p><p>Porém, não podemos definir se esse negócio é atrativo, antes de avançarmos</p><p>para as análises econômicas vinculadas ao lucro.</p><p>ML > 0</p><p>ML > 0</p><p>MB > 0</p><p>ML > 0ML = 0</p><p>ML < 0</p><p>MB < 0</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 123</p><p>No meio rural, a margem líquida, apesar de importante, é pouco analisada pelos</p><p>produtores e gestores de fazendas, que não demonstram a devida preocupação</p><p>com as estruturas geradoras de custos fixos que, quando superdimensionadas</p><p>e com baixa escala de produção, acabam por inviabilizar as propriedades</p><p>De maneira geral, é possível afirmar que o crédito facilitado é</p><p>algo positivo, capaz de proporcionar incremento de produção e</p><p>desenvolvimento das unidades produtivas. Porém, infelizmente, muitos</p><p>produtores têm inviabilizado suas propriedades ao tomarem crédito</p><p>e investirem em estrutura, sem analisarem o impacto dessa ação, e</p><p>depois enfrentam dificuldades para arcarem com seus compromissos</p><p>diante das instituições financeiras.</p><p>É muito comum encontrarmos no mercado produtores insatisfeitos com os preços</p><p>dos produtos, porém no período de alta nos preços também é muito frequente</p><p>identificarmos superinvestimentos. Os produtores, movidos pela empolgação</p><p>nos períodos de valorização, usam uma sobra de dinheiro e investem em bens</p><p>depreciáveis, sem prever o custo da reposição desses itens para manter a</p><p>eficiência do sistema.</p><p>A margem líquida, assim como os outros indicadores de análise de rentabilidade,</p><p>é calculada com base em algo realizado – com dados passados. No entanto:</p><p>Se o produtor</p><p>tem uma margem</p><p>líquida restrita em</p><p>sua atividade...</p><p>...aumenta</p><p>seus custos de</p><p>depreciação sem</p><p>aumento da renda ou</p><p>redução do COE...</p><p>...corre o risco de</p><p>inviabilizar sua</p><p>atividade ou diminuir</p><p>a eficiência até então</p><p>alcançada.</p><p>Em outras palavras, se um produtor adquire um bem qualquer que possui</p><p>depreciação anual superior à sua margem líquida, e esse bem não promoveu</p><p>redução no COE, nem aumento de produção, o produtor pode concluir que, a</p><p>princípio, esse investimento é inviável ou incompatível com suas projeções atuais.</p><p>Entenda acompanhando um exemplo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 124</p><p>Na prática</p><p>Nos últimos 12 meses, uma determinada atividade</p><p>contabilizou uma margem líquida de R$ 10.000,00. Ao</p><p>visitar uma feira agropecuária, ofereceram ao produtor</p><p>rural um trator e implementos que, juntos, contabilizam</p><p>uma depreciação de R$ 12.000,00 ao ano.</p><p>No primeiro momento, sabendo que a margem bruta da atividade era de R$ 35.000,00 nos</p><p>últimos 12 meses e vendo um programa de financiamento com carência e prestações de R$</p><p>8.000,00, o produtor pensou em adquirir o trator.</p><p>De fato, no curto prazo estava tudo certo, e ele conseguiria pagar as prestações. Porém,</p><p>não sobrariam recursos para pagar o custo extra de depreciação do novo trator.</p><p>Ao avaliar que não aumentaria sua produção, pois não tinha mercado para isso, o produtor</p><p>calculou qual seria sua nova margem líquida se adquirisse o trator:</p><p>ML = R$ 10.000,00 - R$ 12.000,00</p><p>ML = -R$ 2.000,00</p><p>O resultado mostra que, a longo prazo, esse seria um investimento inviável para</p><p>sua atividade.</p><p>Margem líquida</p><p>anterior</p><p>Depreciação</p><p>dos novos bens</p><p>adquiridos</p><p>ML</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 125</p><p>A margem líquida também é avaliada por unidade e por equivalência em unidades</p><p>produzidas. Observe como aplicar os conceitos usando os dados da propriedade:</p><p>• depreciação anual do trator: R$ 12.000,00,</p><p>• mão de obra familiar: R$ 15.000,00,</p><p>• COE da atividade: R$ 338.930,00,</p><p>• renda bruta: R$ 446.150,00.</p><p>COT = R$ 338.930,00 + R$ 12.000,00 + R$ 15.000,00</p><p>COT = R$ 365.930,00</p><p>Com esses dados, agora basta encontrar a margem líquida.</p><p>ML = R$ 446.150,00 - R$ 365.930,00</p><p>ML = R$ 80.220,00</p><p>COE d MOFCOT</p><p>MB COTML</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 126</p><p>Margem líquida unitária</p><p>A margem líquida unitária é representada pela relação entre a margem líquida</p><p>e a quantidade produzida.</p><p>ML</p><p>Produção</p><p>ML unitária =</p><p>Esse índice é utilizado para verificar quanto está sobrando de cada unidade por</p><p>unidade produzida depois que foi pago o COT (COE, depreciação e mão de obra</p><p>familiar). Caso a margem líquida</p><p>unitária seja positiva, começa a ser remunerado</p><p>o capital, conhecido como custo de oportunidade do capital investido.</p><p>Entenda!</p><p>Na prática</p><p>Na propriedade da batata-doce, há os seguintes dados:</p><p>• ML = R$ 40.220,00</p><p>• Produção em caixas = 3.000</p><p>O cálculo aplicado a esse contexto é</p><p>Isso significa que esse é o valor que sobra após o pagamento dos custos operacionais</p><p>efetivos, das depreciações e do custo da mão de obra familiar, ou seja, o valor que sobra</p><p>por caixa vendida para remunerar o capital empatado.</p><p>R$ 40.220,00</p><p>3.000 caixas</p><p>Margem</p><p>líquida/caixas =</p><p>R$ 13,40/caixasMargem</p><p>líquida/caixas =</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 127</p><p>Essa mesma análise pode ser feita para qualquer atividade. Observe!</p><p>Pecuária Agricultura</p><p>• ML/kg de carne</p><p>• ML/litro de leite</p><p>• ML/dúzia de ovos</p><p>• ML/kg mel</p><p>• ML/saca (café, milho e soja)</p><p>• ML/tonelada (cana, silagem)</p><p>• ML/arroba de fumo</p><p>• ML/caixa (hortaliças e frutas)</p><p>Margem líquida em equivalentes às unidades</p><p>produzidas</p><p>É a conversão do resultado financeiro da margem líquida em unidades produzidas.</p><p>Esse valor é obtido com a divisão da margem líquida pelo preço de uma unidade</p><p>do produto em questão. Observe!</p><p>ML</p><p>Preço unitário</p><p>ML em equivalentes às unidades produzidas =</p><p>Agora, para dar uma variada, o que acha de testar o que tem visto neste tema?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 128</p><p>Analise o resultado na apuração da margem líquida equivalente em uma</p><p>atividade de gado de corte do Produtor A. Depois, para que essa análise seja</p><p>eficiente, compare com os resultados apresentados pelo Produtor B, ambos</p><p>utilizando áreas equivalentes.</p><p>Para isso, considere a fórmula:</p><p>ML da atividade</p><p>Preço unitário</p><p>ML equivalente =</p><p>Produtor A</p><p>• ML da atividade = R$ 80.220,00</p><p>• Preço = R$ 148,72/arroba</p><p>ML equivalente</p><p>a arrobas = 539,40 arrobas ML equivalente</p><p>a arrobas = 584,84 arrobas</p><p>ML equivalente</p><p>a arrobas</p><p>R$ 80.220,00</p><p>R$ 148,72</p><p>= ML equivalente</p><p>a arrobas</p><p>R$ 75.900,00</p><p>R$ 130,00</p><p>=</p><p>Produtor B</p><p>• ML da atividade = R$ 75.900,00</p><p>• Preço = R$ 130,00/arroba</p><p>ML equivalente</p><p>a arrobas = 539,40 arrobas ML equivalente</p><p>a arrobas = 584,84 arrobas</p><p>ML equivalente</p><p>a arrobas</p><p>R$ 80.220,00</p><p>R$ 148,72</p><p>= ML equivalente</p><p>a arrobas</p><p>R$ 75.900,00</p><p>R$ 130,00</p><p>=</p><p>Depois dessa análise, é nítido que o Produtor A, cuja margem líquida foi de</p><p>R$ 80.220,00 para a mesma área, ganhou mais dinheiro que o Produtor B.</p><p>Porém, qual dos dois foi mais eficiente tecnicamente?</p><p>Produtor A Produtor B</p><p>Justifique aqui a sua escolha!</p><p>Pense e decida</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 129</p><p>Feedback</p><p>O produtor A obteve uma margem líquida da atividade equivalente a 539,40</p><p>arrobas.</p><p>Já o produtor B obteve uma margem líquida da atividade equivalente a</p><p>583,84 arrobas.</p><p>Portanto:</p><p>583,84 arrobas (Produtor B) menos 539,4 arrobas (Produtor A) = 44,44</p><p>arrobas a mais para o produtor B.</p><p>Assim, podemos observar que o resultado produtivo do Produtor B foi melhor</p><p>que o do produtor A em 44,44 arrobas, ambos explorando áreas equivalentes.</p><p>Porém ele não foi economicamente melhor, devido ao menor preço que obteve</p><p>na comercialização da sua produção.</p><p>Essa informação é rica para os dois produtores, mostrando que um pode</p><p>comercializar seu produto melhor e o outro consegue ser mais eficiente</p><p>tecnicamente.</p><p>Ao converter o resultado financeiro em unidades produzidas, o</p><p>produtor também consegue comparar seus resultados ao longo dos</p><p>anos, podendo avaliar o resultado da aplicação de tecnologias em</p><p>diferentes safras. Esse comparativo anual de resultados é muito</p><p>importante para visualizar a interação do sistema de produção que o</p><p>produtor tem com o que acontece no mercado.</p><p>Usando o contexto do Produtor A de erva-mate, que nos últimos 12 meses</p><p>obteve margem líquida de 2.979,25 arrobas, acompanhe...</p><p>Pesquisando em seus</p><p>registros, ele viu que</p><p>no ano 2000, antes de</p><p>implementar diversas</p><p>tecnologias, sua margem</p><p>líquida foi de 3.100</p><p>arrobas.</p><p>Essa análise permitiu ao</p><p>Produtor A concluir que,</p><p>para justificar as tecnologias</p><p>implementadas, ele precisaria</p><p>aumentar sua eficiência técnica</p><p>e sua escala de produção.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 130</p><p>Para ficar mais claro, observe um exemplo prático!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade com uma cultura de milho apresenta</p><p>os seguintes dados:</p><p>• margem líquida da atividade = R$ 80.220,00,</p><p>• preço do milho = R$ 33,00/saca.</p><p>Agora, vamos apurar a margem líquida equivalente a</p><p>sacas de milho.</p><p>• ML equivalente a sacas = R$ 80.220,00 ÷ R$ 33,00</p><p>• ML equivalente a sacas = 2.430 sacas</p><p>O resultado permite comparar a margem líquida com</p><p>outros produtores que vendem a preços diferentes,</p><p>como também comparar com a sua própria margem</p><p>líquida em épocas diferentes. A moeda então é</p><p>convertida em produto.</p><p>A margem líquida pode ser usada na equivalência com qualquer unidade</p><p>produzida. Veja os exemplos a seguir:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 131</p><p>Pecuária Agricultura</p><p>• Equivalente a kg de carne</p><p>• Equivalente a litros de leite</p><p>• Equivalente a dúzia ou caixa de ovos</p><p>• Equivalente a kg mel</p><p>• Equivalente a sacas (café, milho e soja)</p><p>• Equivalente a toneladas (cana, silagem)</p><p>• Equivalente a arrobas de fumo</p><p>• Equivalente a caixas (hortaliças e frutas)</p><p>Para conhecer mais sobre margem líquida, acesse o</p><p>Youtube e assista ao vídeo “Margem Líquida – Série</p><p>ATeG Gestão”, disponível em</p><p>https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=K6tMmwToGd0&list=PLpvd_</p><p>yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=13.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quarto tópico, você:</p><p>Conheceu o cálculo da margem</p><p>líquida e a sua importância</p><p>na análise financeira da</p><p>propriedade rural.</p><p>Compreendeu como realizar a</p><p>análise desse índice, incluindo</p><p>suas variações.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=K6tMmwToGd0&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=13</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=K6tMmwToGd0&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=13</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=K6tMmwToGd0&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=13</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 132</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Você consegue, com o que viu até aqui, analisar uma</p><p>propriedade rural sob esses conceitos?</p><p>Neste tópico você vai ver a aplicação dos conceitos de custos</p><p>fixos, custo total, margem bruta e líquida nas cadeias produtivas</p><p>do agronegócio.</p><p>É importante manter o foco, pois quando todas as contabilizações dos custos</p><p>de produção estiverem finalizadas, será feita a análise dos dois principais</p><p>indicadores econômicos apresentados neste tema: margem bruta e margem</p><p>líquida.</p><p>Custo fixo</p><p>Custo fixo (CF) é o somatório dos custos da mão de obra familiar (MOF),</p><p>depreciação (d) e custo de oportunidade (CO).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 133</p><p>Fórmula:</p><p>MOF d COCF</p><p>Observe os dados para calcular o custo fixo:</p><p>• CO = R$ 6.125,04</p><p>• MOF = R$ 19.200,00</p><p>• d = R$ 13.682,65</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>CF = R$ 19.200,00 + R$ 13.682,65 + R$ 6.125,04</p><p>CF = R$ 39.007,69</p><p>Custo de oportunidade do capital empatado</p><p>Para esse cálculo, serão usados dados da enxada rotativa encanteiradeira,</p><p>como visto anteriormente.</p><p>O custo de oportunidade é calculado da seguinte forma.</p><p>CO = [(VN - S) ÷ 2] × 6%</p><p>Observe os dados:</p><p>• Valor de novo = R$ 1.000,00</p><p>• Vida útil = 15 anos</p><p>• Idade = 5 anos</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 134</p><p>Veja que a idade é menor do que a vida útil, logo:</p><p>CO = [(R$ 1.000,00 - 0) ÷ 2] x 6%</p><p>CO = R$ 30,00</p><p>Custo de oportunidade do capital = R$ 30,00/ano</p><p>Para o cálculo do custo de oportunidade do capital dos bens da atividade de</p><p>olericultura nas tabelas abaixo, seguimos o mesmo padrão e a mesma fórmula</p><p>do exemplo da enxada rotativa encanteiradeira. Observe!</p><p>Benfeitorias no período da vida útil</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização</p><p>na</p><p>produção</p><p>de alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo</p><p>(R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Galpão de 96</p><p>m² de madeira</p><p>(depósito)</p><p>1 100% 30.000,00 30.000,00 20 10 900,00</p><p>Banheiros 1 100% 1.000,00 1.000,00 20 10 30,00</p><p>Estufa de 40 m</p><p>de retorno de um investimento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 8</p><p>Praticando...</p><p>Agora que você conhece os temas que serão trabalhados no módulo, o que</p><p>acha de ver esses conceitos de forma mais prática?</p><p>Vá ao seu Ambiente de Estudos, assista ao vídeo que</p><p>mostra a história do Técnico Marcelo e da Fazenda</p><p>Santa Felicidade, aplicando todos esses conceitos</p><p>durante o módulo.</p><p>Desafios da jornada</p><p>Vale lembrar que o conteúdo é todo interligado, por isso, você precisa explorar</p><p>o primeiro tema, todos os tópicos e realizar a Atividade de Passagem, para</p><p>depois acessar o tema seguinte.</p><p>Relembre, a seguir, os tipos de desafios que você encontrará ao longo do módulo!</p><p>Pense e Decida</p><p>Situações práticas e objetivas em que você deve analisar o cenário</p><p>e tomar uma decisão. Não possui valor para a certificação.</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Tem o objetivo de verificar se você teve um bom aproveitamento</p><p>em relação ao conteúdo do tema correspondente e libera o acesso</p><p>ao tema seguinte.</p><p>Estudo de Caso</p><p>Obrigatório e de valor avaliativo, o Estudo de Caso consiste em</p><p>uma questão reflexiva, relacionada aos temas estudados.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 9</p><p>Simulado</p><p>Depois de passar por todos os temas do módulo e tiver completado</p><p>a última atividade, você deverá responder o Simulado.</p><p>Avaliação</p><p>A Avaliação é obrigatória e tem como objetivo verificar o seu</p><p>desempenho em cada módulo.</p><p>Fórum</p><p>O Fórum proporciona o debate e a troca de conhecimento entre</p><p>você e o tutor. Existe um Fórum por módulo, que fica aberto</p><p>durante todo o seu período de estudos nesta fase.</p><p>Ah, não se esqueça:</p><p>• Realize, no Ambiente de Estudos, a pesquisa de satisfação.</p><p>• A nota do módulo é composta por uma média simples.</p><p>• Para passar: Avaliação + Estudo de Caso ÷ 2 = 6 ou mais.</p><p>Lembre-se de que é essencial voltar ao Ambiente de Estudos ao final de cada</p><p>tema para realizar a sua Atividade de passagem, combinado?</p><p>Tenha uma ótima jornada de conhecimento e crescimento. Bons estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 10</p><p>Tema 1: Cálculo do custo de</p><p>produção I</p><p>Introdução</p><p>Você está iniciando o primeiro tema do módulo. O objetivo é que você</p><p>compreenda todas as possibilidades de aplicação dos custos variáveis,</p><p>sua dinâmica e a correta apropriação de acordo com os diversos cenários</p><p>e exemplos.</p><p>Ao final deste tema, você será capaz de:</p><p>• aplicar corretamente os conceitos que compõem o custo operacional efetivo</p><p>(COE) e o custo operacional total (COT),</p><p>• estratificar cada elemento de composição desses conceitos,</p><p>• realizar propostas de intervenções tecnológicas ou administrativas.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 11</p><p>Estrutura do tema</p><p>A teoria dos custos é um conceito essencial para o gerenciamento financeiro da</p><p>propriedade rural. Por isso, saber como aplicá-la na prática é de extrema importância.</p><p>Para facilitar o entendimento deste conteúdo e garantir seu gerenciamento, o tema</p><p>está dividido em tópicos.</p><p>Conheça, então, o objetivo de cada um.</p><p>Tema 1</p><p>Tópico 1</p><p>Tópico 2Tópico 5</p><p>Tópico 4 Tópico 3</p><p>Custo operacional efetivo</p><p>Compreender melhor o conceito de “centro de custos” da metodologia de Assistência</p><p>Técnica e Gerencial, alocando os custos variáveis sob diversos aspectos e com as</p><p>peculiaridades de diversas cadeias produtivas exemplificadas.</p><p>Mão de obra familiar</p><p>Conhecer os conceitos que</p><p>fundamentam a determinação</p><p>dos valores deste que é</p><p>um dos mais subjetivos e</p><p>controversos componentes dos</p><p>custos de produção.</p><p>Aplicação dos conceitos</p><p>Acompanhar a aplicação</p><p>prática dos conceitos</p><p>estudados, de forma</p><p>detalhada.</p><p>Custo operacional total</p><p>Saber qual é a composição do custo</p><p>operacional total, negligenciado em</p><p>algumas análises por não ter grande</p><p>aplicação em campo, mas que é de</p><p>grande importância na avaliação técnico-</p><p>econômica da propriedade rural.</p><p>Depreciação</p><p>Ampliar seus conhecimentos</p><p>sobre conceituação, aplicação</p><p>e importância de calcular a</p><p>depreciação como parte relevante</p><p>dos custos de produção.</p><p>Entendido o que esperar de cada tópico, siga em frente e ótimos estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 12</p><p>Tópico 1: Custo operacional efetivo</p><p>Você sabe como usar o conceito de centro de custo na</p><p>realidade rural?</p><p>No decorrer deste tópico você compreenderá melhor o conceito de</p><p>“centro de custos”, entendendo como alocar os custos variáveis,</p><p>considerando diversos aspectos e peculiaridades de diversas cadeias</p><p>produtivas.</p><p>O custo operacional efetivo (COE) é a soma de todas as despesas diretas</p><p>pagas pelo produtor rural (ou seu administrador) para poder iniciar, conduzir</p><p>e concluir o ciclo de produção animal e/ou vegetal.</p><p>Basicamente, o que determina que um item de custo é um COE é a</p><p>geração de um desembolso efetivo (que pode ser financeiro ou não). A</p><p>duração do COE será sempre menor ou igual ao ciclo produtivo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 13</p><p>Os exemplos a seguir mostram quais custos fazem parte do COE no dia a dia</p><p>da propriedade.</p><p>O imposto sobre o valor da</p><p>terra (ITR) pode não ser</p><p>variável, pois é cobrado</p><p>todo ano. Porém, gera</p><p>desembolso, então é COE.</p><p>O composto produzido</p><p>na propriedade não gera</p><p>desembolso financeiro,</p><p>mas é efetivamente</p><p>um gasto realizado na</p><p>produção de hortaliças de</p><p>um produto que poderia</p><p>ser vendido. Então, é COE.</p><p>É possível citar alguns exemplos de despesas diretas:</p><p>• Aquisição de</p><p>sementes,</p><p>fertilizantes e</p><p>corretivos</p><p>• Aluguel e/ou</p><p>manutenção</p><p>de máquinas e</p><p>equipamentos</p><p>• Despesas</p><p>administrativas e</p><p>encargos fiscais</p><p>• Mão de obra</p><p>contratada</p><p>• Combustível,</p><p>energia, frete etc.</p><p>• Pagamento</p><p>de mão de</p><p>obra avulsa</p><p>(diaristas)</p><p>• Pagamento de</p><p>mão de obra</p><p>contratada (CLT)</p><p>• Pagamento de</p><p>impostos e taxas</p><p>• Arrendamento</p><p>de terras</p><p>• Pagamento de</p><p>energia elétrica</p><p>A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é uma norma legislativa de</p><p>regulamentação das leis referentes ao Direito do Trabalho e ao Direito Processual</p><p>do Trabalho no Brasil, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio</p><p>de 1943. Constitui o principal instrumento de regulamentação das relações</p><p>individuais e coletivas do trabalho. Desde a sua criação, sofreu várias alterações,</p><p>no sentido de criar uma legislação.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 14</p><p>Gastos pessoais, como dentista, médico, escola etc., não são itens de despesa</p><p>da atividade, portanto não compõem o COE. Quando a energia elétrica, ou</p><p>qualquer outro insumo for compartilhado entre a atividade profissional e a</p><p>pessoal, seu custo deverá ser computado separadamente, na proporção das</p><p>aplicações realizadas.</p><p>Variação das quantidades</p><p>Todos esses elementos listados como exemplos de despesa geram</p><p>um pagamento sistematizado, que vai variar de acordo com o volume</p><p>e a tecnologia de produção que o administrador adotar. Por isso, o</p><p>produtor tem autonomia para decidir as quantidades usadas.</p><p>Essa afirmação é possível seguindo a seguinte lógica:</p><p>Um produtor</p><p>deseja:</p><p>Incrementar</p><p>as tecnologias,</p><p>melhorando a</p><p>produtividade sem</p><p>aumentar a área</p><p>destinada à produção.</p><p>Não produzir, logo</p><p>não será preciso nem</p><p>adquirir insumos.</p><p>Consequentemente,</p><p>precisará passar</p><p>por um processo</p><p>chamado de</p><p>intensificação do</p><p>cultivo.</p><p>Consequentemente,</p><p>existirá a necessidade</p><p>de contratar</p><p>trabalhadores, adquirir</p><p>corretivos, sementes,</p><p>fertilizantes, água,</p><p>defensivos etc.</p><p>Aumentar a área de</p><p>cultivo, logo terá que</p><p>preparar um espaço</p><p>maior de solo para a</p><p>implantação de lavoura,</p><p>fruticultura, olericultura,</p><p>ou mesmo de pastagens</p><p>para seus animais.