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Transtornos de Humor Docente: Rodrigo Dourado de Almeida. 1 Centro Universitário - UNINORTE Medicina Internato – Saúde mental Rio Branco - Acre, 2024. Depressão - O que é? Transtorno do humor, frequente, recorrente e de curso crônico; Associada com incapacitação funcional e comprometimento da saúde física; Sub-diagnósticada e sub-tratada por médicos; Mal interpretada como uma fraqueza de vontade ou de caráter. Epidemiologia Afeta 340 milhões/mundo Prevalência de 17% ao longo da vida OMS 90’ quarta causa de incapacitação; Em 2020, segunda causa mais debilitante, mais prejuízos que angina, asma, artrite e diabetes. Quais problemas de saúde causam mais incapacidade no Brasil? Epidemiologia Sexo 2 a 3 F : 1 M (hormonal? Padrão comportamental?) Idade Idade média 40 anos Migração gradativa para 20 anos (uso e abuso de substâncias?) Estado Civil Teoria causa-casualidade Solteiro maior risco de suicídio Epidemiologia Raça e/ou cultura Sem correlação aparente Condições socioeconômicas Sem correlação aparente Momentos de crise econômica Co-morbidades Abuso substâncias, transtorno do pânico, TOC, transtorno de ansiedade. Correlação com as DCNT (doenças crônicas não transmissíveis) Vale ressaltar que nos casos acima ocorre a correlação causa-casualidade. Etiologia Fatores biológicos Neurotransmissores monoaminégicos: Norepinefrina Dopamina Serotonina Teoria das monoaminas, torna-se teoria dos sistemas neurocomportamentais, circuitos neurais e mecanismos neurorreguladores. A depleção da serotonina pode precipitar depressão, e alguns pacientes com impulsos suicidas têm concentrações baixas de metabólitos da serotonina no líquido cerebrospinal (LCS). Dados indicam que sua atividade pode estar reduzida na depressão e aumentada na mania A depleção da serotonina pode precipitar depressão, e alguns pacientes com impulsos suicidas têm concentrações baixas de metabólitos da serotonina no líquido cerebrospinal (LCS). Etiologia Outros neurotransmissores: Acetilcolina (colina Acetilcolina) Colina em necropsia de cérebros de alguns pacientes deprimidos. Ácido-aminobutírico (GABA) Reduções dos níveis plasmático, do LCS e cerebral de GABA foram observadas na depressão. Eixo Hipotálamo-Hipófise-Suprarrenal = Cortisol Imagem cerebral estrutural e funcional. A tomografia por emissão de pósitrons (PET) evidenciou diminuição no metabolismo cerebral anterior, que é em geral mais pronunciada no lado esquerdo. Neuroanatomia. Quatro regiões cerebrais na regulação das emoções normais: Córtex pré-frontal (CPF) Cingulado anterior Hipocampo Amígdala Etiologia O CPF é considerado a estrutura que contém representações de objetivos e as respostas adequadas para alcançá-los. córtex cingulado anterior (CCA) integração de estímulos atencionais e emocionais. Hipocampo aprendizagem e memória. A amígdala crucial para processamento estímulos novos de significado emocional e coordenação e organização de respostas corticais. 9 Etiologia Estudos de famílias. Dados familiares indicam que, se um dos genitores tem um transtorno do humor, um dos filhos tem um risco entre 10 e 25% de também apresentá-lo. Quanto mais membros forem afetados maior o risco para um filho. O risco torna-se mais forte quando o parentesco é mais próximo (primeiro grau). Estudos de gêmeos. Considerando os transtornos unipolar e bipolar juntos, esses estudos encontram uma taxa de concordância para transtorno do humor nos gêmeos monozigóticos (MZ) de 70 a 90%, comparada com a de gêmeos dizigóticos (DZ) do mesmo sexo de 16 a 35%. Etiologia Fatores psicossociais: Uma vida estressante ocasiona mais frequentemente os primeiros episódios de transtornos do humor, e não os subsequentes. Suspeita-se que o estresse que acompanha o primeiro episódio resulta em mudanças duradouras na biologia do cérebro. A perda de um dos genitores está associado com mais frequência ao desenvolvimento da depressão antes dos 11 anos de idade. Associação entre perda do cônjuge e um episódio de depressão. Desemprego. 12 Características Clínicas O humor deprimido e perda de interesses ou prazer são os sintomas fundamentais da depressão. Quase todos os deprimidos (97%) se queixam de redução da energia, têm dificuldade de terminar tarefas, têm mau desempenho na escola e no trabalho e menos motivação para desenvolver novos projetos. Cerca de 80% se queixam de dificuldades para dormir, especialmente de despertar matinal precoce. Muitos têm diminuição do apetite e perda de peso, mas outros experimentam aumento do apetite e de peso e dormem por mais tempo do que o habitual. A ansiedade é um sintoma comum da depressão. Outros sintomas como anormalidade na menstruação e diminuição do interesse e do desempenho nas atividades sexuais podem ocorrer. Cerca de 50% de todos os pacientes descrevem uma variação diurna de seus sintomas, com aumento de gravidade pela manhã e diminuição dos sintomas à noite. Exame do estado mental Descrição geral Retardo psicomotor generalizado Postura encurvada, movimentos pouco espontâneos e olhar desviado para baixo. Humor, afeto e sentimentos Humor deprimido é o sintoma-chave, embora cerca de 50% dos pacientes neguem sentimentos depressivos Membros da família ou empregadores muitas vezes os conduzem para tratamento devido a reclusão social e redução