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1 INTRODUÇÃO Um breve histórico do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas Após a capital do Império Romano ter sido devastada por um grandioso incêndio no ano 22 a.C. o Imperador Otávio Augusto, em 27 a.C., formou um grupo denominado de “vigiles” para patrulhar as ruas, impedir incêndios e policiar a cidade. Esse foi o primeiro corpo organizado que se tem conhecimento na história, dedicado a função de bombeiro. Esses primeiros combatentes contavam com métodos insuficientes para extinção de chamas, pois neste período da história o fogo era um problema de difícil solução. Esse é um fato que relata a origem do corpo de bombeiros. No Estado do Amazonas o corpo de Bombeiros foi criado oficialmente em 1876, através da Portaria Provincial de nº 268, de 11 de julho. O Coronel Gregório Thaumaturgo de Azevedo, governador do Estado, com a Proclamação da República, registrou sua proposta de substituição do Batalhão Militar de Polícia (atual PMAM) por uma Guarda Republicana. O referido documento tinha a seguinte citação: A "Companhia de Bombeiros deverá ter organização especial, separada da Guarda Republicana, e, além do serviço de extinção de incêndios que lhe compete por sua organização, se incumbirá como Corpo de Artífices de trabalhos públicos feitos de forma administrativa na Capital". A aprovação que regulamentou a Companhia de Bombeiros do Estado foi o Decreto nº 12, de 15 de dezembro de 1892. Mas, em 26 de novembro, a Emenda Constitucional de nº 31, decretou que o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas se tornaria um órgão de categoria autônomo integrante do Sistema de Segurança Pública Estadual, independente da Polícia Militar. Atualmente conta com 1.079 Bombeiros Militares em todo o Estado do Amazonas. Com intuito a dar visibilidade e transparências de suas ações, o Corpo de Bombeiros do Estado do Amazonas – CBMAM tem como: MISSÃO: A execução de atividades de Defesa Civil, Prevenção e Combate a Incêndios, Buscas, Salvamentos e Socorros Públicos no âmbito do Estado do Amazonas, conforme preconiza o artigo 144 da Constituição Federal/1988. https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia_Militar_do_Estado_do_Amazonas 2 VISÃO: Ser uma Corporação digna do respeito e estima popular, que se apresenta como modelo de excelência tanto na gestão pública, quanto na alta qualidade do serviço prestado para a sociedade amazonense. VALORES: PRONTIDÃO – Desenvolvido através do senso de responsabilidade e comprometimento no cumprimento de qualquer missão, a qualquer tempo. ABNEGAÇÃO – Através da observação coerente da hierarquia e disciplina militar. CIVISMO – Através do desempenho profissional e patriótico da missão constitucional. HONRA – Alcançada através das inúmeras situações onde a coragem é necessária, levando os combatentes a pôr em risco a própria vida e bem-estar em favor de outrem. HONESTIDADE – Sempre prezando pela lealdade no falar e no agir, bem como na valorização de interações pautadas na verdade. SOLIDARIEDADE – Empatia pelos cidadãos da sociedade sem discriminação de raça, cor, sexo ou orientação sexual. O CBMAM, força auxiliar e reserva do Exército Brasileiro, tem como seus alicerces a Hierarquia e a Disciplina, integrando o Sistema de Segurança Pública, com subordinação ao Governador do Estado e, operacionalmente, à Secretaria de Segurança Pública. O bombeiro, no exercício da sua atividade profissional, coloca sua vida em risco para salvar a de terceiros e/ou para defender bens públicos e privados da sociedade. O risco é inerente a essa atividade profissional e, segundo o Estado Maior das Forças Armadas, “O exercício da atividade militar, por natureza, exige o comprometimento da própria vida.” Para executar suas atribuições com segurança, o bombeiro usa EPIs para evitar situações que possam comprometer seu estado físico nas ações. 3 CAPÍTULO 1 – COMPORTAMENTO DO FOGO Autores: AL OF Carlos Eduardo Silva e Silva, AL OF Idiney Azevedo de Souza, AL OF Shannon Ferreira da Encarnação, AL OF Waldenize Santana Fonseca Seção 1- Combustão (Fogo) Para entendermos a reação de combustão é necessário saber que a matéria é formada por átomos. O átomo é uma estrutura composta por próton, neutros, elétrons, subníveis e orbitais. O conjunto de átomos, iguais ou diferentes, unidos por ligações covalentes, que é o compartilhamento de elétrons entre dois átomos, formam as moléculas. E as moléculas formam a matéria. Figura 1 - Átomo Fonte: https://acropolismultimedios.mx/materia-solida/ Cada átomo se liga através das ligações químicas, com o objetivo de atingir a estabilidade eletrônica buscando alcançar 8 elétrons na camada de valência. Por exemplo, o Carbono alcança sua estabilidade fazendo 4 (quatro) ligações covalentes, o oxigênio faz 2 (duas) ligações, o Hidrogênio faz 1 (uma) ligação, etc. Quando a matéria aumenta a temperatura, ele pode causar mudanças dos estados das matérias, como por exemplo do sólido para o líquido, e do líquido para o gasoso. Isso ocorre devido ao distanciamento entre os átomos na molécula. Ao aquecermos determinada matéria, esta está absorvendo calor, que faz com que os 4 elétrons localizados nos subníveis, que estão girando nas orbitas dos átomos acelerem, de tal forma que elas saem de um subnível interno e vai para um mais externo. Como a ligações entre as moléculas ocorrem nos subníveis, pode ocorrer a quebra das ligações covalentes. A quebra das ligações químicas libera calor e radicais livres, que nada mais é do a liberação de moléculas possuindo átomos com número ímpar de elétrons, ou seja, esses átomos, que está totalmente reagente, necessita fazer ligações químicas para alcançar sua estabilidade. A reação de combustão (ou fogo) é uma reação química que ocorre entre o combustível, o comburente (geralmente o oxigênio) e o calor (energia de ativação). Na prática, todo o combustível está na presença do oxigênio e possui certa temperatura, contudo, não pega fogo, pois suas moléculas estão estáveis e não reagem com o oxigênio. É necessário que o calor (energia de ativação) eleve a temperatura do combustível, e como consequência aumente a velocidade de vibração das moléculas, de modo que algumas moléculas consigam se desprender e liberar os radicais livres, íons, etc, passando a formar um gás combustível com moléculas instáveis, que ao reagir com o oxigênio, essa mistura torne-se uma mistura inflamável. Essa quebra de moléculas por meio da elevação de temperatura chama-se termólise, e a quebra das moléculas pelo fogo chama-se pirólise. Fonte: <https://www.freeimages.com/pt/photo/bornfire-fire-flames-red-fire-wood-fire-1164581> No fogo, o combustível (CxHx) é consumido, ao reagir com o oxigênio (O2), com elevação do calor (energia de ativação) e produz água (H2O), gás carbônico (CO2), Figura 2 - Reação de Combustão 5 libera energia térmica na forma de calor (reação exotérmica), podendo liberar luz (chamas) e fumaça. Para haver combustão são necessários três elementos essenciais: Combustível, Comburente (oxigênio) e Calor (energia de ativação). Esses elementos podem ser representados de forma gráfica pelo triângulo do fogo. No entanto, caso retire um desses três elementos a reação cessa, e o fogo se apaga. Figura 3 - Triângulo do Fogo: Combustível, Comburente e Calor Fonte: <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/ 1139802/1/Marina-Ficha- Tecnica-Lenha-e-carvao.pdf Contudo, para que a combustão prossiga de forma autossustentável é necessário um quarto elemento do fogo, chamada de Reação em Cadeia. A medida que há quebras das moléculas pelo aumento da temperatura, há a geração de mais calor, suficiente para aquecer e desprender moléculas próximas, sem que haja necessidade da fontede calor para gerar os gases combustíveis, tornando a reação de forma autossustentável. A Reação em Cadeia pode ser representado de forma gráfica pelo tetraedro do fogo. https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/%201139802/1/Marina-Ficha-Tecnica-Lenha-e-carvao.pdf https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/%201139802/1/Marina-Ficha-Tecnica-Lenha-e-carvao.pdf 6 Figura 4 - Tetraedro do Fogo Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Tetraedro_do_fogo_pt.svg Seção 2 - Combustível Combustível é a capacidade das moléculas do material se desprenderem com a elevação da temperatura e reagirem com o oxigênio, tornando em uma mistura inflamável. E ser inflamável, é a capacidade de um material a temperatura ambiente, liberar vapores que sustentam uma combustão. O combustível é todo material que é consumido pela combustão, e pode se apresentar nos estados sólido, líquido ou gasoso. Os estados físicos da matéria são conhecidos também como fases da matéria ou estados de agregação da matéria. Dessa forma, apresentam formas de ignição diferente, sendo: Seção 3 - Combustível Sólido A matéria no estado sólido, predomina as moléculas com força de atração (coesão), por isso elas encontram-se unidas. Desse modo, os sólidos possuem forma e volume fixos, que não se expandem e nem se comprimem. Normalmente, os sólidos estão reagindo com o ar, porém com o aumento da temperatura, as ligações das moléculas começam a quebrar, e como consequência inicia-se um afastamento molecular. Logo, sofre pirólise, e começa a liberar vapores que se misturam com o oxigênio do ar, e chega a um momento que alcança o ponto ideal de Mistura Explosiva, que basta uma fonte de calor (faísca, entre outros) para ocorrer a ignição, conforme figura abaixo. 7 Figura 5 - Mecanismo de Ignição do Combustível Sólido Fonte: Acervo pessoal, 2022. A maioria dos combustíveis sólidos primeiros liberam os vapores para reagir com o oxigênio, porém os metais, primeiro se transformam em líquido para poder liberar os vapores e reagir com o oxigênio. Isso ocorre, porque sólidos maus condutores de calor (exemplo: madeira, papelão, etc), concentram o calor em uma parte do material, que libera vapores que reagem com o oxigênio e se inflamam; diferentemente dos metais em que o calor se distribui por todo o material, transformam-se primeiro em líquido, para então liberar os vapores para reagir com o oxigênio. Portanto, geralmente a queima nos combustíveis sólidos são por meio dos vapores liberados quando aquecidos. Com exceção dos queimam diretamente no estado sólido, tais como: enxofre e os metais alcalinos (Lítio (Li), Sódio (Na), Potássio (K), Rubídio (Rb), Césio (Cs) e Frâncio (Fr). Os metais tendem a liberar muita energia, e quando entram em contato com a água, as ligações da molécula da água (H2O) quebram, tendo como produto o oxigênio que reage com o material intensificando a combustão, e o hidrogênio que reage com o ar sendo altamente explosivo. Outrossim, temos os halogenados (flúor, cloro, bromo, iodo e astatínio) que misturados a outros elementos podem ser explosivos. A velocidade de reação de combustão é influenciada pela maior exposição da superfície de contato do material, ou seja, quanto maior a fragmentação do material e/ou a relação superfície/massa, maior será a velocidade da combustão. Os pós de material orgânico e alguns metais, quando estão em suspensão não ar, se comportam como gases e sofrem combustão instantânea ou ‘explosão’. 8 A queima desse material ocorre na superfície e em profundidade e deixa resíduos (cinzas), podem apresentar chamas (fase gasosa das moléculas que se desprendem do material e queimam) ou apenas incandescência do combustível em queima (brasas). São exemplos de combustível sólido: madeira, papel, tecido, algodão, plástico, borracha, etc. Figura 6 - Exemplos de Combustível sólido Fonte: Acervo pessoal, 2022. Seção 4 - Combustível Líquido A matéria no estado líquido, as forças de repulsão entre as moléculas é um pouco maior que nas do sólido, logo as moléculas estão mais afastadas e agitadas do que no sólido. Desse modo, os líquidos possuem forma variadas conforme o formato do seu recipiente e o volume é fixo, e não sofrem compressões. A queima desse material ocorre na superfície e não deixa resíduos. A maioria dos combustíveis líquidos são hidrocarbonetos (estrutura molecular composto de Carbono e Hidrogênio), porém ainda estão inclusos nesse grupo os materiais graxos de origem vegetal ou animal (óleos e gorduras), pois apresentam o mesmo mecanismo de ignição dos líquidos inflamáveis. São exemplos de combustível líquido, os líquidos inflamáveis, tais como: gasolina, querosene, diesel, álcool, etc. e são exemplos de substâncias graxos: óleos de origem animal (de peixe) e óleos de origem vegetal (girassol, milho, algodão, soja etc). 9 O líquido inflamável ao elevar a temperatura, sofre o fenômeno físico da evaporação, do qual libera vapores, que combinado com o oxigênio do ar, forma a mistura explosiva (ou mistura inflamável) que na presença de uma fonte de calor entra em ignição, conforme figura abaixo representando o mecanismo de ignição do líquido inflamável. Figura 7 - Mecanismos do líquido inflamável Fonte: Acervo pessoal, 2022. Nesse contexto, se o líquido inflamável atingir o seu ponto de combustão, a queima terá continuidade. Outrossim, a taxa de evaporação dos líquidos inflamáveis é diretamente proporcional ao seu aquecimento, logo, essa propriedade permite determinar os seus pontos de fulgor e/ou seu ponto de combustão. Seção 5 - Combustível Gasoso São os que se apresentam na forma de gás ou vapor na temperatura do ambiente. As moléculas no estado gasoso estão mais livres do que no estado sólido e líquido. Desse modo, os gases possuem forma e volume variadas que vai ser determinada conforme o seu recipiente e podem sofre compressões. Como as moléculas no estado gasoso estão mais livres, é necessária pouca energia para iniciar uma queima. 10 Figura 8 - Mecanismo de Ignição do combustível gasoso Fonte: Acervo pessoal, 2022. Desse modo, é necessária uma quantidade de combustível gasoso e de oxigênio, na combustão haja uma razão proporcional estequiométrica entre combustível e comburente. Para cada gás, existe uma faixa específica, onde seus extremos são delimitados pelo nível superior (Limite Superior de Explosividade LSE /Upper Explosive Limit – UEL) e um nível mais baixo, o chamado Limite Inferior de Explosividade (LIE /Lower Explosive Limit – LEL.) Figura 9 - Limite Inferior e Superior de Explosividade Fonte: https://www.enesens.com.br/praticas-seguras-de-monitoramento-de-gases-inflamaveis/ Abaixo apresentamos algumas faixas inferior e superior de explosividade de algumas substâncias: 11 Substância LiE (% em volume) LsE (% em volume) Acetona - CH3CO CH3 2,6 12,8 Acetonitrila - CH3 CN 4,4 16,0 Benzeno - C6 H6 1,3 7,1 Butano - C4 H10 1,9 8,5 Dissulfeto de carbono - C S2 1,3 50,0 Monóxido de carbono - CO 12,5 74,0 Ciclo hexano - C6 H12 1,3 8,0 Etano - C2 H6 3,0 12,5 Etanol - C2 H5 OH 3,3 19,0 Éter - (C2 H5)2 O 1,1 5,9 Gás natural 3,8 13,0 Gasolina 1,4 7,6 Metano - C H3 5,0 15,0 Metanol - C H2 OH 6,7 36,0 Nafta 0,9 6,0 Pentano - C5 H12 1,5 7,8 Propano - C3 H8 2,2 9,5 Querosene 0,7 5,0 Toluene C6 H5 CH3 1,2 7,1 Figura 10 - Mistura Explosiva de alguns gases e líquidos Fonte: SEITO,2008. Seção 6 - Comburente O comburente é a substância que reage com os gases combustíveis liberados dos sólidos ou líquidos, ou com os combustíveis gasosos, ou seja, ele se associa ao combustível para que a reação aconteça. Esse elemento possibilita vida às chamas e intensifica a combustão. Geralmente o comburente será o oxigêniodo ar atmosféricos composto por 78% de Nitrogênio, 21 % de Oxigênio e 1% de outros gases. Contudo, temos outras substâncias que agem como comburente, que se combinam aos gases combustíveis intensificando a combustão, tais como: • o cloro (Cl2); • o cloreto de sódio (NaCl); • o clorito de sódio (NaClO2); • clorato de sódio (NaClO3); • o hidrogênio queima no meio do cloro; 12 • os metais leves (lítio, sódio, potássio, magnésio etc.) queimam no meio do vapor de água; • o cobre queima no meio de vapor de enxofre. • o magnésio e o titânio, em particular, e se finamente divididos, podem queimar ainda em atmosfera de gases normalmente inertes, como o dióxido de carbono e o azoto. Seção 7 - Calor O calor é uma forma de energia térmica que eleva a temperatura, gerada da transformação de outra energia por processo físico ou químico. A energia nada mais é do que a movimentação ou vibração que compõe a matéria. O calor ou transferência de calor é uma forma de energia em trânsito devido a diferença de temperatura. Assim, o calor é o trânsito de energia térmica de um corpo para outro (medido em joule - J, caloria - cal ou British Thermal Unit –BTU, por exemplo), a temperatura é a medida da agitação das moléculas de um determinado corpo (medida em Celsius - °C, Kelvin – k ou Fahrenheit - °F, por exemplo). Segundo a Lei Zero da Termodinâmica diz que “se dois corpos A e B estão separadamente em equilíbrio térmico com um terceiro corpo C, então A e B estão em equilíbrio térmico entre si", ou seja, um corpo com maior temperatura passa para o corpo de menor temperatura até ambos os corpos possuírem a mesma temperatura. Nesse sentido, a energia de ativação será qualquer fonte de calor que eleve a temperatura do combustível capaz de causar a termólise ou pirólise do combustível sólido, a vaporização do líquido ou que no estado gasoso, todos esses vapores combustíveis reagem com o oxigênio dando início a reação de combustão. Logo, essa energia de ativação pode ser uma faísca, centelha, superfície aquecida, chama, etc. Outra característica do calor é quem uma reação ela pode ser exotérmica (libera calor) ou endotérmica (absorve calor). Como o calor é uma forma de energia segundo a Lei de Conservação da Massa, Século XVIII, Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794) “Na natureza nada se cria, nada se perde; tudo se transforma.”, existe várias formas de energia que geram calor, tais como: •Energia mecânica (Ep+ Ec) - calor gerado pelo atrito de dois corpos; 13 •Energia térmica - é a quantidade de energia contida em algum sistema exclusivamente pelo efeito de sua temperatura; •Energia elétrica - o calor gerado pela passagem de eletricidade através de um condutor, como um fio elétrico ou um aparelho eletrodoméstico. O efeito joule converte energia elétrica em calor; •Energia química - quantidade de calor gerado pelo processo de combustão; •Energia atômica – energia produzida em termonucleares; •Energia Sonora – energia produzido pelo som; •Energia eólica – energia produzida pelo vento; •Energia solar – energia produzida pelo sol; •Energia Luminosa - é toda a radiação eletromagnética de frequência e comprimento de onda contida dentro da faixa do espectro visível, e que nossos olhos captam como luz. São dois tipos diferentes, incandescente e luminescente. Seção 8 - Transmissão de Calor Como o calor é uma forma de energia térmica, ela de propagará ou será transmitido por meio de condução, convecção e/ou irradiação. Figura 11 - Transferência de Calor: condução, convecção, radiação Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/processo-propagacao-calor.htm Seção 9 - Condução ou Condução Térmica 14 É a transferência de energia das partículas mais energéticas para partículas menos energéticas de um sólido devido a interação entre partículas, ou seja, ocorre em um corpo sólido por contato direto. Isso ocorre devido a um gradiente de temperatura (diferença de temperatura) entre as moléculas que estão em contato direto até que atinjam o equilíbrio térmico. Se dois corpos diferentes, estiverem em contato, a transferência de calor ocorrerá como se fosse apenas um corpo. (a) (b) Figura 12 - Transmissão de calor por condução Fonte: https://www.coladaweb.com/fisica/termologia/transmissao-de-calor e https://brasilescola.uol.com.br/fisica/conducao-termica.htm Na figura (a) mostra uma barra de ferro sendo aquecido na ponta da esquerda. Observamos que onde está a chama na barra (lado esquerdo), o calor é absorvido e as moléculas passam a ficar mais agitadas, começas a vibrar mais, até que elas se chocam com as moléculas ao lado, e esse processo vai até chegar a outra extremidade (lado direito). Desse modo, a transmissão de energia vai de molécula a molécula até que toda a barra entre em equilíbrio térmico. Na figura (b) podemos observar que a transferência de calor por condução é governada pela Lei de Fourier que considera as variáveis, como: quantidade de calor recebida pelo corpo, o tempo, a temperatura e a espessura do material. Notamos que a temperatura é representada pelo T2 e T1, do qual T2 está com temperatura maior que T1, e por esse motivo o Fluxo de Calor vai ser transferido de T2 pata T1 até atingir o equilíbrio térmico. Essa velocidade vai ser influenciada pelo tipo de material (madeira, papel, metal) representado coeficiente de condutividade térmica de cada tipo de material, pela diferença de temperatura entre T2 e T1, quanto maior a diferença térmica maior será a velocidade, pela área e espessura do material se ser 15 atravessado, quanto menor área e espessura maior será a velocidade, cálculo matemático representado pela formula abaixo: Fonte: Bergman, 2016 Portanto, em um incêndio em uma edificação por exemplo, o fogo pode se propagar a partir do material que está pegando fogo e que está em contato direto com outro material, tais como encostado: • na parede – o calor passa pela parede, e outro objeto que esteja encostado nele do outro lado, passa a se inflamar; • no chão, caso esteja em um andar superior, o material de teto do pavimento inferior passa a se inflamar; • em outro material encostado no material que está pegando fogo, etc. Figura 14 - Propagação do incêndio por meio da Condução do Calor através do teto, parede e chão Fonte: IBRASEP, 2022. 𝑸 = 𝜿. 𝑨 . △𝑻 𝒆 (LEI DE FOURIER) Onde: Q – Calor (cal ou J) 𝜿 – Coeficiente de Condutividade Térmica (cal/s.cm.ºC ou J/s.m.K) A – Área (cm2 ou m2) ∆T (T2-T1) – Diferença de Temperatura (oC ou K) e – Espessura (cm ou m) Figura 13 - Lei de Fourier 16 Seção 10 - Convecção ou Convecção Térmica É a transmissão de calor por meio de fluido (gases ou líquidos). Figura 15 - Transmissão de Calor por convecção Fonte: https://querobolsa.com.br/enem/fisica/conducao-conveccao-e-radiacao Ao observamos a figura com água sendo aquecida na base da panela, notamos que a temperatura da água embaixo é mais quente (vermelho) que a água que está na superfície da panela (azul). À medida que a água no fundo da panela é aquecida, ela se expande (as moléculas ficam mais afastadas pois ficam mais agitadas), ficando menos densa e mais “leve”, e como consequência ela tende a subir para a superfície diminuindo a pressão embaixo da panela. No momento em que ela sobe, representando pela linha vermelha, a água que está com temperatura menor, representado pela linha azul, tende a descer, para ocupar o espaço de menor pressão e densidade, em que a água mais quente deixou de ocupar ao subir. E esse processo dos movimentos ascendente e descendente da água que se encontra fora de equilíbrio térmico chamamos de convecção. Da mesma ocorre com os gases aquecidos, em um incêndio os gases próximosao foco de incêndio se aquecem, tornando-se menos densos e tendem a subir. No momento que sobe, deixa um espaço, ou seja, a pressão cai próximo ao foco de incêndio, e tende a atrair o ar atmosférico menos quente alimento a combustão. Esse tipo de transmissão de calor em incêndios em edificações é o mais comum, pois os gases aquecidos tendem a subir para os andares superiores com 17 calor suficiente para aquecer outros materiais e termos novos pontos de focos de incêndio. Essa gases aquecidos podem subir por meios das escadas, varandas, janelas, poços de elevadores etc. Figura 16 - Propagação do incêndio por meio da convecção dos gases Fonte: IBRASEP, 2022. Seção 11 - Irradiação Térmica ou Irradiação O calor é transmitido por meio de ondas eletromagnéticas, em todas as direções, que se propagam por meio do vácuo em linha reta a velocidade da luz, não sendo necessário o contato molecular ou entre dois corpos, sendo que o fluxo de calor sempre sai de um corpo mais quente para um mais frio. Quanto a intensidade ela aumenta ou diminui conforme proximidade ou distância do material da fonte de calor, respectivamente. Para que haja um fluxo de calor significativo, a fonte de calor tem que está com temperatura elevada, o material tem que ter a capacidade de receber e reter o calor, sem dissipá-lo ao meio ambiente. 18 Figura 17 - Propagação do Incêndio por meio da propagação do Calor Fonte: IBRASEP, 2022. Seção 12 - Pontos de Temperatura Os pontos de temperaturas são Ponto de Fulgor, Ponto de Combustão e Ponto de Ignição. Ponto de Fulgor (Flash Point) O Ponto de Fulgor (Flash Point) é menor temperatura na qual um material (líquido ou sólido) emite vapores em quantidade suficiente para formar com o ar, uma mistura capaz de ser inflamada por um agente ígneo, no entanto, quando se afasta a fonte de calor, o fogo não se mantém, vindo a apagar. Figura 18 - Ponto de Fulgor Fonte: DA SILVA, 2022. 19 Na figura acima, mostra no primeiro momento que o combustível líquido está sendo aquecido em um béquer por meio do Bico de Bunsen e está liberando vapores. No segundo momento, é aproximado um fósforo aceso (fonte ígneo) próximo aos vapores, e estes se inflamam. No terceiro momento, mostra que a fonte ígnea foi afastada dos vapores, e o fogo se apagou. Ponto de Combustão O Ponto de Combustão (Fire Point) é caracterizado como a menor temperatura na qual um material (líquido ou sólido) emite vapores em quantidade suficiente para formar com o ar, uma mistura capaz de ser inflamada por um agente ígneo, produzindo uma queima contínua, mesmo depois de afastar a fonte de calor. Figura 19 - Ponto de Combustão Fonte: DA SILVA, 2022. Na figura acima, mostra no primeiro momento que o combustível líquido está sendo aquecido em um béquer por meio do Bico de Bunsen e está liberando vapores. No segundo momento, é aproximado um fósforo aceso (fonte ígneo) próximo aos vapores, e estes se inflamam. No terceiro momento, mostra que a fonte ígnea foi afastada dos vapores e ainda assim, o fogo se mantém aceso. Ponto de Ignição 20 O Ponto de Ignição, ou Ponto de Auto-ignição ou é atingido quando o combustível é aquecido de forma gradual até uma temperatura que permita que os vapores combustíveis dele emanados se incendeiem mesmo sem a presença de um agente ígneo. Figura 20 - Ponto de Ignição Fonte: DA SILVA, 2022. Na figura acima, mostra no primeiro momento que o combustível líquido está sendo aquecido em um béquer por meio do Bico de Bunsen e está liberando vapores. No segundo momento, mesmo sem nenhuma fonte ígnea ser aproximado, os vapores se inflamam. No quadro abaixo, mostra algumas temperaturas características de alguns combustíveis nos pontos de fulgor, de combustão e de ignição. Material Ponto de Fulgor Ponto de Combustão Ponto de Ignição Pinho 225 265 280 Madeira Dura ~245 ~270 ~290 Papel 230 - 230 Polietileno 340 - 350 Gasolina -40 -20 227 Petróleo 30 43 250 a 450 Óleo Lubrificante 157 177 230 Etanol 13 - 370 Butano -60 430 Etileno - - 490 a 540 Figura 21 - Temperatura características de alguns combustíveis Fonte: GOIÁS, 2017. 21 Seção 13 -Tipos de Combustão Quanto a liberação de produtos A reação de combustão é uma reação química entre combustível, comburente e calor e os produtos desta reação, os elementos químicos podem se combinar de forma estequiometricamente perfeita, onde todos os elementos reagiram e alcançaram sua forma estável caracterizando a Combustão Completa, e quando sobra íons que ainda precisam reagir dizemos que é uma Combustão Incompleta. Combustão Completa A combustão completa é aquela em que todas as moléculas do combustível reagem com o oxigênio. Vejamos, o Carbono (C) faz 4 ligações, o Oxigênio (O) faz 2 ligações e o Hidrogênio (H) faz 1 ligação, e quando todas essas moléculas reagem entre si, e cada uma faz as ligações completas elas ficam estáveis. Temos como exemplo, o Metano (CH4) ao passar por uma reação de combustão, vai liberar vapores que irá reagir completamente o oxigênio e vai liberar gás carbônico, água e calor. Figura 22 - Reação de Combustão Completa Fonte: Acervo próprio, 2022 . Na figura acima, está ocorrendo a reação de 1 molécula de Metano CH 4(g) com 2 moléculas de Oxigênio O 2 e tendo como produto 1 molécula de Gás Carbônico 22 CO 2(g) e 2 moléculas de água (H 2 O (g) ) e liberar calor. Esta reação pode ser representada, conforme equação abaixo: CH 4(g) + 2 O 2(g) → CO 2(g) + 2 H2 O (g) + Calor Nota-se nessa reação, que a quantidade de C, O e H é exatamente igual no produto, ou seja, a equação está equilibrada. Logo, podemos observar nos produtos que o Carbono está fazendo as 4 ligações, o Oxigênio está fazendo suas duas ligações e o Hidrogênio está fazendo 1 ligação cada, isso representa que a molécula do CO2 e H2O estão estáveis, não necessitando completar suas ligações. Portanto, isso essa estabilidade das moléculas do produto caracterizam a combustão completa. Em via de regra, o combustível orgânico, como os hidrocarbonetos, por exemplo, em que são moléculas são formadas por carbono (C) e Hidrogênio (H); na reação de combustão, em que vai reagir com o oxigênio (O), temos como produto de uma reação de combustão água (H2O) e Gás Carbônico (CO2) e calor. No entanto, podemos ter outras formações de produto que vai depender do tipo de material que entra em combustão, como polímeros, por exemplo, as Poliuretanas (PU) e o Policroreto de Vinila (PVC), há a liberação de Ácido Cianídrico, Ácido Clorídrico, nitrilas e outras substâncias com alto grau de toxidade. Combustão Incompleta A combustão incompleta, é quando temos os vapores de uma combustão reagindo com o oxigênio, e estas moléculas não se liga completamente com o oxigênio, ou seja, haverá moléculas que não completarão totalmente suas ligações, e ficam reativas para tentar reagir com outra molécula para alcançar sua estabilidade. Figura 23 - Reação de Combustão Incompleta Fonte: Acervo pessoal, 2022. 23 Na figura acima, está ocorrendo a reação de 1 molécula de Metano CH 4(g) com 1 moléculas de Oxigênio O 2 e tendo como produto 1 molécula de Monóxido de Carbono CO (g) e 1 moléculas de água (H 2 O (g) ) e libera calor. Esta reação pode ser representada, conforme equação abaixo: CH 4(g) + 𝟑 𝟐⁄ O 2(g) → CO (g) + 2 H2 O (g) + Calor CH 4(g) + O 2(g) → C (s) + 2 H2 O (g) + Calor Podemos observar nos produtos que o Carbono está fazendo as 2 ligações com o oxigênio formando o Monóxido de Carbono (CO) e necessita fazer mais duas ligações para se tornar estável, isso representa que a molécula do CO não está estável, necessitando completar suas ligações. Portanto, isso essa instabilidade dasmoléculas do produto caracterizam a combustão incompleta. Além disso, essa mesma reação tem como produto o Carbono elementar (C), que é a fuligem (fumaça escura, formada de minúsculas partículas sólidas de carvão). Portanto, a combustão incompleta resulta na fumaça composta de radicais, íons instáveis, carbono, etc., que estão altamente reativos, e com a entrada do oxigênio essa reação pode se manifestar com uma backdraft (explosão desses vapores) e reignição da combustão. Seção 14 - Velocidade da Combustão A velocidade de combustão classifica-se em combustão lenta, combustão rápida ou viva e combustão espontânea. Combustão Viva A combustão viva caracteriza-se pela presença de chamas, resultado da combustão da gases e vapores em um ambiente sinistrado, do qual vai determinar o comportamento do incêndio por meio da intensidade de energia liberada. 24 Figura 24 - Combustão Viva Fonte: https://www.freeimages.com/pt/photo/bornfire-fire-flames-red-fire-wood-fire-1164581 Combustão Lenta A combustão lenta produz, como na combustão viva luz, calor e fumaça, porém é caracterizada pela ausência de chamas e a presença de incandescência (brasas). As brasas, dependendo da quantidade de combustível e comburente, pode esta presente na fase inicial ou na fase final do incêndio. Na fase final, caso o incêndio seja alimentado pelo comburente, estas brasas podem retornar a ser queimas vivas (apresentar chamas). Figura 25 - Combustão Lenta Fonte: https://www.sonhoesignificado.com/2015/04/sonhar-com-brasas-significado.html A combustão lenta, por não possuir chamas, e sim brasas, sua combustão é incompleta, desse modo, produz Monóxido de Carbono (CO), molécula altamente 25 reativa, que reage com a hemoglobina (Hb) do sangue. Normalmente a hemoglobina do sangue se liga a 4 moléculas de oxigênio, porém o CO tem maior afinidade com Hb (250 vezes maior que o oxigênio), então a Hb prioriza se ligar ao CO do que com o O2, além de que, quando a Hb está ligada ao CO, as outras moléculas de oxigênio ficam mais difícil de se desprender da Hb, ocorrendo assim, a asfixia química. Combustão Espontânea A combustão espontânea ocorre sem a presença de uma fonte inflamável, pois alguns materiais têm a capacidade de acumular calor, fazendo com que a velocidade da reação química aumente, gerando mais calor resultando na combustão. Desse modo, ocorre através uma oxidação ou fermentação de algum material, podendo demorar horas, dias, meses até que essa reação química produza calor suficiente para liberar vapores combustíveis e se combinar com o oxigênio e se inflamar. Seção 15 - Explosão A explosão é a transformação de um material em outro com o aumento do volume. Quanto mais rápida a transformação maior será a pressão. Pode ocorrer com a queima de gases, vapores de líquidos inflamáveis, e partículas (sólidas ou líquidas) em suspensão no ar. Portanto, caracteriza-se pelo aumento súbito do volume e grande liberação de energia, podendo ser acompanhado de elevada temperatura, produção de gases e forte estrondo, em curto espaço de tempo, provocando ondas de pressão que se deslocam a uma grande velocidade, classificando-se como: Seção 16 - Deflagração Em casos de ondas subsônicas quando ocorre com velocidade de propagação do deslocamento do ar inferior a velocidade do som de 340 m/s, onde a queima ocorre radialmente para fora e requer combustível para se espalhar e não produz onda de choque. São exemplos desse tipo de explosão a fumaça e o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), um tiro de uma arma de fogo. 26 Figura 26 - Explosão por Deflagração Fonte: https://blog-static.infra.grancursosonline.com.b Seção 17 - Detonação Para formar uma detonação é necessário o aumento das moléculas dos gases, temperatura alta e reação química. Por exemplo na queima do combustível, deve ocorrer em um ambiente confinado com paredes ou obstáculos, que limitam as ondas de pressão liberadas pela queima. À medida que a pressão aumenta, formam-se ondas de choque, que podem crescer em força até o ponto em que podem comprimir a mistura reagente, acendendo-a inteira de uma vez só e produzindo uma frente supersônica autossustentável. As ondas supersônicas ocorrem quando o deslocamento de ar é superior a velocidade do som de 340m/s. Caracteriza-se pela presença das ondas de choque e o forte estrondo e não requer combinação com oxigênio, pois as moléculas instáveis liberam energia considerável quando se dividem e se recombinam em novas formas ocorrendo a explosão. São exemplos de explosão por detonação qualquer explosivo, tais como: Nitrato de amônio, Nitrato de potássio, Clorato de potássio, Nitrato de Magnésio, Bromato de Sódio, Nitroglicerina, Ácido Pícrico. 27 Figura 27 - Explosão por Detonação do Nitrato de Amônio do Porto de Beirute – Líbano em 04/08/2020 Fonte: https://www.deviante.com.br/noticias/a-ciencia-por-tras-da-explosao-no-porto-de-beirute-parte- ii-as-condicoes-termodinamicas-de-uma-reacao-explosiva/ Seção 18 - Tipos de Chamas As chamas podem ser difusas ou de pré-mistura, vai depender de onde ocorre a mistura do oxigênio com os vapores combustíveis. Chama Difusa A Chama Difusa é quando o combustível e o oxigênio se misturam na zona de reação (zona de queima) na concentração adequada para que haja a combustão e, caso haja o contato com alguma fonte externa de calor, irão queimar. São exemplos de chama difusa as chamas de uma fogueira, uma vela, um fósforo, etc. O deslocamento do combustível e do oxigênio para a zona de reação se dá pela diferença de concentração, do qual a tendência é sempre partir do mais concentrado para o menos concentrado (Lei de Fick). Logo, podemos concluir que a zona de reação tem baixa concentração de combustível e oxigênio, do qual, ambos são atraídos para essa área, pois em volta da zona de reação suas concentrações são maiores. 28 Figura 28 – Zona de reação do combustível com o ar Fonte: Manual Básico de Combate a Incêndio, CBMDF, 2009. Quando analisamos uma vela vemos três regiões distintas: • A área azul – menor temperatura. Região rica em oxigênio onde as moléculas vaporizam e começam a quebrar em átomos de hidrogênio e carbono. O hidrogênio é o primeiro a sair e reage com o oxigênio e forma vapor de água. Alguns carbonos reagem e formam dióxido de carbono. • A área laranja escura - é pobre em oxigênio, várias partes das moléculas continuam a serem quebradas em átomos de Carbono liberando vapor de água e gás carbônico iniciados na zona azul (temperatura ≈1000º C) • Zona Amarelada – área mais quente. Na parte superior da zona amarela há formação de fuligem, que é o carbono elementar (C) que não conseguiu ser consumido, do qual sobe e incandesce e emite o espectro completo da luz visível. (temperatura no topo ≈1200º C) 29 Figura 29 - Queima Difusa Fonte: http://baianojuvenal.blogspot.com/2016/11/velas-e-suas-deformacoes-minha-vela.html Chama de Pré-Mistura A Chama de Pré-Mistura é o tipo de chama em que a mistura do combustível com o ar (oxigênio) ocorre antes da zona de reação (zona de queima). São exemplos fogões (mistura ocorre antes da boca, do qual o entra ar pelo gabinete e se mistura com o GLP antes da boca), maçarico (mistura ocorre no punho do aparelho, antes do bico). Este tipo de chama se caracterizada pela presença de chamas de cor azul e pelo alto poder calorífico, superior ao das chamas difusas. (a) (b) Figura 30 - Chama Pré-mistura: (a) Boca do Fogão (b) Maçarico Fonte: Distrito Federal, 2009 e Goiânia, 2017 respectivamente. Reação em Cadeia Na reação de combustão ocorre liberação de gases do combustível por meio da elevação da temperatura, do qual vai reagir com oxigênio para haver acombustão. A nível molecular, o combustível ao ser aquecido, algumas moléculas começam a quebrar, na quebra dessas moléculas há liberação de energia térmica (calor) irradia a molécula ao lado, água e gás carbônico, que faz com que a molécula ao lado se aqueça, se quebre e também libere calor para molécula ao lado, assim sucessivamente até que o combustível se esgote. Desse modo, se forma a cadeia de combustão, produzindo a sua própria energia de ativação (calor), enquanto houver suprimento de combustível. 30 Isso torna a queima autossustentável, sem que haja necessidade de uma fonte de calor externa em aquecer o combustível, pois o calor liberado pela quebra do combustível é suficiente para formar os gases combustíveis que reagirá com o oxigênio e permitir o desenvolvimento da combustão. Contudo, se os vapores combustíveis ao reagir com o ar (oxigênio) e se inflamarem, geram ainda mais energia, que irradiará para o combustível, gerando mais gases combustíveis e alimentado mais a combustão. Figura 31 - Reação em Cadeia Fonte: IBRASEP, 2022. Seção 19 - Produtos da Combustão Fumaça A fumaça influencia na dinâmica do incêndio pelo seu potencial de causar danos à saúde, a capacidade de aceleração da propagação do incêndio, a baixa visibilidade e abafamento acústico. Ela apresenta 5 (cinco) características básicas: 31 Figura 32 - Característica da Fumaça Fonte: Acervo pessoal • Quente – resultado da combustão com temperatura elevada e quando se acumula em um ambiente pode propagar o calor por meio de irradiação, mais quando ela sai do ambiente, por ser mais leve, ela pode se deslocar para os pavimentos superiores por meio de dutos, fosso, escadas, etc; e pode propagar o calor por meio da convecção térmica, atingindo os pavimentos superiores, levando calor a outros locais distantes do foco. • Opaca – como o incêndio é uma combustão incompleta podendo liberar água. Gás carbônico, monóxido de carbono, o carbono elementar (fuligem), entre outros, forma uma massa gasosa que fica suspenso no ar, que torna difícil a visibilidade sendo necessário técnicas adequadas para entrada segura e dispersão dessa fumaça. • Móvel – ocorre o deslocamento pois o fogo se propaga por meio da convecção, que consiste no movimento do fluido onde o ar quente sobe e o ar frio desce, surgindo as correntes de convecção e provocando o deslocamento da fumaça. Como esse fluido é mais quente, tende a subir atingindo diferentes ambientes em pavimentos superiores. • Inflamável – além dessa massa gasosa receber os gases combustíveis liberado pelo aumento de temperatura, ela possui radicais livres, íons instáveis, etc altamente reagentes que podem reagir com o oxigênio, e ao entra em contato com uma fonte de calor pode se inflamar ou explodir. • Tóxica – Os seus produtos são asfixiantes e irritantes, que vai depender dos produtos da combustão pode apresentar em sua composição produtos tóxicos 32 asfixiantes como o monóxido de carbono (CO), Ácido clorídrico (HCl), Ácido Cianídrico (HCN), Amônia (NH3), Óxidos de Nitrogênio (N2O, NO, NO2, N2O4). Seção 20 - Métodos de Extinção do Fogo Os métodos de extinção de incêndios baseiam na retirada de um ou mais elemento do fogo. São eles: a retirada ou controle de material ou isolamento, o resfriamento, o abafamento e a quebra da reação em cadeia que consiste na retirada do elemento do fogo combustível, calor, comburente e reação em cadeia respectivamente. a) Retirada ou Controle de material ou isolamento Consiste na retirada do elemento do fogo o combustível, que pode ser feito pela retirada do material que está́ queimando ou retirada do material que está́ próximo ao fogo e que deverá entrar em combustão por meio de um dos métodos de propagação. Figura 33 – Método de Extinção: Retirada do Material ou isolamento Fonte: Acervo pessoal, 2022. b) Resfriamento Consiste na retirada do elemento do fogo o calor. Normalmente utiliza-se o agente água ou espuma para diminuir a temperatura e, consequentemente, diminuir o calor. Desse modo, o combustível não gera mais gases e vapores para reagir com o comburente vindo a se apagar. 33 Figura 34 - Método de Extinção: Resfriamento Fonte: Acervo, 2022. c) Abafamento Consiste na retirada do elemento do fogo o comburente, que visa reduzir ou impedir que o comburente se misture com os gases liberados do combustível e forme a mistura ideal para a combustão. Os agentes mais utilizados são os pós químico Monofosfato de Amônio (PQS ABC), Bicarbonato de Sódio (PQS BC), Dióxido de Carbono (CO2) ou Espuma. Figura 35 - Método de Extinção: Abafamento Fonte: Acervo pessoal, 2022. d) Quebra da Reação em Cadeia ou Extinção Química Consiste na retirada do elemento do fogo a reação em cadeia. Normalmente utiliza-se um produto que impede a reação entre gases combustíveis com o comburente, interferindo diretamente nos radicais livres induzindo na formação de 34 moléculas diferentes, com efeito de reação endotérmica (absorção do calor) e assim, evitando-se a liberarão de calor impedindo que a molécula ao lado da reação receba calor e libere mais vapores combustíveis, ou até mesmo que esse vapores se inflamem impedindo que o calor seja irradiado para o combustível evitando a formação de mais gases combustíveis. Logo, ao lançar o produto, os gases combustíveis tornam-se em uma mistura não inflamável. Para esse tipo de extinção pode ser utilizado certos agentes extintores tais como, Halon, halogenados, sais de metais alcalinos), Pó Químico Seco (PQS). Figura 36 - Método de Extinção: Quebra da Reação em Cadeira Fonte: Acervo pessoal, 2022. Seção 21 - Agentes Extintores a) Água: agente extintor que atua por resfriamento. É o mais utilizado pelas suas propriedades de absorver calor e em decorrência de facilidade de ser encontrada. A forma mais eficaz da utilização da água é na forma de chuveiro ou pulverizado, pois quanto mais gotículas de água houver, maior será sua superfície de contato e maior será a capacidade de absorver calor. A água também pode atuar secundariamente por abafamento, pois quando a água evapora, o seu volume aumenta cerca de 1700 vezes e duplica a 450º C, podendo deslocar o ar em volta do fogo reduzindo a quantidade de ar necessário para a combustão. A água também é utilizada para a formação de espuma, para apagar fogos em líquidos inflamáveis. 