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Gestão e Governança em TIGestão e Governança em TI AUTORIA Cleber Jose Semensate Santos Bem vindo(a)! Com a evolução do mercado e os movimentos de globalização, o crescimento e a descentralização das organizações vêm sendo consequências inevitáveis, demandando novas ferramentas que garantam o curso das empresas, bem como os retornos dos investimentos realizados. Nesse contexto, surge a governança corporativa – práticas de gestão que permitem a padronização e o controle da organização, garantindo a manutenção de seu desempenho, tendo por base princípios que vão ao encontro da responsabilidade social. A área de tecnologia da informação (TI), como responsável por uma série de investimentos e projetos que impactam diferentes segmentos organizacionais, também vem absorvendo as premissas de governança. Nesta apostila, abordamos justamente a relação entre a governança corporativa e a tecnologia da informação, com a �nalidade de entendermos como os preceitos de governança podem ser inseridos no dia a dia das atividades dessa área. Para tal, primeiramente apresentamos os conceitos de governança ligados à TI e, na sequência, abordamos metodologias, procedimentos e formas de planejamento que já vêm sendo utilizadas pelos setores da área, a �m de alinhá-las aos princípios da governança. Desejo uma ótima leitura! Sumário Essa disciplina é composta por 4 unidades, antes de prosseguir é necessário que você leia a apresentação e assista ao vídeo de boas vindas. Ao termino da quarta da unidade, assista ao vídeo de considerações �nais. Unidade 1 Introdução a Gestão e Governança em TI Unidade 2 Normas da Governança em TI Unidade 3 Qualidade de processos e serviços Unidade 4 Sumário executivo Introdução a Gestão e Governança em TI AUTORIA Cleber Jose Semensate Santos Sumário Introdução 1 - Conceitos Básicos de Gestão e Governança 2 - Fundamentos de Governança de TI 3 - Evolução Histórica da Gestão de Processos e Projetos Considerações Finais Introdução Prezado(a) aluno(a), Com o crescimento das organizações e sua expansão geográ�ca, a descentralização administrativa de suas unidades é um processo inevitável. Da mesma forma, a abertura para o mercado também vem sendo um caminho constante da maioria das empresas. Desse modo, é necessário implementar uma administração pro�ssional, em lugar de uma administração familiar, razão pela qual executivos e pro�ssionais assumem, nas empresas, as funções de comandar as operações empresariais que tradicionalmente eram responsabilidade de seus proprietários. Dessa maneira, percebemos que cada vez mais as organizações são administradas por terceiros e não pelos reais proprietários. Nesse contexto, surge, por parte dos stakeholders, principalmente os acionistas, a preocupação quanto ao acompanhamento de ações e resultados das organizações. A governança surge conceitualmente para equacionar a necessidade de um direcionamento estratégico e, consequentemente, um maior controle das empresas, sendo sua principal �nalidade garantir que estas caminhem na direção correta. Para entendermos as principais práticas de gerenciamento, chegando até o uso dessa abordagem na área de tecnologia da informação (TI), precisamos entender as origens e bases da governança. Nesse sentido, nesta unidade apresentaremos primeiramente a origem da governança corporativa e, na sequência, seus conceitos e pressupostos. Finalmente, abordaremos como esses conceitos permeiam a área de tecnologia da informação. Venha comigo! Plano de Estudo: 1. Conceitos básicos de gestão e governança 2. Fundamentos de governança de TI 3. Evolução histórica da gestão de processos e projetos Objetivos de Aprendizagem: 1. Apresentar a origem da governança corporativa; 2. Identi�car os conceitos e pressupostos da governança em TI; 3. Abordar como esses conceitos permeiam a área de TI. Conceitos Básicos de Gestão e Governança Os processos de governança, principalmente em função da interdependência econômica atual, vêm permeando empresas no mundo todo. No Brasil, da mesma forma, as organizações estão buscando trabalhar sob as premissas da governança. Inicialmente as estratégias e os modelos de governança concentravam-se nas áreas mais estratégicas e nas análises contábeis, mas, paulatinamente, esses preceitos passaram a envolver todas as áreas, inclusive a TI – que, nesse contexto, pode assumir uma função estratégica, visto seu potencial de monitoramento e cruzamento de informações. Nesse sentido, como a�rma a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), @freepik Seguindo essa linha de raciocínio, segundo Ortega e Vanti (2015, p. 167), podemos entender a governança como “um conjunto de princípios e práticas que procura minimizar os potenciais con�itos de interesse entre os diferentes stakeholders, com o objetivo de reduzir o custo de capital e aumentar tanto o valor da empresa quanto o retorno dos acionistas” . Na prática, estamos falando de criação de mecanismos que proporcionem o alinhamento dos objetivos e das ações das organizações, permitindo que os stakeholders consigam acompanhar o andamento e o desempenho da organização, garantindo a credibilidade de suas informações. Existem várias de�nições para governança corporativa. Nelson Siffert Filho (1998) a de�ne sinteticamente como a forma que os controladores instituem mecanismos de monitoramento e controle em relação aos administradores e fazem com que estes ajam de acordo com o interesse dos controladores (numa visão mais ampla, stakeholders). Durval Noronha Goyos Jr. (2003) a de�ne como um esforço contínuo e organizado de acionistas e executivos no sentido de obter o melhor alinhamento de interesses possível. (apud BORGES; SERRÃO, 2005, p. 113). Outro aspecto que sempre é destacado é a possibilidade de as práticas de governança possibilitarem o funcionamento da empresa de forma ética, visto que elas minimizam os comportamentos em não conformidade com essa abordagem, direcionando a organização a atingir um retorno justo em relação aos investimentos realizados pelos acionistas (ÁLVARES; GIACOMETTI; GUSSO, 2008). Em resumo, podemos entender que na prática os processos de governança nada mais são do que a criação de procedimentos que garantam que, no sentido operacional, os processos organizacionais ocorram da forma mais assertiva e com o devido alinhamento aos interesses organizacionais, e, do ponto de vista estratégico, que os objetivos da organização sejam atingidos. O grande diferencial da proposta de governança é que as ações permitem um controle efetivo e seu acompanhamento, ou seja, as empresas que trabalham sob a ótica da governança têm condições de mostrar, de forma clara e precisa, como estão sendo aplicados os investimentos realizados, bem como os resultados atingidos. Fundamentos de Governança de TI Quando falamos em governança e saímos das re�exões teóricas a respeito, devemos entender os principais motivos da necessidade de uma abordagem diferenciada de gestão. Primeiramente, devemos ir à origem dos fundamentos de governança, ou seja, a questão do monitoramento das organizações determina os princípios que normalmente são seguidos pelas empresas que implantam uma gestão baseada em governança. Nesse sentido, as boas práticas de governança buscam contribuir para o sucesso e a longevidade organizacional e buscam evitar problemas em sua gestão. Um desses problemas são os abusos de poder, seja por parte do acionista majoritário, seja por parte da diretoria ou de administradores (TITTONI, 2009). Com a criação de ferramentas de controle administrativo, é possível coibir tais abusos, já que decisões começam a ser tomadas com base em dados devidamente registrados e compartilhados. A falta de um sistema estruturado de governança pode também eliminar erros estratégicos que possam ocorrer por tomadas de decisões centralizadas ou pela falta de alinhamento entre os envolvidos. Da mesma forma, um controle organizacional por meio de alinhamentos e auditorias pode eliminar as fraudes, já que tudo é auditado. Um sistema de governançapossibilita também o controle do acesso a informações estratégicas das empresas. Para que as empresas consigam garantir a implementação de um processo de governança efetivo, é preciso que elas institucionalizem os princípios de governança. Segundo Álvares, Giacometti e Gusso (2008, p. 43), “a boa governança está calcada em princípios que inspiram e norteiam o funcionamento das empresas e outras organizações e lhes propiciam maior credibilidade e criação de valor”. Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC, 2014, p. 40), esses fundamentos podem ser assim demonstrados (Figura 1): Figura 1 - Fundamentos de Governança em TI Transparência Princípios da governança Responsabilidade corporativa Equidade Prestação de contas (accountability) Fonte: o autor. Quando falamos em transparência, referimo-nos a uma cultura de publicidade para se estabelecer uma boa comunicação com todos os stakeholders, garantindo assim um relacionamento baseado em con�ança. A gestão transparente muda efetivamente o relacionamento da empresa com todos os seus stakeholders internos e externos, de forma espontânea, independentemente de determinações legais. De acordo com o IBGC (2014, p. 33), a transparência Consiste no desejo de disponibilizar para as partes interessadas as informações que sejam de seu interesse e não apenas aquelas impostas por disposições de leis ou regulamentos. Não deve se restringir ao desempenho econômico-�nanceiro, contemplando também os demais fatores (inclusive intangíveis) que norteiam a ação gerencial e que condizem à preservação e à otimização do valor da organização. O princípio da equidade se refere à relação não só econômica, mas também informacional e relacional de forma igualitária e justa com todos os stakeholders. De acordo com o IBGC (2014, p. 55), “Caracteriza-se pelo tratamento justo e isonômico de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders), levando em consideração seus direitos, deveres, necessidades, interesses e expectativas”. Finalmente, o princípio da responsabilidade corporativa deve considerar os possíveis impactos que venham a ser causados pelas atividades da organização. Atualmente as empresas são responsabilizadas por danos e benefícios causados ao entorno de sua localização, os quais, muitas vezes, geram passivos que comprometem os resultados e a longevidade organizacional. Assim, ainda de acordo com o IBGC (2014, p. 58), Os agentes de governança devem zelar pela viabilidade econômico-�nanceira das organizações, reduzir as externalidades negativas de seus negócios e suas operações e aumentar as positivas, levando em consideração, no seu modelo de negócios, os diversos capitais (�nanceiro, manufaturado, intelectual, humano, social, ambiental, reputacional, etc.) no curto, médio e longo prazos. Compliance @freepik Uma das obrigações básicas de qualquer empresa é prestar contas a seus acionistas. Assim, o princípio do accountability tem como base