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1 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S 2 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S 3 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino Revisão Ortográfica: Clarice Virgilio Gomes / Bianca Yureidini Santos PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu- ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S 6 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professor: Vinicius Machado de Oliveira 7 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Esta unidade estudará como elaborar um projeto desde o iní- cio, ao despertar a necessidade de melhoria, correção ou inovação. Todo gerenciamento de projetos passa por um conjunto de ferramen- tas denominado PMBOK, desenvolvido pelo Project Management Ins- titute, que reúne as principais informações para elaboração de um pro- jeto de forma eficiente. O mundo corporativo de hoje, cada vez mais globalizado, demanda redução de custos operacionais, o que incide na redução prioritária de desperdícios (de insumos, de equipamentos, de tempo) e no aumento consequente da lucratividade: cada centavo economizado é uma conquista. Para tal, serão abordadas as funções e necessidades de cada etapa do projeto: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. Com base nes- tas informações, serão mostradas as ferramentas de qualidade e de gestão de pessoas que dão suporte à execução de um projeto, de- monstrado por meio de indicadores. Por fim, e não menos importante, é necessário entender a terminologia dos custos envolvidos em um processo, seja de fabricação de um produto ou entrega de um serviço, pois o custo é a base principal para se justificar um projeto. PMBOK. Gerenciamento de Projeto. Ferramentas da Qualidade. 9 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 GESTÃO DE PROJETOS EM ENGENHARIA Apresentação do Módulo ______________________________________ 11 12 31 16 Fundamentos de Gerenciamento de Projetos ___________________ Ferramentas da Qualidade voltadas a Processos ________________ Etapas da Gestão de Projetos ___________________________________ CAPÍTULO 02 GESTÃO DE QUALIDADE E PESSOAS EM OBRAS DE ENGENHARIA Introdução à Gestão da Qualidade e de Pessoas _________________ 30 26Recapitulando ________________________________________________ 43Gestão de Pessoas e Segurança do Trabalho ____________________ Recapitulando _________________________________________________ 45 CAPÍTULO 03 INDICADORES DE PRODUTIVIDADE EM ENGENHARIA Produtividade e Eficiência ____________________________________ 49 Terminologia de Custos _______________________________________ 50 Estimativas de Custo e Orçamentação __________________________ 54 Previsão da Demanda _________________________________________ 61 10 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Planejamento e Controle da Capacidade Produtiva _______________ 62 Recapitulando __________________________________________________ 66 Fechando a Unidade ____________________________________________ 70 Referências _____________________________________________________ 73 11 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Podemos classificar todos os objetivos de nossa vida como pro- jetos. Tudo que precisamos fazer e que vai gerar mudanças, sejam elas diretas ou indiretas e que afetem não só a nós mesmos, mas as pessoas ao nosso redor é um projeto. Como exemplos, temos: 1. mudança de casa, afinal precisa-seplanejar novos móveis, transportar o que conse- guir levar de uma casa para a outra, organizar a nova casa, informar aos amigos e parentes da mudança etc.; 2. compra de um novo carro, precisa-se avaliar os motivos da troca, se vai ter aumento ou redução nos custos de manutenção, se vai reduzir o consumo de combustível etc. Estes dois exemplos simples mostram que por menor que seja uma mudança, seja em âmbito pessoal ou profissional, a gestão de proje- tos pode ser aplicada. Este módulo irá mostrar de forma ampla as aplica- ções profissionais de gerenciamento de projetos em engenharia, mas nada impede que estas ferramentas sejam usadas em universos distintos. Desta forma, o gerenciamento de projetos entra com ferramen- tas que viabilizam implementações, grandes ou pequenas, em produtos ou serviços, que trarão como resultado projetos implementados e fun- cionais. Os projetos mal desenvolvidos e que fracassam não só geram prejuízo às empresas que os implementam, como também geram frus- tração nas equipes envolvidas. Indo além, um projeto mal estruturado que foi encerrado pode trazer problemas no futuro que não são detecta- dos no começo, e isso é mais perigoso ainda. No primeiro capítulo serão abordadas as etapas do gerencia- mento de um projeto, desde a iniciação, passando pelo planejamento, a etapa de execução, monitoramento e controle e, por fim, o encerramen- to. Este capítulo abordará as principais funções de cada etapa e as me- didas a serem tomadas para uma execução correta de um projeto, seja pequeno ou grande. Já o segundo capítulo abordará as ferramentas de qualidade e de gestão, que dão suporte no decorrer de um projeto e au- xiliam em sua continuidade (melhoria contínua) após seu encerramento. Por fim, no terceiro capítulo serão abordados os indicadores de eficiência de um ambiente, seja produtivo, de obra ou individual. Discu- tirá os custos envolvidos em um desenvolvimento e na elaboração de um produto, processo ou serviço. Este entendimento é importante para justificar, principalmente, a execução de um projeto, ao se analisar um processo com alto custo por exemplo, e que exista a possibilidade de melhoria por meio de investimento (financeiro, tempo etc.). Portanto, este conteúdo trará boas reflexões e ferramentas para que todo projeto seja elaborado e implementado com eficiência. 12 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S FUNDAMENTOS DE GERENCIAMENTO DE PROJETOS O gerenciamento de projetos não é uma inovação. Afinal, como salienta PMI (2018), alguns exemplos de resultados de projetos são milenares, como: as pirâmides do Egito, a Grande Muralha da China, o Canal do Panamá, a chegada do homem à Lua, a publicação de um livro entre outros tantos exemplos. Como guia para nortear o desen- volvimento adequado de projetos, o PMI (Project Management Institu- te, em tradução literal: Instituto de Gerenciamento de Projetos), após anos de coletas de dados de projetos gerenciados por diversos líderes de diferentes ramos de atividades, desenvolveu um manual, chamado PMBOK, acrônimo de Project Management Body of Knowledge, que significa “conjunto de conhecimentos em gerenciamento de projetos”. Este guia é a pedra fundamental deste capítulo, haja vista que GESTÃO DE PROJETOS EM ENGENHARIA G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S 12 13 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S todas as ferramentas mais atuais e consagradas de gerenciamento de projetos estão contidas nele e, por isso, quase uma totalidade de em- presas que possuem uma área específica de Gestão de Projetos utiliza o guia como padrão. As partes fundamentais para todo processo de gerenciamento se baseiam em: • Vocabulário comum: como o gerenciamento de projetos é um processo global de necessidade de toda grande empresa, é essencial o uso de termos e processos comuns, facilitando aos fornecedores e clientes sua visualização e andamento; • Ética e conduta profissional: é essencial em todo e qualquer processo, seja fabril ou seja pessoal, o uso da ética. Isso significa seguir diretrizes, sejam normas ou leis vigentes, para gerenciamento de proje- tos, independentemente do tamanho. Os códigos de ética possuem a parte obrigatória, ou seja, es- senciais para implementação de um projeto, no que tange a leis muni- cipais e federais, exigência de clientes etc.; e desejável, por exemplo, acerca de normas internas, descrevem a conduta que os profissionais que também são membros, portadores de certificações ou voluntários se esforçam em cumprir. Definição da palavra projeto: é um esforço temporário empre- endido para criar um produto, serviço ou resultado único (PMI, 2018). Também seguindo o manual PMBOK, o PMI (2018) elenca os elementos fundamentais necessários para o gerenciamento de projetos, que são: produto, serviço ou resultado único. Para o cumprimento dos objetivos por meio de produção de entregas, faz-se necessária a reali- zação de projetos a partir de um objetivo definido e, em consequência, cumprir a meta que é alcançar melhor posição estratégica ou melhorias. O produto de cada etapa do projeto é denominado entrega. A entrega determina se a etapa foi concluída com sucesso ou não, e podem ser tangíveis ou intangíveis. Ao cumprir os objetivos do projeto, o resultado pode ser uma ou mais de uma das entregas a seguir. Um produto único, sendo um componente de outro produto, uma correção ou melhoria e, por fim, pode ser também um novo item final; um serviço único ou a possibilidade de realizar um serviço; um re- sultado único como, por exemplo, um projeto de pesquisa para benefício de uma empresa ou sociedade; e, por fim, uma combinação única entre 14 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S um ou mais produtos, serviços e resultados (uma mistura dos itens an- teriores como, por exemplo, um aplicativo de smartphone, a documen- tação associada e o suporte técnico). Os projetos podem ser desde um desenvolvimento de novo produto para comercialização, como também a construção de um edifício. É uma vasta gama de oportunidades para implementar gestão de projetos. Empreendimento Temporário Todo projeto é um empreendimento temporário, ou seja, possui início e fim. Isso não significa que possua curta duração. Um veícu- lo como o Uno Mille, em sua primeira geração, que foi comercializado entre 1984 e 2013, no Brasil, mesmo que já tivesse há muito tempo “pago” os custos do seu desenvolvimento, ainda demandava gestão de insumos e suporte de pós-vendas. Não se pode dizer que seu projeto foi encerrado, de fato, com o final de sua fabricação, porque a montadora precisa, por obrigações contratuais definidas em projeto, suprir peças para o cliente que adquiriu o veículo por um prazo estabelecido. Para tal, define-se que o final do projeto é alcançado com a ocor- rência de um ou mais destes fatores: objetivos do projeto foram alcança- dos; objetivos não serão ou não poderão ser cumpridos; os recursos foram esgotados ou não possuem disponibilidade de serem alocados ao projeto; não existe mais a necessidade de sua realização (o cliente desistiu do pro- jeto, ou o projeto não se encaixa mais nas metas atualizadas da empresa, entre outros casos); indisponibilidade de recursos físicos ou humanos; ou, por fim, o projeto é finalizado por motivo de conveniência ou legal. Voltando ao exemplo do Mille, este se encaixa neste fator final. Em 2014, o Contran (Conselho Nacional de Trânsito, órgão brasileiro que regulamenta as diretrizes de produção e disponibilização de veícu- losno país) declarava obrigatório, por motivos de segurança, que todos os veículos fabricados no Brasil, para uso em território nacional, deve- riam, por obrigatoriedade, ter freio ABS e airbag. Deste modo, o Mille da FIAT, a Volkswagen Kombi e outros carros que não suportavam esta tecnologia precisaram ter sua fabricação encerrada. Projetos Impulsionam Mudanças Os projetos devem, por definição, promover mudanças. Do pon- to de vista de negócios, qualquer projeto, mínimo que seja, move a orga- nização de um estado para outro, como meta, o alcance de um objetivo 15 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S específico. O estado inicial da empresa ou do ambiente onde o projeto será desenvolvido se chama estado atual. O ambiente onde o projeto já estará desenvolvido, com resultado desejado, se chama estado futuro. Os projetos permitem a criação de valor de negócio. O valor de negócio é o benefício líquido derivado de um empreendimento de negócio. Este benefício pode ser tangível ou intangível ou ambos. Já em análise de ne- gócios, o valor é o retorno, seja ele em dinheiro, em tempo, mercadorias ou bens trocados por algum retorno. Exemplos de elementos tangíveis: • Instalações, ferramentas, participação no mercado, capital, ações etc. Exemplos de elementos intangíveis: • Marcas registradas, reputação, cumprimento informal de obri- gações, reconhecimento etc. Contexto de Iniciação do Projeto Os projetos são criados e realizados com a finalidade de miti- gar fatores que afetam as organizações. Existem quatro categorias nas quais o contexto de um projeto se encaixa, mostrado na figura 1. Figura 1 - Contexto de iniciação do projeto Fonte: PMI (2018) 16 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Partes Interessadas em um Projeto Todo projeto dispõe de partes interessadas, ou seja, os envolvi- dos, seja direta ou indiretamente no empenho para o seu resultado. Os stakeholders (ou partes interessadas) são as pessoas ou organizações que podem ser afetadas por um projeto ou empresa, de forma direta ou indireta, positiva ou negativamente (JUSTO, 2018). As principais partes interessadas são: • Clientes/usuários. As pessoas diretamente afetadas pelo pro- jeto, que desfrutarão de seu sucesso ou insucesso. • Patrocinador. Em um âmbito industrial, o patrocinador pode ser visto como gerente ou diretor da planta, aquele que vai provisionar a verba para a sua execução, podendo ser a própria empresa. • Gerente de projetos. O dono virtual do projeto. É a pessoa (ou grupo de pessoas) responsável por gerenciar, coordenar, liderar o proje- to. Todas as etapas e decisões precisam passar por ela, ou ao menos ter seu aval. É importante ressaltar que o gerente de projetos não necessa- riamente precisa ser um gerente na empresa ou ambiente de trabalho. • Equipe de projetos. São os profissionais responsáveis pela execução do projeto, abaixo do gerente de projetos. • Fornecedores e parceiros comerciais. Os stakeholders exter- nos, que proverão recursos para a execução do projeto. ETAPAS DA GESTÃO DE PROJETOS O gerenciamento de projetos possui extrema importância e exis- tem inúmeros benefícios em sua correta realização e acompanhamento. O projeto bem gerenciado possui todos seus objetivos cumpridos, com prazos determinados cumpridos dentro de uma margem de erro pré-esta- belecida e, principalmente, torna toda mudança necessária mais fácil de ser disseminada entre os envolvidos. Contudo, um projeto mal gerencia- do