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Gonçalves, Ivan Veras. Prática curricular na dimensão escolar [e-Book]. / Ivan Veras Gonçalves. – São Luís: UEMA; UEMAnet, 2018. 46 p. ISBN: 1. Práticas pedagógicas. 2. Professor. 3. Sala de aula. 4. Multimeios. 5. Educação musical. I. Título. CDU: 37.016 Os matérias produzidos para os cursos ofertados pelo UEMAnet/UEMA para o Sistema Universidade Aberta do Brasil - UAB são licenciadas nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhada, podendo a obra ser remixada, adaptada e servir para criação de obras derivadas, desde que com fins não comerciais, que seja atribuído crédito ao autor e que as obras derivadas sejam licenciadas sob a mesma licença. Reitor Gustavo Pereira da Costa Vice-Reitor Walter Canales Sant´ana Pró-Reitora de Graduação Andrea de Araújo Núcleo de Tecnologias para Educação Ilka Márcia Ribeiro S. Serra - Coordenadora Geral Sistema Universidade Aberta do Brasil Ilka Márcia R. S. Serra - Coord. Geral Lourdes Maria P. Mota - Coord. Adjunta | Coord. de Curso Coordenação do Designer Educacional Cristiane Peixoto - Coord. Administrativa Maria das Graças Neri Ferreira - Coord. Pedagógica Professor Conteudista Ivan Veras Gonçalves Revisão de Linguagem Lucirene Ferreira Lopes Designer de Linguagem Clécia Assunção Silva Designer Pedagógico Paulo Henrique Oliveira Cunha Projeto Gráfico e Diagramação Tonho Lemos Martins Capa Rômulo Coelho UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO APRESENTAÇÃO Caro (a) estudante, Na disciplina Práticas Curriculares na Dimensão Escolar, abordaremos em 4 (quatro) Unidades todos os desafios que a prática pedagógica vem enfrentando e os desafios que ainda estão por vir. Neste e-Book vamos analisar, a realidade didático-pedagógica das nossas escolas e como o professor deve encarar essa realidade, refletindo de que maneira a estrutura escolar e nossas práticas se inter-relacionam, passando pela história de nossas políticas educacionais. Vamos abordar as práticas desenvolvidas em sala de aula e como poderemos superar a fragilidade do processo de aprendizagem, além de separar entre o que é proposto (discursos) e a realidade das escolas. Vamos discutir quais Multimeios podemos utilizar no ambiente escolar, bem como, os principais recursos da informática (softwares) que temos à nossa disposição. Vamos procurar entender a importância da gestão na prática docente e como, o planejamento e o Projeto Político-Pedagógico se tornaram ferramentas fundamentais na resolução de conflitos e nas situações difíceis. Abordaremos a nova Base Nacional Comum Curricular, a mais nova proposta de avanço para nossa educação. Bons Estudos!! Prática Curricular na Dimensão Escolar UNIDADE 1 UNIDADE 3 UNIDADE 4 UNIDADE 2 1.1 Breve introdução ................................................................................ 1.2 Histórico das Políticas Educacionais no Brasil ................................... 1.3 A importância dos planos educacionais para a evolução da educação brasileira ............................................................................................. Referências ........................................................................................ 3.1 A Informática no ambiente escolar ..................................................... 3.2 A tecnologia e o ensino da Música ..................................................... Referências ........................................................................................ 4.1 Planejamento em música: as escolhas docentes .............................. 4.2 Propostas contemporâneas em educação musical ............................ Referências ........................................................................................ 2.1 Superação das fragilidades das aprendizagens ................................. 2.2 A separação entre os discursos e o que acontece nas escolas ............. Referências ........................................................................................ 5 6 12 18 21 23 27 30 31 34 38 41 45 REALIDADE DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DAS ESCOLAS BRASILEIRAS METODOLOGIA E MULTIMEIOS PRESENTES NA PRÁTICA ESCOLAR A GESTÃO DO TRABALHO DOCENTE EM EDUCAÇÃO MUSICAL SUMÁRIO PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS PELO PROFESSOR EM SALA DE AULA 5Prática Curricular na Dimensão Escolar OBJETIVOS REALIDADE DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DAS ESCOLAS BRASILEIRAS UNIDADE 1 Entender a relação que todas as políticas educacionais tiveram entre si desde o Brasil Imperial até os dias de hoje; Compreender a evolução dessas políticas e a relação intrínseca com a política, os interesses privados, grupos ideológicos e os anseios sociais; Reconhecer a importância que a atual LDBEN tem para seguirmos num processo evolutivo e modernizador adequado a uma educação para o século XXI. 1.1 Breve Introdução Nesta Unidade, vamos efetuar uma reflexão sobre as práticas didático- pedagógicas presentes em nosso sistema escolar e refletir de que maneira a estrutura das escolas e suas práticas se inter-relacionam, e como isso impacta na consecução de uma educação de qualidade. Iremos de forma não aprofundada, já que não é nossa intenção neste trabalho, abordar a política educacional brasileira, pois é ela quem estrutura e define todo o processo, ao estabelecer tipos de ensino, direitos e deveres do Estado em relação à Educação no Brasil. Foi nos anos 1980 que a nossa educação começou a ser repensada e a sofrer fortes mudanças conceituais. Nesse período, a expressão “Educação Básica” começa a ser amplamente citada no Brasil, tanto nos círculos acadêmicos como pelos órgãos reguladores do sistema educacional. No governo Sarney (1985 – 1990), já no seu primeiro ano de governo, o MEC elaborou um documento intitulado: “Educação para Todos – Caminho para a Mudança” (MEC/ 1985), esse documento iria servir de orientação para a política educacional nos primeiros anos da “ Sexta República”1. _______________ 1 É o período subsequente ao Regime Militar até os dias de hoje. Foi, também, conhecido popularmente como Nova República. Figura 1 - Capa da 1ª versão do documento Fonte: http://www2.senado. leg.br/bdsf/item/id/200466 6Prática Curricular na Dimensão Escolar A partir da promulgação da Constituição de 1988 (A Constituição Cidadã), desapareceram do conjunto de diplomas legais, que normatizavam o sistema educacional brasileiro, termos um tanto quanto genéricos como 1º e 2º grau e as etapas de estudo se tornaram mais claras e evidentes: creche, pré-escola, Ensino fundamental e Ensino Médio. Já na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN nº 9.394/96), o art. 21 já determinava que a educação básica seria formada pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. 1.2 Histórico das Políticas Educacionais no Brasil Ao longo da história do Brasil a questão educacional sempre se apresentou para os governantes como um Nó Górdio2, com muitas idas e vindas sempre buscando qual a melhor planificação para gerir a nossa educação e obter os resultados esperados. Podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que todas as políticas educacionais, onde quer que sejam elaboradas, junta-se aos planos para a consecução da sociedade que se deseja instaurar, ou que se encontra em curso em um certo momento histórico em uma dada circunstância política. (AZEVEDO, 2001). No Brasil, em face de muitos gestores educacionais, em governos diferentes, proporem políticas fortemente influenciadas por sua visão pessoal ou de grupos diretamente interessados no setor, nunca se conseguiu ter uma política educacional elaborada de forma clara, coerente, e que fosse de longo prazo. Por esses motivos, contata-se que todas as reformas educacionais elaboradas e implantadas no Brasil, não produziram o efeito esperado, tendo pouca ou quase nenhuma influência nas práticas pedagógicas, essas políticas revelaram pouca aplicabilidade prática. Mesmo quando alguma dessas propostas se mostravam interessantes e com a possibilidadede surtir efeitos a médio e longo prazo, as mudanças de governo e ideologia em geral demonstraram nenhuma ou quase nenhuma intenção de preservação dessas propostas em vigor, muitas vezes essa descontinuidade das políticas educacionais está relacionada à defesa de interesses de conglomerados educacionais privados, grupos partidários e/ou ideológicos, todos buscando defender sua visão da Educação na _______________ 1 O Nó Górdio é uma referência lendária envolvendo o rei da Frígia (Anatólia) e Alexandre III, o Grande (Rei da Macedônia). É uma alegoria ordinariamente utilizada como metáfora de um problema que não se pode solucionar e que se resolve por um comportamento sagaz. Veja mais em: <https://metaforas.com.br/2014-02-01/no-gordio.htm. 7Prática Curricular na Dimensão Escolar sociedade. Dentro da esfera legislativa atuam muitos grupos (religiosos, empresários do setor, e grupos ligados a sindicatos), que procuram cada um, a seu modo, implementar mudanças que favoreçam o seu grupo e/ou os seus interesses. Com tantos grupos atuando assim temos sempre ações num sentido e outras em sentido contrário, que de certa forma acabam dificultando na proposição de uma política educacional mais coerente e efetiva que represente os interesses manifestos na sociedade. Não resta dúvidas, que ações bem elaboradas e, consequentemente, bem implementadas, se configuram em uma obrigação estatal no que se refere ao âmbito das políticas sociais. O descaso com a educação no Brasil remonta ao período colonial, onde índios e negros eram vistos como inferiores, aos quais não estava destinado nenhum tratamento especial, eram meros “animais de carga” e mesmo os brancos sem uma condição financeira ou familiar de destaque, eram tratados sem nenhum privilégio pela coroa portuguesa, cabendo às elites uma boa educação e o acesso aos bens culturais, adquiridos nos colégios dos Jesuítas ou na Europa. Mesmo com a independência em 1822, o panorama educacional no Brasil Imperial não sofreu melhorias, persistia altos índices de analfabetismo, principalmente nas províncias distantes da corte que não tinham suas reivindicações, no que se refere à educação, atendidas. Esse descalabro em relação à Educação, essa estagnação, irá permanecer imutável até a primeira metade do século XIX. De 1834 a 1934, houve uma evolução lenta da nossa educação, o aquecimento industrial fez com que umas enormes massas de pessoas nas cidades buscassem se escolarizar, mas o acesso à educação pública ainda era escasso o que restringia o acesso de um grande número de pessoas à escola. No meio rural não houve mudanças, com o índice de analfabetismo continuando em um patamar elevadíssimo (devido à falta de um levantamento confiável na época, se torna difícil precisarmos os percentuais de analfabetos no campo), num percurso histórico que perdura até os dias atuais, com uma pequena melhora registrada nos últimos 25 anos. A displicência do governo imperial com a Educação fica claro e evidente quando em 1824, influenciado pelas ideias liberais em voga na Europa na época, o imperador D. Pedro I outorga a Constituição Política do Império do Brasil (nossa primeira constituição) e o referido texto não traz em seu conteúdo nenhuma diretiva para a Educação. 