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Nutrição Materno-Infantil 
Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª M.ª Fernanda Trigo Costa
Revisão Textual:
Prof.ª Dra. Luciene Oliveira da Costa Granadeiro
Revisão Técnica:
Prof.ª M.ª Camila Helena de Souza Queiroz
Alimentação nos Primeiros 
Anos de Vida – Lactação
 
 
• Compreender as mudanças fisiológicas durante o primeiro ano de vida e os protocolos de de-
terminação das necessidades nutricionais de forma a poder desenvolver planos e intervenções 
alimentares tanto para crianças em aleitamento materno quanto em aleitamento artificial.
OBJETIVO DE APRENDIZADO 
• Fisiologia da Nutrição no Primeiro Ano de Vida e 
Determinação das Necessidades Nutricionais;
• Lactação: Cuidados e Complicações;
• Aleitamento Artificial.
UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
Contextualização
Dentre as diversas espécies mamíferas, a humana é a única que precisa apren-
der a mamar e a desmamar, pois esses dois processos não são instintivos. O que 
vem ocorrendo, principalmente nas sociedades modernas, é que as mulheres 
pouco têm acesso às fontes tradicionais de aprendizagem, visto que os vínculos 
com as mulheres mais experientes nem sempre são mantidos, pelo convívio mais 
comum o com as famílias nucleares do que com as extensões familiares. Isso faz 
com que as mulheres se tornem mães com muito pouca ou nenhuma habilidade 
em manter a amamentação, ficando vulneráveis a ter dificuldades ou complica-
ções ao longo do processo (GIUGLIANI, 2004). 
As mães mais persistentes e autônomas lançam mão da associação às redes 
maternas, buscam informações e pedem ajuda da forma que podem, mas sabe-
mos que nem sempre é assim. Apesar de indiscutíveis os privilégios associados 
à amamentação, seja para a nutriz ou lactente, ainda é frequente o abandono da 
amamentação quando a mãe se vê sem saber como fazer o manejo adequado 
(GUINÉ; GOMES, 2015).
Além disso, muitas mães não dispõem de leite ou as suas circunstâncias pes-
soais não permitem dar de mamar aos seus filhos ou, ainda, existem contrain-
dicações médicas nesse sentido. Diante desse cenário, o profissional da saúde é 
essencial e tem crescido muito a demanda de profissionais qualificados para atuar 
frente à essa demanda, a exemplo do profissional Consultor em Aleitamento Ma-
terno (GASPARIN et al., 2020).
Leia mais sobre a atuação e benefícios do Consultor em Aleitamento Materno no artigo: 
“Fatores associados à manutenção do aleitamento materno exclusivo no pós-parto 
tardio”. Disponível em: https://bit.ly/3iAXPjU
Embora seja essencial o incentivo ao aleitamento materno, na impossibilidade de 
fazê-lo, as fórmulas infantis existentes no mercado contribuem para uma alimentação 
equilibrada do lactente, muito embora não ofereçam os mesmos benefícios, quando 
comparadas com o leite materno (GUINÉ; GOMES, 2015).
Nesta unidade, vamos conhecer as formas de avaliação nutricional do lactente 
conforme seu crescimento, bem como as diretrizes para a determinação das neces-
sidades nutricionais, sejam para lactentes em aleitamento materno ou artificial. Tam-
bém vamos discutir pontos importantes sobre as possíveis complicações na lactação 
e os cuidados necessários, além da prescrição de fórmulas lácteas ou leite de vaca na 
impossibilidade da realização do aleitamento materno.
No decorrer dos estudos desta unidade, propomos como questões norteadoras: 
quais são os aspectos essenciais a serem avaliados para a determinação do estado 
nutricional de lactentes e suas necessidades nutricionais? Como proceder para ofere-
cer condições que atendam às recomendações nutricionais neste período, seja para 
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lactentes em aleitamento materno ou em aleitamento artificial? Quais são as orienta-
ções que podem ser oferecidas às mães com dificuldades no aleitamento, de forma 
a favorecer o processo?
Fisiologia da Nutrição no Primeiro
Ano de Vida e Determinação das 
Necessidades Nutricionais 
O acompanhamento do estado nutricional da criança abaixo de um ano deve levar 
em consideração o peso, comprimento e perímetro cefálico. Essas medidas devem ser 
obtidas com precisão, a melhor possível, considerando a velocidade do crescimento 
neste período de vida. Até o sexto mês, o ganho de peso mensal é a medida de maior 
importância na avaliação nutricional da criança, pois possibilita o diagnóstico e a 
intervenção rápida, no caso da identificação de ganho de peso insuficiente. Agindo 
no tempo certo, evita-se que haja prejuízo no ganho de comprimento, pois efeitos de 
má nutrição aparecem primeiramente na curva de ganho de peso (VÍTOLO, 2015).
Avaliação Nutricional do Lactente
Para o acompanhamento do crescimento infantil, é importante que as medidas 
das variações físicas sejam aferidas de forma padronizada, para que se possa diag-
nosticar a má nutrição tanto por deficit quanto por excesso (ROSSI, 2015).
Em relação ao peso, por volta dos 5 meses de idade, a criança deve ter cerca de 
duas vezes o peso do nascimento e, aos 12 meses, cerca de três vezes. Pode-se, tam-
bém, usar uma regra prática para saber o peso “ideal” para a idade no primeiro ano 
de vida: somar o peso do nascimento e o ganho ponderal mensal. Com base nessa 
regra, espera-se que, no primeiro trimestre de vida, o bebê ganhe 700 g de peso, no 
segundo trimestre de 600 g, no terceiro trimestre de 500g e no quarto trimestre de 
400g. Outra forma para os primeiros meses de vida é considerar que o lactente deve 
obter um ganho de peso de cerca de 20 a 30g/dia (CARVALHO, 2017).
