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EDUCAÇÃO INCLUSIVA Unidade 3 IMPLEMENTANDO A EDUCAÇÃO INCLUSIVA CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS DIRETORA EDITORIAL ALESSANDRA FERREIRA GERENTE EDITORIAL LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS PROJETO GRÁFICO TIAGO DA ROCHA AUTORIA TULIANE FERNANDES DUTRA ISABELA CRISTINA MARINS BRAGA 4 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 A U TO RI A TULIANE FERNANDES DUTRA Olá. Sou bacharela em Pedagogia pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e em Sistemas de Informação pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais e especialista em Educação a Distância pela UCB, com experiência técnico- profissional na área de Análise de Sistemas e desenvolvimento de materiais para Educação a Distância há mais de 15 anos. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ISABELA CRISTINA MARINS BRAGA Olá. Sou doutora e mestra em Educação pela Universidade Católica de Brasília (UCB), especialista em Gestão Empresarial e graduada em Administração pelo Instituto de Ensino Superior Cenecista de Unaí. Atuo como docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Unaí desde 2013, lecionando as disciplinas de Metodologia do Trabalho Acadêmico, Pesquisa Aplicada, Hermenêutica, Teorias das Organizações, Gestão de Pessoas, Comportamento Organizacional, Gestão Estratégica, Negociação e Resolução de Conflitos, Administração da Produção e Economia Básica. Sou orientadora de trabalhos acadêmicos, examinadora de bancas de monografia, revisora e consultora de trabalhos acadêmicos, além de pesquisadora do grupo de Pesquisa de Políticas Federais de Educação da UCB. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 ÍC O N ES 6 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Educação inclusiva: a diversidade na aprendizagem ............ 9 Diversidade ........................................................................................................... 9 Educação inclusiva: a diversidade na aprendizagem .................................. 10 Políticas educacionais e a diversidade .........................................................16 Parâmetros Curriculares Nacionais e a educação inclusiva 24 Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) ................................................... 24 PCNs e a educação inclusiva ...........................................................................29 Equipe multidisciplinar para a educação inclusiva ............. 36 Equipe multidisciplinar: educação especial .................................................. 36 Equipe multidisciplinar: história e cultura afro-brasileira e indígena ...... 45 Família e escola no processo de inclusão ............................ 49 Conceituando família ........................................................................................49 Parceria da família com a escola.....................................................................52 A relação entre a família de estudantes com necessidades educacionais especiais e a escola ...........................................................................................55 SU M Á RI O 7EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 A PR ES EN TA ÇÃ ONesta unidade letiva, você estudará a diversidade presente no ambiente escolar. Esse conhecimento é fundamental para a sua formação docente, já que a escola, atualmente, não é um espaço destinado apenas à transmissão de informação, mas também responsável pela formação de cidadãos que saibam conviver e respeitar as diferenças. Assim, buscamos a construção de uma sociedade mais justa, em que os direitos de todos são garantidos e respeitados, uma sociedade sem preconceitos ou discriminação. Em seguida, você compreenderá a função dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) não somente na educação regular, mas também na educação inclusiva. Esses parâmetros apresentam relação com a proposta de uma educação inclusiva, pois eles também visam à formação integral do aluno, isto é, a formação de cidadãos críticos e responsáveis pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária para todos. Você compreenderá o que são e para que servem os PCNs e entenderá a relação desses parâmetros com a educação inclusiva. Você estudará também a importância do papel da equipe multidisciplinar na educação inclusiva. Assim, será abordado o papel dessa equipe na educação especial, quais são os profissionais que fazem parte dela e a necessidade de existir um diálogo colaborativo entre esses profissionais. Em seguida, será apresentada a função da equipe multidisciplinar na perspectiva da efetivação das Leis n.º 10.639/2003 e 11.645/2008. Para finalizar, você estudará a relação entre a família e a escola no processo de inclusão. Serão apresentados os tipos de família existentes na sociedade e, em seguida, você irá compreender a necessidade de existir uma parceria entre a família e a escola e como essa parceria pode ser possível, apesar de alguns obstáculos, por meio do diálogo existente entre essas duas instituições. Prepare-se para uma jornada de aprendizado enriquecedora! 8 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 O BJ ET IV O S Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Discernir sobre a realidade e necessidade da educação inclusiva a partir da perspectiva da diversidade presente na escola. 2. Aplicar os Parâmetros Curriculares Nacionais na implementação e avaliação da educação inclusiva. 3. Compreender o papel da equipe multidisciplinar na educação inclusiva. 4. Promover a parceria entre a família e a escola no processo de inclusão. 9EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Educação inclusiva: a diversidade na aprendizagem Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender a educação inclusiva sob uma perspectiva abrangente, que engloba não apenas a inclusão de pessoas com deficiência, mas também a diversidade cultural, religiosa, de gênero, econômica e outras que estão presentes no ambiente escolar. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá! Diversidade Nosso país abriga uma ampla variedade de indivíduos, culturas, religiões, raças, costumes, crenças econômicas e muito mais. Em meio a esse cenário da sociedade brasileira, é crucial reconhecer a diversidade. Mas afinal, o que significa diversidade? Diversidade envolve o reconhecimento de que somos todos seres humanos, únicos em nossa essência, ou seja, singulares em nossa forma de aprender e existir. Uma sociedade inclusiva valoriza a diversidade da sua população, reconhece a necessidade de mudar e assume um compromisso com todos aqueles que estiveram, por muito tempo, à margem da cidadania, como os pobres, as pessoas com deficiência, os idosos, os LGBTs, os negros, os índios, entre outros. De acordo com Mantoan (2015, p. 11), esse reconhecimento significa que “incluir é não deixar ninguém de fora da escola comum, ou seja, ensinar a todas as crianças, indistintamente”. Segundo a autora, formação de uma nova geração em um contexto educacional inclusivo é resultado do constante exercício da cooperação, da colaboração, do convívio, do reconhecimento 10 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 e da valorização das diferenças. Esses elementos são essenciais para abraçar a diversidade e compreender a natureza em constante mudança de todos nós. Promover esses valores na educação contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa. Diante desse cenário, observa-se a necessidade de implementar, no ambiente escolar, o desenvolvimentoinclusivo que leve em consideração essa diversidade, por meio do Projeto Político Pedagógico da escola e da prática docente. O professor deve garantir um fazer singular, por meio de uma prática educativa preocupada com o outro e sua particularidade em aprender, bem como uma prática comprometida com a educação inclusiva. O Projeto Político Pedagógico da escola caracteriza a diversidade como natural e esperada na comunidade social e escolar. As escolas que incluem todos os alunos e alunas, independentemente de suas características mentais, físicas, sociais, de raça etc., e removem todas as barreiras, buscando promover aprendizagem e a participação de todos, são consideradas escolas que respeitam a diversidade humana. Educação inclusiva: a diversidade na aprendizagem A escola inclusiva tem, em seu Projeto Político Pedagógico, objetivos capazes de acolher e educar todos os alunos, independentemente de qualquer característica social ou pessoal que eles possuam. Diante desse contexto, é necessário deixar bem claro que a escola inclusiva tem como seu princípio os direitos humanos. Vamos rever o conceito de direitos humanos? De acordo com Faria (2003, p. 54 apud Xavier; Vasconcelos; Xavier, 2018, p. 18), falar em direitos “humanos ou direitos do homem é, afinal, falar 11EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 de algo que é inerente à condição humana, independentemente das ligações com particularidades determinadas de indivíduos”. Sob essa perspectiva, Soares (1998) complementa que os direitos humanos são que derivam do reconhecimento da dignidade inerente a todo ser humano. Estamos acostumados a aceitar denúncias por discriminação baseada em raça, sexo ou nível de instrução, entre outros critérios. No entanto, um dos aspectos mais desafiadores é a não-discriminação com base em julgamento moral. Isso implica reconhecer que toda pessoa, incluindo aquelas que cometeram os crimes mais graves, ainda possui o direito à dignidade humana. Essa é uma das partes mais complexas na compreensão dos Direitos Humanos. Mesmo quando nosso julgamento moral nos leva a estigmatizar alguém ou a considerar merecedor das punições mais severas de acordo com a lei, o que é natural e muitas vezes desejável, isso não significa que devemos excluí-los da comunidade dos seres humanos (Soares, 1998 apud Xavier; Vasconcelos; Xavier, 2018). Assim, segundo Xavier, Vasconcelos e Xavier (2018), a educação inclusiva tem como fundamentação básica a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Veja no quadro a seguir o que esta declaração propõe no art. 26. Quadro 3.1 – Declaração Universal dos Direitos Humanos 1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta fundamentada no mérito. 