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BUSINESS INTELIGENCE – BI AULA 4 Prof. Elizeu Barroso Alves Conversa inicial Depois de conhecermos algumas ferramentas de processamento de dados, que são as fontes de informações para soluções nas empresas, focaremos a base de qualquer organização: os processos. Discutiremos a implantação de reengenharia nos processos organizacionais, aqueles que são originados na necessidade de se atualizar e até mesmo radicalizar os desenhos de processo. Depois, trataremos do Ciclo PDCA, que é um ciclo que visa a melhoria contínua nas organizações. Assim, para que o Business Intelligence (BI) seja implantado com maestria, é necessário que a organização reveja todos os processos e os renove, muitas vezes, de forma radical, pois de nada adianta um BI capaz de trazer diversas soluções se seu cerne está baseado em processos errôneos ou desatualizados. Contextualizando Leia atentamente a situação-problema a seguir. Luiza Mary Alvarez está explanando para a sua equipe como será aplicado o ciclo PDCA nos processos de relacionamentos com os clientes. Ela está explicando a etapa em que serão escolhidas as pessoas mais capacitadas para desenvolver o ciclo, além de como selecionar quais métodos complementares serão utilizados e quais objetivos precisam de foco nesse momento, pois essa é a fase de identificar os problemas, hierarquizá-los e criar planos de ação para solucioná-los da melhor forma possível. Essa etapa trata de: a) agir b) fazer c) migrar d) checar e) planejar Alternativa correta: e. É na etapa planejar que serão escolhidas as pessoas mais capacitadas para desenvolver o ciclo, além dos métodos complementares que serão utilizados e os objetivos que precisam de foco nesse momento, pois essa é a fase de identificar os problemas, hierarquizá-los e criar planos de ação para solucioná-los da melhor forma possível. 3 TEMA 1 – definição Crédito: Wright Studio/Shutterstock. Você deve se lembrar de que, anteriormente, tratamos de processos e de como o Business Intelligence (BI) potencializa a eficácia deles. Agora, trataremos da reengenharia dos processos. Ora, mesmo o software mais moderno de BI está fadado ao insucesso se os processos da empresa não forem bem definidos. Sabemos que uma das bases da implantação de um BI é a análise profícua dos processos, além da verificação do que pode ser potencializado, do que deve ser excluído e do que deve ser redesenhado. E é esse redesenho com foco na eficácia que chamamos de reengenharia de processos ou Business Process Reengineering (BPR). A reengenharia questiona toda a forma de trabalhar de uma organização, gerando uma redefinição total de processos. Por este motivo, a sua utilização e implementação precisa passar primeiro por um processo de definição de estratégia e recolhimento de informações sobre necessidades e expectativas dos stakeholders, a fim de mapear os processos que requerem melhorias. Feito isso, os gestores poderão vislumbrar quais são os pontos que devem ser otimizados e os que serão descartados, caso não tenham valor real para a organização. (Periard, 2011) E por que as empresas realizam essa ação de reengenharia? Para se manterem mais competitivas no mercado. Esse repensar os processos pode 4 ocorrer em diversas áreas da organização, como produção, atendimento ao cliente, comunicação, fluxo de informações, enfim, em qualquer processo em que seja necessária uma intervenção. Com isso, apontamos que a reengenharia tem muito a ver com qualidade e a assertividade nos processos. Assim, a empresa analisa o ambiente em que está inserida, ou seja, seus concorrentes, fornecedores, clientes etc., bem como analisa seus processos internos. Isso com o intuito de encontrar inconstâncias que atrapalham o seu desempenho ou, então, processos que, se repensados, podem trazer benefícios. Vejamos a seguir exemplos de reengenharia nas empresas, seus processos e como eles são executados. Quadro 1 – Exemplos de reengenharia nas empresas Processo Como Desenvolvimento de um novo produto Essa iniciativa geralmente acontece quando os produtos atuais já são bastantes conhecidos no mercado e a empresa quer oferecer algo novo para atender as expectativas dos clientes. Nesse sentido, a reengenharia de processos servirá para repensar o que a empresa tem oferecido e refletir sobre os resultados que poderão ser alcançados com essa novidade. Relacionamento com os clientes Outro exemplo de uso da reengenharia pode ser observado nas mudanças feitas no modo com que a empresa se relaciona com seus clientes. Se antes o relacionamento acabava com o fechamento