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<p>MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA</p><p>EM</p><p>GESTÃO</p><p>AMBIENTAL</p><p>MODULO DE HIDROLOGIA</p><p>2022</p><p>UnISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>i</p><p>Direitos de autor (copyright)</p><p>Este manual é propriedade da Universidade Aberta ISCED (UnISCED), e contém reservados</p><p>todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob</p><p>quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou</p><p>outros), sem permissão expressa de entidade editora (Universidade Aberta ISCED (UnISCED).</p><p>A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos</p><p>judiciais em vigor no País.</p><p>Universidade Aberta ISCED (UnISCED)</p><p>Vice-Reitoria Académica</p><p>Rua Praia Couceiro, Macuti</p><p>Beira - Moçambique</p><p>Telefone: +258 23 323501</p><p>Cel: +258 82 3055839</p><p>Fax: 23323501</p><p>E-mail: isced@edu .ac.mz</p><p>Website: www.isced.ac.mz</p><p>mailto:isced@isced.ac.mz</p><p>http://www.isced.ac.mz/</p><p>UnISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>ii</p><p>Agradecimentos</p><p>A Universidade Aberta ISCED (UnISCED) e o autor do presente manual agradecem a</p><p>colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:</p><p>Pela Coordenação</p><p>Pelo design</p><p>Vice-Reitoria Académica da UnISCED</p><p>Direção de Qualidade e Avaliação da UnISCED</p><p>Financiamento e Logística</p><p>Pela Revisão</p><p>Instituto Africano de Promoção da Educação</p><p>a Distancia (IAPED)</p><p>Mário Silva Uacane</p><p>Elaborado Por: Luís Deixa Joaquim – Mestrado em Ciências e Sistemas de Informação</p><p>Geográfica, pela Universidade Católica de Moçambique</p><p>UnISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>iii</p><p>Índice</p><p>Visão geral 1</p><p>Benvindo à Disciplina/Módulo de Hidrografia ................................................................. 1</p><p>Objectivos do Módulo ....................................................................................................... 1</p><p>Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 1</p><p>Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2</p><p>Ícones de actividade ......................................................................................................... 3</p><p>Habilidades de estudo ...................................................................................................... 3</p><p>Precisa de apoio? .............................................................................................................. 5</p><p>Tarefas (avaliação e auto-avaliação)................................................................................. 6</p><p>Avaliação ........................................................................................................................... 6</p><p>TEMA – I: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HIDROGRAFIA 9</p><p>UNIDADE Temática 1.1. O conceito e perfil histórico da hidrografia ............................... 9</p><p>Introdução ......................................................................................................................... 9</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 11</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 11</p><p>UNIDADE Temática 1.1. Objectos aquáticos e noção da hidrosfera .............................. 13</p><p>Introução ......................................................................................................................... 13</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 16</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 16</p><p>TEMA – I: CARACTERÍSTICAS DAS ÁGUAS NATURAIS 17</p><p>UNIDADE Temática 2.1. Características Físicas das Águas: Cor, Turbidez, Sólidos,</p><p>Temperatura, Sabor e Odor ............................................................................................ 17</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 17</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 30</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 30</p><p>UNIDADE Temática.2.2: Características Químicas das Águas Naturais .......................... 33</p><p>UnISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>iv</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 33</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 42</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 42</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO DO TEMA 2 ................................................................. 45</p><p>TEMA – III: CICLO HIDROLÓGICO 47</p><p>UNIDADE Temática 3.1: Conceito do ciclo hidrológico e as suas diferentes fases ......... 47</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 47</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 50</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 51</p><p>TEMA IV: ÁGUAS SUPERFICIAIS 53</p><p>UNIDADE Temática 1.1.4.1. Hidrografia dos oceanos .................................................... 53</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 53</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 67</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 67</p><p>UNIDADE Temática. 4.2: Rios .......................................................................................... 69</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 69</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 79</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 80</p><p>UNIDADE Temática.4.3: Hidrografia dos Lagos e Pântanos ............................................ 82</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 82</p><p>Sumário ........................................................................................................................... 89</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 89</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO DO TEMA 4 ................................................................. 91</p><p>TEMA V: ÁGUAS SUBTERRÂNEAS E AQUÍFEROS. 92</p><p>UNIDADE Temática 5.1. Águas Subterrâneas ................................................................. 92</p><p>Introdução ....................................................................................................................... 92</p><p>Sumário .......................................................................................................................... 99</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO .....................................................................................</p><p>à turbidez) e as concentrações de sólidos dissolvidos</p><p>(associados à cor), os sólidos orgânicos (voláteis) e os sólidos minerais</p><p>(fixos), os compostos que produzem odor, etc..</p><p>Para além dos parâmetros utilizados para caracterizar fisicamente a</p><p>água, também existem outros que são utilizados para caracterizar</p><p>quimicamente a água que são: dureza, acidez, alcanidade,</p><p>condutibilidade eléctrica, os seguintes apectos:</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1.A cor de uma amostra de água está associada ao grau de redução de</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>31</p><p>intensidade que a luz sofre ao atravessá-la. Esta redução dá se por</p><p>a) Coagulação</p><p>b) Absorção de parte da radiação electromagnética</p><p>c) Cor elevada e turbidez baixa</p><p>d) Absorção e espalhamento</p><p>2. Um dos métodos tradicionais de remoção de cor de águas para</p><p>abastecimento público e residuárias industriais é</p><p>a) Coagulação</p><p>b) Absorção de parte da radiação electromagnética</p><p>c) Cor elevada e turbidez baixa</p><p>d) Absorção e espalhamento</p><p>3. No tratamento de águas para abastecimento, as dificuldades na</p><p>floculação ocorrem quando a água apresenta</p><p>a) Coagulação</p><p>b) Absorção de parte da radiação electromagnética</p><p>c) Cor elevada e turbidez baixa</p><p>d) Absorção e espalhamento</p><p>4. Turbidez de uma amostra de água é o grau de atenuação de</p><p>intensidade que um feixe de luz sofre ao atravessá-la. Esta redução se</p><p>dá por</p><p>a) Coagulação</p><p>b) Absorção de parte da radiação electromagnética</p><p>c) Cor elevada e turbidez baixa</p><p>d) Absorção e espalhamento</p><p>5. Os decantadores são utilizados para a remoção de</p><p>a) turbidez; b) cor ; c) temperatura; d) sabor</p><p>6. A água pura</p><p>a) produz sensação de odor e sabor nos sentidos humanos</p><p>b) produz sensação de sabor nos sentidos humanos</p><p>c) produz sensação de odor nos sentidos humanos</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>32</p><p>d) não produz sensação de odor nem sabor nos sentidos humanos</p><p>7. Em águas superficiais é mais comum a presença de</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>8. Os sólidos, sob o ponto de vista de tamanho, são classificados</p><p>apenas em sólidos</p><p>a) em suspensão e dissolvidos</p><p>b) em suspensão</p><p>c) dissolvidos</p><p>d) nenhuma das anteriores</p><p>9) As partículas com diâmetro médio superior a 1μ, são as mais fáceis</p><p>de serem separadas da água, e essas se designam se de sólidos</p><p>a) em suspensão e dissolvidos</p><p>b) em suspensão</p><p>c) dissolvidos</p><p>d) nenhuma das anteriores</p><p>10. A decomposição biológica da matéria orgânica, faz com que</p><p>a) a água não tenha odor</p><p>b) a água tenha odor</p><p>c) a água tenha temperaturas mais baixas</p><p>c) a água tenha temperaturas mais altas</p><p>Respostas: 1b);2a); 3c);4d); 5a); 6d); 7b); 8a); 9b); 10b.</p><p>Exercícios</p><p>1. Como que é feita a determinação da cor das águas?</p><p>2. O que entende por turbidez das águas?</p><p>3. Sobre a dureza da água, diferencie a dureza temporária da</p><p>dureza permanente?</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>33</p><p>4. Água pura não possui odor nem sabor. Comente a afirmação</p><p>5. De onde provem o odor que sentimos nas águas que correm</p><p>em certos recursos aquáticos?</p><p>UNIDADE Temática.2.2: Características Químicas das Águas Naturais</p><p>Introdução</p><p>Esta unidade temática vai tratar das características químicas das águas</p><p>naturais, em que cada característica será detalhada isoladamente.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Distinguir as características químicas das águas naturais</p><p>▪ Diferenciar das características químicas das águas naturais</p><p>▪ Explicar a importância do estudo das características químicas das águas</p><p>naturais</p><p>Desenvolvimento</p><p>2.2.1. Dureza</p><p>Definição</p><p>Dureza é um parâmetro característico da qualidade de águas de</p><p>abastecimento industrial e doméstico sendo que do ponto de vista da</p><p>potabilização são admitidos valores máximos relativamente altos,</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>34</p><p>típicos de águas duras ou muito duras.</p><p>Quase toda a dureza da água é provocada pela presença de sais de</p><p>cálcio e de magnésio (bicarbonatos, sulfatos, cloretos e nitratos)</p><p>encontrados em solução.</p><p>Assim, os principais íons causadores de dureza são cálcio e magnésio</p><p>tendo um papel secundário o zinco e o estrôncio. Algumas vezes,</p><p>alumínio e ferro férrico são considerados como contribuintes da</p><p>dureza. (ENI: 2015)</p><p>Classificação</p><p>A dureza total da água compõe-se de duas partes: dureza</p><p>temporária e dureza permanente.</p><p>A dureza é dita temporária, quando desaparece com o calor, e</p><p>permanente, quando não desaparece com o calor, ou seja, a dureza</p><p>permanente é aquela que não é removível com a fervura da água.</p><p>A dureza temporária é a resultante da combinação de íons de cálcio e</p><p>magnésio que podem se combinar com bicarbonatos e carbonatos</p><p>presentes.(Idem)</p><p>Características</p><p>Normalmente, reconhece-se que uma água é mais dura ou menos</p><p>dura, pela maior ou menor facilidade que se tem de obter, com ela,</p><p>espuma de sabão.</p><p>As águas duras caracterizam-se, pois, por exigirem consideráveis</p><p>quantidades de sabão para produzir espuma, e esta característica já</p><p>foi, no passado, um parâmetro de definição, ou seja, a dureza de uma</p><p>água era considerada como uma medida de sua capacidade de</p><p>precipitar sabão.</p><p>O carácter das águas duras foi, por muito tempo, para o cidadão</p><p>comum o aspecto mais importante por causa das dificuldades de</p><p>limpeza de roupas e utensílios.</p><p>Com o surgimento e a determinação dos detergentes sintéticos</p><p>ocorreu também a diminuição os problemas de limpeza doméstica por</p><p>causa da dureza.</p><p>Também durante a fervura da água os carbonatos precipitam-se. Este</p><p>fenômeno prejudica o cozimento dos alimentos, provoca "encardido"</p><p>em panelas e é potencialmente perigoso para o funcionamento de</p><p>caldeiras ou outros equipamentos que trabalhem ou funcionem com</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>35</p><p>vapor de água, podendo provocar explosões desastrosas.</p><p>Assim pode-se resumir que uma água dura provoca uma série de</p><p>inconvenientes:</p><p>• é desagradável ao paladar;</p><p>• gasta muito sabão para formar espuma;</p><p>• dá lugar a depósitos perigosos nas caldeiras e aquecedores;</p><p>• deposita sais em equipamentos;</p><p>• mancha louças.</p><p>(ENI: 2015)</p><p>Tolerância</p><p>A despeito do sabor desagradável que referidos níveis podem suscitar</p><p>elas não causam problemas fisiológicos. No Brasil, o valor máximo</p><p>permissível de dureza total fixado pelo padrão de potabilidade, ora em</p><p>vigor, é de 500mgCaCO3/L.</p><p>Teores de dureza inferiores a 50ppm não implicam em que a água seja</p><p>considerada dura. Teores de 50 a 150 não incomodam para efeitos de</p><p>ingestão, mas acima de 100ppm provocam prejuízos sensíveis em</p><p>trabalhos que envolvam o uso da água com sabão e originam</p><p>precipitações com incrustações anti-estéticas e até potencialmente</p><p>perigosas em superfícies sujeitas a aquecimentos.</p><p>Em geral a redução da dureza para concentrações inferiores a 100ppm</p><p>só é economicamente viável para fins industriais, onde o produto final</p><p>ou os equipamentos dependem de água de melhor grau de pureza.</p><p>Correcção</p><p>Para a remoção de dureza da água, são tradicionais dois processos: o</p><p>da cal-soda e dos zeólitos.</p><p>Nas últimas décadas tem ganhado muita divulgação e emprego, o</p><p>da osmose inversa, principalmente em região, onde há extrema</p><p>carência de água e as poucas fontes disponíveis são, sejam</p><p>subterrâneas ou superficiais, na maioria de águas salobras .</p><p>Os zeólitos têm a propriedade de trocar o sódio, que entra na sua</p><p>composição, pelo cálcio ou magnésio dos sais presentes na água,</p><p>acabando, assim com a dureza da mesma.</p><p>Com a continuação do</p><p>tratamento, eles se saturam, esgotando sua</p><p>capacidade de remoção de dureza, porém podem ser recuperados</p><p>para a função através de um processo utilizando sal de cozinha</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>36</p><p>(cloreto de sódio).</p><p>A Osmose Inversa é obtida através da aplicação mecânica de uma</p><p>pressão superior à Pressão Osmótica do lado da solução mais</p><p>concentrada. Essa tecnologia foi desenvolvida na década de 60, para a</p><p>produção de água ultrapura, a ser utilizada em processos industriais, a</p><p>partir de meados da década seguinte, surgindo, assim,</p><p>comercialmente, a primeira geração de membranas.</p><p>As suas principais vantagens foram a redução da necessidade de</p><p>regeneração dos leitos de troca iónica e de consumo de resina, além</p><p>de significativas reduções de despesas na operação e manutenção</p><p>destes leitos.</p><p>OBS: A osmose é um fenómeno natural físico-químico. Quando duas</p><p>soluções, com diferentes concentrações, são colocadas em um mesmo</p><p>recipiente separado por uma membrana semi-permeável, onde ocorre</p><p>naturalmente a passagem do solvente da solução mais diluída para a</p><p>solução mais concentrada, até que se encontre o equilíbrio.</p><p>Neste ponto a coluna de solução mais concentrada estará acima da</p><p>coluna da solução mais diluída. A esta diferença entre colunas de</p><p>solução se denomina Pressão Osmótica. É o fenómeno fatal que</p><p>ocorre com as bactérias quando usamos cloreto de sódio para</p><p>conservação de certos produtos de origem animal. (ENI: 2015)</p><p>2.2.2. Acidez</p><p>Quimicamente acidez é a capacidade de neutralização de soluções</p><p>alcalinas, ou seja, é a capacidade da água em resistir às mudanças de</p><p>pH em função da introdução de bases. Em geral acidez está associada</p><p>a presença de CO2 livre.</p><p>A presença de ácidos orgânicos é mais comum em águas superficiais,</p><p>enquanto nas águas subterrâneas é menos frequente a ocorrência de</p><p>ácidos em geral. Em algumas ocasiões as águas subterrâneas poderão</p><p>conter ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos.</p><p>Acidez, pH e alcalinidade estão intimamente interrelacionados. De um</p><p>modo geral o teor acentuado de acidez pode ter origem na</p><p>decomposição da matéria orgânica, na presença de gás sulfídrico, na</p><p>introdução de despejos industriais ou passagens da água por áreas de</p><p>mineração.</p><p>Do ponto de vista de águas de abastecimento ou mesmo sanitário, a</p><p>acidez tem pouco importância. No campo do abastecimento de água o</p><p>pH intervém na coagulação química, controle da corrosão,</p><p>abrandamento e desinfecção.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>37</p><p>Águas com baixos valores de pH tendem a ser agressivas para</p><p>instalações metálicas. O padrão de potabilidade em vigor no Brasil,</p><p>preconiza uma faixa de pH entre 6,5 e 8,5. Normalmente a água</p><p>apresenta-se boa para ingestão para pH na faixa de 5,5 a 8,0, sob a</p><p>análise desta característica. (Húo: 2009)</p><p>2.2.3. Alcalinidade</p><p>Quimicamente definindo alcalinidade é a propriedade inversa da</p><p>acidez, ou seja, é a capacidade de neutralização de ácidos.</p><p>Em geral a presença de alcalinidade leva a pH para valores superiores</p><p>a 7,0, porém pH inferiores (acima de 4) não significa que não hajam</p><p>substâncias alcalinas dissolvidas no meio aquoso.</p><p>Os principais constituintes da alcalinidade são os bicarbonatos (HCO3</p><p>-</p><p>), os carbonatos (CO3</p><p>2- ) e os hidróxidos (OH - ), cujas formas são</p><p>função do pH.</p><p>Para pH superiores a 9,4 tem-se dureza de carbonatos e</p><p>predominantemente de hidróxidos. Entre pH de 8,3 e 9,4,</p><p>predominam os carbonatos e ausência de hidroxilas. Para pH inferires</p><p>a 8,3 e acima de 4.4 ocorre apenas dureza de bicarbonato. Abaixo de</p><p>4,4 não ocorre alcalinidade.</p><p>De um modo geral as alterações de alcalinidade têm origem na</p><p>decomposição de rochas em contacto com a água, reacções</p><p>envolvendo o CO2 de origem atmosférica e da oxidação de matéria</p><p>orgânica, além da introdução de despejos industriais. (Húo: 2009)</p><p>2.2.4. Sólidos</p><p>A água com excessivo teor de sólidos em suspensão ou minerais</p><p>dissolvidos tem sua utilidade limitada.</p><p>Uma água com presença de 500ppm de sólidos dissolvidos,</p><p>geralmente, ainda é viável para uso doméstico, mas provavelmente</p><p>inadequada para utilização em muitos processos industriais.</p><p>Água com teor de sólidos superiores a 1000ppm torna-se inadequada</p><p>para consumo humano e possivelmente será corrosiva e até abrasiva.</p><p>De um modo geral todas as impurezas presentes na água, com</p><p>excepção dos gases dissolvidos, têm sua origem nos sólidos</p><p>incorporados ao seu meio. São caracterizadas como sólidos todas as</p><p>partículas presentes em suspensão ou em solução, sedimentáveis ou</p><p>não, orgânicas ou minerais.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>38</p><p>A determinação da quantidade total de sólidos presentes em uma</p><p>amostra é chamada de sólidos totais. A separação dos tipos de sólidos</p><p>presentes na mistura é feita em laboratório e classificada da seguinte</p><p>maneira :</p><p>• Totais - massa sólida obtida com a evaporação da parte líquida</p><p>da amostra a 103o a 105o C, em mg/l;</p><p>• Minerais ou Fixos - resíduos sólidos retidos após calcinação dos</p><p>sólidos totais a 500o C, em mg/l;</p><p>• Orgânicos ou Voláteis - parcela dos sólidos totais volatilizada</p><p>no processo de calcinação, em mg/l;</p><p>• Em Suspensão ou Filtráveis e Não-filtráveis - quantidade de</p><p>sólidos determinada com a secagem do material retirado por</p><p>filtração da amostra, através de micromalha, de 0,45 m</p><p>(mícron ou micrômetro), em mg/l;</p><p>• Coloidais - fração dos sólidos, composta de partículas com</p><p>diâmetros equivalentes da ordem de 10-3 a 0,45 m;</p><p>• Dissolvidos - fração dos sólidos, composta de partículas com</p><p>diâmetros equivalentes inferiores a 10-3 m.</p><p>Para se ter uma idéia destas dimensões, as bactérias têm seu tamanho</p><p>entre 0,5 e 5,0 m e o olho nu só é capaz de visualizar a partir da</p><p>dimensão de 100 mícrons ou 0,1 milímetro. (Húo: 2009)</p><p>2.2.5. Cloretos</p><p>A presença de cloretos na água é resultante da dissolução de sais com</p><p>íons Cl -, por exemplo de cloreto de sódio. É característica da água do</p><p>mar, cujo teor se aproxima dos 20000ppm, entre eles o mais presente</p><p>é o cloreto de sódio (ClNa) com cerca de 70% deste teor.</p><p>A água de chuva, por exemplo, tem presença insignificante de cloretos</p><p>(menos de 1%), exceto em regiões próximas ao litoral.</p><p>De um modo geral a presença de cloretos têm origem na dissolução de</p><p>minerais, contato com áreas de sal, mistura com a água do mar e</p><p>introdução de águas residuárias domésticos ou industriais.</p><p>Em termos de consumo suas limitações estão no sabor e para outros</p><p>usos domésticos e para processos industriais.</p><p>Águas com teores menores que 250ppm de cloretos é satisfatória para</p><p>serviços de abastecimento doméstico (o ideal seria menor que</p><p>150ppm).</p><p>Concentrações superiores a 500 ppm implicam em sabor característico</p><p>e desagradável. Para consumo de animais esta concentração pode</p><p>chegar até 4000ppm. (ENI: 2015)</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>39</p><p>2.2.6. Condutividade eléctrica</p><p>A água pura é um meio isolante, porém sua capacidade de solvência</p><p>das substâncias, principalmente de sais, faz com que as águas naturais</p><p>tenham, em geral, alto poder de condutividade elétrica. Esta</p><p>condutividade depende do tipo de mineral dissolvido bem como da</p><p>sua concentração. O aumento da temperatura também eleva a</p><p>condutividade. (Húo: 2009)</p><p>2.2.7. Elementos e compostos químicos especiais</p><p>Ferro</p><p>Presente numa grande quantidade de tipos solos, é um dos elementos</p><p>químicos mais frequentemente encontrado nas águas naturais.</p><p>O ferro presente na água pode ser adquirido nas próprias fontes e</p><p>instalações de captação ou de adução através da corrosão das</p><p>superfícies metálicas ou mesmo de despejos industriais.</p><p>Na ausência de oxigénio dissolvido como nos caso de águas</p><p>subterrâneas e de fundos de lagos,</p><p>seus íons se apresentam na forma</p><p>solúvel (Fe2+). Exposto ao oxigénio livre sofre oxidação e torna-se</p><p>insolúvel na forma (Fe3+), o que pode acontecer até na saída da</p><p>torneira, colorindo a água, manchando superfícies claras e roupas.</p><p>Uma possível remoção pode ser efectuada através da aeração da</p><p>massa de água que contém os íons ferrosos, forçando sua precipitação</p><p>como óxido ou hidróxido férricos (ferrugem).</p><p>Por ser uma substância que afecta qualitativamente o desempenho de</p><p>algumas actividades domésticas como também alguns produtos</p><p>industrializados, é de suma importância que seu teor seja quantificado</p><p>nas águas de abastecimento público.</p><p>Concentrações superiores a 0,5ppm provocam manchas em louças e</p><p>roupas nos processos de lavagens.</p><p>Actividades que envolvam tingimentos, tais como fábricas de tecidos</p><p>ou artigos destes, não podem trabalhar com águas com teores</p><p>superiores a 0,1ppm de ferro insolúvel (Fe3+). (ENI: 2015)</p><p>Manganês</p><p>Este cátion oxidado e insolúvel (Mn4+ ) tem um comportamento</p><p>semelhante ao do ferro, porém sua presença em águas naturais é</p><p>sensivelmente menos intensa. Na sua forma solúvel é é Mn2+.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>40</p><p>2 3</p><p>Sódio</p><p>É o elemento característico da água do mar, com uma concentração</p><p>média de 10000ppm. Sua presença nos mananciais de águas utilizáveis</p><p>para abastecimento público provoca elevação da alcalinidade.</p><p>Flúor</p><p>Teores de flúor entre 0,5 e 1,0ppm são benéficos na formação dos</p><p>dentes das crianças, sendo por isso, indicado no tratamento</p><p>preventivo contra o aparecimento de cáries.</p><p>Concentrações superiores a 1,5ppm provocam manchas permanentes</p><p>no esmalte dos dentes e além de 4,0ppm possivelmente prejudicam a</p><p>resistência dos mesmos, além de ser perigoso para os ossos em geral,</p><p>podendo provocar defeitos orgânicos permanentes nos fetos. Este</p><p>problema é conhecido como fluorose.</p><p>Nitratos</p><p>O nitrogénio pode ser encontrado de várias formas e estados de</p><p>oxidação no meio aquático: molecular (N2), orgânico, amónia (NH4),</p><p>nitrito (NO - ) e nitrato (NO - ).</p><p>Elemento indispensável ao desenvolvimento das algas, concentrações</p><p>elevadas de nitrogénio principalmente em águas paradas ou de</p><p>deslocamento laminar, podem levar ao crescimento excessivo desses</p><p>organismos, no processo chamado de eutrofização.</p><p>O excesso de amónia provoca mortandade dos peixes e o processo de</p><p>oxidação desse composto em nitrito e em seguida em nitrato consome</p><p>oxigénio livre, afectando assim a vida aquática do manancial.</p><p>Constituinte de proteínas, clorofila e vários outros compostos</p><p>orgânicos, a presença de nitratos na água decorre da decomposição de</p><p>vegetais e de dejectos e corpos de animais mortos, de poluição com</p><p>fertilizantes e, principalmente da introdução de efluentes de esgotos</p><p>sanitários no manancial.</p><p>Águas com concentrações superiores a 45ppm são desaconselhadas</p><p>para uso doméstico pois a sua ingestão contínua pode provocar</p><p>a cianose ou doença do bebé azul, ou metahemoglobinemia,</p><p>principalmente nas crianças. (ENI: 2015)</p><p>Fósforos</p><p>O fósforo assim como o nitrogénio, é um nutriente essencial para o</p><p>crescimento dos microrganismos responsáveis pela</p><p>biodegradabilidade da matéria</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>41</p><p>4</p><p>orgânica e também para o crescimento de algas, o que pode favorecer</p><p>o aparecimento da eutrofização nos mananciais. Normalmente sua</p><p>presença nos mananciais tem origem em despejos domésticos e em</p><p>certos despejos industriais, embora também possa surgir da</p><p>dissolução de compostos do solo.</p><p>O fósforo presente nos esgotos domésticos (5 a 20mg/l) tem</p><p>procedência, principalmente, da urina dos contribuintes e do emprego</p><p>de detergentes usualmente utilizados nas tarefas de limpeza. Este</p><p>fósforo apresenta-se principalmente nas formas de ortofosfato, poli</p><p>ou pirofosfatos e fósforo orgânico.</p><p>Cerca de 80% do total é de fósforo inorgânico, 5 a 15mg/l (poli + orto),</p><p>enquanto que o orgânico varia de 1 a 5mg/l.</p><p>Nos esgotos domésticos de formação recente a forma predominante</p><p>de ortofosfato é HPO 2-, originada em sua maior parte da diluição de</p><p>detergentes e favorecido pela condição de pH em torno da</p><p>neutralidade. Porém sua predominância tende a ser acentuada a</p><p>medida que o esgoto vá envelhecendo, uma vez que os polifosfatos</p><p>(moléculas complexas com mais de um P e que precisam ser</p><p>hidrolisadas biologicamente) e os fósforos orgânicos (pouco</p><p>representativos) transformam-se, embora lentamente, em</p><p>ortofosfato, o que deve acontecer completamente até o final da</p><p>biodegradação, visto que é nesta forma que ele pode ser assimilado</p><p>directamente pelos microrganismos.</p><p>Assim sendo, a sua determinação é um parâmetro fundamental para</p><p>caracterização de águas residuárias brutas e tratadas, embora por si só</p><p>sua presença não seja um problema sanitário muito importante no</p><p>caso de águas de abastecimento.</p><p>Sulfatos</p><p>De origem similar a dos fosfatos, é um parâmetro mais importante no</p><p>estudo de projectos de redes colectoras e tratamentos de esgotos</p><p>sanitários.</p><p>Quantidades excessivas de sulfatos dão sabor amargo água e podem</p><p>ser laxativos, principalmente em novos consumidores. (ENI: 2015)</p><p>2.2.8. Gases dissolvidos mais comuns</p><p>Oxigénio livre</p><p>Vital para os organismos aeróbios presentes na água, o oxigénio livre</p><p>presente na água vem do contacto</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>42</p><p>desta com a atmosfera ou produzido por processos fotossintéticos.</p><p>Em condições normais de temperatura e pressão a água consegue</p><p>reter de 9 a 10ppm de oxigénio livre. Esta solubilidade decresce a</p><p>medida que a temperatura aumenta anulando-se na fase de ebulição.</p><p>A ausência de oxigénio na água fervida e depois resfriada lhe confere</p><p>um gosto levemente desagradável para a maioria dos paladares.</p><p>A presença de matéria orgânica em decomposição na água reduz a</p><p>concentração de O2 na água em repouso por causa do metabolismo</p><p>bacteriano. Por outro lado a sua introdução no na massa de água</p><p>favorece a precipitação de elementos químicos indesejáveis como, por</p><p>exemplo, o ferro. O oxigénio dissolvido é corrosivo, principalmente</p><p>para canalizações de ferro e aço, notadamente para menores faixas de</p><p>pH ou maiores condutividades eléctricas.</p><p>Dióxido de carbono</p><p>O teor de gás carbónico, que geralmente é mais intenso em áreas</p><p>cobertas com vegetação, é mais significativo em termos químicos na</p><p>captação de águas subterrâneas com presença de carbonatos e</p><p>bicarbonatos de cálcio.</p><p>Gás sulfídrico</p><p>Gás sulfídrico pode ser encontrado em águas subterrâneas, águas de</p><p>fundos de lagos ou represas profundas ou em superficiais poluídas</p><p>com esgoto e com deficiência de oxigénio dissolvido.</p><p>Nestas condições bactérias anaeróbias ou facultativas redutoras de</p><p>sulfatos produzem ácido sulfúrico que é corrosivo para uma grande</p><p>variedade de materiais. É um composto de intenso e desagradável</p><p>odor (fedor de ovo podre), bastando concentrações em torno de</p><p>0,5ppm para ser sentido. (ENI: 2015)</p><p>Sumário</p><p>Esta unidade temática tratou das características químicas das águas</p><p>naturais. Nelas se destacam dureza, acidez, alcanidade,</p><p>condutibilidade eléctrica, entre outras.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1. Nas águas subterrâneas é menos frequente a ocorrência de ácidos</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>43</p><p>em geral. Em algumas ocasiões as águas subterrâneas poderão conter</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>2. A capacidade de neutralização de ácidos, denomina se por</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>3. De um modo geral</p><p>todas as impurezas presentes na água, com</p><p>excepção dos gases dissolvidos, têm sua origem em</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>4. Quase toda a dureza da água é provocada pela presença de</p><p>a) sais de cálcio e de magnésio</p><p>b) dureza temporária</p><p>c) dureza permanente</p><p>d) dissolução de sais com íons Cl -</p><p>5. Assim, os principais íons causadores de dureza são</p><p>a) sais de cálcio e de magnésio</p><p>b) dureza temporária</p><p>c) dureza permanente</p><p>d) dissolução de sais com íons Cl</p><p>6. quando desaparece com o calor, a dureza tem a designação de</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>44</p><p>a) sais de cálcio e de magnésio</p><p>b) dureza temporária</p><p>c) dureza permanente</p><p>d) dissolução de sais com íons Cl</p><p>7. Quando não desaparece com o calor, a dureza toma o nome de</p><p>a) sais de cálcio e de magnésio</p><p>b) dureza temporária</p><p>c) dureza permanente</p><p>d) dissolução de sais com íons Cl</p><p>8. A presença de cloretos na água é resultante da</p><p>a) sais de cálcio e de magnésio</p><p>b) dureza temporária</p><p>c) dureza permanente</p><p>d) dissolução de sais com íons Cl</p><p>9. Água pura</p><p>a) conduz a corrente eléctrica</p><p>b) não conduz a corrente eléctrica</p><p>c) pode conduzir ou não a corrente eléctrica dependendo da</p><p>temperatura</p><p>d) pode conduzir ou não a corrente eléctrica dependendo do odor</p><p>10. A água não pura, que contém minerais dissolvidos,</p><p>Respostas: 1a); 2c); 3d; 4a); 5a); 6b); 7c); 8d); 9a); 10b)</p><p>Exercícios:</p><p>1. Os ácidos orgânicos nunca ocorrem em águas subterrâneas</p><p>senão em águas superficiais. Concorda com afirmação?</p><p>Justifique a sua resposta.</p><p>2. Defina a Alcanidade?</p><p>3. A água pura pode ou não conduzir a corrente eléctrica?</p><p>Justifique a sua resposta</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>45</p><p>4. Que diferença existe entre as águas subterrâneas e águas</p><p>superficiais, no que concerne ao teor de ácidos?</p><p>5. Que relação existe entre a condutibilidade eléctrica das águas e</p><p>a temperatura das águas?</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO DO TEMA 2</p><p>1. A água pura</p><p>a) produz sensação de odor e sabor nos sentidos humanos</p><p>b) produz sensação de sabor nos sentidos humanos</p><p>c) produz sensação de odor nos sentidos humanos</p><p>d) não produz sensação de odor nem sabor nos sentidos humanos</p><p>2. Em águas superficiais é mais comum a presença de</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>3. Os sólidos, sob o ponto de vista de tamanho, são classificados</p><p>apenas em sólidos</p><p>a) em suspensão e dissolvidos</p><p>b) em suspensão</p><p>c) dissolvidos</p><p>d) nenhuma das anteriores</p><p>4. As partículas com diâmetro médio superior a 1μ, são as mais fáceis</p><p>de serem separadas da água, e essas se designam se de sólidos</p><p>a) em suspensão e dissolvidos</p><p>b) em suspensão</p><p>c) dissolvidos</p><p>d) nenhuma das anteriores</p><p>5. A decomposição biológica da matéria orgânica, faz com que</p><p>a) a água não tenha odor</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>46</p><p>b) a água tenha odor</p><p>c) a água tenha temperaturas mais baixas</p><p>c) a água tenha temperaturas mais altas</p><p>6. Nas águas subterrâneas é menos frequente a ocorrência de ácidos</p><p>em geral. Em algumas ocasiões as águas subterrâneas poderão conter</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>7. A capacidade de neutralização de ácidos, denomina se por</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>8. De um modo geral todas as impurezas presentes na água, com</p><p>excepção dos gases dissolvidos, têm sua origem em</p><p>a) ácido sulfúrico derivado da presença de sulfetos metálicos</p><p>b) ácidos orgânicos</p><p>c) alcanidade</p><p>d) sólidos incorporados ao seu meio</p><p>9. Quase toda a dureza da água é provocada pela presença de</p><p>a) sais de cálcio e de magnésio</p><p>b) dureza temporária</p><p>c) dureza permanente</p><p>d) dissolução de sais com íons Cl -</p><p>10. Assim, os principais íons causadores de dureza são</p><p>a) sais de cálcio e de magnésio</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>47</p><p>b) dureza temporária</p><p>c) dureza permanente</p><p>d) dissolução de sais com íons Cl</p><p>Respostas: 1d); 2b); 3a); 4b); 5b. 6a); 7c); 8d; 9a); 10a)</p><p>TEMA – III: CICLO HIDROLÓGICO</p><p>UNIDADE Temática 3.1: Conceito do ciclo hidrológico e as suas diferentes fases</p><p>Introdução</p><p>Nesta unidade temática vai se tratar do ciclo hidrológico, em que</p><p>primeiramente será discutido o significado do ciclo hidrológico, e</p><p>depois serão demostradas as fases que constituem o ciclo hidrológico.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Definir o conceito “ciclo hidrológico”</p><p>▪ Conhecer as fases do ciclo hidrológico</p><p>▪ Conhecer importância do ciclo hidrológico para a manutenção da vida na</p><p>terra</p><p>Desenvolvimento</p><p>Faria (2006), define o ciclo hidrológico como sendo fenómeno global</p><p>de circulação fechada da água entre a superfície terrestre e a</p><p>atmosfera, impulsionado fundamentalmente pela energia solar</p><p>associada à gravidade e à rotação terrestre.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>48</p><p>Alguns cientistas afirmam que desde que a vida apareceu sobre a terra</p><p>a quantidade de água existente no planeta é praticamente mesma e</p><p>que ainda, 2/3 do planeta é coberto por água. Então, por que algumas</p><p>pessoas afirmam que a água está acabando?</p><p>A questão é que de facto a quantidade de água no planeta tem</p><p>permanecido praticamente inalterada desde que o mundo é o mundo</p><p>como o que se conhece hoje. O que mudou, foi apenas a forma como</p><p>essa água se encontra disponível e a sua utilização.</p><p>A água pode ser encontrada no planeta em três estados físicos: sólido,</p><p>líquido e gasoso. Durante o processo que chamamos de “Ciclo da</p><p>água” ou “Ciclo hidrológico” ela passa pelos estados líquido e gasoso</p><p>de forma que vai sempre se renovando à cada ciclo completo.</p><p>Em alguns lugares muito frios do planeta ela pode ser encontrada em</p><p>estado sólido (ex.: geleiras na Antártida), ou ainda, se solidificar depois</p><p>de cair na forma de chuva ou neve (pequenos flocos de água</p><p>solidificada) como, por exemplo, no pico de montanhas que</p><p>permanecem congelados durante o inverno e derretem parcialmente</p><p>no verão dando origem a rios como o Rio Tigre na Mesopotâmia que</p><p>nasce do derretimento de gelo em uma cadeia de montanhas: as</p><p>montanhas Taurus na Turquia.(Carvalho: 2006)</p><p>Quando a terra estava se formando a superfície do planeta era muito</p><p>quente e toda a água existente estava na forma de vapor. Podemos</p><p>dizer então, que o ciclo da água começou com um processo chamado</p><p>de condensação: a passagem do estado gasoso para o estado líquido.</p><p>Nesse caso, a água se condensou devido à diminuição de temperatura</p><p>ocorrida na superfície do planeta, que possibilitou que o vapor de</p><p>água passasse para o estado líquido.</p><p>Hoje em dia, isso acontece quando o vapor de água chega a certa</p><p>altura.</p><p>A temperatura cai e a água condensa, passando para o estado líquido</p><p>em pequenas gotículas que vão se juntando e movimentando por</p><p>causa da acção dos ventos e das correntes atmosféricas e formando as</p><p>nuvens. Por fim, elas caem na forma de chuva (precipitação).</p><p>Ao cair a água escorre para os rios, ou para lençóis subterrâneos e</p><p>depois para os rios e mares, oceanos e lagos. Então ela fica novamente</p><p>exposta à acção do sol que a esquenta transformando-a novamente</p><p>através do processo de evaporação: passagem do estado líquido para</p><p>o gasoso. (idem)</p><p>http://www.infoescola.com/quimica/estados-fisicos-da-materia/</p><p>http://www.infoescola.com/geologia/geleira/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/antartica-antartida/</p><p>http://www.infoescola.com/hidrografia/rio-tigre/</p><p>http://www.infoescola.com/historia/mesopotamia/</p><p>http://www.infoescola.com/quimica/vapor-dagua/</p><p>http://www.infoescola.com/quimica/vapor-dagua/</p><p>http://www.infoescola.com/fisico-quimica/evaporacao/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>49</p><p>Figura 1: Esquema detalhado mostrando o ciclo da água</p><p>Fonte: Faria (2006)</p><p>Figura 2: Esquema simplificado do cilclo Hidrológico</p><p>Fonte: Carvalho (2006)</p><p>Pode acontecer também da água da chuva ser absorvida pelas plantas.