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Copyright © 2021 LadyNight13 A OBSESSÃO DO GREGO 1ª Edição | Criado no Brasil Autora: LadyNight13 Revisão e diagramação: Luana Souza Capa: Magnifique Design É PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL E PARCIAL DESTA OBRA, DE QUALQUER FORMA OU POR QUALQUER MEIO ELETRÔNICO OU MECÂNICO, INCLUSIVE POR MEIO DE PROCESSOS XEROGRÁFICOS, INCLUINDO AINDA O USO DA INTERNET, SEM A PERMISSÃO EXPRESSA DA AUTORA (LEI 9.610 DE 19/02/1998). ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. NOMES, PERSONAGENS, LUGARES E ACONTECIMENTOS DESCRITOS SÃO PRODUTOS DA IMAGINAÇÃO DA AUTORA. QUALQUER SEMELHANÇA COM ACONTECIMENTOS REAIS É MERA COINCIDÊNCIA. TODOS OS DIREITOS DESTA EDIÇÃO SÃO RESERVADOS PELA AUTORA. SUMÁRIO Sumário Agradecimentos Sinopse Prólogo Capítulo 01 Capítulo 02 Capítulo 03 Capítulo 04 Capítulo 05 Capítulo 06 Capítulo 07 Capítulo 08 Capítulo 09 Capítulo 10 Capítulo 11 Capítulo 12 Capítulo 13 Capítulo 14 Capítulo 15 Capítulo 16 Capítulo 17 Capítulo 18 Capítulo 19 Capítulo 20 Capítulo 21 Capítulo 22 Capítulo 23 Capítulo 24 Capítulo 25 Capítulo 26 Capítulo 27 Capítulo 28 Capítulo 29 Capítulo 30 Capítulo 31 Capítulo 32 Capítulo 33 Capítulo 34 Capítulo 35 Capítulo 36 Capítulo 37 Capítulo 38 Capítulo 39 Capítulo 40 Capítulo 41 Capítulo 42 Epílogo Bônus especial Outros trabalhos meus na Amazon Sobre a autora Redes sociais AGRADECIMENTOS A caminhada é árdua e as batalhas são difíceis, no entanto as “flores”, leitores amigos, que você encontra no meio do caminho, faz o percurso valer a pena. Em primeiro lugar, agradeço a Deus, pois Ele é o ser supremo que não deixa nada faltar na nossa existência. Quero agradecer de coração a cada leitor do Wattpad e do WhatsApp dos “Livros da MAD e da Lady”. Agradeço aos amigos fiéis e sinceros que encontrei no meio do caminho: minha querida Fran, minha amiga autora Vanderlucia Martins, que foi minha beta; minha querida amiga Nay, e minha amiga Amanda Dantas. Sou grata aos parceiros do Instagram e às leitoras fiéis que sempre me incentivaram: Paty Freitas, Josete, Mauriza, Rê, Raidalva Carvalho, Adriana, Cleonice, Eliz Severo, Elvira , Mayana, Shirley Correia, Edith, Karoline, Geane, Marilene, Márcia... Enfim, sou grata a todos os novos leitores que esse livro alcançar. Muito obrigada! Gratidão a todos! De coração, sou imensamente agradecida. Beijos no coração de cada um! Espero, realmente, que esse romance tenha tocado o seu coração, assim como Kristen e Apollo conquistaram o meu. Por favor, se, sinceramente, gostou do meu trabalho, deixe sua avaliação e o seu voto! Isso ajuda bastante o autor. Muito obrigada! SINOPSE Apollo Amazzotty é um bilionário grego conhecido por sua mente sagaz nos negócios e por ser um devasso quente na cama. Sempre tem um harém de belas mulheres ao seu dispor. Todavia, como um típico grego, em certo momento da vida, terá que ter uma família e continuar sua linhagem. Mas ele não está disposto a abrir mão da sua liberdade e traz uma convicção dentro de si de que um acordo de casamento será o ideal. Desse modo, continuará desfrutando da sua vida de libertinagem enquanto terá uma família perfeita aos olhos da sociedade. Porém, em um único encontro com uma bela jovem de olhos verdes e sorriso encantador, ela se tornará sua obsessão. Uma noite de decepção amorosa levará a bela herdeira Kristen Courtney diretamente aos braços de quem ela mais se esquiva: um belo grego de olhos escuros e intensos. Uma proposta audaciosa e um fim de semana regado a muita luxúria e sexo sem compromisso trará consequências inevitáveis. O destino os unirá em um matrimônio de conveniência. Mas, será que o amor e a paixão falarão mais forte? Ou a ganância e o despeito vão separá-los? O que o futuro reserva para o nosso lindo casal? PRÓLOGO KRISTEN COURTNEY 2 anos atrás É uma tarde ensolarada quando eu chego ao Green Paradise Club, o maior clube de lazer de San Diego que oferece uma vasta variedade de opções para os seus sócios, desde um restaurante requintado a um amplo campo de golfe para se divertir aos finais de semana e desopilar da longa semana de trabalho duro. Em todos os fins de semana, meu pai comparece ao seu costumeiro jogo de golfe com alguns sócios desde que a mamãe partiu. Essa foi uma fase bastante difícil, tanto para mim quanto para ele. Então, ultimamente, eu tenho me dedicado aos meus croquis ainda mais para amenizar a dor que ainda sinto. Mesmo sendo uma das minhas maiores paixões, geralmente evito ir ao clube, já que esse é o lugar que a mamãe mais gostava de frequentar com suas amigas. Ir para lá me traz lembranças dolorosas. Contudo, gradualmente, estou retornando à minha rotina. É menos doloroso lidar com sua perda agora. Estou morrendo de saudade da minha égua de equitação, a Lunar. Eu a ganhei dos meus pais quando tinha 13 anos. Desde então, adoro cavalgar, sentir o trote suave e o vento batendo no meu rosto. Já sinto meu coração acelerar em expectativa e a adrenalina de revê-la, mas hoje não irei montar nela. Caminho pela ala onde ficam as baias. Assim que chego, avisto sua pelagem negra e lustrosa. Ela está mais linda. Assim que me vê, Lunar relincha