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Prévia do material em texto

Gonçalves, Ivan Veras.
Prática curricular na dimensão escolar [e-Book]. / Ivan 
Veras Gonçalves. – São Luís: UEMA; UEMAnet, 2018.
46 p.
ISBN:
1. Práticas pedagógicas. 2. Professor. 3. Sala de aula. 
4. Multimeios. 5. Educação musical. I. Título.
CDU: 37.016
Os matérias produzidos para os cursos ofertados pelo UEMAnet/UEMA para o Sistema Universidade Aberta do Brasil - 
UAB são licenciadas nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhada, podendo 
a obra ser remixada, adaptada e servir para criação de obras derivadas, desde que com fins não comerciais, que seja 
atribuído crédito ao autor e que as obras derivadas sejam licenciadas sob a mesma licença.
Reitor 
Gustavo Pereira da Costa
Vice-Reitor
Walter Canales Sant´ana
Pró-Reitora de Graduação
Andrea de Araújo
Núcleo de Tecnologias para Educação
Ilka Márcia Ribeiro S. Serra - Coordenadora Geral
Sistema Universidade Aberta do Brasil
Ilka Márcia R. S. Serra - Coord. Geral
Lourdes Maria P. Mota - Coord. Adjunta | Coord. de Curso
Coordenação do Designer Educacional
Cristiane Peixoto - Coord. Administrativa
Maria das Graças Neri Ferreira - Coord. Pedagógica
Professor Conteudista
Ivan Veras Gonçalves
Revisão de Linguagem
Lucirene Ferreira Lopes
Designer de Linguagem
Clécia Assunção Silva
Designer Pedagógico
Paulo Henrique Oliveira Cunha
Projeto Gráfico e Diagramação
Tonho Lemos Martins
Capa
Rômulo Coelho
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO
APRESENTAÇÃO
Caro (a) estudante, 
Na disciplina Práticas Curriculares na Dimensão Escolar, 
abordaremos em 4 (quatro) Unidades todos os desafios que a 
prática pedagógica vem enfrentando e os desafios que ainda 
estão por vir.
Neste e-Book vamos analisar, a realidade didático-pedagógica das 
nossas escolas e como o professor deve encarar essa realidade, 
refletindo de que maneira a estrutura escolar e nossas práticas 
se inter-relacionam, passando pela história de nossas políticas 
educacionais. Vamos abordar as práticas desenvolvidas em sala 
de aula e como poderemos superar a fragilidade do processo de 
aprendizagem, além de separar entre o que é proposto (discursos) 
e a realidade das escolas.
Vamos discutir quais Multimeios podemos utilizar no ambiente 
escolar, bem como, os principais recursos da informática 
(softwares) que temos à nossa disposição. Vamos procurar 
entender a importância da gestão na prática docente e como, 
o planejamento e o Projeto Político-Pedagógico se tornaram 
ferramentas fundamentais na resolução de conflitos e nas 
situações difíceis. Abordaremos a nova Base Nacional Comum 
Curricular, a mais nova proposta de avanço para nossa educação.
Bons Estudos!!
Prática Curricular na Dimensão Escolar
UNIDADE 1
UNIDADE 3
UNIDADE 4
UNIDADE 2
1.1 Breve introdução ................................................................................
1.2 Histórico das Políticas Educacionais no Brasil ...................................
1.3 A importância dos planos educacionais para a evolução da educação 
brasileira .............................................................................................
 Referências ........................................................................................
3.1 A Informática no ambiente escolar .....................................................
3.2 A tecnologia e o ensino da Música .....................................................
 Referências ........................................................................................
4.1 Planejamento em música: as escolhas docentes ..............................
4.2 Propostas contemporâneas em educação musical ............................
 Referências ........................................................................................
2.1 Superação das fragilidades das aprendizagens .................................
2.2 A separação entre os discursos e o que acontece nas escolas .............
 Referências ........................................................................................
5
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41
45
REALIDADE DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DAS 
ESCOLAS BRASILEIRAS
METODOLOGIA E MULTIMEIOS PRESENTES 
NA PRÁTICA ESCOLAR
A GESTÃO DO TRABALHO DOCENTE EM 
EDUCAÇÃO MUSICAL
SUMÁRIO
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS 
PELO PROFESSOR EM SALA DE AULA
5Prática Curricular na Dimensão Escolar
OBJETIVOS
REALIDADE DIDÁTICO-PEDAGÓGICA 
DAS ESCOLAS BRASILEIRAS
UNIDADE
1
Entender a relação que todas as políticas educacionais tiveram entre si 
desde o Brasil Imperial até os dias de hoje;
Compreender a evolução dessas políticas e a relação intrínseca com a 
política, os interesses privados, grupos ideológicos e os anseios sociais;
Reconhecer a importância que a atual LDBEN tem para seguirmos num processo 
evolutivo e modernizador adequado a uma educação para o século XXI. 
1.1 Breve Introdução
Nesta Unidade, vamos efetuar uma reflexão sobre as práticas didático- 
pedagógicas presentes em nosso sistema escolar e refletir de que maneira 
a estrutura das escolas e suas práticas se inter-relacionam, e como isso 
impacta na consecução de uma educação de qualidade. Iremos de forma não 
aprofundada, já que não é nossa intenção neste trabalho, abordar a política 
educacional brasileira, pois é ela quem estrutura e define todo o processo, ao 
estabelecer tipos de ensino, direitos e deveres do Estado em relação à Educação 
no Brasil. Foi nos anos 1980 que a nossa educação começou a ser repensada 
e a sofrer fortes mudanças conceituais.
Nesse período, a expressão “Educação Básica” começa a ser 
amplamente citada no Brasil, tanto nos círculos acadêmicos 
como pelos órgãos reguladores do sistema educacional. No 
governo Sarney (1985 – 1990), já no seu primeiro ano de 
governo, o MEC elaborou um documento intitulado: “Educação 
para Todos – Caminho para a Mudança” (MEC/ 1985), esse 
documento iria servir de orientação para a política educacional 
nos primeiros anos da “ Sexta República”1.
_______________
1 É o período subsequente ao Regime Militar até os dias de hoje. Foi, também, conhecido popularmente como Nova República.
Figura 1 - Capa da 1ª 
versão do documento
Fonte: http://www2.senado.
leg.br/bdsf/item/id/200466
6Prática Curricular na Dimensão Escolar
A partir da promulgação da Constituição de 1988 (A Constituição Cidadã), 
desapareceram do conjunto de diplomas legais, que normatizavam o sistema 
educacional brasileiro, termos um tanto quanto genéricos como 1º e 2º grau e 
as etapas de estudo se tornaram mais claras e evidentes: creche, pré-escola, 
Ensino fundamental e Ensino Médio. Já na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (LDBEN nº 9.394/96), o art. 21 já determinava que a educação básica 
seria formada pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
1.2 Histórico das Políticas Educacionais no Brasil
Ao longo da história do Brasil a questão educacional sempre se apresentou 
para os governantes como um Nó Górdio2, com muitas idas e vindas sempre 
buscando qual a melhor planificação para gerir a nossa educação e obter os 
resultados esperados. Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que todas as 
políticas educacionais, onde quer que sejam elaboradas, junta-se aos planos 
para a consecução da sociedade que se deseja instaurar, ou que se encontra 
em curso em um certo momento histórico em uma dada circunstância política. 
(AZEVEDO, 2001).
No Brasil, em face de muitos gestores educacionais, em governos diferentes, 
proporem políticas fortemente influenciadas por sua visão pessoal ou de 
grupos diretamente interessados no setor, nunca se conseguiu ter uma política 
educacional elaborada de forma clara, coerente, e que fosse de longo prazo. 
Por esses motivos, contata-se que todas as reformas educacionais elaboradas e 
implantadas no Brasil, não produziram o efeito esperado, tendo pouca ou quase 
nenhuma influência nas práticas pedagógicas, essas políticas revelaram pouca 
aplicabilidade prática.
Mesmo quando alguma dessas propostas se mostravam interessantes e 
com a possibilidadede surtir efeitos a médio e longo prazo, as mudanças de 
governo e ideologia em geral demonstraram nenhuma ou quase nenhuma 
intenção de preservação dessas propostas em vigor, muitas vezes essa 
descontinuidade das políticas educacionais está relacionada à defesa de 
interesses de conglomerados educacionais privados, grupos partidários 
e/ou ideológicos, todos buscando defender sua visão da Educação na 
_______________
1 O Nó Górdio é uma referência lendária envolvendo o rei da Frígia (Anatólia) e Alexandre III, o Grande (Rei da Macedônia). É uma alegoria 
ordinariamente utilizada como metáfora de um problema que não se pode solucionar e que se resolve por um comportamento sagaz. Veja mais em: 
<https://metaforas.com.br/2014-02-01/no-gordio.htm.
7Prática Curricular na Dimensão Escolar
sociedade. Dentro da esfera legislativa atuam muitos grupos (religiosos, 
empresários do setor, e grupos ligados a sindicatos), que procuram cada 
um, a seu modo, implementar mudanças que favoreçam o seu grupo e/ou 
os seus interesses.
Com tantos grupos atuando assim temos sempre ações num sentido e outras 
em sentido contrário, que de certa forma acabam dificultando na proposição de 
uma política educacional mais coerente e efetiva que represente os interesses 
manifestos na sociedade. Não resta dúvidas, que ações bem elaboradas e, 
consequentemente, bem implementadas, se configuram em uma obrigação 
estatal no que se refere ao âmbito das políticas sociais.
O descaso com a educação no Brasil remonta ao período colonial, onde 
índios e negros eram vistos como inferiores, aos quais não estava destinado 
nenhum tratamento especial, eram meros “animais de carga” e mesmo os 
brancos sem uma condição financeira ou familiar de destaque, eram tratados 
sem nenhum privilégio pela coroa portuguesa, cabendo às elites uma boa 
educação e o acesso aos bens culturais, adquiridos nos colégios dos 
Jesuítas ou na Europa. Mesmo com a independência em 1822, o panorama 
educacional no Brasil Imperial não sofreu melhorias, persistia altos índices 
de analfabetismo, principalmente nas províncias distantes da corte que 
não tinham suas reivindicações, no que se refere à educação, atendidas. 
Esse descalabro em relação à Educação, essa estagnação, irá permanecer 
imutável até a primeira metade do século XIX.
De 1834 a 1934, houve uma evolução lenta da nossa educação, o aquecimento 
industrial fez com que umas enormes massas de pessoas nas cidades 
buscassem se escolarizar, mas o acesso à educação pública ainda era escasso 
o que restringia o acesso de um grande número de pessoas à escola. No meio 
rural não houve mudanças, com o índice de analfabetismo continuando em um 
patamar elevadíssimo (devido à falta de um levantamento confiável na época, se 
torna difícil precisarmos os percentuais de analfabetos no campo), num percurso 
histórico que perdura até os dias atuais, com uma pequena melhora registrada 
nos últimos 25 anos.
A displicência do governo imperial com a Educação fica claro e evidente quando 
em 1824, influenciado pelas ideias liberais em voga na Europa na época, o 
imperador D. Pedro I outorga a Constituição Política do Império do Brasil (nossa 
primeira constituição) e o referido texto não traz em seu conteúdo nenhuma 
diretiva para a Educação.
8Prática Curricular na Dimensão Escolar
O período da chamada Primeira República (entre 1911 a 1930), foi um período 
conturbado da história brasileira:
[...] nasceu sob o signo da ordem, da repressão 
e do conservadorismo; é também conhecida 
como República Velha, República dos Coronéis 
ou República do Café com Leite, cujo poder 
estava nas mãos dos ‘coronéis’ de São Paulo e 
Minas Gerais (política Café com Leite). (GIRON, 
2014, p.3).
Aconteceram muitas revoltas na sociedade, fruto de ideias liberais e na 
busca de ampliação de direitos em vários níveis. Nesse período surgiram os 
princípios federativos que já haviam sido previstos na constituição de 1891. 
Esses princípios atribuíram à União a responsabilidade com o Ensino Superior 
e a Educação Secundária e aos Estados a incumbência de gerir a Educação 
Elementar e Profissional.