</p><p>Nesse caso ela irá evaporar por um processo conhecido</p><p>como evapotranspiração: transpiração + evaporação.</p><p>Todos esses processos ocorrem de forma natural há muitos milhares</p><p>de anos garantindo a distribuição da água por todo o globo. Mas esse</p><p>processo vem sendo alterado de forma muito rápida pela acção do</p><p>homem.</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/evapotranspiracao/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>50</p><p>A construção de barragens, usinas hidreléctricas e a poluição da</p><p>água afectam muito o ciclo hidrológico do planeta causando</p><p>transformações que podem ser prejudiciais. No caso de usinas</p><p>hidreléctricas muito grandes (como, por exemplo, a Usina de Três</p><p>Gargantas na China e Itaipu, entre o Brasil e Paraguai) a alteração se</p><p>dá na quantidade de água que passa a evaporar naquela região onde</p><p>se encontra o reservatório.</p><p>O processo de evaporação mais intenso no local pode alterar sua</p><p>temperatura e humidade, alterando consequentemente as correntes</p><p>atmosféricas que passam por ele e o microclima da região. Nesse caso,</p><p>a melhor saída tem sido a construção de PCH’s – Pequenas Centrais</p><p>Hidrelétricas – que tem um tamanho e um impacto reduzidos.</p><p>Entretanto, a maior inimiga das águas actualmente é a poluição.</p><p>Menos de 3% de toda a água presente no planeta é doce e se encontra</p><p>disponível para consumo humano e é essa parte que o homem está</p><p>poluindo. Normalmente o ciclo hidrológico conseguiria recuperar a</p><p>qualidade da água por si só.</p><p>Mas a quantidade de poluentes que se joga na água é tão grande que</p><p>isso não é mais possível ocasionando o transporte de poluentes pelas</p><p>chuvas fazendo com que eventos como a chuva ácida se tornem cada</p><p>vez mais comuns. (Faria: 2006)</p><p>A expressão abaixo constitui equação hidrológica, de acordo com</p><p>Carvalho(2006)</p><p>I - O = ∆S</p><p>I = (entradas) incluindo todo o escoamento superficial por meio de</p><p>canais e sobre a superfície do solo, o escoamento subterrâneo, ou</p><p>seja, a entrada de água através dos limites subterrâneos do volume de</p><p>controlo, devido ao movimento lateral da água do subsolo, e a</p><p>precipitação sobre a superfície do solo;</p><p>O = saídas de água do volume de controlo, devido ao escoamento</p><p>superficial, ao escoamento subterrâneo, à evaporação e à transpiração</p><p>das plantas; e</p><p>∆S = variação no armazenamento nas várias formas de retenção, no</p><p>volume de controlo.</p><p>Sumário</p><p>O ciclo hidrológico, ou ciclo da água, é o movimento contínuo da água</p><p>presente nos oceanos, continentes (superfície, solo e rocha) e na</p><p>atmosfera. Esse movimento é</p><p>http://www.infoescola.com/ecologia/poluicao-da-agua/</p><p>http://www.infoescola.com/ecologia/poluicao-da-agua/</p><p>http://www.infoescola.com/ecologia/poluicao-da-agua/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>51</p><p>alimentado pela força da gravidade e pela energia do Sol, que</p><p>provocam a evaporação das águas dos oceanos e dos continentes.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1. A quantidade de água no planeta Terra</p><p>a) Tem permanecido praticamente inalterada desde passado até aos</p><p>dias actuais</p><p>b) Tende a diminuir nos dias actuais</p><p>c) Tende a aumentar nos dias actuais</p><p>d) nenhuma das respostas anteriores</p><p>2. As águas existentes no estado sólido, como por exemplo</p><p>geleiras na Antártida (……………), devido as mudanças climáticas.</p><p>Preencha o espaço em branco, entre parenteses, com expressão</p><p>correcta das abaixo indicadas.</p><p>a) Tem permanecido praticamente inalterada desde passado até aos</p><p>dias actuais</p><p>b) Tende a diminuir nos dias actuais</p><p>c) Tende a aumentar nos dias actuais</p><p>d) nenhuma das respostas anteriores</p><p>3. Devido as mudanças climáticas, o nível das águas do mar</p><p>a) Tem permanecido praticamente inalterada desde passado até aos</p><p>dias actuais</p><p>b) Tende a diminuir nos dias actuais</p><p>c) Tende a aumentar nos dias actuais</p><p>d) nenhuma das respostas anteriores</p><p>4. A força de gravidade faz com que haja</p><p>a) condensação; b) evaporação; c) evapotranspiração; d)queda de</p><p>chuva</p><p>5. A passagem da água do estado líquido para o gasoso, tem o nome</p><p>de</p><p>a) condensação; b) evaporação; c) evapotranspiração; d)queda de</p><p>chuva</p><p>http://www.infoescola.com/geologia/geleira/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/antartica-antartida/</p><p>http://www.infoescola.com/fisico-quimica/evaporacao/</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/evapotranspiracao/</p><p>http://www.infoescola.com/fisico-quimica/evaporacao/</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/evapotranspiracao/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>52</p><p>6. A passagem da água do estado gasoso para o estado líquido, chama</p><p>se</p><p>a) condensação; b) evaporação; c) evapotranspiração; d)queda de</p><p>chuva</p><p>7. De toda a água doce presente no planeta a que se encontra</p><p>disponível para consumo humano é</p><p>a) menos de 3%; b) 40%; c) 50%; d) acima de 90%</p><p>8. Chuvas ácidas, resultam de:</p><p>a)Poluição excessiva do meio ambiente; b) transpiração das plantas e</p><p>animais; c) Aquecimento excessivo; d) queda de água no estado sólido.</p><p>9. A evaporação é a consequência imediata de</p><p>a)Poluição excessiva do meio ambiente; b) transpiração das plantas e</p><p>animais; c) Aquecimento excessivo; d) queda de água no estado sólido.</p><p>10. A água existente na atmosfera não provem apenas da evaporação,</p><p>mas também de:</p><p>a) Poluição excessiva do meio ambiente; b) transpiração das plantas e</p><p>animais; c) Aquecimento excessivo; d) queda de água no estado sólido.</p><p>Respostas: 1a); 2b); 3c); 4d); 5b); 6a); 7a);8a); 9c); 10 b)</p><p>Exercícios</p><p>1. O que entende por ciclo hidrológico?</p><p>2. Como surgem as chuvas ácidas?</p><p>3. Como que surgiu o rio Tigre na Mesopotâmia</p><p>4. O ciclo da água começou com um processo chamado de</p><p>condensação. Justifique a afirmação.</p><p>5. Defina a evapotranspiração?</p><p>http://www.infoescola.com/fisico-quimica/evaporacao/</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/evapotranspiracao/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>53</p><p>TEMA IV: ÁGUAS SUPERFICIAIS</p><p>UNIDADE Temática 4.1.Hidrografia dos oceanos</p><p>UNIDADE Temática 4.2. Hidrografia dos rios</p><p>UNIDADE Temática 4.3.Hidrografia dos lagos e pântanos</p><p>UNIDADE Temática 1.1.4.1. Hidrografia dos oceanos</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, nessa unidade temática será focalizado o estudo dos</p><p>oceanos.</p><p>O estudo das características de cada oceano será feito de uma forma</p><p>mais detalhada.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Conhecer os oceanos do nosso planeta</p><p>▪ Conhecer as características de cada oceano</p><p>▪ Distinguir um oceano do outro através das suas características</p><p>Desenvolvimento</p><p>4.1.1.Oceano Pacífico</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>54</p><p>Origem do nome Pacífico</p><p>O oceano foi baptizado em 1520 na expedição de Fernão de</p><p>Magalhães e recebeu o nome de Pacífico por este ser mais calmo,</p><p>quando comparado com o tempestuoso Oceano Atlântico. Esta</p><p>comparação foi feita quando Fernão de Magalhães e os seus</p><p>companheiros de navegação transpuseram o Estreito de Magalhães,</p><p>uma passagem entre os dois oceanos já citados.</p><p>O Oceano Pacífico é a maior e mais antiga massa marítima do planeta.</p><p>Com 180 milhões de km², o Pacífico cobre quase um terço da</p><p>superfície do globo e corresponde a quase</p><p>metade da superfície e do</p><p>volume dos oceanos. O Oceano Pacífico é o oceano com maior</p><p>profundidade média (4.280 m) e onde estão localizadas as maiores</p><p>fossas submarinas (fossa das Marianas, com aproximadamente 11.500</p><p>metros m).</p><p>O Pacífico está localizado a oeste da América, a leste da Austrália e da</p><p>Ásia, e ao sul da Antártida. É no Oceano Pacífico que se encontra a</p><p>região mais afastada da civilização, a Ilha de Páscoa que pertence ao</p><p>Chile e está a aproximadamente 3.600 km distante do local habitado</p><p>mais próximo.</p><p>Uma das principais características do oceano é o seu grande número</p><p>de ilhas, possui aproximadamente 25.000. O conjunto dessas ilhas</p><p>recebe o nome de Micronésia (pequenas ilhas) ou Polinésia (muitas</p><p>ilhas).</p><p>O Pacífico também é caracterizado pela sua intensa actividade</p><p>vulcânica. Isso acontece pelo facto do oceano estar totalmente</p><p>contido em uma placa tectónica, denominada “Placa do Pacífico”.</p><p>O Pacífico recebe pouca influência de massas de ar continentais.</p><p>Devido a sua extensão, nele existem cinco zonas ou regiões climáticas</p><p>diferentes, ocasionando temperaturas bastante diferentes em cada</p><p>uma dessas regiões.</p><p>O oceano engloba as regiões marítimas: Oceano Glacial Antártico, Mar</p><p>de Bering, Mar de Olchotsk, Mar do Japão, Mar da China Oriental, Mar</p><p>da China Meridional, Mar de Java, Mar de Arafura, Mar de Corais, Mar</p><p>de Taemfinia, Mar de Sonda e Golfo da Califórnia. (Faria: 2015)</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>55</p><p>Figura1: oceano Oceano Pacífico</p><p>Escola Britânica (2015)</p><p>Características</p><p>O oceano Pacífico tem a América a leste e aÁsia e a Austrália a oeste,</p><p>com todas as ilhas da Oceania espalhadas principalmente por toda a</p><p>parte centro-oeste de sua extensão. No sentido norte-sul, o Pacífico</p><p>estende-se do oceano Ártico até a ampla costa da Antártica. Sua área</p><p>é de mais de 165 milhões de quilómetros quadrados.</p><p>O ponto mais profundo do Pacífico — e de todo o planeta Terra — é a</p><p>fossa das Marianas, perto das ilhas Marianas. A 11.034 metros, sua</p><p>profundidade é muito maior do que a altura da montanha mais</p><p>elevada da Terra, o monte Everest.</p><p>Sob a maior parte do oceano Pacífico existe a enorme placa Pacífica.</p><p>Uma placa é uma parte rígida da crosta da Terra que se move</p><p>lentamente em direcção a outras placas. Várias outras placas cercam a</p><p>placa Pacífica. Quando elas se chocam umas com as outras, ocorrem</p><p>muitos terremotos e vulcões entram em erupção. A cadeia de vulcões</p><p>em torno das margens do oceano é chamada Anel de Fogo do Pacífico.</p><p>Muitas ilhas grandes ficam no oeste do Pacífico, a exemplo dos</p><p>arquipélagos do Japão, das Filipinas, da Indonésia e da Nova Zelândia.</p><p>Ilhas menores se espalham pela grande área chamada Oceânia, no</p><p>centro e no oeste do Pacífico. Vulcões formaram algumas dessas ilhas,</p><p>como o Havaí, um estado americano; outras delas são compostas</p><p>de corais.</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/480680/Asia</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/480708/Australia</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482088/Oceania</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/480651/oceano-Artico</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/480619/Antartica</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/483369/ilhas-Marianas-do-Norte</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/481254/monte-Everest</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/481188/terremoto</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482816/vulcao</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482371/Anel-de-Fogo-do-Pacifico</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/481607/Japao</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482202/Filipinas</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/481564/Indonesia</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482038/Nova-Zelandia</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/481053/coral</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>56</p><p>Correntes e Clima</p><p>Os ventos fazem a água perto da superfície do oceano formar padrões</p><p>chamados correntes. No norte do Pacífico, a corrente principal se</p><p>move em sentido horário. A principal corrente do sul do Pacífico tem</p><p>sentido anti-horário. Isso significa que, nos extremos norte e sul, a</p><p>maioria dos ventos e das correntes são no sentido leste, ao passo que</p><p>perto do equador eles seguem para o oeste.</p><p>Ventos e correntes oceânicas afectam o clima da Terra. A Kuroshio, ou</p><p>corrente do Japão, por exemplo, leva clima quente para o norte até o</p><p>Japão e depois para o leste, até as costas do Alasca (EUA) e do Canadá.</p><p>Às vezes, a junção do calor e do vapor (gás) da água cria grandes</p><p>tempestades circulares, com ventanias destrutivas e temporais que</p><p>causam inundações. Esse tipo de tempestade é conhecido como tufão.</p><p>Mais comuns em áreas quentes no oeste do Pacífico, os tufões são</p><p>semelhantes aos furacões que se formam no oceano Atlântico.</p><p>Exploração</p><p>Pessoas vindas do sudeste da Ásia foram se instalando nas ilhas do</p><p>Pacífico a partir de cerca de 3 mil a 4 mil anos atrás. Ao que consta, os</p><p>primeiros europeus a ver o oceano Pacífico foram exploradores</p><p>espanhóis liderados por Vasco Núñez de Balboa.</p><p>Foi do Panamá que Balboa avistou o oceano em 1513. O navegante</p><p>português Fernão de Magalhães entrou no Pacífico pelo sul, em 1520.</p><p>Após os espanhóis e os portugueses, sucederam-se exploradores</p><p>holandeses, franceses e britânicos.</p><p>O capitão britânico James Cook explorou as ilhas do sul do Pacífico no</p><p>século XVIII. Depois que ele morreu, em 1779, restaram poucas ilhas a</p><p>ser descobertas em volta do mundo.</p><p>Riquezas e problemas</p><p>O oceano Pacífico tem recursos minerais abundantes. Sal, bromo e</p><p>magnésio são extraídos de suas águas. Areia, pedregulhos e fosfato</p><p>são retirados do fundo do mar. O oceano também tem uma rica</p><p>variedade de peixes e outras formas de vida marinha. Os navios que</p><p>viajam pelo Pacífico transportam mercadorias entre vários países.</p><p>A forma como as pessoas vêm convivendo com essas riquezas, no</p><p>entanto, tem provocado problemas ambientais.</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482864/vento</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/480890/Canada</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482589/tempestade</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/480698/oceano-Atlantico</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/480725/Vasco-Nunez-de-Balboa</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482150/Panama</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/481049/James-Cook</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>57</p><p>O óleo que vaza de navios causa grandes problemas em áreas</p><p>costeiras. Além disso, a pesca excessiva vem reduzindo muito o</p><p>número de certos tipos de peixes e de outros animais marinhos no</p><p>Pacífico. Principalmente perto das costas das cidades grandes e dos</p><p>portos, são despejadas imensas quantidades de resíduos industriais,</p><p>esgotos, fertilizantes e pesticidas. Eles poluem as águas e matam</p><p>animais e plantas marinhas, ameaçando a qualidade da vida no</p><p>planeta. (Faria: 2015).</p><p>4.1.2. OCEANO ATLÂNTICO</p><p>Via natural de contacto entre a Europa, a África e a América desde o</p><p>século XVI, o Atlântico se estende no sentido norte-sul entre os</p><p>oceanos Glacial Ártico e Antártico, banhando as costas ocidentais da</p><p>Europa e da África e orientais da América.</p><p>O oceano Atlântico é o segundo oceano do mundo em extensão, com</p><p>uma superfície de 106.460.000km2, o que corresponde à quinta parte</p><p>da superfície da Terra. Inclui os seguintes mares periféricos: a leste,</p><p>mar Báltico, mar do Norte e mar Mediterrâneo; a oeste, as baías de</p><p>Baffin, de Hudson, os golfos do México e de São Lourenço e o mar do</p><p>Caribe.</p><p>Esse oceano, cujo nome deriva do gigante Atlas, personagem da</p><p>mitologia grega, tem o formato de um grande S, com 16.000km de</p><p>comprimento na direcção norte-sul; profundidade média de 3.330m; e</p><p>largura que varia de 2.800km, entre o cabo de Palmas, na costa da</p><p>Libéria, e o de São Roque, no litoral do Brasil, até 8.000km, entre a</p><p>Flórida, nos Estados</p><p>Unidos, e o noroeste da África.</p><p>O Atlântico recebe as águas de vários dos principais rios do mundo: o</p><p>São Lourenço, o Mississippi, o Orenoco, o Amazonas, o rio da Prata, o</p><p>Congo, o Níger, o Loire, o Reno e o Elba.</p><p>Com 35g de sal para cada mil de água, tem salinidade média superior</p><p>ao dos demais oceanos. Esse índice cai para 31 ou 32g/mil gramas de</p><p>água na desembocadura dos grandes rios, ao longo das plataformas</p><p>continentais e nas zonas de contacto com as massas de água polares.</p><p>No centro do Atlântico, entre os 12 e 28 graus de latitude de ambos os</p><p>hemisférios, os índices de salinidade alcançam níveis elevados, em</p><p>torno de 37g/mil gramas de água.</p><p>Para os brasileiros o Atlântico tem uma importância especial, pois o</p><p>Brasil possui extensa costa (cerca de 9.000km), por meio da qual tem</p><p>recebido influências étnicas e culturais e mantém-se em contacto com</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/482247/poluicao</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>58</p><p>o resto do mundo, em particular no campo comercial.</p><p>Morfologia</p><p>O Atlântico é o mais jovem dos grandes oceanos, uma vez que a</p><p>comunicação entre as duas regiões polares só se estabeleceu durante</p><p>o período terciário, como consequência da expansão do leito oceânico</p><p>e da deriva continental. O fundo do oceano compreende várias</p><p>unidades morfológicas:</p><p>Dorsal médio-atlântica. A região central do Atlântico é percorrida de</p><p>norte a sul por uma linha de cordilheiras, vulcões e planaltos</p><p>denominada dorsal médio-atlântica ou mediana.</p><p>A região tem profundidade média de 1.500 a 3.000m e é constituída</p><p>pela dorsal mediana, que se estende do norte da Islândia até a linha</p><p>do equador, e pela dorsal do Atlântico Sul, separada da anterior pelo</p><p>estreito de Romanche e pontilhada de ilhas (Ascensão, Santa Helena e</p><p>Tristão da Cunha, entre outras).</p><p>Bacias. A dorsal médio-atlântica divide o oceano em várias regiões de</p><p>grande profundidade (3.660 a 5.500m), denominadas bacias ou</p><p>depressões, limitadas pelas chamadas soleiras ou elevações</p><p>alongadas. Algumas dessas bacias, sobretudo as orientais, são</p><p>montanhosas (européia ocidental, Cabo Verde e Guiné), enquanto as</p><p>situadas no Atlântico ocidental são planas e recobertas com uma fina</p><p>capa sedimentar, que descansa sobre o sima (camada interior da</p><p>crosta terrestre).</p><p>Regiões atlânticas. A divisão regional do oceano Atlântico é feita a</p><p>partir da linha média do equador e das zonas de comunicação com os</p><p>oceanos Ártico, Antártico e mares periféricos.</p><p>Atlântico norte. O Atlântico setentrional se estende entre 10o de</p><p>latitude norte e o oceano Ártico. Do ponto de vista topográfico, uma</p><p>cordilheira dorsal em forma de crista separa longitudinalmente duas</p><p>depressões, acidentadas por platôs e fossas.</p><p>Na região ocidental situa-se a fossa de Porto Rico, com 8.381m de</p><p>profundidade, e o planalto das Bermudas; na região oriental</p><p>destacam-se a bacia e o planalto de Cabo Verde.</p><p>Ao norte do paralelo 50o, a dorsal médio-atlântica dá lugar a uma</p><p>ampla plataforma continental que serve de base a vários mares</p><p>secundários (mar da Terra Nova, mar do Norte, mar da Irlanda e o</p><p>canal da Mancha). Nas costas mais setentrionais se prolongam mar</p><p>adentro os vales fluviais (vale do Hudson), cujos sedimentos</p><p>constituem o solo da plataforma continental.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>59</p><p>A circulação atmosférica do Atlântico norte é regida essencialmente</p><p>por dois centros de altas pressões: o anticiclone subtropical e o</p><p>anticiclone continental americano. Entre os ventos dominantes</p><p>destacam-se os alísios no sector meridional, os ciclones sazonais do</p><p>Caribe, os tornados africanos e, na zona setentrional, os ventos do</p><p>oeste que varrem as costas europeias.</p><p>As diferenças climáticas dessas regiões se devem não somente à</p><p>latitude, mas também à orientação das massas de ar. Os ventos</p><p>húmidos do oeste são responsáveis pelas temperaturas moderadas e</p><p>precipitações abundantes na vertente européia; já na costa africana a</p><p>predominância dos alísios, ventos muito secos, causa maior escassez</p><p>de chuvas.</p><p>Na parte ocidental, a corrente fria do Labrador provoca quedas nas</p><p>temperaturas até zonas de latitudes médias. As precipitações pluviais</p><p>são inferiores a 500mm ao norte do paralelo 62o.</p><p>Outras características da região ocidental são a abundância de</p><p>nevoeiros na Terra Nova e os ciclones tropicais de Setembro, de raio</p><p>curto e muito violentos; os fortes ventos e as chuvas, que podem</p><p>alcançar 500mm em 24 horas, produzindo efeitos catastróficos nas</p><p>zonas setentrionais do mar do Caribe.</p><p>A temperatura da água é mais elevada no sector oriental, devido à</p><p>influência da corrente marinha do golfo do México, que constitui o</p><p>fluxo de água mais importante do Atlântico norte. Essa corrente tem</p><p>origem no mar do Caribe e no golfo do México e segue para o norte</p><p>pelo estreito da Flórida até o paralelo 30o N e depois muda de direção,</p><p>seguindo os ventos do oeste até alcançar as costas européias.</p><p>A essa corrente quente unem-se outras duas correntes frias</p><p>procedentes do norte, a do Labrador e a da Groenlândia. As águas</p><p>dessas correntes se misturam ao sul da Terra Nova, onde surge uma</p><p>grande quantidade de plâncton, que serve de alimento para as</p><p>espécies que habitam os riquíssimos pesqueiros da zona (arenque,</p><p>bacalhau, cavala, sávio).</p><p>Além dessa região, são também zonas pesqueiras importantes as da</p><p>costa européia: Irlanda, Bretanha, golfo de Biscaia, Galícia e Portugal</p><p>(merluza, atum, sardinha, linguado, mariscos).</p><p>Atlântico central ou equatorial. Zona de ligação e divisão entre as duas</p><p>grandes massas oceânicas do norte e do sul, o Atlântico equatorial</p><p>caracteriza-se morfologicamente pelo afundamento da dorsal médio-</p><p>atlântica e pela presença de um fundo muito irregular, onde se</p><p>combinam cristas situadas a menos de três mil metros de</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>60</p><p>profundidade e fossas com mais de sete mil metros (fossa de</p><p>Romanche, 7.758 m).</p><p>Essa topografia complexa expressa a ação de forças eruptivas e</p><p>sísmicas que intervieram em sua formação. É muito conhecida a região</p><p>sísmica denominada zona Daussy, que se estende para ambos os lados</p><p>da linha do equador, entre 15o e 35o de longitude oeste.</p><p>Sobre o Atlântico equatorial se encontra um núcleo de baixas pressões</p><p>permanentes, que produz elevado nível de precipitação, com mais de</p><p>2.000mm anuais; a intensa e contínua insolação determina a</p><p>isotermalidade do clima dessa região, com temperaturas médias</p><p>constantes de 25o C. A temperatura da água, muito elevada, passa de</p><p>24o C, chegando a superar 28o C, próximo ao golfo da Guiné.</p><p>Atlântico sul. Entre o equador e 35o de latitude sul, o Atlântico</p><p>meridional caracteriza-se por não possuir em suas margens nenhum</p><p>mar secundário, devido ao recorte modesto das costas da África e da</p><p>América do Sul.</p><p>O relevo submarino apresenta uma plataforma litoral muito estreita,</p><p>com exceção da zona situada ao Sul do estuário do Prata, de onde se</p><p>estende a vasta planície da Patagônia.</p><p>O talude da plataforma apresenta escarpas abruptas, de modo que as</p><p>grandes profundidades não se localizam no centro do oceano, e sim a</p><p>pouca distância da costa.</p><p>A oeste da Dorsal do Atlântico Sul encontram-se as bacias do Brasil e</p><p>da Argentina, com profundidades superiores a cinco mil metros,</p><p>separadas pelo planalto do Rio Grande; a leste situam-se as bacias da</p><p>Guiné, de Angola e do Cabo.</p><p>A circulação atmosférica nessa região apresenta dois centros de ação:</p><p>o das baixas pressões equatoriais, até 7o de latitude sul, e o anticiclone</p><p>subtropical do hemisfério sul, até 36o sul, região dominada pelos</p><p>ventos alísios.</p><p>No entanto, existem grandes diferenças entre a costa ocidental</p><p>africana, cujo clima tropical desértico se deve à presença de uma</p><p>corrente marinha fria (corrente de Bengala),</p><p>e o sector americano,</p><p>correspondente às costas dos pampas argentinos e do Uruguai, que</p><p>possuem clima temperado, com verões quentes e húmidos.</p><p>A temperatura da água reflecte a da atmosfera: na vertente oriental</p><p>oscila entre 20o C no verão e 12o C no inverno, enquanto na costa</p><p>americana varia entre 22o C no verão e 20o C no inverno.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>61</p><p>As diferenças térmicas e os ventos dão origem a numerosas correntes</p><p>marinhas. As mais importantes são a corrente quente sul-equatorial,</p><p>ao longo da costa do Brasil e da Argentina, e a corrente fria de</p><p>Bengala, que percorre a costa africana desde o Cabo até Moçâmedes.</p><p>Os recursos marinhos são abundantes, tanto nessas correntes quanto</p><p>na Patagônia (dourado, lagostas, arraias e atum).</p><p>História da navegação atlântica. Os fenícios foram os primeiros</p><p>marinheiros a atravessar o Atlântico, por volta do ano 500 a.C.,</p><p>deixando o Mediterrâneo e alcançando as ilhas Canárias, ao sul, e as</p><p>ilhas britânicas ao norte.</p><p>No século XI, os viquingues navegaram pelo Atlântico setentrional até</p><p>a Islândia e a Groenlândia, alcançando a Terra Nova e a península do</p><p>Labrador. Entretanto, essa descoberta não teve maiores</p><p>desdobramentos, pois os navegantes nórdicos não tiveram consciência</p><p>dela e a seus núcleos de colonização faltou continuidade.</p><p>A história da navegação atlântica teve um impulso decisivo durante o</p><p>século XV, quando os turcos e mongóis interromperam o caminho</p><p>terrestre até as Índias (Ásia). Os portugueses procuraram chegar até</p><p>elas margeando o Atlântico, e, em 1487, Bartolomeu Dias alcançou o</p><p>cabo da Boa Esperança, no sul da África. Cinco anos depois, Cristóvão</p><p>Colombo atravessou o Atlântico e chegou à América Central, de que</p><p>tomou posse em nome dos reis da Espanha.</p><p>A partir do século XVI multiplicaram-se as viagens de exploração e o</p><p>Atlântico finalmente substituiu o Mediterrâneo como principal via</p><p>marítima de comércio.</p><p>Nas costas do Atlântico e de seus mares periféricos encontram-se</p><p>alguns dos mais poderosos países do mundo: Estados Unidos, Canadá</p><p>e os países da Europa ocidental.</p><p>A importância económica desse oceano se deve à riqueza de suas</p><p>zonas pesqueiras e ao volume da navegação comercial: grande parte</p><p>do tráfico marítimo mundial se realiza pela rota atlântica, sobretudo</p><p>no Atlântico norte, entre a Europa e a costa leste americana.</p><p>Além disso, trinta dos cinquenta portos mais importantes do mundo</p><p>encontram-se no Atlântico. Entre eles destacam-se, na Europa, os de</p><p>Londres, Liverpool, Havre, Rotterdam, Bremen e Lisboa; na África,</p><p>Dacar e Cidade do Cabo; na América, Nova York, Boston, Baltimore,</p><p>Filadélfia, Vera Cruz, La Guaíra, Santos, Rio de Janeiro, Salvador,</p><p>Montevidéu e Buenos Aires.(Faria: 2015)</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>62</p><p>Figura: Oceano Atlântico</p><p>Fonte: Faria (2015)</p><p>4.1.3. Oceano Índico</p><p>O nome Índico vem do nome "Indiano", pois na época das grandes</p><p>navegações (séculos XV e XVI) foi a principal rota marítima em</p><p>direcção as Índias.</p><p>O Oceano Índico é aquele que banha a Ásia, a África e a Oceânia e é o</p><p>terceiro maior oceano do mundo com uma extensão de 73.440.000</p><p>km².</p><p>Com uma profundidade média de 3.890m, o Oceano Índico se formou</p><p>na Era Mesozóica como resultado da divisão do super</p><p>continente Gondwana, tendo sido o último oceano a se formar. Fazem</p><p>parte dele o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico, o Golfo de Áden, o Golfo</p><p>de Omã, a Baía de Bengala, o Mar de Andaman, o Estreito de</p><p>Malacca, Estreito de Ormuz, o Canal de Moçambique e o Mar da</p><p>Arábia, entre outros.</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/asia/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/africa/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/oceania/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/era-mesozoica/</p><p>http://www.infoescola.com/continentes/gondwana/</p><p>http://www.infoescola.com/hidrografia/golfo-persico/</p><p>http://www.infoescola.com/oriente-medio/oma/</p><p>http://www.infoescola.com/hidrografia/estreito-de-ormuz/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>63</p><p>A formação do Oceano Índico se deu a mais ou menos 90 milhões de</p><p>anos, quando este adquiriu suas características actuais através da</p><p>acção das correntes de convecção (fluxo do magma na astenosfera –</p><p>camada logo abaixo da crosta terrestre) que formaram</p><p>a orokgenia submarina (processo de formação de montanhas) da</p><p>cadeia meso-oceânica do índico.</p><p>A cadeia meso-oceânica do índico possui o formato de um “y” ao</p><p>contrário que se liga à esquerda à cadeia meso-oceânica do Atlântico,</p><p>e à direita, à cadeia meso-oceânica do Pacífico, delimitando as placas</p><p>Indiana e Africana com a Placa Antártica ao sul. Ao norte, ela divide a</p><p>África da Península Arábica fazendo com que as duas porções de terra</p><p>se afastem uma da outra. Isto faz com que a reposição do assoalho</p><p>oceânico naquele local vá aumentando o Mar Vermelho, que um dia,</p><p>daqui alguns milhares de anos, pode alcançar o tamanho do Oceano</p><p>Atlântico.</p><p>Devido à sua proximidade com o Oceano Antártico, o Oceano Índico</p><p>apresenta temperaturas mais frias em sua parte sul, já a parte norte é</p><p>bem mais quente devido às influências do continente.</p><p>Essa diferença de temperatura entre o oceano e o continente origina</p><p>as chamadas “monções”, que são ventos que mudam de direcção</p><p>anualmente de acordo com a variação da temperatura entre oceanos</p><p>e continentes.</p><p>Quando é verão no hemisfério norte, o continente se aquece mais que</p><p>o oceano fazendo com que as correntes de ar mais frias, vindas do</p><p>Índico, soprem em direcção ao continente originando a “Monção de</p><p>Verão” ou de Sudoeste. Já, quando é inverno no hemisfério norte</p><p>ocorre o contrário, as correntes de ar mais frias do continente fluem</p><p>em direcção ao oceano originando a “Monção de Inverno” ou de</p><p>Nordeste.</p><p>As monções modificam também, as correntes oceânicas que, durante</p><p>a Monção de Nordeste (oceano mais quente que o continente) move-</p><p>se até a costa africana onde vira para o sul e retorna como a Contra</p><p>Corrente Equatorial e durante a Monção de Sudeste forma a “Corrente</p><p>de Monção” que se move em direcção ao continente africano,</p><p>também, mas, vira em sentido horário, em direcção ao continente.</p><p>As águas quentes do Oceano Índico Tropical (norte) abrigam uma</p><p>infinidade de espécies.</p><p>Em 1900 foram descobertos alguns animais de águas profundas, nas</p><p>costas da Indonésia, que não se encaixavam em nenhum outro filo, os</p><p>pogonóforos. Mais tarde, em 1938, foi pescado acidentalmente na</p><p>costa oriental africana, um exemplar de Celacanto, que se pensava</p><p>http://www.infoescola.com/geologia/orogenese/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/oceano-atlantico/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/oceano-atlantico/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/oceano-glacial-artico-e-antartico/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>64</p><p>extinto desde a época dos dinossauros.</p><p>Entretanto, os animais marinhos que mais se destacam no Oceano</p><p>Índico são os corais: a Grande Barreira de Corais da Austrália, por</p><p>exemplo, alcança cerca de 2.200km e só não forma uma linha contínua</p><p>por causa dos inúmeros rios e lagos que desaguam por lá alterando a</p><p>salinidade e o pH da água.</p><p>Em alguns lugares os corais formam verdadeiras ilhas em meio ao</p><p>oceano, como por exemplo, as Ilhas Seychelles.</p><p>O Oceano Índico é o receptor de alguns dos rios mais importantes da</p><p>história da civilização: o Ganges da Índia e que desagua na Baía de</p><p>Bengala, os Rios Tigre e Eufrates da Mesopotâmia e que desaguam no</p><p>Golfo Pérsico.</p><p>Figura3: mapa de localização do oceano Índico</p><p>Fonte: Escola Britânica ( 2015).</p><p>Problemas ambientais</p><p>Por ser um oceano muito usado como rota de comércio é comum</p><p>ocorrerem vazamentos de produtos químicos, petróleo e seus</p><p>derivados, transportados por navios. Estes acidentes</p><p>ambientais</p><p>poluem as águas, afectando a biodiversidade do oceano. Outro</p><p>problema ambiental são os poluentes residenciais (esgotos) e</p><p>industriais (resíduos químicos) jogados nas águas do oceano a partir</p><p>de diversas cidades banhadas por suas águas.</p><p>4.1.4. Oceano Árctico</p><p>O Oceano Árctico é constituído pelo Mar do Norte, o Mar do Pólo</p><p>Norte, o Mar da Noruega e o Mar de Barents. Com uma superfície de</p><p>14 milhões de km², ele banha</p><p>http://www.infoescola.com/repteis/dinossauros/</p><p>http://www.infoescola.com/hidrografia/rio-tigre/</p><p>http://www.infoescola.com/hidrografia/rio-eufrates/</p><p>http://www.infoescola.com/historia/mesopotamia/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>65</p><p>a Europa, Ásia e América do Norte se misturando ao Oceano Pacífico</p><p>através do Estreito de Bering e, com Oceano Atlântico desde a costa</p><p>da escócia até a Groenlândia.</p><p>O Mar do Norte e o Mar de Barents são regiões de elevada</p><p>importância comercial por causa da pesca realizada em grandes</p><p>quantidades nessa região. No entanto, os mares da região</p><p>permanecem praticamente impossíveis de navegar durante uma parte</p><p>do ano quando a superfície do oceano congela.</p><p>O Oceano Árctico está localizado na região polar onde as temperaturas</p><p>podem chegar a -50ºC. Mesmo assim, a temperatura da superfície do</p><p>oceano é praticamente a mesma durante todo o ano, apenas um</p><p>pouco superior ao 0ºC no verão e um pouco abaixo no inverno quando</p><p>o Oceano Árctico fica coberto pela banquisa, uma camada de gelo que</p><p>pode chegar a 4 km de profundidade e 13 milhões de km². Isto porque</p><p>o Árctico não apresenta tantas variações de temperatura quanto o</p><p>oceano Antárctico ao sul.</p><p>Muito comuns nessa região são os icebergs. Montanhas de gelo que se</p><p>desprendem da banquisa e ficam flutuando pelo oceano, o que torna a</p><p>navegação nessa região um pouco perigosa. (à título de curiosidade:</p><p>foi um iceberg que causou o naufrágio do suntuoso navio Titanic, no</p><p>início do século XX)</p><p>A maioria dos animais que vivem no Árctico costuma se alimentar nas</p><p>águas geladas do oceano, como o urso-polar, a foca, os leões marinhos</p><p>e as baleias. (Escola Britânica: 2015).</p><p>Figura4: Oceano ârctico</p><p>Fonte: Faria (2015)</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/europa/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/asia/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/america-do-norte/</p><p>http://www.infoescola.com/hidrografia/estreito-de-bering/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/groenlandia/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/artico-polo-norte/</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>66</p><p>4.1.5. Oceano Antárctico</p><p>Oceano Antárctico também conhecido como Oceano Austral é o nome</p><p>dado ao conjunto das águas que banham o Continente Antárctico.</p><p>Fazem parte deste conjunto o mar de Amundsen, o mar de</p><p>Bellingshausen, parte da passagem de Drake, o mar de Ross e o mar</p><p>de Weddell.</p><p>Muitos especialistas, oceanógrafos e geógrafos, não reconhecem a</p><p>existência do Oceano Antárctico, considerando-o apenas como um</p><p>prolongamento das águas dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico.</p><p>O oceano Antárctico é o único que circunda o globo terrestre de</p><p>forma completa. Possui uma superfície de 20.327.000 km². Seu</p><p>tamanho foi calculado, tendo como base os limites constituídos pelo</p><p>“Tratado da Antárctida” (Tratado firmado por diversos países no ano</p><p>de 1956 onde estabelece a Antárctida como território internacional</p><p>para fins pacíficos e de pesquisa).</p><p>Os recursos naturais do Oceano Antárctico ainda não têm sido</p><p>explorados, entretanto sabe-se da existência de grandes jazidas de</p><p>petróleo e gás natural nas proximidades do continente antárctico e de</p><p>depósitos de manganês.</p><p>O gelo que cobre a Antárctida é a maior reserva de água doce do</p><p>mundo: representando aproximadamente 81% do total.</p><p>O oceano Antárctico possui grande biodiversidade. Sua fauna possui</p><p>pinípedes (pinguins, focas, leões-marinhos e morsas), cetáceos,</p><p>cianobactérias, fitoplâncton e krill, que servem de alimento para os</p><p>animais maiores.</p><p>A Antárctida não possui flora terrestre, sendo a sua única composição</p><p>vegetal feita por algas marinhas e outros organismos autótrofos.</p><p>(Faria:2015)</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>67</p><p>Figura5: Oceano Antárctico</p><p>Fonte: Escola Britânica (2015)</p><p>Sumário</p><p>Embora sejam interligados, os oceanos não realizam grande troca de</p><p>água entre eles, isso porque as águas que formam cada um dos</p><p>oceanos possuem características próprias como temperatura,</p><p>insolação, salinidade (quantidade de sais dissolvidos) e movimentos</p><p>(ondas, marés, correntes marítimas).</p><p>Dessa forma, os oceanos, ou seja, a imensa massa de água salgada que</p><p>cobre a Terra, foram divididos em cinco porções: oceano Ártico,</p><p>oceano Antártico, oceano Atlântico, oceano Pacífico e oceano Índico.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1. O oceano atlântico devido ao movimento das suas águas é</p><p>conhecido por</p><p>a) Calmo; b) Tempestuoso; c) Ganges ; d) Y</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>68</p><p>2. A cadeia meso-oceânica do índico possui o formato de um</p><p>a) Calmo; b) Tempestuoso; c) Ganges ; d) Y</p><p>3. O oceano Índico é o receptor de alguns dos rios mais importantes da</p><p>história da civilização, é o caso do rio</p><p>a) Calmo; b) Tempestuoso; c) Ganges ; d) Y</p><p>4. O oceano mais extenso do planeta é Pacífico. O nome do pacífico</p><p>tem sua origem na expressão</p><p>a) Calmo; b) Tempestuoso; c) Ganges; d) Y</p><p>5. Muito comuns nessa região são os icebergs. Trata- se de oceano</p><p>a)Indico; b) Atlântico; c) Pacifico; d) Árctico</p><p>6. A costa moçambicana é banhada pelo oceano</p><p>a)Indico; b) Atlântico; c) Pacifico; d) Árctico</p><p>7. A sua superfície corresponde à quinta parte da superfície da Terra.