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1 3.a Edição Curitiba | 2022 Maria Fernandes Como professora atuante desde 1974, Maria Fernandes desenvolveu inúmeros trabalhos na área de linguagem e estudos da língua portuguesa. Lecionou em escolas públicas e particulares de São Paulo, trabalhando inclusive com crianças especiais. Professora Maria também é assessora e consultora sobre Alfabetização e Linguagem e formação de professores, em várias universidades e instituições educacionais, públicas e particulares, em diversos estados do Brasil. Sua experiência e formação trouxeram novos rumos em sua carreira, dando início à produção e autoria de inúmeros livros didáticos, paradidáticos e teóricos. Agora, atua também como produtora e coordenadora de objetos digitais educacionais voltados para a língua portuguesa. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 1LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 1 25/08/2022 15:25:2225/08/2022 15:25:22 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 2 Índices para catálogo sistemático: 1. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6 3.a Edição - 2022 Impresso no Brasil Copyright - todos os direitos reservados a Divulgação Cultural Ltda. É terminantemente proibido reproduzir este livro total ou parcialmente por qualquer meio químico, mecânico ou outro sistema, seja qual for a sua natureza. Todo o desenho grá� co foi criado exclusivamente para este livro, � cando proibida a sua reprodução, ainda que seja mencionada sua procedência. Direção Erivaldo Costa de Oliveira Cesar Henrique de Oliveira Projeto Gráfico e Capa Vicente Design Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Diagramação Vicente Design Ilustração Cristiano Campello Padilha/Vicente Design Revisão Caibar Pereira Iconografia Alexandre de Macedo/Vicente Design Licenciamento de textos Sandra Sebastião Rua Buenos Aires, 1285, Água Verde Curitiba | Paraná | 80250-070 Fone: (41) 3330-8407 | Fax: (41) 3330-8405 www.editoradc.com.br Fernandes, Maria Redação : interpretação e produção de textos / Maria Fernandes. -- Curitiba : Divulgação Cultural, 2022. Bibliografi a. ISBN 978-65-87101-87-3 (livro do professor) 1. Português - Redação (Ensino fundamental) 2. Textos - Interpretação (Ensino fundamental) 3. Textos - Produção (Ensino fundamental) I. Título. 18-14151 CDD-372.6 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 2LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 2 25/08/2022 15:25:2525/08/2022 15:25:25 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 3 Prezado estudante A língua de um povo faz parte de sua digni- dade; estudá-la e conhecê-la deve ser consi- derado como algo além da obrigação; é uma maneira de nos afirmarmos como cidadãos brasileiros e termos orgulho disso. Aprender a ler e escrever é apropriar-se de um conhecimento cultural amplo para tornar-se um usuário da leitura e da escrita no meio em que vivemos. Leitura e escrita são ferramentas para a com- preensão e a realização da comunicação do homem na sociedade contemporânea e a cha- ve para a apropriação dos saberes já conquis- tados pela humanidade. Por isso é necessário dominá-la com competência. É exatamente isso que o presente livro deseja proporcionar a você. Em algumas páginas, você encontrará QR Co- des que o levarão a videoaulas e inserções digitais que lhe ajudarão na compreensão e aprofundamento dos conceitos linguísticos. Para acessá-los, faça a leitura do QR Code, no seu aparelho celular ou tablet. Seja bem vindo! Apresentação LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 3LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 3 25/08/2022 15:25:3025/08/2022 15:25:30 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 4 Módulo 1 O ato de comunicação ............................................................. 06 Módulo 2 Funções da linguagem ............................................................ 16 Módulo 3 Texto narrativo ....................................................................... 38 Módulo 4 Crônica .............................................................................. 56 Módulo 5 Poesia e Poema ...................................................................... 75 Módulo 6 Coerência e Coesão ................................................................ 96 Módulo 7 Descrição ............................................................................. 118 Sumário LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 4LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 4 25/08/2022 15:25:3425/08/2022 15:25:34 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 5 Módulo 8 Texto dissertativo .................................................................. 126 Módulo 9 Texto jornalístico ................................................................... 132 Módulo 10 Texto publicitário ................................................................... 149 Módulo 11 Texto científico e didático....................................................... 164 Módulo 12 Texto dramático ..................................................................... 180 Módulo 13 Carta ............................................................................ 195 Módulo 14 Redação Oficial ..................................................................... 209 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 5LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 5 25/08/2022 15:25:3825/08/2022 15:25:38 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 6 1 O ASSUNTO É: O ATO DE COMUNICAÇÃO REFLEXÃO Você vai ler um texto de Michael Keep, jornalista americano radicado no Bra- sil desde 1983. Etiqueta telefônica brasileira Michael Kepp Apesar de viver aqui há 20 anos, não consigo dominar a tal etiqueta telefônica que chamo de “despedida esticada brasileira”. Quer dizer, recitar uma cornucópia de preâmbulos antes de a palavra de encerramento – “Tchau” – deixar os meus lábios. Minha esposa brasileira começa sua “despedida esticada” dizendo, a intervalos regu- lares, frases como “Então, tá”, “Tá bom” ou “Tá legal” para que a outra pessoa note que ela está � cando sem papo. Esses sinais, se ignorados, encolhem-se em uma intermi- nável procissão de “Tás”. Quando se cansa de dizer “Tá”, ela acrescenta um “Tenho de ir”, mas geralmente explica por quê, o que pode esticar o papo um bocado. Geralmente, “Tenho de ir” é seguido de “A gente se fala”, sinal de que o tempo acabou. Mas, de vez em quando, dizer “A gente se fala” pode levar minha mulher ou a outra pessoa a lembrar algo que queriam dizer, o que pode dar início a um novo assunto. Só depois que o novo assunto se esgota, os “Então tás” recomeçam, a� nando em uma � la de “Tás”, seguida por um segundo “A gente se fala” e culminando no “Tchau”. Por ser americano, modelo da e� ciência “tempo é dinheiro”, termino as ligações com apenas dois preâmbulos: “Tenho de ir” e “A gente se fala”, antes de dizer “Tchau”. Apesar de as minhas despedidas curtas surpreenderem estranhos de vez em quando, meus amigos brasileiros não se importam porque entendem que venho de uma cultura “mais objetiva”, o que é um eufemismo para “curta e grossa”. Não sendo um “homem cordial brasileiro”, mesmo em festas só levo dez minutos para me despedir de todos. Mas tenho de avisar minha mulher meia hora antes de eu querer ir embora para que ela comece a se despedir. E, mesmo assim, ela ignora o aviso. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 6LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 6 25/08/2022 15:25:4025/08/2022 15:25:40 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 7 Michael Kepp é autor do livro de crônicas Sonhando com Sotaque – Con� ssões e Desabafos de um Gringo Brasileiro, publicado em 2003 pela editora Record. Para você saber mais a respeito... KEPP, Michael. Etiqueta telefônica brasileira. Folha de S. Paulo, 18 dez. 2003. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1812200316.htm>. Acesso em: 3 jul. 2017. Brasileiros não são, em minha opinião, craques em etiqueta ao telefone. Quandosaio com amigos brasileiros, alguns têm o hábito irritante de atender (ou mesmo fazer) ligações ao celular e falar – quase sempre de coisas que podem esperar até chegar em casa – enquanto eu olho para o nada. No caso do celular, as despedi- das são (como as minhas) curtas e grossas, porque a ligação é cara. Alguns brasileiros – como recepcionistas, secretárias ou atendentes de compa- nhias aéreas – atendem ao telefone dizendo “Um minutinho”, mas me deixam esperando “ad in� nitum”. De vez em quando, um brasileiro – geralmente um ho- mem com o número de telefone errado – liga e pergunta rispidamente “Quem está falando?”, como se fosse minha obrigação lhe dizer. Apesar de minhas despedidas telefônicas curtas, meu “Alô” tipicamente americano é bem mais cortês do que o similar nacional. Quando um estranho liga, querendo falar com minha mulher, que não está, eu digo: “Ela não está. Quer deixar um reca- do?”. Mas, quando eu ligo e peço para falar com alguém (em casa ou no trabalho), o brasileiro que atende ao telefone primeiro pergunta “Quem quer falar?” antes de me dizer se a pessoa está – uma técnica de � ltrar ligações que considero tão desnecessária quanto desagradável. Talvez os brasileiros peneirem as ligações assim porque veem a casa e o escritório como lugares em que ninguém de fora da família/empresa pode entrar (mesmo que seja via telefone) sem revelar sua identidade. Esse jeito descon� ado não é re� exo dessa sociedade cada vez mais perigosa, mas é peculiar a esse povo. Pelo que eu me lembre, os brasileiros sempre atenderam ao telefone assim. Eu confesso que poderia tornar minhas despedidas telefônicas de brasileiros mais cor- diais, sendo menos “curto e grosso”. Mas não há dúvida de que os brasileiros só vão domi- nar a arte da cordialidade ao atender ao telefone quando � carem menos descon� ados. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 7LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 7 25/08/2022 15:25:4225/08/2022 15:25:42 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 8 1. No texto de Michael Keep aparecem algumas palavras que não estamos acostu- mados a usar no nosso cotidiano. Você, por exemplo, conhece o significado das palavras etiqueta, cornucópia, eufemismo ou da expressão latina ad infinitum? Escreva o que você acredita que elas significam. Depois, pesquise em um dicionário impresso ou digital ou em sites de busca, como Google, por exem- plo. Compare com o significado pensado por você. 2. Elabore um resumo do assunto abordado no texto de Michael Keep. Lembre-se de que resumir é o ato de compreender um texto, analisar a sua forma e conteúdo e traçar, em poucas linhas, o que de fato é essencial e mais importante para o leitor. Por isso, siga as regras básicas na elaboração de um resumo: – omitir as informações que são secundárias; – selecionar o que realmente é essencial para o entendimento do texto; – generalizar as informações que são tratadas com detalhes; – integrar as informações para tornar o texto mais direto e objetivo. 3. O autor associa a “etiqueta telefônica brasileira” à característica de o brasileiro ser um “homem cordial”. No texto, os exemplos apresentados mostram que o brasileiro é sempre cordial? Justifique. 4. Com base nas distinções apresentadas pelo autor, crie um texto que exem- plifique uma conversa telefônica segundo os padrões adotados pelo autor. 5. Você (ou alguém que você conhece) já passou pela situação de � car espe- rando “um minutinho” e ter que � car esperando por longo tempo? Como você (ou a pessoa) reagiu a isso? 6. Você conhece pessoas estrangeiras que vivem há muito tempo no Brasil? Com base na leitura dos textos de Michael Kepp, entreviste uma delas e es- creva as opiniões mais significativas. Para elaboração da entrevista, lembre-se de que entrevista é um texto que apresenta as perguntas de um entrevistador e as respostas de um entrevis- tado, com o objetivo de divulgar as ideias dessa pessoa para que todas as conheçam. Organize seu trabalho de entrevista: – decida quem você vai entrevistar, entre em contato com essa pessoa e marque dia, hora e local para a entrevista; – liste as perguntas que você desejar fazer, tendo em vista o tema principal a ser abordado e verificando se as questões estão claras e fáceis de serem entendidas; – se possível, leve um gravador, ou então peça para alguém que o ajude a anotar as respostas do entrevistado; – elabore um fechamento da entrevista, preparando uma pergunta final que encerre o assunto; – não se esqueça de agradecer ao entrevistado. Traga o resultado do seu trabalho e apresente para a classe. 1. EUFEMISMO - Figura de linguagem que se caracteriza pelo uso de palavra ou ex- pressão com a � nalidade de suavizar uma mensagem. Por exemplo: nas propagandas de desodorante, em lugar da palavra suor, quase sempre é empregada a palavra trans- piração. CORNUCÓPIA - Antigo sím- bolo da riqueza, da fortuna e da fertilidade representado como um vaso em forma de chifre de cujo interior vertem grande quantidade de � ores e de frutas. Por extensão de sentido, cornucópia passou a signi� car qualquer fonte de riqueza e/ou de felicidade. AD INFINITUM - Expressão latina que, literalmente, se traduz como “até o in� nito”. Geralmente, é empregada para intensi� car uma situação desagradável ou monótona. ETIQUETA - Designa conjunto de regras de comportamento (por exemplo, como se com- portar em um banquete, em uma solenidade o� cial) e de tratamento (saudação inicial, como se despedir). 2. Espera-se que os alunos re- conheçam as características da produção de um resumo e pro- duzam resposta que apresente as ideias do autor, percebendo que ele, embora apresente di- versas situações relacionadas à conversa telefônica e às formas de despedir-se, expressa as diferenças de comportamento entre o homem brasileiro e o norte-americano. Numa resposta mais ampla, os alunos podem responder que Michael utiliza esses exemplos para falar de diferenças culturais. 3. Não. Observar que no sexto parágrafo, a palavra “etiqueta” foi empregada de acordo com o seu sentido mais comum. Ou seja, o autor reclama que, usan- do o celular, o comportamento dos brasileiros é inadequado – foge à etiqueta que rege o uso desse aparelho. Já, no título e no primeiro parágrafo, o autor a emprega de forma irônica e até depreciativa (sempre tomando como referência a opinião do autor, é claro). Para ele, os bra- sileiros conversam ao telefone de forma inadequada e, como isso é generalizado, é como se criassem uma “etiqueta”. Resposta pessoal. Este deve ser objetivo, especialmente a despedida. 5. Resposta pessoal. A resposta a esta questão pode propiciar uma rápida pesquisa. Como, basicamente, a pessoa pode reagir agressivamente e reclamar com quem a deixou esperando ou pode � car passiva, essas duas reações poderiam ser quanti� cadas e, a partir do resultado, discutir a adequação ou não de cada um desses comportamentos. 6. Antes de realizar esta questão, recomenda-se que seja feito um levantamento de quais povos estrangeiros poderiam ser objeto deste trabalho. Dessa forma, o trabalho ganharia maior amplitude e riqueza. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 8LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 8 25/08/2022 15:25:4225/08/2022 15:25:42 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 9 DA TEORIA À PRÁTICA O texto lido e trabalhado trouxe a visão de Michael Kepp quanto a algumas diferenças de comportamento entre brasileiros e norte-americanos. Para tratar desse assunto, o autor tomou como referência, principalmente, a forma como brasileiros e norte-americanos utilizam o telefone. Como o telefone – simples aparelho que permite a comunicação entre as pessoas – pode levar alguém a fazer as reflexões feitas por Michael Kepp? Exatamente porque o telefone é uma parte de um processo complexo elabo- rado pelo ser humano: o ato de comunicação. Veja, no esquema, quais são os elementos necessários à realização do ato de comunicação: REFERENTE (CONTEXTO)EMISSOR (REMETENTE) CÓDIGO MENSAGEM CANAL (CONTATO) RECEPTOR/ DESTINATÁRIO Observe que: • o emissor (remetente) elabora uma mensagem que é dirigida a um re- ceptor/ destinatário; • para isso, o emissor precisa criar sua mensagem, utilizando um código. A mensagem chega ao seu receptor/destinatário, quando há contato do emissor com ele, quando um canal permite que eles façam esse contato; • todos esses elementos estão envolvidos pelo referente (contexto), que corresponde tanto ao assunto que é tratado quanto à situação em que ocorre o ato de comunicação. Pelo esquema, pode-se compreender que a ausência de qualquer um desses elementos impedirá a comunicação. Porém, é preciso ressaltar que se trata de um esquema. Portanto, por ele não é possível perceber toda a dinâmica que ocorre durante um ato de comunicação. Assim, antes de aprofundar cada um dos ele- mentos do ato de comunicação, perceba os conceitos de comunicação em geral. 1. Comunicação Dividir, partilhar, tornar comum, manter relações. Todas essas expressões relacionam-se com o sentido da palavra comunicação. Assim, comunicar define uma ação que evidencia a relação existente entre os seres humanos quando di- videm, partilham informações, conhecimentos. Ou seja, por meio da comunica- ção, é possível fazer com que as pessoas tenham algo em comum. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 9LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 9 25/08/2022 15:25:4225/08/2022 15:25:42 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 10 2. Comunicação particular Trata-se de uma situação comunicativa que diz respeito aos temas e assuntos pertinentes à vida pessoal dos seres humanos. • Comunicação intrapessoal. Ocorre quando uma pessoa, mental- mente, reflete sobre algo, organiza um roteiro de viagens ou planeja uma ação. Essa comunicação pode até ser registrada por meio de anotações ou rascunhos em papel, em celular, em tablet ou no com- putador. • Comunicação interpessoal. Ocorre quando duas ou mais pessoas se comunicam, seja face a face ou mediadas por algum meio – tele- fone, celular, carta, rede social, e-mail etc. Esse tipo de comunicação está presente nas relações familiares e de amizade. 3. Comunicação pública Diz respeito à comunicação necessária para tratar dos assuntos relativos à vida profissional e pública dos seres humanos. • Comunicação organizacional. Ocorre nas organizações – empre- sas públicas ou particulares. Pode envolver: organizações diferentes (por exemplo, quando precisam resolver questões comerciais); a própria organização (por exemplo, quando diferentes setores tro- cam informações) e as pessoas que trabalham em uma organização (por exemplo, quando um gerente passa uma ordem a seus subor- dinados). Esse tipo de comunicação tem como características a for- malidade (linguagem objetiva) e a hierarquia (diferenças de posição e de função). • Comunicação de massa. Ocorre quando, a partir de um ponto, mensagens são enviadas a milhares de pessoas. Jornal, televisão, rádio, internet são os veículos mais utilizados nesse tipo de comu- nicação. A partir do século XX, a comunicação de massa passou a se intensificar de tal modo que Jornalismo, Publicidade e Propagan- da, Relações Públicas, entre outras áreas da comunicação, consti- tuíram-se em atividades profissionais de grande procura (especial- mente, após a segunda metade do século XX). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 10LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 10 25/08/2022 15:25:4225/08/2022 15:25:42 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 11 4. Os elementos do ato de comunicação Emissor O emissor é responsável pela produção da mensagem. Toda a vez que a produz, o emissor tem alguma intenção: seja informar, seja expres- sar uma opinião, seja fazer contato, seja pura e tão somente para fazer o tempo passar. O emissor pode ser uma pessoa (por exemplo, um polí- tico falando em um comício) ou um grupo de pessoas (por exemplo, um abaixo-assinado) ou, ainda, um jornal (por exemplo, o editorial). No caso específico de um texto publicitário, o emissor sempre será o anunciante. Ele será o responsá- vel pela publicação e veiculação de qualquer anúncio. Por esse motivo, na linguagem publicitária, a presen- ça do nome do anunciante denomi- na-se assinatura. Observe um exemplo. Nele, o emissor é a revista Trip. A revista é respon- sável pela qualidade das informações presentes nela. Essa responsabilidade pode ser dividida com pessoas contratadas para nela trabalhar ou que colaboram even- tualmente. Receptor/destinatário É sempre com a pretensão de chegar até alguém que o emissor elabora sua mensagem. O receptor/destinatário é esse alguém, é ele o alvo da mensagem. Como sempre o emissor produz sua mensagem com alguma intenção (e, pode-se dizer, com algum interesse). É preferível utilizar a palavra destinatário para designar o alvo específico de uma mensagem. Dessa forma, reserva-se a denominação receptor àquele que recebe certa mensagem, mas não era seu alvo. Por exemplo: Paulo escreve um bilhete. Dobra-o ao meio, ocultando seu conteú- do. Entrega-o a João e pede que este passe o bilhete a Letícia. Neste caso, João é o receptor (o bilhete não foi escrito para ele), enquanto o destinatário é Letícia. Re vis ta T rip Re vis ta T rip LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 11LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 11 25/08/2022 15:25:4325/08/2022 15:25:43 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 12 Na produção de mensagens, nos meios de comunicação, o destinatário re- cebe a denominação de público-alvo. Essa denominação se justifica, pois, em geral, as mensagens são produzidas a partir de uma pesquisa que procura deter- minar e qualificar o público a ser alcançado. Observe, por exemplo, algumas publicações, como é o caso das revistas Veja e Namosca. A revista Veja, de caráter informativo, procura alcançar um público am- plo. Embora pareça disponível a toda e qualquer pessoa – por assinatura ou pela venda em bancas de jornal – seu público, além do interesse por informação e comen- tários, é definido também pelo poder aquisitivo e grau de instrução e faixa etária. E qual é o público-alvo de uma revista que tem o nome de Namosca? Só pelo nome, é praticamente impossível saber. Quando, porém, se observa o que está escrito logo abaixo de seu nome, essa tarefa se torna bem mais fácil. Público-alvo: universitários. É preciso destacar que, mesmo dentro de uma mesma publicação, pode ha- ver públicos destinatários distintos. Quando você compra um jornal, por exem- plo, vai encontrar várias seções: geral, política, esportes, cultura, educação, inter- nacional etc. Código Para materializar a mensagem, o emissor dispõe de vários códigos. Ele esco- lherá aquele que considera mais adequado ao formato e ao veículo em que será publicado, bem como aquele que for mais eficiente para alcançar os objetivos pre- tendidos por ele. O código corresponde aos sinais (simples ou mais complexos) organizados para materializar a mensagem. Como criação humana, o código é resultado de um processo de convenção – isto é, ao longo do tempo, os sinais vão sendo cria- dos e, quando aceitos, são sistematizados e se tornam comuns a determinados grupos humanos. Basicamente, há dois tipos de código: o verbal e o não verbal. An ca D um itr ac he /S hu tte rs to ck Revista Namosca, Ano I, n.1 – novembro de 2005 Re pr od uç ão Revista Veja, edição 2503, ano 49, n. 45, 09 novembro 2016 Ve ja /A br il Co m un ic aç õe s S. A. Revista Veja, edição 2521, ano 50, n. 11, 15 março 2017 Ve ja /A br il Co m un ic aç õe s S. A. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 12LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 12 25/08/2022 15:25:4425/08/2022 15:25:44 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 13 CÓDIGO VERBAL CÓDIGO NÃO VERBAL No dia a dia do brasileiro, um dos có- digos comuns é precisamente a língua portuguesa. É o idioma oficial utilizado em todo o território brasileiro tanto para acomunicação particular quanto para a pública. A língua portuguesa, tal como a maioria dos idiomas usados em outras nações, é um código linguístico. Trata- -se, portanto, de um código verbal – ca- racterizado pelo emprego de palavras (faladas ou escritas). O emissor, além das palavras, pode usar na construção de mensagens elementos: • Visuais: cores, linhas, desenhos, fotos, gestos, relevos. Observe que a cor pode ter vários significa- dos: verde (avançar), o vermelho (parar) e o amarelo (atenção) dos sinais de trânsito; • De áudio: ruídos, música. Basta observar a importância da sono- plastia em programas de rádio; • Audiovisuais: unindo todos esses re- cursos. Pode-se dizer que o ser humano pode fazer com que tudo possa ser usado para significar. Inclusive o próprio ser humano: por exemplo, um ator ou uma atriz em uma peça de teatro correspon- de exatamente a isso. Canal/contato Como o código é a materialização da mensagem, é necessário que se fixe a algo para ser conduzido. É o canal ou contato ou suporte físico, o veículo que conduzirá a mensagem até o seu destinatário. Por exemplo, quando o emissor utiliza o código verbal falado, o ar (as ondas sonoras) é o suporte da mensagem. As ondas sonoras levarão a mensagem até o destinatário. Conforme suas necessidades e suas possibilidades, o emissor poderá escolher, além das ondas sonoras, diferentes tipos de suporte físico para apoiar e transportar a sua mensagem, tais como: papel (jornais, revistas), plástico (banners, painéis), tecido (camisetas promocionais), madeira (placas), metal (placas), vidro (garrafas, embalagens) e até suportes mais complexos como os meios de comunicação de massa como o rádio, a TV e a internet, onde o processamento da mensagem passa por várias etapas até ela chegar ao destinatário. Mensagem A mensagem é aquilo que o emissor transmite para o seu destinatário. Ela corresponde tanto àquilo que o emissor diz quanto ao modo como ele diz. Ou seja, ela engloba o significado (o aspecto conceitual) e o significante (a forma, o aspecto material). Observe o exemplo: Jussara vai por uma calçada e vê Olavo (seu irmão) do outro lado da rua. Jussara grita: “OLAVO!”. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 13LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 13 25/08/2022 15:25:4525/08/2022 15:25:45 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 14 • O que Jussara transmitiu? O nome do irmão e, ao mesmo tempo, a intenção de chamar a atenção dele. • Mas como ela fez isso? Enunciando a palavra de forma alta e clara. • Olavo se volta e vai ao encontro da irmã. Assim, Olavo se dirigiu até Jussara (ou seja, compreendeu o conceito, o signi- ficado daquela mensagem), porque conseguiu ouvir o grito e a palavra (ou seja, os aspectos materiais da mensagem) que chegaram até ele por meio das ondas sonoras. Referente ou contexto Por fim, há o referente (o contexto). No esquema apresentado, é possível perceber que ele faz parte do ato de co- municação e, ao mesmo tempo, “envolve” todos os demais elementos. Desse modo, compreende-se que a comunicação é um processo que precisa es- tar contextualizado: deve ter uma referência e acontecer em determinada situação. O contexto corresponde àquilo que se pretende comunicar, a quem, por que e para quê. Corresponde, também, ao momento em que a mensagem é produzida pelo emissor bem como àquele em que o destinatário a recebe. APLICAÇÃO 1. Retome o texto “Etiqueta telefônica brasileira”, de Michael Kepp e aponte os elementos do ato de comunicação que nele estão presentes. a) Emissor: b) Destinatário: c) Mensagem: d) Código: e) Contato: f ) Contexto: 2. Indique onde foi usada a linguagem verbal ou a linguagem não verbal, nas imagens e justifique sua resposta: a) Sa m ue l A lve s Ro sa /F re e Im ag es b) F/ Na zc a Sa at ch i& Sa at ch i 3. Produza um pequeno texto, reproduzindo o diálogo entre um pai e seu filho de oito anos. A conversa ocorre em um supermercado e o pai tenta persuadir o filho a não comprar um brinquedo. Nessa situação, quem é o emissor? Justifique. 1. a) Emissor: Michael Kepp. b) Destinatário: a resposta pode ser mais livre, pois a leitura deste texto se dá em uma situação de sala de aula (portanto, o aluno não é necessariamente o destina- tário deste texto). Por outro lado, não deve ser aceita a resposta que diga que qual- quer pessoa será destinatário. Daí, deve-se orientar a que percebam o local em que o texto foi publicado: Equilíbrio do jornal Folha de S. Paulo (embora a fonte mencionada seja a internet, notar essa referência no endereço: fsp/ equilíbrio). O leitor desse jornal e, em especial, o do caderno constituem esse destinatário em potencial. c) Mensagem: Fazer com que se � xe o conceito de que a mensagem é o que se chama comumente de texto. Ele traz duas grandes “cargas”: a. uma conceitual – o seu signi� cado (essa concepção é o senso comum): aquilo que o emissor pretende fazer com que seu destinatário compreenda. b. outra “física” – material: o visual da página e as palavras (os tipos utilizados, o tama- nho). d) Código: Basicamente, a tendência é responder que se trata de código verbal. Mas é fundamental que se especi- � que: código verbal escrito – língua portuguesa. Além disso, seria recomendável fazer com que se compreen- da que nem tudo no texto é verbal. Há código não verbal também: a fonte escolhida e o seu tamanho; os sinais dia- críticos (vírgula, aspas, ponto de interrogação etc.). e) Contato: Considerando a leitura feita no fascículo, pode-se considerar o papel ou o próprio fascículo. Ou ambos. O mais importante é que se compreenda a ideia de que o emissor deve estar atento à necessidade de atrair o destinatário, chamar a sua atenção. Contexto: Há vários fatores a se considerar – mas o/a aluno/a não precisa colocar todos – tais como: a condição de estrangeiro (norte-americano) do autor coloca em evidência as diferenças culturais. Já a condição do/a o/a aluno/a, certamente, de nacionalidade brasileira, poderá fazer com que ele/ela não aceite as ideias do autor. As condições de leitura em sala de aula. O fato de saber que a leitura será objeto de questões. Para aprofundar os conceitos, podem ser feitas propostas de alteração de elementos. Por exemplo, haveria alguma alteração se o texto fosse oralizado? diagramado de outra maneira? teatralizado? acompanhado de ilustração? A placa toda é linguagem não verbal. A imagem do tênis e o logotipo são linguagem não verbal. Os textos do anúncio são linguagem verbal. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 14LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 14 25/08/2022 15:25:4525/08/2022 15:25:45 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 15 4. Imagine a seguinte situação: uma pessoa trabalha em um escritório localiza- do no décimo andar de um prédio comercial. No fim do expediente, todos vão embora e essa pessoa é esquecida. Fica presa em uma sala em que não há telefone, não há computador e, por azar, a pessoa não possui celular. En- fim, ela está praticamente incomunicável, pois, mesmo gritando pela janela, não consegue se fazer ouvir. Para tentar sair desse sufoco, ela escreve, em uma grande folha de papel, em letras enormes, a situação em que se encon- tra, o local em que está presa e um pedido de socorro. a) Nesse caso, ela busca um receptor ou um destinatário? Justifique sua resposta. b) Suponha que você é a pessoa que se encontra nessa situação. Como seria o seu texto de pedido de socorro? Faça numa folha avulsa. Produção de texto: campanha de conscientização Orientações gerais Você participará de um grupo que desenvolverá uma campanha de conscienti- zação dentro de sua sala de aula ou na escola. A proposta é que sejam levantados problemas que ocorrem em sua sala ou na escola. A partir daí, os temas que merecem maior atenção serão distribuídos en- tre os grupos. O fundamental é que seu grupo, ao elaborar a campanha referente ao seu tema, leve emconta os conceitos trabalhados neste módulo. Ao final da campanha, escreva um pequeno texto, avaliando a campanha, apon- tando os acertos e os problemas encontrados. 3. Além de orientar a criação do texto e tudo o que é pertinente à sua elabora- ção, deve-se dar atenção à pergunta � nal. Esta questão tem a � nalidade de fazer com que se compreenda que o ato de comunicação é dinâmico e que, num diálogo, os papéis de emissor e de destinatário se alternam. Importante mostrar que, na comunicação de massa, essa é uma possibilidade bastante remota (mesmo quando se pede para telefonar, para enviar e-mail). 4. Não há uma resposta fechada. Há possibilidades: • Caso o aluno entenda que a pessoa acredita na existência de alguém que seja curioso o bastante para pegar o papel e lê-lo. Tenha sentimento de soli- dariedade e vá ajudá-la... Então, pode-se dizer que se busca um destinatário. Ou seja, há uma espécie de público-alvo. • Caso entenda que jogará o papel e que qualquer pessoa poderá pegá-lo e vir salvá-la, haverá a ideia de receptor. Mas que, posteriormente, se tornaria destinatário. O mais importante é que as respostas sejam discutidas. Deve-se enfatizar a ideia de que a produção de texto sempre deve ser planejada pensando na existência de um leitor “ideal”. Veri� car como o/a aluno/a utiliza a linguagem para construir sua mensagem. Se nela predomina o uso de código verbal ou de código não-verbal. Ou, ainda, se há um uso equilibrado desses dois códigos. Sugestão: os textos poderiam ser expostos na sala para avaliação e propiciar a discussão das soluções Trata-se de uma atividade de longa duração. Desse modo, recomenda-se que seja iniciada com antecedência – des- de a constituição dos grupos até a de� nição dos temas. O mais adequado é que estes nasçam a partir de levanta- mentos orientados pelo/a professor/a. Para que, dessa maneira, ocorra maior adesão dos/as alunos/as. Algumas sugestões: • condenar a prática do bullying (problema grave e complexo que atinge as escolas de um modo geral); • orientar o uso adequado do celular (em sala e/ou na escola); • combate ao tabagismo; • combate ao consumo de bebidas alcoólicas; • melhorar o relacionamento entre grupos docente e discente. Quanto ao desenvolvimento, acompanhar com frequência o andamento dos trabalhos para, não somente orientar os procedimentos, como também veri� car se há soluções semelhantes – caso, desa� ar os grupos a encontrar soluções originais. Conforme as características da sala e da escola, procurar ajustar a escolha dos meios às condições de tempo e até econômicas dos/as alunos/as. O importante é que haja a maior diversidade possível de canais/suportes, mas sem escapar da realidade escolar em que se trabalha. Como alguns temas são polêmicos, recomenda-se conversar com a direção e a coordenação da escola, assim como os pais, para que não haja nenhum constrangimento na execução e na apresentação dos trabalhos. Esse contatos também são importantes, para, conforme a materialização dos textos utilizados na campanha, sejam reservados espaços da escola. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 15LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 15 25/08/2022 15:25:4625/08/2022 15:25:46 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 16 REFLEXÃO Leia Internet No começo dos anos 60, o americano Paul Baran concebeu uma rede de computa- dores na qual cada máquina seria capaz de orientar o trabalho das outras. Durante a Guerra Fria, preocupado com a possibilidade de um con� ito nuclear com a União Soviética paralisar as comunicações, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos desenvolveu essa rede de computadores para que seus pesquisadores pudessem continuar trocando ideias. O plano inicial era ligar quatro locais: a Universidade da Ca- lifórnia (UCLA), a Universidade de Santa Barbara, o Instituto de Pesquisas de Stanford e a Universidade de Utah. Naquele tempo, não havia sistemas-padrões de operação de computadores. As máquinas não podiam se comunicar umas com as outras. Em 1969, surgiu a ARPAnet, ligando apenas computadores de centros de pesqui- sas acadêmicos e militares nos Estados Unidos. A primeira demonstração o� cial foi feita no dia 21 de novembro. Dois anos depois, já eram 24 centros interligados. O projeto era chamado ARPAnet porque foi encomendado pela ARPA (Departa- mento of Defense’s Advanced Research Project Agency) a um grupo de talento- sos engenheiros de computação liderado por J. C. R. Licklider e Robert Taylor. Somente em 1981 a ARPAnet deu lugar à Internet, abrindo o acesso à pesqui- sa acadêmica e permitindo o acesso de centros estrangeiros. No ano de 1992, a Internet ultrapassou a marca de 1 milhão de estações interligadas, servindo a aproximadamente 10 milhões de usuários. Começou aí a exploração comercial da rede. A Internet atual é um complexo de redes interconectadas em que milhões de pessoas de todo o planeta compartilham serviços e trocam mensagens. DUARTE, Marcelo. O livro das invenções. São Paulo: Cia das Letras, 1997, p. 141. 1. Ninguém produz um texto sem qualquer finalidade. Toda e qualquer produ- ção textual sempre é elaborada conforme a intenção de seu emissor. Com que objetivo o texto de Marcelo Duarte foi elaborado? Justifique sua resposta. 2. Quanto ao contexto em que foram dados os primeiros passos para a elabora- ção do projeto que, mais tarde, possibilitou a criação da Internet: 2 O ASSUNTO É: FUNÇÕES DA LINGUAGEM datas e os locais mencionados são alguns dos elementos textuais que con� rmam o caráter informativo. 1. Levar o aluno a perceber que o texto tem como objetivo predomi- nante transmitir informações que mostram, de for- ma cronológica, os passos dados na direção de se criar a Internet. Os verbos no pas- sado, os nomes dos cientistas, as LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 16LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 16 25/08/2022 15:25:4825/08/2022 15:25:48 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 17 a) que situação política motivou aquele projeto? b) quais eram as limitações técnicas existentes? c) que benefícios o projeto propiciou? 3. Para você, a internet é imprescindível? Justifique sua resposta com argumen- tos e exemplos. 4. Com a orientação de seu professor, você e seus colegas vão produzir um Júri simulado. Júri simulado Tema: é possível viver sem internet? Orientações gerais 1. A classe será dividida em quatro grupos: o grupo A constituído por alunos e alunas que consideram a internet imprescindível; o grupo B, formado por quem não a vê como imprescindível; o Grupo C, que atuará como organiza- dor do debate e Júri; e o Grupo D, que fará a cobertura jornalística do evento. 2. Os Grupos A e B deverão se reunir para levantar argumentos e discutir es- tratégias de defesa de suas ideias. Cada grupo elegerá dois oradores para de- fender essas ideias. 3. O Grupo C se reúne para definir quais as regras que regerão o debate, determi- nando, por exemplo, o espaço a ser ocupado pelos oradores, o tempo de exposi- ção para cada grupo, o comportamento dos integrantes de cada grupo. O Grupo C escolherá o(a) Juiz (Juíza) e seus auxiliares, bem como os componentes do Júri. 4. O Grupo D reúne-se para estabelecer que tipo de jornalismo realizará: radio- jornal, telejornal ou jornal impresso? Em seguida, estabelecer as atividades de cada integrante. 5. Os Grupos A, B e C elegerão uma pessoa de cada grupo que ficará responsá- vel por redigir um relato da atividade desenvolvida. 6. Sob o comando do(a) Juiz (Juíza), instala-se o Júri simulado com a apresen- tação das regras. A partir daí, segue-se o debate até o final, quando o Júri anunciará o seu voto. 7. Antes, durante e após a realização do Júri, o Grupo D realizará as atividades necessárias para a cobertura do evento. 8. Após a emissão do voto, são apresentados os relatos elaborados pelos inte- grantes dos Grupos A, B e C. 9. Ao final, abre-se um debate geral com participação livre para avaliar a ativi- dade realizada.10. No dia seguinte, o Grupo D apresenta para a sala a cobertura jornalística do evento. a) No início dos anos 1960, durante a Guerra Fria, quando havia o temor de que pudesse acontecer uma guer- ra nuclear. Recomenda-se que o aluno seja incentivado a pesquisar mais informa- ções referentes a esse fato histórico. b) “Naquele tempo, não havia sistemas-padrões de operação de computadores. As máquinas não podiam se comunicar umas com as outras”. c) Num primeiro momento, favoreceu “o acesso à pesqui- sa acadêmica permitindo o acesso de centros estrangei- ros”. Posteriormente, “com a exploração comercial da rede”, milhões de usuários de todo o mundo puderam fazer uso da Internet. 3. Resposta livre. Importante que sejam apresentadas as diferentes opiniões e a força dos argumentos e dos exemplos. Incentivar a mani- festação de ideias que fujam ao senso comum, desde que bem argumentadas. Esta atividade servirá como ponto de partida para a realização do Júri Simulado (proposta que virá a seguir). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 17LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 17 25/08/2022 15:25:4925/08/2022 15:25:49 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 18 DA TEORIA À PRÁTICA 1. Revendo o Ato de Comunicação para seguir em frente Observe o esquema, já conhecido por você. REFERENTE (CONTEXTO) EMISSOR CÓDIGO MENSAGEM CANAL (CONTATO) DESTINATÁRIO Você já está inteirado de que esse esquema apresenta os elementos necessá- rios a todo e qualquer ato de comunicação. Por ele, compreende-se que a comunicação processa-se quando um emis- sor (ou remetente) elabora uma mensagem dirigida a um destinatário. Para isso, o emissor deve codificar sua mensagem e fazer com que ela chegue ao seu destinatário por meio de um canal. Todos esses elementos estão envolvidos pelo referente (ou contexto), que corresponde tanto ao assunto que é tratado quanto à situação em que ocorre o ato de comunicação. Leia o texto do Ministério da Saúde, publicado em 1 de dezembro de 2020, com os dados sobre os casos de AIDS no Brasil. Casos de Aids diminuem no Brasil Publicado: 01.12.2020 - 15:18 última modifi cação: 01.02.2021 - 10:57 O Brasil tem registrado queda no número de casos de infecção por Aids nos últi- mos anos. Desde 2012, observa-se uma diminuição na taxa de detecção da doen- ça no país, que passou de 21,9/100 mil habitantes em 2012 para 17,8/100 mil LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 18LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 18 25/08/2022 15:25:5025/08/2022 15:25:50 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 19 habitantes em 2019, representando um decréscimo de 18,7%. A taxa de mortali- dade por Aids apresentou queda de 17,1% nos últimos cinco anos. Em 2015, fo- ram registrados 12.667 óbitos pela doença e em 2019 foram 10.565. Ações como a testagem para a doença e o início imediato do tratamento, em caso de diagnós- tico positivo, são fundamentais para a redução do número de casos e óbitos. […] DADOS DA DOENÇA Atualmente, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 89% foram diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em tratamento não transmitem o HIV por via sexual por terem atingido carga viral indetectável. Em 2020, até outubro, cerca de 642 mil pessoas estavam em trata- mento antirretroviral. Em 2018 eram 593.594 pessoas em tratamento. No Brasil, em 2019, foram diagnosticados 41.919 novos casos de HIV e 37.308 ca- sos de Aids. O Ministério da Saúde estima que cerca de 10 mil casos de Aids foram evitados no país, no período de 2015 a 2019. A maior concentração de casos de Aids está entre os jovens, de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros. Os casos nessa faixa etária correspondem a 52,4% dos casos do sexo masculino e, entre as mulheres, a 48,4% do total de casos registrados. O enfrentamento à doença não parou durante a pandemia da Covid-19. O Minis- tério da Saúde expandiu a estratégia de dispensação ampliada de antirretrovirais (ARV) de 30 para 60 ou até 90 dias. Hoje 77% dos pacientes em tratamento tem dispensação para 60 e 90 dias , em 2019 eram 48%. Além disso, o uso de autotes- tes foi ampliado com o objetivo de reduzir o impacto na identi� cação de casos de HIV por conta da pandemia. A pasta também garantiu a oferta de teste anti-HIV para pacientes internados com síndrome respiratória. Neste ano, até outubro, o Ministério da Saúde distribuiu 7,3 milhões de testes rápidos de HIV, 332 milhões de preservativos masculinos e 219 milhões femininos. […] De 2015 a 2019, houve redução de 22% na taxa de detecção de aids em meno- res de 5 anos. Passando de 2,4 em 2015 (348 casos) para 1,9 casos (270 casos) por 100 mil habitantes em 2019. A taxa de detecção de aids em menores de 5 anos tem sido utilizada como indicador para o monitoramento da transmissão vertical do HIV, quando a transmissão acontece durante a gestação, o parto ou amamentação. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Ministério da saúde. In: http://www.aids.gov.br/pt-br/noticias/casos-de- aids-diminuem-no-brasil. Consulta realizada em 19 de abril de 2022. (Fragmentos) LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 19LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 19 25/08/2022 15:25:5025/08/2022 15:25:50 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 20 Em relação ao texto: 1. Identifique o seu emissor. 2. Identifique o seu destinatário. 3. Caracterize o código utilizado em sua elaboração. 4. Identifique o canal utilizado para fazê-lo chegar até o seu destinatário. 5. Identifique o elemento mensagem. 6. Identifique o seu contexto (seu referente). 2. Funções da linguagem Você já percebeu que todo Ato de Comunicação é produzido para alcan- çar algum objetivo. Ou seja, o emissor sempre tem alguma intenção ao elaborar a sua mensagem. Quanto ao texto “Casos de AIDS diminuem no Brasil”, pode-se notar que há uma forte intenção de apresentar os dados para que os leitores pos- sam compreender de forma objetiva as informações. Aos objetivos ou intenções pretendidas pelo emissor da mensagem é que se dá o nome de funções da linguagem. Como cada uma delas está associada a um dos elementos do Ato de Comunicação, existem seis funções da linguagem: • Expressiva (ou Emotiva) • Conativa (ou Apelativa) • Referencial • Fática • Metalinguística • Poética Você vai conhecer as características de cada uma dessas funções e textos que as exemplifiquem. Função Expressiva (ou Emotiva) 1. O emissor é o Departa- mento de Doenças de Con- dições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, do Ministério da Saúde. 2. O texto foi produzido para o público em geral, principal- mente para as pessoas que trabalham ou se interessam pelo tema saúde. 3. Para construir sua men- sagem, foi utilizada como código palavras da Língua Portuguesa. 4. Para que sua mensagem chegasse a seus destinatários, o texto foi publicado em site do Ministério da Saúde. O canal utilizado foi a internet. 5. A mensagem é caracteri- zada pelo texto em si, tanto pelo assunto que ele preten- de comunicar quanto pela própria elaboração (palavras, parágrafos, pontuação). 6. Há um referente (contexto) envolvendo toda a produção da mensagem: os dados es- tatísticos sobre o tratamento e prevenção da AIDS, bem como os conhecimentos e os interesses que tanto o emis- sor quanto os destinatários possuem em relação a esse assunto. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 20LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 20 25/08/2022 15:25:5025/08/2022 15:25:50 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 21 Você está com vontade de assistir a um filme que estreou recentemente. Porém não tem certeza de que irá gostar dele. Para confirmar se deve ou não ir ao cinema, procura ler críticas que avaliem aquele filme. Isto é, você quer saber as opiniões de especialistas e tomá-las como referência. Que função da linguagem está presente nesse tipo de texto? A função expressivaou emotiva. O que caracteriza essa função é o emprego da linguagem para expressar opiniões e/ou sentimentos do emissor, como se pode perceber nos trechos as- sinalados em fragmento de matéria jornalística publicada no caderno Folhateen, do jornal Folha de S. Paulo, no dia 11 de junho de 2007. A internet encheu o saco Frustração e cansaço levam jovens a abandonar o computador e a viver no mundo real Juliana Lopes Você liga o computador e se conecta. Mal o sistema carregou, entra no Orkut, no MSN e abre o Soulseek. Enquanto responde a mais de dez “olás” no MSN, checa novos recados no Orkut e entra no fotolog de um desconhecido que te deixou um recado. As janelas do MSN pipocam na tela: colegas de classe perguntam so- bre o trabalho que vão fazer on-line, seu namorado te dá bronca por causa de algum scrap. Então você abre seu blog para desabafar quando percebe que... está zonzo. Levanta da cadeira, olha o relógio e entra em pane. Arranca o computador da tomada e assume: “Cansei de internet!!!”. Essa história é parecida com a de Ricardo Barbosa, 15, que passou mal de tanto navegar na rede há três meses. “Comecei a � car tonto, levantei assustado e falei: “Meu, o que é isso? Passei seis horas aqui! Não acredito!’” E, o pior, ele não fazia nada de útil: “Foi simplesmente uma pausa na minha vida, não aconteceu nada”. Depois desse episódio, Ricardo decidiu nunca mais deixar de jogar futebol nem de encontrar os amigos para � car na net. “Foi uma li- ção. Tem uma hora que chega”, diz o garoto, que descon� a ainda estar viciado. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 21LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 21 25/08/2022 15:25:5025/08/2022 15:25:50 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 22 Nos trechos destacados observa-se a predominância de verbos e de prono- mes de primeira pessoa, ou seja, são escolhas associadas ao emissor da mensa- gem e revelam sua opinião e/ou seu sentimento. A escolha desse tipo de palavra é característica da função expressiva ou emotiva. Porém, é possível construir uma mensagem predominantemente ex- pressiva ou emotiva sem utilizar marcas de primeira pessoa? Sim. Leia como exemplo o texto de Marco Aurélio Canônico, que faz uma crítica de cinema publicada no caderno Ilustrada, do jornal Folha de S. Paulo, do dia 01 de fevereiro de 2008: Giovanna Caboclo, 16, de Mogi das Cruzes, tomou uma atitude radical aos 14 anos. “Ficava o dia inteiro no MSN, uma coisa horrível. Falar pelo MSN é fácil, por- que você monta as palavras direitinho. Mas ao vivo eu tinha medo de falar alguma besteira. Isso me deixava nervosa”, diz a estudante que, para resolver seu problema de ansiedade, � cou um ano sem entrar na internet. “Na net as pessoas querem parecer perfeitas e � cam fuçando as vidas das outras. Você � ca meio louca, entende?” Estudante de cursinho, Maria Reininger, 18, abandonou blog e � og (blog com foto). “Encheu o saco. No começo é novidade, as pessoas comentam as babosei- ras que você escreve. Depois, você cansa de � car andando com a máquina fotográ� ca embaixo do braço para tirar fotos pro seu � og. Pre� ro gastar meu tempo jogando rugby”, conta a garota. [...]. LOPES, Juliana. A internet encheu o saco, Folha de S. Paulo, 11 de junho de 2007. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm1106200708.htm>. Acesso em: 4 jul. 2017. An to ni o Gu ille m /S hu tte rs to ck LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 22LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 22 25/08/2022 15:25:5125/08/2022 15:25:51 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 23 Amizade entre garoto e criatura rende bom infantil Marco Aurélio Canônico Crianças com bichos de estimação pouco usuais podem render toda sorte de � lmes – vide Gremlins (1984), Um hóspede do barulho (1987) etc. Sendo uma criança escocesa o foco de Meu Monstro de Estimação, que estreia hoje, o bicho bizarro da vez não poderia ser outro que não o monstro do lago Ness – Nessie, como os britânicos carinhosamente o chamam, ou Crusoé, como o jovem Angus, seu dono, o apelida. A história, contada em fl ashback por um senhor (o eterno coadjuvante Brian Cox) num pub (falando em estereótipos...), se passa durante a Segunda Guerra, quando os países da ilha viviam sob tensão dos iminentes ataques alemães. Criança solitária e retraída desde que seu pai foi convocado à guerra, deixando-o com sua mãe (a boa Emily Watson) e irmã mais velha, Angus MacMorrow encon- tra uma pedra estranha na praia e a leva para casa, só para descobrir que o troço é um ovo de um bicho incomum. Incomum e de crescimento acelerado, o que se torna um problema quando a mansão da família MacMorrow vira base para os militares britânicos – além de casa para um novo e misterioso zelador – e o garoto Angus não consegue mais esconder seu mascote. Bons efeitos especiais Com efeitos especiais a cargo dos oscarizados neozelandeses da Weta Digital (O Senhor dos Anéis, King Kong), a qualidade visual da criatura é o ponto alto do � lme – um monstrinho fo� nho enquanto bebê e gigantesco quando adulto. A propósito, o “monstro” do título em português, por ser mais comumente usado com carga negativa, não faz jus ao bicho do � lme nem a seu título original, “The Water Horse”, o cavalo d’água – já que Angus o cavalga em passeios aquáticos. Como é praxe nesse tipo de � lme, a tenra relação entre o garoto e o animal é o mote da história: são dois órfãos, cada um a seu modo, que encontram compa- nhia e amadurecimento em sua convivência. Os belos visuais das locações e a ágil narrativa, pontuada com humor e suspense, deixam em segundo plano os deslizes geográ� cos (como o inexistente encontro do lago Ness com o oceano) e históricos (como a data da falsa foto do monstro). É um � lme estritamente infantil e que certamente agradará aos pequenos – mas tam- bém deve forçar os pais a negociarem, no mínimo, um peixinho de aquário pós-cinema. CANÔNICO, Marco Aurélio. Amizade entre garoto e criatura rende bom infantil. Folha de São Paulo, 01 de fevereiro de 2008. Disponível em: <http://www1. folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0102200814.htm>. Acesso em: 4 jul. 2017. Disponível em: <http:// www.adorocinema.com/ � lmes/meu-monstro- de-estimacao/meu- monstro-de-estimacao- poster01.jpg> Re pr od uç ão Disponível em: <http:// www.adorocinema.com/ � lmes/meu-monstro- de-estimacao/meu- monstro-de-estimacao- poster03.jpg>. Re pr od uç ão LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 23LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 23 25/08/2022 15:25:5225/08/2022 15:25:52 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 24 No texto em que Marco Aurélio Canônico avalia o filme Meu monstro de estimação, não há qualquer marca de primeira pessoa, no entanto é fácil perceber a opinião do crítico. De imediato, no título, a presença do adjetivo bom, na ex- pressão “rende bom infantil”, mostra que o autor recomenda o filme. Ao longo do texto, há outras expressões que confirmam essa recomendação, tais como: “a qualidade visual da criatura é o ponto alto do filme”; “monstrinho fofinho”; “Os belos visuais das locações e a ágil narrativa”; “certamente agradará aos pequenos”. Função Conativa (ou Apelativa) Todas as mensagens são elaboradas com a perspectiva de chegar até seu des- tinatário. Mas há um tipo de mensagem que, além de alcançá-lo, é produzida com a intenção de fazer com que ele atenda aos interesses (ou às necessidades) do emissor. Nesse caso, a função da linguagem denomina-se conativa ou apelativa: a linguagem é trabalhada com o objetivo de persuadir o destinatário. Geralmente, a intenção de o emissor tentar persuadir o destinatário eviden- cia-se pelo emprego de verbos no modo imperativo; de verbos conjugados na segunda pessoa; ou pela presença de vocativo. No dia a dia, a função conativa pode ser notada em situações convencionais. Exemplo: Alguém: • solicita algo (“Garçom, por favor, traga mais um prato.”); • pede favores (“Por gentileza, pegue o livro que está em cima da mesa.”); • dá ordens(“Feche a porta!”); • dá conselhos (“Guarde um pouco de dinheiro na poupança.”); • ou faz algum apelo (“Socorro! Socorro!”). Função Referencial LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 24LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 24 25/08/2022 15:25:5225/08/2022 15:25:52 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 25 A função referencial caracteriza-se pelo emprego da linguagem com a in- tenção de transmitir informações para seu destinatário. Nesse caso, o emissor procura utilizar a linguagem denotativa, ou seja, seleciona o código e o organiza de tal forma que sua mensagem seja marcada pela objetividade. Por esse motivo, a função referencial está muito presente em textos jornalísticos e científicos. Leia a notícia publicada na revista Galileu, em 18 de abril de 2022. Texto chinês pode conter primeiro relato de aurora boreal, revela estudo Presente nos “Anais de Bambu”, escritura possivelmente datada do século 4 a.C. menciona “luz de cinco cores” vista no céu — três séculos antes do registro que se acreditava ser o mais antigo. REDAÇÃO GALILEU 18 ABR 2022 - 15H21 ATUALIZADO EM 18 ABR 2022 - 15H21 As auroras, fenômenos belíssimos que iluminam o céu nos polos do planeta, intri- gam a humanidade há séculos. Pesquisadores identi� caram em um antigo texto chinês, provavelmente do século 4 a.C., o que pode ser a referência mais antiga a uma aurora boreal. A escritura faz parte dos chamados Anais de Bambu (ou Zhushu Jinian, em man- darim), que descrevem a história da China desde os tempos lendários até o perío- do em que foram fabricados. Sua análise está detalhada em estudo publicado na revista Advances in Space Research. Os autores da pesquisa são o pesquisador canadense Marinus Anthony van der Sluijs e Hisashi Hayakawa, da Universidade de Nagoya, no Japão. A dupla acredi- ta que os Anais citam uma possível aurora, três séculos antes do registro que se acreditava ser o mais antigo. Esse está presente em tábuas cuneiformes contendo inscritos de astrônomos assírios do período entre 679 e 655 a.C. Outro possível registro primário de uma aurora é um pouco mais recente, de 567 a.C., e estava no diário astronômico do rei babilônico Nabucodonosor II. Embora a crônica chinesa seja conhecida há muito tempo, os pesquisadores a analisaram com um novo olhar, encontrando a menção de uma “luz de cinco co- LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 25LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 25 25/08/2022 15:25:5325/08/2022 15:25:53 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 26 res” vista ao norte do céu noturno, no � nal do reinado do rei Zhao, da dinastia Zhou. O ano do ocorrido é incerto, mas a cronologia da China sugere que a aurora pode ter acontecido em 977 a.C ou em 957 a.C., dependendo de como o reinado de Zhao é datado. Os cientistas apontam que o registro é consistente com o que teria sido uma enorme tempestade geomagnética. Como se sabe que o polo norte magnético da Terra estava inclinado para o lado eurasiano em meados do século 10 a.C., cerca de 5° mais próximo da China central do que atualmente, os pesquisadores estimam que a aurora pode ter sido visível para os chineses daquela região durante perturbações magnéticas. Descobrir o relato da possível aurora nos Anais de Bambu demorou bastante, pois o manuscrito original foi perdido, sendo redescoberto só no século 3 d.C. Ainda assim, ele � cou desaparecido novamente durante a Dinastia Song. A confusão só aumentou no século 16, quando uma versão alterada do texto foi impressa e dizia que o objeto no céu não era uma luz de cinco cores, mas um cometa. O novo estudo revela que essa leitura não era a original, mostrando o que seria a descrição da aurora. Esse tipo de dado, segundo os pesquisadores, pode bene� - ciar a comunidade cientí� ca, ajudando a modelar padrões sobre o clima espacial e a atividade do Sol. Embora a crônica chinesa seja conhecida há muito tempo, os pesquisadores a analisaram com um novo olhar, encontrando a menção de uma “luz de cinco co- res” vista ao norte do céu noturno, no � nal do reinado do rei Zhao, da dinastia Zhou. “Relatórios históricos de auroras estendem nosso conhecimento sobre erupções solares e variabilidade solar de longo prazo na escala de tempo milenar além da cobertura cronológica de observações instrumentais”, escrevem os autores. https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2022/04/ texto-chines-pode-conter-primeiro-relato-de-aurora-boreal-revela- estudo.html. Consulta realizada no dia 19 de abril de 2022. Neste texto, a preocupação do emissor é a de informar sobre uma descober- ta arqueológica e dar detalhes históricos sobre o evento. Por isso, a mensagem é organizada de tal forma que o leitor possa, com objetividade, conhecer como foi realizada a pesquisa e descoberta. Destacam-se os verbos conjugados na terceira pessoa. Como exemplo de divulgação científica, leia a seguir os trechos de um artigo publicado na revista Galileu. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 26LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 26 25/08/2022 15:25:5325/08/2022 15:25:53 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 27 Pesquisadores descobrem 5,5 mil novos tipos de vírus de RNA nos oceanos REDAÇÃO GALILEU 10 ABR 2022 - 14H08 ATUALIZADO EM 10 ABR 2022 - 14H08 Em um estudo que coletou amostras de água do oceano em diversas partes do mundo, um time internacional de pesquisadores desvendou novos achados so- bre os vírus de RNA — microrganismos cujo material genético é constituído pelo ácido ribonucleico (RNA) — que vivem nos mares do planeta. As descobertas fo- ram publicadas na última quinta-feira (7), na respeitada revista Science. Com auxílio de técnicas de aprendizado de máquina, a equipe identi� cou 5,5 mil- novas espécies de vírus desse tipo. Segundo os autores, elas representam todos os cinco � los de vírus de RNA existentes atualmente, mas não só: novas divisões precisariam ser criadas para classi� car corretamente todos os microrganismos descobertos no trabalho. […] Achados de milhões Em 2019, Sullivan e sua equipe catalogaram uma grande quantidade de vírus de DNA — aqueles cujo código genético é composto pelo ácido desoxirribonucleico (DNA) — nos oceanos. Se entre 2015 e 2016 apenas alguns milhares eram conhe- cidos, no ano da publicação do artigo o número saltou para 200 mil. Para conduzir o novo estudo, os pesquisadores extraíram códigos genéticos ex- pressos em organismos que � utuam no mar e restringiram a análise a sequências de RNA que continham um gene de assinatura, chamado RdRp, que evoluiu por bilhões de anos em vírus de RNA e está ausente em outros vírus ou células. A equipe usou aprendizado de máquina para organizar 44 mil sequências de ma- neira que pudesse lidar com bilhões de anos de divergência no genoma viral, e validou o método mostrando que a técnica poderia classi� car com precisão sequências de vírus de RNA já conhecidos. Todos esses achados permitiram aos pesquisadores identi� car não só os cinco no- vos � los, mas também ao menos 11 novas classes de vírus de RNA. A equipe pre- tende pedir formalmente ao Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, na sigla inglês) para que considere as descobertas do estudo. https://revistagalileu.globo.com/Um-So-Planeta/noticia/2022/04/ pesquisadores-descobrem-55-mil-novos-tipos-de-virus-de-rna-nos-oceanos. html. Consulta realizada em 19 de abril de 2022. (Fragmento) LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 27LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 27 25/08/2022 15:25:5325/08/2022 15:25:53 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 28 O autor do texto teve a preocupação de informar o leitor quanto ao assunto da pesquisa, bem como explicar os detalhes e a conclusão. O que caracteriza a linguagem, além do emprego de um vocabulário específico (relacionado ao tema), é a presença de verbos na terceira pessoa e a busca da objetividade. Função Fática Será que toda e qualquer mensagem é elaborada com a intenção de opinar? De persuadir? Ou de passarinformações? Veja, por exemplo, a transcrição de um trecho de bate-papo virtual: (19:44:57) Juno Entra na sala... (19:44:59) ccelo Entra na sala... (19:45:04) ccelo fala para Todos: boa... (19:45:08) Juno fala para Todos: i ae Ccelo (19:45:16) ccelo fala para Juno: hiahiaa! q q tem q faze aki/:! (19:45:19) Juno fala para Todos: nossa, que dahora.. isso ein (19:45:36) ccelo fala para Juno: aihhiahiahiaa!!!!!! (19:45:49) ccelo fala para Juno: fala pra cynthia entrar ae (19:46:17) cynthia Entra na sala... (19:46:27) Juno fala para Todos: nossa ein bombando (19:46:30) cynthia fala para Todos: oiiii Como este trecho transcreve a fase inicial de uma sessão de bate-papo pela internet, fica evidente que a intenção de cada participante, ao “entrar” na sala, é a de estabelecer contato com as outras pessoas. Observe os trechos destacados em itálico. Elaborar mensagens com esse objetivo caracteriza a função fática. Nesta função, a linguagem é empregada com a intenção de, primeiramente, abrir con- tato com o destinatário e, depois, manter esse canal aberto. Esta função pode se apresentar de diferentes formas: ruídos, falar alto, repetição, recursos gráficos (tais como tamanho da fonte, cores etc.). Observe, por exemplo, na capa de uma revista, como se procura fazer conta- to com um possível leitor. Fo to : W ik im ed ia C om m on s LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 28LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 28 25/08/2022 15:25:5425/08/2022 15:25:54 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 29 Na capa desta revista, a função fática pode ser notada, por exemplo, na es- colha de tipos gráficos de tamanhos variados, dos quais se destacam aqueles em- pregados para realçar a palavra Literatura – que ocupa a parte superior da capa em toda a sua dimensão horizontal – e no uso da cor amarela que é repetida em dois momentos, em especial: na identificação do nome da revista (Literatura) e no destaque dado ao nome do escritor Fernando Pessoa. Outro elemento que caracteriza a função fática está presente na imagem do escritor – o seu corpo ocupa o primeiro plano do espaço da capa. Função Metalinguística Quando ocorre a produção de uma mensagem que tem como objetivo utili- zar a linguagem para explicar ou definir sua própria linguagem, caracteriza-se o emprego da função metalinguística. Você, certamente, já assistiu a um making of de algum filme. Qual é o objeti- vo de um making of? É o de mostrar ao destinatário como certo filme foi realiza- do, explicando, por exemplo, como surgiu a sua ideia ou como foram construídas algumas das cenas. Qual é o código utilizado para a produção de um making of? O mesmo que foi empregado no filme: palavras faladas e/ou escritas; imagens em movimento; música. O exemplo mais evidente de utilização da função metalinguística é o di- cionário. Observe isso na transcrição do verbete Internet conforme aparece no Dicionário Michaelis: In.ter.net sf (inter+ingl net, rede) Inform Rede remota internacional de ampla área geográ� - ca, que proporciona transferência de arquivos e dados, juntamente com funções de correio eletrônico para milhões de usuários ao redor do mundo. MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1998, p. 1169. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 29LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 29 25/08/2022 15:25:5425/08/2022 15:25:54 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 30 Na elaboração desta mensagem, empregou-se a linguagem verbal escrita. As- sim, para definir a palavra Internet, foram utilizadas outras palavras, ou seja, a linguagem “fala” da própria linguagem. Veja, no exemplo a seguir, como a função metalinguística está presente na tira produzida por Maurício de Sousa: © M au ric io d e So us a Ed ito ra L td a. Observe que, no segundo quadrinho, o personagem Bidu vira a cabeça em direção ao leitor e é para o leitor que ele faz o comentário em que explicita que a tira é que é branco e preto: neste momento, fica evidente a presença da função metalinguística – a linguagem dos quadrinhos falando do próprio quadrinho. Função Poética (ou Estética) Ao elaborar uma mensagem, há algo a se dizer. Quando o emissor se preocu- pa com o como deverá dizer, ele procura selecionar, dentro do código, elementos que tenham maior efeito sobre o destinatário. Se a intenção do emissor é em- pregar a linguagem de tal forma que fique concentrada na própria mensagem, ocorre, então, a função poética. O que a caracteriza é a busca de uma linguagem carregada de sonoridade, produzindo efeitos que despertem o senso estético do destinatário. Por isso, ela também recebe o nome de função estética. Pelas características apresentadas, é possível compreender que a função poé- tica ou estética está associada às produções de mensagens artísticas, tais como literatura, artes plásticas, música. Veja, na letra da música Pela Internet, composta por Gilberto Gil em 1996, como as palavras foram selecionadas de modo a desta- car a construção da própria mensagem. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 30LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 30 25/08/2022 15:25:5525/08/2022 15:25:55 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 31 Pela Internet Criar meu web site Fazer minha home-page Com quantos gigabytes Se faz uma jangada Um barco que veleje Que veleje nesse infomar Que aproveite a vazante da infomaré Que leve um oriki do meu velho orixá Ao porto de um disquete de um micro em Taipé Um barco que veleje nesse infomar Que aproveite a vazante da infomaré Que leve meu e-mail até Calcutá Depois de um hot-link Num site de Helsinque Para abastecer Eu quero entrar na rede Promover um debate Juntar via Internet Um grupo de tietes de Connecticut De Connecticut acessar O chefe da Macmilícia de Milão Um hacker ma� oso acaba de soltar Um vírus pra atacar programas no Japão Eu quero entrar na rede pra contactar Os lares do Nepal, os bares do Gabão Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar GIL, Gilberto. Pela internet. In: Gilberto Gil. Quanta. Warner Musica, 1997, CD, faixa 11 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 31LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 31 25/08/2022 15:25:5525/08/2022 15:25:55 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 32 Na criação desta letra, é possível perceber que Gilberto Gil selecionou pala- vras e construiu os versos de modo a dar ênfase ao ritmo e à sonoridade das pa- lavras. Essa elaboração é coerente com o fato de se tratar de um texto criado para ser cantado. Trata-se de escolhas que mostram a presença da função poética. Mas há outros recursos, ao longo do texto, que indicam a predominância dessa função. A seguir, alguns deles são destacados. a) Ao identificar seu texto com o título “Pela internet”, Gilberto Gil estabelece um “diálogo” com outro texto significativo da Música Popular Brasileira: a música “Pelo telefone”, de autoria de Donga (Ernesto dos Santos) e Mauro de Almeida, gravada em 1917. Essa relação vai além do título. Compare o trecho: Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar com este de “Pelo telefone” O chefe da polícia pelo telefone manda lhe avisar Que na Carioca tem uma roleta para se brincar É como se Gilberto Gil “atualizasse” a letra do samba de 1917. b) Elaboração de frases e a criação de palavras que desenvolvem a ideia de que a utilização da internet se assemelha com o ato de navegar: Com quantos gigabytes Se faz uma jangada Que veleje nesse infomar Que aproveite a vazante da infomaré Ao porto de um disquete de um micro em Taipé c) Foram escolhidas palavras e expressões pertencentes. ao campo semântico da internet (web site, home-page, gigabytes, disquete, micro, e-mail, hot-link, site, rede, acessar, hacker, vírus, programas, contactar). Esta escolha parece ser óbvia, uma vez que o texto tem como referência a internet, porém, o pre- domínio da línguainglesa revela a forte influência da cultura norte-ameri- cana (dado que se trata de uma tecnologia desenvolvida a partir dos Estados Unidos) e o caráter de contemporaneidade do autor do texto – mostra-se como alguém preso ao seu tempo e preocupado com ele. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 32LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 32 25/08/2022 15:25:5525/08/2022 15:25:55 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 33 d) Há referência a diferentes cidades (Taipé, Helsinque, Connecticut, Milão); países (Japão, Nepal, Gabão) e até mesmo a uma praça do Rio de Janeiro (praça Onze) para enfatizar que a internet permite interligar diversos e distantes locais do mundo. Assim, Gilberto Gil, ao transmitir opiniões despertadas pela grande presença da internet na vida das pessoas, pois se trata de importante instrumento de co- municação, procurou elaborar seu texto de forma a fazer com que sua construção tivesse maior relevância, ou seja, a mensagem concentrou-se na própria mensa- gem. Daí, neste texto, predomina a função poética ou estética. Uma mensagem, várias funções Para finalizar, deve-se destacar, ainda, que nas mensagens, raramente, é uti- lizada apenas uma função da linguagem. Quase sempre, há várias funções pre- sentes. Contudo, sempre haverá uma função predominante que será determina- da de acordo com a intenção com que a mensagem foi elaborada. Para melhor compreensão observe a reprodução da capa do livro “Iracema”, de José de Alencar, publicado pela Edições Carambola. Perceba como nela estão presentes várias funções. Mas qual delas é a predominante? Iracema Edições Carambola Ed iç õe s Ca ra m bo la Ir ac em a | J o sé d e A le n ca r O livro Iracema escrito por José de Alencar, narra uma história de amor entre Iracema, a virgem tabajara con- sagrada a Tupã, e Mar� n, colonizador português, inimigo do seu povo. O fruto desse amor, Moacir, representa o primeiro cearense e a integração das duas raças. José Mariano de Alencar nasceu no Ceará. Foi escritor, advogado, deputados, novelista e dramaturgo. É considerado precursor do Roman� smo no Brasil. José de Alencar 1a edição LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 33LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 33 25/08/2022 15:25:5825/08/2022 15:25:58 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 34 Na reprodução, vê-se um livro aberto de tal maneira que a primeira capa, a lombada e a quarta capa podem ser vistas em um único plano e como sendo a cons- trução de uma mensagem que pode ser compreendida como um fundo em tom de bege esverdeado, sobre o qual foram utilizados o código verbal (palavras) e o código não verbal (imagem, linhas, formas e cores – em que predominam a preta, branca, marrom, laranja). Essa mensagem pode ser descrita com mais detalhes: • No alto da primeira capa, no centro, em tipos grandes, destaca-se o título da obra e logo abaixo, o nome do autor. Abaixo do nome do autor, encontra-se a expressão “1ª edição”. • Também à direita, na parte inferior, há um conjunto de linhas onduladas brancas, na vertical, que lembram as ondas do mar, ambiente em que acon- tece a história de Iracema. • O espaço central e à esquerda é ocupado por uma imagem de figura indígena feminina, representando Iracema, personagem principal da história narrada no livro. • Na parte inferior, há a identificação da editora que pu blicou o livro. • A lombada reproduz as mesmas informações da primeira capa, exceto pelo número da edição. Os dizeres estão dispostos na verticalidade da lombada, na ordem de cima para baixo, e encerrados pelo logotipo. • No alto da quarta capa, à esquerda, aparece o conjunto de linhas onduladas, parecidas com as da primeira capa, na vertical, na cor preta. Ao lado, está pu- blicado um pequeno resumo sobre a história de Iracema e uma informação sobre o autor José de Alencar. • Na parte inferior da quarta capa, há duas imagens, superpostas, nas cores marrom e laranja. A primeira, por causa da cor marrom, pode remeter à ideia de terra. A segunda, circular, formada por traços na cor laranja, lembra um sol estilizado. Dessa forma, pela descrição acima, evidencia-se que, tanto na primeira e quarta capas, quanto na lombada, os destaques foram atribuídos ao código verbal (o nome do autor e o título) para que, de imediato, o público possa obter essas informações. Eles foram elaborados de modo a fazer com que prevalecesse a função referen cial. Essa mesma função está presente no logotipo, que identifica a editora. Pela localização e pelo tamanho desses enunciados, observa-se a presença da função fática: eles atraem o olhar do leitor, despertando a sua atenção, exata mente em direção àquelas informações. Os elementos não verbais, por sua vez, caracterizam-se como função poé tica. Eles, em contraponto à regularidade presente na formatação dos códigos verbais, provocam um efeito de estranhamento e, na primeira capa, a imagem reforça as características do personagem principal do livro. Claro que o conjunto dos enunciados presentes – na primeira capa, em es pecial – pode revelar a presença da função conativa, ou seja, há a intenção de persuadir o público, em uma livraria, a, pelo menos, tomar aquele livro em suas mãos, a folheá- -lo e, talvez, a comprá-lo. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 34LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 34 25/08/2022 15:25:5825/08/2022 15:25:58 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 35 Foi possível compreender que há quatro funções nesta mensagem, contudo delas a função predominante é referencial, uma vez que, na produção desta capa, a intenção principal foi a de informar o público de qual obra se trata e quem é o seu autor. APLICAÇÃO 1. Leia: No décimo andar de um prédio comercial, um homem aguarda o elevador. Quando este chega, o homem abre a porta, entra, aperta o botão 3. No elevador, além dele, há mais dois homens. O homem cumprimenta-os vagamente: – Boa tarde! – Boa tarde! – respondem simultaneamente os outros dois passageiros. Silêncio. Alguns segundos depois, o homem diz: – Que frio! Um dos homens responde: – É. Está insuportável. Silêncio. Após alguns segundos, o homem diz: – Vocês trabalham neste prédio? – Eu trabalho, sim. No décimo quinto. – Eu vim ao escritório da Dra. Joana. – Ah! A especialista em aposentadoria. – diz o homem. – É. É ela mesma. O elevador reduz sua velocidade e para no terceiro andar. O homem despede-se: – Até logo! – Até. – respondem os outros dois. a) Qual é a função da linguagem que predomina nos diálogos apresenta- dos na situação acima? Justifique sua resposta. b) Nos trechos que são narradas as ações dos personagens, qual é a função predominante? Justifique. a) Função fática. Ressaltar que, pelo fato de que as pessoas não se conhecem, a linguagem é utilizada com a intenção de estabelecer con- tato. Trata-se de um recurso para diminuir o constrangi- mento muito comum nessas situações. Ampliar esta noção, mostrando que, mes- mo entre pessoas muito pró- ximas, esse constrangimento ocorre quando elas estão em um mesmo ambiente. Se não houver troca de comunicação entre elas, pode indicar que o relacionamento está ruim. Assim, nesses casos, também a linguagem é utilizada como forma de manter o canal aberto. Provocar a apresenta- ção de exemplos vividos no cotidiano dos alunos. b) Função referencial. Perce- ber que os trechos narrativos têm a intenção de informar a situação em que os fatos acontecem, os personagens envolvidos e suas ações. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 35LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 35 25/08/2022 15:25:5925/08/2022 15:25:59 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 36 2. Leia a tira do cartunista Angeli: ANGELI. Folha de S. Paulo, 4 set. 2007, caderno Ilustrada. An ge li a) Qual é a função de linguagem predominante na fala do personagem? Justifi- que. b) Na construção da tira como um todo, que função da linguagem predo- mina? Justifique. 3. Leia o primeiro capítulodo romance Dom Casmurro, de Machado de Assis: Do Título Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cum- primentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem in- teiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso. – Continue, disse eu acordando. – Já acabei, murmurou ele. – São muito bonitos. Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; es- tava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcu- nhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que a� nal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bi- lhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” –”Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renania; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo.” –”Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou- -lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.” a) Função expressiva ou emotiva. Perceber que o personagem expressa seus sentimentos e suas opiniões. Ressaltar que, embora somente no � nal ocorra o uso de verbo da primeira pessoa, as expressões anteriores revelam o pensamento do personagem. b) Função poética. Neste caso, realçar que os traços elaborados por Angeli procuram despertar o senso estético do destinatário, em especial, pela intenção humo- rística da tira. Além disso, há a presença da função fática (a cor vermelha e o formato dos balões que chamam a atenção do destinatário). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 36LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 36 25/08/2022 15:25:5925/08/2022 15:25:59 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 37 a) No início do capítulo, o narrador afirma “Uma noite destas, vindo da cida- de para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu”. Identifique e explique a função da linguagem que ocorre nesse trecho. b) Depois que o apelido Dom Casmurro se espalha, o narrador diz “Nem por isso me zanguei”. Nesta afirmação, é possível identificar qual função da linguagem? Justifique sua resposta. c) Quando o narrador, dirigindo-se ao rapaz que encontrara no trem, diz “– Continue”, que função da linguagem está presente? Explique sua res- posta. d) Neste capítulo, a função metalinguística está presente em dois momen- tos. Identifique e explique cada um deles. e) Em “[...] dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.”, trecho de um dos bilhetes reproduzidos pelo narrador, que fun- ção da linguagem ocorre? Justifique. f ) Após ter analisado vários trechos do texto e ter identificado diferentes funções da linguagem, identifique qual é a função predominante neste capítulo. Explique sua resposta. 4. Traga para a sala peças de propaganda publicadas em revistas; tiras de qua- drinho e charges publicadas em jornal; letras de música brasileira e poemas de autores brasileiros. Reúna-se em grupo e leiam todos os textos trazidos. Com esse material, elaborem um painel exemplificando as funções da lin- guagem estudadas neste módulo. Afixem o painel na sala. Depois, leiam os painéis produzidos pelos outros grupos da sua sala. Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir-me fumos de � dalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor título para a minha narração – se não tiver outro daqui até ao � m do livro, vai este mes- mo. O meu poeta do trem � cará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto. MACHADO DE ASSIS, J. M. Obras completas, v. 1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. a) Função referencial. Este trecho concentra-se em passar informações ao leitor. Destacar que, embora sejam empre- gados verbos e pronomes de primeira pessoa, o emissor não emite opiniões e tampouco fala de seus sentimentos. b) Função expressiva. O emissor expressa o seu sentimento c) Função conativa. Aqui o emissor tenta per- suadir seu interlocutor a dar continuidade à leitura dos poemas. Neste caso, ressaltar que não se trata de uma or- dem, mas sim de um pedido d) Momento 1: a explicação do apelido. O emissor conta o episódio do trem para jus- ti� car o apelido pelo qual é conhecido. Mais signi� cativo ainda é o fato de que a expli- cação da palavra Casmurro não corresponde àquela encontrada em dicionários. [Neste momento, o código verbal é empregado para explicar o próprio código] Momento 2: a explicação do tí- tulo do livro. Ou seja, narrador “fala” do próprio livro quando explica a razão de seu título. O mesmo ocorre quando se dirige ao leitor (Não consultes dicionários) em que se explici- ta que o texto lido “pertence “ a um livro. e) Função poética. O uso da anáfora quando repete a ex- pressão “dou-lhe” e, ao � nal, a enumeração dos elementos oferecidos (camarote, chá e cama) em contraste com o que é negado (moça) provoca um efeito de estranhamento e de humor. f ) Função metalinguística. Deixar claro que, desde o títu- lo do capítulo, o narrador dei- xa explícita com que intenção ele foi elaborado. O uso da expressão Do, já faz isso. Reforçar, com esta questão, a noção de que, embora haja várias funções da linguagem, o que caracteriza a elabora- ção de uma mensagem é a sua intenção primordial e é esta intenção que permitirá identi� car a função de lingua- gem predominante. 4. Orientações Esta atividade pode ser plenamente realizada em sala de aula. Dessa forma, faz-se necessário veri� car os exemplos trazidos pelos alunos, acompanhando o processo de seleção e de produção do painel. Recomenda-se que sejam favorecidos os exemplos mais diversi� cados, pois � cará mais compreensível o uso das funções da linguagem e que, em um mesmo texto, podem ser encontradas várias funções e que, dentre elas, uma será predominante: aquela que revela a intenção primordial que conduziu a elaboração de um texto. Durante a exposição, propiciar momentos para que os alunos possam explicar seus trabalhos, bem como tirem dúvidas quanto à aplicação dos conceitos estudados neste módulo. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 37LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 37 25/08/2022 15:25:5925/08/2022 15:25:59 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 38 REFLEXÃO Leia: O compadre da morte Diz que era uma vez um homem que tinha tantos filhos que não achava mais quem fosse seu compadre. Nascendo mais um filhinho, saiu para procurar quem o apadrinhasse e depois de muito andar encontrou a Morte, a quem convidou. A Morte aceitou e foi a madrinha da criança. Quando acabou o batizado, voltaram para casa e a madrinha disse ao compadre: - Compadre! Quero fazer um presente ao meu afilhado e penso que é melhor enriquecer o pai. Você vai ser médico de hoje em diante e nunca errará no que disser. Quando for visitar um doente me verá sempre. Se eu estiver na cabeceira do enfermo, receite até água pura que ele ficará bom. Se eu estiver nos pés, não faça nada porque é um caso perdido. O homem assim fez. Botou aviso que era médico e ficou rico do dia para a noite porque não errava. Olhava o doente e ia logo dizendo: - Este escapa! Ou então: - Tratem do caixão dele! Quem ele tratava, ficava bom. O homem nadava em dinheiro. Vai um dia adoeceu o � lho do rei e este mandou buscar o médico, oferecendo uma riqueza pelavida do príncipe. O homem foi e viu a Morte sentada nos pés da cama. Como não queria perder a fama, resolveu enganar a comadre, e mandou que os criados virassem a cama, os pés passaram para a cabeceira e a cabeceira para os pés. A Morte, muito contrariada, foi-se embora, resmungando. O médico estava em casa um dia quando apareceu sua comadre e o convidou para visitá-la. 3 O ASSUNTO É: TEXTO NARRATIVO LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 38LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 38 25/08/2022 15:26:0125/08/2022 15:26:01 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 39 - Eu vou, disse o médico – se você jurar que voltarei! - Prometo, disse a Morte. Levou o homem num relâmpago até sua casa. Tratou-o muito bem e mostrou a casa toda. O médico viu um salão cheio de velas acesas, de todos os tamanhos, uma já se apagando, outras vivas, outras esmore- cendo. Perguntou o que era: - É a vida do homem. Cada homem tem uma vela acesa. Quando a vela se acaba, o homem morre. O médico foi perguntando pela vida dos amigos e conhecidos e vendo o estado das vidas. Até que lhe palpitou perguntar pela sua. A Morte mostrou um cotoquinho no � m. - Virgem Maria! Essa é que é a minha? Então eu estou morre-não-morre! A Morte disse: - Está com horas de vida e por isso eu trouxe você para aqui como amigo, mas você me fez jurar que voltaria e eu vou levá-lo para você morrer em casa. O médico quando deu acordo de si estava na sua cama rodeado pela família. Chamou a comadre e pediu: - Comadre, me faça o último favor. Deixe eu rezar um Padre-Nosso. Não me leves antes. Jura? LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 39LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 39 25/08/2022 15:26:0325/08/2022 15:26:03 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 40 - Juro - prometeu a Morte. - O homem começou a rezar o Padre-Nosso que estás no céu... E calou-se. Vai a Morte e diz: - Vamos, compadre, reze o resto da oração! - Nem pense nisso, comadre! Você jurou que me dava tempo de rezar o Padre- -Nosso mas eu não expliquei quanto tempo vai durar minha reza. Vai durar anos e anos... A morte foi-se embora, zangada pela sabedoria do compadre. Anos e anos depois, o médico, velhinho e engelhado, ia passeando nas suas gran- des propriedades quando reparou que os animais tinham furado a cerca e estra- gado o jardim, cheio de � ores. O homem, bem contrariado, disse: - Só queria morrer para não ver uma miséria destas!... Não fechou a boca e a Morte bateu em cima, carregando-o. A gente pode enga- nar a Morte duas vezes mas na terceira é enganado por ela. CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil, 11. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998, p. 341-342 1. Quem conta esta história? 2. O narrador participa da história? Justifique sua resposta. 3. Em que local essa história acontece? Justifique com elementos do texto e/ou também com suas impressões. 4. Quanto ao tempo, em que época você situaria esta história? Justifique com elementos do texto e/ou também com suas impressões. 5. O tempo da história segue uma cronologia linear? Justifique. 6. Quanto aos personagens da história: a) Quais os personagens que participam dessa história? b) Caracterize, fisicamente, esses personagens, com elementos do texto e/ ou com suas impressões. c) Caracterize, psicologicamente, esses personagens, com elementos do texto e/ou com suas impressões. 7. Como você descreveria as vozes do compadre e da morte? 8. Elabore, com um mínimo de 4 linhas e um máximo de 6, uma síntese desta história. Observe que a síntese é a operação do pensamento mediante a qual se che- ga a um resumo. Costuma-se dizer que ela é feita com as próprias palavras, enquanto no resumo procura-se preservar as palavras do texto de origem. 1. A história é contada por um narrador que conhece bem todos os detalhes. 2. O narrador não participa da história, é possível perceber que ele vê os acontecimentos do lado de fora. Isso � ca claro no início da narrativa: “Diz que era uma vez...” 3. O local onde a história se passa não é claramente de� nido e descrito, mas pode-se concluir que se trata de um reino, já que o narrador fala que o compadre foi procurado pelo rei quando o príncipe � cou doente. 4. Observando-se a linguagem, o modo de falar dos persona- gens, percebe-se que se trata de uma época antiga, distante no tempo. 5. A cronologia da história é li- near: começa com o nascimento do � lho e o convite para que a morte seja a madrinha; depois o compadre se tornando médico, enriquecendo e � cando famoso; o chamado do rei; mais tarde o compadre visita a casa da mor- te, descobre que sua vida está no � m e engana a comadre para viver por mais tempo; e termina anos e anos mais tarde, com o compadre velhinho sendo, � nal- mente, levado pela morte. 6. a) Os personagens que, ativa- mente, participam da história são o Compadre e a Morte. Os demais atuam como secundá- rios e interagem, em especial, com o Compadre b) A rigor, o único traço descri- tivo (ainda assim muito tênue) aparece no � nal da história (“o médico, velhinho e engelhado”). Nesse caso, explorar como cada aluno/a “cria” a imagem de cada personagem. Fundamental so- licitar que sejam justi� cadas as descrições que serão apresen- tadas (provavelmente, será pos- sível constatar que, esses traços descritivos serão estabelecidos a partir da vivência de cada pessoa. Por exemplo, a � gura do Compadre pode ser associada a algum amigo ou parente; a Morte pode ser construída com base em personagens vistos em desenhos animados (ou HQ ou � lmes). Observar que essa falta de traços descritivos é comum em narrativas que tenham a � nalidade de ressaltar o enredo (a história) como algo exemplar. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 40LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 40 25/08/2022 15:26:0325/08/2022 15:26:03 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 41 Releia o texto à medida que for escrevendo para verificar se as ideias estão claras e sequenciais. DA TEORIA À PRÁTICA No início deste módulo, você trabalhou com um texto que se denomina nar- rativo. Sua característica principal é apresentar uma sucessão de acontecimentos envolvendo personagens. Trata-se de um tipo de texto muito comum ao cotidiano de todas as pessoas. Basta que alguém diga algo como “Você nem imagina o que aconteceu comigo!” ou “Sabe o que acabei de ver?” para se seguir uma história que poderá ser muito ou pouco interessante, conforme quem a está contando ou como está contando. Assim, um texto narrativo pode ser desde um relato ou uma fofoca que se conta oralmente até um romance com mais de 300 páginas. Um poema como “Caso do Vestido”, de Carlos Drummond de Andrade, ou Os Lusíadas, de Luis de Camões, são exemplos de textos narrativos. Um filme, uma peça de teatro, uma telenovela, uma história em quadrinhos também são exemplos de textos narrativos elaborados com códigos verbais e não verbais (às vezes, um filme ou uma história em quadrinhos pode ser feita apenas com a utilização de código não verbal). Independentemente de como é produzido ou veiculado, um texto narrativo terá que apresentar, obrigatoriamente, os seguintes elementos: enredo, persona- gem, espaço, tempo e narrador. 1. Enredo Trata-se da história propriamente dita. São os acontecimentos apresentados. Quando se está fruindo um texto narrativo, é o que impulsiona o interesse por ele, saber o que aconteceu (ou acontecerá) “depois” (E depois? E depois?). Há ti- pos de narrativa em que essa “impulsão” é mais manifesta: histórias policiais, de terror, de suspense, aventuras, por exemplo. Observe com atenção o texto “Conto de mistério”, de Sérgio Porto. Conto de mistério – Stanislaw Ponte Preta Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, caminhando pelos cantos escuros, era quase impossível a qualquer pessoa que cruzasse com ele ver seu rosto. No local combinado, parou e fez o sinal que tinham já estipulado à guisa de senha. Parou debaixo do poste, acendeu umcigarro e soltou a fumaça em três baforadas compassadas. Imediatamente um sujeito mal-encarado, que se encontrava no café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda. Ou seja, pretende-se, por meio desta história, aconselhar um determinado comportamento. c) A principal característica do Compadre é a esperteza, já que enganou a morte duas vezes. Já a Morte é paciente, esperou o momento certo para driblar a esperteza do Compadre. 7. Sugere-se que, no momento de discutir esta questão, o/a aluno/a “mostre” como seriam as vozes desses personagens. Incentivar o contraste e as diversas justi� cativas, pois, à semelhança do que se orientou resposta à questão 4 b), isso evidenciará que o conhecimento de mundo do/a aluno/a é elemento fundamental na construção de sentido para o texto. 8. Para a elaboração da síntese, orientar os alunos para que leiam novamente o texto, sub- linhando as palavras e frases que fazem mais sentido, que expressam ideias que tenham mais importância. Enfatizar que devem deixar de lado o óbvio e os detalhes. Nesta atividade, o impor- tante é fazer com que seja desenvolvida a capacidade de se expressar de forma sintética. Além de fazer um exercício que requer bom domínio linguístico e de síntese, o/a aluno/a terá a oportunidade de produzir uma story line (um roteiro sintetizado em poucas linhas). É a partir da story line que os roteiristas de cinema e de TV, muitas vezes, têm seus roteiros pré-avaliados. Uma sugestão de resposta Um homem, que se conside- rava muito esperto, convida a Morte para ser madrinha de um de seus � lhos. Como presente, a Morte lhe dá a ca- pacidade de curar as pessoas. Dessa forma, o Compadre torna-se rico e poderoso. Além disso, cria estratégias para escapar das garras da Morte. Consegue, por isso, permane- cer vivo por um tempo maior que aquele que lhe havia sido destinado. Até que, um dia, o Compadre se distrai e a Morte o leva para sempre. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 41LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 41 25/08/2022 15:26:0425/08/2022 15:26:04 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 42 Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pediu um guaraná. O outro sorriu e se aproximou: Siga-me! – foi a ordem dada com voz cava. Deu apenas um gole no guaraná e saiu. O outro entrou num beco úmido e mal-iluminado e ele – a uma distância de uns dez a doze passos – entrou também. Ali parecia não haver ninguém. O silêncio era sepulcral. Mas o homem que ia na frente olhou em volta, certi� cou-se de que não havia ninguém de tocaia e bateu numa janela. Logo uma dobradiça gemeu e a porta abriu-se discretamente. Entraram os dois e deram numa sala pequena e enfumaçada onde, no centro, via-se uma mesa cheia de pequenos pacotes. Por trás dela um sujeito de barba crescida, roupas humildes e ar de agricultor parecia ter medo do que ia fazer. Não hesitou – porém – quando o homem que entrara na frente apontou para o que entrara em seguida e disse: “É este”. O que estava por trás da mesa pegou um dos pacotes e entregou ao que falara. Este passou o pacote para o outro e perguntou se trouxera o dinheiro. Um aceno de ca- beça foi a resposta. En� ou a mão no bolso, tirou um bolo de notas e entregou ao parceiro. Depois virou-se para sair. O que entrara com ele disse que � caria ali. Saiu então sozinho, caminhando rente às paredes do beco. Quando alcançou uma rua mais clara, assoviou para um táxi que passava e mandou tocar a toda pressa para determinado endereço. O motorista obedeceu e, meia hora depois, entrava em casa a berrar para a mulher: – Julieta! Ó Julieta… consegui. A mulher veio lá de dentro enxugando as mãos em um avental, a sorrir de felici- dade. O marido colocou o pacote sobre a mesa, num ar triunfal. Ela abriu o pacote e veri� cou que o marido conseguira mesmo. Ali estava: um quilo de feijão. PRETA, Stanislaw Ponte. “Conto de mistério”. In: Rosamundo e os outros. SP: Círculo do livro S/A, 1983 Nesse conto, foi possível perceber a sequência de ações que levam a um des- fecho surpreendente. 