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Direitos Sociais | 
Introdução 
www.cenes.com.br | 1 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA 
DIREITOS SOCIAIS 
 
CONTEÚDO 
Introdução aos Direitos Sociais 
Direitos Sociais | 
Introdução 
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Direitos Sociais | 
Introdução 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Dos Direitos Sociais --------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2.1 Direitos sociais do trabalhador --------------------------------------------------------------------------------------- 6 
2.2 Direitos sociais relativos à seguridade social --------------------------------------------------------------------- 6 
2.2.1 Direito à saúde ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
2.2.2 Direito à assistência social -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
2.2.3 Direito à previdência social ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
2.3 Direitos sociais relativos à cultura e educação----------------------------------------------------------------- 11 
2.4 Direitos social à moradia --------------------------------------------------------------------------------------------- 13 
2.5 Direito social à alimentação----------------------------------------------------------------------------------------- 14 
3 Dos princípios norteadores de proteção aos direitos sociais --------------------------------- 15 
3.1 Mínimo Existencial ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 16 
3.2 Reserva do Possível --------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
3.3 Reserva do possível ou mínimo existencial --------------------------------------------------------------------- 18 
4 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 20 
5 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 20 
 
 
 
Direitos Sociais | 
Introdução 
www.cenes.com.br | 4 
1 Introdução 
Os Direitos Sociais integram o Capítulo II do Título II da Constituição Federal. Também 
denominados direitos a prestação ou direitos prestacionais, são direitos de segunda 
dimensão que exigem uma atuação positiva do Poder Público, especialmente em 
relação à implementação da igualdade social. Conforme bem pontua Nathalia Masson 
(2020), “em nítido contaste com os direitos individuais – que, via de regra, exigem um 
‘não fazer’, um ‘não agir’, um ‘não atuar’ por parte dos Poderes Públicos, criando 
esferas individuais de não ingerência estatal – os direitos sociais têm por conteúdo 
‘um fazer’, ‘um ajudar’, ‘um contribuir’”. 
 
Neste sentido, não só complementam o catálogo de direitos individuais como 
também são responsáveis por propiciar uma releitura completa, produzindo 
alterações no sentido destes, redefinindo-os por meio da interferência que geram na 
esfera individual através da implementação de programas públicos que visam 
“amenizar as desigualdades sociais e garantir a todos o mínimo de condições de 
existência” (Fernandes, 2020). 
 
Para Alexandre de Moraes (2016), os direitos fundamentais do homem caracterizam 
“verdadeiras liberdades positivas, de observância obrigatória em um Estado Social de 
Direito, tendo por finalidade a melhoria de condições de vida aos hipossuficientes, 
visando à concretização da igualdade social”. O estudo dessa matéria é, portanto, de 
fundamental importância para visualizarmos a preocupação do legislador em 
proporcionar aos seres humanos condições para uma vida digna. 
 
2 Dos Direitos Sociais 
Os direitos sociais estão salvaguardados de modo bastante genérico no art. 6º da 
Constituição Federal. São assim considerados a educação, a saúde, a alimentação, o 
trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à 
maternidade e à infância e a assistência aos desamparados. O direito social à moradia 
foi acrescentado ao texto constitucional pela EC n. 26/2000, e o direito social à 
alimentação, pela EC n. 64/2010. Além disso, vários desses direitos são desenvolvidos 
ao longo de toda a Constituição, por exemplo o direito à saúde está previsto no art. 
196 e o direito à seguridade social, no art. 194. 
Direitos Sociais | 
Dos Direitos Sociais 
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Uma definição bastante pontual e amplamente difundida para o conceito de direitos 
sociais é a apresentada pelo renomado Professor José Afonso da Silva (2013), que os 
entende como sendo “prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou 
indiretamente, enunciadas em normas constitucionais, que possibilitam melhores 
condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem a realizar a igualização de 
situações sociais desiguais. São, portanto, direitos que se ligam ao direito de 
igualdade. Valem como pressupostos do gozo dos direitos individuais na medida em 
que criam condições materiais mais propícias ao auferimento da igualdade real, o que, 
por sua vez, proporciona condições mais compatíveis com o exercício efetivo da 
liberdade”. 
 
Na esteira dessa definição, André Ramos Tavares (2020) classifica os direitos sociais 
em (I) direitos sociais dos trabalhadores; (II) direitos sociais da seguridade social; (III) 
direitos sociais de natureza econômica; (IV) direitos sociais da cultura; e (V) direitos 
sociais de segurança. Os primeiros compreendem as seguintes subclassificações: 
 
 
Figura 1 - Espécies de direitos sociais 
Fonte: Adaptado de TAVARES (2020) 
 
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Dos Direitos Sociais 
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2.1 Direitos sociais do trabalhadorOs direitos sociais relativos ao trabalhador estão previstos em rol exemplificativo nos 
arts. 7º ao 11, observam o princípio da igualdade entre os trabalhadores urbanos e 
rurais e podem ser classificados em: a) direitos que regem relações individuais de 
trabalho, os chamados direitos sociais individuais (art. 7º), e b) direitos exercidos no 
interesse da coletividade, os chamados direitos sociais coletivos dos trabalhadores 
(arts. 9º a 11). 
 
Uns constituem os direitos subjetivos do empregado, como os que dispõem sobre as 
relações individuais do trabalho (art. 7º), outros tratam da criação ou preservação de 
institutos especiais relacionados às normas de organização e procedimento, como o 
instituto do fundo de garantia por tempo de serviço e o seguro-desemprego em caso 
de desemprego involuntário (art. 7º, II e III), e outros tratam da livre associação 
profissional e sindical (art. 8º). 
 
Por meio desses e outros dispositivos, a Constituição Federal busca regular a estrutura 
das relações contratuais e do vínculo empregatício, conferindo destaque a situações 
especiais e aos efeitos gerados sobre cada situação concreta. 
 
2.2 Direitos sociais relativos à seguridade social 
A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos 
Poderes Públicos e da sociedade com o fim de assegurar os direitos relativos à saúde, 
à previdência e à assistência social (art. 194). 
 
Na concepção de José Afonso da Silva (2013), “a seguridade social constitui 
instrumento mais eficiente da liberação das necessidades sociais, para garantir o bem-
estar material, moral e espiritual de todos os indivíduos da população, devendo 
repousar nos seguintes princípios básicos, enunciados por José Manuel Almansa 
Pastor: (a) universalidade subjetiva (não só para trabalhadores e seus dependentes, 
mas para todos indistintamente; (b) universalidade objetiva (não só reparadora, mas 
preventiva do surgimento da necessidade; protetora em qualquer circunstância); (c) 
igualdade protetora (prestação idêntica em função das mesmas necessidades; não 
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distinta como na previdência: em função da quantidade da contribuição); (d) unidade 
de gestão (só é administrada e outorgada pelo Estado); (e) solidariedade financeira (os 
meios financeiros procedem de contribuições gerais, não de contribuições específicas 
dos segurados)”. 
 
2.2.1 Direito à saúde 
O direito à saúde visa proteger um bem de extrema importância à vida humana, 
portanto foi elevando à condição de direito fundamental para ser garantido a todos, 
de igual forma, independentemente de situação econômica, e viabilizar o tratamento 
condigno para aqueles que estão em situação de hipossuficiência, conforme disciplina 
o art. 196 da CF: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante 
políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros 
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, 
proteção e recuperação.” 
 
José Afonso Silva (2013), valendo-se das lições de Gomes Canotilho e Vital Moreira, 
explica que, como qualquer direito social, o direito à saúde também comporta duas 
vias: “uma, de natureza negativa, que consiste no direito a exigir do Estado (ou de 
terceiros) que se abstenha de qualquer acto que prejudique a saúde; outra, de 
natureza positiva, que significa o direito às medidas e prestações estaduais visando a 
prevenção das doenças e o tratamento delas". 
 
Como um direito disponível a todos, a proteção à saúde apresenta-se tanto como um 
direito individual quanto como um direito coletivo, de forma que impõe aos entes 
federados um dever de prestação positiva, “legitimando a atuação do Poder Judiciário 
nas hipóteses em que a Administração Pública descumpra o mandamento 
constitucional em apreço”. 
 
Nesta mesma perspectiva, sob o crivo do Relator Ministro Celso de Mello, o STF 
estabelece uma definição bastante objetiva deste direito e salienta que “o direito à 
saúde – além de qualificar-se como direito fundamental que assiste a todas as pessoas 
– representa consequência constitucional indissociável do direito à vida. O Poder 
Público, qualquer que seja a esfera institucional de sua atuação no plano da 
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organização federativa brasileira, não pode mostrar-se indiferente ao problema da 
saúde da população, sob pena de incidir, ainda que por omissão, em censurável 
comportamento inconstitucional. O direito público subjetivo à saúde traduz bem 
jurídico constitucionalmente tutelado, por cuja integridade deve velar, de maneira 
responsável, o Poder Público (federal, estadual ou municipal), a quem incumbe 
formular – e implementar – políticas sociais e econômicas que visem a garantir a plena 
consecução dos objetivos proclamados no art. 196 da Constituição da República” (STF 
– Rextr. nº 241.630-2/RS – Rel. Min. Celso de Mello – Diário da Justiça, Seção 1, 3 abr. 
2001, p. 49). 
 
Conforme estabelece o texto constitucional, esse direito será garantido mediante 
políticas públicas e econômicas (que devem acompanhar a evolução da medicina e a 
adequada distribuição de recursos), bem como mediante ações preventivas, que visam 
a redução do risco e doenças e outros agravos, o que envolve, inclusive, medidas para 
o aprimoramento do saneamento básico, com melhorias nas redes de esgotos e 
acesso à água potável. 
 
A estruturação básica para a realização do direito à saúde foi instaurada pela 
Constituição Federal no art. 189, por meio do Sistema Único de Saúde – SUS. O 
legislador especifica que as ações e serviços públicos de saúde integram uma rede 
regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único, organizado de acordo 
com diretrizes que preveem a) a descentralização, com direção única em cada esfera 
de governo; b) o atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, 
sem prejuízo dos serviços assistenciais; e c) a participação da comunidade. 
 
O SUS será financiado com recursos do orçamento da seguridade social, da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de outras fontes (art. 198, § 
1º). Assim, após atualizações decorrentes das emendas constitucionais n. 29/2000 e n. 
86/2015, o art. 198, § 2º e incisos determinou o seguinte: 
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios aplicarão, anualmente, em ações e 
serviços públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais calculados 
sobre: (I) no caso da União, a receita corrente líquida do respectivo exercício financeiro, não 
podendo ser inferior a 15% (quinze por cento); (II) no caso dos Estados e do Distrito Federal, o 
produto da arrecadação dos impostos a que se refere o art. 155 e dos recursos de que tratam 
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os arts. 157 e 159, inciso I, alínea a, e inciso II, deduzidas as parcelas que forem transferidas 
aos respectivos Municípios; (III) no caso dos Municípios e do Distrito Federal, o produto da 
arrecadação dos impostos a que se refere o art. 156 e dos recursos de que tratam os arts. 158 
e 159, inciso I, alínea b e § 3º. 
 
Os percentuais de que tratam os incisos II e III do § 2º, relativos à contribuição dos 
Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como os critérios de rateio dos recursos 
da União vinculados à saúde destinados aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios, e dos Estados destinados a seus respectivos Municípios, objetivando a 
progressiva redução das disparidades regionais e as normas de fiscalização, avaliação 
e controle das despesas com saúde nas esferas federal, estadual, distrital e municipal 
serão disciplinados em lei complementar, a qual deverá ser reavaliada pelo menos a 
cada cinco anos. 
 
2.2.2 Direito à assistência social 
O direito à assistência social estáexpresso no art. 203 da CF, devendo ser prestado a 
quem dele necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social. Os 
objetivos da assistência social encerram: 
▪ A proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; 
▪ o amparo às crianças e adolescentes carentes; 
▪ a promoção da integração ao mercado de trabalho; 
▪ a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de 
sua integração à vida comunitária; 
▪ a garantia de um salário-mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de 
deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria 
manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. 
 
O art. 204 da CF destaca como característica da seguridade social a solidariedade 
financeira, sob o pressuposto de que as ações governamentais nesta área serão 
realizadas com recursos provenientes do orçamento geral da seguridade social, além 
de outras fontes, que não contribuições específicas de seus destinatários. Segundo 
José Afonso Silva (2013), “é aí que se situa ‘a proteção à maternidade e à infância, a 
assistência aos desamparados’ que o art. 6º destacou como um tipo de direito social, 
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sem guardar adequada harmonia com os arts. 194 e 203, que revelam como direito 
social relativo à seguridade o inteiro instituto da assistência social, que compreende 
vários objetos e não só aquele mencionado no art. 6º”, tendo em vista a Lei n. 8.742/93 
(Lei Orgânica da Assistência Social), que a descreve como uma política de assistência 
social não contributiva, que prevê os mínimos necessários para garantir o atendimento 
às necessidades básicas. 
 
2.2.3 Direito à previdência social 
Desenvolvida nos arts. 201 e 202 da Constituição Federal, a previdência social abrange 
um conjunto de direitos relativos à seguridade social. É organizada sob a forma do 
Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, 
observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, devendo 
atender, na forma da lei, com benefícios e prestações assistenciais, sendo: 
a) benefícios assistenciais 
▪ cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o 
trabalho e idade avançada; 
▪ proteção à maternidade, especialmente à gestante; 
▪ proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; 
▪ salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de 
baixa renda; 
▪ pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou 
companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º. 
b) serviços que são prestações assistenciais 
▪ médico; 
▪ hospitalar; 
▪ odontológico; 
▪ farmacêutico; 
▪ social e de reeducação ou readaptação funcional. 
 
Conforme aponta José Afonso da Silva (2013), os princípios e objetivos elencados nos 
arts. 201 e 202 “fundam-se no princípio do seguro social, de sorte que os benefícios e 
serviços se destinam a cobrir eventos de doença, invalidez, morte, velhice e reclusão, 
apenas do segurado e seus dependes. Isso quer dizer que a base de cobertura assenta 
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no fator contribuição e em favor do contribuinte e dos seus”. 
 
2.3 Direitos sociais relativos à cultura e educação 
Encontram-se dispersas ao longo da Constituição Federal várias normas e disposições 
que têm alguma relação com os direitos sociais relativos à cultura e à educação, porém 
destacam-se aquelas previstas nos arts. 205 a 217 (Capítulo III da CF). 
 
Na definição de José Afonso da Silva, o termo cultura é tomado “em sentido 
abrangente da formação educacional do povo, expressão criadora da pessoa e das 
projeções do espírito humano materializadas em suportes expressivos, portadores de 
referências à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da 
sociedade brasileira”. Ou seja, os direitos culturais encontram-se também regidos pelo 
princípio da universalidade, conforme dispõe o art. 215 da CF: “O Estado garantirá a 
todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e 
apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. 
 
São apontados como direitos culturais reconhecidos na Constituição: 
▪ o direito de criação cultural; 
▪ o direito de acesso às fontes de cultura nacional; 
▪ o direito de difusão da cultura; 
▪ a liberdade de expressão cultural; 
▪ a liberdade de manifestações culturais; 
▪ o direito-dever estatal de formação e proteção do patrimônio cultural. 
 
Quanto a este último, o legislador preocupou-se em discorrer sobre a natureza do 
patrimônio cultural brasileiro, compreendido como “bens de natureza material e 
imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à 
identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade 
brasileira, nos quais se incluem: as formas de expressão; os modos de criar, fazer e 
viver; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, 
edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os 
conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, 
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paleontológico, ecológico e científico” (art. 216, CF). 
 
Além dos arts. 215 e 216, outras providências relacionadas ao direito à cultura estão 
dispersas ao longo do texto constitucional, a exemplo do art. 5º, IX, que prevê a livre 
expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, 
independentemente de censura ou licença; do art. 23. III a V, que deliberam sobre a 
competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios quanto à 
proteção e o acesso à documentos e bens de valor histórico, artístico e cultural; e do 
art. 24, VIII ao IX, sobre a competência dos entes federados de legislar 
concorrentemente sobre responsabilidade por danos ao meio ambiente, ao 
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e 
paisagístico, e sobre a educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, 
pesquisa, desenvolvimento e inovação. 
 
Quanto ao direito à educação, é de tal forma considerado essencial para a construção 
de um patamar mínimo de dignidade da pessoa humana que a Constituição Federal 
prevê, em seu art. 205, que a educação, como um direito de todos e dever do Estado 
e da família, será promovida e incentivada com vistas ao pleno desenvolvimento da 
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
 
Conforme destaca Gilmar Ferreira Mendes (2021), “no Brasil, em razão do histórico 
descaso do estado no que diz respeito ao oferecimento de uma rede educacional 
extensa e de qualidade, ocorreu a marginalização de amplos setores da sociedade, 
prejudicando, inclusive a concretização de outros direitos fundamentais”. Assim, os 
autores defendem a importância do papel desempenhado por uma educação de 
qualidade no alcance à eficácia dos direitos políticos cidadãos, em especial no que 
tange aos instrumentos de participação direta, “isso porque falhas na formação 
intelectual da população inibem sua participação no processo político e impedem o 
aprofundamento da democracia”. 
 
São, portanto, destacados como objetivos básicos da educação o pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho, devendo esta ser promovida e incentivada com a 
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colaboração da sociedade. Por outro lado, a concretização desses objetivos se dará 
mediante alguns princípios norteadores que foram estipulados para a efetivação 
desse direito, quais sejam: universalidade; igualdade de condições para o acesso e 
permanênciana escola; liberdade; pluralismo de ideias e concepções pedagógicas; 
gratuidade do ensino público; valorização dos profissionais da área; gestão 
democrática da escola e padrão de qualidade (art. 206, I ao IX). 
 
Ademais, o art. 211 descreve como os entes federados deverão atuar na área da 
educação, organizando em regime de colaboração seus sistemas de ensino, ficando 
incumbidos Estados e Distrito Federal de atuarem prioritariamente no ensino 
fundamental e médio (art. 211, § 3º), os Municípios de atuarem no ensino fundamental 
e na educação infantil (art. 211, § 2º), e a União de organizar o sistema federal de 
ensino e o dos Territórios, financiar as instituições de ensino públicas federais e 
exercer, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir 
equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino 
mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios (art. 211, § 1º). 
 
Além disso, ficam asseguradas: a garantia de educação básica obrigatória e gratuita 
dos quatro aos dezessete anos de idade, inclusive sua oferta gratuita para todos os 
que a ela não tiveram acesso na idade própria; a progressiva universalização do ensino 
médio gratuito; o atendimento educacional especializado aos portadores de 
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; educação infantil, em creche 
e pré-escola, às crianças até cinco anos de idade; acesso aos níveis mais elevados do 
ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; a oferta 
de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; e o atendimento ao 
educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas 
suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à 
saúde. 
 
2.4 Direitos social à moradia 
O direito social à moradia está previsto no art. 6º da Constituição Federal, passou a 
integrar o rol dos direitos sociais por meio da Emenda Constitucional n. 26, de 14 de 
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fevereiro de 2000, com a seguinte redação: “são direitos sociais a educação, a saúde, a 
alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência 
social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma 
desta Constituição”. Assim, institui-se como competência comum da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a promoção de programas de construção 
de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico (art. 
23, IX). 
 
José Afonso da Silva (2013) esclarece que embora o direito à moradia não signifique, 
necessariamente, direito à casa própria, “quer-se que se garanta a todos um teto onde 
se abrigue com a família de modo permanente, segundo a própria etimologia do 
verbo morar, do latim "morari", que significava “demorar, ficar” envolvendo, portanto, 
uma habitação digna e adequada, que satisfaça o critério de necessidades vitais 
básicas do trabalhador e de sua família (art. 7º, IV). Isso implica certas dimensões que 
possibilitem a observância dos “princípios fundamentais da dignidade da pessoa 
humana (art. 1º, III), assim como o direito à intimidade e à privacidade (art. 5º, X), e 
que a casa é um asilo inviolável (art. 5º, XI)”. 
 
Segundo Gilmar Ferreira Mendes (2021), “como direito fundamental, o direito à 
moradia possui tanto natureza negativa quanto positiva. Em relação à natureza 
negativa, ou seja, direito de defesa, o direito à moradia impede o indivíduo de ser 
arbitrariamente privado de possuir uma moradia digna. Merece destaque, nesse 
aspecto, a proibição de penhora do chamado bem de família (Lei n. 8.009/99)”. Quanto 
à natureza positiva deste direito, apresenta-se, por sua vez, em “prestações fáticas e 
normativas que se traduzem em medidas de proteção de caráter organizatório e 
procedimental”, além de outros estatutos que visam a proteção ao direito, como o 
Estatuto da Cidade (Lei n. 10.257/2001), que regulamenta os arts. 182 e 183 da CF e 
estabelece diretrizes gerais da política urbana e, portanto, institui instrumentos que 
visam a concretização do direito à moradia, além do instituto chamado “usucapião 
familiar”, previsto no art. 1.240-A do Código Civil. 
 