generalizada da atividade. Exame do estado mental Fala Redução do volume da fala Demoram a responder, as vezes monossilabicamente. Distúrbios da percepção Delírios congruentes com o humor deprimido incluem os de culpa, pecado, inutilidade, pobreza, fracasso, perseguição e doenças somáticas terminais. Delírios incongruentes com o humor não é compatível com um humor deprimido. Exame do estado mental Pensamento Pacientes deprimidos costumam ter visões negativas do mundo e de si próprios. Incluindo ruminações não delirantes sobre perda, culpa, suicídio e morte. Sensório e cognição Orientação. Sem alterações Memória. Queixam de dificuldade de concentração e de esquecimento. Exame do estado mental Controle dos impulsos Os mais gravemente deprimidos com frequência não têm a motivação e a energia para agir de forma impulsiva ou violenta. O risco de suicídio aumenta à medida que os pacientes começam a melhorar e a readquirir a energia necessária para planejar e executar um suicídio (suicídio paradoxal). Julgamento e Insight As descrições dos pacientes sobre si são hiperbólicas; É difícil convencê-los de que a melhora é possível. Confiabilidade Em entrevistas e conversas, os pacientes deprimidos dão grande ênfase ao ruim e minimizam o bom. Um erro clínico comum é acreditar no não funcionamento anteriormente de um antidepressivo Exame do estado mental Escalas de avaliação objetiva da depressão Zung: É uma autoavaliação. A escala fornece um índice global da intensidade dos sintomas depressivos do paciente, incluindo a expressão afetiva da depressão. Raskin: É avaliada pelo médico, que mede a gravidade da depressão, conforme o que ele observa e o paciente Hamilton: O médico avalia as respostas do paciente a perguntas sobre sentimentos de culpa, pensamentos de suicídio, hábitos de sono e outros sintomas de depressão, e as pontuações são derivadas da entrevista clínica 19 CRITÉRIO DIAGNÓSTICO DSM-5 TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR A. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma mudança em relação ao funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer. 1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, conforme indicado por relato subjetivo (p. Ex. Sente-se triste, vazio, sem esperança) ou por observação feita por outras pessoas (p. Ex. Parece choroso). (Nota: em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável). 2. Acentuada diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicada porrelato subjetivo ou observação feita por outras pessoas). 3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta (p. Ex. Uma alteração de mais de 5% do peso corporal em um mês), ou redução ou aumento do apetite quase todos os dias. (Nota: em crianças, considerar o insucesso em obter o ganho de peso esperado). 4. Insônia ou hipersonia quase todos os dias. 5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outras pessoas, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento). 6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias. 7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada (que podem ser delirantes) quase todos os dias (não meramente autorrecriminação ou culpa por estar doente). 8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outras pessoas). 9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, uma tentativa de suicídio ou um plano específico para cometer suicídio. TRANSTORNO DEPRESSIVO 20 CRITÉRIO DIAGNÓSTICO DSM-5 TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR B. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. C. Não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância ou a outra condição médica. Nota: Os critérios A-C representam um episódio depressivo maior. Nota: Respostas a uma perda significativa (p. ex. luto, ruína financeira, perdas por um desastre natural, uma doença médica grave ou incapacidade) podem incluir sentimentos de tristeza intensos, ruminação acerca da perda, insônia, falta de apetite e perda de peso observados no Critério A, que podem se assemelhar a um episódio depressivo. Embora tais sintomas possam ser entendidos ou considerados apropriados à perda, a presença de um episódio depressivo maior, além da resposta normal a uma perda significativa, também deve ser cuidadosamente considerada. Essa decisão requer inevitavelmente o exercício do julgamento clínico baseado na história do indivíduo e nas normas culturais para a expressão de sofrimento no contexto de uma perda*. D. A ocorrência do episódio depressivo maior não é mais bem explicada por transtorno esquizoafetivo, esquizofrenia, transtorno esquizofreniforme, transtorno delirante, outro transtorno do espectro da esquizofrenia e outro transtorno psicótico não especificado E. Nunca houve um episódio maníaco ou um episódio hipomaníaco. Nota: essa exclusão não se aplica se todos os episódios do tipo maníaco ou do tipo hipomaníaco são induzidos por substância ou são atribuíveis aos efeitos psicológicos de outra condição médica. TRANSTORNO DEPRESSIVO “Depressão endógena” (“Humor negro”) Origina na ausência de fatores estressores ou precipitantes da vida Associados: Alterações do sistema nervoso autônomo e funções endócrinas Caracterizado: Anedonia grave Despertar matinal precoce Perda acentuada de peso Sentimentos profundos de culpa (psicóticos) 21 Aspectos