2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. Fonte: Xavier, Vasconcelos e Xavier (2018). 12 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 De acordo com Alves, Tavares e Sanches (2016), a escola precisa flexibilizar-se e adequar-se, considerando as características individuais dos alunos, as suas necessidades e potencialidades e fazer da diferença uma mais-valia para o desenvolvimento de cada aluno, com benefícios claros para todos. A educação inclusiva representa, acima de tudo, uma nova abordagem diante da diversidade. Ela implica na visão de que aqueles que se diferenciam intelectualmente, fisicamente, etnicamente, culturalmente ou religiosamente dos demais ainda são cidadãos com os mesmos direitos. Portanto, compreende-se que os estudantes que enfrentam qualquer tipo de deficiência ou dificuldade de aprendizado têm o direito de frequentar uma escola regular, onde devem ser aceitos e bem-recebidos. Não se trata apenas da inclusão física na escola, mas sim da participação plena na vida escolar. Rever essa postura é necessário. Isso porque, segundo Alves, Tavares e Sanches (2016), é urgente a reorganização do processo de ensino-aprendizagem, já que, para educar incluindo, não se deve levar em consideração somente as dificuldades do aluno. É preciso ainda rever as estratégias, buscar resoluções com foco na solução dos problemas perante a diversidade do seu público. Compreendendo que todos os estudantes estão na escola com o propósito de aprender, a interação que surge na diversidade desses alunos coloca diante da escola o desafio de criar condições de ensino acessíveis a todos. Somente uma interação baseada na cooperação e na diferenciação inclusiva pode verdadeiramente facilitar experiências de aprendizado significativas para todos os envolvidos. Portanto, a educação inclusiva requer uma mudança de mentalidade, onde aqueles que a adotam devem conceber a escola como um todo, uma comunidade na qual todos desempenham um papel participativo. 13EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 A escola precisa ser um local onde as atividades serão desenvolvidas para combater o preconceito e a discriminação. Infelizmente, a escola é um ambiente que ainda reproduz a discriminação de gênero, étnico-raciais, orientação sexual e violência homofóbica. Diante desse contexto, a diversidade deve ser “tratada como aspecto positivo e uma oportunidade para o crescimento de seus educandos, bem como de seus respectivos educadores” (Alias, 2016, p. 23). Imagem 3.1 – Escola como lugar de acolhimento Fonte: Freepik Alias (2016) argumenta que é fundamental cultivar o respeito pela convivência com a diversidade, tanto na maneira de agir quanto na forma de enxergar o mundo. Aproveitar o potencial proporcionado pelas diferenças é essencial, uma vez que a interação entre diversos aspectos gera um patrimônio comum que é diverso, rico, inesperado e criativo. Por outro lado, o preconceito e a discriminação impedem o crescimento e o progresso das sociedades, o que não deve ser tolerado no ambiente escolar. 14 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 O etnocentrismo é uma forma de discriminação referente aos costumes de outros povos. Ele acontece quando “uma sociedade, a partir dos elementos da sua própria cultura, avalia as formas de vida distintas, repelindo (às vezes com uso de meios violentos) o que difere da sua própria” (Alias, 2016, p. 26). Exemplo: o representante de tal cultura é “feio” ou “bonito”. Já o estereótipo desempenha um papel na perpetuação dos preconceitos, pois ele se desenvolve ao definir, de forma simplista e muitas vezes negativa, quem são as pessoas e como são com base em características específicas de um grupo. Isso acaba por reduzir as pessoas a essas características, limitando sua identidade, e também estabelece uma hierarquia de poder ao determinar quais posições podem ser ocupadas. Portanto, o estereótipo é, de fato, uma forma de exercer controle e domínio sobre grupos de pessoas (Alias, 2016). Exemplo: “Só́ podia ser mulher”. Enquanto o gênero é um conceito que se refere à construção social do sexo anatômico. “Tal conceito foi criado exclusivamente para distinguir a dimensão biológica da dimensão social, baseando-se no raciocínio de que a espécie humana é constituída exclusivamente por machos e fêmeas” (Alias, 2016, p. 28). A diferença sexual é utilizada como forma de discriminação. Exemplos: “homem não chora”; “mulher sexo frágil”. Imagem 3.2 – Diversidade Fonte: Freepik 15EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 É necessário lembrar que todos os seres humanos devem ser tratados de forma igualitária, com dignidade e seus direitos devem ser respeitados (tanto na escola quanto na sociedade), independentemente da cor dasua pele, da sua origem, do seu gênero ou de sua orientação sexual. Segundo Alias (2016), a escola a escola tem a responsabilidade de implementar iniciativas que promovam tanto a igualdade quanto a eliminação de todas as formas de discriminação e racismo. Essa instituição possui o potencial de proporcionar, dentro de seu espaço físico, a convivência de pessoas de diversas origens, particularmente aquelas de diferentes grupos étnico-raciais, bem como abordar questões culturais e religiosas, entre outras. A história da humanidade tem se caracterizado pela riqueza dos povos que a compõem. Suprimir essa diversidade, diminuindo o ser humano por causa de sua cor de pele, da língua falada, da religião praticada ou das suas diversas formas de manifestação cultural, representa um erro que não pode ser ignorado. Mais grave é utilizar esses elementos para justificar a superioridade ou inferioridade de uma raça ou etnia em relação às demais. Trata-se de um erro que a própria história já́ demonstrou ser equivocado e para desfazer tal posicionamento é que a escola exerce papel fundamental como espaço estratégico de debates e conscientização (Alias, 2016). 16 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Imagem 3.3 – Escola inclusiva Fonte: Freepik Políticas educacionais e a diversidade A diversidade também está regulamentada pelas políticas públicas do nosso país. No campo normativo, temos a Lei n.º 10.639 de 09 de janeiro de 2003 que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas públicas e particulares do país. Em seguida, temos a Lei n.º 11.645 de 10 março de 2008 que inclui também a questão indígena nos currículos das escolas. De acordo com Mochi (2019), a proposta da Lei n.º 10.639/2003 é tornar conhecida socialmente a importância da cultura africana no decorrer da formação étnica brasileira. Essa legislação possibilitou, ainda que de maneira gradual, a introdução desses conteúdos nas instituições de ensino, abrindo caminho para uma abordagem mais completa da história dos 17EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 negros. Isso envolveu a apresentação de sua cultura e costumes, desfazendo a visão estereotipada que retratava os negros apenas como escravizados, desprovidos de conhecimento e cultura. Entretanto, apesar da influência africana estar presente no Brasil, a situação do negro aqui ainda é desvalorizada. Mochi (2019) explica que essa situação pode ser constatada pelas discrepâncias sociais, sendo que os mais necessitados no Brasil são descendentes da herança africana e também são os mais vulneráveis aos ataques racistas de várias naturezas, como a situação financeira, profissional, familiar e tantas outras. É evidente que ao abordar essa temática, ainda existem desafios significativos relacionados à resistência e à discriminação. Nas instituições educacionais, é lamentável que crianças negras enfrentem o racismo diariamente. Para minimizar essa situação, é de extrema importância que os profissionais que trabalham nesses ambientes promovam e valorizem a diversidade étnica e cultural. Eles devem levar para a sala de aula propostas de ensino que destaquem essa diversidade, garantindo que os alunos negros tenham as mesmas oportunidades de crescimento intelectual e social que os demais estudantes. Essa é uma parte crucial do processo de construção de uma sociedade mais igualitária e justa (Mochi, 2019). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística realizou uma pesquisa sobre desigualdades sociais por cor ou raça no Brasil. Para saber mais, clique aqui. Diante do contexto apresentado, a escola é um ambiente que possibilita a reflexão de diferentes perspectivas referentes às relações sociais, por isso a importância da Lei n.º 10.639/2003, que inclui o estudo da cultura afro integrado ao currículo escolar. 18 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Essa lei foi aprovada com o objetivo de promover, entre outras coisas, o reconhecimento e a valorização da identidade, cultura e história dos africanos e afro-brasileiros, bem como assegurar seus direitos como cidadãos. Sua aprovação representou um marco significativo no combate ao racismo e à discriminação racial e social, que durante muito tempo foram disfarçados pela crença no mito da democracia racial. Essa legislação desempenhou um papel importante na promoção da igualdade e na conscientização sobre a necessidade de reconhecer e respeitar a diversidade étnica do Brasil. Mochi (2019) salienta que é necessário buscar a forma correta de abordar determinada questão, para não ficar apenas na redundância de trabalhar assuntos rotineiros, como estudar somente o período escravagista, despertando a falsa impressão de que não foi deixado um legado cultural, apenas a força de trabalho. É necessário destacar que o papel do professor é muito importante para despertar nos alunos o interesse por aprofundar esse tema. Assim, o docente deve instigar o aluno a buscar mais informações sobre essa cultura. Clique aqui para saber o que a Lei n.º 10.639/2003 altera na Lei n.º 9.394 de 20 de dezembro de 1996. A Lei n.º 11.645/2008 é uma legislação de grande importância que complementa a Lei n.