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HISTÓRIA MEDIEVAL 
Unidade 1
Introdução à 
idade média
CEO 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
DIRETORA EDITORIAL 
ALESSANDRA FERREIRA
GERENTE EDITORIAL 
LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS
PROJETO GRÁFICO 
TIAGO DA ROCHA
AUTORIA 
FÁBIO RONALDO DA SILVA
4 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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Fábio Ronaldo da Silva
Olá. Pós-doutorando em História pelo PPGH/UFCG. 
Doutor em História pelo PPGH/UFPE. Mestre em História pelo 
PPGH/UFCG. Foi professor substituto do curso de Jornalismo 
da UEPB, professor do curso de Publicidade e Propaganda da 
Cesrei. Além de professor do curso de Comunicação Social das 
FIP e do curso de Produção em Audiovisual da Facisa/Cesed. 
Possui especialização em Programação Visual; graduação em 
Comunicação Social pela UEPB e História pela UFCG.É pesquisador 
co-líder do Grupo de Pesquisa/DGP-CNPq? História e Memória da 
Ciência e Tecnologia? Realiza pesquisa nas áreas de Comunicação 
e História, atuando principalmente nos seguintes temas: Estudos 
de gênero, sexualidades, velhices, imprensa homoerótica, 
homossexualidades, imagem, cinema, história oral, arquivo 
jornalístico, memória, novas tecnologias da informação. Sou 
apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência 
de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso 
fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nessa fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
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6 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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A Idade Média: seus conceitos e sua importância histórica . 9
Definindo a Idade Média: periodização e contextualização ........................ 9
Transição da Antiguidade para a Idade Média: rupturas e 
continuidades .....................................................................................................13
Relevância da Idade Média para a história europeia .................................. 17
O fim do Império Romano e o início do renascimento ........ 22
Declínio do Império Romano: causas e consequências ............................. 22
Formação da Europa Medieval: ascensão dos reinos germânicos e a 
herança romana .................................................................................................26
Transição para o Renascimento: transformações culturais e 
intelectuais ..........................................................................................................30
Características sociais e político-econômicas da Sociedade 
Medieval ................................................................................... 35
Estrutura Social da Idade Média: hierarquia e relações de poder ........... 35
Sistemas políticos na sociedade medieval: feudalismo e poder 
centralizado ........................................................................................................42
Economia na Idade Média: agricultura, comércio e urbanização ............. 46
A Idade Média e sua importância para a reconstrução do 
período ..................................................................................... 49
Tipos de fontes históricas na Idade Média ...................................................49
Análise crítica das fontes medievais...............................................................55
SU
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7HISTÓRIA MEDIEVAL 
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ÇÃ
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Você sabia que a história medieval é uma das áreas 
mais fascinantes da história, e que seu estudo continua sendo 
fundamental para a compreensão da formação da Europa 
moderna e das sociedades ocidentais? Isso mesmo! A história 
medieval faz parte da grande trajetória da humanidade. Sua 
principal responsabilidade é fornecer informações sobre um 
período de quase mil anos que viu a queda do Império Romano e 
a ascensão do Renascimento.
Durante esse período, houve mudanças significativas na 
estrutura social, política e econômica da Europa, marcada por 
sistemas complexos como o feudalismo e pelo poder da Igreja 
Católica. Além disso, o período testemunhou o surgimento 
e consolidação dos reinos germânicos, que mais tarde se 
transformariam nas nações europeias modernas. As guerras, 
as invasões, as trocas comerciais e os movimentos culturais e 
intelectuais também desempenharam um papel importante na 
formação da Europa medieval.
O estudo da Idade Média também é importante por outras 
razões. Ele nos permite compreender como as pessoas viviam, 
pensavam e interagiam em um contexto muito diferente do nosso. 
Por meio do estudo de fontes históricas, podemos reconstruir a 
vida cotidiana, a cultura e as crenças das pessoas que viveram 
naquela época. No entanto, a interpretação destas fontes pode 
ser desafiadora, pois cada uma tem suas próprias limitações e 
vieses, e a distância temporal entre nós e o período medieval pode 
dificultar nossa compreensão.
Entendeu? Ao longo desta unidade letiva, você vai 
mergulhar neste universo e explorar os principais conceitos, 
eventos e características da Idade Média. Vamos juntos desvendar 
os mistérios e compreender as complexidades dessa época 
fascinante da história!
8 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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Olá! Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo 
é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências 
profissionais até o término desta etapa de estudos:
1. Definir o conceito de Idade Média, discernindo sobre 
sua importância para a compreensão da história 
europeia. 
2. Identificar os principais marcos temporais da Idade 
Média, como o fim do Império Romano e o início do 
Renascimento. 
3. Reconhecer as principais características sociais, 
políticas e econômicas da sociedade medieval. 
4. Analisar e identificar as principais fontes históricas 
disponíveis para o estudo da Idade Média, avaliando a 
importância dessas fontes para a reconstrução daquele 
período.
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A Idade Média: seus conceitos 
e sua importância histórica
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você será capaz de 
entender o conceito de Idade Média, discernindo 
sobre sua importância para a compreensão 
da história europeia. Esse conhecimento será 
fundamental para o exercício de sua profissão 
como historiador, professor ou pesquisador. As 
pessoas que tentaram estudar ou interpretar a 
Idade Média sem a devida compreensão de suas 
características, contexto e relevância histórica 
muitas vezes enfrentaram problemas em relação à 
precisão e à profundidade de suas análises. Ter uma 
compreensão sólida da Idade Média é essencial 
para qualquer pessoa que deseje se aprofundar 
nos estudos históricos e compreender as raízes 
da Europa moderna. E, então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante!
Definindo a Idade Média: 
periodização e contextualização
A Idade Média, um período significativo que se estendeu 
da queda do Império Romano do Ocidente em 476 d.C. até o 
início da Idade Moderna por volta do século XV, é, muitas vezes, 
considerada uma época de estagnação cultural e social. No entanto, 
estudos recentes têm mostrado que a Idade Média foi um período 
de grande mudança e desenvolvimento. Segundo Jacques Le Goff, 
a Idade Média é um “período intermediário entre a Antiguidade e 
a Modernidade”, quando ocorreram transformações importantes 
que moldaram a Europa e o mundo de hoje (Le Goff, 1980).
A periodização da Idade Média e a contextualização de 
seus eventos são cruciais para uma compreensão mais precisa 
10 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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desse período histórico. O historiador Umberto Eco ressalta que, 
sem compreender a complexidade do período medieval, não 
podemos entender a base da Europa moderna (Eco, 2015). A 
periodização não é apenas uma questão de estabelecer datas de 
início e fim; é também uma maneira de entender as mudanças 
políticas, econômicas, sociais e culturais que ocorreram duranteesse tempo.
Entender a Idade Média é essencial para qualquer pessoa 
que deseje estudar a história europeia. A Idade Média viu o 
surgimento de novas instituições, como o feudalismo e a Igreja 
Católica, que moldaram a política e a sociedade por séculos. 
Além disso, a Idade Média também foi um período de inovação 
cultural, com o desenvolvimento de novos estilos arquitetônicos e 
artísticos. Aprender sobre a Idade Média é, portanto, fundamental 
para entender a formação da Europa moderna.
A periodização da Idade Média é objeto de debate entre 
historiadores e pode variar de acordo com as abordagens 
adotadas. O consenso mais amplamente aceito é que a Idade 
Média começou com a queda do Império Romano do Ocidente 
em 476 d.C. e terminou com a tomada de Constantinopla pelos 
otomanos em 1453 d.C. ou com a descoberta da América em 1492. 
Contudo, a periodização pode ser vista de forma mais flexível. O 
historiador Marc Bloch argumenta que a Idade Média deve ser 
entendida como um período de transição e que sua periodização 
exata deve considerar a continuidade e a mudança nas estruturas 
políticas, econômicas e sociais (Bloch, 1987).
Internamente, a Idade Média é frequentemente dividida 
em três fases: a Alta Idade Média (séculos V a X); a Idade Média 
Plena (séculos XI a XIII); e a Baixa Idade Média (séculos XIV e 
XV). Essa subdivisão é baseada em mudanças específicas, como 
o surgimento do feudalismo, a consolidação da cristandade 
11HISTÓRIA MEDIEVAL 
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e a expansão econômica. O historiador Hilário Franco Júnior 
ressalta que essas subdivisões ajudam a compreender melhor os 
desenvolvimentos históricos dentro da Idade Média, considerando 
suas particularidades e nuances (Franco Júnior, 1992).
A periodização da Idade Média não é apenas uma questão 
de datas, mas também de interpretar as transformações históricas. 
O historiador Regine Pernoud afirma que a Idade Média não deve 
ser vista como uma época homogênea, mas sim como um período 
de transição e mudança, com diferentes fases e características 
(Pernoud, 1997). Portanto, entender a periodização da Idade 
Média é crucial para analisar o desenvolvimento da Europa ao 
longo dos séculos e as bases da civilização ocidental.
A contextualização histórica é fundamental para 
compreender a Idade Média e suas transformações. A queda do 
Império Romano do Ocidente em 476 d.C. marcou o início de um 
período de transição, que levou ao estabelecimento da Europa 
medieval. O historiador Chris Wickham argumenta que a Europa 
experimentou uma série de transformações culturais, políticas 
e econômicas após o colapso do Império Romano. Esse período 
viu o surgimento de novas instituições, como o feudalismo e a 
Igreja Católica, que desempenharam papéis fundamentais na 
estruturação da sociedade medieval.
Durante a Alta Idade Média, o feudalismo tornou-se o 
sistema político e econômico dominante na Europa. De acordo 
com o historiador Georges Duby, o feudalismo era um sistema 
de trocas de serviços entre senhores e vassalos, que moldava a 
vida política e social na Idade Média (Duby, 1989). A Igreja Católica 
também exerceu uma influência significativa durante esse período, 
estabelecendo-se como uma instituição poderosa com controle 
sobre a educação, a moralidade e o pensamento teológico.
12 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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A Idade Média também viu a expansão das cidades e do 
comércio, bem como o surgimento de novas formas de arte e 
arquitetura. O historiador Jacques Le Goff afirma que o período 
medieval foi uma época de inovação cultural, com a construção de 
catedrais góticas e o desenvolvimento da literatura medieval (Le 
Goff, 1980). Portanto, a contextualização histórica é fundamental 
para compreender a riqueza e a complexidade da Idade Média e 
suas transformações.
Entender a periodização e o contexto da Idade Média 
é fundamental para qualquer análise abrangente e precisa 
desse período histórico. A periodização ajuda os historiadores a 
identificarem mudanças significativas, que ocorreram ao longo 
do tempo, enquanto a contextualização fornece insights sobre os 
fatores sociais, políticos e culturais que moldaram essas mudanças.
Como observou o historiador David Abulafia, a Idade 
Média é um período complexo e multifacetado da história 
europeia, marcado por constantes mudanças e adaptações. Uma 
compreensão adequada do período medieval requer, portanto, 
uma análise atenta da periodização e do contexto em que essas 
mudanças ocorreram.
O historiador Robert Bartlett argumenta que uma 
compreensão contextualizada da Idade Média é crucial para evitar 
generalizações excessivas e imprecisas (Bartlett, 1993). Sem um 
entendimento claro do contexto em que as mudanças ocorreram, 
os historiadores podem perder as nuances e a diversidade do 
período medieval.