2. Personagem Se há uma história, é porque há quem nela atua. São os personagens: que podem ser semelhantes aos seres humanos (o compadre, a mãe, o pai) ou seres que assumem características humanas (animais – como nas fábulas –; objetos – por exemplo, Machado de Assis escreveu o conto “Um apólogo”, em cujo enredo objetos de costura dialogam: agulha, linha e alfinete. Em animações ou histórias em quadrinhos, isso ocorre com frequência: o filme Sing 2 é protagonizado por LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 42LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 42 25/08/2022 15:26:0425/08/2022 15:26:04 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 43 um coala e seus amigos, que agem como seres humanos, com o objetivo de alçar o sucesso musical. De acordo com cada história e o objetivo que se deseja alcançar, a construção do personagem pode ser mais simples ou mais complexa. • Personagens simples. Geralmente, a construção desse tipo de persona- gem é feita de forma estereotipada (e, até mesmo, caricata). São persona- gens que, de certo modo, agem de forma pouco ou nada surpreendente. São descritas de forma convencional e suas características psicológicas, superficiais. Por exemplo, nas histórias em quadrinhos mais comuns, há um esquema de personagens constituído pela oposição entre herói (su- per-herói, muitas vezes) e vilão (ou vilões). Outra narrativa que, frequen- temente, trabalha com personagens simples é a telenovela. No primeiro texto (“O compadre da Morte”), pode-se perceber que os personagens são simples: mais “ilustram“ a história do que a constroem, ou seja, interessa que, ao final do texto, o leitor aprenda algo ou se divirta em função do efeito que se pretende atingir com aquela história. • Personagens complexos. São personagens que fogem a uma modelização. Suas ações são mais verossímeis, ou seja, convencem, pois se comportam como se estivessem em uma situação da vida real. Por isso são surpreen- dentes já que podem revelar virtudes em algumas ocasiões e, em outras, mostrar seus defeitos. Dessa forma, os aspectos psicológicos serão muito mais acentuados, os personagens terão uma dimensão mais densa e a for- ça dramática do enredo será maior. Exemplos de personagens complexos: Capitu, do romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis e Ulisses, da epopeia grega “A Odisseia”, de Homero. Os personagens podem ser classificados, ainda, conforme o grau de partici- pação no enredo. Os mais destacados recebem a denominação de personagens principais: é nesse tipo de personagem que a história procura se concentrar. Já, em segundo plano, há os personagens secundários que, embora recebam esse nome, servem de apoio ou de contraste para os principais. Além desses persona- gens, outros com menor destaque poderão participar de um enredo para aumen- tar o efeito de realidade (verossimilhança) necessário a uma história. Pensando na função de cada personagem, há outra divisão: o protagonista – personagem que desempenha as ações mais significativas em uma história. É o que está em primeiro plano. Muitas vezes, é o herói de uma trama – sobre quem são depositadas todas as expectativas de solução dos conflitos presentes em um enredo. Outra atuação relevante em uma trama é a do antagonista: aquele que se opõe ao protagonista, criando-lhe dificuldades, tentando derrotá-lo ou prejudi- cá-lo em suas ações. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 43LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 43 25/08/2022 15:26:0425/08/2022 15:26:04 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 44 3. Espaço Diz respeito ao ambiente, ao cenário em que as ações se desenrolam. Há enre- dos em que o espaço é tão somente um cenário onde ocorrem os fatos: há pouca descrição, poucos detalhes. Em outros, no entanto, o espaço é relevante para definir o comportamento dos personagens ou a construção do próprio enredo. Em O corti- ço, de Aluísio Azevedo, afirma-seque esse espaço (cortiço) é tão significativo que é possível considerá-lo como um personagem. No filme, Um estranho no ninho, cuja trama se desenrola em um sanatório, o personagem McMurphy, interpretado pelo ator Jack Nicholson, terá sua vida alterada em função desse ambiente e dos demais personagens que vivem ou trabalham nesse sanatório. Ainda, para fins de classificação, as ações podem acontecer em espaços • Interiores (um apartamento) – por exemplo, o filme Eu sei que vou te amar, de Arnaldo Jabor. Outro bom exemplo, neste caso, é o conto “O menino”, de Lygia Fagundes Telles). • Exteriores (uma rua, um jardim, um sítio) - por exemplo, o conto “Tarde de sábado, manhã de domingo”, de José J. Veiga. • Urbanos (uma cidade). Os romances Lucíola, de José de Alencar, e Me- mórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, são exemplos de histórias em ambiente urbano do século XIX. As histórias do Homem-A- ranha ou do Batman são exemplos de ações em cenários urbanos. • Rurais (uma fazenda). O conto “Famigerado” ou o romance Grande Ser- tão: Veredas, ambos de Guimarães Rosa; nos quadrinhos, as historinhas do Chico Bento, personagem criado por Maurício de Sousa. • Contemporâneos (escolha de cenários e de um tempo quase simultâneo à produção e à veiculação da história) por exemplo, o filme Central do Brasil, protagonizado por Fernanda Montenegro, que conta a emocionan- te história da professora Dora que escreve cartas para analfabetos na Es- tação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. • Históricos (época antiga ou atual). O romance A muralha, de Dinah Sil- veira Queiroz, escrito e publicado em 1954, cuja trama mostrava a cidade de São Paulo no século XVII. Na televisão, Maria Adelaide Amaral adap- tou esse romance histórico na minissérie A muralha, exibida pela Globo, no ano 2000. • Concretos (um ônibus ou trem, por exemplo). A história do conto “Apó- logo brasileiro sem véu de alegoria”, de Antonio Alcântara Machado pas- sa-se quase toda num trem lotado. • Imaginários (lugares fantásticos). Um bom exemplo é a longa sequência de Guerra nas estrelas, criada por George Lucas, cuja trama ocorre em um LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 44LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 44 25/08/2022 15:26:0425/08/2022 15:26:04 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 45 futuro distante. No romance brasileiro, Ignácio de Loyola Brandão, em Não verás país nenhum, imagina um futuro nada agradável para o Brasil. Há também exemplos mais fantásticos, como os apresentados por Lewis Carroll, em Alice no país das maravilhas. • Deve-se ressaltar que, em uma mesma narrativa, diferentes tipos de es- paço podem estar presentes simultaneamente: no romance A muralha, há o espaço histórico – ambiente do século XVII; concreto – os lugares são apresentados conforme se apresentavam naquela época; alternam-se ambientes urbanos (a cidade de São Paulo) e rurais (nos embates entre bandeirantes e índios), assim como ambientes internos e externos. 4. Tempo Corresponde ao quando das ocorrências de fatos em um enredo. Há duas formas de o tempo estar registrado em uma narrativa: • Cronológico: é o tempo objetivo. Pode ser marcado pelo relógio, pelo ca- lendário ou pelo ritmo natural – noite, dia; primavera, outono. No texto “O compadre da Morte”, coletado por Câmara Cascudo, o tempo é cronológico e seu fluxo é linear (começa no momento em que o homem procura uma ma- drinha para seu filho e se encerra com a morte desse mesmo homem agora já velho). Há narrativas, contudo, que podem apresentar tempo cronológico em um fluxo não-linear (canto III, de Os Lusíadas, de Camões, quando se conta a história de Inês de Castro, assassinada em 1355, ocorre uma interrupção na linearidade – a viagem de Vasco da Gama, em 1498). • Psicológico: é o tempo subjetivo. Ocorre internamente em um persona- gem e é marcado por seus sentimentos, suas emoções, pelas sensações. Não é possível medi-lo matematicamente, somente é possível perceber sua intensidade. Exemplos relevantes desse tipo de tempo podem ser en- contrados em muitos textos de Clarice Lispector, tais como os romances A paixão segundo G. H. e Água Viva. Um exemplo de construção de texto em que os tempos ocorrem de forma cruzada pode ser visto na peça Vestido de noiva, de Nélson Rodrigues, escrita em 1943 e que teve sua primeira montagem nesse mesmo ano. Há o tempo crono- lógico linear que corresponde ao atropelamento da personagem Alaíde e todas as ações que decorrem a partir desse fato. No hospital, enquanto os médicos lhe prestam socorro, vão sendo apresentadas cenas que ora revelam o delírio (tempo psicológico) de Alaíde, ora mostram suas lembranças (tempo cronológico não- -linear). Quando de sua exibição no teatro, o espectador vê o palco dividido em três planos diferentes (realidade, alucinação e memória). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 45LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 45 25/08/2022 15:26:0425/08/2022 15:26:04 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 46 5. Narrador É quem apresenta o enredo. É o narrador que define o ponto de vista pelo qual o receptor tomará contato com a história. A rigor, há duas formas para se contar uma história: em terceira ou em primeira pessoa. Porém, dentro desses dois tipos, há distinções significativas. Narrador em terceira pessoa: onisciente Onisciente – é do tipo “sabe-tudo”. Trata-se de um narrador que tem total domínio da situação e escolhe o quê e como apresentará a história. Às vezes, pode ser mais intruso, opina, dialoga com o receptor. Outras vezes, fica mais à distân- cia, parecendo apenas registrar as cenas e transmitindo-as ao receptor. Observe como no trecho do capítulo XXV, do romance O crime do padre Amaro, de Eça de Queiroz, o narrador apresenta com detalhes as reações das pessoas, os seus movimentos, o que dizem (ou pensam). Ou seja, esse narrador “sabe tudo” e seleciona os detalhes que deseja mostrar ao leitor. Nos � ns de maio de 1871 havia grande alvoroço na Casa Havanesa, ao Chiado, em Lisboa. Pessoas esbaforidas chegavam, rompiam pelos grupos que atulhavam a porta, e alçando-se em bicos de pés esticavam o pescoço, por entre a massa dos chapéus, para a grade do balcão, onde numa tabuleta suspensa se colavam os telegramas da Agência Havas; sujeitos de faces espantadas saíam consternados, exclamando logo para algum amigo mais pacato que os esperava fora: – Tudo perdido! Tudo a arder! Dentro, na multidão de grulhas que se apertava contra o balcão, questionava-se forte; e pelo passeio, no Largo do Loreto, defronte ao pé do estanco, pelo Chiado até ao Magalhães, era, por aquele dia já quente do começo de verão, toda uma gralhada de vozes impressionadas, onde as palavras – Comunistas! Versailles! Pe- troleiros! Thiers! Crime! Internaciona! – voltavam a cada momento, lançadas com furor, entre o ruído das tipoias e os pregões dos garotos gritando suplementos. Com efeito, a cada hora, chegavam telegramas anunciando os episódios sucessi- vos da insurreição batalhando nas ruas de Paris: telegramas despedidos de Versail- les num terror dizendo os palácios que ardiam, as ruas que se aluíam; fuzilamentos em massa nos pátios dos quartéis e entre os mausoléus dos cemitérios; a vingan- LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 46LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 46 25/08/2022 15:26:0525/08/2022 15:26:05 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 47 ça que ia saciar-se até à escuridão dos esgotos; a fatal demência que desvairava as fardas e as blusas; e a resistência que tinha o furor de uma agonia com os métodos de uma ciência, e fazia saltar uma velha sociedade pelo petróleo, pela dinamite e pela nitroglicerina! Uma convulsão, um � m do mundo – que vinte, trinta palavras de repente mostravam, num relance, a um clarão de fogueira. O Chiado lamentava com indignação aquela ruína de Paris. Recordavam-se com exclamações os edifícios ardidos, o Hôtel de Ville, “tão bonito”, a Rue Royale, “aquela riqueza”. Havia indivíduostão furiosos com o incêndio das Tulherias como se fosse uma propriedade sua; os que tinham estado em Paris um ou dois meses abriam- -se em invectivas, arrogando-se uma participação de parisienses na riqueza da cidade, escandalizados por a insurreição não ter respeitado os monumentos em que eles tinham posto os seus olhos. – Vejam vocês! – exclamava um sujeito gordo. – O palácio da Legião de Honra destruído! Ainda não há um mês que eu lá estive com minha mulher... Que infâmia! Que patifaria! Mas espalhara-se que o ministério recebera outro telegrama mais desolador: toda a linha do boulevard da Bastilha à Madalena ardia, e ainda a Praça da Concórdia, e as avenidas dos Campos Elísios até ao Arco do Triunfo. E assim tinha a revolta arrasado, numa demência, todo aquele sistema de restaurantes, cafés-concerto, bailes públicos, casas de jogo e ninhos de prostitutas! Então houve por todo o Largo do Loreto até ao Magalhães um estremecimento de furor. Tinham pois as chamas aniquilado aquela centralização tão cômoda da patuscada! Oh! que in- fâmia! O mundo acabava! [...] Que abominação! Esqueciam-se as bibliotecas e os museus: mas a saudade era sincera pela destruição dos cafés e pelo incêndio dos lupanares. Era o � m de Paris, era o � m da França! QUEIROZ, Eça de. O crime do padre Amaro. Rio de Janeiro: Ediouro, s/d.p.385-386. Coleção Clássicos Portugueses. (Fragmento) O foco narrativo em terceira pessoa é empregado não somente em obras lite- rárias, como também em filmes, seriados, telenovelas e em histórias em quadri- nhos. Aliás, nestes dois tipos de narração, é utilizado com muita frequência. Em um filme, preste atenção e verifique como a câmera, captando as imagens que lhes são mostradas, desempenha esse papel de narrador (claro que seguindo as determinações do roteiro bem como as do diretor). Na sequência abaixo, retirada do filme Viagem à Lua, dirigido por Georges Méliès, é possível notar que as imagens vistas pelo espectador foram captadas pela câmera e selecionadas pelo olhar do narrador. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 47LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 47 25/08/2022 15:26:0525/08/2022 15:26:05 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 48 Gr an ge r/F ot oa re na Considerado o primeiro filme de ficção científica, a obra Viagem à Lua foi lançado na França, no ano de 1902. A produção francesa foi inspirada em dois romances populares de sua época: Da Terra à Lua, de Julio Verne, e Os Primeiros Homens na Lua, de H. G. Wells. O filme teve roteiro e direção de Georges Méliès, com assistência de seu irmão Gaston Méliès. O filme foi sucesso de público em sua época e foi, provavelmente, além de ser o primeiro filme de ficção científica, o pioneiro sobre seres alienígenas. Uma de suas famosas cenas é a imagem de um foguete no olho do rosto na Lua. Nas histórias em quadrinhos, esse tipo de narrador apresenta-se: em textos verbais, colocados, geralmente, na parte superior. Uma outra manifestação do narrador que aparece mais frequentemente é semelhante à da câmera cinemato- gráfica: o quadrinho mostra o enquadramento da cena, sugere o deslocamento dos personagens. Já, nos balõezinhos, registram-se os diálogos e, em algumas vezes, o pensamento ou a memória do personagem. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 48LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 48 25/08/2022 15:26:0725/08/2022 15:26:07 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 49 Veja, na imagem abaixo, um exemplo de narrador de terceira pessoa onis- ciente, em uma história em quadrinhos. In: https://plenarinho.leg.br/index.php/2018/01/turma-do-plenarinho- jovem/. Página 2. Consulta realizada no dia 27 de abril de 2022. Pl en ar in ho /C âm ar a do s De pu ta do s - pl en ar in ho .le g. br LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 49LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 49 25/08/2022 15:26:0725/08/2022 15:26:07 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 50 Narrador em terceira pessoa – fixado em um personagem Este é o tipo de narrador que restringe sua onisciência a um personagem, fixando-se a ele e sabendo tudo dele e sobre ele. Nesse tipo de narração, o recep- tor toma conhecimento somente do que diz respeito àquele personagem e ao que ocorre nos ambientes em que ele está presente. No conto “O menino”, de Lygia Fagundes Telles, é esse o tipo narrador. Ob- serve, no trecho transcrito a seguir, que o leitor tem uma visão da história, exclu- sivamente, a partir do foco concentrado no menino. O menino Sentou-se num tamborete, � ncou os cotovelos nos joelhos, apoiou o queixo nas mãos e � cou olhando para a mãe. Agora ela escovava os cabelos muito louros e curtos, puxando-os pra trás. E os anéis se estendiam molemente para em segui- da voltarem à posição anterior, formando uma coroa de caracóis sobre a testa. Deixou a escova, apanhou um frasco de perfume, molhou as pontas dos dedos, passou-os nos lóbulos das orelhas, no vértice do decote e em seguida umedeceu um lencinho de rendas. Através do espelho, olhou para o menino. Sorriu. Ele sorriu também, era linda, linda, linda! Em todo o bairro não havia uma moça linda assim. – Quantos anos você tem, mamãe? – Ah, que pergunta! ... Acho que trinta ou trinta e um, por aí, meu amor, por aí... Quer se perfumar também? – Homem não bota perfume. – Homem, homem,,, – Ela inclinou-se para beijá-lo. – Você é um nenenzinho, ou- viu bem? É o meu nenenzinho. O menino afundou a cabeça no colo perfumado. Quando não havia ninguém olhando, achava maravilhoso ser afagado como uma criancinha. Mas era preciso mesmo que não houvesse ninguém por perto. – Agora vamos, a sessão começa às oito – avisou ela, retocando apressadamente os lábios. O menino deu um grito, montou no corrimão da escada e foi esperá-la embaixo. Da porta, ouviu-a dizer à empregada que avisasse ao doutor que tinham ido ao cinema. TELLES, Lygia Fagundes. O menino. In MONTEIRO, Leonardo (et al.). Lygia Fagundes Telles. São Paulo: Abril Educação, 1980, p. 63 Coleção Literatura Comentada. (Fragmento) Em narrativas televisivas ou cinematográficas, esse tipo de narrador também pode ser utilizado, mas, raramente, em toda a narração O uso desse tipo de nar- ração denomina-se câmera subjetiva, exatamente porque o espectador vê a cena LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 50LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 50 25/08/2022 15:26:0725/08/2022 15:26:07 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 51 com os olhos do personagem. Observe, geralmente em momentos de suspense, de mistério, de filmes ou telenovelas, que há cenas “mostradas” como se a câmera estivesse presa nos olhos de um personagem. Narrador em primeira pessoa – personagem principal Este é o tipo de narrador mais comum no cotidiano das pessoas: cada vez que alguém conta um fato que vivenciou, está utilizando a narração em primeira pessoa. Neste caso, o receptor recebe a história por meio do olhar, dos pensamentos, dos sen- timentos, das opiniões do personagem central. A escolha por esse tipo de narrador faz com que as ações do protagonista fiquem mais próximas, podem até parecer mais verossímeis, porém limitadas à linguagem, à visão e à compreensão dele. Um exemplo de personagem principal narrando sua própria história aparece no texto “No retiro da figueira”, de Moacyr Scliar. Observe alguns trechos. No retiro da Figueira Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era ma- ravilhoso. Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos últimos locais – dizia o anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verda- de: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa � gueira que dava nome ao con- domínio: Retiro da Figueira. [...] Não fomos os primeiros a comprar casano Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre nossa primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta residências já tinha sido vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa, pro� ssionais libe- rais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se decidido pelo lugar por causa da segurança. Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quan- tidade limitada de pessoas. Na minha � rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores – e viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito bom. Bom demais. [...] Moacyr Scliar. Os melhores contos de Moacyr Scliar. São Paulo, Global, 2000. (Fragmentos) LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 51LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 51 25/08/2022 15:26:0825/08/2022 15:26:08 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 52 Exemplo interessante fora da literatura é o do videogame. Quase sempre, o jo- gador assume um personagem e joga como ele: decide as ações que deve tomar e os caminhos a seguir. Nesses jogos, então, deve-se entender que a história é construí- da em tempo real (a hora em que se está jogando) por meio da interação entre o jogador (personagem principal – que manipula os controles) e o “jogo” (software). Tudo isso propiciado por um instrumento eletrônico (videogame ou computador). Narrador em primeira pessoa – personagem secundário A narrativa que apresenta um personagem secundário como narrador, além de possuir grande subjetividade, semelhante àquela encontrada quando persona- gem central narra, limitará ainda mais a visão da história. O receptor saberá das ações somente nos momentos em que o personagem secundário estiver presente nelas ou quando algum outro personagem lhe contar algo. Exemplo desse tipo de narrador pode ser visto nas histórias policiais criadas por Arthur Conan Doyle que têm o detetive Sherlock Holmes como protagonis- ta. Nesses enredos, a narração fica a cargo do Dr. Watson (assistente de Sherlock). Veja abaixo dois pequenos trechos do “O cão dos Baskerville” e observe a narra- ção do personagem Watson. Trecho 1 “MR. SHERLOCK HOLMES, que costumava se levantar muito tarde de manhã, exceto na- quelas não raras ocasiões em que passava a noite em claro, estava sentado à mesa do desjejum. Postei-me no tapetinho junto à lareira e peguei a bengala que nosso visitante esquecera ali na noite anterior. Era uma bela e grossa peça de madeira, de castão bul- boso, do tipo conhecido como Penang lawyer. Logo abaixo do castão havia uma larga faixa de prata, de cerca de dois centímetros e meio. Nela estava gravado: “Para James Mortimer, M.R.C.S., de seus amigos do C.C.H.”, com a data “1884”. Era exatamente o tipo de bengala que um médico de família antiquado usaria — digna, sólida e tranquilizadora.” Trecho 2 “A aparência do nosso visitante foi uma surpresa para mim, já que esperava um típico médico rural. Era um homem bem alto e magro; um nariz comprido e adunco projeta- va-se entre dois penetrantes olhos cinza, muito juntos, que brilhavam detrás de um par de óculos com aro de ouro. Vestia-se de maneira pro� ssional, mas um tanto desmaze- lada, pois sua sobrecasaca estava encardida e as calças, puídas. Embora jovem, tinha as longas costas encurvadas e caminhava espichando a cabeça para a frente, com um ar geral de perscrutadora benevolência. Quando entrou, deu com os olhos na bengala na mão de Holmes e correu para ela com uma exclamação de alegria.” DOYLE, Arthur Conan. O cão dos Bakersville. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro. Editora Zahar. 2013, (Fragmentos) LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 52LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 52 25/08/2022 15:26:0825/08/2022 15:26:08 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 53 APLICAÇÃO 1. Apresentam-se, abaixo, alguns resumos de narrativas famosas. Tente identificar a que obra cada um deles se refere e a sua auto- ria. Observação: pode ser livro, filme, história em quadrinhos etc. a) Dois jovens se apaixonam, porém suas famílias, que não mantêm rela- ções amistosas, vivem em litígio constante. Com a ajuda de um religioso, eles conseguem se aproximar. Porém, a história terá um final trágico. b) Um cientista é contaminado por substância radioativa quando tenta salvar um jovem que se encontrava na área em que se realizava uma experiência científica. Posteriormente, como consequência dessa conta- minação, todas as vezes em que ele fica irritado ou estressado, seu corpo se agiganta e fica verde. c) Poderoso governante descobre a traição de sua mulher. Inconformado, ele a condena à morte. Depois, pede a um auxiliar que encontre uma mulher para desposar. Entretanto, após a primeira noite de núpcias, ele manda matar a sua esposa. Segue-se um ritual em que, sucessivamente, novas esposas são encontradas e mortas. Até que uma jovem desen- volve uma estratégia, conseguindo fazer com que o governante não a mate. Por mais mil noites, ela repete a mesma e bem-sucedida estraté- gia. Finalmente, governante se convence de que pode voltar a confiar nas mulheres. d) Um rapaz, ainda no Ensino Médio, conhece garota mais velha, que cursa Medicina. Eles têm hábitos e gostos bem diferentes, mas, apesar disso, apaixonam-se, casam-se, vão morar na capital do país e têm um filho. e) Agente secreto deixa o MI6 e se muda para a Jamaica, mas um antigo amigo aparece e pede sua ajuda para encontrar um cientista desapa- recido. Assim, ele mergulha e percebe que a busca é, na verdade, uma corrida para salvar o mundo. 2. Escolha um desses resumos e elabore um pequeno texto narrativo. Mesmo que você conheça a história original, procure desenvolver o enredo de forma diferente e inusitada. 3. Na página 28, do livro O roteirista profissional – televisão e cinema (Editora Áti- ca, 1989), Marcos Rey propõe um exercício para a construção de um perso- nagem. É com base nele que você irá realizar esta atividade. Primeiro, reúna-se em grupo, que vai definir um personagem que será o protagonista de uma história. 1. Nestas questões, fazer com que o/a aluno/a compreenda que as narrativas podem ser realizadas em diferentes formatos e com a utilização de diferentes tipos de linguagem. a) Obra: Romeu e Julieta – Autoria: William Shakespeare [Neste caso, observar que, além de peça teatral, Romeu e Julieta foi adaptada muitas vezes para o cinema b) Obra: O incrível Hulk – Auto- ria: Stan Lee [Destacar que Stan Lee é o roteirista e não o dese- nhista. Característica comum nas histórias em quadrinhos é um mesmo personagem ser representado com sensíveis di- ferenças, porque nem sempre é o mesmo ilustrador quem desenha o personagem. Fato semelhante (e mais facilmente observável) ao que ocorre nas representações teatrais, de TV ou de cinema quando diferen- tes atores/atrizes representam o mesmo personagem c) Obra: As mil e uma noites – Autoria: Vários autores (Trata- se, a rigor, de uma grande compilação de narrativas orais tradicionais, do mundo árabe. Entende-se que é a história de Sherazade que amarra as di- versas histórias que compõem As mil e uma noites) d) Obra: Eduardo e Mônica – Autoria: Renato Russo (Legião Urbana) [Trata-se de uma letra de música de muito sucesso nos 1990. Provocar para que sejam lembradas outras letras]. e) Obra: 077 sem tempo para morrer, protagonizado por Daniel Crieg, lançado em 30 de setembro de 2021, sob a dire- çao de Carry Joji Fukunaga. Sugerir que este � lme seja visto e discutido em sala) Ob- servação: Após a apresentação e a discussão destas respostas, sugere-se que o/a aluno/a seja incentivado/ a a apresentar narrativas elaboradas em formatos diferentes (TV, foto- novela, blogs narrativos etc.). 2. Ressaltar que, mais do que simplesmente desenvolver a história, espera-se que a criatividade seja um dos pontosaltos desta atividade (tanto em relação às soluções de enredo quanto à estrutura e à linguagem da narrativa). Utilizar essas produções para trabalhar os conteúdos estudados neste fascículo, de modo a fazer com que � quem com- preensíveis os elementos que estruturam uma narrativa. Sugestão: solicitar que a sala selecione as produções mais expressivas que, após uma boa revisão, podem compor um pequeno livro (ou um blog), com ilustrações elaboradas pelos/as alunos/as da sala. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 53LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 53 25/08/2022 15:26:0825/08/2022 15:26:08 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 54 a) Ele (ou ela) tem nome? Qual? b) Quantos anos tem? c) Quais são suas características físicas? Agora, definido o personagem, submeta-o a uma entrevista, seguindo o ro- teiro reproduzido abaixo. a) Onde você nasceu? Descreva alguns detalhes desse lugar. b) A história acontece nesse local em que você nasceu? Ou você está de passagem por esta cidade? c) Qual é a sua profissão? Gosta dela? d) Você concluiu algum curso? Qual é a sua escolaridade? e) Você segue alguma religião? Qual? f ) Você é uma pessoa agitada ou calma? Qual é seu temperamento? Sem- pre se comporta do mesmo modo? g) Fale um pouco sobre sua família. Como você se relaciona com ela? h) Fale sobre sua infância. Há algum fato marcante? i) E como foi sua juventude? Há algo marcante nesse período de sua vida? j) Já viveu um grande amor? Marcou sua vida? k) Tem algum ideal político? Qual? Participa de algum grupo político? Qual? l) O que pretende da vida: a curto prazo: a médio prazo a longo prazo: m) Tem muitos amigos ou é pessoa solitária? n) Gosta de se vestir bem ou é pessoa desleixada? o) Do que você mais gosta? p) E o que odeia? q) Você tem algum (ou alguns) vício(s)? r) Você pratica esportes? Quais? s) Como anda sua vida financeira? t) Por fim, faça uma confissão. Conte algo que você não contaria a nin- guém. Aqui você pode se abrir. Agora os grupos irão trocar as entrevistas. Com base na entrevista que seu grupo recebeu, desenvolvam uma história em que as características do per- sonagem serão utilizadas para dar vida ao enredo. 3 e 4. Embora a atividade seja longa, espera-se que seja total- mente desenvolvida em uma única etapa, pois, dessa forma, o trabalho não � cará disperso. Orientar para que as respostas sejam breves e rápidas (o ideal é que sejam espontâneas). O grupo pode de� nir um relator – que � cará responsável pelo registro das respostas – e um ilustrador – que, a partir de algumas respostas, poderá es- boçar traços do personagem, � gurinos, cenários etc. Após as apresentações das res- postas, promover uma discus- são para que sejam avaliadas as di� culdades encontradas, por que elas ocorreram e como poderão ser superadas em outras oportunidades. Como se trata de uma ativi- dade em grupo, acompanhar a produção de forma a que todos dela participem ativa- mente, de modo a valorizar a colaboração entre os partici- pantes do grupo. Sugere-se que cada grupo apresente sua produção de forma original (por exemplo, ilustrada por meio de colagens; além de escrita que tenha uma versão em áudio). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 54LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 54 25/08/2022 15:26:0825/08/2022 15:26:08 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 55 4. Responda às questões a seguir aplicando os conceitos estudados. a) Que tipo de narrador foi utilizado na história criada por seu grupo? b) Caracterize os elementos espaciais presentes nela. c) Caracterize o tempo na narrativa criada por vocês. d) Classifique o(s) personagem(ns) presente(s) nessa história. PRODUÇÃO DE TEXTO Orientações gerais Você tem abaixo várias atividades. Escolha e desenvolva uma delas. Verifique que, para algumas delas, é recomendável ser trabalhada individualmente. Outras são mais indicadas para pequenos grupos. E, por fim, aquelas que serão mais bem elaboradas por grupos maiores. O melhor é que você escolha fazer algo de que goste e que, por isso, poderá realizá-la com maior qualidade. 1. Escolha um texto narrativo (pode ser conto, poema narrativo, filme etc.) e reescreva-o de diferentes formas (alterando o foco narrativo; mudando final; alterando o tempo – por exemplo, fazer a ação acontecer no século XXII). Ao final, edite seu trabalho no formato de um pequeno livro. 2. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de história em quadrinhos. 3. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de radio- teatro. 4. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de filme de pequena duração (de 1 a 5 minutos). 5. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de peque- na peça de teatro (com duração máxima de 10 minutos). Sobre o trabalho de produção de textos: Por se tratar de uma atividade de elaboração detalhada e demorada, reco- menda-se que comece a ser preparada com antecedência. Conversar com cada aluno/a para veri� car sua potenciali- dade e interesse para, desse modo, auxiliá-lo/a a escolher a proposta mais adequada e, assim, desenvolvê-la com mais facilidade e maior qualidade. A intenção é provocar re� e- xões e ações que levem o/a aluno/a a produzir narrativas em diferentes formatos e a ex- plorar recursos de linguagem de maneira criativa e e� ciente. Estimular o/a aluno/a a encarar esta proposta de forma ousada – em que o como fazer deve ter prioridade sobre o que contar. Ou seja, evidenciar que, neste momento, a função poé- tica deve predominar sobre as demais. Sugestão: promover uma se- mana de exposição dos traba- lhos realizados para que sejam apreciados e avaliados por alunos/alunas de outras salas e de outras séries, bem como professores/as e funcionários/ as da Unidade de Ensino. Essa exposição pode adquirir maior amplitude, estendendo o convite a familiares e amigos/ as dos/das alunos/as. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 55LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 55 25/08/2022 15:26:0925/08/2022 15:26:09 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 56 REFLEXÃO Leia o texto e responda às questões. Sobre o amor, etc. Dizem que o mundo está cada dia menor. É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais. Na verdade há amigos espalhados pelo mundo. Antigamente era fácil pensar que a vida era algo de muito móvel, e oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos contentes achando que um belo dia estaríamos todos reunidos em volta de uma farta mesa e nos abraçaríamos e muitos se poriam a cantar e a beber e então tudo seria bom. Agora começamos a aprender o que há de irremissível nas separações. Agora sabemos que jamais voltaremos a estar juntos; pois quando estivermos juntos perceberemos que já somos outros e estamos separados pelo tempo perdido na distância. Cada um de nós terá incorporado a si mesmo o tempo na ausência. Poderemos falar, falar, para nos cor- respondermos por cima dessa muralha dupla; mas não estaremos juntos; seremos duas outras pessoas, talvez por este motivo, melancólicas; talvez nem isso. Chamem de louco e tolo ao apaixonado que sente ciúmes quando ouve sua ama- da dizer que na véspera de tarde o céu estava uma coisa lindíssima, com mil pe- quenas nuvens de leve púrpura sobre um azul de sonho. Se ela diz “nunca vi um céu tão bonito assim” estará dando, certamente, sua impressão de momento; há centenas de céus extraordinários e esquecemos da maneira mais torpe os mais fantásticos crepúsculos que nos emocionaram. Ele porém, na véspera, estava den- tro de uma sala qualquer e não viu céu nenhum. Se acaso tivesse chegado à janela e visto, agora seria feliz em saber que em outro ponto da cidade ela também vira. Mas isso não aconteceu, e ele tem ciúmes. Cita outros crepúsculos e mal esconde sua mágoa daquele. Sente que sua amada foi infiel;ela incorporou a si mesma alguma coisa nova que ele não viveu. Será um louco apenas na medida em que o amor é loucura. 4 O ASSUNTO É: CRÔNICA LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 56LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 56 25/08/2022 15:26:1025/08/2022 15:26:10 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 57 Mas terá toda razão, essa feroz razão furiosamente lógica do amor. Nossa amada deve estar conosco solidária perante a nuvem. Por isso indagamos com tão minu- cioso fervor sobre a semana de ausência. Sabemos que aqueles 7 dias de distância são 7 inimigos: queremos analisá-los até o fundo, para destruí-los. Não nego razão aos que dizem que cada um deve respirar um pouco, e fazer sua pequena fuga, ainda que seja apenas ler um romance diferente ou ver um filme que o outro amado não verá. Tem razão; mas não tem paixão. São espertos porque assim procuram adaptar o amor à vida de cada um, e fazê-lo sadio, confortável e melhor, mais prazenteiro e liberal. Para resumir: querem (muito avisadamente, é certo) suprimir o amor. Isso é bom. Também suprimimos a amizade. É horrível levar as coisas a fundo: a vida é de sua própria natureza leviana e tonta. O amigo que procura manter suas amizades distantes e manda longas cartas sentimentais tem sempre um ar de náufrago fazendo um apelo. Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo e do espaço, entre as ondas de coisas e sentimentos de todo dia. Sentimos per- feitamente isso quando a saudade da amada nos corrói, pois então sentimos que nosso gesto mais simples encerra uma traição. A bela criança que vemos correr ao sol não nos dá um prazer puro; a criança devia correr ao sol, mas Joana devia estar aqui para vê-la, ao nosso lado. Bem; mais tarde contaremos a Joana que fazia sol e vimos uma criança tão engraçada e linda que corria entre os canteiros querendo pegar uma borboleta com a mão. Mas não estaremos incorporando a criança à vida de Joana; estaremos apenas lhe entregando morto o corpinho do traidor, para que Joana nos perdoe. Assim somos na paixão do amor, absurdos e tristes. Por isso nos sentimos tão felizes e livres quando deixamos de amar. Que maravilha, que liberdade sadia em poder viver a vida por nossa conta! Só quem amou muito pode sentir essa doce felicidade gratuita que faz de cada sensação nova um prazer pessoal e virgem do qual não devemos dar contas a ninguém que more no fundo de nosso peito. Sentimo-nos fortes, sólidos e tranquilos. Até que começamos a desconfiar de que estamos sozinhos e ao abandono trancados do lado de fora da vida. Assim o amigo que volta de longe vem rico de muitas coisas e sua conversa é prodigiosa de riqueza; nós também despejamos nosso saco de emoções e novi- dades; mas para um sentir a mão do outro precisam se agarrar ambos a qualquer velha besteira: você se lembra daquela tarde em que tomamos cachaça num café que tinha naquela rua e estava lá uma loura que dizia, etc., etc. Então já não se trata mais de amizade, porém de necrológio. Sentimos perfeitamente que estamos falando de dois outros sujeitos, que por si- nal já faleceram - e eram nós. No amor isso é mais pungente. De onde concluireis comigo que o melhor é não amar; porém aqui, para dar fim a tanta amarga tolice, aqui e ora vos direi a frase antiga: que melhor é não viver. No que não convém pensar muito, pois a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se vai, e finda. BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. São Paulo: Círculo do Livro, 1977. p.115. (Fragmento) LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 57LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 57 25/08/2022 15:26:1225/08/2022 15:26:12 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 58 1. Rubem Braga, em seu texto, discorre sobre dois tipos de distância. a) Caracterize esses dois tipos de distância. b) Dessas duas formas de distância, qual delas é enfatizada pelo autor? Jus- tifique. 2. Por que, para o autor, depois de ficar distante de outras pessoas, será impos- sível estar junto delas novamente? 3. Nos quarto e quinto parágrafos, para justificar seus argumentos, o autor apre- senta uma situação envolvendo um casal. a) Por que motivo o homem teria ciúmes de sua amada? b) Como o autor justifica o fato de o homem sentir que sua amada teria sido infiel? c) Mais adiante no texto, o autor apresenta um exemplo semelhante. Sinte- tize-o em poucas linhas. 4. Conforme o texto, quais seriam as vantagens de se suprimir o amor nas rela- ções amorosas? 5. Como o autor justifica a ideia de que se deve suprimir a amizade nas relações entre amigos? 6. De acordo com o texto, pode-se dizer que, quando alguém deixa de amar, será uma pessoa definitivamente feliz e livre? 7. Por fim, a que conclusões o autor chega? 8. E essas conclusões apontam para uma solução aos problemas apontados ao longo do texto? 9. Depois de ter lido e trabalhado com o texto, como você compreende o título “Sobre o amor, etc.” que o autor deu a esta crônica? Justifique sua resposta com elementos do texto. 10. Considerando que este texto foi escrito e publicado há mais de sessenta anos, você entende que ele se mantém atual? Justifique sua resposta. DA TEORIA À PRÁTICA Você trabalhou anteriormente com um tipo de texto que se denomina crônica. Trata-se de uma produção textual publicada, geralmente, em jornais e revistas. O autor de uma crônica não trabalha com um assunto pré-definido, ou seja, tem total liberdade temática para desenvolver seu texto. Há também liberdade total quanto à modalidade: pode ser dissertativa (expressar opiniões, defender uma ideia) ou narrativa (contar pequenas histórias). Porém, o espaço de que dis- põe, no jornal ou na revista, é definido previamente – sua coluna, quase sempre, é publicada no mesmo local – diária ou semanalmente. Por estas duas caracte- rísticas, a crônica constitui um tipo de texto que tanto dialoga com a linguagem literária quanto com a jornalística. 1. a) Logo, no início, Rubem Braga fala da distância física, a� rmando que o mundo está cada vez menor. Além disso, fala das separações físicas – pessoas que vão viver em outros locais distanciando-se de parentes e de amigos. Em seguida, fala da distância sentimental, que é marcada pelo tempo em que as pes- soas � cam distantes umas das outras. Esse distanciamento físico provoca alterações nas pessoas e, por isso, mesmo quando estiverem reunidas, jamais estarão juntas, pois se- rão outras pessoas. Segundo o autor, esse sentimento torna as pessoas melancólicas. b) A distância sentimental. Praticamente a crônica inteira desenvolve-se em torno desse sentimento. Nesse caso, obser- var como o/a aluno/a recolhe, na própria crônica, elementos que possam corroborar sua resposta. 2. Porque as separações provocam mudanças nas pessoas. Entende-se que elas se relacionarão com outras pessoas, vivenciarão situações diferentes e, inevitavelmente, passarão por transformações (novos valores, novas crenças, novas atitudes). No texto, há uma frase que resume bem essa impossibilidade: “Cada um de nós terá incorporado a si mesmo o tempo na ausência”. 3. a) Ele teria ciúmes exa- tamente porque a amada pôde vivenciar um momento de encantamento sem que ele estivesse com ela. Até a maneira como ela lhe falaria da visão do crepúsculo (“nunca vi um céu tão bonito assim”) daria motivo para que ele se sentisse enciumado. Observar que o autor a� rma que, caso ele, ainda que em outro local, também tivesse visto aquele crepúsculo, � caria feliz, pois poderia compartilhar com a amada aquele momento. Sugestão: Após estas respostas, perguntar se alguém da sala já vivenciou sentimentos semelhantes a esses aponta- dos no texto. Discutir em que medida isso provoca abalos nas relações entre as pessoas. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 58LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 58 25/08/2022 15:26:1225/08/2022 15:26:12 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 59 1. Crônica e literatura As liberdades temática e textual fazem com que o cronista possautilizar uma linguagem que, sem ser rebuscada, se aproxime da literatura. Assim, o texto pode enveredar por uma abordagem mais lírica – em que a subjetividade fica mais à mostra – ou por uma abordagem mais humorística – de modo que um fato coti- diano seja apreciado por um ângulo inusitado. Embora se dirija a um leitor médio – o que lê jornais e revistas –, muitas vezes, o cronista sente-se livre para explorar as possibilidades lúdicas, seja pela escolha das palavras, seja pelos arranjos sintáticos. Também, por isso, pode-se perceber que a literatura está presente na construção da crônica. 2. Crônica e jornalismo Além do fato de ocupar um espaço determinado, a crônica se aproxima do jornalismo por buscar em fatos noticiados – principalmente aqueles “menores”, para os quais pouco espaço e pouca atenção são dados – o seu assunto. Opina sobre eles e procura trazê-los ao leitor sob uma nova visão. A regularidade com que é publicada – diária, semanal, quinzenal – produz uma aproximação com o leitor, tornando possível uma relação de familiaridade entre o cronista e quem o lê – o leitor abre seu jornal ou sua revista com a expec- tativa do que poderá ler na crônica publicada naquele veículo. Observe como Antonio Candido, em prefácio ao volume 5 do livro Para gos- tar de ler, nas páginas 5 e 6, apresenta algumas das características da crônica. [...] a crônica está sempre ajudando a estabelecer ou restabelecer a dimensão das coisas e das pessoas. Em lugar de oferecer um cenário excelso, numa revoa- da de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra nele uma grande- za, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas. Ela é amiga da verdade e da poesia nas suas formas mais diretas e também nas suas formas mais fantás- ticas – sobretudo porque quase sempre utiliza o humor. Isso acontece porque não tem pretensões a durar uma vez que é filha do jornal e da era da máquina, onde tudo acaba tão depressa. Ela não foi feita originaria- mente para o livro, mas para essa publicação efêmera que se compra num dia e no dia seguinte é usada para embrulhar um par de sapatos ou forrar o chão da cozinha. Por se abrigar neste veículo transitório, o seu intuito não é o dos escri- tores que pensam em “ficar”, isto é permanecer na lembrança e na admiração da posteridade: e a sua perspectiva não é a dos que escrevem do alto da montanha, mas do simples rés-do-chão. Por isso mesmo consegue quase sem querer trans- formar a literatura em algo íntimo com relação à vida de cada um, e quando passa do jornal ao livro, nós verificamos meio espantados que a sua durabilida- de pode ser maior do que ela própria pensava. Como no preceito evangélico, o que quer salvar-se acaba por perder-se; e o que não teme perder-se acaba por se salvar. No caso da crônica, talvez como prêmio por ser tão despretensiosa, 3. b) O sentimento de in� delidade é uma extensão do de ciúmes. Isso aumenta a distância sentimental, pois parece que, no entender do homem, a sua amada poderia ter evitado aquele crepúsculo (ou, quem sabe, não falar dele, nem se mostrar tão maravi- lhada diante daquela visão). Assim, o que fere o homem não é somente o fato de sua amada ter vivido um belo momento, mas também o fato de ela ter falado dele de modo tão impressionante. c) Ele reitera o sentimento de distância entre os apaixonados, invertendo as posições. Agora é o homem que vive uma si- tuação encantadora (a visão de uma criança que corre ao sol), mas Joana, a sua amada, não está com ele para compartilhar dessa sensação de prazer puro. O autor repete o sentimento de traição quando o amado conta a Joana o que viu. 4. Aqui, o autor apresenta a ideia de que respeitar a individualidade de cada um/ uma corresponderia a suprimir o amor. Essa atitude “esperta” traria, como vantagem a possibilidade de fazer da relação amorosa algo “sadio, confortável e melhor, mais prazenteiro e liberal”. A� rma que há razão, mas não paixão. Ou seja, suprime-se o amor. 5. O autor diz que não se deve levar as coisas tão a fundo, pois a vida é, por natureza, algo leviano [inconstante] e, por isso, não deveria ser levada tão a sério. 6. Aparentemente, sim. Aqui, o autor reitera a ideia de que não ter um compromisso amoroso, tornaria a pessoa livre para viver sua individualidade de forma plena. Porém, no � nal do parágrafo, ele desconstrói esse argumento: “Até que começamos a descon� ar de que estamos sozinhos e ao abandono trancados do lado de fora da vida”. Será uma vida solitária que poderá aguçar a sensação de que se está abandonado/a. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 59LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 59 25/08/2022 15:26:1325/08/2022 15:26:13 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 60 insinuante e reveladora. E também porque ensina a conviver intimamente com a palavra, fazendo com que ela não se dissolva de todo ou depressa demais no contexto, permitindo que o leitor a sinta na força dos seus valores próprios. ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Para gostar de ler: Crônicas. Prefácio de Antonio Candido v. 5. São Paulo; Ática, 2002, p. 5 e 6. (Fragmento) Para melhor compreender alguns aspectos pertinentes à elaboração de uma crônica, veja como o cronista Luís Fernando Veríssimo responde a algumas ques- tões referentes a esse tipo de produção textual. Trata-se de um trecho de entrevis- ta concedida a Luiz Costa Pereira Júnior e publicada na revista Língua Portugue- sa, ano 3, nº 44, de junho de 2009, páginas 14 a 17. Pergunta: Se você pudesse resumir a técnica da crônica, como seria? LFV: É difícil dar uma receita, pois a crônica é um gênero indefinido, desde sempre. Você pode falar do que quiser e chamar o que escreveu de “crônica”, e o que sair será efetivamente uma crônica. Como sob esse rótulo cabe tudo, há também muito de invenção, muito exercício de estilo. Agora, tirando a geração de cronistas, como Rubem Braga, Antonio Maria e Paulo Mendes Campos, não sei se o termo “crônica” caberia ao que se escreve hoje com esse nome. A crô- nica que eles faziam estava mais perto do lírico, sem ser alienada. Hoje em dia, o que se escreve como “crônica” é muito mais factual do que antes. Paulo Men- des Campos podia fazer crônicas que eram genuínas peças literárias, o próprio Rubem Braga escrevia um tipo de texto com aquele seu jeito despojado, mas ainda assim lírico. Hoje a ênfase do que se lê por aí é comentar, testemunhar o momento. Pergunta: Com o que você se preocupa quando vai escrever uma crônica? LFV: Busco, quando posso, imprimir certa variedade ao material, seja na ma- neira de escrever ou na abordagem. Mas tudo depende de ter ou não tempo para pensar muito sobre um assunto. Às vezes, há questões obrigatórias no ar. Fora essas, traço o tema que me ocorre. Já houve tempo em que me era indife- rente a dificuldade de encontrar o tema de uma crônica ou as observações que dão molho a ela. Mas, ultimamente, tem sido cada vez mais complicado encon- trar o tema sobre o qual falarei. Tenho a impressão de que tudo já foi escrito, tudo já foi dito. Tenho, nessas horas, certa hesitação. Sempre. Pergunta: Como vencer o desafio de escrever “com molho”? LFV: Podemos abordar qualquer assunto, desde que com leveza. Mas a ironia é sempre perigosa no Brasil, pois nem sempre é entendida. [...] Parece que a ironia no Brasil não funciona por escrito. Pois há uma certa reverência com a palavra impressa, uma ideia difusa de que está ali no papel um preto no branco que, decerto, não pode ser brincadeira. Mas o importante, no fim, é escrever com leveza. VERÍSSIMO, Luis Fernando. Revista Língua Portuguesa, São Paulo, ano 3, n 44, 3 jun. 2009 p. 14-17. (Fragmento) 7. O autor chega a uma conclu- são que, pode-se dizer, parado- xal: o melhor é não amar o que corresponde a não viver. 8. Não. Como que mostrando que todas as re� exões apre- sentadas são inviáveis, o autor a� rma que o melhor mesmo é não pensar nisso. E, ainda que de forma indireta, ressalta que se deve viver[e, portanto, amar], “pois a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se vai, e � nda.” 9. Embora a resposta pareça pessoal, espera-se que o/a aluno/a revele ter compreen- dido que a crônica tem o amor como seu tema principal. O que causa mais estranheza é o “etc.” que aparece no título. Nesse caso, “essas outras coisas” dizem respeito aos sen- timentos contraditórios que o amor provoca nas pessoas: querer estar junto e, ao mesmo tempo, querer manter sua individualidade. Querer não amar e sentir-se abandonado. Mesmo a amizade, quando apresentada, reforça esses sentimentos dúbios. Observar se os elementos retirados do texto apoiam estes argumen- tos. Orientar para que a respos- ta tenha, além dos trechos do texto, justi� cativas pessoais. 10. Espera-se que a resposta seja “sim”, uma vez que, embo- ra escrita há tanto tempo, o au- tor apresenta um assunto que diz respeito ao ser humano em si, independentemente do tempo. Mais do que do amor ou do não amar, a crônica fala do ser humano. É claro que, poderá haver respostas que discordem desta visão. Nesse caso, veri� car se a argumen- tação consegue justi� car essa posição. Importante é, a partir das respostas a esta questão, propiciar uma discussão que possa ampliar este tema, tratando de outras questões inerentes ao ser humano LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 60LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 60 25/08/2022 15:26:1325/08/2022 15:26:13 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 61 APLICAÇÃO 1. Leia e depois responda às questões: Pequena antologia de crônicas a) Exemplos de crônica dissertativa Observe, na crônica apresentada a seguir, como Luís Fernando Veríssimo produz um texto dissertativo e caracteristicamente literário. Nesse texto, publicado na década de 1980, Veríssimo aborda a questão dos desaparecidos durante o perío- do em que a Argentina viveu sob a ditadura militar. Para melhor compreendê-lo, reproduz-se, antes, uma notícia veiculada em 12 de março de 2009. Notícia: Ossadas achadas podem ser de desaparecidos da ditadura argentina BUENOS AIRES - Uma equipe de especialistas da Argentina encontrou ossadas de sete pessoas em uma província de Neuquén, ao sul, que podem pertencer a pes- soas desaparecidas durante a ditadura militar que governou o país entre 1976 e 1983, disse uma fonte oficial nesta quinta-feira. Os corpos, que estavam empilhados e alguns virados para baixo, pertenceriam a pessoas que, ao morrer, tinham entre 25 e 30 anos e haviam sido enterradas há 20 ou 30 anos no que seria uma vala comum, segundo os primeiros estudos realizados. “A princípio, poderá ser apressado garantir que os mortos são desaparecidos na ditadura, mas há indícios que nos conduzem a esta conclusão”, disse à Reuters o ministro de Justiça, Trabalho e Segurança da província de Neuquén, César Pérez. “Encontramos também um cartucho (de bala) que foi utilizado perto de onde esta- vam os corpos”, acrescentou. Durante a última ditadura militar que governou a Argentina, cerca de 30.000 pes- soas foram sequestradas, torturadas e assassinadas na Argentina, segundo denún- cias de entidades de direitos humanos. Uma comissão independente con� rmou cerca de 11.000 casos. Em muitas ocasiões, as pessoas foram executadas e enterradas em valas comuns. As ossadas foram encontradas em uma construção em Chos Malal, Neuquén, e de- vem se tratar de seis homens e uma mulher. Nos próximos dias, um grupo de antropólogos continuará analisando o terreno, onde as obras foram paralisadas e uma vigilância foi ordenada. GRAZINA, Karina. Ossadas achadas podem ser de desaparecidos da ditadura argentina. Reuters Brasil, 12 mar. 2009. Disponível em: <http://br.reuters.com/ article/worldNews/idBRSPE52B0T820090312>. Acesso em 4 jul. 2017. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 61LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 61 25/08/2022 15:26:1325/08/2022 15:26:13 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 62 Crônica: COMO NA ARGENTINA Não é fácil eliminar um corpo. [...] Uma vida é fácil. Uma vida é cada vez mais fácil. Mas fica o corpo, como lixo. Um dos problemas desta civilização: o que fazer com o próprio lixo. As carcaças de automóveis, as latas de cerveja, os restos de matanças. O corpo boia. O corpo vai dar na praia. O corpo brota da terra, como na Argentina. O que fazer com ele? O corpo é como o lixo atômico. Fica vivo. O corpo é como o plástico. Não desinte- gra. A carne apodrece e ficam os ossos. Forno crematório não resolve. Ficam os dentes, ficam as cinzas. Fica a memória. Ficam os parentes. Ficam as mães. Como na Argentina. Seria fácil se o corpo se extinguisse com a vida. A vida é um nada, acaba-se com a vida com um botão ou com uma agulha. Mas fica o corpo, como um estorvo. Os desaparecidos não desaparecem. Sempre há alguém sobrando, sempre há alguém cobrando. As valas comuns não são de confiança. [...] Os corpos são devolvidos, mais cedo ou mais tarde. [...] A terra não quer ser cúmplice. Tapar os corpos com escom- bros não adianta. Sempre sobra um pé, ou uma mãe.[...] Os corpos brotam do chão, como na Argentina. Corpo não é reciclável. Corpo não é reduzível. Dá para dissolver os corpos em ácido, mas não haveria ácido que chegas- se para os assassinados do século. Valas mais fundas, mais escombros, nada adianta. Sempre sobra um dedo acusando. [...] Tentaram largar o corpo no meio do mar e não deu certo. O corpo boia. O corpo volta. Tentaram forjar o protocolo – foi suicídio, estava fugindo – e o corpo desmentia tudo. O corpo incomoda. O corpo faz muito silêncio. Consciência não é biodegradável.[...] Os meios de acabar com a vida sofisticam-se. Mas ainda não resolveram como aca- bar com o lixo. Os corpos brotam da terra, como na Argentina. Mais cedo ou mais tarde os mortos brotam da terra. VERÍSSIMO, Luís Fernando. A mãe de Freud. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. p. 137-138 Outro tipo de crônica dissertativa ocorre quando se aborda um tema mais geral e que apresenta uma espécie de “conselho” para o leitor. Veja isso no texto abaixo ela- borado por Lya Luft. Agendar a vida Abro uma página da minha agenda para demarcar mais uma vez o território de mi- nha liberdade e o dos meus deveres – que é onde ela começa a perder pé. A fantasia não pede licença para se desenrolar: logo vejo uma infinidade de mesas e escrivaninhas, cada uma com sua agenda, nela a floresta dos compromissos, mal sobrando alguma trilha estreita para andar e respirar. (Nas folhas desta minha atual quero abrir entrelinhas para contemplar a árvore em flor diante de minha janela, ou pegar nos braços uma das crianças que povoam esta casa.) LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 62LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 62 25/08/2022 15:26:1325/08/2022 15:26:13 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 63 Vejo também agendas quase vazias onde se procura melancolicamente algo para quebrar o sem-sentido da vida: nem uma visita, uma data de aniversário, nenhum afeto nomeado, nem ao menos um pagamento nesses dias que parecem um de- serto sem contornos. Nem uma miragem ao longe? Pessoalmente não vivo sem uma agenda, aquelas de bloco, ao lado do computador. Às vezes olhar a folhinha me dá alegria: um encontro bom, ou um dia inteiro só pra mim. Em outras folhas, um engarrafamento de garatujas (minha letra, horror das professoras desde os primeiros anos de escola) com mais compromissos do que meu fundamental desejo de liberdade quereria. Agenda pode ser tormento e prisão. Mas pode ser liberdade, se a gente inventar bre- chas: em plena tarde da semana, caminhar na calçada; sentar ao sol na varanda do apar- tamento; deitar na grama do parque ou jardim, por menor que ele seja, e como criança olhar as nuvens, interpretando suas formas: camelo, coelho, árvore ou anjo. Ou: quinze minutos para se recostar para trás na cadeira (pode ser do escritório mesmo) e espiar o céu fora da janela; ir até a sala, esticar-se no sofá com as pernas sobre o braço do próprio, e ouvir música, ver televisão,ler, ler, ler... ou simplesmente não fazer nada. O ócio é uma possibilidade infinita a ser explorada. Não falo da inércia, do desânimo, do vazio melancólico. Jamais falarei de ficar de robe velho e pantufas (vi numa vitrine algumas com cara de cachorro e até orelhas!) pela casa até o meio da tarde. Falo de viver. “Parar, olhar, escutar”, dizia um aviso nos trilhos do trem quando havia trem entre minha cidade e Porto Alegre. A gente passava de carro sobre o trilho, e eu imagina- va o horror de alguém infringir isso e ser explodido pelo monstro de ferro e fumaça. A vida há de rolar por cima da gente, reduzindo a poeirinha inútil quem se esque- cer de às vezes parar pra pensar... mas sem se desmontar; olhar em torno ou para dentro: paisagens belas, ou áridas (sempre dá pra plantar um capim) ou quem sabe coloridas (a alma pode brincar de esconde-esconde entre as folhas). E escutar: a música do universo, o canto do sabiá (que tem começado às 3 da madrugada fria, atarantado neste clima estranho); a risada da criança no andar de cima; enfim, o cha- mado da vida que nos convoca de mil formas: anda, sai do marasmo, viveeeeeeeeeee!! Que nossas agendas (também as interiores) nos permitam muitas vezes a plenitude do nada sorvido como um gole de champanha, celebrando tudo. Sem culpa. LUFT, Lya. Pensar é transgredir. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 15-17. b) Exemplos de crônica memorialista Em texto publicado no livro A construção do futuro – crônicas da revista Bras- motor, Fernando Morais apresenta a lembrança que tem das relações entre ele e seu pai. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 63LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 63 25/08/2022 15:26:1425/08/2022 15:26:14 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 64 Procurando cartas no cosmos Já ouvi de tudo sobre a internet. De uns, que é a oitava maravilha do mundo. De outros, como Millôr Fernandes, que não serve para nada. Cá comigo, passei a ter um débito, digamos, afetivo com a Internet. Meu pai e eu tivemos, ao longo da vida, uma relação complicada. Ele era um mineiro enérgico, linha-dura. Eu, um menino insubordinado, aquilo que os padres do Colégio Santo Agostinho chamavam de “um caso de polícia”. Nem as incontáveis surras que ele me aplicou foram suficientes para enquadrar-me na rígida disciplina doméstica. Rolaram meses, anos, décadas. Ele lá e eu cá. Sem grandes brigas, mas também sem maiores afagos. Nos últimos anos de sua vida, já passado dos oitenta anos, seu Duduca encantou-se com computadores e com a Internet. Um programa novo surgia em Tó- quio ou Nova York e dias depois já estava instalado em seu Pentium. E foi através do cor- reio eletrônico que passamos a nos comunicar todos os dias. Eu chegava de manhã no meu estúdio de trabalho, abria a caixa postal e lá estavam duas, três, quatro cartas dele. Do lado de cá eu devolvia respostas igualmente torrenciais. Em um ano de “conversas” via micro, acabamos nos falando e nos conhecendo mais do que em meio de século de difícil convivência. Rolava de tudo. Até um delicioso conto de sua lavra (intitulado “O que foi mesmo que aconteceu em Belo Horizonte no dia 30 de abril de 1963?”) apareceu certa vez na minha tela. No dia que fiz 50 anos ele me mandou uma comovente carta contando como ficara sabendo, na longínqua noite de 22 de julho de 1946, que minha mãe acabara de ter um menino, eu mesmo. Um dia, em outubro do ano passado, seu Duduca se internou no hospital para re- visar as safenas e desentupir uma coronária. Coisa de rotina, anestesia rápida, era entrar às sete da manhã e sair ao meio dia. Entrou às sete da manhã e não saiu mais. Saiu, mas morto, depois de três paradas cardíacas. Passada a dor inicial, qual não foi minha surpresa ao abrir o micro para tentar recuperar nossa correspondência e descobrir que tudo tinha sido apagado. Fui às caixas de entrada e de saída e não encontrei nada. Revirei a wastebasket e nada. Corri à casa dele, abri a Internet, repeti a operação e a frustração foi igual. A alegria que a Internet me dera meses antes, ao se converter em instrumento de recuperação de uma vida, se transformava agora em decepção. Se tivéssemos nos comunicado por carta, como todo mundo, estava tudo aqui, guardado na gaveta. O frio mundo cibernético pulverizara no éter meu namoro tardio com seu Duduca. Contei o caso para fulano, que contou para beltrano, que contou para sicrano, que contou para o japonês (sempre eles...), que me ligou solícito: “Me mande seu e-mail e o do seu pai, mais as senhas e as user id de ambos, que vou ver se descubro onde está essa correspondência”. Descobriu. Em algum lugar do cosmos, o Tamura re- capturou, uma por uma, as cartas perdidas. As minhas e as dele. Que já estão aqui, devidamente guardadas na memória do micro. Por via das dúvidas imprimi tudo, botei numa pasta de papelão e guardei num velhíssimo arquivo de metal. Seguro morreu de velho, diria o seu Duduca. MORAIS, Fernando. Procurando no cosmos. In MOISÉS, Carlos Felipe (org.). A construção do futuro: crônicas da revista Brasmotor, São Paulo: Brasmotor, 2000, p. 33-34 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 64LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 64 25/08/2022 15:26:1425/08/2022 15:26:14 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 65 Por vezes, o autor relembra algum fato específico, particular, e chega a uma visao geral da vida. É o que se pode ver na crônica de Fernando Sabino. A QUEM TIVER CARRO O carro começou a ratear. Levei-o ao Pepe, ali na o� cina da rua Francisco Otaviano: — Pepe, o carro está rateando. — Entupimento na tubulação. Só pode ser. Deixei o carro lá. À tarde, fui buscar. — Eu não dizia? Defeito na bomba de gasolina. — Você dizia entupimento na tubulação. — Botei um diafragma novo, mudei as válvulas. Estendeu-me a conta: de meter medo. Mas paguei.[...] — Pode ir sem susto, que agora está o � no. — Fui sem susto. O caminho de Itaquatiara. O � no! Nem bem chegara a Tribobó, o carro engasgou, tossiu e morreu. Sorte a minha: mesmo em frente ao letreiro de “Gastão, o eletricista”. — Que diafragma coisa nenhuma, quem lhe disse isso? [...] — O senhor mexeu na bomba à toa: é o dínamo que está esquentando. — Molhou uma � anela e envolveu o dínamo carinhosamente, como a uma criança. — Se tornar a falhar é só molhar o bichinho. Vai por mim, que aqui no Tribobó quem entende disso sou eu. Nem no Tribobó: o carro não pegava de jeito nenhum. — Então esse dínamo já deu o prego, tem de trocar por outro. Não pega de jeito nenhum. Para desmenti-lo, o motor subitamente começou a funcionar. — Vai morrer de novo — augurou ele, e voltou a aninhar-se no seu caminhão. Re- solvi regressar a Niterói. À entrada da cidade, a profecia do capadócio se realizou: morreu de novo. Um chofer de caminhão me recomendou o mecânico Mundial, especialista em carburadores — ali mesmo, a dois quarteirões.Fui até ele e em pou- co voltava seguido do Mundial, um velho compenetrado arrastando a perna e as ideias: — Pelo jeito, é o carburador. Olhou o interior do carro, deu uma risadinha irônica: LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 65LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 65 25/08/2022 15:26:1425/08/2022 15:26:14 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 66 — É lógico que não pega! O dínamo está molhado! Enxugou o dínamo com uma estopa: o carro pegou. — Eu, se fosse o senhor, mandava fazer uma limpeza nesse carburador — insistiu ainda: — Vamos até lá na o� cina. Preferi ir embora. Perguntei quanto era. — O senhor paga quanto quiser. Já que eu insistia, houve por bem cobrar-me quanto ele quis. Cheguei ao Rio e fui direto ao Haroldo, no Leblon, que me haviam dito ser um monstro no assunto: — Carburador? — e o Haroldo não quis saber de conversa: — Isso é o platinado, vai por mim. Cutucou o platinado com um ferrinho. Fui-me embora e o carro continuava se ar- rastando aos solavancos. — O platinado está bom — me disse o Lourival, lá da Gávea: — Mas alguém andou mexendo aqui, o condensador não dámais nada. O senhor tem de mudar o con- densador. Mudou o condensador e disse que não cobrava nada pelo serviço. Só pelo conden- sador. No dia seguinte, o carro se recusou a sair da garagem. — Não é o diafragma, não é o carburador, não é o dínamo, não é o platinado, não é o condensador — queixei-me, deitando erudição na roda de amigos. Todos procu- ravam confortar-me: — Então só pode ser a distribuição. O meu estava assim. — Você já examinou a entrada de ar? — Para mim, você está com vela suja. E recomendavam mecânicos de sua preferência.[...] Mas pela manhã me lembrei de um curso que se anuncia aconselhando: “Aprenda a sujar as mãos para não limpar o bolso”. Resolvi candidatar-me — e quem tiver ouvidos para ouvir, ouça, quem tiver carro para guiar, entenda. Fui à garagem, abri o capô, e � quei a olhar intensamente o motor do carro, fria e silenciosa es� nge que me desa� ava com seu mistério: decifra-me, ou devoro-te. Havia um � o solto, coloquei-o no lugar que me pareceu adequado. Mas não podia ser tão simples. Era. Desde então, o carro passou a funcionar perfeitamente. SABINO, Fernando. A quem tiver carro. Elenco de cronistas modernos. 23. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007. p. 90-93 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 66LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 66 25/08/2022 15:26:1425/08/2022 15:26:14 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 67 c) Exemplos de crônica narrativa humorística Fernando Sabino foi um dos cronistas mais frequentes das páginas de jornais e de revistas brasileiros. Uma das suas características era a produção de crônicas leves e de muito bom humor. Cara ou coroa Chegou em casa de madrugada, e para não acordar a mulher, resolveu se despir no banheiro. No que tirou a calça, uma dessas novas moedas de 20 cruzeiros, que havia recolhido de troco não sabia onde, saltou do bolsinho junto ao cinto, descreveu uma parábola, e foi cair direto dentro do ralo. No momento ele não deu importância, mal percebeu o que acontecera. Acabou de se despir calmamente e depois abriu a torneira, lavou o rosto, escovou os dentes, mirou-se no espelho fazendo caretas, fechou a torneira. Só então viu que a água na pia, com laivos de espuma de sabão e de pasta de dente, simplesmente não descia. Com a ponta do dedo, verificou que a moeda era exatamente do mesmo calibre do ralo, vedando por completo a passagem da água cano abaixo. Em vão tentou retirá-la com a unha do indicador: não havia o menor interstício en- tre ela e a parede do cano. E de tanto mexer com a mão ali dentro, não só acabou machucando a unha, como fez com que a água entornasse sobre as bordas da pia, molhando o chão do banheiro. Desistiu logo: tinha mais é que ir dormir – na manhã seguinte daria jeito naquilo. Na manhã seguinte foi acordado pela mulher, quando estava no melhor do sono: – Vem ver só o que você andou aprontando esta noite. Estremunhado, tomou o caminho do banheiro, que a mulher lhe apontava. Entrou pela água adentro até os tornozelos: o chão estava completamente alagado. Dei- xara a torneira mal fechada e a água transbordava da pia por todos os lados, como uma cachoeira. – Não fui eu – protestou ele. – Então me diga quem foi – a mulher desa� ou-o, mãos na cintura. – Foi a moeda – e ele aproveitou a pia cheia para molhar o rosto, espantando o sono. – Moeda? Que moeda? – Uma moeda nova. Dessas de vinte cruzeiros. Pra você ver como o nosso dinheiro anda desvalorizado. Meteu a mão na água e, num gesto delicado de ginecologista, apalpou a moeda com o dedo. – Nada a fazer. Não sai de jeito nenhum. – Deixa comigo – e a mulher o afastou com o braço, ar e� ciente. Tirou da cabeça um grampo, abriu-o e � cou a esgravatar com ele as entranhas da pia. Acabou desistindo: LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 67LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 67 25/08/2022 15:26:1425/08/2022 15:26:14 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 68 Há algumas ocasiões em que o cronista conta uma pequena história com hu- mor, mas que leva o leitor a refletir sobre algo. – Que ideia a sua, jogar essa moeda aí dentro. – Joguei por querer, é o que você quer dizer. – Não sai de jeito nenhum. – Foi o que eu disse, Só virando a pia de cabeça para baixo. – Podíamos usar um ímã. – Um ímã? – ele se surpreendeu com a inesperada manifestação de inventiva da mulher: – E quem é que disse que ímã funciona debaixo d’água? Além do mais, o metal dessas novas moedas é tão ordinário, que ímã nenhum deve exercer atração sobre elas. – Não custa experimentar. – Não temos ímã aqui em casa. Só comprando um. E confesso que não tenho a mais longínqua ideia de onde é que se compra ímã neste mundo de Deus. Ainda mais um tão pequeno que caiba no ralo da pia. – Quem sabe um pouco de cola na ponta de um lápis... – Cola debaixo d’água? Só você mesmo, mulher. – A gente tira a água. – Tirar como, se a pia está entupida? O jeito é chamar o bombeiro. – Também, que diabo você tinha de voltar tão bêbado para casa, a ponto de jogar moeda dentro da pia? Prudentemente, ele se afastou, indo tomar café, sem escovar os dentes. A mulher o seguiu. Em pouco o filho, de sete anos, se acomodava também à mesa, todo lam- peiro, penteado e arrumado para ir à escola. – Você lavou o rosto? Escovou os dentes? – espantou-se a mãe: – Como é que se arranjou com a pia entupida daquele jeito? – Eu desentupi. – Como? – perguntaram os dois a um tempo. – Com um pedaço de chiclete no cabo da escova. E o menino atirou a moeda para o ar, aparando-a com as duas mãos: – Cara ou coroa? SABINO, Fernando. O gato sou eu. Rio de Janeiro: Record, 1983, p. 156-159. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 68LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 68 25/08/2022 15:26:1525/08/2022 15:26:15 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 69 No restaurante — Quero lasanha. Aquele anteprojeto de mulher — quatro anos, no máximo, desabrochando na ultra- minissaia — entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha. O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais. — Meu bem, venha cá. — Quero lasanha. — Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa. — Não, já escolhi. Lasanha. Que parada — lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sen- tar-se primeiro, e depois encomendar o prato: — Vou querer lasanha. — Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão. — Gosto, mas quero lasanha. — Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de camarão. Tá? — Quero lasanha, papai. Não quero camarão. — Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal? — Você come camarão e eu como lasanha. O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo: — Quero uma lasanha. O pai corrigiu: — Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada. A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o ser- viço, ela atacou: — Moço, tem lasanha? LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 69LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 69 25/08/2022 15:26:1525/08/2022 15:26:15 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 70 Para mostrar que a crônica oferece total liberdade, veja um exemplo de Mário Prata em que a história veio “pronta” por e-mail. — Perfeitamente, senhorita. O pai, no contra-ataque: — O senhor providenciou a fritada? — Já, sim, doutor. — De camarões bem grandes? — Daqueles legais, doutor. [...] Veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interes- sado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrá- rio, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez,no mundo, a vitória do mais forte. — Estava uma coisa, hem? — comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. — Sábado que vem, a gente repete… Combinado? — Agora a lasanha, não é, papai? — Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo? — Eu e você, tá? — Meu amor, eu… — Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha. O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garo- tinha, impassível. Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultra- jovem. Carlos Drummond de Andrade. O poder ultrajovem. Em: Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1988. p. 1744 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 70LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 70 25/08/2022 15:26:1525/08/2022 15:26:15 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 71 A máquina da Canabrava No primeiro dia de aula, a professora de História da Economia, na velha USP da rua Doutor Vilanova, Alice Canabrava, escreveu no quadro negro o nome de um livro sobre o mercantilismo e disse, seriíssima: – Na próxima aula (dali a uma semana), prova sobre o livro. Era o estilo dela, que eu já havia enfrentado no exame oral (é, tinha oral) do vestibu- lar para economia em 1967. Me lembro que ela me perguntou qual era a diferença entre uma nau e uma caravela. Na época, eu sabia. Mas o mundo é pequeno e trinta anos depois vim a descobrir que a Canabrava era tia da minha amiga escritora-arquiteta Lúcia Carvalho. Era tia. Morreu há um mês, já velhinha, aposentada e lúcida. Deixou sua casa – com tudo que tinha lá dentro, incluindo uma genial biblioteca – para a Lúcia. E a Lúcia acaba de me mandar um e-mail que eu transcrevo na íntegra, sobre uma velha máquina da catedrática tia. Vamos lá. Ouve só. A gente esvaziando a casa da tia neste carnaval. Móvel, roupa de cama, louça, quadro, livro. Aquela confusão, quando ouço dois dos meus fi lhos me chamarem. – Mãe! – Faaala. – A gente achou uma coisa incrível. Se ninguém quiser, pode fi car para a gente? Hein? – Depende. Que é? Os dois falavam juntos, animadíssimos. – Ééé... Uma máquina, mãe. – É só uma máquina meio velha. – É, mas funciona, está ótima! Minha fi lha interrompeu o irmão mais novo, dando uma explicação melhor. – Deixa que eu falo: é assim, é uma máquina, tipo um... teclado de computador, sabe só o teclado? Só o lugar que escreve? – Sei. – Então. Essa máquina tem assim, tipo... uma impressora, ligada nesse teclado, mas as- sim, ligada direto. Sem fi o. Bem, a gente vai, digita, digita... Ela ia se animando, os olhos brilhando. –... e a máquina imprime direto na folha de papel que a gente coloca ali mesmo! É muuuito legal! Direto, na mesma hora, eu juro! Eu não sabia o que falar. Eu ju-ro que não sabia o que falar diante de uma explicação dessas, de menina de 12 anos, sobre uma máquina de escrever. Era isso mesmo? LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 71LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 71 25/08/2022 15:26:1525/08/2022 15:26:15 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 72 1. De qual das crônicas apresentadas nessa Pequena antologia você mais gostou? Por quê? 2. Converse com alguém de sua família (que, de preferência, seja bem mais velho/a que você – um dos avós, ou seus pais, ou um tio ou uma tia). Peça que essa pessoa lhe conte algum episódio de sua infância que tenha sido significativo para ela. Apresente, de forma resumida, esse episódio. –... entendeu, mãe?... zupt, a gente escreve e imprime, a gente até vê a impressão tipo na hora, e não precisa essa coisa chata de entrar no computador, ligar, esperar hóóó- ras, entrar no Word, de escrever olhando na tela, mandar para a impressora, esse monte de máquina, de ter que ter até estabilizador, comprar cartucho caro, de nada, mãe! É muuuito legal, e nem precisa colocar na tomada! Funciona sem energia e escreve direto na folha da impressora! – Nossa, fi lha... –... só tem duas coisas: não dá para trocar a fonte nem aumentar a letra, mas não tem problema. Vem, que a gente vai te mostrar. Vem... Eu parei e olhei, pasma, a máquina velha. Eles davam pulinhos de alegria. – Mãe. Será que alguém da família vai querer? Hein? Ah, a gente vai fi car torcendo, tor- cendo para ninguém querer para a gente poder levar lá para casa, isso é o máximo! O máximo! Bem, enquanto estou aqui, neste “teclado”, estou ouvindo o plec-plec da tal máquina, que, claro, ninguém da família quis, mas que aqui em casa já deu até briga, de tanto que já foi usada. Está no meio da sala de estar, em lugar nobre, rodeada de folhas e folhas de textos “impressos na hora” por eles. Incrível, eles dizem, plec-plec-plec, muito legal, plec-plec-plec. Eu e o Zé estamos até pensando em comprar outras, uma para cada fi lho. Mas, pensa bem se não é incrível mesmo para os dias de hoje: sai direto, do teclado para o papel, e sem tomada! Céus. Que coisa. Um beijo grande, Lúcia. É, Lúcia, a nossa querida Alice Canabrava deve estar descansando em paz e rindo muito. E dê uns beijos nos � lhos e agradeça a crônica pronta-pronta, plec-plec-plec, que eu ofereço aos meus leitores. E leitoras. PRATA, Mário. Cem melhores crônicas (que, na verdade, são 129). São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 131-133] 1. Resposta pessoal. Veri� car se as justi� cativas são bem elaboradas e se buscam apoio em aspectos formais do texto (a linguagem, a construção do texto, por exemplo) ou em aspectos do conteúdo (abordagem original de um tema, surpreende o leitor, por exemplo). Sugestão A partir das respostas, fazer um levantamento quantitativo para veri� car qual a crônica que obteve maior escolha. Discutir por que esse texto exerceu maior atração. Ao mesmo tempo, veri� car qual delas foi a menos escolhida e solicitar aos/às alunos/as que a escolheram que apresentem suas justi� cativas 2. Orientar o/a aluno/a a, se possível, gravar o relato para que possa captá-lo de maneira mais completa. No momento de redigir, não é necessário que o relato esteja completo, mas o que lhe é essencial – a “historinha” em si e alguns aspectos contextuais que permitam compreender a situação relatada. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 72LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 72 25/08/2022 15:26:1525/08/2022 15:26:15 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 73 PRODUÇÃO DE TEXTO PRIMEIRA PROPOSTA Suponha que você tenha sido contratado/a por um jornal para escrever crônicas. O jornal determina que seu texto tenha 450 palavras (esse tamanho corresponde, aproximadamente, a uma página do WORD, em fonte ARIAL, tamanho 11). Dadas essas condições, elabore as propostas a seguir. Crônica 1 Com base no episódio apresentado na na atividade 2 da página anterior, elabore uma crônica que, além de contar a história, generalize o tema e possa ser com- preendida como uma espécie de “conselho” para o leitor. Crônica 2 Escolha uma das duas crônicas dissertativas e, com base no tema apresentado por ela, elabore uma crônica narrativa que possa ilustrar esse tema. Crônica 3 Você se recorda de algum fato engraçado acontecido em sua sala de aula duran- te este ano? Com base nesse fato, crie uma crônica humorística. Crônica 4 Selecione, em um jornal ou uma revista, uma notícia recente. A partir dela, elabo- re uma crônica dissertativa. Após terminar as produções, vamos fazer a revisão e edição das crônicas. 1. Reúna-se em grupo. 2. Leiam todas as crônicas elaboradas por vocês na proposta anterior. 3. Discutam cada produção, revisando o que for necessário (corrigindo proble- mas gramaticais, reorganizando e reestruturando parágrafos, reescrevendo trechos, alterando finais e/ou títulos). 4. Depois de concluído trabalho de revisão, editem e publiquem um pequeno livro de crônicas. Para isso, criem um título sugestivo, elaborem um texto de apresentação ou um prefácio, coloquem ilustrações (podem ser desenhos, fotos, colagens,mas tudo criado por você). PRODUÇÃO DE TEXTO Orientação geral para a produção. Colocam-se, aqui, condições típicas à produção de uma crônica: em especial, a predeterminação da quantidade de palavras que o texto deve ter. Isso colocará o/a aluno/a numa situação mais próxima do que ocorre na realidade. Nesse caso, torna-se imprescindível obedecer a essas condições. Caso a escola disponha de laboratório de informática, seria recomen- dável que a atividade fosse desenvolvida ou, ao menos, � nalizada nesse local. Orientar o/a aluno/a a, previa- mente, planejar o seu texto, produzindo rascunhos e revi- sando sua produção. Porém, alertá-lo/a para o fato de que, geralmente, o cronista, além de ter seu espaço pré-de� nido, trabalha sob a pressão do tem- po, uma vez que sua coluna não pode � car em branco. Reiterar que a crônica deve ser produzida tendo em conta os possíveis leitores de um jornal ou de uma revista. Como as propostas tomam como base as crônicas apresentadas na Pequena antologia, solicitar que os/ as alunos/as as releiam e veri� quem suas características. Além disso, incentivar que eles/elas leiam outras crônicas, de preferência, publicadas em jornais e/ou revistas que circulam em sua cidade (ou procurá-las na internet, em sites que reproduzam edições de jornais e/ou revistas de outras cidades). Nesse caso, solicitar que classi� quem as crônicas conforme se fez na parte teórica. Recomenda-se que cada grupo seja constituído com um mínimo de 4 integrantes e um máximo de 6. A rigor, esta produção veio sendo produzida ao longo das atividades anteriores. Tanto que, se houve um bom planejamento e uma boa revisão, o trabalho será mais ágil. Agora, como os/as alunos/ as submeterão suas crônicas à avaliação dos/as colegas, torna-se fundamental que se estabeleça um processo de trabalho cooperativo em que, mais do que avaliar as crônicas, todos/as se sintam compro- metidos/as em produzir um material sem erros e de boa qualidade editorial. Além do prefácio solicitado, orientar que os/as alunos/as deem atenção aos demais aspectos formais pertinentes a um livro: capa, folha de rosto (com os créditos relativos à autoria dos textos e à das ilustrações) e sumário. Para familiarizar-se com esses aspectos, solicitar que os/as alunos observem diferentes livros [de crônicas ou não] e vejam como eles se apresentam. Depois de elaborados os livros, fazer com que eles circulem entre todos os grupos. Para � nalização desta atividade, solicitar que cada aluno/a apresente dois pequenos textos: - em um deles, que comente a experiência de ter que produzir textos obedecendo a condições que, de certa forma, parecem restringir a criação. Quais os aspectos positivos e quais os negativos? Atenção, é preciso ressaltar que escrever sob certas condições é uma situação que o/a aluno/a vivenciará quando se submeter a qualquer processo seletivo, seja o ENEM, seja como candidato a uma vaga no ensino superior. SUGESTÃO Para facilitar a circulação das produções, se possível, solicitar que cada grupo imprima exemplares que possam ser distribuídos aos demais grupos. Outra solução que permite o acesso a todas as crônicas é a criação de um blog na internet. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 73LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 73 25/08/2022 15:26:1625/08/2022 15:26:16 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 74 5 O ASSUNTO É: POESIA E POEMA REFLEXÃO Leia, silenciosamente: Velha Anedota Artur de Azevedo Tertuliano, frívolo peralta, Que foi um paspalhão desde fedelho, Tipo incapaz de ouvir um bom conselho, Tipo que, morto, não faria falta; Lá um dia deixou de andar à malta, E, indo à casa do pai, honrado velho, A sós na sala, diante de um espelho, À própria imagem disse em voz bem alta: – Tertuliano, és um rapaz formoso! És simpático, és rico, és talentoso! Que mais no mundo se te faz preciso? Penetrando na sala, o pai sisudo, Que por trás da cortina ouvira tudo, Severamente respondeu: – Juízo! AZEVEDO, Artur. Velha Anedota. In: NUNES, Cassiano; BRITO, Mário da Silva. Poesia brasileira para a infância. São Paulo: Saraiva, 1968. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 74LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 74 25/08/2022 15:26:1825/08/2022 15:26:18 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 75 O poema que você leu foi escrito por Artur de Azevedo. Arthur Nabantino Gonçalves de Azevedo foi um jornalista, poeta, contista e teatrólogo nascido em São Luís, MA, em 7 de julho de 1855. W ik im ed ia C om m on s 1. Foi um dos grandes defensores da abolição da escravatura, tendo escrito as peças O Liberato e A Família Salazar, proibidas pela censura do Império e mais tarde publicadas em um volume intitulado O escravocrata. a) Anote as palavras e expressões que você não conhece e pesquise seus significados: b) Você leu um texto escrito em versos. Trabalhando as expressões desco- nhecidas, reconhecendo os sentidos do texto e entendendo a intencio- nalidade do poema, ensaie sua leitura em voz alta, procurando encontrar o ritmo adequado à sua expressão. Seu professor vai escolher alguns alu- nos para apresentarem a leitura para a classe. 2. Converse com pessoas de sua casa e de sua vizinhança e pergunte-lhes se alguém dentre eles/elas já escreve poemas ou se já escreveu. Caso encontre mais de uma pessoa que escreve (ou escreveu poemas), selecione uma delas e a entreviste, de acordo com o roteiro a seguir. a) Com que idade começou a fazer poemas? O que motivou a escrever? b) Ele/Ela gosta de ler poemas? Peça que cite o nome de poetas de quem ele/ela mais gosta. c) Teve algum poema publicado? Onde e quando? d) Se parou de escrever, por que isso aconteceu? (Se continua a escrever, por que o faz?) e) Peça que ele/ela lhe mostre alguns dos poemas produzidos. Transcreva um deles e traga para a classe apreciar. Resposta pessoal. Resposta pessoal. Resposta pessoal. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 75LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 75 25/08/2022 15:26:1925/08/2022 15:26:19 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 76 DA TEORIA À PRÁTICA A primeira acepção que o Dicionário Houaiss traz para a palavra poeta é “es- critor que compõe poesia”. Poderia também ter afirmado que poeta é aquele que escreve poemas, que faz versos. 1. Poema e poesia O poema é um texto que apresenta particularidades que o distinguem da prosa. O texto em prosa é caracterizado pela colocação das palavras em linhas – as palavras, dispostas em sequência, formam a linha cuja extensão vai de um lado ao outro da página. Quando agrupadas, elas formam um parágrafo. Já o poema é composto em versos – a sua extensão é definida conforme o ritmo (linha melódica) escolhido pelo autor. O agrupamento de versos forma uma estrofe. Observe o poema de Carlos Drummond de Andrade, reproduzido a seguir. Drummond o compôs em 8 versos agrupados em apenas uma estrofe. Poesia Gastei uma hora pensando um verso que a pena não quer escrever. No entanto ele está cá dentro inquieto, vivo. Ele está cá dentro e não quer sair. Mas a poesia deste momento inunda minha vida inteira. ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião: 10 livros de poesia. 7. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976, p. 16. O título desse texto e o verso “Mas a poesia deste momento” permitem fazer uma indagação: qual é a diferença entre poesia e poema? Quando se designa a forma do texto (versos agrupados em estrofes), não há grande diferença. Tanto se pode dizer “Li os poemas de Drummond” como “Li as poesias de Drummond”. Assim é que, nos dicionários, poema diz respeito à obra escrita em versos e poesia, à arte de escrever versos. As duas acepções remetem ao aspecto formal da produção. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 76LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 76 25/08/2022 15:26:2025/08/2022 15:26:20 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 77 No entanto, quando Drummond escreve que “a poesia deste momento inunda minha vida inteira”, nota-se que o alcanceda palavra poesia é mais abrangente. Nesse caso, refere-se ao sentimento, à sensação, a algo que nem sempre é possível expressar em palavras. Por isso, em determinadas situações da vida, quando o ser humano se encanta com algo ou tem seus sentimentos despertados por algo, costuma-se definir esse instante como poético, ou seja, carregado de poesia. Drummond compôs um poema (ou uma poesia) em que expressa seu sentimento (a poesia que inunda), to- davia não revela o que teria despertado aquele sentimento poético. Em síntese: para a forma, para a obra em versos, podem-se empregar os ter- mos poema ou poesia. Já para designar o sentimento poético, somente a palavra poesia é a mais adequada. 2. Alguns aspectos formais Leia com atenção o poema abaixo. Trata-se da parte II do poema “A bomba atô- mica”. Observe o ritmo dos versos, as palavras que, ao mesmo tempo, participam de um jogo sonoro e semântico, provocando efeitos estéticos e motivando reflexões. A Bomba Atômica [Parte II] Vinícius de Moraes [...] A bomba atômica é triste Coisa mais triste não há Quando cai, cai sem vontade Vem caindo devagar Tão devagar vem caindo Que dá tempo a um passarinho De pousar nela e voar... Coitada da bomba atômica Que não gosta de matar! Coitada da bomba atômica Que não gosta de matar Mas que ao matar mata tudo Animal e vegetal Que mata a vida da terra E mata a vida do ar Mas que também mata a guerra... Bomba atômica que aterra! Pomba atônita da paz! Pomba tonta, bomba atômica Tristeza, consolação Flor puríssima do urânio Desabrochada no chão Da cor pálida do hélium E odor de rádium fatal Lœlia mineral carnívora Radiosa rosa radical. Nunca mais, oh bomba atômica Nunca, em tempo algum, jamais Seja preciso que mates Onde houve morte demais: Fique apenas tua imagem Aterradora miragem Sobre as grandes catedrais: Guarda de uma nova era Arcanjo insigne da paz! [...] MORAES, Vinícius de. Antologia poética. 6. ed. Rio de Janeiro: Sabiá, 1967, p.181-182. (Fragmento) LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 77LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 77 25/08/2022 15:26:2025/08/2022 15:26:20 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 78 Observe no poema o ritmo dos versos, as palavras que, ao mesmo tempo, participam de um jogo sonoro e semântico, provocando efeitos estéticos e moti- vando reflexões. Nesse poema, há quatro estrofes e um total de 35 versos. Com exceção do verso 26 (Radiosa rosa radical), os demais versos possuem sete sílabas poéticas. Trata-se da redondilha maior (ou heptassílabo). Essa é uma das métricas mais populares, tanto que, se observarmos algumas letras de música, será possível en- contrar diversas delas que utilizam tal metrificação. A seguir, com base nesse poema de Vinícius de Moraes, serão apresentados alguns aspectos formais que podem estar presentes na construção de um poema. 3. Métrica A métrica de um verso corresponde à medida (quantidade de sílabas poéti- cas), acento (alternância entre sílabas fortes e fracas) e ao seu ritmo. Para verifi- car a métrica de um verso, realiza-se a escansão, ou seja, a divisão do verso em suas sílabas poéticas. Observe isso nos exemplos a seguir. A/ bom/ba a/tô/mi/ca é/ tris/te 1 2 3 4 5 6 7 X A bom ba a tô mi ca é tris te* * A contagem de sílabas poéticas é feita até a última sílaba tônica do verso, desprezando- -se, portanto, as sílabas posteriores. Crase: ocorre quando se dá o encontro de vogais idênticas no final de uma palavra e no começo de outra. Quando se lê em voz alta, nota-se que elas formam uma única sílaba. Elisão: ocorre quando se dá o encontro de vogais diferentes no final de uma palavra e no começo de outra. Também, quando se lê em voz alta, nota- -se que elas formam uma única sílaba. Verifique que os demais versos também apresentam sete sílabas poéticas. Por exemplo: A/ni/mal/ e /ve/ge/tal 1 2 3 4 5 6 7 A ni mal e ve ge tal LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 78LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 78 25/08/2022 15:26:2025/08/2022 15:26:20 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 79 Flor/ pu/rís/si/ma/ do u/râ/nio 1 2 3 4 5 6 7 X Flor pu rís si ma do u râ nio Ar/can/jo in/sig/ne/ da/ paz 1 2 3 4 5 6 7 Ar can jo in sig ne da paz Já o verso trinta e quatro, apresenta uma diferença. Observe: Ra/dio/sa/ ro/sa/ ra/di/cal 1 2 3 4 5 6 7 8 Ra dio sa ro sa ra di cal 4. Acento e ritmo Ao ler em voz alta o primeiro verso, pode-se perceber que as sílabas 4 e 7 destacam-se, precisamente, porque são pronunciadas com mais força. 1 2 3 4 5 6 7 X A bom ba a TÔ mi ca é TRIS te Essa mesma estrutura pode ser vista em outros versos, mas ela não é cons- tante. Observe. Que mata a vida da terra 1 2 3 4 5 6 7 X Que ma ta a VI da da TER ra Desabrochada no chão 1 2 3 4 5 6 7 De sa bro CHA da no CHÃO Aterradora miragem 1 2 3 4 5 6 7 X A ter ra DO ra mi RA gem LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 79LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 79 25/08/2022 15:26:2025/08/2022 15:26:20 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 80 Vem caindo devagar 1 2 3 4 5 6 7 Vem ca IN do de va GAR Bomba atômica que aterra! 1 2 3 4 5 6 7 X Bom ba a TÔ mi ca que a TER ra! Observe como é diferente a acentuação dos dois versos reproduzidos abaixo (um deles é o que foge à regularidade do poema). Lœlia mineral carnívora 1 2 3 4 5 6 7 X Lœ lia mi ne RAL car NÍ vora! Radiosa rosa radical 1 2 3 4 5 6 7 8 Ra DIO sa RO sa ra di CAL O ritmo do poema, além de ser marcado pela acentuação de cada verso, es- tabelece-se pela sonoridade das palavras: suas repetições e suas proximidades sonoras. Observe como o ritmo, além de sua marca sonora, também dá força ao significado do poema. Quando cai, cai sem vontade 1 2 3 4 5 6 7 X Quan do CAI cai sem von TA de Embora a palavra cai venha repetida, perceba que, na segunda vez, em razão da pausa, ela é lida como sílaba fraca. Com isso, ressalta-se, sonoramente, que a bomba perde sua força, está sem vontade. Outros exemplos. Vem caindo devagar Tão devagar vem caindo As repetições reiteram a sensação de que a queda da bomba ocorre de forma lenta. Bomba atômica que aterra! Pomba atônita da paz! A aliteração (b/p; m/n) e a paronomásia (bomba/pomba; atômica/atônita) criam uma aproximação paradoxal, em que a bomba se transforma em objeto da paz (pomba). Nunca mais, oh bomba atômica Nunca, em tempo algum, jamais A anáfora (nunca/nunca) e a reiteração semântica (nunca/ em tempo algum/jamais) expressam o desejo do poeta de que a bomba pare de matar. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 80LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 80 25/08/2022 15:26:2125/08/2022 15:26:21 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 81 5. Rima Há outro elemento formal muito importante para marcar o ritmo de um poema: a rima. Ela ocorre quando há coincidências sonoras no final de cada verso. Observe. Nunca mais, oh bomba atômica Nunca, em tempo algum, jamais Seja preciso que mates Onde houve morte demais: Fique apenas tua imagem Aterradora miragem Sobre as grandes catedrais: Guarda de uma nova era Arcanjo insigne da paz! Reitera-se: a rima é a coincidência sonora, por isso, há rima entre a palavra paz [que, ao ser pronunciada, soa como pais] e jamais/demais/ catedrais. 