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1 
 
 
INTRODUÇÃO 
Um breve histórico do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas 
 
Após a capital do Império Romano ter sido devastada por um grandioso 
incêndio no ano 22 a.C. o Imperador Otávio Augusto, em 27 a.C., formou um grupo 
denominado de “vigiles” para patrulhar as ruas, impedir incêndios e policiar a cidade. 
Esse foi o primeiro corpo organizado que se tem conhecimento na história, dedicado 
a função de bombeiro. Esses primeiros combatentes contavam com métodos 
insuficientes para extinção de chamas, pois neste período da história o fogo era um 
problema de difícil solução. Esse é um fato que relata a origem do corpo de 
bombeiros. 
No Estado do Amazonas o corpo de Bombeiros foi criado oficialmente em 
1876, através da Portaria Provincial de nº 268, de 11 de julho. O Coronel Gregório 
Thaumaturgo de Azevedo, governador do Estado, com a Proclamação da República, 
registrou sua proposta de substituição do Batalhão Militar de Polícia (atual PMAM) 
por uma Guarda Republicana. O referido documento tinha a seguinte citação: 
A "Companhia de Bombeiros deverá ter organização especial, separada da Guarda 
Republicana, e, além do serviço de extinção de incêndios que lhe compete por sua organização, se 
incumbirá como Corpo de Artífices de trabalhos públicos feitos de forma administrativa na Capital". 
 A aprovação que regulamentou a Companhia de Bombeiros do Estado foi o 
Decreto nº 12, de 15 de dezembro de 1892. Mas, em 26 de novembro, a Emenda 
Constitucional de nº 31, decretou que o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do 
Amazonas se tornaria um órgão de categoria autônomo integrante do Sistema de 
Segurança Pública Estadual, independente da Polícia Militar. 
 Atualmente conta com 1.079 Bombeiros Militares em todo o Estado do 
Amazonas. Com intuito a dar visibilidade e transparências de suas ações, o Corpo de 
Bombeiros do Estado do Amazonas – CBMAM tem como: 
MISSÃO: A execução de atividades de Defesa Civil, Prevenção e Combate a 
Incêndios, Buscas, Salvamentos e Socorros Públicos no âmbito do Estado do 
Amazonas, conforme preconiza o artigo 144 da Constituição Federal/1988. 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalh%C3%A3o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADcia_Militar_do_Estado_do_Amazonas
2 
 
 
VISÃO: Ser uma Corporação digna do respeito e estima popular, que se apresenta 
como modelo de excelência tanto na gestão pública, quanto na alta qualidade do 
serviço prestado para a sociedade amazonense. 
VALORES: PRONTIDÃO – Desenvolvido através do senso de responsabilidade e 
comprometimento no cumprimento de qualquer missão, a qualquer tempo. 
ABNEGAÇÃO – Através da observação coerente da hierarquia e disciplina militar. 
CIVISMO – Através do desempenho profissional e patriótico da missão 
constitucional. HONRA – Alcançada através das inúmeras situações onde a coragem 
é necessária, levando os combatentes a pôr em risco a própria vida e bem-estar em 
favor de outrem. HONESTIDADE – Sempre prezando pela lealdade no falar e no agir, 
bem como na valorização de interações pautadas na verdade. SOLIDARIEDADE – 
Empatia pelos cidadãos da sociedade sem discriminação de raça, cor, sexo ou 
orientação sexual. 
O CBMAM, força auxiliar e reserva do Exército Brasileiro, tem como seus 
alicerces a Hierarquia e a Disciplina, integrando o Sistema de Segurança Pública, 
com subordinação ao Governador do Estado e, operacionalmente, à Secretaria de 
Segurança Pública. O bombeiro, no exercício da sua atividade profissional, coloca 
sua vida em risco para salvar a de terceiros e/ou para defender bens públicos e 
privados da sociedade. O risco é inerente a essa atividade profissional e, segundo o 
Estado Maior das Forças Armadas, “O exercício da atividade militar, por natureza, 
exige o comprometimento da própria vida.” Para executar suas atribuições com 
segurança, o bombeiro usa EPIs para evitar situações que possam comprometer seu 
estado físico nas ações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
CAPÍTULO 1 – COMPORTAMENTO DO FOGO 
 
 
 
Autores: AL OF Carlos Eduardo Silva e Silva, AL OF Idiney Azevedo de Souza, AL OF 
Shannon Ferreira da Encarnação, AL OF Waldenize Santana Fonseca 
 
Seção 1- Combustão (Fogo) 
 
Para entendermos a reação de combustão é necessário saber que a matéria é 
formada por átomos. O átomo é uma estrutura composta por próton, neutros, elétrons, 
subníveis e orbitais. O conjunto de átomos, iguais ou diferentes, unidos por ligações 
covalentes, que é o compartilhamento de elétrons entre dois átomos, formam as 
moléculas. E as moléculas formam a matéria. 
 
 
Figura 1 - Átomo 
Fonte: https://acropolismultimedios.mx/materia-solida/ 
 
Cada átomo se liga através das ligações químicas, com o objetivo de atingir a 
estabilidade eletrônica buscando alcançar 8 elétrons na camada de valência. Por 
exemplo, o Carbono alcança sua estabilidade fazendo 4 (quatro) ligações covalentes, 
o oxigênio faz 2 (duas) ligações, o Hidrogênio faz 1 (uma) ligação, etc. 
Quando a matéria aumenta a temperatura, ele pode causar mudanças dos 
estados das matérias, como por exemplo do sólido para o líquido, e do líquido para o 
gasoso. Isso ocorre devido ao distanciamento entre os átomos na molécula. Ao 
aquecermos determinada matéria, esta está absorvendo calor, que faz com que os 
4 
 
 
elétrons localizados nos subníveis, que estão girando nas orbitas dos átomos 
acelerem, de tal forma que elas saem de um subnível interno e vai para um mais 
externo. Como a ligações entre as moléculas ocorrem nos subníveis, pode ocorrer a 
quebra das ligações covalentes. 
A quebra das ligações químicas libera calor e radicais livres, que nada mais é 
do a liberação de moléculas possuindo átomos com número ímpar de elétrons, ou 
seja, esses átomos, que está totalmente reagente, necessita fazer ligações químicas 
para alcançar sua estabilidade. 
A reação de combustão (ou fogo) é uma reação química que ocorre entre o 
combustível, o comburente (geralmente o oxigênio) e o calor (energia de ativação). 
Na prática, todo o combustível está na presença do oxigênio e possui certa 
temperatura, contudo, não pega fogo, pois suas moléculas estão estáveis e não 
reagem com o oxigênio. É necessário que o calor (energia de ativação) eleve a 
temperatura do combustível, e como consequência aumente a velocidade de vibração 
das moléculas, de modo que algumas moléculas consigam se desprender e liberar os 
radicais livres, íons, etc, passando a formar um gás combustível com moléculas 
instáveis, que ao reagir com o oxigênio, essa mistura torne-se uma mistura inflamável. 
Essa quebra de moléculas por meio da elevação de temperatura chama-se termólise, 
e a quebra das moléculas pelo fogo chama-se pirólise. 
 
 
 
Fonte: <https://www.freeimages.com/pt/photo/bornfire-fire-flames-red-fire-wood-fire-1164581> 
 
No fogo, o combustível (CxHx) é consumido, ao reagir com o oxigênio (O2), com 
elevação do calor (energia de ativação) e produz água (H2O), gás carbônico (CO2), 
Figura 2 - Reação de Combustão 
5 
 
 
libera energia térmica na forma de calor (reação exotérmica), podendo liberar luz 
(chamas) e fumaça. 
Para haver combustão são necessários três elementos essenciais: 
Combustível, Comburente (oxigênio) e Calor (energia de ativação). Esses elementos 
podem ser representados de forma gráfica pelo triângulo do fogo. No entanto, caso 
retire um desses três elementos a reação cessa, e o fogo se apaga. 
 
 
Figura 3 - Triângulo do Fogo: Combustível, Comburente e Calor 
Fonte: <https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/ 1139802/1/Marina-Ficha-
Tecnica-Lenha-e-carvao.pdf 
 
Contudo, para que a combustão prossiga de forma autossustentável é 
necessário um quarto elemento do fogo, chamada de Reação em Cadeia. A medida 
que há quebras das moléculas pelo aumento da temperatura, há a geração de mais 
calor, suficiente para aquecer e desprender moléculas próximas, sem que haja 
necessidade da fontede calor para gerar os gases combustíveis, tornando a reação 
de forma autossustentável. A Reação em Cadeia pode ser representado de forma 
gráfica pelo tetraedro do fogo. 
 
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/%201139802/1/Marina-Ficha-Tecnica-Lenha-e-carvao.pdf
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/%201139802/1/Marina-Ficha-Tecnica-Lenha-e-carvao.pdf
6 
 
 
 
Figura 4 - Tetraedro do Fogo 
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Tetraedro_do_fogo_pt.svg 
 
Seção 2 - Combustível 
Combustível é a capacidade das moléculas do material se desprenderem com 
a elevação da temperatura e reagirem com o oxigênio, tornando em uma mistura 
inflamável. E ser inflamável, é a capacidade de um material a temperatura ambiente, 
liberar vapores que sustentam uma combustão. 
O combustível é todo material que é consumido pela combustão, e pode se 
apresentar nos estados sólido, líquido ou gasoso. Os estados físicos da matéria são 
conhecidos também como fases da matéria ou estados de agregação da matéria. 
Dessa forma, apresentam formas de ignição diferente, sendo: 
 
Seção 3 - Combustível Sólido 
 
A matéria no estado sólido, predomina as moléculas com força de atração 
(coesão), por isso elas encontram-se unidas. Desse modo, os sólidos possuem forma 
e volume fixos, que não se expandem e nem se comprimem. 
Normalmente, os sólidos estão reagindo com o ar, porém com o aumento da 
temperatura, as ligações das moléculas começam a quebrar, e como consequência 
inicia-se um afastamento molecular. Logo, sofre pirólise, e começa a liberar vapores 
que se misturam com o oxigênio do ar, e chega a um momento que alcança o ponto 
ideal de Mistura Explosiva, que basta uma fonte de calor (faísca, entre outros) para 
ocorrer a ignição, conforme figura abaixo. 
 
7 
 
 
 
Figura 5 - Mecanismo de Ignição do Combustível Sólido 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
 
A maioria dos combustíveis sólidos primeiros liberam os vapores para reagir com 
o oxigênio, porém os metais, primeiro se transformam em líquido para poder liberar 
os vapores e reagir com o oxigênio. Isso ocorre, porque sólidos maus condutores de 
calor (exemplo: madeira, papelão, etc), concentram o calor em uma parte do material, 
que libera vapores que reagem com o oxigênio e se inflamam; diferentemente dos 
metais em que o calor se distribui por todo o material, transformam-se primeiro em 
líquido, para então liberar os vapores para reagir com o oxigênio. 
Portanto, geralmente a queima nos combustíveis sólidos são por meio dos vapores 
liberados quando aquecidos. Com exceção dos queimam diretamente no estado 
sólido, tais como: enxofre e os metais alcalinos (Lítio (Li), Sódio (Na), Potássio (K), 
Rubídio (Rb), Césio (Cs) e Frâncio (Fr). 
Os metais tendem a liberar muita energia, e quando entram em contato com a 
água, as ligações da molécula da água (H2O) quebram, tendo como produto o oxigênio 
que reage com o material intensificando a combustão, e o hidrogênio que reage com 
o ar sendo altamente explosivo. Outrossim, temos os halogenados (flúor, cloro, bromo, 
iodo e astatínio) que misturados a outros elementos podem ser explosivos. 
A velocidade de reação de combustão é influenciada pela maior exposição da 
superfície de contato do material, ou seja, quanto maior a fragmentação do material 
e/ou a relação superfície/massa, maior será a velocidade da combustão. Os pós de 
material orgânico e alguns metais, quando estão em suspensão não ar, se comportam 
como gases e sofrem combustão instantânea ou ‘explosão’. 
8 
 
 
A queima desse material ocorre na superfície e em profundidade e deixa resíduos 
(cinzas), podem apresentar chamas (fase gasosa das moléculas que se desprendem 
do material e queimam) ou apenas incandescência do combustível em queima 
(brasas). São exemplos de combustível sólido: madeira, papel, tecido, algodão, 
plástico, borracha, etc. 
 
 
Figura 6 - Exemplos de Combustível sólido 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
 
Seção 4 - Combustível Líquido 
 
A matéria no estado líquido, as forças de repulsão entre as moléculas é um 
pouco maior que nas do sólido, logo as moléculas estão mais afastadas e agitadas do 
que no sólido. Desse modo, os líquidos possuem forma variadas conforme o formato 
do seu recipiente e o volume é fixo, e não sofrem compressões. A queima desse 
material ocorre na superfície e não deixa resíduos. 
A maioria dos combustíveis líquidos são hidrocarbonetos (estrutura molecular 
composto de Carbono e Hidrogênio), porém ainda estão inclusos nesse grupo os 
materiais graxos de origem vegetal ou animal (óleos e gorduras), pois apresentam o 
mesmo mecanismo de ignição dos líquidos inflamáveis. 
São exemplos de combustível líquido, os líquidos inflamáveis, tais como: 
gasolina, querosene, diesel, álcool, etc. e são exemplos de substâncias graxos: óleos 
de origem animal (de peixe) e óleos de origem vegetal (girassol, milho, algodão, soja 
etc). 
9 
 
 
O líquido inflamável ao elevar a temperatura, sofre o fenômeno físico da 
evaporação, do qual libera vapores, que combinado com o oxigênio do ar, forma a 
mistura explosiva (ou mistura inflamável) que na presença de uma fonte de calor entra 
em ignição, conforme figura abaixo representando o mecanismo de ignição do líquido 
inflamável. 
 
Figura 7 - Mecanismos do líquido inflamável 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
 
Nesse contexto, se o líquido inflamável atingir o seu ponto de combustão, a 
queima terá continuidade. Outrossim, a taxa de evaporação dos líquidos inflamáveis 
é diretamente proporcional ao seu aquecimento, logo, essa propriedade permite 
determinar os seus pontos de fulgor e/ou seu ponto de combustão. 
 
Seção 5 - Combustível Gasoso 
 
São os que se apresentam na forma de gás ou vapor na temperatura do 
ambiente. As moléculas no estado gasoso estão mais livres do que no estado sólido 
e líquido. Desse modo, os gases possuem forma e volume variadas que vai ser 
determinada conforme o seu recipiente e podem sofre compressões. Como as 
moléculas no estado gasoso estão mais livres, é necessária pouca energia para iniciar 
uma queima. 
 
10 
 
 
 
Figura 8 - Mecanismo de Ignição do combustível gasoso 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
 
Desse modo, é necessária uma quantidade de combustível gasoso e de 
oxigênio, na combustão haja uma razão proporcional estequiométrica entre 
combustível e comburente. Para cada gás, existe uma faixa específica, onde seus 
extremos são delimitados pelo nível superior (Limite Superior de Explosividade LSE 
/Upper Explosive Limit – UEL) e um nível mais baixo, o chamado Limite Inferior de 
Explosividade (LIE /Lower Explosive Limit – LEL.) 
 
 
Figura 9 - Limite Inferior e Superior de Explosividade 
Fonte: https://www.enesens.com.br/praticas-seguras-de-monitoramento-de-gases-inflamaveis/ 
 
Abaixo apresentamos algumas faixas inferior e superior de explosividade de 
algumas substâncias: 
 
11 
 
 
 
Substância LiE 
(% em volume) 
LsE 
(% em volume) 
Acetona - CH3CO CH3 2,6 12,8 
Acetonitrila - CH3 CN 4,4 16,0 
Benzeno - C6 H6 1,3 7,1 
Butano - C4 H10 1,9 8,5 
Dissulfeto de carbono - C S2 1,3 50,0 
Monóxido de carbono - CO 12,5 74,0 
Ciclo hexano - C6 H12 1,3 8,0 
Etano - C2 H6 3,0 12,5 
Etanol - C2 H5 OH 3,3 19,0 
Éter - (C2 H5)2 O 1,1 5,9 
Gás natural 3,8 13,0 
Gasolina 1,4 7,6 
Metano - C H3 5,0 15,0 
Metanol - C H2 OH 6,7 36,0 
Nafta 0,9 6,0 
Pentano - C5 H12 1,5 7,8 
Propano - C3 H8 2,2 9,5 
Querosene 0,7 5,0 
Toluene C6 H5 CH3 1,2 7,1 
 
Figura 10 - Mistura Explosiva de alguns gases e líquidos 
Fonte: SEITO,2008. 
 
Seção 6 - Comburente 
 
O comburente é a substância que reage com os gases combustíveis liberados 
dos sólidos ou líquidos, ou com os combustíveis gasosos, ou seja, ele se associa ao 
combustível para que a reação aconteça. Esse elemento possibilita vida às chamas e 
intensifica a combustão. Geralmente o comburente será o oxigêniodo ar atmosféricos 
composto por 78% de Nitrogênio, 21 % de Oxigênio e 1% de outros gases. 
Contudo, temos outras substâncias que agem como comburente, que se 
combinam aos gases combustíveis intensificando a combustão, tais como: 
• o cloro (Cl2); 
• o cloreto de sódio (NaCl); 
• o clorito de sódio (NaClO2); 
• clorato de sódio (NaClO3); 
• o hidrogênio queima no meio do cloro; 
12 
 
 
• os metais leves (lítio, sódio, potássio, magnésio etc.) queimam no meio do 
vapor de água; 
• o cobre queima no meio de vapor de enxofre. 
• o magnésio e o titânio, em particular, e se finamente divididos, podem queimar 
ainda em atmosfera de gases normalmente inertes, como o dióxido de carbono 
e o azoto. 
 
Seção 7 - Calor 
 
O calor é uma forma de energia térmica que eleva a temperatura, gerada da 
transformação de outra energia por processo físico ou químico. A energia nada mais 
é do que a movimentação ou vibração que compõe a matéria. 
O calor ou transferência de calor é uma forma de energia em trânsito devido a 
diferença de temperatura. Assim, o calor é o trânsito de energia térmica de um corpo 
para outro (medido em joule - J, caloria - cal ou British Thermal Unit –BTU, por 
exemplo), a temperatura é a medida da agitação das moléculas de um determinado 
corpo (medida em Celsius - °C, Kelvin – k ou Fahrenheit - °F, por exemplo). 
Segundo a Lei Zero da Termodinâmica diz que “se dois corpos A e B estão 
separadamente em equilíbrio térmico com um terceiro corpo C, então A e B estão em 
equilíbrio térmico entre si", ou seja, um corpo com maior temperatura passa para o 
corpo de menor temperatura até ambos os corpos possuírem a mesma temperatura. 
Nesse sentido, a energia de ativação será qualquer fonte de calor que eleve a 
temperatura do combustível capaz de causar a termólise ou pirólise do combustível 
sólido, a vaporização do líquido ou que no estado gasoso, todos esses vapores 
combustíveis reagem com o oxigênio dando início a reação de combustão. Logo, essa 
energia de ativação pode ser uma faísca, centelha, superfície aquecida, chama, etc. 
Outra característica do calor é quem uma reação ela pode ser exotérmica 
(libera calor) ou endotérmica (absorve calor). 
Como o calor é uma forma de energia segundo a Lei de Conservação da 
Massa, Século XVIII, Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794) “Na natureza nada se 
cria, nada se perde; tudo se transforma.”, existe várias formas de energia que geram 
calor, tais como: 
•Energia mecânica (Ep+ Ec) - calor gerado pelo atrito de dois corpos; 
13 
 
 
•Energia térmica - é a quantidade de energia contida em algum sistema 
exclusivamente pelo efeito de sua temperatura; 
•Energia elétrica - o calor gerado pela passagem de eletricidade através de um 
condutor, como um fio elétrico ou um aparelho eletrodoméstico. O efeito joule converte 
energia elétrica em calor; 
•Energia química - quantidade de calor gerado pelo processo de combustão; 
•Energia atômica – energia produzida em termonucleares; 
•Energia Sonora – energia produzido pelo som; 
•Energia eólica – energia produzida pelo vento; 
•Energia solar – energia produzida pelo sol; 
•Energia Luminosa - é toda a radiação eletromagnética de frequência e comprimento 
de onda contida dentro da faixa do espectro visível, e que nossos olhos captam como 
luz. São dois tipos diferentes, incandescente e luminescente. 
 
Seção 8 - Transmissão de Calor 
Como o calor é uma forma de energia térmica, ela de propagará ou será 
transmitido por meio de condução, convecção e/ou irradiação. 
 
 
Figura 11 - Transferência de Calor: condução, convecção, radiação 
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/processo-propagacao-calor.htm 
 
 
Seção 9 - Condução ou Condução Térmica 
 
14 
 
 
É a transferência de energia das partículas mais energéticas para 
partículas menos energéticas de um sólido devido a interação entre partículas, ou 
seja, ocorre em um corpo sólido por contato direto. Isso ocorre devido a um gradiente 
de temperatura (diferença de temperatura) entre as moléculas que estão em contato 
direto até que atinjam o equilíbrio térmico. Se dois corpos diferentes, estiverem em 
contato, a transferência de calor ocorrerá como se fosse apenas um corpo. 
 
 
(a) (b) 
Figura 12 - Transmissão de calor por condução 
Fonte: https://www.coladaweb.com/fisica/termologia/transmissao-de-calor e 
https://brasilescola.uol.com.br/fisica/conducao-termica.htm 
 
Na figura (a) mostra uma barra de ferro sendo aquecido na ponta da esquerda. 
Observamos que onde está a chama na barra (lado esquerdo), o calor é absorvido e 
as moléculas passam a ficar mais agitadas, começas a vibrar mais, até que elas se 
chocam com as moléculas ao lado, e esse processo vai até chegar a outra 
extremidade (lado direito). Desse modo, a transmissão de energia vai de molécula a 
molécula até que toda a barra entre em equilíbrio térmico. 
Na figura (b) podemos observar que a transferência de calor por condução é 
governada pela Lei de Fourier que considera as variáveis, como: quantidade de calor 
recebida pelo corpo, o tempo, a temperatura e a espessura do material. Notamos que 
a temperatura é representada pelo T2 e T1, do qual T2 está com temperatura maior 
que T1, e por esse motivo o Fluxo de Calor vai ser transferido de T2 pata T1 até atingir 
o equilíbrio térmico. Essa velocidade vai ser influenciada pelo tipo de material 
(madeira, papel, metal) representado coeficiente de condutividade térmica de cada 
tipo de material, pela diferença de temperatura entre T2 e T1, quanto maior a diferença 
térmica maior será a velocidade, pela área e espessura do material se ser 
15 
 
 
atravessado, quanto menor área e espessura maior será a velocidade, cálculo 
matemático representado pela formula abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Bergman, 2016 
 
Portanto, em um incêndio em uma edificação por exemplo, o fogo pode se 
propagar a partir do material que está pegando fogo e que está em contato direto com 
outro material, tais como encostado: 
• na parede – o calor passa pela parede, e outro objeto que esteja encostado 
nele do outro lado, passa a se inflamar; 
• no chão, caso esteja em um andar superior, o material de teto do pavimento 
inferior passa a se inflamar; 
• em outro material encostado no material que está pegando fogo, etc. 
 
 
Figura 14 - Propagação do incêndio por meio da Condução do Calor através do teto, parede e chão 
Fonte: IBRASEP, 2022. 
𝑸 = 𝜿.
𝑨 . △𝑻
𝒆
 (LEI DE FOURIER) 
Onde: 
Q – Calor (cal ou J) 
𝜿 – Coeficiente de Condutividade Térmica (cal/s.cm.ºC ou 
J/s.m.K) 
A – Área (cm2 ou m2) 
∆T (T2-T1) – Diferença de Temperatura (oC ou K) 
e – Espessura (cm ou m) 
 
Figura 13 - Lei de Fourier 
16 
 
 
 
Seção 10 - Convecção ou Convecção Térmica 
 
É a transmissão de calor por meio de fluido (gases ou líquidos). 
 
 
Figura 15 - Transmissão de Calor por convecção 
Fonte: https://querobolsa.com.br/enem/fisica/conducao-conveccao-e-radiacao 
 
Ao observamos a figura com água sendo aquecida na base da panela, notamos 
que a temperatura da água embaixo é mais quente (vermelho) que a água que está 
na superfície da panela (azul). À medida que a água no fundo da panela é aquecida, 
ela se expande (as moléculas ficam mais afastadas pois ficam mais agitadas), ficando 
menos densa e mais “leve”, e como consequência ela tende a subir para a superfície 
diminuindo a pressão embaixo da panela. No momento em que ela sobe, 
representando pela linha vermelha, a água que está com temperatura menor, 
representado pela linha azul, tende a descer, para ocupar o espaço de menor pressão 
e densidade, em que a água mais quente deixou de ocupar ao subir. E esse processo 
dos movimentos ascendente e descendente da água que se encontra fora de 
equilíbrio térmico chamamos de convecção. 
Da mesma ocorre com os gases aquecidos, em um incêndio os gases próximosao foco de incêndio se aquecem, tornando-se menos densos e tendem a subir. No 
momento que sobe, deixa um espaço, ou seja, a pressão cai próximo ao foco de 
incêndio, e tende a atrair o ar atmosférico menos quente alimento a combustão. 
Esse tipo de transmissão de calor em incêndios em edificações é o mais 
comum, pois os gases aquecidos tendem a subir para os andares superiores com 
17 
 
 
calor suficiente para aquecer outros materiais e termos novos pontos de focos de 
incêndio. Essa gases aquecidos podem subir por meios das escadas, varandas, 
janelas, poços de elevadores etc. 
 
Figura 16 - Propagação do incêndio por meio da convecção dos gases 
Fonte: IBRASEP, 2022. 
 
Seção 11 - Irradiação Térmica ou Irradiação 
 
O calor é transmitido por meio de ondas eletromagnéticas, em todas as 
direções, que se propagam por meio do vácuo em linha reta a velocidade da luz, não 
sendo necessário o contato molecular ou entre dois corpos, sendo que o fluxo de calor 
sempre sai de um corpo mais quente para um mais frio. 
Quanto a intensidade ela aumenta ou diminui conforme proximidade ou 
distância do material da fonte de calor, respectivamente. Para que haja um fluxo de 
calor significativo, a fonte de calor tem que está com temperatura elevada, o material 
tem que ter a capacidade de receber e reter o calor, sem dissipá-lo ao meio ambiente. 
 
18 
 
 
 
Figura 17 - Propagação do Incêndio por meio da propagação do Calor 
Fonte: IBRASEP, 2022. 
 
Seção 12 - Pontos de Temperatura 
 
Os pontos de temperaturas são Ponto de Fulgor, Ponto de Combustão e Ponto 
de Ignição. 
 
Ponto de Fulgor (Flash Point) 
 
O Ponto de Fulgor (Flash Point) é menor temperatura na qual um material 
(líquido ou sólido) emite vapores em quantidade suficiente para formar com o ar, uma 
mistura capaz de ser inflamada por um agente ígneo, no entanto, quando se afasta a 
fonte de calor, o fogo não se mantém, vindo a apagar. 
 
 
Figura 18 - Ponto de Fulgor 
Fonte: DA SILVA, 2022. 
 
19 
 
 
Na figura acima, mostra no primeiro momento que o combustível líquido está 
sendo aquecido em um béquer por meio do Bico de Bunsen e está liberando vapores. 
No segundo momento, é aproximado um fósforo aceso (fonte ígneo) próximo aos 
vapores, e estes se inflamam. No terceiro momento, mostra que a fonte ígnea foi 
afastada dos vapores, e o fogo se apagou. 
 
Ponto de Combustão 
 
O Ponto de Combustão (Fire Point) é caracterizado como a menor temperatura 
na qual um material (líquido ou sólido) emite vapores em quantidade suficiente para 
formar com o ar, uma mistura capaz de ser inflamada por um agente ígneo, produzindo 
uma queima contínua, mesmo depois de afastar a fonte de calor. 
 
Figura 19 - Ponto de Combustão 
Fonte: DA SILVA, 2022. 
 
Na figura acima, mostra no primeiro momento que o combustível líquido está 
sendo aquecido em um béquer por meio do Bico de Bunsen e está liberando vapores. 
No segundo momento, é aproximado um fósforo aceso (fonte ígneo) próximo aos 
vapores, e estes se inflamam. No terceiro momento, mostra que a fonte ígnea foi 
afastada dos vapores e ainda assim, o fogo se mantém aceso. 
 
Ponto de Ignição 
 
20 
 
 
O Ponto de Ignição, ou Ponto de Auto-ignição ou é atingido quando o 
combustível é aquecido de forma gradual até uma temperatura que permita que os 
vapores combustíveis dele emanados se incendeiem mesmo sem a presença de um 
agente ígneo. 
 
 
Figura 20 - Ponto de Ignição 
Fonte: DA SILVA, 2022. 
 
Na figura acima, mostra no primeiro momento que o combustível líquido está 
sendo aquecido em um béquer por meio do Bico de Bunsen e está liberando vapores. 
No segundo momento, mesmo sem nenhuma fonte ígnea ser aproximado, os vapores 
se inflamam. 
No quadro abaixo, mostra algumas temperaturas características de alguns 
combustíveis nos pontos de fulgor, de combustão e de ignição. 
 
Material Ponto de 
Fulgor 
Ponto de 
Combustão 
Ponto de 
Ignição 
Pinho 225 265 280 
Madeira Dura ~245 ~270 ~290 
Papel 230 - 230 
Polietileno 340 - 350 
Gasolina -40 -20 227 
Petróleo 30 43 250 a 450 
Óleo Lubrificante 157 177 230 
Etanol 13 - 370 
Butano -60 430 
Etileno - - 490 a 540 
 
Figura 21 - Temperatura características de alguns combustíveis 
Fonte: GOIÁS, 2017. 
21 
 
 
 
Seção 13 -Tipos de Combustão 
 
Quanto a liberação de produtos 
 
A reação de combustão é uma reação química entre combustível, comburente 
e calor e os produtos desta reação, os elementos químicos podem se combinar de 
forma estequiometricamente perfeita, onde todos os elementos reagiram e 
alcançaram sua forma estável caracterizando a Combustão Completa, e quando sobra 
íons que ainda precisam reagir dizemos que é uma Combustão Incompleta. 
 
Combustão Completa 
 
A combustão completa é aquela em que todas as moléculas do combustível 
reagem com o oxigênio. Vejamos, o Carbono (C) faz 4 ligações, o Oxigênio (O) faz 2 
ligações e o Hidrogênio (H) faz 1 ligação, e quando todas essas moléculas reagem 
entre si, e cada uma faz as ligações completas elas ficam estáveis. Temos como 
exemplo, o Metano (CH4) ao passar por uma reação de combustão, vai liberar vapores 
que irá reagir completamente o oxigênio e vai liberar gás carbônico, água e calor. 
 
 
Figura 22 - Reação de Combustão Completa 
Fonte: Acervo próprio, 2022 
. 
Na figura acima, está ocorrendo a reação de 1 molécula de Metano CH
4(g) 
 com 
2 moléculas de Oxigênio O
2
 e tendo como produto 1 molécula de Gás Carbônico 
22 
 
 
CO
2(g)
 e 2 moléculas de água (H
2
O
(g)
) e liberar calor. Esta reação pode ser 
representada, conforme equação abaixo: 
CH
4(g) + 
2 O
2(g) 
→ CO
2(g) + 2 H2
O
(g) + Calor 
 
Nota-se nessa reação, que a quantidade de C, O e H é exatamente igual no 
produto, ou seja, a equação está equilibrada. Logo, podemos observar nos produtos 
que o Carbono está fazendo as 4 ligações, o Oxigênio está fazendo suas duas 
ligações e o Hidrogênio está fazendo 1 ligação cada, isso representa que a molécula 
do CO2 e H2O estão estáveis, não necessitando completar suas ligações. Portanto, 
isso essa estabilidade das moléculas do produto caracterizam a combustão completa. 
Em via de regra, o combustível orgânico, como os hidrocarbonetos, por 
exemplo, em que são moléculas são formadas por carbono (C) e Hidrogênio (H); na 
reação de combustão, em que vai reagir com o oxigênio (O), temos como produto de 
uma reação de combustão água (H2O) e Gás Carbônico (CO2) e calor. 
No entanto, podemos ter outras formações de produto que vai depender do tipo 
de material que entra em combustão, como polímeros, por exemplo, as Poliuretanas 
(PU) e o Policroreto de Vinila (PVC), há a liberação de Ácido Cianídrico, Ácido 
Clorídrico, nitrilas e outras substâncias com alto grau de toxidade. 
 
Combustão Incompleta 
A combustão incompleta, é quando temos os vapores de uma combustão 
reagindo com o oxigênio, e estas moléculas não se liga completamente com o 
oxigênio, ou seja, haverá moléculas que não completarão totalmente suas ligações, e 
ficam reativas para tentar reagir com outra molécula para alcançar sua estabilidade. 
 
 
Figura 23 - Reação de Combustão Incompleta 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
23 
 
 
 
Na figura acima, está ocorrendo a reação de 1 molécula de Metano CH
4(g) 
com 
1 moléculas de Oxigênio O
2
 e tendo como produto 1 molécula de Monóxido de 
Carbono CO
(g)
 e 1 moléculas de água (H
2
O
(g)
) e libera calor. Esta reação pode ser 
representada, conforme equação abaixo: 
CH
4(g) + 
 𝟑 𝟐⁄ O
2(g) 
→ CO
(g) + 2 H2
O
(g) + Calor 
CH
4(g) + 
 O
2(g) 
→ C
(s) + 2 H2
O
(g) + Calor 
 
Podemos observar nos produtos que o Carbono está fazendo as 2 ligações 
com o oxigênio formando o Monóxido de Carbono (CO) e necessita fazer mais duas 
ligações para se tornar estável, isso representa que a molécula do CO não está 
estável, necessitando completar suas ligações. Portanto, isso essa instabilidade dasmoléculas do produto caracterizam a combustão incompleta. Além disso, essa mesma 
reação tem como produto o Carbono elementar (C), que é a fuligem (fumaça escura, 
formada de minúsculas partículas sólidas de carvão). 
Portanto, a combustão incompleta resulta na fumaça composta de radicais, 
íons instáveis, carbono, etc., que estão altamente reativos, e com a entrada do 
oxigênio essa reação pode se manifestar com uma backdraft (explosão desses 
vapores) e reignição da combustão. 
 
Seção 14 - Velocidade da Combustão 
 
A velocidade de combustão classifica-se em combustão lenta, combustão 
rápida ou viva e combustão espontânea. 
 
Combustão Viva 
 
 A combustão viva caracteriza-se pela presença de chamas, resultado da 
combustão da gases e vapores em um ambiente sinistrado, do qual vai determinar o 
comportamento do incêndio por meio da intensidade de energia liberada. 
 
24 
 
 
 
Figura 24 - Combustão Viva 
Fonte: https://www.freeimages.com/pt/photo/bornfire-fire-flames-red-fire-wood-fire-1164581 
 
Combustão Lenta 
 
A combustão lenta produz, como na combustão viva luz, calor e fumaça, porém 
é caracterizada pela ausência de chamas e a presença de incandescência (brasas). 
As brasas, dependendo da quantidade de combustível e comburente, pode esta 
presente na fase inicial ou na fase final do incêndio. Na fase final, caso o incêndio seja 
alimentado pelo comburente, estas brasas podem retornar a ser queimas vivas 
(apresentar chamas). 
 
Figura 25 - Combustão Lenta 
Fonte: https://www.sonhoesignificado.com/2015/04/sonhar-com-brasas-significado.html 
 
A combustão lenta, por não possuir chamas, e sim brasas, sua combustão é 
incompleta, desse modo, produz Monóxido de Carbono (CO), molécula altamente 
25 
 
 
reativa, que reage com a hemoglobina (Hb) do sangue. Normalmente a hemoglobina 
do sangue se liga a 4 moléculas de oxigênio, porém o CO tem maior afinidade com 
Hb (250 vezes maior que o oxigênio), então a Hb prioriza se ligar ao CO do que com 
o O2, além de que, quando a Hb está ligada ao CO, as outras moléculas de oxigênio 
ficam mais difícil de se desprender da Hb, ocorrendo assim, a asfixia química. 
 
Combustão Espontânea 
 
A combustão espontânea ocorre sem a presença de uma fonte inflamável, pois 
alguns materiais têm a capacidade de acumular calor, fazendo com que a velocidade 
da reação química aumente, gerando mais calor resultando na combustão. Desse 
modo, ocorre através uma oxidação ou fermentação de algum material, podendo 
demorar horas, dias, meses até que essa reação química produza calor suficiente 
para liberar vapores combustíveis e se combinar com o oxigênio e se inflamar. 
 
Seção 15 - Explosão 
 
A explosão é a transformação de um material em outro com o aumento do volume. 
Quanto mais rápida a transformação maior será a pressão. Pode ocorrer com a 
queima de gases, vapores de líquidos inflamáveis, e partículas (sólidas ou líquidas) 
em suspensão no ar. 
Portanto, caracteriza-se pelo aumento súbito do volume e grande liberação de 
energia, podendo ser acompanhado de elevada temperatura, produção de gases e 
forte estrondo, em curto espaço de tempo, provocando ondas de pressão que se 
deslocam a uma grande velocidade, classificando-se como: 
 
Seção 16 - Deflagração 
 
Em casos de ondas subsônicas quando ocorre com velocidade de propagação 
do deslocamento do ar inferior a velocidade do som de 340 m/s, onde a queima ocorre 
radialmente para fora e requer combustível para se espalhar e não produz onda de 
choque. São exemplos desse tipo de explosão a fumaça e o GLP (Gás Liquefeito de 
Petróleo), um tiro de uma arma de fogo. 
 
26 
 
 
 
Figura 26 - Explosão por Deflagração 
Fonte: https://blog-static.infra.grancursosonline.com.b 
 
Seção 17 - Detonação 
 
Para formar uma detonação é necessário o aumento das moléculas dos gases, 
temperatura alta e reação química. Por exemplo na queima do combustível, deve 
ocorrer em um ambiente confinado com paredes ou obstáculos, que limitam as 
ondas de pressão liberadas pela queima. À medida que a pressão aumenta, 
formam-se ondas de choque, que podem crescer em força até o ponto em que 
podem comprimir a mistura reagente, acendendo-a inteira de uma vez só e 
produzindo uma frente supersônica autossustentável. 
As ondas supersônicas ocorrem quando o deslocamento de ar é superior a 
velocidade do som de 340m/s. Caracteriza-se pela presença das ondas de choque e 
o forte estrondo e não requer combinação com oxigênio, pois as moléculas instáveis 
liberam energia considerável quando se dividem e se recombinam em novas formas 
ocorrendo a explosão. 
São exemplos de explosão por detonação qualquer explosivo, tais como: 
Nitrato de amônio, Nitrato de potássio, Clorato de potássio, Nitrato de Magnésio, 
Bromato de Sódio, Nitroglicerina, Ácido Pícrico. 
 
27 
 
 
 
Figura 27 - Explosão por Detonação do Nitrato de Amônio do Porto de Beirute – Líbano em 
04/08/2020 
Fonte: https://www.deviante.com.br/noticias/a-ciencia-por-tras-da-explosao-no-porto-de-beirute-parte-
ii-as-condicoes-termodinamicas-de-uma-reacao-explosiva/ 
 
 
Seção 18 - Tipos de Chamas 
 
As chamas podem ser difusas ou de pré-mistura, vai depender de onde ocorre 
a mistura do oxigênio com os vapores combustíveis. 
 
Chama Difusa 
 
A Chama Difusa é quando o combustível e o oxigênio se misturam na zona de 
reação (zona de queima) na concentração adequada para que haja a combustão e, 
caso haja o contato com alguma fonte externa de calor, irão queimar. São exemplos 
de chama difusa as chamas de uma fogueira, uma vela, um fósforo, etc. 
O deslocamento do combustível e do oxigênio para a zona de reação se dá 
pela diferença de concentração, do qual a tendência é sempre partir do mais 
concentrado para o menos concentrado (Lei de Fick). Logo, podemos concluir que a 
zona de reação tem baixa concentração de combustível e oxigênio, do qual, ambos 
são atraídos para essa área, pois em volta da zona de reação suas concentrações 
são maiores. 
28 
 
 
 
Figura 28 – Zona de reação do combustível com o ar 
Fonte: Manual Básico de Combate a Incêndio, CBMDF, 2009. 
 
Quando analisamos uma vela vemos três regiões distintas: 
• A área azul – menor temperatura. Região rica em oxigênio onde as moléculas 
vaporizam e começam a quebrar em átomos de hidrogênio e carbono. O 
hidrogênio é o primeiro a sair e reage com o oxigênio e forma vapor de água. 
Alguns carbonos reagem e formam dióxido de carbono. 
• A área laranja escura - é pobre em oxigênio, várias partes das moléculas 
continuam a serem quebradas em átomos de Carbono liberando vapor de água 
e gás carbônico iniciados na zona azul (temperatura ≈1000º C) 
• Zona Amarelada – área mais quente. Na parte superior da zona amarela há 
formação de fuligem, que é o carbono elementar (C) que não conseguiu ser 
consumido, do qual sobe e incandesce e emite o espectro completo da luz 
visível. (temperatura no topo ≈1200º C) 
 
 
29 
 
 
Figura 29 - Queima Difusa 
Fonte: http://baianojuvenal.blogspot.com/2016/11/velas-e-suas-deformacoes-minha-vela.html 
 
Chama de Pré-Mistura 
 
A Chama de Pré-Mistura é o tipo de chama em que a mistura do combustível 
com o ar (oxigênio) ocorre antes da zona de reação (zona de queima). São exemplos 
fogões (mistura ocorre antes da boca, do qual o entra ar pelo gabinete e se mistura 
com o GLP antes da boca), maçarico (mistura ocorre no punho do aparelho, antes do 
bico). Este tipo de chama se caracterizada pela presença de chamas de cor azul e 
pelo alto poder calorífico, superior ao das chamas difusas. 
 
 
(a) (b) 
 
Figura 30 - Chama Pré-mistura: (a) Boca do Fogão (b) Maçarico 
Fonte: Distrito Federal, 2009 e Goiânia, 2017 respectivamente. 
 
Reação em Cadeia 
 
Na reação de combustão ocorre liberação de gases do combustível por meio 
da elevação da temperatura, do qual vai reagir com oxigênio para haver acombustão. 
A nível molecular, o combustível ao ser aquecido, algumas moléculas começam 
a quebrar, na quebra dessas moléculas há liberação de energia térmica (calor) irradia 
a molécula ao lado, água e gás carbônico, que faz com que a molécula ao lado se 
aqueça, se quebre e também libere calor para molécula ao lado, assim 
sucessivamente até que o combustível se esgote. Desse modo, se forma a cadeia de 
combustão, produzindo a sua própria energia de ativação (calor), enquanto houver 
suprimento de combustível. 
30 
 
 
Isso torna a queima autossustentável, sem que haja necessidade de uma fonte 
de calor externa em aquecer o combustível, pois o calor liberado pela quebra do 
combustível é suficiente para formar os gases combustíveis que reagirá com o 
oxigênio e permitir o desenvolvimento da combustão. 
Contudo, se os vapores combustíveis ao reagir com o ar (oxigênio) e se 
inflamarem, geram ainda mais energia, que irradiará para o combustível, gerando 
mais gases combustíveis e alimentado mais a combustão. 
 
 
Figura 31 - Reação em Cadeia 
Fonte: IBRASEP, 2022. 
 
Seção 19 - Produtos da Combustão 
 
Fumaça 
A fumaça influencia na dinâmica do incêndio pelo seu potencial de causar 
danos à saúde, a capacidade de aceleração da propagação do incêndio, a baixa 
visibilidade e abafamento acústico. Ela apresenta 5 (cinco) características básicas: 
 
31 
 
 
 
Figura 32 - Característica da Fumaça 
Fonte: Acervo pessoal 
 
• Quente – resultado da combustão com temperatura elevada e quando se 
acumula em um ambiente pode propagar o calor por meio de irradiação, mais quando 
ela sai do ambiente, por ser mais leve, ela pode se deslocar para os pavimentos 
superiores por meio de dutos, fosso, escadas, etc; e pode propagar o calor por meio 
da convecção térmica, atingindo os pavimentos superiores, levando calor a outros 
locais distantes do foco. 
• Opaca – como o incêndio é uma combustão incompleta podendo liberar água. 
Gás carbônico, monóxido de carbono, o carbono elementar (fuligem), entre outros, 
forma uma massa gasosa que fica suspenso no ar, que torna difícil a visibilidade sendo 
necessário técnicas adequadas para entrada segura e dispersão dessa fumaça. 
• Móvel – ocorre o deslocamento pois o fogo se propaga por meio da convecção, 
que consiste no movimento do fluido onde o ar quente sobe e o ar frio desce, surgindo 
as correntes de convecção e provocando o deslocamento da fumaça. Como esse 
fluido é mais quente, tende a subir atingindo diferentes ambientes em pavimentos 
superiores. 
• Inflamável – além dessa massa gasosa receber os gases combustíveis liberado 
pelo aumento de temperatura, ela possui radicais livres, íons instáveis, etc altamente 
reagentes que podem reagir com o oxigênio, e ao entra em contato com uma fonte de 
calor pode se inflamar ou explodir. 
• Tóxica – Os seus produtos são asfixiantes e irritantes, que vai depender dos 
produtos da combustão pode apresentar em sua composição produtos tóxicos 
32 
 
 
asfixiantes como o monóxido de carbono (CO), Ácido clorídrico (HCl), Ácido Cianídrico 
(HCN), Amônia (NH3), Óxidos de Nitrogênio (N2O, NO, NO2, N2O4). 
 
Seção 20 - Métodos de Extinção do Fogo 
 
Os métodos de extinção de incêndios baseiam na retirada de um ou mais elemento 
do fogo. São eles: a retirada ou controle de material ou isolamento, o resfriamento, o 
abafamento e a quebra da reação em cadeia que consiste na retirada do elemento do 
fogo combustível, calor, comburente e reação em cadeia respectivamente. 
 
a) Retirada ou Controle de material ou isolamento 
Consiste na retirada do elemento do fogo o combustível, que pode ser feito pela 
retirada do material que está́ queimando ou retirada do material que está́ próximo ao 
fogo e que deverá entrar em combustão por meio de um dos métodos de propagação. 
 
 
Figura 33 – Método de Extinção: Retirada do Material ou isolamento 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
b) Resfriamento 
Consiste na retirada do elemento do fogo o calor. Normalmente utiliza-se o 
agente água ou espuma para diminuir a temperatura e, consequentemente, 
diminuir o calor. Desse modo, o combustível não gera mais gases e vapores para 
reagir com o comburente vindo a se apagar. 
 
33 
 
 
 
Figura 34 - Método de Extinção: Resfriamento 
Fonte: Acervo, 2022. 
 
c) Abafamento 
Consiste na retirada do elemento do fogo o comburente, que visa reduzir 
ou impedir que o comburente se misture com os gases liberados do combustível e 
forme a mistura ideal para a combustão. Os agentes mais utilizados são os pós 
químico Monofosfato de Amônio (PQS ABC), Bicarbonato de Sódio (PQS BC), Dióxido 
de Carbono (CO2) ou Espuma. 
 
 
Figura 35 - Método de Extinção: Abafamento 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
 
d) Quebra da Reação em Cadeia ou Extinção Química 
 
Consiste na retirada do elemento do fogo a reação em cadeia. Normalmente 
utiliza-se um produto que impede a reação entre gases combustíveis com o 
comburente, interferindo diretamente nos radicais livres induzindo na formação de 
34 
 
 
moléculas diferentes, com efeito de reação endotérmica (absorção do calor) e assim, 
evitando-se a liberarão de calor impedindo que a molécula ao lado da reação receba 
calor e libere mais vapores combustíveis, ou até mesmo que esse vapores se 
inflamem impedindo que o calor seja irradiado para o combustível evitando a formação 
de mais gases combustíveis. Logo, ao lançar o produto, os gases combustíveis 
tornam-se em uma mistura não inflamável. Para esse tipo de extinção pode ser 
utilizado certos agentes extintores tais como, Halon, halogenados, sais de metais 
alcalinos), Pó Químico Seco (PQS). 
 
 
Figura 36 - Método de Extinção: Quebra da Reação em Cadeira 
Fonte: Acervo pessoal, 2022. 
 