8Prática Curricular na Dimensão Escolar O período da chamada Primeira República (entre 1911 a 1930), foi um período conturbado da história brasileira: [...] nasceu sob o signo da ordem, da repressão e do conservadorismo; é também conhecida como República Velha, República dos Coronéis ou República do Café com Leite, cujo poder estava nas mãos dos ‘coronéis’ de São Paulo e Minas Gerais (política Café com Leite). (GIRON, 2014, p.3). Aconteceram muitas revoltas na sociedade, fruto de ideias liberais e na busca de ampliação de direitos em vários níveis. Nesse período surgiram os princípios federativos que já haviam sido previstos na constituição de 1891. Esses princípios atribuíram à União a responsabilidade com o Ensino Superior e a Educação Secundária e aos Estados a incumbência de gerir a Educação Elementar e Profissional. Esses princípios buscavam reiterar o processo de descentralização do ensino e o caráter elitista da educação (a educação secundária era restrita às elites e tinha caráter propedêutico) enquanto a educação elementar era dirigida às classes menos favorecidas economicamente. (GIRON, 2014, p.4). Mesmo com a constituição determinando que a educação era direito de todos, não eram criados mecanismos eficazes que garantissem esse acesso e gradativamente a iniciativa privada foi ocupando os espaços deixados pelo governo e assumindo a responsabilidade de suprir essa demanda do setor educacional. Na década de 1920, vemos um incremento do processo de industrialização que formou uma nova burguesia urbana, que passa a exigir do governo uma educação acadêmica e de elite. Da mesma forma houve, também, um exponencial aumento da população das cidades com pessoas oriundas do meio rural em busca de melhorias de vida e, principalmente, de uma boa educação à qual não tinham acesso no campo. Esse “inchaço” das cidades forçosamente começou a deslocar as populações mais pobres para a periferia das grandes cidades, acelerando enormemente o processo de gentrificação das mesmas. Essa periferia, em sua grande maioria, habitada pela classe operária, passa a exigir que lhe seja assegurado o mínimo de escolarização. A partir dessas exigências e da constatação do problema, vários movimentos liderados por políticos e educadores, dentre eles o Movimento da Escola Nova, passaram a discutir a questão e buscar soluções para nossa problemática educacional. 9Prática Curricular na Dimensão Escolar Com a forte influência das ideias da Escola Nova surge a esperança de democratização e de transformação da sociedade através da escola, fatos esses que forçaram a municipalização do ensino primário, apesar deste ter forte influência positivista (ênfase no saber científico); surgem educadores e intelectuais da educação que debatem planos e reformas para a recuperação da educação brasileira. (GIRON, 2014, p. 5). Com a Revolução de 1930, chefiada por Getúlio Vargas, a República Velha vai aos poucos saindo de cena. Já em 1930, ele cria o Ministério da Educação e Saúde, que trataria de assuntos específicos aos dois temas e em 1931 é implantada a Reforma Francisco Campos, que viria organizar de forma efetiva o ensino secundário e superior no país. Em 1934, ocorre o primeiro ato de real impacto para a educação brasileira, com a promulgação da Constituição de 1934 (terceira constituição do país e segunda da república), fica determinado que, a partir de então, a educação era um direito de todos os brasileiros, devendo ser disponibilizada pelo governo e pela família (CF,1934, Cap. II, Tít. V, art. 149). Nesse período, marcado por uma onda desenvolvimentista, que em virtude da crise mundial (crash da bolsa de Nova York em 1929) e a crise do Café no mesmo ano no Brasil, fez com que o governo provisório da Revolução de 1930 mudasse o modelo de exportação agrícola pela industrialização. Com esse emergente capitalismo industrial, tornou-se condição sine qua non para que tivéssemos uma educação que o modelo industrial exigia, com instruções e habilidades fornecidas ao trabalhador para que tivéssemos uma indústria competitiva, muito diversa dos conhecimentos exigidos para o desenvolvimento da atividade agrária. Nesse ponto o governo, como já havia sido pensado no final do século XIX, queria que toda essa modernização dos meios de produção tivesse uma classe intelectual bem formada, uma elite dominante. Para tanto, o novo ministério criado teve como primeiro ministro Francisco Campos, ligado a setores conservadores Fonte: https://br.pinterest.com/pin/122300946112005855 Figura 2 - Inauguração do Min. da Educação por Getúlio Vargas 10Prática Curricular na Dimensão Escolar da Igreja Católica, que era considerado um reformador e queimplementou reformas no ensino superior, pois afirmava que era melhor um modelo de ensino universitário ao das escolas superiores (modelo vigente na época), e determinou que uma universidade para ser fundada necessitava de: Faculdades de Direito, Medicina e Engenharia. Ficou evidente que quando da criação do Ministério da Educação e Saúde uma das ideias do governo era que o mesmo se encarregasse da formação da elite cultural almejada pelo governo e pelos conservadores, para que isso se efetivasse deveria propor leis e uma ampla reforma do ensino no país. Essas propostas do novo ministério ampliaram sobremaneira a segregação social no universo educacional ao criar um modelo de escola que formava para níveis escolares mais altos (universidades) e outra destinada para as camadas mais pobres da população, que preparava para o mercado de trabalho. A criação do Ministério da Educação e Saúde foi o momento em que o Estado consolidou uma das ações mais objetivas e pontuais para a educação brasileira, pois se adaptaram diretrizes educativas ao campo político e econômico, criando com isso um ensino mais adequado à modernização que se almejava para o país. (GIRON, 2014, p. 6). Embora houvesse essa questão segregatícia no universo escolar, a educação alcançou altos níveis de desenvolvimento, com a criação de inúmeras escolas técnicas e o número de alunos no ensino primário e secundário duplicou. Foi o momento em que, em face desse avanço, surgiram ideias inovadoras para o setor educacional. No período de 1941 a 1945, o ministro Gustavo Capanema (o mais longevo ministro da Educação da história do país – 1934 a 1945) realizou uma série de reformas que receberam o nome de Leis Orgânicas do Ensino (popularmente chamada de Reforma Capanema), dentre elas estava a que criou o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Era um sistema de ensino paralelo ao oferecido pelo governo e visava suprir a demanda do comércio e do sistema industrial brasileiro. A partir de 1946, movimentos de cultura e educação popular estavam empenhados em rediscutir o modelo educacional brasileiro e em propor uma ampla reforma do modelo de educação no Brasil. Dos anos 1940 até o começo dos anos 1960, segundo nos aponta Saviani (2013, p.316) “[...] a política populista incitava à mobilização das massas, de cujo apoio os dirigentes políticos dependiam para obter êxito no processo eleitoral”, com isso muitas iniciativas se voltavam para o aumento do eleitorado, já que só podia votar o cidadão que fosse alfabetizado. Com isso a educação popular nesse período era voltada para os adultos, tendo sido realizadas muitas campanhas nesse sentido. Em face da constatação de que mais de 50% da população brasileira era analfabeta ou seu grau de instrução não ultrapassava o segundo ano primário, surgiu, em 1958, a Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo – CNEA, que se dirigia à educação popular e rural. No período após o Estado Novo (1937-1946), nossa política educacional estava polarizada entre dois grupos que defendiam de um lado a educação pública e do outro os que defendiam o ensino privado. Esse período foi marcado por três fatos decisivos: a tramitação da LDBEN3 entre 1948-1961; a campanha em defesa da escola pública na década de 1960; e os movimentos de alfabetização e cultura popular no Nordeste no começo dos anos 1960. Esses movimentos de educação popular atribuíram uma nova acepção a essa prática educativa, ligando essa educação a uma efetiva participação política do povo, graças a um aumento no seu poder de reflexão que conduziria a uma transformação de si mesmo e da sociedade em que viviam, seria no caso “uma educação do povo, pelo povo e para o povo” (SAVIANI, 2013, p.317), dando a ideia de uma educação de qualidade para todos e não apenas para as elites. Vários foram os movimentos surgidos no período e cujo o ponto de partida é a situação do oprimido. Cabe citar o Movimento de Cultura Popular (MCP), que estava vinculado à Prefeitura do Recife, na gestão de Miguel Arraes (1960-1962), que “pretendia encontrar uma fórmula brasileira para a prática educativa às artes e à cultura do povo e suas atividades estavam voltadas, fundamentalmente, para a conscientização das massas através da alfabetização e da educação de base”. (PAIVA, 1973, p.236). A experiência do MCP foi fundamental na elaboração do método Paulo Freire. A maioria dos movimentos voltados para educação de adultos, surgidos no Nordeste, tiveram intensa participação do Governo, da Igreja Católica e de grupos de esquerda (GÓES, 1980). Fi gu ra 3 - O ed uc ad or P au lo Fr eir e Fonte: http://www.jornaldocampus.usp.br/wp-con tent/uploads/2017/11/paula%CC%83o.jpg 11Prática Curricular na Dimensão Educacional _______________ 3 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. 12Prática Curricular na Dimensão Escolar 1.3 A importância dos planos educacionais para a evolução da educação brasileira No começo dos anos 1960, após exaustivos 13 (treze) anos de idas e vindas e longas discussões, foi sancionada em 20 de dezembro de 1961, a Lei nº 4.024 que viria a ser a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN). Para que se chegasse à consecução dessa Lei tivemos dois grupos tentando impor suas ideias e sua filosofia sobre a educação brasileira. De um lado estavam os estatistas, ligados à esquerda que partiam do princípio de que o Estado vem antes do indivíduo e, portanto, deveria fornecer uma boa educação que preparasse esse indivíduo para a vida social. Para esse grupo cabia única e exclusivamente ao Estado a função de gerir a educação em todos os níveis, o ensino seria público e gratuito, escolas particulares poderiam existir só mediante uma concessão do Estado. O outro, chamado de Liberais ou liberalistas, era ligado aos políticos de centro e de direita e, também, a setores conservadores da Igreja Católica. Acreditavam que os direitos do indivíduo eram direitos naturais e não cabia ao poder público afirmá-los ou negá-los, apenas respeitá-los. Se baseavam na ideia de que se a educação era um dever da família, cabia unicamente a ela escolher onde a mesma seria ofertada, fosse na rede pública ou numa variedade de escolas particulares. Restava, pela ótica dos liberalistas, ao Estado apenas traçar as diretrizes do sistema e garantir que pessoas da camada mais pobre da população tivessem acesso ao sistema privado de ensino mediante o oferecimento de bolsas de estudo. No texto final da LDBEN, podemos notar que as ideias dos liberalistas acabaram por se impor na maior parte do que o Congresso Nacional aprovou. Em 1964, com a instauração do governo militar, começaram a acontecer inúmeras reformas em nosso sistema educacional. O golpe militar, patrocinado e apoiado pelo governo norte-americano, concede aos Estados Unidos da América acesso a todos os setores do governo. No campo educacional, o acordo entre o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID)4 proporcionou que técnicos americanos promovessem mudanças em nosso sistema educacional, foram mudanças que mutilaram o currículo escolar e universitário brasileiro, com a retirada de disciplinas e o acréscimo de outras tudo promovido para minorar reações e as críticas ao modelo ditatorial que estava sendo implantado, como já havia sido _______________ 4 USAID- United States Agency for International Development. 