</p><p>Trata – se de</p><p>a)Indico; b) Atlântico; c) Pacifico; d) Árctico</p><p>8. O oceano com maior profundidade média (4.280 m) e onde estão</p><p>localizadas as maiores fossas submarinas, chama se</p><p>a)Indico; b) Atlântico; c) Pacifico; d) Árctico</p><p>9. O oceano que fica coberto pela banquisa e que possui animais como</p><p>o urso-polar, a foca, os leões marinhos e as baleias, chama – se</p><p>a)Indico; b) Atlântico; c) Pacifico; d) Árctico</p><p>10. O ponto mais profundo de todo o planeta Terra — é a fossa das</p><p>Marianas, perto das ilhas Marianas e se encontra localizado no</p><p>a) Indico; b) Atlântico; c) Pacifico; d) Árctico</p><p>Respostas: 1b); 2 d); 3c); 4a); 5d); 6a); 7b); 8c); 9d); 10c)</p><p>Exercícios</p><p>1. Qual é a importância económica dos oceanos?</p><p>2. Que diferença existe entre os oceanos árctico e indico no que</p><p>concerne ao estado físico das suas águas?</p><p>3. Qual é o oceano que possui a maior profundidade média?</p><p>4. Qual é o oceano que possui maior índice de salinidade?</p><p>Justifique</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/483369/ilhas-Marianas-do-Norte</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>69</p><p>5. Quais as fontes de poluição dos oceanos?</p><p>UNIDADE Temática. 4.2: Rios</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, nesta unidade temática, será tratado o estudo da</p><p>hidrografia dos rios. Neste estudo, serão focalizados os principais</p><p>elementos que compõem um rio, a localização geográfica dos</p><p>principais rios do mundo. Também serão abordados assuntos como</p><p>importância dos rios e a poluição dos mesmos.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Conhecer os principais elementos de um rio</p><p>▪ Classificar os rios usando vários critérios</p><p>▪ Conhecer a importância dos rios</p><p>▪ Identificar as formas de protecção e conservação dos rios</p><p>Desenvolvimento</p><p>Conceito de Rio</p><p>Os rios são correntes de águas superficiais que a escoam até um outro</p><p>rio, lago ou mar. Pela acção da gravidade, as águas se concentram nas</p><p>porções mais baixas, como os vales.</p><p>Os rios são costumeiramente definidos como cursos de água ou redes</p><p>de drenagem compostos</p><p>por correntes de água doce formadas a partir</p><p>da obtenção de recursos hídricos das chuvas, do derretimento da neve</p><p>ou, principalmente, das nascentes onde a água brota do subsolo.</p><p>Geralmente, um rio é abastecido por uma bacia hidrográfica, ou seja,</p><p>a área geográfica que capta toda a água da superfície ou do subsolo e</p><p>direcciona-a para um leito principal e seus afluentes.</p><p>(Neto e António: 2014)</p><p>Os regimes dos rios</p><p>http://www.mundoeducacao.com/geografia/rios.htm</p><p>http://www.mundoeducacao.com/geografia/bacia-hidrografica.htm</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>70</p><p>Os regimes dos rios, segundo Neto e António (2014), podem ser tanto</p><p>fluviais ou nivais. A diferença entre os dois é que o primeiro é</p><p>alimentado por águas das chuvas, enquanto que os nivais são oriundos</p><p>do derretimento de neves que estão localizadas na maioria das vezes</p><p>no alto de montanhas. Alguns rios podem ser alimentados pelos dois</p><p>regimes, como é o caso dos rios que compõe a bacia do rio Amazonas.</p><p>As porções da bacia que estão localizadas mais próximas dos divisores,</p><p>e que se encontram as nascentes do rio principal, denominam-se</p><p>de curso superior. Já as partes mais baixas da bacia, próximas da foz,</p><p>chamamos de curso inferior.</p><p>As porções intermediárias são as consideradas como curso médio.</p><p>Quando se desloca no sentido das nascentes, isto é, contra a corrente</p><p>do rio, diz se que está se ir à Montante. Quando se segue o curso do</p><p>rio em direcção a foz, está se ir à Jusante.</p><p>Figura6: As diversas partes dos rios</p><p>Fonte: http://alexandrerjesus03.blogspot.com/2010/07/partes-de-</p><p>um-rio.html</p><p>Classificação dos Rios</p><p>Com o objectivo de compreender melhor a dinâmica de</p><p>funcionamento e evolução dos cursos de águas em áreas continentais,</p><p>foi elaborada a classificação dos rios, segundo Mauro (2014),</p><p>designando-os aos mais diferentes tipos. Desse modo, assim como</p><p>ocorre em qualquer outra tipologia, a definição dos tipos de</p><p>http://alexandrerjesus03.blogspot.com/2010/07/partes-de-</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>71</p><p>rios depende do critério utilizado para classificá-los.</p><p>Tipos de rios quanto à forma de escoamento da água</p><p>Rios intermitentes ou temporários – são aqueles que correm em</p><p>apenas um período do ano, ou seja, secam nas épocas de estiagem.</p><p>Existem casos em que essa dinâmica é natural, sobretudo em regiões</p><p>de grande variação climática anual.</p><p>Todavia, há outros casos em que a manifestação desse tipo de rio é</p><p>fruto da acção humana. Vale lembrar que os rios que congelam</p><p>durante uma parte do ano e, por isso, deixam de apresentar os</p><p>movimentos de suas águas também são classificados como</p><p>intermitentes.</p><p>Rios perenes – são aqueles que correm o ano inteiro, ou seja, não</p><p>apresentam interrupção no fluxo de suas águas sobre nenhum</p><p>período, seja ele de seca, seja de cheia. Esses rios são alimentados por</p><p>uma fonte contínua que faz com que o nível de suas águas nunca fique</p><p>abaixo da superfície terrestre.</p><p>Rios efémeros – são aqueles que se manifestam apenas em ocasiões</p><p>de grandes chuvas, sendo do tipo pouco comum e de previsão pouco</p><p>efectiva. Em alguns casos, eles levam décadas para manifestar-se e</p><p>podem acarretar enchentes, principalmente quando há ocupação</p><p>humana das áreas de ocorrência desses rios em seu período de seca.</p><p>Tipos de rios quanto à forma de relevo</p><p>Quanto à forma de relevo, existem dois tipos de rios: os de planalto e</p><p>os de planície.</p><p>Rios de planalto – são rios que costumam apresentar-se em áreas de</p><p>relevo mais acentuado, possuindo um fluxo mais forte em razão dos</p><p>muitos acidentes geográficos ao longo de seu percurso. Por</p><p>apresentarem uma grande diferença de nível altimétrico entre sua</p><p>nascente e a sua foz, esses rios são considerados ideais para a geração</p><p>de electricidade, porém pouco recomendados para a navegação na</p><p>maior parte de suas áreas.</p><p>Rios de planície – são rios que apresentam um curso mais regular,</p><p>haja vista o relevo menos acentuado. Por isso, o fluxo de suas áreas</p><p>não é rápido e a instalação de hidroeléctricas, embora seja possível, é</p><p>pouco recomendada, pois demanda a construção de barragens muito</p><p>grandes para um baixo aproveitamento energético, o que gera duros</p><p>impactos ambientais.</p><p>Os rios de planície mais antigos costumam apresentar canais cheios</p><p>de meandros, ou seja, com “curvas” muito frequentes e acentuadas, a</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>72</p><p>exemplo do Rio Amazonas.</p><p>Tipos de rio quanto à água</p><p>Em relação à composição da água – geralmente observada pela sua</p><p>coloração –, há três principais tipos de rios.</p><p>Rios de águas claras – são o tipo considerado mais “puro” e com um</p><p>maior potencial turístico. São também chamados de “rios azuis” e</p><p>possuem pouca quantidade de sedimentos e outros sólidos em</p><p>suspensão.</p><p>Rios de águas brancas – são aqueles que apresentam uma grande</p><p>quantidade de sedimentos, estes oriundos de rochas como o calcário,</p><p>além de apresentar minerais, como o magnésio, em abundância, o que</p><p>confere um tom natural esbranquiçado às suas águas.</p><p>Rios de águas pretas – tendo como exemplo mais comum o Rio Negro,</p><p>na região amazónica, são rios que apresentam sedimentos mais</p><p>antigos ou pigmentações oriundas de reacções químicas e influência</p><p>da vegetação. São rios de águas um pouco mais ácidas e com uma</p><p>maior presença de material orgânico.</p><p>Figura7: Rio Yangtzé, na China. Perene, de planalto e de águas claras</p><p>Fonte: Mauro (2014)</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>73</p><p>Tabela1: Os 10 maiores rios do mundo</p><p>Fonte: Neto e António (2014)</p><p>Os rios têm também um potencial erosivo, que chamamos de erosão</p><p>fluvial. Este é um tipo de erosão que desgasta as margens dos rios.</p><p>Contudo também devemos destacar o potencial de carregar os</p><p>sedimentos que estão no fundo dos rios, conforme é apresentado na</p><p>figura abaixo.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>74</p><p>Figura 8: uma corrente fluindo sobre um leito de areia, silte e argila</p><p>Fonte: Pena (2015)</p><p>Uma corrente fluindo sobre um leito de areia, silte e argila transporta</p><p>partículas de duas maneiras: como carga de fundo, com o material</p><p>deslizando e rolando sobre o leito como carga de suspensão, com o</p><p>material sendo suspenso no próprio fluxo de forma temporária ou</p><p>permanente. A saltação é um movimento de saltos intermitentes dos</p><p>grãos. Em geral, quanto menor a partícula, maior o salto e mais longa</p><p>a trajetória de deslocamento</p><p>Importância dos rios</p><p>Os rios são fontes de um dos recursos naturais indispensáveis aos</p><p>seres vivos: a água. Além disso, têm grande importância cultural,</p><p>social, económica, histórica…</p><p>A vazão do rio, em termos de representatividade na renovação dos</p><p>recursos hídricos, “é o componente mais importante do ciclo</p><p>hidrológico. Exerce um efeito pronunciado sobre a ecologia da</p><p>superfície da terra e sobre o desenvolvimento económico humano. É a</p><p>vazão do rio que é mais amplamente distribuída sobre a superfície da</p><p>terra e fornece o maior volume de água para consumo no mundo.”.</p><p>Neto e António (2014)</p><p>Sustentabilidade da vida</p><p>Milhares de espécies da flora e fauna, inclusive a espécie humana,</p><p>consomem água de rios, que precisam ter uma qualidade adequada</p><p>para os diversos usos.</p><p>Dos rios provem grande parte da água consumida pela humanidade</p><p>para beber, cozinhar, lavar, conservar alimentos, cultivar plantas, criar</p><p>animais, navegação, dentre outros usos.</p><p>A água corresponde a 70% da composição do corpo humano, sendo o</p><p>principal componente da saliva, do suor, das lágrimas, do sangue. Ela é</p><p>parte essencial dos fluidos dos</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>75</p><p>sistemas digestivo, respiratório, circulatório, nervoso, muscular,</p><p>99</p><p>UnISCED CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>v</p><p>UNIDADE Temática.5.2. Aquíferos ................................................................................ 101</p><p>Introdução ..................................................................................................................... 101</p><p>Sumário ......................................................................................................................... 111</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................................................... 112</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO DO TEMA V ............................................................... 113</p><p>TEMA VI: GLACIARES 115</p><p>UNIDADE Temática 6.1. Glaciares, sua formação, crescimento e destruição .............. 115</p><p>Introdução ..................................................................................................................... 115</p><p>Sumário ......................................................................................................................... 131</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................................................... 131</p><p>TEMA VII: HIDROGRAMA 134</p><p>UNIDADE Temática 7.1. Hidrograma ............................................................................ 134</p><p>Introdução ..................................................................................................................... 134</p><p>Sumário ......................................................................................................................... 139</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................................................... 139</p><p>TEMA VIII: RECURSOS HÍDRICOS 142</p><p>UNIDADE Temática 8.1: Recursos Hídricos, seus impactos e usos ............................... 142</p><p>Introdução ..................................................................................................................... 142</p><p>Sumário ......................................................................................................................... 156</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................................................... 156</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>1</p><p>Visão geral</p><p>Benvindo à Disciplina/Módulo de Hidrografia</p><p>Objectivos do Módulo</p><p>Ao terminar o estudo deste módulo de Hidrografia deverá ser</p><p>capaz de: conhecer a origem e ocorrência das águas superficiais,</p><p>subterrâneas e glaciares, identificar as características físicas e</p><p>químicas das águas naturais, conhecer o ciclo hidrológico e a sua</p><p>importância na manutenção da vida no planeta.</p><p>Objectivos</p><p>Específicos</p><p>▪ Conceitualizar a Hidrografia;</p><p>▪ Descrever as propriedades físicas e químicas das águas;</p><p>▪ Debruçar sobre a circulação da água na natureza;</p><p>▪ Caracterizar os oceanos;</p><p>▪ Demonstrar a importância económica dos oceanos;</p><p>▪ Descrever os mecanismos de poluição dos oceanos;</p><p>▪ Caracterizar as águas subterrâneas;</p><p>▪ Explicar o processo de contaminação das águas subterrâneas;</p><p>▪ Caracterizar os glaciares;</p><p>▪ Descrever a importância dos glaciares na manutenção do</p><p>equilíbrio térmico.</p><p>Quem deveria estudar este módulo</p><p>Este Módulo foi concebido para estudantes do 2º ano do curso de</p><p>licenciatura em Gestão Ambiental da UnISCED. Poderá ocorrer,</p><p>contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e consolidar</p><p>seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem vindos, não</p><p>sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o</p><p>manual.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>2</p><p>Como está estruturado este módulo</p><p>Este módulo de Hidrografia, para estudantes do 2º ano do curso</p><p>de licenciatura em Gestão Ambiental, à semelhança dos restantes</p><p>do UnISCED, está estruturado como se segue:</p><p>Páginas introdutórias</p><p>▪ Um índice completo.</p><p>▪ Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo,</p><p>resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para</p><p>melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta</p><p>secção com atenção antes de começar o seu estudo, como</p><p>componente de habilidades de estudos.</p><p>Conteúdo desta Disciplina / módulo</p><p>Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez</p><p>comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente</p><p>unidades,. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma</p><p>introdução, objectivos, conteúdos.</p><p>No final de cada unidade temática, são incorporados antes o</p><p>sumário, exercícios de auto-avaliação, só depois é que aparecem</p><p>os exercícios de avaliação.</p><p>Os exercícios de avaliação têm as seguintes caracteristicas: Puros</p><p>exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e</p><p>actividades práticas algunas incluindo estudo de caso.</p><p>Outros recursos</p><p>A equipa dos académicos e pedagogos do UnISCED, pensando em</p><p>si, num cantinho, recóndito deste nosso vasto Moçambique e</p><p>cheio de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem,</p><p>apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu</p><p>módulo para você explorar. Para tal a UnISCED disponibiliza na</p><p>biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos</p><p>relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD-</p><p>ROOM, DVD. Para elém deste material físico ou electrónico</p><p>disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital</p><p>moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus</p><p>estudos.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>3</p><p>Auto-avaliação e Tarefas de avaliação</p><p>Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final</p><p>de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos</p><p>exercícios de auto-avaliação apresentam duas características: a)</p><p>apresentam exercícios resolvidos com detalhes; b) exercícios que</p><p>mostram apenas respostas.</p><p>As tarefas de avaliação são semelhantes às de auto-avaliação mas</p><p>sem mostrar os passos, devendo obedecer o grau crescente de</p><p>dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras.</p><p>Parte das terefas de avaliação será objecto dos trabalhos de</p><p>campo a serem entregues aos tutores/doceentes para efeitos de</p><p>correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame</p><p>do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os</p><p>exercícios de avaliação é uma grande vantagem.</p><p>Comentários e sugestões</p><p>Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados</p><p>aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza diadáctico-</p><p>Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas.</p><p>Pode ser que graças as suas observações que, em de confiança,</p><p>classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser</p><p>melhorado.</p><p>Ícones de actividade</p><p>Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas</p><p>margens das folhas. Estes ícones servem para identificar</p><p>diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar</p><p>uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa,</p><p>uma mudança de actividade, etc.</p><p>Habilidades de estudo</p><p>O principal objectivo deste campo é o de ensinar/aprender a</p><p>aprender. Aprender aprende-se.</p><p>Durante a formação e desenvolvimento de competências, para</p><p>facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará</p><p>empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons</p><p>resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e</p><p>eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando</p><p>estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos</p><p>que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos</p><p>estudos, procedendo como se segue:</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>4</p><p>1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de</p><p>leitura.</p><p>2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).</p><p>3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e</p><p>assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR).</p><p>urinário, reprodutor e ósseo.</p><p>Auxilia, por exemplo: o transporte de oxigénio e alimentos, o controle</p><p>da pressão sanguínea e da temperatura do corpo, a eliminação de</p><p>substâncias tóxicas, a lubrificação dos olhos, das narinas, das juntas e</p><p>da pele, além de ajudar a absorver impactos e proteger os órgãos,</p><p>dentre outras funções.</p><p>“A disponibilidade e uso de água potável, assim como a conservação</p><p>de recursos hídricos, são chave para o bem-estar humano.”.</p><p>Aproximadamente 97,5% da água da Terra é salgada, e apenas 2,5% é</p><p>doce. E a água dos rios e lagos correspondem a cerca de 0,3% do</p><p>volume total de água doce do planeta.</p><p>“A água de rio é de grande importância no ciclo hidrológico global e</p><p>para o suprimento de água para a humanidade. Isto porque o</p><p>comportamento de componentes individuais no retorno da água na</p><p>Terra depende tanto do tamanho do reservatório quanto da dinâmica</p><p>do movimento da água. As diferentes formas de água na hidrosfera</p><p>são inteiramente reabastecidas durante o ciclo hidrológico, mas com</p><p>taxas muito diferentes.”</p><p>A quantidade de água efectivamente disponível para uso humano</p><p>corresponde a aproximadamente 0,007%, uma parcela relativamente</p><p>pequena.</p><p>Embora aproximadamente 70% do planeta Terra seja composto de</p><p>água, há no mundo, actualmente, mais de 780 milhões de pessoas sem</p><p>acesso à água potável.</p><p>Fenómenos como a migração da população de áreas rurais para</p><p>urbanas, o crescimento demográfico e o processo de industrialização,</p><p>dentre outros, têm, por um lado, ampliado a demanda de recursos</p><p>hídricos. E, por outro lado: “Os decréscimos nos suprimentos de água</p><p>potável estão comprometendo a saúde humana e a actividade</p><p>económica.”.</p><p>Os rios também fornecem alimentos aos seres humanos, com especial</p><p>destaque aos peixes, de variadas espécies e valores nutricionais.</p><p>No entanto, “reduções drásticas nos estoques de peixes estão criando</p><p>tanto perdas económicas quanto uma perda de suprimento de</p><p>comida”, sendo a poluição das águas uma das principais causas da</p><p>contaminação e morte de seres aquáticos, o que tem acarretado</p><p>também a redução de estoques de peixes para o consumo humano.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>76</p><p>Salienta-se, assim, a importância dos rios para a sustentabilidade da</p><p>vida e a necessidade de um conjunto de acções para a sua</p><p>conservação, melhoria e recuperação, nos casos em que se encontram</p><p>degradados. (Neto e António: 2014)</p><p>Irrigação</p><p>Os rios são muito importantes para a irrigação de terras em</p><p>actividades agrícolas e para que a sustentabilidade da vegetação</p><p>natural.</p><p>Um exemplo na história é o rio Nilo. Localizado em uma região</p><p>desértica do continente africano, foi graças a ele que se pôde irrigar as</p><p>terras para a agricultura no Egipto Antigo. Após as cheias do rio, as</p><p>terras das margens ficavam forradas de húmus, um lodo fértil.</p><p>O consumo médio de água no mundo pelo sector agrícola corresponde</p><p>a cerca de 70%, sendo o restante consumido pelo sector industrial</p><p>(20%) e pelo abastecimento (10%). (Mauro: 2014)</p><p>Consumo pelo sector industrial</p><p>Estima-se que, actualmente, “a quantidade total de água, demandada</p><p>pelo sector industrial, é de 139 m3/s, o que corresponde a um volume</p><p>de aproximadamente 4,4 km3/ano” (), o que corresponde a 9,5% da</p><p>captação total de água doce no Brasil.</p><p>De acordo com a UNESCO (2012, p. 4, tradução nossa), “a operação</p><p>efectiva de uma indústria requer um fornecimento sustentável de</p><p>água na quantidade certa, com a qualidade certa, no lugar certo, no</p><p>tempo certo e com um preço correto”. (Idem).</p><p>Cultura e Identidade</p><p>Os rios trazem referências culturais muito importantes sobre a</p><p>sociedade humana, expressando modos de vida e implicações no</p><p>cuidado e/ou falta de cuidado com o meio ambiente do qual fazem</p><p>parte, os recursos tecnológicos e tipos de usos de suas águas,</p><p>significados, dentre outras.</p><p>Energia</p><p>“Energia e água estão intrinsecamente conectadas.” Há diversos tipos</p><p>de fontes de energia que necessitam da água em processos</p><p>produtivos. “Por outro lado, a energia é requerida para tornar</p><p>disponíveis recursos de água para uso e consumo humanos, por meio</p><p>de bombeamento, transporte,</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>77</p><p>tratamento, dessalinização e irrigação.” (Mauro: 2014)</p><p>Os rios são importante fonte de energia eléctrica. A bacia do rio</p><p>Paraná, por exemplo, possui um grande potencial de geração de</p><p>energia eléctrica. Nela encontra-se a maior usina do Brasil, a de Itaipú,</p><p>além da usina Porto Primavera. E no rio Tocantins, um outro exemplo,</p><p>localiza-se a usina de Tucuruí.</p><p>Cabe salientar a importância da abordagem sistémica na instalação de</p><p>usinas hidreléctricas, na medida em que estas trazem uma série de</p><p>implicações ao meio ambiente, em termos de ecossistema e</p><p>dimensões socioculturais e económicas.</p><p>História</p><p>Os rios têm sido marcantes na história da humanidade. Exemplo disto</p><p>é o rio Nilo, segundo rio do mundo em extensão, que foi determinante</p><p>para o desenvolvimento do Egipto antigo.</p><p>Localizado numa região desértica do continente africano, foi graças ao</p><p>rio Nilo (denominado de Iteru, “o grande rio”, na época do Egipto</p><p>Antigo) que a sociedade egípcia teve acesso à água para beber, irrigar</p><p>as terras para a agricultura (após as cheias do rio, as terras das</p><p>margens ficavam forradas de húmus, um lodo fértil), pescar, cultivar</p><p>peixes (Sarotherodon niloticus, popularmente conhecida como</p><p>“tilápia-do-nilo”) e transportar mercadorias e pessoas (navegação</p><p>fluvial).</p><p>Ao longo da história, registaram-se alterações nas características e na</p><p>qualidade das águas dos rios, do ecossistema e, em certos casos, de</p><p>sua configuração e percurso, alguns sendo, inclusive, parcialmente</p><p>rectificados e escondidos pela sua canalização.</p><p>Os rios compõem espaços de cidades, que, por sua vez, formam-se</p><p>“por processos urbanos que tanto se sucedem na história quanto se</p><p>inter-relacionam em uma mesma época e, com princípios diversos,</p><p>forjam a cidade múltipla. (Neto e António: 2014)</p><p>Lazer</p><p>Os rios têm-se prestado também ao lazer de muitas pessoas,</p><p>possibilitando actividades como: nadar, pescar, velejar, dentre</p><p>outras. Estas actividades também dependem da qualidade das águas</p><p>dos rios. (Idem)</p><p>Paisagem rural e urbana</p><p>Os rios compõem paisagens rurais e urbanas, com seus leitos de</p><p>larguras, extensões, volumes,</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>78</p><p>movimentos e águas de cores diversas, refletindo e refratando a luz,</p><p>que varia ao longo dos dias e das noites, e conforme as condições</p><p>climáticas e outros fatores como tipos de solo, vegetação, dentre</p><p>outras, as quais influenciam também o movimento de suas águas,</p><p>sendo umas mais ligeiras e turbulentas, enquanto que outras mais</p><p>lentas, calmas.</p><p>As configurações e movimentos dos rios, fauna e flora que compõem o</p><p>ecossistema, auxiliam a suavizar a composição geométrica e</p><p>predominantemente estática das construções humanas,</p><p>principalmente de contextos urbanos. (Idem)</p><p>Piscicultura</p><p>A piscicultura, ou seja, o cultivo de peixes, é uma das actividades</p><p>económicas propiciadas pelos rios.</p><p>No rio Parnaíba, por exemplo, que se localiza na região Nordeste do</p><p>Brasil, entre os estados do Ceará, Maranhão e Piauí, a principal</p><p>actividade económica desenvolvida é a piscicultura.</p><p>Um dos factores fundamentais para a piscicultura é a qualidade das</p><p>águas, que necessita estar em uma condição adequada para a</p><p>manutenção da vida saudável dos peixes e em equilíbrio dinâmico com</p><p>o ecossistema.</p><p>Transporte hidroviário</p><p>Os rios foram e têm sido bastante utilizados para a o transporte</p><p>hidroviário, tanto de mercadoria quanto de pessoas.</p><p>Em termos de custo e de capacidade de carga, o transporte hidroviário</p><p>é cerca de oito vezes mais barato que o rodoviário</p><p>e três vezes menor</p><p>que o ferroviário.</p><p>Poluição dos rios</p><p>Um dos principais problemas ambientais da actualidade, segundo</p><p>António e Neto (2014) é a poluição dos rios. Enquanto alguns países da</p><p>Europa desenvolveram planos eficientes de despoluição dos rios, o</p><p>Brasil continua com uma grande quantidade de rios poluídos.</p><p>Causas e Consequências</p><p>São vários os elementos que os homens despejam nos rios, causando</p><p>com isso diversos problemas ambientais.</p><p>Em muitas cidades, o sistema sanitário é precário (falta adequada de</p><p>planeamento urbano) e o esgoto</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>79</p><p>doméstico é jogado directamente nos rios sem receber o devido</p><p>tratamento. Este esgoto é um dos principais causadores da morte de</p><p>peixes nos rios. Este tipo de poluição também causa o mau cheiro e o</p><p>desenvolvimento de microrganismos nos rios, facilitando a</p><p>proliferação de doenças em casos de enchentes.</p><p>Os produtos químicos que muitas indústrias despejam na rede de</p><p>esgoto e nos rios também provocam a morte de peixes e de outros</p><p>tipos de vida que costumam habitar as águas dos rios. Embora esta</p><p>prática seja crime ambiental no Brasil, ainda é muito comum,</p><p>principalmente, em locais onde a fiscalização do poder público não</p><p>existe ou é ineficiente.</p><p>A poluição dos rios também é provocada pelo lixo sólido,</p><p>principalmente doméstico, que é descartado dentro dos rios. Com o</p><p>tempo este lixo vai se acumulando, provocando o assoreamento do</p><p>rio. Quando ocorrem chuvas de grande intensidade, a vasão do rio</p><p>diminui e provoca alagamento nas margens, causando enchentes e</p><p>graves prejuízos para as pessoas que moram nas proximidades.</p><p>Soluções para não provocar a poluição dos rios:</p><p>- Pessoas e empresas não devem jogar lixo dentro dos rios;</p><p>- Investimentos do sector público no tratamento de esgoto;</p><p>- Os governos devem punir rigorosamente pessoas e empresas que</p><p>poluem os rios.</p><p>- Os governos não devem permitir a ocupação irregular próxima às</p><p>margens dos rios.</p><p>Exemplos de rios que foram despoluídos:</p><p>- Rio Tâmisa (Londres, Inglaterra)</p><p>- Rio Neiva (Portugal)</p><p>- Rio Sena (Paris, França)</p><p>Sumário</p><p>Os rios são correntes de águas superficiais que a escoam até um outro</p><p>rio, lago ou mar. Pela acção da gravidade, as águas se concentram nas</p><p>porções mais baixas, como os vales. Esta unidade temática tratou dos</p><p>elementos que constituem um rio. Não só mas também da</p><p>classificação dos rios segundo vários</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>80</p><p>critérios e a importância de conserva –los.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1 Rios oriundos do derretimento de neves que estão localizadas na</p><p>maioria das vezes no alto de montanhas são de regimes</p><p>a)Fluviais; b) nivais; c) Fluviais e nivais; d) curso superior</p><p>2. Os rios que são alimentados por águas das chuvas são</p><p>a)Fluviais; b) nivais; c) Fluviais e nivais; d) curso superior</p><p>3. Os rios que compõem a bacia do rio Amazonas são alimentados</p><p>pelos regimes</p><p>a)Fluviais; b) nivais; c) Fluviais e nivais; d) curso superior</p><p>4. As porções da bacia que estão localizadas mais próximas dos</p><p>divisores, e que se encontram as nascentes do rio principal,</p><p>denominamos de:</p><p>a)Fluviais; b) nivais; c) Fluviais e nivais; d) curso superior</p><p>5. Existem rios que apresentam uma grande quantidade de</p><p>sedimentos, estes oriundos de rochas como o calcário, além de</p><p>apresentar minerais, como o magnésio, em abundância, estes são</p><p>conhecidos como rios:</p><p>a) intermitentes; b) perenes; c) efémeros; d) de águas brancas</p><p>6. Os rios que se manifestam apenas em ocasiões de grandes chuvas,</p><p>sendo do tipo pouco comum e de previsão pouco efectiva, são</p><p>chamados por:</p><p>a) intermitentes; b) perenes; c) efémeros; d) de águas brancas</p><p>7. Os rios que correm o ano inteiro, ou seja, não apresentam</p><p>interrupção no fluxo de suas águas sobre nenhum período, seja ele de</p><p>seca, seja de cheia, chamam se de:</p><p>ak) intermitentes; b) perenes; c) efémeros; d) de águas brancas</p><p>8. Os rios que correm em apenas um período do ano, ou seja, secam</p><p>nas épocas de estiagem, são designados por:</p><p>a) intermitentes; b) perenes; c) efémeros; d) de águas brancas</p><p>9. O rio Danúbio localiza se na:</p><p>a)América do norte; b) América do sul; c) África e Ásia ocidental; d)</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>81</p><p>Europa</p><p>10. Os rios Mississipi e Nelson localizam se na:</p><p>a)América do norte; b) América do sul; c) África e Ásia ocidental; d)</p><p>Europa</p><p>11. Os rios Orange e Tigre localizam se na:</p><p>a) América do norte; b) América do sul; c) África e Ásia ocidental; d)</p><p>Europa</p><p>Respostas: 1b); 2a); 3c); 4d); 5d); 6c); 7b); 8a); 9d); 10a); 11c)</p><p>Exercícios:</p><p>1. O que entende por bacia hidrográfica?</p><p>2. Qual é o rio mais extenso do mundo? e o rio mais comprido do</p><p>mundo?</p><p>3. O que é regime de um rio? E como que esse regime se</p><p>classifica?</p><p>4. Que medidas podem ser tomadas para a protecção dos rios</p><p>contra a poluição?</p><p>5. Fale da importância do rio?</p><p>82</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>Lagos Glaciares Desenvolvimento através da reclamação</p><p>UNIDADE Temática.4.3: Hidrografia dos Lagos e Pântanos</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, esta unidade temática terá como objecto de estudo</p><p>os lagos e pântanos. Será discutida a formação desses, sua</p><p>classificação, importância e as formas de conservação.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Definir os termos “lago” e “pântano”</p><p>▪ Diferenciar os lagos dos pântanos</p><p>▪ Explicar a importância dos lagos e pântanos</p><p>Desenvolvimento</p><p>Lagos</p><p>Os lagos são originados a partir de cursos de água variável formados a</p><p>partir de uma depressão natural na superfície do nosso planeta.</p><p>Diferente das lagoas, os lagos não se formam artificialmente a não ser</p><p>que algum curso de água seja propositalmente desviado para evitar</p><p>enchentes ou outros acidentes geográficos.</p><p>As águas dos lagos são geralmente provenientes de chuvas, de um</p><p>curso de água já existente, como um rio por exemplo ou a partir de</p><p>uma nascente natural.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>83</p><p>erosiva dos glaciares e do derretimento dos</p><p>mesmos na crista da terra criando aqueles que</p><p>são o tipo de lagos mais frequentemente</p><p>encontrados no mundo.</p><p>Lagos Tectónicos Desenvolvimento através da expansão das</p><p>placas tectónicas da crosta da terra (um</p><p>exemplo é o Lago Baikal na Rússia - o lago mais</p><p>profundo do planeta e um local nomeado</p><p>património mundial da UNESCO).</p><p>Lagos de calcário</p><p>ou de depressões</p><p>Desenvolvimento devido a uma solução de</p><p>carbonato ou salina na cama rochosa da terra</p><p>e devido ao desmoronar da superfície da terra</p><p>(um exemplo é o Arendsee na Alemanha</p><p>Federal, no estado de Saxony-Anhalt).</p><p>Barragens que</p><p>forma lagos ou</p><p>lagoas</p><p>Desenvolvimento devido a desmoronamento</p><p>ou lagoas formadas devido a "beliscões" na</p><p>terra (pinch-offs).</p><p>Lagos com origens</p><p>em vulcões</p><p>Os lagos de origens vulcânicas também</p><p>chamados os lagos de cratera, desenvolvidos</p><p>como o Eifel no sudoeste da Alemanha. Para</p><p>além destes, há os lagos que se formaram a</p><p>partir da queda de meteoritos e que são</p><p>similares aos lagos vulcânicos.</p><p>Lago em forma de</p><p>ferradura</p><p>São desenvolvidos a partir do deslocamento</p><p>natural de riachos, onde a velha cama do rio se</p><p>estica e forma um lago em forma de ferradura</p><p>(por exemplo o Lago Kamernsch em Havelberg</p><p>em Saxony-Anhalt).</p><p>Lagos termo-</p><p>cársico</p><p>Desenvolvimento dos lagos Termo - Cársicos</p><p>nas regiões com permafrost (camada de terra</p><p>congelada), por exemplo no Alasca</p><p>no norte da Sibéria.</p><p>Tabela2: classificação dos lagos</p><p>Fonte: Lucas (2014)</p><p>Para além dos tipos de lagos representados na tabela existem ainda</p><p>outros dois tipos que o autor</p><p>acima</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>84</p><p>não fez a sua abordagem. Segundo a Escola Britânica (2015),Trata se</p><p>de de:</p><p>Lagos Residuais – são lagos formados a partir de antigos mares. É um</p><p>lago de água salgada.</p><p>Lagos Mistos – como o nome já diz, são lagos formados por uma</p><p>“mistura” de vários factores. Esses factores são os outros formadores</p><p>de lagos que já foram citados.</p><p>Os maiores lagos do mundo e sua localização geográfica</p><p>Figura9: maiores lagos do mundo e sua localização</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>85</p><p>geográfica</p><p>Fonte: Lucas (2014)</p><p>A importância dos lagos</p><p>Os lagos de água doce são muito importantes porque muitas cidades</p><p>dependem deles para obter água potável e, em regiões secas, os</p><p>agricultores usam suas águas para regar as plantações por meio de</p><p>sistemas de irrigação. A água dos lagos pode ser usada também para</p><p>gerar energia em usinas hidreléctricas. Além disso, nadadores e</p><p>velejadores aproveitam os lagos para recreação.</p><p>Poluição nos lagos</p><p>Normalmente nos lagos, como existe menos corrente, há uma maior</p><p>vulnerabilidade à contaminação por fertilizantes, petróleo e derivados,</p><p>pesticidas ou outras substâncias tóxicas.</p><p>Figura10: poluição dos lagos</p><p>Fonte: Escola Britânica (2015)</p><p>A eutrofização consiste no enriquecimento excessivo em nutrientes</p><p>(azoto e fosforo), promovendo o desenvolvimento de organismos</p><p>fotoautotróficos (algas verdes e cianobactérias) que conferem à água</p><p>uma coloração esverdeada. Este processo é um dos problemas mais</p><p>graves a nível de ecossistemas aquáticos e tem origem natural ou</p><p>cultural.</p><p>http://escola.britannica.com.br/article/481588/irrigacao</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>86</p><p>Eutrofização natural: processo demorado associado a processos</p><p>naturais de evolução dos ecossistemas (sucessão ecológica) Ex.</p><p>ecossistema lacustre tende a transformar-se num ecossistema</p><p>terrestre.</p><p>Eutrofização cultural: Processo mais acelerado relacionado com as</p><p>actividades humanas Ex.: ecossistemas de água doce próximos de</p><p>zonas urbanas ou áreas agrícolas intensiva. (Lucas: 2014)</p><p>Figura11: Eutrofização</p><p>Fonte: Escola Britânica (2015)</p><p>Consequências:</p><p>1. perda de biodiversidade</p><p>2. Alterações na composição das espécies</p><p>3. Efeitos tóxicos</p><p>4. Impactos ecológicos e desequilíbrios no ecossistema</p><p>Parâmetros de qualidade das águas</p><p>Para caracterização da qualidade de água são realizadas colheitas, que</p><p>serão sujeitas a exames e análises. Existem variáveis físicas, químicas e</p><p>biológicas.</p><p>Variáveis físicas: cor, turvação, sabor e odor avaliadas em escalas</p><p>próprias.</p><p>Variáveis Químicas: -salinidade, dureza, alcalinidade, oxidabilidade,</p><p>ferro, nitratos, sólidos dissolvidos totais, substâncias tóxicas expressas</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>87</p><p>em concentração (mg/L)</p><p>Variáveis biológicas: avaliadas pela densidade populacional que se</p><p>pretende identificar</p><p>Os exames e análises são realizados segundo métodos padronizados e</p><p>por entidades especializadas.</p><p>Parâmetros utilizados:</p><p>-número de colónias de bactérias provenientes das fezes humanas</p><p>presentes em 100mL de amostra de água</p><p>- a presença de Escherichia coli</p><p>-quantidade de matéria orgânica biodegradável (resíduos que são</p><p>passiveis de serem decompostos pela actividade de organismos</p><p>anaeróbios e aeróbios) (Lucas: 2014)</p><p>4.3.2. Pântano</p><p>Os pântanos são formados por águas paradas e pouco profundas,</p><p>situadas sobre um manto impermeável, com uma vegetação bastante</p><p>densa e um solo com grandes quantidades de vegetação em</p><p>decomposição. O pântano se forma em planícies mal drenadas.</p><p>Normalmente estão localizados no curso baixo dos rios e nas zonas</p><p>litorâneas, mas também podem ocorrer no curso alto e médio dos</p><p>rios.</p><p>Figura12: pântano da Louisiana, EUA.</p><p>Fonte: Rabe (2011),</p><p>Os pântanos, segundo Rabe (2011), podem acontecer em água salgada</p><p>ou doce. Os de água doce estão nas beiras pouco profundas de lagos e</p><p>rios de águas calmas, e aparecem na medida em que as lagoas e lagos</p><p>são recheados por sedimentos. Os pântanos de água salgada</p><p>aparecem nas planícies inundadas pelas marés, nas zonas costeiras.