melancólicos Aspectos atípicos “Disforia histeroide” “Sintomas vegetativos reversos” Excesso de apetite Hipersonia Maior risco de comorbidades Transtorno do pânico Abuso de substâncias Transtornos de somatização Sintomas persistem após 2 semanas do parto! Ponto crítico = 6 semanas de persistência Maior vulnerabilidade = até 3 meses Sintomas prodrômicos (50%) = sintomas ansiosos e depressivos na gestação Depressão pós-parto Diagnóstico Diferencial Não se atentar a história clínica pregressa pode levar a um diagnóstico errôneo. Doenças neurológicas e clínicas assim como agentes farmacológicos (reserpina), podem produzir sintomas de depressão. Mononucleose, SIDA, disfunção suprarrenal e tireoidiana. Uso de substâncias? A investigação sobre a história médica deve ser abrangente. Quando necessário, avaliar por exames físicos, neurológico e bioquímicos completos. Diagnóstico Diferencial CONDIÇÕES NEUROLÓGICAS Parkinson, doenças demenciais (incluindo a demência do tipo Alzheimer),epilepsia, doenças cerebrovasculares e tumores. PSEUDODEMÊNCIA. Pacientes deprimidos com dificuldades cognitivas muitas vezes não tentam responder a perguntas (“não sei”), enquanto aqueles com demência podem confabular. Curso e Prognóstico INICIO Cerca de 50% dos pacientes que estão tendo o primeiro episódio de transtorno depressivo maior exibiram sintomas depressivos significativos antes. DURAÇÃO Um episódio depressivo não tratado dura de 6 a 13 meses; os tratados 3 meses. Retirar antidepressivos antes desse período quase sempre resulta no retorno dos sintomas. PROGNÓSTICO Tende a ser crônico, e os indivíduos costumam ter recidivas. Recidiva é menor em pacientes que continuam o tratamento psicofarmacológico profilático e naqueles que tiveram apenas 1 ou 2 episódios depressivos. Cada vez que manifestam-se mais episódios depressivos, o tempo entre eles diminui, e a gravidade aumenta. Curso e Prognóstico INDICADORES DE BOM PROGNÓSTICO Episódios leves, ausência de sintomas psicóticos e internação hospitalar curta são bons indicadores. Indicadores psicossociais: História de amizades sólidas durante a adolescência Funcionamento familiar estável Funcionamento social geralmente sadio nos cinco anos anteriores ao transtorno. Ausência de um transtorno psiquiátrico comórbido Curso e Prognóstico INDICADORES DE MAU PROGNÓSTICO Episódios graves, presença de sintomas psicóticos, múltiplas internações hospitalares. Indicadores psicossociais: Baixo suporte social Funcionamento familiar instável Presença de co-morbidades psiquiátricas Abuso de álcool ou outras substâncias e histórico de suicidalidade. Os homens têm mais probabilidade do que as mulheres de vivenciar um curso cronicamente comprometido. Tratamento 3 Pilares: Segurança do paciente. avaliação diagnóstica completa. Tratar não apenas os sintomas imediatos, mas também vise ao bem-estar futuro do paciente. Internação Risco de suicídio ou homicídio, Desnutrição/desidratação Necessidade de procedimentos diagnósticos Tratamento Terapias: Cognitiva Comportamental Interpessoal Psicanalítica? Estimulação do nervo vago Tratamento Epilepsia O nervo vago conecta-se ao sistema nervoso entérico 28 Tratamento EMT Promissora como tratamento para depressão. Procedimento ambulatorial de 40 minutos, diariamente por 4 a 6 semanas Não é convulsivante, não requer anestesia Efeitos colaterais: cefaléia, dor no couro cabeludo Contraindicada: implantes metálicos ou objetos metálicos não removíveis Tratamento FARMACOTERAPIA 3 a 4 semanas para exercer efeitos terapêuticos significativos, embora possam começar a apresentar seus efeitos mais cedo. A escolha dos antidepressivos deve ser individualizada. CUIDADO! O erro clínico mais comum que leva a uma tentativa malsucedida de um medicamento antidepressivo é o uso de uma dosagem muito baixa por um tempo muito curto. Tratamento DURAÇÃO E PROFILAXIA Pelo menos seis meses O tratamento profilático com antidepressivos é eficaz para reduzir o número e a gravidade de reincidências. Profilaxia prolongada no histórico de episódios depressivos anteriores graves. SELEÇÃO DO MEDICAMENTO INICIAL. Os antidepressivos disponíveis não diferem na eficácia global, na velocidade de resposta ou na eficácia de longo prazo. Tratamento USO TERAPÊUTICO DOS EFEITOS COLATERAIS ??? ESCOLHA DE UMA SEGUNDA OPÇÃO DE TRATAMENTO. História de tratamento anterior do paciente Via de regra, mudar em vez de acrescentar é preferível após a falha de um medicamento inicial. Acréscimo em pacientes que obtiveram benefício com o tratamento inicial, mas não a remissão. Antidepressivos Imipramina Fluvoxamina Venlafaxina Maprotilina Nefazodona Tranilcipromina Tianeptina Amineptina Mirtazapina Sertralina Citalopram Nortriptilina Clomipramina Milnaciprano Paroxetina Amitriptilina Mianserina Fluoxetina Bupropiona ReboxetinaHypericum Trazodona Escitalopram Selegilina Escitalopram 34 Edição: as palavras (nomes dos antidepressivos) vão aparecendo aleatoriamente enquanto o autor fala. Locução: Existem atualmente, no mercado nacional, vinte e quatro antidepressivos disponíveis, aqui relacionados sem qualquer tentativa de organização. À primeira vista pode parecer complicado. – Será que eu vou ter que decorar, tudo isso, um a um? – Não. Depois de agrupados, de acordo com algumas características comuns, o panorama