2.5 Direito social à alimentação 
O direito à alimentação foi inserido no rol dos direitos sociais do art. 6º pela Emenda 
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Dos princípios norteadores de proteção aos direitos sociais 
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Constitucional n. 64/2010, após uma campanha realizada pelo Conselho Nacional de 
Segurança Alimentar e Nutricional que defendia que essa inclusão, além de alinhar-se 
a diversos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, fortaleceria o 
conjunto de políticas públicas de segurança alimentar. 
 
Para Gilmar Ferreira Mendes (2021), é importante, contudo, diferenciar o direito à 
alimentação do direito a ser alimentado. “O primeiro, previsto em nosso texto 
constitucional, consiste no ‘direito a alimentar-se de forma digna, id est, espera-se que 
os cidadãos satisfaçam suas próprias necessidades com seu próprio esforço, bem 
assim utilizando seus meios disponíveis’. Trata-se, portanto, de conceito distinto do 
direito a ser alimentado, segundo o qual compete ao Estado entregar alimentos de 
forma gratuita aos que deles necessitam”. 
 
Conforme prenuncia o art. 2º da Lei n. 11.346/2006 (Lei que institui o Sistema Nacional 
de Segurança Alimentar e Nutricional – SISAN), “A alimentação adequada é direito 
fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável 
à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder 
público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir 
a segurança alimentar e nutricional da população”. 
 
3 Dos princípios norteadores de proteção aos direitos sociais 
Os princípios que norteiam a proteção dos direitos sociais são o do mínimo existencial 
e o da reserva do possível. Em síntese, esses princípios constituem duas formas 
distintas de conduzir as escolhas alocativas referentes aos custos econômicos, frente 
a escassez de recursos que custeiam a efetivação dos direitos sociais. Enquanto a 
primeira entende como sendo direito do cidadão o acesso ao mínimo previsto como 
direito social pela Constituição, a segunda compreende a existência de uma limitação 
de gastos, defendendo os interesses do Estado e pontuando que nem tudo aquilo que 
está na Constituição será concretizado para toda a população. 
 
Dentre os direitos mais discutidos em face dessas teorias estão: 
▪ o acesso à saúde, muito abordado em questões relativas a medicamentos. 
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Dos princípios norteadores de proteção aos direitos sociais 
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▪ o acesso à educação, muito abordado em questões relativas às creches. 
▪ o acesso à segurança, muito abordado em questões relativas à superlotação 
dos presídios. 
 
 
Figura 2 – Mínimo Existencial vs. Reserva do Possível. 
Fonte: Núcleo Editorial Focus. 
 
3.1 Mínimo Existencial 
Luiz Roberto Barroso (2020) explica que o conceito de mínimo existencial “expressa o 
conjunto de condições materiais essenciais e elementares cuja presença é pressuposto 
da dignidade para qualquer pessoa. Se alguém viver abaixo daquele patamar, o 
mandamento constitucional estará sendo desrespeitado”. 
 
Na mesma linha, Flavia Bahia (2017) adota a definição de Ana Paula de Barcellos 
afirmando que o mínimo existencial “corresponderia ao conjunto de situações 
materiais indispensáveis à existência humana digna, considerada não apenas como 
experiência física – sobrevivência e manutenção do corpo – mas também espiritual e 
intelectual, aspectos fundamentais de um Estado Democrático de Direito. Assim 
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sendo, a violação desse mínimo acarretaria desrespeito à própria dignidade e as 
condições mínimas que devem ser asseguradas à vida de todos descreveriam o 
mesmo fenômeno”. 
 
Dessa forma, Bernardo Gonçalves Fernandes (2020) esclarece que o princípio do 
mínimo existencial demandaria a implementação e garantia de um piso mínimo de 
direitos para que então fosse possível o usufruto dos direitos e liberdade (direitos 
individuais) que estão voltados para o atendimento de necessidades básicas do ser 
humano. 
 
Conforme explica o autor, alguns pensadores relacionam as necessidades básicas 
àquelas voltadas para a educação, alimentação, saúde, moradia etc., outros, ao 
conteúdo relativo à tese do mínimo existencial, o qual “não poderia ser definido a 
priori sem que fosse levado em conta uma situação concreta e específica 
(contextualizada)”. Seja como for, Fernandes (2017) afirma, com base no estudo de 
Daniel Sarmento (2010), que o exercício do direito ao mínimo existencial trabalha com 
duas dimensões: uma negativa, em que “o mínimo existencial opera como um limite, 
impedindo a prática de atos pelo Estado ou por particulares que subtraiam do 
indivíduo as condições materiais indispensáveis a uma vida digna”; e uma positiva, 
que “diz respeito a um conjunto essencial (mínimo) de direitos prestacionais a serem 
implementados e concretizados que possibilitam aos indivíduos uma vida digna”. 
 
3.2 Reserva do Possível 
Segundo Nathalia Masson (2020), a efetivação dos direitos positivados na 
Constituição Federal, em especial dos direitos sociais, acarreta gastos econômicos em 
razão das obrigações prestacionais que trazem para o Estado, que podem ser muito 
custosas principalmente quando envolvem a construção de instituições públicas 
(sistema educacional, sistema de saúde etc.). Assim, explica que uma possível 
justificativa para se alegar a cláusula da reserva do possível seria “o reconhecimento 
da estreita e inequívoca ligação entre a realização dos direitos fundamentais sociais e 
a realidade financeira e econômica do Estado”. Ao aceitar a escassez dos recursos 
financeiros e a amplitude das necessidades sociais, é possível compreender o Estado 
na sua tarefa de definir prioridades e determinar suas políticas públicas de alocação 
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Dos princípios norteadores de proteção aos direitos sociais 
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das verbas existentes. 
 
Neste sentido, Gilmar Ferreira Mendes (2021) afirma que “enquanto o Estado tem que 
dispor de um valor determinado para arcar com o aparato capaz de garantir a 
liberdade dos cidadãos universalmente, no caso de um direito social como a saúde, 
por outro lado, deve dispor de valores variáveis em função das necessidades 
individuais de cada cidadão. Gastar mais recursos com uns do que com outros envolve, 
portanto, a adoção de critérios distributivos para esses recursos”. Neste sentido, e 
especialmente em períodos de recessão, o Estado poderá limitar a função de garantir 
os direitos sociais em razão de restrições orçamentárias. A escolha pela alocação de 
recursos leva diversos fatores em consideração e seguem critérios diversos, tais como 
o número de cidadãos atingidos pela política, a maximização de resultados, e 
efetividade do serviço a ser prestado, entre outros. 
 
3.3 Reserva do possível ou mínimo existencial 
Para cada situação há um embate entre uma visão pautada no mínimo existencial e 
outra baseada na reserva do possível. No entanto não se pode dizer que a aplicação 
de uma ou outra estará sempre certa ou errada, o que torna o resultado relativo, uma 
vez que cabe ao juiz julgar em prol de uma ou outra visão. 
 
Segundo Gilmar Ferreira Mendes (2021), algumas pessoas defendem, especialmente 
em relação ao direito à saúde ou à educação, que por serem indispensáveis para a 
dignidade da pessoa humana, pelo menos o mínimo existencial desses direitos não 
poderia deixar de ser objeto de apreciação judicial. “Isso porque, apesar da realidade 
da escassez de recursos para o financiamento de políticas públicas de redução de 
desigualdades, seria possível estabelecer prioridades entre as diversas metas a atingir, 
racionalizando a sua utilização, a partir da ideia de que determinados gastos, de 
menor premência social, podem ser diferidos, em favor de outros, reputados 
indispensáveis e urgentes, quando mais não seja por força do princípio da dignidade 
da pessoa humana, que, sendo o valor-fonte dos demais valores, está acima de 
quaisquer outros, acaso positivados nos textos constitucionais”. Caberia, assim, ao 
Poder Judiciário decidir e especificar como as prestações seriam realizadas na garantia 
dos direitos fundamentais sociais. 
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Dos princípios norteadores de proteção aos direitos sociais 
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Contudo, Luís Roberto Barroso (2020) explica que “a dissociação dos direitos 
fundamentais em categorias diversas – individuais, políticos e sociais – tem sido 
crescentemente questionada. Em primeiro lugar, porque sua interdependência e 
relativa indivisibilidade tem se tornado crescentemente enfatizada, sendo difícil 
conceber, por exemplo, o exercício pleno do direito de voto, da liberdade de 
expressão ou mesmo de profissão sem acesso à educação e a outros elementos 
essenciais para a vida digna. De parte isso, também vai sendo progressivamente 
superada a crença de que somente os direitos sociais envolvem custos e ações 
positivas por parte do Estado. Na verdade, não é bem assim. No que diz respeito aos 
direitos políticos, a realização de eleições periódicas e a manutenção da Justiça 
Eleitoral, por exemplo, custam alguns bilhões anuais ao país. Da mesma forma, a 
proteção dos direitos individuais também demanda relevante quantidade de recursos, 
com a manutenção de estruturas complexas como o Poder Judiciário, a Polícia ou o 
Corpo de Bombeiros. Vale dizer: tudo custa dinheiro e, portanto, no fundo, tudo 
consiste em escolhas políticas ou ideológicas”. 
 
Na sequência estão relacionado alguns exemplos de situações hipotéticas que seriam 
determinadas em razão de um ou outro princípio: 
Exemplo 1 – Saúde: Anderson está passando pelo tratamento de um câncer, 
para o qual precisa tomar um comprimido a cada semana, cujo preço unitário é 
de R$ 800,00. Por não ter condições de pagar pelo tratamento, Anderson recorre 
à justiça, entrando com uma ação baseada na teoria do Mínimo Existencial, 
alegando que é seu direito ter acesso à saúde, e exigindo que o Estado pague o 
seu tratamento. 
Exemplo 2 – Educação: Reginaldo tornou-se um pai solteiro após o falecimento 
de sua esposa devido a complicações no parto. Cuidar de seu filho, o pequeno 
Júnior, nunca fora um problema: Reginaldo até então sempre conseguira conciliar 
o trabalho com as horas de cuidado para com o filho. Quando Júnior completa 4 
anos, Reginaldo decide colocá-lo na creche. No entanto, sua tentativa não foi 
muito satisfatória: Reginaldo recebeu a notícia de que não seria possível levar seu 
filho à creche por falta de vagas. Amparado pela Constituição, que lhe garante o 
acesso à educação, e baseado na teoria do Mínimo Existencial, Reginaldo então 
recorre à justiça, alegando ser um direito seu o acesso à vaga na creche. 
Exemplo 3 – Segurança: Um dos presídios em uma cidade do interior sofria 
recorrentemente com problemas de superlotação. Frente a tais situações, o poder 
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Conclusão 
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Judiciário age, enviando uma solicitação ao poder Executivo, para que este 
tomasse as devidas providências, expandindo o presídio. Frente à solicitação, o 
poder Executivo decide por manter-se em silêncio, optando por não solucionar o 
problema. Obtendo tal reação, o poder Judiciário toma a frente e decide agir, 
fechando o presídio e transferindo os presos, até que as mudanças necessárias 
sejam feitas. 
 
4 Conclusão 
Nesta unidade, falamossobre os direitos sociais dispostos no art. 6º da Constituição 
Federal, também denominados direitos prestacionais, considerados direitos de 
segunda dimensão, que exigem uma atuação positiva do Poder público e visam a 
melhoria das condições de vida dos indivíduos e a concretização da igualdade social. 
Classificamos esses direitos em direitos sociais do trabalhador, direitos sociais 
relativos à seguridade social, direitos sociais de natureza econômica e direitos sociais 
relativos à cultura e educação, subdividindo-os de acordo com as disposições 
constitucionais. Além disso, vimos que a efetivação desses direitos pode ser conduzida 
mediante dois prismas distintos, o do mínimo existencial e o da reserva do possível, e 
que cabe ao Poder Público decidir e especificar como as prestações serão realizadas 
para a garantia desses direitos. 
 
5 Referências Bibliográficas 
BAHIA, Flavia. Direito Constitucional. – 3. ed. – Recife: Armador, 2017. 
BARROSO, Luís Roberto. Curso de direito constitucional contemporâneo: os 
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. – 12. ed. – 
Salvador: Ed. JusPODIVM, 2020. 
MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. – 8. ed. – Salvador: 
JusPODIVM, 2020. 
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito 
Constitucional. – 16. ed. – São Paulo: Educação, 2021. 
Direitos Sociais | 
Referências Bibliográficas 
www.cenes.com.br | 21 
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. – 33. ed. rev. e atual. até a EC nº_ 95, 
de 15 de dezembro de 2016. São Paulo: Atlas, 2017. 
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. – 37. ed. rev. e atual. 
até a EC nº_ 76, de 28 de novembro de 2013. São Paulo: Malheiros Editores. 2013. 
TAVARES, André Ramos. Curso de direito constitucional. – 18. ed. – São Paulo: 
Saraiva Educação. 2020. 
Direitos Sociais | 
Referências Bibliográficas 
www.cenes.com.br | 22 
 
 
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Introdução 
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DISCIPLINA 
DIREITOS SOCIAIS 
 
CONTEÚDO 
Direitos Sociais Individuais 
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Introdução 
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Introdução 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Direitos Sociais Individuais ------------------------------------------------------------------------------ 5 
2.1 Educação ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
2.1.1 Princípios norteadores da educação ------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
2.1.2 Direito à educação estendido ao ensino superior -------------------------------------------------------------------------- 7 
2.1.3 Diplomas normativos --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
2.1.4 Financiamento da educação ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 7 
2.2 Saúde ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 8 
2.2.1 Princípios norteadores da saúde ------------------------------------------------------------------------------------------------ 8 
2.2.2 Agentes comunitários de saúde e de combate às endemias ------------------------------------------------------------ 9 
2.2.3 Assistência à saúde na iniciativa privada -------------------------------------------------------------------------------------- 9 
2.2.4 Financiamento da saúde ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
2.3 Alimentação ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
2.4 Transporte --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 11 
2.5 Previdência Social ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 12 
2.5.1 Do benefício ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 14 
2.5.2 Dispositivos legais ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 14 
2.5.3 Proteção à maternidade e à infância ----------------------------------------------------------------------------------------- 15 
2.6 Assistência aos desamparados ------------------------------------------------------------------------------------- 16 
2.7 Direitos individuais dos trabalhadores --------------------------------------------------------------------------- 17 
2.7.1 Direitos dos trabalhadores urbanos e rurais ------------------------------------------------------------------------------- 18 
2.7.2 Direitos sociais individuais dos trabalhadores domésticos------------------------------------------------------------- 20 
3 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 21 
4 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 22 
 
 
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Introdução 
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1 Introdução 
Os Direitos Sociais integram o Capítulo II do Título II da Constituição Federal. Também 
denominados direitos a prestação ou direitos prestacionais, como direitos de segunda 
dimensão, exigem uma atuação positiva do Poder Público, especialmente em relação 
à implementação da igualdade social, influenciando, também, no significado dos 
direitos individuais à medida em que, por seu intermédio, o Estadointerfere na esfera 
individual a fim de combater as desigualdades sociais e propiciar a todos o mínimo 
de condições existenciais. 
 
Segundo o ilustre Professor José Afonso da Silva, “os direitos sociais constituem 
formas de tutela pessoal”, disciplinando situações subjetivas de caráter concreto, 
sejam elas pessoais ou grupais. Na definição mais precisa do autor, “os direitos sociais, 
como dimensão dos direitos fundamentais do homem, são prestações positivas 
proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas em normas 
constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos 
que tendem a realizar a igualização de situações sociais desiguais”. 
 
André Ramos Tavares (2020) engloba os direitos sociais em quatro categorias, sendo 
elas: direitos do trabalhador, direitos da seguridade social, direitos de natureza 
econômica e direitos de cultura. Já José Afonso Silva (2013) classifica-os em direitos 
sociais do homem produtor (art. 7º) e direitos sociais do homem consumidor (art. 6º). 
Os direitos do homem consumidor seriam aqueles relativos “à saúde, à segurança 
social (segurança material), ao desenvolvimento intelectual, ao igual acesso das 
crianças e adultos à instrução, à formação profissional e à cultura e garantia ao 
desenvolvimento da família”. Por outro lado, estariam englobados nos direitos sociais 
do homem produtor “a liberdade de instituição sindical (instrumento de ação coletiva), 
o direito de greve, o direito de o trabalhador determinar as condições de seu trabalho 
(contrato coletivo de trabalho), o direito de cooperar na gestão da empresa (cogestão 
e autogestão) e o direito de obter um emprego”. 
 
Outra classificação organiza esses direitos em direitos sociais individuais e direitos 
sociais coletivos, tendo em vista que grande parte dos direitos e garantias arrolados 
nos arts. 6º ao 11, denominados direitos e garantias sociais pela Constituição Federal, 
são de índole individual, pois referem-se a indivíduos determinados e podem por eles 
Direitos Sociais | 
Direitos Sociais Individuais 
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ser invocados. Assim, a maioria dos direitos e garantias voltados ao trabalhador 
(previstos no art. 7º) são estudados como direitos sociais individuais, uma vez que 
regem as relações individuais de trabalho. Tanto o são que, defendem Vicente Paulo 
e Marcelo Alexandrino (2017), deveriam ser considerados cláusulas pétreas, sem 
maiores controvérsias, apesar de não haver unanimidade doutrinária a respeito do 
tema. Em contrapartida, são direitos e garantias sociais considerados coletivos aqueles 
cuja prestação não pode ser exigida por uma dada pessoa, tais como o direito ao lazer, 
ao trabalho, à greve, e aqueles exercidos no interesse da coletividade, como de 
associação profissional ou sindical, de greve, de representação classista etc., previstos 
nos arts. 8º ao 11. 
 
2 Direitos Sociais Individuais 
São considerados direitos sociais individuais aqueles que podem ser traduzidos em 
prestações específicas, passíveis de serem exigidas por dada pessoa ou referíveis a 
indivíduos determinados (PAULO; ALEXANDRINO, 2017). Dessa forma, enquadram-se 
nessa categoria, dentre outros, o direito à educação, à saúde, à alimentação, ao 
transporte, à previdência social, à prestação à maternidade e à infância e à assistência 
aos desamparados, previstos no art. 6º da CF, bem como todos os direitos sociais 
individuais dos trabalhadores previstos no art. 7º. 
 
2.1 Educação 
O direito à educação é considerado um dos direitos sociais de maior relevância na 
Constituição Federal por possibilitar a plena fruição dos demais direitos. Como todo 
direito social, este também “obriga o Estado a oferecer o acesso a todos os 
interessados, especialmente àqueles que não possam custear uma educação 
particular. Os direitos sociais ocupam-se, prioritariamente, dentro do universo de 
cidadãos do Estado, daqueles mais carentes” (TAVARES, 2021). 
 
2.1.1 Princípios norteadores da educação 
Com previsão nos arts. 205 ao 214 da CF, a educação é um direito concedido a todos 
e ao mesmo tempo um dever do Estado e da família, devendo ser promovida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da 
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Direitos Sociais Individuais 
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pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
Os princípios norteadores sobre os quais se pautará são: 
▪ a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
▪ liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o 
saber; 
▪ o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de 
instituições públicas e privadas de ensino; 
▪ gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
▪ valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, 
planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de 
provas e títulos, aos das redes públicas; 
▪ gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
▪ garantia de padrão de qualidade. 
▪ piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar 
pública, nos termos de lei federal. 
▪ garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. 
 
Conforme prevê o art. 208, o dever do Estado com a educação será efetivado 
mediante a garantia de: educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos 
dezessete anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a 
ela não tiveram acesso na idade própria; progressiva universalização do ensino médio 
gratuito; atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, 
preferencialmente na rede regular de ensino; educação infantil, em creche e pré-
escola, às crianças até cinco anos de idade; acesso aos níveis mais elevados do ensino, 
da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; oferta de ensino 
noturno regular, adequado às condições do educando; atendimento ao educando, em 
todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de 
material didático escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. 
 
No caso de descumprimento da garantia de educação básica obrigatória e gratuita 
dos quatro aos dezessete anos de idade, “o seu titular pode exigir judicialmente que 
o Estado seja obrigado, por meio de procedimento judicial, a proporcionar gozo desse 
direito, sob pena de caracterização de inconstitucionalidade por omissão” 
(FERNANDES, 2020). 
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Direitos Sociais Individuais 
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2.1.2 Direito à educação estendido ao ensino superior 
O direito à educação alcança também o ensino superior, cuja prestação coincide, 
conforme aponta Fernandes (2020), à proteção constitucional à liberdade de escolha 
profissional prevista no art. 5º, XIII da CF. No intuito de garantir o acesso ao ensino 
superior de forma igualitária, implementou-se, inclusive, o instituto das cotas (Lei n. 
12.711/2012), segundo o qual serão reservados no mínimo 50% das vagas em 
concurso seletivo para o ingresso em instituições federais de educação superior 
vinculadas ao Ministério da Educação, de estudantes que tenham cursado 
integralmente o ensino médio em escolas públicas. 
 