justamente isso; as empresas devem se reportar normalmente por meio de relatórios informativos frequentes e disponibilizar informações mesmo quando estas não forem solicitadas. Segundo o IBGC (2014, p. 67), “Os agentes de governança devem prestar contas de sua atuação de modo claro, conciso, compreensível e tempestivo, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões e atuando com diligência e responsabilidade no âmbito dos seus papéis” . Sob a ótica do compliance, as organizações vêm criando estratégias que permitam criar uma cultura de cumprimento das regulamentações internas e externas dos negócios, garantindo um alto grau de conformidade das empresas, o que vai ao encontro das premissas da governança corporativa. De acordo com a Associação Brasileira de Bancos Internacionais (2004, p. 9), compliance pode ser entendido como: Assegurar, em conjunto com as demais áreas, a adequação, fortalecimento e o funcionamento do Sistema de Controles Internos da Instituição, procurando mitigar os Riscos de acordo com a complexidade de seus negócios, bem como disseminar a cultura de controles para assegurar o cumprimento de leis e regulamentos existentes. Praticamente estamos falando de um alinhamento organizacional com as regulamentações de todas as esferas possíveis e com as normas e diretrizes internas. Da mesma forma que a governança, quando nos referimos ao compliance estamos tratando de um processo cultural constante e que deve permear todas as áreas da organização e abranger todos os stakeholders. Para Coimbra e Manzi (2010, p. 32), “O compliance executa suas atividades de forma rotineira e permanente, sendo responsável por monitorar e assegurar que as diversas áreas e unidades da organização estejam em conformidade com a regulação aplicável ao negócio”. Um dos pressupostos fundamentais do compliance é o mapeamento de processos e riscos como forma de garantir o cumprimento dos objetivos estabelecidos estrategicamente, bem como os anseios dos acionistas. Dessa maneira, ao utilizarmos @freepik Para que a governança e o desenvolvimento das organizações sejam possíveis, elas começam a estruturar os setores de controles internos como forma de assegurar que os procedimentos e regulamentos preestabelecidos pelas empresas sejam devidamente seguidos. Nesse contexto, o termo compliance está relacionado à governança, o qual pode ser de�nido como um conjunto de atividades e processos que tem como objetivo prevenir e detectar possíveis inconformidades relacionadas à legislação ou a regulamentações que in�uenciem o negócio da empresa (OECD, 2010 apud CASTRO, 2012). o compliance nas organizações, é possível criarmos procedimentos baseados na análise dos processos e riscos, possibilitando o ajuste e o controle destes, gerando uma maximização dos resultados organizacionais, indo, assim, ao encontro dos principais objetivos da governança. Evolução Histórica da Gestão de Processos e Projetos Partindo do princípio de que a governança tem como fundamento a de�nição de procedimentos para garantir a continuidade dos processos conforme os preceitos organizacionais, a governança de TI conceitualmente nada mais é do que a aplicação da governança na área de TI. Antes de conceituarmos como a governança de TI funciona, é preciso entender o contexto e evolução das tecnologias de informação nas organizações. Inicialmente, a TI era vista como um ferramental operacional nas organizações. Com o tempo e a evolução das tecnologias, seu uso começou a permear toda a organização, os níveis táticos e estratégicos, o que gerou uma forte dependência do negócio em relação à tecnologia. Nesse sentido, a TI começou, então, a fazer parte da estratégia das empresas, o que demanda uma postura diferenciada quanto à forma de gerenciar as atividades correlacionadas a essa área. De acordo com Fernandes e Abreu (2014), existem seis fatores motivadores na evolução da implementação da governança em TI (Figura 2): Figura 2 - Fatores motivadores na evolução da implementação da governança em TI Marcos da regulamentação Governança em TI Ambiente de negócios Integração tecnológica TI como prestadora de serviços Segurança da informação Dependência do negócio em relação à TI Fonte: o autor. Quando analisamos o novo ambiente de negócios, destaca-se fundamentalmente o crescente processo de competição em âmbito global, o que vem levando as organizações a buscar mecanismos de diferenciação, e a tecnologia funciona como uma dessas ferramentas. Nas teorias administrativas, a busca por melhorias operacionais sempre esteve presente, e, assim, a tecnologia paulatinamente foi penetrando nas organizações, inicialmente pela parte operacional e, depois, permeando todos os setores, podendo até determinar os caminhos estratégicos das empresas. O fato é que muitas empresas já vivem um processo intenso de dependência da tecnologia, já que a maioria de seus processos estão de tal forma interligados tecnologicamente que podemos dizer que muitas delas podem simplesmente parar se não contarem com as novas tecnologias.Em função dessa dependência tecnológica, somada à vulnerabilidade informacional do processo de virtualização, hoje emerge a necessidade de mecanismos e estratégias de segurança da informação. De acordo com o IT Governance Institute (2007), para que as necessidades negociais sejam atendidas, há a necessidade de o setor de TI trabalhar com os seguintes critérios: Efetividade – Está relacionada com a informação relevante e pertinente para o processo do negócio, bem como sua entrega de forma oportuna, correta, consistente e utilizável. E�ciência – Está relacionada ao provisionamento da informação por meio do melhor uso dos recursos, ou seja, o cenário mais econômico possível, sem comprometimento da qualidade da informação. Con�dencialidade – Diz respeito à proteção de informações sensíveis contra a divulgação não autorizada. Integridade – Está relacionada com a exatidão e a integridade da informação, bem como sua validade de acordo com os valores e as expectativas da organização. Disponibilidade – Refere-se às informações disponíveis quando exigidas pelo processo de negócios, atualmente e no futuro. Também diz respeito à salvaguarda dos recursos necessários e das capacidades associadas. Conformidade – Diz respeito ao cumprimento das leis, dos regulamentos e dos acordos contratuais aos quais o processo empresarial está sujeito. Con�abilidade – Refere-se ao fornecimento de informações apropriadas à administração para operar a entidade e exercer sua governança. O processo de informatização cresceu de tal forma que os setores de TI, antigos centros de processamento de dados, devido à sua importância e à demanda por sistemas de informação, tornaram-se prestadores de serviços das empresas. Vários setores de TI assumiram, assim, um caráter literalmente de empresa prestadora de serviços. Paralelamente, esse processo de virtualização, não só das empresas, mas da sociedade como um todo, vem gerando a criação e o amadurecimento de regulamentações e legislações em relação à tecnologia, como é o caso do Marco Civil da Internet[1]. Esse contexto da presença e in�uência da TI nas empresas faz com que sejam necessários procedimentos para monitorar e controlar os investimentos e o uso da TI, sendo, dessa forma, de suma importância a aplicação dos preceitos da governança na área de TI. Nesse contexto, a governança de TI assume um aspecto mais prático, que concentra seus esforços no alinhamento e na priorização dos investimentos tecnológicos de acordo com as estratégias da organização, fazendo com que os projetos contribuam com seus resultados. https://wordhtml.com/#_ftn1 De acordo com Symons (2005), a governança de TI é o processo pelo qual decisões são tomadas sobre os investimentos em TI, o que envolve: como as decisões são tomadas, quem toma as decisões, quem é responsabilizado e como os resultados são medidos e monitorados. A governança em TI pode ser entendida como um sistema que tem o objetivo �nal de conduzir as estratégias de tecnologia para amparar o negócio da organização, fazendo com que todas as decisões na área de tecnologia tenham como base o impacto destas nos negócios (FERNANDES; ABREU, 2014). Na prática, a metodologia de governança de TI acaba enfocando o alinhamento estratégico entre os investimentos de TI e o negócio, visto que na maioria das empresas ainda existe uma nítida separação entres as duas áreas. Do ponto de vista operacional, tem como meta a garantia da continuidade de serviços de TI e, ainda, assume a responsabilidade de amparar o controle interno da organização (FERNANDES; ABREU, 2014). Ao abordarmos a governança de TI, devemos primeiramente entender a relação desta com o fundamento da governança corporativa, ou seja, entender de modo sistêmico o papel da TI na relação de entrega de valor aos stakeholders. A percepção necessária, nesse caso, é a de que são os stakeholders (principalmente os correlacionados diretamente ao capital) que determinam as estratégias organizacionais e todos os seus processos, inclusive os de TI, e só têm razão de existir se contribuírem com tais estratégias. Com isso, devem ser determinados, e posteriormente monitorados, os recursos por meio de uma visão sistêmica da evolução (Figura 3): CONCEITUANDO [1] O Marco Civil da Internet foi estabelecido pela Lei n. 12.965/14, a qual estabelece os princípios, as garantias, os direitos e os deveres em relação ao uso da internet no Brasil (BRASIL, 2014). https://wordhtml.com/#_ftnref1 Figura 3 - Visão sistêmica da evolução da TI Direciona Reporta e melhoraStakeholders Estratégias Resultados Processos Recursos Determina Mensura e usa Fonte: o autor. Com base nesse entendimento, conforme o National Computing Centre (2005), podemos entender que, para implementar a governança em TI, devemos adotar as premissas explicadas a seguir. Alinhamento estratégico – A premissa básica da governança é promover a melhoria do desempenho da organização, considerando os interesses dos stakeholders. Para que a TI possa colaborar, é fundamental que todas as ações, os projetos e/ou as estratégias sejam desenvolvidos com base no planejamento estratégico da empresa. Na prática, se um projeto de tecnologia não colabora com a estratégia organizacional, direta ou indiretamente, ele não deve ser aprovado. Agregação de valor – A governança está calcada na equação dos interesses dos acionistas das empresas. Desse modo, quando falamos em agregação de valor por meio de TI, estamos nos referindo à garantia do alcance dos benefícios com otimização de custos. Quando utilizamos a tecnologia para fazer determinado processo, como robôs na linha de produção, aumentamos o valor do produto, dando um melhor acabamento, e reduzimos custos com a diminuição de desperdícios. Gerenciamento de recursos – Uma das funções básicas da governança se refere à otimização de uso de recursos que permitem não só reduzir o consumo, mas, sobretudo, aumentar o valor da organização. O gerenciamento de recursos é responsável