Esses princípios buscavam reiterar o processo 
de descentralização do ensino e o caráter elitista 
da educação (a educação secundária era restrita 
às elites e tinha caráter propedêutico) enquanto 
a educação elementar era dirigida às classes 
menos favorecidas economicamente. (GIRON, 
2014, p.4).
Mesmo com a constituição determinando que a educação era direito de 
todos, não eram criados mecanismos eficazes que garantissem esse acesso 
e gradativamente a iniciativa privada foi ocupando os espaços deixados pelo 
governo e assumindo a responsabilidade de suprir essa demanda do setor 
educacional. Na década de 1920, vemos um incremento do processo de 
industrialização que formou uma nova burguesia urbana, que passa a exigir do 
governo uma educação acadêmica e de elite. Da mesma forma houve, também, 
um exponencial aumento da população das cidades com pessoas oriundas 
do meio rural em busca de melhorias de vida e, principalmente, de uma boa 
educação à qual não tinham acesso no campo.
Esse “inchaço” das cidades forçosamente começou a deslocar as populações 
mais pobres para a periferia das grandes cidades, acelerando enormemente o 
processo de gentrificação das mesmas. Essa periferia, em sua grande maioria, 
habitada pela classe operária, passa a exigir que lhe seja assegurado o mínimo 
de escolarização. A partir dessas exigências e da constatação do problema, 
vários movimentos liderados por políticos e educadores, dentre eles o Movimento 
da Escola Nova, passaram a discutir a questão e buscar soluções para nossa 
problemática educacional.
9Prática Curricular na Dimensão Escolar
Com a forte influência das ideias da Escola Nova 
surge a esperança de democratização e de 
transformação da sociedade através da escola, 
fatos esses que forçaram a municipalização do 
ensino primário, apesar deste ter forte influência 
positivista (ênfase no saber científico); surgem 
educadores e intelectuais da educação que 
debatem planos e reformas para a recuperação 
da educação brasileira. (GIRON, 2014, p. 5).
Com a Revolução de 1930, 
chefiada por Getúlio Vargas, 
a República Velha vai aos 
poucos saindo de cena. Já 
em 1930, ele cria o Ministério 
da Educação e Saúde, 
que trataria de assuntos 
específicos aos dois temas 
e em 1931 é implantada a 
Reforma Francisco Campos, 
que viria organizar de forma 
efetiva o ensino secundário 
e superior no país. 
Em 1934, ocorre o primeiro ato de real impacto para a educação brasileira, com 
a promulgação da Constituição de 1934 (terceira constituição do país e segunda 
da república), fica determinado que, a partir de então, a educação era um direito 
de todos os brasileiros, devendo ser disponibilizada pelo governo e pela família 
(CF,1934, Cap. II, Tít. V, art. 149).
Nesse período, marcado por uma onda desenvolvimentista, que em virtude da 
crise mundial (crash da bolsa de Nova York em 1929) e a crise do Café no mesmo 
ano no Brasil, fez com que o governo provisório da Revolução de 1930 mudasse 
o modelo de exportação agrícola pela industrialização. Com esse emergente 
capitalismo industrial, tornou-se condição sine qua non para que tivéssemos uma 
educação que o modelo industrial exigia, com instruções e habilidades fornecidas 
ao trabalhador para que tivéssemos uma indústria competitiva, muito diversa dos 
conhecimentos exigidos para o desenvolvimento da atividade agrária.
Nesse ponto o governo, como já havia sido pensado no final do século XIX, 
queria que toda essa modernização dos meios de produção tivesse uma classe 
intelectual bem formada, uma elite dominante. Para tanto, o novo ministério criado 
teve como primeiro ministro Francisco Campos, ligado a setores conservadores 
Fonte: https://br.pinterest.com/pin/122300946112005855
Figura 2 - Inauguração do Min. da Educação por Getúlio Vargas
10Prática Curricular na Dimensão Escolar
da Igreja Católica, que era considerado um reformador e queimplementou 
reformas no ensino superior, pois afirmava que era melhor um modelo de ensino 
universitário ao das escolas superiores (modelo vigente na época), e determinou 
que uma universidade para ser fundada necessitava de: Faculdades de Direito, 
Medicina e Engenharia.
Ficou evidente que quando da criação do Ministério da Educação e Saúde 
uma das ideias do governo era que o mesmo se encarregasse da formação da 
elite cultural almejada pelo governo e pelos conservadores, para que isso se 
efetivasse deveria propor leis e uma ampla reforma do ensino no país. Essas 
propostas do novo ministério ampliaram sobremaneira a segregação social no 
universo educacional ao criar um modelo de escola que formava para níveis 
escolares mais altos (universidades) e outra destinada para as camadas mais 
pobres da população, que preparava para o mercado de trabalho.
A criação do Ministério da Educação e Saúde foi 
o momento em que o Estado consolidou uma das 
ações mais objetivas e pontuais para a educação 
brasileira, pois se adaptaram diretrizes educativas 
ao campo político e econômico, criando com isso 
um ensino mais adequado à modernização que 
se almejava para o país. (GIRON, 2014, p. 6).
Embora houvesse essa questão segregatícia no universo escolar, a educação 
alcançou altos níveis de desenvolvimento, com a criação de inúmeras escolas 
técnicas e o número de alunos no ensino primário e secundário duplicou. Foi o 
momento em que, em face desse avanço, surgiram ideias inovadoras para o setor 
educacional. No período de 1941 a 1945, o ministro Gustavo Capanema (o mais 
longevo ministro da Educação da história do país – 1934 a 1945) realizou uma série 
de reformas que receberam o nome de Leis Orgânicas do Ensino (popularmente 
chamada de Reforma Capanema), dentre elas estava a que criou o Serviço Nacional 
de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem 
Comercial (SENAC). Era um sistema de ensino paralelo ao oferecido pelo governo 
e visava suprir a demanda do comércio e do sistema industrial brasileiro.
A partir de 1946, movimentos de cultura e educação popular estavam empenhados 
em rediscutir o modelo educacional brasileiro e em propor uma ampla reforma 
do modelo de educação no Brasil. Dos anos 1940 até o começo dos anos 1960, 
segundo nos aponta Saviani (2013, p.316) “[...] a política populista incitava à 
mobilização das massas, de cujo apoio os dirigentes políticos dependiam para 
obter êxito no processo eleitoral”, com isso muitas iniciativas se voltavam para o 
aumento do eleitorado, já que só podia votar o cidadão que fosse alfabetizado. 
Com isso a educação popular nesse período era voltada para os adultos, tendo 
sido realizadas muitas campanhas nesse sentido.
Em face da constatação de que mais de 50% da população brasileira era 
analfabeta ou seu grau de instrução não ultrapassava o segundo ano primário, 
surgiu, em 1958, a Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo – 
CNEA, que se dirigia à educação popular e rural. No período após o Estado Novo 
(1937-1946), nossa política educacional estava polarizada entre dois grupos que 
defendiam de um lado a educação pública e do outro os que defendiam o ensino 
privado. Esse período foi marcado por três fatos decisivos: a tramitação da 
LDBEN3 entre 1948-1961; a campanha em defesa da escola pública na década 
de 1960; e os movimentos de alfabetização e cultura popular no Nordeste no 
começo dos anos 1960. 
Esses movimentos de educação popular atribuíram uma nova acepção a essa 
prática educativa, ligando essa educação a uma efetiva participação política 
do povo, graças a um aumento no seu poder de reflexão que conduziria a uma 
transformação de si mesmo e da sociedade em que viviam, seria no caso “uma 
educação do povo, pelo povo e para o povo” (SAVIANI, 2013, p.317), dando a 
ideia de uma educação de qualidade para todos e não apenas para as elites. 
Vários foram os movimentos surgidos no período e cujo o ponto de partida é a 
situação do oprimido.
Cabe citar o Movimento de Cultura 
Popular (MCP), que estava vinculado à 
Prefeitura do Recife, na gestão de Miguel 
Arraes (1960-1962), que “pretendia 
encontrar uma fórmula brasileira para 
a prática educativa às artes e à cultura 
do povo e suas atividades estavam 
voltadas, fundamentalmente, para a 
conscientização das massas através da 
alfabetização e da educação de base”.
(PAIVA, 1973, p.236). A experiência 
do MCP foi fundamental na elaboração do método Paulo Freire. A maioria 
dos movimentos voltados para educação de adultos, surgidos no Nordeste, 
tiveram intensa participação do Governo, da Igreja Católica e de grupos de 
esquerda (GÓES, 1980). 
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Fonte: http://www.jornaldocampus.usp.br/wp-con 
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11Prática Curricular na Dimensão Educacional
_______________
3 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
12Prática Curricular na Dimensão Escolar
1.3 A importância dos planos educacionais para a evolução da 
educação brasileira
No começo dos anos 1960, após exaustivos 13 (treze) anos de idas e vindas 
e longas discussões, foi sancionada em 20 de dezembro de 1961, a Lei nº 
4.024 que viria a ser a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDBEN). Para que se chegasse à consecução dessa Lei tivemos dois grupos 
tentando impor suas ideias e sua filosofia sobre a educação brasileira. De um 
lado estavam os estatistas, ligados à esquerda que partiam do princípio de 
que o Estado vem antes do indivíduo e, portanto, deveria fornecer uma boa 
educação que preparasse esse indivíduo para a vida social. Para esse grupo 
cabia única e exclusivamente ao Estado a função de gerir a educação em 
todos os níveis, o ensino seria público e gratuito, escolas particulares poderiam 
existir só mediante uma concessão do Estado. O outro, chamado de Liberais ou 
liberalistas, era ligado aos políticos de centro e de direita e, também, a setores 
conservadores da Igreja Católica. Acreditavam que os direitos do indivíduo eram 
direitos naturais e não cabia ao poder público afirmá-los ou negá-los, apenas 
respeitá-los. Se baseavam na ideia de que se a educação era um dever da 
família, cabia unicamente a ela escolher onde a mesma seria ofertada, fosse 
na rede pública ou numa variedade de escolas particulares. Restava, pela ótica 
dos liberalistas, ao Estado apenas traçar as diretrizes do sistema e garantir 
que pessoas da camada mais pobre da população tivessem acesso ao sistema 
privado de ensino mediante o oferecimento de bolsas de estudo. No texto final 
da LDBEN, podemos notar que as ideias dos liberalistas acabaram por se impor 
na maior parte do que o Congresso Nacional aprovou.
Em 1964, com a instauração do governo militar, começaram a acontecer 
inúmeras reformas em nosso sistema educacional. O golpe militar, patrocinado e 
apoiado pelo governo norte-americano, concede aos Estados Unidos da América 
acesso a todos os setores do governo. No campo educacional, o acordo entre o 
Ministério da Educação e Cultura (MEC) e a Agência dos Estados Unidos para o 
Desenvolvimento Internacional (USAID)4 proporcionou que técnicos americanos 
promovessem mudanças em nosso sistema educacional, foram mudanças 
que mutilaram o currículo escolar e universitário brasileiro, com a retirada de 
disciplinas e o acréscimo de outras tudo promovido para minorar reações e as 
críticas ao modelo ditatorial que estava sendo implantado, como já havia sido 
_______________
4 USAID- United States Agency for International Development.
13Prática Curricular na Dimensão Escolar
feito nos EUA em relação aos movimentos de contracultura do final dos anos 
1960, que contestavam a postura beligerante do governo norte-americano. Essa 
intervenção teve como resultado a Lei nº5.540/68, que promoveu uma reforma 
universitária e a Lei nº 5.692/71, que promoveu a reforma da Educação Básica 
da época.
A Lei nº 5.692/71 foi na verdade a nossa “segunda LDBEN”, embora quando você 
faz pesquisas sobreo assunto ela quase não é citada. A lei foi sancionada em 11 
de agosto de 1971 pelo então presidente da república General Emílio Garrastazu 
Médici. O fato de não ser citada como uma Lei de diretrizes e bases refere-se 
à mesma ter focado no ensino de 1º e 2º graus e deu outras providências. Mas 
a Lei com as deliberações que trouxe pode-se dizer preparou o terreno para a 
universalização que viria ocorrer na década de 1990. Essa Lei corrigiu algumas 
distorções e anseios que a Lei nº 4.024/61 não contemplou, dentre essas 
distorções as mais importantes foram: a expansão do ensino básico obrigatório 
para 8 anos (a lei anterior fixava em 4 anos), que já era um desejo dos Pioneiros 
da Educação Nova expressos no Manifesto de 1932. No começo dos anos 1970, 
o Brasil era o único país da América Latina cuja a Educação Básica obrigatória 
era de apenas 4 anos e, por isso, o Brasil era muito cobrado por organismos 
internacionais; fim do exame de admissão que os alunos precisavam se submeter 
entre o fim do primário para ingressar no ginasial; uniu-se primário e ginasial no 
que se passou a se chamar 1º Grau.
