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Intoxicação exógena Apresentação Entende-se por intoxicação exógena um conjunto de efeitos nocivos ao organismo, que pode ser causado pela interação de um ou mais agentes tóxicos com o sistema biológico, representados por manifestações clínicas ou laboratoriais que revelam desequilíbrio orgânico. Os agrotóxicos, gases tóxicos e metais pesados são exemplos de agentes químicos que podem causar esse tipo de intoxicação. As intoxicações exógenas podem ocorrer de maneira intencional ou não intencional. É um problema de saúde pública e acomete todas as faixas etárias. Sabendo a importância do tema para os serviços de saúde, na atenção primária, secundária e terciária, é possível refletir sobre a necessidade de abordagem na formação dos profissionais da área. Ainda muito pouco tem sido discutido, mas a atualização constante pode contribuir muito para o correto manejo dos pacientes, especialmente nos serviços de emergência. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai identificar os principais tipos de intoxicação exógena e as substâncias responsáveis por esse acometimento, além de conseguir estabelecer uma linha de raciocínio para definir as principais intervenções de Enfermagem e garantir um cuidado mais efetivo e seguro aos pacientes com esse agravo de saúde. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir intoxicação exógena, elencando as manifestações clínicas.• Identificar as principais substâncias que ocasionam intoxicações.• Descrever os cuidados necessários para atender pacientes com intoxicação.• Infográfico As intoxicações, principalmente as não intencionais, são uma das principais causas de atendimento nas emergências pediátricas. A principal forma de intoxicação é a via oral, especialmente por ingestão de medicamentos e saneantes utilizados para limpeza doméstica, em que a presença dos pais não impede a sua ocorrência. No Infográfico, você vai aprender mais sobre a intoxicação exógena em crianças. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Conteúdo do livro A intoxicação exógena é considerada uma forma de envenenamento e pode provocar reações locais, como vermelhidão e dor na pele, ou sistêmicas, como vômitos, febre, suor intenso, convulsões, coma e até morte. Na presença de sinais e sintomas que indiquem intoxicação, é importante procurar o serviço de emergência, para que o tratamento seja feito conforme recomendado e de acordo com o agente de contato que causou a intoxicação. A lavagem gástrica e o uso de medicamentos ou antídotos, muitas vezes, se faz necessária. No capítulo Intoxicação exógena, da obra Cuidado de Enfermagem em emergência e traumas, você vai ver conceitos dessa área, bem como identificar as principais causas, consequências e cuidados aos pacientes que chegam aos serviços de emergência após exposição de agente tóxico ou uso de medicamentos causadores de danos biológicos. Boa leitura. CUIDADO DE ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA E TRAUMAS Cinthia Zenker Pasinato Intoxicação exógena Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir intoxicação exógena, elencando as manifestações clínicas. � Identificar as principais substâncias que ocasionam intoxicações. � Descrever os cuidados necessários para atender pacientes com intoxicação. Introdução Neste capítulo, você vai compreender os conceitos e tipos de into- xicações exógenas que mais acometem a população, bem como as características de cada uma delas. Desde 2011, com a publicação da Portaria nº. 104, de 25 de janeiro de 2011, as notificações acerca desses agravos passaram a ser de caráter compulsório em todo o território nacional. Há diversos agentes causadores de intoxicações, sendo eles os responsáveis por um conjunto de efeitos nocivos ao organismo e que podem ser produzidos pela interação de um ou mais agentes tóxicos. As intoxicações exógenas agudas têm cada vez mais sido motivo dos atendimentos nos serviços de urgência e emergência, sendo que as causas podem variar entre acidentes, exposição a agentes tóxicos du- rante o trabalho ou até mesmo tentativas de suicídio pelo uso abusivo de substâncias químicas. Algumas substâncias que podem acarretar essa toxicidade são: agro- tóxicos, gases tóxicos