justamente pelo monitoramento dos investimentos que serão realizados na área de tecnologia, garantindo que todo investimento tenha uma justi�cativa estratégica e que sempre seja considerado o uso e o aproveitamento dos investimentos já feitos. Gerenciamento de riscos – Com a crescente informatização das organizações, a maioria dos processos estão amarrados à tecnologia e, se algo ocorre fora do previsto, isso pode impactar signi�cativamente o negócio. Dessa maneira, o gerenciamento de riscos envolve o tratamento e monitoramento dos riscos e a garantia de conformidade dos processos. É justamente nesse item que são utilizadas as estratégias de qualidade e compliance. Mensuração de desempenho – Além do planejamento das estratégias de TI e o monitoramento de riscos, a área de TI precisa ser controlada. Isso signi�ca o efetivo acompanhamento de cada estratégia e processo da área. A importância dessa mensuração e sua correlação com o investimento e os resultados da empresa são fundamentais para a justi�cativa destes. Uma ferramenta que vem sendo utilizada nas organizações é o Balanced Scorecard (BSC), que consegue, com base em premissas predeterminadas, associar os investimentos a resultados �nanceiros. A tabela a seguir apresenta essas premissas de forma objetiva. Portanto, resumidamente, o objetivo principal da governança de TI é manter a capacidade competitiva das companhias por meio de processos controláveis, ágeis, inteligentes, seguros e com o menor custo possível, ou seja, garantir que os serviços de TI atendam aos preceitos de efetividade, e�ciência, con�dencialidade, integridade, disponibilidade, conformidade e con�abilidade. Tabela 1 - Premissas da Governança em TI Alinhamento estratégico Vinculação entre TI e negócios (planejamento e operações). Agregação de valor Garantia de alcance dos benefícios, com otimização de custos. Gerenciamento de recursos Otimização dos investimentos e do uso dos recursos de TI. Gerenciamento de riscos Incorporação do tratamento de riscos e da conformidade nos processos. Mensuraçãode desempenho Uso do BSC para avaliar todas as dimensões da TI. Fonte: o autor. SAIBA MAIS Motivação para adoção de melhores práticas de governança corporativa Muitas são as motivações que levam empresas de capital fechado a adotar as melhores práticas de governança corporativa. Dentre elas estão a busca por preservar e otimizar seu valor, obter melhorias de gestão, facilitar o acesso a recursos �nanceiros e não �nanceiros, contribuir para a longevidade, administrar con�itos de interesses de maneira mais efetiva e conseguir avaliar, de forma permanente, seu propósito. Preservar e otimizar seu valor A preservação e a otimização do valor econômico da empresa constituem-se em condições necessárias para sua viabilidade em longo prazo. As boas práticas de governança corporativa podem potencializar a capacidade de formulação estratégica da empresa, permitindo explorar melhor suas oportunidades de mercado e mitigar os riscos aos quais está sujeita. [...] Obter melhorias de gestão O alinhamento da gestão à estratégia é fundamental para atingir os objetivos e metas empresariais e está relacionado diretamente com as condições e características do modelo de gestão. A e�ciência do modelo de gestão depende da qualidade das decisões, da e�ciência dos processos e do comprometimento dos recursos humanos envolvidos, além dos mecanismos e estruturas de monitoramento e controle existentes na empresa. [...] Facilitar o acesso a recursos �nanceiros e não �nanceiros A adoção de princípios e boas práticas de governança corporativa, tal como maior transparência, reforça a con�ança dos �nanciadores e facilita o acesso a recursos �nanceiros e a identi�cação de melhores condições de negócios junto a clientes, fornecedores, bancos, investidores e potenciais parceiros. [...] Contribuir para a longevidade e sustentabilidade Longevidade empresarial refere-se ao período de tempo em que a empresa mantém a sua existência. A boa governança contribui para sua longevidade e sustentabilidade na medida em que: Propicia uma re�exão sobre os ciclos de crescimento, maturidade e reorientação de suas atividades e promove uma gestão alinhada com valores e visão estratégica de longo prazo; Facilita a identi�cação, monitoramento e mitigação de riscos; Desenvolve, inova e antecipa tendências de ordem ambiental, social, legal e institucional. Administrar os con�itos de interesse de forma mais efetiva [...] A prestação de contas e a transparência das informações tendem a reduzir a descon�ança e os abusos entre administradores e sócios e, no caso de empresas de controle familiar, entre os familiares. A estrutura de governança corporativa cria mecanismos que permitem a discussão e encaminhamento adequado de opiniões divergentes. Ademais, minimiza riscos e ajuda a estabelecer uma relação mais transparente com stakeholders. Avaliar, de forma permanente, o propósito da empresa A implementação de boas práticas de governança corporativa contribui para que o conjunto de valores, princípios e propósitos da empresa, seja formalmente explicitado e permanentemente avaliado, permeando toda a organização, para que sua estrutura seja constantemente ajustada, auxiliando na geração de valor para o negócio e sua continuidade. [...] Fonte: IBGC (2014, p. 14-16). REFLITA 1. Leia o texto a seguir: Historicamente, a evolução nos negócios empresariais modi�cou o modo de gerenciar as atividades dentro das instituições. Atualmente, é clara a percepção que o foco do negócio é o cliente e por isso as instituições devem buscar alcançar aquilo que o cliente realmente deseja. O mercado tornou-se mais competitivo e as instituições públicas e privadas vem passando por sérias avaliações da sua estrutura interna e do ambiente em que estão inseridas. Em meio a essas mudanças institucionais, a concorrência vem �cando cada vez mais acirrada e o mercado continuamente mais competitivo. Assim, torna-se necessário desenvolver ações que mantenham a empresa em posição competitiva no mercado. Para isso, ao longo dos anos, foi-se evoluindo o conceito de governança corporativa e suas ações de implantação (BOMFIM, 2016). Re�ita: Partindo da preocupação original da governança em TI, imagine como a TI poderia auxiliar os gestores no processo e na continuidade da governança nas organizações. 2. Leia o texto a seguir: O termo governança, entendido de maneira simplista como administração, gestão, direção, domínio, controle ou ato de governar, vai muito além da prática de comando de um ambiente formado por tecnologias, pessoas e processos [...] Utilizada por executivos de tecnologia, governança ou gestão de TI é um sub-conjunto da governança corporativa, e tem por objetivo o atendimento das necessidades da alta administração e do negócio, com relação à TI. Signi�ca gerenciar, controlar e utilizar a tecnologia, de modo a criar valor para a empresa e permitir que decisões sobre novos investimentos em TI sejam tomadas de maneira consistente, em alinhamento com a estratégia corporativa (ROHWEDER, 2008, p. 573). Re�ita: Tendo como base que uma das premissas da governança em TI é a agregação de valor, imagine como a TI pode ajudar nesse processo. 3. Leia o texto a seguir: Ao longo dos anos, a tecnologia da informação se tornou a espinha dorsal para o negócio de muitas empresas e deixou de ser uma opção, tornando-se um diferencial competitivo. Para endereçar esses desa�os, as empresas recorrem cada vez mais aos modelos e frameworks de Governança, Gestão de Riscos e Conformidade (Compliance), ou simplesmente GRC. Esses termos por muito tempo viveram em “ilhas”, como se cada um observasse o outro a partir da sua respectiva “praia”, e raramente uniam seus esforços, recursos, processos e sistemas para alcançar objetivos comuns. Felizmente isso vem mudando, pois tratar de GRC sob uma perspectiva integrada tem chamado a atenção de muitas empresas (TCKBRAZIL, 2011). Re�ita: Com base no contexto da citação a seguir, como você imagina a relação entre governança em TI e compliance? Livro Filme Normas da Governança em TI AUTORIA Cleber Jose Semensate Santos Sumário Introdução 1 - A Biblioteca de Infraestrutura 2 - Normas BSI, ISO/IEC e NBR/ISO/IEC 3 - Sigma 4 - Medidas de Avaliação Considerações Finais Introdução Prezado(a) aluno(a), O aumento da competitividade organizacional vem demandando das organizações uma postura mais rigorosa, no sentido de concentrar esforços em investimentos e áreas que tragam resultados concretos, de modo a melhorar a posição competitiva e os retornos �nanceiros. Em paralelo, o advento dos princípios e das normas na área de governança, em busca de um maior controle e, consequentemente, uma melhoria do valor das empresas no mercado, demandou metodologias que pudessem auxiliar as organizações na implementação de processos de governança corporativa. Com essa necessidade, as empresas e os órgãos de regulamentação começaram a criar métodos para não só auxiliar a tecnologia da informação (TI), mas também para padronizar os procedimentos de governança. Nesta unidade apresentaremos uma visão geral das principais metodologias de governança de TI. Primeiramente, identi�caremos as áreas da TI que devem ser trabalhadas sob os preceitos da governança; na sequência, abordaremos as metodologias existentes para auxiliar os gestores nesse processo. Por último, analisaremos a integração dessas metodologias e seu alinhamento com os objetivos organizacionais. Vamos juntos! Plano de Estudo: 1. A biblioteca de infraestrutura 2. Normas BSI, ISO/IEC e NBR/ISO/IEC 3. Sigma e Qualidade 4. Medidas de avaliação Objetivos de Aprendizagem: 1. Identi�car os preceitos da governança; 2. Abordaremos normas e metodologias existentes; 3. Analisar a integração dessas metodologias; 4. Analisar seu alinhamento com os objetivos organizacionais. A Biblioteca de Infraestrutura Para que os preceitos de TI sejam efetivamente aplicados e alcançados, eles devem permear todas as atividades desse setor. Assim, primeiramente vamos retomaraqui os domínios e os componentes de TI propostos por Fernandes e Abreu (2014), os quais nada mais são que as atividades da área de TI que devem ser trabalhadas pela governança, como podemos visualizar na �gura a seguir: Figura 1 - Domínios e componentes da governança em TI Fonte: o autor. Tomando como base esse modelo proposto na Figura 1, podemos dividir as metodologias da área de TI para �ns de governança em sete macroáreas, conforme a Figura 2: Figura 2 - Áreas de metodologias em TI Fonte: o autor. Assim, ao falar em metodologias que podem ajudar a organização a implementar a governança, percebemos uma segmentação delas conforme o foco das diversas áreas. Desse modo, existem metodologias mais abrangentes que buscam analisar o planejamento de TI sob a ótica da governança como um todo e que impactam em todas as subáreas ou domínios desta. Essas metodologias têm como foco principal abordar a TI sob a ótica do negócio, concentrando-se nas questões do alinhamento estratégico, no