do negócio, agora ele pode ser revisto a partir do desenvolvimento de estratégias que vão além do momento da compra. O jeito com que a empresa lida com reclamações e promove seus produtos e serviços pode ser redesenhado, deixando os clientes mais satisfeitos e fidelizados. Operações de produção Muitas empresas utilizam a reengenharia com o objetivo de otimizar a produção e melhorar a qualidade do serviço. Mudanças na disposição das máquinas, 5 equipamentos e postos de trabalho são feitas a fim de alcançar o máximo rendimento possível. Integração de sistemas Tem se tornado cada vez mais comum. Desenvolver um ambiente digital integrado é uma exigência do mercado atual. A intenção é criar um fluxo de trabalho mais simples e otimizado. As empresas vêm percebendo a necessidade de utilizar sistemas que conversem entre si. Isso facilita a troca de dados entre diferentes setores, o que aumenta a produtividade e reduz o número de conflitos. As informações, então, passam a circular com mais fluidez e agilidade. Fonte: adaptado de Doyle, 2019. Além das aplicações em setores e atividades, podemos também entender a aplicação da reengenharia em níveis de gestão de processo, operacional e na própria gestão de negócios. Vejamos: Quadro 2 – Níveis gerenciais e a reengenharia Processo Como Operacional As pessoas passam a trabalhar em equipes multifuncionais e as relações hierárquicas, que geralmente criam conflitos são eliminadas. O excesso de hierarquias, com grande diluição de responsabilidade, torna o processo decisório lento e burocratizado Gestão de processos Neste nível, ocorrem as maiores mudanças no que tange a aplicação das inovações tecnológicas. Os processos são todos integrados e informatizados. Gestão de negócios Neste nível ocorrem as maiores mudanças na empresa. Rompem-se as barreiras com clientes e fornecedores, e todos integrados, repensam os negócios, e até criam novos negócios e produtos. Fonte: adaptado de Periard, 2011. 6 Analisando os quadros 1 e 2, podemos sintetizar a reengenharia como o redesenho dos processos, no qual as empresas buscam sanar problemas e aumentar sua taxa de efetividade do negócio, ou seja, conduzir a empresa no intuito de obter maior eficiência nos processos, otimizando, muitas vezes, a mão de obra e revendo ou cortando custos. Vejamos, a seguir, um caso prático. Caso prático: exemplo mais específico de reengenharia em uma empresa de transporte de grãos Este é um dos mais claros exemplos de sucesso de reengenharia. Uma empresa de processamento de cereais percebeu que, devido às péssimas condições das estradas, quase 20% dos grãos colhidos nas áreas rurais se perdia no meio do caminho até os grandes centros de consumo. Para solucionar essa questão, a empresa recorreu à reengenharia de processos e concluiu que seria mais conveniente, do ponto de vista de custos, transferir as fábricas que processam os grãos para um local próximo aos grandes centros, resultando em perdas bem menores de mercadoria. Fonte: Doyle, 2019 Note que a empresa de grãos citada chegou à conclusão de que havia muita perda ao longo da rota queutilizava e a saída para esse problema foi a transferência de local das fábricas. Em um primeiro momento, você deve pensar em um possível aumento de custo. Na verdade, isso não ocorre se pensarmos em longo prazo, visto que não está na alçada da empresa a solução das estradas. Mais importante do que saber o que é reengenharia é não a confundir com a metodologia de gerenciamento de processos. 7 TEMA 2 – DIFERENÇA ENTRE REENGENHARIA DE PROCESSOS E METODOLOGIA DE GERENCIAMENTO DE PROCESSOS Crédito: SFIO CRACHO/Shutterstock. Bem, você já sabe o que é reengenharia. E o que é a metodologia de gerenciamento de processos? Você também já sabe, pois já abordamos esse assunto anteriormente. É o Business Process Management (BPM). A primeira metodologia contribui diretamente para a satisfação do cliente trabalhando nos específicos processos que precisam de mudança, priorizando-os. O que a reengenharia de processos traz é um estudo dos processos como um todo, removendo aqueles que não adicionam valor ao cliente e impedem o crescimento da empresa e redesenhando completamente os demais. (Veyrat, 2015) Vejamos o quadro a seguir, que sintetiza essa diferença. Quadro 3 – Níveis gerenciais e a reengenharia Metodologia de gerenciamento de processos Reengenharia de processos Foca mais na automação de processos, assim, seu risco é mais baixo. É mais arriscado e visa redesenhar a corporação de baixo para cima. Foca em um processo por vez, usando o que já existe. Apaga todos os processos, começando do