como se estivesse me reconhecendo. Isso enche o meu coração de alegria. Não sei como passei tanto tempo sem vir vê-la. — Oi, Lunar. Como a minha bebê está grande e linda! — murmurei com toda a saudade que sinto no peito. Passo alguns minutos ali, conversando com ela e acariciando sua pelagem. Assim que o tratador me informa sobre a saúde de Lunar e eu comprovo que está tudo bem, decido procurar meu pai, que, provavelmente, está no campo de golfe. Despeço-me da minha égua e sigo para lá. Quando chego, já posso avistar meu pai com um casal ao seu lado. A bela mulher aparenta estar bastante entediada. — Uau, Apollo! Essa foi uma tacada perfeita. Um hole-in-one. Já faz muito tempo que não realizo uma dessas. — Ouço meu pai falar animado. O homem alto e moreno sorri confiante. — Que nada, Josh! É sorte de principiante. Agora é a sua vez. Papai parece bem entusiasmado com a jogada do seu oponente e não para de elogiá-lo. Logo eu interrompo a comemoração ao chamá-lo. — Papai! Ele me encara surpreso por me ver no clube após tanto tempo, mas logo me recepciona com um beijo e um abraço caloroso. — Kristen, querida! Eu não sabia que viria. Ultimamente tem estado tão enfurnada naquele ateliê, que, às vezes me preocupa. Não imagina como estou feliz por, finalmente, vê-la aqui. — Supus que já era hora e, também, eu estava com saudade da Lunar. — falei gentilmente, rindo. — Fico feliz, meu amor. — Ele fita meu cabelo e seus olhos brilham. — Está usando um lenço. — constatou contente. Vejo que, dos seus olhos, minam um pouco de lágrima. Estou bem empolgada por usar um lenço para enfeitar os cabelos. É o acessório que mamãe mais amava usar e, hoje, eu decidi colocar um. — Está linda, querida! — sussurrou se recuperando rapidamente. Ouço um pigarreio vindo do lado. — Não vai nos apresentar sua filha, Josh? — uma voz rouca e arrogante interrogou. Antes de encarar o desconhecido, escuto meu pai se pronunciar. — Ah! Claro! Que indelicadeza a minha. Kristen, querida, quero que conheça o Apollo Amazzotty, um amigo de negócios. Apollo, essa é a minha herdeira e a razão de eu acordar todos os dias e ir para aquela empresa. — falou com orgulho. Assim que me viro para cumprimentar o desconhecido, fico estática com seus olhos negros e intensos me devorando com uma certa curiosidade. Entretanto, sua fisionomia se torna indecifrável imediatamente. Céus! Ele é lindo! Tem o rosto anguloso com linhas perfeitas, o corpo musculoso e uma presença marcante. É impressionante. Então me recordo que ele está acompanhado e que não deveria estar me olhando de maneira libidinosa. Sua mão firme toca na minha e eu sinto uma leve corrente me atravessar. Rapidamente, eu me afasto do seu toque e um sorriso devasso preenche seus lábios. Meu instinto de autoproteção me alertou para o perigo, mas, talvez, já fosse tarde demais quando cruzei meus olhos verdes com os dele. Mal sabia eu que Apollo Amazzotty já tinhalançado seu poder magnético sobre mim e que seu efeito inesperado e devastador me atormentaria durante os próximos anos. CAPÍTULO 01 KRISTEN COURTNEY O som suave dos “bips” chega aos meus ouvidos, despertando-me de um sonho apaziguador. O canto prazenteiro dos pássaros vindo do jardim me traz uma sensação de tranquilidade. Tento retomar o sono novamente, contudo o barulho é insistente e eu logo desperto de vez. Somente agora me dou conta de que não é o despertador, e sim o meu celular. Por Deus! Pego o aparelho na mesinha do criado-mudo e percebo que é a minha melhor amiga ligando. Ela é sócia do pequeno ateliê de noivas que montamos juntas. Bethany. Céus! Eu tinha esquecido completamente que temos uma nova cliente marcada para hoje. Jogo a coberta para o lado e salto da cama em um pulo. Atendo a ligação em seguida. — Bethany! Oi. — tentei aparentar que já estava desperta. A droga do meu despertador me trolou mais uma vez. Terei que comprar um novo em breve. Porém, ele tem um apelo sentimental e eu não desejo desapegar de algo que tem tanto valor para mim por ser uma das raras lembranças da mamãe. Ela faleceu há 5 anos, vítima de um ataque cardíaco fulminante. — Kristen Courtney! — seu tom foi repreensivo. — Não acredito que não está pronta com os croquis. Esqueceu que tem horário marcado hoje com uma importante cliente que é uma socialite? — Ah! Claro que sim. Digo... Não... Não! — exclamei me atrapalhando em todo o processo de me justificar. — Em 40 minutos estarei aí. Ela me passa um sermão antes de colocar a culpa toda no meu noivo. Jimmy Dawson é um loiro lindo de olhos azuis por quem todas as mulheres se encantam. Bethany me adverte que, por culpa dele, estou perdendo a criatividade, e que se eu não tiver cuidado, ele irá me levar à bancarrota. Tento justificar, mas ela encerra a ligação, dizendo que chegou outra cliente. Realmente, saí ontem com o Jimmy, no meio da semana, depois de muita insistência por parte dele. Fomos a um show da sua banda de POP e balada preferida, Pink Sensation. É muito boa, por sinal, e toca desde “YMCA” do Village People à Madonna. Jimmy parecia estar aproveitando muito a noite, já que não parava de dançar e se contorcer como o exímio dançarino que é, chamando a atenção