valor de TI e no retorno desses investimentos para a organização. Com esse enfoque, destacam-se o COBIT, BSC IT e o ITIL, como veremos adiante. Um dos setores mais importantes na área de TI é o de serviços, já que ele acaba representando grande parte das atividades e é basicamente como a TI vem sendo entendida pelas organizações. No setor de serviços, destacam-se as metodologias ITIL, BS 15000 e a ISO 2000. Com as premissas da governança, pensamos em melhorar constantemente os resultados dos serviços e da organização como um todo. É imprescindível fazer uma abordagem de qualidade e, para tal, a TI começa a utilizar metodologias de qualidade já existentes, destacando-se a ISO 9000, e suas subdivisões especí�cas, e a SIX Sigma, além de métodos especí�cos conforme as áreas da TI. Outra área que acaba agrupando grande parte dos esforços da TI é a de projetos, que determina a maioria dos serviços de TI, seja na esfera de desenvolvimento, seja na de infraestrutura. Na área de projetos, as principais metodologias são PMI/PMBOOK e PRINCE 2. Assim como os projetos, o desenvolvimento e a manutenção de aplicações é outra atividade frequente nas organizações. Também nessa área existem compilações que agrupam melhores práticas e metodologias, como CMMI, MPS.BR e ISO15504. Com o incremento do uso da TI e da virtualização dos processos organizacionais, a segurança das informações organizacionais passa a ter destaque, e também nessa área surgiram normatizações, destacando-se a ISO 27001 e a ISO 2002. Além disso, a TI é um dos setores da organização que frequentemente utiliza serviços terceirizados. Assim, algumas metodologias começam a abordar justamente o processo de contratações na área de tecnologia de informação, destacando-se o eSCM-CL e o eSCM-SP. Normas BSI, ISO/IEC e NBR/ISO/IEC Seguindo a linha de raciocínio do item anterior, vamos analisar brevemente as principais normas de governança em TI por área de atuação. Planejamento Na área de planejamento, vamos agrupar metodologias mais abrangentes e que, em geral, não detalham questões técnicas, mas direcionam o planejamento organizacional da área de TI. COBIT O Control Objectives for Information and Related Technology (COBIT) é um modelo que apresenta um conjunto de orientações e ferramentas com enfoque em negócios e baseadas em controle, processos e métricas (ISACA, 2012). Vale destacar que ele é, acima de tudo, um framework estruturado em dimensões, processos, atividades e tarefas determinantes do que deve ser feito em todas as funções de uma organização de TI. De acordo com Barbosa et al. (2011, p. 5), o COBIT é um modelo e uma ferramenta de suporte que permite aos gerentes suprir as de�ciências com respeito aos requisitos de controle, questões técnicas e riscos de negócios, comunicando esse nível de controle às partes interessadas. O COBIT habilita o desenvolvimento de políticas claras e boas práticas para controles de TI em toda a empresa. O COBIT, atualmente, está na sua versão 5 e apresenta os seguintes princípios (Figura 3): Figura 3 - Princípios do COBIT 5 Fonte: o autor. Entre as metodologias existentes que podem ajudar as organizações a implementar a governança de TI, o COBIT é, sem dúvida, uma das mais adequadas quando nos referimos ao processo de governança como um todo (e não a uma área ou atividade especí�ca de TI). O COBIT foi especi�camente desenhado com esse objetivo, em conformidade com o Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Comission (COSO) Internal Control – Integrated Framework, e reconhecido como modelo de gerenciamento e controle interno e de riscos na área de governança corporativa. Com efeito, a proposta do COBIT é ajudar as organizações a gerenciar e controlar seus processos, e como na análise dos resultados obtidos. BSC – TI O Balanced Scorecard TI nada mais é do que a aplicação do BSC na área de TI. Serve basicamente para a criação de indicadores que permitam um monitoramento das ações e dos resultados da TI. Segundo Fernandes e Abreu (2006 apud TAROUCO; GRAEML, 2011), o mapa estratégico e o balanced scorecard constituem uma poderosa ferramenta para realizar o alinhamento da TI ao negócio e desdobrar os objetivos estratégicos de TI em iniciativas que contribuam para o atendimento dos objetivos. O IT BSC desenvolve um mapa da estratégia de TI e de�ne métricas para aferir os resultados das iniciativas de TI, contemplando os fatores críticos de sucesso (FCS), indicadores-chave de metas (KGI) e indicadores-chave de desempenho (KPI). Serviços Entre as diversas demandas solicitadas pelas organizações, sem dúvida os serviços são uma das maiores. Essa demanda é tão grande que, em muitas empresas, o setor de serviços tornou-se responsável por grande parte das atividades realizadas pela TI. Dessa maneira, também para os serviços foram criadas metodologias especí�cas de governança. Nesse ponto é importante entendermos a abrangência dos serviços na área de TI, já que a maioria dos recursos de tecnologia que permitem a operacionalização da empresa dependem de suas atividades. Assim, seguindo os preceitos da governança, os recursos de tecnologia de informação devem ser devidamente gerenciados, e é justamente esse o foco das metodologias de governança em TI que trabalham com serviços. ITIL O Information Technology Infrastructure Library (ITIL) pode ser entendido como uma compilação das melhores práticas de gestão de serviços em TI tendo como premissa uma orientação negocial. De acordo com Barbosa et al. (2011, p. 5), o ITIL tem como foco principal, a operação e a gestão da infraestrutura de tecnologia na organização, incluindo todos os assuntos que são importantes no fornecimento dos serviços de TI. Nesse contexto, o ITIL considera que um serviço de TI é a descrição de um conjunto de recursos de TI. O ITIL é uma ferramenta bastante utilizada principalmente pela possibilidade de trabalhar em conjunto com o COBIT, sendo que o COBIT assume uma abordagem mais estratégica, focada nos requisitos de negócio e nos processos, e o ITIL concentra- se na parte operacional, baseada nas melhores práticas de TI com foco em serviços. BS 15000 BS 15000 é um padrão britânico para o gerenciamento de serviços na área de TI. De acordo com Clifford (2008), a norma BS 1500 foi desenhada para suprir algumas lacunas do ITIL, podendo, desse modo, trabalhar em paralelo com este, complementando a estratégia de serviços de TI. ISO/IEC 20000 A ISO 20000 pode ser entendida como a formalização da referência em gestão de serviços do ITIL. Segundo Clifford (2008), dentre os principais objetivos da ISO 20000, destacam-se: A ISO 20000 trabalha em paralelo com outras metodologias direcionadas à prestação de serviços de TI, atuando especi�camente na certi�cação da área de serviços sob a ótica do ITIL (FERNANDES; ABREU, 2014). A importância dessa normatização em conjunto com outra metodologia de governança �ca clara quando analisamos o Sistema de Gestão de Serviços (SGS), que é a espinha dorsal da ISO 20000. De acordo com Fernandes e Abreu(2014, p. 266) O SGS inclui as políticas, os objetivos, os planos, os processos, os documentos e os recursos de gerenciamento de serviços requeridos para o desenho, a transição, a entrega e a melhoria dos serviços para atender aos requisitos preconizados pela norma. Dessa forma, a ISO 20000 pode aumentar a garantia dos resultados da prestação de serviços baseada nos requisitos de negócios. Desenvolver serviços com foco nas demandas dos clientes, buscando o entendimento das necessidades destes. Mapear os processos com a percepção de integração entre eles e do pressuposto de que não há processo isolado. Gerenciar os serviços com um enfoque sistêmico do início ao �m, considerando os processos da cadeia de suprimentos e o alinhamento com os clientes. Ter uma melhoria contínua e consistente dos serviços por meio do gerenciamento. Sigma A metodologia Six Sigma trabalha com a ISO 9000 e busca criar um processo de melhoria de desempenho na empresa de forma progressiva. Aborda fundamentalmente a metodologia DMAIC, que, de acordo Kunas (2012), começa com a de�nição do problema e das metas do projeto e, na sequência, mensura os aspectos críticos do processo atual, registrando os dados. Em seguida, identi�ca e analisa a relação de causa e efeito, tornando possível melhorar o processo, eliminando seus efeitos, e, �nalmente, mantém o controle do processo preventivo. A gestão da qualidade faz parte do processo de melhoria das organizações e, dessa forma, as metodologias de qualidade podem ser trabalhadas em conjunto com frameworks diretamente relacionados à governança, aumentando assim os resultados organizacionais. Qualidade A qualidade é uma temática que já vem sendo trabalhada pelas organizações há algum tempo e, sob o aspecto da governança, contribui diretamente para a padronização nas empresas, facilitando o controle processual. ISO 9000 A ISO 9000 é a normatização básica da qualidade que se refere a padrões de qualidade e gerenciamento contínuo, estabelecido pela International Organization for Standardization (ISO), os quais podem ser implementados por qualquer tipo de organização (KUNAS, 2012). Indicadores de qualidade Um dos mecanismos que servem de apoio para a gestão de outsourcing são os indicadores de desempenho que garantem que os prestadores de serviços consigam atender as expectativas dos clientes. A estruturação de indicadores deve ser realizada com base nos objetivos preestabelecidos, que têm como base as necessidades organizacionais. Esses indicadores devem ser criados já nas fases de análise e iniciação contratual e utilizados como ferramenta de monitoramento e gestão dos terceiros rumo ao desempenho. Os indicadores devem ser determinados conforme o tipo de serviço a ser realizado e conforme a importância deste para a empresa. Por exemplo, a prestação de serviços de internet tem um impacto muito menor em um negócio de um escritório de advocacia do que de uma empresa de marketing digital. Nesse caso, o indicador de internet no escritório de advocacia está relacionado à integração com o sistema dos tribunais e jurisprudência, e no caso da empresa de marketing digital, a questão de continuidade de serviços de internet ou disponibilidade durante todo o dia é mais importante, já que ela provavelmente necessita de serviços 24 x 7. Nesse sentido os indicadores podem ser vinculados contratualmente, gerando incrementos na remuneração do fornecedor e servindo, dessa maneira, como incentivo e garantia do atingimento dos objetivos de nível de serviço. Por exemplo, podem ser estabelecidas remunerações extras crescentes a partir da superação dos padrões mínimos estabelecidos em cada um dos indicadores, o que serve de estímulo ao aumento do desempenho na prestação do serviço, indo ao encontro dos objetivos da governança. Esse tipo de estratégia serve também para garantir o comprometimento dos fornecedores e como estratégia de negociação, já que se pode reduzir valores �xos de serviços em troca de percentuais correlacionados