zero com todos eles. Envolve gerenciamento e otimização. Envolve redesenho e mudanças radicais 8 nos processos. É importante que essa metodologia seja inserida na cultura da empresa, mas a mudança é gradual e, assim, mais fácil de seguir. Na reengenharia de processos, até mesmo a missão e visão da empresa podem ser reconsiderados, o que pode resultar em algum desconforto e dificuldade para os envolvidos. A mudança é gradual, cíclica e sem fim – para garantir a continuidade. A mudança acontece rapidamente e de uma vez – para evitar o apego às antigas maneiras. Fonte: adaptado de Veyrat, 2015. Analisando o quadro 3, vemos que a reengenharia vai além da simples revisitação aos processos: ela se dispõe a apagar todos os processos e a redesenhá-los. Diferentemente da metodologia de gerenciamento de processos, que fica mais na manutenção dos processos e aplica uma mudança de forma gradual. A seguir, veremos a aplicação da reengenharia em uma empresa de fast food. Note que os processos foram zerados, ou seja, iniciou-se do zero, o que difere da metodologia de gerenciamento de processos e de sua forma de aplicação gradual. Caso prático: exemplo mais específico de reengenharia em uma empresa de fast food Esta empresa utilizou essa metodologia para redesenhar a forma de entregar os seus produtos. Nesse tipo de estabelecimento, o processo funciona basicamente assim: • cliente faz o pedido; • o pedido chega até a cozinha; • a refeição é preparada; • por fim, a entrega é feita ao consumidor. O que essa empresa fez foi perceber que seria mais vantajoso para ela se os ingredientes fossem previamente preparados e chegassem prontos nos restaurantes fast food. Dessa forma, quando o cliente fizer o pedido, a cozinha economizará tempo no preparo. 9 Com essa mudança no processo, foi possível ter mais controle, reduzir o número de acidentes e erros e melhorar a satisfação dos funcionários e dos clientes. Fonte: adaptado de Doyle, 2019. Note que a reengenharia possui uma lógica de a) a empresa entender que deve mudar seus processos e b) de levantamento e análise da efetividade dos processos existentes para posteriores recriação e transição para uma nova lógica de trabalho. Uma lógica até então inédita para organização, e não uma mudança instrumental proposta pelo BPM. Inclusive a implantação de uma estratégia de reengenharia por ser oriunda uma análise do BPM, ou seja, a implantação de intervenções radicais no processo. TEMA 3 – PASSOS PARA A SUA REALIZAÇÃO Crédito: Tashatuvango/Shutterstock. Como utilizar a ferramenta de reengenharia, ou seja, como implantar essas mudanças na empresa? Já adiantamos que não é uma tarefa fácil; faz- se necessário um conhecimento profundo dos processos da organização e de como eles ocorrem em suas mais diversas condições. Como o próprio nome sugere, a reengenharia trata de uma maneira de reorganizar e reestruturar todos os processos internos de uma empresa, com o 10 objetivo principal de alavancar ainda mais os resultados positivos e satisfatórios dela. Tem também como um de seus principais intuitos acabar com o comodismo e as rotinas administrativas que impedem as organizações de crescer e se desenvolver (Marques, 2019). Assim, para implantar a reengenharia é necessário seguir quatro passos. Vejamos o que sugere Marques (2019): Quadro 4 – Como aplicar a reengenharia organizacional em uma empresa Fase O que fazer Fase de organização O primeiro passo para implantar o conceito de reengenharia organizacional é descobrir e especificar, criteriosa e detalhadamente, todos os procedimentos e processos que a empresa executa diariamente e, principalmente, definir quais deles serão aperfeiçoados e o que será necessário para a conclusão da metodologia. Fase do planejamento Na segunda fase, é necessário planejar quais artifícios serão necessários para a implementação da reengenharia organizacional, ou seja, listar tudo o que será utilizado durante o procedimento: prazos, orçamentos, distribuição de tarefas e definir os profissionais necessários para cada etapa do processo. Fase de implantação Nesta fase, é hora de avaliar todas as atividades, rotinas, tarefas e recursos definidos durante a fase de avaliação, as principais deficiências, carências, falhas e oportunidades de melhorias e, em seguida, reorganizar e reestruturar todas essas rotinas de forma proveitosa para a empresa ou negócio. Fase de mensuração de resultados Na última fase, é feita a verificação dos resultados atingidos com a aplicação da reengenharia organizacional e a mensuração dos efeitos de cada mudança. Avaliar se as alterações foram assertivas e quais benefícios ela gerou para a empresa, seja lucratividade, agilidade nos processos, melhoria de performance, entre outros. Fonte: adaptado de Marques, 2019. 