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TEMA 4 A guerra dos drones Além de facilitar o cotidiano das pessoas e de servir de meio de controle e gestão de dados, as tecnologias de geoprocessamento também são usadas como ferramentas sofisticadas do poder mili- tar nas guerras contemporâneas. Os veí- culos aéreos não tripulados (vants ou drones), por exemplo, têm sua história relacionada à guerra, pois foram elabo- rados para servir de dispositivos de vigi- lância. Na década de 1970, o engenheiro ae- ronáutico Abraham Karem (1937-), co- nhecido como “pai do drone”, desenvol- veu um veículo controlado remotamente por rádio para revelar a localização da artilharia das forças egípcias; tratava-se de um conflito por território de Egito e Síria contra Israel. No final do século XX, nos Estados Unidos, surgiu uma nova estratégia de guerra, denominada Revolução nos As- suntos Militares (RAM). A partir dessa concepção, passou a prevalecer o dis- curso de “precisão cirúrgica”. Ou seja, os ataques deveriam visar a preservação da integridade física dos combatentes, e o uso de vants auxiliaria nesse sentido. Essa nova estratégia de guerra pretendia diferenciar os conflitos contemporâneos dos sangrentos conflitos ocorridos no século XX, como as duas guerras mundiais e a Guerra Fria, criando uma falsa ideia de “busca pela paz por meio da guerra”. Os professores de Geogra� a, de História e de Sociologia são indicados, prioritariamente, para o trabalho deste segmento. Moradores do distrito de Damasco, na Síria, em fila, aguardando pela distribuição de alimentos, em 2014. Em 2017, mais de 65 milhões de pessoas deixaram seus países por conta de conflitos bélicos. U n it e d N a ti o n R e lie f a n d W o rk s A g e n c y /G e tt y I m a g e s Ademais, toda essa hiperconectividade e a interação contínua entre diversos aparelhos, sensores e pessoas alterarão a forma como agimos comunicativamente e tomamos decisões nas esferas pública e privada. Cada vez mais, as informações que circulam pela internet não serão mais co- locadas na rede tão somente por pessoas, mas por algoritmos e plataformas que trocam dados e informações entre si, formando um espaço de conexões de rede e informações cada vez mais automatizado. Observamos hoje a construção de no- vas relações que estamos estabelecendo com as máquinas e demais dispositivos interconectados, permitindo que algoritmos passem a tomar decisões e a pautar avaliações e ações que antes eram tomadas por humanos. MAGRANI, Eduardo. A internet das coisas. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2018. p. 19-25. (grifos dos autores) a) Liste os termos destacados no texto acima e faça uma pesquisa na internet em busca de seus significados. b) Debata com os colegas sobre o impacto de cada um desses conceitos em suas vidas. Z in e tr o N /S h u tt e rs to ck 31 V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap1_016-039.indd 31V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap1_016-039.indd 31 10/09/2020 11:2010/09/2020 11:20 Portanto, os drones também podem ser considera- dos um tipo de armamento controlado a distância. O uso de drones tornou-se frequente na chamada Guer- ra ao Terror, ou Guerra ao Terrorismo, que teve início como uma reação aos ataques terroristas às Torres Gê- meas e ao Pentágono, ocorridos em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. Desde então, com a suposta finalidade de controle e combate ao terrorismo, o exér- cito estadunidense já atua em mais de 80 países, o que corresponde a 40% das nações do planeta. É importante destacar que a Guerra ao Terror tem pautado as relações internacionais deste século, pois não se trata de uma guerra entre nações, mas de uma guerra do campo internacional. Apesar de os ataques terroristas acontecerem nos limites territoriais de al- guns países, a guerra ao terrorismo tem como princí- pio deter um inimigo impreciso, internacional, trans- fronteiriço, anônimo, fluido e imprevisível, que pode surgir em qualquer parte do planeta. Isto é, o terro- rismo, esteja ele onde estiver, é o inimigo nesta guerra que tem no lado oposto os Estados Unidos. A Guerra ao Terror combina o uso de dispositivos de segurança com ações militares e, por se basear em previsões de eventuais ataques, é identificada como uma guerra preventiva, uma vez que suas ações se justificam pela neutralização de possíveis ataques. Para além dos drones, o uso de tecnologias possibilitou ao exército estadunidense o controle de diferentes apara- tos digitais relevantes, como câmeras de segurança de aeroportos, zonas fronteiriças, ruas de grandes metró- poles, além do acesso a informações de aparelhos de raios X e detectores biométricos. A Guerra do Afeganistão foi o ponto inaugural da Guerra ao Terror, bem como deu início ao uso de drones nos conflitos contemporâneos. O Afeganistão, um país essencialmente agrícola, teve sua infraestru- tura devastada em um conflito que, iniciado em 2001, perdura até os dias atuais. Em 1996, o grupo radical Talibã instituiu o Emirado Islâmico do Afeganistão ao assumir o controle do país. Após 2001, esse grupo foi acusado de estabelecer relações com a Al-Qaeda, grupo terrorista que se opõe aos Estados Unidos, e de esconder seu líder, Osama bin Laden. As acusações foram suficientes para que o então presidente estadu- nidense, George W. Bush, iniciasse a guerra contra o Afeganistão. Soldados estadunidenses patrulhando bairro próximo à base do Exército Nacional do Afeganistão, na província de Logar, Afeganistão. Fotografia de 2018. O m a r S o b h a n i/ R e u te rs /F o to a re n a 32 V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap1_016-039.indd 32V2_Cie_HUM_Igor_g21Sc_Cap1_016-039.indd 32 10/09/2020 11:2010/09/2020 11:20