Quando se fala sobre o comprimento, considera-se adequado que o lactente cresça 
em torno de 15 cm no primeiro semestre de vida e 10 cm no segundo, totalizando um 
crescimento de 25 cm no primeiro ano de vida. Como exemplo, um bebê que nasce com 
52cm, com um ano de idade deve ter um comprimento de 77cm (CARVALHO, 2017). 
Além do peso e do comprimento, a medida do perímetro cefálico (PC) até os 
6 meses de idade tem relação direta com o tamanho do encéfalo, sendo que seu au-
mento proporcional indica crescimento adequado e melhor prognóstico neurológico. 
Em pediatria, o PC é utilizado como forma de diagnosticar estados patológicos de 
microcefalia, macrocefalia ou hidrocefalia (ROSSI, 2015).
Para a interpretação e o diagnóstico dos dados antropométricos de uma criança, é 
necessária a elaboração de índices antropométricos, que têm a função de relacionar 
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UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
as medidas, principalmente peso e estatura/comprimento, com as variáveis idade 
e gênero, comparando-as com um padrão de referência e estipulando pontos de 
corte. Esses padrões ou pontos de corte possibilitarão classificar a situação dos 
indivíduos avaliados dentro de uma faixa aceita ou não como normal/adequada 
nutricionalmente, de acordo com o esperado no referido padrão. Os três índices 
mais amplamente utilizados para essa finalidade (Tabela I) são peso para a idade 
(P/I), peso para a estatura (P/E) e estatura para a idade (E/I) (VÍTOLO, 2015).
Como referência para a interpretação dos dados antropométricos, são utilizadas as tabelas 
da Organização Mundial da Saúde, disponíveis em: https://bit.ly/3iHLQkJ
Tabela 1 – Definições dos Índices Antropométricos
Índice Definição e considerações
Peso por idade (P/I)
Reflete o peso corporal em relação à idade cronológica da 
criança. A variação do peso em uma criança oscila quase ime-
diatamente em resposta a qualquer problema ou melhora do 
estado de saúde e nutrição.
Estatura por 
idade (E/I)
Reflete o crescimento linear. O ganho da estatura é lento, por 
isso demora a refletir processos de carência de saúde e nutri-
ção. É importante atentar-se que as crianças que são genetica-
mente baixas podem não estar em condições nutricionais ina-
dequadas nem em situações patológicas, apenas apresentam 
sua própria curva abaixo da média populacional.
Peso por estatura 
(P/E) ou IMC
Reflete a distribuição do peso corporal em relação à altura. 
Pode ser utilizado para o diagnóstico deexcesso de peso, mas 
precisa de medidas complementares para o diagnóstico preci-
so. Vale a atenção para crianças com curvas de peso abaixo ou 
acima da média populacional, pois a curva fora do “padrão” 
pode ser decorrente das características individuais da criança.
Fonte: Adaptado de ROSSI, 2015
A relação de Peso para Idade indica déficit global, o que significa que não permite 
diferenciar se é um deficit agudo (resulta de um processo intenso de fome ou de 
doença, levando à acentuada perda de peso) ou um deficit crônico (resulta de um 
processo contínuo de subnutrição e/ou doença, que afeta o crescimento linear nor-
mal da criança). Dessa forma, é essencial avaliar todos os parâmetros em conjunto, 
considerando a adequação conforme os pontos de corte – Percentis e/ou Escore-Z 
(Tabelas de 2 a 4).
Tabela 2 – Pontos de corte de Peso/Idade para crianças de 0 a 10 anos
Valores Críticos Diagnóstico Nutricional
< Percentil 0,1 < Escore-z -3 Muito baixo pesa para a idade
≥ Percentil 0,1 e 
< Percentil 3
≥ Escore-z -3 e 
< Escore-z -2
Baixo peso para a idade
≥ Percentil 3 e 
≤ Percentil 97
≥ Escore-z -2 e 
≤ Escore-z +2
Peso adequado para a idade
> Percentil 97 > Escore-z +2 Peso elevado para a idade
Fonte: Ministério da Saúde, 2011
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Tabela 3 – Pontos de corte de Estatura/Idade para crianças de 0 a 10 anos
Valores Críticos Diagnóstico Nutricional
< Percentil 0,1 < Escore-z -3 Muito baixa estatura para a idade
≥ Percentil 0,1 e
< Percentil 3
≥ Escore-z -3 e
< Escore-z -2
Baixa estatura para a idade
≥ Percentil 3 > Escore-z -2 Estatura adequada para a idade
Fonte: Ministério da Saúde, 2011
Tabela 4 – Pontos de corte de Peso/Estatura ou IMC para crianças de 0 a 5 anos
Valores Críticos Diagnóstico Nutricional
< Percentil 0,1 < Escore-z -3 Magreza acentuada
≥ Percentil 0,1 e
< Percentil 3
≥ Escore-z -3 e
< Escore-z -2
Magreza
≥ Percentil 3 e ≤ 
Percentil 85
≥ Escore-z -2 e ≤ 
Escore-z +1
Eutrofia
> Percentil 85 e ≤ 
Percentil 97
> Escore-z +1 e 
≤ Escore-z +2
Risco de sobrepeso
> Percentil 97 e ≤ 
Percentil 99,9
> Escore-z +2 e 
≤ Escore-z +3
Sobrepeso
> Percentil 99,9 > Escore-z +3 Obesidade
Fonte: Ministério da Saúde, 2011
A avaliação nutricional individual por meio das curvas de crescimento, além de 
comparar os dados da criança com as medianas populacionais, também permite 
avaliar a evolução nutricional da criança, comparando-a com ela mesma (ROSSI, 
2015). Com esse tipo de avaliação, é possível observar três tipos de traçados nas 
curvas de crescimento:
• Ascendente: apresenta velocidade de ganho de peso e estatura adequada, ou 
seja, crescimento satisfatório. Vale ressaltar que a intensidade de inclinação do 
traçado é importante, uma vez que a criança pode estar, por exemplo, com 
ganho de peso excessivo;
Figura 1 – Comprimento/Altura por Idade de Meninos de Nascimento até os 5 anos (Percentis)
Fonte: Adaptado de World Health Organization
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UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
• Estacionado: o traçado apresenta-se como uma reta, indicando uma “para-
da” no crescimento da criança. É considerado sinal de alerta. A intervenção 
nutricional deve ser feita de acordo com a evolução nas próximas consultas e 
é importante investigar os possíveis fatores de risco que estão proporcionando 
essa evolução;
Figura 2 – Comprimento/Altura por Idade de Meninos de Nascimento até os 5 anos (Percentis)
Fonte: Adaptado de World Health Organization
• Descendente: indica diminuição ou perda no ganho de peso. Neste caso, é 
necessário investigar os possíveis fatores de risco que estão levando a esse pro-
cesso e iniciar a intervenção nutricional caso a criança já esteja na faixa de risco 
de deficit. 