Seção 21 - Agentes Extintores 
 
a) Água: agente extintor que atua por resfriamento. É o mais utilizado pelas suas 
propriedades de absorver calor e em decorrência de facilidade de ser encontrada. A 
forma mais eficaz da utilização da água é na forma de chuveiro ou pulverizado, pois 
quanto mais gotículas de água houver, maior será sua superfície de contato e maior 
será a capacidade de absorver calor. 
A água também pode atuar secundariamente por abafamento, pois quando a 
água evapora, o seu volume aumenta cerca de 1700 vezes e duplica a 450º C, 
podendo deslocar o ar em volta do fogo reduzindo a quantidade de ar necessário para 
a combustão. 
A água também é utilizada para a formação de espuma, para apagar fogos em 
líquidos inflamáveis. 
35 
 
 
Desvantagens da utilização da água em incêndio: 
• Alta Tensão Superficial: dificuldade de penetração da água em objetos porosos; 
• Baixa viscosidade – escoamento rápido no material; 
• Densidade relativamente alta – a água vai para o fundo do recipiente em 
incêndios em líquidos inflamáveis com densidade menor que a da água; 
• Conduz eletricidade; 
• Em incêndios de classe D, a água ao entrar em contato com o material 
pirofórico, o oxigênio presente em sua composição promove violenta reação 
exotérmica (liberação de calor). 
 
b) Espuma: agente extintor que são empregados aditivos para diminuir a tensão 
superficial da água (agentes tensoativos) visando aumentar a capacidade de 
espalhamento em cima do material sobre a superfície em chamas ou a penetração no 
material. 
A adição de agentes tensoativos e ar na água produz as bolhas que são 
constituídas por uma fase contínua líquida na superfície e uma dispersão gasosa no 
interior apresentando uma estrutura formada pelo agrupamento de várias células 
(bolhas) formando a espuma. Quanto maior o tamanho da bolha, menor será a 
estabilidade térmica e mecânica e mais fácil se desfaz. 
A propriedade da espuma em ficar na superfície, faz com que seja o agente 
indicado para apagar incêndios em líquidos inflamáveis, pois estas, espalham-se 
sobre a superfície do material em combustão, isolando-o do contato com o oxigênio 
atmosférico, agindopelo método de extinção por abafamento e secundariamente por 
resfriamento por ser constituída de água. 
Outrossim, os agentes tensoativos são adicionados a água, para torná-la “água-
molhada, pois a água por possuir uma alta tensão superficial ela tem uma maior 
dificuldade de penetrar no material, e adicionando os agentes tensoativos, a água 
aumenta sua capacidade de penetrar (enxarcar) o material agindo pelo método de 
extinção por resfriamento. 
 O Líquido Gerador de Espuma (LGE) e/ou tensoativo mais utilizado para produzir 
espuma mecânica visando a extinção em incêndio em líquidos inflamáveis é o LGE 
formadora de filme aquoso (aqueous film-forming foam – AFFF), que pode ser 
encontrado no mercado na concentração de 1 a 6%. Desse modo, para fazer a “água 
36 
 
 
molhada” é utilizado a concentração de 1%, ou seja, para a mistura de 100 litros, 1 
litro será de LGE e 99 litros será de água, bem como, para combater incêndios em 
aeronaves, será utilizado a concentração de 6% de LGE, ou seja, para mistura de 100 
litros, 6 litros será de LGE e 94 litros será de água. 
Existe dois tipos de espuma: 
• Espuma Mecânica - obtidas por um processo mecânico de mistura de um 
agente espumífero (LGE – líquido gerador de espuma), ar e água; 
• Espuma Química - obtidas pela reação química entre dois produtos que se 
misturam e liberam gás carbônico, formando a espuma. 
As espumas mecânicas classificam-se devido a capacidade dos líquidos 
geradores de espuma de formar volume de espuma após a aeração da mistura com 
água. São elas: 
 
 
Classificação 
1 litro de pré-
mistura 
produz 
Tipo de 
Espuma 
Uso 
Baixa 
expansão 
até 20 litros de 
espuma 
espuma 
pesada 
grandes incêndios em líquidos 
inflamáveis (tanques de 
armazenamento); acidentes de 
trânsito; incêndios com 
derramamento de líquidos 
inflamáveis; supressão de vapor; 
helicópteros; píers; resgate de 
acidente de aeronave; extintores 
de incêndio portáteis. 
Média 
expansão 
de 20 a 200 
litros de 
espuma 
espuma 
média 
supressão de vapor; tanques de 
armazenamento de líquidos 
inflamáveis; pequenos dutos; 
pequenos incêndios envolvendo 
líquidos inflamáveis, tais como os 
ocorridos em acidentes de 
trânsito; proteção de 
transformadores 
Alta expansão 
de 200 a 1.000 
litros de 
espuma 
espuma 
leve 
combate, extinção e proteção de 
grandes volumes, como 
armazéns, hangares de 
aeronaves, celeiros, navios, 
poços de minas, etc.; grandes 
dutos; supressão de vapor 
(incluindo líquidos criogénicos). 
 
Figura 37 – Classificação e uso da espuma mecânica 
37 
 
 
 
 
c) Pó Químico: o pó químico são partículas sólidas muitas finas, não tóxicas e não 
abrasiva e que não conduz energia elétrica, mais que podem provocar asfixia se 
inaladas em excesso. Agem pelo método de extinção por abafamento, pois afasta o 
oxigênio impedindo que o vapores combustíveis reaja com o oxigênio, além de agir 
pelo método de extinção por quebra da reação em cadeia, pois o pó captura os 
radicais livres impedindo a reação de combustão. Além disso, possui a propriedade 
extintora de resfriamento por absorver o calor e quando se encontra em suspensão 
impede a irradiação da onda calorífica. 
Existe vários tipos de pós que são indicados para cada classe de incêndio, 
conforme tabela abaixo: 
 
Classe de Incêndio Agente Extintor 
ABC Fosfato de amônio ou 
Fosfatomonoamônico 
BC 
Bicarbonato de Sódio 
Bicarbonato de Potássio 
Cloreto de Potássio 
D Grafite combinado com 
cloretos e carbonetos 
 
Figura 38 - Agente extintor conforme classe de incêndio 
 
d) Dióxido de Carbono (CO2) ou anidrido carbônico ou gás carbônico: é um gás 
inerte, não tóxico e não conduz energia elétrica; que age pelo método de extinção por 
abafamento. Ele ocupa o espaço deslocando o oxigênio, impedindo que os gases 
combustíveis liberados pelo combustível reajam com o oxigênio, por esse motivo, 
quando utilizado em locais confinado, por baixar a quantidade de oxigênio, pode ser 
asfixiante. Normalmente, ele é armazenado em cilindros de alta pressão, e tem como 
característica de quando o gás é liberado, se expande absorvendo calor, e por esse 
motivo o difusor do extintor de gás carbônico baixa a temperatura a menos 79º C. 
É um agente extintor indicado em incêndios em líquidos inflamáveis e em 
equipamentos energizados, porém não é indicado em incêndios de classe A pela 
dificuldade de penetração no material, bem como não é indicado em incêndios em 
classe D, pois decompõe o CO2 podendo reagir de formar perigosa, além de não ser 
38 
 
 
indicado em incêndios com agentes oxidantes, considerando que sua estrutura 
apresenta oxigênio. 
 
 
Seção 22 - Classes de Incêndio 
 
De acordo com a National Fire Protection Association - NFPA, os incêndios são 
divididos em quatro classes, tais como: 
 
• Classe “A”: combustíveis sólidos. 
 
Figura 39 - Classe de Incêndio A 
Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores/ 
 
São materiais que queimam na superfície e em profundidade e deixam 
resíduos, tais como: madeira, papel, tecido, papelão, algodão, etc. 
O método de extinção é o resfriamento, e os agentes extintores apropriados 
são PQS ABC, água e espuma, ou isolamento podendo retirar o material que está́ 
queimando ou afastando o material que está́ próximo ao fogo. 
 
• Classe “B”: líquidos ou gases inflamáveis. 
 
Figura 40 - Classe de incêndio B 
Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores 
39 
 
 
Além dos líquidos inflamáveis e gases, temos os plásticos que derretem e os 
óleos de gorduras que tem o mesmo comportamento dos líquidos combustíveis. Eles 
queimam em superfície e não deixam resíduos, tais como: álcool, gás liquefeito de 
petróleo (GLP), gasolina, querosene, diesel, etc. 
O método de extinção é o abafamento, podendo ser feito pelos agentes extintores 
PQS BC, PQS ABC, Gás Carbônico e espuma, ou isolamento podendo retirar o 
material que está́ queimando por meio de transbordo ou afastando o material que está́ 
próximo ao fogo evitando a combustão. Evita-se de usar a água, pois ele tende a se 
acumular no fundo do recipiente, podendo transbordar o líquido inflamável e espalhar 
o incêndio, porém, a água pode ser utilizada em jato chuveiro ou pulverizada. 
 
• Classe “C”: equipamentos elétricos energizados. 
 
 
Figura 41 - Classe de incêndio C 
Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores/ 
 
São os equipamentos elétricos ou qualquer material quando energizado. 
Geralmente esse tipo de material tem as mesmas características de queima da Classe 
A, queimam em superfície e profundidade e deixam resíduos, porém não pode ser 
utilizado os agentes extintores da classe A, água e espuma, pois elas conduzem 
corrente elétrica. Portanto, o método de extinção será o abafamento e os agentes 
extintores adequados são PQS BC, PQS ABC e Gás Carbônico. 
 
• Classe “D”: metais combustíveis. 
 
40 
 
 
 
Figura 42 - Classe de incêndio D 
Fonte: https://fogoeincendio.com/classes-de-incendio-e-agentes-extintores/ 
 
 
Os metais ou materiais pirofóricos, são aqueles mais propensos a um início de 
combustão espontânea, quando fundidos em contato com água ou quando possui 
bastante umidade, em que temperatura do material ou do ar estiver menor que a 
temperatura ambiente, causam fogo. 
 
Exemplos básicos de materiais pirofóricos são: Sódio (Na), Zinco (Zn), 
Magnésio (Mg), Potássio (K), Bário (Ba), Cálcio (Ca), Alumínio (Al), Zircônio (Zr) e 
Titânio (Ti), pedra de isqueiro, metais alcalinos, alumínio e chumbo pulverizado. 
 
O agente extintor é um pó químico especial a base de sal e cloreto de sódio que 
atua pelo método de extinção abafamento (isolando do oxigênio), quebra da reação 
em cadeia (neutralização das moléculas geradas) e isolamento (retirando o material 
ainda não atingido) 
 
Seção 23 - Extintores de Incêndio 
 
São aparelhos destinadosa combater a princípios ou na sua fase crescente do 
incêndio. Os extintores podem ser portáteis (até 20 quilos) ou sobre rodas (mais de 
20 quilos). 
 
 
 
41 
 
 
 
Figura 43 - Extintores Portáteis e Sobre Rodas (carreta) 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
Os extintores podem ter em seu interior os agentes extintores, tais como: água, 
pó químico seco (PQS), espuma, gás carbônico e pó especial. Nesses equipamentos 
existe dois métodos de propulsão do agente extintor. A primeira consiste em extintores 
de pressão não permanente (Figura 41-a) do qual o agente extintor e o agente 
propulsor encontram-se em recipientes diferentes. E segundo trata de extintor com 
pressão permanente (Figura 41-b), ou seja, o agente extintor e o agente propulsor 
encontram-se no mesmo recipiente. 
 
 
 (a) (b) (c) 
Figura 44 - Estrutura do extintor portátil 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
São partes componentes da estrutura de um aparelho extintor portátil: 
• Pino ou trava de Segurança: trava o gatilho do extintor; 
• Alavanca: dar apoio para dar pressão ao gatilho; 
• Gatilho: Aciona o extintor; 
https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio
42 
 
 
• Manômetro: Indica se está com “pressão” (pressurizado) ou não. Se não estiver 
com pressão, o agente extintor não vai sair do recipiente, com exceção do 
extintor de gás carbônico, que não existe manômetro no extintor de gás 
carbônico e por se tratar de um gás, ele já possui pressão. Normalmente o 
manômetro possui três indicações de cor (parte vermelha – sem pressão; parte 
verde – com pressão adequada para utilização do extintor e parte branca – com 
excesso de gás que pode comprometer a utilização o uso do extintor); 
 
 
Figura 45 - Manômetro de extintor 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
• Pressurizante ou gás propelente: é uma que serve para expulsar o agente 
extintor do recipiente. Pode ser o Gás Carbônico (CO2) e ou Nitrogênio (N2). 
• Agente extintor: é o produto químico ou água que apaga o fogo; 
• Sifão ou Pescador: Conduz o agente extintor do interior do reservatório até a 
válvula de descarga; 
• Reservatório ou recipiente: armazena o agente extintor e o agente propulsor 
(quando de pressão permanente); 
• Base: serve para apoiar o extintor para mantê-lo em pé. 
• Mangueira: conduz o agente extintor a partir da válvula de descarga até o bico 
de descarga. 
• Bico de Descarga: instalado na ponta da mangueira para expelir o agente 
extintor. O bico do extintor de Gás Carbônico é o Difusor (Fig. 43-a), o de 
extintor de espuma é a Fig. 43-b, e o de pó e de água é a Fig. 43-c, só se 
diferencia no diâmetro sendo o de água menor que o de pó. 
 
43 
 
 
 
(a) (b) c) 
 
Figura 46 - Bico de Descarga de extintores portáteis (a) Gás Carbônico (b) Espuma (c) Água e Pó 
Fonte:https://www.google.com/imgres?imgurl=https%3A%2F%2Floja.bombeiros.com.br% 
 
• Ampola: reservatório de gás propelente em casos de extintores de pressão não 
permanente. 
No extintor encontramos também: 
• Rótulo de Extintor: traz informações como as indicações das classes de 
incêndio, o nome do agente extintor, a capacidade extintora, instruções de 
manuseio, entre outras orientações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 47 – Rótulo dos Extintor 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
44 
 
 
 
• Anel de identificação: que serve para identificar qual a empresa fez a recarga 
do extintor, por isso, extintores novos, que ainda não sofreram recargas, não 
possuem este anel de identificação. 
 
 
Figura 48 - Lacre de Identificação 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
• Selo do INMETRO: é um selo que traz informações do mês e ano da 
manutenção do extintor. O prazo de validade de recarga é de um ano para os 
extintores, com exceção do extintor de gás carbônico que é inspecionado 
semestralmente. 
 
 
 
Figura 49 - Selo do INMETRO original 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
 
 A Capacidade extintora trata da capacidade mínima que um extintor deve 
apagar, ou seja, o tamanho do fogo a ser extinto. A Medida do poder de extinção de 
https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio
45 
 
 
fogo de um extintor é obtida em ensaio prático normaliza, do qual padronizam a 
quantidade de agente extintor dentro do recipiente e a quantidade de fogo que ele 
deve apagar. 
 Na classe A os testes de Capacidade Extintora são realizados em engradados 
de madeira, sob condições laboratoriais, de acordo com a Norma Brasileira — NBR 
15808 e 15809. 
 
 
Figura 50 - Teste de Capacidade Extintora da Classe A 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
 Desse modo, apresenta-se na figura abaixo a capacidade extintora da Classe 
A para sólidos combustíveis. 
 
 
Figura 51 - Capacidade extintora da Classe A 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
46 
 
 
Na Classe B os testes de Capacidade Extintora são realizados em cubas 
quadradas, sob condições laboratoriais, contendo n-heptano de acordo com a Norma 
Brasileira — NBR 15808 e 15809. 
 
 
Figura 52 -Teste de Capacidade Extintora da Classe B 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
Desse modo, apresenta-se na figura abaixo a capacidade extintora da Classe 
B para líquidos inflamáveis. 
 
 
Figura 53 - Capacidade extintora da Classe B 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio. 
 
Na Classe C o teste é realizado o extintor para verificar se conduz eletricidade 
durante sua descarga. Durante o teste o extintor é energizado e caso transmita 
47 
 
 
eletricidade quando disparado contra a chapa metálica, a chave entra em curto e é 
desligada automaticamente. O ideal que não conduza corrente elétrica. 
 
 
 
Figura 54 - Teste de condução de eletricidade do extintor de Gás Carbônico 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
Portanto, as características dos extintores são: 
 
• Extintor de água 
 
 
Figura 55 - Extintor de Água 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
Classe de Incêndio indicado: A 
Metodo de Extinção: Resfriamento 
Capacidade Extintora: 2-A 
Carga sobre roda: 75 litros 
Carga extintor portátil: 10 litros 
48 
 
 
Alcance do Jato: 10 metros 
Tempo médio de descarga extintor portátil: 1 minuto (60 segundos) 
• Extintor de Espuma 
 
 
 
Figura 56 - Extintor de espuma 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
Classe de Incêndio indicado: A e B 
Metodo de Extinção: Resfriamento para Classe A e Abafamento para Classe B 
Capacidade Extintora: 2-A / 10-B 
Carga sobre roda: 50 litros 
Carga extintor portátil: 10 litros 
Alcance do Jato: 5 metros 
Tempo médio de descarga extintor portátil: 1 minuto (60 segundos) 
• Extintor de Pó Químico Seco (PQS) 
 
 
Figura 57 - Extintor de PQS BC 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
49 
 
 
 
Classe de Incêndio indicado: B e C 
Metodo de Extinção: Abafamento 
Capacidade Extintora: 20-B / C 
Carga sobre roda: 20 e 50 Kg 
Carga extintor portátil: 2,4, 6, 8 e 12 kg 
Alcance do Jato: 5 metros 
Tempo médio de descarga extintor portátil: de 15 a 25 segundos 
 
 
 
Figura 58 - Extintor de PQS ABC 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
Classe de Incêndio indicado: A, B e C 
Metodo de Extinção: (A) resfriamento e (B e C) Abafamento 
Capacidade Extintora: 2-A / 20-B / C 
Carga sobre roda: 20 e 50 KgCarga extintor portátil: 1, 2, 4, 6, 8 e 12 kg 
Alcance do Jato: 5 metros 
Tempo médio de descarga extintor portátil: de 15 a 25 segundos 
 
• Extintor de Gás Carbônico 
50 
 
 
 
 
 
Figura 59 - Extintor de Gás Carbônico 
Fonte: https://contraincendio.com.br/produto/extintores-de-incendio 
 
Classe de Incêndio indicado: B e C 
Metodo de Extinção: Abafamento 
Capacidade Extintora: 5-B / C 
Carga sobre roda: 50 Kg 
Carga extintor portátil: 6 kg 
Alcance do Jato: 2,5 metros 
Tempo médio de descarga: 25 segundos 
 
Seção 24 - Fases do Incêndio 
 
O desenvolvimento de queima em um incêndio ocorre em estágios ou fases 
claramente definidos. As fases do incêndio são descritas como: inicial, crescente, 
totalmente desenvolvida e final. 
51 
 
 
 
 
Figura 60 - Fases do Incêndio 
Fonte: https://www.google.com/imgres?imgurl=x-raw-image% 
 
• Fase inicial: é a fase onde existe o primeiro foco de incêndio limitado a um material. 
O local tem grande quantidade de combustível e oxigênio. Se a queima do material 
combustível que compõe o foco inicial não for suficiente para causar a pirólise de 
outros materiais no ambiente e sustentar a queima, o fogo se extinguirá ainda nesta 
fase. Na figura acima, mostra apenas um foco de incêndio no abajur. 
 
• Fase do crescente: O fogo não está mais limitado ao primeiro material combustível 
e começa a irradiar calor e a pirolisar o material próximo. Logo, o calor propagado pelo 
primeiro material em combustão é transferido aos outros materiais no cômodo e 
começa a aumentar o incêndio até atingir o ponto de ignição e a consequente queima 
de quase todos os materiais do ambiente, fenômeno este conhecido como flashover. 
Na figura acima, mostra que já o calor passou do abajur (primeiro foco de incêndio) 
para o sofá. 
Nesta fase, a temperatura sobe de aproximadamente 50°C para 800°C em um 
curto espaço de tempo. Os incêndios liberam resíduos (carbono e hidrogênio), que se 
depositam no teto físico da edificação por meios das correntes de convecção e quanto 
menor for a distância entre o piso e o teto, mais rápido ocorre o adensamento da 
fumaça e mais rápido satura o ambiente. O posicionamento do foco inicial e a entrada 
do comburente são determinantes para o desenvolvimento da combustão. 
Quanto ao posicionamento, se o foco inicial estiver no centro, o 
desenvolvimento será mais lento devido aos vapores combustíveis receberem calor 
52 
 
 
quase que exclusivamente da convecção. Se estiver localizado no canto, será mais 
rápido, pois as paredes contribuem para o aquecimento dos gases combustíveis 
recebendo calor por condução e convecção direta e transferem esse calor para os 
vapores combustíveis, fazendo com que alcancem seu ponto de ignição mais 
rapidamente. 
 
 
Figura 61 - Posicionamento do foco inicial 
Fonte: CBMGO, 2017 
 
Quanto ao comburente, quanto mais ventilado for o ambiente, o adensamento 
da fumaça será mais lento e sofrerá as consequências da troca de calor entre ele e a 
fumaça mais tardiamente. A ventilação também limita a altura da zona de reação, 
também conceituada como plano neutro, que é o exato ponto visível de separação 
entre o ar atmosférico e a camada de fumaça onde ocorre a formação de chamas 
quando se tem a ignição da fumaça. 
 
 
Figura 62 - Zona de Reação 
Fonte: Fonte: CBMGO, 2017 
53 
 
 
 
• Fase Totalmente Desenvolvida: após a ignição súbita generalizada todos os 
materiais combustíveis presentes no cômodo estão em combustão. É nesta fase que 
o incêndio tem a maior taxa de liberação de calor, consumindo em decorrência disso, 
combustível e comburente de forma mais rápida. Por exemplo, na figura acima, ocorre 
a queima de todas a mobília, tapete, equipamentos, e até mesmo a tinta da parede 
queimam no ambiente. 
 
• Fase final: com todos os materiais presentes sendo consumidos no processo de 
combustão, a presença de calor, fumaça e chamas também diminui. Se não houver 
nova oferta de combustível e oxigênio o incêndio diminuirá até a sua extinção. 
 
Seção 25 - Comportamento Extremo do Fogo 
 
Flashover - Generalização do Incêndio 
O flashover ocorre de forma súbita na passagem da fase crescente para a fase 
totalmente desenvolvida de um incêndio, num ambiente com relativa abundância de 
oxigênio. 
É o momento em que todos os materiais presentes no ambiente sofrem a 
pirólise, em virtude da ação da fumaça quente e inflamável resultante da queima, e 
entram em ignição simultaneamente, com efeitos similares aos de uma explosão. 
Generalizando o incêndio, pois todos os materiais combustíveis do ambiente se 
inflamam ao mesmo tempo ao atingirem seus respectivos pontos de ignição, gerando 
grande quantidade de energia em curtíssimo espaço de tempo, espalhando o fogo 
rapidamente pelo ambiente. 
 
 
54 
 
 
Figura 63 - Generalização do Incêndio 
Fonte: https://vvf-flashover-garofalo.blogspot.com/2013/02/prf-flashover.html?m=1 
 
O flashover não apresenta ondas de choque, no entanto, as altas temperaturas 
por ele atingidas, pode representar o risco de colapso estrutural do ambiente 
sinistrado. 
Sinais observáveis em um incêndio que identificam o risco iminente da 
ocorrência de um flashover: 
 
Fumaça densa, escura e turbulenta 
 
Com a limitação do espaço, há um acúmulo de fumaça, tornando-a mais densa, 
indicando maior quantidade de gases e materiais combustíveis em suspensão, 
formados pela queima, aguardando até que a temperatura chegue a seus pontos de 
ignição. 
 
Figura 64 - Fumaça rica em materiais combustíveis em suspensão 
Fonte: https://i.pinimg.com/originals/20/d8/84/20d884e6c0c87e9c98d53f554e54777b.jpg 
 
A fumaça escura indica a presença de chamas no ambiente e é consequência 
da perturbação da ponta das chamas difusas. O confinamento do incêndio provoca o 
acúmulo da fumaça e seu adensamento gerando uma fuligem, pela queima 
incompleta, que se deposita sobre beirais de janelas, moveis e pisos, sendo possível 
a observação deste sinal pelo combatente envolvido na operação. 
55 
 
 
Em altas temperaturas a fumaça tende a se movimentar turbulentamente. 
Quanto maior for a temperatura da fumaça, mais turbulenta e rápida será sua 
movimentação. 
 
Chamas na zona de reação da camada da fumaça 
 
 
Figura 65 - Chamas na zona de reação 
Fonte: https://medium.com/@australis/compartment-fire-behavior-training-55906ec23959 
 
 
Devido à alta temperatura da fumaça (acima do ponto de ignição) e a limitação 
de comburente, provocados pelo processo de combustão, surgirão chamas em áreas 
onde a fumaça encontrar oxigênio na concentração adequada de mistura. Estas 
chamas se direcionarão para qualquer abertura que lhe permita contato com o 
oxigênio como as aberturas de portas e janelas. 
 
Rollover 
Caracteriza-se pelo aparecimento de chamas esporádicas na capa térmica e 
pela queima repentina de toda camada de fumaça. Esta denominação dá-se pelo 
movimento de rolamento das chamas na camada de fumaça. Este fenômeno libera 
grande fluxo de calor aumentando a temperatura e contribuindo com a ocorrência do 
flashover. 
 
56 
 
 
 
 Figura 66 - Rollover 
 Fonte: http://incendioseresgates.blogspot.com/2017/04/rollover.html 
 
Ghost Flames - Ignição esporádica e de pequenas proporções da fumaça 
 
O aparecimento de chamas esporádicas na capa térmica, provenientes da 
queima rápida de parte dos gases e vapores combustíveis presentes na fumaça, 
indica que a capa térmica está prestes a entrar em ignição e se incendiar por completo, 
provocando o flashover a qualquer instante. 
 
 
Figura 67 - Ghost Flames 
Fonte: ikelite.com/blogs/features/inside-a-drager-flashover-simulator-with-an-ikelite-housing 
 
57 
 
 
Backdraft - Explosão da Fumaça 
É a explosão violenta da fumaça acumulada e aquecida em um ambiente 
confinado, ao entrar em contato com uma repentina oferta de oxigênio e alcançar a 
mistura ideal de combustão. 
 
 
Figura 68 - BackdraftFonte: https://gulffire.mdmpublishing.com/warm-to-inform-but-never-burn-to-learn/ 
 
O backdraft ocorre quando há o acúmulo de fumaça, gases e partículas 
combustíveis, em um ambiente confinado, decorrentes do processo de combustão e 
diminuição de oxigênio no ambiente sinistrado, que ao receber uma oferta suficiente 
de oxigênio (comburente), produzirá uma violenta explosão. 
Quando o incêndio fica confinado a queima passa ser lenta, decorrente da 
limitação de oxigênio. Apesar da ausência de chamas, a termólise continua 
acontecendo e a produção de vapores combustíveis é constante, tornando a fumaça 
cada vez mais densa e aquecida. Uma das principais características dos incêndios 
com limitação de oxigênio é a produção de Monóxido de Carbono (CO), além de outros 
gases e vapores combustíveis. O Monóxido de Carbono possui uma ampla faixa de 
inflamabilidade, de 12,5% a 74%, atingindo seu ponto de ignição a 605ºC, temperatura 
normalmente atingida em incêndios de ambientes fechados. Dessa forma a fumaça 
superaquecida e rica em vapores combustíveis, tão logo misture-se com o ar 
(comburente) e alcance a concentração adequada, entrará em ignição de forma 
violenta com a formação de uma onda de choque e elevada temperatura, podendo 
causar grandes danos estruturais e humanos. 
58 
 
 
Essa oferta de comburente (ar) ao ambiente incendiado pode se dar pela 
abertura inadvertida de uma porta ou janela por bombeiros ou curiosos ou pela 
formação de uma abertura ocasionada pela pressão exercida pela fumaça sobre 
pontos vulneráveis, como também pela ação da alta temperatura gerada. 
Importante observar que como mencionado, a ocorrência do backdraft se dará 
em um processo de mistura ideal da fumaça (combustível) que se encontra 
superaquecida, com o oxigênio (comburente) ofertado. Logo, essa mistura ideal 
poderá ocorrer de forma imediata ou levar algum tempo (minutos). Devendo, portanto, 
ter uma atenção especial da guarnição de combate a incêndio. 
 
 
Figura 69 - Backdraft 
Fonte: https://pt.depositphotos.com/stock-photos/backdraft.html 
 
 
Indícios que identificam o risco iminente da ocorrência de um backdraft: 
 
Fumaça cáqui, densa e turbulenta 
 
A fumaça é cáqui e densa em decorrência da pirólise dos materiais que 
continua a ocorrer sem chamas e causando acúmulo de combustíveis. E por estar 
aquecida torna-se turbulenta, rolando pelo ambiente e saindo por frestas e aberturas 
que possibilite o acesso ao oxigênio de forma pulsante. 
 
Ar sendo sugado para dentro do ambiente 
59 
 
 
Percebe-se a sucção de ar para dentro do ambiente por frestas de forma 
intermitente. E algumas vezes o deslocamento do ar provoca sons parecidos com um 
assobio. 
 
Presença de línguas de fogo (flameover) 
Pequenas chamas se acendem e apagam próximas das aberturas, a fumaça 
que sai do ambiente se incendeia ao entrar em contato com o oxigênio, indicando que 
está acima de seu ponto de ignição. 
 
Paredes, portas e maçanetas aquecidas 
Consequência da alta temperatura no interior do ambiente. É um importante 
sinal de alerta e de fácil identificação. 
 
Sons abafados (efeito algodão) 
Devido à alta densidade da fumaça, os sons dentro do ambiente soarão 
abafado, como se os ouvidos estivessem com chumaço de algodão. 
 
Vidros e molduras das janelas com aspecto oleoso 
A combustão gera fuligem e vapores que se condensam em contato com os 
vidros, misturam-se impregnando os vidros das janelas, dando a impressão de que 
existe óleo no ambiente. 
 
Ignição da Fumaça 
A ignição da fumaça, assim como no backdraft, quando aquecida, é causada 
quando recebe a proporção adequada de ar. A diferencia para o backdraft, é que 
enquanto neste, o ar vai em direção à fumaça, na ignição da fumaça, a fumaça vai em 
direção ao ar. 
Outra forma de ignição da fumaça e a mais comum, é quando entra em contato 
com uma fonte de calor, podendo ou não gerar onda de choque. Mesmo com pouca 
fumaça visível, é possível ocorrer a ignição, pois os gases do incêndio continuam 
inflamáveis, bastando uma fonte de calor suficiente para deflagrá-los. 
É um fenômeno momentâneo, pois, quando parte da fumaça queima, ele 
consome o oxigênio e perde as condições favoráveis para continuar queimando. 
 
60 
 
 
 
Figura 70 - Ignição da Fumaça 
Fonte: https://www.tagblatt.ch/ostschweiz/frauenfeld-munchwilen/flashover-aus-dem-feueratelier-
ld.961923 
 
Fatores que causam a ignição da fumaça: 
• Colapso de estruturas da edificação sinistrada - a fumaça que estava confinada 
no ambiente é compelida e entra em contato com uma fonte de calor ou com o 
comburente; 
• Curto-circuito da rede elétrica ou faíscas - de equipamento ou motores 
presentes no local do sinistro; 
• Uso incorreto de ventilação por pressão positiva – que utilizada da forma 
incorreta, direcionará a fumaça para um ambiente onde haja alguma fonte de 
calor; 
• Uso de jatos de água de forma indiscriminada e incorreta – esses jatos geram 
deslocamento de ar que podem direcionar a fumaça para ambientes que 
contenham fontes de calor; 
• Ação de rescaldo mal conduzida – feito da maneira incorreta pode deixar a 
expostas brasas incandescentes que poderão incendiar a fumaça acumulada; 
• Pode-se prevenir a ignição da fumaça com medidas como; impedir o acúmulo 
da fumaça no ambiente e realizar seu resfriamento com linhas de mangueiras 
dispostas na saída do ambiente, realizando pulsos de água atomizada. 
 
 
61 
 
 
CAPÍTULO 2 – RISCOS ESPECÍFICOS E SEUS EFEITOS 
 
Autores: AL OF Carlos Alan Matos de Queiroz, AL OF Danilo Eduardo Rocha de 
Paulo, AL OF Maria da Conceição Corrêa Pereira, AL OF Willian Guerra Soares. 
 
 
Antes de iniciarmos com o tema proposto, vamos fazer um breve entendimento 
sobre a palavra riscos. Segundo o Dicionário Houaiss, riscos “é probabilidade de 
perigo com ameaça física para o homem e/ou para o meio ambiente”. E é nesse 
sentido da palavra riscos, na qual, iremos estudar, que riscos são os riscos de 
acidentes aos quais os trabalhadores estão sujeitos em determinado ambiente de 
Trabalho. Em que, esses riscos ameaçam não somente a vida, mas também o meio 
ambiente. Alguns exemplos de riscos que estão associados a ruídos, vibrações, 
gases, vapores, iluminação inadequada, presença de máquinas, calor, dentre várias 
outras possibilidades em determinados ambientes de trabalho. 
Assim, sendo a abordagem desse assunto visa o aprendizado por parte dos 
bombeiros dos conceitos, características e riscos que decorrem dos fenômenos 
associados aos incêndios, para que possam ter conhecimento tanto teórico quanto 
pratico, a fim de que, não venham a ser surpreendidos em ocorrência com um 
comportamento extremo capaz de se ferir a si e a equipe, e até mesmo trazer riscos 
de morte a quem estiver envolvido nas ações de salvamento e de combate aos 
incêndios principalmente em fábricas, postos de gasolinas, edificações verticais entre 
outros. 
Qualquer situação que apresente risco de danos à saúde do trabalhador caracteriza 
um risco ocupacional. Existem os mais evidentes e graves, como os ligados ao calor 
ou a acidentes em grandes indústrias. Há também os menores, que às vezes passam 
despercebidos, como os riscos ergonômicos em escritórios e ambientes 
administrativos, porém nosso foco são os riscos específicos de um incêndio. 
Segundo o Manual de Incêndio do Estado de Goiás 1º Edição de 2016; “a profissão 
de bombeiro militar surgiu pela necessidade de um serviço público de extinção de 
incêndios e, desde seu início, vem se aperfeiçoando em técnicas e atividades, sempre 
vislumbrando salvaguardar vidas e bens”. E o Corpo de Bombeiros do Estado do 
Amazonas está buscando a cada dia o aperfeiçoamento técnico profissional de seu 
efetivo em todas as áreas afins de atendimento. 
62 
 
 
Seção 1 - Viscosidade 
Segundo o dicionário on-line “o termo viscosidade tem característica ou 
estado daquilo que é viscoso; viscidez”.Pelos termos da física, viscosidade pode representar a resistência que um 
fluido apresenta ao escoamento, ocasionada pelo movimento relativo entre suas 
partes; atrito que ocorre no interior de um fluido. Ainda, sobre os termos da física, 
viscosidade pode ser um mecanismo utilizado pelas partículas de uma substância ao 
se aderirem (umas às outras). Assim, procuramos compreender a etimologia da 
palavra viscosidade que é “um termo de origem da palavra viscosidade, do latim 
viscositas”. 
Importante salientar que o Manual de Incêndio do Estado de Goiás 
(2017,p.57) nos informa que “não é raro que líquidos com uma viscosidade muito alta 
sejam pré-aquecidos para se facilitar seu escorrimento por meio de tubulações e para 
outros usos (uma vez que o aumento de temperatura tende a diminuir a viscosidade 
do líquido)”. Entretanto no estado líquido, os materiais se adequam ao recipiente que 
os contém, tomando sua forma sem alterar consideravelmente o volume. No caso dos 
líquidos inflamáveis, existe a possibilidade de escoamento do material para os locais 
mais baixos. Assim, buscamos compreender que líquidos menos viscosos escoam 
melhor. Outra consequência além do escoamento do próprio líquido é o escoamento 
de bolhas pelo líquido. Líquidos mais viscosos apresentam maior resistência ao 
escoamento das bolhas em direção à superfície do mesmo. 
Seção 2 - Densidade 
A densidade é a relação entre a massa de um material e o volume por ele 
ocupado. Um exemplo disso pode ser a mistura de líquidos, como mostra a figura 
abaixo. 
 
 
 
Figura 1 - mistura de líquidos 
Fonte: https://brasilescola.uol.com.br 
63 
 
 
Como podemos observar a camada de liquido é formada em razão das 
diferentes densidades do etanol, óleo e água. Assim, pode entender que densidade é 
a relação existente entre a massa e o volume de um material, a uma dada pressão e 
temperatura. 
Outro fato importante entender é que, é comum que os líquidos e gases 
combustíveis e inflamáveis sejam expressos através de sua densidade relativa que, 
para os sólidos e líquidos é definida como a densidade de um corpo dividido pela 
densidade (ou massa específica) da água. 
Segundo o Manual de Incêndio de Goiás (2017,p.57), afirma que : “para os 
gases a densidade relativa é definida como a densidade de uma porção do gás 
dividido pela densidade do ar.” Assim, compreendemos que em todos os casos a 
densidade relativa é adimensional. Muitas vezes nas fichas de informação de 
segurança a densidade relativa de um material é expresso simplesmente pelo termo 
“densidade” (basta verificar se o valor é adimensional ou se tem unidade para 
diferenciá-los). Em geral, a densidade relativa dos líquidos inflamáveis são menores 
que 1 e, portanto, “flutuam” na água, quando não se misturam. Os vapores mais 
densos que o ar também se acumulam nas partes baixas 
Seção 3 - Pressão de Vapor 
Podemos considerar aqui a pressão de vapor como uma medida da 
volatilidade de uma substância. Substâncias com alta pressão de vapor são mais 
voláteis, enquanto a substância com baixa pressão de vapor é substância pouco 
voláteis. A volatilidade por sua vez depende da natureza química da substância e está 
intimamente relacionada com as forças que mantêm as moléculas unidas. 
Assim sendo, a pressão exercida por uma substância ou mistura (a uma 
determinada temperatura) num sistema que contém apenas o vapor e a fase 
condensada (líquida ou sólida) da substância ou mistura. A pressão de vapor expressa 
a volatilidade do líquido. Líquidos mais voláteis têm pressão de vapor maiores. 
 
Seção 4 - Calor de Combustão 
64 
 
 
Calor (ou entalpia) de combustão de uma substância é a variação de entalpia 
(quantidade de calor libertada) verificada na combustão total de 1 mol de uma 
determinada substância, supondo-se no estado padrão todas as substâncias 
envolvidas nessa combustão. Na figura abaixo temos um exemplo de entalpia de 
combustão. 
 
 
 
 
Figura 2 - entalpia de combustão. 
Fonte: https://amazonas.news/incendio. 
 
Um outro exemplo, podemos verificar na imagem abaixo, o calor emitido pela 
combustão completa de uma unidade de massa que no caso abaixo é madeira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 3 - entalpia de combustão de madeira liberando calor para a casa 
Fonte: https://www.manualdaquimica.com. 
 
Por ser um fenômeno exotérmico, a entalpia de combustão sempre apresenta 
uma variação de entalpia menor que zero (ΔH < 0). 
 
Seção 5 - Calor Latente (ou calor de transformação) 
 
65 
 
 
Calor latente é a mudança de estado físico de uma substância quando há troca 
de calor, em um processo de fornecimento de energia para um corpo. Na termologia, 
calor latente também é chamado de calor de transformação. 
O calor latente é definido, também, como a relação da quantidade de calor por 
massa. Assim, determina o quanto de energia é necessário para um grama de 
determinada substância mudar seu estado físico. Ou seja, é a energia necessária para 
que determinada massa de material mude de fase (fusão e vaporização), ou a 
quantidade de energia liberada quando determinada massa de material muda de fase 
(solidificação e condensação). É expresso em unidade de energia por unidade de 
massa. 
Materiais Instáveis ou Reativos 
Segundo a IT 22 do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (2005,pg-18), 
materiais instáveis ou reativos “são líquidos que, no estado puro ou nas 
especificações comerciais, por efeito de variação de temperatura e pressão, ou de 
choque mecânico, na estocagem ou no transporte, se tornem auto reativos e, em 
consequência, se decomponham, polimerizem ou venham a explodir”. 
Já o Manual de Incêndio de Goiás (2017,p.68), nos apresenta que materiais 
instaveis ou reativos são “materiais (líquidos, sólidos ou gases) que no estado puro 
ou nas especificações comerciais, por efeito de variação de temperatura, pressão ou 
de choque mecânico, na estocagem ou no transporte, tornam-se auto reativos e, em 
consequência, se decomponham, polimerizem ou venham a explodir. 
Os graus de perigos devem ser classificados de acordo com a facilidade, a 
taxa e a quantidade de energia liberada, como segue: 
• Materiais que são capazes de detonar ou sofrer decomposição explosiva ou 
reação explosiva, rapidamente, a temperaturas e pressões normais. Isto inclui 
materiais que são sensíveis a choques térmicos ou mecânicos localizados a 
temperaturas e pressões normais. 
 
• Materiais que possuem power density instantânea (produto do calor de reação 
e taxa de reação) a 250ºC acima ou igual a 1000 W/ml. 
 
https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/fisica/termologia
66 
 
 
• Materiais que possuem uma power density instantânea (produto do calor de 
reação e taxa de reação) a 250ºC maior ou igual a 10 W/ml e menor a 100 
W/ml. 
• Materiais que reagem violentamente com água ou formam misturas 
potencialmente explosivas com água. 
 
Na figura abaixo ilustra as substâncias reativas, onde mostra a diferença do material 
termicamente estável. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5 – substâncias reativas 
Fonte: https://www.google.com 
 
Abaixo temos uma segunda tabela que mostra O Diagrama de Hommel que 
são identificações que devem ser feitas nos produtos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 – Diagrama de Hommel 
Fonte: https://www.segurancadotrabalho.ufv.br 
https://www.segurancadotrabalho.ufv.br/
67 
 
 
 
 
Toda solução química preparada em laboratórios, para seu próprio uso ou de 
uso de outro setor, deve conter um rótulo com: nome da solução, produto principal, 
produto secundário, usuário, procedência, data e o Diagrama de Hommel 
devidamente preenchido. 
O Diagrama de Hommel é um sistema padrão para indicar a toxidade, a 
inflamabilidade e a reatividade de produtos químicos desenvolvidos pela NFPA 
(National Fire Protection Association). Trata-se de um diagrama que possui sinais de 
fácil reconhecimentoe entendimento, os quais podem dar uma ideia geral do perigo 
desses materiais. 
 
Seção 6 – Líquidos inflamáveis 
 
De acordo com a NR20 que estabelece a definição de líquidos inflamáveis, ou 
seja, sua definição técnica incluindo o seu ponto de fulgor a qual é a menor 
temperatura que um líquido desprende quantidade suficiente de vapor para forma 
uma mistura inflamável com o ar. Líquidos inflamáveis são líquidos que mantém seu 
ponto de fulgor -c 60º. São ele acetileno, solvente, gasolina, benzeno, detergente 
sintéticos etc. 
Os tanques de armazenamento devem ser construídos de aço ou concreto ou 
material especial dependendo da característica do líquido. 
A IT 25/2019 do corpo de bombeiros militar do estado de São Paulo é a 
referência para construção de tanques de armazenamento de líquidos inflamáveis 
fixos e portáteis no Estado do Amazonas. 
Um fator importante é a Utilização de líquidos inflamáveis e de combustíveis 
em processos de fabricação de produtos como tintas, cosméticos, artigos de higiene 
pessoal e de limpeza, além de farmacêuticos, entre outros. Devido aos riscos de 
incêndio e explosão associados a estas substâncias, há que se considerar uma série 
de medidas no sentido de evitar a ocorrência de incidentes que provoquem danos 
materiais e interrupções prolongadas nas operações. 
No Estado do Amazonas existe desde a década de 60 a zona franca de 
Manaus. A zona franca de Manaus foi criada em 1967 no regime militar por meio do 
decreto-lei nº288/67, finalidade inicial era oferecer benefícios fiscais por um período 
68 
 
 
de 30 anos. Sendo da sua última prorrogação até 2073, o polo industrial que abriga 
mais de 600 fabricas de vários seguimentos nos setores de bebidas, televisores, 
informática e motocicletas. 
Essas fábricas na sua maioria estocam produtos inflamáveis ou derivados, 
gerando uma grande preocupação em caso de sinistro envolvendo líquidos 
inflamáveis, atuação do corpo de bombeiros nas primeiras horas da ocorrência e 
atuação entre os outros órgãos através da implementação do sistema de comando de 
incidente será imprescindível para um atendimento de excelência. 
 
Seção 7 - Classificação dos líquidos combustiveis e inflamáveis 
 
No Estado do Amazonas o serviço de vistoria e fiscalização dispõem da IT de 
nº 25 que tem como objetivo estabelecer os requisitos mínimos necessários para a 
elaboração de projeto e dimensionamento das medidas de segurança contra incêndio 
exigidos para instalações de produção, armazenamento, manipulação e distribuição 
de líquidos combustíveis e inflamáveis. 
Essa mesma IT tem por finalidade informar a todas as edificações e/ou áreas 
de risco em que haja produção, manipulação, armazenamento e distribuição de 
líquidos combustíveis ou inflamáveis, localizadas no interior de edificações ou a céu 
aberto, conforme o Regulamento de segurança contra incêndio das edificações e 
áreas de risco do Estado do Amazonas em vigor 
Ainda sobre essa mesma Instrução Técnica, os tanques de armazenamento 
de líquidos inflamáveis e combustíveis existentes, quando acrescidos tanques em um 
cenário de risco de incêndio existente, todos os tanques envolvidos no cenário devem 
ter sua proteção revista, exceto os afastamentos entre os tanques existentes e 
afastamentos dos tanques existentes para limites de propriedades, vias de circulação 
e edificações, os quais devem seguir a norma vigente à época. 
Em casos, de situação de transporte de Produtos Perigosos (ONU, Ministério 
do Transporte e ABNT) considera-se inflamável, os líquidos com ponto de fulgor de 
até 60,5oC (ensaio em vaso fechado, ou 65,6oC se o ensaio for em vaso aberto). Já 
para o Ministério do Trabalho (NRs 16 e 20) é inflamável o líquido que tenha ponto de 
fulgor inferior a 70oC, e combustível o que tem ponto de fulgor igual ou maior que 70oC 
e menor que 93oC. 
 
69 
 
 
Seção 8 - Prevenção, Controle e Extinção das Chamas 
 
Importantes citar que o Manual de Incêndio de Goiás (2017,p.69) 
 
Em locais onde se armazenam, produzam ou transportem 
líquidos inflamáveis deve-se adotar sistemas e medidas para se 
evitar incêndios. Esses sistemas preventivos incluem o controle 
de emissão de vapores, isolamento de risco, controle de 
vazamentos, controle de eletricidade estática, sistema de 
proteção contra descargas atmosféricas, etc. O combate às 
chamas pode ser feito de diversos modos: exclusão do 
combustível, abafamento (tampa ou espuma), diluição, 
emulsionamento, resfriamento e interrupção da reação em 
cadeia. 
 
Já o Manual Contra Incêndio e Pânico do DF (2006, p.48) nos informa que “nos 
armazenamentos de líquidos inflamáveis deve-se adotar medidas de prevenção de 
agentes externos que podem causar incêndios”. Como o controle de gases e vapores 
e eletricidade estática e sistema de proteção de descargas atmosféricas. A extinção 
das chamas pode ser combatida pelos métodos de exclusão do combustível, diluição, 
emulsionamento, resfriamento, abafamento e interrupção da reação em cadeia. 
 
Abafamento 
Consiste em retirar o comburente do contato com o combustível, evitando 
assim sua reação. 
 As espumas exigem as chamas em líquidos inflamáveis através de 
abafamento, através de supressão da liberação de vapores dos líquidos combustíveis, 
da separação das chamas da superfície do combustível e do resfriamento das 
superfícies do líquido. 
 
Pós Químicos 
 Os Pós podem ser empregados em gases, líquidos e sólidos combustíveis e 
equipamentos elétricos energizados. Produzem como inconveniências a perda da 
visibilidade do ambiente onde é aplicado e dificuldade respiratória para os 
operadores. 
70 
 
 
 
Água 
A eficiência da água em incêndios deve-se ao efeito refrigerador provocado 
pelo seu calor de vaporização (40,66 kJ.mol-1), o qual remove calor do processo de 
combustão e resfria o material em chamas. No entanto, a água em geral é ineficiente 
quando se trata de líquidos inflamáveis. Isso porque sua densidade é geralmente 
maior que a dos líquidos inflamáveis, indo para o fundo do recipiente que as contém 
antes de produzir qualquer efeito sobre as chamas. Alguns líquidos se tornam muito 
quentes ao queimar ou são previamente aquecidos antes de começarem as chamas 
(é o caso dos acidentes com óleo de cozinha), então qualquer água que seja jogada 
sobre eles entrará imediatamente em ebulição expulsando violentamente o líquido 
inflamável e promovendo maior risco a quem estiver por perto. 
 
Halogenados 
Atuam por inibição da reação em cadeia e, secundariamente, por resfriamento. 
São utilizados no combate a incêndio de gases, líquidos e sólidos combustíveis e 
equipamentos elétricos energizados. Trazem o risco para os operadores de narcose 
e possuem alta toxicidade. Como alternativa aos halons, outros agentes gasosos 
podem ser usados, como o gás carbônico, agentes químicos gasosos (como inergen, 
nitrogênio, argon, etc). 
 
 Métodos de aplicação de espuma 
 
Atuam por inibição da reação em cadeia e, secundariamente, por resfriamento. 
São utilizados no combate a incêndio de gases, líquidos e sólidos combustíveis e 
equipamentos elétricos energizados. Trazem o risco para os operadores de narcose 
e possuem alta toxicidade. Como alternativa aos halons, outros agentes gasosos 
podem ser usados, como o gás carbônico, agentes químicos gasosos (como inergen, 
nitrogênio, argon, etc).. Na figura abaixo temos: 
71 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7- Misturador entre linhas conectado ás mangueiras e ao LGE 
Fonte: Manual de Incêndio do Distrito Federal- DF 2018. 
 
Forçada: Aplicação diretamente contra a superfície do líquido, através de 
esguichos e canhões monitores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 – esguicho lançador de espuma 
Fonte: Material da VTR ABT 32 - CBMAM 
 
A vazão de solução de espuma eficiente dependendo modo de aplicação para 
compensar as perdas por ação do vento, do fogo, do combustívele das correntes de 
convecção. 
 
Taxas de Aplicação de espuma 
 
72 
 
 
Aplicação de espuma em tanques verticais contendo hidrocarboneto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: CBMDF, 2009. 
 
