Prévia do material em texto
NEGÓCIOS INOVADORES E STARTUPS Professor Dr. Victor Vinicius Biazon GRADUAÇÃO Unicesumar C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; BIAZON, Victor Vinicius. Negócios Inovadores e Startups. Victor Vinicius Biazon. Maringá-Pr.: Unicesumar, 2018. Reimpresso em 2024. 160 p. “Graduação - EaD”. 1. Negócios. 2. Startups. 3. Inovação. 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-1237-8 CDD - 22 ed. 658.421 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação Kátia Coelho Diretoria de Pós-graduação Bruno do Val Jorge Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Gerência de de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel Coordenador de Conteúdo Patricia Rodrigues da Silva Designer Educacional Janaína de Souza Pontes Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Ilustração Capa Bruno Pardinho Editoração Arthur Cantareli Silva Qualidade Textual Produção de Materiais Ilustração Bruno Pinhata Bruno Cesar Pardinho Marta Sayuri Kakitani Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. C U R R ÍC U LO Professor Dr. Victor Vinicius Biazon Doutor em Comunicação Social (Metodista - 2014 - 2017), Mestre em Administração (FPL - 2010-2012), Pós graduado em Gestão Estratégica de Empresas (IPE - 2010), pós graduado em Comunicação, Publicidade e Negócios (CESUMAR -2008) com graduação em Administração de Empresas pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (2005). Coordenador do curso de Tecnologia em Processos Gerenciais, Coordenador do curso de Bacharelado em Administração (FATECIE), Professor Universitário (presencial pela FATECIE, EAD pela UNICESUMAR) Jornalista profissional. Autor de livros de graduação e pós-graduação. coordenador do Núcleo de Pesquisa e PIC - Projeto de Iniciação Científica da FATECIE, editor chefe do portal de periódicos na Faculdade FATECIE (Revista Científica Fatecie, Revista Jurídica e Semana Acadêmica). <http://lattes.cnpq.br/2114473479088002> SEJA BEM-VINDO(A)! Caro (a) futuro (a) empreendedor (a), o conteúdo deste livro tem como prioridade te levar a ter a capacidade de inovar, fazer diferente, afinal os tempos mudaram e há tantas coisas que ainda queremos como consumidores, há tanta possibilidade a ser explorada, e espero que você tome esse espaço no mercado, oferecendo um produto/ serviço inovador. Inovar significa, em um sentido mais amplo, ofertar bens e serviços que não existiam anteriormente. Os estudos apontam que por meio de um posicionamento competen- te, a análise do setor, a análise da concorrência, a segmentação, o posicionamento e o planejamento estratégico, as organizações se tornam capazes de garantir um dife- rencial competitivo ou pelo menos a tentativa de ser uma organização competitiva. Para Terra (2007) o tema inovação traz consigo a demanda por profissionais criativos, mas salienta que, na prática, as empresas pouco fazem no sentido de recrutar, trei- nar e estimular seus profissionais de maneira consistente e continuada para que isso aconteça. O maior desafio talvez seja transformar a organização num espaço onde se estimule o risco calculado, o esforço de longo prazo, os intervalos para o relaxamento que predispõe a criatividade, o tempo para pensar, viagens para novas associações de ideias, abertura aos questionamentos, a busca pela estética, relações humanas com espaço para falar e ouvir, com rotinas mais criativas e abertas. Inovar é fácil, o próximo passo é usar essa inovação em forma de negócio e para isso vamos estudar as Startups. Vamos juntos descobrir o que caracteriza uma empresa Startup e o que a diferencia de um modelo de negócio convencional. Fomos buscar informações, por exemplo, junto ao Sebrae que no início, quando o termo começou a ser utilizado, na época da proliferaçãoda internet em meados dos anos 2000, em que esse novo tipo de negócio referia-se a um grupo de pessoas trabalhando com uma ideia diferente que, aparentemente, poderia fazer dinheiro. Além disso, Startup sempre foi sinônimo de iniciar uma empresa e colocá-la em funcionamento. Será que algo mudou de lá para cá? Dados consolidados sobre o rendimento das Startups no Brasil ainda são poucos, mas já podemos ter uma boa noção do quanto esse tipo de empreendedorismo pode fo- mentar os negócios e a economia brasileira. Em 2015 um estudo apontou que entre junho/2014 e junho/2015 as startups estruturadas no nosso mercado movimentaram R$ 784 milhões. O montante representa crescimento de 14%. Veja como este segmen- to movimentou a nossa economia, tendo em vista a recorrente crise econômica no período (BRASIL ECONÔMICO, 2016, online). O livro foi estruturado para que você possa compreender os conceitos através de exemplos reais de empreendedores que estão mergulhados no seu modelo de negó- cio inovador. Na unidade I vamos tratar de compreender os conceitos de empreendedorismo vin- culados aos conceitos e tipos de inovação, passando por fatores que motivam empre- endedores a ingressarem nos negócios inovadores. APRESENTAÇÃO NEGÓCIOS INOVADORES E STARTUPS Na unidade II vamos abordar a importância do planejamento e estratégias para atu- armos no mercado cada vez mais competitivos, mas não será apenas teórico, vamos tratar das práticas também e oferecendo algumas ferramentas para você usar. Na unidade III, mergulhamos no mundo das Startups e damos suporte, “passo-a- -passo” sobre o processo de geração e seleção das ideias que podem se tornar negó- cios inovadores, bem como devemos proceder com relação a busca por investidores e experiência de mentoria. Por fim, na unidade IV trouxe uma série de modelos de negócio que normalmente são vinculados ao princípio norteador das Startups, veremos que modelos são mais importante do que planos. Agora é só mergulhar na leitura e aprender! APRESENTAÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA 12 Empreendedorismo e Inovação: Soluções Inteligentes para Atender ao Mercado 18 Inovação, Invenção e Criatividade 30 Motivação na Busca de Negócios Inovadores 44 Referências 47 Gabarito UNIDADE II PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS 50 A Busca Pelo Diferencial Competitivo 58 Planejamento e Estratégia Empresarial 69 Ferramentas de Planejamento e Gestão 84 Referências 86 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS 88 O Empreendedorismo e as Empresas Startups 94 Criação de Negócios: Geração e Seleção de Ideias de Valor 102 Startups Passo a Passo 105 Investimentos e Investidores de Startup 119 Referências 121 Gabarito UNIDADE IV DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES 124 Diferença Entre Modelo e Plano de Negócios: Customer Development Model 132 O Modelo de Negócio Baseado na Abordagem de Inovação Enxuta ou Lean Innovation 138 Design Thinking: Uma Forma de Agregar Valor 144 Open Innovation: Dialogando com o Mercado 156 Referências 159 Gabarito 160 Conclusão U N ID A D E I Professor Dr. Victor Vinicius Biazon INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar conceitos de empreendedorismo vinculados à inovação. ■ Conceituar inovação, seus tipos e incluir características como inventividade e criatividade no processo inovativo. ■ Destacar os fatores motivacionais que levam empreendedores a empreender. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Empreendedorismo e inovação: soluções inteligentes para atender ao mercado ■ Inovação, invenção e criatividade ■ Motivação na busca de negócios inovadores INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E12 EMPREENDEDORISMO E INOVAÇÃO: SOLUÇÕES INTELIGENTES PARA ATENDER AO MERCADO Caro(a) aluno(a) e futuro(a) empreendedor(a), te convido a conhecer um pouco mais sobre o mundo das teorias e práticas empreendedoras. A partir de agora você poderá ter ideias excelentes de como proporcionar soluções inovadoras, criativas e lucrativas a partir das experiências aqui relatadas. Conto com você para tornar essa leitura interessante em um momento de reflexão, imaginação e trabalho. Vamos lá?! O termo empreendedorismo (entrepreneur), segundo Hisrich e Peters (2004) teve sua origem na França e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo. Para Martins (2013), ser empreendedor não é uma tarefa muito fácil, pois exige força de vontade, persistência, comprometimento, inovação, e, princi- palmente paixão pelo que faz. A autora ainda nos coloca em contato com a história trazendo desde Marco Polo e sua referência ao empreendedorismo quanto ao sujeito que assume riscos (físicos e emocionais). Porém esse entendimento foi se modificando ao longo da história, pois assumir risco não era, a princípio, “responsabilidade” do sujeito. O Empreendedorismo e Inovação: Soluções Inteligentes para Atender ao Mercado R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 13 empreendedorismo enquanto conceito faz parte da experiência humana desde a criação do homem, “mas apenas nos últimos dois séculos passou a ser estudado de maneira formal, e somente há 50 anos passou a ser objeto de interesse cien- tífico significativo”. (FALCONE, 2005 apud MARTINS, 2013, p. 10). Ainda assim, temos o entendimento já dito por Dornelas (2001) de que o aproveitamento de oportunidades é a essência do empreendedorismo. Isso pensando em novos produtos, serviços, mercados, renovando a forma como pro- cessos e métodos de trabalho eram feitos. Isso faz parte da inovação. Por isso a ligação atual entre a criação de negócios, o desenvolvimento de soluções rápi- das para atender a demanda com algo novo ou reformado. Há quem profetizava uma nova revolução originada do empreendedorismo. “[...] é uma revolução silenciosa, que será para o século 21 mais do que a revo- lução industrial foi para o século 20” (TIMMONS, 1994, p. 36). Partindo dessa ideia, nosso estudo utiliza a afirmativa de Lumpkin e Dess (1996 apud MARTINS 2013) de que o empreendedorismo está associado a algum indivíduo ou grupo que desenvolve novas combinações em suas organizações já existentes, envolvendo três dimensões do processo empreendedor: o risco, a inovação e a pró-atividade. Para facilitar, unindo empreendedorismo a inovação, vou dar um exemplo: Temos o GPS, que nos leva e traz fazendo com que possamos viajar com mais segurança de onde estamos e para onde estamos indo e evoluímos para o Waze, um novo aplicativo com as mesmas funções só que com mais itens. Pense agora em todas as soluções que já tivemos a partir de um produto, um software que nos facilita a vida com comodidade. Pensou? Agora ima- gine como os três elementos - o risco, a inovação e a pró-atividade - estão presentes em cada item que veio à sua mente. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E14 A política do aplicativo baseia-se em construir juntos, melhorar o trânsito e proporcionar aos usuários diversos recursos para melhorar sua viagem. Waze é considerado o maior aplicativo de navegação e trânsito do mundo e funciona como uma comunidade. Como empreendedores, podemos nos jun- tar aos outros motoristas em nossa área e compartilhar informações de trânsito e das vias em tempo real. Esta comunicação vai ajudar a todos na economia de tempo e combustível nos deslocamentos diários. Figura 1 - Waze O sitediz: “Pegue a melhor rota, todos os dias, com ajuda em tempo real de outros motoristas”, ou seja, trabalha a coletividade afirmando que nada pode superar as pessoas trabalhando juntas; que o trânsito é mais que apenas linhas vermelhas no mapa e pode ser editado por uma comunidade, afirma que seus amigos podem ser usuários também e estão logo ali e dá a dica de que toda vez que você abastecer, pode economizar no combustível. Simplesmente dirigindo com o Waze aberto você já está contribuindo com informações de trânsito em tempo real para sua comunidade. Você também pode alertar acidentes e outros perigos que você encontrar no seu percurso. Receba Empreendedorismo e Inovação: Soluções Inteligentes para Atender ao Mercado R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 15 alertas em sua rota e encontre os postos com combustível mais barato próximo a você. Além disso, você pode adicionar amigos, compartilhar locais e manter outras pessoas informadas sobre seu horário de chegada. A inovação é justamente isso, por vezes algo que já existe pode ser melhorado e oferecer mais aos seus usuários. Veja, se eu passo por transtornos no trânsito todo dia e o GPS já não atende tudo que eu preciso, outras pessoas podem passar pelo mesmo problema, é desta forma que o ser empreendedor enxerga oportuni- dades, e aliado ao conhecimento (no caso de aplicativos ou dispositivos móveis) pode dar início a uma solução para si, para outros e obter benefícios financei- ros, basta decidir e colocar em prática. Seguindo essa linha e conforme Oliveira (2004), a pessoa empreendedora passa por processo de tomada de decisão constante, seja para implementação de uma nova atividade ou para resolver problemas do dia a dia empresarial. Decidir é converter informações em ações; a decisão é uma ação tomada com base na apreciação das informações. Podemos dizer então, conforme Dornelas (2008) e Martins (2013) que o empreendedorismo tem como foco principal fatores como: ■ a identificação e análise de oportunidades; ■ busca por inovação; ■ preparação e utilização de um plano de negócios; ■ orientação quanto a gerenciar e fazer a empresa crescer. Se você ainda não está convencido de que a inovação pode ser entendida na perspectiva empreendedora, trago a participação de um dos maiores nomes dos estudos da Administração, Peter Drucker, que em 1987 já afirmava que o empreendedor busca a mudança criando algo novo, sendo inovador e transfor- mando valores (MARTINS, 2013). Só por esta fala já podemos ligar a inovação ao empreendedorismo ou vice-versa. Drucker ainda diz que o empreendedor consegue viver com as incertezas e riscos que um negócio comporta. Sem contar a célebre máxima do empreendedo- rismo em que se afirma que o empreendedor sabe aproveitar as oportunidades que não são necessariamente vistas pelas outras pessoas. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E16 Tenho certeza de que você está lendo esse material e pensando em várias ideias que já teve e não colocou em prática, ou ainda várias ideias que você havia tido e quando percebeu alguém já estava lucrando com ela. Não dá para parar o tempo, temos que agir. Gosto muito da fala de Hisrich Peters (2004) de que o empreendedor evo- lui por meio de um processo constante de tentativas e erros. Nossa vida é assim, falo da vida pessoal mesmo, nós só evoluímos quando precisamos. Por vezes erramos e a partir desses erros melhoramos. Os autores continuam agora interpretados por Martins (2013), dizendo que o avanço do sujeito empreendedor acontece a partir das descobertas que faz, as quais podem se referir a uma infinidade de elementos. Ele tem alto nível de energia e é criativo, demonstra imaginação e perseverança, e é dotado de sensi- bilidade para os negócios. Quer ver como isso é um fato? Falávamos do GPS, que evoluiu para Waze e nisso entramos mais afundo no mundo dos transportes. Quem nunca pensou em economizar e ao invés de pegar um táxi, chamou o Uber? Outra ação empreende- dora impregnada de inovação e identificação de oportunidade e inteligência e lucro. Alguém tem dúvida de que esse app é uma inovação? Ou que a partir desse dis- positivo podemos nos locomover de forma rápida e mais barata do que com outros serviços, digamos, mais tradicionais? Pois bem. Era uma oportunidade de negócios e deu tão certo que tem incomodado muita gente por aí. O Uber é um aplicativo através do qual os usuários podem solicitar viagens rápidas e confiáveis de forma ágil e está disponível 24 horas por dia. Os usu- ários não precisam se preocupar com local para estacionar, nem com os va- lores altos dos táxis nem tampouco com o desconforto de tomar ônibus. Basta um toque no app Uber para solicitar uma viagem e o detalhe é que você pode pagar com cartão de crédito ou dinheiro. Fonte: adaptado de Uber - Apps para Android no Google play ([2018], on-line)1. Empreendedorismo e Inovação: Soluções Inteligentes para Atender ao Mercado R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 17 Nosso foco aqui é a identificação da oportunidade, é compreender o empre- endedorismo por trás do empreendimento. Há diversas pessoas que além de suas atividades ocupacionais regulares, tiram um extra como motoristas de Uber para melhorar os rendimentos da família, etc. Trata-se também de uma inovação. E digo isso, pois, conseguir a licença para táxi é caro e com o app Uber, é possí- vel realizar o serviço de motorista com uma empresa te dando alicerce e com ganhos sem se preocupar com compra de “placa” de táxi. Figura 2 - App Uber compra uma empresa e introduz inovações, agregando novos valores; e ainda um empregado que introduz inovações em uma organização, provocando o sur- gimento de valores adicionais. Portanto, podemos ser empreendedores utilizando inovações em produtos/ serviços criados por outras pessoas também, bastas que saibamos tomar deci- sões, construir nossa carreira, ser dono da própria rotina, estruturar os negócios e a agenda e identificar a oportunidade no presente. Sei que falamos de tecnologia, mas há inúmeras formas de inovar e oferecer solu- ções ao mercado aos consumidores cada vez mais ávidos por novidades, e se é novidade é inovação. Ainda precisamos saber mais sobre o que é (teoricamente) inovação. De repente você pensa: o motorista de Uber não é empreendedor, porque ele não criou a empresa. Não, ele não a criou, mas empreende- dor não é só quem cria a empresa. De acordo com Dolabela (1999) empreendedores são indivíduos que criam uma empresa, qual- quer que seja ela, mas também a pessoa que INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E18 INOVAÇÃO, INVENÇÃO E CRIATIVIDADE Até aqui trabalhamos a ligação de empreendedorismo com a inovação, mas acre- dito que ainda precisamos entender mais, à luz da literatura, o que é inovação, os tipos e possibilidades de inovar para ganharmos fôlego diante da concorrên- cia e despontar como empreendedores. O processo competitivo é percebido como o motor do desenvolvimento capitalista, e as inovações como seu combustível. A evolução é percebida como uma história de revoluções, um processo de mutação industrial que incessante- mente revoluciona a estrutura econômica a partir de dentro, destruindo a velha e criando uma nova estrutura. Dando início a esse entendimento, podemos compreender que inovação é um conjunto de processos estratégicos relacionados ao desenvolvimento e renovação dos produtos, processos, serviços, modelosde gestão e de negó- cios que a organização oferece ao mercado, e as maneiras como o faz, de forma a obter vantagem competitiva (STOECKICHT, 2005, p.33). Porter (1985, p. 36) diz que inovação é: um conjunto de melhorias na tecnologia e nos métodos ou maneiras de fazer as coisas. As principais causas de inovação são as novas tecnolo- gias, as novas necessidades do comprador, o aparecimento de um novo segmento de indústria, custos ou oportunidades oscilantes de insumo, ou ainda mudanças nos regulamentos governamentais. Inovação, Invenção e Criatividade R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 19 Gurgel (2006) trouxe em sua pesquisa, conceitos originados da ANPEI - Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras, e define inovação como a aplicação do conhecimento no desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços, ou na melhoria destes, que gere valor social, econômico ou diferencial competitivo. Para Schumpeter (1988 apud GURGEL, 2006) a inovação é um conjunto de novas funções evolutivas que alteram os métodos de produção, criando novas formas de organização do trabalho e, ao produzir novas mercadorias, possibi- lita a abertura de novos mercados através da criação de novos usos e consumos. A inovação pressupõe a entrada de cinco novos fatores: 1. A introdução de um novo produto 2. A introdução de um novo método de produção 3. A abertura de um novo mercado 4. A conquista de uma nova fonte de fornecimento de matéria 5. A consumação de uma nova forma de organização de uma indústria Temos outros tópicos complementando essa ideia, apresentados por Stoeckicht (2005, p. 33), e devemos entender que o resultado dos processos de inovação deverá se traduzir em, pelo menos, cinco tipos de iniciativas: 1. Um novo produto ou serviço 2. Um novo processo organizacional 3. Um novo processo de gestão organizacional 4. Uma nova abordagem de marketing ou comercialização 5. Um novo modelo de negócios, ou ainda, a melhoria destes, devendo, além disso, agregar um valor significativo tangível quer para um indivíduo, um grupo, uma organização, um mercado, ou mesmo, para a sociedade como um todo. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E20 Você já deve ter ouvido falar dos 4P´s de marketing certo? O chamado Mix de marketing. Seus elementos são produto, preço, praça e promoção. São estes itens os “básicos” que devem ser pensados e estrategicamente geridos para que sua empresa possa ter sucesso. A inovação também tem elementos de “mix”. Tidd; Bessant e Pavitt (2008 apud MACEDO et al. 2015) entendem a inovação como um processo de mudança e apresentam o conceito dos 4 P’s da inovação, classificados em: ■ inovação de produto; ■ inovação de processo (que inclui tanto alterações nos processos produ- tivos quanto administrativos da instituição); ■ inovação de posição (cujo conceito é similar à definição de inovação de marketing apresentada no Manual de Oslo); ■ inovação de paradigma (mudanças no modelo de negócio da empresa). Conforme os autores, a inovação pode ser entendida como a introdução no mercado de produtos, processos, ações de marketing ou processos organizacionais diferentes dos atuais ou melhorados. Pode ser qualificada com base no objeto de inovação (produto, processo, marke- ting e organizacional), no nível de inovação (radical, semiradical e incremental) e como é gerada (interna ou externamente). Figura 3 - 4 P’s da inovação Fonte: o autor. Inovação, Invenção e Criatividade R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 21 A literatura nos apresenta alguns tipos de inovações que podem ser destacados e potencialmente utilizados pelas empresas. INOVAÇÃO RADICAL É o desenvolvimento de um novo produto, processo ou forma de organização da produção inteiramente nova, inédita para a em- presa. Tais inovações podem originar novas empresas, setores, bens e serviços; e ainda significar redução de custos e aperfeiço- amentos em produtos existentes. Normalmente estão atreladas a um alto incremental de desenvolvimento tecnológico. INOVAÇÃO SEMI-RADICAL Consegue alavancar, no ambiente competitivo, mudanças cruciais inviáveis mediante uma inovação incremental. A ino- vação semiradical envolve mudança substancial no modelo de negócios ou na tecnologia de uma organização - mas não em ambas. Às vezes a mudança em uma dimensão é condiciona- da à mudança na outra, embora essa mudança concomitante possa não ser tão dramática ou revolucionária. INOVAÇÃO INCREMENTAL É a introdução de qualquer tipo de melhoria em um produto, processo ou na organização da produção, sem alteração subs- tancial na estrutura industrial, podendo gerar maior eficiência, aumento da produtividade e da qualidade, redução de custos e ampliação das aplicações de um produto ou processo. Quadro 1 - Tipos de inovação Fonte: adaptado de Gurgel (2006) e Stoeckicht (2005). Ainda há outros tipos de inovação que abrangem desde o produto até o modelo da organização, veja: INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E22 AS INOVAÇÕES DE PRODUTO Ajudam na competição pelos consumidores e mesmo na redefinição do escopo produto / mercado, estariam relacio- nadas aos elementos tecnológicos incorporados em bens e serviços da firma. Essas mudanças poderiam variar de um sim- ples refinamento até um produto inteiramente novo. AS INOVAÇÕES DE PROCESSO Como aquelas relacionadas às técnicas de produção e de “marketing”, inclui as mudanças em métodos, equipamentos, distribuição e logísticas são mais difíceis de serem identifica- das, seja por clientes ou concorrentes. Desta forma, são mais facilmente protegidas de cópia por parte dos competidores; levam à redução do custo de produção e às melhorias na produtividade e na qualidade do produto. Essas mudanças podem modificar ainda a forma como a firma conduz o seu negócio. Essas inovações podem levar a mudanças na orga- nização incluindo alterações em práticas relacionadas aos: recursos humanos, logística e funções de marketing. INOVAÇÃO EM MARKETING Melhoria significativa em qualquer elemento do mix de marke- ting – produto, promoção, preço, distribuição ou mercado (pú- blico alvo), através dos quais um novo valor agregado é criado na cadeia de valor daquela organização em específico. INOVAÇÃO EM MODELOS DE GESTÃO Melhorias significativas implementadas nas práticas de gestão organizacional. A função principal do gestor moderno é desenvolver a habilidade da solução criativa de problemas em todas as áreas da organização: planejamento, organiza- ção, liderança e controle - trata do desenvolvimento de novas estruturas de poder e liderança. Inovação, Invenção e Criatividade R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 23 INOVAÇÃO EM MODELOS DE NEGÓCIOS Trata-se de inovações focadas na relação da empresa com o seu ambiente de negócios, que se traduzem na reformulação dos modelos de negócios existentes a partir de orientações estratégicas corporativas novas ou melhoradas, adotados pela organização para desenvolver e comercializar seus produtos e/ou serviços. Assim, abarcam o desenvolvimento de novos negócios que forneçam uma vantagem competitiva sustentá- vel. Trata-se da capacidade de imaginar conceitos de negócios drasticamente diferentes ou novas maneiras de diferenciar con- ceitos de negócios já existentes, e vê a inovação do conceito denegócios como a chave para a criação de nova riqueza. INOVAÇÃO OR- GANIZACIONAL Trata-se de novidades nos processos administrativos, a maneira como as decisões são tomadas, a alocação de recursos, as atri- buições de responsabilidades, os relacionamentos com pessoas e outras organizações, os sistemas de recompensa e punição e outros elementos relacionados a gestão da organização. Incluem a introdução de mudanças significativas na estrutura de empresa; a implementação de técnicas de gestão avançada, e a implementação de novas orientações estratégicas corporativas. Quadro 2 - Outros tipos de inovação Fonte: Narayanan (2001 apud COUTINHO, 2004, p. 28). O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação elenca algumas considera- ções quanto ao que considera como atividades apoiáveis: • Inovação de produto: introdução de um bem ou serviço novo ou signifi- cativamente melhorado; • Inovação de processo: implementação de um método de produção ou distribuição novo ou significativamente melhorado; • Inovação organizacional: implementação de um novo método organiza- cional nas práticas de negócio da empresa, organização de seu local de trabalho e/ou suas relações externas; • Inovação de marketing: implementação de um novo método de marke- ting com mudanças significativas na concepção, posicionamento, promo- ção ou fixação de preços do produto. Fonte: Associação Brasileira de Desenvolvimento ([2018], on-line)2. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E24 Já dissemos aqui que a inovação deve ser entendida dentro de um campo mul- tidisciplinar, e sob a perspectiva da neurociência, e Teruel (2008, p. 3-38 apud GALDO, 2016, p. 34) afirma que “criar é colocar no mundo algo que não exis- tia antes. A criatividade é um processo intrínseco ao próprio funcionamento do cérebro”. A autora ainda afirma que, por ser um processo cerebral, em graus diferen- tes, a inovação: requer ingredientes da criatividade aliados à habilidade de inserir o produto ou serviço no ‘contexto de uma cultura ou uma sociedade de- terminada’, o que depende do talento de adaptar ao mundo real os ob- jetos de criação (GALDO, 2016, p. 34). E acrescenta: a complementaridade entre a criação e o empreendedorismo é essen- cial para a inovação, porém a demarcação exata entre invenção, criação e inovação definida pelo aspecto exclusivo de resultados comerciais pode não ser tão simples em um contexto complexo como a era atual, marcada por novidades constantes nas mais diversas áreas (GALDO, 2016, p. 34). O fenômeno da criatividade consistia na manifestação de comportamen- tos que expressassem o pensamento divergente em grau notável, dado que todos os indivíduos exibem - patologias à parte - as habilidades criativas. A operacionalização da criatividade para essa perspectiva teórica está vincu- lada à originalidade, à flexibilidade, à fluência e à elaboração das respostas aos testes de múltiplos usos, possíveis consequências e fixação funcional. O termo invenção caracteriza-se apenas como o objeto físico ou conceitual capaz de oferecer reconhecimento formal a um indivíduo que promove, de alguma forma, a descontinuidade em seu sistema social. Título: Criatividade e Gestão da Inovação Contínua em Design: Uma Proposta Metodológica Fonte: Pinheiro (2016). Inovação, Invenção e Criatividade R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 25 Novos produtos precisam ter uma vantagem significativa sobre os produtos atuais. As empresas inovadoras de sucesso seguem um processo de desenvolvi- mento de novos produtos que está ligado ao processo de planejamento geral de longo prazo da empresa. Segundo Hooley (2005), o uso de processos formalizados para orientar o desenvolvimento de novos produtos gera um índice maior de novos produtos de sucesso do que uma abordagem à inovação do produto. No entanto, há uma diferença entre o que é invenção e o que é inovação. Uma invenção é a descoberta de um novo instrumento ou processo. Invenções não podem ser planejadas. Muitas vezes, elas ocorrem por acaso ou dependem da perseverança e da genialidade do cientista/in- ventor. A inovação é diferente. Quando se faz uma nova descoberta científica ou técnica, ou quando se concebe a ideia de um novo produ- to, suas chances de ser colocado no mercado com sucesso dependem, sobretudo, da destreza da administração da empresa no planejamento e no desenho da estratégia do novo produto, assim como da habilidade com que certas tarefas, como o desenvolvimento e o lançamento dos produtos novos, são realizadas (HOOLEY, 2005, p. 352). A partir da descoberta ou da concepção da ideia até que um produto real chegue ao mercado, a administração e os funcionários da empresa têm controle direto e influência sobre o destino dessa descoberta ou ideia. As empresas também precisam decidir quais tipos de novos produtos serão desenvolvidos. É comum classificar os novos produtos de acordo com o grau de ineditismo para a empresa e para os clientes. Ainda de acordo com o autor, a partir dessas duas variáveis, surgem seis cate- gorias, e cada uma delas distancia cada vez mais a empresa das atividades atuais e, consequentemente, tornando-se mais arriscadas: Inovações por redução de custos proporcionam um desempenho si- milar à oferta a um custo mais baixo, como a Mercedes obteve com sua nova Série C. Inovações por reposicionamento, quando produtos atuais são dirigi- dos a novos segmentos de clientes ou novos mercados. Inovações por melhoria ou reformulação dos produtos atuais; essas inovações realçam o desempenho ou o valor percebido pelo cliente e substituem os produtos atuais, nos quais se basearam os fabricantes de carros japoneses, têm tendência a melhorar os modelos existentes, INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E26 fornecendo “novos produtos” com desempenho melhorado e/ou mais atributos, em oposição ao desenvolvimento de modelos radicalmente novos desde o início do processo global. Inovações por adição, as atuais linhas, de novos produtos que comple- tam a oferta da empresa. Inovações por meio de novas linhas de produtos, que permitem que as empresas entrem em um mercado já estabelecido pela primeira vez, como aconteceu com os planos de previdência privada da Virgin. Produtos totalmente novos, que criam um mercado completamente novo: por exemplo, o Walkman da Sony, os palmtops da Psion e a pri- meira escavadeira da JCB (HOOLEY, 2005, p. 354). A INOVAÇÃO VISTA COMO UM SISTEMA Vamos entender a inovação tendo em vista um sistema. O conceito de sistema é aquele em que um conjunto de atores institucionais que, agindo juntos, detêm o papel principal em influenciar o desempenho inovador. A inovação também é fruto de um processo que só pode ser analisado quando se leva em conta seu caráter interativo. Dizemos que é interativo à medida que envolve uma rela- ção entre diversos atores. O processo de inovação empresarial é sistêmico, englobando todas as dimen- sões de um negócio, ou seja, inclui os processos desenvolvidos pela empresa para criar e entregar valor aos consumidores (SAWHNEY; WOLCOTT; ARRONIZ, 2011 apud MACEDO et al., 2015). Os autores reuniram quatro principais dimensões de um sistema de negócios pelo qual uma empresa pode buscar oportunidades para gerar a inovação, são elas: a. Oferta (o que): plataforma e soluções. Consiste na tecnologia empregada para produzir um bem que atende uma oportunidade de mercado. b. Consumidores (quem): experiência do cliente e captura de valor. Incide na forma como o público recebe a oferta de empresa, se ele compreende a relevância do item e este atende às necessidadese desejos. Inovação, Invenção e Criatividade R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 27 c. Presença (onde): networking e marca. É o contato do consumidor com o produto, através dos pontos de venda, canais de comunicação e a marca. d. Processos (como): organização e a cadeia de suprimentos. São os pro- cessos internos desenvolvidos na organização que viabilizam a produção do produto. Facilitando nossa aprendizagem vou apresentar um diagrama com os requisi- tos que essencialmente estão presentes em um processo de inovação. Trata-se de uma definição geral mais genérica e abrangente do processo de inovação, apre- sentando o processo como um esquema não linear que pode ser iniciado a partir de diversas fontes e áreas da organização. O processo oferece uma visão multi- disciplinar que apoia e melhora a geração de inovações. Veja a figura 4: Figura 4 - Diagrama de requisitos essenciais do processo de inovação Fonte: Macedo et al. (2015). Para entendermos melhor essa figura, Macedo et al. (2015, p. 164) explicam que: ✓ as fases compreendem os passos dados durante um processo de inovação; INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E28 ✓ o contexto social compreende qualquer agente que interfere no processo de inovação (sejam pessoas, organizações ou fatores ambientais); ✓ o bloco dos meios de inovação estão relacionados aos recursos necessá- rios para que a inovação ocorra; a natureza da inovação consiste no grau de novidade (radical, semiradical e incremental); ✓ o tipo de inovação está relacionado ao resultado da inovação, ou seja, o objeto da inovação (produto, processo, marketing e organizacional); ✓ e o objetivo consiste no resultado que a empresa deseja alcançar ao desenvolver uma inovação, tendo relação com os objetivos estratégicos empresariais. As formas de relacionamento entre pesquisa e atividade econômica são múltiplas e o processo de inovação deve ser percebido como interativo e multidirecional, não havendo uma etapa apenas - a da invenção, em que o aumento do conheci- mento é aproveitado pelo sistema econômico. Existem diversos momentos do processo de inovação em que o conhecimento científico é aproveitado pelo sis- tema econômico. O modelo não linear foi inicialmente proposto por Kline e Rosenberg (1986), onde a relação entre empresas e a pesquisa pode ocorrer casu- almente e pode incidir em diversas etapas do desenvolvimento. Figura 5 - Modelo Interativo do Processo de Inovação Fonte: Gurgel (2006). Inovação, Invenção e Criatividade R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 29 O modelo combina interações do interior das empresas com atores externos e as relações entre as pesquisas e as etapas dos processos seguem não somente um, mas vários caminhos. A pesquisa científica pode interferir em diversos estágios do pro- cesso de inovação, dentre os quais, cinco foram identificados por Gurgel (2006): 1. Central: começando do mercado e tendo como centro a empresa; 2. Feedback loops: baseado no conceito de learning by use, que permite o surgimento principalmente das inovações incrementais; 3. Direto: da e para a pesquisa, de uma necessidade detectada na empresa ou uma pesquisa aproveitada pela empresa; 4. Linear: do avanço científico à inovação; e 5. Sinérgico: contribuições do setor manufatureiro para a pesquisa por ins- trumentos, ferramentas etc., ou seja, a tecnologia gerando ciência. As empresas também encontram boas ideias analisando os produtos e serviços de seus concorrentes. Elas podem aprender com seus distri- buidores, fornecedores e representantes de vendas. Podem descobrir o que os clientes gostam e desgostam nos produtos de seus concorrentes. Podem comprar os produtos de seus concorrentes, desmontá-los e fa- zer produtos melhores. Os representantes de vendas e os intermedi- ários são uma fonte particularmente boa de ideias. Esses grupos têm contato direto com os clientes e frequentemente são os primeiros, a sabera respeito dos desenvolvimentos da concorrência. Um número crescente de empresas incentiva representantes de vendas, distribuido- res e revendedores a sugerirem novas ideias e o recompensa por elas (KOTLER, 2000, p. 358). INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E30 MOTIVAÇÃO NA BUSCA DE NEGÓCIOS INOVADORES Nesta seção, vamos tratar do empreendedorismo e dos seus fatores motivado- res para existir, ou seja, o que leva as pessoas a empreender. Claro que dentro do nosso conteúdo estamos considerando a criação de empresas sob a ótica da inovação, da criação de produtos ou processos criativos e que sejam soluciona- dores de problemas do mercado. Para Robbins (2002 apud RIBAS, 2012, p. 6), “a motivação é o processo res- ponsável pela intensidade, direção e persistência dos esforços de uma pessoa para o alcance de determinada meta”. Logo, podemos entender que a motivação ocorre em função do comportamento do indivíduo frente a estímulos externos. De forma ilustrada, a figura 6 explica algumas das principais teorias da moti- vação, o que poderá lhe auxiliar na compreensão deste tópico. Motivação é um impulso que faz com que as pessoas ajam para atingir seus objetivos. Ela por sua vez, envolve fenômenos emocionais, biológicos e sociais e é um processo responsável por iniciar, direcionar e manter comportamentos relacionados com o cumprimento de objetivos. Motivação na Busca de Negócios Inovadores R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 31 Ribas (2012) levantou diversas teorias motivacionais consideradas “clássicas” e construiu uma figura que poderá nos auxiliar na compreensão da motivação empreendedora. Figura 6 - Teorias motivacionais Fonte: Teorias motivacionais (2015, on-line)3. Figura 7 - Teorias clássicas da motivação Fonte: Ribas (2012, p.11). INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E32 Tendo em vista o pensamento de Carvalhal, Leão e Teixeira (2012) de que o empre- endedorismo é considerado um fator chave para o crescimento econômico, criação de empregos e estabilidade social, com enorme relevância no desenvolvimento dos países. Justamente por prover e promover bens de consumo e processos nos negó- cios inovadores devemos entender o que leva pessoas de diferentes idades, gênero, classe social ou intelectual a buscarem gerir seus próprios negócios. Conforme Ribas (2012, p.3), “a motivação para empreender se prende a uma percepção central da relação ‘Risco x Recompensa’ diferente do que ocorre na gestão empresarial”. Podemos observar essa diferença, principalmente, no modo como o empreendedor enxerga sua criação, o sucesso para o empreen- dedor se dá em uma escala evolutiva da satisfação de suas necessidades de vida, que transcende aos seus objetivos meramente empresariais para alcançar até a sua realização pessoal. De acordo com o autor, a motivação empreendedora é a motivação para cor- rer o risco de realizar uma ação de empreender associada a uma recompensa, segundo a percepção de sucesso do empreendedor. Esta motivação pode se dar por dois fatores primários: Empreendedores por oportunidade: quando se vislumbra uma lacuna no mercado ainda não preenchida por produtos ou empresas existentes. Quer dizer que descobriu-se uma maneira de lucrar com determinado produto/serviço, pois, o consumidor almejanovidades. Empreendedores por necessidade: quando não há outra forma de sustento, busca-se trabalhar por conta própria para garantir a manutenção financeira pes- soal e/ou da família. Ou seja, não há emprego, falta dinheiro e o sujeito precisa trabalhar em algo. Motivação na Busca de Negócios Inovadores R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 33 TEA é a sigla para taxas específicas de empreendedorismo, “que se referem ao estudo da intensidade da atividade empreendedora em segmentos da popula- ção total da pesquisa” (LIMA et al., 2017, p.35). Caso você tenha ficado curioso para saber quais os tipos de empresas foram recentemente abertas dentro do conceito de empreendedorismo por oportuni- dade e necessidade, a mesma publicação nos faz conhecer. No Quadro 4 são apresentados os percentuais das atividades dos empreen- dedores nascentes, ou seja, aqueles que possuem empreendimentos que não os remuneraram ainda por mais de três meses, veja: Quadro 3 - Motivação dos empreendedores iniciais: 1. taxas para oportunidade e necessidade; 2. proporção sobre a TEA; 3. estimativas; e razão oportunidade e necessidade Fonte: GEM (2016). MOTIVAÇÃO TAXAS PERCENTUAL DA TEA Nº DE EMPREENDEDORES Oportunidade 11,2 57,4 15.022.742 Necessidade 8,3 42,4 11.113.080 Razão Oportunidade/ Necessidade 1,4 1. Percentual da população de 18 a 64 anos. 2. Proporção sobre a TEA: a soma dos valores pode não totalizar 100% quando houverem recusas e/ou respostas ausentes. 3. Estimativas calculadas a partir de dados da população de 18 a 64 anos para o Brasil em 2016: 133,9 milhões. Este fator motivacional primário foi quantificado e publicado no relatório do do GEM (2016), sigla para Global Entrepreneurship Monitor, que se trata de um estudo anual sobre nível do empreendedorismo em vários países. A “oportuni- dade” é mostrada como maior motivação para empreender, conforme o Quadro 3. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E34 Para Degan (2009 apud RIBAS, 2012, p.13), as causas que levam um empreen- dedor a iniciar seu negócio são uma ponderação dos motivos abaixo elencados acrescidos de razões particulares: ■ Vontade de ganhar dinheiro, mais do que seria possível na condição de empregado; ■ Desejo de sair da rotina do emprego e levar suas próprias ideias; ■ Vontade de determinar seu futuro e não dar satisfação a ninguém sobre seus atos; Quadro 4: Distribuição percentual das atividades dos empreendimentos segundo a motivação - Brasil (2016) Fonte: Lima et al. (2017). ATIVIDADES DOS EMPREENDEDORES NASCENTES OPORTUNIDADE NECESSIDADE ATIVIDADES (CNAE) % ATIVIDADES (CNAE) % Restaurantes e outros estabeleci- mentos de serviços de alimentação e bebidas 9,5 Restaurantes e outros estabe- lecimentos de serviços de alimentação e bebidas 29,3 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 9,3 Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada 9,3 Manutenção e reparação de veículos automotores 6,9 Serviços ambulantes de alimentação 6,9 Serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada 6,2 Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios 6,8 Cabeleireiros e outras atividades de tratamento de beleza 5,6 Serviços ambulantes de alimentação 4,1 Serviços especializados para cons- trução 3,4 Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal 3,3 Comércio varejista de bebidas 2,3 Outras atividades 49,3 Outras atividades 47,7 Motivação na Busca de Negócios Inovadores R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 35 ■ Necessidade de provar a si e a outros que é capaz de realizar um empreendimento; ■ Desejo de desenvolver algo que traga reconhecimento e benefícios, não só para si, mas para a sociedade. A análise fatorial resultado da pesquisa de Vale, Corrêa e Reis (2014) sugere que as motivações extrapolam a lógica binária de que empreendemos principalmente por oportunidade ou por necessidade, mas há também outros motivos, agrupa- dos em seis componentes: 1. Identificação de oportunidade de negócio; usufruto de programa de demissão voluntária. 2. Atributos/expectativas pessoais, como facilidade ou possibilidade de usar relacionamentos na área; desejo de ter seu próprio negócio/tornar-se inde- pendente; disponibilidade de tempo; aumentar renda; 3. Ambiente externo – em particular associado ao mercado de trabalho, como demissão com FGTS; desemprego; capital disponível para aplicação; 4. Influência de terceiros, através de convite para participar como sócio da empresa; influência/pressão de outras pessoas; 5. Insatisfação com emprego; 6. Influência familiar, em que se busca dar continuidade ou ampliar os negócios da família; dar ocupação a familiares; possibilidade de usar expe- riência/influência familiar. Vamos compreender o empreendedor jovem e sua motivação para empreender. Não deve ser novidade que uma das dificuldades consideradas neste segmento está na barreira do financiamento para iniciar um negócio, contudo, a maior difi- culdade é a falta de conhecimentos técnicos necessários e capacidades gerenciais (MINOLA E CRIOUCO, 2011 apud CARVALHAL; LEÃO; TEIXEIRA, 2012). Que tal conhecermos aqui algumas das motivações consideradas por jovens em pesquisas de todo o mundo? De repente, nos encaixamos em algumas dessas características e deixamos falar mais alto nossa vontade de inovar e empreender. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E36 AUTORES MOTIVAÇÕES ENCONTRADAS Borges, Filion e Simard (2008) É tirar proveito de uma oportunidade de negócio, além da oportunidade de ter uma empresa familiar, realizar um desafio, realizar um objetivo pessoal, e ainda fazer o que se gosta. Ribeiro e Teixeira (2012) Percepção da oportunidade de negócio, busca pela independência financeira e realização pessoal. Motta e Trevisan (2003) e Carvalhal; Leão e Teixeira (2012) A busca de realização pessoal. Quadro 5 - Fatores motivadores para jovens empreendedores Fonte: Carvalhal; Leão e Teixeira (2012). Ribas (2012) apresenta ainda outros fatores motivadores a serem considerados, como: recompensa, sucesso e risco. A partir dos resultados da pesquisa aqui apresentada com jovens empreende- dores, segundo a perspectiva de Ribas (2012), percebe-se que muitos empreendem tendo como motivação a recompensa. Há autores que tratam desta motivação como recompensas e não se limitam a fatores meramente financeiros, mas tam- bém existenciais, que fazem parte das aspirações pessoais de cada empreendedor. Longenecker (2007, apud RIBAS, 2012) considera que pessoas diferentes, procuram diferentes tipos de recompensas, ou uma combinação delas. Os mais presentes são: ■ Ganhar dinheiro através de lucro e não de um salário; ■ Ser o próprio chefe e conquistar a sua independência; ■ Fugir de uma situação indesejável conquistando a sua liberdade para ser e estar; ■ Usufruir de uma vida com a sua concepção de satisfação pessoal; ■ Contribuir para a comunidade e alcançar sua realização pessoal. Motivação na Busca de Negócios Inovadores R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 37 O sucesso como motivador está ligado a fatores sociais e pelo “eu” interior, acre- dita-se que autorrealização está ligada ao alcance de resultados positivos, ou seja, de sucesso. Há ainda duas outras condições que irão determinar a disposição para empre- ender associadas aorisco conforme Ribas (2012): 1. relacionada ao grau de conhecimento adquirido ao longo da experiência profissional: existem fatores que atuam como motivadores para se iniciar um empreendimento como um desafio: A autoconfiança do potencial empreendedor é função direta de seu conhecimento no domínio sobre as tarefas necessárias para desenvolver o negócio e sua experiência gerencial; 2. relativa ao grau de responsabilidade que este acumula em sua vida: o progresso na carreira, o aumento das responsabilidades familiares, as obrigações financeiras que se sucedem representam um fator desmotiva- dor para esta iniciativa: Torna-se aterrorizante para estas pessoas terem que abrir mão da estabilidade de um emprego para submeterem-se a um revés em um negócio próprio. É de suma importância também evidenciamos a competência feminina cada vez mais percebida no mundo do empreendedorismo, então vamos conhecer agora outro grupo que tem despontado no contexto de geração de inovação empre- endedora, o público feminino. De acordo com Martinho (2012, p.16), “em média as mulheres são quatro pontos percentuais mais motivadas a empreender por necessidade que os homens”. Este estudo apresenta que as mulheres empreendem mais por necessidade do que por oportunidade. Isso significa que empreendem por não encontrarem melho- res alternativas de trabalho. Ribas (2012, p. 4) entende esse resultado por considerar que “não diferente de outros animais, o que fez motivar a ação do homem, desde o início de sua existência, foi à própria necessidade de sobrevivência”. Logo, para sobreviver é que essas mulheres acabam tornando-se empreendedoras. Outro motivo apontado por muitas mulheres para embarcarem na onda do Empreendedorismo Rosa é a vontade de fazer a diferença e trazer algo de novo e positivo para o mundo. É um propósito que tem muito a ver com a materni- dade, trazer algo de novo à vida (OSÓRIO, [2018], on-line)4. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E38 Ribas (2012) propõe que as teorias clássicas da motivação podem ser utilizadas para explicar os fatores de motivação empreendedora, desta forma desenvolveu uma adaptação na figura 8 apresentada anteriormente: Figura 8 - Fatores de Motivação Empreendedora aplicados às Teorias de Motivação Clássicas Fonte: Ribas (2012, p. 15). Numa primeira aproximação, ambas as situações apresentadas nesta figura, ao invés de excludentes, estão dispostas em um contínuo. Neste contínuo, de um lado, são apresentados os fatores motivadores extrínsecos de Herzberg, asso- ciados à motivação de se empreender pela necessidade. No outro lado, estão os fatores motivadores intrínsecos de Herzberg, desta vez associados com a moti- vação de se empreender pela oportunidade. A hierarquia das necessidades de Maslow está representada sob a pers- pectiva da motivação empreendedora, renomeada com as razões para se criar uma empresa segundo a ótica do empreendedor (ter o que comer, ficar rico, ser independente, criar algo exclusivo seu e para escrever a sua própria história). Finalmente, a motivação pela Necessidade de Realização de McClelland, rela- cionada com o comportamento do empreendedor, como impulso para realizar meios para sobrevivência, ou estímulo para realização pessoal. Fechamos essa nossa unidade com as palavras da empreendedora Morgado (2016, on-line)5, que nos faz refletir sobre as motivações para iniciar um empre- endimento inovador, mas também para aqueles que já estão empreendendo: Motivação na Busca de Negócios Inovadores R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 39 no mundo do empreendedorismo, é comum vermos empreendedores não alcançando o tão sonhado objetivo. Seja por falta de planejamento ou capital. Isso pode acontecer com outros, assim como com si próprio. Porém, através de todos esses altos e baixos, conquistas e nervosos, é ne- cessário perceber que uma escolha diária deve ser mantida: permanecer motivado. Quando você abrir os olhos de manhã, comece o dia sem a bagagem do dia anterior. Erros foram cometidos, coisas deram errado: isso chama-se vida. A diferença entre ser um empreendedor bem suce- dido e um que tem maiores chances de falhar é o treino de uma mentali- dade sempre curiosa e progressiva. Retrocessos podem ser oportunida- des e falhas podem ser lições, tudo depende de como você os vê. Sendo assim, pense: quais são as suas motivações? Como você poderá empreen- der com produtos ou processos inovadores? O que te move, o que te impulsiona, o que te faz querer mais? Até agora buscamos trazer conteúdos mais próximos possíveis da nossa reali- dade, mas ainda não estava satisfeito, então consultei (via tecnologia) alguns gestores e inventores de Startups para saber deles algumas informações relevantes para nós no decorrer deste material. Para começar, busquei saber quais foram as motivações deles para a criação da empresa Startup dele, conheça-os bem como seus fatores motivadores: ENTREVISTADO QUAIS FORAM SUAS MOTIVAÇÕES PARA EMPREENDER COM UMA STARTUP? A Sempre gostei de empreender desde criança, acreditei na ideia e obtive ajuda de outras pessoas para formar meu time. B Proporcionar ao aluno um aprendizado mais eficiente, agradável e adaptado à rotina e as ferramentas mobile que os adolescentes estão acostumados. C As necessidades do mercado e as oportunidades emergen- tes em se tratando de startups, inovação e tecnologia. D Fui guiado pelo propósito de democratizar o acesso às energias limpas. Já estava testando ideias de negócios com energia solar, queríamos expandir a adoção de fontes limpas rumo a um futuro 100% sustentável. No entanto, pivotei do modelo de engenharia dos projetos para startup de créditos, onde fazemos a gestão dos clientes que ganham acesso aos créditos de energia limpa gerados em usinas renováveis. Quadro 9 - Motivações para empreender com uma startup Fonte: dados de entrevista realizada pelo autor. INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IU N I D A D E40 Em outro momento saberemos quais foram as ideias Startup de cada um desses respondentes, mas por agora percebemos que as suas motivações foram diversas, porém, conexas, cada qual com um tema, mas, sempre pensando num mercado que irá receber tais inovações. Espero que ao final desta disciplina você possa responder essas e tantas outras questões que vamos lançar. A palavra “pivot” tem sido bastante usada pela comunidade em- preendedora do Vale do Silício nos últimos anos, e os brasilei- ros costumam usar “pivotar” na tradução livre para o português. O significado de pivot para uma startup, apesar de simples de explicar, é uma tá- tica de negócios importante que pode definir se o projeto irá morrer ou crescer. Em quase todo tipo de motor, existe uma peça que gira em torno do próprio eixo – ela é normalmente chamada de pivô. Para uma star- tup, a analogia mais representativa é o jogador de basquete: ele ra- pidamente para a jogada, mantém uma das pernas fixas, observa e gira em torno do seu eixo para explorar diferentes opções de passe. Esse é o conceito do pivot em uma startup: girar em outra direção e testar novas hipóteses, mas mantendo sua base para não perder a posição já conquistada. Fonte: SEBRAE (2017, on-line)6. Inovar pode ter vários significados como: um novo produto; um novo pro- cesso de produção; uma nova aplicação; a produção de um dado produto a partir do uso de materiais mais baratos; a reorganização da produção, de funções internas ou da distribuição levando a um aumento de eficiência sob a forma de maior produtividade ou redução de custos; ou ainda uma melho- ria em instrumentos ou métodosno processo de inovação. Fonte: Coutinho (2004, p. 31). QUADRO RESUMO 41 1. A intensa disputa por novos mercados tem obrigado as empresas a desenvol- verem constantes estratégias que possam dinamizar seus processos internos. Iniciando os estudos, a partir das primeiras leituras sobre a inovação, podemos inferir que inovação é/está: I. um conjunto de processos estratégicos relacionados exclusivamente ao de- senvolvimento e renovação dos produtos II. um conjunto de processos estratégicos relacionados e as maneiras como as empresas executam ações de forma a obter vantagem competitiva III. relacionada à introdução de novidades, trata da renovação das coisas da empresa para aplicação no mercado. É correto o que se afirma em: a) I, apenas b) I e III, apenas. c) I e II apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 2. É comum escutarmos as pessoas usando o termo inovação das seguintes ma- neiras: «Preciso dar uma inovada na aparência» ou «Estamos precisando inovar para vender mais». Ou seja, utilizamos tal vocábulo quando queremos falar de mudança ou fazer algo diferente. Desta forma, responda quando a inovação acontece. I. A partir da introdução de produto no mercado ou quando o processo passa a ser operado pela empresa; II. A partir da implementação de produtos (bens ou serviços) ou processos tecnologicamente novos ou substancialmente aprimorados. III. A partir da implantação de um conjunto de melhorias na tecnologia e nos métodos ou maneiras de fazer as coisas. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I está correta. d) Apenas II está correta. e) I, II e III estão corretas. 42 3. A inovação pressupõe a iniciação ou entrada de alguns fatores no ambiente coorporativo, aponte quais são esses fatores, marcando verdadeiro (V) ou falso (F): ( ) a introdução de um novo produto ou novo método de produção. ( ) a abertura de um novo mercado ( ) a conquista de uma nova fonte de fornecimento de matéria ( ) a consumação de uma nova forma de organização de uma indústria Assinale a alternativa correta: a) V; V; F; V b) F; F; V; F c) V; F; V; V d) F; F; F; V e) V; V; V; V 4. Assim como o marketing, a inovação também tem um “mix” ou o chamado 4P’s. Quais são os “P’s” da INOVAÇÃO? a) Produto, preço, praça e promoção b) Produto, processo, Pessoas e Promoção c) Produto, posição, processo e paradigma d) Produto, paradigma, pessoas e posição e) Pessoas, processo, posição e paradigma. 5. Uma das forças que afetam a vida das pessoas é a tecnologia. A tecnologia gerou maravilhas e também horrores como a bomba atômica. Assim como al- guns benefícios duvidosos como o automóvel e o videogame (KOTLER, 2000). Qual a influência do ambiente tecnológico para a inovação? REFERÊNCIAS CARVALHAL, F.; LEÃO, A. L. e TEIXEIRA, R. M. Empreendedorismo jovem: perfil e motivações de empreendedores em Aracaju, Sergipe. RPCA – revista Pensamen- to Contemporâneo em Administração. Rio de Janeiro, v. 6, n. 4, p. 124-143, out./ dez., 2012. Disponível em: <.http://www.uff.br/pae/index.php/pca/article/viewFi- le/227/157>. Acesso em: 14 ago. 2017. COUTINHO, P. L. A. Estratégia tecnológica e gestão da Inovação: uma estrutura analítica voltada para os administradores de empresas. Tese (Doutorado) – Universi- dade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Escola de Química – EQ, Rio de Janeiro, 2004. DOLABELA, F. Empreendedorismo uma forma de ser: Saiba o que são empreen- dedores individuais e coletivos. Brasília: Agência de educação para o Desenvolvi- mento, 1999. DORNELAS, J. C. A. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2001. ______. Empreendedorismo: Transformando ideias em negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2008. DRUCKER, P. F. Inovação e Espírito Empreendedor: Prática e Princípios. São Paulo: Pioneira, 1987. FALCONE, T.; OSBORNE S. Entrepreneurship: a diverse concept in a diverse world. In: Ibero Academy, 2005, Lisbon. Anais... Lisbon, 2005, p. 8-11. LIMA, B.R. et al. (Orgs.). Global Entrepreneurship Monitor: Empreendedorismo no Brasil. 2016. Coordenação de Simara Maria de Souza Silveira Greco. Curitiba: IBQP, 2017. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/GEM%20Nacio- nal%20-%20web.pdf>. Acesso em: 9 maio 2018. GURGEL, M. F. Criatividade & inovação: uma proposta de gestão da criatividade para o desenvolvimento da inovação. 2006. 203 f. Dissertação (mestrado) - Universi- dade Federal do Rio de Janeiro, COPPE. Rio de Janeiro, 2006. Disponível em: <http:// inei.org.br/inovateca/dissertacoes/Criatividade%20e%20Inovacao%20-%20Mar- cus%20Gurgel%20-%20COPPE%202006.pdf>. Acesso em: 9 maio 2018. HISRICH, R. D.; PETERS, M. P. Empreendedorismo. Tradução de Lene Belon Ribeiro. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. HOOLEY, Graham J. Estratégia de marketing e posicionamento competitivo. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. KOTLER, P. Administração de Marketing. Tradução de Bazán Tecnologia e Linguís- tica. 10. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2000. REFERÊNCIAS 45 MACEDO, M. A. et al. A caracterização do design thinking como um modelo de ino- vação. Revista de Administração e Inovação, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 157-182, jul./set. 2015. Disponível em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/ S1809203916300961>. Acesso em: 9 maio 2018. MARTINHO, S. I. P. Empreendedorismo Feminino: Motivações, características e obstáculos das mulheres empreendedoras em Portugal. 2012. 58 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2012. Disponível em: <https:// ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/3059/1/disserta%C3%A7%C3%A3o_pdf. pdf>. Acesso em: 9 maio 2018. MARTINS, D. R. Processo de decisão e empreendedorismo: Um Estudo com Em- preendedores da Região Oeste de Santa Catarina. 2013. 97 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Administração) - Fundação Pedro Leopoldo, Pedro Leopoldo, 2013. Disponível em: <http://www.fpl.edu.br/2013/media/pdfs/mestrado/dissertacoes_2013/disserta- cao_daiana_ransan_martins_2013.pdf>. Acesso em: 9 maio de 2018. OLIVEIRA, D. P. R. Sistemas, organizações e métodos: uma abordagem gerencial. 13 ed. São Paulo: Atlas, 2004. PINHEIRO, I. R. Criatividade e gestão da inovação contínua em design: uma pro- posta metodológica. 2016. 222 f. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/172561/343745.pdf?se- quence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 9 maio 2018. PORTER, M. Estratégia Competitiva. 1 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1985. RIBAS, R. A motivação empreendedora e as teorias clássicas da motivação. Caderno de Administração. São Paulo, v.5, n.1, 2011. Disponível em: < https://revistas.pucsp. br/index.php/caadm/article/view/7781>. Acesso em: 9 maio 2018. STOECKICHT, I. P. Gestão estratégica do capital humano: avaliando o potencial de inovação de uma empresa: estudo de caso. 2005. 206 f. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2005. Disponível em: <http://inei.org.br/ inovateca/dissertacoes/Dissertacao%20-%20Gestao%20Capital%20Humano%20 e%20Inovacao%20-%20Profa.%20Ingrid%20Stoeckicht%20-%202005.pdf/view>. Acesso em: 9 maio 2018. VALE, G. M. V.; CORRÊA, V. S.; REIS, R. F. Motivações para o Empreendedorismo: Ne- cessidade Versus Oportunidade? RAC. Rio de Janeiro, v. 18, n. 3, p. 311-327, maio/ jun., 2014. Disponível em: < http://www1.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_ DSC_NOME_ARQUI20150126104858.pdf>. Acesso em: 14 ago. 2017. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <https://play.google.com/store/apps/details?id=com.ubercab&hl=pt>. Aces- so em: 8 maio 2018. 2 Em: <http://www.abde.org.br/uploads/210120131655555703.%20Apresenta%- C3%A7%C3%A3o%20conceitos%20inovacao.pdf>. Acesso em: 8 maio 2018. 3 Em: <https://psicoesamc.wordpress.com/2015/05/27/teoria-da-motivacao-de- -herzberg/>. Acesso em: 8 maio 2018. 4 Em: <http://www.mulheresempreendedoras.net.br/empreendedorismo-femini-no/>. Acesso em: 8 maio 2018. 5 Em: <https://br.smartbusinessplan.com/blog/como-ser-um-empreender-motiva- do/>. Acesso em: 9 maio 2018. 6 Em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/por-que-voce-deve- -pivotar-sua-startup,b5192bf060b93410VgnVCM1000003b74010aRCRD> Acesso em: 8 maio 2018. GABARITO 47 1. D. 2. E. 3. E. 4. C. 5. Novas tecnologias surgem a cada minuto e podem influenciar tanto processos internos das empresas, como também mercados e pessoas. Há situações em que a inovação depende de algum tipo de tecnologia para ser materializada, como por exemplo, software de lançamentos contábeis. A inovação acontece em em- presas que utilizam pesquisas e investem em tecnologia de ponta para produzi- rem produtos que facilitem a vida dos consumidores U N ID A D E II Professor Dr. Victor Vinicius Biazon PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender o que pode ser diferencial competitivo e estratégias de diferenciação com teoria e prática. ■ Aproximar-se de conceitos de planejamento e estratégia empresarial como itens importantes na criação e gestão de negócios inovadores. ■ Conhecer algumas opções de ferramentas a serem usadas de forma estratégica para a gestão do planejamento de negócios inovadores. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ A busca pelo diferencial competitivo ■ Planejamento e estratégia empresarial ■ Ferramentas de planejamento e gestão PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E50 A BUSCA PELO DIFERENCIAL COMPETITIVO destacar-se da concorrência é o objetivo de qualquer empresa que al- meja crescer. Para que isso se concretize, é primordial identificar um diferencial competitivo e, mais que isso, fazer o público-alvo reconhe- cê-lo. É aí que surge a necessidade de uma autoanálise a fim de encon- trar os atributos que tornam o negócio único (VIVO, 2015, on-line)1. Caro(a) aluno(a), esse é o momento de buscar se destacar, atrair atenção dos clientes, e mais, ser eleito pelos clientes como “o melhor”. Isso porque, conforme Vieira (2016) na atualidade é muito comum à abordagem de temas prementes e recorrentes quando se trata de gestão. Cada vez mais, as empresas estão diante de desafios, dificuldades, ameaças e oportunidades, com processos pelos quais nunca tiveram que passar. Complementando, Almeida et al. (2015) dizem que nos estudos da admi- nistração a inovação passou a ser considerada um tema estratégico dentro das organizações e apontada como fator determinante para a obtenção de vantagem competitiva perante seus concorrentes. A Busca Pelo Diferencial Competitivo R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 51 Diversas variáveis no âmbito econômico, mercadológico, entre outros, têm forçado as empresas e instituições a modernizarem suas técnicas de gestão para poderem sobreviver a um mercado de tantas inconstâncias. Logo, a manutenção desta competitividade depende em grande parte da capacidade da organização em se adequar às oscilações ambientais, e que estas adequações dependam da estratégia de atuação e da forma como a empresa é capaz absorver as informa- ções que a circundam e as inovações surgidas no ambiente. É claro que um gestor, ou melhor, uma pessoa comum que deseja se tor- nar empreendedor e/ou empresário vai, antes de tudo, buscar no mercado a circunstância conivente de atuar, oportunidades para desenvolver um produto disruptivo inovador para ganhar preferência do consumidor em um mercado cada vez mais competitivo, e também nos parece óbvio que buscará ter vanta- gem competitiva diante da concorrência. Para isso estratégias serão necessárias e antes disso, planejamento. Como eu sei que você está se perguntando o que é diferencial competitivo, vamos esclarecer da melhor maneira possível. Diferencial é algo que você faz bem, faz melhor, que te torna “superior” aos demais concorrentes. De repente na escola você era o primeiro a ser escolhido para o time de futebol, porque todos sabiam que você jogava bola como ninguém. Você tinha um diferencial em relação aos demais colegas. Ou você cantava melhor, ou tinha a letra mais bonita e sempre tinha certo destaque. No portal da VIVO (2015, on-line) encontrei ótimas explicações de como entender e encontrar seu diferencial. Eles entendem que o diferencial competitivo A inovação disruptiva dentro da área de tecnologia da informação pode ser de- finida de forma sucinta como a criação ou uma nova aplicação organizacional da informática e da comunicação digital, que propicia a ruptura de um merca- do, oferecendo novos produtos ou serviços que até não existiam. Fonte: Almeida et al. (2015). PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E52 de uma empresa está nos atributos que a diferenciam dos concorrentes no mer- cado, seja por ser superior ou então por oferecer algo que os demais não oferecem. Quando a marca possui essa característica, significa que será considerada única pelo cliente, em virtude do valor que oferece a ele. Isso é diferencial, e no mercado, quem é diferente “melhor” se destaca, tem preferência, é a primeira opção do cliente na hora de comprar. Por isso deve- mos ter em mente como estratégia a criação de algo que faça a diferença entre sua marca, produto, empresa e as demais. Abrindo um parêntese, devemos entender que estratégia é um meio para se atingir os objetivos de uma empresa, ou seja, o padrão de objetivos e princí- pios políticos para alcançá-los, expressos de maneira a definir em que negócio a empresa ou organização, independente da sua constituição societal, está ou deverá estar e o tipo de empresa que é ou deverá ser (CHANDLER, 1962, p. 52 apud VIEIRA, 2016, P. 38). Para encontrar o diferencial competitivo, você precisa distinguir alguma van- tagem que sua empresa oferece, como o bom atendimento ou o melhor preço, por exemplo. Tenha cuidado: para que essas características sejam um diferencial con- sistente, é necessário que os concorrentes não consigam chegar ao mesmo patamar. O estabelecimento destas estratégias é vital para a continuidade da empresa no mercado. O especialista Sergio Ricardo Rocha (2015, on-line)2, diz que o pro- duto e o serviço podem ser os mesmos dos concorrentes, mas é na oferta que se cria o diferencial competitivo. O segredo é buscar soluções que atendam as necessidades e desejos do seu público alvo. Para encontrar o diferencial competitivo é necessário fazer o que chamamos de autoanálise ou “olhar pra dentro”. Às vezes é difícil reconhecer características ou atributos nossos, e por isso se fizermos algumas perguntinhas sobre nosso negócio, podemos facilitar esse garimpo por diferenciais. Confira seis questões sobre as quais você deve refletir nessa hora, de acordo com Vivo (2015, on-line): 1. Por que os clientes compram da minha empresa, em vez de optarem pelos concorrentes? 2. O que torna a minha empresa única e superior à concorrência? A Busca Pelo Diferencial Competitivo R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 53 3. Existe algo que o meu negócio oferece no qual os clientes enxergam valor? 4. A empresa atende às necessidades dos clientes? 5. As qualidades da empresa geram benefícios concretos para o consumidor? 6. Meu diferencial pode ser facilmente copiado ou superado pelos concorrentes? A partir de suas próprias respostas será possível ter um norteadordo que ou como você tem destaque e de que forma trabalhar com esses atributos para ala- vancar ainda mais seu potencial competitivo. Neste sentido, vamos falar um pouco sobre diferencial em um mercado que a cada dia recebe mais empresas, o de vendas pela internet ou e-commerce. Pense assim: o que levaria a preferência dos meus clientes para a minha loja virtual se não tenho nada diferente para oferecer? Talvez você acredite que seu produto é ótimo, diferente, de qualidade, mas essas características podem não ser sufi- cientes. Devemos pensar aqui que além de descobrir nossos atributos positivos, temos também que pensar nas fragilidades dos nossos concorrentes e “atacar”. Estou fazendo um paralelo entre nosso conteúdo e o livro a arte da guerra, mas que serve muito bem para nosso assunto. É fato que as lojas on-line precisam ter diversidade na forma de pagamento, sistema logístico adequado e com prazos cada vez mais encurtados, e seria ótimo (para os clientes) se a entrega fosse grátis. Sendo assim como você poderia resol- ver essas questões? Seria muito bom também que sua loja fizesse algum tipo de contato com o cliente após a entrega do produto, saber de sua satisfação, ouvir suas opiniões e levar tudo em consideração. Querem um exemplo? Há tempos tive um aluno que tinha uma loja vir- tual, eu tinha contato com ele quase diariamente na faculdade e percebia que as camisas que ele usava eram muito bacanas, com estampas diferentes, até que eu perguntei a ele onde ele conseguia. Para minha surpresa, ele estava usando seus próprios produtos, me apresentou o site e eu gostei muito do que vi, mas o mais interessante foi que os preços não eram baixos, as camisetas eram lindas, com boa descrição de tamanho, tecido e no atendimento, a certeza da qualidade e a forma como o contato era feito de elevação dos atributos fizeram valer a pena o preço PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E54 que eu pagaria pelo produto e também o frete. Inclusive, após o recebimento do produto, foi feito contato, para enaltecer sempre a marca da empresa, a agilidade de sempre, e digo de verdade, sempre era estabelecida na conversação a “supe- rioridade” da marca, dos produtos e de outros quesitos. Resultado, virei freguês. Esse fato nos leva a perceber a importância de saber vender bem seu produto, sua loja, sua marca. Não adianta ter um diferencial competitivo se a empresa não sabe divulgá-lo. Afinal, a vantagem em oferecer algo único para o mercado é que os consumidores percebem o valor que isso tem e, consequentemente, optam pela marca. Lembre-se: quando o diferencial não é conhecido pelo público de interesse, suas vendas não aumentaram, e você pode até mesmo ficar atrás do concorrente (VIVO, 2015, on-line). De acordo com Kotler (2000) este conceito de Estratégia Empresarial está ligado ao Marketing. De forma geral, produto/serviço é tudo aquilo que ofere- cemos ao nosso cliente para atender e satisfazer suas necessidades (bens físicos – palpável / serviço – não podemos tocar). A diferenciação proporciona isolamento contra a rivalidade competitiva devido à lealdade dos consumidores com relação à marca e também à conse- quente menor sensibilidade ao preço. Para Kotler (2000), o conceito de diferenciação é o ato de relacionar um montante de diferenças significativas para distinguir o produto da empresa do produto do concorrente. Para que a estratégia de diferenciação do produto traga resultado satisfatório, a empresa deve contar com a excelência operacional, inti- midade com o consumidor (para conhecer suas reais necessidades) e a liderança em termos de produto. A estratégia de diferenciação procura diferenciar a oferta da empresa dos concorrentes através da criação de um diferencial competitivo, que pode ocorrer sob as formas de marcas e atendimento personalizado, dentre outras dimensões. Esta estratégia não considera grandes volumes e preço baixo. Ao contrário, a estratégia de diferenciação busca atender um número menor de clientes de uma forma mais personalizada, o que inviabiliza a conquista de grande participação de mercado. Desta forma, a empresa cria barreiras de entrada aos concorrentes em virtude da lealdade obtida dos consumidores. Além disso, o poder de bar- ganha dos compradores diminui à medida que os mesmos são menos sensíveis A Busca Pelo Diferencial Competitivo R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 55 ao preço e também por causa da escassez de alternativas que atendam às suas necessidades de forma satisfatória. Mesmo não ignorando a questão relativa ao preço baixo, a estratégia de diferenciação busca obter retornos acima da média, como modo de defender sua posição na indústria perante as forças competitivas. Em alguns tipos de negócio, para aumentar a satisfação do consumidor, o empresário poderá oferecer ao cliente além do produto/serviço um benefício adicional. Por exemplo: num salão de beleza, o produto/serviço é o corte de cabelo, mas o salão pode oferecer um ambiente climatizado, suco, torradinha, sobrancelha por conta da casa. Detalhes que cativam o cliente e farão a diferença entre a concorrência. Estas atitudes fazem a diferença, portanto chamada estratégia de diferenciação. INOVAÇÃO E VANTAGEM COMPETITIVA: APPLE Vamos acompanhar um exemplo tendo em vista as características técnicas de um produto: a Apple é uma das mais respeitadas e admiradas empresas do mundo, conhecida, sobretudo pela sua capacidade inovativa, tendo em seu portfólio uma grande variedade de produtos como o iPad, iPhone, Apple TV, MacBook, entre outros, cuja filosofia reside no fato de que se deve fazer algo “realmente grande” para que todo mundo queira usá-lo (ALMEIDA et al., 2015, p. 703). Figura 01- iTunes PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E56 Dentre os grandes feitos deste século está o lançamento em abril de 2003 do iTu- nes, que foi o primeiro serviço de música on-line legalizado, com acordos com as cinco maiores gravadoras. Este serviço apesar de inicialmente estar disponível apenas para usuários do Macintosh vendeu mais de um milhão de músicas até o final de sua primeira semana de funcionamento (CHAPMAN, HOSKISSON, CHRISTIAN, 2012 apud ALMEIDA et al., 2015). Este fato mudou toda a natureza da indústria da música e gerou para a Apple receitas provenientes de promo- ções no qual eram vendidos iPods, que se tratava de um dispositivo portátil de música, em que poderiam ser armazenadas as músicas baixadas via iTunes. Este fato permitiu que a Apple passasse a ser conhecida como uma empresa inova- dora e não apenas uma fabricante de computadores. Rocha (2015, on-line) fomenta a discussão questionando se a Apple não é tão diferente assim de seus concorrentes. A empresa traz produtos inovadores e logo em seguida os concorrentes se adaptam e apresentam alternativas parecidas. Por que as pessoas continuam comprando com a Apple? Mesmo tendo preços maiores? Porque a Apple se preocupa com suas ofertas. Ela vende o status, fazer parte de uma comunidade exclusiva de quem segue a Apple, todos juntos para mudar o mundo através da tecnologia. Sendo assim a lição que fica é que o foco tem que ser o cliente e não você, sua ideia, sua empresa ou sua previsão de lucro. O que vai te fazer diferente é atender, mais e/ou melhor, o seu cliente. O que fazer para vender em um mercado saturado e sem diferencial compe- titivo em relação aos concorrentes? Para ajudar e maximizar nossas ideias, Sergio Ricardo Rocha (2015, on-line) apresentatexto, dicas e vídeos sobre como criar e ter diferenciais competi- tivos. Por mais que os produtos sejam parecidos ou até mesmo iguais em diversas empresas e marcas, é na oferta que reside o destaque diferencial. Vale a pena ler e ver! Fonte: Rocha (2015, on-line). A Busca Pelo Diferencial Competitivo R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 57 Em um mercado de competição acirrada é necessário investir constantemente em inovação a fim de se manter competitivo, principalmente no que tange a ino- vação disruptiva (que rompe com o mercado tradicional) para fugir do risco de perder participação do mercado para outra empresa que ofereça esses diferen- ciais em produto/serviço. Usando o exemplo da Apple, com a criação da inovação como maior fonte de vantagem competitiva, podemos entender que o processo constante de lan- çamentos de produtos que provocaram disrupção no mercado, aliado a uma estratégia de marketing que trabalha fortemente com sua marca foi um dos fato- res preponderantes para que a empresa obtivesse uma vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes e com isto se tornasse uma das empresas mais valiosas do planeta (ALMEIDA et al., 2015). É preciso comparar o que a empresa tem a oferecer com os concorrentes. A dica é procurar pelo diferencial sem denegrir os demais, afinal, o objetivo não é dizer que as outras marcas são ruins, mas sim que você é a melhor escolha. Não se esqueça de explicar o porquê disso (VIVO, 2015, on-line). PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E58 PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA EMPRESARIAL Dando continuidade ao nosso pensamento de desenvolvimento de soluções ino- vadoras a partir do empreendedorismo, da identificação de oportunidades de mercado para tornar mais cômodo a vida dos clientes e da sociedade como um todo, devemos pensar então que a gestão, a administração da empresa indepen- dente do seu tamanho deve ser pensada de forma estratégica desde sua concepção. Para que possamos proporcionar soluções devemos realizar alguns exercí- cios relacionados às teorias da administração, mas não se preocupe com a palavra “teoria”, o resultado final dessa nossa conversa é algo que estará perfeitamente ligado ao seu cotidiano como empreendedor. Devemos sempre planejar nossas ações, nossa empresa, nossos passos, e claro, como num jogo de xadrez, pensar antecipadamente a nossa jogada. Planejamento e Estratégia Empresarial R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 59 A estratégia tornou-se um tema de grande relevância para as organizações. São muitos os estudiosos que apresentam modelos e teorias diversas sobre a contribuição do pensamento estratégico para a sociedade e as empresas como vantagem competitiva na disputa acirrada de poder e de mercado. Conforme o dicionário Aurélio, estratégia é a arte de aplicar os meios disponí- veis ou explorar condições favoráveis com vistas a objetivos específicos. A estratégia se caracteriza “pela composição de planos e objetivos traçados com uma finalidade premeditada para que a organização atinja os resultados convencionados, comu- nicados e formalizados” (CAVALCANTI, 2001, apud COUTINHO, 2004, p. 15). Estratégia competitiva é o conjunto de ações de uma empresa para criar uma posição sustentável no mercado, enfrentar as forças competitivas e obter retorno sobre o capital investido. Fora do contexto militar, a palavra estratégia é de uso corrente e indica uma forma de enfrentar um problema ou uma forma de realizar ou uma forma de realizar objetivos. A ideia de estratégia está presente em qualquer situação que envolva a definição de objetivos e a escolha dos meios para realizá-los. Por exemplo: estratégia de combate a uma epi- demia, estratégia de uma instituição filantrópica, estratégia para atrair clientes, estratégia de ensino de um curso e estratégia de governo (MA- XIMIANO, 2008, p. 133). A administração estratégica refere-se a algo abrangente, visto que envolve todas as técnicas que as empresas têm disponíveis para formar planos estratégicos de metas futuras. É [...] um processo contínuo de determinação da missão e objetivos da empresa no contexto de seu ambiente externo e de seus pontos fortes e fracos internos, formulação de estratégias apropriadas, implementação dessas estratégias e execução do controle para assegurar que as estraté- gias organizacionais sejam bem-sucedidas quanto ao alcance dos obje- tivos (WRIGHT, KROLL E PARNELL, 2000, p.45). Isso inclui as missões a serem alcançadas pelas organizações, para assegurar que os resultados desejados sejam efetivamente alcançados da melhor maneira possível. Ainda quanto à definição de administração estratégica, Alday (2000) a des- creve como um conjunto contínuo e interativo de atos que visam manter uma empresa integrada ao seu ambiente. Esses atos dispõem-se em etapas, formando PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E60 um verdadeiro processo estratégico para a empresa. Dessa forma, as cinco eta- pas compreendem: ■ execução da análise do ambiente; ■ estabelecimento de uma diretriz organizacional; ■ formulação de uma estratégia organizacional; ■ implementação da estratégia organizacional; ■ controle estratégico. O Planejamento estratégico busca exercer influência em relação às variáveis internas e externas e os fatores dos ambientes em situações futuras. Como você enxerga essas influências ao elaborar soluções? O planejamento se refere a “um processo desenvolvido para o alcance de uma situação desejada de um modo mais eficiente e efetivo, com a melhor concen- tração de esforços e recursos pela empresa” (OLIVEIRA, 2014, p.4). O planejamento estratégico deve possibilitar que a organização tome deci- sões presentes em função dos objetivos a serem alcançados no futuro, de modo que as incertezas possam ser reduzidas, aplicando providências que sejam, ao mesmo tempo, eficientes e eficazes. Para chegarmos à definição de administração estratégica, consideramos importante que você saiba que a administração de uma organização subdivide- -se em três níveis: estratégico, administrativo e operacional. Planejamento e Estratégia Empresarial R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 61 Planejamento Estratégico Diz respeito ao nível institucional da organização. Os objetivos, nesse caso, são gerais e de longo prazo. As ações são de responsabilidade do pre- sidente, do vice-presidente ou dos diretores, ou seja, da alta administração. Planejamento Tático Corresponde aos líderes que ocupam o nível tático da organização, isto é, ao nível interme- diário (diretores ou gerentes), proporcionando uma ligação entre os objetivos estratégicos e a execução operacional, com foco no médio prazo. Planejamento Operacional Envolve os líderes do nível operacional ou infe- rior (supervisores ou coordenadores), tem foco no curto prazo, ficando sob a responsabilidade dos chefes de departamentos. Para clarear ainda mais o entendimento, vamos à figura que nos mostra a divi- são destas modalidades: Quadro 1 - Tipos de planejamento Fonte: Djalma de Pinho Rebouças de Oliveira. Figura 02 - Etapas do planejamento estratégico Fonte: Adaptado de Mattes (2015, on-line)3. PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al eLei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E62 Mattes (2015, on-line) diz ainda que o planejamento estratégico é o início de tudo. Nele, sócios, diretores e presidência buscam responder às perguntas por que e quando, traçando planos abrangentes e de longo prazo. Os planos táticos e operacionais são desdobramentos do planejamento estratégico, e estabelecem ações e metas mais claras, de médio ou curto prazo, específicas e, principal- mente, mensuráveis. Vieira (2016) apresenta alguns dos requisitos básicos para um bom plane- jamento estratégico, conforme figura 03: Planejamento Estratégico Ter sinergia entre líderes, liderados e suas equipes Conhecer-se bem, seus pontos fortes e fracos (ambiente interno) Fazer uso de novas tecnologias Antecipar as tendências do mercado em que atua Conhecer bem seus principais concorrentes, suas ameaças e opor- tunidades (ambi- ente externo) Descobrir o que os concorrentes valorizam e quais são suas estraté- gias Figura 03 - Exigências de um bom Planejamento Estratégico Fonte: Vieira (2016, p. 43). O autor complementa dizendo que são diversas as exigências que o gestor pre- cisa checar para o desenvolvimento do seu planejamento estratégico. Confira no quadro: Planejamento e Estratégia Empresarial R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 63 Conhecer bem, seus pontos fortes e fracos – as organizações precisam fazer bom uso das vantagens competitivas que possuem e fazer as mudanças necessárias para corrigir possíveis falhas; Conhecer bem seus principais concorrentes, suas ameaças e oportunidades – é importante para os gestores das organizações conhecerem bem os seus concor- rentes (produtos/serviços e estratégias), bem como as ameaças que oferecem a manutenção de seus mercados, verificando também quais as oportunidades que podem ser oferecidas com esses dados obtidos por meio de pesquisas sérias. Todas as informações aqui obtidas serão de grande utilidade para a manutenção ou aumento de sua participação de mercado; Descobrir o que os concorrentes valorizam e quais são suas estratégias – saber o que os concorrentes valorizam na hora de oferecer produtos e serviços. Tem um serviço de pós-venda eficiente? O que estão oferecendo em termos de valor para os seus clientes? Quais os cuidados que têm com os produtos e serviços oferecidos? Essas informações serão de grande ajuda para a correção de planos estratégicos; Antecipar as tendências dos mercados em que atua – hoje em dia, ter a capaci- dade de antecipar as tendências de mercado é um aspecto que muitos segmen- tos não têm dado a devida atenção. Ao antecipar novas tendências, aplicações para produtos/serviços e expectativas dos consumidores, as organizações colocam-se em uma posição privilegiada em relação aos seus concorrentes e, fazendo isso, sairá à frente de sua concorrência; Fazer uso de novas tecnologias – algumas empresas do passado como Olivetti®, Kodak®, Fuji® entre outras, ficaram de certa forma, na contramão da história, pois não acreditaram que o computador, ou a câmera digital, iriam vingar, com isso não investiram o que deveriam em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) de novos produtos e serviços para saírem na frente de sua concorrência, antecipando e sendo pioneiros nessas novas tecnologias. Vale apontar que o mercado atual é muito exigente e demanda por tecnologias inovadoras; O gestor precisa ter sinergia entre líderes, liderados e suas equipes. Quadro 2: Exigências do planejamento estratégico Fonte: adaptado de Vieira (2016, p. 44-45). PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E64 Esse tipo de planejamento vai definir os objetivos e direções que a empresa irá traçar, a partir de suas ações passadas e presentes. E também temos que saber como fazer, como organizar, como hierarquizar nosso planejamento, certo? No próximo tópico vamos esquematizar as etapas desse planejamento. PROCESSO DE FORMAÇÃO DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO A formação do planejamento estratégico é um processo longo e constituído por várias etapas. Muitos estudiosos apresentam os conceitos relacionados a esse tipo de planejamento, mas divergem quanto à classificação. No caso da figura 04, conforme Mattes (2015, on-line), as quatro primei- ras etapas costumam ser permanentes, pois englobam a definição do negócio, da missão, da visão e os princípios da empresa. A definição da missão consiste na razão de ser da entidade, delimita sua atuação. A questão chave para a mis- são é: por quê? A visão é um desafio e esboça como atingir este objetivo traçado. A questão chave é: o que? Por último, os princípios, são valores que servem de balizamento para o processo decisório e para o comportamento da empresa no cumprimento de sua missão. A pergunta que auxilia nesta definição é: a que fato- res atribuímos o sucesso de nossa empresa? SS WW OO TT NEGÓCIO MISSÃO VISÃO PRICÍPIOS PDCA ESTRATÉGIA OBJETIVOS ANÁLISE AMBIENTE P E R M A N E N T E S M U TÁ V E IS ETAPAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Figura 04 - Etapas do planejamento estratégico Fonte: adaptado de Mattes (2015, on-line). Planejamento e Estratégia Empresarial R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 65 Para facilitar seu entendimento e até mesmo te auxiliar na sua atividade prática como gestor ao desenvolver negócios inovadores, mesmo sabendo das diversas for- mas de apresentar, estruturar o planejamento, vou tomar como