A periodização e a contextualização são ferramentas 
essenciais para compreender as complexidades da Idade Média 
e suas transformações. Uma abordagem contextualizada e 
historicamente informada nos permite apreciar a riqueza e a 
profundidade da história medieval.
13HISTÓRIA MEDIEVAL 
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Transição da Antiguidade para 
a Idade Média: rupturas e 
continuidades
A transição da Antiguidade para a Idade Média 
foi um período crítico na história europeia, marcado por 
mudanças profundas na política, economia, cultura e religião. 
A compreensão dessa transição é fundamental para qualquer 
análise do desenvolvimento da civilização ocidental. Essa transição 
representou uma mudança notável na estrutura do poder político 
na Europa, com o declínio do Império Romano do Ocidente e a 
ascensão dos reinos germânicos.
VOCÊ SABIA?
Um dos elementos mais visíveis dessa transição foi 
a queda de Roma em 476 d.C., tradicionalmente 
considerada o marco do fim da Antiguidade e o 
início da Idade Média. No entanto, a transição não 
foi um evento súbito ou isolado, mas um processo 
que se estendeu por séculos. O historiador 
brasileiro Hilário Franco Júnior observa que essa 
transição envolveu uma série de transformações 
lentas e contínuas, que culminaram na emergência 
de uma nova ordem social, política e cultural na 
Europa (Franco Júnior, 1992).
A transição da Antiguidade para a Idade Média não foi 
apenas uma ruptura com o passado, mas também um período 
de continuidades. Muitos elementos da cultura romana, como 
a língua latina e o Direito romano, continuaram a influenciar a 
Europa medieval. Ao mesmo tempo, a cristianização da Europa 
foi uma característica importante dessa transição, moldando o 
desenvolvimento religioso, cultural e político da Idade Média.
O declínio do Império Romano do Ocidente e o início 
da Idade Média representaram um ponto de inflexão crucial 
14 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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na história europeia. O declínio de Roma foi resultado de um 
complexo conjunto de fatores que incluíram questões internas, 
invasões bárbaras, crises econômicas e mudanças sociais.
Uma das principais causas do declínio romano foi a 
fragmentação do poder político. A centralização política em Roma 
deu lugar a um império fragmentado, com poderes políticos regionais 
em constante disputa. O enfraquecimento do poder central facilitou 
a penetração dos povos germânicos nas fronteiras do império.
VOCÊ SABIA?
As invasões bárbaras também foram fundamentais 
no declínio de Roma. Os hunos, vândalos, visigodos 
e outros grupos germânicos atravessaram as 
fronteiras do Império Romano, conquistando 
e saqueando cidades, o que contribuiu para o 
enfraquecimento do império. A queda de Roma 
em 476 d.C., quando o último imperador romano 
do Ocidente, Rômulo Augusto, foi deposto por 
Odoacro, rei dos hérulos, marcando o fim oficial 
do Império Romano do Ocidente.
O início da Idade Média foi marcado pela ascensão dos 
reinos germânicos. Segundo o historiador brasileiro Hilário Franco 
Júnior, esses reinos mantiveram muitos elementos da cultura 
romana, como o latim e o Direito romano, enquanto incorporavam 
aspectos de sua própria cultura germânica (Franco Júnior,1992). O 
processo de cristianização da Europa também teve início durante 
essa transição, desempenhando um papel fundamental na 
formação da cultura e da sociedade medievais.
Em uma análise mais aprofundada, podemos identificar 
várias continuidades da Antiguidade na Idade Média. A influência 
do Império Romano, por exemplo, persistiu nas leis, na língua e 
na cultura que foram transmitidas às gerações futuras. O Direito 
romano, em particular, foi preservado e codificado por meio de 
15HISTÓRIA MEDIEVAL 
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coleções de leis e obras jurídicas, que continuaram a moldar os 
sistemas legais europeus durante a Idade Média.
O latim, que era a língua oficial do Império Romano, 
também continuou a ser a língua da administração, da Igreja e dos 
estudos acadêmicos na Europa medieval. O uso contínuo do latim, 
aliado à difusão da cultura romana pelos povos germânicos, ajudou 
a preservar os legados literários, filosóficos e artísticos de Roma.
Outro elemento importante de continuidade foi a 
cristianização da Europa, que começou no período romano e se 
consolidou durante a Idade Média. O cristianismo se tornou a 
religião oficial do Império Romano no século IV, e a Igreja Católica 
continuou a desempenhar um papel central na vida religiosa e 
política da Europa medieval. A Igreja ajudou a preservar a cultura 
clássica e promoveu a integração cultural e política dos diversos 
reinos europeus.
No entanto, as continuidades da Antiguidade na Idade Média 
não se restringem à herança romana. A transmissão e a recepção 
de conhecimentos gregos e árabes, especialmente nas áreas de 
filosofia, medicina e matemática, também desempenharam um 
papel importante na formação da cultura medieval.
Entender a transição da Antiguidade para a Idade Média é 
crucial para uma compreensão abrangente da história europeia. 
O fim do Império Romano do Ocidente marcou o início da Idade 
Média e trouxe consigo profundas transformações políticas, 
sociais e culturais que definiram o futuro da Europa.
Para começar, é importante considerar que a queda 
do Império Romano não foi um evento isolado, mas sim um 
processo gradual que ocorreu em meio a invasões bárbaras, 
instabilidade política e declínio econômico. As tribos germânicas 
desempenharam um papel fundamental na queda do Império 
16 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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Romano e na formação do novo cenário político da Europa 
medieval. Os reinos germânicos ocuparam e fundiram-se com 
as regiões do Império Romano do Ocidente, originando novas 
identidades e formas de organização política (Le Goff, 1980).
IMPORTANTE
Apesar das mudanças significativas, também houve 
elementos de continuidade da Antiguidade na Idade 
Média. A cristianização da Europa, que começou 
no Império Romano, continuou a influenciar a 
vida religiosa, cultural e política durante a Idade 
Média. A Igreja Católica desempenhou um papel 
fundamental na preservação do conhecimento e 
da cultura da Antiguidade.
Além disso, compreender a transição para a Idade Média 
é crucial para entender o desenvolvimento de instituições, 
conceitos e valores que moldaram a história europeia e continuam 
influenciando o mundo contemporâneo. Conceitos como 
feudalismo, cavalaria, e o papel da Igreja na política e na cultura 
têm suas raízes na Idade Média e refletem as transformações e 
continuidades que ocorreram durante esse período.
A transição da Antiguidade para a Idade Média é um 
marco fundamental na história da Europa e merece ser estudada 
com atenção, pois os eventos desse período influenciaram 
profundamente os desenvolvimentos políticos, sociais e culturais 
que se seguiram. A compreensão dessa transição é crucial 
para entender a dinâmica das relações políticas, as bases das 
instituições sociais, e os contornos da cultura europeia ao longo 
dos séculos subsequentes.
O fim do Império Romano do Ocidente e o estabelecimento 
dos reinos germânicos, como os reinos visigodo, ostrogodo, 
franco e lombardo, moldaram um novo cenário político na Europa 
Ocidental. Com a fragmentação do poder imperial, uma série de 
17HISTÓRIA MEDIEVAL 
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novas estruturas políticas e territoriais emergiu, influenciando o 
desenvolvimento da Europa medieval.
Em relação à cultura, Jacques Le Goff, destaca que a cultura 
europeia durante a Idade Média foi moldada por uma síntese 
das tradições romanas, germânicas e cristãs. Le Goff afirma que 
a cultura medieval era caracterizada por uma combinação de 
elementos romanos e germânicos sob a influência dominante da 
Igreja Católica (Le Goff, 1992).
O legado romano continuou a ser uma referência importante 
para as elites europeias, especialmente em termos de direito, 
literatura, filosofia e arte. A Igreja Católica desempenhou um papel 
crucial na preservação e transmissão desse legado, tornando-se 
uma instituição central na vida política, social e cultural da Europa 
medieval. A Igreja se tornou um poderoso agente de continuidade 
cultural e de transformação social durante esse período.
O impacto da transição da Antiguidade para a Idade Média 
na história europeia é evidente nas diversas instituições, práticas 
políticas e culturais que emergiram durante o período medieval. 
As sementes para o desenvolvimento da Europa Ocidental nos 
períodos subsequentes foram plantadas durante essa transição. 
A complexa tapeçaria de relações políticas, sociais e culturais que 
caracterizou a Idade Média teve suas raízes nas transformações e 
continuidades que ocorreram durante a transição da Antiguidade 
para a Idade Média.
Relevância da Idade Média para a 
história europeia
A Idade Média, período que se estendeu aproximadamente 
do século V ao século XV, é frequentemente encarada como uma 
“idade das trevas”, marcada pelo declínio cultural e científico 
18 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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após o esplendor da Antiguidade Clássica. No entanto, essa visão 
é amplamente contestada por historiadores modernos, que 
apontam para a riqueza e complexidade da história medieval 
europeia. Compreender a Idade Média é fundamental para 
entender as dinâmicas históricas que moldaram a Europa moderna 
e suas inúmeras consequências que reverberam até hoje.
Durante a Idade Média, a Europa experimentou profundas 
transformações políticas, econômicas, sociais e culturais. O legado 
da Antiguidade romana se mesclou com as tradições germânicas 
e as influências do Islã, gerando uma rica tapeçaria cultural. As 
cidades renasceram, a economia se diversificou e a Europa 
começou a se expandir para além de seus limites geográficos. 
A compreensão desse período é crucial para entender as bases 
sobre as quais a Europa moderna foi construída.
A Idade Média, portanto, não foi uma era de estagnação, 
mas sim um período de transformações que tiveram um impacto 
duradouro na história europeia. A Idade Média é muito mais do que 
castelos, cavaleiros e damas, como afirma o historiador Jacques Le 
Goff. É também uma época de mudanças, de busca de uma nova 
ordem, de formação de uma nova cultura (Le Goff, 1992). Reconhecer 
a complexidade e a importância dessa era é fundamental para uma 
compreensão mais completa e precisa da trajetória europeia.
A fragmentação do poder político foi uma das características 
marcantes da Idade Média europeia. Após a queda do Império 
Romano do Ocidente, a Europa se dividiu em uma miríade de reinos, 
principados e senhorios, cada um governado por seus próprios 
líderes. A figura do rei, quando existente, tinha autoridade limitada, 
pois a verdadeira força residia nas mãos dos senhores feudais que 
controlavam vastas extensões de terra. Entretanto, mesmo em 
meio a essa fragmentação, a política medieval lançou as bases para 
o desenvolvimento dos futuros Estados-nação europeus.
19HISTÓRIA MEDIEVAL 
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IMPORTANTE
Na Idade Média, os senhores feudais, que incluíam 
nobres, bispos e abades, detinham grande parte 
do poder político. Eles governavam seus territórios 
de forma quase autônoma, coletando impostos, 
administrando a justiçae mantendo exércitos 
particulares. A relação entre os senhores e seus 
vassalos, com base em laços de fidelidade e obrigação, 
era o pilar do sistema feudal. O feudalismo, por sua 
vez, era intrinsecamente ligado à propriedade da 
terra, fonte primária de riqueza e poder.