Seção 9 - Fenômenos extremos 
 
Boil Over 
O Boil over é um fenômeno perigoso quanto o BLEVE é pode causar múltiplas 
vítimas, principalmente pessoas que fazem parte do grupo de combate a incêndio. O 
Boi lover ocorre principalmente em tanques de estocagem de produto que possuem 
água misturada e, e devido a sua maior densidade, permanece no fundo do tanque, 
exemplos são tanques de armazenagem de óleo cru. Quando o líquido inflamável, ou 
combustível, pega fogo e consegue aquecer a água no fundo do tanque, a água 
superaquecida pode vaporizar repentinamente e expulsar o líquido em chamas, 
podendo formar uma grande bola de fogo e, ao mesmo tempo, criar uma enorme poça 
de líquido em chamas que pode atingir a equipe de combate nas imediações. Em se 
tratando desse tipo de incêndio principalmente em torneis de armazenamento de 
líquidos inflamáveis a equipe de combate tende a resfriar as laterais dos reservatórios 
com água e ataque direto com espuma na superfície em chamas. 
73 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9 – fenômeno boil over 
Fonte: www.oposicionbomberoonline.org 
 
 
Considerando que a espuma é formada em grande parte por água, durante o 
combate ao incêndio, a água tende a depositar-se no fundo do tanque. Se a água no 
fundo do tanque for submetida a altas temperaturas, pode vaporizar-se bruscamente, 
na vaporização da água há grande aumento de volume (1 litro de água transforma-se 
em 1.700 litros de vapor. 
 
O boil Over pode ser previsto? 
 
Através da constatação da onda de calor: dirigindo um jato d’água na lateral 
do tanque incendiado, abaixo do nível do líquido, pode-se localizar a extensão da onda 
de calor, observando-se onde a água vaporiza-se imediatamente 
Através do som (chiado) peculiar: pouco antes de ocorrer a “explosão”, pode-
se ouvir um “chiado” semelhante ao de um vazamento de vapor de uma chaleira 
fervendo. 
 
Slop Over 
Quando a água é aplicada diretamente sobre a superfície em chamas do 
líquido, ela afunda parcialmente no líquido quente e vaporiza-se, expelindo o 
combustível em chamas para fora do tanque. 
 
Frothover 
Associado à ausência de fogo (por exemplo quando asfalto quente é 
adicionado a um tanque contendo água). 
 
74 
 
 
Seção 10 - Armazenamento de Líquidos Inflamáveis 
 
No Estado do Amazonas temos a Refinaria Isaac sabá, a mesma iniciou suas 
operações em 6 de setembro de 1956 Sabbá, localizada às margens do Rio Negro, 
em Manaus com a denominação de Companhia de Petróleo da Amazônia (Copam). 
Fundada pelo empresário Isaac Sabbá, a refinaria foi inaugurada oficialmente em 3 
de janeiro de 1957, com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek. 
Em 31 de maio de 1974, foi integrada ao Sistema Petrobras como Refinaria 
de Manaus (Reman) e, em 1996, em homenagem ao pioneirismo de seu fundador, 
rebatizamos como Refinaria Isaac Sabbá. Desde 1995, a refinaria realiza 
investimentos em todas as suas áreas. 
 Em 2000, com a entrada da nova Unidade de Destilação foi ampliada a 
capacidade de produção para 46 mil barris de petróleo por dia. Hoje, com as novas 
tecnologias e com as exigências do mercado e de segurança, executa um arrojado 
planejamento em várias frentes de trabalho, buscando assegurar sua permanente 
modernização e elevação do diferencial competitivo. Principais produtos produzido 
pela indústria são GLP, nafta petroquímica gasolina, querosene de aviação, óleo 
diesel, óleos combustíveis, óleo leve para turbina elétrica, óleo para geração de 
energia, asfalto. Sendo assim a única refinaria que abrange toda a região norte do 
Brasil. 
 
Armazenamento de Líquidos Inflamáveis em Refinaria 
Segundo a NBR 20, os líquidos inflamáveis para efeito desta Norma 
Regulamentadora - NR fica definido "líquido combustível" como todo aquele que 
possua ponto de fulgor igual ou superior a 70ºC (setenta graus centígrados) e inferior 
a 93,3ºC (noventa e três graus e três décimos de graus centígrados). 
Os líquidos inflamáveis são caracterizados pelo ponto de fulgor Trata-se da 
temperatura mais baixa na qual um líquido libera vapor suficiente para formar uma 
mistura inflamável com o ar. Neste caso, a quantidade é insuficiente para manter a 
queima ou a chama. Ponto de combustão: é a menor temperatura, poucos graus 
acima do ponto de fulgor, na qual a quantidade de vapores é suficiente para iniciar e 
manter a combustão. 
75 
 
 
Ponto de combustão: é a menor temperatura, poucos graus acima do ponto de 
fulgor, na qual a quantidade de vapores é suficiente para iniciar e manter a combustão. 
Ponto de ignição: temperatura onde a quantidade de vapores inflamáveis já é 
tão intensa que pega fogo só pelo contato com o oxigênio. 
Combustão: reação química exotérmica entre dois reagentes, combustível e 
comburente, em que ocorre liberação de energia na forma de calor. 
 
Figura 10 – refinaria isaac sabbá (Reman) 
Fonte: www.alamy.com 
 
Seu armazenamento deve ocorrer em locais frescos e arejados, longe de 
radiação solar (já que o calor pode ser um fator de combustão para os itens A 
armazenagem deste material deve ser feita em tanques de combustível, geralmente 
feitos de aço ou concreto. Alguns líquidos especiais podem requerer outros tipos de 
material na composição dos tanques, que devem estar sempre distanciados um do 
outro em mais de um metro. É fundamental, ainda, que os tanques de armazenamento 
sejam equipados com dispositivos que liberem pressões internas excessivas, 
causadas pelo calor, além de cortar-chamas. Também devem ser protegidos contra 
vibração, danos físicos e da proximidade com equipamentos ou dutos geradores de 
calor. No caso de líquidos guardados em ambiente. interno, é necessário utilizar 
compartimentos construídos de chapas metálicas e demarcá-los com dizeres visíveis 
alertando sobre a presença de inflamáveis. Além disso, o local deve obedecer a 
algumas exigências como: – Paredes, pisos e tetos construídos de material resistente 
ao fogo. 
http://www.alamy.com/
76 
 
 
 
Figura 11– tanques de líquidos inflamáveis 
 Fonte: engecommerce.com.br 
 
Seção 11 - Tipos de Armazenagem de líquidos Inflamáveis 
• Tanque de superfície: São tanques que estão diretamente apoiadas sobre a 
superfície terreno. 
• Tanque Semienterrados: São tanques que estão a baixo do nível do solo. 
• Tanques Elevados: São tanques que estão acima do solo, sustentada por 
qualquer tipo de estrutura 
• Tanques Subterrâneos: São tanques sob a superfície do terreno 
 
Seção 12 - Emergências com Líquidos Inflamáveis 
Em emergências podem ocorrer na manipulação, transporte de 
armazenamento de líquidos inflamáveis, tais como vazamentos, incêndios, explosões, 
ebulição turbilhonar, slop over e frothover. Os vazamentos podem ocorrer por 
enchimento excessivo, ruptura de tanque, falhas de operação, etc. Os incêndios 
podem estar ou não relacionados com vazamentos e podem ocorrer a partir do contato 
dos líquidos inflamáveis com fontes de início tais como chamas, superfícies 
aquecidas, fagulhas, centelhas e arcos elétricos. 
 A situação global do incêndio deve ser avaliada. Quando deslocado, a 
primeira guarnição de Bombeiros deve procurar saber o maior número de informações 
possíveis: se há vítimas, qual o líquido inflamável envolvido no sinistro, e qual o 
volume armazenado/em transporte; qual o volume de líquido vazado (e para onde o 
produto vazou); tipo e dimensões do tanque (teto fixo, flutuante, etc); quantidade de 
77 
 
 
tanques vizinhos e a distância deles (ou, no caso de acidente rodoviário, qual o local 
do acidente: próximo acasas, fluxo da via, relevo, cursos d’água para onde o líquido 
possa escorrer, etc); risco à vida (necessidade de retirar pessoas da vizinhança); 
recursos de disponíveis (LGE, aplicadores e canhões monitores, sistema de 
resfriamento, número de brigadistas e recursos como ambulâncias, EPIs, etc). 
Todas essas informações devem ser criteriosamente confirmadas no local do 
sinistro e montado o sistema de SCI (sistema de comando de incidentes) para uma 
melhor integração com outros órgãos do sistema de segurança pública e do meio 
ambiente do estado. 
 
 Figura 12- explosão de tanques 
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br 
 
Seção 13 - Modos de operação aplicáveis 
 
Modo de Operação Passivo 
 
E usado quando há falta de recursos (equipamentos, pessoal, agentes 
extintores, etc) apropriados para o combate e há um risco associado a qualquer ação 
defensiva. A chance de extinção é remota e a área precisa ser evacuada devido a 
possibilidade da ocorrência de ebulição turbilhonar ou por outra razão de risco. 
 
Modo de Operação Defensivo 
 
Adotado quando há impossibilidade de se obter recursos, mas não há risco 
para o pessoal. Nesse caso, a chance de extinção é remota e a área não precisa ser 
evacuada. Utilizada também como fase de preparação para o modo de operação 
ofensivo para preservar a integridade do sistema de espuma, por exemplo. É ação 
78 
 
 
desse tipo de estratégia priorizar o resfriamento dos equipamentos vizinhos que estão 
em contato direto com as chamas. Para proteção dos tanques vizinhos deve-se 
considerar as distâncias entre os tanques e direção dos ventos, a existência de tanque 
sem espaço vapor inflamável e tanque com produto de baixo ponto de fulgor. 
 
Modo de Operação Ofensivo 
 
Usado quando existem suficientes facilidades de combate a Incêndio (espuma, 
equipamentos, pessoas, água, etc). Deve-se considerar a taxa de aplicação de 
espuma, as condições de vento, a possibilidade de ocorrência de “slopover”, extinção 
de fogo na bacia, extinção de múltiplos incêndios e controle de incêndio (redução da 
área em chamas). 
 
Seção 14 - Gases inflamáveis 
 
Gases inflamáveis é o estado fluido da matéria sem forma definida, cujo volume 
é de qualquer recipiente ou espaço confinado que o contém, e aquilo que pode entrar 
em combustão quando entrar em contato com comburente e na presença de uma 
fonte de ignição, podemos citar, como exemplo o gás inflamável que é vendido no 
comercio o gás liquefeito do petróleo e acetileno. 
 
Gás Liquefeito do Petróleo 
 
O gás liquefeito do petróleo- GLP, traz um risco para as atividades de 
bombeiros, por apresentar características variadas inodoro, incolor, rarefeito e denso. 
O GLP vendido no comercio dentro de cilindros (botijões) e recipiente estacionário, 
conhecido como gás de cozinha composto na mistura rica ou pobre de hidrocarboneto 
líquido, propano e butano. 
Para detecta vazamento no recipiente de gás de cozinha é acrescentado em 
sua mistura o composto a base de enxofre, conhecido como mercaptana, por esse 
gás apresentar caraterística sem cheiro e cor. 
O GLP por ser um gás denso, quando o registro ou a mangueira danificada 
apresentar vazamento em uma residência ou em estrutura predial, o gás emitido fica 
próximo do solo retirando o oxigênio do ambiente. Na medida em que o gás encontra 
79 
 
 
um ralo, o mesmo pode ser canalizado na tubulação até se dissipar. Ao encontrar o 
ar atmosférico fora da estrutura residencial, caso encontre uma fonte de ignição, pode 
dar início a combustão, ocasionando a explosão nesses locais. 
O GLP em instalação predial deve seguir para fins dos critérios de segurança 
na instalação e operação das bases de armazenamento, envasamento e distribuição 
de GLP, adota-se a norma NBR 15186, com adequações da Instrução Técnica nº 28. 
As instalações prediais de gás liquefeito de petróleo, também conhecidas 
como centrais de GLP, são áreas devidamente delimitadas que contêm os recipientes 
e acessórios, tubulações e equipamentos destinados ao armazenamento e condução 
do gás para consumo da própria edificação. 
O GLP pode ser armazenado em dois tipos de recipientes: transportáveis são 
os recipientes com capacidade até 0,25 metros cúbicos ou estacionários são 
recipientes fixos com capacidade superior a 0,25 metros cúbicos cada. Esses tipos de 
recipientes necessitam do abastecimento por meio de caminhão tanque no local onde 
estão instalados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13 – recipiente estacionário 
Fonte: www.google.com 
 
A explosão é o resultado expansão repentino e violenta de um combustível 
gasoso, em decorrência da ignição da mistura entre um gás (ou vapor de gás) e o 
comburente presente no ar. Essa ignição se dá em alta velocidade, gerando uma de 
onda choque que se desloca em todas as direções, de forma radial. 
Explosões de GLP no ambiente ocasiona uma deflagração, posto que a 
velocidade do ar é de 340 metros/segundo, possui uma onda de choque capas de 
afetar a estrutura da edificação, levando à morte quem estiver no ambiente. Na figura 
80 
 
 
abaixo podemos ver os vestígios da explosão causada pelo vazamento de Gás 
Liquefeito de Petróleo-GLP. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 14- explosão causada pelo vazamento de GLP 
 Fonte: http: //www.portalcorreiodoagreste.com.br 
 
O GLP por ser um gás inflamável não tem na sua característica ser tóxico, 
mas por ocupar o ambiente fechado pode retirara oxigênio se torna asfixiante e ser 
um perigo para as pessoas que vivem na residência. 
A botija do gás de cozinha é feita com material de aço que confere ao botijão 
a capacidade de suportar grande pressão. Há uma válvula no centro superior, onde 
para liberar o gás é conectada a outra válvula externa que livrará o produto que está 
dentro para fora. Essa ação ocorre devido a um mecanismo de mola que quando 
pressionada libera o gás, e quando em descanso cessa a passagem. 
Ao lado desta válvula citada acima existe um pino ou plug fusível, que é um 
material feito com liga metálica a base de Bismuto. Quando a temperatura ambiente 
atinge 78ºC, o mesmo derrete e libera o gás que está no interior do botijão para fora 
de forma abrupta, isso acontece devido a grande pressão interna. Somente aparelhos 
acima de 5kg têm este pino, e por isto que não explodem. Na figura abaixo temos a 
estrutura do botijão. 
 
81 
 
 
 
Figura 15 - estrutura do botijão 
Fonte: CBMDF, 2009. 
 
 
Seção 15 - Atendimentos em Ocorrência em Gás Liquefeito do Petróleo 
(GLP) 
 
O bombeiro ao ser acionado para uma ocorrência de botija de gás de cozinha 
com fogo, não podendo bloquear com segurança o vazamento do gás inflamável, o 
bombeiro para sua segurança, não pode extinguir o incêndio. Um vazamento de gás 
inflamável e mais perigoso, por reunir uma condição insegura, para uma explosão. O 
bombeiro militar nesse tipo de ocorrência devera apenas controlar o incêndio. Ao 
chegando no local da ocorrência e o ambiente fechado, o bombeiro, pode dissipar o 
gás por ventilação abrindo portas de janelas e usando o esguicho com jato modo 
neblina 360lpm com 60º de abertura. 
Incêndios envolvendo a queima de gases inflamáveis geralmente são extintos 
com a retirada (ou controle) do material combustível – como, por exemplo, fechar o 
registro do botijão ou da canalização de GLP. Isso porque a combustão dos gases se 
dá de forma muito rápida, não havendo tempo hábil para a atuação do agente extintor 
sobre o combustível. 
Nas instalações de GLP recomenda-se a utilização de extintores pó químico 
seco (classe BC) e gás carbônico (CO2), de acordo com a IT 28/2019. Na tabela 
82 
 
 
Figura 17 - parte do registro. 
abaixo tem uma adequação do agente extintor, conforme o INMETRO para gases 
inflamáveis e líquidos inflamáveis. 
 
Tabela 4 - Agentes extintores para a classe B e C conforme o INMETROFonte: CBMAM, 2022. 
 
As figuras abaixo mostram o procedimento de um botijão vazando GLP retirado 
da residência para um local aberto (Figura 16), do qual foi necessário retirar parte do 
registro que quebrou prendendo a mola de segurança (Figura 17), para que não 
aconteça do atrito da chave de fenda com parte do botijão podendo gerar uma centelha 
e dá o início uma explosão, devemos utilizando jato neblina para dissipar o gás que 
está vazando, para que o bombeiro trabalhe com segurança. Abaixo temos duas figuras 
ilustrativas onde: 
 
 
 Figura 16 - Neblina e retirar parte do registro 
 Fonte: CBMAM, 2022. Fonte: CBMAM, 2022. 
 
O bombeiro ao chegar no local de uma ocorrência com vazamento GLP com 
fogo (figura 19), deverá fechar o registro para o apagar (figura 20), nunca retire a botija 
83 
 
 
do ambiente com fogo , pode causa princípio de incêndio, caso a chama encontrar um 
material combustível de fácil ignição, por exemplo, cortina. Abaixo temos duas figuras 
ilustrativas onde: 
 
 
 Figura 18 - aproximação da botija Figura 19 - fechar o registro 
 Fonte: CBMAM, 2022. Fonte: CBMAM, 2022. 
 
O atendente da linha de emergência 193 ao ser comunicado de um vazamento 
de gás de cozinha, orientar o popular da seguinte maneira e pedir para a pessoa tomar 
precauções: 
• Avise para que todas as pessoas no local se afastem o máximo possível. 
• Feche imediatamente o registro do botijão de gás 
• Retire a válvula da saída de gás do regulador de pressão. Isso pode acionar 
o travamento do dispositivo do botijão e cessar o vazamento. 
• Se o vazamento persistir, leve o botijão para um local aberto e arejado. 
• Não acione nenhum interruptor elétrico no local. O procedimento pode 
causar uma faísca e um acidente grave. Em hipótese nenhuma ascenda 
fósforos, isqueiros ou fume no local do vazamento. 
• Abra as janelas e portas do local do vazamento para que o gás se dissipe 
na corrente de ar atmosférico. 
• Nunca tente tapar o vazamento do botijão com ceras, sabões e outros 
produtos caseiros. 
• Ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros 193. 
84 
 
 
 
Seção 16 - Orientação após o atendimento 
 
• A utilização do gás de cozinha faz com que nós precisemos redobrar atenção, 
por isso devemos ter muito cuidado com o manuseio da botija de gás, por um 
pequeno vazamento pode ser muito perigoso para o imóvel, moradores e até 
para a vizinhança. 
• Podemos citar algumas medidas de segurança importante para a residência: 
• Nunca deite o botijão e nem o mantenha em local completamente fechado. 
• Nunca use mangueira de gás diferente da aprovada pelo INMETRO. 
• Nunca passe a mangueira por trás do forno, o calor pode derretê-la e causar 
acidentes. 
• Nunca aqueça o botijão para que ele “renda mais”. Se, ao chegar em casa você 
sentir cheiro de gás, não acione o interruptor de luz nem acenda qualquer 
chama. Vã direto para as janelas e abra tudo. 
• depois remova o botijão para um lugar ventilado e ligue para o 193. 
 
Acetileno 
 
O acetileno é um gás altamente inflamável, não tóxico, incolor, menos denso 
do que o ar atmosférico e com um odor agradável, sob pequenas compressões se 
decompõe com muita facilidade liberando energia. É armazenado em cilindros de aço, 
sob pressão onde se encontra espalhado em uma massa porosa, dissolvido 
em acetona e produz uma chama de elevada temperatura (mais de 3000° C) em 
presença de oxigênio. 
O acetileno não é tóxico, porém, atua como simples asfixiante e tem efeito 
ligeiramente anestésico. Não existem evidências de que exposições regulares a níveis 
toleráveis de acetileno causem mal a saúde. 
No Brasil o anexo número 11 da norma reguladora 15(NR15), considera o 
produto como asfixiante simples e não impõe limites de exposição, entretanto no 
ambiente de trabalho, deve se garantir que a concentração de oxigênio seja de 18% 
em volume, se estiver abaixo deste valor serão consideráveis de risco grave e 
iminente. Para segurança do cilindro tem um plug fusível, atarraxado no topo e/ou 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Energia
https://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7o
https://pt.wikipedia.org/wiki/Acetona
85 
 
 
fundo do cilindro, plug composto de chumbo; bismuto e se funde a temperatura de 80º 
C a 105 º C. 
O acetileno é usado na fabricação dos seguintes materiais: explosivos, 
solventes industriais, plásticos de borracha sintética. Este composto também é 
empregado na síntese de compostos orgânicos como ácido acético e álcool etílico. 
Devido a sua queima extremamente exotérmica, é usado em larga escala 
na solda oxiacetilênica, no corte de metais por maçarico, na fabricação de objetos 
de vidro e em diversos processos que requeiram altas temperaturas. No maçarico 
oxiacetilênico obtêm-se temperaturas de 2500 a 3000 °C. 
Os cuidados com o cilindro de acetileno para que não aconteça acidentes ao 
ser manuseados, nunca operar o cilindro na posição horizontal, e sim na vertical, isso 
impedi a perda de acetona, evitar que sofra golpes forte como queda, exposto a fogo, 
para verifica vazamento nunca utilizar fogo, deve ser utilizado água e sabão, outras 
medidas preventivas devem ser seguidas orientação do fabricante. 
O bombeiro militar ao ser acionado para uma ocorrência e ao chegar no local 
e avaliar a cena e reconhecer que a situação se trata combustível inflável acetona, 
deve de imediato pôr o local seguro para a população e sua guarnição procedendo 
retirando populares a uma distância de pelo menos 200 metros, todos os bombeiros 
devem estar com EPI completo e EPRA, retirar o cilindro do contato com chamas e 
resfriar por 24 anos utilizar jato neblina, e mergulhá-lo balde com água. Abaixo temos 
duas figuras ilustrativas onde: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 20 - Cilindro de acetino na horizontal Figura 21 - Resfriamento do cilindro de 
acetino. 
 Fonte: http://betaeducacao.com.br Fonte: http://google.com.br 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ma%C3%A7arico_(ferramenta)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vidro
86 
 
 
 
Seção 17 - Conduta Operacional do Bombeiro Militar 
• Realizar verificação da cena 
• Utilizar EPIs adequados 
• Ter Controle Emocional 
• Conhecer qual o tipo de jato deve utilizar nesse tipo de ocorrências 
 
 
Seção 18 - Pós combustíveis 
 
 É um subproduto criado a partir de processos de fabricação envolvendo 
matérias-primas combustíveis, tendo como exemplo matérias que incluem madeira, 
metais leves, variedades de produtos químicos, assim como grãos, especiarias e 
tabaco, portanto, a poeira combustível é conhecida como poeira explosiva. 
 
 Propriedades 
 
Na realidade quanto menor a partícula de um material solido, será maior a sua 
área de superfície, visto que será muito maior a facilidade de ignição (aumento da 
superfície específica), então dessa forma o pó irá queimar com facilidade e mais 
rápido do que o sólido. Pois as partículas têm o comportamento semelhante ao gás e 
uma mistura inflamável de pó, ocorrendo-se assim, as partículas do pó em suspensão 
serão inflamadas, onde as explosões poderão ser raras, no entanto pode ocorrer uma 
grande liberação de energia. 
Por isso qualquer material combustível que queime irá obter uma velocidade 
violenta com decorrência do grau de subdivisão do material, assim como a nuvem de 
poeira inflamada não estiver confinada, mesmo que de forma parcial, o calor de 
combustão poderá derivar em um rápido aumento de pressão, com propagação de 
chama através da nuvem com relação as enormes quantidades de calor e produtos 
de reação. 
Tabela 5 -Calor de combustão de alguns pós. 
Material Produto da oxidação Calor de 
combustão (kj/mol) 
87 
 
 
Cálcio CaO 1270 
Magnésio MgO 1240 
Alumínio Al2O2 1100 
Silicone SiO2 830 
Cromo Cr2O2 750 
Zinco ZnO 700 
Ferro Fe2O3 530 
Amido CO2 + H2O 470 
Polietileno CO2 + H2O 390 
Carbono CO2 400 
Carvão CO2 + H2O 400 
Enxofre SO2 300 
Fonte: Abbasi, 2006 
Tabela 6 - Pressão de explosão de alguns pós. 
Tipo de Pó (500 mg/litro Pressão de Explosão Kg/cm2 PSI 
Farinhas 2,6 a 3,28 37 a 46 
Açúcar 1,5 a 3,20 22 a 45 
Madeira 2,6 a 3,14 36 a 44 
Enxofre 2,2 a 2,90 31 a 41 
Cortiça 2,7 a 2,84 38 a 40 
Borracha 2,6 a 4,00 36 a 57 
Metais 0,2 a 5,14 3 a 72 
Fertilizantes 2,4 a 3,64 34 a 51 
Leite em Pó 2,2 a 3,00 31 a 42 
Trigo 1,9 a 3,00 26 a 42 
Ceras e sabões em pó 2,2 a 4,28 31 a 60 
Carvão 1,7 a 3,44 24 a 48 
Plásticos e resinas 3,1 a 4,90 44 a 69 
 Fonte: MTB 05 CBMSP. 
 
 Tabela 7 - Dados de explosividade de pós agrícolas. 
Produtos Temperatura Energia mínima 
Concentração 
88 
 
 
de ignição (C) (g/m3) de ignição (J) 
Arroz 440 0,04 45 
Milho 400 0,04 450 
Trigo 480 0,06 55 
Açúcar 350 0,03 35 
Pó de grãos misturados 430 0,03 55 
Farinha de soja 520 0,05 35 
Farinha de trigo 380 0,05 50 
Amido de milho 380 0,02 40 
Carvão em pó 610 0,06 55 
Fonte: Explosion Investigation and Analysis, Kennedy, Patrick M. e John Kennedy. 
 
É através dos pós combustíveis finamente divididos que ocorre uma explosão 
de pó combustível, onde ficam suspenso no ar encontrando uma fonte de ignição 
apropriada, sendo assim, todos os pós, com origem de substâncias orgânicas ou de 
metais combustíveis em suspensão, podem ocasionar chegando a entrar em 
combustão na presença de uma fonte de ignição. 
Aonde, quanto menor for a partícula, da mesma forma poderá ocorrer o risco 
de ignição da poeira, no entanto, no outro caso, quanto maior a umidade, será maior 
a temperatura de ignição, dessa forma diminuirá o risco. Exemplos de poeiras 
explosivas: açúcar, farinha, madeira, trigo, carvão, leite em pó e entre outros. 
Variam de 30 a 90% as temperaturas de ignição típicas de pós, e se 
encontram na faixa dos 400-500 ºC, dessa forma o risco de explosão de pós 
combustíveis se encontram presentes em moinhos e industrias de farinhas como um 
todo, refinarias de açúcar, milho, arroz, serrarias, industrias de moagem, assim como, 
pulverização de enxofre, cortiça, alumínio, zinco, magnésio, assim como outros pós 
metálicos, fabricas de chocolates, de leite em pó, manufaturas de plástico, indústrias 
têxteis, couro e entre outros. Vale ressaltar que até materiais que aos olhos podem 
ser nocivos e que não chegam a queimar na forma solida em grande quantidade, como 
ferro e alumínio na forma de pó são meramente explosivos. 
Com isso as partículas na gama de mícron, devido ao tamanho de partícula 
detêm um efeito abalizado na gravidade da explosão assim como, na facilidade de 
89 
 
 
ignição, pois devido a diminuição do tamanho da partícula tendem uma gravidade da 
explosão aumente e que a concentração mínima explosiva e a energia diminuam. É 
perceptível essa relação de tamanho com as partículas que não são lineares e devido 
a isso o efeito está situado no tamanho de partículas menores analisados. 
Veridicamente com relação à uma explosão de poeiras envolvendo materiais 
orgânicos, a pirólise sempre sucede a combustão, que ocorre principalmente na fase 
gasosa homogênea. Sendo assim o caso do tamanho de partícula limitante, abaixo 
do qual a taxa de combustão da nuvem de pó deixa de aumentar, depende das razões 
entre as constantes de tempo dos três passos consecutivos de pirólise, mistura em 
fase gasosa e combustão em fase gasosa. É importante ressaltar que o tamanho de 
partícula influência principalmente a taxa de pirólise - uma área específica mais alta 
consentindo uma pirólise mais rápida. 
Logo, se a combustão em fase gasosa for a mais lenta das três etapas, 
acrescentar a taxa de pirólise diminuindo o tamanho de partícula não aumentará a 
combustão. Pois dessa forma os produtos orgânicos naturais, assim como amido e 
proteína, têm um tamanho de partícula limitante da ordem de 10 μm produzindo 
produtos de pirólise mais reativos. Então as poeiras metálicas, especialmente os 
metais mais reativos como o alumínio e o magnésio, o tamanho de partículas limite 
deve ser ainda menor do que para as poeiras orgânicas devido a partículas de metal 
não pirolisam, mas fundem, evaporam e acabam queimando em quantidades bem 
reduzidas. E muitas das vezes chegam a comburir no próprio estado sólido em que 
se encontram. 
Se pode apresentar as explosões de pós combustíveis categorizados como 
primárias ou secundárias: 
 
Explosões Primárias: Uma explosão primária advém em uma atmosfera 
confinada. Logo após a detonação, a onda de choque pode prejudicar e muitas vezes 
romper as paredes,consentindo que a queima de poeira e gases da explosão seja 
expelida para a área circundante; 
Explosões Secundárias: A onda de choque causada pela explosão primária 
suspende a poeira depositada que pode ter acumulado. E devido essa suspensa, esta 
poeira pode gerar uma explosão maior: essa é a explosão secundária. As explosões 
secundárias certificam se a sérios danos aos edifícios das instalações circundantes. 
90 
 
 
Todas as explosões de poeira em larga escala derivam de reações subsequentes com 
relação à relação desse tipo. Dessa forma poderá haver várias explosões 
subsequentes causadas pela explosão inicial (a partir da explosão primária). 
 
Seção 19 - Concentrações Explosivas 
 
É de suma importância ressaltar que a concentração explosiva mínima (ou 
inferior) para pós de grãos, farinha de grãos ou ingredientes de ração mudam de 
acordo com o tamanho de partícula (partículas menores são mais poderosas) e 
natureza do produto. Farinha de trigo, aveia e o milho são citadas por ter energia 
explosiva diferente do trigo, milho, sorgo, milho e pó de aveia. É imprescindível citar 
que todos pós de grãos e farinhas carecem de ser considerados muito perigosos. 
É embasado nisso que para que seja necessária a explosão de pó combustível 
é indispensável as seguintes condições: 
• O pó deve ser combustível e suas partículas suficientemente pequenas para 
ficarem suspensas; 
• A nuvem de pó deve estar na sua concentração explosiva (entre a 
concentração explosiva mínima e a concentração explosiva máxima). 
Pois a maioria dos pós decorrentes dessas concentrações estão entre 40 
(concentração mínima explosiva) a 4000 g/m3 (concentração máxima explosiva), 
sendo que a concentração mínima explosiva pode variar entre 15 g/m³ e 1200 g/m³ 
(os limites reais podem variar devido o ajuste com a composição, umidade, e 
tamanhos das partículas – na medida em que as partículas consistir em ser menores, 
as chances de explosão aumentam); 
• Necessário haver oxigênio suficiente na atmosfera para iniciar e sustentar 
a combustão; 
• O pó deve estar seco; 
• O pó deve estar em um espaço confinado; 
• Deve haver uma fonte de ignição apropriada (eletricidade estática, atrito, 
chama aberta, superfícies quentes, autoignição, soldagem, faíscas, 
equipamentos elétricos, etc). 
 
91 
 
 
Tabela 8 - Dados sobre pós explosivos. 
Pó Pressão 
Máxima 
(KPa) 
Máxima 
razão de 
aumento 
de 
pressão 
(MPa/s) 
Temperatura de Ignição (˚C) 
______________________
________ Nuvem 
Camada 
Energia 
de 
Ignição 
máxima 
(J) 
Limite 
inferior de 
explosividad
e (g/m3 
Nuvem 
Camada) 
Milho 655 41 400 25 0,04 55 
Tecido 560 5.5 430 230 0,08 80 
Arroz 640 440 440 220 0,05 50 
Farinha de soja 540 540 540 190 0,10 60 
Farinha de Trigo 655 380 380 360 0,05 50 
Palha de trigo 680 470 470 220 0,05 55 
Fonte: Explosion Investigation and Analysis, Kennedy, Patrick M. e John Kennedy 
 
Seção 20 - Ações Preventivas 
 
São necessárias formas para que se possa precaver e evitar as explosões de 
pó que norteiam a eliminação das fontes de ignição, pois o controle das concentrações 
dos pós no qual se envolvem a limitação da geração de nuvens de pós. Por isso, torna 
se necessário equipamentos e edifícios com riscos de explosão de pós-combustíveis 
serem equipados com dispositivos ou sistemas para prevenir uma explosão limitando 
os danos causados. Como exemplos os que incluem aberturas de alívio ou "portas" 
que direcionam pressão da explosão. 
Sendo assim, é preciso utilizar das formas no qual se possa impedir o risco de 
explosão de poeira é evitar pelo menos um dos critérios de "pentágono explosão", 
pois, este método pode falhar, já que algumas das condições necessárias para se 
evadir a explosão na prática são difíceis de se alcançar. Assim como o processo é 
inerentemente seguro, se torna necessário manter a geração de nuvens de poeira no 
mínimo possível nos processos de transporte, produção, armazenamento e 
tratamento. 
Com isso em certas situações não é fácil garantir que a poeira esteja abaixo da 
concentração explosiva mínima, o aprimoramento de uma boa cultura de segurança, 
treinamento apropriado e limpeza efetiva minimizarão o perigo e o risco de explosão 
de poeira. Assim como, a ventilação pode ser praticada para proteção contra a 
92 
 
 
explosão de poeira, municiando meios para exaustão das poeiras concentradas, e 
meios de condução da pressão gerada durante uma eventual explosão. Pois, este 
método não é prático se os produtos ventilados podem causar danos às pessoas e ao 
meio ambiente. A eliminação é um sistema caro a se adotar, mas tem a vantagem ao 
detectar e abolir a explosão nos primeiros estágios do mesmo modo que uma 
explosão se desande em catástrofe. 
A questão é de como serão instalados os materiais ou os pós que são 
produtores de poeiras, mesmo em sua principal operação ou como secundária, é de 
suma importância que as guarnições tenham conhecimento decorrente dos perigos 
pós-combustíveis, pois em todos os locais em que se utilizam pós-combustíveis, 
desde os equipamentos de transportes aos equipamentos de corte e moagem, ou até 
mesmo os recipientes precisam ser identificados no levantamento. 
 
Seção 21 - Conduta do Bombeiro Militar 
 
Toda ocorrência deve ser levada em consideração sua natureza para daí então 
mitigar os riscos e isolar áreas além de outras providencias. 
Assim, todo incêndio deve ser avaliado a questão do risco, visto que com 
relação de materiais que envolvem sujeitos a incêndio ou explosões, eminentemente 
a respeito dos pós-combustíveis, devido a velocidade da combustão e até mesmo das 
grandes áreas de exposição potencial. É preciso que a guarnição identifique as 
operações ou componentes que geram poeira suficiente que possa ocasionar uma 
ignição instantânea para que se possa ocorrer risco de explosão. Pois, pós-
combustíveis acumulam-se sobre as superfícies, assim como as poeiras finas 
agarram-se nas superfícies verticais. 
A grande quantidade de pó combustível acumula componentes estruturais ou 
outras superfícies e não se tornam visível e bem complicado de se limpar, pois os 
acúmulos podem estão relacionadas com a explosão secundária, no entanto, a equipe 
têm o dever de considerar todos os espaços tanto os escondidos, quanto os notórios 
em qualquer nível de planejamento da ocorrência. Inclusive a guarnição tende a ficar 
atenta para a probabilidade de possuir misturas híbridas. Justamente são misturas de 
gás inflamável ou vapor e pó combustível que ficam suspensos no ar. Na lógica que 
93 
 
 
essas misturas são explosivas abaixo do limite inferior de inflamabilidade para o 
gás/vapor ou até mesmo devido a concentração explosiva mínima para a poeira. 
É necessário evitar nas operações de combate em que possam aumentar a 
chance de uma explosão de pós-combustíveis onde as táticas não possam provocar 
a suspensão dos pós de maneira que atinjam a agrupamento explosivo, visto que, 
para isso é preciso ser adotadas ações pelos bombeiros após uma ocorrência de 
explosão de pós em suspensão são: 
 
• Evacuar e isolar a área; 
• Desligar maquinários e equipamentos elétricos energizados; 
• Umedecer o ambiente utilizando jatos neblinados, com cuidado para não 
mover a poeira (no combate a incêndio em pós-combustíveis, pó de 
alumínio, magnésio, enxofre e outros, o bombeiro não deverá usar água 
diretamente, pois haverá perigo de explosão). 
 
O colapsoestrutural de acordo com a resposta pode se encontrar 
enfraquecidas, justamente com relação a virtude do impacto através dos danos da 
explosão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
94 
 
 
CAPÍTULO 3 – EFEITOS NOCIVOS DO INCÊNDIO 
 
 
Autores: AL OF Aretha Cristina Barreto Coelho, AL OF Fábio Góes de Souza, AL OF 
Helder Jean de Oliveira, AL OF Ricardo Rodrigues Teixeira. 
 
 
 
Neste trabalho, o principal objetivo é instruir os bombeiros quantos aos riscos 
provenientes dos incêndios urbanos e suas respectivas causas, tanto no corpo 
humano quanto nas edificações sinistradas. 
 Analisando todos os efeitos nocivos dos incêndios, o capítulo visa também 
ratificar a importância de seguir corretamente toda doutrina apresentada neste manual 
e o uso correto de todos os equipamentos de proteção individual, a fim de garantir a 
prevenção de danos. 
Este capítulo tem como objetivo salientar aos bombeiros dos riscos 
provenientes da exposição ao fogo e consequentemente ao calor propagado pelo 
mesmo. 
 A doutrina apresentada neste manual está intimamente ligada ao Manual 
Básico de Combate a Incêndio do Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás e 
do Manual Básico de Combate a Incêndio do Distrito Federal. 
Os ambientes sinistrados pelos incêndios trazem diversas situações de riscos 
aos bombeiros, pois independentemente de onde ocorrem, revelam a presença de 
gases tóxicos e asfixiantes provenientes da combustão e do calor. A grande 
quantidade dos gases tóxicos produzidos nos incêndios é suficiente para causar 
desde problemas respiratórios até mesmo a morte. Outros grandes riscos são 
provenientes do dano nas estruturas físicas. 
Ao estudar este capítulo, o profissional tem a necessidade de aprimorar seus 
conhecimentos acerca de um possível colapso estrutural, a fim de garantir a 
segurança individual e de toda a sua guarnição, bem como prevenir os casos de 
pânico. 
 
 
 
 
95 
 
 
Seção 1 - Lesões por Inalação de Fumaça 
O Sistema Respiratório é o responsável por promover a troca gasosa entre o 
dióxido de carbono e o oxigênio. Como os seres vivos pluricelulares são todos 
aeróbios, ou seja, necessitam de oxigênio para que suas células possam realizar as 
diversas funções necessárias à vida, as vias aéreas, que formam o sistema 
respiratório, realizam a aquisição do oxigênio e a eliminação do gás carbônico, que 
em altas concentrações torna-se prejudicial ao Corpo Humano, provocando a 
hipercapnia – diminuição do pH sanguíneo, desencadeando uma acidose respiratória. 
As vias aéreas são divididas em vias aéreas superiores e vias aéreas inferiores. 
As vias aéreas superiores ou trato respiratório superior é formado pelas 
cavidades nasais, faringe e laringe e possui localização extratorácica. 
 
Figura 71 - Vias aéreas. Fonte:www.anatomiaenecropsia.com 
 
 
As vias aéreas inferiores ou trato respiratório inferior é formado pela traqueia, 
brônquios e pulmões e possui localização intratorácica. 
Os principais danos causados às vias aéreas ocorrem devido a agentes 
térmicos ou químicos. Incêndios, sejam eles ao ar livre ou confinados produzem um 
ambiente propício a lesões nas VA, devido à elevadas temperaturas e produção de 
fumaça tóxica. 
Segundo o artigo “Lesão por inalação de fumaça em ambientes fechados: uma 
atualização”, publicado no Jornal de Pneumologia (2013), durante um incêndio em 
atividade, tipicamente a concentração de oxigênio (O2) cai para 10-15%, ponto no qual 
o óbito por asfixia ocorre. Entre 60% e 80% dos óbitos imediatos ocorridos na cena 
de um incêndio são atribuídos à inalação de fumaça, além disso, a lesão de vias 
96 
 
 
aéreas superiores resultando em obstrução nas primeiras 12 h após o incidente é 
causada por dano térmico direto e/ou irritação química (Antonio et.al). 
A lesão inalatória é o resultado do processo inflamatório das vias aéreas após 
a inalação de produtos incompletos da combustão e é a principal responsável pela 
mortalidade (até 77%) dos pacientes vítimas de queimaduras (SOUZA, apud Ryan); 
No combate a incêndio, principalmente aqueles ocorridos em ambiente 
confinado, existem quatro principais riscos aos bombeiros segundo o Manual de 
Incêndio do Distrito Federal: 
• Deficiência de oxigênio 
• Temperatura elevada 
• Partículas encontradas na fumaça, e 
• Gases tóxicos associados ao incêndio 
A fim de evitar a inalação de gases tóxicos e superaquecidos, os combatentes 
do fogo devem utilizar sempre ao adentrar ambientes confinados os equipamentos 
necessários à proteção de suas vias aéreas, tais como balaclava, máscaras faciais, 
cilindro de oxigênio e, se possível, medidor do oxigênio do ar nestes espaços. 
Às vítimas de inalação de fumaça é preciso que suas VA sejam protegidas com 
um pano úmido e se necessário, imediatamente administrado oxigênio não invasivo 
com vistas a minimizar os danos causados pela falta de oxigenação. 
 
Seção 2 - Deficiência de Oxigênio 
 
De acordo com a Norma Técnica 02 do Estado de Goiás, a composição 
percentual do ar seco é de 20,99%, com os demais componentes formadores do ar 
sendo o nitrogênio com 78.03% e CO2, Ar, H2, He, Ne, K somando 0,98%. 
O Jornal de Pneumologia (2013) alerta que em um ambiente confinado, com a 
concentração de O2 caindo para 10-15%ocorre o óbito das vítimas deste local. 
De acordo com o site Medlineplus.gov/spanish, “as células cerebrais são 
extremamente sensíveis à falta de oxigênio”, podendo algumas delas sofrerem morte 
celular após cinco minutos de interrupção do fornecimento de oxigênio, levando à 
hipóxia cerebral, que pode causar morte ou lesões irreversíveis ao corpo humano. 
Para o Medlineplus, website da National Library of Medicine, a hipóxia (falta de 
O2) pode ser do tipo leve ou do tipo grave, provocando diferentes sintomas: 
97 
 
 
• hipóxia cerebral leve: mudança na atenção, discernimento prejudicado e 
movimentos descordenados; 
• hipóxia cerebral grave: estado de inconsciência e total falta de reação 
(coma), ausência de respiração, ausência de resposta da pupila do olho à 
luz. 
 
Para o Manual de Operações de Bombeiro de Goiás, a concentração de 
oxigênio diminuída no ambiente em 18% o inicia-se a reação corporal aumentando a 
frequência respiratória; diante de uma deficiência de oxigênio, começa a apresentar 
sinais e sintomas de diminuição da coordenação motora, tontura, desorientação, dor 
de cabeça, exaustão, inconsciência e morte. 
Ambientes confinados não são perigosos apenas nas situações de incêndio, 
neste caso há o agravamento do ambiente pela situação do superaquecimento do ar 
a ser respirado, no entanto todo local em que se há a probabilidade de ocorrer a 
deficiência do oxigênio respirável, há potencial risco à vida, como por exemplo em 
silos, subsolos compartimentados ou locais que utilizam gás carbônico como agente 
extintor de incêndios. 
 
Seção 3 - Temperatura elevada 
 
De acordo com o Grupo de Pesquisas de Combate a Incêndio Urbano do 
CBMDF, em artigo publicado em 2009 intitulado Análise da temperatura de incêndios 
estruturais, que fez o estudo em simulado de flashover em contêiner, tendo como 
material combustível papel e madeira, detectou que a temperatura ambiente à altura 
de 2 metros de altura chegava aos 900ºC, na altura de 1,5 metros, 700ºC e na altura 
dos membros inferiores, 300ºC. (CBMF/7ª Seção do EMG/Grupo de pesquisa na área 
de combate a incêndio urbano). 
Entre as principais preocupações referentes ao aumento da temperatura 
ambiente estão as lesões provocadas pelas altas temperaturas nas vias aéreas; 
temperatura desses gases, como visto, pode chegar a 900ºC, provocando a 
queimadura das vias aéreas superiores, entretanto, 
 
“a ação decorrente da temperatura da fumaça inalada 
raramente provoca lesões nos territórios abaixo da laringe. 
98 
 
 
Apesar de ter alta temperatura, a fumaça tende a ser seca, o que 
diminui muito o potencial de troca de calor. Alémdisso, as 
regiões supralaríngeas têm grande capacidade de troca de 
calor, já que as mucosas encerram grande quantidade relativa 
de água” (SOUZA, 2005). 
No entanto, quando a fumaça aquecida possuir bastante umidade a ponto de 
ocorrer a formação de vapores a queimadura tende a ser mais acentuada, devido as 
trocas de calor com o corpo humano. 
 
Deve-se suspeitar de lesões nas vias aéreas sempre que a vítima apresentar 
eritema (vermelhidão), edema (inchaço), ulceração (feridas) ou bolhas na face/vias 
aéreas; A inalação repentina de ar quente pode provocar edema pulmonar, que é o 
acúmulo de fluídos nos pulmões, provocando insuficiência respiratória, no entanto, 
outros sintomas podem aparecer, como: suor frio, arritmia cardíaca, chiado ao 
respirar, dor no peito, extremidades azuladas ou arroxeadas, lábios roxos e palidez. 
A lesão inalatória é o resultado do processo inflamatório das vias aéreas após 
a inalação de produtos incompletos da combustão e é a principal responsável pela 
mortalidade (até 77%) dos pacientes vítimas de queimaduras (SOUZA, apud Ryan); 
para vítimas destes tipos de queimadura não há reversão imediata e o tratamento 
interno à unidade hospitalar. 
 
 Seção 4 - Partículas encontradas na fumaça 
 
A combustão acontece quando um combustível reage com o oxigênio na 
presença de calor e possui como produto o calor, água e gás carbônico, se for 
completa ou água, monóxido de carbono e fulígem, se incompleta. A fumaça é a 
suspensão na atmosfera dos produtos resultantes desta combustão. 
99 
 
 
A combustão incompleta ocorre quando o oxigênio presente é insuficiente para 
consumir todo o combustível disponível. Abaixo, apresentamos a equação química 
resultantes de uma queima completa e uma queima incompleta do isoctano, um dos 
componentes da gasolina: 
 
Combustão completa do isoctano (componente da gasolina): 
C8H18(g) + 25/2 O2 (g) → 8 CO2(g) + 9 H2O(l) 
 
Combustões incompletas do isoctano: 
C8H18(g) + 17/2 O2 (g) → 8 CO (g) + 9 H2O(l) 
C8H18(g) + 9/2 O2 (g) → 8 C (g) + 9 H2O(l) 
Fonte: Jennifer Rocha Vargas Fogaça, Manual da Química 
Dependendo do tamanho e da constituição química das partículas carreadas 
pela fumaça, estas podem apenas causar irritação ou mesmo levar a letalidade, de 
acordo com o quanto será a penetração no sistema respiratório e o bloqueio dos 
alvéolos pulmonares, impedindo a troca gasosa nos pulmões. 
 
Seção 5 - Gases tóxicos associados ao incêndio 
 
Em um incêndio, a depender do tipo de combustível presente na combustão e 
de sua reação com o oxigênio, são produzidos diversos gases; dentre estes, alguns 
são potencialmente perigosos para os seres humanos devido a seus efeitos danosos 
ao organismo. 
Ao serem inalados, estes gases podem atuar de duas principais formas no 
organismo: 
• Causam danos diretamente nos pulmões, dificultando a troca gasosa 
(respiração); 
• Impedem o transporte de oxigênio pelas hemácias, ao entrarem na corrente 
sanguínea; 
Dentre os gases produzidos na combustão, os que merecem especial atenção 
são: 
• monóxido de carbono (CO) 
100 
 
 
• dióxido de nitrogênio (NO2) 
• dióxido de carbono (CO2) 
• acroleína 
• dióxido de enxofre (SO2) 
• ácido cianídrico (HCN) 
• ácido clorídrico (HCl) 
• metano (CH4) 
• amônia (NH3) 
 
Monóxido de Carbono (CO) 
O monóxido de carbono é gerado principalmente nas queimas incompletas de 
hidrocarbonetos (CxHy), ou seja, nas queimas em que há deficiência de oxigênio no 
ambiente. Ocorre também em locais em que há presença marcante de produtos 
derivados dos hidrocarbonetos como plásticos, isopores, combustíveis, pneus, 
colchões, etc. Nestes ambientes, à medida que o processo de combustão consome o 
O2 a liberação de monóxido de carbono aumenta. 
Apesar do monóxido de carbono ser um gás incolor, inodoro e insípido, a 
presença de fumaça escura em um incêndio é indicativo de que está havendo uma 
queima incompleta, promovendo a produção deste gás. Algumas outras 
características do CO é que ele é um gás asfixiante e não irritante. 
As moléculas de CO possuem grande afinidade com a hemoglobina do sangue 
(responsável pelo transporte de oxigênio), sendo esta combinação mais efetiva que a 
do O2 em 200-250 vezes. 
 Na hemoglobina existe uma molécula de ferro que funciona como quelante 
junto à molécula de oxigênio, formando a oxi-hemoglobina, no entanto esta ligação é 
fraca e, na presença do CO, este quelante forma a carboxi-hemoglobina, molécula 
bastante estável que impede que o oxigênio ligue-se à hemoglobina para ser 
transportada aos tecidos dos outros órgãos do corpo para ser utilizado pelas células. 
A concentração de 1% de CO no ambiente já é capaz de causar graves lesões 
às vítimas deste gás, provocando cefaleia, náusea, vômito, tontura, dificuldade de 
concentração, dispneia, angina, confusão mental, síncope, convulsões, hipotensão, 
coma, insuficiência respiratória e morte. 
101 
 
 
Devido os sinais e sintomas apresentados pelas vítimas de inalação de CO 
serem comuns a outras associações e estes iniciam-se com pequenas concentrações, 
o bombeiro deve imediatamente iniciar terapia com oxigênio, já que, segundo estudos, 
as 24 horas subsequentes à inalação são cruciais para a manutenção da vida destes 
pacientes. 
 