13Prática Curricular na Dimensão Escolar feito nos EUA em relação aos movimentos de contracultura do final dos anos 1960, que contestavam a postura beligerante do governo norte-americano. Essa intervenção teve como resultado a Lei nº5.540/68, que promoveu uma reforma universitária e a Lei nº 5.692/71, que promoveu a reforma da Educação Básica da época. A Lei nº 5.692/71 foi na verdade a nossa “segunda LDBEN”, embora quando você faz pesquisas sobreo assunto ela quase não é citada. A lei foi sancionada em 11 de agosto de 1971 pelo então presidente da república General Emílio Garrastazu Médici. O fato de não ser citada como uma Lei de diretrizes e bases refere-se à mesma ter focado no ensino de 1º e 2º graus e deu outras providências. Mas a Lei com as deliberações que trouxe pode-se dizer preparou o terreno para a universalização que viria ocorrer na década de 1990. Essa Lei corrigiu algumas distorções e anseios que a Lei nº 4.024/61 não contemplou, dentre essas distorções as mais importantes foram: a expansão do ensino básico obrigatório para 8 anos (a lei anterior fixava em 4 anos), que já era um desejo dos Pioneiros da Educação Nova expressos no Manifesto de 1932. No começo dos anos 1970, o Brasil era o único país da América Latina cuja a Educação Básica obrigatória era de apenas 4 anos e, por isso, o Brasil era muito cobrado por organismos internacionais; fim do exame de admissão que os alunos precisavam se submeter entre o fim do primário para ingressar no ginasial; uniu-se primário e ginasial no que se passou a se chamar 1º Grau. Mas algumas deliberações da Lei nº5.692/71 foram alvos de severas críticas por parte dos educadores e especialistas em educação. No parágrafo 3º, do art. 4º, do capítulo I, ficou determinado que a disciplina Língua Portuguesa passaria a se chamar Comunicação e Expressão, que de certa forma dava um ar experimental à disciplina, pois visava ser um instrumento de expressão da cultura brasileira. A lei, também, visava transformar todo o ensino de 2º grau em ensino profissionalizante, algo que nunca foi plenamente realizado por uma série de motivos que iam desde a reação de donos de escolas que teriam um custo a mais com a implantação de laboratórios e oficinas até os empregadores que não viam um retorno para suas empresas terem um grande contingente de estagiários. O último presidente do governo militar. O General João Batista Figueiredo reconheceu essa medida como um erro e acabou essa obrigatoriedade no 2º grau. Segundo Giron (2014), a anistia aos exilados políticos da época da ditadura militar, deu força extra para as preocupações que existiam no país com o sentido social e político da educação. A partir de 1982, ano em que foi 14Prática Curricular na Dimensão Escolar possível votar para eleger os governadores novamente, os estados adquirem uma certa independência para a tomada de decisões e puderam pôr em prática políticas educacionais próprias e passaram a influir nas decisões futuras da política do país na busca de que as novas propostas tivessem um fim homogêneo para todos os entes federativos e que se ajustassem a um sistema de modernização educativa que formaria pessoas ajustadas a um novo mercado de trabalho global. A partir de 1980, observamos uma mudança na face do Capitalismo que é a “mundialização do capital”, ou seja, nada mais é do que o fenômeno da globalização. As políticas educacionais acabaram seguindo essa tendência da mundialização do capital, visto que a educação passou a ser vista como a “área fundamental a ser desenvolvida nas ações para a redução da pobreza nas regiões subdesenvolvidas”. (MELO,2004, p.4). Cria-se uma agenda, levada a cabo pelo Banco Mundial e o FMI, com a chancela da UNESCO, para a elaboração e execução de projetos e políticas educacionais voltadas para a América Latina e Caribe, ela foi baseada no programa Educação para Todos e foi aos poucos sendo implantado simultaneamente em todos os países da região. Nos anos 1990, realizou-se na Tailândia a Conferência Mundial de Educação para Todos onde os países participantes assinaram um compromisso de garantia de uma educação básica de qualidade para todos os matriculados no sistema de ensino ( crianças, jovens e adultos), a Educação Básica passa então a ser vista como a solução dos problemas de aprendizagem e como uma ferramenta capaz de reduzir os índices de pobreza dos países em desenvolvimento e formar trabalhadores capazes de aumentar a produtividade dos trabalhadores. Um documento elaborado pela CEPAL5 chamava a atenção para o fato de que havia: [...] a necessidade de implantação das mudanças educacionais demandadas pela reestruturação produtiva em curso. Recomendava que os países da região investissem em reformas dos sistemas educativos para adequá-los a ofertar os conhecimentos e habilidades específicas requeridas pelo sistema produtivo. (SHIROMA et al., 2004, p.63). Essas políticas, ditadas pelos organismos internacionais, começaram a ser postas em prática no governo de Itamar Franco com a elaboração do Plano Decenal de educação para Todos e se concretizaram no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), “como elemento do projeto neoliberal de sociedade, num processo _______________ 5 CEPAL- Comissão Econômica para a América Latina e Caribe. 15Prática Curricular na Dimensão Escolar histórico de mundialização do capital”. (MELO, 2004, p.163). Sob a inspiração social – democrata, projetou-se uma educação cujo o objetivo, imprescindível, era promover nos educandos a aquisição de competências e talentos, cuja a intenção era a promoção de uma uniformização dos saberes para a integração no mercado global de trabalho. O capítulo III, seção I, art. 205 da Constituição Federal de 1988 (A Constituição Cidadã) diz que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº9.394/96 (que se encontra em vigor), foi sancionada em 20 de Dezembro de 1996 pelo então presidente da república Fernando Henrique Cardoso, em consonância com os ditames da Constituição Federal de 1988, para tornar claro e normatizar o sistema educacional do Brasil, definindo os princípios gerais, as metas a serem alcançadas, os valores monetários autorizados e consignados no orçamento para atender a uma determinada programação, a formação e diretrizes para os profissionais etc. Assim como aconteceu com a proposta da Lei nº4.024/61, a versão aprovada em 1996 também passou por exaustivos debates, antes de sua aprovação, entre duas propostas. De um lado tínhamos a proposta conhecida como “Projeto Jorge Hage”6 , que se originou de uma série de debates com a sociedade, que foram organizadas pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola pública, apresentada na Câmara dos Deputados. A segunda proposta foi apresentada pelos senadores Darcy Ribeiro, Marco Maciel e Maurício Correa com a colaboração de técnicos do MEC. Essa segunda proposta foi a que agradou ao governo federal que acabou por fazer acréscimos ao seu texto (MONTEIRO, GONZÁLEZ & GARCIA, 2011). Naquele momento do Brasil, com apenas 11 (onze) anos de redemocratização, e com emergência da modernização do país, ficava evidente a necessidade de novas diretrizes para o nosso sistema educacional e, nesse cenário de carência da nossa educação, uma lei que viesse trazer novas propostas para dar fundamento à estrutura educacional. Os 92 (noventa e dois) artigos, da Lei nº 9.394/96, definiram todos os passos da educação do país em todas as suas fases e modalidades. A Lei nº 9.394/96 definiu que a nossa educação passa a ter dois níveis: Educação Básica e Superior. A educação básica foi definida em Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. _______________ 6 Jorge Hage Sobrinho foi o relator da proposta e apresentou o primeiro substitutivo da nova LDBEN. 16Prática Curricular na Dimensão Escolar Mas as inovações trazidas pela nova lei podem ser observadas no seu capítulo 3º, que determina que: “o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios” (Lei nº9.394/96), que foram expostos nos diversos incisos deste capítulo: I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura,o pensamento, a arte e o saber; IV - Respeito à liberdade e apreço à tolerância; VII - Valorização do profissional da educação escolar; VIII - Gestão democrática do ensino público, na forma desta lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX - Garantir padrão de qualidade; X - Valorização da experiência extraescolar; XI - Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais; XII - Consideração com a diversidade étnico-racial (incluído pela Lei nº12.796/2013) (Capítulo 3º, Lei nº 9.394/96) No art. 4º, a nova Lei determinou que cabia ao Estado fornecer educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, bem como oferecer acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um (Lei nº9.394/96). Como já havia acontecido em leis anteriores a nova reforma determinou matrículas a partir dos 6 (seis) anos de idade (Lei nº 11.114/2005) e ampliou o ensino fundamental para 9 (nove) anos de duração (Lei nº 11.274/2006). Passadas mais de duas décadas da Lei nº9.394/96, muitos avanços são visíveis, mas muita coisa ainda precisa ser concretizada, como já observamos o nosso sistema de ensino precisava de uma lei que trouxesse novas diretrizes, que estivessem em conformidade com o século XXI que já se avizinhava quando a mesma foi sancionada. Esta trouxe políticas públicas para o sistema educacional que até então inexistiam, como quando trata da educação básica, entendida como um ponto transformador da sociedade e assegurada a partir de então como um direito. A educação básica é um conceito mais do que inovador para um país que, por séculos negou, de modo elitista e seletivo aos seus cidadãos, o direito ao conhecimento pela ação sistemática da organização escolar. Resulta daí que a educação infantil é a raiz da educação básica, o ensino fundamental é o seu tronco e o ensino médio é seu acabamento. (CURY, 2008, p.294-295). 17Prática Curricular na Dimensão Escolar A LDBEN é mais uma contribuição no vasto campo de políticas públicas voltadas para a educação, é basicamente a busca de uma educação democrática, que não pode e não deve ser capturada por nenhuma ideologia, seja de direita ou de esquerda, no seu escopo ela visa normatizar e ser um ponto de partida para reflexões e alterações (como já foi alterada algumas vezes) se necessário for sempre buscando corrigir imperfeições autorais e temporais. As discussões e reflexões sobre a Lei nº 9.394/96 são necessárias para podermos ter escolas aptas a promover verdadeiramente a inclusão, levar nossos educandos a fazer parte de algo realmente bom que é a escola, fazer parte de um sistema educacional de qualidade para todos os estudantes. Podemos dizer sobre essa Lei: Não pretendemos aqui esgotar o debate, mas abrir caminho para novas problematizações e, mais ainda, um olhar cuidadoso frente ao cenário político que se articula neste momento, com imprecisões, incertezas e improvisações dos conservadorismos e autoritarismos, que tentam burlar a luta democrática em curso no país. Esta questão nos leva a indagar: o que e a quem queremos educar? Para que mundo, que sociedade? (SOUZA; ARAÚJO &SILVA,2017, p.159). Resumo Nesta Unidade, estudamos um pouco do histórico das políticas educacionais até os dias de hoje implementadas no país, todos os desdobramentos que conduziram a adoção das mesmas. Estudamos como ao longo da história brasileira, a educação foi vista, pensada e tratada, da primeira constituição do Brasil Imperial até o Estado Novo, qual era a visão dos políticos e burocratas do setor. Estudamos também, como a partir dos anos 1960 a nossa educação passou a ser pensada por técnicos e começou a evoluir até chegarmos a LDBEN nº9.394/96, que foi elaborada em conformidade com os princípios da CF de 1988 (A Constituição Cidadã), que nos conduziu a termos uma escola democrática e plural. 18Prática Curricular na Dimensão Escolar Referências AZEVEDO, Janete M. Luís de. A educação como política pública. Campinas- SP: Autores Associados, 2001. CURY, Carlos R. Jamil. A educação básica como direito. São Paulo: Cadernos de Pesquisa, v.38, n.134, p.293-303, maio. /ago. 2008. GIRON, Graziela Rossetto. Reflexões sobre a História das Políticas Educacionais no Brasil. São Paulo: Portal da Educação, 2014. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/direito/refelexoes-sobre- a-historia-das-politicas-educacionais-no-brasil/57059 GOÉS, Moacyr de. De pé no chão também se aprende a ler (1961-1964). Uma Escola Democrática. v.3. Coleção Educação e Transformação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,1980. LUSTOSA, K. da Silva; SILVA, Maria do Socorro. Educação Popular e os movimentos Educativos e de Cultura Popular da Década de 1960. Recife-PE: IX COLÓQUIIO INTERNACIONAL PAULO FREIRE, Centro Paulo Freire,2016. Disponível em:<ixcoloquio. paulofreire.org.br/paticipacao/index.php/colóquio/paper/download/556/703 MELO, Adriana A. Sales. A mundialização da educação: consolidação do projeto neoliberal na América Latina. Brasil e Venezuela. Maceió - AL: EDUFAL, 2004. MONTEIRO, Rui A. Costa; GONZÁLEZ, Leon Miguel; GARCIA, Alessandro Barreta. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: o porque é seu contexto histórico. Revista Eletrônica de Educação - UFSCar, v.5, n.2, p.82-95, jun./dez. 2011. PAIVA, Vanilda Pereira. Educação popular e educação de Adultos: contribuições à história da educação brasileira. São Paulo: Ed. Loyola,1973. SAVIANI, Demerval. História das Ideias Pedagógicas no Brasil. 