35 Desvantagens da utilização da água em incêndio: • Alta Tensão Superficial: dificuldade de penetração da água em objetos porosos; • Baixa viscosidade – escoamento rápido no material; • Densidade relativamente alta – a água vai para o fundo do recipiente em incêndios em líquidos inflamáveis com densidade menor que a da água; • Conduz eletricidade; • Em incêndios de classe D, a água ao entrar em contato com o material pirofórico, o oxigênio presente em sua composição promove violenta reação exotérmica (liberação de calor). b) Espuma: agente extintor que são empregados aditivos para diminuir a tensão superficial da água (agentes tensoativos) visando aumentar a capacidade de espalhamento em cima do material sobre a superfície em chamas ou a penetração no material. A adição de agentes tensoativos e ar na água produz as bolhas que são constituídas por uma fase contínua líquida na superfície e uma dispersão gasosa no interior apresentando uma estrutura formada pelo agrupamento de várias células (bolhas) formando a espuma. Quanto maior o tamanho da bolha, menor será a estabilidade térmica e mecânica e mais fácil se desfaz. A propriedade da espuma em ficar na superfície, faz com que seja o agente indicado para apagar incêndios em líquidos inflamáveis, pois estas, espalham-se sobre a superfície do material em combustão, isolando-o do contato com o oxigênio atmosférico, agindopelo método de extinção por abafamento e secundariamente por resfriamento por ser constituída de água. Outrossim, os agentes tensoativos são adicionados a água, para torná-la “água- molhada, pois a água por possuir uma alta tensão superficial ela tem uma maior dificuldade de penetrar no material, e adicionando os agentes tensoativos, a água aumenta sua capacidade de penetrar (enxarcar) o material agindo pelo método de extinção por resfriamento. O Líquido Gerador de Espuma (LGE) e/ou tensoativo mais utilizado para produzir espuma mecânica visando a extinção em incêndio em líquidos inflamáveis é o LGE formadora de filme aquoso (aqueous film-forming foam – AFFF), que pode ser encontrado no mercado na concentração de 1 a 6%. Desse modo, para fazer a “água 36 molhada” é utilizado a concentração de 1%, ou seja, para a mistura de 100 litros, 1 litro será de LGE e 99 litros será de água, bem como, para combater incêndios em aeronaves, será utilizado a concentração de 6% de LGE, ou seja, para mistura de 100 litros, 6 litros será de LGE e 94 litros será de água. Existe dois tipos de espuma: • Espuma Mecânica - obtidas por um processo mecânico de mistura de um agente espumífero (LGE – líquido gerador de espuma), ar e água; • Espuma Química - obtidas pela reação química entre dois produtos que se misturam e liberam gás carbônico, formando a espuma. As espumas mecânicas classificam-se devido a capacidade dos líquidos geradores de espuma de formar volume de espuma após a aeração da mistura com água. São elas: Classificação 1 litro de pré- mistura produz Tipo de Espuma Uso Baixa expansão até 20 litros de espuma espuma pesada grandes incêndios em líquidos inflamáveis (tanques de armazenamento); acidentes de trânsito; incêndios com derramamento de líquidos inflamáveis; supressão de vapor; helicópteros; píers; resgate de acidente de aeronave; extintores de incêndio portáteis. Média expansão de 20 a 200 litros de espuma espuma média supressão de vapor; tanques de armazenamento de líquidos inflamáveis; pequenos dutos; pequenos incêndios envolvendo líquidos inflamáveis, tais como os ocorridos em acidentes de trânsito; proteção de transformadores Alta expansão de 200 a 1.000 litros de espuma espuma leve combate, extinção e proteção de grandes volumes, como armazéns, hangares de aeronaves, celeiros, navios, poços de minas, etc.; grandes dutos; supressão de vapor (incluindo líquidos criogénicos). Figura 37 – Classificação e uso da espuma mecânica 37 c) Pó Químico: o pó químico são partículas sólidas muitas finas, não tóxicas e não abrasiva e que não conduz energia elétrica, mais que podem provocar asfixia se inaladas em excesso. Agem pelo método de extinção por abafamento, pois afasta o oxigênio impedindo que o vapores combustíveis reaja com o oxigênio, além de agir pelo método de extinção por quebra da reação em cadeia, pois o pó captura os radicais livres impedindo a reação de combustão. Além disso, possui a propriedade extintora de resfriamento por absorver o calor e quando se encontra em suspensão impede a irradiação da onda calorífica. Existe vários tipos de pós que são indicados para cada classe de incêndio, conforme tabela abaixo: Classe de Incêndio Agente Extintor ABC Fosfato de amônio ou Fosfatomonoamônico BC Bicarbonato de Sódio Bicarbonato de Potássio Cloreto de Potássio D Grafite combinado com cloretos e carbonetos Figura 38 - Agente extintor conforme classe de incêndio d) Dióxido de Carbono (CO2) ou anidrido carbônico ou gás carbônico: é um gás inerte, não tóxico e não conduz energia elétrica; que age pelo método de extinção por abafamento. Ele ocupa o espaço deslocando o oxigênio, impedindo que os gases combustíveis liberados pelo combustível reajam com o oxigênio, por esse motivo, quando utilizado em locais confinado, por baixar a quantidade de oxigênio, pode ser asfixiante. Normalmente, ele é armazenado em cilindros de alta pressão, e tem como característica de quando o gás é liberado, se expande absorvendo calor, e por esse motivo o difusor do extintor de gás carbônico baixa a temperatura a menos 79º C. É um agente extintor indicado em incêndios em líquidos inflamáveis e em equipamentos energizados, porém não é indicado em incêndios de classe A pela dificuldade de penetração no material, bem como não é indicado em incêndios em classe D, pois decompõe o CO2 podendo reagir de formar perigosa, além de não ser 38 indicado em incêndios com agentes oxidantes, considerando que sua estrutura apresenta oxigênio. Seção 22 - Classes de Incêndio De acordo com a National Fire Protection Association - NFPA, os incêndios são divididos em quatro classes, tais como: • Classe “A”: combustíveis sólidos. Figura 39 - Classe de Incêndio A Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores/ São materiais que queimam na superfície e em profundidade e deixam resíduos, tais como: madeira, papel, tecido, papelão, algodão, etc. O método de extinção é o resfriamento, e os agentes extintores apropriados são PQS ABC, água e espuma, ou isolamento podendo retirar o material que está́ queimando ou afastando o material que está́ próximo ao fogo. • Classe “B”: líquidos ou gases inflamáveis. Figura 40 - Classe de incêndio B Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores 39 Além dos líquidos inflamáveis e gases, temos os plásticos que derretem e os óleos de gorduras que tem o mesmo comportamento dos líquidos combustíveis. Eles queimam em superfície e não deixam resíduos, tais como: álcool, gás liquefeito de petróleo (GLP), gasolina, querosene, diesel, etc. O método de extinção é o abafamento, podendo ser feito pelos agentes extintores PQS BC, PQS ABC, Gás Carbônico e espuma, ou isolamento podendo retirar o material que está́ queimando por meio de transbordo ou afastando o material que está́ próximo ao fogo evitando a combustão. Evita-se de usar a água, pois ele tende a se acumular no fundo do recipiente, podendo transbordar o líquido inflamável e espalhar o incêndio, porém, a água pode ser utilizada em jato chuveiro ou pulverizada. • Classe “C”: equipamentos elétricos energizados. Figura 41 - Classe de incêndio C Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores/ São os equipamentos elétricos ou qualquer material quando energizado. Geralmente esse tipo de material tem as mesmas características de queima da Classe A, queimam em superfície e profundidade e deixam resíduos, porém não pode ser utilizado os agentes extintores da classe A, água e espuma, pois elas conduzem corrente elétrica. Portanto, o método de extinção será o abafamento e os agentes extintores adequados são PQS BC, PQS ABC e Gás Carbônico. • Classe “D”: metais combustíveis. 40 Figura 42 - Classe de incêndio D Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores/ Os metais ou materiais pirofóricos, são aqueles mais propensos a um início de combustão espontânea, quando fundidos em contato com água ou quando possui bastante umidade, em que temperatura do material ou do ar estiver menor que a temperatura ambiente, causam fogo. Exemplos básicos de materiais pirofóricos são: Sódio (Na), Zinco (Zn), Magnésio (Mg), Potássio (K), Bário (Ba), Cálcio (Ca), Alumínio (Al), Zircônio (Zr) e Titânio (Ti), pedra de isqueiro, metais alcalinos, alumínio e chumbo pulverizado. O agente extintor é um pó químico especial a base de sal e cloreto de sódio que atua pelo método de extinção abafamento (isolando do oxigênio), quebra da reação em cadeia (neutralização das moléculas geradas) e isolamento (retirando o material ainda não atingido) Seção 23 - Extintores de Incêndio São aparelhos destinadosa combater a princípios ou na sua fase crescente do incêndio. Os extintores podem ser portáteis (até 20 quilos) ou sobre rodas (mais de 20 quilos). 41 Figura 43 - Extintores Portáteis e Sobre Rodas (carreta) Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Os extintores podem ter em seu interior os agentes extintores, tais como: água, pó químico seco (PQS), espuma, gás carbônico e pó especial. Nesses equipamentos existe dois métodos de propulsão do agente extintor. A primeira consiste em extintores de pressão não permanente (Figura 41-a) do qual o agente extintor e o agente propulsor encontram-se em recipientes diferentes. E segundo trata de extintor com pressão permanente (Figura 41-b), ou seja, o agente extintor e o agente propulsor encontram-se no mesmo recipiente. (a) (b) (c) Figura 44 - Estrutura do extintor portátil Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio São partes componentes da estrutura de um aparelho extintor portátil: • Pino ou trava de Segurança: trava o gatilho do extintor; • Alavanca: dar apoio para dar pressão ao gatilho; • Gatilho: Aciona o extintor; https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 42 • Manômetro: Indica se está com “pressão” (pressurizado) ou não. Se não estiver com pressão, o agente extintor não vai sair do recipiente, com exceção do extintor de gás carbônico, que não existe manômetro no extintor de gás carbônico e por se tratar de um gás, ele já possui pressão. Normalmente o manômetro possui três indicações de cor (parte vermelha – sem pressão; parte verde – com pressão adequada para utilização do extintor e parte branca – com excesso de gás que pode comprometer a utilização o uso do extintor); Figura 45 - Manômetro de extintor Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio • Pressurizante ou gás propelente: é uma que serve para expulsar o agente extintor do recipiente. Pode ser o Gás Carbônico (CO2) e ou Nitrogênio (N2). • Agente extintor: é o produto químico ou água que apaga o fogo; • Sifão ou Pescador: Conduz o agente extintor do interior do reservatório até a válvula de descarga; • Reservatório ou recipiente: armazena o agente extintor e o agente propulsor (quando de pressão permanente); • Base: serve para apoiar o extintor para mantê-lo em pé. • Mangueira: conduz o agente extintor a partir da válvula de descarga até o bico de descarga. • Bico de Descarga: instalado na ponta da mangueira para expelir o agente extintor. O bico do extintor de Gás Carbônico é o Difusor (Fig. 43-a), o de extintor de espuma é a Fig. 43-b, e o de pó e de água é a Fig. 43-c, só se diferencia no diâmetro sendo o de água menor que o de pó. 43 (a) (b) c) Figura 46 - Bico de Descarga de extintores portáteis (a) Gás Carbônico (b) Espuma (c) Água e Pó Fonte:https://www.google.com/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Floja.bombeiros.com.br% • Ampola: reservatório de gás propelente em casos de extintores de pressão não permanente. No extintor encontramos também: • Rótulo de Extintor: traz informações como as indicações das classes de incêndio, o nome do agente extintor, a capacidade extintora, instruções de manuseio, entre outras orientações. Figura 47 – Rótulo dos Extintor Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 44 • Anel de identificação: que serve para identificar qual a empresa fez a recarga do extintor, por isso, extintores novos, que ainda não sofreram recargas, não possuem este anel de identificação. Figura 48 - Lacre de Identificação Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio • Selo do INMETRO: é um selo que traz informações do mês e ano da manutenção do extintor. O prazo de validade de recarga é de um ano para os extintores, com exceção do extintor de gás carbônico que é inspecionado semestralmente. Figura 49 - Selo do INMETRO original Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio A Capacidade extintora trata da capacidade mínima que um extintor deve apagar, ou seja, o tamanho do fogo a ser extinto. A Medida do poder de extinção de https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 45 fogo de um extintor é obtida em ensaio prático normaliza, do qual padronizam a quantidade de agente extintor dentro do recipiente e a quantidade de fogo que ele deve apagar. Na classe A os testes de Capacidade Extintora são realizados em engradados de madeira, sob condições laboratoriais, de acordo com a Norma Brasileira — NBR 15808 e 15809. Figura 50 - Teste de Capacidade Extintora da Classe A Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Desse modo, apresenta-se na figura abaixo a capacidade extintora da Classe A para sólidos combustíveis. Figura 51 - Capacidade extintora da Classe A Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 46 Na Classe B os testes de Capacidade Extintora são realizados em cubas quadradas, sob condições laboratoriais, contendo n-heptano de acordo com a Norma Brasileira — NBR 15808 e 15809. Figura 52 -Teste de Capacidade Extintora da Classe B Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Desse modo, apresenta-se na figura abaixo a capacidade extintora da Classe B para líquidos inflamáveis. Figura 53 - Capacidade extintora da Classe B Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio. Na Classe C o teste é realizado o extintor para verificar se conduz eletricidade durante sua descarga. Durante o teste o extintor é energizado e caso transmita 47 eletricidade quando disparado contra a chapa metálica, a chave entra em curto e é desligada automaticamente. O ideal que não conduza corrente elétrica. Figura 54 - Teste de condução de eletricidade do extintor de Gás Carbônico Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Portanto, as características dos extintores são: • Extintor de água Figura 55 - Extintor de Água Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Classe de Incêndio indicado: A Metodo de Extinção: Resfriamento Capacidade Extintora: 2-A Carga sobre roda: 75 litros Carga extintor portátil: 10 litros 48 Alcance do Jato: 10 metros Tempo médio de descarga extintor portátil: 1 minuto (60 segundos) • Extintor de Espuma Figura 56 - Extintor de espuma Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Classe de Incêndio indicado: A e B Metodo de Extinção: Resfriamento para Classe A e Abafamento para Classe B Capacidade Extintora: 2-A / 10-B Carga sobre roda: 50 litros Carga extintor portátil: 10 litros Alcance do Jato: 5 metros Tempo médio de descarga extintor portátil: 1 minuto (60 segundos) • Extintor de Pó Químico Seco (PQS) Figura 57 - Extintor de PQS BC Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 49 Classe de Incêndio indicado: B e C Metodo de Extinção: Abafamento Capacidade Extintora: 20-B / C Carga sobre roda: 20 e 50 Kg Carga extintor portátil: 2,4, 6, 8 e 12 kg Alcance do Jato: 5 metros Tempo médio de descarga extintor portátil: de 15 a 25 segundos Figura 58 - Extintor de PQS ABC Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Classe de Incêndio indicado: A, B e C Metodo de Extinção: (A) resfriamento e (B e C) Abafamento Capacidade Extintora: 2-A / 20-B / C Carga sobre roda: 20 e 50 KgCarga extintor portátil: 1, 2, 4, 6, 8 e 12 kg Alcance do Jato: 5 metros Tempo médio de descarga extintor portátil: de 15 a 25 segundos • Extintor de Gás Carbônico 50 Figura 59 - Extintor de Gás Carbônico Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio Classe de Incêndio indicado: B e C Metodo de Extinção: Abafamento Capacidade Extintora: 5-B / C Carga sobre roda: 50 Kg Carga extintor portátil: 6 kg Alcance do Jato: 2,5 metros Tempo médio de descarga: 25 segundos Seção 24 - Fases do Incêndio O desenvolvimento de queima em um incêndio ocorre em estágios ou fases claramente definidos. As fases do incêndio são descritas como: inicial, crescente, totalmente desenvolvida e final. 51 Figura 60 - Fases do Incêndio Fonte: https://www.google.com/imgres?imgurl=x-raw-image% • Fase inicial: é a fase onde existe o primeiro foco de incêndio limitado a um material. O local tem grande quantidade de combustível e oxigênio. Se a queima do material combustível que compõe o foco inicial não for suficiente para causar a pirólise de outros materiais no ambiente e sustentar a queima, o fogo se extinguirá ainda nesta fase. Na figura acima, mostra apenas um foco de incêndio no abajur. • Fase do crescente: O fogo não está mais limitado ao primeiro material combustível e começa a irradiar calor e a pirolisar o material próximo. Logo, o calor propagado pelo primeiro material em combustão é transferido aos outros materiais no cômodo e começa a aumentar o incêndio até atingir o ponto de ignição e a consequente queima de quase todos os materiais do ambiente, fenômeno este conhecido como flashover. Na figura acima, mostra que já o calor passou do abajur (primeiro foco de incêndio) para o sofá. Nesta fase, a temperatura sobe de aproximadamente 50°C para 800°C em um curto espaço de tempo. Os incêndios liberam resíduos (carbono e hidrogênio), que se depositam no teto físico da edificação por meios das correntes de convecção e quanto menor for a distância entre o piso e o teto, mais rápido ocorre o adensamento da fumaça e mais rápido satura o ambiente. O posicionamento do foco inicial e a entrada do comburente são determinantes para o desenvolvimento da combustão. Quanto ao posicionamento, se o foco inicial estiver no centro, o desenvolvimento será mais lento devido aos vapores combustíveis receberem calor 52 quase que exclusivamente da convecção. Se estiver localizado no canto, será mais rápido, pois as paredes contribuem para o aquecimento dos gases combustíveis recebendo calor por condução e convecção direta e transferem esse calor para os vapores combustíveis, fazendo com que alcancem seu ponto de ignição mais rapidamente. Figura 61 - Posicionamento do foco inicial Fonte: CBMGO, 2017 Quanto ao comburente, quanto mais ventilado for o ambiente, o adensamento da fumaça será mais lento e sofrerá as consequências da troca de calor entre ele e a fumaça mais tardiamente. A ventilação também limita a altura da zona de reação, também conceituada como plano neutro, que é o exato ponto visível de separação entre o ar atmosférico e a camada de fumaça onde ocorre a formação de chamas quando se tem a ignição da fumaça. Figura 62 - Zona de Reação Fonte: Fonte: CBMGO, 2017 53 • Fase Totalmente Desenvolvida: após a ignição súbita generalizada todos os materiais combustíveis presentes no cômodo estão em combustão. É nesta fase que o incêndio tem a maior taxa de liberação de calor, consumindo em decorrência disso, combustível e comburente de forma mais rápida. Por exemplo, na figura acima, ocorre a queima de todas a mobília, tapete, equipamentos, e até mesmo a tinta da parede queimam no ambiente. • Fase final: com todos os materiais presentes sendo consumidos no processo de combustão, a presença de calor, fumaça e chamas também diminui. Se não houver nova oferta de combustível e oxigênio o incêndio diminuirá até a sua extinção. Seção 25 - Comportamento Extremo do Fogo Flashover - Generalização do Incêndio O flashover ocorre de forma súbita na passagem da fase crescente para a fase totalmente desenvolvida de um incêndio, num ambiente com relativa abundância de oxigênio. É o momento em que todos os materiais presentes no ambiente sofrem a pirólise, em virtude da ação da fumaça quente e inflamável resultante da queima, e entram em ignição simultaneamente, com efeitos similares aos de uma explosão. Generalizando o incêndio, pois todos os materiais combustíveis do ambiente se inflamam ao mesmo tempo ao atingirem seus respectivos pontos de ignição, gerando grande quantidade de energia em curtíssimo espaço de tempo, espalhando o fogo rapidamente pelo ambiente. 54 Figura 63 - Generalização do Incêndio Fonte: https://vvf-flashover-garofalo.blogspot.com/2013/02/prf-flashover.html?m=1 O flashover não apresenta ondas de choque, no entanto, as altas temperaturas por ele atingidas, pode representar o risco de colapso estrutural do ambiente sinistrado. Sinais observáveis em um incêndio que identificam o risco iminente da ocorrência de um flashover: Fumaça densa, escura e turbulenta Com a limitação do espaço, há um acúmulo de fumaça, tornando-a mais densa, indicando maior quantidade de gases e materiais combustíveis em suspensão, formados pela queima, aguardando até que a temperatura chegue a seus pontos de ignição. Figura 64 - Fumaça rica em materiais combustíveis em suspensão Fonte: https://i.pinimg.com/originals/20/d8/84/20d884e6c0c87e9c98d53f554e54777b.jpg A fumaça escura indica a presença de chamas no ambiente e é consequência da perturbação da ponta das chamas difusas. O confinamento do incêndio provoca o acúmulo da fumaça e seu adensamento gerando uma fuligem, pela queima incompleta, que se deposita sobre beirais de janelas, moveis e pisos, sendo possível a observação deste sinal pelo combatente envolvido na operação. 55 Em altas temperaturas a fumaça tende a se movimentar turbulentamente. Quanto maior for a temperatura da fumaça, mais turbulenta e rápida será sua movimentação. Chamas na zona de reação da camada da fumaça Figura 65 - Chamas na zona de reação Fonte: https://medium.com/@australis/compartment-fire-behavior-training-55906ec23959 Devido à alta temperatura da fumaça (acima do ponto de ignição) e a limitação de comburente, provocados pelo processo de combustão, surgirão chamas em áreas onde a fumaça encontrar oxigênio na concentração adequada de mistura. Estas chamas se direcionarão para qualquer abertura que lhe permita contato com o oxigênio como as aberturas de portas e janelas. Rollover Caracteriza-se pelo aparecimento de chamas esporádicas na capa térmica e pela queima repentina de toda camada de fumaça. Esta denominação dá-se pelo movimento de rolamento das chamas na camada de fumaça. Este fenômeno libera grande fluxo de calor aumentando a temperatura e contribuindo com a ocorrência do flashover. 56 Figura 66 - Rollover Fonte: http://incendioseresgates.blogspot.com/2017/04/rollover.html Ghost Flames - Ignição esporádica e de pequenas proporções da fumaça O aparecimento de chamas esporádicas na capa térmica, provenientes da queima rápida de parte dos gases e vapores combustíveis presentes na fumaça, indica que a capa térmica está prestes a entrar em ignição e se incendiar por completo, provocando o flashover a qualquer instante. Figura 67 - Ghost Flames Fonte: ikelite.com/blogs/features/inside-a-drager-flashover-simulator-with-an-ikelite-housing 57 Backdraft - Explosão da Fumaça É a explosão violenta da fumaça acumulada e aquecida em um ambiente confinado, ao entrar em contato com uma repentina oferta de oxigênio e alcançar a mistura ideal de combustão. Figura 68 - BackdraftFonte: https://gulffire.mdmpublishing.com/warm-to-inform-but-never-burn-to-learn/ O backdraft ocorre quando há o acúmulo de fumaça, gases e partículas combustíveis, em um ambiente confinado, decorrentes do processo de combustão e diminuição de oxigênio no ambiente sinistrado, que ao receber uma oferta suficiente de oxigênio (comburente), produzirá uma violenta explosão. Quando o incêndio fica confinado a queima passa ser lenta, decorrente da limitação de oxigênio. Apesar da ausência de chamas, a termólise continua acontecendo e a produção de vapores combustíveis é constante, tornando a fumaça cada vez mais densa e aquecida. Uma das principais características dos incêndios com limitação de oxigênio é a produção de Monóxido de Carbono (CO), além de outros gases e vapores combustíveis. O Monóxido de Carbono possui uma ampla faixa de inflamabilidade, de 12,5% a 74%, atingindo seu ponto de ignição a 605ºC, temperatura normalmente atingida em incêndios de ambientes fechados. Dessa forma a fumaça superaquecida e rica em vapores combustíveis, tão logo misture-se com o ar (comburente) e alcance a concentração adequada, entrará em ignição de forma violenta com a formação de uma onda de choque e elevada temperatura, podendo causar grandes danos estruturais e humanos. 58 Essa oferta de comburente (ar) ao ambiente incendiado pode se dar pela abertura inadvertida de uma porta ou janela por bombeiros ou curiosos ou pela formação de uma abertura ocasionada pela pressão exercida pela fumaça sobre pontos vulneráveis, como também pela ação da alta temperatura gerada. Importante observar que como mencionado, a ocorrência do backdraft se dará em um processo de mistura ideal da fumaça (combustível) que se encontra superaquecida, com o oxigênio (comburente) ofertado. Logo, essa mistura ideal poderá ocorrer de forma imediata ou levar algum tempo (minutos). Devendo, portanto, ter uma atenção especial da guarnição de combate a incêndio. Figura 69 - Backdraft Fonte: https://pt.depositphotos.com/stock-photos/backdraft.html Indícios que identificam o risco iminente da ocorrência de um backdraft: Fumaça cáqui, densa e turbulenta A fumaça é cáqui e densa em decorrência da pirólise dos materiais que continua a ocorrer sem chamas e causando acúmulo de combustíveis. E por estar aquecida torna-se turbulenta, rolando pelo ambiente e saindo por frestas e aberturas que possibilite o acesso ao oxigênio de forma pulsante. Ar sendo sugado para dentro do ambiente 59 Percebe-se a sucção de ar para dentro do ambiente por frestas de forma intermitente. E algumas vezes o deslocamento do ar provoca sons parecidos com um assobio. Presença de línguas de fogo (flameover) Pequenas chamas se acendem e apagam próximas das aberturas, a fumaça que sai do ambiente se incendeia ao entrar em contato com o oxigênio, indicando que está acima de seu ponto de ignição. Paredes, portas e maçanetas aquecidas Consequência da alta temperatura no interior do ambiente. É um importante sinal de alerta e de fácil identificação. Sons abafados (efeito algodão) Devido à alta densidade da fumaça, os sons dentro do ambiente soarão abafado, como se os ouvidos estivessem com chumaço de algodão. Vidros e molduras das janelas com aspecto oleoso A combustão gera fuligem e vapores que se condensam em contato com os vidros, misturam-se impregnando os vidros das janelas, dando a impressão de que existe óleo no ambiente. Ignição da Fumaça A ignição da fumaça, assim como no backdraft, quando aquecida, é causada quando recebe a proporção adequada de ar. A diferencia para o backdraft, é que enquanto neste, o ar vai em direção à fumaça, na ignição da fumaça, a fumaça vai em direção ao ar. Outra forma de ignição da fumaça e a mais comum, é quando entra em contato com uma fonte de calor, podendo ou não gerar onda de choque. Mesmo com pouca fumaça visível, é possível ocorrer a ignição, pois os gases do incêndio continuam inflamáveis, bastando uma fonte de calor suficiente para deflagrá-los. É um fenômeno momentâneo, pois, quando parte da fumaça queima, ele consome o oxigênio e perde as condições favoráveis para continuar queimando. 60 Figura 70 - Ignição da Fumaça Fonte: https://www.tagblatt.ch/ostschweiz/frauenfeld-munchwilen/flashover-aus-dem-feueratelier- ld.961923 Fatores que causam a ignição da fumaça: • Colapso de estruturas da edificação sinistrada - a fumaça que estava confinada no ambiente é compelida e entra em contato com uma fonte de calor ou com o comburente; • Curto-circuito da rede elétrica ou faíscas - de equipamento ou motores presentes no local do sinistro; • Uso incorreto de ventilação por pressão positiva – que utilizada da forma incorreta, direcionará a fumaça para um ambiente onde haja alguma fonte de calor; • Uso de jatos de água de forma indiscriminada e incorreta – esses jatos geram deslocamento de ar que podem direcionar a fumaça para ambientes que contenham fontes de calor; • Ação de rescaldo mal conduzida – feito da maneira incorreta pode deixar a expostas brasas incandescentes que poderão incendiar a fumaça acumulada; • Pode-se prevenir a ignição da fumaça com medidas como; impedir o acúmulo da fumaça no ambiente e realizar seu resfriamento com linhas de mangueiras dispostas na saída do ambiente, realizando pulsos de água atomizada. 61 CAPÍTULO 2 – RISCOS ESPECÍFICOS E SEUS EFEITOS Autores: AL OF Carlos Alan Matos de Queiroz, AL OF Danilo Eduardo Rocha de Paulo, AL OF Maria da Conceição Corrêa Pereira, AL OF Willian Guerra Soares. Antes de iniciarmos com o tema proposto, vamos fazer um breve entendimento sobre a palavra riscos. Segundo o Dicionário Houaiss, riscos “é probabilidade de perigo com ameaça física para o homem e/ou para o meio ambiente”. E é nesse sentido da palavra riscos, na qual, iremos estudar, que riscos são os riscos de acidentes aos quais os trabalhadores estão sujeitos em determinado ambiente de Trabalho. Em que, esses riscos ameaçam não somente a vida, mas também o meio ambiente. Alguns exemplos de riscos que estão associados a ruídos, vibrações, gases, vapores, iluminação inadequada, presença de máquinas, calor, dentre várias outras possibilidades em determinados ambientes de trabalho. Assim, sendo a abordagem desse assunto visa o aprendizado por parte dos bombeiros dos conceitos, características e riscos que decorrem dos fenômenos associados aos incêndios, para que possam ter conhecimento tanto teórico quanto pratico, a fim de que, não venham a ser surpreendidos em ocorrência com um comportamento extremo capaz de se ferir a si e a equipe, e até mesmo trazer riscos de morte a quem estiver envolvido nas ações de salvamento e de combate aos incêndios principalmente em fábricas, postos de gasolinas, edificações verticais entre outros. Qualquer situação que apresente risco de danos à saúde do trabalhador caracteriza um risco ocupacional. Existem os mais evidentes e graves, como os ligados ao calor ou a acidentes em grandes indústrias. Há também os menores, que às vezes passam despercebidos, como os riscos ergonômicos em escritórios e ambientes administrativos, porém nosso foco são os riscos específicos de um incêndio. Segundo o Manual de Incêndio do Estado de Goiás 1º Edição de 2016; “a profissão de bombeiro militar surgiu pela necessidade de um serviço público de extinção de incêndios e, desde seu início, vem se aperfeiçoando em técnicas e atividades, sempre vislumbrando salvaguardar vidas e bens”. E o Corpo de Bombeiros do Estado do Amazonas está buscando a cada dia o aperfeiçoamento técnico profissional de seu efetivo em todas as áreas afins de atendimento. 62 Seção 1 - Viscosidade Segundo o dicionário on-line “o termo viscosidade tem característica ou estado daquilo que é viscoso; viscidez”.Pelos termos da física, viscosidade pode representar a resistência que um fluido apresenta ao escoamento, ocasionada pelo movimento relativo entre suas partes; atrito que ocorre no interior de um fluido. Ainda, sobre os termos da física, viscosidade pode ser um mecanismo utilizado pelas partículas de uma substância ao se aderirem (umas às outras). Assim, procuramos compreender a etimologia da palavra viscosidade que é “um termo de origem da palavra viscosidade, do latim viscositas”. Importante salientar que o Manual de Incêndio do Estado de Goiás (2017,p.57) nos informa que “não é raro que líquidos com uma viscosidade muito alta sejam pré-aquecidos para se facilitar seu escorrimento por meio de tubulações e para outros usos (uma vez que o aumento de temperatura tende a diminuir a viscosidade do líquido)”. Entretanto no estado líquido, os materiais se adequam ao recipiente que os contém, tomando sua forma sem alterar consideravelmente o volume. No caso dos líquidos inflamáveis, existe a possibilidade de escoamento do material para os locais mais baixos. Assim, buscamos compreender que líquidos menos viscosos escoam melhor. Outra consequência além do escoamento do próprio líquido é o escoamento de bolhas pelo líquido. Líquidos mais viscosos apresentam maior resistência ao escoamento das bolhas em direção à superfície do mesmo. Seção 2 - Densidade A densidade é a relação entre a massa de um material e o volume por ele ocupado. Um exemplo disso pode ser a mistura de líquidos, como mostra a figura abaixo. Figura 1 - mistura de líquidos Fonte: https://brasilescola.uol.com.br 63 Como podemos observar a camada de liquido é formada em razão das diferentes densidades do etanol, óleo e água. Assim, pode entender que densidade é a relação existente entre a massa e o volume de um material, a uma dada pressão e temperatura. Outro fato importante entender é que, é comum que os líquidos e gases combustíveis e inflamáveis sejam expressos através de sua densidade relativa que, para os sólidos e líquidos é definida como a densidade de um corpo dividido pela densidade (ou massa específica) da água. Segundo o Manual de Incêndio de Goiás (2017,p.57), afirma que : “para os gases a densidade relativa é definida como a densidade de uma porção do gás dividido pela densidade do ar.” Assim, compreendemos que em todos os casos a densidade relativa é adimensional. Muitas vezes nas fichas de informação de segurança a densidade relativa de um material é expresso simplesmente pelo termo “densidade” (basta verificar se o valor é adimensional ou se tem unidade para diferenciá-los). Em geral, a densidade relativa dos líquidos inflamáveis são menores que 1 e, portanto, “flutuam” na água, quando não se misturam. Os vapores mais densos que o ar também se acumulam nas partes baixas Seção 3 - Pressão de Vapor Podemos considerar aqui a pressão de vapor como uma medida da volatilidade de uma substância. Substâncias com alta pressão de vapor são mais voláteis, enquanto a substância com baixa pressão de vapor é substância pouco voláteis. A volatilidade por sua vez depende da natureza química da substância e está intimamente relacionada com as forças que mantêm as moléculas unidas. Assim sendo, a pressão exercida por uma substância ou mistura (a uma determinada temperatura) num sistema que contém apenas o vapor e a fase condensada (líquida ou sólida) da substância ou mistura. A pressão de vapor expressa a volatilidade do líquido. Líquidos mais voláteis têm pressão de vapor maiores. Seção 4 - Calor de Combustão 64 Calor (ou entalpia) de combustão de uma substância é a variação de entalpia (quantidade de calor libertada) verificada na combustão total de 1 mol de uma determinada substância, supondo-se no estado padrão todas as substâncias envolvidas nessa combustão. Na figura abaixo temos um exemplo de entalpia de combustão. Figura 2 - entalpia de combustão. Fonte: https://amazonas.news/incendio. Um outro exemplo, podemos verificar na imagem abaixo, o calor emitido pela combustão completa de uma unidade de massa que no caso abaixo é madeira. Figura 3 - entalpia de combustão de madeira liberando calor para a casa Fonte: https://www.manualdaquimica.com. Por ser um fenômeno exotérmico, a entalpia de combustão sempre apresenta uma variação de entalpia menor que zero (ΔH < 0). Seção 5 - Calor Latente (ou calor de transformação) 65 Calor latente é a mudança de estado físico de uma substância quando há troca de calor, em um processo de fornecimento de energia para um corpo. Na termologia, calor latente também é chamado de calor de transformação. O calor latente é definido, também, como a relação da quantidade de calor por massa. Assim, determina o quanto de energia é necessário para um grama de determinada substância mudar seu estado físico. Ou seja, é a energia necessária para que determinada massa de material mude de fase (fusão e vaporização), ou a quantidade de energia liberada quando determinada massa de material muda de fase (solidificação e condensação). É expresso em unidade de energia por unidade de massa. Materiais Instáveis ou Reativos Segundo a IT 22 do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (2005,pg-18), materiais instáveis ou reativos “são líquidos que, no estado puro ou nas especificações comerciais, por efeito de variação de temperatura e pressão, ou de choque mecânico, na estocagem ou no transporte, se tornem auto reativos e, em consequência, se decomponham, polimerizem ou venham a explodir”. Já o Manual de Incêndio de Goiás (2017,p.68), nos apresenta que materiais instaveis ou reativos são “materiais (líquidos, sólidos ou gases) que no estado puro ou nas especificações comerciais, por efeito de variação de temperatura, pressão ou de choque mecânico, na estocagem ou no transporte, tornam-se auto reativos e, em consequência, se decomponham, polimerizem ou venham a explodir. Os graus de perigos devem ser classificados de acordo com a facilidade, a taxa e a quantidade de energia liberada, como segue: • Materiais que são capazes de detonar ou sofrer decomposição explosiva ou reação explosiva, rapidamente, a temperaturas e pressões normais. Isto inclui materiais que são sensíveis a choques térmicos ou mecânicos localizados a temperaturas e pressões normais. • Materiais que possuem power density instantânea (produto do calor de reação e taxa de reação) a 250ºC acima ou igual a 1000 W/ml. https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/fisica/termologia 66 • Materiais que possuem uma power density instantânea (produto do calor de reação e taxa de reação) a 250ºC maior ou igual a 10 W/ml e menor a 100 W/ml. • Materiais que reagem violentamente com água ou formam misturas potencialmente explosivas com água. Na figura abaixo ilustra as substâncias reativas, onde mostra a diferença do material termicamente estável. Figura 5 – substâncias reativas Fonte: https://www.google.com Abaixo temos uma segunda tabela que mostra O Diagrama de Hommel que são identificações que devem ser feitas nos produtos. Figura 6 – Diagrama de Hommel Fonte: https://www.segurancadotrabalho.ufv.br https://www.segurancadotrabalho.ufv.br/ 67 Toda solução química preparada em laboratórios, para seu próprio uso ou de uso de outro setor, deve conter um rótulo com: nome da solução, produto principal, produto secundário, usuário, procedência, data e o Diagrama de Hommel devidamente preenchido. O Diagrama de Hommel é um sistema padrão para indicar a toxidade, a inflamabilidade e a reatividade de produtos químicos desenvolvidos pela NFPA (National Fire Protection Association). Trata-se de um diagrama que possui sinais de fácil reconhecimentoe entendimento, os quais podem dar uma ideia geral do perigo desses materiais. Seção 6 – Líquidos inflamáveis De acordo com a NR20 que estabelece a definição de líquidos inflamáveis, ou seja, sua definição técnica incluindo o seu ponto de fulgor a qual é a menor temperatura que um líquido desprende quantidade suficiente de vapor para forma uma mistura inflamável com o ar. Líquidos inflamáveis são líquidos que mantém seu ponto de fulgor -c 60º. São ele acetileno, solvente, gasolina, benzeno, detergente sintéticos etc. Os tanques de armazenamento devem ser construídos de aço ou concreto ou material especial dependendo da característica do líquido. A IT 25/2019 do corpo de bombeiros militar do estado de São Paulo é a referência para construção de tanques de armazenamento de líquidos inflamáveis fixos e portáteis no Estado do Amazonas. Um fator importante é a Utilização de líquidos inflamáveis e de combustíveis em processos de fabricação de produtos como tintas, cosméticos, artigos de higiene pessoal e de limpeza, além de farmacêuticos, entre outros. Devido aos riscos de incêndio e explosão associados a estas substâncias, há que se considerar uma série de medidas no sentido de evitar a ocorrência de incidentes que provoquem danos materiais e interrupções prolongadas nas operações. No Estado do Amazonas existe desde a década de 60 a zona franca de Manaus. A zona franca de Manaus foi criada em 1967 no regime militar por meio do decreto-lei nº288/67, finalidade inicial era oferecer benefícios fiscais por um período 68 de 30 anos. Sendo da sua última prorrogação até 2073, o polo industrial que abriga mais de 600 fabricas de vários seguimentos nos setores de bebidas, televisores, informática e motocicletas. Essas fábricas na sua maioria estocam produtos inflamáveis ou derivados, gerando uma grande preocupação em caso de sinistro envolvendo líquidos inflamáveis, atuação do corpo de bombeiros nas primeiras horas da ocorrência e atuação entre os outros órgãos através da implementação do sistema de comando de incidente será imprescindível para um atendimento de excelência. Seção 7 - Classificação dos líquidos combustiveis e inflamáveis No Estado do Amazonas o serviço de vistoria e fiscalização dispõem da IT de nº 25 que tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos necessários para a elaboração de projeto e dimensionamento das medidas de segurança contra incêndio exigidos para instalações de produção, armazenamento, manipulação e distribuição de líquidos combustíveis e inflamáveis. Essa mesma IT tem por finalidade informar a todas as edificações e/ou áreas de risco em que haja produção, manipulação, armazenamento e distribuição de líquidos combustíveis ou inflamáveis, localizadas no interior de edificações ou a céu aberto, conforme o Regulamento de segurança contra incêndio das edificações e áreas de risco do Estado do Amazonas em vigor Ainda sobre essa mesma Instrução Técnica, os tanques de armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis existentes, quando acrescidos tanques em um cenário de risco de incêndio existente, todos os tanques envolvidos no cenário devem ter sua proteção revista, exceto os afastamentos entre os tanques existentes e afastamentos dos tanques existentes para limites de propriedades, vias de circulação e edificações, os quais devem seguir a norma vigente à época. Em casos, de situação de transporte de Produtos Perigosos (ONU, Ministério do Transporte e ABNT) considera-se inflamável, os líquidos com ponto de fulgor de até 60,5oC (ensaio em vaso fechado, ou 65,6oC se o ensaio for em vaso aberto). Já para o Ministério do Trabalho (NRs 16 e 20) é inflamável o líquido que tenha ponto de fulgor inferior a 70oC, e combustível o que tem ponto de fulgor igual ou maior que 70oC e menor que 93oC. 69 Seção 8 - Prevenção, Controle e Extinção das Chamas Importantes citar que o Manual de Incêndio de Goiás (2017,p.69) Em locais onde se armazenam, produzam ou transportem líquidos inflamáveis deve-se adotar sistemas e medidas para se evitar incêndios. Esses sistemas preventivos incluem o controle de emissão de vapores, isolamento de risco, controle de vazamentos, controle de eletricidade estática, sistema de proteção contra descargas atmosféricas, etc. O combate às chamas pode ser feito de diversos modos: exclusão do combustível, abafamento (tampa ou espuma), diluição, emulsionamento, resfriamento e interrupção da reação em cadeia. Já o Manual Contra Incêndio e Pânico do DF (2006, p.48) nos informa que “nos armazenamentos de líquidos inflamáveis deve-se adotar medidas de prevenção de agentes externos que podem causar incêndios”. Como o controle de gases e vapores e eletricidade estática e sistema de proteção de descargas atmosféricas. A extinção das chamas pode ser combatida pelos métodos de exclusão do combustível, diluição, emulsionamento, resfriamento, abafamento e interrupção da reação em cadeia. Abafamento Consiste em retirar o comburente do contato com o combustível, evitando assim sua reação. As espumas exigem as chamas em líquidos inflamáveis através de abafamento, através de supressão da liberação de vapores dos líquidos combustíveis, da separação das chamas da superfície do combustível e do resfriamento das superfícies do líquido. Pós Químicos Os Pós podem ser empregados em gases, líquidos e sólidos combustíveis e equipamentos elétricos energizados. Produzem como inconveniências a perda da visibilidade do ambiente onde é aplicado e dificuldade respiratória para os operadores. 70 Água A eficiência da água em incêndios deve-se ao efeito refrigerador provocado pelo seu calor de vaporização (40,66 kJ.mol-1), o qual remove calor do processo de combustão e resfria o material em chamas. No entanto, a água em geral é ineficiente quando se trata de líquidos inflamáveis. Isso porque sua densidade é geralmente maior que a dos líquidos inflamáveis, indo para o fundo do recipiente que as contém antes de produzir qualquer efeito sobre as chamas. Alguns líquidos se tornam muito quentes ao queimar ou são previamente aquecidos antes de começarem as chamas (é o caso dos acidentes com óleo de cozinha), então qualquer água que seja jogada sobre eles entrará imediatamente em ebulição expulsando violentamente o líquido inflamável e promovendo maior risco a quem estiver por perto. Halogenados Atuam por inibição da reação em cadeia e, secundariamente, por resfriamento. São utilizados no combate a incêndio de gases, líquidos e sólidos combustíveis e equipamentos elétricos energizados. Trazem o risco para os operadores de narcose e possuem alta toxicidade. Como alternativa aos halons, outros agentes gasosos podem ser usados, como o gás carbônico, agentes químicos gasosos (como inergen, nitrogênio, argon, etc). Métodos de aplicação de espuma Atuam por inibição da reação em cadeia e, secundariamente, por resfriamento. São utilizados no combate a incêndio de gases, líquidos e sólidos combustíveis e equipamentos elétricos energizados. Trazem o risco para os operadores de narcose e possuem alta toxicidade. Como alternativa aos halons, outros agentes gasosos podem ser usados, como o gás carbônico, agentes químicos gasosos (como inergen, nitrogênio, argon, etc).. Na figura abaixo temos: 71 Figura 7- Misturador entre linhas conectado ás mangueiras e ao LGE Fonte: Manual de Incêndio do Distrito Federal- DF 2018. Forçada: Aplicação diretamente contra a superfície do líquido, através de esguichos e canhões monitores. Figura 8 – esguicho lançador de espuma Fonte: Material da VTR ABT 32 - CBMAM A vazão de solução de espuma eficiente dependendo modo de aplicação para compensar as perdas por ação do vento, do fogo, do combustívele das correntes de convecção. Taxas de Aplicação de espuma 72 Aplicação de espuma em tanques verticais contendo hidrocarboneto. Fonte: CBMDF, 2009. Seção 9 - Fenômenos extremos Boil Over O Boil over é um fenômeno perigoso quanto o BLEVE é pode causar múltiplas vítimas, principalmente pessoas que fazem parte do grupo de combate a incêndio. O Boi lover ocorre principalmente em tanques de estocagem de produto que possuem água misturada e, e devido a sua maior densidade, permanece no fundo do tanque, exemplos são tanques de armazenagem de óleo cru. Quando o líquido inflamável, ou combustível, pega fogo e consegue aquecer a água no fundo do tanque, a água superaquecida pode vaporizar repentinamente e expulsar o líquido em chamas, podendo formar uma grande bola de fogo e, ao mesmo tempo, criar uma enorme poça de líquido em chamas que pode atingir a equipe de combate nas imediações. Em se tratando desse tipo de incêndio principalmente em torneis de armazenamento de líquidos inflamáveis a equipe de combate tende a resfriar as laterais dos reservatórios com água e ataque direto com espuma na superfície em chamas. 