É importante notar que o feudalismo não foi um fenômeno 
uniforme em toda a Europa. As características específicas do 
sistema variavam de região para região, e o feudalismo em si 
era um conceito dinâmico que evoluiu ao longo dos séculos. 
Não há uma única forma de feudalismo, mas múltiplas formas, 
dependendo do tempo e do lugar.
Ao longo da Baixa Idade Média, o poder político na Europa 
começou a se centralizar, com os reis consolidando sua autoridade 
sobre os senhores feudais. Esse processo, junto com o renascimento 
das cidades e o fortalecimento das classes comerciais, preparou o 
terreno para o surgimento dos Estados-nação europeus na Idade 
Moderna. A fragmentação política da Idade Média, portanto, foi uma 
etapa crucial na formação das nações europeias modernas, moldando 
as instituições políticas e as fronteiras que conhecemos hoje.
As transformações sociais e culturais que ocorreram 
durante a Idade Média foram cruciais para a formação da Europa 
moderna e de suas instituições. A partir da queda do Império 
Romano do Ocidente, a sociedade europeia começou a se 
reorganizar em uma nova ordem, marcada pela estrutura feudal.
Nesse período, houve uma descentralização política e 
a propriedade da terra tornou-se a base do poder. A sociedade 
20 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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feudal era composta por três grupos principais: os senhores 
feudais, os vassalos e os servos. Essa divisão refletia as relações 
sociais e econômicas de poder que se estabeleceram no período. 
Os senhores feudais controlavam vastas extensões de terra, e os 
vassalos eram homens livres que se submetiam à autoridade de 
um senhor feudal em troca de proteção e terras. Os servos, por 
sua vez, estavam ligados à terra e trabalhavam nela em troca de 
proteção, mas sem direitos políticos.
As transformações culturais da Idade Média são marcadas 
pelo papel fundamental desempenhado pela Igreja Católica. 
A Igreja não só influenciou a espiritualidade, mas também 
desempenhou um papel central na educação e na vida intelectual 
da Europa medieval. As escolas e universidades medievais eram 
geralmente associadas a mosteiros e catedrais e eram dirigidas 
por membros do clero. A teologia era a disciplina dominante e as 
obras clássicas, especialmente as de autores gregos e romanos, 
foram preservadas e estudadas nos mosteiros (Le Goff, 1992).
O renascimento carolíngio, que ocorreu no século VIII 
sob o reinado de Carlos Magno, foi um período de revitalização 
cultural na Europa Ocidental. Durante esse tempo, houve um 
renascimento das artes, da arquitetura e do aprendizado, e a 
escrita carolíngia, uma forma mais clara e legível de escrita, foi 
desenvolvida. Esse período também foi marcado pela reforma da 
Igreja, a reorganização das instituições monásticas e a criação de 
novos centros de aprendizado.
A Idade Média foi um período de significativas mudanças 
sociais e culturais que tiveram um impacto duradouro na história 
europeia. O surgimento do feudalismo, o papel central da Igreja 
Católica e o renascimento carolíngio foram eventos cruciais que 
moldaram a Europa e suas instituições para os séculos vindouros.
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RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo 
deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que a Idade Média foi um 
período histórico que abrangeu aproximadamente 
mil anos, de 476 d.C. a 1453 d.C., e que se 
caracterizou por uma série de transformações 
políticas, econômicas, sociais e culturais na Europa. 
A periodização e contextualização desse período 
são essenciais para compreender os eventos 
históricos e as dinâmicas que moldaram a Europa 
medieval. A transição da Antiguidade para a Idade 
Média foi marcada por rupturas e continuidades. 
O declínio do Império Romano do Ocidente abriu 
espaço para o surgimento de reinos germânicos na 
Europa Ocidental, enquanto o Império Romano do 
Oriente, ou Império Bizantino, continuou a existir 
no Oriente por mais mil anos. Houve a preservação 
de elementos da cultura romana e helenística, 
mas também o desenvolvimento de novas formas 
de organização política, social e cultural. A Idade 
Média é um período de suma importância para 
a história europeia. Foi um tempo de construção 
das bases políticas, sociais, culturais e tecnológicas 
que moldaram a Europa moderna. Durante esse 
período, surgiram inovações tecnológicas que 
transformaram a agricultura e a arquitetura, 
e houve avanços no conhecimento científico e 
filosófico, que tiveram um impacto duradouro no 
continente. A Idade Média é um período crucial 
para a compreensão da história europeia. Foi 
uma época de transformações significativas que 
moldaram o continente e lançaram as bases para a 
Europa moderna. Compreender as características 
e dinâmicas desse período é fundamental para 
entender a história e a cultura europeias.
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O fim do Império Romano e o 
início do renascimento
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você será capaz 
de entender como funcionou a transição da 
Antiguidade para a Idade Média e o que caracterizou 
o período que levou ao Renascimento. Isto será 
fundamental para uma compreensão abrangente 
da história europeia e das mudanças sociopolíticas 
e culturais que moldaram o continente. As pessoas 
que tentaram estudar a Idade Média sem a devida 
instrução tiveram problemas ao entender a 
complexidade das transformações que ocorreram 
e a conexão entre o fim do Império Romano e o 
início do Renascimento. E, então? Motivado para 
desenvolver está competência? Vamos lá. Avante!
Declínio do Império Romano: 
causas e consequências
O apogeu do Império Romano, no século II d.C., marcou 
um período de extraordinária expansão territorial, estabilidade 
política e prosperidade econômica. No entanto, essa situação não 
se sustentou indefinidamente, e o Império Romano eventualmente 
entrou em um processo de declínio que culminou na queda de 
Roma em 476 d.C. Entender as causas e consequências deste 
declínio é fundamental para compreender a transição para a 
Idade Média e a formação da Europa medieval.
Durante seu auge, o Império Romano controlava vastos 
territórios que se estendiam da Grã-Bretanha ao Egito, abrangendo 
uma diversidade de culturas, religiões e tradições. No entanto, a 
expansão territorial também trouxe desafios à administração 
imperial, como a necessidade de defender as extensas fronteiras 
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contra invasões externas e a complexidade de governar um 
império multicultural.
O declínio do Império Romano é um tema debatido entre 
os historiadores e diversas teorias têm sido propostas para explicar 
esse fenômeno. A análise das causas e consequências desse declínio 
permite uma melhor compreensão dos processos históricos que 
moldaram a Europa na Idade Média. Além disso, a queda de Roma 
tem sido vista como um divisor de águas na história europeia, 
marcando o fim da Antiguidade e o início da Idade Média.
A transição para a Idade Média, no entanto, não se deu de forma 
abrupta. O legado romano continuou a influenciar a cultura, a política 
e a sociedade europeia durante séculos. Portanto, a compreensão das 
causas e consequências do declínio do Império Romano é essencial 
para uma melhor compreensão da história europeia.
As causas do declínio do Império Romano são múltiplas e 
complexas, e os historiadores têm debatido esses fatores ao longo 
dos anos. Entre as principais causas, destacam-se a instabilidade 
política, a pressão externa de invasões, os problemas econômicos, 
a corrupção e a decadência moral.
A instabilidade política foi um fatorsignificativo no declínio 
do Império Romano. A partir do século III d.C., o império sofreu uma 
série de crises políticas, com frequentes trocas de imperadores, 
muitas vezes resultantes de assassinatos e golpes de estado. A 
falta de uma sucessão estável e a rivalidade entre os generais 
romanos minaram a autoridade imperial e enfraqueceram o 
governo central (Gibbon, E., 2008).
Além da instabilidade política interna, o Império Romano 
enfrentou pressão externa de vários grupos invasores, como 
os germânicos, hunos e persas. Esses povos pressionaram as 
fronteiras do império, conquistando territórios e saqueando 
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cidades. O custo de defender o império contra essas invasões 
esgotou os recursos do governo romano e enfraqueceu ainda mais 
sua capacidade de manter a ordem interna (Heather, P., 2005).
Os problemas econômicos também contribuíram para o 
declínio do Império Romano. A inflação galopante, o aumento dos 
impostos e a corrupção entre os funcionários públicos reduziram 
a prosperidade do império e exacerbaram as tensões sociais. A 
dependência da escravidão e a exploração de terras conquistadas 
também se mostraram insustentáveis a longo prazo, prejudicando 
a economia romana (Temin, P., 2012).
Além disso, a decadência moral e a corrupção foram vistas por 
alguns historiadores como causas do declínio do Império Romano. A 
moralidade pública teria se deteriorado, e a sociedade romana teria 
se tornado mais focada em prazeres pessoais e indulgências, em 
detrimento da virtude e do dever cívico (Gibbon, E., 2008).
As consequências do declínio do Império Romano foram 
profundas e impactaram significativamente a história da Europa 
e do mundo. O fim do Império Romano resultou em uma série 
de transformações políticas, sociais, culturais e econômicas que 
moldaram a Europa Medieval e marcaram o início da Idade Média.
Em primeiro lugar, a queda do Império Romano provocou 
uma fragmentação política da Europa. O poder centralizado 
romano foi substituído por uma série de reinos germânicos 
independentes, como o Reino Visigodo na Península Ibérica, o 
Reino Ostrogótico na Itália, o Reino dos Francos na Gália (atual 
França), entre outros. Cada um desses reinos tinha sua própria 
estrutura política, sistema legal e organização social. Essa 
fragmentação política da Europa duraria até o surgimento dos 
Estados-nação no final da Idade Média.
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Em segundo lugar, o declínio do Império Romano teve 
implicações sociais significativas. A sociedade romana era 
hierarquizada e dividida em várias classes sociais, incluindo 
senadores, cavaleiros, plebeus e escravos. Com a queda do 
império, a estrutura social romana desapareceu e foi gradualmente 
substituída por uma nova ordem social, baseada no feudalismo. O 
feudalismo era um sistema social e econômico caracterizado por 
relações de vassalagem e suserania, no qual os senhores feudais 
detinham grande poder e os servos trabalhavam nas terras em 
troca de proteção. A estrutura social feudal era rigidamente 
hierárquica e baseada na posse de terras.
Em terceiro lugar, o declínio do Império Romano também 
teve implicações culturais. A cultura romana, que era uma 
mistura de tradições gregas e romanas, sofreu um processo de 
transformação e assimilação pelas culturas germânicas e celtas. 
Isso resultou na formação de uma cultura europeia medieval 
diversificada, na qual elementos romanos, germânicos e celtas se 
fundiram. A religião também desempenhou um papel importante 
nesse processo, com o cristianismo se tornando a religião 
dominante na Europa Medieval.
Por fim, o declínio do Império Romano teve implicações 
econômicas. A economia romana, baseada na agricultura e 
no comércio, entrou em colapso após a queda do império. 
A economia europeia medieval passou a ser dominada pela 
agricultura de subsistência e pela economia manorial, na qual a 
maioria das pessoas vivia e trabalhava em grandes propriedades 
rurais chamadas de feudos.
As consequências do declínio do Império Romano foram 
múltiplas e abrangentes, afetando todos os aspectos da vida 
europeia. A Europa Medieval foi moldada pelas transformações 
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políticas, sociais, culturais e econômicas que se seguiram à queda 
do império romano.