11 Como destaca o Quadro 4, tudo se inicia com uma análise criteriosa dos processos. Em outras palavras, deve-se mapear os processos buscando destacar suas forças e fraquezas. Um bom processo é aquele que gera valor para a empresa e cria um diferencial competitivo. Dessa forma, com essa análise é possível identificar tarefas e atividades desnecessárias e, assim, pode-se redesenhar os processos do zero e implementá-los na empresa, sempre com monitoramento. Assim, passa-se de uma identificação dos resultados oriundos dos processos existentes para a sua recriação. Com novos processos, é possível que haja uma geração de dados mais efetiva, que pode proporcionar maiores potencialidades de informações. Também, com processos eficazes, é possível a tomada de decisão de forma assertiva. Isso é tudo que preconiza o Business Intelligence (BI): As soluções de Business Intelligence podem influenciar diretamente a eficiência da gestão da empresa, minimizando os erros nos processos e consolidando um plano de negócios a partir de informações coerentes e confiáveis. Também por isso, o BI permite identificar com precisão qual é o perfil dos seus clientes, quais são suas necessidades e como você pode atender a essa demanda. (Sankhya, 2018) Vejamos a seguir a aplicação da reengenharia para a redução de custos. Redução de custos na organização empresarial Após uma reunião da diretoria com o departamento financeiro,foi constatado que houve gastos exorbitantes nos últimos meses. Os gastos fazem parte dos processos de vários departamentos. Utilizando a metodologia da reengenharia de processos, a redução de gastos pode ser alicerçada em quatro etapas: • Preparação/Organização: nesta etapa, os gestores e stakeholders fazem um importante levantamento para definir quais são os gastos necessários e quais podem ser eliminados ou reduzidos. • Planejamento: chegou o momento de estruturar como os gastos serão reduzidos. Aqui também é o momento para definir as funções dos profissionais envolvidos nesta tarefa e quais serão os recursos que deverão ser utilizados neste processo de redução de gastos. • Implementação: a terceira etapa é a mais importante, pois é a etapa da reinvenção do processo em si – neste exemplo, a redução de gastos. É nesta 12 etapa que também são identificados os impactos das mudanças promovidas pela reengenharia de processo na organização empresarial. • Avaliação: a última etapa é destinada para avaliar os resultados conquistados pela reengenharia de processos e se é necessário fazer alguns ajustes. Nesta etapa também é importante comunicar os resultados e manter as alterações promovidas – ou seja, manter os gastos controlados. Fonte: Marques, 2017. Agora, vejamos a aplicação no desenvolvimento de um novo produto. Desenvolvimento de um novo produto A organização empresarial tem uma gama de produtos bastante conhecidos no mercado. Porém, as mudanças neste mercado têm pressionado a empresa a oferecer um novo produto para atender às expectativas dos clientes. Com base nos pilares da reengenharia de processos, o desenvolvimento deste novo produto pode ser conduzido da seguinte maneira: • Preparação/Organização: a partir do levantamento feito pelos gestores e stakeholders, as necessidades de desenvolver um novo produto foram identificadas. Além disso, os recursos que garantirão a realização deste processo já foram devidamente reservados. • Planejamento: é hora de definir quem serão os responsáveis pelo desenvolvimento deste novo produto e quais serão suas respectivas tarefas. Outra atividade necessária nesta etapa é reservar os recursos que serão utilizados nesse processo. • Implementação: este é o momento para identificar os pontos fortes e os pontos de melhoria do novo produto. É o momento também para fazer uma avaliação sobre os benefícios e o impacto deste novo produto tanto para a organização empresarial quanto para o mercado. • Avaliação: a última etapa é para analisar quais foram os resultados obtidos com este novo produto, bem como entender qual foi o impacto gerado em outros setores e processos. Se os resultados forem positivos, este é o momento para incluí-lo nos processos da empresa. Fonte: Marques, 2017 Ao analisarmos os dois últimos boxes, podemos ver a implantação da reengenharia para a melhoria dos processos, seja para reduzir custos, seja 13 para a solução de outro problema. Note que, na etapa de preparação (organização), levanta-se os dados relativos