º 9.394/1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional no Brasil. Esta nova lei inclui na grade curricular escolar a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira e Indígena”. Isso significa que as escolas, tanto da rede pública quanto privada, devem abordar e ensinar esses conteúdos de forma sistemática em todos os níveis da Educação Básica. 19EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Essa lei é fundamental para promover o reconhecimento e a valorização das culturas afro-brasileira e indígena, bem como para combater o preconceito e a discriminação. Além disso, ela contribui para uma compreensão mais completa da diversidade cultural do Brasil e para a construção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa com as diferentes etnias que compõem o país. De acordo com Siquelli (2013 apud Barbalho; Rodrigues, 2018), a inclusão das diferenças étnicas nas práticas pedagógicas escolares brasileiras é uma resposta necessária a uma realidade educacional que enfrenta desafios profundos, cujas raízes podem ser traçadas até o período colonial. Apesar de o Brasil ser um país multicultural, o racismo persiste como uma realidade marcante, perpetuando a injustiça e a desigualdade social na sociedade. Nesse contexto, políticas públicas são criadas para abordar e diminuir essas desigualdades e injustiças. Essas políticas têm como objetivo garantir que todos os cidadãos, independentemente de sua origem étnica, tenham igualdade de oportunidades e direitos. A inclusão das perspectivas étnicas nas práticas pedagógicas é uma parte importante dessas políticas, uma vez que a educação desempenha um papel fundamental na promoção da igualdade e na desconstrução de estereótipos e preconceitos. Ao reconhecer e valorizar a diversidade étnica e cultural do Brasil, as escolas contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, na qual todos os cidadãos podem desfrutar dos mesmos direitos e oportunidades. Isso não apenas repara danos históricos, mas também promove um futuro mais igualitário para o país. A inclusão das perspectivas étnicas nas escolas brasileiras é crucial, mas enfrenta desafios político-culturais. Apesar da legislação, nem todos os estabelecimentos a implementaram, destacando a necessidade de conscientização, formação e acompanhamento para garantir sua eficácia. 20 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Em 2018, Barbalho e Rodrigues conduziram uma pesquisa em duas escolas de Caucaia, que abriga cerca de 40% dos indígenas do Ceará, de acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O propósito da pesquisa era avaliar como a Lei n.º 11.645/2008 estava sendo implementada nas escolas e se os ensinamentos nessas instituições estavam contribuindo para desconstruir estereótipos históricossobre a formação da sociedade brasileira. Segundo Barbalho e Rodrigues (2018), em uma das escolas, há a implementação de um currículo contextualizado, no qual o conhecimento é conectado à realidade sociocultural local. Os autores destacam que o próprio documento curricular oferece orientações para que os educadores possam criar planos de ensino que levem em consideração a diversidade de saberes e práticas do cotidiano da escola. O desafio que a Lei n.º 11.645/2008 impõe é o de educar por meio da reflexão sobre uma temática que valoriza a formação da cultura e da população brasileiras. Transformar os espaços educacionais em ambientes de reflexão ainda é um desafio complexo, uma vez que requer o engajamento de toda a comunidade escolar, com destaque para os professores, com o objetivo de mudar até mesmo concepções arraigadas sobre questões relacionadas ao racismo, preconceito, cultura e outros temas correlatos. Barbalho e Rodrigues (2018) observam, a partir de sua pesquisa, que infelizmente muitos professores ainda não estão totalmente preparados para ensinar os temas estabelecidos pela lei. No entanto, eles ressaltam que, apesar dessa realidade, os estudantes demonstram grande receptividade em relação ao conteúdo programático. 21EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 É notável que muitos professores possuem conhecimentos limitados, principalmente aqueles adquiridos através dos livros da disciplina de história. Isso indica que, embora haja algumas práticas pedagógicas relacionadas às relações étnico-raciais, elas geralmente não são implementadas de forma aprofundada ou abrangente em toda a grade curricular de ensino, como a própria lei sugere. Outro aspecto identificado na pesquisa, de acordo com os autores mencionados, é a necessidade de abordar o tema do preconceito no ambiente escolar. Isso é evidenciado pelas respostas no questionário, em que 58% dos entrevistados relataram ter experimentado alguma forma de discriminação ou testemunhado algum tipo de preconceito racial, enquanto apenas 18,2% afirmaram nunca ter passado por tais situações ou não terem conhecimento sobre elas. Isso ressalta a importância de os educadores abordarem essas questões para promover relações saudáveis entre os membros da comunidade escolar. Barbalho e Rodrigues (2018) encerram a pesquisa destacando que, apesar das políticas afirmativas existentes que valorizam a cultura e a história das comunidades negras e indígenas no Brasil, isso não garante que essas políticas sejam efetivamente implementadas no ambiente escolar. Eles concluem enfatizando que pensar na escola como um espaço que abriga indivíduos diversos em termos étnicos e raciais implica refletir sobre o papel do educador como agente de mudança nos métodos de ensino e aprendizagem. O processo de reconhecimento da diversidade como parte essencial da sociedade requer principalmente a conscientização dos profissionais da educação, com os professores desempenhando um papel crucial na luta contra o preconceito e a discriminação étnico-racial no Brasil. 22 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Leia mais sobre a Lei n.º 11.645/2008 que está disponível aqui. Lidar com a diversidade no ambiente escolar é desafiador, mas definitivamente não é impossível. Como futuro profissional da educação, é fundamental buscar capacitação e compreender a diversidade que está presente no Brasil, bem como aprender como integrá-la de forma eficaz no contexto escolar. É importante lembrar que essa temática não está apenas presente nas leis mencionadas, mas também em várias outras políticas públicas. As discussões sobre diversidade são cruciais para criar ambientes educacionais mais inclusivos e equitativos. É um compromisso fundamental para construir uma sociedade mais justa e igualitária. 23EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Neste capítulo, você aprendeu que a escola deve ser mais do que um local de aprendizado acadêmico; ela deve ser um ambiente que promove a convivência, o respeito mútuo e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, como ouvir e aprender a conviver com a diversidade. A inclusão escolar não se limita apenas à presença física dos alunos, mas também envolve a promoção de um ambiente acolhedor e respeitoso. O professor desempenha um papel fundamental nesse processo, pois serve como modelo de comportamento e atitudes para os alunos. Sua postura, pensamentos e ações têm o potencial de influenciar profundamente as atitudes dos estudantes. A escola deve reconhecer a diversidade como parte integrante de seu contexto e seguir as políticas públicas que regulamentam a promoção da inclusão e da igualdade. É responsabilidade da comunidade escolar encontrar maneiras eficazes de abordar essas questões com os alunos, visando criar um ambiente de respeito, compreensão e valorização da diversidade. 24 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Parâmetros Curriculares Nacionais e a educação inclusiva Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) desempenham um papel na implementação e na avaliação da educação inclusiva. Além disso, será capaz de refletir sobre a importância da ética e dos temas transversais no contexto educacional. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá! Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) Os PCNs são um documento elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) com o objetivo de auxiliar e orientar as ações didático-pedagógicas dos professores da Educação Básica na atualidade. Esses documentos foram criados para: • cumprir o art. 210, capítulo III da Constituição Federal de 1998, que dispõe: “Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais” (Brasil, 1988, on-line); • melhoria na qualidade da educação; compromisso firmado pelo Brasil, em 1990 na Conferência Mundial de Educação para Todos; a universalização da educação de qualidade e com equidade; • articular as buscas constantes dos estados e dos Municípios em estabelecer reformas de suas propostas curriculares. 25EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Os PCNs têm o propósito de direcionar metas de qualidade para as primeiras séries do Ensino Fundamental. Esses documentos têm como objetivo auxiliar os alunos a se prepararem para enfrentar o mundo contemporâneo como cidadãos participativos, reflexivos e autônomos, capazes de compreender seus direitos e deveres na sociedade. Eles fornecem diretrizes e orientações para a prática pedagógica, visando melhorar a qualidade da educação e promover o desenvolvimento integral dos estudantes. Esses parâmetros foram elaborados com a intenção de servir como referencial para o trabalho dos professores, respeitando suas próprias concepções pedagógicas e levando em consideração a rica pluralidade cultural do Brasil. É importante destacar que os PCNs foram projetados de forma a serem abertos e flexíveis, permitindo adaptações à realidade de cada região do país. Isso reconhece a diversidade geográfica, cultural e social do Brasil e permite que os educadores ajustem os parâmetros de acordo com as necessidades específicas de suas comunidades e alunos. Todas as definições conceituais, bem como a estrutura organizacional dos Parâmetros Curriculares Nacionais, foram pautadas nos Objetivos Gerais do Ensino Fundamental, que estabelecem as capacidades relativas aos aspectos cognitivo, afetivo, físico, ético, estético, de atuação e de inserção social, de forma a expressar a formação básica necessária para o exercício da cidadania. Essas capacidades, que os alunos devem ter adquirido ao término da escolaridade obrigatória, devem receber uma abordagem integrada em todas as áreas constituintes do ensino fundamental. A seleção adequada dos 26 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 elementos da cultura — conteúdos — é que contribuirá parao desenvolvimento de tais capacidades arroladas como Objetivos Gerais do Ensino Fundamental. (Brasil, 1997, p. 67) Os PCNs do Ensino Fundamental estão divididos em dois grupos: um é referente às séries iniciais (1.