Mas algumas deliberações da Lei nº5.692/71 foram alvos de severas críticas 
por parte dos educadores e especialistas em educação. No parágrafo 3º, do 
art. 4º, do capítulo I, ficou determinado que a disciplina Língua Portuguesa 
passaria a se chamar Comunicação e Expressão, que de certa forma dava 
um ar experimental à disciplina, pois visava ser um instrumento de expressão 
da cultura brasileira. A lei, também, visava transformar todo o ensino de 2º 
grau em ensino profissionalizante, algo que nunca foi plenamente realizado 
por uma série de motivos que iam desde a reação de donos de escolas que 
teriam um custo a mais com a implantação de laboratórios e oficinas até os 
empregadores que não viam um retorno para suas empresas terem um grande 
contingente de estagiários. O último presidente do governo militar. O General 
João Batista Figueiredo reconheceu essa medida como um erro e acabou essa 
obrigatoriedade no 2º grau.
Segundo Giron (2014), a anistia aos exilados políticos da época da ditadura 
militar, deu força extra para as preocupações que existiam no país com 
o sentido social e político da educação. A partir de 1982, ano em que foi 
14Prática Curricular na Dimensão Escolar
possível votar para eleger os governadores novamente, os estados adquirem 
uma certa independência para a tomada de decisões e puderam pôr em 
prática políticas educacionais próprias e passaram a influir nas decisões 
futuras da política do país na busca de que as novas propostas tivessem um 
fim homogêneo para todos os entes federativos e que se ajustassem a um 
sistema de modernização educativa que formaria pessoas ajustadas a um 
novo mercado de trabalho global.
A partir de 1980, observamos uma mudança na face do Capitalismo que 
é a “mundialização do capital”, ou seja, nada mais é do que o fenômeno da 
globalização. As políticas educacionais acabaram seguindo essa tendência da 
mundialização do capital, visto que a educação passou a ser vista como a “área 
fundamental a ser desenvolvida nas ações para a redução da pobreza nas regiões 
subdesenvolvidas”. (MELO,2004, p.4). Cria-se uma agenda, levada a cabo pelo 
Banco Mundial e o FMI, com a chancela da UNESCO, para a elaboração e 
execução de projetos e políticas educacionais voltadas para a América Latina 
e Caribe, ela foi baseada no programa Educação para Todos e foi aos poucos 
sendo implantado simultaneamente em todos os países da região.
Nos anos 1990, realizou-se na Tailândia a Conferência Mundial de Educação 
para Todos onde os países participantes assinaram um compromisso de garantia 
de uma educação básica de qualidade para todos os matriculados no sistema 
de ensino ( crianças, jovens e adultos), a Educação Básica passa então a ser 
vista como a solução dos problemas de aprendizagem e como uma ferramenta 
capaz de reduzir os índices de pobreza dos países em desenvolvimento e formar 
trabalhadores capazes de aumentar a produtividade dos trabalhadores. Um 
documento elaborado pela CEPAL5 chamava a atenção para o fato de que havia:
[...] a necessidade de implantação das mudanças 
educacionais demandadas pela reestruturação 
produtiva em curso. Recomendava que os 
países da região investissem em reformas dos 
sistemas educativos para adequá-los a ofertar 
os conhecimentos e habilidades específicas 
requeridas pelo sistema produtivo. (SHIROMA et 
al., 2004, p.63).
Essas políticas, ditadas pelos organismos internacionais, começaram a ser postas 
em prática no governo de Itamar Franco com a elaboração do Plano Decenal de 
educação para Todos e se concretizaram no governo Fernando Henrique Cardoso 
(1995-2003), “como elemento do projeto neoliberal de sociedade, num processo 
_______________
5 CEPAL- Comissão Econômica para a América Latina e Caribe.
15Prática Curricular na Dimensão Escolar
histórico de mundialização do capital”. (MELO, 2004, p.163). Sob a inspiração 
social – democrata, projetou-se uma educação cujo o objetivo, imprescindível, 
era promover nos educandos a aquisição de competências e talentos, cuja a 
intenção era a promoção de uma uniformização dos saberes para a integração 
no mercado global de trabalho.
O capítulo III, seção I, art. 205 da Constituição Federal de 1988 (A Constituição 
Cidadã) diz que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho”. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
nº9.394/96 (que se encontra em vigor), foi sancionada em 20 de Dezembro 
de 1996 pelo então presidente da república Fernando Henrique Cardoso, em 
consonância com os ditames da Constituição Federal de 1988, para tornar claro 
e normatizar o sistema educacional do Brasil, definindo os princípios gerais, as 
metas a serem alcançadas, os valores monetários autorizados e consignados 
no orçamento para atender a uma determinada programação, a formação e 
diretrizes para os profissionais etc.
Assim como aconteceu com a proposta da Lei nº4.024/61, a versão aprovada 
em 1996 também passou por exaustivos debates, antes de sua aprovação, entre 
duas propostas. De um lado tínhamos a proposta conhecida como “Projeto Jorge 
Hage”6 , que se originou de uma série de debates com a sociedade, que foram 
organizadas pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola pública, apresentada na 
Câmara dos Deputados. A segunda proposta foi apresentada pelos senadores 
Darcy Ribeiro, Marco Maciel e Maurício Correa com a colaboração de técnicos do 
MEC. Essa segunda proposta foi a que agradou ao governo federal que acabou 
por fazer acréscimos ao seu texto (MONTEIRO, GONZÁLEZ & GARCIA, 2011).
Naquele momento do Brasil, com apenas 11 (onze) anos de redemocratização, 
e com emergência da modernização do país, ficava evidente a necessidade 
de novas diretrizes para o nosso sistema educacional e, nesse cenário de 
carência da nossa educação, uma lei que viesse trazer novas propostas para 
dar fundamento à estrutura educacional. Os 92 (noventa e dois) artigos, da Lei 
nº 9.394/96, definiram todos os passos da educação do país em todas as suas 
fases e modalidades. A Lei nº 9.394/96 definiu que a nossa educação passa a 
ter dois níveis: Educação Básica e Superior. A educação básica foi definida em 
Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
_______________
6 Jorge Hage Sobrinho foi o relator da proposta e apresentou o primeiro substitutivo da nova LDBEN.
16Prática Curricular na Dimensão Escolar
Mas as inovações trazidas pela nova lei podem ser observadas no seu capítulo 3º, 
que determina que: “o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios” 
(Lei nº9.394/96), que foram expostos nos diversos incisos deste capítulo:
I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura,o 
pensamento, a arte e o saber;
IV - Respeito à liberdade e apreço à tolerância;
VII - Valorização do profissional da educação escolar;
VIII - Gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação 
dos sistemas de ensino;
IX - Garantir padrão de qualidade;
X - Valorização da experiência extraescolar;
XI - Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais;
XII - Consideração com a diversidade étnico-racial (incluído pela Lei nº12.796/2013)
 (Capítulo 3º, Lei nº 9.394/96)
No art. 4º, a nova Lei determinou que cabia ao Estado fornecer educação básica 
obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, bem como 
oferecer acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação 
artística, segundo a capacidade de cada um (Lei nº9.394/96). Como já havia 
acontecido em leis anteriores a nova reforma determinou matrículas a partir dos 
6 (seis) anos de idade (Lei nº 11.114/2005) e ampliou o ensino fundamental para 
9 (nove) anos de duração (Lei nº 11.274/2006).
Passadas mais de duas décadas da Lei nº9.394/96, muitos avanços são visíveis, mas 
muita coisa ainda precisa ser concretizada, como já observamos o nosso sistema 
de ensino precisava de uma lei que trouxesse novas diretrizes, que estivessem em 
conformidade com o século XXI que já se avizinhava quando a mesma foi sancionada. 
Esta trouxe políticas públicas para o sistema educacional que até então inexistiam, 
como quando trata da educação básica, entendida como um ponto transformador da 
sociedade e assegurada a partir de então como um direito.
A educação básica é um conceito mais do que 
inovador para um país que, por séculos negou, 
de modo elitista e seletivo aos seus cidadãos, o 
direito ao conhecimento pela ação sistemática da 
organização escolar. Resulta daí que a educação 
infantil é a raiz da educação básica, o ensino 
fundamental é o seu tronco e o ensino médio é 
seu acabamento. (CURY, 2008, p.294-295).
17Prática Curricular na Dimensão Escolar
A LDBEN é mais uma contribuição no vasto campo de políticas públicas voltadas 
para a educação, é basicamente a busca de uma educação democrática, que 
não pode e não deve ser capturada por nenhuma ideologia, seja de direita ou 
de esquerda, no seu escopo ela visa normatizar e ser um ponto de partida para 
reflexões e alterações (como já foi alterada algumas vezes) se necessário for 
sempre buscando corrigir imperfeições autorais e temporais. As discussões e 
reflexões sobre a Lei nº 9.394/96 são necessárias para podermos ter escolas aptas 
a promover verdadeiramente a inclusão, levar nossos educandos a fazer parte de 
algo realmente bom que é a escola, fazer parte de um sistema educacional de 
qualidade para todos os estudantes. Podemos dizer sobre essa Lei:
Não pretendemos aqui esgotar o debate, mas 
abrir caminho para novas problematizações 
e, mais ainda, um olhar cuidadoso frente ao 
cenário político que se articula neste momento, 
com imprecisões, incertezas e improvisações 
dos conservadorismos e autoritarismos, que 
tentam burlar a luta democrática em curso 
no país. Esta questão nos leva a indagar: o 
que e a quem queremos educar? Para que 
mundo, que sociedade? (SOUZA; ARAÚJO 
&SILVA,2017, p.159).
Resumo
Nesta Unidade, estudamos um pouco do histórico das políticas educacionais 
até os dias de hoje implementadas no país, todos os desdobramentos que 
conduziram a adoção das mesmas.
Estudamos como ao longo da história brasileira, a educação foi vista, pensada e 
tratada, da primeira constituição do Brasil Imperial até o Estado Novo, qual era 
a visão dos políticos e burocratas do setor.
Estudamos também, como a partir dos anos 1960 a nossa educação passou 
a ser pensada por técnicos e começou a evoluir até chegarmos a LDBEN 
nº9.394/96, que foi elaborada em conformidade com os princípios da CF de 1988 
(A Constituição Cidadã), que nos conduziu a termos uma escola democrática e 
plural.
18Prática Curricular na Dimensão Escolar
 
 Referências
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do projeto neoliberal na América Latina. Brasil e Venezuela. Maceió - AL: 
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em busca da democracia. Brasília: Revista Retratos da Escola, v.11, n.20, 
p.147-160, jan. /jun.2017 
19Prática Curricular na Dimensão Escolar
OBJETIVOS
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS 
PELO PROFESSOR EM SALA DE AULA
UNIDADE
2
Reconhecer as práticas do professor em sala de aula;
Entender como é possível superar as fragilidades do processo de aprendizagem; e
Identificar a disparidade entre os discursos e a realidade dentro das escolas.
Sempre que pensamos quais práticas pedagógicas iremos propor na escola, 
um sinal de alerta se acende e precisamos pensar como conquistar a 
atenção dos educandos e, principalmente, buscar um aumento de 
rendimento em sala de aula. Nesse momento, o professor se questiona quais as 
práticas o levarão a alcançar esses objetivos? A educação do século XXI nomeou 
o aluno como protagonista principal de todos os esforços que contribuam para 
a construção do conhecimento e o professor foi encarregado de atuar como 
intermediário entre as partes envolvidas no processo. E essa passou a ser o 
modo através do qual a prática educativa passou a ser orientada.