2.1.3 Diplomas normativos 
Outros diplomas normativos importantes que disciplinam sobre a matéria da 
educação são: o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/90), a Lei de 
Diretrizes e Bases da educação Nacional (Lei n. 9.394/96) e a Lei que criou o Conselho 
Nacional de Educação – CNE (Lei n. 9.131/95). 
 
2.1.4 Financiamento da educação 
A Constituição Federal fixou, em seu art. 212, um mínimo de recursos financeiros que 
devem ser aplicados à educação para fins de manutenção e desenvolvimento do 
ensino. A União aplicará, anualmente, nunca menos de 18%, e os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios,no mínimo, 25% da receita resultante de impostos, 
compreendida a proveniente de transferências. Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino 
ressaltam que “a aplicação desses percentuais constitucionalmente previstos na área 
da educação constitui princípio sensível da ordem federativa (CF, art. 34, VII, “e”), cuja 
inobservância pelo estado ou Distrito Federal autoriza a intervenção federal, a partir 
de representação do Procurador-Geral da República perante o Supremo Tribunal 
Federal (CF, art. 36, III)”. 
 
Alinhado a isso, o § 5º do art. 212 da CF prevê uma fonte adicional de financiamento 
ao ensino por meio de contribuição social do salário-educação, cuja arrecadação é 
regulamentada pelo Decreto n. 6.003/2006. 
 
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Direitos Sociais Individuais 
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2.2 Saúde 
De acordo com Bernardo Gonçalves Fernandes (2020), o direito à saúde está 
diretamente relacionado ao direito à vida e seu conceito primário se dá a partir do 
que consta no preâmbulo da Constituição da Organização Mundial, como o estado 
completo de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou 
enfermidades. Para além disso, a Lei Orgânica da Saúde (Lei n. 8.08/90) relaciona a 
este conceito um “conjunto de ações públicas que assegurem uma vida diga e a 
autonomia dos sujeitos beneficiários. Por isso mesmo, fala-se em medidas de saúde 
preventiva e medidas de saúde curativa”. 
 
2.2.1 Princípios norteadores da saúde 
O direito à saúde está previsto no art. 6 e disciplinado nos arts. 196 ao 200 da CF, 
trata-se de um dos pilares da seguridade social, como um direito de todos e dever do 
Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do 
risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e 
serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Cabe ao Poder Público dispor 
sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, nos termos da lei, devendo sua 
execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou 
jurídica de direito privado. 
 
Este direito se organiza pelo princípio da integralidade e universalidade, atingindo a 
todas as pessoas em território brasileiro, sob um conjunto de ações e serviços que 
integram uma rede regionalizada e hierarquizada e constituem o Sistema Único de 
Saúde, organizado de acordo com as seguintes diretrizes: 
I. Descentralização, com direção única em cada esfera do governo; 
II. Atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem 
prejuízo dos serviços assistenciais; 
III. Participação da comunidade. 
 
Diante disso, afirmam Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino que “o Supremo Tribunal 
Federal já deixou assente que viola a Carta de 1988, em razão do conteúdo do seu art. 
196 - especialmente da asserção de que as políticas públicas na área da saúde devem 
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visar "ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, 
proteção e recuperação" -, a possibilidade de um paciente do Sistema Único de Saúde 
(SUS) pagar para ter acomodações superiores ou ser atendido por médico de sua 
preferência - a chamada ‘diferença de classes’. Em sua decisão, prolatada na 
sistemática da repercussão geral, nossa Corte Suprema fixou a tese de que ‘é 
constitucional a regra que veda, no âmbito do Sistema Único de Saúde, a internação 
em acomodações superiores, bem como o atendimento diferenciado por médico do 
próprio Sistema Único de Saúde, ou por médico conveniado, mediante o pagamento 
da diferença dos valores correspondentes’” RE 581.488/RS, rel. Min. Dias Toffoli, 
03.12.2015 (Informativo 810 do STF). 
 
2.2.2 Agentes comunitários de saúde e de combate às endemias 
A Constituição Federal estabelece no art. 198, § 4º que os gestores locais do sistema 
único de saúde poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes de combate 
às endemias por meio de processo seletivo público, de acordo com a natureza e 
complexidade de suas atribuições e requisitos específicos para sua atuação no intuito 
de aumentar a eficiência na prestação às comunidades de serviços de saúde e 
combate às endemias. Com isso, prevê uma exceção à exigência de concurso público 
para admissão de pessoal previsto no art. 37, II, CF. 
 
2.2.3 Assistência à saúde na iniciativa privada 
De acordo com o art. 199 da CF, a assistência à saúde é livre à iniciativa privada, sendo 
permitido às instituições privadas participar de forma complementar no sistema único 
de saúde mediante contrato de direito público ou convênio. Neste caso, terão 
preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. Às instituições privadas 
com fins lucrativos fica vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou 
subvenções. Além disso, salvo nos casos previstos em lei, a participação direta ou 
indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde no País é vedada. 
 
2.2.4 Financiamento da saúde 
Com a Emenda Constitucional n. 29/2000, determinou-se que o financiamento do 
Sistema Único de Saúde se dará, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento 
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da seguridade social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além 
de outras fontes. 
 
Conforme consta no § 2º do art. 198, serão aplicados, anualmente, em ações e serviços 
públicos de saúde recursos mínimos derivados da aplicação de percentuais da receita 
da União, dos Estados, Distrito Federal e Municípios. No caso da União, incidirá um 
percentual não inferior a quinze por cento sobre a receita correte líquida do respectivo 
exercício financeiro. No caso dos Estados, Distrito Federal e Municípios os recursos a 
serem aplicados advirão de percentuais estabelecidos em lei complementar, 
incidentes sobre o produto da arrecadação de tributos e de transferências tributárias 
recebidas dos entes federativos de maior nível e constitucionalmente previstas. 
 
2.3 Alimentação 
A Emenda Constitucional n. 64 de fevereiro de 2010 alterou o art. 6º da Constituição 
Federal introduzindo a alimentação ao rol de direitos sociais e integrando-a, nas 
palavras de Gilmar Ferreira Mendes, ao núcleo intangível da dignidade humana: o 
mínimo existencial. 
 
Segundo Pedro Lenza (2021), “antes mesmo da EC n. 64/2010, que introduziu o direito 
à alimentação como direito social, a Lei n. 11.346/2006, regulamentada pelo Dec. n. 
7.272/2010, já havia criado o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional 
— SISAN com vistas a assegurar o direito humano à alimentação adequada”, por meio 
do qual o poder público, com a participação da sociedade civil organizada, haveria de 
formular e implementar políticas, planos, programas e ações voltadas para garantia 
desse direito. 
 
Na mesma esteira, Gilmar Ferreira Mendes (2021), ao retomar Ingo Sarlet, esclarece 
que “esse direito já estava materialmente presente em nossa Constituição antes da 
Emenda Constitucional n. 64/2010, como decorrente do seu regime e de seus 
princípios. Ademais, o direito à alimentação também estava previsto no art. 7º, IV, ao 
lado de educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social como 
elemento das ‘necessidades vitais básicas’ que integram o salário-mínimo”. 
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Conforme prevê o art. 2º da Lei n. 11.346/2006, a alimentação adequada é direito 
fundamental do ser humano, inerente à dignidade da pessoa humana e indispensável 
à realização dos direitos consagrados na Constituição Federal, devendo o poder 
público adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir 
a segurança alimentar e nutricional da população. 
 
A segurança alimentar, por sua vez, está disciplinada no art. 4º da mesma lei e deverá 
abranger: 
I. a ampliaçãodas condições de acesso aos alimentos por meio da produção, 
em especial da agricultura tradicional e familiar, do processamento, da 
industrialização, da comercialização, incluindo-se os acordos internacionais, 
do abastecimento e da distribuição de alimentos, incluindo-se a água, bem 
como das medidas que mitiguem o risco de escassez de água potável, da 
geração de emprego e da redistribuição da renda; 
II. a conservação da biodiversidade e a utilização sustentável dos recursos; 
III. a promoção da saúde, da nutrição e da alimentação da população, incluindo-
se grupos populacionais específicos e populações em situação de 
vulnerabilidade social; 
IV. a garantia da qualidade biológica, sanitária, nutricional e tecnológica dos 
alimentos, bem como seu aproveitamento, estimulando práticas alimentares 
e estilos de vida saudáveis que respeitem a diversidade étnica e racial e 
cultural da população; 
V. a produção de conhecimento e o acesso à informação; 
VI. a implementação de políticas públicas e estratégias sustentáveis e 
participativas de produção, comercialização e consumo de alimentos, 
respeitando-se as múltiplas características culturais do País; e 
VII. a formação de estoques reguladores e estratégicos de alimentos. 
 
2.4 Transporte 
O direito ao transporte, incluído no rol de direitos sociais do art. 6º pela Emenda 
Constitucional 90 de 2011, estando intrinsecamente relacionados à mobilidade das 
pessoas, é essencial à implementação de vários outros direitos fundamentais e sociais, 
conforme destacado no projeto de emenda constitucional n. 90/2011: 
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Vetor de desenvolvimento relacionado à produtividade e à qualidade de vida da população, 
sobretudo do contingente urbano, o transporte destaca-se na sociedade moderna pela relação 
com a mobilidade das pessoas, a oferta e o acesso aos bens e serviços. Como é de amplo 
conhecimento, a economia de qualquer país fundamenta-se na produção e no consumo de 
bens e serviços, como também no deslocamento das pessoas, ações que são mediadas pelo 
transporte. 
Desse modo, o transporte, notadamente o público, cumpre função social vital, uma vez que o 
maior ou menor acesso aos meios de transporte pode tornar-se determinante à própria 
emancipação social e o bem-estar daqueles segmentos que não possuem meios próprios de 
locomoção. 
 
Nesta perspectiva, afirma Ingo Wolfgang Sarlet (2019) que “a inserção de um direito 
ao transporte guarda sintonia com o objetivo de assegurar a todos uma efetiva fruição 
de direitos (fundamentais ou não), mediante a garantia do acesso ao local de trabalho, 
bem como aos estabelecimentos de ensino (ainda mais no contexto da proteção das 
crianças e adolescentes e formação dos jovens), serviços de saúde e outros serviços 
essenciais, assim como ao lazer e mesmo ao exercício dos direitos políticos, sem falar 
na especial consideração das pessoas com deficiência (objeto de previsão específica 
no art. 227, § 2º, da CF) e dos idosos, resulta evidente e insere o transporte no rol dos 
direitos e deveres associados ao mínimo existencial, no sentido das condições 
materiais indispensáveis à fruição de uma vida com dignidade”. 
 
Agregado à liberdade de locomoção (art. 5º, XV), o direito ao transporte respalda, 
entre outros, o direito à gratuidade nos transportes coletivos para maiores de 65 anos 
(art. 230, § 2º, CF) e a proteção especial da criança e do adolescente, o que inclui o 
direito de acesso à escola ao trabalhador adolescente e jovem (art. 227, § 3º, CF). 
 
2.5 Previdência Social 
Considerada um dos pilares da seguridade social, a previdência social visa “propiciar 
os meios indispensáveis à subsistência da pessoa humana – quando esta não pode 
obtê-los ou não é socialmente desejável que os aufira pessoalmente através do 
trabalho, por motivo de maternidade, nascimento, incapacidade, invalidez, 
desemprego, prisão, idade avançada, tempo de serviço ou morte –, mediante 
contribuição compulsória distinta, proveniente da sociedade e de cada um dos 
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participantes” (MARTINEZ apud TAVARES, 2019). 
 
Segundo o art. 201 da CF, com redação dada pela EC n. 103/2019, a previdência social 
será organizada sob a forma do Regime Geral de Previdência Social, de caráter 
contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio 
financeiro e atuarial, e atenderá, na forma da lei, a: 
▪ cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o 
trabalho e idade avançada; 
▪ proteção à maternidade, especialmente à gestante; 
▪ proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; 
▪ salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa 
renda; 
▪ pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro 
e dependentes. 
 
O texto constitucional determina a vedação à adoção de requisitos ou critérios 
diferenciados para concessão de benefícios, ressalvada, nos termos de lei 
complementar, a possibilidade de previsão de idade e tempo de contribuição distintos 
da regra geral para concessão de aposentadoria exclusivamente em favor dos 
segurados: a) com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial 
realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar; b) cujas atividades sejam 
exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à 
saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria 
profissional ou ocupação. 
 
O direito à previdência social possui caráter contributivo, portanto as prestações 
dependem de contraprestações, de modo que os indivíduos somente poderão auferir 
benefícios quando filiados e contribuintes do sistema. Mendes (2019) afirma tratar-se, 
portanto, “de sistema baseado no princípio da solidariedade, de modo que os ativos 
contribuem para financiar os benefícios pagos aos inativos, estando todos sujeitos ao 
pagamento das contribuições, bem como ao aumento de suas alíquotas. Por ter 
natureza tributária, as contribuições previdenciárias não podem criar discriminação 
entre os beneficiários, sob pena de violação ao princípio da isonomia”. 
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2.5.1 Do benefício 
De acordo com os §§ 2º ao 4º do art. 201, nenhum benefício que substitua o salário 
de contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal inferior 
ao salário-mínimo, garantindo-se que todos os salários de contribuição considerados 
para o cálculo do benefício sejam devidamente atualizados e reajustados, para 
preservar, em caráter permanente, o valor real. 
 
Em relação à aposentadoria, esta passou a ser condicionada a idade mínima de 65 
anos de idade para homens e 62 para mulheres, desde que observado o tempo 
mínimo de contribuição (art. 201, § 7º, I); já para trabalhadores rurais que exerçam 
suas atividades em regime de economia familiar, a idade mínima foi fixada em 60 anos 
de idade para homens e 55 para mulheres. 
 
2.5.2 Dispositivos legais 
A Lei n. 8.213 de julho de 1991 dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência 
Social e dá outras providencias, relacionando, logo no art. 2º, os princípios e objetivos 
que regem a Previdência Social, quais sejam: 
▪ universalidade de participação nos planos previdenciários; 
▪ uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e 
rurais; 
▪ seletividade e distributividade na prestação dos benefícios; 
▪ cálculo dos benefícios considerando-se os salários-de-contribuição corrigidos 
monetariamente; 
▪ irredutibilidade do valor dos benefícios de forma a preservar-lhes o poder 
aquisitivo; 
▪ valor da renda mensal dos benefícios substitutos do salário-de-contribuição ou 
do rendimento do trabalho do segurado não inferior ao do salário mínimo;▪ previdência complementar facultativa, custeada por contribuição adicional; 
▪ caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a 
participação do governo e da comunidade, em especial de trabalhadores em 
atividade, empregadores e aposentados. 
 
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2.5.3 Proteção à maternidade e à infância 
A proteção à maternidade, além de aparecer no rol de direitos sociais do art. 6º, possui 
natureza tanto de direito previdenciário (art. 201, II) como de direito assistencial (art. 
203, I). Como direito assistencial, a proteção à maternidade, à infância, à adolescência, 
à velhice e à família serão prestada a quem dela necessitar, independentemente de 
contribuição da seguridade social. 
 
Conforme aponta Pedro Lenza (2021), essa desoneração do empregador fora 
primeiramente assegurada na Lei n. 6.136/74, a qual inclui o salário-maternidade entre 
as prestações da Previdência Social, “caracterizando importante conquista no sentido 
da não discriminação entre o homem e a mulher no momento da contratação”. 
Verifica-se, ainda, que no plano constitucional o direito de proteção à maternidade 
articula-se com outros de cunho trabalhista, previstos, por exemplo, no art. 7º, XVIII ( 
estabelece a licença à gestante como um dos direitos dos trabalhadores, haja vista a 
importância do acompanhamento materno para o pleno desenvolvimento da criança, 
em especial nos primeiros meses de vida) e o inciso II, “b”, do art. 10 do ADCT (veda a 
dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação 
da gravidez até cinco meses após o parto). 
 
Ingo Wolfgang Sarlet (2019) afirma que a proteção a esse direito envolve uma 
compreensão adequada do conjunto de direitos aos quais se relaciona, tal como o 
direito à saúde e ao regime jurídico-constitucional de proteção dos direitos 
fundamentais da criança e do adolescente (art. 227 da CF). Para o autor “tem-se como 
parâmetro para a caracterização do âmbito normativo de tal direito todo o período 
compreendido entre a concepção , gestação (por exemplo, atendimento pré-natal), 
nascimento e primeiros anos de vida da criança, tanto sob a perspectiva da mulher 
quanto da criança, de modo a assegurar a proteção de todos os direitos fundamentais 
que permeiam a relação mãe-filho e o bem-estar de ambos, tudo no sentido de uma 
exegese compreensiva de todas as dimensões relacionadas à maternidade”. 
 
No que tange à proteção à infância, o art. 227 da CF dispõem sobre o dever de 
proteção do Estado à criança, ao adolescente e ao jovem, assegurando-lhes, com 
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à 
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência 
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familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. A concretização deste 
direito está atrelada, ainda, à observância ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 
n. 8.069/1990) que, segundo aponta Sarlet (2019), “dá contornos normativos mais 
precisos ao direito à proteção à maternidade e à infância em alguns dos seus 
dispositivos”. 
 
Para o autor, “a sobreposição (parcial) de tais direitos com outros, como no caso do 
direito à saúde e educação (veja-se o caso do acesso a creches disponibilizadas pelo 
Poder Público), desde que bem compreendida e dogmaticamente consistente, mais 
do que uma desvantagem, constitui mesmo um reforço em termos de proteção, 
especialmente em virtude da aplicação, aos direitos à proteção da maternidade e da 
infância, do regime jurídico dos direitos fundamentais, inclusive e especialmente no 
que diz respeito à sua eficácia e efetividade” (SARLET, 2019). 
 
2.6 Assistência aos desamparados 
O regime constitucional para a seguridade social é formatado com o intuito de 
assegurar a todos uma vida digna e atender a padrões adequados de bem-estar social. 
Articula-se com o direito internacional dos direitos humanos, em especial com a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), o Pacto Internacional dos Direitos 
Econômicos, Sociais e Culturais (1966), a Declaração Americana de Direitos e Deveres 
do Homem (1948) e o Protocolo de “San Salvador” Adicional à Convenção Americana 
sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1988). 
 
Ao lado do direito à saúde e à previdência social, a assistência social (ou assistência 
ao desamparado) compreende um dos pilares da seguridade social, configurando-se, 
para além disso, como “a expressão máxima do princípio da solidariedade e mesmo 
do respeito à dignidade da pessoa humana, porquanto representa proteção político-
jurídica especial destinada a indivíduos e grupos sociais vulneráveis ou necessitados, 
cuidando-se, ademais disso, de direito titularizado por nacionais e estrangeiros” 
(SARLET, 2019). 
 
Disciplinada no art. 203 da Constituição Federal, a assistência social será prestada a 
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quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem 
por objetivos: 
▪ a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; 
▪ o amparo às crianças e adolescentes carentes; 
▪ a promoção da integração ao mercado de trabalho; 
▪ a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção 
de sua integração à vida comunitária; 
▪ a garantia de um salário-mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de 
deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria 
manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. 
 
O texto constitucional determina que as ações governamentais na área da assistência 
social sejam realizadas com recursos do orçamento da seguridade social, previstos no 
art. 195 da CF, além de outras fontes, e organizadas com base na descentralização 
político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal, e 
a coordenação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e 
municipal e às entidades beneficentes e de assistência social (art. 204, I). Além disso, 
prevê a participação da população na formulação das políticas e no controle das ações 
em todos os níveis, por meio de organizações representativas (art. 204, II). Além disso, 
é facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a programa de apoio à inclusão 
e promoção social até cinco décimos por cento de sua receita tributária líquida, 
vedada a aplicação desses recursos no pagamento de despesas com pessoal e 
encargos sociais, serviço da dívida e qualquer outra despesa corrente não vinculada 
diretamente aos investimentos ou ações apoiados. 
 
Entre outros dispositivos infraconstitucionais que disciplinam sobre a assistência 
social, o principal é a Lei Orgânica da Assistência Social (Lei n. 8.742/1993), que dispõe 
sobre sua organização dá outras providências. 
 