73 Figura 9 – fenômeno boil over Fonte: www.oposicionbomberoonline.org Considerando que a espuma é formada em grande parte por água, durante o combate ao incêndio, a água tende a depositar-se no fundo do tanque. Se a água no fundo do tanque for submetida a altas temperaturas, pode vaporizar-se bruscamente, na vaporização da água há grande aumento de volume (1 litro de água transforma-se em 1.700 litros de vapor. O boil Over pode ser previsto? Através da constatação da onda de calor: dirigindo um jato d’água na lateral do tanque incendiado, abaixo do nível do líquido, pode-se localizar a extensão da onda de calor, observando-se onde a água vaporiza-se imediatamente Através do som (chiado) peculiar: pouco antes de ocorrer a “explosão”, pode- se ouvir um “chiado” semelhante ao de um vazamento de vapor de uma chaleira fervendo. Slop Over Quando a água é aplicada diretamente sobre a superfície em chamas do líquido, ela afunda parcialmente no líquido quente e vaporiza-se, expelindo o combustível em chamas para fora do tanque. Frothover Associado à ausência de fogo (por exemplo quando asfalto quente é adicionado a um tanque contendo água). 74 Seção 10 - Armazenamento de Líquidos Inflamáveis No Estado do Amazonas temos a Refinaria Isaac sabá, a mesma iniciou suas operações em 6 de setembro de 1956 Sabbá, localizada às margens do Rio Negro, em Manaus com a denominação de Companhia de Petróleo da Amazônia (Copam). Fundada pelo empresário Isaac Sabbá, a refinaria foi inaugurada oficialmente em 3 de janeiro de 1957, com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek. Em 31 de maio de 1974, foi integrada ao Sistema Petrobras como Refinaria de Manaus (Reman) e, em 1996, em homenagem ao pioneirismo de seu fundador, rebatizamos como Refinaria Isaac Sabbá. Desde 1995, a refinaria realiza investimentos em todas as suas áreas. Em 2000, com a entrada da nova Unidade de Destilação foi ampliada a capacidade de produção para 46 mil barris de petróleo por dia. Hoje, com as novas tecnologias e com as exigências do mercado e de segurança, executa um arrojado planejamento em várias frentes de trabalho, buscando assegurar sua permanente modernização e elevação do diferencial competitivo. Principais produtos produzido pela indústria são GLP, nafta petroquímica gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, óleos combustíveis, óleo leve para turbina elétrica, óleo para geração de energia, asfalto. Sendo assim a única refinaria que abrange toda a região norte do Brasil. Armazenamento de Líquidos Inflamáveis em Refinaria Segundo a NBR 20, os líquidos inflamáveis para efeito desta Norma Regulamentadora - NR fica definido "líquido combustível" como todo aquele que possua ponto de fulgor igual ou superior a 70ºC (setenta graus centígrados) e inferior a 93,3ºC (noventa e três graus e três décimos de graus centígrados). Os líquidos inflamáveis são caracterizados pelo ponto de fulgor Trata-se da temperatura mais baixa na qual um líquido libera vapor suficiente para formar uma mistura inflamável com o ar. Neste caso, a quantidade é insuficiente para manter a queima ou a chama. Ponto de combustão: é a menor temperatura, poucos graus acima do ponto de fulgor, na qual a quantidade de vapores é suficiente para iniciar e manter a combustão. 75 Ponto de combustão: é a menor temperatura, poucos graus acima do ponto de fulgor, na qual a quantidade de vapores é suficiente para iniciar e manter a combustão. Ponto de ignição: temperatura onde a quantidade de vapores inflamáveis já é tão intensa que pega fogo só pelo contato com o oxigênio. Combustão: reação química exotérmica entre dois reagentes, combustível e comburente, em que ocorre liberação de energia na forma de calor. Figura 10 – refinaria isaac sabbá (Reman) Fonte: www.alamy.com Seu armazenamento deve ocorrer em locais frescos e arejados, longe de radiação solar (já que o calor pode ser um fator de combustão para os itens A armazenagem deste material deve ser feita em tanques de combustível, geralmente feitos de aço ou concreto. Alguns líquidos especiais podem requerer outros tipos de material na composição dos tanques, que devem estar sempre distanciados um do outro em mais de um metro. É fundamental, ainda, que os tanques de armazenamento sejam equipados com dispositivos que liberem pressões internas excessivas, causadas pelo calor, além de cortar-chamas. Também devem ser protegidos contra vibração, danos físicos e da proximidade com equipamentos ou dutos geradores de calor. No caso de líquidos guardados em ambiente. interno, é necessário utilizar compartimentos construídos de chapas metálicas e demarcá-los com dizeres visíveis alertando sobre a presença de inflamáveis. Além disso, o local deve obedecer a algumas exigências como: – Paredes, pisos e tetos construídos de material resistente ao fogo. http://www.alamy.com/ 76 Figura 11– tanques de líquidos inflamáveis Fonte: engecommerce.com.br Seção 11 - Tipos de Armazenagem de líquidos Inflamáveis • Tanque de superfície: São tanques que estão diretamente apoiadas sobre a superfície terreno. • Tanque Semienterrados: São tanques que estão a baixo do nível do solo. • Tanques Elevados: São tanques que estão acima do solo, sustentada por qualquer tipo de estrutura • Tanques Subterrâneos: São tanques sob a superfície do terreno Seção 12 - Emergências com Líquidos Inflamáveis Em emergências podem ocorrer na manipulação, transporte de armazenamento de líquidos inflamáveis, tais como vazamentos, incêndios, explosões, ebulição turbilhonar, slop over e frothover. Os vazamentos podem ocorrer por enchimento excessivo, ruptura de tanque, falhas de operação, etc. Os incêndios podem estar ou não relacionados com vazamentos e podem ocorrer a partir do contato dos líquidos inflamáveis com fontes de início tais como chamas, superfícies aquecidas, fagulhas, centelhas e arcos elétricos. A situação global do incêndio deve ser avaliada. Quando deslocado, a primeira guarnição de Bombeiros deve procurar saber o maior número de informações possíveis: se há vítimas, qual o líquido inflamável envolvido no sinistro, e qual o volume armazenado/em transporte; qual o volume de líquido vazado (e para onde o produto vazou); tipo e dimensões do tanque (teto fixo, flutuante, etc); quantidade de 77 tanques vizinhos e a distância deles (ou, no caso de acidente rodoviário, qual o local do acidente: próximo acasas, fluxo da via, relevo, cursos d’água para onde o líquido possa escorrer, etc); risco à vida (necessidade de retirar pessoas da vizinhança); recursos de disponíveis (LGE, aplicadores e canhões monitores, sistema de resfriamento, número de brigadistas e recursos como ambulâncias, EPIs, etc). Todas essas informações devem ser criteriosamente confirmadas no local do sinistro e montado o sistema de SCI (sistema de comando de incidentes) para uma melhor integração com outros órgãos do sistema de segurança pública e do meio ambiente do estado. Figura 12- explosão de tanques Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br Seção 13 - Modos de operação aplicáveis Modo de Operação Passivo E usado quando há falta de recursos (equipamentos, pessoal, agentes extintores, etc) apropriados para o combate e há um risco associado a qualquer ação defensiva. A chance de extinção é remota e a área precisa ser evacuada devido a possibilidade da ocorrência de ebulição turbilhonar ou por outra razão de risco. Modo de Operação Defensivo Adotado quando há impossibilidade de se obter recursos, mas não há risco para o pessoal. Nesse caso, a chance de extinção é remota e a área não precisa ser evacuada. Utilizada também como fase de preparação para o modo de operação ofensivo para preservar a integridade do sistema de espuma, por exemplo. É ação 78 desse tipo de estratégia priorizar o resfriamento dos equipamentos vizinhos que estão em contato direto com as chamas. Para proteção dos tanques vizinhos deve-se considerar as distâncias entre os tanques e direção dos ventos, a existência de tanque sem espaço vapor inflamável e tanque com produto de baixo ponto de fulgor. Modo de Operação Ofensivo Usado quando existem suficientes facilidades de combate a Incêndio (espuma, equipamentos, pessoas, água, etc). Deve-se considerar a taxa de aplicação de espuma, as condições de vento, a possibilidade de ocorrência de “slopover”, extinção de fogo na bacia, extinção de múltiplos incêndios e controle de incêndio (redução da área em chamas). Seção 14 - Gases inflamáveis Gases inflamáveis é o estado fluido da matéria sem forma definida, cujo volume é de qualquer recipiente ou espaço confinado que o contém, e aquilo que pode entrar em combustão quando entrar em contato com comburente e na presença de uma fonte de ignição, podemos citar, como exemplo o gás inflamável que é vendido no comercio o gás liquefeito do petróleo e acetileno. Gás Liquefeito do Petróleo O gás liquefeito do petróleo- GLP, traz um risco para as atividades de bombeiros, por apresentar características variadas inodoro, incolor, rarefeito e denso. O GLP vendido no comercio dentro de cilindros (botijões) e recipiente estacionário, conhecido como gás de cozinha composto na mistura rica ou pobre de hidrocarboneto líquido, propano e butano. Para detecta vazamento no recipiente de gás de cozinha é acrescentado em sua mistura o composto a base de enxofre, conhecido como mercaptana, por esse gás apresentar caraterística sem cheiro e cor. O GLP por ser um gás denso, quando o registro ou a mangueira danificada apresentar vazamento em uma residência ou em estrutura predial, o gás emitido fica próximo do solo retirando o oxigênio do ambiente. Na medida em que o gás encontra 79 um ralo, o mesmo pode ser canalizado na tubulação até se dissipar. Ao encontrar o ar atmosférico fora da estrutura residencial, caso encontre uma fonte de ignição, pode dar início a combustão, ocasionando a explosão nesses locais. O GLP em instalação predial deve seguir para fins dos critérios de segurança na instalação e operação das bases de armazenamento, envasamento e distribuição de GLP, adota-se a norma NBR 15186, com adequações da Instrução Técnica nº 28. As instalações prediais de gás liquefeito de petróleo, também conhecidas como centrais de GLP, são áreas devidamente delimitadas que contêm os recipientes e acessórios, tubulações e equipamentos destinados ao armazenamento e condução do gás para consumo da própria edificação. O GLP pode ser armazenado em dois tipos de recipientes: transportáveis são os recipientes com capacidade até 0,25 metros cúbicos ou estacionários são recipientes fixos com capacidade superior a 0,25 metros cúbicos cada. Esses tipos de recipientes necessitam do abastecimento por meio de caminhão tanque no local onde estão instalados. Figura 13 – recipiente estacionário Fonte: www.google.com A explosão é o resultado expansão repentino e violenta de um combustível gasoso, em decorrência da ignição da mistura entre um gás (ou vapor de gás) e o comburente presente no ar. Essa ignição se dá em alta velocidade, gerando uma de onda choque que se desloca em todas as direções, de forma radial. Explosões de GLP no ambiente ocasiona uma deflagração, posto que a velocidade do ar é de 340 metros/segundo, possui uma onda de choque capas de afetar a estrutura da edificação, levando à morte quem estiver no ambiente. Na figura 80 abaixo podemos ver os vestígios da explosão causada pelo vazamento de Gás Liquefeito de Petróleo-GLP. Figura 14- explosão causada pelo vazamento de GLP Fonte: http: //www.portalcorreiodoagreste.com.br O GLP por ser um gás inflamável não tem na sua característica ser tóxico, mas por ocupar o ambiente fechado pode retirara oxigênio se torna asfixiante e ser um perigo para as pessoas que vivem na residência. A botija do gás de cozinha é feita com material de aço que confere ao botijão a capacidade de suportar grande pressão. Há uma válvula no centro superior, onde para liberar o gás é conectada a outra válvula externa que livrará o produto que está dentro para fora. Essa ação ocorre devido a um mecanismo de mola que quando pressionada libera o gás, e quando em descanso cessa a passagem. Ao lado desta válvula citada acima existe um pino ou plug fusível, que é um material feito com liga metálica a base de Bismuto. Quando a temperatura ambiente atinge 78ºC, o mesmo derrete e libera o gás que está no interior do botijão para fora de forma abrupta, isso acontece devido a grande pressão interna. Somente aparelhos acima de 5kg têm este pino, e por isto que não explodem. Na figura abaixo temos a estrutura do botijão. 81 Figura 15 - estrutura do botijão Fonte: CBMDF, 2009. Seção 15 - Atendimentos em Ocorrência em Gás Liquefeito do Petróleo (GLP) O bombeiro ao ser acionado para uma ocorrência de botija de gás de cozinha com fogo, não podendo bloquear com segurança o vazamento do gás inflamável, o bombeiro para sua segurança, não pode extinguir o incêndio. Um vazamento de gás inflamável e mais perigoso, por reunir uma condição insegura, para uma explosão. O bombeiro militar nesse tipo de ocorrência devera apenas controlar o incêndio. Ao chegando no local da ocorrência e o ambiente fechado, o bombeiro, pode dissipar o gás por ventilação abrindo portas de janelas e usando o esguicho com jato modo neblina 360lpm com 60º de abertura. Incêndios envolvendo a queima de gases inflamáveis geralmente são extintos com a retirada (ou controle) do material combustível – como, por exemplo, fechar o registro do botijão ou da canalização de GLP. Isso porque a combustão dos gases se dá de forma muito rápida, não havendo tempo hábil para a atuação do agente extintor sobre o combustível. Nas instalações de GLP recomenda-se a utilização de extintores pó químico seco (classe BC) e gás carbônico (CO2), de acordo com a IT 28/2019. Na tabela 82 Figura 17 - parte do registro. abaixo tem uma adequação do agente extintor, conforme o INMETRO para gases inflamáveis e líquidos inflamáveis. Tabela 4 - Agentes extintores para a classe B e C conforme o INMETROFonte: CBMAM, 2022. As figuras abaixo mostram o procedimento de um botijão vazando GLP retirado da residência para um local aberto (Figura 16), do qual foi necessário retirar parte do registro que quebrou prendendo a mola de segurança (Figura 17), para que não aconteça do atrito da chave de fenda com parte do botijão podendo gerar uma centelha e dá o início uma explosão, devemos utilizando jato neblina para dissipar o gás que está vazando, para que o bombeiro trabalhe com segurança. Abaixo temos duas figuras ilustrativas onde: Figura 16 - Neblina e retirar parte do registro Fonte: CBMAM, 2022. Fonte: CBMAM, 2022. O bombeiro ao chegar no local de uma ocorrência com vazamento GLP com fogo (figura 19), deverá fechar o registro para o apagar (figura 20), nunca retire a botija 83 do ambiente com fogo , pode causa princípio de incêndio, caso a chama encontrar um material combustível de fácil ignição, por exemplo, cortina. Abaixo temos duas figuras ilustrativas onde: Figura 18 - aproximação da botija Figura 19 - fechar o registro Fonte: CBMAM, 2022. Fonte: CBMAM, 2022. O atendente da linha de emergência 193 ao ser comunicado de um vazamento de gás de cozinha, orientar o popular da seguinte maneira e pedir para a pessoa tomar precauções: • Avise para que todas as pessoas no local se afastem o máximo possível. • Feche imediatamente o registro do botijão de gás • Retire a válvula da saída de gás do regulador de pressão. Isso pode acionar o travamento do dispositivo do botijão e cessar o vazamento. • Se o vazamento persistir, leve o botijão para um local aberto e arejado. • Não acione nenhum interruptor elétrico no local. O procedimento pode causar uma faísca e um acidente grave. Em hipótese nenhuma ascenda fósforos, isqueiros ou fume no local do vazamento. • Abra as janelas e portas do local do vazamento para que o gás se dissipe na corrente de ar atmosférico. • Nunca tente tapar o vazamento do botijão com ceras, sabões e outros produtos caseiros. • Ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros 193. 84 Seção 16 - Orientação após o atendimento • A utilização do gás de cozinha faz com que nós precisemos redobrar atenção, por isso devemos ter muito cuidado com o manuseio da botija de gás, por um pequeno vazamento pode ser muito perigoso para o imóvel, moradores e até para a vizinhança. • Podemos citar algumas medidas de segurança importante para a residência: • Nunca deite o botijão e nem o mantenha em local completamente fechado. • Nunca use mangueira de gás diferente da aprovada pelo INMETRO. • Nunca passe a mangueira por trás do forno, o calor pode derretê-la e causar acidentes. • Nunca aqueça o botijão para que ele “renda mais”. Se, ao chegar em casa você sentir cheiro de gás, não acione o interruptor de luz nem acenda qualquer chama. Vã direto para as janelas e abra tudo. • depois remova o botijão para um lugar ventilado e ligue para o 193. Acetileno O acetileno é um gás altamente inflamável, não tóxico, incolor, menos denso do que o ar atmosférico e com um odor agradável, sob pequenas compressões se decompõe com muita facilidade liberando energia. É armazenado em cilindros de aço, sob pressão onde se encontra espalhado em uma massa porosa, dissolvido em acetona e produz uma chama de elevada temperatura (mais de 3000° C) em presença de oxigênio. O acetileno não é tóxico, porém, atua como simples asfixiante e tem efeito ligeiramente anestésico. Não existem evidências de que exposições regulares a níveis toleráveis de acetileno causem mal a saúde. No Brasil o anexo número 11 da norma reguladora 15(NR15), considera o produto como asfixiante simples e não impõe limites de exposição, entretanto no ambiente de trabalho, deve se garantir que a concentração de oxigênio seja de 18% em volume, se estiver abaixo deste valor serão consideráveis de risco grave e iminente. Para segurança do cilindro tem um plug fusível, atarraxado no topo e/ou https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7o https://pt.wikipedia.org/wiki/Acetona 85 fundo do cilindro, plug composto de chumbo; bismuto e se funde a temperatura de 80º C a 105 º C. O acetileno é usado na fabricação dos seguintes materiais: explosivos, solventes industriais, plásticos de borracha sintética. Este composto também é empregado na síntese de compostos orgânicos como ácido acético e álcool etílico. Devido a sua queima extremamente exotérmica, é usado em larga escala na solda oxiacetilênica, no corte de metais por maçarico, na fabricação de objetos de vidro e em diversos processos que requeiram altas temperaturas. No maçarico oxiacetilênico obtêm-se temperaturas de 2500 a 3000 °C. Os cuidados com o cilindro de acetileno para que não aconteça acidentes ao ser manuseados, nunca operar o cilindro na posição horizontal, e sim na vertical, isso impedi a perda de acetona, evitar que sofra golpes forte como queda, exposto a fogo, para verifica vazamento nunca utilizar fogo, deve ser utilizado água e sabão, outras medidas preventivas devem ser seguidas orientação do fabricante. O bombeiro militar ao ser acionado para uma ocorrência e ao chegar no local e avaliar a cena e reconhecer que a situação se trata combustível inflável acetona, deve de imediato pôr o local seguro para a população e sua guarnição procedendo retirando populares a uma distância de pelo menos 200 metros, todos os bombeiros devem estar com EPI completo e EPRA, retirar o cilindro do contato com chamas e resfriar por 24 anos utilizar jato neblina, e mergulhá-lo balde com água. Abaixo temos duas figuras ilustrativas onde: Figura 20 - Cilindro de acetino na horizontal Figura 21 - Resfriamento do cilindro de acetino. Fonte: http://betaeducacao.com.br Fonte: http://google.com.br https://pt.wikipedia.org/wiki/Ma%C3%A7arico_(ferramenta) https://pt.wikipedia.org/wiki/Vidro 86 Seção 17 - Conduta Operacional do Bombeiro Militar • Realizar verificação da cena • Utilizar EPIs adequados • Ter Controle Emocional • Conhecer qual o tipo de jato deve utilizar nesse tipo de ocorrências Seção 18 - Pós combustíveis É um subproduto criado a partir de processos de fabricação envolvendo matérias-primas combustíveis, tendo como exemplo matérias que incluem madeira, metais leves, variedades de produtos químicos, assim como grãos, especiarias e tabaco, portanto, a poeira combustível é conhecida como poeira explosiva. Propriedades Na realidade quanto menor a partícula de um material solido, será maior a sua área de superfície, visto que será muito maior a facilidade de ignição (aumento da superfície específica), então dessa forma o pó irá queimar com facilidade e mais rápido do que o sólido. Pois as partículas têm o comportamento semelhante ao gás e uma mistura inflamável de pó, ocorrendo-se assim, as partículas do pó em suspensão serão inflamadas, onde as explosões poderão ser raras, no entanto pode ocorrer uma grande liberação de energia. Por isso qualquer material combustível que queime irá obter uma velocidade violenta com decorrência do grau de subdivisão do material, assim como a nuvem de poeira inflamada não estiver confinada, mesmo que de forma parcial, o calor de combustão poderá derivar em um rápido aumento de pressão, com propagação de chama através da nuvem com relação as enormes quantidades de calor e produtos de reação. Tabela 5 -Calor de combustão de alguns pós. Material Produto da oxidação Calor de combustão (kj/mol) 87 Cálcio CaO 1270 Magnésio MgO 1240 Alumínio Al2O2 1100 Silicone SiO2 830 Cromo Cr2O2 750 Zinco ZnO 700 Ferro Fe2O3 530 Amido CO2 + H2O 470 Polietileno CO2 + H2O 390 Carbono CO2 400 Carvão CO2 + H2O 400 Enxofre SO2 300 Fonte: Abbasi, 2006 Tabela 6 - Pressão de explosão de alguns pós. Tipo de Pó (500 mg/litro Pressão de Explosão Kg/cm2 PSI Farinhas 2,6 a 3,28 37 a 46 Açúcar 1,5 a 3,20 22 a 45 Madeira 2,6 a 3,14 36 a 44 Enxofre 2,2 a 2,90 31 a 41 Cortiça 2,7 a 2,84 38 a 40 Borracha 2,6 a 4,00 36 a 57 Metais 0,2 a 5,14 3 a 72 Fertilizantes 2,4 a 3,64 34 a 51 Leite em Pó 2,2 a 3,00 31 a 42 Trigo 1,9 a 3,00 26 a 42 Ceras e sabões em pó 2,2 a 4,28 31 a 60 Carvão 1,7 a 3,44 24 a 48 Plásticos e resinas 3,1 a 4,90 44 a 69 Fonte: MTB 05 CBMSP. Tabela 7 - Dados de explosividade de pós agrícolas. Produtos Temperatura Energia mínima Concentração 88 de ignição (C) (g/m3) de ignição (J) Arroz 440 0,04 45 Milho 400 0,04 450 Trigo 480 0,06 55 Açúcar 350 0,03 35 Pó de grãos misturados 430 0,03 55 Farinha de soja 520 0,05 35 Farinha de trigo 380 0,05 50 Amido de milho 380 0,02 40 Carvão em pó 610 0,06 55 Fonte: Explosion Investigation and Analysis, Kennedy, Patrick M. e John Kennedy. É através dos pós combustíveis finamente divididos que ocorre uma explosão de pó combustível, onde ficam suspenso no ar encontrando uma fonte de ignição apropriada, sendo assim, todos os pós, com origem de substâncias orgânicas ou de metais combustíveis em suspensão, podem ocasionar chegando a entrar em combustão na presença de uma fonte de ignição. Aonde, quanto menor for a partícula, da mesma forma poderá ocorrer o risco de ignição da poeira, no entanto, no outro caso, quanto maior a umidade, será maior a temperatura de ignição, dessa forma diminuirá o risco. Exemplos de poeiras explosivas: açúcar, farinha, madeira, trigo, carvão, leite em pó e entre outros. Variam de 30 a 90% as temperaturas de ignição típicas de pós, e se encontram na faixa dos 400-500 ºC, dessa forma o risco de explosão de pós combustíveis se encontram presentes em moinhos e industrias de farinhas como um todo, refinarias de açúcar, milho, arroz, serrarias, industrias de moagem, assim como, pulverização de enxofre, cortiça, alumínio, zinco, magnésio, assim como outros pós metálicos, fabricas de chocolates, de leite em pó, manufaturas de plástico, indústrias têxteis, couro e entre outros. Vale ressaltar que até materiais que aos olhos podem ser nocivos e que não chegam a queimar na forma solida em grande quantidade, como ferro e alumínio na forma de pó são meramente explosivos. Com isso as partículas na gama de mícron, devido ao tamanho de partícula detêm um efeito abalizado na gravidade da explosão assim como, na facilidade de 89 ignição, pois devido a diminuição do tamanho da partícula tendem uma gravidade da explosão aumente e que a concentração mínima explosiva e a energia diminuam. É perceptível essa relação de tamanho com as partículas que não são lineares e devido a isso o efeito está situado no tamanho de partículas menores analisados. Veridicamente com relação à uma explosão de poeiras envolvendo materiais orgânicos, a pirólise sempre sucede a combustão, que ocorre principalmente na fase gasosa homogênea. Sendo assim o caso do tamanho de partícula limitante, abaixo do qual a taxa de combustão da nuvem de pó deixa de aumentar, depende das razões entre as constantes de tempo dos três passos consecutivos de pirólise, mistura em fase gasosa e combustão em fase gasosa. É importante ressaltar que o tamanho de partícula influência principalmente a taxa de pirólise - uma área específica mais alta consentindo uma pirólise mais rápida. Logo, se a combustão em fase gasosa for a mais lenta das três etapas, acrescentar a taxa de pirólise diminuindo o tamanho de partícula não aumentará a combustão. Pois dessa forma os produtos orgânicos naturais, assim como amido e proteína, têm um tamanho de partícula limitante da ordem de 10 μm produzindo produtos de pirólise mais reativos. Então as poeiras metálicas, especialmente os metais mais reativos como o alumínio e o magnésio, o tamanho de partículas limite deve ser ainda menor do que para as poeiras orgânicas devido a partículas de metal não pirolisam, mas fundem, evaporam e acabam queimando em quantidades bem reduzidas. E muitas das vezes chegam a comburir no próprio estado sólido em que se encontram. Se pode apresentar as explosões de pós combustíveis categorizados como primárias ou secundárias: Explosões Primárias: Uma explosão primária advém em uma atmosfera confinada. Logo após a detonação, a onda de choque pode prejudicar e muitas vezes romper as paredes,consentindo que a queima de poeira e gases da explosão seja expelida para a área circundante; Explosões Secundárias: A onda de choque causada pela explosão primária suspende a poeira depositada que pode ter acumulado. E devido essa suspensa, esta poeira pode gerar uma explosão maior: essa é a explosão secundária. As explosões secundárias certificam se a sérios danos aos edifícios das instalações circundantes. 90 Todas as explosões de poeira em larga escala derivam de reações subsequentes com relação à relação desse tipo. Dessa forma poderá haver várias explosões subsequentes causadas pela explosão inicial (a partir da explosão primária). Seção 19 - Concentrações Explosivas É de suma importância ressaltar que a concentração explosiva mínima (ou inferior) para pós de grãos, farinha de grãos ou ingredientes de ração mudam de acordo com o tamanho de partícula (partículas menores são mais poderosas) e natureza do produto. Farinha de trigo, aveia e o milho são citadas por ter energia explosiva diferente do trigo, milho, sorgo, milho e pó de aveia. É imprescindível citar que todos pós de grãos e farinhas carecem de ser considerados muito perigosos. É embasado nisso que para que seja necessária a explosão de pó combustível é indispensável as seguintes condições: • O pó deve ser combustível e suas partículas suficientemente pequenas para ficarem suspensas; • A nuvem de pó deve estar na sua concentração explosiva (entre a concentração explosiva mínima e a concentração explosiva máxima). Pois a maioria dos pós decorrentes dessas concentrações estão entre 40 (concentração mínima explosiva) a 4000 g/m3 (concentração máxima explosiva), sendo que a concentração mínima explosiva pode variar entre 15 g/m³ e 1200 g/m³ (os limites reais podem variar devido o ajuste com a composição, umidade, e tamanhos das partículas – na medida em que as partículas consistir em ser menores, as chances de explosão aumentam); • Necessário haver oxigênio suficiente na atmosfera para iniciar e sustentar a combustão; • O pó deve estar seco; • O pó deve estar em um espaço confinado; • Deve haver uma fonte de ignição apropriada (eletricidade estática, atrito, chama aberta, superfícies quentes, autoignição, soldagem, faíscas, equipamentos elétricos, etc). 91 Tabela 8 - Dados sobre pós explosivos. Pó Pressão Máxima (KPa) Máxima razão de aumento de pressão (MPa/s) Temperatura de Ignição (˚C) ______________________ ________ Nuvem Camada Energia de Ignição máxima (J) Limite inferior de explosividad e (g/m3 Nuvem Camada) Milho 655 41 400 25 0,04 55 Tecido 560 5.5 430 230 0,08 80 Arroz 640 440 440 220 0,05 50 Farinha de soja 540 540 540 190 0,10 60 Farinha de Trigo 655 380 380 360 0,05 50 Palha de trigo 680 470 470 220 0,05 55 Fonte: Explosion Investigation and Analysis, Kennedy, Patrick M. e John Kennedy Seção 20 - Ações Preventivas São necessárias formas para que se possa precaver e evitar as explosões de pó que norteiam a eliminação das fontes de ignição, pois o controle das concentrações dos pós no qual se envolvem a limitação da geração de nuvens de pós. Por isso, torna se necessário equipamentos e edifícios com riscos de explosão de pós-combustíveis serem equipados com dispositivos ou sistemas para prevenir uma explosão limitando os danos causados. Como exemplos os que incluem aberturas de alívio ou "portas" que direcionam pressão da explosão. Sendo assim, é preciso utilizar das formas no qual se possa impedir o risco de explosão de poeira é evitar pelo menos um dos critérios de "pentágono explosão", pois, este método pode falhar, já que algumas das condições necessárias para se evadir a explosão na prática são difíceis de se alcançar. Assim como o processo é inerentemente seguro, se torna necessário manter a geração de nuvens de poeira no mínimo possível nos processos de transporte, produção, armazenamento e tratamento. Com isso em certas situações não é fácil garantir que a poeira esteja abaixo da concentração explosiva mínima, o aprimoramento de uma boa cultura de segurança, treinamento apropriado e limpeza efetiva minimizarão o perigo e o risco de explosão de poeira. Assim como, a ventilação pode ser praticada para proteção contra a 92 explosão de poeira, municiando meios para exaustão das poeiras concentradas, e meios de condução da pressão gerada durante uma eventual explosão. Pois, este método não é prático se os produtos ventilados podem causar danos às pessoas e ao meio ambiente. A eliminação é um sistema caro a se adotar, mas tem a vantagem ao detectar e abolir a explosão nos primeiros estágios do mesmo modo que uma explosão se desande em catástrofe. A questão é de como serão instalados os materiais ou os pós que são produtores de poeiras, mesmo em sua principal operação ou como secundária, é de suma importância que as guarnições tenham conhecimento decorrente dos perigos pós-combustíveis, pois em todos os locais em que se utilizam pós-combustíveis, desde os equipamentos de transportes aos equipamentos de corte e moagem, ou até mesmo os recipientes precisam ser identificados no levantamento. Seção 21 - Conduta do Bombeiro Militar Toda ocorrência deve ser levada em consideração sua natureza para daí então mitigar os riscos e isolar áreas além de outras providencias. Assim, todo incêndio deve ser avaliado a questão do risco, visto que com relação de materiais que envolvem sujeitos a incêndio ou explosões, eminentemente a respeito dos pós-combustíveis, devido a velocidade da combustão e até mesmo das grandes áreas de exposição potencial. É preciso que a guarnição identifique as operações ou componentes que geram poeira suficiente que possa ocasionar uma ignição instantânea para que se possa ocorrer risco de explosão. Pois, pós- combustíveis acumulam-se sobre as superfícies, assim como as poeiras finas agarram-se nas superfícies verticais. A grande quantidade de pó combustível acumula componentes estruturais ou outras superfícies e não se tornam visível e bem complicado de se limpar, pois os acúmulos podem estão relacionadas com a explosão secundária, no entanto, a equipe têm o dever de considerar todos os espaços tanto os escondidos, quanto os notórios em qualquer nível de planejamento da ocorrência. Inclusive a guarnição tende a ficar atenta para a probabilidade de possuir misturas híbridas. Justamente são misturas de gás inflamável ou vapor e pó combustível que ficam suspensos no ar. Na lógica que 93 essas misturas são explosivas abaixo do limite inferior de inflamabilidade para o gás/vapor ou até mesmo devido a concentração explosiva mínima para a poeira. É necessário evitar nas operações de combate em que possam aumentar a chance de uma explosão de pós-combustíveis onde as táticas não possam provocar a suspensão dos pós de maneira que atinjam a agrupamento explosivo, visto que, para isso é preciso ser adotadas ações pelos bombeiros após uma ocorrência de explosão de pós em suspensão são: • Evacuar e isolar a área; • Desligar maquinários e equipamentos elétricos energizados; • Umedecer o ambiente utilizando jatos neblinados, com cuidado para não mover a poeira (no combate a incêndio em pós-combustíveis, pó de alumínio, magnésio, enxofre e outros, o bombeiro não deverá usar água diretamente, pois haverá perigo de explosão). O colapsoestrutural de acordo com a resposta pode se encontrar enfraquecidas, justamente com relação a virtude do impacto através dos danos da explosão. 94 CAPÍTULO 3 – EFEITOS NOCIVOS DO INCÊNDIO Autores: AL OF Aretha Cristina Barreto Coelho, AL OF Fábio Góes de Souza, AL OF Helder Jean de Oliveira, AL OF Ricardo Rodrigues Teixeira. Neste trabalho, o principal objetivo é instruir os bombeiros quantos aos riscos provenientes dos incêndios urbanos e suas respectivas causas, tanto no corpo humano quanto nas edificações sinistradas. Analisando todos os efeitos nocivos dos incêndios, o capítulo visa também ratificar a importância de seguir corretamente toda doutrina apresentada neste manual e o uso correto de todos os equipamentos de proteção individual, a fim de garantir a prevenção de danos. Este capítulo tem como objetivo salientar aos bombeiros dos riscos provenientes da exposição ao fogo e consequentemente ao calor propagado pelo mesmo. A doutrina apresentada neste manual está intimamente ligada ao Manual Básico de Combate a Incêndio do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás e do Manual Básico de Combate a Incêndio do Distrito Federal. Os ambientes sinistrados pelos incêndios trazem diversas situações de riscos aos bombeiros, pois independentemente de onde ocorrem, revelam a presença de gases tóxicos e asfixiantes provenientes da combustão e do calor. A grande quantidade dos gases tóxicos produzidos nos incêndios é suficiente para causar desde problemas respiratórios até mesmo a morte. Outros grandes riscos são provenientes do dano nas estruturas físicas. Ao estudar este capítulo, o profissional tem a necessidade de aprimorar seus conhecimentos acerca de um possível colapso estrutural, a fim de garantir a segurança individual e de toda a sua guarnição, bem como prevenir os casos de pânico. 95 Seção 1 - Lesões por Inalação de Fumaça O Sistema Respiratório é o responsável por promover a troca gasosa entre o dióxido de carbono e o oxigênio. Como os seres vivos pluricelulares são todos aeróbios, ou seja, necessitam de oxigênio para que suas células possam realizar as diversas funções necessárias à vida, as vias aéreas, que formam o sistema respiratório, realizam a aquisição do oxigênio e a eliminação do gás carbônico, que em altas concentrações torna-se prejudicial ao Corpo Humano, provocando a hipercapnia – diminuição do pH sanguíneo, desencadeando uma acidose respiratória. As vias aéreas são divididas em vias aéreas superiores e vias aéreas inferiores. As vias aéreas superiores ou trato respiratório superior é formado pelas cavidades nasais, faringe e laringe e possui localização extratorácica. Figura 71 - Vias aéreas. Fonte:www.anatomiaenecropsia.com As vias aéreas inferiores ou trato respiratório inferior é formado pela traqueia, brônquios e pulmões e possui localização intratorácica. Os principais danos causados às vias aéreas ocorrem devido a agentes térmicos ou químicos. Incêndios, sejam eles ao ar livre ou confinados produzem um ambiente propício a lesões nas VA, devido à elevadas temperaturas e produção de fumaça tóxica. Segundo o artigo “Lesão por inalação de fumaça em ambientes fechados: uma atualização”, publicado no Jornal de Pneumologia (2013), durante um incêndio em atividade, tipicamente a concentração de oxigênio (O2) cai para 10-15%, ponto no qual o óbito por asfixia ocorre. Entre 60% e 80% dos óbitos imediatos ocorridos na cena de um incêndio são atribuídos à inalação de fumaça, além disso, a lesão de vias 96 aéreas superiores resultando em obstrução nas primeiras 12 h após o incidente é causada por dano térmico direto e/ou irritação química (Antonio et.al). A lesão inalatória é o resultado do processo inflamatório das vias aéreas após a inalação de produtos incompletos da combustão e é a principal responsável pela mortalidade (até 77%) dos pacientes vítimas de queimaduras (SOUZA, apud Ryan); No combate a incêndio, principalmente aqueles ocorridos em ambiente confinado, existem quatro principais riscos aos bombeiros segundo o Manual de Incêndio do Distrito Federal: • Deficiência de oxigênio • Temperatura elevada • Partículas encontradas na fumaça, e • Gases tóxicos associados ao incêndio A fim de evitar a inalação de gases tóxicos e superaquecidos, os combatentes do fogo devem utilizar sempre ao adentrar ambientes confinados os equipamentos necessários à proteção de suas vias aéreas, tais como balaclava, máscaras faciais, cilindro de oxigênio e, se possível, medidor do oxigênio do ar nestes espaços. Às vítimas de inalação de fumaça é preciso que suas VA sejam protegidas com um pano úmido e se necessário, imediatamente administrado oxigênio não invasivo com vistas a minimizar os danos causados pela falta de oxigenação. Seção 2 - Deficiência de Oxigênio De acordo com a Norma Técnica 02 do Estado de Goiás, a composição percentual do ar seco é de 20,99%, com os demais componentes formadores do ar sendo o nitrogênio com 78.03% e CO2, Ar, H2, He, Ne, K somando 0,98%. O Jornal de Pneumologia (2013) alerta que em um ambiente confinado, com a concentração de O2 caindo para 10-15%ocorre o óbito das vítimas deste local. De acordo com o site Medlineplus.gov/spanish, “as células cerebrais são extremamente sensíveis à falta de oxigênio”, podendo algumas delas sofrerem morte celular após cinco minutos de interrupção do fornecimento de oxigênio, levando à hipóxia cerebral, que pode causar morte ou lesões irreversíveis ao corpo humano. Para o Medlineplus, website da National Library of Medicine, a hipóxia (falta de O2) pode ser do tipo leve ou do tipo grave, provocando diferentes sintomas: 97 • hipóxia cerebral leve: mudança na atenção, discernimento prejudicado e movimentos descordenados; • hipóxia cerebral grave: estado de inconsciência e total falta de reação (coma), ausência de respiração, ausência de resposta da pupila do olho à luz. Para o Manual de Operações de Bombeiro de Goiás, a concentração de oxigênio diminuída no ambiente em 18% o inicia-se a reação corporal aumentando a frequência respiratória; diante de uma deficiência de oxigênio, começa a apresentar sinais e sintomas de diminuição da coordenação motora, tontura, desorientação, dor de cabeça, exaustão, inconsciência e morte. Ambientes confinados não são perigosos apenas nas situações de incêndio, neste caso há o agravamento do ambiente pela situação do superaquecimento do ar a ser respirado, no entanto todo local em que se há a probabilidade de ocorrer a deficiência do oxigênio respirável, há potencial risco à vida, como por exemplo em silos, subsolos compartimentados ou locais que utilizam gás carbônico como agente extintor de incêndios. Seção 3 - Temperatura elevada De acordo com o Grupo de Pesquisas de Combate a Incêndio Urbano do CBMDF, em artigo publicado em 2009 intitulado Análise da temperatura de incêndios estruturais, que fez o estudo em simulado de flashover em contêiner, tendo como material combustível papel e madeira, detectou que a temperatura ambiente à altura de 2 metros de altura chegava aos 900ºC, na altura de 1,5 metros, 700ºC e na altura dos membros inferiores, 300ºC. (CBMF/7ª Seção do EMG/Grupo de pesquisa na área de combate a incêndio urbano). Entre as principais preocupações referentes ao aumento da temperatura ambiente estão as lesões provocadas pelas altas temperaturas nas vias aéreas; temperatura desses gases, como visto, pode chegar a 900ºC, provocando a queimadura das vias aéreas superiores, entretanto, “a ação decorrente da temperatura da fumaça inalada raramente provoca lesões nos territórios abaixo da laringe. 98 Apesar de ter alta temperatura, a fumaça tende a ser seca, o que diminui muito o potencial de troca de calor. Alémdisso, as regiões supralaríngeas têm grande capacidade de troca de calor, já que as mucosas encerram grande quantidade relativa de água” (SOUZA, 2005). No entanto, quando a fumaça aquecida possuir bastante umidade a ponto de ocorrer a formação de vapores a queimadura tende a ser mais acentuada, devido as trocas de calor com o corpo humano. Deve-se suspeitar de lesões nas vias aéreas sempre que a vítima apresentar eritema (vermelhidão), edema (inchaço), ulceração (feridas) ou bolhas na face/vias aéreas; A inalação repentina de ar quente pode provocar edema pulmonar, que é o acúmulo de fluídos nos pulmões, provocando insuficiência respiratória, no entanto, outros sintomas podem aparecer, como: suor frio, arritmia cardíaca, chiado ao respirar, dor no peito, extremidades azuladas ou arroxeadas, lábios roxos e palidez. A lesão inalatória é o resultado do processo inflamatório das vias aéreas após a inalação de produtos incompletos da combustão e é a principal responsável pela mortalidade (até 77%) dos pacientes vítimas de queimaduras (SOUZA, apud Ryan); para vítimas destes tipos de queimadura não há reversão imediata e o tratamento interno à unidade hospitalar. Seção 4 - Partículas encontradas na fumaça A combustão acontece quando um combustível reage com o oxigênio na presença de calor e possui como produto o calor, água e gás carbônico, se for completa ou água, monóxido de carbono e fulígem, se incompleta. A fumaça é a suspensão na atmosfera dos produtos resultantes desta combustão. 99 A combustão incompleta ocorre quando o oxigênio presente é insuficiente para consumir todo o combustível disponível. Abaixo, apresentamos a equação química resultantes de uma queima completa e uma queima incompleta do isoctano, um dos componentes da gasolina: Combustão completa do isoctano (componente da gasolina): C8H18(g) + 25/2 O2 (g) → 8 CO2(g) + 9 H2O(l) Combustões incompletas do isoctano: C8H18(g) + 17/2 O2 (g) → 8 CO (g) + 9 H2O(l) C8H18(g) + 9/2 O2 (g) → 8 C (g) + 9 H2O(l) Fonte: Jennifer Rocha Vargas Fogaça, Manual da Química Dependendo do tamanho e da constituição química das partículas carreadas pela fumaça, estas podem apenas causar irritação ou mesmo levar a letalidade, de acordo com o quanto será a penetração no sistema respiratório e o bloqueio dos alvéolos pulmonares, impedindo a troca gasosa nos pulmões. Seção 5 - Gases tóxicos associados ao incêndio Em um incêndio, a depender do tipo de combustível presente na combustão e de sua reação com o oxigênio, são produzidos diversos gases; dentre estes, alguns são potencialmente perigosos para os seres humanos devido a seus efeitos danosos ao organismo. Ao serem inalados, estes gases podem atuar de duas principais formas no organismo: • Causam danos diretamente nos pulmões, dificultando a troca gasosa (respiração); • Impedem o transporte de oxigênio pelas hemácias, ao entrarem na corrente sanguínea; Dentre os gases produzidos na combustão, os que merecem especial atenção são: • monóxido de carbono (CO) 100 • dióxido de nitrogênio (NO2) • dióxido de carbono (CO2) • acroleína • dióxido de enxofre (SO2) • ácido cianídrico (HCN) • ácido clorídrico (HCl) • metano (CH4) • amônia (NH3) Monóxido de Carbono (CO) O monóxido de carbono é gerado principalmente nas queimas incompletas de hidrocarbonetos (CxHy), ou seja, nas queimas em que há deficiência de oxigênio no ambiente. Ocorre também em locais em que há presença marcante de produtos derivados dos hidrocarbonetos como plásticos, isopores, combustíveis, pneus, colchões, etc. Nestes ambientes, à medida que o processo de combustão consome o O2 a liberação de monóxido de carbono aumenta. Apesar do monóxido de carbono ser um gás incolor, inodoro e insípido, a presença de fumaça escura em um incêndio é indicativo de que está havendo uma queima incompleta, promovendo a produção deste gás. Algumas outras características do CO é que ele é um gás asfixiante e não irritante. As moléculas de CO possuem grande afinidade com a hemoglobina do sangue (responsável pelo transporte de oxigênio), sendo esta combinação mais efetiva que a do O2 em 200-250 vezes. Na hemoglobina existe uma molécula de ferro que funciona como quelante junto à molécula de oxigênio, formando a oxi-hemoglobina, no entanto esta ligação é fraca e, na presença do CO, este quelante forma a carboxi-hemoglobina, molécula bastante estável que impede que o oxigênio ligue-se à hemoglobina para ser transportada aos tecidos dos outros órgãos do corpo para ser utilizado pelas células. A concentração de 1% de CO no ambiente já é capaz de causar graves lesões às vítimas deste gás, provocando cefaleia, náusea, vômito, tontura, dificuldade de concentração, dispneia, angina, confusão mental, síncope, convulsões, hipotensão, coma, insuficiência respiratória e morte. 