Mas devemos considerar que cada educando possui características distintas, 
o que os torna indivíduos impares, portanto fica claro que não deve existir uma 
única forma de lhes oferecer uma educação de qualidade. Para que se possa 
atingir um bom resultado em todas as fases do ensino é necessárias práticas 
pedagógicas adequadas à fase (educação infantil, ensino fundamental) e à faixa 
etária dos alunos.
Propostas como o uso de recursos digitais (que abordaremos melhor mais 
adiante), é algo que consegue levar o aluno a uma participação mais colaborativa, 
visto que todos os jovens nos dias atuais possuem familiaridade com um grande 
número de gadgets7 e de widgets8, quando o professor incentiva esse uso. Na 
escola, essa prática transcende a sala de aula e esse contato com a tecnologia 
leva a outra prática pedagógica interessante que é a de “empoderar” o aluno, 
levando-o a construir e conduzir o seu processo de ensino-aprendizagem.Esse 
processo de empoderamento só se efetivará a partir de um processo de interação 
entre professor e aluno:
_______________
7 Gadgets - é uma gíria tecnológica para designar dispositivos eletrônicos portáteis.
8 Widgets - é usado na Internet e no sistema computacional (navegadores ou desktop), sendo um pequeno software em forma de módulo, que 
realiza um serviço específico ou fornece atalhos.
20Prática Curricular na Dimensão Escolar
_______________
9 Bullying – forma de violência que, sendo verbal ou física, acontece de modo repetitivo e persistente.
Acreditamos que a possibilidade de uma 
educação mais progressista que aponte na 
direção da formação de sujeitos plenos e 
emancipados, será possível se adotarmos a 
noção de empoderamento em nosso cotidiano 
político-pedagógico [...] tomando a noção de 
empoderamento como elemento chave para as 
reflexões que ensejem a formação de sujeitos 
críticos e coletivamente autônomos nas decisões 
que lhes favoreçam uma visão de mundo 
efetivamente transformadora da realidade social. 
(SILVA; CHAGAS & PINHEIRO, 2016, p.2).
A partir desse processo colaborativo, automaticamente surge a socialização 
entre todos os participantes, que se constitui em importante prática pedagógica 
em sala de aula. Esse processo de socialização, provoca uma aproximação 
maior de todos, fazendo desaparecer práticas discriminatórias, bullying9 etc. A 
tecnologia será de vital importância na comunicação entre os alunos das mais 
variadas formas, seja através de fotos, vídeos, textos, aplicativos de comunicação 
instantânea e compartilhamento, redes sociais etc.
É necessário o uso de práticas pedagógicas interdisciplinares, que além de 
complementar os conteúdos por meio da sintonia e envolvimento de duas ou mais 
disciplinas, possa democratizar o currículo conduzindo o aluno a um processo 
de ensino-aprendizagem que obtenha ótimos resultados de compreensão e 
entendimento do que é ensinado sob vários ângulos e contextos. Propostas 
interdisciplinares levam o aluno a ter um posicionamento mais reflexivo e crítico 
dos temas abordados.
O professor deve ter em mente que boas propostas pedagógicas para serem 
desenvolvidas em sala de aula, devem inspirar nos alunos o desejo de participação 
no processo, de mutualidade uns com os outros e, acima de tudo, participar de 
um processo de mão dupla onde ao mesmo tempo em que eles aprendem, 
também ensinam. O fluxo de informações na sociedade atual é vertiginoso, e as 
práticas educativas precisam acompanhar esse ritmo.
Para que possamos estar sempre propondo novas formas de ensinar, é preciso 
que o professor esteja em um processo de formação contínuo, que ele seja 
sempre crítico e, acima de tudo, um questionador de sua própria prática. Não 
cabe na construção de uma prática pedagógica adequada à escola do século 
XXI, um professor que ainda esteja focado na memorização e reprodução de um 
determinado conteúdo.
21Prática Curricular na Dimensão Escolar
A memorização e a reprodução do conhecimento 
são os pilares da prática pedagógica cartesiana 
newtoniana que tem sido oferecida aos alunos 
ainda neste início de século. Os professores, 
em sua maioria, estão sentindo necessidade de 
alterar sua prática docente, pois compreendem 
que os novos desafios e exigências mostram 
que se faz necessário visualizar um novo perfil 
profissional a ser formado, isto é, preparado para 
um mundo mais complexo, menos previsível e 
mais exigente. (PRIGOL, 2013, p.2).
2.1 Superação das fragilidades das aprendizagens
Nos dias atuais os educadores devem buscar conduzir o seu fazer profissional 
em direção a uma prática que propicie ao aluno desenvolver sua criatividade, sua 
imaginação, sua capacidade de perceber as sensações e reagir aos mais diversos 
estímulos, de se emocionar diante de algo ou alguém, tudo isso em contraposição 
aos modelos “estandardizados” e que muitas vezes estão presentes no universo 
escolar à revelia daquilo que o professor deseja fazer. Esses modelos, que nos 
são muitas vezes impostos de cima para baixo, atrapalham a prática docente 
na busca de uma educação que prepara os alunos para viver em um mundo 
globalizado e essa é a grande demanda do século XXI.
Nesse universo, o professor é o ponto fulcral do processo, mas a efemeridade do 
currículo e a ausência de planos de apoio à sua formação acabam por transformar 
a sua interferência no referido processo em uma ação frágil, o que nos aponta que 
o modelo de escola atual não atende às necessidades dos alunos, dos professores 
e da sociedade. Diante da relação de dependência entre todos esses “atores”, fica 
evidente que essa sensação de vulnerabilidade relativa à formação e suas práticas 
pedagógicas nos diversos contextos e níveis da educação formal, necessita ser 
repensada ou caso contrário, a fraqueza de todo o sistema tende a se agravar.
Mas de onde partem essas fragilidades do sistema escolar? Quais são elas 
e como superá-las? É normal percebermos que nos anos iniciais do Ensino 
Fundamental a prática pedagógica, ou seja, as ações do professor em sala de 
aula apresentam muitos pontos fracos. Essa fragilidade muitas vezes tem sido 
descrita e atribuída ao fato desses docentes serem generalistas (polivalentes), 
como bem sabem essa categoria docente precisa, para exercer sua função, 
dominar o conteúdo e a metodologia das diferentes áreas do conhecimento 
22Prática Curricular na Dimensão Escolar
sob sua responsabilidade. Na nossa opinião, essa é uma tarefa hercúlea10, pois 
quando falamos em domínio de conteúdo e metodologia, isso traduz-se em: 
dominar o saber e saber fazer. “Para tanto, é preciso centrar o saber, o saber-
fazer e o ser em atividades que façam sentido ao indivíduo, independentemente 
de sua etnia e de seus valores sociais e culturais”. (FREIRE,1994, p. 37).
Mesmo quando temos professores especialistas, essas fragilidades nas 
atividades pedagógicas podem ocorrer e, em muitos casos, são detectadas 
tardiamente. Uma coisa comum em nosso sistema educacional, como um 
todo, diz respeito à “solidão” do professor dentro da escola, onde ele acaba por 
desenvolver suas atividades sem nenhuma ajuda ou orientação para sua prática 
pedagógica. Os currículos dos cursos de licenciatura no Brasil, sem exceção, 
falham em preparar o graduando para a realidade que ele irá encontrar depois de 
formado. Muitos deles quando se deparam com o conjunto de circunstâncias em 
que se dá o trabalho dentro do ambiente escolar, se percebem completamente 
despreparados para o enfrentamento da situação e, mais ainda, notam que não 
há com quem dialogar sobre suas práticas, acabam por se isolar e partem para 
a resolução dos problemas sozinhos. Essa atitude nem sempre é exitosa.
Mesmo que esteja previsto em lei, segundo a Portaria da Coordenadora de 
Estudos e Normas Pedagógicas – CENP nº. 01/96; L.C. nº 836/97, BRASIL, 
o Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), muitas vezes acaba 
se transformando numa folga em vez de dar lugar à solução dos problemas 
enfrentados pelo professor, outras propostas, como a interdisciplinaridade, 
acabam prejudicadas por essa falta de contato entre o corpo docente. Esse 
isolamento, essa “solidão”, quando é superada, as fraquezas do processo 
pedagógico da escola desaparecem e o trabalho floresce.
Algumas disciplinas, como a Música por exemplo, muitas vezes possuem apenas 
um professor na escola, nesse caso o professor acaba por se isolar muito mais 
se ele não propor ações interdisciplinares, e sabemos que existem disciplinas 
no currículo que por analogia são perfeitas para uma ação interdisciplinar com a 
Música como, por exemplo: Matemática, História e Língua Portuguesa, só para 
citar as mais próximas. Nesse cenário é preciso que não haja um desvio de 
função dos coordenadores pedagógicos, que não sejam colocados para atuar 
em outros setores da escola e possam se concentrar na função de organizar 
esse Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), de conclamar os 
professores a desenvolver ações interdisciplinares,ou seja, um coordenador 
_______________
10 Hercúlea refere-se aos 12 trabalhos de Hércules (mitologia grega), virou sinônimo de algo que exige um esforço excessivo, que é árduo ou difícil 
de ser realizado.
23Prática Curricular na Dimensão Escolar
focado unicamente nas ações pedagógicas da escola, colaborando com sua 
experiência e formação para a realização das ações e projetos dos professores.
A maior parte das críticas que o sistema educacional brasileiro tem recebido 
se relaciona com a qualidade do ensino, críticas essas que desde o começo 
do século sempre foram enfáticas e apontavam o panorama preocupante para 
o país. Mesmo com os dados referentes aos alunos matriculados e ao grande 
número de alunos que concluem o ensino médio, nossa educação ocupa os 
piores lugares no ranking internacional, o que evidencia que é preciso um 
diagnóstico profundo sobre o motivo do conjunto de capacidades dos nossos 
alunos estarem tão longe do desejado.
Como nos diz Roitman e Ramos (2011, p.7), “melhorar a qualidade da educação 
brasileira é um desafio urgente e prioritário”. Fica claro que o que tem sido feito 
atualmente não está produzindo bons resultados, cabe ao Ministério da Educação 
levar a cabo uma revisão curricular nas Instituições de Ensino Superior (IES), 
que aproxime a nossa educação do nível de qualidade de outros países. Sem 
esses “mea culpa” das nossas universidades, nossos professores continuarão 
saindo das graduações completamente despreparados para o que os aguarda 
nas escolas e sem conseguir dar uma resposta para a sociedade no que tange 
à formação dos alunos.
Toda a formação recebida pelo futuro professor na graduação, precisa vir 
acompanhada de um choque de realidade, esse choque trata especificamente 
de conhecer os problemas e os desafios das nossas escolas, com a realidade 
das comunidades mais diversas e só assim, o professor poderá se preparar 
para lidar com a enorme diversidade que ele encontrará em sala de aula.
2.2 A separação entre os discursos e o que acontece nas escolas
Em 26 de Junho de 2014, após ter tramitado por 4 (quatro) anos no Congresso 
Nacional e com os tradicionais embates de grupos defendendo seus interesses 
e suas ideologias, foi sancionado o Plano Nacional de Educação (PNE), com 
vigência até 2024, foram elaboradas 20 (vinte) metas visando melhorar a 
educação brasileira. Mas até que ponto esse e outros “discursos” governamentais 
trouxeram um avanço significativo para nossa educação?
O nosso sistema de educação escolar sempre sofreu com o descaso dos 
governantes (isso não é segredo para ninguém, pois o descalabro continua), 
24Prática Curricular na Dimensão Escolar
mas a partir da Constituição de 1988 e, principalmente, da LDBEN nº9.394/96, 
ela começou a ser vista como uma das ferramentas que poderia ser usada 
para o desenvolvimento do país. Mas faltava uma política plurigestional, que 
atravessasse governos e fosse uma resposta aos anseios daqueles envolvidos 
direta ou indiretamente no processo educativo. Mas para que todo esse arrazoado 
político, que sempre foi bandeira de todas as agremiações partidárias, pudesse 
ter uma perenidade enquanto política pública era preciso dissociá-lo das ações 
transitórias e transformá-las em algo sólido e pensado como uma verdadeira 
Política de Estado.