Em termos políticos, a queda do Império Romano resultou 
em uma fragmentação da Europa em vários reinos germânicos 
independentes. A autoridade centralizada que caracterizava o 
Império Romano foi substituída por uma série de poderes políticos 
descentralizados e autônomos. Este processo de fragmentação 
política teve consequências de longo alcance para a história 
da Europa. O fim do Império Romano e a ascensão dos reinos 
germânicos deram origem a um novo mapa político da Europa, que 
ainda hoje é visível nas fronteiras modernas dos países europeus.
A economia europeia também sofreu mudanças 
significativas durante a transição para a Idade Média. Com o colapso 
do sistema econômico romano, a economia da Europa passou a 
ser dominada pela agricultura de subsistência e pela economia 
manorial. Nesse novo sistema econômico, a terra tornou-se o 
recurso mais valioso, e as relações sociais e econômicas passaram 
a ser estruturadas em torno da posse e do uso da terra. 
A transição da Antiguidade para a Idade Média na história 
europeia foi um processo complexo e multifacetado. Foi marcado 
por mudanças profundas na política, na economia e na estrutura 
social da Europa. A compreensão dessas mudanças é fundamental 
para o entendimento da história da Europa e do desenvolvimento 
da civilização ocidental.
Formação da Europa Medieval: 
ascensão dos reinos germânicos 
e a herança romana
A herança romana é evidente na formação da Europa 
medieval em vários aspectos, como a língua, a arquitetura, o direito 
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e, principalmente, a religião. O cristianismo, que se tornou a religião 
oficial do Império Romano no século IV, continuou a ser a religião 
dominante na Europa medieval. O historiador brasileiro Hilário 
Franco Júnior aponta que “a cristianização dos povos germânicos 
representou uma das mais importantes consequências da queda 
do Império Romano e foi determinante para a formação da Europa 
medieval” (Franco Júnior, 1992).
Essa herança romana na Europa medieval é uma prova da 
complexidade e da riqueza da história humana. Ela mostra que, 
mesmo em períodos de grande turbulência e mudança, a cultura 
e as tradições persistem e continuam a moldar a sociedade. Assim, 
compreender a transição da Antiguidade para a Idade Média é 
essencial para entender a formação da Europa e do mundo moderno.
A ascensão dos reinos germânicos na Europa ocidental 
foi um dos principais marcos da transição da Antiguidade para a 
Idade Média. Durante o período de declínio do Império Romano do 
Ocidente, diversas tribos germânicas começaram a se estabelecer 
em territórios antes dominados pelos romanos. Esse processo 
culminou na formação de vários reinos germânicos que deram 
origem a futuras nações europeias.
VOCÊ SABIA?
A formação desses reinos germânicos ocorreu 
em um cenário marcado por constantes 
movimentações migratórias e invasões. As tribos 
germânicas buscavam territórios mais férteis e 
proteção contra outras tribos invasoras, como 
os hunos, que pressionavam a Europa do leste 
e norte. Esse contexto de invasões e migrações 
favoreceu a penetração dos germânicos nas 
fronteiras romanas e a subsequente formação de 
reinos independentes.
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Os reinos germânicos que se formaram no território 
do antigo Império Romano do Ocidente incluem os visigodos 
na península Ibérica, os ostrogodos e lombardos na península 
Itálica, os francos na Gália (atual França) e os anglo-saxões na 
Grã-Bretanha. Embora fossem independentes, esses reinos 
herdaram diversas características do mundo romano, incluindo a 
administração territorial e o Direito romano. Os reinos germânicos 
mantiverama estrutura administrativa romana e incorporaram 
elementos da cultura romana, o que favoreceu a continuidade das 
instituições romanas na Idade Média.
O processo de formação dos reinos germânicos e a fusão 
de elementos culturais romanos e germânicos desempenharam 
um papel crucial na configuração da Europa medieval. O legado 
romano nos reinos germânicos se manifestou em várias áreas, 
como na arquitetura, na língua e no direito. Portanto, a ascensão 
dos reinos germânicos e a herança romana foram fundamentais 
para a formação da Europa medieval e para a construção das 
bases do continente europeu como o conhecemos hoje.
O legado romano deixado para os reinos germânicos é 
um elemento crucial para a compreensão da formação da Europa 
medieval. O Império Romano, durante seu auge, espalhou uma 
vasta rede de instituições, tecnologias e costumes por todo o 
mundo conhecido. Embora o império tenha entrado em declínio e 
desaparecido como uma entidade política, muitos de seus legados 
sobreviveram e foram incorporados pelos povos germânicos que 
ocuparam os territórios anteriormente romanos.
29HISTÓRIA MEDIEVAL 
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IMPORTANTE
Um dos mais importantes legados romanos que os 
reinos germânicos herdaram foi o Direito romano. 
Os povos germânicos, após a queda do Império 
Romano, mantiveram a estrutura administrativa 
romana e incorporaram o Direito romano em suas 
novas estruturas políticas. A prática do Direito 
romano, juntamente com a cultura jurídica romana, 
foi crucial para a formação das leis e dos códigos 
legais que surgiram nos reinos germânicos.
Outro aspecto importante da herança romana nos reinos 
germânicos é a continuidade das instituições romanas. Os reinos 
germânicos mantiveram muitas das instituições romanas, como o 
sistema de tributação, a rede de estradas e o sistema monetário. 
Essas instituições forneceram uma base para o desenvolvimento 
econômico e social dos reinos germânicos e desempenharam um 
papel fundamental na configuração da Europa medieval.
Além disso, a herança romana na cultura e na língua dos 
reinos germânicos também é notável. A língua latina, usada pelo 
Império Romano, teve uma grande influência nas línguas dos 
reinos germânicos, contribuindo para a formação das línguas 
românicas, como o espanhol, o português, o francês e o italiano.
Além disso, os reinos germânicos também exerceram um 
impacto considerável na formação da Europa Medieval. Hilário 
Franco Júnior (1992) enfatiza a importância dos reinos germânicos 
na integração das populações locais, na fusão das culturas romana 
e germânica, e na manutenção de um sistema político e social 
mais descentralizado.
A interação entre a herança romana e os reinos germânicos 
contribuiu para a emergência de uma nova configuração 
sociopolítica na Europa. Segundo Jacques Le Goff (1980), a 
combinação desses elementos moldou a cultura, a economia 
30 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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e a política da Europa Medieval, estabelecendo as bases para o 
desenvolvimento do continente nos séculos posteriores.
A herança romana nos reinos germânicos teve um impacto 
significativo na configuração da Europa medieval. As instituições 
romanas, o Direito romano e a língua latina desempenharam um 
papel crucial na formação das leis, das estruturas políticas e das 
línguas dos reinos germânicos, contribuindo para a construção 
das bases do continente europeu.
Transição para o Renascimento: 
transformações culturais e 
intelectuais
A transição da Idade Média para o Renascimento foi um 
período de intensas transformações culturais e intelectuais na 
Europa. Esse período, conhecido como Renascimento, marcou 
uma mudança significativa na história da civilização ocidental, 
dando origem a uma série de inovações e desenvolvimentos em 
diversas áreas do conhecimento, incluindo artes, ciências, filosofia, 
literatura e religião.
Uma das características mais marcantes do Renascimento 
foi o retorno ao estudo e à valorização da cultura clássica greco-
romana, que havia sido em grande parte esquecida durante a 
Idade Média. O interesse pela Antiguidade Clássica foi alimentado 
por uma série de fatores, incluindo a redescoberta de textos 
antigos, o contato com o mundo islâmico por meio das Cruzadas e 
o comércio, e o surgimento de uma classe rica e letrada interessada 
em patrocinar as artes e as ciências.
A ideia do “homem renascentista”, que se destacava por 
sua erudição e versatilidade em várias áreas do conhecimento, 
tornou-se um ideal importante durante o Renascimento. Grandes 
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figuras históricas, como Leonardo da Vinci, Michelangelo e Galileu 
Galilei, exemplificam esse ideal, sendo conhecidos por suas 
realizações em várias disciplinas.
As influências e antecedentes da transição para o 
Renascimento estão enraizadas em diversos fatores sociais, 
culturais e políticos que culminaram nessa notável mudança de 
perspectiva na história europeia. Nesse contexto, três fatores 
principais se destacam: a redescoberta do legado clássico, a 
influência do mundo islâmico e as transformações econômicas e 
sociais na Europa.
Imagem 1.1 - Homem Vitruviano Da Vinci
 
Fonte: Freepik
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A redescoberta do legado clássico foi crucial para o 
surgimento do Renascimento. A partir do século XII, estudiosos 
europeus começaram a se interessar novamente pela literatura, 
filosofia e arte da Grécia e Roma Antigas. O contato com o 
mundo islâmico desempenhou um papel fundamental nessa 
redescoberta, uma vez que muitos textos clássicos foram 
preservados e traduzidos por estudiosos muçulmanos. Além disso, 
o conhecimento científico e filosófico islâmico, especialmente em 
áreas como medicina, astronomia e matemática, influenciou o 
pensamento europeu (Gutas, 2012).
Ao mesmo tempo, a Europa estava passando por 
transformações econômicas e sociais significativas. O crescimento das 
cidades e a ascensão de uma classe mercantil rica contribuíram para 
a formação de um ambiente propício ao desenvolvimento artístico e 
intelectual. Estes mercadores, banqueiros e artesãos urbanos, muitos 
dos quais se tornaram patronos das artes, foram fundamentais para o 
florescimento do Renascimento (Goldthwaite, 1982).
Finalmente, a Igreja Católica e sua relação com a cultura 
também tiveram um impacto significativo na transição para o 
Renascimento. A chamada Renascença do século XII, um período 
de renovação cultural e intelectual dentro da Igreja, incentivou o 
estudo da literatura clássica e da filosofia, abrindo caminho para o 
Renascimento posterior (Southern, 1993).
A transição para o Renascimento foi impulsionada por uma 
combinação de fatores que incluíram a redescoberta do legado 
clássico, a influência do mundo islâmico, e as transformações 
econômicas e sociais na Europa. Esse foi um período de grande 
inovação e mudança, que lançou as bases para a modernidade.
As principais características do Renascimento Cultural, 
um movimento que ocorreu entre os séculos XIV e XVII, refletem 
uma mudança profunda nas concepções artísticas, científicas e 
33HISTÓRIA MEDIEVAL 
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filosóficas na Europa. O Renascimento marcou o fim da Idade Média 
e o início da Era Moderna, um período de grande efervescência 
cultural e intelectual. Aqui, discutiremos essas características.
VOCÊ SABIA?
O humanismo foi uma das principais características 
do Renascimento Cultural. O humanismo se refere 
ao renascimento da cultura e da erudição clássicas, 
com um foco particular no estudo da literatura e da 
história da Grécia e Roma antigas. Esse movimento, 
liderado por filósofos e escritores como Petrarca 
e Erasmo, incentivou um maior interesse pelo 
indivíduo, pelas suas potencialidades e realizações.
Outra característica essencial do Renascimento Cultural 
foi o antropocentrismo, que colocava o ser humano no centro 
do universo. Essa característica contrapõe-se ao teocentrismo 
medieval, onde Deus era considerado o centro do universo. O 
antropocentrismo éevidente nas artes visuais renascentistas, 
onde os artistas retratavam figuras humanas de forma mais 
realista e tridimensional, como nas obras de Leonardo da Vinci e 
Michelangelo.