4. ed. Campinas: Autores Associados, 2013. SHIROMA, Eneida O; MORAES, Célia M; EVANGELISTA, Olinda. Política educacional. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. SOUZA, Gloria M. A. de; ARAULO, Gisele C. de Oliveira; SILVA, Waldeck Carneiro da. Vinte anos da Lei nº9.394/96, o que mudou? Praticas educacionais em busca da democracia. Brasília: Revista Retratos da Escola, v.11, n.20, p.147-160, jan. /jun.2017 19Prática Curricular na Dimensão Escolar OBJETIVOS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS DESENVOLVIDAS PELO PROFESSOR EM SALA DE AULA UNIDADE 2 Reconhecer as práticas do professor em sala de aula; Entender como é possível superar as fragilidades do processo de aprendizagem; e Identificar a disparidade entre os discursos e a realidade dentro das escolas. Sempre que pensamos quais práticas pedagógicas iremos propor na escola, um sinal de alerta se acende e precisamos pensar como conquistar a atenção dos educandos e, principalmente, buscar um aumento de rendimento em sala de aula. Nesse momento, o professor se questiona quais as práticas o levarão a alcançar esses objetivos? A educação do século XXI nomeou o aluno como protagonista principal de todos os esforços que contribuam para a construção do conhecimento e o professor foi encarregado de atuar como intermediário entre as partes envolvidas no processo. E essa passou a ser o modo através do qual a prática educativa passou a ser orientada. Mas devemos considerar que cada educando possui características distintas, o que os torna indivíduos impares, portanto fica claro que não deve existir uma única forma de lhes oferecer uma educação de qualidade. Para que se possa atingir um bom resultado em todas as fases do ensino é necessárias práticas pedagógicas adequadas à fase (educação infantil, ensino fundamental) e à faixa etária dos alunos. Propostas como o uso de recursos digitais (que abordaremos melhor mais adiante), é algo que consegue levar o aluno a uma participação mais colaborativa, visto que todos os jovens nos dias atuais possuem familiaridade com um grande número de gadgets7 e de widgets8, quando o professor incentiva esse uso. Na escola, essa prática transcende a sala de aula e esse contato com a tecnologia leva a outra prática pedagógica interessante que é a de “empoderar” o aluno, levando-o a construir e conduzir o seu processo de ensino-aprendizagem.Esse processo de empoderamento só se efetivará a partir de um processo de interação entre professor e aluno: _______________ 7 Gadgets - é uma gíria tecnológica para designar dispositivos eletrônicos portáteis. 8 Widgets - é usado na Internet e no sistema computacional (navegadores ou desktop), sendo um pequeno software em forma de módulo, que realiza um serviço específico ou fornece atalhos. 20Prática Curricular na Dimensão Escolar _______________ 9 Bullying – forma de violência que, sendo verbal ou física, acontece de modo repetitivo e persistente. Acreditamos que a possibilidade de uma educação mais progressista que aponte na direção da formação de sujeitos plenos e emancipados, será possível se adotarmos a noção de empoderamento em nosso cotidiano político-pedagógico [...] tomando a noção de empoderamento como elemento chave para as reflexões que ensejem a formação de sujeitos críticos e coletivamente autônomos nas decisões que lhes favoreçam uma visão de mundo efetivamente transformadora da realidade social. (SILVA; CHAGAS & PINHEIRO, 2016, p.2). A partir desse processo colaborativo, automaticamente surge a socialização entre todos os participantes, que se constitui em importante prática pedagógica em sala de aula. Esse processo de socialização, provoca uma aproximação maior de todos, fazendo desaparecer práticas discriminatórias, bullying9 etc. A tecnologia será de vital importância na comunicação entre os alunos das mais variadas formas, seja através de fotos, vídeos, textos, aplicativos de comunicação instantânea e compartilhamento, redes sociais etc. É necessário o uso de práticas pedagógicas interdisciplinares, que além de complementar os conteúdos por meio da sintonia e envolvimento de duas ou mais disciplinas, possa democratizar o currículo conduzindo o aluno a um processo de ensino-aprendizagem que obtenha ótimos resultados de compreensão e entendimento do que é ensinado sob vários ângulos e contextos. Propostas interdisciplinares levam o aluno a ter um posicionamento mais reflexivo e crítico dos temas abordados. O professor deve ter em mente que boas propostas pedagógicas para serem desenvolvidas em sala de aula, devem inspirar nos alunos o desejo de participação no processo, de mutualidade uns com os outros e, acima de tudo, participar de um processo de mão dupla onde ao mesmo tempo em que eles aprendem, também ensinam. O fluxo de informações na sociedade atual é vertiginoso, e as práticas educativas precisam acompanhar esse ritmo. Para que possamos estar sempre propondo novas formas de ensinar, é preciso que o professor esteja em um processo de formação contínuo, que ele seja sempre crítico e, acima de tudo, um questionador de sua própria prática. Não cabe na construção de uma prática pedagógica adequada à escola do século XXI, um professor que ainda esteja focado na memorização e reprodução de um determinado conteúdo. 21Prática Curricular na Dimensão Escolar A memorização e a reprodução do conhecimento são os pilares da prática pedagógica cartesiana newtoniana que tem sido oferecida aos alunos ainda neste início de século. Os professores, em sua maioria, estão sentindo necessidade de alterar sua prática docente, pois compreendem que os novos desafios e exigências mostram que se faz necessário visualizar um novo perfil profissional a ser formado, isto é, preparado para um mundo mais complexo, menos previsível e mais exigente. (PRIGOL, 2013, p.2). 2.1 Superação das fragilidades das aprendizagens Nos dias atuais os educadores devem buscar conduzir o seu fazer profissional em direção a uma prática que propicie ao aluno desenvolver sua criatividade, sua imaginação, sua capacidade de perceber as sensações e reagir aos mais diversos estímulos, de se emocionar diante de algo ou alguém, tudo isso em contraposição aos modelos “estandardizados” e que muitas vezes estão presentes no universo escolar à revelia daquilo que o professor deseja fazer. Esses modelos, que nos são muitas vezes impostos de cima para baixo, atrapalham a prática docente na busca de uma educação que prepara os alunos para viver em um mundo globalizado e essa é a grande demanda do século XXI. Nesse universo, o professor é o ponto fulcral do processo, mas a efemeridade do currículo e a ausência de planos de apoio à sua formação acabam por transformar a sua interferência no referido processo em uma ação frágil, o que nos aponta que o modelo de escola atual não atende às necessidades dos alunos, dos professores e da sociedade. Diante da relação de dependência entre todos esses “atores”, fica evidente que essa sensação de vulnerabilidade relativa à formação e suas práticas pedagógicas nos diversos contextos e níveis da educação formal, necessita ser repensada ou caso contrário, a fraqueza de todo o sistema tende a se agravar. Mas de onde partem essas fragilidades do sistema escolar? Quais são elas e como superá-las? É normal percebermos que nos anos iniciais do Ensino Fundamental a prática pedagógica, ou seja, as ações do professor em sala de aula apresentam muitos pontos fracos. Essa fragilidade muitas vezes tem sido descrita e atribuída ao fato desses docentes serem generalistas (polivalentes), como bem sabem essa categoria docente precisa, para exercer sua função, dominar o conteúdo e a metodologia das diferentes áreas do conhecimento 22Prática Curricular na Dimensão Escolar sob sua responsabilidade. Na nossa opinião, essa é uma tarefa hercúlea10, pois quando falamos em domínio de conteúdo e metodologia, isso traduz-se em: dominar o saber e saber fazer. “Para tanto, é preciso centrar o saber, o saber- fazer e o ser em atividades que façam sentido ao indivíduo, independentemente de sua etnia e de seus valores sociais e culturais”. (FREIRE,1994, p. 37). Mesmo quando temos professores especialistas, essas fragilidades nas atividades pedagógicas podem ocorrer e, em muitos casos, são detectadas tardiamente. Uma coisa comum em nosso sistema educacional, como um todo, diz respeito à “solidão” do professor dentro da escola, onde ele acaba por desenvolver suas atividades sem nenhuma ajuda ou orientação para sua prática pedagógica. Os currículos dos cursos de licenciatura no Brasil, sem exceção, falham em preparar o graduando para a realidade que ele irá encontrar depois de formado. Muitos deles quando se deparam com o conjunto de circunstâncias em que se dá o trabalho dentro do ambiente escolar, se percebem completamente despreparados para o enfrentamento da situação e, mais ainda, notam que não há com quem dialogar sobre suas práticas, acabam por se isolar e partem para a resolução dos problemas sozinhos. Essa atitude nem sempre é exitosa. Mesmo que esteja previsto em lei, segundo a Portaria da Coordenadora de Estudos e Normas Pedagógicas – CENP nº. 01/96; L.C. nº 836/97, BRASIL, o Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), muitas vezes acaba se transformando numa folga em vez de dar lugar à solução dos problemas enfrentados pelo professor, outras propostas, como a interdisciplinaridade, acabam prejudicadas por essa falta de contato entre o corpo docente. Esse isolamento, essa “solidão”, quando é superada, as fraquezas do processo pedagógico da escola desaparecem e o trabalho floresce. Algumas disciplinas, como a Música por exemplo, muitas vezes possuem apenas um professor na escola, nesse caso o professor acaba por se isolar muito mais se ele não propor ações interdisciplinares, e sabemos que existem disciplinas no currículo que por analogia são perfeitas para uma ação interdisciplinar com a Música como, por exemplo: Matemática, História e Língua Portuguesa, só para citar as mais próximas. Nesse cenário é preciso que não haja um desvio de função dos coordenadores pedagógicos, que não sejam colocados para atuar em outros setores da escola e possam se concentrar na função de organizar esse Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo (HTPC), de conclamar os professores a desenvolver ações interdisciplinares,ou seja, um coordenador _______________ 10 Hercúlea refere-se aos 12 trabalhos de Hércules (mitologia grega), virou sinônimo de algo que exige um esforço excessivo, que é árduo ou difícil de ser realizado. 