muda. CLASSIFICAÇÃO DOS ANTIDEPRESSIVOS Tricíclicos Amitriptilina, Clomipramina, Imipramina Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina, Citalopram Inibidores da Recaptação de Dopamina Bupropiona Inibidores da Recaptação da Noradrenalina e Serotonina Venlafaxina, Desvenlafaxina, Duloxetina 35 36 NOME Biodisponibilidade (%) Dose usual (mg) Meia-vida(h) CLASSE Amitriptilina 48 100-200 21 Antidepressivos triclícicos Nortriptilina 51 75-150 31 Desimipramina 73-92 100-200 21-23 Imipramina 42 100-200 16 Maprotilina 6-70 100-150 27-58 Fluoxetina 80 20-40 53 Inibidor seletivo de Recaptação de serotonina (ISRS) Fluvoxamina 77 100-200 15 Paroxetina - 20-40 17 Citalopram 80 20-40 33 Escitalopram 80 20-40 22 Sertralina 44 100-150 23 Duloxetina 50 80-100 12 Inibidor da recaptação de NE e 5-HT Venlafaxina 10-45 75-225 5 Bupropiona - 200-300 11 Inibidor recaptação de NE Trazodona 81 150-200 6 Antagonistas de receptor de monoaminas Mirtazapina 50 15-45 16 Moclobemida 60 300-600 1-2 (16) IMAO Tranilcipromina 50 20-30 2,5 SCHATZBERG, 2016 ANTIDEPRESSIVOS 37 NOME NA 5-HT 5-HT1 5-HT2 Ach α1 H1 Amitriptilina + ++ + + +++ +++ ++ Nortriptilina ++ + +/- + + + + Desimipramina +++ + 0 +/- + + + Imipramina + ++ 0 +/- ++ + + Clomipramina ++ +++ 0 + + ++ + Maprotilina ++ 0 0 +/- + + ++ Fluoxetina 0 +++ 0 +/- 0 0 0 Fluvoxamina 0 +++ 0 0 0 0 0 Paroxetina + +++ 0 0 + 0 0 Citalopram/escitalopram 0 +++ 0 +/- 0 0 0 Sertralina 0 +++ 0 0 0 0 0 Duloxetina + ++ 0 0 0 0 0 Venlafaxina + ++ 0 0 0 0 0 Bupropiona +/- 0 0 0 0 0 0 Trazodona 0 + 0 ++ +/- + ++ Mirtazapina + +/- + + 0 0 +++ SCHATZBERG, 2016 EFEITOS ADVERSOS: ANTIDEPRESSIVOS 38 NOME Sedação Hipotensão postural Anti-colinérgico Alt cond cardíaca Gastro- intestinal ↓limiar convulsivo Ganho de peso Distúrbio sexual Agitação Amitriptilina +++ +++ +++ +++ 0/+ ++ ++ Nortriptilina + + + ++ 0/+ + + ++ Desimipramina 0/+ + + ++ 0/+ ++ ++ ++ Imipramina ++ ++ ++ +++ 0/+ ++ ++ ++ 0/+ Clomipramina ++ ++ +++ +++ + +++ ++ +++ Maprotilina ++ ++ ++ ++ 0/+ +++ + ++ 0/+ Fluoxetina 0/+ 0 0 0/+ +++ 0/+ +++ 0/+ Fluvoxamina 0/+ 0 0 0 +++ 0 +++ Paroxetina 0/+ 0 0/+ 0 +++ 0 +++ + (Es)Citalopram 0 0 0/+ 0 +++ 0 +++ 0/+ Sertralina 0/+ 0 0 0 +++ 0 +++ + Duloxetina 0/+ 0/+ 0 0/+ 0/+ 0 0/+ 0/+ + Venlafaxina 0 0 0 0/+ +++ 0 +++ 0/+ Bupropiona 0 0 0 0 ++ +++ +++ Trazodona +++ 0 0 0/+ ++ 0 + + Mirtazapina +++ 0/+ 0 0 0/+ 0 0/+ GRAEFF, 2012 * Efeitos gastrointestinal: náuseas, vômitos, diarreia e azia e desconforto abdominal * Efeito anticolinérgico: Boca seca, visão turva, constipação, retenção urinária, taquicardia e Hipertensão arterial ISRS Primeira escolha para depressão leve e moderada Uso seguro na gravidez, pós-parto, idosos e crianças Efetivos no tratamento de: Transtorno obcessivo compulsivo (TOC) Transtorno do pânico Fobia Social Transtorno disfório pré-menstrual Síndromes de dor crônica 39 ISRS Reações adversas: Disfunção sexual Efeitos gastrintestinais adversos Cefaléia Aumento de Peso Sintomas Extrapiramidais 40 Síndrome de descontinuação Farmacodinâmica Inibe os receptores de 5-HT Aumentando a permanencia e a contrentração de serotonina na fenda sináptica 41 42 ISRS Paroxetina 43 Escitalopram Fluoxetina Fluvoxamina Citalopram Sertralina FLUOXETINA Cápsulas de 10 a 20 mg Apresentação semanal 90 mg Dose máxima 80 mg Tratamento síndrome de descontinuação 44 PAROXETINA Comprimidos de 10, 20, 30 e 40 mg Dose máxima 50 mg Dose noturna (sedação) Maior probabilidade de síndrome de descontinuação Boa escolha na ejaculação precoce 45 SERTRALINA Comprimidos 25, 50, 75 e 100 mg Eficácia em depressão grave que outros ISRS Tratamento de TOC infantil 46 CITALOPRAM E ESCITALOPRAM Citalopram comprimidos 20 e 40 mg Escitalopram comprimidos 10, 15 e 20 mg Melhor escolha para idosos Menos efeitos colaterais Menor interação medicamentosa 47 Tratamento Tanto uma quanto a outra isoladas parecem ser eficientes em episódios depressivos leves. Tratamento ECT Depressão psicótica e não psicótica Alto risco de suicídio Depressão resistente Convulsivante, intra-hospitalar, perda de memória recente CETAMINA Infusão de cetamina, em um período de 30 minutos, a uma concentração de 0,5 mg/kg. Resposta em 24 horas Melhora do humor dura cerca de 2 a 7 dias. Cefaléia, tontura e falta de coordenação motora. Sintomas dissociativos, incluindo alucinações podem ocorrer. O transtorno afetivo bipolar (TAB) é uma doença recorrente, crônica e grave. Causa impacto significativo na qualidade vida dos pacientes, além de grande carga para família e sociedade em geral. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o TAB é a sexta causa de incapacidade e a terceira entre as doenças mentais, após depressão unipolar e esquizofrenia, que cursam com maior carga. A carga da doença é causada pelas comorbidades psiquiátricas e físicas e pela baixa adesão ao tratamento. Os custos da doença são decorrentes, principalmente, dos custos indiretos da doença. A incapacidade funcional ocasionada pelo TAB é comparável à de muitas doenças crônicas. Transtorno Afetivo Bipolar - O que é? Incidência Geralmente considerada inferior a 1%, mas ela é difícil de estimar, porque formas mais leves desse transtorno muitas vezes passam despercebidas. Prevalência Epidemiologia Sexo Transtorno bipolar I tem uma prevalência igual entre homens e mulheres. Episódios maníacos são