101 Devido os sinais e sintomas apresentados pelas vítimas de inalação de CO serem comuns a outras associações e estes iniciam-se com pequenas concentrações, o bombeiro deve imediatamente iniciar terapia com oxigênio, já que, segundo estudos, as 24 horas subsequentes à inalação são cruciais para a manutenção da vida destes pacientes. Dióxido de carbono (CO2) Também conhecido como anidrido carbônico, o CO2 também é um gás produzido na combustão; é um óxido inodoro, incolor, apolar (por possuir cadeia linear) e solúvel em água. Por ser um gás também produzido na respiração, já estamos familiarizados com ele o que faz com que não percebamos quando estamos inalando-o. Não é tão tóxico quanto o monóxido de carbono, no entanto, em concentração de 10% pode provocar a morte e abaixo disso, a partir de 2% provoca alterações respiratórias (aumento da frequência), coração e cérebro (sonolência). Ácido cianídrico Também conhecido como ácido prússico ou, ainda, cianureto de hidrogênio, o ácido cianídrico é um ácido fraco representado pela fórmula química HCN, encontrado naturalmente tanto no estado líquido quanto no estado gasoso (altamente volátil), de odor semelhante ao de amêndoas amargas, solúvel em água, álcoois e éteres, com baixos pontos de fusão e ebulição, baixo peso molecular e de altíssimo grau de toxidez e inflamabilidade. O HCN é utilizado na fabricação de algodão, seda, madeira, papel, plásticos, esponjas, acrílicos e polímeros sintéticos em geral, por isso, na combustão incompleta destes materiais ocorre a formação em grande quantidade deste gás. O HCN é aproximadamente vinte vezes mais tóxico que o monóxido de carbono, agindo também sobre o ferro da hemoglobina do sangue, além de impedir a produção das enzimas oxidazes (enzimas de oxidação), que atuam no processo da respiração, retornando ineficaz a cadeia de transporte de elétrons. É definido como o produto mais tóxico presente na fumaça. As manifestações iniciais refletem estimulação ventilatória e neurológica decorrente do bloqueio da respiração celular, e ainda hiperventilação, cefaleia, náuseas, vômitos, palpitações e ansiedade. Em seguida, sucedem-se convulsões, 102 bradicardia e hipotensão, culminando com parada ventilatória e colapso cardiovascular. Ácido clorídrico (HCl) Também conhecido como ácido muriático. De acordo com a Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos – FISPQ a inalação do HCl é corrosiva para o trato respiratório e pode causar necrose do epitélio bronquial, é irritante aos olhos e membranas de mucosas e superfície da pele. O HCl é comumente utilizado na fabricação de materiais que contenham cloro em sua composição, como o PVC, em produção de tintas, entre outros. Acroleína Também chamada de propenal, possui a fórmula química C3H4O; é um composto aldeído etilênico formado a partir da desidratação de polietilenos encontrados em tecidos e gorduras e glicerina. É irritante para a pele, olhos evias aéreas, possui características eletrofílicas e reativas, podendo causar a morte por complicações pulmonares horas após a exposição. Amônia (NH3) A amônia ou amoníaco é um gás incolor, alcalino e irritante nas CNTP; possui “um odor pungente é detectável em concentrações acima de 30 mg/L, ocorre irritação ocular e nasal a 50 mg/L, disfunção pulmonar a 1000 mg/l e há risco de morte se uma pessoa for exposta a concentrações acima de 1500 mg de NH3/L(11). Ocorre em vários efluentes domésticos e industriais e também resulta da decomposição natural da matéria orgânica”. (CETESB/SP). Pode também produzir queimaduras graves e necrose da pele. sintomas incluem náuseas, vômitos, danos aos lábios, boca e esôfago, devido ás queimaduras provocadas. A utilização de oxigenoterapia ou água no tratamento deve ser descartada, pois estes intensificam a reação da amônia no corpo. Deve ser realizado transporte imediato ao ambiente intra-hospitalar para tratamento intensivo. 103 Dióxido de enxofre O anidrido sulfuroso (SO2) é um gás oxido advindo principalmente da queima de combustíveis fósseis, atividades industriais e atividades vulcânicas, na natureza. Sua principal aplicação é na produção do ácido sulfúrico. É um gás incolor, denso e muito solúvel em água. Os principais sintomas que aparecem ao entrar em contato com o SO2 são: tosse, náuseas e irritação nos olhos. Em concentrações altas, pode provocar efeitos mais severos, como queimaduras, problemas cardíacos, dificuldades na respiração, ocasionando inflamação aguda no sistema respiratório. Na tabela abaixo, um resumo das características dos gases acima e outros que também apresentam risco potencial: Tabela 1: Gases e seus riscos GÁS ORIGEM EFEITOS TOXICOLÓGICOS Dióxido de carbono (CO2) Produto comum em combustão Não é tóxico, diminui o oxigênio Respirável Monóxido de carbono (CO) Produto comum em combustão Veneno asfixiante Óxidos de nitrogênio (NO2 e NO) Combustão de matérias à base de nitrato, celulose e têxtil Irritante respiratório Ácido cianídrico (HCN) Nylon (poliamida), poliuretano, poliacrilonitria, borracha, seda Veneno asfixiante Ácido sulfúrico (H2S) Compostos contendo enxofre, óleo cru, lã Tóxico, com cheiro repugnante Ácido clorídrico (HCL) Cloreto de polivinil, alguns materiais retardantes ao fogo Irritante respiratório Ácido bromídrico (HBr) Alguns materiais retardantes ao Fogo Irritante respiratório Ácido fluorídrico (HF) Polímeros que contenham flúor Tóxico e irritante Dióxido de enxofre (SO2) Materiais que contenham Irritante muito forte 104 enxofre Isocianatos Polímeros de poliuretanos Irritante respiratório Acroleína e outros aldeídos Produto comum em combustão Irritante respiratório Amônia (NH3) Borracha, seda, nylon, normalmente em baixa concentração em incêndios em Edifícios Irritante Hidrocarbonetos aromatizados (benzeno e seus derivados) Produtos comuns na combustão Cancerígeno Fonte: MOB Combate a Incêndio de Brasília, apud Tactical fire fighting 2003. Seção 6 - Estresse ou Fadiga pelo calor O estresse térmico é um termo técnico utilizado para definir o impacto do aumento das temperaturas no corpo humano, causada pela exposição excessiva ao calor, como por exemplo, ondas de calor, provocando respostas de adaptação, ais quais envolvem dores de cabeça, mal-estar e perda de agilidade nas ações. De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade (SBMFC), para manter as faculdades mentais e físicas sadias o corpo deve estar a uma temperatura média de 36º C; temperaturas corporais acima de 40º C já se torna um limiar crítico e os órgãos podem começar a disfuncionar ou até parar de funcionar e levar a pessoa à morte. Na atuação bombeiro-militar é comum em incêndios a presença de variáveis que colaboram com a elevação da temperatura ambiente, como umidade, temperatura e velocidade do ar, fontes de calor radiante e contato direto com objetos quentes. Estudos demonstram que a temperatura interna em incêndios urbanos podem chegar a 1000-1200º C no nível do teto. . Figura 2: Temperaturas em um incêndio. Fonte: CBMDF, 2017 105 A exposição demasiada ao calor extremo gerado no incêndio provoca no combatente a sensação de irritabilidade, agressividade, distração, desidratação (excesso de transpiração), erros, desaceleração/aceleração da pulsação, tremores, entre outros. Devido à presença destes sinais e sintomas, o tempo de combate é crucial para o sucesso do atendimento à ocorrência. A maneira mais eficaz de minimizar os danos causados pelo calor é a utilização de proteção individual e equipamento de proteção respiratória; equipamentos que devido aos seus componentes são pesados e desconfortáveis, diminuindo a agilidade, que pode ser restabelecida por meio de treinamentos e simulados contínuos para a adaptação destes equipamentos. Estes treinamentos fornecem ao bombeiro conhecimento próprio sobre seus limites e capacidades, além de saber identificar os sinais e sintomas do estresse térmico em si e dos demais componentes da guarnição. Os chefes de guarnição e o comandante de socorro devem possuir também o conhecimento dos limites de seus subordinados, gerenciando o tempo de combate promovendo o revezamento do pessoal de combate, quando necessário, de forma eficiente. Tabela 2: Efeitos do calor no organismo de acordo com o tempo de exposição Tempo Efeitos Em menos de uma hora Tolerância muscular reduzida Capacidade mental afetada Baixa compreensão Baixa retenção de informação Após duas horas Cãimba Fadiga Perda de força Coordenação motora reduzida Dor de cabeça Náusea Atordoameto Em um estágio avançado Colapso Inconsciência Morte 106 No Estado do Amazonas a temperatura média anual é de 26,4º C, segundo Centro Técnico Aeroespacial – CTA/IAE/ACA- INPE, com os meses de setembro e outubro com registros de temperaturas chegando a 39º C. Ao avaliar os sinais e sintomas do estresse pelo calor, podemos destacar as câimbras, a exaustão pelo calor e o golpe de calor. Seção 7 - Câimbras A câimbra é uma contração rápida, involuntária e dolorosa de um músculo que pode aparecer em qualquer parte do corpo, mas que, normalmente surge nos pés, mãos ou pernas, especialmente na panturrilha e na parte detrás das coxas. Podem ocorrer devido ao desgaste físico do indivíduo durante o combate ao incêndio, provocando o estresse dos músculos. Existem diversas causas que podem provocar as câimbras, sendo aquelas associadas ao serviço de combate a incêndio mais comumente provocadas pela perda de líquido corporal (desidratação), e perda de sais minerais como potássio, cálcio e magnésio, importantes para a contração e relaxamento dos músculos. Para evitar o estresse e a fadiga muscular, a realização de atividades físicas associadas ao alongamento dos músculos, de forma regular. Ao se detectar a presença de câimbras o bombeiro deve: • remover o indivíduo do ambiente quente e colocá-lo em repouso em um local arejado; • afrouxar e remover roupas em excesso; • descansar os músculos com câimbras, mantendo o bombeiro sentado, caso esteja consciente, ou deitado sobre o lado esquerdo, monitorando os sinais vitais e a respiração, se estiver inconsciente. Colocar o membro afetado mais alto que o corpo; • aplicar compressas úmidas sobre os músculos em espasmos ajuda a aliviar a sensação da câimbra; • alongar a área afetada, quando este tratamento não causar mais dores do que a ação da câimbra; 107 • se estiver consciente, pode-se lhe dar água ou uma solução diluída e balanceada de eletrólitosou soro de reidratação oral (repondo o sódio, potássio, magnésio e líquido perdido); • não deve ser ministrada nenhuma medicação Seção8 - Exaustão pelo calor A exaustão pelo calor é uma perda excessiva de sais (eletrólitos) e líquidos devido ao calor, dando lugar à diminuição do volume de sangue, provocando muitos sintomas, entre os quais o desmaio e colapso. Com a elevação da temperatura corporal, o organismo tenta estabilizar a temperatura por meio da transpiração, devido à evaporação do suor pelo corpo. Os equipamentos de proteção por suas particularidades provocam sudorese intensa. Indivíduos acometidos pela exaustão pelo calor, se não atendidos com brevidade podem evoluir para o choque hipovolêmico moderado, por isso, este sintoma torna-se mais grave que as câimbras. O choque hipovolêmico ocorre quando, na tentativa de refrigerar o corpo, o sangue é desviado dos órgãos principais para os vasos sanguíneos próximos à pele, que são dilatados, provocando insuficiência de irrigação do coração e consequente aumento dos batimentos. Além disso, ocorre aumento da frequência respiratória com vistas a oxigenar o indivíduo e elimiar o excesso de gás carbônico. Se não houver a reversão do quadro, o indivíduo pode ser levado a óbito por queda da pressão arterial e insuficiência respiratória. Os sinais da exaustão pelo calor incluem: • Face acinzentada; • Pele fria e pegajosa; • Náuseas ou dores de cabeça constante; • Sensação de cansaço, fraqueza, tontura; • Pulso acelerado; • Visão embaçada • Temperatura elevada. • Dores musculares • Enjoos e vômito; As vítimas acometidas com a exaustão pelo calor devem imediatamente serem removidas para um ambiente arejado e fresco. Deve-se retirar e afrouxar todo excesso 108 de roupas. A vítima deve deitar-se urgentemente, inalar oxigênio e fazer reposição eletrolítica. Seção 9 - Golpe de Calor É sintoma resultante da elevação da temperatura corporal superior a 40º C, com sintomas neurológicos incluindo ataxia, convulsões e/ou delírios. Ocorre devido à incapacidade do corpo em regular a temperatura, deixando de produzir suor. É um sintoma mais raro que os anteriores, no entanto é mais grave pela exposição ao calor seco do incêndio, com sintomas similares à insolação. A temperatura do corpo aumenta rapidamente, podendo chegar aos 39-40º C, provocando deficiências cerebrais e até mesmo a morte, se não houver atendimento imediato. Os sintomas mais frequentes são: • Temperatura corporal elevada, geralmente acima de 40º; • Pele vermelha, quente e seca; • Pulso irregular; • Convulsões e vômitos; • Respiração profunda, seguida de superficial; • Contrações musculares; • Fraqueza • Pupilas dilatadas; • Ausência de suor; • Perda de consciência. Fonte: safeplace.blogspot.com Figura 4: Fonte: safeplace52.com 109 A exaustão pelo calor pode evoluir para o golpe de calor; ao se detectar o golpe de calor a vítima deve ser retirada para um local arejado e se possível, aplicação de toalhas/tecido molhado para baixar a temperatura. A equipe médica deve ser informada com antecedência para que possa providenciar banho frio e aplicação de bolsas de gelo nas axilas, punhos, virilhas e tornozelos. Seção 10 - Queimaduras Segundo Souza (2004) compreende-se por queimadura uma lesão produzida nos tecidos corporais, devido a ação direta ou indireta do calor, agentes térmicos, elétricos, radioativos ou substâncias químicas. Para Santos (2000) as queimaduras são causadas, geralmente, pelo calor (queimadura térmica), como fogo, vapor, alcatrão ou líquidos quentes. Em consonância Oliveira (2005) afirma que, as queimaduras provocadas por substâncias químicas são semelhantes às queimaduras térmicas, ao passo que as queimaduras causadas por radiação, luz solar e eletricidade tendem a ser significativamente diferentes. Além disso, pessoas que foram queimadas por fogo, geralmente respiram fumaça do fogo (inalação de fumaça). O fumo pode sufocar as pessoas, mas também contém diferentes substâncias químicas produzidas pela substância em queima. Alguns desses produtos químicos, tais como monóxido de carbono e cianeto, podem ser tóxicos. As queimaduras representam um número expressivo de mortalidade, tornando o indivíduo mais vulnerável a infecções, podendo atuar nos tecidos envoltórios do corpo humano, resultando em danos com destruição parcial ou total da pele (camada mais profunda, como o tecido celular subcutâneo que são barreiras contra agentes infecciosos existentes nos incêndios, músculos, tendões e ossos), ocasionando ainda febre, complicações neurológicas e oftalmológicas. (LEE, 1999). As queimaduras podem ocorrer por: • ação direta das chamas; • contato com fumaça e gases quentes – decorrentes das características (móvel e quente) da fumaça e dos gases provenientes do ambiente incendiado; • contato com líquidos ou vapores quentes; • contato com superfícies aquecidas; 110 • decorrente de choques elétricos – quando a corrente elétrica é transformada em calor; Além disso, segundo estatísticas, as queimaduras resultam em um notório aumento da parcela da população considerada com deficiência física, em decorrência das sequelas geradas. Dentre elas podemos citar a incapacidade funcional (quando atinge as mãos), as distorções estéticas (em geral na face), e por fim os danos de ordem psicossocial e psicológica. (UFRRJ, 2022). De acordo com Oliveira (2005), devemos colocar em observância que uma das causas de queimaduras em bombeiros ainda é o uso do EPI incompleto ou mal colocado/ajustado, deixando na maioria das vezes partes da pele expostas, ou ainda EPI inadequado para combate a incêndio, como o caso das luvas, onde existem vários modelos diferentes para uso (raspa de couro, algodão, plástico, etc). Contudo, são inúmeras as maneiras em que os bombeiros militares acabam se ferindo com as queimaduras nos incêndios, sendo elas através das ações diretas das chamas, a proximidade com a fumaça, líquidos e vapores quentes, o contato com produtos perigosos, superfícies aquecidas e até choques elétricos. São manifestações locais nas queimaduras: • não elimina toxinas - não produz suor; • formação de substâncias tóxicas; • dor intensa que pode levar ao choque; • perda de líquidos corporais; e • destruição de tecidos e infecção, comprometendo a funcionalidade da pele; Figura 5: Perda de membro por uso inadequado de EPI Fonte: Grimwood, 2003 111 A ferida da queimadura é inicialmente estéril, porém o tecido queimado rapidamente fica colonizado por bactérias, sendo assim, existindo a necessidade de manter os bombeiros com suas vacinas em dia, principalmente, a antitetânica. A partir daí, o organismo reage cicatrizando e originando uma nova pele enrijecida, e posteriormente, com um dano à circulação. Para Berkow (2022), em queimaduras acima de 40% da extensão corpórea, a imunidade cai, levando a uma infecção generalizada, podendo até provocar a morte. Superior a 70%, as chances de sobrevivência da vítima são mínimas. São fatores agravativos para a saúde do queimado: • idade - quanto mais idoso, maior a dificuldade de resposta e adaptação do corpo a complicação, ou seja, menor condições de responder ao tratamento; • comobirdades de doenças prévias; • inalação de fumaça; A amplitude da implicação das funções da pele em consequência de uma queimadura depende do agente causador, da extensão e profundidade (ou grau) da lesão, da localização da queimadura no corpo do indivíduo e do tempo decorrido após a lesão. Algumas horas após a lesão, os maiores riscos para a vítima de queimadura dependerão, da área do corpo afetada. Quanto maior a região afetada, maior a repercussão sistêmica, devido à perda da pele. Souza (2004) diz que, a profundidade da queimadura depende da potência do agente causador, se gera ou transmite calor – e do tempo de contato com a pele. Em concordância Santos (2000), afirma que o resultado estético e funcionalda queimadura pode ser determinado pela profundidade e pode ser avaliada em graus: ✓ 1° - Primeiro grau Repercussão sistêmica desprezível; Compromete a epiderme; Apresenta vermelhidão, calor e dor; Não há formação de bolhas; Evolui com descamação em poucos dias; Regride sem deixar cicatrizes; ✓ 2° - Segundo grau Compromete totalmente a epiderme e parcialmente a derme; Apresenta dor, vermelhidão, inchaço, bolhas, erosão ou ulceração; Regeneração espontânea da pele; Cicatrização lenta; Pode deixar sequelas: diferenças na cor da pele e cicatriz; 112 ✓ 3° - Segundo grau Destrói completamente as camadas da pele, atinge até a região subcutânea, podendo comprometer tendões, ligamentos, músculos e ossos; Causa lesão branca ou marrom, seca, dura, inelástica; É indolor; Não há regeneração espontânea, necessitando de enxertia; Pode cicatrizar, porém com retração das bordas; Para que se possa avaliar a extensão das queimaduras, leva-se em consideração a sua classificação em maiores e menores, ou pode-se calcular a porcentagem da área atingida na superfície corporal total, pela regra dos nove. São queimaduras menores superficiais ou pouco profundas, ou seja, de primeiro e segundo grau, aquelas que envolvem pequenas partes do corpo, sem danos respiratórios, de face, mãos, pés, virilha, coxas, nádegas ou articulações. São consideradas queimaduras maiores as de terceiro grau, de segundo grau envolvendo uma área total ou crítica do corpo, de primeiro grau que cubram uma área extensa, ou qualquer queimadura que envolva face ou sistema respiratório. Braga (2010) explana que a extensão de uma queimadura é representada também em percentagem da área corporal queimada, como por exemplo: • Leves (ou "pequeno queimado"): atingem menos de 10% da superfície corporal; • Médias (ou "médio queimado"): atingem de 10% a 20% da superfície corporal; • Graves (ou "grande queimado"): atingem mais de 20% da área corporal; Seção 11- Regra do nove Esse tipo de regra é atribuído a cada segmento corporal, o valor nove (ou múltiplo dele). A regra dos nove atribui a cada área do corpo uma porcentagem Figura 73: Regra do nove Fonte: CBMDF, 2009 113 aproximada, sobre a área total da pele. Dessa forma, é possível calcular a porcentagem do corpo atingida pela queimadura e, a partir disso, direcionar o tratamento do paciente. (CBMDF, 2009). Em função de riscos relacionados à estética e à funcionalidade, são desfavoráveis regiões que comprometem a face, pescoço e mãos, no que concerne as queimaduras. No entanto, as que se localizam em face e pescoço podem estar mais associadas à inalação de fumaça. Queimaduras próximas aos orifícios como boca e ouvido, apresentam maior risco de contaminação. (CBMDF, 2009). Seção 12 - Choques Elétricos Tomando por base que em toda edificação haverá a presença de energia elétrica, tendo em vista que, é um recurso importante na vida do ser humano, bem como a água. A energia elétrica assim irá expor o bombeiro e as vítimas ao risco de choque elétrico, podendo levar a óbito, tanto pelo contato direto com materiais energizados (fios, equipamentos eletroeletrônicos, etc.), ou pela condução elétrica, quando se está combatendo o incêndio com água ou espuma, uma vez que ambas conduzem eletricidade. Vale ressaltar a importância da proteção do bombeiro contra choques elétricos, havendo a necessidade de exposição breve sobre os perigos da eletricidade. Fisiologicamente, as atividades biológicas do corpo humano são estimuladas ou controladas por impulsos elétricos. Se a esse fluxo fisiológico interno adicionar-se a um outro fluxo de origem externa, decorrente de um contato elétrico, ocorrerá no organismo uma alteração das funções vitais normais podendo levar o indivíduo à morte. Os principais efeitos que um fluxo elétrico externo produz no corpo humano são: tetanização, queimadura e complicações cardiorrespiratórias. a) Tetanização É a paralisia muscular provocada pela circulação de corrente através dos nervos que controlam os músculos. As frequências usuais de 50 e 60 Hertz são suficientes para causar uma tetanização completa. 114 Essa corrente supera os impulsos elétricos que são enviados pela mente e os anula, podendo bloquear um membro ou o corpo inteiro. Nesse momento, a consciência do indivíduo e a sua vontade de interromper o contato de nada adianta. Podemos afirmar que, com uma intensidade de corrente de 20 a 500 miliampère ocorre a paralisia estendida entre os músculos do tórax, tendo como consequência a sensação de falta de ar e tontura, com possibilidades de fibrilação ventricular. Uma pessoa em contato com uma peça sob fluxo elétrico pode ficar “grudada” a ela no período em que durar a sua diferença de potencial, onde, dependendo da duração, pode levar o ser humano à inconsciência e até à morte. O limite de largar é o valor máximo de corrente que uma pessoa, tendo à mão um objeto energizado, pode ainda largá-lo. Estudos mostram que para essa grandeza, em corrente alternada de 50 a 60 Hertz, os valores se situam entre 6 e 14 miliampère em mulheres (média de 10 miliampère) e entre 9 e 23 miliampère em homens (média de 16 miliampère). Em fluxo contínuo, foram encontrados os valores médios de 51 miliampère em mulheres e 76 miliampère em homens. Assegura-se que, em correntes menores ao limite de largar, mesmo mais baixas, embora não produzam alterações graves no organismo, podem originar contrações musculares violentas e ocasionar acidentes como quedas, ferimentos causados por partes móveis de máquinas ou movimentos bruscos, levando a outros riscos. Entretanto em correntes superiores ao limite de largar, mesmo com pouca intensidade, podem ainda assim causar uma parada respiratória se a corrente for de longa duração. Correntes como essas podem produzir sinais de asfixia, devido a contração de músculos ligados à respiração e/ou à paralisia dos centros nervosos que comandam a função respiratória. Se a corrente não for interrompida rapidamente, a pessoa perde a consciência e morre por asfixia. Na tabela abaixo apresenta uma relação entre a quantidade de corrente recebida e a reação, quando uma corrente flui da mão ao pé por apenas um segundo. 115 Figura 9: Efeitos da corrente elétrica no corpo humano Fonte: OSHA 3075 - Controlling Electrical Hazards, 2022. b) Queimaduras Segundo CBMGO (2016) afirma que, a passagem de um fluxo elétrico pelo corpo de um ser humano é acompanhado do desenvolvimento de calor, por efeito Joule, produzindo queimaduras. Nesse sentido, pode-se dizer que quanto maior a intensidade do fluxo e mais longo o tempo pelo qual ele permanece, mais graves são as queimaduras produzidas. Além disso, as queimaduras são mais intensas nos pontos de entrada e saída do fluxo elétrico pelo corpo. Em altas tensões, com a intensidade alta de calor produzida, ocasiona a destruição de tecidos superficiais e profundos, bem como o rompimento de artérias e consequentemente hemorragia e destruição total dos centros nervosos. As queimaduras produzidas por fluxos elétricos são internas, profundas e dificilmente se curam. Vale ressaltar que, apesar da pele aparentemente normal, os músculos podem apresentar profunda necrose. Complicações Cardiorrespiratórias Afirma Braga (2010) que, o coração é controlado por impulsos elétricos. Contudo, se essa atividade elétrica fisiológica normal acrescenta-se uma corrente 116 elétrica de origem externa e, na maioria das vezes, maior que a corrente biológica, dificultando assim o equilíbrio elétrico do corpo. Acontece que as fibras do coração passam a receber sinais elétricos sucessivos, excessivos e irregulares, onde as fibras ventriculares ficam estimuladas de maneira embaraçada e passam a contrair-se desordenadamente, acarretando em um coração parado funcionalmente, deixandode exercer sua função de bombeamento do sangue. A fibrilação ventricular é a responsável por muitas mortes ocasionadas por acidentes elétricos, onde as fibras musculares do ventrículo vibram desordenadamente, parando o sangue dentro do coração. Desta forma, não há fluxo sanguíneo pelo corpo, a pressão arterial rebaixa a zero e a pessoa desmaia, em estado de morte aparente. Ainda confirma CBMDF (2009) que, toda fibrilação ventricular é acompanhada de parada respiratória da vítima. Sendo este o período vulnerável que corresponde a uma pequena parte do ciclo cardíaco, ou seja, de 10 a 20%. Seção 13 - Prevenção de choque elétrico durante o socorro No cotidiano de incêndios, é comum afirmar que eles danificam a fiação elétrica da estrutura de alguma forma, consequentemente deixando fios elétricos expostos podendo até causar acidentes ou servir de fonte de ignição para novos focos. Permitindo assim, como uma das primeiras ações dos bombeiros logo que na sua chegada em ocorrências deste tipo, na medida do possível, desligar a eletricidade da edificação, devendo-se evitar, sempre, tocar ou encostar na fiação. Eventualmente, em ocorrências de incêndios correlacionadas a fenômenos termoelétricos, os disjuntores desarmam-se automaticamente. Porém, isso não é garantia de que a energia esteja desligada. Para o desligamento da energia elétrica, leva-se em consideração as demais circunstâncias do sinistro, em alguns casos como por exemplo, haja a necessidade de se retirar as vítimas pelos elevadores ou como o caso de incêndios em edificações hospitalares, muitos possuem equipamentos que não podem ser desligados. Quando for necessário manter a energia elétrica ligada, é fundamental que todos os bombeiros estejam cientes e atentos, para certas decisões é necessário pensar que os benefícios superem os riscos. Nesses casos, sugere-se que seja feito 117 um croqui e o estabelecimento dos chefes por área, ajudem a organizar os esforços no combate. Seção 14 - Principais condutas em caso de choque elétrico O CBMDF (2009) preconiza que principais condutas para as ocorrências com vítimas de choque elétrico são: • Utilizar luvas de proteção específicas e outros materiais isolantes. • Interromper, imediatamente, o contato da vítima com a corrente elétrica, desligando a eletricidade na chave específica da área ou na chave geral do local. • Não encostar na vítima, se não conseguir desligar a corrente elétrica. • Afastar a vítima do contato com a eletricidade, utilizando material isolante, seco, como borracha, madeira ou plásticos. • Realizar reanimação cardiopulmonar se necessário e remover a vítima para um hospital mais próximo possível, mantendo a observação de seus sinais vitais (respiração e batimentos cardíacos). Seção 15 - Colapso Estrutural Decorrente de Incêndio Todos os materiais que compõem as construções são susceptíveis a alterações por diversos motivos, sejam eles fatores naturais, humanos ou construtivos. As edificações podem sofrer deformações dentre os quais, os colapsos estruturais ou desabamentos são uma das mais comuns consequências em um incêndio, é silencioso, aparentemente sem alarme e frequentemente fatal. Anomalias em edificações Os desabamentos acontecem por diferentes motivos, o conhecimento sobre estruturas e suas formas podem auxiliar a prever o comportamento de seus elementos, quando expostos ao fogo. O conhecimento teórico de estruturas é de grande valia para o comandante da operação, pois o estudo da resistência dos materiais pode evitar grandes tragédias envolvendo as guarnições, podendo de forma 118 preventiva identificar as deformações nas estruturas, conhecidas como anomalias, dentre as quais, podemos destacar: • Rachaduras (também conhecidas como trincas ou fissuras); • Vazamentos e infiltrações; • Corrosão de ferragens; • Recalques; • Desplacamento de revestimentos; e • Problemas em marquises. Rachaduras, trincas ou fissuras São aberturas de maior ou menor extensão nas superfícies das construções (paredes, tetos e lajes), as quais são classificadas: quanto ao sentido, quanto à profundidade, quanto ao movimento. Tipos de rachadura Quanto ao sentido Quanto à profundidade Quanto ao movimento Vertical Superficial Vivas ou ativas Horizontal Profunda Mortas ou inativas Diagonal Transpassante Aleatória ou mapeada Quanto ao sentido As rachaduras de sentido vertical, horizontal ou aleatória são, geralmente, decorrentes do: próprio peso da estrutura, alterações climáticas, retração dos produtos à base de cimento; e deformações excessivas. Quando essas anomalias aparecem entre a alvenaria e a peça estrutural – vigas ou pilares – provavelmente é motivada pela deficiência da amarração, que é a junção das paredes com as vigas, o que pode acarretar em uma possível queda da estrutura. Figura 10: Exemplos de rachadura aleatória, horizontal e vertical Fonte: https://bombeirooswaldo.com 119 Rachaduras em diagonal indicam que algo grave está acontecendo, sendo de extrema necessidade uma vistoria emergencial por equipe especializada. Figura 11: Exemplo de rachadura diagonal Fonte: https://bombeiroswaldo.blogspot.com Quanto à profundidade • As rachaduras superficiais ocorrem apenas sobre os revestimentos dos tetos, das paredes ou das peças estruturais, tais como rebocos e pinturas, não afetando a estrutura. • As anomalias profundas chegam a atingir a alvenaria das construções (tijolos) e em caso de estruturas com armações de aço (concretos armados), atingem as ferragens que estão em seu interior. • As rachaduras transpassantes, quando em situações avançadas, atravessam a estrutura afetada de um lado ao outro das paredes ou lajes. Quanto ao movimento • As vivas ou ativas são assim denominadas porque se movimentam, seja por movimentos cíclicos (expansão e contração), seja por crescimento em extensão. • As anomalias mortas ou inativas são aquelas que não se movimentam. Vazamentos e infiltrações Os vazamentos se baseiam no escoamento de líquidos, gases e demais produtos que passam por tubulações ou envasados. Já as infiltrações são o processo de passagem ou acúmulo de um líquido por um meio sólido, como uma laje ou parede. 120 Figura 12: Vazamentos e infiltrações Fonte: https://fibersals.com.br Os motivos mais comuns para a ocorrência dessas anomalias são os rompimentos de tubulações durante os incêndios e sua percepção é mais visível que as infiltrações, já que são processos mais longos e geralmente perceptíveis após um dano, mas ambas danificam as estruturas. Durante a fase de reconhecimento, a identificação de infiltrações preexistentes indica um fator de risco às guarnições, uma vez que essas anomalias podem enfraquecer seriamente a capacidade resistiva do elemento estrutural. Corrosão de ferragens A corrosão metálica é a transformação de um material ou liga metálica pela sua interação química ou eletroquímica num determinado meio de exposição, processo que resulta na formação de produtos de corrosão e na liberação de energia. Suas principais consequências são: • Perigosa expansão da malha de ferragens, causando trincas e desagregação, em placas ou “farelos”, do concreto que a recobre; • Perda da segurança das peças estruturais (vigas, lajes, pilares, marquises); • Perda da aderência entre o concreto e as ferragens; • Diminuição da resistência da estrutura; e • Ruptura da armação e/ou do concreto, causando o colapso de estruturas. 121 Figura 13: Corrosão de ferragens Fonte: https://www.tecnosilbr.com.br No caso de incêndio, o descolamento de pedaços de concreto sugere risco iminente para as guarnições. Os locais devem ser interditados e isolados, pois tais características sugerem ações de escoramento emergencial, as quais devem ser realizadas por equipesespecializadas e treinadas. Recalques O recalque ou assentamento é o termo utilizado em engenharia civil para designar o fenômeno que ocorre quando uma edificação sofre um rebaixamento devido ao adensamento do solo sob sua fundação. Figura 14: Recalque em edificações Fonte: https://ecivilnet.com O recalque é a principal causa de trincas e rachaduras em edificações, principalmente quando ocorre o recalque diferencial, ou seja, uma parte da obra rebaixa mais que outra gerando esforços estruturais não previstos e podendo até levar a obra à ruína. Possuem como principais características: 122 • Rachaduras inclinadas, verticais e horizontais, • Afundamentos de pisos, • Desnivelamentos e desaprumos, • Esquadrias emperradas; e • Guias de elevadores desalinhadas. Suas possíveis causas são: • Aberturas de escavações próximas àquele local (como em construções de novas obras); • Erosão no subsolo (vazamentos); • Vibrações; • Tremores de terra; • Alteração química do solo; • Rebaixamento do nível d’água; • Carregamento mal dimensionado (todo material se deforma quando carregado); e • Fundações inadequadas. As principais consequências dos recalques são: • Problemas nas fundações; • Segurança estrutural da edificação comprometida; e • Prováveis riscos de colapsos estruturais. Recomenda-se que seja feito: • O acionamento da Defesa Civil, por meio do COBOM (Centro de Operações Bombeiro Militar); • O escoramento emergencial das estruturas avariadas, realizado por equipes especializadas e treinadas; • O acompanhamento da evolução das rachaduras (controle); e • A interdição e o isolamento do local. Desplacamento de revestimentos São os casos em que ocorrem a soltura de placas de concreto, cerâmicas, rebocos e outros revestimentos de fachadas. A queda destas estruturas pode gerar 123 graves danos aos transeuntes que circulam nas proximidades desta edificação sinistrada. Suas principais causas são: • Assentamento mal executado ou com materiais inadequados; • Inadequada aplicação das juntas de dilatação; • Desrespeito às normas vigentes; • Infiltrações deteriorando a base de revestimento; • Inexistência de manutenção periódica; • Exposição ao fogo e a água durante o combate às chamas. Figura 15: Desplacamento de revestimento. Fonte: https://ibape-nacional.com.br No caso do desplacamento causado durante o atendimento às ocorrências, onde há o enfraquecimento das estruturas, deve-se isolar totalmente a área, a fim de evitar acidentes tanto com os bombeiros quanto a pessoas que possam tentar acessar o local. Problemas em marquises Marquises são coberturas em balanço na parte externa de uma edificação, destinadas à proteção da fachada ou a abrigos de pedestres. Nos casos de anomalias nessas estruturas, como infiltrações e rachaduras, o local deve ser isolado, pois a queda da estrutura pode levar o indivíduo a morte. 124 Figura 16: Modelo de marquise Fonte: https://www.laudoportoalegre.com Anomalias nesse tipo de estrutura geralmente são originárias de suas construções, porém existem também outras causas como, por exemplo, o acréscimo de cargas. Como consequência, apresentam algumas características: • Rachaduras, trincas ou fissuras; • Infiltrações; • Destacamento de revestimentos; • Corrosão da armadura; e • Bordas cedendo. Como a armadura (ferragem) da marquise se concentra na parte superior, o concreto em deformação no meio do vão se romperá com facilidade com a ação do escoramento, causando o colapso estrutural. Relação entre as anomalias com a ocorrência de incêndios estruturais Em decorrência do comportamento dos incêndios, os materiais componentes das estruturas das edificações podem sofrer algumas alterações, em seu aspecto e forma devido à exposição ao calor, tais como: • Calcinação (aquecimento em altíssimo grau) e esfoliação (esfarelamento) do concreto; • Deformações acentuadas das estruturas; • Concreto desagregado; • Perda da aderência entre o aço e o concreto; e • Diminuição da capacidade de resistência. 125 Tabela 3: Característica das anomalias Fonte: cibernet.com Ao analisarmos a tabela podemos afirmar que quanto maior o tempo de exposição do concreto às altas temperaturas, maiores serão os danos às suas estruturas física e química. Em um sinistro de combate a incêndio estrutural os bombeiros devem adotar medidas visando o não colapso da estrutura, como: • Evitar jogar água com jatos compactos e diretamente nas peças estruturais (lajes, vigas, pilares); • Observar a existência de pontos com bolhas, fissuras, rachaduras ou com colorações distintas nas paredes e tetos de cimento ou de concreto; • Comunicação com a guarnição de combate na percepção de qualquer fato atípico como rachaduras; • Informar todas as guarnições no local sobre as áreas que oferecem risco imediato aos bombeiros empregado no local; • As guarnições devem providenciar a interdição do local, a fim de resguardar o local e a integridade física das pessoas. • Acionar a defesa civil do município ou do Estado através do centro de operações bombeiro militar – COBOM. Cuidados a serem adotados no cenário do incêndio 126 Todos os bombeiros, independente de posto, graduação ou função, devem ter um comportamento proativo no cenário do incêndio. No que diz respeito ao colapso estrutural, os bombeiros devem observar se há: • Fissuras, rachaduras ou trincas nas paredes; • Estalos nas estruturas; • Deformações nas estruturas metálicas; • Desabamentos anteriores e possibilidade de novos desabamentos; • buracos no piso. Qualquer sinal destes deve ser imediatamente reportado ao comandante de socorro, e este imediatamente informar a todos os bombeiros presentes no local. Deve-se providenciar a retirada das vítimas e dos bombeiros o mais rápido possível, pois pedaços soltos, escombros, superfícies e estruturas metálicas, partes do forro do teto podem causar cortes e outras lesões. Para preveni-los, deve-se derrubá-los com um croque ou com jato compacto. Seção 16 - Pânico O pânico é uma sensação psicológica de temor, a qual se manifesta de forma dinâmica ou estática. É causada por uma informação ou fato que extrapola a faixa de normalidade de um indivíduo, tornando-se adverso em razão do seu não processamento, podendo ser intensificado por fatores emocionais. É importante considerar que as pessoas envolvidas em um incêndio podem ser tomadas pelo pânico, incluindo bombeiros, podendo levá-los a uma condição irracional, aflorando instintos primitivos básicos de fuga, medo e luta pelo espaço. Cada pessoa apresenta reações próprias, podendo ir desde o choro convulsivo e histérico até permanecerem estáticas, aparentemente sem reação. Esses ataques são períodos em que o indivíduo sofre de forma repentina, um medo intenso ou medo que podem durar de minutos a horas. Ataques de pânico geralmente aparecem de repente, no entanto, eles podem continuar por mais tempo se o paciente teve o ataque desencadeado por uma situação que não é ou não se sente mais capaz de escapar, como nos casos de incêndio urbano. 127 A tentativa desordenada de evasão gera confusão, correria, pisoteamentos, esmagamentos e saltos para morte, que são gestos desesperados e traduzem não uma tentativa de escapar, mas o último esforço para reduzir o martírio e os sofrimentos da morte pelo fogo. Existem vários exemplos de incêndios nos quais as pessoas, na busca frenética e desordenada por uma saída do local sinistrado, acabaram, infelizmente, em locais de difícil acesso para o salvamento, como banheiros, atrás de armários, debaixo de mesas ou em locais inundados pela fumaça, tornando-se vítimas fatais. Nesses instantes, o instinto pela sobrevivência fala mais alto e impulsiona a “lei do mais forte”, aqueles com maiscapacidade e condição física, buscam fugir do local o mais rápido possível e na maioria das vezes podem não se importar em deixar alguém para trás, tentando de todas as formas preservar a própria vida. Ações preventivas As ações preventivas devem se desenvolver sob dois aspectos, o primeiro está relacionado a capacitação dos bombeiros, no exercício de suas atividades específicas e em segundo na elaboração de planos de evacuação para os principais estabelecimentos. A realização de simulados tem se mostrado bastante eficiente no treinamento dos bombeiros militares e do público pertencente aquela edificação, como nos casos de shopping, boates, hospitais, creche e em locais onde se julga que o salvamento de vítimas seja mais complexo. Os treinamentos das guarnições de combate a incêndio devem ser intensos e continuados a fim de reduzir as ocorrências de pânico nos sinistros e assim dar um suporte especializado às vítimas do sinistro. Fatores estimulantes do pânico • Falta de conhecimento sobre o fato gerador do estímulo – a pessoa em pânico não sabe o que está realmente acontecendo; • Grande densidade populacional no ambiente – congestionamento nas saídas de emergências; 128 • Riscos envolvidos nas atividades desenvolvidas no local – a evacuação de um hospital ou asilo será mais complicada para os bombeiros do que em edifícios residenciais; • Surgimento de atividades agressivas ou competitivas (entre guarnições ou entre órgãos externos ao corpo de bombeiros); • Altura em que a pessoa se encontra – o que implica dizer que quanto mais elevada estiver, mais propensa ao pânico ela se encontrará; Controle do pânico O profissional bombeiro que estiver a frente de uma ocorrência de combate a incêndio deve ter em mente que não existe um perfil único de pânico para todas as vítimas, podendo ser adultos, idosos, crianças, etc. Portanto em cada sinistro as guarnições deverão fazer uma análise do perfil do público encontrado, pois somente após esta avaliação se poderá tomar uma decisão segura. Nos incêndios pode-se encontrar vítimas que estejam em pânico, por isso os bombeiros deverão zelar para que a situação não perca o controle. Uma vítima em pânico pode prejudicar substancialmente os sinistros e ainda estimular as outras vítimas a entrarem em pânico. Portanto, para convencer as vítimas envolvidas em um sinistro, o bombeiro deverá ser persuasivo, ao conversar com elas. Procedimentos básicos Alguns procedimentos básicos podem ser realizados a fim de diminuir a incidência de situações de pânico. Abaixo sugerimos algumas ações que poderão ser realizadas para a solução do sinistro. • Os bombeiros devem buscar a retirada das vítimas por meio da ação de uma equipe treinada e altamente disciplinada; • O isolamento correto é de extrema importância, pois a presença de curiosos pode atrapalhar significativamente a ocorrência. • Manter curiosos afastados para evitar confusão e para que o bombeiro possa atuar melhor; 129 • Colocar as vítimas sob o comando de socorrista. Esse bombeiro demonstrará a elas que controla a situação, preferencialmente mediante uma postura tranquila, mas com a firmeza necessária, transmitindo, sempre que for possível, mensagens curtas, porém expressivas, realizando, de acordo com a necessidade, determinadas ações de efeito psicológico; • Se estiver próximo às vítimas e desejar conduzi-las para um local de escape, retire todo o grupo de uma forma organizada e não permita conversas durante a condução, a fim de evitar o risco de perda do controle sobre os elementos do grupo; • Se, durante a condução das vítimas, estiver escuro, determine que dêem as mãos e não elevem os pés para dar a passada, buscando, dessa forma, evitar a separação do grupo ou a ocorrência de acidentes durante o seu deslocamento (queda de uma ou mais pessoas em poços, degraus, buracos que possam existir, mas que, se tornam imperceptíveis com a escuridão). Salvamento de pessoas O salvamento de pessoas é uma das situações mais preocupantes e perigosas nas ocorrências de combate a incêndio, já que vidas podem ser ceifadas se não realizar o protocolo de segurança corretamente. É um trabalho difícil, pois o bombeiro terá de ir até um ponto do qual a vítima por si só não teve condições de sair. Portanto, também ele passa a correr risco de morte, pois as pessoas constituem a mais urgente prioridade para as guarnições de bombeiros que atuam nos incêndios. Durante os salvamentos em sinistros de incêndio podem ocorrer dois fenômenos que dificultam a vida dos bombeiros empenhados na ocorrência. a) Aglomeração – na tentativa de fuga, as pessoas vão se ajuntando até formarem um grupo numeroso, que acaba retido em algum local do ambiente sinistrado. Nesse caso, o trabalho do bombeiro é dificultado, pois todos querem salvar-se e cada um quer ser o primeiro; b) Pânico – estado de extrema ansiedade que, por vezes, torna as pessoas desordenadas e irracionais. Pois, é através das ações de cada pessoa em pânico que surge um sistema totalmente complexo e descontrolado, podendo levar a muitos mortos e feridos em razão disso. 130 A segurança humana é uma das principais finalidades na evacuação nos incêndios, que deve estar baseada nos princípios da objetividade, precisão, disciplina e segurança. Dentro desse aspecto, existem requisitos a serem seguidos no escape das vítimas. Os bombeiros devem definir uma rota de saída para que não atrapalhe as operações e também para não haver aglomerações. Por fim, definir um local seguro para que todas as vítimas possam ficar e auxiliarem nas informações da falta de alguma pessoa. As vítimas devem ser conduzidas para as escadas de incêndio, deixando um bombeiro ou mais encarregados de dar as seguintes orientações necessárias: • As vítimas não devem ir para os andares superiores; • Devem manter uma distância segura entre uma vítima e outra; • As vítimas descem apenas de um lado da escada, destinando o outro para o trânsito das equipes de bombeiros; • Evitam-se correrias e aglomerações desnecessárias; • Concentram-se as vítimas em um mesmo local a fim de se efetuar uma chamada rápida e para que se verifique se há falta de alguma pessoa. Dependendo da necessidade, poderão ser usadas outras técnicas de salvamento, como cabos aéreos, escadas ou plataformas mecânicas, entre outros. Porém, só devem ser utilizadas quando necessário e as escadas, por algum motivo, não atenderem ao propósito de evacuação das pessoas desta forma. 