23Prática Curricular na Dimensão Escolar focado unicamente nas ações pedagógicas da escola, colaborando com sua experiência e formação para a realização das ações e projetos dos professores. A maior parte das críticas que o sistema educacional brasileiro tem recebido se relaciona com a qualidade do ensino, críticas essas que desde o começo do século sempre foram enfáticas e apontavam o panorama preocupante para o país. Mesmo com os dados referentes aos alunos matriculados e ao grande número de alunos que concluem o ensino médio, nossa educação ocupa os piores lugares no ranking internacional, o que evidencia que é preciso um diagnóstico profundo sobre o motivo do conjunto de capacidades dos nossos alunos estarem tão longe do desejado. Como nos diz Roitman e Ramos (2011, p.7), “melhorar a qualidade da educação brasileira é um desafio urgente e prioritário”. Fica claro que o que tem sido feito atualmente não está produzindo bons resultados, cabe ao Ministério da Educação levar a cabo uma revisão curricular nas Instituições de Ensino Superior (IES), que aproxime a nossa educação do nível de qualidade de outros países. Sem esses “mea culpa” das nossas universidades, nossos professores continuarão saindo das graduações completamente despreparados para o que os aguarda nas escolas e sem conseguir dar uma resposta para a sociedade no que tange à formação dos alunos. Toda a formação recebida pelo futuro professor na graduação, precisa vir acompanhada de um choque de realidade, esse choque trata especificamente de conhecer os problemas e os desafios das nossas escolas, com a realidade das comunidades mais diversas e só assim, o professor poderá se preparar para lidar com a enorme diversidade que ele encontrará em sala de aula. 2.2 A separação entre os discursos e o que acontece nas escolas Em 26 de Junho de 2014, após ter tramitado por 4 (quatro) anos no Congresso Nacional e com os tradicionais embates de grupos defendendo seus interesses e suas ideologias, foi sancionado o Plano Nacional de Educação (PNE), com vigência até 2024, foram elaboradas 20 (vinte) metas visando melhorar a educação brasileira. Mas até que ponto esse e outros “discursos” governamentais trouxeram um avanço significativo para nossa educação? O nosso sistema de educação escolar sempre sofreu com o descaso dos governantes (isso não é segredo para ninguém, pois o descalabro continua), 24Prática Curricular na Dimensão Escolar mas a partir da Constituição de 1988 e, principalmente, da LDBEN nº9.394/96, ela começou a ser vista como uma das ferramentas que poderia ser usada para o desenvolvimento do país. Mas faltava uma política plurigestional, que atravessasse governos e fosse uma resposta aos anseios daqueles envolvidos direta ou indiretamente no processo educativo. Mas para que todo esse arrazoado político, que sempre foi bandeira de todas as agremiações partidárias, pudesse ter uma perenidade enquanto política pública era preciso dissociá-lo das ações transitórias e transformá-las em algo sólido e pensado como uma verdadeira Política de Estado. Se formos analisar todas as metas previstas no PNE esse trabalho ficaria longo demais, por isso preferimos focar em questões que sempre representaram o maior desafio do nosso sistema educacional. Ficou determinado, quando da sua sanção, que o acompanhamento do PNE deveria ser feito mediante a elaboração de relatórios a cada 2 (dois) anos, em 07 de junho de 2018, o INEP divulgou o segundo relatório11 e o que se viu é que apenas uma das metas previstas foi integralmente cumprida, no geral vemos que as demais possuem atrasos ou evolução insuficiente. O discurso quando o plano foi sancionado era de que o mesmo era a ação decisiva para mudar nossa realidade educacional, mas quando nos deparamos com a realidade das escolas e do sistema como um todo fica evidente que retórica e práxis estão muito longe de se coadunar. Algumas metas importantes que não foram cumpridas: sobre a Meta 1, a cobertura para crianças de 0 a 3 anos apresentou tendência de desigualdade entre regiões, áreas urbanas e rurais, negros e brancos, pobres e ricos; essa Meta 1 de universalização da pré- escola para o ano de 2016 não foi alcançada, podendo ser atingida entre 2018 e 2020 (PNE,2018, p.11). A universalização do ensino fundamental de 9 anos só começará a se concretizar de fato com a elevação da taxa de concluintes na idade recomendada para um índice próximo da meta do PNE que é de 95% (PNE,2018, p.15). Começamos a ver que duas ações importantíssimas para a melhoria da qualidade da nossa educação estão bem aquém do que propõe o plano, enquanto discurso é viável, mas a prática se mostra difícil. Quando observamos a faixa dos alunos de 15 a 17 anos o quadro não muda. Outra Meta importante e que nunca passou de apenas um discurso, foi a Meta 15 que determinava que todas as crianças fossem alfabetizadas até o 3º (terceiro) ano do ensino fundamental, aponta o relatório que: _______________ 11 Neste link é possível acesso ao relatório na integra. Disponível em: <http://estaticog1.globo.com/2018/06/07/resumo_relatorio_pne_2_ciclo.pdf>. 25Prática Curricular na Dimensão Escolar De forma geral os resultados observados para 2014 e 2016 ficaram próximas, inclusive nas várias desagregações analisadas, demonstrando certa estagnação no desempenho dos alunos do 3º ano do ensino fundamental avaliados pela ANA. (PNE,2018, p.30). No entanto, houve retrocesso na oferta do ensino em tempo integral e não foram cumpridas as metas referentes à pré-escola. Um ponto importante, que sempre foi motivo de preocupações e reclamações, trata da questão da qualificação, da formação continuada dos docentes, da adoção de um plano de carreira e salário para a categoria, que dê condições de tranquilidade para o professor se dedicar mais à função. Segundo informações coletadas pelo Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (SIMEC) do Ministério da Educação: Informações preliminares exploratórias coletadas pelo SIMEC, em fevereiro de 2018, apontam que: 3.102 municípios preveem o limite máximo de 2/3 da carga horária dos profissionais do magistério para atividades com os educandos; 3.687 cumprem o PSNP12; e 2667 atendem simultaneamente aos três requisitos da Meta 18. Recomenda-se, no entanto, cautela na utilização desses dados para o monitoramento da Meta 18, tendo em vista o expressivo número de municípios sem informações (1.253) no SIMEC. (PNE,2018, p.86). Observando o relatório, notamos que apenas a Meta 13 foi cumprida, pois especifica que o governo deveria elevar a qualidade da educação superior e ampliar a proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo no total, no mínimo 35% (trinta e cinco por cento) doutores. Segundo o relatório os índices superaram a meta, cabe destacar a ação da CAPES13, que implementou vários mestrados e doutorados profissionais no país. Já a Meta 16, que previa formar em nível de pós- graduação 50% (cinquenta por cento) dos professores da Educação Básica até o último ano de vigência deste PNE e garantir formação continuada em sua área de atuação, teve aumento dos seus percentuais na maior parte das unidades federativas, mas só a região Sul (55,5%) alcançou a meta prevista, seguida das regiões: Centro-Oeste (40%), Sudeste (33,77%), Nordeste (31,5%) e Norte (26,2%). (PNE, 2018, p.77). _______________ 12 PSNP- Piso Salarial Nacional Profissional. 13 CAPES- Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. 26Prática Curricular na Dimensão Escolar Observamos mesmo com um grande número de propostas que a realidade do universo escolar ainda precisa de muita atenção do governo parafazer frente ao que os educandos necessitam, como aponta Bandeira e Ibiapina (2014, p.111): “A prática educativa é ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade”. Destarte, as propostas precisam se efetivar plenamente, para que os professores compreendam sua prática, possam atuar como agentes críticos e criativos e não apenas como reprodutores de tendências e comportamentos que agem de forma inconsciente e partem de alguma hipótese que não foi provada. O professor, ao adentrar na escola, precisa conhecer o que lhe está sendo entregue e discutir qualquer proposta e consequências. (SACRISTÁN & GÓMEZ,1998). Resumo Nesta Unidade, estudamos acerca de quais práticas pedagógicas são as mais adequadas para que tenhamos uma educação efetiva e adequada ao século XXI, educação esta que tem o aluno, agora, como protagonista do processo e o professor será o mediador o processo para que o educando possa ser o construtor e o condutor do seu processo de ensino-aprendizagem. Estudamos que para superar as fragilidades do processo de ensino, o professor precisa direcionar a sua prática para ações que propicie ao aluno desenvolver sua capacidade criativa e de reagir aos mais diversos estímulos e desenvolver o seu poder de abstração. Estudamos que, o Plano Nacional de Educação foi uma proposta composta por 20 (vinte). Metas que visavam dar mais qualidade à nossa educação e celeridade aos demais pontos como: erradicar o analfabetismo, alfabetizar todas as crianças até o 3º (terceiro) ano do fundamental etc., mas apenas uma Meta foi 100% (cem por cento) cumprida, estando as demais atrasadas ou com desenvolvimento irrisório. 27Prática Curricular na Dimensão Escolar Referências BRASIL. PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (PNE). Brasília, DF: DIRED, COEP, INEP/MEC, 2018. FREIRE, P. A educação na cidade. São Paulo: Ed. Cortez, 1991. _________. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra,1994. PRIGOL, Edna Liz. PESQUISA ESTADO DO CONHECIMENTO: UMA VISÃO PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES. Curitiba-PR: PUC-PR, SIRSSE, 2013. ROITMAN, Isaac; RAMOS, Mozart Neves. A urgência da educação. 1. ed. São Paulo: Ed. Moderna, v.1, 2011. SACRISTÁN, J. Gimeno; GÓMEZ, A. I. Pérez. Compreender e transformar o ensino. 4. ed. Porto Alegre: ArtMed,1998. SILVA, Lucas V. de Lima; CHAGAS, Nilmara Serafim; PINHEIRO, Maria R. D. O EMPODERAMENTO COMO PROCESSO DE CONSCIENTIZAÇÃO E OS SUJEITOS DA EDUCAÇÃO. Natal-RN. Anais... Natal-RN: III CONEDU, Editora Realize, 2016. 28Prática Curricular na Dimensão Escolar OBJETIVOS METODOLOGIA E MULTIMEIOS PRESENTES NA PRÁTICA ESCOLAR UNIDADE 3 Entender como os Multimeios se inserem no universo escolar e a sua importância para o processo educacional; Reconhecer a contribuição que a informática pode trazer para o ambiente escolar; Conhecer os softwares que podem ser utilizados na escola para o ensino de música. Falar em metodologia ou procedimentos metodológicos é pensar em um ensino com características científicas, voltada para projetos e com alunos ajudando a construir seus próprios conhecimentos, especialmente por meio de pesquisa e experimentação. Para tanto, a tecnologia atualmente nos oferece uma grande variedade de ferramentas e recursos, que podem auxiliar nas pesquisas, nas experiências e nos compartilhamentos da evolução e dos resultados obtidos. O professor deve estabelecer um corpo de regras e diligências com o uso dos mais variados Multimeios para desenvolver sua prática pedagógica. O universo escolar precisa, também, contribuir nesse processo, é de grande ajuda que a escola possua uma biblioteca com acervos Multimeios. Se configuram como Multimeios que devem estar à disposição dos professores na escola: livros eletrônicos, tablets, lousas digitais etc., mas não podemos esquecer que esses recursos nem sempre podem ser vistos como unicamente os digitais, portáteis ou os de última geração, em um sistema de educação escolar precário como o nosso, outros recursos como TVs, DVDs, CDs, ainda se configuram como ótimos recursos pedagógicos. Nesta Unidade, vamos sempre direcionar essa questão dos Multimeios e da tecnologia para a educação musical que é o nosso foco. Mas sempre enfatizando a questão de uma educação moderna, interativa e apropriada para o século XXI. 29Prática Curricular na Dimensão Escolar O homem moderno é cada vez mais um produtor de informação. O montante informacional, produzido por esse homem, exige maior organicidade em relação a tempos anteriores [...] se caracteriza pela constante evolução e, associada às Tecnologias da Informação (TI), faz surgir os mais variados suportes, nos mais variados formatos. (SILVA; SILVA & BRITO,2012, p.46). Na maioria das escolas que já possuem uma grande quantidade de materiais de Multimeios, os mesmos encontram-se nas bibliotecas, pois poucas escolas possuem salas específicas para esse fim, sendo essas bibliotecas consideradas o espaço primordial para que o aluno desenvolva seu potencial cultural e intelectual, além de ser o lugar ideal para que o educando possa construir e/ou melhorar seu processo de aprendizagem. A biblioteca deve prover a educação continuada, criando e apoiando os interesses da comunidade e a liberdade de expressão. Criando uma atmosfera propícia ao ensino (como também) todas as formas representativas da arte e manifestações de cultura, além de promover a expressão artística e cultural relacionada à vida diária, às necessidades da mente, emocionais e interpessoais. (HICKS; TILLIN, 1977 apud AMARAL,1987, p.47). É extremamente importante enfatizar que, diferente de como muitos professores e alunos encaram os Multimeios, eles não devem ser vistos como um substituto dos materiais didáticos impressos (livros, apostilas etc.), eles possuem sua relevância própria, atuando como recurso auxiliar e/ou complementar no processo de construção do conhecimento. É preciso romper com essas idiossincrasias dos professores atuais, podemos até, com extrema liberdade, afirmar que existem Multimeios a nossa volta que não são necessariamente digitais. Desde o advento da 3ª (terceira) Revolução Industrial, iniciada no pós- Segunda Guerra Mundial, iniciou-se uma fase