mais comuns em homens, e episódios depressivos são mais comuns em mulheres. Idade Precoce, variando da infância (a partir dos 5 ou 6 anos) aos 50 anos, ou até mais, em casos raros, com idade média de 30 anos. Estado Civil O transtorno bipolar I é mais comum em pessoas divorciadas e solteiras do que entre as casadas, mas essa diferença pode refletir o início precoce e a discórdia conjugal resultante característica do transtorno. Fatores Socioeconômicos e Culturais Grupos socioeconômicos mais altos; Comum em pessoas que não têm curso superior, o que também pode refletir a idade de início relativamente precoce para o transtorno. Epidemiologia Quando episódios maníacos ocorrem em mulheres, elas têm mais probabilidade do que os homens de apresentar um quadro misto (p. ex., mania e depressão). As mulheres também têm uma taxa mais alta de ciclagem rápida, definida como quatro ou mais episódios maníacos no período de um ano. Inicialmente, a pesquisa estava voltada para o estudo das aminas biogênicas, devido aos efeitos dos diversos agentes psicofarmacológicos. Recentemente, evidências apontam que disfunções nos sistemas de sinalização intracelular e de expressão gênica podem estar associadas ao TAB. Estas alterações podem estar associadas a interrupções nos circuitos reguladores do humor, como sistema límbico, estriado e córtex pré-frontal, sendo que os efeitos neuroprotetores do uso crônico dos estabilizadores de humor podem reverter este processo patológico. Dopamina Sua atividade pode estar reduzida na depressão e aumentada na mania. Imagem Cerebral Maior frequência de hiperintensidades anormais nas regiões subcorticais, tais como as regiões periventriculares, os gânglios da base e o tálamo. Mais comuns no transtorno bipolar I e entre idosos, essas hiperintensidades parecem refletir os efeitos neurodegenerativos prejudiciais de episódios afetivos recorrentes. Suaexata fisiopatologia permanece indeterminada!!! Etiologia Fatores genéticos: Histórico familiar de transtorno bipolar confere um risco maior para transtornos do humor em geral e, em particular, um risco muito maior para transtorno bipolar. Adoção uma amostra dinamarquesa, uma taxa três vezes maior de transtorno bipolar e seis vezes maior de suicídio completado nos parentes biológicos de probandos com doenças afetivas foi relatada. Fatores Psicossociais: Personalidade pacientes com distimia e transtorno ciclotímico têm o risco de mais tarde desenvolver depressão maior ou transtorno bipolar I. Fatores psicodinâmicos na mania: Abraham (não tolerar tragédia), Bertram Lewin (impulsos sexuais), Klein (defesa contra depressão). Etiologia Os dois padrões básicos de sintomas nos transtornos do humor são depressão e mania. Pesquisadores têm tentado encontrar diferenças confiáveis entre episódios depressivos do transtorno bipolar I e episódios de transtorno depressivo maior, mas as diferenças são ilusórias. Em uma situação clínica, somente a história do paciente, a história familiar e o curso futuro podem ajudar a diferenciar as duas condições. Alguns pacientes com transtorno bipolar I têm estados mistos com aspectos tanto maníacos quanto depressivos, e alguns parecem vivenciar episódios de depressão rápidos – de minutos a poucas horas – durante os episódios maníacos. Características Clínicas Os pacientes maníacos são excitados, tagarelas, às vezes divertidos e, frequentemente, hiperativos. Às vezes, estão francamente psicóticos e desorganizados, necessitando de contenção física e injeção intramuscular de sedativos. Humor, afeto e sentimentos Indivíduos maníacos classicamente são eufóricos, mas também podem ser irritáveis, em especial quando a mania esteve presente por algum tempo. Também têm baixa tolerância à frustração, que pode levar a sentimentos de raiva e hostilidade. Eles podem apresentar labilidade emocional, mudando do riso para irritabilidade e para depressão em minutos ou horas. Fala Indivíduos maníacos não podem ser interrompidos enquanto estão falando e costumam ser intrusivos e desagradáveis para com as pessoas a seu redor. Sua fala é frequentemente confusa. À medida que a mania fica mais intensa, a fala se torna mais alta, mais rápida e difícil de interpretar. Quando o estado de ativação aumenta, a fala é repleta de trocadilhos, piadas, rimas, jogos de palavras e irrelevâncias. Na excitação maníaca aguda, a fala pode ser totalmente incoerente e indistinguível da de uma pessoa com esquizofrenia. Distúrbios perceptuais. Delírios ocorrem em 75% de todos os pacientes maníacos. Os delírios congruentes com o humor são frequentemente relacionados com grande riqueza, capacidades extraordinárias ou poder. Delírios e alucinações bizarros e incongruentes com o humor também aparecem na mania. Exame do estado mental Pensamento. O conteúdo do pensamento de pacientes maníacos inclui temas de autoconfiança e autoengrandecimento. Esses indivíduos distraem-se com facilidade, e o desempenho cognitivo no estado maníaco caracteriza-se por um fluxo de ideias incontido e acelerado. Sensório e cognição. De modo genérico, a orientação e a memória estão intactas, ainda que alguns pacientes maníacos possam ser tão eufóricos a ponto de responder incorretamente a perguntas para testar a orientação. Controle dos impulsos. Cerca de 75% de todos os pacientes maníacos são