de todos à sua volta. Teve uma hora que ele subiu no palco e dançou com os integrantes da banda, rodopiando com seus lencinhos coloridos que são sua marca. Eu só ria e aplaudia muito a performance dele. Teve um momento em que ele estava tão desorientado que acabou tascando um beijo — um selinho, na verdade — em um dos vocalistas. Esse feito levou muitos fãs à loucura. Agradeço a Deus neste instante por não ter ingerido uma gota de álcool sequer. Dei preferência a uma boa água com gás. Senão, provavelmente, eu estaria com uma intoxicante dor de cabeça agora. Eu tive que levar o Jimmy de táxi ao seu apartamento e o depositar na sua cama. Retornei para a mansão às 4 horas da manhã. Sorte que papai não percebeu a hora que eu cheguei. Não é como se ele tivesse Jimmy em alta estima, mas respeita a minha decisão. Nós já estamos namorando há 7 meses e, finalmente, há 1 mês, ele me pediu em casamento, dando mais um passo importante rumo à nossa felicidade. Eu o conheci em um evento de moda em Nova York onde ganhei um prêmio de “estilista revelação do ano”. O que elevou o nosso trabalho no ateliê à categoria da alta elite. É claro que ser filha do tão famoso Josh Courtney ajudou, imensuravelmente, a solidificar minha carreira como estilista. Porém, não desejo viver na sombra do meu pai. É evidente que precisei de um pequeno capital inicial para montar o negócio. Eu queria solicitar um empréstimo no banco, no entanto papai ficou muito magoado quando soube da minha intensão. Tive que lhe explicar o meu ponto de vista. Eu queria ganhar reconhecimento do meu trabalho por méritos próprios, não por ser a filha do magnata da indústria de alta tecnologia Courtney. Meu pai compreendeu, contudo, depois de muita insistência, recebi seu dinheiro e não fiz nenhum empréstimo. Aceitei sua oferta desde que o pagasse tudo de volta. A muito contragosto, ele concordou, então fizemos o acordo. Hoje, há mais de dois anos no mercado, o ateliê e boutique “Dream Bride” já é completamente nosso. É um sucesso. Saio do meu estupor momentâneo e sigo para o banheiro. Tento correr contra o tempo para não chegar atrasada no ateliê. Faço minhas higienes o mais breve possível e uma leve make. Tento cobrir as olheiras da pouca noite de sono, mas elas se sobrepõem mesmo assim. Deixo para lá e, logo após, corro em direção ao closet. Escolho uma saia tubinho preta e uma blusa com uma estampa suave para combinar. Em seguida, complemento com um blazer mais despojado e opto por sapatos pretos de saltos medianos. Após conferir minha imagem profissional no espelho do amplo closet e a aprovar, pego minha bolsa, a pasta de trabalho com os desenhos dos croquis e caminho para a sala de refeições. Quando chego à sala, vejo que meu pai já se encontra à mesa, degustando o seu desjejum com croissants, iogurte e uma variedade de frutas. Ele está distraído, lendo o seu jornal matinal na aba “Financeiro” enquanto beberica o seu café puro e meio amargo. Essa é sua rotina diária. Quando ele percebe a minha presença, deixa o jornal de lado e me dá um sorriso amoroso. É um pai maravilhoso e presente na minha vida. Apesar da morte da mamãe ter sido um baque para todos nós, fomos o alicerce um do outro naquele momento difícil. Tenho ciência de que o decepcionei quando escolhi cursar a Faculdade de Moda. Desde criança, tenho muitas habilidades em fazer rabiscos precisos e elegantes. Meus primeiros desenhos foram roupas para as minhas bonecas. Minhas amigas da escola ficavam apaixonadas pelas minhas Barbies e seus vestidos sofisticados. E enquanto eu cursava minha Faculdade, montei meu próprio ateliê. Não me arrependo da minha escolha. Sempre percebi que o papai tinha esperanças de me ver envolvida com os trabalhos da empresa de tecnologia, porém nunca demostrei aptidão para essa área. No entanto, ele faz um excelente trabalho com o seu braço direito na corporação, o Thomas. Esse é meu primo, filho único de um padeiro e uma professora de dança. Deixou a pequena cidade de Lexington, em Nebraska, para cursar sua Faculdade de Gestão de Negócios em San Diego, na State University. Tudo foi arcado pelo meu pai. Como Thomas demonstra ter grande liderança e poder de decisão nos negócios, não me sinto tão culpada por não ter realizado o sonho do papai de ser uma grande executiva na empresa da família. — Bom dia, papai! — Dou um beijinho em sua bochecha. — Bom dia, minha princesa linda! — sussurrou. Vejo sua expressão formar um vinco entre a testa quando ele percebe que eu peguei somente um croissant e fiz menção de sair. — Aonde pensa que vai, querida? Não vai tomar seu café? — Ah! Eu tomarei no ateliê, pai. Não quero chegar atrasada. Como temos uma cliente nova hoje, não posso me atrasar. — Nada disso, mocinha! Sente-se aqui! Não vai fazer desfeita com o seu pai! Para não o contrariar, eu me sento à mesa e tento degustar o café o mais breve possível. — Kristen, meu anjo, o croissant não vai sumir do prato. Coma com calma! — disse repreensivo depois de avaliar meu aspecto ao me inspecionar minuciosamente. — Estas olheiras, por acaso, são um indicativo de que você não dormiu em casa, mocinha? Engulo em seco, pego um pouco de suco de laranja e o tomo em seguida para tentar disfarçar. Será que ele percebeu que eu cheguei tarde em casa? Pigarreio na tentativa de dissimular. — Ah! Claro que dormi, papai. — tentei demonstrar segurança. — Chegando às 4 horas da manhã, Kristen? Tem certeza de que Jimmy é o homem certo para você? Droga! Como ele notou minha ausência? Fui tão cuidadosa ontem à noite. — Papai, eu sei que você não confia muito no Jimmy, mas ele é um homem honesto e íntegro. Eu o amo. Para mim, é muito importante ter sua aprovação. Será que não pode dar uma oportunidade para ele provar efetivamente que merece a sua confiança?