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 15</p><p>É possível observar que o COE está diretamente ligado com a produção desejada,</p><p>em que cada acréscimo almejado geralmente implica em aumentos desse</p><p>custo, embora ele até possa ser nulo, caso não haja produção.</p><p>Note que o gráfico a seguir possui dois eixos: o de produção e o de custos.</p><p>Entenda!</p><p>Custo em relação direta com a produção, gerando como resposta o COE.</p><p>Produção</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>O COE parte da</p><p>interseção</p><p>x 50 m 4 100% 15.000,00 60.000,00 15 5 1.800,00</p><p>Unidade de</p><p>lavagem de</p><p>hortaliças</p><p>1 100% 1.800,00 1.800,00 20 5 54,00</p><p>Unidade de</p><p>produção de</p><p>compostagem</p><p>1 50% 1.000,00 500,00 20 5 15,00</p><p>TOTAL 2.799,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 135</p><p>Máquinas e equipamentos no período da vida útil</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização</p><p>na</p><p>produção</p><p>de alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>novo</p><p>(R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Caminhão-baú</p><p>– câmara fria 1 100% 80.000,00 80.000,00 15 5 2.400,00</p><p>Pulverizador</p><p>costal 3 100% 100,00 300,00 10 5 9,00</p><p>Carrinho de</p><p>mão 3 100% 200,00 600,00 5 1 18,00</p><p>Enxada</p><p>rotativa</p><p>encanteiradora</p><p>1 100% 1.000,00 1.000,00 15 5 30,00</p><p>Semeadora</p><p>de hortaliças</p><p>manual</p><p>1 100% 400,00 400,00 15 5 12,00</p><p>Equipamento</p><p>para lavagem</p><p>de hortaliças</p><p>1 100% 1.200,00 1.200,00 5 2 36,00</p><p>Bebedouro tipo</p><p>gelágua 1 100% 300,00 300,00 5 2 9,00</p><p>TOTAL 2.514,00</p><p>Cálculo do custo de oportunidade do capital de</p><p>equipamentos já depreciados</p><p>Neste caso, é importante recorrer às particularidades previstas na metodologia</p><p>de ATeG, a qual estabelece que em vez do capital médio (valor de novo ÷</p><p>2) deve ser utilizado o valor de mercado do bem para o cálculo do custo de</p><p>oportunidade do capital. Entenda!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 136</p><p>Sistema de irrigação Cálculo e resultado</p><p>• Valor de novo do sistema de irrigação</p><p>= R$ 10.000,00</p><p>• Valor de mercado do sistema de</p><p>irrigação = R$ 1.000,00</p><p>• Vida útil = 15 anos</p><p>• Idade = 16 anos</p><p>CO = (VM + VS) x i</p><p>CO = (R$ 1.000,00 + 0) x 6%</p><p>CO = R$ 60,00</p><p>O custo de oportunidade anual do sistema</p><p>de irrigação é igual a R$ 60,00.</p><p>Considerando o valor atualizado de mercado dos bens já depreciados de acordo</p><p>com o que foi visto no exemplo, observe o custo de oportunidade sobre o</p><p>capital empatado da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Equipamentos já depreciados</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização</p><p>na</p><p>produção</p><p>de alface</p><p>Valor</p><p>unitário</p><p>atualizado</p><p>de</p><p>mercado</p><p>(R$)</p><p>Valor</p><p>total</p><p>para a</p><p>atividade</p><p>(R$)</p><p>Vida útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Ferramentas</p><p>diversas 1 80% 230,00 184,00 10 12 11,04</p><p>Sistema de</p><p>irrigação 1 100% 1.000,00 100,00 15 16 6,00</p><p>Trator 65 CV 1 80% 15.000,00 1.500,00 15 16 90,00</p><p>Computador</p><p>com impressora 1 80% 250,00 200,00 5 7 12,00</p><p>TOTAL 119,04</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 137</p><p>Cálculo do custo de oportunidade das benfeitorias</p><p>Neste caso, devemos considerar tanto as benfeitorias que estão no período de vida</p><p>útil quanto as já depreciadas, com base no capital médio (valor de novo ÷ 2).</p><p>Confira os resultados nas tabelas!</p><p>Benfeitorias já depreciadas</p><p>Item Quantidade</p><p>Utilização</p><p>na</p><p>produção</p><p>de alface</p><p>Valor de</p><p>novo (R$)</p><p>Valor total</p><p>(R$)</p><p>Vida</p><p>útil</p><p>(anos)</p><p>Idade</p><p>(anos)</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>(R$)</p><p>Galpão de</p><p>80 m² de</p><p>madeira</p><p>(máquinas)</p><p>1 80% 20.000,00 16.000,00 20 23 480,00</p><p>Estufa de</p><p>produção de</p><p>mudas 10 m</p><p>x 20 m</p><p>1 100% 1.500,00 1.500,00 15 16 45,00</p><p>Poço</p><p>artesiano 1 80% 7.000,00 5.600,00 20 22 168,00</p><p>TOTAL 693,00</p><p>Somatório do custo de oportunidade anual</p><p>Inventário Custo de oportunidade (R$)</p><p>Máquinas e equipamentos 2.633,04</p><p>Benfeitorias 3.492,00</p><p>TOTAL 6.125,04</p><p>Custo total (CT)</p><p>O custo total pode ser obtido pela soma do custo operacional efetivo (COE)</p><p>ao custo fixo ou pela soma do custo operacional total (COT) ao custo de</p><p>oportunidade sobre o capital próprio. Observe a fórmula:</p><p>COT COCT</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 138</p><p>Agora, veja como ficou o CT da Fazenda Santa Felicidade!</p><p>• COT = R$ 91.863,85</p><p>• CO = R$ 6.125,04</p><p>Dados</p><p>CT = R$ 91.863,85 + R$ 6.125,04</p><p>CT = R$ 97.988,89</p><p>Cálculo e Resultado</p><p>Custo total proporcional de um produto</p><p>O custo total de um produto pode ser obtido pela soma do COT desse produto</p><p>com o custo de oportunidade proporcional à renda gerada por ele em relação</p><p>à renda bruta da atividade (RA). Observe a fórmula:</p><p>COT</p><p>da alface</p><p>CO</p><p>x</p><p>(RAAL/RAAT)</p><p>CT alface</p><p>Os dados são:</p><p>• RAAT = Renda da atividade</p><p>• RAAL = Renda da alface</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>CT alface = R$ 85.472,08 + (R$ 6.125,04 x (265.565,38/281.565,38 ))</p><p>CT alface = R$ 85.472,08 + (R$ 6.125,04 x 0,9431)</p><p>CT alface = R$ 85.472,08 + R$ 5.776,52</p><p>CT alface = R$ 91.248,60</p><p>O custo de oportunidade de R$ 6.125,04 é o total referente ao custo</p><p>de oportunidade de todos os itens que a atividade possui em uso</p><p>compartilhado por uma ou mais atividades, devendo, portanto, ser</p><p>rateado.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 139</p><p>Não é tão complicado determinar um custo de produção de forma correta, no</p><p>entanto, esse conhecimento exige uma constante visão sistêmica do processo,</p><p>sabendo reconhecer o que pertence ou não à atividade, proporcionalizando</p><p>quando for o caso.</p><p>Por isso é que dissemos logo no começo: ninguém melhor para definir os</p><p>custos de produção do que quem trabalha diretamente na atividade. Ou seja,</p><p>produtores e técnicos de campo.</p><p>Margem bruta da atividade</p><p>A margem bruta da atividade (MB) é obtida pela diferença entre a renda bruta</p><p>(RB) e o custo operacional efetivo (COE), conforme a fórmula:</p><p>RB COEMB</p><p>Neste estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, a renda foi obtida pelo</p><p>somatório:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 140</p><p>• da venda de alface no atacado e a</p><p>varejo;</p><p>• da venda de composto e da alface</p><p>utilizada para consumo..</p><p>= R$ 281.565,88</p><p>O custo operacional efetivo foi de R$ 58.981,20.</p><p>Os dados podem ser observados mais detalhadamente na tabela!</p><p>Produto Valor</p><p>Renda da alface no atacado 236.267,00</p><p>Renda da alface a varejo 28.861,50</p><p>Alface consumida pela família 437,38</p><p>Venda de composto 16.000,00</p><p>TOTAL 281.565,88</p><p>A partir da apuração da renda bruta e do COE, podemos calcular a margem</p><p>bruta:</p><p>MB = R$ 281.565,88 – R$ 58.981,20</p><p>MB = R$ 222.584,68</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 141</p><p>Variações na análise da margem bruta da atividade</p><p>É a margem bruta por unidade produzida e deve ser calculada pela divisão da</p><p>margem bruta pela produção. Observe a fórmula!</p><p>Na Fazenda Santa Felicidade, os dados são os seguintes:</p><p>• Produção = 360.365 unidades</p><p>• Margem bruta = R$ 211.105,42</p><p>MB unitária = R$ 211.105,42 ÷ 360.365</p><p>MB unitária = R$ 0,58</p><p>A margem bruta por unidade produzida na Fazenda Santa Felicidade é de</p><p>R$ 0,58.</p><p>Margem Bruta</p><p>Produção</p><p>MB unitária =</p><p>A) Margem bruta unitária</p><p>Ela consiste em converter o valor da margem bruta da atividade em unidade</p><p>de alface (produto principal), dividindo a margem bruta pelo preço da alface.</p><p>Isso permite comparar o resultado de margem bruta entre as propriedades,</p><p>sem o efeito do preço.</p><p>Veja a fórmula a seguir:</p><p>MB equivalente = R$ 222.584,18 ÷ R$ 0,73</p><p>MB equivalente = 304.909,83 unidades</p><p>No período analisado, a margem bruta da atividade é de R$ 222.584,18, que</p><p>equivale a 304.909,83 unidades de alface.</p><p>Margem Bruta</p><p>Preço</p><p>MB equivalente =</p><p>B) Margem bruta em equivalentes às unidades produzidas</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 142</p><p>É a margem bruta dividida pela área utilizada para a produção. Veja!</p><p>• Margem bruta = R$ 222.584,18</p><p>• Área = 1,5 ha</p><p>MB/área = R$ 222.584,18 ÷ 1,5 = R$ 148.389,45 por ha</p><p>A margem bruta por hectare utilizado para a produção foi de</p><p>R$ 148.389,45/ha.</p><p>Margem Bruta</p><p>Área</p><p>MB área =</p><p>C) Margem bruta por área</p><p>A margem bruta por estufa* é utilizada no gerenciamento de uma</p><p>propriedade para dimensionar a quantidade necessária para atingir uma meta</p><p>financeira.</p><p>Na propriedade produtora de alface, é feita por estufa.</p><p>• Quantidade de estufa = 4</p><p>MB/Estufa = R$ 222.584,18 ÷ 4</p><p>MB/Estufa = R$ 55.646,04</p><p>Nesse caso, a margem bruta da atividade corresponde a R$ 55.646,04 por</p><p>estufa em produção.</p><p>Margem Bruta</p><p>Estufas</p><p>MB/Estufa =</p><p>D) Margem bruta por estufa</p><p>Esse indicador não tem uma referência-padrão, pois depende muito do sistema de produção</p><p>em que está inserido. Por exemplo, uma estufa de produção em larga escala e altamente</p><p>tecnificada tende a gerar uma maior margem bruta por estufa, porém naquelas com um</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de</p><p>produção pg. 143</p><p>nível tecnológico baixo, ou seja, de baixos investimentos, a produção é menor, sendo uma</p><p>consequência a redução da margem bruta por estufa. Esse indicador é importante para tomar</p><p>uma decisão mais segura em relação à ampliação da produção quando se tem conhecimento</p><p>da demanda e da oferta do produto.</p><p>Margem líquida da atividade</p><p>A margem líquida da atividade (ML) é obtida pela diferença entre a Renda</p><p>Bruta (RB) e o custo operacional total (COT), conforme a fórmula a seguir!</p><p>RB COTML</p><p>No estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade, os dados são:</p><p>• RB = R$ 281.565,38</p><p>• COT = R$ 91.863,85</p><p>Observe o resultado!</p><p>ML = R$ 281.565,38 – R$ 91.863,85 = R$ 189.701,53</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 144</p><p>Variações na análise da margem líquida</p><p>da atividade</p><p>Conheça as variações na análise da margem líquida da atividade:</p><p>É a margem líquida por unidade produzida e deve ser calculada pela divisão</p><p>da margem líquida pela produção:</p><p>Margem Líquida</p><p>Produção</p><p>ML unitária =</p><p>Dados:</p><p>• Produção = 360.365 unidades de alface</p><p>• Margem líquida da alface = R$ 180.093,30</p><p>Resultado:</p><p>ML unitária = R$ 180.093,30 ÷ 360.365</p><p>ML unitária = R$ 0,49</p><p>ML unitária - Margem líquida unitária</p><p>Consiste em converter o valor da margem líquida da atividade em unidade</p><p>de alface dividindo a margem líquida pelo preço médio da alface. Isso</p><p>permite comparar o resultado da margem líquida entre as propriedades,</p><p>sem o efeito do preço. Veja a fórmula abaixo:</p><p>Margem Líquida</p><p>Preço</p><p>ML equivalente =</p><p>Dados:</p><p>• Preço = R$ 0,73</p><p>• Margem líquida = R$ 180.093,30</p><p>Resultado</p><p>ML equivalente = R$ 180.093,30 ÷ R$ 0,73</p><p>ML equivalente = 246.703,15 unidades de alface</p><p>ML equivalente - Margem líquida equivalente</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 145</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quinto tópico, você:</p><p>Aprofundou os seus</p><p>conhecimentos sobre</p><p>os custos através de</p><p>exemplos práticos.</p><p>Entendeu como</p><p>analisar os custos</p><p>com base em dados e</p><p>informações de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Conheceu os cálculos</p><p>necessários para</p><p>aplicar os conceitos</p><p>na documentação</p><p>financeira e produtiva.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 146</p><p>Encerramento do tema</p><p>Você chegou ao final do segundo tema e, de acordo com o que foi visto até</p><p>aqui, você pôde conhecer os conceitos e a aplicações dos principais custos</p><p>de produção por meio da metodologia de Assistência Técnica e Gerencial –</p><p>tanto os fixos quanto os variáveis – além de avaliar o resultado econômico</p><p>da propriedade por meio das margens bruta e líquida. Você pôde então</p><p>compreender:</p><p>A importância da</p><p>análise dos dados de</p><p>produção e dos custos,</p><p>além das receitas,</p><p>que devidamente</p><p>processados,</p><p>possibilitam a avaliação</p><p>econômica do negócio</p><p>e o planejamento da</p><p>empresa.</p><p>Como elaborar</p><p>unidades de medida</p><p>de custos mais claras</p><p>para o produtor,</p><p>traduzindo números</p><p>em produtos.</p><p>.</p><p>A relevância de</p><p>enxergar o quanto</p><p>de esforço físico</p><p>e financeiro estão</p><p>sendo direcionados</p><p>apenas para pagar</p><p>custos e não para</p><p>gerar lucro.</p><p>A segunda etapa deste módulo foi bem intensa e bem relevante para você,</p><p>que deseja fazer a diferença no trabalho do campo.</p><p>Para encerrar este tema, retorne ao seu Ambiente</p><p>de Estudos, assista ao vídeo e acompanhe Marcelo</p><p>em seu trabalho na Fazenda Santa Felicidade!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 147</p><p>Atividade de passagem</p><p>Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu!</p><p>Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo</p><p>estudado até aqui para passar para o próximo tema.</p><p>Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao</p><p>assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre</p><p>em contato com o tutor no seu Ambiente de Estudos.</p><p>Questão</p><p>A partir do que foi estudado neste tema, analise os dados apresentados a</p><p>seguir, em que são identificados o custo fixo médio (CFM) e o custo total (CT)</p><p>da atividade.</p><p>• Um trator novo financiado, com valor de R$ 150.000,00 e 15 anos de vida útil.</p><p>Pagamento em 8 parcelas anuais. Juros e taxas à instituição financeira iguais</p><p>a R$ 45.000,00.</p><p>• Uma carretinha de arrasto com valor de novo igual a R$ 14.000,00 e 10 anos</p><p>de vida útil. Atualmente, está com 11 anos de uso e valor de sucata igual a R$</p><p>5.000,00.</p><p>• Produção de composto no valor de R$ 22.500,00.</p><p>• Uma mão de obra familiar no valor de R$ 1.034,00 ao mês, com um dia de folga</p><p>na semana.</p><p>• Construções (casa e galpão para depósito) erguidas na mesma época, 11 anos</p><p>atrás, e dentro da vida útil de 40 anos, totalizando R$ 230.000,00.</p><p>• Produção de alface: 260 unidades/dia, com preço médio de R$ 1,00/unidade.</p><p>• COE total: R$ 37.230,00.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 148</p><p>Observe o contexto dos dados nas tabelas a seguir!</p><p>Inventário de recursos</p><p>ITEM VALOR VIDA ÚTIL DEPRECIAÇÃO CUSTO DE OPORTUNIDADE</p><p>Trator R$ 150.000,00 15 R$ 10.000,00 R$ 4.500,00</p><p>Carretinha R$ 5.000,00 0 R$ 0,00 R$ 300,00</p><p>Construções R$ 230.000,00 40 R$ 5.750,00 R$ 6.900,00</p><p>Total R$ 15.750,00 R$ 11.700,00</p><p>Mão de obra familiar</p><p>ITEM VALOR MENSAL QUANTIDADE VALOR TOTAL</p><p>Mão de obra familiar R$ 1.034,00 12 R$ 12.408,00</p><p>Produção de alface</p><p>ITEM VOLUME DIÁRIO DIAS DO ANO VOLUME TOTAL</p><p>Produção de alface 260 unidades 365 94.900 unidades</p><p>INDICADORES DE CUSTO</p><p>Custo fixo total da alface R$ 39.858,00,00/ano</p><p>Custo fixo médio da unidade de alface R$ 0,42/unidade</p><p>Custo total da alface R$ 77.088,00/ano</p><p>A partir dos dados apresentados, analise as afirmativas abaixo e as classifique</p><p>em verdadeiro (V) ou falso (F):</p><p>( ) A mão de obra familiar, por ter um dia de folga na semana, deveria ter</p><p>sido reduzida.</p><p>( ) O custo de bens financiados será integralmente apropriado ao custo de</p><p>produção no momento da disponibilização para uso, sem considerar o tipo</p><p>ou os valores de parcelamento.</p><p>( ) Os custos com juros de financiamento deverão ser adicionados ao bem,</p><p>pois, se não houvesse necessidade do bem para a produção, não haveria</p><p>financiamento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 149</p><p>( ) Itens que chegaram ao final de sua vida útil não precisarão mais reservar</p><p>valores relativos à sua depreciação, porém continuarão a contabilizar custo</p><p>de oportunidade.</p><p>( ) O custo de oportunidade sobre o capital empatado em composto é o mais</p><p>representativo dos custos fixos por ser calculado sobre o valor integral,</p><p>porém é um item indispensável à produção.</p><p>1. F, V, F, V, V.</p><p>2. V, V, F, V, V.</p><p>3. F, F, V, V, V.</p><p>4. F, F, V, V, F.</p><p>5. V, F, V, F, F.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 150</p><p>Tema 3: Cálculo dos</p><p>indicadores</p><p>Introdução</p><p>Você está iniciando o terceiro tema do módulo. O objetivo é que você compreenda</p><p>os cálculos dos custos e da renda como necessários para a análise da rentabilidade,</p><p>que consiste em apurar a margem bruta, a margem líquida e o lucro.</p><p>Ao final deste tema, você será capaz de:</p><p>• calcular e interpretar os resultados inerentes ao lucro, verificando a capacidade</p><p>que um negócio tem para se manter no longo prazo.</p><p>• analisar a equivalência de produção, assim como o ponto de cobertura total.</p><p>• calcular a taxa de retorno sobre o capital investido, indicador importante para</p><p>o empresário definir a atratividade do negócio e comparar com as opções que</p><p>ele tem no mercado</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 151</p><p>Para que todo esse conteúdo fique mais claro e de fácil entendimento, o tema</p><p>foi dividido em tópicos. Conheça, a seguir o objetivo de cada um deles.</p><p>Tema 3</p><p>Tópico 1</p><p>Tópico 2Tópico 5</p><p>Tópico 4 Tópico 3</p><p>Lucro</p><p>Entender como calcular, interpretar os resultados e tomar decisões com o lucro,</p><p>analisando a atratividade do negócio, levando em conta o custo de oportunidade</p><p>do capital empatado no empreendimento.</p><p>Ponto de cobertura</p><p>(PCOE e PCOT)</p><p>Aprender a apurar os</p><p>indicadores PCOE e PCOT em</p><p>unidades produzidas.</p><p>Aplicação dos conceitos</p><p>Aplicar durante o estudo</p><p>de caso da Fazenda Santa</p><p>Felicidade os conceitos</p><p>obtidos no tema.</p><p>Taxa de retorno do capital</p><p>Conhecer a taxa de retorno do</p><p>capital, vendo como calcular essa</p><p>taxa e seus componentes, levando</p><p>em conta o estoque de capital com e</p><p>sem a terra.</p><p>Ponto de cobertura total</p><p>Compreender como apurar um dos</p><p>indicadores mais importantes para</p><p>saber quanto do que foi produzido foi</p><p>comprometido para o pagamento do custo</p><p>total ou quanto teria sido necessário</p><p>produzir para que todos os custos fossem</p><p>pagos, caso se atue em um cenário de</p><p>prejuízo econômico.</p><p>Conhecido o objetivo de cada tópico, siga em frente neste tema e ótimos</p><p>estudos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 152</p><p>Tópico 1: Lucro</p><p>O que é lucro na realidade do negócio rural?</p><p>No decorrer deste tópico, você verá como calcular, interpretar os</p><p>resultados e tomar decisões relacionadas ao lucro.</p><p>O lucro (L) é um indicador de atratividade do negócio. No meio rural ele</p><p>é pouco utilizado, pois muitas vezes os produtores tomam suas decisões de</p><p>investimento com base no lado técnico, voltando o foco para o aumento da</p><p>produtividade e da produção, em vez de buscar o melhor retorno econômico.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 153</p><p>A realidade do campo</p><p>No seu dia a dia de atendimento, não será raro</p><p>observar que produtores se tornam referência</p><p>na sua região pelo nível de eficiência produtiva e</p><p>poucas vezes por alcançar eficiência econômica.</p><p>Essa situação normalmente ocorre por impulso</p><p>de vendedores ou até mesmo por ser algo visível</p><p>em outras propriedades, chamando a atenção e</p><p>despertando interesse dos vizinhos, enquanto a</p><p>questão econômica não aparece.</p><p>O lucro é obtido pela diferença entre a renda bruta (RB) e o custo total (CT),</p><p>conforme a fórmula abaixo:</p><p>L = RB - CTLucro</p><p>Renda bruta Custo total</p><p>O Técnico de Campo e/ou empresário rural, quando inicia um trabalho</p><p>de viabilização da propriedade, começa seu desafio aplicando na</p><p>atividade a margem bruta positiva. A partir disso, ele busca atingir</p><p>também a margem líquida positiva, trabalhando a produtividade e o</p><p>aumento da produção para chegar ao lucro com aquele negócio.</p><p>Esse entendimento escalonado é fundamental, especialmente para que o desafio</p><p>de viabilidade de uma propriedade seja suportado pelo empresário rural.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 154</p><p>Análise do lucro</p><p>Entenda a variação do lucro para melhor analisá-lo.</p><p>L>0</p><p>Lucro maior</p><p>que zero</p><p>L=0</p><p>Lucro igual</p><p>a zero</p><p>L<0</p><p>Lucro menor</p><p>que zero</p><p>L < 0 | Lucro menor que zero</p><p>Essa posição significa que a renda bruta obtida na atividade não foi suficiente</p><p>para cobrir os custos totais. Ou seja, existe um desequilíbrio entre renda e</p><p>custos, portanto o produtor atua então dentro de um cenário de prejuízo</p><p>econômico.</p><p>Vale destacar que, se uma propriedade tem lucro negativo,</p><p>esta pode ser uma situação momentânea. Não significa que</p><p>ela não seja atrativa, mas sim que a forma com que o negócio</p><p>foi dimensionado não está atendendo às expectativas para</p><p>a geração de lucro.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 155</p><p>Pare para pensar</p><p>Uma propriedade produtora de tomate apresenta lucro</p><p>negativo. Isso não significa que a cultura de tomate não</p><p>seja lucrativa. Como mudar esse cenário? O que você</p><p>sugeriria para o proprietário da fazenda?