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>88</p><p>Os pântanos salgados situados longe do mar, estão localizados ao</p><p>redor de lagos ou lagoas salgadas. A natureza do pântano (sua</p><p>composição vegetal e diversidade de espécies) está fortemente</p><p>influenciada pela sua relação com os ecossistemas mais próximos.</p><p>Estes determinam a quantidade de nutrientes que chegam, o</p><p>movimento da água e o tipo e quantidade de sedimentos ali</p><p>depositados.</p><p>De acordo com o mesmo autor, os pântanos têm uma vegetação e</p><p>uma fauna bem características, com frequentes endemismos. Suas</p><p>plantas são hidrófilas, ou seja, toleram grande quantidade de água,</p><p>mas também são capazes de sobreviver em solos com pouco oxigênio.</p><p>Não existem muitas espécies com estas características, fato que faz</p><p>dos pântanos serem pobres em espécies, mas abundante em massa</p><p>biológica. Normalmente são raras as plantas que em este ambiente</p><p>alcançam grandes tamanhos.</p><p>Pântanos têm uma rica vegetação submersa: algas e bactérias,</p><p>principalmente. Existem plantas que se especializaram em viver sobre</p><p>a água, como os nenúfares e algumas enraizadas como o lírio de água.</p><p>Estas águas são propícias para algumas espécies de répteis (crocodilos</p><p>e serpentes) e anfíbios como as rãs. A temperatura suave e a grande</p><p>humidade fazem com que os insectos encontrem um lugar ideal para</p><p>se reproduzir.Além da fauna aquática, estes ecossistemas estão</p><p>colonizados por aves especializadas em alimentar-se e construir</p><p>ninhos neste ambiente: flamingos, garças, cegonhas, etc.</p><p>Na América do Sul, podemos citar alguns pântanos, tais como: Rio</p><p>Cruces (Chile); Esteros Del Ibera (Argentina); Pântanos de Villa (Peru) e</p><p>Delta Del Paraná (Argentina)</p><p>A importância dos pântanos</p><p>Um dos ambientes mais ignorados pelo ser humano na natureza, é ao</p><p>mesmo tempo um dos mais importantes do planeta, os pântanos. Nele</p><p>vivem diversas espécies de peixes, pássaros e outros animais que de</p><p>alguma forma estão ligados e necessitam desse ecossistema em sua</p><p>sobrevivência.</p><p>Podemos encontrar nos pântanos principalmente, as seguintes</p><p>espécies: jacarés, capivaras, peixes (dourado, pintado, curimbatá,</p><p>pacu), ariranhas, onça-pintada, macaco-prego,veado-campeiro, lobo-</p><p>guará, cervo-do-pantanal, tatu, bicho-preguiça, tamanduá, lagartos,</p><p>cágados, jabutis, cobras (jibóia e sucuri) e pássaros (tucanos, jaburus,</p><p>garças, papagaios, araras, emas, gaviões).</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/algas/</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/reino-monera-bacterias-cianobacterias/</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/repteis-classe-reptilia/</p><p>http://www.infoescola.com/biologia/classe-amphibia-anfibios/</p><p>http://www.infoescola.com/aves/flamingo/</p><p>http://www.infoescola.com/aves/cegonha/</p><p>http://www.infoescola.com/geografia/america-do-sul/</p><p>http://tartarugamarinha.blogspot.com/2011/03/importancia-dos-pantanos.html</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>89</p><p>E num momento onde se fala tanto de efeito estufa, e que se tem</p><p>tanta preocupação com o meio ambiente, é importante lembrar que a</p><p>região pantaneira tem grande importância na regulagem do clima, e</p><p>do nível dos rios de uma região, e que sua destruição só agrava o</p><p>aquecimento global.</p><p>Pântanos, os subestimados salvadores do clima – Seu crescimento,</p><p>sozinho, seria suficiente para reduzir as emissões de CO2 a 100</p><p>milhões de toneladas por ano, a meta do Protocolo de Kyoto.</p><p>“Infelizmente, as pessoas ainda não têm consciência sobre a</p><p>importância dos pântanos no combate ao aquecimento global”,</p><p>lamenta John Couwenberg, pesquisador da Universidade de</p><p>Greifswald, na Alemanha. Embora</p><p>os pântanos correspondam a</p><p>apenas 3% da superfície da Terra, eles têm papel importante no ajuste</p><p>da temperatura do planeta, pois capturam mais gás carbônico do que</p><p>todas as florestas do mundo juntas.</p><p>As áreas pantanosas estão localizadas principalmente nas regiões frias</p><p>das zonas boreais, entre as latitudes 50 e 70 do hemisfério norte. A</p><p>Rússia sozinha abriga mais de um quinto dos pântanos em todo o</p><p>mundo.</p><p>Outras grandes regiões pantanosas existem também no Canadá e na</p><p>Escandinávia, além da bacia amazônica e do sudeste asiático. Mesmo</p><p>na África, segundo Couwenberg, estimam-se significativas áreas</p><p>pantanosas na bacia do Congo e no Delta do Níger. (Rabe: 2011)</p><p>Sumário</p><p>Esta unidade tratou dos lagos e pântanos. Foram apresentadas as</p><p>diferenças existentes entre eles. A importância de cada recurso</p><p>aquática e as várias formas de protege – los da poluição.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1. Desenvolvimento devido a desmoronamento ou lagoas formadas</p><p>devido a "beliscões" na terra</p><p>a)Lagos Glaciares; b) Lagos Tectónicos;c) Lagos de calcário; d)</p><p>Barragens que forma lagos ou lagoas</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>90</p><p>2. Desenvolvimento através da reclamação erosiva dos glaciares e do</p><p>derretimento dos mesmos na crista da terra criando aqueles que são o</p><p>tipo de lagos mais frequentemente encontrados no mundo</p><p>a)Lagos Glaciares; b) Lagos Tectónicos;c) Lagos de calcário; d)</p><p>3. O Lago Baikal na Rússia, pertence aos</p><p>a)Lagos Glaciares; b) Lagos Tectónicos;c) Lagos de calcário; d)</p><p>Barragens que forma lagos ou lagoas</p><p>4. Desenvolvimento devido a uma solução de carbonato ou salina na</p><p>cama rochosa da terra e devido ao desmoronar da superfície da terra</p><p>a)Lagos Glaciares; b) Lagos Tectónicos) Lagos de calcário; d) Barragens</p><p>que forma lagos ou lagoas</p><p>5. O lago superior localiza se na</p><p>a) África; b) Ásia; c) América do Sul; d)América do Norte</p><p>6. O lago Michigan localiza se na</p><p>a) África; b) Ásia; c) América do Sul; d)América do Norte</p><p>7. O lago Baikal localiza se na</p><p>a) África; b) Ásia; c) América do Sul; d)América do Norte</p><p>8. O lago victoria localiza se na</p><p>a) África; b) Ásia; c) América do Sul; d)América do Norte</p><p>9. São formados por águas paradas e pouco profundas, situadas sobre</p><p>um manto impermeável, com uma vegetação bastante densa e um</p><p>solo com grandes quantidades de vegetação em decomposição. Trata</p><p>se de</p><p>a) Pântanos; b) lagos; c) oceanos; d) rios</p><p>10. O processo que consiste no enriquecimento excessivo em</p><p>nutrientes (azoto e fosforo), promovendo o desenvolvimento de</p><p>organismos fotoautotróficos (algas verdes e cianobactérias) que</p><p>conferem à água uma coloração esverdeada, denomina se por</p><p>a) Eutrofização natural; b) Eutrofização cultural; c) eutrofização; d)</p><p>Eutrofização cultural ou natural</p><p>Respostas:1d); 2a); 3b); 4c); 5d); 6d); 7b); 8a); 9a); 10c)</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>91</p><p>Exercícios</p><p>1. Diferencie os lagos dos pântanos?</p><p>2. Que consequência traz a poluição dos lagos e pântanos?</p><p>3. Qual é a importância dos pântanos?</p><p>4. Mencione as fontes de poluição dos lagos</p><p>5. Que medidas devem ser tomadas para evitar a poluição dos</p><p>pântanos e lagos</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO DO TEMA 4</p><p>1. Desenvolvimento devido a desmoronamento ou lagoas formadas</p><p>devido a "beliscões" na terra, são conhecidos por</p><p>a)Lagos Glaciares; b) Lagos Tectónicos;c) Lagos de calcário ; d)</p><p>Barragens que forma lagos ou lagoas</p><p>2. Desenvolvimento através da reclamação erosiva dos glaciares e do</p><p>derretimento dos mesmos na crista da terra criando aqueles que são o</p><p>tipo de lagos mais frequentemente encontrados no mundo</p><p>a)Lagos Glaciares; b) Lagos Tectónicos ;c) Lagos de calcário ; d)</p><p>Barragens que forma lagos ou lagoas</p><p>3. Os rios que correm o ano inteiro, ou seja, não apresentam</p><p>interrupção no fluxo de suas águas sobre nenhum período, seja ele de</p><p>seca, seja de cheia, chamam se de</p><p>a) intermitentes; b) perenes; c) efémeros; d) de águas brancas</p><p>4. Os rios que correm em apenas um período do ano, ou seja, secam</p><p>nas épocas de estiagem, são designados por</p><p>a) intermitentes; b) perenes; c) efémeros; d) de águas brancas</p><p>5. O rio Danúbio localiza se na</p><p>a)América do norte; b) América do sul; c) África e Ásia ocidental; d)</p><p>Europa</p><p>Respostas: 1d); 2a); 3b); 4a); 5d</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>92</p><p>TEMA V: ÁGUAS SUBTERRÂNEAS E AQUÍFEROS.</p><p>UNIDADE Temática 5.1. Águas Subterrâneas</p><p>UNIDADE Temática 5.2. Aquíferos</p><p>UNIDADE Temática 5.1. Águas Subterrâneas</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, nesta unidade temática, será feito o estudo das águas</p><p>subterrâneas. Serão abordadas matérias como o conceito das águas</p><p>subterrâneas, sua ocorrência e classificação, tanto como sua</p><p>importância para a humanidade.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Explicar origem das águas subterrâneas</p><p>▪ Classificar as águas subterrâneas</p><p>▪ Conhecer a importância das águas subterrâneas</p><p>Desenvolvimento</p><p>Conceito de águas subterrâneas</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>93</p><p>Água subterrânea, de acordo com Húo (2009), é toda a água que</p><p>ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios</p><p>intergranulares das rochas sedimentares, ou as fracturas, falhas e</p><p>fissuras das rochas compactas, e que sendo submetida a duas forças</p><p>(de adesão e de gravidade) desempenha um papel essencial na</p><p>manutenção da humidade do solo, do fluxo dos rios, lagos e brejos.</p><p>As águas subterrâneas cumprem uma fase do ciclo hidrológico, uma</p><p>vez que constituem uma parcela da água precipitada</p><p>Para Húo (2009), após a precipitação, parte das águas que atinge o</p><p>solo se infiltra e percola no interior do subsolo, durante períodos de</p><p>tempo extremamente variáveis, decorrentes de muitos factores, como</p><p>sejam:</p><p>- Porosidade do subsolo: a presença de argila no solo diminui sua</p><p>permeabilidade, não permitindo uma grande infiltração;</p><p>- Cobertura vegetal: um solo coberto por vegetação é mais permeável</p><p>do que um solo desmatado;</p><p>- Inclinação do terreno: em declividades acentuadas a água corre mais</p><p>rapidamente, diminuindo a possibilidade de infiltração;</p><p>- Tipo de chuva: chuvas intensas saturam rapidamente o solo, ao passo</p><p>que chuvas finas e demoradas têm mais tempo para se infiltrarem.</p><p>Durante a infiltração, uma parcela da água sob a acção da força de</p><p>adesão ou de capilaridade fica retida nas regiões mais próximas da</p><p>superfície do solo, constituindo a zona não saturada.</p><p>Outra parcela, sob a acção da gravidade, atinge as zonas mais</p><p>profundas do subsolo, constituindo a zona saturada.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>94</p><p>FIGURA: Caracterização esquemática das zonas saturadas e não</p><p>saturadas no subsolo</p><p>Fonte: UNESCO (1978)</p><p>Zona não saturada: também chamada de zona de aeração ou vadosa,</p><p>é a parte do solo que está parcialmente preenchida por água. Nesta</p><p>zona, pequenas quantidades de água distribuem-se uniformemente,</p><p>sendo que as suas moléculas se aderem às superfícies dos grãos do</p><p>solo. Nesta zona ocorre o fenómeno da transpiração pelas raízes das</p><p>plantas, de filtração e de autodepuração da água. Dentro desta zona</p><p>encontra-se:</p><p>- Zona de humidade do solo: é a parte mais superficial, onde a perda</p><p>de água de adesão para a atmosfera é intensa. Em alguns casos é</p><p>muito grande a quantidade de sais que se precipitam na superfície do</p><p>solo após a evaporação dessa água, dando origem a solos salinizados</p><p>ou a crostas ferruginosas (lateríticas). Esta zona serve de suporte</p><p>fundamental da biomassa vegetal natural ou cultivada da Terra e da</p><p>interface atmosfera / litosfera.</p><p>- Zona intermediária: região compreendida entre a zona de humidade</p><p>do solo e da franja capilar, com humidade menor do que nesta última</p><p>e maior do que a da zona superficial do solo.</p><p>Em áreas onde o nível freático está próximo da superfície, a zona</p><p>intermediária pode não existir, pois a franja capilar atinge a superfície</p><p>do solo. São brejos e alagadiços, onde há uma intensa evaporação da</p><p>água subterrânea.</p><p>- Franja de capilaridade: é a região mais próxima ao nível de água do</p><p>lençol freático, onde a humidade é maior devido à presença da zona</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>95</p><p>saturada logo abaixo.</p><p>Zona saturada: é a região abaixo da zona não saturada onde os poros</p><p>ou fracturas da rocha estão totalmente preenchidos por água.</p><p>As águas atingem esta zona por gravidade, através dos poros ou</p><p>fracturas até alcançar uma profundidade limite, onde as rochas estão</p><p>tão saturadas que a água não pode penetrar mais.</p><p>Para que haja infiltração até a zona saturada, é necessário primeiro</p><p>satisfazer as necessidades da força de adesão na zona não saturada.</p><p>Nesta zona, a água corresponde ao excedente de água da zona não</p><p>saturada que se move em velocidades muito lentas (em/dia),</p><p>formando o manancial subterrâneo propriamente dito. Uma parcela</p><p>dessa água irá desaguar na superfície dos terrenos, formando as</p><p>fontes, olhos de água.</p><p>A outra parcela desse fluxo subterrâneo forma o caudal basal que</p><p>desagua nos rios, perenizando-os durante os períodos de estiagem,</p><p>com uma contribuição multianual média da ordem de 13.000</p><p>km3/ano, ou desagua directamente nos lagos e oceanos.</p><p>A superfície que separa a zona saturada da zona de aeração é</p><p>chamada de nível freático, ou seja, este nível corresponde ao topo da</p><p>zona saturada.</p><p>Dependendo das características climatológicas da região ou do volume</p><p>de precipitação e escoamento da água, esse nível pode permanecer</p><p>permanentemente a grandes profundidades, ou se aproximar da</p><p>superfície horizontal do terreno, originando as zonas encharcadas ou</p><p>pantanosas, ou convertendo-se em mananciais (nascentes) quando se</p><p>aproxima da superfície através de um corte no terreno.</p><p>Ocorrência e Volume das Águas Subterrâneas</p><p>Assim como a distribuição das águas superficiais é muito variável, a</p><p>das águas subterrâneas também é, uma vez que elas se inter-</p><p>relacionam no ciclo hidrológico e dependem das condições</p><p>climatológicas.</p><p>Entretanto, as águas subterrâneas (10.360.230 km3) são</p><p>aproximadamente 100 vezes mais abundantes que as águas</p><p>superficiais dos rios e lagos (92.168 km3). Embora elas encontrem-se</p><p>armazenadas nos poros e fissuras milimétricas das rochas, estas</p><p>ocorrem em grandes extensões, gerando grandes volumes de águas</p><p>subterrâneas na ordem de, aproximadamente, 23.400 km3,</p><p>distribuídas em uma área aproximada de 134,8 milhões de km2,</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>96</p><p>constituindo-se em importantes reservas de água doce.</p><p>Alguns especialistas indicam que a quantidade de água subterrânea</p><p>pode chegar até 60 milhões de km3, mas a sua ocorrência em grandes</p><p>profundidades pode impossibilitar seu uso. Por essa razão, a</p><p>quantidade passível de ser captada estaria a menos de 4.000 metros</p><p>de profundidade, compreendendo cerca de 8 e 10 milhões de km3,</p><p>que, segundo Rebouças et al. (2002), estaria assim distribuída: 65.000</p><p>km3 constituindo a humidade do solo; 4,2 milhões de km3 desde a</p><p>zona não-saturada até 750 m de profundidade, e 5,3 milhões de km3</p><p>de 750 m até 4.000 m de profundidade, constituindo o manancial</p><p>subterrâneo.</p><p>Além disso, a quantidade de água capaz de ser armazenada pelas</p><p>rochas e pelos materiais não consolidados em geral depende da</p><p>porosidade dessas rochas, que pode ser de até 45%, da comunicação</p><p>desses poros entre si ou da quantidade e tamanho das aberturas de</p><p>fracturas existentes.</p><p>No Brasil, as reservas de água subterrânea são estimadas em 112.000</p><p>km3 (112 trilhões de m3) e a contribuição multianual média à</p><p>descarga dos rios é da ordem de 2.400 km3 /ano.</p><p>Nem todas as formações geológicas possuem características</p><p>hidrodinâmicas que possibilitem a extracção económica de água</p><p>subterrânea para atendimento de médias e grandes vazões pontuais.</p><p>As vazões já obtidas por poços variam, no Brasil, desde menos de 1</p><p>m3/h até mais de 1.000 m3/h .</p><p>Na Argentina, a contribuição multianual média à descarga dos rios é</p><p>da ordem de 128 km3/ano, no Paraguai, de 41 km3/ano e no Uruguai,</p><p>de 23 km3/ano. (UNESCO:1978).</p><p>Qualidade das Águas Subterrâneas</p><p>Durante o percurso no qual a água percola entre os poros do subsolo e</p><p>das rochas, ocorre a depuração da mesma através de uma série de</p><p>processos físico-químicos (troca iónica, decaimento radioactivo,</p><p>remoção de sólidos em suspensão, neutralização de pH em meio</p><p>poroso, entre outros) e bacteriológicos (eliminação de</p><p>microorganismos devido à ausência de nutrientes e oxigénio que os</p><p>viabilizem) que agindo sobre a água, modificam as suas características</p><p>adquiridas anteriormente, tornando-a particularmente mais adequada</p><p>ao consumo humano.</p><p>Sendo assim, a composição química da água subterrânea é o resultado</p><p>combinado da composição da água que adentra o solo e da evolução</p><p>química influenciada directamente pelas litologias atravessadas, sendo</p><p>que o teor de substâncias dissolvidas</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>97</p><p>nas águas subterrâneas vai aumentando à medida que prossegue no</p><p>seu movimento.</p><p>As águas subterrâneas apresentam algumas propriedades que tornam</p><p>o seu uso mais vantajoso em relação ao das águas dos rios (UNESCO:</p><p>1978):</p><p>- São filtradas e purificadas naturalmente através da percolação,</p><p>determinando excelente qualidade e dispensando tratamentos</p><p>prévios;</p><p>- Não ocupam espaço em superfície; sofrem menor influência nas</p><p>variações climáticas; são passíveis de extracção perto do local de uso;</p><p>- Possuem temperatura constante; têm maior quantidade de reservas;</p><p>- Necessitam de custos menores como fonte de água; as suas reservas</p><p>e captações não ocupam área superficial;</p><p>- Apresentam grande protecção contra agentes poluidores; o uso do</p><p>recurso aumenta a reserva e melhora a qualidade;</p><p>- Possibilitam a implantação de projectos de abastecimento à medida</p><p>da necessidade .</p><p>Uso das Águas Subterrâneas</p><p>A exploração de água subterrânea está condicionada a factores</p><p>quantitativos, qualitativos e económicos (UNESCO: 1978):</p><p>- Quantidade: intimamente ligada à condutividade hidráulica e ao</p><p>coeficiente de armazenamento dos terrenos.</p><p>- Qualidade: influenciada pela composição das rochas e condições</p><p>climáticas e de renovação das águas;</p><p>- Económico: depende da profundidade do aquífero e das condições</p><p>de bombeamento.</p><p>Contudo, o aproveitamento das águas subterrâneas data de tempos</p><p>antigos e sua evolução tem acompanhado a própria evolução da</p><p>humanidade, sendo que o seu crescente uso se deve ao</p><p>melhoramento das técnicas de construção de poços e dos métodos de</p><p>bombeamento, permitindo a extracção de água em volumes e</p><p>profundidades cada vez maiores e possibilitando o suprimento de</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>98</p><p>água a cidades, indústrias, projectos de irrigação, etc.</p><p>A relação, em termos de demanda quanto ao uso, varia entre os</p><p>países, e nestes, de região para região, constituindo o abastecimento</p><p>público, de modo geral, a maior demanda individual.</p><p>Segundo ABAS, praticamente todos os países do mundo,</p><p>desenvolvidos ou não, utilizam água subterrânea para suprir suas</p><p>necessidades. Países como a Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca,</p><p>França, Holanda, Hungria, Itália, Marrocos, Rússia e Suíça atendem de</p><p>70 a 90% da demanda para o abastecimento público. Outros utilizam a</p><p>água subterrânea no atendimento total (Dinamarca, Arábia Saudita,</p><p>Malta) ou apenas como suplementação do abastecimento público e de</p><p>actividades como irrigação, produção de energia, turismo,</p><p>indústria,</p><p>etc.</p><p>Na Austrália, 60% do país depende totalmente do manancial</p><p>subterrâneo e em mais de 20% o seu uso é preponderante. A cidade</p><p>do México atende cerca de 80% da demanda dos quase 20 milhões de</p><p>habitantes.</p><p>A mais de 50% da população mundial poderia estar sendo abastecida</p><p>pelo manancial subterrâneo.</p><p>Regiões áridas e semi-áridas (Nordeste do Brasil e a Austrália), e certas</p><p>ilhas, têm a água subterrânea como o único recurso hídrico disponível</p><p>para uso humano. Até regiões desérticas, como a Líbia, têm a</p><p>demanda de água em cidades e na irrigação atendida por poços</p><p>tubulares perfurados em pleno deserto do Saara.</p><p>Estima-se em 300 milhões o número de poços perfurados no mundo</p><p>nas três últimas décadas, 100 milhões dos quais nos Estados Unidos,</p><p>onde são perfurados cerca de 400 mil poços por ano, com uma</p><p>extração de mais de 120 bilhões de m3/ano, atendendo mais de 70%</p><p>do abastecimento público e das indústrias.</p><p>Na África do Norte, China, Índia, Estados Unidos e Arábia Saudita,</p><p>cerca de 160 bilhões de toneladas de água são retirados por ano e não</p><p>se renovam. Essa água daria para produzir comida suficiente para 480</p><p>milhões de pessoas por ano.</p><p>A expansão das terras agrícolas vem provocando também o uso</p><p>intensivo das águas subterrâneas, além do uso habitual das fontes</p><p>superficiais. Existem diversos exemplos no mundo de esgotamento de</p><p>aquíferos por sobreexploração para uso em irrigação. Avalia-se que</p><p>existam no mundo 270 milhões de hectares irrigados com água</p><p>subterrânea, 13 milhões desses nos Estados Unidos e 31 milhões na</p><p>Índia.(UNESCO:1978).</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>99</p><p>Vários núcleos urbanos no Brasil abastecem-se de água subterrânea</p><p>de forma exclusiva ou complementar, constituindo o recurso mais</p><p>importante de água doce.</p><p>Indústrias, propriedades rurais, escolas, hospitais e outros</p><p>estabelecimentos utilizam, com frequência, água de poços profundos.</p><p>Sumário</p><p>Esta unidade temática tratou das águas subterrâneas. Foram</p><p>focalizados assuntos como a origem das águas subterrâneas,</p><p>sua função e sua distribuição pelo mundo. Foi feita igualmente</p><p>a classificação das águas subterrâneas segundo vários critérios.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1. Após a precipitação, parte das águas que atinge o solo se infiltra e</p><p>percola no interior do subsolo, durante períodos de tempo</p><p>extremamente variáveis, decorrentes de seguintes factores:</p><p>a) porosidade do subsolo, ventos, inclinação do terreno e tipo de</p><p>chuva</p><p>b) porosidade do subsolo, cobertura vegetal, inclinação do terreno e</p><p>ventos</p><p>c) ventos, cobertura vegetal, inclinação do terreno e tipo de chuva</p><p>d) porosidade do subsolo, cobertura vegetal, inclinação do terreno e</p><p>tipo de chuva</p><p>2. A presença de argila no solo</p><p>a) Diminui permeabilidade do solo, não permitindo grande infiltração</p><p>da água</p><p>b) Diminui permeabilidade do solo, permitindo grande infiltração da</p><p>água</p><p>c) Aumenta permeabilidade do solo, não permitindo grande infiltração</p><p>da água</p><p>d) Não influencia na infiltração da água</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>100</p><p>3. Um solo coberto por vegetação</p><p>a) É mais permeável do que um solo desmatado</p><p>b) Não é mais permeável do que um solo desmatado</p><p>c) pode ser mais permeável do que um solo desmatado</p><p>d) não possui permeabilidade</p><p>4. Em solos de declividades acentuadas a água corre mais</p><p>rapidamente,</p><p>a)Aumentando a possibilidade de infiltração</p><p>b)Diminuindo a possibilidade de infiltração</p><p>c) Não havendo nenhuma possibilidade de infiltração</p><p>d) Nenhuma das anteriores</p><p>5. A região mais próxima ao nível de água do lençol freático, onde a</p><p>humidade é maior devido à presença da zona saturada logo abaixo,</p><p>chama se:</p><p>a)Zona não saturada; b) Zona de humidade do solo; c) Zona saturada;</p><p>d) Franja de capilaridade</p><p>6. A parte mais superficial, onde a perda de água de adesão para a</p><p>atmosfera é intensa, denomina se por</p><p>a)Zona não saturada; b) Zona de humidade do solo; c) Zona saturada;</p><p>d) Franja de capilaridade</p><p>7. A zona de aeração ou vadosa também é conhecida por</p><p>a)Zona não saturada; b) Zona de humidade do solo; c) Zona saturada;</p><p>d) Franja de capilaridade</p><p>8. A região abaixo da zona não saturada onde os poros ou fracturas da</p><p>rocha estão totalmente preenchidos por água, chama se</p><p>a)Zona não saturada; b) Zona de humidade do solo; c) Zona saturada;</p><p>d) Franja de capilaridade</p><p>9. A parte do solo que está parcialmente preenchida por água, chama</p><p>se</p><p>a)Zona não saturada; b) Zona de humidade do solo; c) Zona saturada;</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>101</p><p>d) Franja de capilaridade</p><p>10. As águas subterrâneas são utilizadas</p><p>a) em apenas países desenvolvidos; b) em apenas em países em</p><p>desenvolvimento;</p><p>c) apenas em países africano; d) em todos países do mundo</p><p>Respostas: 1d); 2a); 3a); 4b); 5d); 6b); 7a); 8c); 9a); 10d.</p><p>Exercícios</p><p>1. O que entende por águas subterrâneas?</p><p>2. Diferencie as zonas saturadas das não saturadas do subsolo?</p><p>3. Qual é a importância das águas subterrâneas?</p><p>4. Quais os factores que influenciam na infiltração das águas no</p><p>solo?</p><p>5. O que entende por permeabilidade dos solos?</p><p>UNIDADE Temática.5.2. Aquíferos</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante nesta unidade temática, terá a oportunidade de</p><p>conhecer o significado de aquífero, sua distribuição e importância.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Conhecer o significado de aquífero</p><p>▪ Classificar aquíferos segundo vários critérios</p><p>▪ Conhecer a função dos aquíferos</p><p>Desenvolvimento</p><p>Conceito de aquífero</p><p>Aquífero é, segundo UNESCO1978, uma formação geológica do</p><p>subsolo, constituída por rochas permeáveis, que armazena água em</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>102</p><p>seus poros ou fracturas.</p><p>Outro conceito refere-se a aquífero como sendo, somente, o material</p><p>geológico capaz de servir de depositório e de transmissor da água aí</p><p>armazenada. Assim, uma litologia só será aquífera se, além de ter seus</p><p>poros saturados (cheios) de água, permitir a fácil transmissão da água</p><p>armazenada.</p><p>Um aquífero pode ter extensão de poucos quilómetros quadrados a</p><p>milhares de quilómetros quadrados, ou pode, também, apresentar</p><p>espessuras de poucos metros a centenas de metros.</p><p>Etimologicamente, aquífero significa: aqui = água; fero = transfere; ou</p><p>do grego, suporte de água.</p><p>Os aquíferos mais importantes do mundo, seja por extensão ou pela</p><p>transnacionalidade, são: o Guarani - Argentina, Brasil, Paraguai,</p><p>Uruguai (1,2 milhões de km2); o Arenito Núbia Líbia, Egito, Chade,</p><p>Sudão (2 milhões de km2); o KalaharijKaroo -Namíbia, Bostwana,</p><p>África do Sul (135 mil km2); o Digitalwaterway vechte - Alemanha,</p><p>Holanda (7,5 mil km2); o SlovakKarst-Aggtelek -República Eslováquia e</p><p>Hungria); o Praded - República Checa e Polônia (3,3 mil km2) (UNESCO,</p><p>2001); a Grande Bacia Artesiana (1,7 milhões km2) e a Bacia Murray</p><p>(297 mil km2), ambos na Austrália. Em um recente levantamento, a</p><p>UNECE da</p><p>Tipos de Aquíferos</p><p>A litologia do aquífero, ou seja, a sua constituição geológica</p><p>(porosidade/permeabilidade intergranular ou de fissuras) é que irá</p><p>determinar a velocidade da água em seu meio, a qualidade da água e a</p><p>sua qualidade como reservatório.</p><p>Essa litologia é decorrente da sua origem geológica, que pode ser</p><p>fluvial, lacustre, eólica, glacial e aluvial (rochas sedimentares),</p><p>vulcânica (rochas fracturadas) e metamórfica (rochas calcáreas),</p><p>determinando os diferentes tipos de aquíferos.</p><p>Quanto à porosidade, existem três tipos aquíferos, segundo Húo</p><p>(2009):</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>103</p><p>Figura: tipos de aquíferos quanto a porosidade</p><p>Fonte: UNESCO (1978)</p><p>- Aquífero</p><p>poroso ou sedimentar - é aquele formado por rochas</p><p>sedimentares consolidadas, sedimentos inconsolidados ou solos</p><p>arenosos, onde a circulação da água se faz nos poros formados entre</p><p>os grãos de areia, silte e argila de granulação variada.</p><p>Constituem os mais importantes aquíferos, pelo grande volume de</p><p>água que armazenam, e por sua ocorrência em grandes áreas. Esses</p><p>aquíferos ocorrem nas bacias sedimentares e em todas as várzeas</p><p>onde se acumularam sedimentos arenosos.</p><p>Uma particularidade desse tipo de aquífero é sua porosidade quase</p><p>sempre homogeneamente distribuída, permitindo que a água flua</p><p>para qualquer direcção, em função tão somente dos diferenciais de</p><p>pressão hidrostática ali existente. Essa propriedade é conhecida como</p><p>isotropia.</p><p>- Aquífero fracturado ou fissural - formado por rochas ígneas,</p><p>metamórficas ou cristalinas, duras e maciças, onde a circulação da</p><p>água se faz nas fracturas, fendas e falhas, abertas devido ao</p><p>movimento tectónico. Ex.: basalto, granitos, gabros, filões de quartzo,</p><p>etc..</p><p>A capacidade dessas rochas de acumularem água está relacionada à</p><p>quantidade de fracturas, suas aberturas e intercomunicação,</p><p>permitindo a infiltração e fluxo da água. Poços perfurados nessas</p><p>rochas fornecem poucos metros cúbicos de água por hora, sendo que</p><p>a possibilidade de se ter um poço</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>104</p><p>produtivo dependerá, somente, desse poço intersetar fracturas</p><p>capazes de conduzir a água. Nesses aquíferos, a água só pode fluir</p><p>onde houver fracturas, que, quase sempre, tendem a ter orientações</p><p>preferenciais. São ditos, portanto, aquíferos anisotrópicos.</p><p>Um caso particular de aquífero fracturado é representado pelos</p><p>derrames de rochas vulcânicas basálticas, das grandes bacias</p><p>sedimentares brasileiras.</p><p>- Aquífero cárstico (Karst) - formado em rochas calcáreas ou</p><p>carbonáticas, onde a circulação da água se faz nas fracturas e outras</p><p>descontinuidades (diáclases) que resultaram da dissolução do</p><p>carbonato pela água. Essas aberturas podem atingir grandes</p><p>dimensões, criando, nesse caso, verdadeiros rios subterrâneos. São</p><p>aquíferos heterogéneos, descontínuos, com águas duras, com fluxo</p><p>em canais. As rochas são os calcários, dolomitos e mármores.</p><p>Quanto à superfície superior (segundo a pressão da água), os aquíferos</p><p>podem ser de dois tipos (Unesco:1978):</p><p>Figura: Tipos de aquíferos quanto a pressão</p><p>Fonte: Idem</p><p>- Aquífero livre ou freático - é aquele constituído por uma formação</p><p>geológica permeável e superficial, totalmente aflorante em toda a sua</p><p>extensão, e limitado na base por uma camada impermeável.</p><p>A superfície superior da zona saturada está em equilíbrio com a</p><p>pressão atmosférica, com a qual se comunica livremente. Os aquíferos</p><p>livres têm a chamada recarga directa. Em aquíferos livres o nível da</p><p>água varia segundo a quantidade de</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>105</p><p>chuva. São os aquíferos mais comuns e mais explorados pela</p><p>população. São também os que apresentam maiores problemas de</p><p>contaminação.</p><p>- Aquífero confinado ou artesiano - é aquele constituído por uma</p><p>formação geológica permeável, confinada entre duas camadas</p><p>impermeáveis ou semipermeáveis.</p><p>A pressão da água no topo da zona saturada é maior do que a pressão</p><p>atmosférica naquele ponto, o que faz com que a água ascenda no</p><p>poço para além da zona aquífera. O seu reabastecimento ou recarga,</p><p>através das chuvas, dá-se preferencialmente nos locais onde a</p><p>formação aflora à superfície. Neles, o nível da água encontra-se sob</p><p>pressão, podendo causar artesianismo nos poços que captam suas</p><p>águas.</p><p>Os aquíferos confinados têm a chamada recarga indirecta e quase</p><p>sempre estão em locais onde ocorrem rochas sedimentares profundas</p><p>(bacias sedimentares).</p><p>O aquífero semi-confinado que é aquele que se encontra limitado na</p><p>base, no topo, ou em ambos, por camadas cuja permeabilidade é</p><p>menor do que a do aquífero em si. O fluxo preferencial da água se dá</p><p>ao longo da camada aquífera. Secundariamente, esse fluxo se dá</p><p>através das camadas semi-confinantes, à medida que haja uma</p><p>diferença de pressão hidrostática entre a camada aquífera e as</p><p>camadas subjacentes ou sobrejacentes.</p><p>Em certas circunstâncias, um aquífero livre poderá ser abastecido por</p><p>água oriunda de camadas semiconfinadas subjacentes, ou vice-versa.</p><p>Zonas de fracturas ou falhas geológicas poderão, também, constituir-</p><p>se em pontos de fuga ou recarga da água da camada confinada.</p><p>Em uma perfuração de um aquífero confinado, a água subirá acima do</p><p>tecto do aquífero, devido à pressão exercida pelo peso das camadas</p><p>confinantes sobrejacentes. A altura a que a água sobe chama-se nível</p><p>potenciométrico e o furo é artesiano.</p><p>Numa perfuração de um aquífero livre, o nível da água não varia</p><p>porque corresponde ao nível da água no aquífero, isto é, a água está à</p><p>mesma pressão que a pressão atmosférica. O nível da água é</p><p>designado então de nível freático ().</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>106</p><p>Figura: Representação esquemática do nível de pressão nos aquífero</p><p>Fonte: UNESCO (1978)</p><p>2.2. Áreas de Reabastecimento e Descarga do Aquífero</p><p>Um aquífero apresenta uma reserva permanente de água e uma</p><p>reserva activa ou reguladora que são continuamente abastecidas</p><p>através da infiltração da chuva e de outras fontes subterrâneas. As</p><p>reservas reguladoras ou activas correspondem ao escoamento de base</p><p>dos rios.</p><p>A área por onde ocorre o abastecimento do aquífero é chamada zona</p><p>de recarga, que pode ser directa ou indirecta (Húo: 2009). O</p><p>escoamento de parte da água do aquífero ocorre na zona de descarga.</p><p>Zona de recarga directa: é aquela onde as águas da chuva se infiltram</p><p>directamente no aquífero, através de suas áreas de afloramento e</p><p>fissuras de rochas sobrejacentes. Sendo assim, a recarga sempre é</p><p>directa nos aquíferos livres, ocorrendo em toda a superfície acima do</p><p>lençol freático.</p><p>Nos aquíferos confinados, o reabastecimento ocorre</p><p>preferencialmente nos locais onde a formação portadora de água</p><p>aflora à superfície.</p><p>Zona de recarga indirecta: são aquelas onde o reabastecimento do</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>107</p><p>aquífero se dá a partir da drenagem (filtração vertical) superficial das</p><p>águas e do fluxo subterrâneo indirecto, ao longo do pacote confinante</p><p>sobrejacente, nas áreas onde a carga potenciométrica favorece os</p><p>fluxos descendentes.</p><p>Zona de descarga: é aquela por onde as águas emergem do sistema,</p><p>alimentando rios e jorrando com pressão por poços artesianos.</p><p>As maiores taxas de recarga ocorrem nas regiões planas, bem</p><p>arborizadas, e nos aquíferos livres. Nas regiões de relevo acidentado,</p><p>sem cobertura vegetal, sujeitas a práticas de uso e ocupação que</p><p>favorecem as enxurradas, a recarga ocorre mais lentamente e de</p><p>maneira limitada.</p><p>Sob condições naturais, apenas uma parcela dessas reservas</p><p>reguladoras é passível de exploração, constituindo o potencial ou</p><p>reserva explorável.</p><p>Em geral, esta parcela é calculada entre 25% e 50% das reservas</p><p>reguladoras (REBOUÇAS, 1992 citado em ANA, 2001). Esse volume de</p><p>explotação pode aumentar em função das condições de ocorrência e</p><p>recarga, bem como dos meios técnicos e financeiros disponíveis,</p><p>considerando que a soma das extracções com as descargas naturais do</p><p>aquífero para rios e oceano, não pode ser superior à recarga natural</p><p>do aquífero.</p><p>2.3. Funções dos Aquíferos</p><p>Além de suprir água suficiente para manter os cursos de águas</p><p>superficiais estáveis (função de produção), os aquíferos também</p><p>ajudam a evitar seu transbordamento, absorvendo o excesso da água</p><p>da chuva intensa (função de regularização).</p><p>Na Ásia tropical, onde a estação quente pode durar até 9 meses e</p><p>onde as chuvas de monção podem ser bastante intensas,</p><p>esse duplo</p><p>serviço hidrológico é crucial.</p><p>Segundo o mesmo autor, os aquíferos também proporcionam uma</p><p>forma de armazenar água doce sem muita perda pela evaporação -</p><p>outro serviço particularmente valioso em regiões quentes, propensas</p><p>à seca, onde essas perdas podem ser extremamente altas.</p><p>Na África, por exemplo, em média, um terço da água extraída de</p><p>reservatórios todo ano perde-se pela evaporação.</p><p>Os pântanos, habitats importantes para as aves, peixes e outras</p><p>formas de vida silvestre, nutrem-se, normalmente, de água</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>108</p><p>subterrânea, onde o lençol freático aflora à superfície em ritmo</p><p>constante.</p><p>Onde há muita exaustão de água subterrânea, o resultado é,</p><p>frequentemente, leitos secos de rios e pântanos ressecados.</p><p>Portanto, os aquíferos podem cumprir as seguintes funções (UNESCO:</p><p>1978):</p><p>- Função de produção: corresponde à sua função mais tradicional de</p><p>produção de água para o consumo humano, industrial ou irrigação.</p><p>- Função de estocagem e regularização: utilização do aquífero para</p><p>estocar excedentes de água que ocorrem durante as enchentes dos</p><p>rios, correspondentes à capacidade máxima das estações de</p><p>tratamento durante os períodos de demanda baixa, ou referentes ao</p><p>reuso de efluentes domésticos e/ ou industriais.</p><p>- Função de filtro: corresponde à utilização da capacidade filtrante e</p><p>de depuração bio-geoquímica do maciço natural permeável. Para isso,</p><p>são implantados poços a distâncias adequadas de rios perenes, lagoas,</p><p>lagos ou reservatórios, para extrair água naturalmente clarificada e</p><p>purificada, reduzindo substancialmente os custos dos processos</p><p>convencionais de tratamento.</p><p>- Função ambiental: a hidrogeologia evoluiu de enfoque naturalista</p><p>tradicional (década de 40) para hidráulico quantitativo até a década de</p><p>60. A partir daí, desenvolveu-se a hidroquímica, em razão da utilização</p><p>intensa de insumos químicos nas áreas urbanas, indústrias e nas</p><p>actividades agrícolas. Na década de 80 surgiu a necessidade de uma</p><p>abordagem multidisciplinar integrada na hidrogeologia ambiental.</p><p>- Função transporte: o aquífero é utilizado como um sistema de</p><p>transporte de água entre zonas de recarga artificial ou natural e áreas</p><p>de extracção excessiva.</p><p>- Função estratégica: a água contida em um aquífero foi acumulada</p><p>durante muitos anos ou até séculos e é uma reserva estratégica para</p><p>épocas de pouca ou nenhuma chuva.