— Veremos, filha. Antes, ele tem que legitimar que não é apenas um playboyzinho metido a rico. Onde está a família dele? Por que não compareceram no dia do seu pedido de noivado? Sabe que eu não os considerarei noivos enquanto não conhecer seus pais. — enfatizou de forma resoluta. — Mas, papai, o Jimmy já explicou que eles estão em um cruzeiro de 5 meses pelo mediterrâneo, comemorando os mais de 50 anos de casados. Ele considera a explicação, mas sem muita certeza se dá crédito à veracidade dessa informação. — Está certa de que o ama, Kristen? Eu só quero ver a sua felicidade, filha, e, unicamente, o que esse maricas tem demonstrado desde o início, é que é um irresponsável. Não tem como subir no meu conceito dessa maneira. — Ele só quer se divertir um pouco, pai, mas é claro que é responsável. Está empenhado no seu novo negócio e... — Papai me impede de prosseguir na minha defesa a favor do meu noivo. — Filha, aquela espelunca nunca vai ser um negócio. Não se esqueça que você é minha única herdeira! Além disso, quando completar 22 anos, receberá a herança de sua mãe estipulada em testamento. Muitos poderiam se aproveitar desse fato. Franzo minhas sobrancelhas em desagrado. Oh, Deus! Será sempre assim? Todos que se aproximarem de mim, vai ser pela ampla fortuna que meu nome carrega? — Papai, o Jimmy não é assim. Quando nos conhecemos, ele nem sabia sobre o fato de eu ser sua filha. Assim que soube, foi um choque para ele. — saí em defesa dele. — Tudo bem, meu anjo. Eu não queria aborrecê-la com esse assunto. Apenas me preocupo com você. — Perdão, pai! Eu não queria ter agido desse modo. É que me cansa ser conhecida pelo nome Courtney e pelo poder que ele carrega. Ser reconhecida como uma patricinha cabeça de vento com um cartão de crédito nas mãos, não me agrada em absoluto. — resmunguei. — Você nunca será uma cabeça de vento, filha. É tão generosa quanto sua mãe. Além disso, é muito inteligente e meiga. É meu maior orgulho. Tenho medo de que te machuquem. Casamento é um passo muito grande, Kristen. Engulo em seco e respiro fundo. Estou sendo injusta com o papai. Ele só está agindo dessa maneira comigo por precaução. — Eu sei, papai. Perdão! Sei que só está querendo o meu bem-estar. Tenho ciência de que o matrimônio é uma grande responsabilidade. No entanto, Jimmy e eu estamos decididos. — murmurei sem muita certeza no momento. Ele, meramente, olha para mim com incerteza e balança a cabeça. Depois retorna à leitura do seu periódico. A nuvem carregada não paira mais sobre o ambiente, entretanto a atmosfera continua tensa. Logo Maria, a governanta que já trabalha há muitos anos para a família e me trata como se eu fosse uma filha, surge na sala. — Aqui está o seu capuccino, senhorita Kristen. — falou ternamente trazendo a bebida que tomo todas as manhãs. Somente ela faz o melhor do mundo. — pensei contente. — Necessita comer mais uns croissants, menina Kristen. Está tão magra! Precisa criar mais carne. — Maria não tem papas na língua. É como se ela, realmente, fosse parte da família. É alguém por quem tenho uma grande admiração. É uma imigrante espanhola. Sua pele tem uma cor belíssima de oliva e ela possui encantadores olhos verdes. — Não, Maria. Obrigada! — Sorrio e beberico um gole do cappuccino. — Se for pelos quitutes gostosos que prepara, não vou conseguir entrar nem mesmo no meu vestido de noiva. Meu pai olha para mim neste momento com uma expressão desassossegada. — Desejam mais alguma coisa? — ela perguntou. — Sim, Maria. — papai respondeu. Seu porte não evidencia mais a tensão de alguns minutos atrás. — Por favor, coloque um lugar a mais na mesa. Apollo virá jantar aqui, em casa, hoje. Maria anui e se retira em seguida. Minha estrutura física congela com a simples menção desse nome. Sempre que estamos no mesmo cômodo, há alguns metros apenas, a reação do meu corpo é contraditória à minha mente. Sinto um anseio. Quero me manter bem longe e, ao mesmo tempo, tão perto. Somente a insinuação desse nome faz com que toda a minha pele sinta uma corrente elétrica lhe inundar, ansiando por algo que desconheço. A lembrança dos seus olhos negros e intensos me devorando me causa uma sensação deleitosa e, também, apavorante. Seu olhar ardente sempre parece querer desvendar a minha alma. Reprovo-me no mesmo instante por sentir essas emoções. Apollo é um libertino. Não me esqueço do dia em que nos conhecemos. Ele estava com uma mulher enquanto jogava seu charme em outra. Canalha depravado! Ultimamente, eu tenho o visto com mais frequência. Às vezes ele ignora completamente a minha