</p><p>Escreva aqui a sua sugestão de resolução e, depois de</p><p>finalizar o módulo, volte e veja se continua com o mesmo</p><p>pensamento!</p><p>L>0</p><p>Lucro maior</p><p>que zero</p><p>L=0</p><p>Lucro igual</p><p>a zero</p><p>L<0</p><p>Lucro menor</p><p>que zero</p><p>L = 0 | Lucro igual a zero</p><p>Na economia, o lucro zero também é chamado de lucro normal. Neste cenário, existe</p><p>equilíbrio entre a renda bruta e os custos totais – ambos se equivalem equivalem.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 156</p><p>Esta pode não ser a situação ideal,</p><p>porém quando ela ocorre, foi</p><p>alcançado o que se chama de nível</p><p>mínimo de atratividade.</p><p>Isso porque todos os custos</p><p>operacionais foram cobertos e o</p><p>capital foi remunerado em 6%</p><p>ao ano, conforme preconiza a</p><p>metodologia de ATeG.</p><p>Lucro zero não significa que o produtor não tenha dinheiro no bolso depois de</p><p>pagar os custos operacionais efetivos, remunerar a mão de obra da família,</p><p>recolher o valor referente à depreciação e remunerar o capital empatado em</p><p>forma de custo de oportunidade</p><p>Em situação de lucro zero, pode-se estabelecer a estabilidade do negócio</p><p>e, em alguns casos, pode ocorrer inclusive crescimento.</p><p>Acompanhe um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Dentro da atividade, um produtor</p><p>com lucro igual a zero conseguiu</p><p>promover uma grande variação</p><p>patrimonial que, fora da</p><p>atividade, talvez</p><p>não conseguiria.</p><p>Automaticamente,</p><p>a mesma taxa</p><p>de 6% de</p><p>remuneração</p><p>média, quando</p><p>submetida a um</p><p>capital maior,</p><p>resultará em maior</p><p>retorno ao empresário.</p><p>Atuando nesse negócio, o produtor pode planejar seu sistema de produção para um maior</p><p>retorno, porém também está submetido a riscos. Cabe ao produtor, com apoio do técnico,</p><p>definir os melhores caminhos para obter lucro.</p><p>Isso acontece</p><p>porque a atividade</p><p>consegue retornar</p><p>os investimentos</p><p>realizados, muitos</p><p>deles feitos por</p><p>meio de crédito</p><p>subsidiado.</p><p>O fator de</p><p>produção, com</p><p>itens como tratores,</p><p>implementos, sistema</p><p>de irrigação etc.,</p><p>passa a contribuir</p><p>para a geração de</p><p>renda, ainda que</p><p>esses recursos não</p><p>tenham sido pagos.Com isso, surge uma</p><p>oportunidade que o</p><p>produtor não teria,</p><p>caso o capital estivesse</p><p>na poupança, por</p><p>exemplo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 157</p><p>L>0</p><p>Lucro maior</p><p>que zero</p><p>L=0</p><p>Lucro igual</p><p>a zero</p><p>L<0</p><p>Lucro menor</p><p>que zero</p><p>L > 0 | Lucro maior que zero</p><p>Um resultado de lucro maior que zero também é chamado de lucro supernormal.</p><p>Isso significa que o negócio avaliado remunera todos os custos e ainda sobra</p><p>dinheiro ao empresário para retirada ou aplicação no próprio negócio ou em</p><p>outros investimentos.</p><p>No meio agropecuário, buscar o lucro maior que zero é o refinamento da</p><p>gestão. Isso ocorre quando o produtor atinge a maturidade gerencial e se</p><p>torna um empresário rural. Enquanto o objetivo for puramente produzir,</p><p>raramente o produtor conseguirá essa margem de lucro.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 158</p><p>Ele também passa a</p><p>visar redução dos custos</p><p>e aumento da renda,</p><p>ou aumento no custo</p><p>total que seja justificado</p><p>pelo aumento da renda</p><p>superior ao impacto no</p><p>custo.</p><p>Com a sua gestão,</p><p>ele consegue</p><p>dimensionar os</p><p>investimentos,</p><p>especialmente os que</p><p>se referem ao capital</p><p>próprio, de forma</p><p>mais coesa.</p><p>Quando o produtor</p><p>atinge maturidade</p><p>empresarial, o lucro</p><p>passa a ser uma</p><p>constante.</p><p>Variações do lucro</p><p>A) Lucro unitário</p><p>É o lucro por unidade produzida, calculado pela divisão do lucro pela produção.</p><p>Veja a fórmula abaixo:</p><p>Lucro</p><p>Produção</p><p>Lucro unitário =</p><p>Este indicador pode ser utilizado para verificar se o negócio avaliado tem</p><p>capacidade para suportar variações no preço de venda sem que tome prejuízo.</p><p>Essa análise pode ser feita para qualquer cultura, observe!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 159</p><p>Pecuária Agricultura</p><p>• Lucro/kg de carne</p><p>• Lucro/litro de leite</p><p>• Lucro/dúzia de ovos</p><p>• Lucro/kg mel</p><p>• Lucro/saca (café, milho e soja)</p><p>• Lucro/tonelada (cana, silagem)</p><p>• Lucro/arroba de fumo</p><p>• Lucro/caixa (hortaliças e frutas)</p><p>B) Lucro em equivalentes às unidades produzidas</p><p>Consiste em converter o valor do lucro de reais para volume de produção,</p><p>bastando para isso dividir o lucro apurado pelo preço médio da unidade</p><p>produzida. Isso permite comparar o resultado do lucro entre as propriedades,</p><p>sem o efeito do preço*. Observe a fórmula!</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>Lucro equivalente =</p><p>O lucro equivalente às unidades produzidas é utilizado para comparação</p><p>entre propriedades diferentes do mesmo negócio, podendo ser usado</p><p>para comparar períodos diferentes.</p><p>Logicamente, o preço recebido vai interferir no resultado desse indicador. De acordo com a</p><p>fórmula, se o mesmo valor for apurado como lucro em duas propriedades e elas receberam</p><p>preços diferentes pelo produto, o lucro equivalente será diferente.</p><p>Para ter esse conceito mais claro, realize a atividade!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 160</p><p>Conheça os dados de duas propriedades produtoras</p><p>de café.</p><p>Propriedade A:</p><p>• lucro de R$ 100.000,00 no ano,</p><p>• comercializou o café por R$ 450,00/saca.</p><p>Propriedade B corrigida para o mesmo número de matrizes:</p><p>• lucro de R$ 110.000,00 no ano,</p><p>• comercializou o café por R$ 550,00/saca.</p><p>Analisando o resultado, fica claro que a propriedade A foi a mais eficiente.</p><p>Porém, qual das propriedades obteve maior lucro equivalente a sacas de café?</p><p>Justifique aqui a sua escolha!</p><p>Pense e decida</p><p>Propriedade A Propriedade B</p><p>Lucro</p><p>equivalente a</p><p>sacas</p><p>= 222,22 sacas</p><p>Lucro</p><p>equivalente a</p><p>quilos</p><p>= 200 sacas</p><p>Lucro</p><p>equivalente</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>= Lucro</p><p>equivalente</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>=</p><p>Lucro</p><p>equivalente</p><p>R$ 100.000,00</p><p>R$ 450,00</p><p>= Lucro</p><p>equivalente</p><p>R$ 110.000,00</p><p>R$ 550,00</p><p>=</p><p>Propriedade A Propriedade B</p><p>Lucro</p><p>equivalente a</p><p>sacas</p><p>= 222,22 sacas</p><p>Lucro</p><p>equivalente a</p><p>quilos</p><p>= 200 sacas</p><p>Lucro</p><p>equivalente</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>= Lucro</p><p>equivalente</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>=</p><p>Lucro</p><p>equivalente</p><p>R$ 100.000,00</p><p>R$ 450,00</p><p>= Lucro</p><p>equivalente</p><p>R$ 110.000,00</p><p>R$ 550,00</p><p>=</p><p>Produtor A Produtor B</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 161</p><p>Feedback</p><p>A propriedade A, ainda que com um resultado econômico menor, foi mais</p><p>eficiente tecnicamente que a propriedade B. Assim, é possível dizer que a</p><p>propriedade A precisa melhorar a qualidade de seu produto ou as formas</p><p>de comercialização, para conseguir comercializar o seu produto com maior</p><p>valor na saca de café.</p><p>Pense bem no contexto geral das duas propriedades!</p><p>Já a propriedade B teve um lucro maior com um preço unitário maior,</p><p>mostrando que conseguiu agregar valor à saca de café, mas mesmo assim</p><p>não representou o maior lucro equivalente.</p><p>Considerando o contexto apresentando na atividade, vale destacar dois aspectos:</p><p>A propriedade B, ao fazer uma análise</p><p>histórica, identifica que já conseguiu,</p><p>em outros períodos, maior lucro</p><p>equivalente a quilos de carne. Dessa</p><p>forma, ela validou que pode melhorar</p><p>sua produtividade.</p><p>O gestor da propriedade B, ao ver</p><p>o resultado da propriedade A, deve</p><p>analisar as potencialidades de aumentar</p><p>a produtividade do seu sistema, desde</p><p>que isso não comprometa a qualidade</p><p>do produto e, consequentemente, os</p><p>preços de venda.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 162</p><p>O Senar em Campo tem um vídeo interessante sobre</p><p>o assunto: “Lucro – SérieATeG Gestão”, disponível no</p><p>YouTube no link:</p><p>https://www.youtube.com/</p><p>watch?v=LtFAlCW711Q&list=PLpvd_</p><p>yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=10></p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Conheceu o conceito do</p><p>lucro na gestão de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Descobriu como</p><p>encontrar o lucro</p><p>e analisar seu</p><p>impacto na gestão da</p><p>propriedade.</p><p>Entendeu as variações do</p><p>lucro e como usá-las para</p><p>uma gestão madura e de</p><p>resultados.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LtFAlCW711Q&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=10></p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LtFAlCW711Q&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=10></p><p>https://www.youtube.com/watch?v=LtFAlCW711Q&list=PLpvd_yKjERaf4xHrtG0sx87tWtaFes9TS&index=10></p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 163</p><p>Tópico 2: Ponto de cobertura</p><p>Você sabe como pensar em estratégias de gerenciamento</p><p>e gestão mais assertivas usando cálculos e comparações?</p><p>No decorrer deste tópico você verá o cálculo do ponto de cobertura,</p><p>que ajuda a comparar os resultados de uma propriedade em</p><p>diferentes períodos.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 164</p><p>PCOE</p><p>Ponto de</p><p>cobertura</p><p>operacional</p><p>efetivo</p><p>PCOT</p><p>Ponto de</p><p>cobertura</p><p>operacional</p><p>total</p><p>Esta forma de analisar o custo consiste em converter custos em unidades</p><p>produzidas. Assim, o empresário e a assistência técnica conseguem definir a</p><p>parcela da produção necessária para cobrir os custos de uma propriedade, ou</p><p>então, ao elaborar o planejamento, projetar a produção que será necessária</p><p>para pagar o COE e o COT.</p><p>Um jeito bem fácil de calcular o custo equivalente é dividindo o custo</p><p>que se deseja analisar pelo preço de comercialização do produto, para</p><p>verificar sua conversão.</p><p>A conversão do custo em unidades produzidas também permite ao gestor</p><p>comparar seus resultados em diferentes períodos. Essa análise ajuda a avaliar</p><p>o negócio numa série histórica, guiando tomadas de decisão.</p><p>Entenda!</p><p>Foi realizada uma análise comparativa do custo operacional efetivo (COE) por</p><p>meio do custo equivalente às unidades produzidas em uma produtora de café</p><p>em um período de 2 anos.</p><p>Observe os resultados:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 165</p><p>A propriedade</p><p>gastou 100</p><p>sacas de café</p><p>para pagar o</p><p>COE</p><p>A propriedade</p><p>gastou 120</p><p>sacas de</p><p>café para</p><p>pagar o COE</p><p>ANO 1</p><p>ANO 2</p><p>Isso significa que, no segundo ano, foi comprometida uma parte maior da</p><p>produção para pagar o COE. É possível dizer, então, que no ano 2 a propriedade</p><p>foi menos eficiente?</p><p>Não! É necessário que o empresário, antes de chegar a essa conclusão, associe</p><p>a análise com a renda gerada por essa variação de custo.</p><p>Observe as hipóteses que podem justificar a variação:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 166</p><p>Queda no preço da saca de café,</p><p>sendo necessárias mais sacas</p><p>para pagar o COE no ano 2.</p><p>Alta nos preços dos insumos</p><p>devido a uma variação cambial,</p><p>por exemplo.</p><p>O aumento no número de sacas</p><p>foi justificado por um crescimento</p><p>da produção, ou seja, a produção</p><p>cresceu mais do que as 20 sacas</p><p>aumentadas no COE.</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo (PCOE)</p><p>O resultado do PCOE representa o volume da produção necessária para pagar</p><p>o COE. Ele pode ser calculado pela fórmula:</p><p>=</p><p>COE</p><p>Preço Médio</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo</p><p>O resultado do PCOE é obtido em unidades produzidas, dependendo da unidade</p><p>que usada para comercializar o produto, por exemplo:</p><p>• arrobas por ano de erva-mate;</p><p>• quilos de mandioca por ano;</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 167</p><p>• unidade de alface por ano;</p><p>• metros cúbicos de madeira por ano;</p><p>• arrobas de tabaco por safra;</p><p>• toneladas por ano de laranja;</p><p>• sacas por ano;</p><p>• litros de leite por dia;</p><p>• quilos de carne por ano.</p><p>Entenda melhor acompanhando o exemplo da Fazenda Cambirela na prática!</p><p>Na prática</p><p>Fazenda Cambirela</p><p>Produtora de feijão: produz 320 sacas em 8 hectares de área,</p><p>comercializa o feijão em média a R$ 120,00 a saca de 60 kg e tem</p><p>COE de R$ 12.000,00 no ano.</p><p>COE</p><p>Preço Médio</p><p>Ponto de cobertura</p><p>operacional efetivo =</p><p>Com os dados apresentados, observe como calcular o PCOE dessa</p><p>propriedade.</p><p>Fórmula:</p><p>PCOE = R$ 12.000,00 ÷ R$ 120,00 = 100 sacas/ano</p><p>No caso do feijão, cuja produção pode ser expressa por ano, para</p><p>que o número fique mais claro para o produtor, dividimos o valor</p><p>do PCOE anual por 8 hectares (área para produção). Portanto:</p><p>PCOE = 100 sacas ÷ 8 hectares = 12,5 sacas/ha</p><p>Isso significa que, das 320 sacas (40 sacas por hectare) de feijão</p><p>produzidos por safra, essa propriedade compromete 100 sacas</p><p>(12,5 sacas por hectare) para pagar o COE.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 168</p><p>Esse custo é muito analisado pelos produtores, mesmo de forma empírica, sem</p><p>considerar alguns pagamentos, como impostos e taxas, entre outros.</p><p>Muitas vezes, o produtor contabiliza apenas as despesas diretamente ligadas</p><p>à produção. No entanto, a interpretação correta desse indicador é o ponto de</p><p>cobertura operacional efetivo.</p><p>Para fixar esse conceito, acompanhe mais este exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Um produtor de milho em um determinado ano agrícola teve os seguintes itens</p><p>de COE para 20 hectares:</p><p>Elementos de despesa Unidade Quantidade Valor unitário Valor total</p><p>Herbicida L 40 R$ 20,00 R$ 800,00</p><p>Adubo de base (30-20-10) sac. 150 R$ 65,00 R$ 9.750,00</p><p>Adubação de cobertura sac. 120 R$ 63,00 7.560,00</p><p>Semente sac. 20 R$ 500,00 R$ 10.000,00</p><p>Tratamento de semente L 3 R$ 70,00 R$ 210,00</p><p>Herbicida pré L 30 R$ 20,00 R$ 600,00</p><p>Herbicida pós L 40 R$ 20,00 R$ 800,00</p><p>Inseticida L 3 R$ 120,00 R$ 360,00</p><p>Fungicida L 3 R$ 150,00 R$ 450,00</p><p>Adubo foliar L 5 R$ 30,00 R$ 150,00</p><p>Mão de obra contratada un. 1 R$ 4.695,00 R$ 4.695,00</p><p>Horas trator dessecação h 5 R$ 20,00 R$ 100,00</p><p>Horas</p><p>plantio h 20 R$ 40,00 R$ 800,00</p><p>Horas inseticida – herbicida h 5 R$ 20,00 R$ 100,00</p><p>Horas inseticida – fungicida h 5 R$ 20,00 R$ 100,00</p><p>Hora colheita h 15 R$ 250,00 R$ 3.750,00</p><p>Frete un. 1 R$ 3.360,00 R$ 3.600,00</p><p>Funrural 2,3% un. 1 R$ 1.932,00 R$ 1.932,00</p><p>Deslocamento do produtor un. 1 R$ 550,00 R$ 550,00</p><p>R$ 46.307,00</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 169</p><p>O produtor tem posse de um trator, de uma plantadeira e de um</p><p>pulverizador, e isso justifica os valores baixos das horas na tabela</p><p>citados (os valores da tabela em relação a pulverização e plantio são</p><p>apenas do custo da operação). O produtor possui uma depreciação</p><p>anual desses equipamentos no valor de R$ 5.833,33.</p><p>Análise do ponto de cobertura operacional efetivo</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo maior que a produção</p><p>Quando o PCOE supera a produção, é possível ver que a empresa rural precisa</p><p>rever a eficiência na utilização dos itens do COE. Ela também apresenta</p><p>problemas gerenciais graves, pois o empresário precisará usar recursos próprios</p><p>ou de terceiros para manter o sistema funcionando.</p><p>Popularmente, costuma se dizer que o dinheiro da produção não deu para</p><p>pagar as contas. Isso pode ocorrer por diversos motivos, como:</p><p>A produção total da lavoura = 3.400 sacas de milho (170 sacas por ha x 20 ha)</p><p>Ele comercializou o milho por um preço médio de R$ 28,50 a saca.</p><p>Logo:</p><p>Isso significa que, nesse período, seriam comprometidas 1.624,8 sacas da</p><p>produção total para pagar o COE.</p><p>COE equivalente</p><p>sacas de milho</p><p>R$ 46.307,00</p><p>R$ 28,50</p><p>=</p><p>COE equivalente</p><p>sacas de milho 1.624,8 sacas de milho=</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 170</p><p>Ponto de cobertura operacional efetivo menor que</p><p>a produção</p><p>Com um PCOE menor que a produção a propriedade se mantém, pelo menos</p><p>em curto prazo. Isso porque, ao vender sua produção, ela consegue pagar</p><p>todas as despesas de custeio e ainda sobra dinheiro.</p><p>Entenda!</p><p>Mão de obra</p><p>contratada operando</p><p>em sistemas de baixa</p><p>escala de produção</p><p>e participando</p><p>excessivamente do</p><p>custo.</p><p>Catástrofes naturais</p><p>que limitam a</p><p>produção.</p><p>Erros graves na</p><p>técnica de produção</p><p>que comprometem a</p><p>produtividade, como</p><p>desequilíbrio nutricional</p><p>das plantas.</p><p>Problemas</p><p>fitossanitários que</p><p>ocasionam perda de</p><p>plantas.</p><p>Na prática</p><p>Se um produtor de arroz produziu 10.000 sacas no ano e seu PCOE equivalente foi</p><p>de 4.000 sacas, significa que ele será capaz de pagar todas as despesas e ainda</p><p>sobrarão 6.000 sacas.</p><p>Esse produtor pode comparar, também, quantas sacas gastou para produzir as mesmas</p><p>10.000 sacas no ano anterior. Se ele gastou 5.000 sacas no ano anterior e apenas</p><p>4.000 neste ano, é possível concluir que, economicamente, ele foi mais eficiente.</p><p>Como isso se justifica? Por uma melhoria na eficiência técnica ou por variações no</p><p>mercado.</p><p>10.000 sacas no ano</p><p>6.000 sacas de sobra</p><p>PCOE</p><p>4.000 sacas</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 171</p><p>O produtor que pretende obter o máximo da produção deve trabalhar o manejo</p><p>e as tecnologias de forma a comprometer o mínimo possível da produção para</p><p>pagar o COE.</p><p>Ponto de cobertura operacional total (PCOT)</p><p>O PCOT é o resultado da divisão do COT pelo preço médio de venda de</p><p>um produto.</p><p>COT</p><p>Preço Médio</p><p>PCOT =</p><p>O resultado expressa o COT convertido em unidades produzidas, ou seja,</p><p>quantas unidades foram, ou precisam ser produzidas para pagar o COT.</p><p>Análise do ponto de cobertura operacional total</p><p>Ponto de cobertura operacional total maior que a produção</p><p>Esse indicador significa que a produção obtida pelo sistema não foi capaz de</p><p>pagar o COE, mão de obra familiar e depreciações. Nesse cenário, o produtor</p><p>deve fazer algumas verificações:</p><p>Verificar se o COE da propriedade é coerente com a produção.</p><p>É interessante revisar os conceitos de PCOE.</p><p>1</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 172</p><p>Ponto de cobertura operacional total menor que a</p><p>produção</p><p>Na situação em que a produção supera o PCOT, dizemos que esse negócio é</p><p>sustentável pelo menos no médio prazo, pois além de cobrir o COT, sobram</p><p>recursos para remunerar o capital empregado na atividade.</p><p>Checar se o fluxo de produção no qual a mão de obra familiar está</p><p>inserida pode ser melhorado.</p><p>Se o fluxo for adaptado, o recurso humano passaria a produzir mais, diluindo</p><p>esse custo.</p><p>3</p><p>Checar se a estrutura da propriedade é compatível com a escala</p><p>de produção.</p><p>Os produtores rurais, muitas vezes impulsionados pelo fácil acesso ao</p><p>crédito, ou mesmo pelo dinheiro em caixa, superdimensionam seus sistemas</p><p>de produção, comprando máquinas e construindo benfeitorias sem analisar</p><p>criteriosamente os impactos nos custos e na renda. Dessa forma, para</p><p>ajustar esse indicador é necessário reduzir bens ociosos ou aumentar a</p><p>escala de produção.</p><p>2</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 173</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste tópico, você:</p><p>Entendeu como usar</p><p>as comparações para</p><p>pensar em melhores</p><p>estratégias para a</p><p>propriedade rural.</p><p>Conheceu os</p><p>índices de ponto de</p><p>cobertura operacional</p><p>efetivo e total.</p><p>Compreendeu como</p><p>calcular e analisar</p><p>contextos de propriedades</p><p>a partir desses indices e</p><p>suas variações.</p><p>Na prática</p><p>Relembre o contexto daquela produtora de milho que conhecemos</p><p>no estudo do COE equivalente a unidades produzidas.</p><p>Estes são os dados:</p><p>• COE = R$ 46.307,00.</p><p>• Total de depreciações anuais = R$ 5.833,33.</p><p>• Produção total da lavoura = R$ 3.400 sacas de milho.</p><p>• Mão de obra familiar realizada por marido e esposa = R$</p><p>22.500,00 por ano (R$ 937,50,00 x 12 meses x 2 pessoas).</p><p>• O preço da arroba comercializada no período foi de R$ 148,72.</p><p>Cálculo e resultado</p><p>Primeiro, devemos encontrar o COT:</p><p>COT = COE + DEPRECIAÇÃO ANUAL + MÃO DE OBRA FAMILIAR</p><p>• COT = R$ 46.307,00 + R$ 5.833,33 + R$ 22.500,00</p><p>• COT = R$ 74.640,33</p><p>Depois, calculamos o PCOT</p><p>Isso significa que essa empresa comprometeu 2.618,95 sacas da sua produção</p><p>para pagar o COT.</p><p>PCOT</p><p>COT</p><p>Preço Médio</p><p>= PCOT</p><p>R$ 74.640,33</p><p>R$ 28,50</p><p>=</p><p>PCOT 2.618,95 sacas de milho=</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 174</p><p>Tópico 3: Ponto de cobertura total</p><p>Você sabe como o ponto de cobertura total (PCT) pode</p><p>ajudar no gerenciamento da propriedade rural?</p><p>No decorrer deste tópico, você verá como calcular o ponto de cobertura</p><p>total e sua importância para a gestão da propriedade rural.