ou sem gerenciamento algum pode trazer como resultado mais gastos do que a sua não-execução, com: retrabalhos e má qualidade, perda de reputação das partes envolvidas, estouros de orçamento etc. O Ciclo de vida de um projeto (muito encontrado em seu termo inglês na literatura: Project Life Cycle) é o conjunto de etapas no qual um projeto se desenvolve, desde seu início ao encerramento. Fazer esta divisão do projeto em uma estrutura básica facilita o seu gerenciamento e permite melhor visualização dos objetivos, ou seja, onde o gerente de projetos precisa aplicar mais foco para entregar o resultado esperado. Desta forma, para a sequência correta de um projeto, existem cinco 17 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S grandes etapas: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle e, por fim, encerramento. Veremos estas etapas mais detalha- das nas seções a seguir. Iniciação É a fase inicial de qualquer projeto. Nesta etapa, o gerente deve analisar o projeto com uma visão mais ampla, percebendo quais os ob- jetivos almejados, os problemas a serem resolvidos para alcançá-los, mapeamento das necessidades e viabilidade. Também é necessário o mapeamento dos riscos, restrições e autorizações para a continuidade do projeto. Além disso, são elaborados alguns processos, como o TAP (termo de abertura de projetos), a EAP (estrutura analítica do projeto) e a definição do escopo, detalhados a seguir. EAP (WBS) A estrutura analítica do projeto, mais conhecida na literatura do acrônimo de seu termo em inglês, Work Breakdown Structure (WBS), é uma subdivisão do trabalho do projeto em partes menores, tornando mais gerenciável por meio da simplificação. Seu principal objetivo é organizar as atividades de cada subestrutura para a realização do projeto (macro). O WBS garante ao gerente de projetos a visibilidade das principais entre- gas, facilitando o controle de tempo e de custo (PMI, 2018). É persona- gem-chave do processo de gerenciamento de escopo do projeto. De maneira geral, o WBS (ou EAP) auxilia na definição do tra- balho necessário para o projeto, promove uma linguagem comum deste trabalho, entrega a linha de base do escopo, controla o andamento, atualiza toda documentação anterior, apoia todos os outros processos de gerenciamento de projetos (estimativa de custos, planejamento de recursos e mapeamento de riscos). A Figura 2 mostra um modelo de estrutura analítica do projeto. 18 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 2 - Modelo de EAP (WBS) Fonte: JUSTO (2018) Muitos profissionais confundem a estrutura analítica do projeto com cronograma, porém, são processos diferentes. O cro- nograma possui a lista de atividades do projeto, as datas de início e fim de cada atividade, o responsável e o status. A EAP não con- templa as atividades, ou seja, a EAP diz como fazer e o cronograma mostra o que fazer. TAP O termo de abertura do projeto é um documento que formaliza seu início, confere autoridade ao gerente e agrupa todas as informações necessárias para a execução das atividades envolvidas (PMI, 2018). Os dados que geralmente são contemplados num TAP são: título do proje- to, gerente de projeto, responsável, justificativa, descrição, objetivos e metas, premissas, principais stakeholders, riscos e restrições, marcos, custos e prazos estimados. Com a formalização destas informações, o TAP é assinado pe- los clientes, patrocinadores (sponsors), firmando desta forma um com- promisso de entregas e metas. Seus objetivos são: nomear um gerente de projetos, descrever os principais aspectos do projeto a desenvolver, 19 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S justificar o motivo de levar este projeto adiante, montar a equipe que desempenhará suporte ao gerente, mapear todos os riscos e principal- mente, evitar retrabalho. Um TAP bem elaborado, junto com a EAP e o escopo bem definidos, dificilmente o projetoirá apresentar problemas. Escopo O escopo é a parte fundamental do projeto, onde todas as in- formações principais são inseridas, os objetivos, produtos/serviços/pro- cessos desejados, incluindo todo o trabalho necessário para obtenção do resultado. Ele estabelece também os limites, os critérios de valida- ção e aceitação, com tolerâncias para cada resultado, mesmo que nula. É importante salientar os limites, inclusive não exceder a solicitação do cliente, que é um grande risco ao projeto também. A seguir um passo-a-passo da sequência das atividades na etapa de iniciação: i. Elaboração de justificativa para esclarecer por que o projeto deve ser executado; ii. Listagem dos objetivos do projeto, que vão direcionar todo o trabalho a ser realizado e possibilitar a mensuração do sucesso do projeto; iii. Escolha do gerente de projetos e do time que atuará no de- senvolvimento da solução; iv. Identificação das partes interessadas (stakeholders); v. Esboço das características do produto, serviço ou resultado; vi. Documentação das principais entregas e marcos do projeto; vii. Definição dos critérios de aceitação das entregas; viii. Documentação das expectativas de custos e prazos; ix. Definição de exclusões, premissas, restrições e riscos do projeto; x. Alinhamento e comunicação dos parâmetros do projeto às partes interessadas. Planejamento Com o aval da alta direção da empresa para dar continuidade ao projeto e com todas as ações da etapa de iniciação concluídas, entra a etapa de planejamento. Nessa etapa é essencial um olhar micro, ou seja, analisar cada mínimo detalhe e processo do projeto a ser implementado. Esta é a fase mais importante para que o projeto seja concluído. Desta forma, o gerente de projeto deve desenvolver todo o plano de ação, que 20 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S inclui: a definição do escopo, o cronograma, a sequência de atividades, a estimativa de custos, os riscos, o orçamento disponível, entre outras. Também é obrigatório definir o gerenciamento de qualidade, dos recursos humanos, das comunicações, de risco, das aquisições e dos stakeholders. Além disso, deve-se elaborar a análise quantitativa e qualitativa dos riscos. O planejamento possibilita que o projeto seja colocado em prática e concluído com sucesso. Então, é de extrema im- portância dedicar o tempo que for preciso e ter a maior atenção nessa fase do projeto. A seguir um passo-a-passo da sequência das atividades na etapa de planejamento: i. Escolha da metodologia de gerenciamento; ii. Detalhamento do escopo e dos riscos; iii. Elaboração da Estrutura Analítica; iv. Levantamento dos recursos necessários para executar; v. Avaliação das necessidades de aquisições; vi. Levantamento da previsão detalhada de custos; vii. Elaboração do cronograma, com as atividades e prazos; viii. Estruturação do plano/estratégia de comunicação. Planejamento de Respostas aos Riscos De acordo com PMI (2018), planejar as Respostas aos Riscos é o processo de desenvolver alternativas, selecionar estratégias e acor- dar ações para lidar com a exposição geral aos riscos, e tratar os riscos individuais do projeto. O principal benefício deste processo é que identi- fica formas apropriadas de abordar o risco geral e os riscos individuais. Este processo também aloca recursos e adiciona atividades em docu- mentos e no plano de gerenciamento do projeto, conforme necessário. Este processo é realizado ao longo do projeto. As entradas, ferramentas e técnicas e saídas desse processo estão ilustradas na Figura 3. 21 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 3 - Planejar as respostas aos riscos Fonte: PMI (2018) As respostas efetivas e apropriadas ao risco podem minimizar ameaças individuais, maximizar oportunidades individuais e reduzir a exposição geral ao risco do projeto. Respostas inadequadas ao risco podem ter o efeito inverso (PMI, 2018). Ao identificar, fazer a análise e priorização, é necessário que o líder responsável desenvolva planos nesta etapa, resolvendo cada risco individual, mapeado como importan- te (ameaça) pela equipe de projeto; cabe também ao gerente de projeto fazer esta classificação dos riscos. As respostas planejadas devem ser adequadas à relevância do risco, ter eficácia de custos para atender ao desafio, serem realistas dentro do contexto do projeto, acordados por todas as partes envolvidas e ter um responsável designado (PMI, 2018). Considerando todas as opções existentes, o gerente de pro- jetos deve escolher aquela que melhor se encaixe como resposta ao risco, selecionando para cada risco mapeado o conjunto de estratégias com maior chance de assertividade. Para o gerenciamento dos riscos, podem ser utilizadas metodologias de tomada de decisão para a melhor resposta aos riscos, principalmente para projetos de maior complexida- de ou de grande porte, sendo usual a aplicação de modelos matemáti- cos de otimização para uma maior robustez no retorno. Para cada resposta ao risco, desenvolvem-se ações específi- cas para resolução do risco encontrado. Deve-se então criar um plano 22 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S de reação, ou de contingência, caso a estratégia de solução não seja suficiente, ou mesmo quando o risco é aceito como parte do processo. Muitas vezes, é alocada uma reserva de contingência de tempo ou cus- to. Caso seja desenvolvida, ela deve incluir a identificação das condi- ções que acionam o seu uso (PMI, 2018). Execução Com o encerramento do planejamento, é iniciada a etapa de execução do projeto, a fase que o planejado é colocado em prática. O gerente de projeto precisa se unir com sua equipe e acompanhar toda execução das tarefas, com reuniões e acompanhamentos no local. É imprescindível se manter fiel às datas planejadas. Contudo, sabemos que imprevistos acontecem, mesmo com um planejamento bem elaborado. Para tal, o gerente do projeto precisa es- tar pronto para lidar com esses problemas. Desta maneira, é necessário colocar novas metas e alterar o cronograma, mas cuidando para que não cause grande impacto no prazo ou no resultado ao final do projeto. Assim sendo, o gestor também precisa saber como se comuni- car com a equipe e sempre que houver uma mudança, todos precisam ficar sabendo, de maneira que o grupo de colaboradores vai ter sempre atualização do que foi modificado e poder contribuir para alguma solu- ção mais assertiva, se for o caso. A seguir um passo-a-passo da sequência das atividades na etapa de execução: i. Aplicação prática de tudo aquilo que foi definido durante o planejamento do projeto; ii. Monitoramento e reporte dos avanços do projeto em reuni- ões periódicas; iii. Realização de ações corretivas de eventuais desvios no pro- jeto; iv. Avaliação de solicitações de mudança e atualização de do- cumentos. Monitoramento e Controle O monitoramento e o controle consistem em analisar a execu- ção das etapas. Essa fase do projeto é importante para que o gerente consiga acompanhar o desenvolvimento do projeto e identifique qual- quer situação que exija uma alteração no planejamento. Sendo assim, o 23 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S gerente precisa ter foco na análise de cada processo da execução. Por exemplo, se a equipe não está seguindo de forma exata o planejamen- to, o gestor precisa intervir e saber o que está acontecendo, pois, isso só é possível se ele estiver monitorando os processos. Então, é neces- sário controlar tudo, desde os custos até o cronograma e, obviamente,monitorar todos os riscos. Para tal, elencam-se pessoas para formar um grupo de processos para o monitoramento e controle do projeto. De acordo com PMI (2018), o grupo de processos responsá- vel de monitoramento e controle também envolve: fazer avaliação dos pedidos de alterações e decidir acerca da resposta adequada a esta solicitação; sugerir as ações de correção ou prevenção antecipadamen- te aos problemas possíveis; fazer o monitoramento das atividades do projeto de maneira contínua, relativo ao plano de gerenciamento e às linhas de base; cuidar para que apenas as mudanças aprovadas sejam implementadas; fornecer à equipe de projeto e aos stakeholders uma melhor visão acerca da situação do projeto e realizar a identificação de qualquer ponto que exija uma atenção especial. Outra função deste grupo é controlar o escopo, ou seja, monito- rar o status do projeto e o escopo do produto e gerenciar mudanças feitas na linha de base do escopo. Este processo é essencial para que a linha de base do escopo esteja com informações atualizadas no decorrer do projeto. Já em relação ao cronograma, que é uma das funções principais do grupo de monitoramento e controle realizar o acompanhamento. Esta etapa é o processo de monitorar o status do projeto para atualizar o cro- nograma e gerenciar mudanças em sua linha de base. O principal bene- fício deste processo é manter a linha de base do cronograma atualizada ao longo de todo o projeto, sempre sob o acompanhamento do gerente. Outro importante controle e monitoramento é o controle de cus- tos e utilização de recursos, ou seja, monitorar o andamento do proje- to para atualização no seu orçamento e gerenciamento das mudanças feitas na linha de base de custos, bem como avaliar a escassez de re- cursos ou sobras/ociosidades em potencial. O principal benefício deste processo é manter a linha de base dos custos atualizada ao longo de todo o projeto. Este processo é realizado ao longo do projeto. Outros pontos também importantes de controle são relacionados a: monitoramento da qualidade, monitorando o desempenho técnico das entregas, monitorar as comunicações, garantindo que as necessidades de informação do projeto e de suas partes interessadas sejam atendidas e, por fim, monitoramento dos riscos, sempre verificando em cada avanço do projeto se existem percalços não-mapeados ou mesmo se aqueles que fo- ram mapeados estão com iminência de prejudicar o andamento do projeto. A seguir um passo-a-passo da sequência das atividades na 24 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S etapa de monitoramento e controle (PMI 2018): i. Monitorar e controlar o trabalho do projeto; ii. Realizar o controle integrado de mudanças; iii. Validar o escopo; iv. Controlar o escopo; v. Controlar o cronograma; vi. Controlar os custos; vii. Controlar a qualidade; viii. Controlar os recursos; ix. Monitorar as comunicações; x. Monitorar os riscos; xi. Controlar as aquisições; xii. Monitorar o engajamento das partes interessadas. Encerramento O encerramento é a última fase de um projeto, e na qual se ve- rifica o termo de abertura, analisa todos os objetivos e entrega, realiza o aceite e faz o seu encerramento. Desta forma, é necessário que o clien- te assine um termo, chamado “termo de aceite do projeto” e formalize seu encerramento. Importante também, nesta etapa, o gerente reunir toda a equipe e os patrocinadores (principalmente a alta gestão) para apresentar o relatório final e todas as informações acerca do trabalho da equipe e do projeto em si. Outro fator necessário no encerramento é pedir um retorno da equipe de trabalho com relação à função do gerente de projetos, visan- do melhorar os pontos falhos nos próximos. Seguindo esta metodologia de gestão de projetos, o gerente consegue definir com maior clareza todas as fases de um projeto e as colocar em prática de maneira mais efetiva. Por isso, é importante se aprofundar mais sobre o assunto e sempre se manter atualizado, pois é uma área de atuação muito dinâmi- ca e com ferramentas cada vez mais atualizadas e poderosas. A Figura 4 exibe a importância do encerramento do projeto, pois gerencia toda a sua integração e unifica com outras áreas de conhecimento. 