aos processos. Depois de distribuir as responsabilidades, o passo seguinte é implantar os novos processos e, posteriormente, monitorar e analisar os resultados obtidos. Marques (2019) também apresenta os seguintes benefícios da reengenharia: • Atualização de processos e recursos corporativos; • Redução de gastos; • Aumento dos resultados e de performance; • Melhora na execução de tarefas; • Modernização da gestão administrativa; • Resultados mensuráveis; • Oportunidade de crescimento e expansão empresarial; • Eliminação de erros, comportamentos e processos sabotadores. Outra forma de melhoria de processo é conhecida como Ciclo PDCA, que veremos a seguir. TEMA 4 – CICLO PDCA Como o PDCA é um ciclo, iniciaremos vendo como ele ocorre, ou seja, como o Plan, o Do, o Check e o Act atuam em conjunto para o controle e a melhoria dos processos. Figura 1 – Ciclo PDCA 14 Fonte: Fuganti, S.d. O PDCA, de uma forma sintetizada, pode ser concebido como um ciclo de quatro fases que se inicia na identificação do problema, passando pela elaboração e pela execução do plano. Depois é checar os resultados e refletir sobre a solução do problema. Vejamos a explicação de Fuganti (S.d.): O ciclo PDCA é uma ferramenta de gestão que tem como objetivo promover a melhoria contínua dos processos e de produtos. Isso ocorre por meio de um método interativo de 4 passos: Planejar (Plan), Desenvolver (do), Checar (check) e Agir (act). É um dos métodos mais conhecidos para auxiliar na solução de problemas de uma empresa. Uma vez que, seguindo seus passos, os objetivos da gestão poderão sair do papel. Até disso, o método permite ter seu processo de execução monitorado para que não se perca no caminho. O ciclo PDCA contribui na execução eficiente de qualquer planejamento nas empresas. Sua utilização no ambiente organizacional é um caminho para melhorar as atividades, os resultados e, consequentemente, para alavancar o desempenho de um negócio. No quadro a seguir, veremos o passo a passo do PDCA. Quadro 5 – Ciclo PDCA 15 Fase O que fazer (P) Planejar Vem do inglês, plan. No primeiro passo do ciclo, você irá criar uma estratégia que solucione os problemas previamente encontrados nas atividades. Para isso, é preciso ter uma equipe de projetos competente responsável por essa análise, que desenvolva o planejamento de acordo com um caminho que seja viável para a empresa. No planejamento, você escolhe quais pessoas são mais capacitadas para desenvolverem o ciclo, além de selecionar quais métodos complementares serão utilizados e quais objetivos precisam de foco naquele momento. Assim, você poderá identificar os problemas, hierarquizá-los e criar planos de ação para solucioná-los da melhor forma possível. (D) Fazer Vem do inglês, do. No segundo passo do ciclo, você vai executar o plano de ação que foi criado no passo anterior. Essa parte é crucial para o bom desenvolvimento da metodologia. Por isso, deve ser feita e analisada cautelosamente para evitar falhas e aumentar o sucesso das ações. É importante que o planejamento tenha sido feito detalhadamente e com calma para que não ocorram falhas no resto do processo. O fazer é a execução do plano criado e é também a etapa em que a equipe é treinada para que o método funcione. É importante anotar todos os resultados (bons ou ruins) e a data quando ocorreram, além de comunicar e treinar os colaboradores selecionados para as ações e seus prazos, podendo ser utilizadas técnicas de treinamento. Sem isso, não há como fazer PDCA passo a passo com o sucesso desejado. (C) Checar Vem do inglês, check. É o passo no qual a equipe checa 16 e analisa o que foi executado e os resultados obtidos de acordo com o plano de ação. Essa análise também pode ser desenvolvida durante todo o ciclo do plano, já que serve para a constante verificação do trabalho (se ele está sendo executado de forma correta) e também para seus resultados (quando se verifica estatisticamente seus dados, como falhas e erros.) É importante verificar se o que foi planejado já está sendo implantado, além de comparar os resultados entre o antes e o depois e o desenvolvimento do atingimento da meta proposta. Se os resultados colhidos na verificação não forem satisfatórios, é recomendado voltar à fase de planejamento. (A) Agir Vem do inglês, act. É o último passo do ciclo, que consiste em colocar em práticas as ações corretivas dos problemas. No passo anterior (checagem), serão identificados problemas e falhas que serão corrigidos neste passo. Quem realmente quer entender como fazer PDCA passo a passo, precisa ter em mente que esta é a hora de padronizar o