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1
3.a Edição
Curitiba | 2022
Maria Fernandes
Como professora atuante desde 1974, Maria Fernandes 
desenvolveu inúmeros trabalhos na área de linguagem 
e estudos da língua portuguesa. Lecionou em escolas 
públicas e particulares de São Paulo, trabalhando 
inclusive com crianças especiais. Professora Maria 
também é assessora e consultora sobre Alfabetização 
e Linguagem e formação de professores, em várias 
universidades e instituições educacionais, públicas e 
particulares, em diversos estados do Brasil.
Sua experiência e formação trouxeram novos rumos 
em sua carreira, dando início à produção e autoria de 
inúmeros livros didáticos, paradidáticos e teóricos. 
Agora, atua também como produtora e coordenadora 
de objetos digitais educacionais voltados para a língua 
portuguesa.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 1LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 1 25/08/2022 15:25:2225/08/2022 15:25:22
MATERIA
L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, 
PROIBID
O A IM
PRESSÃO
2
Índices para catálogo sistemático:
1. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6
3.a Edição - 2022
Impresso no Brasil
Copyright - todos os direitos reservados a Divulgação Cultural Ltda.
É terminantemente proibido reproduzir 
este livro total ou parcialmente por 
qualquer meio químico, mecânico 
ou outro sistema, seja qual for a sua 
natureza. Todo o desenho grá� co foi 
criado exclusivamente para este livro, 
� cando proibida a sua reprodução, 
ainda que seja mencionada sua 
procedência.
Direção
Erivaldo Costa de Oliveira
Cesar Henrique de Oliveira
Projeto Gráfico e Capa
Vicente Design
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Diagramação
Vicente Design
Ilustração
Cristiano Campello Padilha/Vicente 
Design
Revisão
Caibar Pereira
Iconografia
Alexandre de Macedo/Vicente Design
Licenciamento de textos
Sandra Sebastião
Rua Buenos Aires, 1285, Água Verde
Curitiba | Paraná | 80250-070
Fone: (41) 3330-8407 | Fax: (41) 3330-8405
www.editoradc.com.br
Fernandes, Maria
 Redação : interpretação e produção de textos / Maria Fernandes. -- Curitiba : 
Divulgação Cultural, 2022.
 Bibliografi a.
 ISBN 978-65-87101-87-3 (livro do professor)
 1. Português - Redação (Ensino fundamental)
 2. Textos - Interpretação (Ensino fundamental)
 3. Textos - Produção (Ensino fundamental) I. Título.
18-14151 CDD-372.6
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 2LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 2 25/08/2022 15:25:2525/08/2022 15:25:25
MATERIA
L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, 
PROIBID
O A IM
PRESSÃO
3
Prezado estudante
A língua de um povo faz parte de sua digni-
dade; estudá-la e conhecê-la deve ser consi-
derado como algo além da obrigação; é uma 
maneira de nos afirmarmos como cidadãos 
brasileiros e termos orgulho disso.
Aprender a ler e escrever é apropriar-se de um 
conhecimento cultural amplo para tornar-se 
um usuário da leitura e da escrita no meio em 
que vivemos. 
Leitura e escrita são ferramentas para a com-
preensão e a realização da comunicação do 
homem na sociedade contemporânea e a cha-
ve para a apropriação dos saberes já conquis-
tados pela humanidade. Por isso é necessário 
dominá-la com competência. É exatamente 
isso que o presente livro deseja proporcionar 
a você.
Em algumas páginas, você encontrará QR Co-
des que o levarão a videoaulas e inserções 
digitais que lhe ajudarão na compreensão e 
aprofundamento dos conceitos linguísticos. 
Para acessá-los, faça a leitura do QR Code, no 
seu aparelho celular ou tablet.
Seja bem vindo! 
Apresentação
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 3LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 3 25/08/2022 15:25:3025/08/2022 15:25:30
MATERIA
L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, 
PROIBID
O A IM
PRESSÃO
4
Módulo 1
O ato de comunicação ............................................................. 06
Módulo 2
Funções da linguagem ............................................................ 16
Módulo 3
Texto narrativo ....................................................................... 38
Módulo 4
Crônica .............................................................................. 56
Módulo 5
Poesia e Poema ...................................................................... 75
Módulo 6
Coerência e Coesão ................................................................ 96
Módulo 7
Descrição ............................................................................. 118
Sumário
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 4LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 4 25/08/2022 15:25:3425/08/2022 15:25:34
MATERIA
L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, 
PROIBID
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PRESSÃO
5
Módulo 8
Texto dissertativo .................................................................. 126
Módulo 9 
Texto jornalístico ................................................................... 132
Módulo 10
Texto publicitário ................................................................... 149
Módulo 11
Texto científico e didático....................................................... 164 
Módulo 12
Texto dramático ..................................................................... 180
Módulo 13
Carta ............................................................................ 195
Módulo 14
Redação Oficial ..................................................................... 209
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 5LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 5 25/08/2022 15:25:3825/08/2022 15:25:38
MATERIA
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1
O ASSUNTO É:
O ATO DE 
COMUNICAÇÃO
REFLEXÃO
Você vai ler um texto de Michael Keep, jornalista americano radicado no Bra-
sil desde 1983.
Etiqueta telefônica brasileira
Michael Kepp
Apesar de viver aqui há 20 anos, não consigo dominar a tal etiqueta telefônica que 
chamo de “despedida esticada brasileira”. Quer dizer, recitar uma cornucópia de 
preâmbulos antes de a palavra de encerramento – “Tchau” – deixar os meus lábios.
Minha esposa brasileira começa sua “despedida esticada” dizendo, a intervalos regu-
lares, frases como “Então, tá”, “Tá bom” ou “Tá legal” para que a outra pessoa note que 
ela está � cando sem papo. Esses sinais, se ignorados, encolhem-se em uma intermi-
nável procissão de “Tás”. Quando se cansa de dizer “Tá”, ela acrescenta um “Tenho de 
ir”, mas geralmente explica por quê, o que pode esticar o papo um bocado.
Geralmente, “Tenho de ir” é seguido de “A gente se fala”, sinal de que o tempo acabou. 
Mas, de vez em quando, dizer “A gente se fala” pode levar minha mulher ou a outra 
pessoa a lembrar algo que queriam dizer, o que pode dar início a um novo assunto. Só 
depois que o novo assunto se esgota, os “Então tás” recomeçam, a� nando em uma � la 
de “Tás”, seguida por um segundo “A gente se fala” e culminando no “Tchau”.
Por ser americano, modelo da e� ciência “tempo é dinheiro”, termino as ligações 
com apenas dois preâmbulos: “Tenho de ir” e “A gente se fala”, antes de dizer 
“Tchau”. Apesar de as minhas despedidas curtas surpreenderem estranhos de vez 
em quando, meus amigos brasileiros não se importam porque entendem que 
venho de uma cultura “mais objetiva”, o que é um eufemismo para “curta e grossa”.
Não sendo um “homem cordial brasileiro”, mesmo em festas só levo dez minutos 
para me despedir de todos. Mas tenho de avisar minha mulher meia hora antes 
de eu querer ir embora para que ela comece a se despedir. E, mesmo assim, ela 
ignora o aviso.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 6LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 6 25/08/2022 15:25:4025/08/2022 15:25:40
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7
Michael Kepp é autor do livro de crônicas 
Sonhando com Sotaque – Con� ssões e 
Desabafos de um Gringo Brasileiro, publicado 
em 2003 pela editora Record.
Para você saber mais a respeito...
KEPP, Michael. Etiqueta telefônica brasileira. Folha de S. Paulo, 18 dez. 2003. Disponível em: 
<http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1812200316.htm>. Acesso em: 3 jul. 2017.
Brasileiros não são, em minha opinião, craques em etiqueta ao telefone. Quandosaio com amigos brasileiros, alguns têm o hábito irritante de atender (ou mesmo 
fazer) ligações ao celular e falar – quase sempre de coisas que podem esperar até 
chegar em casa – enquanto eu olho para o nada. No caso do celular, as despedi-
das são (como as minhas) curtas e grossas, porque a ligação é cara.
Alguns brasileiros – como recepcionistas, secretárias ou atendentes de compa-
nhias aéreas – atendem ao telefone dizendo “Um minutinho”, mas me deixam 
esperando “ad in� nitum”. De vez em quando, um brasileiro – geralmente um ho-
mem com o número de telefone errado – liga e pergunta rispidamente “Quem 
está falando?”, como se fosse minha obrigação lhe dizer.
Apesar de minhas despedidas telefônicas curtas, meu “Alô” tipicamente americano 
é bem mais cortês do que o similar nacional. Quando um estranho liga, querendo 
falar com minha mulher, que não está, eu digo: “Ela não está. Quer deixar um reca-
do?”. Mas, quando eu ligo e peço para falar com alguém (em casa ou no trabalho), 
o brasileiro que atende ao telefone primeiro pergunta “Quem quer falar?” antes 
de me dizer se a pessoa está – uma técnica de � ltrar ligações que considero tão 
desnecessária quanto desagradável.
Talvez os brasileiros peneirem as ligações assim porque veem a casa e o escritório 
como lugares em que ninguém de fora da família/empresa pode entrar (mesmo 
que seja via telefone) sem revelar sua identidade. Esse jeito descon� ado não é 
re� exo dessa sociedade cada vez mais perigosa, mas é peculiar a esse povo. Pelo 
que eu me lembre, os brasileiros sempre atenderam ao telefone assim.
Eu confesso que poderia tornar minhas despedidas telefônicas de brasileiros mais cor-
diais, sendo menos “curto e grosso”. Mas não há dúvida de que os brasileiros só vão domi-
nar a arte da cordialidade ao atender ao telefone quando � carem menos descon� ados.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 7LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 7 25/08/2022 15:25:4225/08/2022 15:25:42
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8
1. No texto de Michael Keep aparecem algumas palavras que não estamos acostu-
mados a usar no nosso cotidiano. Você, por exemplo, conhece o significado das 
palavras etiqueta, cornucópia, eufemismo ou da expressão latina ad infinitum?
Escreva o que você acredita que elas significam. Depois, pesquise em um 
dicionário impresso ou digital ou em sites de busca, como Google, por exem-
plo. Compare com o significado pensado por você.
2. Elabore um resumo do assunto abordado no texto de Michael Keep.
Lembre-se de que resumir é o ato de compreender um texto, analisar a sua 
forma e conteúdo e traçar, em poucas linhas, o que de fato é essencial e mais 
importante para o leitor. Por isso, siga as regras básicas na elaboração de um 
resumo:
– omitir as informações que são secundárias;
– selecionar o que realmente é essencial para o entendimento do texto;
– generalizar as informações que são tratadas com detalhes;
– integrar as informações para tornar o texto mais direto e objetivo.
3. O autor associa a “etiqueta telefônica brasileira” à característica de o brasileiro 
ser um “homem cordial”. No texto, os exemplos apresentados mostram que 
o brasileiro é sempre cordial? Justifique.
4. Com base nas distinções apresentadas pelo autor, crie um texto que exem-
plifique uma conversa telefônica segundo os padrões adotados pelo autor.
5. Você (ou alguém que você conhece) já passou pela situação de � car espe-
rando “um minutinho” e ter que � car esperando por longo tempo? Como 
você (ou a pessoa) reagiu a isso?
6. Você conhece pessoas estrangeiras que vivem há muito tempo no Brasil? 
Com base na leitura dos textos de Michael Kepp, entreviste uma delas e es-
creva as opiniões mais significativas.
Para elaboração da entrevista, lembre-se de que entrevista é um texto que 
apresenta as perguntas de um entrevistador e as respostas de um entrevis-
tado, com o objetivo de divulgar as ideias dessa pessoa para que todas as 
conheçam.
Organize seu trabalho de entrevista:
– decida quem você vai entrevistar, entre em contato com essa pessoa e 
marque dia, hora e local para a entrevista;
– liste as perguntas que você desejar fazer, tendo em vista o tema principal 
a ser abordado e verificando se as questões estão claras e fáceis de serem 
entendidas;
– se possível, leve um gravador, ou então peça para alguém que o ajude a 
anotar as respostas do entrevistado;
– elabore um fechamento da entrevista, preparando uma pergunta final 
que encerre o assunto;
– não se esqueça de agradecer ao entrevistado.
Traga o resultado do seu trabalho e apresente para a classe.
1. EUFEMISMO - Figura de 
linguagem que se caracteriza 
pelo uso de palavra ou ex-
pressão com a � nalidade de 
suavizar uma mensagem. Por 
exemplo: nas propagandas 
de desodorante, em lugar da 
palavra suor, quase sempre é 
empregada a palavra trans-
piração.
CORNUCÓPIA - Antigo sím-
bolo da riqueza, da fortuna e 
da fertilidade representado 
como um vaso em forma de 
chifre de cujo interior vertem 
grande quantidade de � ores 
e de frutas. Por extensão de 
sentido, cornucópia passou a 
signi� car qualquer fonte de 
riqueza e/ou de felicidade.
AD INFINITUM - Expressão 
latina que, literalmente, se 
traduz como “até o in� nito”. 
Geralmente, é empregada 
para intensi� car uma situação 
desagradável ou monótona.
ETIQUETA - Designa conjunto 
de regras de comportamento 
(por exemplo, como se com-
portar em um banquete, em 
uma solenidade o� cial) e de 
tratamento (saudação inicial, 
como se despedir).
2. Espera-se que os alunos re-
conheçam as características da 
produção de um resumo e pro-
duzam resposta que apresente 
as ideias do autor, percebendo 
que ele, embora apresente di-
versas situações relacionadas à 
conversa telefônica e às formas 
de despedir-se, expressa as 
diferenças de comportamento 
entre o homem brasileiro e 
o norte-americano. Numa 
resposta mais ampla, os alunos 
podem responder que Michael 
utiliza esses exemplos para 
falar de diferenças culturais.
3. Não. Observar que no sexto 
parágrafo, a palavra “etiqueta” 
foi empregada de acordo com 
o seu sentido mais comum. Ou 
seja, o autor reclama que, usan-
do o celular, o comportamento 
dos brasileiros é inadequado – 
foge à etiqueta que rege o uso 
desse aparelho. Já, no título e 
no primeiro parágrafo, o autor a 
emprega de forma irônica e até 
depreciativa (sempre tomando 
como referência a opinião do 
autor, é claro). Para ele, os bra-
sileiros conversam ao telefone 
de forma inadequada e, como 
isso é generalizado, é como se 
criassem uma “etiqueta”.
Resposta pessoal. Este deve ser objetivo, especialmente a despedida.
5. Resposta pessoal. A resposta a esta questão pode propiciar uma rápida pesquisa. Como, basicamente, a pessoa 
pode reagir agressivamente e reclamar com quem a deixou esperando ou pode � car passiva, essas duas reações 
poderiam ser quanti� cadas e, a partir do resultado, discutir a adequação ou não de cada um desses comportamentos.
6. Antes de realizar esta questão, recomenda-se que seja feito um levantamento de quais povos estrangeiros
poderiam ser objeto deste trabalho. Dessa forma, o trabalho ganharia maior amplitude e riqueza.
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MATERIA
L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, 
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DA TEORIA À PRÁTICA
O texto lido e trabalhado trouxe a visão de Michael Kepp quanto a algumas 
diferenças de comportamento entre brasileiros e norte-americanos. Para tratar 
desse assunto, o autor tomou como referência, principalmente, a forma como 
brasileiros e norte-americanos utilizam o telefone. 
 Como o telefone – simples aparelho que permite a comunicação entre as 
pessoas – pode levar alguém a fazer as reflexões feitas por Michael Kepp?
Exatamente porque o telefone é uma parte de um processo complexo elabo-
rado pelo ser humano: o ato de comunicação. Veja, no esquema, quais são os 
elementos necessários à realização do ato de comunicação:
REFERENTE 
(CONTEXTO)EMISSOR
(REMETENTE)
CÓDIGO
MENSAGEM
CANAL
(CONTATO)
RECEPTOR/
DESTINATÁRIO
Observe que:
• o emissor (remetente) elabora uma mensagem que é dirigida a um re-
ceptor/ destinatário;
• para isso, o emissor precisa criar sua mensagem, utilizando um código. 
A mensagem chega ao seu receptor/destinatário, quando há contato do 
emissor com ele, quando um canal permite que eles façam esse contato;
• todos esses elementos estão envolvidos pelo referente (contexto), que 
corresponde tanto ao assunto que é tratado quanto à situação em que 
ocorre o ato de comunicação.
Pelo esquema, pode-se compreender que a ausência de qualquer um desses 
elementos impedirá a comunicação. Porém, é preciso ressaltar que se trata de um 
esquema. Portanto, por ele não é possível perceber toda a dinâmica que ocorre 
durante um ato de comunicação. Assim, antes de aprofundar cada um dos ele-
mentos do ato de comunicação, perceba os conceitos de comunicação em geral.
1. Comunicação
Dividir, partilhar, tornar comum, manter relações. Todas essas expressões 
relacionam-se com o sentido da palavra comunicação. Assim, comunicar define 
uma ação que evidencia a relação existente entre os seres humanos quando di-
videm, partilham informações, conhecimentos. Ou seja, por meio da comunica-
ção, é possível fazer com que as pessoas tenham algo em comum.
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MATERIA
L PARA ANALISE PEDAGÓGICA, 
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2. Comunicação particular
Trata-se de uma situação comunicativa que diz respeito aos temas e assuntos 
pertinentes à vida pessoal dos seres humanos.
• Comunicação intrapessoal. Ocorre quando uma pessoa, mental-
mente, reflete sobre algo, organiza um roteiro de viagens ou planeja 
uma ação. Essa comunicação pode até ser registrada por meio de 
anotações ou rascunhos em papel, em celular, em tablet ou no com-
putador.
• Comunicação interpessoal. Ocorre quando duas ou mais pessoas 
se comunicam, seja face a face ou mediadas por algum meio – tele-
fone, celular, carta, rede social, e-mail etc. Esse tipo de comunicação 
está presente nas relações familiares e de amizade.
3. Comunicação pública
Diz respeito à comunicação necessária para tratar dos assuntos relativos à 
vida profissional e pública dos seres humanos.
• Comunicação organizacional. Ocorre nas organizações – empre-
sas públicas ou particulares. Pode envolver: organizações diferentes 
(por exemplo, quando precisam resolver questões comerciais); a 
própria organização (por exemplo, quando diferentes setores tro-
cam informações) e as pessoas que trabalham em uma organização 
(por exemplo, quando um gerente passa uma ordem a seus subor-
dinados). Esse tipo de comunicação tem como características a for-
malidade (linguagem objetiva) e a hierarquia (diferenças de posição 
e de função).
• Comunicação de massa. Ocorre quando, a partir de um ponto, 
mensagens são enviadas a milhares de pessoas. Jornal, televisão, 
rádio, internet são os veículos mais utilizados nesse tipo de comu-
nicação. A partir do século XX, a comunicação de massa passou a 
se intensificar de tal modo que Jornalismo, Publicidade e Propagan-
da, Relações Públicas, entre outras áreas da comunicação, consti-
tuíram-se em atividades profissionais de grande procura (especial-
mente, após a segunda metade do século XX).
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 10LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 10 25/08/2022 15:25:4225/08/2022 15:25:42
MATERIA
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4. Os elementos do ato de comunicação
Emissor
O emissor é responsável pela 
produção da mensagem. Toda a vez 
que a produz, o emissor tem alguma 
intenção: seja informar, seja expres-
sar uma opinião, seja fazer contato, 
seja pura e tão somente para fazer 
o tempo passar. O emissor pode ser 
uma pessoa (por exemplo, um polí-
tico falando em um comício) ou um 
grupo de pessoas (por exemplo, 
um abaixo-assinado) ou, ainda, um 
jornal (por exemplo, o editorial). 
No caso específico de um texto 
publicitário, o emissor sempre será 
o anunciante. Ele será o responsá-
vel pela publicação e veiculação de 
qualquer anúncio. Por esse motivo, 
na linguagem publicitária, a presen-
ça do nome do anunciante denomi-
na-se assinatura. 
Observe um exemplo. Nele, o emissor é a revista Trip. A revista é respon-
sável pela qualidade das informações presentes nela. Essa responsabilidade pode 
ser dividida com pessoas contratadas para nela trabalhar ou que colaboram even-
tualmente.
Receptor/destinatário
É sempre com a pretensão de chegar até alguém que o emissor elabora sua 
mensagem.
O receptor/destinatário é esse alguém, é ele o alvo da mensagem. 
Como sempre o emissor produz sua mensagem com alguma intenção (e, 
pode-se dizer, com algum interesse). É preferível utilizar a palavra destinatário 
para designar o alvo específico de uma mensagem. Dessa forma, reserva-se a 
denominação receptor àquele que recebe certa mensagem, mas não era seu alvo. 
Por exemplo: Paulo escreve um bilhete. Dobra-o ao meio, ocultando seu conteú-
do. Entrega-o a João e pede que este passe o bilhete a Letícia. Neste caso, João é 
o receptor (o bilhete não foi escrito para ele), enquanto o destinatário é Letícia.
Re
vis
ta
 T
rip
Re
vis
ta
 T
rip
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Na produção de mensagens, nos meios de comunicação, o destinatário re-
cebe a denominação de público-alvo. Essa denominação se justifica, pois, em 
geral, as mensagens são produzidas a partir de uma pesquisa que procura deter-
minar e qualificar o público a ser alcançado.
Observe, por exemplo, algumas publicações, como é o caso das revistas Veja e 
Namosca. A revista Veja, de caráter informativo, procura alcançar um público am-
plo. Embora pareça disponível a toda e qualquer pessoa – por assinatura ou pela 
venda em bancas de jornal – seu público, além do interesse por informação e comen-
tários, é definido também pelo poder aquisitivo e grau de instrução e faixa etária. 
E qual é o público-alvo de uma revista que tem o nome de Namosca? Só pelo 
nome, é praticamente impossível saber. Quando, porém, se observa o que está 
escrito logo abaixo de seu nome, essa tarefa se torna bem mais fácil. Público-alvo: 
universitários.
É preciso destacar que, mesmo dentro de uma mesma publicação, pode ha-
ver públicos destinatários distintos. Quando você compra um jornal, por exem-
plo, vai encontrar várias seções: geral, política, esportes, cultura, educação, inter-
nacional etc.
Código
Para materializar a mensagem, o emissor dispõe de vários códigos. Ele esco-
lherá aquele que considera mais adequado ao formato e ao veículo em que será 
publicado, bem como aquele que for mais eficiente para alcançar os objetivos pre-
tendidos por ele.
O código corresponde aos sinais (simples ou mais complexos) organizados 
para materializar a mensagem. Como criação humana, o código é resultado de 
um processo de convenção – isto é, ao longo do tempo, os sinais vão sendo cria-
dos e, quando aceitos, são sistematizados e se tornam comuns a determinados 
grupos humanos. Basicamente, há dois tipos de código: o verbal e o não verbal. 
An
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Revista Namosca, Ano I, 
n.1 – novembro de 2005
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ão
Revista Veja, edição 
2503, ano 49, n. 45, 
09 novembro 2016
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br
il 
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S.
A.
Revista Veja, edição 
2521, ano 50, n. 11, 
15 março 2017
Ve
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A.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 12LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 12 25/08/2022 15:25:4425/08/2022 15:25:44
MATERIA
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13
CÓDIGO VERBAL CÓDIGO NÃO VERBAL
No dia a dia do brasileiro, um dos có-
digos comuns é precisamente a língua 
portuguesa. É o idioma oficial utilizado 
em todo o território brasileiro tanto para 
acomunicação particular quanto para a 
pública. A língua portuguesa, tal como 
a maioria dos idiomas usados em outras 
nações, é um código linguístico. Trata-
-se, portanto, de um código verbal – ca-
racterizado pelo emprego de palavras 
(faladas ou escritas).
O emissor, além das palavras, pode usar 
na construção de mensagens elementos:
• Visuais: cores, linhas, desenhos, fotos, 
gestos, relevos.
Observe que a cor pode ter vários significa-
dos: verde (avançar), o vermelho (parar) e 
o amarelo (atenção) dos sinais de trânsito;
• De áudio: ruídos, música. 
Basta observar a importância da sono-
plastia em programas de rádio;
• Audiovisuais: unindo todos esses re-
cursos. 
Pode-se dizer que o ser humano pode 
fazer com que tudo possa ser usado 
para significar. Inclusive o próprio ser 
humano: por exemplo, um ator ou uma 
atriz em uma peça de teatro correspon-
de exatamente a isso. 
Canal/contato
 Como o código é a materialização da mensagem, é necessário que se fixe 
a algo para ser conduzido. É o canal ou contato ou suporte físico, o veículo que 
conduzirá a mensagem até o seu destinatário. Por exemplo, quando o emissor 
utiliza o código verbal falado, o ar (as ondas sonoras) é o suporte da mensagem. 
As ondas sonoras levarão a mensagem até o destinatário.
Conforme suas necessidades e suas possibilidades, o emissor poderá 
escolher, além das ondas sonoras, diferentes tipos de suporte físico para apoiar e 
transportar a sua mensagem, tais como: papel (jornais, revistas), plástico (banners, 
painéis), tecido (camisetas promocionais), madeira (placas), metal (placas), 
vidro (garrafas, embalagens) e até suportes mais complexos como os meios de 
comunicação de massa como o rádio, a TV e a internet, onde o processamento da 
mensagem passa por várias etapas até ela chegar ao destinatário.
Mensagem
A mensagem é aquilo que o emissor transmite para o seu destinatário. 
Ela corresponde tanto àquilo que o emissor diz quanto ao modo como ele 
diz. Ou seja, ela engloba o significado (o aspecto conceitual) e o significante (a 
forma, o aspecto material). 
Observe o exemplo: 
Jussara vai por uma calçada e vê Olavo (seu irmão) do outro lado da rua.
Jussara grita: “OLAVO!”. 
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• O que Jussara transmitiu? 
 O nome do irmão e, ao mesmo tempo, a intenção de chamar a atenção dele. 
• Mas como ela fez isso? 
 Enunciando a palavra de forma alta e clara.
• Olavo se volta e vai ao encontro da irmã.
Assim, Olavo se dirigiu até Jussara (ou seja, compreendeu o conceito, o signi-
ficado daquela mensagem), porque conseguiu ouvir o grito e a palavra (ou seja, os 
aspectos materiais da mensagem) que chegaram até ele por meio das ondas sonoras.
Referente ou contexto 
Por fim, há o referente (o contexto).
No esquema apresentado, é possível perceber que ele faz parte do ato de co-
municação e, ao mesmo tempo, “envolve” todos os demais elementos.
Desse modo, compreende-se que a comunicação é um processo que precisa es-
tar contextualizado: deve ter uma referência e acontecer em determinada situação.
O contexto corresponde àquilo que se pretende comunicar, a quem, por que 
e para quê. Corresponde, também, ao momento em que a mensagem é produzida 
pelo emissor bem como àquele em que o destinatário a recebe.
APLICAÇÃO
1. Retome o texto “Etiqueta telefônica brasileira”, de Michael Kepp 
e aponte os elementos do ato de comunicação que nele estão 
presentes.
a) Emissor:
b) Destinatário:
c) Mensagem:
d) Código:
e) Contato:
f ) Contexto:
2. Indique onde foi usada a linguagem verbal ou a linguagem não verbal, nas 
imagens e justifique sua resposta:
a) 
Sa
m
ue
l A
lve
s 
Ro
sa
/F
re
e 
Im
ag
es b) 
F/
Na
zc
a 
Sa
at
ch
i&
Sa
at
ch
i
3. Produza um pequeno texto, reproduzindo o diálogo entre um pai e seu filho de 
oito anos. A conversa ocorre em um supermercado e o pai tenta persuadir o filho 
a não comprar um brinquedo. Nessa situação, quem é o emissor? Justifique.
1.
a) Emissor: Michael Kepp.
b) Destinatário: a resposta 
pode ser mais livre, pois a 
leitura deste texto se dá em 
uma situação de sala de aula 
(portanto, o aluno não é 
necessariamente o destina-
tário deste texto). Por outro 
lado, não deve ser aceita a 
resposta que diga que qual-
quer pessoa será destinatário. 
Daí, deve-se orientar a que 
percebam o local em que o 
texto foi publicado: Equilíbrio 
do jornal Folha de S. Paulo 
(embora a fonte mencionada 
seja a internet, notar essa 
referência no endereço: fsp/
equilíbrio). O leitor desse 
jornal e, em especial, o do 
caderno constituem esse 
destinatário em potencial.
c) Mensagem: Fazer com que 
se � xe o conceito de que a 
mensagem é o que se chama 
comumente de texto. Ele traz 
duas grandes “cargas”: 
a. uma conceitual – o seu 
signi� cado (essa concepção 
é o senso comum): aquilo 
que o emissor pretende fazer 
com que seu destinatário 
compreenda. 
b. outra “física” – material: o 
visual da página e as palavras 
(os tipos utilizados, o tama-
nho).
d) Código: Basicamente, a 
tendência é responder que se 
trata de código verbal. Mas é 
fundamental que se especi-
� que: código verbal escrito 
– língua portuguesa. Além 
disso, seria recomendável 
fazer com que se compreen-
da que nem tudo no texto é 
verbal. Há código não verbal 
também: a fonte escolhida e 
o seu tamanho; os sinais dia-
críticos (vírgula, aspas, ponto 
de interrogação etc.).
e) Contato: Considerando 
a leitura feita no fascículo, 
pode-se considerar o papel 
ou o próprio fascículo. Ou 
ambos. O mais importante é 
que se compreenda a ideia 
de que o emissor deve estar 
atento à necessidade de 
atrair o destinatário, chamar a 
sua atenção.
Contexto: Há vários fatores 
a se considerar – mas o/a 
aluno/a não precisa colocar 
todos – tais como: a condição 
de estrangeiro (norte-americano) do autor coloca em evidência as diferenças culturais. Já a condição do/a o/a 
aluno/a, certamente, de nacionalidade brasileira, poderá fazer com que ele/ela não aceite as ideias do autor. As 
condições de leitura em sala de aula. O fato de saber que a leitura será objeto de questões.
Para aprofundar os conceitos, podem ser feitas propostas de alteração de elementos. Por exemplo, haveria alguma 
alteração se o texto fosse oralizado? diagramado de outra maneira? teatralizado? acompanhado de ilustração?
A placa toda é linguagem não verbal. A imagem do tênis e o logotipo são linguagem não 
verbal. Os textos do anúncio são linguagem verbal.
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4. Imagine a seguinte situação: uma pessoa trabalha em um escritório localiza-
do no décimo andar de um prédio comercial. No fim do expediente, todos 
vão embora e essa pessoa é esquecida. Fica presa em uma sala em que não 
há telefone, não há computador e, por azar, a pessoa não possui celular. En-
fim, ela está praticamente incomunicável, pois, mesmo gritando pela janela, 
não consegue se fazer ouvir. Para tentar sair desse sufoco, ela escreve, em 
uma grande folha de papel, em letras enormes, a situação em que se encon-
tra, o local em que está presa e um pedido de socorro. 
a) Nesse caso, ela busca um receptor ou um destinatário? Justifique sua 
resposta.
b) Suponha que você é a pessoa que se encontra nessa situação. Como 
seria o seu texto de pedido de socorro? Faça numa folha avulsa.
Produção de texto: campanha de conscientização
Orientações gerais
Você participará de um grupo que desenvolverá uma campanha de conscienti-
zação dentro de sua sala de aula ou na escola.
A proposta é que sejam levantados problemas que ocorrem em sua sala ou na 
escola. A partir daí, os temas que merecem maior atenção serão distribuídos en-
tre os grupos.
O fundamental é que seu grupo, ao elaborar a campanha referente ao seu tema, 
leve emconta os conceitos trabalhados neste módulo.
Ao final da campanha, escreva um pequeno texto, avaliando a campanha, apon-
tando os acertos e os problemas encontrados.
3. Além de orientar a criação 
do texto e tudo o que é 
pertinente à sua elabora-
ção, deve-se dar atenção à 
pergunta � nal. Esta questão 
tem a � nalidade de fazer 
com que se compreenda 
que o ato de comunicação é 
dinâmico e que, num diálogo, 
os papéis de emissor e de 
destinatário se alternam. 
Importante mostrar que, na 
comunicação de massa, essa 
é uma possibilidade bastante 
remota (mesmo quando se 
pede para telefonar, para 
enviar e-mail).
4. Não há uma resposta 
fechada. Há possibilidades:
• Caso o aluno entenda 
que a pessoa acredita na 
existência de alguém que 
seja curioso o bastante 
para pegar o papel e lê-lo. 
Tenha sentimento de soli-
dariedade e vá ajudá-la... 
Então, pode-se dizer que 
se busca um destinatário. 
Ou seja, há uma espécie de 
público-alvo.
• Caso entenda que jogará 
o papel e que qualquer 
pessoa poderá pegá-lo e 
vir salvá-la, haverá a ideia 
de receptor. Mas que, 
posteriormente, se tornaria 
destinatário. 
O mais importante é que as 
respostas sejam discutidas. 
Deve-se enfatizar a ideia de 
que a produção de texto 
sempre deve ser planejada 
pensando na existência de 
um leitor “ideal”.
Veri� car como o/a aluno/a 
utiliza a linguagem para 
construir sua mensagem. 
Se nela predomina o uso de 
código verbal ou de código 
não-verbal. Ou, ainda, se há 
um uso equilibrado desses 
dois códigos. Sugestão: os 
textos poderiam ser expostos 
na sala para avaliação e 
propiciar a discussão das 
soluções
Trata-se de uma atividade de longa duração. Desse modo, recomenda-se que seja iniciada com antecedência – des-
de a constituição dos grupos até a de� nição dos temas. O mais adequado é que estes nasçam a partir de levanta-
mentos orientados pelo/a professor/a. Para que, dessa maneira, ocorra maior adesão dos/as alunos/as.
Algumas sugestões: 
• condenar a prática do bullying (problema grave e complexo que atinge as escolas de um modo geral); 
• orientar o uso adequado do celular (em sala e/ou na escola);
• combate ao tabagismo;
• combate ao consumo de bebidas alcoólicas;
• melhorar o relacionamento entre grupos docente e discente.
Quanto ao desenvolvimento, acompanhar com frequência o andamento dos trabalhos para, não somente orientar 
os procedimentos, como também veri� car se há soluções semelhantes – caso, desa� ar os grupos a encontrar 
soluções originais.
Conforme as características da sala e da escola, procurar ajustar a escolha dos meios às condições de tempo e até 
econômicas dos/as alunos/as. O importante é que haja a maior diversidade possível de canais/suportes, mas sem 
escapar da realidade escolar em que se trabalha.
Como alguns temas são polêmicos, recomenda-se conversar com a direção e a coordenação da escola, assim como 
os pais, para que não haja nenhum constrangimento na execução e na apresentação dos trabalhos. Esse contatos 
também são importantes, para, conforme a materialização dos textos utilizados na campanha, sejam reservados 
espaços da escola.
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REFLEXÃO
Leia
Internet
No começo dos anos 60, o americano Paul Baran concebeu uma rede de computa-
dores na qual cada máquina seria capaz de orientar o trabalho das outras. Durante 
a Guerra Fria, preocupado com a possibilidade de um con� ito nuclear com a União 
Soviética paralisar as comunicações, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos 
desenvolveu essa rede de computadores para que seus pesquisadores pudessem 
continuar trocando ideias. O plano inicial era ligar quatro locais: a Universidade da Ca-
lifórnia (UCLA), a Universidade de Santa Barbara, o Instituto de Pesquisas de Stanford e 
a Universidade de Utah. Naquele tempo, não havia sistemas-padrões de operação de 
computadores. As máquinas não podiam se comunicar umas com as outras.
Em 1969, surgiu a ARPAnet, ligando apenas computadores de centros de pesqui-
sas acadêmicos e militares nos Estados Unidos. A primeira demonstração o� cial 
foi feita no dia 21 de novembro. Dois anos depois, já eram 24 centros interligados. 
O projeto era chamado ARPAnet porque foi encomendado pela ARPA (Departa-
mento of Defense’s Advanced Research Project Agency) a um grupo de talento-
sos engenheiros de computação liderado por J. C. R. Licklider e Robert Taylor.
Somente em 1981 a ARPAnet deu lugar à Internet, abrindo o acesso à pesqui-
sa acadêmica e permitindo o acesso de centros estrangeiros. No ano de 1992, 
a Internet ultrapassou a marca de 1 milhão de estações interligadas, servindo a 
aproximadamente 10 milhões de usuários. Começou aí a exploração comercial da 
rede. A Internet atual é um complexo de redes interconectadas em que milhões 
de pessoas de todo o planeta compartilham serviços e trocam mensagens.
DUARTE, Marcelo. O livro das invenções. São Paulo: Cia das Letras, 1997, p. 141.
1. Ninguém produz um texto sem qualquer finalidade. Toda e qualquer produ-
ção textual sempre é elaborada conforme a intenção de seu emissor. Com que 
objetivo o texto de Marcelo Duarte foi elaborado? Justifique sua resposta.
2. Quanto ao contexto em que foram dados os primeiros passos para a elabora-
ção do projeto que, mais tarde, possibilitou a criação da Internet:
2
O ASSUNTO É:
FUNÇÕES DA 
LINGUAGEM
datas e os locais mencionados são alguns dos elementos textuais que con� rmam o caráter informativo.
1. Levar o aluno 
a perceber que o 
texto tem como 
objetivo predomi-
nante transmitir 
informações que 
mostram, de for-
ma cronológica, 
os passos dados 
na direção de se 
criar a Internet. 
Os verbos no pas-
sado, os nomes 
dos cientistas, as 
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a) que situação política motivou aquele projeto?
b) quais eram as limitações técnicas existentes?
c) que benefícios o projeto propiciou?
3. Para você, a internet é imprescindível? Justifique sua resposta com argumen-
tos e exemplos.
4. Com a orientação de seu professor, você e seus colegas vão produzir um Júri 
simulado.
Júri simulado
Tema: é possível viver sem internet?
Orientações gerais
1. A classe será dividida em quatro grupos: o grupo A constituído por alunos 
e alunas que consideram a internet imprescindível; o grupo B, formado por 
quem não a vê como imprescindível; o Grupo C, que atuará como organiza-
dor do debate e Júri; e o Grupo D, que fará a cobertura jornalística do evento.
2. Os Grupos A e B deverão se reunir para levantar argumentos e discutir es-
tratégias de defesa de suas ideias. Cada grupo elegerá dois oradores para de-
fender essas ideias.
3. O Grupo C se reúne para definir quais as regras que regerão o debate, determi-
nando, por exemplo, o espaço a ser ocupado pelos oradores, o tempo de exposi-
ção para cada grupo, o comportamento dos integrantes de cada grupo. O Grupo 
C escolherá o(a) Juiz (Juíza) e seus auxiliares, bem como os componentes do Júri.
4. O Grupo D reúne-se para estabelecer que tipo de jornalismo realizará: radio-
jornal, telejornal ou jornal impresso? Em seguida, estabelecer as atividades 
de cada integrante. 
5. Os Grupos A, B e C elegerão uma pessoa de cada grupo que ficará responsá-
vel por redigir um relato da atividade desenvolvida. 
6. Sob o comando do(a) Juiz (Juíza), instala-se o Júri simulado com a apresen-
tação das regras. A partir daí, segue-se o debate até o final, quando o Júri 
anunciará o seu voto.
7. Antes, durante e após a realização do Júri, o Grupo D realizará as atividades 
necessárias para a cobertura do evento.
8. Após a emissão do voto, são apresentados os relatos elaborados pelos inte-
grantes dos Grupos A, B e C.
9. Ao final, abre-se um debate geral com participação livre para avaliar a ativi-
dade realizada.10. No dia seguinte, o Grupo D apresenta para a sala a cobertura jornalística do 
evento.
a) No início dos anos 1960, 
durante a Guerra Fria, 
quando havia o temor de que 
pudesse acontecer uma guer-
ra nuclear. Recomenda-se 
que o aluno seja incentivado 
a pesquisar mais informa-
ções referentes a esse fato 
histórico.
b) “Naquele tempo, não 
havia sistemas-padrões de 
operação de computadores. 
As máquinas não podiam 
se comunicar umas com as 
outras”.
c) Num primeiro momento, 
favoreceu “o acesso à pesqui-
sa acadêmica permitindo o 
acesso de centros estrangei-
ros”. Posteriormente, “com 
a exploração comercial da 
rede”, milhões de usuários de 
todo o mundo puderam fazer 
uso da Internet.
3. Resposta livre. Importante 
que sejam apresentadas 
as diferentes opiniões e a 
força dos argumentos e dos 
exemplos. Incentivar a mani-
festação de ideias que fujam 
ao senso comum, desde que 
bem argumentadas. Esta 
atividade servirá como ponto 
de partida para a realização 
do Júri Simulado (proposta 
que virá a seguir).
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DA TEORIA À PRÁTICA
1. Revendo o Ato de Comunicação para seguir 
em frente
Observe o esquema, já conhecido por você.
REFERENTE 
(CONTEXTO)
EMISSOR
CÓDIGO
MENSAGEM
CANAL
(CONTATO)
DESTINATÁRIO
Você já está inteirado de que esse esquema apresenta os elementos necessá-
rios a todo e qualquer ato de comunicação. 
Por ele, compreende-se que a comunicação processa-se quando um emis-
sor (ou remetente) elabora uma mensagem dirigida a um destinatário. Para 
isso, o emissor deve codificar sua mensagem e fazer com que ela chegue ao seu 
destinatário por meio de um canal. Todos esses elementos estão envolvidos pelo 
referente (ou contexto), que corresponde tanto ao assunto que é tratado quanto 
à situação em que ocorre o ato de comunicação. 
Leia o texto do Ministério da Saúde, publicado em 1 de dezembro de 2020, 
com os dados sobre os casos de AIDS no Brasil. 
Casos de Aids diminuem no Brasil
Publicado: 
01.12.2020 - 15:18
última modifi cação: 
01.02.2021 - 10:57
O Brasil tem registrado queda no número de casos de infecção por Aids nos últi-
mos anos. Desde 2012, observa-se uma diminuição na taxa de detecção da doen-
ça no país, que passou de 21,9/100 mil habitantes em 2012 para 17,8/100 mil 
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 18LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 18 25/08/2022 15:25:5025/08/2022 15:25:50
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habitantes em 2019, representando um decréscimo de 18,7%. A taxa de mortali-
dade por Aids apresentou queda de 17,1% nos últimos cinco anos. Em 2015, fo-
ram registrados 12.667 óbitos pela doença e em 2019 foram 10.565. Ações como 
a testagem para a doença e o início imediato do tratamento, em caso de diagnós-
tico positivo, são fundamentais para a redução do número de casos e óbitos. […] 
DADOS DA DOENÇA
Atualmente, cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Dessas, 89% foram 
diagnosticadas, 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em 
tratamento não transmitem o HIV por via sexual por terem atingido carga viral 
indetectável. Em 2020, até outubro, cerca de 642 mil pessoas estavam em trata-
mento antirretroviral. Em 2018 eram 593.594 pessoas em tratamento.
No Brasil, em 2019, foram diagnosticados 41.919 novos casos de HIV e 37.308 ca-
sos de Aids. O Ministério da Saúde estima que cerca de 10 mil casos de Aids foram 
evitados no país, no período de 2015 a 2019. A maior concentração de casos de 
Aids está entre os jovens, de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil 
registros. Os casos nessa faixa etária correspondem a 52,4% dos casos do sexo 
masculino e, entre as mulheres, a 48,4% do total de casos registrados.
O enfrentamento à doença não parou durante a pandemia da Covid-19. O Minis-
tério da Saúde expandiu a estratégia de dispensação ampliada de antirretrovirais 
(ARV) de 30 para 60 ou até 90 dias. Hoje 77% dos pacientes em tratamento tem 
dispensação para 60 e 90 dias , em 2019 eram 48%. Além disso, o uso de autotes-
tes foi ampliado com o objetivo de reduzir o impacto na identi� cação de casos de 
HIV por conta da pandemia. A pasta também garantiu a oferta de teste anti-HIV 
para pacientes internados com síndrome respiratória. Neste ano, até outubro, o 
Ministério da Saúde distribuiu 7,3 milhões de testes rápidos de HIV, 332 milhões 
de preservativos masculinos e 219 milhões femininos. […]
De 2015 a 2019, houve redução de 22% na taxa de detecção de aids em meno-
res de 5 anos. Passando de 2,4 em 2015 (348 casos) para 1,9 casos (270 casos) 
por 100 mil habitantes em 2019. A taxa de detecção de aids em menores de 5 
anos tem sido utilizada como indicador para o monitoramento da transmissão 
vertical do HIV, quando a transmissão acontece durante a gestação, o parto 
ou amamentação. 
Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente 
Transmissíveis. Ministério da saúde. In: http://www.aids.gov.br/pt-br/noticias/casos-de-
aids-diminuem-no-brasil. Consulta realizada em 19 de abril de 2022. (Fragmentos)
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Em relação ao texto:
1. Identifique o seu emissor.
2. Identifique o seu destinatário.
3. Caracterize o código utilizado em sua elaboração.
4. Identifique o canal utilizado para fazê-lo chegar até o seu destinatário.
5. Identifique o elemento mensagem.
6. Identifique o seu contexto (seu referente).
2. Funções da linguagem
 Você já percebeu que todo Ato de Comunicação é produzido para alcan-
çar algum objetivo. Ou seja, o emissor sempre tem alguma intenção ao elaborar 
a sua mensagem. Quanto ao texto “Casos de AIDS diminuem no Brasil”, pode-se 
notar que há uma forte intenção de apresentar os dados para que os leitores pos-
sam compreender de forma objetiva as informações. 
 Aos objetivos ou intenções pretendidas pelo emissor da mensagem é que 
se dá o nome de funções da linguagem. Como cada uma delas está associada a 
um dos elementos do Ato de Comunicação, existem seis funções da linguagem:
• Expressiva (ou Emotiva)
• Conativa (ou Apelativa)
• Referencial
• Fática
• Metalinguística
• Poética
Você vai conhecer as características de cada uma dessas funções e textos que 
as exemplifiquem.
Função Expressiva (ou Emotiva)
1. O emissor é o Departa-
mento de Doenças de Con-
dições Crônicas e Infecções 
Sexualmente Transmissíveis, 
do Ministério da Saúde. 
2. O texto foi produzido para 
o público em geral, principal-
mente para as pessoas que 
trabalham ou se interessam 
pelo tema saúde.
3. Para construir sua men-
sagem, foi utilizada como 
código palavras da Língua 
Portuguesa.
4. Para que sua mensagem 
chegasse a seus destinatários, 
o texto foi publicado em site 
do Ministério da Saúde. O 
canal utilizado foi a internet.
5. A mensagem é caracteri-
zada pelo texto em si, tanto 
pelo assunto que ele preten-
de comunicar quanto pela 
própria elaboração (palavras, 
parágrafos, pontuação).
6. Há um referente (contexto) 
envolvendo toda a produção 
da mensagem: os dados es-
tatísticos sobre o tratamento 
e prevenção da AIDS, bem 
como os conhecimentos e os 
interesses que tanto o emis-
sor quanto os destinatários 
possuem em relação a esse 
assunto.
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 Você está com vontade de assistir a um filme que estreou recentemente. 
Porém não tem certeza de que irá gostar dele. Para confirmar se deve ou não ir 
ao cinema, procura ler críticas que avaliem aquele filme. Isto é, você quer saber as 
opiniões de especialistas e tomá-las como referência. Que função da linguagem 
está presente nesse tipo de texto? A função expressivaou emotiva.
 O que caracteriza essa função é o emprego da linguagem para expressar 
opiniões e/ou sentimentos do emissor, como se pode perceber nos trechos as-
sinalados em fragmento de matéria jornalística publicada no caderno Folhateen, 
do jornal Folha de S. Paulo, no dia 11 de junho de 2007.
A internet encheu o saco
Frustração e cansaço levam jovens a abandonar o 
computador e a viver no mundo real
Juliana Lopes
Você liga o computador e se conecta. Mal o sistema carregou, entra no Orkut, no 
MSN e abre o Soulseek. Enquanto responde a mais de dez “olás” no MSN, checa 
novos recados no Orkut e entra no fotolog de um desconhecido que te deixou 
um recado. As janelas do MSN pipocam na tela: colegas de classe perguntam so-
bre o trabalho que vão fazer on-line, seu namorado te dá bronca por causa de 
algum scrap. Então você abre seu blog para desabafar quando percebe que... está 
zonzo. Levanta da cadeira, olha o relógio e entra em pane. Arranca o computador 
da tomada e assume: “Cansei de internet!!!”.