A experimentação científica também foi uma característica 
fundamental do Renascimento Cultural. O Renascimento 
viu um crescente interesse pela observação empírica e pela 
experimentação científica, especialmente nas áreas da anatomia 
e da astronomia. Galileu Galilei e Nicolau Copérnico são exemplos 
de cientistas renascentistas que desafiaram as visões tradicionais 
sobre o universo.
Por fim, o mecenato também desempenhou um papel 
importante no Renascimento Cultural. O mecenato refere-se 
ao apoio financeiro oferecido por nobres e burgueses ricos a 
artistas, cientistas e escritores. Esse mecenato possibilitou o 
desenvolvimento de uma cultura artística e intelectual mais 
34 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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diversificada e sofisticada, levando ao florescimento das artes e 
das ciências no período renascentista.
RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que o declínio do Império Romano foi 
um processo complexo e multifacetado, marcado por 
instabilidade política, pressões externas e internas, 
declínio econômico e transformações sociais. A queda 
do Império Romano do Ocidente marcou o início da 
Idade Média na Europa, um período caracterizado 
por novas organizações políticas, sociais e culturais. 
A formação da Europa medieval envolveu a ascensão 
dos reinos germânicos, que estabeleceram seus 
próprios reinos no território anteriormente ocupado 
pelo Império Romano. Esses reinos germânicos 
incorporaram elementos da cultura romana, 
incluindo o cristianismo, e contribuíram para a 
formação de uma nova identidade europeia. A 
transição para o Renascimento foi um período de 
intensas transformações culturais e intelectuais, que 
resultou em uma nova valorização das humanidades 
e da cultura clássica. Esse movimento foi marcado 
pelo surgimento do humanismo renascentista, pela 
revolução científica e por uma nova abordagem da 
política e da economia. As transformações culturais 
e intelectuais do Renascimento tiveram um impacto 
significativo na história europeia, contribuindo para o 
surgimento do Iluminismo, da ciência moderna e do 
capitalismo. Essas são apenas algumas das principais 
ideias e desenvolvimentos abordados neste capítulo. 
Esperamos que você tenha uma compreensão 
mais clara da Idade Média e da transição para o 
Renascimento, bem como de sua importância na 
formação da Europa e do mundo moderno.
35HISTÓRIA MEDIEVAL 
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Características sociais e 
político-econômicas da 
Sociedade Medieval
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você será capaz de 
entender como funcionava a sociedade medieval 
em termos de suas estruturas sociais, políticas e 
econômicas. Isto será fundamental para o exercício 
de sua profissão como historiador, educador 
ou pesquisador. As pessoas que tentaram 
compreender a Idade Média sem a devida 
instrução tiveram problemas ao interpretar os 
documentos históricos e ao avaliar o impacto desse 
período sobre a história posterior. A compreensão 
adequada das características sociais, políticas 
e econômicas da sociedade medieval permitirá 
que você tenha uma visão mais abrangente e 
aprofundada desse período histórico, contribuindo 
para um entendimento mais rico da evolução das 
sociedades humanas. E, então? Motivado para 
desenvolver essa competência? Vamos lá. Avante!
Estrutura Social da Idade Média: 
hierarquia e relações de poder
A sociedade medieval, frequentemente caracterizada por 
sua estrutura hierárquica e rígida, é um dos temas mais estudados 
e debatidos no campo da história. As relações de poder e a 
hierarquia social eram elementos fundamentais para entender 
o funcionamento e as dinâmicas da sociedade da Idade Média, 
marcada por uma divisão clara entre os que rezavam, os que 
lutavam e os que trabalhavam.
Essa estrutura, fundamentada na teoria das “Três Ordens” 
que organizava a sociedade em clérigos, nobres e camponeses, 
36 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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foi uma característica predominante da Europa Ocidental entre 
os séculos IX e XV (Le Goff, 1980). Compreender essas relações 
é essencial não apenas para uma compreensão aprofundada da 
Idade Média, mas também para entender as bases da organização 
social e política que prevaleceram na Europa por séculos.
Os historiadores têm debatido como as relações de poder 
influenciavam a hierarquia social e vice-versa. Segundo Duby 
(1989), as relações de poder na sociedade medieval estavam 
profundamente enraizadas em relações pessoais e hierárquicas, 
nas quais a subordinação e a lealdade eram centrais. O sistema 
feudal, que é muitas vezes associado à Idade Média, foi sustentado 
por essas relações de dependência e lealdade entre senhores e 
vassalos, bem como entre senhores e camponeses.
Entender essa estrutura social e as relações de poder que 
a sustentavam é crucial para compreender a dinâmica política, 
econômica e cultural da Idade Média. Esse conhecimento nos 
permite entender como a Europa Ocidental evoluiu a partir da 
queda do Império Romano, passando pela Idade Média, até o 
Renascimento e a modernidade.
Imagem 1.2 – Estrutura das Três Ordens
Clero
Camponeses
Nobreza
Fonte: Elaborado pela autoria (2023).
A Estrutura de Três Ordens é uma abordagem teórica 
à estrutura social da Idade Média, uma maneira de classificar e 
entender a organização da sociedade na época. A ideia se baseia 
na divisão da sociedade em três classes distintas, cada uma com 
um papel específico: aqueles que rezavam, aqueles que lutavam 
37HISTÓRIA MEDIEVAL 
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e aqueles que trabalhavam. Essa estrutura fornecia um modelo 
simples para entender as diferentes funções e responsabilidades 
dos membros da sociedade medieval.
O primeiro grupo, os que rezavam, compreendia o clero. 
Estes eram os líderes espirituais da sociedade, encarregados 
de rezar e prestar assistência espiritual aos fiéis. Como observa 
Jacques Le Goff, o clero teve um papel crucial na manutenção 
da ordem social e política da Idade Média. Eles também tinham 
a responsabilidade de preservar e transmitir o conhecimento (Le 
Goff, 1980).
O segundo grupo, os que lutavam, eram os nobres e 
cavaleiros. Esse grupo tinha o dever de proteger o reino, liderar 
exércitos e manter a ordem. As relações de poder e vassalagem 
eram fundamentais para a organização do grupo, que era 
altamente hierárquico. Segundo Georges Duby, o papel dos 
guerreiros era fundamental para a estabilidade política da Europa 
medieval (Duby, 1989).
O terceiro grupo, os que trabalhavam, era composto 
principalmente por camponeses, artesãos e comerciantes. Eles 
eram responsáveis pela produção de alimentos e bens. Essa classe 
era subordinada às outras duas e tinha a obrigação de pagar 
tributos e prestar serviços. A vida dos camponeses era marcada 
por uma dependência econômica e social dos senhores feudais.
A Estrutura de Três Ordens forneceu uma maneira de 
classificar e compreender a sociedade medieval, ressaltando as 
relações de poder e a hierarquia que sustentavam a ordem social. 
Cada grupo tinha funções e responsabilidades específicas, o que 
era essencial para a estabilidade e funcionamento da sociedade.
É importante lembrar que essa estrutura hierárquica 
não era estática e que mudanças ocorriam ao longo do período 
38 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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medieval. Vamos nos aprofundar em cada uma das ordens e 
explorar as nuances das relações de poder e status dentro delas.
No clero, a hierarquia era bastante rígida e bem definida. 
No topo estavam os papas, seguidos por cardeais, arcebispos, 
bispos e, finalmente, o clero regular e secular. Essa organização 
refletia a estrutura da Igreja Católica, que exercia um grande 
poder na Europa medieval(Duby, 2019).
Os nobres, que compunham a segunda ordem, também 
tinham sua própria hierarquia. No topo estavam os monarcas (reis 
e rainhas), seguidos por duques, condes, barões e cavaleiros. O 
poder desses nobres variava de acordo com a extensão de suas 
terras e a lealdade de seus vassalos (Bloch, Marc. “A sociedade 
feudal”. Lisboa: Edições 70, 1987).
Na terceira ordem, os camponeses, a hierarquia era menos 
rígida e mais fluida. No entanto, ainda havia distinções de classe 
entre os camponeses. Os servos eram os mais baixos na escala 
social, seguidos por trabalhadores livres e, no topo, os artesãos e 
comerciantes que viviam nas cidades. Com o tempo, a classe dos 
comerciantes cresceu em poder e riqueza, desafiando a ordem 
social estabelecida (Le Goff, 2003).
Apesar da rígida estrutura hierárquica da Idade Média, 
as relações de poder e status eram dinâmicas e mudavam com 
o passar do tempo. Essas mudanças foram influenciadas por 
fatores como o crescimento econômico, as invasões e as revoltas 
populares. No entanto, a estrutura de três ordens permaneceu 
uma característica distintiva da sociedade medieval europeia.
Compreender as relações de poder na Idade Média requer 
a análise das interações entre as diferentes ordens da sociedade. 
Nesse cenário, as lutas pelo poder eram marcadas por alianças, 
conflitos e relações de dependência.
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O poder dos monarcas, por exemplo, foi frequentemente 
reforçado por alianças com a nobreza e o clero. Os nobres, por sua 
vez, exerciam poder sobre os camponeses por meio do sistema 
feudal, em que a terra era a principal fonte de riqueza e poder (Le 
Goff, 1980). Nesse contexto, os senhores feudais tinham o poder 
de cobrar tributos e exigir serviços dos camponeses, que em troca 
recebiam proteção e o direito de cultivar a terra. As relações entre 
os senhores feudais e os camponeses eram, portanto, relações de 
dependência mútua.
Imagem 1.3 – Clero
 
Fonte: Freepik
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O poder do clero era baseado em sua autoridade espiritual 
e em sua influência sobre a vida das pessoas. Os líderes da Igreja, 
como bispos e arcebispos, tinham grande influência política e 
frequentemente desempenhavam um papel importante nas lutas 
pelo poder entre os nobres e os monarcas. As relações de poder 
na Idade Média também foram moldadas por crenças religiosas, 
e a Igreja desempenhou um papel crucial na legitimação do poder 
dos monarcas e dos nobres.
A autoridade dos monarcas também foi reforçada pela 
expansão dos Estados centralizados. A partir do século XI, os 
monarcas europeus começaram a consolidar seu poder mediante 
a expansão territorial, do fortalecimento do poder militar e da 
centralização administrativa. No entanto, as relações de poder na 
Idade Média eram complexas e variavam de região para região, e 
de período para período.
A compreensão das relações de poder na Idade Média 
é essencial para entender o desenvolvimento da sociedade e 
da cultura na Europa durante esse período. As lutas pelo poder 
moldaram a história política, social e cultural da Europa, e tiveram 
um impacto duradouro na forma como as sociedades medievais 
se organizaram e se desenvolveram.
Durante a Idade Média, a mobilidade social foi limitada, 
mas não impossível. Em um período marcado por uma estrutura 
social rígida, o deslocamento entre as classes sociais, embora 
raro, era possível, principalmente devido a mudanças econômicas 
e políticas. A compreensão desses mecanismos de mobilidade é 
fundamental para entender a complexidade e a diversidade da 
sociedade medieval.
O sistema feudal da Idade Média geralmente era 
caracterizado por uma estrutura de três ordens: os oratores 
(aqueles que rezam, o clero), os bellatores (aqueles que lutam, a 
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nobreza) e os laboratores (aqueles que trabalham, os camponeses 
e artesãos). Entender a mobilidade dentro desse sistema é 
entender como essas ordens interagiam e se transformavam ao 
longo do tempo.
