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1 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 
Nariz e Cavidade Nasal 
Anatomia dos Sistemas 
 
FONTE: “ANATOMIA ORIENTADA PARA A CLÍNICA”, KEITH L. MOORE ET AL (7ª ED., 2014). 
 
O nariz é a parte do sistema respiratório situada acima do palato duro, contendo o órgão 
periférico do olfato. Inclui a parte externa do nariz e a cavidade nasal, que é dividida em 
cavidades direita e esquerda pelo septo nasal. 
PARTE EXTERNA DO NARIZ 
 A parte externa do nariz é a parte visível que se projeta da 
face; seu esqueleto é principalmente cartilagíneo. 
 O dorso do nariz estende-se da raiz até o ápice (ponta) do 
nariz. 
 A face inferior do nariz é perfurada por duas aberturas 
piriformes, as narinas (aberturas nasais anteriores), que são limitadas 
lateralmente pelas asas do nariz. 
ESQUELETO DO NARIZ 
 O esqueleto de sustentação do nariz é formado por osso e cartilagem hialina. A parte 
óssea do nariz consiste em ossos nasais, processos frontais das maxilas, parte nasal do 
frontal e sua espinha nasal, e partes ósseas do septo nasal. 
 A parte cartilagínea do nariz é formada por cinco cartilagens principais: duas cartilagens 
nasais laterais, duas cartilagens alares e uma cartilagem do septo nasal. 
 As cartilagens alares, em forma de U, são livres e móveis; dilatam ou estreitam as 
narinas quando há contração dos músculos que atuam sobre o nariz. 
OBS: no roteiro, Telma divide as cartilagens alares em alares maiores (com ramo medial e ramo 
lateral) e alares menores. 
SEPTO NASAL 
 O septo nasal divide a câmara do nariz em duas cavidades nasais. O septo tem uma parte 
óssea e uma parte cartilagínea móvel flexível. 
 Os principais componentes do septo nasal são a lâmina perpendicular do etmoide, o 
vômer e a cartilagem do septo nasal. 
 
2 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 
 A fina lâmina perpendicular do etmoide, que forma a parte superior do septo 
nasal, desce a partir da lâmina cribriforme e continua superiormente a essa lâmina 
como a crista etmoidal; 
 O vômer, um osso fino e plano, forma a parte posteroinferior do septo nasal, com 
alguma contribuição das cristas nasais da maxila e do palatino. 
 
CAVIDADES NASAIS 
OBS: o termo cavidade nasal refere-se a toda a cavidade ou à metade direita ou esquerda, 
dependendo do contexto. 
 A entrada da cavidade nasal é anterior, através das narinas. Abre-se posteriormente na 
parte nasal da faringe através dos cóanos. 
 É revestida por túnica mucosa, com exceção do vestíbulo nasal, que é revestido por pele e 
contém pequenos pelos chamados vibrissas. 
 A túnica mucosa é contínua com o revestimento de todas as câmaras com as quais as 
cavidades nasais se comunicam: a parte nasal da faringe na parte posterior, os seios 
paranasais nas partes superior e lateral, e o saco lacrimal e a túnica conjuntiva na parte 
superior. 
 Os dois terços inferiores da túnica mucosa do nariz correspondem à área respiratória e o 
terço superior é a área olfatória. A área olfatória contém o órgão periférico do olfato; a 
aspiração leva ar até essa área. 
LIMITES DAS CAVIDADES NASAIS 
As cavidades nasais têm teto, assoalho e paredes medial e lateral. 
 O teto das cavidades nasais é curvo e estreito, com exceção da extremidade posterior, 
onde o corpo do esfenoide, que é oco, forma o teto. É dividido em três partes 
 
3 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 
(frontonasal, etmoidal e esfenoidal), nomeadas de acordo com os ossos que formam cada 
parte. 
 O assoalho das cavidades nasais é mais largo do que o teto e é formado pelos processos 
palatinos da maxila e pelas lâminas horizontais do palatino. 
 A parede medial das cavidades nasais é formada pelo septo nasal. 
 As paredes laterais das cavidades nasais são irregulares em razão de três lâminas ósseas, 
as conchas nasais, que se projetam inferiormente, como persianas. 
 
 
CARACTERÍSTICAS DAS CAVIDADES NASAIS 
 As conchas nasais (superior, média e inferior) curvam-se em sentido inferomedial, 
pendendo da parede lateral como persianas ou cortinas curtas. 
 