Essa história é parecida com a de Ricardo Barbosa, 15, que passou mal de tanto 
navegar na rede há três meses. “Comecei a � car tonto, levantei assustado e 
falei: “Meu, o que é isso? Passei seis horas aqui! Não acredito!’”
E, o pior, ele não fazia nada de útil: “Foi simplesmente uma pausa na minha 
vida, não aconteceu nada”. Depois desse episódio, Ricardo decidiu nunca mais 
deixar de jogar futebol nem de encontrar os amigos para � car na net. “Foi uma li-
ção. Tem uma hora que chega”, diz o garoto, que descon� a ainda estar viciado.
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Nos trechos destacados observa-se a predominância de verbos e de prono-
mes de primeira pessoa, ou seja, são escolhas associadas ao emissor da mensa-
gem e revelam sua opinião e/ou seu sentimento. 
A escolha desse tipo de palavra é característica da função expressiva ou 
emotiva. Porém, é possível construir uma mensagem predominantemente ex-
pressiva ou emotiva sem utilizar marcas de primeira pessoa? Sim. 
Leia como exemplo o texto de Marco Aurélio Canônico, que faz uma crítica 
de cinema publicada no caderno Ilustrada, do jornal Folha de S. Paulo, do dia 01 
de fevereiro de 2008:
Giovanna Caboclo, 16, de Mogi das Cruzes, tomou uma atitude radical aos 14 anos. 
“Ficava o dia inteiro no MSN, uma coisa horrível. Falar pelo MSN é fácil, por-
que você monta as palavras direitinho. Mas ao vivo eu tinha medo de falar 
alguma besteira. Isso me deixava nervosa”, diz a estudante que, para resolver seu 
problema de ansiedade, � cou um ano sem entrar na internet. “Na net as pessoas 
querem parecer perfeitas e � cam fuçando as vidas das outras. Você � ca meio 
louca, entende?”
Estudante de cursinho, Maria Reininger, 18, abandonou blog e � og (blog com foto). 
“Encheu o saco. No começo é novidade, as pessoas comentam as babosei-
ras que você escreve. Depois, você cansa de � car andando com a máquina 
fotográ� ca embaixo do braço para tirar fotos pro seu � og. Pre� ro gastar 
meu tempo jogando rugby”, conta a garota. [...].
LOPES, Juliana. A internet encheu o saco, Folha de S. Paulo, 11 de junho de 2007. Disponível 
em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm1106200708.htm>. Acesso em: 4 jul. 2017.
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Amizade entre garoto e criatura 
rende bom infantil
Marco Aurélio Canônico
Crianças com bichos de estimação pouco usuais podem render toda sorte de 
� lmes – vide Gremlins (1984), Um hóspede do barulho (1987) etc.
 Sendo uma criança escocesa o foco de Meu Monstro de Estimação, que estreia 
hoje, o bicho bizarro da vez não poderia ser outro que não o monstro do lago 
Ness – Nessie, como os britânicos carinhosamente o chamam, ou Crusoé, como o 
jovem Angus, seu dono, o apelida.
A história, contada em fl ashback por um senhor (o eterno coadjuvante Brian Cox) 
num pub (falando em estereótipos...), se passa durante a Segunda Guerra, quando 
os países da ilha viviam sob tensão dos iminentes ataques alemães.
Criança solitária e retraída desde que seu pai foi convocado à guerra, deixando-o 
com sua mãe (a boa Emily Watson) e irmã mais velha, Angus MacMorrow encon-
tra uma pedra estranha na praia e a leva para casa, só para descobrir que o troço 
é um ovo de um bicho incomum.
Incomum e de crescimento acelerado, o que se torna um problema quando a 
mansão da família MacMorrow vira base para os militares britânicos – além de 
casa para um novo e misterioso zelador – e o garoto Angus não consegue mais 
esconder seu mascote.
Bons efeitos especiais
Com efeitos especiais a cargo dos oscarizados neozelandeses da Weta Digital (O 
Senhor dos Anéis, King Kong), a qualidade visual da criatura é o ponto alto do � lme 
– um monstrinho fo� nho enquanto bebê e gigantesco quando adulto.
A propósito, o “monstro” do título em português, por ser mais comumente usado 
com carga negativa, não faz jus ao bicho do � lme nem a seu título original, “The 
Water Horse”, o cavalo d’água – já que Angus o cavalga em passeios aquáticos.
Como é praxe nesse tipo de � lme, a tenra relação entre o garoto e o animal é o 
mote da história: são dois órfãos, cada um a seu modo, que encontram compa-
nhia e amadurecimento em sua convivência.
Os belos visuais das locações e a ágil narrativa, pontuada com humor e suspense, 
deixam em segundo plano os deslizes geográ� cos (como o inexistente encontro 
do lago Ness com o oceano) e históricos (como a data da falsa foto do monstro).
É um � lme estritamente infantil e que certamente agradará aos pequenos – mas tam-
bém deve forçar os pais a negociarem, no mínimo, um peixinho de aquário pós-cinema.
CANÔNICO, Marco Aurélio. Amizade entre garoto e criatura rende bom infantil. 
Folha de São Paulo, 01 de fevereiro de 2008. Disponível em: <http://www1.
folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0102200814.htm>. Acesso em: 4 jul. 2017.
Disponível em: <http://
www.adorocinema.com/
� lmes/meu-monstro-
de-estimacao/meu-
monstro-de-estimacao-
poster01.jpg>
Re
pr
od
uç
ão
Disponível em: <http://
www.adorocinema.com/
� lmes/meu-monstro-
de-estimacao/meu-
monstro-de-estimacao-
poster03.jpg>.
Re
pr
od
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No texto em que Marco Aurélio Canônico avalia o filme Meu monstro de 
estimação, não há qualquer marca de primeira pessoa, no entanto é fácil perceber 
a opinião do crítico. De imediato, no título, a presença do adjetivo bom, na ex-
pressão “rende bom infantil”, mostra que o autor recomenda o filme. 
Ao longo do texto, há outras expressões que confirmam essa recomendação, 
tais como: “a qualidade visual da criatura é o ponto alto do filme”; “monstrinho 
fofinho”; “Os belos visuais das locações e a ágil narrativa”; “certamente agradará 
aos pequenos”.
Função Conativa (ou Apelativa)
Todas as mensagens são elaboradas com a perspectiva de chegar até seu des-
tinatário. Mas há um tipo de mensagem que, além de alcançá-lo, é produzida 
com a intenção de fazer com que ele atenda aos interesses (ou às necessidades) do 
emissor. Nesse caso, a função da linguagem denomina-se conativa ou apelativa: 
a linguagem é trabalhada com o objetivo de persuadir o destinatário.
Geralmente, a intenção de o emissor tentar persuadir o destinatário eviden-
cia-se pelo emprego de verbos no modo imperativo; de verbos conjugados na 
segunda pessoa; ou pela presença de vocativo.
No dia a dia, a função conativa pode ser notada em situações convencionais.
Exemplo: Alguém:
• solicita algo (“Garçom, por favor, traga mais um prato.”); 
• pede favores (“Por gentileza, pegue o livro que está em cima da mesa.”);
• dá ordens(“Feche a porta!”);
• dá conselhos (“Guarde um pouco de dinheiro na poupança.”);
• ou faz algum apelo (“Socorro! Socorro!”).
Função Referencial
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A função referencial caracteriza-se pelo emprego da linguagem com a in-
tenção de transmitir informações para seu destinatário. Nesse caso, o emissor 
procura utilizar a linguagem denotativa, ou seja, seleciona o código e o organiza 
de tal forma que sua mensagem seja marcada pela objetividade. Por esse motivo, 
a função referencial está muito presente em textos jornalísticos e científicos.
Leia a notícia publicada na revista Galileu, em 18 de abril de 2022.
Texto chinês pode conter primeiro 
relato de aurora boreal, revela 
estudo
Presente nos “Anais de Bambu”, escritura possivelmente datada do século 4 a.C. 
menciona “luz de cinco cores” vista no céu — três séculos antes do registro que se 
acreditava ser o mais antigo.
REDAÇÃO GALILEU
18 ABR 2022 - 15H21 ATUALIZADO EM 18 ABR 2022 - 15H21
As auroras, fenômenos belíssimos que iluminam o céu nos polos do planeta, intri-
gam a humanidade há séculos. Pesquisadores identi� caram em um antigo texto 
chinês, provavelmente do século 4 a.C., o que pode ser a referência mais antiga a 
uma aurora boreal. 
A escritura faz parte dos chamados Anais de Bambu (ou Zhushu Jinian, em man-
darim), que descrevem a história da China desde os tempos lendários até o perío-
do em que foram fabricados. Sua análise está detalhada em estudo publicado na 
revista Advances in Space Research.
Os autores da pesquisa são o pesquisador canadense Marinus Anthony van der 
Sluijs e Hisashi Hayakawa, da Universidade de Nagoya, no Japão. A dupla acredi-
ta que os Anais citam uma possível aurora, três séculos antes do registro que se 
acreditava ser o mais antigo. Esse está presente em tábuas cuneiformes contendo 
inscritos de astrônomos assírios do período entre 679 e 655 a.C.
Outro possível registro primário de uma aurora é um pouco mais recente, de 567 
a.C., e estava no diário astronômico do rei babilônico Nabucodonosor II.
Embora a crônica chinesa seja conhecida há muito tempo, os pesquisadores a 
analisaram com um novo olhar, encontrando a menção de uma “luz de cinco co-
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res” vista ao norte do céu noturno, no � nal do reinado do rei Zhao, da dinastia 
Zhou.
O ano do ocorrido é incerto, mas a cronologia da China sugere que a aurora pode 
ter acontecido em 977 a.C ou em 957 a.C., dependendo de como o reinado de 
Zhao é datado. Os cientistas apontam que o registro é consistente com o que teria 
sido uma enorme tempestade geomagnética.
Como se sabe que o polo norte magnético da Terra estava inclinado para o lado 
eurasiano em meados do século 10 a.C., cerca de 5° mais próximo da China central 
do que atualmente, os pesquisadores estimam que a aurora pode ter sido visível 
para os chineses daquela região durante perturbações magnéticas.
Descobrir o relato da possível aurora nos Anais de Bambu demorou bastante, pois 
o manuscrito original foi perdido, sendo redescoberto só no século 3 d.C. Ainda 
assim, ele � cou desaparecido novamente durante a Dinastia Song. A confusão só 
aumentou no século 16, quando uma versão alterada do texto foi impressa e dizia 
que o objeto no céu não era uma luz de cinco cores, mas um cometa.
O novo estudo revela que essa leitura não era a original, mostrando o que seria a 
descrição da aurora. Esse tipo de dado, segundo os pesquisadores, pode bene� -
ciar a comunidade cientí� ca, ajudando a modelar padrões sobre o clima espacial 
e a atividade do Sol.
Embora a crônica chinesa seja conhecida há muito tempo, os pesquisadores a 
analisaram com um novo olhar, encontrando a menção de uma “luz de cinco co-
res” vista ao norte do céu noturno, no � nal do reinado do rei Zhao, da dinastia 
Zhou.
“Relatórios históricos de auroras estendem nosso conhecimento sobre erupções 
solares e variabilidade solar de longo prazo na escala de tempo milenar além da 
cobertura cronológica de observações instrumentais”, escrevem os autores.
https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Arqueologia/noticia/2022/04/
texto-chines-pode-conter-primeiro-relato-de-aurora-boreal-revela-
estudo.html. Consulta realizada no dia 19 de abril de 2022.
Neste texto, a preocupação do emissor é a de informar sobre uma descober-
ta arqueológica e dar detalhes históricos sobre o evento. Por isso, a mensagem é 
organizada de tal forma que o leitor possa, com objetividade, conhecer como foi 
realizada a pesquisa e descoberta. Destacam-se os verbos conjugados na terceira 
pessoa.
Como exemplo de divulgação científica, leia a seguir os trechos de um artigo 
publicado na revista Galileu.
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Pesquisadores descobrem 5,5 mil 
novos tipos de vírus de RNA nos 
oceanos
REDAÇÃO GALILEU
10 ABR 2022 - 14H08 ATUALIZADO EM 10 ABR 2022 - 14H08
Em um estudo que coletou amostras de  água do oceano em diversas partes do 
mundo, um time internacional de pesquisadores desvendou novos achados so-
bre os vírus de RNA — microrganismos cujo material genético é constituído pelo  
ácido ribonucleico (RNA) — que vivem nos mares do planeta. As descobertas fo-
ram publicadas na última quinta-feira (7), na respeitada revista  Science.
Com auxílio de técnicas de aprendizado de máquina, a equipe identi� cou 5,5 mil-
novas espécies de vírus desse tipo. Segundo os autores, elas representam todos 
os cinco � los de vírus de RNA existentes atualmente, mas não só: novas divisões 
precisariam ser criadas para classi� car corretamente todos os microrganismos 
descobertos no trabalho. […]
Achados de milhões
Em 2019, Sullivan e sua equipe catalogaram uma grande quantidade de vírus de 
DNA — aqueles cujo código genético é composto pelo ácido desoxirribonucleico 
(DNA) — nos oceanos. Se entre 2015 e 2016 apenas alguns milhares eram conhe-
cidos, no ano da publicação do artigo o número saltou para 200 mil.
Para conduzir o novo estudo, os pesquisadores extraíram códigos genéticos ex-
pressos em organismos que � utuam no mar e restringiram a análise a sequências 
de RNA que continham um gene de assinatura, chamado RdRp, que evoluiu por 
bilhões de anos em vírus de RNA e está ausente em outros vírus ou células.
A equipe usou aprendizado de máquina para organizar 44 mil sequências de ma-
neira que pudesse lidar com bilhões de anos de divergência no genoma viral, 
e validou o método mostrando que a técnica poderia classi� car com precisão 
sequências de vírus de RNA já conhecidos.
Todos esses achados permitiram aos pesquisadores identi� car não só os cinco no-
vos � los, mas também ao menos 11 novas classes de vírus de RNA. A equipe pre-
tende pedir formalmente ao Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus (ICTV, na 
sigla inglês) para que considere as descobertas do estudo.
https://revistagalileu.globo.com/Um-So-Planeta/noticia/2022/04/
pesquisadores-descobrem-55-mil-novos-tipos-de-virus-de-rna-nos-oceanos.
html. Consulta realizada em 19 de abril de 2022. (Fragmento)
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O autor do texto teve a preocupação de informar o leitor quanto ao assunto 
da pesquisa, bem como explicar os detalhes e a conclusão. O que caracteriza 
a linguagem, além do emprego de um vocabulário específico (relacionado ao 
tema), é a presença de verbos na terceira pessoa e a busca da objetividade.
Função Fática
Será que toda e qualquer mensagem é elaborada com a intenção de opinar? De 
persuadir? Ou de passarinformações? 
Veja, por exemplo, a transcrição de um trecho de bate-papo virtual:
(19:44:57) Juno Entra na sala... 
(19:44:59) ccelo Entra na sala... 
(19:45:04) ccelo fala para Todos: boa...
(19:45:08) Juno fala para Todos: i ae Ccelo 
(19:45:16) ccelo fala para Juno: hiahiaa! q q tem q faze aki/:! 
(19:45:19) Juno fala para Todos: nossa, que dahora.. isso ein 
(19:45:36) ccelo fala para Juno: aihhiahiahiaa!!!!!! 
(19:45:49) ccelo fala para Juno: fala pra cynthia entrar ae 
(19:46:17) cynthia Entra na sala... 
(19:46:27) Juno fala para Todos: nossa ein bombando 
(19:46:30) cynthia fala para Todos: oiiii
Como este trecho transcreve a fase inicial de uma sessão de bate-papo pela 
internet, fica evidente que a intenção de cada participante, ao “entrar” na sala, é 
a de estabelecer contato com as outras pessoas. Observe os trechos destacados 
em itálico.
Elaborar mensagens com esse objetivo caracteriza a função fática. Nesta 
função, a linguagem é empregada com a intenção de, primeiramente, abrir con-
tato com o destinatário e, depois, manter esse canal aberto. Esta função pode se 
apresentar de diferentes formas: ruídos, falar alto, repetição, recursos gráficos 
(tais como tamanho da fonte, cores etc.).
Observe, por exemplo, na capa de uma revista, como se procura fazer conta-
to com um possível leitor.
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Na capa desta revista, a função fática pode ser notada, por exemplo, na es-
colha de tipos gráficos de tamanhos variados, dos quais se destacam aqueles em-
pregados para realçar a palavra Literatura – que ocupa a parte superior da capa 
em toda a sua dimensão horizontal – e no uso da cor amarela que é repetida em 
dois momentos, em especial: na identificação do nome da revista (Literatura) e 
no destaque dado ao nome do escritor Fernando Pessoa. Outro elemento que 
caracteriza a função fática está presente na imagem do escritor – o seu corpo 
ocupa o primeiro plano do espaço da capa.
Função Metalinguística
Quando ocorre a produção de uma mensagem que tem como objetivo utili-
zar a linguagem para explicar ou definir sua própria linguagem, caracteriza-se o 
emprego da função metalinguística.
Você, certamente, já assistiu a um making of de algum filme. Qual é o objeti-
vo de um making of? É o de mostrar ao destinatário como certo filme foi realiza-
do, explicando, por exemplo, como surgiu a sua ideia ou como foram construídas 
algumas das cenas. Qual é o código utilizado para a produção de um making of? 
O mesmo que foi empregado no filme: palavras faladas e/ou escritas; imagens em 
movimento; música. 
O exemplo mais evidente de utilização da função metalinguística é o di-
cionário. Observe isso na transcrição do verbete Internet conforme aparece no 
Dicionário Michaelis:
In.ter.net
sf (inter+ingl net, rede) Inform Rede remota internacional de ampla área geográ� -
ca, que proporciona transferência de arquivos e dados, juntamente com funções 
de correio eletrônico para milhões de usuários ao redor do mundo.
MICHAELIS: moderno dicionário da língua portuguesa. 
São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1998, p. 1169.
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Na elaboração desta mensagem, empregou-se a linguagem verbal escrita. As-
sim, para definir a palavra Internet, foram utilizadas outras palavras, ou seja, a 
linguagem “fala” da própria linguagem.
Veja, no exemplo a seguir, como a função metalinguística está presente na 
tira produzida por Maurício de Sousa:
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 M
au
ric
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e 
So
us
a 
Ed
ito
ra
 L
td
a.
Observe que, no segundo quadrinho, o personagem Bidu vira a cabeça em 
direção ao leitor e é para o leitor que ele faz o comentário em que explicita que 
a tira é que é branco e preto: neste momento, fica evidente a presença da função 
metalinguística – a linguagem dos quadrinhos falando do próprio quadrinho.
Função Poética (ou Estética)
Ao elaborar uma mensagem, há algo a se dizer. Quando o emissor se preocu-
pa com o como deverá dizer, ele procura selecionar, dentro do código, elementos 
que tenham maior efeito sobre o destinatário. Se a intenção do emissor é em-
pregar a linguagem de tal forma que fique concentrada na própria mensagem, 
ocorre, então, a função poética. O que a caracteriza é a busca de uma linguagem 
carregada de sonoridade, produzindo efeitos que despertem o senso estético do 
destinatário. Por isso, ela também recebe o nome de função estética.
Pelas características apresentadas, é possível compreender que a função poé-
tica ou estética está associada às produções de mensagens artísticas, tais como 
literatura, artes plásticas, música. Veja, na letra da música Pela Internet, composta 
por Gilberto Gil em 1996, como as palavras foram selecionadas de modo a desta-
car a construção da própria mensagem.
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Pela Internet
Criar meu web site
Fazer minha home-page
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Um barco que veleje
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve um oriki do meu velho orixá
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
Um barco que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Que leve meu e-mail até Calcutá
Depois de um hot-link
Num site de Helsinque
Para abastecer
Eu quero entrar na rede
Promover um debate
Juntar via Internet 
Um grupo de tietes de Connecticut
De Connecticut acessar
O chefe da Macmilícia de Milão
Um hacker ma� oso acaba de soltar
Um vírus pra atacar programas no Japão
Eu quero entrar na rede pra contactar
Os lares do Nepal, os bares do Gabão
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular
Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar
GIL, Gilberto. Pela internet. In: Gilberto Gil. Quanta. Warner Musica, 1997, CD, faixa 11
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Na criação desta letra, é possível perceber que Gilberto Gil selecionou pala-
vras e construiu os versos de modo a dar ênfase ao ritmo e à sonoridade das pa-
lavras. Essa elaboração é coerente com o fato de se tratar de um texto criado para 
ser cantado. Trata-se de escolhas que mostram a presença da função poética. 
Mas há outros recursos, ao longo do texto, que indicam a predominância dessa 
função. A seguir, alguns deles são destacados.
a) Ao identificar seu texto com o título “Pela internet”, Gilberto Gil estabelece um 
“diálogo” com outro texto significativo da Música Popular Brasileira: a música 
“Pelo telefone”, de autoria de Donga (Ernesto dos Santos) e Mauro de Almeida, 
gravada em 1917. Essa relação vai além do título. Compare o trecho:
Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular 
Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar 
com este de “Pelo telefone”
O chefe da polícia pelo telefone manda lhe avisar 
 Que na Carioca tem uma roleta para se brincar
É como se Gilberto Gil “atualizasse” a letra do samba de 1917.
b) Elaboração de frases e a criação de palavras que desenvolvem a ideia de 
que a utilização da internet se assemelha com o ato de navegar: 
Com quantos gigabytes
Se faz uma jangada
Que veleje nesse infomar
Que aproveite a vazante da infomaré
Ao porto de um disquete de um micro em Taipé
c) Foram escolhidas palavras e expressões pertencentes. ao campo semântico 
da internet (web site, home-page, gigabytes, disquete, micro, e-mail, hot-link, 
site, rede, acessar, hacker, vírus, programas, contactar). Esta escolha parece 
ser óbvia, uma vez que o texto tem como referência a internet, porém, o pre-
domínio da línguainglesa revela a forte influência da cultura norte-ameri-
cana (dado que se trata de uma tecnologia desenvolvida a partir dos Estados 
Unidos) e o caráter de contemporaneidade do autor do texto – mostra-se 
como alguém preso ao seu tempo e preocupado com ele.
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d) Há referência a diferentes cidades (Taipé, Helsinque, Connecticut, Milão); 
países (Japão, Nepal, Gabão) e até mesmo a uma praça do Rio de Janeiro 
(praça Onze) para enfatizar que a internet permite interligar diversos e 
distantes locais do mundo.
Assim, Gilberto Gil, ao transmitir opiniões despertadas pela grande presença 
da internet na vida das pessoas, pois se trata de importante instrumento de co-
municação, procurou elaborar seu texto de forma a fazer com que sua construção 
tivesse maior relevância, ou seja, a mensagem concentrou-se na própria mensa-
gem. Daí, neste texto, predomina a função poética ou estética.
Uma mensagem, várias funções
Para finalizar, deve-se destacar, ainda, que nas mensagens, raramente, é uti-
lizada apenas uma função da linguagem. Quase sempre, há várias funções pre-
sentes. Contudo, sempre haverá uma função predominante que será determina-
da de acordo com a intenção com que a mensagem foi elaborada. 
Para melhor compreensão observe a reprodução da capa do livro “Iracema”, 
de José de Alencar, publicado pela Edições Carambola. Perceba como nela estão 
presentes várias funções. Mas qual delas é a predominante? 
Iracema
Edições 
Carambola
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O livro Iracema escrito por José de 
Alencar, narra uma história de amor 
entre Iracema, a virgem tabajara con-
sagrada a Tupã, e Mar� n, colonizador 
português, inimigo do seu povo.
O fruto desse amor, Moacir, representa 
o primeiro cearense e a integração das 
duas raças.
José Mariano de Alencar nasceu no Ceará. 
Foi escritor, advogado, deputados, novelista 
e dramaturgo. É considerado precursor do 
Roman� smo no Brasil.
José de Alencar
1a edição
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Na reprodução, vê-se um livro aberto de tal maneira que a primeira capa, a 
lombada e a quarta capa podem ser vistas em um único plano e como sendo a cons-
trução de uma mensagem que pode ser compreendida como um fundo em tom de 
bege esverdeado, sobre o qual foram utilizados o código verbal (palavras) e o código 
não verbal (imagem, linhas, formas e cores – em que predominam a preta, branca, 
marrom, laranja). Essa mensagem pode ser descrita com mais detalhes: 
• No alto da primeira capa, no centro, em tipos grandes, destaca-se o título da 
obra e logo abaixo, o nome do autor. Abaixo do nome do autor, encontra-se 
a expressão “1ª edição”. 
• Também à direita, na parte inferior, há um conjunto de linhas onduladas 
brancas, na vertical, que lembram as ondas do mar, ambiente em que acon-
tece a história de Iracema. 
• O espaço central e à esquerda é ocupado por uma imagem de figura indígena 
feminina, representando Iracema, personagem principal da história narrada 
no livro.
• Na parte inferior, há a identificação da editora que pu blicou o livro. 
• A lombada reproduz as mesmas informações da primeira capa, exceto pelo 
número da edição. Os dizeres estão dispostos na verticalidade da lombada, 
na ordem de cima para baixo, e encerrados pelo logotipo. 
• No alto da quarta capa, à esquerda, aparece o conjunto de linhas onduladas, 
parecidas com as da primeira capa, na vertical, na cor preta. Ao lado, está pu-
blicado um pequeno resumo sobre a história de Iracema e uma informação 
sobre o autor José de Alencar. 
• Na parte inferior da quarta capa, há duas imagens, superpostas, nas cores 
marrom e laranja. A primeira, por causa da cor marrom, pode remeter à 
ideia de terra. A segunda, circular, formada por traços na cor laranja, lembra 
um sol estilizado.
Dessa forma, pela descrição acima, evidencia-se que, tanto na primeira e quarta 
capas, quanto na lombada, os destaques foram atribuídos ao código verbal (o nome 
do autor e o título) para que, de imediato, o público possa obter essas informações. 
Eles foram elaborados de modo a fazer com que prevalecesse a função referen cial. 
Essa mesma função está presente no logotipo, que identifica a editora. 
Pela localização e pelo tamanho desses enunciados, observa-se a presença da 
função fática: eles atraem o olhar do leitor, despertando a sua atenção, exata mente 
em direção àquelas informações. 
Os elementos não verbais, por sua vez, caracterizam-se como função poé tica. 
Eles, em contraponto à regularidade presente na formatação dos códigos verbais, 
provocam um efeito de estranhamento e, na primeira capa, a imagem reforça as 
características do personagem principal do livro. 
Claro que o conjunto dos enunciados presentes – na primeira capa, em es pecial 
– pode revelar a presença da função conativa, ou seja, há a intenção de persuadir o 
público, em uma livraria, a, pelo menos, tomar aquele livro em suas mãos, a folheá-
-lo e, talvez, a comprá-lo. 
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Foi possível compreender que há quatro funções nesta mensagem, contudo 
delas a função predominante é referencial, uma vez que, na produção desta capa, 
a intenção principal foi a de informar o público de qual obra se trata e quem é 
o seu autor.
APLICAÇÃO
1. Leia:
No décimo andar de um prédio comercial, um homem aguarda o elevador. Quando 
este chega, o homem abre a porta, entra, aperta o botão 3. No elevador, além dele, 
há mais dois homens. O homem cumprimenta-os vagamente:
– Boa tarde!
– Boa tarde! – respondem simultaneamente os outros dois passageiros.
Silêncio. Alguns segundos depois, o homem diz:
– Que frio!
Um dos homens responde:
– É. Está insuportável.
Silêncio. Após alguns segundos, o homem diz:
– Vocês trabalham neste prédio?
– Eu trabalho, sim. No décimo quinto.
– Eu vim ao escritório da Dra. Joana.
– Ah! A especialista em aposentadoria. – diz o homem.
– É. É ela mesma.
O elevador reduz sua velocidade e para no terceiro andar. O homem despede-se:
– Até logo!
– Até. – respondem os outros dois.
a) Qual é a função da linguagem que predomina nos diálogos apresenta-
dos na situação acima? Justifique sua resposta.
b) Nos trechos que são narradas as ações dos personagens, qual é a função 
predominante? Justifique.
a) Função fática. Ressaltar 
que, pelo fato de que as 
pessoas não se conhecem, a 
linguagem é utilizada com a 
intenção de estabelecer con-
tato. Trata-se de um recurso 
para diminuir o constrangi-
mento muito comum nessas 
situações. Ampliar esta 
noção, mostrando que, mes-
mo entre pessoas muito pró-
ximas, esse constrangimento 
ocorre quando elas estão em 
um mesmo ambiente. Se não 
houver troca de comunicação 
entre elas, pode indicar que 
o relacionamento está ruim. 
Assim, nesses casos, também 
a linguagem é utilizada como 
forma de manter o canal 
aberto. Provocar a apresenta-
ção de exemplos vividos no 
cotidiano dos alunos.
b) Função referencial. Perce-
ber que os trechos narrativos 
têm a intenção de informar 
a situação em que os fatos 
acontecem, os personagens 
envolvidos e suas ações.
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2. Leia a tira do cartunista Angeli:
ANGELI. Folha de S. Paulo, 4 set. 2007, caderno Ilustrada.
An
ge
li
a) Qual é a função de linguagem predominante na fala do personagem? Justifi-
que.
b) Na construção da tira como um todo, que função da linguagem predo-
mina? Justifique.
3. Leia o primeiro capítulodo romance Dom Casmurro, de Machado de Assis:
Do Título
Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem 
da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cum-
primentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou 
recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem in-
teiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos 
três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse 
os versos no bolso.
– Continue, disse eu acordando.
– Já acabei, murmurou ele.
– São muito bonitos.
Vi-lhe fazer um gesto para tirá-los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; es-
tava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcu-
nhando-me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos 
e calados, deram curso à alcunha, que a� nal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei 
a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam-me assim, alguns em bi-
lhetes: “Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.” –”Vou para Petrópolis, Dom 
Casmurro; a casa é a mesma da Renania; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, 
e vai lá passar uns quinze dias comigo.” –”Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o 
dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-
-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.”
a) Função expressiva ou 
emotiva. Perceber que o 
personagem expressa seus 
sentimentos e suas opiniões. 
Ressaltar que, embora 
somente no � nal ocorra o uso 
de verbo da primeira pessoa, 
as expressões anteriores 
revelam o pensamento do 
personagem.
b) Função poética. Neste 
caso, realçar que os traços 
elaborados por Angeli 
procuram despertar o senso 
estético do destinatário, em 
especial, pela intenção humo-
rística da tira. Além disso, há 
a presença da função fática 
(a cor vermelha e o formato 
dos balões que chamam a 
atenção do destinatário).
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a) No início do capítulo, o narrador afirma “Uma noite destas, vindo da cida-
de para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui 
do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu”. Identifique e explique a 
função da linguagem que ocorre nesse trecho.
b) Depois que o apelido Dom Casmurro se espalha, o narrador diz “Nem por 
isso me zanguei”. Nesta afirmação, é possível identificar qual função da 
linguagem? Justifique sua resposta.
c) Quando o narrador, dirigindo-se ao rapaz que encontrara no trem, diz 
“– Continue”, que função da linguagem está presente? Explique sua res-
posta.
d) Neste capítulo, a função metalinguística está presente em dois momen-
tos. Identifique e explique cada um deles.
e) Em “[...] dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou 
moça.”, trecho de um dos bilhetes reproduzidos pelo narrador, que fun-
ção da linguagem ocorre? Justifique.
f ) Após ter analisado vários trechos do texto e ter identificado diferentes 
funções da linguagem, identifique qual é a função predominante neste 
capítulo. Explique sua resposta.
4. Traga para a sala peças de propaganda publicadas em revistas; tiras de qua-
drinho e charges publicadas em jornal; letras de música brasileira e poemas 
de autores brasileiros. Reúna-se em grupo e leiam todos os textos trazidos. 
Com esse material, elaborem um painel exemplificando as funções da lin-
guagem estudadas neste módulo. Afixem o painel na sala. Depois, leiam os 
painéis produzidos pelos outros grupos da sua sala.
Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas 
no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para 
atribuir-me fumos de � dalgo. Tudo por estar cochilando! Também não achei melhor 
título para a minha narração – se não tiver outro daqui até ao � m do livro, vai este mes-
mo. O meu poeta do trem � cará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno 
esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão 
isso dos seus autores; alguns nem tanto.
MACHADO DE ASSIS, J. M. Obras completas, v. 1. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
a) Função referencial. Este 
trecho concentra-se em passar 
informações ao leitor. Destacar 
que, embora sejam empre-
gados verbos e pronomes de 
primeira pessoa, o emissor não 
emite opiniões e tampouco 
fala de seus sentimentos.
b) Função expressiva. 
O emissor expressa o seu 
sentimento
c) Função conativa. 
Aqui o emissor tenta per-
suadir seu interlocutor a dar 
continuidade à leitura dos 
poemas. Neste caso, ressaltar 
que não se trata de uma or-
dem, mas sim de um pedido
d) Momento 1: a explicação 
do apelido. O emissor conta 
o episódio do trem para jus-
ti� car o apelido pelo qual é 
conhecido. Mais signi� cativo 
ainda é o fato de que a expli-
cação da palavra Casmurro
não corresponde àquela 
encontrada em dicionários. 
[Neste momento, o código 
verbal é empregado para 
explicar o próprio código]
Momento 2: a explicação do tí-
tulo do livro. Ou seja, narrador 
“fala” do próprio livro quando 
explica a razão de seu título. 
O mesmo ocorre quando se 
dirige ao leitor (Não consultes 
dicionários) em que se explici-
ta que o texto lido “pertence “ 
a um livro.
e) Função poética. O uso da 
anáfora quando repete a ex-
pressão “dou-lhe” e, ao � nal, a 
enumeração dos elementos 
oferecidos (camarote, chá e 
cama) em contraste com o 
que é negado (moça) provoca 
um efeito de estranhamento 
e de humor.
f ) Função metalinguística. 
Deixar claro que, desde o títu-
lo do capítulo, o narrador dei-
xa explícita com que intenção 
ele foi elaborado. O uso da 
expressão Do, já faz isso. 
Reforçar, com esta questão, 
a noção de que, embora haja 
várias funções da linguagem, 
o que caracteriza a elabora-
ção de uma mensagem é a 
sua intenção primordial e é 
esta intenção que permitirá 
identi� car a função de lingua-
gem predominante.
4. Orientações
Esta atividade pode ser plenamente realizada em sala de aula. Dessa forma, faz-se necessário veri� car os exemplos 
trazidos pelos alunos, acompanhando o processo de seleção e de produção do painel. Recomenda-se que sejam 
favorecidos os exemplos mais diversi� cados, pois � cará mais compreensível o uso das funções da linguagem e que, 
em um mesmo texto, podem ser encontradas várias funções e que, dentre elas, uma será predominante: aquela 
que revela a intenção primordial que conduziu a elaboração de um texto.
Durante a exposição, propiciar momentos para que os alunos possam explicar seus trabalhos, bem como tirem 
dúvidas quanto à aplicação dos conceitos estudados neste módulo.
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REFLEXÃO
Leia:
O compadre da morte
Diz que era uma vez um homem que tinha tantos filhos que não achava mais 
quem fosse seu compadre. Nascendo mais um filhinho, saiu para procurar quem 
o apadrinhasse e depois de muito andar encontrou a Morte, a quem convidou. A 
Morte aceitou e foi a madrinha da criança. Quando acabou o batizado, voltaram 
para casa e a madrinha disse ao compadre:
- Compadre! Quero fazer um presente ao meu afilhado e penso que é melhor 
enriquecer o pai. Você vai ser médico de hoje em diante e nunca errará no que 
disser. Quando for visitar um doente me verá sempre. Se eu estiver na cabeceira 
do enfermo, receite até água pura que ele ficará bom. Se eu estiver nos pés, não 
faça nada porque é um caso perdido.
O homem assim fez. Botou aviso que era médico e ficou rico do dia para a noite 
porque não errava. Olhava o doente e ia logo dizendo:
- Este escapa!
Ou então:
- Tratem do caixão dele!
Quem ele tratava, ficava bom. O homem nadava em dinheiro.
Vai um dia adoeceu o � lho do rei e este mandou buscar o médico, oferecendo 
uma riqueza pelavida do príncipe. O homem foi e viu a Morte sentada nos pés da 
cama. Como não queria perder a fama, resolveu enganar a comadre, e mandou 
que os criados virassem a cama, os pés passaram para a cabeceira e a cabeceira 
para os pés. A Morte, muito contrariada, foi-se embora, resmungando.
O médico estava em casa um dia quando apareceu sua comadre e o convidou 
para visitá-la.
3
O ASSUNTO É:
TEXTO 
NARRATIVO
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- Eu vou, disse o médico – se você jurar que voltarei!
- Prometo, disse a Morte.
Levou o homem num relâmpago até sua casa. 
Tratou-o muito bem e mostrou a casa toda. O médico viu um salão cheio de velas 
acesas, de todos os tamanhos, uma já se apagando, outras vivas, outras esmore-
cendo. Perguntou o que era: 
- É a vida do homem. Cada homem tem uma vela acesa. Quando a vela se acaba, 
o homem morre.
O médico foi perguntando pela vida dos amigos e conhecidos e vendo o estado das 
vidas. Até que lhe palpitou perguntar pela sua. A Morte mostrou um cotoquinho no 
� m.
- Virgem Maria! Essa é que é a minha? Então eu estou morre-não-morre!
A Morte disse:
- Está com horas de vida e por isso eu trouxe você para aqui como amigo, mas 
você me fez jurar que voltaria e eu vou levá-lo para você morrer em casa.
O médico quando deu acordo de si estava na sua cama rodeado pela família. 
Chamou a comadre e pediu: 
- Comadre, me faça o último favor. Deixe eu rezar um Padre-Nosso. Não me leves 
antes. Jura?
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- Juro - prometeu a Morte.
- O homem começou a rezar o Padre-Nosso que estás no céu... E calou-se. Vai a 
Morte e diz:
- Vamos, compadre, reze o resto da oração!
- Nem pense nisso, comadre! Você jurou que me dava tempo de rezar o Padre-
-Nosso mas eu não expliquei quanto tempo vai durar minha reza. Vai durar anos 
e anos...
A morte foi-se embora, zangada pela sabedoria do compadre. 
Anos e anos depois, o médico, velhinho e engelhado, ia passeando nas suas gran-
des propriedades quando reparou que os animais tinham furado a cerca e estra-
gado o jardim, cheio de � ores. O homem, bem contrariado, disse:
- Só queria morrer para não ver uma miséria destas!...
Não fechou a boca e a Morte bateu em cima, carregando-o. A gente pode enga-
nar a Morte duas vezes mas na terceira é enganado por ela.
CASCUDO, Luís da Câmara. Contos tradicionais do Brasil, 
11. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998, p. 341-342
1. Quem conta esta história?
2. O narrador participa da história? Justifique sua resposta.
3. Em que local essa história acontece? Justifique com elementos do texto e/ou 
também com suas impressões.
4. Quanto ao tempo, em que época você situaria esta história? Justifique com 
elementos do texto e/ou também com suas impressões.
5. O tempo da história segue uma cronologia linear? Justifique.
6. Quanto aos personagens da história:
a) Quais os personagens que participam dessa história?
b) Caracterize, fisicamente, esses personagens, com elementos do texto e/
ou com suas impressões.
c) Caracterize, psicologicamente, esses personagens, com elementos do 
texto e/ou com suas impressões.
7. Como você descreveria as vozes do compadre e da morte?
8. Elabore, com um mínimo de 4 linhas e um máximo de 6, uma síntese desta 
história. 
Observe que a síntese é a operação do pensamento mediante a qual se che-
ga a um resumo. Costuma-se dizer que ela é feita com as próprias palavras, 
enquanto no resumo procura-se preservar as palavras do texto de origem.
1. A história é contada por um 
narrador que conhece bem 
todos os detalhes.
2. O narrador não participa da 
história, é possível perceber que 
ele vê os acontecimentos do 
lado de fora. Isso � ca claro no 
início da narrativa: “Diz que era 
uma vez...”
3. O local onde a história se 
passa não é claramente de� nido 
e descrito, mas pode-se concluir 
que se trata de um reino, já que 
o narrador fala que o compadre 
foi procurado pelo rei quando o 
príncipe � cou doente.
4. Observando-se a linguagem, 
o modo de falar dos persona-
gens, percebe-se que se trata 
de uma época antiga, distante 
no tempo.
5. A cronologia da história é li-
near: começa com o nascimento 
do � lho e o convite para que a 
morte seja a madrinha; depois o 
compadre se tornando médico, 
enriquecendo e � cando famoso; 
o chamado do rei; mais tarde o 
compadre visita a casa da mor-
te, descobre que sua vida está 
no � m e engana a comadre para 
viver por mais tempo; e termina 
anos e anos mais tarde, com o 
compadre velhinho sendo, � nal-
mente, levado pela morte.
6. a) Os personagens que, ativa-
mente, participam da história 
são o Compadre e a Morte. Os 
demais atuam como secundá-
rios e interagem, em especial, 
com o Compadre
b) A rigor, o único traço descri-
tivo (ainda assim muito tênue) 
aparece no � nal da história (“o 
médico, velhinho e engelhado”). 
Nesse caso, explorar como cada 
aluno/a “cria” a imagem de cada 
personagem. Fundamental so-
licitar que sejam justi� cadas as 
descrições que serão apresen-
tadas (provavelmente, será pos-
sível constatar que, esses traços 
descritivos serão estabelecidos 
a partir da vivência de cada 
pessoa. Por exemplo, a � gura do 
Compadre pode ser associada 
a algum amigo ou parente; a 
Morte pode ser construída com 
base em personagens vistos em 
desenhos animados (ou HQ ou 
� lmes). Observar que essa falta 
de traços descritivos é comum 
em narrativas que tenham a 
� nalidade de ressaltar o enredo 
(a história) como algo exemplar. 
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Releia o texto à medida que for escrevendo para verificar se as ideias estão 
claras e sequenciais.
DA TEORIA À PRÁTICA
 No início deste módulo, você trabalhou com um texto que se denomina nar-
rativo. Sua característica principal é apresentar uma sucessão de acontecimentos 
envolvendo personagens. 
Trata-se de um tipo de texto muito comum ao cotidiano de todas as pessoas. 
Basta que alguém diga algo como “Você nem imagina o que aconteceu comigo!” 
ou “Sabe o que acabei de ver?” para se seguir uma história que poderá ser muito 
ou pouco interessante, conforme quem a está contando ou como está contando.
Assim, um texto narrativo pode ser desde um relato ou uma fofoca que se 
conta oralmente até um romance com mais de 300 páginas. Um poema como 
“Caso do Vestido”, de Carlos Drummond de Andrade, ou Os Lusíadas, de Luis 
de Camões, são exemplos de textos narrativos. Um filme, uma peça de teatro, 
uma telenovela, uma história em quadrinhos também são exemplos de textos 
narrativos elaborados com códigos verbais e não verbais (às vezes, um filme ou 
uma história em quadrinhos pode ser feita apenas com a utilização de código não 
verbal).
Independentemente de como é produzido ou veiculado, um texto narrativo 
terá que apresentar, obrigatoriamente, os seguintes elementos: enredo, persona-
gem, espaço, tempo e narrador.
1. Enredo
Trata-se da história propriamente dita. São os acontecimentos apresentados. 
Quando se está fruindo um texto narrativo, é o que impulsiona o interesse por 
ele, saber o que aconteceu (ou acontecerá) “depois” (E depois? E depois?). Há ti-
pos de narrativa em que essa “impulsão” é mais manifesta: histórias policiais, de 
terror, de suspense, aventuras, por exemplo. Observe com atenção o texto “Conto 
de mistério”, de Sérgio Porto.
Conto de mistério – Stanislaw Ponte Preta
Com a gola do paletó levantada e a aba do chapéu abaixada, caminhando pelos 
cantos escuros, era quase impossível a qualquer pessoa que cruzasse com ele 
ver seu rosto. No local combinado, parou e fez o sinal que tinham já estipulado à 
guisa de senha. Parou debaixo do poste, acendeu umcigarro e soltou a fumaça 
em três baforadas compassadas. Imediatamente um sujeito mal-encarado, que se 
encontrava no café em frente, ajeitou a gravata e cuspiu de banda.
Ou seja, pretende-se, por meio 
desta história, aconselhar um 
determinado comportamento. 
c) A principal característica 
do Compadre é a esperteza, 
já que enganou a morte duas 
vezes. Já a Morte é paciente, 
esperou o momento certo 
para driblar a esperteza do 
Compadre.
7. Sugere-se que, no momento 
de discutir esta questão, o/a 
aluno/a “mostre” como seriam 
as vozes desses personagens. 
Incentivar o contraste e as 
diversas justi� cativas, pois, 
à semelhança do que se 
orientou resposta à questão 
4 b), isso evidenciará que o 
conhecimento de mundo 
do/a aluno/a é elemento 
fundamental na construção de 
sentido para o texto. 
8. Para a elaboração da síntese, 
orientar os alunos para que 
leiam novamente o texto, sub-
linhando as palavras e frases 
que fazem mais sentido, que 
expressam ideias que tenham 
mais importância. Enfatizar 
que devem deixar de lado o 
óbvio e os detalhes.
Nesta atividade, o impor-
tante é fazer com que seja 
desenvolvida a capacidade de 
se expressar de forma sintética. 
Além de fazer um exercício 
que requer bom domínio 
linguístico e de síntese, o/a 
aluno/a terá a oportunidade 
de produzir uma story line (um 
roteiro sintetizado em poucas 
linhas). É a partir da story line 
que os roteiristas de cinema e 
de TV, muitas vezes, têm seus 
roteiros pré-avaliados.
Uma sugestão de resposta
Um homem, que se conside-
rava muito esperto, convida 
a Morte para ser madrinha 
de um de seus � lhos. Como 
presente, a Morte lhe dá a ca-
pacidade de curar as pessoas. 
Dessa forma, o Compadre 
torna-se rico e poderoso. Além 
disso, cria estratégias para 
escapar das garras da Morte. 
Consegue, por isso, permane-
cer vivo por um tempo maior 
que aquele que lhe havia sido 
destinado. Até que, um dia, o 
Compadre se distrai e a Morte 
o leva para sempre.
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Era aquele. Atravessou cautelosamente a rua, entrou no café e pediu um guaraná. 
O outro sorriu e se aproximou:
Siga-me! – foi a ordem dada com voz cava. Deu apenas um gole no guaraná e 
saiu. O outro entrou num beco úmido e mal-iluminado e ele – a uma distância de 
uns dez a doze passos – entrou também.
Ali parecia não haver ninguém. O silêncio era sepulcral. Mas o homem que ia na 
frente olhou em volta, certi� cou-se de que não havia ninguém de tocaia e bateu 
numa janela. Logo uma dobradiça gemeu e a porta abriu-se discretamente.
Entraram os dois e deram numa sala pequena e enfumaçada onde, no centro, 
via-se uma mesa cheia de pequenos pacotes. Por trás dela um sujeito de barba 
crescida, roupas humildes e ar de agricultor parecia ter medo do que ia fazer. Não 
hesitou – porém – quando o homem que entrara na frente apontou para o que 
entrara em seguida e disse: “É este”.
O que estava por trás da mesa pegou um dos pacotes e entregou ao que falara. Este 
passou o pacote para o outro e perguntou se trouxera o dinheiro. Um aceno de ca-
beça foi a resposta. En� ou a mão no bolso, tirou um bolo de notas e entregou ao 
parceiro. Depois virou-se para sair. O que entrara com ele disse que � caria ali.
Saiu então sozinho, caminhando rente às paredes do beco. Quando alcançou 
uma rua mais clara, assoviou para um táxi que passava e mandou tocar a toda 
pressa para determinado endereço. O motorista obedeceu e, meia hora depois, 
entrava em casa a berrar para a mulher:
– Julieta! Ó Julieta… consegui.
A mulher veio lá de dentro enxugando as mãos em um avental, a sorrir de felici-
dade. O marido colocou o pacote sobre a mesa, num ar triunfal. Ela abriu o pacote 
e veri� cou que o marido conseguira mesmo.
Ali estava: um quilo de feijão.
PRETA, Stanislaw Ponte. “Conto de mistério”. In: Rosamundo 
e os outros. SP: Círculo do livro S/A, 1983
Nesse conto, foi possível perceber a sequência de ações que levam a um des-
fecho surpreendente.
2. Personagem
Se há uma história, é porque há quem nela atua. São os personagens: que 
podem ser semelhantes aos seres humanos (o compadre, a mãe, o pai) ou seres 
que assumem características humanas (animais – como nas fábulas –; objetos – 
por exemplo, Machado de Assis escreveu o conto “Um apólogo”, em cujo enredo 
objetos de costura dialogam: agulha, linha e alfinete. Em animações ou histórias 
em quadrinhos, isso ocorre com frequência: o filme Sing 2 é protagonizado por 
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um coala e seus amigos, que agem como seres humanos, com o objetivo de alçar 
o sucesso musical.