131 CAPÍTULO 4 – EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIO Autores: AL OF Gelnivan de Amorim Maciel, AL OF Jean Fabricio de Souza Morais, AL OF José Henrique de Lima Matos, AL OF Waldomiro Rodrigues Comapa Neste trabalho será discorrida a importância dos equipamentos de segurança contra incêndio, apresentará técnicas e equipamentos de combate a incêndios, já que esses equipamentos são itens extremamente importantes para ajudar na prevenção e combate a incêndios. Assim, serão descritos quais são os principais equipamentos de segurança contra incêndio e como se procede o manuseio individual por bombeiros envolvidos nas ações de salvamento e combate a incêndio. Seguindo o objetivo de uma atuação eficaz para bombeiros, a temática terá como base legal a NR-6 (BRASIL, 1978) para estabelecer as normas e medidas básicas em relação ao fornecimento do Equipamento de Proteção Individual (EPI). Essa norma garante o uso desse equipamento como mecanismo de proteção de longa duração, aos profissionais bombeiros militares em atividades que colocam em risco a segurança da guarnição durante as operações, protegendo-os do fluxo de calor proveniente das chamas e demais riscos físicos. Além desses equipamentos, existem as classes específicas de produtos e materiaisde proteção, a exemplo disso tem-se o Equipamento de Proteção Respiratória – EPR. Sua função é proteger o trato respiratório do usuário, evitando que este inale agentes nocivos à saúde. Para (TORLONI, 2002) incluem-se, ainda, aqueles equipamentos que não dependem do ar atmosférico local para oferecer ar respirável para o usuário, chamados de Equipamentos de Proteção Respiratória Autônomo - EPRA. Perante o exposto, este trabalho objetiva, de uma forma clara e concisa, oferecer informações sobre a importância da utilização dos equipamentos de proteção de combate a incêndio, tange em conceituar e caracterizar os equipamentos de proteção individual e de proteção respiratória autônomo, demonstrando sua relevância. Os procedimentos metodológicos para realização deste trabalho se procederam pela pesquisa bibliográfica, utilizando o método de levantamento de dados, através de um compilamento de livros, artigos científicos, revistas https://www.prometalepis.com.br/ 132 especializadas e dos manuais de Brasília, Goiás e São Paulo, além de leis e normas regulamentadoras. Também se fizeram necessários registros fotográficos dos EPIs usados pelos combatentes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas. 133 Seção 1 - O surgimento dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) A origem do uso de equipamentos de proteção individual foi na idade das cavernas. Os primeiros homens buscavam proteger seu corpo das variações climáticas de frio e calor. Para essa proteção utilizavam pele de animais. Eles também tinham necessidades de equipamentos de caça contra os animais ferozes e, por isso, buscavam ferramentas como lanças e pedras. Esses materiais sofreram mudanças na Idade Média, pois as necessidades humanas eram outras nesse período. Os cavalheiros aperfeiçoaram esses equipamentos para batalhas de armaduras, que envolviam seu corpo da cabeça aos pés, elevando o nível de proteção. Eles também usufruíram de objetos como espada e escudo para se protegerem. Na Revolução Industrial aconteceu a maior progressão da história dos EPI’s. Com o surgimento das metalúrgicas, mineradoras e fundições e o início da produção com máquinas, facilitou-se a fabricação desses equipamentos. Também houve a necessidade de prevenção contra acidentes. Logo após a Revolução Industrial, surge a Primeira Guerra Mundial, fato que marcou a evolução e confirmação da importância do EPI’s, já que enfrentar uma guerra sem proteção era impossível. Havia a necessidade de lutar e se defender contra o adversário, trazendo, assim, a realidade e a divulgação desses equipamentos. Daí em diante, com as novas tecnologias sendo descobertas, a fabricação dos EPI’s foram se aprimorando. Atualmente, a inovação tecnológica ajuda nas mudanças desses equipamentos, conforme a necessidade e de acordo com as leis. Seção 2 - Equipamentos de Proteção Individual para Combate a Incêndio Esse trabalho enfatiza que os EPIs utilizados pelos bombeiros militares devem ser adequados e de qualidade, garantindo que esses profissionais não corram riscos nos ambientes a que forem expostos. Isso porque, diuturnamente, a guarnição coloca em risco a sua segurança durante as operações de salvamento e combate a incêndio. Portanto, o presente manual básico de combate a incêndio visa apresentar as técnicas e táticas para as ações com Equipamento de Proteção Individual e Respiratória (EPI/EPR). 134 Para que a compreensão e eficiência no uso dos equipamentos de proteção, é preciso entender os conceitos básicos relacionados ao processo de propagação do calor e, principalmente, as influências desses elementos nas operações de incêndio. O bolsão de ar é muito importante, pois se for retirado da roupa de aproximação, ela perderá boa parte da capacidade de isolamento, havendo maior absorção do calor radiante proveniente do incêndio. Para a criação de um bolsão, como medida simples, basta puxar a calça para cima, na tomada da posição ou ao começar a progressão no incêndio. Figura 1 - Equipamento de Proteção Individual Fonte: CBMAM, 2022. A Norma Reguladora nº 6 (RN6) do Ministério do trabalho, considera Equipamento de Proteção Individual – EPI, todo dispositivo de uso individual, de fabricação nacional ou estrangeira, destinado a proteger a saúde e integridade física do trabalhador. Constantemente, bombeiros militares são expostos à riscos como: incêndios em áreas de confinamento, altura ou meio de rios. Nestes casos, o uso de EPI é essencial para a segurança. Todo equipamento de proteção individual é projetado para garantir a segurança dos bombeiros durante as ações contra: • O calor convectivo e chamas • Choques mecânicos (no caso do capacete) • Cortes perfurações 135 • Gases, vapores ou ambientes com atmosfera pobre em oxigênio Para salvar vidas é necessário que o bombeiro militar esteja protegido. Assim, esse profissional garante suas funções com melhor desempenho em prol da população. Para aumentar a sua segurança, é necessário que os EPIs sejam classificados adequadamente. Sua certificação é feita pela NFPA (National Fire Protection Association – EUA), em âmbito internacional, e o CAEPI (Certificado de Aprovação de Equipamento de Proteção Individual), expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho. Os Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR) visam a proteção do usuário contra a inalação de agentes contaminantes nocivos do ar. O uso desse equipamento mantém o ar respirável, garantindo a viabilidade da respiração do bombeiro. Os EPIs protegem as partes do corpo do bombeiro, evitando que fiquem expostas as condições de incêndio. Apesar dos equipamentos serem desenvolvidos com toda tecnologia necessária para proteger o usuário, eles não oferecem proteção integral e irrestrita ao combatente. Este deve ter um conhecimento assíduo dos limites dos equipamentos, para evitar exposição desnecessária em ações que comprometam a capacidade do EPI. Dentre os principais riscos que os Bombeiros militares estão expostos, podemos citar: • Altas temperaturas; • Ruídos; • Agentes biológicos; • Riscos químicos; • Riscos respiratórios; • Ergonomia; • Riscos de acidentes, etc. Com isso, algumas consequências podem acontecer, como: 136 • Queimaduras leves e graves; • Hipoacusia; • Contágio com doenças provenientes de vírus e bactérias; • Doenças pulmonares crônicas (asma, bronquite e rinite); • Danos psicológicos; • Fraturas; • Entre outros. Os equipamentos de proteção individual devem fazer parte da vida dos bombeiros, sem nenhuma exceção. Eles exigem uma série de métodos a serem seguidos em cada ação. O combatente deve saber que, ao estar completamente equipado, alguns dos seus sentidos ficam comprometidos. Os sentidos do tato, visão e audição serão reduzidos pelo EPI, o que exige atenção e cuidado do bombeiro em suas ações. O uso desses equipamentos em conjunto restringe parte da movimentação, que fica lenta ou até mesmo limitada, levando a consumição física, demandando maior atenção e esforço físico. ATENÇÃO Ainda que seja possível realizar o combate sem o uso do EPI, ressalta-se que alguns tipos de lesões, como a respiratória por inalação da fumaça, podem manifestar-se horas ou dias depois do evento e causar danos irreversíveis ao bombeiro. Dentro das corporações, o uso dos equipamentos é essencial para a segurança do bombeiro militar, considerando que estão expostos a situações variadas. Consequentemente, os equipamentos devem apresentar qualidade elevada, resistência e bom funcionamento, de acordo com cada ocorrência. Além disso, o bombeiro deve possuir treinamento para manuseá-los, de forma que não danifique o equipamento e se mantenha seguro durante a operação.Os treinamentos diários são de suma importância para a adaptabilidade do bombeiro ao ESPI. 137 Todo equipamento listado neste trabalho é de uso específico para as ações de combate a incêndio. Seção 3 - Descrição dos equipamentos de proteção individual Nas ocorrências que envolvem alta temperatura ou fogo, recomenda-se a total proteção da superfície, considerando que a colocação do equipamento deve ser de manuseio leve, para não prejudicar a agilidade e rapidez do bombeiro. Os itens básicos de EPI, para combate a incêndio são: • Roupa de aproximação (capa/calça); A capa: protege os membros superiores. A Calça: Protege o quadril e os membros inferiores. • Botas de combate a incêndio: Protege os pés, também contra objetos cortantes ou substâncias químicas; • Equipamentos de proteção respiratória: São equipamentos de proteção individual (EPI), que visam a proteção do usuário contra a inalação de agentes contaminantes nocivos do ar; • Capuz ou Balaclava: Fornece a proteção do pescoço e cabeça por baixo do capacete, impedindo que o calor entre; • Capacete de combate a incêndio: protege a cabeça, face e olhos contra a exposição ao calor, de forma que seja eficaz contra os impactos, não prejudique a audição e nem a visão do combatente; • Luvas de combate a incêndio: projetada para oferecer proteção às mãos do militar ao calor e, também, contra possíveis objetos cortantes ou substâncias químicas que existam no local de ocorrência. Contudo, sem reduzir a mobilidade do bombeiro, devendo ser confortável, leve e de fácil colocação; • Alerta de homem morto – PASS (Personal Alert Safety System) – sistema de segurança de alerta pessoal que emite um sinal sonoro em caso de ausência de movimento do bombeiro. Deve ser acionado antes de entrar no local 138 sinistrado. Constituem outros equipamentos de uso individual: Cabo da vida e mosquetão, Lanterna e Rádio comunicador. Para que não percam tempo, os combatentes devem carregar o material de arrombamento (pé de cabre, alavanca, machado e corta fio) para o local de incêndio. Muitas vezes, o arrombamento será necessário, tanto para a busca quanto em caso de fuga, devido ao alastramento do fogo. De acordo com Camisassa (2015), os equipamentos devem garantir a segurança do bombeiro militar e certificar que ele faça o seu trabalho com agilidade e rapidez, sem interferir, negativamente, no salvamento. Essa proteção tem como objetivo resguardar esses profissionais, diminuindo os riscos de danos físicos, tornando o trabalho mais seguro e eficaz, preservando a vida dos que atuam nessa área. Capacete de combate a incêndio A finalidade do capacete de combate a incêndio é dar segurança ao bombeiro, garantindo a proteção da sua cabeça contra impactos e choques mecânicos, evitando ou minimizando os danos e traumas, por exemplo, de ser atingido por algum objeto em queda (telhas, caibros, forros, etc.). Ademais, protege a cabeça do combatente em exposição a incêndios estruturais com temperatura de aproximação de até 250ºC. O capacete para bombeiro termoplástico possui uma faixa refletiva, protetor de nuca e jugular, feito em tecido antichama. As Normas Regulamentadoras são: EN14458:2004 e EN 443:2008. Figura 2 – Capacete de combate a incêndio. Fonte: CBMAM, 2022. 139 Para não comprometer a segurança, ao assumir o serviço, o combatente deve ajustar o equipamento na sua cabeça, a fim de que não fique muito apertado e nem frouxo. Atualmente, os capacetes possuem regulagem para ajuste na parte posterior. Os capacetes devem ser identificados conforme o padrão existente na corporação do CBMAM. Os capacetes de cor branca são destinados aos oficiais. Já para os praças: vermelho para sargento e preto para cabos e soldados. Esse equipamento é confeccionado em tecido fiberglass especial, com acabamento externo liso brilhante, com resistência a impactos e chamas. É revestido internamente com almofada de óxido de polifenileno e com uretano expandido para resistir a impactos. Balaclava A balaclava antichama é um acessório com muitas possibilidades. Sua principal função é para a proteção de pescoço, crânio e face, deixando apenas os olhos descobertos. Seu formato abrange, inclusive, o couro cabeludo e as orelhas, as quais devem estar bem protegidas por serem muito sensíveis e constituídas de cartilagem, características que dificultam a regeneração em caso de lesão. Essa peça é confeccionada em tecido especial, resistente às chamas. Segundo a NR 6, Norma Regulamentadora que define o uso de EPIs, a Balaclava tem três principais funções. São elas: • Proteção do crânio, face e pescoço contra agentes abrasivos e escoriantes; • Defesa da face, crânio e pescoço contra respingos de produtos químicos; • Proteção do pescoço, face e crânio contra riscos de origem térmica. http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6_anexoI.htm 140 Figura 3 – Balaclava Fonte: CBMAM, 2022. A Norma Regulamentadora desse material é a EN 13911. A balaclava é um equipamento de extrema necessidade em ambientes de alta periculosidade. Logo, este é um equipamento essencial para bombeiros. Roupa de aproximação Para combater os incêndios de forma segura, a roupa de aproximação é um item fundamental para os bombeiros. Composta de capa e calça, assegura a proteção dos combatentes em ambientes de altas temperaturas. Entretanto, salienta-se que a roupa de aproximação confere proteção limitada, devendo o profissional estar sempre atento a isso. A modelagem dessa indumentária é básica, composta de uma camada externa, barreira de umidade em material impermeável, barreira térmica dupla com material de meta aramida, além de feltro e fibra. Figura 4 – Roupa de aproximação. Fonte: CBMAM, 2022. 141 A roupa de aproximação deve oferecer razoável proteção química contra substâncias que possam existir no local da ocorrência, sem, contudo, reduzir a capacidade de mobilidade do bombeiro. Por isso, devem ser confortáveis, leves e de fácil colocação. Além disso, as roupas possuem partes (faixas) refletivas de alta reflexibilidade, de forma a permitir uma melhor visualização do bombeiro em ambientes escuros ou que apresentem dificuldades de visibilidade. Com suas três camadas de proteção contra chamas, a roupa de aproximação é capaz de fornecer proteção em incêndios onde a temperatura pode chegar a 800 graus célsius. Portanto, consiste em um elemento fundamental para o combatente. Mesmo sabendo da qualidade de proteção de seu equipamento, há um costume, quase mundial, em que os combatentes se molham para entrar no incêndio. Para esses combatentes, a água aplicada no EPI proporciona uma sensação de frescor, fomentando uma certa segurança para o bombeiro. Porém, a exposição do EPI, molhado, nesse ambiente de alta temperatura se elevará muito mais rápido do que se estivesse seco. Isso pode ocasionar sérias queimaduras por contato, tendo em vista que a absorção de calor pela água é 25 vezes maior que a absorção de calor pelo ar. A principal funções da roupa de aproximação é proporcionar mais conforto e ajudar no descolamento do bombeiro na hora da ação. Luvas As luvas dos combatentes de incêndio devem possuir resistência a abrasão, estanqueidade de fora para dentro, proporcionando maior proteção para suas mãos, permitindo a respiração de dentro para fora. As luvas de combate a incêndio devem impossibilitar a passagem de vapores, para dar maior conforto ao usuário, preservando a integridade física do bombeiro, sem provocar excesso de transpiração, MESMO PROTEGIDO COM ROUPA DE APROXIMAÇÃO O BOMBEIRO NÃO DEVE SE MOLHAR ANTES DE ENTRAR EM AMBIENTE SINISTRADO. 142 conciliado à barreira térmica, que proporciona uma camada extra resistente às temperaturas. Durante o seuacondicionamento, deve-se evitar contato ou exposição a óleos e graxas. As Normas Regulamentadoras desse material são: EN 659:2003 e A1 2008, EN 388 e EN 407, NFPA 1971. Luvas para Combate a incêndio são confeccionadas em malha de fibras e aramida, barreira de umidade microporosa impermeável e respirável em poliuretano. A forração da luva de bombeiro é interna e dupla, em malha de aramida e modacrílico e feltro de fibras de aramida. É recomendado aos combatentes a não usar e nem guardar as luvas molhadas ou úmidas, tão pouco ela deve ser usada em operações de salvamento, devido ao desgaste. z Figura 5 – Luva de combate a incêndio. Fonte: CBMAM, 2022. As luvas mais eficientes são dotadas de uma membrana impermeável e respirável entre o revestimento externo e o forro interno. Botas As botas especiais que os combatentes usam, fazem parte do traje de segurança. Esse material é todo antichama, contando com proteção e vulcanização em autoclave e forro acrílico. 143 Figura 6 – Bota de combate a incêndio. Fonte: CBMAM, 2022. . Esse EPI, é destinado a proteger as pernas, os pés e tornozelos do combatente. As botas evitam que o calor irradiado cause lesões nos pés, como: queimaduras, cortes, pancadas e perfurações durante a sua atuação em incêndios. Equipamento de proteção respiratória - EPR A fumaça de um incêndio é extremamente tóxica. Com o conjunto de equipamentos de proteção respiratória, é possível que o combatente respire protegido de partículas (gases, poeiras, etc.) nocivas ao organismo humano. Com a dificuldade de respirar ar puro, os respiradores são uma excelente solução, realmente indispensáveis em ações de combate a incêndio. Os equipamentos de proteção respiratória variam conforme seu tipo: por filtro; por linha de ar; Autônomo; de circuito aberto (o ar circula na máscara e escapa para o exterior); de circuito fechado (o ar circula na máscara e é reciclado sem escapar para o exterior). No presente trabalho será discriminado o equipamento autônomo de circuito aberto, por ser o mais usado pelos corpos de bombeiros do mundo. A referência a ser usada para o equipamento será a seguinte: Equipamento de Proteção Respiratória – EPR. 144 Figura 7 – Equipamento de Proteção Respiratória Completo. Fonte: CBMAM, 2022. Em trabalhos de incêndios estruturais, o EPR deve utilizar somente máscaras autônomas de circuito aberto de demanda com pressão positiva, na qual será criada uma ligeira sobrepressão no interior da máscara, evitando a entrada do ar exterior. As Normas Regulamentadora são: NFPA 1981 e 1982, NBR 13716 – Equipamento de proteção respiratória – Máscara autônoma de ar comprimido com circuito aberto, Norma Europeia – NE 137. São várias empresas que fabricam equipamentos de proteção respiratória no Brasil. Para serem utilizados em incêndios estruturais, cada uma possui diferentes características de projetos ou construção mecânica. Mas, no geral, existem quatro conjuntos principais de componentes do EPR. • Conjunto do suporte dorsal tipo mochila: utilizado como suporte do conjunto redutor de pressão com correia, permitindo o encaixe do cilindro e serve de base a outros conjuntos. • Conjunto da peça facial: inclui lente da peça facial e válvula de exalação. A máscara é anexada ao regulador de respiração, que mantém uma pressão positiva dentro da máscara em todos os momentos. • Conjunto do cilindro de ar: Cilindro, válvula e manômetro. • Conjunto do regulador de respiração: inclui mangueira de alta pressão e alarme de baixa pressão. O quadro abaixo mostra como é composto o EPR: Quadro 1 - Composição do Equipamento de Proteção Respiratória – EPR PEÇA DESCRIÇÃO FIGURA 145 CILINDRO COM AR COMPRIMIDO Confeccionado em aço, composite ou outra liga leve. Encontrado com volume de 4 a 12 litros. VÁLVULA REDUTORA DE PRESSÃO A redução de pressão é realizada em dois estágios, de alta pressão para média pressão. MÁSCARA PANORÂMICA É fabricada em silicone e possui visor em acrílico altamente resistente. A máscara possui membrana acústica; mascarilha interna, que evita que o visor embace; tirantes de fixação e alça de transporte. Possui uma trava denominada válvula de demanda, que serve para prender e liberar a válvula de demanda da máscara (seta amarela – Fig. 8). Também possui duplos lábios, adaptável a qualquer rosto; ângulo de visão de 180º na horizontal e 100º na vertical, com válvula de exalação, alça de transporte, tirantes de regulagem (aranha) e mascarilha interna. Evita danos pela inalação de fumaça, oferece proteção contra queimaduras na face e nas vias aéreas superiores e protege os olhos, proporcionando melhor visibilidade durante o incêndio. 146 VÁLVULA DE DEMANDA Possui botão de bloqueio de fluxo de ar, que serve para interromper o fluxo de ar quando for necessário (seta vermelha - Fig. 8). Também possui botão de liberação do fluxo de ar, o qual serve para garantir o fluxo normal de ar (seta verde - Fig. 8 – pressão positiva). MANÔMETRO Possui efeito florescente que possibilita a leitura no escuro. É ligado à mangueira de alta pressão, juntamente com o alarme sonoro com potência de 90 decibéis. Possui marcação de pressão em BAR, que na maioria dos equipamentos vai de 0 a 350 BAR de pressão, variando um pouco de acordo com o modelo. SUPORTE DORSAL Anatômico, possui tirantes reguláveis de ombro e cinto resistente ao fogo. Possui duas alças apropriadas para o transporte do equipamento. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 147 Figura 8 – Demonstrativo das setas do Quadro-1 Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio, 2009. Seção 4 - Preparação para utilização do EPI Durante a passagem de serviço, na conferência de matérias e equipamentos, os componentes da guarnição de incêndio devem realizar inspeção e testes no EPR, para que tenha um perfeito funcionamento nas operações de incêndio. Nenhuma etapa deve ser negligenciada. O comandante da guarnição de incêndio é o responsável para que as etapas sejam cumpridas. O protocolo específico possui quatro (4) passos básicos de inspeção e testes, que garantem a eficácia e segurança do equipamento no local do sinistro. São eles: inspeção visual detalhada, vedação - teste de alta e média pressão, teste do alarme sonoro e vedação da Peça Facial e conexão do regulador de respiração. O quadro abaixo detalha como é feita a inspeção e teste. Quadro 2 - Passos Básicos de Inspeção de EPR 1. 1. Inspeção no conjunto do suporte dorsal tipo mochila: averiguar visualmente o equipamento, inspecionar os tirantes, observando rasgos ou cortes que possam comprometer a estabilidade no uso equipamento. Na trava das fivelas, deve- se verificar a sua perfeita conexão e fixação. No anel de vedação, observar a sua correta colocação, verificando se os anéis de vedação (o-ring) das válvulas redutora de pressão e de demanda não estão danificados. 2. Inspeção no conjunto da peça facial: nos tirantes devem ser observados rasgos, cortes e colocação correta (embaraçamento). No visor panorâmico não deve haver 148 Inspeção visual detalhada. Essa inspeção é dividida em quatro (4) etapas básicas. arranhões, fissuras ou trincamentos. Observar na conexão do regulador - travamento, obstrução, sujeira, etc. Não deve haver cortes ou rasgos na borracha seladora. 3. Inspeção no conjunto do cilindro de ar: o cilindro não deve ter amassados e manchasescuras. Verificar se a pressão está acima de 80% (oitenta por cento) da pressão total do cilindro de ar. Visualizar se existe dano no leitor do manômetro do cilindro. 4. Inspeção no conjunto do regulador de respiração: mangueira de alta pressão – cortes, rasgos, etc. Alarme de baixa pressão – obstrução por corpo estranho, sujeira, etc. Válvula de fluxo de ar – travamento e destravamento do botão de passagem do fluxo de ar, obstruções, sujeiras, etc. 2. Vedação - Teste de alta e média pressão. Para que esse equipamento seja considerado vedado, é preciso verificar se a pressão não cair mais do que 10 bar, no período de 1 minuto. Para a vedação do equipamento, deve-se seguir esses procedimentos: verificar se o botão de bloqueio do fluxo de ar está acionado. Conectar a válvula de demanda ao acoplamento de média pressão. Travar o botão do bloqueio do fluxo de ar (sistema by-pass). Abrir a válvula do cilindro com cerca de 2 voltas da manopla, abra vagarosamente o registro do cilindro para pressurizar o sistema e feche-o novamente. Realizar a leitura do manômetro: pressão mínima de 270 bar em cilindros de 300 bar, fechar a válvula, observar leitura da pressão no manômetro luminescente para verificar vazamentos e, então, comparar as leituras de pressão entre manômetro luminescente e o manômetro do cilindro. 3. Teste do Alarme Sonoro. Abra rapidamente a válvula do cilindro e feche em seguida. Segure a válvula de demanda e observe, com a mão, a saída de ar. Acione a função de By-Pass da válvula de demanda ou realize a vedação com a palma da mão. Libere o ar do sistema, gradativamente, até que o ar comece a passar. Deve-se observar o manômetro. O sinal de aviso deve soar em 55 ± 5 bar. O início deste apito é uma indicação para que o bombeiro abandone imediatamente o local de combate ao incêndio. 149 4. Vedação da Peça Facial e conexão do regulador de respiração. Para esse teste de conexão e vedação é necessário seguir alguns passos específicos. 1. Encaixe a válvula de demanda na máscara e depois puxe, suavemente, para testar a sua trava. A seguir, pressione a trava e retire a válvula. 2. Coloque a alça de transporte da máscara no pescoço e a máscara no rosto, ajustando a aranha de regulagem. 3. Inspire, profundamente, segure a respiração e conecte a válvula de demanda na máscara. 4. No momento da inspiração, se houver uma selagem satisfatória, a máscara virá de encontro ao rosto. 5. Pressione a trava de liberação da válvula de demanda e retire-a. Caso não localize a trava rapidamente, para retirar a válvula de demanda, introduza o dedo indicador entre os lábios da máscara e a face e respire com tranquilidade. Depois localize, pressione a trava e retire a válvula. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, 2009. /CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Para montagem e desmontagem do equipamento, o combatente deve seguir as seguintes orientações: • Posicione o suporte na horizontal, folgue a fita e, deslizando o cilindro, posicione a válvula do cilindro junto ao volante do redutor. • Coloque o equipamento na posição vertical, rosqueie o volante na válvula do cilindro. Não utilize ferramentas para apertar, use apenas a força das mãos, e coloque a tira antivibração no volante. • Novamente, coloque o equipamento na posição horizontal, apertando bem a fita para fixar o cilindro e acomode a parte que sobrar, introduzindo no passador ou pressionando-a contra o velcro. • Na desmontagem, faça o inverso, comece pela liberação da fita que prende o cilindro. • Nunca esqueça que o sistema deve estar despressurizado para a desmontagem do EPR. Para isso, confira se a válvula do cilindro está fechada e pressione o botão de liberação de fluxo de ar da VD (seta verde – Fig. 8). Como já citado acima, o combatente deve realizar uma rigorosa inspeção visual no equipamento de EPI, para que possa ter um bom desempenho. O ideal é testar o conjunto de EPI e ajustar no seu tamanho. Se essas ações forem negligenciadas, o 150 nível de segurança do equipamento sofrerá uma redução, o que levará o bombeiro a exposição de riscos desnecessários. Dependendo da emergência das ações de socorro, o combatente não terá tempo ou condições de realizar os ajustes na cena do incêndio de forma eficaz. Quando o combatente sai na viatura para atender um chamado de incêndio, o ideal é que ele entre na viatura equipado, no mínimo com a roupa de aproximação e as botas. No local da ocorrência, se for preciso a utilização de EPI completo, o bombeiro deve se equipar com agilidade. Figura 9 – Equipamentos de proteção de incêndio. Fonte: CBMAM, 2022. Para se equipar com agilidade, reduzindo o tempo nas ocorrências de incêndio, a guarnição deve desenvolver um parâmetro de uniformização, para proporcionar uma equipagem padrão. Equipagem 151 Para uma equipagem rápida e eficiente foi organizada a seguinte sequência: • Ponha as botas à sua frente, uma ao lado da outra, coloque uma das mãos pela perna da calça de aproximação, como se fosse colocar a perna e segure as alças da bota com a mesma mão. Abaixe a perna da calça, até que o cano da bota fique exposto. Repita o mesmo procedimento na outra perna. Essa disposição pode permanecer pronta na viatura, com intuito de diminuir o tempo de equipagem e saída do quartel. Figura 10 – Preparação da calça e da bota para equipagem. Fonte: CBMAM, 2022. • Calce as botas (Fig.11a), vista a calça e puxe para cima. Coloque o suspensório (Fig.11b), ajustando conforme o tamanho do combatente (Fig.11c). Prenda os grampos e ajuste o velcro da calça. Figura 11 – Equipagem da calça. Fonte: CBMAM, 2022. (a) (b) (c) 152 • Coloque a capa de aproximação na sua frente, posicione-a com a parte posterior voltada para o seu corpo, com a gola para cima e mangas voltadas para as pernas. Ponha ambas as mãos por dentro das mangas e gire-a para trás do corpo, introduzindo os braços na manga ou por cima da cabeça, realizando um movimento de 180º (Fig.12a). Posicione os braços a frente, horizontalmente, para que os braços se ajustem naturalmente. Introduza o dedo na alça da capa para proteção dos braços. Se for necessário, ajuste a balaclava para que a aba fique completamente por baixo da capa de aproximação. Prenda os grampos ou feche o zíper, conforme o modelo. Feche o zíper e velcro começando de baixo para cima (Fig.12b). Finalizando, puxe a gola para cima, ainda sem prender o velcro da gola (Figura 12c). Figura 12 - Equipagem da capa de aproximação. Fonte: CBMAM, 2022. A figura 13, abaixo, mostra de forma ampliada, a necessidade da utilização da alça da capa de aproximação no dedo polegar. A alça garante que a manga da capa não suba pelo antebraço, evitando que esta parte do corpo do combatente se exponha à ação do calor e das chamas em um incêndio. Figura 13 – Vista ampliada da alça da capa. (b) (a) (c) 153 Fonte: CBMAM, 2022. • Posicione o EPR com o suporte dorsal voltado para cima e com a base do cilindro voltada pra si (Fig.14a). Ajuste os tirantes dos ombros, puxando as extremidades para trás. Os tirantes do ombro e da cintura (cinto) devem estar folgados e abertos. Se posicione corretamente para vestir o suporte com cilindro. Vista o equipamento segurando o suporte com ambas as mãos, apoiando os joelhos no chão. (Fig.14b). • Para vestir o equipamento, passe-o sobre a cabeça. O redutor de pressão e o cilindro devem ficar voltados para frente (Fig.14b). Coloque os cotovelos nos tirantes do ombro, com cuidado, para que eles não fiquem torcidos.Segure as alças do suporte firmemente e lance o equipamento para suas costas (Fig.14c). Figura 14 - Equipagem do EPR. Fonte: CBMAM, 2022. • Puxe as pontas dos tirantes dos ombros para trás ajustando (Fig.15a). Não se pode puxar o tirante para baixo e nem para os lados, para que eles não sejam danificados. Ajuste o cinto e as sobras de ombros (Fig.15b), lembrando de esconder as extremidades, evitando acidentes durante as ocorrências (Fig. 15c). (a) (b) (c) 154 Figura 15 - Ajuste dos tirantes do EPR. Fonte: CBMAM, 2022. • Coloque a máscara no rosto, ponha a alça da máscara no pescoço, ajustando para ficar bem encaixada, com o queixo apoiado dentro dela. Para os tirantes ficarem bem ajustados, siga a seguinte sequência: primeiro os tirantes inferiores (do pescoço), depois os medianos (das têmporas) e, terminando, o superior (da cabeça). Figura 16 - Colocação da máscara. Fonte: CBMAM, 2022. A alça da máscara deve ficar totalmente posicionada por dentro da roupa de aproximação. Se o combatente não encaixar bem a máscara no rosto, a vedação será (a) (b) (c) 155 comprometida e sua segurança durante a ação estará prejudicada. A colocação da balaclava poderá ser realizada junto com a máscara. Figura 17 - Colocação da balaclava junto com a máscara. Fonte: CBMAM, 2022. O procedimento de equipagem deverá ser realizado em duplas. Esse procedimento garante que não haja tirantes soltos e partes descobertas do corpo do combatente. Abaixo, serão demonstrados alguns cuidados, que devem ser adotados ao utilizar a máscara de proteção respiratória. Como já foi mencionado acima, os tirantes devem ser puxados para trás e nunca para os lados. O procedimento errado danifica o equipamento e compromete a vedação. Figura 18 – Forma correta de colocar a máscara sobre uma superfície. Fonte: CBMAM, 2022. 156 Quando o combatente for colocar a máscara em uma superfície, o visor deve ser posicionado para cima, para evitar arranhões na lente, que diminuem a vida útil do equipamento, além de dificultar a visibilidade do bombeiro. • Vista a balaclava de maneira que a abertura fique ajustada com a visão (Fig. 19a). Vá ajustando a aba da balaclava na região do ombro (Fig.19b). Passe a abertura frontal da balaclava (do rosto) sobre o encaixe da válvula de demanda da máscara (Fig.17). Puxando a balaclava para trás, vá cobrindo a cabeça, ajustando para que o tecido não fique sobre o visor. Dentro da roupa de aproximação (Fig.19c), vá escondendo a alça da máscara, feche a gola por cima destes e prenda o velcro conforme se demonstra (Fig.19d). Figura 19 – Equipagem da balaclava. Fonte: CBMAM, 2022. O militar que trabalha em dupla com o combatente, deve observar todo o procedimento de equipagem, para garantir que a extremidade da balaclava e da alça (a) (b) (c) (d) 157 fiquem bem escondidas dentro da roupa de aproximação. O companheiro também vai assegurar a inspeção do fechamento do velcro, com o intuito de não deixar nenhuma abertura que possa entrar calor irradiado pelo incêndio ou material aquecido. Esse é um procedimento que deve ser feito minuciosamente, para evitar qualquer risco em missões-fins. • Ponha o capacete, ajustando-o na cabeça, para que a proteção da nuca fique externa a capa de aproximação (Fig.20a). O encaixe deve ser preso de maneira que a alça fique sobre o queixo do bombeiro (Fig.20b), bem baixo do regulador de respiração, entre o seu pescoço e a válvula de demanda do EPR, conectando o regulador de respiração a máscara. Figura 20 - Colocação do capacete. Fonte: CBMAM, 2022. • Trave a válvula de demanda do EPR com o cilindro ainda fechado. Com o dedo polegar, aperte o botão de bloqueio do fluxo de ar. Apertando com o dedo polegar, esse procedimento evita que o bombeiro utilize o ar antes da sua liberação. Vá abrindo o registro do cilindro, certificando a quantidade de ar que está sendo liberada. Seguindo a indicação do manômetro, é muito importante observar se a quantidade de ar do cilindro é suficiente para realizar os procedimentos de combate ao sinistro com segurança. Ao calçar as luvas, regule-as por baixo da manga da capa de aproximação. Ajuste o velcro para que nenhuma parte da pele fique exposta (Fig.23). (c) (b) (a) 158 Figura 21 - Colocação das luvas. Fonte: CBMAM, 2022. • O bombeiro, sozinho, deve conectar a válvula de demanda na máscara muito importante que ele faça esse procedimento em si mesmo, mas o seu companheiro precisa fazer uma conferência, assegurando que a conexão da máscara tenha sido feita corretamente. Figura 22 - Colocação da válvula de demanda em si próprio. Fonte: CBMAM, 2022. Esse dispositivo deve ser bem conectado. Caso haja a desconexão acidental durante o combate ao incêndio, o bombeiro ficará exposto, podendo inalar fumaça, gases quentes e tóxicos, o que poderá ocasionar pânico no combatente, na tentativa de conectá-la novamente. Essa possibilidade deve ser totalmente evitada na cena do sinistro, mas se esta situação acontecer, o combatente deve colocar seu rosto junto ao solo, calmamente, para recolocar a válvula de demanda. Se houver alguma pane que impossibilite a utilização do ar, o combatente deve, imediatamente, desconectar a válvula de demanda, cobrindo o local com a balaclava, enquanto sai rapidamente do ambiente sinistrado. Nos ambientes respiráveis não há necessidade de utilizar o ar da EPR. Sua acoplagem só deverá ser feita próximo de um ambiente sinistrado. Como já citado 159 acima, o bombeiro deve trabalhar em dupla, pois a função do combatente monitor do outro é de inspecionar: • Durante o procedimento de equipagem: se há tirantes ou pontas do EPR soltos; se a balaclava está vestida corretamente; se a gola da roupa de aproximação está posicionada corretamente e devidamente fechada com o velcro; e se a válvula de demanda do EPR está conectada corretamente. • Durante a atividade: se a reserva de ar do companheiro está em níveis aceitáveis para as ações de combate a incêndio e salvamento e, principalmente, averiguar se o companheiro apresenta sinal de mal-estar. Durante um combate de incêndio, o combatente não deve esquecer de sempre monitorar a quantidade de ar, tanto do seu EPR, como a do seu companheiro. Desequipagem A desequipagem deve ser feita quando o combatente tiver certeza que se retirou seguramente da área de risco. O conjunto de proteção não deve ser retirado até ter a certeza de que está em um ambiente seguro. É de suma importância ventilar o seu corpo tão rapidamente quanto possível, de modo a resfriar. Abra a frente da capa de aproximação, permitindo a entrada do ar fresco. Para retirar o equipamento de proteção individual, é necessário seguir a ordem inversa à equipagem, observando os seguintes cuidados: • Desconectar a válvula de demanda: primeiramente, encontre a válvula de demanda, com uma de suas mãos, e encontre o bloqueio de fluxo de ar com a outra (Fig.8) sincronicamente alinhado, puxe a válvula de demanda, desconectando-a da máscara. É necessário fazer esse procedimento, pois ele evita desperdício de ar e previne acidentes pela desconexão da válvula de demanda (se a máscara for desconectada com seu fluxo de ar aberto, o bombeiro pode ter uma lesão por choque mecânico, visto que a pressão do ar é suficiente para causar esse incidente). 160 Figura 23 – Retirada da válvula de demanda. Fonte: CBMAM, 2022. • Tire o capacetee, em seguida, retire a balaclava, puxando-a de trás para frente. Faça desse modo, nunca faça o inverso. Figura 24 – Retirada do capacete. Fonte: CBMAM, 2022. • Retirada do suporte com cilindro: desconecte o cinto (Fig.25). Na sequência, folgue os tirantes dos ombros. Libere um dos braços do tirante de ombro. Enquanto um braço (ainda com o tirante) suporta o equipamento, o outro puxa o equipamento, segurando-o pela alça de transporte. Coloque o conjunto de suporte de cilindro na posição voltada para o solo. Tire a alça da máscara panorâmica do pescoço, colocando-a no solo com a parte do visor voltada para cima. Como já supracitado, não retire a capa de aproximação imediatamente. Abra e aguarde um pouco o ar fresco circular durante um tempo, para que seja realizado o balanceamento entre a 161 temperatura do ambiente e a interna da roupa. Depois de retirar a capa, coloque-a aberta, expondo seu interior, para que ela possa receber uma ventilação, ainda no local do sinistro. Quando retirar a calça, tenha cuidado, para que os feches de plástico do suspensório não se danifiquem. Na sequência, descalce as botas, pondo-as, também, para ventilar. Os materiais de proteção só poderão ser acondicionados depois de serem revisados, mantidos secos. Figura 25 – Desconectando o cinto Fonte: CBMAM, 2022. Esses cuidados são relevantes para que os equipamentos de proteção estejam sempre em excelentes condições de uso. É muito importante que a roupa de proteção não seja colocada ao sol para secagem. Se ela for exposta ao sol, as suas propriedades de proteção podem ser comprometidas e diminuídas. Abaixo, no Quadro 3, serão descritas as possíveis consequências que acontecem quando o bombeiro desconsidera o uso dos EPIs. Quadro 3 - Consequência ao organismo ocasionada pela falta de EPI. A falta do equipamento Pode ocasionar 162 Capacete traumatismo de cabeça, face e pescoço – por ação de instrumento cortante ou contundente (por exemplo, pela queda de algum objeto sobre o bombeiro). Balaclava queimadura na cabeça, face, orelhas e pescoço. Luvas queimaduras nas mãos; ferimentos por cortes, arranhões ou perfurações. Botas queimaduras nos pés; ferimentos por perfurações nos pés e pernas. Roupa de aproximação queimaduras graves na pele; exaustão pelo calor; golpe de calor; ferimentos por ação de instrumentos cortantes ou perfurantes. Equipamento de Proteção Respiratória intoxicação por fumaça; asfixia; queimaduras de face e das vias aéreas e dificuldade de visão. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. /CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Seção 5 - Equipamentos de Combate a Incêndio As ferramentas de bombeiros que são utilizadas para operações de extinção de incêndio, compreendem basicamente: mangueiras de 1½ e 2½ polegadas; esguichos: regulável, canhão, proporcionador de espuma, agulheta e pistola; ferramentas: chaves de mangueira, chaves de mangote, chave tipo T; acessórios hidráulicos: divisor, coletor, reduções, adaptadores e tampões; e aparelhos extintores portáteis. 163 Figura 26 – Ações de combate a incêndio necessitam equipamentos específicos. Fonte: CBMAM, 2022. São ferramentas necessárias para se viabilizar a utilização do agente extintor (água, espuma, pós para a extinção de incêndio, CO2) no combate. Mangueiras As mangueiras que são utilizadas em combate a incêndio obedecem a NBR 11.861. Nos meados de 1990, a primeira elaboração dessa norma foi editada sob a especificação EB 2161, mas essa codificação foi mudada para NBR 11.861. Sofreu uma revisão em outubro de 1998, em que uma das principais mudanças foi a obrigatoriedade, por parte dos fabricantes, em comercializar mangueiras de incêndio com união. Outra mudança que a lei trouxe trata-se da inclusão de um ensaio, que estabeleceu critérios mínimos de resistência à abrasão, proporcionando uma maior durabilidade ao produto. As mangueiras de combate a incêndio podem ser classificadas de formas diferentes, sendo elas: quanto às fibras, quanto à quantidade de lonas ou quanto ao tipo de aplicação. A mangueira de combate a incêndio é uma peça fundamental para transportar água e espuma. Essa peça pode ligar o corpo de bombas de viatura (ou hidrante de parede) no local do sinistro ou ligar a viatura até o manancial, que é outra forma de captação de água usada em incêndios. Figura 27 – Corpo de bombas da viatura e hidrante de parede. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. A mangueira pode ser de fibra natural ou fibra sintética na parte externa. Já na parte interna, a mangueira possui revestimento de borracha, evitando que a água 164 extravase durante o transporte. É importante destacar que as fibras sintéticas apresentam vantagens, como o menor peso, maior resistência à pressão, ausência de fungos, fácil manutenção, baixa absorção de água, entre outras. A mangueira é classificada conforme a necessidade de seu emprego. Isso possibilita a adequação para cada tipo de uso, aplicabilidade em incêndios, resistência à danos e pressão máxima de trabalho. O quadro abaixo explicará os tipos de aplicações e pressões de trabalho de mangueiras. Quadro 4 - Tipos, aplicações e pressões de trabalho de mangueiras Tipo Local de uso Pressão de trabalho máximo KPa (kgf/cm²) 1. Edifícios de ocupação residencial 980 (10) 2. Edifícios comerciais e industriais ou Corpo de Bombeiros 1370 (14) 3. Área naval e industrial ou Corpo de Bombeiros, onde é desejável uma maior resistência à abrasão 1470 (15) 4. Área industrial, onde é desejável uma maior resistência à abrasão 1370 (14) 5. Área industrial, onde é desejável uma lata resistência à abrasão e a superfície quente 1370 (14) Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. A constituição da mangueira é classificada em: • De lona simples: quando envolvidas por uma única camada têxtil. • De lona dupla: quando envolvidas por duas camadas sobrepostas. • De lona revestida por material sintético: além de serem envolvidas por uma ou duas camadas têxteis, também são revestidas, externamente, por um material. 165 • Sintético de maior resistência a produtos ácidos, abrasivos e outros degradantes. As mangueiras são conectadas umas às outras pelas juntas de união, extremidade de cada lance de mangueira essas peças são fixadas (ou empatadas) sobre pressão. As juntas de união também se ligam a outros equipamentos de combate a incêndios, como divisores, coletores, bocas expulsórias e emissoras de bombas e tanques. Os bombeiros utilizam as juntas de união para acoplamentos e desacoplamentos rápidos, chamadas de “juntas de união de engate rápido tipo storz”. Figura 28 – Juntas do tipo Storz. Fonte: CBMAM, 2022. O corpo de bombeiro utiliza mangueira comumente com lance padrão (chama- se Lance de Mangueira, uma fração de mangueira que vai de uma junta de união à outra junta), de quinze metros de comprimento, 38 mm (1 ½”) e 63 mm (2 ½”) de diâmetro. Existem, ainda, mangueiras com outras bitolas, como as de 25 mm (1”), 75 mm (3”) e 100 mm (4”). 166 Figura 29 – Mangueira de 15 metros com junta storz nas extremidades. Fonte: CBMAM, 2022. As mangueiras são submetidas a testes, antes de serem utilizadas para serviço de bombeiros. Os testes realizados são: • Juntas de união (conexão rápida e segura). • Estanqueidade (verificação da inexistênciade vazamentos). • Pressão – de acordo com a NBR nº 11.861, devem apresentar resistência às seguintes pressões mínimas: pressão trabalho – 13,7 bar (14 Kgf/cm2), pressão mínima de prova – 27,5 bar (28 Kgf/cm2) e pressão mínima de ruptura – 41,2 bar (42 Kgf/cm2). A norma exige que o teste de pressão utilize uma gaiola, onde é montando o segmento da mangueira que vai ser pressurizada, com intuito de absorver o impacto do rompimento para evitar acidentes. Conforme a NBR 11.861, determinam-se os seguintes ensaios: 1. Ensaio de diâmetro interno. 