Se formos analisar todas as metas previstas no PNE esse trabalho ficaria longo 
demais, por isso preferimos focar em questões que sempre representaram o 
maior desafio do nosso sistema educacional. Ficou determinado, quando da sua 
sanção, que o acompanhamento do PNE deveria ser feito mediante a elaboração 
de relatórios a cada 2 (dois) anos, em 07 de junho de 2018, o INEP divulgou 
o segundo relatório11 e o que se viu é que apenas uma das metas previstas foi 
integralmente cumprida, no geral vemos que as demais possuem atrasos ou 
evolução insuficiente.
O discurso quando o plano foi sancionado era de que o mesmo era a ação 
decisiva para mudar nossa realidade educacional, mas quando nos deparamos 
com a realidade das escolas e do sistema como um todo fica evidente que 
retórica e práxis estão muito longe de se coadunar. Algumas metas importantes 
que não foram cumpridas: sobre a Meta 1, a cobertura para crianças de 0 a 
3 anos apresentou tendência de desigualdade entre regiões, áreas urbanas e 
rurais, negros e brancos, pobres e ricos; essa Meta 1 de universalização da pré-
escola para o ano de 2016 não foi alcançada, podendo ser atingida entre 2018 
e 2020 (PNE,2018, p.11). A universalização do ensino fundamental de 9 anos 
só começará a se concretizar de fato com a elevação da taxa de concluintes 
na idade recomendada para um índice próximo da meta do PNE que é de 95% 
(PNE,2018, p.15).
Começamos a ver que duas ações importantíssimas para a melhoria da qualidade 
da nossa educação estão bem aquém do que propõe o plano, enquanto discurso 
é viável, mas a prática se mostra difícil. Quando observamos a faixa dos alunos de 
15 a 17 anos o quadro não muda. Outra Meta importante e que nunca passou de 
apenas um discurso, foi a Meta 15 que determinava que todas as crianças fossem 
alfabetizadas até o 3º (terceiro) ano do ensino fundamental, aponta o relatório que:
_______________
11 Neste link é possível acesso ao relatório na integra. Disponível em: <http://estaticog1.globo.com/2018/06/07/resumo_relatorio_pne_2_ciclo.pdf>.
25Prática Curricular na Dimensão Escolar
De forma geral os resultados observados para 
2014 e 2016 ficaram próximas, inclusive nas 
várias desagregações analisadas, demonstrando 
certa estagnação no desempenho dos alunos do 
3º ano do ensino fundamental avaliados pela 
ANA. (PNE,2018, p.30).
No entanto, houve retrocesso na oferta do ensino em tempo integral e não foram 
cumpridas as metas referentes à pré-escola. Um ponto importante, que sempre 
foi motivo de preocupações e reclamações, trata da questão da qualificação, 
da formação continuada dos docentes, da adoção de um plano de carreira e 
salário para a categoria, que dê condições de tranquilidade para o professor se 
dedicar mais à função. Segundo informações coletadas pelo Sistema Integrado 
de Monitoramento, Execução e Controle (SIMEC) do Ministério da Educação:
Informações preliminares exploratórias coletadas 
pelo SIMEC, em fevereiro de 2018, apontam 
que: 3.102 municípios preveem o limite máximo 
de 2/3 da carga horária dos profissionais do 
magistério para atividades com os educandos; 
3.687 cumprem o PSNP12; e 2667 atendem 
simultaneamente aos três requisitos da Meta 18. 
Recomenda-se, no entanto, cautela na utilização 
desses dados para o monitoramento da Meta 
18, tendo em vista o expressivo número de 
municípios sem informações (1.253) no SIMEC. 
(PNE,2018, p.86).
Observando o relatório, notamos que apenas a Meta 13 foi cumprida, pois 
especifica que o governo deveria elevar a qualidade da educação superior 
e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo 
exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75% (setenta 
e cinco por cento), sendo no total, no mínimo 35% (trinta e cinco por cento) 
doutores. Segundo o relatório os índices superaram a meta, cabe destacar 
a ação da CAPES13, que implementou vários mestrados e doutorados 
profissionais no país. Já a Meta 16, que previa formar em nível de pós-
graduação 50% (cinquenta por cento) dos professores da Educação Básica 
até o último ano de vigência deste PNE e garantir formação continuada em 
sua área de atuação, teve aumento dos seus percentuais na maior parte das 
unidades federativas, mas só a região Sul (55,5%) alcançou a meta prevista, 
seguida das regiões: Centro-Oeste (40%), Sudeste (33,77%), Nordeste 
(31,5%) e Norte (26,2%). (PNE, 2018, p.77).
_______________
12 PSNP- Piso Salarial Nacional Profissional.
13 CAPES- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.
26Prática Curricular na Dimensão Escolar
Observamos mesmo com um grande número de propostas que a realidade do 
universo escolar ainda precisa de muita atenção do governo parafazer frente 
ao que os educandos necessitam, como aponta Bandeira e Ibiapina (2014, 
p.111): “A prática educativa é ação social intencional, é parte integrante da vida, 
do crescimento da sociedade”. Destarte, as propostas precisam se efetivar 
plenamente, para que os professores compreendam sua prática, possam atuar 
como agentes críticos e criativos e não apenas como reprodutores de tendências 
e comportamentos que agem de forma inconsciente e partem de alguma hipótese 
que não foi provada. O professor, ao adentrar na escola, precisa conhecer o 
que lhe está sendo entregue e discutir qualquer proposta e consequências. 
(SACRISTÁN & GÓMEZ,1998).
Resumo
Nesta Unidade, estudamos acerca de quais práticas pedagógicas são as mais 
adequadas para que tenhamos uma educação efetiva e adequada ao século 
XXI, educação esta que tem o aluno, agora, como protagonista do processo 
e o professor será o mediador o processo para que o educando possa ser o 
construtor e o condutor do seu processo de ensino-aprendizagem.
Estudamos que para superar as fragilidades do processo de ensino, o professor 
precisa direcionar a sua prática para ações que propicie ao aluno desenvolver 
sua capacidade criativa e de reagir aos mais diversos estímulos e desenvolver 
o seu poder de abstração.
 Estudamos que, o Plano Nacional de Educação foi uma proposta composta 
por 20 (vinte). Metas que visavam dar mais qualidade à nossa educação e 
celeridade aos demais pontos como: erradicar o analfabetismo, alfabetizar 
todas as crianças até o 3º (terceiro) ano do fundamental etc., mas apenas uma 
Meta foi 100% (cem por cento) cumprida, estando as demais atrasadas ou com 
desenvolvimento irrisório.
27Prática Curricular na Dimensão Escolar
 
 Referências
BRASIL. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (PNE). Brasília, DF: DIRED, 
COEP, INEP/MEC, 2018.
FREIRE, P. A educação na cidade. São Paulo: Ed. Cortez, 1991.
_________. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra,1994.
PRIGOL, Edna Liz. PESQUISA ESTADO DO CONHECIMENTO: UMA VISÃO 
PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES. 
Curitiba-PR: PUC-PR, SIRSSE, 2013.
ROITMAN, Isaac; RAMOS, Mozart Neves. A urgência da educação. 1. ed. São 
Paulo: Ed. Moderna, v.1, 2011.
SACRISTÁN, J. Gimeno; GÓMEZ, A. I. Pérez. Compreender e transformar o 
ensino. 4. ed. Porto Alegre: ArtMed,1998.
SILVA, Lucas V. de Lima; CHAGAS, Nilmara Serafim; PINHEIRO, Maria R. D. 
O EMPODERAMENTO COMO PROCESSO DE CONSCIENTIZAÇÃO E OS 
SUJEITOS DA EDUCAÇÃO. Natal-RN. Anais... Natal-RN: III CONEDU, Editora 
Realize, 2016.
28Prática Curricular na Dimensão Escolar
OBJETIVOS
METODOLOGIA E MULTIMEIOS 
PRESENTES NA PRÁTICA ESCOLAR
UNIDADE
3
Entender como os Multimeios se inserem no universo escolar e a sua 
importância para o processo educacional;
Reconhecer a contribuição que a informática pode trazer para o ambiente 
escolar;
Conhecer os softwares que podem ser utilizados na escola para o ensino 
de música.
Falar em metodologia ou procedimentos metodológicos é pensar em um 
ensino com características científicas, voltada para projetos e com alunos 
ajudando a construir seus próprios conhecimentos, especialmente por 
meio de pesquisa e experimentação. Para tanto, a tecnologia atualmente nos 
oferece uma grande variedade de ferramentas e recursos, que podem auxiliar 
nas pesquisas, nas experiências e nos compartilhamentos da evolução e 
dos resultados obtidos. O professor deve estabelecer um corpo de regras e 
diligências com o uso dos mais variados Multimeios para desenvolver sua prática 
pedagógica.
O universo escolar precisa, também, contribuir nesse processo, é de grande ajuda 
que a escola possua uma biblioteca com acervos Multimeios. Se configuram 
como Multimeios que devem estar à disposição dos professores na escola: livros 
eletrônicos, tablets, lousas digitais etc., mas não podemos esquecer que esses 
recursos nem sempre podem ser vistos como unicamente os digitais, portáteis 
ou os de última geração, em um sistema de educação escolar precário como 
o nosso, outros recursos como TVs, DVDs, CDs, ainda se configuram como 
ótimos recursos pedagógicos. Nesta Unidade, vamos sempre direcionar essa 
questão dos Multimeios e da tecnologia para a educação musical que é o nosso 
foco. Mas sempre enfatizando a questão de uma educação moderna, interativa 
e apropriada para o século XXI.
29Prática Curricular na Dimensão Escolar
O homem moderno é cada vez mais um produtor 
de informação. O montante informacional, 
produzido por esse homem, exige maior 
organicidade em relação a tempos anteriores 
[...] se caracteriza pela constante evolução e, 
associada às Tecnologias da Informação (TI), 
faz surgir os mais variados suportes, nos mais 
variados formatos. (SILVA; SILVA & BRITO,2012, 
p.46).
Na maioria das escolas que já possuem uma grande quantidade de materiais 
de Multimeios, os mesmos encontram-se nas bibliotecas, pois poucas escolas 
possuem salas específicas para esse fim, sendo essas bibliotecas consideradas 
o espaço primordial para que o aluno desenvolva seu potencial cultural e 
intelectual, além de ser o lugar ideal para que o educando possa construir e/ou 
melhorar seu processo de aprendizagem.
A biblioteca deve prover a educação continuada, 
criando e apoiando os interesses da comunidade 
e a liberdade de expressão. Criando uma 
atmosfera propícia ao ensino (como também) 
todas as formas representativas da arte e 
manifestações de cultura, além de promover a 
expressão artística e cultural relacionada à vida 
diária, às necessidades da mente, emocionais 
e interpessoais. (HICKS; TILLIN, 1977 apud 
AMARAL,1987, p.47).
É extremamente importante enfatizar que, diferente de como muitos professores 
e alunos encaram os Multimeios, eles não devem ser vistos como um substituto 
dos materiais didáticos impressos (livros, apostilas etc.), eles possuem sua 
relevância própria, atuando como recurso auxiliar e/ou complementar no processo 
de construção do conhecimento. É preciso romper com essas idiossincrasias dos 
professores atuais, podemos até, com extrema liberdade, afirmar que existem 
Multimeios a nossa volta que não são necessariamente digitais.
Desde o advento da 3ª (terceira) Revolução Industrial, iniciada no pós- Segunda 
Guerra Mundial, iniciou-se uma fase de grandes avanços tecnológicos com 
integração da ciência à tecnologia e aos meios produtivos; as indústrias criam 
centros de pesquisa onde são criadas tecnologias para uso do dia a dia das 
pessoas, os meios de comunicação se tornam cada vez mais acessíveis, como o 
rádio, que começou a se popularizar nos anos 20 e 30 na Europa e nos anos 40 
e 50 no Brasil, onde nos anos 1970 tiveram as primeiras tentativas de Educação 
a Distância usando o Rádio; A televisão que se transformou em um importante 
difusor de informação, cultura e educação. Com tudo isso, observamos que com 
30Prática Curricular na Dimensão Escolar
toda essa “revolução informacional” começaram a surgir uma grande variedade 
de equipamentos tecnológicos, pois foi necessário a expansão de transmissores 
de rádio e televisão, da telefonia fixa, dos celulares, da Internet etc.