agressivos ou ameaçadores. Eles tentam o suicídio e cometem homicídio, mas a incidência desses comportamentos é desconhecida. Julgamento e insight. O comprometimento do julgamento é característica de indivíduos maníacos. Eles podem violar leis sobre cartões de crédito, atividades sexuais e finanças e, por vezes, envolvem suas famílias na ruína financeira. Também têm pouco entendimento de sua doença. Confiabilidade. Os indivíduos maníacos são notoriamente não confiáveis em suas informações. Uma vez que a mentira e o disfarce são comuns na mania. Exame do estado mental CRITÉRIO DIAGNÓSTICO DSM-5 TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR Para diagnosticar transtorno bipolar tipo I, é necessário o preenchimento dos critérios a seguir para um episódio maníaco. O episódio maníaco pode ter sido antecedido ou seguido por episódios hipomaníacos ou depressivos maiores. EPISÓDIO MANÍACO A. Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável e aumento anormal e persistente da atividade dirigi da a objetivos ou da energia, com duração mínima de uma semana e presente na maior parte do dia, quase todos os dias (ou qualquer duração, se a hospitalização se fizer necessária) B. Durante o período de perturbação do humor e aumento da energia ou atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) estão presentes em grau significativo e representam uma mudança notável do comportamento habitual: 1. Autoestima inflada ou grandiosidade. 2. Redução da necessidade de sono (p. ex., sente-se descansado com apenas três horas de sono). 3. Mais loquaz que o habitual ou pressão para continuar falando. 4. Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados. 5. Distratibilidade (i.e., a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes), conforme relatado ou observado. 6. Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, seja sexualmente) ou agitação psicomotora (i.e., atividade sem propósito não dirigida a objetivos). 7. Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (p. ex., envolvimento em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos). C. A perturbação do humor é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização a fim de prevenir dano a si mesmo ou a outras pessoas, ou existem características psicóticas. D. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento, outro tratamento) ou a outra condição médica. CRITÉRIO DIAGNÓSTICO DSM-5 TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR Para diagnosticar transtorno bipolar tipo I, é necessário o preenchimento dos critérios a seguir para um episódio maníaco. O episódio maníaco pode ter sido antecedido ou seguido por episódios hipomaníacos ou depressivos maiores. EPISÓDIO HIPOMANÍACO A. Um período distinto de humor anormal e persistentemente elevado, expansivo ou irritável e aumento anormal e persistente da atividade ou energia, com duração mínima de quatro dias consecutivos e presente na maior parte do dia, quase todos os dias. B. Durante o período de perturbação do humor e aumento de energia e atividade, três (ou mais) dos seguintes sintomas (quatro se o humor é apenas irritável) persistem, representam uma mudança notável em relação ao comportamento habitual e estão presentes em grau significativo: 1. Autoestima inflada ou grandiosidade. 2. Redução da necessidade de sono (p. ex., sente-se descansado com apenas três horas de sono). 3. Mais loquaz que o habitual ou pressão para continuar falando. 4. Fuga de ideias ou experiência subjetiva de que os pensamentos estão acelerados. 5. Distratibilidade (i.e., a atenção é desviada muito facilmente por estímulos externos insignificantes ou irrelevantes), conforme relatado ou observado. 6. Aumento da atividade dirigida a objetivos (seja socialmente, no trabalho ou escola, seja sexualmente) ou agitação psicomotora. 7. Envolvimento excessivo em atividades com elevado potencial para consequências dolorosas (p. ex., envolvimento em surtos desenfreados de compras, indiscrições sexuais ou investimentos financeiros insensatos). C. O episódio está associado a uma mudança clara no funcionamento que não é característica do indivíduo quando assintomático. D. A perturbação do humor e a mudança no funcionamento são observáveispor outras pessoas. CRITÉRIO DIAGNÓSTICO DSM-5 TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR E. O episódio não é suficientemente grave a ponto de causar prejuízo acentuado no funcionamento social ou profissional ou para necessitar de hospitalização. Existindo características psicóticas, por definição, o episódio é maníaco. F. O episódio não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento, outro tratamento). Nota: Um episódio hipomaníaco completo que surge durante tratamento antidepressivo (p. ex., medicamento, eletroconvulsoterapia), mas que persiste em um nível de sinais e sintomas além do efeito fisiológico desse tratamento, é evidência suficiente para um diagnóstico de episódio hipomaníaco. Recomenda-se, porém, cautela para que 1 ou 2 sintomas (principalmente aumento da irritabilidade, nervosismo ou agitação após uso de antidepressivo) não sejam considerados suficientes para o diagnóstico de episódio hipomaníaco nem necessariamente indicativos de uma diátese bipolar. Nota: Os Critérios A-F representam um episódio hipomaníaco. Esses episódios são comuns