processo, compartilhar o aprendizado com todosos envolvidos, refletir sobre o que pode ser alterado e fazer o PDCA girar novamente. Fonte: adaptado de Andrade, 2017. Com o uso do PDCA, a empresa terá uma ferramenta de muita importância na implantação do Business Intelligence (BI), pois, com essa ferramenta, a empresa pode localizar problemas, propor soluções e traçar metas, além de analisar os processos e estabelecer planos de ação. Depois, um passo importante é treinar todos os envolvidos e colocar em ação o plano de mudança dos processos. Camargo (2017) apresenta os benefícios do PDCA: 17 • Facilita a tomada de decisão; • Promove o trabalho em equipe através de brainstorming e resolução de problemas; • Busca a melhoria contínua, ou seja, ao invés de se conformar com o bom foca no melhor; • Aprendizado contínuo; • Evita que sejam implementadas soluções de baixa eficiência e que haja desperdício de tempo (temos algumas dicas para gestão de tempo); • Garante um diagnóstico apurado sobre os processos, tratando das falhas e procurando soluções continuamente; • Fornece um método padronizado para alcançar a melhoria contínua que pode ser usado por qualquer departamento para resolver problemas novos e recorrentes; • Torna os processos de gestão mais ágeis, claros e objetivos; • Padroniza a linguagem e a melhoria da comunicação; • Soluciona problemas com eficácia e inteligência. De nada adianta propor mudanças se a empresa não for capaz de mensurar o seu sucesso ou fracasso. Por isso, no PDCA há uma etapa de verificação do alcance dos objetivos dispostos no plano de ação, para que seja possível identificar o que está dando certo e o que precisa ser mudado. O mercado é dinâmico, e as empresas devem sempre atualizar seus processos. TEMA 5 – IMPLANTAÇÃO DO PDCA Já vimos que o PDCA é uma ferramenta muito importante para a implantação do Business Intelligence (BI), pois se refere a processos. As empresas devem se esforçar ao máximo para desenvolver processos eficazes, que sejam capazes de dotar o decisor com informações importantes para a tomada de decisão. Vejamos, a seguir, a implantação do PDCA. Figura 2 – Exemplos de aplicação do Ciclo PDCA 18 Fonte: Miranda, 2017. A Figura 2 aponta que a implantação do PDCA está na necessidade de a empresa identificar problemas que, geralmente, estão acoplados a processos. E todo o ciclo girará em torno dessa solução, no intuito de trazer maior dinamismo e eficiência à empresa. Vejamos, a seguir, um exemplo prático da implantação do PDCA: Exemplo de PDCA na prática Uma escola particular de ensino fundamental e médio precisa de uma reestruturação de sua gestão para ampliar o número de alunos e permitir a ampliação do atendimento da escola. Vejamos como isso é possível com o PDCA: Na primeira etapa é necessário definir as metas: 19 • Aumentar o número de matrículas. • Evitar a saída de alunos já matriculados. • Diminuir a inadimplência no pagamento das mensalidades. • Aumentar o número de professores qualificados e funcionários. • Aumentar o acervo da biblioteca. Quais os métodos para atingir as metas? • Aumentar a propaganda sobre o colégio, valorizando a estrutura e o corpo docente da escola. • Ouvir críticas, reclamações e opiniões dos alunos para saber o que acham da escola e o que precisa melhorar nela e atender melhor suas necessidades e expectativas. • Planejar e elaborar formas de pagamento de acordo com a situação de cada aluno e dos pais, buscando sempre chegar a um acordo bom para os dois lados. • Buscar professores qualificados em suas disciplinas, evitando que professores deem aulas de disciplina que não de sua formação original. • Treinar todos os colaboradores da escola de acordo com seus princípios e filosofia de trabalho. • Possibilitar acesso a acervos de livros virtuais com auxílio de ferramentas tecnológicas como computadores e tablets. Na segunda etapa é preciso pôr em prática o planejamento. • Desenvolver propagandas publicitárias que valorizam o colégio e sua estrutura. • Criar parcerias para treinamento e capacitação dos professores e funcionários da escola. • Disponibilizar espaços ou momentos para os alunos colocarem suas opiniões sobre a escola. • Buscar fornecedores de computadores e tablets e fazer acordo para conseguir desconto sobre os produtos. • Disponibilizar canais de renegociação de mensalidades em atraso. Na terceira etapa é hora de fazer uma verificação da situação. • Avaliar o comprometimento de professores e funcionários com o desenvolvimento da escola. 