e metais pesados. Na indústria, a exposição dos trabalhadores a diferentes substâncias químicas, como poluentes no ar, compostos orgânicos voláteis, solventes, gases e líquidos (inflamáveis, explosivos, tóxicos), aumenta o risco de intoxicações exógenas. As crianças também podem ser acometidas pelas intoxicações exó- genas. Normalmente, a exposição a agentes tóxicos ocorre no próprio ambiente doméstico, sendo que a maioria dos riscos não é identificada pelos pais ou adultos que as cuidam. O fácil acesso a produtos químicos, medicamentos e saneantes utilizados na limpeza doméstica são atrativos para o manejo de crianças pequenas. Um dos motivos que leva à mani- pulação de embalagens é o seu não instinto de risco ou ainda o fato de as embalagens serem extremamente coloridas. A ingestão desses produtos é a maior causa de intoxicação exógena em crianças. O tratamento das intoxicações exige compreensão de uma série de detalhes, como as características das substâncias, a quantidade e o tempo de exposição, que nem sempre são de conhecimento do profissional que está realizando o primeiro atendimento, podendo dificultar o manejo e retardar o melhor desfecho. Intoxicação exógena e suas manifestações clínicas A intoxicação exógena pode ser provocada por ingestão ou inalação de subs- tâncias prejudiciais ao organismo, administração excessiva de medicamentos ou drogas, absorção de substâncias pelo tecido epitelial ou picadas por animais peçonhentos. Um paciente com intoxicação exógena pode apresentar diversos sinais e sintomas, entre eles, alteração do nível de consciência, diminuição ou aumento do diâmetro pupilar e diminuição ou aumento da frequência cardíaca ou respiratória. O reconhecimento do agente responsável pela intoxicação é essencial para o correto manejo clínico e para a prestação dos cuidados que serão estabelecidos pelos profissionais de saúde. As síndromes toxicológicas são um conjunto de sinais e sintomas que, quando agrupados, sugerem uma classe de substâncias específicas causadoras da intoxicação (Quadro 1). Intoxicação exógena2 Fonte: Adaptado de São Paulo (2017, documento on-line). Síndro- mes tóxicas Sinais vitais Pupi- las SNC* Outros sistemas Agentes tóxicos Hip- nótica sedativa narcótica Hipotermia Bradicardia Hipotensão Bradipneia Miose Depressão SNC Depressão respiratória Hiporreflexia Edema pulmonar Barbitúricos Benzodia- zepínicos Opioides Colinér- gica Hipotermia Bradicardia Hipotensão Bradipneia Miose Confusão mental Convul- sões Coma Sialorreia intensa Sudorese Lacrime- jamento Náusea/ vômito Dispneia Bronco- constrição Fasciculações Organo- fosforados Carbamatos Nicotina Anticoli- nérgica Hipertermia Taquicardia Hiper- tensão Taquipneia Midrí- ase Agitação Alucina- ções Delírio Convul- sões Retenção urinária Mioclonias Convulsões Mucosas secas Atropínicos Anti-hista- mínicos Antide- pressivos Tricíclicos Simpa- tomi- mética Hipertermia Hiper- tensão Taquicardia Hiperpneia Midrí- ase Agitação Alucina- ções Paranoia Convul- sões Diaforese Tremores Hiperreflexia Cocaína Anfetamina Teofilina Efedrina Cafeína Extrapi- ramidal Não carac- terísticos Midrí- ase Sonolência Crise oculógira Tremores Hipertonia muscular Opistótono Trismo Haloperidol Fenotia- zínicos Metoclo- pramida Bromopida *SNC, sistema nervoso central. Quadro 1. Principais síndromes tóxicas 3Intoxicação exógena Alguns eventos complexos acontecem na intoxicação exógena e se iniciam logo após a exposição ao agente causador até o aparecimento dos primeiros sintomas. Esses eventos podem ser desdobrados para facilitar a vigilância emsaúde e orientar o atendimento da maneira mais assertiva. Fase de exposição: momento de contato do agente tóxico. É importante identi- ficar por qual via ocorreu a exposição, verificando se houve inalação, ingestão ou contato tópico, por exemplo. A dose, a concentração, o tempo de exposição e as propriedades físico-químicas também devem ser considerados para o manejo mais correto possível. A entrevista com um familiar é importante para obter os dados relacionados à situação apresentada, embora deva ser considerada a possibilidade de omissão de informações, especialmente nos casos de tentativa de suicídio, homicídio ou maus tratos. Fase toxicocinética: fase em que devem ser