</p><p>O gerenciamento integrado das águas superficiais e subterrâneas de</p><p>áreas metropolitanas, inclusive mediante práticas de recarga artificial</p><p>com excedentes da capacidade das estações de tratamento, os quais</p><p>ocorrem durante os períodos de menor consumo, com infiltração de</p><p>águas pluviais e esgotos tratados, originam grandes volumes hídricos.</p><p>Esses poderão ser bombeados para</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>109</p><p>atender o consumo essencial nos picos sazonais de demanda, nos</p><p>períodos de escassez relativa e em situações de emergência</p><p>resultantes de acidentes naturais, como avalanches, enchentes e</p><p>outros tipos de acidentes que reduzem a capacidade do sistema básico</p><p>de água da metrópole em questão.</p><p>- Função energética: utilização de água subterrânea aqueci da pelo</p><p>gradiente geotermal como fonte de energia eléctrica ou termal.</p><p>- Função mantenedora: mantém o fluxo de base dos rios.</p><p>2.5. Impactos Ambientais sobre os Aquíferos</p><p>O manancial subterrâneo acha-se relativamente melhor protegido dos</p><p>agentes de contaminação que afectam rapidamente a qualidade das</p><p>águas dos rios, na medida em que ocorre sob uma zona não saturada</p><p>(aquífero livre), ou está protegido por uma camada relativamente</p><p>pouco permeável (aquífero confinado). ABAS destaca alguns dos</p><p>impactos ambientais nos seguintes termos:</p><p>- Contaminação: a vulnerabilidade de um aquífero refere-se ao seu</p><p>grau de protecção natural às possíveis ameaças de contaminação</p><p>potencial, e depende das características litológicas e hidrogeológicas</p><p>dos estratos que o separam da fonte de contaminação (geralmente</p><p>superficial), e dos gradientes hidráulicos que determinam os fluxos e o</p><p>transporte das substâncias contaminantes através dos sucessivos</p><p>estratos e dentro do aquífero.</p><p>A contaminação ocorre pela ocupação inadequada de uma área que</p><p>não considera a sua vulnerabilidade, ou seja, a capacidade do solo em</p><p>degradar as substâncias tóxicas introduzidas no ambiente,</p><p>principalmente na zona de recarga dos aquíferos.</p><p>A contaminação pode se dar por fossas sépticas e negras; infiltração</p><p>de efluentes industriais; fugas da rede de esgoto e galerias de águas</p><p>pluviais; vazamentos de postos de serviços; por aterros sanitários e</p><p>lixões; uso indevido de fertilizantes nitrogenados; depósitos de lixo</p><p>próximos dos poços mal construídos ou abandonados. Entretanto, a</p><p>mais perigosa, é a contaminação provoca da por produtos químicos,</p><p>que acarretam danos muitas vezes irreversíveis, causando enormes</p><p>prejuízos, à medida que impossibilita o uso das águas subterrâneas em</p><p>grandes áreas.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>110</p><p>Além da exaustão do aquífero, a superexplotação pode provocar:</p><p>- Indução de água contaminada causada pelo deslocamento da pluma</p><p>de poluição para locais do aquífero;</p><p>- Subsidência de solos, definida como "movimento para baixo ou</p><p>afundamento do solo causado pela perda de suporte subjacente",</p><p>provocando uma compactação diferenciada do terreno que leva ao</p><p>colapso das construções civis;</p><p>- Avanço da cunha salina definida como o avanço da água do mar em</p><p>subsuperfície sobre a água doce, salinizando o aquífero, em áreas</p><p>litorâneas. Sem dúvida, a maioria dos aquíferos costeiros são</p><p>susceptíveis à intrusão salina, que geralmente resulta da</p><p>sobreexplotação em poços muito próximos do mar.</p><p>Algumas das cidades que tiveram problemas de salinização de seus</p><p>poços são, entre outras: Lima (Peru); Santa Marta (Colombia); Coro</p><p>(Venezuela);</p><p>Rio Grande e Natal (Brasil) e Mar deI Plata (Argentina). No caso de</p><p>Buenos Aires-La Plata, o problema de salinização se deve ao conteúdo</p><p>de sais de uma formação costeira.</p><p>O crescimento desordenado do número de poços tem provocado</p><p>significativos rebaixamentos do nível de água e problemas de intrusão</p><p>salina em Boa Viagem.</p><p>O desenvolvimento de poderosas bombas eléctricas e a diesel</p><p>permitiu a capacidade de extrair água dos aquíferos com maior</p><p>rapidez do que é substituída pela chuva, sem considerar, ainda, que os</p><p>aquíferos têm diferentes taxas de recarga, alguns com recuperação</p><p>mais lenta que outros.</p><p>Calcula-se que a extracção anual dos aquíferos é de 160 bilhões de</p><p>metros cúbicos (160 trilhões de litros) no mundo.</p><p>Em quase todos os continentes, muitos dos principais aquíferos estão</p><p>sendo exauridos com uma rapidez maior do que sua taxa natural de</p><p>recarga. A mais severa exaustão de água subterrânea ocorre na Índia,</p><p>China, Estados Unidos, Norte da África e Oriente Médio, causando um</p><p>déficit hídrico mundial de cerca de 200 bilhões de metros cúbicos por</p><p>ano (SAMPAT,2001).</p><p>Existem diversos exemplos no mundo de esgotamento de aquíferos</p><p>por superexplotação para uso em irrigação. O esgotamento das águas</p><p>subterrâneas já provocou o</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>111</p><p>afundamento dos solos situados sobre os aquíferos na cidade do</p><p>México e na Califórnia, Estados Unidos, assim como em outros países .</p><p>No Brasil, como não há legislação específica que discipline o uso das</p><p>águas subterrâneas e coíba a abertura de novos poços, essa franquia</p><p>de ordem legal tem contribuído para problemas de superexplotação</p><p>(BROWN, 2003).</p><p>Outro fator que está provocando o comprometimento da qualidade e</p><p>disponibilidade hídrica dos aquíferos reside na ocupação inadequada</p><p>de suas áreas de recarga.</p><p>Nos Estados Unidos, segundo</p><p>um estudo da BBC Mundo (2003),</p><p>verificou-se que o maior aquífero desse país, o Ogallala, está</p><p>empobrecendo a uma taxa de 12 bilhões de m3 ao ano.</p><p>A redução total chega a uns 325 bilhões de m3, um volume que iguala</p><p>o fluxo anual dos 18 rios do estado do Colorado. O Ogallala se estende</p><p>do Texas a Dakota do Sul e suas águas alimentam um quinto das terras</p><p>irrigadas dos Estados Unidos.</p><p>A utilização de poços, fontes e vertentes deve ter a orientação de um</p><p>profissional habilitado nessa área, de modo que o seu uso não</p><p>comprometa o uso futuro desses recursos (seja por uma possível</p><p>contaminação ou a exploração de uma vazão superior à admissível), e</p><p>nem exponha a saúde da população abastecida a possíveis doenças de</p><p>origem ou veiculação hídrica, devido à utilização de mananciais</p><p>inadequados ou contaminados.</p><p>Em suma, a compatibilização do uso dessa importante alternativa</p><p>estratégica de abastecimento com as leis naturais que governam a sua</p><p>ocorrência e reposição, além de proteger as áreas de recarga de</p><p>possíveis contaminações poderá garantir a sua preservação e uso</p><p>potencial pelas gerações futuras (SILVA, 2003). Além disso, conhecer a</p><p>disponibilidade dos sistemas aquíferos e a qualidade de suas águas é</p><p>primordial ao estabelecimento de política de gestão das águas</p><p>subterrâneas.</p><p>Sumário</p><p>Esta unidade tratou de aquíferos, em que foi feita a classificação de</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>112</p><p>aquíferos usando vários critérios. Igualmente foram apresentadas as</p><p>funções dos aquíferos.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1. Existe aquífero em que a sua porosidade é quase sempre</p><p>homogeneamente distribuída, permitindo que a água flua para</p><p>qualquer direcção. Essa propriedade é conhecida como:</p><p>a) poroso; b) fracturado; c) cárstico; d) isotropia</p><p>2. O tipo de aquífero formado por rochas ígneas, metamórficas ou</p><p>cristalinas, duras e maciças, onde a circulação da água se faz nas</p><p>fracturas, fendas e falhas, abertas devido ao movimento tectónico,</p><p>chama se:</p><p>a) poroso; b) fracturado; c) cárstico; d) isotropia</p><p>3. O aquífero formado por rochas sedimentares consolidadas,</p><p>sedimentos inconsolidados ou solos arenosos, onde a circulação da</p><p>água se faz nos poros formados entre os grãos de areia, silte e argila</p><p>de granulação variada, chama se</p><p>a) poroso; b) fracturado; c) cárstico; d) isotropia</p><p>4. O aquífero formado em rochas calcáreas ou carbonáticas, onde a</p><p>circulação da água se faz nas fracturas e outras descontinuidades</p><p>(diáclases) que resultaram da dissolução do carbonato pela água,</p><p>denomina se por:</p><p>a) Poroso; b) fracturado; c) cárstico; d) isotropia</p><p>5. A formação geológica do subsolo, constituída por rochas</p><p>permeáveis, que armazena água em seus poros ou fracturas, chama se</p><p>a) Aquífero livre; b) Aquífero confinado; c) aquífero semi-confinado; d)</p><p>Aquífero</p><p>6. O aquífero constituído por uma formação geológica permeável e</p><p>superficial, totalmente aflorante em toda a sua extensão, e limitado na</p><p>base por uma camada impermeável, chama se:</p><p>a) Aquífero livre; b) Aquífero confinado; c) aquífero semi-confinado; d)</p><p>Aquífero</p><p>7. O aquífero constituído por uma formação geológica permeável,</p><p>confinada entre duas camadas impermeáveis ou semipermeáveis,</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>113</p><p>chama se:</p><p>a) Aquífero livre; b) Aquífero confinado; c) aquífero semi-confinado; d)</p><p>Aquífero</p><p>8. O aquífero que se encontra limitado na base, no topo, ou em</p><p>ambos, por camadas cuja permeabilidade é menor do que a do</p><p>aquífero em si, é:</p><p>a) Aquífero livre; b) Aquífero confinado; c) aquífero semi-confinado; d)</p><p>Aquífero</p><p>9. A zona por onde as águas emergem do sistema, alimentando rios e</p><p>jorrando com pressão por poços artesianos, chama se</p><p>a)Zona de recarga directa; b) Zona de recarga indirecta; c) Zona de</p><p>descarga; d) nenhuma das anteriores</p><p>10. As zonas por onde o reabastecimento do aquífero se dá a partir da</p><p>drenagem (filtração vertical) superficial das águas e do fluxo</p><p>subterrâneo indirecto, ao longo do pacote confinante sobrejacente,</p><p>nas áreas onde a carga potenciométrica favorece os fluxos</p><p>descendentes, chama se:</p><p>a) Zona de recarga directa; b) Zona de recarga indirecta; c) Zona de</p><p>descarga; d) nenhuma das anteriore</p><p>Respostas: 1d); 2b); 3a); 4c); 5d);6 a); 7b); 8c); 9c); 10b.</p><p>Exercícios</p><p>1. O que entende por aquífero?</p><p>2. Classifique os aquíferos quanto a porosidade?</p><p>3. Diferencie o aquífero poroso do aquífero fracturado?</p><p>4. Qual é a função dos aquíferos?</p><p>5. Que impactos pode provocar a superexplotação dos aquíferos</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO DO TEMA V</p><p>1. Existe aquífero em que a sua porosidade é quase sempre</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>114</p><p>homogeneamente distribuída, permitindo que a água flua para</p><p>qualquer direcção. Essa propriedade é conhecida como</p><p>a) Poroso; b) fracturado; c) cárstico; d) isotropia</p><p>2. O tipo de aquífero formado por rochas ígneas, metamórficas ou</p><p>cristalinas, duras e maciças, onde a circulação da água se faz nas</p><p>fracturas, fendas e falhas, abertas devido ao movimento tectónico,</p><p>chama se :</p><p>a) Poroso; b) fracturado; c) cárstico; d) isotropia</p><p>3. O aquífero formado por rochas sedimentares consolidadas,</p><p>sedimentos inconsolidados ou solos arenosos, onde a circulação da</p><p>água se faz nos poros formados entre os grãos de areia, silte e argila</p><p>de granulação variada, chama se</p><p>a) Poroso; b) fracturado; c) cárstico; d) isotropia</p><p>4. Após a precipitação, parte das águas que atinge o solo se infiltra e</p><p>percola no interior do subsolo, durante períodos de tempo</p><p>extremamente variáveis, decorrentes de seguintes factores:</p><p>a) Porosidade do subsolo, ventos, inclinação do terreno e tipo de chuva</p><p>b) Porosidade do subsolo, cobertura vegetal, inclinação do terreno e</p><p>ventos</p><p>c) Ventos, cobertura vegetal, inclinação do terreno e tipo de chuva</p><p>d) Porosidade do subsolo, cobertura vegetal, inclinação do terreno e</p><p>tipo de chuva</p><p>5. A presença de argila no solo</p><p>a) Diminui permeabilidade do solo, não permitindo grande infiltração</p><p>da água</p><p>b) Diminui permeabilidade do solo, permitindo grande infiltração da</p><p>água</p><p>c) Aumenta permeabilidade do solo, não permitindo grande infiltração</p><p>da água</p><p>d) Não influencia na infiltração da água</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>115</p><p>Respostas: 1d); 2b); 3a); 4d); 5a)</p><p>TEMA VI: GLACIARES</p><p>UNIDADE Temática 6.1. Glaciares, sua formação, crescimento e destruição</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, este tema irá tratar da hidrografia dos glaciares. Serão</p><p>abordados assuntos como a formação dos glaciares, seu crescimento e</p><p>sua destruição</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Conhecer a origem dos glaciares</p><p>▪ Conhecer o processo de formação e destruição dos glaciares</p><p>Desenvolvimento</p><p>Glaciares</p><p>O que é o gelo? Para um geólogo, um bloco de gelo é uma rocha, uma</p><p>massa de grãos cristalinos do mineral gelo.</p><p>Tal como a maioria das rochas, o gelo é duro mas é muito menos</p><p>denso do que a maioria das rochas. Partilha a sua origem com a das</p><p>rochas ígneas (arrefecimento e cristalização de um fluido). Como as</p><p>rochas sedimentares, o gelo é depositado em camadas à superfície da</p><p>Terra e pode atingir grandes espessuras. Tal como as rochas</p><p>metamórficas, o gelo transforma-se por recristalização sob pressão.</p><p>O gelo dos glaciares forma-se por afundimento e metamorfismo do</p><p>“sedimento” neve. A rocha é formada à medida que os flocos de neve</p><p>espaçados – cada um é um cristal singular do mineral gelo – sofrem</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>116</p><p>diagénese e recristalizam numa massa sólida.</p><p>A característica incomum do gelo enquanto mineral é</p><p>a sua</p><p>temperatura de fusão extremamente baixa, centenas de graus abaixo</p><p>das temperaturas às quais a maioria dos minerais se liquefaz.</p><p>Uma massa de gelo, tal como qualquer outra massa de rocha ou de</p><p>solo à superfície da Terra, pode deslocar-se vertente abaixo.</p><p>Os glaciares são massas de gelo em terra firme que apresentam provas</p><p>de movimento actual ou antigo. Dividimos os glaciares com base no</p><p>tamanho e na forma em dois tipos básicos: os glaciares de vale ou</p><p>alpinos e os glaciares continentais ou inlandsis.</p><p>Muitos esquiadores e alpinistas estão familiarizados com os glaciares</p><p>de vale, também chamados de glaciares alpinos. Estes rios de gelo</p><p>formam-se nas partes mais altas das cordilheiras montanhosas onde a</p><p>neve se acumula, geralmente em vales pré-existentes, fluindo ao</p><p>longo dos mesmos.</p><p>A maioria destes glaciares ocupa a largura total do vale e pode afundar</p><p>a sua base rochosa sob centenas de metros de gelo. Em climas mais</p><p>quentes, de latitudes mais baixas, os glaciares de vale podem ser</p><p>encontrados apenas nos topos dos picos das montanhas mais altas.</p><p>Nos climas mais frios, das altas latitudes, os glaciares de vale podem</p><p>descer muitos quilómetros ao longo do comprimento total do vale; em</p><p>alguns locais, eles podem estender-se como largas línguas nas terras</p><p>baixas que rodeiam as frentes montanhosas.</p><p>Quando o glaciar de vale flui por cordilheiras costeiras, ele pode</p><p>acabar no oceano, onde se desprendem massas de gelo que formam</p><p>os icebergs (ou icebergues, utilizando uma expressão</p><p>“aportuguesada”).</p><p>Um glaciar continental é muito maior do que um glaciar de vale e é</p><p>constituído por um manto de gelo extremamente lento, daí também o</p><p>seu outro nome de inlandsis. Os maiores inlandsis actualmente são os</p><p>que cobrem grande parte da Gronelândia e da Antárctida.</p><p>O gelo glaciar da Gronelândia e da Antárctida não se encontra</p><p>confinado aos vales de montanha mas cobre praticamente toda a sua</p><p>superfície sólida.</p><p>Na Gronelândia, 2,8 milhões de quilómetros cúbicos de gelo cobrem</p><p>cerca de 80% da área total de 4,5 milhões de quilómetros quadrados</p><p>da ilha.</p><p>A superfície superior do inlandsis faz lembrar uma lente convexa</p><p>extremamente grande. No seu ponto mais alto, no meio da ilha, o gelo</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>117</p><p>atinge espessuras superiores a 3200 metros. A partir desta área</p><p>central, a superfície do gelo inclina para o mar de todos os lados.</p><p>Na costa montanhosa, o glaciar divide-se em línguas glaciárias</p><p>estreitas, fazendo lembrar glaciares de vale que circulam através das</p><p>montanhas, chegando ao mar, quebrando-se e formando icebergues.</p><p>Maior ainda é o inlandsis antárctico. O gelo cobre cerca de 90% da</p><p>Antárctida, cobrindo uma área de cerca de 12,5 milhões de</p><p>quilómetros quadrados e atingindo profundidades médias de 3000</p><p>metros, estando o seu ponto mais elevado situado a uma cota</p><p>superior a 4000 metros.</p><p>Na Antárctida, tal como na Gronelândia, o gelo forma um domo no</p><p>centro e inclina para todos os lados para o mar. Em alguns locais</p><p>flutuam mantos de gelo mais finos sobre o oceano, encontrando-se</p><p>ligados ao glaciar principal, em terra.</p><p>As calotas polares são massas de gelo formadas nos pólos Norte e Sul</p><p>da Terra. A maior parte da calota polar árctica formou-se nas águas</p><p>oceânicas e não é, geralmente, referida como um glaciar.</p><p>Quase toda a calota polar antárctica repousa sobre terra firme, o</p><p>continente da Antárctida, e é considerada como um glaciar</p><p>continental. (Assine e Vasely :1996)</p><p>Figura1: Glaciar</p><p>Fonte: Húo (2009)</p><p>Formação, crescimento e destruição dos glaciares</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>118</p><p>Um glaciar forma-se quando existe abundante precipitação de neve</p><p>durante o Inverno e esta não se derrete no Verão. A neve é</p><p>gradualmente convertida em gelo e, quando o gelo se torna</p><p>suficientemente espesso, começa a fluir. São, assim necessárias duas</p><p>condições essenciais: temperaturas baixas e quantidades adequadas</p><p>de neve.</p><p>Para que os glaciares se formem, as temperaturas devem ser</p><p>suficientemente baixas para manter a neve durante todo o ano. Estas</p><p>condições são encontradas nas altas latitudes (regiões polares e sub-</p><p>polares) e nas elevadas altitudes (montanhas). As altas latitudes são</p><p>frias devido à obliquidade da incidência dos raios solares, que</p><p>dispersam, deste modo, a energia por uma superfície maior.</p><p>As elevadas altitudes são frias porque os primeiros 10 quilómetros da</p><p>atmosfera arrefecem constantemente à medida que a distância ao</p><p>solo aumenta. Como resultado, a altura da linha de neve – a altitude a</p><p>partir da qual as neves são eternas – varia.</p><p>Mesmo nos climas mais quentes, os glaciares formam-se se as</p><p>montanhas forem suficientemente altas. Perto da linha equatorial, os</p><p>glaciares só se formam em montanhas com altitudes superiores a</p><p>5500 metros. Esta altitude mínima decresce de modo contínuo em</p><p>direcção aos pólos, onde a neve e o gelo são permanentes até ao nível</p><p>do mar.</p><p>A formação de neve e de glaciares requer tanto humidade como frio:</p><p>humidade sob a forma de neve e frio para impedir que esta</p><p>descongele. Assim, na Antárctida, por exemplo, a pluviosidade é</p><p>extremamente baixa mas como a temperatura também o é, qualquer</p><p>neve que caia é aproveitada, contribuindo para a enorme acumulação</p><p>de gelo que se verifica neste continente</p><p>Uma queda de neve recente é constituída por uma massa fofa de</p><p>flocos de neve soltos. À medida que os cristais pequenos, delicados e</p><p>soltos envelhecem no solo, eles encolhem tornando-se grãos</p><p>equigranulares. Durante esta transformação, a massa de flocos de</p><p>neve é compactada, formando uma neve densa e granulosa.</p><p>Com o advento de novos nevões, a neve anterior é soterrada e</p><p>compactada pela superior, formando uma forma de neve mais</p><p>compacta, o nevado.</p><p>O enterramento e compactação posteriores formam o gelo glaciário</p><p>quando os pequenos grãos recristalizam e cimentam.</p><p>O processo é mais simples se pensarmos na neve como um sedimento</p><p>que é transformado, por afundimento, numa rocha metamórfica</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>119</p><p>denominada gelo.</p><p>A quantidade de neve adicionada a um glaciar anualmente</p><p>corresponde à sua acumulação. Quando o gelo glaciário acumula, ele</p><p>aprisiona e preserva valiosas relíquias do passado da Terra, como</p><p>seres humanos e mamutes lanosos congelados e inclusões fluídas de</p><p>líquidos e gases ou poeiras. (Assine e Vasely:1996)</p><p>Quando o gelo se acumula até atingir uma espessura suficiente para</p><p>que o movimento se inicie, a formação do glaciar está completa.</p><p>O gelo, tal como a água, flui ao longo do declive de uma vertente sob</p><p>acção da gravidade. Em qualquer dos casos, um glaciar acaba por</p><p>entrar em altitudes mais baixas, onde as temperaturas são mais</p><p>elevadas.</p><p>A quantidade total de gelo que um glaciar perde anualmente</p><p>corresponde à sua ablação. Existem quatro mecanismos responsáveis</p><p>pela ablação de um glaciar (Assine e Vasely: 1996):</p><p>• Degelo (quando um glaciar se começa a derreter perde</p><p>material);</p><p>• Desprendimento de icebergues (quebram-se peças de gelo e</p><p>formam-se icebergues quando um glaciar desce até à linha de</p><p>costa);</p><p>• Sublimação (nos climas frios, o gelo pode passar directamente</p><p>do estado sólido para o estado gasoso);</p><p>• Erosão eólica (ventos fortes podem erodir o gelo</p><p>primariamente por degelo e sublimação).</p><p>A diminuição dos glaciares resulta do aquecimento e degelo da frente</p><p>glaciária. Portanto, apesar de um glaciar se estar a mover vertente</p><p>abaixo, a sua frente pode estar a retirar.</p><p>A diferença entre a acumulação e a ablação dá-nos o crescimento ou a</p><p>diminuição de um glaciar.</p><p>Quando a ablação e a acumulação se anulam, o glaciar está em</p><p>equilíbrio mantendo o seu tamanho. Se a acumulação for maior que a</p><p>ablação, o glaciar está a crescer; se a ablação for maior que a</p><p>acumulação, o glaciar está a diminuir. Estes equilíbrios ou balanços</p><p>4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua</p><p>aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão.</p><p>5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou</p><p>as de estudo de caso, se existirem.</p><p>IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo,</p><p>respectivamente como, onde e quando estudar, como foi referido</p><p>no início deste item, antes de organizar os seus momentos de</p><p>estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si.</p><p>Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo</p><p>melhor à noite/de manhã/de tarde/fins de semana/ao longo da</p><p>semana? Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num</p><p>sítio barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em</p><p>cada hora, etc.</p><p>É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido</p><p>estudado durante um determinado período de tempo; Deve</p><p>estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao</p><p>seguinte quando achar que já domina bem o anterior.</p><p>Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler</p><p>e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é</p><p>juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos</p><p>conteúdos de cada tema, no módulo.</p><p>Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por</p><p>tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora</p><p>intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-</p><p>se descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o</p><p>intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das</p><p>actividades obrigatórias.</p><p>Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual</p><p>obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento</p><p>da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado</p><p>volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo,</p><p>criando interferência entre os conhecimentos, perde sequência</p><p>lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai</p><p>em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente</p><p>incapaz!</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>5</p><p>Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma</p><p>avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda</p><p>sistemáticamente), não estudar apenas para responder a questões</p><p>de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo,</p><p>estude pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área</p><p>em que está a se formar.</p><p>Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que</p><p>matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que</p><p>resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo</p><p>quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades.</p><p>É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será</p><p>uma necessidade para o estudo das diversas matérias que</p><p>compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar</p><p>a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as</p><p>partes que está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos,</p><p>vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a</p><p>margem para colocar comentários seus relacionados com o que</p><p>está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir</p><p>à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura;</p><p>Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado</p><p>não conhece ou não lhe é familiar;</p><p>Precisa de apoio?</p><p>Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o</p><p>material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas</p><p>como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis</p><p>erros ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, páginas</p><p>trocadas ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os serviços de</p><p>atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR),</p><p>via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta</p><p>participando a preocupação.</p><p>Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes</p><p>(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua</p><p>aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da</p><p>comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se</p><p>torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor,</p><p>estudante – CR, etc.</p><p>As sessões presenciais são um momento em que você caro</p><p>estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff</p><p>do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do UnISCED</p><p>indigetada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste</p><p>período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza</p><p>pedagógica e/ou administrativa.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>6</p><p>O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30%</p><p>do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida</p><p>em que permite-lhe situar, em termos do grau de aprendizagem</p><p>com relação aos outros colegas. Desta maneira ficará a saber se</p><p>precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver</p><p>hábito de debater assuntos relacionados com os conteúdos</p><p>programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade</p><p>temática, no módulo.</p><p>Tarefas (avaliação e auto-avaliação)</p><p>O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e</p><p>auto−avaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é</p><p>importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues</p><p>duas semanas antes das sessões presenciais seguintes.</p><p>Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não</p><p>cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do</p><p>estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de</p><p>campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da</p><p>disciplina/módulo.</p><p>Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os</p><p>mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente.</p><p>Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa,</p><p>contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados,</p><p>respeitando os direitos do autor.</p><p>O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s) autor(es).</p><p>Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um</p><p>autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade</p><p>científica e o respeito pelos direitos autorais devem caracterizar a</p><p>realização dos trabalhos e seu autor (estudante do UnISCED).</p><p>Avaliação</p><p>Muitos perguntam: Como é possível avaliar estudantes à distância,</p><p>estando eles fisicamente separados e muito distantes do</p><p>docente/turor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja</p><p>uma avaliação mais fiável e concistente.</p><p>Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com</p><p>um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os</p><p>conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial</p><p>conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A</p><p>1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade</p><p>intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>7</p><p>avaliação do estudante consta detalhada do regulamentada de</p><p>avaliação.</p><p>Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e</p><p>aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de</p><p>frequência para ir aos exames.</p><p>Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e</p><p>decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no</p><p>mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência,</p><p>determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira.</p><p>A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da</p><p>cadeira.</p><p>Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois)</p><p>trabalhos e 1 (um) (exame).</p><p>Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados</p><p>como ferramentas de avaliação formativa.</p><p>Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em</p><p>consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de</p><p>cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as</p><p>recomendações, a identificação das referências bibliográficas</p><p>glaciários podem modificar-se com o tempo.</p><p>Movimento e velocidade de um glaciar</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>120</p><p>Quando o gelo se acumula a uma espessura suficiente para se</p><p>começar a movimentar, forma-se um glaciar.</p><p>À medida que o glaciar se move, o gelo deforma-se e flui lentamente</p><p>vertente abaixo com o mesmo tipo de escoamento laminar</p><p>(movimento ordenado das partículas, sem que haja mistura entre elas</p><p>ou cruzamento entre as linhas de fluxo; é o oposto do escoamento</p><p>turbulento) dos cursos de água lentos e estreitos.</p><p>Ao contrário, porém, dos cursos de água, o fluxo de um glaciar é</p><p>extremamente lento, de tal modo que o gelo parece permanecer no</p><p>mesmo local de dia para dia.</p><p>A velocidade dos glaciares aumenta se o declive da encosta ou se a</p><p>espessura do gelo aumentarem. Mesmo em terras baixas, os glaciares</p><p>continuam a mover-se se tiverem espessura suficiente. Mas que</p><p>mecanismos permitem ao gelo deslocar-se?</p><p>Os glaciares fluem, primariamente, por dois mecanismos: fluxo</p><p>plástico e deslizamento basal. No fluxo plástico, o gelo deforma-se e</p><p>desliza internamente a uma escala microscópica. No deslizamento</p><p>basal, o gelo desliza ao longo da base do glaciar, tal como um tijolo a</p><p>deslizar por um plano inclinado.</p><p>Sob a grande pressão que existe dentro de um glaciar, os cristais</p><p>individuais de gelo deslizam pequenas distâncias, na ordem de um</p><p>décimo – milionésimo de milímetro, durante um curto intervalo de</p><p>tempo. Este movimento é conhecido por fluxo plástico porque é</p><p>semelhante à deformação plástica de uma rocha profundamente</p><p>enterrada.</p><p>O total de todos os pequenos movimentos do enorme número de</p><p>cristais de gelo que compõem um glaciar provoca um grande</p><p>movimento resultante, numa direcção, de toda a massa de gelo.</p><p>À medida que os cristais de gelo se desenvolvem sob uma tensão</p><p>crescente profundamente enterrados num glaciar, os seus</p><p>deslizamentos microscópicos tornam-se paralelos, aumentando, deste</p><p>modo, a velocidade de deslocação do glaciar.</p><p>O movimento plástico predomina nas regiões mais geladas, onde o</p><p>gelo espalhado pelo glaciar se encontra bastante abaixo do ponto de</p><p>congelação, incluindo a base do glaciar.</p><p>O gelo basal está gelado e aferrado ao chão, pelo que a maior parte do</p><p>movimento se faz acima da base por deformação plástica. (Assine e</p><p>Vasely: 1996)</p><p>Um outro mecanismo de movimento dos glaciares é o deslizamento</p><p>basal, ou seja, o deslizamento de um glaciar ao longo da sua base.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>121</p><p>A quantidade e tipo de deslizamento basal varia, dependendo da</p><p>temperatura entre o gelo e o solo em relação ao ponto de fusão do</p><p>gelo.</p><p>Na base do glaciar, o gelo encontra-se sob uma tremenda pressão</p><p>devido ao peso do gelo sobrejacente. Uma vez que o ponto de fusão</p><p>do gelo decresce com o aumento da pressão, o gelo na base do glaciar</p><p>pode fundir-se, criando um filme lubrificante sob a forma de água de</p><p>degelo.</p><p>A água de degelo pode formar-se mesmo a temperaturas inferiores ao</p><p>ponto de congelação da água à superfície. O mesmo efeito torna a</p><p>patinagem no gelo possível. O degelo na base do glaciar forma um</p><p>filme lubrificante de água sobre o qual o glaciar desliza.</p><p>A temperatura do degelo na base de um glaciar depende parcialmente</p><p>da temperatura da superfície do gelo e parcialmente do fluxo de calor</p><p>proveniente do solo por baixo.</p><p>Nas regiões moderadamente frias, a temperatura do ar à superfície</p><p>não é demasiado baixa e o fluxo de calor do solo é maior que o</p><p>normal. Dadas estas condições, a temperatura na base do glaciar pode</p><p>ser suficientemente alta para que ocorra algum degelo.</p><p>As áreas moderadamente frias são típicas dos vales ocupados</p><p>inteiramente por glaciares nas regiões temperadas. Nestas áreas, o</p><p>gelo pode atingir o ponto de fusão não só no fundo como também em</p><p>locais mais altos, particularmente, perto da superfície se o ar não for</p><p>gélido.</p><p>O fluxo plástico pouco contribui para o deslocamento mas contribui</p><p>para o aquecimento interno gerado pela fricção causada pelos</p><p>deslocamentos microscópicos dos cristais.</p><p>Nos glaciares “húmidos” – em contraposição com os glaciares “secos”,</p><p>onde o deslizamento plástico é predominantes – encontram-se</p><p>pequenas gotas de água entre os cristais e como poças em túneis de</p><p>gelo. A água espalhada no interior do glaciar facilita o deslizamento</p><p>interno entre camadas de gelo.</p><p>As partes superiores dos glaciares possuem pouca pressão sobre elas.</p><p>A estas baixas pressões, o gelo comporta-se como um sólido rígido e</p><p>quebradiço, fracturando-se à medida que é arrastado pelo fluxo</p><p>plástico do gelo subjacente. Estas fendas transversais à corrente de</p><p>gelo, denominadas crevasses, quebram a superfície do gelo em muitos</p><p>blocos pequenos e grandes – chamados séracs – em locais onde a</p><p>deformação do glaciar é maior, como nos verrous – desnivelamentos</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>122</p><p>pronunciados do relevo do fundo do vale – nas paredes e nas curvas</p><p>do vale.</p><p>O movimento da superfície de gelo quebrado nestes locais é um</p><p>“fluxo” resultante do deslizamento entre os blocos irregulares, tal</p><p>como acontece com os cristais individuais de gelo mas numa escala</p><p>muito maior.</p><p>A maioria dos glaciares de vale move-se a uma velocidade que varia</p><p>com a profundidade do gelo e com a posição do glaciar em relação às</p><p>paredes do vale. Estes glaciares movem-se parcialmente por</p><p>deslizamento basal e parcialmente por fluxo plástico dentro do corpo</p><p>de gelo. Intensas forças friccionais na base do glaciar e nos lados onde</p><p>contacta com a parede sólida do vale inibem o movimento do gelo.</p><p>Louis Agassiz mediu velocidades da ordem dos 75 m/ano (0,0024</p><p>mm/s, aproximadamente) num glaciar de vale. Para isso, usou um</p><p>método que consistia em cravar estacas numa linha recta</p><p>transversalmente ao glaciar (figura 3.70).</p><p>O deslocamento do glaciar faria deslocar as estacas e Agassiz verificou</p><p>que as estacas que estavam cravadas no meio da corrente glaciária se</p><p>moviam mais depressa que as que se encontravam próximo das</p><p>vertentes do vale. De igual modo, no interior do glaciar, a máxima</p><p>velocidade é atingida pouco abaixo da superfície, tal como nos cursos</p><p>de água.</p><p>Partes do glaciar da Antárctida Oeste fluem rapidamente em correntes</p><p>de gelo com uma largura de 25-80 Km e uma extensão de 300-500 Km.</p><p>Estas correntes atingem velocidades de 0.3 m/dia (cerca de 0.0035</p><p>mm/s) a 2.3 m/dia (cerca de 0.0266 mm/s).</p><p>Sondagens revelam que a base da corrente de gelo se encontra no</p><p>ponto de fusão e que a água do degelo está misturada com</p><p>sedimentos brandos. Uma teoria corrente é a de que o movimento</p><p>rápido da corrente de gelo está relacionado com a deformação do</p><p>sedimento basal sobressaturado.</p><p>Correntes de gelo semelhantes podem formar-se durante um</p><p>aquecimento climático, levando à quebra do gelo e a um rápido</p><p>degelo. As correntes de gelo contribuíram para a regressão dos</p><p>glaciares e para a instabilidade dos inlandsis da Antárctida Oeste.</p><p>Uma vaga, um período súbito de movimento rápido de um glaciar de</p><p>vale, ocorre, por vezes, após um longo período de relativa imobilidade.</p><p>As vagas podem durar mais de dois ou três anos e, durante esse</p><p>tempo, o gelo pode acelerar mais de 6 Km por ano (cerca de 0.1903</p><p>mm/s), mil vezes mais que a velocidade normal de um glaciar.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>123</p><p>Apesar de o mecanismo das vagas não ser completamente percebido,</p><p>parece que elas se seguem a uma acumulação de pressão da água de</p><p>degelo nos túneis situados na ou perto da base. Esta água pressurizada</p><p>desenvolve grandemente o deslizamento basal.</p><p>Os inlandsis nos climas polares, onde o deslizamento basal pode ser</p><p>reduzido ou mesmo ausente, apresentam as maiores velocidades no</p><p>centro do gelo. A pressão aí é muito elevada e as únicas forças de</p><p>atrito encontram-se entre as camadas de gelo que</p><p>se movem a</p><p>diferentes velocidades segundo um fluxo laminar. Perto da superfície,</p><p>onde a pressão é menor, o gelo move-se mais lentamente. (Assine e</p><p>Vasely: 1996)</p><p>Acção geológica dos glaciares</p><p>Só podemos ver as formas deixadas pelos glaciares quando estes se</p><p>retiram. Pelas suas formas típicas podemos inferir que, em tempos</p><p>idos, os glaciares estiveram num dado local. A capacidade dos</p><p>glaciares para erodirem rocha sólida é espantosa.</p><p>Um glaciar de vale com apenas algumas centenas de metros de largura</p><p>pode dilacerar e esmagar milhões de toneladas de rocha por ano.