2.7 Direitos individuais dos trabalhadores 
Conforme explica Ingo Wolfgang Sarlet (2019), há uma forte conexão expressa entre 
o direito ao trabalho e os demais direitos fundamentais, tendo em vista que as 
prestações garantidas a ele buscam, grosso modo, assegurar condições mínimas para 
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o bem-estar do trabalhador e de sua família, a exemplo do art. 7º, IV, da CF, segundo 
o qual deve ser assegurado ao trabalhador um salário que seja capaz de atender suas 
necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, 
saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. Nisto resta evidente o 
vínculo com o direito-garantia ao mínimo existencial: “não se pode desprezar o 
quanto a garantia dapossibilidade de trabalhar, e com isso assegurar seu próprio 
sustento e dos seus dependentes, constitui dimensão relevante para um direito ao 
livre desenvolvimento da personalidade e da própria noção de autonomia, do ser 
humano construtor de seu próprio destino”. 
 
Para o autor, o direito ao trabalho é dotado de uma dimensão objetiva e outra 
subjetiva, assumindo, assim, como os demais direitos, uma função negativa e outra 
positiva. Na dimensão positiva o direito implica o dever constitucional de “promover 
políticas de fomento da criação de empregos (postos de trabalho), de formação 
profissional e qualificação do trabalhador, entre outras tantas que poderiam ser 
referidas e que são veiculadas por lei ou programas governamentais ou mesmo no 
setor privado”. 
 
2.7.1 Direitos dos trabalhadores urbanos e rurais 
O caput e incisos do art. 7º da Constituição Federal contemplam um rol aberto de 
direitos para todos os trabalhadores urbanos e rurais. São eles: 
 
(I) relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos 
termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros 
direitos; (II) seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; (III)fundo de 
garantia do tempo de serviço; (IV) salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente 
unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com 
moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e 
previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, 
sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (V) piso salarial proporcional à 
extensão e à complexidade do trabalho; (VI) irredutibilidade do salário, salvo o 
disposto em convenção ou acordo coletivo; (VII) garantia de salário, nunca inferior ao 
mínimo, para os que percebem remuneração variável; (VIII) décimo terceiro salário 
com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; (IX) remuneração 
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do trabalho noturno superior à do diurno; (X) proteção do salário na forma da lei, 
constituindo crime sua retenção dolosa; (XI) participação nos lucros, ou resultados, 
desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da 
empresa, conforme definido em lei; (XII) salário-família pago em razão do dependente 
do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (XIII) duração do trabalho normal 
não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a 
compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção 
coletiva de trabalho; (XIV) jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos 
ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva; (XV) repouso semanal 
remunerado, preferencialmente aos domingos; (XVI) remuneração do serviço 
extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do normal; (XVII) gozo 
de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário 
normal; (XVIII) licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a 
duração de cento e vinte dias; (XIX) licença-paternidade, nos termos fixados em lei; 
(XX) proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, 
nos termos da lei; (XXI) aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no 
mínimo de trinta dias, nos termos da lei; (XXII) redução dos riscos inerentes ao 
trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; (XXIII) adicional de 
remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; 
(XXIV) aposentadoria; (XXV) assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o 
nascimento até cinco anos de idade em creches e pré-escolas; (XXVI) reconhecimento 
das convenções e acordos coletivos de trabalho; (XXVII) proteção em face da 
automação, na forma da lei; (XXVIII) seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do 
empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em 
dolo ou culpa; (XXIX) ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, 
com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o 
limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; (XXX) proibição de 
diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de 
sexo, idade, cor ou estado civil; (XXXI) proibição de qualquer discriminação no tocante 
a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; (XXXII) 
proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os 
profissionais respectivos; (XXXIII) proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre 
a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na 
condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (XXXIV) igualdade de direitos entre 
o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. 
 
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Além destes, expressamente enumerados, existem outros direitos dos trabalhadores 
previstos ao longo da Constituição Federal que visam a melhoria da sua condição 
social. Dos direitos expressos, alguns são de aplicação imediata, outros dependem de 
lei para efetivação, como, por exemplo, o valor social do trabalho reconhecido no art. 
1º, IV, a valoração do trabalho como fundamento da ordem econômica, no art. 170, 
e o primado do trabalho como fundamento para a ordem social, no art. 193. “Tudo 
isso tem o sentido de reconhecer o direito social ao trabalho, como condição da 
efetividade da existência digna (fim da ordem econômica) e, pois, da dignidade da 
pessoa humana, fundamento, também, da República Federativa do Brasil (art. 1º, III)”. 
 
2.7.2 Direitos sociais individuais dos trabalhadores domésticos 
O parágrafo único do art. 7º assegura à categoria dos trabalhadores domésticos os 
direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, 
XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e 
observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e 
acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos 
incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. 
 
Desta forma, dizemos que para os trabalhadores domésticos, os direitos são entregues 
de maneira diferenciada, conforme descrito no parágrafo único, variando em condição 
de direito a) direto/imediato, b) indireto/mediato ou c) não entregue. Classificados da 
seguinte maneira: 
 
Direitos Sociais Individuais dos Trabalhadores 
Domésticos 
DIRETOS/ IMEDIATOS 
2013 
INDIRETOS/ MEDIATOS 
2015 
NÃO ENTREGUES 
IV Salário-mínimo (SM) 
I 
Relação de emprego 
protegida 
V Piso salarial 
VI 
Irredutibilidade de 
salário 
VII 
Garantia de SM para 
trabalhadores que 
recebem remuneração 
variável 
II Seguro-desemprego XI 
Participação nos 
lucros 
VIII 13º salário 
X Proteção do salário III FGTS XIV Jornada de 6 horas 
Direitos Sociais | 
Conclusão 
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XIII 
Jornada de 8h diárias 
e 44h semanais para o 
trabalho normal 
para o trabalho em 
turno ininterrupto 
XV 
Repouso semanal 
remunerado 
IX Adicional noturno 
XX 
Proteção do 
trabalho da mulher 
XVI 
Adicional de hora-
extra de 50% 
XVII Férias anuais 
XXIII 
Adicional de 
atividades penosas, 
insalubres ou 
perigosas 
XVIII 
Licença à gestante de 
120 dias 
XIX Licença paternidade 
XII Salário-família 
XXVII 
Proteção em face da 
automação XXI 
Aviso prévio de 30 
dias no mínimo 
XXII Redução dos riscos 
XXIX Prescrição da ação 
XXIV Aposentadoria 
XXVI 
Reconhecimento de 
convenções e acordos 
coletivos XXV 
Assistência gratuita 
aos filhos e 
dependentes 
XXXII 
Proibição de 
distinção entre 
trabalho manual, 
técnico eintelectual XXX 
Proibição da diferença 
de salários 
XXXI 
Proibição de 
discriminação quanto 
à pessoa portadora de 
deficiência XXVIII 
Seguro contra 
acidentes de trabalho 
XXXIV 
Igualdade entre 
trabalho 
permanente e 
avulso 
XXXIII 
Proibição de trabalho 
de acordo com a 
idade 
 
3 Conclusão 
Nesta unidade vimos que os direitos sociais são aqueles que disciplinam sobre 
situações subjetivas de caráter concreto, sejam elas pessoais ou grupais. Abordamos, 
assim, os direitos sociais de expressão individual como aqueles que fazem referência 
à indivíduos determinados e podem, por eles, serem invocados, tais como o direito à 
educação, à saúde, à alimentação, ao transporte, à previdência social e todos os 
direitos individuais do trabalhador, previstos no art. 7º da CF, que regem as relações 
individuais de trabalho. 
 
Direitos Sociais | 
Referências Bibliográficas 
www.cenes.com.br | 22 
4 Referências Bibliográficas 
BAHIA, F. Direito Constitucional. – 3. ed. – Recife: Armador, 2017. 
BARROSO, Luís Roberto. Curso de direito constitucional contemporâneo: os 
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. – 12. ed. – 
Salvador: Ed. JusPODIVM, 2020. 
MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. – 8. ed. – Salvador: 
JusPODIVM, 2020. 
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito 
Constitucional. – 16. ed. – São Paulo: Educação, 2021. 
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. – 33. ed. rev. e atual. até a EC nº_ 95, 
de 15 de dezembro de 2016. São Paulo: Atlas, 2017. 
PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito Constitucional Descomplicado. – 
16. ed. – São Paulo: Método, 2017. 
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. – 37. ed. rev. e atual. 
até a EC nº_ 76, de 28 de novembro de 2013. São Paulo: Malheiros Editores. 2013. 
SARLET, Ingo Wolfgang; MARIONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Curso de 
Direito Constitucional. – 8. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2019. 
TAVARES, André Ramos. Curso de direito constitucional. – 18. ed. – São Paulo: 
Saraiva Educação. 2020. 
 
Direitos Sociais | 
Referências Bibliográficas 
www.cenes.com.br | 23 
 
 
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Introdução 
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DISCIPLINA 
DIREITOS SOCIAIS 
 
CONTEÚDO 
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Introdução 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Direitos Sociais Coletivos -------------------------------------------------------------------------------- 5 
2.1 Direito ao Lazer ----------------------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
2.2 Direito de associação profissional ou sindical -------------------------------------------------------------------- 6 
2.2.1 Direitos sindicais --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
2.2.2 Da liberdade sindical --------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
2.3 Direito de Greve -------------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
2.3.1 Dos servidores públicos ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 12 
2.4 Direito de participação laboral ------------------------------------------------------------------------------------- 13 
2.5 Direito de representação na empresa ---------------------------------------------------------------------------- 13 
3 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 14 
4 Referências ------------------------------------------------------------------------------------------------- 14 
 
 
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Introdução 
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1 Introdução 
São direitos sociais aqueles que disciplinam situações subjetivas de caráter concreto, 
pessoais ou grupais, e que, como dimensão dos direitos fundamentais do homem, 
visam possibilitar melhores condições de vida aos hipossuficientes, buscando a 
igualização de situações sociais desiguais. Também chamados de direitos de segunda 
dimensão, culturais ou econômicos, os direitos sociais estão firmados nos arts. 6º ao 
11 da Constituição Federal, nos quais estão consagrados tanto os direitos sociais 
básicos e de caráter mais geral como o extenso elenco de direitos dos trabalhadores. 
 
Grande parte dos direitos e garantias arrolados no capítulo dos direitos e garantias 
sociais são entendidos como possuidores de índole individual, uma vez que podem 
ser traduzidos em prestações específicas e são referíveis a indivíduos determinados. 
Assim, a maioria dos direitos e garantias voltados ao trabalhador (previstos no art. 7º) 
são estudados como direitos sociais individuais, pois regem as relações individuais de 
trabalho. Em contrapartida, são considerados direitos e garantias sociais coletivos 
aqueles cuja prestação não pode ser exigida por uma dada pessoa, tais como o direito 
ao lazer, ao trabalho, à greve, e aqueles exercidos no interesse da coletividade, como 
o de associação profissional ou sindical, de greve, de representação classista etc. 
 
Conforme aponta Ingo Wolfgang Sarlet (2019), o texto da Constituição Federal de 
1988 insere os direitos sociais em um contexto mais amplo no plano constitucional, 
“com efeito, o Preâmbulo já evidencia o forte compromisso com a justiça social, 
comprometimento este reforçado pelos princípios fundamentais elencados no Título 
I da CF, dentre os quais se destaca a dignidade da pessoahumana (art. 1º, III), 
positivada como fundamento do próprio Estado Democrático de Direito”. Princípio 
este que atua como fio condutor com relação aos diversos direitos fundamentais, que 
reforça a reciprocidade e complementariedade entre os direitos civis (individuais) e os 
direitos sociais, “na medida em que os direitos fundamentais (ainda que não todos e 
não da mesma forma) expressam parcelas do conteúdo e dimensões do princípio da 
dignidade humana”. 
 
No mesmo viés, o autor remonta à sintonia que há entre os direitos sociais com os 
objetivos fundamentais da República, elencados no art. 3º da CF, “que estabelece 
como norte, dentre outros, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, 
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assim como a erradicação da pobreza e da marginalização, além da redução das 
desigualdades sociais”. 
 
2 Direitos Sociais Coletivos 
São considerados direitos sociais coletivos aqueles que não podem ser traduzidos em 
prestações específicas passíveis de serem exigidas por dado indivíduo, mas que são 
referíveis a um grupo de indivíduos, ou seja, são exercidos no interesse de uma 
coletividade (PAULO; ALEXANDRINO, 2017). Dentre os direitos elencados no art. 6º da 
CF, são considerados coletivos o direito ao lazer e ao trabalho, bem como são 
considerados coletivos os direitos previstos nos arts. 8º ao 11 da CF, exercidos pelos 
trabalhadores visando o interesse da sua coletividade. Estes classificam-se em: 
• Direito de associação profissional ou sindical (art. 8º); 
• Direito de greve (art. 9º); 
• Direito de participação laboral (art. 10); 
• Direito de representação classista (art. 11). 
 
Em regra, toda pessoa pode ser titular de direitos sociais, o que não significa negar a 
existência de restrições em alguns casos específicos, tais como aquelas impostas em 
razão de condições específicas do titular, como ser parte do grupo de trabalhadores 
para invocar os direitos dos trabalhadores, ou à limitação de certas prestações 
concedidas apenas às pessoas comprovadamente carentes. De todo modo, Ingo 
Wolfgang Sarlet explica que “vige o princípio da universalidade, de acordo com o qual, 
ainda mais quando se trata de direitos com forte vínculo com a dignidade da pessoa 
humana e com o direito à vida, todas as pessoas são, na condição de pessoas 
humanas, titulares dos direitos sociais”. 
 
2.1 Direito ao Lazer 
Segundo Ingo Wolfgang Sarlet (2019), diferentemente do que acontece com os outros 
direitos sociais, o direito ao lazer não teve seu conteúdo definido no texto 
constitucional, mesmo que algumas diretrizes possam ser extraídas a partir da sua 
articulação com outros direitos e princípios consagrados na Constituição Federal, a 
exemplo da garantia de repouso remunerado, da limitação de jornada de trabalho e 
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do pagamento de um terço de férias sobre o valor das férias. Para o autor, “é possível 
identificar, já no plano da Constituição, um corpo normativo que, em alguma medida, 
objetiva assegurar a toda e qualquer pessoa, um mínimo de fruição do lazer, impondo 
ao Poder Público o dever de assegurar as condições (por prestações materiais e 
normativas) que viabilizem o acesso e o exercício de atividades de lazer pela 
população”. 
 
Nos termos de José Afonso da Silva (2013), lazer remete à entrega à ociosidade e ao 
repouso, enquanto o desporto remete ao divertimento, à recreação, ao esporte, à 
cultura. “Ambos se destinam a refazer as forças depois da labuta diária e semanal. 
Ambos requerem lugares apropriados, tranquilos”. Assim, como funções urbanísticas, 
têm sua natureza social pautada no fato de que sua prestação interfere na qualidade 
de vida e na condição de trabalho dos indivíduos, estando associados também a 
existência de um meio ambiente sadio e equilibrado. 
 
Este direito é mencionado no art. 227 como um direito que deve ser assegurado à 
criança, ao adolescente e ao jovem, juntamente com outros essenciais para seu pleno 
desenvolvimento, bem como no § 3º do art. 217, que prevê a responsabilidade do 
Poder Público de incentivar o lazer como forma de promoção social. Além disso, é um 
direito que está fortemente ligado ao conceito de saúde como o “estado de completo 
bem-estar físico, mental e social” (OMS), pois é elemento fundamental ao pleno 
desenvolvimento da personalidade humana. Conforme Sarlet (2019), a garantia de 
lazer, compreendida como direito fundamental “assume dimensão essencial para a 
construção da personalidade humana e, na esteira do que já foi referido, integra a 
noção de um mínimo existencial sociocultural, ainda que seja deferida ao Estado 
ampla margem de discricionariedade quanto ao modo de dar concretude ao direito 
de lazer”. 
 
2.2 Direito de associação profissional ou sindical 
O direito de associação profissional ou sindical é um dos desdobramentos do direito 
à proteção do trabalho e do trabalhador. Conforme prevê o art. 8º da CF, é livre a 
associação profissional ou sindical – que, na verdade, são ambas associações 
profissionais, de modo que vários dos dispositivos legais que se aplicam às 
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Direitos Sociais Coletivos 
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associações, aplicam-se também aos sindicatos. Segundo José Afonso Silva, “a 
diferença está em que a sindical é uma associação profissional com prerrogativas 
especiais, tais como: (a) defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da 
categoria, até em questões judiciais e administrativas (art. 8, III); (b) participar de 
negociações coletivas de trabalho e celebrar convenções e acordos coletivos (art. 8º, 
VI), (c) eleger ou designar representantes da respectiva categoria (art. 8º, VII); (d) impor 
contribuições a todos aqueles que participam das categorias econômicas ou 
profissionais representadas”. Ao passo que a associação profissional não sindical está 
limitada ao estudo, coordenação e defesa dos interesses de seus associados. 
 
Assim, aos sindicatos impõe-se requisitos que se harmonizam aos princípios 
constitucionais, dentre eles a necessidade de estabelecer eleições periódicas e por 
escrutínio secreto para seus órgãos dirigentes, quórum de votação para assembleias 
gerais e controle e responsabilização de órgãos dirigentes. 
 
A Lei não exige autorização para fundar sindicato, apenas o registro em órgão 
competente do Poder Público (Ministério do Trabalho), em observância ao princípio 
da unicidade sindical, que visa fortalecer as estruturas sindicais, afirmado no art. 516 
do Decreto-Lei n. 127/1967 (Consolidação das Leis do Trabalho – CLT), segundo o qual 
“não será reconhecido mais de um Sindicato representativo da mesma categoria 
econômica ou profissional, ou profissão liberal, em uma dada base territorial”. A 
extensão mínima dessa base territorial é da área de um município (art. 8º, II, CF). 
 
2.2.1 Direitos sindicais 
Em seu curso de Direito Constitucional, Alexandre de Moraes (2016) elenca alguns 
direitos que estão associados e compõem os direitos sindicais (arts. 8º ao 11). Nos 
apropriaremos de seus ensinamentos para falar um pouco sobre esses direitos. 
 
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Figura 1 - Direitos sindicais 
Fonte: Adaptado de Moraes (2016) 
 
Os sindicatos e associações possuem o direito de auto-organização, podendo definir 
a forma de governo que será adotada, bem como as formas de expressão de vontade 
nos termos da Constituição (eleições, plebiscitos, referendos etc.). Além disso, 
possuem o direito ao exercício da atividade sindical na empresa e o de organização 
através de representantes e comissões sindicais, ficando assim obrigados a participar 
nas negociações coletivas do trabalho (CF, art. 8º, VI). Conforme aponta Alexandre de 
Moraes, outras obrigações instituídas pela CF envolvem: 
▪ assegurar a participaçãodos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos 
órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam 
objeto de discussão e deliberação (art. 10, CF); 
▪ assegurar, nas empresas de mais de duzentos empregados, a eleição de um 
representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o 
entendimento direto com os empregadores (art. 11, CF); 
▪ autorizar ao sindicato a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais 
da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas (art. 8º, III), na 
qualidade de substituto processual. 
 
Além disso, está previsto no art. 8, VIII, CF, o direito de estabilidade sindical, que veda 
a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de 
direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o 
final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. Segundo Alexandre 
de Moraes, esse direito “manifesta-se sob uma dupla ótica, pois tanto é a consagração 
de um direito de defesa dos representantes eleitos dos trabalhadores perante o 
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Direitos Sociais Coletivos 
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patronato, para o fiel cumprimento de suas funções (dimensão subjetiva), quanto uma 
imposição constitucional dirigida ao legislador ordinário, que deverá estabelecer 
adequadas normas protetivas aos referidos representantes (dimensão objetiva)”. 
 
2.2.2 Da liberdade sindical 
O art. 8º, V, estabelece que ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a 
sindicato. De acordo com Fernandes (2020), “o princípio constitucional da liberdade 
sindical garante tanto ao trabalhador quanto ao empregador a liberdade de se 
associar a uma organização sindical, passando a contribuir voluntariamente com essa 
representação. Não há nenhum comando na Constituição Federal determinando que 
a contribuição sindical é compulsória”. 
 