25 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 4 - Grupo de processos de encerramento Fonte: PMI (2018) Validação do Escopo Validar o escopo é o processo de formalização da aceitação das entregas concluídas do projeto. O principal benefício deste processo é proporcionar objetividade ao processo de aceitação e aumentar a proba- bilidade da aceitação final do produto, serviço ou resultado, por meio da validação de cada entrega. Este processo é realizado periodicamente ao longo do projeto, conforme necessário (PMI, 2018). A seguir um passo-a- -passo da sequência das atividades na etapa de encerramento: i. Encerramento de contratos com fornecedores; ii. Entrega e aprovação do resultado total do projeto; iii. Listagem das lições aprendidas (o que deu certo e o que deu errado); iv. Arquivamento do projeto; v. Comunicação do fechamento do projeto aos stakeholders. 26 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2019 Banca: IESES Órgão: SCGás Prova: Analista de Tecno- logia da Informação. Considerando o referencial de gestão de projetos assinale a alter- nativa correta: a) Um TAP (Termo de Abertura de Projeto) é um recurso de EAP (estudo analítico do projeto) é tem como propósito aperfeiçoar etapas de execu- ção do projeto permitindo que a equipe concentre sua atenção em par- tes do projeto, em determinado momento, sem se desconectar do todo. b) Um TAP (Tempo Aproximado de Projeto) é um recurso de EAP (estu- do analítico do projeto) é tem como propósito buscar definir o tempo que o projeto terá. Ele é uma das 9 etapas de gestão de projetos definido pelo PMBOK. c) Um TAP (Termo de Abertura de Projeto) é uma das 9 etapas de ges- tão de projetos definidos no PMBOK. d) Um TAP (Termo de Abertura de Projeto) é um recurso de EAP (estudo analítico do projeto) é tem como propósito aperfeiçoar etapas de execução do projeto permitindo que a equipe concentre sua atenção em partes do projeto, em determinado momento, sem se desconectar do todo. É aplicá- vel apenas em projetos de Tecnologia da Informação e da Comunicação. QUESTÃO 2 Ano: 2019 Banca: FCC Órgão: Prefeitura de Recife/PE Prova: As- sistente de Gestão Pública. No que concerne à gestão por projetos, o primeiro ponto a se ter em mente é que nem toda a atividade desempenhada por uma or- ganização caracteriza-se como um projeto. Nesse contexto, cons- titui requisito fundamental para a caracterização de uma atividade como projeto a a) materialidade, eis que todo o projeto deve produzir um resultado fi- nanceiro imediato b) intangibilidade, ligada ao seu caráter de difícil mensuração. c) temporalidade, eis que todo o projeto possui início e fim determinados. d) especialidade, demandando a condução por especialistas externos à organização. e) excepcionalidade, o que afasta a possibilidade de execução conco- mitante de mais de um projeto. QUESTÃO 3 Ano: 2012 Banca: COPESE-UFT Órgão: MPE/TO Prova: Analista Mi- 27 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S nisterial – Administração. São consideradas características dos projetos, EXCETO: a) Os projetos são únicos e singulares, significa fazer algo que ainda não foi feito antes. b) Os projetos são de natureza temporária e têm datas definidas de início e fim. c) Os projetos estão concluídos quando asmetas foram alcançadas ou não podem ser atingidas. d) Um projeto bem sucedido é aquele que atende ou excede as expec- tativas dos stakeholders. e) A temporalidade dos projetos prescreve que os mesmos devem ter sempre curta duração. QUESTÃO 4 Ano: 2013 Banca: CEPERJ Órgão: SEFAZ-RJ Prova: Oficial de Fa- zenda. Projetos são empreendimentos inovadores, com parâmetros bem definidos pelo gestor e que demandam uma gestão adequada, já que podem consumir valiosos recursos da organização. Assim, so- bre as características e gestão de projetos, é correto afirmar que: a) Projetos são atividades contínuas e corriqueiras realizadas na empresa. b) Por ciclo de vida, entende-se cada etapa que compõe o processo de execução do projeto. c) Os projetos só podem ser desenvolvidos em empresas privadas, não sendo admitida sua execução em instituições governamentais. d) O gerenciamento de projetos por área de conhecimento pode incluir, dentre outras áreas, o gerenciamento do escopo, da cultura organiza- cional e o de riscos. e) Na execução de um projeto, quando se diz que a metade de seu or- çamento foi executado, podemos concluir que o objeto do projeto apre- senta metade da execução. QUESTÃO 5 Ano: 2018 Banca: MS CONCURSOS Órgão: GHC-RS Prova: Analis- ta de Sistemas Projeto é um esforço temporário empreendido para criar um produ- to, serviço ou resultado exclusivo. A natureza temporária dos pro- jetos indica que eles têm um início e um término definidos. O tér- mino é alcançado quando os objetivos do projeto são atingidos ou quando o projeto é encerrado porque os seus objetivos não serão ou não podem ser alcançados, ou quando a necessidade do pro- jeto deixar de existir. Um projeto também poderá ser encerrado se 28 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S o cliente (cliente, patrocinador ou financiador) desejar encerrá-lo. Um projeto pode criar: I- Um produto que pode ser um componente de outro item, um aprimoramento de outro item, ou um item final. II- Um serviço ou a capacidade de realizar um serviço (p.ex., uma função de negócios que dá suporte à produção ou distribuição). III- Uma melhoria nas linhas de produtos e serviços (por exemplo, um projeto Seis Sigma executado para reduzir falhas). IV- Um re- sultado, como um produto ou documento (por exemplo, um projeto de pesquisa que desenvolve o conhecimento que pode ser usado para determinar se uma tendência existe ou se um novo processo beneficiará a sociedade). Estão corretas: a) Apenas as opções I e II. b) Apenas as opções I, II e III. c) Apenas as opções II, III e IV. d) Apenas as opções II e IV. e) Todas as opções. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Uma das fases do gerenciamento de projetos é o monitoramento e o controle, sendo assim, descreva a sequência das atividades na etapa de monitoramento e controle. TREINO INÉDITO O termo de abertura do projeto é: a) um documento que formaliza o início de um projeto, confere autoridade ao gerente de projeto e agrupa todas as informações necessárias para a execução das atividades envolvidas apenas por escrito e expressamente. b) um documento que estabelece o cronograma do projeto c) um documento que estabelece as funções da equipe de projeto. d) um documento que estabelece os custos e gastos do projeto. e) um documento que descreve o escopo do projeto NA MÍDIA 4 FERRAMENTAS PARA GERIR SUA ORGANIZAÇÃO DURANTE A CRISE Organizações da sociedade civil podem utilizar ferramentas de gestão PMD (Project Management for Development) para passar pela crise do coronavírus da melhor forma possível e ainda se fortalecer com ela. O PMD é uma metodologia de gestão de projetos sociais que nasceu a partir do PMBOK (Project Management Body Of Knowledge) e de outras metodologias de sucesso do setor comercial, por organizações sociais globais que as adaptaram à realidade do setor social. Dessa forma, a 29 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S metodologia ensina a aplicar os conceitos de administração de projetos, porém com foco no terceiro setor. Fonte: Folha de São Paulo Data: 04 de abril de 2020. Leia a notícia na íntegra: https://www1.folha.uol.com.br/empreendedor- social/2020/04/4-ferramentas-para-gerir-sua-organizacao-durante-a- -crise.shtml NA PRÁTICA Toda grande empresa utiliza atualmente ferramentas mostradas no guia PMBOK, parte demonstrada neste capítulo, por que é um diferencial e por que a não-utilização, além de dificultar o desfrute da maioria dos projetos bem implementados, esta empresa que não gerencia projetos da forma necessária pode ser alvo fácil de auditoria de clientes e clien- tes em potencial, pois uma equipe que não gerencia os próprios proje- tos dificilmente desenvolverá soluções aos clientes. Porém, corporações como o PMI e outras diversas consultorias que fornecem cursos de gerenciamento de projetos e muitas vezes acom- panham nas áreas produtivas não cobra barato e, para uma pequena empresa ou aquela com dificuldades financeiras, o que resta é aprender com estes manuais e executar, mesmo que de forma macro, as etapas e acompanhar. Um projeto bem realizado, afinal, é muito mais fácil de acompanhar do que aquele que foi feito “do jeito que deu”. Portanto, com a grande quantidade de conteúdo e cursos online para gerenciamento de projetos, não é essencial a contratação de grandes consultores, que obviamente são um diferencial, mas não imprescindí- vel para que uma empresa realize projetos e obras com qualidade. PARA SABER MAIS Leia o Artigo: A Importância da Gestão de Projetos para Inovação em Empresas o Caso do Setor de Energia Acesse o link: https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos13/991872.pdf 30 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S INTRODUÇÃO À GESTÃO DA QUALIDADE E DE PESSOAS As corporações existem para fornecimento de algum produto ou serviço, ou ambos, ao consumidor final. No entanto, para uma em- presa ser referência em um entregável ao consumidor é essencial que seus processos internos (estrutura organizacional) sejam embasados em uma gestão da qualidade. Isso não é apenas produzir algo e ofere- cer ao mercado, mas sim, ofertar o que há de melhor, com o máximo de qualidade e com evolução contínua em seus serviços, produtos e no en- torno, criando assim, uma diretriz fundamental dentro da organização: ter uma boa gestão da qualidade. Neste sentido, a Gestão da Qualidade e sua coirmã Gestão de Pessoas são as ferramentas essenciais para formar um controle de GESTÃO DE QUALIDADE E PESSOAS EM OBRAS DE ENGENHARIA G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S 30 31 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S qualidade que englobe a procura pela qualidade total dos processos, alinhado à gestão dos funcionários (desde o ajudante ao presidente). Esta gestão integrada compreende o desenvolvimento dos líderes e no- vos líderes, relacionamento com os stakeholders (todo o entorno da cor- poração: comunidade, clientes e fornecedores etc.), a missão e visão da empresa, estratégias na gestão e a melhoria contínua dos processos internos e da cadeia dos produtos/serviços. A gestão da qualidade só possui função se houver integração entre os gestores, lideranças e os profissionais que fazem parte do cor- po da empresa, porque mesmo que direcione as ações para a busca da excelência da qualidade dos produtos e serviços, não existirá uma ligação da gestão com a cultura das pessoas envolvidas e assim com o passardo tempo a gestão se tornará ineficaz. A interconexão entre ambas é essencial para os resultados melhorarem. Pode-se concluir, que a Gestão da Qualidade e a Gestão de Pessoas são mais efetivas se aliadas, unindo o enfoque nos processos estratégicos com o desenvolvimento pessoal dos profissionais, melho- rando o clima organizacional e a qualidade de vida das pessoas no ambiente de trabalho. FERRAMENTAS DA QUALIDADE VOLTADAS A PROCESSOS Antes de elencar algumas das principais ferramentas da quali- dade utilizadas na gestão de processos, é necessário um breve histórico sobre o surgimento e a incorporação de forma global destas ferramentas. Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão era um país devastado, sem dinheiro e sem apoio internacional. Um agravante maior ainda pela pouca extensão territorial, o país era (e ainda é) dependente de matéria-pri- ma de outros lugares, mas sem as condições para aquisição e precisando se reerguer, era momento de poupar recursos o máximo possível. Neste contexto, encabeçado pelo vice-presidente da Toyota, Taiichi Ohno, surgiu o Toyota Production System, ou Sistema Toyota de Produção (TPS/STP). Este sistema era um conjunto de ferramentas de melhoria de processo, que tinha como objetivo principal aumentar o de- sempenho dos processos, reduzindo desperdício de tempo e financei- ro. Com a globalização das ferramentas, o STP ou TPS foi renomeado como Leam Manufacturing, ou “pensamento enxuto” e hoje o conjunto de ferramentas inseridos nesta filosofia é aplicado em quase todas as grandes empresas, nacionais ou multinacionais, no mundo todo. Por outro lado, na década de 1980, uma equipe de engenhei- ros da Motorola, sob a liderança de Bill Smith, desenvolveu um conjunto 32 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S de ferramentas de controle da qualidade, denominado Six Sigma, “seis sigma”, com objetivo de aumentar o desempenho do processo produtivo para próximo de 100%, tendo seu primeiro caso de sucesso na General Electric, que utilizou as ferramentas em seu processo produtivo, aumen- tando de forma exorbitante a qualidade e reduzindo desperdício. Essas duas ferramentas começaram a se integrar no começo do Século XXI, tendo sua integração denominada Lean Six Sigma (LSS), aplicando os métodos de melhoria de processos do Lean Manufacturing com as fer- ramentas de controle da qualidade do Six Sigma. As empresas possuem vários projetos, mas alguns não são adequadamente gerenciados, não obtendo os resultados esperados. De maneira ideal, uma organização deve ter um portfólio contínuo de projetos LSS, porém, requer planejamento estratégico, orçamento, ge- renciamento de curto prazo que, se bem gerenciado, aumente as chan- ces para o cumprimento dos objetivos estratégicos. O uso destas ferra- mentas tornam estes controles muito mais eficazes, sendo necessário o gerenciamento de um conjunto de projetos e outros desenvolvimen- tos que alcancem os objetivos estratégicos para o negócio, tornando-o mais transparente e facilitando o acompanhamento do portfólio de pro- jetos de uma corporação (PMI, 2018). Kanban A palavra “kanban” vem do japonês e significa “cartão”. É mais uma das inúmeras ferramentas desenvolvidas pela Toyota em seu TPS. Conceitualmente o kanban é bem simples e é utilizado de forma intuitiva em vários produtos e serviços no dia a dia. Por exemplo, qualquer car- ro possui um indicador de “reserva” e mostra que precisa reabastecer para não ficar parado na estada. Isso faz parte do método kanban. Ele é um sistema visual extremamente simples para controle de produção ou gestão de tarefas. Sua agilidade se baseia em possibilitar que as tarefas tenham rapidez no desempenho, com o acompanhamento do trabalho das diversas equipes que possuem prazos de entrega distintos. Para o funcionamento do kanban ele precisa ter um alerta, seja ele visual (cores) ou sonoro, quando um determinado processo está prestes a atrasar ou quando um produto está para acabar em uma pra- teleira. O mais usual é o visual. A seguir, a figura 3 mostra um kanban de processo, ou de gestão, que elenca as atividades ou itens “a fazer”, que estão na espera, os processos ou itens em execução (“fazendo”) e os itens concluídos em “feito”. 