Dióxido de carbono (CO2) 
Também conhecido como anidrido carbônico, o CO2 também é um gás 
produzido na combustão; é um óxido inodoro, incolor, apolar (por possuir cadeia 
linear) e solúvel em água. Por ser um gás também produzido na respiração, já 
estamos familiarizados com ele o que faz com que não percebamos quando estamos 
inalando-o. 
Não é tão tóxico quanto o monóxido de carbono, no entanto, em concentração 
de 10% pode provocar a morte e abaixo disso, a partir de 2% provoca alterações 
respiratórias (aumento da frequência), coração e cérebro (sonolência). 
 
Ácido cianídrico 
Também conhecido como ácido prússico ou, ainda, cianureto de hidrogênio, 
o ácido cianídrico é um ácido fraco representado pela fórmula química HCN, 
encontrado naturalmente tanto no estado líquido quanto no estado gasoso (altamente 
volátil), de odor semelhante ao de amêndoas amargas, solúvel em 
água, álcoois e éteres, com baixos pontos de fusão e ebulição, baixo peso molecular 
e de altíssimo grau de toxidez e inflamabilidade. 
O HCN é utilizado na fabricação de algodão, seda, madeira, papel, plásticos, 
esponjas, acrílicos e polímeros sintéticos em geral, por isso, na combustão incompleta 
destes materiais ocorre a formação em grande quantidade deste gás. 
O HCN é aproximadamente vinte vezes mais tóxico que o monóxido de 
carbono, agindo também sobre o ferro da hemoglobina do sangue, além de impedir a 
produção das enzimas oxidazes (enzimas de oxidação), que atuam no processo da 
respiração, retornando ineficaz a cadeia de transporte de elétrons. É definido como o 
produto mais tóxico presente na fumaça. 
 As manifestações iniciais refletem estimulação ventilatória e neurológica 
decorrente do bloqueio da respiração celular, e ainda hiperventilação, cefaleia, 
náuseas, vômitos, palpitações e ansiedade. Em seguida, sucedem-se convulsões, 
102 
 
 
bradicardia e hipotensão, culminando com parada ventilatória e colapso 
cardiovascular. 
 
Ácido clorídrico (HCl) 
Também conhecido como ácido muriático. De acordo com a Ficha de 
Informação de Segurança de Produtos Químicos – FISPQ a inalação do HCl é 
corrosiva para o trato respiratório e pode causar necrose do epitélio bronquial, é 
irritante aos olhos e membranas de mucosas e superfície da pele. 
O HCl é comumente utilizado na fabricação de materiais que contenham cloro 
em sua composição, como o PVC, em produção de tintas, entre outros. 
 
Acroleína 
Também chamada de propenal, possui a fórmula química C3H4O; é um 
composto aldeído etilênico formado a partir da desidratação de polietilenos 
encontrados em tecidos e gorduras e glicerina. 
É irritante para a pele, olhos evias aéreas, possui características eletrofílicas e 
reativas, podendo causar a morte por complicações pulmonares horas após a 
exposição. 
 
Amônia (NH3) 
A amônia ou amoníaco é um gás incolor, alcalino e irritante nas CNTP; possui 
“um odor pungente é detectável em 
concentrações acima de 30 mg/L, ocorre irritação ocular e 
nasal a 50 mg/L, disfunção pulmonar a 1000 mg/l e há 
risco de morte se uma pessoa for exposta a 
concentrações acima de 1500 mg de NH3/L(11). Ocorre 
em vários efluentes domésticos e industriais e também 
resulta da decomposição natural da matéria orgânica”. 
(CETESB/SP). 
Pode também produzir queimaduras graves e necrose da pele. sintomas 
incluem náuseas, vômitos, danos aos lábios, boca e esôfago, devido ás queimaduras 
provocadas. A utilização de oxigenoterapia ou água no tratamento deve ser 
descartada, pois estes intensificam a reação da amônia no corpo. Deve ser realizado 
transporte imediato ao ambiente intra-hospitalar para tratamento intensivo. 
103 
 
 
Dióxido de enxofre 
O anidrido sulfuroso (SO2) é um gás oxido advindo principalmente da queima 
de combustíveis fósseis, atividades industriais e atividades vulcânicas, na natureza. 
Sua principal aplicação é na produção do ácido sulfúrico. É um gás incolor, denso e 
muito solúvel em água. 
Os principais sintomas que aparecem ao entrar em contato com o SO2 são: 
tosse, náuseas e irritação nos olhos. 
Em concentrações altas, pode provocar efeitos mais severos, como 
queimaduras, problemas cardíacos, dificuldades na respiração, ocasionando 
inflamação aguda no sistema respiratório. 
Na tabela abaixo, um resumo das características dos gases acima e outros que 
também apresentam risco potencial: 
 
Tabela 1: Gases e seus riscos 
GÁS ORIGEM EFEITOS TOXICOLÓGICOS 
Dióxido de carbono (CO2) Produto comum em 
combustão 
Não é tóxico, diminui o 
oxigênio 
Respirável 
Monóxido de carbono (CO) Produto comum em 
combustão 
Veneno asfixiante 
Óxidos de nitrogênio (NO2 
e 
NO) 
Combustão de matérias à 
base de 
nitrato, celulose e têxtil 
Irritante respiratório 
Ácido cianídrico (HCN) Nylon (poliamida), 
poliuretano, 
poliacrilonitria, borracha, 
seda 
Veneno asfixiante 
Ácido sulfúrico (H2S) Compostos contendo 
enxofre, óleo 
cru, lã 
Tóxico, com cheiro 
repugnante 
Ácido clorídrico (HCL) Cloreto de polivinil, alguns 
materiais retardantes ao 
fogo 
Irritante respiratório 
Ácido bromídrico (HBr) Alguns materiais 
retardantes ao 
Fogo 
Irritante respiratório 
Ácido fluorídrico (HF) Polímeros que contenham 
flúor 
Tóxico e irritante 
Dióxido de enxofre (SO2) Materiais que contenham Irritante muito forte 
104 
 
 
enxofre 
Isocianatos Polímeros de poliuretanos Irritante respiratório 
Acroleína e outros aldeídos Produto comum em 
combustão 
Irritante respiratório 
Amônia (NH3) Borracha, seda, nylon, 
normalmente em baixa 
concentração em 
incêndios em 
Edifícios 
Irritante 
Hidrocarbonetos 
aromatizados 
(benzeno e seus derivados) 
Produtos comuns na 
combustão 
Cancerígeno 
Fonte: MOB Combate a Incêndio de Brasília, apud Tactical fire fighting 2003. 
 
Seção 6 - Estresse ou Fadiga pelo calor 
 
 O estresse térmico é um termo técnico utilizado para definir o impacto do 
aumento das temperaturas no corpo humano, causada pela exposição excessiva ao 
calor, como por exemplo, ondas de calor, provocando respostas de adaptação, ais 
quais envolvem dores de cabeça, mal-estar e perda de agilidade nas ações. 
 De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade 
(SBMFC), para manter as faculdades mentais e físicas sadias o corpo deve estar a 
uma temperatura média de 36º C; temperaturas corporais acima de 40º C já se torna 
um limiar crítico e os órgãos podem começar a disfuncionar ou até parar de funcionar 
e levar a pessoa à morte. 
 Na atuação bombeiro-militar é comum em incêndios a presença de variáveis 
que colaboram com a elevação da temperatura ambiente, como umidade, temperatura 
e velocidade do ar, fontes de calor radiante e contato direto com objetos quentes. 
Estudos demonstram que a temperatura interna em incêndios urbanos podem chegar 
a 1000-1200º C no nível do teto. 
 
 
 
 
. 
 Figura 2: Temperaturas em um incêndio. Fonte: CBMDF, 2017 
105 
 
 
 
 
A exposição demasiada ao calor extremo gerado no incêndio provoca no 
combatente a sensação de irritabilidade, agressividade, distração, desidratação 
(excesso de transpiração), erros, desaceleração/aceleração da pulsação, tremores, 
entre outros. Devido à presença destes sinais e sintomas, o tempo de combate é 
crucial para o sucesso do atendimento à ocorrência. 
 A maneira mais eficaz de minimizar os danos causados pelo calor é a utilização 
de proteção individual e equipamento de proteção respiratória; equipamentos que 
devido aos seus componentes são pesados e desconfortáveis, diminuindo a agilidade, 
que pode ser restabelecida por meio de treinamentos e simulados contínuos para a 
adaptação destes equipamentos. 
 Estes treinamentos fornecem ao bombeiro conhecimento próprio sobre seus 
limites e capacidades, além de saber identificar os sinais e sintomas do estresse 
térmico em si e dos demais componentes da guarnição. Os chefes de guarnição e o 
comandante de socorro devem possuir também o conhecimento dos limites de seus 
subordinados, gerenciando o tempo de combate promovendo o revezamento do 
pessoal de combate, quando necessário, de forma eficiente. 
 
 Tabela 2: Efeitos do calor no organismo de acordo com o tempo de exposição 
Tempo Efeitos 
 
Em menos de uma hora 
Tolerância muscular reduzida 
Capacidade mental afetada 
Baixa compreensão 
Baixa retenção de informação 
 
 
Após duas horas 
Cãimba 
Fadiga 
Perda de força 
Coordenação motora reduzida 
Dor de cabeça 
Náusea 
Atordoameto 
 
Em um estágio avançado 
Colapso 
Inconsciência 
Morte 
 
 
106 
 
 
No Estado do Amazonas a temperatura média anual é de 26,4º C, segundo 
Centro Técnico Aeroespacial – CTA/IAE/ACA- INPE, com os meses de setembro e 
outubro com registros de temperaturas chegando a 39º C. 
Ao avaliar os sinais e sintomas do estresse pelo calor, podemos destacar as câimbras, 
a exaustão pelo calor e o golpe de calor. 
 
Seção 7 - Câimbras 
 
A câimbra é uma contração rápida, involuntária e dolorosa de um músculo que 
pode aparecer em qualquer parte do corpo, mas que, normalmente surge nos pés, 
mãos ou pernas, especialmente na panturrilha e na parte detrás das coxas. Podem 
ocorrer devido ao desgaste físico do indivíduo durante o combate ao incêndio, 
provocando o estresse dos músculos. 
Existem diversas causas que podem provocar as câimbras, sendo aquelas 
associadas ao serviço de combate a incêndio mais comumente provocadas pela perda 
de líquido corporal (desidratação), e perda de sais minerais como potássio, cálcio e 
magnésio, importantes para a contração e relaxamento dos músculos. 
Para evitar o estresse e a fadiga muscular, a realização de atividades físicas 
associadas ao alongamento dos músculos, de forma regular. 
 
Ao se detectar a presença de câimbras o bombeiro deve: 
 
• remover o indivíduo do ambiente quente e colocá-lo em repouso em um local arejado; 
• afrouxar e remover roupas em excesso; 
• descansar os músculos com câimbras, mantendo o bombeiro sentado, caso esteja 
consciente, ou deitado sobre o lado esquerdo, monitorando os sinais vitais e a 
respiração, se estiver inconsciente. Colocar o membro afetado mais alto que o corpo; 
• aplicar compressas úmidas sobre os músculos em espasmos ajuda a aliviar a 
sensação da câimbra; 
• alongar a área afetada, quando este tratamento não causar mais dores do que a ação 
da câimbra; 
107 
 
 
• se estiver consciente, pode-se lhe dar água ou uma solução diluída e balanceada de 
eletrólitosou soro de reidratação oral (repondo o sódio, potássio, magnésio e líquido 
perdido); 
• não deve ser ministrada nenhuma medicação 
 
Seção8 - Exaustão pelo calor 
 
A exaustão pelo calor é uma perda excessiva de sais (eletrólitos) e líquidos 
devido ao calor, dando lugar à diminuição do volume de sangue, provocando muitos 
sintomas, entre os quais o desmaio e colapso. 
 Com a elevação da temperatura corporal, o organismo tenta estabilizar a 
temperatura por meio da transpiração, devido à evaporação do suor pelo corpo. Os 
equipamentos de proteção por suas particularidades provocam sudorese intensa. 
 Indivíduos acometidos pela exaustão pelo calor, se não atendidos com 
brevidade podem evoluir para o choque hipovolêmico moderado, por isso, este 
sintoma torna-se mais grave que as câimbras. O choque hipovolêmico ocorre quando, 
na tentativa de refrigerar o corpo, o sangue é desviado dos órgãos principais para os 
vasos sanguíneos próximos à pele, que são dilatados, provocando insuficiência de 
irrigação do coração e consequente aumento dos batimentos. Além disso, ocorre 
aumento da frequência respiratória com vistas a oxigenar o indivíduo e elimiar o 
excesso de gás carbônico. 
Se não houver a reversão do quadro, o indivíduo pode ser levado a óbito por 
queda da pressão arterial e insuficiência respiratória. Os sinais da exaustão pelo calor 
incluem: 
• Face acinzentada; 
• Pele fria e pegajosa; 
• Náuseas ou dores de cabeça constante; 
• Sensação de cansaço, fraqueza, tontura; 
• Pulso acelerado; 
• Visão embaçada 
• Temperatura elevada. 
• Dores musculares 
• Enjoos e vômito; 
As vítimas acometidas com a exaustão pelo calor devem imediatamente serem 
removidas para um ambiente arejado e fresco. Deve-se retirar e afrouxar todo excesso 
108 
 
 
de roupas. A vítima deve deitar-se urgentemente, inalar oxigênio e fazer reposição 
eletrolítica. 
 
Seção 9 - Golpe de Calor 
 
É sintoma resultante da elevação da temperatura corporal superior a 40º C, 
com sintomas neurológicos incluindo ataxia, convulsões e/ou delírios. Ocorre devido 
à incapacidade do corpo em regular a temperatura, deixando de produzir suor. É um 
sintoma mais raro que os anteriores, no entanto é mais grave pela exposição ao calor 
seco do incêndio, com sintomas similares à insolação. 
A temperatura do corpo aumenta rapidamente, podendo chegar aos 39-40º C, 
provocando deficiências cerebrais e até mesmo a morte, se não houver atendimento 
imediato. 
 
 
Os sintomas mais frequentes são: 
 
• Temperatura corporal elevada, geralmente acima de 40º; 
• Pele vermelha, quente e seca; 
• Pulso irregular; 
• Convulsões e vômitos; 
• Respiração profunda, seguida de superficial; 
• Contrações musculares; 
• Fraqueza 
• Pupilas dilatadas; 
• Ausência de suor; 
• Perda de consciência. 
 
 
Fonte: safeplace.blogspot.com Figura 4: Fonte: safeplace52.com 
109 
 
 
A exaustão pelo calor pode evoluir para o golpe de calor; ao se detectar o golpe 
de calor a vítima deve ser retirada para um local arejado e se possível, aplicação de 
toalhas/tecido molhado para baixar a temperatura. 
A equipe médica deve ser informada com antecedência para que possa 
providenciar banho frio e aplicação de bolsas de gelo nas axilas, punhos, virilhas e 
tornozelos. 
Seção 10 - Queimaduras 
Segundo Souza (2004) compreende-se por queimadura uma lesão produzida 
nos tecidos corporais, devido a ação direta ou indireta do calor, agentes térmicos, 
elétricos, radioativos ou substâncias químicas. 
Para Santos (2000) as queimaduras são causadas, geralmente, pelo calor 
(queimadura térmica), como fogo, vapor, alcatrão ou líquidos quentes. 
Em consonância Oliveira (2005) afirma que, as queimaduras provocadas por 
substâncias químicas são semelhantes às queimaduras térmicas, ao passo que as 
queimaduras causadas por radiação, luz solar e eletricidade tendem a ser 
significativamente diferentes. Além disso, pessoas que foram queimadas por fogo, 
geralmente respiram fumaça do fogo (inalação de fumaça). 
O fumo pode sufocar as pessoas, mas também contém diferentes substâncias 
químicas produzidas pela substância em queima. Alguns desses produtos químicos, 
tais como monóxido de carbono e cianeto, podem ser tóxicos. 
As queimaduras representam um número expressivo de mortalidade, tornando 
o indivíduo mais vulnerável a infecções, podendo atuar nos tecidos envoltórios do 
corpo humano, resultando em danos com destruição parcial ou total da pele (camada 
mais profunda, como o tecido celular subcutâneo que são barreiras contra agentes 
infecciosos existentes nos incêndios, músculos, tendões e ossos), ocasionando ainda 
febre, complicações neurológicas e oftalmológicas. (LEE, 1999). 
As queimaduras podem ocorrer por: 
• ação direta das chamas; 
• contato com fumaça e gases quentes – decorrentes das características (móvel 
e quente) da fumaça e dos gases provenientes do ambiente incendiado; 
• contato com líquidos ou vapores quentes; 
• contato com superfícies aquecidas; 
110 
 
 
• decorrente de choques elétricos – quando a corrente elétrica é transformada 
em calor; 
Além disso, segundo estatísticas, as queimaduras resultam em um notório 
aumento da parcela da população considerada com deficiência física, em decorrência 
das sequelas geradas. Dentre elas podemos citar a incapacidade funcional (quando 
atinge as mãos), as distorções estéticas (em geral na face), e por fim os danos de 
ordem psicossocial e psicológica. (UFRRJ, 2022). 
De acordo com Oliveira (2005), devemos colocar em observância que uma das 
causas de queimaduras em bombeiros ainda é o uso do EPI incompleto ou mal 
colocado/ajustado, deixando na maioria das vezes partes da pele expostas, ou ainda 
EPI inadequado para combate a incêndio, como o caso das luvas, onde existem vários 
modelos diferentes para uso (raspa de couro, algodão, plástico, etc). Contudo, são 
inúmeras as maneiras em que os bombeiros militares acabam se ferindo com as 
queimaduras nos incêndios, sendo elas através das ações diretas das chamas, a 
proximidade com a fumaça, líquidos e vapores quentes, o contato com produtos 
perigosos, superfícies aquecidas e até choques elétricos. 
São manifestações locais nas queimaduras: 
• não elimina toxinas - não produz suor; 
• formação de substâncias tóxicas; 
• dor intensa que pode levar ao choque; 
• perda de líquidos corporais; e 
• destruição de tecidos e infecção, comprometendo a funcionalidade da 
pele; 
 
Figura 5: Perda de membro por uso inadequado de EPI 
Fonte: Grimwood, 2003 
111 
 
 
A ferida da queimadura é inicialmente estéril, porém o tecido queimado 
rapidamente fica colonizado por bactérias, sendo assim, existindo a necessidade de 
manter os bombeiros com suas vacinas em dia, principalmente, a antitetânica. A partir 
daí, o organismo reage cicatrizando e originando uma nova pele enrijecida, e 
posteriormente, com um dano à circulação. 
Para Berkow (2022), em queimaduras acima de 40% da extensão corpórea, a 
imunidade cai, levando a uma infecção generalizada, podendo até provocar a morte. 
Superior a 70%, as chances de sobrevivência da vítima são mínimas. 
São fatores agravativos para a saúde do queimado: 
 
• idade - quanto mais idoso, maior a dificuldade de resposta e adaptação 
do corpo a complicação, ou seja, menor condições de responder ao 
tratamento; 
• comobirdades de doenças prévias; 
• inalação de fumaça; 
A amplitude da implicação das funções da pele em consequência de uma 
queimadura depende do agente causador, da extensão e profundidade (ou grau) da 
lesão, da localização da queimadura no corpo do indivíduo e do tempo decorrido após 
a lesão. Algumas horas após a lesão, os maiores riscos para a vítima de queimadura 
dependerão, da área do corpo afetada. Quanto maior a região afetada, maior a 
repercussão sistêmica, devido à perda da pele. 
Souza (2004) diz que, a profundidade da queimadura depende da potência do 
agente causador, se gera ou transmite calor – e do tempo de contato com a pele. Em 
concordância Santos (2000), afirma que o resultado estético e funcionalda 
queimadura pode ser determinado pela profundidade e pode ser avaliada em graus: 
✓ 1° - Primeiro grau 
Repercussão sistêmica desprezível; Compromete a epiderme; Apresenta 
vermelhidão, calor e dor; Não há formação de bolhas; Evolui com descamação em 
poucos dias; Regride sem deixar cicatrizes; 
✓ 2° - Segundo grau 
Compromete totalmente a epiderme e parcialmente a derme; Apresenta dor, 
vermelhidão, inchaço, bolhas, erosão ou ulceração; Regeneração espontânea da 
pele; Cicatrização lenta; Pode deixar sequelas: diferenças na cor da pele e cicatriz; 
112 
 
 
✓ 3° - Segundo grau 
Destrói completamente as camadas da pele, atinge até a região subcutânea, 
podendo comprometer tendões, ligamentos, músculos e ossos; Causa lesão branca 
ou marrom, seca, dura, inelástica; É indolor; Não há regeneração espontânea, 
necessitando de enxertia; Pode cicatrizar, porém com retração das bordas; 
Para que se possa avaliar a extensão das queimaduras, leva-se em 
consideração a sua classificação em maiores e menores, ou pode-se calcular a 
porcentagem da área atingida na superfície corporal total, pela regra dos nove. 
São queimaduras menores superficiais ou pouco profundas, ou seja, de 
primeiro e segundo grau, aquelas que envolvem pequenas partes do corpo, sem 
danos respiratórios, de face, mãos, pés, virilha, coxas, nádegas ou articulações. 
São consideradas queimaduras maiores as de terceiro grau, de segundo grau 
envolvendo uma área total ou crítica do corpo, de primeiro grau que cubram uma área 
extensa, ou qualquer queimadura que envolva face ou sistema respiratório. 
Braga (2010) explana que a extensão de uma queimadura é representada 
também em percentagem da área corporal queimada, como por exemplo: 
• Leves (ou "pequeno queimado"): atingem menos de 10% da superfície 
corporal; 
• Médias (ou "médio queimado"): atingem de 10% a 20% da superfície corporal; 
• Graves (ou "grande queimado"): atingem mais de 20% da área corporal; 
 
Seção 11- Regra do nove 
 
 Esse tipo de regra é atribuído a cada segmento corporal, o valor nove (ou 
múltiplo dele). A regra dos nove atribui a cada área do corpo uma porcentagem 
Figura 73: Regra do nove 
Fonte: CBMDF, 2009 
113 
 
 
aproximada, sobre a área total da pele. Dessa forma, é possível calcular a 
porcentagem do corpo atingida pela queimadura e, a partir disso, direcionar o 
tratamento do paciente. (CBMDF, 2009). 
Em função de riscos relacionados à estética e à funcionalidade, são 
desfavoráveis regiões que comprometem a face, pescoço e mãos, no que concerne 
as queimaduras. No entanto, as que se localizam em face e pescoço podem estar 
mais associadas à inalação de fumaça. Queimaduras próximas aos orifícios como 
boca e ouvido, apresentam maior risco de contaminação. (CBMDF, 2009). 
 
Seção 12 - Choques Elétricos 
 
Tomando por base que em toda edificação haverá a presença de energia 
elétrica, tendo em vista que, é um recurso importante na vida do ser humano, bem 
como a água. A energia elétrica assim irá expor o bombeiro e as vítimas ao risco de 
choque elétrico, podendo levar a óbito, tanto pelo contato direto com materiais 
energizados (fios, equipamentos eletroeletrônicos, etc.), ou pela condução elétrica, 
quando se está combatendo o incêndio com água ou espuma, uma vez que ambas 
conduzem eletricidade. 
Vale ressaltar a importância da proteção do bombeiro contra choques elétricos, 
havendo a necessidade de exposição breve sobre os perigos da eletricidade. 
Fisiologicamente, as atividades biológicas do corpo humano são estimuladas 
ou controladas por impulsos elétricos. Se a esse fluxo fisiológico interno adicionar-se 
a um outro fluxo de origem externa, decorrente de um contato elétrico, ocorrerá no 
organismo uma alteração das funções vitais normais podendo levar o indivíduo à 
morte. 
Os principais efeitos que um fluxo elétrico externo produz no corpo humano 
são: tetanização, queimadura e complicações cardiorrespiratórias. 
a) Tetanização 
É a paralisia muscular provocada pela circulação de corrente através dos 
nervos que controlam os músculos. As frequências usuais de 50 e 60 Hertz são 
suficientes para causar uma tetanização completa. 
114 
 
 
Essa corrente supera os impulsos elétricos que são enviados pela mente e os 
anula, podendo bloquear um membro ou o corpo inteiro. Nesse momento, a 
consciência do indivíduo e a sua vontade de interromper o contato de nada adianta. 
Podemos afirmar que, com uma intensidade de corrente de 20 a 500 
miliampère ocorre a paralisia estendida entre os músculos do tórax, tendo como 
consequência a sensação de falta de ar e tontura, com possibilidades de fibrilação 
ventricular. 
Uma pessoa em contato com uma peça sob fluxo elétrico pode ficar “grudada” 
a ela no período em que durar a sua diferença de potencial, onde, dependendo da 
duração, pode levar o ser humano à inconsciência e até à morte. 
O limite de largar é o valor máximo de corrente que uma pessoa, tendo à mão 
um objeto energizado, pode ainda largá-lo. Estudos mostram que para essa grandeza, 
em corrente alternada de 50 a 60 Hertz, os valores se situam entre 6 e 14 miliampère 
em mulheres (média de 10 miliampère) e entre 9 e 23 miliampère em homens (média 
de 16 miliampère). Em fluxo contínuo, foram encontrados os valores médios de 51 
miliampère em mulheres e 76 miliampère em homens. 
Assegura-se que, em correntes menores ao limite de largar, mesmo mais 
baixas, embora não produzam alterações graves no organismo, podem originar 
contrações musculares violentas e ocasionar acidentes como quedas, ferimentos 
causados por partes móveis de máquinas ou movimentos bruscos, levando a outros 
riscos. 
Entretanto em correntes superiores ao limite de largar, mesmo com pouca 
intensidade, podem ainda assim causar uma parada respiratória se a corrente for de 
longa duração. Correntes como essas podem produzir sinais de asfixia, devido a 
contração de músculos ligados à respiração e/ou à paralisia dos centros nervosos que 
comandam a função respiratória. Se a corrente não for interrompida rapidamente, a 
pessoa perde a consciência e morre por asfixia. 
Na tabela abaixo apresenta uma relação entre a quantidade de corrente 
recebida e a reação, quando uma corrente flui da mão ao pé por apenas um segundo. 
 
 
115 
 
 
 
Figura 9: Efeitos da corrente elétrica no corpo humano Fonte: OSHA 3075 - Controlling Electrical Hazards, 2022. 
 
b) Queimaduras 
Segundo CBMGO (2016) afirma que, a passagem de um fluxo elétrico pelo 
corpo de um ser humano é acompanhado do desenvolvimento de calor, por efeito 
Joule, produzindo queimaduras. Nesse sentido, pode-se dizer que quanto maior a 
intensidade do fluxo e mais longo o tempo pelo qual ele permanece, mais graves são 
as queimaduras produzidas. Além disso, as queimaduras são mais intensas nos 
pontos de entrada e saída do fluxo elétrico pelo corpo. 
Em altas tensões, com a intensidade alta de calor produzida, ocasiona a 
destruição de tecidos superficiais e profundos, bem como o rompimento de artérias e 
consequentemente hemorragia e destruição total dos centros nervosos. 
As queimaduras produzidas por fluxos elétricos são internas, profundas e 
dificilmente se curam. Vale ressaltar que, apesar da pele aparentemente normal, os 
músculos podem apresentar profunda necrose. 
Complicações Cardiorrespiratórias 
Afirma Braga (2010) que, o coração é controlado por impulsos elétricos. 
Contudo, se essa atividade elétrica fisiológica normal acrescenta-se uma corrente 
116 
 
 
elétrica de origem externa e, na maioria das vezes, maior que a corrente biológica, 
dificultando assim o equilíbrio elétrico do corpo. 
Acontece que as fibras do coração passam a receber sinais elétricos 
sucessivos, excessivos e irregulares, onde as fibras ventriculares ficam estimuladas 
de maneira embaraçada e passam a contrair-se desordenadamente, acarretando em 
um coração parado funcionalmente, deixandode exercer sua função de 
bombeamento do sangue. 
A fibrilação ventricular é a responsável por muitas mortes ocasionadas por 
acidentes elétricos, onde as fibras musculares do ventrículo vibram 
desordenadamente, parando o sangue dentro do coração. Desta forma, não há fluxo 
sanguíneo pelo corpo, a pressão arterial rebaixa a zero e a pessoa desmaia, em 
estado de morte aparente. 
Ainda confirma CBMDF (2009) que, toda fibrilação ventricular é acompanhada 
de parada respiratória da vítima. Sendo este o período vulnerável que corresponde a 
uma pequena parte do ciclo cardíaco, ou seja, de 10 a 20%. 
 
Seção 13 - Prevenção de choque elétrico durante o socorro 
 
No cotidiano de incêndios, é comum afirmar que eles danificam a fiação elétrica 
da estrutura de alguma forma, consequentemente deixando fios elétricos expostos 
podendo até causar acidentes ou servir de fonte de ignição para novos focos. 
Permitindo assim, como uma das primeiras ações dos bombeiros logo que na sua 
chegada em ocorrências deste tipo, na medida do possível, desligar a eletricidade da 
edificação, devendo-se evitar, sempre, tocar ou encostar na fiação. 
Eventualmente, em ocorrências de incêndios correlacionadas a fenômenos 
termoelétricos, os disjuntores desarmam-se automaticamente. Porém, isso não é 
garantia de que a energia esteja desligada. 
Para o desligamento da energia elétrica, leva-se em consideração as demais 
circunstâncias do sinistro, em alguns casos como por exemplo, haja a necessidade 
de se retirar as vítimas pelos elevadores ou como o caso de incêndios em edificações 
hospitalares, muitos possuem equipamentos que não podem ser desligados. 
Quando for necessário manter a energia elétrica ligada, é fundamental que 
todos os bombeiros estejam cientes e atentos, para certas decisões é necessário 
pensar que os benefícios superem os riscos. Nesses casos, sugere-se que seja feito 
117 
 
 
um croqui e o estabelecimento dos chefes por área, ajudem a organizar os esforços 
no combate. 
 
Seção 14 - Principais condutas em caso de choque elétrico 
 
O CBMDF (2009) preconiza que principais condutas para as ocorrências com 
vítimas de choque elétrico são: 
• Utilizar luvas de proteção específicas e outros materiais isolantes. 
• Interromper, imediatamente, o contato da vítima com a corrente elétrica, 
desligando a eletricidade na chave específica da área ou na chave geral do 
local. 
• Não encostar na vítima, se não conseguir desligar a corrente elétrica. 
• Afastar a vítima do contato com a eletricidade, utilizando material isolante, 
seco, como borracha, madeira ou plásticos. 
• Realizar reanimação cardiopulmonar se necessário e remover a vítima para um 
hospital mais próximo possível, mantendo a observação de seus sinais vitais 
(respiração e batimentos cardíacos). 
Seção 15 - Colapso Estrutural Decorrente de Incêndio 
Todos os materiais que compõem as construções são susceptíveis a alterações 
por diversos motivos, sejam eles fatores naturais, humanos ou construtivos. As 
edificações podem sofrer deformações dentre os quais, os colapsos estruturais ou 
desabamentos são uma das mais comuns consequências em um incêndio, é 
silencioso, aparentemente sem alarme e frequentemente fatal. 
 
Anomalias em edificações 
 
Os desabamentos acontecem por diferentes motivos, o conhecimento sobre 
estruturas e suas formas podem auxiliar a prever o comportamento de seus 
elementos, quando expostos ao fogo. O conhecimento teórico de estruturas é de 
grande valia para o comandante da operação, pois o estudo da resistência dos 
materiais pode evitar grandes tragédias envolvendo as guarnições, podendo de forma 
118 
 
 
preventiva identificar as deformações nas estruturas, conhecidas como anomalias, 
dentre as quais, podemos destacar: 
• Rachaduras (também conhecidas como trincas ou fissuras); 
• Vazamentos e infiltrações; 
• Corrosão de ferragens; 
• Recalques; 
• Desplacamento de revestimentos; e 
• Problemas em marquises. 
Rachaduras, trincas ou fissuras 
 
São aberturas de maior ou menor extensão nas superfícies das construções 
(paredes, tetos e lajes), as quais são classificadas: quanto ao sentido, quanto à 
profundidade, quanto ao movimento. 
Tipos de rachadura 
Quanto ao sentido Quanto à profundidade Quanto ao movimento 
Vertical Superficial Vivas ou ativas 
Horizontal Profunda Mortas ou inativas 
Diagonal Transpassante 
Aleatória ou mapeada 
 
Quanto ao sentido 
As rachaduras de sentido vertical, horizontal ou aleatória são, geralmente, 
decorrentes do: próprio peso da estrutura, alterações climáticas, retração dos 
produtos à base de cimento; e deformações excessivas. Quando essas anomalias 
aparecem entre a alvenaria e a peça estrutural – vigas ou pilares – provavelmente é 
motivada pela deficiência da amarração, que é a junção das paredes com as vigas, o 
que pode acarretar em uma possível queda da estrutura. 
 
Figura 10: Exemplos de rachadura aleatória, horizontal e vertical Fonte: https://bombeirooswaldo.com 
119 
 
 
 
Rachaduras em diagonal indicam que algo grave está acontecendo, sendo de 
extrema necessidade uma vistoria emergencial por equipe especializada. 
 
Figura 11: Exemplo de rachadura diagonal Fonte: https://bombeiroswaldo.blogspot.com 
 
Quanto à profundidade 
• As rachaduras superficiais ocorrem apenas sobre os revestimentos dos tetos, 
das paredes ou das peças estruturais, tais como rebocos e pinturas, não 
afetando a estrutura. 
• As anomalias profundas chegam a atingir a alvenaria das construções (tijolos) 
e em caso de estruturas com armações de aço (concretos armados), atingem 
as ferragens que estão em seu interior. 
• As rachaduras transpassantes, quando em situações avançadas, atravessam 
a estrutura afetada de um lado ao outro das paredes ou lajes. 
Quanto ao movimento 
• As vivas ou ativas são assim denominadas porque se movimentam, seja por 
movimentos cíclicos (expansão e contração), seja por crescimento em 
extensão. 
• As anomalias mortas ou inativas são aquelas que não se movimentam. 
 
Vazamentos e infiltrações 
 
Os vazamentos se baseiam no escoamento de líquidos, gases e demais 
produtos que passam por tubulações ou envasados. Já as infiltrações são o processo 
de passagem ou acúmulo de um líquido por um meio sólido, como uma laje ou parede. 
120 
 
 
 
Figura 12: Vazamentos e infiltrações Fonte: https://fibersals.com.br 
Os motivos mais comuns para a ocorrência dessas anomalias são os 
rompimentos de tubulações durante os incêndios e sua percepção é mais visível que 
as infiltrações, já que são processos mais longos e geralmente perceptíveis após um 
dano, mas ambas danificam as estruturas. 
Durante a fase de reconhecimento, a identificação de infiltrações preexistentes 
indica um fator de risco às guarnições, uma vez que essas anomalias podem 
enfraquecer seriamente a capacidade resistiva do elemento estrutural. 
 
Corrosão de ferragens 
 
A corrosão metálica é a transformação de um material ou liga metálica pela sua 
interação química ou eletroquímica num determinado meio de exposição, processo 
que resulta na formação de produtos de corrosão e na liberação de energia. 
Suas principais consequências são: 
• Perigosa expansão da malha de ferragens, causando trincas e desagregação, 
em placas ou “farelos”, do concreto que a recobre; 
• Perda da segurança das peças estruturais (vigas, lajes, pilares, marquises); 
• Perda da aderência entre o concreto e as ferragens; 
• Diminuição da resistência da estrutura; e 
• Ruptura da armação e/ou do concreto, causando o colapso de estruturas. 
121 
 
 
 
Figura 13: Corrosão de ferragens Fonte: https://www.tecnosilbr.com.br 
No caso de incêndio, o descolamento de pedaços de concreto sugere risco 
iminente para as guarnições. Os locais devem ser interditados e isolados, pois tais 
características sugerem ações de escoramento emergencial, as quais devem ser 
realizadas por equipesespecializadas e treinadas. 
 
Recalques 
 
O recalque ou assentamento é o termo utilizado em engenharia civil para 
designar o fenômeno que ocorre quando uma edificação sofre um rebaixamento 
devido ao adensamento do solo sob sua fundação. 
 
Figura 14: Recalque em edificações Fonte: https://ecivilnet.com 
O recalque é a principal causa de trincas e rachaduras em edificações, 
principalmente quando ocorre o recalque diferencial, ou seja, uma parte da obra 
rebaixa mais que outra gerando esforços estruturais não previstos e podendo até levar 
a obra à ruína. 
Possuem como principais características: 
122 
 
 
• Rachaduras inclinadas, verticais e horizontais, 
• Afundamentos de pisos, 
• Desnivelamentos e desaprumos, 
• Esquadrias emperradas; e 
• Guias de elevadores desalinhadas. 
Suas possíveis causas são: 
• Aberturas de escavações próximas àquele local (como em construções de 
novas obras); 
• Erosão no subsolo (vazamentos); 
• Vibrações; 
• Tremores de terra; 
• Alteração química do solo; 
• Rebaixamento do nível d’água; 
• Carregamento mal dimensionado (todo material se deforma quando 
carregado); e 
• Fundações inadequadas. 
As principais consequências dos recalques são: 
• Problemas nas fundações; 
• Segurança estrutural da edificação comprometida; e 
• Prováveis riscos de colapsos estruturais. 
Recomenda-se que seja feito: 
• O acionamento da Defesa Civil, por meio do COBOM (Centro de Operações 
Bombeiro Militar); 
• O escoramento emergencial das estruturas avariadas, realizado por equipes 
especializadas e treinadas; 
• O acompanhamento da evolução das rachaduras (controle); e 
• A interdição e o isolamento do local. 
Desplacamento de revestimentos 
 
São os casos em que ocorrem a soltura de placas de concreto, cerâmicas, 
rebocos e outros revestimentos de fachadas. A queda destas estruturas pode gerar 
123 
 
 
graves danos aos transeuntes que circulam nas proximidades desta edificação 
sinistrada. 
Suas principais causas são: 
• Assentamento mal executado ou com materiais inadequados; 
• Inadequada aplicação das juntas de dilatação; 
• Desrespeito às normas vigentes; 
• Infiltrações deteriorando a base de revestimento; 
• Inexistência de manutenção periódica; 
• Exposição ao fogo e a água durante o combate às chamas. 
 
 
Figura 15: Desplacamento de revestimento. Fonte: https://ibape-nacional.com.br 
 No caso do desplacamento causado durante o atendimento às ocorrências, 
onde há o enfraquecimento das estruturas, deve-se isolar totalmente a área, a fim de 
evitar acidentes tanto com os bombeiros quanto a pessoas que possam tentar acessar 
o local. 
 
Problemas em marquises 
 
Marquises são coberturas em balanço na parte externa de uma edificação, 
destinadas à proteção da fachada ou a abrigos de pedestres. Nos casos de anomalias 
nessas estruturas, como infiltrações e rachaduras, o local deve ser isolado, pois a 
queda da estrutura pode levar o indivíduo a morte. 
124 
 
 
 
Figura 16: Modelo de marquise Fonte: https://www.laudoportoalegre.com 
Anomalias nesse tipo de estrutura geralmente são originárias de suas 
construções, porém existem também outras causas como, por exemplo, o acréscimo 
de cargas. Como consequência, apresentam algumas características: 
• Rachaduras, trincas ou fissuras; 
• Infiltrações; 
• Destacamento de revestimentos; 
• Corrosão da armadura; e 
• Bordas cedendo. 
Como a armadura (ferragem) da marquise se concentra na parte superior, o 
concreto em deformação no meio do vão se romperá com facilidade com a ação do 
escoramento, causando o colapso estrutural. 
 
 Relação entre as anomalias com a ocorrência de incêndios estruturais 
 
Em decorrência do comportamento dos incêndios, os materiais componentes 
das estruturas das edificações podem sofrer algumas alterações, em seu aspecto e 
forma devido à exposição ao calor, tais como: 
• Calcinação (aquecimento em altíssimo grau) e esfoliação (esfarelamento) do 
concreto; 
• Deformações acentuadas das estruturas; 
• Concreto desagregado; 
• Perda da aderência entre o aço e o concreto; e 
• Diminuição da capacidade de resistência. 
 
125 
 
 
Tabela 3: Característica das anomalias 
 
 Fonte: cibernet.com 
Ao analisarmos a tabela podemos afirmar que quanto maior o tempo de 
exposição do concreto às altas temperaturas, maiores serão os danos às suas 
estruturas física e química. Em um sinistro de combate a incêndio estrutural os 
bombeiros devem adotar medidas visando o não colapso da estrutura, como: 
• Evitar jogar água com jatos compactos e diretamente nas peças estruturais 
(lajes, vigas, pilares); 
• Observar a existência de pontos com bolhas, fissuras, rachaduras ou com 
colorações distintas nas paredes e tetos de cimento ou de concreto; 
• Comunicação com a guarnição de combate na percepção de qualquer fato 
atípico como rachaduras; 
• Informar todas as guarnições no local sobre as áreas que oferecem risco 
imediato aos bombeiros empregado no local; 
• As guarnições devem providenciar a interdição do local, a fim de resguardar o 
local e a integridade física das pessoas. 
• Acionar a defesa civil do município ou do Estado através do centro de 
operações bombeiro militar – COBOM. 
Cuidados a serem adotados no cenário do incêndio 
 
126 
 
 
Todos os bombeiros, independente de posto, graduação ou função, devem ter 
um comportamento proativo no cenário do incêndio. No que diz respeito ao colapso 
estrutural, os bombeiros devem observar se há: 
• Fissuras, rachaduras ou trincas nas paredes; 
• Estalos nas estruturas; 
• Deformações nas estruturas metálicas; 
• Desabamentos anteriores e possibilidade de novos desabamentos; 
• buracos no piso. 
Qualquer sinal destes deve ser imediatamente reportado ao comandante de 
socorro, e este imediatamente informar a todos os bombeiros presentes no local. 
Deve-se providenciar a retirada das vítimas e dos bombeiros o mais rápido possível, 
pois pedaços soltos, escombros, superfícies e estruturas metálicas, partes do forro do 
teto podem causar cortes e outras lesões. Para preveni-los, deve-se derrubá-los com 
um croque ou com jato compacto. 
 
Seção 16 - Pânico 
 
O pânico é uma sensação psicológica de temor, a qual se manifesta de forma 
dinâmica ou estática. É causada por uma informação ou fato que extrapola a faixa de 
normalidade de um indivíduo, tornando-se adverso em razão do seu não 
processamento, podendo ser intensificado por fatores emocionais. 
É importante considerar que as pessoas envolvidas em um incêndio podem ser 
tomadas pelo pânico, incluindo bombeiros, podendo levá-los a uma condição 
irracional, aflorando instintos primitivos básicos de fuga, medo e luta pelo espaço. 
Cada pessoa apresenta reações próprias, podendo ir desde o choro convulsivo e 
histérico até permanecerem estáticas, aparentemente sem reação. Esses ataques são 
períodos em que o indivíduo sofre de forma repentina, um medo intenso ou medo que 
podem durar de minutos a horas. 
Ataques de pânico geralmente aparecem de repente, no entanto, eles podem 
continuar por mais tempo se o paciente teve o ataque desencadeado por uma situação 
que não é ou não se sente mais capaz de escapar, como nos casos de incêndio 
urbano. 
127 
 
 
A tentativa desordenada de evasão gera confusão, correria, pisoteamentos, 
esmagamentos e saltos para morte, que são gestos desesperados e traduzem não 
uma tentativa de escapar, mas o último esforço para reduzir o martírio e os sofrimentos 
da morte pelo fogo. 
Existem vários exemplos de incêndios nos quais as pessoas, na busca frenética 
e desordenada por uma saída do local sinistrado, acabaram, infelizmente, em locais 
de difícil acesso para o salvamento, como banheiros, atrás de armários, debaixo de 
mesas ou em locais inundados pela fumaça, tornando-se vítimas fatais. 
Nesses instantes, o instinto pela sobrevivência fala mais alto e impulsiona a “lei 
do mais forte”, aqueles com maiscapacidade e condição física, buscam fugir do local 
o mais rápido possível e na maioria das vezes podem não se importar em deixar 
alguém para trás, tentando de todas as formas preservar a própria vida. 
 
Ações preventivas 
 
As ações preventivas devem se desenvolver sob dois aspectos, o primeiro está 
relacionado a capacitação dos bombeiros, no exercício de suas atividades específicas 
e em segundo na elaboração de planos de evacuação para os principais 
estabelecimentos. 
A realização de simulados tem se mostrado bastante eficiente no treinamento 
dos bombeiros militares e do público pertencente aquela edificação, como nos casos 
de shopping, boates, hospitais, creche e em locais onde se julga que o salvamento de 
vítimas seja mais complexo. 
Os treinamentos das guarnições de combate a incêndio devem ser intensos e 
continuados a fim de reduzir as ocorrências de pânico nos sinistros e assim dar um 
suporte especializado às vítimas do sinistro. 
 
Fatores estimulantes do pânico 
 
• Falta de conhecimento sobre o fato gerador do estímulo – a pessoa em pânico 
não sabe o que está realmente acontecendo; 
• Grande densidade populacional no ambiente – congestionamento nas saídas 
de emergências; 
128 
 
 
• Riscos envolvidos nas atividades desenvolvidas no local – a evacuação de um 
hospital ou asilo será mais complicada para os bombeiros do que em edifícios 
residenciais; 
• Surgimento de atividades agressivas ou competitivas (entre guarnições ou 
entre órgãos externos ao corpo de bombeiros); 
• Altura em que a pessoa se encontra – o que implica dizer que quanto mais 
elevada estiver, mais propensa ao pânico ela se encontrará; 
 
Controle do pânico 
 
O profissional bombeiro que estiver a frente de uma ocorrência de combate a 
incêndio deve ter em mente que não existe um perfil único de pânico para todas as 
vítimas, podendo ser adultos, idosos, crianças, etc. Portanto em cada sinistro as 
guarnições deverão fazer uma análise do perfil do público encontrado, pois somente 
após esta avaliação se poderá tomar uma decisão segura. 
Nos incêndios pode-se encontrar vítimas que estejam em pânico, por isso os 
bombeiros deverão zelar para que a situação não perca o controle. Uma vítima em 
pânico pode prejudicar substancialmente os sinistros e ainda estimular as outras 
vítimas a entrarem em pânico. Portanto, para convencer as vítimas envolvidas em um 
sinistro, o bombeiro deverá ser persuasivo, ao conversar com elas. 
 
Procedimentos básicos 
 
Alguns procedimentos básicos podem ser realizados a fim de diminuir a 
incidência de situações de pânico. Abaixo sugerimos algumas ações que poderão ser 
realizadas para a solução do sinistro. 
• Os bombeiros devem buscar a retirada das vítimas por meio da ação de uma 
equipe treinada e altamente disciplinada; 
• O isolamento correto é de extrema importância, pois a presença de curiosos 
pode atrapalhar significativamente a ocorrência. 
• Manter curiosos afastados para evitar confusão e para que o bombeiro possa 
atuar melhor; 
129 
 
 
• Colocar as vítimas sob o comando de socorrista. Esse bombeiro demonstrará 
a elas que controla a situação, preferencialmente mediante uma postura 
tranquila, mas com a firmeza necessária, transmitindo, sempre que for possível, 
mensagens curtas, porém expressivas, realizando, de acordo com a 
necessidade, determinadas ações de efeito psicológico; 
• Se estiver próximo às vítimas e desejar conduzi-las para um local de escape, 
retire todo o grupo de uma forma organizada e não permita conversas durante 
a condução, a fim de evitar o risco de perda do controle sobre os elementos do 
grupo; 
• Se, durante a condução das vítimas, estiver escuro, determine que dêem as 
mãos e não elevem os pés para dar a passada, buscando, dessa forma, evitar 
a separação do grupo ou a ocorrência de acidentes durante o seu 
deslocamento (queda de uma ou mais pessoas em poços, degraus, buracos 
que possam existir, mas que, se tornam imperceptíveis com a escuridão). 
 