Corroborando esse entendimento, em Julgamento apresentado no informativo 908, o 
STF firmou o seguinte: 
“[...] a reforma trabalhista busca a evolução de um sistema sindical centralizador, arcaico e 
paternalista para um modelo mais moderno, baseado na liberdade. O modelo de contribuição 
compulsória não estimulava a competitividade e a representatividade, levando a um 
verdadeiro negócio privado, bom apenas para sindicalistas. 
A sistemática anterior criou um associativismo com enorme distorção representativa. No Brasil, 
são quase 17 mil sindicatos, enquanto em outros países apenas algumas centenas. A 
contribuição compulsória vinha gerando oferta excessiva e artificial de associações sindicais, o 
que configura perda social em detrimento dos trabalhadores. Esse número estratosférico de 
sindicatos não se revertia em aumento do bem-estar de nenhuma categoria. 
Nesse contexto, as entidades sindicais frequentemente se engajam em atividades políticas, 
lançando e apoiando candidatos, conclamando protestos e mantendo estreitos laços com 
partidos políticos. Ocorre que o discurso político é o núcleo por excelência da liberdade de 
expressão. Ao exigir que indivíduos financiem atividades políticas com as quais não 
concordam, por meio de contribuições compulsórias a sindicatos, o regime anterior 
certamente vulnerava a garantia fundamental da liberdade de expressão, protegida pelo art. 
5º, IV (6), da Constituição. 
Por sua vez, a nova sistemática leva a um novo pensar da sociedade sobre como lidar com as 
categorias econômicas e trabalhistas e com as formas de atuação na sociedade, sem depender 
necessariamente do Estado. Os sindicatos passarão a ser sustentados por contribuições 
voluntárias, do mesmo modo que as demais associações.” ADI 5794/DF. red. p/ o ac. Min. Luiz 
Fux, julg. em 29.06.2018 (Informativo 908 do STF). 
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É importante pontuar que os sindicatos têm direitos de independência e autonomia, 
podendo contar com fontes de renda independentes do patronato ou do Poder 
Público, de modo que a assembleia geral fixará a contribuição que, em se tratando de 
categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema 
confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da 
contribuição prevista em lei. Inclusive, os sindicatos possuem o direito de 
relacionamento ou filiação em organizações sindicais internacionais. Este direito vem 
norteado pelo princípio da solidariedade internacional dos interesses dos 
trabalhadores. 
 
Estas mesmas disposições aplicam-se a organização de sindicatos rurais e de colônias 
de pescadores, atendidas as condições estabelecidas pela lei (art. 8º, parágrafo único). 
 
2.3 Direito de Greve 
Alexandre de Moraes define a greve como “um direito de autodefesa que consiste na 
abstenção coletiva e simultânea do trabalho, organizadamente, pelos trabalhadores 
de um ou vários departamentos ou estabelecimentos, com o fim de defender 
interesses determinados”. 
 
José Afonso da Silva afirma que a “greve é o exercício de um poder de fato dos 
trabalhadores com o fim de realizar uma abstenção coletiva do trabalho subordinado”. 
Trata-se de um direito que se desenvolve sob a “égide do poder de representação do 
sindicato, pois é um instrumento dos trabalhadores coletivamente organizados para 
a realização de melhores condições de trabalho para toda a categoria profissional”. 
 
Na Constituição Federal, o direito de greve está previsto no art. 9º, e é assegurado aos 
trabalhadores em geral, de modo que caberá a eles decidir sobre a oportunidade de 
exercer o direito de greve e sobre os interesses que venham por meio deste defender. 
Não obstante, a lei poderá definir os procedimentos para o seu exercício, não no 
sentido de limitá-la mas de proteger e garanti-la, de modo que poderão ser 
decretadas greves reivindicativas, visando a melhoria das condições de trabalho, ou 
greves de solidariedade, em apoio a outras categorias, greves políticas ou greves de 
protestos (SILVA, 2013). 
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Dessa forma, a lei definirá quais são as atividades e serviços considerados essenciais, 
bem como disporá sobre o atendimento às necessidades inadiáveis da comunidade, 
restringindo apenas a amplitude deste direito, de modo que quaisquer abusos que 
venham a ser cometidos quanto ao direito de greve sujeitarão os responsáveis às 
penas da lei. Assim, o exercício do direito de greve dos trabalhadores privados será 
regulamentado pela Lei n. 7.783/89. 
 
 
 
Figura 2 – Da greve. 
Fonte: Núcleo Editorial Focus. 
 
Andre Ramos Tavares (2020), pautado na lição de Gomes Canotilho e Vital Moreira, 
afirma que “a caracterização constitucional do direto à greve como um dos ‘direitos e 
garantias’ significa, entre outras coisas: (a) um direito subjetivo negativo, não podendo 
os trabalhadores ser proibidos ou impedidos de fazer greve, nem podendo ser 
compelidos a pôr-lhes termo; (b) eficácia externa imediata, em relação a entidades 
privadas, não constituindo o exercício do direito de greve qualquer violação do 
contrato de trabalho, nem podendo as mesmas entidades neutralizar ou aniquilar 
praticamente esse direito; (c) eficácia imediata, no sentido de direta aplicabilidade, 
não podendo o exercício deste direito depender da existência de qualquer lei 
concretizadora”. 
 
Ademais, Walber de Moura Angra (2018) saliente que a greve é um direito exercido 
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Direitos Sociais Coletivos 
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no coletivo, visando o interesse coletivo, “de forma que a titularidade desse direito 
pertence, na verdade, ao sindicato da categoria, dada a sua função constitucional de 
defender os direitos dos trabalhadores. Na falta deste, porém, o exercício do direito 
pertencerá ao grupo profissional, mas nunca será exercido pelo trabalhador 
individualmente”. 
 
2.3.1 Dos servidores públicos 
Quanto ao direitode greve dos servidores públicos, dispõe o art. 37, VII, que será 
exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica. Neste sentido, Pedro 
Lenza (2021) afirma que o direito de greve neste caso se materializa “em norma de 
eficácia limitada”, mas acrescenta que, “uma vez que não foi disciplinado o direito de 
greve dos servidores públicos (art. 37, VII), o STF, no julgamento conjunto dos Mis ns. 
670, 708 e 712, determinou a aplicação da lei da iniciativa privada (a citada Lei n. 
7.783/89) até que a matéria seja regulamentada pelo Congresso Nacional (j. 
25.10.2007)”. 
 
Quanto ao exercício desse direito pelos servidores públicos, Bernardo Gonçalves 
Fernandes aponta para decisão deflagrada no informativo 845 do STF, segundo o qual, 
o “Tribunal assentou que “a) a deflagração de greve por servidor público civil 
corresponde à suspensão do trabalho e, ainda que a greve não seja abusiva, como 
regra geral, a remuneração dos dias de paralisação não deve ser paga; e b) somente 
não haverá desconto se a greve tiver sido provocada por atraso no pagamento aos 
servidores públicos civis ou se houver outras circunstâncias excepcionais que 
justifiquem o afastamento da premissa da suspensão da relação funcional ou de 
trabalho. Considera-se assim aquelas circunstâncias em que o ente da administração 
ou o empregador tenha contribuído, mediante conduta recriminável, para que a greve 
ocorresse ou em que haja negociação sobre a compensação dos dias parados ou 
mesmo o parcelamento dos descontos” (RE 693456/RJ Plenário do STF, Rel. Min. Dias 
Toffoli, julgado em 27.102016. Informativo 845 do STF). 
 
Ademais, o exercício do direito de greve por parte de servidores públicos que atuam 
diretamente na área de segurança pública é considerado inconstitucional. Como bem 
destacou Nathalia Masson (2020), “no Recurso Extraordinário (RE) 846.854, com 
repercussão geral, a maioria dos Ministros entendeu que não cabe, no caso, discutir 
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direito a greve, uma vez que se trata de serviço de segurança pública. Consoante a 
divergência que foi aberta no voto do Ministro Alexandre de Moraes (e que foi 
acompanhada pela maioria), não há que se falar de competência da Justiça trabalhista 
para se analisar a abusividade ou não da greve neste caso, dado tratar-se de área na 
qual o próprio STF reconheceu que não há direito à paralisação dos serviços, por ser 
essencial à segurança pública. O Ministro ainda observou que nos outros casos de 
servidores públicos com contrato celetista com a administração pública seria possível 
admitir a competência da Justiça trabalhista para apreciar o direito de greve; tratando-
se, no entanto, de guardas municipais, estamos diante de exceção à regra.” 
 
Consoante a decisão do STF, a justiça comum, federal ou estadual, tem competência 
para julgar causa relacionada ao direito de greve de servidor público da administração 
direta, autarquias e fundações públicas, seja ele celetista ou estatutário. Contudo, a 
competência será da Justiça do Trabalho se a greve for de empregados públicos de 
empresa pública ou sociedade de economia mista. 
 
2.4 Direito de participação laboral 
É assegurada, através do art. 10 da CF, a participação dos trabalhadores e 
empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses 
profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação, não sendo 
este um direito individual aos trabalhadores (cabe também aos empregadores). 
 
Este direito corroborado ao direito de participação nos lucros da empresa, previsto no 
inciso XI do art. 7º, caracteriza a preocupação do legislador em assegurar aos 
trabalhadores o direito de participação não só em sentido amplo como também em 
sentido estrito. Segundo Amauri Mascaro Nascimento (2014), o “princípio revela o 
propósito de intervenção jurídica na ordem econômica em defesa do trabalhador e 
com o objetivo de reformular a estrutura social, numa tentativa de corrigir as 
distorções decorrentes da denominada questão social”. 
 
2.5 Direito de representação na empresa 
O art. 11 da CF assegura, às empresas de mais de 200 funcionários, a eleição de um 
Direitos Sociais | 
Conclusão 
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representante destes empregados, cuja finalidade exclusiva é de promover-lhes o 
entendimento direto com os empregadores. Esta matéria foi regulamentada nos arts. 
510-A a 510-D, da CLT, introduzidos pela Reforma Trabalhista (Lei n. 13.467/2017) e, 
conforme aponta Walber de Moura Angra (2018), trata se de uma fórmula que visa 
fortalecer a representatividade dos trabalhadores. 
 
Segundo Carlos Henrique Bezerra Leite (2019), este dispositivo se trata de uma norma 
de eficácia contida, pois depende de regulamentação por lei ordinária que poderá 
conferir estabilidade ao representante eleito, fixar o período de mandato, dispor sobre 
o processo eleitoral, e estabelecer limites de atuação. 
 
3 Conclusão 
Nesta unidade falamos sobre direitos que são referíveis a um grupo de indivíduos e 
que não podem ser exigidos por um indivíduo em particular – os direitos sociais 
coletivos. Falamos em específico sobre os direitos exercidos pelos trabalhadores 
coletivamente e no interesse da sua coletividade, assentados nos arts. 8º ao 11 da 
Constituição Federal e classificados em direito de associação profissional ou sindical, 
direito de greve, direito de substituição processual, direito de participação e de 
representação classista. 
 
4 Referências 
ANGRA, Walber de Moura. Curso de Direito Constitucional. – 9. ed. – Belo Horizonte: 
Fórum, 2018. 
BAHIA, Flavia. Direito Constitucional. – 3. ed. – Recife: Armador, 2017. 
BARROSO, Luís Roberto. Curso de direito constitucional contemporâneo: os 
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. – São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. – 12. ed. – 
Salvador: Ed. JusPODIVM, 2020. 
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Referências 
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LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito do trabalho. – 11. ed. – São Paulo: 
Saraiva Educação, 2019. 
LENZA, Pedro. Direito Constitucional. – 25. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2021. 
MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. – 8. ed. – Salvador: 
JusPODIVM, 2020. 
MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito 
Constitucional. – 16. ed. – São Paulo: Educação, 2021. 
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. – 33. ed. rev. e atual. até a EC nº_ 95, 
de 15 de dezembro de 2016. São Paulo: Atlas, 2017. 
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho. – 29. ed. – São Paulo: 
Saraiva, 2014. 
PAULO, Vicente; ALEXANDRINO, Marcelo. Direito Constitucional Descomplicado. – 
16. ed. – São Paulo: Método, 2017. 
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. – 37. ed. rev. e atual. 
até a EC nº_ 76, de 28 de novembro de 2013. São Paulo: Malheiros Editores. 2013. 
TAVARES, André Ramos. Curso de direito constitucional. – 18. ed. – São Paulo: 
Saraiva Educação. 2020. 
 
 
 
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Referências 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Nacionalidade ---------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2.1 Conceitos Correlatos ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 5 
2.2 Aquisição da nacionalidade ------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
2.2.1 Brasileiros natos --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 8 
2.2.2 Brasileiro naturalizado ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 8 
2.2.3 Português equiparado ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
2.3 Cargos privativos de brasileiros natos------------------------------------------------------------------------------ 9 
2.4 Extradição ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 11 
2.5 Perda da nacionalidade brasileira --------------------------------------------------------------------------------- 13 
3 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 14 
4 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 14 
 
 
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1 Introdução 
A primeira geração de direitos constitucionais engloba não só os direitos individuais, 
que buscam assegurar a proteção das pessoas contra o poder do Estado, mas também 
os direitos políticos e de participação política, os quais sintetizam os direitos de 
nacionalidade e o direito de votar e ser votado. 
 
O conceito de nacionalidade está relacionado, dessa forma, ao vínculo que advém da 
relação entre o povo, que é o elemento humano da noção de Estado, e o território. 
Assim, conforme esclarece José Afonso Da Silva (2013), os fundamentos sobre a 
aquisição da nacionalidade é matéria constitucional, uma vez que cada Estado é livre 
para dizer quem são seus nacionais. No Brasil, também os direitos de nacionalidade 
são considerados normas materiais e formalmente constitucionais de direito público. 
Falaremos sobre esses direitos nesta unidade, cuidando das diferenças quanto aos 
direitos e obrigações dos brasileiros natos, naturalizados e dos estrangeiros. 
 
2 Nacionalidade 
A nacionalidade pode ser entendida como o vínculo jurídico-político que liga o 
indivíduo a um determinado Estado, tornando-o um membro integrante da 
comunidade que constitui aquele Estado. Nesse contexto, o indivíduo se torna “um 
componente do povo, o que o capacita a exigir a proteção estatal, a fruição de 
prerrogativas ínsitas à condição de nacional, bem como o sujeita ao cumprimento de 
deveres” (MASSON, 2020). 
 
Neste sentido, Bernardo Gonçalves Fernandes (2020) explica que o conceito de 
nacionalidade e de povo são equivalentes, pois ambos são conceitos de viés jurídico, 
mas são diferentes do conceito de população, que é um conceito geográfico 
econômico e expressa “o conjunto de habitantes de determinado Estado, sejam eles 
nacionais ou estrangeiros”. 
 
Cada Estado deve legislar sobre a sua própria nacionalidade, respeitando 
compromissos gerais e particulares aos quais tenha se obrigado. Somente o Estado 
pode ser outorgante da nacionalidade, sendo que só ele pode determinar quem serão 
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Nacionalidade 
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seus nacionais, quais as condições de aquisição da nacionalidade, e quais são as 
causas para sua perda. Observa-se, ainda, que a nacionalidade não é a mesma coisa 
que cidadania, pois a cidadania é um atributo que diferencia aqueles que possuem 
pleno gozo dos direitos políticos dos que não possuem esse direito, enquanto a 
nacionalidade é o que diferencia os nacionais dos estrangeiros, isto é, diferencia 
aqueles que possuem uma ligação pessoal com o Estado daqueles que não a 
possuem. 
 
Assim, o vínculo da nacionalidade pode se estabelecer tanto com o nascimento do 
indivíduo, classificada como nacionalidade originária, primária ou nata, ou 
posteriormente, pela naturalização, chamada de nacionalidade secundária, adquirida 
ou decorrente de naturalização. É importante ressaltar que não é apenas o nascimento 
do indivíduo que determina a nacionalidade, mas este agregado de outros elementos, 
seja pela relação que o Estado entende por suficiente à formação do laço da 
nacionalidade, pelo nascimento do indivíduo no território de um Estado ou pela 
ligação de sangue à massa dos nacionais de um Estado (PONTES DE MIRANDA apud 
TAVARES, 2020). 
 
2.1 Conceitos Correlatos 
De acordo com Nathalia Masson (2020), o tema da nacionalidade, normatizado no art. 
12 da Constituição Federal, é regulamentado pela Lei n. 13.445/2017 (Lei Nova de 
Migração), a qual revogou a Lei n. 6.815/1980 (Estatuto do Estrangeiro) promovendo 
uma mudança de paradigma na forma como o estrangeiro é visto. Segundo a autora, 
“agora estrangeiros são vistos como sujeitos de direitos – e a proteção e bem-estar 
do migrante, do apátrida e do visitante apresenta-se como o intuito primordial da 
legislação” (MASSON, 2020). Assim, a autora propõe a definição de alguns termos que 
considera pertinentes ao estudo da matéria, os quais reproduziremos nesta unidade 
na coluna a seguir: 
 
nação: “designa um agrupamento humano homogêneo cujos membros, localizados 
em território específico, são possuidores das mesmas tradições, costumes e ideais 
coletivos”; 
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nacionalidade: “vínculo de natureza jurídica (ligação de direito público) que une o 
indivíduo ao Estado”; 
povo: “representa o conjunto de nacionais que compõem o elemento humano de 
um Estado — o povo brasileiro, por exemplo, é o resultado do somatório de 
brasileiros natos e naturalizados”; 
população: “representa a totalidade de indivíduos que habitam determinado 
território, ainda que ali estejam temporariamente, independentemente da 
nacionalidade”. 
apátridas (heimatlos): “são aqueles desprovidos de pátria; não detêm com nenhum 
Estado o vínculo jurídico-político que os converteria em nacionais, uma vez que nãose enquadram nos critérios de aquisição de nacionalidade de Estado algum”. Vale 
destacar que este fenômeno é, hoje, considerado intolerável, haja vista a 
nacionalidade ser um direito fundamental das pessoas, assegurado no art. XV da 
Declaração dos Direitos do Homem. A condição de apátrida viria decorrer de um 
conflito negativo de nacionalidade quando nenhum Estado o declara como seu 
nacional. Pode ocorrer quando uma criança, filha de pais de determinada 
nacionalidade que adota unicamente o critério territorial para concessão de 
nacionalidade, nasce no domínio geográfico de outro território que reconhece 
apenas o sistema baseado na ascendência (jus sanguinis) como critério de 
concessão de nacionalidade. “Esta criança não adquirirá a nacionalidade dos pais, 
haja vista não ter nascido no território do Estado "B", do qual eles são nacionais, 
tampouco ganhará a nacionalidade do Estado "A", em cujo território nasceu, por 
não serem seus pais nacionais dali. Como conclusão, será apátrida”. O fenômeno 
pode ocorrer, ainda, quando o indivíduo que, em razão da naturalização, perde a 
nacionalidade de origem, e depois tem sua naturalização cancelada. 
polipátridas: “São aqueles que, quando do nascimento, se enquadram nos critérios 
concessivos de nacionalidade originária de mais de um Estado, ocasionando um 
conflito positivo que normalmente resulta em dupla (ou mesmo múltipla) 
nacionalidade”. 
estrangeiro: “indivíduo que possui vínculo jurídico-político com Estado Nacional 
diverso da República Federativa do Brasil”. 
cidadão: “o nacional (nato ou naturalizado) no gozo dos direitos políticos e 
participante da vida do Estado”. 
imigrante: pessoa nacional de outro país ou apátrida que trabalha ou reside e se 
estabelece temporária ou definitivamente no Brasil; 
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emigrante: brasileiro que se estabelece temporária ou definitivamente no exterior; 
residente fronteiriço: pessoa nacional de país limítrofe ou apátrida que conserva a 
sua residência habitual em município fronteiriço de país vizinho; 
visitante: pessoa nacional de outro país ou apátrida que vem ao Brasil para estadas 
de curta duração, sem pretensão de se estabelecer temporária ou definitivamente 
no território nacional. 
Quadro 1 - Conceitos relacionados à matéria 
Fonte: Adaptado de MASSON (2020) 
 
2.2 Aquisição da nacionalidade 
Tradicionalmente, a doutrina distingue a nacionalidade em duas espécies: a) 
nacionalidade originária (primária ou nata), e b) nacionalidade derivada 
(secundária ou adquirida). A nacionalidade originária (nata) é aquela que resulta de 
um fato natural como o nascimento, ou seja, é uma forma involuntária de aquisição 
de nacionalidade atribuída ao indivíduo em razão de critérios sanguíneos (jus 
sanguinis), territoriais (jus soli) ou mistos. Já a nacionalidade derivada (secundária) é 
aquela adquirida por vontade própria após o nascimento, em regra se dá pela 
naturalização. 
 
 
Figura 1 - Hipóteses de aquisição de nacionalidade 
Fonte: Adaptado de MORAES (2021) 
 
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2.2.1 Brasileiros natos 
O art. 12, I, da Constituição Federal disciplina sobre os critérios da nacionalidade, 
considerando brasileiros natos: 
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, 
desde que estes não estejam a serviço de seu país; 
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que 
qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil; 
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que 
sejam registrados em repartição brasileira competente ou venham a residir na 
República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida 
a maioridade, pela nacionalidade brasileira; 
 
É importante destacar que o filho de pais estrangeiros que estão um ou outro ou 
ambos a serviço do seu país em território brasileiro não será considerado brasileiro 
nato. Note que para aplicação dessa regra, é necessário o cumprimento cumulativo 
de duas condições: (i) ambos os pais serem estrangeiros e (ii) um deles ou ambos 
estarem a serviço de seu país. 
 
2.2.2 Brasileiro naturalizado 
O art. 12, II, CF estabelece os critérios para a aquisição da nacionalidade secundária. 
De acordo com o texto constitucional serão considerados brasileiros naturalizados: 
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos 
originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano 
ininterrupto e idoneidade moral (naturalização ordinária); 
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa 
do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, desde 
que requeiram a nacionalidade brasileira (naturalização extraordinária). 
 