33 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 3 – Kanban processo Fonte: Adaptado de LABONE (2021) Na figura 4 um exemplo de prateleira kanban para insumos em geral. Ela funciona da seguinte forma: com todo estoque de insumo ne- cessário e estimado pelo setor de Suprimentos (compras) com base na demanda de fabricação elaborada pelo setor de Planejamento (PCP), todas as prateleiras estão preenchidas. À medida que a produção trabalha, os insumos são consumi- dos e, ao chegar nas caixas amarelas, é necessário gerar um pedido para que o setor de Suprimentos reponha o estoque, sendo que se cal- cula antes um tempo para que não falte o insumo das prateleiras ama- rela e vermelha até o fornecedor entregar. Esta fase gera o chamado “ponto de pedido” para o comprador. Ao atingir as prateleiras de caixa vermelha, é aberto sinal de alerta para que o material chegue a tempo de não interromper o processo. Figura 4 - Exemplo de prateleira kanban para controle de insumos Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. 34 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Atualmente os sistemas kanban possuem automatização e em alguns lugares já são utilizadas prateleiras interligadas no sistema de compras, fazendo o ponto de pedido automático no momento da retira- da do estoque do almoxarifado. Isto facilita a redução de desperdícios, com a compra de mais material do que o necessário e, em contrapar- tida, evitando que falte no processo. Em gerenciamento de projetos, o kanban funciona para elencar as atividades que estão com prazo longo, aquelas com prazo apertado e aquelas que já estão prestes a compro- meter o projeto, como foi mostrado na figura 3. Kaizen O termo japonês que significa melhoria contínua (mudar para melhor), figura 5, é uma metodologia para o alcance de resultados, que consiste no emprego organizado do senso comum e da criatividade para aprimorar um processo individual ou um fluxo de valor completo, agregan- do mais valor com menos desperdícios. A melhoria contínua começa com cada indivíduo, ou seja, o princípio do kaizen é um esforço individual para se obter um benefício coletivo. Algumas definições sobre o que é o kaizen: • Ensinar as pessoas a terem recursos; • Uma cultura de melhoria contínua; • Perseguir uma meta; • Transferência de conhecimento; • Saber quando eliminar, reduzir ou mudar uma atividade. Figura 5 - Kai (Mudar) e Zen (Melhor) Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Para todo Kaizen, deve-se prevalecer o foco de “mudar para melhor” sempre. É a busca pela perfeição, a cada mudança de patamar: 35 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 6 - Objetivo do kaizen: melhorar para melhor, sempre. Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Exemplos de propósitos de kaizen: • Reduzir 50% dos estoques; • Reduzir 50% do lead time (tempo em que um produto fica em processo); • Reduzir 90% dos defeitos; • Dobrar a produtividade. Alguns Entregáveis Essenciais de um Kaizen Planejamento do kaizen: existem inúmeras ferramentas de pla- no de ação, mas a mais consagrada de todas e pilar do Lean Manu- facturing é o ciclo PDCA, onde P vem de planejar, D de fazer (do em inglês), C de checar, e por fim A de agir. Como o kaizen é melhoria con- tínua, após a etapa de agir, reinicia-se o ciclo ao planejar novos eventosde melhoria. A figura 7 mostra as etapas do PDCA. Figura 7 - O ciclo PDCA Fonte: GONÇALVES (2021b) 36 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S O clico PDCA por si só já contempla todas as etapas do kaizen, sendo intrínseco às ações de qualquer projeto kaizen. A 3 do Projeto: todo kaizen começa com um A3. O nome A3 deriva de uma folha sim- ples em branco, no formato A3, que o grupo de melhoria da Toyota utili- zava para mapear as necessidades para iniciar o kaizen. Uma maneira visual e rápida de contar uma história sobre um assunto importante, uti- lizando apenas um lado de uma folha de papel tamanho A3. Também se utiliza a denominação “A3” para outros modelos que seguem o mesmo conceito. É um formulário para descrição completa e sucinta do kaizen ou outro tipo de projeto de melhoria a ser realizado. No A3 constam informações como tema, escopo, equipe do projeto, cenário, principais problemas, objetivos, melhorias e metas. A figura 7 mostra um exemplo de A3 utilizado em processo de fabricação. Figura 8 - Exemplo de A3 Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. A etapa a qual o A3 deve ser elaborado é o planejamento do kaizen, pois é neste momento que se definem as necessidades e pos- síveis soluções. Critérios de avaliação e 7 alternativas: conhecido na li- teratura também como “7 ways”, é outra ferramenta utilizada na fase de planejamento do kaizen. São alternativas geradas em uma reunião em equipe para levantamento de ideias para resolver o problema levantado no kaizen. Estas reuniões, chamadas brainstorming, do inglês “tempes- 37 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S tade de ideias”, é baseado no levantamento de uma questão e propos- tas respondidas rapidamente por cada membro da equipe reunida. Após algumas rodadas de soluções propostas, todas as ideias são classificadas e separadas as sete melhores, para que depois sejam refinadas e escolhida uma só para implementação. A ideia de se gerar mais de uma proposta é fazer realmente o mapeamento ideal da melhor solução. Muitas vezes os vícios pessoais (tendências de “vender a pró- pria ideia”) pode evitar que soluções melhores surjam. Plano de Implementação e Cronograma: após realizado todo planejamento, este deve estar no papel com datas e responsáveis. Des- ta forma, surge uma das ferramentas de planejamento de ações mais utilizadas no ambiente corporativo: o 5W2H. Esta sigla deriva do inglês: • What: 1º “W”, significa “o quê”, ou seja, qual objetivo, meta a ser cumprido? • Where: 2º “W”, significa “onde”, ou seja, qual local, departa- mento, célula ocorrerá a ação? • When: 3º “W”, significa “quando”, ou seja, qual a data de en- cerramento desta ação? • Who: 4º “W”, significa “quem”, ou seja, quem é responsável pela ação? • Why: 5º “W”, significa “por quê”, ou seja, qual motivação e quais benefícios que esta ação trará ao projeto? • How: 1º “H”, significa “como”, ou seja, quais processos e ativi- dades são necessários para esta ação ser desenvolvida? • How Much: 2º “H”, significa “quanto custa”, ou seja, qual o valor financeiro, de tempo etc. demandará esta ação? O 5W2H deve ser minucioso, ou seja, são as ações micro dentro das ações principais do projeto, como, por exemplo, “comprar ferramenta x” ou “criar escopo do projeto”. A figura 9 resume o 5W2H de forma visual. Figura 9 - Plano de ação 5W2H Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. 38 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Genba Walking: genba é um termo japonês que significa “local onde as coisas acontecem”. Dentro da empresa, o genba refere-se ao local onde os processos acontecem, sejam processos administrativos, de escritório ou processos de manufatura; pode ser um canteiro de obras, uma área de vendas, fabricação de peças, montagem de produtos etc. A realização do Genba Walk (“caminhar por onde as coisas acontecem”) permite observar e aprender sobre o processo para ter a real avaliação de problemas e desperdícios. Essa observação parte do conceito de que as melhores soluções são geradas com o contato direto entre o observador e o processo observado. O genba walking é utilizado no kaizen durante a semana da implementação do projeto, conhecida como “Semana kaizen”. Nesta se- mana a maioria das principais ações são implementadas e, para isso, é importante que todos os participantes do kaizen, dos patrocinadores aos stakeholders, estejam na área onde a mudança está acontecendo, para mapear melhorias e potenciais desvios. Trabalho padronizado e procedimentos: após todas as ações concluídas e o projeto encerrado com sucesso, é essencial fazer o re- gistro de todas as ações realizadas e, principalmente, criar ou atualizar procedimentos e trabalhos padronizados, pois processos foram criados ou atualizados e precisam de procedimentos. Um procedimento ou trabalho padronizado é uma norma, em seu estado mais simplificado, voltado ao usuário, seja ele operador, área técnica etc. Sua finalidade é manter os processos e seu gerencia- mento com uma linguagem única, evitando possíveis desvios no futuro. O trabalho padronizado pode ser um procedimento técnico, uma instru- ção de trabalho (com imagens e um passo a passo de como fazer uma determinada atividade), um plano de controle (com ciclos de inspeção etc.), um fluxograma com ações se um determinado problema ocorre ou, no final das contas, todos estes documentos juntos. Metodologia 5S 5S é a base da estabilidade básica que promove um ambiente de trabalho que permita a identificação e eliminação dos 7 desperdícios por meio de cinco sensos: 39 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 10 - Os 5 sensos do 5S Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. A documentação física e digital deve ser levada em conta na aplicação do 5S nas áreas: • “Um é melhor”, elimine duplicidades! • Documentos objetivos com uma página. • Encontre um documento em menos de 30 segundos. A aplicação dos conceitos de 5S deve acontecer no ambiente físico e no ambiente digital. Para que a aplicação do 5S possa garantir melhor resultado nos processos, devemos observar uma mudança em 3 esferas: Individual, coletiva e resultados. Para tal, em resumo, o 5S demanda três mudanças fundamentais: 1. Mudança no comportamento individual; 2. Mudança no comportamento coletivo; 3. Mudança no aspecto físico do local de trabalho e melhora nos resultados. A figura 6 mostra o fluxo de implementação e acompanhamen- to do 5S nas áreas administrativas: 40 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 11 - 5S Office (administrativo/escritório) Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Benchmarking Todo ramo de negócios possui uma empresa modelo, ou seja, aquela que as outras empresas se espelham ou almejam ser melhores que ela. Antigamente, as empresas concorrentes tinham muitos riscos em se expor e por isso havia muita segurança nas informações, porque um fator novo descoberto, se disseminado pelos concorrentes, poderia perder aquele diferencial competitivo. Contudo, com o estabelecimento e normas de patentes, a cópia ilegal passou a ser crime e, desta forma, começou a existir um medo menor em disseminar a informação organizacional, o que culminou no mundo digital atualmente que, como é vivenciado por todos, dificilmente algum segredo industrial é mantido por muito tempo. Nesta evolução no ambiente corporativo, surgiu uma ferramenta importantíssima do Lean: o benchmarking, palavraoriunda do inglês que significa “avaliação comparativa”. Benchmarking é o processo de medir, comparar seus produtos, processos e métodos com os métodos, produ- tos e processos das empresas consideradas as melhores do ramo, com objetivo mútuo de se encontrar oportunidades de melhoria nos processos. É um recurso muito utilizado na Indústria para observar as lacu- nas de desempenho em diversas áreas da empresa, para posteriormente definir metas de melhoria de resultados. O benchmarking pode ser utiliza- do tanto internamente, entre áreas de uma mesma empresa, quanto ex- ternamente, entre mesmos processos de empresas diferentes, de forma 41 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S a manter todos os aspectos da empresa em constante evolução. Análise SWOT Um empreendimento, desde um projeto pequeno à organiza- ção de um projeto grande em um ambiente fabril, precisa ser feito com base em informações mais precisas e realistas o possível. A análise SWOT (S vem de strengths, forças; W vem de weaknesses, fraquezas; O vem de opportunities, oportunidades; e T vem de threats, ameaças) é uma ferramenta de mapeamento de riscos importante e bastante imple- mentada. Esta ferramenta ajuda a priorizar projetos e ações e promove tomadas de decisão mais assertivas. O conceito da matriz SWOT foi de- senvolvido na década de 60 e posteriormente, a técnica foi aprimorada por professores da renomada Universidade de Harvard. A análise SWOT funciona como ferramenta básica do planeja- mento estratégico. É responsável por diagnosticar as vantagens e des- vantagens de iniciar um novo projeto, de acordo com as características da empresa e do mercado em que atua. Ela facilita a visualização dos pon- tos positivos e negativos mapeados durante a pesquisa, tornando mais fácil a visualização para comparação e prioridades estratégicas. A matriz também não exige a elaboração de uma planilha complexa, podendo ser feita à mão ou em programas de elaboração de planilhas, como o Excel. Basta organizar as informações de forma que os pontos positivos sejam cruzados entre si, assim como os negativos. Isso ajuda o estudo das combinações entre categorias, conforme exemplo da figura 12. Figura 12 - Matriz SWOT Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. A seguir, na figura 13 um detalhamento do que inserir na ma- triz, e na figura 14, um exemplo dela preenchida. 