referência Tavares (2005) que aborda em etapas como podemos construir nosso planejamento: Etapa I - delimitação do negócio, formulação da visão, da missão e do inventário das competências distintas: consiste em estabelecer as diretrizes que a empresa busca seguir a partir da elaboração do planejamento estratégico. É o momento de formular a visão, de assentar a missão da empresa e de estabelecer as competências distintivas que estão relacionadas à interação das competências com as habilidades que uma empresa deve sempre manter e desenvolver, para tornar-se cada vez mais competitiva em seu segmento de negócio. Etapa II - análise macro ambiental: é o exame minucioso dos fatores posi- tivos e negativos que possam intervir nos negócios, facilitando ou prejudicando o desenvolvimento da empresa. Trata-se da análise das oportunidades e das ame- aças relacionadas à organização. Etapa III - análise dos públicos relevantes, do ambiente competitivo e dos tipos de relacionamentos da organização: ao se investigar os públicos relevan- tes, ou seja, para quem se destina o trabalho desenvolvido pela empresa, verifica-se também o mercado concorrente da organização, a fim de se estabelecerem meios para conquistar o mercado consumidor. Os tipos de relacionamentos, por sua vez, referem-se à convivência da organização com as concorrentes dentro do mercado. Etapa IV - análise do ambiente interno: uma apuração total da empresa: o seu espaço interior, suas secretarias, áreas diretivas, técnicas e sociais, incluindo toda análise dos recursos tangíveis e intangíveis da organização, além da verifi- cação dos pontos fortes e fracos. Etapa V - valores e políticas: os valores são as opiniões adotadas como convicção pela empresa. Tratam-se das questões éticas, dos valores morais e dos princípios ideais da conduta humana, que devem ser observados no exercício de uma profissão ou ofício. As políticas, por sua vez, são definidas, de forma sintética, por Fischmann e Almeida (1991, p. 25), como “regras de decisão repetitivas com base na estra- tégia estabelecida”. Em outras palavras, essas políticas criam preceitos nos quais a organização seembasará no momento de colocar em prática suas atividades. PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E68 São métricas e parâmetros que iremos acompanhar para saber quando e se alcança- mos o que foi estabelecido. Por exemplo: a meta é vender 10.000 unidades do produto no mês. Essa quantidade é uma forma concreta de acompanharmos a execução. Etapa X - formulação de um sistema de gerenciamento de responsabili- dades: serão atribuídas responsabilidades para todos os níveis da empresa, para que ocorra a efetiva implantação do processo estratégico. Cada um terá uma ação para realizar, conforme definido pelo plano estabelecido no planejamento estratégico, a fim de alcançar todos os objetivos propostos. Etapa XI - a implantação: Na teoria, não se trata de algo complexo, pois é, basicamente, a hora de expor todas as técnicas estudadas durante o processo estratégico. Na prática, consiste no fato de cada agente organizacional executar as ações de sua responsabilidade, a fim de conquistar as metas e os objetivos tra- çados pela empresa. Essas ações devem ser executadas de acordo com o prazo estabelecido no planejamento estratégico. No instante da implantação do planejamento estratégico, todos que exe- cutam esse planejamento devem estar atentos ao real objetivo de sua criação e voltar sempre ao processo que o originou. Assim, não haverá desvios de finali- dade e a busca pela meta traçada se concretizará. Cabe aqui salientar, conforme Vieira (2016, p. 49) que “o planejamento estratégico abre um leque de opções e oportunidades na promoção de um dire- cionamento ou redirecionamento das estratégias organizacionais”, auxiliando-as no atendimento das expectativas e novas tendências de seus clientes e merca- dos de atuação. Ferramentas de Planejamento e Gestão R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 69 FERRAMENTAS DE PLANEJAMENTO E GESTÃO Pensando agora em te auxiliar na organização do seu próprio planejamento, vamos apresentar uma técnica que funciona como uma espécie de checklist do que você precisa fazer para se organizar para o desdobramento dos seus proje- tos ou da resolução de uma possível “situação problema”. FERRAMENTA 5W2H Meireles (2001) apresenta o 5W2H, que são perguntas que devem ser realizadas antes de qualquer tomada de decisão. A técnica 5W2H te ajuda a mapear as ativi- dades é como se você fosse um médico vai diagnosticar a real situação, logo poderá determinar o que será feito, quem fará o que foi determinado, em qual período de tempo, em qual área da empresa e todos os motivos pelos quais essa atividade deve ser realizada. Com essa ferramenta também poderemos elencar como essas atividades serão feitas além de quanto custará ao caixa da empresa tal processo. PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E70 Segundo Meireles (2001), essa ferramenta é extremamente útil, uma vez que eli- mina por completo qualquer dúvida que possa surgir em relação a um processo administrativo ou a uma atividade. Tendo em vista que um erro na transmissão de informações pode acarretar diversos prejuízos à empresa, por isso é necessá- rio que todos estejam atentos às questões decisivas. Você deve estar se perguntando, o que significa essas siglas, não é mesmo? O significado de 5W2H está relacionado às “ordens” que cada sigla apresenta, na língua inglesa, mas nós conseguimos entender sem problemas, veja: » What? – O que será feito? » Why? – Por que será feito? Qual é a justificativa? » Where? – Onde será desenvolvida a atividade? Qual será o local? 5W2H O QUÊ (what?) ONDE (where) PORQUE (why) QUANDO (when) QUEM (who) COMO (how) QUANTO (how much) Figura 05 - Esquema 5W2H Fonte: adaptado de Paula (2015, on-line)4. Ferramentas de Planejamento e Gestão R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 71 » When? – Quando? Qual será o tempo de realização da atividade? » Who? – Para quem se destinará a atividade? » How? – Como será realizada a atividade? Quais são as etapas? » How much? – Quanto custará para a empresa essa atividade? A ferramenta é uma metodologia cuja base é as respostas para estas sete pergun- tas essenciais. Com estas respostas em mãos, você terá um mapa de atividades que vai te ajudar a seguir todos os passos relativos a um projeto, de forma a tor- nar a execução muito mais clara e efetiva. O 5W2H em muito auxilia na execução e, sobretudo no controle das tarefas da sua empresa, o que pode significar uma tremenda economia de tempo e recursos – afinal, quando bem implementado, as dúvidas dão lugar à produtividade. Porque tudo ficará muito mais claro e a atribuição de atividades de cada colaborador será imediatamente beneficiada. Ou seja: os envolvidos em um projeto específico saberão exatamente o que fazer, quando, onde, de que forma, etc. E o resultado, além da economia de que já falamos, é uma sinergia que, hoje em dia, pode ser um importante diferencial estratégico para o seu negócio (ENDEAVOR, 2017, on-line)5. Para facilitar seu exercício o site da Endeavor, disponibiliza gratuitamente a planilha com algumas observações para que você possa preencher essas perguntinhas e estruturar seu planejamento. Fonte: Endeavor (2017, on-line). Essa ferramenta pode ser utilizada como um plano de ação, no qual se definem as ações e as responsabilidades de cada indivíduo perante uma situação problemática. Antes que você me pergunte “como aplico o 5W2H em meu dia a dia?” vamos lá. De acordo com a Endeavor (2017, on-line), você precisa ter muita clareza a respeito da atividade a que vai aplicar a ferramenta. Tomemos, como exemplo, a contratação de um novo gerente de marketing. O primeiro passo é PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E72 responder a todas as perguntas relativas a este processo – aquelas que menciona- mos acima – da forma mais clara e objetiva possível: o que? Contratação de um novo profissional; por que ou para quê? Gerenciar a área de marketing; Onde? Na matriz. E por aí vai. Depois de fazer tudo isso, basta elaborar uma tabela bastante explicativa sobre o que foi planejado. Ah, um detalhe importante: se houver diferentes departa- mentos envolvidos, é preciso distribuir exatamente as tarefas de acordo com as respostas relativas a cada área. Veja aqui um exemplo da tabela preenchida: WHAT WHY WHERE WHEN WHO HOW HOW MUCH Criação de um novo website Aumentar a geração de oportunida- des comer- ciais Online De 01/11/2015 a 10/11/2015 Pedro Campos Contratação de Agência Especiali- zada R$ 4.500,00 Capacitação da equipe de atendi- mento Reduzir o número de reclamações dos clientes Campinas 10/11/2015 Equipe de Aten- dimento Treinamen- to In-Com- pany R$ 9.000,00 Implanta- ção de um sistema de Gestão Or- çamentária Melhorar a previsibi- lidade de resultados e reduzir riscos futuros Online De 05/11/2015 a 10/11/2015 Camila Campos Contratação de solução online espe- cializada R$ 399,00 mensais Quadro 3 - Modelo de exemplo da ferramenta 5w2h Fonte: adaptado de Paula (2015, on-line). Em suma, você vai perceber que a aplicação não é nada difícil – o mais trabalhoso talvez seja, neste caso, formular as soluções exatas para cada uma das questões. Você perceberá que, com isso, os processos ficarão muitomais ágeis e você e seu time poderão tomar decisões mais embasadas. Ferramentas de Planejamento e Gestão R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 73 ANÁLISE SWOT Já que estamos falando em ferramentas como forma de colocar em prática nosso planejamento estratégico para correr o mínimo de riscos possíveis com nosso negócio inovador, vou trazer aqui para que você possa considerar para uso outro “esquema”, outra sigla que facilmente nos ajuda a melhorar em nossas ações. Trata-se da análise swot. De acordo com Wright, Kroll e Parnell (2000), a sigla S.W.O.T. é a junção de quatro palavras em inglês: strenghts – pontos fortes weaknesses – pontos fracos opportunities – oportunidades threats – ameaças. É um método de avaliação dos ambientes interno e externo da empresa, que cui- dará dos pontos fortes e fracos e das ameaças e oportunidades de uma organização. Em suma, trata-se da análise de cenários que se dividem em ambiente interno (forças e fraquezas) e ambiente externo (oportunidades e ameaças). No ambiente interno, avaliam-se, por exemplo, a integração dos processos, a padronização dos processos, a eliminação de redundância e o foco na atividade principal. No ambiente externo, observam-se, entre outros aspectos, a confiabilidade e a confiança nos dados, a informação imediata de apoio à gestão e à decisão estratégica e a redução de erros. O 5W2H como ferramenta fundamental de Planejamento Estratégico e Or- çamentário: os planos de ações são fundamentais para colocar em prática os objetivos e metas estabelecidos no processo de Planejamento Estratégi- co e Orçamentário. Baixe gratuitamente o livro e divirta-se aprendendo Fonte: e-book - Planejamento Estratégico e Orçamentário sem complicações, [2018], on-line)6. PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E74 Análise interna - PONTOS FORTES E FRACOS: são características positivas e negativas que favorecem ou prejudicam o cumprimento do propósito da institui- ção. Ele menciona também a existência dos pontos que devem ser melhorados, os quais são característicos nas instituições, mas não em nível ou grau suficien- tes para contribuir, efetivamente, com o cumprimento do propósito da empresa. Análise externa - AMEAÇAS E OPORTUNIDADES: as oportunidades são condições favoráveis, não controláveis, que o ambiente externo propicia. Apesar disso, cabe à empresa analisar as condições e/ou o interesse de usufruir dessas oportunidades. Logo, as ameaças são as condições desfavoráveis para a empresa. A realização de uma análise externa e interna da empresa permite que a orga- nização verifique, profundamente, quais são suas fraquezas e fortalezas, além de possibilitar que se tenha noção a respeito das ameaças e das oportunidades do ambiente externo. Desse modo, a análise interna permite identificar os pontos fortes e os fracos de uma empresa. Os pontos fracos, segundo Oliveira (2014), representam aspectos controláveis, por isso, devem ser movidos esforços para identificar a solução, sem que esse ponto fraco possa criar sérios problemas para a empresa. Os pontos fortes, por sua vez, também são controláveis e propiciam uma condição favorável para a empresa. Forças • O que é que faz bem? • Que recursos únicos pode aprovei- tar? • O que é que os outros vêem como suas forças? Oportunidades • Que oportunidades tem disponíveis? • Que tendências/novidades você pode aproveitar? • Como pode transformar as suas forças em oportunidades? Fraquezas • O que é que pode melhorar? • Onde é que tem menos recursos que os outros? • O que é que os outros vêem como as suas prováveis fraquezas? Ameaças • Que ameaças podem prejudicá-lo? • O que é que a sua competição anda a fazer? • As suas fraquezas expõem-no a que possíveis ameaças? Figura 06 - Modelo Análise SWOT Fonte: Agarre seu Sucesso ([2018], on-line)7. Ferramentas de Planejamento e Gestão R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 75 CICLO PDCA O ciclo PDCA é também conhecido como Ciclo de Shewhart. Trata-se de uma “ferramenta de gestão que tem como foco principal a melhoria contínua” e é muito utilizada pelas organizações do mundo afora, haja vista que nada mais é do que “uma metodologia que tem como função básica o auxílio no diagnós- tico, análise e prognóstico de problemas organizacionais, sendo extremamente útil para a solução de problemas” (PINOTTI; GUTH, 2014, p. 2 apud VIEIRA 2016, p. 2016, p. 69). A sigla PDCA vem do Inglês plan, do, check e act, que em português signi- fica: planejar, fazer, conferir e agir, cada uma das “fases” implica em atividades que os gestores de negócios inovadores podem se pautar para planejar e acom- panhar seus empreendimentos. As variações externas são classificadas por Costa (2007) como tendências e descontinuidades. Nesse caso, as tendências são variações, lentas ou rápidas, que podem afetar, de forma leve ou profunda, os negócios ou atividades da institui- ção. Já as descontinuidades, por sua vez, são mudanças significativas que podem ocorrer em espaço de tempo muito curto, podendo causar impactos positivos e\ ou negativos sobre as atividades da organização. Matriz SWOT é um verdadeiro clássico da administração estratégica. Base- ada em um conceito simples, quase intuitivo, ela permite montar de forma esquemática uma tabela de quatro quadrantes onde devemos listar as for- ças e fraquezas, as ameaças e oportunidades que podem se abater sobre uma empresa. Feito isso, o estrategista deve determinar como cada uma das forças podem alavancar oportunidades ou proteger de ameaças. E, da mes- ma forma, como e quais as fraquezas devem ser reparadas para que opor- tunidades não sejam desperdiçadas ou ameaças afetam dramaticamente os resultados da empresa. Fonte: adaptado de Organização Agarre seu Sucesso ([2018], on-line). PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E76 Figura 07 - Ciclo PDCA P = Plan (planejar): a palavra já diz “planejar”. Aqui, definem-se os planos de ações, metas e métodos que permitirão às organi- zações a atingir as metas propostas. Define-se o que fazer e como fazer para pôr em prática e identificar os processos que estão deficientes e que impedem a organização de atingir suas metas de modo que a organização seja eficaz e efetiva. D = Do (fazer, executar): nesta etapa, é necessário capacitar os colaboradores e colocar em prática, implementar o que foi estabele- cido pelo nível estratégico e no plano de ação. Entre outras palavras, consiste em educar, treinar, executar o que foi planejado e coletar dados. Ferramentas de Planejamento e Gestão R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 77 C = Check (conferir, avaliar, monitorar, verificar): após realizar o planejamento e colocar em prática o que foi estipulado pelos seus gestores, nessa etapa, vem a checagem e avaliação dos processos realiza- dos e os resultados obtidos por meio de relatórios. Aqui a “diferença entre o desejável (planejado) e o resultado real alcançado constitui um problema a ser resolvido.” A = Act (agir, melhorar): após terem sido verificados e avaliados os resulta- dos que constaram nos relatórios, vem a tomada de ações, decisões e providências para sanar os problemas identificados e caso for necessário, criar novas formas, novos planos, novas estratégias para corrigir processos que de repente não estejam deacordo com os planos. Quadro 4 - Etapas do ciclo PDCA Fonte: adaptado de Vieira (2016, p. 70-71). Não preciso ser repetitivo para enfatizar a importância de ações de planejamento a todos seja em sua vida pessoal e claro, também na profissional, afinal para que vamos correr riscos desnecessários? Então devemos ter em mente a necessidade de usar técnicas para programar nossas rotinas e então fazer alavancar nossos negócios inovadores. ESTRATÉGIA DE BENCHMARKING Uma estratégia de inovação que pode ser aplicada ao mundo corporativo é o benchmarking. Muitos pensam que essa prática é apenas usada pelos que não tem competência de criar as próprias coisas, isso pode até ser verdade sob certo aspecto, mas também requer inteligência e competência por parte dos gesto- res para observar estratégias de terceiros e perceber que determinadas práticas podem ser empregadas com as adaptações em sua empresa. De acordo com Biazon (2015) o conceito e prática do Benchmarking estão ligados a um processo de observação, análise, comparação, aprendizagem e PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIU N I D A D E78 adaptação. Muitas empresas podem, ao observar o mercado se deparar com práti- cas de sucesso em produtos, serviços, performance e acreditar que tais estratégias podem ser trazidas para sua realidade com a devida adaptação. O termo surgiu em meados da década de 1980 quando a empresa Xerox cunhou o termo. Há quem diga que a prática exista desde os primórdios da revolução industrial. Biazon (2015) diz ainda que não se pode confundir espionagem, roubo de propriedade com benchmarking. A prática de observação e adaptação é mais do que inteligente. Somente “bons olhos” são capazes de enxergar uma boa opor- tunidade de agir comparando suas ações com as ações vigentes no mercado. Antiético seria usar de meios “duvidosos” para conseguir informações privile- giadas, mas a sadia competição pode e deve ser praticada. Em vias gerais, foi originado da necessidade do mercado cada vez mais con- corrido de desenvolver ações e tomar decisões de forma rápida e cada vez mais empresas e até mesmo pessoas utilizam esta estratégia para melhorar seus pro- cessos criativos e desenvolverem novas ideias. Aquela máxima de que “nada se cria, tudo se copia” faz parte deste mundo corporativo, mas não se trata apenas de uma simples cópia, é necessária a adap- tação para realidades e segmentos específicos. Muitas vezes é mais fácil e barato observar o que o concorrente está fazendo e que está gerando bons resultados e seguir na mesma linha. O interessante é que essa observação e apropriação adaptada permite a você fazer melhor do que a ideia original, tendo em vista que poderá ajustar o que não foi tão bom e gerar uma vantagem ainda maior. Muitas empresas trabalham com equipes especializadas em análise de mer- cado, o velho conhecido ambiente interno e externo, ou forças micro e macro ambientais, swot são excelentes formas de se perceber o que acontece a sua volta. O exercício de adaptação será mais fácil desde que os gestores conheçam muito bem suas capacidades produtivas, financeiras e até onde podem chegar. Nem tudo que meu concorrente faz eu posso fazer. Ferramentas de Planejamento e Gestão R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 79 É fundamental realizar uma análise swot relacionada às ações de inovação da concorrência; fazer um benchmarking de suas atividades na área de inovação; determinar quais são as estratégias voltadas para a inovação que estão sendo ado- tadas e a maneira como as programam; e identificar seus sucessos, isto é, quais produtos, serviços ou processos novos resultaram do processo de inovação do con- corrente. Uma análise dos possíveis subprodutos deve também ser realizada. Sinais de rápidos avanços tecnológicos devem ser igualmente monitorados. A empresa deverá, então, realizar uma análise das informações obtidas para identificar quais os pontos fracos existentes nas estratégias de inovação da concorrência e verifi- car de que forma pode obter vantagem competitiva (STOECKICHT, 2005, p. 46). Questionado sobre por que uma parcela de empresários ainda resiste em falar abertamente que recorrem ao benchmarking, Biazon (2015) responde que isso se deve ao fato de não quererem passar atestado de “não criativos” ou mesmo ser acusados de falta de competência para criar as próprias ações estra- tégicas. Eu julgo um exercício muito saudável buscar inspiração, buscar novas fontes para criar ou recriar. A roda já foi inventada a milênios, mas já reparou na variedade de rodas que o mercado de hoje oferece? Uma criação leva a outra e esse processo de inovar a partir de uma prática existente é saudável, desde que não lhe transforme em um gestor incapaz de pensar e que só consiga recorrer ao que os outros fazem, mas isso, o mercado mesmo seleciona. Planejamento é um instrumento que busca traçar os objetivos a serem al- cançados por uma organização. Trata-se de um processo ativo e dinâmico, que tende a moldar-se a partir da linha de ideias, das estratégias traçadas pelos executivos, para que, após analisadas e solidificadas, tornem-se as me- tas a serem seguidas por toda empresa. Fonte: o autor. QUADRO RESUMO 80 1. Tendo como base as questões que norteiam o planejamento estratégico, assi- nale a alternativa correta. a) É um processo contínuo em que as decisões a serem tomadas, no curso das atividades administrativas, ocorrerem antes, durante e depois da elabora- ção e da implementação do planejamento na empresa. b) Planejar significa agir antes mesmo de pensar. Deve-se pensar no método somente depois de tomadas as decisões necessárias para a busca e o alcan- ce dos objetivos delineados. c) O processo de planejar processos organizacionais envolve somente o se- guinte questionamento: por quê? Nesse sentido, outros questionamentos como “o que fazer?” ou “como?” apenas provocariam a perda de tempo du- rante a resolução dos problemas. d) Na prática da administração estratégica, para o desenvolvimento da técnica de indagar, os especialistas dessa área de estudo utilizam a análise SWOT e) Para o desenvolvimento da técnica de indagar, os especialistas farão per- guntas que serão realizadas depois das tomadas de decisões, ou seja, após obtidos os resultados das ações tomadas pelos executivos. 2. Considerando as fraquezas e as fortalezas que uma organização pode apresen- tar, assinale a alternativa correta. a) A análise interna de uma empresa permite identificar apenas seus pontos fortes, já que os pontos fracos são consequência das variáveis externas da empresa. b) Os pontos fracos representam aspectos incontroláveis, sendo, por isso, mui- tas vezes, impossíveis de serem solucionados. c) Os pontos fortes e fracos são características positivas e negativas que po- dem favorecer ou prejudicar o cumprimento do propósito da organização. d) Os pontos fortes são incontroláveis, propiciando, muitas vezes, uma condi- ção de conforto para a empresa, mas, sobretudo, de risco quando envolvem a necessidade de manutenção desses pontos. e) Existem também os pontos a melhorar, característicos nas organizações, os quais apresentam nível ou grau suficientes para contribuir, efetivamente, para o cumprimento do propósito da empresa. 3. A formação do planejamento estratégico é um processo longo, composto por várias etapas. De acordo com Tavares (2005), a formação desse planejamento divide-se em onze fases. Tendo como referência a fase do desenvolvimento e da formulação de estratégias, assinale a alternativa correta. 81 a) O sucesso do planejamento acontece quando os gerentes transmitem a ideia de mudança apenas para os cargos de comando, para que, dessafor- ma, mantenha-se o sigilo e se consiga desempenhar a estratégia da melhor maneira possível. b) A implementação da estratégia é uma atividade voltada para as operações que giram em torno do gerenciamento de pessoas e processos de negócios. c) A implementação da estratégia deve ser restrita apenas aos diretores de li- nha, como das áreas funcionais, de produção e comerciais. d) A elaboração bem-sucedida da estratégia depende da missão, da análise adequada da área administrativa da empresa, já que uma visão sistêmica do todo não fará diferença alguma para o alcance do melhor resultado. e) A implementação da estratégia é a fase em que são verificados os imple- mentos necessários para execução exclusivamente das ações operacionais. Nessa fase, define-se quem é o responsável por determinada atividade, onde ela será realizada, como será desenvolvida, etc. 4. Utilizar estratégias de inovação pode gerar resultados positivos, mas a princí- pio devemos saber o que são estratégias, sendo assim, analise as afirmativas e responda: I. Estratégia competitiva é o conjunto de ações de uma empresa para criar uma posição sustentável no mercado, enfrentar as forças competitivas e ob- ter retorno sobre o capital investido; II. A estratégia se caracteriza pela composição de planos e objetivos traçados com uma finalidade premeditada para que a organização atinja os resulta- dos convencionados, comunicados e formalizados; III. Estratégia competitiva é a busca de uma posição competitiva favorável em uma indústria visando estabelecer uma posição lucrativa e sustentável con- tra as forças que determinam a concorrência na indústria. É correto o que se afirma em: a) I, apenas b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) I, II e III. 82 5. Ao estudarmos o planejamento estratégico, tomamos como ponto de parti- da o estudo da administração que, segundo Silva (2008, p. 6), trata-se de “um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz dos recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas da organização”. Com base nessa linha de estudo, explique o que é administração estratégica. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS 84 Agarre seu sucesso - Consultoria Empresarial Personalizada, Análise SWOT – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças. Disponível em <http://www.agar- reseusucesso.com.br/analise-swot-planilha-gratuita/>. Acesso em 21 ago 2017. ALDAY, H. E. C. O Planejamento Estratégico dentro do Conceito de Adminis- tração Estratégica. Revista FAE, Curitiba, v.3, n.2, p.9-16, maio/ago. 2000. ALMEIDA, Rodrigo Figueredo de. Et al. A inovação como vantagem competiti- va: Estudo de caso Apple. X Workshop De Pós-Graduação E Pesquisa Do Cen- tro Paula Souza. São Paulo, 6 – 8 de outubro de 2015. Disponível em <http:// www.cps.sp.gov.br/pos-graduacao/workshop-de-pos-graduacao-e-pesquisa/ 010-workshop-2015/workshop/trabalhos/Sistemas_Produtivos/Gest_Estrat_ TI/A_inov_como_vantagem_competitiva.pdf> Acesso em 21 ago 2017. BIAZON, Victor Vinicius. A inspiração vem da concorrência. In. ACIM – Re- vista de negócios do Paraná. Disponível em < https://issuu.com/acimvirtual/ docs/revista_acim_-_abril_2015> Acesso em 29 ago 2017. COSTA, E. A. Gestão estratégica: da empresa que temos para a empresa que queremos. São Paulo: Saraiva, 2007. DE PAULA, Giles B. (2015) 5W2H – Reduzindo incertezas e ganhando pro- dutividade para os planos de ações de sua empresa. TREASY: Planejamento e Controladoria. Disponível em < https://www.treasy.com.br/blog/5w2h> Aces- so em: 21 ago 2017. ENDEAVOR BRASIL. (2017) 5W2H: é hora de tirar as dúvidas e colo- car a produtividade no seu dia a dia. Disponível em <https://endeavor.org. br/5w2h/#utm_source=tp-ferramenta-5w2h&utm_campaign=artigo-tp- -5w2h&utm_medium=email> Acesso em: 21 ago 2017. FISCHMANN, A. A.; ALMEIDA, M. I. R. Planejamento Estratégico na Práti- ca. São Paulo: Atlas, 1991. KOTLER, Philip – Administração de Marketing – 10ª Edição, 7ª reimpressão – Tradução Bazán Tecnologia e Lingüística; revisão técnica Arão Sapiro. São Paulo: Prentice Hall, 2000. MATTES, Jônatas. (2015) Planejamento estratégico. Disponível em <http:// REFERÊNCIAS 85 jonatasmattes.blogspot.com.br/2015/05/planejamento-estrategico.html> Aces- so em: 21 ago 2017. MAXIMIANO, A. C. A. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MEIRELES, M. Ferramentas Administrativas para identificar, observar e analisar problemas. São Paulo: Arte e Ciência, 2001. OLIVEIRA, D. P. R. Planejamento Estratégico: Conceitos, Metodologias, Prá- ticas. São Paulo: Atlas, 2014. SILVA, Reinaldo O. da. Teorias da Administração. São Paulo : Pearson Pren- tice Hall, 2008. STOECKICHT, Ingrid Paola. Gestão estratégica do capital humano - ava- liando o potencial de inovação de uma empresa: estudo de caso. Dissertação (mestrado) apresentada a Universidade Federal Fluminense. Niterói, 2005. Disponível em < http://inei.org.br/inovateca/dissertacoes/Dissertacao%20 -%20Gestao%20Capital%20Humano%20e%20Inovacao%20-%20Profa.%20In- grid%20Stoeckicht%20-%202005.pdf/view> Acesso em 09 maio 2017. TAVARES, M. C. Gestão Estratégica. São Paulo: Atlas. 2005. THOMPSON JR, A. A.; STRICKLAND III, A. J. Planejamento Estratégico: Elaboração, Implementação e Execução. São Paulo: Pioneira, 2000. VIEIRA, Imário. Planejamento estratégico como diferencial competitivo na aplicação da tecnologia de radioisótopos. Tese (Doutorado) INSTITUTO DE PESQUISAS ENERGÉTICAS E NUCLEARES. Autarquia associada à Univer- sidade de São Paulo, São Paulo 2016. 