existência e, em outras ocasiões, faz questão de me provocar como se eu fosse unicamente uma herdeira descerebrada. Termino meu café da manhã o mais breve possível, despeço-me do meu pai e lhe deposito um beijo na bochecha. Depois pego minha bolsa e a pasta com os croquis que deixei no aparador quando adentrei a sala de refeições. Saio do ambiente, buscando restabelecer minhas emoções, que até este momento estão abaladas. Eu estava tão distraída com minhas ideias desordenadas que não percebi a parede de músculos à minha frente quando dobrei o corredor para o hall principal. Colido com ele. Assim, a pasta com meus esboços cai no chão. Só não vou ao solo também porque um par de mãos fortes me agarram pela cintura. Sinto seu toque queimar em minha pele, mesmo por cima do tecido. Quando direciono o meu olhar para cima, percebo olhos escuros e ardentes de predador me devorarem. Deus! É ele! Eu estava, exatamente, tentando fugir do meu conflito interno que, inequivocamente, a mera menção do seu nome me provoca, mas acabei de cair em sua armadilha. Ou melhor, em seus braços. Meu coração dispara ensandecido dentro do peito e minha respiração fica descompassada. Passo levemente a ponta da língua nos lábios subitamente ressequidos neste instante e observo que ele monitora atentamente meus movimentos com olhos lascivos e ardentes. Penso que escutei um leve grunhido vindo dos seus lábios, contudo acabo achando que foi imaginação da minha mente caótica. Ele parece sair do transe primeiro e me questiona em seguida: — Você precisa ser mais cuidadosa. Poderia ter se machucado se eu não tivesse a segurado. Aonde vai com tanta pressa? Irá se encontrar com seu noivo? — indagou a última frase com desdém. Um vinco se forma entre as minhas sobrancelhas. Apollo, perceptivelmente, tem claras objeções contra meu noivo. — Não lhe devo satisfação, senhor Amazzotty. Não é do seu interesse o que eu faço ou deixo de fazer da minha vida. — respondi com impertinência. — Pelo contrário. Tudo o que diz respeito a você, interessa-me. E muito. — rebateu. Creio que ele tenha entendido errado. Sinto suas mãos subirem vagarosamente pelas minhas costas em uma carícia voluptuosa que causa uma rajada de sensações prazerosas pela minha pele. Ao mesmo tempo em que Apollo cola ainda mais meu corpo ao seu, percebo quando ele fita meus lábios com luxúria. Saio do meu estupor ao constatar algo sólido cutucar a minha barriga. Rapidamente, reajo à minha imobilidade momentânea e empurro seu peito forte em sequência. — Solte-me! — ordenei. A muito contragosto, ele me desprende lentamente dos seus braços. Logo sinto falta do seu amparo. Céus! Que pensamento absurdo foi esse? Seu rosto continua analisando as minhas feições meticulosamente. — Parece que você não teve uma boa noite de sono, Kristen. Está com grandes olheiras ao redor dos olhos. Pensar em se casar com aquele babaca, tira o seu sono? — inquiriu sarcástico, retomando seu porte austero de homem de negócios. Posso deduzir pelo seu tom de voz que, como o meu pai, Apollo não aprova o Jimmy e tem fortes objeções ao nosso relacionamento. Entretanto, ele não tem que se meter na minha vida, do mesmo modo que eu não me importo com sua maneira de levar a sua de forma libertina entre uma cama e outra. — Claro que não. Muito pelo contrário. Ele me tira o sono, no entanto de um jeito totalmente diferente. Ontem saímos e eu apenas voltei pouco antes do alvorecer. É por isso queo cansaço está visível. Mas, ao todo, a noite valeu todas as olheiras. Ah... E como valeu! — frisei somente para provocá-lo por ser tão intrometido. Percebo quando seu rosto adquire um aspecto obscuro e resplandece faíscas de raiva. Seu queixo está tenso e sua respiração fortemente alterada. Ele faz um enorme esforço para conter a indignação. — Ele não é homem para você. — ressaltou. — Isso quem tem que decidir, sou eu, não meu pai, e muito menos você. — declarei com firmeza. Ouço passos ligeiros vindo pelo corredor e, imediatamente, recomponho-me e pego a pasta do chão. Por sorte, não danificou nenhum rascunho dos croquis. Apollo apenas me olha friamente enquanto Maria surge pelo saguão. — Menina Kristen, ainda está aí? Paul já está lhe aguardando com o seu carro na entrada. — sussurrou. — Eu já estava de saída. Só parei para cumprimentar o senhor Amazzotty. — enfatizei seu sobrenome usando um tom formal. — Não é necessário usar tanta formalidade, Kristen. Acredito que sejamos amigos. Que cínico! Antes que eu responda alguma coisa, Maria o recepciona. — Senhor Amazzotty, seja bem-vindo! O senhor Courtney já se encontra no escritório o aguardando. Ele pediu para que eu o informasse isso assim que chegasse. — Agradeço, Maria. — Bem... Eu preciso ir agora. — avisei apenas por etiqueta. Retiro-me o mais rápido que consigo, mas ainda ouço quando Apollo, de modo insolente, sussurra um “até mais tarde”. Finjo não ter lhe escutado, todavia farei de tudo para não cruzar o seu caminho. CAPÍTULO 02 APOLLO AMAZZOTTY O trânsito está moderado neste instante em San Diego enquanto conduzo meu carro pelas ruas. Há exatamente sete meses, estou frequentando muito mais a cidade do que de costume. Já perdi as contas de