6. Poema e letra de música As aproximações entre a poesia e a música são evidentes: ambas têm a so- noridade como fator relevante em sua construção. Historicamente, é sabido que, na Antiguidade, na Grécia, em Roma, os poemas eram acompanhados por ins- trumentos musicais (em especial, a lira – de onde se deriva o termo lírico com o qual se designa o poema que, subjetivamente, expressa sentimentos humanos, tais como, o amor, a saudade, a dor e a alegria, a felicidade e a tristeza). Na Idade Média, preponderou o Trovadorismo, caracterizado pela construção de cantigas – de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer – apresentadas pelos trovadores também com acompanhamento musical. Daí, a associação da poesia coma letra de música contemporânea fica fácil de compreender. E, quando são aplicadas as peculiaridades formais do poema à letra de uma música, será possível perceber muitas semelhanças. A grande dife- rença é que o poeta compõe seu texto para ser impresso em papel e para a leitura e/ou a expressão em voz alta, enquanto o compositor popular tem como finali- dade expressá-la por meio do cantar. Tanto assim que, geralmente, em primeiro lugar se elabora a música e, sobre ela, a letra. Em síntese: o poeta toma a palavra e sua capacidade expressiva e sonora como matéria-prima de seu trabalho e, daí, a musicalidade se fará presente. O letrista, por sua vez, tem a música como sua matéria-prima e, daí, as palavras são escolhidas para se harmonizar com a música. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 81LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 81 25/08/2022 15:26:2125/08/2022 15:26:21 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 82 Leia a seguir, e se possível, pesquise a gravação dessa música e compare-a com sua leitura. O mundo é um moinho Cartola [Angenor de Oliveira] Ainda é cedo, amor Mal começaste a conhecer a vida Já anuncias a hora da partida Sem saber mesmo o rumo que irás tomar Preste atenção, querida Embora saiba que estás resolvida Em cada esquina cai um pouco a tua vida Em pouco tempo não serás mais o que és Ouça-me bem amor Preste atenção: o mundo é um moinho Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos Vai reduzir as ilusões a pó Preste atenção, querida De cada amor tu herdarás só o cinismo Quando notares estás à beira do abismo Abismo que cavaste com teus pés OLIVEIRA, Angenor. O mundo é um moinho. In: Cartola. Cartola. São Paulo: Discos Marcus Pereira, 1976. 1 LP, Faixa 1. APLICAÇÃO 1. Leia, a seguir, duas quadras (poema de uma estrofe só, com- posta com quatro versos) do poeta Fernando Pessoa. TRAZES os brincos compridos, Aqueles brincos que são Como as saudades que temos A pender do coração. PESSOA, Fernando. Quadras ao gosto popular. In PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 665. SAUDADES, só portugueses Conseguem senti-las bem. Porque têm essa palavra Para dizer que as têm. PESSOA, Fernando. Quadras ao gosto popular. In: PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995, p. 664. As atividades propostas nesta parte enfatizam, sobretudo, a produção de poemas. A intenção não é fazer dos/ das alunos/alunas poetas, mas que possam exercitar a linguagem da poesia. Por esse motivo, recomenda-se que as produções sejam ava- liadas de forma mais ampla, discutindo-se os recursos empregados na criação dos textos e os efeitos por eles produzidos. Sugestão No decorrer das avaliações de cada questão, selecionar algumas das produções para que possam, se possível, ser publicadas – em livro, em blog ou rede social na internet. Nesse caso, alunos e alunas poderiam também preparar ilustrações para cada texto selecionado. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 82LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 82 25/08/2022 15:26:2225/08/2022 15:26:22 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 83 a) Fazendo a escansão dos versos de cada quadra, quantas sílabas poéticas eles têm? b) Pense em um tema e elabore uma quadra com a mesma quantidade de sílabas poéticas apresentadas nas quadras de Fernando Pessoa. 2. Em meados da década de 1950, surgiu no Brasil o movimento concretista. Uma de suas propostas era trabalhar o poema tanto pelo seu valor semânti- co quanto pelo seu aspecto visual. Assim, os poemas concretos impuseram mudanças e inovações na poesia da época, possibilitando as palavras e expressões apresentarem sentidos di- ferentes, inesperados e ambíguos. A partir de uma forma de apresentação inusitada, criava-se uma ligação com as artes visuais trabalhando o aspecto visual, focando uma nova maneira de expressar a obra poética. Veja, abaixo, um exemplo de poema concreto. v e m n a v i o v a i n a v i o v i r n a v i o v e r n a v i o v e r n ã o v e r v i r n ã o v i r v i r n ã o v e r v e r n ã o v i r v e r n a v i o s CAMPOS, Haroldo de. ver navios. In SIMON, Iumna Maria e DANTAS, Vinicius (orgs.). Poesia concreta. São Paulo: Abril Educação, 1982, p. 31 – Coleção Literatura Comentada] a) Elabore uma síntese interpretativa do poema de Haroldo de Campos. b) Pesquise outros poemas concretos e perceba a diversidade de possibili- dades de apresentação dessas obras. Elabore um poema que, por meio da distribuição das palavras (e das le- tras), componha uma imagem. 1. a) Os versos têm sete sílabas poéticas – redondilha maior. Por se tratar de qua- dras de sabor popular, essa medida é bem adequada. b) Resposta pessoal. Selecio- nar algumas das quadras e fazer a escansão no quadro e coletivamente, para não somente veri� car se elas estão de acordo com o que foi solicitado, como também aprofundar o exercício de es- candir versos, o que, valoriza ainda mais a expressividade do poema. Sugestão Nesta atividade, aproveitar para discutir as aproximações que pode haver entre as pro- duções de Fernando Pessoa e as dos/das alunos/alunas com as poesias populares e, principalmente, a poesia infantil. 2. a) Basicamente, Haroldo de Campos reconstrói uma frase-clichê: “� car a ver navios”. Assim, discutir as respostas com o propósito de se perceber que, por meio da disposição grá� ca e da repeti- ção, o poeta “mostra” o clichê, porém, simultaneamente, como que ironiza e critica a frase feita. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 83LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 83 25/08/2022 15:26:2225/08/2022 15:26:22 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 84 3. Leia o poema de Mário Quintana: Os poemas Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo Como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhoso espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti... QUINTANA, Mário. Os poemas. In: _____. Poesias completas. Rio de janeiro: Nova Aguilar, 2005. O texto é todo construído por meio do emprego de uma figura de estilo. Essa figura é denominada a) elipse b) metáfora c) metonímia d) personificação 4. Leia o poema de Haroldo de Campos e assinale a alternativa correta. se nasce morre nasce morre nasce morre renasce remorre renasce remorre renasce remorre re [...] CAMPOS, Haroldo de. Se nasce/morre. In: CAMPOS, Augusto de; PIGNATARI, Décio; CAMPOS, Haroldo de. Teoria da Poesia Concreta, São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1975, p. 57 (Fragmento). X Professor: Se for necessário, explique a de� niçao de metáfora. É uma � gura de linguagem que produz sen- tidos � gurados por meio de comparações. É recurso ex- pressivo que consiste em usar um termo ou uma ideia com o sentido de outro semelhan- te. Exemplo: É um touro (isto é, forte como um touro). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 84LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 84 25/08/2022 15:26:2225/08/2022 15:26:22 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 85 ( ) O poeta respeitou a distribuição linear do verso como elemento fun- damental do poema. ( ) A relação entre leitor e texto se perde na comunicação visual criada. ( ) O poeta despreza a decomposição e montagem das palavras. ( ) As rimas são fundamentais na construção do texto. ( ) No poema concreto, ocorre o abandono do discurso tradicional, privi- legiando os recursos gráficosdas palavras. 5. Leia o trecho de “Meus oito anos”, um dos poemas mais populares da Litera- tura Brasileira, escrito por Casemiro de Abreu. [...] Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que � ores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! [...] ABREU, Casimiro de. Meus oito anos. In: _____. As primaveras. p. 14. Disponível em <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm. do?select_action=&co_obra=2173>. Acesso em: 4 jul. 2017. a) Apenas uma alternativa a seguir não se pode afirmar sobre o poema. Marque qual é. ( ) O poeta se vale do texto para manifestar sua saudade da infância. ( ) A memória da infância do poeta está intimamente ligada à natureza. ( ) O poeta é racional e extremamente contido ao demonstrar sua emo- ção. ( ) A linguagem se aproxima da fala popular, característica da poesia ro- mântica. X X LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 85LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 85 25/08/2022 15:26:2325/08/2022 15:26:23 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 86 b) Chico Buarque de Hollanda escreveu um texto utilizando a mesma ideia e estrutura de Casimiro, criando assim uma paródia do poema. Leia o trecho e desenvolva a atividade a seguir. Ai que saudades que eu tenho Dos meus doze anos Que saudade ingrata Dar banda por aí Fazendo grandes planos E chutando lata Trocando � gurinha Matando passarinho Colecionando minhoca [...] HOLANDA, Chico Buarque. Doze anos. In: _____. Ópera do malandro. LP, 1979, Polygram, 1 LP, lado B, faixa 2. (Fragmento). Faça uma pesquisa em livros e/ou na internet e localize poemas ou letras de música que tenham utilizado o poema de Gonçalves Dias como referência. Escolha dois que, para você, tenham sido mais significativos. Escreva o título e a autoria de cada texto. Para cada um deles, elabore um pequeno texto que justifique a sua escolha. c) Agora é a sua vez de fazer um exercício de intertextualidade. Elabore o seu poema “Meus oito anos”. Depois de escrito, compare com a produ- ção de seus colegas. Nas justi� cativas, discutir se as motivações originam-se da aproximação com o poema original ou do efeito humorístico (a rigor, muitos desses poemas, Como esta produção foi precedida pela pesquisa por outras “canções do exílio”, provavelmente, o/a aluno/a terá di� culdades para encontrar uma visão original. Assim, recomenda-se orientá-lo/a a procurar temas contemporâneos e pensar na palavra exílio de modo � gurado. trabalham o tema de forma irônica). Aproveitar para trabalhar os diferentes contextos em que os textos foram produzidos. Por exemplo “Sabiá” e “Marginália II” foram compostas no período da ditadura militar (1964-1984). Dentre os vários autores que dialogaram com o texto de Gonçalves Dias, estão: Casimiro de Abreu (“Canção do exílio”), Carlos Drummond de Andrade “(Europa, França e Bahia” e “Nova canção do exílio”), Muri- lo Mendes (“Canção do exílio”), Oswald de Andrade (“Canto de regresso à pátria”), Chico Buarque de Holanda e Tom Jobim (“Sabiá”, música vence- dora de um Festival de MPB), José Paulo Paes (“Canção de exílio facilitada”); Gilberto Gil e Torquato Neto (“Marginália II” – letra de música); Guilherme de Almeida (“Canção do expe- dicionário”); Jô Soares (“Canção do exílio às avessas”). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 86LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 86 25/08/2022 15:26:2325/08/2022 15:26:23 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 87 6. O soneto é o nome que se dá ao poema constituído por dois quartetos (quarteto = estrofe de quatro versos) e dois tercetos (terceto = estrofe de três versos). Trata-se de uma estrutura poética das mais prestigiadas. Há, até mesmo, letras de música compostas nesse formato. Observe: PIEDADE O coração de todo o ser humano foi concebido para ter piedade, para olhar e sentir com caridade, � car mais doce o eterno desengano. Para da vida em cada rude oceano arrojar, através da imensidade, tábuas de salvação, de suavidade, de consolo e de afeto soberano. Sim! Que não ter um coração profundo é os olhos fechar à dor do mundo, � car inútil nos amargos trilhos. É como se o meu ser compadecido não tivesse um soluço comovido para sentir e para amar meus � lhos! CRUZ E SOUSA, João da. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/bn000078.pdf, página 1. Consulta realizada em 21 de abril de 2022. a) Todos os versos desse poema apresentam a mesma quantidade de síla- bas poéticas? Justifique. b) O que teria motivado os sentimentos expressados no poema? Elabore um soneto que apresente uma situação que teria desencadeado esses sentimentos. Sim. Justi� cativa: todos têm 10 sílabas poéticas. Versos decassílabos. Um soneto deve apresentar duas estrofes de quatro versos e duas estrofes de três versos, com rimas. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 87LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 87 25/08/2022 15:26:2325/08/2022 15:26:23 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 88 PRODUÇÃO DE TEXTO 1. Desenvolva a atividade a seguir, em grupo. a) Reúna-se em grupo. b) Escolha um dos poemas relacionados em Antologia de poemas para leitura em voz alta (esta antologia está publicada ao final destas orientações). c) Leiam o poema escolhido diversas vezes, procurando encontrar o ritmo adequado à sua expressão em voz alta. Além disso, tente compreender os sentidos do texto, pesquisando o significado de palavras ou expres- sões desconhecidas, bem como entender as intencionalidades do texto. d) Experimentem a leitura de várias maneiras e, a partir daí, procedam à divisão de vozes, de tal forma que seja obtida a melhor expressividade do poema. Nesse caso, é possível que determinado verso ou trecho dele seja lido por duas, três ou, até mesmo, todas as vozes. O importante é garantir tanto a expressividade quanto a inteligibilidade do poema. e) Apresentem para a sala a leitura do poema escolhido. Atenção: nessa apresentação, não deve ser utilizado recurso sonoro (não usar música nem acompanhamento por instrumentos musicais) e tampouco realizar dramatização. O que deve ficar em evidência é a voz das pessoas. Durante a apresentação dos demais grupos, anote em seu caderno os aspec- tos positivos e negativos de cada uma delas. Antologia de poemas para leitura em voz alta Digo sim Ferreira Gullar Poderia dizer que a vida é bela, e muito, e que a revolução caminha com pés de � or nos campos de meu país, com pés de borracha nas grandes cidades brasileiras e que meu coração é um sol de esperanças entre pulmões e nuvens. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 88LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 88 25/08/2022 15:26:2325/08/2022 15:26:23 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 89 Poderia dizer que meu povo é uma festa só na voz de Clara Nunes no rodar das cabrochas no Carnaval da Avenida. Mas não. O poeta mente. A vida nós a amassamos em sangue e samba enquanto gira inteira a noite sobre a pátria desigual. A vida nós a fazemos nossa alegre e triste, cantando em meio à fome e dizendo sim – em meio à violência e à solidão dizendo sim – pelo espanto da beleza pela � ama de Tereza pelo meu � lho perdido neste vasto continente por Vianinha ferido pelo nosso irmão caído pelo amor e o que ele nega pelo que dá e que cega pelo que virá en� m, não digo que a vida é bela tampouco me nego a ela: – digo sim. GULLAR, Ferreira. Digo sim. In: BRAIT, Beth (Org.). Ferreira Gullar. São Paulo: Abril Educação, 1981, p. 73 Coleção Literatura comentada. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 89LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 89 25/08/2022 15:26:2325/08/2022 15:26:23 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 90 NavioNegreiro I ‘Stamos em pleno mar... Doudo no espaço Brinca o luar — dourada borboleta; E as vagas após ele correm... cansam Como turba de infantes inquieta. ‘Stamos em pleno mar... Do � rmamento Os astros saltam como espumas de ouro... O mar em troca acende as ardentias, — Constelações do líquido tesouro... ‘Stamos em pleno mar... Dois in� nitos Ali se estreitam num abraço insano, Aninha e suas pedras Não te deixes destruir… Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede. Cora Coralina, Melhores poemas. Editora Global, 2020. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 90LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 90 25/08/2022 15:26:2425/08/2022 15:26:24 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 91 ALVES, Castro. “O navio negreiro”. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ bv000068.pdf. Acesso em 21 de abril de 2022. ALVES, Castro. “O navio negreiro”. In: 2. Com base na leitura dos quatro sonetos, que seguem, escolha uma das propostas. Proposta 1 Atividade individual a) Escolha um dos sonetos apresentados no final deste capítulo. b) Tomando o poema escolhido como base, elabore um poema-paródia que tenha como assunto algum fato ocorrido recentemente. c) Imprima o poema que você produziu, acompanhado de uma ilustração elabo- rada por você (essa ilustração pode ser uma foto, uma colagem ou um desenho). d) Apresente sua produção para a sala. Proposta 2 Atividade em grupo a) O grupo deverá selecionar um dos SONETOS apresentados no final deste capítulo. b) Transformem o poema escolhido em um texto audiovisual. Para isso, o grupo poderá utilizar recursos de computador (Power point ou flash, por exemplo) ou filmar (captando imagens por filmadora e/ou por celular). Azuis, dourados, plácidos, sublimes... Qual dos dous é o céu? qual o oceano?... ‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas Ao quente arfar das virações marinhas, Veleiro brigue corre à � or dos mares, Como roçam na vaga as andorinhas... Donde vem? onde vai? Das naus errantes Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? Neste saara os corcéis o pó levantam, Galopam, voam, mas não deixam traço. Bem feliz quem ali pode nest’hora Sentir deste painel a majestade! Embaixo — o mar em cima — o � rmamento... E no mar e no céu — a imensidade! Esta produção poderá ser ini- ciada com antecedência para que haja tempo de realização e, principalmente, possa haver um acompanhamento mais detalhado de todo o processo de execução de cada proposta. Também antes, solicitar que sejam lidos os sonetos e, somente depois disso, registrar as escolhas de cada proposta. Na escolha das propostas, orientar para que ela seja feita de acordo com o potencial e as capacidades de cada aluno/ aluna. Proposta 1 Trata-se de uma proposta que retoma o conceito de inter- textualidade, mas agora com a solicitação de que o texto produzido seja acompanha- do de ilustração [desenho, pintura, foto, colagem etc.]. Ao acompanhar o processo de ela- boração, orientar o/a aluno/a para explorar todas as possi- bilidades da linguagem, sem perder o tema escolhido – um fato recentemente acontecido. A apresentação dos trabalhos pode ser feita no formato ex- posição: que o/a aluno/aluna prepare um grande cartaz para que a paródia e a ilustração � quem bem visíveis. Proposta 2 Neste trabalho, o grupo elabo- rará um exercício de tradução intersemiótica – passagem de uma linguagem (aqui verbal) para outra (audiovisual). Orien- tar para que a criatividade seja o ponto alto, de forma que a seleção de imagens e/ou sons permita dar maior amplitude ao sentido do soneto. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 91LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 91 25/08/2022 15:26:2425/08/2022 15:26:24 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 92 c) Para que a criação tenha maior realce, procurem imagens e/ou sons que deem maior amplitude ao universo semântico do poema. d) Apresentem a produção para a sala. Proposta 3 Atividade em dupla a) Escolham um dos sonetos apresentados no final deste capítulo. b) Elaborem, para esse poema, uma música. c) Apresentem a produção para a sala, utilizando instrumentos musicais. Soneto 1 Inverno Amanheceu – no topo da colina Um céu de madrepérola se arqueia Limpo, lavado, reluzindo – ondeia O perfume da selva esmeraldina. Uma luz virginal e cristalina, Como de um rio a transbordante cheia, Alaga as terras culturais e arreia De pingos d’ouro os verdes da campina. Um sol pagão, de um louro gema d’ovo, Já tão antigo e quase sempre novo Surge na frígida estação do inverno. – Chilreiam muito em árvores frondosas Pássaros – fulge o orvalho pelas rosas Como o vigor no espírito moderno. Cruz e Sousa, Poesia Completa, org. de Zahidé Muzart, Florianópolis: Fundação Catarinense de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993. In: http://www.dominiopublico.gov.br/ download/texto/bv000075.pdf. página 27. Consulta realizada em 21 de abril de 2022. Proposta 3 Embora pareça simples, esta é uma atividade que exige muito cuidado, pois, conforme depoi- mento de autores/autoras de letras de música é bem mais difícil colocar música em um poema. Geralmente, a letra é feita depois da música. Por isso, esta é uma proposta que será mais bem realizada por quem tem habilidades musicais. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 92LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 92 25/08/2022 15:26:2425/08/2022 15:26:24 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 93 Soneto 2 Soneto 092 Mudam se os tempos, mudam se as vontades, muda se o ser, muda se a con� ança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, diferentes em tudo da esperança; do mal � cam as mágoas na lembrança, e do bem (se algum houve), as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto foi de neve fria, e, en� m, converte em choro o doce canto. E, afora este mudar se cada dia, outra mudança faz de mor espanto, que não se muda já como soía. CAMOES, Luiz Vaz de. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ bv000164.pdf, página 31. Consulta realizada em 21 de abril de 2022. Soneto 3 Soneto XIII “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 93LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 93 25/08/2022 15:26:2425/08/2022 15:26:24 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 94 Soneto de separação De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama Soneto 4 E conversamos toda a noite, enquanto A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi:”Amai para entende-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas”. BILAC, Olavo. Antologia : Poesias. São Paulo : Martin Claret, 2002. p. 37-55 : Via-Láctea. (Coleção a obra-prima de cada autor). In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/bv000289.pdf. página 6. Consulta realizada em 21 de de abril de 2022. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 94LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 94 25/08/2022 15:26:2425/08/2022 15:26:24 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 95 De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que sefez amante E de sozinho o que se fez contente Fez-se do amigo próximo, o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente Vinicius de Moraes. Antologia poética. São Paulo, Cia. das Letras - Editora Schwarcz, 1999 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 95LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 95 25/08/2022 15:26:2525/08/2022 15:26:25 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 96 REFLEXÃO Leia o texto que foi publicado no jornal Folha de S. Paulo, de 30 de março de 2001. O dragão invencível José Roberto Torero Era uma vez uma distante e bela � oresta onde vivia um dragão invencível. Ele tinha escamas de ferro que não eram perfuradas nem pelas mais pontiagudas lanças, uma cauda cheia de espinhos que derrubava até as maiores árvores, asas que produziam verdadeiros tufões e, é claro, todos tremiam diante do calor das chamas que saíam de sua garganta. Muitos animais daquela � oresta já tinham tentado derrotá-lo. A maioria deles vi- rou churrasco. E bem passado. Não havia dente de tigre, patada de cavalo ou nariz de tatu que conseguisse feri-lo, e assim a fama do dragão chegou até aos mais distantes recantos do planeta. Durante longos e longos anos, o dragão invencível fez jus ao epíteto de invencível. E quando algum maluco ousava opor-se a ele, os urubus começavam a lamber os beiços antes mesmo de a luta começar. Com tamanha facilidade em derrotar seus oponentes, o dragão invencível foi � cando preguiçoso. Já não fazia mais seu cooper matinal (que sempre causava grandes terremotos), esqueceu de praticar haltero� lismo com a cauda, não trei- nava mais golpes de focinho e nem mesmo tomava mais seu famoso chá de alho com pimenta que tanto ajudava suas chamas. Passou a viver da glória. Tudo corria tranquilamente até que, certo dia, um esforçado tigre de uma terra distante resol- veu desa� á-lo. 6 O ASSUNTO É: COERÊNCIA E COESÃO LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 96LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 96 25/08/2022 15:26:2725/08/2022 15:26:27 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 97 1. O texto, originalmente, não foi escrito para crianças. Porém, sua elaboração, obe- dece a uma fórmula de texto infantil. Diante disso, quanto ao tipo de texto, como você classificaria essa narrativa? Que aspectos do texto justificam sua resposta? 2. Identifique os locais em que ocorrem as ações narradas. 3. Enumere as referências temporais apresentadas ao longo da narrativa. Após esse levantamento, você diria que as ações obedecem a uma cronologia li- near? Justifique. 4. Em face dos personagens e dos locais apresentados nesta narrativa, há, pelo menos, seis elementos que causam estranheza. Cite alguns deles e explique por que eles são mencionados. 5. Considerando o contexto apresentado, responda: a) o que significa “acabar numa draga”? b) como se denomina o jogo com as palavras “dragão” e “draga”? “Você está pronto para perder?”, perguntou o dragão. Não há derrota antes da luta”, respondeu o felino. “Logo se vê que você nunca ouviu as lendas que se contam sobre mim. E nem viu um VT.” A luta foi então marcada para o deserto e, após uma hora e meia de patadas, ocor- reu o inesperado: o tigre saiu vencedor. Aquilo foi um terrível golpe para o renome do dragão invencível, mas – vejam como é estranho esse negócio de fama – muitos moradores de povos longínquos simplesmente não acreditaram na história. “O dragão foi derrotado? Isso é história da carochinha. Conte outra.” Foi preciso que um cavalo e um tatu também o derrubassem para que se come- çasse a crer que o dragão invencível talvez não fosse tão invencível assim. Então todos os animais da � oresta começaram a desa� ar o dragão. E, pior, conse- guiam vencê-lo. O elefante atirou-o longe com sua tromba, o bode deu-lhe tre- mendas chifradas na cauda, e o macaco fez com que ele escorregasse em cascas de bananas. Hoje até a pulga a� rma que só está esperando sua vez para derrotá-lo. Moral da história: sem esforço e dedicação, qualquer dragão acaba numa draga. TORERO, José Roberto. O dragão invencível. Folha de S. Paulo. 30 de março de 2001. Disponível em <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ esporte/fk3003200127.htm>. Acesso em 4 jul. 2017. b) Trocadilho. Sugestão: solicitar que sejam produzidas pequenas frases, utilizando esse recurso e, se possível, o jogo entre denotação e conotação (ver orientação acima). 1. É uma fábula. O texto começa com a expressão “era uma vez”, a história se passa em um tempo e lugares distantes, tem como personagens animais com características humanas e termina com uma “moral da história”. 2. • Floresta: local onde viviam o dragão e outros animais • Terra distante: de onde veio o tigre que desa� ou o dragão Deserto: local que receberia a luta entre o dragão e o tigre. 3. “Era uma vez”, “durante lon- gos e longos anos”, “certo dia”, “hoje até a pulga...”. A ação é linear, começa com o dragão invencível derrotando todos os que o desa� avam, depois desleixado, vivendo da fama e da glória que tinha conquistado, até que, desa� ado pelo tigre para uma luta, perde para ele e para outros animais e tem sua invencibilidade questionada. 4. Fazer um cooper matinal, ver um VT. Estes elementos são mencionados para fazer uma ligação com a situação real que inspirou a fábula. 5. a) Acabar mal, desacreditado. Aproveitar para trabalhar deno- tação e conotação. No dicioná- rio Houaiss, uma das acepções de draga é: ”embarcação ou estrutura � utuante destinada a retirar areia, lama ou lodo do fundo do mar, de rios e canais”. Assim, o que “acaba numa draga” é lixo, entulho. Assim, ao escolher a palavra “draga”, o autor explora a aproximação sonora (dragão/draga) e a utiliza conotativamente LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 97LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 97 25/08/2022 15:26:3025/08/2022 15:26:30 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 98 6. Como afirmado na questão 1, este texto não foi produzido como leitura para crianças. José Roberto Torero o publicou no Caderno Esportes, do jornal Folha de S. Paulo. A que esporte ele se refere? Há, no texto, uma expressão que se relaciona a esse esporte. Identifique-a. 7. Embora este texto tenha sido escrito e publicado em 2001, você entende que ele pode ser considerado atual? Por quê? 8. Pesquise histórias infantis e escolha uma que possa se relacionar a algum fato que foi noticiado recentemente. Anote o título da história, um pequeno resumo dela, o fato ao qual você está relacionando e as suas justificativas. 9. Apresente para seus colegas a história e, sem falar do fato ao qual você a associou, peça que eles mencionem a que fato aquela história poderia ser relacionada. Será que haverá outros fatos que se associam à história que você selecionou? Discuta quais aspectos do texto infantil e da(s) notícia(s) justifi- cariam as relações existentes entre eles. Elabore uma síntese das discussões. DA TEORIA À PRÁTICA 1. Coesão textual A palavra coesão, em Física, conforme o Dicionário Houaiss, designa a “força de atração entre átomos e moléculas que constituem um corpo, e que resiste a que este se quebre”. Em outro contexto, quando se faz referência a um grupo eficiente, diz-se que isso ocorre porque é coeso, ou seja, a relação entre seus integrantes é forte e há coesão entre eles. Por exemplo, um técnico de futebol pode justificar a boa atuação do seu time, afirmando que a “equipe atuou de forma coesa”. Transferindo-se estas acepções para o processo pelo qual se dá a produção de um texto, pode-se afirmar que ele se apresenta coeso quando há forte atração entre os diferentes elementos que o constituem, dando resistência ao texto de tal forma que ele não se quebre. Do ponto de vista comunicacional, significa dizer que se produziu um texto eficiente, que produz sentido. Entende-se, então, que o texto será o resultado das ações realizadas pelo emissor, tais como: escolha de palavras; a ordem em que elas aparecem; o ta- manho das frasese dos parágrafos. No entanto, essas ações não são realizadas aleatoriamente, já que o texto não é uma simples soma de palavras ou de frases. O emissor terá que trabalhar seu texto de modo a garantir a sua compreensão. Para isso, deve estar atento a questões relativas ao código que utiliza. Se, por acaso, o primeiro parágrafo do texto trabalhado no início desta uni- dade, fosse escrito desta forma: Era uma vez um distante e belo floresta onde vivia um dragão invencível. Ela tinha escamas de ferro que não eram perfuradas nem pelas mais pontiagudas lanças, uma cauda cheia de espinhos que derrubava até as maior árvores, asas que produziam verdadeiros tufões e, é claro, todos tremia diante do calor das chamas que saíam de sua garganta. 6. “Após uma hora e meia de patadas...”. É uma referência ao futebol, que é disputado em noventa minutos. 7. O texto pode ser considera- do atual tanto por sua lingua- gem quanto pelas questões relacionadas ao futebol, que estão por trás da fábula. Pode, também, ser associado a qual- quer situação semelhante, tais como: uma pessoa (político, celebridade, artista), uma em- presa que já teve momentos de glória e, atualmente, passa por sérias di� culdades e tem seu prestígio ameaçado. 8. Uma das � nalidades desta questão é promover a com- preensão de que as narrati- vas infantis são textos que, além de contar uma história, muitas vezes têm a intenção de aconselhar, de modi� car comportamentos. Ao fazer a aproximação desse tipo de texto com fatos cotidianos, é possível perceber que ele se renova e se apresenta ao leitor de forma inusitada. Orientar o/a aluno/a a registrar a fonte em que obteve os tex- tos selecionados. Importante para que possa incorporar esse procedimento e, autonoma- mente, o empregue em outras situações. 9. Neste momento, sugere-se, ainda, que o fato seja mencio- nado e a sala desa� ada a indi- car o texto infantil ao qual se associa. Para aprofundar esta questão, pode-se solicitar que outros tipos de texto (letras de música, poemas, pinturas) se- jam utilizados nesse processo de associação. Conforme as sínteses vão sendo apresentadas, solicitar que um/a aluno/a anote, no quadro ou em seu caderno, os aspectos considerados mais relevantes. Ao � nal, esse texto será a síntese da sala. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 98LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 98 25/08/2022 15:26:3025/08/2022 15:26:30 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 99 A leitura deste trecho provoca estranheza, pois há expressões que foram uti- lizadas em desacordo com a língua normativa. Em todas as expressões destaca- das, nota-se que as regras de concordância nominal ou de concordância verbal foram desconsideradas: • “... um distante e belo floresta...”: floresta– substantivo feminino – pede que as palavras com as quais ela se relaciona obedeçam à concordância no gênero feminino. Assim, “uma distante e bela floresta” mostra essa obediência. • “...um dragão invencível. Ela tinha escamas...”: dragão – substantivo mas- culino – pede que as palavras com as quais ela se relaciona obedeçam à concordância no gênero masculino. Assim, “ ... um dragão invencível. Ele tinha escamas”. • “...derrubava até as maior árvores...”: árvores – substantivo no plural – pede que as palavras com as quais ela se relaciona obedeçam à concor- dância de flexão (plural). Assim, “...derrubava até as maiores árvores...”: • “...todos tremia diante do calor...”: todos – sujeito, no plural, do verbo tre- mer – pede que o verbo concorde com o sujeito. Assim, “...todos tremiam diante do calor...”. Em todos os exemplos apontados, trabalhou-se um dos processos de coesão textual: as relações gramaticais. Portanto, o conhecimento gramatical é um dos fatores significativos para a elaboração de um texto coeso. Para conhecer outro fator importante, observe as palavras destacadas em ou- tro trecho do texto de José Roberto Torero: Tudo corria tranquilamente até que, certo dia, um esforçado tigre de uma terra distante resolveu desafiá-lo. “Você está pronto para perder?”, perguntou o dragão. “Não há derrota antes da luta”, respondeu o felino. Por que o autor, em lugar de usar a palavra tigre, empregou felino? Porque a repetição de palavras e/ou expressões pode tornar o texto cansativo ou desinte- ressante à leitura. Para evitar isso, lança-se mão de outras palavras que as subs- tituem de modo eficaz. A palavra felino – que designa a família a que o tigre pertence – substitui tigre. Como esta palavra foi apresentada antes, o leitor, desde que saiba que o tigre é um animal daquela família, não terá dificuldade em com- preender o sentido desse trecho. No exemplo citado, foi empregado, anteriormente, um termo específico (ti- gre) que foi substituído por outro mais abrangente, geral (felino). Porém, é pos- sível fazer o contrário: apresentar antes um termo mais abrangente e substituí-lo por outro particular. Essas diferentes formas de substituição mostram o outro fator importante para se estabelecer a coesão de um texto: as relações semânticas. Assim, além de possuir bom conhecimento gramatical, é necessário dominar um bom vocabulário (conhe- cer palavras e expressões e seus significados) para elaborar um texto coeso. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 99LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 99 25/08/2022 15:26:3025/08/2022 15:26:30 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 100 Há, ainda, um tipo de substituição em que tanto o conhecimento gramatical quanto o semântico ocorrem simultaneamente. E o pronome é a classe gramatical que exemplifica bem esse processo: ao mesmo tempo em que, no plano semân- tico, significa (representa) outra palavra ou expressão, no plano gramatical, deve obedecer às exigências formais da língua. Observe o segundo parágrafo do texto de Torero, escrito desta maneira: Muitos animais daquela floresta já tinham tentado derrotar o dragão. A maioria dos muitos animais daquela floresta virou churrasco. • “...tentado derrotar o dragão.”: como o dragão é o personagem central do texto, é inevitável que essa palavra apareça constantemente. Assim, subs- tituí-la por um pronome pode fazer o texto fluir com mais leveza – “... tentado derrotá-lo.”. • “A maioria dos muitos animais daquela floresta...”: neste caso, observe como uma expressão inteira pode ser substituída por um pronome – “A maioria deles...”. A conjunção é também uma classe gramatical significativa nesse processo de coesão textual. É por meio dela que o leitor pode compreender uma passagem do texto. Por exemplo, em “O dragão invencível”, quando o narrador apresenta a vi- tória do tigre, é com a conjunção mas que o leitor entende que, apesar do terrível golpe, o dragão manterá seu prestígio. Deve-se ressaltar que o mecanismo de coesão textual é realizado, ainda, pela escolha das palavras. Trata-se da coesão lexical. No caso do texto trabalhado des- de o início deste módulo, basta verificar que boa parte do léxico empregado gira em torno do espaço (floresta) e dos animais que nela vivem. Até aqui a coesão textual foi apresentada em textos elaborados com código verbal. E nos textos em que, além do verbal, emprega-se também o não verbal? Nesses textos, os mecanismos de coesão textual também estão presentes. Nos textos midiáticos mais comuns (jornalísticos, televisivos, radiofônicos, publicitários) é fácil perceber como ela ocorre. Cores, formas, logotipos, vinhe- tas, fontes são alguns dos elementos textuais que atuam como elos coesivos. Como uma das características dos textos midiáticos é a repetição, o processo de coesão textual é percebido não somente dentro do próprio texto como em outros semelhantes veiculados em datas e/ou mídias diferentes. Para compreender melhor, acesse, na internet, o site de uma empresa e veja a harmonia existente entre cores, logotipo e as diferentes seções e páginas que o compõem. Observe um programa de TV e veja como, em todas as suas exibições, os cenários e as cores neles utilizadassão quase sempre os mesmos. Assim como a abertura e o encerramento do programa se repetem. Já em um jornal ou em LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 100LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 100 25/08/2022 15:26:3025/08/2022 15:26:30 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 101 uma revista, o que se repete é a diagramação (o desenho das páginas, das colunas, por exemplo). Em textos publicitários, por exemplo, as cores da roupa dos mo- delos ou dos personagens, frequentemente, são semelhantes às cores do logotipo da marca anunciante. Veja nos três outdoors reproduzidos abaixo como se dá a coesão entre eles. M P Pu bl ic id ad e M P Pu bl ic id ad e M P Pu bl ic id ad e https://www.detodaforma.com/2012/03/as-propagandas-divertidas- e-criativas.html. Acesso em 3 de maio de 2022. https://institucional.hortifruti.com.br/comunicacao/campanhas/ cascas/. Acesso em 3 de maio de 2022 . LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 101LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 101 25/08/2022 15:26:3125/08/2022 15:26:31 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 102 • Note que a diagramação dos outdoors é semelhante. Verifique o mesmo formato, a escolha de cores, predominando vários tons de verde (mais cla- ro e mais escuro), sendo que a cor verde, além da cor vermelha, aparece também no logotipo do anunciante; o tamanho das letras; as imagens dos vegetais; o trocadilho com nomes de filmes, frases de efeito no canto di- reito de cada outdoor. Isso proporciona uma identificação do público com o qual se deseja entrar em contato. As ilustrações também apresentam muita coesão quanto às cores, tamanho e localização no outdoor. Finalizando, destaca-se que, conforme a situação comunicativa e os seus par- ticipantes, há textos em que, para garantir sua compreensão, é necessário utilizar uma quantidade maior de elos coesivos. Isso ocorre, por exemplo, em mensagens científicas, expositivas, em determinados textos jornalísticos e todas as vezes em que há maior distância entre emissor e destinatário (tais como, pessoas que não se conhecem; diferenças hierárquicas – o presidente de uma empresa e um ge- rente, por exemplo). Por outro lado, quando os participantes são mais próximos, quando há familiaridade no relacionamento entre eles, o mais comum é utilizar menor quantidade de elos coesivos (basta observar os contatos entre amigos; en- tre parentes, por exemplo). 2. Coerência textual Enquanto a coesão diz respeito aos detalhes de um texto e como eles são articulados, harmonizados, a coerência volta-se para o conjunto do texto. Mais precisamente, para a sua finalidade comunicacional. Isto é, considera-se coeren- te o texto que, em determinada situação comunicativa, atinge o objetivo para o qual foi elaborado. Assim, a coerência, numa situação comunicativa, é o que dá sentido a um texto. E, para isso, tanto o emissor quanto o destinatário têm papéis fundamentais, já que a coerência textual será o resultado de um processo coope- rativo entre eles. Da parte do emissor, espera-se que produza um texto inteligível e que per- mita ser interpretado – elaborado de tal modo que o destinatário possa decodi- ficá-lo e possa compreendê-lo. Por exemplo, a língua em que uma mensagem é elaborada deve estar em sintonia com o tipo de público ao qual pretende atingir. É no aspecto inteligível que se verifica a coesão textual. Do destinatário, espera-se que participe do processo de comunicação, esfor- çando-se em decodificar a mensagem e em compreendê-la: por exemplo, bus- cando o significado de algumas palavras estranhas ao seu vocabulário. Para melhor compreensão do conceito de coerência textual, relembre o texto “O dragão invencível”, de José Roberto Torero, apresentado no início desta uni- LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 102LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 102 25/08/2022 15:26:3125/08/2022 15:26:31 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 103 dade. Foi informado que, embora tivesse uma estrutura semelhante a uma his- tória infantil (fábula), o autor não a escreveu para que o público infantil a lesse: lembre-se de que a crônica foi publicada originalmente no caderno de Esportes de um jornal diário. Conhecer o contexto em que José Roberto Torero produziu o seu texto aju- dará a compreender com que intenção ele o escreveu e o publicou no dia 30 de março de 2001. No dia 28 de março de 2001, em jogo pela classificação para a Copa do Mun- do de 2002, a seleção brasileira de futebol havia sido derrotada pela equipe do Equador. Acrescendo-se a informação de que aquela fora a primeira vez que a seleção equatoriana derrotava a seleção do Brasil. Além disso, a seleção brasileira, anteriormente, havia sofrido outras derrotas para Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia e Equador. Diante desse contexto, verificando o caderno jornalístico em que a crônica foi publicada e o seu público-destinatário, pode-se afirmar que – o emissor estava seguro de que o seu leitor compreenderia o texto e, mais ainda, perceberia o seu lado irônico e – o destinatário leria o texto, compreendendo o que estava além de suas palavras, associando-o às derrotas sofridas pela seleção brasileira. 3. Fatores de coerência Nesse processo cooperativo entre emissor e destinatário, há algumas con- dições que podem orientar a produção e a recepção de mensagens coerentes. Denominam-se fatores de coerência, contudo não é necessário que todos eles es- tejam, ao mesmo tempo, presentes em uma mensagem. Relevância Numa conversa informal, ouve-se, vez por outra; “Você está fugindo do as- sunto!”. O que se espera é exatamente que não se fuja do tema que se está abor- dando. Denomina-se relevância ao fator que garante a manutenção do tema de um texto. Consistência Ao elaborar uma mensagem, espera-se que seu autor não apresente ideias ou fatos que se oponham a algo afirmado anteriormente. Consistência, então, é o fator que garante não existir oposições frontais em uma mensagem. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 103LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 103 25/08/2022 15:26:3125/08/2022 15:26:31 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 104 Veja, a seguir, na fábula de La Fontaine, como estes dois fatores podem ser analisados. O lobo e o cordeiro Na água limpa de um regato, matava a sede um cordeiro, quando, saindo do mato, veio um lobo carniceiro. Tinha a barriga vazia, não comera o dia inteiro. - Como tu ousas sujar a água que estou bebendo? - rosnou o Lobo a antegozar o almoço. - Fica sabendo que caro vais me pagar! - Senhor - falou o Cordeiro - encareço a Vossa Alteza que me desculpeis mas acho que vos enganais: bebendo, quase dez braças abaixo de vós, nesta correnteza, não posso sujar-vos a água. - Não importa. Guardo mágoa de ti, que ano passado, me destrataste, � ngido! - Mas eu nem tinha nascido. - Pois então foi teu irmão. - Não tenho irmão, Excelência. - Chega de argumentação. Estou perdendo a paciência! - Não vos zangueis, desculpai! - Não foi teu irmão? Foi o teu pai ou senão foi teu avô. Disse o Lobo carniceiro. E ao Cordeiro devorou. Onde a lei não existe, ao que parece, a razão do mais forte prevalece. La FONTAINE. O lobo e o cordeiro. In: LA FONTAINE. Fábulas. 4.ed. Tradução e adaptação de Ferreira Gullar. Rio de janeiro: Revan, 1999. Como em toda fábula o ponto alto é a moral da história (ou seja, a finalidade para a qual ela foi elaborada: neste caso, “aconselhar” o leitor de que sem lei os fracos – ainda que tenham razão – são subjugados pelos mais fortes), percebe-se que ela garante os fatores de relevância e de consistência. A relevância fica evidente na estrutura da fábula: o lobo apresenta, seguida- mente, frágeis argumentos e o cordeiro os refuta, sem, porém, impedir que seja devorado. O tema (quando não há lei, os mais fracos são derrotados pelos mais fortes) mantém-se constante. E, em nenhum momento, essa estrutura apresenta contradição: o texto é consistente. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 104LIVRO DE REDACAOFINAL .indb 104 25/08/2022 15:26:3225/08/2022 15:26:32 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 105 Já, ao trabalhar no plano do diálogo entre os personagens, observe, na se- gunda estrofe da fábula de La Fontaine, como o lobo apresenta seu primeiro argumento para intimidar o cordeiro e como este, na terceira estrofe, aponta a contradição existente no raciocínio do lobo. Ou seja, no plano da construção da mensagem falta consistência à argumentação do lobo. Isto não é suficiente para demovê-lo de seu real intento (devorar o cordeiro). Tanto que, na sequência da narrativa, o lobo invoca – aleatoriamente – outros argumentos, também refuta- dos pelo cordeiro. Elementos Linguísticos A mensagem deve ser elaborada em harmonia com a linguagem do seu des- tinatário. Até porque, como já se viu anteriormente, o conhecimento linguístico é porta de acesso ao texto. Aqui, entende-se que esse conhecimento, além de se referir ao código verbal (no nosso caso, a língua portuguesa), estenda-se também ao código não verbal (por exemplo, a cor vermelha, no sinal de trânsito, significa pare!). Conhecimento de mundo O ser humano armazena seus conhecimentos em blocos – ou modelos cogni- tivos. Assim, por exemplo, quando alguém ouve ou lê a palavra acidente, não se pensa apenas em seu significado conceitual, mas também em algo mais comple- xo: um antes e um depois; causas e consequências; coisas e/ou pessoas envolvidas etc. Outros exemplos: • casamento; festa de 15 anos; velório; • os estereótipos, situações convencionais que nos veem à memória em blo- co. Quando se fala “Natal”, certamente, na lembrança de cada um, vem um conjunto de elementos que caracterizam essa data; • os planos, as estratégias: uma série de procedimentos necessários para al- cançar determinado objetivo: por exemplo, fazer compras em uma feira (o que comprar primeiramente, dinheiro que se dispõe a gastar, comparar preço e qualidade). Em textos literários, peças de teatro, história em quadrinhos, filmes, é muito comum o emissor elaborar mensagens em que o destinatário precisa acionar seu conhecimento de mundo para compreender, ou mesmo completar, certas situa- ções. Por exemplo, em um filme, um rapaz, que está em casa e ainda de pijama, telefona às 9h da manhã para a namorada e a convida para almoçar em um res- taurante. A cena seguinte mostra o rapaz e a moça almoçando no restaurante. O tempo decorrido, e não mostrado, é completado pelo conhecimento de mundo do destinatário (por exemplo, o rapaz fez a barba, tomou banho, escovou os den- tes.... colocou uma roupa adequada ao encontro). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 105LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 105 25/08/2022 15:26:3225/08/2022 15:26:32 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 106 Veja estes dois fatores de coerência aplicados a uma foto publicada no jornal Folha de S. Paulo, do dia 15 de março de 2003. Na foto, vê-se um grupo de pessoas “escrevendo” a palavra “pau”. Ao ver essa imagem, por estar em um jornal e a maneira como as pessoas se encontram, o conhecimento de mundo deve ativar no leitor a compreensão de que se trata de algum tipo de manifestação, um protesto ou alguma reivindicação. Para o conhecimento linguístico de um leitor brasileiro, certamente, a pa- lavra “pau” não deve trazer problemas de compreensão. Porém, o inusitado é vê-la em uma página de jornal e “formada” por um grupo de pessoas. Seria uma manifestação ecológica? Seria uma provocação para uma briga (“quebrar o pau”). Observe, agora, a notícia completa. Fo lh ap re ss Um grupo de crianças forma a palavra “pau”, que significa “paz” na língua catalã, no pátio de sua escola, em Barcelona (Espanha) Ao ver a notícia completa (pois, afinal, é assim que ela é publicada), a ideia de manifestação se confirma (“Grupos convocam protestos contra a guerra”): esta notícia foi publicada em março de 2001, no contexto da declaração de guerra dos Estados Unidos contra o Iraque. A legenda da foto, por sua vez, esclarece que a palavra “pau” não pertence à língua portuguesa: em catalão, “pau” significa paz. Uma vez que um veículo jornalístico não recebe apenas uma foto para do- cumentar suas notícias, por que foi exatamente esta a imagem escolhida para LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 106LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 106 25/08/2022 15:26:3325/08/2022 15:26:33 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 107 acompanhar a matéria? Certamente, porque a palavra despertaria curiosidade pela sua semelhança com o léxico português. Dessa maneira, não se trata de uma incoerência, mas sim de uma estratégia para atrair o leitor. Conhecimento partilhado Ao elaborar sua mensagem, o emissor sempre deve ter em vista o “ideal” de leitor que será o destinatário daquela sua produção. Por esse motivo, terá que se preocupar com os limites de compreensão (para mais ou para menos) desse leitor. Assim, se o texto for produzido com uma grande quantidade de “novidades”, o destinatário terá dificuldade em compreendê-lo. Palavras incomuns; estrangeirismos em excesso; conceitos inacessíveis e pouco explicados; imagens fora do comum são alguns exemplos de escolhas que podem fazer do texto algo inatingível. Por outro lado, um leitor poderá ficar desestimulado a ler um texto elabora- do de forma redundante, com grande quantidade de informações muito conhe- cidas, com imagens estereotipadas. Aceitabilidade Este é um fator de coerência que diz respeito à atitude do destinatário de uma mensagem. Se ele deseja, ou não, participar do jogo da comunicação. Trata-se do esforço que o destinatário realiza para buscar a coerência do texto. Muitas vezes, é necessário estar atento para a finalidade do texto e compreender suas peculiaridades. Intencionalidade Todas as mensagens são produzidas por algum motivo. Sempre há intenções nessa produção, ainda que, algumas vezes, ela não fique bem evidenciada. Assim, cabe ao emissor elaborar de tal modo que a finalidade de seu texto possa ser atin- gida e, ao destinatário, compreender (ou buscar) a intenção da mensagem. Informatividade Corresponde à maior ou menor previsibilidade presente em uma mensagem. De um texto literário, por exemplo, espera-se que ele surpreenda mais, pois seu compromisso é com o lúdico, com a criatividade. Essa mesma característica pode estar presente em determinados filmes, em peças de teatro e em muitas peças publicitárias. Nesses textos, a linguagem será mais elaborada – as figuras de lin- guagem terão maior presença, os códigos serão selecionados pelo caráter polissê- mico. Dessa forma, a menor previsibilidade corresponde a um fator de informa- tividade maior (o destinatário terá que se esforçar mais para participar desse tipo de comunicação e, portanto, deve estar mais propenso a aceitá-lo). Já um texto altamente previsível terá um fator de informatividade menor. Embora exija menor esforço do seu destinatário, esse tipo de texto torna-se pou- co atraente, porque redundante, e deixa o leitor menos atento. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 107LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 107 25/08/2022 15:26:3325/08/2022 15:26:33 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 108 Numa situação comunicativa cotidiana, será mais adequado que se encontre um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos, de tal modo que o leitor possa, ao mesmo tempo, compreender a mensagem e sentir-se participante ativo do processo de comunicação. Inferência Inferência corresponde à capacidade que o leitor de um texto tem de identi- ficar informações que não foram explicitadas pelo emissor. Para isso, o destina- tário trabalha com elementos do texto ou da situação e emprega o seu conheci- mento de mundo. Um exemplo está presente no texto trabalhado na questão 3 da página 113, quando o pai infere que seu filho quer tomar sorvete. A frase do filho “Eu já sarei do resfriado”, a visão da sorveteria (contexto) e o conhecimento que tem do filho, levam o pai a fazeraquela inferência. Inferir, contudo, não significa que o leitor poderá tirar qualquer conclusão. Imagine a seguinte situação: Um grupo de pessoas está em uma festa e uma jovem é apresentada a esse grupo. Num determinado momento, a jovem afirma: “Eu me casei com dezoito anos”. E uma pessoa do grupo, infere: “Você estava grávida?”. A jovem respon- de: “Não, não estava grávida! Eu quis casar cedo!” A pergunta da pessoa revelou uma inferência que não encontrava apoio na pri- meira afirmação da jovem e, pior ainda, expõe o preconceito presente na ideia de que qualquer mulher que se casa cedo só o faz para contornar uma situação indesejada. Intertextualidade A intertextualidade ocorre quando o emissor, para elaborar sua mensagem, busca, intencionalmente, o conhecimento que ele possui de outros textos e, de al- guma forma, os utiliza em sua produção. Veja como o poema “Canção do exílio”, de Gonçalves Dias, está presente no poema “Canção de exílio facilitada”, de José Paulo Paes. Canção do exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais � ores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 108LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 108 25/08/2022 15:26:3425/08/2022 15:26:34 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 109 Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho, à noite – Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio. In: _____. Primeiros cantos, p. 2. Disponível em <http:// www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/bv000115.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2017. Canção de exílio facilitada lá? ah! sabiá... papá... maná... sofá... sinhá... cá? bah! PAES, José Paulo. Canção do Exílio facilitada. In: _____. Um por todos: poesia reunida. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 67 LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 109LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 109 25/08/2022 15:26:3425/08/2022 15:26:34 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 110 O poema de Gonçalves Dias foi produzido na primeira metade do século XIX, segundo os conceitos do Romantismo, em especial, nacionalismo. A com- posição de José Paulo Paes, obra da segunda metade do século XX, posterior ao Modernismo, revela a liberdade na construção do poema e a apropriação irônica do sentido original do poema de Gonçalves Dias. A intertextualidade pode ocorrer de modo mais simples, quando se recorre a outros textos que podem apoiar uma exposição ou um argumento de um emis- sor. Um autor que se afirma racionalista pode escrever, por exemplo: Somente a razão guia nossas decisões, pois é o pensamento que nos mostra que existimos. Por isso, concordo com Descartes, quando afirma: “Penso, logo existo!”. Quanto ao destinatário, é preciso que ele, de alguma forma, conheça os textos referidos para compreender com que intenção o emissor recorreu a esses textos. É o caso do poema de José Paulo Paes. Se, porventura, alguém que o ler não ti- ver conhecimento do texto de Gonçalves Dias e dos diferentes contextos em que cada poema foi elaborado, terá muita dificuldade em compreender plenamente a intencionalidade da produção de José Paulo Paes. Focalização Este fator diz respeito à concentração necessária que tanto o emissor quanto o destinatário devem ter em relação ao tema e ao objetivo de uma mensagem. Ao emissor, cabe a função de lançar “pistas”, sem perder o foco e, ao destinatário, a de processar essas “pistas”, utilizando, para isso, seus conhecimentos (linguísticos, de mundo e partilhado). Fatores de contextualização Há dois tipos de fatores de contextualização: os propriamente ditos e os pers- pectivos. São fatores de contextualização propriamente ditos os diversos elementos presentes em um texto e que se relacionam diretamente à situação comunicativa, ao contexto, e que podem auxiliar na compreensão do assunto e no objetivo da mensagem. Veja a seguir alguns exemplos de fatores de contextualização: • numa correspondência – carta ou e-mail –, a data e o local; • numa conversa, o tom de voz de uma pessoa; • em um jornal, o caderno em que se publica o texto; • em documentos, o carimbo, a assinatura de uma autoridade. O outro tipo de fator de contextualização é denominado perspectivo, porque, antes mesmo de o texto ser lido, provoca alguma reação no destinatário. Por exemplo: saber que determinado texto foi escrito por Rubem Braga poderá atrair ou afastar um leitor e gerará uma expectativa quanto ao tipo de texto que esse autor escreveu. Outro exemplo: o título do texto. Que expectativas o título “Apareceu um ca- nário” pode provocar? O verbo “apareceu” pode indicar “novidade”, algo que não LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 110LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 110 25/08/2022 15:26:3425/08/2022 15:26:34 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 111 havia e agora há: o canário. Além de despertar curiosidade em saber como esse canário apareceu, o que ocorreu a partir desse instante, para quem ele apareceu... Pois, no livro 200 crônicas escolhidas, de Rubem Braga, há uma crônica cujo título é “Apareceu um canário”! APLICAÇÃO 1. Apresentam-se, a seguir, dois pequenos textos elaborados por Mário Quintana. Porém, todas as palavras que compõem cada texto estão dispostas em ordem alfabética. Sua tarefa é, para cada grupo de palavras, tentar reconstituir o texto original (detalhes: o título do texto tam- bém está embaralhado). a) a – ano – de – é – é – é – gente – mais – o – o – ponto – que – quem – tempo – tempo – um – um – velho – velho – vista b) declamadoras – em – esgoelado – lírico – passarinho – pelas – poeta – público – triste 2. No texto a seguir, publicado na primeira página do jornal Folha de S. Paulo, do dia 02 de abril de 2005, ocorre um problema de coesão textual que pode dificultar a compreensão do texto. ‘Quem viu morreu’, diz moradora As vítimas do massacre foram, na maioria, pedreiros, garçons, pintores e peque- nos empreendedores que haviam saído de casa para fugir do calor e conversar com amigos. Só duas tinham passagens pela polícia. Elas foram escolhidas alea- toriamente para morrer. Rosemary Souza, 40, assistiu à morte do filho Bruno, 14, que brincava no fliperama de um bar. Nove das pessoas que estavam no lugar foram mortas. O objetivo aparente era não deixar sobreviventes. “Quem viu morreu”, diz Karla Patrícia, irmã de uma vítima. a) Indique em que parte do texto está o problema de coesão textual. b) De que modo ele compromete a compreensão do texto? c) Reescreva o trecho, corrigindo o erro de coesão. 3. Observe com atenção a situação comunicativa abaixo. O pai e seu filho de 5 anos caminham por uma calçada. Quando o garoto vê uma sorveteria, fala: – Pai, eu já sarei do resfriado, né? – Você não vai tomar sorvete! – responde o pai. a) Indique o contexto espacial em que ocorre a situação apresentada. b) Entre a fala do filho e a resposta do pai, objetivamente, não há elos coe- sivos. Apesar disso, por que é possível compreender o que ambos pre- tenderam comunicar? 1. Sugestão: dividir a sala em grupos e solicitar que um grupo desa� e outro a montar pequenas frases a partir de um conjunto de palavras. Nesse caso, estipular quanti- dades mínimas e máximas de palavras: poucas, não desa- � am; muitas, não estimulam. a) O tempo O tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um ano mais velho que a gente. b) Triste passarinho es- goelado em público pelas declamadoras. 2. a) “Só duas tinham passa- gens pela polícia. Elas foram escolhidas aleatoriamente para morrer.” b) O entendimentoque se tem é de que apenas as duas pessoas com passagem pela polícia foram escolhidas para morrer. c) Elas foram escolhidas aleatoriamente para morrer. Só duas tinham passagens pela polícia. Chamar a atenção para dois fatos relevantes: • Trata-se de um texto pequeno e isso, de certo modo, facilita a ativida- de de revisão. Porém, o processo de fechamento de um jornal diário é an- gustiante e, nem sempre, há muito tempo para essa revisão. O jornalista produz seus textos sob muita pressão. Sugestão: solicitar que, individual- mente, seja produzido um pequeno texto em tempo reduzido e dentro de um espaço pré-de� nido (por exemplo, o texto deve ter 100 palavras (título+corpo da notícia), na fonte Arial, tamanho 12, para o título, e tamanho 10, para a notícia). • Esse texto foi publicado na primeira página do jornal. Esta é a “capa” do jornal e, por esse motivo, atrai mais a atenção do leitor. Portanto, um problema de redação nessa página assume proporções maio- res. Ou seja, o grau de exigência (e por extensão, o de pressão) é maior. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 111LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 111 25/08/2022 15:26:3425/08/2022 15:26:34 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 112 4. Suponha que você foi eleito representante de sua sala. a) Sua primeira tarefa será a de elaborar um texto para a direção da escola, informando que você foi eleito. Escreva esse texto. b) Mais tarde, ao chegar em casa, você escreve um e-mail para um(a) ami- go(a), passando a mesma informação. Escreva esse texto. c) Compare a produção dos dois textos. Apresente as semelhanças e as diferenças que há entre eles. Por que ocorrem as diferenças? 5. Leia: Apareceu um canário Mulher, às vezes, aparece alguma; vêm por desfastio ou imaginação, essas vo- luntárias; não voltam muitas vezes. Assusta-as, talvez, o ar tranquilo com que as recebo, e a modéstia da casa. Passarinho, desisti de ter. É verdade, eu havia desistido de ter passarinhos; distri- buí-os pelos amigos; o último a partir foi o corrupião Pirapora, hoje em casa do escultor Pedrosa. Continuo a jogar, no telhado de minha água-furtada, pedaços de miolo de pão. Isso atrai os pardais; não gosto especialmente de pardais, mas também não gosto de miolo de pão. Uma vez ou outra aparecem alguns tico-ti- cos; nas tardes quentes, quando ameaça chuva, há um cruzar de andorinhas no ar, em voos rasantes sobre o telhado do vizinho. Vem também, às vezes, um casal de sanhaços; ainda esta manhã, às 5h15m, ouvi canto de sanhaço lá fora; frequentam ou uma certa antena de televisão (sempre a mesma) ou o pinheiro-do-paraná que sobe, vertical, até minha varanda. Fora disso, há, como em toda a parte, bem- -te-vis; passam gaivotas, mais raramente urubus. Quando me lembro, mando a empregada comprar quirera de milho para as rolinhas andejas. Mas a verdade é que um homem, para ser solteiro, não deve ter nem passarinho em casa; o melhor de ser solteiro é ter sossego quando se viaja; viajar pensando que ninguém vai enganar a gente nem também sofrer por causa da gente; viajar com o corpo e a alma, o coração tranquilo. Pois nesse dia eu ia mesmo viajar para Belo Horizonte; tinha acabado de arrumar a mala, estava assobiando distraído, vi um passarinho pousar no telhado. Pela cor não podia ser nenhum freguês habitual; fui devagarinho espiar. Era um canário; não desses canarinhos-da-terra que uma vez ou outra ainda aparece um, muito raro, extraviado, mas um canário estrangeiro, um roller, desses nascidos e criados em gaiola. Senti meu coração bater quase com tanta força como se me tivesse aparecido uma dama loura no telhado. Chamei a empregada: “Vá depressa com- prar uma gaiola, e alpiste...” 4. c) Fundamental que essa questão seja bem discutida para levar à compreensão de que um texto mais coesivo é melhor do que aquele que apresenta menor coesão. Texto bom é aquele que é e� ciente, pois atende às intenções com que o emissor o produziu. Esta noção é muito signi� cativa tanto para a compreensão dos textos midiáticos quanto para a sua produção. 3. a) Na rua, perto de uma sorveteria. b) Sim, porque há uma liga- ção próxima entre eles, uma relação de familiaridade. En- tre a fala do � lho e a resposta do pai, objetivamente, não há elos coesivos. È possível, porém, compreender o que se pretendeu comunicar neste contexto, porque os participantes do diálogo são pessoas que se conhecem muito bem. Sugestão: solicitar que sejam expostas situações comunicativas cotidianas que aprofundem a noção de que os elos coesivos – nesses casos – são pouco marcados linguisticamente. Ou seja, a comunicação parece ter grandes “buracos” (a falta de elos) que devem ser “preen- chidos” pelos participantes envolvidos nessa situação. Atenção: essa mesma re� exão pode ser estendida aos textos midiáticos, em especial, os da publicidade. Como marcas e produtos são anunciados de forma repeti- tiva, muitos deles tornam-se “familiares” aos seus desti- natários. Daí, são produzidas mensagens publicitárias que exploram “vazios”, mental- mente, preenchidos pelos destinatários. 4. a) e b) Aqui o objetivo é fazer com que se perceba que a mesma informação recebe tratamento linguístico diferente conforme a quem ela se destina. • No primeiro texto, deverão predominar estruturação e linguagem formais, por conta da distância (hierárquica e de idade) que existe entre emissor e destinatário. Isso requer, portanto, a elaboração de um texto com fortes marcas de coesão. • No segundo, à semelhança do que se viu na questão anterior, a proximidade entre os interlocutores levará à produção de um texto em que a coesão será menos marcada. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 112LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 112 25/08/2022 15:26:3525/08/2022 15:26:35 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 113 Quando a empregada voltou, o canarinho já estava dentro da sala; ele e eu, com janelas e portas fechadas. Se quiserem que explique o que � z para que ele entras- se eu não saberei. Joguei pedacinhos de miolo de pão na varanda; assobiei para dentro; aproximei-me do telhado bem devagarinho, longe do ponto em que ele estava, murmurei baixo: “Entra, canarinho...” Pus um pires com água ali perto. Que foi que o atraiu? Sei apenas que ele entrou; suponho que tenha � cado impressio- nado com meus bons modos e com a doçura de meu olhar. Dentro da sala fechada (fazia calor, estava chegando a hora de eu ir para o aeroporto) � camos esperando a empregada com a gaiola e o alpiste. O que � z para que ele en- trasse na gaiola também não sei; andou pousado na cabeça de Baby, a � nlandesa (ter- racota de Ceschiatti); � quei completamente imóvel, imaginando – quem sabe, a esta hora, em Paris ou onde andar, a linda Baby é capaz de ter tido uma ideia engraçada, por exemplo: “Se um passarinho pousasse em minha cabeça...” Depois desceu para a estante, voou para cima do bar. Consegui colocar a gaiola (com a portinha aberta, presa por um barbante) bem perto dele, sem que ele o notasse; andei de quatro, rastejei, estalei os dedos, assobiei – venci. Quando telefonei para o táxi ele já tinha bebido água e comido alpiste, e estava tomando banho. Dias depois, quando voltei de Minas, ele estava cantando que era uma beleza. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 113LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 113 25/08/2022 15:26:3525/08/2022 15:26:35 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 114 a) Este texto foi produzido no ano de 1960. Quando lido naquele ano e lido por você neste momento, provoca diferenças de compreensão? Quais? Justifique sua resposta. b) Identifique os fatores de coerência que podem ser percebidos no texto de Rubem Braga. Justifique cada fator. c) Atualmente, discute-se a questão de manter pássaros presos em gaiolas e a venda ilegal de animais silvestres. Elabore um pequeno texto coeso e coerente, expondo seus argumentos sobre esse assunto. Apresente a sua produçãopara os colegas. BRAGA, Rubem. Apareceu um canário. In: _____. 200 crônicas escolhidas. São Paulo: Círculo do Livro, s/d, p. 372-373. Está cantando neste momento. Por um anel de chumbo que tem preso à pata já o identi� quei, telefonando para a Associação dos Criadores de Rollers; nasceu em 1959 e seu dono mudou-se para Brasília. Naturalmente deixou-o de presente para algum amigo, que não soube tomar conta dele. (Seria o milionário assassinado da Toneleros? Um dos assaltantes carregou dois canários e depois os soltou, com medo.) Está cantando agora mesmo; como canta macio, melodioso, variado, bonito... Agora para de cantar e � ca batendo as asas de um modo um pouco estranho. Telefono para um amigo que já criou rollers, pergunto o que isso quer dizer. “Ele está querendo casar, homem; é a primavera...” Casar! O verbo me espanta. Tão gracioso, tão pequenininho, e já com essas ideias! Abano a cabeça com melancolia; acho que vou dar esse passarinho à minha irmã, de presente. É pena, eu já estava começando a gostar dele; mas quero manter nesta casa um ambiente solteiro e austero; e se for abrir exceção para uma cana- rinha estarei criando um precedente perigoso. Com essas coisas não se brinca. Adeus, canarinho. 5. a) Embora a resposta tenha forte subjetividade, veri� car se nela foram apresentados elementos que se relacionam aos conceitos estudados. Por exemplo: as diferenças entre os contextos (ano de publi- cação/ano de leitura; idade do autor/idade do leitor). Isso leva a outras diferenças (conhecimento de mundo; conhecimento linguístico). b) O texto é relevante já que sua estrutura não foge ao tema de que, para ser solteiro, é preciso não ter pas- sarinhos. É consistente, pois não revela contradição. Basta observar a construção dos três primeiros parágrafos em que o narrador traça o paralelo entre a presença de mulher (casar) e a de passarinho em sua casa e, por extensão, em sua vida. Esse raciocínio é “recuperado” nos dois últimos. No � nal do texto quando o narrador fala em abrir um preceden- te perigoso, permitindo a presença de uma “canarinha”, pode-se inferir seu temor: será que, depois disso, virá uma esposa? Outros fatores: Embora o texto seja de 1960, os elementos linguísticos são próximos ao de um leitor atual. A maior di� culdade apresenta-se, exatamente, em relação às diferenças entre os conhecimentos de mundo do emissor e do destinatário. Mas isso não impede que este possa com- preender o texto e reconheça sua intencionalidade, desde que o “aceite” – ou seja, te- nha interesse em lê-lo, apesar dessa di� culdade. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 114LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 114 25/08/2022 15:26:3525/08/2022 15:26:35 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 115 6. Observe a imagem. Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/ projmmdir/home_portfolio.jsp. Acesso em 17 de setembro de 2005 – uso didático da peça. Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/ W /B ra si l a) Com que intenção este texto foi produzido? O que há nele que justifique sua resposta? b) Identifique os fatores de coerência que podem estar presentes neste tex- to. Justifique cada um deles. c) Sugestões • No momento das apre- sentações, pedir que os alunos avaliem a coerência e a coesão nas produções realizadas, justi� cando os argumentos e pontos de vista. • Pode-se produzir uma pequena publicação (im- pressa ou eletrônica) com os textos mais signi� cati- vos e criativos. • 6. a) O texto foi escrito com a intenção de persuadir o destinatário a comprar o produto. É possível per- ceber isso porque causa certa surpresa, não tem característica meramente informativa, como uma notícia. O que traz mais certeza a essa conclusão é a presença da marca Bom- Bril. Trata-se de produto que se incorporou ao ima- ginário do destinatário e, portanto, faz parte do seu repertório linguístico bem como de seu conhecimen- to de mundo. • b) O texto foi elaborado com a intenção (intencio- nalidade) de persuadir o destinatário a comprar os produtos BomBril, por isso foi elaborado de maneira a surpreender o destinatário e chamar a sua atenção de forma criativa (informatividade). Quando o destinatário aceita essa “surpresa” (aceitabilidade), vai tentar decodi� cá-lo por meio do conhecimento comparti- lhado. A imagem lembra os quadros cubistas de Pablo Picasso (intertex- tualidade), daí é possível inferir que a frase “gênio na arte de limpar” remete ao pintor cuja habilidade em pintar é comparada com a e� ciência do produ- to de limpeza. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 115LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 115 25/08/2022 15:26:3625/08/2022 15:26:36 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 116 PRODUÇÃO DE TEXTO Criação de um blog Você vai experimentar criar um blog. Blog é uma página de um site no qual você publica rapidamente o que escreve, interagindo com pessoas via internet. Site é um conjunto de informações que podem ser acessadas por meio de um computador, em qualquer parte do mundo. A internet é uma rede de comunicação formada por computadores ligados entre si, no mundo todo. Num blog as informações são organizadas cronologicamente, como num diário. Essas informações podem ser relatos, textos informativos, piadas, notícias, co- mentários sobre algum assunto cotidiano ou qualquer outro tipo de texto. Os assuntos também são muito variados e podem aparecer em textos produzidos pelo autor do blog ou podem ser de outros autores escolhidos. Qualquer pessoa pode ter um blog, contanto que tenha acesso à internet. Geral- mente, artistas, desportistas, políticos, jornalistas, professores, grupos de alunos de uma classe, possuem blogs que são visitados por seus admiradores, colegas, amigos, etc. A linguagem usada nos textos publicados em blogs é bastante diversificada, de- pendendo do tipo de blog e de para quem ele é escrito. Geralmente, usa-se a linguagem coloquial. Os blogs são escritos para qualquer usuário da internet e tornam conhecidos os textos de seu autor ou aqueles que apresentam suas ideias, críticas ou pontos de vistas favoritos. Há blogs produzidos só para quem gosta de animais, ou para os admiradores da arte, ou apaixonados por música; há ainda blogs de culinária, de aconselhamento psicológico e tantos outros que é preciso navegar na internet para se ter noção da variedade. Criar um blog é uma possibilidade real para as pessoas escreverem divulgando suas ideias e desejos através da internet. Pesquise e crie o seu. Você vai poder experimentar usar sua produção textual de uma maneira bem interessante. Orientações gerais 1. Organize-se em grupos com seis integrantes cada um. 2. Seu grupo será responsável pela criação de um blog, obedecendo aos crité- rios de coesão e de coerência textuais estudados neste módulo. 3. Em primeiro lugar, defina o tipo de blog que deseja publicar: literário (poe- mas, contos, romance coletivo, crônicas etc.); jornalístico (notícias da sala de aula, notícias da escola, da cidade, noticiário geral, política, esporte etc.); diá- rio (expor o dia a dia de cada pessoa do grupo). Como se trata de uma ativi- dade longa sugere-se que, enquanto os conceitos de coesão e de coerência estão sendo trabalhados, os grupos estejam de� nidos e a propos- ta de criação do blog já tenha sido apresentada. Os itens 2, 3 e 4 da proposta podem ser previamente apresentados e desenvolvidos parte em sala de aula e parte fora dela. É muito importante que se crie uma “rotina”. O/A profes- sor/a precisa de� nir um dia da semana em que irá avaliar os passos de construção do blog, bem como dos textos publicados. É nesse momento que os conceitos de coesão e de coerência deverão ser aplicados, cabendo ao/à professor/a propor revisões ou reedições dos blogs. Recomenda-se que os grupos sejam incentiva- dos a divulgar seus blogs de maneira a que outras pessoas possam vê-lo e comentá-lo. Esses comentários podem e devem ser consideradoscomo momentos de avalia- ção (observar, porém, eles possuem qualidade crítica). Finalizado o processo de acompanhamento, deve-se proceder à avaliação � nal da atividade. Para isso, sugere-se que seja elaborada uma � cha contendo os conceitos estudados neste fascículo e, a cada item, seja atribuído um valor ou emitido um parecer. Recomenda-se que as ques- tões tecnológicas pertinentes à criação do blog sejam discutidas e apontadas, mas que elas tenham um peso menor quando da atribuição de notas e/ou pareceres. Estimular os grupos a dar continuidade ao blog depois de encerradas as atividades escolares. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 116LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 116 25/08/2022 15:26:3625/08/2022 15:26:36 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 117 4. Em seguida, defina o título e o desenho (design gráfico) do blog: cores, estilo e tamanho das fontes, imagens etc. 5. Por fim, defina a periodicidade de publicação dos textos. 6. Depois que todos os blogs estiverem prontos, avalie os blogs criados pelos outros grupo, verificando se foram aplicados os aspectos de coesão e de coe- rência textual estudados. Discuta os bons resultados e por que foram alcan- çados. Reflita sobre os casos malsucedidos e proponha soluções. 7. Após o primeiro mês de existência de cada blog, reúna-se com os demais grupos e discuta o trabalho que vem sendo realizado. Algumas sugestões para essa discussão: quais as dificuldades vividas e como foram (ou não) resolvidas, quais as qualidades de cada blog; como os receptores externos (pessoas que não estudam na sua sala e na sua escola) comentam cada blog. 8. Passados dois meses, cada grupo terá autonomia para continuar a publicar seu blog ou para finalizar a experiência. Por fim, elabore um pequeno relató- rio, expondo a trajetória do blog, a decisão tomada e suas justificativas. Orientar a elaboração do relatório � nal. Sugere-se que ele seja uma espécie de Memorial Descritivo: que o grupo relate todo o processo de criação e de execução do blog – aspectos tecnológicos envolvidos, como foram ou não superados; relaciona- mento dentro do grupo; o que se aprendeu com esse trabalho; que perspectivas ele trouxe. Além dos grupos, recomenda-se que o/a pro- fessor/a também elabore um relatório (neste caso, sugere- -se que seja criado um “diário de bordo” no qual, frequen- temente, serão registrados os diferentes momentos da atividade, as di� culdades, as soluções, as re� exões e as descobertas. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 117LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 117 25/08/2022 15:26:3725/08/2022 15:26:37 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 118 7 O ASSUNTO É: DESCRIÇÃO REFLEXÃO Observe atentamente a ilustração. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 118LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 118 25/08/2022 15:26:3925/08/2022 15:26:39 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 119 1. Escolha um dos pontos da imagem e suponha que você está nesse local, comendo um lanche e bebendo um suco ou um refrigerante. Porém, você não vive aí. Você começa a observar, atentamente, diferentes aspectos do ambiente. Registre essas observações, conforme as orientações a seguir. a) VISÃO (O que você está vendo?). Relacione palavras que correspondam, objetivamente, aos elementos que você vê no ambiente. b) AUDIÇÃO (O que você está ouvindo?). Relacione palavras que corres- pondam, objetivamente, aos sons que você ouve no ambiente. c) OLFATO (Que odores você percebe?). Relacione palavras que corres- pondam, objetivamente, aos odores que você sente no ambiente. d) PALADAR (Que sabores você sente?). Relacione palavras que corres- pondam, objetivamente, aos sabores que você sente. e) TATO (Que sensações você sente?). Relacione palavras que, objetiva- mente, expressem as sensações percebidas por sua pele. 2. Volte a observar a imagem. Com base nessa nova observação e utilizando boa parte das palavras que você relacionou na questão 1, elabore um texto. Siga as instruções abaixo: • Tenha em mente que esse texto será lido por uma pessoa que não co- nhece a imagem. Portanto sua tarefa será a de fazer com que essa pessoa possa “ver” a ilustração por meio de seu texto. • Escolha um ponto de partida para iniciar seu texto. Posteriormente, vá ampliando as informações de tal forma que possa abranger quase toda a imagem. • Procure desenvolver seu texto de tal modo que, pelas palavras e pela organização das frases e dos parágrafos, predomine a “visualização” dos diferentes aspectos que compõem a imagem. 3. Apresente seu texto a duas pessoas (de preferência de idades bem diferen- tes) que saibam desenhar, mas que não conheçam a imagem que você uti- lizou para compor seu texto. Peça a cada uma delas que leiam o seu texto e, posteriormente, façam uma ilustração em uma folha de papel (não se esque- ça de registrar os nomes completos e as idades dessas pessoas). 2. O/a professor/a precisará enfatizar as instruções contidas na proposta de atividade: • a perspectiva de que se escreve para alguém que não conhece a imagem. • escolher um ponto de referência na imagem a partir do qual sua descrição se desenvolverá. Neste caso, torna-se fundamental que se faça um planejamento do texto: retomar as palavras das listas; estabelecer as “direções” seguidas pelo olhar (à direita, à esquerda, em baixo, acima etc.), destacar outros pontos da imagem e relacionar palavras e/ou pequenas frases descritivas; ordenar esses elementos e, daí, iniciar e desenvolver sua produção. 3. Enfatizar que sejam registrados os nomes completos e as idades das pessoas que ilustrarão o texto. Pode-se, até mesmo, pedir que seja feita uma pequena � cha para cada pessoa, incluindo endereço, local de nascimento, forma- ção escolar, atividade pro� ssional. Isso para que o/a aluno/a compreenda que os trabalhos devem ser devidamente creditados a seus/suas autores/as, bem como adquira o hábito de elaborar registros. Quanto à ilustração, orientar para que o/a aluno/a converse com as pessoas, explicando o que devem fazer. Porém, que o/a aluno/a não faça intervenções com a � nalidade de explicar o texto ou de orientar a ilustração. Orientar para que as ilustrações não sejam � xadas com cola, neste momento, uma vez que, mais à frente, elas serão expostas em mural. 1. Nesta primeira atividade, o/a aluno/a será solicitado/a a observar uma imagem e a fazer listas de palavras relacionadas (cada lista) a um órgão do sentido: a) VISÃO b) AUDIÇÃO c) OLFATO d) PALADAR e) TATO Sugere-se que, depois de feitas as listas e antes de passar para a atividade 2, o/a professor/a peça que sejam lidas as palavras de cada item, destacando as muitas coincidências que, certamen- te, ocorrerão e discutindo por que razão isso acontece: são pessoas de faixa etária seme- lhante, vivem em um ambien- te também semelhante e tiveram a mesma imagem para observar. Assim, seria relevante destacar as palavras diferentes, discutindo se são pertinentes e se são originais. Em todas as listas, a� rma-se que as palavras devem ser objetivas. Assim, ao veri� car as respostas, atentar para que isso ocorra, pois esta ativida- de é o primeiro passo para que o/a aluno/a compreenda que, muitas vezes, ao elabo- rar uma descrição, a precisão dos detalhes é importante para que o leitor possa, men- talmente, construir e “sentir” um ambiente. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 119LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 119 25/08/2022 15:26:4125/08/2022 15:26:41 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 120 4. Agora, compare cada ilustração: a) com a imagem que serviu de base para seu texto. Quais as diferenças e as semelhanças que podem ser observadas? b) com o seu texto. Quais as diferenças e as semelhanças que podem ser observadas? c) Observando apenas as diferenças, explique por que elas ocorreram. 5. Reúna-se em grupo. Apresente seu texto e leia os demais textos. Ao final, observe: a) O ponto inicial, tomadocomo referência, foi o mesmo em todos os tex- tos? Mencione as diferenças que ocorreram. b) Dos textos, qual deles apresentou maior quantidade de detalhes? Será que, por esse texto, é possível ter uma visualização completa da ima- gem? Apresente sua resposta. c) Apresente as ilustrações que você obteve e veja as demais ilustrações. Compare-as e observe que semelhanças e diferenças há entre elas. Re- gistre suas observações. d) Das ilustrações, qual delas apresenta maior semelhança com a imagem que foi utilizada para a produção do texto? Essa ilustração foi produzida a partir do texto apontado na resposta b) da questão 5? Ou não? Registre suas observações abaixo. 6. Seu grupo apresentará o texto apontado na resposta b) da questão 5 e a ilustração destacada na resposta d) da questão 5. 7. Depois de finalizadas todas as apresentações, discuta que diferenças e que semelhanças ocorreram. Registre uma síntese dessa discussão. DA TEORIA À PRÁTICA Nas diferentes atividades realizadas até aqui, você teve como tarefa tentar, por meio de palavras, fazer com que uma imagem pudesse ser visualizada e per- cebida. Destacou-se que se trata de uma tentativa, pois a linguagem verbal, por mais que uma pessoa consiga captar detalhes, nem sempre consegue traduzir todos os aspectos de uma imagem. Por meio da linguagem verbal, não somente é possível tentar visualizar e dar a perceber uma imagem, como também pessoas, animais, objetos. O texto produzido com essa intenção denomina-se descrição. Verifique que, antes de produzir o texto, você relacionou palavras vincula- das aos órgãos do sentido (visão, audição, olfato, paladar e tato). Ou seja, para captar detalhes, esses órgãos é que se ativam no momento de se fazer um texto descritivo. Além disso, essas atividades iniciais permitiram que você fizesse um planejamento de seu texto. Outro aspecto importante diz respeito à escolha de um ponto de referência. Dessa forma, é possível apresentar os dados de forma ainda mais organizada. 4. Nos itens a) e b) desta atividade, o propósito não é avaliar a qualidade das ilustrações, mas em que medida o texto produzido pelo/a aluno/a possibilitou uma aproximação das ilustrações com a imagem original. Ou em que medida propiciou um grande distanciamento. Deve-se considerar, porém, que os/as ilustradores/as são pessoas diferentes que podem ter maior ou menor habilidade para desenhar. Mesmo assim, de certa forma, está tes, com experiências de vida peculiares, graus de leituras diferenciados e que, para desenhar ou escrever, podem empregar técnicas diferentes e possuem maior ou menor habilidade, podem ser mais ou menos detalhistas. Assim, espera-se que estes momentos de comparação não sejam mecânicos, mas sim que sejam exercitados o senso crítico e o respeito pelas opiniões diferentes e/ou divergentes. 5. Nesta atividade, o ponto central de re� exão será a produção textual do/a aluno/a em confronto com as demais produções. Nos itens a) e b), orientar para que a discussão não � que somente em avaliar se um texto é melhor do que outro. O importante é que sejam compreendidas as causas para haver diferenças (conforme se a� rmou nas orientações da ati- vidade anterior). Destacar que, mesmo quando houve pontos de partida semelhantes, certa- mente o desenvolvimento da descrição não foi o mesmo. Ou seja, que prevaleça o respeito às diferenças quanto às soluções que cada pessoa encontra. No item b) especi� camente, ao � nal, espera-se que todos compreendam que, mesmo uma pessoa muito detalhista e que tenha habilidade para escrever, di� cilmente produzirá um texto por meio do qual seja possível ter uma visualização completa de uma imagem, de um cenário, de um ambiente. No item c), sugere-se que se faça uma pequena exposição em sala, a� xando as ilustrações em um mural. Os/as alunos poderão observar com mais calma e detalhe os trabalhos, bem como poderão tomar notas prévias que servirão para elaborar suas respostas. Nos itens c) e d), continuam os exercícios de re� exão a partir de diferenças e semelhanças, mas sempre como uma proposta de se aguçar o senso crítico. Em síntese: há que se levar em consideração que tanto os/as ilustradores/as quanto os/as alunos (as) são pessoas diferen- sendo avaliada a produção do/a aluno/a. Será no item c) desta atividade, que as re� exões promovidas pelos itens anteriores deverão ser registradas. De� niu-se por marcar apenas as diferenças, porque são elas que aguçam mais o senso crítico e podem dar maior amplitude à re� exão do/a aluno/a sobre seu próprio trabalho. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 120LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 120 25/08/2022 15:26:4125/08/2022 15:26:41 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 121 1. Descrição estática Pela proposta desenvolvida, você, certamente, produziu um texto descritivo em que predominou a apresentação estática dos pormenores da imagem. Essa é uma das formas como uma descrição pode se apresentar. A descrição estática. Observe no texto abaixo, um exemplo de texto descritivo em que predomina essa característica. O silêncio da chuva A Galeria Torres Vasconcelos adquirira uma sólida reputação no meio das artes plásticas graças à inteligência e sensibilidade de Elísio Sclar. A mesma reputação tinha junto aos bancos, mas nesse caso graças ao suporte e à garantia econômi- ca da Grá� ca Vasconcelos, um dos maiores fabricantes de agendas, calendários e etiquetas do país. A antiga casa de dois pavimentos, no Leblon, fora inteiramente reformada para atender às necessidades da galeria. A sala de exposições ocupa todo o primeiro andar, correspondendo aos três amplos salões originais da casa cujas paredes di- visórias foram derrubadas e as janelas laterais foram eliminadas. O ambiente é in- teiramente branco. Na parte central, ao longo do salão, � cam dispostas banquetas de couro preto sem encosto. Ao fundo, uma escada vazada, com largos degraus de peroba maciça, dá acesso ao segundo pavimento com dois escritórios, dois banheiros e uma grande sala com porta reforçada, dotada de so� sticado sistema de refrigeração e proteção contra incêndio, onde � cam guardados o acervo da galeria e as obras deixadas em consignação. Uma entrada lateral para carros conduz ao sobrado situado na parte dos fundos da casa. Na parte de baixo do sobrado � ca a garagem, com espaço su� ciente para três carros, e na parte de cima o ateliê de Bia, com ampla janela lateral dando para a grande mangueira no quintal atrás da casa principal. O ateliê é su� cientemente amplo para conter uma prancheta e uma grande mesa de trabalho quase toda ocupada por potes contendo pincéis, espátulas, hidrográ- � cas de todas as cores e caixas de lápis de cor de diferentes marcas. A única pare- de sem janelas ou portas é ocupada por uma estante repleta de revistas e livros de arte. Sob a janela que dá para a entrada de carros � ca um móvel com gavetas para papéis de desenho. Um sofá de três lugares, su� cientemente confortável para se passar a noite, completa o mobiliário. Ao fundo, duas portas dão para o banheiro e uma pequena cozinha. O ateliê tem telefone, secretária eletrônica e fax indepen- dentes da galeria. O acesso é feito por uma escada lateral. [...] GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. O silêncio da chuva. São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 32-33 (Fragmento). 6. Ao longo das apresenta- ções, já podem ser feitas as discussões de semelhança e diferença, solicitando-se que o/a aluno/a vá fazendo pequenas anotações que, posteriormente, serão utiliza- das para elaborar a resposta da atividade 7. 7. Ao � nal desta primeira parte, espera-se que o/a aluno compreenda que as pessoas veem e sentem os ambientes, as imagens, os cenários de forma diferente, precisamente, porque são diferentes. Por isso, tanto o registro escrito (descrição) quanto o desenhado (ilustra- ção) não os reproduzirão � el e completamente. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 121LIVRO DE REDACAO FINAL.indb 121 25/08/2022 15:26:4125/08/2022 15:26:41 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 122 Veja outro exemplo de descrição estática muito comum em dicionários. DICIONÁRIO HOUAISS. Versão on-line. Disponível na Internet no endereço < http:// houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=tigre&stype=k>. Acesso em: 8 jul. 2017. TIGRE: grande felino asiático (Panthera tigris), encontrado em uma grande varie- dade de ambientes, como � orestas tropicais, mangues ou savanas, com o corpo, cabeça, cauda e membros listrados de negro, dorso e � ancos variando do laranja avermelhado ao ocre avermelhado e região ventral de cor creme ou branca. Observe no trecho a seguir, um exemplo de descrição estática de uma pessoa. Trata-se do primeiro encontro entre Olga Benário e Otto Braun. O trecho é significativo, uma vez que Otto surge para o leitor de duas formas: a primeira, pela imagem que Olga (antes de conhecê-lo) constrói de Otto com base no que dele se falava; a segunda, a visão que Olga tem dele ao encontrá-lo. Olga No � nal de 1923, quando trabalhava como vendedora na Livraria Georg Müller, ela ouviu falar pela primeira vez no professor Otto Braun. A partir da descrição que faziam dele, sobretudo as mulheres, Olga passou a fantasiar, criando um mito em torno do jovem, bonito e inteligente Otto que, comentavam em voz baixa, trabalhava secretamente como agente dos soviéticos. Quando, por � m, uma ami- ga comum promove o encontro dos dois, Olga tem uma surpresa. Na verdade, o que ela imaginava de Otto era a caricatura de um revolucionário de folhetim: barba crescida, roupa desalinhada, cabelos longos e desalinhados. O café onde se conhecem ela depara com um homem elegante, fumando cachimbo, gravata meticulosamente amarrada, cabelos repartidos e � xados com brilhantina, calça passada com capricho, botinas de camurça escovadas. [...] MORAIS, Fernando. Olga. 16. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, p. 31. (Fragmento). 2. Descrição Dinâmica O texto descritivo também pode se caracterizar pela apresentação de situa- ções que permitem ao leitor compreender os movimentos praticados pelos seres envolvidos em uma determinada situação. Observe como, no trecho a seguir, a descrição auxilia o leitor a construir uma característica do personagem (a sua disciplina). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 122LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 122 25/08/2022 15:26:4125/08/2022 15:26:41 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 123 Atenção dividida Às quatro da tarde, o pequeno restaurante de bairro estava vazio. O único garçom, em uma mesa ao fundo, dividia-se entre uma pilha de pratos à sua frente e o apa- relho de televisão num dos ângulos da sala. Olhos � xos na tela, pegava o prato, borrifava álcool, enxugava, e formava outra pilha ao lado da primeira. Executava o serviço sem pressa, de acordo com o ritmo do � lme. Terminada a tarefa, dividiu os pratos em duas pilhas rigorosamente iguais, momento em que teve que desviar os olhos da tela. Passou então aos talheres. Retirava-os de uma bacia de plástico si- tuada à sua esquerda, borrifava álcool, e após enxugá-los meticulosamente, joga- va-os dentro de uma caixa à sua direita. Essa tarefa era mais difícil de conciliar com a televisão porque a caixa era dividida em compartimentos para facas, garfos e colheres, e era quase impossível acertar no compartimento adequado sem olhar. GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Vento sudoeste. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 7 (Fragmento) Há exemplos em que o dinamismo pode ser ainda mais acentuado. É isso que ocorre no exemplo que se apresenta a seguir. DitoW Dito acordou ainda tonto pelos efeitos da anestesia. Olhou o teto baixo, as paredes bran- cas e sujas, a lâmpada acesa. Tentou mover-se, percebeu que um dos braços estava pre- so à cama. O salão era uma espécie de enfermaria, embora as outras camas estivessem desocupadas. Também, não havia ninguém transitando por ali, e a sede que sentia era insuportável. Não se recorda de ter, anteriormente, tanta vontade de tomar água. Tivera um sonho, onde a terra ao seu redor estava ressequida, havia rachaduras no solo e ele caminhava, caminhava, o sol queimando, as mãos agarrando-se aos arbustos que tam- bém haviam secado. Viu água entre as dunas, correu para lá. Era miragem. Livrou-se do pesadelo, do sono, mas a sede não diminuíra e ali não havia um funcionário sequer. LOUZEIRO, José. Infância dos mortos. São Paulo: Abril Cultural, 1984, p. 99. (Fragmento). 