A aquisição de nacionalidade derivada somente se dará por manifestação do 
interessado, mediante naturalização. No caso da naturalização ordinária, contudo, o 
mero cumprimento dos requisitos não é uma garantia da concessão da nacionalidade 
brasileira, pois este é um ato discricionário do Chefe do Poder Executivo, dependendo 
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da sua análise quanto à conveniência e a oportunidade da solicitação. Já no caso de 
naturalização extraordinária, o Brasil é obrigado a conceder a naturalização se 
cumprido todos os requisitos. 
 
2.2.3 Português equiparado 
A Constituição Federal estabelece condições favoráveis para os portugueses ao 
determinar que estes deverão receber um tratamento igual a de um brasileiro 
naturalizado, com status de “quase-naturalidade”, como denominado a doutrina. 
Casalino (2015) comenta que a quase naturalidade se dá quando “o português 
residente no Brasil, desde que haja reciprocidade, goza do mesmo tratamento 
dispensado ao brasileiro naturalizado”. Tal direito deverá ser solicitado pelo português 
e reconhecido pelo Brasil. Para que esse tratamento seja concedido, alguns requisitos 
precisam ser preenchidos. 
a) os portugueses deverão ter residência permanente no Brasil; 
b) os brasileiros deverão receber o mesmo tratamento em Portugal, deve haver 
reciprocidade entre os dois países. 
 
É importante mencionar que este tratamento não se equivale a uma atribuição de 
nacionalidade aos portugueses que residem no Brasil nem aos brasileiros que residam 
em Portugal. Ambos continuam com sua nacionalidade originária, porém existe a 
concessão de direitos inerentes aos nacionais do Estado, não sendo necessária a 
naturalização de fato. Novamente nos valemos dos preceitos de Casalino (2015) ao 
afirmar que, “nesse caso, ao contrário do que ocorre nas hipóteses anteriores, o 
português continua estrangeiro. Não é naturalização. A Constituição determina 
apenas que a esses portugueses seja conferido o mesmo tratamento que se dá aos 
brasileiros naturalizados”. 
 
2.3 Cargos privativos de brasileiros natos 
Segundo o art. 12, §2º, da CF, a lei não poderá fazer distinção entre brasileiros natos 
e naturalizados, salvo nos casos previstos no texto constitucional. Tirando esse fator, 
os brasileiros natos e os naturalizados devem ser tratados com isonomia. 
 
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A principal distinção que a Constituição Federal faz entre brasileiros natos e 
naturalizados diz respeito à ocupação de alguns cargos, que serão privativos de 
brasileiros natos seja por motivos de segurança nacional ou porque compõem a linha 
sucessória (e de substituição) presidencial. Nesta esteira, são considerados privativos 
de brasileiros natos os cargos: 
▪ de Presidente e Vice-Presidente da República; 
▪ de Presidente da Câmara dos Deputados; 
▪ de Presidente do Senado Federal; 
▪ de Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
▪ da carreira diplomática; 
▪ de oficial das Forças Armadas; 
▪ de Ministro de Estadoda Defesa. 
 
A lista do §3º do art. 12 é taxativa, logo os demais cargos que não estão nesta lista 
podem ser ocupados tanto por brasileiros natos quanto por naturalizados. Por sua 
vez, os portugueses equiparados não podem ocupar cargos privativos de brasileiros 
natos, pois eles recebem apenas o tratamento de brasileiros naturalizados. 
 
É importante atentar-se ao fato de que todos os Ministros do Supremo Tribunal 
Federal devem ser brasileiros natos, pois estes se revisam no exercício da presidência 
do Tribunal. Por outro lado, os Ministros dos demais Tribunais do Poder Judiciário não 
precisam ser detentores de nacionalidade primária, podendo ser naturalizados. O 
único Ministro do Estado que deve necessariamente ser brasileiro nato é o Ministro 
da Defesa. 
 
Nathalia Masson (2020) elenca as principais diferenças entre brasileiros natos e 
naturalizados, nos valemos de seus apontamentos no quadro a seguir. 
 
DIFERENÇAS ENTRE BRASILEIROS NATOS E NATURALIZADOS 
CARGOS 
(art. 12, § 3º, CF/88) 
São privativos de brasileiros natos os cargos: 
1) de Presidente e Vice-Presidente da República; 
2) de Presidente da Câmara dos Deputados; 
3) de Presidente do Senado Federal; 
4) de Ministro do Supremo Tribunal Federal; 
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5) da carreira diplomática; 
6) de oficial das Forças Armadas; 
7) de Ministro de Estado da Defesa. 
FUNÇÃO 
(art. 89, VII, CF/88) 
São brasileiros natos os seis cidadãos que participam do Conselho da 
República. 
PROPRIEDADE 
(art. 222, CF/88) 
A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de 
sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais 
de dez anos. 
EXTRADIÇÃO 
(art. 5º, LI, CF/88) 
Somente brasileiros naturalizados poderá ser extraditado em caso de: 
a) crime comum, praticado antes da naturalização; 
b) comprovado envolvimento, a qualquer tempo, em tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins. 
Quadro 2 - Diferenças entre brasileiros natos e naturalizados 
Fonte: MASSON, 2020. 
 
2.4 Extradição 
A extradição é um processo relativo ao cumprimento de pena por um crime de certa 
gravidade cometido fora do país. Alguns tratados especificam crimes punidos com 
pena superior a um ou dois anos de prisão, não se aplicando a extradição a simples 
contravenções penais. 
 
O art. 81 da Lei n. 13.445/2017 (Lei da Migração) estabelece que “a extradição é a 
medida de cooperação internacional entre o Estado brasileiro e outro Estado pela qual 
se concede ou solicita a entrega de pessoa sobre quem recaia condenação criminal 
definitiva ou para fins de instrução de processo penal em curso”, e deverá ser 
requerida por via diplomática ou pelas autoridades centrais designadas para esse fim. 
 
Segundo Accioly, Nascimento e Silva e Casella (2019), “Extradição é o ato mediante o 
qual um estado entrega a outro estado indivíduo acusado de haver cometido crime 
de certa gravidade ou que já se ache condenado por aquele, após haver-se certificado 
de que os direitos humanos do extraditando serão garantidos. A instituição da 
extradição tem por objetivo principal evitar, mediante a cooperação internacional, que 
um indivíduo deixe de pagar pelas consequências de crime cometido. Atualmente, a 
extradição procura garantir ao acusado um julgamento justo, de conformidade com o 
artigo XI da Declaração Universal dos Direitos do Homem, segundo o qual ‘Todo 
homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que 
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a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público 
no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa’”. 
 
Bernardo Gonçalves Fernandes aponta para duas espécies de extradição, a ativa e a 
passiva. Ambras estão assentadas no Decreto n. 9.199/2017, que regulamentou a Lei 
n. 13.445/2017. A extradição ativa, nos arts. 278 ao 280, e a extradição passiva, nos 
arts. 266 ao 277. 
▪ Extradição ativa: “ocorre quando o Estado brasileiro requer a Estado 
Estrangeiro a entrega de pessoa sobre quem recaia condenação criminal 
definitiva ou para fins de instrução de processo penal em curso” (art. 278). 
▪ Extradição passiva: “ocorre quando o Estado estrangeiro solicita ao Estado 
brasileiro a entrega de pessoa que se encontre no território nacional sobre 
quem recaia condenação criminal definitiva ou para fins de instrução de 
processo penal em curso” (art. 266). 
 
A concessão da extradição normalmente ocorre mediante um tratado bi ou 
multilateral entre as partes. No Brasil, fundamenta-se primariamente no art. 5º, LI e LII, 
da Constituição Federal e é regulamentada pela Lei de Migração (Lei n. 13.445/2017) 
e pelo Decreto n. 9.099/2017. Porém, em não havendo um tratado, pode ser concedida 
mediante declaração de reciprocidade, de acordo com a qual, “ocorrendo crime 
análogo no país requerido, o país requerente se compromete a conceder a extradição 
solicitada”. 
 
A extradição nunca ocorrerá com brasileiro nato, e no caso de brasileiro naturalizado, 
obedecerá ao dispositivo do art. 5º, LI da CF, segundo o qual “nenhum brasileiro será 
extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da 
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e 
drogas afins, na forma da lei”. No caso do estrangeiro, será extraditado por qualquer 
crime cometido fora do país, com exceção de crime político ou crime de opinião (art. 
5º, LII, CF). 
 
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2.5 Perda da nacionalidade brasileira 
Existe previsão constitucional da possibilidade de extinção do vínculo patrial que liga 
o indivíduo ao Estado. Nos termos do art. 12, § 4º, será declarada a perda da 
nacionalidade do brasileiro que: 
▪ tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade 
nociva ao interesse nacional; 
▪ adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: a) de reconhecimento de 
nacionalidade originária pela lei estrangeira; b) de imposição de naturalização, pela 
norma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como condição 
para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. 
 
O cancelamento de naturalização poderá ser determinado por sentença judicial em 
virtude de atividade nociva ao interesse nacional e, depois de transitado em julgado, 
o indivíduo somente poderá readquirir a naturalização por meio de ação rescisória. 
Neste sentido, comenta Flavia Bahia (2017) que “a ação de cancelamento de 
naturalização é ajuizada pelo Ministério Público Federal e tramita perante a Justiça 
Federal, na forma do art. 109, X, da CRFB/88. Após declarada a perda, o ex-brasileiro 
não poderá enfrentar novo processo administrativo para aquisição de nacionalidade 
nacional”. 
 
A hipótese de perda de nacionalidade por naturalização voluntária diante da aquisição 
de nova nacionalidade aplica-se tanto a brasileiros natos quanto naturalizados. Caso 
o indivíduo busque a requisição de nacionalidade brasileira, recuperará a condição 
que perdera. Ou seja, se era brasileiro nato, voltará a ser brasileiro nato; se era 
naturalizado, voltará a ser brasileiro naturalizado. 
 
Já os brasileiros que tenham sido obrigados a se naturalizar para o exercício dos 
direitos civis, como casamento ou trabalho, ou como condição de permanência no 
outro país, manterão intacta a nacionalidade brasileira. 
 
Por fim, é oportuno ressaltar que no momento que o brasileiro nato ou naturalizado 
perde a nacionalidade, ele deixa de ser brasileiro, tornando-se um estrangeiro, 
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Conclusão 
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portanto mesmo que ele tenha sido brasileiro nato, será tratado como estrangeiro. Ou 
seja, poderá ser extraditado em casos de crimes cometidos fora do país, como 
qualquer outro estrangeiro,não devendo receber nenhum tratamento diferenciado. 
 
3 Conclusão 
Nesta unidade trabalhamos o conceito de nacionalidade, como o vínculo jurídico-
político entre o Estado e o indivíduo que o torna membro integrante da comunidade 
que constitui o Estado, e outros conceitos correlatos e necessários ao estudo da 
matéria. Falamos, ainda, sobre a aquisição da nacionalidade e a diferença entre os 
direitos e obrigações dos brasileiros natos, dos naturalizados e dos estrangeiros, bem 
como sobre as possibilidades de perda do vínculo jurídico-político entre o indivíduo 
e o Estado. 
 
4 Referências Bibliográficas 
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internacional público. – 24. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2019. 
CASALINO, V. Concursos públicos - nível médio e superior - direito constitucional. 
2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015. 
BAHIA, F. Direito Constitucional. – 3. ed. – Recife: Armador, 2017. 
BARROSO, L. R. Curso de direito constitucional contemporâneo: os conceitos 
fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 
2020. 
FERNANDES, B. G. Curso de Direito Constitucional. – 12. ed. – Salvador: Ed. 
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Introdução 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Regimes democráticos ----------------------------------------------------------------------------------- 4 
2.1 Democracia contemporânea ------------------------------------------------------------------------------------------ 5 
3 Direitos Políticos ------------------------------------------------------------------------------------------- 6 
3.1 Direitos Políticos Positivos -------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
3.1.1 Plebiscito, referendo e iniciativa popular ------------------------------------------------------------------------------------- 8 
3.2 Direitos Políticos Negativos ----------------------------------------------------------------------------------------- 10 
3.2.1 Elegibilidade ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ 10 
3.2.2 Inelegibilidade ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 11 
3.3 Princípio da Anterioridade Eleitoral ------------------------------------------------------------------------------ 15 
3.4 Perda e suspensão dos direitos políticos ------------------------------------------------------------------------ 15 
3.4.1 Condenação penal transitada em julgado ---------------------------------------------------------------------------------- 17 
3.4.2 Consequências dos atos de improbidade administrativa --------------------------------------------------------------- 17 
4 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 17 
5 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 17 
 
 
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Introdução 
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1 Introdução 
Um dos pilares da democracia representativa no mundo contemporâneo se assenta 
na soberania popular, isto é, na vontade da maioria, no governo do povo, que se 
manifesta por meio do voto. Neste sentido, Barroso (2020) afirma que os “Direitos 
políticos expressam o direito dos cidadãos de participar do governo, elegendo seus 
representantes (direito de votar ou capacidade eleitoral ativa) ou candidatando-se a 
cargos representativos (direito de ser votado ou capacidade eleitoral passiva).” 
 
Nas palavras de Alexandre de Moraes (2017), os direitos políticos são “o conjunto de 
regras que disciplina as formas de atuação da soberania popular, conforme preleciona 
o caput do art. 14 da Constituição Federal. São direitos públicos subjetivos que 
investem o indivíduo no status activae civitatis, permitindo-lhe o exercício concreto da 
liberdade de participação nos negócios políticos do Estado, de maneira a conferir os 
atributos da cidadania”. Dessa forma, sua titularidade é concedida apenas àquelas que 
possuem nacionalidade brasileira e que satisfaçam os requisitos constitucionais 
arrolados nos arts. 14 e 15 da CF, os quais podem variar a depender do direito em 
análise. 
 
Esta unidade trabalha os direitos políticos positivos e negativos, conforme elencados 
no texto constitucional, a perda ou suspensão desses direitos, bem como o princípio 
da anterioridade eleitoral. 
 
2 Regimes democráticos 
Os direitos políticos são aqueles que garantem a participação do povo no processo 
de condução da vida política nacional. Eles são direitos relacionados ao exercício da 
cidadania e constituem a base do regime democrático. Pedro Lenza (2020) descreve 
que “os direitos políticos nadamais são que instrumentos por meio dos quais a CF 
garante o exercício da soberania popular, atribuindo poderes aos cidadãos para 
interferirem na condução da coisa pública, seja direta, seja indiretamente”. 
 
Tendo em vista que os direitos políticos são considerados a base do regime 
democrático, é importante relembrar as formas pelas quais o “governo do povo” se 
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Regimes democráticos 
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manifesta. Assim, tradicionalmente, a democracia pode ser classificada em três formas: 
a) Democracia direta: é o regime no qual o povo exerce o poder de forma direta, 
sem intermediários ou representantes; 
b) Democracia representativa ou indireta: regime que depende da eleição de 
representantes, que governam o país em nome do povo; 
c) Democracia semidireta ou participativa: regime no qual o povo tanto exerce 
o poder diretamente como também o faz por meio de representantes, é um 
sistema híbrido, que envolve a união da democracia direta e indireta. Esse é o 
regime democrático adotado no Brasil. Conforme Pedro Lenza (2020), “A 
democracia participativa ou semidireta assimilada pela CF/88 (arts. 1.º, 
parágrafo único, e 14) caracteriza-se, portanto, como a base para que se possa, 
na atualidade, falar em participação popular no poder por intermédio de um 
processo, no caso, o exercício da soberania, que se instrumentaliza por meio do 
plebiscito, referendo, iniciativa popular, bem como pelo ajuizamento da ação 
popular”. 
 
2.1 Democracia contemporânea 
Além das três formas consagradas de democracia, Luís Roberto Barroso (2020), ao 
discorrer sobre o estado da arte do direito constitucional contemporâneo, em especial 
sobre os papeis desempenhados pelas supremas cortes e tribunais constitucionais, 
lança um olhar sobre a democracia contemporânea. Segundo o jurista, “A democracia 
contemporânea é feita de votos, direitos e razões, o que dá a ela três dimensões: 
representativa, constitucional e deliberativa”. Essas dimensões se caracterizam da 
seguinte forma: 
a) Democracia representativa: seu elemento essencial é o voto popular, por meio 
do qual são eleitos os protagonistas institucionais (o Congresso e o Presidente). 
b) Democracia constitucional: seu elemento essencial é o respeito aos direitos 
fundamentais, os quais deverão ser garantidos mesmo quando contrários à 
vontade eventual das maiorias políticas. “O árbitro final das tensões entre vontade 
da maioria e direitos fundamentais e, portanto, protagonista institucional desta 
dimensão da democracia, é a Suprema Corte”. 
c) Democracia deliberativa: seu elemento essencial é “o oferecimento de razões, a 
discussão de ideias, a troca de argumentos”, não se limitando ao voto periódico, 
mas tornando o debate público contínuo como prática a acompanhar as decisões 
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políticas mais relevantes. “O protagonista da democracia deliberativa é a sociedade 
civil, em suas diferentes instâncias, que incluem o movimento social, imprensa, 
universidades, sindicatos, associações e cidadãos comuns. Embora o oferecimento 
de razões também possa ser associado aos Poderes Legislativo e Executivo, o fato 
é que eles são, essencialmente, o locus da vontade, da decisão política. No universo 
do oferecimento de razões, merecem destaque os órgãos do Poder Judiciário: a 
motivação e a argumentação constituem matéria prima da sua atuação e fatores 
de legitimação das decisões judiciais. Por isso, não deve causar estranheza que a 
Suprema Corte, por exceção e nunca como regra geral, funcione como intérprete 
do sentimento social. Em suma: o voto, embora imprescindível, não é a fonte 
exclusiva da democracia e, em certos casos, pode não ser suficiente para 
concretizá-la”. 
 
3 Direitos Políticos 
Os direitos políticos estão dispostos no art. 14 da Constituição Federal, o qual prevê 
o exercício da soberania popular por meio do sufrágio universal e pelo voto direto e 
secreto, que terá valor igual para todos e ocorrerá mediante plebiscito, referendo e 
iniciativa popular. Segundo Casalino (2015), “o ‘direito de sufrágio’ é a noção 
fundamental dos direitos políticos. Decorre diretamente do princípio de que “todo 
poder emana do povo”. Pode ser resumido como o direito público subjetivo, de 
natureza política, que tem o cidadão, de votar, ser votado e participar da organização 
e atividade política do poder estatal”. 
 
Além disso, são também meios de exercício da soberania popular, segundo Alexandre 
de Moraes (2020), o ajuizamento de ação popular e organização e participação de 
partidos políticos. Dessa forma, podemos relacionar os direitos políticos em: 
▪ direitos de sufrágio; 
▪ alistabilidade (direito de votar em eleições, plebiscitos e referendos); 
▪ elegibilidade; 
▪ iniciativa popular de lei; 
▪ ação popular; 
▪ organização e participação de partidos políticos. 
 
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Direitos Políticos 
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Quanto à classificação dos direitos políticos, podem ser de duas espécies: a) direitos 
políticos positivos (ativos), que estão relacionados à participação ativa dos indivíduos 
na vida política do Estado, tal como o direito de votar; e b) direitos políticos negativos 
(passivos), que estão relacionados à limitação do exercício da cidadania, que impedem 
a participação dos indivíduos na vida política estatal, tal como o direito de ser votado. 
 
3.1 Direitos Políticos Positivos 
Os direitos políticos positivos (ativos) referem-se ao direito de votar e ser votado, 
logo estão relacionados à participação ativa dos indivíduos na vida política do Estado. 
Relacionam-se a capacidade eleitoral ativa (alistabilidade) e passiva (elegibilidade) dos 
indivíduos, sendo apenas um outro modo de definir o direito de sufrágio, que é 
considerado o núcleo dos direitos políticos. 
 
Bernardo Gonçalves Fernandes esclarece que a capacidade eleitoral ativa, que pode 
ser traduzida no direito de votar, consubstancia a democracia representativa na 
medida em que podemos escolher os mandatários dos cargos públicos eletivos. Nos 
termos do art. 14 da CF, exercício do sufrágio ativo pressupõe: o alistamento eleitoral 
na forma da lei; a nacionalidade brasileira; a idade mínima de 16 anos; e não ser 
conscrito durante o serviço militar obrigatória. 
 
No Brasil, é possível adquirir a capacidade eleitoral ativa por meio de inscrição junto 
a Justiça Eleitoral (depende, portanto, do alistamento eleitoral) a pedido do 
interessado. A qualidade de eleitor imputa ao indivíduo a condição de cidadão, o que 
o torna apto a exercer vários outros direitos políticos, como o de ajuizar ação popular 
ou participar da iniciativa popular de leis. 
 