42 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Figura 13 - SWOT detalhada Fonte: SERAFIM (2021). Figura 14 - Exemplo de matriz preenchida para a empresa fictícia "Food & Drinks 21" Fonte: FAVERY (2021). 43 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S GESTÃO DE PESSOAS E A SEGURANÇA DO TRABALHO Uma empresa, seja ela pequena ou uma grande corporação, é feita principalmente de pessoas. Desde que nesta empresa exista um único funcionário, ela continua sendo feita por pessoas. Sendo assim, é essencial que a prioridade-zero de toda e qualquer empresa seja o material humano que faz parte de seu efetivo. A gestão de pessoas surgiu no Século XX, com o avanço das indústrias ao redor do mundo, vendo a necessidade de tratar com maior cuidado as relações empregador-empregado após a Revolução Indus- trial, no Século XIX. No começo, era chamada Relações Industriais. Por muito tempo foi centralizado no setor de RH muitas tarefas, como gerir o bem-estar e as condições de trabalho dos empregados, mas hoje esta tarefa já foi pulverizada aos superiores imediatos de cada empregado, facilitando o trabalho do setor de RH e reduzindo os custos investidos neste setor, direcionando os gastos para mais capacitação aos empregados. Desta forma, a função do gestor, além de motivar os funcio- nários, definir prioridades e metas, avaliar resultados e planejar ações futuras, deve também cuidar do bem-estar do funcionário e de seu de- senvolvimento, tratando de direcionar aos empregados um conjunto de capacitações e funções direcionadas individualmente. Além de tudo isso, e principalmente, o gestor imediato deve garantir a segurança da equipe. A relação entre gestão de pessoas e se- gurança do trabalho é muito importante e não pode ser deixada de lado em meio a tantas atribuições, pois impacta diretamente na qualidade de vida e no ambiente de trabalho. Antes do papel de atuação do gestor, é importante mencionar que existe em toda empresa uma estruturação, mesmo que mínima, de um setor de Segurança do Trabalho, pois é requisito legal de certifica- ção para poder fornecer a uma gama grande de clientes. Uma empresa só cresce fomentando a gestão em recursos humanos e de segurança do trabalho, porque é um requisito mínimo legal. Onde o gestor imediato se encaixa quanto à segurança do tra- balho de cada empregado? • Na identificação de possíveis riscos de acidente, ou seja, isto é requisito inclusive das ferramentas Lean, pois um acidente além do risco de perda de vidas, influencia e impacta diretamente no resultado das empresas e em sua reputação. O gestor deve conhecer bem as funções desempenhadas, avaliar o espaço de trabalho e a metodologia utilizada, fatores importantes para identificar possíveis riscos de aciden- 44 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S te. O gestor deve ser capaz de apontar quais tipos de problemas podem ocorrer durante o desempenho das funções laborativas. • No zelo pelas normas de segurança. A aplicação das normas de segurança do trabalho deve ocorrer de maneira consciente e pre- cisa, tratada como prioridade. É proibido o desempenho de qualquer atividade com descumprimento dessas normas, pois elas existem para proteger o funcionário e sua saúde. É de responsabilidade do gestor garantir aos empregados o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPI), fiscalizar e assegurar condições seguras do ambiente e informar os trabalhadores sobre riscos. • Na conscientização. A melhor maneira de garantir a seguran- ça do trabalho é a conscientização. Explicar aos funcionários a impor- tância do seguimento das regras de segurança, quais são as normas, os motivos de sua importância e como ajudam a prevenir problemas graves. Essa conscientização pode ser feita com palestras, treinamen- tos, reuniões periódicas, informativos etc. • De garantir a capacitação adequada aos funcionários. A pro- moção de uma capacitação adequada é essencial para assegurar, não somente que todos os envolvidos tenham consciência no desempenho de suas funções, mas para que saibam proteger a si mesmos e aos colegas em eventuais riscos. Funções diferentes têm requisitos distin- tos e precisam ser desempenhadas da maneira correta para garantir a segurança do empregado. A ligação entre a gestão de pessoas e segurança do trabalho é a melhor maneira de garantir não somente o cumprimento das normas regulamentadoras (NR) e legislações trabalhistas como também coor- denar a equipe, envolvê-la e ensiná-la a zelar pelo setor como um todo, pessoas e equipamentos. 45 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2019 Banca: FUNDATEC Órgão: IMESF/RS Prova: Adminis- trador. A análise SWOT, também conhecida como FOFA, insere quatro itens a serem observados no planejamento e estratégia organizacional, os quais são Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Trata-se, portanto, de uma ferramenta utilizada para o diagnóstico estratégico da organização. Apresenta características de avaliação dos ambien-tes internos e externos das entidades. Nesse sentido, quando a orga- nização estuda os aspectos internos que podem estar dificultando o alcance dos seus objetivos, ela está realizando a avaliação de: a) Pontos fortes. b) Ameaças. c) Oportunidades. d) Pontos fracos. e) Estratégias de curto prazo. QUESTÃO 2 Ano: 2019 Banca: FGV Órgão: Prefeitura de Salvador/BA Prova: Es- pecialista em Políticas Públicas. Durante a aula de uma renomada faculdade de administração de empresas, localizada na Bahia, foi proposto aos alunos a elabora- ção de um trabalho em grupo sobre as ferramentas auxiliares no desenvolvimento do planejamento estratégico. Após a conclusão dos trabalhos, um dos grupos foi convidado a apresentar sua composição e os conceitos utilizados, e informou à turma, corretamente, que a) O benchmarking avalia as forças competitivas de um determinado setor de mercado para que as organizações possam desenvolver estra- tégias adequadas b) A matriz SWOT realiza uma análise ambiental, examinando tantos as- pectos controláveis pela organização, como forças e fraquezas, quanto incontroláveis, como ameaças e oportunidades c) Matriz BCG consiste no processo de busca das melhores práticas utilizadas em determinada indústria para a sistematização, por meio da comparação de mark-ups, e posterior internalização dessas práticas por uma organização d) O diamante de Porter consiste na representação gráfica dos produtos e serviços de uma organização, visando verificar o desempenho e po- tencial futuro de cada um e embasando a tomada de decisão 46 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S e) O Balanced Scorecard auxilia a organização no alinhamento das uni- dades de negócios, equipes e indevidos em torno de metas organiza- cionais, utilizando como base de mensuração puramente a perspectiva financeira QUESTÃO 3 Ano: 2019 Banca: Instituto AOCP Órgão: UFPB Prova: Administrador Qual é a ferramenta de diagnóstico estratégico conhecida como análise de equilíbrio e que visa confrontar os aspectos negativos e positivos em relação às condições internas e externas que podem afetar de alguma forma a organização? a) Matriz SWOT. b) Matriz BCG. c) Benchmarking. d) Modelo 5W2H. e) Ciclo PDCA. QUESTÃO 4 Ano: 2018 Banca: FGV Órgão: Prefeitura de Niterói/RJ Prova: Ana- lista de Políticas Públicas e Gestão Governamental. A startup XYZ, que desenvolve aplicativos para smartphones, desco- bre que as principais fabricantes do aparelho vão passar a utilizar um sistema operacional incompatível com seus produtos. Visando reali- zar uma análise do ambiente do mercado para orientá-la na definição de sua estratégia, a startup opta por utilizar a ferramenta conhecida por matriz SWOT, classificando a atitude das fabricantes como a) oportunidade. b) força. c) fraqueza. d) ameaça. e) neutralidade. QUESTÃO 5 Ano: 2018 Banca: FCM Órgão: IFN/MG Prova: Professor – Adminis- tração. O conceito da Matriz SWOT pode ser definido (ANSOFF; MCDON- NELL, 1993) como: a) Pontos fortes, Pontos fracos, Oportunidades e Desafios. b) Pontos competitivos, Pontos limitantes, Oportunidades e Desafios. c) Pontos competitivos, Pontos limitantes, Vantagens e Ameaças. d) Pontos fortes, Pontos limitantes, Vantagens e Desafios. e) Pontos fortes, Pontos Fracos, Oportunidades e Ameaças. 47 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE O 5S é a base da estabilidade básica que promove um ambiente de trabalho que permite a identificação e eliminação dos 7 desperdícios por meio de cinco sensos, que são? TREINO INÉDITO ___________________é o processo de medir, comparar seus pro- dutos, processos e métodos com os métodos, produtos e proces- sos das empresas consideradas as melhores do ramo, com objeti- vo mútuo de encontrar oportunidades de melhoria nos processos. É um recurso muito utilizado na Indústria para observar as lacunas de desempenho em diversas áreas da empresa, para posterior- mente definir metas de melhoria de resultados. a) Matriz SWOT. b) Matriz BCG. c) Benchmarking. d) Modelo 5W2H. e) Ciclo PDCA. NA MÍDIA GESTÃO DE PESSOAS: PARA ATRAIR TALENTOS, SETOR PRECI- SA PENSAR NA QUALIDADE DE VIDA DOS FUNCIONÁRIOS O profissional que atua na área de recursos humanos não se restringe ao recrutamento de candidatos ou ao treinamento da equipe. Ele tem uma função cada vez mais valorizada pelas empresas: garantir o bem- -estar e a qualidade de vida dos funcionários. Para as novas gerações, principalmente, conseguir conciliar o emprego com a vida privada é um critério importante para escolher onde trabalhar. Uma pesquisa elaborada em 2015 pela Social Market Foundation, as- sociação em Londres, mostra que a satisfação no ambiente de trabalho aumenta em até 20% a produtividade dos empregados. Considerando aqueles que estão no setor de comércio, a felicidade tem um impacto ainda maior no desempenho: as vendas chegam a crescer até 37%. Fonte: G1 Globo Data: 15 jan. 2019. Leia a notícia na íntegra: https://g1.globo.com/educacao/guia-de-carrei- ras/noticia/2019/01/15/para-atrair-jovens-talentos-setor-de-rh-precisa- -pensar-na-qualidade-de-vida-dos-funcionarios.ghtml NA PRÁTICA LEAN TURNAROUND: NAVEGANDO NAS MUDANÇAS DE RUMO Turnaround significa “virar em volta” em uma tradução literal do inglês. 48 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Atualmente, no mundo dos negócios, tem o significado de mudanças ra- dicais no rumo de uma empresa. Os processos de turnaround alicerça- dos pela filosofia lean – lean turnaround –, orientados por uma liderança formada pelos princípios lean, pode aumentar as chances de sucesso. No ambiente empresarial, o termo turnaround surgiu há algumas déca- das com o significado inicial ligado a aspectos financeiros, ou seja, como superar resultados negativos no desempenho de uma empresa. Normal- mente isso significava realizar esforços dramáticos de redução de custos e/ou o crescimento das receitas de modo a permitir a recuperação da ren- tabilidade financeira da empresa. Os significados mais recentes tratam da mudança radical na orientação estratégica ou no modelo de negócio, não necessariamente ligado a um desempenho financeiro inadequado no momento. Tem se tratado muito mais da necessidade de estabelecer uma nova visão ou de um novo rumo para a empresa, para garantir a viabilida- de do negócio no futuro. Esse novo rumo pode significar a introdução de novos produtos muito diferentes dos produtos atuais, a busca por novos mercados totalmente diversos, inclusive podendo se criar mercados, no- vos modelos de negócios, novas formas de distribuição ou ainda simples- mente novas formas de gestão e de organização. Então, podemos dizer hoje em dia que turnaround é um processo de transformação organiza- cional em direção a um novo rumo, a uma nova visão da empresa, um novo Norte. Kaizen pode não ser suficiente. Simplesmente melhorar os produtos e processos (kaizen) de uma empresa pode não bastar. Deve- mos considerar a necessidade de realizar um turnaround, uma mudança radical na visão e na direção da empresa. Fonte: Lean Institute Brasil Disponível em: https://www.lean.org.br/artigos/710/lean-turnaround- -navegando-nas-mudancas-de-rumo.aspx#:~:text=Turnaround%20 significa%20%E2%80%9Cvirar%20em%20volta,uma%20tradu%- C3%A7%C3%A3o%20literal%20do%20ingl%C3%AAs.