</p><p>Esse é um indicador muito importante! O PCT é obtido ao se converter o</p><p>custo total em unidades produzidas, ou seja, quanto da produção a empresa</p><p>comprometeu ou terá que produzir para pagar o custo total.</p><p>Para calcular o PCT é muito simples: basta dividir o custo total pelo preço:</p><p>CT</p><p>Preço Médio</p><p>Ponto de cobertura total PCT =</p><p>Bem fácil, não é mesmo? Agora, entenda como analisar esse índice!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 175</p><p>Análise do ponto de cobertura total</p><p>Ponto de cobertura total maior que produção</p><p>Quando o resultado do cálculo do ponto de cobertura total é maior que a</p><p>produção, vemos que a produção não foi suficiente para pagar o custo total.</p><p>Isso se dá em algumas situações, como:</p><p>Catástrofes naturais que</p><p>comprometeram a produção</p><p>– Dessa forma, o produtor tem o</p><p>custo integral, mas apenas parte da</p><p>produção.</p><p>1</p><p>Má aplicação da técnica de</p><p>produção – Muitas vezes, o</p><p>produtor reduz a utilização de</p><p>recursos que influenciam os custos</p><p>de produção. Outras situações</p><p>podem levar o produtor a não</p><p>atingir o ponto de cobertura total,</p><p>especialmente a falta de gestão e a</p><p>ineficiência no uso dos recursos.</p><p>2</p><p>Acompanhe um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Uma fazenda de produção de milho estava</p><p>contabilizando custos muito altos e nada de lucro.</p><p>Seu proprietário resolveu, então, reduzir o uso de</p><p>fertilizantes, acreditando solucionar o problema.</p><p>Assim, para que o produtor eleve a</p><p>produção novamente, terá que reinserir</p><p>na atividade aqueles insumos que retirou,</p><p>o que causará uma mudança no custo</p><p>utilizado para obter o PCT.</p><p>A curto prazo, atitudes</p><p>como essa produzem</p><p>redução das despesas</p><p>e um ajuste de fluxo de</p><p>caixa momentâneo.</p><p>Porém, esse tipo de</p><p>comportamento</p><p>pode</p><p>promover uma redução</p><p>da produção, que acaba</p><p>inviabilizando o negócio.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 176</p><p>Isso explica por que o PCT não é o indicador da produção que representa o</p><p>lucro, mas se trata da parcela da produção utilizada para cobrir o custo total.</p><p>Sistema de produção com baixa escala de produção</p><p>Muitos sistemas de produção têm alto custo fixo, porém operam em baixa</p><p>escala de produção. O curioso é que, nesses casos, quando calculado o PCT,</p><p>vemos que o resultado apresentado é de alto valor, mesmo com um alto custo</p><p>fixo e operação em baixa escala.</p><p>O que fazer</p><p>nesse caso</p><p>Para aumentar a produção, seria</p><p>necessário um aumento em toda a</p><p>parcela variável do COE, o que</p><p>resultaria num CT maior do que o</p><p>que foi usado para o cálculo do PCT.</p><p>?</p><p>Mais uma vez, se vê que não podemos dizer que o PCT indica se a produção</p><p>terá lucro, mas sim qual a parcela da produção que seria necessária para cobrir</p><p>o custo total atribuído ao produtor.</p><p>O produtor precisa analisar em qual cenário ele se enquadra, tomando</p><p>as decisões administrativas mais assertivas para que não continue</p><p>produzindo sem lucro.</p><p>Especialmente nos casos de produção de composto, na atividade olerícola, por</p><p>exemplo, ao aumentar a compostagem, haverá um crescimento no estoque</p><p>de capital sem existir elevação nas depreciações, uma vez que o composto é</p><p>um produto que não sofre depreciação.</p><p>Logo, isso causaria um aumento no custo de oportunidade do capital empatado.</p><p>Esse aumento pode ser justificado pelo crescimento da produção.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 177</p><p>Ponto de cobertura total menor que a produção</p><p>Nesse caso, a interpretação é bem simples.</p><p>• O PCT representa a parcela da produção comprometida para pagar o custo total.</p><p>• A análise do PCT se fundamenta em compreender se o produtor está alcançando</p><p>o nível mínimo de produção para pagar todos os custos; caso não esteja, deve</p><p>procurar saber o que pode fazer para obter tal patamar de produção.</p><p>Esse indicador se torna mais visível quando o produtor usa o valor para comparar</p><p>seus resultados com outros produtores que recebem preços diferentes, podendo</p><p>dizer quem foi mais eficiente em unidades produzidas. Outra forma de usar esse</p><p>indicador é comparando os resultados da própria empresa rural em períodos</p><p>diferentes.</p><p>Observe o exemplo da Fazenda Morada dos Ipês!</p><p>Na prática</p><p>Acompanhe!</p><p>Dados:</p><p>• COT = R$ 116.524,61.</p><p>• Preço médio do trigo (sacas de 60 kg) = R$ 34,68.</p><p>• Estoque de capital em máquinas, equipamentos, benfeitorias = R$ 453.343,52.</p><p>Fazenda Morada dos Ipês</p><p>Uma produtora de trigo. O proprietário</p><p>tem recebido o apoio de uma Técnica</p><p>de Campo. A propriedade conta</p><p>com extensão expressiva de terras,</p><p>e a Técnica tem aplicado vários</p><p>conhecimentos da metodologia ATeG</p><p>para ajudar a propriedade a crescer.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 178</p><p>Veja que os cálculos aprendidos até aqui apresentam suas particularidades,</p><p>mas são simples e fáceis de memorizar. Lembre-se da importância e da forma</p><p>correta de aplicar cada um deles.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste terceiro tópico, você:</p><p>Conheceu o ponto</p><p>de cobertura total</p><p>e a sua importância</p><p>para a gestão de uma</p><p>propriedade.</p><p>Entendeu como</p><p>analisar os dados da</p><p>propriedade, com</p><p>base nesse indicador</p><p>e nas suas variações.</p><p>Observou esse indicador</p><p>sendo aplicado em</p><p>exemplos práticos nas</p><p>rotinas rurais.</p><p>Acompanhe!</p><p>Dados:</p><p>• COT = R$ 116.524,61.</p><p>• Preço médio do trigo (sacas de 60 kg) = R$ 34,68.</p><p>• Estoque de capital em máquinas, equipamentos, benfeitorias = R$ 453.343,52.</p><p>Custo de oportunidade do capital empatado =</p><p>Custo de oportunidade do capital empatado = R$ 13.600,30</p><p>CT = R$ 116.524,61 + R$ 13.600,30</p><p>CT = R$ 130.124,91</p><p>x 6%</p><p>CT equivalente</p><p>sacas de trigo</p><p>R$ 130.124,91</p><p>R$ 34,68</p><p>=</p><p>CT equivalente sacas de trigo = 3.752,16 sacas</p><p>R$ 453.343,52</p><p>2</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 179</p><p>Tópico 4: Taxa de retorno de capital</p><p>Você entende a relação da taxa de retorno com a</p><p>margem líquida?</p><p>Neste tópico você verá como funciona a taxa de retorno sobre o</p><p>capital empatado (TRC), calculando novamente a margem líquida e</p><p>considerando os tipos de estoques e demais fatores que contribuem</p><p>para o cálculo correto desse indicador.</p><p>Como já visto, existe uma série de fatores a considerar no momento de realizar</p><p>os cálculos de indicadores, entre os quais está a taxa de retorno sobre o</p><p>capital empatado, conhecida como TRC.</p><p>A taxa de retorno do capital empatado (TRC) é o indicador central da análise</p><p>da atividade e sem dúvida o mais importante. Isso porque ele é formado a</p><p>partir da combinação de indicadores de produção e produtividade, custos</p><p>operacionais, renda bruta e estoque de capital, como mostra a figura abaixo:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 180</p><p>TRC</p><p>ML Capital</p><p>TerraBenf. Maq.</p><p>Equip.COTRenda</p><p>Produt.Área</p><p>Preço COE MOF e dProdução</p><p>Qualquer variação na produção, no preço, nos custos operacionais efetivos,</p><p>na depreciação, no valor da mão de obra familiar, ou ainda, no estoque de</p><p>capital, terá impacto na TRC.</p><p>A taxa de retorno sobre o capital empatado (TRC) corresponde, em termos</p><p>percentuais, à capacidade da atividade de remunerar o capital médio que foi</p><p>aplicado na produção. Ela é calculada considerando o estoque de capital</p><p>com e sem a terra.</p><p>A realidade do campo</p><p>O Técnico de Campo deve realizar ambas as</p><p>análises, com e sem terra, para que o efeito do</p><p>“valor da terra” seja posto à parte, conseguindo</p><p>avaliar apenas a atividade em si. Isso é importante</p><p>especialmente quando o empresário rural não cogita</p><p>a hipótese de vender a terra, o que é muito comum</p><p>nesse meio.</p><p>A taxa de retorno do capital é calculada com a seguinte fórmula:</p><p>Margem Líquida</p><p>Estoque de capital</p><p>TRC = x 100</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 181</p><p>Margem líquida</p><p>A margem líquida é o resultado da diferença entre a renda bruta e o custo</p><p>operacional total, ou seja, o que sobra da renda bruta quando abatido o COE,</p><p>depreciações e custo da mão de obra familiar. Esses custos são inerentes à</p><p>operação e são reais.</p><p>A depreciação ocorre ao longo do tempo e, mais cedo ou mais tarde, haverá</p><p>necessidade de substituição do bem e o consequente desembolso, ou seja, a</p><p>estrutura do negócio, se não monetizada, não é uma riqueza, e sim um custo.</p><p>Por mais que a depreciação</p><p>e a mão de obra familiar não</p><p>resultem em desembolso</p><p>sistemático, elas são custos</p><p>do sistema que não retornam</p><p>ao empresário.</p><p>Com relação à mão de</p><p>obra familiar, por mais que</p><p>o desembolso não seja</p><p>sistemático, o trabalho por</p><p>ela realizado precisa ser</p><p>valorizado e custeado pelo</p><p>sistema de produção.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 182</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade produtora de café possui um sistema de</p><p>produção que precisa de um trator para fazer os tratos culturais.</p><p>• Valor de mercado = R$ 70.000,00</p><p>• Vida útil = 15 anos.</p><p>Durante esses 15 anos, ele terá apenas os gastos com</p><p>manutenções. Porém, ao final da vida útil o dinheiro investido</p><p>nesse trator possuirá um valor residual mínimo.</p><p>Podemos concluir que, se a atividade com o trabalho do trator</p><p>não remunerar pelo menos os R$ 70.000,00 nesse período, é</p><p>melhor que o empresário não aplique seu dinheiro nesse trator,</p><p>pois esse item será um custo, e não uma riqueza.</p><p>Não se usa o lucro para calcular a taxa de retorno, porque dele são contabilizados</p><p>os custos de oportunidade sobre o capital empatado e esse custo não se</p><p>incorpora ao produto, sendo apenas analítico. Assim, esse valor também</p><p>retorna ao empresário</p><p>O objetivo principal ao se calcular a taxa de retorno é justamente</p><p>identificar se o negócio avaliado possui retorno superior a 6%, que</p><p>constitui a taxa média de remuneração do capital, balizada na poupança.</p><p>Conheça os estoques e seus cálculos!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 183</p><p>Estoque de capital médio em benfeitorias, plantas</p><p>perenes, máquinas e equipamentos (ECM)</p><p>O estoque de capital médio consiste em calcular a média do capital</p><p>empatado,</p><p>considerando um determinado bem ao longo de sua vida útil. Como na metodologia</p><p>de ATeG considera-se um valor de sucata igual a zero, um bem empregado na</p><p>atividade passará toda a sua vida útil nela.</p><p>Dessa forma, o bem vai de 100% a 0% do capital nele empatado dentro da</p><p>atividade. Em média, ao longo da vida útil, o bem tem 50% do capital investido</p><p>na atividade.</p><p>Logo, para máquinas, plantas perenes, equipamentos e benfeitorias, o capital médio</p><p>é calculado usando a seguinte fórmula:</p><p>Valor de novo do bem</p><p>2</p><p>Estoque de capital =</p><p>Estoque de capital médio em benfeitorias,</p><p>plantas perenes, máquinas e equipamentos (ECM)</p><p>O estoque de capital em floresta é também chamado de inventário florestal, ou</p><p>seja, é o valor da floresta. Vale destacar que, para fazer esse levantamento, deve-</p><p>se definir um valor médio de cada planta da floresta (e não o valor dos eucaliptos</p><p>melhores, por exemplo).</p><p>Em outras palavras, se essa floresta fosse vendida, quanto ela valeria no mercado</p><p>atual?</p><p>Estoque de capital em floresta (ECF)</p><p>Estoque de capital em floresta (ECF)</p><p>Estoque de capital em terra (ECT)</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 184</p><p>O estoque de capital em terra é o valor da terra nua no mercado em que a</p><p>propriedade está inserida, multiplicado pela área da propriedade.</p><p>Valor da terra nua (R$)</p><p>Área (ha)</p><p>Estoque de capital em terra =</p><p>Vale destacar que, se na propriedade houver mais de uma atividade, devemos</p><p>ratear as áreas de construções, estradas, reservas e outras áreas improdutivas.</p><p>Esse rateio pode ser feito em proporção à área útil utilizada em cada atividade.</p><p>Estoque de capital em terra (ECT)</p><p>Entenda melhor acompanhando o exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade de 100 hectares produz café e limão.</p><p>Observe os dados!</p><p>• Área destinado para reservas = 30 ha.</p><p>• Áreas construídas = 70 ha úteis, divididos entre</p><p>limão e café.</p><p>• Participação do limão na área útil = 28/70 = 40%.</p><p>• Participação do café na área útil = 42/70 = 60%.</p><p>Logo:</p><p>• Área de reservas e construções destinadas ao limão = 30 ha x 40% = 12 ha.</p><p>• Área de reservas e construções destinadas ao café = 30 ha x 60% = 18 ha.</p><p>Se o valor da terra nua na região for de R$ 10.000,00/ha, o estoque de capital em terra</p><p>destinado para cada atividade será:</p><p>ECT para o limão = (28 ha + 12 ha) x R$ 10.000,00 = R$ 400.000,00.</p><p>ECT para o café = (42 ha + 18 ha) x R$ 10.000,00 = R$ 600.000,00.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 185</p><p>Taxa de retorno do capital sem a terra (TRCST)</p><p>A taxa de retorno do capital sem a terra é utilizada para comparar diferentes</p><p>sistemas de produção, ou até mesmo definir qual atividade explorar.</p><p>Uma questão importante é que a maioria dos proprietários de terra não estão</p><p>dispostos a vendê-la, portanto é importante saber o que dá maior retorno</p><p>sobre a terra para a tomada de decisão. Além disso, esse indicador é utilizado</p><p>também para casos de arrendatários.</p><p>A taxa de retorno do capital sem terra é calculada da seguinte forma:</p><p>Estoque de capital sem terra, que corresponde à soma do estoque de capital médio de</p><p>máquinas, benfeitorias e plantas perenes com o estoque de capital em reflorestamento</p><p>ou em produção de composto.</p><p>Taxa de retorno do capital sem terra.</p><p>Margem Líquida</p><p>ECST</p><p>TRCST = X 100</p><p>Entenda melhor vendo esse cálculo aplicado num exemplo prático:</p><p>Margem Líquida</p><p>ECST</p><p>TRCST = x 100</p><p>Na prática</p><p>Em uma fazenda produtora de soja, foi calculada a taxa</p><p>de retorno do capital sem a terra. Observe!</p><p>• Estoque de capital médio em máquinas,</p><p>equipamentos e benfeitorias = R$ 650.000,00</p><p>• Margem líquida = R$ 65.000,00</p><p>Significa dizer que todo o capital investido na propriedade (tudo o que está em cima da</p><p>terra), anualmente, retorna ao produtor 10% desse capital. Esses 10% retornam por meio</p><p>da renda (margem líquida) da atividade que a propriedade possui.</p><p>TRCST x 100</p><p>Margem Líquida</p><p>ECST</p><p>= TRCST x 100</p><p>R$ 65.000,00</p><p>R$ 65.000,00</p><p>= TRCST 10%=</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 186</p><p>Taxa de retorno do capital com terra (TRCCT)</p><p>A taxa de retorno do capital com a terra permite ao empresário analisar a</p><p>capacidade que o sistema de produção integrado à terra tem de remunerar o</p><p>capital. Seu cálculo é feito através da seguinte fórmula:</p><p>Estoque de capital com terra, que é a soma do estoque</p><p>de capital sem terra com o estoque de capital em terra.</p><p>Taxa de retorno do capital com terra.</p><p>Margem Líquida</p><p>ECCT</p><p>TRCCT = X 100</p><p>Interpretação da TRCCT</p><p>Entenda o que os valores encontrados nesse indicador podem apontar:</p><p>Em algumas atividades,</p><p>como a produção de soja</p><p>com nível de tecnologia</p><p>baixo, o estoque de capital</p><p>em benfeitorias, máquinas</p><p>e equipamentos é muito</p><p>baixo. Isso pode causar</p><p>uma alta TRCST.</p><p>A referência é especulação</p><p>imobiliária, quando existe a</p><p>decisão de manter a terra</p><p>contando com uma valorização</p><p>desse patrimônio. Uma taxa de</p><p>retorno menor é aceitável, pois</p><p>o risco dessa decisão é menor,</p><p>quando comparado a montar</p><p>um sistema de produção em</p><p>qualquer cadeia.</p><p>A referência mais</p><p>comum é a poupança e</p><p>outros investimentos de</p><p>renda fixa assegurada,</p><p>porém cada empresário</p><p>pode adotar uma taxa</p><p>mínima de atratividade</p><p>de acordo com as</p><p>oportunidades que ele</p><p>tem para o capital.</p><p>Dependendo do valor da</p><p>terra na região, isso resulta</p><p>em baixas taxas de retorno</p><p>do capital investido.</p><p>Para definir se a taxa de</p><p>retorno do capital é</p><p>atrativa, cada gestor</p><p>precisa adotar sua</p><p>referência.</p><p>Algumas situações</p><p>podem causar uma</p><p>TRCST alta.</p><p>Vale destacar</p><p>que a metodologia de</p><p>ATeG não calcula a</p><p>variação do patrimônio</p><p>em terra, pois considera a</p><p>decisão de ter a terra</p><p>como outra atividade.</p><p>Esse tipo de sistema</p><p>demanda grandes</p><p>extensões de terra, pois</p><p>opera normalmente em</p><p>baixa produção.</p><p>Dessa forma, podemos afirmar que em regiões de terra de alto valor, para</p><p>viabilizar e manter a terra é necessário ter uma produção intensiva em qualquer</p><p>atividade agropecuária.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 187</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quarto tópico, você:</p><p>Compreendeu o</p><p>conceito da taxa</p><p>de retorno sobre o</p><p>capital empatado.</p><p>Explorou a taxa de retorno</p><p>de capital com e sem</p><p>terra, e sua interpretação</p><p>diante de contextos de</p><p>aplicação prática.</p><p>Entendeu a relação da</p><p>TRC com a margem</p><p>líquida e a sua</p><p>importância para os</p><p>cálculos da taxa de</p><p>retorno.</p><p>Conheceu os</p><p>estoques de capital</p><p>ECM, ECA e ECT.</p><p>Margem Líquida</p><p>ECST</p><p>TRCST = x 100</p><p>Na prática</p><p>Ainda usando o contexto da propriedade produtora de</p><p>soja, observe as informações a seguir:</p><p>• Estoque de capital médio em máquinas,</p><p>equipamentos e benfeitorias = R$ 650.000,00</p><p>• Valor da terra: R$ 10.000,00/ha</p><p>• Área = 200 ha</p><p>• Estoque de capital em terra = 200 ha x R$</p><p>10.000,00 = R$ 2.000.000,00</p><p>• Margem líquida = R$ 65.000,00</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>Logo, podemos concluir que é necessário ter uma produção intensiva para viabilizar e</p><p>manter a terra.</p><p>TRCCT x 100</p><p>R$ 65.000,00</p><p>R$ 650.000,00 + R$ 2.000.000</p><p>= TRCCT 2,45%=</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 188</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Qual é o papel que a comunicação desempenha no</p><p>processo de desenvolvimento rural?</p><p>No decorrer deste tópico vamos aplicar o que aprendemos ao</p><p>longo do módulo no estudo de caso da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Também vamos relembrar alguns conceitos já aprendidos e que o</p><p>ajudarão a construir seu conhecimento.</p><p>Agora é hora de aplicar todos os conceitos trabalhados no tema, analisando</p><p>os dados da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Então, antes de começar, vá até o Ambiente de Estudos e relembre todas as</p><p>informações da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Com base nesses dados, entenda como calcular o lucro e os indicadores</p><p>relacionados ao lucro, destacando o PCT.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 189</p><p>Lucro (L)</p><p>O lucro é obtido pela diferença entre a renda bruta (RB) e o custo total (CT),</p><p>conforme a fórmula:</p><p>RB CTL</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>L = R$ 281.565,38 – R$ 97.988,89</p><p>L = R$ 183.576,49</p><p>Variações do lucro</p><p>Lucro unitário</p><p>O lucro</p><p>unitário é aquele obtido por unidade produzida. Conseguimos o seu</p><p>valor calculando a divisão do lucro pela produção. Veja a fórmula:</p><p>Lucro</p><p>Produção</p><p>Lucro unitário =</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>Lucro unitário = R$ 183.576,49 ÷ 360.365</p><p>Lucro unitário = R$ 0,50</p><p>1</p><p>21</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 190</p><p>Lucro equivalente às unidades produzidas</p><p>Consiste em converter o valor do lucro em unidades de alface dividindo esse</p><p>valor encontrado pelo preço da alface. Isso permite comparar o resultado de</p><p>lucro entre as propriedades sem o efeito do preço. Veja a fórmula:</p><p>Lucro</p><p>Preço</p><p>Lucro equivalente =</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>Lucro equivalente = R$ 183.576,49 ÷ R$ 0,73</p><p>Lucro equivalente = 251.474,64 unidades de alface</p><p>2</p><p>COE, COT e CT</p><p>Agora, observe as fórmulas e a aplicação de cada uma delas, considerando os</p><p>dados da Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Os valores dos custos são convertidos em unidades de alface, ou seja, quantas</p><p>unidades de alface são necessárias para cobrir COE, COT e CT.</p><p>COE</p><p>COE – PCOE equivalente a unidades de alface</p><p>Dados:</p><p>• COE = R$ 58.981,20.</p><p>• Preço médio ponderado da alface = R$ 0,73.</p><p>Cálculo e resultado:</p><p>PCOE equivalente à unidade de alface = R$ 58.981,20 ÷ R$ 0,73</p><p>PCOE equivalente à unidade de alface = 80.796,16 unidades/ano</p><p>Para entender melhor esses resultados, dividimos esse valor em unidades por</p><p>dia, pois, na prática, o que o produtor planeja é sua produção diária.</p><p>80.796,16 unidades ÷ 365 dias = 221,35 unidades por dia</p><p>Assim, a quantidade da produção diária comprometida para pagar o COE foi</p><p>de 221,35 unidades.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 191</p><p>COT</p><p>COT – PCOT equivalente em unidades de alface</p><p>Dados:</p><p>• COT = R$ 85.472,08.</p><p>• Preço médio ponderado da alface = R$ 0,73.</p><p>Cálculo e resultado</p><p>PCOT = R$ 85.472,08 ÷ R$ 0,73</p><p>PCOT = 117.085,04 unidades/ano</p><p>No PCOT, a conversão será em unidades por dia, dividindo o volume anual</p><p>por 365 dias.</p><p>117.085,04 unidades ÷ 365 dias = 320,78 unidades por dia</p><p>Portanto, 320,78 unidades de alface da produção diária são comprometidas</p><p>para pagar o COT.