Figura 3 – Comprimento/Altura por Idade de Meninos de Nascimento até os 5 anos (Percentis)
Fonte: Adaptado de World Health Organization
Recomendações Nutricionais do Lactente
A necessidade energética do lactente é proporcionalmente muito mais alta do que 
a de um adulto, em decorrência da alta taxa metabólica de repouso pelo requerimen-
to para o crescimento e desenvolvimento (VÍTOLO, 2015).
As Tabelas 5 e 6 trazem as informações necessárias para a estimativa energéticas 
de crianças até 1 ano:
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Tabela 5 – Equações diretas para estimativa de Necessidade
Energética Total (NET) ou Gasto Energético Total (GET)
Idade Sexo Equação (kcal/ dia)
0 a 3 meses
Masculino
(89 x P) – 100 + 75
Feminino
4 a 6 meses
Masculino
(89 x P) – 100 + 56
Feminino
7 a 12 meses
Masculino
(89 x P) – 100 + 22
Feminino
Fonte: IOM, 2005
Tabela 6 – Requerimentos energéticos no primeiro ano de vida – fórmulas rápidas
Idade (meses) Kcal/ dia Kcal/ kg/ dia
Meninos
0 a 1 518 113
1 a 2 570 104
2 a 3 596 95
3 a 4 569 82
4 a 5 608 81
5 a 6 639 81
6 a 7 653 79
7 a 8 680 79
8 a 9 702 79
9 a 10 731 80
10 a 11 752 80
11 a 12 775 81
Meninas
0 a 1 464 107
1 a 2 517 101
2 a 3 550 94
3 a 4 537 84
4 a 5 571 83
5 a 6 599 82
6 a 7 604 78
7 a 8 629 78
8 a 9 652 78
9 a 10 676 79
10 a 11 694 79
11 a 12 712 79
Fonte: FAO/OMS/ONU, 2004 
Em relação aos macronutrientes, a adequada ingestão de proteínas é muito im-
portante, diante da necessidade de anabolismo decorrente da construção de novos 
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UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
tecidos, típica desta fase. Durante os 6 primeiros meses, o aleitamento materno 
garante as necessidades proteicas: a ingestão de 800mL de leite materno, garante 
cerca de 1,4g/kg de peso corporal/dia. Em 2002, foi estabelecida a recomendação 
proteica de 9,1g/dia ou 1,52g/kg/dia como ingestão adequada (AI) para crianças 
de 0 a 6 meses, saudáveis e em aleitamento materno exclusivo. Para crianças entre 
7 a 12 meses, foi determinada a ingestão diária recomendada (RDA) de 11g/dia ou 
1,2g/kg/dia (VÍTOLO, 2015).
As gorduras ingeridas pelo lactente devem oscilar entre 30 a 54% do consumo 
calórico total. Quando o bebê é amamentado com leite materno, o aporte lipídico até 
o sexto mês é de 3,8 a 6 g por cada 100 ml, sendo a fonte energética predominante. 
Os carboidratos são muito importantes até os 12 meses, pois garantem energia e 
poupam as proteínas para a construção dos tecidos. Os percentuais de carboidratos 
e lipídios em relação a energia diária ficam em torno de 30 a 40% e 35 a 40%, res-
pectivamente (GUINÉ; GOMES, 2015).
As recomendações de micronutrientes (Tabela 7) são diferentes no primeiro e no 
segundo semestre. O aleitamento materno garante a ingestão adequada de micronu-
trientes desde que os estoques e alimentação maternos sejam adequados.