quantas vezes retornei nesse período. E não tem nada a ver com negócios; é tudo culpa daquele filho da puta do Jimmy Dawson. Não suporto ver aquele cara próximo da Kristen. No início, quando soube do seu namoro, presumi que ela não levaria muito tempo para se livrar daquele babaca, entretanto, os meses foram se alongando. E quando aquele imbecil, há um mês, teve a petulância de pedir a mão dela em casamento, eu simplesmente surtei e quis socar a cara do verme maldito até ele apagar. Solto um suspiro frustrado. Ela não é minha e nunca poderá ser. Kristen é apenas uma obsessão insensata do meu subconsciente. No entanto, eu me corroo de raiva por vê-lo junto dela. Aquele idiota não a merece. Tento me convencer de que o meu gesto é exclusivamente um cuidado com a filha de um amigo. Sim! É unicamente isso. Aperto o volante com mais força do que o necessário, almejando veementemente que seja o pescoço do desgraçado do Jimmy sendo estrangulado nesse momento. Em breve terei um dossiê completo. Tenho certeza de que encontrarei alguma falha na vida perfeita daquele mauricinho miserável e a usarei ao meu favor. Não sinto nenhum remorso por estar utilizando um método sujo. Não quando o assunto é Kristen. Meu instinto me alerta de que Jimmy não é confiável, pois há algo estranho naquele seu porte de bom moço que faz as menininhas suspirarem abobalhadas por ele. Eu odeio o fato da minha Kristen ser uma delas. Ela não percebe que é um alvo fácil para um charlatão? Quando completar 22 anos, receberá uma vasta fortuna deixada por sua mãe. Josh me confidenciou isso. Ela é um chamariz interessante para larápios que a rodeiam como abelhas em volta da colmeia. Logo materializo suas feições encantadoras que já estão cravejadas na minha memória. Kristen é bela por natureza, uma feiticeira que faria qualquer mero mortal pecar. Nem mesmo o intenso fim de semana de orgia que tive com a minha atual amante, a Anélia, foi o suficiente para reprimir o forte tesão que Kristen me suscita. Supus que extravasar um pouco a bordo do meu iate nas Ilhas Maldivas, iria me fazer esquecer minha obsessão por ela, mas foi o contrário, já que, exclusivamente, o meu ardor acentuou fervorosamente. É como se cada lufada da brisa marítima me trouxesse o seu cheiro afrodisíaco de menina-mulher, fazendo com que um desejo violento se apossasse do meu ser. Chego à mansão Courtney com os pensamentos ainda tumultuados e entrego a chave do carro ao Paul para que ele estacione. Então caminho à construção de arquitetura clássica. Logo na entrada sou recepcionado por uma das empregadas, que autoriza a minha entrada. Enquanto caminho pelo extenso corredor, um aroma floral doce penetra as minhas narinas, trazendo um efeito devastador à minha lucidez. Sem demora, avisto o motivo da minha obstinação despontar no saguão principal. Ela parece abstraída por pensamentos conflituosos que, na certa, estão nublando sua mente. Antes que eu consiga desviar da Kristen, a mesma bate em cheio no meu peito. A pasta que ela trazia, cai no assoalho. Minhas mãos, automaticamente, seguram-na firmemente pela cintura para que ela não tenha o mesmo destino que os anexos. No mesmo instante, sinto o choque provocado pelo contato da sua pele morna percorrendo a minha estrutura. Seu corpo cabe com perfeição em meus braços. Ela, instantaneamente, direciona seus olhos verdes para os meus. São como dois fachos de estrela cadente. Kristen é deslumbrante, a minha fantasia íntima proibida. Sua respiração está alterada e o rosto afogueado como se ela tivesse corrido uma maratona. Observo-a movendo a ponta da língua sensualmente pelos lábios rosados e logo imagino indecências com essa atrevida rodeando o meu membro. Solto um gemido sofrido ao fantasiar essa cena lasciva e... Putz! Caralho! De imediato, sinto o meu pau pulsar inescrupulosamente dentro da minha calça que, agora, tornou-se apertada demais para abrigá-lo. Maldição! Fui tão equivocado ao pensar nela daquela maneira. Apenas fiquei ainda mais alucinado de desejo. Rapidamente, procuro controlar o meu ardor e refrear meus pensamentos devassos. — Você precisa ser mais cuidadosa. Poderia ter se machucado se eu não tivesse a segurado. Aonde vai com tanta pressa? Irá se encontrar com seu noivo? — a última parte saiu como uma reprimenda tão somente por conjectura por ela estar tão linda para se encontrar com aquele idiota. Cerro os lábios em uma ação clara de indignação e reparo que suas feições também demonstram desprezo à minha colocação. — Não lhe devo satisfação, senhor Amazzotty. Não é do seu interesse o que faço ou deixo de fazer da minha vida. — respondeu com petulância. Ah, agápi! Nem pode compreender que tudo que esteja ligado a você, é pertinente para mim. — Pelo contrário. Tudo que diz respeito a você, interessa-me. E muito. Ela parece não assimilar minhas palavras de posse. Minha mão sobe lentamente pelas suas costas esbeltas e eu a sinto estremecer sob o meu afago. Fito com volúpia a sua boca com formato de coração, desejando ardorosamente sentir o seu sabor. Aconchego-a ainda mais ao meu corpo rígido, fazendo-a notar minha protuberância exacerbada. Meu cérebro trava uma batalha árdua para