ª à 5.ª) e um para as finais (6.ª à 9.ª). Cada um desses grupos possui um volume introdutório sobre às áreas específicas e sobre os temas transversais, que são temas amplos que refletem as preocupações da sociedade brasileira contemporânea, abrangendo questões como ética, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, orientação sexual, trabalho e consumo. A ideia central é que esses temas não sejam abordados isoladamente, mas sejam incorporados de maneira interdisciplinar e transversal às áreas de ensino já existentes e ao trabalho educativo da escola. Essa abordagem visa promover uma compreensão mais holística e integrada desses temas, permitindo que os alunos desenvolvam uma visão mais ampla e crítica da sociedade e do mundo ao seu redor. Para saber mais sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais 1.ª a 5.ª séries, acesse aqui. Você encontra aqui mais informações sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais 6.ª a 9.ª séries. Sobre a organização dos tempos escolares, na introdução dos PCNs, há uma proposta de organização e funcionamento da escola: Embora a organização da escola seja estruturada em anos letivos, é importante uma perspectiva pedagógica em que a vida escolar e o currículo possam ser assumidos e trabalhados em dimensões de tempo mais 27EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 flexíveis. Vale ressaltar que para o processo de ensino e aprendizagem se desenvolver com sucesso não basta flexibilizar o tempo: dispor de mais tempo sem uma intervenção efetiva para garantir melhores condições de aprendizagem pode apenas adiar o problema e perpetuar o sentimento negativo de autoestima do aluno, consagrando, da mesma forma, o fracasso da escola. A lógica da opção por ciclos consiste em evitar que o processo de aprendizagem tenha obstáculos inúteis, desnecessários e nocivos. Portanto, é preciso que a equipe pedagógica das escolas se co-responsabilize com o processo de ensino e aprendizagem de seus alunos. Para a concretização dos ciclos como modalidade organizativa, é necessário que se criem condições institucionais que permitam destinar espaço e tempo à realização de reuniões de professores, para discutir os diferentes aspectos do processo educacional. (Brasil, 1997, p. 40) 28 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Imagem 3.4 – Estrutura dos PCNs para o Ensino Fundamental Fonte: Brasil (1997). Não podemos deixar de mencionar os PCNs para o Ensino Médio. Esse documento está organizado em quatro partes. Na primeira, estão as Bases Legais e os textos acerca do papel da educação na sociedade tecnológica. A segunda e a terceira partes abrangem as áreas de Linguagens e Códigos, Ciência da Natureza, Matemática e Ciências Humanas. Para saber mais sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM), consulte aqui mais detalhes. 29EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 PCNs e a educação inclusiva A formação integral do estudante é necessária na contemporaneidade, mas não somente de um grupo específico da sociedade, mas de todos que fazem parte dela. Assim, de acordo com Freire (2016), a educação formal deve ser muito mais que garantir que o estudante desenvolva competências e habilidades e seja aprovado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou ingresse nas melhores universidades. A escola precisa ter sua formação acadêmica voltada para a cidadania, por isso, é importante a formação integral desses sujeitos, pois somente assim eles poderão fazer escolhas críticas, fundamentadas em valores. O papel da escola e dos docentes na formação dos estudantes vai além do ensino acadêmico. É essencial criar um ambiente que promova o aprendizado da convivência, do respeito pelo outro e de valores como igualdade de oportunidades, respeito às diferenças e ética. Inserir esses temas no currículo escolar amplia os horizontes da produção acadêmica dos alunos, torna o ambiente escolar mais significativo e prepara os estudantes para serem cidadãos conscientes e ativos na sociedade. A educação não se limita apenas ao desenvolvimento de habilidades acadêmicas, mas também à formação de indivíduos que contribuam positivamente para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva (Freire, 2016). É importante que as disciplinas científicas não se isolem em «torres de marfim», distantes da vida cotidiana dos estudantes. Os docentes têm a oportunidade e a responsabilidade de tornar o conhecimento mais relevante e integrado à vida real dos alunos. Ressignificar a produção do conhecimento em sala de aula envolve diversificar as abordagens e incorporar temas transversais nos planos de aula, na sequência didática e 30 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 no planejamento como um todo. Isso promove uma educação mais integrada e contextualizada, onde a ética, por exemplo, não se limita apenas às disciplinas de Sociologia ou Filosofia, mas é aplicada e discutida em diversas áreas do currículo, tornando-a uma parte essencial da formação dos estudantes (Freire, 2016). A ética, conforme refletida nos PCNs, enfatiza princípios de justiça, respeito ao próximo e equidade. A discussão sobre ética desempenha um papel essencial no ambiente escolar, pois busca orientar o comportamento de cada indivíduo para garantir que todos sejam respeitados em sua singularidade, mesmo dentro de um contexto coletivo. Nesse contexto, os PCNs estabelecem como eixos de trabalho os conteúdos relacionados ao respeito mútuo, à justiça, ao diálogo e à solidariedade, todos considerados valores que promovem o princípio da dignidade do ser humano (Freire, 2016). Portanto, a ética na educação não se limita apenas a conceitos abstratos, mas se traduz em ações e atitudes que contribuem para um ambiente escolar mais respeitoso e inclusivo. É necessário destacar que os PCNs também ressaltam a importância do trabalho cooperativo, reflexivo e da produção coletiva. A relação educativa é, essencialmente, uma relação política. Ela abrange todos os aspectos da experiência escolar, desde a estrutura da escola e sua conexão com a comunidade, até as relações entre os membros da equipe escolar, a distribuição de responsabilidades e o poder de decisão. Também inclui as interações entre professores e alunos, o reconhecimento dos alunos como cidadãos e a forma como a escola lida com o conhecimento. Freire (2016) destaca que, nos PCNs, a transversalidade visa promover uma educação voltada para a cidadania, adotando uma abordagem didática que abraça a complexidade 31EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 e as dinâmicas da vida social. O eixo central dos PCNs orienta uma reflexão ética, a análise das causas e efeitos dentro das dimensões históricas e políticas do país. Isso significa que os PCNs buscam proporcionar uma educação que não apenas transmita conhecimentos, mas também promova a compreensão das questões éticas, sociais e políticas que moldam a sociedade. Os temas transversais desempenham um papel fundamental na formação dos estudantes, uma vez que abrangem aspectos amplos da sociedade que dialogam com as atitudes pessoais e as posturas assumidas em situações cotidianas. É essencial que esses temas sejam integrados à prática diária dos docentes, não apenas como conteúdo, mas como uma reflexão prática sobre a vida em sociedade. Essa abordagem está diretamente relacionada à educação inclusiva, que busca promover uma educação que não apenas transmita conhecimentos, mas também prepare os alunos para enfrentar os desafios e as complexidades da convivência em uma sociedade diversa e inclusiva. É fundamental reconhecer que a escola é um ambiente no qual o pluricultural cultural está presente, e, por isso, deve ser vista como um espaço aberto para atender a todos. A escola desempenha um papel importante ao proporcionarum convívio social com a diferença, contribuindo para a formação de indivíduos mais tolerantes em relação à diversidade social, cultural e às necessidades educativas especiais. Os PCNs destacam outro eixo crucial para o trabalho educacional, que é a pluralidade cultural. Isso se baseia no fato de que a escola é um dos ambientes mais diversos que existem, composta por pessoas de diferentes origens, idades, condições sociais e históricas, todos convivendo diariamente. É fundamental enfatizar que a tolerância e o respeito pelo outro são condições 32 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 essenciais para promover a escola inclusiva que se almeja. Reconhecer e valorizar a diversidade cultural presente na escola é fundamental para construir um ambiente de aprendizado enriquecedor e harmonioso (Freire, 2016). Para atender às diversas necessidades e promover a conscientização dos estudantes em relação ao respeito pela diversidade, contamos com adaptações curriculares e os PCNs que buscam a construção de uma escola inclusiva. O currículo é visto como uma ferramenta fundamental para a educação, projetada para orientar diversos níveis de ensino e a prática docente. As adaptações curriculares são consideradas estratégias e critérios de atuação docente, permitindo uma abordagem mais flexível e adaptada às necessidades dos alunos, garantindo a inclusão de todos no ambiente escolar. Leia o texto “Saberes e prática da inclusão – estratégias para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais”, organizado por Aranha (2003). Disponível aqui. O documento explica que, ao considerar a diversidade nas escolas, é preciso dispor de medidas de flexibilização e de dinamização do currículo para atender os estudantes com necessidades educacionais especiais. A diversidade presente na comunidade acadêmica abrange uma ampla gama de características, e as necessidades educacionais podem ser identificadas em várias situações que representam dificuldades de aprendizagem, incluindo condições individuais, econômicas ou socioculturais dos estudantes. A legislação atual enfatiza a preferência pelo atendimento educacional especializado na rede regular de ensino para alunos com necessidades especiais. Isso reflete uma clara opção política no texto da lei, e a integração, seja como política ou como princípio 33EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 orientador, não deve ser penalizada devido aos problemas identificados em sua implementação nas últimas décadas. O sucesso da interação na escola depende, entre outros fatores, da eficiência no atendimento à diversidade da população estudantil, garantindo que todos os alunos tenham oportunidades iguais de aprendizado e desenvolvimento. Imagem 3.5 – Percentual de matrículas por cor/raça segundo Etapas do Ensino – Brasil – 2019 Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (2019). Imagem 3.6 – Etapas dos Ensinos Fundamental e Médio segundo o Sexo – Brasil – 2019 Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (2019). 