Tabela 7 – Ingestão dietética de referência da Food and Nutrition Board do 
Insitute of Medicine da National Academy of Sciences – Dietary Reference Intakes (DRIs)
Idade
Vitamina A 
(mcg/dia)
RDA
Vitamina D 
(mcg/dia) 
RDA
Vitamina E 
(mg/dia) RDA
Vitamina K 
(mcg/dia) AI
Vitamina C 
(mg/dia) RDA
Tiamina B1 
(mg/dia) RDA
0 a 6 meses 400 10 4 2 40 0,2
7 a 12 meses 500 10 5 2,5 50 0,3
Idade
Riboflavina 
B2 (mg/dia) 
RDA
Niacina B3 
(mg/dia) 
RDA
Piridoxina B6 
(mg/dia)
RDA 
Folato B9 
(mcg/dia)
RDA 
Cobalamina 
B12 (mcg/dia)
RDA
 Ác. Pantotênico 
B5 (mg/ dia) AI
0 a 6 meses 0,3 2 0,1 65 0,4 1,7
7 a 12 meses 0,4 4 0,3 80 0,5 1,8
Idade
Biotina B7 
(mcg/dia) AI
Colina (mg/
dia) AI
Cálcio (mg/
dia) RDA
Ferro (mg/
dia) RDA
Fósforo (mg/
dia) RDA
Iodo (mg/ dia) 
RDA
0 a 6 meses 5 125 200 0,27 100 110
7 a 12 meses 6 150 260 11 275 130
Idade
Magnésio
(mg/dia) 
RDA
Manganês
(mg/dia) 
AI
Potássio 
(mg/dia) 
AI
Selênio 
(mcg/dia) 
RDA
Sódio 
(mg/dia) 
AI
Zinco
(mg/dia) 
RDA
0 a 6 meses 30 0,0003 400 15 120 2
7 a 12 meses 75 0,6 700 20 310 3
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Lactação: Cuidados e Complicações
Alguns problemas enfrentados pelas mães durante o aleitamento materno preci-
sam ser precocemente identificados e tratados, para que não se tornem causas de 
interrupção da amamentação (BRASIL, 2015). Os profissionais de saúde têm um 
papel importante na prevenção e no manejo dessas dificuldades, e as observações 
durante as mamadaspodem ser de suma importância para auxiliar as mães a evita-
rem as complicações (Tabela 8).
Porém, mesmo com o auxílio durante a amamentação, é possível que as compli-
cações apareçam, sendo importante ter informações de como realizar o manejo para 
superá-las. A seguir, iremos abordar algumas das complicações mais comuns durante 
o aleitamento: 
• Ingurgitamento mamário: consiste na obstrução dos ductos mamários em de-
corrência da retenção do leite nos alvéolos, o que ocorre devido ao esvaziamen-
to incorreto da mama. O ingurgitamento dificulta a manutenção da amamen-
tação por causar edema das mamas, com aumento considerável de tamanho, 
temperatura e dor, podendo ocorrer mal-estar geral. Para o manejo nesse caso, 
é recomendada a ordenha manual antes da amamentação (para amolecer as 
mamas) e aumentar as mamadas, para evitar o acúmulo de leite. Massagens 
leves na mama auxiliam na saída do leite e ter o apoio frequente da mama e o 
uso constante do sutiã, também aliviam a dor e facilitam a saída do leite que está 
obstruindo os canais (GIUGLIANI, 2004);
• Mamilos doloridos/trauma mamilar: as mães normalmente sentem uma 
discreta dor ou desconforto no início das mamadas, o que pode ser considerado 
normal. Porém, mamilos muito dolorosos e machucados, apesar de muito 
comuns, não são normais. Os traumas mamilares incluem eritema, edema, 
fissuras, bolhas, marcas brancas, amarelas ou escuras (PEDROSA; SILVA; 
MUNIZ-SILVA, 2016). As causas mais comuns são pega ou posicionamento 
inadequado do bebê, mas outras causas também provocam as fissuras, como: 
mamilos curtos, planos ou invertidos, disfunções orais na criança, freio de 
língua excessivamente curto, sucção não nutritiva prolongada, uso impróprio 
de bombas de extração de leite, não interrupção adequada da sucção da criança 
quando for necessário retirá-la do peito, uso de cremes e óleos que causam 
reações alérgicas nos mamilos, uso de protetores de mamilo (intermediários) e 
exposição prolongada a forros úmidos. Para o manejo, a correção das causas 
auxilia a evitar maiores complicações e também auxilia na cicatrização do 
mamilo, assim como o uso de conchas, manter o mamilo seco e o uso de 
pomadas cicatrizantes que não prejudiquem o bebê (BRASIL, 2015);
• Candidíase: a infecção da mama por Candida albicans no puerpério é bastante 
comum. A infecção pode ser superficial ou atingir os ductos lactíferos, e costuma 
ocorrer na presença de mamilos úmidos (cândida cresce em meio com carboidrato) 
e com lesão. Mãe e bebê devem ser tratados simultaneamente, mesmo que a 
criança não apresente sinais evidentes de candidíase. O tratamento inicialmente 
15
UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
é local, com nistatina, clotrimazol, miconazol ou cetoconazol tópicos por duas 
semanas. As mulheres podem aplicar o creme após cada mamada e ele não 
precisa ser removido antes da próxima mamada (GIUGLIANI, 2004).