eu recuperar o bom senso antes que cometa alguma estupidez como provar da calidez dos seus doces lábios ou, até mesmo, levá-la até a sala mais próxima e possuí-la com toda a força do meu desejo. Antes que eu aja de modo impensado e insano, Kristen empurra meu peito e sussurra tremulamente para que eu a solte. Com muita lentidão e certa dificuldade, desprendo-a dos meus braços e examino detalhadamente o seu rosto, onde percebo manchas escuras abaixo dos olhos esverdeados. — Parece não ter tido uma boa noite de sono, Kristen. Está com grandes olheiras ao redor dos olhos. Pensar em se casar com aquele babaca, tira o seu sono? — perguntei sarcasticamente, tentando retomar meu porte implacável. Constato que foi uma péssima ideia provocá-la quando capto sua fisionomia consternada. Ela me responde de modo impertinente. — Claro que não. Muito pelo contrário. Ele me tira o sono, no entanto de um jeito totalmente diferente. Ontem saímos e eu apenas voltei pouco antes do alvorecer. É por isso que o cansaço está visível. Mas, ao todo, a noite valeu todas as olheiras. Ah... E como valeu! Quando elafinaliza, sou tomado por uma onda colérica apenas por supor o que ficou subentendido nas suas suposições. Meu semblante se obscurece e, simplesmente, eu quero fazer picadinho de Jimmy. Minha respiração está fortemente agitada. Tenho que fazer um esforço tremendo para conter a raiva. — Ele não é homem para você. — falei exaltado. — Isso quem tem que decidir, sou eu, não meu pai, e muito menos você. — ela declarou como uma criança fazendo pirraça. Penso em contestar, mas logo escuto passadas rápidas vindo pelo corredor. Observo a Kristen se abaixar e pegar os anexos que ainda estão no chão. Ela se recompõe enquanto eu a olho de modo frio. Depois Maria surge questionando: — Menina Kristen, ainda está aí? Paul já está lhe aguardando com o seu carro na entrada. — sussurrou. — Eu já estava de saída. Parei somente para cumprimentar o senhor Amazzotty. — falou de modo categórico apenas para me irritar. — Não é necessário usar tanta formalidade, Kristen. Acredito que sejamos amigos. — esclareci. É evidente que ela usou essa categoria apenas porque eu tenho muita consideração pelo Josh. Caso contrário, eu já teria a levado para a minha cama. Com presteza, Maria me cumprimenta, dissipando um pouco o clima de tensão que tinha se formado. Agradeço-a pela receptividade, mas antes que possa prosseguir no diálogo com Kristen, ela se despede em um tom seco, alegando que já está atrasada. Apenas para rebater seu desafio anterior, digo um “até mais tarde”. Percebo que ela caminha o mais rápido que consegue, fingindo que não me escutou. Restabeleço-me novamente e sigo para o escritório onde Maria indicou que o Josh está me aguardando. No caminho, tento me recompor, resfriando o ardor que Kristen me despertou. Se ele, ao menos, sonhasse que sua princesinha me deixa de pau duro, eu seria um homem condenado. Eu bato na porta do seu escritório e ele autoriza a minha entrada. Cumprimento-o e me acomodo na poltrona diante dele. — E então, Josh, qual o problema que necessita me confidenciar? — tentei soar seguro apesar do turbilhão que estou sentindo por dentro. Noto um ar de apreensão por parte dele. Tão somente, espero que não seja nada com Kristen. Sei que Josh também não vai com a cara de Jimmy, e isso me alegra sobremaneira. — Apollo, espero que guarde sigilo do que vou lhe contar. — Eu confirmo com a cabeça. — Bem... Como você tem conhecimento, há alguns meses, venho suspeitando de alguns desvios de dinheiro da empresa. Eu realizei uma auditoria que comprovou que tudo está nos conformes. No entanto, continuo notando discrepâncias em alguns dados financeiros. O que me leva a presumir que estou sendo roubado. Não quero envolver a polícia. Pelo menos não por enquanto. Quero ter a certeza de que existe um ou mais culpados... — Suspira desanimado. — E de quem está por trás desses desfalques. — A empresa contratada é de confiança, Josh? — Claro que sim. Trabalhamos com ela há muitos anos. Mas há algo errado. A verdade é que alguém está desviando dinheiro e eu não quero alertar o criminoso. O que me aconselha, Apollo? Tenho conhecimento de que ele me trata como um filho que nunca teve e confia plenamente em mim. Por isso, é malditamente errado eu me envolver com sua filha. Isso está fora de questão. Ele, certamente, nunca aceitaria, e eu não teria muito a oferecer à Kristen além de algumas noites de luxúria. Posso perceber, pelo seu olhar inocente, que ela acredita no amor, e esse tipo de sentimento nunca será para mim. Provavelmente, se nos envolvêssemos mais profundamente, eu a machucaria. E não permitirei isso. No fundo, sei que herdei os genes do meu pai: nunca amarei uma mulher. Ele era muito cético para acreditar nesse tipo de sentimento que deixa os homens abobalhados. Definitivamente, isso não é para mim. Sou muito mais prático: quero um casamento de conveniência onde ambos já saibam as regras do jogo. Dessa maneira, estou disposto a seguir com minhas convicções. Imediatamente, esforço minha mente a se concentrar na conversa. — Vejamos! Se existe a dúvida de fraude e há divergências de dados, deve