</p><p>O gelo glaciário erode está pesada carga de sedimentos do fundo</p><p>rochoso e das paredes do vale, transportando-o no seu seio para a</p><p>frente glaciária, onde se deposita quando o gelo se derrete.</p><p>Estimativas do tamanho destes depósitos demonstram que o gelo é</p><p>um agente erosivo ainda mais eficaz que a água ou o vento.</p><p>Na sua base e flancos, um glaciar engolfa blocos fracturados e</p><p>diaclasados e arrasta-os contra o pavimento rochoso adjacente. Este</p><p>arrastamento fragmenta a rocha numa grande variedade de</p><p>tamanhos, desde blocos grandes como casas a materiais das</p><p>dimensões das argilas e das siltes, chamados farinha glaciária. Liberto</p><p>do gelo na frente glaciária, este material finamente pulverizado seca e</p><p>transforma-se em poeiras.</p><p>O vento pode soprar estas poeiras a grandes distâncias, depositando-</p><p>as como loess, que é tão comum nos períodos glaciários.</p><p>À medida que um glaciar arrasta rochas ao longo da sua base, estas</p><p>arranham e sulcam o pavimento à medida que são arrastados contra</p><p>os mesmos. Esta abrasão provoca estrias e sulcos e são uma forte</p><p>evidência de movimento glaciário.</p><p>A sua orientação mostra-nos a direcção do movimento do gelo, um</p><p>factor extremamente importante no estudo dos glaciares continentais,</p><p>uma vez que estes carecem de um vale óbvio.</p><p>Cartografando as estrias deixadas sobre vastas áreas antigamente</p><p>cobertas por inlandsis, podemos reconstruir o seu padrão de fluxo,</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>124</p><p>com importantes implicações na reconstrução de antigas linhas de</p><p>costa e da paleoecologia das regiões.</p><p>Pequenas colinas de rocha, denominadas rochas aborregadas, assim</p><p>nomeadas pela sua semelhança com o dorso de um carneiro, são</p><p>polidas pelo gelo no seu lado menos inclinado e quebradas no seu lado</p><p>mais inclinado, criando uma superfície abrupta e rugosa. Estes declives</p><p>contrastantes também indicam a direcção do movimento do gelo.</p><p>Um vale glaciário escava uma série de formas de erosão à medida que</p><p>flui da sua origem para a sua parte mais baixa. Na cabeceira do vale</p><p>glaciário, a acção destruidora do gelo tende a escavar um anfiteatro</p><p>oco chamado circo glaciário, pela sua forma mais ou menos circular,</p><p>como um cone invertido.</p><p>Aquando do degelo, estes circos podem ficar cheios de água,</p><p>formando lagos de circo ou tarns. Um rimage é um espaço vazio</p><p>deixado entre a massa de gelo e a parede rochosa do circo e é</p><p>formado quando o enorme peso do glaciar arranca o gelo da parede</p><p>rochosa.</p><p>Com a continuação da erosão, os circos de picos adjacentes podem</p><p>coalescer, criando cristas agudas denominadas arestas ou arêtes, no</p><p>francês, e picos piramidais ou horns ao longo da linha divisória.</p><p>À medida que um glaciar de vale se movimenta para jusante a partir</p><p>do seu circo, ele escava um vale ou aprofunda um vale fluvial já</p><p>existente, criando um característico vale em U ou vale glaciário.</p><p>Os fundos dos vales glaciários são planos e as suas paredes abruptas,</p><p>ao contrário dos vales em V ou vales encaixados típicos dos rios de</p><p>montanha.</p><p>Os glaciares e os rios não diferem apenas na forma dos vales que</p><p>criam mas também na maneira pela qual se lhe juntam os seus</p><p>tributários. Apesar de a superfície do gelo constituir o nível de base no</p><p>ponto de junção ao glaciar, o fundo do tributário pode encontrar-se a</p><p>uma cota superior à do fundo do vale glaciário principal.</p><p>Quando se dá a ablação dos glaciares, o vale tributário é deixado como</p><p>um vale suspenso, cujo fundo se encontra a grande altitude acima do</p><p>fundo do vale principal. Depois da desaparição do gelo e da ocupação</p><p>dos vales por rios, a junção é tipicamente marcada por uma queda de</p><p>água quando o rio no vale suspenso mergulha pelo desfiladeiro</p><p>abrupto que o separa do vale principal adjacente.</p><p>Ao contrário dos rios, os glaciares de vale que se encontram junto às</p><p>linhas de costa podem erodir abaixo do nível do mar. Quando o gelo se</p><p>retira, estes vales em U são inundados pela água do mar, sendo estes</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>125</p><p>braços de mar denominados de fiordes.</p><p>Os glaciares transportam rochas erodidas de todos os tamanhos e</p><p>tipos para jusante, depositando-as, eventualmente, quando e onde o</p><p>gelo se derreter.</p><p>O gelo é um transportador eficiente de detritos uma vez que o</p><p>material que recolhe não se afunda, como acontece à carga</p><p>transportada por um rio. Tal como a água e o vento, o gelo tem uma</p><p>competência e uma capacidade.</p><p>A competência do gelo é extremamente alta, assim como a sua</p><p>capacidade. Quando o gelo glaciário se derrete deposita uma carga</p><p>mal calibrada e heterogénea de blocos, calhaus, areias e argilas.</p><p>O que diferencia os sedimentos glaciários dos sedimentos fluviais e</p><p>eólicos é a sua grande variedade de tamanhos.</p><p>Os sedimentos fluviais são bem calibrados e os sedimentos eólicos</p><p>têm uma calibragem excelente. Para os primeiros geólogos, que não</p><p>tinham em atenção as suas origens glaciárias, o material</p><p>heterométrico era desconcertante.</p><p>Denominaram-no de deriva (drift) porque aparentava ter derivado, de</p><p>algum modo, de outras áreas. O termo deriva é, actualmente, utilizado</p><p>para nomear todo e qualquer material de origem glaciária encontrado</p><p>em qualquer parte do Mundo, seja em terra ou no oceano.</p><p>Alguma deriva é depositada directamente pelo gelo em ablação. Este</p><p>sedimento não estratificado e mal calibrado é conhecido por terreno</p><p>errático ou till e a rocha daí formada é denominada de tilito. O terreno</p><p>errático pode conter fragmentos de todos os tamanhos – argilas,</p><p>areias, calhaus e blocos.</p><p>Os grandes blocos (alguns do tamanho de uma casa) frequentemente</p><p>contidos no till são chamados de blocos erráticos devido à sua</p><p>composição aparentemente aleatória, totalmente diferente da</p><p>composição das rochas autóctones. Outra característica dos</p><p>sedimentos glaciários é, portanto, constituírem depósitos alóctones.</p><p>Outros depósitos de deriva são largados quando o gelo se derrete e</p><p>liberta sedimentos.</p><p>Cursos de água provenientes da água do degelo podem fluir em túneis</p><p>dentro e por baixo do gelo e em correntes na frente glaciária. Estes</p><p>cursos de água podem recolher, transportar e depositar algum do</p><p>material transportado pelo gelo.</p><p>Tal como qualquer outro sedimento depositado pela água, este</p><p>material encontra-se estratificado e bem calibrado, podendo</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>126</p><p>apresentar estratificação cruzada.</p><p>A deriva que foi recolhida e modificada, calibrada e distribuída por</p><p>correntes de água do degelo é denominada de acarreio estratificado</p><p>(outwash), que pode ser levado pelo vento e depositar-se como loess.</p><p>Uma acumulação de material rochoso, arenoso e argiloso</p><p>transportado pelo gelo ou depositado como terreno errático é</p><p>denominada de moreia. Existem muitos tipos de moreia, cada uma</p><p>nomeada de acordo com a sua posição em relação ao glaciar que as</p><p>formou. Uma das mais proeminentes pelo seu tamanho e aparência é</p><p>a moreia final, por vezes também chamad de moreia frontal, formada</p><p>na frente glaciária.</p><p>À medida que o gelo flui constantemente para jusante, ele transporta</p><p>mais e mais material para a sua frente glaciária, onde o material mal</p><p>calibrado se deposita em cristas de till pouco maiores que uma colina.</p><p>As moreias terminais são moreias finais que marcam o maior avanço</p><p>de um glaciar e são o melhor indicador</p><p>para sabermos a extensão de</p><p>um antigo glaciar de vale ou continental.</p><p>Como já sabemos, um glaciar erode rochas e materiais não</p><p>consolidados das vertentes de seu vale, adquirindo material adicional</p><p>proveniente de movimentos de massa quando o glaciar recorta o</p><p>suporte da vertente sobrejacente.</p><p>Os materiais erodidos são incorporados no gelo como uma faixa de</p><p>sedimentos escuros onde o glaciar roça e se movimenta ao longo das</p><p>vertentes do vale. Estas faixas constituem as moreias laterais. As</p><p>moreias laterais de glaciares adjacentes juntam-se formando uma</p><p>moreia média ou mediana no meio do fluxo maior abaixo da junção.</p><p>As moreias lateral e mediana, tal como as moreias finais, são deixadas</p><p>para trás como pequenas cristas de till depois do recuo de um glaciar.</p><p>Uma moreia de fundo é uma camada de deriva glaciária depositada</p><p>debaixo do gelo.</p><p>As moreias de fundo variam em espessura, podendo ser finas e com</p><p>pequenos afloramentos rochosos do fundo ou suficientemente</p><p>espessas para encobrir quaisquer afloramentos existentes. Seja qual</p><p>for a forma e a localização, todos os tipos de moreias são compostas</p><p>por till.</p><p>Alguns terrenos de inlandsis apresentam formações denominadas</p><p>drumlins, colinas alongadas, de forma elíptica e vertentes convexas</p><p>constituída por till, contendo, por vezes, um núcleo de rocha in situ.</p><p>As dimensões são muito variáveis, podendo constituir apenas um</p><p>pequeno montículo ou uma colina com cerca de 1600 metros de</p><p>comprimento e 25 a 50 metros de altura. O seu eixo maior é sempre</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>127</p><p>paralelo à direcção de escoamento do lençol de gelo.</p><p>Geralmente encontrados em grupos, os drumlins são moldados como</p><p>colheres invertidas, com a vertente menos inclinada apontando na</p><p>direcção da frente glaciária, embora também se encontre o oposto.</p><p>Ainda não está bem compreendida a origem dos drumlins.</p><p>Uma hipótese aventa que os drumlins se formam debaixo dos</p><p>glaciares que se encontram nas regiões temperadas e que têm água na</p><p>sua base. Estes glaciares movimentam-se sobre uma mistura plástica</p><p>de sedimentos subglaciários e água. As estrias curvas e serpentantes</p><p>na rocha revelam os complexos padrões de fluxo de misturas</p><p>semelhantes.</p><p>A hipótese propõe que esta massa plástica é sujeita a um aumento da</p><p>pressão quando encontra um afloramento ou outro obstáculo,</p><p>perdendo, então, água e solidificando, formando uma massa estriada</p><p>por linhas de água.</p><p>Uma hipótese alternativa propõe que os drumlins são formados por</p><p>erosão pelo gelo de uma acumulação anterior de terreno errático.</p><p>Os depósitos de acarreio (outwash) provenientes das águas do degelo</p><p>do glaciar podem assumir uma variedade de formas. Os kames são</p><p>depósitos cónicos de areia e cascalho que se formam no local onde</p><p>ressurge a água de circulação subterrânea sob o gelo de um glaciar.</p><p>O depósito pode apresentar a forma de uma elevação de topo</p><p>arredondado ou em crista e atingir algumas dezenas de metros de</p><p>altura e ultrapassar 200 metros de comprimento. Esta forma de</p><p>acumulação é sinónimo de recuo dos glaciares e, consequentemente,</p><p>data do último período mais frio do Quaternário.</p><p>Alguns kames são deltas construídos em lagos existentes perto da</p><p>frente glaciária. Quando o lago seca, estes deltas são preservados</p><p>como colinas de topo aplanado. Os kames são, muitas vezes</p><p>explorados como fontes comerciais de areia e cascalho.</p><p>As siltes e argilas podem ser depositadas num lago que se tenha</p><p>formado perto da frente glaciária, formando uma série de camadas</p><p>alternadas de material fino e grosseiro, chamadas varvas ou varvitos.</p><p>Uma varva é constituída por um par de camadas formadas durante um</p><p>ano através do congelamento sazonal da superfície do lago.</p><p>No Verão, quando o lago está livre de gelo, silte grosseira é depositada</p><p>quando abundante água do degelo flui do glaciar para o lago. No</p><p>Inverno, quando a superfície do lago está congelada, a água por baixo</p><p>está estagnada e as argilas mais finas assentam, formando uma</p><p>camada de material fino sobre a camada grosseira de Verão.</p><p>Alguns lagos formados por inlandsis eram enormes, compreendendo</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>128</p><p>muitos milhares de quilómetros quadrados de extensão. As barreiras</p><p>de till que criaram estes lagos eram, por vezes, quebradas e</p><p>transportadas posteriormente, fazendo com que os lagos drenassem</p><p>rapidamente e originasse, assim, grandes inundações.</p><p>Os eskers são outra forma deposicional proveniente da água do</p><p>degelo. Estas cristas longas, estreitas e serpenteantes de areia e argila</p><p>são encontradas no seio de moreias de fundo.</p><p>Eles percorrem quilómetros numa direcção mais ou menos paralela à</p><p>direcção do movimento do gelo.</p><p>O carácter bem callibrado dos materiais dos eskers, característico dos</p><p>sedimentos depositados pela água, e o curso sinuoso, parecido com</p><p>um túnel, da crista sugere uma origem aquática.</p><p>Os eskers foram depositados por correntes de água do degelo fluindo</p><p>em túneis ao longo do fundo de um glaciar em ablação. Os próprios</p><p>túneis foram abertos pela infiltração da água pelas crevasses e fendas</p><p>no gelo.</p><p>Os terrenos glaciários estão pontuados por chaleiras (kettles), buracos</p><p>ou depressões não drenadas, geralmente de vertentes abruptas,</p><p>podendo estar ocupadas por poças ou lagos.</p><p>Os glaciares modernos, que podem deixar para trás blocos isolados</p><p>imensos de gelo na zona de acarreio à medida que recuam, fornecem</p><p>a pista para explicar a origem das geleiras.</p><p>Um bloco de gelo com o diâmetro de um quilómetro pode demorar</p><p>trinta anos ou mais a derreter. Durante esse tempo, o bloco de gelo</p><p>pode ficar parcialmente enterrado pela areia e cascalho do acarreio,</p><p>transportadas por cursos de água do degelo, geralmente</p><p>anastomosados e passando em volta do bloco de gelo.</p><p>Quando o bloco finalmente se derrete, a margem do glaciar já se deve</p><p>ter retirado para tão longe daquela região que pouco acarreio atinge a</p><p>área. A areia e o cascalho que anteriormente rodeavam o bloco de</p><p>gelo rodeiam agora uma depressão. Se o fundo da chaleira estiver</p><p>abaixo do nível freático, forma-se um lago.</p><p>O solo encontra-se permanentemente gelado nas regiões muito frias,</p><p>onde a temperatura de Verão nunca sobe o suficiente para derreter</p><p>mais que uma fina camada superficial de gelo.</p><p>O solo permanentemente gelado, ou permafrost, cobre, actualmente,</p><p>cerca de 25% de toda a área emersa do planeta. Para além do solo</p><p>propriamente dito, o permafrost inclui ainda agregados de cristais,</p><p>cunhas e massas irregulares de gelo.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>129</p><p>A proporção gelo/solo, tal como a espessura do permafrost, varia de</p><p>região para região.</p><p>O solo abaixo da camada de permafrost permanece descongelado e é</p><p>aquecido pelo calor interno da Terra, sendo um material difícil de</p><p>trabalhar, uma vez que o permafrost se derrete quando é escavado,</p><p>fazendo com que a água se acumule na depressão e provoque</p><p>reptação, solifluxão, deslizamento e escorregamento (slump).</p><p>Para além das regiões polares, o permafrost também está presente em</p><p>áreas de altas montanhas, tal como o planalto tibetano. (Assine e</p><p>Vasely: 1996)</p><p>Glaciações</p><p>Pelo estudo das marcas glaciares em rochas antigas, parece que as</p><p>glaciações terão ocorrido intermitentemente ao longo de um período</p><p>calculado em cerca de 930 Ma.</p><p>Glaciação é um termo geral usado para designar todos os processos e</p><p>resultados ligados ao período de tempo durante o qual se verifica a</p><p>cobertura ou ocupação de uma área por um lençol de gelo ou glaciar.</p><p>Diversas teorias têm sido avançadas na tentativa de explicar este</p><p>fenómeno: diminuições periódicas na intensidade do calor do Sol,</p><p>poeiras vulcânicas que impedem a passagem dos raios solares, um</p><p>decréscimo do conteúdo de dióxido de carbono na atmosfera – o que</p><p>acelera a perda de calor para o espaço exterior – e oscilações dos</p><p>parâmetros orbitais da Terra, nomeadamente,</p><p>a sua excentricidade, a</p><p>sua inclinação e a sua precessão.</p><p>Um dos factores responsáveis pelo arrefecimento sucessivo que se fez</p><p>sentir a partir do final do Mesozóico no hemisfério Sul é a</p><p>movimentação das placas litosféricas que levou à abertura de</p><p>passagens para as águas oceânicas e à obstrução de outras,</p><p>modificando, assim, toda a dinâmica das correntes oceânicas.</p><p>Há 50 Ma, a Austrália moveu-se para Norte, abrindo uma passagem às</p><p>correntes frias do Sul. Nas camadas atmosféricas produziu-se, então, a</p><p>Corrente Circumpolar Antárctica (CCA), que actuou como barreira às</p><p>correntes quentes vindas de baixas latitudes. Foi então que o gelo se</p><p>começou a acumular sobre o continente antárctico.</p><p>Durante o Paleocénico e o Eocénico, as correntes equatoriais</p><p>circundavam o globo, passando entre os dois continentes americanos,</p><p>entre a índia e a Europa e entre a Austrália e a Indochina.</p><p>O clima teria sido quente nesta altura mas as condições climáticas no</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>130</p><p>hemisfério Sul continuaram a deteriorar-se, pois a CCA era ainda</p><p>efectiva. A abertura da Passagem de Drake favoreceu esta corrente e a</p><p>calote gelada prosseguiu o seu desenvolvimento no pólo Sul.</p><p>No final do Eocénico fez-se sentir um rápido arrefecimento,</p><p>reflectindo, possivelmente, o feedback positivo do mecanismo do</p><p>albedo (reflectividade) à medida que se deu o crescimento da calote</p><p>polar antárctica.</p><p>No início do Oligocénico, a Índia e a Eurásia colidiram, inibindo a</p><p>passagem das correntes equatoriais. A passagem entre a Antárctida e</p><p>a Austrália foi aberta, reforçando a grande CCA.</p><p>No final do Miocénico, ocorreu novo arrefecimento acentuado</p><p>coincidente com uma regressão e, provavelmente, com o fecho do</p><p>Estreito de Gibraltar, que isolou de tal modo a bacia mediterrânea que</p><p>este mar secou. Este episódio é conhecido como a “crise salina do</p><p>Messiniano”, durante a qual enormes massas salinas foram</p><p>precipitadas no Mediterrâneo e a salinidade do oceano global decaiu</p><p>6%.</p><p>Depois de um interlúdio quente no início do Pliocénico, o clima</p><p>agravou-se novamente e, sobre o Árctico, começou também a</p><p>acumular-se gelo.</p><p>O motivo pelo qual a calote gelada do pólo Norte iniciou a sua</p><p>construção muito depois da calote do pólo Sul permanece</p><p>desconhecido. Durante os últimos 1,67 Ma – 1,64 Ma, ou seja, durante</p><p>o Quaternário, parte da superfície da Terra já esteve profundamente</p><p>congelada nove vezes.</p><p>Durante a época glaciária mais recente, o manto de gelo cobriu a</p><p>Antárctida, a Patagónia e a parte meridional dos Andes, o Cáucaso e os</p><p>Himalaias e vastas regiões setentrionais da Europa e América do</p><p>Norte.</p><p>O manto de gelo que cobriu o Mar do Norte e a Grã-Bretanha até à</p><p>linha dos subúrbios a Norte de Londres recuou há cerca de 0,01 Ma.</p><p>Actualmente, os restos desta última glaciação são os inlandsis da</p><p>Antárctida e da Gronelândia; os resultados visíveis que provam esta</p><p>glaciação são os vales escavados pelo gelo (em Portugal, o vale do</p><p>Zêzere, a montante de Manteigas) e litorais mais elevados por os</p><p>continentes terem subido depois de aliviados do peso do gelo (num</p><p>processo chamado isostasia), para além de todas as formas de</p><p>modelado glaciar nas regiões mais setentrionais.</p><p>Dado que as vastas massas de gelo continham enormes quantidades</p><p>de água (uma acumulação de gelo com 400 000 Km3 corresponde a</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>131</p><p>uma descida do nível do mar de cerca de um metro), o nível médio do</p><p>mar situava-se a cerca de 135 metros abaixo do actual (do que resulta</p><p>um volume de gelo de cerca de 70 milhões de Km3, quase três vezes</p><p>mais do que o volume de gelo actual).</p><p>Assim, o que agora são plataformas continentais eram, então, terra</p><p>seca e muitas ilhas ao largo da costa, incluindo a Grã-Bretanha, faziam</p><p>parte de massas de terra adjacentes e a Rússia e a América do Norte</p><p>estavam ligadas no local em que agora se situa o Estreito de Bering.</p><p>Nesses tempos, o nível do mar, mais baixo, permitia o movimento de</p><p>animais entre as massas de terra.</p><p>Se esta foi a última glaciação da Terra não se sabe mas é quase certo</p><p>que vivemos apenas num período interglaciário (o período quente</p><p>entre dois períodos glaciários), um dos muitos da história da Terra e</p><p>dentro de 11 000, 23 000, 47 000 ou, mesmo, 100 000 anos o gelo</p><p>voltará.</p><p>Mas um planeta mais quente seria igualmente desastroso, pois as</p><p>calotas polares fundir-se-iam, o nível do mar elevar-se-ia cerca de 60</p><p>metros e muitas cidades, como Nova Iorque, Rio de Janeiro, Londres</p><p>ou Lisboa, ficariam submersas.</p><p>De acordo com Penck e Bruckner, as grandes glaciações que atingiram</p><p>a região alpina foram cinco: Donau, Günz, Mindel, Riss e Würm, de</p><p>acordo com os terraços fluviais por eles estudados nos Alpes do Norte.</p><p>Esta classificação está, no entanto, em desuso pois não se verifica</p><p>coincidência entre as glaciações e os terraços estudados, pois foi</p><p>totalmente ignorada a tectónica. (Húo: 2009).</p><p>Sumário</p><p>Nesta unidade temática foram tratados assuntos relacionados a</p><p>hidrografia dos glaciares. Ao longo da unidade foram apresentados os</p><p>processos de formação dos glaciares, sua destruição e seus</p><p>movimentos.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1. Para a formação dos glaciares são necessárias seguintes condições:</p><p>a) temperaturas baixas e quantidades adequadas de neve;</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>132</p><p>b) solos não permeáveis e quantidades adequadas de neve</p><p>c)temperaturas baixas e solos não permeáveis</p><p>d) solos permeáveis, temperaturas baixas</p><p>2. Os glaciares formam se normalmente</p><p>a) Em regiões de alta latitude e em elevadas altitudes</p><p>b) Em regiões de baixa latitude e em elevadas altitudes</p><p>c) Em regiões de alta latitude e baixas altitudes</p><p>d) Em regiões de baixa latitude e baixas altitudes</p><p>3. A formação dos glaciares é comum na</p><p>a) África; b) Ásia; c) Antárctida; d)América</p><p>4. Existem quatro mecanismos responsáveis pela ablação de um</p><p>glaciar qu</p><p>a) Degelo; desprendimento de icebergues; sublimação; erosão fluvial</p><p>b) Degelo; desprendimento de icebergues; sublimação; evaporação</p><p>c) Evaporação; desprendimento de icebergues; sublimação; erosão</p><p>eólica</p><p>d) Degelo; desprendimento de icebergues; sublimação; erosão eólica</p><p>5. Quando um glaciar desce até à linha de costa quebram-se peças de</p><p>gelo e formam-se icebergues. Isto é</p><p>a) Desprendimento de icebergues; b) Sublimação; c)erosão eólica;</p><p>d)diminuição de glaciares</p><p>6. Nos climas frios, o gelo pode passar directamente do estado sólido</p><p>para o estado gasoso. Esse processo chama se</p><p>a) Desprendimento de icebergues; b) Sublimação; c)erosão eólica;</p><p>d)diminuição de glaciares</p><p>7. O aquecimento e degelo da frente glaciária, provocam</p><p>a) neve; b) Sublimação; c)erosão eólica; d)diminuição de glaciares</p><p>8 Os glaciares transportam rochas erodidas de todos os tamanhos e</p><p>tipos para jusante, depositando-as, eventualmente,</p><p>a)quando e onde o gelo se derreter; b) em qualquer local mesmo que</p><p>não haja derretimento de gelo; c) em lugares de intensa neve; d)em</p><p>latitudes elevadas.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>133</p><p>9. O transportador eficiente de detritos, uma vez que o material que</p><p>recolhe não se afunda, é</p><p>a)água; b)gelo; c)vento; d)chuva</p><p>10. O termo geral usado para designar todos os processos e resultados</p><p>ligados ao período de tempo durante o qual se verifica a cobertura ou</p><p>ocupação de uma área por um lençol de gelo ou glaciar, é</p><p>a) Glaciação; b) gelo; c)icebergs; d)glaciar</p><p>Respostas: 1a);2a); 3c); 4d); 5a); 6b);7d); 8a);9b); 10a)</p><p>Exercícios</p><p>1. O que entende por icebergs e como que se formam?</p><p>2. O gelo é um transportador eficiente de detritos,</p><p>comparativamente a água e o vento? Justifique essa afirmação.</p><p>3. O que é inlandsis?</p><p>4. Que diferenças existem entre as calotas polares e glaciares?</p><p>5. Quais são as principais condições</p><p>necessárias para a formação</p><p>dos glaciares?</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>134</p><p>TEMA VII: HIDROGRAMA</p><p>UNIDADE Temática 7.1. Hidrograma</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, nesta unidade temática falar se á das formas de um</p><p>hidrograma, factores que influenciam a forma do hidrograma.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>• Diferenciar as formas de um hidrograma</p><p>• Identificar os factores que influenciam na forma de um hidrograma</p><p>• Diferenciar os vários tipos de escoamento</p><p>Desenvolvimento</p><p>Hidrograma é a Curva de vazão registrada em uma seção registada</p><p>numa secção de um curso de água devido a precipitação ocorrida</p><p>numa bacia hidrográfica. Relaciona entre o escoamento e o tempo</p><p>para um determinado evento de chuva</p><p>A contribuição total que produz o escoamento da água na secção</p><p>considerada é devido a:</p><p>1. À Precipitação recolhida directamente na superfície das águas;</p><p>2. Ao escoamento superficial;</p><p>3. Ao escoamento subsuperficial;</p><p>4. À contribuição do lençol de água subterrâneo.</p><p>Precipitação inicial: parte da água que fica retida nas depressões, na</p><p>vegetação;</p><p>Escoamento superficial: ocorre após o preenchimento das depressões</p><p>e ultrapassada a capacidade de infiltração;</p><p>Chuva residual: volume de chuva inferior à capacidade de infiltração.</p><p>Próximo ao fim da chuva;</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>135</p><p>Infiltração residual: a partir da chuva residual, toda chuva que infiltra;</p><p>Precipitação efectiva – após a parte de chuva que se perde por</p><p>infiltração, evapotranspiração e preenchimento de depressões. O que</p><p>resta é PE = escoamento superficial total;</p><p>Terminada a precipitação o escoamento superficial prossegue, mas a</p><p>curva de vazão vai decrescendo;</p><p>Embora os hidrogramas tenham a mesma forma geral, eles diferem</p><p>em detalhes que dependem dos seguintes factores (Feite: 2009):</p><p>• Quantidade de Chuva;</p><p>• Padrão da chuva;</p><p>• Tempo de concentração;</p><p>• Características físicas da bacia hidrográfica.</p><p>Assim, o pico poderia estar em vários pontos ao longo do eixo do</p><p>tempo, ou o pico poderia ser de várias magnitudes, ou a inclinação das</p><p>partes ascendentes e descendentes seriam acentuadas ou moderadas.</p><p>Figura1: escoamento superficial directo</p><p>Fonte: Feite (2009)</p><p>Todo o escoamento que aparece no rio é chamado de Escoamento</p><p>Superficial</p><p>Usualmente expresso em: unidades de vazão (m3/s; l/s, .); lâmina de</p><p>escoamento (mm/dia, mm/mês, ...)</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>136</p><p>As origens do Escoamento Superficial podem ser:</p><p>1. O Escoamento Superficial Directo- ESD</p><p>2. O Escoamento Básico</p><p>3. O Escoamento Sub Superficial</p><p>Características do Escoamento Básico</p><p>1. Oriundo do lençol freático</p><p>2. Escoamento laminar (lento e uniforme)</p><p>3. Decai lentamente ao longo do tempo quando não há recarga</p><p>4. Quando há recarga a vazão básica sobe lentamente para depois</p><p>decair novamente quando a recarga cessa.</p><p>Figura2: Feite (2009)</p><p>Formas de um hidrograma</p><p>Factores que influenciam a forma do hidrograma (Feite: 2009) :</p><p>Relevo (densidade de drenagem, declividade do rio e da bacia,</p><p>capacidade de armazenamento e forma)</p><p>• Bacias íngremes e com boa drenagem têm hidrogramas</p><p>íngremes com pouco escoamento de base.</p><p>• Bacias com grandes áreas de extravasamento tendem a</p><p>regularizar o escoamento e reduzir o pico.</p><p>• Bacias mais circulares antecipam e têm picos de vazões</p><p>maiores do que bacias alongadas.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>137</p><p>Coberturas da bacia: cobertura vegetal tende a retardar o escoamento</p><p>e aumentar perdas por evaporação;</p><p>Modificações artificiais no rio : reservatórios de regularização reduzem</p><p>os picos, enquanto canalizações podem aumentar os picos;</p><p>Distribuição, duração e intensidade da precipitação: Chuvas</p><p>deslocando-se de jusante para montante geram hidrogramas com</p><p>picos menores (eventualmente dois picos).</p><p>As chuvas convectivas de grande intensidade e distribuídas numa</p><p>pequena área, podem provocar as grandes enchentes em pequenas</p><p>bacias. Para bacias grandes, as chuvas frontais são mais importantes.</p><p>Solo : Interfere na quantidade de chuva transformada em chuva</p><p>efectiva.</p><p>Trechos do Hidrograma</p><p>(1) Ascensão : com grande gradiente é correlacionada com a</p><p>intensidade da precipitação.</p><p>(2) Região do pico : o hidrograma muda de inflexão, resultado do fim</p><p>da chuva e amortecimento na bacia.</p><p>(3) Recessão : Cessa o escoamento direto, após o ponto de inflexão,</p><p>apenas contribui o escoamento básico.</p><p>Características do hidrograma</p><p>(1) Tempo de concentração : Tempo de deslocamento da água do</p><p>ponto mais distante da bacia até a secção principal. Definido também</p><p>como o intervalo entre o fim da precipitação e o ponto de inflexão do</p><p>hidrograma;</p><p>(2) Tempo de retardamento : Intervalo de tempo entre os centros de</p><p>massa do hietograma e do hidrograma;</p><p>(3) Tempo de pico : Intervalo de tempo entre o centro de massa da</p><p>chuva e a vazão de pico;</p><p>(4) Tempo de ascensão : Intervalo entre o início da chuva e o pico do</p><p>hidrograma;</p><p>(5) Tempo de base : Duração do escoamento superficial directo;</p><p>(6) Tempo de recessão : Intervalo entre a vazão de pico e o término do</p><p>escoamento superficial directo.(Idem)</p><p>Hidrograma unitário</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>138</p><p>Muitos métodos podem ser desenvolvidos para calcular hidrogramas</p><p>para uma determinada BH ou de drenagem e uma tempestade, mas</p><p>eles se enquadram em duas categorias gerais (Feite: 2009):</p><p>Hidrograma de medição directa e Hidrograma Sintético.</p><p>Tipos de hidrograma</p><p>Hidrograma de medição directa são usados em grandes bacias</p><p>hidrográficas. Com mais de uma estação de medição. Estes dados são</p><p>analisados estatisticamente visando desenvolver hidrograma geral</p><p>aplicável a qualquer chuva prevista.</p><p>Hidrograma Sintético são usados em pequenas bacias hidrogáficas,</p><p>sem informações de medição de escomanento.</p><p>Hidrograma de medição directa e hidrograma sintético são elaborados</p><p>com o uso de um conceito chamado Hidrograma Unitário.</p><p>Apresentado em 1932 por L.K. Sherman, é definido como um</p><p>hidrograma resultante de uma unidade de precipitação efectiva</p><p>caindo sobre a BH em uma unidade de tempo.</p><p>A forma exata do gráfico depende da BH considerada, mas todos</p><p>possuem a área abaixo da curva representa o volume total de</p><p>escoamento.</p><p>Os principais elementos do HU aparecem na figura abaixo:</p><p>Figura3: Os principais elementos do HU</p><p>Fonte: Feite (2009)</p><p>Factores usados incluem o tempo de concentração Tc e o tempo de</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>139</p><p>retardamento da BH, L. Empiricamente temos L=0,6Tc</p><p>HU feito a partir de múltiplas precipitações unitárias</p><p>Figura4: HU feito a partir de múltiplas precipitações unitárias</p><p>Fonte: Feite(2009)</p><p>Suposições feitas no uso de hidrogramas unitários incluem:</p><p>• Precipitação é constante durante todo o tempo unitário,</p><p>embora varie constantemente, vamos supô-la constante;</p><p>• Precipitação uniformemente distribuída na BH, embora varie,</p><p>mas em bacias pequenas as variações não são extremas. Para</p><p>BH grandes a BH deve ser divididas em sub-bacias;</p><p>• Dois ou mais HU marcados no mesmo eixo tempo podem ser</p><p>combinados, formando hidrograma resultante.</p><p>Sumário</p><p>Nesta unidade temática, tratou se de vários tipos de</p><p>hidrogramas, os factores que influenciam nas formas de um</p><p>hidrograma. Foi tratado igualmente o escoamento superficial</p><p>em bacias hidrográficas.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>140</p><p>1. Embora os hidrogramas tenham a mesma forma geral, eles diferem</p><p>em detalhes que dependem dos seguintes factores</p><p>a) Quantidade de chuva; padrão da chuva; características</p><p>físicas da</p><p>bacia hidrográfica;</p><p>b) Quantidade de chuva; relevo; características físicas da bacia</p><p>hidrográfica;</p><p>c) Quantidade de chuva; padrão dos ventos; características físicas da</p><p>bacia hidrográfica; relevo</p><p>d) Quantidade de chuva; padrão dos ventos; características físicas da</p><p>bacia hidrográfica;</p><p>2. As origens do Escoamento Superficial podem ser</p><p>a) Escoamento superficial directo; escoamento subterrâneo;</p><p>escoamento Sub Superficial; escoamento Básico</p><p>b) Escoamento superficial directo; escoamento Básico; escoamento</p><p>Subterrâneo; escoamento Sub Superficial</p><p>c) Escoamento superficial directo; escoamento superficial indirecto;</p><p>d) Escoamento superficial directo; escoamento Básico; escoamento</p><p>Sub Superficial</p><p>3. Características do Escoamento Básico</p><p>a) oriundo do lençol freático; escoamento laminar (lento e uniforme);</p><p>decai lentamente ao longo do tempo quando não há recarga;</p><p>b) oriundo do lençol freático; escoamento laminar rápido e</p><p>diversificado; decai lentamente ao longo do tempo quando não há</p><p>recarga;</p><p>c) oriundo do lençol freático; escoamento laminar (lento e uniforme);</p><p>decai rapidamente ao longo do tempo quando não há recarga</p><p>d) oriundo do lençol freático; escoamento laminar rápido e</p><p>diversificado; decai rapidamente ao longo do tempo quando não há</p><p>recarga.</p><p>4. volume de chuva inferior à capacidade de infiltração. Próximo ao</p><p>fim da chuva, é conhecido por</p><p>a) Precipitação inicial; b) Escoamento superficial; c) Chuva residual;d)</p><p>Infiltração residual</p><p>5. A partir da chuva residual, toda chuva que infiltra, é</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>141</p><p>a) Precipitação inicial; b) Escoamento superficial; c) Chuva residual;d)</p><p>Infiltração residual</p><p>6. A parte da água que fica retida nas depressões, na vegetação é tida</p><p>como</p><p>a) Precipitação inicial; b) Escoamento superficial; c) Chuva residual;d)</p><p>Infiltração residual</p><p>7. ocorre após o preenchimento das depressões e ultrapassada a</p><p>capacidade de infiltração. Trata-se de</p><p>a) Precipitação inicial; b) Escoamento superficial; c) Chuva residual;d)</p><p>Infiltração residual</p><p>8. são usados em grandes bacias hidrográficas. Com mais de uma</p><p>estação de medição. Estes dados são analisados estatisticamente</p><p>visando desenvolver hidrograma geral aplicável a qualquer chuva</p><p>prevista. Trata se de</p><p>a) Hidrogramas de medição directa; b) Hidrogramas Sintéticos;</p><p>c) Hidrograma de medição directa e hidrograma sintético; d)todas</p><p>estão certas</p><p>9. são usados em pequenas bacias hidrogáficas, sem informações de</p><p>medição de escomanento. Trata se de</p><p>a) Hidrogramas de medição directa; b) Hidrogramas Sintéticos;</p><p>c) Hidrograma de medição directa e hidrograma sintético; d)todas</p><p>estão erradas</p><p>10. são elaborados com o uso de um conceito chamado hidrograma</p><p>unitário. Trata se de</p><p>a) Hidrogramas de medição directa; b) Hidrogramas Sintéticos;</p><p>c) Hidrograma de medição directa e hidrograma sintético; d)todas</p><p>estão erradas</p><p>Respostas: 1a); 2d);3a);4c); 5d);6a); 7b); 8a); 9b); 10c)</p><p>Exercícios</p><p>1. Diferencie hidrograma de medição directa do hidrograma</p><p>sintético?</p><p>2. Quais são as características do escoamento básico</p><p>3. O que entende por precipitação inicial?</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>142</p><p>4. Embora os hidrogramas tenham a mesma forma geral, eles</p><p>diferem em detalhes que dependem de alguns factores.</p><p>Enumere esses factores.</p><p>5. Defina hidrograma?</p><p>TEMA VIII: RECURSOS HÍDRICOS</p><p>UNIDADE Temática 8.1: Recursos Hídricos, seus impactos e usos</p><p>Introdução</p><p>Nesta unidade temática, vai se tratar dos recursos hídricos. Terá como</p><p>enfoque as formas de uso dos recursos hídricos (no passado, presente e</p><p>futuro) bem como os impactos disso resultantes.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>• Identificar as formas de uso dos recursos hídricos</p><p>• Identificar os impactos de uso dos recursos hídricos</p><p>Desenvolvimento</p><p>Recursos Hídricos</p><p>A água é essencial à vida e todos os organismos vivos no planeta Terra</p><p>dependem da água para sua sobrevivência.</p><p>O planeta Terra é o único planeta do sistema solar que tem água</p><p>nos três estados (sólido, líquido e gasoso), e as mudanças de</p><p>estado físico da água no ciclo hidrológico são fundamentais e</p><p>influenciam os processos biogeoquímicos nos ecossistemas</p><p>terrestres e aquáticos. Somente 3% da água do planeta está</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>143</p><p>disponível como água doce.</p><p>Destes 3%, cerca de 75% estão congelados nas calotas polares, em</p><p>estado sólido, 10% estão confinados nos aquíferos e, portanto, a</p><p>disponibilidade dos recursos hídricos no estado líquido é de</p><p>aproximadamente 15% destes 3%. A água, portanto, é um recurso</p><p>extremamente reduzido.</p><p>O suprimento de água doce de boa qualidade é essencial para o</p><p>desenvolvimento económico, para a qualidade de vida das</p><p>populações humanas e para a sustentabilidade dos ciclos no</p><p>planeta.</p><p>A água nutre as florestas, mantêm a produção agrícola, mantêm a</p><p>biodiversidade nos sistemas terrestres e aquáticos. Portanto, os</p><p>recursos hídricos superficiais e os recursos hídricos subterrâneos</p><p>são recursos estratégicos para o homem e todas as plantas e</p><p>animais.</p><p>O ciclo hidrológico é o princípio unificador fundamental referente</p><p>à água no planeta, sua disponibilidade e distribuição.</p><p>O ciclo hidrológico opera em função da energia solar que produz</p><p>evaporação dos oceanos e dos efeitos dos ventos, que transportam</p><p>vapor de água acumulado para os continentes.</p><p>A velocidade do ciclo hidrológico variou de uma era geológica a</p><p>outra, bem como a proporção de águas doces e águas marinhas.</p><p>As características do ciclo hidrológico não são homogéneas, daí a</p><p>distribuição desigual da água no planeta.</p><p>Há 26 países com escassez de água e pelo menos 4 países (Kuwait,</p><p>Emirados Árabes Unidos, Ilhas Bahamas, Faixa de Gaza – território</p><p>palestino) com extrema escassez de água (entre 10 e 66</p><p>m3/habitante) (Shiklomanov (1998).</p><p>A Tabela I mostra os balanços hídricos por continente.