Salvamento de pessoas 
 
O salvamento de pessoas é uma das situações mais preocupantes e perigosas 
nas ocorrências de combate a incêndio, já que vidas podem ser ceifadas se não 
realizar o protocolo de segurança corretamente. 
É um trabalho difícil, pois o bombeiro terá de ir até um ponto do qual a vítima 
por si só não teve condições de sair. Portanto, também ele passa a correr risco de 
morte, pois as pessoas constituem a mais urgente prioridade para as guarnições de 
bombeiros que atuam nos incêndios. 
Durante os salvamentos em sinistros de incêndio podem ocorrer dois 
fenômenos que dificultam a vida dos bombeiros empenhados na ocorrência. 
a) Aglomeração – na tentativa de fuga, as pessoas vão se ajuntando até formarem 
um grupo numeroso, que acaba retido em algum local do ambiente sinistrado. 
Nesse caso, o trabalho do bombeiro é dificultado, pois todos querem salvar-se 
e cada um quer ser o primeiro; 
b) Pânico – estado de extrema ansiedade que, por vezes, torna as pessoas 
desordenadas e irracionais. Pois, é através das ações de cada pessoa em 
pânico que surge um sistema totalmente complexo e descontrolado, podendo 
levar a muitos mortos e feridos em razão disso. 
130 
 
 
A segurança humana é uma das principais finalidades na evacuação nos 
incêndios, que deve estar baseada nos princípios da objetividade, precisão, disciplina 
e segurança. Dentro desse aspecto, existem requisitos a serem seguidos no escape 
das vítimas. 
Os bombeiros devem definir uma rota de saída para que não atrapalhe as 
operações e também para não haver aglomerações. Por fim, definir um local seguro 
para que todas as vítimas possam ficar e auxiliarem nas informações da falta de 
alguma pessoa. 
As vítimas devem ser conduzidas para as escadas de incêndio, deixando um 
bombeiro ou mais encarregados de dar as seguintes orientações necessárias: 
• As vítimas não devem ir para os andares superiores; 
• Devem manter uma distância segura entre uma vítima e outra; 
• As vítimas descem apenas de um lado da escada, destinando o outro para o 
trânsito das equipes de bombeiros; 
• Evitam-se correrias e aglomerações desnecessárias; 
• Concentram-se as vítimas em um mesmo local a fim de se efetuar uma 
chamada rápida e para que se verifique se há falta de alguma pessoa. 
Dependendo da necessidade, poderão ser usadas outras técnicas de 
salvamento, como cabos aéreos, escadas ou plataformas mecânicas, entre outros. 
Porém, só devem ser utilizadas quando necessário e as escadas, por algum motivo, 
não atenderem ao propósito de evacuação das pessoas desta forma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
131 
 
 
CAPÍTULO 4 – EQUIPAMENTOS DE COMBATE A INCÊNDIO 
 
 
 
Autores: AL OF Gelnivan de Amorim Maciel, AL OF Jean Fabricio de Souza Morais, AL OF 
José Henrique de Lima Matos, AL OF Waldomiro Rodrigues Comapa 
 
 
 Neste trabalho será discorrida a importância dos equipamentos de segurança 
contra incêndio, apresentará técnicas e equipamentos de combate a incêndios, já 
que esses equipamentos são itens extremamente importantes para ajudar na 
prevenção e combate a incêndios. Assim, serão descritos quais são os principais 
equipamentos de segurança contra incêndio e como se procede o manuseio 
individual por bombeiros envolvidos nas ações de salvamento e combate a incêndio. 
Seguindo o objetivo de uma atuação eficaz para bombeiros, a temática terá 
como base legal a NR-6 (BRASIL, 1978) para estabelecer as normas e medidas 
básicas em relação ao fornecimento do Equipamento de Proteção Individual (EPI). 
Essa norma garante o uso desse equipamento como mecanismo de proteção de 
longa duração, aos profissionais bombeiros militares em atividades que colocam em 
risco a segurança da guarnição durante as operações, protegendo-os do fluxo de 
calor proveniente das chamas e demais riscos físicos. 
Além desses equipamentos, existem as classes específicas de produtos e 
materiaisde proteção, a exemplo disso tem-se o Equipamento de Proteção 
Respiratória – EPR. Sua função é proteger o trato respiratório do usuário, evitando 
que este inale agentes nocivos à saúde. Para (TORLONI, 2002) incluem-se, ainda, 
aqueles equipamentos que não dependem do ar atmosférico local para oferecer ar 
respirável para o usuário, chamados de Equipamentos de Proteção Respiratória 
Autônomo - EPRA. 
Perante o exposto, este trabalho objetiva, de uma forma clara e concisa, 
oferecer informações sobre a importância da utilização dos equipamentos de 
proteção de combate a incêndio, tange em conceituar e caracterizar os equipamentos 
de proteção individual e de proteção respiratória autônomo, demonstrando sua 
relevância. 
Os procedimentos metodológicos para realização deste trabalho se 
procederam pela pesquisa bibliográfica, utilizando o método de levantamento de 
dados, através de um compilamento de livros, artigos científicos, revistas 
https://www.prometalepis.com.br/
132 
 
 
especializadas e dos manuais de Brasília, Goiás e São Paulo, além de leis e normas 
regulamentadoras. Também se fizeram necessários registros fotográficos dos EPIs 
usados pelos combatentes do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Amazonas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
133 
 
 
Seção 1 - O surgimento dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) 
 A origem do uso de equipamentos de proteção individual foi na idade das 
cavernas. Os primeiros homens buscavam proteger seu corpo das variações 
climáticas de frio e calor. Para essa proteção utilizavam pele de animais. Eles 
também tinham necessidades de equipamentos de caça contra os animais ferozes 
e, por isso, buscavam ferramentas como lanças e pedras. Esses materiais sofreram 
mudanças na Idade Média, pois as necessidades humanas eram outras nesse 
período. Os cavalheiros aperfeiçoaram esses equipamentos para batalhas de 
armaduras, que envolviam seu corpo da cabeça aos pés, elevando o nível de 
proteção. Eles também usufruíram de objetos como espada e escudo para se 
protegerem. 
 Na Revolução Industrial aconteceu a maior progressão da história dos EPI’s. 
Com o surgimento das metalúrgicas, mineradoras e fundições e o início da produção 
com máquinas, facilitou-se a fabricação desses equipamentos. Também houve a 
necessidade de prevenção contra acidentes. Logo após a Revolução Industrial, surge 
a Primeira Guerra Mundial, fato que marcou a evolução e confirmação da importância 
do EPI’s, já que enfrentar uma guerra sem proteção era impossível. Havia a 
necessidade de lutar e se defender contra o adversário, trazendo, assim, a realidade 
e a divulgação desses equipamentos. 
 Daí em diante, com as novas tecnologias sendo descobertas, a fabricação dos 
EPI’s foram se aprimorando. Atualmente, a inovação tecnológica ajuda nas 
mudanças desses equipamentos, conforme a necessidade e de acordo com as leis. 
 
Seção 2 - Equipamentos de Proteção Individual para Combate a Incêndio 
Esse trabalho enfatiza que os EPIs utilizados pelos bombeiros militares devem 
ser adequados e de qualidade, garantindo que esses profissionais não corram riscos 
nos ambientes a que forem expostos. Isso porque, diuturnamente, a guarnição coloca 
em risco a sua segurança durante as operações de salvamento e combate a incêndio. 
Portanto, o presente manual básico de combate a incêndio visa apresentar as técnicas 
e táticas para as ações com Equipamento de Proteção Individual e Respiratória 
(EPI/EPR). 
134 
 
 
Para que a compreensão e eficiência no uso dos equipamentos de proteção, é 
preciso entender os conceitos básicos relacionados ao processo de propagação do 
calor e, principalmente, as influências desses elementos nas operações de incêndio. 
O bolsão de ar é muito importante, pois se for retirado da roupa de aproximação, ela 
perderá boa parte da capacidade de isolamento, havendo maior absorção do calor 
radiante proveniente do incêndio. Para a criação de um bolsão, como medida simples, 
basta puxar a calça para cima, na tomada da posição ou ao começar a progressão no 
incêndio. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1 - Equipamento de Proteção Individual 
Fonte: CBMAM, 2022. 
A Norma Reguladora nº 6 (RN6) do Ministério do trabalho, considera 
Equipamento de Proteção Individual – EPI, todo dispositivo de uso individual, de 
fabricação nacional ou estrangeira, destinado a proteger a saúde e integridade física 
do trabalhador. Constantemente, bombeiros militares são expostos à riscos como: 
incêndios em áreas de confinamento, altura ou meio de rios. Nestes casos, o uso de 
EPI é essencial para a segurança. 
Todo equipamento de proteção individual é projetado para garantir a segurança 
dos bombeiros durante as ações contra: 
• O calor convectivo e chamas 
• Choques mecânicos (no caso do capacete) 
• Cortes perfurações 
135 
 
 
• Gases, vapores ou ambientes com atmosfera pobre em oxigênio 
Para salvar vidas é necessário que o bombeiro militar esteja protegido. Assim, 
esse profissional garante suas funções com melhor desempenho em prol da 
população. Para aumentar a sua segurança, é necessário que os EPIs sejam 
classificados adequadamente. Sua certificação é feita pela NFPA (National Fire 
Protection Association – EUA), em âmbito internacional, e o CAEPI (Certificado de 
Aprovação de Equipamento de Proteção Individual), expedido pelo órgão nacional 
competente em matéria de segurança e saúde no trabalho do Ministério do Trabalho. 
Os Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR) visam a proteção do usuário 
contra a inalação de agentes contaminantes nocivos do ar. O uso desse equipamento 
mantém o ar respirável, garantindo a viabilidade da respiração do bombeiro. Os EPIs 
protegem as partes do corpo do bombeiro, evitando que fiquem expostas as condições 
de incêndio. 
Apesar dos equipamentos serem desenvolvidos com toda tecnologia 
necessária para proteger o usuário, eles não oferecem proteção integral e irrestrita ao 
combatente. Este deve ter um conhecimento assíduo dos limites dos equipamentos, 
para evitar exposição desnecessária em ações que comprometam a capacidade do 
EPI. 
Dentre os principais riscos que os Bombeiros militares estão expostos, 
podemos citar: 
• Altas temperaturas; 
• Ruídos; 
• Agentes biológicos; 
• Riscos químicos; 
• Riscos respiratórios; 
• Ergonomia; 
• Riscos de acidentes, etc. 
 
Com isso, algumas consequências podem acontecer, como: 
136 
 
 
• Queimaduras leves e graves; 
• Hipoacusia; 
• Contágio com doenças provenientes de vírus e bactérias; 
• Doenças pulmonares crônicas (asma, bronquite e rinite); 
• Danos psicológicos; 
• Fraturas; 
• Entre outros. 
Os equipamentos de proteção individual devem fazer parte da vida dos 
bombeiros, sem nenhuma exceção. Eles exigem uma série de métodos a serem 
seguidos em cada ação. O combatente deve saber que, ao estar completamente 
equipado, alguns dos seus sentidos ficam comprometidos. Os sentidos do tato, visão 
e audição serão reduzidos pelo EPI, o que exige atenção e cuidado do bombeiro em 
suas ações. 
O uso desses equipamentos em conjunto restringe parte da movimentação, que 
fica lenta ou até mesmo limitada, levando a consumição física, demandando maior 
atenção e esforço físico. 
ATENÇÃO 
 
Ainda que seja possível realizar o combate sem o uso do EPI, 
ressalta-se que alguns tipos de lesões, como a respiratória 
por inalação da fumaça, podem manifestar-se horas ou dias 
depois do evento e causar danos irreversíveis ao bombeiro. 
 
Dentro das corporações, o uso dos equipamentos é essencial para a segurança 
do bombeiro militar, considerando que estão expostos a situações variadas. 
Consequentemente, os equipamentos devem apresentar qualidade elevada, 
resistência e bom funcionamento, de acordo com cada ocorrência. Além disso, o 
bombeiro deve possuir treinamento para manuseá-los, de forma que não danifique o 
equipamento e se mantenha seguro durante a operação.Os treinamentos diários são de suma importância para a 
adaptabilidade do bombeiro ao ESPI. 
137 
 
 
Todo equipamento listado neste trabalho é de uso específico para as ações de 
combate a incêndio. 
 
Seção 3 - Descrição dos equipamentos de proteção individual 
Nas ocorrências que envolvem alta temperatura ou fogo, recomenda-se a total 
proteção da superfície, considerando que a colocação do equipamento deve ser de 
manuseio leve, para não prejudicar a agilidade e rapidez do bombeiro. 
Os itens básicos de EPI, para combate a incêndio são: 
• Roupa de aproximação (capa/calça); 
A capa: protege os membros superiores. 
A Calça: Protege o quadril e os membros inferiores. 
• Botas de combate a incêndio: Protege os pés, também contra objetos cortantes 
ou substâncias químicas; 
• Equipamentos de proteção respiratória: São equipamentos de proteção 
individual (EPI), que visam a proteção do usuário contra a inalação de agentes 
contaminantes nocivos do ar; 
• Capuz ou Balaclava: Fornece a proteção do pescoço e cabeça por baixo do 
capacete, impedindo que o calor entre; 
• Capacete de combate a incêndio: protege a cabeça, face e olhos contra a 
exposição ao calor, de forma que seja eficaz contra os impactos, não 
prejudique a audição e nem a visão do combatente; 
• Luvas de combate a incêndio: projetada para oferecer proteção às mãos do 
militar ao calor e, também, contra possíveis objetos cortantes ou substâncias 
químicas que existam no local de ocorrência. Contudo, sem reduzir a 
mobilidade do bombeiro, devendo ser confortável, leve e de fácil colocação; 
• Alerta de homem morto – PASS (Personal Alert Safety System) – sistema de 
segurança de alerta pessoal que emite um sinal sonoro em caso de ausência 
de movimento do bombeiro. Deve ser acionado antes de entrar no local 
138 
 
 
sinistrado. Constituem outros equipamentos de uso individual: Cabo da vida e 
mosquetão, Lanterna e Rádio comunicador. 
Para que não percam tempo, os combatentes devem carregar o material de 
arrombamento (pé de cabre, alavanca, machado e corta fio) para o local de incêndio. 
Muitas vezes, o arrombamento será necessário, tanto para a busca quanto em caso 
de fuga, devido ao alastramento do fogo. De acordo com Camisassa (2015), os 
equipamentos devem garantir a segurança do bombeiro militar e certificar que ele faça 
o seu trabalho com agilidade e rapidez, sem interferir, negativamente, no salvamento. 
Essa proteção tem como objetivo resguardar esses profissionais, diminuindo os riscos 
de danos físicos, tornando o trabalho mais seguro e eficaz, preservando a vida dos 
que atuam nessa área. 
Capacete de combate a incêndio 
A finalidade do capacete de combate a incêndio é dar segurança ao bombeiro, 
garantindo a proteção da sua cabeça contra impactos e choques mecânicos, evitando 
ou minimizando os danos e traumas, por exemplo, de ser atingido por algum objeto 
em queda (telhas, caibros, forros, etc.). Ademais, protege a cabeça do combatente 
em exposição a incêndios estruturais com temperatura de aproximação de até 250ºC. 
O capacete para bombeiro termoplástico possui uma faixa refletiva, protetor de nuca 
e jugular, feito em tecido antichama. As Normas Regulamentadoras são: 
EN14458:2004 e EN 443:2008. 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 – Capacete de combate a incêndio. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
139 
 
 
Para não comprometer a segurança, ao assumir o serviço, o combatente deve 
ajustar o equipamento na sua cabeça, a fim de que não fique muito apertado e nem 
frouxo. Atualmente, os capacetes possuem regulagem para ajuste na parte posterior. 
Os capacetes devem ser identificados conforme o padrão existente na corporação do 
CBMAM. Os capacetes de cor branca são destinados aos oficiais. Já para os praças: 
vermelho para sargento e preto para cabos e soldados. Esse equipamento é 
confeccionado em tecido fiberglass especial, com acabamento externo liso brilhante, 
com resistência a impactos e chamas. É revestido internamente com almofada de 
óxido de polifenileno e com uretano expandido para resistir a impactos. 
Balaclava 
A balaclava antichama é um acessório com muitas possibilidades. Sua principal 
função é para a proteção de pescoço, crânio e face, deixando apenas os olhos 
descobertos. Seu formato abrange, inclusive, o couro cabeludo e as orelhas, as quais 
devem estar bem protegidas por serem muito sensíveis e constituídas de cartilagem, 
características que dificultam a regeneração em caso de lesão. Essa peça é 
confeccionada em tecido especial, resistente às chamas. 
Segundo a NR 6, Norma Regulamentadora que define o uso de EPIs, a 
Balaclava tem três principais funções. São elas: 
• Proteção do crânio, face e pescoço contra agentes abrasivos e 
escoriantes; 
• Defesa da face, crânio e pescoço contra respingos de produtos 
químicos; 
• Proteção do pescoço, face e crânio contra riscos de origem térmica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.guiatrabalhista.com.br/legislacao/nr/nr6_anexoI.htm
140 
 
 
Figura 3 – Balaclava 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
A Norma Regulamentadora desse material é a EN 13911. A balaclava é um 
equipamento de extrema necessidade em ambientes de alta periculosidade. Logo, 
este é um equipamento essencial para bombeiros. 
 
Roupa de aproximação 
Para combater os incêndios de forma segura, a roupa de aproximação é um 
item fundamental para os bombeiros. Composta de capa e calça, assegura a proteção 
dos combatentes em ambientes de altas temperaturas. Entretanto, salienta-se que 
a roupa de aproximação confere proteção limitada, devendo o profissional estar 
sempre atento a isso. A modelagem dessa indumentária é básica, composta de uma 
camada externa, barreira de umidade em material impermeável, barreira térmica dupla 
com material de meta aramida, além de feltro e fibra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 4 – Roupa de aproximação. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
141 
 
 
A roupa de aproximação deve oferecer razoável proteção química contra 
substâncias que possam existir no local da ocorrência, sem, contudo, reduzir a 
capacidade de mobilidade do bombeiro. Por isso, devem ser confortáveis, leves e de 
fácil colocação. Além disso, as roupas possuem partes (faixas) refletivas de alta 
reflexibilidade, de forma a permitir uma melhor visualização do bombeiro em 
ambientes escuros ou que apresentem dificuldades de visibilidade. 
 Com suas três camadas de proteção contra chamas, a roupa de aproximação 
é capaz de fornecer proteção em incêndios onde a temperatura pode chegar a 800 
graus célsius. Portanto, consiste em um elemento fundamental para o combatente. 
Mesmo sabendo da qualidade de proteção de seu equipamento, há um costume, 
quase mundial, em que os combatentes se molham para entrar no incêndio. 
Para esses combatentes, a água aplicada no EPI proporciona uma sensação 
de frescor, fomentando uma certa segurança para o bombeiro. Porém, a exposição 
do EPI, molhado, nesse ambiente de alta temperatura se elevará muito mais rápido 
do que se estivesse seco. Isso pode ocasionar sérias queimaduras por contato, tendo 
em vista que a absorção de calor pela água é 25 vezes maior que a absorção de calor 
pelo ar. 
 
 
 
A principal funções da roupa de aproximação é proporcionar mais conforto e 
ajudar no descolamento do bombeiro na hora da ação. 
Luvas 
As luvas dos combatentes de incêndio devem possuir resistência a abrasão, 
estanqueidade de fora para dentro, proporcionando maior proteção para suas mãos, 
permitindo a respiração de dentro para fora. As luvas de combate a incêndio devem 
impossibilitar a passagem de vapores, para dar maior conforto ao usuário, 
preservando a integridade física do bombeiro, sem provocar excesso de transpiração, 
MESMO PROTEGIDO COM ROUPA DE APROXIMAÇÃO 
O BOMBEIRO NÃO DEVE SE MOLHAR ANTES DE 
ENTRAR EM AMBIENTE SINISTRADO. 
142 
 
 
conciliado à barreira térmica, que proporciona uma camada extra resistente às 
temperaturas. Durante o seuacondicionamento, deve-se evitar contato ou exposição 
a óleos e graxas. As Normas Regulamentadoras desse material são: EN 659:2003 e 
A1 2008, EN 388 e EN 407, NFPA 1971. 
Luvas para Combate a incêndio são confeccionadas em malha de fibras e 
aramida, barreira de umidade microporosa impermeável e respirável em poliuretano. 
A forração da luva de bombeiro é interna e dupla, em malha de aramida e modacrílico 
e feltro de fibras de aramida. 
É recomendado aos combatentes a não usar e nem guardar as luvas molhadas 
ou úmidas, tão pouco ela deve ser usada em operações de salvamento, devido ao 
desgaste. 
 
z 
 
 
 
 
Figura 5 – Luva de combate a incêndio. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
As luvas mais eficientes são dotadas de uma membrana impermeável e 
respirável entre o revestimento externo e o forro interno. 
 
Botas 
As botas especiais que os combatentes usam, fazem parte do traje de 
segurança. Esse material é todo antichama, contando com proteção e vulcanização 
em autoclave e forro acrílico. 
143 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 – Bota de combate a incêndio. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
. 
 Esse EPI, é destinado a proteger as pernas, os pés e tornozelos do combatente. 
As botas evitam que o calor irradiado cause lesões nos pés, como: queimaduras, 
cortes, pancadas e perfurações durante a sua atuação em incêndios. 
Equipamento de proteção respiratória - EPR 
A fumaça de um incêndio é extremamente tóxica. Com o conjunto de 
equipamentos de proteção respiratória, é possível que o combatente respire protegido 
de partículas (gases, poeiras, etc.) nocivas ao organismo humano. Com a dificuldade 
de respirar ar puro, os respiradores são uma excelente solução, realmente 
indispensáveis em ações de combate a incêndio. 
Os equipamentos de proteção respiratória variam conforme seu tipo: por filtro; 
por linha de ar; Autônomo; de circuito aberto (o ar circula na máscara e escapa para 
o exterior); de circuito fechado (o ar circula na máscara e é reciclado sem escapar 
para o exterior). 
No presente trabalho será discriminado o equipamento autônomo de circuito 
aberto, por ser o mais usado pelos corpos de bombeiros do mundo. A referência a ser 
usada para o equipamento será a seguinte: Equipamento de Proteção Respiratória – 
EPR. 
 
 
 
 
144 
 
 
 
Figura 7 – Equipamento de Proteção Respiratória Completo. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 Em trabalhos de incêndios estruturais, o EPR deve utilizar somente máscaras 
autônomas de circuito aberto de demanda com pressão positiva, na qual será criada 
uma ligeira sobrepressão no interior da máscara, evitando a entrada do ar exterior. As 
Normas Regulamentadora são: NFPA 1981 e 1982, NBR 13716 – Equipamento de 
proteção respiratória – Máscara autônoma de ar comprimido com circuito aberto, 
Norma Europeia – NE 137. 
 São várias empresas que fabricam equipamentos de proteção 
respiratória no Brasil. Para serem utilizados em incêndios estruturais, cada uma 
possui diferentes características de projetos ou construção mecânica. Mas, no geral, 
existem quatro conjuntos principais de componentes do EPR. 
• Conjunto do suporte dorsal tipo mochila: utilizado como suporte do 
conjunto redutor de pressão com correia, permitindo o encaixe do 
cilindro e serve de base a outros conjuntos. 
• Conjunto da peça facial: inclui lente da peça facial e válvula de exalação. 
A máscara é anexada ao regulador de respiração, que mantém uma 
pressão positiva dentro da máscara em todos os momentos. 
• Conjunto do cilindro de ar: Cilindro, válvula e manômetro. 
• Conjunto do regulador de respiração: inclui mangueira de alta pressão e 
alarme de baixa pressão. 
 O quadro abaixo mostra como é composto o EPR: 
Quadro 1 - Composição do Equipamento de Proteção Respiratória – EPR 
 
PEÇA 
 
DESCRIÇÃO 
 
FIGURA 
145 
 
 
 
 
 
CILINDRO COM AR 
COMPRIMIDO 
 
 
Confeccionado em aço, 
composite ou outra liga leve. 
Encontrado com volume de 4 a 
12 litros. 
 
 
 
 
 
 
 
VÁLVULA REDUTORA DE 
PRESSÃO 
 
 
 
A redução de pressão é 
realizada em dois estágios, de 
alta pressão para média 
pressão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MÁSCARA PANORÂMICA 
É fabricada em silicone e possui 
visor em acrílico altamente 
resistente. A máscara possui 
membrana acústica; mascarilha 
interna, que evita que o visor 
embace; tirantes de fixação e 
alça de transporte. Possui uma 
trava denominada válvula de 
demanda, que serve para 
prender e liberar a válvula de 
demanda da máscara (seta 
amarela – Fig. 8). Também 
possui duplos lábios, adaptável 
a qualquer rosto; ângulo de 
visão de 180º na horizontal e 
100º na vertical, com válvula de 
exalação, alça de transporte, 
tirantes de regulagem (aranha) 
e mascarilha interna. Evita 
danos pela inalação de fumaça, 
oferece proteção contra 
queimaduras na face e nas vias 
aéreas superiores e protege os 
olhos, proporcionando melhor 
visibilidade durante o incêndio. 
 
146 
 
 
 
 
 
VÁLVULA DE DEMANDA 
Possui botão de bloqueio de 
fluxo de ar, que serve para 
interromper o fluxo de ar 
quando for necessário (seta 
vermelha - Fig. 8). Também 
possui botão de liberação do 
fluxo de ar, o qual serve para 
garantir o fluxo normal de ar 
(seta verde - Fig. 8 – pressão 
positiva). 
 
 
 
 
MANÔMETRO 
Possui efeito florescente que 
possibilita a leitura no escuro. É 
ligado à mangueira de alta 
pressão, juntamente com o 
alarme sonoro com potência de 
90 decibéis. Possui marcação 
de pressão em BAR, que na 
maioria dos equipamentos vai 
de 0 a 350 BAR de pressão, 
variando um pouco de acordo 
com o modelo. 
 
 
 
SUPORTE DORSAL 
 
Anatômico, possui tirantes 
reguláveis de ombro e cinto 
resistente ao fogo. Possui duas 
alças apropriadas para o 
transporte do equipamento. 
 
 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
147 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 – Demonstrativo das setas do Quadro-1 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio, 2009. 
 
 
 Seção 4 - Preparação para utilização do EPI 
 
Durante a passagem de serviço, na conferência de matérias e equipamentos, 
os componentes da guarnição de incêndio devem realizar inspeção e testes no EPR, 
para que tenha um perfeito funcionamento nas operações de incêndio. Nenhuma 
etapa deve ser negligenciada. O comandante da guarnição de incêndio é o 
responsável para que as etapas sejam cumpridas. O protocolo específico possui 
quatro (4) passos básicos de inspeção e testes, que garantem a eficácia e segurança 
do equipamento no local do sinistro. São eles: inspeção visual detalhada, vedação - 
teste de alta e média pressão, teste do alarme sonoro e vedação da Peça Facial e 
conexão do regulador de respiração. O quadro abaixo detalha como é feita a inspeção 
e teste. 
Quadro 2 - Passos Básicos de Inspeção de EPR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. Inspeção no conjunto do suporte dorsal tipo mochila: 
averiguar visualmente o equipamento, inspecionar os tirantes, 
observando rasgos ou cortes que possam comprometer a 
estabilidade no uso equipamento. Na trava das fivelas, deve-
se verificar a sua perfeita conexão e fixação. No anel de 
vedação, observar a sua correta colocação, verificando se os 
anéis de vedação (o-ring) das válvulas redutora de pressão e 
de demanda não estão danificados. 
2. Inspeção no conjunto da peça facial: nos tirantes devem 
ser observados rasgos, cortes e colocação correta 
(embaraçamento). No visor panorâmico não deve haver 
148 
 
 
 
Inspeção visual detalhada. 
Essa inspeção é dividida em 
quatro (4) etapas básicas. 
arranhões, fissuras ou trincamentos. Observar na conexão do 
regulador - travamento, obstrução, sujeira, etc. Não deve 
haver cortes ou rasgos na borracha seladora. 
3. Inspeção no conjunto do cilindro de ar: o cilindro não 
deve ter amassados e manchasescuras. Verificar se a 
pressão está acima de 80% (oitenta por cento) da pressão 
total do cilindro de ar. Visualizar se existe dano no leitor do 
manômetro do cilindro. 
4. Inspeção no conjunto do regulador de respiração: 
mangueira de alta pressão – cortes, rasgos, etc. Alarme de 
baixa pressão – obstrução por corpo estranho, sujeira, etc. 
Válvula de fluxo de ar – travamento e destravamento do botão 
de passagem do fluxo de ar, obstruções, sujeiras, etc. 
 
 
 
 
2. 
 
Vedação - Teste de alta e 
média pressão. Para que 
esse equipamento seja 
considerado vedado, é 
preciso verificar se a pressão 
não cair mais do que 10 bar, 
no período de 1 minuto. 
Para a vedação do equipamento, deve-se seguir esses 
procedimentos: verificar se o botão de bloqueio do fluxo de ar 
está acionado. Conectar a válvula de demanda ao 
acoplamento de média pressão. Travar o botão do bloqueio 
do fluxo de ar (sistema by-pass). Abrir a válvula do cilindro 
com cerca de 2 voltas da manopla, abra vagarosamente o 
registro do cilindro para pressurizar o sistema e feche-o 
novamente. Realizar a leitura do manômetro: pressão mínima 
de 270 bar em cilindros de 300 bar, fechar a válvula, observar 
leitura da pressão no manômetro luminescente para verificar 
vazamentos e, então, comparar as leituras de pressão entre 
manômetro luminescente e o manômetro do cilindro. 
 
 
3. 
 
 
Teste do Alarme Sonoro. 
Abra rapidamente a válvula do cilindro e feche em seguida. 
Segure a válvula de demanda e observe, com a mão, a saída 
de ar. Acione a função de By-Pass da válvula de demanda ou 
realize a vedação com a palma da mão. Libere o ar do 
sistema, gradativamente, até que o ar comece a passar. 
Deve-se observar o manômetro. O sinal de aviso deve soar 
em 55 ± 5 bar. O início deste apito é uma indicação para que 
o bombeiro abandone imediatamente o local de combate ao 
incêndio. 
149 
 
 
 
 
 
 
4. 
 
 
 
 
Vedação da Peça Facial e 
conexão do regulador de 
respiração. Para esse teste 
de conexão e vedação é 
necessário seguir alguns 
passos específicos. 
1. Encaixe a válvula de demanda na máscara e depois puxe, 
suavemente, para testar a sua trava. A seguir, pressione a 
trava e retire a válvula. 
2. Coloque a alça de transporte da máscara no pescoço e a 
máscara no rosto, ajustando a aranha de regulagem. 
3. Inspire, profundamente, segure a respiração e conecte a 
válvula de demanda na máscara. 
4. No momento da inspiração, se houver uma selagem 
satisfatória, a máscara virá de encontro ao rosto. 
5. Pressione a trava de liberação da válvula de demanda e 
retire-a. Caso não localize a trava rapidamente, para retirar a 
válvula de demanda, introduza o dedo indicador entre os 
lábios da máscara e a face e respire com tranquilidade. 
Depois localize, pressione a trava e retire a válvula. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, 2009. /CBMGO. Manual 
Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
 Para montagem e desmontagem do equipamento, o combatente deve seguir 
as seguintes orientações: 
 
• Posicione o suporte na horizontal, folgue a fita e, deslizando o cilindro, 
posicione a válvula do cilindro junto ao volante do redutor. 
• Coloque o equipamento na posição vertical, rosqueie o volante na válvula do 
cilindro. Não utilize ferramentas para apertar, use apenas a força das mãos, e 
coloque a tira antivibração no volante. 
• Novamente, coloque o equipamento na posição horizontal, apertando bem a 
fita para fixar o cilindro e acomode a parte que sobrar, introduzindo no passador 
ou pressionando-a contra o velcro. 
• Na desmontagem, faça o inverso, comece pela liberação da fita que prende o 
cilindro. 
• Nunca esqueça que o sistema deve estar despressurizado para a 
desmontagem do EPR. Para isso, confira se a válvula do cilindro está fechada 
e pressione o botão de liberação de fluxo de ar da VD (seta verde – Fig. 8). 
 Como já citado acima, o combatente deve realizar uma rigorosa inspeção visual 
no equipamento de EPI, para que possa ter um bom desempenho. O ideal é testar o 
conjunto de EPI e ajustar no seu tamanho. Se essas ações forem negligenciadas, o 
150 
 
 
nível de segurança do equipamento sofrerá uma redução, o que levará o bombeiro a 
exposição de riscos desnecessários. Dependendo da emergência das ações de 
socorro, o combatente não terá tempo ou condições de realizar os ajustes na cena do 
incêndio de forma eficaz. 
 Quando o combatente sai na viatura para atender um chamado de incêndio, o 
ideal é que ele entre na viatura equipado, no mínimo com a roupa de aproximação e 
as botas. No local da ocorrência, se for preciso a utilização de EPI completo, o 
bombeiro deve se equipar com agilidade. 
 
 
Figura 9 – Equipamentos de proteção de incêndio. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 Para se equipar com agilidade, reduzindo o tempo nas ocorrências de incêndio, 
a guarnição deve desenvolver um parâmetro de uniformização, para proporcionar uma 
equipagem padrão. 
 
Equipagem 
 
151 
 
 
Para uma equipagem rápida e eficiente foi organizada a seguinte sequência: 
• Ponha as botas à sua frente, uma ao lado da outra, coloque uma das mãos 
pela perna da calça de aproximação, como se fosse colocar a perna e segure 
as alças da bota com a mesma mão. Abaixe a perna da calça, até que o cano 
da bota fique exposto. Repita o mesmo procedimento na outra perna. Essa 
disposição pode permanecer pronta na viatura, com intuito de diminuir o tempo 
de equipagem e saída do quartel. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10 – Preparação da calça e da bota para equipagem. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Calce as botas (Fig.11a), vista a calça e puxe para cima. Coloque o suspensório 
(Fig.11b), ajustando conforme o tamanho do combatente (Fig.11c). Prenda os 
grampos e ajuste o velcro da calça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11 – Equipagem da calça. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
(a) (b) (c) 
152 
 
 
• Coloque a capa de aproximação na sua frente, posicione-a com a parte 
posterior voltada para o seu corpo, com a gola para cima e mangas voltadas 
para as pernas. Ponha ambas as mãos por dentro das mangas e gire-a para 
trás do corpo, introduzindo os braços na manga ou por cima da cabeça, 
realizando um movimento de 180º (Fig.12a). Posicione os braços a frente, 
horizontalmente, para que os braços se ajustem naturalmente. Introduza o 
dedo na alça da capa para proteção dos braços. Se for necessário, ajuste a 
balaclava para que a aba fique completamente por baixo da capa de 
aproximação. Prenda os grampos ou feche o zíper, conforme o modelo. Feche 
o zíper e velcro começando de baixo para cima (Fig.12b). Finalizando, puxe a 
gola para cima, ainda sem prender o velcro da gola (Figura 12c). 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 - Equipagem da capa de aproximação. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
A figura 13, abaixo, mostra de forma ampliada, a necessidade da utilização da 
alça da capa de aproximação no dedo polegar. A alça garante que a manga da capa 
não suba pelo antebraço, evitando que esta parte do corpo do combatente se exponha 
à ação do calor e das chamas em um incêndio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13 – Vista ampliada da alça da capa. 
(b) (a) (c) 
153 
 
 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Posicione o EPR com o suporte dorsal voltado para cima e com a base do 
cilindro voltada pra si (Fig.14a). Ajuste os tirantes dos ombros, puxando as 
extremidades para trás. Os tirantes do ombro e da cintura (cinto) devem estar 
folgados e abertos. Se posicione corretamente para vestir o suporte com 
cilindro. Vista o equipamento segurando o suporte com ambas as mãos, 
apoiando os joelhos no chão. (Fig.14b). 
 
• Para vestir o equipamento, passe-o sobre a cabeça. O redutor de pressão e o 
cilindro devem ficar voltados para frente (Fig.14b). Coloque os cotovelos nos 
tirantes do ombro, com cuidado, para que eles não fiquem torcidos.Segure as 
alças do suporte firmemente e lance o equipamento para suas costas (Fig.14c). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 14 - Equipagem do EPR. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Puxe as pontas dos tirantes dos ombros para trás ajustando 
(Fig.15a). Não se pode puxar o tirante para baixo e nem para os 
lados, para que eles não sejam danificados. Ajuste o cinto e as 
sobras de ombros (Fig.15b), lembrando de esconder as 
extremidades, evitando acidentes durante as ocorrências (Fig. 15c). 
 
(a) (b) (c) 
154 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 15 - Ajuste dos tirantes do EPR. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Coloque a máscara no rosto, ponha a alça da máscara no pescoço, 
ajustando para ficar bem encaixada, com o queixo apoiado dentro 
dela. Para os tirantes ficarem bem ajustados, siga a seguinte 
sequência: primeiro os tirantes inferiores (do pescoço), depois os 
medianos (das têmporas) e, terminando, o superior (da cabeça). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 16 - Colocação da máscara. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
A alça da máscara deve ficar totalmente posicionada por dentro da roupa de 
aproximação. Se o combatente não encaixar bem a máscara no rosto, a vedação será 
(a) (b) (c) 
155 
 
 
comprometida e sua segurança durante a ação estará prejudicada. A colocação da 
balaclava poderá ser realizada junto com a máscara. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 17 - Colocação da balaclava junto com a máscara. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
O procedimento de equipagem deverá ser realizado em duplas. Esse 
procedimento garante que não haja tirantes soltos e partes descobertas do corpo do 
combatente. Abaixo, serão demonstrados alguns cuidados, que devem ser adotados 
ao utilizar a máscara de proteção respiratória. Como já foi mencionado acima, os 
tirantes devem ser puxados para trás e nunca para os lados. O procedimento errado 
danifica o equipamento e compromete a vedação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18 – Forma correta de colocar a máscara sobre uma superfície. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
156 
 
 
 Quando o combatente for colocar a máscara em uma superfície, o visor deve 
ser posicionado para cima, para evitar arranhões na lente, que diminuem a vida útil 
do equipamento, além de dificultar a visibilidade do bombeiro. 
 
• Vista a balaclava de maneira que a abertura fique ajustada com a 
visão (Fig. 19a). Vá ajustando a aba da balaclava na região do 
ombro (Fig.19b). Passe a abertura frontal da balaclava (do rosto) 
sobre o encaixe da válvula de demanda da máscara (Fig.17). 
Puxando a balaclava para trás, vá cobrindo a cabeça, ajustando para 
que o tecido não fique sobre o visor. Dentro da roupa de 
aproximação (Fig.19c), vá escondendo a alça da máscara, feche a 
gola por cima destes e prenda o velcro conforme se demonstra 
(Fig.19d). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 19 – Equipagem da balaclava. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
O militar que trabalha em dupla com o combatente, deve observar todo o 
procedimento de equipagem, para garantir que a extremidade da balaclava e da alça 
(a) (b) 
(c) (d) 
157 
 
 
fiquem bem escondidas dentro da roupa de aproximação. O companheiro também vai 
assegurar a inspeção do fechamento do velcro, com o intuito de não deixar nenhuma 
abertura que possa entrar calor irradiado pelo incêndio ou material aquecido. Esse é 
um procedimento que deve ser feito minuciosamente, para evitar qualquer risco em 
missões-fins. 
• Ponha o capacete, ajustando-o na cabeça, para que a proteção da 
nuca fique externa a capa de aproximação (Fig.20a). O encaixe deve 
ser preso de maneira que a alça fique sobre o queixo do bombeiro 
(Fig.20b), bem baixo do regulador de respiração, entre o seu 
pescoço e a válvula de demanda do EPR, conectando o regulador 
de respiração a máscara. 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 20 - Colocação do capacete. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Trave a válvula de demanda do EPR com o cilindro ainda fechado. 
Com o dedo polegar, aperte o botão de bloqueio do fluxo de ar. 
Apertando com o dedo polegar, esse procedimento evita que o 
bombeiro utilize o ar antes da sua liberação. Vá abrindo o registro 
do cilindro, certificando a quantidade de ar que está sendo liberada. 
Seguindo a indicação do manômetro, é muito importante observar 
se a quantidade de ar do cilindro é suficiente para realizar os 
procedimentos de combate ao sinistro com segurança. 
Ao calçar as luvas, regule-as por baixo da manga da capa de aproximação. Ajuste o 
velcro para que nenhuma parte da pele fique exposta (Fig.23). 
 
 
(c) (b) (a) 
158 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 21 - Colocação das luvas. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• O bombeiro, sozinho, deve conectar a válvula de demanda na máscara muito 
importante que ele faça esse procedimento em si mesmo, mas o seu 
companheiro precisa fazer uma conferência, assegurando que a conexão da 
máscara tenha sido feita corretamente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 22 - Colocação da válvula de demanda em si próprio. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Esse dispositivo deve ser bem conectado. Caso haja a desconexão acidental 
durante o combate ao incêndio, o bombeiro ficará exposto, podendo inalar fumaça, 
gases quentes e tóxicos, o que poderá ocasionar pânico no combatente, na tentativa 
de conectá-la novamente. Essa possibilidade deve ser totalmente evitada na cena do 
sinistro, mas se esta situação acontecer, o combatente deve colocar seu rosto junto 
ao solo, calmamente, para recolocar a válvula de demanda. Se houver alguma pane 
que impossibilite a utilização do ar, o combatente deve, imediatamente, desconectar 
a válvula de demanda, cobrindo o local com a balaclava, enquanto sai rapidamente 
do ambiente sinistrado. 
Nos ambientes respiráveis não há necessidade de utilizar o ar da EPR. Sua 
acoplagem só deverá ser feita próximo de um ambiente sinistrado. Como já citado 
159 
 
 
acima, o bombeiro deve trabalhar em dupla, pois a função do combatente monitor do 
outro é de inspecionar: 
• Durante o procedimento de equipagem: se há tirantes ou pontas do EPR soltos; 
se a balaclava está vestida corretamente; se a gola da roupa de aproximação 
está posicionada corretamente e devidamente fechada com o velcro; e se a 
válvula de demanda do EPR está conectada corretamente. 
• Durante a atividade: se a reserva de ar do companheiro está em níveis 
aceitáveis para as ações de combate a incêndio e salvamento e, 
principalmente, averiguar se o companheiro apresenta sinal de mal-estar. 
 Durante um combate de incêndio, o combatente não deve esquecer de sempre 
monitorar a quantidade de ar, tanto do seu EPR, como a do seu companheiro. 
 
Desequipagem 
 A desequipagem deve ser feita quando o combatente tiver certeza que se 
retirou seguramente da área de risco. O conjunto de proteção não deve ser retirado 
até ter a certeza de que está em um ambiente seguro. É de suma importância ventilar 
o seu corpo tão rapidamente quanto possível, de modo a resfriar. Abra a frente da 
capa de aproximação, permitindo a entrada do ar fresco. Para retirar o equipamento 
de proteção individual, é necessário seguir a ordem inversa à equipagem, observando 
os seguintes cuidados: 
• Desconectar a válvula de demanda: primeiramente, encontre a válvula de 
demanda, com uma de suas mãos, e encontre o bloqueio de fluxo de ar com 
a outra (Fig.8) sincronicamente alinhado, puxe a válvula de demanda, 
desconectando-a da máscara. É necessário fazer esse procedimento, pois 
ele evita desperdício de ar e previne acidentes pela desconexão da válvula 
de demanda (se a máscara for desconectada com seu fluxo de ar aberto, o 
bombeiro pode ter uma lesão por choque mecânico, visto que a pressão do 
ar é suficiente para causar esse incidente). 
 
 
 
160 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 23 – Retirada da válvula de demanda. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Tire o capacetee, em seguida, retire a balaclava, puxando-a de trás para 
frente. Faça desse modo, nunca faça o inverso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 24 – Retirada do capacete. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
• Retirada do suporte com cilindro: desconecte o cinto (Fig.25). Na sequência, 
folgue os tirantes dos ombros. Libere um dos braços do tirante de ombro. 
Enquanto um braço (ainda com o tirante) suporta o equipamento, o outro 
puxa o equipamento, segurando-o pela alça de transporte. Coloque o 
conjunto de suporte de cilindro na posição voltada para o solo. Tire a alça 
da máscara panorâmica do pescoço, colocando-a no solo com a parte do 
visor voltada para cima. Como já supracitado, não retire a capa de 
aproximação imediatamente. Abra e aguarde um pouco o ar fresco circular 
durante um tempo, para que seja realizado o balanceamento entre a 
161 
 
 
temperatura do ambiente e a interna da roupa. Depois de retirar a capa, 
coloque-a aberta, expondo seu interior, para que ela possa receber uma 
ventilação, ainda no local do sinistro. Quando retirar a calça, tenha cuidado, 
para que os feches de plástico do suspensório não se danifiquem. Na 
sequência, descalce as botas, pondo-as, também, para ventilar. Os 
materiais de proteção só poderão ser acondicionados depois de serem 
revisados, mantidos secos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 25 – Desconectando o cinto 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 Esses cuidados são relevantes para que os equipamentos de proteção estejam 
sempre em excelentes condições de uso. É muito importante que a roupa de proteção 
não seja colocada ao sol para secagem. Se ela for exposta ao sol, as suas 
propriedades de proteção podem ser comprometidas e diminuídas. Abaixo, no Quadro 
3, serão descritas as possíveis consequências que acontecem quando o bombeiro 
desconsidera o uso dos EPIs. 
Quadro 3 - Consequência ao organismo ocasionada pela falta de EPI. 
A falta do 
equipamento 
 
Pode ocasionar 
162 
 
 
 
Capacete 
traumatismo de cabeça, face e pescoço – por ação de 
instrumento cortante ou contundente (por exemplo, pela 
queda de algum objeto sobre o bombeiro). 
Balaclava queimadura na cabeça, face, orelhas e pescoço. 
 
Luvas 
queimaduras nas mãos; 
ferimentos por cortes, arranhões ou perfurações. 
 
Botas 
queimaduras nos pés; 
ferimentos por perfurações nos pés e pernas. 
 
Roupa de 
aproximação 
queimaduras graves na pele; 
exaustão pelo calor; golpe de calor; 
ferimentos por ação de instrumentos cortantes ou 
perfurantes. 
Equipamento de 
Proteção 
Respiratória 
intoxicação por fumaça; asfixia; queimaduras de face e das 
vias aéreas e dificuldade de visão. 
 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. /CBMGO. 
Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Seção 5 - Equipamentos de Combate a Incêndio 
 
 As ferramentas de bombeiros que são utilizadas para operações de extinção 
de incêndio, compreendem basicamente: mangueiras de 1½ e 2½ polegadas; 
esguichos: regulável, canhão, proporcionador de espuma, agulheta e pistola; 
ferramentas: chaves de mangueira, chaves de mangote, chave tipo T; acessórios 
hidráulicos: divisor, coletor, reduções, adaptadores e tampões; e aparelhos extintores 
portáteis. 
 
 
 
 
 
 
 
163 
 
 
 
Figura 26 – Ações de combate a incêndio necessitam equipamentos específicos. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
São ferramentas necessárias para se viabilizar a utilização do agente extintor 
(água, espuma, pós para a extinção de incêndio, CO2) no combate. 
 
Mangueiras 
 As mangueiras que são utilizadas em combate a incêndio obedecem a NBR 
11.861. Nos meados de 1990, a primeira elaboração dessa norma foi editada sob a 
especificação EB 2161, mas essa codificação foi mudada para NBR 11.861. Sofreu 
uma revisão em outubro de 1998, em que uma das principais mudanças foi a 
obrigatoriedade, por parte dos fabricantes, em comercializar mangueiras de incêndio 
com união. Outra mudança que a lei trouxe trata-se da inclusão de um ensaio, que 
estabeleceu critérios mínimos de resistência à abrasão, proporcionando uma maior 
durabilidade ao produto. As mangueiras de combate a incêndio podem ser 
classificadas de formas diferentes, sendo elas: quanto às fibras, quanto à quantidade 
de lonas ou quanto ao tipo de aplicação. 
 A mangueira de combate a incêndio é uma peça fundamental para transportar 
água e espuma. Essa peça pode ligar o corpo de bombas de viatura (ou hidrante de 
parede) no local do sinistro ou ligar a viatura até o manancial, que é outra forma de 
captação de água usada em incêndios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 27 – Corpo de bombas da viatura e hidrante de parede. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
A mangueira pode ser de fibra natural ou fibra sintética na parte externa. Já na 
parte interna, a mangueira possui revestimento de borracha, evitando que a água 
164 
 
 
extravase durante o transporte. É importante destacar que as fibras sintéticas 
apresentam vantagens, como o menor peso, maior resistência à pressão, ausência 
de fungos, fácil manutenção, baixa absorção de água, entre outras. 
A mangueira é classificada conforme a necessidade de seu emprego. Isso 
possibilita a adequação para cada tipo de uso, aplicabilidade em incêndios, resistência 
à danos e pressão máxima de trabalho. O quadro abaixo explicará os tipos de 
aplicações e pressões de trabalho de mangueiras. 
 
Quadro 4 - Tipos, aplicações e pressões de trabalho de mangueiras 
Tipo Local de uso Pressão de trabalho 
máximo KPa (kgf/cm²) 
1. Edifícios de ocupação residencial 
 
980 (10) 
2. Edifícios comerciais e industriais ou Corpo de 
Bombeiros 
 
1370 (14) 
3. Área naval e industrial ou Corpo de 
Bombeiros, onde é desejável uma maior 
resistência à abrasão 
 
1470 (15) 
4. Área industrial, onde é desejável uma maior 
resistência à abrasão 
 
1370 (14) 
5. Área industrial, onde é desejável uma lata 
resistência à abrasão e a superfície quente 
1370 (14) 
 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 
2017. 
 