no transtorno bipolar tipo I, embora não necessários para o diagnóstico desse transtorno. HIPOMANIA MANIA Autoestima inflada Necessidade de sono diminuída Distratibilidade Grande atividade física e mental Envolvimento excessivo em comportamento prazeroso. Em geral, tem os mesmos sintomas, porém a intensidade é diferente. Mania x Hipomania 61 Mania em adolescentes A mania em adolescentes costuma ser diagnosticada de forma errônea como transtorno da personalidade antissocial ou esquizofrenia. Os sintomas podem incluir psicose, abuso de álcool ou outras substâncias, tentativas de suicídio, problemas escolares, ruminação filosófica, sintomas de TOC, queixas somáticas múltiplas, irritabilidade acentuada levando a brigas e a outros comportamentos antissociais. Embora muitos desses sintomas sejam vistos em adolescentes sadios, sintomas graves ou persistentes devem levar os médicos a considerar o transtorno bipolar I no diagnóstico diferencial. Classificação TAB tipo 01 Episódios DEPRESSIVOS Fases MANIACAS bem caracterizadas TAB tipo 02 Episódios depressivos leves ou graves Intercala com Fases HIPOMANIACAS NÃO HÁ EPISÓDIOS MANIACOS 63 Transtorno Afetivo Bipolar 63 Classificação TAB de ciclagem rápida 04 ou mais episódios maníacos, hipomaníacos ou depressivos em 1 ano Intervalo de 2 meses entre episódios Remissão parcial Mudança de polo (maníaco ou hipomaníaco X depressivo) Maior frequência = MULHERES Além de: uso de antidepressivos, uso de drogas e álcool Maior dificuldade de estabilização de humor Maior risco de piora do quadro com antidepressivos 64 Transtorno Afetivo Bipolar 64 Classificação DIFERENCIAL: ESTADO MISTO Estado complexo, heterogêneo, difícil diagnostico Definição: Presença simultânea sintomas maníacos e depressivos EPISÓDIO MANIACO MISTO Sintomas de Mania aguda, com: Humor depressivo, desinteresse, ou falta de prazer Retardo psicomotor, fadiga, perda de energia, menos-valia, culpa Ideação suicida EPISÓDIO DEPRESSIVO MISTO Sintomas de depressão, com: Associado com 03 sintomas maníacos Exceto a distração 65 Transtorno Afetivo Bipolar 65 Comorbidades 65% dos TAB = 1 co-morbidade psiquiátrica; 25% = 03 co-morbidades psiquiátricas, sendo as mais frequentes: Abuso e dependência de álcool e drogas (Homens) Transtornos ansiosos (Mulheres) Transtornos alimentares (Mulheres) Transtornos de personalidade “boderline” CLÍNICAS: Aumento da mortalidade por doenças cardiovasculares e diabetes Infância e adolescência Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtorno de conduta. As taxas variam de 60% a 90% nos estudos pediátricos Transtorno Afetivo Bipolar Transtorno Afetivo Bipolar Diagnóstico diferencial: Depressivo = TDM Maníaco: bipolar II, ciclotímico, por uma condição médica geral e transtorno do humor induzido por substância. Para maníacos, transtornos de personalidade: Borderline (eutímicos depressivos crônicos) Narcisista Histriônica Antissocial 68 PRINCIPAIS DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS DO TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR Esquizofrenia Sugestivo de TAB: Remissão dos sintomas psicóticos em até 2 semanas com a normalização do humor Antecedente de episódios depressivos sem sintomas psicóticos Depressão ansiosa Sugestivo de TAB: Recorrência, melhora muita rápida (poucos dias) com antidepressivos Personalidade “Boderline” Sugestivo de TAB: Presença marcante de mania / hipomania Curso episódico com períodos de remissão Doenças Neurológicas Ex: Acidente vascular encefálico, trauma, epilepsia, demências Doenças Sistêmicas Ex: Alterações cortisol, Hipertireoidismo, LES, infeções geralizadas, uremia Medicamentos Ex: Corticosteroides, levotiroxina, agonistas dopaminérgicos Abuso de Substâncias Ex: Alcool, cocaína, metaanfetamina, opioides Diagnóstico Diferencial 68 Curso: LONGO Progressão da doença = ↑ episódios Prognóstico: MELHOR QUE ESQUIZOFRENIA Retorno a personalidade normal anterior ao episódio Episódio depressivo não tratado = dura 6-12 meses Episódio maníaco não tratado = rápido, dura 3-5 meses Associado evento estressor da vida (≠ Esquizofrenia) 1º episódio Nas mulheres, pode ocorrer no puerpério 69 Curso e Prognóstico 69 Garantir a segurança do paciente Ambulatorial X Internação Plano terapêutico Não tratar somente o sintomas Acompanhamento multiprofissional Psicoterapia Psicoterapia cognitivo-comportamental e interpessoal Melhores evidencias de eficácia Outras psicoterapias: Psicoterapia familiar! 70 Tratamento 70 Objetivos: Intervenção precoce Aumentar adesão Melhorar habilidade para lidar com estressores Rotina saúdavel (sono e atividade física) Retomar atividades sociais Melhorar relação familiar Reduzir uso nocivo de drogas e álcool 71 Tratamento - Psicoeducação Pacientes que recebem informações sobre a doença aumentam adesão ao tratamento = reduz 50% recaídas!!!!! 