Embora nesta Unidade seja nossa intenção abordar os recursos tecnológicos, 
que cada dia adquirem mais importância no ambiente educacional, vamos 
novamente reforçar que existem Multimeios14 que não são necessariamente 
digitais que podem ser usados em algumas disciplinas (como a Música, por 
exemplo), e que são extremamente importantes, úteis e interdisciplinares. Uma 
realidade que mudou ao longo do tempo diz respeito ao acesso dos recursos 
pelos professores e alunos, e essa mudança na realidade das escolas diz 
respeito ao fato de que há 30 anos atrás, quando o professor tinha a intenção de 
usar a informática e/ou outros recursos tecnológicos na escola, ele necessitava 
fazer uma exposição de motivos por escrito justificando o seu propósito com 
essa utilização.
Mas um dado importante precisa ser citado, até mesmo para que o professor não 
fique esperando apenas pela escola,e que se refere à utilização dos recursos 
tecnológicos quando já existem na escola e que deixa muitos professores 
inseguros sobre seu uso, já que não recebem treinamento para o uso de alguns 
recursos. O professor deve ter sempre um “plano B” e buscar se informar sobre 
o uso de equipamentos e softwares, é necessário superar essas dificuldades em 
relação ao domínio das tecnologias. O ideal seria que cada escola procedesse 
uma análise dessas dificuldades, mediante até planejamento conjunto, que 
pudessem ser resolvidas pelo coletivo.
3.1 A Informática no ambiente escolar
Em 2010, o governo federal através da Lei nº 12.249, lançou o Programa Um 
Computador por Aluno (PROUCA), o referido programa contava com o apoio 
do Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional 
(RECOMPE). Neste programa, os Estados, Municípios e o Distrito Federal 
deveriam aderir ao mesmo para que pudessem adquirir computadores portáteis 
com recursos próprios ou utilizando financiamento do Banco de Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES).
_______________
14 Multimeios – são entendidos como uma área da Comunicação Social que estuda o advento de novas mídias ou meios para a transmissão informação, 
suas linguagens e seu impacto na sociedade. Se olharmos pelo lado etimológico, o termo é formado por: Multi- múltiplos; Meios –recursos, opções. O 
que abre um grande leque de informações sobre os Multimeios. Com o advento da 3ª Revolução Industrial, os meios digitais se tornaram sinônimos 
desses recursos.
31Prática Curricular na Dimensão Escolar
Os equipamentos que eram adquiridos possuíam uma característica especial e 
eram diferentes dos que eram encontrados em lojas especializadas: configurações, 
softwares, acessórios, utilitários, jogos etc. Todos eram voltados para o 
desenvolvimento educacional dos alunos, que pudessem produzir melhorias no 
aprendizado dos alunos. Foi mais um dos “discursos” ambiciosos do MEC, acabou 
não passando de um fracasso retumbante e um enorme desperdício de recursos 
públicos, pelos mais diversos fatores que não cabe nesse estudo.
Neste momento em que a “Sociedade da Informação” avança e cresce cada 
vez mais, o território escolar não ficou neutro aos efeitos dessas Tecnologias 
da Informação e Comunicação (TICs) e, com isso, as escolas passaram a viver 
situações inusitadas até então. Existe, hoje em dia, muita discussão sobre a 
liberação ou não do uso de aparelhos eletrônicos portáteis pelos alunos, a nosso 
ver o foco deveria ser outro: como permitir, incentivar e levar os alunos ao uso 
consciente desses equipamentos?
A adoção de TICs como ferramenta de 
apoio à prática pedagógica é de relevante 
importância para a melhoria da educação, bem 
como a promoção de reflexões e discussões 
visando à inclusão digital no ambiente escolar. 
(RIBEIRO,2012, p.12).
Na opinião, tanto de pedagogos como de especialistas em tecnologia, eles 
afirmam que é imprescindível que na sociedade contemporânea, os alunos 
possam utilizar as novas tecnologias dado o seu enorme poder de atribuir sentido 
de inclusão dada sua grande abrangência. 
Tecnologias digitais são os meios tecnológicos 
que servem de suporte à informação e 
comunicação. Esses recursos vão desde 
computadores, simples aplicativos até a grande 
rede, chamada de Internet, a qual permite a 
comunicação bidirecional em tempo real [...] é 
importante lembrar que toda ferramenta está 
intimamente ligada ao sujeito que a utiliza, e 
o modo como é utilizada varia conforme suas 
experiências e expectativas não sendo diferente 
com as TICs. (Id, Ibidem, p. 12).
3.2 A tecnologia e o ensino da Música
Em algumas situações, o uso das ferramentas em uma determinada disciplina 
demandará que o professor, como mediador do processo, tenha um bom 
32Prática Curricular na Dimensão Escolar
conhecimento de determinado recurso para poder passá-lo para os alunos ou 
ajudá-los a ampliar algum conhecimento pré-existente. É o caso dos alunos 
de Música, por exemplo, existem programas com funções básicas (os mais 
adequados para uso na escola) até programas sofisticados que são usados em 
estúdios de gravação.
Há alguns anos era impossível fazer música usando programas de computador, 
sem que o usuário tivesse conhecimentos de leitura musical e/ou instrumentos 
musicais além, é claro, domínio da linguagem computacional. Atualmente, 
temos alguns programas dessa categoria que são adequados para o uso em 
sala de aula, que podem e, com certeza, irão se encaixar em várias propostas 
pedagógicas do professor de música, sempre enfatizando qual é a função da 
música em sala de aula.
Voltando ao que preconiza os PCNs, os conteúdos que devem ser ensinados e 
aprendidos devem visar a formação do cidadão, lhe proporcionando equidade 
tanto na participação como na produção de conteúdos artísticos. Todos os 
conteúdos focam em três eixos fundamentais: produção, fruição e a reflexão. No 
caso do ensino de música, em particular, todos esses eixos norteadores devem 
conduzir os alunos a se tornarem “cidadãos musicalizados”, e esse cidadão 
deve ter condições de atuar em várias instâncias do processo:
Para que a aprendizagem da música possa 
ser fundamental na formação de cidadãos é 
necessário que todos tenham a oportunidade 
de participar ativamente como ouvintes, 
interpretes, compositores e improvisadores, 
dentro e fora da sala de aula. Envolvendo 
pessoas de fora no enriquecimento do ensino e 
promovendo interação com os grupos musicais 
e artísticos das localidades, a escola pode 
contribuir para que os alunos se tornem ouvintes 
sensíveis, amadores talentosos ou músicos 
profissionais. Incentivando a participação em 
shows, festivais, concertos, eventos da cultura 
popular e outras manifestações musicais, 
ela pode proporcionar condições para uma 
apreciação rica e ampla onde o aluno aprenda 
a valorizar os momentos importantes em que 
a música se inscreve no tempo e na história. 
(PCN, MÚSICA, 1997, p.54).
Com base em tudo que dissemos precisamos racionalizar o que está determinado 
nos PCNs e em outras propostas para a educação Básica. Em primeiro lugar, 
precisamos lembrar que não é função do ensino de música nas escolas formar 
músicos, é sim formar um cidadão com um olhar crítico e sensível acerca do 
33Prática Curricular na Dimensão Escolar
fenômeno musical, o músico é fruto da formação desse cidadão, mas esse 
aprendizado será efetivado em instituições musicais profissionalizantes (escolas 
de música, conservatórios etc.). A produção, a fruição e a reflexão, se efetivará 
por meio de aspectos teóricos e textuais, bem como práticos (compor, improvisar 
etc.), mas tudo isso no nível básico, visando apenas a familiaridade com os 
aspectos sonoros e rítmicos do fenômeno musical.
O uso de softwares básicos (chamamos de básico por sua facilidade de uso, 
bem como diferenciar dos programas profissionais usados em estúdios e que 
requerem um conhecimento avançado do mesmo e uma formação musical 
profissional), que hoje temos à disposição, muitos deles com licença livre15, podem 
ser usados por todos os educandos, pois alguns rodam inclusive em tablets e 
celulares. Podemos citar nessa categoria programas como o Aaudacity16 que é 
utilizado para a edição de áudio; o FL Studio17 que é uma Digital Áudio Workstation 
(DAW), que possui uma interface gráfica com base em um sequenciador musical, 
o FL Studio possui versões free e pagas; o Music Maker18 é outro programa 
com versões free e pagas. Todos os programas citados necessitam do aluno 
um mínimo de conhecimento teórico de música (pauta, claves, escalas etc.), 
requerem que o aluno use seu senso estético e perceptivo na hora de compor 
uma trilha ou realizar uma improvisação em cima de uma base proposta pelo 
professor. Todos utilizam módulos fáceis de serem entendidos e o aluno pode 
criar quase todos os estilos de música.
Essa nova tecnologia voltada para a música tem avançado enormemente, 
diferente de 25 (vinte e cinco) anos atrás, quando uma música feita no computador 
era facilmentepercebida, hoje a música composta de forma digital já não é tão 
facilmente percebida. Isso deve-se ao grande desenvolvimento que tivemos em 
Hardware, aliado aos grandes avanços na área de Engenharia da Computação. 
Cada vez mais percebemos que o computador está se tornando um “parceiro” dos 
músicos, se converteu numa ferramenta adicional ao trabalho desse profissional 
e os professores de música da Educação Básica estão pegando “carona” nessa 
parceria.
Esse processo é extremamente “democrático”, a partir do momento em que 
propicia a todos os alunos a possibilidade de desenvolver sua criatividade 
musical, criatividade que todos os educandos possuem, pois vivemos imersos 
em um universo sonoro e musical. O professor deve saber converter os 
_______________
15 Os softwares com licença livre são chamados Freeware. O freeware diferencia-se do shareware, pois no segundo o usuário deve pagar para acessar 
determinada funcionalidade completa ou tem um tempo limitado de uso gratuito.
16 https://www.audacityteam.org/download/
17 https://www.image-line.com/flstudio/
18 https://www.magix.com/br/musica/music-maker/
34Prática Curricular na Dimensão Escolar
seus conhecimentos teóricos, adquiridos antes e durante a graduação, em 
conhecimentos básicos, essenciais, que serão úteis para o processo de ensino-
aprendizagem e que serão assimilados muito mais rápido do que colocar para os 
alunos o linguajar tradicional da teoria musical, como a leitura de uma partitura 
por exemplo.
Resumo
Nesta Unidade, discutimos que Multimeios hoje podemos utilizar no ambiente 
escolar que venha contribuir para uma educação efetiva. Ter acesso a boas 
bibliotecas, um acervo tradicional bom, ampliado pelos acervos digitais, 
propiciando aos alunos um bom material de pesquisa para o seu enriquecimento 
cultural, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem.
Aliado ao acervo de Multimeios, observamos que é preciso ampliar a presença 
da informática no ambiente escolar. Destacamos as tentativas governamentais 
de fomentar essa ampliação, mas que, infelizmente, fracassaram.
Também abordamos sobre os principais softwares voltados para edição de áudio 
e os que possibilitam compor e improvisar com o mínimo de conhecimentos e o 
máximo de criatividade.
 Referências
AMARAL, S. A. Os multimeios, a biblioteca e o bibliotecário. Brasília, DF: 
Ver. De Biblioteconomia de Brasília,DF: v.15, n.1, p. 45 – 68, jan. / jun. 1987.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares 
Nacionais: arte. Brasília,DF: MEC/SEF, 1997.
RIBEIRO, Sandra G. C. O USO DA INFORMÁTICA NO AMBIENTE ESCOLAR. 
Porto Alegre-RS: (Monografia),2012. Disponível em: <https://home.ufrgs.br/
handle/10183/102822
SILVA, L. L. Maura; SILVA, M. Bezerra; BRITO, Rosa Z. L. de. O uso dos 
Multimeios no processo de ensino-aprendizagem da escola General Rodrigo 
Otávio. Ribeirão Preto, SP: Bibliot. Esc. Em Revista, v.1, n.2, 2012.