34 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Nos PCNS, a saúde é considerada um elemento essencial para a cidadania, visto que é uma condição fundamental para o bem-estar humano. Na escola, assim como em outros contextos, a saúde desempenha um papel central, pois questões como doenças infecciosas entre professores e alunos, o uso de substâncias nocivas à saúde, e conflitos que podem resultar em ferimentos, precisam ser abordadas com atenção. Além disso, a saúde emocional também deve ser considerada, já que o estresse e a pressão podem afetar tanto os alunos quanto os professores e diretores (Freire, 2016). A formação do cidadão autônomo e crítico inclui a responsabilidade individual e coletiva na promoção da saúde no ambiente escolar, conforme destacado por Freire (2016). Nesse contexto, a escola e os professores desempenham um papel significativo, contribuindo para a concretização da saúde por meio da promoção de atividades físicas, incentivo a uma alimentação equilibrada e fomento à convivência saudável entre as pessoas. A organização e promoção de momentos de discussão da prática docente são fundamentais na escola. Esses momentos envolvem o corpo docente, a equipe pedagógica, psicólogos, diretores e outros profissionais, visando aprimorar a qualidade do ensino. É responsabilidade de cada instituição escolar estabelecer e incentivar tais práticas, pois a falta de reflexão sobre a prática docente pode comprometer a relação entre professores, alunos e o conteúdo a ser ensinado. Para aprofunda a discussão, com a leitura do artigo “Pluralidade cultural nos parâmetros curriculares nacionais: uma diversidade de vozes”, de Vargens e Freitas (2019). Clique aqui. 35EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 É essencial que a escola durante esses momentos de discussão da prática docente, comunique de forma transparente sua proposta pedagógica. Dessa forma, tanto os professores quanto os demais profissionais da escola devem ter um entendimento claro sobre o tipo de educação que a instituição deseja proporcionar, os princípios que orientam suas atividades e os objetivos a serem alcançados. Esse conhecimento permite que os professores reflitam sobre suas próprias práticas educativas em alinhamento com a proposta da escola. Neste capítulo, você aprendeu que os PCNs são um documento elaborado pelo MEC, que tem como objetivo orientar as atividades didático- pedagógicas dos docentes da Educação Básica. Esse documento traz temas importantes a serem discutidos, como ética, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, temas transversais etc. Além disso, o documento apresenta uma proposta de organização e funcionamento da instituição de ensino. Aprendemos a relação entre os PCNs e a educação inclusiva, ligada ao fato de a escola inserir temas como igualdade de oportunidades, respeito às diferenças, ética etc. Além disso, vimos que a diversidade presente na escola contempla as características da sociedade brasileira. Compreendemos que a escola precisa organizar e promover momentos em que a comunidade escolar se reúna para discutir a prática docente. Essas reuniões permitem que os educadores avaliem a sua prática, troquem experiências, conheçam a proposta pedagógica da escola e elaborem atividades educativas que abordem temas como a diversidade cultural, racial, religiosa etc. 36 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Equipe multidisciplinar para a educação inclusiva Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender a importância de uma equipe multidisciplinar na promoção da educação inclusiva, identificando os papéis e responsabilidades de diferentes profissionais envolvidos para garantir o pleno desenvolvimento e a aprendizagem de todos os alunos, independentemente de suas diferenças e necessidades. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá! Equipe multidisciplinar: educação especial A equipe multidisciplinar desempenha um papel crucial na promoção uma política de educação inclusiva. Portanto, é fundamental estabelecer parcerias e manter transparência na troca de informações entre essa equipe e os professores. Essa colaboração é essencial para o desenvolvimento de uma proposta educacional inclusiva no sistema de ensino. Tanto as perspectivas dos docentes quanto as da equipe multidisciplinar são valiosas para avaliar o progresso das crianças com necessidades educacionais especiais. Veja a imagem a seguir que apresenta o total de matrículas da educação especial nos sistemas de ensino, no período de 2008 a 2019, tanto nas classes especializadas quanto nas classes comuns. 37EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Imagem 3.7 – Total de matrículas nos sistemas de ensino, de 2008 a 2019, Educação Especial – classes especializadas e classes comuns Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (2019). A equipe multidisciplinar surgiu na escola com o objetivo de oficializar as Leisn.º 9.394/1996, n.º 10.639/2003 e n.º 11.645/2008, abordando os temas específicos referentes às relações étnico-raciais, história e cultura afro-brasileira, africana e indígena, que fazem parte da formação da cultura brasileira. A equipe multidisciplinar pode ser formada pelos seguintes profissionais: professor, psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista e demais profissionais da escola que estão envolvidos no processo de aprendizagem do estudante. Essa equipe é responsável por estabelecer ações de desenvolvimento educacional, ações sociais e comportamentais. 38 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Uma equipe multidisciplinar pode ser definida como um grupo de indivíduos que oferecem contribuições distintas, adotando uma metodologia compartilhada em busca de um objetivo comum. Cada membro da equipe desempenha claramente suas funções específicas e, ao mesmo tempo, compartilha interesses coletivos. Todos os integrantes da equipe compartilham responsabilidades e resultados em direção a esse objetivo comum. Infelizmente, no Brasil, os membros de equipes multidisciplinares atuam de forma individual, cada um na sua área. Logo, as intervenções acontecem de forma isolada, o que prejudica todo o processo, pois não existe articulação e troca de informações entre os profissionais. O que tem sido observado nas escolas é que, ao tentar integrar diferentes profissionais em um ambiente educacional, reconhecendo que a escola e os professores não podem solucionar por si sós os desafios cotidianos, os resultados frequentemente não atendem às expectativas desejadas, ficando aquém do desejado (Oliveira, 2015). Ao discutir sobre a multidisciplinaridade, é necessário abordar também a interdisciplinaridade que se refere ao plano prático operacional, no qual são determinadas as estratégias de efetivação de um diálogo solidário no trabalho científico, tanto na prática da pesquisa, como no ensino e na prestação de serviços (Severino, 1989 apud Oliveira, 2015). A interdisciplinaridade é fundamentada na colaboração, permitindo o diálogo entre diversas áreas, o que resulta em interações essenciais para o trabalho em equipe eficaz. É fundamental que os profissionais tenham a habilidade de operar dentro de uma perspectiva holística, sem suprimir seu 39EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 conhecimento individual em favor do conhecimento coletivo. Na prática, a interdisciplinaridade gera estratégias enriquecedoras para a prática profissional, gerando uma competência que raramente seria alcançada por um indivíduo atuando isoladamente (Oliveira, 2015). Diante desta perspectiva, os membros de uma equipe precisam ter consciência de que não estão trabalhando sozinhos. Nessa convivência entre eles, cada um tem sua função, assim como o compartilhamento das decisões poderá resultar em um trabalho mais efetivo no desenvolvimento da criança com necessidades educacionais especiais (Oliveira, 2015). Essa equipe deve levantar elementos que demonstrem as necessidades educativas especiais que o estudante precisa. Depois, realizar reuniões para definir e implementar formas de intervenção que possibilitarão desenvolver habilidades cognitivas, comportamentais, socioemocionais etc. As diferentes visões de cada profissional da equipe multidisciplinar são importantes para poder enxergar o estudante em sua amplitude, definindo mais precisamente o processo educacional e clínico do estudante (Oliveira, 2015). As equipes multidisciplinares podem desempenhar um papel crucial na geração de novas perspectivas para o trabalho educacional, tanto no contexto do ensino regular quanto nas escolas de educação especial. O trabalho em equipe proporciona oportunidades significativas para a criação de conhecimento por meio da troca de ideias, permitindo a conexão entre teoria e prática. Esse processo representa um avanço no conhecimento, sendo essencial para o desenvolvimento de propostas de intervenção dos profissionais na política educacional (Oliveira, 2015). 