4 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 
 Tanto seres humanos com conchas nasais simples, semelhantes a lâminas, quanto animais 
com conchas complexas, têm um recesso ou meato nasal (passagem na cavidade nasal) 
sob cada formação óssea. 
 Assim, a cavidade nasal é dividida em cinco passagens: um recesso esfenoetmoidal 
posterossuperior, três meatos nasais laterais (superior, médio e inferior) e um meato 
nasal comum medial, no qual se abrem as quatro passagens laterais. 
 A concha nasal inferior é a mais longa e mais larga das conchas, sendo formada por um 
osso independente (de mesmo nome, concha nasal inferior) coberto por uma túnica 
mucosa que contém grandes espaços vasculares que aumentam e controlam o calibre da 
cavidade nasal. As conchas nasais média e superior são processos mediais do etmoide. 
OBS: a infecção ou irritação da túnica mucosa pode ocasionar o rápido surgimento de edema, 
com obstrução de uma ou mais vias nasais daquele lado. 
 O recesso esfenoetmoidal, situado superoposteriormente à concha nasal superior, recebe 
a abertura do seio esfenoidal, uma cavidade cheia de ar no corpo do esfenoide. 
 O meato nasal superior é uma passagem estreita entre as conchas nasais superior e média, 
no qual se abrem os seios etmoidais posteriores por meio de um ou mais orifícios. 
 O meato nasal médio é mais longo e mais profundo do que o superior. 
 A parte anterossuperior dessa passagem leva a uma abertura afunilada, o 
infundíbulo etmoidal, através do qual se comunica com o seio frontal; 
 A passagem que segue inferiormente de cada seio frontal até o infundíbulo é o 
ducto frontonasal; 
 O hiato semilunar é um sulco semicircular no qual se abre o seio frontal; 
 A bolha etmoidal, uma elevação arredondada superior ao hiato, é visível quando a 
concha média é removida. A bolha é formada por células etmoidais médias que 
formam os seios etmoidais. 
OBS: de acordo com o roteiro, no meato nasal médio também se abrem o orifício do seio maxilar 
e a abertura das células etmoidais anteriores. Além disso, também existe uma região na parte 
anterior do meato nasal médio que é chamada de átrio do meato médio e uma projeção óssea 
que contorna o hiato semilunar chamada processo uncinado. 
 O meato nasal inferior é uma passagem horizontal situada em posição inferolateral à 
concha nasal inferior. O ducto lacrimonasal, que drena lágrimas do saco lacrimal, abre-se 
na parte anterior desse meato. 
 O meato nasal comum é a parte medial da cavidade nasal entre as conchas e o septo 
nasal, no qual se abrem os recessos laterais e o meato. 
VASCULATURA DO NARIZ 
IRRIGAÇÃO ARTERIAL 
 A irrigação arterial das paredes medial e lateral da cavidade nasal tem cinco procedências: 
 Artéria etmoidal anterior (da artéria oftálmica); 
 
5 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 
 Artéria etmoidal posterior (da artéria oftálmica); 
 Artéria esfenopalatina (da artéria maxilar); 
 Artéria palatina maior (da artéria maxilar); 
 Ramo septal da artéria labial superior (da artéria facial). 
 As três primeiras artérias dividem-se em ramos lateral e medial (septal). 
 A artéria palatina maior chega ao septo via canal incisivo através da região anterior do 
palato duro. 
OBS: a parte anterior do septo nasal é a sede de um plexo arterial anastomótico do qual 
participam todas as cinco artérias que vascularizam o septo (área de Kiesselbach), e é muito 
propensa a sangramentos. 
 O nariz também recebe sangue da primeira e quinta artérias citadas anteriormente, além 
de ramos nasais da artéria infraorbital e ramos nasais laterais da artéria facial. 
OBS: lembrar que a artéria oftálmica é ramo da carótida interna e as artéria maxilar e facial são 
ramos da carótida externa. 
 
DRENAGEM VENOSA 
 Um rico plexo venoso submucoso situado profundamente àtúnica mucosa do nariz 
proporciona drenagem venosa do nariz por meio das veias esfenopalatina, facial e 
oftálmica. 
 O sangue venoso do nariz drena principalmente para a veia facial através das veias angular 
e nasal lateral. Entretanto, lembre-se de que ele está localizado no “triângulo perigoso” da 
face em razão das comunicações com o seio cavernoso (venoso da duramáter). 
OBS: nos slides de Adelmir a drenagem venosa está como sendo feita pelas veias etmoidais 
anteriores e posteriores, que drenam para o seio cavernoso, e esfenopalatina, que drenam para 
o plexo pterigoideo. 
DRENAGEM LINFÁTICA 
 Região anterior: linfonodos submandibulares. 
 