&text=Ent%- C3%A3o%2C%20podemos%20dizer%20hoje%20em,da%20empre- sa%2C%20um%20novo%20Norte. PARA SABER MAIS Artigo Científico: Seis Sigma: Fatores Críticos de Sucesso para sua Im- plantação Acesse os links: https://www.scielo.br/pdf/rac/v13n4/a08v13n4.pdf. 49 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A SE M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S PRODUTIVIDADE E EFICIÊNCIA Todos os empreendimentos de engenharia, contemplando pro- jetos pessoais, projetos únicos, obras e projetos em empresas, são re- alizados diariamente e, sem uma ação eficiente na etapa de controle, todo desenvolvimento passa a não ser monitorado ou mal monitorado e a tendência é que com o tempo, as melhorias implementadas deixem de ser aplicadas. É a famosa “volta à estaca zero”. Para isso não ocorrer, existem ferramentas, principalmente gráficas, de acompanhamentos nos projetos: os indicadores. Eles medem a eficiência de cada setor, área produtiva ou pessoal e têm a finalidade de mapear ineficiências. Antes de mais nada, é importante destacar três termos que podem ser confundidos, mas possuem, na prática, significados distintos: INDICADORES DE PRODUTIVIDADE EM ENGENHARIA G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S 49 50 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S • Eficiência é relacionada a um trabalho bem realizado. Signi- fica fazer aquilo que foi exatamente planejado a ser feito. Por exemplo, pode-se considerar o processo de construção de um armário de madei- ra: o tempo que levou para ser montado, o gasto para sua construção e montagem, a relação entre recursos planejados e utilizados etc. O mar- ceneiro foi eficiente se ele entregou no prazo, com tempo menor que o necessário e menos recursos que os estimados. • Eficácia é fazer o que é necessário se feito. Em resumo, ser eficaz é alcançar seu objetivo, independentemente do caminho percor- rido. Com o exemplo do armário novamente, se o marceneiro conseguiu entregar o armário conforme planejamento, ele foi eficaz. A eficácia é relacionada exclusivamente ao resultado. • Produtividade é o quanto se produz. Quanto mais produto entregue, maior a produtividade. Porém, pode ser uma produtividade eficiente, que significa entregar o máximo de produtos ou entregáveis de projeto dentro de um prazo, consumindo o mínimo de recursos, ou uma produtividade eficaz, que significa entregar com o máximo de qua- lidade possível, sem perdas. O essencial é ter uma entrega eficiente e eficaz, ou seja, cumprindo prazos e excedendo expectativas somado a boa qualidade na entrega. TERMINOLOGIA DE CUSTOS O conhecimento e o domínio da terminologia dos custos são ideais para que os profissionais tenham a capacidade de medir os ele- mentos contábeis de um produto ou serviço (ou quaisquer entregas dentro da empresa). Os profissionais conseguem contribuir melhor com as melhorias de processos e na gestão se tiverem domínio das termino- logias e souberem onde, de fato, os custos são empregados. Os termos mostram como é composto o valor que é oferecido pela empresa como produto ou serviço. Com estes dados em mãos, é possível definir se existe retorno ao produzir um determinado produto ou serviço, ou mesmo se um determinado modelo de negócio vai funcionar e, por fim, também o que precisa ser melhorado para aumentar a eficiên- cia da empresa. De acordo com Dias (2011), as principais definições são: i. Gasto: é uma saída financeira que a organização arca para a obtenção de um produto ou serviço qualquer. É representado pela entrega ou promessa de entrega de ativos, geralmente dinheiro. Exem- plos: gasto com mão de obra, gasto com compra de matéria-prima. ii. Investimento: gasto feito em função de sua vida útil ou de ganhos futuros. Exemplos: compra de equipamentos e compra de ma- 51 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S téria-prima. iii. Custo: é um gasto relacionado a um bem ou serviço utiliza- do para produzir outros bens ou serviços. Os custos são subdivididos, podendo ser fixos, variáveis, diretos e indiretos. Exemplos: energia elé- trica, a compra de matéria-prima. iv. Despesa: é o bem ou serviço consumido de maneira direta ou indireta para a obtenção de receitas. Exemplo: comissão para vendedores. v. Desembolso: é o pagamento referente à aquisição de bem ou serviço. vi. Perda: bem ou serviço consumidos de forma anormal e in- voluntária. Exemplo: quebra de equipamentos, incêndio, enchente. Classificação dos Custos Industriais Para a compreensão do custo total de uma atividade ou produ- to e como podem ser controlados, é essencial saber classificá-los para criar uma estrutura de custos completa que contemple materiais, equi- pamentos, mão-de-obra e todos os outros recursos necessários para se produzir um produto ou serviço. Nessa estrutura, são classificados em custos diretos e indiretos, fixos e variáveis, ou ainda entre de transfor- mação e primários. A seguir o detalhe dessas categorias. Custos diretos: aqueles que podem ser diretamente apropria- dos aos produtos, onde geralmente há uma medida de consumo para cada produto, como quilogramas de material consumido, embalagens utilizadas, depreciação de equipamento, energia elétrica consumida por máquina e por produto, horas de mão-de-obra utilizadas etc. Custos indiretos: o inverso dos cursos diretos, são aqueles que não se alocam facilmente em um produto ou serviço ou que não se mede na produção. Exemplos: aluguel de galpão, salários de mão-de- -obra indireta, como supervisores e setor administrativo, gastos com energia e fluídos difíceis de medir para a produção de cada produto. Também são considerados custos indiretos a depreciação das máqui- nas quando estas são utilizadas para fabricar produtos distintos e os gastos com manutenção predial. Existem alguns custos diretos classifi- cados como indiretos pela sua dificuldade de medição. Custos fixos: custos que independem do volume de produção em um determinado período. Exemplo: o valor do aluguel, salário, vale transporte etc. Custos variáveis: aqueles que variam de acordo com a variação do volume de produção. Geralmente, quando maior o volume, maior o custo. Por exemplo: gastos com horas-extras na produção, depreciação 52 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S dos equipamentos em função de horas-máquina trabalhadas, materiais indiretos consumidos etc. O Custo Fixo total (CF): é sempre o mesmo, independente do volume de fabricação. O Custo Fixo Unitário (CFU): varia de acordo com a quantidade produzida “Q”, de acordo com a equação: CFU = CF/Q. Quanto mais itens forem produzidos, menor será o Custo Fixo Unitário. O Custo Variável Unitário (CVU): é sempre o mesmo, indepen- dente do volume de fabricação. O Custo Variável Total (CV): varia de acordo com a quantidade produzida, de acordo com a seguinte fórmula CV = CVU x Q. Custos primários (CP): a soma dos custos de matéria-prima e mão-de-obra direta. CP = Custos de matéria-prima (MP) + Mão-de-obra direta (MOD) Custos de Transformação (CT): todos os custos envolvidos na transformação de um produto, mas não inclui o custo de aquisições como: insumos, matéria-prima e embalagens. Exemplo: mão-de-obra direta e indireta, energia, materiais de consumo etc. CT = Custos indire- tos de fabricação (CIF) + Mão-de-obra direta (MOD) Sistemas de Custeio e Análise De Custos Existem três métodos de análise de custos: custeio por absor- ção, custeio variável e custeio baseado em atividade. Método de Custeio Variável De acordo com BLB (2021), o método de custeio variável ou direto é um dos métodos mais conhecidos e utilizados, principalmente na indústria e no comércio. É simples e objetivo, já que nele somente são apropriados como custos de fabricação os custos variáveis, dire- tos e indiretos. Os custos fixos, pelo fato de existiremmesmo que não haja produção, não são considerados como custo de produção, mas sim como despesas (FERNANDES, 2018). Este método é baseado na separação dos custos em variáveis e fixos, ou seja, em custos que oscilam proporcionais ao volume da produção ou venda e custos que se mantêm estáveis em volumes de produção ou venda oscilantes dentro de alguns limites. Ele produz informações como a margem de contribuição (contribuição marginal) e propicia os recursos necessários para a tomada de decisão nas empresas (BLB, 2021). 53 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Método de Custeio por Absorção Também de acordo com BLB (2021), o custeio por absorção ou custo integral, absorve os custos fixos no custo final de cada produto vendido. Ou seja, o custo por absorção debita ao custo dos produtos vendidos (CPV) todos os custos da área de fabricação, sejam custos diretos ou indiretos, fixos ou variáveis, de estrutura ou operacionais. Deve-se, então, garantir que cada produto absorva uma parcela dos custos diretos e indiretos relacionados à fabricação. De acordo com BLB (2021), é fundamental, para utilizar este método, a distinção entre custos e despesas. Apenas os desembolsos relativos aos produtos vendidos (diretos ou indiretos) deverão ser alo- cados no custo dos produtos vendidos. Todas os demais desembolsos (despesas administrativas, despesas financeiras, investimentos etc.) devem ficar de fora da composição. Custeio Baseado em Atividades Também chamado de custeio ABC, baseia-se no princípio de que os custos de uma empresa são gerados pelas atividades desem- penhadas nela e que essas atividades são consumidas por produtos e serviços gerados nesta mesma empresa. Esse método permite medir com mais exatidão as despesas e os custos, por meio da análise das atividades, dos seus geradores de custos e dos utilizadores (BLB, 2021; FERNANDES, 2018). Um exemplo para facilitar este método: em uma fábrica de rou- pas são produzidas camisetas e camisas. Então são desenvolvidas as atividades de comprar materiais, cortar e costurar. Aplicando o método de custeio ABC nesta produção é possível identificar o valor de quanto o produto camiseta usa da atividade de comprar materiais, por exemplo (FERNANDES, 2018). O principal objetivo deste método é amenizar as distorções provocadas pelo uso do rateio arbitrário dos custos indiretos, sendo uma tentativa de rastreamento para identificar os verdadeiros causadores de custos (BLB, 2021; FERNANDES, 2018). O custeio ABC é uma evolução de outros sistemas de medição de custos. Surgiu para suprir as necessidades das empresas por infor- mações mais detalhadas quando duas variáveis fundamentais da pro- dução fabril começaram a mudar: o aumento da participação dos custos indiretos na composição dos custos totais e o aumento da diversificação dos produtos e processos. Desta maneira, o cálculo dos custos da for- ma tradicional já não atendia às questões ligadas à gestão estratégica 54 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S do negócio (FERNANDES, 2018). Refugos, Sobras, Desperdícios e Unidades Defeituosas Quanto ao tema de perdas em fabricação que oneram os cus- tos finais, seguem os conceitos resumidos das perdas referentes a fa- lhas operacionais ou falhas de planejamento. Refugo: todo produto que não é finalizado de acordo com os requisitos estabelecidos, seja por material indevido, dimensional etc. O custo líquido do refugo é a diferença entre os custos acumulados até o ponto de rejeição menos o valor de venda do refugo. Unidades defeituosas: produção que não satisfaz os padrões de qualidade e é subsequentemente retrabalhada e vendida por meio de canais normais posteriormente. Normalmente estes produtos são vendidos no mercado como “pontas de estoque”. Desperdício: é tanto aquele material perdido oriundo do pro- cesso (vapores de água, limalha metálica etc.) gera um desperdício que pode ser diminuído, mas geralmente difícil de ser eliminado. Pode ser desperdício de tempo também, com máquina parada e operadores pa- rados aguardando. Sobras: resíduos de materiais de operações fabris que tem va- lor mensurável, mas de importância relativamente pequena. Por exem- plo: aparas, limalha, serragem e pequenos pedaços de material etc. As sobras podem ser vendidas ou reaproveitadas, diferente do que é desperdício. ESTIMATIVAS DE CUSTO E ORÇAMENTAÇÃO A estimativa de custos é responsável por desenvolver uma re- ferência para os recursos necessários para a implementação de um projeto e desempenho de suas atividades. Para um custo aproximado, são consideradas as causas da variação da estimativa final, melhoran- do assim o gerenciamento do projeto. Não se pode confundir estimativa de custo com orçamento de um projeto ou obra. A estimativa é um cálculo avaliativo de um serviço para tomada de decisão, podendo ser adotado como base índices co- nhecidos no mercado (por exemplo, custo do metro quadrado de cons- trução predial, custo de matéria-prima e equipamentos), não podendo assim ser utilizado em propostas comerciais ou para fechar contratos. A estimativa de custo deve ser utilizada em etapas iniciais dos 55 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S estudos de um empreendimento, ou seja, na viabilidade econômica ou projeto básico, quando as informações ainda não são completas para a elaboração do orçamento detalhado (DIAS, 2011). Para aquisições e contratações de serviços no decorrer do projeto, estas devem ser orien- tadas por orçamentos criteriosos e não por estimativas apenas. A estimativa dos custos então deve realizar uma avaliação quantitativa dos resultados prováveis. O preço é uma decisão de ne- gócio. Será cobrado pelo produto ou serviço usando as estimativas de custo como uma das várias considerações. Conceitos, Classificação e Abordagem dos Tipos A estimativa dos custos identifica e considera várias alternativas de custo. Por exemplo: na maioria das áreas de aplicação, considera-se amplamente que o trabalho adicional durante a fase de projeto (design) tem o potencial de redução do custo na fase de produção. O processo de estimativa dos custos deve considerar se o custo do trabalho adicional na fase de projeto irá compensar a economia esperada (PMI, 2018). Entradas para a Estimativa dos Custos a) Estrutura analítica do projeto (EAP), conforme capítulo 1. b) Recursos necessários. c) Custo unitário de recursos. O responsável (ou responsáveis) para elaborar a estimativa deve ter o conhecimento das taxas unitá- rias (custo horário de funcionários, custo do volume de material etc.) de cada recurso para calcular o custo do projeto. d) Estimativas da duração da atividade. A estimativa da dura- ção da atividade influenciará as estimativas dos custos de qualquer pro- jeto onde o orçamento inclui subsídios para os custos de financiamento (taxas de juros, locação etc.). e) Publicações de estimativas. Dados comerciais de estimativa de custo disponibilizados. f) Informações históricas. São referentes a diversas categorias de recursos estão disponíveis, frequentemente, em uma ou mais das seguintes fontes: arquivos de projeto (arquivos resultados de projetos anteriores, suficientemente detalhados, auxiliarão na elaboração da estimativa dos custos); base de dados comercial para estimar custos (informações históricas em geral ficam disponíveis comercialmente); conhecimento da equipe de projeto (os membros individuais podem se 56 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S lembrar de estimativas ou dadosreais anteriores, porém, são estimati- vas menos confiáveis que documentação). g) Plano de contas. Descreve a estrutura de codificação utili- zada pela organização para reporte de informações financeiras em seu sistema geral de contabilidade. Essas estimativas devem ser alocadas em sua correta categoria contábil. h) Riscos. A equipe do projeto identifica informações de riscos, quando gera estimativas que podem ter um impacto significativo nos custos, tanto para uma ameaça quanto para uma oportunidade. Orçamentação A orçamentação agrega aos custos estimados de atividades in- dividuais, ou de pacotes de trabalho, realizados na etapa de estimativa de custos, para estabelecer o orçamento inicial mínimo necessário para se iniciar um projeto novo ou uma determinada etapa de um em anda- mento (PMI, 2018). Inclui todos os custos aprovados, exclui as reservas administrativas ou de caixa. Nesta etapa, confronta-se o que está em execução com o que foi orçado, permitindo gerar diversos