Tabela 8 – Observações das mamadas
Sinais de que a 
Amamentação vai bem
Sinais de possível 
dificuldade na Amamentação
Mãe
Mãe parece estar saudável
Mãe relaxada e confortável
Sinai de vínculo entre a mãe e o bebê
Mãe
Mãe parece estar mal e deprimida
Mãe parece tensa ou desconfortável
Sem contato visual com o bebê
Bebê
Bebê parece saúdavel
Bebê calmo e relaxado
Bebê procura o peito, se com fome
Bebê 
Bebê parece sonolento ou doente
Bebê está impaciente ou chorando
Bebê não procura o peito
Mamas
Mama parece saudável
Sem dor ou desconforto
Mama apoiada com dedos longe do mamilo
Mamas
Mama vermelha, inchada ou ferida
Mama ou mamilo dolorosos
Mama apoiada com os dedos na aréola
Posição do bebê
Cabeça e tronco do bebê alinhados
Corpo do bebê bem perto do corpo da mãe
Nádegas do bebê apoiadas
Nariz do bebê na altura do mamilo
Posição do bebê
Bebê com pescoço ou tronco torcidos
Bebê longe da mãe
Bebê apoiado pela cabeça ou costas somente
Nariz do bebê acima ou abaixo do mamilo
Pega do bebê
Mais aréola acima da boca do bebê
Boca do bebê bem aberta
Lábio inferior virado pra fora
Queixo do bebê toca a mama
Pega do bebê
Mais aréola abaixo da boca do bebê
Bebê com boca pouco aberta
Lábios para frente ou para dentro
Queixo do bebê não toca a mama
Sucção
Sugadas lentas e profundas, com pausas
Bochecha redonda durante a mamada
Bebê solta o peito quando termina a mamada
Mãe apresenta sinais do reflexo da ocitocina
Sucção
Sugadas rápidas
Esforço da bochacha durante a mamada
Mãe tira o bebê do peito
Mãe sem sinais do reflexo da ocitocina
Fonte: World Health Organization – WHO, 2004
• Fenômeno de Raynaud: trata-se de uma isquemia intermitente causada por 
vaso espasmo, que costuma ocorrer nos dedos das mãos e dos pés, mas tam-
bém pode acometer os mamilos. Em geral, ocorre em resposta à exposição ao 
frio, compressão anormal do mamilo na boca da criança ou trauma mamilar 
importante. Deve-se buscar identificar e tratar a causa básica que está con-
tribuindo para a isquemia do mamilo e melhorar a técnica de amamentação 
(pega), quando esta for inadequada. Compressas mornas ajudam a aliviar a dor 
na maioria das vezes. O uso de analgésico e anti-inflamatório também é reco-
mendado (BRASIL, 2015);
• Bloqueio de ductos lactíferos: ocorre quando o leite produzido numa determi-
nada área da mama, por alguma razão, não é drenado adequadamente. É ob-
servado quando a mama não está sendo esvaziada adequadamente, quando a 
amamentação é infrequente ou quando a criança não está conseguindo remover 
o leite da mama de maneira eficiente. O tratamento dessa condição deve ser 
instituído precocemente, para que o processo não evolua para mastite. Como 
medidas, estão: mamadas frequentes, compressas quentes, troca de posição nas 
16
17
mamadas e retirada do ponto branco (sinal de bloqueio), caso esteja presente 
(GIUGLIANI, 2004).
• Mastite: é um processo inflamatório que ocorre mais comumente na segunda 
e terceira semanas após o parto, mas pode ocorrer em qualquer período da 
amamentação. Pode ocorrer pela complicação do ingurgitamento mamário, ra-
chaduras no mamilo ou obstrução de ductos incorretamente tratados. A estase 
láctea por si só não causa mastite, mas pode lesar o tecido, permitindo a insta-
lação de bactérias Streptococcus (α-,β- e não hemolítico), Staphylococcus (aureus 
e albus) e ocasionalmente pela Escherichia coli. Para o manejo, é importante 
identificar o que causou a mastite e corrigir o possível erro, além do uso de an-
tibioticoterapia (PEDROSA; SILVA; MUNIZ-SILVA, 2016);
• Abcesso mamário: normalmente, é causado por mastite não tratada ou com 
tratamento iniciado tardiamente ou ineficaz. É comum ocorrer após a inter-
rupção da amamentação na mama afetada pela mastite sem o esvaziamento 
adequado do leite por ordenha. Exige intervenção imediata por drenagem cirúr-
gica, de preferência sob anestesia local, com coleta de secreção purulenta para 
cultura e teste de sensibilidade a antibióticos, seguida de antibioticoterapia e o 
esvaziamento regular da mama afetada (BRASIL, 2015);
• Pouco leite: muitas vezes, essa percepção é o reflexo da insegurança materna 
quanto à sua capacidade de nutrir plenamente o seu bebê. Essa insegurança, 
com frequência reforçada por pessoas próximas, faz com que o choro do bebê e 
as mamadas frequentes (que fazem parte do comportamento normal em bebês 
pequenos) sejam interpretados como sinais de fome (GIUGLIANI, 2004). 
A suplementação com outros leites muitas vezes alivia a tensão materna e 
essa tranquilidade é repassada ao bebê, que passa a chorar menos, vindo 
a reforçar a ideia de que a criança estava passando fome. Uma vez iniciada 
a suplementação, a criança passa a sugar menos o peito e, como conse-
quência, vai haver menor produção de leite, processo que com frequência 
culmina com a interrupção da amamentação. (BRASIL, 2015, p. 65)
Quando há insuficiência de leite de fato, o bebê não fica saciado após as mama-
das, chora muito, quer mamar com frequência, faz mamadas muito longas e não 
ganha peso adequadamente (< 20 g por dia). O número de micções por dia (menosque seis a oito) e poucas evacuações, com fezes em pequena quantidade, secas e 
duras, são indicativos de pouco volume de leite ingerido. Ou seja, o bebê dá sinais de 
que está com fome e que precisa de mais leite (GIUGLIANI, 2004).