40 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Entretanto, a construção de novos espaços de socialização profissional articulados com novos modelos de intervenção é um desafio para as equipes multidisciplinares da escola. Não é apenas uma questão técnica. É preciso recordar que a multidisciplinaridade se manifesta na carência de uma “ação integrada dos vários profissionais da educação especial na construção de melhor qualidade diante das situações complexas que encontramos no sistema educativo atual” (Oliveira, 2015, p. 36). É imperativo reconsiderar a figura anacrônica do “especialista em educação”. Se enxergarmos o campo educativo como um espaço aberto, podemos colher benefícios significativos em termos de criatividade e potencial, ao adotar múltiplas abordagens transversais com profissionais de diversas áreas contribuindo para a reflexão e construção da educação. Nesse contexto, é evidente que o educador não pode mais ser considerado como um especialista em generalidades. Talvez seja necessário reconhecer a importância de todos nós, de diversas áreas, engajarmo-nos na reflexão sobre as questões da educação (Oliveira, 2015). Nesse sentido, pode-se afirmar que uma escola inclusiva, que busca promover uma educação de qualidade para todos, necessita de uma equipe multidisciplinar que contribua para a construção e o compartilhamento de conhecimentos. As escolas precisam ter disponibilidade e infraestrutura que possibilitem promover esses ambientes de aprendizagem entre a equipe multidisciplinar e a comunidade escolar, para que juntos busquem formas de reconhecer e valorizar a individualidade de cada estudante. 41EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 A equipe multidisciplinar é indispensável para promover o desenvolvimento do estudante com necessidade educacional especial. Clique aqui, para saber mais sobre as funções dessa equipe. Você descobre as vantagens dessa equipe para o processo de inclusão desses estudantes na escola, clicando aqui. A equipe multidisciplinar é responsável por acolher e promover o desenvolvimento do estudante com necessidade educacional especial no ambiente escolar, pois ela tem um papel essencial no processo de inclusão desse estudante na escola. É importante lembrar que essa equipe também deve buscar atender às necessidades educacionais especiais de todos os estudantes no ensino regular. Além disso, a equipe multidisciplinar pode contribuir na avaliação das práticas de ensino. Acreditar que uma equipe multidisciplinar pode ser um recurso valioso para a comunidade escolar na promoção eficaz da Educação Inclusiva é fundamental para a instituição. A capacidade de lidar com crianças com necessidades educacionais especiais torna a rotina educacional mais enriquecedora e tem impactos positivos significativos na promoção da educação inclusiva (Oliveira, 2015). O processo de inclusão é desafiador e possui inúmeras dificuldades a serem vencidas, por isso, uma equipe multidisciplinar é tão importante. Clique aqui e leia o artigo “Educação inclusiva: concepções de professores e diretores”, de Sant’ana (2005), para aprender mais sobre a temática. Outra função da equipe multidisciplinar é a elaboração de um plano de ação para os estudantes com necessidades educacionais especiais. Esse plano deve ser elaborado junto 42 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 com o professor do estudante. O plano deve organizar um planejamento de aplicação dos conhecimentos e habilidades que deverão ser aprendidos pelo estudante. A equipe multidisciplinar e o professor deverão acompanhar a evolução do estudante e reportar as mudanças e metas conquistadas para os gestores da escola e para a família do estudante. É importante ressaltar que a implementação de um programa com uma equipe multidisciplinar está condicionada a diversos fatores, incluindo a adaptação do programa às necessidades da escola e dos participantes, a qualidade dos materiais utilizados, a cooperaçãodos gestores e líderes da escola, a motivação dos pais de alunos com necessidades educacionais especiais para aprender, a capacidade de aprendizagem dos professores, a aplicação prática do conhecimento adquirido e o tempo necessário para a assimilação dos conteúdos. Além disso, é essencial elaborar materiais de treinamento significativos que possam ser eficazmente aplicados, inovando e diversificando as abordagens, e que sejam transferíveis para o contexto educacional da educação inclusiva (Oliveira, 2015). Não podemos deixar de mencionar que a equipe multidisciplinar é um fator-chave no processo da educação inclusiva, pois ela pode influenciar pessoas, conquistar seguidores e, ainda, aumentar a rede de relacionamentos que é tão necessária nos dias de hoje (Oliveira, 2015). É fundamental destacar que os profissionais que integram uma equipe multidisciplinar devem realizar abordagens significativas sobre as questões relacionadas às especificidades das diferentes deficiências, bem como suas possíveis repercussões (Oliveira, 2015). Para cada tipo de deficiência, é necessário identificar as ações que devem ser adotadas para facilitar a inclusão eficaz do 43EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 aluno no ambiente escolar. Para isso, é essencial reconhecer que uma variedade de profissionais, tanto na área da Educação quanto em outros campos, bem como a família, podem desempenhar um papel importante nesse processo de inclusão. O acompanhamento psicológico clínico é indispensável no processo de inclusão na escola. O artigo “O papel de uma abordagem multidisciplinar na educação inclusiva: relato de caso”, de Arcanjo, Mourão Júnior e Mármora (2018), oferece uma importante contribuição sobre esse tema. Clique aqui para realizar a leitura. Segundo a Política Nacional de Educação Especial (PNEE), a equipe multidisciplinar deve participar no processo de decisão da família ou do educando quanto à alternativa educacional mais adequada: São princípios da Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida: VI - participação de equipe multidisciplinar no processo de decisão da família ou do educando quanto à alternativa educacional mais adequada. (Brasil, 2020, on-line) Diante desse contexto, a PNEE ressalta artigos da Constituição Federal do Brasil de 1988, que estabelece o direito à educação como um direito de todos e um dever compartilhado entre o Estado e a família, sendo promovido e incentivado com a colaboração da sociedade, e que estabelece os direitos fundamentais das crianças e adolescentes – destacando a responsabilidade da família, da sociedade e do Estado em garantir a proteção e a promoção dos direitos desses grupos, 44 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 incluindo direitos à vida, saúde, educação, cultura, entre outros, com absoluta prioridade. Diante dessa perspectiva, a PNNE afirma que o cumprimento dos deveres legais da família em relação à educação dos seus filhos deve ir além da matrícula e frequência escolar: O envolvimento, a participação e o acompanhamento da família configuram-se como essenciais no processo de promoção da aprendizagem dos educandos, e cabe ao sistema de ensino e à própria família garantir essa parceria colaborativa, resguardando sempre a liberdade de escolha para o educando e sua família quanto a mais adequada alternativa educacional. (BRASIL, 2020, on-line) De acordo com a PNEE, os estudantes matriculados em classes especializadas serão avaliados por uma equipe multidisciplinar e pela equipe escolar com a participação da família. Esse processo de avaliação é necessário para o acompanhamento dos avanços dos estudantes e para a avaliação das suas condições de aprendizagem, bem como visa à inserção ou reinserção em classes regulares inclusivas. A Política Nacional de Educação Especial desempenha um papel fundamental na compreensão e implementação das políticas de inclusão de estudantes com necessidades educacionais especiais. Essa política define diretrizes, estratégias e ações para garantir o acesso, a permanência e o sucesso educacional desses estudantes, promovendo a inclusão escolar e social. Acesse aqui o documento e fique por dentro! 45EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Equipe multidisciplinar: história e cultura afro-brasileira e indígena Além disso, a equipe multidisciplinar surgiu na escola com o objetivo de oficializar o art. 26-A da Lei n.º 9.394/1996: “Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena” (Brasil, 2020, on-line). Essas equipes são responsáveis por promover debates, estratégias e ações pedagógicas que coloquem em prática a implementação da Lei n.º 10.639/2003 e da Lei n.