O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos; e 
facultativos para os analfabetos; os maiores de setenta anos; os maiores de dezesseis 
e menores de dezoito anos, ficando impedidos de alistar-se como eleitores os 
estrangeiros e os conscritos (aqueles que estão prestando serviço militar obrigatório). 
 
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Figura 1 - Requisitos para elegibilidade 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
 
Quanto à capacidade eleitoral passiva, Pedro Lenza (2019) explica que “nada mais é 
que a possibilidade de eleger-se, concorrendo a um mandato eletivo. O direito de ser 
votado, no entanto, só se torna absoluto se o eventual candidato preencher todas as 
condições de elegibilidade para o cargo ao qual se candidata e, ainda, não incidir em 
nenhum dos impedimentos constitucionalmente previstos, quais sejam, os direitos 
políticos negativos”. 
 
3.1.1 Plebiscito, referendo e iniciativa popular 
Tanto o plebiscito como o referendo são formas de consulta à população, contudo o 
plebiscito é uma consulta anterior, enquanto o referendo é uma consulta posterior. 
Além disso, o plebiscito será convocado pelo Congresso Nacional, já oreferendo 
apenas será autorizado pelo Congresso Nacional. Nos valemos da explicação de 
Pedro Lenza (2021) para explicar essas duas formas de consulta. 
 
 Conceito 
Congresso 
nacional 
(competência 
exclusiva) 
Instrumento 
para convocar 
plebiscito e 
autorizar 
referendo 
Principal 
diferença – 
momento da 
consulta 
Plebiscito 
Consulta formulada ao 
povo, efetivando-se em 
relação àqueles que 
Art. 49, XV – 
convoca 
plebiscito 
Decreto 
legislativo 
Prévia – o 
plebiscito é 
convocado com 
Voto OBRIGATÓRIO
Maiores de 18 anos
Voto FACULTATIVO
Maiores de 70 anos
Analfabetos
Maiores de 16 anos e 
menores de 18 anos
Voto VEDADO
Estrangeiros
Durante o serviço 
militar obrigatório, 
conscritos
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tenham capacidade 
eleitoral ativa, para que 
deliberem sobre matéria 
de acentuada relevância, 
de natureza 
constitucional, 
legislativa ou 
administrativa 
 anterioridade a 
ato legislativo ou 
administrativo, 
cabendo ao 
povo, pelo voto, 
aprovar ou 
denegar o que 
lhe tenha sido 
submetido 
Referendo 
Consulta formulada ao 
povo, efetivando-se em 
relação àqueles que 
tenham capacidade 
eleitoral ativa, para que 
deliberarem sobre 
matéria de acentuada 
relevância, de natureza 
constitucional, 
legislativa ou 
administrativa. 
Art. 49, XV – 
autoriza 
referendo 
Decreto 
legislativo 
Posterior – o 
referendo é 
convocado com 
posterioridade a 
ato legislativo ou 
administrativo, 
cumprindo ao 
povo a respectiva 
ratificação ou 
refeição. 
Quadro 1 - Quadro comparativo: plebiscito versus referendo 
Fonte: LENZA, 2021 
 
É importante destacar que nem todos os atos serão levados a consulta pelo plebiscito 
ou referendo, somente atos legislativos ou administrativos; atos judiciais nunca 
serão levados a consulta. Além disso, como afirma Mendes (2021), “a realização de 
plebiscito e referendo dependerá de autorização do Congresso Nacional (CF, art, 49), 
executados os casos expressamente previstos na Constituição (CF, art. 18, §§ 3º e 4º), 
para alteração territorial de Estados e Municípios, e no art. 2º do ADCT, sobre a forma 
e o sistema de governo”. 
 
O diploma que regulamenta a execução do plebiscito e do referendo é a Lei n. 
9.709/98. De acordo com o art. 3º, “nas questões de relevância nacional, de 
competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo, e no caso do § 3º do art. 18 
da Constituição Federal, o plebiscito e o referendo são convocados mediante decreto 
legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros que compõem 
qualquer das Casas do Congresso Nacional, de conformidade com esta Lei”. 
 
O outro instrumento de participação popular direta é a iniciativa popular de lei, que 
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remete à possibilidade de os cidadãos deflagarem processo legislativo apresentando 
projeto de lei complementar e ordinária, desde que satisfaçam os requisitos 
constitucionais. O art. 61, §2º, CF estabelece que “a iniciativa popular pode ser exercida 
pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no 
mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco 
Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. 
Além disso, A iniciativa popular nos Estados e no Distrito Federal deverá estar 
regulamentada por Lei Complementar e pela Constituição Estadual. No caso de 
iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do município, da cidade ou 
de bairros, ocorrerá através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento dos 
eleitorados da cidade. 
 
O projeto de iniciativa popular terá o mesmo trâmite de um projeto de lei normal. 
Deverá ser iniciado na Câmara, ter comissões, plenário, podendo ou não ser aprovado. 
Os deputados não estão obrigados a aprovar um projeto de lei de iniciativa popular, 
porém estão obrigados a apreciá-lo. De acordo com Casalino (2015), “a iniciativa 
popular de lei permite aos cidadãos influenciarem diretamente no processo 
legislativo, que, a princípio, pertence exclusivamente aos deputados, senadores e ao 
Presidente da República”. 
 
3.2 Direitos Políticos Negativos 
Os direitos políticos negativos são aqueles relacionados à elegibilidade, são normas 
que limitam o exercício do sufrágio, restringindo a participação do indivíduo na vida 
política do Estado. Os direitos políticos negativos são divididos em duas espécies: 
elegibilidade e inelegibilidade. Pedro Lenza (2019) explica que “ao contrário dos 
direitos políticos positivos, os direitos políticos negativos individualizam-se ao 
definirem formulações constitucionais restritivas e impeditivas das atividades político-
partidárias, privando o cidadão do exercício de seus direitos políticos, bem como 
impedindo-o de eleger um candidato (capacidade eleitoral ativa) ou de ser eleito 
(capacidade eleitoral passiva)”. 
 
3.2.1 Elegibilidade 
A elegibilidade se refere ao cumprimento dos requisitos necessários para adquirir a 
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capacidade eleitoral passiva, estando estes requisitos dispostos no art. 14, §3º, CF/88. 
São eles: 
• a nacionalidade brasileira; 
• o pleno exercício dos direitos políticos; 
• o alistamento eleitoral; 
• o domicílio eleitoral na circunscrição; 
• a filiação partidária; 
• a idade mínima de 35 anos para Presidente e Vice-Presidente da República e 
Senador; 30 anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito 
Federal; 21 anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, 
Vice-Prefeito e juiz de paz; 18 anos para Vereador. 
 
 
Figura 2 - Condições de elegibilidade 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
 
3.2.2 Inelegibilidade 
A inelegibilidade diz respeito aos impedimentos para à capacidade eleitoral passiva. 
A Constituição Federal estabelece algumas hipóteses de inelegibilidade no art. 14, §4º 
ao §7º e, além disso, autoriza expressamente que outras hipóteses sejam estabelecidas 
CONDIÇÕES DE 
ELEGIBILIDADE
Nacionalidade brasileira
Pleno exercício dos direitos políticos
Alistamento eleitoral
Domicílio eleitoral na circunscrição
Filiação Partidária
Idade mínima
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me lei complementar. A inelegibilidade por ser dividida em dois grandes grupos: 
▪ Inelegibilidades absolutas: são regras que impedem completamente a 
candidatura e o exercício de qualquer cargo político, tem relação com 
características pessoais do indivíduo e estão previstas de forma taxativa na CF, 
não podendo ser criada inelegibilidades absolutas por lei complementar. 
▪ Inelegibilidades relativas: são regras que impedem a candidatura a certos 
cargos políticos em virtude de situações específicas previstas na CF ou em lei 
complementar. Não são vinculadas a condições pessoais, por isso não é um 
impedimento absoluto, podendo o indivíduo se candidatar a outros cargos. 
 
São absolutamente inelegíveis, conforme dispõe o art. 14. §4º, os inalistáveis e os 
analfabetos. Já as inelegibilidades relativas estão descritas no art. 14, §§ 5º ao 8º da 
CF, além daquelas previstas em lei complementar. Podem ser sintetizadas conforme 
dispõe o quadro a seguir. 
 
 
Figura 3 - Hipóteses de inelegibilidade 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
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3.2.2.1 Inelegibilidade por motivos funcionais 
De acordo com o art. 14, § 5º, CF, os Chefes do Poder Executivo só podem se reeleger 
uma única vez (“O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito 
Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos 
mandatos poderão ser reeleitos para um único período subsequente”). É importante 
ressaltar que é completamente possível que alguém cumpra três ou mais mandatos 
como Chefe do Poder Executivo,desde que estes não sejam consecutivos. 
 
Além disso, caso o Presidente, o Governador ou o Prefeito queiram se candidatar a 
outro cargo, poderão fazê-lo desde que observado o disposto no art. 14, §6º da CF, 
segundo o qual, “para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os 
Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem renunciar aos 
respectivos mandatos até seis meses antes do pleito”. Este dispositivo descreve a 
chamada “desincompatibilização”, com o objetivo de impedir que o Chefe do Poder 
Executivo se utilize da “máquina pública” para se eleger a um outro cargo. Observe-
se que essa exigência só é necessária caso o Chefe do Poder Executivo queria se 
candidatar a outro cargo, caso queira se reeleger ao mesmo cargo, a 
desincompatibilização não é necessária. Vale pontuar que o Vice-Presidente, Vice-
Governador e o Vice-Prefeito poderão concorrer normalmente a outros cargos, 
podendo continuar em seus mandatos atuais, desde que nos últimos seis meses 
anteriores ao pleito não tenham sucedido ou substituído o titular. 
 
3.2.2.2 Inelegibilidade reflexa 
A inelegibilidade reflexa diz respeito à inelegibilidade por motivo de parentesco, 
casamento ou afinidade, e está prevista no art. 14, §7º da CF. É reflexa porque afeta a 
elegibilidade de terceiros que tenham alguma relação com a pessoa que ocupa um 
cargo de Chefe do Poder Executivo: “são inelegíveis, no território de jurisdição do 
titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por 
adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do 
Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses 
anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição”. 
 
Isso significa que os cônjuges, parentes e afins, até o segundo grau, ou por adoção, 
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de Prefeito não poderão se candidatar a nenhum cargo dentro daquele Município 
(Vereador, Prefeito e Vice-Prefeito). No caso do Governador, os cônjuges, parentes e 
afins, até o segundo grau, ou por adoção, não poderão se candidatar a nenhum cargo 
dentro daquele Estado. Isso inclui os cargos de Vereador, Prefeito e Vice-Prefeito (de 
qualquer dos Municípios daquele estado), bem como os cargos de Deputado Federal, 
Deputado Estadual e Senador, por aquele estado. E os cônjuges, parentes e afins, até 
o segundo grau, ou por adoção, de Presidente não poderão se candidatar a nenhum 
cargo eletivo no País. 
 
Segundo o STF, a inelegibilidade reflexa alcança também aqueles que tenham 
constituído união estável com o Chefe do Poder Executivo, inclusive no caso de uniões 
homoafetivas. Em caso de separação, quando ocorrida durante o mandato, não afasta 
a inelegibilidade reflexa. É o que determina o STF na Súmula Vinculante nº 18: “A 
dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a 
inelegibilidade prevista no § 7º do artigo 14 da Constituição Federal”. A inelegibilidade 
reflexa não se aplica, contudo, no caso de o cônjuge, parente ou afim já possuir 
mandato eletivo; nessa situação, será possível que estes se candidatem à reeleição, 
mesmo se ocuparem cargos dentro da circunscrição do Chefe do Poder Executivo. 
Esta é a exceção. 
 
3.2.2.3 Inelegibilidade relativa à condição militar 
A constituição Federal (art. 14, § 8º) determina os militares alistáveis são elegíveis, 
desde que atendidas as seguintes condições: 
 
 
Figura 4 - Elegibilidade do militar 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
Menos de 10 
anos de serviço
Deverá ser fastado da atividade 
(exoneração)
Mais de 10 anos 
de serviço
Será agregado (congelado) pela autoridade 
superior e, se eleito, passará 
automaticamente, no ato da diplomação, 
para a inatividade (aposentadoria).
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De acordo com o § 9º do art. 14, CF, “lei complementar estabelecerá outros casos de 
inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade 
administrativa, a moralidade para o exercício do mandato, considerada a vida 
pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a 
influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego 
na administração direta ou indireta”. 
 
3.3 Princípio da Anterioridade Eleitoral 
O art. 16 da Constituição Federal nos traz o princípio da anterioridade eleitoral, 
segundo o qual “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua 
publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”. 
 
Na prática, isso quer dizer que a lei eleitoral tem vigência ou força de lei imediata, 
devendo ser aplicada imediatamente assim que publicada, porém produzirá efeitos 
apenas em momento futuro, isso quer dizer que não se aplica à eleição que ocorrer 
até um ano da data de sua vigência. Um exemplo é o caso da “Lei Ficha Limpa”, que 
entrou em vigor em 2010, porém não foi aplicada nas eleições realizadas em 2010. O 
STF considera que o princípio da anterioridade eleitoral é uma cláusula pétrea. 
 
3.4 Perda e suspensão dos direitos políticos 
O art. 15 da Constituição Federal prevê hipóteses de privação dos direitos políticos, 
que poderá se dar de maneira definitiva (perda) ou temporária (suspensão). É 
importante ressaltar que a CF, em resposta à ditadura que a precedeu, não permite, 
em nenhuma hipótese, a cassação dos direitos políticos. 
 
A esse entendimento corrobora Casalino (2015), afirmando que as hipóteses de perda 
e suspensão dos direitos políticos são exemplos de direitos políticos negativos “na 
medida em que restringem a participação do cidadão no processo de decisão política 
do país”, e que enquanto os institutos da perda e suspensão são permitidos pela 
Constituição Federal, a cassação, por sua vez, é terminantemente proibida, pois 
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“significa a retirada dos direitos políticos sem a observância dos princípios e garantias 
fundamentais, em especial as prerrogativas inerentes ao contraditório e à ampla 
defesa”. 
 
Segundo o texto constitucional, a perda ou suspensão dos direitos políticos só se dará 
nos casos de: 
▪ cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; 
▪ incapacidade civil absoluta; 
▪ condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; 
▪ recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos 
termos do art. 5º, VIII; 
▪ improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. 
 
A Constituição não exemplifica quais são os casos de perda e quais são os casos de 
suspensão dos direitos políticos, porém a doutrina faz a diferenciação entre esses dois 
institutos esclarecendo que a perda se dá por prazo indeterminado, de modo que a 
reaquisição dos direitos políticos não é automática após a cessação da causa; já a 
suspensão pode se dar tanto por prazo determinado quanto por prazo indeterminado, 
e a reaquisição é automática. Neste sentido, a perda está presente nos incisos I e IV 
do art. 15, CF, enquanto a suspensão encontra-se nos demais incisos. 
 
 
Figura 5 - Perda e suspensão dos direitos políticos 
Fonte: Núcleo Editorial Focus 
dos direitos políticos
Cancelamento da naturalização 
por sentença transitada em 
julgado.
Recusa de cumprimento de 
obrigação imposta ou prestação 
alternativa, nos termos do art. 5º, 
VIII, CF/88.
dos direitos políticos
Incapacidade civil 
absoluta.
Condenação criminal transitada em 
julgado, enquanto durarem seus 
efeitos.
Improbidade administrativa, nos termos 
do art. 37, §4º, CF/88.
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Conclusão 
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3.4.1 Condenação penal transitada em julgado 
No caso de condenação criminal transitada em julgado (de qualquer tipo), a 
suspensão dos direitos políticos é imediata, implicando naimediata perda do 
mandato eletivo. Trata-se, segundo o STF, de norma autoaplicável, que independe, 
para sua imediata incidência, de qualquer ato de intermediação legislativa. 
 
De acordo com Bernardo Gonçalves Fernandes (2020), “com a condenação, os direitos 
políticos serão suspensos até a extinção da punibilidade (portanto, mesmo que exista 
a suspensão condicional da pena, ou seja, sursis, ele permanecerá com os direitos 
políticos suspensos)”. 
 
3.4.2 Consequências dos atos de improbidade administrativa 
Segundo o art. 37, §4º, os atos de improbidade administrativa resultarão na perda do 
mandato e na suspensão dos direitos políticos. Porém a perda do mandato não se 
aplica a membro do Congresso Nacional, pois, por determinação do art. 55, §2º, CF, a 
perda do mandato será decidida pela casa a que pertencer o congressista, por maioria 
absoluta, mediante provocação da respectiva mesa ou de partido político 
representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa. 
 
4 Conclusão 
Nesta unidade vimos que os direitos políticos traduzem os direitos dos cidadãos de 
participar do governo, elegendo, por meio do voto, seus representantes ou 
candidatando-se a cargos representativos. Entendemos que esse direito é concedido 
àqueles que possuem nacionalidade brasileira e que satisfaçam os requisitos 
constitucionais arrolados nos arts. 14 e 15. Por fim, falamos sobre as espécies de 
direitos políticos, o princípio da anterioridade eleitoral e as hipóteses de perda ou 
suspensão dos direitos políticos. 
 
5 Referências Bibliográficas 
CASALINO, V. Concursos públicos - nível médio e superior - direito constitucional. 
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Referências Bibliográficas 
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2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015 
BAHIA, F. Direito Constitucional. – 3. ed. – Recife: Armador, 2017. 
BARROSO, L. R. Curso de direito constitucional contemporâneo: os conceitos 
fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 
2020. 
FERNANDES, B. G. Curso de Direito Constitucional. – 12. ed. – Salvador: Ed. 
JusPODIVM, 2020. 
LENZA, P. Direito Constitucional. – 25. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2021. 
MENDES, G. F.; BRANCO, P. G. G. Curso de Direito Constitucional. – 16. ed. – São 
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MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. – 33. ed. rev. e atual. até a EC nº_ 95, 
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TAVARES, A. R. Curso de direito constitucional. – 18. ed. – São Paulo: Saraiva 
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Referências Bibliográficas 
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DISCIPLINA 
DIREITOS SOCIAIS 
 
CONTEÚDO 
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Introdução 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Origem dos partidos políticos -------------------------------------------------------------------------- 4 
2.1 Sistemas partidários----------------------------------------------------------------------------------------------------- 6 
3 Conceito ------------------------------------------------------------------------------------------------------ 7 
3.1 Liberdade Partidária ---------------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
3.2 Criação dos partidos políticos ---------------------------------------------------------------------------------------- 9 
4 Coligações -------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
4.1 Controle de qualidade ------------------------------------------------------------------------------------------------ 11 
4.2 Fidelidade partidária -------------------------------------------------------------------------------------------------- 11 
5 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 14 
6 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 14 
 
 
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Introdução 
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1 Introdução 
No contexto da democracia, os partidos políticos exercem uma função essencial por 
meio da qual o povo delibera sobre o exercício do poder; são instrumentos de 
intermediação entre o povo e seus representantes, entre a sociedade e o Estado, e 
essenciais à produção da vontade política e o exercício da soberania popular. Nos 
termos de Gilmar Ferreira Mendes (2021), os partidos políticos “exercem função de 
mediação entre o povo e o Estado no processo de formação da vontade política, 
especialmente no que concerne ao processo eleitoral. Mas não somente durante essa 
fase ou período. O processo de formação de vontade política transcende o momento 
eleitoral e se projeta para além desse período. Enquanto instituições permanentes de 
participação política, os partidos desempenham função singular na complexa relação 
entre o Estado e a sociedade. 
 
Na mesma esteira, Jose Afonso da Silva afirma que o partido político “é uma forma de 
agremiação de um grupo social que se propõe organizar, coordenar e instrumentar a 
vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de 
governo”. 
 
Dada a pertinência do conteúdo, abordaremos, nesta unidade, algumas das questões 
mais relevantes sobre os partidos políticos em matéria de direitos sociais. 
 
2 Origem dos partidos políticos 
De acordo com José Afonso Da Silva (2013), os partidos políticos, originados 
primariamente da criação de grupos parlamentares seguida da aparição de comitês 
eleitorais, firmaram-se como instituições políticas indispensáveis na estrutura do 
Estado contemporâneo à medida em que se deu a universalização do sufrágio. O autorexplica como, incialmente, os grupos partidários constituíam apenas facções em favor 
de uma situação ou força política. No Brasil, por exemplo, há menção em discurso na 
Assembleia Constituinte do Império de facções que se posicionavam quanto à 
independência: 
Eram partidários da Independência, separatistas e não separatistas. Os partidários da 
Independência distribuíram-se em quatro grupos: (a) os corcundas, queriam-na, mas não 
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Origem dos partidos políticos 
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liberdade; (b) os monárquicos-constitucionalistas, não queriam nem a democracia nem o 
despotismo, mas liberdade com estabilidade; (c) os republicanos, de pouca expressão; (d) os 
federalistas, que "não queriam ser monárquicos-constitucionalistas, nem podiam ser 
corcundas, mas queriam ser republicanos de várias repúblicas. 
 