de grandes avanços tecnológicos com integração da ciência à tecnologia e aos meios produtivos; as indústrias criam centros de pesquisa onde são criadas tecnologias para uso do dia a dia das pessoas, os meios de comunicação se tornam cada vez mais acessíveis, como o rádio, que começou a se popularizar nos anos 20 e 30 na Europa e nos anos 40 e 50 no Brasil, onde nos anos 1970 tiveram as primeiras tentativas de Educação a Distância usando o Rádio; A televisão que se transformou em um importante difusor de informação, cultura e educação. Com tudo isso, observamos que com 30Prática Curricular na Dimensão Escolar toda essa “revolução informacional” começaram a surgir uma grande variedade de equipamentos tecnológicos, pois foi necessário a expansão de transmissores de rádio e televisão, da telefonia fixa, dos celulares, da Internet etc. Embora nesta Unidade seja nossa intenção abordar os recursos tecnológicos, que cada dia adquirem mais importância no ambiente educacional, vamos novamente reforçar que existem Multimeios14 que não são necessariamente digitais que podem ser usados em algumas disciplinas (como a Música, por exemplo), e que são extremamente importantes, úteis e interdisciplinares. Uma realidade que mudou ao longo do tempo diz respeito ao acesso dos recursos pelos professores e alunos, e essa mudança na realidade das escolas diz respeito ao fato de que há 30 anos atrás, quando o professor tinha a intenção de usar a informática e/ou outros recursos tecnológicos na escola, ele necessitava fazer uma exposição de motivos por escrito justificando o seu propósito com essa utilização. Mas um dado importante precisa ser citado, até mesmo para que o professor não fique esperando apenas pela escola,e que se refere à utilização dos recursos tecnológicos quando já existem na escola e que deixa muitos professores inseguros sobre seu uso, já que não recebem treinamento para o uso de alguns recursos. O professor deve ter sempre um “plano B” e buscar se informar sobre o uso de equipamentos e softwares, é necessário superar essas dificuldades em relação ao domínio das tecnologias. O ideal seria que cada escola procedesse uma análise dessas dificuldades, mediante até planejamento conjunto, que pudessem ser resolvidas pelo coletivo. 3.1 A Informática no ambiente escolar Em 2010, o governo federal através da Lei nº 12.249, lançou o Programa Um Computador por Aluno (PROUCA), o referido programa contava com o apoio do Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional (RECOMPE). Neste programa, os Estados, Municípios e o Distrito Federal deveriam aderir ao mesmo para que pudessem adquirir computadores portáteis com recursos próprios ou utilizando financiamento do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). _______________ 14 Multimeios – são entendidos como uma área da Comunicação Social que estuda o advento de novas mídias ou meios para a transmissão informação, suas linguagens e seu impacto na sociedade. Se olharmos pelo lado etimológico, o termo é formado por: Multi- múltiplos; Meios –recursos, opções. O que abre um grande leque de informações sobre os Multimeios. Com o advento da 3ª Revolução Industrial, os meios digitais se tornaram sinônimos desses recursos. 31Prática Curricular na Dimensão Escolar Os equipamentos que eram adquiridos possuíam uma característica especial e eram diferentes dos que eram encontrados em lojas especializadas: configurações, softwares, acessórios, utilitários, jogos etc. Todos eram voltados para o desenvolvimento educacional dos alunos, que pudessem produzir melhorias no aprendizado dos alunos. Foi mais um dos “discursos” ambiciosos do MEC, acabou não passando de um fracasso retumbante e um enorme desperdício de recursos públicos, pelos mais diversos fatores que não cabe nesse estudo. Neste momento em que a “Sociedade da Informação” avança e cresce cada vez mais, o território escolar não ficou neutro aos efeitos dessas Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e, com isso, as escolas passaram a viver situações inusitadas até então. Existe, hoje em dia, muita discussão sobre a liberação ou não do uso de aparelhos eletrônicos portáteis pelos alunos, a nosso ver o foco deveria ser outro: como permitir, incentivar e levar os alunos ao uso consciente desses equipamentos? A adoção de TICs como ferramenta de apoio à prática pedagógica é de relevante importância para a melhoria da educação, bem como a promoção de reflexões e discussões visando à inclusão digital no ambiente escolar. (RIBEIRO,2012, p.12). Na opinião, tanto de pedagogos como de especialistas em tecnologia, eles afirmam que é imprescindível que na sociedade contemporânea, os alunos possam utilizar as novas tecnologias dado o seu enorme poder de atribuir sentido de inclusão dada sua grande abrangência. Tecnologias digitais são os meios tecnológicos que servem de suporte à informação e comunicação. Esses recursos vão desde computadores, simples aplicativos até a grande rede, chamada de Internet, a qual permite a comunicação bidirecional em tempo real [...] é importante lembrar que toda ferramenta está intimamente ligada ao sujeito que a utiliza, e o modo como é utilizada varia conforme suas experiências e expectativas não sendo diferente com as TICs. (Id, Ibidem, p. 12). 3.2 A tecnologia e o ensino da Música Em algumas situações, o uso das ferramentas em uma determinada disciplina demandará que o professor, como mediador do processo, tenha um bom 32Prática Curricular na Dimensão Escolar conhecimento de determinado recurso para poder passá-lo para os alunos ou ajudá-los a ampliar algum conhecimento pré-existente. É o caso dos alunos de Música, por exemplo, existem programas com funções básicas (os mais adequados para uso na escola) até programas sofisticados que são usados em estúdios de gravação. Há alguns anos era impossível fazer música usando programas de computador, sem que o usuário tivesse conhecimentos de leitura musical e/ou instrumentos musicais além, é claro, domínio da linguagem computacional. Atualmente, temos alguns programas dessa categoria que são adequados para o uso em sala de aula, que podem e, com certeza, irão se encaixar em várias propostas pedagógicas do professor de música, sempre enfatizando qual é a função da música em sala de aula. Voltando ao que preconiza os PCNs, os conteúdos que devem ser ensinados e aprendidos devem visar a formação do cidadão, lhe proporcionando equidade tanto na participação como na produção de conteúdos artísticos. Todos os conteúdos focam em três eixos fundamentais: produção, fruição e a reflexão. No caso do ensino de música, em particular, todos esses eixos norteadores devem conduzir os alunos a se tornarem “cidadãos musicalizados”, e esse cidadão deve ter condições de atuar em várias instâncias do processo: Para que a aprendizagem da música possa ser fundamental na formação de cidadãos é necessário que todos tenham a oportunidade de participar ativamente como ouvintes, interpretes, compositores e improvisadores, dentro e fora da sala de aula. Envolvendo pessoas de fora no enriquecimento do ensino e promovendo interação com os grupos musicais e artísticos das localidades, a escola pode contribuir para que os alunos se tornem ouvintes sensíveis, amadores talentosos ou músicos profissionais. Incentivando a participação em shows, festivais, concertos, eventos da cultura popular e outras manifestações musicais, ela pode proporcionar condições para uma apreciação rica e ampla onde o aluno aprenda a valorizar os momentos importantes em que a música se inscreve no tempo e na história. (PCN, MÚSICA, 1997, p.54). Com base em tudo que dissemos precisamos racionalizar o que está determinado nos PCNs e em outras propostas para a educação Básica. Em primeiro lugar, precisamos lembrar que não é função do ensino de música nas escolas formar músicos, é sim formar um cidadão com um olhar crítico e sensível acerca do 33Prática Curricular na Dimensão Escolar fenômeno musical, o músico é fruto da formação desse cidadão, mas esse aprendizado será efetivado em instituições musicais profissionalizantes (escolas de música, conservatórios etc.). A produção, a fruição e a reflexão, se efetivará por meio de aspectos teóricos e textuais, bem como práticos (compor, improvisar etc.), mas tudo isso no nível básico, visando apenas a familiaridade com os aspectos sonoros e rítmicos do fenômeno musical. O uso de softwares básicos (chamamos de básico por sua facilidade de uso, bem como diferenciar dos programas profissionais usados em estúdios e que requerem um conhecimento avançado do mesmo e uma formação musical profissional), que hoje temos à disposição, muitos deles com licença livre15, podem ser usados por todos os educandos, pois alguns rodam inclusive em tablets e celulares. Podemos citar nessa categoria programas como o Aaudacity16 que é utilizado para a edição de áudio; o FL Studio17 que é uma Digital Áudio Workstation (DAW), que possui uma interface gráfica com base em um sequenciador musical, o FL Studio possui versões free e pagas; o Music Maker18 é outro programa com versões free e pagas. Todos os programas citados necessitam do aluno um mínimo de conhecimento teórico de música (pauta, claves, escalas etc.), requerem que o aluno use seu senso estético e perceptivo na hora de compor uma trilha ou realizar uma improvisação em cima de uma base proposta pelo professor. Todos utilizam módulos fáceis de serem entendidos e o aluno pode criar quase todos os estilos de música. Essa nova tecnologia voltada para a música tem avançado enormemente, diferente de 25 (vinte e cinco) anos atrás, quando uma música feita no computador era facilmentepercebida, hoje a música composta de forma digital já não é tão facilmente percebida. Isso deve-se ao grande desenvolvimento que tivemos em Hardware, aliado aos grandes avanços na área de Engenharia da Computação. Cada vez mais percebemos que o computador está se tornando um “parceiro” dos músicos, se converteu numa ferramenta adicional ao trabalho desse profissional e os professores de música da Educação Básica estão pegando “carona” nessa parceria. Esse processo é extremamente “democrático”, a partir do momento em que propicia a todos os alunos a possibilidade de desenvolver sua criatividade musical, criatividade que todos os educandos possuem, pois vivemos imersos em um universo sonoro e musical. O professor deve saber converter os _______________ 15 Os softwares com licença livre são chamados Freeware. O freeware diferencia-se do shareware, pois no segundo o usuário deve pagar para acessar determinada funcionalidade completa ou tem um tempo limitado de uso gratuito. 16 https://www.audacityteam.org/download/ 17 https://www.image-line.com/flstudio/ 18 https://www.magix.com/br/musica/music-maker/ 34Prática Curricular na Dimensão Escolar seus conhecimentos teóricos, adquiridos antes e durante a graduação, em conhecimentos básicos, essenciais, que serão úteis para o processo de ensino- aprendizagem e que serão assimilados muito mais rápido do que colocar para os alunos o linguajar tradicional da teoria musical, como a leitura de uma partitura por exemplo. Resumo Nesta Unidade, discutimos que Multimeios hoje podemos utilizar no ambiente escolar que venha contribuir para uma educação efetiva. Ter acesso a boas bibliotecas, um acervo tradicional bom, ampliado pelos acervos digitais, propiciando aos alunos um bom material de pesquisa para o seu enriquecimento cultural, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem. Aliado ao acervo de Multimeios, observamos que é preciso ampliar a presença da informática no ambiente escolar. Destacamos as tentativas governamentais de fomentar essa ampliação, mas que, infelizmente, fracassaram. Também abordamos sobre os principais softwares voltados para edição de áudio e os que possibilitam compor e improvisar com o mínimo de conhecimentos e o máximo de criatividade. Referências AMARAL, S. A. Os multimeios, a biblioteca e o bibliotecário. Brasília, DF: Ver. De Biblioteconomia de Brasília,DF: v.15, n.1, p. 45 – 68, jan. / jun. 1987. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: arte. Brasília,DF: MEC/SEF, 1997. RIBEIRO, Sandra G. C. O USO DA INFORMÁTICA NO AMBIENTE ESCOLAR. Porto Alegre-RS: (Monografia),2012. Disponível em: <https://home.ufrgs.br/ handle/10183/102822 SILVA, L. L. Maura; SILVA, M. Bezerra; BRITO, Rosa Z. L. de. O uso dos Multimeios no processo de ensino-aprendizagem da escola General Rodrigo Otávio. Ribeirão Preto, SP: Bibliot. Esc. Em Revista, v.1, n.2, 2012. 35Prática Curricular na Dimensão Escolar OBJETIVOS A GESTÃO DO TRABALHO DOCENTE EM EDUCAÇÃO MUSICAL UNIDADE 4 Entender como a gestão do nosso trabalho docente nos conduzirá a uma prática sem sobressaltos; Entender como a noção de competência é uma característica da educação voltada para o século XXI; Reconhecer a importância do planejamento dentro das nossas práticas pedagógicas; e Conhecer propostas contemporâneas para o ensino de música nas escolas. A organização do trabalho docente no universo escolar deve conclamar o professor a gerir o seu trabalho e, nesse aspecto, quando falamos em gestão significa encarar um grande desafio (KRUEGER & GALIZIA,2012). Desde a aprovação da Lei nº 11.769/08, o foco das polêmicas sobre a educação musical se dividiu com outros assuntos relacionados ao tema. Pouco se tem falado sobre os processos amplos de gestão que permeiam as decisões pedagógicas que vão para além da educação musical. Pouco se tem refletido sobre os recursos e práticas comuns à área de administração que, com as devidas adaptações, possibilitariam melhor adereçamento de gestão, otimizando a solução de vários desafios que encontramos no dia a dia de nossas instituições educativo – musicais. (KRUEGER & GALIZIA,2012, p.220). Pode parecer um processo digressivo estarmos falando de gestão a essa altura, mas como já falamos antes, o trabalho do educador musical acaba se tornando, muitas vezes, uma lida solitária, cheia de dúvidas e incertezas, cabendo ao professor se cercar de todos os conhecimentos que possam contribuir para o seu trabalho. Afinal, num sentido etimológico, o ato de gerir (derivado de administração) é diferente de administrar, quem planeja, coordena, controla, organiza e gere. (DICIONÁRIO INFORMAL, 2018). Portanto, buscar informações em outras áreas do conhecimento e relacionar os mesmos com a educação musical é uma forma de ampliar os horizontes da prática docente. Os cursos de licenciatura, em suas grades curriculares e 36Prática Curricular na Dimensão Escolar ementas não preparam o futuro professor sobre esses aspectos. Mesmo as escolas que formam o músico profissional não os ensinam a gerir e planejar sua carreira, tendo em vista que o músico que ingressa no mercado de trabalho, ainda hoje, está muito aquém dos novos modelos adotados pelo mercado. Como bem enfatiza Beinek (2001); Hentschke (2000) e Souza (1997), que a formação de educadores musicais para atuar na educação básica, oriundos dos cursos de licenciatura, não os preparam adequadamente para o exercício da função, para enfrentarem a realidade do mercado de trabalho. Em função disso, e de outras constatações, como a amplitude que pode ter a atuação prática dos professores de música na sociedade, há a necessidade de um perfil profissional mais adequado às exigências atuais e as novas determinações legais com relação à formação de professores. (MACHADO,2004, p.37). Segundo Crainer (2009), além da questão de desenvolvermo-nos no que se refere à gestão de nossa prática, precisamos desenvolver competências técnicas que nos permita ir gradualmente para o foco “administrativo”. Ter o domínio técnico irá nos possibilitar gerir melhor todos os aspectos da nossa prática docente. Muitas hipóteses da área de gestão administrativa com certeza irão ajudar os professores não só a conduzir suas atividades (como projetos, por exemplo) e coordenar equipes pedagógicas e/ou com metas artísticas. Para que não fiquemos nesse monocórdio discurso sobre práticas administrativas ligadas ao nosso trabalho, trouxemos o tema à baila como uma proposta a mais, é nossa opinião que adquirir conhecimentos que possam ser contextualizados à prática docente são sempre bem-vindos. Ter uma cultura geral bem fundamentada, práticas administrativas, entre outras são uma forma de podermos atuar com desenvoltura principalmente em projetos interdisciplinares. Mas focando especificamente no que, a nosso ver, faz a diferença no universo escolar, preciso tratar da questão das competências. Tudo o que foi abordado antes se torna algo confuso, com pouco ou nenhuma lógica, se não focarmos na questão das competências. Segundo Machado (2004, p.38): Publicações da área educacional encontradas, revelam que muitos do programa de formação continuada oferecidos até então tem ignorado as questões que norteiam as práticas pedagógicas, e não contribuem para o desenvolvimento de competências docentes e uma maior autonomia e criticidade desses profissionais na realização de suas práticas educativas. 37Prática Curricular na Dimensão Escolar Ampliando as observações de Machado (2004), nota-se, ao consultarmos compêndios bibliográficos sobre o assunto, que muito pouco tem sido alvo de pesquisas e publicações sobre os cursos, ou mesmo programas estatais de formação continuada, que nos forneçam dados que nos ajude a trocar ideias, polemizar, com objetivo de conhecer opiniões diversas, que alimentem as discussões sobre o tema. Como base a nos situarmos melhor, precisamos ver como a concepção de competência se introjetouna educação, para Rope e Tanguy (1997), essa inserção não é recente, pois já vinha sendo colocada em diversos contextos e com múltiplas acepções. Tudo isso, com a intenção de conseguir comprovar e/ ou definir o aumento e o distinto desenvolvimento das habilidades, sendo que essa primeira tentativa estava focada no mercado de trabalho, segundo Tanguy (1997), a primeira abordagem pedagógica centrada na competência se iniciou no ensino técnico e profissionalizante. No Brasil, desde que a LDBEN de 1996 foi sancionada, o tema competência começou a ser visto em vários documentos que tratavam da educação desde o básico ao superior, com o objetivo de orientar as ações. Para Perrenoud (1999), uma competência para ser construída necessita da elaboração de esquemas (no caso dos esquemas ele usa a mesma de Jean Piaget, vendo o mesmo como uma estrutura invariante de uma operação ou de uma ação) de mobilização de recursos, sem isso a tarefa lhe parece impossível. Chama de esquema de ação [...] aquilo que, em ação, é transferível, generalizável ou diferenciado entre uma situação e outra, em outras palavras, aquilo que há de comum nas diversas repetições ou aplicações da mesma ação. (PERRENOUD, 2001, p. 161). Para Perrenoud (2000, p. 15), a noção de competência envolve alguns aspectos que sempre devem ser levados em conta: 1. As competências não são elas mesmos saberes, saber fazer ou atitudes, mas mobilizam, integram e orquestram tais recursos; 2. Essa mobilização só é pertinente em situação, sendo cada situação singular; 3. O exercício da competência passa por operações mentais complexas, submetidas por esquemas de pensamento; 4. As competências profissionais constroem-se em formação ao sabor da navegação diária de um professor, de uma situação de trabalho à outra. 38Prática Curricular na Dimensão Escolar Conclui-se que na visão desse teórico, que para podermos expor de maneira detalhada uma competência, precisamos estar atentos a três pontos fundamentais: as situações em que o docente se verá envolvido; a natureza dos esquemas; e todos os recursos que o professor conseguirá mobilizar para alcançar seu intento (PERRENOUD, 2000). Perrenoud (1999) defende uma proposta que deve ser sempre levada em conta, na hora do planejamento do professor, é o de possibilitar espaços para a construção do conhecimento por parte dos alunos. O fato de os professores possibilitarem lugar às sugestões e interesses discentes no ensino de música sugere que os docentes talvez estejam cientes que das experimentações que os alunos realizam são produzidos conhecimentos, representações e significados que não podem ser ignorados no processo de ensino e aprendizagem musical. (MACHADO, 2004, p. 41). Fazer com que os interesses dos alunos se tornem possíveis, é preciso que se respeite alguns limites necessários para que não haja ações que compliquem o trabalho. Uma boa maneira de se desenvolver um trabalho é estabelecer uma relação de amizade, em sua maioria, entre docentes e discentes (mediadores e construtos do processo), mas essa relação professores e educandos precisa ter uma separação de “territórios”, é preciso limites nesse relacionamento, pois sem essa delimitação, elementos como respeito é, principalmente, a capacidade para perceber entre o certo e o errado, do que pode ou não ser feito nas aulas de música na escola19, será inviável organizar e desenvolver uma prática pedagógico – musical dentro do contexto escolar. (MACHADO, 2004). 4.1 Planejamento em música: as escolhas docentes Sendo assim, o ponto de partida para o nosso planejamento deve ser a gestão de todos os recursos que serão necessários e estabelecimento de um tipo de “contrato social” entre docentes e discentes, onde serão determinados os direitos que todos farão usufruto e os deveres que devem ser cumpridos por todos. Esse primeiro momento do planejamento deve focar em estabelecer o fio condutor do processo de ensino-aprendizagem em educação musical. _______________ 19 Veja o vídeo da TV Escola no YouTube sobre o ensino de música nas escolas. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aOldaS 5URM4&list=PLjzl1Kvpa9BLNT_FKg6y4872gTthbr7ck&index=17&t=0s 39Prática Curricular na Dimensão Escolar O planejamento é algo que precisa ser visto e entendido como um instrumento que não apenas guia todo o processo, como se constitui em uma forma alternativa de resolver conflitos, situações difíceis para qual temos a impressão de não haver uma saída favorável. O planejamento deve focar na prática, sem, contudo, “engessar” a forma como tudo deve ser aplicado e seus respectivos resultados. O planejamento escolar necessita atender às seguintes funções: diagnóstico e análise da realidade da escola; definição de objetivos e metas; determinação de atividades e tarefas a serem desenvolvidas e, ainda, a avaliação dos processos e resultados previstos. (LIBÂNEO, 2001, p. 124). O Projeto Político-Pedagógico (PPP) das escolas, que se tornou um documento, hoje, obrigatório, é de vital importância para que se compreenda, na perspectiva do mesmo, o planejamento. Para Gandim e Cruz (2014, p.20), “não há processor educativo que se efetive sem um projeto social condutor [...] todo esforço educacional deve propor um futuro humano”. Com relação ao Projeto Político- Pedagógico, nos diz Silva: É um documento teórico-prático que pressupõe relações de independência e reciprocidade entre os dois polos, elaborado coletivamente pelos sujeitos da escola que aglutina os fundamentos políticos e filosóficos em que a comunidade acredita e os quais deseja praticar; que define os valores humanitários, princípios e comportamentos que a espécie humana concebe como adequados para a convivência humana; que sinaliza os indicadores de uma boa formação e que qualifica as funções sociais e históricas que são de responsabilidade da escola. (SILVA, 2003, p. 296). E como bem observa, também, Pereira (2015, p.11), que “os elementos que compõem o planejamento estão diretamente relacionados à formação do aluno e a função que a música pode desempenhar nessa formação”. Essa afirmação transmite para todos a ideia de que o planejamento não deve ser tratado de forma simplória, muitas vezes elaborado só para cumprir uma exigência da coordenação da escola, mas sem nenhum aprofundamento, sem reflexão e sem experiência, segundo Gandin e Cruz (2014, p.12), ” viu-se surgir o modelo de preenchimento de quadrinhos, e que contempla, de maneira geral os seguintes itens: conteúdos, objetivos, estratégias, recursos, avaliação e observação”. A crítica feita a esse modelo diz respeito ao fato do mesmo impossibilitar que faça reflexões sobre: o que e como fazer, como nos conduzirmos em sala de 40Prática Curricular na Dimensão Escolar aula. Um fato recorrente nas escolas, é que os planejamentos acabam por se tornarem “penosos e inúteis”, já que muitos nunca são postos em prática. Cabe ressaltar que no Brasil, o planejamento escolar começou num momento social instável (durante o Regime Militar), nesse período, “planejar passou a ser atividade obrigatória para se trabalhar em escolas”. (PEREIRA, 2015). No que se refere à forma de planejar para a disciplina educação musical, vários autores enfatizam que o planejamento deve se basear: Nos elementos presentes na música, refletindo sua preocupação com os conteúdos; as formas de se vivenciar música, ou como se aprende música, que remete aos métodos e atividades que o professor deve escolher; o que se pretende com o ensino da música na escola e o porquê desse ensino, que estão diretamente relacionadas aos objetivos que se pretende alcançar com essa intervenção. (HENTSCHKE & DEL BEN, 2003 apud PEREIRA, 2015, p. 12). Para Romanelli (2009, p.136), o professor precisa estar ciente do ambiente (e do seu entorno também) e dos alunos que serão o seu público-alvo, “ na tentativa de propor um plano de ensino e um plano de aula condizentes com a realidade do ambiente escolar[...]