De acordo com cada história e o objetivo que se deseja alcançar, a construção 
do personagem pode ser mais simples ou mais complexa.
• Personagens simples. Geralmente, a construção desse tipo de persona-
gem é feita de forma estereotipada (e, até mesmo, caricata). São persona-
gens que, de certo modo, agem de forma pouco ou nada surpreendente. 
São descritas de forma convencional e suas características psicológicas, 
superficiais. Por exemplo, nas histórias em quadrinhos mais comuns, há 
um esquema de personagens constituído pela oposição entre herói (su-
per-herói, muitas vezes) e vilão (ou vilões). Outra narrativa que, frequen-
temente, trabalha com personagens simples é a telenovela. No primeiro 
texto (“O compadre da Morte”), pode-se perceber que os personagens são 
simples: mais “ilustram“ a história do que a constroem, ou seja, interessa 
que, ao final do texto, o leitor aprenda algo ou se divirta em função do 
efeito que se pretende atingir com aquela história.
• Personagens complexos. São personagens que fogem a uma modelização. 
Suas ações são mais verossímeis, ou seja, convencem, pois se comportam 
como se estivessem em uma situação da vida real. Por isso são surpreen-
dentes já que podem revelar virtudes em algumas ocasiões e, em outras, 
mostrar seus defeitos. Dessa forma, os aspectos psicológicos serão muito 
mais acentuados, os personagens terão uma dimensão mais densa e a for-
ça dramática do enredo será maior. Exemplos de personagens complexos: 
Capitu, do romance “Dom Casmurro”, de Machado de Assis e Ulisses, da 
epopeia grega “A Odisseia”, de Homero. 
Os personagens podem ser classificados, ainda, conforme o grau de partici-
pação no enredo. Os mais destacados recebem a denominação de personagens 
principais: é nesse tipo de personagem que a história procura se concentrar. Já, 
em segundo plano, há os personagens secundários que, embora recebam esse 
nome, servem de apoio ou de contraste para os principais. Além desses persona-
gens, outros com menor destaque poderão participar de um enredo para aumen-
tar o efeito de realidade (verossimilhança) necessário a uma história.
Pensando na função de cada personagem, há outra divisão: o protagonista
– personagem que desempenha as ações mais significativas em uma história. É o 
que está em primeiro plano. Muitas vezes, é o herói de uma trama – sobre quem 
são depositadas todas as expectativas de solução dos conflitos presentes em um 
enredo. Outra atuação relevante em uma trama é a do antagonista: aquele que se 
opõe ao protagonista, criando-lhe dificuldades, tentando derrotá-lo ou prejudi-
cá-lo em suas ações.
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3. Espaço
Diz respeito ao ambiente, ao cenário em que as ações se desenrolam. Há enre-
dos em que o espaço é tão somente um cenário onde ocorrem os fatos: há pouca 
descrição, poucos detalhes. Em outros, no entanto, o espaço é relevante para definir 
o comportamento dos personagens ou a construção do próprio enredo. Em O corti-
ço, de Aluísio Azevedo, afirma-seque esse espaço (cortiço) é tão significativo que é 
possível considerá-lo como um personagem. No filme, Um estranho no ninho, cuja 
trama se desenrola em um sanatório, o personagem McMurphy, interpretado pelo 
ator Jack Nicholson, terá sua vida alterada em função desse ambiente e dos demais 
personagens que vivem ou trabalham nesse sanatório.
Ainda, para fins de classificação, as ações podem acontecer em espaços 
• Interiores (um apartamento) – por exemplo, o filme Eu sei que vou te 
amar, de Arnaldo Jabor. Outro bom exemplo, neste caso, é o conto “O 
menino”, de Lygia Fagundes Telles).
• Exteriores (uma rua, um jardim, um sítio) - por exemplo, o conto “Tarde 
de sábado, manhã de domingo”, de José J. Veiga.
• Urbanos (uma cidade). Os romances Lucíola, de José de Alencar, e Me-
mórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, são exemplos de 
histórias em ambiente urbano do século XIX. As histórias do Homem-A-
ranha ou do Batman são exemplos de ações em cenários urbanos.
• Rurais (uma fazenda). O conto “Famigerado” ou o romance Grande Ser-
tão: Veredas, ambos de Guimarães Rosa; nos quadrinhos, as historinhas 
do Chico Bento, personagem criado por Maurício de Sousa.
• Contemporâneos (escolha de cenários e de um tempo quase simultâneo 
à produção e à veiculação da história) por exemplo, o filme Central do 
Brasil, protagonizado por Fernanda Montenegro, que conta a emocionan-
te história da professora Dora que escreve cartas para analfabetos na Es-
tação Central do Brasil, no Rio de Janeiro.
• Históricos (época antiga ou atual). O romance A muralha, de Dinah Sil-
veira Queiroz, escrito e publicado em 1954, cuja trama mostrava a cidade 
de São Paulo no século XVII. Na televisão, Maria Adelaide Amaral adap-
tou esse romance histórico na minissérie A muralha, exibida pela Globo, 
no ano 2000.
• Concretos (um ônibus ou trem, por exemplo). A história do conto “Apó-
logo brasileiro sem véu de alegoria”, de Antonio Alcântara Machado pas-
sa-se quase toda num trem lotado.
• Imaginários (lugares fantásticos). Um bom exemplo é a longa sequência 
de Guerra nas estrelas, criada por George Lucas, cuja trama ocorre em um 
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futuro distante. No romance brasileiro, Ignácio de Loyola Brandão, em 
Não verás país nenhum, imagina um futuro nada agradável para o Brasil.
Há também exemplos mais fantásticos, como os apresentados por Lewis 
Carroll, em Alice no país das maravilhas.
• Deve-se ressaltar que, em uma mesma narrativa, diferentes tipos de es-
paço podem estar presentes simultaneamente: no romance A muralha, 
há o espaço histórico – ambiente do século XVII; concreto – os lugares 
são apresentados conforme se apresentavam naquela época; alternam-se 
ambientes urbanos (a cidade de São Paulo) e rurais (nos embates entre 
bandeirantes e índios), assim como ambientes internos e externos.
4. Tempo
Corresponde ao quando das ocorrências de fatos em um enredo. Há duas 
formas de o tempo estar registrado em uma narrativa:
• Cronológico: é o tempo objetivo. Pode ser marcado pelo relógio, pelo ca-
lendário ou pelo ritmo natural – noite, dia; primavera, outono. No texto “O 
compadre da Morte”, coletado por Câmara Cascudo, o tempo é cronológico e 
seu fluxo é linear (começa no momento em que o homem procura uma ma-
drinha para seu filho e se encerra com a morte desse mesmo homem agora já 
velho). Há narrativas, contudo, que podem apresentar tempo cronológico em 
um fluxo não-linear (canto III, de Os Lusíadas, de Camões, quando se conta 
a história de Inês de Castro, assassinada em 1355, ocorre uma interrupção na 
linearidade – a viagem de Vasco da Gama, em 1498). 
• Psicológico: é o tempo subjetivo. Ocorre internamente em um persona-
gem e é marcado por seus sentimentos, suas emoções, pelas sensações. 
Não é possível medi-lo matematicamente, somente é possível perceber 
sua intensidade. Exemplos relevantes desse tipo de tempo podem ser en-
contrados em muitos textos de Clarice Lispector, tais como os romances 
A paixão segundo G. H. e Água Viva.
Um exemplo de construção de texto em que os tempos ocorrem de forma 
cruzada pode ser visto na peça Vestido de noiva, de Nélson Rodrigues, escrita em 
1943 e que teve sua primeira montagem nesse mesmo ano. Há o tempo crono-
lógico linear que corresponde ao atropelamento da personagem Alaíde e todas 
as ações que decorrem a partir desse fato. No hospital, enquanto os médicos lhe 
prestam socorro, vão sendo apresentadas cenas que ora revelam o delírio (tempo 
psicológico) de Alaíde, ora mostram suas lembranças (tempo cronológico não-
-linear). Quando de sua exibição no teatro, o espectador vê o palco dividido em 
três planos diferentes (realidade, alucinação e memória).
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5. Narrador
É quem apresenta o enredo. É o narrador que define o ponto de vista pelo 
qual o receptor tomará contato com a história. A rigor, há duas formas para se 
contar uma história: em terceira ou em primeira pessoa. Porém, dentro desses 
dois tipos, há distinções significativas.
Narrador em terceira pessoa: onisciente
Onisciente – é do tipo “sabe-tudo”. Trata-se de um narrador que tem total 
domínio da situação e escolhe o quê e como apresentará a história. Às vezes, pode 
ser mais intruso, opina, dialoga com o receptor. Outras vezes, fica mais à distân-
cia, parecendo apenas registrar as cenas e transmitindo-as ao receptor. 
Observe como no trecho do capítulo XXV, do romance O crime do padre 
Amaro, de Eça de Queiroz, o narrador apresenta com detalhes as reações das 
pessoas, os seus movimentos, o que dizem (ou pensam). Ou seja, esse narrador 
“sabe tudo” e seleciona os detalhes que deseja mostrar ao leitor.
Nos � ns de maio de 1871 havia grande alvoroço na Casa Havanesa, ao Chiado, em 
Lisboa. Pessoas esbaforidas chegavam, rompiam pelos grupos que atulhavam a 
porta, e alçando-se em bicos de pés esticavam o pescoço, por entre a massa dos 
chapéus, para a grade do balcão, onde numa tabuleta suspensa se colavam os 
telegramas da Agência Havas; sujeitos de faces espantadas saíam consternados, 
exclamando logo para algum amigo mais pacato que os esperava fora:
– Tudo perdido! Tudo a arder!
Dentro, na multidão de grulhas que se apertava contra o balcão, questionava-se 
forte; e pelo passeio, no Largo do Loreto, defronte ao pé do estanco, pelo Chiado 
até ao Magalhães, era, por aquele dia já quente do começo de verão, toda uma 
gralhada de vozes impressionadas, onde as palavras – Comunistas! Versailles! Pe-
troleiros! Thiers! Crime! Internaciona! – voltavam a cada momento, lançadas com 
furor, entre o ruído das tipoias e os pregões dos garotos gritando suplementos.
Com efeito, a cada hora, chegavam telegramas anunciando os episódios sucessi-
vos da insurreição batalhando nas ruas de Paris: telegramas despedidos de Versail-
les num terror dizendo os palácios que ardiam, as ruas que se aluíam; fuzilamentos 
em massa nos pátios dos quartéis e entre os mausoléus dos cemitérios; a vingan-
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ça que ia saciar-se até à escuridão dos esgotos; a fatal demência que desvairava as 
fardas e as blusas; e a resistência que tinha o furor de uma agonia com os métodos 
de uma ciência, e fazia saltar uma velha sociedade pelo petróleo, pela dinamite e 
pela nitroglicerina! Uma convulsão, um � m do mundo – que vinte, trinta palavras 
de repente mostravam, num relance, a um clarão de fogueira. 
O Chiado lamentava com indignação aquela ruína de Paris. Recordavam-se com 
exclamações os edifícios ardidos, o Hôtel de Ville, “tão bonito”, a Rue Royale, “aquela 
riqueza”. Havia indivíduostão furiosos com o incêndio das Tulherias como se fosse 
uma propriedade sua; os que tinham estado em Paris um ou dois meses abriam-
-se em invectivas, arrogando-se uma participação de parisienses na riqueza da 
cidade, escandalizados por a insurreição não ter respeitado os monumentos em 
que eles tinham posto os seus olhos. 
– Vejam vocês! – exclamava um sujeito gordo. – O palácio da Legião de Honra destruído! 
Ainda não há um mês que eu lá estive com minha mulher... Que infâmia! Que patifaria! 
Mas espalhara-se que o ministério recebera outro telegrama mais desolador: toda 
a linha do boulevard da Bastilha à Madalena ardia, e ainda a Praça da Concórdia, 
e as avenidas dos Campos Elísios até ao Arco do Triunfo. E assim tinha a revolta 
arrasado, numa demência, todo aquele sistema de restaurantes, cafés-concerto, 
bailes públicos, casas de jogo e ninhos de prostitutas! Então houve por todo o 
Largo do Loreto até ao Magalhães um estremecimento de furor. Tinham pois as 
chamas aniquilado aquela centralização tão cômoda da patuscada! Oh! que in-
fâmia! O mundo acabava! [...] Que abominação! Esqueciam-se as bibliotecas e os 
museus: mas a saudade era sincera pela destruição dos cafés e pelo incêndio dos 
lupanares. Era o � m de Paris, era o � m da França!
QUEIROZ, Eça de. O crime do padre Amaro. Rio de Janeiro: Ediouro, 
s/d.p.385-386. Coleção Clássicos Portugueses. (Fragmento)
O foco narrativo em terceira pessoa é empregado não somente em obras lite-
rárias, como também em filmes, seriados, telenovelas e em histórias em quadri-
nhos. Aliás, nestes dois tipos de narração, é utilizado com muita frequência. Em 
um filme, preste atenção e verifique como a câmera, captando as imagens que 
lhes são mostradas, desempenha esse papel de narrador (claro que seguindo as 
determinações do roteiro bem como as do diretor).
Na sequência abaixo, retirada do filme Viagem à Lua, dirigido por Georges 
Méliès, é possível notar que as imagens vistas pelo espectador foram captadas 
pela câmera e selecionadas pelo olhar do narrador.
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Considerado o primeiro filme de ficção científica, a obra Viagem à Lua foi lançado 
na França, no ano de 1902. A produção francesa foi inspirada em dois romances 
populares de sua época: Da Terra à Lua, de Julio Verne, e Os Primeiros Homens 
na Lua, de H. G. Wells. O filme teve roteiro e direção de Georges Méliès, com 
assistência de seu irmão Gaston Méliès.
O filme foi sucesso de público em sua época e foi, provavelmente, além de ser o 
primeiro filme de ficção científica, o pioneiro sobre seres alienígenas. Uma de suas 
famosas cenas é a imagem de um foguete no olho do rosto na Lua.
Nas histórias em quadrinhos, esse tipo de narrador apresenta-se: em textos 
verbais, colocados, geralmente, na parte superior. Uma outra manifestação do 
narrador que aparece mais frequentemente é semelhante à da câmera cinemato-
gráfica: o quadrinho mostra o enquadramento da cena, sugere o deslocamento 
dos personagens. Já, nos balõezinhos, registram-se os diálogos e, em algumas 
vezes, o pensamento ou a memória do personagem.
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Veja, na imagem abaixo, um exemplo de narrador de terceira pessoa onis-
ciente, em uma história em quadrinhos.
In: https://plenarinho.leg.br/index.php/2018/01/turma-do-plenarinho-
jovem/. Página 2. Consulta realizada no dia 27 de abril de 2022.
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Narrador em terceira pessoa – fixado em um personagem
Este é o tipo de narrador que restringe sua onisciência a um personagem, 
fixando-se a ele e sabendo tudo dele e sobre ele. Nesse tipo de narração, o recep-
tor toma conhecimento somente do que diz respeito àquele personagem e ao que 
ocorre nos ambientes em que ele está presente.
No conto “O menino”, de Lygia Fagundes Telles, é esse o tipo narrador. Ob-
serve, no trecho transcrito a seguir, que o leitor tem uma visão da história, exclu-
sivamente, a partir do foco concentrado no menino.
O menino
Sentou-se num tamborete, � ncou os cotovelos nos joelhos, apoiou o queixo nas 
mãos e � cou olhando para a mãe. Agora ela escovava os cabelos muito louros e 
curtos, puxando-os pra trás. E os anéis se estendiam molemente para em segui-
da voltarem à posição anterior, formando uma coroa de caracóis sobre a testa. 
Deixou a escova, apanhou um frasco de perfume, molhou as pontas dos dedos, 
passou-os nos lóbulos das orelhas, no vértice do decote e em seguida umedeceu 
um lencinho de rendas. Através do espelho, olhou para o menino. Sorriu. Ele sorriu 
também, era linda, linda, linda! Em todo o bairro não havia uma moça linda assim.
 – Quantos anos você tem, mamãe?
– Ah, que pergunta! ... Acho que trinta ou trinta e um, por aí, meu amor, por aí... 
Quer se perfumar também?
– Homem não bota perfume.
– Homem, homem,,, – Ela inclinou-se para beijá-lo. – Você é um nenenzinho, ou-
viu bem? É o meu nenenzinho.
O menino afundou a cabeça no colo perfumado. Quando não havia ninguém 
olhando, achava maravilhoso ser afagado como uma criancinha. Mas era preciso 
mesmo que não houvesse ninguém por perto.
– Agora vamos, a sessão começa às oito – avisou ela, retocando apressadamente 
os lábios.
O menino deu um grito, montou no corrimão da escada e foi esperá-la embaixo. Da 
porta, ouviu-a dizer à empregada que avisasse ao doutor que tinham ido ao cinema.
TELLES, Lygia Fagundes. O menino. In MONTEIRO, Leonardo (et al.). Lygia Fagundes Telles. 
São Paulo: Abril Educação, 1980, p. 63 Coleção Literatura Comentada. (Fragmento)
Em narrativas televisivas ou cinematográficas, esse tipo de narrador também 
pode ser utilizado, mas, raramente, em toda a narração O uso desse tipo de nar-
ração denomina-se câmera subjetiva, exatamente porque o espectador vê a cena 
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com os olhos do personagem. Observe, geralmente em momentos de suspense, 
de mistério, de filmes ou telenovelas, que há cenas “mostradas” como se a câmera 
estivesse presa nos olhos de um personagem.
Narrador em primeira pessoa – personagem principal
Este é o tipo de narrador mais comum no cotidiano das pessoas: cada vez que 
alguém conta um fato que vivenciou, está utilizando a narração em primeira pessoa. 
Neste caso, o receptor recebe a história por meio do olhar, dos pensamentos, dos sen-
timentos, das opiniões do personagem central. A escolha por esse tipo de narrador 
faz com que as ações do protagonista fiquem mais próximas, podem até parecer mais 
verossímeis, porém limitadas à linguagem, à visão e à compreensão dele.
Um exemplo de personagem principal narrando sua própria história aparece 
no texto “No retiro da figueira”, de Moacyr Scliar. Observe alguns trechos.
No retiro da Figueira
Sempre achei que era bom demais. O lugar, principalmente. O lugar era... era ma-
ravilhoso. Bem como dizia o prospecto: maravilhoso. Arborizado, tranquilo, um dos 
últimos locais – dizia o anúncio – onde você pode ouvir um bem-te-vi cantar. Verda-
de: na primeira vez que fomos lá ouvimos o bem-te-vi. E também constatamos que 
as casas eram sólidas e bonitas, exatamente como o prospecto as descrevia: estilo 
moderno, sólidas e bonitas. Vimos os gramados, os parques, os pôneis, o pequeno 
lago. Vimos o campo de aviação. Vimos a majestosa � gueira que dava nome ao con-
domínio: Retiro da Figueira. [...]
Não fomos os primeiros a comprar casano Retiro da Figueira. Pelo contrário; entre 
nossa primeira visita e a segunda – uma semana após – a maior parte das trinta 
residências já tinha sido vendida. O chefe dos guardas me apresentou a alguns dos 
compradores. Gostei deles: gente como eu, diretores de empresa, pro� ssionais libe-
rais, dois fazendeiros. Todos tinham vindo pelo prospecto. E quase todos tinham se 
decidido pelo lugar por causa da segurança.
Naquela semana descobri que o prospecto tinha sido enviado apenas a uma quan-
tidade limitada de pessoas. Na minha � rma, por exemplo, só eu o tinha recebido. 
Minha mulher atribuiu o fato a uma seleção cuidadosa de futuros moradores – e 
viu nisso mais um motivo de satisfação. Quanto a mim, estava achando tudo muito 
bom. Bom demais. [...]
Moacyr Scliar. Os melhores contos de Moacyr Scliar. São Paulo, Global, 2000. (Fragmentos)
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Exemplo interessante fora da literatura é o do videogame. Quase sempre, o jo-
gador assume um personagem e joga como ele: decide as ações que deve tomar e os 
caminhos a seguir. Nesses jogos, então, deve-se entender que a história é construí-
da em tempo real (a hora em que se está jogando) por meio da interação entre o 
jogador (personagem principal – que manipula os controles) e o “jogo” (software). 
Tudo isso propiciado por um instrumento eletrônico (videogame ou computador).
Narrador em primeira pessoa – personagem secundário 
A narrativa que apresenta um personagem secundário como narrador, além 
de possuir grande subjetividade, semelhante àquela encontrada quando persona-
gem central narra, limitará ainda mais a visão da história. O receptor saberá das 
ações somente nos momentos em que o personagem secundário estiver presente 
nelas ou quando algum outro personagem lhe contar algo.
Exemplo desse tipo de narrador pode ser visto nas histórias policiais criadas 
por Arthur Conan Doyle que têm o detetive Sherlock Holmes como protagonis-
ta. Nesses enredos, a narração fica a cargo do Dr. Watson (assistente de Sherlock). 
Veja abaixo dois pequenos trechos do “O cão dos Baskerville” e observe a narra-
ção do personagem Watson. 
Trecho 1
“MR. SHERLOCK HOLMES, que costumava se levantar muito tarde de manhã, exceto na-
quelas não raras ocasiões em que passava a noite em claro, estava sentado à mesa do 
desjejum. Postei-me no tapetinho junto à lareira e peguei a bengala que nosso visitante 
esquecera ali na noite anterior. Era uma bela e grossa peça de madeira, de castão bul-
boso, do tipo conhecido como Penang lawyer. Logo abaixo do castão havia uma larga 
faixa de prata, de cerca de dois centímetros e meio. Nela estava gravado: “Para James 
Mortimer, M.R.C.S., de seus amigos do C.C.H.”, com a data “1884”. Era exatamente o tipo de 
bengala que um médico de família antiquado usaria — digna, sólida e tranquilizadora.” 
Trecho 2
“A aparência do nosso visitante foi uma surpresa para mim, já que esperava um típico 
médico rural. Era um homem bem alto e magro; um nariz comprido e adunco projeta-
va-se entre dois penetrantes olhos cinza, muito juntos, que brilhavam detrás de um par 
de óculos com aro de ouro. Vestia-se de maneira pro� ssional, mas um tanto desmaze-
lada, pois sua sobrecasaca estava encardida e as calças, puídas. Embora jovem, tinha as 
longas costas encurvadas e caminhava espichando a cabeça para a frente, com um ar 
geral de perscrutadora benevolência. Quando entrou, deu com os olhos na bengala na 
mão de Holmes e correu para ela com uma exclamação de alegria.”
DOYLE, Arthur Conan. O cão dos Bakersville. Tradução de Maria Luiza X. 
de A. Borges. Rio de Janeiro. Editora Zahar. 2013, (Fragmentos)
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APLICAÇÃO
1. Apresentam-se, abaixo, alguns resumos de narrativas famosas. 
Tente identificar a que obra cada um deles se refere e a sua auto-
ria. Observação: pode ser livro, filme, história em quadrinhos etc.
a) Dois jovens se apaixonam, porém suas famílias, que não mantêm rela-
ções amistosas, vivem em litígio constante. Com a ajuda de um religioso, 
eles conseguem se aproximar. Porém, a história terá um final trágico.
b) Um cientista é contaminado por substância radioativa quando tenta 
salvar um jovem que se encontrava na área em que se realizava uma 
experiência científica. Posteriormente, como consequência dessa conta-
minação, todas as vezes em que ele fica irritado ou estressado, seu corpo 
se agiganta e fica verde.
c) Poderoso governante descobre a traição de sua mulher. Inconformado, 
ele a condena à morte. Depois, pede a um auxiliar que encontre uma 
mulher para desposar. Entretanto, após a primeira noite de núpcias, ele 
manda matar a sua esposa. Segue-se um ritual em que, sucessivamente, 
novas esposas são encontradas e mortas. Até que uma jovem desen-
volve uma estratégia, conseguindo fazer com que o governante não a 
mate. Por mais mil noites, ela repete a mesma e bem-sucedida estraté-
gia. Finalmente, governante se convence de que pode voltar a confiar 
nas mulheres.
d) Um rapaz, ainda no Ensino Médio, conhece garota mais velha, que cursa 
Medicina. Eles têm hábitos e gostos bem diferentes, mas, apesar disso, 
apaixonam-se, casam-se, vão morar na capital do país e têm um filho.
e) Agente secreto deixa o MI6 e se muda para a Jamaica, mas um antigo 
amigo aparece e pede sua ajuda para encontrar um cientista desapa-
recido. Assim, ele mergulha e percebe que a busca é, na verdade, uma 
corrida para salvar o mundo.
2. Escolha um desses resumos e elabore um pequeno texto narrativo. Mesmo 
que você conheça a história original, procure desenvolver o enredo de forma 
diferente e inusitada.
3. Na página 28, do livro O roteirista profissional – televisão e cinema (Editora Áti-
ca, 1989), Marcos Rey propõe um exercício para a construção de um perso-
nagem. É com base nele que você irá realizar esta atividade.
Primeiro, reúna-se em grupo, que vai definir um personagem que será o 
protagonista de uma história.
1. Nestas questões, fazer com 
que o/a aluno/a compreenda 
que as narrativas podem 
ser realizadas em diferentes 
formatos e com a utilização de 
diferentes tipos de linguagem.
a) Obra: Romeu e Julieta – 
Autoria: William Shakespeare 
[Neste caso, observar que, 
além de peça teatral, Romeu 
e Julieta foi adaptada muitas 
vezes para o cinema
b) Obra: O incrível Hulk – Auto-
ria: Stan Lee [Destacar que Stan 
Lee é o roteirista e não o dese-
nhista. Característica comum 
nas histórias em quadrinhos é 
um mesmo personagem ser 
representado com sensíveis di-
ferenças, porque nem sempre 
é o mesmo ilustrador quem 
desenha o personagem. Fato 
semelhante (e mais facilmente 
observável) ao que ocorre nas 
representações teatrais, de TV 
ou de cinema quando diferen-
tes atores/atrizes representam 
o mesmo personagem
c) Obra: As mil e uma noites 
– Autoria: Vários autores (Trata- 
se, a rigor, de uma grande 
compilação de narrativas orais 
tradicionais, do mundo árabe. 
Entende-se que é a história 
de Sherazade que amarra as di-
versas histórias que compõem 
As mil e uma noites)
d) Obra: Eduardo e Mônica – 
Autoria: Renato Russo (Legião 
Urbana) [Trata-se de uma letra 
de música de muito sucesso 
nos 1990. Provocar para que 
sejam lembradas outras letras].
e) Obra: 077 sem tempo para 
morrer, protagonizado por 
Daniel Crieg, lançado em 30 de 
setembro de 2021, sob a dire-
çao de Carry Joji Fukunaga. 
Sugerir que este � lme seja 
visto e discutido em sala) Ob-
servação: Após a apresentação 
e a discussão destas respostas, 
sugere-se que o/a aluno/a seja 
incentivado/ a a apresentar 
narrativas elaboradas em 
formatos diferentes (TV, foto-
novela, blogs narrativos etc.).
2. Ressaltar que, mais do que simplesmente desenvolver a história, espera-se que a criatividade seja um dos pontosaltos 
desta atividade (tanto em relação às soluções de enredo quanto à estrutura e à linguagem da narrativa). 
Utilizar essas produções para trabalhar os conteúdos estudados neste fascículo, de modo a fazer com que � quem com-
preensíveis os elementos que estruturam uma narrativa.
Sugestão: solicitar que a sala selecione as produções mais expressivas que, após uma boa revisão, podem compor um 
pequeno livro (ou um blog), com ilustrações elaboradas pelos/as alunos/as da sala.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 53LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 53 25/08/2022 15:26:0825/08/2022 15:26:08
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a) Ele (ou ela) tem nome? Qual?
b) Quantos anos tem?
c) Quais são suas características físicas?
Agora, definido o personagem, submeta-o a uma entrevista, seguindo o ro-
teiro reproduzido abaixo.
a) Onde você nasceu? Descreva alguns detalhes desse lugar.
b) A história acontece nesse local em que você nasceu? Ou você está de 
passagem por esta cidade?
c) Qual é a sua profissão? Gosta dela?
d) Você concluiu algum curso? Qual é a sua escolaridade?
e) Você segue alguma religião? Qual?
f ) Você é uma pessoa agitada ou calma? Qual é seu temperamento? Sem-
pre se comporta do mesmo modo?
g) Fale um pouco sobre sua família. Como você se relaciona com ela?
h) Fale sobre sua infância. Há algum fato marcante?
i) E como foi sua juventude? Há algo marcante nesse período de sua vida?
j) Já viveu um grande amor? Marcou sua vida?
k) Tem algum ideal político? Qual? Participa de algum grupo político? Qual?
l) O que pretende da vida:
a curto prazo: 
a médio prazo
a longo prazo: 
m) Tem muitos amigos ou é pessoa solitária?
n) Gosta de se vestir bem ou é pessoa desleixada?
o) Do que você mais gosta?
p) E o que odeia?
q) Você tem algum (ou alguns) vício(s)?
r) Você pratica esportes? Quais?
s) Como anda sua vida financeira?
t) Por fim, faça uma confissão. Conte algo que você não contaria a nin-
guém. Aqui você pode se abrir.
Agora os grupos irão trocar as entrevistas. Com base na entrevista que seu 
grupo recebeu, desenvolvam uma história em que as características do per-
sonagem serão utilizadas para dar vida ao enredo.
3 e 4. Embora a atividade seja 
longa, espera-se que seja total-
mente desenvolvida em uma 
única etapa, pois, dessa forma, 
o trabalho não � cará disperso. 
Orientar para que as respostas 
sejam breves e rápidas (o ideal 
é que sejam espontâneas). O 
grupo pode de� nir um relator 
– que � cará responsável pelo 
registro das respostas – e um 
ilustrador – que, a partir de 
algumas respostas, poderá es-
boçar traços do personagem, 
� gurinos, cenários etc.
Após as apresentações das res-
postas, promover uma discus-
são para que sejam avaliadas 
as di� culdades encontradas, 
por que elas ocorreram e como 
poderão ser superadas em 
outras oportunidades.
Como se trata de uma ativi-
dade em grupo, acompanhar 
a produção de forma a que 
todos dela participem ativa-
mente, de modo a valorizar a 
colaboração entre os partici-
pantes do grupo. Sugere-se 
que cada grupo apresente sua 
produção de forma original 
(por exemplo, ilustrada por 
meio de colagens; além de 
escrita que tenha uma versão 
em áudio).
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 54LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 54 25/08/2022 15:26:0825/08/2022 15:26:08
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4. Responda às questões a seguir aplicando os conceitos estudados.
a) Que tipo de narrador foi utilizado na história criada por seu grupo?
b) Caracterize os elementos espaciais presentes nela.
c) Caracterize o tempo na narrativa criada por vocês.
d) Classifique o(s) personagem(ns) presente(s) nessa história.
PRODUÇÃO DE TEXTO
Orientações gerais
Você tem abaixo várias atividades. Escolha e desenvolva uma delas. Verifique que, 
para algumas delas, é recomendável ser trabalhada individualmente. Outras são 
mais indicadas para pequenos grupos. E, por fim, aquelas que serão mais bem 
elaboradas por grupos maiores. O melhor é que você escolha fazer algo de que 
goste e que, por isso, poderá realizá-la com maior qualidade.
1. Escolha um texto narrativo (pode ser conto, poema narrativo, filme etc.) e 
reescreva-o de diferentes formas (alterando o foco narrativo; mudando final; 
alterando o tempo – por exemplo, fazer a ação acontecer no século XXII). Ao 
final, edite seu trabalho no formato de um pequeno livro.
2. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de história 
em quadrinhos.
3. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de radio-
teatro.
4. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de filme 
de pequena duração (de 1 a 5 minutos).
5. Selecione um dos textos deste módulo e adapte-o para o formato de peque-
na peça de teatro (com duração máxima de 10 minutos).
Sobre o trabalho de produção 
de textos: Por se tratar de 
uma atividade de elaboração 
detalhada e demorada, reco-
menda-se que comece a ser 
preparada com antecedência. 
Conversar com cada aluno/a 
para veri� car sua potenciali-
dade e interesse para, desse 
modo, auxiliá-lo/a a escolher 
a proposta mais adequada e, 
assim, desenvolvê-la com mais 
facilidade e maior qualidade.
A intenção é provocar re� e-
xões e ações que levem o/a 
aluno/a a produzir narrativas 
em diferentes formatos e a ex-
plorar recursos de linguagem 
de maneira criativa e e� ciente. 
Estimular o/a aluno/a a encarar 
esta proposta de forma ousada 
– em que o como fazer deve 
ter prioridade sobre o que 
contar. Ou seja, evidenciar que, 
neste momento, a função poé-
tica deve predominar sobre as 
demais.
Sugestão: promover uma se-
mana de exposição dos traba-
lhos realizados para que sejam 
apreciados e avaliados por 
alunos/alunas de outras salas 
e de outras séries, bem como 
professores/as e funcionários/
as da Unidade de Ensino. Essa 
exposição pode adquirir maior 
amplitude, estendendo o 
convite a familiares e amigos/
as dos/das alunos/as.
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REFLEXÃO
Leia o texto e responda às questões.
Sobre o amor, etc.
Dizem que o mundo está cada dia menor.
É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos 
sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais.
Na verdade há amigos espalhados pelo mundo. Antigamente era fácil pensar que a vida 
era algo de muito móvel, e oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos contentes 
achando que um belo dia estaríamos todos reunidos em volta de uma farta mesa e 
nos abraçaríamos e muitos se poriam a cantar e a beber e então tudo seria bom. Agora 
começamos a aprender o que há de irremissível nas separações. Agora sabemos que 
jamais voltaremos a estar juntos; pois quando estivermos juntos perceberemos que já 
somos outros e estamos separados pelo tempo perdido na distância. Cada um de nós 
terá incorporado a si mesmo o tempo na ausência. Poderemos falar, falar, para nos cor-
respondermos por cima dessa muralha dupla; mas não estaremos juntos; seremos duas 
outras pessoas, talvez por este motivo, melancólicas; talvez nem isso.
Chamem de louco e tolo ao apaixonado que sente ciúmes quando ouve sua ama-
da dizer que na véspera de tarde o céu estava uma coisa lindíssima, com mil pe-
quenas nuvens de leve púrpura sobre um azul de sonho. Se ela diz “nunca vi um 
céu tão bonito assim” estará dando, certamente, sua impressão de momento; há 
centenas de céus extraordinários e esquecemos da maneira mais torpe os mais 
fantásticos crepúsculos que nos emocionaram. Ele porém, na véspera, estava den-
tro de uma sala qualquer e não viu céu nenhum. Se acaso tivesse chegado à janela 
e visto, agora seria feliz em saber que em outro ponto da cidade ela também vira. 
Mas isso não aconteceu, e ele tem ciúmes. Cita outros crepúsculos e mal esconde 
sua mágoa daquele. Sente que sua amada foi infiel;ela incorporou a si mesma 
alguma coisa nova que ele não viveu. Será um louco apenas na medida em que 
o amor é loucura.
4
O ASSUNTO É:
CRÔNICA
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Mas terá toda razão, essa feroz razão furiosamente lógica do amor. Nossa amada 
deve estar conosco solidária perante a nuvem. Por isso indagamos com tão minu-
cioso fervor sobre a semana de ausência. Sabemos que aqueles 7 dias de distância 
são 7 inimigos: queremos analisá-los até o fundo, para destruí-los.
Não nego razão aos que dizem que cada um deve respirar um pouco, e fazer sua 
pequena fuga, ainda que seja apenas ler um romance diferente ou ver um filme 
que o outro amado não verá. Tem razão; mas não tem paixão. São espertos porque 
assim procuram adaptar o amor à vida de cada um, e fazê-lo sadio, confortável e 
melhor, mais prazenteiro e liberal. Para resumir: querem (muito avisadamente, é 
certo) suprimir o amor.
Isso é bom. Também suprimimos a amizade. É horrível levar as coisas a fundo: a 
vida é de sua própria natureza leviana e tonta. O amigo que procura manter suas 
amizades distantes e manda longas cartas sentimentais tem sempre um ar de 
náufrago fazendo um apelo. Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo 
e do espaço, entre as ondas de coisas e sentimentos de todo dia. Sentimos per-
feitamente isso quando a saudade da amada nos corrói, pois então sentimos que 
nosso gesto mais simples encerra uma traição. A bela criança que vemos correr ao 
sol não nos dá um prazer puro; a criança devia correr ao sol, mas Joana devia estar 
aqui para vê-la, ao nosso lado. Bem; mais tarde contaremos a Joana que fazia sol e 
vimos uma criança tão engraçada e linda que corria entre os canteiros querendo 
pegar uma borboleta com a mão. Mas não estaremos incorporando a criança à 
vida de Joana; estaremos apenas lhe entregando morto o corpinho do traidor, 
para que Joana nos perdoe.
Assim somos na paixão do amor, absurdos e tristes. Por isso nos sentimos tão 
felizes e livres quando deixamos de amar. Que maravilha, que liberdade sadia em 
poder viver a vida por nossa conta! Só quem amou muito pode sentir essa doce 
felicidade gratuita que faz de cada sensação nova um prazer pessoal e virgem 
do qual não devemos dar contas a ninguém que more no fundo de nosso peito. 
Sentimo-nos fortes, sólidos e tranquilos. Até que começamos a desconfiar de que 
estamos sozinhos e ao abandono trancados do lado de fora da vida.
Assim o amigo que volta de longe vem rico de muitas coisas e sua conversa é 
prodigiosa de riqueza; nós também despejamos nosso saco de emoções e novi-
dades; mas para um sentir a mão do outro precisam se agarrar ambos a qualquer 
velha besteira: você se lembra daquela tarde em que tomamos cachaça num café 
que tinha naquela rua e estava lá uma loura que dizia, etc., etc. Então já não se 
trata mais de amizade, porém de necrológio.
Sentimos perfeitamente que estamos falando de dois outros sujeitos, que por si-
nal já faleceram - e eram nós. No amor isso é mais pungente. De onde concluireis 
comigo que o melhor é não amar; porém aqui, para dar fim a tanta amarga tolice, 
aqui e ora vos direi a frase antiga: que melhor é não viver. No que não convém 
pensar muito, pois a vida é curta e, enquanto pensamos, ela se vai, e finda.
BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. São Paulo: Círculo do Livro, 1977. p.115. (Fragmento)
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1. Rubem Braga, em seu texto, discorre sobre dois tipos de distância.
a) Caracterize esses dois tipos de distância.
b) Dessas duas formas de distância, qual delas é enfatizada pelo autor? Jus-
tifique.
2. Por que, para o autor, depois de ficar distante de outras pessoas, será impos-
sível estar junto delas novamente?
3. Nos quarto e quinto parágrafos, para justificar seus argumentos, o autor apre-
senta uma situação envolvendo um casal.
a) Por que motivo o homem teria ciúmes de sua amada?
b) Como o autor justifica o fato de o homem sentir que sua amada teria 
sido infiel?
c) Mais adiante no texto, o autor apresenta um exemplo semelhante. Sinte-
tize-o em poucas linhas.
4. Conforme o texto, quais seriam as vantagens de se suprimir o amor nas rela-
ções amorosas? 
5. Como o autor justifica a ideia de que se deve suprimir a amizade nas relações 
entre amigos?
6. De acordo com o texto, pode-se dizer que, quando alguém deixa de amar, 
será uma pessoa definitivamente feliz e livre?
7. Por fim, a que conclusões o autor chega?
8. E essas conclusões apontam para uma solução aos problemas apontados ao 
longo do texto?
9. Depois de ter lido e trabalhado com o texto, como você compreende o título 
“Sobre o amor, etc.” que o autor deu a esta crônica? Justifique sua resposta 
com elementos do texto.
10. Considerando que este texto foi escrito e publicado há mais de sessenta 
anos, você entende que ele se mantém atual? Justifique sua resposta.
DA TEORIA À PRÁTICA
Você trabalhou anteriormente com um tipo de texto que se denomina crônica. 
Trata-se de uma produção textual publicada, geralmente, em jornais e revistas. 
O autor de uma crônica não trabalha com um assunto pré-definido, ou seja, 
tem total liberdade temática para desenvolver seu texto. Há também liberdade 
total quanto à modalidade: pode ser dissertativa (expressar opiniões, defender 
uma ideia) ou narrativa (contar pequenas histórias). Porém, o espaço de que dis-
põe, no jornal ou na revista, é definido previamente – sua coluna, quase sempre, 
é publicada no mesmo local – diária ou semanalmente. Por estas duas caracte-
rísticas, a crônica constitui um tipo de texto que tanto dialoga com a linguagem 
literária quanto com a jornalística.
1. a) Logo, no início, Rubem 
Braga fala da distância física, 
a� rmando que o mundo está 
cada vez menor. Além disso, 
fala das separações físicas 
– pessoas que vão viver em 
outros locais distanciando-se 
de parentes e de amigos.
Em seguida, fala da distância 
sentimental, que é marcada 
pelo tempo em que as pes-
soas � cam distantes umas das 
outras. Esse distanciamento 
físico provoca alterações nas 
pessoas e, por isso, mesmo 
quando estiverem reunidas, 
jamais estarão juntas, pois se-
rão outras pessoas. Segundo 
o autor, esse sentimento torna 
as pessoas melancólicas.
b) A distância sentimental. 
Praticamente a crônica inteira 
desenvolve-se em torno desse 
sentimento. Nesse caso, obser-
var como o/a aluno/a recolhe, 
na própria crônica, elementos 
que possam corroborar sua 
resposta.
2. Porque as separações 
provocam mudanças nas 
pessoas. Entende-se que elas 
se relacionarão com outras 
pessoas, vivenciarão situações 
diferentes e, inevitavelmente, 
passarão por transformações 
(novos valores, novas crenças, 
novas atitudes). No texto, há 
uma frase que resume bem 
essa impossibilidade: “Cada um 
de nós terá incorporado a si 
mesmo o tempo na ausência”.
3. a) Ele teria ciúmes exa-
tamente porque a amada 
pôde vivenciar um momento 
de encantamento sem que 
ele estivesse com ela. Até a 
maneira como ela lhe falaria da 
visão do crepúsculo (“nunca 
vi um céu tão bonito assim”) 
daria motivo para que ele se 
sentisse enciumado. Observar 
que o autor a� rma que, caso 
ele, ainda que em outro local, 
também tivesse visto aquele 
crepúsculo, � caria feliz, pois 
poderia compartilhar com a 
amada aquele momento.
Sugestão: Após estas respostas, 
perguntar se alguém da sala 
já vivenciou sentimentos 
semelhantes a esses aponta-
dos no texto. Discutir em que 
medida isso provoca abalos nas 
relações entre as pessoas.
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1. Crônica e literatura
As liberdades temática e textual fazem com que o cronista possautilizar uma 
linguagem que, sem ser rebuscada, se aproxime da literatura. Assim, o texto pode 
enveredar por uma abordagem mais lírica – em que a subjetividade fica mais à 
mostra – ou por uma abordagem mais humorística – de modo que um fato coti-
diano seja apreciado por um ângulo inusitado. 
Embora se dirija a um leitor médio – o que lê jornais e revistas –, muitas 
vezes, o cronista sente-se livre para explorar as possibilidades lúdicas, seja pela 
escolha das palavras, seja pelos arranjos sintáticos. Também, por isso, pode-se 
perceber que a literatura está presente na construção da crônica.
2. Crônica e jornalismo
Além do fato de ocupar um espaço determinado, a crônica se aproxima do 
jornalismo por buscar em fatos noticiados – principalmente aqueles “menores”, 
para os quais pouco espaço e pouca atenção são dados – o seu assunto. Opina 
sobre eles e procura trazê-los ao leitor sob uma nova visão.
A regularidade com que é publicada – diária, semanal, quinzenal – produz 
uma aproximação com o leitor, tornando possível uma relação de familiaridade 
entre o cronista e quem o lê – o leitor abre seu jornal ou sua revista com a expec-
tativa do que poderá ler na crônica publicada naquele veículo. 
Observe como Antonio Candido, em prefácio ao volume 5 do livro Para gos-
tar de ler, nas páginas 5 e 6, apresenta algumas das características da crônica.
[...] a crônica está sempre ajudando a estabelecer ou restabelecer a dimensão 
das coisas e das pessoas. Em lugar de oferecer um cenário excelso, numa revoa-
da de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra nele uma grande-
za, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas. Ela é amiga da verdade e 
da poesia nas suas formas mais diretas e também nas suas formas mais fantás-
ticas – sobretudo porque quase sempre utiliza o humor.
Isso acontece porque não tem pretensões a durar uma vez que é filha do jornal 
e da era da máquina, onde tudo acaba tão depressa. Ela não foi feita originaria-
mente para o livro, mas para essa publicação efêmera que se compra num dia e 
no dia seguinte é usada para embrulhar um par de sapatos ou forrar o chão da 
cozinha. Por se abrigar neste veículo transitório, o seu intuito não é o dos escri-
tores que pensam em “ficar”, isto é permanecer na lembrança e na admiração da 
posteridade: e a sua perspectiva não é a dos que escrevem do alto da montanha, 
mas do simples rés-do-chão. Por isso mesmo consegue quase sem querer trans-
formar a literatura em algo íntimo com relação à vida de cada um, e quando 
passa do jornal ao livro, nós verificamos meio espantados que a sua durabilida-
de pode ser maior do que ela própria pensava. Como no preceito evangélico, o 
que quer salvar-se acaba por perder-se; e o que não teme perder-se acaba por 
se salvar. No caso da crônica, talvez como prêmio por ser tão despretensiosa, 
3. b) O sentimento de 
in� delidade é uma extensão 
do de ciúmes. Isso aumenta 
a distância sentimental, pois 
parece que, no entender do 
homem, a sua amada poderia 
ter evitado aquele crepúsculo 
(ou, quem sabe, não falar dele, 
nem se mostrar tão maravi-
lhada diante daquela visão). 
Assim, o que fere o homem 
não é somente o fato de sua 
amada ter vivido um belo 
momento, mas também o fato 
de ela ter falado dele de modo 
tão impressionante. 
c) Ele reitera o sentimento de 
distância entre os apaixonados, 
invertendo as posições. Agora 
é o homem que vive uma si-
tuação encantadora (a visão de 
uma criança que corre ao sol), 
mas Joana, a sua amada, não 
está com ele para compartilhar 
dessa sensação de prazer puro. 
O autor repete o sentimento 
de traição quando o amado 
conta a Joana o que viu.
4. Aqui, o autor apresenta 
a ideia de que respeitar a 
individualidade de cada um/
uma corresponderia a suprimir 
o amor. Essa atitude “esperta” 
traria, como vantagem a 
possibilidade de fazer da 
relação amorosa algo “sadio, 
confortável e melhor, mais 
prazenteiro e liberal”. A� rma 
que há razão, mas não paixão. 
Ou seja, suprime-se o amor.
5. O autor diz que não se deve 
levar as coisas tão a fundo, pois 
a vida é, por natureza, algo 
leviano [inconstante] e, por 
isso, não deveria ser levada tão 
a sério.
6. Aparentemente, sim. Aqui, o 
autor reitera a ideia de que não 
ter um compromisso amoroso, 
tornaria a pessoa livre para 
viver sua individualidade de 
forma plena. Porém, no � nal 
do parágrafo, ele desconstrói 
esse argumento: “Até que 
começamos a descon� ar de 
que estamos sozinhos e ao 
abandono trancados do lado 
de fora da vida”. Será uma vida 
solitária que poderá aguçar 
a sensação de que se está 
abandonado/a.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 59LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 59 25/08/2022 15:26:1325/08/2022 15:26:13
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insinuante e reveladora. E também porque ensina a conviver intimamente com 
a palavra, fazendo com que ela não se dissolva de todo ou depressa demais no 
contexto, permitindo que o leitor a sinta na força dos seus valores próprios.
ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Para gostar de ler: Crônicas. Prefácio 
de Antonio Candido v. 5. São Paulo; Ática, 2002, p. 5 e 6. (Fragmento)
Para melhor compreender alguns aspectos pertinentes à elaboração de uma 
crônica, veja como o cronista Luís Fernando Veríssimo responde a algumas ques-
tões referentes a esse tipo de produção textual. Trata-se de um trecho de entrevis-
ta concedida a Luiz Costa Pereira Júnior e publicada na revista Língua Portugue-
sa, ano 3, nº 44, de junho de 2009, páginas 14 a 17.
Pergunta: Se você pudesse resumir a técnica da crônica, como seria?