</p><p>CT</p><p>CT – Ponto de cobertura total (CT equivalente em unidades de alface)</p><p>Dados:</p><p>CT = R$ 97.988,89.</p><p>Preço médio ponderado da alface = R$ 0,73.</p><p>Cálculo e resultado</p><p>PCT = R$ 97.988,89 ÷ R$ 0,73</p><p>PCT = 134.231,35 unidades/ano</p><p>Agora, veja o cálculo em unidades por dia:</p><p>134.231,35 ÷ 365 = 367,75 unidades por dia</p><p>Concluindo: a produção diária necessária para pagar todos os custos é de</p><p>367,75 unidades.</p><p>Viu só como é simples fazer os cálculos e ter uma visão mais ampla dos custos</p><p>e lucros de uma empresa rural?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 192</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quinto tópico, você:</p><p>Aplicou o conhecimento</p><p>do tema, aprofundando-</p><p>se no estudo de caso</p><p>da Fazenda Santa</p><p>Felicidade.</p><p>Acompanhou o passo</p><p>a passo dos cálculos</p><p>utilizados.</p><p>Analisou os cálculos sobre</p><p>o lucro a partir dos dados</p><p>da fazenda.</p><p>Encerramento do tema</p><p>Durante o tema, foi visto que é essencial entender como calcular os principais</p><p>indicadores de rentabilidade, para um gerenciamento eficiente da propriedade.</p><p>Você pôde compreender:</p><p>Como o lucro</p><p>ajuda a medir a</p><p>atratividade do</p><p>negócio, entendendo</p><p>que ele também é</p><p>um refinamento da</p><p>gestão por parte do</p><p>empresário rural.</p><p>A importância de</p><p>analisar o lucro</p><p>como parte da</p><p>avaliação do custo de</p><p>oportunidade do seu</p><p>capital.</p><p>Que esse indicador é</p><p>ainda mais evidente</p><p>quando se calcula</p><p>a taxa de retorno</p><p>do capital, em que</p><p>o produtor passa</p><p>a comparar as</p><p>oportunidades do</p><p>mercado.</p><p>A terceira etapa desse módulo foi uma chuva de cálculos, não é? O entendimento</p><p>desses conceitos, a análise e a aplicação são essenciais para basear o seu</p><p>trabalho de gerenciamento, garantindo a qualidade e a rentabilidade que toda</p><p>propriedade precisa!</p><p>Agora, para finalizar o tema, retorne ao Ambiente de</p><p>Estudos, assista a um vídeo e acompanhe Marcelo e</p><p>o seu trabalho na Fazenda Santa Felicidade!</p><p>Siga em frente para encerrar esse módulo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 193</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Chegou a hora de colocar em prática o que aprendeu!</p><p>Você deve responder uma questão relacionada ao conteúdo</p><p>estudado até aqui para finalizar este módulo e seguir para a</p><p>avaliação.</p><p>Atenção! Se você estiver com alguma dúvida quanto ao</p><p>assunto, retorne ao conteúdo do módulo ou, se preferir, entre</p><p>em contato com o tutor no seu Ambiente de Estudos.</p><p>Questão</p><p>Leia o trecho adaptado de um texto retirado do portal da Universidade Federal</p><p>de Minas Gerais (UFMG…, s.d.)</p><p>“Atualmente, a cadeia da olericultura consiste num segmento do</p><p>agronegócio de elevada concorrência, incertezas e redução continuada</p><p>das margens de ganho. Os sistemas de produção são complexos e</p><p>diversificados. Cada produtor deve desenvolver seu sistema de produção,</p><p>combinando suas metas às condições ambientais e mercadológicas,</p><p>devendo aliar às suas capacidades financeiras e recursos humanos,</p><p>tendo como base as responsabilidades social e ambiental. A capacidade</p><p>gerencial do administrador, envolvendo o planejamento, a direção e o</p><p>controle dos processos da atividade, bem como a alocação dos recursos</p><p>produtivos de maneira racional, são fundamentais para a eficiência</p><p>técnica e econômica. A gerência não deve permitir que o aumento de</p><p>custo unitário diminua sua vantagem competitiva. Quando se aumenta</p><p>a produtividade, aumenta-se o custo total (principalmente o variável).</p><p>Devido à maior quantidade de produtos gerados (sacas de composto ou</p><p>unidades de alface), o custo unitário diminui. Com menor custo unitário</p><p>de produção e mesmo preço médio de venda, ocorre maior receita</p><p>total, além de aumento do lucro total e da rentabilidade do sistema. A</p><p>produtividade deve ser analisada de acordo com a disponibilidade dos</p><p>fatores de produção (terra, trabalho e capital), que, sendo mais escassos,</p><p>tornam-se mais caros. Quando se aumenta a produtividade da olericultura,</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 194</p><p>observa-se também o aumento da produtividade da terra, do trabalho</p><p>e do capital. O uso de tecnologias permite aumentar a produtividade e,</p><p>consequentemente, reduzir o custo médio unitário. É por esse motivo</p><p>que as propriedades mais tecnificadas são mais competitivas.”</p><p>Com base no que você aprendeu neste tema do curso e analisou no texto,</p><p>classifique as seguintes afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):</p><p>• O lucro de uma atividade é produto da diferença entre custos e receitas. Quanto</p><p>maior a eficiência produtiva, melhor é a diluição dos custos fixos, aumentando</p><p>o lucro unitário.</p><p>• O ponto de cobertura operacional efetivo (PCOE) representa um nível de produção</p><p>necessário para cobrir o COE. Portanto, é variável de acordo com a produtividade.</p><p>• Uma maior infraestrutura produtiva impacta diretamente o estoque de capital</p><p>médio. Assim, o equivalente em produção do lucro obtido será maior quanto</p><p>maior for esse estoque.</p><p>• A diferença entre a quantidade total de unidades de produtos agropecuários</p><p>produzidos e o ponto de cobertura total permite ao produtor conhecer seu lucro</p><p>equivalente em produtos.</p><p>• Uma maior eficiência produtiva melhora as perspectivas de lucro e de taxa</p><p>de retorno do capital. Porém, para encontrarmos a TRC, utilizamos a margem</p><p>líquida, e não o lucro — este já contabiliza o custo de oportunidade do capital</p><p>empatado (CO).</p><p>1. F, F, V, F, F.</p><p>2. V, F, V, V, V.</p><p>3. V, V, F, V, V.</p><p>4. V, F, F, V, V.</p><p>5. V, F, V, F, F.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 195</p><p>Encerramento do módulo</p><p>Durante este módulo, foram abordados conceitos de extrema relevância para</p><p>o gerenciamento da propriedade rural, garantindo um trabalho eficiente nas</p><p>finanças e nas decisões produtivas. Relembre!</p><p>• É importante</p><p>diferenciar os</p><p>elementos de custo</p><p>fixo, decompor</p><p>os custos fixos, a</p><p>depreciação e a</p><p>contabilização dos</p><p>valores de mão de obra</p><p>familiar.</p><p>• A análise profunda</p><p>dos custos, ou seja,</p><p>ter uma anotação</p><p>detalhada das despesas</p><p>é uma ferramenta</p><p>de controle dos</p><p>processos produtivo e</p><p>administrativo.</p><p>•</p><p>A análise dos dados de</p><p>produção e custos, além</p><p>das receitas, quando</p><p>devidamente processada,</p><p>possibilita a avaliação</p><p>econômica do negócio</p><p>e o planejamento da</p><p>empresa. Podemos</p><p>visualizar o quanto de</p><p>esforço físico e financeiro</p><p>está sendo direcionado</p><p>apenas para pagar custos</p><p>e não para gerar lucro.</p><p>• O lucro é um indicador</p><p>que ajuda a medir</p><p>a atratividade do</p><p>negócio e também é</p><p>um refinamento da</p><p>gestão por parte do</p><p>empresário rural. Isso</p><p>fica mais evidente</p><p>quando calculamos</p><p>a taxa de retorno do</p><p>capital e a comparamos</p><p>com as oportunidades</p><p>do mercado.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 196</p><p>O objetivo é garantir que você se aproprie de conhecimentos e tenha o</p><p>desenvolvimento de competências que lhe deem condições para transferi-los</p><p>de maneira mais eficiente e efetiva ao produtor, o que fará de você um legítimo</p><p>promotor de mudanças e transformações.</p><p>Antes de finalizar este módulo, vá ao seu Ambiente</p><p>de Estudos e assista ao vídeo de encerramento.</p><p>Siga em frente, volte ao Ambiente de Estudos e acesse o Estudo de Caso, o</p><p>Simulado e a sua Avaliação.</p><p>Sucesso e até o próximo módulo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 197</p><p>Final de etapa</p><p>Parabéns pelo seu percurso até aqui!</p><p>Este é mais um momento para você aplicar os seus conhecimentos! Então,</p><p>para finalizar o módulo, retorne ao Ambiente de Estudos onde você deverá</p><p>realizar três atividades. Veja o que deve ser feito!</p><p>Estudo de Caso</p><p>Será apresentada para você uma situação problema relacionada</p><p>aos temas estudados no módulo. Responda, fazendo uma análise</p><p>da situação. Você deverá responder ao Estudo de Caso em forma</p><p>de texto, ok? Essa atividade será corrigida pelo tutor, que dará</p><p>uma nota e um feedback.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 198</p><p>Simulado</p><p>São 17 questões objetivas sobre os três temas deste módulo.</p><p>Você pode realizar o Simulado três vezes, permitindo que você</p><p>se prepare bem para a Avaliação.</p><p>A realização dessa atividade é obrigatória, porém não vale nota.</p><p>Ela é uma ótima oportunidade para verificar o seu conhecimento,</p><p>estudar e ter uma prévia de como será a avaliação. Aproveite!</p><p>Avaliação</p><p>Depois de realizar o Simulado, você terá acesso à Avaliação.</p><p>Ela também é composta por 17 questões objetivas de múltipla</p><p>escolha e é composta por todo o conteúdo estudado no módulo.</p><p>Essa atividade é obrigatória e vale nota.</p><p>O seu desempenho nela será contabilizado na sua média. A</p><p>correção é automática, ou seja, é o LMS que fará a correção</p><p>da atividade.</p><p>Onde acessar?</p><p>Para acessar essas atividades, clique no menu do seu Ambiente de Estudos e,</p><p>depois, em Minhas Avaliações.</p><p>Início | Ambientação | Conteúdo | Biblioteca | Minhas Avaliações | Turma | Comunicação |</p><p>Importante! A Avaliação estará disponível somente depois que você</p><p>passar pelo Simulado. Comece apenas quando tiver a segurança e</p><p>a confiança necessárias nos seus estudos, pois você terá somente</p><p>uma tentativa de acerto.</p><p>Ah! Caso falte energia durante a avaliação, não se preocupe, pois o sistema</p><p>de avaliações, incluindo o Simulado, são salvos automaticamente. Você não</p><p>perderá nada do que já respondeu!</p><p>Para obter informações mais detalhadas sobre o acesso ou se tiver qualquer dúvida,</p><p>por favor, entre em contato pelo Tira-Dúvidas ou pelo e-mail faleconoscoead@</p><p>faculdadecna.com.br ou ainda pelo telefone 0800 006 4849 de segunda a sexta-</p><p>feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h, no horário de Brasília.</p><p>Até o próximo módulo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 199</p><p>Gabarito das Questões</p><p>Tema 1</p><p>Alternativa correta: 5. COE / d / COE / MOF / COT</p><p>O custo operacional efetivo é variável e exige desembolsos financeiros para que</p><p>a produção ocorra. A depreciação representa a reserva de capital destinada</p><p>à substituição de itens ao final de sua vida útil, desprezando-se os valores de</p><p>sucata. Já a mão de obra familiar representa uma despesa de natureza fixa,</p><p>que não exige desembolso de capital financeiro para seu pagamento, pois</p><p>apenas é um levantamento da oportunidade implícita em se vender o trabalho,</p><p>em vez de trabalhar para si próprio. Ou seja, a atividade se torna obrigada a</p><p>remunerar esse fator de produção, caso contrário, será melhor aplicá-la em</p><p>outra atividade ou lugar. Porém, quando há pagamento sistemático desse</p><p>trabalho executado para si mesmo, a terminologia mais adequada é pro-labore.</p><p>Ao ser identificada essa ocorrência, o aconselhável é remover esse item dos</p><p>custos fixos da propriedade e alocá-lo nos variáveis, pois há, de fato, saída de</p><p>capital. Por fim, o custo operacional total representa uma somatória do COE,</p><p>depreciação e MDOF. Caso seja negativo com COE positivo, isso significa que</p><p>a atividade se mantém no curto prazo. Caso o COT seja nulo, significa que ela</p><p>poderá se manter no médio prazo. Em caso de COT positivo, é necessário dar</p><p>sequência aos estudos e analisar se houve ou não lucro na empresa. Diante</p><p>do exposto, a resposta que melhor completa as informações elencadas é “E”.</p><p>Tema 2</p><p>Alternativa correta: I. F, V, F, V, V</p><p>Analisando item a item das informações fornecidas:</p><p>• Trator: o valor total do bem para o sistema produtivo será seu valor de novo,</p><p>sem taxas ou juros bancários. Portanto, R$ 150.000,00. Sua vida útil será igual</p><p>a 15 anos, independentemente do número de parcelas do financiamento.</p><p>• Carretinha de arrasto: é um bem depreciado, ou seja, não possui mais vida útil,</p><p>porém ainda possui valor de mercado, atualmente avaliado em R$ 5.000,00.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 200</p><p>• Produção de composto estabilizado: não sofre depreciação. Seu valor é</p><p>contabilizado integralmente para o cálculo de custo de oportunidade.</p><p>• A mão de obra familiar não possui acréscimos de obrigações trabalhistas,</p><p>sendo considerado apenas o salário mensal estabelecido, multiplicado pelos</p><p>12 meses do ano.</p><p>• Foi informado que as construções custaram R$ 230.000,00 quando novas, e</p><p>esse será o valor a ser considerado. O fato de já estarem sendo utilizadas há</p><p>11 anos, em comparação aos 40 anos de vida útil total, não irá alterar a forma</p><p>de calcular a depreciação, pois a metodologia utiliza a depreciação linear. O</p><p>custo de oportunidade também não será afetado por esse uso, uma vez que</p><p>o importante é saber apenas se o bem analisado está ou não dentro do prazo</p><p>de vida útil.</p><p>• Produção de alface: foi fornecido o volume de produção diária (260 unidades),</p><p>devendo ser encontrado o volume anual.</p><p>• Preço da alface: essa informação não será usada para responder ao exercício, mas</p><p>é sempre bom ter em mente o valor recebido por cada unidade comercializada,</p><p>a fim de agilizar diversas análises, como o lucro ou o prejuízo unitário.</p><p>• COE: esse valor deverá ser utilizado como referência do COE, sem rateios.</p><p>Identificação dos indicadores de custos: Para determinar o custo fixo médio,</p><p>ou seja, o custo fixo por unidade de alface produzido, é necessário encontrar</p><p>o custo fixo total, para então dividi-lo pelo volume total da produção anual</p><p>dessa propriedade. O custo fixo será igual à somatória da mão de obra familiar,</p><p>depreciação e custo de oportunidade.</p><p>CF = MDOF + d + CO</p><p>CF = 12.408,00 + 15.750,00 + 25.110,00</p><p>CF = R$ 53.268,00/ano</p><p>CFM = CF ÷ Produção total</p><p>CFM = R$ 53.268,00/ano ÷ 94.900 unidades/ano</p><p>CFM = R$ 0,56</p><p>Isso significa que a cada R$ 1,00 ganho na venda de cada unidade de alface,</p><p>esse produtor possui R$ 0,56 comprometidos somente em custo fixo.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 201</p><p>Uma vez conhecidos os valores do COE e CF, fica mais fácil determinar o CT.</p><p>Veja:</p><p>CT = COE + CF</p><p>CT = 37.230,00 + 53.268,00</p><p>CT = R$ 90.498,00/ano</p><p>Isso significa que o custo total suportado por esse produtor, para que ele oferte</p><p>seus produtos no mercado, é de R$ 90.498,00 ao ano.</p><p>Tema 3</p><p>Alternativa correta: 3. V, V, F, V, V</p><p>A afirmativa A é verdadeira, pois lucro é função de renda bruta menos custos</p><p>totais. Relembre a fórmula: L = RB – CT. Nos custos totais, estão inclusos tanto</p><p>os variáveis quanto os fixos. Os primeiros têm</p><p>por característica aumentar</p><p>conforme se aumenta a produção, sendo pequena sua redução por unidade</p><p>produzida.</p><p>Já os segundos se mantêm constantes, sendo mais impactante sua amortização</p><p>quando se tem maior eficiência produtiva, pelo simples processo da diluição</p><p>(distribuição).</p><p>Corroborando com essa explicação, temos a afirmativa B, que também é</p><p>verdadeira. Afinal, o COE tanto poderá não existir quanto poderá não ter</p><p>limite para chegar ao seu máximo, sendo dinâmico, em conformidade com a</p><p>produção alcançada ou desejada.</p><p>Para respondermos à afirmativa C, vamos relembrar que o CF é composto</p><p>pela somatória da depreciação, custo de oportunidade do capital empatado</p><p>na atividade e mão de obra familiar. Sendo o CF um componente do CT (e,</p><p>conforme vimos, a margem de lucro é dependente dos custos), podemos afirmar</p><p>que quanto maior o estoque de capital médio, maior será seu impacto no CF</p><p>da atividade (e CT), podendo comprometer o lucro, reduzindo-o conforme se</p><p>aumenta esse estoque e mantendo-se as mesmas expectativas de renda bruta.</p><p>Portanto, essa afirmativa é falsa.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 202</p><p>A afirmativa D é verdadeira, pois, ao assumirmos que o PCT representa a</p><p>quantidade de produtos necessários para se cobrir os custos totais de produção,</p><p>e conhecendo o volume total produzido, podemos afirmar que a diferença entre</p><p>eles representa o lucro do produtor em equivalente produto.</p><p>A afirmativa E necessita de uma análise mais profunda. Relembre a fórmula</p><p>da TRC: (margem líquida/estoque de capital) x 100. De fato, utiliza-se a ML</p><p>para cálculo de TRC, ao invés do lucro. O motivo, conforme visto no conteúdo</p><p>que você estudou, é que o custo de oportunidade, já embutido na análise do</p><p>lucro, não se configura como um custo operacional, sendo apenas analítico.</p><p>Inserir o lucro nessa fórmula exigiria que a atividade pagasse em duplicidade</p><p>o custo de oportunidade. Assim, essa afirmativa também é verdadeira.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 203</p><p>Referências bibliográficas</p><p>ARAÚJO, A. J. Fundamentos do agronegócio. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007.</p><p>ASSIS, L. P. de. Análise técnica e econômica de uma propriedade leiteira em</p><p>Couto de Magalhães de Minas-MG: um estudo plurianual. 2012. Dissertação</p><p>(Mestrado em Zootecnia) – Faculdade de Ciências Agrárias, A Universidade</p><p>Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2012.</p><p>BAHIA, J. Veja a importância de um bom gerenciamento para a empresa.</p><p>Revista Gestão em Negócios, [S. l.], n. 3016. Disponível em: http://</p><p>revistagestaoenegocios.uol.com.br/artigos/veja-a-importancia-de-um-bom-</p><p>gerenciamento-para-a-empresa/3016/#. Acesso em: 11 jan. 2017.</p><p>BARROS, C.; FERNANDES, M. A. M. Depreciação, um item importante a se</p><p>considerar! MilkPoint, [S. l.], 15 jan. 2014. Disponível em: https://www.</p><p>milkpoint.com.br/radar-tecnico/gerenciamento/depreciacao-um-item-</p><p>importante-a-se-considerar-87142n.aspx. Acesso em: 9 fev. 2021.</p><p>BERNARDO, L. T.; QUEIROZ, A. M. A elasticidade-preço da demanda e a</p><p>elasticidade-preço da oferta nas commodities agrícolas milho e soja no Brasil.</p><p>Revista de Economia, Anápolis, v. 7, n. 2, p. 48-65, jul./dez. 2011. Disponível</p><p>em: http://www.nee.ueg.br/seer/index.php/economia. Acesso em: 13 out.</p><p>2016.</p><p>BEZERRA, L. J. F. Análise técnica e econômica de propriedades rurais</p><p>do munícipio de Independência- estado do Ceará. 2011. Dissertação</p><p>(Mestrado em Economia Rural) – Centro de Ciências Agrárias, Universidade</p><p>Federal do Ceará, Fortaleza, 2011.</p><p>BORGES, M. S.; GUEDES, C. A. M.; CASTRO, M. C. D. E. Programa de assistência</p><p>técnica para o desenvolvimento de pequenas propriedades leiteiras em Valença-</p><p>RJ e região Sul Fluminense. Cadernos EBAPE BR, Rio de Janeiro, v. 14, n.</p><p>spe, p. 569-592, jul. 2016.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 204</p><p>BRENZAN, C. K. M.; SOUZA, J. P. de. Coordenação e governança na cadeia</p><p>produtiva de frango: um estudo de caso de uma cooperativa no oeste paranaense.</p><p>In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, 32., 2012, Bento</p><p>Gonçalves, Anais [...]. Bento Gonçalves: ABEPRO, 2012.</p><p>CARVALHO, M. P. de. Economia de escala em produção de leite. MilkPoint, [S.</p><p>l.], maio 2000. Disponível em: https://www.milkpoint.com.br/radar-tecnico/</p><p>gerenciamento/economia-de-escala-em-producao-de-leite-8638n.aspx. Acesso</p><p>em: 13 de out. 2016.</p><p>CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA. Relatório PIB</p><p>Agro-Brasil: junho, 2016. São Paulo: CEPEA, 2016.</p><p>CENTRO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM ECONOMIA APLICADA. Potencial de</p><p>produção a partir do investimento. São Paulo: Universidade de São Paulo:</p><p>2011 Disponível em: icepea.esalq.usp.br/leite/custos/2011/09Set.pdf. Acesso</p><p>em: 06 out. 2016.</p><p>DALCIN, D.; OLIVEIRA, S. V. TROIAN, A. Gestão rural e a tomada de decisão:</p><p>estudo de caso no setor olerícula. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA</p><p>DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA RURAL: TECNOLOGIAS,</p><p>DESENVOLVIMENTO E INTEGRAÇÃO SOCIAS, 48., 2010, Campo Grande. Anais</p><p>[...]. Campo Grande: SOBER, 2010.</p><p>FIGUEIREDO, N. Economia industrial. Campinas: PUC- Campinas, 2012. (Notas</p><p>de aula). Disponível em: http://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/</p><p>cea/nelly/%202012_ECONOMIA%20INDUSTRIAL/Nota_aula_06_Escala%20</p><p>e%20escopo.pdf. Acesso em: 13 out. 2016.</p><p>FONSECA, J. W. F. da. Mercados de capitais. Curitiba: IESDE, 2009.</p><p>GOMES, S. T. Cuidados no cálculo do custo de produção de leite. Viçosa:</p><p>Universidade Federal de Viçosa, 1999.</p><p>____. Perguntas e respostas sobre o custo de produção de leite.</p><p>Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 2001. Disponível em: http://www.</p><p>ufv.br/der/docentes/stg/stg_artigos/Art_147%20-%20PERGUNTAS%20E%20</p><p>RESPOSTAS%20SOBRE%20O%20CUSTO%20DE%20PRODU%C7%C3O%20</p><p>DE%20LEITE%20(18-3-2001).pdf. Acesso em: 07 out. 2016.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 205</p><p>GUANZIROLI, C. E. Agronegócio no Brasil: perspectivas e limitações.</p><p>Niterói: UFF, 2006. (Textos para Discussão: UFF/Economia). Disponível em:</p><p>http://www.uff.br/econ/download/tds/UFF_TD186.pdf. Acesso em: 03 out. 2016.</p><p>JANK, M.; PESSÔA, A. O modelo brasileiro de agricultura de alta escala. Jornal</p><p>O Estado de São Paulo, São Paulo, maio 2013. Disponível em: http://opiniao.</p><p>estadao.com.br/noticias/geral,o-modelo-brasileiro-de-agricultura-de-alta-</p><p>escala-imp-,1029240. Acesso em: 24 out. 2016.