20 • Analisar o impacto da publicidade da escola se foi positiva ou não no sentido de trazer novos alunos. • Avaliar o desempenho dos alunos para perceber áreas em que estejam com maior dificuldade. • Analisar se o uso de tecnologias contribuiu de fato para melhoria da aprendizagem. • Avaliar se houve aumento das matrículas, se não houve, repensar novas formas de trazer novos alunos para escola. • Analisar se houve queda nas mensalidades atrasadas, se não, buscar novas formas de negociação. Na última fase é hora da ação. • Buscar novas formas de propaganda através de redes sociais, rádios, televisão e internet como forma de divulgação da escola. • Abrir canais de comunicação com os pais para buscar outras soluções a fim de evitar inadimplência. • Rever metas e métodos de trabalho a fim de ajustá-los aos objetivos da escola. Para que as metas definidas sejam atingidas, é necessário repetir o ciclo quantas vezes for necessário até conseguir estruturar um plano de ação que consiga alcançar todos os objetivos. Para que o PDCA cumpra seu papel, é preciso ter liderança atuante e comprometida com a empresa e seus objetivos, além de um conhecimento técnico e aplicado, ou seja, ter uma base teórica que possa de fato ser aplicada para solucionar os problemas da empresa. Fonte: Novo Negócio, S.d. A implantação do PDCA deve levar em consideração as características da empresa e os objetivos almejados por ela, além do seu objetivo – em nosso caso, da disciplina – em relação à implantação do BI. Vale sempre lembrar que, como qualquer ferramenta de gestão, o engajamento das pessoas em sua execução é de total relevância para o seu sucesso. 21 Trocando ideias Agora, troque uma ideia com seus amigos no ambiente virtual dessa disciplina. Descreva quais fatos seriam importantes ou calamitosos na implantação do PDCA em uma empresa de móveis Na prática Para esta aula, você deverá analisar um estudo de caso proposto de acordo com critérios preestabelecidos. Em um primeiro momento será apresentado a você alguns motivos pelos quais as empresas quebram. Orientações: • leia o estudo de caso atentamente; • faça pesquisas no site da empresa sobre como ela se organiza; • identifique no texto desta aula os conceitos-chave que você utilizará, e tenha em mãos o material para realizar as tarefas; • bons estudos e bom trabalho. Por que as empresas quebram – parte 2 Em nosso recente artigo, abordamos de forma genérica por que as empresas quebram, tendo como causa mãe a má gestão. Neste e nos próximos artigos, veremos outras fortes causas, todas derivadas da má gestão. A primeira delas refere-se ao fluxo de caixa. Há uma famosa expressão americana eu diz: “cash is king”, traduzindo: “o dinheiro é quem manda”. Com certeza, a principal preocupação do empresário, é ter dinheiro para garantir a sobrevivência e expansão do seu negócio. Para alcançar esse estágio, deverá possuir e pôr em prática pelo menos 2 habilidades: 1) Acompanhar com o máximo rigor e diariamente a vida financeira da empresa; 2) Tomar ações imediatase eficazes, tão logo note que o “caixa está a perigo”. Para praticar a segunda habilidade, há algumas estratégias, que abaixo descrevo, as quais se classificadas em três fontes: internas, junto aos clientes e junto aos fornecedores: Internas: 1. Gerar previsões de fluxo de caixa de curto e médio prazo, para prever problemas de caixa; 22 2. Se imprescindível, fazer factoring em notas já faturadas para levantar capital; 3. Reduzir níveis de estoque através de vendas, oferecer estoque excedente para clientes selecionados, aumentar da taxa de rotatividade (giro) de estoque, utilizar o just in time, pedir para fornecedores aceitarem a devolução do estoque excedente, etc. 4. Redução de custos/despesas de forma generalizada e constante; 5. Eliminar horas extras, através de banco de horas e privilegiando a produtividade e os processos; 6. Vender ativos excedentes; 7. Se necessário, efetuar aporte financeiro junto aos acionistas. Evitar bancos; 8. Buscar investimentos externos através de investidores; 9. Equilibrar/conciliar pagamentos com recebimentos. Junto aos clientes: 10. Evitar aumentar preços; 11. Negociar, principalmente com os melhores clientes; 12. Analisar criteriosamente a situação dos clientes, para vender a quem paga; 13. Venda de produtos agregados, adicionais ou complementares; 14. Rever as condições de pagamento, privilegiando as vendas à vista; 15. Reduzir ao máximo inadimplência, com eficaz sistema de venda a prazo e cobrança; Junto aos fornecedores: 16. Desenvolver fornecedores verdadeiramente parceiros e sempre procurar alternativos; 17. Pagar fornecedores em quantidade maior possível de parcelas de parcelas, estimulando o item 9, acima. Fonte: Novo Dia, 2019. Análise do estudo de caso proposto1 A. Tomando como base o texto, podemos perceber que é possível a implantação em uma reengenharia nos processos de relacionamento com os 1 As respostas dessas questões estão na seção Respostas, após as Referências. 