2. Ensaio de aderência. 3. Ensaio do tubo interno: tensão de ruptura; alongamento de ruptura; deformação permanente; variação máxima da tensão de ruptura e variação máxima do alongamento de ruptura, após envelhecimento acelerado. 4. Ensaio de envelhecimento do reforço têxtil. 5. Ensaio de resistência à superfície quente. 6. Ensaio de envelhecimento acelerado da mangueira tipo 5. As mangueiras de combate a incêndios são identificadas nas duas extremidades com: o nome ou a marca do fabricante, o número da norma (NBR 11.861), tipo de mangueira, mês e ano de fabricação. Essa identificação é extremamente importante, pois se a identificação não estiver de acordo com a NBR 11.861, significa que o produto foi adulterado e não é seguro em operações sinistradas. 167 Mangotes Os mangotes são projetados para realizar o abastecimento de viaturas, no momento que o corpo de bombas aspira água do manancial ou hidrante. Mangotes são tubos de borracha reforçados e resistentes a abrasão, totalmente integrados e recobertos por uma camada composta por borracha ou poliuretano (plástico com alta resistência à abrasão), a fim de serem usados com pressão negativa. Possuem calibre de 100 mm (4”), 115 mm (4½”), e 150 mm (6”). Possuem, ainda, juntas de união de engate rápido ou juntas de união de rosca. Figura 30 – Mangote Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Mangotinho São dutos feitos de borracha flexível e muito reforçadas. O mangotinho fica acondicionado em carretéis em viaturas e são dotados de esguicho próprio. No geral, trabalham com pressão elevada e com uma vazão de água menor que as mangueiras de 63 mm (2 ½”) e de 38 mm (1 ½”), por possuir calibre 19mm (3/4”) ou 25mm (1”). A principal função do mangotinho é de atuar em princípios de incêndios. Sua vantagem: menor gasto de água. Por ser um sistema já montado, reduz o tempo resposta da equipe de combatente. Sua desvantagem: é um sistema limitado pela distância, uma vez que, normalmente, possui entre 30 a 50 metros de comprimento, devendo a viatura não ficar longe do incêndio. Seu sistema não permite expansão, ficando limitado ao seu 168 comprimento. Por possuir menor vazão, não é aconselhável seu uso para incêndios de maiores proporções, pois isso limitaria e dificultaria o combate. Figura 31 – Mangotinho Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Figura 32 – Mangotinho - Acondicionado em viatura e estrutura da mangueira do mangotinho. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Esguichos São chamados de esguichos os equipamentos conectados na ponta da mangueira de combate a incêndio. Nas ações de combate a incêndio, eles são responsáveis por regular e direcionar o fluxo de água, sua forma e sua velocidade. O esguicho transforma a água em um jato, permitindo que o combatente controle esse jato até o fogo, possibilitando que o fogo seja extinto de maneira eficiente (o combatente consegue usar menor quantidade de água no combate a incêndio, minimizando os danos causados pela ação da água). Existem mais de 15 tipos de esguicho, feitos de diversos materiais, sejam metais ou fibras, mais comumente achados com admissão de 38 e 63 mm de diâmetro e conexão storz. 169 Figura 33 – Esguicho. Fonte: CBMAM, 2022. Os esguichos suportam, pelo menos, as mesmas pressões e dinâmicas que suportam as mangueiras. Por isso, esse agente extintor é indispensável na ação de combate a incêndio e deve possuir uma certa resistência a choques mecânicos. Eles devem ser manipulados com cuidado, evitando que se danifiquem e se tornem inoperantes. O quadro abaixo mostra os esguichos, mais utilizados pelos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil, e suas peculiaridades. Quadro 5 - Os tipos comuns de esguicho TIPOS PECULIARIDADES Regulável Corpo metálico e forma cilíndrica. Tem as funções de fechamento, abertura do jato e controle da angulação, mas não possui controle de vazão e o fechamento é gradual. Esse esguicho proporciona desde o jato compacto até o jato neblinado a 100°. Produz jatos compactos, com ângulo entre 15º e 45º, neblinados, mais abertos, com ângulo entre 45º e 80º e atomizados (em partículas). É importantíssimo não confundir o jato compacto do esguicho agulheta com o jato compacto do esguicho regulável, pois o primeiro produz um jato oco, enquanto o segundo é cheio. Pode ser encontrado de 2½ polegadas (63 mm) ou de 1½ polegadas (38 mm), sendo o mais utilizado, nas ações de combate a incêndio, o de menor diâmetro. Ainda possui a função “flush”, que tem como significado enxaguar. Essa função, depois do uso da espuma, é destinada à limpeza do esguicho, para evitar danos ao equipamento por resíduos deixados pelo extrato. 170 Canhão Esse tipo de esguicho possui diversas funções. É eficiente em locais onde se deseja realizar ataques com alta vazão e alta pressão, impossíveis de serem seguradas pelo homem. Esse esguicho opera o lançamento de água no incêndio com vazão igual ou superior a 300 galões por minuto (1136 litros por minuto). Pode ser, fixo ou móvel, pode ser utilizado em solo fixo em uma base ou na armação de torre d’água com Alto Escada mecânica ou até mesmo em Plataforma Mecânica. Por tem um alto alcance de jato, permite que o combatente fique em uma distância segura. Ao estabelecer o esguicho canhão, uma das primeiras preocupações deve ser com o abastecimento, por causa do grande volume de água utilizada por esse tipo de esguicho. Proporcionador de espuma É um dispositivo específico que fornece a espuma em condições de atuar como agente extintor no combate a incêndio. Esse material permanece, em forma de extrato, armazenada em galões, sendo preparada somente no momento do combate. O esguicho proporcionador de espuma tem num único corpo, as funções do esguicho lançador de espuma e do misturador “entrelinhas”, por isso, pode ser utilizado com ou sem o misturador, com apenas um lance de mangueira. Disponibiliza espuma de baixa expansão, com baixa aeração, ou seja, pouco ar no interior de suas bolhas. Possui a inconveniente necessidade de ser transportado em conjunto com o recipiente que contém o “líquido gerador de espuma”. Agulheta Esse tipo de esguicho geralmente é encontrado em hidrantes de parede, destinados a população do prédio. Dependendo do tipo de risco da edificação, eles são adotados por terem baixo custo em relação aos esguichos reguláveis. O esguicho agulheta possui um tubo de forma troncocônica constituído de um único corpo. Além do latão, atualmente pode ser feito em alumínio, aço, bronze, poliamida, plástico, entre outros materiais. Possibilita a formação de jato pleno de água (jato solido ou compacto), porém oco. Não possui comando de abertura ou variação de jato. Pistola Esse tipo de esguicho é muito comum em mangotinho. Ele produz um ataque com altas pressões. Em alguns lugares, é conhecido como regulável. Eles têm empunhadura, para ser segurada, alavanca de abertura e fechamentorápido, seletor 171 de vazão e seletor angulação do jato em até 180°. Produz jatos compactos, neblinados e atomizados (em partículas). Geralmente, esse tipo de esguicho é recomendado em princípios de incêndio. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. /CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Ferramentas Figura 34 – Ferramentas. Fonte: CBMAM, 2022. As ferramentas são apetrechos usados na execução de um determinado trabalho. Para os bombeiros, tratam-se de acessórios indispensáveis ao manuseio e à utilização dos hidrantes. As ferramentas são auxiliares que possibilitam a maneabilidade de conexões e linhas de mangueira, além de compor o aparato de abastecimento de água da viatura. Figura 35 - Hidrante urbano ou de coluna Fonte: CBMAM, 2022. 172 Chave de hidrante Essa chave possui seu formato em “J” ou “S”. É uma peça metálica, usada para abrir e fechar tampões de hidrantes urbanos. Figura 36 – Chave de hidrante formato “J”. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Figura 37 – Chave de hidrante formato “S”. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Chave de mangote É uma peça metálica, que foi exclusivamente projetada para conectar e desconectar juntas de mangote. 173 Figura 38 – Chaves de mangotes. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Chave de biela Essa peça metálica é destinada ao acoplamento e desacoplamento de mangotes, junções, ralos e suplementos. Figura 39 – Chave de biela. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Chave sobreposta Os combatentes usam a chave sobreposta para acoplamento e desacoplamento de junções, ralos e suprimentos. Essa peça tem sua confecção em metal. Figura 40 – Chave sobreposta. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 174 Chave de mangueira É uma peça confeccionada em metal, que se destina a conectar e desconectar mangueiras de incêndio entre si ou com a expedição de um hidrante ou bomba de incêndio. Elas podem ser simples, duplas ou triplas. Conectam e desconectam juntas de união tipo storz de 2½ polegadas (63 mm) ou de 1½ polegadas (38 mm). Figura 41 – Chave de mangueira comum. Fonte: CBMAM, 2022. Figura 42 – Chave de mangueira dupla. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 175 Figura 43 – Chave de mangueira tríplice. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Chave tipo T A chave tipo T, é utilizada para abrir e fechar o registro da válvula de hidrante. Apresenta ponta do braço inclinada e afilada, que se encaixa no orifício dos tampões dos hidrantes de passeios públicos, para ser usada como alavanca para abri-los. Figura 44 – Chave tipo T. Fonte: CBMAM, 2022. Tem uma saliência inferior na forma trapezoidal, que se ajusta ao espigão da válvula do hidrante à chave, permitindo ao bombeiro realizar a abertura. Essa chave facilita a operação por ter o braço de alavanca maior que o do volante de hidrante. Sua aplicabilidade é indicada quando o registro se encontra no plano horizontal. O quadro abaixo mostra como o bombeiro realiza a abertura ou fechamento da válvula do hidrante utilizando a chave tipo “T”. Quadro 6 - Chave tipo “T” em hidrante de coluna 176 Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Volante de hidrante O volante de hidrante é indicado para ser empregado quando o registro da válvula do hidrante encontra-se no plano vertical. Sua função é similar ao da chave Tipo “T”, porém o operante utiliza uma força bem maior na abertura do registro. Figura 45- Volante de hidrante Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 177 Acessórios hidráulicos Os acessórios hidráulicos possibilitam a maneabilidade de conexões e linhas de mangueiras, compondo o aparato de abastecimento de água da viatura. Junta de união storz Essa peça, confeccionada em metal, é utilizada para unir as extremidades de conexão rápida, sejam as das mangueiras ou as dos diversos acessórios de 2½ polegadas (63mm) ou de 1½ polegadas (38mm). Figura 46 – Junta de união storz. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009 Suplemento de união Peça usada para ligações de duas juntas de união com rosca macho (Fig.47a) ou de juntas de união de rosca fêmea (Fig.47b). (a) (b) 178 Figura 47- Suplemento de união. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Adaptador Peça metálica, que pode ser tipo fêmea ou macho, que serve para modificar expedições em fios de rosca (típico de registros de hidrantes de parede) em união storz (típica de mangueiras de combate a incêndio) ou o inverso. Quadro 7 - Adaptador fêmea/macho. PEÇA DESCRIÇÃO FIGURA Adaptador fêmea Essa peça tem, de um lado, um fio de rosca fêmea (interno) e, do outro lado, uma junta de união storz. Pode ser de 1½ polegadas (38 mm), no caso dos hidrantes de parede, ou de 2½ polegadas (63 mm), no caso dos hidrantes urbanos (de coluna). Adaptador macho Essa peça, de um lado, possui um fio de rosca macho (externo) e, do outro lado, uma junta de união storz. Pode ser encontrado de ambos os diâmetros. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Luva de Redução 179 A luva de redução é formada por duas uniões Storz, uma de cada lado, com diâmetros diferentes (via de regra, 2 ½” e 1 ½”). Assim, serve para reduzir o diâmetro de uma linha de combate a incêndio. Tem como utilidade unir mangueiras, expedições ou outros de diâmetros diferentes. Figura 48 – Luva de redução. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Tampão O tampão é utilizado para proteger ou vedar hidrantes, expulsões e admissões de viaturas ou canalizações que não estão em uso. O tampão possui um anel de borracha que evita que a canalização vaze. Figura 49a – Tampão. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. (a) 180 Figura 49b – Tampão. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Divisor O divisor serve para dividir o fluxo de água que vem de uma viatura, hidrante ou outra bomba para as mangueiras estabelecidas para o uso. Também chamado de derivante, possui uma entrada denominada boca de admissão de 2 ½” e duas ou três saídas (expulsões) de 1 ½”, com registros de abertura e fechamento, para o controle seletivo de quais expulsões serão utilizadas. Figura 50 – Divisor Fonte: CBMAM, 2022.Coletor O coletor é uma peça de metal de uso inverso ao divisor. Não possui registro, serve para aglutinar duas entradas de 1 ½” em uma única de 2 ½”, recebe água de duas fontes e a canaliza para uma. (b) 181 Figura 51 – Coletor com duas e quatro entradas. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Misturador entre linhas O misturador entre linhas é uma peça usada para armação de linhas de espuma. Sua regulagem varia de 3 a 6 % (três a seis por cento), para o controle da porcentagem de espuma. Para se ter um resultado de espuma em todas as linhas, é preciso colocar o misturador entre linhas antes do divisor e usar esguichos proporcionadores de espuma. Para aquisição desse resultado, se faz necessário usar uma manga de mangueira onde possa se conectar o misturador entre linhas ao aparelho redutor (ver seta vermelha na fig.53). Já para obter espuma em uma única linha, é preciso colocar o misturador entre linhas, após o divisor, utilizando o esguicho adequado na linha desejada. Antes de colocar a mangueira de sucção do líquido gerador de espuma (LGE) dentro do galão, observe se a mangueira está aspirando ar. Para evitar a não aspiração do LGE é preciso liberar a passagem de água no divisor do esguicho. Figura 52 – Misturador entre linhas conectado às mangueiras e ao LGE. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009 182 Figura 53 – Manga de mangueira. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Ralo com válvula de retenção Acessório hidráulico utilizado para operações de sucção. Este dispositivo metálico fica acoplado a uma das extremidades do mangote, que impede a entrada de objetos durante a sucção e possui válvula que impede o fluxo contrário da água. Sua válvula de retenção permite a passagem da água em uma única direção, do reservatório para a bomba de água da viatura. Figura 54 – Ralo com válvula de retenção. Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. Luva de hidrante Luva de hidrante (capa de pino) é um adaptador de ferro fundido, destinado a permitir o encaixe preciso da Chave tipo “T” ao registro da válvula do hidrante. É 183 possível que esse encaixe seja prejudicado, em razão do desgaste das peças metálicas do registro do hidrante. Figura 55 – Luvas de hidrante. Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. Edutor Peça em metal com entrada de 1 ½” e saída de 2 ½”, que realiza, por diferença de pressão (Princípio de Venturi), a sucção da água que entra por um ralo localizado em sua base. Figura 56– Edutor Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 184 CAPÍTULO 5 – SUPRIMENTO DE ÁGUA Autores: AL OF Alessandro Silva de Souza, AL OF Francirlei de Castro Lima, AL OF Paulo Kemel Sato Lopes, AL OF Sidney Lomas de Almeida Esta Temática vai descrever sobre “Suprimento de Água”, esse suprimento é uma fonte fornecida em local para fins de combate a incêndios, essa fonte deve conter volume, vazão e pressão. A temática implícita informações necessárias sobre a retirada de água que são usadas em ações, são feitos de um reservatório ou tanque com bombas especifícas, que pode ser fornecida da rede pública. O trabalho em tela procura mensurar como o suprimento de água é importante para o trabalho diário do Corpo de Bombeiros, já que a água está estritamente ligada ao abastecimento de viaturas, ao combate aos incêndios, a própria subsistência do militar durante o atendimento da ocorrência que exige maior esforço físico. Portanto essa contextualização objetiva discorrer em seu contexto sobre o manuseio de hidrante de coluna, esse consiste em um equipamento muito utilizado pelos bombeiros em ocorrências de incêndio de grandes proporções. E sua função mais importante é servir de ponto de abastecimento das viaturas do Corpo de Bombeiros durante ocorrência de incêndio, o Corpo de Bombeiro é o único órgão que possui a chave especifica que abre a tampa do registro, os hidrantes de qualquer município devem ficar posicionado em áreas estratégicas para favorecer o trabalho dos profissionais da brigada. Os procedimentos metodológicos para se elaborar este trabalho foi a pesquisa bibliográfica, buscou-se compilar manuais de outros estados já publicados, como do Estados de Goiás e São Paulo, também foi preciso uma busca em páginas de web sites enfim, houve todo um planejamento estratégico, onde todos os membros da equipe tiveram sua participação estabelecida, através de reuniões e discursivas sobre o tema supracitado. Este trabalho tange em abrir leques para implantação de um manual apropriado com a região manauara. 185 Seção 1 - Fundamentação Teórica O historicismo da utilização da água no combate a incêndio A água é o elemento de extrema necessidade para o funcionamento de ecossistemas da vida. Na antiguidade os povos primitivos utilizavam métodos simples para recolher as águas das chuvas, dos rios e dos lagos. Com o passar do tempo e com as mudanças das civilizações as populações passaram a consumir quantidades cada vez maiores de água e facilidade de acesso ás fontes existentes. Ao mesmo tempo, eram procuradas novas fontes de suprimento, inclusive no subsolo. Nos dias atuais a água é utilizada de várias formas, para a corporação de bombeiros ela é um elemento fundamental nas operações, já que a água é necessária para o suprimento da viatura de combate a incêndio. Para compreender sobre o uso da água em incêndios, temos que entender que o fogo foi um elemento transformador da humanidade, através da sua descoberta a civilização se desenvolveu e evoluiu. Sabemos que a humanidade durante séculos aprendeu a usar e manusear o fago ao seu favor, porém o fogo se mostrou um inimigo poderoso e implacável quando fica fora de controle. A maioria dos mitos representa a domesticação do fogo (como é agora entendido) como um único evento de aventura, com um personagem principal (um Deus ou um animal ou ambos na mesma encarnação) que trouxe esse presente precioso para a humanidade. (Goudsblom, 2014, p.56). A utilização controlada do fogo permitiu ao homem abrigar-se contra predadores, ajudou-o a proteger-se do frio, serviu para lhe melhorar a alimentação, para sinalizar locais e fazer pedidos de socorro, para iluminar a escuridão das noites e para uma infinidade de outros usos associados ao desenvolvimento tecnológico da humanidade. Desde a Antiguidade o ser humano busca formas de controlar o fogo, usando suas potencialidades como aliado e se protegendo de seus riscos como inimigo. Na Roma Antiga, por exemplo, existiam os “Triunviri Nocturi”, grupo de agentes responsáveis por combater incêndios. A legislação do império romano exigia que os cidadãos mantivessem cisternas com reservas de água em casa para casos de incêndio. 186 Houve uma época em que não existia uma rede de abastecimento público de água e os incêndios eram combatidos à base do balde, com muita disposição e heroísmo. Numa segunda etapa de nosso desenvolvimento, acompanhando a natural evolução da sociedade, houve um tempo em que passou a existir uma rede que canalizava as águas vindas dos rios, cujo destino eram os chafarizes da cidade. Os grandes incêndios surgiram por falta de controle do fogo, se o homem não estabelecer condições de segurança na manipulação do fogo, pode acontecer incêndios gerados por essa falta de controle, a historia ao longo dos séculos, registrou grandes incêndiosurbanos. • Cidade de Lyon – 59 A.C. completamente destruída; • Roma – 64 A.C. – incendio durou 8 dias, devastou 10 dos seus 14 distritos; • Biblioteca de Alexandria – 47 A.C., destruída por Julio César; em 390 D.C. por Teodósio e em 642 D.C. pelo Califa Omar; • Pompéia - arde em 79, após a erupção do Vesúvio; • Londres – 798, 982, 1.212 – A Catedral de Saint Paul foi destruída totalmente ou parcialmente em cinco ocasiões até 1.666; • O Grande incêndio de Londres – 1666 – duração de 4 dias, consumiu 13.000 casas, 87 igrejas e capelas, além de hospitais, bibliotecas, comércios, etc. Aproximadamente 100.000 desabrigados (25% da população), devastação de quase 75% da cidade; • Veneza - destruída pelo fogo em 1106; • Em 1755 arde o centro de Lisboa em conseqüência do terremoto; • Em 1812 são os Russos que incendeiam Moscou para travar o avanço do Napoleão; • Paris – incêndio em 1871; • No Japão e na China verificam-se numerosos incêndios devastadores, face ao tipo de construção e concentração; • 1835 - Nova Iorque – 530 edifícios; • 1845 – Pittsburgh – 1.1000 edifícios; • 1849 – Porto, Saint Louis – 15 quarteirões; • 1851 – São Francisco – 2.500 edifícios; 187 • 1871 – Peshtigo – incêndio florestal – 1.152 mortes; • 1871 – Chicago – 18.000 edifícios, 120 mortes; • 1872 – Boston – 776 edifícios; • 1901 – Jacksonville – 1.7000 edifícios; • 1904 – Baltimore – 80 quarteirões e 2.300 edifícios; • 1906 – São Francisco – 28.000 edifícios, decorrente de terremoto. Seção 2 - Os primeiros códigos criados, leis antigas e suas curiosidades Por causa dos grandes incêndios acontecidos ao longo da história, foi criado o primeiro código de edificações onde foi introduzido medias de proteção contra incêndio. Temos conhecimentos históricos que em Londres em 1189 se criou uma lei local para que fosse melhorada a qualidade das construções. Em 1666 logo após o grande incêndio de Londres, se criou uma série de regulamentações. • Implementação do sistema de seguros na forma moderna; • Regulamentação precursora de segurança contra incêndio no ocidente; • Desenvolvimento de equipamentos de combate mais eficientes; • Formação de grupos de bombeiros pelas seguradoras. Na reconstrução da cidade em 1667 se criou a lei de reconstrução para a cidade, que continha uma série de regras de regulamentação como alargamento de ruas e incombustibilidade de paredes (tijolos). Existem algumas curiosidades em respeitos dessas leis antigas como a de Boston apoós o incêndio em 1631, a referida lei proibia a construção de chaminé de madeira e telhados de sapé. Ainda no país dos Estados Unidos em 1938, se promulgou a lei do General Assembly, em Maryland, que punia incendiários: A lei punia criminosos a pena de morte por enforcamento, a pena menos severa permetia que o criminoso poderia perder sua mão ou ter queimada a mão ou a testa com ferro quente e suas terras confiscadas. A uma segunda ofensa aplicaria a pena de morte. Em Massachusssets no ano de 1652, o tribunal “General Court” estabeleceu que a pessoa com 16 ou mais seria incriminado pagaria o dobro dos prejuízos e seria chicoteado, principalmente se vinhesse a cometer incêndio. Uma breve contextualização sobre como se desenvolveram as bombas de combate a incêndios e os carros de bombeiros 188 No reino de Guilherme III, após o catastrófico incêndio de Londres de 1666, as novas companhias seguradoras começaram a estruturar as brigadas de incêndio. Durante o período do século XIX os bombeiros se estruturam-se, neste período é desenvolvido as bombas de combate a incêndio, para ser usadas tanto na terra quanto em barcos. No reino de D. João I em Portugal, em 1395 a carta régia estabelece os vigias noturnos e define que para ser extintos os incêndios deveria seguir como missão, para carpinteiros (com machado) e para as mulheres ficaria a condução da água. Os sistemas de combate até em 1700, era constituído fundamentalmente de equipamentos manuais. Era usado como técnica passar baldes de água de mãos em mãos até chegar no local do incêndio. Em função a tecnologia existente atualmente, os equipamentos evoluíram bastante. Em 1721, se produziu na Inglaterra a primeira bomba movida por uma máquina a vapor, a montagem desse conjunto era sobre uma carroça atrelada em cavalos. Na segunda metade do século XVII, não existia carros tanques, era enchido pequenos tanques, onde as bombas retiravam a água necessária para o combate. Em 1780, os primeiros carros de bombeiros foram construídos, eles eram movidos or tração animal. Um século depois que surgiu com modelos motorizados esses eram movidos a vapor. Na atualidade os carros de bombeiros mas utilizados são ABT - (Auto Bomba Tanque): Este veículo empregado no combate a incêndio, normalmente como primeiro carro, por sua versatilidade e maior capacidade para transporte de guarnição e equipamentos. Esta viatura é dotada de bomba para recalque de água para combate às chamas. É o veículo mais característico de bombeiros. Equipado com mangueiras, esguichos e diversos equipamentos hidráulicos além de materiais de "sapa" e arrombamento, podendo ser adaptado para transporte de equipamentos de primeiros socorros e salvamento. Com cabine dupla, o modelo possui capacidade para armazenar cinco mil litros de água e uma bomba de 750 GPM (galões por minuto). Transporta até cinco militares. E o AT - (Auto Tanque): Veículo utilizado no combate a incêndios, normalmente empregado em apoio à outra viatura de combate a incêndio, o ABT - Auto Bomba Tanque, possui tanque com maior capacidade de água (27.000 litros). Além do tanque, é preciso que os caminhões possuam uma bomba de água, que deverá garantir que a água seja lançada com a pressão necessária, possibilitando 189 o alance em maiores distâncias. Esses caminhões costumam possuir bombas de até 1.000 GPM (3.785 litros por minutos). Por suma as ferramentas transportadas no carro de bombeiros variam muito com base em muitos fatores, incluindo o tamanho do departamento e as situações usuais que os bombeiros lidam. Seção 3 - Suprimento de Água O suprimento de água é agente fundamental em operações de combate a incêndios, por ser o principal agente extintor usado nas viaturas do Corpo de Bombeiros Militar, a água merece uma atenção especial, para ter um correto emprego, os combatentes utilizam técnicas e táticas para que a água seja usada corretamente e ter um êxito de aproveitamento. No geral a definição de suprimento de água é o ato de canalizar a água desde a sua fonte de captação até o local onde a mesma será consumida. Entende-se que o processo de captação de água é todo e qualquer lugar onde houver água em abundância, podendo ser natural ou artificial. Figura 1 – Fonte de Capacitação de Água Natural. Fonte: CBMAM, 2022. 190Figura 2 – Fonte de Capacitação de Água Artificiais. Fonte: CBMAM, 2022. No ponto de vista operacional o combatente considera como outras reservas as piscinas (fig. 02), fontes de praças públicas, espelhos d´água etc. Utilização da água em incêndios A água é o agente extintor mais utilizado no combate a incêndios devido à sua facilidade de disponibilidade e capacitância de absorção de calor. Atua principalmente por resfriamento e asfixia, e pode servir como diluente para incêndios em líquidos inflamáveis solúveis em água. O alto calor latente de vaporização torna a água um excelente refrigerante. A água também pode sufocar e se mover devido à sua alta difusividade. 1 litro de água, quando evaporado, torna-se 1700 litros de vapor, ocupando, devido ao seu grande volume, um grande espaço no ambiente afetado, limitando a concentração do agente oxidante. 191 Seção 4 - Tipos de suprimento de água Os tipos de abastecimento de água contra incêndio incluem: hidrante coluna, Auto Bomba Tanques, Auto tanques, mananciais, nascentes e piscinas neste caso os Bombeiros usam água de tanques para combater incêndios, reservas técnicas de incêndio das edificações homologadas pelo Corpo de Bombeiros. Hidrante de coluna Como exigência de projetos de combate a incêndio de edificações comerciais, habitações multifamiliares, além de loteamentos acima de 1.500 m², os hidrantes tipo colunas são inseridos em tabulações das redes fornecedoras de água potável de cada município. Os municípios devem manter os hidrantes em boas condições de uso para não haver falhas, também o hidrante deve estar bem posicionado em um local onde não tenha obstáculos que venha a interferir no trabalho do Corpo de Bombeiros. Os hidrantes de coluna consistem em um acesso que irá ser vinculado através de saídas e irá conduzir água de redes públicas para os bombeiros e profissionais que necessitam, é de suma importância informar que Corpo de Bombeiro é o único órgão que possui a chave especifica que abre a tampa do registro. Figura 3 – Hidrante de Coluna. Figura 4 – Chave Tipo T. Fonte: CBMAM, 2022. 192 A rede de hidrantes são aparelhos instalados nas cidades nas redes de distribuição de água, eles podem ser de coluna (Fig.3) ou subterrâneo, eles são dotados de juntas de união para conexão com mangotes, abertura é feita através de um registro de gaveta cujo comando é colocado ao lado do hidrante. Possui uma expedição de 100mm e duas de 63mm (Fig.3). De acordo com sua vazão os hidrantes são codificados por meio de pintura de sua borda superior: Quadro 1 – Identificação de Vazão de Hidrantes por Cor. VAZÃO (em litros por minuto) COR DO CABEÇOTE E EXPEDIÇÕES Maior que 2.000 Verde De 1.000 a 2.000 Amarelo Menor que de 1000 Vermelho Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 -Suprimento de água em Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. Atenção, os hidrantes com vazão menor que 1000 litros por minutos, permanecerão na cor vermelha eles não serão pintados. No que se refere ao hidrante subterrâneos, que ficam abaixo do nível do solo, com suas partes (expedição e válvula de paragem) estes estão colocadas dentro de uma caixa de alvenaria, fechada por uma tampa metálica. Passos para utilização de hidrante tipo barbará (pressurizado) Os materiais utilizados são os seguintes: • Mangueiras: é revestida externamente com reforço têxtil confeccionado 100% em fio poliéster de alta tenacidade e internamente com tubo de borracha sintética na cor preta. Em razão de sua finalidade, a mangueira deve ser flexível, resistir à pressão interna e ser, tanto quanto possível, leve e durável. A mangueira trata-se de um duto flexível, utilizada para transportar água do ponto de abastecimento até o local em que deva ser utilizada nas operações de combate a incêndios. • Mangotes: Tem como função ligar a introdução da bomba a mananciais ou aos hidrantes em operação de sucção. O mangote é um duto de borracha reforçado com armação interna de arame de aço, de modo a resistir, sem se fechar, quando 193 utilizado em sucção. Para que seja acoplado um combatente faz as conexões da junta e o outro suatenta o mangote. • Mangueirotes: O mangueirote possui comprimento de 5 metros, diâmetro de 100mm e juntas de união de 100mm ou 112mm, roscas fêmeas. Essa mangueira é especial se utiliza o mangueirote para abastecer viaturas em hidrantes. O mangueirote exige muito cuidados de manutenção iguais a qualquer mangueira, sua utilidade apresenta a vantagem de ser acoplado por um único combatente nas ações de combate a incêndio, que a viatura esteja distante ou até mal posicionada em relação ao hidrante. O mangueirote não deve ser usado em sucção. • Chaves: As chaves são destinadas a facilitação do acoplamento ou desacoplamento de juntas de união. Elas podem ser: de mangueiras, para acoplamento e desacoplamento de mangueiras e adaptações, de mangote, para acoplamento e desacoplamento de mangote, mangueirotes e filtros, universal, para acoplamento e desacoplamento de mangueiras e mangotes e para hidrante público de coluna, para abrir e fechar tampões de hidrantes públicos de coluna; é também conhecida como chave tipo “BARBARÁ”. Figura 5 – Abertura do hidrante. Fonte: CBMAM, 2022. 194 Figura 6 – Conecte e gire a chave tipo T até a abertura total do registro e saída de sujeiras da rede. Fonte: CBMAM, 2022. Figura 7 – Feche o registro e conecte a outra extremidade na saída de 2 ½ '' na saída do hidrante. Fonte: CBMAM, 2022. 195 Figura 8 – Gire a chave tipo T novamente até a abertura total do registro Fonte: CBMAM, 2022. As fotografias acima mostram a utilização das mangueiras e mangotes 2 ½'', esses dependem da existência de materiais, isso inclui adaptadores também, tudo deve ser verificado e passado um checklist da viatura pelos bombeiros todos os dias. Suprimento em hidrante de coluna ou subterrâneo O bombeiro operador de hidrante estabelece esse procedimento nas seguintes etapas: • Analisa se a rede de suprimento está bem fixado ao hidrante; • Tira o tampão do hidrante; • Dar descarga no hidrante abrindo o registro, deixando a água escorrer para ir retirando a areia, e outros detritos, deixa a água escorrer até sair toda ferrugem; • Fecha o registro; • Na tomada d’água acoplar o mangote, verificando se este ficou bem vedado; 196 • Na boca de admissão da bomba, acopla a outra extremidade do mangote e abre o registro por completo do hidrante. Figura 9 – Bombeiro Operador de Hidrante de Coluna. Fonte: CBMAM, 2022. Figura 10 – Suprimento de Água Através de um Hidrante de Coluna. Fonte: CBMAM, 2022. 197 Auto tanques Os Auto Tanques são viaturas de apoio de grande capacidade. Eles podem chegar a 15.000 litros e reduzir a demanda de água durante o combate. No Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas - CBMAM possuímos as viaturas ABT, ABS, ABF, ATA, nas ocorrências de incêndios de grande proporção contamos com o apoio de caminhões-pipa da prefeitura e empresas privadas no transporte de água até o local do sinistro. Uma estratégia de combate que tem sido adotada nos suprimentos de água em incêndio é o sistema pião. Nele pode-se inserir várias viaturas, entre elas, o Auto Tanque. Veja abaixo sua utilização: Figura 11a – Auto BombaTanque - ABT-30 do CBMAM. Fonte: CBMAM, 2022. Figura 11b – Auto Bomba Tanque - ABT-30 CBMAM. Fonte: CBMAM, 2022. 198 A figura acima (11a) mostra a ABT- 30 usado no estado do Amazonas, um caminhão de apoio que possui um tanque de água com maior capacidade, utilizado nas operações de combate a incêndio destinado ao transporte e abastecimento de água. Abaixo estão as figuras com outros carros usados no Amazonas. Figura 12 – Auto Tanque Abastecimento - ATA-01 do CBMAM. Fonte: CBMAM, 2022. 199 Figura 13 – Auto Tanque Abastecimento - ATA-02 do CBMAM/Viatura de Apoio conhecida como Carro Pipa no meio Civil. Fonte: CBMAM, 2022. Figura 14 – Auto Bomba Florestal - ABF – 02 do Estado do Amazonas. Fonte: CBMAM, 2022. 200 Para suprir a ausência de hidrates próximo ao sinistro, requer que o combatente venha adotar duas alternativas que são: sistema pião que se trata do sistema apoio de viaturas e o emprego de tanques portáteis. Para ser efetuada a utilização desses sistemas se faz necessário, que a expessura da rua seja bem larga, para oferecer condições favoráveis para às manobras das viaturas, se a rua não apresentar a expessura ideal é conveniente que o ATA fique posicionado perto ao cruzamento, para favorecer as manobras que serão desenvolvidas, para que a água seja transportada até ABT será utilizado uma quantidade maior de mangueiras. O desenvolvimento desse esquema procede da seguinte forma: O pivô central do abastecimento é a ATA e as demais viaturas farão o giro, essas devem estar em posição satisfatória para se favorecer o trânsito das viaturas de apoio, se a rua apresentar condições de operalidade poderá ser bem próximo ao ABT, como dito acima a operação também pode ser próximo ao cruzamento. Estacione a viatura, arma-se a adutora de 100 ou 75mm, até o ABT, que está sendo usada para combater o sinistro ou pode-se ainda, utilizar duas linhas de 63mm tipo siamesas. O comandante das operações, acionará mas recursos (viaturas, ATA, etc.) se o sistema de vazão não estiver controlado, geralmente o comandante controla a vazão, evitando que o abastecimento não sofra descontinuidade garantindo pleno êxito no abastecimento. Quadro 2 – Suprimento no Sistema Pião 201 Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. Suprimento com emprego do tanque portátil Devido a falta de hidrantes na maioria das cidades brasileiras, o sistema de Tanque Portatil surgiu em decorrência dessa falta. Apesar dessa deficiência poder ser samada com uso do sitema pião, através de veículos de apoio como os Auto Tanques Abastecimento, Auto Bomba Tanque, etc..., existe neste caso um custo muito alto para se manter o sistema pião, tanto com o pessoal (efetivo), manutenção, equipamentos e viaturas. Os Estados Unidos mas especificamente na área rural apresentou uma solução para esse problema, a instalação de Tanques Portáteis, sistema esse que opera de forma bem similar ao sistema pião, mas representa um custo bem executável ao do sistema pião, possibilita também um aproveitamento melhor dos recursos disponíveis na comunidade, tais como carros pipa, carros tanque, caminhões betoneiras, já que para seu funcionamento o sistema de Tanque Portátil dispensa o uso de o uso de conexões e acessórios hidráulicos. Pode ser utilizado nas seguintes formas: • Tanque Portátil Próximo ao ABT: A Esse sistema é muito útil, para seu funcionamento é necessário que a rua seja bem ampla o ideal é que a rua tenha uma largura acima de nove metros, essa metragem garante a segurança e confiabilidade. Portanto seguindo esse procedimento, após a armação do dispositivo será possível, manobras envolvendo outras viaturas, recursos diversos além de permitir a movimentação do pessoal livremente no combate a incêndios. O Supemento com tanque Portátil permite uma economia grande de tempo, mangueiras, equipamentos e pessoal. A montagem do sistema acontece da seguinte forma: Antes ou depois da ocorrência o Auto Bomba Tanque deve ser estacionado uns dez metros do sinistro. Sua montagem deve ser feita ao lado da viatura, para fazer a sucção da água do tanque utiliza-se o mangote, é vital a utilização do filtro flutuante, para um aproveitamento mehor do volume da água, evitando que se forme “redemoinho”, evitando entrada de ar no corpo da bomba. O Auto Bomba inicia a operação após ser armado e testado o dispositivo, succionando e recalcando água para o incêndio, 202 enquanto as outra viaturas ( ABT, ATA, etc..) iniciam um sistema de rodizio no SUPREMENTO, descarregando no tanque portátil a água coletada nos hidrantes. Durante a operação o comandante das operações analisa: vazão, consumo, etc..., controlando a demanda da água requerida, o comandante pode utilizar outros meios de coleta de água se necessário, ou ainda, diminuir o volume d’água recalcada, garantindo assim, a continuidade dos serviços sem interrupção, devendo manter o nível da água no tanque de maneira que o mangote fique submerso. • Tanque Portátil longe ao ABT: Essa técnica é usada quando as condições de acesso do sinistro não permitir manobras, geralmente se utiliza quando as ruas são estreitas, para o sucesso das operações é indispensável que o auto bomba fique estalado no cruzamento mais próximo. O procedimento acontecerá da seguinte forma: o ATB principal deve ficar parado no cruzamento, um auxiliar desce e acondiciona ao solo a extremidade da linha adutora, na sequência a viatura segue em destino ao incêndio, atrás da viatura o mesmo auxiliar vai acompanhando, toda soltura da adutora, garantindo o alinhamento da mesma para que ela não venha sofre danos na hora da atuação no sinistro. ABT estacionada a uns dez metros do sinistro vai ser a principal viatura de combate. Estacionada no cruzamento uma outra viatura ABT ou ATB, é preparada para coletar e recalcar água do tanque portátil para o ABT que fica na frente dos trabalhos. Após todo processo de armamento do tanque portátil, as demais viaturas de apoio iniciam o rodízio de SUPRIMENTO, junto ao tanque, o comandante das operações para controlar o consumo de água da missão dirige-se ao fronte, isso garante a continuidade dos serviços de SUPRIMENTO. Suprimento em manancial O suprimento em manancial, é a operação que se realiza quando é preciso uma captação muito grande de água para se combater um incêndio em grande proporção. Para a captação dessa água se utiliza-se represas, lagos. Para esse procedimento faça o seguinte procedimento: • Coloque o mangote de sucção, na boca admissora e aperte firmemente; 203 • Ponha a válvula de pé (ralo); • Coloque o cesto protetor; • Imerja o mangote na água, o correto é usar-se de apoio, o uso de cordas é ideal, deve-se tomar cuidado para evitar entradas de ar; • Tome toda precaução para manter o ralo sem alcançar o fundo, para que não tenha contato com a areia do fundo, folhas ou qualquer matéria estranha que possa estar no manancial, mantenha o equipamento livre de detritos provindos do manancial; • Use a corda espia; • Quando se trabalhar com levantamento, procure não bombear forte para evitar causar turbulência no ralo. Isso pode permitir a entrada de ar na bomba e resultará em bombeamento com pulsação e operação defeituosa. Se for preciso uma maior quantidade de água coloque o ralo mais submerso; • Ponha o mangote fixamente para que ele não succione detritos; • Verifique sempre o material que vai ser utilizado, e deve estar em ótimas condições e sempre em mãos.Figura 15 – Captação de Água em Manancial. Fonte: CBMAM, 2022. 204 a) As fontes naturais de água são: aquelas em que não se verifica a participação humana, são aquelas onde a água se apresenta acumulada na natureza, quer seja pelo seu leito natural, ou pelo seu acúmulo. São exemplos de fontes naturais, os lagos, lagoas, rios e mares. As fontes naturais existem onde o lençol freático corta a superfície, assim como onde rios subterrâneos surgem de cavernas e passagens no calcário ou nas lavas. Figura 16 – Fontes Naturais de Água. Fonte: CBMAM, 2022. b) As fontes artificiais de água são: aquelas que são retidas de forma não originalmente formada pela natureza ou que estejam em curso por conta de obra humana. Como exemplos do primeiro caso, temos as represas hidrelétricas, açudes, reservatórios, etc, essas fontes se formam ou se tornaram possíveis devido à intervenção humana. 3.4.1. Suprimento em reservatórios, piscinas, etc... 205 Figura 17 – Suprimentos em Reservatórios Piscinas. Fonte: CBMAM, 2022. No caso dos reservatórios (subterrâneos ou elevados) piscinas, etc..., compete ao bombeiro operador de hidrante, assegurar as seguintes operações, para liberar a água do estabelecimento para o reservatório: • Anexar o ralo de mangote ao mangote; • Por o mangote na cisterna pela extremidade que contém o ralo. • Deve conter água suficiente para cobrir o ralo do mangote; • Conectar a outra extremidade do mangote, à boca de admissão da bomba; • Por em ação o motorista, para que ele operar o corpo de bomba. Apesar do Manual Operacional de Bombeiros de Goiás em sua pag. 178, descrever que a utilização do tipo manancial está caindo em desuso devido a facilidade de utilização de hidrantes urbanos e Auto Tanques em sistemas “tipo pião”. Não é a realidade do Estado do Amazonas esse tipo de procedimento ainda é utilizado pela corporação, em incêndios em rodovias e estradas nos casos de incêndio em veículos, vegetação ou diferentes tipos de acidentes em que outros tipos de suprimento de água estão muito distantes. Seção 5 - Reservas Técnicas de Incêndio Os reservatórios instalados em residências comerciais, prédios, industriais e multifamiliares, são chamados de reservas técnicas de incêndio eles são designados especificamente para combate a incêndio. A utilização da rede fixa preventiva contra incêndios pode ser usada pelo corpo de bombeiro no próprio local do sinistro ou em prédios vizinhos, a sua aplicação será por meio de motores de combustão interna ou motores elétricos e bombas hidráulicas associadas a hidrantes de parede ou dispositivos fixos de segurança. 206 Figura 18 – Suprimentos em Reservatórios Elevado. Fonte: CBMAM, 2022. Quando o Corpo de Bombeiros utiliza uma quantidade superior d’água prevista na reserva de incêndio, o operador de hidrante recomenda ao Comandante da Guarnição, mensurar no seu requisito de incêndio a quantidade aproximada de água, através do intervalo de tempo para se resguadar de qualquer problema. Perante o relatório do corpo de bombeiro, o condomínio/prédios/residências/pontos comerciais, etc, pode requerer na Companhia de águas o abatimento do consumo extra, utilizada no sinistro nas contas futuras. Isso para utilização de terceiros. Abaixo será descrito o procedimento que o “operador de hidrante”, executa na ação de suprimento da viatura, usando a rede preventiva. • Averiguar se realmente a rede preventiva está funcionando, para isso o “operador de hidrante”, abre o registro de recalque que deve estar situado em local de fácil acesso, para uso da guarnições do Corpo de Bombeiros, para facilitar a descarga da rede, deve ser retirado o tampão que fica situado na boca de expulsão de água, se por acaso o sistema possuir a válvula de retenção, neste caso se pode usar o hidrante predial que estiver mais próximo da entrada; 207 • A adaptação de material a ser utilizado para o suprimento, deve estar de acordo co as especificações (diâmetro e rosqueamento) da rede preventiva. Isso só será procedido após o fechamento do registro; • Após a adaptação feita, deve-se levar a outra extremidade da ligação até a boca de admissão da viatura; • Por fim, para que se concretize o suprimento, será aberto o registro. Algumas observações devem ser feitas, exemplo: Se a rede preventiva for formada por encanamentos de diâmetro menores do que é estabelecido pelas Normas Vigentes, devido ser muito antiga, o encarregado de hidrante deverá providenciar outras formas, para que o suprimento seja eficaz; a) Os materiais que são usados normalmente são estes: Adaptações (geral), saca-tampão, gancho, colher de pedreiro, chave de mangueira, mangueira de 65mm; b) O uso de um hidrante predial próximo do longadouro público será usado somente se o registro de recalque estiver sem condições de uso, devendo ser anotada essa situação; c) Se for verificado a falta de água ou não for executado o procedimento para descarga, o executor juntamente com o zelador deve verificar a caixa de bombas, para tomar conhecimento se o registro está ou não fechado. Válvula de recalque Outra forma de se adquirir água para grandes ocorrências no Amazonas é a válvula de recalque, geralmente é utilizado água das fabricas do Distrito Industrial e prédios. A imagem abaixo mostra o abastecimento em uma fábrica do Distrito Industrial de Manaus. 