A ascensão social entre os laboratores era mais factível, 
especialmente entre os artesãos das cidades, que podiam acumular 
riqueza e se tornar burgueses. Contudo, a mobilidade social era 
muito mais restrita para os camponeses, que geralmente estavam 
ligados à terra que cultivavam. No entanto, eventos como a Peste 
Negra e o declínio do feudalismo abriram novas possibilidades 
para a mobilidade social, especialmente para os camponeses. 
A redução da população agrícola e a crescente demanda por 
trabalhadores urbanos levaram a uma valorização do trabalho e à 
melhoria das condições de vida para muitos trabalhadores.
A mobilidade social também era possível mediante o serviço 
militar. Um cavaleiro, por exemplo, poderia ser recompensado com 
terras e título de nobreza por serviços leais a um senhor feudal 
ou rei. Além disso, a Igreja desempenhou um papel importante 
na promoção da mobilidade social. Homens de origem humilde 
poderiam ascender ao clero e, potencialmente, a posições de 
grande poder e influência na Igreja. Isso era particularmente 
verdadeiro nas ordens monásticas, onde a ascensão ao cargo de 
abade ou prior era baseada no mérito, e não no nascimento.
Assim, é essencial compreender a mobilidade social na 
Idade Média como parte de um sistema complexo e dinâmico, 
que foi influenciado por uma ampla gama de fatores políticos, 
econômicos, culturais e religiosos.
As mudanças na estrutura social da Idade Média ao longo 
do tempo refletem a dinâmica e a evolução da sociedade europeia 
nesse período. A sociedade medieval estava em constante mutação, 
assim como a economia, a política e a cultura. As mudanças 
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sociais estavam ligadas a eventos históricos significativos, como o 
Renascimento Comercial, a expansão do comércio e a urbanização.
No início da Idade Média, a estrutura social estava 
firmemente enraizada em uma hierarquia feudal baseada na terra. 
O feudalismo representava uma organização político-social que 
se desenvolveu na Europa Ocidental durante a Alta Idade Média 
(séculos IX ao XII). A economia feudal era baseada na agricultura, 
e a maioria da população vivia no campo, sujeita à servidão e ao 
trabalho na terra de senhores feudais.
Ao longo dos séculos, houve um aumento gradual do 
comércio, particularmente no final da Idade Média, quando 
as cidades europeias começaram a crescer e o comércio a 
florescer. A ascensão da burguesia, classe social composta por 
comerciantes, artesãos e outros profissionais urbanos, trouxe 
consigo um novo conjunto de valores, prioridades e relações de 
poder. Essa mudança na estrutura social medieval também pode 
ser observada nas relações de trabalho, na cultura e na política.
A estrutura social da Idade Média sofreu mudanças 
significativas ao longo do tempo, refletindo a evolução da 
sociedade, da economia e da política. O crescimento do 
comércio, a urbanização e a ascensão da burguesia foram fatores 
determinantes nesse processo.
Sistemas políticos na sociedade 
medieval: feudalismo e poder 
centralizado
A Idade Média, também conhecida como período 
medieval, é um dos períodos mais estudados e discutidos da 
história europeia. Esse período, que se estende do século V ao 
XV, foi marcado por uma série de transformações significativas 
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em todos os aspectos da sociedade, incluindo religião, cultura, 
economia e, claro, política. Ao compreender a política da época 
medieval, podemos ter uma visão mais clara e completa de como 
essa sociedade funcionava e se organizava.
Nesse sentido, estudar os sistemas políticos medievais 
é essencial para entender a história europeia da Idade Média. 
Os sistemas políticos são estruturas fundamentais que moldam 
a organização da sociedade, o exercício do poder e as relações 
sociais. Na época medieval, dois sistemas políticos se destacaram 
na Europa: o feudalismo e o poder centralizado.
O feudalismo foi um sistema político, econômicoe social 
que dominou grande parte da Europa durante a Alta Idade Média, 
aproximadamente do século IX ao XIII. O feudalismo foi baseado em 
uma estrutura hierárquica de relações de suserania e vassalagem, 
onde os nobres juravam lealdade e ofereciam serviços militares a 
seus superiores em troca de terras e proteção. Os servos, por sua 
vez, trabalhavam nas terras dos senhores feudais, garantindo a 
subsistência de toda a comunidade.
Em contraste com o feudalismo, o poder centralizado 
emergiu durante a Baixa Idade Média, especialmente nos séculos 
XIII e XIV. Esse sistema político foi caracterizado pela concentração 
do poder político e administrativo nas mãos dos reis, que buscavam 
fortalecer o poder do Estado e reduzir a influência dos senhores 
feudais. A ascensão do poder centralizado foi acompanhada pelo 
crescimento das cidades, o aumento da atividade comercial e o 
surgimento da burguesia, uma nova classe social composta por 
comerciantes e artesãos urbanos.
O feudalismo é um conceito que abrange diversos 
aspectos da sociedade medieval europeia, incluindo relações 
sociais, políticas e econômicas. Seu surgimento ocorreu a partir do 
século IX, quando a fragmentação política e as invasões bárbaras 
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criaram um vácuo de poder que foi preenchido por uma complexa 
rede de obrigações e compromissos entre nobres e senhores 
de terras. Nesse contexto, a terra se tornou o principal recurso 
e meio de produção, e a posse de terras se tornou sinônimo de 
poder e status.
A relação central no feudalismo era a suserania e 
vassalagem. O suserano era um senhor feudal que possuía 
terras e concedia parte delas, chamadas feudos, a um vassalo 
em troca de serviços militares e lealdade. O vassalo, por sua vez, 
jurava fidelidade ao suserano, tornando-se seu subordinado. 
Essa relação de dependência mútua entre suserano e vassalo se 
estabeleceu por meio de um contrato, conhecido como “homagio”, 
onde o vassalo se comprometia a proteger e servir seu senhor 
em troca de proteção e sustento. Os feudos eram transmitidos 
hereditariamente e eram a base do poder dos senhores feudais.
A base econômica do feudalismo era a agricultura. A terra 
era dividida em duas partes: a reserva senhorial, que era a parte 
da terra diretamente controlada pelo senhor feudal, e as terras 
dos servos, que eram cultivadas pelos camponeses. Os servos 
pagavam tributos e aluguel ao senhor feudal, além de fornecerem 
mão de obra para a reserva senhorial. Essa relação servil era 
baseada em uma economia de subsistência, onde a maioria da 
produção era consumida localmente e havia pouco comércio.
O feudalismo foi o sistema dominante na Europa por vários 
séculos, mas começou a declinar no final da Idade Média devido 
a vários fatores, como o aumento do comércio, o crescimento 
das cidades e a centralização do poder político nas mãos dos 
reis. Apesar disso, o feudalismo deixou um legado duradouro 
na história europeia e continua sendo um tópico importante de 
estudo para compreender a sociedade medieval.
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O poder centralizado na Idade Média apresentou uma 
evolução significativa ao longo do período medieval, especialmente 
durante o final da Baixa Idade Média. Inicialmente, a Europa Ocidental 
experimentou um enfraquecimento das instituições centralizadas 
de poder, sendo substituídas pelo sistema feudal, que enfatizava a 
descentralização do poder. Entretanto, com o tempo, ocorreu um 
processo de consolidação do poder nas mãos dos monarcas.
No contexto do poder centralizado, os reis desempenharam 
um papel crucial na unificação de seus respectivos territórios. 
Muitos monarcas europeus conseguiram expandir seu poder ao 
criar leis uniformes, instituir sistemas de taxação e estabelecer 
exércitos permanentes. Ao fazer isso, eles foram capazes de 
superar as barreiras regionais e criar Estados mais coesos e fortes. 
Alguns exemplos de reis que alcançaram sucesso nesse processo 
foram os monarcas da França, Inglaterra e Espanha.
Portanto, compreender o processo de centralização do 
poder é essencial para entender as mudanças que ocorreram na 
sociedade medieval e as transformações que levaram à formação 
dos Estados Nacionais modernos.
A comparação entre feudalismo e poder centralizado 
é fundamental para entender a complexidade da sociedade 
medieval europeia. Ambos os sistemas políticos coexistiram por 
séculos e tiveram impactos significativos na organização social, 
política e econômica da época. Para uma compreensão completa 
da sociedade medieval, é importante analisar as semelhanças e 
diferenças entre feudalismo e poder centralizado.
O feudalismo é caracterizado por uma estrutura hierárquica 
e descentralizada de poder, em que os senhores feudais detinham 
grande autoridade sobre suas terras e vassalos. A relação entre 
senhores e vassalos era baseada em laços de fidelidade e 
obrigações mútuas, incluindo a prestação de serviços militares em 
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troca de proteção e terras. A descentralização do poder era uma 
característica fundamental do feudalismo, e a soberania do rei era 
muitas vezes limitada às terras diretamente sob seu controle.
Em contraste, o poder centralizado era caracterizado pela 
concentração de poder nas mãos de um monarca ou autoridade 
central. A expansão do comércio, o crescimento das cidades e a 
reemergência de uma classe de comerciantes criaram a necessidade 
de uma administração mais centralizada. Os monarcas começaram 
a fortalecer seu poder, implementar políticas econômicas, organizar 
exércitos e construir alianças políticas. A centralização do poder nas 
mãos dos monarcas foi um passo importante para a formação dos 
Estados Nacionais modernos.
Economia na Idade Média: 
agricultura, comércio e 
urbanização
A economia medieval, notavelmente na Europa, foi 
marcada por uma profunda inter-relação entre agricultura, 
comércio e urbanização, elementos que desempenharam papéis 
cruciais no desenvolvimento da sociedade medieval. Durante a 
Alta Idade Média (aproximadamente entre os séculos V e XI), a 
economia estava fortemente baseada na agricultura, e a maioria 
da população vivia e trabalhava no campo. As terras agrícolas 
eram o principal recurso econômico, e a posse dessas terras 
determinava a riqueza e o poder das classes dominantes.
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IMPORTANTE
A relação entre senhores feudais e servos era a 
base da economia agrária medieval. Os senhores 
detinham grandes extensões de terra, enquanto 
os servos trabalhavam nessas terras em troca de 
proteção e uma pequena parcela da produção 
para seu sustento. O sistema de cultivo de três 
campos foi uma inovação significativa nesse 
período, permitindo uma melhor utilização das 
terras e uma produção agrícola mais eficiente.
Com o passar do tempo, especialmente durante a Baixa 
Idade Média (aproximadamente entre os séculos XII e XV), o 
comércio começou a se expandir e a desempenhar um papel cada 
vez mais importante na economia medieval. As rotas comerciais se 
estabeleceram, conectando diferentes regiões da Europa e trazendo 
mercadorias de terras distantes. As Cruzadas contribuíram para a 
expansão do comércio ao abrir novas rotas para o Oriente Médio e 
impulsionar a demanda por produtos de luxo.
O renascimento das cidades e o processo de urbanização 
foram impulsionados pelo crescimento do comércio e pela 
formação de uma classe de comerciantes urbanos. As cidades 
tornaram-se centros de comércio e manufatura, e as guildas 
desempenharam um papel importante na regulação do comércio 
e da produção artesanal.
Portanto, a agricultura, o comércio e a urbanização estavam 
intimamente ligados na economia medieval, contribuindo para o 
desenvolvimento da sociedade e das instituições da época. 