156p. VIVO (2015) Como encontrar o diferencial competitivo da empresa e divulgá- -lo aos clientes. Destino Negócio. Empreendedorismo. Disponível em < http:// destinonegocio.com/br/empreendedorismo/como-encontrar-o-diferencial- -competitivo-da-empresa-e-divulga-lo-aos-clientes/> Acesso em 21 ago 2017. WRIGHT, P.; KROLL, M. J.; PARNELL, J. Administração Estratégica: Con- ceitos. São Paulo: Atlas, 2000. Disponível em <https://issuu.com/acimvirtual/ docs/revista_acim_-_abril_2015> GABARITOGABARITO 1. A. 2. C. 3. B. 4. E. 5. A administração estratégica refere-se a um processo contínuo de determinação da missão e dos objetivos da empresa no contexto de seu ambiente externo e de seus pontos fortes e fracos internos, da formulação de estratégias apropriadas, da im- plementação dessas estratégias e da execução do controle, para assegurar que as estratégias organizacionais sejam bem-sucedidas quanto ao alcance dos objetivos. U N ID A D E III Professor Dr. Victor Vinicius Biazon O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender as premissas da startup como forma de empreender. ■ Apresentar modelo de criação, seleção de ideias para produtos e negócios de valor para o mercado. ■ Conhecer na prática as etapas de criação de Startup. ■ Identificar formas de investimento para empresas Startup e mentoria. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O empreendedorismo e as empresas startups ■ Criação de negócios – geração e seleção de ideias de valor ■ Startups passo a passo ■ Investimentos e investidores de Startup O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E88 O EMPREENDEDORISMO E AS EMPRESAS STARTUPS Caro(a) aluno(a), agora nesta unidade vamos entender essa “nova ordem” ou essa inovação até mesmo no contexto de empreender abordando e compreen- dendo o que são empresas startups. Porque digo “nova ordem”? Simples, porque até mesmo na forma de empre- ender existem novidades, existem inovações e poderemos entender como a empresa Startup se enquadra neste ambiente cada vez mais democrático para que possamos nos tornar criadores de uma nova empresa. De acordocom o Brasil Econômico (2016, on-line)1 o termo ou tipo de negó- cio que vamos entender como Startup é bastante recente por aqui, porque os primeiros casos surgiram em 2011, com a bolha da internet e está fundamentada na ideia de fazer um trabalho que foge do comum e pode assegurar um bom lucro. Penso que para começarmos bem, devo apresentar logo o que se entende como startup, e ninguém melhor do que o Sebrae para nos fornecer esse entendimento. “Uma startup é uma empresa nova, até mesmo embrionária ou ainda em fase de constituição, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, inves- tigação e desenvolvimento de ideias inovadoras” (SEBRAE, 2017, on- line)2. Seguindo a ideia do Sebrae (2017, on-line) e Brasil Econômico (2016, on-line) as características das STARTUPS são de empresa jovem, recém criadas, em fase de gestação, de maturação, fazendo pesquisas para buscar maturidade e intro- duzem ideias novas, novos formatos, novas ideias, algum tipo de solução para problemas da modernidade, são empresas que os custos iniciais são baixos e são consideradas altamente escaláveis, isso significa que, possuem uma expectativa O Empreendedorismo e as Empresas Startups R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 89 de crescimento muito grande quando dão certo, mas, como toda empresa nova, envolve um grau de risco. Essas novas empresas, normalmente têm base tecnológica e possuem espírito empreendedor. O que é interessante é que estão buscando constantemente um modelo de negócio inovador e é justamente esse “novo” que gera valor. Reverte o trabalho em retorno financeiro, em dinheiro. O Sebrae (2017, on-line) nos apresenta um exemplo em que o modelo de negócio STARTUP gera dinheiro: o modelo de negócios do Google que se baseia em cobrar por cada clique nos anúncios mostrados nos resultados de busca. Você sabia que o Google, Yahoo e Ebay, são considerados startups? Como trilhar um caminho e ser tão grande e representativo como essas empresas? Outro exemplo seria o modelo de negócio de franquias: O franqueado paga royalties por uma marca, mas tem acesso a uma receita de sucesso com suporte do franqueador e por isso aumenta suas chances de gerar lucro (SEBRAE, 2017). Então, quer dizer que franquia é startup? O McDonalds é uma franquia e então é startup? Temos algumas divergências quanto a essa ideia, pois há quem diga que “qualquer companhia iniciante no mercado se encaixa nesta modalidade”, porém, tem gente que diz que “é necessário ter sido fundada com baixos custos e cres- cer rapidamente, garantindo uma lucratividade grande para se enquadrar neste conceito” (BRASIL ECONÔMICO, 2016, on-line). Então respondendo a pergunta acima de acordo com o que o Sebrae entende McDonalds não é Startup, porque para ser um franqueado da rede de fast-food precisamos de um investimento alto no início e isso descaracteriza uma star- tup. Então para não gerar dúvida, anote essa característica: “empresas que criam modelos de negócio altamente escaláveis, a baixos custos e a partir de ideias inovadoras são empresas startups” (SEBRAE, 2017, on-line). O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E90 O que não gera dúvida e é entendido por todas as linhas de especialistas no assunto “é a ideia de que a empresa precisa apresentar um trabalho inovador, que mostre a possibilidade de um futuro promissor, com um bom modelo de negó- cios” (BRASIL ECONÔMICO, 2016, on-line). Durante uma pesquisa com futuros empreendedores, verifiquei que muitos deles estão caminhando no mundo da criação de empresas startups. Para saber- mos se estão alinhados ao que conceituamos aqui como Startup veja como esses idealizadores então por dentro dessa nova forma de empreender: EMPREENDEDORES O QUE É UMA STARTUP? A Startup é um conceito, em que qualquer empresa que pre- tende inovar no jeito de agir, pensar e fazer pode ser titulada de startup. Inovação sempre. B Um grupo de pessoas que acreditam que com um propósi- to maior, muita dedicação e perseverança podem apre- sentar soluções capazes de impactar a vida de um grande número de pessoas de forma positiva. C Seria uma empresa ou empreendimento inédito ou inova- dor, com um modelo de negócios repetível e escalável, com custos de manutenção baixos, em condições de grande incerteza quanto ao sucesso, mas que dando certo, consegue crescer rapidamente e gerar lucros cada vez maiores. D Para mim startup é uma organização que busca um mo- delo de negócios repetível e escalável, operando em um ambiente de extrema incerteza. Quadro 01 - Conceito de Startup a partir do entendimento de novos empreendedores Fonte: baseado em entrevista realizada pelo autor (2017). Observe que todos estão ligados ao entendimento de que startup é uma empresa nascente que promove uma solução inovadora mesmo em um ambiente de incerteza. Hoje em dia o conceito de Startup já está bem “pulverizado”, conforme vão se ampliando as análises sobre esse novo jeito de criar e gerir negócios e novos conceitos surge. O Empreendedorismo e as Empresas Startups R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 91 O que é esse ambiente de incerteza? O que é ser repetível e escalável? Um cenário de incerteza: significa que não há como afirmar se aquela ideia e pro- jeto de empresa irão realmente dar certo, ou ao menos se provarem sustentáveis. Ser repetível: significa ser capaz de entregar o mesmo produto novamente em escala potencialmente ilimitada, sem muitas customizações ou adaptações para cada cliente. Ser escalável é a chave de uma startup: significa crescer cada vez mais, sem que isso influencie no modelo de negócios. Crescer em receita, mas com custos cres- cendo bem mais lentamente. Isso fará com que a margem seja cada vez maior, acumulando lucros e gerando cada vez mais riqueza. Quando se torna escalável, a startup deixa de existir e dá lugar a uma empresa altamente lucrativa. Caso contrá- rio, ela precisa se reinventar ou enfrenta a ameaça de morrer prematuramente. Quadro 02 - Glossário dos conceitos de startup Fonte: Sebrae (2017, on-line). Acrescente aos seus dados mais esta informação. A visão do consultor do Sebrae/Pr, Nickolas Zeni Kretzmann a respeito de Startup é “uma nova ciên- cia para criar ou gerir negócios. Estamos falando em desenvolver modelos de negócios disruptivos (que ainda não existem no mercado) para resolver problemas reais da sociedade. Por se tratar da criação de negócios altamen- te inovadores, empresas Startups precisam constantemente lidar com um cenário de incertezas. Se utilizando de base tecnológica, os negócios Star- tups têm um baixo custo de desenvolvimento e validação inicial, por isso já podem ser empresas globais desde sua concepção, sendo assim, também aplicado a elas, o conceito de escaláveis”. Fonte: baseado em entrevista realizada pelo autor (2017). O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E92 Pode estar passando pela sua cabeça: por que o empreendedorismo “convencio- nal” é diferente do modelo Startup? Novamente contei com o apoio da equipe do Sebrae/Pr, que mostra que quando falamos de Startups estamos falando de “velocidade e inovação constante, quebrar paradigmas e criar novos conceitos”. Como estamos observando pelos conceitos trazidos, as Startups partem da pre- missa de conseguir se “adequar de forma rápida às mudanças do mercado”. Isso porque já nasce com uma cultura e hábito de “gerenciar indicadores,analisar cenários e ter uma equipe que trabalha em rede”. De repente surge aqui a dúvida: o que é um modelo de negócio “convencional”? O modelo de franquias: um empreendedor paga uma taxa para usar em seu favor uma marca e processos comerciais já consolidados. O modelo de recarga: como o dos celulares pré-pagos e impressoras: o equi- pamento é somente um meio para alcançar uma receita recorrente, seja em créditos de celular ou na compra de toners e cartuchos de tinta. O modelo de classificados: em que se usa um meio impresso ou digital para mostrar anúncios, e a cliente paga proporcionalmente ao destaque que deseja. O modelo de assinatura: usado tanto por jornais e revistas quanto tv: garante- -se a receita previamente ao vender informação em pacotes, dando um desconto para seu consumo repetido. Quadro 03 - Modelos de negócios convencionais Fonte: Sebrae (2017, on-line)3. O Empreendedorismo e as Empresas Startups R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 93 O consultor nos alerta que, de qualquer modo, para um negócio Startup ser bem-sucedido não basta somente ter uma boa ideia. Depois de formalizado ele precisa vender, ter lucro, gerir pessoas, processos, entre outros. “O ponto positivo” apontado pela equipe Sebrae/Pr é quando o empreende- dor “convencional” adequa a linguagem, a cultura, o modelo, o pensamento “e ele compreende que é perfeitamente possível aproveitar todas essas característi- cas do pensamento Startup e replicar nos negócios tradicionais”. Creio que então temos um bom fechamento para esta dúvida que sempre fica na nossa cabeça, o tal do “o que é o que é”. Então já sabemos que Startups são empresas novas, buscando solução para o mercado a partir de criação de novos produtos, nossos serviços. Eu sempre digo que os consumidores estão cada vez mais em busca de comodidade, querem facilidade para a correria do dia a dia então buscam por produtos/serviços que ainda não existem, mas que ficam na cabeça. Um bom empreendedor vai reconhecer isso, em si mesmo ou nas pessoas a sua volta e vai criar, modelar e projetar a solução. Uma das razões de startups serem bem diferentes das empresas tradicionais é a dificuldade de definir uma proposição de valor clara, e saber como exa- tamente se dá o encaixe entre duas coisas críticas: a oferta da empresa e a demanda do cliente. Fonte: Sebrae (2016, on-line). O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E94 CRIAÇÃO DE NEGÓCIOS: GERAÇÃO E SELEÇÃO DE IDEIAS DE VALOR Agora que já sabemos mais sobre as premissas de uma empresa Startup, pode- mos ou devemos entender mais sobre a criação de ideias, para isso você verá um paralelo entre as teorias de desenvolvimento de produto para pensarmos na criação ou geração de uma empresa nova. Para iniciarmos nosso entendimento sobre as ideias e a geração de ideias de Startups, apresento novamente a realidade de novos gestores que estão par- ticipando de processos de apresentação de suas ideias em eventos de inovação. NOME IDEIA INOVADORA (STARTUP) A Uma plataforma de análise de riscos para produtores de eventos B Enem Game Premium - um jogo digital de perguntas para alunos do ensino médio que se preparam para a prova do ENEM. Criação de Negócios: Geração e Seleção de Ideias de Valor R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 95 C Um aplicativo (app) para celulares, de ofertas, promoções e descontos exclusivos, de acordo com o perfil do usuário, eliminando as ofertas excessivas simplificando assim o processo de busca e compra on-line. D Compartilhamento de créditos de energia limpa. A enercred surgiu da vontade de democratizar o acesso às energias limpas para todos, até mesmo moradores de apartamentos ou imóveis alugados. A enercred oferece assinatura de energia limpa, mais barata e sustentável, com muita praticidade e um serviço digital único. Quadro 04 - Descrição da ideia inovadora Fonte: baseado em entrevista realizada pelo autor (2017). Vejamos aqui que cada empresário apresenta uma ideia diferente que busca melhorar um determinado segmento do mercado, facilitando algo para o con- sumidor. Repare também a ligação com a tecnologia destes empreendimentos. Pensando nessas ideias e nas suas ideias, vamos entender como funciona esse processo criativo de geração. GERENCIAMENTOS DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO: GERAÇÃO DE IDEIAS Quando imaginamos uma empresa, precisamos também imaginar o que fare- mos nela, quais os objetivos, o que vender ou fabricar. Por isso a necessidade de pensar também no produto para formatar esse novo empreendimento. Conforme Kotler (2000), o processo de desenvolvimento de novos produ- tos ou no nosso caso, novas empresas, começa com a busca de ideias. Os novos empresários devem definir que tipo de produto ou serviço pretendem oferecer e o espaço que desejam ocupar no mercado, assim como os objetivos desta nova empresa. É preciso estabelecer quanto esforço deve ser dedicado ao desenvolvi- mento de empresas cujos produtos ou serviços ofertados sejam inovadores, ou se simplesmente irão montar uma empresa vendendo algo já existente, ou ainda se irão modificar algo já existente, alterar para serem únicos no mercado a par- tir de uma ideia modificada. As ideias de novos produtos podem vir de muitas fontes: clientes, cientistas, concorrentes, funcionários, intermediários e gerência. O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E96 A orientação de marketing determina que as necessidades e os desejos dos clientes são o ponto de partida para se começar a procurar ideias. Alguns autores acreditam que a maior parte das ideias de novos produtos se origina de consumi- dores, ou seja, o público, com problemas ou vontades reais de pessoas comuns. As empresas técnicas podem aprender bastante estudando seus líderes de opi- nião, aqueles clientes que fazem o mais avançado uso dos produtos da empresa e que reconhecem a necessidade de melhorias antes dos outros clientes. Para a criação de uma empresa é preciso saber o que vender. Sendo assim, a busca por ideias criativas pode surgir de onde menos se espera. Muitas das melhores ideias surgem quando os clientes descrevem os pro- blemas que têm com os produtos já existentes no mercado. Outra fonte de sugestões pode ser as ideias “fracassadas”, incompletas ou mal administradas de outras pessoas, ou seja, analisando o mercado, “o concorrente”. De acordo com Kotler (2000) as empresas (neste caso, os gestores inovadores de Startups) podem aprender com seus distribuidores, fornecedores e represen- tantes de vendas. Podem descobrir o que os clientes gostam e desgostam nos produtos de seus concorrentes. Podem comprar os produtos de seus concorren- tes, desmontá-los e fazer produtos melhores. Os representantes de vendas e os intermediários são uma fonte particularmente boa de ideias. Esses grupos têm contato direto com os clientes e frequentemente são os primeiros, a saber, a res- peito dos desenvolvimentos da concorrência. Um número crescente de empresas incentiva representantes de vendas, distribuidores e revendedores a sugerirem novas ideias e os recompensam por elas. Quando estamos querendo criar uma empresa e temos informações privilegia- das como estas de segmento, de produção ou produtos, passamos a vê-las com olhar de empreendedores, analisando o que podemos fazer ou como fazer para Criação de Negócios: Geração e Seleção de Ideias de Valor R ep ro d uçã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 97 implantarmos a nossa empresa no mesmo segmento e como mudar, realizar alte- rações com relação aos concorrentes para ter seu próprio diferencial. E não poderíamos deixar de falar aqui que ideias de novos produtos também podem vir de outras fontes, entre elas inventores, advogados especializados em patentes, laboratórios de universidades, salas de aula e comerciais, consultores industriais, agências de propaganda, empresas de pesquisa de marketing e publi- cações setoriais. Embora as ideias possam surgir de várias fontes, suas chances de receber atenção frequentemente dependem de alguém na organização assumir o papel de defensor de produto. Ideias relacionadas a produtos têm pouca proba- bilidade de receber atenção se não tiverem um forte defensor (KOTLER, 2000). Seleção de ideias Pessoas criativas possuem boas relações e Brainstorm, por isso é possível que tenham contato com várias ideias, e chega a hora de verificar quais delas real- mente merecem atenção. Kotler (2000) diz que qualquer empresa pode atrair boas ideias, desde que se organize adequadamente para isso. Segundo Kotler (2000, p. 359), “o objetivo da seleção é descartar as ideias ruins o mais cedo possível. Isso porque os custos de desenvolvimento de produ- tos crescem substancialmente a cada etapa de desenvolvimento”. Pensando aqui em nosso contexto, você, seus colegas, parentes ou entes próximos podem pensar e estarem motivados a desenvolver um produto, uma inovação do zero e conversas e pesquisas são extremamente necessárias, e então eis que surgem diversas ideias, portanto, devemos classificá-las. No caso de ideias Compartilhar sua ideia com o mundo é melhor do que escondê-la. São ideias complementares que vão juntar as pessoas certas em torno do seu negócio. (Daniel Heise) O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E98 ou busca de novas ideias nas empresas, estas devem ser anotadas e (re)vistas frequentemente, para que possam julgá-las ou classificá-las em três grupos con- forme Kotler (2000): ideias promissoras, ideias marginais e ideias rejeitadas. Devemos tomar cuidado com o tipo de ideias que julgamos “a ideia do século”, pois de repente ela não é tão boa assim. Esta é também a dica de Salmen (2016, on-line)4, co fundador da Méliuz. Ele e seu sócio, ainda jovens e sonhadores, em 2011, tiveram uma brilhante ideia, que em 2015, gerou R$320 milhões em vendas para lojas parceiras e ajudou os consumidores a ganharem mais de R$14 milhões enquanto faziam compras na internet. O empresário diz ainda que “se uma boa ideia se transformasse automati- camente em uma empresa extraordinária seria muito lindo, se não tivesse sido quase trágico para nós”. Os resultados mencionados foram realmente alcança- dos, mas não simplesmente por partirem de uma boa proposta. Ele diz que “sua ideia não vale absolutamente nada sem uma boa execução”, pelo menos é assim que ele enxerga a ideia que tiveram lá atrás com a qual torraram mais de R$400 mil de um investidor anjo e ainda quase foram à falência. Ao pensar nessas ideias devemos cuidar para não cometer certos erros: o erro-de-abandono acontece quando a empresa dispensa uma boa ideia. Se uma empresa cometer muitos erros-de-abandono, pode-se concluir que seus padrões são muito conservadores. O erro-de-aprovação acontece quando a empresa permite que uma ideia ruim chegue às etapas de desenvolvimento e comercialização e as consequ- ências falam no bolso da empresa. Fonte: Kotler (2000). Criação de Negócios: Geração e Seleção de Ideias de Valor R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 99 GERENCIAMENTOS DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO: CONCEITO Para Kotler (2000), as boas ideias devem ser refinadas para se chegar a concei- tos de empresas cuja produção de bens ou serviços possa ser testada. Uma ideia de produto novo, por exemplo, representa um possível produto que a empresa pode oferecer ao mercado. Um conceito de produto é uma versão elaborada da ideia, expressa em termos que façam sentido para o consumidor. Você precisa saber que investidores não vão comprar sua ideia em si, eles precisam compreender e ver frutos no seu conceito de produto/serviço para investir. Vamos simular uma história para entendermos melhor como transfor- mar uma ideia em um conceito? Uma grande empresa processadora de alimentos tem a ideia de produzir um pó para acrescentar ao leite, de modo a melhorar seu paladar e a aumentar seu valor nutritivo. Isso é uma ideia de produto, mas os clientes não compram ideias de produtos, compram conceitos de produtos. Uma ideia de produto pode ser transformada em vários conceitos. A primeira pergunta é: “quem usará o produto?”, o produto pode ser direcionado para bebês, crianças, adolescentes, adultos jovens ou de meia-idade ou idosos. A segunda é: “que benefício primário esse produto deve fornecer?”, ele pode oferecer um bom paladar, valor nutritivo, saciar a sede, dar energia? A terceira pergunta é: “quando as pessoas consumirão essa bebida?”, no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde, no jantar ou no final da noite? Respondendo a essas perguntas, a empresa pode formar vários conceitos: • conceito n°1: uma bebida instantânea para o café da manhã de adultos que que- rem uma refeição rápida e nutritiva, sem precisar preparar a refeição matinal. • conceito n°2: uma bebida saborosa que as crianças podem tomar antes do almoço. • conceito n°3: um suplemento alimentar saudável que os idosos podem tomar no final da noite, antes de se deitarem. Cada conceito representa um conceito de categoria, que define a concorrência do produto. Uma bebida instantânea para o café da manhã seria concorrente dos ovos com bacon, dos cereais, do café com bolo etc. Uma saborosa bebida teria como concorrentes os refrigerantes e sucos de frutas. Quadro 05 - Desenvolvimento de conceito Fonte: Kotler (2000). O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E100 Este é um pequeno esquema que irá nos ajudar a pular a fase de ideia e a partir de respostas, elaborar um texto mais adequado para convencer, o mercado de que essa proposta de negócio pode dar certo. Teste do conceito Conforme Kotler (2000) o teste de conceito envolve apresentar o conceito da empresa (ou da empresa como fabricante do produto ou serviço) aos consumi- dores-alvo adequados a obter suas reações. Os conceitos podem ser apresentados simbólica ou fisicamente. No entanto, quanto mais os conceitos testados se asse- melham ao produto ou experiência final, mais preciso é o teste de conceito. Antigamente, a criação de protótipos era custosa e tomava muito tempo, mas o projeto acompanhado por computador e programas de fabricação mudou isso. Criação de Negócios: Geração e Seleção de Ideias de Valor R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 101 Dimensão mensurada do produto Comunicabilidade e credibilidade. Se os resultados forem ruins, o conceito deve ser aprimorado ou revisado. Nível de necessidade: quanto maior a necessidade, maior o interesse do consumidor. Nível de lacuna: quanto maior a lacuna, maior o interesse do consumidor. O nível de necessidade pode ser multiplicado pelo nível de lacuna para se produzir o grau da lacuna em relação à necessidade. Uma lacuna grande em relação ao atendimento da necessidadesignifica que, para o consumidor, o produto preen- che uma grande necessidade, que não é satisfeita pelas alternativas disponíveis. Valor percebido: quanto maior o valor percebido, maior o interesse do con- sumidor. Intenção de compra: a intenção de compra é mais alta para consumidores que responderam positivamente às três perguntas anteriores. Usuários-alvo: ocasiões de compra e frequência de compra. As respostas dos entrevistados indicam se o conceito tem um apelo amplo e forte junto ao consumidor, com que esse novo produto concorre e qual é o melhor público-alvo. Fonte: Kotler (2000). As Startups, que normalmente estão ligadas a tecnologia tem uma vantagem para ilustrar ou tangibilizar a proposta para apresentação aos investidores. As empre- sas também estão utilizando a realidade virtual para testar conceitos de produtos. A partir de uma apresentação em eventos, em feiras de Startups é possível testar nossas ideias e se houver críticas, poderemos refinar o produto, o conceito para ser mais atrativo aos investidores. O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E102 STARTUPS PASSO A PASSO Vimos até aqui alguns dos passos que devemos ou podemos usar para perceber no mercado a chance de oferecer um produto inovador por meio de Startups. Para facilitar ainda mais nosso entendimento, selecionei algumas dicas de profissionais e criadores para que possamos traçar uma espécie de checklist de fases que devemos cumprir. Vamos começar com as dicas reais desenvolvidas por criadores de Startups. NOME QUAIS FORAM AS ETAPAS PARA A CRIAÇÃO DA SUA STARTUP? A Ideia, validação, MVP, validação, monetização, expansão da plata- forma, investimento, tração. B De forma sucinta: a partir da concepção da ideia inicie um proces- so de validação do problema e da solução com o mercado poten- cial e com os entes que serão envolvidos em todo processo desde o desenvolvimento até a entrega ao cliente, sendo o último o mais relevante, pois a partir da necessidade do cliente que o empreen- dedor terá as informações necessárias para modelar o produto e envolvida. Só depois deste trabalho bem realizado o empreende- dor estará habilitado a iniciar o negócio propriamente dito. Startups Passo a Passo R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 103 C Ideação - Plano de Negócios (Canvas/OKR) - Pesquisa de Mercado - De- finição do Modelo de Negócios - Protótipo - Validação - Monetização. D Se conhecer como pessoa é o primeiro passo (pelo menos começar a explorar o autoconhecimento), visualizar a área de interesse (prefe- rencialmente uma área que já tenha certa familiaridade), encontrar um problema dessa área (uma dor que as pessoas sentem), prototi- par com poucos recursos (construir um MVP), tentar vender a ideia e o protótipo (antes de realizar gastos volumosos, verifique se as pes- soas têm interesse e gostaria de pagar por sua solução), chegando ao ponto em que você possui um protótipo que as pessoas precisem e querem pagar por isso apresente o seu negócio para possíveis investidores. Ao decorrer de todo este caminho procure ajuda de programas como INOVATIVA que auxiliam no desenvolvimento e modelagem do negócio para encontrar um excelente market fit! Quadro 06 - Etapas para criar a Startup Fonte: baseado em entrevista realizada pelo autor (2017). Acrescentando ainda mais profissionalismo ao assunto, a equipe do Sebrae/PR, nos brinda com sua experiência em topificar estas etapas. Questionei o consultor: Se eu quisesse empreender com uma Startup, qual o “passo a passo” , as etapas que eu deveria cumprir para que isso se tornasse real? A resposta deu origem a uma “escada” que devemos subir degrau a degrau. Ideia Validação da Ideia Criação do protótipo Modelo do negócio Construção do time Figura 01 - Escada de fases para criação de Startup Fonte: elaborado pelo autor. Ideia: esse é o primeiro grande momento, ter ideias que possuem potencial para virar um negócio. Ideias sempre são bem vindas, mas o empreendedor precisa estar ciente de que uma ideia ainda não vale nada e que agora ele precisa validar ela com o mercado. O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E104 Validação da Ideia: é uma etapa fundamental no processo, o empreendedor jamais deve se apaixonar pela sua ideia, ele precisar ir para o mercado e conver- sar com clientes reais e sentir se eles realmente têm aquele problema “suposto” pelo empreendedor. Caso o empreendedor comece a desenvolver a solução sem antes validar sua ideia, corre um grande risco de ficar anos desenvolvendo uma solução que não terá mercado. Criação do protótipo: também conhecido como mpv (mínimo produto viável), é a primeira versão do seu produto. Agora é o momento de voltar para o mercado e mostrar sua solução para os futuros clientes. Não tente criar o produto perfeito, deixe os clientes dizerem como ele pode ser melhorado. O empreendedor precisa ir o quanto antes levar seu produto para o mercado e já tentar fechar as primeiras vendas. Melhorar o produto será um processo con- tínuo que a Startup fará durante toda sua existência. Por isso reforço, não tente criar o produto perfeito. Modelo do negócio: Ao mesmo momento que o empreendedor está lan- çando a primeira versão no mercado e precisa começar a modelar o seu futuro negócio. Identificar os canais de vendas, monetização e proposta de valor. Construção do time: Nesta fase chega o momento de somar pessoas para o time, é hora de fazer a Startup ganhar corpo, intensificar sua operação e ganhar tração de mercado e para isso é fundamental ter um time de peso. Nós iniciamos nosso material falando de um exemplo que se encaixa no con- ceito de Startup, agora temos mais certeza desse enquadramento do Uber nessa modalidade. E mais... perceba que precisamos inovar para atender aos anseios dos consumidores, logo ter ideias geniais faz parte das atribuições, porém, o modelo de negócio pode ser replicado e é justamente nesse mo- mento que a inovação deve prevalecer. Atualmente há no mercado outras startups de mobilidade humana, como a Cabify, (da Espanha), que nasceu em 2011 e tem o mesmo conceito que o Uber, o de oferecer motoristas par- ticulares 24 horas. Fonte: adaptado do Portal iG- economia (2017, on-line)5. Investimentos e Investidores de Startup R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 105 Quando falamos em startups, outra palavra que surge com frequência é investi- mento. Devido ao ambiente de incerteza que é desenvolvido o negócio, até que o modelo certo seja encontrado, o investimento utilizado é de risco. Existe uma série de investidores que buscam por empresas startups para investirem, por isso o empreendimento que desenvolve