indicadores de desempenho do projeto. De forma idêntica à etapa anterior de estimativa de custos e nas próximas, a orçamentação também envolve os momentos de entra- das, processamento e saídas. Estas características na etapa de orça- mentação são: • Entradas: são os produtos gerados e entregues pela etapa de estimativa de custos. • Estimativa de custos de atividades: uma das saídas da etapa anterior, onde cada trabalho ou pacote de trabalhos a serem realizados são reunidos para obtenção de um custo estimado. • Bases das estimativas: documentos gerados na etapa ante- rior que possuem o detalhamento sobre os gastos do projeto. • Definição de escopo: as definições de escopo realizadas em fases anteriores podem impor limitações para as despesas, ou altera- das por outras entidades externas. • Cronograma do projeto: as informações do cronograma po- dem ser utilizadas para agregar custos às datas previstas para ocorrer, o que se refere aos recursos que serão incorporados ao projeto. • Contratos: são inclusas na orçamentação as informações dos contratos e os custos relativos aos produtos, serviços ou resultados. • Ativos organizacionais: é indispensável considerar os gastos associados à estrutura de ativos, pessoal, maquinário, instalações etc. 57 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S • Processamento: a criação do orçamento requer o uso de fer- ramentas e técnicas apropriadas para a definição precisa da alocação de recursos para cada fase do projeto. • Agregação de custos: agregados de acordo com o WBS (EAT). • Análise de reservas: as reservas financeiras podem ser esta- belecidas tanto as de contingência quanto as correntes, pois não fazem parte dos gastos do projeto, então podem ser inclusas na orçamentação. • Julgamento de um especialista: um gestor que já tenha atu- ado em projetos similares será de grande valia para lidar com as variá- veis que ocorrem. • Parâmetros de custos: custos por metro quadrado em uma re- gião, valor de hora trabalhada para determinada categoria profissional, gastos por quilômetro percorrido etc., são potenciais facilitadores para a realização do orçamento. • Conciliação com fundos: o orçamento poderá ser atualizado ao longo do desenvolvimento do projeto, desta forma, torna-se mais di- fícil o comprometimento com o desenvolvimento de uma atividade sem que haja recursos financeiros disponíveis. • Saídas: os produtos da etapa de orçamentação serão utiliza- dos como o guia para o desenvolvimento das atividades e dos fluxos de trabalho. • Linha de controle: um padrão de referência para o desenvolvi- mento do projeto, o orçamento de controle, onde a partir dele se compa- ra o planejado e o executado, permitindo a avaliação de desempenho. • Guia de necessidades de fundos: a previsão de orçamentos irá destacar o nível de reservas que serão precisas a cada etapa do projeto, oferecendo condições para que o gerente concilie o calendário de gastos com os recursos disponíveis. • Documentos de atualização do projeto: os registros que per- mitem a constante atualização do projeto com relação aos riscos, aos custos estimados e ao cronograma do projeto. Orçamento Operacional, Preço e Lucro Orçamento Operacional O orçamento operacional é uma das partes essenciais do pla- no global de uma empresa e objetiva quantificar as informações deste plano em um determinado período no futuro. Entende-se por operação todo o processo fabril de um produto inserido em um projeto. Em outros 58 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S termos, significa quantificar tudo o que será necessário para que um processo de fabricação tenha êxito em um determinado período. Dentro do orçamento operacional existem nove etapas: a) o orçamento de receitas: onde se determina a receita bruta que se deseja com o produto/serviço elaborado; b) o orçamento de produção (em unidades): é o orçamento de fabricação, dependente direto da quantidade estimada de fabricação (quanto mais produzido, dilui-se o valor); c) o orçamento de consumo de materiais diretos e o orçamento de compra de materiais diretos: é a estimativa do material que será con- sumido no processo de produção e o material direto que será comprado para garantir este processo; d) o orçamento de mão de obra direta: feito com base nas ho- ras empregadas na produção inteira ou de parte de um produto, ou ainda de um determinado departamento; e) o orçamento de custos indiretos de fabricação: orçamento daqueles itens que são difíceis de mensurar, como custos de área de suporte, energia elétrica, salários etc.; f) o orçamento de estoques finais: este orçamento é facilitado se calcular primeiro o custo unitário de produção e em seguida os es- toques finais, e em seguida multiplicar o preço unitário pela quantidade de unidades; g) o orçamento do Custo de Produtos Vendidos (CPV): etapa mais importante do processo de orçamentação. É a soma dos custos de materiais diretos, mão-de-obra direta, custos indiretos, subtraindo o custo do estoque final. CPV = EI (estoque inicial) + CP (Custos totais de produção) – EF (estoque final); h) o orçamento de custos não relacionados com a fabricação (despesas): para efeitos contábeis há uma diferença entre custos e des- pesas. As despesas são custos que não possuem relação direta com a produção, como por exemplo: planejamento, marketing, atendimento ao cliente, administração etc.; i) a demonstração de resultados orçada: o orçamento opera- cional se finaliza com a demonstração final dos resultados, conforme Tabela 1 a seguir. 59 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Tabela 1 - Resumo do orçamento operacional Fonte: Elaborado pelo autor, 2021. Preço A definição da palavra preço vem quando se questiona quanto custa um determinado bem ou serviço que pretendemos adquirir. Po- rém, em visão técnica, existem alguns termos que distinguem as defini- ções de preço. Tipos de preços (BILLOMAT, 2021): a) Preço de produção: o valor das matérias-primas junto aos custos operacionais; b) Preço de custo: o custo real do produto, desconsiderando a margem de lucro; c) Preço de venda: o preço de custo somado à margem de lu- cro. Valor oferecido ao cliente; d) Preço de revenda: valor cobrado para aquisição de grande quantidade de um único produto, com finalidade de revenda. Menor que o preço normal de venda; e) Preço corrente: o preço do produto ou serviço orientado pelo 60 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S mercado; f) Preço justo: o preço correto a ser cobrado por um produto,removendo superfaturamento; g) Preço relativo: resulta da análise do valor de um produto ou ser- viço com relação a sua necessidade inquestionável (água, oxigênio etc.); h) Inflação: acréscimo generalizado dos preços de mercado; i) Deflação: inverso da inflação, decréscimo globalizado dos preços de mercado. Características dos Custos da Construção Civil Desde a antiguidade o homem sempre teve a preocupação de, antes de realizar qualquer tarefa ou serviço, calcular qual seria o custo de tal empreendimento para verificar se teria recursos e outras condições de levá-lo até o final. À medida que a convivência humana foi adquirin- do caráter mais complexo no campo econômico, financeiro e social, e a competição foi se tornando um obstáculo a ser vencido, a necessidade de se fazer previsões de custos tornou-se imperativa. Não se concebe, atualmente, a execução de qualquer obra que não tenha sua previsão de gastos bem elaborada antes de seu início. O orçamento é o instrumen- to técnico que fornece o custo do empreendimento antes de seu início (QUEIROZ, 2011). Este é, portanto, um conhecimento de engenharia que o profissional da área necessita ter familiaridade e perfeito domínio. Modalidades ou Regimes de Contratação De acordo com Queiroz (2011), regimes ou modalidades de contratações são de dois tipos: • A preço fixo (conhecida no Brasil como empreitada) • A preço móvel ou variável (conhecida como administração) Contratos a Preço Fixo por Valor Global Conhecidos como contratos de empreitada global, empreitada total, contratos a preço firme ou preço certo. O preço fixo pode ser re- ajustável ou irreajustável. O reajustamento não invalida a condição de preço fixo ou firme, pois é uma medida de compensação de desvalori- zação da moeda nas situações de instabilidade econômica, chamado inflação (QUEIROZ, 2011; PMI, 2018). A pessoa ou empresa que foi contratada vai executar a obra 61 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S conforme projeto e as especificações técnicas que foram realizadas, com um preço total (ou global) fixo, cujo cálculo foi realizado por ele próprio e terá remuneração mensal de acordo com: a evolução na execução dos serviços (número de parcelas iguais), as etapas do serviço determinadas (milestones), os serviços que foram previamente acertados no cronogra- ma. Os requisitos indispensáveis são: detalhamento completo do projeto executivo, as especificações técnicas completas, as diretrizes dos crono- gramas financeiro e físico com o prazo total da obra. Contratos a Preço Fixo por Valor Global Também chamados de Preços Unitários, de acordo com Quei- roz (2011) constitui uma variação do regime de Empreitada, não a preço global, onde o Contratado fornecerá os preços fixos unitários de cada serviço (BDI – benefícios e despesas indiretas - incluso) por unidade de comprimento, área, volume, peso, peça etc., recebendo o pagamento em função dos quantitativos executados ao final de cada período es- tipulado em contrato, mediante o critério de medição. Dependendo do volume total dos serviços ou do porte da obra e de seu prazo global, poderá haver apenas uma única medição ao final, ou diversas medições periódicas. Trata-se, portanto, de empreitada a preços fixos unitários de serviços na qual o preço global somente será conhecido após a execu- ção da totalidade dos serviços, o que difere substancialmente da em- preitada a preço global onde este já é conhecido previamente. Administração a Preço de Custo A empresa ou pessoa que foi contratada irá fazer a obra do Contratante com o valor efetivo apurado e terá sua remuneração pela execução do serviço realizado de acordo com um percentual, taxa de administração, que tenha sido acordado de forma prévia e estabelecido em contrato, referente ao custo efetivo da obra. Esta taxa pode ser fixa paga mensalmente ou variável, ligada ao custo efetivo (QUEIROZ, 2011). PREVISÃO DA DEMANDA A Previsão de Demanda proporciona às empresas informações valiosíssimas sobre os mercados em que operam, bem como sobre os mercados-alvo. Conhecida também como Estimativa de Demanda, está relacionada com prever o que acontecerá no futuro e que impacta dire- 62 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S tamente a área produtiva da empresa (FERNANDES, 2021). Seu objetivo é compreender qual vai ser a demanda de uma empresa, de forma que os líderes e gestores estejam aptos para tomar as decisões com precisão acerca dos preços, potencial de mercado e as possibilidades de expandir a empresa. As empresas que já estão estabelecidas utilizam esta projeção de demanda para fazer uma ava- liação de mercado, ou seja, verificar a viabilidade de se adentrar em no- vas atividades. Se perceber que haverá aumento de demanda em seu produto futuramente, a empresa poderá criar um planejamento melhor para iniciar as operações neste novo mercado, reduzindo desta maneira os possíveis riscos na competitividade que reduzem, consequentemen- te, a lucratividade. A Previsão de Demanda é também uma ferramenta fundamen- tal na Gestão de Estoque. A empresa evita possuir excessos e desper- dícios quando utiliza os métodos de Projeção de Demanda, influindo positivamente em seu resultado posterior. Fazer o prognóstico da de- manda também auxilia a empresa a: • Planejar o orçamento da produção, bem como a produção em si; • Planejar a necessidade de mão de obra adicional; • Realizar o orçamento de matéria-prima de maneira mais acu- rada; • Fazer previsões financeiras; • Planejar atividades de marketing; • Evitar a sub-produção ou a superprodução e • Formular estratégias de preço. Especificamente sobre o último item, deixaremos uma dica. Se a demanda influencia no preço, o cliente é, por sua vez, influenciado por ele. Não entraremos no mérito da questão, pois sabemos que deve haver a relação preço x qualidade do produto, mas queremos nos atentar à for- mação do preço de venda. Isso porque empresas precisam ter certeza de que estão oferecendo a melhor oferta sem perder a lucratividade. PLANEJAMENTO E CONTROLE DA CAPACIDADE PRODUTIVA O PCP (Planejamento e Controle de Produção) é um processo que dá suporte ao gerenciamento da produção em uma indústria. Sua função é de planejar quando produzir, o quanto produzir, onde produzir, em que sequência produzir e verificar se o processo está conforme acor- dado. Sua importância foi cada vez aumentada, e hoje é um setor essen- cial em qualquer empresa, seja grande ou pequena. Ele é essencial para garantir que a empresa está de fato produzindo os melhores produtos, da 63 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S melhor forma e de acordo com um planejamento feito previamente, ligado então diretamente ao diferencial de mercado de uma empresa. Aquela empresa que não entrega o desejado ou que atrasa as entregas são cada vez mais descartadas nos dias de hoje. O equilíbrio entre capacidade e demanda tende a gerar altos lucros e resultar em clientes satisfeitos. O termo capacidade é geralmente associado a algo estático, como o volume de uma caixa d’água, ou a capacidade máxima de um restaurante ou de um ônibus etc. Nesse sentido, a capacidade tem a ver com o tamanho da operação, mas não descreve a capacidade de proces- samento. Quando o termo capacidade é utilizado para descrever capaci- dade de processamento, é adicionado o fator tempo. Então, capacidade é o máximo nível de atividade de valor agregado em um determinado tem- po que o processo pode realizar em condições de operações normais. As decisões tomadas no planejamento das políticas de capacida- de de médio e curto prazo vão afetar diversos aspectos de desempenho:• Os custos são afetados pelo equilíbrio entre capacidade e demanda; • As receitas são afetadas como o inverso dos custos; • O capital da empresa será afetado pela produção de estoques para atender a demanda, que deve ser financiado pela organização; • Para suprir demanda mal planejada que excedeu a capaci- dade, contrata-se