LFV: É difícil dar uma receita, pois a crônica é um gênero indefinido, desde 
sempre. Você pode falar do que quiser e chamar o que escreveu de “crônica”, e 
o que sair será efetivamente uma crônica. Como sob esse rótulo cabe tudo, há 
também muito de invenção, muito exercício de estilo. Agora, tirando a geração 
de cronistas, como Rubem Braga, Antonio Maria e Paulo Mendes Campos, não 
sei se o termo “crônica” caberia ao que se escreve hoje com esse nome. A crô-
nica que eles faziam estava mais perto do lírico, sem ser alienada. Hoje em dia, 
o que se escreve como “crônica” é muito mais factual do que antes. Paulo Men-
des Campos podia fazer crônicas que eram genuínas peças literárias, o próprio 
Rubem Braga escrevia um tipo de texto com aquele seu jeito despojado, mas 
ainda assim lírico. Hoje a ênfase do que se lê por aí é comentar, testemunhar o 
momento.
Pergunta: Com o que você se preocupa quando vai escrever uma crônica?
LFV: Busco, quando posso, imprimir certa variedade ao material, seja na ma-
neira de escrever ou na abordagem. Mas tudo depende de ter ou não tempo 
para pensar muito sobre um assunto. Às vezes, há questões obrigatórias no ar. 
Fora essas, traço o tema que me ocorre. Já houve tempo em que me era indife-
rente a dificuldade de encontrar o tema de uma crônica ou as observações que 
dão molho a ela. Mas, ultimamente, tem sido cada vez mais complicado encon-
trar o tema sobre o qual falarei. Tenho a impressão de que tudo já foi escrito, 
tudo já foi dito. Tenho, nessas horas, certa hesitação. Sempre.
Pergunta: Como vencer o desafio de escrever “com molho”?
LFV: Podemos abordar qualquer assunto, desde que com leveza. Mas a ironia 
é sempre perigosa no Brasil, pois nem sempre é entendida. [...] Parece que a 
ironia no Brasil não funciona por escrito. Pois há uma certa reverência com a 
palavra impressa, uma ideia difusa de que está ali no papel um preto no branco 
que, decerto, não pode ser brincadeira. Mas o importante, no fim, é escrever 
com leveza.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Revista Língua Portuguesa, 
São Paulo, ano 3, n 44, 3 jun. 2009 p. 14-17. (Fragmento)
7. O autor chega a uma conclu-
são que, pode-se dizer, parado-
xal: o melhor é não amar o que 
corresponde a não viver.
8. Não. Como que mostrando 
que todas as re� exões apre-
sentadas são inviáveis, o autor 
a� rma que o melhor mesmo 
é não pensar nisso. E, ainda 
que de forma indireta, ressalta 
que se deve viver[e, portanto, 
amar], “pois a vida é curta e, 
enquanto pensamos, ela se vai, 
e � nda.”
9. Embora a resposta pareça 
pessoal, espera-se que o/a 
aluno/a revele ter compreen-
dido que a crônica tem o amor 
como seu tema principal. O 
que causa mais estranheza 
é o “etc.” que aparece no 
título. Nesse caso, “essas outras 
coisas” dizem respeito aos sen-
timentos contraditórios que 
o amor provoca nas pessoas: 
querer estar junto e, ao mesmo 
tempo, querer manter sua 
individualidade. Querer não 
amar e sentir-se abandonado. 
Mesmo a amizade, quando 
apresentada, reforça esses 
sentimentos dúbios. Observar 
se os elementos retirados do 
texto apoiam estes argumen-
tos. Orientar para que a respos-
ta tenha, além dos trechos do 
texto, justi� cativas pessoais.
10. Espera-se que a resposta 
seja “sim”, uma vez que, embo-
ra escrita há tanto tempo, o au-
tor apresenta um assunto que 
diz respeito ao ser humano 
em si, independentemente do 
tempo. Mais do que do amor 
ou do não amar, a crônica fala 
do ser humano. É claro que, 
poderá haver respostas que 
discordem desta visão. Nesse 
caso, veri� car se a argumen-
tação consegue justi� car essa 
posição. Importante é, a partir 
das respostas a esta questão, 
propiciar uma discussão que 
possa ampliar este tema, 
tratando de outras questões 
inerentes ao ser humano
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APLICAÇÃO
1. Leia e depois responda às questões:
Pequena antologia de crônicas
a) Exemplos de crônica dissertativa
Observe, na crônica apresentada a seguir, como Luís Fernando Veríssimo produz 
um texto dissertativo e caracteristicamente literário. Nesse texto, publicado na 
década de 1980, Veríssimo aborda a questão dos desaparecidos durante o perío-
do em que a Argentina viveu sob a ditadura militar. Para melhor compreendê-lo, 
reproduz-se, antes, uma notícia veiculada em 12 de março de 2009.
Notícia: Ossadas achadas podem ser de 
desaparecidos da ditadura argentina
BUENOS AIRES - Uma equipe de especialistas da Argentina encontrou ossadas de 
sete pessoas em uma província de Neuquén, ao sul, que podem pertencer a pes-
soas desaparecidas durante a ditadura militar que governou o país entre 1976 e 
1983, disse uma fonte oficial nesta quinta-feira.
Os corpos, que estavam empilhados e alguns virados para baixo, pertenceriam a 
pessoas que, ao morrer, tinham entre 25 e 30 anos e haviam sido enterradas há 20 
ou 30 anos no que seria uma vala comum, segundo os primeiros estudos realizados.
“A princípio, poderá ser apressado garantir que os mortos são desaparecidos na 
ditadura, mas há indícios que nos conduzem a esta conclusão”, disse à Reuters o 
ministro de Justiça, Trabalho e Segurança da província de Neuquén, César Pérez. 
“Encontramos também um cartucho (de bala) que foi utilizado perto de onde esta-
vam os corpos”, acrescentou.
Durante a última ditadura militar que governou a Argentina, cerca de 30.000 pes-
soas foram sequestradas, torturadas e assassinadas na Argentina, segundo denún-
cias de entidades de direitos humanos. Uma comissão independente con� rmou 
cerca de 11.000 casos.
Em muitas ocasiões, as pessoas foram executadas e enterradas em valas comuns.
As ossadas foram encontradas em uma construção em Chos Malal, Neuquén, e de-
vem se tratar de seis homens e uma mulher.
Nos próximos dias, um grupo de antropólogos continuará analisando o terreno, 
onde as obras foram paralisadas e uma vigilância foi ordenada.
GRAZINA, Karina. Ossadas achadas podem ser de desaparecidos da ditadura 
argentina. Reuters Brasil, 12 mar. 2009. Disponível em: <http://br.reuters.com/
article/worldNews/idBRSPE52B0T820090312>. Acesso em 4 jul. 2017.
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Crônica: COMO NA ARGENTINA
Não é fácil eliminar um corpo. [...] Uma vida é fácil. Uma vida é cada vez mais fácil. Mas 
fica o corpo, como lixo. Um dos problemas desta civilização: o que fazer com o próprio 
lixo. As carcaças de automóveis, as latas de cerveja, os restos de matanças. O corpo boia. 
O corpo vai dar na praia. O corpo brota da terra, como na Argentina. O que fazer com 
ele? O corpo é como o lixo atômico. Fica vivo. O corpo é como o plástico. Não desinte-
gra. A carne apodrece e ficam os ossos. Forno crematório não resolve. Ficam os dentes, 
ficam as cinzas. Fica a memória. Ficam os parentes. Ficam as mães. Como na Argentina.
Seria fácil se o corpo se extinguisse com a vida. A vida é um nada, acaba-se com a 
vida com um botão ou com uma agulha. Mas fica o corpo, como um estorvo. Os 
desaparecidos não desaparecem. Sempre há alguém sobrando, sempre há alguém 
cobrando. As valas comuns não são de confiança. [...] Os corpos são devolvidos, mais 
cedo ou mais tarde. [...] A terra não quer ser cúmplice. Tapar os corpos com escom-
bros não adianta. Sempre sobra um pé, ou uma mãe.[...]
Os corpos brotam do chão, como na Argentina. Corpo não é reciclável. Corpo não é 
reduzível. Dá para dissolver os corpos em ácido, mas não haveria ácido que chegas-
se para os assassinados do século. Valas mais fundas, mais escombros, nada adianta. 
Sempre sobra um dedo acusando. [...] Tentaram largar o corpo no meio do mar e 
não deu certo. O corpo boia. O corpo volta. Tentaram forjar o protocolo – foi suicídio, 
estava fugindo – e o corpo desmentia tudo. O corpo incomoda. O corpo faz muito 
silêncio. Consciência não é biodegradável.[...]
Os meios de acabar com a vida sofisticam-se. Mas ainda não resolveram como aca-
bar com o lixo. Os corpos brotam da terra, como na Argentina. Mais cedo ou mais 
tarde os mortos brotam da terra.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. A mãe de Freud. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. p. 137-138
Outro tipo de crônica dissertativa ocorre quando se aborda um tema mais geral e 
que apresenta uma espécie de “conselho” para o leitor. Veja isso no texto abaixo ela-
borado por Lya Luft.
Agendar a vida
Abro uma página da minha agenda para demarcar mais uma vez o território de mi-
nha liberdade e o dos meus deveres – que é onde ela começa a perder pé.
A fantasia não pede licença para se desenrolar: logo vejo uma infinidade de mesas 
e escrivaninhas, cada uma com sua agenda, nela a floresta dos compromissos, mal 
sobrando alguma trilha estreita para andar e respirar. (Nas folhas desta minha atual 
quero abrir entrelinhas para contemplar a árvore em flor diante de minha janela, ou 
pegar nos braços uma das crianças que povoam esta casa.)
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Vejo também agendas quase vazias onde se procura melancolicamente algo para 
quebrar o sem-sentido da vida: nem uma visita, uma data de aniversário, nenhum 
afeto nomeado, nem ao menos um pagamento nesses dias que parecem um de-
serto sem contornos.
Nem uma miragem ao longe?
Pessoalmente não vivo sem uma agenda, aquelas de bloco, ao lado do computador. 
Às vezes olhar a folhinha me dá alegria: um encontro bom, ou um dia inteiro só pra 
mim. Em outras folhas, um engarrafamento de garatujas (minha letra, horror das 
professoras desde os primeiros anos de escola) com mais compromissos do que 
meu fundamental desejo de liberdade quereria.
Agenda pode ser tormento e prisão. Mas pode ser liberdade, se a gente inventar bre-
chas: em plena tarde da semana, caminhar na calçada; sentar ao sol na varanda do apar-
tamento; deitar na grama do parque ou jardim, por menor que ele seja, e como criança 
olhar as nuvens, interpretando suas formas: camelo, coelho, árvore ou anjo.
Ou: quinze minutos para se recostar para trás na cadeira (pode ser do escritório mesmo) 
e espiar o céu fora da janela; ir até a sala, esticar-se no sofá com as pernas sobre o braço 
do próprio, e ouvir música, ver televisão,ler, ler, ler... ou simplesmente não fazer nada.
O ócio é uma possibilidade infinita a ser explorada.
Não falo da inércia, do desânimo, do vazio melancólico. Jamais falarei de ficar de 
robe velho e pantufas (vi numa vitrine algumas com cara de cachorro e até orelhas!) 
pela casa até o meio da tarde.
Falo de viver.
“Parar, olhar, escutar”, dizia um aviso nos trilhos do trem quando havia trem entre 
minha cidade e Porto Alegre. A gente passava de carro sobre o trilho, e eu imagina-
va o horror de alguém infringir isso e ser explodido pelo monstro de ferro e fumaça.
A vida há de rolar por cima da gente, reduzindo a poeirinha inútil quem se esque-
cer de às vezes parar pra pensar... mas sem se desmontar; olhar em torno ou para 
dentro: paisagens belas, ou áridas (sempre dá pra plantar um capim) ou quem sabe 
coloridas (a alma pode brincar de esconde-esconde entre as folhas).
E escutar: a música do universo, o canto do sabiá (que tem começado às 3 da madrugada 
fria, atarantado neste clima estranho); a risada da criança no andar de cima; enfim, o cha-
mado da vida que nos convoca de mil formas: anda, sai do marasmo, viveeeeeeeeeee!!
Que nossas agendas (também as interiores) nos permitam muitas vezes a plenitude 
do nada sorvido como um gole de champanha, celebrando tudo.
Sem culpa.
LUFT, Lya. Pensar é transgredir. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2004, p. 15-17.
b) Exemplos de crônica memorialista
Em texto publicado no livro A construção do futuro – crônicas da revista Bras-
motor, Fernando Morais apresenta a lembrança que tem das relações entre ele 
e seu pai.
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Procurando cartas no cosmos
Já ouvi de tudo sobre a internet. De uns, que é a oitava maravilha do mundo. De 
outros, como Millôr Fernandes, que não serve para nada. Cá comigo, passei a ter um 
débito, digamos, afetivo com a Internet. Meu pai e eu tivemos, ao longo da vida, 
uma relação complicada. Ele era um mineiro enérgico, linha-dura. Eu, um menino 
insubordinado, aquilo que os padres do Colégio Santo Agostinho chamavam de 
“um caso de polícia”. Nem as incontáveis surras que ele me aplicou foram suficientes 
para enquadrar-me na rígida disciplina doméstica.
Rolaram meses, anos, décadas. Ele lá e eu cá. Sem grandes brigas, mas também sem 
maiores afagos. Nos últimos anos de sua vida, já passado dos oitenta anos, seu Duduca 
encantou-se com computadores e com a Internet. Um programa novo surgia em Tó-
quio ou Nova York e dias depois já estava instalado em seu Pentium. E foi através do cor-
reio eletrônico que passamos a nos comunicar todos os dias. Eu chegava de manhã no 
meu estúdio de trabalho, abria a caixa postal e lá estavam duas, três, quatro cartas dele. 
Do lado de cá eu devolvia respostas igualmente torrenciais. Em um ano de “conversas” 
via micro, acabamos nos falando e nos conhecendo mais do que em meio de século de 
difícil convivência. Rolava de tudo. Até um delicioso conto de sua lavra (intitulado “O que 
foi mesmo que aconteceu em Belo Horizonte no dia 30 de abril de 1963?”) apareceu 
certa vez na minha tela. No dia que fiz 50 anos ele me mandou uma comovente carta 
contando como ficara sabendo, na longínqua noite de 22 de julho de 1946, que minha 
mãe acabara de ter um menino, eu mesmo.
Um dia, em outubro do ano passado, seu Duduca se internou no hospital para re-
visar as safenas e desentupir uma coronária. Coisa de rotina, anestesia rápida, era 
entrar às sete da manhã e sair ao meio dia. Entrou às sete da manhã e não saiu mais. 
Saiu, mas morto, depois de três paradas cardíacas. Passada a dor inicial, qual não 
foi minha surpresa ao abrir o micro para tentar recuperar nossa correspondência e 
descobrir que tudo tinha sido apagado. Fui às caixas de entrada e de saída e não 
encontrei nada. Revirei a wastebasket e nada. Corri à casa dele, abri a Internet, repeti 
a operação e a frustração foi igual. A alegria que a Internet me dera meses antes, ao 
se converter em instrumento de recuperação de uma vida, se transformava agora 
em decepção. Se tivéssemos nos comunicado por carta, como todo mundo, estava 
tudo aqui, guardado na gaveta. O frio mundo cibernético pulverizara no éter meu 
namoro tardio com seu Duduca.
Contei o caso para fulano, que contou para beltrano, que contou para sicrano, que 
contou para o japonês (sempre eles...), que me ligou solícito: “Me mande seu e-mail 
e o do seu pai, mais as senhas e as user id de ambos, que vou ver se descubro onde 
está essa correspondência”. Descobriu. Em algum lugar do cosmos, o Tamura re-
capturou, uma por uma, as cartas perdidas. As minhas e as dele. Que já estão aqui, 
devidamente guardadas na memória do micro. Por via das dúvidas imprimi tudo, 
botei numa pasta de papelão e guardei num velhíssimo arquivo de metal. Seguro 
morreu de velho, diria o seu Duduca.
MORAIS, Fernando. Procurando no cosmos. In MOISÉS, Carlos Felipe (org.). A construção 
do futuro: crônicas da revista Brasmotor, São Paulo: Brasmotor, 2000, p. 33-34
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Por vezes, o autor relembra algum fato específico, particular, e chega a uma visao 
geral da vida. É o que se pode ver na crônica de Fernando Sabino.
A QUEM TIVER CARRO
O carro começou a ratear. Levei-o ao Pepe, ali na o� cina da rua Francisco Otaviano:
— Pepe, o carro está rateando.
— Entupimento na tubulação. Só pode ser.
Deixei o carro lá. À tarde, fui buscar. 
— Eu não dizia? Defeito na bomba de gasolina.
— Você dizia entupimento na tubulação.
— Botei um diafragma novo, mudei as válvulas.
Estendeu-me a conta: de meter medo. Mas paguei.[...]
— Pode ir sem susto, que agora está o � no.
— Fui sem susto. O caminho de Itaquatiara. O � no!
Nem bem chegara a Tribobó, o carro engasgou, tossiu e morreu. Sorte a minha: 
mesmo em frente ao letreiro de “Gastão, o eletricista”.
— Que diafragma coisa nenhuma, quem lhe disse isso? [...]
— O senhor mexeu na bomba à toa: é o dínamo que está esquentando.
— Molhou uma � anela e envolveu o dínamo carinhosamente, como a uma criança. 
— Se tornar a falhar é só molhar o bichinho. Vai por mim, que aqui no Tribobó quem 
entende disso sou eu.
Nem no Tribobó: o carro não pegava de jeito nenhum.
— Então esse dínamo já deu o prego, tem de trocar por outro. Não pega de jeito 
nenhum.
Para desmenti-lo, o motor subitamente começou a funcionar.
— Vai morrer de novo — augurou ele, e voltou a aninhar-se no seu caminhão. Re-
solvi regressar a Niterói. À entrada da cidade, a profecia do capadócio se realizou: 
morreu de novo. Um chofer de caminhão me recomendou o mecânico Mundial, 
especialista em carburadores — ali mesmo, a dois quarteirões.Fui até ele e em pou-
co voltava seguido do Mundial, um velho compenetrado arrastando a perna e as 
ideias:
— Pelo jeito, é o carburador.
Olhou o interior do carro, deu uma risadinha irônica:
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— É lógico que não pega! O dínamo está molhado!
Enxugou o dínamo com uma estopa: o carro pegou.
— Eu, se fosse o senhor, mandava fazer uma limpeza nesse carburador — insistiu 
ainda: — Vamos até lá na o� cina.
Preferi ir embora. Perguntei quanto era.
— O senhor paga quanto quiser.
Já que eu insistia, houve por bem cobrar-me quanto ele quis.
Cheguei ao Rio e fui direto ao Haroldo, no Leblon, que me haviam dito ser um 
monstro no assunto:
— Carburador? — e o Haroldo não quis saber de conversa: — Isso é o platinado, vai 
por mim.
Cutucou o platinado com um ferrinho. Fui-me embora e o carro continuava se ar-
rastando aos solavancos.
— O platinado está bom — me disse o Lourival, lá da Gávea: — Mas alguém andou 
mexendo aqui, o condensador não dámais nada. O senhor tem de mudar o con-
densador.
Mudou o condensador e disse que não cobrava nada pelo serviço. Só pelo conden-
sador.
No dia seguinte, o carro se recusou a sair da garagem.
— Não é o diafragma, não é o carburador, não é o dínamo, não é o platinado, não é 
o condensador — queixei-me, deitando erudição na roda de amigos. Todos procu-
ravam confortar-me:
— Então só pode ser a distribuição. O meu estava assim.
— Você já examinou a entrada de ar?
— Para mim, você está com vela suja.
E recomendavam mecânicos de sua preferência.[...]
Mas pela manhã me lembrei de um curso que se anuncia aconselhando: “Aprenda 
a sujar as mãos para não limpar o bolso”. Resolvi candidatar-me — e quem tiver 
ouvidos para ouvir, ouça, quem tiver carro para guiar, entenda. Fui à garagem, abri 
o capô, e � quei a olhar intensamente o motor do carro, fria e silenciosa es� nge 
que me desa� ava com seu mistério: decifra-me, ou devoro-te. Havia um � o solto, 
coloquei-o no lugar que me pareceu adequado. Mas não podia ser tão simples. Era. 
Desde então, o carro passou a funcionar perfeitamente.
SABINO, Fernando. A quem tiver carro. Elenco de cronistas modernos. 
23. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007. p. 90-93
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c) Exemplos de crônica narrativa humorística
Fernando Sabino foi um dos cronistas mais frequentes das páginas de jornais e 
de revistas brasileiros. Uma das suas características era a produção de crônicas 
leves e de muito bom humor.
Cara ou coroa
Chegou em casa de madrugada, e para não acordar a mulher, resolveu se despir no 
banheiro. No que tirou a calça, uma dessas novas moedas de 20 cruzeiros, que havia 
recolhido de troco não sabia onde, saltou do bolsinho junto ao cinto, descreveu 
uma parábola, e foi cair direto dentro do ralo.
No momento ele não deu importância, mal percebeu o que acontecera. Acabou de 
se despir calmamente e depois abriu a torneira, lavou o rosto, escovou os dentes, 
mirou-se no espelho fazendo caretas, fechou a torneira. Só então viu que a água na 
pia, com laivos de espuma de sabão e de pasta de dente, simplesmente não descia.
Com a ponta do dedo, verificou que a moeda era exatamente do mesmo calibre do 
ralo, vedando por completo a passagem da água cano abaixo.
Em vão tentou retirá-la com a unha do indicador: não havia o menor interstício en-
tre ela e a parede do cano. E de tanto mexer com a mão ali dentro, não só acabou 
machucando a unha, como fez com que a água entornasse sobre as bordas da pia, 
molhando o chão do banheiro. 
Desistiu logo: tinha mais é que ir dormir – na manhã seguinte daria jeito naquilo.
Na manhã seguinte foi acordado pela mulher, quando estava no melhor do sono:
– Vem ver só o que você andou aprontando esta noite.
Estremunhado, tomou o caminho do banheiro, que a mulher lhe apontava. Entrou 
pela água adentro até os tornozelos: o chão estava completamente alagado. Dei-
xara a torneira mal fechada e a água transbordava da pia por todos os lados, como 
uma cachoeira.
– Não fui eu – protestou ele.
– Então me diga quem foi – a mulher desa� ou-o, mãos na cintura.
– Foi a moeda – e ele aproveitou a pia cheia para molhar o rosto, espantando o sono.
– Moeda? Que moeda?
– Uma moeda nova. Dessas de vinte cruzeiros. Pra você ver como o nosso dinheiro 
anda desvalorizado.
Meteu a mão na água e, num gesto delicado de ginecologista, apalpou a moeda 
com o dedo.
– Nada a fazer. Não sai de jeito nenhum.
– Deixa comigo – e a mulher o afastou com o braço, ar e� ciente. Tirou da cabeça um 
grampo, abriu-o e � cou a esgravatar com ele as entranhas da pia. Acabou desistindo:
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Há algumas ocasiões em que o cronista conta uma pequena história com hu-
mor, mas que leva o leitor a refletir sobre algo. 
– Que ideia a sua, jogar essa moeda aí dentro.
– Joguei por querer, é o que você quer dizer.
– Não sai de jeito nenhum.
– Foi o que eu disse, Só virando a pia de cabeça para baixo.
– Podíamos usar um ímã.
– Um ímã? – ele se surpreendeu com a inesperada manifestação de inventiva da 
mulher: – E quem é que disse que ímã funciona debaixo d’água? Além do mais, o 
metal dessas novas moedas é tão ordinário, que ímã nenhum deve exercer atração 
sobre elas.
– Não custa experimentar.
– Não temos ímã aqui em casa. Só comprando um. E confesso que não tenho a mais 
longínqua ideia de onde é que se compra ímã neste mundo de Deus. Ainda mais 
um tão pequeno que caiba no ralo da pia.
– Quem sabe um pouco de cola na ponta de um lápis...
– Cola debaixo d’água? Só você mesmo, mulher.
– A gente tira a água.
– Tirar como, se a pia está entupida? O jeito é chamar o bombeiro.
– Também, que diabo você tinha de voltar tão bêbado para casa, a ponto de jogar 
moeda dentro da pia?
Prudentemente, ele se afastou, indo tomar café, sem escovar os dentes. A mulher o 
seguiu. Em pouco o filho, de sete anos, se acomodava também à mesa, todo lam-
peiro, penteado e arrumado para ir à escola.
– Você lavou o rosto? Escovou os dentes? – espantou-se a mãe: – Como é que se 
arranjou com a pia entupida daquele jeito?
– Eu desentupi.
– Como? – perguntaram os dois a um tempo.
– Com um pedaço de chiclete no cabo da escova.
E o menino atirou a moeda para o ar, aparando-a com as duas mãos:
– Cara ou coroa?
SABINO, Fernando. O gato sou eu. Rio de Janeiro: Record, 1983, p. 156-159.
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No restaurante
— Quero lasanha.
Aquele anteprojeto de mulher — quatro anos, no máximo, desabrochando na ultra-
minissaia — entrou decidido no restaurante. Não precisava de menu, não precisava 
de mesa, não precisava de nada. Sabia perfeitamente o que queria. Queria lasanha.
O pai, que mal acabara de estacionar o carro em uma vaga de milagre, apareceu 
para dirigir a operação-jantar, que é, ou era, da competência dos senhores pais.
— Meu bem, venha cá.
— Quero lasanha.
— Escute aqui, querida. Primeiro, escolhe-se a mesa.
— Não, já escolhi. Lasanha.
Que parada — lia-se na cara do pai. Relutante, a garotinha condescendeu em sen-
tar-se primeiro, e depois encomendar o prato:
— Vou querer lasanha.
— Filhinha, por que não pedimos camarão? Você gosta tanto de camarão.
— Gosto, mas quero lasanha.
— Eu sei, eu sei que você adora camarão. A gente pede uma fritada bem bacana de 
camarão. Tá?
— Quero lasanha, papai. Não quero camarão.
— Vamos fazer uma coisa. Depois do camarão a gente traça uma lasanha. Que tal?
— Você come camarão e eu como lasanha.
O garçom aproximou-se, e ela foi logo instruindo:
— Quero uma lasanha.
O pai corrigiu:
— Traga uma fritada de camarão pra dois. Caprichada.
A coisinha amuou. Então não podia querer? Queriam querer em nome dela? Por 
que é proibido comer lasanha? Essas interrogações também se liam no seu rosto, 
pois os lábios mantinham reserva. Quando o garçom voltou com os pratos e o ser-
viço, ela atacou:
— Moço, tem lasanha?
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Para mostrar que a crônica oferece total liberdade, veja um exemplo de Mário 
Prata em que a história veio “pronta” por e-mail.
— Perfeitamente, senhorita.
O pai, no contra-ataque:
— O senhor providenciou a fritada?
— Já, sim, doutor.
— De camarões bem grandes?
— Daqueles legais, doutor. [...]
Veio a famosa fritada de camarão, que, para surpresa do restaurante inteiro, interes-
sado no desenrolar dos acontecimentos, não foi recusada pela senhorita. Ao contrá-
rio, papou-a, e bem. A silenciosa manducação atestava, ainda uma vez,no mundo, 
a vitória do mais forte.
— Estava uma coisa, hem? — comentou o pai, com um sorriso bem alimentado. — 
Sábado que vem, a gente repete…
Combinado?
— Agora a lasanha, não é, papai?
— Eu estou satisfeito. Uns camarões tão geniais! Mas você vai comer mesmo?
— Eu e você, tá?
— Meu amor, eu…
— Tem de me acompanhar, ouviu? Pede a lasanha.
O pai baixou a cabeça, chamou o garçom, pediu. Aí, um casal, na mesa vizinha, 
bateu palmas. O resto da sala acompanhou. O pai não sabia onde se meter. A garo-
tinha, impassível.
Se, na conjuntura, o poder jovem cambaleia, vem aí, com força total, o poder ultra-
jovem.
Carlos Drummond de Andrade. O poder ultrajovem. Em: Obra 
completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1988. p. 1744
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A máquina da Canabrava
No primeiro dia de aula, a professora de História da Economia, na velha USP da rua 
Doutor Vilanova, Alice Canabrava, escreveu no quadro negro o nome de um livro 
sobre o mercantilismo e disse, seriíssima: 
– Na próxima aula (dali a uma semana), prova sobre o livro. 
Era o estilo dela, que eu já havia enfrentado no exame oral (é, tinha oral) do vestibu-
lar para economia em 1967. Me lembro que ela me perguntou qual era a diferença 
entre uma nau e uma caravela. Na época, eu sabia. 
Mas o mundo é pequeno e trinta anos depois vim a descobrir que a Canabrava era 
tia da minha amiga escritora-arquiteta Lúcia Carvalho. Era tia. Morreu há um mês, 
já velhinha, aposentada e lúcida. Deixou sua casa – com tudo que tinha lá dentro, 
incluindo uma genial biblioteca – para a Lúcia. 
E a Lúcia acaba de me mandar um e-mail que eu transcrevo na íntegra, sobre uma 
velha máquina da catedrática tia. Vamos lá. 
Ouve só. A gente esvaziando a casa da tia neste carnaval. Móvel, roupa de cama, louça, 
quadro, livro. Aquela confusão, quando ouço dois dos meus fi lhos me chamarem. 
– Mãe! 
– Faaala. 
– A gente achou uma coisa incrível. Se ninguém quiser, pode fi car para a gente? Hein? 
– Depende. Que é? 
Os dois falavam juntos, animadíssimos. 
– Ééé... Uma máquina, mãe. 
– É só uma máquina meio velha. 
– É, mas funciona, está ótima! 
Minha fi lha interrompeu o irmão mais novo, dando uma explicação melhor. 
– Deixa que eu falo: é assim, é uma máquina, tipo um... teclado de computador, sabe só 
o teclado? Só o lugar que escreve? 
– Sei. 
– Então. Essa máquina tem assim, tipo... uma impressora, ligada nesse teclado, mas as-
sim, ligada direto. Sem fi o. Bem, a gente vai, digita, digita... 
Ela ia se animando, os olhos brilhando. 
–... e a máquina imprime direto na folha de papel que a gente coloca ali mesmo! É 
muuuito legal! Direto, na mesma hora, eu juro!
Eu não sabia o que falar. Eu ju-ro que não sabia o que falar diante de uma explicação 
dessas, de menina de 12 anos, sobre uma máquina de escrever. Era isso mesmo?
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1. De qual das crônicas apresentadas nessa Pequena antologia você mais 
gostou? Por quê?
2. Converse com alguém de sua família (que, de preferência, seja bem mais 
velho/a que você – um dos avós, ou seus pais, ou um tio ou uma tia). Peça 
que essa pessoa lhe conte algum episódio de sua infância que tenha sido 
significativo para ela. Apresente, de forma resumida, esse episódio.
–... entendeu, mãe?... zupt, a gente escreve e imprime, a gente até vê a impressão tipo 
na hora, e não precisa essa coisa chata de entrar no computador, ligar, esperar hóóó-
ras, entrar no Word, de escrever olhando na tela, mandar para a impressora, esse monte 
de máquina, de ter que ter até estabilizador, comprar cartucho caro, de nada, mãe! É 
muuuito legal, e nem precisa colocar na tomada! Funciona sem energia e escreve direto 
na folha da impressora! 
– Nossa, fi lha... 
–... só tem duas coisas: não dá para trocar a fonte nem aumentar a letra, mas não tem 
problema. Vem, que a gente vai te mostrar. Vem... 
Eu parei e olhei, pasma, a máquina velha. Eles davam pulinhos de alegria. 
– Mãe. Será que alguém da família vai querer? Hein? Ah, a gente vai fi car torcendo, tor-
cendo para ninguém querer para a gente poder levar lá para casa, isso é o máximo! O 
máximo! 
Bem, enquanto estou aqui, neste “teclado”, estou ouvindo o plec-plec da tal máquina, 
que, claro, ninguém da família quis, mas que aqui em casa já deu até briga, de tanto que 
já foi usada. Está no meio da sala de estar, em lugar nobre, rodeada de folhas e folhas 
de textos “impressos na hora” por eles. Incrível, eles dizem, plec-plec-plec, muito legal, 
plec-plec-plec. 
Eu e o Zé estamos até pensando em comprar outras, uma para cada fi lho. Mas, pensa 
bem se não é incrível mesmo para os dias de hoje: sai direto, do teclado para o papel, e 
sem tomada! 
Céus. Que coisa. Um beijo grande, Lúcia.
É, Lúcia, a nossa querida Alice Canabrava deve estar descansando em paz e rindo 
muito. E dê uns beijos nos � lhos e agradeça a crônica pronta-pronta, plec-plec-plec, 
que eu ofereço aos meus leitores. E leitoras.
PRATA, Mário. Cem melhores crônicas (que, na verdade, são 129). 
São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007, p. 131-133]
1. Resposta pessoal. Veri� car 
se as justi� cativas são bem 
elaboradas e se buscam apoio 
em aspectos formais do texto 
(a linguagem, a construção 
do texto, por exemplo) ou 
em aspectos do conteúdo 
(abordagem original de um 
tema, surpreende o leitor, por 
exemplo).
Sugestão
A partir das respostas, fazer 
um levantamento quantitativo 
para veri� car qual a crônica 
que obteve maior escolha. 
Discutir por que esse texto 
exerceu maior atração. Ao 
mesmo tempo, veri� car qual 
delas foi a menos escolhida e 
solicitar aos/às alunos/as que 
a escolheram que apresentem 
suas justi� cativas
2. Orientar o/a aluno/a a, se 
possível, gravar o relato para 
que possa captá-lo de maneira 
mais completa. No momento 
de redigir, não é necessário 
que o relato esteja completo, 
mas o que lhe é essencial – a 
“historinha” em si e alguns 
aspectos contextuais que 
permitam compreender a 
situação relatada.
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PRODUÇÃO DE TEXTO
PRIMEIRA PROPOSTA
Suponha que você tenha sido contratado/a por um jornal para escrever crônicas. 
O jornal determina que seu texto tenha 450 palavras (esse tamanho corresponde, 
aproximadamente, a uma página do WORD, em fonte ARIAL, tamanho 11). Dadas 
essas condições, elabore as propostas a seguir. 
Crônica 1
Com base no episódio apresentado na na atividade 2 da página anterior, elabore 
uma crônica que, além de contar a história, generalize o tema e possa ser com-
preendida como uma espécie de “conselho” para o leitor.
Crônica 2
Escolha uma das duas crônicas dissertativas e, com base no tema apresentado 
por ela, elabore uma crônica narrativa que possa ilustrar esse tema.
Crônica 3
Você se recorda de algum fato engraçado acontecido em sua sala de aula duran-
te este ano? Com base nesse fato, crie uma crônica humorística.
Crônica 4
Selecione, em um jornal ou uma revista, uma notícia recente. A partir dela, elabo-
re uma crônica dissertativa.
Após terminar as produções, vamos fazer a revisão e edição das crônicas.
1. Reúna-se em grupo. 
2. Leiam todas as crônicas elaboradas por vocês na proposta anterior.
3. Discutam cada produção, revisando o que for necessário (corrigindo proble-
mas gramaticais, reorganizando e reestruturando parágrafos, reescrevendo 
trechos, alterando finais e/ou títulos).
4. Depois de concluído trabalho de revisão, editem e publiquem um pequeno 
livro de crônicas. Para isso, criem um título sugestivo, elaborem um texto de 
apresentação ou um prefácio, coloquem ilustrações (podem ser desenhos, 
fotos, colagens,mas tudo criado por você).
PRODUÇÃO DE TEXTO
Orientação geral para a produção.
Colocam-se, aqui, condições típicas à produção de uma crônica: em especial, a predeterminação da quantidade de palavras que o texto deve ter. Isso 
colocará o/a aluno/a numa situação mais próxima do que ocorre na realidade. Nesse caso, torna-se imprescindível obedecer a essas condições. Caso a escola 
disponha de laboratório de 
informática, seria recomen-
dável que a atividade fosse 
desenvolvida ou, ao menos, 
� nalizada nesse local.
Orientar o/a aluno/a a, previa-
mente, planejar o seu texto, 
produzindo rascunhos e revi-
sando sua produção. Porém, 
alertá-lo/a para o fato de que, 
geralmente, o cronista, além 
de ter seu espaço pré-de� nido, 
trabalha sob a pressão do tem-
po, uma vez que sua coluna 
não pode � car em branco. 
Reiterar que a crônica deve ser 
produzida tendo em conta os 
possíveis leitores de um jornal 
ou de uma revista.
Como as propostas tomam 
como base as crônicas 
apresentadas na Pequena 
antologia, solicitar que os/
as alunos/as as releiam e 
veri� quem suas características. 
Além disso, incentivar que 
eles/elas leiam outras crônicas, 
de preferência, publicadas 
em jornais e/ou revistas que 
circulam em sua cidade (ou 
procurá-las na internet, em 
sites que reproduzam edições 
de jornais e/ou revistas de 
outras cidades). Nesse caso, 
solicitar que classi� quem as 
crônicas conforme se fez na 
parte teórica.
Recomenda-se que cada 
grupo seja constituído com 
um mínimo de 4 integrantes e 
um máximo de 6.
A rigor, esta produção veio 
sendo produzida ao longo 
das atividades anteriores. 
Tanto que, se houve um bom 
planejamento e uma boa 
revisão, o trabalho será mais 
ágil. Agora, como os/as alunos/
as submeterão suas crônicas 
à avaliação dos/as colegas, 
torna-se fundamental que se 
estabeleça um processo de 
trabalho cooperativo em que, 
mais do que avaliar as crônicas, 
todos/as se sintam compro-
metidos/as em produzir um 
material sem erros e de boa 
qualidade editorial. 
Além do prefácio solicitado, orientar que os/as alunos/as deem atenção aos demais aspectos formais pertinentes a um livro: capa, folha de rosto (com os 
créditos relativos à autoria dos textos e à das ilustrações) e sumário. Para familiarizar-se com esses aspectos, solicitar que os/as alunos observem diferentes 
livros [de crônicas ou não] e vejam como eles se apresentam.
Depois de elaborados os livros, fazer com que eles circulem entre todos os grupos. Para � nalização desta atividade, solicitar que cada aluno/a apresente dois 
pequenos textos: - em um deles, que comente a experiência de ter que produzir textos obedecendo a condições que, de certa forma, parecem restringir 
a criação. Quais os aspectos positivos e quais os negativos? Atenção, é preciso ressaltar que escrever sob certas condições é uma situação que o/a aluno/a 
vivenciará quando se submeter a qualquer processo seletivo, seja o ENEM, seja como candidato a uma vaga no ensino superior.
SUGESTÃO
Para facilitar a circulação das produções, se possível, solicitar que cada grupo imprima exemplares que possam ser distribuídos aos demais 
grupos. Outra solução que permite o acesso a todas as crônicas é a criação de um blog na internet.
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O ASSUNTO É:
POESIA E 
POEMA
REFLEXÃO
Leia, silenciosamente:
Velha Anedota
Artur de Azevedo
Tertuliano, frívolo peralta,
Que foi um paspalhão desde fedelho,
Tipo incapaz de ouvir um bom conselho,
Tipo que, morto, não faria falta;
Lá um dia deixou de andar à malta,
E, indo à casa do pai, honrado velho,
A sós na sala, diante de um espelho,
À própria imagem disse em voz bem alta:
– Tertuliano, és um rapaz formoso!
És simpático, és rico, és talentoso!
Que mais no mundo se te faz preciso?
Penetrando na sala, o pai sisudo,
Que por trás da cortina ouvira tudo,
Severamente respondeu: – Juízo!
AZEVEDO, Artur. Velha Anedota. In: NUNES, Cassiano; BRITO, Mário da Silva. 
Poesia brasileira para a infância. São Paulo: Saraiva, 1968.
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O poema que você leu foi escrito por Artur de Azevedo.
Arthur Nabantino Gonçalves de 
Azevedo foi um jornalista, poeta, 
contista e teatrólogo nascido em São 
Luís, MA, em 7 de julho de 1855.
W
ik
im
ed
ia
 C
om
m
on
s
1. Foi um dos grandes defensores da abolição da escravatura, tendo escrito as 
peças O Liberato e A Família Salazar, proibidas pela censura do Império e mais 
tarde publicadas em um volume intitulado O escravocrata.
a) Anote as palavras e expressões que você não conhece e pesquise seus 
significados:
b) Você leu um texto escrito em versos. Trabalhando as expressões desco-
nhecidas, reconhecendo os sentidos do texto e entendendo a intencio-
nalidade do poema, ensaie sua leitura em voz alta, procurando encontrar 
o ritmo adequado à sua expressão. Seu professor vai escolher alguns alu-
nos para apresentarem a leitura para a classe.
2. Converse com pessoas de sua casa e de sua vizinhança e pergunte-lhes se 
alguém dentre eles/elas já escreve poemas ou se já escreveu. Caso encontre 
mais de uma pessoa que escreve (ou escreveu poemas), selecione uma delas 
e a entreviste, de acordo com o roteiro a seguir.
a) Com que idade começou a fazer poemas? O que motivou a escrever?
b) Ele/Ela gosta de ler poemas? Peça que cite o nome de poetas de quem 
ele/ela mais gosta.
c) Teve algum poema publicado? Onde e quando?
d) Se parou de escrever, por que isso aconteceu? (Se continua a escrever, 
por que o faz?)
e) Peça que ele/ela lhe mostre alguns dos poemas produzidos. Transcreva 
um deles e traga para a classe apreciar.
Resposta pessoal.
Resposta pessoal.
Resposta pessoal.
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DA TEORIA À PRÁTICA
A primeira acepção que o Dicionário Houaiss traz para a palavra poeta é “es-
critor que compõe poesia”. Poderia também ter afirmado que poeta é aquele que 
escreve poemas, que faz versos.
1. Poema e poesia
O poema é um texto que apresenta particularidades que o distinguem da 
prosa. 
O texto em prosa é caracterizado pela colocação das palavras em linhas – as 
palavras, dispostas em sequência, formam a linha cuja extensão vai de um lado 
ao outro da página. Quando agrupadas, elas formam um parágrafo. 
Já o poema é composto em versos – a sua extensão é definida conforme o 
ritmo (linha melódica) escolhido pelo autor. O agrupamento de versos forma 
uma estrofe. Observe o poema de Carlos Drummond de Andrade, reproduzido 
a seguir. Drummond o compôs em 8 versos agrupados em apenas uma estrofe.
Poesia
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião: 10 livros de poesia. 
7. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976, p. 16.
O título desse texto e o verso “Mas a poesia deste momento” permitem fazer 
uma indagação: qual é a diferença entre poesia e poema?
Quando se designa a forma do texto (versos agrupados em estrofes), não há 
grande diferença. Tanto se pode dizer “Li os poemas de Drummond” como “Li as 
poesias de Drummond”. Assim é que, nos dicionários, poema diz respeito à obra 
escrita em versos e poesia, à arte de escrever versos. As duas acepções remetem 
ao aspecto formal da produção.
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MATERIA
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No entanto, quando Drummond escreve que “a poesia deste momento inunda 
minha vida inteira”, nota-se que o alcanceda palavra poesia é mais abrangente. Nesse 
caso, refere-se ao sentimento, à sensação, a algo que nem sempre é possível expressar 
em palavras. Por isso, em determinadas situações da vida, quando o ser humano se 
encanta com algo ou tem seus sentimentos despertados por algo, costuma-se definir 
esse instante como poético, ou seja, carregado de poesia. Drummond compôs um 
poema (ou uma poesia) em que expressa seu sentimento (a poesia que inunda), to-
davia não revela o que teria despertado aquele sentimento poético. 
Em síntese: para a forma, para a obra em versos, podem-se empregar os ter-
mos poema ou poesia. Já para designar o sentimento poético, somente a palavra 
poesia é a mais adequada.
2. Alguns aspectos formais
Leia com atenção o poema abaixo. Trata-se da parte II do poema “A bomba atô-
mica”. Observe o ritmo dos versos, as palavras que, ao mesmo tempo, participam de 
um jogo sonoro e semântico, provocando efeitos estéticos e motivando reflexões.
A Bomba Atômica [Parte II]
Vinícius de Moraes
[...]
A bomba atômica é triste 
Coisa mais triste não há 
Quando cai, cai sem vontade 
Vem caindo devagar 
Tão devagar vem caindo 
Que dá tempo a um passarinho 
De pousar nela e voar... 
Coitada da bomba atômica 
Que não gosta de matar! 
Coitada da bomba atômica 
Que não gosta de matar 
Mas que ao matar mata tudo 
Animal e vegetal 
Que mata a vida da terra 
E mata a vida do ar 
Mas que também mata a guerra... 
Bomba atômica que aterra! 
Pomba atônita da paz! 
Pomba tonta, bomba atômica
Tristeza, consolação 
Flor puríssima do urânio 
Desabrochada no chão 
Da cor pálida do hélium 
E odor de rádium fatal 
Lœlia mineral carnívora 
Radiosa rosa radical. 
Nunca mais, oh bomba atômica 
Nunca, em tempo algum, jamais 
Seja preciso que mates 
Onde houve morte demais: 
Fique apenas tua imagem 
Aterradora miragem 
Sobre as grandes catedrais: 
Guarda de uma nova era 
Arcanjo insigne da paz!
[...]
MORAES, Vinícius de. Antologia poética. 6. ed. Rio de 
Janeiro: Sabiá, 1967, p.181-182. (Fragmento)
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Observe no poema o ritmo dos versos, as palavras que, ao mesmo tempo, 
participam de um jogo sonoro e semântico, provocando efeitos estéticos e moti-
vando reflexões.
Nesse poema, há quatro estrofes e um total de 35 versos. Com exceção do 
verso 26 (Radiosa rosa radical), os demais versos possuem sete sílabas poéticas. 
Trata-se da redondilha maior (ou heptassílabo). Essa é uma das métricas mais 
populares, tanto que, se observarmos algumas letras de música, será possível en-
contrar diversas delas que utilizam tal metrificação. A seguir, com base nesse 
poema de Vinícius de Moraes, serão apresentados alguns aspectos formais que 
podem estar presentes na construção de um poema.
3. Métrica
A métrica de um verso corresponde à medida (quantidade de sílabas poéti-
cas), acento (alternância entre sílabas fortes e fracas) e ao seu ritmo. Para verifi-
car a métrica de um verso, realiza-se a escansão, ou seja, a divisão do verso em 
suas sílabas poéticas. Observe isso nos exemplos a seguir.
A/ bom/ba a/tô/mi/ca é/ tris/te
1 2 3 4 5 6 7 X
A bom ba a tô mi ca é tris te*
* A contagem de 
sílabas poéticas é 
feita até a última 
sílaba tônica do 
verso, desprezando-
-se, portanto, as 
sílabas posteriores.
Crase: ocorre 
quando se dá o 
encontro de vogais 
idênticas no final de 
uma palavra e no 
começo de outra. 
Quando se lê em 
voz alta, nota-se que 
elas formam uma 
única sílaba.
Elisão: ocorre 
quando se dá o 
encontro de vogais 
diferentes no final 
de uma palavra e no 
começo de outra. 
Também, quando se 
lê em voz alta, nota-
-se que elas formam 
uma única sílaba.
Verifique que os demais versos também apresentam sete sílabas poéticas. Por 
exemplo:
A/ni/mal/ e /ve/ge/tal
1 2 3 4 5 6 7
A ni mal e ve ge tal
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Flor/ pu/rís/si/ma/ do u/râ/nio
1 2 3 4 5 6 7 X
Flor pu rís si ma do u râ nio
Ar/can/jo in/sig/ne/ da/ paz
1 2 3 4 5 6 7
Ar can jo in sig ne da paz
Já o verso trinta e quatro, apresenta uma diferença. Observe:
Ra/dio/sa/ ro/sa/ ra/di/cal
1 2 3 4 5 6 7 8
Ra dio sa ro sa ra di cal
4. Acento e ritmo
Ao ler em voz alta o primeiro verso, pode-se perceber que as sílabas 4 e 7 
destacam-se, precisamente, porque são pronunciadas com mais força.
1 2 3 4 5 6 7 X
A bom ba a TÔ mi ca é TRIS te
Essa mesma estrutura pode ser vista em outros versos, mas ela não é cons-
tante. Observe.
Que mata a vida da terra 
1 2 3 4 5 6 7 X
Que ma ta a VI da da TER ra
Desabrochada no chão 
1 2 3 4 5 6 7
De sa bro CHA da no CHÃO
Aterradora miragem 
1 2 3 4 5 6 7 X
A ter ra DO ra mi RA gem
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 79LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 79 25/08/2022 15:26:2025/08/2022 15:26:20
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Vem caindo devagar
1 2 3 4 5 6 7
Vem ca IN do de va GAR
Bomba atômica que aterra!