35Prática Curricular na Dimensão Escolar
OBJETIVOS
A GESTÃO DO TRABALHO 
DOCENTE EM EDUCAÇÃO MUSICAL
UNIDADE
4
Entender como a gestão do nosso trabalho docente nos conduzirá a 
uma prática sem sobressaltos;
Entender como a noção de competência é uma característica da 
educação voltada para o século XXI;
Reconhecer a importância do planejamento dentro das nossas práticas 
pedagógicas; e
Conhecer propostas contemporâneas para o ensino de música nas escolas.
A organização do trabalho docente no universo escolar deve conclamar o 
professor a gerir o seu trabalho e, nesse aspecto, quando falamos em 
gestão significa encarar um grande desafio (KRUEGER & GALIZIA,2012). 
Desde a aprovação da Lei nº 11.769/08, o foco das polêmicas sobre a educação 
musical se dividiu com outros assuntos relacionados ao tema.
Pouco se tem falado sobre os processos 
amplos de gestão que permeiam as decisões 
pedagógicas que vão para além da educação 
musical. Pouco se tem refletido sobre os recursos 
e práticas comuns à área de administração que, 
com as devidas adaptações, possibilitariam 
melhor adereçamento de gestão, otimizando 
a solução de vários desafios que encontramos 
no dia a dia de nossas instituições educativo – 
musicais. (KRUEGER & GALIZIA,2012, p.220).
Pode parecer um processo digressivo estarmos falando de gestão a essa altura, 
mas como já falamos antes, o trabalho do educador musical acaba se tornando, 
muitas vezes, uma lida solitária, cheia de dúvidas e incertezas, cabendo ao 
professor se cercar de todos os conhecimentos que possam contribuir para 
o seu trabalho. Afinal, num sentido etimológico, o ato de gerir (derivado de 
administração) é diferente de administrar, quem planeja, coordena, controla, 
organiza e gere. (DICIONÁRIO INFORMAL, 2018).
Portanto, buscar informações em outras áreas do conhecimento e relacionar 
os mesmos com a educação musical é uma forma de ampliar os horizontes 
da prática docente. Os cursos de licenciatura, em suas grades curriculares e 
36Prática Curricular na Dimensão Escolar
ementas não preparam o futuro professor sobre esses aspectos. Mesmo as 
escolas que formam o músico profissional não os ensinam a gerir e planejar sua 
carreira, tendo em vista que o músico que ingressa no mercado de trabalho, 
ainda hoje, está muito aquém dos novos modelos adotados pelo mercado.
Como bem enfatiza Beinek (2001); Hentschke (2000) e Souza (1997), que a 
formação de educadores musicais para atuar na educação básica, oriundos dos 
cursos de licenciatura, não os preparam adequadamente para o exercício da 
função, para enfrentarem a realidade do mercado de trabalho.
Em função disso, e de outras constatações, 
como a amplitude que pode ter a atuação prática 
dos professores de música na sociedade, há 
a necessidade de um perfil profissional mais 
adequado às exigências atuais e as novas 
determinações legais com relação à formação 
de professores. (MACHADO,2004, p.37).
Segundo Crainer (2009), além da questão de desenvolvermo-nos no que se refere 
à gestão de nossa prática, precisamos desenvolver competências técnicas que 
nos permita ir gradualmente para o foco “administrativo”. Ter o domínio técnico 
irá nos possibilitar gerir melhor todos os aspectos da nossa prática docente. 
Muitas hipóteses da área de gestão administrativa com certeza irão ajudar os 
professores não só a conduzir suas atividades (como projetos, por exemplo) 
e coordenar equipes pedagógicas e/ou com metas artísticas. Para que não 
fiquemos nesse monocórdio discurso sobre práticas administrativas ligadas ao 
nosso trabalho, trouxemos o tema à baila como uma proposta a mais, é nossa 
opinião que adquirir conhecimentos que possam ser contextualizados à prática 
docente são sempre bem-vindos. Ter uma cultura geral bem fundamentada, 
práticas administrativas, entre outras são uma forma de podermos atuar com 
desenvoltura principalmente em projetos interdisciplinares.
Mas focando especificamente no que, a nosso ver, faz a diferença no universo 
escolar, preciso tratar da questão das competências. Tudo o que foi abordado 
antes se torna algo confuso, com pouco ou nenhuma lógica, se não focarmos na 
questão das competências. Segundo Machado (2004, p.38):
Publicações da área educacional encontradas, 
revelam que muitos do programa de formação 
continuada oferecidos até então tem ignorado as 
questões que norteiam as práticas pedagógicas, 
e não contribuem para o desenvolvimento de 
competências docentes e uma maior autonomia 
e criticidade desses profissionais na realização 
de suas práticas educativas.
37Prática Curricular na Dimensão Escolar
Ampliando as observações de Machado (2004), nota-se, ao consultarmos 
compêndios bibliográficos sobre o assunto, que muito pouco tem sido alvo de 
pesquisas e publicações sobre os cursos, ou mesmo programas estatais de 
formação continuada, que nos forneçam dados que nos ajude a trocar ideias, 
polemizar, com objetivo de conhecer opiniões diversas, que alimentem as 
discussões sobre o tema.
Como base a nos situarmos melhor, precisamos ver como a concepção de 
competência se introjetouna educação, para Rope e Tanguy (1997), essa 
inserção não é recente, pois já vinha sendo colocada em diversos contextos e 
com múltiplas acepções. Tudo isso, com a intenção de conseguir comprovar e/
ou definir o aumento e o distinto desenvolvimento das habilidades, sendo que 
essa primeira tentativa estava focada no mercado de trabalho, segundo Tanguy 
(1997), a primeira abordagem pedagógica centrada na competência se iniciou 
no ensino técnico e profissionalizante.
No Brasil, desde que a LDBEN de 1996 foi sancionada, o tema competência 
começou a ser visto em vários documentos que tratavam da educação desde o 
básico ao superior, com o objetivo de orientar as ações. Para Perrenoud (1999), 
uma competência para ser construída necessita da elaboração de esquemas 
(no caso dos esquemas ele usa a mesma de Jean Piaget, vendo o mesmo como 
uma estrutura invariante de uma operação ou de uma ação) de mobilização de 
recursos, sem isso a tarefa lhe parece impossível.
Chama de esquema de ação [...] aquilo que, em 
ação, é transferível, generalizável ou diferenciado 
entre uma situação e outra, em outras palavras, 
aquilo que há de comum nas diversas repetições 
ou aplicações da mesma ação. (PERRENOUD, 
2001, p. 161).
Para Perrenoud (2000, p. 15), a noção de competência envolve alguns aspectos 
que sempre devem ser levados em conta:
1. As competências não são elas mesmos 
saberes, saber fazer ou atitudes, mas mobilizam, 
integram e orquestram tais recursos;
2. Essa mobilização só é pertinente em situação, 
sendo cada situação singular;
3. O exercício da competência passa por 
operações mentais complexas, submetidas por 
esquemas de pensamento;
4. As competências profissionais constroem-se 
em formação ao sabor da navegação diária de um 
professor, de uma situação de trabalho à outra.
38Prática Curricular na Dimensão Escolar
Conclui-se que na visão desse teórico, que para podermos expor de maneira 
detalhada uma competência, precisamos estar atentos a três pontos fundamentais: 
as situações em que o docente se verá envolvido; a natureza dos esquemas; 
e todos os recursos que o professor conseguirá mobilizar para alcançar seu 
intento (PERRENOUD, 2000).
Perrenoud (1999) defende uma proposta que deve ser sempre levada em 
conta, na hora do planejamento do professor, é o de possibilitar espaços para a 
construção do conhecimento por parte dos alunos.
O fato de os professores possibilitarem lugar às 
sugestões e interesses discentes no ensino de 
música sugere que os docentes talvez estejam 
cientes que das experimentações que os 
alunos realizam são produzidos conhecimentos, 
representações e significados que não podem ser 
ignorados no processo de ensino e aprendizagem 
musical. (MACHADO, 2004, p. 41).
Fazer com que os interesses dos alunos se tornem possíveis, é preciso que se 
respeite alguns limites necessários para que não haja ações que compliquem o 
trabalho. Uma boa maneira de se desenvolver um trabalho é estabelecer uma 
relação de amizade, em sua maioria, entre docentes e discentes (mediadores 
e construtos do processo), mas essa relação professores e educandos precisa 
ter uma separação de “territórios”, é preciso limites nesse relacionamento, pois 
sem essa delimitação, elementos como respeito é, principalmente, a capacidade 
para perceber entre o certo e o errado, do que pode ou não ser feito nas aulas 
de música na escola19, será inviável organizar e desenvolver uma prática 
pedagógico – musical dentro do contexto escolar. (MACHADO, 2004).
4.1 Planejamento em música: as escolhas docentes
Sendo assim, o ponto de partida para o nosso planejamento deve ser a gestão 
de todos os recursos que serão necessários e estabelecimento de um tipo de 
“contrato social” entre docentes e discentes, onde serão determinados os direitos 
que todos farão usufruto e os deveres que devem ser cumpridos por todos. Esse 
primeiro momento do planejamento deve focar em estabelecer o fio condutor do 
processo de ensino-aprendizagem em educação musical.
_______________
19 Veja o vídeo da TV Escola no YouTube sobre o ensino de música nas escolas. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aOldaS 
5URM4&list=PLjzl1Kvpa9BLNT_FKg6y4872gTthbr7ck&index=17&t=0s
39Prática Curricular na Dimensão Escolar
O planejamento é algo que precisa ser visto e entendido como um instrumento 
que não apenas guia todo o processo, como se constitui em uma forma alternativa 
de resolver conflitos, situações difíceis para qual temos a impressão de não 
haver uma saída favorável. O planejamento deve focar na prática, sem, contudo, 
“engessar” a forma como tudo deve ser aplicado e seus respectivos resultados.
O planejamento escolar necessita atender às 
seguintes funções: diagnóstico e análise da 
realidade da escola; definição de objetivos e metas; 
determinação de atividades e tarefas a serem 
desenvolvidas e, ainda, a avaliação dos processos 
e resultados previstos. (LIBÂNEO, 2001, p. 124).
O Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas, que se tornou um documento, 
hoje, obrigatório, é de vital importância para que se compreenda, na perspectiva 
do mesmo, o planejamento. Para Gandim e Cruz (2014, p.20), “não há processor 
educativo que se efetive sem um projeto social condutor [...] todo esforço 
educacional deve propor um futuro humano”. Com relação ao Projeto Político- 
Pedagógico, nos diz Silva:
É um documento teórico-prático que pressupõe 
relações de independência e reciprocidade 
entre os dois polos, elaborado coletivamente 
pelos sujeitos da escola que aglutina os 
fundamentos políticos e filosóficos em que a 
comunidade acredita e os quais deseja praticar; 
que define os valores humanitários, princípios 
e comportamentos que a espécie humana 
concebe como adequados para a convivência 
humana; que sinaliza os indicadores de uma 
boa formação e que qualifica as funções sociais 
e históricas que são de responsabilidade da 
escola. (SILVA, 2003, p. 296).
E como bem observa, também, Pereira (2015, p.11), que “os elementos que 
compõem o planejamento estão diretamente relacionados à formação do aluno 
e a função que a música pode desempenhar nessa formação”. Essa afirmação 
transmite para todos a ideia de que o planejamento não deve ser tratado de 
forma simplória, muitas vezes elaborado só para cumprir uma exigência da 
coordenação da escola, mas sem nenhum aprofundamento, sem reflexão e sem 
experiência, segundo Gandin e Cruz (2014, p.12), ” viu-se surgir o modelo de 
preenchimento de quadrinhos, e que contempla, de maneira geral os seguintes 
itens: conteúdos, objetivos, estratégias, recursos, avaliação e observação”. 
A crítica feita a esse modelo diz respeito ao fato do mesmo impossibilitar que 
faça reflexões sobre: o que e como fazer, como nos conduzirmos em sala de 
40Prática Curricular na Dimensão Escolar
aula. Um fato recorrente nas escolas, é que os planejamentos acabam por 
se tornarem “penosos e inúteis”, já que muitos nunca são postos em prática. 
Cabe ressaltar que no Brasil, o planejamento escolar começou num momento 
social instável (durante o Regime Militar), nesse período, “planejar passou a ser 
atividade obrigatória para se trabalhar em escolas”. (PEREIRA, 2015).