um bom plano de negócios possui mais chan- ces de sucesso em encontrar investidores (SEBRAE, 2017, on-line). No tópico seguinte vamos entender mais sobre isso. INVESTIMENTOS E INVESTIDORES DE STARTUP Vou começar este tópico trazendo a experiência de Requarth (2015, on- line)6, co-fun- dador do Viva Real, que já levantou mais de US$74 milhões dos maiores investidores do mundo. Ele compartilha alguns conselhos para quem está buscando investimento: “Eu tenho uma ideia de milhões de dólares, eu só preciso de investido- res para me ajudar a colocar ela em prática”. Requarth diz que ouve isso o tempo todo, e afirma que em primeiro lugar, é importante que você seja claro; os investidores não apostam em ideias. Eles investem em empresase empreendedores. Por mais que tenhamos visto que as Startups nascem com custos baixos, exis- tem custos e para que a sementinha possa germinar, precisa de adubo e água, e O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E106 nada disso é de graça. Ou seja, para que a empresa possa crescer tem que investir em pesquisa, protótipos, pessoas e para isso o dinheiro é fundamental, dinheiro este que muitas vezes o empreendedor não dispõe e por isso precisa de parcerias. Falamos bastante que as Startups nascem em um ambiente de incerteza, ou como diz o SEBRAE ([2018], on-line), “até que o modelo seja encontrado” pre- cisamos entender e falar sobre os investimento para startups. Isso porque são empresas recentes, jovens e “sem capital de risco, é muito difícil persistir na busca pelo modelo de negócios enquanto não existe receita”. É claro que a startup precisa de investimento e caminhar para ser uma empresa sustentável, mas como isso acontece? Quem investe? Quem pode inves- tir? Enfim, de qual lugar sai o dinheiro? Acredita-se que as Startups nasçam com boas perspectivas de geração de receita o que pode atrair investidores injetando dinheiro na empresa para aju- dá-la a crescer ainda mais rapidamente, “tendo em vista que o dinheiro será somado a um trabalho diferenciado, capaz de solucionar problemas e facilitar a vida de muitas pessoas” (BRASIL ECONÔMICO, 2016, on-line). Para conhecermos um pouco mais de “perto” a realidade de investimento e investidores, trago novamente a participação de alguns gestores que estão empre- endendo no mundo das Startups. Como buscou investimentos? Que dica daria aos novos empreendedores? Investimento inicial próprio até a plataforma estiver funcionando e monetizan- do, aí sim é o momento para buscar investimentos. No início o investimento foi Bootstrap, agora o foco tem sido editais de fomento, e o próximo passo buscar investidores anjo. Por meio de eventos sobre Startups e Empreendedorismo; Editais e principal- mente eventos organizados pelo Sebrae. No início tive apoio de familiares e amigos. Fizemos um projeto piloto com re- cursos dessas pessoas que nos apoiaram no início a fim de validar o modelo e ter algo concreto para apresentar. Deixo como dica mobilizar seu networking e pessoas mais próximas para fazer a ideia sair do papel, a busca por investimento profissional será um passo natural para alavancar o crescimento após ter um protótipo validado. Quadro 07 - Busca de investimento de Startups Fonte: baseado em entrevista realizada pelo autor (2017). Investimentos e Investidores de Startup R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 107 Agora, a partir da ideia desses empreendedores vamos conhecer algumas for- mas costumeiras para que você possa buscar investidores para sua ideia e modelo de negócio. Sendo assim, como vimos o capital próprio é um recurso que caminha junto destas ideias, mas temos outras formas a considerar con- forme o Sebrae ([2018], on-line): Investidor-anjo: especializado em apoiar projetos em fase inicial. Experientes, bem-sucedidos, confiantes e entendem as tendências e oportunidades do mer- cado, tem envolvimento direto com o que acontece de fato por meio do contrato societário. O papel do anjo é ajudar o empreendedor, fazendo a empresa dar certo, mas o dinheiro do investidor-anjo (ou sócio investidor) não vai resolver tudo. Capital semente: momento inicial em que o investidor-anjo investe na empresa dinheiro suficiente, pois o objetivo é vender sem perder de vista o res- peito ao meio ambiente e à sociedade. Venture capital: modalidade de financiamento de empresas, em troca de participação societária, implicando em responsabilidades conjuntas para inves- tidores e empreendedores. Aplicam recursos em startups que já tenham testado seus produtos e estão prontas para crescer, traz à empresa os sócios investidores. Investimento coletivo (crowdfunding): o objetivo é reunir diversas pessoas que possam colaborar com pequenas quantias e, assim, viabilizar uma ideia, um negócio ou um projeto, recebendo, ou não, uma contrapartida por isto. É uma forma rápida e relativamente simples de captar valores para a execução de uma ideia ou projeto de apelo popular, com uma baixa contrapartida. Subvenções, editais e bolsas: incentivos fiscais (facilitação ou isenção do pagamento de impostos) fornecidos pela prefeitura, ou ainda editais públicos. Vamos focar aqui no investidor-anjo e aproveitar para sabermos o que é necessário, ou o que esses investidores levam em consideração ao analisarem propostas, assim, poderemos preparar nossa apresentação e nossa ideia em um conceito mais elaborado para convencer. Sabemos ainda que investir em Startup, dada a suas características de incertezas é um risco e por isso temos que estar preparados responder as possíveis dúvidas de potenciais investidores. O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E108 Conforme Anjos do Brasil (2011, on-line), podemos dividir o processo de obten- ção de investimento-anjo para criação de uma nova empresa em duas etapas: estruturação do negócio e captação do investimento. I. Primeiro temos que saber o que é Investimento-Anjo, assim saberemos como essa modalidade poderá nos ajudar no empreendimento, como se preparar e quais os requisitos necessários para ser uma opção viável de investimento. II. Contratar um Conselheiro (também chamado de advisor), ou um mento- ring que irá nos auxiliar no preparo e nas etapas a serem cumpridas. III. Pesquisar o mercado em que irá atuar. O ideal é conversar com o mercado e clientes, que podem dar feedback válido a nossa ideia, bem como os concorren- tes que já atuam em seu segmento, para comparar suas vantagens competitivas. IV. Montar o time certo, isto é, avaliar quais (ex.: técnicas de negócios, ope- racionais, etc.) pessoas da equipe com competências diferentes são uma opção melhor para que a expertise de um supra a deficiência do outro. V. Desenvolver um protótipo ou prova de conceito do principal produto/ serviço (para que seja possível testar o conceito da sua startup). Assim teremos uma ideia de validação ou não dos clientes potenciais e também do investidor-anjo. VI. Elaborar um Pitch e uma apresentação de seu modelo de negócio, (aquela apresentação show, que expõe e vende bem os atributos do seu produto). Devemos apresentar como/qual necessidade seu produto/serviço atende o público de interesse e estimativa de faturamento. Quadro 08 - Etapa 1 - Estruturação do negócio Fonte: adaptado de Anjos do Brasil ([2018], on-line)8. Lei muda e amplia apoio de investidor-anjo a startups A primeira mudança trazida pelo Crescer sem Medo foi a divisão clara entre o investidor e o operador da empresa. De acordo com a nova legislação, quem injeta a partir de R$ 50 mil em uma startup não pode ser considerado sócio e, dessa maneira, não terá de partilhar os riscos e as responsabilidades legais da empresa. Fonte: SEBRAE (2017, on-line)7. Investimentos e Investidores de Startup R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 109 Após seguir e cumprir essas etapas poderemos buscar, apresentar e nego- ciar com potenciais “anjos”. Conforme o Sebrae ([2018], on-line) e Braga (2017, on-line)9 o investimento é efetivado por pessoa física, que pode investir por meio de uma pessoa jurídica, mas com recursos e trabalhos próprios, não de terceiros. Estas “pessoas” têm alguns critérios a analisarcomo, por exemplo, a veri- ficação ou constatação de que esta ideia trata-se de negócios inovadores, se há mercado com potencial significativo, com potencial de crescimento e alta renta- bilidade e também ser o valor do investimento abaixo de R$ 1 milhão. Em outras palavras, o investidor irá analisar os empreendedores, modelo de negócio, vali- dação, mercado, escala, burn rate, rateio do investimento solicitado, faturamento, margem e saídas futuras, O portal Anjos do Brasil trata a próxima etapa, a de busca de investidores, como a busca pelo seu par ideal para casamento. I. A primeira etapa de procura é como na “paquera”, você irá “flertar” com seu investidor-anjo. Neste momento, deve-se apostar no “charme” do produto/ serviço. Submeta seu pitch (apresentação) para os investidores e participe de eventos para ser visto. II. Uma vez encontrado um potencial investidor-anjo interessado, passa-se para a fase de “namoro”. Vocês se encontrarão para trocar ideias, “namorar” um pouco, apresentando os detalhes e intenções da Startup. III. Se o namoro deu certo, vocês ficarão noivos, fechando os principais termos da negociação (term-sheet): valor do investimento, participação que o inves- tidor-anjo terá no negócio e quais os papéis e funções de cada um. IV. Depois de acertar os detalhes, chega o casamento, ou seja, vamos assinar os contratos e o investimento é efetivado. Agora o “negócio” começa e você de- verá focar e executar com o apoio dado pelo investidor-anjo que irá apoiá-lo com orientações e conexões. V. A etapa seguinte é a que difere num relacionamento pessoal, pois muitas vezes o sucesso para ambos vem de um divórcio feliz, seja através de um lançamento das ações na Bolsa de Valores ou na venda da startup, mas quem sabe podem surgir alguns “filhos” futuros de ambos. Quadro 09 - Etapa 2 - Captação do Investimento Fonte: adaptado de Anjos do Brasil ([2018], on-line). O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E110 Essas são as dicas do Portal Anjos do Brasil que inclusive pode nos ensinar como fazer um pitch. De repente essa palavra soa estranha em nosso vocabulá- rio, mas trata-se de uma apresentação rápida e eficaz sobre sua ideia. Requarth (2015, on-line) reitera a ideia dos criadores de Startups que esta- mos usando como exemplo e também nosso consultor do Sebrae e diz que antes de sair à procura de um investidor para a sua startup de tecnologia, aqui estão os 3 principais passos que eu recomendo que você faça antes de tentar encon- trar um investidor profissional. Construir um mvp: minimum viable product. Um mvp é o produto mínimo viável que você coloca na frente de potenciais clientes para obter feedback útil para futuras melhorias ou iterações. É uma forma de validar sua ideia contra um mercado real. Ter um mvp lhe permite investir o mínimo de recursos para maximizar o seu aprendi- zado. Muitos empresários trabalham em uma ideia monu- mental e gastam toneladas de tempo com a construção de um produto complexo, para só então perceber que não há ajuste de produto / mercado (product market fit). Você deve reunir o máximo de dados e feedbacks de seus clientes, de modo que você seja capaz de interagir e mudar de rumo afiando dentro de algo que as pessoas realmente querem. Comprove um pro- duto/Adaptação ao mercado. É o grau em que seu produto atende à demanda do mercado real. Em outras palavras, seu produto é uma vitamina ou é um analgésico para o mercado? A vitamina é algo que é bom ter, mas talvez ela não acabe de vez com um problema. Um anal- gésico resolve algum tipo de ineficiência ou deficiência. Se você não estiver resolvendo um problema de vez, você pode não ter um mercado para seu produto. Não ter um mercado é o maior obstáculo para você construir uma empresa. Bootstrap por tanto tempo quanto puder Bootstrapping é o ato de ser extremamente engenhoso para suportar os momentos iniciais do negócio enquanto sobrevive com a menor quantidade de dinheiro possível. Em alguns casos pode ser necessário tocar em suas eco- nomias ou tirar dinheiro dos 3 Fs friends, family e fools (amigos, família e tolos). Faria isso antes de chegar aos investidores profissionais, a menos que você tenha tração significativa, mensurável ou uma alça clara sobre suas métricas-chave de negócios e como cultivá-las. Quadro 10 - Recomendações para encontrar investidor Fonte: Brian Requarth (2015, on-line). Investimentos e Investidores de Startup R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 111 INVESTIMENTOS EM FORMA DE MENTORIA Nem tudo é dinheiro quando se pretende colocar a Startup para funcionar, às vezes parceria, trabalho ou conselhos podem ser mais valiosos do que apoio financeiro. Conforme a Vivo (2015, on-line), muitas vezes, na hora de iniciar um negócio, surge insegurança e incertezas e ser assessorado em um processo de mentoring (por um mentor), pode nos ajudar a suprir esses sentimentos e alavancar o nosso negócio. De acordo com Santos (2015, on-line)10, “mentoring” é um termo normal- mente traduzido como “tutoria”, “mentoria”, ou “apadrinhamento”. No caso das Startups, o objetivo do mentor é provocar questionamentos, contribuir com novas perspectivas e expertise, além de compartilhar informações relevantes sobre o mercado e também evitar que os novos empreendedores cometam os mesmos erros cometidos por eles no passado. Isso significa que esse mentor, é uma pessoa com experiência e oferece res- postas que estamos tanto procurando neste caminho de tantas incertezas. Com o mentoring é possível resolver problemas desde o início e aprender com a expe- riência e conhecimento da outra pessoa. De acordo com pesquisas, as startups que têm auxílio de mentores e focam no aprendizado faturam 7 vezes mais e crescem 3,5 vezes mais (VIVO, 2015, on-line). Este incentivo, apoio emocional e intelectual pode gerar bons resultados. Vamos ver algumas dicas e benefícios que um mentoring pode agregar para sua Startup. Abre portas O mentor te ajudará com sua experiência nesse momento inicial, sem contar que, é provável que já tenha uma rede de contatos interessante. Ele poderá abrir portas para o seu negócio, apresentá-lo para pessoas influentes no segmento em que a sua startup está entrando. Aprendizado A experiência do mentor traz mais confiança ao novo empre- sário, bem como a oportunidade de aprendizado. Com seu auxílio, o empreendedor se sentirá mais seguro e reconhece- rá os melhores caminhos. O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E112 Evitar erros O mentor vai pegar suas experiências, seus erros cometidos e questionar o novo empreendedor para que este não os cometa. Quando o empreendedor tira a ideia do papel, é comum que esteja pouco aberto a mudanças no plano original. O mentor pode observar, lembrando de sua experiência anterior, que alguns pontos devem ser repensados, evitando erros futuros. Quadro 11 - Benefícios do mentoring para uma startup Fonte: Vivo (2015, on-line). De repente você está se perguntando: em que lugar eu encontro um mentoring para me ajudar nesse processo? Santos (2015, on-line) diz que vêm crescendo o número de programas, even- tos e iniciativas que aproxima Startups de mentores com experiência no mercado para que haja troca de conhecimento e experiências. Um deles que eu gostaria de apresentar é o InovAtiva Brasil, trata-se de um [...] programa gratuito de aceleração em larga escala para negócios ino- vadores de qualquer setor e lugar do Brasil, realizado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior eServiços (MDIC) e pelo Serviço Bra- sileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), com exe- cução da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (CERTI) (O QUE É... [2018], on-line). O evento oferece capacitação especializada, mentoria de alto nível, conexão com investidores e alguns benefícios aos finalistas. E pensando na questão da mentoria a InovAtiva entende como uma relação pessoal de desenvolvimento na qual uma pessoa mais experiente ou com mais conhecimentos ajuda a orientar uma pessoa com menor experiência. No InovAtiva, o foco é ajudar empreendedores iniciais em seus primei- ros passos no mercado. E funciona com base em quatro pilares, conforme figura 02: Orientação e direcionamen- to de mentores com grande experiência de mercado. Acesso a visões e soluções diferentes com base em experiências reais. Questionamento sobre a definição de estratégias e modelos de negócio. Formação de rede de contatos que ajudarão no crescimento da sua empresa. Figura 02 - A Mentoria Inovativa Fonte: Adaptado de InovAtiva Brasil (2017, on-line)11. Investimentos e Investidores de Startup R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 113 Os mentores do InovAtiva Brasil são convidados e selecionados com base na sua experiência e no que podem contribuir para o desenvolvimento das star- tups selecionadas pelo programa. Os perfis de mentores compreendem entre empreendedores experientes de negócios ligados à tecnologia; altos executivos de médias e grandes empresas, com experiência em áreas finalistas da empresa; investidores-anjo e executivos de fundos de investimento focados em empre- sas de tecnologia; consultores de negócio experientes e com foco em empresas inovadoras. Nossos criadores de Startup também acreditam na potencialização de even- tos como esse para o melhoramento do processo e facilitação de contato. NOME OPINIÃO SOBRE EVENTOS DE INOVAÇÃO A Programas excelentes para expansão do conhecimento, ne- tworking e saber em que lugar você está errando e consertar, modelar sua empresa para o sucesso! B Por meio da transmissão de conhecimento, motivação e reco- nhecimento. C Com certeza. Esses eventos e encontros são essenciais para a inovação e a geração de novas startups. D Com certeza, é muito importante o fomento do ecossiste- ma de startups para difundir e incentivar ideias inovadoras. Acredito muito no empreendedorismo como ferramenta de promoção de mudança social e ambiental, por isso acho muito importante empreender com propósito. Quadro 12 – Opinião sobre a contribuição para difusão de ideias inovadoras em eventos como Tic-Inova e InovAtiva Brasil Fonte: baseado em entrevista realizada do autor. Para fechar este tópico deixo algumas dicas do nosso consultor Sebrae sobre esse eventos: quais as novidades e eventos que podem ser uma forma de divulgar e conhecer os negócios inovadores e Startups? Existem grandes eventos para desenvolver novos conhecimentos e habilida- des sobre esse mundo das Startups. Temos como exemplo: O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IIIU N I D A D E114 ■ CASE (Conferência anual de Startups e empreendedorismo), maior evento de Startup da América Latina; ■ Campus Party SP, um dos maiores eventos de negócios digitais do mundo; ■ Encontro estadual de Startups do Sebrae/PR, maior evento de startups do estado; ■ TICNOVA, um dos eventos de tecnologia mais completos do sul do país; ■ Gramado Summit, o maior evento de Startup e empreendedorismo do Sul do Brasil. Para uma empresa ser considerada uma startup ela precisa ter uma proposta inovadora para apresentar ao mercado; apresentar um modelo escalável; ter base tecnológica; custos baixos na fase inicial e ser apresentada ao mercado como uma ideia rentável, com chances de ser transformada em um negócio. Fonte: adaptado de iG- Economia (2017, on-line)11. QUADRO RESUMO 115 Trago aqui um pouco da experiência do jovem empresário Fernando Granato que se aventurou no mundo das Startups, com a criação da Quíron Educação. A Quíron Educação é uma empresa que tem como missão desenvolver e tor- nar acessíveis soluções educacionais que inspirem uma nova forma de pensar e agir, para construir uma sociedade mais protagonista, ou seja, composta de pes- soas que conheçam seus potenciais e saibam como concretizar seus sonhos. Para isso, a Quíron trabalha com aulas presenciais para jovens e educadores, utilizando uma metodologia própria, baseada nos Pilares da Educação da UNESCO, encorajando uma atitude mais empreendedora, sustentável e cidadã. São formações dinâmicas, prá- ticas e que culminam no desenvolvimento de projetos finais. O empresário entende que Startup é um modelo de negócio que começa pequeno e rápido, mas que tem grande potencial de escala e crescimento em um curto período de tempo. Ao invés de crescimentos constantes em formato mais linear, uma Startup é aquela que pode atingir um crescimento exponencial depois de validada com base em seus principais pontos. Com relação às motivações, Fernando diz que “ao longo dos últimos anos, percebemos que muita coisa mudou no mundo, a forma como vivemos, nos relacionamos e traba- lhamos, porém, parece que a educação tradicional não acompanhou tais mudanças. Ao perceber isso, resolvemos criar a Quíron e propor um novo modelo de ensino, mais ino- vador, prático e focado no desenvolvimento de sonhos e objetivos de cada estudante”. Sobre a empresa ter nascido a partir de oportunidade ou necessidade o empresário diz que está relacionada com uma oportunidade. Segundo a pesquisa “The Future of Jobs” (2016) do Fórum Econômico Mundial, as compe- tências exigidas do profissional do século atual não estão sendo ensinadas na escola ou na universidade, sendo as três principais: ✓ capacidade de resolver problemas complexos ✓ trabalho em equipe ✓ criatividade A Quíron nasceu após ouvir de mais de 2.000 estudantes em diversas pesquisas como essa, como seria a “Escola dos sonhos”, ou seja, o modelo educacional do futuro. Trabalhando o empreendedorismo no Brasil, o que vocês consideram como fatores motiva- cionais para que pessoas optem por empreender? “O ponto primordial é antes se perguntar: ‘qual é o meu propósito de vida? ‘, esta é uma pergunta que poucos se fazem, mas após ter- mos ela mais clara, nossa motivação para empreendermos projetos que tenham relação com nossos sonhos é muito maior. A partir deste ponto, é construção, foco e desenvolvimento.” Espero que você goste desta experiência. É muito bom podermos contar com as expe- riências de pessoas “reais” para entender como iniciaram seus projetos e claro, aprender com eles. Fonte: dados fornecidos em entrevista realizada pelo autor em 2017. 116 1. Nosso processo de criação de startup passa pela ideação, processo de geração de ideias, mas temos ideias o tempo todo e por isso devemos fazer algumas escolhas. Qual a finalidade da seleção de ideias? a) Escolher a ideia mais lucrativa; b) Descartar ideias ruins; c) Acumular ideias; d) Trabalhar com os conceitos; e) Criar uma startup tecnológica. 2. Montar uma startup é diferente de abrir uma lanchonete ou uma loja de shopping. Por definição, startup é um empreendimento com potencial para crescer e ganhar escala e é um negócio de risco, já que, na maioria das vezes, ninguém testou a ideia antes para ver se dava certo. De acordo com as infor- mações acima, a principal característica do negócio tipo startup é a seguinte: a) controle de qualidade; b) estocagem da produção; c) subcontratação no trabalho; d) inovação no empreendimento; e) investimentos de capitais em grandes proporções. 3. Ideias criativas podem valer muito dinheiro, essas ideias são testadas muitas vezes em eventos específicos.Neste contexto destacamos a figura do Mento- ring: qual seu papel na criação da empresa? a) Doar dinheiro para os criadores de Startup; b) Se tornar sócio de uma startup; c) Oferecer conselhos e assessoria aos criadores; d) Apresentar consumidores do produto; e) Desenvolver o plano financeiro da empresa. 117 4. Sou criativo e perceptivo e quero montar uma startup, mas preciso de apoio, não sei o que devo fazer para validar minha ideia. O que é esse passo? a) O empreendedor jamais deve se apaixonar pela sua ideia, ele precisar ir para o mercado e conversar com clientes reais e sentir se eles realmente têm aquele problema “suposto” pelo empreendedor. b) O empreendedor precisa ir o quanto antes levar seu produto para o merca- do e já tentar fechar as primeiras vendas. c) Ao mesmo momento que o empreendedor está lançando a primeira versão no mercado e precisa começar a modelar o seu futuro negócio, identificar os canais de vendas, monetização e proposta de valor. d) É hora de fazer a Startup ganhar corpo, intensificar sua operação e ganhar tração de mercado e para isso é fundamental ter um time de peso. e) É a criação e incorporação dos sonhos do empreendedor transformado em uma brilhante ideia com grandes chances de torná-lo rico 5. Para que possamos buscar investidores e maximizar nossas chances, precisa- mos desenvolver algumas etapas, dentre elas o pitch. O que você compreen- deu sobre pitch? REFERÊNCIAS 119 KOTLER, P. Administração de marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000. O QUE É a celeração inovativa. InovAtiva Brasil. [2018]. Disponível em: <http://www.inovativabrasil.com.br/programa-de-aceleracao/>. Acesso em: 11 maio 2018. SEBRAE. Como obter financiamento para startup. 17 jul. 2017. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/como-obter-finan- ciamento-para-startup,201a5415e6433410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em: 11 maio 2018. ______. O que é uma empresa startup?. 2017. Disponível em: <https://www. sebraemg.com.br/atendimento/bibliotecadigital/documento/Texto/O-que-e- -uma-empresa-startup#>. Acesso em: 11 maio 2018. VIVO. Entenda por que o mentoring faz a diferença para uma startup. Dis- ponível em: <http://destinonegocio.com/br/negocios-online/entenda-por-que- -o-mentoring-faz-a-diferenca-para-uma-startup/>. Acesso em: 11 MAIO 2018. REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <http://economia.ig.com.br/2016-06-30/startup-conceito.html>. Acesso em: 24 maio 2018. 2 Em: < http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/sebraeaz/o-que-e-uma- -startup,616913074c0a3410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em 10 maio 2018. 3 Em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/startup- -entenda-o-que-e-modelo-de-negocios,5b3bb2a178c83410VgnVCM- 1000003b74010aRCRD>. Acesso em 10 maio 2018. 4 Em: < https://endeavor.org.br/tudo-precisa-ter-boa-ideia//>. Acesso em: 10 maio 2018. 5 Em: <http://economia.ig.com.br/2016-06-30/startup-conceito.html>. Acesso em: 10 maio 2018. REFERÊNCIAS 6 Em: <https://endeavor.org.br/ideia-um-milhao-dolares-investidor/>. Acesso em: 10 maio 2018. 7 Em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/noticias/lei-muda-e- -amplia-apoio-de-investidor-anjo-a-startups,aaffb6fbf6fe9510VgnVCM- 1000004c00210aRCRD>. Acesso em: 10 maio 2018. 8 Em: <http://www.anjosdobrasil.net/principais-passos-para-obtenccedilatil- deo-de-investimento-anjo.html> Acesso em: 10 maio 2018. 9 Em : <http://www.inovativabrasil.com.br/investimento-startups/>. Acesso em: 10 maio 2018. 10 Em: <https://startupi.com.br/2015/05/a-importancia-da-mentoria-para-a-a- celeracao-das-startups-2/>. Acesso em: 11 maio 2018. 11 Em: <https://www.inovativabrasil.com.br/rede-de-mentoria/>. Acesso em: 11 maio 2018. GABARITO 121 1. B. 2. D. 3. C. 4. A. 5. Pitch é uma apresentação rápida em que o empreendedor apresenta o seu negócio de forma clara e concisa. U N ID A D E IV Professor Dr. Victor Vinicius Biazon DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES Objetivos de Aprendizagem ■ Distinguir plano de negócio de modelo de negócios. ■ Conhecer as especificidades do Customer Development Model. ■ Conhecer a modelagem em Startup com base na inovação enxuta. ■ Compreender a funcionalidade dos modelos Design Thinking e Inovação Aberta. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Diferença entre modelo e plano de negócios: Customer Development Model ■ O Modelo de negócio baseado na abordagem de inovação enxuta ou lean innovation ■ Design Thinking: uma forma de agregar valor ■ Open Innovation: dialogando com o mercado Projeto Startup Ideia Planejamento Estratégia Marketing Estratégia Realização Sucesso DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E124 DIFERENÇA ENTRE MODELO E PLANO DE NEGÓCIOS: CUSTOMER DEVELOPMENT MODEL Podemos começar este conteúdo com a seguinte afirmação: Investidores dão preferência a negócios com um mercado promissor, equipe excelente e bom produto; que não estão mais no mundo das ideias, que já conseguiram ajustar seus produtos/serviços ao mercado e estão começando a escalar o negócio (GRANDO, [2018] on-line). Quando falamos de empreendedorismo temos a ideia de que inicialmente deve- mos trabalhar com o plano de negócios. Sim, isso é verdade, mas no caso das Startups devemos pensar que há outras prioridades. Conforme explica Grando ([2018], on-line) na citação acima, o modelo de negócio é mais importante nas startups que o plano de negócio tradicional. Entendemos que há tempos usamos e recomendamos o plano de negó- cio para detalhar como uma empresa pretende atingir suas metas e criar valor, como também representa uma forma estruturada para convencer investidores. Conforme a Social Good Brasil ([2018], on-line), o pensamento originado e disseminado no senso comum ordena que para empreender iniciativas ino- vadoras precisamos prospectar investimento, dinheiro, desenvolver um grande Diferença Entre Modelo e Plano de Negócios: Customer Development Model R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 125 produto e fazer um lançamento bem estruturado no mercado. Somos levados a acreditar que devemos trabalhar executando um detalhado plano de negócio. Esta pode ser uma lógica dentro dos modelos tradicionais de negócios, mas tal- vez não seja o ideal no mundo “fora da caixa”. Empreendedores tradicionais costumam criar planos de negócio que apoiem sua decisão no início da operação de suas empresas. No caso das Startups, o empreendedor deve deixar o plano para depois de validar seu modelo de negócio. E esta ideia de validação é importante porque é muito provável que no início do negócio, esta Startup saiba delinear com precisão o problema e a solução a serem tratados e deste modo vão trilhar caminhos cheios de obstáculos para desviar. “O modelo de negócios é a forma como uma empresa cria, entrega e captura valor. Em outras palavras é a fórmula que transforma time, produto e gestão em receita, lucros e retorno para os acionistas” (SEBRAE, [2018], on-line). Problemas relacionados à oferta e demanda acaba por gerar dúvidas aos novos gestores quando se trata do alinhamento entre Startup e empresas convencio- nais, e este fato deixa dúvidas sobre o que idealizar primeiro: plano ou modelo. Isso porque normalmente as micros e pequenas empresas “tradicionais” foram pensadas na concepção do empreendedorismo que todos nós trazemos, ligada ao marketing de oportunidade de mercado, quer dizer, são montadas para ofe- recer uma solução para um problema conhecido. “A maioria das iniciativas inovadoras não falha por haver esquecido de execu- tar algum ponto do seu plano, mas sim por não conseguir vender seus produtos, ou seja, por não encontraro “encaixe” entre produto e mercado” (SOCIAL GOOD BRASIL, [2018], on-line). Pimenta (2014, on-line) traduz um pouco desse pensamento que afirma- mos até aqui: empreender hoje exige a busca pela diferenciação através de um modelo de negócio inovador. Se o modelo é inovador, significa propor algo novo, logo não se tem certeza se vai agradar. Por isso é importante que seja va- lidado antes de ser lançado, num processo de experimentação e ajustes. As startups procuram soluções flexíveis e adaptáveis para problemas que nem sempre estão claramente explícitos. A diferença é que as startups realmente pro- missoras fazem uma dessas duas coisas: ou inventam um modelo totalmente DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E126 novo ou reinventam um modelo tradicional e o atualizam para um contexto muito diferente. Pensando neste contexto, o professor americano Steve Blank diz que deve- mos pensar de forma diferente do modelo de concepção tradicional de produtos, isso porque na Startup não sabemos muito sobre a demanda e nem da solução. No livro The Four Steps to the Epiphany, o professor diz que ao invés de seguir o desenvolvimento linear tradicional devemos buscar contatos rápidos com os clientes para colher retornos previamente. Segundo o autor, existem quatro categorias de Startup: As que trazem um novo produto para um mercado existente As que trazem um novo produto para um novo mercado As que trazem um novo produto para um mercado existente e tentam ressegmentá-lo através de uma entrada como low-cost As que trazem um novo produto para um mercado existente e tentam ressegmentá-lo através da criação de um nicho de mercado Figura 01 - Categorias de Startups Fonte: adaptado de The Four Steps to the Epiphany - Steve Blank ([2018], on-line)1. Diferença Entre Modelo e Plano de Negócios: Customer Development Model R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 127 Figura 02 - Desenvolvimento do CDM Fonte: Social Good Brasil ([2018], on-line). Para ampliar sua Startup pensando no cliente, foi desenvolvido um modelo cha- mado cdm: customer development model ou modelo de desenvolvimento do cliente cujos principais processos são a descoberta de clientes, validação dos clientes, criação dos clientes e criação da empresa. Vamos conhecer agora uma ilustração com explicações para que possamos compreender como se desenvolve o CDM, tendo como base o Social Good Brasil (on-line) e Pimenta (2014). Iteração: aprendizado e descoberta BUSCA do encaixe entre produto e mercado Execução CRESCIMENTO e ESCALA Pivô Descoberta ValidaçãoPare Pivô Pivô Pare Geração de demanda Estruturação do Negócio Pivô Pivô Pare As ofertas atendem demandas reais das potenciais clientes? Os clientes realmente adotam as soluções ofereci- das? Há um modelo de negócio viável? É possível escalar o modelo, atingindo um número significativo de clientes? Como estruturar o negócio? Como focar na execução e não mais no aprendizado? Através do cdm, conceito desenvolvido por Blank e publicado no livro “The Four Steps to the Epiphany: Successful Strategies for Products that Win”, reforça-se a ideia de que além de confiar na intuição, quando criamos um novo negócio, também é preciso validar o modelo de negócio com os clien- tes em um processo de iteração. Atualmente, esse conceito já faz parte da realidade do “novo jeito de empreender”, através de ferramentas como can- vas, customer development, startup enxuta, design thinking e outras for- mas inovadoras de financiamento. Fonte: adaptado de Estadão PME (2014, on-line). DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E128 O cdm é uma ferramenta adequada à realidade de iniciativas inovadoras, justa- mente por voltar seu esforço ao processo de busca do “encaixe” entre produto e mercado, de maneira iterativa e dinâmica. A ideia central é que não basta desen- volver o produto, é preciso também conhecer e fazer o produto certo para um segmento específico de clientes (daí é que vem o termo em inglês customer develo- pment, ou, em português, desenvolvimento do cliente) (PIMENTA, 2014, on-line). O termo iteração, diferente de interação, é o processo que se repete, gerando um resultado parcial que será utilizado para o próximo ciclo. O Social Good Brasil ([2018], on-line) diz que antes de executar um plano de negócios com rigor, detalhes e etapas que merece, o objetivo é encontrar um problema relevante e verificar a validade das soluções propostas. A ideia aqui nesse modelo é “economizar recursos enquanto se busca o encaixe e gastá-lo para crescer assim que o encaixe for encontrado”. Vamos conhecer quais seriam os processos ou os 4 passos para a epifania, que orientam o modelo baseado no cliente. 1. Descoberta de Clientes Descobrir quem são os clientes para o produto que se pretende oferecer e se o problema que se está querendo resolver é importante para os clientes. 2. Validação dos Clientes A validação de clientes prova a descoberta de um conjunto de clientes e um mercado que irá reagir positivamente ao produto. 3. Criação dos Clientes O objetivo é criar uma procura de consumidores finais e conduzir essa procura para os canais de venda da empresa. 4. Criação da Empresa Quando a empresa transita de departamentos informais para departamentos e estrutura formais. Quadro 01 - Processos do modelo de desenvolvimento do cliente - CDM Fonte: adaptado de The Four Steps to the Epiphany - Steve Blank ([2018], on-line). Trata-se então de um modelo cujo objetivo é desenvolver o produto focando no cliente, verificando se atende diretamente às necessidades de mercado, o que obviamente aumentaria as chances de adoção e de engajamento a esse novo produto/serviço antecipando as funcionalidades que realmente farão diferença. Diferença Entre Modelo e Plano de Negócios: Customer Development Model R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 129 Inicialmente, realizamos a busca pelo negócio, que é o mais importante pro- cesso de iteração em busca da aprendizagem e da descoberta se o negócio existe mesmo ou não passa de ilusão, uma hipótese não confirmada. A partir disso seguiremos para os primeiros passos do cdm: descoberta do cliente e valida- ção do negócio junto aos clientes. Percorrer esses dois passos exige optar por um caminho não linear e sim iterativo. Trata-se de ida e vinda entre a verifica- ção de hipóteses de descobertas, surgidas no modelo de negócios, e, na maioria das vezes, de necessidade de mudanças e ajustes nas suas ideias iniciais. Vamos exemplificar: você pretende abrir uma loja de venda de materiais elétricos, mas pode ser que a oportunidade seja de uma empresa de marido de aluguel para serviços de eletricista. Devemos vencer a primeira fase antes de formalizar o negócio para reduzir incertezas e prejuízos. As hipóteses (loja de materiais elétricos ou serviço de eletricista) precisam ser validadas pelos clien- tes, de acordo com o que eles querem. Os passos seguintes compreendem a gestão do negócio e crescimento da empresa. Para a gestão do negócio, vamos construir o plano de negócios ou ainda trabalhar o canvas para que possamos estruturar os diversos fatores que envolvem a criação de uma empresa e depois trabalhar na projeção e execução de estratégias de crescimento. Figura 03 - Exemplo do modelo Canvas Fonte: Sebrae (2015, on-line)2. DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó dig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E130 Percebe aqui que toda a ideia é gerada em função de agregação de valor, ou ainda, antes disso, a percepção de valor do cliente. A busca de um modelo de negócio é necessária em uma Startup completamente nova ou em uma nova divisão de uma empresa já existente. Nessa fase de “busca” vamos a campo para conhecer melhor o cliente e suas reais necessidades para construir em paralelo um pro- duto mínimo viável que possa atender as expectativas (GRANDO, 2012, on-line). Na literatura de marketing, o conceito de valor aparece com diferentes interpre- tações e acepções. Ao discutirem o conceito de valor (percebido), Zeithaml e Bitner (1988 apud FALCÃO et al. 2016) discutem que estão relacionados aos atributos tan- gíveis e intangíveis do produto, os quais refletem aspectos como qualidade, utilidade, relevância e imagem de marca e também custos monetários e não monetários como preço, tempo, esforço, energia física, energia psíquica e risco envolvido na escolha. Quer dizer, valor se traduz pela métrica padronizada benefícios/custos de obtenção. Vamos esquematizar isso para que nada seja deixado de lado. MODELO DE NEGÓCIOS QUEM É O CLIENTE? PRODUTOS CRIA VALOR CUSTOS MERCADOS O QUE (QUAL) É A SUA PROPOSIÇÃO DE VALOR, OU SEJA, O QUE VOCÊ ESTÁ OFERECENDO? COMO VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO? QUANTO ($$$) FINANÇAS - QUAIS OS CUSTOS E QUAIS RECEITAS? SERVIÇOS SOLUÇÕES EXPERIÊNCIAS SEGMENTOS DE CLIENTES PROBLEMAS/NECESSIDADES/DESEJOS ENTREGA VALOR CAPTURA VALOR RECEITAS Figura 04 - Modelo de negócios Fonte: Grando (2012, on-line)3. A sua Startup, seu produto para ter valor ou para ser percebido como positivo para o cliente deve agregar algo útil, fazer a diferença, resolver um problema ou gerar comodidade e ainda ter bom custo-benefício. Uma tarefa que pode ser um tanto complicada, mas não impossível. Desta forma, o cdm é uma opção para que sua empresa já nasça sob a perspectiva de agrado e engajamento do cliente. Diferença Entre Modelo e Plano de Negócios: Customer Development Model R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 131 Conforme Bueno (2015, on-line), tendo em vista nossas leituras, nossa experi- ência como empreendedores e agora mais engajados no mundo das Startups, o que devemos ter aprendido? ■ Planos de Negócios raramente sobrevivem ao primeiro contato com o cliente. Como o boxeador Mike Tyson uma vez disse “Todo mundo tem um plano até levar um soco na boca”. ■ Ninguém além de grandes Venture Capitalists e da antiga União Soviética exige planos para cinco anos de previsão do imprevisível. Esses planos são apenas “sonhos” e investir tempo em “sonhar” quase sempre é uma perda de tempo. ■ Startups não são versões menores de grandes empresas. Elas não estão sujei- tas aos limites de “planos e metas corporativos”. Hoje, as startups que são bem sucedidas têm muita pressa em cometer erros ao invés de investir meses pla- nejando para tentar não errar. Elas são altamente velozes e adaptáveis e vão melhorando suas ideias junto com os clientes e usuários de seus produtos. Grando (2012) diz que a ideia de não ter uma organização funcional até que a orga- nização encontre um modelo de negócio comprovado é uma das coisas mais difíceis para os empreendedores de Startups entenderem. Então, um adendo aqui, que merece ser feito: esse modelo não inviabiliza ou não suspende a necessidade de um bom plano de gerenciamento, um bom plano de negócio, apenas inverte um pouco as etapas, ok? O empreendedor e sua equipe devem assumir a preparação do plano de negócios, estabelecendo a visão geral do plano, sua aplicação, seus prazos e objetivos. Esse exercício é parte importante do planejamento estratégico das organizações que se encontram melhor estruturadas. Fonte: Pierantoni (2011, on-line)4. Já pensou como seria mais simples se de algum modo trabalhássemos junto com nossos clientes em potencial para criar algo que eles realmente queiram? DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E132 O MODELO DE NEGÓCIO BASEADO NA ABORDAGEM DE INOVAÇÃO ENXUTA OU LEAN INNOVATION Pensar a inovação dessa maneira demanda mudar a forma como as empre- sas desenvolvem suas iniciativas, criando um processo rápido de testagem e aprendizado. O modelo tradicional do processo de inovação é baseado principalmente na metodologia linear de planejamento extensivo e a busca pela perfeição até o lançamento no mercado. O modelo de inovação enxuta utiliza o conceito de mínimo produto viável e testagem rápida, prioritariamente em condições reais de mercado. A ideia é ir refinando o conceito inicial com velocidade e custo baixo, aprendendo com as interações no mercado. Agora que já entendemos a diferença entre plano e modelo de negócios, nós vamos conhecer outras formas de modelar seu empreendimento inovador, vamos agora contextualizar o modelo de negócios baseado no conceito de Lean Startup. Conforme a Pierantoni (2015, on-line) o empreendedor que tem uma ideia de negócio, depois de fazer o seu plano de negócios, apresenta a sua proposta a investidores, capta recursos, monta sua equipe e parte para a produção e em O Modelo de Negócio Baseado na Abordagem de Inovação Enxuta ou Lean Innovation R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 133 seguida, lança o produto no mercado. O problema é que é muito comum isso não dar certo e o resultado ser muito esforço e dinheiro jogado no lixo. Mais uma vez, o movimento Lean Startup vai à contramão do que é ensinado. Vamos agora nos aproximar desse entendimento. Você já ouviu falar em just in time? Uma expressão da Administração que significa produção enxuta, que foi desenvolvido pela Toyota com tentativa de minimizar os custos com esto- ques. Isso porque sabemos que acumular matéria prima, ou produtos acabados no depósito gera custos para a empresa e nós não queremos gastar com nada que não seja necessário não é mesmo? A ideia do just in time, se aproxima do que vamos tratar como Lean Innovation, um termo registrado por Eric Ries que passou os últimos anos combinando ideias de marketing, tecnologia e gestão e criou o termo “Lean Startup”. Só que não está relacionado só com custos, mas também com velocidade. Conforme o Sebrae (2017, on-line) podemos conceituar lean traduzindo como “enxuto” e é bastante conhecido na gestão e indústria tradicional, envol- vendo a identificação e eliminação sistemática de desperdícios. De um modo geral, “qualquer método lean usa a estratégia de atuar localmente em cada item de desperdício de tempo, custo ou recursos, para chegar a uma qualidade maior e um time-to-market mais rápido”. Essa abordagem nasceu nas startups e tem sido utilizada em empresas de todos os portes. Na prática, Sebrae (2017, on-line) diz visualizar certa dificul- dade em algumas grandes empresas em adotar uma postura lean e alguns fatores contribuem para tal: ■ a cultura de erro (o medo de errar e quanto à empresa está disposta a arriscar); ■ a burocracia do processo tradicional que praticamente obriga que os times de projetos comprovem antecipadamente que as “coisas irão funcionar conforme o planejado”; e ■ falta de suporte da organização para fomentar uma cultura com essa abordagem. Lean Startups desperdiçam menos dinheiro, porque usam uma abordagem disci- plinada para testar novos produtos e ideias. No mundo das Startups, a expressão DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E134lean é utilizada para retratar a startup enxuta, ou seja, atuando sob processos ágeis de construção de empresas e produtos que usam os princípios de manufatura enxuta aplicada à inovação. “Esse processo envolve testes rápidos de validação de hipóteses, aprendizado sobre clientes e uma abordagem disciplinada para o desenvolvimento do produto” (GRANDO, 2012, on-line). Em suma as leans operam sob uma metodologia pensada originalmente para startups de tecnologia em um método mais coeso e aplicável a qualquer empre- endimento nascente. Acredito que você já deve ter feito essa conta, mas vale dizer que existe uma ligação entre o que vimos no contexto da cdm e a Lean Startup, porque con- forme Grando, (2012, on-line) “a metodologia Lean Startup se aplica a todas as empresas que enfrentam a incerteza sobre o que os clientes querem” e ainda diz que mesmo grandes empresas precisam desenvolver capacidade de criar inova- ção disruptiva, ou que rompa com a “normalidade”. Contribuindo com essa ideia temos a Pierantoni (2015, on- line) explicando que a metodologia Lean Startup apresenta ao empreendedor alguns conceitos, como o mvp, a ideia de pivot e métodos mais ágeis de interação com clientes. Alguns desses nós já conhecemos como a ideia de “pivotear”, mas as demais vamos conhecer agora. O termo pivot é usado para indicar que uma empresa mudou significativa- mente algum aspecto do seu negócio com base no aprendizado obtido com os testes. Para uma startup, significado de pivot, apesar de simples de explicar, é uma tática de negócios importante que pode definir se o projeto irá morrer ou crescer. O significado ou a ação é girar em outra direção e testar novas hipóte- ses, mas mantendo sua base para não perder a posição já conquistada. PRINCÍPIOS DA LEAN STARTUP Fechando o tópico, para Grando, (2012, on-line) a ideia de Lean Startup é fazer tudo da forma mais simples possível, usando o mínimo de recursos e o máximo de velocidade para economizar dinheiro e diminuir riscos. Esta empresa enxuta começa com um produto mínimo viável e através de um processo iterativo de O Modelo de Negócio Baseado na Abordagem de Inovação Enxuta ou Lean Innovation R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 135 aprendizagem e validação qualitativa busca o ajuste do produto ao mercado para só então crescer em escala e estrutura. Destacamos abaixo as ferramentas que compõem a Lean Startup: ■ produto mínimo viável (minimum viable product - mvp): de acordo com o Sebrae (2017, on- line) a metodologia de Lean Startup trata a defini- ção do produto mínimo viável (mvp, do Inglês minimum viable product), mas o que significa cada um desses termos? ■ minimum: o menor tamanho possível, que possa ser entregue no menor tempo possível; ■ viable: uma proposição de valor importante o suficiente para que seu prin- cipal cliente adote esse produto, se possível gerando receita; ■ product: funcionalidades encaixadas em uma entrega que se assemelhe a um produto coeso e útil; Seguindo a ideia e juntando isso tudo podemos entender que mvp está ligado à construção de um produto que o cliente dá valor, usando o menor número de recursos no menor tempo possível, mas que se assemelhe a um produto (e não uma lista de funcionalidades disponíveis para uso). Você sabia que empresas como Amazon, Facebook e Zappos começaram como startup e adotaram o Lean Startup? Pois é, no Brasil temos o caso da Easy Taxi de Tallis Gomes, que conforme Carvalho (2015, on-line) afirmou ter criado a primeira versão do aplicativo no modelo mvp: primeiro, um protótipo do serviço, no qual o pedido do usuário caía direto no seu e-mail pessoal e ele procurava no Google Maps um carro disponível. Quando percebeu que havia de fato demanda para esse tipo de serviço, aí sim ele desenvolveu o app. Vale ressaltar que não é fácil encontrar um mvp, ainda mais quando se tenta traba- lhar um modelo de negócios inovador. Encontrá-lo é normalmente fruto de várias iterações, tentativa e erro, medições, protótipos testados junto a muitos usuários e semanas de noites mal-dormidas (SEBRAE, 2017, on-line)5 e conforme Bueno (2015, on-line) antes de aprender com nossos clientes, as ideias que tínhamos do que pode ou não dar certo são baseadas em “achismo”. “Então vá errar junto a seus clientes!” Deixe que eles te digam quais seus erros e acertos ao invés de presumir que você está certo. DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E136 Construir - Medir - Aprender: as ideias envolvem o ciclo build - measure – learn, desenvolvimento de clientes segundo ensinado por Steve Blank, métodos ágeis de desenvolvimento de produtos e uma interação constante com os usuários para testar diferentes hipóteses de como o produto se encaixa no mercado (DIAS, 2015, on-line). Conforme Dias (2015, on-line) as ideias são transformadas em algo tangível, no passo construir dentro do conceito de produto mínimo viável (que já vimos), gerando uma primeira proposta de produto. Tendo um produto em mãos, no pró- ximo passo, medir, verifica-se junto aos clientes alvo a aceitação do produto, testando suas funcionalidades e comprovando (ou refutando) as hipóteses geradas, estabele- cendo um conjunto de dados para análise. No passo aprender verifica-se o porquê do desempenho abaixo do esperado na avaliação pelos clientes, ou das preferências dos clientes diante de diferentes opções. Decide-se então entre pivotar ou perseverar. Figura 05 - Ciclo Construir - Medir - Aprender O Modelo de Negócio Baseado na Abordagem de Inovação Enxuta ou Lean Innovation R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 137 Gestores ou funcionários atentos podem ser considerados intra-empreendedo- res, podendo se beneficiar da velocidade e da disciplina de começar com um produto mínimo viável e aprender interagindo continuamente. Podemos entender aqui que o desenvolvimento contínuo faz parte dos obje- tivos e necessidades da Lean Startup. Se percebermos que nosso produto não está agradando, vamos buscar opiniões dos clientes, vamos para o mercado e como trabalhamos com produção enxuta, mais facilmente vamos alterar, reformular e melhorar esse produto/serviço. Conheça três dicas básicas para iniciar uma startup de sucesso usando Lean Startup. 1. Faça um rápido Canvas e vá coletar feedback com seus clientes: o pri- meiro passo para uma startup seguindo a metodologia Lean Startup é pre- parar um Canvas incluindo todos os 9 blocos de seu modelo de negócio 2. Após pedir feedback, faça rápidas modificações e vá pedir mais feedback: você ouviu o que os clientes queriam, percebeu que era necessário efe- tuar modificações então faça. 3. Seja ágil (Agile) ao desenvolver seu produto: não há como sua startup se tornar uma Lean Startup sem as melhores práticas dos métodos ágeis para gerenciamento de projetos relacionados ao seu produto. Fonte: Bueno (2015, on-line). Em outras palavras, a partir das ideias você constrói um produto mínimo viável (código), mede os resultados, coleta dados e aprende algumas lições. Este laço de aprendizagem deve ser continuado de forma rápida, fazendo ajustes até que produto e mercado estejam no mesmo nível. De acordo com Grando, (2012, on-line) o objetivo é conseguir um modelo de negócio de valor, ou seja, que deixe o cliente feliz e gere lucro. PROCESSO DE DESIGN THINKINGPROCESSO DE DESIGN THINKING SIMPATIZAR DEFINIR IDEALIZAR TESTE PROTÓTIPO DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A DE138 DESIGN THINKING: UMA FORMA DE AGREGAR VALOR Na última década o design thinking vem sendo utilizado para promover a ino- vação nas organizações e envolve o processo de geração de ideias em um grupo multidisciplinar como foco na resolução de problemas, assim, a utilização do design vai além da aparência dos produtos, sendo aplicado na concepção de solu- ções, que englobam os aspectos estratégicos do negócio. Trata-se de um novo jeito de pensar e abordar os problemas. Como estamos no Brasil, vamos tentar traduzir o termo que pode ser enten- dido como “pensar como um designer pensa”, não configurando uma abordagem exclusiva para solução de problemas de design. É mais bem retratado como “[...] um conjunto de princípios que podem ser aplicados por diversas pessoas a uma ampla variedade de problemas” (BROWN, 2010, p. 6 apud BOSCHI, 2012, p. 43). E vale ressaltar que a utilização da expressão Design Thinking para determinar processos de geração de inovação vem sendo amplamente divulgada e utilizada como estratégia mercadológica. Mais detalhadamente, o processo consiste em uma abordagem colaborativa um método que permeia as atividades de inovação com foco no ser humano, que gera inovação através de interação e práticas criativas. É um processo de geração de ideias a partir de agentes externos e alcança soluções inovadoras por meio Design Thinking: Uma Forma de Agregar Valor R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 139 da compreensão do contexto em que um projeto de inovação é desenvolvido. O Design Thinking propõe que um novo olhar seja adotado ao se endereçar problemas complexos, um ponto de vista mais empático que permita colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto e gerar resultados que são mais desejáveis para elas, mas que ao mesmo tempo financeiramente interessan- tes e tecnicamente possíveis de serem transformados em realidade. O Design Thinking é uma metodologia difundida por Tim Brown e pode ser considerada uma ferramenta para desenvolvimento de criatividade e ino- vação. Pensando na criação de uma Startup por pessoas dentro de uma equipe de trabalho, de colegas de sócios, vou utilizar o entendimento de Brown e Katz (2010 apud MARTINS FILHO, 2016, p. 89), que sugerem que devemos come- çar essa criação identificando as restrições mais importantes dentro do projeto em questão; estabelecendo e utilizando indicadores e critérios de viabilidade (busca por projetos sustentáveis), praticabilidade (o que é funcionalmente pos- sível) e desejabilidade (o que faz sentido para as pessoas). Ao desenvolver uma inovação, é preciso que ela seja tecnologicamente viá- vel, condizente com a estratégia de negócios da empresa, convertida em valor para o cliente e em oportunidade de mercado para a empresa e com base nes- ses critérios definidos. Mais detalhadamente, segundo Calabria et al. (2013) o processo consiste em uma abordagem colaborativa, um método que permeia as atividades de inovação com foco no ser humano, que gera inovação através de interação e práticas criativas. É um processo de geração de ideias a partir de agentes externos e alcança soluções inovadoras por meio da compreensão do contexto em que um projeto de inovação é desenvolvido. Ao desenvolver uma inovação, é preciso que ela seja tecnologicamente viá- vel, condizente com a estratégia de negócios da empresa, convertida em valor para o cliente e em oportunidade de mercado para a empresa e há três fases de acordo com Calabria et al. (2013): I. inspiração: o processo de descoberta centrado no ser humano; II. ideação: atividades de geração, desenvolvimento e teste de ideias; e III. implementação: mapeamento de um caminho para se chegar ao mercado. DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E140 BRAINSTORM Avançar para o próximo projeto - repetir Aplicar o processo ao negócio - divulgar Ajudar a desenvolver uma estratégia de comunicação de marketing Executar a Visão Projetar a experiência Prototipar um pouco mais, testar com usuários, testar internamente Protótipo, teste Protótipo, teste... Comunicar internamente - não funciona no escuro! Contar mais histórias (elas mantêm as ideias vivas) Colocar os clientes no meio de tudo, descrever suas jornadas Construir enquadramentos criativos (ordem a partir do caos) Aplicar pensamentos integrativos Fazer muitos esboços, criar cenários Expectativa Conseguir recursos para implementação do projeto O que as pessoas fazerm? Como elas pensam? O que precisam e querem? Quais são as restrições do negócio (tempo, falta de recursos, carteira de clientes pobres, perda de mercado)? Envolve muitas disciplinas desde o início (por exemplo, engenharia e marketing) Prestar muita atenção aos usuários “fora de padrão”, como crianças ou idosos Há ideias interessantes, bens e conhecimentos escondidos dentro da empresa? Organizar e sintetizar as informações e as possibilidades (contar mais histórias) Buscar uma sala onde se possa compartilhar idéias, contar histórias Como uma nova tecnologia pode ajudar? Qual é o problema? Onde está a oportunidade? O que mudou (ou pode mudar em breve)? 3 1 2 Figura 06 - Etapas do processo de design thinking Fonte: Calabria et al. (2013). É um processo de cocriação, envolvendo clientes em potencial para contribuir no processo de desenvolvimento de novas ofertas de negócios, seja por meio da descrição de insatisfações, sugestão de ideias ou teste de protótipos. Os fatores que diferenciam o design thinking dos demais modelos de inovação consistem no estudo detalhado do contexto do problema (com possibilidade de ressignifica- ção), e a cocriação que ocorre entre a empresa, os clientes, fornecedores e demais pessoas envolvidas no processo de desenvolvimento e/ou uso do produto/serviço. Boschi (2012) desenvolveu uma pesquisa com os diversos “tipos” de design thinking e compilou em um único lugar, facilitando pra gente o entendimento. Design Thinking: Uma Forma de Agregar Valor R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 141 Figura 07 - Compilação das fases dos processos de design Fonte: Boschi (2012). Vamos conhecer agora quais são os aspectos-chave ou características do design thinking na compilação do quadro 02. 1. Inventividade condicionado: o pensamento criativo para designers é direcionado para inventar. A criatividade do designer complementa, assim, a criatividade científica, mas traz a invenção uma preocupa- ção que não só o que é produzido ser inventivo, mas estar dentro da estrutura centrada no ser humano e centrada no meio ambiente regem os esforços do designer. 2. Foco centrado no ser humano: o design é direcionado ao cliente. Design thinking deve continuamente considerar como o que está sendo criado responderá às necessidades do cliente. Origem Frases dos processos de design Descobrir e definir Descobrir Inspiração Insights Pesquisar e analisar Imersão Projetar Desenvolver Idealização Ideiais Idear Ideação Idealizar Entregar Entregar Implementação Protótipo e realização Verificar Prototipação Prototipar e testar Entender, observar e definir DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E142 3. Preocupação com o ambiente no centro: o pensamento atual coloca os interesses do ambiente em um nível com os interesses humanos como principais preo- cupações no processo de design. Design sustentável é um resultado muito perceptível. 