1 2 3 4 5 6 7 X
Bom ba a TÔ mi ca que a TER ra!
Observe como é diferente a acentuação dos dois versos reproduzidos abaixo 
(um deles é o que foge à regularidade do poema).
Lœlia mineral carnívora 
1 2 3 4 5 6 7 X
Lœ lia mi ne RAL car NÍ vora!
Radiosa rosa radical
1 2 3 4 5 6 7 8
Ra DIO sa RO sa ra di CAL
O ritmo do poema, além de ser marcado pela acentuação de cada verso, es-
tabelece-se pela sonoridade das palavras: suas repetições e suas proximidades 
sonoras. Observe como o ritmo, além de sua marca sonora, também dá força ao 
significado do poema.
Quando cai, cai sem vontade
1 2 3 4 5 6 7 X
Quan do CAI cai sem von TA de
Embora a palavra cai venha repetida, perceba que, na segunda vez, em razão 
da pausa, ela é lida como sílaba fraca. Com isso, ressalta-se, sonoramente, que a 
bomba perde sua força, está sem vontade.
Outros exemplos.
Vem caindo devagar
Tão devagar vem caindo
As repetições reiteram a sensação de que a queda da 
bomba ocorre de forma lenta.
Bomba atômica que aterra!
Pomba atônita da paz!
A aliteração (b/p; m/n) e a paronomásia (bomba/pomba; 
atômica/atônita) criam uma aproximação paradoxal, em 
que a bomba se transforma em objeto da paz (pomba).
Nunca mais, oh bomba atômica
Nunca, em tempo algum, jamais
A anáfora (nunca/nunca) e a reiteração semântica 
(nunca/ em tempo algum/jamais) expressam o desejo 
do poeta de que a bomba pare de matar.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 80LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 80 25/08/2022 15:26:2125/08/2022 15:26:21
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5. Rima
Há outro elemento formal muito importante para marcar o ritmo de um 
poema: a rima. Ela ocorre quando há coincidências sonoras no final de cada 
verso. Observe.
Nunca mais, oh bomba atômica 
Nunca, em tempo algum, jamais 
Seja preciso que mates 
Onde houve morte demais: 
Fique apenas tua imagem 
Aterradora miragem 
Sobre as grandes catedrais: 
Guarda de uma nova era 
Arcanjo insigne da paz!
Reitera-se: a rima é a 
coincidência sonora, por isso, 
há rima entre a palavra paz
[que, ao ser pronunciada, soa 
como pais] e jamais/demais/
catedrais.
6. Poema e letra de música
As aproximações entre a poesia e a música são evidentes: ambas têm a so-
noridade como fator relevante em sua construção. Historicamente, é sabido que, 
na Antiguidade, na Grécia, em Roma, os poemas eram acompanhados por ins-
trumentos musicais (em especial, a lira – de onde se deriva o termo lírico com 
o qual se designa o poema que, subjetivamente, expressa sentimentos humanos, 
tais como, o amor, a saudade, a dor e a alegria, a felicidade e a tristeza). Na Idade 
Média, preponderou o Trovadorismo, caracterizado pela construção de cantigas 
– de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer – apresentadas pelos trovadores 
também com acompanhamento musical.
Daí, a associação da poesia coma letra de música contemporânea fica fácil 
de compreender. E, quando são aplicadas as peculiaridades formais do poema à 
letra de uma música, será possível perceber muitas semelhanças. A grande dife-
rença é que o poeta compõe seu texto para ser impresso em papel e para a leitura 
e/ou a expressão em voz alta, enquanto o compositor popular tem como finali-
dade expressá-la por meio do cantar. Tanto assim que, geralmente, em primeiro 
lugar se elabora a música e, sobre ela, a letra.
Em síntese: o poeta toma a palavra e sua capacidade expressiva e sonora 
como matéria-prima de seu trabalho e, daí, a musicalidade se fará presente. O 
letrista, por sua vez, tem a música como sua matéria-prima e, daí, as palavras são 
escolhidas para se harmonizar com a música.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 81LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 81 25/08/2022 15:26:2125/08/2022 15:26:21
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Leia a seguir, e se possível, pesquise a gravação dessa música e compare-a 
com sua leitura.
O mundo é um moinho
Cartola [Angenor de Oliveira]
Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção: o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com teus pés
OLIVEIRA, Angenor. O mundo é um moinho. In: Cartola. Cartola. 
São Paulo: Discos Marcus Pereira, 1976. 1 LP, Faixa 1.
APLICAÇÃO
1. Leia, a seguir, duas quadras (poema de uma estrofe só, com-
posta com quatro versos) do poeta Fernando Pessoa.
TRAZES os brincos compridos,
Aqueles brincos que são
Como as saudades que temos
A pender do coração.
PESSOA, Fernando. Quadras ao 
gosto popular. In PESSOA, Fernando. 
Obra poética. Rio de Janeiro: 
Nova Aguilar, 1995, p. 665.
SAUDADES, só portugueses
Conseguem senti-las bem.
Porque têm essa palavra
Para dizer que as têm.
PESSOA, Fernando. Quadras ao 
gosto popular. In: PESSOA, Fernando. 
Obra poética. Rio de Janeiro: 
Nova Aguilar, 1995, p. 664.
As atividades propostas nesta 
parte enfatizam, sobretudo, 
a produção de poemas. A 
intenção não é fazer dos/
das alunos/alunas poetas, 
mas que possam exercitar 
a linguagem da poesia. Por 
esse motivo, recomenda-se 
que as produções sejam ava-
liadas de forma mais ampla, 
discutindo-se os recursos 
empregados na criação dos 
textos e os efeitos por eles 
produzidos.
Sugestão
No decorrer das avaliações 
de cada questão, selecionar 
algumas das produções para 
que possam, se possível, 
ser publicadas – em livro, 
em blog ou rede social na 
internet. Nesse caso, alunos 
e alunas poderiam também 
preparar ilustrações para 
cada texto selecionado.
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a) Fazendo a escansão dos versos de cada quadra, quantas sílabas poéticas 
eles têm?
b) Pense em um tema e elabore uma quadra com a mesma quantidade de 
sílabas poéticas apresentadas nas quadras de Fernando Pessoa.
2. Em meados da década de 1950, surgiu no Brasil o movimento concretista. 
Uma de suas propostas era trabalhar o poema tanto pelo seu valor semânti-
co quanto pelo seu aspecto visual.
Assim, os poemas concretos impuseram mudanças e inovações na poesia 
da época, possibilitando as palavras e expressões apresentarem sentidos di-
ferentes, inesperados e ambíguos. A partir de uma forma de apresentação 
inusitada, criava-se uma ligação com as artes visuais trabalhando o aspecto 
visual, focando uma nova maneira de expressar a obra poética. Veja, abaixo, 
um exemplo de poema concreto.
v e m n a v i o
 v a i n a v i o
 v i r n a v i o
 v e r n a v i o
 v e r n ã o v e r
 v i r n ã o v i r
 v i r n ã o v e r
v e r n ã o v i r
 v e r n a v i o s
CAMPOS, Haroldo de. ver navios. In SIMON, 
Iumna Maria e DANTAS, Vinicius (orgs.). Poesia 
concreta. São Paulo: Abril Educação, 1982, 
p. 31 – Coleção Literatura Comentada]
a) Elabore uma síntese interpretativa do poema de Haroldo de Campos.
b) Pesquise outros poemas concretos e perceba a diversidade de possibili-
dades de apresentação dessas obras.
Elabore um poema que, por meio da distribuição das palavras (e das le-
tras), componha uma imagem.
1. a) Os versos têm sete 
sílabas poéticas – redondilha 
maior. Por se tratar de qua-
dras de sabor popular, essa 
medida é bem adequada.
b) Resposta pessoal. Selecio-
nar algumas das quadras e 
fazer a escansão no quadro 
e coletivamente, para não 
somente veri� car se elas 
estão de acordo com o que 
foi solicitado, como também 
aprofundar o exercício de es-
candir versos, o que, valoriza 
ainda mais a expressividade 
do poema.
Sugestão
Nesta atividade, aproveitar 
para discutir as aproximações 
que pode haver entre as pro-
duções de Fernando Pessoa 
e as dos/das alunos/alunas 
com as poesias populares 
e, principalmente, a poesia 
infantil.
2. a) Basicamente, Haroldo 
de Campos reconstrói uma 
frase-clichê: “� car a ver 
navios”. Assim, discutir as 
respostas com o propósito de 
se perceber que, por meio da 
disposição grá� ca e da repeti-
ção, o poeta “mostra” o clichê, 
porém, simultaneamente, 
como que ironiza e critica a 
frase feita. 
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3. Leia o poema de Mário Quintana:
Os poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
Como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
QUINTANA, Mário. Os poemas. In: _____. Poesias 
completas. Rio de janeiro: Nova Aguilar, 2005.
O texto é todo construído por meio do emprego de uma figura de estilo.
Essa figura é denominada
a) elipse
b) metáfora
c) metonímia
d) personificação
4. Leia o poema de Haroldo de Campos e assinale a alternativa correta.
se
nasce
morre nasce
morre nasce morre
 renasce remorre renasce
 remorre renasce
 remorre
 re
 [...]
CAMPOS, Haroldo de. Se nasce/morre. In: CAMPOS, Augusto de; 
PIGNATARI, Décio; CAMPOS, Haroldo de. Teoria da Poesia Concreta, 
São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1975, p. 57 (Fragmento).
X
Professor: Se for necessário, 
explique a de� niçao de 
metáfora. É uma � gura de 
linguagem que produz sen-
tidos � gurados por meio de 
comparações. É recurso ex-
pressivo que consiste em usar 
um termo ou uma ideia com 
o sentido de outro semelhan-
te. Exemplo: É um touro (isto 
é, forte como um touro).
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( ) O poeta respeitou a distribuição linear do verso como elemento fun-
damental do poema.
( ) A relação entre leitor e texto se perde na comunicação visual criada.
( ) O poeta despreza a decomposição e montagem das palavras.
( ) As rimas são fundamentais na construção do texto.
( ) No poema concreto, ocorre o abandono do discurso tradicional, privi-
legiando os recursos gráficosdas palavras.
5. Leia o trecho de “Meus oito anos”, um dos poemas mais populares da Litera-
tura Brasileira, escrito por Casemiro de Abreu.
[...]
Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que � ores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
[...]
ABREU, Casimiro de. Meus oito anos. In: _____. As primaveras. p. 14. Disponível 
em <http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.
do?select_action=&co_obra=2173>. Acesso em: 4 jul. 2017.
a) Apenas uma alternativa a seguir não se pode afirmar sobre o poema. 
Marque qual é.
( ) O poeta se vale do texto para manifestar sua saudade da infância.
( ) A memória da infância do poeta está intimamente ligada à natureza.
( ) O poeta é racional e extremamente contido ao demonstrar sua emo-
ção.
( ) A linguagem se aproxima da fala popular, característica da poesia ro-
mântica.
X
X
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b) Chico Buarque de Hollanda escreveu um texto utilizando a mesma ideia 
e estrutura de Casimiro, criando assim uma paródia do poema. Leia o 
trecho e desenvolva a atividade a seguir.
Ai que saudades que eu tenho
Dos meus doze anos
Que saudade ingrata
Dar banda por aí
Fazendo grandes planos
E chutando lata
Trocando � gurinha
Matando passarinho
Colecionando minhoca
[...]
HOLANDA, Chico Buarque. Doze anos. In: _____. Ópera do malandro. 
LP, 1979, Polygram, 1 LP, lado B, faixa 2. (Fragmento).
Faça uma pesquisa em livros e/ou na internet e localize poemas ou letras de 
música que tenham utilizado o poema de Gonçalves Dias como referência. 
Escolha dois que, para você, tenham sido mais significativos. Escreva o título 
e a autoria de cada texto. Para cada um deles, elabore um pequeno texto que 
justifique a sua escolha.
c) Agora é a sua vez de fazer um exercício de intertextualidade. Elabore o 
seu poema “Meus oito anos”. Depois de escrito, compare com a produ-
ção de seus colegas.
Nas justi� cativas, discutir se as motivações originam-se da aproximação com 
o poema original ou do efeito humorístico (a rigor, muitos desses poemas, 
Como esta produção foi precedida pela pesquisa por outras “canções do exílio”, provavelmente, o/a aluno/a 
terá di� culdades para encontrar uma visão original. Assim, recomenda-se orientá-lo/a a procurar temas 
contemporâneos e pensar na palavra exílio de modo � gurado.
trabalham o tema de forma irônica). Aproveitar para trabalhar os diferentes contextos em que os textos foram 
produzidos. Por exemplo “Sabiá” e “Marginália II” foram compostas no período da ditadura militar (1964-1984).
Dentre os vários autores que 
dialogaram com o texto de 
Gonçalves Dias, estão: Casimiro 
de Abreu (“Canção do exílio”), 
Carlos Drummond de Andrade 
“(Europa, França e Bahia” e 
“Nova canção do exílio”), Muri-
lo Mendes (“Canção do exílio”), 
Oswald de Andrade (“Canto 
de regresso à pátria”), Chico 
Buarque de Holanda e Tom 
Jobim (“Sabiá”, música vence-
dora de um Festival de MPB), 
José Paulo Paes (“Canção de 
exílio facilitada”); Gilberto Gil e 
Torquato Neto (“Marginália II” 
– letra de música); Guilherme 
de Almeida (“Canção do expe-
dicionário”); Jô Soares (“Canção 
do exílio às avessas”).
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6. O soneto é o nome que se dá ao poema constituído por dois quartetos 
(quarteto = estrofe de quatro versos) e dois tercetos (terceto = estrofe de 
três versos). Trata-se de uma estrutura poética das mais prestigiadas. Há, até 
mesmo, letras de música compostas nesse formato. Observe:
PIEDADE 
O coração de todo o ser humano 
foi concebido para ter piedade, 
para olhar e sentir com caridade, 
� car mais doce o eterno desengano. 
Para da vida em cada rude oceano
arrojar, através da imensidade,
tábuas de salvação, de suavidade, 
de consolo e de afeto soberano. 
Sim! Que não ter um coração profundo
é os olhos fechar à dor do mundo, 
� car inútil nos amargos trilhos. 
É como se o meu ser compadecido
não tivesse um soluço comovido
para sentir e para amar meus � lhos!
CRUZ E SOUSA, João da. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/
texto/bn000078.pdf, página 1. Consulta realizada em 21 de abril de 2022.
a) Todos os versos desse poema apresentam a mesma quantidade de síla-
bas poéticas? Justifique.
b) O que teria motivado os sentimentos expressados no poema? Elabore 
um soneto que apresente uma situação que teria desencadeado esses 
sentimentos.
Sim. Justi� cativa: todos têm 10 sílabas poéticas. Versos decassílabos.
Um soneto deve apresentar duas estrofes de quatro versos e duas estrofes de três 
versos, com rimas.
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PRODUÇÃO DE TEXTO
1. Desenvolva a atividade a seguir, em grupo.
a) Reúna-se em grupo.
b) Escolha um dos poemas relacionados em Antologia de poemas para leitura 
em voz alta (esta antologia está publicada ao final destas orientações).
c) Leiam o poema escolhido diversas vezes, procurando encontrar o ritmo 
adequado à sua expressão em voz alta. Além disso, tente compreender 
os sentidos do texto, pesquisando o significado de palavras ou expres-
sões desconhecidas, bem como entender as intencionalidades do texto.
d) Experimentem a leitura de várias maneiras e, a partir daí, procedam à 
divisão de vozes, de tal forma que seja obtida a melhor expressividade 
do poema. Nesse caso, é possível que determinado verso ou trecho dele 
seja lido por duas, três ou, até mesmo, todas as vozes. O importante é 
garantir tanto a expressividade quanto a inteligibilidade do poema.
e) Apresentem para a sala a leitura do poema escolhido. Atenção: nessa 
apresentação, não deve ser utilizado recurso sonoro (não usar música 
nem acompanhamento por instrumentos musicais) e tampouco realizar 
dramatização. O que deve ficar em evidência é a voz das pessoas.
Durante a apresentação dos demais grupos, anote em seu caderno os aspec-
tos positivos e negativos de cada uma delas.
Antologia de poemas para leitura em voz alta
Digo sim
Ferreira Gullar
Poderia dizer
que a vida é bela, e muito,
e que a revolução caminha com pés de � or
nos campos de meu país,
com pés de borracha
nas grandes cidades brasileiras
         e que meu coração
é um sol de esperanças entre pulmões
         e nuvens.
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Poderia dizer que meu povo
é uma festa só na voz
de Clara Nunes
                    no rodar
das cabrochas no Carnaval
da Avenida.
                 Mas não. O poeta mente.
A vida nós a amassamos em sangue
          e samba
enquanto gira inteira a noite
sobre a pátria desigual. A vida
nós a fazemos nossa
alegre e triste, cantando
          em meio à fome
          e dizendo sim
– em meio à violência e à solidão dizendo
   sim – 
pelo espanto da beleza
pela � ama de Tereza
         pelo meu � lho perdido
neste vasto continente
           por Vianinha ferido
           pelo nosso irmão caído
pelo amor e o que ele nega
pelo que dá e que cega
          pelo que virá en� m,
          não digo que a vida é bela
          tampouco me nego a ela:
         – digo sim.
GULLAR, Ferreira. Digo sim. In: BRAIT, Beth (Org.). Ferreira Gullar. São 
Paulo: Abril Educação, 1981, p. 73 Coleção Literatura comentada.
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NavioNegreiro 
I
‘Stamos em pleno mar... Doudo no espaço 
Brinca o luar — dourada borboleta; 
E as vagas após ele correm... cansam 
Como turba de infantes inquieta.
 ‘Stamos em pleno mar... Do � rmamento 
Os astros saltam como espumas de ouro... 
O mar em troca acende as ardentias, 
— Constelações do líquido tesouro... 
‘Stamos em pleno mar... Dois in� nitos 
Ali se estreitam num abraço insano, 
Aninha e suas pedras
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.
Cora Coralina, Melhores poemas. Editora Global, 2020.
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ALVES, Castro. “O navio negreiro”. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/
bv000068.pdf. Acesso em 21 de abril de 2022. ALVES, Castro. “O navio negreiro”. In: 
2. Com base na leitura dos quatro sonetos, que seguem, escolha uma das propostas.
Proposta 1
Atividade individual
a) Escolha um dos sonetos apresentados no final deste capítulo.
b) Tomando o poema escolhido como base, elabore um poema-paródia 
que tenha como assunto algum fato ocorrido recentemente.
c) Imprima o poema que você produziu, acompanhado de uma ilustração elabo-
rada por você (essa ilustração pode ser uma foto, uma colagem ou um desenho).
d) Apresente sua produção para a sala.
Proposta 2
Atividade em grupo
a) O grupo deverá selecionar um dos SONETOS apresentados no final deste capítulo.
b) Transformem o poema escolhido em um texto audiovisual. Para isso, o 
grupo poderá utilizar recursos de computador (Power point ou flash, por 
exemplo) ou filmar (captando imagens por filmadora e/ou por celular).
Azuis, dourados, plácidos, sublimes... 
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
 ‘Stamos em pleno mar... Abrindo as velas 
Ao quente arfar das virações marinhas, 
Veleiro brigue corre à � or dos mares, 
Como roçam na vaga as andorinhas... 
Donde vem? onde vai? Das naus errantes 
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço? 
Neste saara os corcéis o pó levantam, 
Galopam, voam, mas não deixam traço.
Bem feliz quem ali pode nest’hora 
Sentir deste painel a majestade! 
Embaixo — o mar em cima — o � rmamento... 
E no mar e no céu — a imensidade! 
Esta produção poderá ser ini-
ciada com antecedência para 
que haja tempo de realização 
e, principalmente, possa haver 
um acompanhamento mais 
detalhado de todo o processo 
de execução de cada proposta.
Também antes, solicitar que 
sejam lidos os sonetos e, 
somente depois disso, registrar 
as escolhas de cada proposta.
Na escolha das propostas, 
orientar para que ela seja feita 
de acordo com o potencial e 
as capacidades de cada aluno/
aluna.
Proposta 1
Trata-se de uma proposta que 
retoma o conceito de inter-
textualidade, mas agora com 
a solicitação de que o texto 
produzido seja acompanha-
do de ilustração [desenho, 
pintura, foto, colagem etc.]. Ao 
acompanhar o processo de ela-
boração, orientar o/a aluno/a 
para explorar todas as possi-
bilidades da linguagem, sem 
perder o tema escolhido – um 
fato recentemente acontecido. 
A apresentação dos trabalhos 
pode ser feita no formato ex-
posição: que o/a aluno/aluna 
prepare um grande cartaz para 
que a paródia e a ilustração 
� quem bem visíveis.
Proposta 2
Neste trabalho, o grupo elabo-
rará um exercício de tradução 
intersemiótica – passagem de 
uma linguagem (aqui verbal) 
para outra (audiovisual). Orien-
tar para que a criatividade seja 
o ponto alto, de forma que a 
seleção de imagens e/ou sons 
permita dar maior amplitude 
ao sentido do soneto.
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c) Para que a criação tenha maior realce, procurem imagens e/ou sons que 
deem maior amplitude ao universo semântico do poema.
d) Apresentem a produção para a sala.
Proposta 3
Atividade em dupla
a) Escolham um dos sonetos apresentados no final deste capítulo.
b) Elaborem, para esse poema, uma música.
c) Apresentem a produção para a sala, utilizando instrumentos musicais.
Soneto 1
Inverno
Amanheceu – no topo da colina
Um céu de madrepérola se arqueia
Limpo, lavado, reluzindo – ondeia
O perfume da selva esmeraldina.
Uma luz virginal e cristalina,
Como de um rio a transbordante cheia,
Alaga as terras culturais e arreia
De pingos d’ouro os verdes da campina.
Um sol pagão, de um louro gema d’ovo,
Já tão antigo e quase sempre novo
Surge na frígida estação do inverno.
– Chilreiam muito em árvores frondosas
Pássaros – fulge o orvalho pelas rosas
Como o vigor no espírito moderno.
Cruz e Sousa, Poesia Completa, org. de Zahidé Muzart, Florianópolis: Fundação Catarinense 
de Cultura / Fundação Banco do Brasil, 1993. In: http://www.dominiopublico.gov.br/
download/texto/bv000075.pdf. página 27. Consulta realizada em 21 de abril de 2022.
Proposta 3
Embora pareça simples, esta é 
uma atividade que exige muito 
cuidado, pois, conforme depoi-
mento de autores/autoras de 
letras de música é bem mais 
difícil colocar música em um 
poema. Geralmente, a letra é 
feita depois da música. Por isso, 
esta é uma proposta que será 
mais bem realizada por quem 
tem habilidades musicais. 
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Soneto 2
Soneto 092 
Mudam se os tempos, mudam se as vontades, 
muda se o ser, muda se a con� ança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades, 
diferentes em tudo da esperança; 
do mal � cam as mágoas na lembrança, 
e do bem (se algum houve), as saudades. 
O tempo cobre o chão de verde manto, 
que já coberto foi de neve fria, e, en� m, 
converte em choro o doce canto. 
E, afora este mudar se cada dia, 
outra mudança faz de mor espanto, 
que não se muda já como soía.
CAMOES, Luiz Vaz de. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/
bv000164.pdf, página 31. Consulta realizada em 21 de abril de 2022. 
Soneto 3
Soneto XIII
 “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, 
Que, para ouvi-las, muita vez desperto 
E abro as janelas, pálido de espanto... 
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Soneto de separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
Soneto 4
E conversamos toda a noite, enquanto 
A via-láctea, como um pálio aberto, Cintila. 
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, 
Inda as procuro pelo céu deserto. 
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido 
Tem o que dizem, quando estão contigo?” 
E eu vos direi:”Amai para entende-las! 
Pois só quem ama pode ter ouvido 
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.
BILAC, Olavo. Antologia : Poesias. São Paulo : Martin Claret, 2002. p. 37-55 : Via-Láctea. 
(Coleção a obra-prima de cada autor). In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/
texto/bv000289.pdf. página 6. Consulta realizada em 21 de de abril de 2022.
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De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que sefez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
Vinicius de Moraes. Antologia poética. São Paulo, Cia. das Letras - Editora Schwarcz, 1999
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REFLEXÃO
Leia o texto que foi publicado no jornal Folha de S. Paulo, de 30 de março 
de 2001.
O dragão invencível
José Roberto Torero
Era uma vez uma distante e bela � oresta onde vivia um dragão invencível. Ele 
tinha escamas de ferro que não eram perfuradas nem pelas mais pontiagudas 
lanças, uma cauda cheia de espinhos que derrubava até as maiores árvores, asas 
que produziam verdadeiros tufões e, é claro, todos tremiam diante do calor das 
chamas que saíam de sua garganta.
Muitos animais daquela � oresta já tinham tentado derrotá-lo. A maioria deles vi-
rou churrasco. E bem passado. Não havia dente de tigre, patada de cavalo ou nariz 
de tatu que conseguisse feri-lo, e assim a fama do dragão chegou até aos mais 
distantes recantos do planeta.
Durante longos e longos anos, o dragão invencível fez jus ao epíteto de invencível. 
E quando algum maluco ousava opor-se a ele, os urubus começavam a lamber os 
beiços antes mesmo de a luta começar.
Com tamanha facilidade em derrotar seus oponentes, o dragão invencível foi 
� cando preguiçoso. Já não fazia mais seu cooper matinal (que sempre causava 
grandes terremotos), esqueceu de praticar haltero� lismo com a cauda, não trei-
nava mais golpes de focinho e nem mesmo tomava mais seu famoso chá de alho 
com pimenta que tanto ajudava suas chamas. Passou a viver da glória. Tudo corria 
tranquilamente até que, certo dia, um esforçado tigre de uma terra distante resol-
veu desa� á-lo.
6
O ASSUNTO É:
COERÊNCIA E 
COESÃO
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1. O texto, originalmente, não foi escrito para crianças. Porém, sua elaboração, obe-
dece a uma fórmula de texto infantil. Diante disso, quanto ao tipo de texto, como 
você classificaria essa narrativa? Que aspectos do texto justificam sua resposta?
2. Identifique os locais em que ocorrem as ações narradas.
3. Enumere as referências temporais apresentadas ao longo da narrativa. Após 
esse levantamento, você diria que as ações obedecem a uma cronologia li-
near? Justifique.
4. Em face dos personagens e dos locais apresentados nesta narrativa, há, pelo 
menos, seis elementos que causam estranheza. Cite alguns deles e explique 
por que eles são mencionados.
5. Considerando o contexto apresentado, responda:
a) o que significa “acabar numa draga”? 
b) como se denomina o jogo com as palavras “dragão” e “draga”? 
“Você está pronto para perder?”, perguntou o dragão.
Não há derrota antes da luta”, respondeu o felino.
“Logo se vê que você nunca ouviu as lendas que se contam sobre mim. E nem viu 
um VT.”
A luta foi então marcada para o deserto e, após uma hora e meia de patadas, ocor-
reu o inesperado: o tigre saiu vencedor.
Aquilo foi um terrível golpe para o renome do dragão invencível, mas – vejam 
como é estranho esse negócio de fama – muitos moradores de povos longínquos 
simplesmente não acreditaram na história. “O dragão foi derrotado? Isso é história 
da carochinha. Conte outra.”
Foi preciso que um cavalo e um tatu também o derrubassem para que se come-
çasse a crer que o dragão invencível talvez não fosse tão invencível assim.
Então todos os animais da � oresta começaram a desa� ar o dragão. E, pior, conse-
guiam vencê-lo. O elefante atirou-o longe com sua tromba, o bode deu-lhe tre-
mendas chifradas na cauda, e o macaco fez com que ele escorregasse em cascas 
de bananas. Hoje até a pulga a� rma que só está esperando sua vez para derrotá-lo.
Moral da história: sem esforço e dedicação, qualquer dragão acaba numa draga.
TORERO, José Roberto. O dragão invencível. Folha de S. Paulo. 30 de março de 2001. Disponível 
em <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ esporte/fk3003200127.htm>. Acesso em 4 jul. 2017.
b) Trocadilho. Sugestão: solicitar que sejam produzidas pequenas frases, utilizando esse recurso e, se possível, o jogo 
entre denotação e conotação (ver orientação acima).
1. É uma fábula. O texto começa 
com a expressão “era uma 
vez”, a história se passa em um 
tempo e lugares distantes, tem 
como personagens animais 
com características humanas 
e termina com uma “moral da 
história”.
2. • Floresta: local onde viviam o 
dragão e outros animais
• Terra distante: de onde veio o 
tigre que desa� ou o dragão
Deserto: local que receberia a 
luta entre o dragão e o tigre.
3. “Era uma vez”, “durante lon-
gos e longos anos”, “certo dia”, 
“hoje até a pulga...”. 
A ação é linear, começa com o 
dragão invencível derrotando 
todos os que o desa� avam, 
depois desleixado, vivendo 
da fama e da glória que tinha 
conquistado, até que, desa� ado 
pelo tigre para uma luta, perde 
para ele e para outros animais 
e tem sua invencibilidade 
questionada.
4. Fazer um cooper matinal, 
ver um VT. Estes elementos são 
mencionados para fazer uma 
ligação com a situação real que 
inspirou a fábula.
5. a) Acabar mal, desacreditado. 
Aproveitar para trabalhar deno-
tação e conotação. No dicioná-
rio Houaiss, uma das acepções 
de draga é: ”embarcação ou 
estrutura � utuante destinada 
a retirar areia, lama ou lodo do 
fundo do mar, de rios e canais”. 
Assim, o que “acaba numa 
draga” é lixo, entulho. Assim, 
ao escolher a palavra “draga”, o 
autor explora a aproximação 
sonora (dragão/draga) e a 
utiliza conotativamente
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6. Como afirmado na questão 1, este texto não foi produzido como leitura para 
crianças. José Roberto Torero o publicou no Caderno Esportes, do jornal Folha 
de S. Paulo. A que esporte ele se refere? Há, no texto, uma expressão que se 
relaciona a esse esporte. Identifique-a.
7. Embora este texto tenha sido escrito e publicado em 2001, você entende 
que ele pode ser considerado atual? Por quê?
8. Pesquise histórias infantis e escolha uma que possa se relacionar a algum fato que 
foi noticiado recentemente. Anote o título da história, um pequeno resumo dela, o 
fato ao qual você está relacionando e as suas justificativas.
9. Apresente para seus colegas a história e, sem falar do fato ao qual você a 
associou, peça que eles mencionem a que fato aquela história poderia ser 
relacionada. Será que haverá outros fatos que se associam à história que você 
selecionou? Discuta quais aspectos do texto infantil e da(s) notícia(s) justifi-
cariam as relações existentes entre eles. Elabore uma síntese das discussões. 
DA TEORIA À PRÁTICA
1. Coesão textual
A palavra coesão, em Física, conforme o Dicionário Houaiss, designa a “força 
de atração entre átomos e moléculas que constituem um corpo, e que resiste a que 
este se quebre”. Em outro contexto, quando se faz referência a um grupo eficiente, 
diz-se que isso ocorre porque é coeso, ou seja, a relação entre seus integrantes é 
forte e há coesão entre eles. Por exemplo, um técnico de futebol pode justificar a 
boa atuação do seu time, afirmando que a “equipe atuou de forma coesa”.
Transferindo-se estas acepções para o processo pelo qual se dá a produção 
de um texto, pode-se afirmar que ele se apresenta coeso quando há forte atração 
entre os diferentes elementos que o constituem, dando resistência ao texto de tal 
forma que ele não se quebre. Do ponto de vista comunicacional, significa dizer 
que se produziu um texto eficiente, que produz sentido.
Entende-se, então, que o texto será o resultado das ações realizadas pelo 
emissor, tais como: escolha de palavras; a ordem em que elas aparecem; o ta-
manho das frasese dos parágrafos. No entanto, essas ações não são realizadas 
aleatoriamente, já que o texto não é uma simples soma de palavras ou de frases. O 
emissor terá que trabalhar seu texto de modo a garantir a sua compreensão. Para 
isso, deve estar atento a questões relativas ao código que utiliza.
Se, por acaso, o primeiro parágrafo do texto trabalhado no início desta uni-
dade, fosse escrito desta forma: 
Era uma vez um distante e belo floresta onde vivia um dragão invencível. Ela
tinha escamas de ferro que não eram perfuradas nem pelas mais pontiagudas 
lanças, uma cauda cheia de espinhos que derrubava até as maior árvores, asas que 
produziam verdadeiros tufões e, é claro, todos tremia diante do calor das chamas 
que saíam de sua garganta.
6. “Após uma hora e meia de 
patadas...”. É uma referência ao 
futebol, que é disputado em 
noventa minutos.
7. O texto pode ser considera-
do atual tanto por sua lingua-
gem quanto pelas questões 
relacionadas ao futebol, que 
estão por trás da fábula. Pode, 
também, ser associado a qual-
quer situação semelhante, tais 
como: uma pessoa (político, 
celebridade, artista), uma em-
presa que já teve momentos 
de glória e, atualmente, passa 
por sérias di� culdades e tem 
seu prestígio ameaçado.
8. Uma das � nalidades desta 
questão é promover a com-
preensão de que as narrati-
vas infantis são textos que, 
além de contar uma história, 
muitas vezes têm a intenção 
de aconselhar, de modi� car 
comportamentos. Ao fazer a 
aproximação desse tipo de 
texto com fatos cotidianos, é 
possível perceber que ele se 
renova e se apresenta ao leitor 
de forma inusitada.
Orientar o/a aluno/a a registrar 
a fonte em que obteve os tex-
tos selecionados. Importante 
para que possa incorporar esse 
procedimento e, autonoma-
mente, o empregue em outras 
situações.
9. Neste momento, sugere-se, 
ainda, que o fato seja mencio-
nado e a sala desa� ada a indi-
car o texto infantil ao qual se 
associa. Para aprofundar esta 
questão, pode-se solicitar que 
outros tipos de texto (letras de 
música, poemas, pinturas) se-
jam utilizados nesse processo 
de associação. 
Conforme as sínteses vão 
sendo apresentadas, solicitar 
que um/a aluno/a anote, no 
quadro ou em seu caderno, os 
aspectos considerados mais 
relevantes. Ao � nal, esse texto 
será a síntese da sala.
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A leitura deste trecho provoca estranheza, pois há expressões que foram uti-
lizadas em desacordo com a língua normativa. Em todas as expressões destaca-
das, nota-se que as regras de concordância nominal ou de concordância verbal 
foram desconsideradas:
• “... um distante e belo floresta...”: floresta– substantivo feminino – pede que 
as palavras com as quais ela se relaciona obedeçam à concordância no gênero 
feminino. Assim, “uma distante e bela floresta” mostra essa obediência.
• “...um dragão invencível. Ela tinha escamas...”: dragão – substantivo mas-
culino – pede que as palavras com as quais ela se relaciona obedeçam à 
concordância no gênero masculino. Assim, “ ... um dragão invencível. Ele 
tinha escamas”.
• “...derrubava até as maior árvores...”: árvores – substantivo no plural – 
pede que as palavras com as quais ela se relaciona obedeçam à concor-
dância de flexão (plural). Assim, “...derrubava até as maiores árvores...”:
• “...todos tremia diante do calor...”: todos – sujeito, no plural, do verbo tre-
mer – pede que o verbo concorde com o sujeito. Assim, “...todos tremiam
diante do calor...”.
Em todos os exemplos apontados, trabalhou-se um dos processos de coesão 
textual: as relações gramaticais. Portanto, o conhecimento gramatical é um dos 
fatores significativos para a elaboração de um texto coeso.
Para conhecer outro fator importante, observe as palavras destacadas em ou-
tro trecho do texto de José Roberto Torero:
Tudo corria tranquilamente até que, certo dia, um esforçado tigre de uma 
terra distante resolveu desafiá-lo.
“Você está pronto para perder?”, perguntou o dragão.
“Não há derrota antes da luta”, respondeu o felino.
Por que o autor, em lugar de usar a palavra tigre, empregou felino? Porque a 
repetição de palavras e/ou expressões pode tornar o texto cansativo ou desinte-
ressante à leitura. Para evitar isso, lança-se mão de outras palavras que as subs-
tituem de modo eficaz. A palavra felino – que designa a família a que o tigre 
pertence – substitui tigre. Como esta palavra foi apresentada antes, o leitor, desde 
que saiba que o tigre é um animal daquela família, não terá dificuldade em com-
preender o sentido desse trecho.
No exemplo citado, foi empregado, anteriormente, um termo específico (ti-
gre) que foi substituído por outro mais abrangente, geral (felino). Porém, é pos-
sível fazer o contrário: apresentar antes um termo mais abrangente e substituí-lo 
por outro particular.
Essas diferentes formas de substituição mostram o outro fator importante para 
se estabelecer a coesão de um texto: as relações semânticas. Assim, além de possuir 
bom conhecimento gramatical, é necessário dominar um bom vocabulário (conhe-
cer palavras e expressões e seus significados) para elaborar um texto coeso.
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Há, ainda, um tipo de substituição em que tanto o conhecimento gramatical 
quanto o semântico ocorrem simultaneamente. E o pronome é a classe gramatical 
que exemplifica bem esse processo: ao mesmo tempo em que, no plano semân-
tico, significa (representa) outra palavra ou expressão, no plano gramatical, deve 
obedecer às exigências formais da língua. Observe o segundo parágrafo do texto 
de Torero, escrito desta maneira:
Muitos animais daquela floresta já tinham tentado derrotar o dragão. A 
maioria dos muitos animais daquela floresta virou churrasco.
• “...tentado derrotar o dragão.”: como o dragão é o personagem central do 
texto, é inevitável que essa palavra apareça constantemente. Assim, subs-
tituí-la por um pronome pode fazer o texto fluir com mais leveza – “...
tentado derrotá-lo.”.
• “A maioria dos muitos animais daquela floresta...”: neste caso, observe 
como uma expressão inteira pode ser substituída por um pronome – “A 
maioria deles...”.
A conjunção é também uma classe gramatical significativa nesse processo de 
coesão textual. É por meio dela que o leitor pode compreender uma passagem do 
texto. Por exemplo, em “O dragão invencível”, quando o narrador apresenta a vi-
tória do tigre, é com a conjunção mas que o leitor entende que, apesar do terrível 
golpe, o dragão manterá seu prestígio.
Deve-se ressaltar que o mecanismo de coesão textual é realizado, ainda, pela 
escolha das palavras. Trata-se da coesão lexical. No caso do texto trabalhado des-
de o início deste módulo, basta verificar que boa parte do léxico empregado gira 
em torno do espaço (floresta) e dos animais que nela vivem.
Até aqui a coesão textual foi apresentada em textos elaborados com código 
verbal. E nos textos em que, além do verbal, emprega-se também o não verbal? 
Nesses textos, os mecanismos de coesão textual também estão presentes.
Nos textos midiáticos mais comuns (jornalísticos, televisivos, radiofônicos, 
publicitários) é fácil perceber como ela ocorre. Cores, formas, logotipos, vinhe-
tas, fontes são alguns dos elementos textuais que atuam como elos coesivos. 
Como uma das características dos textos midiáticos é a repetição, o processo de 
coesão textual é percebido não somente dentro do próprio texto como em outros 
semelhantes veiculados em datas e/ou mídias diferentes.
Para compreender melhor, acesse, na internet, o site de uma empresa e veja 
a harmonia existente entre cores, logotipo e as diferentes seções e páginas que o 
compõem. Observe um programa de TV e veja como, em todas as suas exibições, 
os cenários e as cores neles utilizadassão quase sempre os mesmos. Assim como 
a abertura e o encerramento do programa se repetem. Já em um jornal ou em 
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uma revista, o que se repete é a diagramação (o desenho das páginas, das colunas, 
por exemplo). Em textos publicitários, por exemplo, as cores da roupa dos mo-
delos ou dos personagens, frequentemente, são semelhantes às cores do logotipo 
da marca anunciante.
Veja nos três outdoors reproduzidos abaixo como se dá a coesão entre eles.
M
P 
Pu
bl
ic
id
ad
e
M
P 
Pu
bl
ic
id
ad
e
M
P 
Pu
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id
ad
e
https://www.detodaforma.com/2012/03/as-propagandas-divertidas-
e-criativas.html. Acesso em 3 de maio de 2022.
https://institucional.hortifruti.com.br/comunicacao/campanhas/
cascas/. Acesso em 3 de maio de 2022 .
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• Note que a diagramação dos outdoors é semelhante. Verifique o mesmo 
formato, a escolha de cores, predominando vários tons de verde (mais cla-
ro e mais escuro), sendo que a cor verde, além da cor vermelha, aparece 
também no logotipo do anunciante; o tamanho das letras; as imagens dos 
vegetais; o trocadilho com nomes de filmes, frases de efeito no canto di-
reito de cada outdoor. Isso proporciona uma identificação do público com 
o qual se deseja entrar em contato. As ilustrações também apresentam 
muita coesão quanto às cores, tamanho e localização no outdoor.
Finalizando, destaca-se que, conforme a situação comunicativa e os seus par-
ticipantes, há textos em que, para garantir sua compreensão, é necessário utilizar 
uma quantidade maior de elos coesivos. Isso ocorre, por exemplo, em mensagens 
científicas, expositivas, em determinados textos jornalísticos e todas as vezes em 
que há maior distância entre emissor e destinatário (tais como, pessoas que não 
se conhecem; diferenças hierárquicas – o presidente de uma empresa e um ge-
rente, por exemplo). Por outro lado, quando os participantes são mais próximos, 
quando há familiaridade no relacionamento entre eles, o mais comum é utilizar 
menor quantidade de elos coesivos (basta observar os contatos entre amigos; en-
tre parentes, por exemplo).
2. Coerência textual
Enquanto a coesão diz respeito aos detalhes de um texto e como eles são 
articulados, harmonizados, a coerência volta-se para o conjunto do texto. Mais 
precisamente, para a sua finalidade comunicacional. Isto é, considera-se coeren-
te o texto que, em determinada situação comunicativa, atinge o objetivo para o 
qual foi elaborado. Assim, a coerência, numa situação comunicativa, é o que dá 
sentido a um texto. E, para isso, tanto o emissor quanto o destinatário têm papéis 
fundamentais, já que a coerência textual será o resultado de um processo coope-
rativo entre eles. 
Da parte do emissor, espera-se que produza um texto inteligível e que per-
mita ser interpretado – elaborado de tal modo que o destinatário possa decodi-
ficá-lo e possa compreendê-lo. Por exemplo, a língua em que uma mensagem é 
elaborada deve estar em sintonia com o tipo de público ao qual pretende atingir. 
É no aspecto inteligível que se verifica a coesão textual. 
Do destinatário, espera-se que participe do processo de comunicação, esfor-
çando-se em decodificar a mensagem e em compreendê-la: por exemplo, bus-
cando o significado de algumas palavras estranhas ao seu vocabulário.
Para melhor compreensão do conceito de coerência textual, relembre o texto 
“O dragão invencível”, de José Roberto Torero, apresentado no início desta uni-
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dade. Foi informado que, embora tivesse uma estrutura semelhante a uma his-
tória infantil (fábula), o autor não a escreveu para que o público infantil a lesse: 
lembre-se de que a crônica foi publicada originalmente no caderno de Esportes
de um jornal diário.
Conhecer o contexto em que José Roberto Torero produziu o seu texto aju-
dará a compreender com que intenção ele o escreveu e o publicou no dia 30 de 
março de 2001.
No dia 28 de março de 2001, em jogo pela classificação para a Copa do Mun-
do de 2002, a seleção brasileira de futebol havia sido derrotada pela equipe do 
Equador. Acrescendo-se a informação de que aquela fora a primeira vez que a 
seleção equatoriana derrotava a seleção do Brasil.
Além disso, a seleção brasileira, anteriormente, havia sofrido outras derrotas 
para Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Bolívia e Equador.
Diante desse contexto, verificando o caderno jornalístico em que a crônica 
foi publicada e o seu público-destinatário, pode-se afirmar que
– o emissor estava seguro de que o seu leitor compreenderia o texto e, mais 
ainda, perceberia o seu lado irônico e
– o destinatário leria o texto, compreendendo o que estava além de suas 
palavras, associando-o às derrotas sofridas pela seleção brasileira.
3. Fatores de coerência
Nesse processo cooperativo entre emissor e destinatário, há algumas con-
dições que podem orientar a produção e a recepção de mensagens coerentes. 
Denominam-se fatores de coerência, contudo não é necessário que todos eles es-
tejam, ao mesmo tempo, presentes em uma mensagem.
Relevância
Numa conversa informal, ouve-se, vez por outra; “Você está fugindo do as-
sunto!”. O que se espera é exatamente que não se fuja do tema que se está abor-
dando. Denomina-se relevância ao fator que garante a manutenção do tema de 
um texto.
Consistência
Ao elaborar uma mensagem, espera-se que seu autor não apresente ideias ou 
fatos que se oponham a algo afirmado anteriormente. Consistência, então, é o 
fator que garante não existir oposições frontais em uma mensagem.
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Veja, a seguir, na fábula de La Fontaine, como estes dois fatores podem ser 
analisados.
O lobo e o cordeiro
Na água limpa de um regato,
matava a sede um cordeiro,
quando, saindo do mato,
veio um lobo carniceiro.
Tinha a barriga vazia,
não comera o dia inteiro.
- Como tu ousas sujar
a água que estou bebendo?
- rosnou o Lobo a antegozar
o almoço. - Fica sabendo
que caro vais me pagar!
- Senhor - falou o Cordeiro - 
encareço a Vossa Alteza
que me desculpeis mas acho
que vos enganais: bebendo,
quase dez braças abaixo
de vós, nesta correnteza,
não posso sujar-vos a água.
- Não importa. Guardo mágoa
de ti, que ano passado,
me destrataste, � ngido!
- Mas eu nem tinha nascido.
- Pois então foi teu irmão.
- Não tenho irmão, Excelência.
- Chega de argumentação.
Estou perdendo a paciência!
- Não vos zangueis, desculpai!
- Não foi teu irmão? Foi o teu pai
ou senão foi teu avô.
Disse o Lobo carniceiro.
E ao Cordeiro devorou.
Onde a lei não existe, ao que parece,
a razão do mais forte prevalece.
La FONTAINE. O lobo e o cordeiro. In: LA FONTAINE. Fábulas. 4.ed. Tradução 
e adaptação de Ferreira Gullar. Rio de janeiro: Revan, 1999.
Como em toda fábula o ponto alto é a moral da história (ou seja, a finalidade 
para a qual ela foi elaborada: neste caso, “aconselhar” o leitor de que sem lei os 
fracos – ainda que tenham razão – são subjugados pelos mais fortes), percebe-se 
que ela garante os fatores de relevância e de consistência. 
A relevância fica evidente na estrutura da fábula: o lobo apresenta, seguida-
mente, frágeis argumentos e o cordeiro os refuta, sem, porém, impedir que seja 
devorado. O tema (quando não há lei, os mais fracos são derrotados pelos mais 
fortes) mantém-se constante. E, em nenhum momento, essa estrutura apresenta 
contradição: o texto é consistente.
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Já, ao trabalhar no plano do diálogo entre os personagens, observe, na se-
gunda estrofe da fábula de La Fontaine, como o lobo apresenta seu primeiro 
argumento para intimidar o cordeiro e como este, na terceira estrofe, aponta a 
contradição existente no raciocínio do lobo. Ou seja, no plano da construção da 
mensagem falta consistência à argumentação do lobo. Isto não é suficiente para 
demovê-lo de seu real intento (devorar o cordeiro). Tanto que, na sequência da 
narrativa, o lobo invoca – aleatoriamente – outros argumentos, também refuta-
dos pelo cordeiro. 
Elementos Linguísticos
A mensagem deve ser elaborada em harmonia com a linguagem do seu des-
tinatário. Até porque, como já se viu anteriormente, o conhecimento linguístico 
é porta de acesso ao texto. Aqui, entende-se que esse conhecimento, além de se 
referir ao código verbal (no nosso caso, a língua portuguesa), estenda-se também 
ao código não verbal (por exemplo, a cor vermelha, no sinal de trânsito, significa 
pare!).
Conhecimento de mundo
O ser humano armazena seus conhecimentos em blocos – ou modelos cogni-
tivos. Assim, por exemplo, quando alguém ouve ou lê a palavra acidente, não se 
pensa apenas em seu significado conceitual, mas também em algo mais comple-
xo: um antes e um depois; causas e consequências; coisas e/ou pessoas envolvidas 
etc. Outros exemplos: 
• casamento; festa de 15 anos; velório; 
• os estereótipos, situações convencionais que nos veem à memória em blo-
co. Quando se fala “Natal”, certamente, na lembrança de cada um, vem 
um conjunto de elementos que caracterizam essa data;
• os planos, as estratégias: uma série de procedimentos necessários para al-
cançar determinado objetivo: por exemplo, fazer compras em uma feira 
(o que comprar primeiramente, dinheiro que se dispõe a gastar, comparar 
preço e qualidade).