208 Figura 19 – Suprimento de Água Através de um Registro Recalque. Fonte: CBMAM, 2022. As válvulas de recalque facilitam bastante o combate nas ocorrências, pois sua utilização reduz os deslocamentos para reabastecimentos em outros pontos distantes do local do sinistro. Figura 20 – Válvula de Recalque Fonte: CBMAM, 2022. Seção 6 - Medição de Vazão do Suprimento d’água O referido estudo sobre a temática supracitada, não pode deixar de mensurar a vazão. Portanto deve-se proferir os conceitos e padrões estabelecidos no trabalho. Mediante essas colocações será descriminado como se obtém a medição da vazão de um hidrante, a aferição mostrará a vazão disponível no hidrante ou que essa poderá ser feita também sob a consulta da tabela de vazões, por meio do aparelho PITOT verificando sua pressão. A pressão verificada num hidrante, é feita da seguinte maneira, obtém-se a diferença de nível no hidrante e no reservatório que o abastece, abatendo as perdas de cargas existentes, assim, será verificado a pressão máxima de um hidrante. Abaixo descrevemos sobre: 209 Pressão Estática: Sabe-se que hidrantes estão ligados na rede de consumo, neste sentido é visto que a pressão na rede se variável conforme o consumo d’água, isso causa perda de carga e reduz a pressão a que nos referimos (desnível reservatório/hidrante). Os procedimentos arrolados abaixo, refere-se ao modo como é feito a leitura de pressão estática com o emprego da viatura. • Unir o mangueirote ou mangueira à admissão da bomba; • Abra a válvula do hidrante e a válvula de admissão da bomba (se houver); • Mantenha as válvulas e expedições da viatura fechadas; • Verifique os manômetros. A pressão disponível no hidrante vai ser mostrada no momento da verificação. O valor varia conforme o consumo d’água da população, geralmente é no período noturno que o hidrante apresenta maior valor de pressão estática. Também pode-se fazer essa medição com o auxílio de manômetro fixado em um tampão com dreno, acoplado na expedição (saída) do hidrante. Pressão Dinâmica (ou Residual): Essa pressãoé verificada quando é usado o hidrante efetivamente. Essa pressão tem sua leitura realizada quando o hidrante está com a válvula totalmente aberta, propiciando a vazão máxima. Essa leitura pode ser feita com emprego do Pitot. Medidas de vazão Em termos de vazão, verifica-se que os bombeiros no Brasil utilizam duas unidades de medida para indicar essa quantidade, a saber, galões por minuto (GPM) e litros por minuto (LPM). Por exemplo, para especificar a capacidade pode-se dizer que a bomba de incêndio atinge 750 GPM no ponto ideal. Que é 2835 litros / minuto. Todo o resto entendemos: 1 GPM (galões por minuto) = 3,78 LPM (litros por minuto). Medidas lineares Simultaneamente para alcançar determinadas medidas de vazão, a partir da expedição da bomba, é importante ter conhecimento, que deve ser projetadas tabulações para definir expedições de acordo com cada projeto. Para nível de 210 cálculos, é preciso entender melhor as dimensões da tabulação, para isso temos que: 1 GPM (Galão por minuto) = 3,78 LPM (Litros por minuto) = 1 polegada = 25,4 mm. Abaixo temos como exemplo, o quadro de cálculo1. Quadro 3 - Equivalência de polegada e conversões usuais dos mangotes Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. Para encontrar vazão das tubalações das viaturas usa-se a fórmula abaixo: Q = 0,0034 . d² x √Pv x 60, onde: Q = vazão em litros por minuto; Pv = pressão de velocidade ou dinâmica na ponta do esguicho em m.c.a.; d = diâmetro em mm; 0,0034 = constante Qual a vazão de uma expedição de 1 ½″ a 7 kgf/cm²? Q = 0,0034 . d² x √Pv x 60, onde: Q = 0,0034 . (38)² x √70x60 Q = 4,90 . 64,8 1 Ver em: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006/pag. 183. Mangote 4 ½ pol 113 mm Mangote 4 pol 102 mm Mangote 2 ½ pol 63 mm Mangueira de 2 ½ pol 63 mm Mangueira de 1 ½ pol 38 mm Mangotinho de 1pol 25 mm Requinte ½ pol 12 mm Requinte de 3/8 pol 10 mm Requinte ¾ pol 19 mm 211 Q = 318 LPM Qual a vazão de uma expedição de 2 ½″ a 7 kgf/cm²? Q = 0,0034 . d² x √Pv x 60, onde: Q = 0,0034 . (63)² x √70x60 Q = 13,49 . 64,8 Q = 874 LPM ou 800 LPM É importante citar que para as operações de bombeiro militar, é de suma relevância que se tenha um parâmetro para emprego tático. O quadro abaixo sugestões para o emprego nas ocorrências com valores aproximados aos encontrados, após algumas perdas brevemente calculadas: Quadro 4 - Perda de carga e vazão em mangueiras de 30m EQUIPAMENTO VAZÃO EM LPM PERDA DE CARGA 1 ½″ 317 25 PSI 2 ½″ 874 15 PSI Fonte: Manual de Bombas Hidráulicas CBMGO (MBH) apud COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006/pag. 183. Operando um manómetro mecânico combinado com um manómetro calibrado, as quedas de pressão foram verificadas esguicho regulável tipo pistola nas vazões de 30 GPM, 60 GPM e 125 GPM a 100 PSI ou 7 Kgf / cm² em um duto tipo 5 de 15 m onde o os valores f encontrados está discriminado no quadro abaixo: Quadro 5 – Resultados dos testes EQUIPAMENTO VAZÃO EM GPM PERDA DE CARGA 2 ½″ 30 0,2 kgf/cm² 2 ½″ 60 0,5 kgf/cm² 2 ½″ 125 0,7 kgf/cm² Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. 212 Isto é ratifica que em operações que envolvem comportamento de incêndio severo, como em flashover para formar o jato atomizado a 7 kg / cm² e vazão de 30 GPM, a queda de pressão na mangueira é quase insignificante. O que chama a atenção é a possibilidade de utilizar várias mangueiras como em içamento onde pode ser considerado um valor de perda maior e um consequente cálculo para uso na bomba. Admissões e expedições O tamanho das expedições e admissões de uma viatura de combate a incêndio, servem de guia no caso de cálculo de vazão para situações específicas de combate. Entrada de água para o corpo da bomba. Os tamanhos mais comuns são 115 mm (4 ½ pol.), 152 mm (6 pol.) e 63 mm (2 ½ pol.). É usado para escorvar o corpo da bomba e a sucção. Figura 21 – Expedições 1 ½, Admissão de 2 ½, ABF-02. Fonte: CBMAM, 2022. 213 Figura 22 – Admissão 2 ½, ABF-02. Fonte: CBMAM, 2022. Figura 23 – Expedições 1 ½vermelhas, Admissão 1 ½ azul, Admissão 4 polegadas Azul, Mangotinho 1 polegada preto. Fonte: CBMAM, 2022. 214 Figura 24 – Admissão 1 ½ conectada (entrada de água na VTR); ABT-30. Fonte: CBMAM, 2022. Figura 25 - Admissão conectada com o mangote de 4 polegadas; ABT-30. (Entrada de água na Vtr por manancial natural ou artificial) Fonte: CBMAM, 2022. 215 Figura 26 - Admissão de 4 polegadas, ABT-25. Fonte: CBMAM, 2022. 216 CAPÍTULO 6 – MANEABILIDADE E TÉCNICAS DE COMBATE A INCÊNDIO Autores: AL OF Denis Wilson Lira Ferreira, AL OF Jean Costa Da Silva, AL OF Herberson Gomes De Almeida, AL OF Oberdan Bandeira Fonseca O manuseio correto dos equipamentos e seu bom uso na atividade operacional são qualidades que resultam na habilidade de manipular corretamente os materiais empregados na atividade de combate a incêndio. Nesta atividade afim do bombeiro militar, a maneabilidade é considerada a capacidade não só de usar com mais facilidade, mas também de manusear de forma correta os equipamentos aplicados nesses eventos. A montagem de um estabelecimento tem por finalidade, a sistematização e aplicação de técnicas no manuseio com os materiais para a formação de linhas de mangueiras, objetivando o combate ao incêndio em suas várias classes, além da utilização de agente extintor específico. O menor tempo para o combate às chamas resultará em eficiência ao término da missão, e danos reduzidos. A maneabilidade é extremamente útil para que as guarnições de bombeiros estejam capacitadas para a utilização rápida e eficiente dos diversos equipamentos que compõem a dinâmica do combate ao incêndio. Seção 1 - Manuseio de Equipamentos de Combate a Incêndio Todo equipamento deve ser manuseado com cuidado, sempre utilizado de acordo com as normas indicadas pelo fabricante evitando choques e impactos desnecessários do equipamento mantendo seu uso funcional e assim garantindo seu uso por um período suficiente dentro da resistência recomendada. Como exemplo disso, podemos citar o uso da mangueira de incêndio pelos militares, que, como mencionado anteriormente, devem ter cuidado para não bater nas conexões, evitar mudanças bruscas nas pressões internas, evitar a fricção das mangueiras com cantos e sua sobreposição em superfícies com altas temperaturas, entre outras já citadas. 217 Retirada de Água da Mangueira Após o uso da mangueira, deve-se então, retirar a água dela, para colocá-la em lugar apropriado, onde possa ser acondicionada. Figura74 - Retirada de água da mangueira Fonte: CBMAM, 2022. Para isso, a mangueira, deve ser totalmente colocada em uma superfície o mais livre de contaminação possível, o bombeiro deve certificar-se de que a mesma, não esteja torcida e, em seguida, observando a inclinação do terreno ele deve levantá-lo em uma junta de conexão acima de sua cabeça, como resultado da qual a água no ponto mais baixo do solo flui para a linha através da outra extremidade. O Bombeiro deve continuar a elevação e caminhar até a outra junta, trocando de mãos consecutivamente, certificando-se de que a junta restante não toque o solo, empurrando a água para fora da mangueira, caminhando até chegar à outra extremidade da mesma. Após a retirada da água, a mangueira deve ser acondicionada e remetida ao veículo. Formas de Acondicionamento 218 Acondicionamento pela ponta Também conhecida como “Espiral”, neste caso, inicia o acondicionamento por uma das conexões. Com a mangueira totalmente estendida em uma superfície livre de sujeira (sujeira, lama, graxa, gordura, etc.), o bombeiro deve garantir que o corpo da mangueira não esteja dobrado, o mesmo está de posse de uma extremidade da mangueira para ser incluído na conexão com o corpo do tubo formando uma espiral continuando a enrolar até a outra conexão. Deve-se ter o cuidado de evitar a formação de quinas junto às conexões e de se comprimir desnecessariamente a mangueira durante o acondicionamento em espiral, uma vez que esta forma de acondicionamento não é indicada para o uso operacional do equipamento. Desenrolar mangueira em (espiral) O bombeiro deve desenrolar, deixando a conexão da ponta externa no chão para evitar choques que possam danificar o metal, e desenrolar a mangueira segurando o espiral nas mãos até atingir a outra extremidade, evitando assim colisões com as conexões. Acondicionamento pelo seio Ou Aduchada, consiste em enrolar uma mangueira, que é dobrada ao meio, e depois enrolada. As guarnições devem colocar as mangueiras, de preferência em superfícies limpas, e devem garantir que elas não estejam torcidas ou com água. Execução com 1 bombeiro a) Deve-se pegar uma das juntas de união e levá-la até a outra, posicionando-a lateralmente à que se encontra no plano inferior, fazendo com que o corpo da mangueira fique dobrado ao meio um paralelamente ao outro. b) Bombeiro deve então ir até onde a mangueira foi dobrada e definir uma distância igual ao comprimento da perna (cerca de 60 cm). c) Dobre a extremidade contrária as das juntas, em aproximadamente em (20 cm), e dobre novamente para enrolar completamente a mangueira. 219 d) Quando chegar ao final, apoia a mangueira no chão, usando as mãos e os joelhos para ajustá-lo. Puxe as juntas da mangueira até ficar bem acondicionada. Dada a distância correta no início do enrolamento, a distância entre as juntas no final do enrolamento deve ser de 5 (cinco) a 10 (dez) cm. O procedimento é o mesmo para mangueiras de outros tamanhos Figura 75 - Acondicionamento de mangueira com 1 bombeiro Fonte: CBMAM 2022 Execução com 2 bombeiros a) Cada Bombeiro pega uma união e, afastando-se um do outro, puxa a mangueira até o chão para que ela não fique torcida. Após isso, um militar permanece segurando uma das juntas enquanto o outro leva a extremidade oposta e a posiciona sobre o outro lance guardando uma distância entre as juntas de 40 a 50 centímetros uma da outra. b) Enquanto, um dos Bombeiros fixa com os pés a mangueira no solo, segurando as duas partes da mangueira juntas, o outro combatente, estende e alinha a mangueira, de maneira a sobrepor a mesma. c) Após o alinhamento, faça uma primeira dobra de cerca de 20 cm de comprimento e depois dobre novamente para envolver a mangueira continuamente até o final. O Bombeiro que segura a extremidade, deixará a mesma ao solo, e dará auxílio ao outro combatente no acondicionamento. O 220 procedimento é o mesmo para mangueiras de tamanhos diferentes, apenas a distância de posicionamento da junta de união muda ao dobrar. d) Quando terminar de enrolar, coloque a mangueira no chão, alinhando-a nas mãos e nos joelhos e puxando as juntas, aplicando pressão à mangueira para facilitar o transporte. Figura 76 - Acondicionamento com dois bombeiros Fonte: CBMAM 2022 Desenrolando mangueira aduchada pelo seio O militar deverá segurar a mangueira com as conexões voltadas para a direção que deseja estendê-las. Pressione o lance de mangueira, usando o dedo indicador, o médio e o polegar. Ao lançar a mangueira, as juntas devem permanecer na mão do bombeiro. Se as conexões não forem fixadas corretamente, eles cairão no chão e serão avariadas. Jogue a mangueira na direção em que deseja com um movimento de arremesso semelhante ao usado no boliche. 221 Com as conexões no chão, o bombeiro pode jogar ou empurrar a parte enrolada da mangueira para frente. Figura 77 - Desenrolando mangueira aduchada Fonte: CBMAM 2022 Acondicionamento em “z” O Bombeiro deve estender a mangueira em uma superfície limpa, enquanto o combatente deve garantir que a mangueira não esteja torcida ou inundada. Em seguida, ajoelhado (4 pontos de apoio), pegue uma das conexões e coloque-a na forma da letra "C", estendendo a mangueira de um pé, passando pela frente, até encontrar-se com o outro pé. Conecta as juntas com uma mão sem deixar dobrar, e com a outra mão segurando faça o contorno prendendo-a. Com a mão que segurava a junta no lugar, force a mangueira fazendo o contorno novamente sem afrouxar o arco. Ao chegar novamente ao final da conexão, pegue a conexão e o corpo da mangueira em suas mãos e faça uma nova curva em ziguezague, repetindo isso continuamente até o final da mangueira. Para transportar a mangueira em “Z”, o militar deve colocar a mangueira sobre o ombro, com conexão inferior voltada para a frente (onde a conexão com o esguicho ou outra conexão será feita posteriormente) com a conexão superior voltada para cima. A finalidade da conexão voltado para trás é de conectar-se com uma expedição ou divisor. 222 Figura 78 - acondicionamento em “Z” Fonte: CBMAM, 2022. Acondicionamento em “o”: Muito semelhante ao acondicionamento em “Z”, a diferença é que o movimento de um é oposto ao do outro. Enquanto as conexões da mangueira em “Z” estão do lado de fora, uma das conexões da mangueira em "O" fica do lado de dentro. Figura 6: Acondicionamento em “O” Fonte: CBMAM, 2022. 223 ▪ Acondicionamento em fardos: • Fardo de ligação: são duas mangueiras de 2½ (63 mm) acondicionadas em “Z” sobrepostas e conectadas uma na outra. Após sobrepor e conectar uma mangueira na outra, 1 ou 2 bombeiros executarão três amarrações: uma em cada extremidade e uma no centro do fardo, utilizando barbante. • Fardo de ataque: são duas mangueiras de 1½ (38 mm) acondicionadas uma em “Z” e a outra em “O” sobrepostas e conectadas uma na outra, sendo que a mangueira acondicionada em “O” recebe o esguicho na conexão livre. Após sobrepor e conectar uma mangueira na outra, 1 ou 2 bombeiros executarão quatro amarrações: uma em cada extremidade, uma no centro e outra fixando o esguicho ao fardo, utilizando barbante. Seção 2 - Armação de Mangueiras para o combate As armações de mangueira são as formações empregadas para o fornecimento de água ou espuma para realizar as atividades de combate a incêndio. Terminologia: a) Lance: é uma única mangueira de 2½ (63 mm) ou 1½ (38 mm) polegadas. b) Ligação: é a mangueira ou série de mangueiras de 2½ polegadas (63 mm) que canalizaa água da boca de expulsão da viatura, hidrante ou outro manancial até o divisor. Conta-se essas mangueiras a partir do manancial em direção ao divisor. c) Linha: é a mangueira ou série de mangueiras de 1½ polegadas (38 mm) que canaliza a água do divisor ao esguicho. Contam-se essas mangueiras a partir do divisor em direção ao esguicho. d) Linha direta: é a mangueira ou série de mangueiras de 2½ (63 mm) ou 1½ (38 mm) polegadas que canaliza a água da boca de expulsão da viatura ou hidrante ao esguicho, sem passar pelo divisor. As mangueiras são contadas a partir do manancial em direção ao esguicho. 224 e) Linha simples: é a armação de uma única linha de mangueira, conectadas à boca de expulsão direita do divisor, ou conforme determinação do chefe da guarnição. f) Linha dupla: é a armação de duas linhas de mangueira, conectadas, preferencialmente, nas bocas de expulsão esquerda e direita do divisor. g) Linha tripla: é a armação das três linhas de mangueira, ocupando todas as bocas de expulsão do aparelho divisor. h) Bomba armar: é o conjunto de operações que se processa no estabelecimento dos equipamentos, para a montagem das ligações e linhas de mangueira. i) Bomba desarmar: é o conjunto de operações que se processa de modo inverso ao estabelecimento, visando o recolhimento do material empregado no combate. j) Resposta Operacional 1 (rápida): é o estabelecimento de mangueiras pré conectadas ao divisor e ao esguicho acondicionadas em “Z” em um local da viatura que comporte os fardos. k) Resposta Operacional 2: é o estabelecimento de 2 fardos de ligação, divisor e 1 fardo de ataque, em um local da viatura que comporte os fardos Posições de combate: são posturas que o chefe e o auxiliar de linha devem realizar durante as ações de combate. O Chefe de linha se posiciona de pé segurando o punho do esguicho com uma das mãos, enquanto a mangueira passa por baixo da axila do mesmo lado. A mão oposta, por sua vez, vai se posicionar na alavanca de abertura e fechamento do esguicho. O Auxiliar de linha se posiciona logo atrás (distância de um braço), do lado contrário ao chefe e segura a mangueira com as duas mãos, tendo o cuidado, durante a progressão para não empurrar e nem travar a mangueira, mas apenas movimentá-la de acordo com a necessidade. O treinamento da execução da bomba armar e bomba desarmar é para que o militar obtenha agilidade e maneabilidade com o equipamento de combate a incêndio, permitindo que ele saiba como montar o estabelecimento da melhor maneira e conhecendo o local de cada equipamento na viatura e adquirindo destreza no encaixe das conexões. A montagem de ligação e linhas deve ser treinada com a guarnição como em um socorro real, ou seja, com os bombeiros utilizando todos os itens de proteção individual e respeitando a fase de reconhecimento (levantamento de dados sobre o incêndio). De posse das informações, deve-se elaborar a tática de ação (quem 225 vai fazer o quê e onde), para então se estabelecer os materiais e a guarnição dentro do que foi planejado. As armações de mangueiras para combate a incêndio podem ser desenvolvidas em três planos: • Plano horizontal – quando o combate ao fogo for no mesmo pavimento onde se encontram as viaturas de combate a incêndio. • Plano vertical – quando for necessário subir ou descer as linhas, ou a ligação, até a localização das chamas. • Plano misto – quando o combate for feito das duas formas anteriormente citadas de maneira simultânea. Os treinamentos são iniciados com técnicas de estabelecimento no plano horizontal, para somente depois, realizar estabelecimentos no plano vertical e misto, ou seja, deve-se começar pelas técnicas mais simples para depois passar as mais complexas, a fim de que a tropa adquira, de forma progressiva, agilidade, segurança e experiência no manuseio dos materiais. Seção 3 - Treinamento de Maneabilidade de Incêndio Toda ação de combate a incêndio deve ser organizada mediante vozes e/ou gestos de comando, que são comunicações feitas de forma clara, para dar ordens ou para informar sobre a execução de uma ação. É importante salientar que a utilização do equipamento de proteção respiratória autônomo provavelmente atrapalhará a comunicação por voz, sendo necessário chegar perto do interlocutor, tocar o seu capacete ou cilindro para chamar a atenção e falar pausadamente, solicitando sempre a confirmação de compreensão da mensagem. Para um treinamento mais próximo da realidade, a montagem de ligação e linhas deve ser treinada com os bombeiros utilizando todos os itens de proteção individual e respeitando a fase de reconhecimento (levantamento de dados sobre o incêndio). De posse das informações, deve-se elaborar a tática de ação (quem vai fazer o quê e onde), para então se estabelecer os materiais e a guarnição dentro do que foi planejado. 226 Montagem de Estabelecimento (Água) O estabelecimento nada mais é do que a operação referente à disposição tática do material e equipamento de combate a incêndios. Componentes de uma Guarnição (Ampliada) a) Ch. de guarnição b) Operador(condutor) c) Armador de Ligação d) Auxiliar de Ligação e) Ch. Da 1° Linha f) Aux. da 1°Linha g) Ch. da 2° Linha h) Aux. da 2°Linha i) Bomba Armar com Guarnição Ampliada (08 Homens) Ao comando de “Guarnição de bomba armar”, considerando o estabelecimento básico formado por 01 (uma) mangueiras de 2¹/²” como ligação e 02 linhas de ataques com 01 (uma) mangueira de 1¹/²” em cada linha, a guarnição procederá da seguinte forma: a) Chefe da guarnição: após comandar “guarnição de bomba armar”, munir- se-á do divisor, transportando-o até as proximidades do sinistro, em local determinado pelo mais antigo presente, colocando-o sobre a perna direita e aguardará o acoplamento da ligação e das linhas de ataque. Após os anúncios de “pronto”, comanda “bomba funcionar” e vai para frente das linhas (junto dos chefes de linhas) exercer o comando, ficando a manobra das válvulas do divisor a cargo do armador e ligação. b) Condutor Operador: a ele caberá a função de operar o corpo de bomba. c) Armador de ligação: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir- se-á de 01 (uma) extremidade da mangueira de 2¹/²”, desenrolando-a até o divisor e fará o acoplamento à boca admissora do divisor e dará pronto a 227 ligação posicionando-se em seguida próximo ao divisor e permanece naquele local aguardando ordens. d) Auxiliar de ligação: para o lado direito ao comando de “guarnição de bomba armar, munir-se-á de 01 (uma) mangueira de 2¹/²” lançando-a e conectando a extremidade à boca expulsora da bomba e entrega a outra junta ao armador. O auxiliar de ligação, após corrigi-la, desloca-se para o divisor, posicionando-se próximo a este aguardando ordens. e) Chefe 1° da linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se- á de uma chave de mangueira e de um esguicho, deslocando-se para junto do divisor, onde aguardará o seu auxiliar, fazer o lançamento da mangueira de 1¹/²” e lhe entregar uma junta para conexão do esguicho, ficando do lado esquerdo da linha. f) Auxiliar da 1° linha : ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir- se-á de uma chave de mangueira e de uma mangueira de 1¹/²” desenrolando-a para o lado direito; entregará uma das juntas ao chefe da linha e acoplará a outra a boca expulsora da direita do divisor, corrigirá a mangueira, fazendo um “seio” e após ordem do chefe da linha, dará o anúncio “linha da direita pronta”, posicionando-se em seguida à retaguarda deste a uma distância de aproximadamente 1 metro, ficando do lado oposto a do chefe da sua linha 202 g) Chefe da 2° linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se- á de uma chave de mangueira e de um esguicho, deslocando-se para junto do divisor, onde aguardará o seu auxiliar fazer o lançamentoda mangueira de 1¹/²” e lhe entregar uma junta para conexão do esguicho, ficando do lado esquerdo da linha. h) Auxiliar da 2°linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se- á de uma chave de mangueira de 1¹/²”, desenrolando-a para o lado esquerdo entregará uma das juntas ao chefe da linha e acoplará a outra à boca expulsora da esquerda, corrigirá a mangueira, fazendo um “seio” e após ordem do chefe de linha dará o anúncio “linha da esquerda pronta”, posicionando-se em seguida à retaguarda deste, à uma distância aproximadamente de 1 metro, ficando do lado oposto à do chefe da sua linha. 228 Observações: • Havendo necessidade de mais de uma mangueira de 2¹/²” na ligação, o armador de ligação armará as mangueiras pares (2ª,4ª,6ª,8ª, etc) e seu auxiliar armará as ímpares (3ª,5ª,7ª, etc). Após isto seguirão os mesmos procedimentos do estabelecimento padrão, caso haja necessidade de se isolar ou operar qualquer material o cmt da guarnição fará uso primeiro do auxiliar da ligação e depois do chefe da ligação. • Havendo necessidade de se armar mais de um lance de mangueiras na linha de ataque 1¹/²”, no primeiro momento o auxiliar armará as mangueiras ímpares (3ª,5ª,7ª, etc) e o chefe da linha armará os pares (2ª,4ª,6ª, etc). Após isto, seguirão os mesmos procedimentos do estabelecimento com a guarnição ampliada. • Ao lançar as mangueiras das linhas de ataque, no estabelecimento com guarnição ampliada, os auxiliares deverão fazê-lo ligeiramente para as laterais do divisor, propiciando ao comandante da guarnição progredir em direção ao sinistro ao lado das linhas formadas. • Todos os componentes da guarnição deverão conduzir uma chave de mangueira. • Todas as mangueiras deverão ser transportadas em “forma de garra” (Método tradicional do transporte de mangueiras aduchadas). Bomba Desarmar Guarnição Ampliada: “Guarnição De Bomba Desarmar” a) Chefe da Guarnição: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará o desacoplamento de todas as mangueiras que estejam ligadas ao divisor e transportará o mesmo para as proximidades da boca expulsora do ABT (Viatura de combate a incêndio – Auto Bomba Tanque). b) Condutor Operador: a ele caberá a função de operar o corpo de bomba. c) Armador de Ligação: ao comando de” guarnição de bomba desarmar”, aguardará a retirada de água da mangueira que será feito sentido ABT/INCÊNDIO, e em seguida levará a extremidade da mangueira de 2¹/²” em direção ao ABT, colocando a junta a uma distância de 229 aproximadamente 1m da junta que foi desconectada da boca expulsora, em seguida auxiliará o enrolamento da mangueira. d) Auxiliar de Ligação: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará o desacoplamento da mangueira de ligação, já desaguando-a, e em seguida fará o enrolamento dela, com o auxílio do armador de ligação, transportando-a até as proximidades da boca expulsora do ABT. e) Chefe da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, desacoplará o esguicho da mangueira colocando-o no chão, aguardará a retirada de água da mangueira, em seguida transportará a extremidade da mangueira até as proximidades da outra junta, (que estará próximo ao local onde estava o divisor). E em seguida auxiliará no enrolamento da mangueira, após o enrolamento voltará até onde se encontra o esguicho transportando-o até as proximidades da boca expulsora do ABT. f) Auxiliar da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará a retirada de água da mangueira sentido ABT/INCÊNDIO, enrolando-a sentido INCÊNDIO/ABT, e transportando-a até as proximidades da boca expulsora do ABT. g) Chefe da 2° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, desacoplará o esguicho da mangueira colocando-o no chão, aguardará a retirada de água da mangueira, em seguida transportará a extremidade da mangueira até as proximidades da outra junta, (que estará próximo ao local onde estava o divisor). E em seguida auxiliará no 204 enrolamento da mangueira, após o enrolamento voltará até onde se encontra o esguicho transportando-o até as proximidades da boca expulsora do ABT. h) Auxiliar da 2° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará à retirada de água da mangueira sentido ABT/INCÊNDIO, enrolando-a sentido INCÊNDIO/ABT, e transportando-a até as proximidades da boca expulsora do ABT. Observação: Antes dos materiais serem guardados nos respectivos locais, serão conferidos e verificados a sua operacionalidade. Bomba Armar com Guarnição Reduzida (04 Homens) 230 Descrição Ao comando de “Guarnição de bomba armar”, considerando o estabelecimento reduzido em função do efetivo, ficará da seguinte maneira: 01 mangueira de 2 ¹/²” na ligação e 01 mangueira de 1¹/²” na linha da direita, a guarnição procederá da seguinte forma: Composição: a) Chefe de guarnição; b) Operador; c) Chefe da 1° Linha; d) Auxiliar da 1°Linha. Função: a) Chefe da guarnição: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-á de um divisor transportando-o até o local por ele determinado, devendo ainda fazer a conexão das mangueiras de 2¹/²” e de 1¹/²” respectivamente no divisor. OBS: Antes de iniciar a montagem do estabelecimento todas as alavancas do divisor devem estar fechadas, deverão ainda ser feitas as conexões das linhas no divisor iniciando sempre pela direita. b) Operador(condutor): ao comando de “guarnição de bomba armar “fará o acoplamento da ligação e em seguida vai operar o corpo de bomba. c) Chefe da 1° linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-á de uma mangueira de 1¹/²” e de um esguicho de 1¹/²” deslocando- 205 se até o divisor, onde irá arremessar e desenrolar a mangueira entregando uma junta ao comandante da guarnição, logo em seguida conecta o esguicho e dá o pronto de “linha da direita pronto”. d) Auxiliar da 1° linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-á de uma mangueira de 2¹/²” fazendo o seu lançamento para o lado direito, entregando uma das juntas para o motorista que vai acoplá-la na boca de expulsão da viatura, o auxiliar deverá estender a mangueira e entregar a outra extremidade ao comandante da guarnição deslocando-se para se postar imediatamente atrás do lado oposto do chefe da linha da direita. Observação: Todas as mangueiras deverão ser transportadas em forma de garra. 231 Bomba Desarmar Guarnição Reduzida Descrição Comando: “Guarnição de Bomba Desarmar” a) Chefe de Guarnição: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará o desacoplamento de todas as mangueiras que estiverem ligadas ao divisor e transportará o mesmo para as proximidades da boca expulsora da viatura. b) Operador: deverá operar o corpo de bomba. c) Chefe da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará o desacoplamento do esguicho, colocando-o no chão, fará o dobramento da mesma, e deverá ajudar o auxiliar de linha a enrolar as mangueiras de 1¹/²” e 2¹/²”, transportando o esguicho até as proximidades da boca expulsora do ABT. d) Auxiliar da 1° linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará o desacoplamento da mangueira de ligação da boca expulsora do ABT, fazendo a retirada de água da mesma, dobrando-a e enrolando-a, transportando as mangueiras de 1¹/²” e 2¹/²” até as proximidades da boca expulsora da viatura. Observação: Antes dos materiais serem guardados nos respectivos locais, serão conferidos e verificados a sua operacionalidade. • Todas as mangueiras deverão ser transportadas em forma de garra. • Todos os componentes da guarnição deverão transportar uma chave de mangueira. Bomba Desarmar Guarnição Padrão Comando: “Guarnição de Bomba Desarmar” a) Chefe da Guarnição: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará o desacoplamento de todas as mangueiras que estejam ligadas ao divisor e transportará o mesmo para as proximidadesda boca expulsora do ABT. b) Operador: a ele caberá a função de operar corpo de bomba. c) Chefes de Linhas: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, desacoplará o esguicho da mangueira colocando-o no chão, aguardando à retirada de água da mangueira, em seguida transportará uma das extremidades da mangueira até próximo do local onde se encontrava o 232 divisor respeitando a distância das juntas aproximadamente 1m, auxiliando no enrolamento da mangueira, transportando-a juntamente com o esguicho até as proximidades da boca expulsora do ABT. d) Auxiliar da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará a retirada de água da mangueira da linha de ataque, enrolando-a com auxílio do chefe de linha. Em seguida fará o desacoplamento e a retirada de água da mangueira de ligação sentido ABT/INCÊNDIO, enrolando-a com ajuda do auxiliar da linha da esquerda. e) Auxiliar da 2° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará a retirada da água da linha de ataque, enrolando-a com o auxílio do chefe de linha. Em seguida levará a extremidade da mangueira de 2¹/²” em direção ao ABT, colocando-a a uma 208 distância de aproximadamente 1m da junta que foi desacoplada da boca expulsora do ABT, auxiliando no enrolamento dela. Seção 4 - Respostas Operacionais Resposta Operacional 1 • O chefe da 1° linha: assume o esguicho já conectado na mangueira de 1/1/2 acondicionada em “Z” e se encaminha em direção ao local sinistrado; • O Auxiliar da 1° linha: ajuda a desfazer a mangueira de 1/1/2 acondicionada em “Z” e se posiciona a retaguarda do chefe da linha; • O Chefe da guarnição: assume o divisor e ajuda a desfazer a mangueira de 2/1/2 já conectada no mesmo • O Operador (condutor): aciona a bomba e conecta a mangueira de 2/1/2 na boca expulsora da viatura. Resposta Operacional 2 • O chefe da 1° linha: assume o fardo de ataque e posiciona no ombro; • O auxiliar da 1° linha: assume 01 fardo de ligação e posiciona no ombro; • O chefe da 2° linha: assume outro fardo de ligação e posiciona no ombro; 233 • O chefe de guarnição: conduz o divisor; • O operador (condutor): Ajuda a desfazer o fardo de ligação do chefe da 2° linha e conecta uma das extremidades na boca expulsora da viatura. Dinâmica da montagem da Resposta Operacional 2 Após o chefe da 2° linha posicionar o fardo de ligação no ombro, o operador(condutor) rompe o barbante que amarra a extremidade do fardo e conecta a mangueira da boca expulsora da viatura, enquanto o chefe da 2° linha avança; Em seguida o chefe da 2° linha desfaz todo seu fardo e rompe o barbante que amarra a extremidade do fardo do auxiliar da 1° linha e conecta a sua mangueira, enquanto o auxiliar da 1°linha avança; Com os dois fardos de ligação montados e estabelecidos o chefe de guarnição conecta o divisor na extremidade da mangueira do auxiliar da 1° linha e certifica-se que as saídas estão fechadas e pede que o Operador pressurize o sistema, enquanto que o auxiliar da 1° linha rompe o barbante do fardo de ataque do chefe da 1° linha e conecta em uma das saídas do divisor, e o chefe da 1° linha avança desfazendo a mangueira que está acondicionada em “Z”, após desfazer a mangueira em “Z” o chefe da 1° linha põe o fardo no chão e não desfaz a mangueira acondicionada em “O” que está conectada ao esguicho, o auxiliar da 1° linha pede para o chefe de guarnição abrir a saída do divisor e pressurizar a linha, com a pressão o barbante da mangueira acondicionada em “O” romperá e o chefe e o auxiliar da 1° linha inicia o combate. Linhas de Espumas Composição (Utilizando Misturador Entrelinhas): a) Comandante b) Operador c) Chefe de Linha de Espuma Auxiliar de Linha de Espuma Ao comando de “guarnição de espuma armar “considerando o estabelecimento com 04 (quatro) homens, ficará da seguinte maneira: 01 (um) lance de mangueira de 2 ¹/²” até o aparelho entrelinhas, outro lance 234 de mangueira de 2 ¹/²” ligado da boca de saída do aparelho retro citado até o esguicho lançador de espuma, sendo que a linha ficará a esquerda do tambor de LGE. Chefe da Guarnição: após comandar “guarnição de espuma armar”, munir-se- á do aparelho entrelinhas e uma das juntas da mangueira de 2 ¹/²” estendendoa até o local por ele determinado, acoplando a junta ao aparelho. “Abrindo o tambor de LGE e introduzindo o tubo pescante nesse, além de selecionar a percentagem para o uso, e aguardará a linha pronta para comandar Bomba Funcionar. Condutor Operador: a ele caberá receber o tambor de LGE, do chefe de linha, colocando-o no solo, passando a operar o corpo de bomba do ABT. Chefe de Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de espuma armar”, subirá no ABT para apanhar o tambor de LGE passando-o ao operador, em seguida descerá do ABT, transportando o tambor retro citado até as proximidades do aparelho entrelinhas, logo após munir-se-á do esguicho lançador de espuma, deslocando-se até a frente da linha onde juntamente com o auxiliar de linha fará o acoplamento, ficando do lado esquerdo da linha. Auxiliar da Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de espuma armar”, munir-se-á de uma mangueira de 2¹/²” desenrolando-a e acoplando uma de suas extremidades na boca expulsora do ABT e entregando a outra extremidade ao comandante da guarnição. Em seguida munir-se-á de outra mangueira de 2¹/²”, conduzindo-a até as proximidades do aparelho entrelinhas e desenrolando-a e acoplando uma das extremidades na boca de saída do aparelho entrelinhas, a outra extremidade será acoplada ao esguicho lançador de espuma pelo chefe e auxiliar da linha de espuma, ficando do lado oposto do chefe de linha de espuma. E expressará “Linha de Espuma Pronta”. Guarnição de Linha de Espuma Desarmar (Misturador Entre-Linhas) a) Chefe da Guarnição: ao comando de “guarnição de linha de espuma desarmar”, que será dado por este, fará a retirada do tubo pescante do tambor de LGE e desacoplará as mangueiras presas ao aparelho entrelinhas, levando-o até as proximidades da boca expulsora do ABT e retornará para apanhar o tambor de LGE. 235 b) Condutor Operador: a ele caberá o desacoplamento da extremidade presa à boca expulsora do ABT, isso após o fechamento da válvula de fluxo do corpo de bomba. c) Chefe da Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de linha de espuma desarmar”, desacoplará o esguicho lançador de espuma juntamente com o auxiliar e deixará no chão. Dobrando a mangueira após a retira de água feito pelo auxiliar da linha e ajudando a enrolá-la. Para o lance de mangueira anterior ao aparelho entrelinhas usar o mesmo procedimento. Feito isso o chefe de linha conduzirá o esguicho até as proximidades da boca expulsora do ABT. d) Auxiliar da Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de linha de espuma desarmar”, desacoplará juntamente com o chefe da linha o esguicho da mangueira, retirando a água e enrolando Com o auxílio do chefe da linha. Para o lance de mangueira anterior ao aparelho entrelinhas usar o mesmo procedimento. Feito isso o auxiliar da linha conduzirá as mangueiras até as proximidades da boca expulsora do ABT. Observação: Antes dos materiais serem guardados nos respectivos locais, serão conferidos e verificados a sua operacionalidade. Componentes de uma Guarnição de Espuma (Esguicho Gerador de Espuma): Composição: a) Chefe de guarnição; b) Operador. c) Chefe de Linha de Espuma. d) Auxiliar da Linha de Espuma. Ao comando “guarnição de espuma armar”, considerando o estabelecimento com 04 (quatro) homens, ficará da seguinte maneira: 01 lance de mangueira de 2¹/²” entre o ABT e o esguicho gerador de espuma, sendo que a linha ficará a esquerda do tambor de LGE. Cmt da Guarnição: após comandar “guarnição de espuma armar”, munir- se-á do tambor de espuma, o qual, receberá do chefe de linha de espuma,conduzindo-o até o local por ele determinado e abrindo-o . E aguardará a linha pronta para comandar “Bomba Funcionar”. 236 Operador: a ele cabe operar o corpo de bomba. Chefe de Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de espuma armar”, subirá no ABT, para apanhar o tambor de LGE, passando-o ao cmt da guarnição. Em seguida munir-se-á do esguicho gerador de espuma, deslocando até as proximidades do tambor de LGE, onde aguardará para o acoplamento do esguicho gerador de espuma, que será feito por este e pelo auxiliar da linha, ficando do lado esquerdo da linha. Auxiliar da Linha de Espuma; ao comando de “guarnição de espuma armar”, munir-se-á de uma mangueira de 2¹/²”, lançando-a e acoplando uma das extremidades na boca expulsora do ABT, transportando a outra extremidade até as proximidades do tambor de LGE, onde juntamente com o chefe de linha de espuma fará o acoplamento da junta com esguicho gerador de espuma. Cabe a este introduzir o tubo pescante do esguicho no interior do tambor de LGE, movimentando-o conforme a necessidade do combate a incêndio, ficando do lado oposto do chefe de linha. E expressará “Linha de Espuma Pronta”. Comando: Guarnição de Espuma Desarmar a) Cmt: após comandar “Guarnição de Espuma Desarmar”, fechará o tambor de LGE, conduzindo-o até as proximidades da boca expulsora do ABT. b) Condutor Operador: ao comando de “Guarnição de Espuma Desarmar”, desacoplará a mangueira de 2 ½ “da boca expulsora do ABT, colocando a junta no solo. c) Chefe De Linha De Espuma: ao Comando de Guarnição de Espuma Desarmar”, fará o desacoplamento do esguicho, colocando-o no solo, em seguida fará o dobramento dela, sentido incêndio/ABT ajudando o auxiliar no enrolamento que será feito no sentido incêndio/ABT. Logo após fará o transporte do esguicho gerador de espuma até as proximidades da boca expulsora do ABT. d) Aux. de Linha de Espuma: ao comando de “Guarnição de Espuma desarmar” fará a retira de água da mangueira de 2 ½ “no sentido ABT/Incêndio. Em seguida fará o enrolamento da mangueira de 2 ½ transportando-a até as proximidades da boca expulsora do ABT. 237 Observação: Antes dos materiais serem guardados nos respectivos locais, serão conferidos e verificados a sua operacionalidade. Seção 5 -Técnicas de Combate Tipos de jatos Para a utilização de água e melhor aproveitamento de seu potencial como agente extintor, são utilizados equipamentos hidráulicos que se destinam a armazenar, conduzir e lançar água. Tanques armazenam água, hidrantes a fornecem, tubulações e mangueiras a conduzem, bombas a impulsionam e esguichos dão “forma” ao jato de água. A água pode ser aplicada sob três tipos de jatos: • Compacto (sólido); • Neblinado; • Atomizado (neblinado a baixa vazão). Jato compacto Jato fechado, produzido pelo esguicho regulável com menor amplitude, toda água segue em uma só direção tendo pequena área de abrangência em relação ao volume de água. A pequena abertura produz uma descarga de água na qual, há pouca divisão de partículas o que diminui a absorção de calor no contato com o combustível e outras superfícies aquecidas. Por não estar fragmentado, o jato compacto chegará ao ponto desejado com maior impacto, atingindo camadas mais profundas do material em chamas. Figura 7- Jato compacto Fonte: CBMAM, 2022. 238 Jato Neblinado O jato neblinado é produzido pela regulagem do esguicho em ângulos que variam da amplitude do jato compacto até a proximidade de 180º de abertura do cone. A abertura do cone influencia na aplicação do jato, uma vez que, quanto mais aberto, maior é a fragmentação da água, menor é a velocidade do jato, menor é o alcance, maior é a absorção de calor e empurra mais ar. Figura 8 - Jato Neblinado Fonte: CBMAM, 2022. Jato Atomizado O jato atomizado é uma variação do jato neblinado em que o tamanho das partículas de água é essencial. Para conseguir que as gotículas obtenham o tamanho ideal utiliza-se a vazão de 30 GPM e uma pressão de 100 PSI na ponta do esguicho (analisar perda de carga de acordo com a quantidade de linhas armadas e mangueiras utilizadas). Este jato é aplicado em PULSOS, ou seja, abertura de até 2 segundos de duração, em intervalos curtos que dependem do resfriamento da camada de fumaça. O esguicho para se obter esse tipo de jato precisa ter regulagens de vazão, de amplitude do cone e manopla de abertura e fechamento. A abertura deve ser rápida e o fechamento mais lento para diminuir os efeitos do golpe de aríete. Se as gotículas 239 estiverem no tamanho adequado, é possível observa a suspensão da maioria delas por uns segundos no ar antes de caírem. Figura 9 - Jato Atomizado Fonte: CBMAM, 2022. Seção 6 - Abordagem de Ambientes Incendiados Entendemos abordagem como as ações de aproximação, abertura de acesso (s) e penetração em um ambiente sinistrado. Entrar em um incêndio é sempre um momento crítico que oferece risco ao bombeiro e, dependendo das condições em que for feita a entrada ou abertura, pode-se mudar a dinâmica do incêndio, haja vista que toda ventilação provoca aceleração da queima e aumento da taxa de liberação de calor, devido a ingestão de ar no ambiente, expondo os bombeiros a riscos como os fenômenos extremos do fogo. Por isso toda e qualquer abertura demanda cuidados. Para entrar na edificação sinistrada deve-se avaliar o incêndio e as condições da edificação, escolher o melhor local de se fazer a abertura, executar as ações de acordo com a técnica adotada. Antes de entrar em qualquer ambiente sinistrado é importante verificar: 240 a) Se existem vítimas e sua localização; b) As condições de segurança do local; c) As características construtivas da edificação; d) O local das saídas para estabelecer rota de fuga (portas, janelas etc.) e) Provável localização do foco; f) Indicativos de fenômenos extremos do fogo; Essas informações são importantes para se obter uma ação de sucesso no combate. A melhor escolha para entrada em ambiente sinistrado é em área não atingida pelas chamas sendo está entre o foco do incêndio e as vítimas, pois permite uma proteção das vítimas e das áreas não atingidas pelo fogo. Caso a guarnição tenha optado por utilizar ventiladores, a entrada deverá ser feita pela mesma abertura utilizada para entrada de ar, garantindo mais visibilidade e uma temperatura mais amena. Ao escolher o local de entrada os bombeiros devem levar em consideração os seguintes pontos: • Posicionamento: O chefe da linha e seu auxiliar, totalmente equipados (EPI e EPRA) devem posicionar em quatro pontos (de joelhos), o auxiliar da linha verifica se a porta se encontra destrancada. Caso não esteja, providenciar o arrombamento utilizando material adequado de forma que não danifique a porta e não promova uma abertura abrupta. O auxiliar verifica se a porta abre para dentro ou para fora. Se a porta abre para dentro o chefe se posiciona do lado da dobradiça, se a porta abre para fora o chefe se posiciona do lado da fechadura. Figura 10 – Posicionamento 241 Fonte: CBMAM, 2022. • Observação Rotativa: Tanto o chefe de linha quanto seu auxiliar devem proceder uma verificação perimetral da porta procurando por sinais que indiquem a condição do interior do ambiente sinistrado, buscando verificar em qual fase de desenvolvimento o fogo se encontra. Para esta ação observa-se a integridade da porta, se tem fumaça saindo sob pressão pelas frestas, a altura em que está ocorrendo essa saída, se tem ruídos de aspiração de ar paradentro do local, qual a coloração, densidade, opacidade e velocidade de saída da fumaça etc. Figura 11- Observação rotativa Fonte: CBMAM, 2022. • Temperatura (tatear): A temperatura da porta deve ser checada à procura de indícios que demonstrem a presença e altura da capa térmica. Esse procedimento é feito tateando a porta com as mãos de baixo para cima. Normalmente a parte inferior está menos aquecida que a parte superior. É indispensável a utilização de luvas de combate a incêndio para este procedimento. 