Foram essas forças, que passaram a ser representadas e organizadas em grupos e 
facções que lutavam por suas reivindicações, que deram surgimento às formações 
partidárias e tornaram os partidos políticos uma realidade social e política. 
 
Gilmar Ferreira Mendes (2021) explica, ainda, que a partir de 1831 duas forças políticas 
se organizaram sob a Constituição do Império (1824), o Partido Liberal e o Partido 
Conservador (1837-1838), os quais dominaram a cena política e o Segundo Império. 
Na sequência, entre 1862 e 1864, constitui-se o Partido Progressista e, em 1870, o 
Partido Republicano. No que tange à criação de leis eleitorais nesse período, ocorreu 
da seguinte maneira: 
▪ 1846: promulgação da primeira lei eleitoral, que vigorou até 1855. “Essa lei previa 
que cada Província constituiria uma circunscrição eleitoral e o candidato a 
deputado poderia ser votado pelo eleitor domiciliado em qualquer lugar da 
Província” e adotava o sistema de círculos (distritos eleitorais), no qual pelo voto 
da maioria dos eleitores, elegia-se um representando (MENDES); 
▪ 1860: criação do distrito de três deputados; 
▪ 1875: adoção da Lei dos Dois Terços (possibilidade de o eleitor votar em 2/3 dos 
candidatos à vaga); 
▪ 1881: adoção da Lei Saraiva, que adotou a eleição direta para deputados; 
▪ 1891: consagração do sufrágio universal, direto e descoberto, mediante assinatura 
do eleitor perante as mesas eleitorais. Para José Afonso da Silva (2013), esse 
sistema “impedia o desenvolvimento da liberdade do voto, sujeitava o voto das 
camadas dependentes à vontade dos titulares reais dos poderes locais, os coronéis, 
e possibilitava a fraude eleitoral e a falsificação das atas eleitorais.” 
 
Em 1930 surgia o Partido Comunista Brasileiro, bem como outros grupos que 
preconizaram a Aliança Integralista Brasileira, e apesar de a Constituição de 1934 
prever “que a Câmara dos Deputados seria composta de representantes do povo, 
eleitos mediante sistema proporcional e sufrágio universal, igual e direto, e de 
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Origem dos partidos políticos 
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representantes eleitos pelas organizações profissionais”, esse modelo não foi 
implementado em razão do Golpe de Estado em 1937. Finda a ditadura, surgiram 
alguns partidos com a convocação de novas eleições parlamentares dada pelo 
Decreto-Lei n. 7.586/1945. São eles: a União Democrática Nacional (UDN); o Partido 
Social Democrático (PSD); o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB); o Partido Comunista 
Brasileiro (PCB); o Partido Democrata Cristão (PDC) e o Partido Libertador (PL). 
Contudo, a promulgação da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei n. 4.740/1965) 
fixou critérios mais rigorosos para a criação de novas agremiações e, em 1965, pelo 
Ato Inconstitucional n. 2, foram extintos os partidos políticos existentes. 
 
Mais adiante, o Ato Complementar n. 4/1965 impôs o bipartidarismo no Brasil, de 
modo que as forças políticas se aglutinassem em dois partidos: a Aliança Renovadora 
Nacional (ARENA), em apoio ao governo, e o Movimento Democrático Brasileiro 
(MDB), como oposição. Em 1979, a Lei n. 6.767 extinguiu o modelo bipartidário dando 
início à reorganização dos partidos (MENDES, 2021). 
 
2.1 Sistemas partidários 
Quanto à classificação dos partidos, atualmente falamos em partidos de esquerda, 
partidos de centro, partidos de direita e nas combinações entre eles. Este esquema 
toma como ponto de referência a ordem econômico-social existente, e não as 
posições subjetivas. As correntes partidárias que se formam em decorrência da 
representatividade dessas várias situações, “conforme predominância ou equilíbrio de 
umas e outras”, deram margem ao surgimento dos sistemas de partidos políticos que, 
“segundo lição de Duverger, consistem nas formas e modalidades de coexistência de 
diversos partidos em um país”, ou seja, nos “diferentes modos de organização 
partidária de um país”, que são: 
a) de partido único, ou unipartidário (unipartidarismo); 
b) de dois partidos (bipartidarismo); 
c) de três, quatro ou mais partidos, ou sistema pluripartidário ou multipartidário 
(pluripartidarismo, multipartidarismo). 
 
No Brasil, o sistema partidário adotado é o pluripartidário, conforme expressa o art. 
17 da CF, “É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, 
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Conceito 
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resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os 
direitos fundamentais da pessoa humana [...]”. 
 
3 Conceito 
Na definição de Flavia Bahia (2017), “os partidos políticos são associações de pessoas 
com ideologias ou interesses comuns, que mediante uma organização estável, 
influenciam a orientação política de um país”. Para Ingo Wolfgang Sarlet (2019), os 
partidos políticos constituem o “meio por excelência de exercício da democracia 
representativa”, pois correspondem a uma forma específica de exercício da liberdade 
de associação. Para José Afonso da Silva (2007), “o partido político é uma forma de 
agremiação de um grupo social que se propõe organizar, coordenar e instrumentar a 
vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de 
governo”. 
 
Os partidos políticos adquirem personalidade jurídica na forma da lei civil, portanto 
são pessoas de direito privado, e devem, por conseguinte, registrar seus estatutos no 
Tribunal Superior Eleitoral, conforme assenta o art. 17, § 2º, da CF e o art. 7º, caput, da 
Lei n. 9.096/1995, e têm como função, nos termos da lei, assegurar, resguardados a 
soberania nacional, o regime democrático e o pluripartidarismo, a autenticidade do 
sistema representativo e defender os direitos fundamentais da pessoa humana. 
 
Por outro lado, a doutrina entende que para além disso é função fundamental dos 
partidos políticos “organizar a vontade popular e exprimi-la na busca do poder, 
visando a aplicação de seu programa de governo. Por isso, todo partido político 
deveria estruturar-se à vista de uma ideologia definida e com um programa de ação 
destinado à satisfação dos interesses do povo” (SILVA, 2013). 
 
3.1 Liberdade Partidária 
O art. 17 do texto constitucional assegura a livre a criação, fusão, incorporação e 
extinção de partidos políticos, firmando, com isso, a liberdade de organização 
partidária. 
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Conceito 
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Assim, os partidos políticos possuem autonomia para definir suas estruturas internas 
e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes 
e provisórios e sobre sua organização e funcionamento. Possuem, ainda, autonomia 
para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições 
majoritárias. Contudo fica vedada a sua celebração nas eleições proporcionais, sem 
obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, 
distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e 
fidelidade partidária (art. 17, § 1º, CF). Essa liberdade, segundo Casalino (2015), é 
fundamental para que os partidos cumprambem suas funções e objetivos. 
 
No entanto, é importante enfatizar que essa autonomia não poderá ser realizada sem 
observância dos princípios básicos assentados na Constituição Federal vinculados ao 
respeito à soberania nacional, o pluripartidarismo, o regime democrático e os direitos 
fundamentais da pessoa humana, além da obediência aos preceitos previstos no art. 
17, I ao IV da CF): 
 
a) ter caráter nacional: somente serão reconhecidos como partidos políticos 
aqueles que tiverem repercussão em todo território do país, cujas propostas 
englobarem o interesse de toda a nação. Essa exigência visa a proteção ao 
Estado Democrático de Direito, evitando que os partidos se concentrem em 
projetos regionais ou meramente locais. Conforme firmou o art. 7º, § 1º da Lei 
n. 9.096/1995, só é admitido o registro do estatuto de partido político que tenha 
caráter nacional, considerando-se como tal aquele que comprove, no período 
de dois anos, o apoiamento de eleitores não filiados a partido político, 
correspondente a, pelo menos, meio por cento dos votos dados na última 
eleição geral para a Câmara dos Deputados, não computados os votos em 
branco e os nulos, distribuídos por um terço, ou mais, dos Estados, com um 
mínimo de um décimo por cento do eleitorado que haja votado em cada um 
deles. 
b) não receber recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou 
subordinar-se a estes: para garantir a proteção à soberania nacional, os partidos 
ficam proibidos de receber recursos financeiros de entidades ou governos 
estrangeiros ou subordinar-se a estes, sob pena de cassação de registro. 
c) prestar contas à Justiça Eleitoral: os partidos passarão por uma espécie de 
fiscalização financeira, prestando contas à Justiça Eleitoral de qualquer recurso 
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Conceito 
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que venham a receber, sejam eles oriundos do fundo partidário ou do fundo de 
doações, afastando, assim, o abuso do poder econômico, em observância ao 
princípio da moralidade pública. 
d) ter funcionamento parlamentar de acordo com a lei: esta exigência deriva do 
princípio da legalidade. A lei define critérios e exigências que devem ser 
cumpridos para o funcionamento dos partidos políticos. 
e) não utilizar partidos políticos como estruturas paramilitares: o art. 6º da Lei n. 
9.096/1995 dispõe que é “vedado ao partido político ministrar instrução militar 
ou paramilitar, utilizar-se de organização da mesma natureza e adotar uniforme 
para seus membros”. Conforme aponta Walber de Moura Angra (2018), “um 
dos fundamentos da democracia é a convivência pacífica dos vários grupos 
políticos existentes, e os partidos estruturados com caráter paramilitar 
estimulariam a violência e impediriam o livre debate de ideias”. 
 
Conforme explica Gilmar Ferreira Mendes (2021), “o recebimento de recursos 
financeiros de procedência estrangeira, a subordinação a entidade ou governo 
estrangeiro, a manutenção de organização paramilitar e a não prestação de contas, 
nos termos da lei, à Justiça Eleitoral poderão ocasionar o cancelamento do registro 
civil e do estatuto do partido mediante decisão do Tribunal Superior Eleitoral, após o 
trânsito em julgado da decisão (Lei n. 9.096/95, art. 28)”. 
 
3.2 Criação dos partidos políticos 
Nos termos do art. 17, § 2º, CF, “os partidos políticos, após adquirirem personalidade 
jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral”. 
Neste sentido, entendemos que a criação do partido político passa por duas grandes 
fases: a) adquirir personalidade jurídica de direito privado, na forma da Lei Civil; b) 
registrar seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. 
 
Destaca-se que, nos termos do art. 7º, § 1º, da Lei n. 9.096/1995, “só é admitido o 
registro do estatuto de partido político que tenha caráter nacional (que comprove, no 
período de dois anos, o apoiamento de eleitores não filiados a partido político, 
correspondente a, pelo menos, 0,5% dos votos dados na última eleição geral para a 
Câmara dos Deputados, não computados os votos em branco e os nulos, distribuídos 
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Coligações 
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por um terço, ou mais, dos Estados, com um mínimo de 0,1% do eleitorado que haja 
votado em cada um deles). 
 
De acordo com o art. 8º da Lei n. 9.096/1995, o requerimento do registro de partido 
político será dirigido ao cartório competente do Registro Civil das Pessoas Jurídicas 
do local de sua sede, deverá ser subscrito pelos seus fundadores, em número nunca 
inferior a cento e um, com domicílio eleitoral em, no mínimo, um terço dos Estados, 
sendo acompanhado de: a) cópia autêntica da ata da reunião de fundação do partido; 
b) exemplares do Diário Oficial que publicou, no seu inteiro teor, o programa e o 
estatuto; c) relação de todos os fundadores com o nome completo, naturalidade, 
número do título eleitoral com a Zona, Seção, Município e Estado, profissão e 
endereço da residência. 
 
Conforme estabelece o § 3º do mesmo artigo, adquirida a personalidade jurídica na 
forma do art. 8º, o partido promove a obtenção do apoiamento mínimo de eleitores 
a que se refere o § 1º do art. 7º e realiza os atos necessários para a constituição 
definitiva de seus órgãos e designação dos dirigentes, na forma do seu estatuto. Na 
sequência, os dirigentes nacionais promoverão o registro do estatuto do partido junto 
ao Tribunal Superior Eleitoral, através de requerimento acompanhado de: I - exemplar 
autenticado do inteiro teor do programa e do estatuto partidários, inscritos no 
Registro Civil; II - certidão do registro civil da pessoa jurídica, a que se refere o § 2º do 
art. 8º; III - certidões dos cartórios eleitorais que comprovem ter o partido obtido o 
apoiamento mínimo de eleitores a que se refere o § 1º do art. 7º. 
 
4 Coligações 
As coligações partidárias podem ser entendidas como consórcios de partidos políticos 
para atuação conjunta e cooperativa em uma disputa eleitoral para as eleições no 
sistema majoritário, como eleições para Presidente, Senador, Governador e Prefeito. 
 
Conforme estabelece o § 1º do art. 17 da CF, alterado em 2017 pela Emenda 
Constitucional n. 97/2017, é assegurada aos partidos políticos autonomia para definir 
sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus 
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Coligações 
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órgãos permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para 
adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações nas eleições majoritárias, 
sendo, contudo, vedada sua celebração nas eleições proporcionais (como nas eleições 
para Deputado Estadual, Deputado Federal e Vereador). 
 
Segundo Bernardo Gonçalves Fernandes (2020), a intenção dessa modificação “foi a 
de fortalecer os grandes partidos. Isso porque não sendo permitida a coligação em 
eleições proporcionais, dificilmente partidos muito pequenos irão conseguir atingir 
um quociente partidário que supere o quociente eleitoral. Significa dizer que, 
sozinhos, ou seja, sem coligações, partidos pequenos terão muita dificuldade de 
eleger Vereadores e Deputados (Federais, Estaduais ou Distritais)”. 
 
Ainda, conforme o § 1º do art. 3º da Lei n. 9.096/2019, fica assegurada aos candidatos, 
partidos políticos e coligações autonomia para definir o cronograma das atividades 
eleitorais de campanha e executá-lo em qualquer dia e horário, observados os limites 
estabelecidos em lei. 
 
4.1 Controle de qualidade 
É importante que os partidos políticos se respeitem mutuamente, de modo que a 
autonomia de um não fira a do outro, e são, portanto, também limitados pelos direitos 
e garantias fundamentais dos seus membros e dos membros da sociedade. Assim, 
cabe à Justiça Eleitoral “observar o cumprimento do devido processo legal pelos 
partidos políticos, sem que esse controle venha a interferir na autonomia dos partidos 
noexercício de seus atos interna corporis. Portanto, mesmo devendo ser respeitada a 
autonomia garantida constitucionalmente, qualquer lesão a direitos subjetivos poderá 
sim passar pelo crivo do Poder Judiciário” (FERNANDES, 2017). 
 
4.2 Fidelidade partidária 
Uma vez que a Constituição assegura aos partidos políticos autonomia para definir 
sua estrutura interna e funcionamento, as normas de fidelidade e disciplina partidária 
serão estabelecidas em seu estatuto, nos termos do art. 17, § 1º, da CF. Assim, a 
matéria foi disciplinada nos arts. 23 ao 26 da Lei n. 9.096/95 
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Coligações 
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Nos termos da lei, a responsabilidade por violação dos deveres partidários deve ser 
apurada e punida pelo competente órgão, na conformidade do que disponha o 
estatuto de cada partido. Dessa forma, filiado algum poderá sofrer medida disciplinar 
ou punição por conduta que não esteja tipificada no estatuto do partido político, 
sendo assegurado ao acusado o amplo direito a defesa. 
 
Na Casa Legislativa, o integrante da bancada de partido deverá subordinar sua ação 
parlamentar aos princípios doutrinários e programáticos e às diretrizes estabelecidas 
pelos órgãos de direção partidários, na forma do estatuto do partido, o qual poderá 
estabelecer, além das medidas disciplinares básicas de caráter partidário, normas 
sobre penalidades, inclusive com desligamento temporário da bancada, suspensão do 
direito de voto nas reuniões internas ou perda de todas as prerrogativas, cargos e 
funções que exerça em decorrência da representação e da proporção partidária, na 
respectiva Casa Legislativa, ao parlamentar que se opuser, pela atitude ou pelo voto, 
às diretrizes legitimamente estabelecidas pelos órgãos partidários. 
 
Conforme aponta Nathalia Masson (2020), “o Supremo Tribunal reconheceu a 
existência do dever constitucional de observância do princípio da fidelidade partidária 
para aqueles que são eleitos pelo sistema proporcional, manifestando-se pela 
competência da justiça eleitoral para decretar a perda do mandato do Deputado 
Federal (ou estadual, distrital ou Vereador) que trocar de partido, sem justa causa”, 
conforme estabelece o art. 26 da Lei n. 9.096/95 (“Perde automaticamente a função 
ou cargo que exerça, na respectiva Casa Legislativa, em virtude da proporção 
partidária, o parlamentar que deixar o partido sob cuja legenda tenha sido eleito.”). 
Em contrapartida, a troca de partido para os eleitos pelo sistema majoritário não 
enseja a perda do mandato (ADI 5081-DF, julgamento em meio de 2015). 
 
A esse respeito, esclarece Gilmar Ferreira Mendes (2021) que a fidelidade partidária 
no contexto da democracia partidária e no sistema eleitoral proporcional tem ampla 
profundidade, tendo em vista que, no modelo adotado pela Constituição, o mandato 
é qualificado como eminentemente representativo da vontade popular (deputados) e 
dos entes federativos (senadores). Sendo assim, a Câmara dos Deputados é composta 
de representantes do povo, enquanto o Senado é composto de representantes dos 
Estados e Distrito Federal (arts. 45 e 46, CF). 
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Coligações 
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Ainda, neste sistema eleitoral os partidos são detentores do monopólio absoluto das 
candidaturas, tanto que a filiação partidária constitui uma condição de elegibilidade, 
como bem firma o art. 14, § 3º, V da CF. Neste sentido, o autor afirma que “Se 
considerarmos a exigência de filiação partidária como condição de elegibilidade e a 
participação do voto de legenda na eleição do candidato, tendo em vista o modelo 
eleitoral proporcional adotado para as eleições parlamentares, parece certo que a 
permanência do parlamentar na legenda pela qual foi eleito torna-se condição 
imprescindível para a manutenção do próprio mandato”. 
 
Dessa forma, o abandono da legenda deve dar ensejo à extinção do mandato, salvo 
em situações específicas que possam envolver perseguição política ou ruptura de 
compromissos por parte da agremiação. À luz dessas considerações “não parece fazer 
sentido, no atual prisma jurídico e político, que o eventual eleito possa, simplesmente, 
desvencilhar-se dos vínculos partidários originalmente estabelecidos, carregando o 
mandato obtido em um sistema no qual se destaca o voto atribuído à agremiação 
partidária a que estava filiado para outra legenda” (MENDES, 2021). 
 
Para o autor, considerando a realidade política atual, a mudança de legenda por parte 
daqueles que obtiveram o mandato no sistema proporcional constitui uma violação à 
vontade do eleitor: “É preciso ter em mente que a fidelidade partidária condiciona o 
próprio funcionamento da democracia, ao impor normas de preservação dos vínculos 
políticos e ideológicos entre eleitores, eleitos e partidos, tal como definidos no 
momento do exercício do direito fundamental do sufrágio. Trata-se, portanto, de 
garantia fundamental da vontade do eleitor”. 
 
Assim, consideram-se justa causa para a desfiliação partidária somente as seguintes 
hipóteses: 
• mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; 
• grave discriminação política pessoal; e 
• mudança de partido efetuada durante o período de trinta dias que antecede o 
prazo de filiação exigido em lei para concorrer à eleição, majoritária ou 
proporcional, ao término do mandato vigente. 
 
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Conclusão 
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Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º do art. 17 – 
dispõe sobre o direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à 
televisão, na forma da lei, garantido aos partidos políticos que, alternativamente, 
obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, no mínimo, três por cento dos 
votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com 
um mínimo de dois por cento dos votos válidos em cada uma delas; ou que tiverem 
elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço 
das unidades da Federação – é assegurado o mandato e facultada a filiação, sem perda 
do mandato, a outro partido que os tenha atingido, não sendo essa filiação 
considerada para fins de distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso 
gratuito ao tempo de rádio e de televisão. Se o partido pelo qual o parlamentar foi 
eleito não conseguir uma representação significativa, ele poderá filiar-se a outro 
partido sem perder sua condição de parlamentar. 
 
5 Conclusão 
Nesta unidade falamos sobre o conceito, a origem e a criação dos partidos políticos e 
os sistemas partidários, bem como sobre a liberdade partidária, o sistema de 
coligações e a fidelidade partidária. Vimos que os partidos políticos exercem 
importante função de mediação entre o povo e o Estado e, portanto, devem respeitar-
se mutuamente, não ferindo um a autonomia do outro, estando, também, limitados 
pelos direitos e garantias fundamentais dos seus membros e dos membros da 
sociedade. 
 
6 Referências Bibliográficas 
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