a metas. Medidas de Avaliação As metodologias que buscam melhorar o resultado das organizações, em sua maioria criadas sob o mote da governança, buscam exatamente a mesma coisa: o desempenho organizacional e devem ser trabalhadas em conjunto, quando pertinente. O uso em conjunto de diferentes metodologias permite uma complementação, fazendo com que os processos atinjam seu melhor desempenho. Por exemplo, quando falamos no uso do COBIT, entendendo-o como um framework mais abrangente, é possível complementarmos sua efetividade utilizando o ITIL para orientar as atividades e os processos relacionados à prestação de serviços em TI. Um dos itens que vale a pena destacarmos é o controle organizacional. Entre todas as metodologias citadas, é justamente esse controle que acaba sendo o ponto focal. Outro ponto de convergência das metodologias não está diretamente ligado aos acionistas, mas principalmente àqueles que estão correlacionados com a área operacional da empresa, principalmente clientes e parceiros empresariais. O que percebemos aqui é que a governança em TI, que do ponto de vista conceitual difere do conceito de governança corporativa, tem um enfoque prático diretamente contextualizado ao ambiente operacional da organização, agindo, dessa forma, como mais um meio para o estabelecimento da governança corporativa. As metodologias apresentadas comprovam esse aspecto prático da governança em TI a partir do momento em que desloca os aspectos abstratos dos conceitos e os transforma efetivamente em melhores práticas. Vale destacar que, quando se aborda a governança corporativa e a governança de TI, muitos gestores ainda têm uma ideia de que para implementá-las é necessário o uso de metodologias rebuscadas que teriam um custo de implementação caro. No entanto, essa imagem não é verdadeira. As metodologias apresentadas têm como característica a possibilidade de adequação para serem utilizadas por qualquer empresa, independentemente do tamanho e do número de acionistas. A�rmamos que elas não são caras, mas isso não quer dizer que são processos extremamente simples, e sim que são extremamente viáveis. SAIBA MAIS 1- Nas duas últimas décadas, vêm surgindo diversos modelos de melhores práticas para TI, que parecem ajustar-se às aspirações dos acionistas e do mercado, em geral, de garantir que as ações de TI estejam alinhadas com a estratégia das organizações, contribuindo para o atingimento dos objetivos dos investidores. Alguns desses modelos são originais e outros, derivados, tendo evoluído a partir de outros modelos. (TAROUCO; GRAEML, 2011) 2 - As organizações estão cada vez mais dependentes da Tecnologia da Informação (TI). Nesse sentido, se faz necessário um efetivo gerenciamento dos serviços de TI. Para fazê-lo, existem frameworks e/ou boas práticas que dão suporte para tal. A Information Technology Infrastructure Library (ITIL) fornece apoio às organizações por meio de boas práticas, que agregam valor aos negócios das organizações em consonância com a Governança de TI (PEREIRA, 2016). REFLITA 1. Leia o seguinte texto: A governança envolve estruturas e processos que buscam garantir que a TI suporte e leve os objetivos e estratégias da organização a assumirem seu va lor máximo, além de permitir controlar a execução e a qualidade dos serviços, viabilizar o acompanhamento de contratos internos e externos e de�nir, en�m, as condições para o exercício e�caz d da gestão com base em conceitos consolidados de qualidade (TAROUCO; GRAEML, 2011, p. 9) Re�ita: Em sua opinião re�ita quais seriam as principais áreas da TI que são gerenciadas com metodologias para governança. 2. Observe o texto a seguir. Segundo o IT Governace Institute, a sobrevivência e o sucesso de uma organização diante desse novo mercado globalizado, onde os tempos e as distâncias foram suprimidos, estão no efetivo gerenciamento das informações e de suas relativas tecnologias. Ou seja, as organizações precisam gerenciar sua arquitetura de informações como um todo, desde a infraestrutura atéas informações, passando pelos sistemas e processos geradores dessas informações (RODRÍGUEZ Y RODRÍGUEZ, 2007, p. 211) Re�ita: Partindo do princípio de que a governança tem um forte direcionamento no sentido de correlacionar a TI ao negócio, imagine quais seriam as principais metodologias que trabalham diretamente com a abordagem negocial. Livro Vídeo Qualidade de processos e serviços AUTORIA Cleber Jose Semensate Santos Sumário Introdução 1 - Papel do ITIL na normatização de governança 2 - Planejamento, desenvolvimento usando ITIL 3 - ITIL e metodologias de projetos de TI (PRINCE2) 4 - Atividades de estudo e levantamento de normas vigentes introdução ao ITIL Considerações Finais Introdução Prezado(a) aluno(a), A Tecnologia da Informação (TI), com o passar do tempo, começou a assumir papel de protagonista dentro das organizações. O que antes era um complemento, hoje �gura-se como um importante ativo para a permanência da empresa no mercado. Ela é um fator crítico de sucesso para a organização e assume, também, um importante diferencial de mercado na busca por melhores resultados. Há empresas que são TI pura e outras que dependem de um bom gerenciamento dessa área para considerar e consolidar a TI como fator-chave para o negócio. O apoio aos stakeholders (partes interessadas) é buscado pelo atendimento aos desa�os da TI dentro das organizações, como o alinhamento dos serviços com as necessidades atuais e futuras da organização, a complexidade dos cenários e a dependência da TI para o negócio. Tudo isso, correlacionado com investimentos corretos, redução de custos e riscos, transformou a TI em um grande campo para sustentar as organizações. A TI é um parceiro estratégico, sendo assim, necessita de ferramentas que auxiliem na utilização e no gerenciamento dessa área nas organizações, para que o nível de serviço seja adequado às necessidades organizacionais. Nesse contexto, surgem os frameworks (conjunto de regras = etapas padronizadas para a resolução de um ou vários problemas), que têm a função de auxiliar a gestão no gerenciamento dos serviços de TI dentro da empresa. Nesta unidade você conhecerá o ITIL, seus princípios, estrutura, implementação e capacidade de processos, aliados ao gerenciamento de TI. Plano de Estudo: 1. Papel do ITIL na normatização de governança 2. Planejamento, Desenvolvimento usando ITIL 3. ITIL e metodologias de projetos de TI (PRINCE2) 4. Atividades de estudo e levantamento de normas vigentes 5. Introdução ao ITIL Objetivos de Aprendizagem: 1. Tratar do funcionamento dos serviços de TI; 2. Analisar os principais pressupostos do gerenciamento de serviços na área de TI; 3. Abordar os principais processos envolvidos no gerenciamento de TI. Papel do ITIL na normatização de governança Com o advento do aumento da importância da área de TI nas organizações, surge também a necessidade de gestão dessa área. Concordando com António (2006) sobre a importância do gerenciar, destaco o conceito de Drucker (2008), que, em seus estudos, faz alusão ao fato de que gerenciar e administrar pessoas e processos pode levar a empresa a ter melhores resultados. Sem gerenciamento não há como alcançar os objetivos empresariais. A área de TI cada vez mais está dentro das organizações e, com isso, torna a necessidade de gerenciamento desse ativo um importante fator de sucesso empresarial (Figura 1). Figura 1 - Gerenciamento de serviço de TI (GSTI) Fonte: Portal GSTI (2018). O gerenciamento de serviços de TI, também conhecido por GSTI, ganhou notoriedade, pois vem auxiliando as organizações nos desa�os dessa nova fase de evolução. Além do importante alinhamento da TI com as necessidades atuais e futuras da empresa, o gerenciamento deve adequar os investimentos ao nível de serviço requerido pela organização no atendimento às necessidades dos usuários ou clientes. Dessa forma, gera valor à organização, justi�cando o retorno ao investimento. Também cabe ressaltar que o gerenciamento auxilia a empresa a ter conformidade com as leis e os regulamentos aos quais está submetida, de maneira a agir com transparência na governança em TI e corporativa, buscando manter e promover a segurança das informações e consolidando o conhecimento organizacional. A otimização dos processos e das melhores práticas servirá às organizações quanto ao alcance dos objetivos. Sozinhos, os colaboradores não têm mais condições de processar essa quantidade de informações necessárias ao dia a dia empresarial. Desse modo, a TI pode e deve utilizar os frameworks para auxílio no atendimento às suas necessidades. ITIL Versão 3 O Information Technology Infrastructure Library, ou ITIL (biblioteca composta das boas práticas para gerenciamento de serviços de TI), é atualmente utilizado para dar suporte e entrega de serviços de TI. Foi desenvolvido, inicialmente, pela Central Computing and Telecommunications Agency (CCTA) e está sob o domínio do Of�ce of Government Commerce (OGC), órgão do Reino Unido responsável por ações comerciais. A biblioteca ganha espaço pela grande necessidade de gerenciamento dos serviços de TI nas organizações, pois oferece uma estrutura de processos para manter uma infraestrutura de TI. Esses processos podem ser o desenvolvimento de serviços, gerenciamento de infraestrutura ou fornecimento de serviços. Todos podem e devem buscar melhores práticas, a�nal, as boas práticas são fator-chave para um bom gerenciamento e governança em TI. As boas práticas do ITIL têm como objetivos: servir de fonte para melhorar os processos de TI nas organizações; basear as metas para aprimorar os processos de TI, veri�cando essas boas práticas em outras empresas; fundamentar instruções sobre processos e práticas; Figura 2 - Certi�cação ITIL Fonte: Management Mania (2011-2016). respaldar decisões sobre a adoção de processos e práticas. Assim, a organização ganha uma melhor adequação às boas práticas, padronizando os processos para ganhar e�ciência, e�cácia e efetividade na entrega adequada de soluções à organização. Estruturação da Biblioteca ITIL V3 O ITL V3 auxiliará as organizações a cumprir o atendimento do serviço de TI, ou seja, a organização entregará valor aos seus clientes, com resultados positivos constantes no planejamento estratégico (CESTARI FILHO, 2011). Isso com a utilização do gerenciamento desses serviços, buscando a melhoria contínua, que é alcançada pelo uso do conjunto de capacidades organizacionais (processos e métodos de trabalho, funções, papéis e atividades) com o objetivo uni�cado dentro da organização. Possui uma estrutura única composta de um eixo (núcleo) de condução de atividades “estratégia de serviços” que norteiam os demais: desenho de serviço; transição de serviço e operação de serviço. Por fora, está a “melhoria contínua de serviços” (Figura 3). Figura 3 - Estruturação da biblioteca ITIL Fonte: Dorow (2010). A biblioteca, hoje, conta com cinco livros que fazem parte do chamado ciclo de vida do serviço, da estratégia no centro à melhoria contínua, que é a