71 Melhor estabilizador do humor Uso de longo prazo Profilaxia de recaídas (mania > depressivos) Eficácia de 70% na mania, sem estado misto Moderado efeito antidepressivo Latência de resposta = 2-3 semanas Dosagem sérica = Litemia terapêutica (0,8 - 1,2 mEq/L) Coletar 4 - 7 dias após o inicio 10 - 14 horas após última tomada Repetir: Dúvida de eficácia, toxidade e aderência CARBONATO DE LÍTIO Tratamento - Farmacológico 72 Contraindicações Infarto agudo do miocárdio recente Arritmias cardíacas graves Psoríase Insuficiência renal aguda 73 Efeitos Colaterais: Tremor fino nas mãos, Náuseas (Inicio), Acne Polidipsia, Poliuria, ganho de peso 20% = Hipotireiodismo subclínico ( ↑ TSH) Nefropatia induzida pelo Lítio (RARO) Tratamento - Farmacológico CARBONATO DE LÍTIO 73 Eficácia antimaniaca Estados mistos, ciclagem rápida Comorbidades: Transtorno ansioso e Uso de álcool e drogas 1º opção, em alternativa ao lítio Efeito antidepressivo (< que Lítio) Evitar recaídas (mania > depressivos) Efeitos Colaterais: Náuseas, tremores, queda de cabelo, aumento do apetite e peso Risco de hepatotoxidade aguda (RARO) 74 Tratamento - Farmacológico ÁCIDO VALPRÓICO 74 Eficácia antimaniaca Estados mistos, ciclagem rápida 2º opção no tratamento Efeito antidepressivo (< lítio) Evitar recaídas (mania > depressivos) Efeitos Colaterais: Redução benigna dos leucócitos, tontura, visão turva, sonolência (inicio), hepatite 75 CARBAMAZEPINA Tratamento - Farmacológico 75 Melhores na mania aguda (Emergência psiquiátrica) Antipsicóticos de 1º geração (Haloperidol) Eficácia na agitação e na mania RISCO!!! = Sd. Extrapiramidal, discinesia tardia, depressão Antipsicóticos de 2º geração Quetiapina Melhor Eficácia antimaniaca e antidepressiva Efeitos antimaniacos agudos: Risperidona, ziprazidona, aripiprazol, paliperidona Clozapina Casos refratários Risco de agrunulocitose EFEITO COLATERAL = Ganho de Peso! 76 Tratamento - Farmacológico ANTIPSICÓTICOS 76 Lamotrigina Eficazna depressão Bipolar Pode induzir episódio Maníaco Clonazepam Coadjuvante na agitação e insônia Eletroconvulsoterapia Ação antidepressiva, antimaníaca e estabilizador do humor 77 Tratamento - Farmacológico Outros agentes 77 Depressão: leve, duradoura, insidiosa Prevalência: Mulheres no Inicio da vida adulta Não é incapacitante!!! Traz sofrimento e compromete relacionamentos Duração: Persistir por 2 semanas Transtorno deve perdurar > 2 anos Sintomas: Baixa autoestima, fadiga, falta de apetite, problemas no sono, mau humor, irritabilidade, falta de concentração, dificuldade de tornar decisão Tratamento: Antidepressivos são eficazes (doses mais elevada) Duais aparentam maior eficácia 78 Outros transtornos de humor Trastorno Distímico 78 Instabilidade persistente do humor Distimia ou falta de prazer + episódios Hipomaníacos Doença crônica: Episódios não são graves ou duradouros (≠ Mania) Inicio: Insidioso, final da adolescência e inicio da vida adulta Prevalência: Homens = mulheres Provoca: Dificuldades profissionais e sociais Tratamento “Estabilizadores do humor” Psicoterapia 80 Outros transtornos de humor Trastorno Ciclotímico 80 Síndrome de Burnout “Queimar por completo” ou “consumir-se” Resposta à tensão crônica no trabalho, devido ao contato direto/excessivo com outras pessoas, tensão emocional constante, atenção concentrada e grande responsabilidade profissional. Portaria nº. 1339/GM de 18 de novembro de 1999: “Síndrome do Esgotamento Profissional” CID: Z73.0 Epidemiologia Gêneros H : M ? Maior carga horária Estado civil Fator de proteção: Casado ? Filhos Ocupação Médicos e Enfermeiros Anestesiologista Hierarquização Características/Diagnóstico Exaustão emocional: já não possuem condições de despender mais energia para o atendimento de seu cliente ou demais pessoas, como já houve em situações passadas. Despersonalização: “coisificando”; ocorre um endurecimento afetivo ou a insensibilidade emocional, prevalecendo o cinismo e a dissimulação afetiva. Reduzida Realização Profissional: insatisfação consigo e a execução de seus trabalhos, gerando sentimentos de incompetência e baixa autoestima. Sintomas Insônia Dificuldade de concentração/memorização Cefaléia Dores musculares Irritabilidade Falta de libido Ansiedade Tristeza Fatigabilidade Fatores de Risco Organização do trabalho Burocracia, comunicação ineficiente, pouca interação entre membros da equipe Personalidade Perfeccionista, pessimistas, super envolvimento Tipo de trabalho Proximidade com clientes, excesso de carga horária Sociedade/Cultura Família, normas culturais Tratamento/Prevenção Tratar co-morbidades Contratação de pessoal Fortalecimento rede social Estratégias individuais e organizacionais: Cognitivo-comportamental Ginastica laboral/atividades de relaxamento Rede Social Referências Bibliográficas Compêndio de psiquiatria: Ciências do comportamento e Psiquiatria Clínica / SADDOCK Benjamin James, SADOCK Virginia Alcott. – 11ª edicação, Porto Alegre: Artmed, 2017 Tratado de Medicina da Família e Comunidade: Príncipios, Formação e Prática / GUSSO Gustavo, LOPES José Mauro Ceratti. – Porto Alegre: Artmed, 2012 Programa de Atualização em Medicina de Família e Comunidade, Ciclo 1, Volume 4, Cap. 2 – O médico de família e comunidade e a pessoa com depressão – LUIZ Fernando, et al. Manejo farmacológico da ejaculação precoce – BERTERO, Eduardo, Universidade de São Paulo Crise em Urgência à Saúde Mental, Módulo 3 – UFSC, Florianópolis/SC 2014 https://www.youtube.com/watch?v=G4r3qCkLUDQ https://www.youtube.com/watch?v=bZexFbgSC8c 90 image2.jpeg image3.png image4.png image5.jpeg image6.png image7.jpeg image8.png media1.wmv image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.jpeg image17.jpg image18.png image19.jpeg image20.png image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg image25.png