observados os processos de ab- sorção, armazenamento, biotransformação e eliminação dos agentes tóxicos pelo organismo. Fase toxicodinâmica: quando ocorre a interação entre as moléculas das substâncias químicas e os sítios de ação nos órgãos, podendo ocasionar desde danos leves até a morte. Avaliação inicial do paciente com intoxicação exógena A primeira abordagem ao paciente com suspeita de intoxicação exógena na emergência é a realização de um breve exame físico, com o objetivo de iden- tificar medidas imediatas para a sua estabilização. O profissional responsável pela classificação de risco deve estar capacitado para esse primeiro contato, não atrasando o início do tratamento e a reversão da situação exposta. Rapi- damente, o profissional de saúde deve providenciar as seguintes intervenções: � desobstrução de vias aéreas, aspiração de secreções e retirada de corpos estranhos; � ventilação e intubação, se necessário; � manutenção da circulação, com estabilização hemodinâmica. Intoxicação exógena4 É importante realizar a monitorização do paciente para melhor observar as arritmias que podem evidenciar o risco de morte. Pacientes arrítmicos devem ser assegurados com boa oxigenação, débito cardíaco apropriado e a correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos. A hipotensão arterial se ma- nifesta de forma secundária nas intoxicações por β-bloqueadores, metildopa, opioides, etc. Nos casos de pacientes que se apresentam hipotensos, a conduta imediata consiste em realizar a infusão de soluções cristaloides, como ringer lactato e soro fisiológico (SF), por exemplo. O controle da temperatura é imprescindível, haja vista que hipertermia (temperatura acima de 41ºC) acarreta desnaturação das enzimas e compro- metimento da função mitocondrial, alterando todo o metabolismo celular. Em consequência, o paciente pode apresentar quadros de arritmia, insuficiência cardíaca congestiva, edema cerebral, hipotensão ou ainda insuficiência res- piratória aguda. Exame físico O exame físico dos pacientes que chegam ao serviço de emergência também pode auxiliar na tentativa de descobrir o agente causador da intoxicação, por essa razão, os seguintes achados devem ser observados: � odores característicos (p.ex., hálito etílico devido ao uso de álcool e odor de alho nos casos de contaminação por organofosforados); � achados cutâneos, como sudorese, secura de mucosas, vermelhidão, palidez, cianose, desidratação e edema; � temperatura — hipotermia ou hipertermia; � alterações de pupilas — miose, midríase, anisocoria e alterações de reflexo pupilar; � alterações da consciência — agitação, sedação, confusão mental, alu- cinação, delírio e desorientação; � anormalidades neurológicas — convulsão, síncope, alteração de refle- xos, alteração do tônus muscular, fasciculações e movimentos anormais; � alterações cardiovasculares — bradicardia, taquicardia, hipertensão, hipotensão e arritmias; � anormalidades respiratórias — bradipneia ou taquipneia e presença de ruídos adventícios pulmonares; � achados do aparelho digestório — sialorreia, vômitos, hematêmese, diar- reia, rigidez abdominal e aumento ou diminuição de ruídos hidroaéreos; 5Intoxicação exógena Esses sinais e sintomas descritos, quando agrupados, podem caracterizar uma determinada síndrome tóxica. As principais síndromes tóxicas utilizadas no diagnóstico da intoxicação aguda são: síndrome hipnótica sedativa narcótica, colinérgica, anticolinérgica, simpatomimética e extrapiramidal. A presença de alterações cardiovasculares anuncia frequentemente a classificação do agente. As intoxicações por anfetaminas, atropina e derivados, cocaína, fenotiazidas e antidepressivos tricíclicos, por exemplo, manifestam-se por taquicardia. Substâncias causadoras de intoxicação exógena Ninguém está livre de acidentes, porém, ao falar de crianças nas mais diversas fases do desenvolvimento, com suas necessidades de descobertas a partir dos objetos, é possível destacar as intoxicações exógenas causadas pela ingestão de produtos químicos e medicamentos que estão ao seu alcance. Na maior parte das vezes, os pais não identificam o perigo em seus pró- prios lares devido à falsa sensação de segurança que o ambiente onde moram proporciona. As intoxicações em crianças