parte mais afastada do núcleo (ITIL TRAINING ACADEMY, 2017). Como todo ciclo, há o nascimento, o período de maturação e a morte ou parada de atividade. A proposta é, então, gerenciar todas as fases e não só na maturação do serviço. Com isso, as organizações podem agregar valor desde a criação do serviço até as fases posteriores (Quadro 1). Quadro 1 - Ciclo da vida dos serviços Livro Conteúdo Estratégia de Serviços Identi�ca os requisitos e as necessidades do negócio a serem contemplados pelos serviços de TI. Desenho de Serviços De acordo com a necessidade, são projetadas as soluções de TI para o atendimento das necessidades. Transição de Serviços Trata da implantação do serviço propriamente dito. Operação de Serviços Analisa a manutenção no nível de serviço estabelecido para a organização alcançar seus objetivos. Melhoria Contínua de Serviços Desenvolve a possibilidade de melhoria contínua. Fonte: Adaptado de ITIL Training Academy (2017). Planejamento, desenvolvimentousando ITIL Tem como objetivo o desenvolvimento de estratégias e modelos organizacionais baseados nos serviços de TI, contendo a descrição dos serviços que serão ofertados, como esses serviços criarão valor para os clientes, como eles irão perceber esse valor e como serão desenvolvidos os planos de negócios de modo a obter os recursos necessários aos serviços, otimizando os recursos e mensurando o desempenho de todo o serviço. Nele são encontrados os conceitos de competitividade, riscos, fatores críticos de sucesso, contabilidade orientada a serviços e valor do serviço, que é a combinação da utilidade com a garantia de que devem crescer proporcionalmente (Figura 4). Figura 4 - Resultado da estratégia de serviços Fonte: adaptado de ITIL Training Academy (2017). Conforme a Figura 4, os serviços são resultado da sua utilidade e garantia adequadas ao propósito e ao uso, com objetivo de criar valor à organização. Os serviços podem ter três tipos de provedores, um servindo a uma unidade de negócio apenas, outro atendendo a várias unidades de negócio, e um terceiro que responda a várias organizações. A escolha dependerá dos resultados esperados para uma melhor adequação, a�nal, a TI deve �gurar-se como um ativo, ou seja, deve ser utilizada para prover serviços con�áveis. Para o desenvolvimento do serviço, esses ativos se dividem em recursos (capital �nanceiro, infraestrutura, aplicações, informação e pessoas) e habilidades (gerenciamento, organização, processos, conhecimento e pessoas). Os processos, no Livro 1, são encontrados em quatro mnemônicos conforme o Quadro 2 a seguir. Desenho de Serviços Tem como objetivo o desenho e a evolução de serviços para atender aos requisitos atuais e futuros da organização. Traduz o processo �nal do livro Estratégia de Serviços chamado Service Level Package (SLP), o qual de�ne o valor dos serviços em termos de utilidade e garantia. Nesse livro, o SLP é visto em um conjunto de especi�cações: produz e mantém planos, processos, políticas, padrões e arquiteturas para a criação dos serviços; desenha serviços que forneçam resultados adequados ao negócio; concebe processos para suportar o ciclo de vida dos serviços; desenvolve habilidades e capacidades de TI; projetam recursos seguros e resilientes de infraestrutura, ambiente, aplicações e dados; e cria métodos de mensuração e métricas. Nele, são encontrados os papéis de pessoas, produtos, processos e parceiros, tudo para realizar as atividades de desenvolvimento, produção, gerenciamento e alinhamento dos serviços com políticas e estratégias. Na Figura 5 e no Quadro 3, você verá os processos desse livro. Quadro 2 - Processos detalhados do Livro 1 “Est” geração da estratégia De�ne o mercado a ser atendido e os recursos necessários para o atendimento das necessidades desse mercado. “Fin” gestão �nanceira Compreende as atividades de orçamento, contabilização e cobrança. “Port” gerência de portfólio Descreve os serviços que geram valor ao negócio. Aqui são de�nidos, analisados, aprovados e controlados os processos em atendimento à estratégia do serviço. “Dem” gestão de demandas Estuda a demanda para a correta aplicação dos serviços. Fonte: adaptado de ITIL Training Academy (2017). Figura 5 - Esquema do livro 2 Fonte: adaptado de ITIL Training Academy (2017). Quadro 3 - Processos detalhados do Livro 2 “Cat” gerenciamento do catálogo de serviços Atua como fonte centralizada de informações sobre todos os serviços acordados e assegura que estejam disponíveis aos usuários autorizados a trabalhar com eles. “Niv” gerenciamento de nível de serviço Garante que os serviços tenham o desempenho esperado pela organização. “Disp” gerenciamento da disponibilidade Assegura que os serviços sejam entregues de acordo com o projetado. “Cap” gerenciamento da capacidade Mantém os níveis de entrega de serviços a custos acessíveis, assegurando que a capacidade da infraestrutura de TI �que alinhada às necessidades do negócio. “Cont” gerenciamento da continuidade de serviço Tem como objetivo manter continuamente a capacidade de recuperação dos serviços de TI para o atendimento a necessidades, requisitos e prazos do negócio. “SI” gestão de segurança da informação Alinha a segurança de TI ao negócio e às boas práticas de governança em TI e corporativa. “For” gerenciamento de fornecedor Gerencia os fornecedores e serviços ofertados à organização de acordo com as metas de TI. Fonte: adaptado de ITIL Training Academy (2017). ITIL e metodologias de projetos de TI (PRINCE2) Tem como objetivo o planejamento e gerenciamento dos recursos para a entrega dos objetivos empresariais, assegurando o menor impacto possível nos serviços e departamentos da empresa. Além disso, gera uma maior satisfação dos clientes internos e externos com os novos projetos alinhados a transparência da informação, propostas de mudanças e projetos compreensivos e de fácil condução ajustados aos planos de transição de serviço. Nele, são encontrados os sistemas de gerenciamento de con�guração, que são utilizados para gerenciar os serviços de TI no que tange ao sistema de suporte, deixando mais robusto o nível de atendimento. Esse sistema tem quatro camadas (camada de apresentação, camada de processamento de conhecimento, camada de integração de informação e camada de dados). A seguir no Quadro 4, veremos os processos desse livro: Quadro 4 - Processos detalhados do Livro 3 “Mu” gerenciamento de mudança Assegura que as mudanças sejam feitas de forma controlada e sejam avaliadas, priorizadas, planejadas, testadas, implantadas e documentadas. “Conf” gerenciamento da con�guração e de ativo de serviço Identi�ca todos os itens de con�guração necessários para que a TI entregue os serviços. “Conh” gerenciamento do conhecimento Garante que as pessoas certas tenham o conhecimento adequado para entregar e suportar os serviços requeridos. “Sup” planejamento e suporte da transição Aprimora as habilidades e a e�ciência do provedor de serviços. “Lib” gerenciamento de liberação e implantação Trata da liberação do serviço no ambiente de produção para sua implantação de fato. “Val” validação de serviço e testes Cuida das evidências de que o serviço novo ou alterado suportará os requisitos planejados para o negócio. “Aval” avaliação Assegura que o serviço continue sendo relevante ao atingimento das metas propostas. Fonte: adaptado de ITIL Training Academy (2017). Operação de Serviços Tem como objetivo a entrega, aos clientes e usuários, dos níveis de serviço planejados e desejados pela direção da empresa, cuidando do gerenciamento da aplicação, tecnologia e infraestrutura que suportam a entrega da TI para a governança. Nele são encontrados os conceitos de requisição de serviço, evento, alerta, incidente, problema, solução de contorno (workaround), erro conhecido (known error), base de erros conhecidos, impacto, urgência e prioridade e importância da comunicação. Tudo isso para a prevenção dos problemas que podem ocorrer durante a entrega do serviço à organização. A seguir, veremos os processos desse livro (Quadro 5). @freepik Aqui, alguns cuidados devem ser estudados, como os objetivos que podem ser con�itantes (visão interna versus visão externa, estabilidade versus tempo de atendimento, qualidade versus custos e atividades proativas versus reativas), para que a organização tenha evolução nos níveis de atendimento sem que algum desses objetivos �que distante do planejado pela empresa. Nesse livro também surgem as principais funções de operação de contenção de incidentes como a central de serviços (Service Desk), o gerenciamento técnico, e o gerenciamento de aplicações e operações de TI. Quadro 5 - Processos detalhados do Livro 4 “In” gerenciamento de incidentes Restaura o serviço ao normal o mais rápido possível em caso de incidentes. “Ev” gerenciamento de eventos Refere-se a qualquer ocorrência identi�cável que seja signi�cativa para a gestão de TI que possa vir a alterar o nível de atendimentodo negócio. “Cump” cumprimento de requisições Permite ao usuário requerer e receber serviços, fornecendo-os e entregando-os, provendo informações sobre eles com um suporte adequado. “Ace” gerenciamento de acesso Providencia acesso necessário aos serviços ou grupo de serviços para os usuários autorizados. “Prob” gerenciamento de problemas Previne problemas e incidentes resultantes de problemas, bem como demais incidentes que possam ocorrer no atendimento das necessidades do serviço ao negócio. Fonte: adaptado de ITIL Training Academy (2017). Atividades de estudo e levantamento de normas vigentes introdução ao ITIL Tem como objetivo oferecer um guia prático de avaliação e melhoria da qualidade de serviço, assim como as boas práticas de melhoria geral do ciclo de gerenciamento do serviço de TI para assegurar os objetivos da governança de TI e a governança corporativa, não só para o serviço atual da empresa, mas para as necessidades futuras da organização. Assim, os serviços poderão ser aperfeiçoados, com investimentos corretos a custos adequados, e serviços mensurados por indicadores de controle, ou seja, a melhoria contínua propriamente dita. Nesse livro há o fechamento do ciclo de controle, pois ele trata do acompanhamento pelas métricas, analisando os resultados obtidos com os desejados e tomando as devidas ações de correção ou melhoria, o que conhecemos na administração como ciclo PDCA. A seguir, veremos os processos desse livro (Quadro 6). @freepik O ITIL recomenda três tipos de métrica , a de serviço, a de processo e a de tecnologia, para serem utilizados continuamente na veri�cação de resultados dos processos, a �m de propor melhorias e aperfeiçoar as atividades que aumentem a qualidade, a e�ciência, a e�cácia e a efetividade dos serviços, com o intuito de atender às necessidades dos clientes. A biblioteca ITIL �gura-se, por intermédio de seus livros e pro�ssionais habilitados, como um instrumento de grande importância para o gerenciamento de TI. Não é o único e deve ser utilizado com os demais frameworks disponíveis para o atingimento