</p><p>LONGHI, E. H.; MEDEIROS, J. X. de. Importância da coordenação nas cadeias</p><p>produtivas: caso do programa de fruticultura do Oeste Goiano. Rev. de Econ.</p><p>e Sociol. Rural, Brasília, v. 41, n. 3, 2003.</p><p>LOPES, P. F.; REIS, R. P.; YAMAGUCH, L. C. T. Custos e escala de produção na</p><p>pecuária leiteira: estudo nos principais estados produtores do Brasil. Rev. de</p><p>Econ. e Sociol. Rural, Brasília, v. 45, n. 3, p. 567-590, ago. 2017.</p><p>LOPES, M. A.; CARVALHO, F. de M. Custo de produção do gado de corte.</p><p>Lavras: UFLA, [20-?]. (Boletim técnico, 47).</p><p>PEDROZO, E. Á.; FRANCISCO, D. C. A importância da gestão da informação</p><p>entre os elos da cadeia produtiva de frangos. In: CONGRESSO DA</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO E SOCIOLOGIA</p><p>RURAL: DINÂMICAS SETORIAIS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL, 42., Cuiabá,</p><p>2004. Anais [...]. Cuiabá: SOBER, 2004. Disponível em: http://www.sober.</p><p>org.br/palestra/12/02O086.pdf. Acesso em: 14 nov. 2016.</p><p>MATSUNAGA, M. et al. Metodologia de custo de produção utilizada pelo IEA.</p><p>São Paulo: SOBER: IEA, 1976. (Boletim técnico).</p><p>PADILHA JUNIOR, J. B. O impacto da reserva legal florestal sobre a</p><p>agropecuária paranaense, em um ambiente de risco. 2004. Tese (Doutorado</p><p>em Economia e Politicas Florestais), Universidade Federal do Paraná, Curitiba,</p><p>2004.</p><p>PIZZARO, C.; BRESSLAU, S. Custo de produção do leite de cabra. In: ENCONTRO</p><p>DE CAPRINOCULTORES DO SUL DE MINAS E MÉDIA MOGIANA, 5., 2001, Espírito</p><p>Santo do Pinhal, Anais [...]. Espirito Santo do Pinhal: CREUPI, 2001.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 206</p><p>SILVA, L. C. da. Cadeia produtiva de produtos agrícolas. Alegres: UFES:</p><p>Departamento de Engenharia Rural, 2005. (Boletim técnico, 10).</p><p>SILVEIRA, C. M. R. Introdução</p><p>dos</p><p>eixos no VALOR</p><p>ZERO – então, caso</p><p>não haja produção,</p><p>não haverá</p><p>despesas diretas.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>Conforme a produção</p><p>aumenta, o custo</p><p>também aumenta.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Custo em relação direta com a produção, gerando como resposta o COE.</p><p>Produção</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>O COE parte da</p><p>interseção dos</p><p>eixos no VALOR</p><p>ZERO – então, caso</p><p>não haja produção,</p><p>não haverá</p><p>despesas diretas.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>Conforme a produção</p><p>aumenta, o custo</p><p>também aumenta.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 16</p><p>Custo em relação direta com a produção, gerando como resposta o COE.</p><p>Produção</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>O COE parte da</p><p>interseção dos</p><p>eixos no VALOR</p><p>ZERO – então, caso</p><p>não haja produção,</p><p>não haverá</p><p>despesas diretas.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Produção</p><p>Conforme a produção</p><p>aumenta, o custo</p><p>também aumenta.</p><p>C</p><p>us</p><p>to</p><p>R</p><p>$</p><p>COE</p><p>Como foi dito, geralmente existe uma relação direta entre o aumento da</p><p>produção e o incremento de custo. Porém, pode acontecer que a quantidade</p><p>produzida seja ampliada, sem que exista um aumento do COE.</p><p>O diagnóstico realizado pelo Técnico de Campo na propriedade pode identificar</p><p>algum desperdício de recursos ou a má aplicação deles. A correção/racionalização</p><p>desses desvios pode elevar o patamar produtivo ou até apresentar uma redução</p><p>de custos, sem alterar suas estruturas.</p><p>Análise da elevação de custos</p><p>Ao analisarmos a elevação dos custos variáveis em consequência do</p><p>aumento da produção, é fundamental relembrarmos os conceitos</p><p>apresentados no tópico Economia de Escala do Módulo Gerencial I da</p><p>Assistência Técnica e Gerencial.</p><p>Essa análise é importante para que não se tenha a ideia equivocada de que o</p><p>COE apenas sofrerá aumentos, transmitindo a impressão de que a ampliação</p><p>do volume produzido e, portanto, do COE, é sinônimo de maiores despesas e</p><p>menores lucros.</p><p>A elevação de custos é observada somente no COE total da atividade. Quando</p><p>analisamos o COE por unidade produzida, podemos observar que sua redução</p><p>gradual é possível, através das seguintes medidas:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 17</p><p>Diluição dos valores de</p><p>serviços contratados</p><p>para um maior volume</p><p>produzido.</p><p>Obtenção de descontos</p><p>nos insumos adquiridos</p><p>de acodo com o volume</p><p>(compra programada ou</p><p>coletiva).</p><p>Forma de pagamento/</p><p>faturamento</p><p>(faturamento direto</p><p>pela fábrica do insumo</p><p>em questão).</p><p>Entenda acompanhando o exemplo a seguir!</p><p>O custo de uma unidade</p><p>de adubo ou ração é de</p><p>R$ 70,00/saca.</p><p>O mesmo produto terá</p><p>seu valor reduzido para</p><p>R$ 60,00/saca se ele comprar</p><p>uma quantidade maior.</p><p>Porém, ao analisar o valor unitário</p><p>dos insumos adquiridos e o seu</p><p>reflexo nos custos unitários dos</p><p>itens produzidos a partir deles, será</p><p>observada uma redução gradual.</p><p>Assim, o custo total</p><p>será maior, pois serão</p><p>incrementados mais</p><p>insumos no sistema.</p><p>Um produtor que compra apenas uma unidade de ração ou adubo paga um</p><p>valor diferente do que desembolsaria ao comprar um volume maior. Então…</p><p>Neste momento não nos aprofundaremos sobre a redução de custos totais por</p><p>meio da diluição dos custos fixos obtida com o aumento da escala de produção.</p><p>Esse assunto será tratado mais adiante.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 18</p><p>A realidade do campo</p><p>Será comum para você, Técnico de Campo, observar</p><p>que nem sempre quem obtém a maior renda bruta</p><p>é quem alcança o maior lucro proporcional. Também</p><p>verá que não é válido dizer que um COE elevado</p><p>é sinônimo de prejuízo.</p><p>Despesas diretas no COE</p><p>Em relação ao pagamento de impostos e taxas, ao arrendamento de terras e</p><p>ao gasto com energia elétrica, já citados como exemplos de despesas diretas,</p><p>a metodologia considera que esses itens estão estreitamente ligados ao ciclo</p><p>produtivo. Portanto, sua duração será sempre menor ou igual ao ciclo produtivo.</p><p>Mesmo que essas despesas sejam esperadas em intervalos e até mesmo em</p><p>valores regulares, elas não se configuram como um elemento de custo fixo,</p><p>mas sim como parte do COE.</p><p>Na prática</p><p>Em determinada propriedade rural arrendada, trabalham um funcionário</p><p>contratado e um diarista eventual, ambos exclusivos para a produção.</p><p>O produtor resolve iniciar um projeto de irrigação, com a finalidade de melhorar sua</p><p>produtividade. Isso acarretará maior gasto de energia elétrica e água, ou seja, os</p><p>custos vão aumentar.</p><p>Já no caso do arrendamento, mesmo que seja regido por</p><p>um contrato com prazos estabelecidos, o administrador</p><p>também realiza um desembolso físico de recursos</p><p>financeiros e detém controle absoluto e imediato sobre</p><p>essa despesa.</p><p>Por isso, ele pode acabar com ela a qualquer tempo,</p><p>mesmo que para isso suporte o pagamento de eventuais</p><p>multas rescisórias, algo também observado na situação</p><p>laboral legalmente estabelecida.</p><p>Por outro lado, caso</p><p>o produtor deseje</p><p>encerrar por completo</p><p>a atividade, não haverá</p><p>motivo para continuar</p><p>tendo despesas com</p><p>eletricidade, água</p><p>e pessoal, podendo</p><p>dispensá-los no</p><p>momento em que</p><p>tomar essa decisão.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 19</p><p>Para que esse assunto sobre valores e despesas</p><p>referentes ao COE fique mais claro, volte ao Ambiente</p><p>de Estudos e assista ao vídeo em que o Prof. Erno</p><p>explica a metodologia de cálculo do custo operacional</p><p>efetivo. Acompanhe!</p><p>Planejado versus realizado</p><p>É fundamental para os Técnicos de Campo e administradores rurais o entendimento</p><p>da conceituação exata do COE, conforme foi tratado. O COE é tão somente</p><p>um custo de produção.</p><p>Logo, apenas itens que foram efetivamente utilizados para a confecção de</p><p>determinado produto em um ciclo produtivo específico, independentemente do</p><p>volume de insumos que foram adquiridos inicialmente, são considerados como</p><p>custo de produção. É o que se chama de relação “planejado versus realizado”.</p><p>Veja na tabela a seguir a exemplificação disso!</p><p>Item Unidade Quantidade</p><p>adquirida</p><p>Valor</p><p>unitário Valor total</p><p>Quantidade</p><p>utilizada no</p><p>ciclo</p><p>COE da</p><p>atividade</p><p>Fertilizante</p><p>ureia agrícola Saco 50 kg 20 R$ 120,00 R$ 2.400,00 16 R$ 1.920,00</p><p>De fato, o produtor</p><p>desembolsou a quantia</p><p>de R$ 2.400,00 para a</p><p>aquisição do insumo.</p><p>Porém, em nossa metodologia esse desembolso é anotado</p><p>como fluxo de caixa, e não como custo de produção – afinal,</p><p>nem todo o insumo adquirido foi utilizado.</p><p>É muito importante entender o conceito de que a duração dos itens inseridos</p><p>no COE é menor ou igual ao ciclo produtivo da cultura. Caso o produtor adquira</p><p>um item que vai perdurar mais do que um ciclo produtivo, esse desembolso</p><p>será classificado como investimento, pois seu uso se dará por tanto tempo</p><p>quanto sua vida útil permitir.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 20</p><p>Na prática</p><p>Qualquer que seja a cadeia produtiva que o técnico estiver</p><p>assistindo, é importante que ele adote um período de</p><p>referência igual a um ano para poder realizar a análise</p><p>dos indicadores dessas atividades.</p><p>Assim, será possível ter seus comparativos em relação</p><p>aos seus próprios exercícios anteriores, ano a ano, assim</p><p>como comparar com outras propriedades que utilizam a</p><p>mesma metodologia de cálculo de custos de produção.</p><p>Exemplos de investimentos</p><p>Macacão para apicultura e regador para olericultura, por exemplo, são itens que</p><p>possuem um custo relativamente barato, o que leva alguns administradores à</p><p>tendência de os classificarem como COE.</p><p>No entanto, se durarem mais de um ciclo produtivo, devem ser classificados</p><p>como investimento.</p><p>Veja mais uma diferença entre COE e investimento.</p><p>COE Investimento</p><p>Deve ser reembolsado ao pagador</p><p>(produtor rural) ao final de cada ciclo,</p><p>para que ele volte a ter capacidade de</p><p>comprar novamente os insumos. Deve</p><p>ser iniciado a cada ciclo.</p><p>Não deve ser reembolsado logo no</p><p>primeiro ciclo de sua utilização. O retorno</p><p>será dado com a utilização do bem</p><p>adquirido ao longo do tempo.</p><p>No caso do investimento, a metodologia de ATeG dá outro tratamento, conforme</p><p>você verá mais afrente.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção</p><p>ao agronegócio. Montes Claros: e-Tec Brasil:</p><p>CEMF: Unimontes, 2010.</p><p>SCHULTZ, G. As cadeias produtivas dos alimentos orgânicos comercializados</p><p>na feira da agricultura ecológica em Porto Alegre/RS: lógica de produção</p><p>e/ou de distribuição. 2001. Dissertação (Mestrado em Agronegócio). Universidade</p><p>Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2001.</p><p>SZUSTER, N. et al. Contabilidade geral: introdução à contabilidade societária.</p><p>4. ed. São Paulo: Atlas, 2013.</p><p>SOUZA, M. P. de. et al. Governança em cadeias produtivas agroindustriais.</p><p>Disponível em: http://www.sober.org.br/palestra/2/880.pdf. Acesso em: 14</p><p>nov. 2016.</p><p>TOP DERIVATIVOS. Mercado de derivativos no Brasil: conceitos, produtos</p><p>e operações. Rio de Janeiro: BM&FBOVESPA: CVM, 2015.</p><p>UECKER, G. L., BRAUN, M.; UECKER, A. D. A gestão dos pequenos empreendimentos</p><p>rurais num ambiente competitivo global e de grandes estratégias. In: CONGRESSO</p><p>BRASILEIRO DE ECONOMIA E SOCIOLOGIA RURAL, 43., 2005, Ribeirão Preto.</p><p>Anais [...]. Ribeirão Preto: Disponível em: http://www.unipvirtual.com.br/</p><p>material/MATERIAL_ANTIGO/economia_mercado/modulo7/mod_7.pdf. Acesso</p><p>em: 9 fev. 2021.</p><p>Introdução do módulo</p><p>Introdução</p><p>Tópico 1: Custo operacional efetivo</p><p>Tópico 2: Mão de obra familiar</p><p>Tópico 3: Depreciação</p><p>Tópico 4: Custo operacional total</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Encerramento do tema</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Tema 2: Cálculo do custo de produção II</p><p>Introdução</p><p>Tópico 1: Custos fixos</p><p>Tópico 2: Custo total</p><p>Tópico 3: Margem bruta</p><p>Tópico 4: Margem líquida</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Encerramento do tema</p><p>Atividade de passagem</p><p>Tema 3: Cálculo dos indicadores</p><p>Introdução</p><p>Tópico 1: Lucro</p><p>Tópico 2: Ponto de cobertura</p><p>Tópico 3: Ponto de cobertura total</p><p>Tópico 4: Taxa de retorno de capital</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Encerramento do tema</p><p>Atividade de Passagem</p><p>Encerramento do módulo</p><p>Final de etapa</p><p>Gabarito das Questões</p><p>Referências bibliográficas</p><p>pg. 21</p><p>Manutenção versus investimento</p><p>A manutenção de máquinas, equipamentos, ferramentas e benfeitorias que</p><p>são utilizadas para a atividade analisada, seja ela preventiva ou corretiva, é</p><p>considerada COE. Isso, porque ela é caracterizada como uma despesa que</p><p>gera desembolso direto e tem sua existência atrelada ao ciclo produtivo.</p><p>Entretanto, com o passar do tempo, esses itens tendem a se aproximar</p><p>do sucateamento, necessitando de manutenções mais complexas (caso o</p><p>proprietário deseje permanecer com o bem em pleno estado de utilização),</p><p>que são chamadas de “reforma”.</p><p>Na metodologia de ATeG, manutenções são classificadas como investimento,</p><p>sempre que atingem a representatividade de 30% do valor de mercado</p><p>atualizado do bem que está sendo reformado.</p><p>Entenda observando o exemplo a seguir!</p><p>Na prática</p><p>Representatividade do valor da manutenção =</p><p>(valor da manutenção ÷ valor de mercado) × 100%</p><p>(R$ 23.000,00 ÷ R$ 70.000,00) × 100% = 32,86%</p><p>Quando novo, um trator com vida útil de 15 anos custou</p><p>R$ 180 mil ao produtor.</p><p>Hoje, com 12 anos de uso, seu valor atual de mercado</p><p>é de R$ 70 mil.</p><p>Infelizmente, o trator quebrou. Se o produtor resolver realizar uma</p><p>manutenção, que custa R$ 23 mil, ela deverá ser classificada como reforma,</p><p>portanto um investimento. Por quê?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 22</p><p>É possível concluir que houve um investimento, pois o valor da reforma de R$</p><p>23 mil superou o percentual de 30% do valor de mercado atualizado do bem</p><p>de R$ 70 mil. Assim, a despesa deve ser alocada no fluxo de caixa e integrar</p><p>o total de capital imobilizado (empatado) para a atividade, não no COE.</p><p>O exemplo apresenta uma decisão puramente administrativa, pois o proprietário</p><p>optou por reformar um bem já existente em detrimento de adquirir um novo.</p><p>Com um investimento de valor tão considerável quanto esse, vale a pena</p><p>reavaliar esse bem sob dois pontos de vista:</p><p>Financeiro Vida útil</p><p>Seu valor é atualizado. Para isso, basta</p><p>somar o valor investido na reforma àquele</p><p>pelo qual o bem foi previamente avaliado</p><p>para se obter sua nova cotação. É</p><p>realizada a soma porque o administrador</p><p>já tem a oportunidade de capital</p><p>imobilizado ou empatado no equipamento</p><p>antes da reforma e, mesmo assim, decide</p><p>empatar mais essa quantia financeira.</p><p>Mesmo que a máquina ou o equipamento</p><p>não valha esse mesmo valor atualizado</p><p>no mercado, o administrador possui esse</p><p>montante imobilizado no bem.</p><p>Devido a esse investimento, o bem</p><p>avaliado poderá ser utilizado por mais</p><p>tempo. É recomendável ter bastante</p><p>critério no momento de realizar</p><p>essa avaliação, a qual vai influenciar</p><p>diretamente nos custos de produção.</p><p>Por exemplo, é possível supor que o</p><p>trator deste caso terá um adicional de</p><p>5 anos de trabalho. Ou seja, a vida útil</p><p>residual será alterada de 3 para 8 anos</p><p>(5 + 3), distribuindo ou diluindo o</p><p>custo fixo do bem (depreciação) por um</p><p>período mais prolongado.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste primeiro tópico, você:</p><p>Aprofundou-se no</p><p>conceito de centro</p><p>de custos.</p><p>Compreendeu a importância</p><p>da relação “planejado versus</p><p>realizado” dentro de uma</p><p>análise financeira.</p><p>Viu como analisar a</p><p>elevação de custos e</p><p>relembrou o conceito de</p><p>economia de escala.</p><p>Entendeu o que são</p><p>despesas diretas no COE</p><p>e saberá diferenciá-las</p><p>dos investimentos.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 23</p><p>Tópico 2: Mão de obra familiar</p><p>Família que trabalha na propriedade não recebe?</p><p>Neste tópico você vai compreender os conceitos que fundamentam</p><p>a determinação dos valores de custo com mão de obra familiar.</p><p>O custo da mão de obra familiar é fixo e indireto, diferentemente de quando</p><p>ocorre o pagamento de funcionários contratados, que representam um custo</p><p>direto. Conforme visto anteriormente, o custo com a mão de obra familiar nada</p><p>mais é do que a análise de custo de oportunidade.</p><p>É importante fazer uma avaliação muito cuidadosa desse item, uma</p><p>vez que é um elemento de custo fixo e bastante subjetivo, ou seja,</p><p>não vai se alterar no curto prazo. Além disso, a mão de obra familiar</p><p>tem participação importante no custo de produção das atividades</p><p>agropecuárias, especialmente em pequenas propriedades rurais.</p><p>O procedimento usual para valorar essa mão de obra é considerar o salário de</p><p>mercado como referência de custo de oportunidade. Sendo assim, é preciso</p><p>avaliar a atividade exercida pelos membros da família na propriedade, assim</p><p>como a disponibilidade e as especialidades.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 24</p><p>Entenda melhor como calcular o valor da mão de obra familiar a seguir!</p><p>Assuntos do campo</p><p>A mão de obra familiar é um assunto importante e</p><p>que faz parte de muitas propriedades.</p><p>Então, vamos começar imaginando o seguinte cenário.</p><p>Uma propriedade desenvolve as atividades de</p><p>fruticultura e piscicultura.</p><p>O produtor rural possui formação superior com</p><p>doutorado, mas trabalha em sua propriedade com</p><p>atividades básicas, que não necessitam de sua</p><p>formação acadêmica.</p><p>É possível ver que a ver que a sua mão de obra é</p><p>valorada pelo trabalho que realiza e não por causa</p><p>da formação ou capacidade intelectual.</p><p>O que deve ser avaliado nesse caso, é a atividade</p><p>exercida.</p><p>Ao contabilizar o impacto que a mão de obra familiar</p><p>tem no custo de produção, você, técnico, deve sempre</p><p>ter em mente que o produtor rural é um empresário,</p><p>um empreendedor, e não um funcionário.</p><p>Sendo assim, seus recebimentos não englobam custos</p><p>laborais legais, como contribuições compulsórias,</p><p>pagamento de férias e 13º salário.</p><p>Dessa forma, você deve calcular apenas a estimativa</p><p>de renda pelo período analisado, sem acréscimos.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 25</p><p>Ou seja, deve contar os 12 meses do ano, o ciclo</p><p>produtivo ou a base de valor da diária paga na região</p><p>para a atividade exercida.</p><p>Caso o produtor conte com a colaboração de mais</p><p>algum membro da família, você vai contabilizar como</p><p>mão de obra familiar apenas aqueles que não possuem</p><p>retirada de valores sistemáticos da atividade, seja em</p><p>capital financeiro, seja em produtos.</p><p>Caso contrário, esse membro deve aparecer como</p><p>um funcionário, portanto considerado no COE.</p><p>Então, atente-se sempre a essa questão quando</p><p>estiver cuidando da contabilização desses valores</p><p>com o produtor, ok?</p><p>Para que tudo fique mais claro, acompanhe um exemplo prático.</p><p>Na prática</p><p>O produtor de milho, Sr. Manoel, paga ao seu filho Zezinho R$ 100,00 por</p><p>semana para que ele vá à cidade se divertir aos domingos.</p><p>O rapaz o ajuda diariamente na atividade e merece uma folga…</p><p>A tendência de que o Zezinho seja incluído como mão de obra familiar</p><p>é grande, pois ele é filho do proprietário.</p><p>Também é possível que o pagamento semanal de R$ 100,00 para o</p><p>Zezinho entre na saída de fluxo de caixa e nos custos de produção.</p><p>O correto é contabilizar o Zezinho apenas como custo semanal igual a R$ 100,00 e</p><p>retirá-lo da mão de obra familiar.</p><p>Isso porque ele recebe por seus serviços como um funcionário comum,</p><p>contratado e pago por semana, mesmo que sua mão de obra esteja</p><p>sendo avaliada de forma modesta pelo Sr. Manoel.</p><p>Então, o custo da mão de obra do Zezinho deve ser lançado</p><p>como custo operacional efetivo (COE).</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 26</p><p>Fica nítido, a partir de agora, que o termo “mão de obra familiar” não deve</p><p>ser atrelado exclusivamente ao fator parentesco, mas assimilado juntamente</p><p>ao contexto de desembolsos, pois também é conhecido como pró-labore do</p><p>administrador (pagamento realizado aos sócios pelos serviços prestados à</p><p>empresa).</p><p>Assim, é necessário ser um</p><p>administrador da empresa</p><p>rural para justificar o</p><p>recebimento de pró-labore,</p><p>apresentando grau de</p><p>parentesco ou não, desde que</p><p>não seja sistematicamente</p><p>remunerado, causando</p><p>desembolso físico de capital</p><p>ou produtos.</p><p>Sempre que houver essa</p><p>situação de pagamentos</p><p>regulares a familiares</p><p>ou administradores, eles</p><p>deverão ser desqualificados</p><p>dos custos fixos e alocados</p><p>no COE, pois passaram a</p><p>ser uma despesa direta.</p><p>Em algumas propriedades</p><p>rurais o proprietário faz uma retirada (pró-labore)</p><p>de um valor mensal para arcar com as despesas da família e muitas vezes até</p><p>para socorrer outras atividades. Porém, esse valor não condiz com a realidade</p><p>de custo dessa mão de obra, considerando o tempo dedicado e a natureza das</p><p>tarefas executadas.