Dessa forma, é importante tentar acalmar a mãe e realizar o manejo com uso das 
seguintes técnicas: melhorar a pega do bebê, se necessário; aumentar a frequência 
das mamadas; oferecer as duas mamas em cada mamada; dar tempo para o bebê 
esvaziar bem as mamas; trocar de seio várias vezes numa mamada se a criança esti-
ver sonolenta ou se não sugar vigorosamente; evitar o uso de mamadeiras, chupetas 
e protetores (intermediários) de mamilos; consumir dieta balanceada; ingerir líquidos 
em quantidade suficiente (líquidos em excesso não aumentam a produção de leite, 
podendo até diminuí-la); e repousar (BRASIL, 2015).
17
UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
Aleitamento Artificial
Além das possíveis complicações, algumas situações impedem que o aleitamento 
materno seja realizado (Tabela 9), sendo necessário iniciar o aleitamento artificial.
Tabela 9 – Razões médicas aceitáveis para uso de substitutos 
do leite materno definidas pela Organização Mundial de Saúde
Condições que justificam contraindicar a amamentação permanente
Infecção pelo HIV Se a alimentação substituta é aceitável, factível, 
acessível, sustentável e segura.
Condições que justificam contraindicar a amamentação temporariamente
Doenças maternas graves Septicemia ou outras condições clínicas que impe-
dem a mãe de cuidar do seu filho.
Vírus do Herpes simples tipo 1
Deve ser evitado o contato direto entra as lesões ma-
márias da mãe e a boca do bebê até que as lesões 
estejam curadas.
Doença de Chagas Na fase aguda da doença ou quando houver sangra-
mento mamilar evidente.
Uso de alguns medicamentos como:
drogas edativas, psicoterápicas, 
antiepilépticas e opiáceos e 
suas combinações
Provocam efeitos colaterais tais como tontura e de-
pressão respiratória. Se Posível buscar alternativas 
de drogas compatíveis com a amamentação.
Uso de radiofármacos como 
o Iodo-131 radioativo
A mãe pode voltar a amamentar cerca de dois meses 
após o uso. eta substância pode ser evitada, uma vez 
que existem alternativas mais seguras.
Uso em excesso de iodo tópico 
(ex. povidone-iodato)
Pode resultar em anormalidade eletrolíticas ou su-
pressão da tireoide no bebê.
Recomendam-se usar alternativas mais seguras e 
manter a amamentação.
Uso de medicamentos 
antineoplásicos
Interromper a amamentação durante a terapia.
Álcool, opiáceos, benzodiazepínicos 
e maconha (cannabis)
Podem causar sedação tanto na mãe como no bebê.
As mães devem ser incentivadas a não usar tais subs-
tâncias e ter apoio para abstinência.
Fonte: World Health Organization – WHO, 2009
Considerando essas possíveis condições, vamos abordar, na sequência, as reco-
mendações de como realizar o aleitamento artificial conforme e idade do lactente.
Prescrição dietética para crianças em aleitamento artificial
A amamentação deve ser protegida, para tanto, a orientação sobre pre-
paro de leites artificiais nunca deve ser feita de forma coletiva. Nos casos 
em que há necessidade de orientar sobre o preparo de leites artificiais, 
essa orientação deve ser realizada de maneira individualizada e por pro-
fissional qualificado. Sendo assim, o profissional de saúde deve orientar 
as famílias e cuidadores sobre a alimentação adequada para a criança 
de acordo com a sua faixa etária, respeitando as condições e desejo da 
família. (BRASIL, 2015, p. 119)
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A Sociedade Brasileira de Pediatria (2018), recomenda que, diante da impossi-
bilidade do aleitamento materno, as crianças menores de seis meses de vida sejam 
alimentadas com fórmulas infantis para lactentes (fórmulas de partida) e as de seis 
a doze meses com fórmulas de seguimento para lactentes. Apesar de proporcionar 
o conteúdo nutricional necessário, as fórmulas não são estéreis e estão sujeitas às 
mesmas preocupações de segurança, como cuidados com a higiene na preparação 
e abastecimento de água potável. Esses cuidados devem ser ainda maiores nos pri-
meiros seis meses de vida.
Conforme as Resoluções da Diretoria Colegiada nº 43 e 44, de 19 de setembro 
de 2011, as fórmulas infantis são classificadas como:
• Fórmulas infantis de partida: produto, em forma líquida ou pó utilizado sob 
prescrição, especialmente fabricado para satisfazer, por si só, as necessidades 
nutricionais dos lactentes sadios durante os primeiros meses de vida;
• Fórmulas infantis de segmento: produtos destinados a lactentes sadios a partir 
do sexto mês de vida até doze meses de idade incompletos;
• Fórmulas infantis de segmento para crianças de primeira infância: usadas 
como substituto do leite materno neste período (de 1 a 3 anos).
Além desta classificação geral, há fórmulas com modificações para atender casos 
mais específicos dos lactentes, decorrentes de alterações fisiológicas e/ou doenças tem-
porárias ou permanentes e/ou para redução de risco de alergias em indivíduos predis-
postos, descritas na Resolução da Diretoria Colegiada n º45, de 19 de setembro de 2011.
As fórmulas infantis para lactentes correspondem a leites industrializados 
indicados para lactentes que não estão em aleitamento materno. A grande 
maioria das fórmulas existentes no comércio é elaborada a base de leite de 
vaca e seguem as recomendações do “Codex Alimentárius 4”. No entanto, 
apesar de sua adaptação com relação ao carboidrato, proteínas e vitamina, 
os fatores anti-infecciosos e bioativos encontrados no leite materno não são 
encontrados nas fórmulas infantis. (BRASIL, 2015, p. 124)
A alimentação da criança que faz uso das fórmulas infantis deve seguir algumas 
recomendações específicas, na tentativa de repor substâncias que seriam oferecidas 
pelo leite materno, bem como minimizar os efeitos adversos da utilização das fórmu-
las infantis, conforme observado na alimentação de crianças com fórmulas infantis 
(BRASIL, 2015):
Crianças menores de seis meses (< 6 meses)
• Fórmula infantil para lactentes;
• Oferecer água entre as refeições;
• Quando a fórmula é oferecida em diluição e quantidade adequada, não é ne-
cessário oferecer suplementos vitamínicos, nem suplemento de ferro, pois esses 
estão presentes na composição das fórmulas.