Em textos literários, peças de teatro, história em quadrinhos, filmes, é muito 
comum o emissor elaborar mensagens em que o destinatário precisa acionar seu 
conhecimento de mundo para compreender, ou mesmo completar, certas situa-
ções. Por exemplo, em um filme, um rapaz, que está em casa e ainda de pijama, 
telefona às 9h da manhã para a namorada e a convida para almoçar em um res-
taurante. A cena seguinte mostra o rapaz e a moça almoçando no restaurante. O 
tempo decorrido, e não mostrado, é completado pelo conhecimento de mundo 
do destinatário (por exemplo, o rapaz fez a barba, tomou banho, escovou os den-
tes.... colocou uma roupa adequada ao encontro).
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Veja estes dois fatores de coerência aplicados a uma foto publicada no jornal 
Folha de S. Paulo, do dia 15 de março de 2003.
Na foto, vê-se um grupo de pessoas “escrevendo” a palavra “pau”. Ao ver essa 
imagem, por estar em um jornal e a maneira como as pessoas se encontram, o 
conhecimento de mundo deve ativar no leitor a compreensão de que se trata de 
algum tipo de manifestação, um protesto ou alguma reivindicação.
Para o conhecimento linguístico de um leitor brasileiro, certamente, a pa-
lavra “pau” não deve trazer problemas de compreensão. Porém, o inusitado é 
vê-la em uma página de jornal e “formada” por um grupo de pessoas. Seria uma 
manifestação ecológica? Seria uma provocação para uma briga (“quebrar o pau”).
Observe, agora, a notícia completa.
Fo
lh
ap
re
ss
Um grupo de crianças forma a palavra “pau”, que 
significa “paz” na língua catalã, no pátio de sua escola, 
em Barcelona (Espanha)
Ao ver a notícia completa (pois, afinal, é assim que ela é publicada), a ideia de 
manifestação se confirma (“Grupos convocam protestos contra a guerra”): esta 
notícia foi publicada em março de 2001, no contexto da declaração de guerra dos 
Estados Unidos contra o Iraque. A legenda da foto, por sua vez, esclarece que a 
palavra “pau” não pertence à língua portuguesa: em catalão, “pau” significa paz.
Uma vez que um veículo jornalístico não recebe apenas uma foto para do-
cumentar suas notícias, por que foi exatamente esta a imagem escolhida para 
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acompanhar a matéria? Certamente, porque a palavra despertaria curiosidade 
pela sua semelhança com o léxico português. Dessa maneira, não se trata de uma 
incoerência, mas sim de uma estratégia para atrair o leitor.
Conhecimento partilhado
Ao elaborar sua mensagem, o emissor sempre deve ter em vista o “ideal” de leitor 
que será o destinatário daquela sua produção. Por esse motivo, terá que se preocupar 
com os limites de compreensão (para mais ou para menos) desse leitor. 
Assim, se o texto for produzido com uma grande quantidade de “novidades”, o 
destinatário terá dificuldade em compreendê-lo. Palavras incomuns; estrangeirismos 
em excesso; conceitos inacessíveis e pouco explicados; imagens fora do comum são 
alguns exemplos de escolhas que podem fazer do texto algo inatingível.
Por outro lado, um leitor poderá ficar desestimulado a ler um texto elabora-
do de forma redundante, com grande quantidade de informações muito conhe-
cidas, com imagens estereotipadas.
Aceitabilidade
Este é um fator de coerência que diz respeito à atitude do destinatário de uma 
mensagem. Se ele deseja, ou não, participar do jogo da comunicação. Trata-se do 
esforço que o destinatário realiza para buscar a coerência do texto. Muitas vezes, é 
necessário estar atento para a finalidade do texto e compreender suas peculiaridades.
Intencionalidade
Todas as mensagens são produzidas por algum motivo. Sempre há intenções 
nessa produção, ainda que, algumas vezes, ela não fique bem evidenciada. Assim, 
cabe ao emissor elaborar de tal modo que a finalidade de seu texto possa ser atin-
gida e, ao destinatário, compreender (ou buscar) a intenção da mensagem. 
Informatividade
Corresponde à maior ou menor previsibilidade presente em uma mensagem. 
De um texto literário, por exemplo, espera-se que ele surpreenda mais, pois seu 
compromisso é com o lúdico, com a criatividade. Essa mesma característica pode 
estar presente em determinados filmes, em peças de teatro e em muitas peças 
publicitárias. Nesses textos, a linguagem será mais elaborada – as figuras de lin-
guagem terão maior presença, os códigos serão selecionados pelo caráter polissê-
mico. Dessa forma, a menor previsibilidade corresponde a um fator de informa-
tividade maior (o destinatário terá que se esforçar mais para participar desse tipo 
de comunicação e, portanto, deve estar mais propenso a aceitá-lo). 
Já um texto altamente previsível terá um fator de informatividade menor. 
Embora exija menor esforço do seu destinatário, esse tipo de texto torna-se pou-
co atraente, porque redundante, e deixa o leitor menos atento.
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Numa situação comunicativa cotidiana, será mais adequado que se encontre 
um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos, de tal modo que o leitor possa, 
ao mesmo tempo, compreender a mensagem e sentir-se participante ativo do 
processo de comunicação.
Inferência
Inferência corresponde à capacidade que o leitor de um texto tem de identi-
ficar informações que não foram explicitadas pelo emissor. Para isso, o destina-
tário trabalha com elementos do texto ou da situação e emprega o seu conheci-
mento de mundo. Um exemplo está presente no texto trabalhado na questão 3 
da página 113, quando o pai infere que seu filho quer tomar sorvete. A frase do 
filho “Eu já sarei do resfriado”, a visão da sorveteria (contexto) e o conhecimento 
que tem do filho, levam o pai a fazeraquela inferência.
Inferir, contudo, não significa que o leitor poderá tirar qualquer conclusão. 
Imagine a seguinte situação:
Um grupo de pessoas está em uma festa e uma jovem é apresentada a esse 
grupo. Num determinado momento, a jovem afirma: “Eu me casei com dezoito 
anos”. E uma pessoa do grupo, infere: “Você estava grávida?”. A jovem respon-
de: “Não, não estava grávida! Eu quis casar cedo!”
A pergunta da pessoa revelou uma inferência que não encontrava apoio na pri-
meira afirmação da jovem e, pior ainda, expõe o preconceito presente na ideia de que 
qualquer mulher que se casa cedo só o faz para contornar uma situação indesejada.
Intertextualidade
A intertextualidade ocorre quando o emissor, para elaborar sua mensagem, 
busca, intencionalmente, o conhecimento que ele possui de outros textos e, de al-
guma forma, os utiliza em sua produção. Veja como o poema “Canção do exílio”, 
de Gonçalves Dias, está presente no poema “Canção de exílio facilitada”, de José 
Paulo Paes.
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá; 
As aves, que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá. 
Nosso céu tem mais estrelas, 
Nossas várzeas têm mais � ores, 
Nossos bosques têm mais vida, 
Nossa vida mais amores. 
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Em  cismar, sozinho, à noite, 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, 
Que tais não encontro eu cá; 
Em cismar – sozinho, à noite – 
Mais prazer eu encontro lá; 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o Sabiá. 
Não permita Deus que eu morra, 
Sem que eu volte para lá; 
Sem que desfrute os primores 
Que não encontro por cá; 
Sem qu’inda aviste as palmeiras, 
Onde canta o Sabiá.  
DIAS, Gonçalves. Canção do Exílio. In: _____. Primeiros cantos, p. 2. Disponível em <http://
www.dominiopublico.gov.br/download/ texto/bv000115.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2017.
Canção de exílio facilitada
lá?
ah!
sabiá...
papá...
maná...
sofá...
sinhá...
cá?
bah!
PAES, José Paulo. Canção do Exílio facilitada. In: _____. Um por 
todos: poesia reunida. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 67
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O poema de Gonçalves Dias foi produzido na primeira metade do século 
XIX, segundo os conceitos do Romantismo, em especial, nacionalismo. A com-
posição de José Paulo Paes, obra da segunda metade do século XX, posterior ao 
Modernismo, revela a liberdade na construção do poema e a apropriação irônica 
do sentido original do poema de Gonçalves Dias. 
A intertextualidade pode ocorrer de modo mais simples, quando se recorre 
a outros textos que podem apoiar uma exposição ou um argumento de um emis-
sor. Um autor que se afirma racionalista pode escrever, por exemplo: 
Somente a razão guia nossas decisões, pois é o pensamento que nos mostra que 
existimos. Por isso, concordo com Descartes, quando afirma: “Penso, logo existo!”.
Quanto ao destinatário, é preciso que ele, de alguma forma, conheça os textos 
referidos para compreender com que intenção o emissor recorreu a esses textos. 
É o caso do poema de José Paulo Paes. Se, porventura, alguém que o ler não ti-
ver conhecimento do texto de Gonçalves Dias e dos diferentes contextos em que 
cada poema foi elaborado, terá muita dificuldade em compreender plenamente a 
intencionalidade da produção de José Paulo Paes.
Focalização
Este fator diz respeito à concentração necessária que tanto o emissor quanto 
o destinatário devem ter em relação ao tema e ao objetivo de uma mensagem. Ao 
emissor, cabe a função de lançar “pistas”, sem perder o foco e, ao destinatário, a de 
processar essas “pistas”, utilizando, para isso, seus conhecimentos (linguísticos, 
de mundo e partilhado). 
Fatores de contextualização
Há dois tipos de fatores de contextualização: os propriamente ditos e os pers-
pectivos.
São fatores de contextualização propriamente ditos os diversos elementos 
presentes em um texto e que se relacionam diretamente à situação comunicativa, 
ao contexto, e que podem auxiliar na compreensão do assunto e no objetivo da 
mensagem. Veja a seguir alguns exemplos de fatores de contextualização:
• numa correspondência – carta ou e-mail –, a data e o local; 
• numa conversa, o tom de voz de uma pessoa; 
• em um jornal, o caderno em que se publica o texto;
• em documentos, o carimbo, a assinatura de uma autoridade.
O outro tipo de fator de contextualização é denominado perspectivo, porque, 
antes mesmo de o texto ser lido, provoca alguma reação no destinatário. Por 
exemplo: saber que determinado texto foi escrito por Rubem Braga poderá atrair 
ou afastar um leitor e gerará uma expectativa quanto ao tipo de texto que esse 
autor escreveu. 
Outro exemplo: o título do texto. Que expectativas o título “Apareceu um ca-
nário” pode provocar? O verbo “apareceu” pode indicar “novidade”, algo que não 
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havia e agora há: o canário. Além de despertar curiosidade em saber como esse 
canário apareceu, o que ocorreu a partir desse instante, para quem ele apareceu...
Pois, no livro 200 crônicas escolhidas, de Rubem Braga, há uma crônica cujo 
título é “Apareceu um canário”!
APLICAÇÃO
1. Apresentam-se, a seguir, dois pequenos textos elaborados por 
Mário Quintana. Porém, todas as palavras que compõem cada 
texto estão dispostas em ordem alfabética. Sua tarefa é, para cada grupo de 
palavras, tentar reconstituir o texto original (detalhes: o título do texto tam-
bém está embaralhado).
a) a – ano – de – é – é – é – gente – mais – o – o – ponto – que – quem – 
tempo – tempo – um – um – velho – velho – vista 
b) declamadoras – em – esgoelado – lírico – passarinho – pelas – poeta – 
público – triste
2. No texto a seguir, publicado na primeira página do jornal Folha de S. Paulo, 
do dia 02 de abril de 2005, ocorre um problema de coesão textual que pode 
dificultar a compreensão do texto.
‘Quem viu morreu’, diz moradora
As vítimas do massacre foram, na maioria, pedreiros, garçons, pintores e peque-
nos empreendedores que haviam saído de casa para fugir do calor e conversar 
com amigos. Só duas tinham passagens pela polícia. Elas foram escolhidas alea-
toriamente para morrer. Rosemary Souza, 40, assistiu à morte do filho Bruno, 14, 
que brincava no fliperama de um bar. Nove das pessoas que estavam no lugar 
foram mortas.
O objetivo aparente era não deixar sobreviventes. “Quem viu morreu”, diz Karla 
Patrícia, irmã de uma vítima.
a) Indique em que parte do texto está o problema de coesão textual.
b) De que modo ele compromete a compreensão do texto?
c) Reescreva o trecho, corrigindo o erro de coesão.
3. Observe com atenção a situação comunicativa abaixo.
 O pai e seu filho de 5 anos caminham por uma calçada. Quando o garoto vê 
uma sorveteria, fala:
– Pai, eu já sarei do resfriado, né?
– Você não vai tomar sorvete! – responde o pai.
a) Indique o contexto espacial em que ocorre a situação apresentada.
b) Entre a fala do filho e a resposta do pai, objetivamente, não há elos coe-
sivos. Apesar disso, por que é possível compreender o que ambos pre-
tenderam comunicar?
1. Sugestão: dividir a sala em 
grupos e solicitar que um 
grupo desa� e outro a montar 
pequenas frases a partir de 
um conjunto de palavras. 
Nesse caso, estipular quanti-
dades mínimas e máximas de 
palavras: poucas, não desa-
� am; muitas, não estimulam.
a) O tempo
 O tempo é um ponto de 
vista. Velho é quem é um ano 
mais velho que a gente.
b) Triste passarinho es-
goelado em público pelas 
declamadoras.
2. a) “Só duas tinham passa-
gens pela polícia. Elas foram 
escolhidas aleatoriamente 
para morrer.”
b) O entendimentoque se 
tem é de que apenas as duas 
pessoas com passagem pela 
polícia foram escolhidas para 
morrer.
c) Elas foram escolhidas 
aleatoriamente para morrer. 
Só duas tinham passagens 
pela polícia.
Chamar a atenção para dois 
fatos relevantes:
• Trata-se de um texto 
pequeno e isso, de certo 
modo, facilita a ativida-
de de revisão. Porém, o 
processo de fechamento 
de um jornal diário é an-
gustiante e, nem sempre, 
há muito tempo para 
essa revisão. O jornalista 
produz seus textos sob 
muita pressão. Sugestão: 
solicitar que, individual-
mente, seja produzido um 
pequeno texto em tempo 
reduzido e dentro de um 
espaço pré-de� nido (por 
exemplo, o texto deve ter 
100 palavras (título+corpo 
da notícia), na fonte Arial, 
tamanho 12, para o título, 
e tamanho 10, para a 
notícia).
• Esse texto foi publicado na 
primeira página do jornal. 
Esta é a “capa” do jornal 
e, por esse motivo, atrai 
mais a atenção do leitor. 
Portanto, um problema 
de redação nessa página 
assume proporções maio-
res. Ou seja, o grau de 
exigência (e por extensão, 
o de pressão) é maior.
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4. Suponha que você foi eleito representante de sua sala. 
a) Sua primeira tarefa será a de elaborar um texto para a direção da escola, 
informando que você foi eleito. Escreva esse texto.
b) Mais tarde, ao chegar em casa, você escreve um e-mail para um(a) ami-
go(a), passando a mesma informação. Escreva esse texto.
c) Compare a produção dos dois textos. Apresente as semelhanças e as 
diferenças que há entre eles. Por que ocorrem as diferenças?
5. Leia:
Apareceu um canário
Mulher, às vezes, aparece alguma; vêm por desfastio ou imaginação, essas vo-
luntárias; não voltam muitas vezes. Assusta-as, talvez, o ar tranquilo com que as 
recebo, e a modéstia da casa.
Passarinho, desisti de ter. É verdade, eu havia desistido de ter passarinhos; distri-
buí-os pelos amigos; o último a partir foi o corrupião Pirapora, hoje em casa do 
escultor Pedrosa. Continuo a jogar, no telhado de minha água-furtada, pedaços 
de miolo de pão. Isso atrai os pardais; não gosto especialmente de pardais, mas 
também não gosto de miolo de pão. Uma vez ou outra aparecem alguns tico-ti-
cos; nas tardes quentes, quando ameaça chuva, há um cruzar de andorinhas no ar, 
em voos rasantes sobre o telhado do vizinho. Vem também, às vezes, um casal de 
sanhaços; ainda esta manhã, às 5h15m, ouvi canto de sanhaço lá fora; frequentam 
ou uma certa antena de televisão (sempre a mesma) ou o pinheiro-do-paraná 
que sobe, vertical, até minha varanda. Fora disso, há, como em toda a parte, bem-
-te-vis; passam gaivotas, mais raramente urubus. Quando me lembro, mando a 
empregada comprar quirera de milho para as rolinhas andejas. 
Mas a verdade é que um homem, para ser solteiro, não deve ter nem passarinho 
em casa; o melhor de ser solteiro é ter sossego quando se viaja; viajar pensando 
que ninguém vai enganar a gente nem também sofrer por causa da gente; viajar 
com o corpo e a alma, o coração tranquilo.
Pois nesse dia eu ia mesmo viajar para Belo Horizonte; tinha acabado de arrumar 
a mala, estava assobiando distraído, vi um passarinho pousar no telhado. Pela cor 
não podia ser nenhum freguês habitual; fui devagarinho espiar. Era um canário; 
não desses canarinhos-da-terra que uma vez ou outra ainda aparece um, muito 
raro, extraviado, mas um canário estrangeiro, um roller, desses nascidos e criados 
em gaiola. Senti meu coração bater quase com tanta força como se me tivesse 
aparecido uma dama loura no telhado. Chamei a empregada: “Vá depressa com-
prar uma gaiola, e alpiste...” 
4. c) Fundamental que essa questão seja bem discutida para levar à compreensão de que um texto mais coesivo é 
melhor do que aquele que apresenta menor coesão. Texto bom é aquele que é e� ciente, pois atende às intenções 
com que o emissor o produziu. Esta noção é muito signi� cativa tanto para a compreensão dos textos midiáticos 
quanto para a sua produção.
3. a) Na rua, perto de uma 
sorveteria.
b) Sim, porque há uma liga-
ção próxima entre eles, uma 
relação de familiaridade. En-
tre a fala do � lho e a resposta 
do pai, objetivamente, não 
há elos coesivos. È possível, 
porém, compreender o que 
se pretendeu comunicar 
neste contexto, porque os 
participantes do diálogo são 
pessoas que se conhecem 
muito bem.
Sugestão: solicitar que 
sejam expostas situações 
comunicativas cotidianas 
que aprofundem a noção de 
que os elos coesivos – nesses 
casos – são pouco marcados 
linguisticamente. Ou seja, 
a comunicação parece ter 
grandes “buracos” (a falta de 
elos) que devem ser “preen-
chidos” pelos participantes 
envolvidos nessa situação.
Atenção: essa mesma 
re� exão pode ser estendida 
aos textos midiáticos, em 
especial, os da publicidade. 
Como marcas e produtos são 
anunciados de forma repeti-
tiva, muitos deles tornam-se 
“familiares” aos seus desti-
natários. Daí, são produzidas 
mensagens publicitárias que 
exploram “vazios”, mental-
mente, preenchidos pelos 
destinatários.
4. a) e b) Aqui o objetivo é 
fazer com que se perceba 
que a mesma informação 
recebe tratamento linguístico 
diferente conforme a quem 
ela se destina. 
• No primeiro texto, deverão 
predominar estruturação 
e linguagem formais, 
por conta da distância 
(hierárquica e de idade) 
que existe entre emissor 
e destinatário. Isso requer, 
portanto, a elaboração 
de um texto com fortes 
marcas de coesão.
• No segundo, à semelhança 
do que se viu na questão 
anterior, a proximidade 
entre os interlocutores 
levará à produção de um 
texto em que a coesão será 
menos marcada. 
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 112LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 112 25/08/2022 15:26:3525/08/2022 15:26:35
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Quando a empregada voltou, o canarinho já estava dentro da sala; ele e eu, com 
janelas e portas fechadas. Se quiserem que explique o que � z para que ele entras-
se eu não saberei. Joguei pedacinhos de miolo de pão na varanda; assobiei para 
dentro; aproximei-me do telhado bem devagarinho, longe do ponto em que ele 
estava, murmurei baixo: “Entra, canarinho...” Pus um pires com água ali perto. Que 
foi que o atraiu? Sei apenas que ele entrou; suponho que tenha � cado impressio-
nado com meus bons modos e com a doçura de meu olhar.
Dentro da sala fechada (fazia calor, estava chegando a hora de eu ir para o aeroporto) 
� camos esperando a empregada com a gaiola e o alpiste. O que � z para que ele en-
trasse na gaiola também não sei; andou pousado na cabeça de Baby, a � nlandesa (ter-
racota de Ceschiatti); � quei completamente imóvel, imaginando – quem sabe, a esta 
hora, em Paris ou onde andar, a linda Baby é capaz de ter tido uma ideia engraçada, 
por exemplo: “Se um passarinho pousasse em minha cabeça...”
Depois desceu para a estante, voou para cima do bar. Consegui colocar a gaiola (com 
a portinha aberta, presa por um barbante) bem perto dele, sem que ele o notasse; 
andei de quatro, rastejei, estalei os dedos, assobiei – venci. Quando telefonei para o 
táxi ele já tinha bebido água e comido alpiste, e estava tomando banho. Dias depois, 
quando voltei de Minas, ele estava cantando que era uma beleza.
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a) Este texto foi produzido no ano de 1960. Quando lido naquele ano e lido 
por você neste momento, provoca diferenças de compreensão? Quais? 
Justifique sua resposta.
b) Identifique os fatores de coerência que podem ser percebidos no texto 
de Rubem Braga. Justifique cada fator.
c) Atualmente, discute-se a questão de manter pássaros presos em gaiolas 
e a venda ilegal de animais silvestres. Elabore um pequeno texto coeso e 
coerente, expondo seus argumentos sobre esse assunto.
 Apresente a sua produçãopara os colegas.
BRAGA, Rubem. Apareceu um canário. In: _____. 200 crônicas 
escolhidas. São Paulo: Círculo do Livro, s/d, p. 372-373.
Está cantando neste momento. Por um anel de chumbo que tem preso à pata já o 
identi� quei, telefonando para a Associação dos Criadores de Rollers; nasceu em 1959 
e seu dono mudou-se para Brasília. Naturalmente deixou-o de presente para algum 
amigo, que não soube tomar conta dele. (Seria o milionário assassinado da Toneleros? 
Um dos assaltantes carregou dois canários e depois os soltou, com medo.)
Está cantando agora mesmo; como canta macio, melodioso, variado, bonito... 
Agora para de cantar e � ca batendo as asas de um modo um pouco estranho. 
Telefono para um amigo que já criou rollers, pergunto o que isso quer dizer. “Ele 
está querendo casar, homem; é a primavera...”
Casar! O verbo me espanta. Tão gracioso, tão pequenininho, e já com essas ideias!
Abano a cabeça com melancolia; acho que vou dar esse passarinho à minha irmã, 
de presente. É pena, eu já estava começando a gostar dele; mas quero manter 
nesta casa um ambiente solteiro e austero; e se for abrir exceção para uma cana-
rinha estarei criando um precedente perigoso. Com essas coisas não se brinca. 
Adeus, canarinho.
5. a) Embora a resposta tenha 
forte subjetividade, veri� car 
se nela foram apresentados 
elementos que se relacionam 
aos conceitos estudados. Por 
exemplo: as diferenças entre 
os contextos (ano de publi-
cação/ano de leitura; idade 
do autor/idade do leitor). 
Isso leva a outras diferenças 
(conhecimento de mundo; 
conhecimento linguístico).
b) O texto é relevante já 
que sua estrutura não foge 
ao tema de que, para ser 
solteiro, é preciso não ter pas-
sarinhos. É consistente, pois 
não revela contradição.
Basta observar a construção 
dos três primeiros parágrafos 
em que o narrador traça o 
paralelo entre a presença 
de mulher (casar) e a de 
passarinho em sua casa e, 
por extensão, em sua vida. 
Esse raciocínio é “recuperado” 
nos dois últimos. No � nal 
do texto quando o narrador 
fala em abrir um preceden-
te perigoso, permitindo a 
presença de uma “canarinha”, 
pode-se inferir seu temor: 
será que, depois disso, virá 
uma esposa?
Outros fatores:
Embora o texto seja de 1960, 
os elementos linguísticos
são próximos ao de um leitor 
atual. A maior di� culdade 
apresenta-se, exatamente, 
em relação às diferenças 
entre os conhecimentos 
de mundo do emissor e do 
destinatário. Mas isso não 
impede que este possa com-
preender o texto e reconheça 
sua intencionalidade, desde 
que o “aceite” – ou seja, te-
nha interesse em lê-lo, apesar 
dessa di� culdade.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 114LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 114 25/08/2022 15:26:3525/08/2022 15:26:35
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6. Observe a imagem.
Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/
projmmdir/home_portfolio.jsp. Acesso em 17 de 
setembro de 2005 – uso didático da peça.
Fonte: http://www.meioemensagem.com.br/
W
/B
ra
si
l
a) Com que intenção este texto foi produzido? O que há nele que justifique 
sua resposta?
b) Identifique os fatores de coerência que podem estar presentes neste tex-
to. Justifique cada um deles.
c) Sugestões
• No momento das apre-
sentações, pedir que os 
alunos avaliem a coerência 
e a coesão nas produções 
realizadas, justi� cando os 
argumentos e pontos de 
vista.
• Pode-se produzir uma 
pequena publicação (im-
pressa ou eletrônica) com 
os textos mais signi� cati-
vos e criativos.
• 6. a) O texto foi escrito com 
a intenção de persuadir o 
destinatário a comprar o 
produto. É possível per-
ceber isso porque causa 
certa surpresa, não tem 
característica meramente 
informativa, como uma 
notícia. O que traz mais 
certeza a essa conclusão é 
a presença da marca Bom-
Bril. Trata-se de produto 
que se incorporou ao ima-
ginário do destinatário e, 
portanto, faz parte do seu 
repertório linguístico bem 
como de seu conhecimen-
to de mundo. 
• b) O texto foi elaborado 
com a intenção (intencio-
nalidade) de persuadir 
o destinatário a comprar 
os produtos BomBril, 
por isso foi elaborado de 
maneira a surpreender 
o destinatário e chamar 
a sua atenção de forma 
criativa (informatividade). 
Quando o destinatário 
aceita essa “surpresa” 
(aceitabilidade), vai tentar 
decodi� cá-lo por meio do 
conhecimento comparti-
lhado. A imagem lembra 
os quadros cubistas de 
Pablo Picasso (intertex-
tualidade), daí é possível 
inferir que a frase “gênio 
na arte de limpar” remete 
ao pintor cuja habilidade 
em pintar é comparada 
com a e� ciência do produ-
to de limpeza.
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PRODUÇÃO DE TEXTO
Criação de um blog
Você vai experimentar criar um blog.
Blog é uma página de um site no qual você publica rapidamente o que escreve, 
interagindo com pessoas via internet.
Site é um conjunto de informações que podem ser acessadas por meio de um 
computador, em qualquer parte do mundo.
A internet é uma rede de comunicação formada por computadores ligados entre 
si, no mundo todo.
Num blog as informações são organizadas cronologicamente, como num diário.
Essas informações podem ser relatos, textos informativos, piadas, notícias, co-
mentários sobre algum assunto cotidiano ou qualquer outro tipo de texto. Os 
assuntos também são muito variados e podem aparecer em textos produzidos 
pelo autor do blog ou podem ser de outros autores escolhidos.
Qualquer pessoa pode ter um blog, contanto que tenha acesso à internet. Geral-
mente, artistas, desportistas, políticos, jornalistas, professores, grupos de alunos 
de uma classe, possuem blogs que são visitados por seus admiradores, colegas, 
amigos, etc.
A linguagem usada nos textos publicados em blogs é bastante diversificada, de-
pendendo do tipo de blog e de para quem ele é escrito. Geralmente, usa-se a 
linguagem coloquial. 
Os blogs são escritos para qualquer usuário da internet e tornam conhecidos os 
textos de seu autor ou aqueles que apresentam suas ideias, críticas ou pontos de 
vistas favoritos. Há blogs produzidos só para quem gosta de animais, ou para os 
admiradores da arte, ou apaixonados por música; há ainda blogs de culinária, de 
aconselhamento psicológico e tantos outros que é preciso navegar na internet 
para se ter noção da variedade.
Criar um blog é uma possibilidade real para as pessoas escreverem divulgando 
suas ideias e desejos através da internet. Pesquise e crie o seu. Você vai poder 
experimentar usar sua produção textual de uma maneira bem interessante.
Orientações gerais
1. Organize-se em grupos com seis integrantes cada um.
2. Seu grupo será responsável pela criação de um blog, obedecendo aos crité-
rios de coesão e de coerência textuais estudados neste módulo. 
3. Em primeiro lugar, defina o tipo de blog que deseja publicar: literário (poe-
mas, contos, romance coletivo, crônicas etc.); jornalístico (notícias da sala de 
aula, notícias da escola, da cidade, noticiário geral, política, esporte etc.); diá-
rio (expor o dia a dia de cada pessoa do grupo).
Como se trata de uma ativi-
dade longa sugere-se que, 
enquanto os conceitos de 
coesão e de coerência estão 
sendo trabalhados, os grupos 
estejam de� nidos e a propos-
ta de criação do blog já tenha 
sido apresentada. Os itens 2, 
3 e 4 da proposta podem ser 
previamente apresentados e 
desenvolvidos parte em sala 
de aula e parte fora dela.
É muito importante que se 
crie uma “rotina”. O/A profes-
sor/a precisa de� nir um dia 
da semana em que irá avaliar 
os passos de construção 
do blog, bem como dos 
textos publicados. É nesse 
momento que os conceitos 
de coesão e de coerência 
deverão ser aplicados, 
cabendo ao/à professor/a 
propor revisões ou reedições 
dos blogs. Recomenda-se que 
os grupos sejam incentiva-
dos a divulgar seus blogs de 
maneira a que outras pessoas 
possam vê-lo e comentá-lo. 
Esses comentários podem 
e devem ser consideradoscomo momentos de avalia-
ção (observar, porém, eles 
possuem qualidade crítica).
Finalizado o processo de 
acompanhamento, deve-se 
proceder à avaliação � nal da 
atividade. Para isso, sugere-se 
que seja elaborada uma 
� cha contendo os conceitos 
estudados neste fascículo e, a 
cada item, seja atribuído um 
valor ou emitido um parecer.
Recomenda-se que as ques-
tões tecnológicas pertinentes 
à criação do blog sejam 
discutidas e apontadas, mas 
que elas tenham um peso 
menor quando da atribuição 
de notas e/ou pareceres. 
Estimular os grupos a dar 
continuidade ao blog depois 
de encerradas as atividades 
escolares.
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4. Em seguida, defina o título e o desenho (design gráfico) do blog: cores, estilo 
e tamanho das fontes, imagens etc.
5. Por fim, defina a periodicidade de publicação dos textos.
6. Depois que todos os blogs estiverem prontos, avalie os blogs criados pelos 
outros grupo, verificando se foram aplicados os aspectos de coesão e de coe-
rência textual estudados. Discuta os bons resultados e por que foram alcan-
çados. Reflita sobre os casos malsucedidos e proponha soluções.
7. Após o primeiro mês de existência de cada blog, reúna-se com os demais 
grupos e discuta o trabalho que vem sendo realizado. Algumas sugestões 
para essa discussão: quais as dificuldades vividas e como foram (ou não) 
resolvidas, quais as qualidades de cada blog; como os receptores externos 
(pessoas que não estudam na sua sala e na sua escola) comentam cada blog.
8. Passados dois meses, cada grupo terá autonomia para continuar a publicar 
seu blog ou para finalizar a experiência. Por fim, elabore um pequeno relató-
rio, expondo a trajetória do blog, a decisão tomada e suas justificativas.
Orientar a elaboração do 
relatório � nal. Sugere-se 
que ele seja uma espécie de 
Memorial Descritivo: que o 
grupo relate todo o processo 
de criação e de execução do 
blog – aspectos tecnológicos 
envolvidos, como foram ou 
não superados; relaciona-
mento dentro do grupo; o 
que se aprendeu com esse 
trabalho; que perspectivas 
ele trouxe. Além dos grupos, 
recomenda-se que o/a pro-
fessor/a também elabore um 
relatório (neste caso, sugere-
-se que seja criado um “diário 
de bordo” no qual, frequen-
temente, serão registrados 
os diferentes momentos da 
atividade, as di� culdades, as 
soluções, as re� exões e as 
descobertas.
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7 O ASSUNTO É:
DESCRIÇÃO
REFLEXÃO
Observe atentamente a ilustração.
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1. Escolha um dos pontos da imagem e suponha que você está nesse local, 
comendo um lanche e bebendo um suco ou um refrigerante. Porém, você 
não vive aí. Você começa a observar, atentamente, diferentes aspectos do 
ambiente. Registre essas observações, conforme as orientações a seguir.
a) VISÃO (O que você está vendo?). Relacione palavras que correspondam, 
objetivamente, aos elementos que você vê no ambiente.
b) AUDIÇÃO (O que você está ouvindo?). Relacione palavras que corres-
pondam, objetivamente, aos sons que você ouve no ambiente.
c) OLFATO (Que odores você percebe?). Relacione palavras que corres-
pondam, objetivamente, aos odores que você sente no ambiente.
d) PALADAR (Que sabores você sente?). Relacione palavras que corres-
pondam, objetivamente, aos sabores que você sente.
e) TATO (Que sensações você sente?). Relacione palavras que, objetiva-
mente, expressem as sensações percebidas por sua pele.
2. Volte a observar a imagem. Com base nessa nova observação e utilizando 
boa parte das palavras que você relacionou na questão 1, elabore um texto. 
Siga as instruções abaixo:
• Tenha em mente que esse texto será lido por uma pessoa que não co-
nhece a imagem. Portanto sua tarefa será a de fazer com que essa pessoa 
possa “ver” a ilustração por meio de seu texto.
• Escolha um ponto de partida para iniciar seu texto. Posteriormente, vá 
ampliando as informações de tal forma que possa abranger quase toda 
a imagem.
• Procure desenvolver seu texto de tal modo que, pelas palavras e pela 
organização das frases e dos parágrafos, predomine a “visualização” dos 
diferentes aspectos que compõem a imagem.
3. Apresente seu texto a duas pessoas (de preferência de idades bem diferen-
tes) que saibam desenhar, mas que não conheçam a imagem que você uti-
lizou para compor seu texto. Peça a cada uma delas que leiam o seu texto e, 
posteriormente, façam uma ilustração em uma folha de papel (não se esque-
ça de registrar os nomes completos e as idades dessas pessoas). 
2. O/a professor/a precisará enfatizar as instruções contidas na proposta de atividade:
• a perspectiva de que se escreve para alguém que não conhece a imagem.
• escolher um ponto de referência na imagem a partir do qual sua descrição se desenvolverá. Neste caso, torna-se 
fundamental que se faça um planejamento do texto: retomar as palavras das listas; estabelecer as “direções” 
seguidas pelo olhar (à direita, à esquerda, em baixo, acima etc.), destacar outros pontos da imagem e relacionar 
palavras e/ou pequenas frases descritivas; ordenar esses elementos e, daí, iniciar e desenvolver sua produção.
3. Enfatizar que sejam registrados os nomes completos e as idades das pessoas que ilustrarão o texto. Pode-se, até 
mesmo, pedir que seja feita uma pequena � cha para cada pessoa, incluindo endereço, local de nascimento, forma-
ção escolar, atividade pro� ssional. Isso para que o/a aluno/a compreenda que os trabalhos devem ser devidamente 
creditados a seus/suas autores/as, bem como adquira o hábito de elaborar registros.
Quanto à ilustração, orientar para que o/a aluno/a converse com as pessoas, explicando o que devem fazer. Porém, 
que o/a aluno/a não faça intervenções com a � nalidade de explicar o texto ou de orientar a ilustração.
Orientar para que as ilustrações não sejam � xadas com cola, neste momento, uma vez que, mais à frente, elas serão 
expostas em mural.
1. Nesta primeira atividade, 
o/a aluno/a será solicitado/a 
a observar uma imagem 
e a fazer listas de palavras 
relacionadas (cada lista) a um 
órgão do sentido:
a) VISÃO
b) AUDIÇÃO
c) OLFATO
d) PALADAR
e) TATO
Sugere-se que, depois de 
feitas as listas e antes de 
passar para a atividade 2, o/a 
professor/a peça que sejam 
lidas as palavras de cada 
item, destacando as muitas 
coincidências que, certamen-
te, ocorrerão e discutindo por 
que razão isso acontece: são 
pessoas de faixa etária seme-
lhante, vivem em um ambien-
te também semelhante e 
tiveram a mesma imagem 
para observar. Assim, seria 
relevante destacar as palavras 
diferentes, discutindo se são 
pertinentes e se são originais. 
Em todas as listas, a� rma-se 
que as palavras devem ser 
objetivas. Assim, ao veri� car 
as respostas, atentar para que 
isso ocorra, pois esta ativida-
de é o primeiro passo para 
que o/a aluno/a compreenda 
que, muitas vezes, ao elabo-
rar uma descrição, a precisão 
dos detalhes é importante 
para que o leitor possa, men-
talmente, construir e “sentir” 
um ambiente. 
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4. Agora, compare cada ilustração:
a) com a imagem que serviu de base para seu texto. Quais as diferenças e 
as semelhanças que podem ser observadas?
b) com o seu texto. Quais as diferenças e as semelhanças que podem ser 
observadas?
c) Observando apenas as diferenças, explique por que elas ocorreram.
5. Reúna-se em grupo. Apresente seu texto e leia os demais textos. Ao final, observe:
a) O ponto inicial, tomadocomo referência, foi o mesmo em todos os tex-
tos? Mencione as diferenças que ocorreram.
b) Dos textos, qual deles apresentou maior quantidade de detalhes? Será 
que, por esse texto, é possível ter uma visualização completa da ima-
gem? Apresente sua resposta.
c) Apresente as ilustrações que você obteve e veja as demais ilustrações. 
Compare-as e observe que semelhanças e diferenças há entre elas. Re-
gistre suas observações.
d) Das ilustrações, qual delas apresenta maior semelhança com a imagem 
que foi utilizada para a produção do texto? Essa ilustração foi produzida a 
partir do texto apontado na resposta b) da questão 5? Ou não? Registre 
suas observações abaixo.
6. Seu grupo apresentará o texto apontado na resposta b) da questão 5 e a 
ilustração destacada na resposta d) da questão 5. 
7. Depois de finalizadas todas as apresentações, discuta que diferenças e que 
semelhanças ocorreram. Registre uma síntese dessa discussão.
DA TEORIA À PRÁTICA
Nas diferentes atividades realizadas até aqui, você teve como tarefa tentar, 
por meio de palavras, fazer com que uma imagem pudesse ser visualizada e per-
cebida. Destacou-se que se trata de uma tentativa, pois a linguagem verbal, por 
mais que uma pessoa consiga captar detalhes, nem sempre consegue traduzir 
todos os aspectos de uma imagem. Por meio da linguagem verbal, não somente é 
possível tentar visualizar e dar a perceber uma imagem, como também pessoas, 
animais, objetos. O texto produzido com essa intenção denomina-se descrição.
Verifique que, antes de produzir o texto, você relacionou palavras vincula-
das aos órgãos do sentido (visão, audição, olfato, paladar e tato). Ou seja, para 
captar detalhes, esses órgãos é que se ativam no momento de se fazer um texto 
descritivo. Além disso, essas atividades iniciais permitiram que você fizesse um 
planejamento de seu texto. Outro aspecto importante diz respeito à escolha de 
um ponto de referência. Dessa forma, é possível apresentar os dados de forma 
ainda mais organizada.
4. Nos itens a) e b) desta atividade, o propósito não é avaliar a qualidade das ilustrações, mas em que medida o texto produzido pelo/a aluno/a 
possibilitou uma aproximação das ilustrações com a imagem original. Ou em que medida propiciou um grande distanciamento. Deve-se considerar, 
porém, que os/as ilustradores/as são pessoas diferentes que podem ter maior ou menor habilidade para desenhar. Mesmo assim, de certa forma, está 
tes, com experiências de vida peculiares, graus de leituras diferenciados e que, para desenhar ou escrever, podem empregar 
técnicas diferentes e possuem maior ou menor habilidade, podem ser mais ou menos detalhistas.
Assim, espera-se que estes momentos de comparação não sejam mecânicos, mas sim que sejam exercitados o senso crítico 
e o respeito pelas opiniões diferentes e/ou divergentes.
5. Nesta atividade, o ponto 
central de re� exão será a 
produção textual do/a aluno/a 
em confronto com as demais 
produções.
Nos itens a) e b), orientar para 
que a discussão não � que 
somente em avaliar se um 
texto é melhor do que outro. 
O importante é que sejam 
compreendidas as causas para 
haver diferenças (conforme se 
a� rmou nas orientações da ati-
vidade anterior). Destacar que, 
mesmo quando houve pontos 
de partida semelhantes, certa-
mente o desenvolvimento da 
descrição não foi o mesmo. Ou 
seja, que prevaleça o respeito às 
diferenças quanto às soluções 
que cada pessoa encontra. 
No item b) especi� camente, 
ao � nal, espera-se que todos 
compreendam que, mesmo 
uma pessoa muito detalhista 
e que tenha habilidade para 
escrever, di� cilmente produzirá 
um texto por meio do qual seja 
possível ter uma visualização 
completa de uma imagem, de 
um cenário, de um ambiente.
No item c), sugere-se que se 
faça uma pequena exposição 
em sala, a� xando as ilustrações 
em um mural. Os/as alunos 
poderão observar com mais 
calma e detalhe os trabalhos, 
bem como poderão tomar 
notas prévias que servirão para 
elaborar suas respostas.
Nos itens c) e d), continuam os 
exercícios de re� exão a partir de 
diferenças e semelhanças, mas 
sempre como uma proposta de 
se aguçar o senso crítico.
Em síntese: há que se levar em 
consideração que tanto os/as 
ilustradores/as quanto os/as 
alunos (as) são pessoas diferen-
sendo avaliada a produção do/a 
aluno/a. 
Será no item c) desta atividade, 
que as re� exões promovidas 
pelos itens anteriores deverão 
ser registradas. De� niu-se por 
marcar apenas as diferenças, 
porque são elas que aguçam 
mais o senso crítico e podem 
dar maior amplitude à re� exão 
do/a aluno/a sobre seu próprio 
trabalho. 
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1. Descrição estática
Pela proposta desenvolvida, você, certamente, produziu um texto descritivo 
em que predominou a apresentação estática dos pormenores da imagem. Essa é 
uma das formas como uma descrição pode se apresentar. A descrição estática.
Observe no texto abaixo, um exemplo de texto descritivo em que predomina 
essa característica.
O silêncio da chuva
A Galeria Torres Vasconcelos adquirira uma sólida reputação no meio das artes 
plásticas graças à inteligência e sensibilidade de Elísio Sclar. A mesma reputação 
tinha junto aos bancos, mas nesse caso graças ao suporte e à garantia econômi-
ca da Grá� ca Vasconcelos, um dos maiores fabricantes de agendas, calendários e 
etiquetas do país.
A antiga casa de dois pavimentos, no Leblon, fora inteiramente reformada para 
atender às necessidades da galeria. A sala de exposições ocupa todo o primeiro 
andar, correspondendo aos três amplos salões originais da casa cujas paredes di-
visórias foram derrubadas e as janelas laterais foram eliminadas. O ambiente é in-
teiramente branco. Na parte central, ao longo do salão, � cam dispostas banquetas 
de couro preto sem encosto. Ao fundo, uma escada vazada, com largos degraus 
de peroba maciça, dá acesso ao segundo pavimento com dois escritórios, dois 
banheiros e uma grande sala com porta reforçada, dotada de so� sticado sistema 
de refrigeração e proteção contra incêndio, onde � cam guardados o acervo da 
galeria e as obras deixadas em consignação.
Uma entrada lateral para carros conduz ao sobrado situado na parte dos fundos 
da casa. Na parte de baixo do sobrado � ca a garagem, com espaço su� ciente para 
três carros, e na parte de cima o ateliê de Bia, com ampla janela lateral dando para 
a grande mangueira no quintal atrás da casa principal.
O ateliê é su� cientemente amplo para conter uma prancheta e uma grande mesa 
de trabalho quase toda ocupada por potes contendo pincéis, espátulas, hidrográ-
� cas de todas as cores e caixas de lápis de cor de diferentes marcas. A única pare-
de sem janelas ou portas é ocupada por uma estante repleta de revistas e livros de 
arte. Sob a janela que dá para a entrada de carros � ca um móvel com gavetas para 
papéis de desenho. Um sofá de três lugares, su� cientemente confortável para se 
passar a noite, completa o mobiliário. Ao fundo, duas portas dão para o banheiro 
e uma pequena cozinha. O ateliê tem telefone, secretária eletrônica e fax indepen-
dentes da galeria. O acesso é feito por uma escada lateral.
[...]
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. O silêncio da chuva. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1996, p. 32-33 (Fragmento).
6. Ao longo das apresenta-
ções, já podem ser feitas as 
discussões de semelhança 
e diferença, solicitando-se 
que o/a aluno/a vá fazendo 
pequenas anotações que, 
posteriormente, serão utiliza-
das para elaborar a resposta 
da atividade 7. 
7. Ao � nal desta primeira 
parte, espera-se que o/a 
aluno compreenda que as 
pessoas veem e sentem os 
ambientes, as imagens, os 
cenários de forma diferente, 
precisamente, porque são 
diferentes. Por isso, tanto o 
registro escrito (descrição) 
quanto o desenhado (ilustra-
ção) não os reproduzirão � el 
e completamente.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 121LIVRO DE REDACAO FINAL.indb 121 25/08/2022 15:26:4125/08/2022 15:26:41
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Veja outro exemplo de descrição estática muito comum em dicionários. 
DICIONÁRIO HOUAISS. Versão on-line. Disponível na Internet no endereço < http://
houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=tigre&stype=k>. Acesso em: 8 jul. 2017.
TIGRE: grande felino asiático (Panthera tigris), encontrado em uma grande varie-
dade de ambientes, como � orestas tropicais, mangues ou savanas, com o corpo, 
cabeça, cauda e membros listrados de negro, dorso e � ancos variando do laranja 
avermelhado ao ocre avermelhado e região ventral de cor creme ou branca.
Observe no trecho a seguir, um exemplo de descrição estática de uma pessoa. 
Trata-se do primeiro encontro entre Olga Benário e Otto Braun. 
O trecho é significativo, uma vez que Otto surge para o leitor de duas formas: 
a primeira, pela imagem que Olga (antes de conhecê-lo) constrói de Otto com 
base no que dele se falava; a segunda, a visão que Olga tem dele ao encontrá-lo.
Olga
No � nal de 1923, quando trabalhava como vendedora na Livraria Georg Müller, 
ela ouviu falar pela primeira vez no professor Otto Braun. A partir da descrição 
que faziam dele, sobretudo as mulheres, Olga passou a fantasiar, criando um mito 
em torno do jovem, bonito e inteligente Otto que, comentavam em voz baixa, 
trabalhava secretamente como agente dos soviéticos. Quando, por � m, uma ami-
ga comum promove o encontro dos dois, Olga tem uma surpresa. Na verdade, 
o que ela imaginava de Otto era a caricatura de um revolucionário de folhetim: 
barba crescida, roupa desalinhada, cabelos longos e desalinhados. O café onde 
se conhecem ela depara com um homem elegante, fumando cachimbo, gravata 
meticulosamente amarrada, cabelos repartidos e � xados com brilhantina, calça 
passada com capricho, botinas de camurça escovadas. [...]
MORAIS, Fernando. Olga. 16. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1994, p. 31. (Fragmento).
2. Descrição Dinâmica 
O texto descritivo também pode se caracterizar pela apresentação de situa-
ções que permitem ao leitor compreender os movimentos praticados pelos seres 
envolvidos em uma determinada situação. Observe como, no trecho a seguir, a 
descrição auxilia o leitor a construir uma característica do personagem (a sua 
disciplina).