</p><p>Continente Precipitação</p><p>(Km3/ano)</p><p>Evaporação</p><p>(Km3/ano)</p><p>Drenagem</p><p>(Km3/ano)</p><p>Europa 8,290 5,320 2,970</p><p>Ásia 32,200 18,100 14,100</p><p>África 22,300 17,700 4,600</p><p>América do Norte 18,300 10,100 8,180</p><p>América do Sul 28,400 16,200 12,200</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>144</p><p>Austrália/Oceania 7,080 4,570 2,510</p><p>Antártica 2,310 0 2,310</p><p>Total 118,880 71,990 46,870</p><p>Tabela1: Balanço Hídrico de águas superficiais por continente</p><p>Fonte: Shiklomanov (1998)</p><p>Água – desenvolvimento económico e estimativas do uso dos recursos</p><p>hídricos</p><p>Sempre houve grande dependência dos recursos hídricos para o</p><p>desenvolvimento económico.</p><p>A água funciona como factor de desenvolvimento, pois ela é utilizada</p><p>para inúmeros usos directamente relacionados com a economia</p><p>(regional, nacional e internacional).</p><p>Os usos mais comuns e frequentes dos recursos hídricos são: água</p><p>para uso doméstico, irrigação, uso industrial e hidroelectricidade.</p><p>De 1900 a 2000, o uso total da água no planeta aumentou dez</p><p>vezes (de 500 km3/ano para aproximadamente 5.000 Km3/ano).</p><p>Os usos múltiplos da água aceleram-se em todas as regiões,</p><p>continentes e países. Estes usos múltiplos aumentam à medida</p><p>que as actividades económicas se diversificam e as necessidades</p><p>de água aumentam para atingir níveis de sustentação compatíveis</p><p>com as pressões da sociedade de consumo, a produção industrial e</p><p>agrícola.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>145</p><p>Figura 1 – Tendências no consumo global de água, 1900-2000</p><p>Fonte: Tundisi (2008)</p><p>Região Doméstico</p><p>m3/ano</p><p>Industrial</p><p>m3/ano</p><p>Agricultura</p><p>m3/ano</p><p>Perdas em</p><p>reservatórios</p><p>m3/ano</p><p>Europa 150 400 185 10</p><p>União Soviética 120 500 1.310 70</p><p>Ásia 75 150 5.585 25</p><p>África 50 100 400 85</p><p>América do Norte 260 2.000 1.050 110</p><p>América do Sul 20 200 190 35</p><p>Oceania 110 700 750 150</p><p>A Tabela 2 mostra a retirada de água “per capita” para diferentes</p><p>continentes por actividade (para o ano 2000). Fonte: Tundisi</p><p>(2008)</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>146</p><p>Setor 2015</p><p>(sem reuso industrial)</p><p>km3/ano</p><p>2015</p><p>(com reuso industrial)</p><p>km3/ano</p><p>Doméstico 890 890</p><p>Industrial 4,100 1,145</p><p>Agricultura 5,850 5,850</p><p>Total 10,884 7,885</p><p>A Tabela 3 mostra as projecções para os usos múltiplos da água</p><p>retiradas para usos diversos até 2015</p><p>Fonte:Tundisi (2008)</p><p>A urbanização acelerada em todo o planeta produz inúmeras</p><p>alterações no ciclo hidrológico e aumenta enormemente as</p><p>demandas para grandes volumes de água, aumentando também os</p><p>custos do tratamento, a necessidade de mais energia para</p><p>distribuição de água e a pressão sobre os mananciais.</p><p>À medida que aumenta o desenvolvimento económico e a renda</p><p>percapita, aumenta a pressão sobre os recursos hídricos</p><p>superficiais e subterrâneos.</p><p>As estimativas e projecções sobre os usos futuros dos recursos</p><p>hídricos variam bastante, em função de análises de tendências</p><p>diversificadas, algumas baseadas em projecções dos usos actuais,</p><p>outras em função de re-avaliações dos usos actuais e introdução</p><p>de medidas de economia da água, tais como, re-uso e medidas</p><p>legais para diminuir os usos e o consumo e evitar desperdício, ou a</p><p>cobrança pelo uso da água e o princípio do poluidor-pagador.</p><p>(Shiklomanov:1998).</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>147</p><p>Autor / ano Ano para o qual o</p><p>cenário foi</p><p>avaliado</p><p>Uso global da</p><p>água (Km3/ano)</p><p>L’Vovich (uso convencional,</p><p>1974)</p><p>2.000 12.270</p><p>De Mare (1976) 2.000 5.605</p><p>Shiklomanov (1998) 2.025 4.089</p><p>Shiklomanov (1998) 2.025 4.867</p><p>Gleick (visão sustentável,</p><p>1997)</p><p>2.025 4.270</p><p>Raskin et al. (com reformas</p><p>legislativas e políticas no uso)</p><p>(1997)</p><p>2.050</p><p>3.899</p><p>A Tabela 4 mostra algumas das estimativas dos usos da água para</p><p>o futuro até o ano de 2025.</p><p>Fonte: Tundisi (2008)</p><p>Os impactos nos recursos hídricos</p><p>Os impactos quantitativos nos recursos hídricos são crescentes e</p><p>produzem grandes alterações nos estoques de águas superficiais e</p><p>subterrâneas.</p><p>Há casos muito evidentes de uso excessivo de recursos hídricos</p><p>superficiais que resultaram na redução quantitativa acentuada e</p><p>em desastres de grandes proporções.</p><p>Exemplos disto são os problemas referentes ao Mar de Aral, à cidade</p><p>do México e a muitas outras regiões do planeta, especialmente</p><p>regiões urbanas.</p><p>Além dos impactos quantitativos, há muitos outros impactos na</p><p>qualidade das águas superficiais e subterrâneas que</p><p>comprometem os usos múltiplos e aumentam as pressões</p><p>económicas regionais e locais sobre os recursos hídricos. Estes</p><p>impactos estão descritos na Tabela abaixo.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>148</p><p>Actividade Humana Impacto nos</p><p>ecossistemas</p><p>aquáticos</p><p>Valores/serviços em</p><p>risco</p><p>Construção de</p><p>represas.</p><p>Altera o fluxo dos rios</p><p>e o transporte de</p><p>nutrientes e</p><p>sedimento e interfere</p><p>na migração e</p><p>reprodução de</p><p>peixes.</p><p>Altera habitats e a</p><p>pesca comercial e</p><p>esportiva. Altera os</p><p>deltas e suas</p><p>economias.</p><p>Construção de</p><p>diques e canais.</p><p>Destrói a conexão do</p><p>rio com as áreas</p><p>inundáveis</p><p>Afecta a fertilidade</p><p>natural das várzeas e</p><p>os controles das</p><p>enchentes</p><p>Alteração do canal</p><p>natural dos rios.</p><p>Danifica</p><p>ecologicamente os</p><p>rios. Modifica os</p><p>fluxos dos rios.</p><p>Afecta os habitats e a</p><p>pesca comercial e</p><p>esportiva. Afecta a</p><p>produção de</p><p>hidroelectricidade e</p><p>transporte.</p><p>Drenagem de áreas</p><p>alagadas.</p><p>Elimina um</p><p>componente-chave</p><p>dos ecossistemas</p><p>aquáticos.</p><p>Perda de</p><p>biodiversidade. Perda</p><p>de funções naturais de</p><p>filtragem e reciclagem</p><p>de nutrientes. Perda</p><p>de habitats para peixes</p><p>e aves aquáticas.</p><p>Desmatamento Altera padrões de</p><p>drenagem, inibe a</p><p>recarga natural dos</p><p>aquíferos, aumenta a</p><p>sedimentação.</p><p>Altera a qualidade e a</p><p>quantidade da água,</p><p>pesca comercial,</p><p>biodiversidade e</p><p>controle de enchentes.</p><p>Poluição não</p><p>controlada.</p><p>Diminui a qualidade</p><p>da água</p><p>Altera o suprimento de</p><p>água. Aumenta os</p><p>custos de tratamento.</p><p>Altera a pesca</p><p>comercial. Diminui a</p><p>biodiversidade. Afecta</p><p>a saúde humana</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>149</p><p>Remoção excessiva</p><p>de biomassa.</p><p>Diminui os recursos</p><p>vivos e a</p><p>biodiversidade</p><p>Altera a pesca</p><p>comercial e esportiva.</p><p>Diminui a</p><p>biodiversidade. Altera</p><p>os ciclos naturais dos</p><p>organismos.</p><p>Introdução de</p><p>espécies exóticas.</p><p>Elimina espécies</p><p>nativas. Altera ciclos</p><p>de nutrientes e ciclos</p><p>biológicos.</p><p>Perda de habitats e</p><p>alteração da pesca</p><p>comercial. Perda da</p><p>biodiversidade natural</p><p>e estoques genéticos.</p><p>Poluentes do ar</p><p>(chuva ácida) e</p><p>metais pesados.</p><p>Altera a composição</p><p>química de rios e</p><p>lagos.</p><p>Altera a pesca</p><p>comercial. Afecta a</p><p>biota aquática. Afecta</p><p>a recreação. Afecta a</p><p>saúde humana. Afecta</p><p>a agricultura.</p><p>Mudanças globais no</p><p>clima.</p><p>Afecta drasticamente</p><p>o volume dos</p><p>recursos hídricos.</p><p>Altera padrões de</p><p>distribuição de</p><p>precipitação e</p><p>evaporação</p><p>Afecta o suprimento</p><p>de água, transporte,</p><p>produção de energia</p><p>eléctrica, produção</p><p>agrícola e pesca e</p><p>aumenta enchentes e</p><p>fluxo de água em rios</p><p>Crescimento da</p><p>população e padrões</p><p>gerais do consumo</p><p>humano.</p><p>Aumenta a pressão</p><p>para construção de</p><p>hidroeléctricas e</p><p>aumenta a poluição</p><p>da água e a</p><p>acidificação de lagos</p><p>e rios. Altera os ciclos</p><p>hidrológicos.</p><p>Afecta praticamente</p><p>todas as actividades</p><p>económicas que</p><p>dependem dos</p><p>serviços dos</p><p>ecossistemas</p><p>aquáticos.</p><p>Tabela 5: Impactos das actividades humanas nos ecossistemas</p><p>aquáticos e valores/serviços dos recursos hídricos em risco.</p><p>Fonte: diversas fontes consolidadas por Tundisi (2008)</p><p>O aumento e a diversificação dos usos múltiplos, o extenso grau</p><p>de urbanização e o aumento populacional resultaram em uma</p><p>multiplicidade de impactos que exigem evidentemente diferentes</p><p>tipos de avaliação, novas tecnologias de monitoramento e avanços</p><p>tecnológicos no tratamento e gestão das águas.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>150</p><p>Este último tópico tem fundamental importância no futuro dos</p><p>recursos hídricos, pois como já descrito anteriormente, os</p><p>cenários de uso aumentando e excessivo estão relacionados com</p><p>uma continuidade das políticas no uso e gestão pouco evoluída</p><p>conceitualmente e tecnologicamente.</p><p>Os resultados de todos estes impactos são muito severos para as</p><p>populações humanas, afectando todos os aspectos da vida diária</p><p>das pessoas, a economia regional e nacional e a saúde humana.</p><p>Estas consequências podem ser resumidas em:</p><p>• Degradação da qualidade da água superficial e subterrânea.</p><p>• Aumento das doenças de veiculação hídrica e impactos na</p><p>saúde humana.</p><p>• Diminuição da água disponível per-capita.</p><p>• Aumento no custo da produção de alimentos.</p><p>• Impedimento ao desenvolvimento industrial e agrícola e</p><p>comprometimento dos usos múltiplos.</p><p>• Aumento dos custos de tratamento de água.</p><p>Além destes impactos produzidos pelas actividades humanas, deve-se</p><p>também considerar que as mudanças globais em curso poderão</p><p>afectar drasticamente os recursos hídricos do planeta.</p><p>As mudanças globais, em parte resultantes da aceleração dos</p><p>ciclos biogeoquímicos e contribuição de gases de efeito estufa</p><p>para a atmosfera, também poderão interferir nas características</p><p>do ciclo hidrológico, afectar a temperatura das águas superficiais</p><p>de lagos, rios e represas, alterar a evapotranspiração e produzir</p><p>impactos diversos na biodiversidade.</p><p>Essas mudanças globais poderão ter efeitos na agricultura, na</p><p>distribuição da vegetação e consequentemente poderão alterar a</p><p>quantidade e qualidade dos recursos hídricos.</p><p>Um dos importantes problemas relativos aos impactos dos usos</p><p>múltiplos e a sua quantificação está na distribuição compartilhada</p><p>dos recursos hídricos nas bacias internacionais.</p><p>Há 19 bacias hidrográficas internacionais cujos recursos hídricos</p><p>são compartilhados por 5 ou mais países.</p><p>A bacia do Rio Danúbio, por exemplo, hoje é resultado dos usos</p><p>por 17 países (eram 12 em 1978). Estas bacias internacionais</p><p>geram grande número de problemas políticos complexos,</p><p>resultantes da disputa pelos recursos hídricos e usos múltiplos por</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>151</p><p>diferentes países.</p><p>Conflitos internacionais com disputa pelos recursos hídricos são</p><p>resultado de animosidades religiosas, disputas ideológicas, problemas</p><p>fronteiriços e competição económica.</p><p>À medida que ocorre uma percepção cada vez mais acentuada</p><p>sobre os recursos hídricos e seu valor económico e social, mais</p><p>acirrada se torna a disputa por recursos hídricos internacionais.</p><p>(Shiklomanov: 1998)</p><p>Continente Nações Unidas [15] Wolf et al. [16]</p><p>África 57 60</p><p>América do Norte e Central 33 39</p><p>América do Sul 36 38</p><p>Ásia 40 53</p><p>Europa 48 71</p><p>Total 214 261</p><p>Tabela 6 - Número de bacias internacionais por Continente</p><p>Fonte: Tundisi (2008)</p><p>Problemas especiais referentes aos usos de recursos hídricos</p><p>Água e produção de alimentos</p><p>O desenvolvimento socialmente justo de todo o planeta deve</p><p>promover a distribuição e o suprimento adequado de alimento</p><p>para todos os habitantes do planeta.</p><p>A avaliação adequada dos recursos hídricos necessários para duplicar</p><p>a produção de alimentos ainda não foi feita.</p><p>Quais as fontes principais de água disponíveis para produzirem</p><p>alimento, por região ou continente? Ainda não há uma definição</p><p>muito clara sobre este problema, especialmente em continentes como</p><p>a América do Sul e África.</p><p>Grande parte da expansão na produção de alimentos foi</p><p>conseguida, principalmente, pelo aumento da área irrigada,</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>152</p><p>especialmente na Ásia e particularmente na Índia.</p><p>A produção agrícola depende da irrigação, da precipitação natural</p><p>e da água produzida por aquíferos subterrâneos utilizada para</p><p>irrigação. A utilização de água para irrigação era de 2.500 Km3 em</p><p>1999. Sem essa água utilizada para irrigação, a produção agrícola</p><p>mundial estaria muito abaixo da produção actual.</p><p>É fundamental o investimento em novas técnicas de irrigação para</p><p>melhorar o uso da água e economizar recursos hídricos de forma</p><p>adequada, nos diferentes continentes.</p><p>Evidentemente, estes usos de água dependem do tipo de solo e do</p><p>clima, do tipo de cultura e das características do ciclo hidrológico local</p><p>ou regional.</p><p>A água requerida para produzir dietas básicas com base em</p><p>necessidades regionais varia de um mínimo de 640m3/pessoa/ano</p><p>para a África sub-sahariana, até um máximo de 1.830 m3/pessoa/ano</p><p>para o continente norte-americano.</p><p>Na América Latina estes números são da ordem de</p><p>1.000m3/pessoa/ano. Estes dados incluem água de irrigação e</p><p>águas de precipitação natural.</p><p>Os requerimentos de água para produção de várias culturas e</p><p>tipos de alimento variam enormemente. Por exemplo, para</p><p>produção de 1Kg de trigo são necessários 900 a 2000 Kg de água e</p><p>para produção de 1Kg de carne bovina são necessários 15.000 a</p><p>70.000 Kg de água.</p><p>Custos do alimento estão relacionados com os custos da irrigação</p><p>e o volume de água utilizado na produção. (Shiklomanov: 1998)</p><p>Água para as regiões urbanas</p><p>O crescimento exponencial da população humana promoveu uma</p><p>enorme demanda sobre os recursos hídricos, aumentando</p><p>significativamente a necessidade de grandes volumes de água para</p><p>suprir as populações urbanas adequadamente sem causar danos à</p><p>saúde pública.</p><p>A urbanização avançou sobre os mananciais e deteriorou as fontes de</p><p>suprimentos superficiais e subterrâneas.</p><p>Os custos do tratamento de água para produção de água potável</p><p>atingem altos valores especialmente se os mananciais estão</p><p>desprotegidos de florestas riparias e</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>153</p><p>cobertura vegetal suficiente nas bacias hidrográficas e se as águas</p><p>subterrâneas estão contaminadas.</p><p>De grande preocupação é a toxicidade dos mananciais, o que pode</p><p>aumentar os riscos à saúde humana e agravar problemas</p><p>principalmente de toxicidade crônica.</p><p>Regiões urbanas produzem grandes volumes de águas residuárias</p><p>de origem doméstica, esgotos não tratados que degradam rios e</p><p>lagos próximos e elevam os custos do tratamento.</p><p>No Brasil somente 20% dos esgotos municipais são tratados,</p><p>produzindo um vasto processo de eutrofização de rios, represas e</p><p>lagos naturais e águas costeiras. (Idem)</p><p>Água e Saúde Humana</p><p>Existem muitas informações sobre os efeitos dos recursos hídricos</p><p>superficiais e subterrâneos deteriorados sobre a saúde humana.</p><p>Há diversas doenças de veiculação hídrica que são consequências</p><p>de organismos que tem um ciclo de vida de alguma forma</p><p>relacionado com águas estagnadas, rios, represas, estuários ou</p><p>lagos. Estas doenças, em Continentes como América Latina, África</p><p>e no Sudoeste da Ásia, matam mais pessoas que todas as outras</p><p>doenças em conjunto.</p><p>As doenças que atingem os seres humanos a partir da água</p><p>poluída podem resultar de contaminação em águas não tratadas</p><p>(esgotos domésticos) por contribuição de pessoas e animais</p><p>infectados, animais em regiões de intensa actividade pecuária</p><p>(galo, aves, suínos) ou por animais silvestres.</p><p>As doenças de veiculação hídrica aumentam de intensidade e</p><p>distribuição em regiões com alta concentração populacional, por</p><p>exemplo, em zonas periurbanas metropolitanas, e com o aumento</p><p>de despejos de actividades industriais, especialmente aqueles</p><p>provenientes das indústrias de processamento da matéria</p><p>orgânica (carne, laticínios, cana de açúcar).</p><p>Factores adicionais de contaminação são os rios urbanos de</p><p>pequeno porte, com águas contaminadas e não tratadas que</p><p>podem funcionar como pólo de dispersão de doenças de</p><p>veiculação hídrica directa ou indirectamente.</p><p>A eutrofização de sistemas continentais e costeiros também é</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>154</p><p>causa de contaminação e aumento de doenças.</p><p>Inabilidade e mortes prematuras produzidas por doenças de</p><p>veiculação hídrica têm como consequência muitas perdas</p><p>económicas, efeitos de curto e longo prazo.</p><p>Valoração dos Recursos Hídricos</p><p>Os ecossistemas apresentam funções que podem ser qualificadas</p><p>de “serviços” e benefícios à população humana e a outras</p><p>espécies.</p><p>Por exemplo, a produção de alimentos, a reciclagem de nitrogénio</p><p>e fósforo pelos ecossistemas aquáticos, a produção de alimento e</p><p>o suprimento de água para abastecimento público, podem ser</p><p>considerados “serviços” proporcionados pelos recursos hídricos.</p><p>Esta valorização pode ser feita em função do “capital natural” que</p><p>pode ser a biodiversidade ou funcionamento de uma área alagada</p><p>como promotor do saneamento.</p><p>Os estoques de recursos hídricos superficiais ou subterrâneos</p><p>podem ser considerados um capital que é crítico ao</p><p>funcionamento do planeta, contribuindo para o bem estar e a</p><p>melhor qualidade de vida da população.</p><p>O conjunto de serviços proporcionados pelos recursos hídricos é</p><p>de aproximadamente U$ 1700 x109 por ano (para uma área de</p><p>200x106 hectares de rios e lagos).</p><p>Esta valoração está ainda nos estágios iniciais, uma vez que a</p><p>dimensão completa de todos os “serviços” é difícil e complexa e</p><p>há enormes diferenças regionais e locais nesses valores.</p><p>Valores recreacionais, estéticos e custos do tratamento natural</p><p>variam bastante. Esforços precisam ser definidos para avaliações</p><p>locais, de diferentes</p><p>ecossistemas aquáticos, de águas superficiais</p><p>e recursos hídricos subterrâneos.</p><p>Entretanto, esta valoração é fundamental para definir inclusive os</p><p>custos de preservação e da</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>155</p><p>recuperação e como compreensão para antecipar impactos. É</p><p>fundamental avaliar os custos dos impactos sobre o capital natural</p><p>e os “serviços” proporcionados por este capital. (Shiklomanov:</p><p>1998)</p><p>O futuro dos recursos hídricos</p><p>Recursos Hídricos representam um estoque de recursos</p><p>fundamental para a manutenção da vida no planeta Terra e</p><p>também para o funcionamento dos ciclos e funções naturais.</p><p>Recursos Hídricos beneficiam directa ou indirectamente a</p><p>população humana, principalmente se levarmos em conta os</p><p>vários benefícios promovidos para o bem estar da população</p><p>humana e para a sobrevivência de organismos.</p><p>Uma nova ética é necessária para enfrentar a escassez de recursos</p><p>hídricos no futuro e para tratar este recurso como um</p><p>componente fundamental dos ciclos do planeta Terra.</p><p>Além desta nova ética que compreende uma visão mais ampla do</p><p>recurso, que inclui valores estéticos e culturais, é necessário um</p><p>conjunto de alterações conceituais na gestão, como a descentralização</p><p>da gestão, implantando os comités de bacias hidrográficas,</p><p>desenvolvendo mecanismos de integração institucional e ampliando a</p><p>capacidade preditiva do sistema.</p><p>A gestão ambiental e especialmente a gestão dos recursos hídricos no</p><p>século 20 foi dirigida essencialmente para uma acção sectorial (pesca,</p><p>hidroelectricidade, navegação), em nível local (rio, lago, represa, água</p><p>subterrânea) e de resposta a crises.</p><p>No século 21 esta gestão deverá sofrer uma transição para uma gestão</p><p>integrada (usos múltiplos), em nível de ecossistema (bacia</p><p>hidrográfica) e preditiva (ou seja, capacidade de antecipação de</p><p>problemas, desastres e impactos).</p><p>Isto implica também em avanços tecnológicos essenciais:</p><p>monitoramento avançado em tempo real, treinamento de</p><p>gerentes de recursos hídricos com visão integrada e integradora,</p><p>capacidade de análise ecológica e modelagem matemática e</p><p>construção de cenários adequados com avaliação de tendências,</p><p>impactos e análises de risco.</p><p>Acima de tudo, o futuro dos</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>156</p><p>recursos hídricos depende de uma integração entre o</p><p>conhecimento (diagnóstico, banco de dados, sistemas de</p><p>informação) ou seja, dados biogeofísicos e a sócio economia</p><p>regional, incluindo-se as tendências e a construção de cenários.</p><p>Para evitar desperdícios, economizar água, melhorar os custos do</p><p>tratamento e desenvolver arcabouços legais e institucionais é</p><p>necessário considerar o conjunto de recursos hídricos – águas</p><p>continentais superficiais, águas subterrâneas, águas costeiras e</p><p>sua sustentabilidade no espaço e tempo incluindo valores</p><p>estéticos, segurança colectiva, oportunidades culturais, segurança</p><p>ambiental, oportunidades recreacionais, oportunidades</p><p>educacionais, liberdade e segurança individual. (Shiklomanov:</p><p>1998)</p><p>Sumário</p><p>Nesta unidade temática, tratou se dos recursos hídricos. Abordou se das</p><p>formas de uso dos recursos hídricos (no passado, presente e futuro)</p><p>tanto como os impactos desses usos.</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1.A urbanização acelerada em todo o planeta produz inúmeras</p><p>alterações no ciclo hidrológico</p><p>a) Diminuiu enormemente as demandas para grandes volumes de</p><p>água, aumentando os custos do tratamento</p><p>b) Diminuiu enormemente as demandas para grandes volumes de</p><p>água, diminuindo também os custos do tratamento</p><p>c) Aumentou enormemente as demandas para grandes volumes de</p><p>água, diminuindo os custos do tratamento</p><p>d) Aumentou enormemente as demandas para grandes volumes</p><p>de água, aumentando também os custos do tratamento</p><p>2. À medida que aumenta o desenvolvimento económico e a renda</p><p>percapita</p><p>a) a pressão sobre os recursos hídricos superficiais e subterrâneos</p><p>mantem constante</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>157</p><p>b) Diminui a pressão sobre os recursos hídricos superficiais e</p><p>aumenta sobre os recursos subterrâneos</p><p>c) Diminui a pressão sobre os recursos hídricos superficiais e</p><p>subterrâneos</p><p>d) Aumenta a pressão sobre os recursos hídricos superficiais e</p><p>subterrâneos</p><p>3. Construção de diques e canais é uma actividade humana que</p><p>provoca seguinte impacto nos ecossistemas aquáticos:</p><p>a) Destrói a conexão do rio com as áreas inundáveis</p><p>b) Danifica ecologicamente os rios. Modifica os fluxos dos rios.</p><p>c) Diminui a qualidade da água</p><p>d) Elimina espécies nativas. Altera ciclos de nutrientes e ciclos</p><p>biológicos</p><p>4. Introdução de espécies exóticas provoca seguinte impacto nos</p><p>ecossistemas aquáticos</p><p>a) Destrói a conexão do rio com as áreas inundáveis</p><p>b) Danifica ecologicamente os rios. Modifica os fluxos dos rios.</p><p>c) Diminui a qualidade da água</p><p>d) Elimina espécies nativas. Altera ciclos de nutrientes e ciclos</p><p>biológicos</p><p>5. Poluição não controlada provoca seguinte impacto nos ecossistemas</p><p>aquáticos</p><p>a) Destrói a conexão do rio com as áreas inundáveis</p><p>b) Danifica ecologicamente os rios. Modifica os fluxos dos rios.</p><p>c) Diminui a qualidade da água</p><p>d) Elimina espécies nativas. Altera ciclos de nutrientes e ciclos</p><p>biológicos</p><p>6. Alteração do canal natural dos rios provoca seguinte impacto nos</p><p>ecossistemas aquáticos</p><p>a) Destrói a conexão do rio com as áreas inundáveis</p><p>b) Danifica ecologicamente os rios. Modifica os fluxos dos rios.</p><p>c) Diminui a qualidade da água</p><p>d) Elimina espécies nativas. Altera ciclos de nutrientes e ciclos</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>158</p><p>biológicos</p><p>7. Construção de diques e canais provoca seguinte impacto nos</p><p>ecossistemas aquáticos</p><p>a) Destrói a conexão do rio com as áreas inundáveis</p><p>b) Danifica ecologicamente os rios. Modifica os fluxos dos rios.</p><p>c) Diminui a qualidade da água</p><p>d) Elimina espécies nativas. Altera ciclos de nutrientes e ciclos</p><p>biológicos</p><p>8. Um dos importantes problemas relativos aos impactos dos usos</p><p>múltiplos e a sua quantificação está na distribuição compartilhada</p><p>dos recursos hídricos nas bacias internacionais. A bacia do Rio</p><p>Danúbio, por exemplo, hoje é compartilhado por</p><p>a) 17 Países; b)10 países; c)países; d) 40 países</p><p>9. Mudanças globais no clima</p><p>a) Afectam drasticamente o volume dos recursos hídricos. Alteram</p><p>padrões de distribuição de precipitação e evaporação</p><p>b) Não afectam o volume dos recursos hídricos e nem alteram padrões</p><p>de distribuição de precipitação e evaporação</p><p>c) Aumenta a pressão para construção de hidroeléctricas e aumenta a</p><p>poluição da água e a acidificação de lagos e rios.</p><p>d) Todas estão certas</p><p>10. Crescimento da população e padrões gerais do consumo humano</p><p>a) Afectam drasticamente o volume dos recursos hídricos. Alteram</p><p>padrões de distribuição de precipitação e evaporação</p><p>b) Não afectam o volume dos recursos hídricos e nem alteram padrões</p><p>de distribuição de precipitação e evaporação</p><p>c) Aumentam a pressão para construção de hidroeléctricas e aumenta</p><p>a poluição da água e a acidificação de lagos e rios.</p><p>d) Todas estão certas</p><p>Respostas: 1d);2d);3a);4d);5c);6b);7a);8a); 9a); 10c)</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>159</p><p>Exercícios</p><p>1. As características do ciclo hidrológico não são homogéneas.</p><p>Concorda com afirmação? Justifica a sua opção?</p><p>2. Que alteração trouxe a urbanização acelerada para ciclo</p><p>hidrológico?</p><p>3. Existem bacias hidrográficas internacionais. Qual é o perigo de</p><p>estarmos a compartilhar as águas da mesma bacia?</p><p>4. Deia exemplo de bacia internacional e mencione os países</p><p>atravessados por mesma?</p><p>5. O que entende por recursos hídricos</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ABAS (Associação brasileira de águas subterrâneas). Águas</p><p>subterrâneas. Brasil. Disponível em:</p><p>Http://www.abas.org/educacao.php. Acesso em 20 de Novembro de</p><p>2015.</p><p>ASSINE, Mário Luis e VESELY, Fernando Farias. Ambientes Glaciais.</p><p>Brasil.1996</p><p>CARVALHO, Daniel Fonseca e SILVA, Leonardo Duarte Batista.</p><p>Hidrologia.Brasil.2006</p><p>ENI. ÁGUA. Conceitos básicos. Características das águas naturais.</p><p>Brasil. 2015</p><p>Escola Britânica. Lagos. Brasil. 2015</p><p>Escola Britânica. Oceano Pacífico. 2015</p><p>FARIA, Caroline. Ciclo Hidrológico. Brasil. 2006</p><p>FARIA, Caroline. Oceanos.2015</p><p>FEITE, Rodrigo F. Junqueira. Hidrologia Urbana. 2009</p><p>HÚO, Edson Feniche José. Módulo de Hidrogeografia. UCM.2009</p><p>HÚO, Edson Feniche José. Módulo de Hidrogeografia.UCM.2009</p><p>http://www.abas.org/educacao.php</p><p>http://www.abas.org/educacao.php</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>160</p><p>HÚO, Edson Feniche José. Módulo de Hidrogeografia.UCM.2009</p><p>LAGEM, Creuza Santos.Geografia e Hidrografia geral do Brasil.1ª Ed.</p><p>1996</p><p>LUCAS, Adriano. Maiores Lagos do Mundo. Portugal. 2014</p><p>MAURO, Leonel. Meio ambiente, poluição, Ecologia. 2014</p><p>NETO, Baptista e ANTÓNIO, João. Meio ambiente, poluição, Biologia</p><p>Marinha. 2014</p><p>PENA, Rodolfo F. Alves. Tipos d rios. Brasil. 2015</p><p>PIVELI, Roque Passos. Características físicas das águas:</p><p>cor,turbidez, sólidos, temperatura, sabor e odor. Brasil. 2004.</p><p>SHIKLOMANOV, I. A. “Assessment of water resources and water</p><p>availability in the world”, Report for the Comprehensive</p><p>Assessment of the Freshwater Resources of the World, United</p><p>Nations. Data archive on CD-ROM from the State Hydrological</p><p>Institute, St. Petersburg, Russia (1998).</p><p>TUNDISI, José Galizia. Recursos Hídricos. Instituto Internacional de</p><p>Ecologia.São Paulo. (2008).</p><p>utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.</p><p>Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de</p><p>Avaliação.</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>9</p><p>TEMA – I: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA HIDROGRAFIA</p><p>UNIDADE Temática 1.1. O conceito e perfil histórico da hidrografia</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, nessa primeira unidade temática, terá como enfoque</p><p>principal, a definição do termo hidrografia, seu objecto de estudo. E</p><p>também poderá se apresentar o caminho percorrido pela hidrografia</p><p>desde passado até a actualidade.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Definir os conceitos “Hidrografia e Hidrologia”</p><p>▪ Identificar o objecto de estudo da Hidrografia</p><p>▪ Explicar o percurso histórico da Hidrografia</p><p>Desenvolvimento</p><p>De acordo com Húo (2009), o objecto de estudo da hidrografia é a</p><p>Hidrosfera.</p><p>A hidrosfera corresponde a parte líquida da geosfera. Vemos então</p><p>que os fenómenos hidrográficos serão os correspondentes , tanto a</p><p>águas continentais superficiais ou subterrâneas, como as dos oceanos.</p><p>Para Lagem (1996), a Hidrografia divide-se em Hidrologia, o estudo das</p><p>águas superficiais e subterrâneas; e a Oceanografia, o estudo das</p><p>águas dos mares e oceanos, essas últimas constituem-se por si só um</p><p>conhecimento específico. Alguns autores colocam a Liminologia (águas</p><p>lacustres) como uma subdivisão especial da Hidrologia.</p><p>Assim sendo, Hidrologia é a ciência que estuda a ocorrência,</p><p>distribuição e movimentação da água no planeta Terra. A definição</p><p>actual deve ser ampliada para incluir aspectos de qualidade da água,</p><p>ecologia, poluição e descontaminação</p><p>“Os mais antigos trabalhos de drenagem e irrigação em larga escala</p><p>são atribuídos ao Faraó Menés, fundador da primeira dinastia egípcia,</p><p>que barrou o rio Nilo próximo a Mênphis, com uma barragem de 15m</p><p>e extensão de aproximadamente 500</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>10</p><p>metros, para alimentar o canal de irrigação.</p><p>Também no Egipto encontram-se os primeiros registos sistemáticos de</p><p>níveis de enchentes. Estes registos datam de 3.500 a.C. e indicavam</p><p>aos agricultores a época oportuna de romper os diques para inundar e</p><p>fertilizar as terras agricultáveis. Nota-se que, aos egípcios, pouco</p><p>importavam o estudo da Hidrologia como ciência mas sim a sua</p><p>utilização.</p><p>Muitos conceitos erróneos e falhas de compreensão atravessaram o</p><p>desenvolvimento da engenharia no seu sentido actual.</p><p>Os gregos foram os primeiros filósofos que estudaram seriamente a</p><p>Hidrologia, com Aristóteles sugerindo que os rios eram alimentados</p><p>pelas chuvas. Sua maior dificuldade era explicar a origem da água</p><p>subterrânea. Somente na época de Leonardo da Vinci (por volta de</p><p>1.500 d.C.) a ideia da alimentação dos rios pela precipitação começou</p><p>a ser aceite. No entanto, foi apenas no ano de 1694 que Perrault,</p><p>através de medidas pluviométricas na bacia do rio Sena, demonstrou,</p><p>quantitativamente, que o volume precipitado ao longo do ano era</p><p>suficiente para manter o volume escoado.</p><p>O astrónomo inglês Halley, em 1693, provou que a evaporação da</p><p>água do mar era suficiente para responder por todas as nascentes e</p><p>fluxos de água. Mariotte, em 1686, mediu a velocidade do rio Sena.</p><p>Estes primeiros conhecimentos de Hidrologia permitiram inúmeros</p><p>avanços no Século XVIII, incluindo o teorema de Bernoulli, o Tubo Pitot</p><p>e a Fórmula de Chèzy, que formam a base da Hidráulica e da Mecânica</p><p>dos Fluidos.</p><p>Durante o Século XIX, foram feitos significantes avanços na teoria da</p><p>água subterrânea, incluindo a Lei de Darcy. No que se refere à</p><p>Hidrologia de águas superficiais, muitas fórmulas e instrumentos de</p><p>medição foram criados.</p><p>Chow (1954) chamou o período compreendido entre 1900 e 1930</p><p>como o Período do Empirismo. O período de 1930 a 1950 seria o</p><p>Período da Racionalização. Datam desta época o Hidrograma Unitário</p><p>de Sherman (1932) e a Teoria da Infiltração de Horton (1933). Entre</p><p>1940 a 1950 foram feitos significantes avanços no entendimento do</p><p>processo de evaporação.</p><p>Em 1958, Gumbel lança as bases da moderna hidrologia estocástica. A</p><p>partir da década de 70, a Hidrologia passa a contar com os avanços</p><p>computacionais, o que levaram ao desenvolvimento de muitos</p><p>modelos de simulação” (Húo:2009)</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>11</p><p>Sumário</p><p>A Hidrografia trata das águas continentais superficiais ou</p><p>subterrâneas, como as dos oceanos, sua ocorrência em diversos</p><p>estados (sólido, líquido e gasoso), sua distribuição ao longo do planeta</p><p>terra.</p><p>A Hidrologia é a ciência que estuda a ocorrência, distribuição e</p><p>movimentação da água no planeta Terra. A definição actual deve ser</p><p>ampliada para incluir aspectos de qualidade da água, ecologia,</p><p>poluição e descontaminação.</p><p>O objecto de estudo da hidrografia é a água da Terra, abrange por isso</p><p>Oceanos, Mares, gelo, água do subsolo, lagos, água da atmosfera e</p><p>rios</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>12</p><p>1. Qual é o objecto de estudo da hidrogafia</p><p>a) Oceanografia; b) Hidrologia;c)Liminologia; d) águas continentais</p><p>superficiais; e) água da Terra, abrangendo oceanos, mares, geleiras, água</p><p>do subsolo, lagos, água da atmosfera e rios</p><p>2. A ciência que se dedica ao estudo dos lagos chama se</p><p>a) Oceanografia; b) Hidrologia;c)Liminologia; d) águas continentais</p><p>superficiais</p><p>3. A Oceanografia, trata de:</p><p>a) Águas superficiais continentais; b) águas lacustres; c)águas oceânicas; d)</p><p>águas dos oceanos e mares</p><p>4. Em 1958, são lançadas as bases da moderna hidrologia estocástica, pelo</p><p>a) Halley; b) Leonardo da Vinci; c) Mariotte; d) Gumbel</p><p>5. O astrónomo que em 1693, provou que a evaporação da água do mar era</p><p>suficiente para responder por todas as nascentes e fluxos de água, foi</p><p>a) Halley; b) Leonardo da Vinci; c) Mariotte; d) Gumbel</p><p>6. Em 1686, foi medida a velocidade do rio Sena pelo</p><p>a) Halley; b) Leonardo da Vinci; c) Mariotte; d) Gumbel</p><p>7. Somente na época de (----------), por volta de 1.500 d.C., a ideia da</p><p>alimentação dos rios pela precipitação começou a ser aceite. Preencha o</p><p>espaço vazio, entre parenteses, com a expressão mais certa das indicadas</p><p>abaixo</p><p>a) Halley; b) Leonardo da Vinci; c) Mariotte; d) Gumbel</p><p>Respostas: 1e); 2c); 3d); 4d); 5a); 6c);7b)</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Terra</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURS</p><p>O:</p><p>13</p><p>GESTÃO AMBIENTAL; 20 Ano Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>Exercícios</p><p>1. Defina o conceito Hidrografia</p><p>2. Qual é o bjecto de Estudo da Hidrografia</p><p>3. Qual é subdivisão da Hidrografia</p><p>4. Que relação existe entre a Hidrogafia e a Hidrologia</p><p>5. Quais são os momentos mais marcantes no percurso histórico da</p><p>Hidrografia</p><p>UNIDADE Temática 1.1. Objectos aquáticos e noção da hidrosfera</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, esta unidade temática tratará de objectos aquáticos e</p><p>a sua ligação com a hidrosfera. E também serão discutidas as várias</p><p>hipóteses e teorias que sustentam ou explicam o surgimento da</p><p>hidrosfera.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>14</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Identificar os objectos aquáticos</p><p>▪ Diferenciar os objectos aquáticos</p><p>▪ Interpretar as leis que sustentam o surgimento da Hidrosfera</p><p>Desenvolvimento</p><p>O recurso aquático predominante na hidrosfera é o oceano se</p><p>seguindo restantes ambientes aquáticos, como rios, lagos, lagoas e</p><p>mares e todas as águas subterrâneas, bem como as águas marinhas,</p><p>águas glaciais e lençóis de gelo, vapor de água.</p><p>É pertinente que ao falarmos da hidrosfera nos restringíssemos em</p><p>primeira mão sobre as teorias que explicam</p><p>a sua origem.</p><p>O surgimento da Hidrosfera é discutível. Existem várias hipóteses e</p><p>teorias, de acordo com Húo (2009), que explicam este acontecimento</p><p>e todas elas estão em conexão com a origem da Terra. A primeira</p><p>teoria de E. Zuss, a evaporação do magma, defende que a hidrosfera</p><p>resultou das emanações do magma em fusão, no processo do</p><p>vulcanismo, tendo alimentado a atmosfera em vapor de água, gases e</p><p>poeiras.</p><p>As poeiras teriam contribuído para a formação de núcleos de</p><p>condensação e consolidado a crusta terrestre, o que poderia ter</p><p>facilitado a consolidação e a retenção da água; a segunda foi</p><p>defendida por Vinogradov por volta do ano 1959, onde segundo o</p><p>autor, a hidrosfera terá resultado da actividade vulcânica através do</p><p>qual foi emitido o magma e as substâncias voláteis e infusíveis como</p><p>amoníaco, cloro, oxigénio, hidrogénio, dióxido de carbono que ter-se-</p><p>iam deslocado por convecções à superfície da Terra, local pelo qual</p><p>processou-se a refrigeração e cristalização da massa fundida.</p><p>A água ter-se-ia sintetizado a partir do oxigénio e hidrogénio que se</p><p>deslocavam à atmosfera em forma de vapor de água.</p><p>Tendo o vapor de água se refrescado e condensado à elevadas</p><p>altitudes da atmosfera, as gotas de água submetidas à força de</p><p>gravidade, caiam em direcção à superfície da Terra que de novo</p><p>evaporavam-se, elevando-se às camadas superiores da atmosfera para</p><p>transmitir o calor terrestre ao espaço cósmico frio. Como resultado</p><p>deste mecanismo de troca de energia entre os espaços cósmico frio e</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Gelo</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Vapor</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>15</p><p>terrestre quente, as primeiras gotas de chuva teriam atingido a</p><p>superfície da Terra; e finalmente tem – se a teoria catastrófica que</p><p>defende que a hidrosfera ter-se-ia formado a partir dos fragmentos</p><p>resultantes da colisão de duas estrelas.</p><p>Os fragmentos dispersos pelo universo foram colidindo durante longo</p><p>período de tempo. A Terra foi recebendo os meteoritos e planetóides</p><p>que nela colidiam devido a sua maior força de atracção. Estes</p><p>meteoritos continham muita água.