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RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo 
destecapítulo, vamos resumir tudo o que vimos. 
Você deve ter aprendido que a sociedade medieval 
era complexa e multifacetada, com uma hierarquia 
social bem definida e relações de poder intrincadas. 
Nessa sociedade, a Igreja desempenhou um papel 
importante na legitimação das estruturas de 
poder e na coesão social, enquanto os senhores 
feudais mantinham sua autoridade por meio de 
uma combinação de propriedade da terra e poder 
militar. As relações de suserania e vassalagem 
estabeleceram os laços de lealdade entre nobres, 
ligando-os em uma rede de obrigações mútuas 
e proteção. Quanto aos sistemas políticos, a 
sociedade medieval foi marcada pelo feudalismo 
e pelo poder centralizado dos reis e monarcas. O 
feudalismo era uma forma de organização social e 
política baseada na posse de terras e nas relações de 
dependência entre senhores e vassalos. No entanto, 
ao longo do tempo, o poder dos reis e monarcas 
aumentou, levando a uma maior centralização 
política e ao surgimento do Estado Moderno. 
Portanto, a sociedade medieval foi caracterizada 
por uma complexa inter-relação entre aspectos 
sociais, políticos e econômicos, que influenciaram 
profundamente as transformações que ocorreram 
ao longo da Idade Média. O estudo dessas 
características é fundamental para compreender 
a complexidade da sociedade medieval e suas 
transformações ao longo do tempo.
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A Idade Média e sua importância 
para a reconstrução do período
OBJETIVO
Ao término deste capítulo, você será capaz de 
entender como funcionam as fontes históricas 
na Idade Média e como elas são essenciais para 
a reconstrução do período medieval. Isto será 
fundamental para o exercício de sua profissão, 
especialmente se você se interessar por estudos 
medievais, história da Europa ou arqueologia. As 
pessoas que tentaram interpretar a Idade Média 
sem a devida instrução tiveram problemas ao 
analisar as fontes históricas, já que a compreensão 
desse período envolve a aplicação de técnicas 
específicas e um conhecimento aprofundado do 
contexto histórico em que essas fontes foram 
produzidas. E, então? Motivado para desenvolver 
essa competência? Vamos lá. Avante!
Tipos de fontes históricas na 
Idade Média
A importância das fontes históricas na reconstrução 
e compreensão da Idade Média é indiscutível. Sem elas, seria 
impossível ter um entendimento claro e preciso sobre o período, 
as pessoas que viveram na época e as várias instituições, práticas 
e ideias que floresceram durante aqueles séculos. Diversos tipos 
de fontes históricas nos fornecem valiosas pistas sobre a vida na 
Idade Média, cada uma com suas próprias vantagens e limitações.
Exemplo: As fontes escritas, por exemplo, incluem uma 
variedade de documentos, como crônicas, cartas, tratados, 
documentos jurídicos e religiosos, entre outros, que nos 
fornecem insights diretos sobre as ideias, valores e práticas 
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da época. No entanto, elas também têm suas limitações, 
já que muitas vezes representam as perspectivas de uma 
pequena elite letrada. Elas podem ser tendenciosas e, às 
vezes, até distorcidas ou imprecisas. Contudo, ainda são 
uma das principais formas de entender a Idade Média e 
seus diversos aspectos (Bloch, 1987; Le Goff, 2003).
Além das fontes escritas, há também fontes arqueológicas 
que são de extrema importância para o estudo da Idade Média. Elas 
incluem os artefatos e vestígios físicos deixados pelas pessoas que 
viveram na época, como ruínas de edifícios, objetos domésticos, 
vestígios de alimentos, entre outros. Essas fontes nos fornecem 
informações valiosas sobre as atividades diárias, as práticas 
culturais e a vida material das pessoas que viveram na Idade Média.
As fontes icônicas, que incluem imagens e representações 
artísticas da Idade Média, como pinturas, esculturas, vitrais de 
igrejas, entre outros, também são fontes valiosas de informações. 
Elas nos ajudam a compreender como as pessoas da época viam 
o mundo, como representavam suas crenças, valores e práticas 
culturais. No entanto, assim como as fontes escritas, elas também 
podem ser tendenciosas e precisam ser interpretadas com cautela.
Por fim, as fontes orais, como as tradições orais, lendas e 
canções medievais, são outras fontes valiosas para o estudo da Idade 
Média. Elas nos fornecem informações sobre as crenças, valores e 
práticas culturais das pessoas que viveram na época, especialmente 
aquelas que não tinham acesso à escrita. No entanto, elas também 
têm suas limitações, já que podem ser influenciadas pela memória 
e pela transmissão oral ao longo do tempo.
Cada tipo de fonte histórica tem suas próprias vantagens 
e limitações, e é essencial usá-las em conjunto para obter uma 
compreensão mais completa e precisa da Idade Média. A análise 
crítica das fontes, considerando o contexto em que foram produzidas, 
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o propósito do autor e a audiência pretendida, é fundamental para 
uma interpretação precisa e confiável daquele período, por isso 
passaremos a abordar cada uma delas de forma mais detalhada.
As fontes escritas são uma das principais formas de 
adentrar o mundo medieval. Elas constituem um conjunto vasto e 
variado de documentos, que nos permite acessar os pensamentos 
e ações das pessoas que viveram naquela época. No entanto, o 
uso dessas fontes apresenta desafios e limitações que devem ser 
levados em consideração pelos pesquisadores.
IMPORTANTE
Um dos principais desafios no uso de fontes escritas 
é a questão da autenticidade e da autoria. Muitos 
documentos medievais foram copiados, alterados 
e transmitidos ao longo dos séculos, e, em alguns 
casos, a autoria original pode ser difícil de determinar. 
Além disso, alguns documentos podem ter sido 
forjados ou adulterados por razões políticas ou 
ideológicas. Assim, os historiadores devem exercer 
cautela e analisar criticamente as fontes escritas para 
determinar sua autenticidade e confiabilidade.
Outro desafio é a questão da representatividade. A 
maioria das fontes escritas medievais foi produzida por uma 
pequena elite letrada, composta principalmente por clérigos e 
nobres. Essas fontes refletem, em grande parte, as perspectivas 
e interesses dessa elite, enquanto as vozes e experiências das 
pessoas comuns, como camponeses, artesãos e mulheres, são 
muitas vezes sub-representação ou ausentes nas fontes escritas. 
Assim, os historiadores devem estar cientes das limitações das 
fontes escritas e buscar complementá-las com outras fontes, 
como fontes arqueológicas e iconográficas, para obter uma visão 
mais completa e equilibrada da sociedade medieval.
A interpretação das fontes escritas também apresenta 
desafios. Muitos documentos medievais são escritos em latim, uma 
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língua que não era acessível à maioria das pessoas na época. Além 
disso, a escrita medieval pode ser difícil de ler e interpretar devido 
à caligrafia e à ortografia arcaicas. A tradução e a transcrição das 
fontes escritas requerem habilidades linguísticas e paleográficas 
especializadas, bem como um conhecimento profundo do contexto 
histórico e cultural em que os documentos foram produzidos.
Apesar desses desafios, as fontes escritas são essenciais 
para a compreensão da Idade Média. Elas nos permitem acessar 
o mundo interior das pessoas que viveram naquela época, suas 
crenças, valores, emoções e relações interpessoais. Elas também 
nos fornecem informações valiosas sobre as estruturas políticas, 
econômicas e sociais da sociedade medieval. Assim, as fontes 
escritas continuam sendo uma ferramenta valiosa e indispensável 
para os estudiosos da Idade Média.
As fontes arqueológicas são cruciais para o estudo da Idade 
Média, uma vez que proporcionam uma visão mais abrangente da 
vida cotidiana e das atividades humanas da época. Diferentemente 
das fontes escritas, que geralmente refletem a perspectiva da elite 
letrada, os objetos e vestígios arqueológicos oferecem umajanela para 
a vida das pessoas comuns e das comunidades menos documentadas.
A arqueologia medieval é uma disciplina relativamente 
jovem, mas tem experimentado avanços significativos nas últimas 
décadas. A descoberta de sítios arqueológicos, como cemitérios, 
vilarejos, fortificações e locais de produção, revela informações 
valiosas sobre a organização social, a economia, a cultura material 
e as práticas funerárias da sociedade medieval.
As escavações em sítios urbanos medievais têm sido 
especialmente reveladoras. A arqueologia urbana medieval ajuda 
a desvendar a dinâmica da urbanização e da vida cotidiana nas 
cidades, revelando informações sobre a distribuição espacial das 
atividades, a organização social e a interação entre diferentes 
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grupos sociais. As evidências arqueológicas de comércio, 
artesanato e produção agrícola fornecem insights sobre as 
atividades econômicas e as relações de trabalho na época.
As técnicas modernas de análise de artefatos e vestígios 
arqueológicos, como a arqueometria, a arqueobotânica e 
a arqueozoologia, têm permitido uma compreensão mais 
aprofundada da economia, da dieta e do ambiente da Idade Média. 
A análise de restos de plantas e animais pode revelar informações 
sobre as práticas agrícolas, a alimentação e as interações entre 
seres humanos e animais na sociedade medieval.
As fontes arqueológicas são uma ferramenta valiosa para 
compreender a diversidade e a complexidade da vida medieval, 
oferecendo uma visão complementar às fontes escritas. É 
fundamental, no entanto, interpretar essas evidências à luz 
do contexto histórico e cultural, levando em consideração as 
limitações e os desafios da arqueologia medieval.
As fontes icônicas na Idade Média incluem principalmente 
imagens e representações visuais da sociedade medieval. Estas 
fontes são fundamentais para a compreensão do imaginário, 
das crenças, dos valores culturais e das práticas artísticas da 
época. A iconografia medieval desempenha um papel vital na 
interpretação da mentalidade daquele período e na compreensão 
das percepções coletivas sobre a realidade.
Um dos mais notáveis exemplos de fontes icônicas são 
os vitrais das catedrais góticas, que não apenas serviam como 
ilustrações bíblicas, mas também representavam cenas da vida 
cotidiana, das atividades econômicas e dos eventos históricos 
da época. A arte sacra medieval era uma forma de comunicar 
as verdades da fé cristã à população em geral, muitas vezes 
analfabeta, por meio de imagens visuais.
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Outra fonte icônica significativa são as iluminuras, que 
são imagens pintadas em manuscritos medievais. As iluminuras 
proporcionam informações valiosas sobre a cultura visual, a 
moda, a arquitetura, a tecnologia e as práticas sociais da Idade 
Média. As iluminuras medievais revelam as relações de poder, os 
estereótipos culturais e as hierarquias sociais da época.
Além disso, as tapeçarias e os afrescos também são 
fontes icônicas importantes, pois representam a vida da corte, as 
batalhas, os rituais religiosos e as atividades agrícolas. 
Com isso, as fontes icônicas são essenciais para a compreensão 
da cultura visual e da mentalidade da Idade Média. Elas complementam 
as fontes escritas e arqueológicas, oferecendo insights valiosos sobre a 
sociedade medieval e suas representações visuais da realidade.