º 11.645/2008. É importante destacar que as equipes multidisciplinares da escola buscam a construção da educação de qualidade, a efetivação da política educacional e, ainda, um ambiente escolar que conhece, reconhece e, principalmente, respeita a diversidade da população brasileira. Para isso, essa equipe é responsável por realizar no espaço escolar palestras, cursos e outras atividades de formação continuada dos docentes. O objetivo da equipe multidisciplinar é combater o preconceito, a discriminação e o racismo, além de promover uma abordagem enriquecedora das temáticas nos conteúdos curriculares de cada disciplina. Esse novo enfoque implica no estudo, reflexão e ações que exploram diversas perspectivas, identificando os diferentes sujeitos, suas tradições, suas estruturas sociais e políticas, bem como os processos de ressignificação das culturas diante das mudanças no mundo e na sociedade contemporânea. Isso visa criar um ambiente educacional mais inclusivo, aberto e respeitoso com a diversidade (Hoffmann, 2016). A primeira estratégia da equipe multidisciplinar, ao abordar o tema referente às relações étnico-raciais no ensino 46 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena na escola, é mobilizar o coletivo, isto é, toda escola. É a partir dessa mobilização que deverá ser traçado um plano de ação, constituído por projetos vinculados à realidade da escola. Esse projeto deverá ter: identificação do estabelecimento de ensino, os integrantes da equipe multidisciplinar, os objetivos a serem alcançados, a justificativa das ações a serem realizadas, o cronograma, as avaliações das ações e as referências (Hoffmann, 2016). A equipe multidisciplinar desempenha um papel crucial na promoção de uma escola inclusiva e na abordagem das questões étnico-raciais. Por meio de ações pedagógicas, diálogo aberto e debates envolvendo alunos, professores e funcionários, promove-se uma melhor comunicação e entendimento das relações étnicas e raciais. Deve-se identificar e observar atentamente a existência de ações racistas, discriminatórias e preconceituosas no espaço escolar, permitindo uma intervenção mais efetiva. O plano de trabalho docente é reelaborado para a inclusão de conteúdos relacionados a essas questões em todas as disciplinas, adotando-se uma abordagem interdisciplinar (Hoffmann, 2016). Além disso, formação continuada e aperfeiçoamento profissional aos educadores devem ser oferecidos por meio de oficinas, fortalecendo a capacidade de lidar de forma sensível e adequada com essas temáticas. Deve-se observar atentamente as ações e reações dos alunos, possibilitando um monitoramento eficaz e a adoção de medidas preventivas e corretivas quando necessário. No conjunto, é necessário criar um ambiente escolar acolhedor, no qual é valorizada a diversidade e combate-se ativamente o racismo, a discriminação e o preconceito (Hoffmann, 2016). 47EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 É essencial combater constantemente o racismo dentro das escolas, uma vez que, ao direcionarmos essa luta para a educação, estabelecemos o alicerce fundamentalpara a erradicação do racismo, e isso, por sua vez, gera impactos positivos que se estendem para além dos limites da instituição escolar. Nesse sentido, Hoffmann (2016) destaca como os resultados dos planos de ações das equipes multidisciplinares trabalhando os temas propostos pelas Leis n.º 10.6369/2003 e n.º 11.645/2008 contribuem para a ampliação do diálogo no espaço escolar. Essas ações que promovem a reflexão coletiva por meio de discussões em seminários, debates entre diferentes disciplinas, parcerias com a comunidade escolar e ONGs têm como objetivo enriquecer o conhecimento dos jovens adolescentes sobre a história e a cultura dos povos africanos e indígenas. Além disso, elas buscam fomentar o respeito por essas culturas e povos. Essas iniciativas desempenham um papel fundamental na promoção da consciência cultural e na luta contra o preconceito e a discriminação. 48 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Neste capítulo, você compreendeu que o papel da equipe multidisciplinar é fundamental na escola, pois esta equipe ajudará a estabelecer ações de desenvolvimento educacional, ações sociais e comportamentais, tanto para a inclusão de pessoas com deficiência como também para a valorização da diversidade cultural do nosso país, abordando temas específicos referentes às relações étnico-raciais, história e cultura afro- brasileira, africana e indígena, que fazem parte da formação da cultura brasileira. Vimos que a equipe multidisciplinar pode ser composta por diversos profissionais tanto da educação como da saúde ou outras profissões que estejam envolvidas no processo de aprendizagem da escola. Entretanto, em nosso país, os membros dessa equipe ainda costumam atuar de forma individual, ou seja, não há troca de informações entre esses profissionais. A equipe multidisciplinar é responsável por elaborar um plano de ação juntamente com o professor para o estudante com necessidades educacionais especiais. Este plano deverá permitir à equipe e ao professor acompanhar a evolução do estudante, notificando as mudanças e metas conquistadas pelo estudante para a gestão da escola e para a família do aluno. 49EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Família e escola no processo de inclusão Ao término deste capítulo, você será capaz de compreender que, no processo de inclusão, a importância da relação família e escola é indispensável. A colaboração estreita e positiva entre essas duas partes desempenha um papel crucial na promoção do sucesso dos alunos com necessidades educacionais especiais. E, então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá! Conceituando família Você saberia como definir uma família? As relações familiares evoluíram ao longo do tempo, e isso resultou em configurações de família que não se encaixam mais no perfil tradicional, que era composto por pai, mãe e filhos. Atualmente, as famílias têm uma variedade de estruturas, que podem variar consideravelmente de uma para outra. Além disso, essas diferenças incluem aspectos como a estrutura da família, a localização geográfica, a região, a classe econômica e muitos outros fatores. Essa diversidade nas configurações familiares ressalta a importância de uma abordagem flexível e inclusiva na educação e em outras áreas da sociedade, reconhecendo e respeitando a individualidade de cada família (Alias, 2016). Nessa perspectiva, Alias (2016) explica que a família pode ser caracterizada como um conjunto de pessoas que convivem e cuidam mutuamente dos membros desse grupo. 50 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Quadro 2.2 – Tipos de família • Família nuclear com filhos biológicos. • Família extensa, com várias gerações. • Família adotiva. • Casal heterossexual sem filhos. • Família monoparental. • Família de casal homossexual (com ou sem filhos). • Família reconstituída depois de divórcio. • Pessoas que vivem juntas, sem laços legais, independentemente de parentesco, mas com cuidados mútuos entre os membros. • Família simultânea, que acontece quando uma pessoa mantém mais de uma família. Fonte: Adaptado de Szymanski (2002 apud Alias, 2016, p. 12). Dessa forma, Alias (2016) ressalta que a formação da família pode ser caracterizada por uma série de variáveis, como a dependência ou independência econômica, vínculos legais, entre outros. Portanto, essa ampla diversidade de fatores contribui para a distinção nas formas de constituição familiar e, como resultado, pode ser a realidade vivida pelos estudantes. Essa compreensão é fundamental para as políticas educacionais e práticas pedagógicas, a fim de atender às necessidades específicas de cada aluno, levando em consideração as particularidades de suas famílias. 51EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Imagem 3.8 – Famílias plurais Fonte: Freepik Alias (2016) constata que a família desempenha um papel fundamental no desenvolvimento humano e na formação da criança como um sujeito, influenciando aspectos como o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e afetivo. Além disso, a família é uma instância que interage com outras esferas, como a escola e as relações estabelecidas nesse ambiente. Portanto, é crucial que haja um diálogo constante e uma parceria efetiva entre a família e a escola, a fim de promover o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes e enriquecer o processo de aprendizagem desses estudantes. A colaboração entre família e escola é um elemento-chave para o sucesso educacional e o bem-estar das crianças e jovens. 52 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Parceria da família com a escola A família e a escola precisam trabalhar em parceria para o bem-estar e sucesso acadêmico do estudante, pois, conforme atestam Silva e Klumpp (2020, p. 4616), “é fundamental que haja uma interação positiva entre família e escola, de modo que a cooperação entre ambas possibilite condições que favoreçam o desenvolvimento da criança”. Nesse sentido, Mantoan (2006 apud Silva; Klumpp, 2020) pontua que os pais podem ser poderosos aliados na transformação da educação no Brasil. Eles desempenham um papel fundamental ao incentivar e defender a reformulação da escola, buscando o melhor para seus filhos, independentemente de terem ou não necessidades especiais. Eles não se satisfazem mais com projetos e programas que apenas repetem as práticas antigas e mascaram o que sempre existiu. Os pais são uma força motriz importante na busca por uma educação mais inclusiva, equitativa e de alta qualidade, e seu envolvimento ativo é essencial para promover mudanças significativas no sistema educacional. Inúmeras discussões têm sido realizadas sobre a relação escola-família. Conforme explica Alias (2016), atualmente, se faz necessário estabelecer um diálogo entre a escola e a família, já que elas precisam trabalhar juntas para que aprendizagem aconteça de forma efetiva para os estudantes com ou sem deficiência. Diante desse contexto, é realmente essencial estabelecer um trabalho de colaboração e cooperação eficaz entre a escola e a família com o objetivo principal de promover o desenvolvimento dos estudantes. Embora as instituições escolares e as famílias possam ter diferentes objetivos e papéis, é fundamental que ambas atuem de maneira complementar. Isso se deve ao fato de que ambas desempenham um papel significativo na vida e no 53EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 desenvolvimento das crianças. A parceria entre a escola e a família é crucial para garantir um ambiente de aprendizagem eficaz e uma educação que atenda às necessidades individuais de cada estudante, promovendo, assim, seu crescimento e desenvolvimento de forma integral. De acordo com Alias (2016), apesar de a escola ser uma instituição e a família outra, elas não estão isoladas, pois há influência de uma sobre a outra. As relações existentes na escola acabam refletindo na família e vice-versa. É importante destacar que a família tem grande influência sobre os resultados obtidos na escolae também na ação comportamental dos estudantes. Por isso, ela está relacionada com o sucesso e desenvolvimento escolar do estudante, pois esse é o primeiro grupo do qual o estudante faz parte. De acordo com Alias (2016), a escola pode ser o local em que as crianças têm acesso a um ambiente diferente do familiar, que muitas vezes apresenta problemas. A escola permite que esses estudantes tenham relações interpessoais humanas estáveis e amorosas, pois a ação