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 Região posterior: linfonodos cervicais profundos. 
INERVAÇÃO DO NARIZ 
 
Em relação à inervação do nariz, a túnica mucosa do nariz pode ser dividida em partes 
posteroinferior e anterossuperior por uma linha oblíqua que atravessa aproximadamente a 
espinha nasal anterior e o recesso esfenoetmoidal. 
 A inervação da região posteroinferior da túnica mucosa do nariz é feita principalmente 
pelo nervo maxilar (NC V2), através do nervo nasopalatino para o septo nasal, e os ramos 
nasal lateral superior posterior e nasal lateral inferior do nervo palatino maior até a 
parede lateral. 
 A inervação da porção anterossuperior provém do nervo oftálmico (NC V1) através dos 
nervos etmoidais anterior e posterior, ramos do nervo nasociliar. 
 A maior parte do nariz (dorso e ápice) também é suprida pelo NC V1 (via nervo 
infratroclear e ramo nasal externo do nervo etmoidal anterior), mas as asas são supridas 
pelos ramos nasais do nervo infraorbital (NC V2). 
OBS: os nervos olfatórios, associados ao olfato, originam-se de células no epitélio olfatório na 
parte superior das paredes lateral e septal da cavidade nasal. Os processos centrais dessas células 
(que formam o nervo olfatório) atravessam a lâmina cribriforme e terminam no bulbo olfatório, a 
expansão rostral do trato olfatório. 
 
SEIOS PARANASAIS 
Os seios paranasais são extensões, cheias de ar, da parte respiratória da cavidade nasal 
para os seguintes ossos do crânio: frontal, etmoide, esfenoide e maxila. São nomeados de acordo 
com os ossos nos quais estão localizados. 
 
 
7 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 
SEIOS FRONTAIS 
 Os seios frontais direito e 
esquerdo estão entre as 
lâminas externa e interna 
do frontal, posteriormente 
aos arcos superciliares e à 
raiz do nariz. 
 Cada seio drena através de 
um ducto frontonasal para 
o infundíbulo etmoidal, que 
se abre no hiato semilunar 
do meato nasal médio. 
 Os seios frontais são inervados por ramos dos nervos supraorbitais (NC V1). 
CÉLULAS ETMOIDAIS 
 As células etmoidais são pequenas invaginações da túnica mucosa dos meatos nasais 
médio e superior para o etmoide entre a cavidade nasal e a órbita. 
 As células etmoidais anteriores drenam direta ou indiretamente para o meato nasal 
médio através do infundíbulo etmoidal. As células etmoidais médias abrem-se 
diretamente no meato médio e às vezes são denominadas “células bolhosas” porque 
formam a bolha etmoidal, uma saliência na margem superior do hiato semilunar. 
 As células etmoidais posteriores abrem-se diretamente no meato superior. 
 As células etmoidais são supridas pelos ramos etmoidais anterior e posterior dos nervos 
nasociliares (NC V1). 
SEIOS ESFENOIDAIS 
 Os seios esfenoidais estão localizados no corpo do esfenoide, mas podem estender-se até 
as asas deste osso. São divididos de modo desigual e separados por um septo ósseo. 
 Apenas lâminas finas de osso separam os seios de várias estruturas importantes: os nervos 
ópticos e o quiasma óptico, a hipófise, as artérias carótidas internas e os seios 
cavernosos. 
 Os seios esfenoidais são derivados de uma célula etmoidal posterior que começa a invadir 
o esfenoide por volta dos 2 anos de idade. Em algumas pessoas, algumas células etmoidais 
posteriores invadem o esfenoide, dando origem a vários seios esfenoidais que se abrem 
separadamente no recesso esfenoetmoidal. 
 As artérias etmoidais posteriores e os nervos etmoidais posteriores que acompanham as 
artérias suprem os seios esfenoidais. 
SEIOS MAXILARES 
 Os seios maxilares são os maiores seios paranasais. Ocupam os corpos das maxilas e se 
comunicam com o meato nasal médio. 
 