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Atenção dividida
Às quatro da tarde, o pequeno restaurante de bairro estava vazio. O único garçom, 
em uma mesa ao fundo, dividia-se entre uma pilha de pratos à sua frente e o apa-
relho de televisão num dos ângulos da sala. Olhos � xos na tela, pegava o prato, 
borrifava álcool, enxugava, e formava outra pilha ao lado da primeira. Executava o 
serviço sem pressa, de acordo com o ritmo do � lme. Terminada a tarefa, dividiu os 
pratos em duas pilhas rigorosamente iguais, momento em que teve que desviar 
os olhos da tela. Passou então aos talheres. Retirava-os de uma bacia de plástico si-
tuada à sua esquerda, borrifava álcool, e após enxugá-los meticulosamente, joga-
va-os dentro de uma caixa à sua direita. Essa tarefa era mais difícil de conciliar com 
a televisão porque a caixa era dividida em compartimentos para facas, garfos e 
colheres, e era quase impossível acertar no compartimento adequado sem olhar.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Vento sudoeste. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1999, p. 7 (Fragmento)
Há exemplos em que o dinamismo pode ser ainda mais acentuado. É isso que 
ocorre no exemplo que se apresenta a seguir.
DitoW
Dito acordou ainda tonto pelos efeitos da anestesia. Olhou o teto baixo, as paredes bran-
cas e sujas, a lâmpada acesa. Tentou mover-se, percebeu que um dos braços estava pre-
so à cama. O salão era uma espécie de enfermaria, embora as outras camas estivessem 
desocupadas. Também, não havia ninguém transitando por ali, e a sede que sentia era 
insuportável. Não se recorda de ter, anteriormente, tanta vontade de tomar água. Tivera 
um sonho, onde a terra ao seu redor estava ressequida, havia rachaduras no solo e ele 
caminhava, caminhava, o sol queimando, as mãos agarrando-se aos arbustos que tam-
bém haviam secado. Viu água entre as dunas, correu para lá. Era miragem. Livrou-se do 
pesadelo, do sono, mas a sede não diminuíra e ali não havia um funcionário sequer.
LOUZEIRO, José. Infância dos mortos. São Paulo: Abril Cultural, 1984, p. 99. (Fragmento).
3. Descrição psicológica
No trecho anterior, é possível perceber que, além das ações do personagem, apre-
sentam-se também seus sentimentos despertados pelas sensações provocadas pela si-
tuação em que ele se encontra e pelo sonho. Assim, o texto descritivo pode dar conta 
dos aspectos psicológicos que envolvem uma pessoa em certa situação. Perceba, no 
exemplo a seguir, como os traços psicológicos do personagem ficam evidentes.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 123LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 123 25/08/2022 15:26:4225/08/2022 15:26:42
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Primeira parte
Há anos raiou no céu � uminense uma nova estrela. 
Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada 
a rainha dos salões. 
Tornou-se deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponi-
bilidade.
Era rica e famosa. 
Duas opulências, que se realçavam como a � or em vaso de alabastro; dois esplen-
dores que se re� etem, como o raio de sol no prisma do diamante. 
Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o � rmamento da corte 
como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento 
que produzira seu fulgor? 
Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a co-
nheciam; e logo buscaram todos com avidez informações acerca da grande no-
vidade do dia. [...]
Assaltada por uma turba de pretendentes que a disputavam como o prêmio da 
vitória, Aurélia, com a sagacidade admirável em sua idade, avaliou da situação 
difícil em que se achava, e os perigos que a ameaçavam. 
Daí provinha talvez a expressão cheia de desdém e um certo ar provocador, que 
eriçavam a sua beleza aliás tão correta e cinzelada para a meiga e serena expansão 
d’alma. 
Se o lindo semblante não se impregnasse constantemente, ainda nos momentos 
de cisma e distração, dessa tinta de sarcasmo, ninguém veria nela a verdadeira 
� sionomia de Aurélia, e sim uma máscara de alguma profunda decepção. 
Como acreditar que a natureza houvesse traçado linhas tão puras e límpidas da-
quele per� l para quebrar-lhes a harmonia com o riso de uma pungente ironia? 
Os olhos grandes e rasgados, Deus não os aveludaria com a mais inefável ternura, 
se os destinasse para vibrar chispas de escárnio. 
Para que a perfeição estatuária do talhe de síl� de, se em vez de arfar ao suave 
in� uxo do amor, ele devia ser agitado pelos assomos do desprezo? 
Na sala, cercada de adoradores, no meio das esplêndidas reverberações de sua 
beleza, Aurélia bem longe de inebriar-se da adoração produzida por sua formosu-
ra, e do culto que lhe rendiam, ao contrário parecia unicamente possuída de uma 
indignação por essa turba vil e abjeta. 
Não era um triunfo que ela julgasse digno de si, a torpe humilhação dessa gente 
ante a sua riqueza. Era um desa� o, que lançava ao mundo; orgulhosa de esmagá-
-lo sob a planta, como um réptil venenoso. 
ALENCAR, José. Senhora. MINISTÉRIO DA CULTURA Fundação Biblioteca Nacional 
Departamento Nacional do Livro. In: http://www.dominiopublico.gov.br/download/
texto/bn000011.pdf. Página 1. Consulta realizada no dia 22 de abril de 2022.
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APLICAÇÃO
1. Escolha algum ou alguma colega de sua sala. Observe-o(a) aten-
tamente. Em seguida, elabore um texto em três parágrafos, de 
tal modo que, no primeiro, sejamapresentadas as características físicas; no 
segundo, algumas ações típicas em sala de aula ou em outros espaços da 
escola; por fim, no terceiro, apresente alguns traços psicológicos. Para não 
haver constrangimentos, na descrição, escolha as características positivas e 
utilize termos socialmente aceitáveis, evitando o bulling.
Detalhe importante: em nenhum momento diga o nome de seu (sua) co-
lega. Não se esqueça de planejar seu texto. Antes de escrevê-lo, relacione 
palavras ou frases que possam ser utilizadas em cada parágrafo.
2. Leia seu texto em voz alta, sempre sem mencionar o nome do(a) colega. O 
objetivo é precisamente que seus (suas) colegas, por meio de sua descrição 
consigam descobrir quem você descreveu.
PRODUÇÃO DE TEXTO
Agora é a vez de você se descrever. Elabore três parágrafos em que, em cada um 
deles, predomine um tipo de descrição: física, psicológica e do ambiente.
Quando terminar, reúna-se em grupo. Leia as descrições de seus (suas) colegas. 
Observe se todos (todas) conseguiram se descrever. Note, ainda, que aspectos 
foram mais destacados. Escreva as suas observações.
Novamente, enfatiza-se a importância de se planejar o texto, bem como, no momento de sua produção, de se organi-
zarem as informações. Assim, orientar para que, em cada parágrafo, haja um ponto de partida do qual a descrição se 
expanda. 
Deixar claro que a proposta não é produzir um texto “enigmático”, mas sim um texto elaborado com o objetivo de 
que, por seu intermédio, se possa, com relativa facilidade, reconhecer o/a aluno/a descrito/a. 
Este é um momento de re� exão crítica em que o/a aluno/a submeterá sua produção à avaliação de seus/suas 
colegas. Orientar para que sejam observados os traços descritivos que mais bem retratam o/a autor/a do texto. São 
os elementos mais signi� cativos dessa discussão/avaliação que o/a aluno/a deve registrar.
Nesta atividade, para evitar o 
constrangimento de alguém 
não ser escolhido/a, sugere-
-se que o/a professor/a indi-
que a cada aluno/a o nome 
do/a colega a ser descrito/a.
Outro cuidado diz respeito 
à possibilidade de alguma 
descrição caminhar para 
uma imagem caricaturesca 
da pessoa. Nada impede que 
isso aconteça desde que o/a 
aluno seja orientado/a a pro-
duzir um texto que expresse 
respeito pela pessoa descrita. 
Sugere-se que, ao � nal, cada 
grupo apresente, oralmente, 
uma pequena síntese das 
discussões, ressaltando o 
trabalho da produção textual 
(quais as di� culdades que se 
evidenciam no momento de, 
pelas palavras, tentar compor 
um retrato).
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8
REFLEXÃO
1. Observe atentamente a ilustração da página 118 e relacione pa-
lavras que expressem opiniões que esse ambiente desperta em 
você.
2. Com base nessa observação e utilizando boa parte das palavras que você 
relacionou acima, na questão 1, elabore um texto em três parágrafos.
No primeiro, apresente de forma breve, o cenário que motivou este texto.
No segundo, devem ficar evidentes suas opiniões despertadas por esse ce-
nário. Para cada opinião, apresente suas justificativas. 
No último, feche seu texto de modo a enfatizar a opinião que, para você, seja 
a mais importante.
3. Reúna-se em grupo. Apresente seu texto e leia os demais. Observe que as-
pectos são semelhantes e quais são diferentes. Registre suas observações.
4. Discutam as produções e escolham uma delas para apresentar para a sala. 
Depois de todos os textos serem apresentados, escolha aquele que lhe cau-
sou maior impressão e justifique sua escolha.
Título do texto escolhido:
Nome do(a) autor(a)
Justificativa
DA TEORIA À PRÁTICA
O texto produzido por você com a finalidade de expressar opiniões com base 
na imagem da página 118 denomina-se dissertação. A dissertação pode ser ex-
positiva ou argumentativa.
1. Dissertação expositiva
Expõe uma ideia, discorre sobre um assunto, apresenta um tema. Nesse caso, para 
que o texto tenha relevância, seu autor precisa conhecer bem o assunto, não somente 
com base em suas próprias experiências de vida bem como por meio de pesquisas. 
O ASSUNTO É:
TEXTO 
DISSERTATIVO
1. O estudo do texto dissertativo se inicia pela relação de palavras – agora que 
se relacionam às opiniões despertadas pelo ambiente. Ao � nal, podem ser lidas 
as palavras para discutir a pertinência ou não de cada uma delas. Isso também 
servirá para veri� car as diferenças de visão e de vocabulário de cada aluno.
de que o texto dissertativo se caracteriza por introdução, desenvol-
vimento e conclusão. Desta maneira, entende-se que o/a aluno/a 
adquirirá maior segurança para, mais tarde, produzir textos mais densos 
e mais longos.
No início, reforçar a proposta de que as opiniões devem ser justi� cadas 
e incentivar para que sejam feitas de forma clara e fundamentada.
4. Após a apresentação do texto de cada grupo, propicie uma discussão pautada pelas orientações apresentadas na 
atividade 3. Solicitar que cada aluno/a vá fazendo breves anotações dessas discussões, pois elas serão úteis no mo-
mento em que deverá escolher o texto que mais o/a impressionou e suas justi� cativas. Espera-se que, após tantos 
momentos de re� exão, estas justi� cativas ganhem profundidade e expressem um senso crítico aguçado.
2. A propos-
ta reitera a 
importância do 
planejamento 
textual – tanto 
pela seleção das 
palavras da ativi-
dade 1, quanto 
pela orientação 
de que o texto 
seja produzido 
em três parágra-
fos e de forma 
ordenada. Esta 
estrutura pro-
posta utiliza o 
conceito básico 
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Veja um exemplo desse tipo de dissertação.
Em linhas gerais, pode-se dividir a história da TV brasileira em dois grandes 
períodos: de 1950 a 1964 e de 1964 até hoje [...]
No primeiro período, de 50 a 64, a TV concentrava-se no Rio de Janeiro e em 
São Paulo e grande parte de sua programação era transmitida ao vivo com for-
tes tonalidades locais. A partir de 1964, a televisão começa a se expandir por 
todo o território nacional, mas o surgimento das gravações em videoteipe en-
gendra uma concentração da produção nas grandes cidades. Na primeira fase, 
tinha-se uma situação de concorrência entre as grandes emissoras e as TVs 
Tupi e Record lideravam a audiência; na segunda fase, especialmente a partir 
da primeira metade da década de 1970, a Rede Globo de Televisão torna-se 
hegemônica em termos de número de telespectadores.
REIMÃO, Sandra. TV no Brasil – ontem e hoje. In: REIMÃO, Sandra 
(org.). Televisão na América Latina: 7 estudos. São Bernardo do Campo/
SP: Metodista de São Paulo, 2000, p. 65-66 (Fragmento)
2. Dissertação argumentativa 
Defende um ponto de vista sobre um assunto ou tema e tem a intenção de 
persuadir o seu leitor ou seu ouvinte. Para que o texto tenha consistência, seu 
autor pode estabelecer relações de causa e efeito, avaliar opiniões diferentes e/
ou divergentes, analisar e confrontar os dados e/ou as informações disponíveis. 
Observe um exemplo de dissertação argumentativa.
Quem não conhece Pixote, um clássico nacional dos anos oitenta? Contava a 
história de um grupo de crianças tentando sobreviver na selva de São Paulo.
O garotinho que fez o Pixote, Fernando Ramos da Silva, era um genuíno mo-
leque de periferia.
Para um moleque desses, que tem de pegar no batente logo cedo pra ajudar a 
família, esse lance de fama é um negócio mirabolante. Ela leva a dois caminhos: 
ou ao sucesso, ou à total frustração. Foi passando o tempo e o sucesso do filme 
foi ficando pra trás, e a carreira do moleque não decolou.
Fernando teve uma recaída: voltou pra periferia e começou a roubar. Até que 
um dia, aconteceu o inevitável: foi baleado e morto pela polícia. [...]
O Brasil não mudou muito nesses vinte anos.
E como a história se repete, um dosatores-mirins do filme Cidade de Deus, o 
Rubens Sabino da Silva, foi preso depois de roubar a bolsa de uma senhora num 
ônibus no Rio de Janeiro.
Que oportunidade foi dada a esse pequeno ator do morro? Apenas o gostinho 
de ter uma carreira glamurosa ou de ser alguém importante.
3. Ao ler os textos de seus/
suas colegas, além de ter a 
oportunidade de conhecer 
diferentes pontos de vista, 
o/a aluno/a poderá veri� car 
as diferenças que ocorrem na 
forma de apresentar suas opi-
niões. Solicitar que avaliem 
as opiniões e as justi� cativas, 
veri� cando profundidade e 
originalidade. Será que elas 
superam o senso comum? 
Isso porque, diante de uma 
situação, muitas pessoas não 
conseguem encontrar ângu-
los ou explicações pessoais e/
ou originais.
Acompanhe as discussões 
de forma a garantir um mo-
mento de crítica positiva e de 
empenho colaborativo, para 
que a avaliação não � que 
apenas no nível do “gostei” ou 
“não gostei”.
O registro que o/a aluno/a 
� zer permitirá veri� car se 
ele conseguiu compreender 
todos os aspectos anterior-
mente.
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A situação do menor abandonado não mudou nada, ou melhor, piorou. Eles 
ainda não têm perspectiva de vida, trocam a inocência da infância por margi-
nalidade, crime e droga.
Então a melhor coisa é ter pé no chão. Pé no chão é tudo.
JOÃO GORDO et al. Consciência do Gordo. São Paulo: Jaboticaba, 2004, p. 22-23 (Fragmento) 
Dissertação objetiva e dissertação subjetiva
A leitura dos dois exemplos revela que, além de se diferenciarem quanto aos 
propósitos da dissertação, os textos apresentam estilos diferentes. O primeiro ca-
racteriza-se pela objetividade, enquanto o segundo tem a subjetividade como 
traço preponderante.
Dissertação objetiva: o que marca esse tipo de dissertação (seja ela expositi-
va, seja argumentativa) é a produção de um texto mais impessoal, apresentando 
as ideias e/ou argumentos de modo racional, lógico. Veja como isso pode ser 
notado no trecho a seguir.
A forma e as ideias
Restringe-se quase apenas à classe dos linguistas a expectativa pela estreia, hoje, 
de mais uma reforma ortográ� ca no Brasil. As mudanças por ora são ignoradas 
pela maioria da população brasileira e terão impacto reduzido no cotidiano: a 
cada mil palavras utilizadas, cinco serão alteradas. [...]
Pensado para uni� car a linguagem escrita nos países lusófonos, o Acordo Ortográ-
� co produz muito barulho por quase nada. Seu impacto estará concentrado na 
burocracia diplomática – não será mais necessário “traduzir” documentos para as 
diversas gra� as nacionais do idioma – e no mercado editorial, que vai movimen-
tar-se nos próximos anos para adaptar livros e dicionários ao novo padrão.
A ortogra� a que está sendo substituída não constitui barreira para a compreensão 
de textos escritos no padrão de outro país. Di� culdades maiores são oferecidas 
pela construção das frases e pelo vocabulário mobilizado nas diversas regiões em 
que se fala o idioma.
Somente a experiência da leitura sistemática e a exposição constante a textos de tradi-
ções nacionais, regionais e históricas diversas podem levar à superação desses obstá-
culos. A nova ortogra� a altera algumas formas das ideias, jamais seu conteúdo.
Com ou sem reforma, milhões de jovens brasileiros continuarão saindo da escola 
sem acesso a esse universo de conhecimento.
EDITORIAL. A forma e as ideias. Folha de S. Paulo, de 1 de jan. 2009, p. A-2.
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Dissertação subjetiva: esse tipo de dissertação (seja expositiva, seja argu-
mentativa) é marcado pela presença mais intensa do sujeito, apresentando ideias 
e/ou argumentos de maneira emocional. Observe como isso está presente no tre-
cho abaixo.
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita se-
riedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de 
muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua 
dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde 
clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver 
um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o “velho amigo”, que 
porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssi-
mo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está 
sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não 
existe amor sem � delidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu 
amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível li-
berdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de � el, ser bem conhecedor de arte culi-
nária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso 
também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-ama-
da como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu � na-
do amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no � orista — muito mais, 
muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o gran-
de amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um 
tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
MORAES, Vinícius de. Para viver um grande amor. In: MORAES, Vinicius de. Para 
viver um grande amor. 17. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983, p. 130-131.
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APLICAÇÃO
1. Escolha uma profissão (preferencialmente, aquela que futura-
mente você deseja seguir). Busque informações referentes a 
essa carreira (entreviste pessoas que exerçam atividades relacio-
nadas a ela e pesquise informações em livros ou na internet]). 
Com base nas entrevistas e nas informações obtidas, redija um texto dis-
sertativo expositivo objetivo, cujo tema seja essa profissão escolhida por 
você. Para isso, estruture o texto em três parágrafos:
– primeiro, faça uma introdução ao tema; 
– segundo, desenvolva-o de forma organizada;
– terceiro, elabore uma conclusão. 
Lembre-se de colocar um título.
2. Reúna-se em grupo. Leia o seu texto e os demais. Em que medida todos os 
textos permitiram que se compreendessem as características de cada pro-
fissão? Houve coincidências na escolha de carreira? Se houve, os aspectos 
abordados são semelhantes? Registre abaixo suas reflexões.
3. Você conhece muitos provérbios? 
a) Escolha um provérbio conhecido.
b) Com base no provérbio escolhido, elabore uma dissertação argumen-
tativa objetiva cujos argumentos demonstrem sua concordância
com o ponto de vista do provérbio. Ou seja, você terá que, de forma ra-
cional, persuadir o seu leitor de que o provérbio deve ser tomado como 
uma boa referência para a sua vida.
c) Utilizando o mesmo provérbio, elabore uma dissertação argumenta-
tiva objetiva cujos argumentos demonstrem que você discorda do 
ponto de vista do provérbio. Ou seja, você terá que, de forma racional, 
persuadir o seu leitor de que o provérbio não é uma boa referência para 
a sua vida.
4. Escolha um dos textos que você produziu a partir do provérbio. Transforme-o,
agora, em uma dissertação argumentativa subjetiva. Ou seja, você ten-
tará persuadir o seu leitor por meio de apelos emocionais.
5. Forme dupla com um(a) colega de sua sala. Troquem os textos produzidos 
nas atividades anteriores. Para cada texto, elabore uma pequena avaliação,verificando se, em cada um deles, a argumentação foi bem elaborada. Caso 
você verifique problemas de elaboração, apresente sugestões que possam 
superar tais problemas.
Sugestão
Ao � nal destas atividades, os textos, depois de revisados e retrabalhados, poderiam ser reunidos em um pequeno 
livro (com imagens) que serviria como fonte de consulta posteriormente. Ou, caso seja possível, poderia ser criado 
um blog na Internet e nele publicados os textos. Das duas formas, amplia-se aquela consciência de que se escreve 
para vários leitores e, portanto, o texto precisa ser bem elaborado.
1. Sugere-se que, enquan-
to vão sendo trabalhados 
conteúdos e atividades 
anteriores, o/a aluno seja 
orientado/a a fazer as entre-
vistas e as pesquisas. Assim, 
orientar para que tome nota 
de todas as informações obti-
das. Dessa forma, o/a aluno/a 
começará a compreender 
a importância da coleta de 
dados e de informações para 
se produzir um texto. Ou seja, 
sem conhecimento, torna-se 
difícil (mesmo impossível) 
desenvolver um determinado 
assunto. 
Optou-se por uma pesquisa 
sobre carreira universitária 
com o objetivo de, além de 
servir como tema, permitir 
que o/a aluno/a perceba se 
tem ou não a� nidade por ela 
e, de certo modo, propiciar 
que suas escolhas possam se 
dar com base em dados obje-
tivos e com mais segurança.
Como a proposta é que se 
elabore um texto disser-
tativo expositivo objetivo, 
orientar para que se planeje o 
texto previamente de forma 
a que as informações sejam 
apresentadas quanto à sua 
relevância para o tema e de 
forma lógica e racional. Nova-
mente, adotou-se a estrutura 
básica de três parágrafos (in-
trodução, desenvolvimento e 
conclusão), porém, conforme 
a quantidade de informa-
ções obtidas o/a professor/a 
poderá orientar a que se 
façam mais parágrafos de 
desenvolvimento, permitindo 
maior abrangência do tema. 
Todavia deve-se reiterar 
que somente os dados e as 
informações relevantes sejam 
utilizados. 
2. Nesta atividade, o/a alu-
no/a terá a oportunidade de 
conhecer outras carreiras e/
ou veri� car outras aborda-
gens relativas à carreira por 
ele/ela escolhido/a. Além, é 
claro, de perceber as diferen-
tes maneiras de se elaborar 
e desenvolver um texto dis-
sertativo expositivo objetivo. 
Espera-se que, ao registrar 
suas re� exões, esses aspectos 
� quem evidenciados.
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PRODUÇÃO DE TEXTO
Você vai produzir uma dissertação com base no seguinte recorte temático:
O uso de animais em experimentação científica tem sido muito debatido porque 
envolve reivindicações dos cientistas e dos movimentos organizados em defesa 
dos animais, assim como mudanças na legislação vigente.
Para produzir seu trabalho, observe:
a) A parte inicial do texto será uma introdução que expressa a opinião prin-
cipal a ser defendida.
b) Após a parte inicial, começam os argumentos que sustentam a opinião 
apresentada, formando o desenvolvimento da dissertação. 
c) A parte final é a sua conclusão, em que será expresso claramente seu 
ponto de vista e afirmada concretamente sua ideia a respeito do tema. 
Não se esqueça de colocar um título que desperte o interesse do seu leitor. 
Depois de finalizado seu trabalho, peça ao seu professor para revisar seu texto e 
reescreva-o, se for necessário. Escolha uma pessoa amiga, ou alguém que vive 
com você e goste de animais para entregar seu texto para leitura e apreciação.
3. a) A opção de se propor 
um provérbio como tema 
a ser desenvolvido funda-
menta-se na ideia de que se 
trata de um saber popular e, 
portanto, de fácil apreensão 
pelo/a aluno/a. Além do que 
são “pequenos conselhos”, 
muitas vezes, tomados como 
verdadeiros e de� nitivos 
que, por isso, permitem ser 
colocados em discussão e até 
polemizados
3. b) Orientação geral para as 
atividades b e c (produção de 
texto dissertativo expositivo 
objetivo)
Reitere que o texto deve obe-
decer a uma lógica, deve ser 
racional. Portanto, a escolha 
de palavras e a organização 
dos parágrafos devem ser 
bem planejadas.
Ressalta-se que, em ambas as 
propostas, deve-se orientar 
a que o/a aluno/a tenha em 
mente um “provável” leitor 
que deverá ser persuadido 
por meio de um texto. Por 
isso, seus argumentos devem 
ser consistentes e relevantes.
Nesta primeira elaboração, 
o/a aluno/a assumirá o ponto 
de vista que explicite sua 
concordância com o sentido 
do provérbio. Provavelmente, 
será difícil que ele/ela consi-
ga elaborar um texto muito 
original – ainda mais que o 
texto deve ser objetivo.
3. c) Aqui, com o mesmo pro-
vérbio, coloca-se o/a aluno/a 
diante de uma situação nova, 
em que deverá apresentar 
argumentos que evidenciem 
a não aceitação do provérbio. 
Assim, pode ser que seja 
mais difícil de encontrar tais 
argumentos, por esse motivo 
o/a aluno/a será desa� ado/a 
a produzir um texto que 
será mais original do que o 
anterior.
Acrescente-se que se trata de 
um exercício mental impor-
tante, porque pode levar o/a 
aluno/a a compreender que, 
diante de muitas situações, 
pode haver posicionamentos 
diferentes (até divergentes). 
Isso alimenta e re� na o senso 
crítico das pessoas.
4. Aqui a preocupação é fazer com que o/a aluno/a perceba que um mesmo tema pode ter tratamento diferente. 
A argumentação subjetiva também precisa ser planejada e seus argumentos convincentes. Todavia, como deverá 
predominar o apelo emocional, a escolha lexical e a estruturação das frases e dos parágrafos também deverão 
expressar a subjetividade. Um dos aspectos em que isso � ca mais evidente é na pontuação – o/a aluno/a poderá 
lançar mão de interrogações, exclamações, reticências com mais desenvoltura. Além disso, frequentemente, nesse 
tipo de dissertação, o/a autor/a busca aproximar-se mais do leitor e, de certa forma, fazer com que ele adira com 
mais facilidade aos argumentos apresentados no texto.
5. Neste trabalho, propõe-se que um/a aluno/a troque seus textos com outro/a e que cada um redija suas avalia-
ções. Assim, é recomendável que façam a atividade sem discutir os textos. Isso é importante para que o momento 
de crítica seja o resultado de uma re� exão pessoal – diferentemente do que se fez antes.
Deve-se orientar, então, para que as críticas sejam responsáveis e embasadas, com o/a aluno/a avaliador/a obser-
vando tanto se a modalidade textual proposta foi seguida, como se os argumentos são relevantes e têm consistên-
cia. Reitere a importância de se dar sugestões ao/à colega, reforçando o caráter colaborativo da atividade.
Depois que cada dupla terminar suas avaliações, é chegado o momento de, juntos/as, discutir os comentários e as 
sugestões. É importante que os alunos enumerem os acertos e erros em relação aos textos produzidos.
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9
REFLEXÃO
Observe a reprodução de uma notícia publicada no site da Revista 
Superinteressante, em 20 de abril de 2022.
O ASSUNTO É:
TEXTO 
JORNALÍSTICO
MÉDICOS VISITAM ESTAÇÃO ESPACIAL 
INTERNACIONAL POR MEIO DE HOLOGRAMAS
Em experimento histórico, equipe de médicos interagiu com astronauta 
da Agência Espacial Europeia usando óculos que permitem o 
“holoporte”
Por Luisa Costa 20 abr 2022, 17h58 
Pela primeira vez, uma equipe médica visitou astronautas na Estação Espacial Internacional 
(ISS) por meio de hologramas. O experimento aconteceu em outubro e foi revelado este 
mês pela Nasa, em comunicado ofi cial.
Sim, a telemedicina está indo longe demais – mais especifi camente, a 400 quilômetros de 
altura, na órbita baixa do planeta.
A cena que parece fi cção científi ca foi protagonizada por Josef Schmid, cirurgião de voo 
da agência espacial americana, sua equipe e Fernando De La Pena Llaca, CEO da Aexa 
Aerospace – empresa de tecno... 
O “holotransporte”, junçãode “holograma” e “transporte”, é uma tecnologia que captura 
imagens e então reconstrói, compacta e transmite modelos 3D de pessoas em tempo real 
para qualquer lugar. O projeto existe desde 2016 e é desenvolvido pela Microsoft – mas 
nunca havia estabelecido comunicação entre pessoas tão distantes quanto agora. 
O cirurgião da Nasa interagiu com Thomas Pesquet, astronauta francês da Agência Espacial 
Europeia (ESA). Os dois usaram um óculos especial, chamado Microsoft Hololens Kinect, 
e um computador com software personalizado desenvolvido pela Aexa. Assim, o astronauta 
que estivesse com os óculos veria uma imagem 3D da equipe médica e vice-versa. 
Os participantes do experimento puderam ver, ouvir e interagir uns com os outros à 
distância como se estivessem no mesmo espaço físico. Segundo a Nasa, Schmid recebeu 
até um aperto de mão (virtual) de Pesquet. 
Em comunicado, a Nasa afi rma que planeja utilizar a tecnologia em futuras missões para 
consultas médicas e psiquiátricas de astronautas, reuniões familiares e até para promover 
Em experimento histórico, equipe de médicos interagiu com astronauta 
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1. Com que finalidade esse texto foi produzido?
2. Aponte partes do texto que comprovem a resposta dada à questão 1.
DA TEORIA À PRÁTICA
O texto trabalhado anteriormente pertence ao universo do jornalismo. Neste 
caso, trata-se de uma notícia publicada em um jornal impresso diário. Porém, o 
texto jornalístico é produzido também em outros veículos de comunicação e em 
diferentes formatos. É isso que você verá a seguir.
1. Jornalismo impresso
Sua veiculação se dá em diferentes formatos, mas todos com a mesma carac-
terística fundamental: são impressos em papel.
O jornal é impresso em um tipo de papel mais barato e de menor qualidade, 
conhecido como “papel-jornal”. 
No jornal, os grandes assuntos são divididos em editorias, tais como, Brasil
(notícias e opiniões sobre fatos relativos ao universo político brasileiro); Inter-
nacional (fatos, geralmente, políticos referentes aos demais países); Regional ou 
Local (assuntos pertinentes à região e/ou à cidade em que o jornal circula); Eco-
nomia (assuntos econômicos gerais); Esporte (relativos ao mundo esportivo em 
geral); Cultura (temas relativos a livros, ao teatro, ao cinema, entre outros). Essa 
divisão por editorias define outra divisão: os cadernos em que se concentram as 
editorias. Assim, há o Caderno de Economia, o de Esporte etc.
visitas à ISS. Combinar o holotransporte com tecnologias de realidade aumentada também 
permitiria que pessoas na Terra se locomovessem pela ISS e trabalhassem junto com 
astronautas. 
“É uma maneira completamente nova de comunicação humana em grandes distâncias […] 
e de exploração, a partir da qual nossa entidade humana é capaz de viajar para além do 
planeta”, disse Schmid. 
In:https://super.abril.com.br/ciencia/medicos-visitam-estacao-espacial-internacional-via-hologramas/. 
Consulta realizada em 22 de abril de 2022.
1. Espera-se que o aluno 
compreenda que se trata de 
uma notícia e que, portanto, 
tem a � nalidade de transmitir 
informações. 
2. As respostas poderão ser 
bem diferentes, pois cada 
pessoa poderá encontrar 
trechos diversos para jus-
ti� car que se trata de uma 
informação. O recomendável 
é que, após a leitura e discus-
são de algumas respostas, 
o/a professor/a coloque no 
quadro as perguntas básicas 
que compreendem o lead
de uma notícia: o quê?, 
quem?, onde?, como? Se for 
necessário, faça uma revisão 
das características do gênero 
notícia.
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Em alguns casos, os jornais publicam suplementos semanais com ênfase em 
um determinado tema. Por exemplo: suplemento de TV, com ampla cobertura 
de assuntos relativos à programação televisiva e aos seus participantes (atores, 
atrizes, jornalistas, apresentadores, entre outros). Há suplementos especiais, pu-
blicados por ocasião de algum evento de grande porte. Isso ocorre, por exemplo, 
quando da realização de Jogos Olímpicos, da Copa do Mundo de Futebol.
O jornal pode ser apresentado em periodicidade e formatos diferentes. Quan-
to à periodicidade, o jornal pode ser diário (uma das mais frequentes), semanal 
ou quinzenal. Já, quanto aos formatos, no Brasil, o standard tem sido usado com 
mais frequência. Esse formato corresponde, em média, ao tamanho de 55 cm (no 
sentido vertical) por 30 cm (no horizontal). Veja alguns exemplos.
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Primeira página do jornal Correio Braziliense, 
de Brasília, do dia 18 de julho de 2016.
Primeira página do jornal do Extra, do Rio 
de Janeiro, do dia 28 de abril de 2013.
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Há jornais que adotam o formato tabloide ou berlinense. O primeiro tem 
o tamanho médio de 38 cm (na vertical) por 30 cm (na horizontal; enquanto o 
segundo apresenta-se com 47 cm (na vertical) por 31,5 cm (na horizontal). Veja 
exemplos desse tipo de formato.
Primeira página do Zero Hora, de Porto 
Alegre, do dia 16 de junho de 2015. Primeira página do Jornal do Brasil, do Rio 
de Janeiro, do dia 14 de janeiro de 2009.
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2. Revista
A revista é uma publicação impressa em papel de qualidade superior à do 
jornal. Seu formato se aproxima ao tamanho de folha de papel A-4 (29,7 cm, na 
vertical, por 21 cm, na horizontal). Sua periodicidade pode ser semanal, quinze-
nal ou mensal.
Trata-se de um tipo de publicação que se caracteriza por grande segmenta-
ção. Há revistas que, à semelhança do jornal impresso, abordam diferentes assun-
tos e se dividem em editorias. Observe alguns desses tipos de revista.
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Capa da revista Veja, de 24 de maio de 2017. Capa da revista Carta Capital, 
de 8 de maio de 2013.
Capa da revista Carta Capital
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Capa da revista Veja, de 24 de maio de 2017.
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Há revistas que trabalham com um tema mais específico e o desenvolvem 
ao longo de suas páginas. Nesses casos, são revistas que procuram alcançar um 
público-alvo bem mais definido. Abaixo, há exemplos de algumas dessas revistas.
Capa da revista Forum, de junho de 2013. Capa da revista Caros Amigos, 
de julho de 2010.
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Capa da revista Superinteressante, 
de dezembro de 2005.
Capa da revista Medicina & Cia.,
de junho de 2013.
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3. Jornalismo no rádio
No rádio, há o radiojornal, programa radiofônico diário que transmite notí-
cias, realiza entrevistas e emite opiniões relacionadas a diferentes temas: política,economia, esportes, entre outros, sejam elas nacionais, internacionais, regionais 
e locais.
Os radiojornais podem ter variadas durações: boletins curtos com três minu-
tos, que destacam notícias mais relevantes; programas mais longos de meia hora 
a duas ou três horas, que tratam as notícias com maior profundidade, acrescen-
tando entrevistas e comentaristas que opinam sobre os fatos apresentados.
Há, ainda, as revistas radiofônicas que, de maneira mais informal, abor-
dam temas variados e prestam serviço (atividades culturais com locais e horários; 
orientação sobre cuidados com a saúde pessoal, entre outros); propiciam a parti-
cipação do ouvinte (emitindo opiniões, contando histórias pessoais, apresentan-
do dúvidas em relação a um determinado assunto). 
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Atualmente, há emissoras de rádio, geralmente as de frequência AM, que 
organizam sua grade com programas exclusivamente jornalísticos.
Logotipo da rádio Jovem Pan AM. Disponível 
em: <https://adonirando.wordpress.
com/>. Acesso em 26 jul. 2017.
Logotipo da rádio CBN. Disponível 
em: <http://noticiasderadios.
blogspot.com/2009_05_01_archive.
html>. Acesso em 9 jul. 2017.
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Logotipo da rádio CBN. Disponível 
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4. Jornalismo na TV
No telejornal, programas de duração variada – às vezes, pequenos boletins, 
outras vezes, programas com meia hora ou até cinquenta minutos – que, à se-
melhança do radiojornal, transmitem notícias, entrevistam pessoas e dão voz a 
comentaristas que opinam sobre as notícias apresentadas.
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Vinheta do Jornal Nacional. Disponível 
em: <https://www.i-on.tv/australia/globo-
package.html>. Acesso em: 23 jun. 2017.
Vinheta do Jornal da Alterosa – edição 
regional – Juiz de fora/MG. Disponível 
em: <https://www.youtube.com/user/
jornaldaalterosa>. Acesso em: 23 jun. 2017.
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Há programas jornalísticos mais diferenciados, as revistas eletrônicas que 
tratam de um tema com maior profundidade – como, por exemplo, o Globo Re-
pórter – ou abordam temas variados, com informações e entretenimento – são 
exemplos, entre outros, o Fantástico, apresentado pela Rede Globo, o Domingo 
Espetacular, da Rede Record.
Vinheta do Globo Repórter. Disponível 
em: <http://joelisonjoe.blogspot.com.
br/2011/10/ufsm-no-globo-reporter.
html>. Acesso em: 23 jun. 2017.
Vinheta do Domingo espetacular. 
Disponível em: <http://entretenimento.
oportaln10.com.br/domingo-espetacular-
18062017-viagem-especial-para-o-
senegal-63030/>. Acesso em: 23 jun. 2017.
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Os programas de entrevistas têm grande destaque na televisão. Nesse caso, 
há aqueles realizados em estúdio, em que entrevistador/a e entrevistado/a con-
versam informalmente – Marília Gabriela Entrevista, exibido pela GNT, e Juca 
Entrevista, exibido pela ESPN, ambas emissoras de TV a cabo, são exemplos des-
se tipo de programa. Já os talk shows, também programas de entrevistas, são 
realizados em pequenos auditórios e, portanto, acompanhados por plateia. O Pro-
grama do Jô, apresentado pela Rede Globo, é exemplo de talk show.
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Vinheta de Juca Entrevista. Disponível 
em: <http://espnbrasil.terra.com.br/
jucaentrevista>. Acesso em: 9 jul. 2017.
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Vinheta do Programa do Jô.
Disponível em: <https://telinhadatv.
wordpress.com/category/televisao-2/
page/1938/>. Acesso em: 23 jun. 2017.
Assim como ocorreu com as emissoras de rádio, surgiram canais de televisão 
com programas exclusivamente jornalísticos. São exemplos desse tipo a Globo 
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News, a Record News e a BandNews. Há também canais que se especializaram ex-
clusivamente em jornalismo esportivo. São elas a Band Sports, a Espn e a SporTV.
Logotipo da BandNews. Disponível em: <http://
feirasenegocios.com.br/>. Acesso em: 23 jun. 2017.
Logotipo da SporTV. Disponível 
em: <http://www.tracto.com.
br/logo-sportv-3d-frontal/>. 
Acesso em: 23 jun. 2017.
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Logotipo da BandNews. Disponível em: <http://
Logotipo da SporTV. Disponível 
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5. Jornalismo na internet
Com a chegada da internet, muitas das atividades jornalísticas convergiram 
para esse novo veículo. Em alguns casos, o internauta tem acesso total ou parcial 
a jornais e revistas impressos em versão digital, ou às emissoras de rádio (neste 
caso, pode-se ouvir a transmissão on-line por meio de um software – player). 
Mesmo as TVs permitem acesso a trechos de suas produções jornalísticas.
Porém, existem produções elaboradas somente para a internet. São eles os 
blogs jornalísticos, os boletins eletrônicos e, em especial, os portais que, por meio 
de links, dão acesso a diversos formatos de textos jornalísticos (escritos, sonoros, 
vídeos), originalmente produzidos para a internet.
Exemplo de portal jornalístico
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Página de entrada do Portal www.ebc.com.br – imagem captada em 17/07/2017.
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Exemplo de blog jornalístico
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Página inicial do blog do jornalístico de Esmael Morais – disponível na Internet 
em <http://www.esmaelmorais.com.br/>. Acesso em 17/07/2017.
6. O trabalho do jornalista
Independentemente do veículo, o jornalista inicia suas atividades a partir de 
uma pauta (espécie de roteiro de assuntos que serão abordados).
Daí, o passo seguinte é a apuração dos fatos, momento em que verifica os da-
dos referentes aos acontecimentos. Para isso, ele pode trabalhar com documentos 
e entrevistar pessoas. O ideal é procurar fontes diferentes para que os fatos pos-
sam ser compreendidos sob diversos ângulos. Costuma-se dizer que todo fato 
tem dois lados, quando, na verdade, pode haver muito mais do que dois.
Depois de todos os dados coletados, há o momento de redigir e editar o texto 
que virá a ser publicado. Nessa etapa, além do jornalista que apurou os fatos e 
redigiu o texto, pode participar também o editor responsável pela área a que o 
fato é pertinente.
7. Características da linguagem jornalística
A princípio, quando se fala em texto jornalístico, pensa-se quase que exclusi-
vamente em textos produzidos com a finalidade de transmitir informações. Nes-
se tipo de texto, a linguagem será trabalhada com a maior objetividade possível 
e, por isso, a função de linguagem predominante é a referencial – ou seja, elabo-
ração de uma mensagem com a intenção de passar informações ao destinatário. 
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Seja qual for o tipo de veículo, essa função predominará, principalmente, em 
notícias e reportagens. Observe isso no exemplo a seguir.
Aftosa: vacinação em maio será 
apenas para bovinos até 24 meses
PECUÁRIA – Na região, existem mais de quatro mil pecuaristas e 300 mil cabeças 
de gado
A partir do dia 2 de maio começa a etapa de vacinação contra a febre aftosa, que 
deve ser realizada por todos os pecuaristas do estado de São Paulo. Na região 
de Ourinhos, formada por 17 municípios, são mais de 4 mil pecuaristas e 300 
mil cabeças de gado, informa Valmor Fantinel, médico veterinário e diretor do 
Escritório de Defesa Agropecuário de Ourinhos —EDAO.
Nesta etapa de maio, serão obrigados a ser vacinados todos os bovinos com até 24meses de idade. Até o ano passado era obrigatório vacinar todo o rebanho, ou seja, 
o gado de qualquer idade.
“A vacinação de todo o rebanho, gado de qualquer idade, ficou para novembro”, 
informa Fantinel.
Ainda de acordo com o médico veterinário, há 13 anos não é registrado nenhum 
caso de febre aftosa no estado de São Paulo e, por isso, a imunização dos gados de 
qualquer idade ficou para a etapa de novembro. Ou seja: em maio, gados até dois 
anos; em novembro, todo o rebanho.
O pecuarista que deixar de aplicar a vacina contra a febre aftosa poderá ser autuado 
e multado no valor de cinco Ufesps (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo) por 
animal não vacinado, isto é, R$ 79,40 por cabeça de gado.
AFTOSA: vacinação em maio será apenas para bovinos até 24 meses. Debate Online, 
Semana de 26/04/2009 a 03/05/2009. Disponível em: AFTOSA: vacinação em maio 
será apenas para bovinos até 24 meses. Debate Online, Semana de 26/04/2009 
a 03/05/2009. disponível em: http://www2.uol.com.br/debate/1464/cidade/
cidade09.html. Acesso em 16 de junho de 2017>. Acesso em 9 jul. 2017.
Se informar é uma das finalidades mais comuns no jornal, há outra muito 
significativa também: a produção de textos opinativos. Nesse caso, a linguagem 
apresentará maior subjetividade e, por essa razão, predominará a função expres-
siva (ou emotiva) – isto é, o emissor elabora uma mensagem expressando suas 
opiniões em relação a algum fato ou a alguma atitude tomada por personalidades 
do mundo político, judiciário, cultural etc. Essa função será predominante, espe-
cialmente, em editoriais, em colunas (artigos assinados por comentaristas) e em 
críticas de modo geral (por exemplo, avaliação de peças de teatro, de filmes, de 
gastronomia, entre outros). Na TV e no rádio, há o âncora, jornalista que, além 
de transmitir informações, faz comentários críticos. Veja pequeno exemplo de 
função expressiva em texto jornalístico.
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Não há
Sem reciclar, esgotaremos o planeta. O reaproveitamento é essencial para a 
sobrevivência da raça humana. No entanto, e usando um jargão muito em moda 
nestes tempos, não há políticas públicas de reciclagem neste país. Campanhas de 
conscientização induzem o cidadão a separar seu lixo, vidro com vidro, plástico 
com plástico e papel com papel.
E cadê coleta? Quando há, é deficiente e insuficiente.
OSTERMANN, Valther. Não há. Jornal de Santa Catarina. Disponível em: <http://www.
clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,183,2543943,12515>. Acesso em 16 de junho de 2017.
Em quantidade menor, há produções de textos que abordam a própria lingua-
gem jornalística. Nessa produção predominará a função metalinguística: a men-
sagem elaborada em uma linguagem que tem a própria linguagem como centro 
de atenção. Essa função será predominante em textos que discutem o trabalho do 
próprio jornal (há alguns que têm ombudsman – pessoa responsável pela produção 
de texto em que avalia o veículo em que trabalha). Veja exemplo no texto abaixo.
Cobertura lenta e 
improvisada da tragédia
Em dezembro, o país se comoveu com a tragédia das enchentes em Santa Catarina. 
Este mês, de novo, agora com elas no Norte e no Nordeste.
A Folha não fez jornalismo preventivo, como deveria, em nenhuma das situações. 
Limitou-se a reagir aos fatos, registrar os acontecimentos.
Mas no caso atual, do Norte e do Nordeste, apesar de ele ter provocado mais vítimas 
e desabrigados que o anterior, o jornal lhe dedica muito menos espaço e destaque.
Vários leitores escrevem para reclamar e perguntar se a falta de vigor jornalístico 
reflete “um aparente descaso “sulino” com o drama do Norte/Nordeste”, como um 
deles, Rodrigo Pisictelli, pergunta. Confio que não, mas a suspeita já é grave.
No sábado, o jornal criticou em editorial intitulado “Lentidão e improviso” o 
comportamento das autoridades em resposta aos efeitos das chuvas.
Mas a cobertura que ele próprio tem feito dos problemas de cerca de 1 milhão de 
brasileiros também deixa muito a desejar.
Fora fotos pungentes na capa, o que se constata é que o assunto não está entre as 
prioridades da Redação, o que é um erro e uma lástima.
SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Cobertura lenta e improvisada da tragédia. Folha 
de S. Paulo, 17 de maio de 2009. Disponível em: <http://www1.folha.uol.
com.br/fsp/ombudsma/om1705200902.htm>. Acesso em 9 jul. 2017. 
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Há neutralidade no texto jornalístico?
Comumente, ouve-se dizer que o texto jornalístico deve transmitir os acon-
tecimentos com neutralidade, ou seja, sem que o jornalista se posicione em rela-
ção a eles. Contudo, manter-se neutro é praticamente impossível, uma vez que, 
ao selecionar dados e ao organizá-los, o jornalista coloca em ação seus valores 
subjetivos. 
O que se recomenda é manter um distanciamento crítico em relação aos ele-
mentos que seleciona para elaborar o seu texto. Não se deixar envolver por pes-
soas ou órgãos nem deixar-se levar pela emoção.
Imagens no texto jornalístico 
Os veículos de informação (com exceção do rádio) utilizam imagens asso-
ciadas às matérias e às notícias com a intenção de dar maior efeito de realidade 
ao que está sendo informado, ou seja, elas documentam os fatos noticiados. Por 
esse motivo, as imagens não devem ser compreendidas como meras ilustrações.
Pode-se afirmar que, assim como o texto linguístico, as imagens também são 
notícias e assim devem ser tratadas pelos que as captam. 
Atualmente, com os diversos recursos disponíveis, as imagens, tanto na im-
prensa quanto na área da publicidade, podem receber tratamentos, seja para apa-
gar elementos que não interessam a alguém ou a alguma instituição, seja para 
“melhorar ou embelezar” a aparência de uma pessoa. 
O texto que você vai ler não apenas permitirá que essa questão seja mais bem 
compreendida, como também revelará que a prática de manipulação de imagens 
ocorria ainda quando não havia tanta tecnologia para isso.
Ditadura do photoshop
Diante da popularização da manipulação de imagens, os franceses querem devolver 
à fotografia o seu valor fundamental: a utópica fidelidade da representação.
Em 1826, o francês Joseph Nicéphore Niépce registrou uma imagem de seu quintal 
usando uma placa de estanho, betume e uma câmara escura. Depois de oito horas de 
exposição à luz, nascia a fotografia. Desde então, vimos o mundo através de fotos: 
os horrores das guerras, os lugares exóticos recém-desbravados, os grandes líderes, 
os mais belos homens e mulheres e mesmo o planeta Terra visto do espaço. Hoje, 
quase dois séculos depois, o povo que inventou essa técnica volta a refletir sobre os 
rumos tomados pela arte de transformar coisas em imagens. Tramita no Congresso 
francês uma proposta de lei da deputada Valérie Boyer que pretende regulamentar 
o uso do Photoshop em imagens publicitárias, editoriais e artísticas. Segundo a 
deputada, toda foto publicada na França minimamente alterada por um programa 
de computador que retoque imagens deverá vir acompanhada do seguinte aviso: 
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“Esta fotografia foi retocada para modificar a aparência física de uma pessoa”. A 
multa para quem não o colocar será de 37 500 euros, ou 95 500 reais. A proposta já 
conta com a adesão de outros cinquenta parlamentares franceses. 