educativa da escola é diferente da família, tanto no que se refere aos conteúdos, quanto aos processos utilizados e nas relações e laços entre as pessoas. O insucesso ou indisciplina escolar de um aluno não pode ser determinado pela sua estrutura familiar. A participação ativa das famílias é crucial para o sucesso dos estudantes na escola. É importante que a escola adote estratégias para envolver as famílias e estabelecer uma parceria eficaz. Isso requer compreensão mútua, respeito e conscientização sobre a importância da escola, prazos e outras questões burocráticas. A colaboração entre a escola e a família é essencial para o desenvolvimento educacional e social dos estudantes. A relação escola e família é muito importante para o desenvolvimento dos estudantes. Entretanto, não podemos deixar de mencionar que para essa relação funcionar, é 54 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 necessário que tanto a família quanto a escola entrem em um consenso sobre a filosofia e o currículo, os objetivos e as práticas escolares e, ainda, quanto à satisfação ou insatisfação dos pais quanto ao rendimento escolar dos filhos (Alias, 2016). Quadro 3.3 – Benefícios da parceria entre a escola e os obstáculos a serem enfrentados Benefícios da parceria entre a escola e a família Os obstáculos a serem enfrentados • Facilita o trabalho dos profissionais da escola. • Divisão de responsabilidade das mães com outros membros da família. • Melhora o comportamento do estudante. • A família tem conhecimento sobre os seus direitos, responsabilidades e recursos. • A família tem mais esclarecimento sobre as necessidades especiais do seu filho, podendo assim, ajudá-lo a aprender ou ensinar habilidades e, ainda, manter as que já foram aprendidas. • A escola conhece mais sobre família, as características positivas e as necessidades tanto da família como da criança. • Os profissionais da educação têm uma melhor compreensão das necessidades, interesses e possibilidades da criança. • Os profissionais podem buscar modos de atuação coerentes e, ainda, propor novas formas de atividade, criar vínculos afetivos etc. • Os profissionais da educação consideram o atendimento à família como um trabalho extra, que pode ser dispensado para reduzir a sobrecarga de trabalho. • Os profissionais da educação, embora sejam a favor do trabalho com a família, ainda não têm clareza sobre como e quando esta atividade deve ser realizada. • Os pais apresentam queixas, em relação aos profissionais da educação, como falta de tempo e dificuldade de compreender a linguagem técnica utilizada por estes profissionais que atendem o seu filho. • Os pais se sentem inferiores em relação aos profissionais da educação. • Os pais não têm conhecimento sobre as necessidades especiais que o filho apresenta e suas consequências e têm dúvidas sobre de que modo eles e os profissionais podem ajudar a criança. • Os profissionais da escola se queixam da apatia e indiferença dos pais, da falta de tempo deles e do não reconhecimento do trabalho realizado por eles em benefício de seus filhos. Fonte: Adaptado de Silva (2012, p. 159-161). 55EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 A relação entre a família de estudantes com necessidades educacionais especiais e a escola Vale lembrar que a PNEE também aborda a necessidade de participação da família na vida escolar dos estudantes e que esta participação deve ser muito mais do que matricular e zelar pela frequência do estudante. De acordo PNEE, é fundamental o envolvimento e o acompanhamento da família no processo de aprendizagem dos seus filhos com deficiência. Logo, é função da escola e da família garantir essa parceria colaborativa, “resguardando sempre a liberdade de escolha para o educando e sua família quanto à mais adequada alternativa educacional” (Brasil, 2020, on-line). A PNEE ressalta que a escola deve enfatizar a participação do estudante e de sua família na decisão sobre serviços educacionais especiais, visando à inclusão igualitária na sociedade. Além de criar planos de desenvolvimento individual e escolar, envolvendo a escola, a família e profissionais de atendimento especializado, para a personalização e eficácia das ações educacionais. A Constituição Federal, de 1988, no art. 205, também trata da participação e a colaboração integrada entre a família e a escola. Entretanto, é importante compreender o papel e a responsabilidade de cada uma dessas instituições para a promoção efetiva da aprendizagem do estudante. A responsabilidade da família na educação não começa e nem termina com a matrícula, mas abrange todo o percurso educacional do estudante. Portanto, a família deve ser envolvida em todos os aspectos do processo educativo, desde o nascimento da criança até que ela tenha autonomia. Isso inclui participação em avaliações, planejamento, desenvolvimento curricular e análise de resultados, promovendo o protagonismo 56 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 do estudante e da família. Também é fundamental incentivar a família a contribuir para melhorias na escola e no sistema de ensino quando necessário. A participação da família na vida escolar do filho com necessidades educacionais especiais poderá influenciar no sucesso do processo de aprendizagem dele, já que esta instância pode contribuir de forma direta ou indireta neste processo. Além disso, quanto mais envolvida no processo a família estiver, mais conhecimento ela terá das especificidades e peculiaridades desse estudante. Por isso, os gestores da escola e outros profissionais da educação precisam orientar e respeitar o papel da família. Conforme a PNEE, deve-se promover ativamente a participação e o reconhecimento da família no processo de escolarização e no acompanhamento das ações do Serviço de Apoio à Educação Especial (SAEE), além de motivar a família a desempenhar um papel ativo na promoção de mudanças que visem ao desenvolvimento e à melhoria contínua do trabalho realizado tanto na escola quanto no atendimento educacional especializado Se você já leu a Política Nacional de Educação Especial, releia mais uma vez, observando a relação existente entre a família e a escola. Entretanto, caso você ainda não tenha lido, faça uma leitura minuciosa deste documento, pois ele apresenta informações importantes para você, futuro profissional da educação. O documento está disponível aqui. Apesar de saber da necessidade de colaboração entre a escola e a família, na prática, essa relação não existe. De acordo com Alias (2016), os profissionais que atuam na escola precisam incentivar a família na tomada de deliberações, pois elas precisam decidir sobre os serviços que serão oferecidos 57EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 ao seu filho, bem como para a própria família. Diante dessa situação, o comportamento que se espera dos familiares dos educandos com necessidades educacionais especiais em uma parceria colaborativa inclui aspectos como comunicação eficaz, responsabilidade compartilhada na educação, expectativas realistas, aceitação da deficiência, respeito aos profissionais, confiança no trabalho deles, crença no potencial da criança, questionamento construtivo, garantia de frequência escolar e envolvimento ativo nas atividades escolares. Ambas as partes devem amadurecer para entender seus papéis nessa parceria, promovendo o sucesso educacional da criança por meio de uma colaboração eficaz, baseada na comunicação e no respeito mútuo. Leiaaqui o artigo “Educação Especial e a relação família-escola: análise da produção científica de teses e dissertações”, de Maturana e Cia (2015). Este artigo faz uma análise científica de teses e dissertações que abordam a relação entre a família e a escola, sendo o público-alvo as crianças com necessidades educacionais especiais. A colaboração entre a escola e a família é essencial para o sucesso no processo de ensino e aprendizagem de alunos com necessidades educacionais especiais. Uma comunicação clara e objetiva entre essas duas instituições desempenha um papel fundamental para que essa parceria seja bem-sucedida. 58 EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 Neste capítulo, exploramos a dinâmica entre a família e a escola no contexto da inclusão. Observamos a diversidade de estruturas familiares, que incluem casais homossexuais, famílias adotivas, famílias reconstituídas após o divórcio e outros arranjos, embora a família tradicional ainda prevaleça. Reconhecemos que, embora as estruturas familiares possam variar, a importância das famílias na vida acadêmica dos estudantes permanece constante. Portanto, é crucial estabelecer um diálogo eficaz entre a escola e a família, a fim de apoiar o processo de aprendizagem dos estudantes. Entretanto, compreendemos que essa parceria não é isenta de desafios, mas também destacamos os benefícios significativos quando a colaboração acontece de maneira eficaz. Concluímos discutindo a importância fundamental de uma relação de parceria entre a escola e as famílias que têm crianças com necessidades educacionais especiais, um conceito que é respaldado pela PNEE. O sucesso dessa colaboração depende de uma comunicação transparente e objetiva entre a escola e a família. 59EDUCAÇÃO INCLUSIVA U ni da de 3 ALIAS, G. Diversidade, currículo escolar e projetos pedagógicos: a nova dinâmica na escola atual. São Paulo: Cengage Learning, 2016. ALIAS, G. Desenvolvimento da aprendizagem na educação especial. 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RE FE RÊ N CI A S Educação inclusiva: a diversidade na aprendizagem Diversidade Educação inclusiva: a diversidade na aprendizagem Políticas educacionais e a diversidade Parâmetros Curriculares Nacionais e a educação inclusiva Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) PCNs e a educação inclusiva Equipe multidisciplinar para a educação inclusiva Equipe multidisciplinar: educação especial Equipe multidisciplinar: história e cultura afro-brasileira e indígena Família e escola no processo de inclusão Conceituando família Parceria da família com a escola A relação entre a família de estudantes com necessidades educacionais especiais e a escola