4. Viés de adapta- bilidade: visão de que, sempre que possível, as soluçõesdevem ser adaptáveis, na produção, para atender as necessidades dos usuários com exclusividade, e ao longo da sua utilização, para atender a evolução ou desenvolvimento das necessida- des dos usuários. 5. Predisposição para a multifun- cionalidade: as soluções para os problemas não precisam ser “monofuncional”. 6. Visão sistêmica: design thinking é holístico, tratando problemas como problemas no sistema, com oportunidades de soluções sistêmicas. 7. Vista do gene- ralista em um mundo de especialistas, há uma necessidade real para aqueles que podem alcançar todas as disciplinas para comunicar e trazer diversos especialistas juntos em um esforço coordenado. 8. Habilidade de usar a linguagem como uma ferra- menta: a linguagem é geralmente considerada como um meio para comunicação, mas para os designers também é uma ferramenta. 9. Facilidade para evitar a necessi- dade de escolha: ao invés de escolher entre uma ou outra solução, procura unir as melhores características de todas elas. Quadro 02 - Aspectos-chave ou características do design thinking Fonte: adaptado de Owen (2008, p. 18 apud Lima et al. 2013, p. 7-8). Pense que você é um design thinker. Você sabe como deve ser o seu pensamento? Ou como deve ser sua forma sistemática de compreender problemas e propor- cionar soluções? A figura nos mostra como sua cabeça deve funcionar. Design Thinking: Uma Forma de Agregar Valor R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 143 Postura Ferramentas Experiências Orienta Informa 1. Meu mundo é orientado para a confiabilidade 2. Meu mundo recompensa o aprimoramento do estágio existente Entretanto... 3. Tento equilibrar confiabilidade com validez 4. Busco avançar o estágio do conhecimento 1. Observação 2. Imaginação 3. Configuração 1. Aprofundar o mistério e 2. Estimular a originalidade Orienta Informa Figura 08 - Sistema de conhecimento pessoal do design thinker Fonte: Martin (2010, p. 163 apud Lima et al. 2013, p. 12). Os autores declaram que se os gestores de empresas pensassem dessa forma, ou ainda você como criador, gestor da sua Startup pensassem assim proporciona- ria aos que estão envolvidos contigo muito mais empatia, invenção e iteração. Pensando nisso o consultor Nickolas que nos tem apoiado em diversos assun- tos para a construção deste material nos diz que a missão do Sebrae é desenvolver e fomentar o empreendedorismo bem como o desenvolvimento e sustentabilidade das mpe´s por meio de qualificação e inovação. Sendo assim, há a disposição desse empreendedor, desse thinker, diversos produtos que fomentam o surgimento de novos negócios como a pocket de produtos do “começar bem”. Para o surgimento de novos negócios Startups, o Sebrae/Pr possui o programa Startup/Pr, que atua em 3 grandes momentos de uma Startup (ideação, operação e tração). Pensando na importância do capital humano e intelectual, não é difícil con- cluir que as instalações físicas de seus concorrentes podem ser melhores que as suas, mas o “cérebro”, as ideias, as soluções que sua equipe desenvolve isso é seu. Trate bem, não como um simples recurso que você usa e descarta, faça dessa equipe, dessas pessoas, parceiros, companheiros e entusiastas do seu crescimento, porque se um cresce, todos crescem juntos. Pense nisso, crie um ambiente de aprendizagem colaborativa para que seu projeto tenha mais chance de dar certo por conhecer melhor e mais profunda- mente as expectativas do mercado, dos seus sócios e dos investidores. DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E144 OPEN INNOVATION: DIALOGANDO COM O MERCADO A abertura das organizações à participação de agentes e fontes de conhecimento externas tem-se revelado uma das mais relevantes tendências de gestão da última década e de promoção de competitividade. A inovação é uma força motriz para a prosperidade de organizações, regiões e nações, entretanto, inovar no atual contexto de rápida transformação tecnológica traz desafios: o ciclo de vida de produtos e serviços é cada vez menor, enquanto a crescente integração tecnológica torna mais cara os investimentos em inovação e mais incertos o retorno. Com isso, muitas organizações entendem as vantagens de abrir seus processos de inovação buscando inovar por meio de colaboração com agentes externos, sob o modelo de Inovação Aberta (GALDO, 2016). Vimos até aqui que a inovação trabalha ou pode trabalhar como um sistema de etapas como mostra a figura. Open Innovation: Dialogando com o Mercado R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 145 Este é o processo que normalmente chamamos de funil de inovação, no qual o objetivo principal é a criação de um processo estruturado de implantação de um Portfólio de Inovação. “A tecnologia é considerada nos meios acadêmicos, industriais e governamentais como uma das principais fontes de vantagem com- petitiva” (COUTINHO, 2004, p. 1). A inovação tecnológica tem sido a força que impulsiona o desenvolvimento industrial, o aumento da produtividade e mesmo, o crescimento do nosso padrão de vida através da história. Ela pode criar ou des- truir a lucratividade, pode “criar novas indústrias e transformar ou destruir as existentes e constitui uma força vital no ambiente competitivo da firma moderna”. O que é open inovation? Para a ICD – Inovação, Competitividade e Design é: [...] a Inovação Aberta pode ser descrita como: o processo de inova- ção no qual indústrias e organizações promovem ideias, pensamentos, processos e pesquisas abertos, a fim de melhorar o desenvolvimento de seus produtos, prover melhores serviços para seus clientes, aumentar a eficiência e reforçar o valor agregado. Ela é a combinação de ideias in- O PROCESSO DE INOVAÇÃO muitas Idealização Classificação preliminar Escolha dos projetos Liberação de investimentos Seleção Desenvolvimento Implementação poucasIniciativas de Inovação poucos MuitosNecessidade de Recursos Etapa 1 Etapa 2 Etapa 3 Etapa 4 Análise de ideias, insights, tendências e oportunidades Avaliação, estudo de potencial, construção de portfólio e definição de prioridades Alocação de recursos e refino dos projetos Aceleração, ganho de escala e avaliação Figura 09 - Processo de Inovação Fonte: adaptado de Camargo ([2018], on-line)6. DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E146 ternas e externas, como também, caminhos internos e externos para o mercado, de modo a avançar no desenvolvimento de novas tecnologias em produtos e processos (ICD, 2014, on-line). Galdo (2016) complementa com o conceito de Inovação Aberta para denominar e sintetizar em um conceito, o modelo de inovação que vai além das fronteiras organizacionais para levar adiante uma nova ideia de produto (serviços inclu- sive), processo ou negócio, fazendo uso de conhecimentos internos e externos por meio de várias formas de colaboração com agentes externos. > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > > Processo tradicional de Inovação Inovação Aberta P&D P&D > > > > > > Figura 10 - Funil da inovação Fonte: adaptado de Chesbrough (2011 apud GALDO, 2016, p. 50). Repare que há um funil fechado e um funil permeável que representa a Inovação Aberta, ilustrando como a inovação desenvolvida em departamentos de P&D fecha- dos pode romper as barreiras da confidencialidade, “vazando” para o mercado. Open Innovation: Dialogando com o Mercado R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt. 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 147 Nestes termos, para a ICD (2014, on-line) a Inovação Aberta significa que deve haver uma mudança na forma em que as pessoas veem a empresa e seu ambiente, não devemos ficar fechado, com os departamentos fechados ou com nossa ideia de Startup fechada, devemos nos abrir para ouvir. Outro ponto ainda importante, que vocês já estão fazendo enquanto aluno de graduação é levar a ideia de que a empresa, a Startup, deve considerar o esta- belecimento de cooperações com instituições de pesquisa, universidades, seus fornecedores e mesmo com os usuários (potenciais) de seus produtos, pois envol- ver outros parceiros quando o desenvolvimento de novos produtos, tecnologias ou serviços, pode agregar muito valor. Galdo (2016) ainda apresenta conceitualmente e com exemplos, em seu tra- balho, as diferenças entre inovação fechada e aberta. Quadro 03 - Inovação fechada x Inovação aberta Fonte: Chesbrough (2011, p. 41 apud GALDO, 2016, p. 54). INOVAÇÃO FECHADA E INOVAÇÃO ABERTA Princípios da inovação fechada Princípios da inovação aberta As pessoas competentes trabalham para minha organização. Nem todas as pessoas competentes traba- lham para minha organização. Precisamos encontrar pessoas competentes dentro e fora da empresa. Para ter lucro através de P&D, precisamos fazer descobertas, desenvolvê-las e co- mercializá-las por nós mesmos, contro- lando todo o ciclo do processo. P&D externo pode criar valor significativo e o P&D interno pode reivindicar uma porção desse valor. Se minha empresa fizer as descobertas, teremos condições de ser os primeiros a introduzir as inovações no mercado. Não temos que necessariamente criarmos a Pesquisa para lucrarmos com ela. Ganha aquela empresa que coloca pri- meiro uma inovação no mercado. Construir um modelo de negócio apro- priado pode ser melhor do que chegar primeiro ao mercado. Ganharemos, se criarmos as melhores ideias. Ganharemos, se fizermos o melhor uso das ideias internas e externas à organização. Rígido controle sobre a Propriedade Intelectual (PI), de modo que os compe- tidores não lucrem com nossas ideias. Podemos lucrar com outros usos de nossas PI e devemos adquirir PI de outros, desde que contribuam para avançar nossos mo- delos de negócio. DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E148 Agora fica a pergunta: você, aluno, futuro gestor, acredita ser mais interes- sante para o mercado adotar que tipo de inovação? Trazendo os resultados de pesquisa de Coutinho (2004, p. 29) apresenta- -se o Manual Oslo (OECD, 1992), que tem por objetivos padronizar conceitos e propor metodologias para coleta de informações a respeito de inovações, dife- rencia a inovação tecnológica e a atividade inovadora. Este manual considera como inovação apenas a introdução de um novo bem (produto) ou de um novo método de produção (processo). As inovações de processo compreendem a implementação/adoção de novos ou significativamente melhores métodos de produção ou distribuição. Isto poderia envolver mudanças em equi- pamentos, recursos humanos, métodos de trabalho ou uma combinação destes. Da mesma forma ele define as inovações de produto como aquelas que envolvem a implementação/comercialização de um produto com características de desempe- nho melhorada capazes de proporcionar novos ou melhores serviços ao consumidor. Atividades inovadoras: atividades de inovação tecnológicas em produtos e processos são todas as etapas científicas, tecnológicas, organizacionais, financeiras e comerciais que de fato levam, ou pretendem levar, à implementação de produtos ou processos tecnologicamente novos ou aprimorados. Algumas delas podem ser inovadoras por si mesmas, outras, embora não sejam novidades, são necessárias para a implantação. As atividades inovadoras foram classificadas em sete grupos: 1. Pesquisa e Desenvolvimento; 2. Engenharia Industrial; 3. Início da produção; Open Innovation: Dialogando com o Mercado R ep ro d u çã o p ro ib id a. A rt . 1 84 d o C ó d ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re ir o d e 19 98 . 149 4. “Marketing” de novos produtos; 5. Aquisição de tecnologia intangível (patentes, licenças, “know how”, etc.); 6. Aquisição de tecnologia tangível; 7. “Design” (procedimentos, especificações técnicas e aspectos operacio- nais necessários à produção do novo produto ou implementação do novo processo). Assim, conforme Stoeckicht (2005), as chamadas, atividades inovativas são ativida- des representativas dos esforços das empresas voltados para a melhoria de seu acervo tecnológico e, consequentemente, para o desenvolvimento e implementação de pro- dutos ou processos tecnologicamente novos ou significativamente aperfeiçoados. Muitas inovações tecnológicas requerem um cluster de inovações, sendo que muitas delas são resultados da combinação de inovações técnicas/ tecnológi- cas e administrativas, isto é, de novas políticas e arranjos organizacionais. Uma inovação administrativa tende a estimular inovações tecnológicas, e entender a estreita conexão entre inovações organizacionais e tecnológicas é fator-chave para o entendimento da gestão das inovações (STOECKICHT, 2005, p. 39). O autor diz que o Manual de Oslo de 1996 aborda um estudo – o Relatório Analítico da OCDE sobre Tecnologia: Produtividade e Criação de Empregos – no qual um grupo considerável de pesquisas indica que mudanças tecnológicas e organizacionais estão altamente interligadas. O relatório demonstra claramente que a mudança tecnológica exige mudanças institucionais e organizacionais, ao mesmo tempo, que delas decorre. DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES R ep ro d u ção p ro ib id a. A rt. 184 d o C ó d ig o Pen al e Lei 9.610 d e 19 d e fevereiro d e 1998. IVU N I D A D E150 O que diferencia as empresas, tornando-as bem sucedidas, é sua capacidade de inovar conjuntamente em todos os seus processos-chave: financeiros, operacio- nais, humanos, de marketing, de tecnologia da informação e comunicação, de P & D, assim como em seus modelos de gestão propriamente ditos. Nas empresas mais bem administradas, as inovações de processo e produtos são bem coordenadas. A ligação entre lean e open innovations fica clara ao percebermos a publi- cação da Blank (2017, on-line) no portal Abstartup. O método Lean mudou a maneira das startups descreverem seu trabalho. Durante a bomba do ponto com, startups normalmente operavam em sigilo (para evitar alertar possíveis competidores sobre uma oportunidade de mercado), expondo protótipos para os consumidores apenas na fase beta de testes. A metodologia lean tornou essa prática obsoleta porque mostra que a opinião do cliente vale mais que o segredo e que o feedback constante mostra mais resultados. Meu caro aluno, vemos aqui a importância da participação, da busca, da procura por apoio, mas não apenas financeiro, e sim intelectual e de percepção de mercado, de tendências, de necessidades e desejos de públicos que podem se tornar grandes consumidores e até mesmo investidores do seu negócio inovador. Vimos que modelo e plano de negócios são coisas distintas e que na linha de Startup devemos nos atentar ao desenvolvimento de modelos inovadores. Também vimos alguns exemplos de modelos como o Customer Development Model que atua em parceria ou cocriação de clientes levando em conta seus anseios. A Lean startup trabalha de forma “enxuta” trazendo mais agilidade para a criação. Outros termos como Design Thinking trabalha com olhar lá na ponta antes mesmo de inovar, partindo da ideação até a implementação. Fonte: o autor. QUADRO RESUMO 151 O que você acha de terminar nosso material com a possibilidade de se conectar agran- des empresas interessadas em gerar negócios com startups e ainda ter a possibilidade de fazer parte do Ranking 100 Open Startups com as mais atraentes do ano? Responda as perguntas ou siga os passos. 1 - Como está a sua reputação no ecossistema de startups e inovação que você faz parte? Durante todo o ciclo você pode se conectar e validar sua startup com o mercado e en- contrar oportunidades de gerar negócios. Que tal você selecionar um grande desafio, se cadastrar e demonstrar sua reputação, sua solução inovadora? De repente ganhe até alguns prêmios 2 - O que o mercado acha da sua solução? Se você tomou coragem e participou de eventos apresentando sua startup já está no circuito. Quanto melhor sua startup for classificada na etapa anterior, mais atenção você terá da Rede Corporativa do movimento. Aqui, nesta fase, a sua startup pode ter a quan- tidade de feedbacks do mercado que conseguir atrair. 3 - Os investidores concordam com a sua startup ter chegado até aqui? Que tal voar mais alto? Agora você pode apresentar sua startup nas Capitais da Inovação (a que você escolher) e convença investidores de que sua startup, sua ideia, sua solução, é um bom negócio. E ainda, se por acaso já tenha recebido investimento Anjo ou de Venture Capital indique no formulário e participe do FastTrack. 4 - As 100 startups mais atraentes e as grandes empresas juntas no mesmo local. Você terá um tempo para expor sua Startup, e durante a Open Innovation Week, você a as demais startups que avançaram junto com os executivos seniores das empresas líde- res conectadas poderão se encontrar para discutir parcerias, investimentos, contratos e outras maneiras de implementar soluções inovadoras em conjunto. Mais uma chance de convencer e expor suas ideias. 5 - Ranking 100 Open Startups. Os resultados deste processo geram o Ranking 100 Open Startups que destaca anual- mente as startups mais atraentes na visão do mercado. Conheça o Ranking publicado pelo Valor Econômico e usado como referência por grandes empresas e investidores. Fonte: adaptado de 100 OPEN STARTUPS ([2018] on-line)7. 152 1. Quando decidimos utilizar o modelo emergente de inovação enxuta ou lean innovation, precisamos saber as efetivas diferenças entre este modelo e o mo- delo “tradicional”. Sobre este assunto, analise as afirmações: I. No modelo tradicional, a ideia é ir refinando o conceito inicial com velocida- de e custo baixo, aprendendo com as interações no mercado. II. O modelo tradicional do processo de inovação, baseado principalmente na metodologia linear de planejamento extensivo, busca pela perfeição até o lançamento no mercado. III. O modelo de inovação enxuta utiliza o conceito de mínimo produto viável e testagem rápida, prioritariamente em condições reais de mercado. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) II e III apenas. e) I, II e III. 2. Para as organizações manterem-se competitivas em um mercado que está em constante mudança, é preciso ofertar soluções inovadoras, atendendo às ne- cessidades dos consumidores. Na última década o design thinking vem sendo utilizado para promover a inovação nas organizações. Quais são as característi- cas básicas deste processo de inovação? I. Design thinking envolve o processo de geração de ideias em um grupo mul- tidisciplinar como foco na resolução de problemas, assim, a utilização do design vai além da aparência dos produtos, sendo aplicado na concepção de soluções, que englobam os aspectos estratégicos do negócio. II. O processo consiste em uma abordagem colaborativa um, método que per- meia as atividades de inovação com foco no ser humano, que gera inovação através de interação e práticas criativas. É um processo de geração de ideias a partir de agentes exclusivamente internos. III. Os fatores que diferenciam o design thinking dos demais modelos de ino- vação consistem no estudo detalhado do contexto do problema (com pos- sibilidade de ressignificação), e a cocriação que ocorre entre a empresa, os clientes, fornecedores e demais pessoas envolvidas no processo de desen- volvimento e/ou uso do produto/serviço. 153 É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) II e III apenas. e) I, II e III. 3. Com o pensamento voltado para a modernidade, para novas formas de fazer, de criar vimos que o Design thinking aborda uma criação participativa. Neste processo vimos uma expressão que de repente não conhecíamos a de idea- ção. O que devemos realizar nesta etapa? a) O processo de descoberta centrado no ser humano. b) Atividades de geração, desenvolvimento e teste de ideias. c) Mapeamento de um caminho para se chegar ao mercado. d) Espaço para transformação de ideias em negócios de base tecnológica. e) Um espaço para pré-incubação e incubação de projetos de empresas. 4. Os habitats de inovação são espaços diferenciados, propícios para que as ino- vações ocorram, pois são locus de compartilhamento de informações e conhe- cimento, formando networking, e permitem minimizar os riscos e maximizar os resultados associados aos negócios. O habitat de inovação procura unir efe- tivamente talento, tecnologia, capital e conhecimento para alavancar o poten- cial empreendedor. Disponível em: <http://via.ufsc.br/o-que-sao-habitats-de-inovacao/>. Acesso em: 15 maio 2018. Podemos entender que nesse Habitat, surgem parcerias, surgem trocas de in- formação, o que é possível em no contexto da inovação aberta. Sobre esse tipo de inovação, leia e responda: I. O processo de inovação nos quais indústrias e organizações promovem ideias, pensamentos, processos e pesquisas abertos. II. Ela é a combinação de ideias internas e externas, como também, caminhos internos e externos para o mercado, de modo a avançar no desenvolvimen- to de novas tecnologias em produtos e processos. III. Deve haver uma mudança na forma em que as pessoas veem a empresa e seu ambiente, não devemos ficar fechado, com os departamentos fechados ou com nossa ideia de Startup fechada, devemos nos abrir para ouvir. 154 É correto o que se afirma em: a) I, apenas b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e III apenas. e) I, II e III 5. Para que se possa obter sucesso em seus produtos e serviços através da gestão do processo da inovação, vislumbrando que apenas o planejamento estraté- gico não oferece garantias de que os consumidores irão de fato adquirir seus produtos e serviços, essa empresa precisa considerar alguns elementos chave no processo da Inovação: I. Foco: concentrar a atenção e esforços em uma estratégia especial. II. Capacitação: capacitar obrigatoriamente às pessoas mais criativas, pois elas que proporcionam as melhores invenções. III. Implementação: implementar tudo o que é necessário para viabilizar a ino- vação. IV. Monitoramento: necessário apenas quando algo não está dando certo, pos- sibilitando parar o processo evitando que mais recursos sejam desperdiça- dos, afinal, se está dando certo não precisa ser mudado. V. Aprendizado: apropriar o conhecimento relevante a partir da experiência. É correto o que se afirma em: a) I, II e V apenas. b) II, III e IV apenas. c) I, III e V apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III, IV e V. REFERÊNCIAS BLANK, S. Porque lean Startup muda tudo? Abstartups. 26 maio 2017. Disponível em: <https://abstartups.com.br/2017/05/26/porque-lean-startup-muda-tudo/>. Acesso em: 15 maio 2018. BOSCHI, M. T. O design thinking como abordagem para gerar inovação uma re- flexão. 2012. Dissertação (Mestrado) - Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2012. BUENO, N. The Lean Startup: 3 dicas para iniciar sua próxima startup. 2015. Dispo- nível em: <https://nicolasbueno.com/blog/lean-startup/lean-startup-3-dicas-para-iniciar-su- a-proxima-startup/>. Acesso em: 11 maio 2018. CALABRIA, P.; BERNARDES, R.; RAUPP, E.; PINHANEZ, C. A ciência da inovação em ser- viços: estudo exploratório sobre os interesses e prioridades para uma agenda de pesquisa noBrasil. Revista de Administração e Inovação, São Paulo, v. 10, n. 4, p. 110-135, out./dez. 2013. CARVALHO, R. Lean startup: entenda a metodologia usada pela Amazon, Facebook e Zappos. 2015. Disponível em: <https://www.napratica.org.br/o-que-e-lean-star- tup/>. Acesso em: 15 maio 2018. COUTINHO, P. L. A. Estratégia tecnológica e gestão da Inovação: uma estrutura analítica voltada para os administradores de empresas. 2004. Tese (Doutorado) – Es- cola de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2004. DIAS, P. Lean startup: enxugando a empresa iniciante. Disponível em: <http://ferramentasparainovar.blogspot.com.br/2015/02/lean-startup.html>. Aces- so em: 15 maio 2018. ENDEAVOR BRASIL. O lean startup te ajuda a validar seu modelo de negócio. Em- preendedorismo. 2015. Disponível em: <https://endeavor.org.br/lean-startup/>. Acesso em: 15 maio 2018. FALCÃO, R. F. A criação de valor para o cliente com base nos processos estratégicos de segmentação e posicionamento. Revista Interdisciplinar de Marketing, Marin- gá, v. 6, n. 2, p. 25-41, jul./dez. 2016. GALDO, A. M. R. Capacidades dinâmicas para a inovação aberta: análise com base ‘no Capital intelectual. 2016. 328 f. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016. Disponível em: <http://btd.egc.ufsc.br/wp-content/ uploads/2016/08/Alessandra-Maria-Ruiz-Galdo.pdf>. Acesso em: 15 maio 2018. REFERÊNCIAS 157 GRANDO, N. Startups de Tecnologia e os planos de negócios. 2012. Disponível em: <https://neigrando.wordpress.com/tag/desenvolvimento-do-cliente/>. Disponível em: 11 maio 2018. ICD – Inovação, competitividade e Desing. O que é Inovação Aberta (Open Inno- vation)? 2014. Disponivel em: <https://www.ufrgs.br/icd/o-que-e-inovacao-aber- ta-open-innovation/>. Acesso em 15 maio 2018. LIMA, G. B.; CARVALHO, DIRCEU T.; MACEDO, M. A.; MIGUEL, P. A. C.; CASAROTTO FI- LHO, N. A caracterização do design thinking como um modelo de inovação. Revista de Administração e Inovação, São Paulo, v. 12, n. 3 p. 157-182, jul./set. 2015. Disponí- vel em: <https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1809203916300961>. Acesso em: 15 maio 2018. MARTINS FILHO, V. Design Thinking e a criação de ativos do conhecimento na atividade docente. 2016. 312 f. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2016. PIMENTA, M. Desenvolvimento do cliente: modelo para criar produtos e serviços que geram valor. Estadão PME. São Paulo. 2014. Disponível em: <http://blogs.pme. estadao.com.br/blog-do-empreendedor/desenvolvimento-do-cliente-modelo-pa- ra-criar-produtos-e-servicos-que-geram-valor/>. Acesso em: 11 maio 2018. SEBRAE. Por que você deve pivotar sua startup. STARTUP. 2017. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/por-que-voce-deve-pivo- tar-sua-startup,b5192bf060b93410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em: 12 set. 2017. SOCIAL GOOD BRASIL. Modelo de desenvolvimento de clientes. Disponível em:<http://socialgoodbrasil.org.br/2013/modelo-de-desenvolvimento-de-clien- tes-customer-development-model>. Acesso em: 11 maio 2018. STOECKICHT, I. P. Gestão estratégica do capital humano: avaliando o potencial de inovação de uma empresa: estudo de caso. 2005. 201 f. Dissertação (Mestrado), Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2005. Disponível em: <http://inei.org.br/ inovateca/dissertacoes/Dissertacao%20-%20Gestao%20Capital%20Humano%20 e%20Inovacao%20-%20Profa.%20Ingrid%20Stoeckicht%20-%202005.pdf/view>. Acesso em: 15 maio 2018. TERRA, J. C. C. Um olhar estratégico sobre o pensamento abdutivo. CONVIBRA, 2013. São Paulo: Saraiva, 2007. Disponível em: <http://www.convibra.com.br/uplo- ad/paper/2013/32/2013_32_7485.pdf>. Acesso em: 15 maio 2018. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <https://social.stoa.usp.br/articles/0034/8526/the_four_steps_to_the_epiphany. pdf>. Acesso em: 11 maio 2018. 2 Em: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/quadro-de-modelo-de-nego- cios-para-criar-recriar-e-inovar,a6df0cc7f4217410VgnVCM2000003c74010aRCRD>. Acesso em: 11 maio 2018. 3 Em: <https://neigrando.wordpress.com/tag/desenvolvimento-do-cliente/>. Acesso em: 11 maio 2018. 4 Em: <https://endeavor.org.br/o-plano-de-negocios-business-plan/>. Acesso em: 11 maio 2018. 5 Em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/entenda-o-que-e-lean- -startup,03ebb2a178c83410VgnVCM1000003b74010aRCRD>. Acesso em: 15 maio 2018. 6 Em: <http://vendamuitomais.com.br/2008/11/28/inovacao-mais-um-processo-me- nos-uma-inspiracao/>. Acesso em: 15 maio 2018. 7 Em: <https://www.openstartups.net/br-pt/>. Acesso em: 15 maio 2018. GABARITO 159 1. D. 2. D. 3. B. 4. E. 5. C. CONCLUSÃOCONCLUSÃO Sabemos que com o acirramento da concorrência e do acesso universal a informa- ções e novas tecnologias, atrelado à exigência cada vez maior dos consumidores, ávidos por novidades e antecipação de suas necessidades, a busca por inovação se tornou imprescindível para as organizações se manterem competitivas. Para uma grande empresa inovar, fazer diferente, enxugar sua produção significa mudar a cultura de desenvolvimento. Trata-se de controlar o processo de desenvol- vimento priorizando o aprendizado rápido. Significa que o ótimo pode ser inimigo do bom nessa fase. Devemos planejar, mas no caso das Startups, vale mais priorizar a ação e validação rápida de maneira controlada e aberta para ajustes. Sendo assim, com tudo o que vimos e com suas ideias inovadoras, busque concreti- zar, minimizando sempre os riscos, aprendendo rápido e claramente, atingindo seu potencial sucesso. Se você decidir trabalhar com Startup, lean innovation, design thinking, perspectiva cocriativa do consumidor para a geração de valor e designs projetados com base nessas experiências, saiba que será impossível trilhando cami- nhos e regras tradicionais dos negócios, portanto tenha uma nova visão de gestão da inovação. Para as organizações manterem-se competitivas em um mercado que está em cons- tante mudança, é preciso ofertar soluções inovadoras, atendendo às necessidades do consumidores. Para gerar inovações alinhadas às estratégias empresariais são necessários processos de coordenação das atividades dos diferentes setores da em- presa, em outras palavras, é preciso que seja desenvolvido um processo de inovação na organização. Além de produzir novos bens inovadores, surge uma reflexão neste momento: como inovar na forma como desenvolvemos os serviços em nossas empresas? Pense nisso e sucesso! _GoBack UNIDADE I INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA EMPREENDEDORA Empreendedorismo e Inovação: Soluções Inteligentes para Atender ao Mercado Inovação, Invenção e Criatividade Motivação na Busca de Negócios Inovadores UNIDADE II PLANEJAMENTO, ESTRATÉGIA E INOVAÇÃO COMO DIFERENCIAIS COMPETITIVOS A Busca Pelo Diferencial Competitivo Planejamento e Estratégia Empresarial Ferramentas de Planejamento e Gestão Referências GABARITO UNIDADE III O MODERNO EMPREENDEDORISMO – DA GERAÇÃO DE IDEIAS AO INVESTIMENTO EM STARTUPS O Empreendedorismo e as Empresas Startups Criação de Negócios: Geração e Seleção de Ideias de Valor Startups Passo a Passo Investimentos e Investidores de Startup UNIDADE IV DELINEANDO A STARTUP – MODELOS E CONFIGURAÇÕES Diferença Entre Modelo e Plano de Negócios: Customer Development Model O Modelo de Negócio Baseado na Abordagem de Inovação Enxuta ou Lean Innovation Design Thinking: Uma Forma de Agregar Valor Open Innovation: Dialogando com o Mercado Conclusão