</p><p>Os meteoritos incandescentes ao colidirem com a Terra, tornaram-se</p><p>num oceano de magma. A contínua queda dos meteoritos sobre o</p><p>oceano de magma, fez com que os materiais mais pesados (ferrosos)</p><p>se afundassem e o vapor de água contido neles se evaporasse para</p><p>alta atmosfera, tendo-se condensado e criado aí nuvens espessas.</p><p>À medida que a queda dos planetóides foi diminuindo, a temperatura</p><p>do oceano do magma foi baixando e consequentemente a</p><p>temperatura do ar, o que condicionou a descida das espessas nuvens</p><p>que provocaram chuvas intensas que reduziram cada vez mais a</p><p>temperatura da terra, o que favoreceu a que a água da chuva atingisse</p><p>a superfície da Terra e, assim, se formasse a Hidrosfera.</p><p>Actualmente, tem lugar a transferência de água a partir das rochas em</p><p>fusão, do manto para os oceanos – água juvenil (que se origina nas</p><p>altas profundidades e supõe-se estar relacionada com a actividade</p><p>magmática). Contudo, este acréscimo é compensado pelo equilíbrio</p><p>mantido através da perda de uma parte de água sob efeito do</p><p>bombardeamento de raios solares sobre as gotas de água (vapor de</p><p>água) o que concorre para que uma parte de hidrogénio liberto escape</p><p>do efeito gravitacional para o espaço cósmico.</p><p>A hidrosfera será neste caso a esfera que compõe todas as águas do</p><p>planeta, as quais formam uma camada descontínua sobre a superfície</p><p>da Terra.</p><p>O termo hidrosfera vem do grego: hidro + esfera = esfera da água a</p><p>qual corresponde a 71% de toda a superfície terrestre. Esta esfera</p><p>compreende todos os rios, lagos, lagoas, as águas subterrâneas e as</p><p>águas glaciais, bem como as águas marinhas onde esta última perfaz</p><p>cerca de 97%, ocupando o maior espaço.</p><p>Para cada um dos componentes da hidrosfera podemos encontrar</p><p>algumas ciências específicas que se dedicam ao estudo de cada uma</p><p>delas, nomeadamente, a oceanografia, estuda os oceanos e mares no</p><p>que respeita as suas propriedades físicas e químicas, bacias oceânicas</p><p>entre outros aspectos; a potamologia, estuda o comportamento dos</p><p>cursos de água, tanto superficiais como subterrâneas (rios e águas</p><p>subterrâneas), a sua localização e</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gua</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Planeta</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Terra</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A9cia</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Lago</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoa</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>16</p><p>utilização relacionado com o resto dos fenómenos físico – geográficos</p><p>em especial com os climatológicos, geomorfológicos, pedológicos,</p><p>entre outros; e a limnologia, estuda os lagos e pântanos.</p><p>Sumário</p><p>O recurso aquático predominante na hidrosfera é o oceano se</p><p>seguindo restantes ambientes aquáticos, como rios, lagos, lagoas e</p><p>mares e todas as águas subterrâneas, águas glaciais e lençóis de gelo,</p><p>vapor de água. O estudo de cada um dos recursos aquáticos possui um</p><p>nome específico, como por exemplo a oceanografia que se dedica ao</p><p>estudo de oceanos e mares</p><p>Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO</p><p>1.A Hidrosfera teria se formado a partir dos fragmentos resultantes da</p><p>colisão de duas estrelas. Esta teoria é pertencente:</p><p>a) Zuss;b) Vinogradov;c) teoria catastrófica;d)Davis</p><p>2. A Hidrosfera resultou das emanações do magma em fusão, no</p><p>processo do vulcanismo, tendo alimentado a atmosfera em</p><p>vapor de água, gases e poeiras. Esta constitui teoria de:</p><p>a) Zuss; b) Vinogradov; c) teoria catastrófica; d) Davis</p><p>3. A Hidrosfera terá resultado da actividade vulcânica através do qual</p><p>foi emitido o magma e as substâncias voláteis e infusíveis como</p><p>amoníaco, cloro, oxigénio, hidrogénio, dióxido de carbono que se teria</p><p>deslocado por convecções à superfície da Terra, local pelo qual</p><p>processou-se a refrigeração e cristalização da massa fundida. Essa é a</p><p>teoria de</p><p>a) Zuss;b) Vinogradov;c) teoria catastrófica;d)Davis</p><p>4. Constituem objectos aquáticos</p><p>a) Rios, lagoas, oceanos, potamologia.</p><p>B) Oceanografia, potamologia, limnologia; c) rios, lagoas, oceanos</p><p>d) Oceanografia, limnologia, potamologia</p><p>5. Constituem ciências que estudam os oceanos e mares, rios e águas</p><p>subterrâneas, lagos e pântanos, respectivamente</p><p>a)Rios, lagoas, oceanos, potamologia.</p><p>b)Oceanografia, potamologia, limnologia</p><p>c)Rios, lagoas, oceanos</p><p>d) Oceanografia, limnologia, potamologia</p><p>Respostas: 1c); 2a);3b);4c);5b</p><p>Exercícios</p><p>1. De acordo com Vinogradov, como surgiu a Hidrosfera?</p><p>2. Qual o recurso aquático mais predominante na hidrosfera</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Oceano</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Gelo</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Vapor</p><p>http://pt.wikipedia.org/wiki/Vapor</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>17</p><p>3. Como se chama a ciência que se dedica ao estudo do recurso</p><p>aquático mais predominante na hidrosfera?</p><p>4. Faz a subdivisão da hidrosfera</p><p>5. Mencione pelo menos quatro recursos aquáticos por si estudados.</p><p>TEMA – II: CARACTERÍSTICAS DAS ÁGUAS NATURAIS</p><p>UNIDADE Temática 2.1. Características Físicas das Águas: Cor, Turbidez, Sólidos,</p><p>Temperatura, Sabor e Odor.</p><p>Introdução</p><p>Esta unidade temática irá explicar com mais detalhe cada</p><p>característica física das águas naturais, isto é, a cor, turbidez, sólidos,</p><p>temperatura, sabor e odor.</p><p>Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>Objectivos</p><p>específicos</p><p>▪ Identificar as características físicas das águas naturais</p><p>▪ Diferenciar as características físicas das águas naturais</p><p>▪ Esclarecer</p><p>a importância do estudo das características físicas das águas</p><p>naturais</p><p>Desenvolvimento</p><p>2. 1.1. Cor das Águas</p><p>Definição</p><p>A cor de uma amostra de água está associada ao grau de redução de</p><p>intensidade que a luz sofre ao atravessá-la (e esta redução dá-se por</p><p>absorção de parte da radiação eletromagnética), devido à presença de</p><p>sólidos dissolvidos, principalmente material em estado coloidal</p><p>orgânico e inorgânico.</p><p>Dentre os colóides orgânicos pode-se mencionar os ácidos húmicos e</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>18</p><p>fúlvico, substâncias naturais resultantes da decomposição parcial de</p><p>compostos orgânicos presentes em folhas, dentre outros substratos.</p><p>Também os esgotos sanitários se caracterizam por apresentarem</p><p>predominantemente matéria em estado coloidal, além de diversos</p><p>efluentes industriais contendo taninos (efluentes de curtumes, por</p><p>exemplo), anilinas (efluentes de indústrias têxteis, indústrias de</p><p>pigmentos, etc), lignina e celulose (efluentes de indústrias de celulose</p><p>e papel, da madeira, etc.).</p><p>Há também compostos inorgânicos capazes de possuir as</p><p>propriedades e provocar os efeitos de matéria em estado coloidal. Os</p><p>principais são os óxidos de ferro e manganês, que são abundantes em</p><p>diversos tipos de solo. Alguns outros metais presentes em efluentes</p><p>industriais conferem-lhes cor mas, em geral, íons dissolvidos pouco ou</p><p>quase nada interferem na passagem da luz. (Piveli:2004)</p><p>Importância nos estudos de controlo de qualidade de águas</p><p>Com relação ao abastecimento público de água, a cor, embora seja um</p><p>atributo estético da água, não se relacionando necessariamente com</p><p>problemas de contaminação, é padrão de potabilidade (valor máximo</p><p>permissível 5 uHazen pela portaria n° 36, de 1990, do Ministério da</p><p>Saúde de Brasil). A presença de cor provoca repulsa psicológica pelo</p><p>consumidor, pela associação com a descarga de esgotos.</p><p>Também a Resolução n° 20 do Conselho Nacional de Meio Ambiente –</p><p>CONAMA, do mesmo país, que dispõe sobre os níveis de qualidade das</p><p>águas naturais do território brasileiro, inclui a cor como parâmetro de</p><p>classificação. Esta limitação é importante, pois nas águas naturais</p><p>associa-se a problemas de estética, às dificuldades na penetração da</p><p>luz e à presença de compostos recalcitrantes (não biodegradáveis, isto</p><p>é, de taxas de decomposição muito baixas) que em geral são tóxicos</p><p>aos organismos aquáticos.</p><p>Embora existam técnicas mais específicas para a identificação de</p><p>substâncias tóxicas na água, a presença de cor verdadeira na água</p><p>pode ser indicadora dessa possibilidade.</p><p>No entanto, a não inclusão como padrão de emissão (artigo n° 21 da</p><p>resolução n° 20 do CONAMA/Brasil) permite que determinadas</p><p>indústrias contem com as diluições sofridas no corpo receptor e não</p><p>necessitem de tratamento adicional específico para a remoção da cor</p><p>residual de efluentes tratados por processos biológicos, por exemplo.</p><p>O tratamento físico-químico em nível terciário, à base do emprego de</p><p>coagulantes, apresenta custo elevado devido ao grande consumo do</p><p>produto e à grande produção de lodo a ser desidratado e disposto em</p><p>aterro.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>19</p><p>No controle da qualidade das águas nas estações de tratamento, a cor</p><p>é um parâmetro fundamental, não só por tratar-se de padrão de</p><p>potabilidade como também por ser parâmetro operacional de</p><p>controlo da qualidade da água bruta, da água decantada e da água</p><p>filtrada, servindo como base para a determinação das dosagens de</p><p>produtos químicos a serem adicionados, dos graus de mistura, dos</p><p>tempos de contacto e de sedimentação das partículas floculadas.</p><p>Por serem parâmetros de rápida determinação, a cor e a turbidez são</p><p>muito úteis nos ensaios de floculação das águas e nos ensaios de</p><p>sedimentação em colunas e de filtração em leitos granulares.</p><p>Para os problemas de lançamento de efluentes industriais, deverá ser</p><p>levada em consideração a necessidade de atendimento aos padrões</p><p>de cor do corpo receptor. (Piveli:2004)</p><p>Determinação da cor</p><p>A cor das águas tem sido historicamente medida através de</p><p>comparação visual, empregando-se soluções padrão de cor e fonte de</p><p>luz.</p><p>Para estudos envolvendo necessidades de medidas com maior grau de</p><p>precisão, o método de determinação da cor por espectrofotometria é</p><p>recomendado. Para os controles rotineiros de estações de tratamento</p><p>de água e em estudos limnológicos, o uso do comparador visual é</p><p>bastante razoável.</p><p>Neste, a amostra é disposta em um tubo de Nessler enquanto no</p><p>outro adiciona-se água destilada. Ligando-se a lâmpada do aparelho,</p><p>vai-se observar uma mancha escura no campo referente à amostra,</p><p>devida à absorção de parte da radiação luminosa, enquanto no campo</p><p>da água destilada a imagem é bastante clara.</p><p>Em seguida, deverá ser pesquisada no disco de cor qual a posição que</p><p>leva à coincidência entre as manchas. O disco de cor contém uma</p><p>solução sólida de cloroplatinato de potássio (K2PtCl6) em cloreto de</p><p>cobalto (CoCl2), daí o nome de método platina-cobalto. Esta solução</p><p>tem uma tonalidade esverdeada, tal como as águas do rio europeu</p><p>que era estudado quando o parâmetro foi introduzido. Assim, uma</p><p>água com cor 5, apresentará sombreamento semelhante ao produzido</p><p>pela água destilada quando se posiciona sobre ela o disco na posição</p><p>5, que contém a solução com 5 mg/L de platina.</p><p>Quando os valores da cor são muito elevados, como é o caso de</p><p>efluentes industriais, devem ser preparadas diluições prévias da</p><p>amostra até reduzir a cor abaixo do alcance do disco; mas, para este</p><p>caso, o método espectrofotométrico é mais recomendado.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>20</p><p>Deve ser observado que este método de comparação visual é de certa</p><p>forma subjectivo, dependendo da sensibilidade do operador. Além</p><p>disso, as diversas águas apresentam colorações muito diferentes da</p><p>solução de cloroplatinato, dificultando a comparação.</p><p>Quanto ao resultado da cor, cinco unidades de cor ou 5 UC representa</p><p>o mesmo que 5 mg/L Pt, ou 5 uHazen.</p><p>É importante fornecer o pH da amostra quando se utiliza este método</p><p>para a avaliação da cor de águas naturais, não sendo apropriado para</p><p>águas contaminadas por resíduos industriais.</p><p>A cor pode ser determinada por espectrofotometria visível, quando</p><p>esta propriedade é expressa pelo comprimento de onda (λ) dominante</p><p>na transmissão da luz em um equipamento apropriado a tais medidas</p><p>(espectrofotômetro). Dessa forma, cobre se todo o espectro luminoso</p><p>e não apenas tons amarelos e marrons.</p><p>Águas naturais possuem intensidade de cor que varia entre 0 e 200</p><p>unidades pois, acima disso, já seriam águas de brejo e pântano com</p><p>elevada concentração de matéria orgânica dissolvida. Coloração</p><p>abaixo de 10 unidades quase não é perceptível. No Brasil, aceita-se</p><p>para água bruta, isto é, antes do seu tratamento e distribuição em</p><p>sistemas urbanos, valores de até 75 unidades de cor (Resolução</p><p>CONAMA nº 20, de 18/06/86). (idem)</p><p>Cor real e cor aparente</p><p>Na determinação da cor, a turbidez da amostra causa interferência,</p><p>absorvendo também parte da radiação eletromagnética. Esta</p><p>coloração é dita aparente pois é como o ser humano a vê, mas é, na</p><p>verdade, em parte resultado da reflexão e dispersão da luz nas</p><p>partículas em suspensão.</p><p>A diferenciação entre a cor verdadeira e a cor aparente, que é</p><p>incrementada pela turbidez, é dada pelo tamanho das partículas, isto</p><p>é, pode ser generalizado que partículas com diâmetro superior a 1,2</p><p>μm causam turbidez, já que partículas coloidais e dissolvidas causam</p><p>cor. Para a obtenção da cor real ou verdadeira há a necessidade de se</p><p>eliminar previamente a turbidez através de centrifugação, filtração ou</p><p>sedimentação.</p><p>A centrifugação é o método mais aconselhável porque na filtração</p><p>ocorre absorção de cor da amostra no papel de filtro e, na</p><p>sedimentação, existem sólidos em suspensão que se sedimentam</p><p>muito lentamente e não são removidos. (Piveli:2004)</p><p>Remoção de cor</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>21</p><p>Os métodos tradicionais de remoção de cor de águas para</p><p>abastecimento público e residuárias industriais são à base de</p><p>coagulação e floculação. Os tipos e as dosagens de coagulantes, bem</p><p>como os efeitos dos auxiliares de floculação (polieletrólitos), variam de</p><p>acordo com as características das águas.</p><p>No tratamento de águas para abastecimento, as dificuldades na</p><p>floculação ocorrem quando a água apresenta cor elevada e turbidez</p><p>baixa. Neste caso, a falta de partículas maiores que possibilitem a</p><p>ocorrência de nucleação, torna-os pequenos e de baixa velocidade de</p><p>sedimentação. Isto tem sido motivo frequente do uso da pré-cloração</p><p>das águas para abastecimento público, isto é, a aplicação de cloro na</p><p>etapa de coagulação e floculação para a oxidação de compostos</p><p>coloidais e consequente melhora na floculação.</p><p>Devido à possibilidade de formação de trihalometanos (THMs) durante</p><p>este processo, outros processos oxidativos têm sido estudados, como</p><p>por exemplo o emprego da ozonização da água. Neste caso, a</p><p>formação de aldeídos é que pode ser problemática.</p><p>Os THMs são compostos orgânicos halogenados, neste caso clorados,</p><p>associados ao sério problema de saúde pública que é o</p><p>desenvolvimento do câncer no organismo humano. Estudos de</p><p>remoção de cor à base de outros agentes oxidantes ou através de</p><p>radiações, também têm sido desenvolvidos. (Piveli:2004)</p><p>2.1.2. Turbidez das águas</p><p>Definição</p><p>Turbidez de uma amostra de água é o grau de atenuação de</p><p>intensidade que um feixe de luz sofre ao atravessá-la (e esta redução</p><p>se dá por absorção e espalhamento, uma vez que as partículas que</p><p>provocam turbidez nas águas são maiores que o comprimento de onda</p><p>da luz branca), devido à presença de sólidos em suspensão, tais como</p><p>partículas inorgânicas (areia, silte, argila) e de detritos orgânicos, algas</p><p>e bactérias, plâncton em geral, etc..</p><p>A erosão das margens dos rios em estações chuvosas é um exemplo de</p><p>fenómeno que resulta em aumento da turbidez das águas e que exige</p><p>manobras operacionais, como alterações nas dosagens de coagulantes</p><p>e auxiliares, nas estações de tratamento de águas.</p><p>A erosão pode decorrer do mau uso do solo, em que se impede a</p><p>fixação da vegetação. Este exemplo mostra também o carácter</p><p>sistémico da poluição, ocorrendo interrelações ou transferência de</p><p>problemas de um ambiente (água, ar ou solo) para outro.</p><p>Os esgotos sanitários e diversos efluentes industriais também</p><p>provocam elevações na turbidez das águas. Um exemplo típico deste</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>22</p><p>facto ocorre em consequência das actividades de mineração, onde os</p><p>aumentos excessivos de turbidez têm provocado formação de grandes</p><p>bancos de lodo em rios e alterações no ecossistema aquático. (ENI:</p><p>2015)</p><p>Importância nos estudos de controlo de qualidade das águas</p><p>A turbidez também é um parâmetro que indica a qualidade estética</p><p>das águas para abastecimento público. O padrão de potabilidade</p><p>(portaria n° 36 de Janeiro de 1990) é de 1,0 UNT.</p><p>Nas estações de tratamento de água, a turbidez, conjuntamente com a</p><p>cor, é um parâmetro operacional de extrema importância para o</p><p>controle dos processos de coagulação-floculação, sedimentação e</p><p>filtração.</p><p>Há uma preocupação adicional que se refere à presença de turbidez</p><p>nas águas submetidas à desinfecção pelo cloro. Estas partículas</p><p>grandes podem abrigar microrganismos, protegendo-os contra a acção</p><p>deste agente desinfetante. Daí a importância das fases iniciais do</p><p>tratamento para que a qualidade biológica da água a ser distribuída</p><p>possa ser garantida. E é por isso também que a cloração de esgotos</p><p>sanitários tem seus efeitos limitados.</p><p>Nas águas naturais, a presença da turbidez provoca a redução de</p><p>intensidade dos raios luminosos que penetram no corpo da água,</p><p>influindo decisivamente nas características do ecossistema presente.</p><p>Quando sedimentadas, estas partículas formam bancos de lodo onde a</p><p>digestão anaeróbia leva à formação de gases metano e gás carbónico,</p><p>principalmente, além de nitrogénio gasoso e do gás sulfídrico, que é</p><p>malcheiroso.</p><p>O movimento ascencional das bolhas de gás ocasiona o arraste de</p><p>partículas orgânicas não totalmente degradadas, aumentando a</p><p>demanda de oxigénio na massa líquida (demanda bentônica).</p><p>Nos problemas relativos às águas residuárias, os parâmetros cor e</p><p>turbidez não são normalmente utilizados, dando-se preferência às</p><p>medidas directas dos valores de sólidos em suspensão e sólidos</p><p>dissolvidos. Este fato é possível porque as faixas de concentração de</p><p>sólidos são elevadas, permitindo obter uma precisão significativa na</p><p>análise gravimétrica. Em águas de abastecimento, por outro lado, o</p><p>uso da turbidez é muito mais expressivo do que a concentração de</p><p>sólidos em suspensão medida directamente.</p><p>Embora não seja muito frequente o emprego da turbidez na</p><p>caracterização de esgotos, é comum dizer-se, por exemplo, que uma</p><p>água residuária tratada por processo anaeróbio apresenta turbidez</p><p>mais elevada do que se o fosse por processo aeróbio, devido</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>23</p><p>principalmente ao arraste de sólidos provocado pela subida das bolhas</p><p>de gases resultantes da fermentação. Também para os processos</p><p>aeróbios, um aumento na turbidez do esgoto tratado é indicativo de</p><p>problemas no reactor biológico onde ocorre a floculação. (Piveli:2004).</p><p>Determinação da turbidez</p><p>A determinação da turbidez em águas iniciou-se com o turbidímetro</p><p>de vela de Jackson. Este turbidímetro é constituído de um tubo de</p><p>vidro graduado sob o qual se posiciona uma vela acesa.</p><p>À medida que se adiciona amostra ao tubo e se observa pela outra</p><p>extremidade em relação à vela, a chama reduz de intensidade</p><p>progressivamente até desaparacer por completo, quando deverá ser</p><p>efectuada a leitura na escala. Este método obedece ao princípio da</p><p>“turbidimetria”, ou seja, a fonte de luz e o observador encontram-se</p><p>em posições opostas (ângulo de 180°) e os resultados são expressos</p><p>em UJT (Unidade Jackson de Turbidez).</p><p>Este método, no entanto, apresenta a limitação de não determinar</p><p>valores baixos de turbidez (abaixo de 25 UNT), como é o caso da água</p><p>tratada, porque partículas muito pequenas não dispersam a luz na</p><p>faixa amarelo-vermelho do espectro electromagnético, que</p><p>corresponde à chama da vela.</p><p>Assim, foi necessário desenvolver outros métodos, que são chamados</p><p>de nefelométricos, mais sensíveis, que consistem em um equipamento</p><p>dotado com uma fonte de luz (filamento de tungsténio), que incide na</p><p>amostra, e um detector fotoeléctrico capaz de medir a luz que é</p><p>dispersa em um ângulo de 90o em relação à luz incidente. A turbidez</p><p>assim medida é fornecida em unidades nefelométricas de turbidez</p><p>(UNT), comparável à UJT.</p><p>Antes da determinação do valor da turbidez da amostra, a escala</p><p>apropriada deverá ser escolhida e calibrada. Para esta calibração, são</p><p>utilizadas suspensões-padrão de formazina (contém sulfato de</p><p>hidrazina e hexametilenotetramina) ou de sílica.</p><p>Desta forma, os resultados de turbidez podem também ser expressos</p><p>em termos de mg/L de formazina ou sílica, dependendo do padrão</p><p>utilizado na calibração. Os resultados expressos desta forma são</p><p>equivalentes àqueles representados por UNT. (Piveli:2004)</p><p>Remoção da turbidez</p><p>As partículas que provocam turbidez nas águas são as mais fáceis de</p><p>serem separadas, por tratar-se de sólidos em suspensão sobre os</p><p>quais, devido às baixas relações área superficial/volume apresentadas,</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>24</p><p>ocorre a predominância de fenómenos gravitacionais.</p><p>Assim, a turbidez pode ser removida através</p><p>de sedimentação simples,</p><p>utilizando-se decantadores, sendo também possível e interessante em</p><p>alguns casos o emprego da flotação por ar dissolvido. A filtração pode</p><p>ser entendida como um processo complementar aos anteriores, ou ser</p><p>empregada directamente em casos de águas de baixa cor e turbidez.</p><p>Nos projectos dos decantadores, um dos parâmetros mais importantes</p><p>a ser definido é a taxa de escoamento superficial (vazão aplicada por</p><p>área em planta do decantador). Para esta finalidade, são conduzidos</p><p>ensaios em colunas de sedimentação, onde o principal parâmetro de</p><p>controlo é a turbidez remanescente (residual) em função do tempo.</p><p>(Piveli:2004)</p><p>2.1.3. Sólidos em águas</p><p>Em saneamento, sólidos nas águas correspondem a toda matéria que</p><p>permanece como resíduo, após evaporação, secagem ou calcinação da</p><p>amostra a uma temperatura pré-estabelecida durante um tempo</p><p>fixado. Em linhas gerais, as operações de secagem, calcinação e</p><p>filtração são as que definem as diversas fracções de sólidos presentes</p><p>na água (sólidos totais, em suspensão, dissolvidos, fixos e voláteis).</p><p>Os métodos empregados para a determinação de sólidos são</p><p>gravimétricos (utilizando-se balança analítica ou de precisão), com</p><p>excepção dos sólidos sedimentáveis, cujo método mais comum é o</p><p>volumétrico (uso do cone Imhoff). (Piveli:2004)</p><p>Importância nos estudos de controlo de qualidade das águas</p><p>Nos estudos de controlo de poluição das águas naturais e</p><p>principalmente nos estudos de caracterização de esgotos sanitários e</p><p>de efluentes industriais, as determinações dos níveis de concentração</p><p>das diversas fracções de sólidos resultam em um quadro geral da</p><p>distribuição das partículas com relação ao tamanho (sólidos em</p><p>suspensão e dissolvidos) e com relação à natureza (fixos ou minerais e</p><p>voláteis ou orgânicos). Este quadro não é definitivo para se entender o</p><p>comportamento da água em questão, mas constitui-se em uma</p><p>informação preliminar importante.</p><p>Deve ser destacado que, embora a concentração de sólidos voláteis</p><p>seja associada à presença de compostos orgânicos na água, não</p><p>propicia qualquer informação sobre a natureza específica das</p><p>diferentes moléculas orgânicas eventualmente presentes que,</p><p>inclusive, iniciam o processo de volatilização em temperaturas</p><p>diferentes, sendo a faixa compreendida entre 550-600°C uma faixa de</p><p>referência. Alguns compostos orgânicos volatilizam-se a partir de</p><p>250°C, enquanto que outros exigem, por exemplo, temperaturas</p><p>superiores a 1000°C.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>25</p><p>No controle operacional de sistemas de tratamento de esgotos,</p><p>algumas fracções de sólidos assumem grande importância. Em</p><p>processos biológicos aeróbios, como os sistemas de lodos activados e</p><p>de lagoas aeradas mecanicamente, bem como em processos</p><p>anaeróbios, as concentrações de sólidos em suspensão voláteis nos</p><p>lodos dos reactores têm sido utilizadas para se estimar a concentração</p><p>de microrganismos decompositores da matéria orgânica, isto porque</p><p>as células vivas são, em última análise, compostos orgânicos e estão</p><p>presentes formando flocos em grandes quantidades relativamente à</p><p>matéria orgânica “morta” nos tanques de tratamento biológico de</p><p>esgotos.</p><p>Embora não representem exactamente a fracção activa da biomassa</p><p>presente, os sólidos voláteis têm sido utilizados de forma a atender as</p><p>necessidades práticas do controle de rotina. Imagine-se as dificuldades</p><p>que se teria, se fosse utilizada, por exemplo, a concentração de DNA</p><p>para a identificação da biomassa activa nos reactores biológicos!</p><p>Algumas fracções de sólidos podem ser inter-relacionadas, produzindo</p><p>informações importantes.</p><p>É o caso da relação SSV/SST que representa o grau de mineralização</p><p>de lodos. Por exemplo, determinado lodo biológico pode ter relação</p><p>SSV/SST = 0,8 e, depois de sofrer processo de digestão bioquímica, ter</p><p>esse valor reduzido abaixo de 0,4.</p><p>Os níveis de concentração de sólidos sedimentáveis e de sólidos em</p><p>suspensão são relacionadas entre si, constituindo-se em outro</p><p>parâmetro prático de grande importância no controle operacional dos</p><p>sistemas de tratamento biológico de esgotos, conhecido por índice</p><p>volumétrico de lodo (IVL). O IVL representa o volume ocupado por</p><p>unidade de massa de lodo.</p><p>IVL (ml/g) = (( sólidos sedimentáveis (mlL) /sólidos em suspensão</p><p>(mg/L)) x1000</p><p>Os lodos que se apresentam em boas condições de sedimentabilidade</p><p>apresentam valores de IVL baixos. Por exemplo, os processos de lodos</p><p>activados convencionais apresentam IVL em torno de 100 quando em</p><p>boas condições de funcionamento, sendo este valor ainda menor</p><p>quando se utiliza oxigénio puro.</p><p>Os processos com aeração prolongada apresentam valores de IVL</p><p>maiores, uma vez que a ocorrência em maior extensão de fase</p><p>endógena no sistema leva à formação de flocos menores e mais leves.</p><p>O nível de sólidos sedimentáveis nos efluentes finais descarregados</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>26</p><p>pelas indústrias é também extremamente importante por se tratar de</p><p>Parâmetro da legislação.</p><p>As concentrações de sólidos em suspensão são medidas importantes</p><p>no controle de decantadores e outras unidades de separação de</p><p>sólidos. Constituem parâmetro utilizado em análises de balanço de</p><p>massa. Isto vale também para águas de irrigação, uma vez que excesso</p><p>de sólidos dissolvidos pode levar a graves problemas de salinização do</p><p>solo. A presença de sólidos dissolvidos relaciona-se também com a</p><p>condutividade eléctrica da água.</p><p>Deve-se salientar que a determinação das fracções de sólidos é muito</p><p>mais recomendada para águas fortemente poluídas e esgotos do que</p><p>para águas limpas. Pouco são usadas nas estações de tratamento de</p><p>água para abastecimento público, excepto as mais modernas que</p><p>recuperam águas de lavagem de filtros e tratam e destinam</p><p>adequadamente os lodos separados nos decantadores.</p><p>Nas ETAs, parâmetros indirectos como a cor e a turbidez devem ser</p><p>preferivelmente usados, uma vez que a análise gravimétrica apresenta</p><p>baixa precisão para níveis reduzidos de sólidos, além do tempo</p><p>relativamente longo necessário para a execução da mesma.</p><p>(Piveli:2004)</p><p>Remoção de sólidos</p><p>Embora os sólidos, sob o ponto de vista de tamanho, sejam</p><p>classificados apenas em sólidos em suspensão e sólidos dissolvidos,</p><p>existem três faixas de tamanho com comportamentos distintos sob o</p><p>ponto de vista do tratamento.</p><p>Os sólidos em suspensão (partículas com diâmetro médio superior a</p><p>1μ), são os mais fáceis de serem separados da água. Prevalecem sobre</p><p>eles fenómenos de massa (gravitacionais), e geralmente são</p><p>removidos por sedimentação simples.</p><p>Intermediariamente, os sólidos presentes no estado coloidal (diâmetro</p><p>médio na faixa 1mμ - 1μ), já são suficientemente pequenos de forma a</p><p>apresentar relações área superficial/volume que os tornam estáveis na</p><p>água devido aos campos eletrostáticos desenvolvidos.</p><p>Desta forma, são removíveis por sedimentação, desde que precedida</p><p>de processo de coagulação e floculação. Os flocos que apresentam</p><p>baixas velocidades de sedimentação nos decantadores podem ser</p><p>separados em filtros de areia ou filtros de camada dupla de areia e</p><p>carvão antracito.</p><p>A dificuldade maior sob o ponto de vista de tratamento consiste na</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>27</p><p>separação de moléculas muito pequenas e íons dissolvidos na água.</p><p>Nestes casos, apenas processos especiais de tratamento apresentam</p><p>boa capacidade de remoção. Dentre estes processos, destacam-se</p><p>aqueles que têm como princípio os fenómenos de adsorção, troca-</p><p>iônica, precipitação química e osmose reversa.</p><p>Nas estações de tratamento de esgotos sanitários e de efluentes</p><p>industriais predominantemente orgânicos, ocorrem reduções nas</p><p>concentrações de sólidos voláteis dos despejos que são tratados por</p><p>processos biológicos. (Piveli:2004)</p><p>2.1.4. Temperatura</p><p>A temperatura é uma condição ambiental muito importante em</p><p>diversos estudos relacionados ao monitoramento da qualidade de</p><p>águas. Sob o aspecto referente à biota aquática, a maior parte dos</p><p>organismos possui faixas de temperatura "óptimas" para a sua</p><p>reprodução.</p><p>Por um lado, o aumento da temperatura provoca o aumento da</p><p>velocidade das reacções, em particular as de natureza bioquímica de</p><p>decomposição de compostos orgânicos.</p><p>Por outro lado, diminui a solubilidade de gases dissolvidos na água, em</p><p>particular o oxigénio, base para a decomposição aeróbia.</p><p>Esses dois factores se superpõem, fazendo com que nos meses</p><p>quentes de verão os níveis de oxigénio dissolvido nas águas poluídas</p><p>sejam mínimos, frequentemente provocando mortandade de peixes e,</p><p>em casos extremos, exalação de maus odores devido ao esgotamento</p><p>total do oxigénio e consequente decomposição anaeróbia dos</p><p>compostos orgânicos sulfatados, produzindo o gás sulfídrico, H2S.</p><p>Desta forma, a definição da temperatura de trabalho nos estudos de</p><p>autodepuração natural faz-se necessária para a correcção das taxas de</p><p>desoxigenação e de reaeração, normalmente obtidas para a</p><p>temperatura de referência de 20°C.</p><p>No campo do tratamento biológico de esgotos, as temperaturas mais</p><p>elevadas registradas nos países do hemisfério sul levam a</p><p>comportamentos diferentes dos registrados em sistemas existentes no</p><p>hemisfério norte.</p><p>Os modernos reactores utilizados no tratamento anaeróbio de</p><p>efluentes industriais podem, no Brasil, operar à temperatura</p><p>ambiente, enquanto na Europa necessitam de controle a 35°C. Os</p><p>sistemas de lagoas de estabilização são também bastante favorecidos</p><p>por este aspecto.</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>28</p><p>Até mesmo entre as diferentes regiões do território brasileiro, as</p><p>cargas orgânicas admissíveis nos sistemas de lagoas variam de acordo</p><p>com as temperaturas médias registradas.</p><p>Os processos físico-químicos em que ocorre equilíbrio, como por</p><p>exemplo a dissociação do cloro e os processos de precipitação</p><p>química, são também dependentes da temperatura, mas o efeito não</p><p>é tão significativo como nos processos biológicos.</p><p>A temperatura da água é normalmente superior à temperatura do ar,</p><p>uma vez que o calor específico da água é bem maior do que o do ar.</p><p>Devido às importantes influências da temperatura sobre a</p><p>configuração dos ambientes aquáticos, normalmente este parâmetro</p><p>é incluído nas legislações referentes ao controle da poluição das</p><p>águas.</p><p>No Estado de São Paulo, é imposto como padrão de emissão de</p><p>efluentes a temperatura máxima de 40oC, lançados tanto na rede</p><p>pública coletora de esgotos como directamente nas águas naturais.</p><p>Além disso, nestas últimas não poderá ocorrer variação superior a 3oC</p><p>com relação à temperatura de equilíbrio. Isto é importante para</p><p>efluentes industriais produzidos a quente, como os de tinturarias,</p><p>galvanoplastias, indústrias de celulose, etc.</p><p>A temperatura das águas é medida de maneira bastante simples</p><p>através de termómetros de mercúrio. A temperatura do ar, variável</p><p>controlada em diversos estudos ambientais, pode também ser medida</p><p>através dos termómetros de máximas e mínimas, que registram as</p><p>temperaturas limites durante determinado período, por exemplo, 24</p><p>horas.</p><p>A temperatura de efluentes industriais pode ser reduzida através do</p><p>emprego de torres de resfriamento. Qualquer outro processo que</p><p>provoque aumento da superfície de contato ar/água pode ser usado,</p><p>como aspersores, cascateamento, etc..</p><p>Em muitos casos, apenas o tempo de detenção hidráulico dos</p><p>efluentes em tanques de equalização é suficiente para promover a</p><p>redução desejada de temperatura. (Piveli:2004)</p><p>2.1.5. Sabor e odor</p><p>A água pura não produz sensação de odor ou sabor nos sentidos</p><p>humanos. Uma das principais fontes de odor nas águas naturais é a</p><p>decomposição biológica da matéria orgânica.</p><p>No meio anaeróbio, isto é, no lodo de fundo de rios e de represas e,</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>29</p><p>em situações críticas, em toda a massa líquida, ocorre a formação do</p><p>gás sulfídrico, H2S, que apresenta odor típico de ovo podre, de</p><p>mercaptanas e amônia, esta última ocorrendo também em meio</p><p>aeróbio.</p><p>Águas eutrofizadas, isto é, águas em que ocorre a floração excessiva</p><p>de algas devido à presença de grandes concentrações de nutrientes</p><p>liberados de compostos orgânicos biodegradados, podem também</p><p>manifestar sabor e odor.</p><p>Sabe-se que certos gêneros de algas cianofíceas (algas azuis,</p><p>resistentes às condições de severa poluição) produzem compostos</p><p>odoríficos, em alguns casos até mesmo tóxicos.</p><p>Outra fonte que causa problemas de sabor e odor nas águas para</p><p>abastecimento público refere-se à presença de fenóis. Esses</p><p>compostos, mesmo quando presentes em quantidades diminutas</p><p>reagem com o cloro residual livre formando clorofenóis que</p><p>apresentam odor característico e intenso.</p><p>Além destas fontes principais, existe ainda o gosto na água</p><p>proveniente de metais, acidez ou alcalinidade pronunciadas, cloreto</p><p>(sabor salgado), etc..</p><p>Na legislação brasileira aparece apenas a designação “não objectável”</p><p>para sabor e odor, o que representa certa subjectividade. A legislação</p><p>paulista é talvez rigorosa demais, condenando a presença de qualquer</p><p>tipo de odor senão o de cloro.</p><p>Nos Estados Unidos é utilizada a técnica do odor limite para</p><p>quantificar o problema, que consiste em proceder-se a diluições da</p><p>amostra até que o odor não seja mais detectado.</p><p>Se, por exemplo, apenas com diluições superiores a 1:5 os odores não</p><p>podem mais ser percebidos, diz-se que aquela amostra de água</p><p>apresenta odor limite 5.</p><p>É óbvio que é uma técnica que também envolve subjectividade e</p><p>imprecisões, mas é uma maneira de se aproximar melhor à questão,</p><p>que pode ser interessante em diversos estudos.</p><p>Para uma identificação precisa das concentrações dos compostos</p><p>aromáticos presentes na água, técnicas analíticas sofisticadas como a</p><p>cromatografia gasosa ou cromatografia/ espectrometria de massa</p><p>podem ser necessárias.</p><p>A adsorção em carvão activado granular ou em pó é a técnica mais</p><p>empregada e eficiente no controle de odor. Em casos particulares,</p><p>ISCE</p><p>D</p><p>CURSO: GESTÃO AMBIENTAL;</p><p>20 Ano</p><p>Disciplina/Módulo:</p><p>Hidrologia</p><p>30</p><p>como no importante problema da liberação de H2S de processos</p><p>anaeróbios, perceptível pelo olfato humano em concentrações da</p><p>ordem de apenas 1 ppb, técnicas oxidativas empregando-se cloro,</p><p>peróxido de hidrogénio e ozonização, entre outras, ou técnicas de</p><p>precipitação química com sais de ferro, podem ser testadas.</p><p>Essa medida, no entanto, deverá ser bem planeada, devendo ser</p><p>primeiramente testada em menor escala para a verificação da</p><p>eficiência real e para a identificação de problemas operacionais como</p><p>a descarga de oxidante residual que possa resultar em efeito tóxico ao</p><p>meio.</p><p>A inibição da proliferação de odores intervindo-se na actividade</p><p>biológica tem sido aplicada com sucesso. Muitas cidades,</p><p>principalmente as de clima quente, sofrem com o problema da</p><p>exalação de maus odores pela rede colectora de esgotos.</p><p>A origem desse problema é a redução anaeróbia do sulfato para</p><p>sulfeto, com consequente liberação do H2S. Aplicada continuamente</p><p>uma solução de nitrato de sódio, ocorre preferencialmente a redução</p><p>do nitrato em nitrogénio gasoso, inibindo-se o crescimento das</p><p>bactérias redutoras de sulfato e a exalação do gás sulfídrico.</p><p>(Piveli:2004)</p><p>Sumário</p><p>Os principais parâmetros utilizados para caracterizar fisicamente as</p><p>águas naturais são a cor, a turbidez, os níveis de sólidos nas suas</p><p>diversas fracções, a temperatura, o sabor e o odor.</p><p>Embora tais parâmetros sejam físicos, fornecem indicações</p><p>preliminares importantes para a caracterização da qualidade química</p><p>da água como, por exemplo, os níveis de sólidos em suspensão</p><p>(associados</p>