das melhores práticas. Lembre-se de que as ferramentas devem ser empregadas corretamente para que os objetivos possam ser atingidos, permitindo às organizações gerar valor percebido pelos clientes e obter, assim, retorno positivo ao capital investido. Quadro 6 - Processos detalhados do Livro 5 "7p" melhoria em sete passos Baseado no ciclo PDCA, tem como objetivo propor as melhorias seguindo os passos (de�nir o que deve ser medido, de�nir o que pode medir, coletar dados, apresentar e usar a informação, implantar ação corretiva). "Mens" mensuração de serviços Tem como objetivo validar decisões, direcionar atividades para o alcance das metas e fornecer evidências que justi�quem ações e, eventualmente, tomar ações corretivas. "Rel" elaboração de relatórios de serviços Aqui são gerados e fornecidos relatórios sobre os resultados alcançados e o desenvolvimento nos níveis de serviço. Fonte: adaptado de ITIL Training Academy (c2017). SAIBA MAIS O guia de melhores práticas ITIL (Information Technology Infrastructure Library) e seu histórico A ITIL é um padrão mundial que tem como objetivo prover um conjunto de melhores práticas no gerenciamento de serviços de TI, que são testadas e comprovadas no mercado. Estas práticas descritas na ITIL servem como balizas, tanto para organizações que já possuem operações de TI ou para empresas que pretendem implementar melhorias (FERNANDES; ABREU, 2008). O modelo da ITIL nasceu e evoluiu a partir de uma iniciativa do governo britânico que, em virtude dos seus problemas relacionados ao atendimento dos serviços de TI, solicitou a criação de um método que pudesse prover o completo gerenciamento destes serviços de TI e que suas entregas tivessem a qualidade desejada (FRANÇA, 2012). Em 1980, foi iniciado o projeto dos primeiros livros. Em 1990, a primeira versão foi publicada. Em 1991, foi criado o itSMF (Information Technology Service Management Forum), com o objetivo de promover a troca de informações e experiências que permitem às organizações melhorarem os serviços que oferecem, organizando congresso, encontros especiais e outros eventos sobre assuntos ligados a gerenciamento de serviços de TI. Em 2000, foi criada a segunda versão da ITIL com 7 livros. Além disto, houve um fato importante na história da ITIL: este foi consolidado como padrão de fato. Em 2004, a ITIL foi lançada no Brasil. Em 2005, foi lançada a ISO/IEC 20000. Em 2006, a ITIL foi consolidada como padrão global de fato. A versão mais atual da ITIL é a versão 3 e foi lançada em 2007 (BON, 2008; BARCELLOS; RODRIGUES, 2009). [...] Fonte: Oliveira e Sombrio (2015, p. 3-4). REFLITA Leia o texto a seguir: A ITIL objetiva o alinhamento entre a área de TI e as demais áreas de negócio, de modo a garantir a geração de valor à organização. Esse conjunto trabalha na identi�cação de processos da área de TI e no alinhamento dos serviços às necessidades da organização, promovendo uma abordagem qualitativa para o uso econômico, efetivo, e�caz e e�ciente da infra-estrutura de TI (BARBOSA; ARAÚJO; TORRES, 2011, p. 35). Re�ita: Tendo em vista a necessidade de um gerenciamento baseado no ITIL, re�ita quais seriam as etapas do ciclo de serviços a serem gerenciados. Leia o texto a seguir: A Governança de TI busca o compartilhamento de decisões de TI com os demais dirigentes da organização, assim como estabelece as regras, a organização e os processos que nortearão o uso da tecnologia da informação pelos usuários, departamentos, divisões, negócios da organização, fornecedores e clientes, determinando como a TI deve prover os serviços para a empresa (BARBOSA; ARAÚJO, 2011, p. 34) Re�ita: No contexto da governança, re�ita qual seria a importância dos processos de suporte aos serviços e os de entrega do serviço. Livro Web Sumário executivo AUTORIA Cleber Jose Semensate Santos Sumário Introdução 1 - Planejamento e análise estatística COBIT e governança 2 - A estrutura (framework) COBIT 3 - Implementação e princípios do COBIT 4 - Integrando ITIL, COBIT e ISO 20000 Considerações Finais Introdução Prezado(a) aluno(a), A transparência deixou de ser algo que tangencia as organizações para ser necessária à manutenção da empresa no mercado. O relacionamento da empresa com seus públicos exige cada vez mais atitudes transparentes, e os gestores devem incorporar os conceitos da governança corporativa para mapear suas ações e decisões. O atendimento à governança corporativa garantirá a busca por melhores resultados, o que inclui uma maior valorização da empresa, agregando valor ao produto e à marca. Para que a governança seja alcançada, as empresas também necessitam da governança em TI, visto que a quantidade de informações a serem processadas cresce em progressão geométrica. A TI cada vez mais �gura-se como suporte obrigatório para que a organização alcance seus objetivos e metas. Para que a governança em TI seja evidenciada e aplicada, necessita de ferramentas para sustentar a grande carga de trabalho à qual estará submetida. Entre essas ferramentas surgem os frameworks (conjunto de regras = etapas padronizadas para a resolução de um ou vários problemas), que vêm para auxiliar as organizações na criação de valor para TI. Nesta unidade você conhecerá o COBIT, seus princípios, estrutura, implementação e capacidade de processos, aliados à governança em TI. Plano de Estudo: 1. Planejamento e análise estatística COBIT e Governança 2. A Estrutura (framework) COBIT 3. Auditoria e controle 4. Implementação do COBIT 5. Integrando ITIL, COBIT e ISO 20000 Objetivos de Aprendizagem: 1. Conhecer os Princípios e estruturas do COBIT; 2. Entender como se dá a Implementação do COBIT; 3. Estudar a capacidade de processos do COBIT. Planejamento e análise estatística COBIT e governança Para introduzir o conceito de framework, cabe ressaltar a importância da governança em TI para as organizações. Não se tratado meio, mas do �m no que tange ao alcance dos objetivos e metas, devido à grande complexidade do processamento de informações e grau de transparência exigido pelo mercado das empresas. Mesmo empresas de pequeno porte, se não estiverem bem estruturadas e planejadas, tendem a não permanecer no mercado. Hoje, a velocidade de adaptação tem que ser muito grande, pois há uma exigência para tal, estamos vivendo a era do nanossegundo. E a governança em TI deve �car em consonância com a governança corporativa para melhorar as práticas empresariais focadas no melhor relacionamento da empresa com os seus públicos. Se os recursos fossem ilimitados, possivelmente a governança em TI não seria hoje como conhecemos. Mas essa premissa não é verdadeira, os recursos são limitados e devem cumprir com o planejado para serem realmente aproveitados ao máximo para maximizar os resultados esperados. Nesse contexto, é a governança que dará o suporte necessário à empresa para o cumprimento do planejamento estratégico de�nido pela alta direção (Figura 1). Figura 1 - Tarefas organizacionais existentes em governança em TI Fonte: IT Governance Network (2008-2018). A norma pede que a governança em TI, na organização, seja composta de três tarefas (INTERNATIONAL ORGANIZATION FOR STANDARDIZATION, 2015). A primeira é mensurar o uso atual e futuro dos componentes da TI, a segunda é planejar a implementação de projetos de TI para que contemple os objetivos traçados pela organização, e a terceira é monitorar se esses objetivos e metas estão sendo cumpridos de acordo com o investimento feito na área. Cabe ressaltar, caro(a) leitor(a), os três itens a serem buscados pelos gestores de TI: Avaliar: planejar corretamente as necessidades atuais da empresa e também as projeções de crescimento para que os investimentos cumpram com seu papel, que é a manutenção do nível de serviço desejado pela organização. Dirigir: após o planejamento, os gestores responsáveis pela preparação e implementação dos planos e políticas devem fazer cumprir o que foi alocado de recursos para o correto direcionamento proposto pela alta direção. Monitorar: devem acompanhar todo o projeto com indicadores de desempenho, para, assim, tomar ações de correção ou melhoria para que a TI �que em conformidade com as necessidades da organização. A estrutura (framework) COBIT A ISACA é um organismo de classe mundial composto de várias empresas de TI, que efetua certi�cações de segurança e auditoria de governança e risco internacionalmente reconhecido. O COBIT realiza a integração de outros frameworks publicados pelo instituto, caracterizando-se por ser um conjunto de boas práticas e recomendações de governança em TI. Hoje, em sua quinta versão, conta com uma arquitetura formada por quatro domínios que auxiliam as organizações a criar valor para as soluções de TI, mantendo a obtenção de resultados pelo investimento destinado à TI nas empresas e otimizando a utilização dos recursos e os níveis de governança planejados (Figura 2). Auditoria e Controle Tem como objetivos centrais ofertar um framework abrangente para otimizar o valor gerado pela TI nas organizações e permitir o gerenciamento da TI de forma transparente e integrada, criando sinergia entre a TI e os demais departamentos da empresa, focada no alcance das metas propostas pela direção da empresa. A Figura 3 mostra a evolução do framework, desde o começo, quando foi utilizado para auditoria e controles de TI, até o momento atual, em que se alinha a outros padrões de mercado como Information Technology Infrastructure Library (ITIL), ISO, Body Project Management of Knowledge, PRINCE2 e The Open Group Architecture Framework (TOGAF). Figura 2 - COBIT 5 como framework da ISACA Fonte: Architecture Center (2018). Figura 3 - Grá�co demonstrando a evolução do framework Fonte: MindMeister (2018). Sendo assim, promove para as organizações um melhor gerenciamento das informações, mantendo qualidade e segurança necessárias para gerar conhecimento e os riscos sobre controle. Além disso, otimiza os custos e deixa a empresa adequada com as leis, regulamentos e acordos nos quais está inserida, atendendo, assim, a todos os stakeholders (partes interessadas) da organização. Implementação e princípios do COBIT O COBIT é composto por cinco princípios, sobre os quais faremos uma breve explicação (Figura 4). Figura 4 - Princípios que compõem o COBIT 5 Fonte: Bissong (2014). Princípio 1: Atender às Necessidades dos Stakeholders A empresa existe para criar valor aos públicos a ela relacionados (stakeholders), como acionistas, fornecedores, clientes, colaboradores e a sociedade, entre outros. Criar valor signi�ca obter resultados por intermédio de recursos aplicados aos processos, controlando os riscos e atuando com transparência. Nesse princípio, o COBIT de�nirá quem receberá os benefícios, quem assumirá os riscos e quais serão os recursos necessários (Figura 5). Figura 5 - Necessidades relacionadas ao princípio 1 Fonte: Kolb (2014a). As necessidades viram objetivos e metas da estratégia corporativa e são bem aderentes ao conceito de alinhamento estratégico de TI e do negócio em si. O COBIT