com até 14 anos são uma realidade mundial e podem ser consideradas um problema de saúde pública. Ações de prevenção e campanhas podem ser pensadas com o objetivo de evitar esses acidentes (SIQUEIRA et al., 2017). As substâncias e os produtos que podem causar intoxicação em crianças são os mais variados, no entanto, os produtos de limpeza, que são utilizados em várias atividades domésticas, são os que mais aparecem como causa de envenenamento nessa fase da vida. Destacam-se ainda os medicamentos, os inseticidas, as tintas, as graxas, os xampus, os cremes e os cosméticos. As bebidas alcoólicas também compõem a lista de coisas que podem ser ingeridas pelas crianças. Além das contaminações já citadas, o contato com algumas plantas e animais peçonhentos, como cobras, aranhas, escorpiões e abelhas, muitas vezes leva as crianças aos serviços de emergência em estado bem grave. São muitas as substâncias que podem ocasionar intoxicação com con- sequências nos mais variados níveis de gravidade. As drogas de abuso e os medicamentos de uso contínuo, como o ácido valproico, os digitálicos, os Intoxicação exógena6 anti-inflamatórios, os antidepressivos, os antipsicóticos, entre outros, são exemplos disso. Metais como o chumbo também podem ser causa de intoxicação. Dificil- mente é possível estabelecer os níveis séricos tóxicos e esse fato ocorre devido a características e fatores relacionados à cada paciente, como faixa etária, tolerância, peso e condições de saúde. Apesar de a intoxicação aguda ser rara, é possível que a ingestão de 10 a 30 g dessa substância cause morte entre 24 e 48 h após a sua ingestão. Já outro metal, o mercúrio, pode ter sua dose tóxica fatal estabelecida com a ingestão de 10 a 60 mg/Kg de metilmercúrio, enquanto doses menores podem comprometer o SNC e o sistema reprodutivo. As intoxicações por inalação de gases tóxicos, como o cianeto e o monó- xido de carbono, podem provocar asfixia química. O cianeto é absorvido em segundos após inalação, cujos sintomas de dose tóxica vão desde uma simples dor de cabeça até uma alteração da saturação, diminuindo significativamente a capacidade de os pulmões realizarem as trocas gasosas adequadamente. O gás de cozinha também é asfixiante e pode, em concentrações maiores e exposição prolongada, causar asfixia. Para Newmann (2019), muitos tipos de gases, como cloro, fosgênio, dióxido de enxofre, sulfeto de hidrogênio, dióxido de nitrogênio e amoníaco, podem causar acidentes e expor trabalhadores industriais, irritando gravemente os pulmões. A maioria das pessoas se recupera completamente desse tipo de exposição acidental a gases, porém, algumas complicações podem ocorrer, como, por exemplo, infecção pulmonar ou lesões causadoras de cicatrização das vias aéreas, as quais resultam em bronquiolite obliterante. É possível que ocorra o comprometimento pulmonar depois de uma exposição prolongada a gases tóxicos. Existem ainda as contaminações por saneantes domésticos, como é o caso dos cáusticosalcalinos e ácidos, desinfetantes e antissépticos, naftalina e paradiclorobenzeno, solventes, ceras e polidores. A ingestão de produtos corrosivos pode causar disfagia, dor na cavidade oral, sialorreia, vômitos, hematêmese ou dor retroesternal. A perfuração esofágica ou gástrica pode acontecer acompanhada de dor abdominal ou torácica intensa e sinais de irritação peritoneal. Algumas alterações sistêmicas podem ocorrer, como acidose metabólica, distúrbio hidroeletrolítico e insuficiência renal ou hepática. A exposição cutânea e ocular resulta em dor imediata e vermelhidão, podendo gerar queimaduras extensas e risco de perda da visão. Os praguici- das podem ser utilizados tanto no ambiente rural como no ambiente urbano. Normalmente, as intoxicações por essas substâncias estão mais associadas 7Intoxicação exógena a acidentes no ambiente doméstico envolvendo crianças, ou aos adultos nas tentativas de suicídio ou uso inadequado do produto. Embora a Classificação Internacional de Doenças 10ª Revisão (CID-10) use a deno- minação acidente para alguns tipos de causas externas de intoxicação, a literatura internacional recente tem evitado, já que essa palavra está associada a um evento não previsível, ou seja, a algo que não é passível de prevenção. Cuidados