é apenas bem estruturado que se promove educação musical de qualidade”. Para Penna, que reafirma o que foi dito anteriormente: É através do modo de ensinar que podemos selecionar e organizar conteúdos de acordo com a capacidade cognitiva e os interesses de nossos alunos; planejar atividades que motivem a turma e, ao mesmo tempo, permitam o desenvolvimento de suas habilidades/capacidades; empregar os recursos disponíveis, mesmo que limitados, em função do processo educativo etc. (PENNA, 2012, p. 14). Em suma, tudo que foi dito evidencia que precisa haver comprometimento com esse modo de ensinar e que essa forma de se utilizar as regras propostas afim de se alcançar a perfeição está, também, relacionado com o lugar que o professor ocupa na escola. Quando o professor tem um posicionamento avaliativo constante do seu processo, se coloca diante das situações de forma reflexiva no que tange aos objetivos e suas possibilidades, ele passa a verificar todo o processo de ensino-aprendizagem e pode, conforme a necessidade, flexibilizar todos os processos de ensino e sua metodologia, uma maneira consciente de proceder. (PENNA, 2012). 41Prática Curricular na Dimensão Escolar 4.2 Propostas contemporâneas em educação musical Muito do que já abordamos até aqui, representam exemplos de contemporaneidade dentro do universo escolar e, também, relativo à educação musical. Os Multimeios representados nos programas de edição de partituras e de edição de som, são um exemplo do que poderia ser chamado de contemporâneo acerca do ensino de música. Mas quando buscar criar o tão falado “cidadão musicalizado”?20 Os documentos governamentais, como a nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) define bem alguns pontos que devem ser contemplados nos currículos das escolas, na busca de um ensino de arte mais coerente e eficaz, que havia sido buscado na época da elaboração dos PCNs, mas que na prática nunca se efetivou. A BNCC determina, com relação à educação musical no ensino Fundamental 5 (cinco) objetos do conhecimento: Contexto e Práticas; Elementos da Linguagem; Materialidades; Notação e Registro Musical; e Processos de Criação. Cada um desses objetos prevê que o aluno adquira certas habilidades. _______________ 20 Uma das boas iniciativas no Brasil em busca da almejada musicalização do cidadão e que enfatiza a presença da música no ambiente escolar é o Projeto BRASIL DE TUHU, coordenado pela violinista Carla Rincón, que se baseia na obra de Heitor Villa-Lobos, passando pela filosofia do programa venezuelano conhecido como El Sistema. Esse projeto leva concertos didáticos para as escolas, produz material didático voltado para o ensino de música etc. Veja o site: http://brasildetuhu.com.br/ Figura 4 - Capa da BNCC Fonte: http://www.semeei.org.br/novo/noticias/bncc-base-nacional-comum-curricular/ 42Prática Curricular na Dimensão Escolar No que tange à aquisição dessas habilidades as estratégias podem ser as mais diversas, não vamos voltar a falar especificamente de recursos Multimeios ou tecnológicas, mas sim abordar o que fazer, suar ou adaptar para podermos realizar o que estiver no nosso planejamento. Conforme o que preconiza a BNCC (2018, p. 201), vamos enumerar as áreas do conhecimento e as habilidades e sugerir propostas básicas para a sua consecução dentro do planejamento elaborado para a disciplina. Quadro 1 – Áreas do conhecimento e habilidades e sugestão ÁREA DO CONHECIMENTO HABILIDADES SUGESTÃO Contexto e práticas Identificar e apreciar criticamente diversas formas e gêneros de expressão musical, reconhecendo e ana- lisando os usos e as funções da música em diversos contextos de circulação, em espe- cial, aqueles da vida cotidiana. 1 - A maioria dos cursos de licenciatura peca em não ter a disciplina Hist. da Música Popular, alguns cursos substituem por Etnologia ou Hist. da Música Brasileira que são completamente distintas. Portanto, pesquisar todos os nuances da Música Popular ao longo do século, vai contribuir no processo de contextualização, e análises de formas. 2 - Os equipamentos e recursos que podem ser utilizados para essa área do conhecimento variam desde o aparelho de som básico (doméstico) ao uso dos celulares, o professor pode em muitos casos levar os alunos a produzir a própria música e isso é muito adequado com gêneros autóctones. Elementos da linguagem Perceber e explorar os elementos constituti- vos da música (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de jogos, brincadeiras, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musical. 1 - Aqui quero sugerir que devemos pesquisar e reler os teóricos dos métodos ativos da 2ª geração, em especial Raymond Murray Schafer (O ouvido pensante e A afinação do mundo), cujas obras trazem uma visão contemporânea de como proceder em aulas de educação musical no universo escolar. 2 - Nos processos de criação podem ser utilizados desde softwares para a criação musical até a utilização de instrumentos construídos pelos próprios alunos, usando reciclagem (nesse ponto cabe propor um processo interdisciplinar com o professor de artes visuais), ficando livre para que os alunos possam propor algum instrumento que eles dominem. Materialidades Explorar fontes sono- ras diversas, como as existentes no próprio corpo (palmas, voz e percussão corporal), na natureza e em objetos cotidianos, reconhe- cendo os elementos constitutivos da música e as características de instrumentos musicais variados. 1 - Essas etapas não são lineares da forma que estão descritas, portanto, antes de usar, se for o caso, a construção de instrumentos o professor pode explorar essa área do conhecimento. 43Prática Curricular na Dimensão Escolar Notação e registro musical Explorar diferentes for- mas de registro musi- cal não convencional (representação gráfica de sons, partituras cria- tivas etc.), bem como procedimentos e téc- nicas de registro em áudio e audiovisual, e reconhecer a notação musical convencional. 1 - Essa área é extremamente importante e trabalhosa, aconselha-se até que seja colocada a partir do momento em que os alunos tenham passado por todas as outras. Novamente os teóricos da 2ª geração dos métodos ativos devem servir como referência no que se refere à proposta de notação musical não convencional e representação gráfica dos sons, trazer para a sala de aula partituras contemporâneas (Cage, Bartok etc.) pode dar uma noção sobre o que seria esse não convencional. 2 - Novamente usar programas de edição de som é necessário para os estudos das técnicas de registro em áudio e audiovisual. 3 - Com relação à questão da notação musical convencional fica óbvio que metodologia usar, mas ter como ajuda no processo editores de partitura (Finale, Sibellius etc.) podem ajudar bastante devido a possibilidade de escrever algo e já verificar se está correto ou não por parte dos alunos. Esses programas citados existem apenas para Windows e Mac OS X, mas para quem tem celular (e aí vai uma dica de ocupar o celular durante as aulas com uma atividade escolar) existe o Ensemble Composer que não possui os mesmos recursos dos outros programas, mas possibilita escrever partitura no celular. No quesito edição de áudio, existem também opções bem interessante como: WavePad Audio Editor Free e o Audio Editor for Android, o Áudio Editor é um App multifuncional e que apresenta algumas ferramentas avançadas. Todos possibilitam que depois da criação o aluno possa compartilhar sua criação. Processos de criação Experimentar improvi- sações, composições e sonorização de his- tórias, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instru- mentos musicais con- vencionais ou não con- vencionais, de modo individual, coletivo e colaborativo. Depois de todas as atividades é hora de incentivar os alunos a compor, improvisar etc., usando os conhecimentos obtidos. Fonte: Adaptado por Ivan Veras Gonçalves da Base NacionalComum Curricular (BNCC),2018, p. 201. Embora a BNCC ainda seja fruto de discussões, críticas etc., quando observamos o quadro acima percebemos que as áreas do conhecimento e as habilidades que se deseja alcançar são de grande relevância por serem amplas, interdisciplinares e contemporâneas em relação a tudo que tivemos no que se refere ao ensino de arte, em especial o de Educação Musical. A Música como expressão artística se diferencia de todas as outras formas de expressão, costumamos ressaltar esse lado “atrevido” dela, comparando com as demais formas de expressão artística, em todas as outras é necessário irmos ao encontro delas para que se possa fruir das mesmas, em contrapartida a música, com seu “atrevimento” característico, está em todos os lugares, ela nos cerca e vem ao nosso encontro. 44Prática Curricular na Dimensão Escolar Por essa peculiaridade é que ressaltamos sua importância, para que nossos alunos possam identificar, reconhecer e, acima de tudo, apreciar de forma crítica, podendo discernir sobre o valor e a importância do que se ouve. Um alerta aos docentes, da mesma forma que por muito tempo o aluno foi obrigado a deixar do lado de fora da escola o seu conhecimento informal, adquirido do seu convívio com a família, amigos e sociedade, cabe ao professor deixar do lado de fora da escola seus preconceitos. Entende-se que esses conceitos formados antecipadamente e muitos deles sem um fundamento sério são obstáculos a uma educação simbiótica como a que defendemos entre o professor e o aluno, o aluno também não está isento de posturas dessa natureza, sendo que é preciso nos livrarmos desses “hábitos” e adotarmos uma postura propedêutica que nos conduza a uma teorização epistemológica da música. Essa deve ser a meta da Educação Musical, dentro do contexto de uma escola contemporânea, democrática e plural. Resumo Nesta Unidade, procuramos analisar a importância de o professor gerir seu próprio trabalho de forma consciente, encarando um grande desafio. A gestão irá levar o docente a planejar, coordenar e organizar o seu trabalho. Abordamos a importância de o professor desenvolver competências, que nos possibilite gerir melhor todos os aspectos da nossa prática, entendendo que essas competências, embora não representem saberes, nos ajudam a mobilizar e integrar os mesmos. Na Unidade, focamos também a questão do planejamento que representa um instrumento que além de guiar nosso processo de trabalho, funciona como um apaziguador de conflitos e ajuda a resolver situações difíceis. Procuramos enfatizar a importância do Projeto Político-Pedagógico (PPP) para que se compreenda o planejamento, já que o mesmo deve ser construído com base no PPP. Sempre lembrando que o planejamento deve visar a formação do aluno e o papel da música nessa formação. Abordamos a BNCC, entendendo a mesma como mais uma proposta de avanço do nosso sistema educacional e reconhecendo nela algumas virtudes, apesar de necessitar de ajustes. Sua área do conhecimento e as habilidades pretendidas por cada um dos itens dessa área, são bem abrangentes e contemporâneos. 45Prática Curricular na Dimensão Escolar Referências BEINEKE, V. O conhecimento prático do professor de música: três estudos de caso. 202p. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Música) Porto Alegre: Inst. 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