aplica o conceito de cascata, a �m de, assim, colocar os objetivos em ordem lógica para viabilizar seu atingimento. Desse modo, são alcançados os objetivos pela sua de�nição tangível, pois ela alinha o conhecimento do COBIT com o conhecimento do negócio, permanecendo, então, o objetivo comum entre as áreas (Figura 6). Figura 6 - Objetivos de áreas segundo o COBIT Fonte: Redbelt (2017). Princípio 2: Cobrir a Organização de Ponta a Ponta Este segundo princípio diz respeito a deixar toda a organização amparada pela integração da governança corporativa em TI dentro da governança corporativa. Integrando nela todos os processos e funções requeridos, a TI deve ser visualizada como um grande ativo da empresa. O nível gerencial assume o papel de responsável por esse alinhamento (Figura 7). Figura 7 - Necessidades relacionadas ao princípio 2 Fonte: Kolb (2014b). O objetivo central é a criação de valor, quando os facilitadores de governança (recursos organizacionais usados na governança, como princípios, estruturas, processos e práticas) são correlacionados com o escopo da governança (local de aplicação da governança) e os papéis, as atividades e o relacionamento que são a base (mostra quem, como e o que faz cada participante dentro do escopo). Princípio 3: Aplicar um Framework Único e Integrado Esse é o fundamento da integração, ser uma solução única e globalizada, pois incorpora as demais na busca pela governança transparente em TI, ou seja, o COBIT �gura-se como integrador para governança e gestão (Figura 8). Figura 8 - Mapeamento do CoBIT® 5 Fonte: Swart (2018). Princípio 4: Possibilitar uma abordagem holística A abordagem holística dentro da organização signi�ca que o projeto deve abranger a empresa como um todo, áreas não podem ser deixadas de lado. O COBIT apoiará a governança e gestão em TI por intermédio de sete viabilizadores (fatores que individual e coletivamente in�uenciarão o funcionamento da governança) (Ver Quadro 1 e Figura 9). Figura 9 - Necessidades relacionadas ao princípio 4 Fonte: Bakshi (2017). Quadro 1 - Fatores que in�uenciam o funcionamento da governança Viabilizadores Explanação Princípios, políticas e frameworks São os itens que traduzem o funcionamento desejado à organização. Processos São os processos descritos de uma forma prática, utilizados para atingir as metas e os objetivos propostos. Estruturas organizacionais Representam como a organização está organizada em níveis de decisão e execução, Cultura, ética e comportamento São a base para a formação da TI; têm que focar no mesmo objetivo. Informação A informação deve ser única, protegida e ter ampla circulação dentro da empresa para o bom funcionamento da governança. Serviços, infraestrutura e aplicações Incluem todos os recursos de TI que fornecem serviços à organização. Pessoas, habilidades e competênciasSão chave para o sucesso da governança, principalmente na tomada de decisão. Fonte: adaptado de ISACA (2018b). Esses viabilizadores têm, em conjunto, algumas dimensões para que forneçam uma estrutura simples que permita o gerenciamento na busca de resultados bem- sucedidos. As dimensões são os stakeholders (todos os públicos a serem contemplados com a governança e a transparência), os objetivos (que devem ser alcançados e criar valor à organização), o ciclo de vida (pois cada viabilizador é planejado, executado e monitorado para manter a melhoria contínua), e as boas práticas (papel fundamental para a governança, pois são mensuradas também seguindo o �uxo da melhoria contínua). Tudo isso é gerenciado e acompanhado pela gestão, por exemplo, se as necessidades foram atingidas, se os objetivos foram alcançados, se o ciclo ainda está acontecendo, se as boas práticas realmente estão sendo seguidas ou se deve se fazer alguma intervenção para melhorar algum processo. Princípio 5: Separar a Governança da Gestão Neste momento, devem ser separadas gestão de governança, para que as duas sejam atingidas. A governança, para assegurar que as necessidades sejam atendidas, ou seja, obrigação da alta direção da empresa para garantir os recursos necessários, tudo bem planejado. A gestão, por sua vez, para certi�car que as atividades alinhadas com a direção estratégica estabelecida pela governança sejam planejadas, construídas, executadas e monitoradas. Veremos mais sobre governança e gestão no modelo de referência do COBIT. Integrando ITIL, COBIT e ISO 20000 Aqui, o COBIT subdivide os 37 processos de TI nas duas áreas – governança e gestão –, as quais são divididas em domínios de processos, conforme mostra a Figura 10. Figura 10 - Processos de TI nas áreas de governança e gestão Fonte: Malcher Junior (2017). A governança tem um domínio de “avaliar, dirigir e monitorar” (EDM) com cinco processos de governança, que ditam as responsabilidades da alta direção para a utilização dos recursos de TI. Ficam cobertos os processos de uso do framework de governança, o estabelecimento das responsabilidades, os fatores de risco e recursos e a transparência exigida por todos os stakeholders. Já o processo de gestão contém quatro domínios de acordo com as áreas de responsabilidade de planejar, criar, executar e monitorar (PBRM), explicados no Quadro 2. Vejao quadro-resumo na Figura 11. Quadro 2 - Quatro domínios de acordo com as áreas de responsabilidade Domínio Explanação APO – Alinhar, Planejar e Organizar Diz respeito à forma como a TI contribuirá melhor com o alcance dos objetivos do negócio. Aqui encontram-se os processos referentes à estratégia e às táticas de TI e os gerenciamentos (orçamento, qualidade, riscos e segurança). BAI – Construir, Adquirir e Implementar Refere-se a operacionalizar a estratégia montada em TI, cuida do gerenciamento da disponibilidade e capacidade, das mudanças organizacionais, transição de processos, en�m, auxilia a tornar a TI um ativo da organização. DSS – Entregar, Servir e Suportar Trata da entrega dos serviços para atendimento aos objetivos da organização. O domínio tem poder de gerenciar processos, garantir a segurança da informação, ou seja, controlar os processos do negócio. MEA – Monitorar, Avaliar e Medir Mensura o desempenho dos processos de TI, avaliando a conformidade com os objetivos e com os requisitos externos, garantindo a transparência e a criação de valor. Fonte: adaptado de ISACA (2018b). Figura 11 - Resumos dos processos gerenciais de TI Fonte: Veras (2015). Esses processos são desdobrados em práticas de governança ou práticas de gestão, que perfazem os objetivos do COBIT. Os processos, por sua vez, seguem estruturas e modelos baseados na metodologia de projetos. En�m, a governança em TI e a governança corporativa podem auxiliar muito as organizações na criação de valor, permitindo que as informações gerem conhecimento por meio de boas práticas e transparência. Sem isso, as organizações encontram barreiras no seu crescimento. SAIBA MAIS 1- No Brasil, seguem informações sobre o ente máximo das normas técnicas: a ABNT é o Foro Nacional de Normalização por reconhecimento da sociedade brasileira desde a sua fundação, em 28 de setembro de 1940, e con�rmado pelo governo federal por meio de diversos instrumentos legais. Entidade privada e sem �ns lucrativos, a ABNT é membro fundador da International Organization for Standardization (Organização Internacional de Normalização – ISO), da Comisión Panamericana de Normas Técnicas (Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas – Copant) e da Asociación Mercosur de Normalización (Associação Mercosul de Normalização – AMN). Desde a sua fundação, é também membro da International Electrotechnical Commission (Comissão Eletrotécnica Internacional – IEC). A ABNT é responsável pela produção das Normas Brasileiras (ABNT NBR), elaboradas por seus Comitês Brasileiros (ABNT/CB), Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ ONS) e Comissões de Estudo Especiais (ABNT/CEE). Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (2014). 2- A ISACA dispõe de um guia de implementação do COBIT 5, que é baseado em um ciclo de melhoria contínua. O conteúdo é bastante importante para que o COBIT tenha aderência dentro da organização, é documento indispensável para que o framework funcione adequadamente. O guia é apoiado por um conjunto de ferramentas de implementação que contém uma variedade de recursos. Acesse o site da ISACA e obtenha maiores informações, ainda mais se gostar e for exercer papel de gestor ou facilitador dentro de uma organização. Link: https://goo.gl/TA6yP4 Fonte: ISACA (2018a). https://goo.gl/TA6yP4 REFLITA COBIT - Cobrir a empresa de ponta a ponta O COBIT 5 não concentra o seu foco apenas na área de TI, mas sim na governança e no gerenciamento da informação e da tecnologia relacionadas onde quer que estejam, cobrindo a empresa de ponta a ponta. Nesse sentido, integra a governança empresária de TI ao contexto da governança corporativa e endereça todos os serviços de TI e processos de negócio (internos e externos). Um sistema de governança é formado pelos seguintes componentes: 1. Habilitadores da governança – recursos organizacionais utilizados para a governança, como princípios, frameworks, estruturas, processos e práticas, através dos (ou para os) quais são conduzidas ações e atingidos objetivos. 2. Escopo da governança – área que será efetivamente governada (desde um ativo tangível ou intangível até uma entidade ou mesmo a empresa inteira. 3. Papéis, atividades e relacionamentos – de�nem as partes interessadas envolvidas, o que elas fazem e como devem interagir dentro do escopo do sistema de governança. Fonte: Fernandes e Abreu (2014, p. 208-209). Livro Vídeo Nesta apostila entendemos que com a evolução do mercado e os movimentos de globalização, o crescimento e a descentralização das organizações vêm sendo consequências inevitáveis, demandando novas ferramentas que garantam o curso das empresas, bem como os retornos dos investimentos realizados. Desta forma, vimos algumas práticas de gestão que permitem a padronização e o controle da organização, garantindo a manutenção de seu desempenho, tendo por base princípios que vão ao encontro da responsabilidade social. Estudamos que a área de tecnologia da informação (TI) é responsável por uma série de investimentos e projetos que impactam diferentes segmentos organizacionais, também vem absorvendo as premissas de governança. Rea�rmamos a relação entre a governança corporativa e a tecnologia da informação, com a �nalidade de entendermos como os preceitos de governança podem ser inseridos no dia a dia das atividades dessa área. Por �m, apresentamos os conceitos de governança ligados à TI e, na sequência, abordamos metodologias, procedimentos e formas de planejamento que já vêm sendo utilizadas pelos setores da área, a �m de alinhá-la aos princípios da governança. Não pare por aqui! Vamos em frente! Um abraço!Conclusão 00-Gestão e Governança em TI 01-Introdução a Gestão e Governança em TI 02-Normas da Governança em TI 03-Qualidade de processos e serviços 04-Sumário executivo 05-Conclusão