de enfermagem A estabilização do paciente deve ser a primeira medida a ser tomada na che- gada ao serviço de emergência, conforme descrito na avaliação inicial. A manutenção das funções vitais estabelecendo as técnicas de suporte básico de vida irá estabilizar o paciente. Com a desobstrução das vias aéreas, a aspiração de secreções e a retirada de corpos estranhos, é possível manter a via aérea permeável. Caso seja ne- cessário, o médico deverá realizar uma intubação orotraqueal, a manutenção da respiração e da ventilação adequada, a manutenção da circulação com a promoção da estabilização hemodinâmica, que deve ser priorizada, bem como o acesso venoso, aproveitando para coletar amostras laboratoriais para a análise toxicológica. O esvaziamento gástrico pode ser indicado, atentando-se para os cuidados na passagem da sonda nasogástrica (SNG), desde que sejam respeitados os preceitos da ética, e o controle de volume administrado e drenado, o qual deve ser devidamente anotado e mensurado. Cabe ao enfermeiro desenvolver um plano de cuidados que contribua para a terapêutica do paciente e garanta segurança durante todo o atendimento. Algumas intervenções podem ser identificadas a seguir. � Realizar monitorização dos sinais vitais. � Avaliar o nível de consciência por intermédio da Escala de Coma de Glasgow. � Avaliar as pupilas (diâmetro e reatividade à luz). � Identificar temperatura e umidade da pele. Intoxicação exógena8 � Instalar oximetria de pulso. � Realizar medida de glicose capilar. � Obter ECG (eletrocardiograma) e manter monitorização eletrocardio- gráfica, se necessário. � Obter acesso venoso calibroso (nesse momento, podem ser coletadas amostras para exames toxicológicos). � Procurar sinais de trauma, infecção, marcas de agulha ou edema nas extremidades. � Administrar medicamentos de acordo com a prescrição médica. � Buscar informações para uma anamnese mais completa acerca do histórico de doenças, uso de medicações, tentativas de suicídio prévias, acesso à substância e uso de substâncias ilícitas. � Obter informações com os familiares em relação à substância utilizada, se for o caso, a quantidade e o tempo transcorrido entre a ingestão e a chegada ao hospital. Orientar que alguém busque as embalagens no domicílio pode ajudar muito na sequência do tratamento de desintoxi- cação. O tempo de exposição também auxilia na correta terapêutica. � Questionar familiares sobre comportamentos que levariam à suspeita de tentativa de suicídio, como cartas de despedida, eventos traumáticos recentes ou tentativas prévias. � Observar, nos casos de indicação de lavagem gástrica, a drenagem do fluido para que a administração máxima seja de 300 ml de volume pela sonda. Se for necessário, repetir a operação até que toda a substância tóxica seja eliminada. Acesse este link para assistir a uma reportagem sobre intoxicação por uso de medi- camentos em crianças. https://www.youtube.com/watch?v=-qEvgtc-xPg&feature=youtu. be&t=1m12s No link a seguir, você terá acesso ao site da Secretaria da Saúde, no qual são feitos esclarecimentos sobre intoxicações por medicamentos. http://www.saude.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo. php?conteudo=1447 9Intoxicação exógena Uma paciente de 31 anos, casada, com dois filhos, foi levada por seu marido à emer- gência devido a uma tentativa de suicídio por intoxicação por antidepressivos. Durante a primeira hora após a ingestão desses medicamentos, a paciente apresentou náusea, vômitos, sudorese e perda de consciência. A paciente afirmou que vinha apresentando episódios depressivos maiores nos últimos três anos (dois episódios depressivos pós-parto), sendo que um deles exigiu hospitalização psiquiátrica, e admitiu quatro tentativas de suicídio no passado (duas delas por intoxicação exógena de medicamento psicotrópico). Quando a paciente chegou à emergência, sua pressão sanguínea era de 103/55 mmHg, a frequência cardíaca de 90 bpm e a respiratória de 17 rpm. Os exames físico e neurológico foram normais. Durante o exame do estado mental, a paciente apresentou humor deprimido, sentimentos de inutilidade e culpa, desesperança e ideação suicida. Ela não se arrependia de suas tentativas de suicídio mais recentes e não sabia com certeza se repetiria