</p><p>Caso não tenha atenção no momento de lançamento de dados, o Zezinho</p><p>pode ser contabilizado de forma duplicada nos custos de produção: uma</p><p>como pagamento a terceiros (COE de R$ 400,00/mês), e outra como mão</p><p>de obra familiar.</p><p>Esse tipo de avaliação errônea pode comprometer a viabilidade do negócio</p><p>analisado.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 27</p><p>Na prática</p><p>O Sr. Roberto é produtor de</p><p>hortaliças e também cultiva milho e</p><p>soja em sua propriedade.</p><p>O técnico que atende a propriedade,</p><p>conversou com os familiares para</p><p>identificar o que cada um deles faz</p><p>na atividade e o tempo dedicado em</p><p>suas funções, chegando à conclusão</p><p>de que o custo da mão de obra</p><p>familiar é de R$ 3.000,00.</p><p>R$ 3.000,00 é o valor correto a ser lançado</p><p>como custo de mão de obra familiar, já que</p><p>o restante do valor (R$ 2.000,00) pode ser</p><p>interpretado como remuneração do capital ou</p><p>ainda como lucro da atividade – remuneração</p><p>do empreendedor.</p><p>Como a horta gera receita</p><p>mensal, o proprietário retira do</p><p>valor recebido, R$ 5.000,00</p><p>todos os meses, para arcar</p><p>com as despesas da família e,</p><p>em alguns momentos, para</p><p>comprar insumos para a lavoura.</p><p>Não se deve confundir custo</p><p>de mão de obra familiar</p><p>com remuneração do</p><p>empreendedor, tema que</p><p>será visto logo a diante.</p><p>É muito importante destacar que a mão de obra familiar, em alguns casos,</p><p>dedica um esforço maior que a mão de obra contratada, além de trabalhar por</p><p>um período superior à jornada legal de um funcionário. Logo, para dimensionar</p><p>o valor do trabalho da mão de obra familiar, não se deve apenas contar o</p><p>número de pessoas envolvidas, mas sim qual seria o custo para substituí-las,</p><p>dadas as atividades executadas por elas.</p><p>Para complementar esse raciocínio, veja mais este exemplo!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 28</p><p>Um pai e seu filho trabalham sozinhos na</p><p>propriedade rural. Acordam diariamente</p><p>às 5h da manhã e encerram sua jornada</p><p>de trabalho às 19h. Ambos realizam 11</p><p>horas de trabalho e têm mais 3 horas</p><p>de almoço e descanso. Muito dedicados</p><p>e concentrados nas atividades, são</p><p>eficientes nas operações que exercem.</p><p>Certa vez, resolveram tirar uma semana</p><p>de férias com toda a família e, para isso,</p><p>contrataram duas pessoas para substituí-</p><p>los. Porém, já no primeiro dia notaram</p><p>que os dois contratados, em suas 8 horas</p><p>de trabalho diário, não executaram</p><p>sequer 50% das tarefas que pai e filho</p><p>realizavam.</p><p>Dessa forma, tiveram de contratar mais</p><p>duas pessoas para executar o serviço,</p><p>chegando a quatro contratados. Nesse</p><p>caso, a alocação deve ser de quatro</p><p>salários para pai e filho como custo fixo de</p><p>mão de obra familiar, pois eles realizam</p><p>atividades que somente a contratação</p><p>dessa quantidade de funcionários</p><p>atenderia à demanda.</p><p>O que acha de confirmar se esse conceito está claro para você?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 29</p><p>Pense e decida</p><p>Em uma propriedade rural, o pai, a esposa e seus cinco filhos trabalham</p><p>nela. A situação da mão de obra é a seguinte:</p><p>• Pai e mãe: trabalho integral.</p><p>• Filho mais velho: formado; trabalho integral.</p><p>• Outros 4 filhos: cursam ensino técnico pela manhã e o trabalho é em</p><p>meio período.</p><p>Ao chegarem dos cursos, o pai fala com os filhos sobre a importância</p><p>da lida do sítio, porém a cada dia todos eles estão menos interessados</p><p>nas atividades rurais, pois acreditam que pequenas propriedades não</p><p>apresentam perspectivas de melhoria. Esse pensamento é validado por</p><p>seus pais, ao não deixarem seus filhos participarem da administração</p><p>da propriedade, ocultando os resultados alcançados pela família.</p><p>Dessa forma, a participação desses filhos no trabalho da propriedade</p><p>existe, mas está cada vez menor. Diante desse contexto, qual é o custo</p><p>da mão de obra familiar nessa propriedade?</p><p>O valor de sete salários de mercado</p><p>para cada um dos sete membros</p><p>da família.</p><p>O valor de cinco salários de mercado</p><p>para essa função.</p><p>Justifique aqui a sua escolha!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 30</p><p>Feedback</p><p>Nesse caso, o custo da mão de obra familiar deve ser dimensionado com o</p><p>mesmo critério de outras situações, ou seja, para substituir o trabalho dessa</p><p>família, devemos considerar a quantidade de pessoas necessárias pelo salário</p><p>de mercado.</p><p>Ao analisar as informações, você poderá concluir que para as atividades</p><p>realizadas por essa família são necessárias cinco pessoas: pai, mãe e filho</p><p>mais velho – cada um dos três com salário de mercado integral – e quatro</p><p>filhos a meio período – o que totalizaria dois salários integrais, por exemplo.</p><p>Logo, o custo da mão de obra familiar será o valor de cinco salários de</p><p>mercado para essa função, e não de sete.</p><p>Remuneração do empreendedor</p><p>Caso o administrador/empreendedor tenha em mente que a única fonte de</p><p>renda para a mão de obra familiar faça parte dos seus custos de oportunidade,</p><p>deve ter sido realizada uma análise errada e pouquíssimo atrativa ao produtor.</p><p>É importante ter em mente que a remuneração do empreendedor acontece</p><p>em três momentos. Acompanhe!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 31</p><p>O valor da mão de obra</p><p>familiar representa o custo de</p><p>oportunidade do trabalho do</p><p>produtor rural e sua família,</p><p>considerando as funções que</p><p>todos desempenham dentro do</p><p>sistema produtivo.</p><p>De uma forma geral, esse</p><p>item é um componente dos</p><p>custos fixos, pois não existe</p><p>desembolso e representa</p><p>também um custo de</p><p>oportunidade de investimento.</p><p>Nesse caso, será avaliado, por</p><p>exemplo, se compensaria mais</p><p>o empreendedor ter investido</p><p>R$ 1 milhão de capital médio</p><p>na infraestrutura da atividade</p><p>ou se teria uma melhor</p><p>remuneração investindo esse</p><p>mesmo capital na poupança</p><p>– um investimento tradicional</p><p>e com rendimento histórico</p><p>médio de 6% ao ano que</p><p>é adotado na metodologia</p><p>de Assistência Técnica e</p><p>Gerencial como parâmetro de</p><p>comparação.</p><p>Assim, esse R$ 1 milhão</p><p>renderia na poupança, a 6%</p><p>a.a., a quantia de R$ 60 mil/</p><p>ano. Obrigatoriamente, para</p><p>ser minimamente atrativa,</p><p>a atividade deveria render a</p><p>partir desse valor.</p><p>De forma conceitual, para</p><p>entender a alocação do lucro</p><p>que a atividade proporciona</p><p>nessa etapa de cálculos, basta</p><p>compreender que o lucro, na</p><p>verdade, não é diretamente</p><p>do empreendedor, mas</p><p>sim do negócio – os custos</p><p>com seu trabalho já foram</p><p>remunerados.</p><p>Em muitos empreendimentos,</p><p>o lucro é destinado a diversas</p><p>finalidades, de acordo com</p><p>o planejamento estratégico</p><p>da empresa. Por exemplo:</p><p>10% do lucro é destinado</p><p>para ações de marketing;</p><p>2% para doações; 20% para</p><p>investimentos em pesquisa;</p><p>50% para aquisição de</p><p>novos negócios e 18% para</p><p>distribuição de dividendos</p><p>entre os sócios do negócio.</p><p>Assim, caso não haja</p><p>destinação para investimentos</p><p>em novas áreas ou destinação</p><p>de recursos para outros</p><p>setores, o lucro deverá ser</p><p>destinado do negócio ao</p><p>empreendedor.</p><p>Mão de obra</p><p>familiar</p><p>Custo de</p><p>oportunidade</p><p>Lucro</p><p>da atividade</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 32</p><p>Tanto o custo de oportunidade quanto o lucro serão tratados mais profundamente</p><p>no tema seguinte.</p><p>Assim, a fórmula para o cálculo da remuneração do produtor rural/empreendedor</p><p>será:</p><p>REMUNERAÇÃO = MOF + CO + LUCRO</p><p>Custo de oportunidade</p><p>Mão de obra familiar Resultado econômico</p><p>Veja um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Ao final da apuração anual dos resultados obtidos por uma propriedade rural, o Técnico</p><p>de Campo do empreendimento encontrou os seguintes valores:</p><p>• custo mensal da mão de obra familiar igual a R$ 1 mil,</p><p>• custos de oportunidade do capital iguais a R$ 60 mil por ano,</p><p>• lucro anual igual a R$ 20 mil.</p><p>A remuneração total do empreendedor no ano analisado pela consultoria foi encontrada</p><p>aplicando a fórmula:</p><p>Remuneração = MOF + CO + LUCRO</p><p>REMUNERAÇÃO = (R$ 1.000,00/mês × 12 meses) + R$ 60.000,00 + R$ 20.000,00</p><p>REMUNERAÇÃO = R$ 12.000,00 + R$ 60.000,00 + R$ 20.000,00</p><p>REMUNERAÇÃO = R$ 92.000,00</p><p>Portanto, a remuneração total do empreendedor será igual a R$ 92 mil ao ano.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 33</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste segundo tópico, você:</p><p>Entendeu a</p><p>fundamentação de</p><p>como determinar o</p><p>custo de mão de obra</p><p>familiar.</p><p>Compreendeu</p><p>como funciona a</p><p>remuneração do</p><p>empreendedor.</p><p>Pôde aprofundar seus</p><p>conhecimentos sobre os</p><p>elementos da mão de</p><p>obra familiar, do custo de</p><p>oportunidade e do lucro da</p><p>atividade.</p><p>Tópico 3: Depreciação</p><p>Você consegue avaliar o impacto do valor da depreciação</p><p>nos números de uma propriedade rural?</p><p>A partir de agora, você verá como reconhecer a importância de</p><p>calcular a depreciação como parte relevante dos custos de produção.</p><p>A depreciação é uma reserva monetária destinada a gerar fundos necessários</p><p>para a substituição de bens ao final de sua vida útil.</p><p>Ela permite que o produtor rural/empreendedor se prepare para o momento</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 34</p><p>da troca de bens de produção – itens necessários para manter a capacidade</p><p>produtiva da empresa – como:</p><p>Equipamentos,</p><p>máquinas,</p><p>benfeitorias</p><p>Forrageiras não</p><p>anuais (capineira,</p><p>canavial etc.)</p><p>A depreciação é um custo fixo que não representa desembolso,</p><p>portanto é um custo indireto.</p><p>Na metodologia de ATeG para o cálculo de custo de depreciação, consideramos</p><p>o método linear e que o valor de sucata dos bens sempre seja igual a zero.</p><p>Esse método tem o objetivo de minimizar a subjetividade do cálculo de custo</p><p>da agropecuária.</p><p>Ao optar pelo método linear também ocorre uma estabilização da depreciação</p><p>ao longo de toda a vida útil do bem, necessitando que se realize seu cálculo</p><p>apenas uma única vez, até que ela se encerre. Assim, depreciação é igual a:</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Vida útil</p><p>Depreciação</p><p>Valor de novo</p><p>VN - S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>Será necessário que o Técnico de Campo apure o valor de novo do bem,</p><p>independentemente da quantidade de anos de uso ou do seu estado de</p><p>conservação, desde que esteja dentro de seu prazo de vida útil.</p><p>Entenda a partir de um exemplo prático!</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 35</p><p>Na prática</p><p>Para um trator no valor de novo de R$ 150 mil, com vida útil de 15 anos, qual</p><p>será sua depreciação?</p><p>Nesse caso, o custo anual de depreciação do trator é igual a R$ 10 mil/ano.</p><p>Vale destacar que sempre que o bem for adquirido novo e estiver dentro de seu</p><p>prazo de vida útil, a fórmula para calcular a depreciação é essa apresentada.</p><p>Para os casos em que o produtor não for o primeiro dono do bem, o cálculo é</p><p>outro, e será visto adiante.</p><p>VN – S</p><p>VU</p><p>d =</p><p>R$ 150.000,00 – 0</p><p>R$ 10.000,00</p><p>15 anos</p><p>d =</p><p>d =</p><p>A vida útil se refere ao tempo que o bem pode ser usado para desempenhar sua</p><p>função tendo utilidade econômica na empresa rural. Na metodologia de ATeG,</p><p>ela é contabilizada em anos, podendo ser subdividida pelo intervalo de</p><p>tempo que o administrador desejar para suas análises pessoais, até mesmo</p><p>em horas.</p><p>É preciso ter muito critério ao realizar essa avaliação, pois os custos com</p><p>depreciação geralmente são “mascarados” ou não “enxergados” pelo produtor</p><p>rural, uma vez que não se realizam desembolsos para seu pagamento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 36</p><p>Informação extra</p><p>Devido ao Brasil ser um país de dimensões continentais,</p><p>apresentando um grande mix de produtos agropecuários,</p><p>com características edafoclimáticas* diversas, e os bens</p><p>sofrerem intensidades de uso e de desgaste diferentes,</p><p>não é possível tabelar essa informação de modo que seja</p><p>aplicável em todo o território nacional.</p><p>Porém, os valores de vida útil podem ser encontrados</p><p>em tabelas disponíveis em obras especializadas para</p><p>agropecuária, que servem de base para o Técnico de</p><p>Campo realizar sua avaliação de acordo com a realidade</p><p>local, como zona litorânea; trabalho em solos arenosos</p><p>em oposição ao trabalho em solos argilosos; regime de</p><p>chuvas na região etc.</p><p>Edafoclimáticas são características definidas por fatores do meio, tais como clima, relevo,</p><p>litologia, temperatura, umidade do ar, radiação, tipo de solo, vento, composição atmosférica</p><p>e precipitação pluvial.</p><p>Os parâmetros de vida útil para cada item do inventário de recursos, caso não</p><p>sejam estabelecidos pela Coordenação Nacional de ATeG, deverão ser definidos</p><p>pela Coordenação Estadual. Os exemplos utilizados aqui no curso são apenas</p><p>hipotéticos, não servindo de base para a utilização no campo.</p><p>São itens que sofrem depreciação:</p><p>Benfeitorias (casas do proprietário e dos funcionários,</p><p>aprisco, galpão, depósito, caixa de abelha, cercas etc.)</p><p>Máquinas e equipamentos</p><p>(veículos, tratores, balança,</p><p>roçadeira, misturador de ração,</p><p>ferramentas etc.)</p><p>Semoventes</p><p>(animais de serviço,</p><p>reprodutores, rebanhos</p><p>não estabilizados etc.)</p><p>Forrageiras não anuais.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 37</p><p>Quando o produtor não realiza cálculo de custos de produção, existe a tendência</p><p>de se considerar a depreciação como parte de seus lucros, uma vez que a</p><p>“reserva” financeira é algo raro no hábito dos brasileiros. Uma opção viável</p><p>é aplicar essa reserva em investimentos de longo prazo, chamados no</p><p>mercado financeiro de “renda fixa”.</p><p>Sempre que a vida útil do bem for esgotada, o cálculo da depreciação não</p><p>será mais necessário, pois ela será sempre igual a zero, uma vez que toda a</p><p>depreciação já foi paga.</p><p>Casos especiais</p><p>Quando se fala em depreciação, existem alguns casos especiais que necessitam</p><p>de um pensamento diferente para esse cálculo. Acompanhe!</p><p>A. Bens adquiridos usados</p><p>Na aquisição de bens já usados, porém dentro do prazo de vida útil, o Técnico</p><p>de Campo deve utilizar como base de cálculo o valor desembolsado pelo</p><p>produtor para adquiri-lo, independentemente de seu valor de mercado.</p><p>O que está sendo avaliado é o custo real, e não a oportunidade, conforme a</p><p>fórmula a seguir:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 38</p><p>Sucata</p><p>(sempre igual a “0”)</p><p>Vida útil residual</p><p>Depreciação</p><p>Valor de compra</p><p>VC - S</p><p>VR</p><p>d =</p><p>A vida útil residual é obtida a partir da subtração entre a vida útil total estipulada</p><p>para o bem e o tempo efetivo de seu uso até o momento da compra.</p><p>Observe um exemplo prático.</p><p>Na prática</p><p>Uma bomba d’água elétrica nova custa R$ 18 mil e tem vida</p><p>útil de 15 anos.</p><p>O produtor comprou uma usada por R$ 8 mil e com 11 anos de</p><p>uso. Qual será a depreciação desse bem?</p><p>Nesse caso, o custo anual de depreciação é igual a R$ 2 mil/ano.</p><p>R$ 2.000,00d =</p><p>VC – S</p><p>VR</p><p>d =</p><p>R$ 8.000,00 – 0</p><p>(15 – 11 anos)</p><p>d =</p><p>R$ 8.000,00</p><p>4 anos</p><p>d =</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 39</p><p>C. Depreciação da lavoura</p><p>Toda cultura permanente que produzir frutos será alvo de depreciação. Com</p><p>o decorrer dos anos, a lavoura vai perdendo seu potencial produtivo,</p><p>sofrendo depreciação. Então, em determinados momentos, ela precisará receber</p><p>intervenções, como a poda drástica ou até mesmo o novo plantio.</p><p>A metodologia de ATeG utilizada para a formação dos custos de depreciação de</p><p>lavouras consiste em dividir o investimento realizado para a sua formação</p><p>pelo número de anos de vida útil média de produção, com algumas</p><p>particularidades a serem descritas a seguir.</p><p>Conheça a fórmula:</p><p>Valor do investimento em formação</p><p>Vida útil produtiva</p><p>Depreciação</p><p>VI</p><p>VU</p><p>d =</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 40</p><p>A fórmula é aplicável a expectativa de vida útil produtiva que o produtor estima</p><p>para sua lavoura, cuja duração deverá ser avaliada caso a caso pelo Técnico</p><p>de Campo, que assim obterá a quantificação exata da reserva contábil que</p><p>deverá manter em sua propriedade, por hectare, por talhão e até mesmo por</p><p>planta, para que se proceda às intervenções naturalmente necessárias.</p><p>Também é possível encontrar casos em que as intervenções vão ocorrer antes</p><p>mesmo do encerramento da vida útil produtiva esperada para a lavoura em</p><p>questão. Estes serão tratados pela metodologia</p><p>da seguinte maneira:</p><p>Valor do investimento em renovação</p><p>Vida útil produtiva</p><p>Depreciação</p><p>VR</p><p>VU</p><p>d =</p><p>A depreciação incide sobre a cultura formada, ou seja, as lavouras em formação</p><p>e em renovação são consideradas investimentos e, portanto, a depreciação</p><p>será zero durante esse período de análise.</p><p>Na prática</p><p>Uma propriedade implantou um talhão de 1 ha e</p><p>apresentou os seguintes gastos com o plantio:</p><p>• R$ 5 mil/ha no primeiro ano,</p><p>• R$ 6 mil/ha no segundo ano,</p><p>• Expectativa de 10 anos de vida útil produtiva.</p><p>Porém, o produtor decidiu realizar uma intervenção/reforma em sua lavoura</p><p>na oitava safra, com um custo de renovação de R$ 6 mil.</p><p>Com a intervenção/reforma, qual será a depreciação dessa lavoura ao longo</p><p>do período analisado?</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 41</p><p>Para chegar à resposta, é necessário dividir essa análise em dois momentos.</p><p>Observe!</p><p>Análise até o momento da reforma</p><p>Análise após a reforma</p><p>Do primeiro ao oitavo ano produtivo, o valor de depreciação que deverá ser</p><p>reservado será de R$ 1.375,00 por ano. No entanto, a partir da retomada da</p><p>produção após a reforma, e considerando que não mais sofrerá intervenções</p><p>antecipadas pelo período de 10 anos, a nova reserva de depreciação deverá</p><p>ser de R$ 600,00 por ano.</p><p>VI</p><p>VU</p><p>d =</p><p>R$ 5.000,00 + R$ 6.000,00</p><p>8</p><p>d = R$ 1.375,00 / anod =</p><p>VR</p><p>VU</p><p>d =</p><p>R$ 6.000,00</p><p>10</p><p>d = R$ 600,00 / anod =</p><p>É possível observar no exemplo, que o fato da intervenção/reforma ter sido</p><p>realizada antes do período previamente programado não alivia os custos com</p><p>a depreciação. Pelo contrário, os custos são pressionados, causando uma</p><p>elevação em sua análise anual.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 42</p><p>D. Exaustão da floresta</p><p>O conceito de depreciação é aceitável contabilmente para a análise de florestas</p><p>plantadas. Porém, gramaticalmente, na língua portuguesa, utilizar tal terminologia</p><p>para essa cadeia produtiva não faz o menor sentido, uma vez que um bem</p><p>depreciado é aquele que foi perdendo sua capacidade produtiva (tornou-se</p><p>obsoleto) ao longo dos anos. Nas florestas, o que ocorre é justamente o</p><p>contrário.</p><p>Com o passar dos anos, a floresta vai se tornando cada vez mais valiosa,</p><p>ganhando mais e mais metros cúbicos para extração. A essa extração dá-se</p><p>o nome de exaustão da floresta, que é como devemos chamar a depreciação</p><p>nesse caso.</p><p>A exaustão é o custo de cada período pelo valor referente à parcela</p><p>consumida da floresta, ou seja, representa a porcentagem que foi removida</p><p>da floresta, para que se possa calcular proporcionalmente o investimento</p><p>realizado na implantação e na condução da floresta.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 43</p><p>Para isso, primeiro é aplicada a seguinte fórmula:</p><p>% de árvores extraídas:</p><p>(árvores extraídas ÷ total de árvores) × 100%</p><p>Depois de encontrar essa porcentagem representativa, é aplicada outra fórmula</p><p>para saber a proporção da exaustão:</p><p>Exaustão: investimentos × % de árvores extraídas</p><p>Entenda acompanhando o exemplo a seguir.</p><p>Em um florestamento que envolve 10 mil pés de</p><p>eucaliptos, cujo custo de formação foi de R$ 56.300,00,</p><p>foram cortadas 4.800 árvores.</p><p>Na prática</p><p>Para calcular o valor da exaustão, deve ser observado o seguinte critério:</p><p>• descobrir o percentual de árvores exauridas;</p><p>• aplicá-lo sobre o valor investido na formação.</p><p>Cálculo percentual das árvores extraídas:</p><p>% de árvores extraídas = (árvores extraídas ÷ total de árvores) × 100</p><p>% de árvores extraídas = (4.800 ÷ 10.000) × 100</p><p>% de árvores extraídas = 0,48 × 100</p><p>% de árvores extraídas = 48%</p><p>Assim, o custo com a exaustão da floresta será 48% de R$ 56.300,00 investidos</p><p>= R$ 27.024,00. Isso significa que do valor da venda das árvores extraídas, R$</p><p>27.024,00 devem ser direcionados para cobrir o investimento realizado na formação</p><p>da floresta.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 44</p><p>A depreciação é um fator que precisa ser levado em consideração na administração</p><p>do negócio rural, e as únicas formas de amenizar os impactos desse custo</p><p>são o uso adequado e a conservação pelo devido tempo de qualquer bem ou</p><p>infraestrutura.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste terceiro tópico, você:</p><p>Entendeu o impacto do</p><p>valor da depreciação na</p><p>propriedade rural.