MO temporária ou terceirizada, o que pode reduzir a qualidade e consequente valor; • A velocidade de resposta à demanda pode ser melhorada ao se criar estoques ou aumentando a capacidade, evitando assim as filas; • A confiabilidade será tão menor quanto a capacidade total esti- ver mais próxima da demanda e a produção pode perder sua flexibilidade. Na maioria das organizações, a previsão de demanda é de res- ponsabilidade dos departamentos de vendas, mas com retroalimenta- ção ao setor de PCP. Com a inexistência de uma estimativa de deman- da futura, é praticamente impossível se planejar para futuros eventos, causando apenas reação a estes. As previsões de demanda precisam obedecer a três requisitos: • Ser expressa em termos úteis para o planejamento e controle da capacidade; • Ser tão exata quanto possível; • Indicar uma incerteza relativa, com base na estatística da de- manda, determinando uma distribuição para cada período avaliado. Em muitas organizações, o planejamento e o controle da ca- pacidade estarão preocupados com flutuações sazonais de demanda. Algum produto tem sazonalidade de demanda, e outro também tem sazonalidade de suprimentos, como bebidas, alimentos, materiais de 64 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S construção, férias etc. Para bem definir uma capacidade, é necessário definir o recurso da medição da capacidade, com vistas à complexidade do processo produtivo. Tal medida pode ser difícil de ser encontrada. O volume de produção é a medida mais prática de capacidade, porque a natureza do produto não varia. A proporção entre o volume de produção de uma operação e a sua capacidade de projeto, e entre a saída real e sua capacidade efetiva são respectivamente chamadas: utilização e eficiência da fábrica (WILMERS, 2011). Planejamento e Controle de Estoque O controle de estoque é muito importante para qualquer em- presa, pois é por meio dele que se controlam os desperdícios, desvios, são elaborados valores mais apurados para diversas análises e apu- ra-se o investimento excedente demasiado que prejudica o caixa da empresa. Estoque é o acúmulo armazenado de recursos materiais em um sistema de transformação existente da diferença entre a produção e a demanda (FURTADO, 2021). A função do controle de estoque é ajustar o planejamento de produção de acordo com as demandas não atendidas (vendas não efetuadas). Para um bom planejamento no estoque é preciso: saber o quanto pedir, ter volume de ressuprimento, saber quando pedir, o certo momento de reabastecimento, como controlar o sistema, gerenciamen- to de rotinas, definir as prioridades, gerenciar as informações, tomar decisões de ressuprimento (custo e perfis de estoque, lote econômico), medir o estoque (valor total, cobertura de estoques, estoque médio e giro do estoque), sistema de informação de estoques (atualizar regis- tros, gerar pedidos, gerar registros de estoque). Por fim, os mais importantes parâmetros para controle de estoque que devem ser trabalhados diariamente em todas as empresas: classifica- ção A, B, C; estoque médio; demanda média; giro de estoque; cobertura de estoque; ponto de pedido; intervalo de ressuprimento; estoque máximo; estoque mínimo; estoque virtual; custo de carregamento; custo do pedido. Como conclusão, administrar o controle de estoque é essencial porque auxilia a minimizar o capital total investido em estoques, que é um recurso caro e aumenta continuamente, uma vez que o custo finan- ceiro também aumenta. Uma empresa não consegue trabalhar sem es- toque, pois sua função amortecedora entre vários estágios de produção 65 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S vai até a venda final do produto (FURTADO, 2021). Programação da Produção Com as definições de planejamento da produção, planejamen- to e controle de estoque, definindo os custos de produção e valor de venda, agora é necessário produzir. Nesta etapa entra novamente o setor de PCP, mas realizando desta vez a programação de produção. A programação de produção permite que conserve o ritmo de sua pro- dução sem intervalos e ao encontro das necessidades da companhia. A programação deve estar alinhada com os objetivos estratégi- cos da empresa ou de uma empreiteira realizando uma obra, tendo desta forma facilidade em otimizar os processos internos e recursos. Estando tudo bem organizado, as áreas saberão de forma organizada o que irão produzir, as quantidades corretas, o prazo de entrega e o cliente. Implementação A implementação é fácil se os pilares mencionados nas seções anteriores deste capítulo estão bem estruturados. Para programação, controle e até planejamento da produção e de suprimentos, é essencial para uma empresa o uso de softwares chamados ERP (do inglês Enter- prise Resource Planning), ou traduzido literalmente para Planejamento de Recursos Empresariais. Nestes sistemas de informação, consegue-se ligar toda a cadeia produtiva dos produtos, desde o fornecedor ao cliente final. Estes sistemas também atuam na provisão de recursos, material ou pessoas, gerencia- mento de estoque, emissão de ordens de produção etc., sendo um marco essencial em toda empresa grande, mas também necessário para empre- sas de pequeno porte. Os mais famosos são o SAP e os softwares da Tot- vs. Mas possuem muitas empresas menores que oferecem boas soluções, como os softwares de caixa de supermercado, que fazem previsão de de- manda e controle de estoque. Os benefícios de contar com o planejamento de produção para indústria: produção ininterrupta, economia, diminuição dos problemas de fornecimento, serviço realizado e entregue no prazo acordado, matéria-prima fornecida na quantidade correta. 66 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2017 Banca: Instituto Excelência Órgão: Prefeitura de River- sul - SP Prova: Engenheiro Civil Assinale a alternativa CORRETA referente a composição de custo unitário nas obras e serviços de engenharia: a) É o valor unitário para execução de uma unidade de medida do servi- ço previsto no orçamento de referência e obtido com base nos sistemas de referência de custos ou pesquisa de mercado. b) Detalhamento do custo unitário do serviço que expresse a descrição, quantidades, produtividades e custos unitários dos materiais, mão de obra e equipamentos necessários à execução de uma unidade de medida. c) É o valor resultante da multiplicação do quantitativo do serviço pre- visto no orçamento de referência por seu custo unitário de referência. d) Nenhuma das alternativas. QUESTÃO 2 Ano: 2017 Banca: Instituto Excelência Órgão: Prefeitura de River- sul - SP Prova: Engenheiro Civil Sendo orçamento de obra qualquer orçamento detalhado ou resu- mido mostrando o valor total de execução de uma obra de constru- ção. Sobre o orçamento analítico é CORRETO afirmar: a) Orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários, custos indiretos e o BDI. b) Avaliação de custo obtido através da composição de custos unitários com o levantamento das quantidades de materiais, serviços e equipa- mentos de acordo com às características da obra, realizada na etapa do projeto básico e/ou projeto executivo. Inclui todos os Custos Diretos, Despesas indiretas, tributos e o lucro do construtor. c) É o conjuntode informações apresentadas através de planilhas con- tendo a evolução física de todos os serviços ou grupo de serviços du- rante o prazo estipulado de uma obra. d) Nenhuma das alternativas. QUESTÃO 3 Ano: 2020 Banca: FUNDATEC Órgão: Prefeitura de Santiago do Sul - SC Prova: Engenheiro Civil O PMI (Project Management Institute) propõe que os processos de gerenciamento de projetos sejam organizados em grupos. Nesse sentido, relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as atividades que acontecem em cada ciclo. 67 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Coluna 1 1. Iniciação. 2. Planejamento. 3. Execução. 4. Monitoramento e Controle. 5. Encerramento. Coluna 2 ( ) Promoção da melhoria contínua através das lições aprendidas. ( ) Produção de entregas do Projeto. ( ) Nomeação do Gerente de Projetos. ( ) Elaboração de escopo, tempo e custo. ( ) Implementação de mudanças aprovadas. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) 3-4-5-2-1. b) 4-1-2-3-5. c) 5-3-1-2-4. d) 5-2-3-1-4. e) 2-4-1-3-5. QUESTÃO 4 Ano: 2019 Banca: INAZ do Pará Órgão: Prefeitura de Magalhães Barata - PA Prova: Engenheiro Civil O cronograma físico-financeiro de uma obra dividido em 6 serviços e com 5 meses de duração é representado a seguir: Ao final do quarto mês, tendo em vista a fiel execução dos serviços presentes no cronograma, quanto ainda faltará a ser desembolsa- do para finalizar a obra? a) 23,79%. b) 19,75%. c) 26,28%. d) 31,66%. QUESTÃO 5 Ano: 2020 Banca: VUNESP Órgão: EBSERH Prova: Engenheiro Civil. O planejamento da reforma da lavanderia de um hospital foi previs- to para ser concluído em seis semanas, conforme o cronograma a seguir. O desembolso financeiro percentual previsto até o final da terceira semana da reforma é de: a) 16%. b) 24%. 68 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S c) 36%. d) 40%. e) 50%. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Calcule o custo do produto vendido (CPV) considerando as infor- mações a seguir: Custo do estoque inicial: R$16,00 Custo de mão-de-obra direta: R$50,00/h Custo de matéria-prima: R$10,00 Custo de insumos: R$2,00 Tempo de fabricação: 0,5h Estoque final: R$22,00 TREINO INÉDITO Considere a definição a seguir: “resíduos de materiais de operações fabris que têm valor mensurável, mas de importância relativamente pequena. Por exemplo: aparas, limalha, serragem e pequenos peda- ços de material etc. As sobras podem ser vendidas ou reaproveita- das, diferente do que é desperdício”. Isso é a definição de: a) Refugo. b) Sobra. c) Unidade defeituosa. d) Desperdício. NA MÍDIA PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO EM DUAS EM- PRESAS DO SETOR GRÁFICO EM UM MUNICÍPIO DO ESTADO DO AMAZONAS O objetivo do Planejamento e Controle da Produção (PCP) é gerenciar a produção de uma empresa para que esta atinja os seus objetivos com a maior eficiência possível, agregando valor à linha de produção. Para que a produção seja eficiente, é importante que haja interação e dispo- nibilidade entre os recursos na quantidade e no momento necessário. Essa integração envolve decisões que, para serem tomadas de maneira coerente, exigem conhecimento a respeito do assunto. Partindo dessa perspectiva, o estudo em relação ao PCP mostra que as empresas gráficas e de cortinas em Parintins necessitam de melhorias significativas, pelo fato das empresas, ainda utilizarem tecnologias ma- nuais, sem o viés tecnológico adequado, que contribuem para a perda de competitividade. Isso ocasiona problemas com a produção, estoque, tempo de processamento dos pedidos e entrega dos pedidos ao cliente. 69 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Revista Núcleo do Conhecimento Data: 31 ago. 2019. Leia a notícia na íntegra: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/ administracao/controle-da-producao NA PRÁTICA Todo projeto tem início e fim como já comentado. Contudo, as fases mais importantes estão entre estas duas marcas e, para que tudo fun- cione conforme planejado, deve-se ter uma gestão competente e capaz de conseguir controlar todas as ações e correções adequadas. Contudo, com o passar do tempo, a gestão foi cada vez mais centralizada, retirando aquela figura central do chefe e passando a gestores pulveriza- dos em áreas de suporte. Entre essas áreas, a cadeia de suprimentos (ou supply chain), que é subdividida em todas suas responsabilidades: com- pras, planejamento e controle da produção, logística, vendas e pós vendas. Cada um destes setores possui a responsabilidade de fazer com o que foi planejado seja realizado da forma mais próxima possível da ideal. A área de compras com todas as provisões necessárias e pontos de pedido adequados à cadência de produção; o PCP cumprindo com a demanda de fabricação e provendo recursos para a produção executar, a logística transportando itens dentro da fábrica e entregando ao cliente, vendas efetuando a venda dos produtos e pós-vendas recebendo retor- no dos clientes acerca dos produtos e serviços fornecidos. PARA SABER MAIS Artigo Científico: Análise da importância de ferramentas para a gestão de custos no ambiente da construção civil Acesse o link: https://anaiscbc.emnuvens.com.br/anais/article/viewFi- le/3654/3655 70 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S GABARITOS CAPÍTULO 01 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA • Monitorar e controlar o trabalho do projeto; • Realizar o controle integrado de mudanças; • Validar o escopo; • Controlar o escopo; • Controlar o cronograma; • Controlar os custos; • Controlar a qualidade; • Controlar os recursos; • Monitorar as comunicações; • Monitorar os riscos; • Controlar as aquisições; • Monitorar o engajamento das partes interessadas. TREINO INÉDITO Gabarito: A 71 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 02 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA 1. Utilização: Separa e descartar o que não é necessário Ter apenas o que precisa e não faltar nada. 2. Ordenação: Um lugar pra cada coisa e cada coisa em seu lugar, dispostos na melhor sequência de uso. 3. Limpeza: Manter o ambiente limpo e seguro Inspecionar e atacar as fontes de sujeira 4. Padronização Regras e procedimentos disponíveis Manter as rotinas estabelecidas 5. Auto disciplina Estabelecer atitudes do dia a dia e transformar esforços em hábitos e costumes. TREINO INÉDITO Gabarito: C 72 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA CPV = IE + CUSTOS OPERACIONAIS – IF CPV = 16 + [(0,5 X 50) + 10 + 20] – 22 CPV = 49 = R$49,00 TREINO INÉDITO Gabarito: B 73 G E ST Ã O D E P R O JE TO S , Q U A LI D A D E E P E SS O A S E M O B R A S D E E N G E N H A R IA - G R U P O P R O M IN A S BILLOMAT. Dicionário contábil: preço. BILLOMAT Contabilidade. Dis- ponível em: < https://www.billomat.com/pt/dicionario/p/preco/>. Acesso em: 07 de janeiro de 2021. BLB. Métodos de custeio. BLB Brasil: auditoria, consultoria, educação. Disponível em: <https://www.blbbrasil.com.br/blog/metodos-custeio/>, acesso em: 07 de janeiro de 2021. DIAS, P. R. ENGENHARIA DE CUSTOS: Uma Metodologia de Orça- mentos para ObrasCivis. V. 1, 9 ed., Sindicato dos editores de livros, Rio de Janeiro: 2011. 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