esse comportamento em um futuro próximo. Sintomas psicóticos não foram observados. Na emergência, foi realizada uma lavagem gástrica com 1 L de SF por meio de uma SNG. A cada 8 h, administrava-se carvão ativado pela SNG. O acesso venoso foi mantido com SF 0,9% 150 ml/h. Finalmente, realizaram-se os seguintes exames laboratoriais, os quais apresentaram resultados normais: ECG, hemograma completo, glicemia, provas da função hepática, função renal e hormônio estimulante da tireoide. NEWMAN, L. S. Exposição a gases e substâncias químicas. New Jersey, 2019. Dispo- nível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-pulmo- nares-e-das-vias-respirat%C3%B3rias/doen%C3%A7as-pulmonares-ambientais/ exposi%C3%A7%C3%A3o-a-gases-e-subst%C3%A2ncias-qu%C3%ADmicas. Acesso em: 17 jun. 2019. SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Saúde. Manual de toxicologia clínica: orientações para a assistência e vigilância das intoxicações agudas. São Paulo: Secretaria Munici- pal da Saúde, 2017. Disponível em: http://www.cvs.saude.sp.gov.br/up/MANUAL%20 DE%20TOXICOLOGIA%20CL%C3%8DNICA%20-%20COVISA%202017.pdf. Acesso em: 17 jun. 2019. SIQUEIRA, K. M. et al. Perfil das intoxicações exógenas infantis atendidas em um hospital especializado da rede pública de Goiânia-GO. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 10, n. 3, p. 662-672, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.5216/ree.v10.46599. Acesso em: 17 jun. 2019. Intoxicação exógena10 Leituras recomendadas BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Intoxicações exóge- nas relacionadas ao trabalho no Brasil, 2007-2016. Boletim Epidemiológico, v. 49, n. 58, p. 1-10, 2018. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/ dezembro/26/2018-027.pdf. Acesso em: 17 jun. 2019. USO de medicamentos é a principal causa de intoxicação, aponta Unicamp. G1 Cam- pinas e Região, 2017. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/ uso-de-medicamentos-e-a-principal-causa-de-intoxicacao-aponta-unicamp.ghtml. Acesso em: 17 jun. 2019. 11Intoxicação exógena Dica do professor A realização do esvaziamento gástrico varia de acordo com o agente tóxico ao qual o paciente foi exposto, o tempo de exposição, a toxicidade da substância, a dose ingerida e a forma farmacêutica. Para as exposições a líquidos, considera-se efetivo o esvaziamento gástrico em até 30 minutos. Já para os sólidos, esse tempo aumenta para até 2horas. Um dos métodos para a realização do esvaziamento consiste em emese (provocar o vômito do paciente). Normalmente, essa manobra é realizada no atendimento pré-hospitalar e pode ser muito efetiva, mas nunca deve ser a opção para pacientes que tiverem ingerido substâncias ácidas ou básicas, como no caso da soda cáustica. Esse método também tem outras contraindicações, como no caso de idosos e crianças menores de seis meses. Além de emese, existe a opção da lavagem gástrica. Após uma hora de ingestão, a lavagem gástrica só será aceitável nos casos de substâncias que retardam o esvaziamento gástrico. Nesta Dica do Professor, você vai aprender um pouco mais sobre a descontaminação gástrica. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Na prática O uso de agrotóxicos no Brasil é preocupante. Esse fato é interessante porque o Brasil também é o maior em agricultura no mundo. Os cuidados e as notificações pertinentes a intoxicações pela exposição a essas substâncias requerem ainda mais cuidado, vigilância e uma política realmente eficiente e que conscientize os pequenos, médios e grandes empresários do setor. Já existem alguns dados pertinentes às intoxicações por agrotóxicos, mas ainda é preciso muito empenho para melhorar as notificações. Apenas a partir do conhecimento do real problema gerado pelo uso dessas substâncias e de seus danos é que é possível estabelecer maior assertividade nos cuidados e reversão dos danos à saúde do trabalhador e da população em geral. No anexo, você vai conhecer um pouco mais sobre a intoxicação por agrotóxicos no Brasil. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Jornal da Cultura 1ª Edição | 24/07/2018 No vídeo, você poderá conhecer melhor as causas de intoxicação medicamentosa em crianças e adolescentes. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.