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UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
Crianças maiores de seis meses (> 6 meses)
• Fórmula infantil de segmento para lactentes;
• A partir do sexto mês de vida, iniciar a introdução de outros alimentos, confor-
me esquema para crianças amamentadas;
• Oferecer águe entre as refeições;
• Crianças que consomem 500ml de fórmula infantil em diluição adequada devem 
ser avaliadas pelo pediatra quanto a necessidade de suplementação de ferro ou 
de múltiplos micronutrientes.
Em relação à quantidade/volume, durante os primeiros dias de vida, deve-se iniciar 
com 60 ml/kg/dia e aumentar 20ml/kg/dia (Tabela 11), divididos em 6 a 8 alimen-
tações em 24 horas. Depois que os alimentos complementares forem introduzidos, 
a quantidade de leite permanece, aproximadamente, a mesma que ao administrado 
aos seis meses de idade, mas podem variar de acordo com a disponibilidade de leite 
e outros alimentos e as demandas da criança.
Tabela 10 – Volume e número de refeições lácteas por faixa etária no primeiro ano de vida
Idade Volume/ Refeição Número de refeições/ dia
Do nascimento aos 30 dias 60 – 120 ml 6 a 8
30 a 60 dias 120 – 150 ml 6 a 8
2 a 3 meses 150 – 180 ml 5 a 6
3 a 4 meses 180 ml – 200 ml 5 a 6
> 4 meses 180 – 200 ml 2 a 3
Fonte: Ministério da Saúde, 2015
Apesar de o leite de vaca, fluído ou em pó, não ser a melhor opção de alimentação 
para crianças menores de 12 meses, esse alimento pode ser o único alimento dispo-
nível em função do baixo custo, quando comparado às fórmulas infantis disponíveis 
no mercado. Por isso, é importante que os profissionais de saúde estejam preparados 
para orientar as mães, famílias e cuidadores quantoà utilização mais adequada e 
segura, quando esgotadas todas as possibilidade de relactação para manutenção do 
aleitamento materno e impossibilidade financeira para aquisição de fórmula:
Crianças menores de quatro meses
• Diluir o leite de vaca integral, conforme orientações abaixo:
Reconstituição do leite em pó integral:
• 1 colher das de sobremesa rasa para 100ml de água fervida;
• 1 ½ colher das de sobremesa rasa para 150ml de água fevida;
• 2 colheres das de sobremesa rasa para 200ml de água fervida;
• Preparo do leite em pó: primeiro, diluir o leite em pó em um pouco de água 
tratada, fervida e filtrada e, em seguida, adicionar a água restante necessária.
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• Diluição do leite integral fluído:
• 2/3 de leite fluido + 1/3 de água fervida;
• 70ml de leite + 30ml de água = 100ml;
• 100ml de leite + 50ml de água = 150ml;
• 130ml de leite + 70ml de água = 200ml.
• A partir do segundo mês de vida, oferecer suplementação de vitamina C (30 mg/dia);
• Se a criança não estiver em aleitamento materno exclusivo, a suplementação 
profilática de ferro (1 mg de ferro elementar por kg de peso/dia) poderá ser 
realizada a partir dos quatro meses de idade, juntamente com a introdução dos 
alimentos complementares, até a criança completar 24 meses;
• Oferecer água entre as refeições. 
Crianças maiores de quatro meses
• A partir do quarto mês de vida, não é mais necessário diluir o leite de vaca integral;
• O consumo máximo de leite não deve ultrapassar 500ml por dia.
Até completar quatro meses de idade, o leite diluído deve ser acrescido de óleo, 
ou seja, 1 colher de chá de óleo para cada 100 ml. Após completar quatro meses de 
idade, o leite integral líquido não deverá ser diluído e nem acrescido do óleo, já que 
nessa idade a criança não amamentada receberá outros alimentos (BRASIL, 2015).