 A constituição da mangueira é classificada em: 
• De lona simples: quando envolvidas por uma única camada têxtil. 
• De lona dupla: quando envolvidas por duas camadas sobrepostas. 
• De lona revestida por material sintético: além de serem envolvidas por uma ou 
duas camadas têxteis, também são revestidas, externamente, por um material. 
165 
 
 
• Sintético de maior resistência a produtos ácidos, abrasivos e outros 
degradantes. 
As mangueiras são conectadas umas às outras pelas juntas de união, 
extremidade de cada lance de mangueira essas peças são fixadas (ou empatadas) 
sobre pressão. As juntas de união também se ligam a outros equipamentos de 
combate a incêndios, como divisores, coletores, bocas expulsórias e emissoras de 
bombas e tanques. Os bombeiros utilizam as juntas de união para acoplamentos e 
desacoplamentos rápidos, chamadas de “juntas de união de engate rápido tipo storz”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 28 – Juntas do tipo Storz. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
O corpo de bombeiro utiliza mangueira comumente com lance padrão (chama-
se Lance de Mangueira, uma fração de mangueira que vai de uma junta de união à 
outra junta), de quinze metros de comprimento, 38 mm (1 ½”) e 63 mm (2 ½”) de 
diâmetro. Existem, ainda, mangueiras com outras bitolas, como as de 25 mm (1”), 75 
mm (3”) e 100 mm (4”). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
166 
 
 
 
 
 
Figura 29 – Mangueira de 15 metros com junta storz nas extremidades. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 As mangueiras são submetidas a testes, antes de serem utilizadas para serviço 
de bombeiros. Os testes realizados são: 
 
• Juntas de união (conexão rápida e segura). 
• Estanqueidade (verificação da inexistênciade vazamentos). 
• Pressão – de acordo com a NBR nº 11.861, devem apresentar resistência às 
seguintes pressões mínimas: pressão trabalho – 13,7 bar (14 Kgf/cm2), 
pressão mínima de prova – 27,5 bar (28 Kgf/cm2) e pressão mínima de ruptura 
– 41,2 bar (42 Kgf/cm2). 
 A norma exige que o teste de pressão utilize uma gaiola, onde é montando o 
segmento da mangueira que vai ser pressurizada, com intuito de absorver o impacto 
do rompimento para evitar acidentes. Conforme a NBR 11.861, determinam-se os 
seguintes ensaios: 
1. Ensaio de diâmetro interno. 
2. Ensaio de aderência. 
3. Ensaio do tubo interno: tensão de ruptura; alongamento de ruptura; 
deformação permanente; variação máxima da tensão de ruptura e variação 
máxima do alongamento de ruptura, após envelhecimento acelerado. 
4. Ensaio de envelhecimento do reforço têxtil. 
5. Ensaio de resistência à superfície quente. 
6. Ensaio de envelhecimento acelerado da mangueira tipo 5. 
 As mangueiras de combate a incêndios são identificadas nas duas 
extremidades com: o nome ou a marca do fabricante, o número da norma (NBR 
11.861), tipo de mangueira, mês e ano de fabricação. Essa identificação é 
extremamente importante, pois se a identificação não estiver de acordo com a NBR 
11.861, significa que o produto foi adulterado e não é seguro em operações 
sinistradas. 
167 
 
 
Mangotes 
 Os mangotes são projetados para realizar o abastecimento de viaturas, no 
momento que o corpo de bombas aspira água do manancial ou hidrante. Mangotes 
são tubos de borracha reforçados e resistentes a abrasão, totalmente integrados e 
recobertos por uma camada composta por borracha ou poliuretano (plástico com alta 
resistência à abrasão), a fim de serem usados com pressão negativa. Possuem calibre 
de 100 mm (4”), 115 mm (4½”), e 150 mm (6”). Possuem, ainda, juntas de união de 
engate rápido ou juntas de união de rosca. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 30 – Mangote 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
Mangotinho 
 São dutos feitos de borracha flexível e muito reforçadas. O mangotinho fica 
acondicionado em carretéis em viaturas e são dotados de esguicho próprio. No geral, 
trabalham com pressão elevada e com uma vazão de água menor que as mangueiras 
de 63 mm (2 ½”) e de 38 mm (1 ½”), por possuir calibre 19mm (3/4”) ou 25mm (1”). A 
principal função do mangotinho é de atuar em princípios de incêndios. 
 Sua vantagem: menor gasto de água. Por ser um sistema já montado, reduz o 
tempo resposta da equipe de combatente. 
Sua desvantagem: é um sistema limitado pela distância, uma vez que, 
normalmente, possui entre 30 a 50 metros de comprimento, devendo a viatura não 
ficar longe do incêndio. Seu sistema não permite expansão, ficando limitado ao seu 
168 
 
 
comprimento. Por possuir menor vazão, não é aconselhável seu uso para incêndios 
de maiores proporções, pois isso limitaria e dificultaria o combate. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 31 – Mangotinho 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 32 – Mangotinho - Acondicionado em 
viatura e estrutura da mangueira do mangotinho. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Esguichos 
São chamados de esguichos os equipamentos conectados na ponta da 
mangueira de combate a incêndio. Nas ações de combate a incêndio, eles são 
responsáveis por regular e direcionar o fluxo de água, sua forma e sua velocidade. O 
esguicho transforma a água em um jato, permitindo que o combatente controle esse 
jato até o fogo, possibilitando que o fogo seja extinto de maneira eficiente (o 
combatente consegue usar menor quantidade de água no combate a incêndio, 
minimizando os danos causados pela ação da água). Existem mais de 15 tipos de 
esguicho, feitos de diversos materiais, sejam metais ou fibras, mais comumente 
achados com admissão de 38 e 63 mm de diâmetro e conexão storz. 
169 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 33 – Esguicho. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
Os esguichos suportam, pelo menos, as mesmas pressões e dinâmicas que 
suportam as mangueiras. Por isso, esse agente extintor é indispensável na ação de 
combate a incêndio e deve possuir uma certa resistência a choques mecânicos. Eles 
devem ser manipulados com cuidado, evitando que se danifiquem e se tornem 
inoperantes. O quadro abaixo mostra os esguichos, mais utilizados pelos Corpos de 
Bombeiros Militares do Brasil, e suas peculiaridades. 
Quadro 5 - Os tipos comuns de esguicho 
TIPOS PECULIARIDADES 
 
 
 
Regulável 
Corpo metálico e forma cilíndrica. Tem as funções de 
fechamento, abertura do jato e controle da angulação, mas não 
possui controle de vazão e o fechamento é gradual. Esse 
esguicho proporciona desde o jato compacto até o jato 
neblinado a 100°. Produz jatos compactos, com ângulo entre 
15º e 45º, neblinados, mais abertos, com ângulo entre 45º e 80º 
e atomizados (em partículas). É importantíssimo não confundir 
o jato compacto do esguicho agulheta com o jato compacto do 
esguicho regulável, pois o primeiro produz um jato oco, 
enquanto o segundo é cheio. Pode ser encontrado de 2½ 
polegadas (63 mm) ou de 1½ polegadas (38 mm), sendo o mais 
utilizado, nas ações de combate a incêndio, o de menor 
diâmetro. Ainda possui a função “flush”, que tem como 
significado enxaguar. Essa função, depois do uso da espuma, 
é destinada à limpeza do esguicho, para evitar danos ao 
equipamento por resíduos deixados pelo extrato. 
170 
 
 
 
 
Canhão 
Esse tipo de esguicho possui diversas funções. É eficiente em 
locais onde se deseja realizar ataques com alta vazão e alta 
pressão, impossíveis de serem seguradas pelo homem. Esse 
esguicho opera o lançamento de água no incêndio com vazão 
igual ou superior a 300 galões por minuto (1136 litros por 
minuto). Pode ser, fixo ou móvel, pode ser utilizado em solo fixo 
em uma base ou na armação de torre d’água com Alto Escada 
mecânica ou até mesmo em Plataforma Mecânica. Por tem um 
alto alcance de jato, permite que o combatente fique em uma 
distância segura. Ao estabelecer o esguicho canhão, uma das 
primeiras preocupações deve ser com o abastecimento, por 
causa do grande volume de água utilizada por esse tipo de 
esguicho. 
 
 
 
Proporcionador de espuma 
É um dispositivo específico que fornece a espuma em 
condições de atuar como agente extintor no combate a 
incêndio. Esse material permanece, em forma de extrato, 
armazenada em galões, sendo preparada somente no 
momento do combate. O esguicho proporcionador de espuma 
tem num único corpo, as funções do esguicho lançador de 
espuma e do misturador “entrelinhas”, por isso, pode ser 
utilizado com ou sem o misturador, com apenas um lance de 
mangueira. Disponibiliza espuma de baixa expansão, com 
baixa aeração, ou seja, pouco ar no interior de suas bolhas. 
Possui a inconveniente necessidade de ser transportado em 
conjunto com o recipiente que contém o “líquido gerador de 
espuma”. 
 
 
Agulheta 
Esse tipo de esguicho geralmente é encontrado em hidrantes 
de parede, destinados a população do prédio. Dependendo do 
tipo de risco da edificação, eles são adotados por terem baixo 
custo em relação aos esguichos reguláveis. O esguicho 
agulheta possui um tubo de forma troncocônica constituído de 
um único corpo. Além do latão, atualmente pode ser feito em 
alumínio, aço, bronze, poliamida, plástico, entre outros 
materiais. Possibilita a formação de jato pleno de água (jato 
solido ou compacto), porém oco. Não possui comando de 
abertura ou variação de jato. 
 
 
Pistola 
Esse tipo de esguicho é muito comum em mangotinho. Ele 
produz um ataque com altas pressões. Em alguns lugares, é 
conhecido como regulável. Eles têm empunhadura, para ser 
segurada, alavanca de abertura e fechamentorápido, seletor 
171 
 
 
de vazão e seletor angulação do jato em até 180°. Produz jatos 
compactos, neblinados e atomizados (em partículas). 
Geralmente, esse tipo de esguicho é recomendado em 
princípios de incêndio. 
 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. /CBMGO. 
Manual Operacional de Bombeiros: Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
Ferramentas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 34 – Ferramentas. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
As ferramentas são apetrechos usados na execução de um determinado 
trabalho. Para os bombeiros, tratam-se de acessórios indispensáveis ao manuseio e 
à utilização dos hidrantes. As ferramentas são auxiliares que possibilitam a 
maneabilidade de conexões e linhas de mangueira, além de compor o aparato de 
abastecimento de água da viatura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 35 - Hidrante urbano ou de coluna 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
172 
 
 
Chave de hidrante 
Essa chave possui seu formato em “J” ou “S”. É uma peça metálica, usada para 
abrir e fechar tampões de hidrantes urbanos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 36 – Chave de hidrante formato “J”. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 37 – Chave de hidrante formato “S”. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
Chave de mangote 
 É uma peça metálica, que foi exclusivamente projetada para conectar e 
desconectar juntas de mangote. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
173 
 
 
Figura 38 – Chaves de mangotes. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Chave de biela 
Essa peça metálica é destinada ao acoplamento e desacoplamento de 
mangotes, junções, ralos e suplementos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 39 – Chave de biela. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
Chave sobreposta 
 
Os combatentes usam a chave sobreposta para acoplamento e 
desacoplamento de junções, ralos e suprimentos. Essa peça tem sua confecção em 
metal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 40 – Chave sobreposta. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
174 
 
 
Chave de mangueira 
 
É uma peça confeccionada em metal, que se destina a conectar e desconectar 
mangueiras de incêndio entre si ou com a expedição de um hidrante ou bomba de 
incêndio. Elas podem ser simples, duplas ou triplas. Conectam e desconectam juntas 
de união tipo storz de 2½ polegadas (63 mm) ou de 1½ polegadas (38 mm). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 41 – Chave de mangueira comum. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 42 – Chave de mangueira dupla. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
 
 
 
 
 
175 
 
 
 
Figura 43 – Chave de mangueira tríplice. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Chave tipo T 
 
A chave tipo T, é utilizada para abrir e fechar o registro da válvula de hidrante. 
Apresenta ponta do braço inclinada e afilada, que se encaixa no orifício dos tampões 
dos hidrantes de passeios públicos, para ser usada como alavanca para abri-los. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 44 – Chave tipo T. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Tem uma saliência inferior na forma trapezoidal, que se ajusta ao espigão da 
válvula do hidrante à chave, permitindo ao bombeiro realizar a abertura. Essa chave 
facilita a operação por ter o braço de alavanca maior que o do volante de hidrante. 
Sua aplicabilidade é indicada quando o registro se encontra no plano horizontal. O 
quadro abaixo mostra como o bombeiro realiza a abertura ou fechamento da válvula 
do hidrante utilizando a chave tipo “T”. 
 
Quadro 6 - Chave tipo “T” em hidrante de coluna 
176 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Volante de hidrante 
O volante de hidrante é indicado para ser empregado quando o registro da 
válvula do hidrante encontra-se no plano vertical. Sua função é similar ao da chave 
Tipo “T”, porém o operante utiliza uma força bem maior na abertura do registro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 45- Volante de hidrante 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
177 
 
 
Acessórios hidráulicos 
Os acessórios hidráulicos possibilitam a maneabilidade de conexões e linhas 
de mangueiras, compondo o aparato de abastecimento de água da viatura. 
 
Junta de união storz 
Essa peça, confeccionada em metal, é utilizada para unir as extremidades de 
conexão rápida, sejam as das mangueiras ou as dos diversos acessórios de 2½ 
polegadas (63mm) ou de 1½ polegadas (38mm). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 46 – Junta de união storz. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009 
Suplemento de união 
 Peça usada para ligações de duas juntas de união com rosca macho (Fig.47a) 
ou de juntas de união de rosca fêmea (Fig.47b). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(a) (b) 
178 
 
 
 
Figura 47- Suplemento de união. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
Adaptador 
 
 Peça metálica, que pode ser tipo fêmea ou macho, que serve para modificar 
expedições em fios de rosca (típico de registros de hidrantes de parede) em união 
storz (típica de mangueiras de combate a incêndio) ou o inverso. 
Quadro 7 - Adaptador fêmea/macho. 
 
PEÇA 
 
DESCRIÇÃO 
 
FIGURA 
 
 
 
 
 
Adaptador fêmea 
 
 
Essa peça tem, de um lado, um 
fio de rosca fêmea (interno) e, 
do outro lado, uma junta de 
união storz. Pode ser de 1½ 
polegadas (38 mm), no caso 
dos hidrantes de parede, ou de 
2½ polegadas (63 mm), no caso 
dos hidrantes urbanos (de 
coluna). 
 
 
 
 
 
Adaptador macho 
 
 
Essa peça, de um lado, possui 
um fio de rosca macho 
(externo) e, do outro lado, uma 
junta de união storz. Pode ser 
encontrado de ambos os 
diâmetros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
Luva de Redução 
 
179 
 
 
 A luva de redução é formada por duas uniões Storz, uma de cada lado, com 
diâmetros diferentes (via de regra, 2 ½” e 1 ½”). Assim, serve para reduzir o diâmetro 
de uma linha de combate a incêndio. Tem como utilidade unir mangueiras, expedições 
ou outros de diâmetros diferentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 48 – Luva de redução. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
Tampão 
 O tampão é utilizado para proteger ou vedar hidrantes, expulsões e admissões 
de viaturas ou canalizações que não estão em uso. O tampão possui um anel de 
borracha que evita que a canalização vaze. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 49a – Tampão. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
 
(a) 
180 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 49b – Tampão. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Divisor 
 
O divisor serve para dividir o fluxo de água que vem de uma viatura, hidrante 
ou outra bomba para as mangueiras estabelecidas para o uso. Também chamado de 
derivante, possui uma entrada denominada boca de admissão de 2 ½” e duas ou três 
saídas (expulsões) de 1 ½”, com registros de abertura e fechamento, para o controle 
seletivo de quais expulsões serão utilizadas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 50 – Divisor 
Fonte: CBMAM, 2022.Coletor 
 
 O coletor é uma peça de metal de uso inverso ao divisor. Não possui registro, 
serve para aglutinar duas entradas de 1 ½” em uma única de 2 ½”, recebe água de 
duas fontes e a canaliza para uma. 
(b) 
181 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 51 – Coletor com duas e quatro entradas. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Misturador entre linhas 
O misturador entre linhas é uma peça usada para armação de linhas de 
espuma. Sua regulagem varia de 3 a 6 % (três a seis por cento), para o controle da 
porcentagem de espuma. Para se ter um resultado de espuma em todas as linhas, é 
preciso colocar o misturador entre linhas antes do divisor e usar esguichos 
proporcionadores de espuma. Para aquisição desse resultado, se faz necessário usar 
uma manga de mangueira onde possa se conectar o misturador entre linhas ao 
aparelho redutor (ver seta vermelha na fig.53). 
Já para obter espuma em uma única linha, é preciso colocar o misturador entre 
linhas, após o divisor, utilizando o esguicho adequado na linha desejada. Antes de 
colocar a mangueira de sucção do líquido gerador de espuma (LGE) dentro do galão, 
observe se a mangueira está aspirando ar. Para evitar a não aspiração do LGE é 
preciso liberar a passagem de água no divisor do esguicho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 52 – Misturador entre linhas conectado às mangueiras e ao LGE. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009 
182 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 53 – Manga de mangueira. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
Ralo com válvula de retenção 
 Acessório hidráulico utilizado para operações de sucção. Este dispositivo 
metálico fica acoplado a uma das extremidades do mangote, que impede a entrada 
de objetos durante a sucção e possui válvula que impede o fluxo contrário da água. 
Sua válvula de retenção permite a passagem da água em uma única direção, do 
reservatório para a bomba de água da viatura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 54 – Ralo com válvula de retenção. 
Fonte: CBMDF. Manual Básico de Combate 
a Incêndio. 2 ed. Brasília, DF: CBMDF, 2009. 
 
Luva de hidrante 
 
 Luva de hidrante (capa de pino) é um adaptador de ferro fundido, destinado a 
permitir o encaixe preciso da Chave tipo “T” ao registro da válvula do hidrante. É 
183 
 
 
possível que esse encaixe seja prejudicado, em razão do desgaste das peças 
metálicas do registro do hidrante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 55 – Luvas de hidrante. 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
Edutor 
 
Peça em metal com entrada de 1 ½” e saída de 2 ½”, que realiza, por diferença 
de pressão (Princípio de Venturi), a sucção da água que entra por um ralo localizado 
em sua base. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 56– Edutor 
Fonte: CBMGO. Manual Operacional de Bombeiros: 
Combate a Incêndio Urbano. Goiânia: CBMGO, 2017. 
 
 
 
 
 
 
 
184 
 
 
CAPÍTULO 5 – SUPRIMENTO DE ÁGUA 
 
 
Autores: AL OF Alessandro Silva de Souza, AL OF Francirlei de Castro Lima, AL OF 
Paulo Kemel Sato Lopes, AL OF Sidney Lomas de Almeida 
 
Esta Temática vai descrever sobre “Suprimento de Água”, esse suprimento é 
uma fonte fornecida em local para fins de combate a incêndios, essa fonte deve 
conter volume, vazão e pressão. A temática implícita informações necessárias sobre 
a retirada de água que são usadas em ações, são feitos de um reservatório ou tanque 
com bombas especifícas, que pode ser fornecida da rede pública. 
O trabalho em tela procura mensurar como o suprimento de água é importante 
para o trabalho diário do Corpo de Bombeiros, já que a água está estritamente ligada 
ao abastecimento de viaturas, ao combate aos incêndios, a própria subsistência do 
militar durante o atendimento da ocorrência que exige maior esforço físico. 
Portanto essa contextualização objetiva discorrer em seu contexto sobre o 
manuseio de hidrante de coluna, esse consiste em um equipamento muito utilizado 
pelos bombeiros em ocorrências de incêndio de grandes proporções. E sua função 
mais importante é servir de ponto de abastecimento das viaturas do Corpo 
de Bombeiros durante ocorrência de incêndio, o Corpo de Bombeiro é o único órgão 
que possui a chave especifica que abre a tampa do registro, os hidrantes de qualquer 
município devem ficar posicionado em áreas estratégicas para favorecer o trabalho 
dos profissionais da brigada. 
Os procedimentos metodológicos para se elaborar este trabalho foi a pesquisa 
bibliográfica, buscou-se compilar manuais de outros estados já publicados, como do 
Estados de Goiás e São Paulo, também foi preciso uma busca em páginas de web 
sites enfim, houve todo um planejamento estratégico, onde todos os membros da 
equipe tiveram sua participação estabelecida, através de reuniões e discursivas sobre 
o tema supracitado. Este trabalho tange em abrir leques para implantação de um 
manual apropriado com a região manauara. 
 
 
 
185 
 
 
Seção 1 - Fundamentação Teórica 
O historicismo da utilização da água no combate a incêndio 
 
 A água é o elemento de extrema necessidade para o funcionamento de 
ecossistemas da vida. Na antiguidade os povos primitivos utilizavam métodos simples 
para recolher as águas das chuvas, dos rios e dos lagos. Com o passar do tempo e 
com as mudanças das civilizações as populações passaram a consumir quantidades 
cada vez maiores de água e facilidade de acesso ás fontes existentes. Ao mesmo 
tempo, eram procuradas novas fontes de suprimento, inclusive no subsolo. 
 Nos dias atuais a água é utilizada de várias formas, para a corporação de 
bombeiros ela é um elemento fundamental nas operações, já que a água é necessária 
para o suprimento da viatura de combate a incêndio. Para compreender sobre o uso 
da água em incêndios, temos que entender que o fogo foi um elemento transformador 
da humanidade, através da sua descoberta a civilização se desenvolveu e evoluiu. 
Sabemos que a humanidade durante séculos aprendeu a usar e manusear o fago ao 
seu favor, porém o fogo se mostrou um inimigo poderoso e implacável quando fica 
fora de controle. 
 
A maioria dos mitos representa a domesticação do fogo (como é agora 
entendido) como um único evento de aventura, com um personagem principal 
(um Deus ou um animal ou ambos na mesma encarnação) que trouxe esse 
presente precioso para a humanidade. (Goudsblom, 2014, p.56). 
 
A utilização controlada do fogo permitiu ao homem abrigar-se contra 
predadores, ajudou-o a proteger-se do frio, serviu para lhe melhorar a alimentação, 
para sinalizar locais e fazer pedidos de socorro, para iluminar a escuridão das noites 
e para uma infinidade de outros usos associados ao desenvolvimento tecnológico da 
humanidade. 
Desde a Antiguidade o ser humano busca formas de controlar o fogo, usando 
suas potencialidades como aliado e se protegendo de seus riscos como inimigo. Na 
Roma Antiga, por exemplo, existiam os “Triunviri Nocturi”, grupo de agentes 
responsáveis por combater incêndios. A legislação do império romano exigia que os 
cidadãos mantivessem cisternas com reservas de água em casa para casos de 
incêndio. 
186 
 
 
Houve uma época em que não existia uma rede de abastecimento público de 
água e os incêndios eram combatidos à base do balde, com muita disposição e 
heroísmo. 
Numa segunda etapa de nosso desenvolvimento, acompanhando a natural evolução 
da sociedade, houve um tempo em que passou a existir uma rede que canalizava as 
águas vindas dos rios, cujo destino eram os chafarizes da cidade. 
Os grandes incêndios surgiram por falta de controle do fogo, se o homem não 
estabelecer condições de segurança na manipulação do fogo, pode acontecer 
incêndios gerados por essa falta de controle, a historia ao longo dos séculos, 
registrou grandes incêndiosurbanos. 
 
• Cidade de Lyon – 59 A.C. completamente destruída; 
• Roma – 64 A.C. – incendio durou 8 dias, devastou 10 dos seus 14 distritos; 
• Biblioteca de Alexandria – 47 A.C., destruída por Julio César; em 390 D.C. por 
Teodósio e em 642 D.C. pelo Califa Omar; 
• Pompéia - arde em 79, após a erupção do Vesúvio; 
• Londres – 798, 982, 1.212 – A Catedral de Saint Paul foi destruída totalmente 
ou parcialmente em cinco ocasiões até 1.666; 
• O Grande incêndio de Londres – 1666 – duração de 4 dias, consumiu 13.000 
casas, 87 igrejas e capelas, além de hospitais, bibliotecas, comércios, etc. 
Aproximadamente 100.000 desabrigados (25% da população), devastação de 
quase 75% da cidade; 
• Veneza - destruída pelo fogo em 1106; 
• Em 1755 arde o centro de Lisboa em conseqüência do terremoto; 
• Em 1812 são os Russos que incendeiam Moscou para travar o avanço do 
Napoleão; 
• Paris – incêndio em 1871; 
• No Japão e na China verificam-se numerosos incêndios devastadores, face ao 
tipo de construção e concentração; 
• 1835 - Nova Iorque – 530 edifícios; 
• 1845 – Pittsburgh – 1.1000 edifícios; 
• 1849 – Porto, Saint Louis – 15 quarteirões; 
• 1851 – São Francisco – 2.500 edifícios; 
187 
 
 
• 1871 – Peshtigo – incêndio florestal – 1.152 mortes; 
• 1871 – Chicago – 18.000 edifícios, 120 mortes; 
• 1872 – Boston – 776 edifícios; 
• 1901 – Jacksonville – 1.7000 edifícios; 
• 1904 – Baltimore – 80 quarteirões e 2.300 edifícios; 
• 1906 – São Francisco – 28.000 edifícios, decorrente de terremoto. 
Seção 2 - Os primeiros códigos criados, leis antigas e suas curiosidades 
 Por causa dos grandes incêndios acontecidos ao longo da história, foi criado o 
primeiro código de edificações onde foi introduzido medias de proteção contra 
incêndio. Temos conhecimentos históricos que em Londres em 1189 se criou uma lei 
local para que fosse melhorada a qualidade das construções. Em 1666 logo após o 
grande incêndio de Londres, se criou uma série de regulamentações. 
• Implementação do sistema de seguros na forma moderna; 
• Regulamentação precursora de segurança contra incêndio no ocidente; 
• Desenvolvimento de equipamentos de combate mais eficientes; 
• Formação de grupos de bombeiros pelas seguradoras. 
Na reconstrução da cidade em 1667 se criou a lei de reconstrução para a 
cidade, que continha uma série de regras de regulamentação como alargamento de 
ruas e incombustibilidade de paredes (tijolos). Existem algumas curiosidades em 
respeitos dessas leis antigas como a de Boston apoós o incêndio em 1631, a referida 
lei proibia a construção de chaminé de madeira e telhados de sapé. Ainda no país dos 
Estados Unidos em 1938, se promulgou a lei do General Assembly, em Maryland, que 
punia incendiários: A lei punia criminosos a pena de morte por enforcamento, a pena 
menos severa permetia que o criminoso poderia perder sua mão ou ter queimada a 
mão ou a testa com ferro quente e suas terras confiscadas. A uma segunda ofensa 
aplicaria a pena de morte. 
Em Massachusssets no ano de 1652, o tribunal “General Court” estabeleceu 
que a pessoa com 16 ou mais seria incriminado pagaria o dobro dos prejuízos e seria 
chicoteado, principalmente se vinhesse a cometer incêndio. 
 
Uma breve contextualização sobre como se desenvolveram as bombas de 
combate a incêndios e os carros de bombeiros 
188 
 
 
 
 No reino de Guilherme III, após o catastrófico incêndio de Londres de 1666, as 
novas companhias seguradoras começaram a estruturar as brigadas de incêndio. 
Durante o período do século XIX os bombeiros se estruturam-se, neste período é 
desenvolvido as bombas de combate a incêndio, para ser usadas tanto na terra quanto 
em barcos. No reino de D. João I em Portugal, em 1395 a carta régia estabelece os 
vigias noturnos e define que para ser extintos os incêndios deveria seguir como 
missão, para carpinteiros (com machado) e para as mulheres ficaria a condução da 
água. 
 Os sistemas de combate até em 1700, era constituído fundamentalmente de 
equipamentos manuais. Era usado como técnica passar baldes de água de mãos em 
mãos até chegar no local do incêndio. Em função a tecnologia existente atualmente, 
os equipamentos evoluíram bastante. Em 1721, se produziu na Inglaterra a primeira 
bomba movida por uma máquina a vapor, a montagem desse conjunto era sobre uma 
carroça atrelada em cavalos. 
 Na segunda metade do século XVII, não existia carros tanques, era enchido 
pequenos tanques, onde as bombas retiravam a água necessária para o combate. 
Em 1780, os primeiros carros de bombeiros foram construídos, eles eram movidos or 
tração animal. Um século depois que surgiu com modelos motorizados esses eram 
movidos a vapor. Na atualidade os carros de bombeiros mas utilizados são ABT - 
(Auto Bomba Tanque): Este veículo empregado no combate a incêndio, normalmente 
como primeiro carro, por sua versatilidade e maior capacidade para transporte de 
guarnição e equipamentos. Esta viatura é dotada de bomba para recalque de água 
para combate às chamas. É o veículo mais característico de bombeiros. Equipado 
com mangueiras, esguichos e diversos equipamentos hidráulicos além de materiais 
de "sapa" e arrombamento, podendo ser adaptado para transporte de equipamentos 
de primeiros socorros e salvamento. Com cabine dupla, o modelo possui capacidade 
para armazenar cinco mil litros de água e uma bomba de 750 GPM (galões por 
minuto). Transporta até cinco militares. E o AT - (Auto Tanque): Veículo utilizado no 
combate a incêndios, normalmente empregado em apoio à outra viatura de combate 
a incêndio, o ABT - Auto Bomba Tanque, possui tanque com maior capacidade de 
água (27.000 litros). 
 Além do tanque, é preciso que os caminhões possuam uma bomba de água, 
que deverá garantir que a água seja lançada com a pressão necessária, possibilitando 
189 
 
 
o alance em maiores distâncias. Esses caminhões costumam possuir bombas de até 
1.000 GPM (3.785 litros por minutos). Por suma as ferramentas transportadas no carro 
de bombeiros variam muito com base em muitos fatores, incluindo o tamanho do 
departamento e as situações usuais que os bombeiros lidam. 
 
Seção 3 - Suprimento de Água 
 
O suprimento de água é agente fundamental em operações de combate a 
incêndios, por ser o principal agente extintor usado nas viaturas do Corpo de 
Bombeiros Militar, a água merece uma atenção especial, para ter um correto 
emprego, os combatentes utilizam técnicas e táticas para que a água seja usada 
corretamente e ter um êxito de aproveitamento. No geral a definição de suprimento 
de água é o ato de canalizar a água desde a sua fonte de captação até o local onde 
a mesma será consumida. Entende-se que o processo de captação de água é todo 
e qualquer lugar onde houver água em abundância, podendo ser natural ou artificial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 1 – Fonte de Capacitação de Água Natural. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
190Figura 2 – Fonte de Capacitação de Água Artificiais. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
No ponto de vista operacional o combatente considera como outras reservas as 
piscinas (fig. 02), fontes de praças públicas, espelhos d´água etc. 
 
Utilização da água em incêndios 
 
 A água é o agente extintor mais utilizado no combate a incêndios devido à sua 
facilidade de disponibilidade e capacitância de absorção de calor. Atua 
principalmente por resfriamento e asfixia, e pode servir como diluente para incêndios 
em líquidos inflamáveis solúveis em água. O alto calor latente de vaporização torna 
a água um excelente refrigerante. A água também pode sufocar e se mover devido à 
sua alta difusividade. 1 litro de água, quando evaporado, torna-se 1700 litros de 
vapor, ocupando, devido ao seu grande volume, um grande espaço no ambiente 
afetado, limitando a concentração do agente oxidante. 
191 
 
 
Seção 4 - Tipos de suprimento de água 
 
Os tipos de abastecimento de água contra incêndio incluem: hidrante coluna, 
Auto Bomba Tanques, Auto tanques, mananciais, nascentes e piscinas neste caso os 
Bombeiros usam água de tanques para combater incêndios, reservas técnicas de 
incêndio das edificações homologadas pelo Corpo de Bombeiros. 
 
Hidrante de coluna 
 
 Como exigência de projetos de combate a incêndio de edificações 
comerciais, habitações multifamiliares, além de loteamentos acima de 1.500 m², os 
hidrantes tipo colunas são inseridos em tabulações das redes fornecedoras de água 
potável de cada município. Os municípios devem manter os hidrantes em boas 
condições de uso para não haver falhas, também o hidrante deve estar bem 
posicionado em um local onde não tenha obstáculos que venha a interferir no trabalho 
do Corpo de Bombeiros. Os hidrantes de coluna consistem em um acesso que irá 
ser vinculado através de saídas e irá conduzir água de redes públicas para os 
bombeiros e profissionais que necessitam, é de suma importância informar que Corpo 
de Bombeiro é o único órgão que possui a chave especifica que abre a tampa do 
registro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 3 – Hidrante de Coluna. Figura 4 – Chave Tipo T. 
 
Fonte: CBMAM, 2022. 
192 
 
 
 
 
 A rede de hidrantes são aparelhos instalados nas cidades nas redes de 
distribuição de água, eles podem ser de coluna (Fig.3) ou subterrâneo, eles são 
dotados de juntas de união para conexão com mangotes, abertura é feita através de 
um registro de gaveta cujo comando é colocado ao lado do hidrante. Possui uma 
expedição de 100mm e duas de 63mm (Fig.3). 
De acordo com sua vazão os hidrantes são codificados por meio de pintura de 
sua borda superior: 
Quadro 1 – Identificação de Vazão de Hidrantes por Cor. 
VAZÃO (em litros por minuto) COR DO CABEÇOTE E EXPEDIÇÕES 
Maior que 2.000 Verde 
De 1.000 a 2.000 Amarelo 
Menor que de 1000 Vermelho 
Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 -Suprimento de água em Combate em 
Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. 
 
 Atenção, os hidrantes com vazão menor que 1000 litros por minutos, 
permanecerão na cor vermelha eles não serão pintados. No que se refere ao hidrante 
subterrâneos, que ficam abaixo do nível do solo, com suas partes (expedição e válvula 
de paragem) estes estão colocadas dentro de uma caixa de alvenaria, fechada por 
uma tampa metálica. 
Passos para utilização de hidrante tipo barbará (pressurizado) 
Os materiais utilizados são os seguintes: 
 
• Mangueiras: é revestida externamente com reforço têxtil confeccionado 100% em 
fio poliéster de alta tenacidade e internamente com tubo de borracha sintética na 
cor preta. Em razão de sua finalidade, a mangueira deve ser flexível, resistir à 
pressão interna e ser, tanto quanto possível, leve e durável. A mangueira trata-se 
de um duto flexível, utilizada para transportar água do ponto de abastecimento até 
o local em que deva ser utilizada nas operações de combate a incêndios. 
• Mangotes: Tem como função ligar a introdução da bomba a mananciais ou aos 
hidrantes em operação de sucção. O mangote é um duto de borracha reforçado 
com armação interna de arame de aço, de modo a resistir, sem se fechar, quando 
193 
 
 
utilizado em sucção. Para que seja acoplado um combatente faz as conexões da 
junta e o outro suatenta o mangote. 
• Mangueirotes: O mangueirote possui comprimento de 5 metros, diâmetro de 
100mm e juntas de união de 100mm ou 112mm, roscas fêmeas. Essa mangueira 
é especial se utiliza o mangueirote para abastecer viaturas em hidrantes. O 
mangueirote exige muito cuidados de manutenção iguais a qualquer mangueira, 
sua utilidade apresenta a vantagem de ser acoplado por um único combatente nas 
ações de combate a incêndio, que a viatura esteja distante ou até mal posicionada 
em relação ao hidrante. O mangueirote não deve ser usado em sucção. 
• Chaves: As chaves são destinadas a facilitação do acoplamento ou 
desacoplamento de juntas de união. Elas podem ser: de mangueiras, para 
acoplamento e desacoplamento de mangueiras e adaptações, de mangote, para 
acoplamento e desacoplamento de mangote, mangueirotes e filtros, universal, 
para acoplamento e desacoplamento de mangueiras e mangotes e para hidrante 
público de coluna, para abrir e fechar tampões de hidrantes públicos de coluna; é 
também conhecida como chave tipo “BARBARÁ”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 5 – Abertura do hidrante. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
194 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 – Conecte e gire a chave tipo T até a abertura total do registro e saída de sujeiras da rede. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 – Feche o registro e conecte a outra extremidade na saída de 2 ½ '' na saída do hidrante. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
195 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 8 – Gire a chave tipo T novamente até a abertura total do registro 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 As fotografias acima mostram a utilização das mangueiras e mangotes 2 ½'', 
esses dependem da existência de materiais, isso inclui adaptadores também, tudo 
deve ser verificado e passado um checklist da viatura pelos bombeiros todos os dias. 
 
Suprimento em hidrante de coluna ou subterrâneo 
 
 O bombeiro operador de hidrante estabelece esse procedimento nas seguintes 
etapas: 
 
• Analisa se a rede de suprimento está bem fixado ao hidrante; 
• Tira o tampão do hidrante; 
• Dar descarga no hidrante abrindo o registro, deixando a água escorrer 
para ir retirando a areia, e outros detritos, deixa a água escorrer até sair 
toda ferrugem; 
• Fecha o registro; 
• Na tomada d’água acoplar o mangote, verificando se este ficou bem 
vedado; 
196 
 
 
• Na boca de admissão da bomba, acopla a outra extremidade do 
mangote e abre o registro por completo do hidrante. 
 
 
Figura 9 – Bombeiro Operador de Hidrante de Coluna. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10 – Suprimento de Água Através de um Hidrante de Coluna. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
197 
 
 
 
Auto tanques 
 
 Os Auto Tanques são viaturas de apoio de grande capacidade. Eles podem 
chegar a 15.000 litros e reduzir a demanda de água durante o combate. No Corpo de 
Bombeiros Militar do Amazonas - CBMAM possuímos as viaturas ABT, ABS, ABF, 
ATA, nas ocorrências de incêndios de grande proporção contamos com o apoio de 
caminhões-pipa da prefeitura e empresas privadas no transporte de água até o local 
do sinistro. Uma estratégia de combate que tem sido adotada nos suprimentos de 
água em incêndio é o sistema pião. Nele pode-se inserir várias viaturas, entre elas, o 
Auto Tanque. Veja abaixo sua utilização: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11a – Auto BombaTanque - ABT-30 do CBMAM. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11b – Auto Bomba Tanque - ABT-30 CBMAM. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
198 
 
 
 
 A figura acima (11a) mostra a ABT- 30 usado no estado do Amazonas, um 
caminhão de apoio que possui um tanque de água com maior capacidade, utilizado 
nas operações de combate a incêndio destinado ao transporte e abastecimento de 
água. 
 Abaixo estão as figuras com outros carros usados no Amazonas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 – Auto Tanque Abastecimento - ATA-01 do CBMAM. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
199 
 
 
 
 
Figura 13 – Auto Tanque Abastecimento - ATA-02 do CBMAM/Viatura de Apoio conhecida 
como Carro Pipa no meio Civil. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 Figura 14 – Auto Bomba Florestal - ABF – 02 do Estado do Amazonas. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
200 
 
 
Para suprir a ausência de hidrates próximo ao sinistro, requer que o combatente 
venha adotar duas alternativas que são: sistema pião que se trata do sistema apoio 
de viaturas e o emprego de tanques portáteis. Para ser efetuada a utilização desses 
sistemas se faz necessário, que a expessura da rua seja bem larga, para oferecer 
condições favoráveis para às manobras das viaturas, se a rua não apresentar a 
expessura ideal é conveniente que o ATA fique posicionado perto ao cruzamento, para 
favorecer as manobras que serão desenvolvidas, para que a água seja transportada 
até ABT será utilizado uma quantidade maior de mangueiras. 
 O desenvolvimento desse esquema procede da seguinte forma: O pivô central 
do abastecimento é a ATA e as demais viaturas farão o giro, essas devem estar em 
posição satisfatória para se favorecer o trânsito das viaturas de apoio, se a rua 
apresentar condições de operalidade poderá ser bem próximo ao ABT, como dito 
acima a operação também pode ser próximo ao cruzamento. Estacione a viatura, 
arma-se a adutora de 100 ou 75mm, até o ABT, que está sendo usada para combater 
o sinistro ou pode-se ainda, utilizar duas linhas de 63mm tipo siamesas. O 
comandante das operações, acionará mas recursos (viaturas, ATA, etc.) se o sistema 
de vazão não estiver controlado, geralmente o comandante controla a vazão, evitando 
que o abastecimento não sofra descontinuidade garantindo pleno êxito no 
abastecimento. 
 
 Quadro 2 – Suprimento no Sistema Pião 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
201 
 
 
 Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em 
Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. 
 
 
Suprimento com emprego do tanque portátil 
 
 Devido a falta de hidrantes na maioria das cidades brasileiras, o sistema de 
Tanque Portatil surgiu em decorrência dessa falta. Apesar dessa deficiência poder ser 
samada com uso do sitema pião, através de veículos de apoio como os Auto Tanques 
Abastecimento, Auto Bomba Tanque, etc..., existe neste caso um custo muito alto para 
se manter o sistema pião, tanto com o pessoal (efetivo), manutenção, equipamentos 
e viaturas. Os Estados Unidos mas especificamente na área rural apresentou uma 
solução para esse problema, a instalação de Tanques Portáteis, sistema esse que 
opera de forma bem similar ao sistema pião, mas representa um custo bem executável 
ao do sistema pião, possibilita também um aproveitamento melhor dos recursos 
disponíveis na comunidade, tais como carros pipa, carros tanque, caminhões 
betoneiras, já que para seu funcionamento o sistema de Tanque Portátil dispensa o 
uso de o uso de conexões e acessórios hidráulicos. 
 Pode ser utilizado nas seguintes formas: 
 
• Tanque Portátil Próximo ao ABT: A Esse sistema é muito útil, para seu 
funcionamento é necessário que a rua seja bem ampla o ideal é que a rua tenha 
uma largura acima de nove metros, essa metragem garante a segurança e 
confiabilidade. Portanto seguindo esse procedimento, após a armação do 
dispositivo será possível, manobras envolvendo outras viaturas, recursos 
diversos além de permitir a movimentação do pessoal livremente no combate 
a incêndios. O Supemento com tanque Portátil permite uma economia grande 
de tempo, mangueiras, equipamentos e pessoal. A montagem do sistema 
acontece da seguinte forma: Antes ou depois da ocorrência o Auto Bomba 
Tanque deve ser estacionado uns dez metros do sinistro. Sua montagem deve 
ser feita ao lado da viatura, para fazer a sucção da água do tanque utiliza-se o 
mangote, é vital a utilização do filtro flutuante, para um aproveitamento mehor 
do volume da água, evitando que se forme “redemoinho”, evitando entrada de 
ar no corpo da bomba. O Auto Bomba inicia a operação após ser armado e 
testado o dispositivo, succionando e recalcando água para o incêndio, 
202 
 
 
enquanto as outra viaturas ( ABT, ATA, etc..) iniciam um sistema de rodizio no 
SUPREMENTO, descarregando no tanque portátil a água coletada nos 
hidrantes. Durante a operação o comandante das operações analisa: vazão, 
consumo, etc..., controlando a demanda da água requerida, o comandante 
pode utilizar outros meios de coleta de água se necessário, ou ainda, diminuir 
o volume d’água recalcada, garantindo assim, a continuidade dos serviços sem 
interrupção, devendo manter o nível da água no tanque de maneira que o 
mangote fique submerso. 
• Tanque Portátil longe ao ABT: Essa técnica é usada quando as condições de 
acesso do sinistro não permitir manobras, geralmente se utiliza quando as ruas 
são estreitas, para o sucesso das operações é indispensável que o auto bomba 
fique estalado no cruzamento mais próximo. O procedimento acontecerá da 
seguinte forma: o ATB principal deve ficar parado no cruzamento, um auxiliar 
desce e acondiciona ao solo a extremidade da linha adutora, na sequência a 
viatura segue em destino ao incêndio, atrás da viatura o mesmo auxiliar vai 
acompanhando, toda soltura da adutora, garantindo o alinhamento da mesma 
para que ela não venha sofre danos na hora da atuação no sinistro. ABT 
estacionada a uns dez metros do sinistro vai ser a principal viatura de combate. 
Estacionada no cruzamento uma outra viatura ABT ou ATB, é preparada para 
coletar e recalcar água do tanque portátil para o ABT que fica na frente dos 
trabalhos. Após todo processo de armamento do tanque portátil, as demais 
viaturas de apoio iniciam o rodízio de SUPRIMENTO, junto ao tanque, o 
comandante das operações para controlar o consumo de água da missão 
dirige-se ao fronte, isso garante a continuidade dos serviços de SUPRIMENTO. 
 
Suprimento em manancial 
 
 O suprimento em manancial, é a operação que se realiza quando é preciso uma 
captação muito grande de água para se combater um incêndio em grande proporção. 
Para a captação dessa água se utiliza-se represas, lagos. Para esse procedimento 
faça o seguinte procedimento: 
 
• Coloque o mangote de sucção, na boca admissora e aperte firmemente; 
203 
 
 
• Ponha a válvula de pé (ralo); 
• Coloque o cesto protetor; 
• Imerja o mangote na água, o correto é usar-se de apoio, o uso de cordas é 
ideal, deve-se tomar cuidado para evitar entradas de ar; 
• Tome toda precaução para manter o ralo sem alcançar o fundo, para que 
não tenha contato com a areia do fundo, folhas ou qualquer matéria 
estranha que possa estar no manancial, mantenha o equipamento livre de 
detritos provindos do manancial; 
• Use a corda espia; 
• Quando se trabalhar com levantamento, procure não bombear forte para 
evitar causar turbulência no ralo. Isso pode permitir a entrada de ar na 
bomba e resultará em bombeamento com pulsação e operação defeituosa. 
Se for preciso uma maior quantidade de água coloque o ralo mais 
submerso; 
• Ponha o mangote fixamente para que ele não succione detritos; 
• Verifique sempre o material que vai ser utilizado, e deve estar em ótimas 
condições e sempre em mãos.Figura 15 – Captação de Água em Manancial. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
204 
 
 
a) As fontes naturais de água são: aquelas em que não se verifica a participação 
humana, são aquelas onde a água se apresenta acumulada na natureza, quer 
seja pelo seu leito natural, ou pelo seu acúmulo. São exemplos de fontes 
naturais, os lagos, lagoas, rios e mares. As fontes naturais existem onde o 
lençol freático corta a superfície, assim como onde rios subterrâneos surgem 
de cavernas e passagens no calcário ou nas lavas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 16 – Fontes Naturais de Água. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
b) As fontes artificiais de água são: aquelas que são retidas de forma não 
originalmente formada pela natureza ou que estejam em curso por conta de 
obra humana. Como exemplos do primeiro caso, temos as represas 
hidrelétricas, açudes, reservatórios, etc, essas fontes se formam ou se 
tornaram possíveis devido à intervenção humana. 
3.4.1. Suprimento em reservatórios, piscinas, etc... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
205 
 
 
Figura 17 – Suprimentos em Reservatórios Piscinas. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 No caso dos reservatórios (subterrâneos ou elevados) piscinas, etc..., compete 
ao bombeiro operador de hidrante, assegurar as seguintes operações, para liberar a 
água do estabelecimento para o reservatório: 
• Anexar o ralo de mangote ao mangote; 
• Por o mangote na cisterna pela extremidade que contém o ralo. 
• Deve conter água suficiente para cobrir o ralo do mangote; 
• Conectar a outra extremidade do mangote, à boca de admissão da 
bomba; 
• Por em ação o motorista, para que ele operar o corpo de bomba. 
 
 Apesar do Manual Operacional de Bombeiros de Goiás em sua pag. 178, 
descrever que a utilização do tipo manancial está caindo em desuso devido a 
facilidade de utilização de hidrantes urbanos e Auto Tanques em sistemas “tipo pião”. 
Não é a realidade do Estado do Amazonas esse tipo de procedimento ainda é utilizado 
pela corporação, em incêndios em rodovias e estradas nos casos de incêndio em 
veículos, vegetação ou diferentes tipos de acidentes em que outros tipos de 
suprimento de água estão muito distantes. 
 
Seção 5 - Reservas Técnicas de Incêndio 
 
 Os reservatórios instalados em residências comerciais, prédios, industriais e 
multifamiliares, são chamados de reservas técnicas de incêndio eles são designados 
especificamente para combate a incêndio. A utilização da rede fixa preventiva contra 
incêndios pode ser usada pelo corpo de bombeiro no próprio local do sinistro ou em 
prédios vizinhos, a sua aplicação será por meio de motores de combustão interna ou 
motores elétricos e bombas hidráulicas associadas a hidrantes de parede ou 
dispositivos fixos de segurança. 
 
 
 
 
206 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18 – Suprimentos em Reservatórios Elevado. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 Quando o Corpo de Bombeiros utiliza uma quantidade superior d’água prevista 
na reserva de incêndio, o operador de hidrante recomenda ao Comandante da 
Guarnição, mensurar no seu requisito de incêndio a quantidade aproximada de água, 
através do intervalo de tempo para se resguadar de qualquer problema. Perante o 
relatório do corpo de bombeiro, o condomínio/prédios/residências/pontos comerciais, 
etc, pode requerer na Companhia de águas o abatimento do consumo extra, utilizada 
no sinistro nas contas futuras. Isso para utilização de terceiros. 
 Abaixo será descrito o procedimento que o “operador de hidrante”, executa na 
ação de suprimento da viatura, usando a rede preventiva. 
• Averiguar se realmente a rede preventiva está funcionando, para isso o 
“operador de hidrante”, abre o registro de recalque que deve estar situado 
em local de fácil acesso, para uso da guarnições do Corpo de Bombeiros, 
para facilitar a descarga da rede, deve ser retirado o tampão que fica situado 
na boca de expulsão de água, se por acaso o sistema possuir a válvula de 
retenção, neste caso se pode usar o hidrante predial que estiver mais 
próximo da entrada; 
207 
 
 
• A adaptação de material a ser utilizado para o suprimento, deve estar de acordo 
co as especificações (diâmetro e rosqueamento) da rede preventiva. Isso só será 
procedido após o fechamento do registro; 
• Após a adaptação feita, deve-se levar a outra extremidade da ligação até a boca 
de admissão da viatura; 
• Por fim, para que se concretize o suprimento, será aberto o registro. 
 Algumas observações devem ser feitas, exemplo: 
 Se a rede preventiva for formada por encanamentos de diâmetro menores do 
que é estabelecido pelas Normas Vigentes, devido ser muito antiga, o encarregado 
de hidrante deverá providenciar outras formas, para que o suprimento seja eficaz; 
a) Os materiais que são usados normalmente são estes: Adaptações (geral), 
saca-tampão, gancho, colher de pedreiro, chave de mangueira, mangueira de 65mm; 
b) O uso de um hidrante predial próximo do longadouro público será usado 
somente se o registro de recalque estiver sem condições de uso, devendo ser anotada 
essa situação; 
c) Se for verificado a falta de água ou não for executado o procedimento para 
descarga, o executor juntamente com o zelador deve verificar a caixa de bombas, para 
tomar conhecimento se o registro está ou não fechado. 
 