242 • Figura 12 - Tatear Fonte: CBMAM, 2022 • Aguar a porta: com esguicho anteriormente regulado para vazão de 30 GPM e jato compacto o chefe de linha, utilizando jato mole, deve molhar a porta de baixo para cima, a estrutura em torno dela e a maçaneta para resfriá-los e verificar o ponto mais aquecido identificando a altura da camada de fumaça. Figura 13 - Aguar Fonte: CBMAM, 2022. 243 Para confirmação visual da condição no interior do ambiente sinistrado é necessário efetuar a técnica de abertura da porta. Sendo assim, o chefe de linha e seu auxiliar devem proceder da seguinte forma: a) O jato deve ser regulado para uma amplitude de 35º e vazão de 30 GPM; b) O chefe de linha lança dois pulsos acima da porta de menos de um segundo cada, um sobre a sua cabeça e outro sobre a cabeça do auxiliar, visando deixar em suspensão uma neblina de água na região superior próxima à porta. Esta ação se deve ao fato de que ao proceder à abertura, os gases aquecidos que escapam do interior do ambiente sinistrado se misturarão à neblina e perderão calor. Figura 14 - Aplicação do jato em suspenção Fonte: CBMAM 2022 Imediatamente após o segundo pulso acima da porta, o auxiliar faz uma pequena abertura na porta, o suficiente para a passagem do jato de água, enquanto o chefe de linha aplica um jato de dois segundos na parte superior do ambiente enquanto visualiza as condições no interior. Quando o chefe finalizar o jato o auxiliar fecha a porta imediatamente. Depois de realizada a primeira abertura deve-se definir por continuar a estabilização ou pelo início da progressão. 244 Nesta primeira abertura deve-se observar se existem chamas visíveis, acúmulo de fumaça, a coloração e densidade da fumaça, se há sinais visuais ou audíveis de que possa haver vítimas, sinais de colapso de estruturas ou quedas de forros. As condições observadas devem ser comunicadas ao comandante de socorro. Se a água lançada no ambiente evaporar, se durante a abertura e a aplicação do jato for observada saída de fumaça quente ou chamas na parte superior, ou ainda aspiração violenta de ar na parte inferior, o ambiente estará em uma temperatura muito alta. Neste caso é necessário repetir a técnica de abertura da porta até a estabilização do ambiente, possibilitando a entrada e a progressão dos bombeiros. Deve-se aguardar, entre uma abertura e outra, um tempo de 5 a 8 segundos. Se a água lançada cai ou atinge o teto, então a temperatura é moderada. Neste caso procede-se a entrada no ambiente. Figura 15 - Jato tático para estabilização térmica do ambiente Fonte: CBMAM 2022 Após os procedimentos de estabilização do ambiente e definido que é possível a entrada no local sinistrado, a dupla de ataque realiza a entrada no ambiente realizando os dois pulsos acima da porta, o auxiliar abre a porta o chefe da linha executa um pulso e realiza a entrada, em seguida o auxiliar também entra no local se posicionando na mangueira ao lado oposto ao chefe e fecha a porta. A partir deste momento o chefe de linha regula o esguicho para 60º de amplitude do jato. 245 O auxiliar deve se posicionar próximo a porta para mantê-la fechada e irá controlar o avanço e recuo da mangueira. Durante a progressão dos bombeiros em direção ao foco, portas e janelas devem permanecer fechadas, pois assim evita-se uma possível resignação da fumaça provocada pela entrada de ar. Enquanto não for estabelecida uma forma eficiente para o escoamento da fumaça e que não proporcione risco ao bombeiro e possíveis vítimas, não se deve abrir portas e janelas. Essas aberturas podem causar uma ventilação indesejada no local, provocando o aumento do foco devido a maior oferta de comburente, levando a um aquecimento rápido do local. A abertura de portas dentro do ambiente também pode expor vítimas que antes estavam protegidas e provocar a propagação do incêndio para locais antes não atingidos. Durante a progressão, é importante que tanto o chefe da linha quanto o seu auxiliar estejam atentos ao que ocorre no ambiente, sempre observando se tem 218 alguma vítima no local, se existe a possibilidade de algum material se tornar um foco secundário devido à ação da fumaça, se existe aberturas que podem afetar o comportamento do fogo, sinais de desabamento etc. Se for necessário chamar a atenção do outro bombeiro, deve-se fazê-lo batendo no cilindro ou capacete, sem tocar nas roupas de aproximação. Por dentro da roupa são formadas camadas de ar. O ar é isolante térmico, essas camadas oferecem proteção ao bombeiro. A compressão dos tecidos da roupa interrompe as camadas de ar e pode produzir queimaduras na pele do bombeiro. Somente o pessoal necessário para o combate deve entrar no ambiente sinistrado, estando todos equipados com as devidas roupas de proteção e EPRA. Um bombeiro deve permanecer também totalmente equipado, a porta controlando o avanço e recuo da mangueira. Dentro do ambiente é útil fazer o Teste de Teto, que consiste em lançar para o alto (em direção ao teto) um pulso de jato atomizado observando se a água cai ou evapora. Se a água cair, é sinal de que o local não está superaquecido sendo possível continuar a progressão. A evaporação da água indica que o local está superaquecido e a situação é de risco. Neste caso, aplicar pulsos de jato atomizado até que se consiga a estabilização do ambiente para poderem continuar avançando. A realização dos pulsos atomizados deve ser avaliada para que não seja aplicada água em excesso no ambiente, se não estiver havendo a vaporização total da água aplicada na fumaça, significa que o ambiente não está tão quente, podendo 246 diminuir o uso da água. Localizado o foco, faz-se o combate ou o seu confinamento, conforme a tática adotada. Seção 7 - Progressão do Bombeiro no Incêndio O deslocamento do bombeiro no incêndio pode ser realizado de três formas: a) Dois pontos; b) Três pontos; c) Quatro pontos. Deslocamento em dois pontos: se não houver risco ocasionado pela fumaça os bombeiros devem se deslocar de pé, caminhando normalmente. Deslocamento em três pontos: havendo risco ocasionado pela fumaça em local onde o terreno é desnivelado, tem escadas ou escombros, os bombeiros devem se deslocar em três pontos, tomando posição de combate com um dos joelhos no chão, avança tateando o chão com o pé e apoiando o seu peso na perna que estiver com o joelho no chão. Deslocamento em quatro pontos: havendo risco ocasionado pela fumaça, risco de comportamento extremo do fogo, quando for executar técnica de passagem de porta, ou entrar em ambiente desconhecido, a dupla de bombeiros progride com os dois joelhos no chão. Figura 16 - Progressão em dois, três e quatro pontos respectivamente Fonte: CBMAM, 2022. 247 Seção 8 - Tipos de Ataque A aplicação do agente extintor para extinguir o fogo é chamada de ataque. A água utilizada num incêndio será bem-sucedida se a quantidadeutilizada for suficiente para resfriar o combustível que está queimando para temperaturas abaixo do seu ponto de combustão. As técnicas de extinção são determinadas pelas peculiaridades de cada classe de incêndio e suas características, sendo que as linhas de ataque devem ser utilizadas prioritariamente no combate interno. O ataque deve ser feito preferencialmente da área não atingida em direção à área atingida em direção ao exterior da edificação. O bombeiro precisa escolher o ataque adequado, para obter a extinção mais rápida, mais segura e menos danosa, de acordo com as condições encontradas. É preciso evitar trabalharem duas linhas opostas entre si, pois podem lançar vapor e fumaça uma em direção a outra. São tipos de ataque: • Ataque direto • Ataque indireto • Ataque transicional • Ataque combinado • Ataque tridimensional Ataque direto Consiste na aplicação de água diretamente sobre à base do fogo, visando resfriá-lo abaixo de sua temperatura de ignição. O mais eficiente uso de água para a extinção de um incêndio em queima livre é o ataque direto. Não se deve lançar mais água que o necessário para a extinção, isto é, quando não se visualizar mais chamas. Aplicando-se vazão suficiente, a extinção das chamas é imediata. Se a extinção não acontece de imediato, ou a vazão é insuficiente ou existe algum anteparo protegendo o foco. Aplicar água por mais de 3 segundos na mesma área não aumenta a possibilidade de extinguir o fogo e produz vapor excessivo. O tipo de jato adotado, podendo ser compacto, neblinado ou atomizado, dependerá principalmente do 248 material combustível em chamas; da extensão atingida pelas chamas e da possibilidade de entrar no ambiente sinistrado. Pode ser utilizado em incêndios generalizados de compartimentos grandes e estruturas inteiras. Nesses locais, em que o foco é extenso, o ataque é mais efetivo se aplicado por várias linhas ao mesmo tempo, através de várias janelas, por exemplo. Este tipo de ataque pode ser executado de dentro ou de fora do compartimento sinistrado, dependendo do grau de envolvimento. Se o fogo é localizado logo no início do incêndio, um ataque direto aplicado de dentro do ambiente extinguirá rapidamente o foco, atacando a base do fogo no material combustível em chamas. Por outro lado, se a estrutura está bastante envolvida e a entrada não é possível, o ataque direto de fora do ambiente é geralmente a única técnica capaz de controlar o fogo. Vantagens do ataque direto: • Pode ser aplicado à distância; • É adequado para incêndios tanto em locais abertos quanto em compartimentos; • É adequado para a proteção de prédios vizinhos contra a propagação do fogo. Desvantagens do ataque direto: • O ataque direto utilizado de forma contínua pode exigir muita água, a qual escoa do combustível, ou não ser totalmente transformada em vapor provocando o “alagamento”; • Se for aplicada água em excesso, pode alterar o balanço térmico devido à grande produção de vapor; • Pode empurrar fumaça para outros compartimentos, o que ameaça a vida de vítimas presas pelo aumento da temperatura; • Pode levar fragmentos incandescentes até gases pré-misturados, ocasionando a ignição de fumaça. Balanço ou equilíbrio térmico é o movimento dos gases aquecidos em direção ao teto e a expansão de vapor d´água em todas as áreas, após a aplicação dos jatos d´água. Se o jato for aplicado por muito tempo, além do necessário, o vapor começará a condensar, causando a precipitação da fumaça e dos gases aquecidos do teto para piso, de forma que os produtos aquecidos que deveriam ficar ao nível do teto tomarão o lugar do ar fresco que deveria ficar ao nível do chão, tornando o ambiente baixo muito quente e sem visibilidade. 249 Ataque indireto Consiste na aplicação de água de fora do ambiente sinistrado direcionadas para paredes e teto aquecidos pelo incêndio, para formar uma grande quantidade de vapor quente e úmido que reduz as chamas e, em alguns casos, chega a extinguir a base do fogo. Pela grande quantidade de vapor produzida, oferece risco aos bombeiros. O vapor formado também pode sair por pequenas aberturas com pressão, bem como empurrar a fumaça para outros ambientes da edificação. No ataque indireto, o esguicho será acionado por um período de 20 a 30 segundos, no máximo. Após o acionamento do esguicho, fecha-se a porta do ambiente sinistrado e aguarda por 20 segundos ou menos para que o vapor d’água possa extinguir o fogo por abafamento. Após a aplicação da água, o bombeiro deverá aguardar a estabilização do ambiente, isto é, que as labaredas baixem e se reduzam a focos isolados. Isso poderá ser constatado por meio dos seguintes sinais: não mais se vê a luminosidade das labaredas; não mais se ouve o som característico de materiais em combustão. Se estes sinais não forem constatados, repete-se o procedimento. Depois de estabilizado o ambiente, o bombeiro deve entrar no local com o esguicho fechado e extinguir os focos remanescentes através de jatos intermitentes de pequena duração, dirigidos diretamente à base do fogo. Durante este procedimento o bombeiro deverá atentar para que o volume de água utilizado seja o menor possível. Neste tipo de ataque, o objetivo é produzir uma grande quantidade de vapor de água para resfriar a capa térmica e o cômodo e, indiretamente, apagar o fogo. Como não visa o foco, objetos não atingidos pelo fogo podem ser danificados pela água utilizada neste tipo de ataque. Ataque transicional Consiste na estabilização do ambiente pelo lado de fora, usando a propriedade de vaporização da água, para criar melhores condições de entrada no local sinistrado. Deve ser executado quando o ambiente está confinado e com alta temperatura, com ou sem fogo, devendo atentar para a possibilidade do surgimento de algum dos fenômenos extremos do fogo (“backdraft” ou “flashover”). Realiza-se dirigindo um jato 250 d’água compacto para o teto superaquecido, tendo como resultado a produção de 1.700 litros de vapor para cada litro de água, aproximadamente. O esguicho será acionado por um período de aproximadamente 5 segundos, não podendo haver excesso de água, o que causaria distúrbios no balanço térmico. O processo de estabilização do ambiente será muito rápido e o bombeiro perceberá os sinais logo após a aplicação da água. Depois de estabilizado o ambiente, o bombeiro deve entrar no local, executando os procedimentos de passagem de porta, e executando um ataque de dentro do ambiente. Durante a aplicação da água por qualquer abertura da edificação, os bombeiros deverão manter-se fora da linha de abertura de portas e janelas, para se protegerem da expulsão de gases quentes e vapores que sairão através dessas aberturas. Ataque combinado Consiste na técnica de geração de vapor combinada com ataque direto à base dos materiais em chamas, devendo o esguicho regulável trabalhar com uma abertura de 30 graus e uma vazão de 125 GPM, movimentando o de forma a descrever uma das seguintes letras: “Z”, “O”, “T” ou “I”, conforme o tamanho do ambiente. Para um ambiente de aproximadamente 30 m2, faz-se um grande “Z”, começando do alto e indo até próximo do piso. Para um ambiente de aproximadamente 20 m2, faz-se um “O”, movimentado de forma a descrever um círculo, atingindo o teto, a parede oposta e novamente o teto. Para um ambiente de aproximadamente 10 m2, faz-se um “T”, começando do alto e indo até próximo do piso. Para corredores, faz-se um “I” de cima para baixo. Forma-se a letra adequada ao tamanho do ambiente e fecha-se o jato. Observa-se a ação do jato no ambiente e se necessário repetir o procedimento. Formar a letra é um artifício para cobrir todas as superfícies do ambiente e ao mesmo tempo limitar a quantidade de água aplicada. Cada letra dura no máximo 2 segundos: começa no alto, molhao teto do ambiente, continua atingindo as paredes e termina pouco antes de alcançar o chão. 251 Fonte: Blog Bombeiro Osvaldo É importante salientar que para utilização desta técnica é necessário que se tenha um ambiente com ventilação adequada. Em casos de formação excessiva de vapor, como medida de emergência, os bombeiros podem lançar-se ao solo para evitarem sofrer queimaduras. Em seguida, deve ser reavaliada a ventilação do ambiente. Ataque tridimensional Consiste na aplicação de neblina de água em pulsos rápidos e controlados, em que o tamanho das gotas de água é crucial. Método introduzido por bombeiros suecos e ingleses, no início dos anos 1980, que usa o jato atomizado para conter a combustão na fase gasosa e para prevenir ou reduzir os efeitos do flashover, backdraft e outras ignições dos gases produzidos pelo fogo. O ataque tridimensional busca a vaporização da água dentro da fumaça. Não deve atingir teto e paredes. Atua na fumaça por três mecanismos: diluição, resfriamento e diminuição do volume. Foi desenvolvido para prevenir e extinguir as chamas na camada de fumaça e gases quentes, sem agravar as condições do incêndio pela injeção de água em demasia. Aplicar muita água na fumaça pode até extinguir o fogo, mas produz muito vapor quente. Este tipo de ataque é adequado para situações em que o foco ainda não foi localizado, e ainda é possível entrar no ambiente. O ataque tridimensional na fumaça protege as guarnições do calor intenso radiado do teto e evita um 252 comportamento extremo do fogo. É adequado para situações em que existe um grande volume de fumaça com pouco ou nenhum fogo aparente. Esta técnica possibilita a diminuição do volume da camada de fumaça, elevando assim o plano neutro (zona de reação), pois a contração causada pelo resfriamento é maior que a expansão da água convertida em vapor, melhorando as condições de visibilidade e temperatura. É utilizado durante a progressão da entrada até o local onde é possível apagar o fogo. A área máxima evolvida pelo fogo, em cada cômodo, não deve ultrapassar 70m2. Acima disso este tipo de ataque não proporciona estabilização suficiente para a presença dos bombeiros com segurança. A técnica consiste na aplicação de pulsos de baixa vazão (30 GPM), a uma pressão de 100 PSI na ponta do esguicho, dentro da camada de gases aquecidos. Para tal, o jato deve ser executado através da rápida abertura e fechamento da manopla do esguicho, tendo uma duração cerca de 0,1 a 0,5 segundo, direcionados à parte mais alta da área sinistrada. Os esguichos devem ser regulados em 60 graus de amplitude, o bombeiro deverá posicionar-se agachado, sentado sobre os calcanhares, de forma que o jato lançado forme um ângulo de 45 graus em relação ao solo. A área de controle pelo ataque tridimensional é limitada pelo alcance do jato e pelo tempo durante o qual a fumaça pode ser mantida resfriada, o que depende da intensidade do incêndio. Sem ventilação adequada: Nesses ambientes é preciso evitar a formação de vapor. Faz-se o ataque direto de forma intermitente (pacote d’água) alternado com ataque tridimensional, visando evitar o alagamento e o acúmulo excessivo de vapor até a extinção do fogo. A utilização dos pulsos na camada de fumaça se dá para controlar sua inflamabilidade. O Pacote d’água é o ataque direto com jato compacto em baixa vazão (30 GPM). Abre-se e fecha-se o esguicho de forma intermitente. Desta forma a água cai como um “pacote de água” sobre uma pequena área. Começa-se da borda do foco, apagando pequenas áreas por vez até que se complete a extinção, com o mínimo de danos mantendo visibilidade e pouco vapor. Este ataque é próprio para focos de até 40 m2, aproximadamente. Pode ser usado também quando há ventilação adequada, desde que seja possível aproximar- se do foco. 253 Com ventilação adequada: Nos ambientes que tenham abertura adiante da linha de mangueira que possibilita a saída da fumaça e vapor de água formado durante o ataque, pode-se aplicar um jato como uma VARREDURA, lentamente, por 1 a 3 segundos sobre cada área, começando da periferia do foco. Um grande foco pode ser atacado desde modo. Trabalha-se com a maior vazão disponível começando de uma área periférica. Ataca-se a área que pode ser 226 coberta pelo jato, em seguida a próxima, até controlar todo o foco. Como se fosse uma fila. Um ataque utilizando alta vazão deve ser seguido imediatamente por outro de menor vazão, que irá extinguir os focos menores restantes, antes que o material seja reaquecido e volte a queimar. Se o foco estiver oculto e for necessário atingir um obstáculo para que a água ricocheteie e atinja-o, a aplicação deve durar somente de 1 a 3 segundos sobre cada local, variando-se a posição do jato para conseguir atingir o foco. A grandes distâncias, usa-se o jato compacto, que se quebra pelo atrito com o ar e torna-se neblinado até chegar ao objetivo. A pequenas distâncias, usa-se o jato neblinado aberto até 30 graus, aproximadamente. Para se controlar grandes focos de incêndio, é importante dividir o foco em duas partes, para em seguida atacá-las separadamente. Ao dividir o foco, a eficiência do aquecimento diminui. Para tal, ataca-se com maior vazão disponível, por um curto período, a área de maior potência do foco, onde as chamas são mais altas, pois representa o maior perigo de propagação. Depois ataca-se as outras duas áreas separadamente. Seção 9 - Para Casos de Risco de Backdraft Quando o cômodo do foco está fechado, ou pode ser fechado, é possível fazer um ataque indireto por meio de uma pequena abertura da porta ou uma abertura na parede suficiente apenas para passar o esguicho. Isto é especialmente indicado em caso de risco de backdraft, pois elimina a necessidade de os bombeiros entrarem no ambiente. A abertura deve ser a menor possível, para evitar a entrada de ar fresco para o interior do ambiente sinistrado. Em um cômodo pequeno, pode-se utilizar um único movimento rápido e circular com o esguicho, posicionado mais ou menos ao comprimento de um braço para dentro da abertura. Ou pode-se fazer os mesmos movimentos do ataque ZOTI, considerando a área do cômodo. Após a aplicação de água nas superfícies quentes, o 254 compartimento deve ser fechado por alguns instantes para reter o vapor. Atenção, pois o vapor formado pode sair sob pressão pela abertura. Pode-se repetir este procedimento até três vezes, observando o resfriamento. Em seguida, abre o ambiente e inicie o rescaldo. 255 CAPÍTULO 7 – VENTILAÇÃO TÁTICA Autores: AL OF Alexsander Serzedelo, AL OF Mizael Pereira de Souza, AL OF Pablo Rodrigo Nascimento Rocha, AL OF Joaquim de Souza Lima A influência que a movimentação da fumaça no interior da edificação em chamas tem sobre a dinâmica do incêndio durante a ocorrência é um dos pontos mais relevantes a ser observado pelo comandante do socorro. Deve-se levar em conta que as aberturas realizadas na edificação incendiada possibilitarão a alimentação da combustão devido a entrada de ar fresco rico em oxigênio. Desta forma, havendo uma entrada qualquer de ar no ambiente pode-se dizer que este ambiente está sendo ventilado e, neste caso, a fim de prever o efeito que essa ventilação exercerá sobre a dinâmica do incêndio, as equipes de bombeiros devem promover o controle da inserção de ar na edificação sinistrada e o direcionamento do fluxo da fumaça. À vista disso, conceitua-se ventilação tática o controle do fluxo de inserção de ar para dentro da edificação incendiada a fim de se direcionar e remover a fumaça por uma saída adequada facilitando desta forma as operações de combate a incêndio. Seção 1 - Fatores de movimentação dos gases A efetividadeda ventilação tática de certa forma depende do grau de conhecimento das equipes de bombeiros sobre os fatores que produzem a movimentação e direcionamento da fumaça na edificação incendiada. Estes fatores são: Sobrepressão do compartimento incendiado A sobrepressão dentro do compartimento incendiado ocorre em função do aquecimento dos gases, vapores e líquidos (fluidos) que possam nele existir resultando no aumento do seu volume e pressão interna. Esse aumento da pressão interna faz com que ocorra a tendência natural desses fluidos aquecidos serem expelidos por qualquer abertura existente. 256 Empuxo Durante um incêndio os fluidos se tornam menos densos à medida que são aquecidos. Nesse processo a massa dos fluidos permanece constante, porém observa-se o aumento de seu volume. Com o transcorrer do tempo, por ação do empuxo, os fluidos menos densos tendem a subir até o teto por ação das correntes de convecção que se formam, enquanto os menos densos acomodam-se na parte inferior do compartimento e a menos que haja uma saída, os fluidos menos densos ocuparão toda região mais alta se concentrando no espaço ao redor. A esse processo dá-se o nome de efeito cogumelo. Pressão negativa nos corredores e escadas De acordo com o Princípio de Bernoulli um fluido em movimento tenderá a sofrer diminuição de sua pressão à medida que passar por um estreitamento da trajetória de seu fluxo de movimento causando a aceleração desse fluido. Nas ocorrências de incêndio, ao passar por uma caixa de escada ou corredor a fumaça sofrerá aceleração devido ao estreitamento de seu fluxo de movimento e, de acordo com o princípio de Bernoulli sua pressão dentro desses segmentos diminuirá promovendo assim um efeito de “sucção” para esses compartimentos. Ou seja, mais rapidamente serão preenchidos pela fumaça. Direção do vento Deve-se observar que a direção do vento determinará por qual abertura ocorrerá a entrada do maior fluxo de ar fresco na edificação, bem como por onde predominantemente a fumaça sairá e para onde se dissipará ao sair da edificação. Seção 2 - Avaliação da necessidade de emprego da Ventilação Tática Avaliando a cena 257 Ao chegar no local do incêndio uma das primeiras providências a serem executadas pelo comandante do socorro é realizar a avaliação da cena com o intuito de levantar o máximo de informações possíveis que lhe possam subsidiar o planejamento das operações, estabelecendo assim, as prioridades táticas da ocorrência e a definição da melhor estratégia e emprego tático dos recursos disponíveis. A estratégia e a tática adotadas devem levar em conta os problemas observados no incidente. Nesse contexto, em função dos benefícios que pode gerar quando suas técnicas são bem executadas deve ser um fator relevante a ser considerado pelo comandante do socorro durante uma ocorrência. Ponderações Contudo, alguns pontos importantes devem ser considerados antes de dar início à ventilação da edificação, uma vez que suprir o incêndio com comburente sem que se tenha exata noção dos efeitos dessa ventilação sobre o incêndio poderá acarretar graves acidentes, ou ainda na perda do controle do incidente. Diante disso, os seguintes fatores devem ser considerados antes de se começar a ventilação do local incendiado: Segurança • A segurança da equipe de bombeiros que executará as técnicas de ventilação tática é o principal fator a ser considerado pelo comandante do socorro: • Durante a realização das aberturas que preferencialmente devem ser realizadas externamente; • Ao entrar no compartimento a ser ventilado; • Estabelecer previamente uma rota de fuga para os bombeiros, etc. • Ademais, deve-se observar segurança das vítimas remanescentes na edificação. 258 Figura 79- Abertura realizada pelo lado externo. Fonte: CBMAM, 2022. Localização do foco É importante obter conhecimento sobre os focos do incêndio e suas extensões na edificação sinistrada a fim de se executar a ventilação tática. Com isto buscar-se- á prever o efeito que a ventilação exercerá sobre esses focos. Direção do vento Não se deve começar uma manobra de ventilação sem considerar o sentido do vento, uma vez que ele é um dos fatores determinantes da direção da fumaça. A equipe de bombeiros deverá aproximar-se da edificação incendiada preferencialmente com o vento pelas costas, ou seja, a favor do vento principalmente quando for realizar abertura para a ventilação vertical. 259 Figura 80 - Abertura vertical realizada a favor do vento Fonte: www.cfbt-us.com/pdfs/VentilationStrategies.pdf Percurso da fumaça na edificação Para fins de se definir a melhor técnica de ventilação a ser utilizada deve-se observar o caminho natural da fumaça na edificação. Isso permitirá prever o risco de propagação do incêndio para outros compartimentos da edificação ou edificações vizinhas. Deve-se ter especial cuidado com os fossos e dutos tendo em vista que podem conduzir a fumaça para outros compartimentos distantes dos focos de incêndio. Outro fator que também deve-se ter cuidado são os tetos falsos que de certa forma poderão acumular fumaça gerando situação de risco para as equipes de bombeiros. Local da abertura para a saída da fumaça Deve-se evitar danos desnecessários às edificações provocados por aberturas forçadas de ventilação preferindo-se utilizar as aberturas já existentes. Preferencialmente deve-se realizar a abertura para a saída da fumaça o mais próximo possível do foco. Isso potencializará a extração da fumaça e evitará seu deslocamento para compartimentos ainda não afetados pelo fogo. Tamanho das aberturas http://www.cfbt-us.com/pdfs/VentilationStrategies.pdf 260 Deve-se ressaltar que o tamanho das aberturas deve ser planejado de tal forma que a saída do fluxo de fumaça seja maior do que o fluxo de ar que entra no compartimento incendiado. Deve-se realizar a abertura para a saída do fluxo de fumaça anteriormente à abertura para a entrada do fluxo de ar fresco. Ressalta-se que uma abertura grande é mais eficiente do que várias aberturas menores. Comunicação da equipe de bombeiros A fim de se garantir a segurança das equipes de bombeiros e a correta execução das técnicas de ventilação tática é de vital importância que todos os envolvidos tenham ciência dos procedimentos técnicos, principalmente aqueles que já adentraram ou adentrarão na edificação sinistrada. A menos que haja uma situação de emergência em que seja necessário dar suporte às equipes de salvamento, as técnicas de ventilação tática só devem ser iniciadas após as linhas de combate estarem devidamente pressurizadas. Ressalta-se que em toda e qualquer circunstância o uso do EPRA será obrigatório durante as operações de combate a incêndio independentemente das técnicas de ventilação utilizadas. Seção 3 - Vantagens da ventilação tática Fatores positivos de ventilação Como visto anteriormente a fumaça pode apresentar certas características e com base nelas pode-se elencar alguns aspectos positivos de se ventilar um compartimento incendiado: quente, opaca, móvel, inflamável e tóxica. Quente • Para as equipes de bombeiros que se encontram no interior da edificação as condições de trabalho e conforto melhoram à medida que se retira o calor oriundos dos produtos da combustão e o vapor d’água provenientes das operações de combate e rescaldo; 261 • Limita a propagação do incêndio, minimizando os danos, pois retira a fumaça superaquecida que irradia calor para o combustível que ainda não entrou em combustão. Opaca • À medida que se retira a fumaça da edificação sinistrada as condições de visibilidade melhoram para as equipes de busca e salvamento. Da mesma forma as vítimas que estejam conscientes têm melhores condições de saíremdo ambiente; • Uma vez que as condições de visibilidade melhoram expressivamente, o combate direto pode ser executado de forma mais eficaz. Figura 81 - Comparação entre um ambiente não ventilado e esse mesmo ambiente ventilado - melhora da visibilidade para a evacuação das vítimas. Fonte: Manual Operacional de Bombeiros: CBMGO. Pag. 233. Móvel • Se o comandante de socorro conhecer os fatores de movimentação da fumaça poderá então definir o melhor caminho a ser percorrido por ela e assim poderá direcionar todo o seu fluxo para uma rota ou saída desejada. Inflamável • Ao se executar a ventilação dilui-se a concentração de gases inflamáveis provenientes de combustão incompleta. Essa diluição diminui 262 consideravelmente o risco de comportamento extremo do fogo uma vez que retira o calor fazendo com que a fumaça se torne menos inflamável. Tóxica • Aumenta a possibilidade de sobrevivência das vítimas tendo em vista que torna menos tóxica a atmosfera dentro da edificação incendiada. Seção 4 - Classificação da Ventilação Tática A fim de se dinamizar o estudo da ventilação tática abordadas nesta seção buscou-se classificá-las com base nos seguintes aspectos: o efeito que se busca produzir sobre o foco de incêndio, a localização do plano de abertura para a saída de fumaça; a necessidade de utilização de equipamento mecânico para sua execução e o número de aberturas necessários. Ressalta-se que a classificação pode ser simultânea, ou seja, um único procedimento de ventilação poderá ser classificado simultaneamente como horizontal, se levar em conta o plano das aberturas, cruzada, se levar em conta a distinção da saída de fumaça e a entrada de ar fresco, forçada, se levar em conta os meios usados e ofensiva, se levar em conta o efeito que se busca produzir sobre o foco. Classificação quanto ao plano das aberturas Ventilação tática horizontal É aquela em que as aberturas para a saída de fumaça e entrada de ar fresco nas paredes do compartimento incendiado encontram-se no mesmo plano. Essa modalidade de ventilação só poderá ser utilizada em locais onde não seja seguro realizar aberturas no teto, quando não for observado o deslocamento da fumaça para pavimentos superiores e quando o foco de incêndio ainda for incipiente. 263 Figura 82 - Ventilação horizontal - aberturas no mesmo plano Fonte: https://shop62004.radio53.com/content?c=horizontal%20ventilation&id=20 Vantagens da ventilação tática horizontal • Facilidade de emprego, haja vista a possibilidade de se utilizar portas e janelas como as aberturas pré-existentes na edificação; • Menor tempo de execução devido sua facilidade mesmo que seja necessária uma abertura forçada. Desvantagens da ventilação tática horizontal • Menor eficiência se comparada à ventilação vertical; • A ventilação perde eficiência se o compartimento a ser ventilado possuir o teto muito alto, pois dificulta aberturas próximas ao teto; • Contraindicada para compartimentos que possibilitam o risco de comportamento extremo do fogo, principalmente se a ventilação aplicada fora natural. • Perda considerável da eficiência se não houver oposição entre as aberturas para a entrada de ar e a saída de fumaça. https://shop62004.radio53.com/content?c=horizontal%20ventilation&id=20 264 Ventilação tática vertical É aquela onde a abertura para saída de fumaça é realizada superiormente ao plano da entrada de ar fresco. Pode ser feito no teto, na parede, rente ao teto ou em pavimento superior. Deve ser utilizada em locais com risco de comportamento extremo do fogo, em incêndios cujas chamas tenham se propagado para o teto, em edificações verticais onde existam poços e dutos e em edificações de teto alto. Figura 83 - Abertura feita no teto - Ventilação vertical Fonte: https://www.bombeiros.pt/wp-content/uploads/2013/07/12.VentilacaoTactica.pdf É contraindicado jogar água nas aberturas utilizadas para a extração da fumaça devendo os jatos de água serem aplicados paralelamente à abertura para fins de acelerar o fluxo da fumaça, extinguir partículas incandescentes e impedir a ignição da fumaça. 265 Figura 84 - Jato lançado paralelo à abertura para a saída de fumaça. Fonte: CBMAM, 2022. Vantagens da ventilação tática vertical • Maior eficiência em relação a ventilação horizontal, pois o efeito desejado é produzindo mais rápido uma vez que a abertura é feita onde a fumaça está mais concentrada; • Modalidade mais indicada para ambientes que possibilitem risco de comportamento extremo do fogo com a ressalva de que a abertura para entrada do ar fresco deve ser limitada. Desvantagens da ventilação tática vertical • Maior tempo de abertura forçada, pois geralmente as edificações não possuem aberturas naturais no teto. • A abertura no teto gera o risco da equipe de bombeiros cair dentro do incêndio. • Além dos materiais necessários para forçar uma abertura para saída de fumaça necessita-se de outros equipamentos especiais como escadas e auto plataformas. 266 Seção 5 - Classificação quanto ao número de aberturas Simples É menos eficiente que a ventilação cruzada. Ocorre quando a saída de fumaça e a entrada de ar fresco acontecem na mesma abertura. É utilizada somente quando a edificação não apresenta condições de aberturas distintas para a extração de fumaça e entrada de ar. O processo de extração da fumaça pode ser acelerado com uso de equipamentos mecânicos, contudo a entrada de ar fresco deve ser realizada inferiormente ao plano de abertura para a saída da fumaça. Figura 85- Ventilação simples. Fonte: Manual Operacional de Bombeiros: CBMGO. Pag. 237. Cruzada Quando a entrada de ar fresco e a dissipação da fumaça ocorrem por aberturas distintas. A eficiência da técnica é proporcional ao alinhamento dessas aberturas, pois caso contrário a corrente de ar criada sofrerá desvios, gerando turbulência, que por sua vez diminuirá a velocidade de dissipação da fumaça no ambiente. Havendo possibilidade deve-se preferenciar esta técnica por ser mais eficiente e eficaz em dissipar a fumaça. 267 Figura 86 - Ventilação cruzada Fonte: Manual Operacional de Bombeiros: CBMGO. Pag. 237 Classificação quanto aos meios usados Ventilação natural Quando a extração da fumaça da edificação incendiada acontece sem auxílio de equipamentos mecânicos. A simples abertura é suficiente para que as forças que condicionam a movimentação da fumaça, no caso o empuxo, sobrepressão a do compartimento, a direção do vento e a pressão negativa nos corredores e escadas, atuem sobre ela forçando-a a sair. A ventilação natural é potencialmente influenciada pela direção e a velocidade do vento por determinarem a direção seguida pela fumaça e a velocidade de percepção dos efeitos da técnica. A extração da fumaça e a entrada de ar fresco deve obrigatoriamente seguir o sentido do fluxo do vento. 268 Figura 87 - Ventilação natural. Fonte: https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117 Ventilação forçada Quando a retirada da fumaça acontece com auxílio de equipamento mecânicos. Esta técnica acelera a extração da fumaça, limitando seus danos e possibilita controlar o incêndio mais rápido. Deve-se ponderar rigorosamente esta técnica antes de utilizá- la, principalmente se for por pressão positiva, pois um equivocado suprimento excessivo de ar fresco poderá intensificar a combustão possibilitando que a equipe de bombeiros perca o controle do incêndio. Esse tipo de ventilação possibilita direcionar melhor o fluxo da fumaça, oferecendo uma flexibilidade maior aos bombeiros que estão atuando no incêndio. Ainda que seja possível forçar a ventilação contra o vento, é preferível que se aproveite a direção do ventopara realizar a ventilação tática forçada. Ventilação por pressão negativa – VPN Quando é realizada através de exaustores cuja finalidade é acelerar a extração da fumaça pela diminuição da pressão dentro do ambiente incendiado. https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117 269 Figura 88 - Exaustor elétrico. Fonte:https://www.sossul.com.br/admin/files/produto/thumb_2435229d7bb9b9534c0a2ff9ec9ac0941f dff25.jpeg. É uma técnica que apresenta limitações que acabam dificultando as operações de combate a incêndio, podendo-se destacar: Demanda de tempo e recursos adicionais para manter o sistema estabilizado na abertura de extração da fumaça, que por sua vez deve ser feira na região de maior altura possível. Deve-se atentar para a existência de barreiras que possam reduzir a eficiência da técnica ou objetos que possam ser sugados pelo exaustor. Das técnicas de ventilação forçada é a que apresenta menor eficiência de extração devido a elevada pressão no interior do ambiente incendiado que ocorre em função da expansão dos gases da combustão. Apesar das limitações a técnica pode se mostrar vantajosa no direcionamento da fumaça por compartimentos que ainda não foram atingidos pelo incêndio, através de sua manga/mangote. Deve-se considerar a temperatura de trabalho do exaustor a fim de se evitar danos em sua estrutura durante seu uso. Por isso seu emprego é mais indicado durante a fase de rescaldo quando as temperaturas são mais baixas. 270 Figura 89 - Exaustor usado para a VPN e puxar a fumaça de uma estrutura. Fonte: https://guides.co/g/fd205-decision-making-pres/119927 Ventilação por pressão positiva – VPP Técnica conhecida por fazer uso de ventiladores de alta vazão sendo o mais eficiente dentre as modalidades de ventilação forçada produzindo efeito desejado com maior rapidez. Esses ventiladores podem funcionar à combustão, eletricidade ou hidráulica a depender dos modelos disponíveis apresentando especificidades que devem ser conferidas no manual do fabricante como, por exemplo, o tamanho do cabo de força dos ventiladores elétricos que dependendo da situação poderá ser necessário uma extensão elétrica para poder funcionar dentro de compartimentos enfumaçados. Já os que usam o ar atmosférico para funcionar, não devem ser utilizados dentro desse ambiente. Uma ou outra adaptação poderá ser necessário na hora do combate independente do modelo de ventilador utilizado. O funcionamento da VPP se dá em função do aumento forçado do volume de ar no interior do compartimento incendiado. Isso promove uma diferença interna de pressão resultando numa maior vazão dos gases de dentro para fora acelerando a extração da fumaça e dos gases quentes. 271 Figura 90 - Pressão positiva dentro da edificação ventilada. Fonte: https://www.ukfrs.com/modal/general-cm/13884/237524/document/nojs Segue abaixo uma série de cuidados que devem ser considerados ao se utilizar a ventilação forçada por pressão positiva a fim de se evitar acidentes, a perda do controle da ocorrência e alcançar melhor eficiência no combate ao fogo: • O posicionamento do ventilador deve ser de tal forma que o cone de ar cubra toda a extensão da abertura tangenciando, preferencialmente, suas bordas a fim de se injetar maior volume possível de ar produzido; https://www.ukfrs.com/modal/general-cm/13884/237524/document/nojs 272 Figura 91 - Posicionamento do ventilador na VPP Fonte: Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas – CBMAM • Quanto mais limpo de obstáculos for a trajetória da passagem do ar e da saída da fumaça mais eficiente será a técnica, pois evita turbulência dos gases. Por isso, deve-se fechar cômodos que não necessitam ser ventilados e retirar obstáculos à corrente de ar forçada; • Aberturas por onde não se deseja a saída de fumaça devem ser fechadas; • Deve-se manter constante a proporção entre a entrada de ar forçado e a saída de fumaça; • Não deve-se ligar o ventilador sem que antes seja feita a abertura para a saída de fumaça; • Havendo possibilidade deve-se compartimentar os ambientes da edificação a fim de diminuir a área a ser ventilada para melhorar a eficiência da técnica; • Nunca desperdiçar o vento natural existente. 273 Vantagens da ventilação por pressão positiva: • Rapidez na produção dos efeitos desejados sobre o incêndio; • O acesso à edificação é independente, ou seja, não sofre interferência devido à disposição do ventilador sobre a abertura para entrada de ar; • O fluxo de ar forçado evidencia pontos quentes ou em brasas durante o rescaldo. Desvantagens da ventilação por pressão positiva: • Ineficiente em estruturas que não estejam intactas, ou seja, desmoronadas; • É a técnica que apresenta maior possibilidade de risco em situações de falhas de planejamento; • Favorecimento de novos focos de incêndio não percebidos; • Pouca ou nenhuma eficiência em compartimentos de grandes áreas como supermercados, galpões industriais, etc. Uso de mais de um ventilador simultaneamente Em compartimentos de grandes áreas que tenham ou possibilitem aberturas maiores para a entrada de ar forçado será necessário mais ventiladores trabalhando em conjunto. Para aberturas largas os ventiladores devem ser justapostos paralelamente e para aberturas muito altas podem ser posicionados um sobre o outro. 274 Figura 92 - Arranjo com dois ventiladores - ambiente grande e com porta larga. Fonte: Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas – CBMAM. Seção 6 - Ventilação por arrastamento hidráulico A ventilação por arrastamento hidráulico é empregada utilizando-se linhas de mangueira pressurizadas em ambientes que seja possível obter aberturas distintas para entrada de ar e saída de fumaça, com o objetivo de criar uma força de arraste que acelera a extração da fumaça. Esse arraste é obtido direcionando o jato de água pelas aberturas sempre no sentido de dentro para fora da edificação, criando, de acordo com o Princípio de Bernoulli, uma zona de baixa pressão devido à aceleração dos fluídos proporcionando o arraste da fumaça. É uma técnica versátil e simples de ser empregada pois utiliza as próprias linhas de mangueiras das guarnições para produzir o efeito desejado que é bastante satisfatório quando a técnica é empregada corretamente. O jato de água deve ser direcionado sempre na direção da abertura de saída da fumaça principalmente quando a abertura for uma janela. Pontos importantes para a boa execução da ventilação por arrastamento hidráulico 275 Segue abaixo uma série de pontos que devem ser considerados durante a execução da técnica para que seja obtido a máxima eficiência possível: • A vazão deve ser a menor possível, sempre em jato neblinado e com esguicho em angulo aproximado de 60º; • Para se conseguir maior eficiência o jato d’água ao passar pela abertura deve cobrir cerca de 85% a 90% da área da abertura de saída da fumaça; Figura 93 - Posicionamento para ventilação por arrastamento hidráulico. Fonte: https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117 • Manter os jatos de ataque nas mangueiras em 100 PSI; • Para evitar jogar água dentro da edificação o chefe da linha se posiciona próximo a janela, abre o esguicho devidamente regulado e vai se afastando da janela até que todo jato esteja saindo pela abertura rente as bordas; https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117 276 Figura 94 - Ventilação por arrastamento hidráulico - Jato d'água saindo completamente pela abertura. Fonte: CBMAM, 2022. • No caso de a ventilação ser realizada através de uma porta, o jato de água deverá tangenciar lateralmente a parte superior da porta; • Havendo apenas uma única abertura