Fontes orais também constituem uma rica fonte de 
informação sobre o período medieval. Essas fontes se manifestam 
por meio de narrativas orais, canções, contos populares e tradições 
transmitidas oralmente de geração em geração. Embora essas 
fontes tenham sido transmitidas oralmente, muitas delas acabaram 
por ser registradas em documentos escritos posteriores. As fontes 
orais são valiosas porque podem fornecer informações sobre 
as crenças, valores, práticas culturais e sociais das comunidades 
medievais que podem não estar presentes em fontes escritas.
IMPORTANTE
Em particular, as sagas nórdicas e a poesia 
trovadoresca são exemplos significativos de 
tradições orais que foram posteriormente 
registradas por escrito. As sagas nórdicas descrevem 
as façanhas dos heróis escandinavos, enquanto a 
poesia trovadoresca retrata temas de amor cortês 
e vida na corte. Ambas as tradições orais ajudam a 
revelar aspectos da cultura e mentalidade medieval.
55HISTÓRIA MEDIEVAL 
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Apesar do seu valor, é necessário abordar as fontes orais 
com cautela, pois podem sofrer alterações ao longo do tempo 
devido à transmissão oral. Assim, os historiadores devem levar 
em consideração possíveis distorções ou influências de outros 
elementos culturais na narrativa.
É importante notar, também, que essas fontes orais 
geralmente representam as visões das classes dominantes da 
sociedade. As vozes das pessoas comuns são menos representadas 
nesse tipo de registro. No entanto, as fontes orais ainda são úteis 
para entender aspectos da vida cotidiana, crenças e práticas 
culturais na Idade Média.
Análise crítica das fontes 
medievais
A análise crítica de fontes históricas é uma etapa essencial 
na compreensão do passado. Ela consiste em avaliar a veracidade, 
a relevância e a confiabilidade das informações presentes nas 
fontes, considerando o contexto em que foram produzidas. Dessa 
forma, os historiadores são capazes de interpretar os eventos 
passados com uma perspectiva mais objetiva e fundamentada.
VOCÊ SABIA?
As fontes históricas da Idade Média são 
particularmente desafiadoras devido à falta de 
documentação em algumas áreas e períodos, além 
das limitações nas formas de registro da época. 
Portanto, a análise crítica é uma ferramenta vital 
para abordar esse período da história.
A análise crítica é um processo de avaliação que envolve 
questionar as informações e as conclusões apresentadas nas 
fontes históricas. Ao avaliar uma fonte, é crucial considerar o 
autor, o público-alvo, a época e o local de produção, bem como o 
propósito da fonte.
56 HISTÓRIA MEDIEVAL 
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Além disso, os historiadores devem estar atentos às 
diferentes perspectivas presentes nas fontes e reconhecer que as 
interpretações do passado são influenciadas pelo presente. Isso 
significa que as fontes históricas refletem as visões de mundo e 
as preocupações dos indivíduos que as criaram, bem como da 
sociedade em que estavam inseridos.
Dessa forma, a análise crítica de fontes históricas permite 
que os estudiosos da Idade Média construam uma narrativa 
histórica mais precisa e matizada, levando em consideração as 
complexidades e nuances das fontes medievais. Mediante essa 
abordagem crítica, é possível entender melhor as motivações, as 
relações de poder e os eventos que moldaram a história medieval.
Considerando as fontes que estudamos até o presente 
momento e que se fazem inseridas dentro da história da Idade 
Média verifica-se que tais fontes também enfrentavam algumas 
limitações, sendo essas estudadas nos próximos parágrafos.
Uma das principais limitações das fontes escritas medievais 
é que muitas delas foram produzidas por membros da elite social 
e clerical, que detinham o acesso à educação e à escrita. Essas 
fontes, portanto, tendem a representar as perspectivas e interesses 
desses grupos. Por outro lado, as vozes de camponeses, mulheres 
e outros grupos marginalizados são geralmente ausentes nas 
fontes escritas. As fontes escritas medievais frequentemente 
refletem a visão de mundo das elites, omitindo as experiências e 
percepções de grupos subalternos.
Além disso, as fontes escritas também podem ser 
influenciadas pelas motivações dos autores, seja para agradar 
um patrono, promover uma causa religiosa ou política, ou 
simplesmente contar uma história interessante. Os historiadores 
devem considerar o contexto e as motivações dos autores ao 
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analisar fontes escritas, já que isso pode afetar a interpretação e a 
confiabilidade das informações.
Outra limitação das fontes escritasmedievais é a 
possibilidade de alterações nas cópias. A maioria dos documentos 
medievais que sobreviveram até hoje são cópias feitas por 
escribas, e é comum que ocorram erros de transcrição, omissões 
ou adições ao longo do processo de cópia. Portanto, é importante 
comparar diferentes versões de um mesmo documento para 
identificar possíveis variações.
Por fim, as condições de preservação dos documentos 
medievais também podem afetar a análise das fontes escritas. 
Documentos mal preservados podem ter partes ilegíveis ou 
faltar informações importantes. Além disso, muitos documentos 
medievais foram perdidos ao longo do tempo, o que pode limitar 
nossa compreensão de certos aspectos da Idade Média.
VOCÊ SABIA?
Uma das principais limitações das fontes 
arqueológicas é a fragmentação. Devido ao desgaste 
natural do tempo, nem sempre é possível recuperar 
artefatos completos, dificultando a interpretação 
e compreensão de suas funções e significados. 
A fragmentação é uma característica comum da 
arqueologia e pode dificultar a identificação precisa 
de objetos e sua contextualização.
Outra limitação é o fato de que as escavações arqueológicas 
são intervenções destrutivas, uma vez que alteram o estado 
original dos sítios e artefatos. Por esse motivo, os arqueólogos 
devem registrar cuidadosamente todos os dados, incluindo 
a localização e a estratigrafia, antes de iniciar a escavação. A 
documentação adequada é fundamental para a preservação das 
informações do sítio arqueológico, uma vez que a escavação é 
uma ação irreversível.
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Além disso, a arqueologia medieval enfrenta o desafio de 
interpretar contextos complexos e multifacetados. Por exemplo, 
a presença de artefatos de diferentes culturas no mesmo sítio 
arqueológico pode indicar trocas comerciais, migrações ou até 
mesmo invasões. Para compreender esses contextos, é necessário 
considerar uma variedade de fatores, como a geografia, a 
economia e as relações sociais e políticas da época. A interpretação 
arqueológica é um processo dinâmico, que envolve a análise de 
múltiplas variáveis e a aplicação de diferentes teorias e métodos.
Uma das limitações das fontes icônicas é a subjetividade. 
As imagens são criadas por indivíduos que têm suas próprias 
perspectivas e intenções. Isso pode levar a representações 
tendenciosas ou idealizadas da realidade, especialmente quando 
os artistas estão vinculados a patrocinadores poderosos, como 
a Igreja ou a nobreza. A subjetividade do artista pode influenciar 
a maneira como os temas são representados, seja por meio da 
escolha de cores, da composição, ou da inclusão de detalhes 
simbólicos.
Outra limitação é a falta de contexto. Muitas vezes, as 
fontes icônicas medievais são desprovidas de informações sobre 
sua origem, data de criação, propósito ou público-alvo. Isso dificulta 
a interpretação precisa das imagens e pode levar a conclusões 
equivocadas. A importância de considerar o contexto cultural, 
histórico e social na análise de imagens, para evitar anacronismos 
e generalizações.
Além disso, as fontes icônicas podem ser influenciadas 
por convenções artísticas e estilísticas da época, que podem 
não refletir a realidade de forma fiel. Por exemplo, durante a 
Idade Média, era comum retratar figuras religiosas e nobres de 
forma idealizada, com proporções e características que não 
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correspondiam à realidade. A arte medieval frequentemente 
priorizava a representação simbólica em detrimento do realismo.
Uma das limitações mais evidentes das fontes orais é a 
questão da memória. A transmissão oral de histórias ao longo 
das gerações envolve um processo contínuo de reinterpretação 
e adaptação. Isso significa que as histórias podem ser alteradas, 
distorcidas ou mesmo esquecidas ao longo do tempo. A memória 
coletiva é moldada por fatores sociais, políticos e culturais, e os 
relatos orais podem ser influenciados por esses fatores.
Outra limitação das fontes orais é a subjetividade. Assim 
como nas fontes icônicas, as histórias orais são contadas por 
indivíduos com suas próprias perspectivas e interpretações. 
As histórias orais são inevitavelmente subjetivas e que os 
entrevistadores também desempenham um papel na construção 
do relato. Isso pode levar a representações tendenciosas ou 
parciais da realidade.
Além disso, as fontes orais podem ser afetadas pela 
seleção e omissão de informações. A tradição oral tende a priorizar 
eventos e figuras significativas, enquanto aspectos menos notáveis 
da vida cotidiana podem ser omitidos. Isso pode resultar em uma 
visão distorcida da realidade, com foco excessivo em eventos 
extraordinários e personagens heroicos.
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RESUMINDO
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza 
de que você realmente entendeu o tema de 
estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que 
vimos. Você deve ter aprendido que as fontes 
históricas são fundamentais para a reconstrução 
e compreensão da Idade Média. Essas fontes 
podem ser classificadas em vários tipos, como 
escritas, arqueológicas, icônicas e orais. As fontes 
escritas, incluindo crônicas, documentos legais, 
cartas e tratados, fornecem informações valiosas 
sobre a política, a economia, as relações sociais e 
a cultura medieval. As fontes arqueológicas, como 
artefatos, restos de edifícios e inscrições, revelam 
detalhes sobre a vida cotidiana, a cultura material 
e a tecnologia do período. As fontes icônicas, 
como pinturas, esculturas, vitrais e ilustrações 
de manuscritos, oferecem insights sobre a arte, a 
religião e a representação de eventos históricos 
na Idade Média. As fontes orais, como lendas, 
canções e contos, ajudam a entender a cultura 
popular, as crenças e as tradições locais da época 
medieval. A análise crítica das fontes medievais é 
essencial para interpretar as informações de forma 
contextualizada e compreender as limitações 
de cada tipo de fonte. Isso inclui reconhecer as 
limitações das fontes escritas, arqueológicas, 
icônicas e orais. Usar uma abordagem 
multidisciplinar, combinando diferentes tipos de 
fontes, permite uma compreensão mais ampla 
e diversificada da Idade Média. Esperamos 
que este capítulo tenha contribuído para o seu 
entendimento sobre a importância das fontes 
históricas na reconstrução da Idade Média. Ao 
avaliar criticamente as fontes disponíveis e utilizá-
las de forma complementar, você estará apto a 
interpretar e analisar o passado de maneira mais 
informada e precisa.
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	A Idade Média: seus conceitos e sua importância histórica
	Definindo a Idade Média: periodização e contextualização
	Transição da Antiguidade para a Idade Média: rupturas e continuidades
	Relevância da Idade Média para a história europeia
	O fim do Império Romano e o início do renascimento
	Declínio do Império Romano: causas e consequências
	Formação da Europa Medieval: ascensão dos reinos germânicos e a herança romana
	Transição para o Renascimento: transformações culturais e intelectuais
	Características sociais e político-econômicas da Sociedade Medieval
	Estrutura Social da Idade Média: hierarquia e relações de poder
	Sistemas políticos na sociedade medieval: feudalismo e poder centralizado
	Economia na Idade Média: agricultura, comércio e urbanização
	A Idade Média e sua importância para a reconstrução do período
	Tipos de fontes históricas na Idade Média
	Análise crítica das fontes medievais