Fórmulas Especiais para Crianças 
Alérgicas a Proteína do Leite de Vaca
A alergia à proteína do leite de vaca (APLV) é uma das alergias alimentares mais 
comuns em crianças, especialmente nos primeiros anos de vida. Estima-se que entre 
2% a 7% das crianças menores de um ano sofram desta condição, que pode cau-
sar sintomas gastrointestinais, cutâneos e respiratórios. Para crianças com APLV, 
a alimentação segura e nutricionalmente adequada é crucial. As fórmulas especiais 
desempenham um papel vital no manejo desta alergia, proporcionando nutrição 
completa enquanto evitam reações alérgicas.Tipos de Fórmulas EspeciaisAs fórmu-
las especiais para crianças alérgicas à proteína do leite de vaca são desenvolvidas 
para substituir o leite de vaca e atender às necessidades nutricionais específicas 
dessas crianças. Existem três principais tipos de fórmulas:Fórmulas Extensamente 
Hidrolisadas:Essas fórmulas contêm proteínas do leite de vaca que foram extensiva-
mente hidrolisadas, ou seja, quebradas em fragmentos muito pequenos. Esse proces-
so reduz a capacidade alergênica da proteína, tornando-a menos provável de causar 
uma reação alérgica. Essas fórmulas são geralmente recomendadas como a primeira 
linha de tratamento para bebês com APLV moderada a grave. Exemplo: Alfaré, Nu-
tramigen.Fórmulas à Base de Aminoácidos:Para crianças com APLV severa ou que 
não toleram fórmulas extensamente hidrolisadas, as fórmulas à base de aminoácidos 
são uma opção. Estas fórmulas contêm proteínas completamente decompostas em 
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UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
seus blocos constituintes, os aminoácidos, eliminando completamente o risco de 
reação alérgica. Exemplos: Neocate, EleCare.Fórmulas de Soja:As fórmulas à base 
de proteína de soja são alternativas para crianças com APLV que toleram soja. No 
entanto, devido ao risco de reações alérgicas cruzadas, essas fórmulas são geral-
mente recomendadas para crianças acima de seis meses de idade e apenas quando 
as fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos não são adequadas ou 
aceitas. Exemplo: Isomil.Considerações na Escolha da FórmulaA escolha da fórmula 
adequada deve ser baseada em uma avaliação cuidadosa pelo pediatra ou alergolo-
gista. Considerações importantes incluem:Gravidade da Alergia: Crianças com rea-
ções graves e múltiplas alergias alimentares podem se beneficiar mais de fórmulas 
à base de aminoácidos.Histórico de Reações: A resposta a fórmulas anteriores e o 
histórico clínico do bebê ajudam a determinar a tolerância e a necessidade especí-
fica.Aceitação e Palatabilidade: A aceitação da fórmula pelo bebê é essencial para 
garantir o consumo adequado de nutrientes.Uso e PreparaçãoAs fórmulas especiais 
devem ser preparadas conforme as instruções do fabricante para garantir a diluição 
correta e evitar contaminações. É importante utilizar água fervida e resfriada, e hi-
gienizar bem todos os utensílios utilizados na preparação e alimentação. A maioria 
das fórmulas especiais pode ser encontrada em pó ou forma líquida, com instruções 
específicas para cada tipo.Monitoramento e ReavaliaçãoO monitoramento contínuo 
da saúde e desenvolvimento do bebê é crucial para ajustar a alimentação conforme 
necessário. À medida que a criança cresce, pode ser necessário reavaliar a dieta e 
considerar a reintrodução de alimentos sob supervisão médica para verificar a pos-
sível resolução da alergia.
No decorrer desta unidade, pudemos compreender como os protocolos de ava-
liação nutricional são específicos para os lactentes e necessários para a avaliação 
do crescimento e identificação de necessidades de intervenção. Passamos pelo en-
tendimento dos fatores e complicações que podem desfavorecer a continuidade do 
aleitamento materno e finalizamos com a descrição das possibilidades de aleitamento 
artificial, inclusive nos casos onde a família não dispõe de recursos ou assistência 
para a aquisição de fórmulas infantis. Todo esse arcabouço de conhecimento traz 
o embasamento adequado para a reflexão e elaboração de orientações alimentares 
que possibilitarão condições para o desenvolvimento adequado e sadio de lactentes.
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Resolução – RDC Nº 44, de 19 de Setembro de 2011
Dispõe sobre o regulamento técnico para fórmulas infantis para lactentes.
https://bit.ly/31WYo1N
Resolução – RDC Nº 44, de 19 de Setembro de 2011
Dispõe sobre o regulamento técnico para fórmulas infantis de seguimento para 
lactentes e crianças de primeira infância. 
https://bit.ly/31WDLmf
Resolução – RDC Nº 45, de 19 de Setembro de 2011
Dispõe sobre o regulamento técnico para fórmulas infantis para lactentes destinadas 
a necessidades dietoterápicas específicas e fórmulas infantis de seguimento para 
lactentes e crianças de primeira infância destinadas a necessidades dietoterápicas.
https://bit.ly/3iGilzG
Fatores Relacionados com uma Menor Duração Total do Aleitamento Materno
MENDES, S. C. et al. Fatores relacionados com uma menor duração total do 
aleitamento materno. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 24, n. 5, p. 1821-
1829, May 2019.
https://bit.ly/2ZQpqVS
Growth in Exclusively Breastfed Infants
GIUGLIANI, E. R. J. Growth in exclusively breastfed infants. J. Pediatr. (Rio J.), 
Porto Alegre, v. 95, supl. 1, p. S79-S84, 2019.
https://bit.ly/2VYI64A
23
UNIDADE Alimentação nos Primeiros Anos de Vida – Lactação
Referências
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Atenção Básica. Orientações para a coleta e análise de dados antropométri-
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Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2011. Disponível 
em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_coleta_analise_da-
dos_antropometricos.pdf>. Acesso em 12/04/2020.
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de da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. 2. ed. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2015.
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Saúde. Guia Alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2019.
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Alegre, v.80, n.5, supl. p.s147-s154, nov. 2004. Disponível em: <http://www.scielo.
br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0021-75572004000700006&lng=en&nrm
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PEDROSA, B. S.; SILVA, R. M.; MUNIZ-SILVA, C. C. S. Orientações para a ama-
mentação adequada e complicações do aleitamento inadequado - Revisão de Litera-
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ROSSI, L. Avaliação nutricional: novas perspectivas. 2. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2015.
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de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na es-
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sileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. 4. ed. São Paulo: SBP, 
2018. Disponível em: <http://www.amape.com.br/wp-content/uploads/2018/12/
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-crescimento/>. Acesso em: 29/06/2020.
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