Válvula de recalque 
 
 Outra forma de se adquirir água para grandes ocorrências no Amazonas é a 
válvula de recalque, geralmente é utilizado água das fabricas do Distrito Industrial e 
prédios. A imagem abaixo mostra o abastecimento em uma fábrica do Distrito 
Industrial de Manaus. 
 
 
 
 
 
 
 
 
208 
 
 
 Figura 19 – Suprimento de Água Através de um Registro Recalque. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 As válvulas de recalque facilitam bastante o combate nas ocorrências, pois sua 
utilização reduz os deslocamentos para reabastecimentos em outros pontos distantes 
do local do sinistro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 20 – Válvula de Recalque 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Seção 6 - Medição de Vazão do Suprimento d’água 
 
O referido estudo sobre a temática supracitada, não pode deixar de mensurar 
a vazão. Portanto deve-se proferir os conceitos e padrões estabelecidos no trabalho. 
Mediante essas colocações será descriminado como se obtém a medição da vazão 
de um hidrante, a aferição mostrará a vazão disponível no hidrante ou que essa 
poderá ser feita também sob a consulta da tabela de vazões, por meio do aparelho 
PITOT verificando sua pressão. 
A pressão verificada num hidrante, é feita da seguinte maneira, obtém-se a 
diferença de nível no hidrante e no reservatório que o abastece, abatendo as perdas 
de cargas existentes, assim, será verificado a pressão máxima de um hidrante. Abaixo 
descrevemos sobre: 
209 
 
 
Pressão Estática: Sabe-se que hidrantes estão ligados na rede de consumo, 
neste sentido é visto que a pressão na rede se variável conforme o consumo d’água, 
isso causa perda de carga e reduz a pressão a que nos referimos (desnível 
reservatório/hidrante). Os procedimentos arrolados abaixo, refere-se ao modo como 
é feito a leitura de pressão estática com o emprego da viatura. 
• Unir o mangueirote ou mangueira à admissão da bomba; 
• Abra a válvula do hidrante e a válvula de admissão da bomba (se 
houver); 
• Mantenha as válvulas e expedições da viatura fechadas; 
• Verifique os manômetros. 
 A pressão disponível no hidrante vai ser mostrada no momento da verificação. 
O valor varia conforme o consumo d’água da população, geralmente é no período 
noturno que o hidrante apresenta maior valor de pressão estática. Também pode-se 
fazer essa medição com o auxílio de manômetro fixado em um tampão com dreno, 
acoplado na expedição (saída) do hidrante. 
 Pressão Dinâmica (ou Residual): Essa pressãoé verificada quando é usado 
o hidrante efetivamente. Essa pressão tem sua leitura realizada quando o hidrante 
está com a válvula totalmente aberta, propiciando a vazão máxima. Essa leitura pode 
ser feita com emprego do Pitot. 
 
Medidas de vazão 
 
 Em termos de vazão, verifica-se que os bombeiros no Brasil utilizam duas 
unidades de medida para indicar essa quantidade, a saber, galões por minuto (GPM) 
e litros por minuto (LPM). Por exemplo, para especificar a capacidade pode-se dizer 
que a bomba de incêndio atinge 750 GPM no ponto ideal. Que é 2835 litros / minuto. 
Todo o resto entendemos: 1 GPM (galões por minuto) = 3,78 LPM (litros por minuto). 
 
Medidas lineares 
 
 Simultaneamente para alcançar determinadas medidas de vazão, a partir da 
expedição da bomba, é importante ter conhecimento, que deve ser projetadas 
tabulações para definir expedições de acordo com cada projeto. Para nível de 
210 
 
 
cálculos, é preciso entender melhor as dimensões da tabulação, para isso temos que: 
1 GPM (Galão por minuto) = 3,78 LPM (Litros por minuto) = 1 polegada = 25,4 mm. 
 Abaixo temos como exemplo, o quadro de cálculo1. 
 
Quadro 3 - Equivalência de polegada e conversões usuais dos mangotes 
 
Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate em 
Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. 
 
 Para encontrar vazão das tubalações das viaturas usa-se a fórmula abaixo: 
 
Q = 0,0034 . d² x √Pv x 60, onde: 
Q = vazão em litros por minuto; 
 Pv = pressão de velocidade ou dinâmica na ponta do esguicho 
em m.c.a.; 
d = diâmetro em mm; 
0,0034 = constante 
 
Qual a vazão de uma expedição de 1 ½″ a 7 kgf/cm²? 
Q = 0,0034 . d² x √Pv x 60, onde: 
Q = 0,0034 . (38)² x √70x60 Q = 4,90 . 64,8 
 
1 Ver em: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate 
em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006/pag. 183. 
Mangote 4 ½ pol 113 mm 
Mangote 4 pol 
 
102 mm 
Mangote 2 ½ pol 63 mm 
Mangueira de 2 ½ pol 63 mm 
Mangueira de 1 ½ pol 38 mm 
Mangotinho de 1pol 25 mm 
Requinte ½ pol 12 mm 
Requinte de 3/8 pol 10 mm 
Requinte ¾ pol 19 mm 
211 
 
 
Q = 318 LPM 
 
Qual a vazão de uma expedição de 2 ½″ a 7 kgf/cm²? 
Q = 0,0034 . d² x √Pv x 60, onde: 
Q = 0,0034 . (63)² x √70x60 
 Q = 13,49 . 64,8 
Q = 874 LPM ou 800 LPM 
 
 É importante citar que para as operações de bombeiro militar, é de suma 
relevância que se tenha um parâmetro para emprego tático. O quadro abaixo 
sugestões para o emprego nas ocorrências com valores aproximados aos 
encontrados, após algumas perdas brevemente calculadas: 
 
Quadro 4 - Perda de carga e vazão em mangueiras de 30m 
EQUIPAMENTO VAZÃO EM LPM PERDA DE CARGA 
1 ½″ 317 25 PSI 
2 ½″ 874 15 PSI 
 
Fonte: Manual de Bombas Hidráulicas CBMGO (MBH) apud COLETÂNEA de Manuais Técnicos de 
Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006/pag. 
183. 
 
 Operando um manómetro mecânico combinado com um manómetro calibrado, 
as quedas de pressão foram verificadas esguicho regulável tipo pistola nas vazões de 
30 GPM, 60 GPM e 125 GPM a 100 PSI ou 7 Kgf / cm² em um duto tipo 5 de 15 m 
onde o os valores f encontrados está discriminado no quadro abaixo: 
 
Quadro 5 – Resultados dos testes 
EQUIPAMENTO VAZÃO EM GPM PERDA DE CARGA 
2 ½″ 30 0,2 kgf/cm² 
2 ½″ 60 0,5 kgf/cm² 
2 ½″ 125 0,7 kgf/cm² 
Fonte: COLETÂNEA de Manuais Técnicos de Bombeiros 2 - Suprimento de água em Combate 
em Incêndios. – São Paulo: - 1ª edição 2006. 
 
212 
 
 
 Isto é ratifica que em operações que envolvem comportamento de incêndio 
severo, como em flashover para formar o jato atomizado a 7 kg / cm² e vazão de 30 
GPM, a queda de pressão na mangueira é quase insignificante. O que chama a 
atenção é a possibilidade de utilizar várias mangueiras como em içamento onde pode 
ser considerado um valor de perda maior e um consequente cálculo para uso na 
bomba. 
 
Admissões e expedições 
 
 O tamanho das expedições e admissões de uma viatura de combate a 
incêndio, servem de guia no caso de cálculo de vazão para situações específicas de 
combate. Entrada de água para o corpo da bomba. Os tamanhos mais comuns são 
115 mm (4 ½ pol.), 152 mm (6 pol.) e 63 mm (2 ½ pol.). É usado para escorvar o corpo 
da bomba e a sucção. 
Figura 21 – Expedições 1 ½, Admissão de 2 ½, ABF-02. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
213 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 22 – Admissão 2 ½, ABF-02. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 23 – Expedições 1 ½vermelhas, Admissão 1 ½ azul, 
 Admissão 4 polegadas Azul, Mangotinho 1 polegada preto. 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
214 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 24 – Admissão 1 ½ conectada (entrada de água na VTR); ABT-30. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 25 - Admissão conectada com o mangote de 4 polegadas; ABT-30. 
(Entrada de água na Vtr por manancial natural ou artificial) 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
215 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 26 - Admissão de 4 polegadas, ABT-25. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
216 
 
 
CAPÍTULO 6 – MANEABILIDADE E TÉCNICAS DE COMBATE A INCÊNDIO 
 
 
 
Autores: AL OF Denis Wilson Lira Ferreira, AL OF Jean Costa Da Silva, AL OF 
Herberson Gomes De Almeida, AL OF Oberdan Bandeira Fonseca 
 
O manuseio correto dos equipamentos e seu bom uso na atividade operacional 
são qualidades que resultam na habilidade de manipular corretamente os materiais 
empregados na atividade de combate a incêndio. Nesta atividade afim do bombeiro 
militar, a maneabilidade é considerada a capacidade não só de usar com mais 
facilidade, mas também de manusear de forma correta os equipamentos aplicados 
nesses eventos. 
A montagem de um estabelecimento tem por finalidade, a sistematização e 
aplicação de técnicas no manuseio com os materiais para a formação de linhas de 
mangueiras, objetivando o combate ao incêndio em suas várias classes, além da 
utilização de agente extintor específico. O menor tempo para o combate às chamas 
resultará em eficiência ao término da missão, e danos reduzidos. 
A maneabilidade é extremamente útil para que as guarnições de bombeiros 
estejam capacitadas para a utilização rápida e eficiente dos diversos equipamentos 
que compõem a dinâmica do combate ao incêndio. 
 
Seção 1 - Manuseio de Equipamentos de Combate a Incêndio 
 
Todo equipamento deve ser manuseado com cuidado, sempre utilizado de 
acordo com as normas indicadas pelo fabricante evitando choques e impactos 
desnecessários do equipamento mantendo seu uso funcional e assim garantindo seu 
uso por um período suficiente dentro da resistência recomendada. Como exemplo 
disso, podemos citar o uso da mangueira de incêndio pelos militares, que, como 
mencionado anteriormente, devem ter cuidado para não bater nas conexões, evitar 
mudanças bruscas nas pressões internas, evitar a fricção das mangueiras com cantos 
e sua sobreposição em superfícies com altas temperaturas, entre outras já citadas. 
217 
 
 
 
Retirada de Água da Mangueira 
 
 Após o uso da mangueira, deve-se então, retirar a água dela, para colocá-la 
em lugar apropriado, onde possa ser acondicionada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura74 - Retirada de água da mangueira 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Para isso, a mangueira, deve ser totalmente colocada em uma superfície o mais 
livre de contaminação possível, o bombeiro deve certificar-se de que a mesma, não 
esteja torcida e, em seguida, observando a inclinação do terreno ele deve levantá-lo 
em uma junta de conexão acima de sua cabeça, como resultado da qual a água no 
ponto mais baixo do solo flui para a linha através da outra extremidade. O Bombeiro 
deve continuar a elevação e caminhar até a outra junta, trocando de mãos 
consecutivamente, certificando-se de que a junta restante não toque o solo, 
empurrando a água para fora da mangueira, caminhando até chegar à outra 
extremidade da mesma. Após a retirada da água, a mangueira deve ser 
acondicionada e remetida ao veículo. 
 
Formas de Acondicionamento 
 
218 
 
 
Acondicionamento pela ponta 
 
Também conhecida como “Espiral”, neste caso, inicia o acondicionamento por 
uma das conexões. Com a mangueira totalmente estendida em uma superfície livre 
de sujeira (sujeira, lama, graxa, gordura, etc.), o bombeiro deve garantir que o corpo 
da mangueira não esteja dobrado, o mesmo está de posse de uma extremidade da 
mangueira para ser incluído na conexão com o corpo do tubo formando uma espiral 
continuando a enrolar até a outra conexão. Deve-se ter o cuidado de evitar a formação 
de quinas junto às conexões e de se comprimir desnecessariamente a mangueira 
durante o acondicionamento em espiral, uma vez que esta forma de 
acondicionamento não é indicada para o uso operacional do equipamento. 
 
Desenrolar mangueira em (espiral) 
 
O bombeiro deve desenrolar, deixando a conexão da ponta externa no chão 
para evitar choques que possam danificar o metal, e desenrolar a mangueira 
segurando o espiral nas mãos até atingir a outra extremidade, evitando assim colisões 
com as conexões. 
 
Acondicionamento pelo seio 
 
Ou Aduchada, consiste em enrolar uma mangueira, que é dobrada ao meio, e 
depois enrolada. As guarnições devem colocar as mangueiras, de preferência em 
superfícies limpas, e devem garantir que elas não estejam torcidas ou com água. 
 
Execução com 1 bombeiro 
 
a) Deve-se pegar uma das juntas de união e levá-la até a outra, posicionando-a 
lateralmente à que se encontra no plano inferior, fazendo com que o corpo da 
mangueira fique dobrado ao meio um paralelamente ao outro. 
b) Bombeiro deve então ir até onde a mangueira foi dobrada e definir uma 
distância igual ao comprimento da perna (cerca de 60 cm). 
c) Dobre a extremidade contrária as das juntas, em aproximadamente em (20 cm), 
e dobre novamente para enrolar completamente a mangueira. 
219 
 
 
d) Quando chegar ao final, apoia a mangueira no chão, usando as mãos e os 
joelhos para ajustá-lo. Puxe as juntas da mangueira até ficar bem 
acondicionada. Dada a distância correta no início do enrolamento, a distância 
entre as juntas no final do enrolamento deve ser de 5 (cinco) a 10 (dez) cm. O 
procedimento é o mesmo para mangueiras de outros tamanhos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 75 - Acondicionamento de mangueira com 1 bombeiro 
 Fonte: CBMAM 2022 
 
 Execução com 2 bombeiros 
 
a) Cada Bombeiro pega uma união e, afastando-se um do outro, puxa a 
mangueira até o chão para que ela não fique torcida. Após isso, um militar 
permanece segurando uma das juntas enquanto o outro leva a extremidade 
oposta e a posiciona sobre o outro lance guardando uma distância entre as 
juntas de 40 a 50 centímetros uma da outra. 
b) Enquanto, um dos Bombeiros fixa com os pés a mangueira no solo, segurando 
as duas partes da mangueira juntas, o outro combatente, estende e alinha a 
mangueira, de maneira a sobrepor a mesma. 
c) Após o alinhamento, faça uma primeira dobra de cerca de 20 cm de 
comprimento e depois dobre novamente para envolver a mangueira 
continuamente até o final. O Bombeiro que segura a extremidade, deixará a 
mesma ao solo, e dará auxílio ao outro combatente no acondicionamento. O 
220 
 
 
procedimento é o mesmo para mangueiras de tamanhos diferentes, apenas a 
distância de posicionamento da junta de união muda ao dobrar. 
d) Quando terminar de enrolar, coloque a mangueira no chão, alinhando-a nas 
mãos e nos joelhos e puxando as juntas, aplicando pressão à mangueira para 
facilitar o transporte. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 76 - Acondicionamento com dois bombeiros 
 Fonte: CBMAM 2022 
 
Desenrolando mangueira aduchada pelo seio 
O militar deverá segurar a mangueira com as conexões voltadas para a direção 
que deseja estendê-las. Pressione o lance de mangueira, usando o dedo indicador, o 
médio e o polegar. Ao lançar a mangueira, as juntas devem permanecer na mão do 
bombeiro. Se as conexões não forem fixadas corretamente, eles cairão no chão e 
serão avariadas. Jogue a mangueira na direção em que deseja com um movimento 
de arremesso semelhante ao usado no boliche. 
221 
 
 
Com as conexões no chão, o bombeiro pode jogar ou empurrar a parte enrolada 
da mangueira para frente. 
 
Figura 77 - Desenrolando mangueira aduchada 
Fonte: CBMAM 2022 
 
Acondicionamento em “z” 
 
 O Bombeiro deve estender a mangueira em uma superfície limpa, enquanto o 
combatente deve garantir que a mangueira não esteja torcida ou inundada. Em 
seguida, ajoelhado (4 pontos de apoio), pegue uma das conexões e coloque-a na 
forma da letra "C", estendendo a mangueira de um pé, passando pela frente, até 
encontrar-se com o outro pé. Conecta as juntas com uma mão sem deixar dobrar, e 
com a outra mão segurando faça o contorno prendendo-a. Com a mão que segurava 
a junta no lugar, force a mangueira fazendo o contorno novamente sem afrouxar o 
arco. Ao chegar novamente ao final da conexão, pegue a conexão e o corpo da 
mangueira em suas mãos e faça uma nova curva em ziguezague, repetindo isso 
continuamente até o final da mangueira. 
 Para transportar a mangueira em “Z”, o militar deve colocar a mangueira sobre 
o ombro, com conexão inferior voltada para a frente (onde a conexão com o esguicho 
ou outra conexão será feita posteriormente) com a conexão superior voltada para 
cima. A finalidade da conexão voltado para trás é de conectar-se com uma expedição 
ou divisor. 
 
222 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 78 - acondicionamento em “Z” 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Acondicionamento em “o”: 
 
Muito semelhante ao acondicionamento em “Z”, a diferença é que o movimento 
de um é oposto ao do outro. Enquanto as conexões da mangueira em “Z” estão do 
lado de fora, uma das conexões da mangueira em "O" fica do lado de dentro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6: Acondicionamento em “O” 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
223 
 
 
▪ Acondicionamento em fardos: 
 
• Fardo de ligação: são duas mangueiras de 2½ (63 mm) acondicionadas em “Z” 
sobrepostas e conectadas uma na outra. Após sobrepor e conectar uma 
mangueira na outra, 1 ou 2 bombeiros executarão três amarrações: uma em 
cada extremidade e uma no centro do fardo, utilizando barbante. 
 
• Fardo de ataque: são duas mangueiras de 1½ (38 mm) acondicionadas uma 
em “Z” e a outra em “O” sobrepostas e conectadas uma na outra, sendo que a 
mangueira acondicionada em “O” recebe o esguicho na conexão livre. Após 
sobrepor e conectar uma mangueira na outra, 1 ou 2 bombeiros executarão 
quatro amarrações: uma em cada extremidade, uma no centro e outra fixando 
o esguicho ao fardo, utilizando barbante. 
 
Seção 2 - Armação de Mangueiras para o combate 
 
As armações de mangueira são as formações empregadas para o fornecimento 
de água ou espuma para realizar as atividades de combate a incêndio. 
 
Terminologia: 
 
a) Lance: é uma única mangueira de 2½ (63 mm) ou 1½ (38 mm) polegadas. 
b) Ligação: é a mangueira ou série de mangueiras de 2½ polegadas (63 mm) que 
canalizaa água da boca de expulsão da viatura, hidrante ou outro manancial 
até o divisor. Conta-se essas mangueiras a partir do manancial em direção ao 
divisor. 
c) Linha: é a mangueira ou série de mangueiras de 1½ polegadas (38 mm) que 
canaliza a água do divisor ao esguicho. Contam-se essas mangueiras a partir 
do divisor em direção ao esguicho. 
d) Linha direta: é a mangueira ou série de mangueiras de 2½ (63 mm) ou 1½ (38 
mm) polegadas que canaliza a água da boca de expulsão da viatura ou hidrante 
ao esguicho, sem passar pelo divisor. As mangueiras são contadas a partir do 
manancial em direção ao esguicho. 
224 
 
 
e) Linha simples: é a armação de uma única linha de mangueira, conectadas à 
boca de expulsão direita do divisor, ou conforme determinação do chefe da 
guarnição. 
f) Linha dupla: é a armação de duas linhas de mangueira, conectadas, 
preferencialmente, nas bocas de expulsão esquerda e direita do divisor. 
g) Linha tripla: é a armação das três linhas de mangueira, ocupando todas as 
bocas de expulsão do aparelho divisor. 
h) Bomba armar: é o conjunto de operações que se processa no estabelecimento 
dos equipamentos, para a montagem das ligações e linhas de mangueira. 
i) Bomba desarmar: é o conjunto de operações que se processa de modo inverso 
ao estabelecimento, visando o recolhimento do material empregado no 
combate. 
j) Resposta Operacional 1 (rápida): é o estabelecimento de mangueiras pré 
conectadas ao divisor e ao esguicho acondicionadas em “Z” em um local da 
viatura que comporte os fardos. 
k) Resposta Operacional 2: é o estabelecimento de 2 fardos de ligação, divisor e 
1 fardo de ataque, em um local da viatura que comporte os fardos 
Posições de combate: são posturas que o chefe e o auxiliar de linha devem 
realizar durante as ações de combate. O Chefe de linha se posiciona de pé segurando 
o punho do esguicho com uma das mãos, enquanto a mangueira passa por baixo da 
axila do mesmo lado. A mão oposta, por sua vez, vai se posicionar na alavanca de 
abertura e fechamento do esguicho. O Auxiliar de linha se posiciona logo atrás 
(distância de um braço), do lado contrário ao chefe e segura a mangueira com as duas 
mãos, tendo o cuidado, durante a progressão para não empurrar e nem travar a 
mangueira, mas apenas movimentá-la de acordo com a necessidade. 
O treinamento da execução da bomba armar e bomba desarmar é para que o 
militar obtenha agilidade e maneabilidade com o equipamento de combate a incêndio, 
permitindo que ele saiba como montar o estabelecimento da melhor maneira e 
conhecendo o local de cada equipamento na viatura e adquirindo destreza no encaixe 
das conexões. A montagem de ligação e linhas deve ser treinada com a guarnição 
como em um socorro real, ou seja, com os bombeiros utilizando todos os itens de 
proteção individual e respeitando a fase de reconhecimento (levantamento de dados 
sobre o incêndio). De posse das informações, deve-se elaborar a tática de ação (quem 
225 
 
 
vai fazer o quê e onde), para então se estabelecer os materiais e a guarnição dentro 
do que foi planejado. 
As armações de mangueiras para combate a incêndio podem ser 
desenvolvidas em três planos: 
• Plano horizontal – quando o combate ao fogo for no mesmo pavimento onde 
se encontram as viaturas de combate a incêndio. 
• Plano vertical – quando for necessário subir ou descer as linhas, ou a ligação, 
até a localização das chamas. 
• Plano misto – quando o combate for feito das duas formas anteriormente 
citadas de maneira simultânea. 
Os treinamentos são iniciados com técnicas de estabelecimento no plano 
horizontal, para somente depois, realizar estabelecimentos no plano vertical e misto, 
ou seja, deve-se começar pelas técnicas mais simples para depois passar as mais 
complexas, a fim de que a tropa adquira, de forma progressiva, agilidade, segurança 
e experiência no manuseio dos materiais. 
Seção 3 - Treinamento de Maneabilidade de Incêndio 
Toda ação de combate a incêndio deve ser organizada mediante vozes e/ou 
gestos de comando, que são comunicações feitas de forma clara, para dar ordens ou 
para informar sobre a execução de uma ação. 
É importante salientar que a utilização do equipamento de proteção respiratória 
autônomo provavelmente atrapalhará a comunicação por voz, sendo necessário 
chegar perto do interlocutor, tocar o seu capacete ou cilindro para chamar a atenção 
e falar pausadamente, solicitando sempre a confirmação de compreensão da 
mensagem. 
Para um treinamento mais próximo da realidade, a montagem de ligação e 
linhas deve ser treinada com os bombeiros utilizando todos os itens de proteção 
individual e respeitando a fase de reconhecimento (levantamento de dados sobre o 
incêndio). De posse das informações, deve-se elaborar a tática de ação (quem vai 
fazer o quê e onde), para então se estabelecer os materiais e a guarnição dentro do 
que foi planejado. 
226 
 
 
 
Montagem de Estabelecimento (Água) 
 
O estabelecimento nada mais é do que a operação referente à disposição tática 
do material e equipamento de combate a incêndios. Componentes de uma Guarnição 
(Ampliada) 
 
a) Ch. de guarnição 
b) Operador(condutor) 
c) Armador de Ligação 
d) Auxiliar de Ligação 
e) Ch. Da 1° Linha 
f) Aux. da 1°Linha 
g) Ch. da 2° Linha 
h) Aux. da 2°Linha 
i) 
 Bomba Armar com Guarnição Ampliada (08 Homens) 
 
 Ao comando de “Guarnição de bomba armar”, considerando o 
estabelecimento básico formado por 01 (uma) mangueiras de 2¹/²” como ligação e 
02 linhas de ataques com 01 (uma) mangueira de 1¹/²” em cada linha, a guarnição 
procederá da seguinte forma: 
 
a) Chefe da guarnição: após comandar “guarnição de bomba armar”, munir-
se-á do divisor, transportando-o até as proximidades do sinistro, em local 
determinado pelo mais antigo presente, colocando-o sobre a perna direita 
e aguardará o acoplamento da ligação e das linhas de ataque. Após os 
anúncios de “pronto”, comanda “bomba funcionar” e vai para frente das 
linhas (junto dos chefes de linhas) exercer o comando, ficando a manobra 
das válvulas do divisor a cargo do armador e ligação. 
b) Condutor Operador: a ele caberá a função de operar o corpo de bomba. 
c) Armador de ligação: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-
se-á de 01 (uma) extremidade da mangueira de 2¹/²”, desenrolando-a até o 
divisor e fará o acoplamento à boca admissora do divisor e dará pronto a 
227 
 
 
ligação posicionando-se em seguida próximo ao divisor e permanece 
naquele local aguardando ordens. 
d) Auxiliar de ligação: para o lado direito ao comando de “guarnição de bomba 
armar, munir-se-á de 01 (uma) mangueira de 2¹/²” lançando-a e conectando 
a extremidade à boca expulsora da bomba e entrega a outra junta ao 
armador. O auxiliar de ligação, após corrigi-la, desloca-se para o divisor, 
posicionando-se próximo a este aguardando ordens. 
e) Chefe 1° da linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-
á de uma chave de mangueira e de um esguicho, deslocando-se para junto 
do divisor, onde aguardará o seu auxiliar, fazer o lançamento da mangueira 
de 1¹/²” e lhe entregar uma junta para conexão do esguicho, ficando do lado 
esquerdo da linha. 
f) Auxiliar da 1° linha : ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-
se-á de uma chave de mangueira e de uma mangueira de 1¹/²” 
desenrolando-a para o lado direito; entregará uma das juntas ao chefe da 
linha e acoplará a outra a boca expulsora da direita do divisor, corrigirá a 
mangueira, fazendo um “seio” e após ordem do chefe da linha, dará o 
anúncio “linha da direita pronta”, posicionando-se em seguida à retaguarda 
deste a uma distância de aproximadamente 1 metro, ficando do lado oposto 
a do chefe da sua linha 202 
g) Chefe da 2° linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-
á de uma chave de mangueira e de um esguicho, deslocando-se para junto 
do divisor, onde aguardará o seu auxiliar fazer o lançamentoda mangueira 
de 1¹/²” e lhe entregar uma junta para conexão do esguicho, ficando do lado 
esquerdo da linha. 
h) Auxiliar da 2°linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-
á de uma chave de mangueira de 1¹/²”, desenrolando-a para o lado 
esquerdo entregará uma das juntas ao chefe da linha e acoplará a outra à 
boca expulsora da esquerda, corrigirá a mangueira, fazendo um “seio” e 
após ordem do chefe de linha dará o anúncio “linha da esquerda pronta”, 
posicionando-se em seguida à retaguarda deste, à uma distância 
aproximadamente de 1 metro, ficando do lado oposto à do chefe da sua 
linha. 
228 
 
 
Observações: 
 
• Havendo necessidade de mais de uma mangueira de 2¹/²” na ligação, o 
armador de ligação armará as mangueiras pares (2ª,4ª,6ª,8ª, etc) e seu 
auxiliar armará as ímpares (3ª,5ª,7ª, etc). Após isto seguirão os mesmos 
procedimentos do estabelecimento padrão, caso haja necessidade de se 
isolar ou operar qualquer material o cmt da guarnição fará uso primeiro do 
auxiliar da ligação e depois do chefe da ligação. 
• Havendo necessidade de se armar mais de um lance de mangueiras na 
linha de ataque 1¹/²”, no primeiro momento o auxiliar armará as mangueiras 
ímpares (3ª,5ª,7ª, etc) e o chefe da linha armará os pares (2ª,4ª,6ª, etc). 
Após isto, seguirão os mesmos procedimentos do estabelecimento com a 
guarnição ampliada. 
• Ao lançar as mangueiras das linhas de ataque, no estabelecimento com 
guarnição ampliada, os auxiliares deverão fazê-lo ligeiramente para as 
laterais do divisor, propiciando ao comandante da guarnição progredir em 
direção ao sinistro ao lado das linhas formadas. 
• Todos os componentes da guarnição deverão conduzir uma chave de 
mangueira. 
• Todas as mangueiras deverão ser transportadas em “forma de garra” 
(Método tradicional do transporte de mangueiras aduchadas). 
 
Bomba Desarmar Guarnição Ampliada: “Guarnição De Bomba Desarmar” 
 
a) Chefe da Guarnição: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará 
o desacoplamento de todas as mangueiras que estejam ligadas ao divisor 
e transportará o mesmo para as proximidades da boca expulsora do ABT 
(Viatura de combate a incêndio – Auto Bomba Tanque). 
b) Condutor Operador: a ele caberá a função de operar o corpo de bomba. 
c) Armador de Ligação: ao comando de” guarnição de bomba desarmar”, 
aguardará a retirada de água da mangueira que será feito sentido 
ABT/INCÊNDIO, e em seguida levará a extremidade da mangueira de 2¹/²” 
em direção ao ABT, colocando a junta a uma distância de 
229 
 
 
aproximadamente 1m da junta que foi desconectada da boca expulsora, em 
seguida auxiliará o enrolamento da mangueira. 
d) Auxiliar de Ligação: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará 
o desacoplamento da mangueira de ligação, já desaguando-a, e em 
seguida fará o enrolamento dela, com o auxílio do armador de ligação, 
transportando-a até as proximidades da boca expulsora do ABT. 
e) Chefe da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, 
desacoplará o esguicho da mangueira colocando-o no chão, aguardará a 
retirada de água da mangueira, em seguida transportará a extremidade da 
mangueira até as proximidades da outra junta, (que estará próximo ao local 
onde estava o divisor). E em seguida auxiliará no enrolamento da 
mangueira, após o enrolamento voltará até onde se encontra o esguicho 
transportando-o até as proximidades da boca expulsora do ABT. 
f) Auxiliar da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará 
a retirada de água da mangueira sentido ABT/INCÊNDIO, enrolando-a 
sentido INCÊNDIO/ABT, e transportando-a até as proximidades da boca 
expulsora do ABT. 
g) Chefe da 2° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, 
desacoplará o esguicho da mangueira colocando-o no chão, aguardará a 
retirada de água da mangueira, em seguida transportará a extremidade da 
mangueira até as proximidades da outra junta, (que estará próximo ao local 
onde estava o divisor). E em seguida auxiliará no 204 enrolamento da 
mangueira, após o enrolamento voltará até onde se encontra o esguicho 
transportando-o até as proximidades da boca expulsora do ABT. 
h) Auxiliar da 2° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará 
à retirada de água da mangueira sentido ABT/INCÊNDIO, enrolando-a 
sentido INCÊNDIO/ABT, e transportando-a até as proximidades da boca 
expulsora do ABT. Observação: Antes dos materiais serem guardados nos 
respectivos locais, serão conferidos e verificados a sua operacionalidade. 
 
Bomba Armar com Guarnição Reduzida (04 Homens) 
 
230 
 
 
Descrição Ao comando de “Guarnição de bomba armar”, considerando o 
estabelecimento reduzido em função do efetivo, ficará da seguinte maneira: 01 
mangueira de 2 ¹/²” na ligação e 01 mangueira de 1¹/²” na linha da direita, a guarnição 
procederá da seguinte forma: 
Composição: 
a) Chefe de guarnição; 
b) Operador; 
c) Chefe da 1° Linha; 
d) Auxiliar da 1°Linha. 
 
Função: 
a) Chefe da guarnição: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-á de 
um divisor transportando-o até o local por ele determinado, devendo ainda fazer a 
conexão das mangueiras de 2¹/²” e de 1¹/²” respectivamente no divisor. OBS: Antes 
de iniciar a montagem do estabelecimento todas as alavancas do divisor devem 
estar fechadas, deverão ainda ser feitas as conexões das linhas no divisor 
iniciando sempre pela direita. 
b) Operador(condutor): ao comando de “guarnição de bomba armar “fará o 
acoplamento da ligação e em seguida vai operar o corpo de bomba. 
c) Chefe da 1° linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-á de uma 
mangueira de 1¹/²” e de um esguicho de 1¹/²” deslocando- 205 se até o divisor, 
onde irá arremessar e desenrolar a mangueira entregando uma junta ao 
comandante da guarnição, logo em seguida conecta o esguicho e dá o pronto de 
“linha da direita pronto”. 
d) Auxiliar da 1° linha: ao comando de “guarnição de bomba armar”, munir-se-á de 
uma mangueira de 2¹/²” fazendo o seu lançamento para o lado direito, entregando 
uma das juntas para o motorista que vai acoplá-la na boca de expulsão da viatura, 
o auxiliar deverá estender a mangueira e entregar a outra extremidade ao 
comandante da guarnição deslocando-se para se postar imediatamente atrás do 
lado oposto do chefe da linha da direita. 
 
Observação: Todas as mangueiras deverão ser transportadas em forma de 
garra. 
231 
 
 
Bomba Desarmar Guarnição Reduzida 
 
Descrição Comando: “Guarnição de Bomba Desarmar” 
a) Chefe de Guarnição: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará o 
desacoplamento de todas as mangueiras que estiverem ligadas ao divisor e 
transportará o mesmo para as proximidades da boca expulsora da viatura. 
b) Operador: deverá operar o corpo de bomba. 
c) Chefe da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará o 
desacoplamento do esguicho, colocando-o no chão, fará o dobramento da 
mesma, e deverá ajudar o auxiliar de linha a enrolar as mangueiras de 1¹/²” e 
2¹/²”, transportando o esguicho até as proximidades da boca expulsora do ABT. 
d) Auxiliar da 1° linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará o 
desacoplamento da mangueira de ligação da boca expulsora do ABT, fazendo 
a retirada de água da mesma, dobrando-a e enrolando-a, transportando as 
mangueiras de 1¹/²” e 2¹/²” até as proximidades da boca expulsora da viatura. 
 
Observação: Antes dos materiais serem guardados nos respectivos locais, 
serão conferidos e verificados a sua operacionalidade. 
 
• Todas as mangueiras deverão ser transportadas em forma de garra. 
• Todos os componentes da guarnição deverão transportar uma chave de 
mangueira. 
 
Bomba Desarmar Guarnição Padrão Comando: “Guarnição de Bomba 
Desarmar” 
 
a) Chefe da Guarnição: ao comando de “guarnição de bomba desarmar” fará 
o desacoplamento de todas as mangueiras que estejam ligadas ao divisor 
e transportará o mesmo para as proximidadesda boca expulsora do ABT. 
b) Operador: a ele caberá a função de operar corpo de bomba. 
c) Chefes de Linhas: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, 
desacoplará o esguicho da mangueira colocando-o no chão, aguardando à 
retirada de água da mangueira, em seguida transportará uma das 
extremidades da mangueira até próximo do local onde se encontrava o 
232 
 
 
divisor respeitando a distância das juntas aproximadamente 1m, auxiliando 
no enrolamento da mangueira, transportando-a juntamente com o esguicho 
até as proximidades da boca expulsora do ABT. 
d) Auxiliar da 1° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará 
a retirada de água da mangueira da linha de ataque, enrolando-a com 
auxílio do chefe de linha. Em seguida fará o desacoplamento e a retirada 
de água da mangueira de ligação sentido ABT/INCÊNDIO, enrolando-a 
com ajuda do auxiliar da linha da esquerda. 
e) Auxiliar da 2° Linha: ao comando de “guarnição de bomba desarmar”, fará 
a retirada da água da linha de ataque, enrolando-a com o auxílio do chefe 
de linha. Em seguida levará a extremidade da mangueira de 2¹/²” em 
direção ao ABT, colocando-a a uma 208 distância de aproximadamente 1m 
da junta que foi desacoplada da boca expulsora do ABT, auxiliando no 
enrolamento dela. 
 
Seção 4 - Respostas Operacionais 
 
Resposta Operacional 1 
 
• O chefe da 1° linha: assume o esguicho já conectado na mangueira de 1/1/2 
acondicionada em “Z” e se encaminha em direção ao local sinistrado; 
• O Auxiliar da 1° linha: ajuda a desfazer a mangueira de 1/1/2 acondicionada 
em “Z” e se posiciona a retaguarda do chefe da linha; 
• O Chefe da guarnição: assume o divisor e ajuda a desfazer a mangueira de 
2/1/2 já conectada no mesmo 
• O Operador (condutor): aciona a bomba e conecta a mangueira de 2/1/2 na 
boca expulsora da viatura. 
 
Resposta Operacional 2 
 
• O chefe da 1° linha: assume o fardo de ataque e posiciona no ombro; 
• O auxiliar da 1° linha: assume 01 fardo de ligação e posiciona no ombro; 
• O chefe da 2° linha: assume outro fardo de ligação e posiciona no ombro; 
233 
 
 
• O chefe de guarnição: conduz o divisor; 
• O operador (condutor): Ajuda a desfazer o fardo de ligação do chefe da 2° 
linha e conecta uma das extremidades na boca expulsora da viatura. 
Dinâmica da montagem da Resposta Operacional 2 
 
Após o chefe da 2° linha posicionar o fardo de ligação no ombro, o 
operador(condutor) rompe o barbante que amarra a extremidade do fardo e 
conecta a mangueira da boca expulsora da viatura, enquanto o chefe da 2° linha 
avança; 
Em seguida o chefe da 2° linha desfaz todo seu fardo e rompe o barbante 
que amarra a extremidade do fardo do auxiliar da 1° linha e conecta a sua 
mangueira, enquanto o auxiliar da 1°linha avança; 
Com os dois fardos de ligação montados e estabelecidos o chefe de 
guarnição conecta o divisor na extremidade da mangueira do auxiliar da 1° linha 
e certifica-se que as saídas estão fechadas e pede que o Operador pressurize o 
sistema, enquanto que o auxiliar da 1° linha rompe o barbante do fardo de ataque 
do chefe da 1° linha e conecta em uma das saídas do divisor, e o chefe da 1° linha 
avança desfazendo a mangueira que está acondicionada em “Z”, após desfazer 
a mangueira em “Z” o chefe da 1° linha põe o fardo no chão e não desfaz a 
mangueira acondicionada em “O” que está conectada ao esguicho, o auxiliar da 
1° linha pede para o chefe de guarnição abrir a saída do divisor e pressurizar a 
linha, com a pressão o barbante da mangueira acondicionada em “O” romperá e 
o chefe e o auxiliar da 1° linha inicia o combate. 
 
Linhas de Espumas 
 
Composição (Utilizando Misturador Entrelinhas): 
a) Comandante 
b) Operador 
c) Chefe de Linha de Espuma 
Auxiliar de Linha de Espuma Ao comando de “guarnição de espuma armar 
“considerando o estabelecimento com 04 (quatro) homens, ficará da seguinte 
maneira: 01 (um) lance de mangueira de 2 ¹/²” até o aparelho entrelinhas, outro lance 
234 
 
 
de mangueira de 2 ¹/²” ligado da boca de saída do aparelho retro citado até o esguicho 
lançador de espuma, sendo que a linha ficará a esquerda do tambor de LGE. 
Chefe da Guarnição: após comandar “guarnição de espuma armar”, munir-se-
á do aparelho entrelinhas e uma das juntas da mangueira de 2 ¹/²” estendendoa até o 
local por ele determinado, acoplando a junta ao aparelho. “Abrindo o tambor de LGE 
e introduzindo o tubo pescante nesse, além de selecionar a percentagem para o uso, 
e aguardará a linha pronta para comandar Bomba Funcionar. 
Condutor Operador: a ele caberá receber o tambor de LGE, do chefe de linha, 
colocando-o no solo, passando a operar o corpo de bomba do ABT. 
Chefe de Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de espuma armar”, 
subirá no ABT para apanhar o tambor de LGE passando-o ao operador, em seguida 
descerá do ABT, transportando o tambor retro citado até as proximidades do aparelho 
entrelinhas, logo após munir-se-á do esguicho lançador de espuma, deslocando-se 
até a frente da linha onde juntamente com o auxiliar de linha fará o acoplamento, 
ficando do lado esquerdo da linha. 
Auxiliar da Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de espuma armar”, 
munir-se-á de uma mangueira de 2¹/²” desenrolando-a e acoplando uma de suas 
extremidades na boca expulsora do ABT e entregando a outra extremidade ao 
comandante da guarnição. Em seguida munir-se-á de outra mangueira de 2¹/²”, 
conduzindo-a até as proximidades do aparelho entrelinhas e desenrolando-a e 
acoplando uma das extremidades na boca de saída do aparelho entrelinhas, a outra 
extremidade será acoplada ao esguicho lançador de espuma pelo chefe e auxiliar da 
linha de espuma, ficando do lado oposto do chefe de linha de espuma. E expressará 
“Linha de Espuma Pronta”. 
 
Guarnição de Linha de Espuma Desarmar (Misturador Entre-Linhas) 
 
a) Chefe da Guarnição: ao comando de “guarnição de linha de espuma 
desarmar”, que será dado por este, fará a retirada do tubo pescante do 
tambor de LGE e desacoplará as mangueiras presas ao aparelho 
entrelinhas, levando-o até as proximidades da boca expulsora do ABT e 
retornará para apanhar o tambor de LGE. 
235 
 
 
b) Condutor Operador: a ele caberá o desacoplamento da extremidade presa 
à boca expulsora do ABT, isso após o fechamento da válvula de fluxo do 
corpo de bomba. 
c) Chefe da Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de linha de espuma 
desarmar”, desacoplará o esguicho lançador de espuma juntamente com o 
auxiliar e deixará no chão. Dobrando a mangueira após a retira de água 
feito pelo auxiliar da linha e ajudando a enrolá-la. Para o lance de 
mangueira anterior ao aparelho entrelinhas usar o mesmo procedimento. 
Feito isso o chefe de linha conduzirá o esguicho até as proximidades da 
boca expulsora do ABT. 
d) Auxiliar da Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de linha de 
espuma desarmar”, desacoplará juntamente com o chefe da linha o 
esguicho da mangueira, retirando a água e enrolando Com o auxílio do 
chefe da linha. Para o lance de mangueira anterior ao aparelho entrelinhas 
usar o mesmo procedimento. Feito isso o auxiliar da linha conduzirá as 
mangueiras até as proximidades da boca expulsora do ABT. Observação: 
Antes dos materiais serem guardados nos respectivos locais, serão 
conferidos e verificados a sua operacionalidade. 
 
 Componentes de uma Guarnição de Espuma (Esguicho Gerador de Espuma): 
 
 Composição: 
 
a) Chefe de guarnição; 
b) Operador. 
c) Chefe de Linha de Espuma. 
d) Auxiliar da Linha de Espuma. 
 
Ao comando “guarnição de espuma armar”, considerando o 
estabelecimento com 04 (quatro) homens, ficará da seguinte maneira: 01 lance de 
mangueira de 2¹/²” entre o ABT e o esguicho gerador de espuma, sendo que a 
linha ficará a esquerda do tambor de LGE. 
Cmt da Guarnição: após comandar “guarnição de espuma armar”, munir-
se-á do tambor de espuma, o qual, receberá do chefe de linha de espuma,conduzindo-o até o local por ele determinado e abrindo-o . E aguardará a linha 
pronta para comandar “Bomba Funcionar”. 
236 
 
 
Operador: a ele cabe operar o corpo de bomba. 
Chefe de Linha de Espuma: ao comando de “guarnição de espuma armar”, 
subirá no ABT, para apanhar o tambor de LGE, passando-o ao cmt da guarnição. 
Em seguida munir-se-á do esguicho gerador de espuma, deslocando até as 
proximidades do tambor de LGE, onde aguardará para o acoplamento do esguicho 
gerador de espuma, que será feito por este e pelo auxiliar da linha, ficando do lado 
esquerdo da linha. 
Auxiliar da Linha de Espuma; ao comando de “guarnição de espuma armar”, 
munir-se-á de uma mangueira de 2¹/²”, lançando-a e acoplando uma das 
extremidades na boca expulsora do ABT, transportando a outra extremidade até 
as proximidades do tambor de LGE, onde juntamente com o chefe de linha de 
espuma fará o acoplamento da junta com esguicho gerador de espuma. Cabe a 
este introduzir o tubo pescante do esguicho no interior do tambor de LGE, 
movimentando-o conforme a necessidade do combate a incêndio, ficando do lado 
oposto do chefe de linha. E expressará “Linha de Espuma Pronta”. 
 
Comando: Guarnição de Espuma Desarmar 
 
a) Cmt: após comandar “Guarnição de Espuma Desarmar”, fechará o tambor 
de LGE, conduzindo-o até as proximidades da boca expulsora do ABT. 
b) Condutor Operador: ao comando de “Guarnição de Espuma Desarmar”, 
desacoplará a mangueira de 2 ½ “da boca expulsora do ABT, colocando a 
junta no solo. 
c) Chefe De Linha De Espuma: ao Comando de Guarnição de Espuma 
Desarmar”, fará o desacoplamento do esguicho, colocando-o no solo, em 
seguida fará o dobramento dela, sentido incêndio/ABT ajudando o auxiliar 
no enrolamento que será feito no sentido incêndio/ABT. Logo após fará o 
transporte do esguicho gerador de espuma até as proximidades da boca 
expulsora do ABT. 
d) Aux. de Linha de Espuma: ao comando de “Guarnição de Espuma 
desarmar” fará a retira de água da mangueira de 2 ½ “no sentido 
ABT/Incêndio. Em seguida fará o enrolamento da mangueira de 2 ½ 
transportando-a até as proximidades da boca expulsora do ABT. 
 
237 
 
 
Observação: Antes dos materiais serem guardados nos respectivos locais, 
serão conferidos e verificados a sua operacionalidade. 
 
Seção 5 -Técnicas de Combate 
 
Tipos de jatos 
Para a utilização de água e melhor aproveitamento de seu potencial como 
agente extintor, são utilizados equipamentos hidráulicos que se destinam a 
armazenar, conduzir e lançar água. Tanques armazenam água, hidrantes a fornecem, 
tubulações e mangueiras a conduzem, bombas a impulsionam e esguichos dão 
“forma” ao jato de água. A água pode ser aplicada sob três tipos de jatos: 
• Compacto (sólido); 
• Neblinado; 
• Atomizado (neblinado a baixa vazão). 
Jato compacto 
Jato fechado, produzido pelo esguicho regulável com menor amplitude, toda 
água segue em uma só direção tendo pequena área de abrangência em relação ao 
volume de água. A pequena abertura produz uma descarga de água na qual, há pouca 
divisão de partículas o que diminui a absorção de calor no contato com o combustível 
e outras superfícies aquecidas. Por não estar fragmentado, o jato compacto chegará 
ao ponto desejado com maior impacto, atingindo camadas mais profundas do material 
em chamas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7- Jato compacto 
Fonte: CBMAM, 2022. 
238 
 
 
 
Jato Neblinado 
 
O jato neblinado é produzido pela regulagem do esguicho em ângulos que 
variam da amplitude do jato compacto até a proximidade de 180º de abertura do cone. 
A abertura do cone influencia na aplicação do jato, uma vez que, quanto mais aberto, 
maior é a fragmentação da água, menor é a velocidade do jato, menor é o alcance, 
maior é a absorção de calor e empurra mais ar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 - Jato Neblinado 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Jato Atomizado 
 
O jato atomizado é uma variação do jato neblinado em que o tamanho das 
partículas de água é essencial. Para conseguir que as gotículas obtenham o tamanho 
ideal utiliza-se a vazão de 30 GPM e uma pressão de 100 PSI na ponta do esguicho 
(analisar perda de carga de acordo com a quantidade de linhas armadas e mangueiras 
utilizadas). Este jato é aplicado em PULSOS, ou seja, abertura de até 2 segundos de 
duração, em intervalos curtos que dependem do resfriamento da camada de fumaça. 
O esguicho para se obter esse tipo de jato precisa ter regulagens de vazão, de 
amplitude do cone e manopla de abertura e fechamento. A abertura deve ser rápida e 
o fechamento mais lento para diminuir os efeitos do golpe de aríete. Se as gotículas 
239 
 
 
estiverem no tamanho adequado, é possível observa a suspensão da maioria delas 
por uns segundos no ar antes de caírem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 9 - Jato Atomizado 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Seção 6 - Abordagem de Ambientes Incendiados 
 
Entendemos abordagem como as ações de aproximação, abertura de acesso 
(s) e penetração em um ambiente sinistrado. Entrar em um incêndio é sempre um 
momento crítico que oferece risco ao bombeiro e, dependendo das condições em que 
for feita a entrada ou abertura, pode-se mudar a dinâmica do incêndio, haja vista que 
toda ventilação provoca aceleração da queima e aumento da taxa de liberação de 
calor, devido a ingestão de ar no ambiente, expondo os bombeiros a riscos como os 
fenômenos extremos do fogo. Por isso toda e qualquer abertura demanda cuidados. 
Para entrar na edificação sinistrada deve-se avaliar o incêndio e as condições 
da edificação, escolher o melhor local de se fazer a abertura, executar as ações de 
acordo com a técnica adotada. Antes de entrar em qualquer ambiente sinistrado é 
importante verificar: 
240 
 
 
a) Se existem vítimas e sua localização; 
b) As condições de segurança do local; 
c) As características construtivas da edificação; 
d) O local das saídas para estabelecer rota de fuga (portas, janelas etc.) 
e) Provável localização do foco; 
f) Indicativos de fenômenos extremos do fogo; 
Essas informações são importantes para se obter uma ação de sucesso no 
combate. A melhor escolha para entrada em ambiente sinistrado é em área não 
atingida pelas chamas sendo está entre o foco do incêndio e as vítimas, pois permite 
uma proteção das vítimas e das áreas não atingidas pelo fogo. Caso a guarnição tenha 
optado por utilizar ventiladores, a entrada deverá ser feita pela mesma abertura 
utilizada para entrada de ar, garantindo mais visibilidade e uma temperatura mais 
amena. Ao escolher o local de entrada os bombeiros devem levar em consideração 
os seguintes pontos: 
• Posicionamento: O chefe da linha e seu auxiliar, totalmente equipados (EPI e 
EPRA) devem posicionar em quatro pontos (de joelhos), o auxiliar da linha 
verifica se a porta se encontra destrancada. Caso não esteja, providenciar o 
arrombamento utilizando material adequado de forma que não danifique a porta 
e não promova uma abertura abrupta. O auxiliar verifica se a porta abre para 
dentro ou para fora. Se a porta abre para dentro o chefe se posiciona do lado 
da dobradiça, se a porta abre para fora o chefe se posiciona do lado da 
fechadura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10 – Posicionamento 
241 
 
 
 Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Observação Rotativa: Tanto o chefe de linha quanto seu auxiliar devem 
proceder uma verificação perimetral da porta procurando por sinais que 
indiquem a condição do interior do ambiente sinistrado, buscando verificar em 
qual fase de desenvolvimento o fogo se encontra. Para esta ação observa-se 
a integridade da porta, se tem fumaça saindo sob pressão pelas frestas, a altura 
em que está ocorrendo essa saída, se tem ruídos de aspiração de ar paradentro do local, qual a coloração, densidade, opacidade e velocidade de saída 
da fumaça etc. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11- Observação rotativa 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• Temperatura (tatear): A temperatura da porta deve ser checada à procura de 
indícios que demonstrem a presença e altura da capa térmica. Esse 
procedimento é feito tateando a porta com as mãos de baixo para cima. 
Normalmente a parte inferior está menos aquecida que a parte superior. É 
indispensável a utilização de luvas de combate a incêndio para este 
procedimento. 
 