</p><p>Conheceu os casos</p><p>especiais que devem</p><p>ser considerados ao</p><p>calcular o custo da</p><p>depreciação.</p><p>Compreendeu como</p><p>encontrar o valor dessa</p><p>rubrica diante das</p><p>particularidades de uma</p><p>propriedade rural.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 45</p><p>Tópico 4: Custo operacional total</p><p>Você conhece a real necessidade de se calcular o custo</p><p>operacional total?</p><p>A partir de agora, você verá a composição do custo operacional</p><p>total, que é de grande importância na avaliação técnico-econômica</p><p>da propriedade rural.</p><p>O custo operacional total (COT) permite avaliar se uma atividade é sustentável</p><p>no médio prazo.</p><p>O COT inclui o custo operacional efetivo (COE), o pagamento da mão de obra</p><p>familiar (pró-labore) e, também, as depreciações de benfeitorias, máquinas,</p><p>animais de serviço e forrageiras perenes. Dessa forma, o COT é calculado da</p><p>seguinte maneira:</p><p>COT = COE + MOF + d</p><p>Mão de obra familiar ou pró-labore do administradorCusto operacional total</p><p>DepreciaçãoCusto operacional efetivo</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 46</p><p>No caso de análise de florestas plantadas, o fator depreciação deve ser</p><p>trocado pela exaustão da floresta, de maneira que a fórmula aplicada fica um</p><p>pouco diferente, como você pode ver a seguir:</p><p>COT = COE + MOF + EX</p><p>Mão de obra familiarCusto operacional total</p><p>Exaustão da florestaCusto operacional efetivo</p><p>No cálculo do COT, também se deve considerar apenas a atividade analisada,</p><p>e, portanto, todos os demais custos envolvidos em seu cálculo deverão ser</p><p>rateados proporcionalmente caso haja necessidade.</p><p>Esse conceito de rateio dos custos também se aplica à mão de obra</p><p>familiar e à depreciação, porém proporcionalmente, de acordo com a</p><p>relação de uso, ou o tempo empregado para a atividade, ou ainda com</p><p>a relação de composição da renda quando couber.</p><p>Entenda melhor acompanhando o exemplo a seguir!</p><p>Na prática</p><p>É justo que o técnico atribua o</p><p>pagamento de custo da mão de</p><p>obra familiar proporcionalmente à</p><p>cada cadeia produtiva analisada.</p><p>Portanto, não é tão simples quanto</p><p>parece identificar corretamente o</p><p>COT, pois deve considerar diversas</p><p>variáveis dentro de cada item de</p><p>sua composição.</p><p>Um produtor divide seu tempo entre:</p><p>Fruticultura</p><p>Olericultura</p><p>30%</p><p>70%</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 47</p><p>Aproximar do custo real</p><p>Devido à grande diversidade de cadeias produtivas atendidas pela metodologia</p><p>de ATeG, a flexibilidade de sistemas de produção e às especificidades de cada</p><p>uma delas, é natural que se tenha que ajustar alguns conceitos para que</p><p>se possa atender de forma satisfatória a todas elas e, assim, se aproximar</p><p>do custo real das atividades agropecuárias.</p><p>Essa tentativa de “aproximação” com o custo real se dá pela impossibilidade</p><p>de se controlar totalmente, fora do ambiente experimental e laboratorial, as</p><p>transformações e as inter-relações biológicas ocorridas no campo, que por si</p><p>só comprometem a análise econômica fiel, diferentemente do que acontece</p><p>em um ambiente industrial, por exemplo.</p><p>Como visto, além do COE existem dois outros custos da propriedade rural que</p><p>são importantes para a identificação do custo operacional total de produção:</p><p>Mão de obra familiar Depreciação</p><p>Para iniciar essa discussão, além das características já elencadas sobre o</p><p>COE, você conhecerá alguns casos especiais para esse item que impactam</p><p>diretamente o COT.</p><p>Particularidades do cálculo do COE para atividades</p><p>agrícolas</p><p>Por causa da complexidade do cálculo do custo de produção da atividade</p><p>agrícola, é recomendável que o técnico tenha forte interação na determinação</p><p>do custo, e o produtor, na busca de uma interpretação dos resultados que mais</p><p>se aproximem da realidade.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 48</p><p>Muitas atividades agrícolas possuem produção conjunta, gerando um produto</p><p>principal e outros que podem, ou não, ser considerados como subprodutos ou</p><p>atividades secundárias.</p><p>Saber operacionalizar corretamente as ferramentas de controle é</p><p>muito importante, porém ainda se esbarra em subjetividades. Por isso,</p><p>o mais importante em um diagnóstico é ter um critério de julgamento</p><p>justo com as atividades analisadas.</p><p>Acompanhe a seguir um exemplo!</p><p>Na prática</p><p>Propriedade com foco na olericultura.</p><p>Apenas essa atividade será analisada nela.</p><p>Se o técnico resgatar a nota fiscal de fertilizantes que</p><p>o produtor adquiriu e observar apenas o valor total do</p><p>documento, sem verificar que no meio do faturamento</p><p>estavam elencados fertilizantes para o cultivo de frutíferas</p><p>e também para suas plantas ornamentais, a análise estará</p><p>errada, pois seriam listadas despesas que não são de</p><p>competência da atividade da olericultura.</p><p>O critério é simples:</p><p>Em geral, não Sim, no caso em que os resíduos</p><p>gerados pelas frutíferas ou plantas</p><p>ornamentais sejam utilizados na</p><p>produção de composto.</p><p>Então, compõe subproduto</p><p>da olericultura.</p><p>Salvo essa exceção, as frutíferas</p><p>e as plantas ornamentais não têm</p><p>absolutamente nada a ver com a</p><p>atividade estudada.</p><p>Utiliza frutíferas e plantas ornamentais para produção de olerícolas?</p><p>Portanto, as despesas relativas a eles não devem ser consideradas no custo da olericultura.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 49</p><p>Prática na atividade olerícola</p><p>Agora que o conceito está mais claro, pense na prática da atividade olerícola,</p><p>que é uma operação complexa.</p><p>Na olericultura, existe um subproduto intrínseco ou inerente à atividade que</p><p>é a produção de composto. Considerando que a produção estudada esteja</p><p>estabilizada, esse produtor terá que reter a produção de composto para manter</p><p>a de hortaliças, ou mesmo aumentar a produção de composto, mas focando</p><p>apenas uma delas</p><p>Apenas uma parte desse composto será utilizada na propriedade para</p><p>compor o estoque da produção ou ser utilizado na atividade como</p><p>adubação orgânica, e todo o restante será comercializado.</p><p>Você sabia?</p><p>A compostagem é a transformação de resíduos orgânicos</p><p>em produto de maior valor agregado e ambientalmente</p><p>mais adequado. O uso do composto na produção de</p><p>hortaliças tem por objetivo o enriquecimento dos solos</p><p>baseado em princípios ecológicos. Pelo manejo dos recursos</p><p>naturais e do solo — a nutrição vegetal —, utilizam-se</p><p>insumos que estejam presentes dentro da propriedade,</p><p>evitando a importação dessas matérias, o que acarreta o</p><p>aumento da rentabilidade da produção. Geralmente, em</p><p>produções orgânicas, a adubação é baseada na utilização</p><p>de material orgânico (composto) e pode chegar a 100%</p><p>dependendo da disponibilidade da matéria-prima e do</p><p>objetivo do produtor.</p><p>A venda de composto muitas vezes representa um volume considerável de</p><p>entrada de recursos na propriedade, mas é considerada uma subatividade</p><p>da produção olerícola. Assim, é justo que ela também seja onerada com os</p><p>custos de sua produção Então:</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 50</p><p>Seguir a mesma</p><p>proporção encontrada</p><p>na relação renda</p><p>do leite/renda da</p><p>atividade.</p><p>Feito como de</p><p>todos os demais</p><p>custos de uso em</p><p>comum.</p><p>É necessário</p><p>fazer o rateio</p><p>proporcional do COE</p><p>no que compete</p><p>exclusivamente</p><p>à atividade</p><p>olerícola.</p><p>Assim, a análise realizada diz que a atividade necessita do composto para</p><p>que seja iniciada a produção de alface, por exemplo, porém ao término de</p><p>uma safra esse composto é totalmente desnecessário para a produção dessa</p><p>mesma alface.</p><p>Portanto, o item “aquisição de resíduos orgânicos” é um custo totalmente</p><p>referente à produção de composto, e não com a qual a atividade olerícola deva</p><p>arcar sozinha. Da mesma forma que, para produzir composto para venda, não</p><p>é necessário que esta atividade seja onerada com insumos, como fertilizante</p><p>químico, produtos fitossanitários ou sementes.</p><p>A fórmula</p><p>A aplicação de uma fórmula matemática específica nos permite descobrir o COE</p><p>da produção de alface de forma bem detalhada, diferentemente de outras</p><p>metodologias que não trabalham com centro de custos, nas quais o custo é</p><p>total e a atividade olerícola tem de arcar com todas as despesas.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 51</p><p>1º - removem-se os</p><p>elementos que não</p><p>são de uso comum</p><p>para ambas as</p><p>atividades (fertilizantes</p><p>químicos, produtos</p><p>fitossanitários,</p><p>sementes e resíduos</p><p>orgânicos), pois os</p><p>três primeiros são</p><p>exclusivos da alface, e</p><p>o último, da venda de</p><p>composto.</p><p>2º - todo o resto</p><p>de despesas</p><p>comuns é rateado</p><p>proporcionalmente de</p><p>acordo com a relação</p><p>entre a renda da</p><p>atividade e a renda</p><p>total.</p><p>3º e último - serão</p><p>integralmente somados</p><p>os valores que</p><p>pertencem à produção</p><p>da alface, pois o que</p><p>se pretende descobrir</p><p>é apenas o COE da</p><p>alface.</p><p>Assim, tem-se a seguinte fórmula para basear esses custos:</p><p>COEAL = [(COE AT - FQ - PF - SEMENT – RO) x RL] + FQ + PF + SEMENT</p><p>COEAL da alface custo operacional efetivo da alface</p><p>COE da atividade COEAT custo operacional efetivo da atividade de</p><p>olericultura</p><p>FQ fertilizante químico</p><p>PF produtos fitossanitários (recomendados para a</p><p>cultura da alface)</p><p>SEMENT sementes</p><p>RO resíduos orgânicos</p><p>RL renda da alface/</p><p>renda da atividade de</p><p>olericultura</p><p>proporção da renda bruta da alface sobre a</p><p>renda bruta da atividade olerícola</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 52</p><p>Outras cadeias</p><p>Em cadeias da produção vegetal, geralmente o raciocínio é menos complexo.</p><p>Nas cadeias produtivas de cereais e na própria olericultura, encontra-se a</p><p>semelhança de que todas as plantas pertencem ao COE, uma vez que são</p><p>tratadas como insumos (compra de mudas ou sementes).</p><p>São considerados assim, pois se faz necessária sua aquisição sempre que um</p><p>ciclo se encerra e para que se possa iniciar o subsequente.</p><p>Este ciclo é calculado</p><p>pelo tempo em que</p><p>cada etapa leva para</p><p>ser realizada, desde</p><p>a semeadura até a</p><p>colheita.</p><p>Os ciclos produtivos</p><p>das culturas podem ser</p><p>repetitivos com uma certa</p><p>regularidade dependendo</p><p>da espécie vegetal</p><p>cultivada.</p><p>A colheita é a última</p><p>etapa de um ciclo</p><p>produtivo e após se</p><p>inicia um novo ciclo de</p><p>produção com uma nova</p><p>semeadura.</p><p>Um ciclo de produção</p><p>é um processo que um</p><p>determinado produto</p><p>passa para ser produzido.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 53</p><p>Tome nota</p><p>As plantas serão ao mesmo tempo itens que necessitam ser</p><p>adquiridos no início da produção, como também o próprio</p><p>produto a ser comercializado. Como geram desembolso</p><p>direto e se encerram ao final do ciclo produtivo, compõem</p><p>o COE.</p><p>O critério é válido mesmo para aquelas plantas que</p><p>apresentam ciclos com duração maior que um ano, como</p><p>a compra de mudas de abacaxi, uma vez que o termo</p><p>“ciclo” não é restrito ao tempo fixo de um ano, mas sim</p><p>ao período para o desenvolvimento da plantação.</p><p>A metodologia de ATeG considera sempre o centro de custos, ou seja, a</p><p>separação total dos itens para cada segmento da produção.</p><p>No caso de a propriedade</p><p>ter mais de uma</p><p>atividade, será sempre</p><p>como se o produtor</p><p>estivesse vendendo o</p><p>insumo para ele mesmo</p><p>pelo preço de mercado.</p><p>Isso se chama “custo</p><p>de oportunidade”, que</p><p>representa o que o</p><p>produtor receberia caso</p><p>decidisse vender seu</p><p>produto no mercado, ao</p><p>invés usá-lo em outra</p><p>atividade na propriedade.</p><p>Esse conceito serve</p><p>para o administrador</p><p>avaliar qual decisão</p><p>será financeiramente</p><p>mais vantajosa para</p><p>sua empresa.</p><p>Já o trator e a mão de obra utilizados para a obtenção desses insumos continuarão</p><p>alocados em outro centro de custo, sempre rateando proporcionalmente os</p><p>custos que eventualmente sejam de uso comum a ambas as atividades.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 54</p><p>Fruticultura e floresta</p><p>Nos cultivos de árvores frutíferas —</p><p>incluindo o café — e também nas</p><p>florestas plantadas, as metodologias de</p><p>custo de produção tratam de maneiras</p><p>diferenciadas para cada um desses dois</p><p>segmentos, comparativamente às demais</p><p>cadeias produtivas atendidas pela ATeG.</p><p>Todos os gastos decorrentes</p><p>da</p><p>implantação desses cultivos, que</p><p>nitidamente poderiam ser classificados</p><p>como COE (como operações de</p><p>pulverização, defensivos agrícolas,</p><p>fertilizantes de cobertura e foliares,</p><p>sementes, mudas etc.) por causa das</p><p>suas características, serão considerados</p><p>investimento.</p><p>Essa classificação é necessária para que a avaliação econômica da atividade</p><p>não se mostre com consecutivos prejuízos ano após ano, uma vez que a renda</p><p>esperada apenas começará a compor o fluxo de caixa dessa propriedade anos</p><p>após a sua implantação.</p><p>Tome nota</p><p>Em caso de plantas frutíferas que iniciam sua produção</p><p>já no primeiro ano de sua implantação, como é o caso da</p><p>banana, os investimentos realizados são contabilizados</p><p>no COE normalmente como quaisquer outras despesas</p><p>diretas, ao contrário das demais plantas de produção</p><p>tardia, pois sua produção já foi iniciada no primeiro</p><p>período de análise e é considerada investimento.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 55</p><p>No caso de florestas plantadas, todas as despesas</p><p>diretas precisam ser adquiridas a cada ciclo produtivo</p><p>com mais de um ano de duração, uma vez que,</p><p>dependendo da espécie cultivada, o gestor é quem</p><p>decidirá se aproveitará a rebrota ou não.</p><p>Portanto, são insumos que passam de um ano para</p><p>outro, mas, ao final do ciclo, a própria planta é o</p><p>produto a ser comercializado. Já na produção de</p><p>frutas, a árvore produtora não será extraída do solo,</p><p>e o seu produto final é o fruto, e não a própria árvore.</p><p>Resumindo o tópico</p><p>Neste quarto tópico, você:</p><p>Compreendeu a</p><p>importância de</p><p>calcular o custo</p><p>operacional total.</p><p>Aprofundou seus</p><p>conhecimentos sobre</p><p>a fórmula do COT,</p><p>conhecendo os elementos</p><p>que a compõem.</p><p>Conheceu a</p><p>forma correta de</p><p>se aproximar do</p><p>custo real.</p><p>Entendeu a diferença</p><p>desse custo de</p><p>acordo com a</p><p>cadeia produtiva ou</p><p>atividade praticada.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 56</p><p>Tópico 5: Aplicação dos conceitos</p><p>Consegue prever como aplicar tudo o que foi visto</p><p>na prática?</p><p>Neste tópico você verá na prática os conceitos aprendidos sobre</p><p>os indicadores de custos e a forma como podem ser calculados.</p><p>Para começar, pense no custo operacional efetivo (COE). Nele, são contabilizadas</p><p>apenas as despesas de custeio que envolvem desembolsos inerentes à</p><p>atividade.</p><p>Ele está relacionado aos desembolsos do produtor, como:</p><p>• mão de obra contratada;</p><p>• concentrados;</p><p>• fertilizantes;</p><p>• sementes;</p><p>• medicamentos;</p><p>• sais minerais;</p><p>• reparos de benfeitorias;</p><p>• consertos de máquinas;</p><p>• impostos e taxas;</p><p>• energia elétrica;</p><p>• combustível e outros dessa natureza.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 57</p><p>No estudo de caso, será analisada a atividade de horticultura. da</p><p>Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Veja a seguir a planilha de despesas apresentada pelo Sr. Ariovaldo!</p><p>Despesas de custeio Valor anual</p><p>Mão de obra temporária (diarista) R$ 3.300,00</p><p>Técnico Agrícola (assessoria) R$ 2.400,00</p><p>Sementes R$ 11.700,00</p><p>Fertilizantes químicos R$ 6.000,00</p><p>Adubos orgânicos R$ 1.170,00</p><p>Substrato R$ 7.800,00</p><p>Gastos com alimentação da família R$ 11.543,00</p><p>Fungicida R$ 720,00</p><p>Inseticida R$ 960,00</p><p>Despesas com vestuário da família R$ 500,00</p><p>Energia R$ 1.600,00</p><p>Combustível R$ 2.280,00</p><p>Material escolar para filhos R$ 1.000,00</p><p>Aquisição de resíduos orgânicos R$ 2.000,00</p><p>Embalagens R$ 1.800,00</p><p>Impostos sobre vendas (% vendas) R$ 2.401,20</p><p>Aquisição de um sistema de irrigação R$ 6.000,00</p><p>INSS + impostos + contribuição sindical R$ 4.350,00</p><p>Reparos de benfeitorias R$ 5.000,00</p><p>Reparos de máquinas e equipamentos R$ 3.500,00</p><p>Outros gastos de custeio R$ 2.000,00</p><p>Total R$ 78.024,20</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 58</p><p>A aquisição de um sistema de irrigação, que nada mais é que um conjunto de</p><p>equipamentos destinados a realizar a irrigação mecanizada da área cultivada,</p><p>é comum na produção de olerícolas.</p><p>Essa aquisição é tratada como um investimento e, portanto, não é um item a</p><p>ser incluído na somatória do COE, assim como as despesas com o vestuário</p><p>da família, os gastos com alimentação familiar e o material escolar dos filhos.</p><p>Separando os gastos da família para definir o custo operacional efetivo da</p><p>atividade, basta somar as despesas de custeio. Observe a diferença das tabelas</p><p>a seguir!</p><p>Despesas de custeio Despesas da família</p><p>Despesas de custeio Valor anual</p><p>Mão de obra temporária (diarista) R$ 3.300,00</p><p>Técnico Agrícola (assessoria) R$ 2.400,00</p><p>Sementes R$ 11.700,00</p><p>Fertilizantes químicos R$ 6.000,00</p><p>Adubos orgânicos R$ 1.170,00</p><p>Substrato R$ 7.800,00</p><p>Fungicida R$ 720,00</p><p>Inseticida R$ 960,00</p><p>Energia R$ 1.600,00</p><p>Combustível R$ 2.280,00</p><p>Aquisição de resíduos orgânicos para compostagem R$ 2.000,00</p><p>Embalagens R$ 1.800,00</p><p>Impostos sobre vendas (% vendas) R$ 2.401,20</p><p>INSS + impostos + contribuição sindical R$ 4.350,00</p><p>Reparos de benfeitorias R$ 5.000,00</p><p>Reparos de máquinas e equipamentos R$ 3.500,00</p><p>Outros gastos de custeio R$ 2.000,00</p><p>Custo operacional efetivo da atividade (COE) R$ 58.981,20</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 59</p><p>Despesas da família Valor anual</p><p>Gastos com alimentação da família R$ 11.543,00</p><p>Despesas com vestuário da família R$ 500,00</p><p>Material escolar para filhos R$ 1.000,00</p><p>Total R$ 13.043,00</p><p>Apenas os gastos com atividades inerentes à atividade serão utilizados para</p><p>uma avaliação econômica.</p><p>COE de um produto da atividade</p><p>O COE permite ao administrador avaliar, em separado, cada um dos produtos</p><p>de uma atividade e, com isso, tomar as decisões adequadas na gestão de cada</p><p>produto ou subproduto.</p><p>Nas atividades agropecuárias, alguns</p><p>itens de custo são difíceis de ratear</p><p>para cada produto da atividade.</p><p>Por exemplo: quanto do combustível</p><p>utilizado na atividade foi para o</p><p>transporte da alface e quanto foi para o</p><p>transporte do composto?</p><p>Ao mesmo tempo, alguns itens de</p><p>custos são específicos de um produto.</p><p>Por exemplo: para produzir composto,</p><p>não é necessário usar produtos</p><p>fitossanitários.</p><p>Por exemplo: quanto do combustível</p><p>utilizado na atividade foi para o</p><p>transporte da alface e quanto foi para o</p><p>transporte do composto?</p><p>Por exemplo: para produzir</p><p>composto, não é necessário produtos</p><p>fitossanitários.</p><p>Com essas informações, veja como vamos calcular o COE da produção de</p><p>alface na Fazenda Santa Felicidade.</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 60</p><p>• Produtos fitossanitários:</p><p>» fungicida;</p><p>» inseticida;</p><p>» acaricida;</p><p>» outros itens vinculados a produtos fitossanitários.</p><p>• Reparos de benfeitorias (estufas)</p><p>• Fertilizantes químicos</p><p>Itens que são COE apenas da alface</p><p>O primeiro passo é definir quais itens não serão rateados.</p><p>● Aquisição de resíduos orgânicos para compostagem</p><p>Os demais itens são rateados em proporção da renda obtida pelo produto do</p><p>qual se deseja separar o custo, ou seja, assume-se que o custo do produto</p><p>dividido pelo custo da atividade é igual à renda do produto dividida pela renda</p><p>da atividade.</p><p>Itens que não participam do COE da alface</p><p>Dessa forma, deve ser considerada a correspondência a seguir:</p><p>COE da atividade Renda da atividade</p><p>COE da alface Renda da alface</p><p>COEAL RAL</p><p>COETA RA</p><p>=</p><p>Módulo 3</p><p>Cálculo de custo de produção pg. 61</p><p>Logo, para se definir o COE da alface, parte-se do princípio de que:</p><p>COEAT RL RACOEL</p><p>Para corrigir essa conta, é necessário subtrair do COE da atividade aqueles</p><p>itens que não são proporcionais e adicionar ao final apenas os que são</p><p>100% da alface.</p><p>Considere os valores a seguir!</p><p>• Produtos fitossanitários (fungicida + inseticida) = PF = R$ 1.680,00</p><p>• Fertilizantes químicos = FQ = R$ 6.000,00</p><p>• Reparos de benfeitoria (estufa) = RB = R$ 5.000,00</p><p>• Aquisição de resíduos orgânicos para compostagem = RO = R$ 2.000,00</p><p>• Renda da alface: R$ 265.565,38</p><p>• Renda da atividade: R$ 281.565,38</p><p>• COE da atividade: R$ 58.981,20 (COEAT</p><p>Assim, você tem o seguinte cálculo.</p><p>94,31%=</p><p>RENDA DA ALFACE</p><p>RENDA DA ATIVIDADE</p><p>R$ 265.565,38</p><p>R$ 285.565,38</p><p>COEAL = {(COEAT - PF - FQ - RB - RO x ) } + PF + FQ +RB</p><p>RAL</p><p>RA</p><p>COEAL = {( R$ 58.981,20</p>

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