23 clientes. Inclusive o texto aponta alguns resultados dessa ação. Explicite como pode haver reengenharia nesse processo. B. Umas das possibilidades de uso do ciclo PDCA é o do, ou fazer. No texto, temos inúmeros exemplos dessa etapa. Descreva-a. FINALIZANDO Na raiz de um Business Intelligence (BI) eficiente, está uma organização que possui processos bem desenhados e atualizados para as diversas necessidades de informações e decisões da empresa. Assim, as organizações devem focar o modo como estão estruturados seus processos e quando é necessário fazer as devidas alterações. Uma forma de mudar os processos é utilizar a ferramenta de reengenharia, que vai além de uma simples revisitação aos processos. Ela os altera radicalmente, pois os apaga e os redesenha. E essa reengenharia pode ser fruto de uma aplicação do Ciclo PDCA, que é um instrumento de gestão que objetiva promover a melhoria contínua dos processos e dos produtos. Com isso, uma empresa que sempre revisita seus processos e os redesenha de acordo com a complexidade e o dinamismo do mercado possui grades chances de obter maiores vantagens competitivas do que seus concorrentes. REFERÊNCIAS ANDRADE, L. Melhore sua gestão imediatamente: aprenda como fazer PDCA passo a passo. Siteware, 12 dez. 2017. Disponível em: <https://www.siteware.com.br/metodologias/como-fazer-pdca-passo-a-passo/>. Acesso em: 3 dez. 2019. CAMARGO, R. F. Ciclo PDCA: do conceito à aplicação do famoso Plan Do Check Act (tudo sobre Ciclo de Deming). Treasy, 3 jul. 2017. Disponível em: <https://www.treasy.com.br/blog/ciclo-pdca/>. Acesso em: 3 dez. 2019. DOYLE, D. Exemplos de reengenharia nas empresas: confira 6 para se inspirar e utilizar nos negócios. Siteware, 21 mar. 2019. Disponível em: <https://www.siteware.com.br/metodologias/exemplos-de-reengenharia/>. Acesso em: 3 dez. 2019. 24 FUGANTI, C. Ciclo PDCA: o que é, como e porque usar. Carla Fuganti, S.d. Disponível em: <https://www.carlafuganti.com.br/ciclo-pdca-o-que-e-como-e- porque-usar/>. Acesso em: 3 dez. 2019. MARQUES, J. R. Como aplicar o conceito de reengenharia organizacional na administração. IBC, 18 jun. 2019. Disponível em: <https://www.ibccoaching.com.br/portal/como-aplicar-o-conceito-de- reengenharia-organizacional-na-administracao/>. Acesso em: 3 dez. 2019. _____. Confira alguns exemplos de reengenharia de processos que provam o sucesso da prática. IBC, 22 set. 2017. Disponível em: <https://www.ibccoaching.com.br/portal/metas-e-objetivos/confira-alguns- exemplos-de-reengenharia-de-processos-que-provam-o-sucesso-da-pratica/>. Acesso em: 3 dez. 2019. MIRANDA, E. Ciclo PDCA: praticando o maravilhoso mundo da melhoria contínua. GP4US, 27 ago. 2017. 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Acesso em: 3 dez. 2019. 25 RESPOSTAS A. Outro exemplo de uso da reengenharia pode ser observado nas mudanças feitas no modo como a empresa se relaciona com seus clientes. Se antes o relacionamento acabava com o fechamento do negócio, agora ele pode ser revisto a partir do desenvolvimento de estratégias que vão além do momento da compra. O jeito com que a empresa lida com reclamações e promove seus produtos e serviços pode ser redesenhado, deixando os clientes mais satisfeitos e fidelizados. B. No segundo passo do ciclo, você executará o plano de ação que foi criado no passo anterior. Essa parte é crucial para o bom desenvolvimento da metodologia. Por isso, deve ser feito e analisado cautelosamente para evitar falhas e aumentar o sucesso das ações. É importante que o planejamento tenha sido feito detalhadamente e com calma para que não ocorram falhas no resto do processo. O fazer é a execução do plano criado, e é também onde a equipe é treinada para que o método funcione. É importante anotar todos os resultados (bons e ruins) e a data em que ocorreram, além de comunicar e treinar os colaboradores selecionados para as ações e seus prazos, podendo ser utilizadas técnicas de treinamento. Sem isso, não há como fazer PDCA passo a passo com o sucesso desejado. Conversa inicial Contextualizando TEMA 1 – definição TEMA 2 – DIFERENÇA ENTRE REENGENHARIA DE PROCESSOS E METODOLOGIA DE GERENCIAMENTO DE PROCESSOS TEMA 3 – PASSOS PARA A SUA REALIZAÇÃO TEMA 4 – CICLO PDCA TEMA 5 – IMPLANTAÇÃO DO PDCA Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS RESPOSTAS