 
242 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 - Tatear 
Fonte: CBMAM, 2022 
 
• Aguar a porta: com esguicho anteriormente regulado para vazão de 30 GPM e 
jato compacto o chefe de linha, utilizando jato mole, deve molhar a porta de 
baixo para cima, a estrutura em torno dela e a maçaneta para resfriá-los e 
verificar o ponto mais aquecido identificando a altura da camada de fumaça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13 - Aguar 
Fonte: CBMAM, 2022. 
243 
 
 
 
Para confirmação visual da condição no interior do ambiente sinistrado é 
necessário efetuar a técnica de abertura da porta. Sendo assim, o chefe de linha e 
seu auxiliar devem proceder da seguinte forma: 
a) O jato deve ser regulado para uma amplitude de 35º e vazão de 30 GPM; 
b) O chefe de linha lança dois pulsos acima da porta de menos de um segundo 
cada, um sobre a sua cabeça e outro sobre a cabeça do auxiliar, visando deixar 
em suspensão uma neblina de água na região superior próxima à porta. Esta 
ação se deve ao fato de que ao proceder à abertura, os gases aquecidos que 
escapam do interior do ambiente sinistrado se misturarão à neblina e perderão 
calor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 14 - Aplicação do jato em suspenção 
Fonte: CBMAM 2022 
 
 
Imediatamente após o segundo pulso acima da porta, o auxiliar faz uma 
pequena abertura na porta, o suficiente para a passagem do jato de água, enquanto 
o chefe de linha aplica um jato de dois segundos na parte superior do ambiente 
enquanto visualiza as condições no interior. Quando o chefe finalizar o jato o auxiliar 
fecha a porta imediatamente. Depois de realizada a primeira abertura deve-se definir 
por continuar a estabilização ou pelo início da progressão. 
244 
 
 
Nesta primeira abertura deve-se observar se existem chamas visíveis, acúmulo 
de fumaça, a coloração e densidade da fumaça, se há sinais visuais ou audíveis de 
que possa haver vítimas, sinais de colapso de estruturas ou quedas de forros. As 
condições observadas devem ser comunicadas ao comandante de socorro. Se a água 
lançada no ambiente evaporar, se durante a abertura e a aplicação do jato for 
observada saída de fumaça quente ou chamas na parte superior, ou ainda aspiração 
violenta de ar na parte inferior, o ambiente estará em uma temperatura muito alta. 
Neste caso é necessário repetir a técnica de abertura da porta até a estabilização do 
ambiente, possibilitando a entrada e a progressão dos bombeiros. Deve-se aguardar, 
entre uma abertura e outra, um tempo de 5 a 8 segundos. Se a água lançada cai ou 
atinge o teto, então a temperatura é moderada. Neste caso procede-se a entrada no 
ambiente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 15 - Jato tático para estabilização térmica do ambiente 
Fonte: CBMAM 2022 
 
Após os procedimentos de estabilização do ambiente e definido que é possível 
a entrada no local sinistrado, a dupla de ataque realiza a entrada no ambiente 
realizando os dois pulsos acima da porta, o auxiliar abre a porta o chefe da linha 
executa um pulso e realiza a entrada, em seguida o auxiliar também entra no local se 
posicionando na mangueira ao lado oposto ao chefe e fecha a porta. A partir deste 
momento o chefe de linha regula o esguicho para 60º de amplitude do jato. 
245 
 
 
O auxiliar deve se posicionar próximo a porta para mantê-la fechada e irá 
controlar o avanço e recuo da mangueira. Durante a progressão dos bombeiros em 
direção ao foco, portas e janelas devem permanecer fechadas, pois assim evita-se 
uma possível resignação da fumaça provocada pela entrada de ar. 
Enquanto não for estabelecida uma forma eficiente para o escoamento da 
fumaça e que não proporcione risco ao bombeiro e possíveis vítimas, não se deve 
abrir portas e janelas. Essas aberturas podem causar uma ventilação indesejada no 
local, provocando o aumento do foco devido a maior oferta de comburente, levando a 
um aquecimento rápido do local. A abertura de portas dentro do ambiente também 
pode expor vítimas que antes estavam protegidas e provocar a propagação do 
incêndio para locais antes não atingidos. 
Durante a progressão, é importante que tanto o chefe da linha quanto o seu 
auxiliar estejam atentos ao que ocorre no ambiente, sempre observando se tem 218 
alguma vítima no local, se existe a possibilidade de algum material se tornar um foco 
secundário devido à ação da fumaça, se existe aberturas que podem afetar o 
comportamento do fogo, sinais de desabamento etc. Se for necessário chamar a 
atenção do outro bombeiro, deve-se fazê-lo batendo no cilindro ou capacete, sem 
tocar nas roupas de aproximação. Por dentro da roupa são formadas camadas de ar. 
O ar é isolante térmico, essas camadas oferecem proteção ao bombeiro. A 
compressão dos tecidos da roupa interrompe as camadas de ar e pode produzir 
queimaduras na pele do bombeiro. 
Somente o pessoal necessário para o combate deve entrar no ambiente 
sinistrado, estando todos equipados com as devidas roupas de proteção e EPRA. Um 
bombeiro deve permanecer também totalmente equipado, a porta controlando o 
avanço e recuo da mangueira. Dentro do ambiente é útil fazer o Teste de Teto, que 
consiste em lançar para o alto (em direção ao teto) um pulso de jato atomizado 
observando se a água cai ou evapora. Se a água cair, é sinal de que o local não está 
superaquecido sendo possível continuar a progressão. A evaporação da água indica 
que o local está superaquecido e a situação é de risco. Neste caso, aplicar pulsos de 
jato atomizado até que se consiga a estabilização do ambiente para poderem 
continuar avançando. 
A realização dos pulsos atomizados deve ser avaliada para que não seja 
aplicada água em excesso no ambiente, se não estiver havendo a vaporização total 
da água aplicada na fumaça, significa que o ambiente não está tão quente, podendo 
246 
 
 
diminuir o uso da água. Localizado o foco, faz-se o combate ou o seu confinamento, 
conforme a tática adotada. 
 
Seção 7 - Progressão do Bombeiro no Incêndio 
 
O deslocamento do bombeiro no incêndio pode ser realizado de três formas: 
a) Dois pontos; 
b) Três pontos; 
c) Quatro pontos. 
Deslocamento em dois pontos: se não houver risco ocasionado pela fumaça 
os bombeiros devem se deslocar de pé, caminhando normalmente. 
Deslocamento em três pontos: havendo risco ocasionado pela fumaça em 
local onde o terreno é desnivelado, tem escadas ou escombros, os bombeiros devem 
se deslocar em três pontos, tomando posição de combate com um dos joelhos no 
chão, avança tateando o chão com o pé e apoiando o seu peso na perna que estiver 
com o joelho no chão. 
Deslocamento em quatro pontos: havendo risco ocasionado pela fumaça, 
risco de comportamento extremo do fogo, quando for executar técnica de passagem 
de porta, ou entrar em ambiente desconhecido, a dupla de bombeiros progride com 
os dois joelhos no chão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 16 - Progressão em dois, três e quatro pontos respectivamente 
Fonte: CBMAM, 2022. 
247 
 
 
 
Seção 8 - Tipos de Ataque 
 
A aplicação do agente extintor para extinguir o fogo é chamada de ataque. A 
água utilizada num incêndio será bem-sucedida se a quantidadeutilizada for suficiente 
para resfriar o combustível que está queimando para temperaturas abaixo do seu 
ponto de combustão. 
 As técnicas de extinção são determinadas pelas peculiaridades de cada classe 
de incêndio e suas características, sendo que as linhas de ataque devem ser utilizadas 
prioritariamente no combate interno. O ataque deve ser feito preferencialmente da 
área não atingida em direção à área atingida em direção ao exterior da edificação. 
O bombeiro precisa escolher o ataque adequado, para obter a extinção mais 
rápida, mais segura e menos danosa, de acordo com as condições encontradas. É 
preciso evitar trabalharem duas linhas opostas entre si, pois podem lançar vapor e 
fumaça uma em direção a outra. São tipos de ataque: 
• Ataque direto 
• Ataque indireto 
• Ataque transicional 
• Ataque combinado 
• Ataque tridimensional 
 
Ataque direto 
 
Consiste na aplicação de água diretamente sobre à base do fogo, visando 
resfriá-lo abaixo de sua temperatura de ignição. O mais eficiente uso de água para a 
extinção de um incêndio em queima livre é o ataque direto. Não se deve lançar mais 
água que o necessário para a extinção, isto é, quando não se visualizar mais chamas. 
Aplicando-se vazão suficiente, a extinção das chamas é imediata. Se a extinção não 
acontece de imediato, ou a vazão é insuficiente ou existe algum anteparo protegendo 
o foco. 
Aplicar água por mais de 3 segundos na mesma área não aumenta a 
possibilidade de extinguir o fogo e produz vapor excessivo. O tipo de jato adotado, 
podendo ser compacto, neblinado ou atomizado, dependerá principalmente do 
248 
 
 
material combustível em chamas; da extensão atingida pelas chamas e da 
possibilidade de entrar no ambiente sinistrado. 
Pode ser utilizado em incêndios generalizados de compartimentos grandes e 
estruturas inteiras. Nesses locais, em que o foco é extenso, o ataque é mais efetivo 
se aplicado por várias linhas ao mesmo tempo, através de várias janelas, por exemplo. 
Este tipo de ataque pode ser executado de dentro ou de fora do compartimento 
sinistrado, dependendo do grau de envolvimento. 
Se o fogo é localizado logo no início do incêndio, um ataque direto aplicado de 
dentro do ambiente extinguirá rapidamente o foco, atacando a base do fogo no 
material combustível em chamas. Por outro lado, se a estrutura está bastante 
envolvida e a entrada não é possível, o ataque direto de fora do ambiente é geralmente 
a única técnica capaz de controlar o fogo. Vantagens do ataque direto: 
• Pode ser aplicado à distância; 
• É adequado para incêndios tanto em locais abertos quanto em compartimentos; 
• É adequado para a proteção de prédios vizinhos contra a propagação do fogo. 
Desvantagens do ataque direto: 
• O ataque direto utilizado de forma contínua pode exigir muita água, a qual 
escoa do combustível, ou não ser totalmente transformada em vapor 
provocando o “alagamento”; 
• Se for aplicada água em excesso, pode alterar o balanço térmico devido à 
grande produção de vapor; 
• Pode empurrar fumaça para outros compartimentos, o que ameaça a vida de 
vítimas presas pelo aumento da temperatura; 
• Pode levar fragmentos incandescentes até gases pré-misturados, ocasionando 
a ignição de fumaça. Balanço ou equilíbrio térmico é o movimento dos gases 
aquecidos em direção ao teto e a expansão de vapor d´água em todas as áreas, 
após a aplicação dos jatos d´água. Se o jato for aplicado por muito tempo, além 
do necessário, o vapor começará a condensar, causando a precipitação da 
fumaça e dos gases aquecidos do teto para piso, de forma que os produtos 
aquecidos que deveriam ficar ao nível do teto tomarão o lugar do ar fresco que 
deveria ficar ao nível do chão, tornando o ambiente baixo muito quente e sem 
visibilidade. 
 
249 
 
 
Ataque indireto 
 
Consiste na aplicação de água de fora do ambiente sinistrado direcionadas 
para paredes e teto aquecidos pelo incêndio, para formar uma grande quantidade de 
vapor quente e úmido que reduz as chamas e, em alguns casos, chega a extinguir a 
base do fogo. Pela grande quantidade de vapor produzida, oferece risco aos 
bombeiros. O vapor formado também pode sair por pequenas aberturas com pressão, 
bem como empurrar a fumaça para outros ambientes da edificação. 
No ataque indireto, o esguicho será acionado por um período de 20 a 30 
segundos, no máximo. Após o acionamento do esguicho, fecha-se a porta do 
ambiente sinistrado e aguarda por 20 segundos ou menos para que o vapor d’água 
possa extinguir o fogo por abafamento. 
Após a aplicação da água, o bombeiro deverá aguardar a estabilização do 
ambiente, isto é, que as labaredas baixem e se reduzam a focos isolados. Isso poderá 
ser constatado por meio dos seguintes sinais: não mais se vê a luminosidade das 
labaredas; não mais se ouve o som característico de materiais em combustão. Se 
estes sinais não forem constatados, repete-se o procedimento. 
Depois de estabilizado o ambiente, o bombeiro deve entrar no local com o 
esguicho fechado e extinguir os focos remanescentes através de jatos intermitentes 
de pequena duração, dirigidos diretamente à base do fogo. Durante este procedimento 
o bombeiro deverá atentar para que o volume de água utilizado seja o menor possível. 
Neste tipo de ataque, o objetivo é produzir uma grande quantidade de vapor de 
água para resfriar a capa térmica e o cômodo e, indiretamente, apagar o fogo. Como 
não visa o foco, objetos não atingidos pelo fogo podem ser danificados pela água 
utilizada neste tipo de ataque. 
 
Ataque transicional 
 
Consiste na estabilização do ambiente pelo lado de fora, usando a propriedade 
de vaporização da água, para criar melhores condições de entrada no local sinistrado. 
Deve ser executado quando o ambiente está confinado e com alta temperatura, com 
ou sem fogo, devendo atentar para a possibilidade do surgimento de algum dos 
fenômenos extremos do fogo (“backdraft” ou “flashover”). Realiza-se dirigindo um jato 
250 
 
 
d’água compacto para o teto superaquecido, tendo como resultado a produção de 
1.700 litros de vapor para cada litro de água, aproximadamente. 
O esguicho será acionado por um período de aproximadamente 5 segundos, 
não podendo haver excesso de água, o que causaria distúrbios no balanço térmico. 
O processo de estabilização do ambiente será muito rápido e o bombeiro perceberá 
os sinais logo após a aplicação da água. 
Depois de estabilizado o ambiente, o bombeiro deve entrar no local, 
executando os procedimentos de passagem de porta, e executando um ataque de 
dentro do ambiente. Durante a aplicação da água por qualquer abertura da edificação, 
os bombeiros deverão manter-se fora da linha de abertura de portas e janelas, para 
se protegerem da expulsão de gases quentes e vapores que sairão através dessas 
aberturas. 
 
Ataque combinado 
 
Consiste na técnica de geração de vapor combinada com ataque direto à base 
dos materiais em chamas, devendo o esguicho regulável trabalhar com uma abertura 
de 30 graus e uma vazão de 125 GPM, movimentando o de forma a descrever uma 
das seguintes letras: “Z”, “O”, “T” ou “I”, conforme o tamanho do ambiente. 
Para um ambiente de aproximadamente 30 m2, faz-se um grande “Z”, 
começando do alto e indo até próximo do piso. 
Para um ambiente de aproximadamente 20 m2, faz-se um “O”, movimentado 
de forma a descrever um círculo, atingindo o teto, a parede oposta e novamente o 
teto. 
Para um ambiente de aproximadamente 10 m2, faz-se um “T”, começando do 
alto e indo até próximo do piso. 
Para corredores, faz-se um “I” de cima para baixo. Forma-se a letra adequada 
ao tamanho do ambiente e fecha-se o jato. 
Observa-se a ação do jato no ambiente e se necessário repetir o procedimento. 
Formar a letra é um artifício para cobrir todas as superfícies do ambiente e ao mesmo 
tempo limitar a quantidade de água aplicada. Cada letra dura no máximo 2 segundos: 
começa no alto, molhao teto do ambiente, continua atingindo as paredes e termina 
pouco antes de alcançar o chão. 
251 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Blog Bombeiro Osvaldo 
 
 
É importante salientar que para utilização desta técnica é necessário que se 
tenha um ambiente com ventilação adequada. Em casos de formação excessiva de 
vapor, como medida de emergência, os bombeiros podem lançar-se ao solo para 
evitarem sofrer queimaduras. Em seguida, deve ser reavaliada a ventilação do 
ambiente. 
 
Ataque tridimensional 
 
Consiste na aplicação de neblina de água em pulsos rápidos e controlados, em 
que o tamanho das gotas de água é crucial. Método introduzido por bombeiros suecos 
e ingleses, no início dos anos 1980, que usa o jato atomizado para conter a combustão 
na fase gasosa e para prevenir ou reduzir os efeitos do flashover, backdraft e outras 
ignições dos gases produzidos pelo fogo. 
O ataque tridimensional busca a vaporização da água dentro da fumaça. Não 
deve atingir teto e paredes. Atua na fumaça por três mecanismos: diluição, 
resfriamento e diminuição do volume. Foi desenvolvido para prevenir e extinguir as 
chamas na camada de fumaça e gases quentes, sem agravar as condições do 
incêndio pela injeção de água em demasia. 
Aplicar muita água na fumaça pode até extinguir o fogo, mas produz muito 
vapor quente. Este tipo de ataque é adequado para situações em que o foco ainda 
não foi localizado, e ainda é possível entrar no ambiente. O ataque tridimensional na 
fumaça protege as guarnições do calor intenso radiado do teto e evita um 
252 
 
 
comportamento extremo do fogo. É adequado para situações em que existe um 
grande volume de fumaça com pouco ou nenhum fogo aparente. 
Esta técnica possibilita a diminuição do volume da camada de fumaça, 
elevando assim o plano neutro (zona de reação), pois a contração causada pelo 
resfriamento é maior que a expansão da água convertida em vapor, melhorando as 
condições de visibilidade e temperatura. É utilizado durante a progressão da entrada 
até o local onde é possível apagar o fogo. A área máxima evolvida pelo fogo, em cada 
cômodo, não deve ultrapassar 70m2. Acima disso este tipo de ataque não proporciona 
estabilização suficiente para a presença dos bombeiros com segurança. 
A técnica consiste na aplicação de pulsos de baixa vazão (30 GPM), a uma 
pressão de 100 PSI na ponta do esguicho, dentro da camada de gases aquecidos. 
Para tal, o jato deve ser executado através da rápida abertura e fechamento da 
manopla do esguicho, tendo uma duração cerca de 0,1 a 0,5 segundo, direcionados 
à parte mais alta da área sinistrada. Os esguichos devem ser regulados em 60 graus 
de amplitude, o bombeiro deverá posicionar-se agachado, sentado sobre os 
calcanhares, de forma que o jato lançado forme um ângulo de 45 graus em relação 
ao solo. 
 A área de controle pelo ataque tridimensional é limitada pelo alcance do jato e 
pelo tempo durante o qual a fumaça pode ser mantida resfriada, o que depende da 
intensidade do incêndio. 
 Sem ventilação adequada: Nesses ambientes é preciso evitar a formação de 
vapor. Faz-se o ataque direto de forma intermitente (pacote d’água) alternado com 
ataque tridimensional, visando evitar o alagamento e o acúmulo excessivo de vapor 
até a extinção do fogo. A utilização dos pulsos na camada de fumaça se dá para 
controlar sua inflamabilidade. 
 O Pacote d’água é o ataque direto com jato compacto em baixa vazão (30 
GPM). Abre-se e fecha-se o esguicho de forma intermitente. Desta forma a água cai 
como um “pacote de água” sobre uma pequena área. Começa-se da borda do foco, 
apagando pequenas áreas por vez até que se complete a extinção, com o mínimo de 
danos mantendo visibilidade e pouco vapor. 
Este ataque é próprio para focos de até 40 m2, aproximadamente. Pode ser 
usado também quando há ventilação adequada, desde que seja possível aproximar-
se do foco. 
253 
 
 
Com ventilação adequada: Nos ambientes que tenham abertura adiante da 
linha de mangueira que possibilita a saída da fumaça e vapor de água formado durante 
o ataque, pode-se aplicar um jato como uma VARREDURA, lentamente, por 1 a 3 
segundos sobre cada área, começando da periferia do foco. 
Um grande foco pode ser atacado desde modo. Trabalha-se com a maior vazão 
disponível começando de uma área periférica. Ataca-se a área que pode ser 226 
coberta pelo jato, em seguida a próxima, até controlar todo o foco. Como se fosse 
uma fila. Um ataque utilizando alta vazão deve ser seguido imediatamente por outro 
de menor vazão, que irá extinguir os focos menores restantes, antes que o material 
seja reaquecido e volte a queimar. 
Se o foco estiver oculto e for necessário atingir um obstáculo para que a água 
ricocheteie e atinja-o, a aplicação deve durar somente de 1 a 3 segundos sobre cada 
local, variando-se a posição do jato para conseguir atingir o foco. A grandes distâncias, 
usa-se o jato compacto, que se quebra pelo atrito com o ar e torna-se neblinado até 
chegar ao objetivo. A pequenas distâncias, usa-se o jato neblinado aberto até 30 
graus, aproximadamente. Para se controlar grandes focos de incêndio, é importante 
dividir o foco em duas partes, para em seguida atacá-las separadamente. Ao dividir o 
foco, a eficiência do aquecimento diminui. Para tal, ataca-se com maior vazão 
disponível, por um curto período, a área de maior potência do foco, onde as chamas 
são mais altas, pois representa o maior perigo de propagação. Depois ataca-se as 
outras duas áreas separadamente. 
 
Seção 9 - Para Casos de Risco de Backdraft 
 
Quando o cômodo do foco está fechado, ou pode ser fechado, é possível fazer 
um ataque indireto por meio de uma pequena abertura da porta ou uma abertura na 
parede suficiente apenas para passar o esguicho. Isto é especialmente indicado em 
caso de risco de backdraft, pois elimina a necessidade de os bombeiros entrarem no 
ambiente. A abertura deve ser a menor possível, para evitar a entrada de ar fresco 
para o interior do ambiente sinistrado. 
Em um cômodo pequeno, pode-se utilizar um único movimento rápido e circular 
com o esguicho, posicionado mais ou menos ao comprimento de um braço para dentro 
da abertura. Ou pode-se fazer os mesmos movimentos do ataque ZOTI, considerando 
a área do cômodo. Após a aplicação de água nas superfícies quentes, o 
254 
 
 
compartimento deve ser fechado por alguns instantes para reter o vapor. Atenção, 
pois o vapor formado pode sair sob pressão pela abertura. Pode-se repetir este 
procedimento até três vezes, observando o resfriamento. Em seguida, abre o 
ambiente e inicie o rescaldo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
255 
 
 
CAPÍTULO 7 – VENTILAÇÃO TÁTICA 
 
 
Autores: AL OF Alexsander Serzedelo, AL OF Mizael Pereira de Souza, AL OF Pablo Rodrigo 
Nascimento Rocha, AL OF Joaquim de Souza Lima 
 
 
A influência que a movimentação da fumaça no interior da edificação em 
chamas tem sobre a dinâmica do incêndio durante a ocorrência é um dos pontos mais 
relevantes a ser observado pelo comandante do socorro. Deve-se levar em conta que 
as aberturas realizadas na edificação incendiada possibilitarão a alimentação da 
combustão devido a entrada de ar fresco rico em oxigênio. Desta forma, havendo uma 
entrada qualquer de ar no ambiente pode-se dizer que este ambiente está sendo 
ventilado e, neste caso, a fim de prever o efeito que essa ventilação exercerá sobre a 
dinâmica do incêndio, as equipes de bombeiros devem promover o controle da 
inserção de ar na edificação sinistrada e o direcionamento do fluxo da fumaça. À vista 
disso, conceitua-se ventilação tática o controle do fluxo de inserção de ar para dentro 
da edificação incendiada a fim de se direcionar e remover a fumaça por uma saída 
adequada facilitando desta forma as operações de combate a incêndio. 
 
Seção 1 - Fatores de movimentação dos gases 
 
A efetividadeda ventilação tática de certa forma depende do grau de 
conhecimento das equipes de bombeiros sobre os fatores que produzem a 
movimentação e direcionamento da fumaça na edificação incendiada. Estes fatores 
são: 
 
Sobrepressão do compartimento incendiado 
 
A sobrepressão dentro do compartimento incendiado ocorre em função do 
aquecimento dos gases, vapores e líquidos (fluidos) que possam nele existir 
resultando no aumento do seu volume e pressão interna. Esse aumento da pressão 
interna faz com que ocorra a tendência natural desses fluidos aquecidos serem 
expelidos por qualquer abertura existente. 
 
256 
 
 
Empuxo 
 
Durante um incêndio os fluidos se tornam menos densos à medida que são 
aquecidos. Nesse processo a massa dos fluidos permanece constante, porém 
observa-se o aumento de seu volume. Com o transcorrer do tempo, por ação do 
empuxo, os fluidos menos densos tendem a subir até o teto por ação das correntes 
de convecção que se formam, enquanto os menos densos acomodam-se na parte 
inferior do compartimento e a menos que haja uma saída, os fluidos menos densos 
ocuparão toda região mais alta se concentrando no espaço ao redor. A esse processo 
dá-se o nome de efeito cogumelo. 
 
Pressão negativa nos corredores e escadas 
 
De acordo com o Princípio de Bernoulli um fluido em movimento tenderá a 
sofrer diminuição de sua pressão à medida que passar por um estreitamento da 
trajetória de seu fluxo de movimento causando a aceleração desse fluido. Nas 
ocorrências de incêndio, ao passar por uma caixa de escada ou corredor a fumaça 
sofrerá aceleração devido ao estreitamento de seu fluxo de movimento e, de acordo 
com o princípio de Bernoulli sua pressão dentro desses segmentos diminuirá 
promovendo assim um efeito de “sucção” para esses compartimentos. Ou seja, mais 
rapidamente serão preenchidos pela fumaça. 
 
Direção do vento 
 
Deve-se observar que a direção do vento determinará por qual abertura 
ocorrerá a entrada do maior fluxo de ar fresco na edificação, bem como por onde 
predominantemente a fumaça sairá e para onde se dissipará ao sair da edificação. 
 
Seção 2 - Avaliação da necessidade de emprego da Ventilação Tática 
Avaliando a cena 
 
257 
 
 
Ao chegar no local do incêndio uma das primeiras providências a serem 
executadas pelo comandante do socorro é realizar a avaliação da cena com o intuito 
de levantar o máximo de informações possíveis que lhe possam subsidiar o 
planejamento das operações, estabelecendo assim, as prioridades táticas da 
ocorrência e a definição da melhor estratégia e emprego tático dos recursos 
disponíveis. A estratégia e a tática adotadas devem levar em conta os problemas 
observados no incidente. Nesse contexto, em função dos benefícios que pode gerar 
quando suas técnicas são bem executadas deve ser um fator relevante a ser 
considerado pelo comandante do socorro durante uma ocorrência. 
 
Ponderações 
 
Contudo, alguns pontos importantes devem ser considerados antes de dar 
início à ventilação da edificação, uma vez que suprir o incêndio com comburente sem 
que se tenha exata noção dos efeitos dessa ventilação sobre o incêndio poderá 
acarretar graves acidentes, ou ainda na perda do controle do incidente. Diante disso, 
os seguintes fatores devem ser considerados antes de se começar a ventilação do 
local incendiado: 
 
Segurança 
 
• A segurança da equipe de bombeiros que executará as técnicas de ventilação 
tática é o principal fator a ser considerado pelo comandante do socorro: 
• Durante a realização das aberturas que preferencialmente devem ser 
realizadas externamente; 
• Ao entrar no compartimento a ser ventilado; 
• Estabelecer previamente uma rota de fuga para os bombeiros, etc. 
• Ademais, deve-se observar segurança das vítimas remanescentes na 
edificação. 
258 
 
 
 
Figura 79- Abertura realizada pelo lado externo. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Localização do foco 
 
É importante obter conhecimento sobre os focos do incêndio e suas extensões 
na edificação sinistrada a fim de se executar a ventilação tática. Com isto buscar-se-
á prever o efeito que a ventilação exercerá sobre esses focos. 
 
Direção do vento 
 
Não se deve começar uma manobra de ventilação sem considerar o sentido do 
vento, uma vez que ele é um dos fatores determinantes da direção da fumaça. A 
equipe de bombeiros deverá aproximar-se da edificação incendiada 
preferencialmente com o vento pelas costas, ou seja, a favor do vento principalmente 
quando for realizar abertura para a ventilação vertical. 
259 
 
 
 
Figura 80 - Abertura vertical realizada a favor do vento 
Fonte: www.cfbt-us.com/pdfs/VentilationStrategies.pdf 
 
Percurso da fumaça na edificação 
 
Para fins de se definir a melhor técnica de ventilação a ser utilizada deve-se 
observar o caminho natural da fumaça na edificação. Isso permitirá prever o risco de 
propagação do incêndio para outros compartimentos da edificação ou edificações 
vizinhas. Deve-se ter especial cuidado com os fossos e dutos tendo em vista que 
podem conduzir a fumaça para outros compartimentos distantes dos focos de 
incêndio. Outro fator que também deve-se ter cuidado são os tetos falsos que de certa 
forma poderão acumular fumaça gerando situação de risco para as equipes de 
bombeiros. 
 
Local da abertura para a saída da fumaça 
 
Deve-se evitar danos desnecessários às edificações provocados por aberturas 
forçadas de ventilação preferindo-se utilizar as aberturas já existentes. 
Preferencialmente deve-se realizar a abertura para a saída da fumaça o mais próximo 
possível do foco. Isso potencializará a extração da fumaça e evitará seu deslocamento 
para compartimentos ainda não afetados pelo fogo. 
 
Tamanho das aberturas 
 
http://www.cfbt-us.com/pdfs/VentilationStrategies.pdf
260 
 
 
Deve-se ressaltar que o tamanho das aberturas deve ser planejado de tal forma 
que a saída do fluxo de fumaça seja maior do que o fluxo de ar que entra no 
compartimento incendiado. Deve-se realizar a abertura para a saída do fluxo de 
fumaça anteriormente à abertura para a entrada do fluxo de ar fresco. Ressalta-se que 
uma abertura grande é mais eficiente do que várias aberturas menores. 
 
Comunicação da equipe de bombeiros 
 
A fim de se garantir a segurança das equipes de bombeiros e a correta 
execução das técnicas de ventilação tática é de vital importância que todos os 
envolvidos tenham ciência dos procedimentos técnicos, principalmente aqueles que 
já adentraram ou adentrarão na edificação sinistrada. A menos que haja uma situação 
de emergência em que seja necessário dar suporte às equipes de salvamento, as 
técnicas de ventilação tática só devem ser iniciadas após as linhas de combate 
estarem devidamente pressurizadas. Ressalta-se que em toda e qualquer 
circunstância o uso do EPRA será obrigatório durante as operações de combate a 
incêndio independentemente das técnicas de ventilação utilizadas. 
 
Seção 3 - Vantagens da ventilação tática 
 
Fatores positivos de ventilação 
 
Como visto anteriormente a fumaça pode apresentar certas características e 
com base nelas pode-se elencar alguns aspectos positivos de se ventilar um 
compartimento incendiado: quente, opaca, móvel, inflamável e tóxica. 
 
Quente 
 
• Para as equipes de bombeiros que se encontram no interior da edificação as 
condições de trabalho e conforto melhoram à medida que se retira o calor 
oriundos dos produtos da combustão e o vapor d’água provenientes das 
operações de combate e rescaldo; 
261 
 
 
• Limita a propagação do incêndio, minimizando os danos, pois retira a fumaça 
superaquecida que irradia calor para o combustível que ainda não entrou em 
combustão. 
 
Opaca 
 
• À medida que se retira a fumaça da edificação sinistrada as condições de 
visibilidade melhoram para as equipes de busca e salvamento. Da mesma 
forma as vítimas que estejam conscientes têm melhores condições de saíremdo ambiente; 
• Uma vez que as condições de visibilidade melhoram expressivamente, o 
combate direto pode ser executado de forma mais eficaz. 
 
Figura 81 - Comparação entre um ambiente não ventilado e esse mesmo ambiente ventilado - 
melhora da visibilidade para a evacuação das vítimas. 
Fonte: Manual Operacional de Bombeiros: CBMGO. Pag. 233. 
 
Móvel 
• Se o comandante de socorro conhecer os fatores de movimentação da fumaça 
poderá então definir o melhor caminho a ser percorrido por ela e assim poderá 
direcionar todo o seu fluxo para uma rota ou saída desejada. 
Inflamável 
• Ao se executar a ventilação dilui-se a concentração de gases inflamáveis 
provenientes de combustão incompleta. Essa diluição diminui 
262 
 
 
consideravelmente o risco de comportamento extremo do fogo uma vez que 
retira o calor fazendo com que a fumaça se torne menos inflamável. 
 
Tóxica 
 
• Aumenta a possibilidade de sobrevivência das vítimas tendo em vista que torna 
menos tóxica a atmosfera dentro da edificação incendiada. 
 
Seção 4 - Classificação da Ventilação Tática 
 
A fim de se dinamizar o estudo da ventilação tática abordadas nesta seção 
buscou-se classificá-las com base nos seguintes aspectos: o efeito que se busca 
produzir sobre o foco de incêndio, a localização do plano de abertura para a saída de 
fumaça; a necessidade de utilização de equipamento mecânico para sua execução e 
o número de aberturas necessários. Ressalta-se que a classificação pode ser 
simultânea, ou seja, um único procedimento de ventilação poderá ser classificado 
simultaneamente como horizontal, se levar em conta o plano das aberturas, cruzada, 
se levar em conta a distinção da saída de fumaça e a entrada de ar fresco, forçada, 
se levar em conta os meios usados e ofensiva, se levar em conta o efeito que se busca 
produzir sobre o foco. 
 
Classificação quanto ao plano das aberturas 
 
Ventilação tática horizontal 
 
É aquela em que as aberturas para a saída de fumaça e entrada de ar fresco 
nas paredes do compartimento incendiado encontram-se no mesmo plano. Essa 
modalidade de ventilação só poderá ser utilizada em locais onde não seja seguro 
realizar aberturas no teto, quando não for observado o deslocamento da fumaça para 
pavimentos superiores e quando o foco de incêndio ainda for incipiente. 
 
263 
 
 
 
Figura 82 - Ventilação horizontal - aberturas no mesmo plano 
Fonte: https://shop62004.radio53.com/content?c=horizontal%20ventilation&id=20 
 
Vantagens da ventilação tática horizontal 
 
• Facilidade de emprego, haja vista a possibilidade de se utilizar portas e janelas 
como as aberturas pré-existentes na edificação; 
• Menor tempo de execução devido sua facilidade mesmo que seja necessária 
uma abertura forçada. 
 
Desvantagens da ventilação tática horizontal 
 
• Menor eficiência se comparada à ventilação vertical; 
• A ventilação perde eficiência se o compartimento a ser ventilado possuir o teto 
muito alto, pois dificulta aberturas próximas ao teto; 
• Contraindicada para compartimentos que possibilitam o risco de 
comportamento extremo do fogo, principalmente se a ventilação aplicada fora 
natural. 
• Perda considerável da eficiência se não houver oposição entre as aberturas 
para a entrada de ar e a saída de fumaça. 
 
https://shop62004.radio53.com/content?c=horizontal%20ventilation&id=20
264 
 
 
 
Ventilação tática vertical 
 
É aquela onde a abertura para saída de fumaça é realizada superiormente ao 
plano da entrada de ar fresco. Pode ser feito no teto, na parede, rente ao teto ou em 
pavimento superior. Deve ser utilizada em locais com risco de comportamento 
extremo do fogo, em incêndios cujas chamas tenham se propagado para o teto, em 
edificações verticais onde existam poços e dutos e em edificações de teto alto. 
 
 
Figura 83 - Abertura feita no teto - Ventilação vertical 
Fonte: https://www.bombeiros.pt/wp-content/uploads/2013/07/12.VentilacaoTactica.pdf 
 
É contraindicado jogar água nas aberturas utilizadas para a extração da fumaça 
devendo os jatos de água serem aplicados paralelamente à abertura para fins de 
acelerar o fluxo da fumaça, extinguir partículas incandescentes e impedir a ignição da 
fumaça. 
265 
 
 
 
Figura 84 - Jato lançado paralelo à abertura para a saída de fumaça. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
Vantagens da ventilação tática vertical 
 
• Maior eficiência em relação a ventilação horizontal, pois o efeito desejado é 
produzindo mais rápido uma vez que a abertura é feita onde a fumaça está 
mais concentrada; 
• Modalidade mais indicada para ambientes que possibilitem risco de 
comportamento extremo do fogo com a ressalva de que a abertura para entrada 
do ar fresco deve ser limitada. 
 
Desvantagens da ventilação tática vertical 
 
• Maior tempo de abertura forçada, pois geralmente as edificações não possuem 
aberturas naturais no teto. 
• A abertura no teto gera o risco da equipe de bombeiros cair dentro do incêndio. 
• Além dos materiais necessários para forçar uma abertura para saída de fumaça 
necessita-se de outros equipamentos especiais como escadas e auto 
plataformas. 
 
266 
 
 
Seção 5 - Classificação quanto ao número de aberturas 
 
Simples 
 
É menos eficiente que a ventilação cruzada. Ocorre quando a saída de fumaça 
e a entrada de ar fresco acontecem na mesma abertura. É utilizada somente quando 
a edificação não apresenta condições de aberturas distintas para a extração de 
fumaça e entrada de ar. O processo de extração da fumaça pode ser acelerado com 
uso de equipamentos mecânicos, contudo a entrada de ar fresco deve ser realizada 
inferiormente ao plano de abertura para a saída da fumaça. 
 
 
Figura 85- Ventilação simples. 
Fonte: Manual Operacional de Bombeiros: CBMGO. Pag. 237. 
 
Cruzada 
 
Quando a entrada de ar fresco e a dissipação da fumaça ocorrem por aberturas 
distintas. A eficiência da técnica é proporcional ao alinhamento dessas aberturas, pois 
caso contrário a corrente de ar criada sofrerá desvios, gerando turbulência, que por 
sua vez diminuirá a velocidade de dissipação da fumaça no ambiente. Havendo 
possibilidade deve-se preferenciar esta técnica por ser mais eficiente e eficaz em 
dissipar a fumaça. 
 
267 
 
 
 
Figura 86 - Ventilação cruzada 
Fonte: Manual Operacional de Bombeiros: CBMGO. Pag. 237 
 
Classificação quanto aos meios usados 
 
Ventilação natural 
 
Quando a extração da fumaça da edificação incendiada acontece sem auxílio 
de equipamentos mecânicos. A simples abertura é suficiente para que as forças que 
condicionam a movimentação da fumaça, no caso o empuxo, sobrepressão a do 
compartimento, a direção do vento e a pressão negativa nos corredores e escadas, 
atuem sobre ela forçando-a a sair. A ventilação natural é potencialmente influenciada 
pela direção e a velocidade do vento por determinarem a direção seguida pela fumaça 
e a velocidade de percepção dos efeitos da técnica. A extração da fumaça e a entrada 
de ar fresco deve obrigatoriamente seguir o sentido do fluxo do vento. 
268 
 
 
 
Figura 87 - Ventilação natural. 
Fonte: https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117 
 
Ventilação forçada 
 
Quando a retirada da fumaça acontece com auxílio de equipamento mecânicos. 
Esta técnica acelera a extração da fumaça, limitando seus danos e possibilita controlar 
o incêndio mais rápido. Deve-se ponderar rigorosamente esta técnica antes de utilizá-
la, principalmente se for por pressão positiva, pois um equivocado suprimento 
excessivo de ar fresco poderá intensificar a combustão possibilitando que a equipe de 
bombeiros perca o controle do incêndio. Esse tipo de ventilação possibilita direcionar 
melhor o fluxo da fumaça, oferecendo uma flexibilidade maior aos bombeiros que 
estão atuando no incêndio. Ainda que seja possível forçar a ventilação contra o vento, 
é preferível que se aproveite a direção do ventopara realizar a ventilação tática 
forçada. 
 
Ventilação por pressão negativa – VPN 
 
Quando é realizada através de exaustores cuja finalidade é acelerar a extração 
da fumaça pela diminuição da pressão dentro do ambiente incendiado. 
 
https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117
269 
 
 
 
Figura 88 - Exaustor elétrico. 
Fonte:https://www.sossul.com.br/admin/files/produto/thumb_2435229d7bb9b9534c0a2ff9ec9ac0941f
dff25.jpeg. 
 
É uma técnica que apresenta limitações que acabam dificultando as operações 
de combate a incêndio, podendo-se destacar: 
 
Demanda de tempo e recursos adicionais para manter o sistema estabilizado 
na abertura de extração da fumaça, que por sua vez deve ser feira na região de maior 
altura possível. 
Deve-se atentar para a existência de barreiras que possam reduzir a eficiência 
da técnica ou objetos que possam ser sugados pelo exaustor. 
Das técnicas de ventilação forçada é a que apresenta menor eficiência de 
extração devido a elevada pressão no interior do ambiente incendiado que ocorre em 
função da expansão dos gases da combustão. 
Apesar das limitações a técnica pode se mostrar vantajosa no direcionamento 
da fumaça por compartimentos que ainda não foram atingidos pelo incêndio, através 
de sua manga/mangote. 
Deve-se considerar a temperatura de trabalho do exaustor a fim de se evitar 
danos em sua estrutura durante seu uso. Por isso seu emprego é mais indicado 
durante a fase de rescaldo quando as temperaturas são mais baixas. 
270 
 
 
 
Figura 89 - Exaustor usado para a VPN e puxar a fumaça de uma estrutura. 
Fonte: https://guides.co/g/fd205-decision-making-pres/119927 
 
Ventilação por pressão positiva – VPP 
 
Técnica conhecida por fazer uso de ventiladores de alta vazão sendo o mais 
eficiente dentre as modalidades de ventilação forçada produzindo efeito desejado com 
maior rapidez. Esses ventiladores podem funcionar à combustão, eletricidade ou 
hidráulica a depender dos modelos disponíveis apresentando especificidades que 
devem ser conferidas no manual do fabricante como, por exemplo, o tamanho do cabo 
de força dos ventiladores elétricos que dependendo da situação poderá ser necessário 
uma extensão elétrica para poder funcionar dentro de compartimentos enfumaçados. 
Já os que usam o ar atmosférico para funcionar, não devem ser utilizados dentro 
desse ambiente. Uma ou outra adaptação poderá ser necessário na hora do combate 
independente do modelo de ventilador utilizado. O funcionamento da VPP se dá em 
função do aumento forçado do volume de ar no interior do compartimento incendiado. 
Isso promove uma diferença interna de pressão resultando numa maior vazão dos 
gases de dentro para fora acelerando a extração da fumaça e dos gases quentes. 
271 
 
 
 
Figura 90 - Pressão positiva dentro da edificação ventilada. 
Fonte: https://www.ukfrs.com/modal/general-cm/13884/237524/document/nojs 
 
Segue abaixo uma série de cuidados que devem ser considerados ao se utilizar 
a ventilação forçada por pressão positiva a fim de se evitar acidentes, a perda do 
controle da ocorrência e alcançar melhor eficiência no combate ao fogo: 
 
• O posicionamento do ventilador deve ser de tal forma que o cone de ar 
cubra toda a extensão da abertura tangenciando, preferencialmente, 
suas bordas a fim de se injetar maior volume possível de ar produzido; 
https://www.ukfrs.com/modal/general-cm/13884/237524/document/nojs
272 
 
 
 
Figura 91 - Posicionamento do ventilador na VPP 
Fonte: Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas – CBMAM 
 
• Quanto mais limpo de obstáculos for a trajetória da passagem do ar e da 
saída da fumaça mais eficiente será a técnica, pois evita turbulência dos 
gases. Por isso, deve-se fechar cômodos que não necessitam ser 
ventilados e retirar obstáculos à corrente de ar forçada; 
• Aberturas por onde não se deseja a saída de fumaça devem ser 
fechadas; 
• Deve-se manter constante a proporção entre a entrada de ar forçado e 
a saída de fumaça; 
• Não deve-se ligar o ventilador sem que antes seja feita a abertura para 
a saída de fumaça; 
• Havendo possibilidade deve-se compartimentar os ambientes da 
edificação a fim de diminuir a área a ser ventilada para melhorar a 
eficiência da técnica; 
• Nunca desperdiçar o vento natural existente. 
 
273 
 
 
Vantagens da ventilação por pressão positiva: 
 
• Rapidez na produção dos efeitos desejados sobre o incêndio; 
• O acesso à edificação é independente, ou seja, não sofre interferência 
devido à disposição do ventilador sobre a abertura para entrada de ar; 
• O fluxo de ar forçado evidencia pontos quentes ou em brasas durante o 
rescaldo. 
 
Desvantagens da ventilação por pressão positiva: 
 
• Ineficiente em estruturas que não estejam intactas, ou seja, desmoronadas; 
• É a técnica que apresenta maior possibilidade de risco em situações de falhas 
de planejamento; 
• Favorecimento de novos focos de incêndio não percebidos; 
• Pouca ou nenhuma eficiência em compartimentos de grandes áreas como 
supermercados, galpões industriais, etc. 
 
Uso de mais de um ventilador simultaneamente 
 
Em compartimentos de grandes áreas que tenham ou possibilitem aberturas 
maiores para a entrada de ar forçado será necessário mais ventiladores trabalhando 
em conjunto. Para aberturas largas os ventiladores devem ser justapostos 
paralelamente e para aberturas muito altas podem ser posicionados um sobre o outro. 
274 
 
 
 
Figura 92 - Arranjo com dois ventiladores - ambiente grande e com porta larga. 
Fonte: Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas – CBMAM. 
 
 
Seção 6 - Ventilação por arrastamento hidráulico 
 
A ventilação por arrastamento hidráulico é empregada utilizando-se linhas de 
mangueira pressurizadas em ambientes que seja possível obter aberturas distintas 
para entrada de ar e saída de fumaça, com o objetivo de criar uma força de arraste 
que acelera a extração da fumaça. Esse arraste é obtido direcionando o jato de água 
pelas aberturas sempre no sentido de dentro para fora da edificação, criando, de 
acordo com o Princípio de Bernoulli, uma zona de baixa pressão devido à aceleração 
dos fluídos proporcionando o arraste da fumaça. É uma técnica versátil e simples de 
ser empregada pois utiliza as próprias linhas de mangueiras das guarnições para 
produzir o efeito desejado que é bastante satisfatório quando a técnica é empregada 
corretamente. O jato de água deve ser direcionado sempre na direção da abertura de 
saída da fumaça principalmente quando a abertura for uma janela. 
 
Pontos importantes para a boa execução da ventilação por arrastamento hidráulico 
 
275 
 
 
Segue abaixo uma série de pontos que devem ser considerados durante a 
execução da técnica para que seja obtido a máxima eficiência possível: 
• A vazão deve ser a menor possível, sempre em jato neblinado e com 
esguicho em angulo aproximado de 60º; 
• Para se conseguir maior eficiência o jato d’água ao passar pela abertura 
deve cobrir cerca de 85% a 90% da área da abertura de saída da 
fumaça; 
 
Figura 93 - Posicionamento para ventilação por arrastamento hidráulico. 
Fonte: https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117 
 
• Manter os jatos de ataque nas mangueiras em 100 PSI; 
• Para evitar jogar água dentro da edificação o chefe da linha se posiciona 
próximo a janela, abre o esguicho devidamente regulado e vai se 
afastando da janela até que todo jato esteja saindo pela abertura rente 
as bordas; 
https://guides.firedynamicstraining.ca/g/fd205-decision-making-student-document/118117
276 
 
 
 
Figura 94 - Ventilação por arrastamento hidráulico - Jato d'água saindo completamente pela abertura. 
Fonte: CBMAM, 2022. 
 
• No caso de a ventilação ser realizada através de uma porta, o jato de água 
deverá tangenciar lateralmente a parte superior da porta; 
• Havendo apenas uma única abertura

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