3. Descrição psicológica No trecho anterior, é possível perceber que, além das ações do personagem, apre- sentam-se também seus sentimentos despertados pelas sensações provocadas pela si- tuação em que ele se encontra e pelo sonho. Assim, o texto descritivo pode dar conta dos aspectos psicológicos que envolvem uma pessoa em certa situação. Perceba, no exemplo a seguir, como os traços psicológicos do personagem ficam evidentes. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 123LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 123 25/08/2022 15:26:4225/08/2022 15:26:42 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 124 Primeira parte Há anos raiou no céu � uminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponi- bilidade. Era rica e famosa. Duas opulências, que se realçavam como a � or em vaso de alabastro; dois esplen- dores que se re� etem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o � rmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor? Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a co- nheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande no- vidade do dia. [...] Assaltada por uma turba de pretendentes que a disputavam como o prêmio da vitória, Aurélia, com a sagacidade admirável em sua idade, avaliou da situação difícil em que se achava, e os perigos que a ameaçavam. Daí provinha talvez a expressão cheia de desdém e um certo ar provocador, que eriçavam a sua beleza aliás tão correta e cinzelada para a meiga e serena expansão d’alma. Se o lindo semblante não se impregnasse constantemente, ainda nos momentos de cisma e distração, dessa tinta de sarcasmo, ninguém veria nela a verdadeira � sionomia de Aurélia, e sim uma máscara de alguma profunda decepção. Como acreditar que a natureza houvesse traçado linhas tão puras e límpidas da- quele per� l para quebrar-lhes a harmonia com o riso de uma pungente ironia? Os olhos grandes e rasgados, Deus não os aveludaria com a mais inefável ternura, se os destinasse para vibrar chispas de escárnio. Para que a perfeição estatuária do talhe de síl� de, se em vez de arfar ao suave in� uxo do amor, ele devia ser agitado pelos assomos do desprezo? Na sala, cercada de adoradores, no meio das esplêndidas reverberações de sua beleza, Aurélia bem longe de inebriar-se da adoração produzida por sua formosu- ra, e do culto que lhe rendiam, ao contrário parecia unicamente possuída de uma indignação por essa turba vil e abjeta. Não era um triunfo que ela julgasse digno de si, a torpe humilhação dessa gente ante a sua riqueza. Era um desa� o, que lançava ao mundo; orgulhosa de esmagá- -lo sob a planta, como um réptil venenoso. ALENCAR, José. Senhora. MINISTÉRIO DA CULTURA Fundação Biblioteca Nacional Departamento Nacional do Livro. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/bn000011.pdf. Página 1. Consulta realizada no dia 22 de abril de 2022. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 124LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 124 25/08/2022 15:26:4225/08/2022 15:26:42 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 125 APLICAÇÃO 1. Escolha algum ou alguma colega de sua sala. Observe-o(a) aten- tamente. Em seguida, elabore um texto em três parágrafos, de tal modo que, no primeiro, sejamapresentadas as características físicas; no segundo, algumas ações típicas em sala de aula ou em outros espaços da escola; por fim, no terceiro, apresente alguns traços psicológicos. Para não haver constrangimentos, na descrição, escolha as características positivas e utilize termos socialmente aceitáveis, evitando o bulling. Detalhe importante: em nenhum momento diga o nome de seu (sua) co- lega. Não se esqueça de planejar seu texto. Antes de escrevê-lo, relacione palavras ou frases que possam ser utilizadas em cada parágrafo. 2. Leia seu texto em voz alta, sempre sem mencionar o nome do(a) colega. O objetivo é precisamente que seus (suas) colegas, por meio de sua descrição consigam descobrir quem você descreveu. PRODUÇÃO DE TEXTO Agora é a vez de você se descrever. Elabore três parágrafos em que, em cada um deles, predomine um tipo de descrição: física, psicológica e do ambiente. Quando terminar, reúna-se em grupo. Leia as descrições de seus (suas) colegas. Observe se todos (todas) conseguiram se descrever. Note, ainda, que aspectos foram mais destacados. Escreva as suas observações. Novamente, enfatiza-se a importância de se planejar o texto, bem como, no momento de sua produção, de se organi- zarem as informações. Assim, orientar para que, em cada parágrafo, haja um ponto de partida do qual a descrição se expanda. Deixar claro que a proposta não é produzir um texto “enigmático”, mas sim um texto elaborado com o objetivo de que, por seu intermédio, se possa, com relativa facilidade, reconhecer o/a aluno/a descrito/a. Este é um momento de re� exão crítica em que o/a aluno/a submeterá sua produção à avaliação de seus/suas colegas. Orientar para que sejam observados os traços descritivos que mais bem retratam o/a autor/a do texto. São os elementos mais signi� cativos dessa discussão/avaliação que o/a aluno/a deve registrar. Nesta atividade, para evitar o constrangimento de alguém não ser escolhido/a, sugere- -se que o/a professor/a indi- que a cada aluno/a o nome do/a colega a ser descrito/a. Outro cuidado diz respeito à possibilidade de alguma descrição caminhar para uma imagem caricaturesca da pessoa. Nada impede que isso aconteça desde que o/a aluno seja orientado/a a pro- duzir um texto que expresse respeito pela pessoa descrita. Sugere-se que, ao � nal, cada grupo apresente, oralmente, uma pequena síntese das discussões, ressaltando o trabalho da produção textual (quais as di� culdades que se evidenciam no momento de, pelas palavras, tentar compor um retrato). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 125LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 125 25/08/2022 15:26:4225/08/2022 15:26:42 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 126 8 REFLEXÃO 1. Observe atentamente a ilustração da página 118 e relacione pa- lavras que expressem opiniões que esse ambiente desperta em você. 2. Com base nessa observação e utilizando boa parte das palavras que você relacionou acima, na questão 1, elabore um texto em três parágrafos. No primeiro, apresente de forma breve, o cenário que motivou este texto. No segundo, devem ficar evidentes suas opiniões despertadas por esse ce- nário. Para cada opinião, apresente suas justificativas. No último, feche seu texto de modo a enfatizar a opinião que, para você, seja a mais importante. 3. Reúna-se em grupo. Apresente seu texto e leia os demais. Observe que as- pectos são semelhantes e quais são diferentes. Registre suas observações. 4. Discutam as produções e escolham uma delas para apresentar para a sala. Depois de todos os textos serem apresentados, escolha aquele que lhe cau- sou maior impressão e justifique sua escolha. Título do texto escolhido: Nome do(a) autor(a) Justificativa DA TEORIA À PRÁTICA O texto produzido por você com a finalidade de expressar opiniões com base na imagem da página 118 denomina-se dissertação. A dissertação pode ser ex- positiva ou argumentativa. 1. Dissertação expositiva Expõe uma ideia, discorre sobre um assunto, apresenta um tema. Nesse caso, para que o texto tenha relevância, seu autor precisa conhecer bem o assunto, não somente com base em suas próprias experiências de vida bem como por meio de pesquisas. O ASSUNTO É: TEXTO DISSERTATIVO 1. O estudo do texto dissertativo se inicia pela relação de palavras – agora que se relacionam às opiniões despertadas pelo ambiente. Ao � nal, podem ser lidas as palavras para discutir a pertinência ou não de cada uma delas. Isso também servirá para veri� car as diferenças de visão e de vocabulário de cada aluno. de que o texto dissertativo se caracteriza por introdução, desenvol- vimento e conclusão. Desta maneira, entende-se que o/a aluno/a adquirirá maior segurança para, mais tarde, produzir textos mais densos e mais longos. No início, reforçar a proposta de que as opiniões devem ser justi� cadas e incentivar para que sejam feitas de forma clara e fundamentada. 4. Após a apresentação do texto de cada grupo, propicie uma discussão pautada pelas orientações apresentadas na atividade 3. Solicitar que cada aluno/a vá fazendo breves anotações dessas discussões, pois elas serão úteis no mo- mento em que deverá escolher o texto que mais o/a impressionou e suas justi� cativas. Espera-se que, após tantos momentos de re� exão, estas justi� cativas ganhem profundidade e expressem um senso crítico aguçado. 2. A propos- ta reitera a importância do planejamento textual – tanto pela seleção das palavras da ativi- dade 1, quanto pela orientação de que o texto seja produzido em três parágra- fos e de forma ordenada. Esta estrutura pro- posta utiliza o conceito básico LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 126LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 126 25/08/2022 15:26:4425/08/2022 15:26:44 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 127 Veja um exemplo desse tipo de dissertação. Em linhas gerais, pode-se dividir a história da TV brasileira em dois grandes períodos: de 1950 a 1964 e de 1964 até hoje [...] No primeiro período, de 50 a 64, a TV concentrava-se no Rio de Janeiro e em São Paulo e grande parte de sua programação era transmitida ao vivo com for- tes tonalidades locais. A partir de 1964, a televisão começa a se expandir por todo o território nacional, mas o surgimento das gravações em videoteipe en- gendra uma concentração da produção nas grandes cidades. Na primeira fase, tinha-se uma situação de concorrência entre as grandes emissoras e as TVs Tupi e Record lideravam a audiência; na segunda fase, especialmente a partir da primeira metade da década de 1970, a Rede Globo de Televisão torna-se hegemônica em termos de número de telespectadores. REIMÃO, Sandra. TV no Brasil – ontem e hoje. In: REIMÃO, Sandra (org.). Televisão na América Latina: 7 estudos. São Bernardo do Campo/ SP: Metodista de São Paulo, 2000, p. 65-66 (Fragmento) 2. Dissertação argumentativa Defende um ponto de vista sobre um assunto ou tema e tem a intenção de persuadir o seu leitor ou seu ouvinte. Para que o texto tenha consistência, seu autor pode estabelecer relações de causa e efeito, avaliar opiniões diferentes e/ ou divergentes, analisar e confrontar os dados e/ou as informações disponíveis. Observe um exemplo de dissertação argumentativa. Quem não conhece Pixote, um clássico nacional dos anos oitenta? Contava a história de um grupo de crianças tentando sobreviver na selva de São Paulo. O garotinho que fez o Pixote, Fernando Ramos da Silva, era um genuíno mo- leque de periferia. Para um moleque desses, que tem de pegar no batente logo cedo pra ajudar a família, esse lance de fama é um negócio mirabolante. Ela leva a dois caminhos: ou ao sucesso, ou à total frustração. Foi passando o tempo e o sucesso do filme foi ficando pra trás, e a carreira do moleque não decolou. Fernando teve uma recaída: voltou pra periferia e começou a roubar. Até que um dia, aconteceu o inevitável: foi baleado e morto pela polícia. [...] O Brasil não mudou muito nesses vinte anos. E como a história se repete, um dosatores-mirins do filme Cidade de Deus, o Rubens Sabino da Silva, foi preso depois de roubar a bolsa de uma senhora num ônibus no Rio de Janeiro. Que oportunidade foi dada a esse pequeno ator do morro? Apenas o gostinho de ter uma carreira glamurosa ou de ser alguém importante. 3. Ao ler os textos de seus/ suas colegas, além de ter a oportunidade de conhecer diferentes pontos de vista, o/a aluno/a poderá veri� car as diferenças que ocorrem na forma de apresentar suas opi- niões. Solicitar que avaliem as opiniões e as justi� cativas, veri� cando profundidade e originalidade. Será que elas superam o senso comum? Isso porque, diante de uma situação, muitas pessoas não conseguem encontrar ângu- los ou explicações pessoais e/ ou originais. Acompanhe as discussões de forma a garantir um mo- mento de crítica positiva e de empenho colaborativo, para que a avaliação não � que apenas no nível do “gostei” ou “não gostei”. O registro que o/a aluno/a � zer permitirá veri� car se ele conseguiu compreender todos os aspectos anterior- mente. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 127LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 127 25/08/2022 15:26:4625/08/2022 15:26:46 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 128 A situação do menor abandonado não mudou nada, ou melhor, piorou. Eles ainda não têm perspectiva de vida, trocam a inocência da infância por margi- nalidade, crime e droga. Então a melhor coisa é ter pé no chão. Pé no chão é tudo. JOÃO GORDO et al. Consciência do Gordo. São Paulo: Jaboticaba, 2004, p. 22-23 (Fragmento) Dissertação objetiva e dissertação subjetiva A leitura dos dois exemplos revela que, além de se diferenciarem quanto aos propósitos da dissertação, os textos apresentam estilos diferentes. O primeiro ca- racteriza-se pela objetividade, enquanto o segundo tem a subjetividade como traço preponderante. Dissertação objetiva: o que marca esse tipo de dissertação (seja ela expositi- va, seja argumentativa) é a produção de um texto mais impessoal, apresentando as ideias e/ou argumentos de modo racional, lógico. Veja como isso pode ser notado no trecho a seguir. A forma e as ideias Restringe-se quase apenas à classe dos linguistas a expectativa pela estreia, hoje, de mais uma reforma ortográ� ca no Brasil. As mudanças por ora são ignoradas pela maioria da população brasileira e terão impacto reduzido no cotidiano: a cada mil palavras utilizadas, cinco serão alteradas. [...] Pensado para uni� car a linguagem escrita nos países lusófonos, o Acordo Ortográ- � co produz muito barulho por quase nada. Seu impacto estará concentrado na burocracia diplomática – não será mais necessário “traduzir” documentos para as diversas gra� as nacionais do idioma – e no mercado editorial, que vai movimen- tar-se nos próximos anos para adaptar livros e dicionários ao novo padrão. A ortogra� a que está sendo substituída não constitui barreira para a compreensão de textos escritos no padrão de outro país. Di� culdades maiores são oferecidas pela construção das frases e pelo vocabulário mobilizado nas diversas regiões em que se fala o idioma. Somente a experiência da leitura sistemática e a exposição constante a textos de tradi- ções nacionais, regionais e históricas diversas podem levar à superação desses obstá- culos. A nova ortogra� a altera algumas formas das ideias, jamais seu conteúdo. Com ou sem reforma, milhões de jovens brasileiros continuarão saindo da escola sem acesso a esse universo de conhecimento. EDITORIAL. A forma e as ideias. Folha de S. Paulo, de 1 de jan. 2009, p. A-2. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 128LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 128 25/08/2022 15:26:4625/08/2022 15:26:46 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 129 Dissertação subjetiva: esse tipo de dissertação (seja expositiva, seja argu- mentativa) é marcado pela presença mais intensa do sujeito, apresentando ideias e/ou argumentos de maneira emocional. Observe como isso está presente no tre- cho abaixo. Para viver um grande amor Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita se- riedade e pouco riso — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssi- mo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor. Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem � delidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível li- berdade que traz um só amor. Para viver um grande amor, il faut além de � el, ser bem conhecedor de arte culi- nária e de judô — para viver um grande amor. Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-ama- da como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu � na- do amor. É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no � orista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o gran- de amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor... MORAES, Vinícius de. Para viver um grande amor. In: MORAES, Vinicius de. Para viver um grande amor. 17. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 130-131. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 129LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 129 25/08/2022 15:26:4625/08/2022 15:26:46 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 130 APLICAÇÃO 1. Escolha uma profissão (preferencialmente, aquela que futura- mente você deseja seguir). Busque informações referentes a essa carreira (entreviste pessoas que exerçam atividades relacio- nadas a ela e pesquise informações em livros ou na internet]). Com base nas entrevistas e nas informações obtidas, redija um texto dis- sertativo expositivo objetivo, cujo tema seja essa profissão escolhida por você. Para isso, estruture o texto em três parágrafos: – primeiro, faça uma introdução ao tema; – segundo, desenvolva-o de forma organizada; – terceiro, elabore uma conclusão. Lembre-se de colocar um título. 2. Reúna-se em grupo. Leia o seu texto e os demais. Em que medida todos os textos permitiram que se compreendessem as características de cada pro- fissão? Houve coincidências na escolha de carreira? Se houve, os aspectos abordados são semelhantes? Registre abaixo suas reflexões. 3. Você conhece muitos provérbios? a) Escolha um provérbio conhecido. b) Com base no provérbio escolhido, elabore uma dissertação argumen- tativa objetiva cujos argumentos demonstrem sua concordância com o ponto de vista do provérbio. Ou seja, você terá que, de forma ra- cional, persuadir o seu leitor de que o provérbio deve ser tomado como uma boa referência para a sua vida. c) Utilizando o mesmo provérbio, elabore uma dissertação argumenta- tiva objetiva cujos argumentos demonstrem que você discorda do ponto de vista do provérbio. Ou seja, você terá que, de forma racional, persuadir o seu leitor de que o provérbio não é uma boa referência para a sua vida. 4. Escolha um dos textos que você produziu a partir do provérbio. Transforme-o, agora, em uma dissertação argumentativa subjetiva. Ou seja, você ten- tará persuadir o seu leitor por meio de apelos emocionais. 5. Forme dupla com um(a) colega de sua sala. Troquem os textos produzidos nas atividades anteriores. Para cada texto, elabore uma pequena avaliação,verificando se, em cada um deles, a argumentação foi bem elaborada. Caso você verifique problemas de elaboração, apresente sugestões que possam superar tais problemas. Sugestão Ao � nal destas atividades, os textos, depois de revisados e retrabalhados, poderiam ser reunidos em um pequeno livro (com imagens) que serviria como fonte de consulta posteriormente. Ou, caso seja possível, poderia ser criado um blog na Internet e nele publicados os textos. Das duas formas, amplia-se aquela consciência de que se escreve para vários leitores e, portanto, o texto precisa ser bem elaborado. 1. Sugere-se que, enquan- to vão sendo trabalhados conteúdos e atividades anteriores, o/a aluno seja orientado/a a fazer as entre- vistas e as pesquisas. Assim, orientar para que tome nota de todas as informações obti- das. Dessa forma, o/a aluno/a começará a compreender a importância da coleta de dados e de informações para se produzir um texto. Ou seja, sem conhecimento, torna-se difícil (mesmo impossível) desenvolver um determinado assunto. Optou-se por uma pesquisa sobre carreira universitária com o objetivo de, além de servir como tema, permitir que o/a aluno/a perceba se tem ou não a� nidade por ela e, de certo modo, propiciar que suas escolhas possam se dar com base em dados obje- tivos e com mais segurança. Como a proposta é que se elabore um texto disser- tativo expositivo objetivo, orientar para que se planeje o texto previamente de forma a que as informações sejam apresentadas quanto à sua relevância para o tema e de forma lógica e racional. Nova- mente, adotou-se a estrutura básica de três parágrafos (in- trodução, desenvolvimento e conclusão), porém, conforme a quantidade de informa- ções obtidas o/a professor/a poderá orientar a que se façam mais parágrafos de desenvolvimento, permitindo maior abrangência do tema. Todavia deve-se reiterar que somente os dados e as informações relevantes sejam utilizados. 2. Nesta atividade, o/a alu- no/a terá a oportunidade de conhecer outras carreiras e/ ou veri� car outras aborda- gens relativas à carreira por ele/ela escolhido/a. Além, é claro, de perceber as diferen- tes maneiras de se elaborar e desenvolver um texto dis- sertativo expositivo objetivo. Espera-se que, ao registrar suas re� exões, esses aspectos � quem evidenciados. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 130LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 130 25/08/2022 15:26:4725/08/2022 15:26:47 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 131 PRODUÇÃO DE TEXTO Você vai produzir uma dissertação com base no seguinte recorte temático: O uso de animais em experimentação científica tem sido muito debatido porque envolve reivindicações dos cientistas e dos movimentos organizados em defesa dos animais, assim como mudanças na legislação vigente. Para produzir seu trabalho, observe: a) A parte inicial do texto será uma introdução que expressa a opinião prin- cipal a ser defendida. b) Após a parte inicial, começam os argumentos que sustentam a opinião apresentada, formando o desenvolvimento da dissertação. c) A parte final é a sua conclusão, em que será expresso claramente seu ponto de vista e afirmada concretamente sua ideia a respeito do tema. Não se esqueça de colocar um título que desperte o interesse do seu leitor. Depois de finalizado seu trabalho, peça ao seu professor para revisar seu texto e reescreva-o, se for necessário. Escolha uma pessoa amiga, ou alguém que vive com você e goste de animais para entregar seu texto para leitura e apreciação. 3. a) A opção de se propor um provérbio como tema a ser desenvolvido funda- menta-se na ideia de que se trata de um saber popular e, portanto, de fácil apreensão pelo/a aluno/a. Além do que são “pequenos conselhos”, muitas vezes, tomados como verdadeiros e de� nitivos que, por isso, permitem ser colocados em discussão e até polemizados 3. b) Orientação geral para as atividades b e c (produção de texto dissertativo expositivo objetivo) Reitere que o texto deve obe- decer a uma lógica, deve ser racional. Portanto, a escolha de palavras e a organização dos parágrafos devem ser bem planejadas. Ressalta-se que, em ambas as propostas, deve-se orientar a que o/a aluno/a tenha em mente um “provável” leitor que deverá ser persuadido por meio de um texto. Por isso, seus argumentos devem ser consistentes e relevantes. Nesta primeira elaboração, o/a aluno/a assumirá o ponto de vista que explicite sua concordância com o sentido do provérbio. Provavelmente, será difícil que ele/ela consi- ga elaborar um texto muito original – ainda mais que o texto deve ser objetivo. 3. c) Aqui, com o mesmo pro- vérbio, coloca-se o/a aluno/a diante de uma situação nova, em que deverá apresentar argumentos que evidenciem a não aceitação do provérbio. Assim, pode ser que seja mais difícil de encontrar tais argumentos, por esse motivo o/a aluno/a será desa� ado/a a produzir um texto que será mais original do que o anterior. Acrescente-se que se trata de um exercício mental impor- tante, porque pode levar o/a aluno/a a compreender que, diante de muitas situações, pode haver posicionamentos diferentes (até divergentes). Isso alimenta e re� na o senso crítico das pessoas. 4. Aqui a preocupação é fazer com que o/a aluno/a perceba que um mesmo tema pode ter tratamento diferente. A argumentação subjetiva também precisa ser planejada e seus argumentos convincentes. Todavia, como deverá predominar o apelo emocional, a escolha lexical e a estruturação das frases e dos parágrafos também deverão expressar a subjetividade. Um dos aspectos em que isso � ca mais evidente é na pontuação – o/a aluno/a poderá lançar mão de interrogações, exclamações, reticências com mais desenvoltura. Além disso, frequentemente, nesse tipo de dissertação, o/a autor/a busca aproximar-se mais do leitor e, de certa forma, fazer com que ele adira com mais facilidade aos argumentos apresentados no texto. 5. Neste trabalho, propõe-se que um/a aluno/a troque seus textos com outro/a e que cada um redija suas avalia- ções. Assim, é recomendável que façam a atividade sem discutir os textos. Isso é importante para que o momento de crítica seja o resultado de uma re� exão pessoal – diferentemente do que se fez antes. Deve-se orientar, então, para que as críticas sejam responsáveis e embasadas, com o/a aluno/a avaliador/a obser- vando tanto se a modalidade textual proposta foi seguida, como se os argumentos são relevantes e têm consistên- cia. Reitere a importância de se dar sugestões ao/à colega, reforçando o caráter colaborativo da atividade. Depois que cada dupla terminar suas avaliações, é chegado o momento de, juntos/as, discutir os comentários e as sugestões. É importante que os alunos enumerem os acertos e erros em relação aos textos produzidos. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 131LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 131 25/08/2022 15:26:4725/08/2022 15:26:47 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 132 9 REFLEXÃO Observe a reprodução de uma notícia publicada no site da Revista Superinteressante, em 20 de abril de 2022. O ASSUNTO É: TEXTO JORNALÍSTICO MÉDICOS VISITAM ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL POR MEIO DE HOLOGRAMAS Em experimento histórico, equipe de médicos interagiu com astronauta da Agência Espacial Europeia usando óculos que permitem o “holoporte” Por Luisa Costa 20 abr 2022, 17h58 Pela primeira vez, uma equipe médica visitou astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS) por meio de hologramas. O experimento aconteceu em outubro e foi revelado este mês pela Nasa, em comunicado ofi cial. Sim, a telemedicina está indo longe demais – mais especifi camente, a 400 quilômetros de altura, na órbita baixa do planeta. A cena que parece fi cção científi ca foi protagonizada por Josef Schmid, cirurgião de voo da agência espacial americana, sua equipe e Fernando De La Pena Llaca, CEO da Aexa Aerospace – empresa de tecno... O “holotransporte”, junçãode “holograma” e “transporte”, é uma tecnologia que captura imagens e então reconstrói, compacta e transmite modelos 3D de pessoas em tempo real para qualquer lugar. O projeto existe desde 2016 e é desenvolvido pela Microsoft – mas nunca havia estabelecido comunicação entre pessoas tão distantes quanto agora. O cirurgião da Nasa interagiu com Thomas Pesquet, astronauta francês da Agência Espacial Europeia (ESA). Os dois usaram um óculos especial, chamado Microsoft Hololens Kinect, e um computador com software personalizado desenvolvido pela Aexa. Assim, o astronauta que estivesse com os óculos veria uma imagem 3D da equipe médica e vice-versa. Os participantes do experimento puderam ver, ouvir e interagir uns com os outros à distância como se estivessem no mesmo espaço físico. Segundo a Nasa, Schmid recebeu até um aperto de mão (virtual) de Pesquet. Em comunicado, a Nasa afi rma que planeja utilizar a tecnologia em futuras missões para consultas médicas e psiquiátricas de astronautas, reuniões familiares e até para promover Em experimento histórico, equipe de médicos interagiu com astronauta LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 132LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 132 25/08/2022 15:26:4925/08/2022 15:26:49 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 133 1. Com que finalidade esse texto foi produzido? 2. Aponte partes do texto que comprovem a resposta dada à questão 1. DA TEORIA À PRÁTICA O texto trabalhado anteriormente pertence ao universo do jornalismo. Neste caso, trata-se de uma notícia publicada em um jornal impresso diário. Porém, o texto jornalístico é produzido também em outros veículos de comunicação e em diferentes formatos. É isso que você verá a seguir. 1. Jornalismo impresso Sua veiculação se dá em diferentes formatos, mas todos com a mesma carac- terística fundamental: são impressos em papel. O jornal é impresso em um tipo de papel mais barato e de menor qualidade, conhecido como “papel-jornal”. No jornal, os grandes assuntos são divididos em editorias, tais como, Brasil (notícias e opiniões sobre fatos relativos ao universo político brasileiro); Inter- nacional (fatos, geralmente, políticos referentes aos demais países); Regional ou Local (assuntos pertinentes à região e/ou à cidade em que o jornal circula); Eco- nomia (assuntos econômicos gerais); Esporte (relativos ao mundo esportivo em geral); Cultura (temas relativos a livros, ao teatro, ao cinema, entre outros). Essa divisão por editorias define outra divisão: os cadernos em que se concentram as editorias. Assim, há o Caderno de Economia, o de Esporte etc. visitas à ISS. Combinar o holotransporte com tecnologias de realidade aumentada também permitiria que pessoas na Terra se locomovessem pela ISS e trabalhassem junto com astronautas. “É uma maneira completamente nova de comunicação humana em grandes distâncias […] e de exploração, a partir da qual nossa entidade humana é capaz de viajar para além do planeta”, disse Schmid. In:https://super.abril.com.br/ciencia/medicos-visitam-estacao-espacial-internacional-via-hologramas/. Consulta realizada em 22 de abril de 2022. 1. Espera-se que o aluno compreenda que se trata de uma notícia e que, portanto, tem a � nalidade de transmitir informações. 2. As respostas poderão ser bem diferentes, pois cada pessoa poderá encontrar trechos diversos para jus- ti� car que se trata de uma informação. O recomendável é que, após a leitura e discus- são de algumas respostas, o/a professor/a coloque no quadro as perguntas básicas que compreendem o lead de uma notícia: o quê?, quem?, onde?, como? Se for necessário, faça uma revisão das características do gênero notícia. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 133LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 133 25/08/2022 15:26:5225/08/2022 15:26:52 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 134 Em alguns casos, os jornais publicam suplementos semanais com ênfase em um determinado tema. Por exemplo: suplemento de TV, com ampla cobertura de assuntos relativos à programação televisiva e aos seus participantes (atores, atrizes, jornalistas, apresentadores, entre outros). Há suplementos especiais, pu- blicados por ocasião de algum evento de grande porte. Isso ocorre, por exemplo, quando da realização de Jogos Olímpicos, da Copa do Mundo de Futebol. O jornal pode ser apresentado em periodicidade e formatos diferentes. Quan- to à periodicidade, o jornal pode ser diário (uma das mais frequentes), semanal ou quinzenal. Já, quanto aos formatos, no Brasil, o standard tem sido usado com mais frequência. Esse formato corresponde, em média, ao tamanho de 55 cm (no sentido vertical) por 30 cm (no horizontal). Veja alguns exemplos. Ca pa d o Jo rn al E xt ra , p ub lic ad o em 2 8- 0 4- 20 13 / Li ce nc ia do p el a Ag ên ci a O Gl ob o Co rre io B ra zil ie ns e, 1 8 de ju lh o de 2 01 6 / D . A P re ss Primeira página do jornal Correio Braziliense, de Brasília, do dia 18 de julho de 2016. Primeira página do jornal do Extra, do Rio de Janeiro, do dia 28 de abril de 2013. Co rre io B ra zil ie ns e, 1 8 de ju lh o de 2 01 6 / D . A P re ss Ca pa d o Jo rn al E xt ra , p ub lic ad o em 2 8- 0 4- 20 13 / Li ce nc ia do p el a Ag ên ci a O Gl ob o LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 134LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 134 25/08/2022 15:26:5325/08/2022 15:26:53 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 135 Há jornais que adotam o formato tabloide ou berlinense. O primeiro tem o tamanho médio de 38 cm (na vertical) por 30 cm (na horizontal; enquanto o segundo apresenta-se com 47 cm (na vertical) por 31,5 cm (na horizontal). Veja exemplos desse tipo de formato. Primeira página do Zero Hora, de Porto Alegre, do dia 16 de junho de 2015. Primeira página do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, do dia 14 de janeiro de 2009. Jo rn al d o Br as il, 1 4 de ja ne iro d e 20 09 /C PD oc J B Ga uc ha ZH /G ru po R BS Ga uc ha ZH /G ru po R BS Jo rn al d o Br as il, 1 4 de ja ne iro d e 20 09 /C PD oc J B 2. Revista A revista é uma publicação impressa em papel de qualidade superior à do jornal. Seu formato se aproxima ao tamanho de folha de papel A-4 (29,7 cm, na vertical, por 21 cm, na horizontal). Sua periodicidade pode ser semanal, quinze- nal ou mensal. Trata-se de um tipo de publicação que se caracteriza por grande segmenta- ção. Há revistas que, à semelhança do jornal impresso, abordam diferentes assun- tos e se dividem em editorias. Observe alguns desses tipos de revista. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 135LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 135 25/08/2022 15:26:5425/08/2022 15:26:54 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 136 Capa da revista Veja, de 24 de maio de 2017. Capa da revista Carta Capital, de 8 de maio de 2013. Capa da revista Carta Capital Ca rta C ap ita l Capa da revista Veja, de 24 de maio de 2017. Ve ja /A br il Co m un ic aç õe s S. A. Há revistas que trabalham com um tema mais específico e o desenvolvem ao longo de suas páginas. Nesses casos, são revistas que procuram alcançar um público-alvo bem mais definido. Abaixo, há exemplos de algumas dessas revistas. Capa da revista Forum, de junho de 2013. Capa da revista Caros Amigos, de julho de 2010. Re vis ta F ór um Re pr od uç ão LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 136LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 136 25/08/2022 15:26:5625/08/2022 15:26:56 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 137 Su pe rin te re ss an te /A br il Co m un ic aç õe s S. A. Capa da revista Superinteressante, de dezembro de 2005. Capa da revista Medicina & Cia., de junho de 2013. Re pr od uç ão 3. Jornalismo no rádio No rádio, há o radiojornal, programa radiofônico diário que transmite notí- cias, realiza entrevistas e emite opiniões relacionadas a diferentes temas: política,economia, esportes, entre outros, sejam elas nacionais, internacionais, regionais e locais. Os radiojornais podem ter variadas durações: boletins curtos com três minu- tos, que destacam notícias mais relevantes; programas mais longos de meia hora a duas ou três horas, que tratam as notícias com maior profundidade, acrescen- tando entrevistas e comentaristas que opinam sobre os fatos apresentados. Há, ainda, as revistas radiofônicas que, de maneira mais informal, abor- dam temas variados e prestam serviço (atividades culturais com locais e horários; orientação sobre cuidados com a saúde pessoal, entre outros); propiciam a parti- cipação do ouvinte (emitindo opiniões, contando histórias pessoais, apresentan- do dúvidas em relação a um determinado assunto). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 137LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 137 25/08/2022 15:26:5725/08/2022 15:26:57 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 138 Atualmente, há emissoras de rádio, geralmente as de frequência AM, que organizam sua grade com programas exclusivamente jornalísticos. Logotipo da rádio Jovem Pan AM. Disponível em: <https://adonirando.wordpress. com/>. Acesso em 26 jul. 2017. Logotipo da rádio CBN. Disponível em: <http://noticiasderadios. blogspot.com/2009_05_01_archive. html>. Acesso em 9 jul. 2017. Re pr od uç ão Re pr od uç ão Logotipo da rádio CBN. Disponível Re pr od uç ão 4. Jornalismo na TV No telejornal, programas de duração variada – às vezes, pequenos boletins, outras vezes, programas com meia hora ou até cinquenta minutos – que, à se- melhança do radiojornal, transmitem notícias, entrevistam pessoas e dão voz a comentaristas que opinam sobre as notícias apresentadas. Re pr od uç ão Re pr od uç ão Re pr od uç ão Vinheta do Jornal Nacional. Disponível em: <https://www.i-on.tv/australia/globo- package.html>. Acesso em: 23 jun. 2017. Vinheta do Jornal da Alterosa – edição regional – Juiz de fora/MG. Disponível em: <https://www.youtube.com/user/ jornaldaalterosa>. Acesso em: 23 jun. 2017. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 138LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 138 25/08/2022 15:26:5925/08/2022 15:26:59 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 139 Há programas jornalísticos mais diferenciados, as revistas eletrônicas que tratam de um tema com maior profundidade – como, por exemplo, o Globo Re- pórter – ou abordam temas variados, com informações e entretenimento – são exemplos, entre outros, o Fantástico, apresentado pela Rede Globo, o Domingo Espetacular, da Rede Record. Vinheta do Globo Repórter. Disponível em: <http://joelisonjoe.blogspot.com. br/2011/10/ufsm-no-globo-reporter. html>. Acesso em: 23 jun. 2017. Vinheta do Domingo espetacular. Disponível em: <http://entretenimento. oportaln10.com.br/domingo-espetacular- 18062017-viagem-especial-para-o- senegal-63030/>. Acesso em: 23 jun. 2017. Re pr od uç ão Re pr od uç ão Os programas de entrevistas têm grande destaque na televisão. Nesse caso, há aqueles realizados em estúdio, em que entrevistador/a e entrevistado/a con- versam informalmente – Marília Gabriela Entrevista, exibido pela GNT, e Juca Entrevista, exibido pela ESPN, ambas emissoras de TV a cabo, são exemplos des- se tipo de programa. Já os talk shows, também programas de entrevistas, são realizados em pequenos auditórios e, portanto, acompanhados por plateia. O Pro- grama do Jô, apresentado pela Rede Globo, é exemplo de talk show. Re pr od uç ão Re pr od uç ão Vinheta de Juca Entrevista. Disponível em: <http://espnbrasil.terra.com.br/ jucaentrevista>. Acesso em: 9 jul. 2017. Re pr od uç ão Vinheta do Programa do Jô. Disponível em: <https://telinhadatv. wordpress.com/category/televisao-2/ page/1938/>. Acesso em: 23 jun. 2017. Assim como ocorreu com as emissoras de rádio, surgiram canais de televisão com programas exclusivamente jornalísticos. São exemplos desse tipo a Globo LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 139LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 139 25/08/2022 15:27:0025/08/2022 15:27:00 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 140 News, a Record News e a BandNews. Há também canais que se especializaram ex- clusivamente em jornalismo esportivo. São elas a Band Sports, a Espn e a SporTV. Logotipo da BandNews. Disponível em: <http:// feirasenegocios.com.br/>. Acesso em: 23 jun. 2017. Logotipo da SporTV. Disponível em: <http://www.tracto.com. br/logo-sportv-3d-frontal/>. Acesso em: 23 jun. 2017. Re pr od uç ão Re pr od uç ão Logotipo da BandNews. Disponível em: <http:// Logotipo da SporTV. Disponível Re pr od uç ão 5. Jornalismo na internet Com a chegada da internet, muitas das atividades jornalísticas convergiram para esse novo veículo. Em alguns casos, o internauta tem acesso total ou parcial a jornais e revistas impressos em versão digital, ou às emissoras de rádio (neste caso, pode-se ouvir a transmissão on-line por meio de um software – player). Mesmo as TVs permitem acesso a trechos de suas produções jornalísticas. Porém, existem produções elaboradas somente para a internet. São eles os blogs jornalísticos, os boletins eletrônicos e, em especial, os portais que, por meio de links, dão acesso a diversos formatos de textos jornalísticos (escritos, sonoros, vídeos), originalmente produzidos para a internet. Exemplo de portal jornalístico EB C Página de entrada do Portal www.ebc.com.br – imagem captada em 17/07/2017. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 140LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 140 25/08/2022 15:27:0125/08/2022 15:27:01 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 141 Exemplo de blog jornalístico Re pr od uç ão Página inicial do blog do jornalístico de Esmael Morais – disponível na Internet em <http://www.esmaelmorais.com.br/>. Acesso em 17/07/2017. 6. O trabalho do jornalista Independentemente do veículo, o jornalista inicia suas atividades a partir de uma pauta (espécie de roteiro de assuntos que serão abordados). Daí, o passo seguinte é a apuração dos fatos, momento em que verifica os da- dos referentes aos acontecimentos. Para isso, ele pode trabalhar com documentos e entrevistar pessoas. O ideal é procurar fontes diferentes para que os fatos pos- sam ser compreendidos sob diversos ângulos. Costuma-se dizer que todo fato tem dois lados, quando, na verdade, pode haver muito mais do que dois. Depois de todos os dados coletados, há o momento de redigir e editar o texto que virá a ser publicado. Nessa etapa, além do jornalista que apurou os fatos e redigiu o texto, pode participar também o editor responsável pela área a que o fato é pertinente. 7. Características da linguagem jornalística A princípio, quando se fala em texto jornalístico, pensa-se quase que exclusi- vamente em textos produzidos com a finalidade de transmitir informações. Nes- se tipo de texto, a linguagem será trabalhada com a maior objetividade possível e, por isso, a função de linguagem predominante é a referencial – ou seja, elabo- ração de uma mensagem com a intenção de passar informações ao destinatário. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 141LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 141 25/08/2022 15:27:0225/08/2022 15:27:02 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 142 Seja qual for o tipo de veículo, essa função predominará, principalmente, em notícias e reportagens. Observe isso no exemplo a seguir. Aftosa: vacinação em maio será apenas para bovinos até 24 meses PECUÁRIA – Na região, existem mais de quatro mil pecuaristas e 300 mil cabeças de gado A partir do dia 2 de maio começa a etapa de vacinação contra a febre aftosa, que deve ser realizada por todos os pecuaristas do estado de São Paulo. Na região de Ourinhos, formada por 17 municípios, são mais de 4 mil pecuaristas e 300 mil cabeças de gado, informa Valmor Fantinel, médico veterinário e diretor do Escritório de Defesa Agropecuário de Ourinhos —EDAO. Nesta etapa de maio, serão obrigados a ser vacinados todos os bovinos com até 24meses de idade. Até o ano passado era obrigatório vacinar todo o rebanho, ou seja, o gado de qualquer idade. “A vacinação de todo o rebanho, gado de qualquer idade, ficou para novembro”, informa Fantinel. Ainda de acordo com o médico veterinário, há 13 anos não é registrado nenhum caso de febre aftosa no estado de São Paulo e, por isso, a imunização dos gados de qualquer idade ficou para a etapa de novembro. Ou seja: em maio, gados até dois anos; em novembro, todo o rebanho. O pecuarista que deixar de aplicar a vacina contra a febre aftosa poderá ser autuado e multado no valor de cinco Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo) por animal não vacinado, isto é, R$ 79,40 por cabeça de gado. AFTOSA: vacinação em maio será apenas para bovinos até 24 meses. Debate Online, Semana de 26/04/2009 a 03/05/2009. Disponível em: AFTOSA: vacinação em maio será apenas para bovinos até 24 meses. Debate Online, Semana de 26/04/2009 a 03/05/2009. disponível em: http://www2.uol.com.br/debate/1464/cidade/ cidade09.html. Acesso em 16 de junho de 2017>. Acesso em 9 jul. 2017. Se informar é uma das finalidades mais comuns no jornal, há outra muito significativa também: a produção de textos opinativos. Nesse caso, a linguagem apresentará maior subjetividade e, por essa razão, predominará a função expres- siva (ou emotiva) – isto é, o emissor elabora uma mensagem expressando suas opiniões em relação a algum fato ou a alguma atitude tomada por personalidades do mundo político, judiciário, cultural etc. Essa função será predominante, espe- cialmente, em editoriais, em colunas (artigos assinados por comentaristas) e em críticas de modo geral (por exemplo, avaliação de peças de teatro, de filmes, de gastronomia, entre outros). Na TV e no rádio, há o âncora, jornalista que, além de transmitir informações, faz comentários críticos. Veja pequeno exemplo de função expressiva em texto jornalístico. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 142LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 142 25/08/2022 15:27:0225/08/2022 15:27:02 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 143 Não há Sem reciclar, esgotaremos o planeta. O reaproveitamento é essencial para a sobrevivência da raça humana. No entanto, e usando um jargão muito em moda nestes tempos, não há políticas públicas de reciclagem neste país. Campanhas de conscientização induzem o cidadão a separar seu lixo, vidro com vidro, plástico com plástico e papel com papel. E cadê coleta? Quando há, é deficiente e insuficiente. OSTERMANN, Valther. Não há. Jornal de Santa Catarina. Disponível em: <http://www. clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,183,2543943,12515>. Acesso em 16 de junho de 2017. Em quantidade menor, há produções de textos que abordam a própria lingua- gem jornalística. Nessa produção predominará a função metalinguística: a men- sagem elaborada em uma linguagem que tem a própria linguagem como centro de atenção. Essa função será predominante em textos que discutem o trabalho do próprio jornal (há alguns que têm ombudsman – pessoa responsável pela produção de texto em que avalia o veículo em que trabalha). Veja exemplo no texto abaixo. Cobertura lenta e improvisada da tragédia Em dezembro, o país se comoveu com a tragédia das enchentes em Santa Catarina. Este mês, de novo, agora com elas no Norte e no Nordeste. A Folha não fez jornalismo preventivo, como deveria, em nenhuma das situações. Limitou-se a reagir aos fatos, registrar os acontecimentos. Mas no caso atual, do Norte e do Nordeste, apesar de ele ter provocado mais vítimas e desabrigados que o anterior, o jornal lhe dedica muito menos espaço e destaque. Vários leitores escrevem para reclamar e perguntar se a falta de vigor jornalístico reflete “um aparente descaso “sulino” com o drama do Norte/Nordeste”, como um deles, Rodrigo Pisictelli, pergunta. Confio que não, mas a suspeita já é grave. No sábado, o jornal criticou em editorial intitulado “Lentidão e improviso” o comportamento das autoridades em resposta aos efeitos das chuvas. Mas a cobertura que ele próprio tem feito dos problemas de cerca de 1 milhão de brasileiros também deixa muito a desejar. Fora fotos pungentes na capa, o que se constata é que o assunto não está entre as prioridades da Redação, o que é um erro e uma lástima. SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Cobertura lenta e improvisada da tragédia. Folha de S. Paulo, 17 de maio de 2009. Disponível em: <http://www1.folha.uol. com.br/fsp/ombudsma/om1705200902.htm>. Acesso em 9 jul. 2017. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 143LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 143 25/08/2022 15:27:0325/08/2022 15:27:03 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 144 Há neutralidade no texto jornalístico? Comumente, ouve-se dizer que o texto jornalístico deve transmitir os acon- tecimentos com neutralidade, ou seja, sem que o jornalista se posicione em rela- ção a eles. Contudo, manter-se neutro é praticamente impossível, uma vez que, ao selecionar dados e ao organizá-los, o jornalista coloca em ação seus valores subjetivos. O que se recomenda é manter um distanciamento crítico em relação aos ele- mentos que seleciona para elaborar o seu texto. Não se deixar envolver por pes- soas ou órgãos nem deixar-se levar pela emoção. Imagens no texto jornalístico Os veículos de informação (com exceção do rádio) utilizam imagens asso- ciadas às matérias e às notícias com a intenção de dar maior efeito de realidade ao que está sendo informado, ou seja, elas documentam os fatos noticiados. Por esse motivo, as imagens não devem ser compreendidas como meras ilustrações. Pode-se afirmar que, assim como o texto linguístico, as imagens também são notícias e assim devem ser tratadas pelos que as captam. Atualmente, com os diversos recursos disponíveis, as imagens, tanto na im- prensa quanto na área da publicidade, podem receber tratamentos, seja para apa- gar elementos que não interessam a alguém ou a alguma instituição, seja para “melhorar ou embelezar” a aparência de uma pessoa. O texto que você vai ler não apenas permitirá que essa questão seja mais bem compreendida, como também revelará que a prática de manipulação de imagens ocorria ainda quando não havia tanta tecnologia para isso. Ditadura do photoshop Diante da popularização da manipulação de imagens, os franceses querem devolver à fotografia o seu valor fundamental: a utópica fidelidade da representação. Em 1826, o francês Joseph Nicéphore Niépce registrou uma imagem de seu quintal usando uma placa de estanho, betume e uma câmara escura. Depois de oito horas de exposição à luz, nascia a fotografia. Desde então, vimos o mundo através de fotos: os horrores das guerras, os lugares exóticos recém-desbravados, os grandes líderes, os mais belos homens e mulheres e mesmo o planeta Terra visto do espaço. Hoje, quase dois séculos depois, o povo que inventou essa técnica volta a refletir sobre os rumos tomados pela arte de transformar coisas em imagens. Tramita no Congresso francês uma proposta de lei da deputada Valérie Boyer que pretende regulamentar o uso do Photoshop em imagens publicitárias, editoriais e artísticas. Segundo a deputada, toda foto publicada na França minimamente alterada por um programa de computador que retoque imagens deverá vir acompanhada do seguinte aviso: LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 144LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 144 25/08/2022 15:27:0325/08/2022 15:27:03 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 145 “Esta fotografia foi retocada para modificar a aparência física de uma pessoa”. A multa para quem não o colocar será de 37 500 euros, ou 95 500 reais. A proposta já conta com a adesão de outros cinquenta parlamentares franceses. Como fazemos com um filho rebelde que fugiu do nosso controle, os franceses querem devolver à fotografia o seu valor fundamental: a fidelidade – apesar de utópica – da representação fotográfica. Em campanhas publicitárias e certos nichos glamourosos da imprensa de moda, existem hoje dois processosdistintos na elaboração das imagens: fotografar e photoshopar (sim, já virou verbo). O primeiro capta as imagens com a melhor luz possível. O segundo pode construir corpos magérrimos e perfeitos, peles de plástico, livres de celulite ou qualquer outra imperfeição natural. O resultado é, em casos extremos, uma ilustração que tem pouquíssimo a ver com o original. Da perseguição dessa beleza inatingível podem provir sérios danos à autoestima, sobretudo em adolescentes, quando não transtornos como a bulimia e a compulsão por cirurgias plásticas. Do outro lado do Canal da Mancha, parlamentares ingleses também propõem restrições ao uso do Photoshop em campanhas publicitárias voltadas para menores de 16 anos. A fundamentação é que fotografias manipuladas podem fazer mal à saúde. A possibilidade de manipulação da fotografia existe desde a invenção da câmara escura. No século XIX, os retratos encomendados passaram a ganhar correções feitas com a ajuda de retocadores, que com pincéis e tinta procuravam melhorar a aparência dos fotografados. O mito de que a fotografia é a representação da realidade foi usado de forma maquiavélica por ditadores, como Stálin, Hitler, Mao Tsé-tung e Mussolini, que tentaram reescrever a história por meio da alteração criminosa de fotografias. Hoje, a manipulação da imagem encontrou possibilidades infinitas com a fotografia digital. Sexagenárias posam para capas de revista com pele e corpo de adolescente – mas sem espinhas, é claro. Até lipoaspirações digitais, como a feita pela revista francesa Paris Match com o presidente Nicolas Sarkozy, são possíveis. A questão proposta pelos legisladores franceses é separar o joio do trigo. “Quando escritores partem de evento real mas o embelezam, eles são obrigados a avisar seus leitores de que se trata de uma ficção ou de uma dramatização baseada em fatos reais. Por que com a fotografia deveria ser diferente?”, pergunta a deputada Boyer. Por enquanto, podemos tudo. Nós definimos o limite. Como nos anúncios de bebida alcoólica, a resposta está na quantidade: “Photoshop, use com moderação”. Essa parece ser a receita possível para não transformar todas as fotografias em ilustrações. Manipulação criminosa A alteração de imagens, tão antiga quanto a própria fotografia, já serviu aos mais diversos – e torpes – motivos. Programas como o Photoshop apenas tornaram mais fácil a edição digital de fotos. VITALE, Paulo. Ditadura do Photoshop. Veja, São Paulo, Abril, ed. 2135, ano 42, n. 42, p. 108-109, 21 out. 2009. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 145LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 145 25/08/2022 15:27:0325/08/2022 15:27:03 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 146 APLICAÇÃO 1. Para se informar, que tipos de veículos você, habitualmente, uti- liza? Deles, qual você prefere e por quê? 2. Cada aluno/a apresentará sua resposta em sala. Anote as diferentes respos- tas. Quantitativamente, qual veículo recebeu o maior número de respostas? 3. Pelas justificativas apresentadas, por que esse veículo é o mais utilizado? 4. Você tem o hábito de utilizar alguma publicação segmentada (por exemplo: ciências, esporte, surf, celebridades, saúde etc.)? Se você respondeu que sim, mencione o nome da publicação. Por que você se interessa por esse assunto? 5. Apresente sua resposta. Veja as respostas dos/das colegas. Qual o assunto que obteve maior resposta? E que publicação foi mais citada? 6. Selecione um jornal ou uma revista, impressa ou digital, cuja produção e vei- culação ocorram em sua cidade (caso não haja nenhuma publicação em sua cidade, escolha uma de sua região). a) Informe o nome da publicação e a data de circulação. b) Relacione as editorias (os grandes assuntos) em que a publicação está dividida. c) Qual dessas editorias tem maior destaque? Em sua opinião, por que isso ocorre? 7. Reúna-se em grupo. O grupo acompanhará uma notícia (de qualquer área: política, esporte, economia etc.) de grande repercussão. Para isso, deverá se- lecionar jornais, revistas (impressos ou na internet), rádio e TV, que tenham dado destaque a essa notícia. Em seguida, respondam às questões propostas. a) Elabore uma síntese da notícia escolhida. b) os veículos que o grupo selecionou e as datas em que a notícia foi veicu- lada (no caso de rádio e TV, mencionem também o horário). c) Em todos esses veículos, a notícia recebeu o mesmo tratamento? Mos- trem que diferenças e semelhanças há na elaboração dos textos jorna- lísticos. d) Quanto às diferenças, elas ocorreram por conta das diferenças que há entre os veículos ou por que a abordagem de cada texto privilegiou al- gum aspecto da notícia? Justifiquem. e) Na visão do grupo, por qual dos veículos pôde-se obter uma informação mais profunda e crítica da notícia? Justifiquem. ções, uma vez que, muitas delas têm somente interesse mercadológico, tratando os temas de forma super� cial ou sensacionalista. 6. Peça aos alunos que tragam as publicações para mostrar aos colegas. Nesta questão, itens “a” e “b”, evidencia-se a � nalidade de trabalhar com a realidade mais próxima do/a aluno/a. Caso, em sua cidade, há grande quantidade de publicações em circulação, pode-se orientar a que todos possam ser trabalhados, distribuindo-se cada uma delas entre os/as alunos/as. Por outro lado, se houver poucas, que o trabalho seja feito pelos dias da semana – a mesma publicação em diferen- Observação geral Nas atividades a seguir, optou-se por trabalhar com material à disposição do/a aluno/a, uma vez que os conteúdos jornalísticos quase sempre � cam datados e, portanto, perde-se a oportu- nidade de lidar com temas contemporâneos e mais próximos dos/as alunos/as. Questões 1), 2) Estas questões têm o objetivo de conhecer em que medida os/as alunos buscam se infor- mar. Nelas, deve-se orientar a que sejam apresentados os veículos que trazem infor- mações gerais [até porque, na questão 4, será possível trabalhar com veículos seg- mentados]. Discutir que veículos são os mais utilizados. Orientar para que o/a aluno/a compreenda que é fundamental consultar, na medida possível, diferen- tes órgãos de imprensa para que se possa ter diferentes visões e opiniões sobre os fatos noticiados. Propiciar, en� m, que seja discutida a importância de se buscar informações como forma de participação do mundo, de se posicionar diante de questões polêmicas e para a formação de um cidadão crítico e consciente. 3. Oriente para que as res- postas sejam elaboradas com profundidade. Questões 4) e 5) Estas questões têm a � nali- dade de se fazer perceber a quantidade de publicações que, atualmente, estão dispo- níveis no mercado comu- nicacional. Principalmente, as revistas apresentam-se de forma segmentada e há publicações para todos os interesses. Essa segmentação também é muito clara nas produções digitais disponí- veis na Internet. Em todos os casos, discutir a qualidade dessas publica- LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 146LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 146 25/08/2022 15:27:0325/08/2022 15:27:03 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 147 8. Discutam os diferentes aspectos relativos à notícia trabalhada. Por fim, ela- borem um texto expressando a opinião de vocês. Configurem esse texto em quatro parágrafos, de tal forma que, no primeiro, seja apresentado o tema; nos dois seguintes, sejam desenvolvidas as opiniões e as argumentações e, no último, a conclusão. 9. Apresente as respostas e o texto opinativo produzidos pelo grupo. Acompa- nhem todas as apresentações, discutindo os diferentes aspectos relatados. Por fim, elaborem um pequeno texto que expresse as reflexões propiciadas por esta atividade. PRODUÇÃO DE TEXTO Primeira parte: atividade individual – entrevista a) Localize um/a ex-aluno/a de sua escola. Converse com ele/ela e anote os seguintes dados: nome completo; idade; local de nascimento; local em que reside atualmente; se estuda, que curso está frequentando; se trabalha, qual a profissão;em que ano se formou na escola em que vocês estudam. b) Pergunte a ele/ela se se recorda de algum episódio vivido na escola e que foi marcante (porque foi constrangedor, ou foi engraçado, ou foi triste). c) Peça que ele/ela conte esse episódio e grave esse relato. Caso não seja possível gravar, vá tomando nota da história, tentando captar o máximo possível do que vai sendo relatado. d) Transcreva a história numa folha avulsa. e) Transcreva todos os dados da pessoa que contou a história. Segunda parte: atividade em grupo – produção de pequeno jornal impresso Reúna-se em grupo. Leiam todos os relatos. Utilizando todos esses textos, elaborem um pequeno jornal. Pode ser impresso ou publicado na internet. Siga as orientaçoes a seguir. 1. Cada texto deverá ser transformado em uma notícia. Para isso, façam as adaptações necessárias. 8. O grupo irá produzir um texto dissertativo argumentativo. Pela proposta – dividir em quatro parágrafos – requer que o texto seja planejado previamente. Assim, orientar para que seja feito um rascunho e que, antes de � nalizado, seja avaliado para veri� car se os argumentos são relevantes e se o texto trata a notícia com profundidade. 9. Esta atividade, além de sintetizar os diferentes procedimentos efetuados nas atividades anteriores, tem como objetivo reiterar a importância da informação como algo signi� cativo para a formação do ser humano. Todavia, informação sem posicionamento crítico, será apenas quantidade e não qualidade. Por isso, insistir na orientação de que o/a aluno/a procure diversi� car as suas fontes de informação, buscando qualidade e credibilidade. Produção de texto Na primeira parte, o/a aluno/a terá a oportunidade de fazer uma pequena entrevista. Orientar para que, de preferência, o relato seja gravado e, somente se não houver condições, que ele seja feito por anotação – em hipótese alguma, solicitar que o/a entrevistado/a escreva a história, pois a proposta é que o/a aluno/a vivencie a situação de coletar informações. Insistir na coleta dos dados. É importante que o/a entrevistador/a tenha os dados completos de sua fonte. A opção por contatar um/a ex-aluno/a da escola tem a � nalidade de resgatar histórias vividas na escola e contribui, portanto, para se conhecer aspectos da memória escolar. tes dias. Dessa forma, podem ser observadas diferenças entre as editorias conforme o dia da semana. Se durante esta atividade ocorrer um fato de grande repercussão, poderá haver certo “desequilíbrio” na distri- buição de notícias em cada editoria. Mas, o fundamental é que o/a aluno/a compreen- da que, mesmo dentro da unidade da publicação, há grande segmentação (inclusi- ve pela divisão em cadernos e, em determinados dias da semana, em suplementos temáticos). c) O destaque pode se dar, obviamente, pela quantidade de espaço ocupada por uma editoria. Porém, em muitos casos, o destaque pode estar na forma de apresentar o assunto (destaque na primei- ra página, fontes grandes, ocupar a parte superior da página). É recomendável que, além de perceber os destaques, que se discuta a relevância de uma ou outra editoria ter destaque: trata-se de um tema de importância nacional, regional ou local? Ou é uma forma de atrair a atenção do público? Neste caso, é mais uma estratégia para vender mais? 7. a), b), c), d), e). Esta atividade pode ser preparada com antecedência com a distribuição de temas entre os grupos de modo a diversi� car o resultado � nal. O fundamental neste traba- lho é que os/as alunos/as compreendam que, confor- me a publicação e/ou o tipo de veículo, as informações são apresentadas de forma diferente e, portanto, pode- rão trazer visões diversas de um mesmo fato. Compreen- der que, em alguns veículos, o fato poderá ser abordado de modo mais aprofundado porque dispõem de mais tempo para apurar e inves- tigar os dados. Em outros casos, a instantaneidade de apuração pode ter mais im- pacto sobre o destinatário. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 147LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 147 25/08/2022 15:27:0425/08/2022 15:27:04 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 2. Coloquem algumas imagens (podem ser fotos ou desenhos) que se relacio- nem com alguns dos episódios. 3. Elaborem um pequeno editorial: escolham um tema relacionado a uma ou mais histórias e apresentem suas opiniões em relação a ele. 4. Elaborem o expediente do jornal (os créditos relativos às diferentes ativida- des executadas por vocês). 5. Criem um nome sugestivo para o jornal. 6. Produzam o jornal e apresentem-no em sala. Terceira parte: individual – avaliação dos jornais produzidos Leia atentamente os jornais e elabore um pequeno texto avaliando cada produ- ção (que semelhanças e diferenças ocorreram; qual deles foi mais original e por quê; qual deles chamou mais a sua atenção e por quê). Quarta parte: individual Reflita sobre todo o processo desenvolvido na produção do jornal. Futuramente, você gostaria de trabalhar como jornalista? Elabore um texto, apresentando sua resposta com argumentações que deem bom embasamento às suas opiniões. 148 Quarta Parte: Assim como na proposta anterior, o/a aluno/a será instigado/a produzir um texto argumentativo. Assim, veri� car se os argumentos possuem força e relevância. Importante, ao � nal, discutir com a sala as peculiaridades da atividade de um jornalista, tais como: o trabalho nem sempre tem horário de� nido, não há uma rotina, geralmente, o jorna- lista vê sua pro� ssão como uma espécie de aventura e cercada de um grande idealismo – a de que, por meio das informações, poderá esclarecer as pessoas, poderá denunciar injustiças. Há também certa glamourização do fazer jornalístico: viajar, ser corres pondente em outros países, conviver com personalidades do mundo político, artístico, esportivo. Por conta disso, nos últimos anos, as carreiras pertencentes à área da Comunicação têm atraído muitos candidatos aos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. Porém, pequena parte deles terá essa oportunidade. Segunda Parte: A produção do jornal colocará os/as alunos/as em situação concreta de produção de texto conforme as condições impostas pelas características do veículo: diagramação, tamanho do texto em conformidade com o espaço disponível e a hierarquia dos fatos. Dessa forma, espera-se que os/as alunos/as compreen- dam que escrever não é somente uma capacidade que depende de inspiração. Na formatação do jornal, dimensionar a produção de acordo com as condições dos/as alunos/as. Assim, ele pode ser totalmente produzido em computador com o auxílio de programas especí� cos bem como pode ser feito a mão. O importante é que o design se aproxime de um veículo informativo. Acompanhar e orientar a atividade para que, além da qualidade informativa, os aspectos de originalidade estejam presentes – seja no design das páginas, seja na elaboração das manchetes (títulos das matérias), seja na linguagem empregada na redação das matérias. Terceira Parte A proposta é desenvolver o senso crítico do aluno, por meio da comparação dos diferentes jornais produzidos. Orientar para que o texto revele que o/a aluno/a perce- beu as diferenças e as razões por que elas ocorreram e, em que medida, isso servirá como orientação para sua própria produção, indepen- dentemente, do tipo de texto que vier a produzir. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 148LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 148 25/08/2022 15:27:0525/08/2022 15:27:05 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 149 10 O ASSUNTO É: TEXTO PUBLICITÁRIO REFLEXÃO Observe e leia com atenção o texto publicitário da Frescarini, repro- duzido abaixo. F/ Na zc a Sa at ch i& Sa at ch i/F ot óg ra fo : F re ita s Novo Frescarini. Mais recheio, massa mais leve. Você precisa provar. 1. Com que finalidade esse texto foi produzido? 2. Quem é o emissor desse texto? 3. Para a sua elaboração, que linguagens foram utilizadas? Qualdelas é a pre- dominante? 4. A quem se destina a leitura desse texto? Justifique sua resposta. O texto publicitário sempre é produzido com a � nalidade de per- suadir o destinatário a atender aos interesses do anunciante. O emissor do texto é a empresa anunciante, Frescarine. Aproveitar para reforçar a compreensão de que, nos textos publicitários, o emissor sempre será o anunciante. O texto trabalha com a linguagem verbal – palavras escritas – e com a linguagem não-verbal – foto do prato, formas, cores. O destinatário desse texto, muito provavelmente, é o público leitor da Revista, onde o anúncio foi publicado. Apro- veitar a oportunidade para reforçar que, a rigor, o público é de� nido pelo canal em que o texto é veiculado. Assim, uma propaganda de TV apresentada durante a exibição de um jogo de futebol, em geral, terá como alvo o homem que aprecia esse esporte, as propagandas de produtos para crianças apresentadas nos intervalos de desenhos infantis terá como alvo as crianças, um produto anunciado num jornal terá como alvo os leitores do jornal etc. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 149LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 149 25/08/2022 15:27:0825/08/2022 15:27:08 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 150 5. Cite o nome de duas revistas ou intervalo de que programas de TV em que esse anúncio poderia ser veiculado. Justifique suas escolhas. 6. Pode-se perceber que nesse texto não há elementos negativos. Por que isso acontece? 7. Quais os argumentos utilizados para apresentar os produtos de modo positivo? 8. O anúncio parece tratar o seu destinatário de forma próxima. Por que isso ocorre? DA TEORIA À PRÁTICA O texto publicitário é produzido com o objetivo de persuadir alguém a fa- zer algo. Por meio desse tipo de texto, vendem-se produtos ou serviços, reco- mendam-se comportamentos. Ele está tão presente no cotidiano de todos de tal modo que é praticamente impossível passar um dia sem ter contato com um texto publicitário. A produção de uma peça publicitária, geralmente, é feita por uma agência de propaganda a serviço de um anunciante. Raramente ele é o resultado de um tra- balho individual. Dele participam redatores, ilustradores, fotógrafos, entre outros. Outra peculiaridade de sua produção é que, geralmente, ela é precedida por uma pesquisa que dará elementos para a sua criação. Os dados obtidos nessa pesquisa são reunidos em um briefing – termo muito comum na área da Comu- nicação. Conforme o Dicionário Michaelis, trata-se do “Conjunto de informações básicas, instruções, normas etc., elaboradas para a execução de um determinado trabalho”. 1. O texto publicitário como ato de comunicação Emissor Todo texto publicitário tem como emissor o próprio anunciante. Embora muitas vezes seja produzido por uma agência de propaganda, é o anunciante quem assina o texto, responsabilizando-se pelo conteúdo e pela autorização de sua veiculação. Destinatário O texto publicitário não se destina a todos. Sempre é produzido pensando- --se em um público específico. Por isso, na linguagem publicitária, o destinatário recebe o nome de público-alvo. Por exemplo: um filme publicitário veiculado durante a apresentação de um programa para adolescente, este será o seu públi- co-alvo. E a elaboração desse texto procurará utilizar uma linguagem que dele se aproxime. 5. Resposta pessoal. Esta questão amplia a anterior. Será fundamental veri� car se a justi� cativa é coerente com a escolha da revista ou programa de TV. 6. Esta questão tem o propósito de mostrar que o texto publicitário é sempre a� rmativo. O anunciante busca criar imagem positiva e mostrar que seus produtos possuem qualidade e, por isso, trazem benefícios ao seu destinatário. 7. A� rmação de que é uma receita caseira, que faz bem, que tem mais recheio, massa parece um travesseiro.. 8. Uma das características do texto publicitário é se apro- ximar do seu destinatário de forma a dar-lhe a impressão de que participa de seu mun- do particular e, desse modo, o anunciante mostra que só lhe traz benefícios. O uso da palavra você e a imagem do prato pronto (e apetitoso) são os recursos utilizados para essa aproxi- mação. Além deles, o uso da palavra novo e das expressões mais leve e mais recheio dá a entender que o anunciante “sabe” que o destinatário conhece seus produtos. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 150LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 150 25/08/2022 15:27:0825/08/2022 15:27:08 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 151 Código O texto publicitário utiliza as linguagens verbal e não verbal. Nos textos veiculados em jornais, revistas, TVs, outdoors e na internet, frequentemente há grande utilização de linguagem não verbal (imagens, cores e sons – na TV e In- ternet). No rádio, a linguagem verbal, quase sempre, é predominante, contando com apoio da não verbal: música, entonações e efeitos sonoros. Canal O texto publicitário pode ser veiculado em diferentes canais: rádio, TV, ci- nema, jornal, revista, internet, outdoor. A escolha desses canais não é feita de qualquer forma, uma vez que os custos envolvidos na produção e veiculação de uma peça publicitária são altos e a decisão por uma mídia errada levará a baixo retorno dos investimentos feitos. 2. Alguns formatos de texto publicitário Jingle O jingle é uma peça que se compõe de palavras e música. Por isso, sua ela- boração explora a sonoridade das palavras e o ritmo dos versos. Sua veiculação é feita em rádio. Tem forte tradição na publicidade brasileira, havendo casos de jingles que alcançaram tanta repercussão que se inscreveram no imaginário po- pular. Veja alguns exemplos. Café Seleto Depois de um sono bom, A gente levanta Toma aquele banho E escova o dentinho. Na hora de tomar café É o Café Seleto Que a mamãe prepara Com todo carinho. Café Seleto tem Sabor delicioso Cafezinho gostoso É o Café Seleto... Café Seleto... Cobertores Parahíba Já é hora de dormir Não espere a mamãe mandar Um bom sono pra você E um alegre despertar JINGLES famosas que marcaram época. Blog Publicidade no ato. Disponível em: <http://publicidadenoato.blogspot.com.br/2007/06/jingles- famosos-que-marcaram-poca.html>. Acesso em: 9 jul. 2017. Melhor seria se pudessem ser ouvidos, por isso faça uma pesquisa e tente localizar estes e outros jingles para que possam ser mais bem apreciados. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 151LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 151 25/08/2022 15:27:0825/08/2022 15:27:08 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 152 Spot Também veiculada em rádio, é a peça que, mesmo utilizando música e efei- tos sonoros, apresenta a fala de um locutor ou um diálogo com personagens. Na maior parte das vezes, são textos bem simples, mas há exemplos de spots mais criativos, como o roteiro apresentado a seguir. Beleléu Efeito sonoro de trovão. Trilha sonora em background (BG). Efeito sonoro de carro em movimento, de derrapagens, a partir da palavra “dançava” permanece em BG durante a locução até a palavra “estrada”. Loc. – Era meia-noite, e o carro corria pela estrada. Corria não, dançava, bailava de um lado para o outro perigosamente. Os elementos estavam embaixo do carro, escondidos, sorrateiros, traiçoeiros. Eram todos desclassificados, uns tipos ordinários, vagabundos. Então numa curva eles jogam o carro para fora da estrada e mandam o motorista e toda a família pro beleléu... Efeito sonoro de colisão de automóvel. Trilha sonora – BG. Loc. 2 – Não brinque com a sua vida colocando no seu carro amortecedores de baixa qualidade. Exija Cofap. É Cofap, é de confiança. SILVA, Júlia Lúcia de Oliveira Albano da. Rádio: oralidade mediatizada – o spot e os elementos da linguagem radiofônica. São Paulo: Annablume, 1999. Outdoor Trata-se de peça produzida para veiculação nas ruas. São grandes painéis em que geralmente predominam imagens e utilizam-se poucas palavras, pois são lidos quando as pessoas estão em movimento. Observe um exemplo. Foto : F om in S er hi i/S hu tte rs to ck Leve as de a gotinha quesalva. até 5anos para tomar criançasLeve as de a gotinha quesalva. até 5 anos para tomar crianças De 02 a 30 de junho, em todos os postos de saúde. Campanha de vacinação contra poliomielite Filme publicitário Mais conhecido como comercial, o filme publicitário é a peça feita para ser veiculada na TV e/ou no cinema e, atualmente, também na internet. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 152LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 152 25/08/2022 15:27:0925/08/2022 15:27:09 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 153 Jornal e revista São peças impressas que recorrem tanto à linguagem verbal como à lingua- gem não verbal. Na maioria das vezes, assim como no outdoor, a imagem tem sido utilizada com maior predominância. Mas, às vezes, há publicações que utilizam a linguagem verbal, fazendo uso do tipo e tamanho de letras, cores e formas. Folheto/Folder Peça constituída por uma folha de papel que pode ter uma ou mais dobras. É o tipo de texto, comumente, distribuído nas ruas ou que chega às casas das pes- soas via correio (mala direta) ou por meio de entregadores. Em geral, os folhetos distribuídos nas ruas são mais simples. Já os que chegam por mala direta podem ser mais sofisticados, produzidos com grande engenhosidade com o objetivo de atrair a atenção do público. Banner Trata-se de peça publicitária impressa em plástico, papel tecido (em um lado ou nos dois) para ser pendurada em paredes ou postes. Ela é muito comum nos pontos de venda (supermercados, bares, lojas etc.). Atualmente, na internet, dá-se o nome de banner à publicidade, geralmente localizada no alto da página, que, sendo clicada, leva o usuário ao site do anun- ciante. Esse tipo de banner busca atrair o público, motivando-o a interagir com a peça. Por esse motivo, quase sempre, ele se altera por três, quatro ou mais vezes. O exemplo reproduzido abaixo possui mais de dez movimentos. Deles, apresen- tam-se quatro. Observe no primeiro movimento, como o usuário é convidado a interagir com o banner. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 153LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 153 25/08/2022 15:27:1325/08/2022 15:27:13 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 154 Outros formatos As possibilidades de se veicular peças publicitá- rias parecem não ter fim. Os meios de transportes também têm sido utilizados para isso. Por exemplo: traseiras de ôni- bus (busdoor) e suas laterais; vidros traseiros de táxis (taxi- door) e até mesmo quase todo o veículo (envelopamento – a peça é aplicada em todas as laterais e a traseira de um ônibus ou nas laterais de um vagão de trem ou de metrô). Ag ên ci a Br as ília /C re at ive C om m on s Le hi gh V al le y, PA /C re at ive C om m on s LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 154LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 154 25/08/2022 15:27:1725/08/2022 15:27:17 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 155 E para se ter certeza de que não há limites para a criatividade em propaganda, veja como o HopiHari utiliza uma escada rolante para simular uma montanha rus- sa, fazendo publicidade da “diversão”. Veja a imagem a seguir. Ar tu ro d e Al bo rn oz /C re at ive C om m on s 3. Características do texto publicitário Funções da linguagem Como o texto publicitário tem como finalidade persuadir o seu destinatário, a função da linguagem que sempre será predominante é a apelativa (ou conati- va). Em muitos casos, ela é explicitada pelo uso de verbos no imperativo: Compre! Não perca! Aproveite! Veja, no exemplo a seguir, o uso do imperativo na mensagem publicitária. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 155LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 155 25/08/2022 15:27:1825/08/2022 15:27:18 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 156 Fo to s: ji pa ta fo to 89 /S hu tte rs to ck | M aj a Du m at /C re at ive C om m on s • COLOQUE A TAMPA NA CAIXA D’ÁGUA. • ESVAZIE GARRAFAS E RECIPIENTES QUE POSSAM ACUMULAR ÁGUA, GUARDE-OS DE CABEÇA PARA BAIXO. • LIMPE PERIODICAMENTE CALHAS, TELHADOS E QUALQUER LUGAR QUE POSSA ACUMULAR ÁGUA. • COLOQUE AREIA NOS PRATINHOS DAS PLANTAS. • NO INVERNO, CUBRA SUA PISCINA. • JOGUE ÁGUA SANITÁRIA NOS RALOS. • NÃO JOGUE LIXO EM TERRENOS ABANDONADOS. SAÚDE É O NOSSO MAIOR BEM. ENTRE NA LUTA CONTRA A DENGUE. JOGUE ÁGUA SANITÁRIA NOS RALOS. Porém, como o emprego do imperativo acentua o caráter autoritário da mensagem, é comum encontrar textos publicitários sem esse modo verbal. Veja um exemplo em que isso ocorre. Fo to : C le fe rs on C om ar el a/ Cr ea tiv e Co m m on s # PARTIU FÉRIAS# PARTIU FÉRIAS Você pode escolher qualquer destino e encontrar dias felizes. O Brasil é um imenso país com lugares maravilhosos. A alegria sempre estará presente nas suas experiências inesquecíveis! LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 156LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 156 25/08/2022 15:27:1925/08/2022 15:27:19 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 157 Nesta peça, o processo persuasivo se dá por meio de argumentos favoráveis à mensagem: férias, viagem, alegria, felicidade, experiências inesquecíveis. Esta é outra característica própria do texto publicitário: sempre falar bem do produto, do serviço ou do comportamento. Ou seja, nota-se aí o emprego da função expressiva (ou emotiva) – o emissor envolve o receptor positivamente, para convencê-lo a fazer o que está sendo proposto. Às funções apelativa e expressiva, associa-se também a função fática: utiliza- da para fazer contato com o destinatário, despertar sua atenção para a peça. Essa função pode se manifestar de diferentes maneiras: no texto impresso, por exem- plo, pode ser por meio do tamanho das fontes, pelas cores, por uma imagem; na TV, a altura do som, a música, a entonação, um personagem. E por que a função fática tem importância no texto publicitário? Simplesmente porque as pessoas não compram jornal ou revista, não assistem à televisão, não ouvem rádio por causa da propaganda. Elas buscam informação e/ou entretenimento. Portanto, para se destacar em meio a tantos outros textos, a peça publicitária precisa en- contrar uma forma de chamar a atenção do público. Na peça publicitária, outra função presente é a referencial. Isso porque é necessário informar o público: sejam características do que é anunciado, sejam dados para contato – telefone, endereço, site, e-mail. Pode-se afirmar que as funções apelativa (sempre predominante), expressi- va, fática e referencial são constantes nas peças publicitárias. Além delas, é pos- sível encontrar a função poética (ou estética) e a metalinguística. Quando em- pregadas, geralmente, atuam como extensão da função fática: servem para atrair a atenção do destinatário. A poética se faz presente quando o emissor escolhe palavras e/ou imagens de modo mais artístico, com preocupação estética. Por vezes, isso pode ficar mais explicitado, como se percebe no exemplo a seguir. Recurso da intertextualidade (usar referências de outros textos na criação de um novo texto). Aqui, a imagem foi produzida à semelhança de uma obra cubista do pintor Pablo Picasso. W /B ra si l Fonte: BOMBRIL. Campanhas. Disponível em: <http://www.bombril.com.br/sobre/ campanhas>. Acesso em: 9 jul. 2017. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 157LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 157 25/08/2022 15:27:1925/08/2022 15:27:19 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 158 Já a função metalinguística – em que a linguagem toma a própria linguagem como referência – não é tão comum em textos publicitários. Mas, toda vez que uma peça publicitária fizer menção à própria linguagem da propaganda, ou citar um aspecto dela, ocorre o emprego da função metalinguística. Para concluir, chama-se a atenção para o que se afirmou anteriormente: o texto publicitário sempre terá a função apelativa como predominante, todavia outras funçõespoderão ser empregadas para, precisamente, garantir o alcance desejado pelo emissor: persuadir o destinatário. 4. Características da redação publicitária Provavelmente, ao tomar contato com todos os exemplos de texto publici- tário apresentados até aqui (e pelos tantos com os quais se mantêm contato co- tidianamente), foi possível notar o quanto a produção desse tipo de texto tem a criatividade como um dos seus princípios básicos. Assim, serão apresentados alguns recursos muito comuns na produção publicitária e que, não por acaso, muitos deles também estão presentes nas produções de textos literários (em es- pecial, o texto poético). Para atrair a atenção do público, frequentemente, o texto publicitário “brinca” com as palavras, seja por meio da sonoridade, seja por meio dos sig- nificados. Muitas vezes, a utilização de uma linguagem conotativa se torna recurso poderoso. Observe a sonoridade presente no jingle criado para um xampu infantil: Cabelos cacheados Ó o cachinho... toim toim... Eu nasci Com cabelo enroladinho Um monte de cachinho Na cachola Oi T Oi Toim! Toim! Toim! A água do chuveiro cai na cabeleira Cachoeira... vem me molhar Chuá chuá Gostoso pra chuchu Chuá chuá Ouié Banho de cabelo cacheado Sempre tem um cafuné Toim toim toim toim LOCUÇÃO: Nova linha JOHNSON’S Baby para cabelos cacheados. Jingle, criado em 2008, elaborado por Hélio Ziskind e produzido pela Agência Zeeg 2. Note que a repetição de palavras com a sonoridade “CHÊ” dá ritmo ao texto e, pelo som, se associa ao banho. Essa mesma associação se dá pelo uso das pala- vras chuveiro, cachoeira e da onomatopeia chuá. A onomatopeia toim reproduz o som de uma mola e, por analogia, associa-se ao formato dos cachinhos. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 158LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 158 25/08/2022 15:27:2025/08/2022 15:27:20 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 159 O uso do diminutivo remete ao universo infantil e reforça o caráter afetivo. A intenção é criar, por meio das palavras e sons, uma visão atrativa e positiva do produto. Outro recurso muito comum se dá pela associação do produto, da marca ou da mensagem, com uma personalidade. Esse recurso denomina-se argumento de autoridade. Um exemplo vem apresentado a seguir. O FUTURO PEDE PAZ. PAZ PARA A HUMANIDADE. PAZ PARA TODOS OS POVOS DO PLANETA. PAZ SEM LUTAS, SEM GUERRAS, SEM MORTES. SIMPLESMENTE E TOTALMENTE, A PAZ! Fo to : C re at ive C om m on s Este é um exemplo de peça que trabalha, basicamente, o conceito “o valor da paz”, associando à figura de Ghandi, que viveu proclamando a paz entre os povos. O objetivo é sensibilizar para que as pessoas e os governantes substituam os conflitos por diálogos pacíficos. Esse recurso recebe o nome de argumento de autoridade, porque a pessoa tem grande destaque na sociedade, possui valores que a credenciam como auto- ridade. Há que se ressaltar que figuras públicas de diferentes áreas (esporte, TV, li- teratura,cinema, política etc.) podem ser associadas a produtos e, portanto, são exemplos de emprego do argumento de autoridade. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 159LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 159 25/08/2022 15:27:2025/08/2022 15:27:20 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 160 5. Valores e crenças na propaganda As peças de propaganda veiculam valores e crenças, pois se trata de uma pro- dução que se vale das inúmeras relações que se estabelecem na sociedade. No mundo socialista, baseado na economia de Estado e nos ideais de uma vida construída coletivamente, as peças veicularão mensagens que acentuem es- ses aspectos. Já numa sociedade capitalista, regida por uma economia que se assenta na produção e na comercialização de bens e serviços, é certo que os valores presen- tes nessa sociedade serão utilizados na construção de peças publicitárias. E são esses valores que poderão ser notados nas peças produzidas no Brasil, Veja, abaixo, alguns dos valores e das crenças que se podem notar. Mundo feliz Nas peças, imagens e palavras são selecionadas e organizadas para construir a ideia de um mundo feliz, pois, para os anunciantes, seus produtos e seus ser- viços, uma vez adquiridos, trarão benefícios ao consumidor. Observe que, nos textos publicitários, predominam palavras afirmativas (felicidade, alegria, satis- fação, por exemplo) e as situações de uso do produto ou serviço mostram pes- soas felizes, sorridentes. Mesmo nas peças que procuram alterar comportamen- tos, pode-se notar que o desejo é que, havendo a mudança de atitude, a pessoa poderá viver melhor. Individualismo O anunciante busca aproximar-se do seu público por meio da linguagem. Para isso, basta ver a quantidade de vezes que o pronome você é utilizado na comunicação com o destinatário. Dessa forma, embora se dirija a todo o públi- co-alvo, o texto publicitário parece se comunicar apenas com uma pessoa. Com isso, reforça-se que o mundo feliz pode ser conquistado individualmente. Liberdade de consumo X Liberdade individual Cria-se a sensação de que as pessoas, por meio do consumo, são livres – pois parece que têm a liberdade de escolher entre tantos produtos e serviços. Dessa maneira, confundem-se conceitos de consumidor e de cidadão, como se um bom consumidor fosse, por extensão, um bom cidadão. Porém, os direitos básicos de um cidadão vão muito além do que propõe o mercado. Consciência de mercado e ausência do trabalho Raramente, nas peças publicitárias, mostra-se o trabalho que foi necessário para a produção de bens e de serviços, já que o que interessa é vender, ou seja, na elaboração de textos publicitários, concentra-se no processo de comercialização (consciência de mercado). LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 160LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 160 25/08/2022 15:27:2025/08/2022 15:27:20 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 161 Redução do problema Nos anúncios, geralmente, anunciam-se produtos ou serviços que prometem combater o sintoma de um problema, mas não a sua causa. Por isso, redução do problema, ou seja, ele é maior do que se revela. Por exemplo, ao anunciar um produto que revigora cabelos danificados pelo uso de chapinha, o problema mesmo é o uso da chapinha (deveria, então, orientar a não fazê-la) e o produto oferecido ataca apenas o sintoma. Norma de comportamento O grande desejo de todo anunciante é que o público, ao solicitar um produto, peça pela sua marca, isto é, torna-se uma norma (uma regra) agir dessa forma. Por exemplo, para saciar a sede, muitas pessoas, em uma lanchonete, pedem a marca de um produto e não o produto em si. Verifique em seu cotidiano quantas vezes isso ocorre com você e com as pessoas com quem você convive. APLICAÇÃO 1. Escolha uma peça publicitária. Pode ser impressa (revista, jornal, folheto etc.), sonora (rádio) ou audiovisual (TV). Se for impressa, cole numa folha avulsa. Se for de rádio (jingle ou spot), transcre- va-a e, se de TV, descreva-a de forma sintética. 2. Quem é o emissor? 3. A função conativa (que sempre é a função predominante nos textos publici- tários) encontra-se explicitada ou não? Justifique. 4. Além da função conativa, que outras funções de linguagem podem ser ob- servadas? Justifique cada uma delas. 5. Foram utilizadas figuras de linguagem? Quais? Explique cada uma delas. 6. Identifique e explique os recursos que foram utilizados para persuadir o des- tinatário ou para chamar a sua atenção. 7. Quais os valores e as crenças que se podem notar? Justifique. 8. Faça um pequeno texto, avaliando a peça. No geral, você considera que ela foi bem elaborada ou não? Por quê? 4. Além da conativa, as funções mais comuns em textos publicitários são: emotiva – ressaltar positivamente as qua- lidades do produto, serviço ou comportamento –; referencial – informações colocadas na peça –; fática – recursos para atrair a atenção do público. A função poética estará evidente caso o texto explore recursos que acionem o sensoestético do público – para também atrair a atenção ou para fazer associação positiva com o que é oferecido pelo anunciante. A função metalinguística é menos frequente, mas, quando utilizada, procura reforçar os laços de aproximação com o público ou atraí-lo por meio do humor. 5. A resposta dependerá da peça com que o/a aluno/a estiver trabalhando. Na parte teórica, não foram apresenta- das todas as � guras de linguagem, dessa forma, é preciso orientar para que seja aplicado conhecimento anterior referente a esse conteúdo (ou promover uma pesquisa sobre ele). De modo geral, a metáfora e a metonímia são muito comuns. Antítese e prosopopeia (personi� cação) também são bem utilizadas. As � guras de som e de sintaxe (aliteração, onomatopeia, anáfora, epístrofe), provavelmente, serão bem observadas. O mais importante aqui é que se compreenda como as peças publicitárias empregam linguagem conotativa e, por isso, se aproximam da litera- tura. Detalhe signi� cativo: o/a aluno/a deve perceber que essas � guras de linguagem também podem ser visuais – imagens, desenhos, cores etc. 1. A atividade é individual, mas solicita-se que haja um direcionamento em sua realização. Por exemplo, selecionar alguns segmen- tos: alimentação, indústria automobilística, cosméticos, brinquedos, propagandas governamentais, etc. Pode, ainda, de� nir que, dentro dos segmentos, sejam escolhidas peças de diferentes mídias – uma de revista, outra de rá- dio, outra de TV. Desse modo, haveria maior diversi� cação de tipos de peças e de aplica- ção dos recursos apresenta- dos na parte teórica. A internet, atualmente, é ótima fonte de pesquisa Há sites que permitem que elas sejam apreciadas e, até mesmo, podem ser baixadas em arquivos (por exemplo, o Clube de Criação de São Paulo – www.ccsp.com.br – e o próprio You tube – www. youtube.com). Sugestão Depois de realizada a tarefa, podem ser formados grupos por segmento ou por tipo de mídia para que sejam comparadas as respostas e aprofundados os conceitos. 2. O emissor será sempre o anunciante – aquele que assina a peça. Atenção, pois pode haver mais de um anunciante quando é o caso de propagandas “casadas”. 3. A função conativa estará explícita quando houver ver- bos no imperativo ou quando contiver palavras ou expres- sões que indicam ordem, conselho ou sugestão. Isso não ocorrendo, ela estará de- � nida pela própria intenção do texto, ou seja, persuadir o destinatário a fazer algo do interesse do anunciante. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 161LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 161 25/08/2022 15:27:2125/08/2022 15:27:21 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 162 PRODUÇÃO DE TEXTO Briefing A empresa A empresa X (aqui a agência deverá criar um nome para a empresa, bem como ela- borar uma logomarca que a identifique) produz bebidas gaseificadas não alcoó- licas. Ela atua no mercado regional (aqui a agência definirá a região em que a empresa atua) há quinze anos, tornando-se uma referência de qualidade. Produtos A empresa X produz quatro diferentes refrigerantes (substituir as letras pelos no- mes dos produtos – a agência definirá esses nomes): • A – sabor guaraná; • B – sabor limão; • C – sabor laranja e • D – sabor uva Eles são oferecidos em várias embalagens: lata de 355 ml; garrafas pet de 350 ml; de 600 ml; de 1 litro e de 1,5 litro. Problema a ser resolvido Detectou-se que, há três meses, houve queda de 30% nas vendas do refrigerante C. Objetivo a ser alcançado Retornar ao nível de venda anterior e, se possível, aumentá-lo. Público-alvo Jovens na faixa etária entre 15 e 25 anos, de poder aquisitivo médio (classes B e C) que residem em nossa região. Concorrentes diretos • Fanta – refrigerante produzido pela Coca-Cola, que tem grande penetração em nosso mercado. • Sucos naturais de laranja vendidos em embalagem longa vida. • Sucos naturais de laranja preparados em lanchonetes e restaurantes. Vantagens sobre esses concorrentes • Preço menor • Produto tradicional na região • O consumidor vê nossos produtos com muita simpatia 6. Assim como na anterior, esta resposta dependerá da peça escolhida. Orientar a que sejam explorados todos os recursos expostos na parte teórica (deixando claro que, em uma mesma peça, nem todos estarão presentes). Detalhe importante: caso o/a aluno/a note uma construção ou um recurso que não foi apresentado na parte teórica, pedir para que o apresente e o explique. Por exemplo: há peças que criam imagens com letras e/ou palavras (ico- nização da letra/palavra). Sugestão Os livros A linguagem da propaganda (de Antonio Sandmann, da editora Con- texto) e A arte de argumentar: gerenciando razão e emoção, (de Antonio Suarez Abreu, da editora Ateliê) trazem muitos recursos empregados em textos publicitários. Valeria a pena sugerir a leitura desses livros. O segundo, em espe- cial, é mais abrangente, pois trabalha com a persuasão em várias situações de comuni- cação. 7. Outra resposta que depende da escolha. Embora na parte teórica tenham sido apresentados alguns concei- tos (referentes à ideologia na propaganda), o/a professor/a poderá orientar a que a res- posta possa ser feita de forma mais livre, desde que sejam identi� cados e justi� cados valores e crenças percebidos. Como a propaganda é produ- zida em um contexto social, é impossível existir uma peça em que eles não estejam presentes. Além do que foi apresentado na parte teórica, podem ser trabalhados: o senso comum (ideias prontas e, portanto, mais rapidamen- te aceitáveis) e o estereótipo (moldes de comportamento ou de personagens). 8. Esta questão � naliza a aná- lise feita anteriormente. Es- pera-se que o/a aluno/a faça sua avaliação tendo por base o resultado das respostas anteriores [orientá-lo/a para isso]. Outro dado importante: uma boa peça publicitária é a que produz efeitos, isto é, LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 162LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 162 25/08/2022 15:27:2125/08/2022 15:27:21 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 163 Desvantagens em relação aos concorrentes • Possui menor quantidade de suco natural do que o refrigerante concorrente. • Não tem o apelo de produto totalmente natural como nos sucos embalados e nos preparados em lanchonetes e restaurantes. Objeções • Não atacar os concorrentes de forma direta. • Evitar situações que possam evidenciar algum tipo de preconceito. Obrigações • Além das referências específicas ao produto, utilizar a logomarca da empresa, pois ela tem tradição no mercado regional. • Mostrar que o refrigerante C é moderno e está sintonizado com os tempos atuais. Solicitação Com base nos dados fornecidos, a agência deverá elaborar uma peça de rádio para ser veiculada na rádio F (a agência definirá o nome da emissora), da cidade M (colocar o nome da cidade), uma peça impressa para ser veiculada na revista N (revista regional cujo nome será definido pela agência) e um folheto de uma dobra. Estratégia A agência definirá as estratégias de veiculação das peças, bem como por quanto tempo elas serão exibidas. Prazo A agência deverá apresentar suas propostas em 30 dias. Contato Fulano de Tal (a agência definirá o nome) Departamento de Marketing da (empresa X) traz retornos positivos para o anunciante. Assim, por exemplo, se se faz uma boni- ta peça para uma campanha de Vacinação Infantil e um número inferior ao esperado responda ao apelo, essa peça não será considera e� ciente. Não correspondeu ao desejo do anunciante. Fundamental, no momento em que esta questão for apresentada, que se promova um debate entre criatividade e e� ciência na propaganda. LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 163LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 163 25/08/2022 15:27:2125/08/2022 15:27:21 MATERIA L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, PROIBID O A IM PRESSÃO 164 11 REFLEXÃO Leia o texto e responda às questões. O ASSUNTO É: TEXTO CIENTÍFICO E DIDÁTICO A relação entre girafas,