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 O ápice do seio maxilar estende-se em direção ao zigomático e muitas vezes chega até ele. 
 A base do seio maxilar forma a parte inferior da parede lateral da cavidade nasal 
 O teto do seio maxilar é formado pelo assoalho da órbita. 
 O assoalho do seio maxilar é formado pela parte alveolar da maxila. 
OBS: muitas vezes as raízes dos dentes maxilares, sobretudo dos dois primeiros molares, 
produzem elevações cônicas no assoalho do seio. 
 Cada seio maxilar drena através de uma ou mais aberturas, o óstio (orifício) maxilar, para 
o meato nasal médio da cavidade nasal por meio do hiato semilunar. 
 A irrigação arterial do seio maxilar procede principalmente de ramos alveolares superiores 
da artéria maxilar; entretanto, ramos das artérias palatinas descendente e maior irrigam 
o assoalho do seio. A inervação do seio maxilar é feita pelos nervos alveolares superiores 
anterior, médio e posterior, que são ramos do nervo maxilar. 
 
CORRELAÇÕES CLÍNICAS 
 Epistaxe: a epistaxe é relativamente comum em razão da abundante vascularização da 
mucosa nasal. Na maioria dos casos, a causa é o traumatismo e a hemorragia provém de 
uma área no terço anterior do nariz (área de Kiesselbach). A epistaxe também está 
associada a infecções e hipertensão arterial. A perda de sangue pelo nariz decorre da 
ruptura de artérias. A epistaxe leve também pode ser causada pela introdução de objetos 
no nariz, rompendo as veias no vestíbulo. 
 Rinite: há edema e inflamação da mucosa nasal (rinite) durante infecções respiratórias 
altas graves e reações alérgicas. O edema da mucosa é imediato em face de sua 
vascularização. As infecções das cavidades nasais podem se disseminar para: 
 Fossa anterior do crânio através da lâmina cribriforme; 
 Parte nasal da faringe e tecidos moles retrofaríngeos; 
 Orelha média através da tuba auditiva, que une a cavidade timpânica à parte nasal 
da faringe; 
 Seios paranasais; 
 Aparelho lacrimal e conjuntiva. 
 Sinusite: como os seios paranasais são contínuos com as cavidades nasais através de óstios 
que se abrem neles, a infecção pode disseminar-se das cavidades nasais, causando 
inflamação e edema da mucosa dos seios paranasais (sinusite) e dor local. Às vezes há 
inflamação de vários seios (pansinusite), e o edema da mucosa pode obstruir uma ou 
mais aberturas dos seios para as cavidades nasais. 
 Infecção das células etmoidais: em caso de obstrução à drenagem nasal, as infecções das 
células etmoidais podem se propagar através da frágil parede medial da órbita. As 
infecções graves que têm essa origem podem causar cegueira, pois algumas células 
etmoidais posteriores situam-se próximo do canal óptico, que dá passagem ao nervo 
 
9 LUCY RODRIGUES RIBEIRO – MEDICINA – UFBA – TURMA 254 
óptico e à artéria oftálmica. A disseminação de infecção dessas células também poderia 
afetar a bainha de dura-máter do nervo óptico, causando neurite óptica. 
 Infecção e drenagem dos seios maxilares: os seios maxilares são os mais frequentemente 
infectados, provavelmente porque seus óstios costumam ser pequenos e estão situados 
em posição alta nas paredes superomediais. A congestão da mucosa do seio costuma 
causar obstrução dos óstios maxilares. Em face da localização alta dos óstios, na posição 
de cabeça ereta a drenagem dos seios só é possível quando eles estão cheios. Como os 
óstios dos seios direito e esquerdo situam-se nas regiões mediais (i. e., estão voltados um 
para o outro), quando a pessoa estáem decúbito lateral só há drenagem do seio superior 
(p. ex., o seio direito na posição de decúbito lateral esquerdo). Um resfriado ou alergia de 
ambos os seios pode resultar em noites rolando de um lado para outro na tentativa de 
drenar os seios maxilares. Um seio maxilar pode ser canulado e drenado introduzindo-se 
uma cânula pelas narinas e através do óstio maxilar até o seio. 
 Transiluminação dos seios: a transiluminação dos seios maxilares é realizada em uma sala 
escura. Um feixe de luz forte é concentrado na boca do paciente sobre um lado do palato 
duro ou firmemente contra a bochecha. A luz atravessa o seio maxilar e apresenta-se 
como uma luminescência fosca, em forma de meia-lua, inferior à órbita. Se um seio 
contiver excesso de líquido, massa ou espessamento da mucosa, a luminescência 
diminui. Os seios frontais também podem ser transiluminados dirigindo-se a luz em 
sentido superior sob a face medial do supercílio, o que normalmente produz um brilho 
superior à órbita. Em face da grande variação no desenvolvimento dos seios, o padrão e a 
extensão da iluminação do seio diferem de uma pessoa para outra.

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