Como fazemos com um filho rebelde que fugiu do nosso controle, os franceses 
querem devolver à fotografia o seu valor fundamental: a fidelidade – apesar de 
utópica – da representação fotográfica. Em campanhas publicitárias e certos 
nichos glamourosos da imprensa de moda, existem hoje dois processosdistintos 
na elaboração das imagens: fotografar e photoshopar (sim, já virou verbo). O 
primeiro capta as imagens com a melhor luz possível. O segundo pode construir 
corpos magérrimos e perfeitos, peles de plástico, livres de celulite ou qualquer 
outra imperfeição natural. O resultado é, em casos extremos, uma ilustração que 
tem pouquíssimo a ver com o original. Da perseguição dessa beleza inatingível 
podem provir sérios danos à autoestima, sobretudo em adolescentes, quando não 
transtornos como a bulimia e a compulsão por cirurgias plásticas. Do outro lado 
do Canal da Mancha, parlamentares ingleses também propõem restrições ao uso 
do Photoshop em campanhas publicitárias voltadas para menores de 16 anos. A 
fundamentação é que fotografias manipuladas podem fazer mal à saúde. 
A possibilidade de manipulação da fotografia existe desde a invenção da câmara 
escura. No século XIX, os retratos encomendados passaram a ganhar correções 
feitas com a ajuda de retocadores, que com pincéis e tinta procuravam melhorar a 
aparência dos fotografados. O mito de que a fotografia é a representação da realidade 
foi usado de forma maquiavélica por ditadores, como Stálin, Hitler, Mao Tsé-tung 
e Mussolini, que tentaram reescrever a história por meio da alteração criminosa de 
fotografias. Hoje, a manipulação da imagem encontrou possibilidades infinitas com 
a fotografia digital. Sexagenárias posam para capas de revista com pele e corpo de 
adolescente – mas sem espinhas, é claro. Até lipoaspirações digitais, como a feita 
pela revista francesa Paris Match com o presidente Nicolas Sarkozy, são possíveis. 
A questão proposta pelos legisladores franceses é separar o joio do trigo. “Quando 
escritores partem de evento real mas o embelezam, eles são obrigados a avisar seus 
leitores de que se trata de uma ficção ou de uma dramatização baseada em fatos 
reais. Por que com a fotografia deveria ser diferente?”, pergunta a deputada Boyer. 
Por enquanto, podemos tudo. Nós definimos o limite. Como nos anúncios de 
bebida alcoólica, a resposta está na quantidade: “Photoshop, use com moderação”. 
Essa parece ser a receita possível para não transformar todas as fotografias em 
ilustrações.
Manipulação criminosa
A alteração de imagens, tão antiga quanto a própria fotografia, já serviu aos mais 
diversos – e torpes – motivos. Programas como o Photoshop apenas tornaram mais 
fácil a edição digital de fotos.
VITALE, Paulo. Ditadura do Photoshop. Veja, São Paulo, Abril, 
ed. 2135, ano 42, n. 42, p. 108-109, 21 out. 2009.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 145LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 145 25/08/2022 15:27:0325/08/2022 15:27:03
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APLICAÇÃO
1. Para se informar, que tipos de veículos você, habitualmente, uti-
liza? Deles, qual você prefere e por quê?
2. Cada aluno/a apresentará sua resposta em sala. Anote as diferentes respos-
tas. Quantitativamente, qual veículo recebeu o maior número de respostas?
3. Pelas justificativas apresentadas, por que esse veículo é o mais utilizado?
4. Você tem o hábito de utilizar alguma publicação segmentada (por exemplo: 
ciências, esporte, surf, celebridades, saúde etc.)? Se você respondeu que sim, 
mencione o nome da publicação. Por que você se interessa por esse assunto?
5. Apresente sua resposta. Veja as respostas dos/das colegas. Qual o assunto 
que obteve maior resposta? E que publicação foi mais citada?
6. Selecione um jornal ou uma revista, impressa ou digital, cuja produção e vei-
culação ocorram em sua cidade (caso não haja nenhuma publicação em sua 
cidade, escolha uma de sua região). 
a) Informe o nome da publicação e a data de circulação.
b) Relacione as editorias (os grandes assuntos) em que a publicação está 
dividida.
c) Qual dessas editorias tem maior destaque? Em sua opinião, por que isso 
ocorre?
7. Reúna-se em grupo. O grupo acompanhará uma notícia (de qualquer área: 
política, esporte, economia etc.) de grande repercussão. Para isso, deverá se-
lecionar jornais, revistas (impressos ou na internet), rádio e TV, que tenham 
dado destaque a essa notícia. Em seguida, respondam às questões propostas.
a) Elabore uma síntese da notícia escolhida.
b) os veículos que o grupo selecionou e as datas em que a notícia foi veicu-
lada (no caso de rádio e TV, mencionem também o horário).
c) Em todos esses veículos, a notícia recebeu o mesmo tratamento? Mos-
trem que diferenças e semelhanças há na elaboração dos textos jorna-
lísticos.
d) Quanto às diferenças, elas ocorreram por conta das diferenças que há 
entre os veículos ou por que a abordagem de cada texto privilegiou al-
gum aspecto da notícia? Justifiquem.
e) Na visão do grupo, por qual dos veículos pôde-se obter uma informação 
mais profunda e crítica da notícia? Justifiquem.
ções, uma vez que, muitas delas têm somente interesse mercadológico, tratando os temas de forma super� cial ou 
sensacionalista.
6. Peça aos alunos que tragam as publicações para mostrar aos colegas.
Nesta questão, itens “a” e “b”, evidencia-se a � nalidade de trabalhar com a realidade mais próxima do/a aluno/a. 
Caso, em sua cidade, há grande quantidade de publicações em circulação, pode-se orientar a que todos possam 
ser trabalhados, distribuindo-se cada uma delas entre os/as alunos/as. 
Por outro lado, se houver poucas, que o trabalho seja feito pelos dias da semana – a mesma publicação em diferen-
Observação geral
Nas atividades a seguir, 
optou-se por trabalhar com 
material à disposição do/a 
aluno/a, uma vez que os 
conteúdos jornalísticos quase 
sempre � cam datados e, 
portanto, perde-se a oportu-
nidade de lidar com temas 
contemporâneos e mais 
próximos dos/as alunos/as. 
Questões 1), 2) 
Estas questões têm o objetivo 
de conhecer em que medida 
os/as alunos buscam se infor-
mar. Nelas, deve-se orientar 
a que sejam apresentados 
os veículos que trazem infor-
mações gerais [até porque, 
na questão 4, será possível 
trabalhar com veículos seg-
mentados]. 
Discutir que veículos são os 
mais utilizados. Orientar para 
que o/a aluno/a compreenda 
que é fundamental consultar, 
na medida possível, diferen-
tes órgãos de imprensa para 
que se possa ter diferentes 
visões e opiniões sobre os 
fatos noticiados.
Propiciar, en� m, que seja 
discutida a importância de 
se buscar informações como 
forma de participação do 
mundo, de se posicionar 
diante de questões polêmicas 
e para a formação de um 
cidadão crítico e consciente.
3. Oriente para que as res-
postas sejam elaboradas com 
profundidade.
Questões 4) e 5)
Estas questões têm a � nali-
dade de se fazer perceber a 
quantidade de publicações 
que, atualmente, estão dispo-
níveis no mercado comu-
nicacional. Principalmente, 
as revistas apresentam-se 
de forma segmentada e há 
publicações para todos os 
interesses. Essa segmentação 
também é muito clara nas 
produções digitais disponí-
veis na Internet. 
Em todos os casos, discutir 
a qualidade dessas publica-
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 146LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 146 25/08/2022 15:27:0325/08/2022 15:27:03
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8. Discutam os diferentes aspectos relativos à notícia trabalhada. Por fim, ela-
borem um texto expressando a opinião de vocês. Configurem esse texto em 
quatro parágrafos, de tal forma que, no primeiro, seja apresentado o tema; 
nos dois seguintes, sejam desenvolvidas as opiniões e as argumentações e, 
no último, a conclusão.
9. Apresente as respostas e o texto opinativo produzidos pelo grupo. Acompa-
nhem todas as apresentações, discutindo os diferentes aspectos relatados. 
Por fim, elaborem um pequeno texto que expresse as reflexões propiciadas 
por esta atividade.
PRODUÇÃO DE TEXTO
Primeira parte: atividade individual – entrevista
a) Localize um/a ex-aluno/a de sua escola. Converse com ele/ela e anote 
os seguintes dados: nome completo; idade; local de nascimento; local 
em que reside atualmente; se estuda, que curso está frequentando; se 
trabalha, qual a profissão;em que ano se formou na escola em que vocês 
estudam.
b) Pergunte a ele/ela se se recorda de algum episódio vivido na escola e que 
foi marcante (porque foi constrangedor, ou foi engraçado, ou foi triste). 
c) Peça que ele/ela conte esse episódio e grave esse relato. Caso não seja 
possível gravar, vá tomando nota da história, tentando captar o máximo 
possível do que vai sendo relatado.
d) Transcreva a história numa folha avulsa.
e) Transcreva todos os dados da pessoa que contou a história.
Segunda parte: atividade em grupo – produção de pequeno 
jornal impresso
 Reúna-se em grupo. Leiam todos os relatos. Utilizando todos esses textos, 
elaborem um pequeno jornal. Pode ser impresso ou publicado na internet. Siga 
as orientaçoes a seguir.
1. Cada texto deverá ser transformado em uma notícia. Para isso, façam as 
adaptações necessárias.
8. O grupo irá produzir um texto dissertativo argumentativo. Pela proposta – dividir em quatro parágrafos – requer 
que o texto seja planejado previamente. Assim, orientar para que seja feito um rascunho e que, antes de � nalizado, 
seja avaliado para veri� car se os argumentos são relevantes e se o texto trata a notícia com profundidade.
9. Esta atividade, além de sintetizar os diferentes procedimentos efetuados nas atividades anteriores, tem como 
objetivo reiterar a importância da informação como algo signi� cativo para a formação do ser humano. Todavia, 
informação sem posicionamento crítico, será apenas quantidade e não qualidade. Por isso, insistir na orientação de 
que o/a aluno/a procure diversi� car as suas fontes de informação, buscando qualidade e credibilidade. 
Produção de texto
Na primeira parte, o/a aluno/a terá a oportunidade de fazer uma pequena entrevista. Orientar para que, de preferência, o 
relato seja gravado e, somente se não houver condições, que ele seja feito por anotação – em hipótese alguma, solicitar que 
o/a entrevistado/a escreva a história, pois a proposta é que o/a aluno/a vivencie a situação de coletar informações.
Insistir na coleta dos dados. É importante que o/a entrevistador/a tenha os dados completos de sua fonte.
A opção por contatar um/a ex-aluno/a da escola tem a � nalidade de resgatar histórias vividas
na escola e contribui, portanto, para se conhecer aspectos da memória escolar.
tes dias. Dessa forma, podem 
ser observadas diferenças 
entre as editorias conforme o 
dia da semana.
Se durante esta atividade 
ocorrer um fato de grande 
repercussão, poderá haver 
certo “desequilíbrio” na distri-
buição de notícias em cada 
editoria. Mas, o fundamental 
é que o/a aluno/a compreen-
da que, mesmo dentro da 
unidade da publicação, há 
grande segmentação (inclusi-
ve pela divisão em cadernos 
e, em determinados dias da 
semana, em suplementos 
temáticos).
c) O destaque pode se dar, 
obviamente, pela quantidade 
de espaço ocupada por uma 
editoria. Porém, em muitos 
casos, o destaque pode estar 
na forma de apresentar o 
assunto (destaque na primei-
ra página, fontes grandes, 
ocupar a parte superior da 
página). É recomendável 
que, além de perceber os 
destaques, que se discuta a 
relevância de uma ou outra 
editoria ter destaque: trata-se 
de um tema de importância 
nacional, regional ou local? 
Ou é uma forma de atrair a 
atenção do público? Neste 
caso, é mais uma estratégia 
para vender mais?
7. a), b), c), d), e).
Esta atividade pode ser 
preparada com antecedência 
com a distribuição de temas 
entre os grupos de modo a 
diversi� car o resultado � nal.
O fundamental neste traba-
lho é que os/as alunos/as 
compreendam que, confor-
me a publicação e/ou o tipo 
de veículo, as informações 
são apresentadas de forma 
diferente e, portanto, pode-
rão trazer visões diversas de 
um mesmo fato. Compreen-
der que, em alguns veículos, 
o fato poderá ser abordado 
de modo mais aprofundado 
porque dispõem de mais 
tempo para apurar e inves-
tigar os dados. Em outros 
casos, a instantaneidade de 
apuração pode ter mais im-
pacto sobre o destinatário. 
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 147LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 147 25/08/2022 15:27:0425/08/2022 15:27:04
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2. Coloquem algumas imagens (podem ser fotos ou desenhos) que se relacio-
nem com alguns dos episódios.
3. Elaborem um pequeno editorial: escolham um tema relacionado a uma ou 
mais histórias e apresentem suas opiniões em relação a ele.
4. Elaborem o expediente do jornal (os créditos relativos às diferentes ativida-
des executadas por vocês).
5. Criem um nome sugestivo para o jornal.
6. Produzam o jornal e apresentem-no em sala.
Terceira parte: individual – avaliação dos jornais produzidos
Leia atentamente os jornais e elabore um pequeno texto avaliando cada produ-
ção (que semelhanças e diferenças ocorreram; qual deles foi mais original e por 
quê; qual deles chamou mais a sua atenção e por quê). 
Quarta parte: individual
Reflita sobre todo o processo desenvolvido na produção do jornal. Futuramente, 
você gostaria de trabalhar como jornalista? Elabore um texto, apresentando sua 
resposta com argumentações que deem bom embasamento às suas opiniões.
148
Quarta Parte:
Assim como na proposta anterior, o/a aluno/a será instigado/a produzir um texto argumentativo. Assim, veri� car se 
os argumentos possuem força e relevância. Importante, ao � nal, discutir com a sala as peculiaridades da atividade 
de um jornalista, tais como: o trabalho nem sempre tem horário de� nido, não há uma rotina, geralmente, o jorna-
lista vê sua pro� ssão como uma espécie de aventura e cercada de um grande idealismo – a de que, por meio das 
informações, poderá esclarecer as pessoas, poderá denunciar injustiças. 
Há também certa glamourização do fazer jornalístico: viajar, ser corres pondente em outros países, conviver com 
personalidades do mundo político, artístico, esportivo. Por conta disso, nos últimos anos, as carreiras pertencentes 
à área da Comunicação têm atraído muitos candidatos aos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. 
Porém, pequena parte deles terá essa oportunidade. 
Segunda Parte:
A produção do jornal 
colocará os/as alunos/as 
em situação concreta de 
produção de texto conforme 
as condições impostas pelas 
características do veículo: 
diagramação, tamanho do 
texto em conformidade 
com o espaço disponível e a 
hierarquia dos fatos. 
Dessa forma, espera-se que 
os/as alunos/as compreen-
dam que escrever não é 
somente uma capacidade 
que depende de inspiração.
Na formatação do jornal, 
dimensionar a produção de 
acordo com as condições 
dos/as alunos/as. Assim, 
ele pode ser totalmente 
produzido em computador 
com o auxílio de programas 
especí� cos bem como pode 
ser feito a mão. O importante 
é que o design se aproxime 
de um veículo informativo.
Acompanhar e orientar a 
atividade para que, além da 
qualidade informativa, os 
aspectos de originalidade 
estejam presentes – seja no 
design das páginas, seja na 
elaboração das manchetes 
(títulos das matérias), seja na 
linguagem empregada na 
redação das matérias.
Terceira Parte
A proposta é desenvolver o 
senso crítico do aluno, por 
meio da comparação dos 
diferentes jornais produzidos. 
Orientar para que o texto 
revele que o/a aluno/a perce-
beu as diferenças e as razões 
por que elas ocorreram e, 
em que medida, isso servirá 
como orientação para sua 
própria produção, indepen-
dentemente, do tipo de texto 
que vier a produzir. 
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 148LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 148 25/08/2022 15:27:0525/08/2022 15:27:05
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10
O ASSUNTO É:
TEXTO 
PUBLICITÁRIO
REFLEXÃO
Observe e leia com atenção o texto publicitário da Frescarini, repro-
duzido abaixo.
F/
Na
zc
a 
Sa
at
ch
i&
Sa
at
ch
i/F
ot
óg
ra
fo
: F
re
ita
s
Novo Frescarini.
Mais recheio, massa mais leve.
Você precisa provar.
1. Com que finalidade esse texto foi produzido?
2. Quem é o emissor desse texto?
3. Para a sua elaboração, que linguagens foram utilizadas? Qualdelas é a pre-
dominante?
4. A quem se destina a leitura desse texto? Justifique sua resposta.
O texto publicitário sempre é produzido com a � nalidade de per-
suadir o destinatário a atender aos interesses do anunciante.
O emissor do texto é a empresa anunciante, Frescarine. Aproveitar para reforçar a 
compreensão de que, nos textos publicitários, o emissor sempre será o anunciante.
O texto trabalha com a linguagem verbal – palavras escritas – e com a linguagem não-verbal – foto do prato, 
formas, cores. 
O destinatário desse texto, muito provavelmente, é o público leitor da Revista, onde o anúncio foi publicado. Apro-
veitar a oportunidade para reforçar que, a rigor, o público é de� nido pelo canal em que o texto é veiculado. Assim, 
uma propaganda de TV apresentada durante a exibição de um jogo de futebol, em geral, terá como alvo o homem 
que aprecia esse esporte, as propagandas de produtos para crianças apresentadas nos intervalos de desenhos 
infantis terá como alvo as crianças, um produto anunciado num jornal terá como alvo os leitores do jornal etc.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 149LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 149 25/08/2022 15:27:0825/08/2022 15:27:08
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5. Cite o nome de duas revistas ou intervalo de que programas de TV em que 
esse anúncio poderia ser veiculado. Justifique suas escolhas.
6. Pode-se perceber que nesse texto não há elementos negativos. Por que isso 
acontece?
7. Quais os argumentos utilizados para apresentar os produtos de modo positivo? 
8. O anúncio parece tratar o seu destinatário de forma próxima. Por que isso 
ocorre?
DA TEORIA À PRÁTICA
O texto publicitário é produzido com o objetivo de persuadir alguém a fa-
zer algo. Por meio desse tipo de texto, vendem-se produtos ou serviços, reco-
mendam-se comportamentos. Ele está tão presente no cotidiano de todos de tal 
modo que é praticamente impossível passar um dia sem ter contato com um 
texto publicitário.
A produção de uma peça publicitária, geralmente, é feita por uma agência de 
propaganda a serviço de um anunciante. Raramente ele é o resultado de um tra-
balho individual. Dele participam redatores, ilustradores, fotógrafos, entre outros. 
Outra peculiaridade de sua produção é que, geralmente, ela é precedida por 
uma pesquisa que dará elementos para a sua criação. Os dados obtidos nessa 
pesquisa são reunidos em um briefing – termo muito comum na área da Comu-
nicação. Conforme o Dicionário Michaelis, trata-se do “Conjunto de informações 
básicas, instruções, normas etc., elaboradas para a execução de um determinado 
trabalho”.
1. O texto publicitário como ato de comunicação
Emissor
Todo texto publicitário tem como emissor o próprio anunciante. Embora 
muitas vezes seja produzido por uma agência de propaganda, é o anunciante 
quem assina o texto, responsabilizando-se pelo conteúdo e pela autorização de 
sua veiculação.
Destinatário
O texto publicitário não se destina a todos. Sempre é produzido pensando-
--se em um público específico. Por isso, na linguagem publicitária, o destinatário 
recebe o nome de público-alvo. Por exemplo: um filme publicitário veiculado 
durante a apresentação de um programa para adolescente, este será o seu públi-
co-alvo. E a elaboração desse texto procurará utilizar uma linguagem que dele se 
aproxime.
5. Resposta pessoal. Esta 
questão amplia a anterior. 
Será fundamental veri� car 
se a justi� cativa é coerente 
com a escolha da revista ou 
programa de TV. 
6. Esta questão tem o 
propósito de mostrar que o 
texto publicitário é sempre 
a� rmativo. O anunciante 
busca criar imagem positiva 
e mostrar que seus produtos 
possuem qualidade e, por 
isso, trazem benefícios ao seu 
destinatário.
7. A� rmação de que é uma 
receita caseira, que faz bem, 
que tem mais recheio, massa 
parece um travesseiro..
8. Uma das características do 
texto publicitário é se apro-
ximar do seu destinatário de 
forma a dar-lhe a impressão 
de que participa de seu mun-
do particular e, desse modo, 
o anunciante mostra que só 
lhe traz benefícios.
O uso da palavra você e a 
imagem do prato pronto (e 
apetitoso) são os recursos 
utilizados para essa aproxi-
mação. Além deles, o uso da 
palavra novo e das expressões 
mais leve e mais recheio dá a 
entender que o anunciante 
“sabe” que o destinatário 
conhece seus produtos.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 150LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 150 25/08/2022 15:27:0825/08/2022 15:27:08
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Código
O texto publicitário utiliza as linguagens verbal e não verbal. Nos textos 
veiculados em jornais, revistas, TVs, outdoors e na internet, frequentemente há 
grande utilização de linguagem não verbal (imagens, cores e sons – na TV e In-
ternet). No rádio, a linguagem verbal, quase sempre, é predominante, contando 
com apoio da não verbal: música, entonações e efeitos sonoros.
Canal
O texto publicitário pode ser veiculado em diferentes canais: rádio, TV, ci-
nema, jornal, revista, internet, outdoor. A escolha desses canais não é feita de 
qualquer forma, uma vez que os custos envolvidos na produção e veiculação de 
uma peça publicitária são altos e a decisão por uma mídia errada levará a baixo 
retorno dos investimentos feitos.
2. Alguns formatos de texto publicitário
Jingle
O jingle é uma peça que se compõe de palavras e música. Por isso, sua ela-
boração explora a sonoridade das palavras e o ritmo dos versos. Sua veiculação 
é feita em rádio. Tem forte tradição na publicidade brasileira, havendo casos de 
jingles que alcançaram tanta repercussão que se inscreveram no imaginário po-
pular. Veja alguns exemplos.
Café Seleto
Depois de um sono bom,
A gente levanta
Toma aquele banho
E escova o dentinho.
Na hora de tomar café
É o Café Seleto
Que a mamãe prepara
Com todo carinho.
Café Seleto tem
Sabor delicioso
Cafezinho gostoso
É o Café Seleto...
Café Seleto...
Cobertores Parahíba
Já é hora de dormir
Não espere a mamãe mandar
Um bom sono pra você
E um alegre despertar
JINGLES famosas que marcaram época. Blog Publicidade no ato. 
Disponível em: <http://publicidadenoato.blogspot.com.br/2007/06/jingles-
famosos-que-marcaram-poca.html>. Acesso em: 9 jul. 2017.
Melhor seria se pudessem ser ouvidos, por isso faça uma pesquisa e tente 
localizar estes e outros jingles para que possam ser mais bem apreciados.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 151LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 151 25/08/2022 15:27:0825/08/2022 15:27:08
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Spot
Também veiculada em rádio, é a peça que, mesmo utilizando música e efei-
tos sonoros, apresenta a fala de um locutor ou um diálogo com personagens. Na 
maior parte das vezes, são textos bem simples, mas há exemplos de spots mais 
criativos, como o roteiro apresentado a seguir.
Beleléu 
Efeito sonoro de trovão.
Trilha sonora em background (BG).
Efeito sonoro de carro em movimento, de derrapagens, a partir da palavra 
“dançava” permanece em BG durante a locução até a palavra “estrada”.
Loc. – Era meia-noite, e o carro corria pela estrada. Corria não, dançava, bailava 
de um lado para o outro perigosamente. Os elementos estavam embaixo do 
carro, escondidos, sorrateiros, traiçoeiros. Eram todos desclassificados, uns tipos 
ordinários, vagabundos. Então numa curva eles jogam o carro para fora da estrada 
e mandam o motorista e toda a família pro beleléu...
Efeito sonoro de colisão de automóvel.
Trilha sonora – BG.
Loc. 2 – Não brinque com a sua vida colocando no seu carro amortecedores de 
baixa qualidade. Exija Cofap. É Cofap, é de confiança.
SILVA, Júlia Lúcia de Oliveira Albano da. Rádio: oralidade mediatizada – o spot
e os elementos da linguagem radiofônica. São Paulo: Annablume, 1999.
Outdoor
Trata-se de peça produzida para veiculação nas ruas. São grandes painéis 
em que geralmente predominam imagens e utilizam-se poucas palavras, pois são 
lidos quando as pessoas estão em movimento. Observe um exemplo.
Foto
: F
om
in
 S
er
hi
i/S
hu
tte
rs
to
ck
Leve as de
a gotinha quesalva.
até
5anos para tomar
criançasLeve as de
a gotinha quesalva.
até
5 anos para tomar
crianças
De 02 a 30 de junho, em todos os postos 
de saúde.
Campanha de vacinação contra poliomielite
Filme publicitário
Mais conhecido como comercial, o filme publicitário é a peça feita para ser 
veiculada na TV e/ou no cinema e, atualmente, também na internet.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 152LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 152 25/08/2022 15:27:0925/08/2022 15:27:09
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Jornal e revista
São peças impressas que recorrem tanto à linguagem verbal como à lingua-
gem não verbal. Na maioria das vezes, assim como no outdoor, a imagem tem 
sido utilizada com maior predominância. Mas, às vezes, há publicações que 
utilizam a linguagem verbal, fazendo uso do tipo e tamanho de letras, cores e 
formas.
Folheto/Folder
Peça constituída por uma folha de papel que pode ter uma ou mais dobras. É 
o tipo de texto, comumente, distribuído nas ruas ou que chega às casas das pes-
soas via correio (mala direta) ou por meio de entregadores. Em geral, os folhetos 
distribuídos nas ruas são mais simples. Já os que chegam por mala direta podem 
ser mais sofisticados, produzidos com grande engenhosidade com o objetivo de 
atrair a atenção do público.
Banner
Trata-se de peça publicitária impressa em plástico, papel tecido (em um lado 
ou nos dois) para ser pendurada em paredes ou postes. Ela é muito comum nos 
pontos de venda (supermercados, bares, lojas etc.).
Atualmente, na internet, dá-se o nome de banner à publicidade, geralmente 
localizada no alto da página, que, sendo clicada, leva o usuário ao site do anun-
ciante. Esse tipo de banner busca atrair o público, motivando-o a interagir com a 
peça. Por esse motivo, quase sempre, ele se altera por três, quatro ou mais vezes. 
O exemplo reproduzido abaixo possui mais de dez movimentos. Deles, apresen-
tam-se quatro. Observe no primeiro movimento, como o usuário é convidado a 
interagir com o banner.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 153LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 153 25/08/2022 15:27:1325/08/2022 15:27:13
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Outros formatos
As possibilidades de 
se veicular peças publicitá-
rias parecem não ter fim. Os 
meios de transportes também 
têm sido utilizados para isso. 
Por exemplo: traseiras de ôni-
bus (busdoor) e suas laterais; 
vidros traseiros de táxis (taxi-
door) e até mesmo quase todo 
o veículo (envelopamento – a peça é aplicada em todas as laterais e a traseira de 
um ônibus ou nas laterais de um vagão de trem ou de metrô).
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LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 154LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 154 25/08/2022 15:27:1725/08/2022 15:27:17
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E para se ter certeza de que não há limites para a criatividade em propaganda, 
veja como o HopiHari utiliza uma escada rolante para simular uma montanha rus-
sa, fazendo publicidade da “diversão”. Veja a imagem a seguir.
Ar
tu
ro
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Al
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 C
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3. Características do texto publicitário
Funções da linguagem
Como o texto publicitário tem como finalidade persuadir o seu destinatário, 
a função da linguagem que sempre será predominante é a apelativa (ou conati-
va). Em muitos casos, ela é explicitada pelo uso de verbos no imperativo: 
Compre!
Não perca!
Aproveite!
Veja, no exemplo a seguir, o uso do imperativo na mensagem publicitária.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 155LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 155 25/08/2022 15:27:1825/08/2022 15:27:18
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• COLOQUE A TAMPA NA CAIXA D’ÁGUA.
• ESVAZIE GARRAFAS E RECIPIENTES QUE POSSAM 
ACUMULAR ÁGUA, GUARDE-OS DE CABEÇA PARA 
BAIXO.
• LIMPE PERIODICAMENTE CALHAS, TELHADOS E 
QUALQUER LUGAR QUE POSSA ACUMULAR ÁGUA.
• COLOQUE AREIA NOS PRATINHOS DAS PLANTAS.
• NO INVERNO, CUBRA SUA PISCINA.
• JOGUE ÁGUA SANITÁRIA NOS RALOS.
• NÃO JOGUE LIXO EM TERRENOS 
ABANDONADOS.
SAÚDE É O NOSSO MAIOR BEM.
ENTRE NA LUTA CONTRA A DENGUE.
JOGUE ÁGUA SANITÁRIA NOS RALOS.
Porém, como o emprego do imperativo acentua o caráter autoritário da 
mensagem, é comum encontrar textos publicitários sem esse modo verbal. Veja 
um exemplo em que isso ocorre.
Fo
to
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le
fe
rs
on
 C
om
ar
el
a/
Cr
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tiv
e 
Co
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m
on
s
# PARTIU FÉRIAS# PARTIU FÉRIAS
Você pode escolher qualquer 
destino e encontrar dias felizes.
O Brasil é um imenso país com 
lugares maravilhosos. 
A alegria sempre estará presente nas suas 
experiências inesquecíveis!
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 156LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 156 25/08/2022 15:27:1925/08/2022 15:27:19
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Nesta peça, o processo persuasivo se dá por meio de argumentos favoráveis à 
mensagem: férias, viagem, alegria, felicidade, experiências inesquecíveis.
Esta é outra característica própria do texto publicitário: sempre falar bem 
do produto, do serviço ou do comportamento. Ou seja, nota-se aí o emprego da 
função expressiva (ou emotiva) – o emissor envolve o receptor positivamente, 
para convencê-lo a fazer o que está sendo proposto.
Às funções apelativa e expressiva, associa-se também a função fática: utiliza-
da para fazer contato com o destinatário, despertar sua atenção para a peça. Essa 
função pode se manifestar de diferentes maneiras: no texto impresso, por exem-
plo, pode ser por meio do tamanho das fontes, pelas cores, por uma imagem; na 
TV, a altura do som, a música, a entonação, um personagem. E por que a função 
fática tem importância no texto publicitário? Simplesmente porque as pessoas 
não compram jornal ou revista, não assistem à televisão, não ouvem rádio por 
causa da propaganda. Elas buscam informação e/ou entretenimento. Portanto, 
para se destacar em meio a tantos outros textos, a peça publicitária precisa en-
contrar uma forma de chamar a atenção do público.
Na peça publicitária, outra função presente é a referencial. Isso porque é 
necessário informar o público: sejam características do que é anunciado, sejam 
dados para contato – telefone, endereço, site, e-mail.
Pode-se afirmar que as funções apelativa (sempre predominante), expressi-
va, fática e referencial são constantes nas peças publicitárias. Além delas, é pos-
sível encontrar a função poética (ou estética) e a metalinguística. Quando em-
pregadas, geralmente, atuam como extensão da função fática: servem para atrair 
a atenção do destinatário. 
A poética se faz presente quando o emissor escolhe palavras e/ou imagens de 
modo mais artístico, com preocupação estética. Por vezes, isso pode ficar mais 
explicitado, como se percebe no exemplo a seguir.
Recurso da 
intertextualidade (usar 
referências de outros textos 
na criação de um novo 
texto). Aqui, a imagem foi 
produzida à semelhança de 
uma obra cubista do pintor 
Pablo Picasso.
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ra
si
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Fonte: BOMBRIL. Campanhas. Disponível 
em: <http://www.bombril.com.br/sobre/
campanhas>. Acesso em: 9 jul. 2017.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 157LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 157 25/08/2022 15:27:1925/08/2022 15:27:19
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Já a função metalinguística – em que a linguagem toma a própria linguagem 
como referência – não é tão comum em textos publicitários. Mas, toda vez que 
uma peça publicitária fizer menção à própria linguagem da propaganda, ou citar 
um aspecto dela, ocorre o emprego da função metalinguística.
Para concluir, chama-se a atenção para o que se afirmou anteriormente: o 
texto publicitário sempre terá a função apelativa como predominante, todavia 
outras funçõespoderão ser empregadas para, precisamente, garantir o alcance 
desejado pelo emissor: persuadir o destinatário.
4. Características da redação publicitária
Provavelmente, ao tomar contato com todos os exemplos de texto publici-
tário apresentados até aqui (e pelos tantos com os quais se mantêm contato co-
tidianamente), foi possível notar o quanto a produção desse tipo de texto tem a 
criatividade como um dos seus princípios básicos. Assim, serão apresentados 
alguns recursos muito comuns na produção publicitária e que, não por acaso, 
muitos deles também estão presentes nas produções de textos literários (em es-
pecial, o texto poético).
Para atrair a atenção do público, frequentemente, o texto publicitário 
“brinca” com as palavras, seja por meio da sonoridade, seja por meio dos sig-
nificados. Muitas vezes, a utilização de uma linguagem conotativa se torna 
recurso poderoso. Observe a sonoridade presente no jingle criado para um 
xampu infantil: 
Cabelos cacheados
Ó o cachinho... toim toim...
Eu nasci
Com cabelo enroladinho
Um monte de cachinho 
Na cachola
Oi T
Oi Toim! Toim! Toim!
A água do chuveiro cai na 
cabeleira
Cachoeira... vem me molhar
Chuá chuá
Gostoso pra chuchu
Chuá chuá
Ouié
Banho de cabelo cacheado
Sempre tem um cafuné
Toim toim toim toim
LOCUÇÃO:
Nova linha JOHNSON’S Baby 
para cabelos cacheados.
Jingle, criado em 2008, elaborado por Hélio Ziskind e produzido pela Agência Zeeg 2.
Note que a repetição de palavras com a sonoridade “CHÊ” dá ritmo ao texto 
e, pelo som, se associa ao banho. Essa mesma associação se dá pelo uso das pala-
vras chuveiro, cachoeira e da onomatopeia chuá. A onomatopeia toim reproduz 
o som de uma mola e, por analogia, associa-se ao formato dos cachinhos. 
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 158LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 158 25/08/2022 15:27:2025/08/2022 15:27:20
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O uso do diminutivo remete ao universo infantil e reforça o caráter afetivo.
A intenção é criar, por meio das palavras e sons, uma visão atrativa e positiva 
do produto.
Outro recurso muito comum se dá pela associação do produto, da marca ou 
da mensagem, com uma personalidade. Esse recurso denomina-se argumento 
de autoridade. Um exemplo vem apresentado a seguir.
O FUTURO PEDE PAZ.
PAZ PARA A HUMANIDADE.
PAZ PARA TODOS OS POVOS DO PLANETA.
PAZ SEM LUTAS, SEM GUERRAS, SEM MORTES.
SIMPLESMENTE E TOTALMENTE, A PAZ!
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Este é um exemplo de peça que trabalha, basicamente, o conceito “o valor 
da paz”, associando à figura de Ghandi, que viveu proclamando a paz entre os 
povos. O objetivo é sensibilizar para que as pessoas e os governantes substituam 
os conflitos por diálogos pacíficos.
 Esse recurso recebe o nome de argumento de autoridade, porque a pessoa 
tem grande destaque na sociedade, possui valores que a credenciam como auto-
ridade. 
Há que se ressaltar que figuras públicas de diferentes áreas (esporte, TV, li-
teratura,cinema, política etc.) podem ser associadas a produtos e, portanto, são 
exemplos de emprego do argumento de autoridade.
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5. Valores e crenças na propaganda
As peças de propaganda veiculam valores e crenças, pois se trata de uma pro-
dução que se vale das inúmeras relações que se estabelecem na sociedade. 
No mundo socialista, baseado na economia de Estado e nos ideais de uma 
vida construída coletivamente, as peças veicularão mensagens que acentuem es-
ses aspectos.
Já numa sociedade capitalista, regida por uma economia que se assenta na 
produção e na comercialização de bens e serviços, é certo que os valores presen-
tes nessa sociedade serão utilizados na construção de peças publicitárias. 
E são esses valores que poderão ser notados nas peças produzidas no Brasil, 
Veja, abaixo, alguns dos valores e das crenças que se podem notar.
Mundo feliz
Nas peças, imagens e palavras são selecionadas e organizadas para construir 
a ideia de um mundo feliz, pois, para os anunciantes, seus produtos e seus ser-
viços, uma vez adquiridos, trarão benefícios ao consumidor. Observe que, nos 
textos publicitários, predominam palavras afirmativas (felicidade, alegria, satis-
fação, por exemplo) e as situações de uso do produto ou serviço mostram pes-
soas felizes, sorridentes. Mesmo nas peças que procuram alterar comportamen-
tos, pode-se notar que o desejo é que, havendo a mudança de atitude, a pessoa 
poderá viver melhor.
Individualismo
O anunciante busca aproximar-se do seu público por meio da linguagem. 
Para isso, basta ver a quantidade de vezes que o pronome você é utilizado na 
comunicação com o destinatário. Dessa forma, embora se dirija a todo o públi-
co-alvo, o texto publicitário parece se comunicar apenas com uma pessoa. Com 
isso, reforça-se que o mundo feliz pode ser conquistado individualmente.
Liberdade de consumo X Liberdade individual
Cria-se a sensação de que as pessoas, por meio do consumo, são livres – pois 
parece que têm a liberdade de escolher entre tantos produtos e serviços. Dessa 
maneira, confundem-se conceitos de consumidor e de cidadão, como se um bom 
consumidor fosse, por extensão, um bom cidadão. Porém, os direitos básicos de 
um cidadão vão muito além do que propõe o mercado.
Consciência de mercado e ausência do trabalho
Raramente, nas peças publicitárias, mostra-se o trabalho que foi necessário 
para a produção de bens e de serviços, já que o que interessa é vender, ou seja, na 
elaboração de textos publicitários, concentra-se no processo de comercialização 
(consciência de mercado).
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Redução do problema
Nos anúncios, geralmente, anunciam-se produtos ou serviços que prometem 
combater o sintoma de um problema, mas não a sua causa. Por isso, redução 
do problema, ou seja, ele é maior do que se revela. Por exemplo, ao anunciar 
um produto que revigora cabelos danificados pelo uso de chapinha, o problema 
mesmo é o uso da chapinha (deveria, então, orientar a não fazê-la) e o produto 
oferecido ataca apenas o sintoma.
Norma de comportamento
O grande desejo de todo anunciante é que o público, ao solicitar um produto, 
peça pela sua marca, isto é, torna-se uma norma (uma regra) agir dessa forma. 
Por exemplo, para saciar a sede, muitas pessoas, em uma lanchonete, pedem a 
marca de um produto e não o produto em si. Verifique em seu cotidiano quantas 
vezes isso ocorre com você e com as pessoas com quem você convive.
APLICAÇÃO
1. Escolha uma peça publicitária. Pode ser impressa (revista, jornal, 
folheto etc.), sonora (rádio) ou audiovisual (TV). Se for impressa, 
cole numa folha avulsa. Se for de rádio (jingle ou spot), transcre-
va-a e, se de TV, descreva-a de forma sintética.
2. Quem é o emissor?
3. A função conativa (que sempre é a função predominante nos textos publici-
tários) encontra-se explicitada ou não? Justifique.
4. Além da função conativa, que outras funções de linguagem podem ser ob-
servadas? Justifique cada uma delas.
5. Foram utilizadas figuras de linguagem? Quais? Explique cada uma delas.
6. Identifique e explique os recursos que foram utilizados para persuadir o des-
tinatário ou para chamar a sua atenção.
7. Quais os valores e as crenças que se podem notar? Justifique.
8. Faça um pequeno texto, avaliando a peça. No geral, você considera que ela 
foi bem elaborada ou não? Por quê?
4. Além da conativa, as funções mais comuns em textos publicitários são: emotiva – ressaltar positivamente as qua-
lidades do produto, serviço ou comportamento –; referencial – informações colocadas na peça –; fática – recursos 
para atrair a atenção do público. A função poética estará evidente caso o texto explore recursos que acionem o 
sensoestético do público – para também atrair a atenção ou para fazer associação positiva com o que é oferecido 
pelo anunciante. A função metalinguística é menos frequente, mas, quando utilizada, procura reforçar os laços de 
aproximação com o público ou atraí-lo por meio do humor.
5. A resposta dependerá da peça com que o/a aluno/a estiver trabalhando. Na parte teórica, não foram apresenta-
das todas as � guras de linguagem, dessa forma, é preciso orientar para que seja aplicado conhecimento anterior 
referente a esse conteúdo (ou promover uma pesquisa sobre ele). De modo geral, a metáfora e a metonímia são 
muito comuns. Antítese e prosopopeia (personi� cação) também são bem utilizadas. As � guras de som e de sintaxe 
(aliteração, onomatopeia, anáfora, epístrofe), provavelmente, serão bem observadas. O mais importante aqui é que 
se compreenda como as peças publicitárias empregam linguagem conotativa e, por isso, se aproximam da litera-
tura. Detalhe signi� cativo: o/a aluno/a deve perceber que essas � guras de linguagem também podem ser visuais 
– imagens, desenhos, cores etc.
1. A atividade é individual, 
mas solicita-se que haja 
um direcionamento em sua 
realização. Por exemplo, 
selecionar alguns segmen-
tos: alimentação, indústria 
automobilística, cosméticos, 
brinquedos, propagandas 
governamentais, etc. Pode, 
ainda, de� nir que, dentro dos 
segmentos, sejam escolhidas 
peças de diferentes mídias 
– uma de revista, outra de rá-
dio, outra de TV. Desse modo, 
haveria maior diversi� cação 
de tipos de peças e de aplica-
ção dos recursos apresenta-
dos na parte teórica.
A internet, atualmente, é 
ótima fonte de pesquisa 
Há sites que permitem que 
elas sejam apreciadas e, até 
mesmo, podem ser baixadas 
em arquivos (por exemplo, 
o Clube de Criação de São 
Paulo – www.ccsp.com.br – e 
o próprio You tube – www.
youtube.com). 
Sugestão
Depois de realizada a tarefa, 
podem ser formados grupos 
por segmento ou por tipo 
de mídia para que sejam 
comparadas as respostas e 
aprofundados os conceitos.
2. O emissor será sempre 
o anunciante – aquele que 
assina a peça. Atenção, pois 
pode haver mais de um 
anunciante quando é o caso 
de propagandas “casadas”.
3. A função conativa estará 
explícita quando houver ver-
bos no imperativo ou quando 
contiver palavras ou expres-
sões que indicam ordem, 
conselho ou sugestão. Isso 
não ocorrendo, ela estará de-
� nida pela própria intenção 
do texto, ou seja, persuadir o 
destinatário a fazer algo do 
interesse do anunciante.
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 161LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 161 25/08/2022 15:27:2125/08/2022 15:27:21
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PRODUÇÃO DE TEXTO
Briefing
A empresa
A empresa X (aqui a agência deverá criar um nome para a empresa, bem como ela-
borar uma logomarca que a identifique) produz bebidas gaseificadas não alcoó-
licas. Ela atua no mercado regional (aqui a agência definirá a região em que a 
empresa atua) há quinze anos, tornando-se uma referência de qualidade. 
Produtos
A empresa X produz quatro diferentes refrigerantes (substituir as letras pelos no-
mes dos produtos – a agência definirá esses nomes):
• A – sabor guaraná;
• B – sabor limão;
• C – sabor laranja e 
• D – sabor uva
Eles são oferecidos em várias embalagens: lata de 355 ml; garrafas pet de 350 ml; 
de 600 ml; de 1 litro e de 1,5 litro.
Problema a ser resolvido
Detectou-se que, há três meses, houve queda de 30% nas vendas do refrigerante 
C. 
Objetivo a ser alcançado
Retornar ao nível de venda anterior e, se possível, aumentá-lo. 
Público-alvo
Jovens na faixa etária entre 15 e 25 anos, de poder aquisitivo médio (classes B e 
C) que residem em nossa região.
Concorrentes diretos
• Fanta – refrigerante produzido pela Coca-Cola, que tem grande penetração 
em nosso mercado.
• Sucos naturais de laranja vendidos em embalagem longa vida.
• Sucos naturais de laranja preparados em lanchonetes e restaurantes.
Vantagens sobre esses concorrentes
• Preço menor
• Produto tradicional na região
• O consumidor vê nossos produtos com muita simpatia
6. Assim como na anterior, 
esta resposta dependerá da 
peça escolhida. Orientar a 
que sejam explorados todos 
os recursos expostos na parte 
teórica (deixando claro que, 
em uma mesma peça, nem 
todos estarão presentes). 
Detalhe importante: caso o/a 
aluno/a note uma construção 
ou um recurso que não foi 
apresentado na parte teórica, 
pedir para que o apresente 
e o explique. Por exemplo: 
há peças que criam imagens 
com letras e/ou palavras (ico-
nização da letra/palavra). 
Sugestão
Os livros A linguagem da 
propaganda (de Antonio 
Sandmann, da editora Con-
texto) e A arte de argumentar: 
gerenciando razão e emoção, 
(de Antonio Suarez Abreu, da 
editora Ateliê) trazem muitos 
recursos empregados em 
textos publicitários. Valeria a 
pena sugerir a leitura desses 
livros. O segundo, em espe-
cial, é mais abrangente, pois 
trabalha com a persuasão em 
várias situações de comuni-
cação.
7. Outra resposta que 
depende da escolha. Embora 
na parte teórica tenham sido 
apresentados alguns concei-
tos (referentes à ideologia na 
propaganda), o/a professor/a 
poderá orientar a que a res-
posta possa ser feita de forma 
mais livre, desde que sejam 
identi� cados e justi� cados 
valores e crenças percebidos. 
Como a propaganda é produ-
zida em um contexto social, 
é impossível existir uma peça 
em que eles não estejam 
presentes. Além do que foi 
apresentado na parte teórica, 
podem ser trabalhados: o 
senso comum (ideias prontas 
e, portanto, mais rapidamen-
te aceitáveis) e o estereótipo 
(moldes de comportamento 
ou de personagens).
8. Esta questão � naliza a aná-
lise feita anteriormente. Es-
pera-se que o/a aluno/a faça 
sua avaliação tendo por base 
o resultado das respostas 
anteriores [orientá-lo/a para 
isso]. Outro dado importante: 
uma boa peça publicitária é 
a que produz efeitos, isto é, 
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Desvantagens em relação aos concorrentes
• Possui menor quantidade de suco natural do que o refrigerante concorrente.
• Não tem o apelo de produto totalmente natural como nos sucos embalados 
e nos preparados em lanchonetes e restaurantes.
Objeções
• Não atacar os concorrentes de forma direta.
• Evitar situações que possam evidenciar algum tipo de preconceito.
Obrigações
• Além das referências específicas ao produto, utilizar a logomarca da empresa, 
pois ela tem tradição no mercado regional.
• Mostrar que o refrigerante C é moderno e está sintonizado com os tempos 
atuais.
Solicitação
Com base nos dados fornecidos, a agência deverá elaborar uma peça de rádio 
para ser veiculada na rádio F (a agência definirá o nome da emissora), da cidade 
M (colocar o nome da cidade), uma peça impressa para ser veiculada na revista N
(revista regional cujo nome será definido pela agência) e um folheto de uma dobra. 
Estratégia
A agência definirá as estratégias de veiculação das peças, bem como por quanto 
tempo elas serão exibidas.
Prazo 
A agência deverá apresentar suas propostas em 30 dias.
Contato
Fulano de Tal (a agência definirá o nome)
Departamento de Marketing da (empresa X)
traz retornos positivos para 
o anunciante. Assim, por 
exemplo, se se faz uma boni-
ta peça para uma campanha 
de Vacinação Infantil e um 
número inferior ao esperado 
responda ao apelo, essa peça 
não será considera e� ciente. 
Não correspondeu ao desejo 
do anunciante. Fundamental, 
no momento em que esta 
questão for apresentada, que 
se promova um debate entre 
criatividade e e� ciência na 
propaganda. 
LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 163LIVRO DE REDACAO FINAL .indb 163 25/08/2022 15:27:2125/08/2022 15:27:21
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11
REFLEXÃO
Leia o texto e responda às questões.
O ASSUNTO É:
TEXTO CIENTÍFICO 
E DIDÁTICO
A relação entre girafas,

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