No que se refere à forma de planejar para a disciplina educação musical, vários 
autores enfatizam que o planejamento deve se basear:
Nos elementos presentes na música, refletindo 
sua preocupação com os conteúdos; as formas 
de se vivenciar música, ou como se aprende 
música, que remete aos métodos e atividades 
que o professor deve escolher; o que se 
pretende com o ensino da música na escola e 
o porquê desse ensino, que estão diretamente 
relacionadas aos objetivos que se pretende 
alcançar com essa intervenção. (HENTSCHKE 
& DEL BEN, 2003 apud PEREIRA, 2015, p. 12).
Para Romanelli (2009, p.136), o professor precisa estar ciente do ambiente (e do 
seu entorno também) e dos alunos que serão o seu público-alvo, “ na tentativa 
de propor um plano de ensino e um plano de aula condizentes com a realidade 
do ambiente escolar[...]é apenas bem estruturado que se promove educação 
musical de qualidade”.
Para Penna, que reafirma o que foi dito anteriormente:
É através do modo de ensinar que podemos 
selecionar e organizar conteúdos de acordo com 
a capacidade cognitiva e os interesses de nossos 
alunos; planejar atividades que motivem a turma 
e, ao mesmo tempo, permitam o desenvolvimento 
de suas habilidades/capacidades; empregar 
os recursos disponíveis, mesmo que limitados, 
em função do processo educativo etc. (PENNA, 
2012, p. 14).
Em suma, tudo que foi dito evidencia que precisa haver comprometimento 
com esse modo de ensinar e que essa forma de se utilizar as regras propostas 
afim de se alcançar a perfeição está, também, relacionado com o lugar que o 
professor ocupa na escola. Quando o professor tem um posicionamento avaliativo 
constante do seu processo, se coloca diante das situações de forma reflexiva 
no que tange aos objetivos e suas possibilidades, ele passa a verificar todo o 
processo de ensino-aprendizagem e pode, conforme a necessidade, flexibilizar 
todos os processos de ensino e sua metodologia, uma maneira consciente de 
proceder. (PENNA, 2012).
41Prática Curricular na Dimensão Escolar
4.2 Propostas contemporâneas em educação musical
Muito do que já abordamos até aqui, representam exemplos de contemporaneidade 
dentro do universo escolar e, também, relativo à educação musical. Os Multimeios 
representados nos programas de edição de partituras e de edição de som, são 
um exemplo do que poderia ser chamado de contemporâneo acerca do ensino 
de música.
Mas quando buscar criar o tão falado “cidadão musicalizado”?20 Os documentos 
governamentais, como a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) define 
bem alguns pontos que devem ser contemplados nos currículos das escolas, na 
busca de um ensino de arte mais coerente e eficaz, que havia sido buscado na 
época da elaboração dos PCNs, mas que na prática nunca se efetivou.
A BNCC determina, com relação à educação musical no ensino Fundamental 5 
(cinco) objetos do conhecimento: Contexto e Práticas; Elementos da Linguagem; 
Materialidades; Notação e Registro Musical; e Processos de Criação. Cada um 
desses objetos prevê que o aluno adquira certas habilidades.
_______________
20 Uma das boas iniciativas no Brasil em busca da almejada musicalização do cidadão e que enfatiza a presença da música no ambiente escolar é o 
Projeto BRASIL DE TUHU, coordenado pela violinista Carla Rincón, que se baseia na obra de Heitor Villa-Lobos, passando pela filosofia do programa 
venezuelano conhecido como El Sistema. Esse projeto leva concertos didáticos para as escolas, produz material didático voltado para o ensino de 
música etc. Veja o site: http://brasildetuhu.com.br/
Figura 4 - Capa da BNCC
Fonte: http://www.semeei.org.br/novo/noticias/bncc-base-nacional-comum-curricular/
42Prática Curricular na Dimensão Escolar
No que tange à aquisição dessas habilidades as estratégias podem ser as mais 
diversas, não vamos voltar a falar especificamente de recursos Multimeios ou 
tecnológicas, mas sim abordar o que fazer, suar ou adaptar para podermos 
realizar o que estiver no nosso planejamento. Conforme o que preconiza a BNCC 
(2018, p. 201), vamos enumerar as áreas do conhecimento e as habilidades 
e sugerir propostas básicas para a sua consecução dentro do planejamento 
elaborado para a disciplina.
Quadro 1 – Áreas do conhecimento e habilidades e sugestão
ÁREA DO 
CONHECIMENTO HABILIDADES SUGESTÃO
Contexto e 
práticas
Identificar e apreciar 
criticamente diversas 
formas e gêneros de 
expressão musical, 
reconhecendo e ana-
lisando os usos e as 
funções da música em 
diversos contextos de 
circulação, em espe-
cial, aqueles da vida 
cotidiana.
1 - A maioria dos cursos de licenciatura peca em não 
ter a disciplina Hist. da Música Popular, alguns cursos 
substituem por Etnologia ou Hist. da Música Brasileira que 
são completamente distintas. Portanto, pesquisar todos os 
nuances da Música Popular ao longo do século, vai contribuir 
no processo de contextualização, e análises de formas.
2 - Os equipamentos e recursos que podem ser utilizados 
para essa área do conhecimento variam desde o aparelho 
de som básico (doméstico) ao uso dos celulares, o professor 
pode em muitos casos levar os alunos a produzir a própria 
música e isso é muito adequado com gêneros autóctones.
Elementos da 
linguagem
Perceber e explorar os 
elementos constituti-
vos da música (altura, 
intensidade, timbre, 
melodia, ritmo etc.), 
por meio de jogos, 
brincadeiras, canções 
e práticas diversas de 
composição/criação, 
execução e apreciação 
musical.
1 - Aqui quero sugerir que devemos pesquisar e reler os 
teóricos dos métodos ativos da 2ª geração, em especial 
Raymond Murray Schafer (O ouvido pensante e A afinação 
do mundo), cujas obras trazem uma visão contemporânea 
de como proceder em aulas de educação musical no universo 
escolar.
2 - Nos processos de criação podem ser utilizados desde 
softwares para a criação musical até a utilização de 
instrumentos construídos pelos próprios alunos, usando 
reciclagem (nesse ponto cabe propor um processo 
interdisciplinar com o professor de artes visuais), ficando 
livre para que os alunos possam propor algum instrumento 
que eles dominem.
Materialidades
Explorar fontes sono-
ras diversas, como as 
existentes no próprio 
corpo (palmas, voz e 
percussão corporal), na 
natureza e em objetos 
cotidianos, reconhe-
cendo os elementos 
constitutivos da música 
e as características de 
instrumentos musicais 
variados.
1 - Essas etapas não são lineares da forma que estão 
descritas, portanto, antes de usar, se for o caso, a construção 
de instrumentos o professor pode explorar essa área do 
conhecimento.
43Prática Curricular na Dimensão Escolar
Notação e 
registro musical
Explorar diferentes for-
mas de registro musi-
cal não convencional 
(representação gráfica 
de sons, partituras cria-
tivas etc.), bem como 
procedimentos e téc-
nicas de registro em 
áudio e audiovisual, e 
reconhecer a notação 
musical convencional.
1 - Essa área é extremamente importante e trabalhosa, 
aconselha-se até que seja colocada a partir do momento 
em que os alunos tenham passado por todas as outras. 
Novamente os teóricos da 2ª geração dos métodos ativos 
devem servir como referência no que se refere à proposta de 
notação musical não convencional e representação gráfica 
dos sons, trazer para a sala de aula partituras contemporâneas 
(Cage, Bartok etc.) pode dar uma noção sobre o que seria 
esse não convencional.
2 - Novamente usar programas de edição de som é 
necessário para os estudos das técnicas de registro em 
áudio e audiovisual.
3 - Com relação à questão da notação musical convencional 
fica óbvio que metodologia usar, mas ter como ajuda no 
processo editores de partitura (Finale, Sibellius etc.) podem 
ajudar bastante devido a possibilidade de escrever algo 
e já verificar se está correto ou não por parte dos alunos. 
Esses programas citados existem apenas para Windows e 
Mac OS X, mas para quem tem celular (e aí vai uma dica de 
ocupar o celular durante as aulas com uma atividade escolar) 
existe o Ensemble Composer que não possui os mesmos 
recursos dos outros programas, mas possibilita escrever 
partitura no celular. No quesito edição de áudio, existem 
também opções bem interessante como: WavePad Audio 
Editor Free e o Audio Editor for Android, o Áudio Editor é 
um App multifuncional e que apresenta algumas ferramentas 
avançadas. Todos possibilitam que depois da criação o aluno 
possa compartilhar sua criação.
Processos de 
criação
Experimentar improvi-
sações, composições 
e sonorização de his-
tórias, entre outros, 
utilizando vozes, sons 
corporais e/ou instru-
mentos musicais con-
vencionais ou não con-
vencionais, de modo 
individual, coletivo e 
colaborativo.
Depois de todas as atividades é hora de incentivar os alunos 
a compor, improvisar etc., usando os conhecimentos obtidos.
Fonte: Adaptado por Ivan Veras Gonçalves da Base NacionalComum Curricular (BNCC),2018, p. 201.
Embora a BNCC ainda seja fruto de discussões, críticas etc., quando observamos 
o quadro acima percebemos que as áreas do conhecimento e as habilidades que 
se deseja alcançar são de grande relevância por serem amplas, interdisciplinares 
e contemporâneas em relação a tudo que tivemos no que se refere ao ensino de 
arte, em especial o de Educação Musical. A Música como expressão artística se 
diferencia de todas as outras formas de expressão, costumamos ressaltar esse 
lado “atrevido” dela, comparando com as demais formas de expressão artística, 
em todas as outras é necessário irmos ao encontro delas para que se possa fruir 
das mesmas, em contrapartida a música, com seu “atrevimento” característico, 
está em todos os lugares, ela nos cerca e vem ao nosso encontro.
44Prática Curricular na Dimensão Escolar
Por essa peculiaridade é que ressaltamos sua importância, para que nossos 
alunos possam identificar, reconhecer e, acima de tudo, apreciar de forma crítica, 
podendo discernir sobre o valor e a importância do que se ouve. Um alerta 
aos docentes, da mesma forma que por muito tempo o aluno foi obrigado a 
deixar do lado de fora da escola o seu conhecimento informal, adquirido do seu 
convívio com a família, amigos e sociedade, cabe ao professor deixar do lado 
de fora da escola seus preconceitos. Entende-se que esses conceitos formados 
antecipadamente e muitos deles sem um fundamento sério são obstáculos a 
uma educação simbiótica como a que defendemos entre o professor e o aluno, 
o aluno também não está isento de posturas dessa natureza, sendo que é 
preciso nos livrarmos desses “hábitos” e adotarmos uma postura propedêutica 
que nos conduza a uma teorização epistemológica da música. Essa deve ser a 
meta da Educação Musical, dentro do contexto de uma escola contemporânea, 
democrática e plural.
Resumo
Nesta Unidade, procuramos analisar a importância de o professor gerir seu 
próprio trabalho de forma consciente, encarando um grande desafio. A gestão 
irá levar o docente a planejar, coordenar e organizar o seu trabalho.
Abordamos a importância de o professor desenvolver competências, que nos 
possibilite gerir melhor todos os aspectos da nossa prática, entendendo que 
essas competências, embora não representem saberes, nos ajudam a mobilizar 
e integrar os mesmos.
Na Unidade, focamos também a questão do planejamento que representa um 
instrumento que além de guiar nosso processo de trabalho, funciona como 
um apaziguador de conflitos e ajuda a resolver situações difíceis. Procuramos 
enfatizar a importância do Projeto Político-Pedagógico (PPP) para que se 
compreenda o planejamento, já que o mesmo deve ser construído com base 
no PPP. Sempre lembrando que o planejamento deve visar a formação do 
aluno e o papel da música nessa formação. Abordamos a BNCC, entendendo 
a mesma como mais uma proposta de avanço do nosso sistema educacional e 
reconhecendo nela algumas virtudes, apesar de necessitar de ajustes. Sua área 
do conhecimento e as habilidades pretendidas por cada um dos itens dessa 
área, são bem abrangentes e contemporâneos.
45Prática Curricular na Dimensão Escolar
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