prosseguir nas investigações, porém lhe aconselho a trocar de consultoria. Tenho uma indicação de uma empresa formidável que realiza e desempenha esse trabalho nas minhas corporações. É de um grande amigo meu da época de Faculdade. Eles são bastante sigilosos e competentes na coleta de informações de controle interno. Claro... Pode demorar algum tempo, já que é necessário um procedimento criterioso e minucioso para a maximização dos resultados planejados. Desse modo, você pode agir com cautela enquanto descobre os responsáveis pelos desfalques. — sugeri. — Excelente sugestão, Apollo. Farei isso. Agirei com cuidado. Quero pegar esses filhos da mãe no ato. Tão somente, depois das provas em mãos, acionarei a polícia para que sejam tomadas as providências legais. Depois discutimos mais alguns outros assuntos e investimentos promissores. (...) Já é tarde da noite quando eu chego ao hotel onde estou hospedado, no centro. Tenho um apartamento da família na cidade, todavia prefiro ficar em um hotel, já que, ocasionalmente, sempre trago alguma companhia feminina para passar a noite. E não quero que nenhuma delas confunda a foda casual, supondo que é especial por eu levá-las a um local íntimo. Por isso, sempre prefiro um lugar neutro. Jogo o meu blazer no sofá e sigo para o aparador, onde preparo uma dose generosa de whisky. Kristen, para me provocar, não compareceu ao jantar. Josh me comunicou que ela saiu com o maricas do namorado para comer fora e ir ao cinema. O que deixou meus sentidos em alerta. Compreendi que ela fez isso somente para me instigar por causa da minha ousadia de manhã. É evidente que apenas me retirei de lá quando constatei que o maricas a deixou em casa e comprovei que ela não passaria a noite fora com ele. Quando eles adentraram a sala principal, o infeliz do Jimmy estava segurando sua mão com possessividade, fazendo-me ter que me controlar para não quebrar todos os seus dedos por tocar nela. O babaca nos cumprimentou, no entanto foi ignorado propositalmente. Percebi que a nossa atitude não agradou a Kristen. Ela o dispensou rapidamente, levando-o até a saída para evitar uma tensão maior. Quando retornou, fez questão de se despedir exclusivamente do seu pai apenas e me tratou como se eu fosse invisível. Entretanto, isso não me impediu de admirar sua silhueta pequena e esbelta. Ela estava extremamente gostosa no pedaço de saia preta de couro que usava. Puta que pariu! Meu pau pulsou rapidamente em uma fisgada dolorosa naquele instante. Foi praticamente impossível não olhar para o seu belo traseiro delicioso enquanto ela subia as escadas. Kristen pareceu ter adivinhado o meu pensamento pervertido, porque logo seu olhar de jade cruzou com o meu, lançando-me lascas geladas de repreensão por ter me flagrado admirando o seu gracioso bumbum. Só esbocei um sorriso audacioso naquele momento e consegui sua atenção. Tomo um gole do líquido cor de âmbar que desce queimando na minha garganta e ouço o som de uma entrada de mensagem no meu celular. Quando averiguo, percebo que é do detetive. Um sorriso genuíno estampa as minhas feições assim que eu contemplo o teor da nota. Todavia, de imediato, meu semblante se entenebrece quando eu concluo a leitura. Inferno! Não aguardarei um minuto sequer, quanto mais um mês para ele finalizar o relatório do dossiê de forma concreta. Já obtive o que desejo, e é o suficiente. Compreendo perfeitamente o que fazer com essa informação inestimável e de grande valia. Por isso, mando uma mensagem, encerrando o seu trabalho. Já sei, plenamente, como irei proceder. Rapidamente, minha mente já formulou um plano. Em breve, Jimmy Dawson não estará mais em meu caminho. Em um só gole absorvo o restante do líquido no copo, sentindo o meu corpo relaxar. Desta vez, meu sorriso consegue chegar aos meus olhos. Ouço a campainha tocar. Porra! Quem pode ser uma hora dessas? Irritado, sigo em passos rápidos até a porta e a abro de modo brusco. Estou prestes a dispensarquem quer que seja que tenha ousado interromper o meu momento de êxtase. Contudo, uma linda loira sedutora surge no meu campo de visão. Desço meus olhos vagarosamente pelo seu corpo voluptuoso. Eu já a comi? Suas feições não me parecem estranhas. Até que ela é gostosa. Reflito antes de decidir se devo dispensá-la ou não. Não aprecio mulheres oferecidas. Onde está a adrenalina e o sabor da caça? Pondero que terei que procurar outro hotel. — Olá, querido. Soube que você está pela cidade e decidi lhe fazer companhia nesta noite fria de San Diego. — Perdoe-me! Mas, nós nos conhecemos, senhorita...? — Na minha expressão se forma um vinco quando eu tento buscar algum resquício na memória da bela loira. Não me surge absolutamente nada. — Apollo, eu estou decepcionada. Olivia Brown. — fez um tom de quem fingiu ressentimento. — Você fez negócios com meu pai, o senhor Theodore Brown, há uns 3 meses. Não se recorda? Aquela noite foi tão memorável que eu quero repeti-la. — sussurrou com uma cara de safada. Ela adentra o apartamento sem ser convidada e eu fecho a porta. — Quero o banquete completo desta vez, sem medo de sermos flagrados fazendo sexo no banheiro. — exigiu. Ah, claro. Como posso ter me esquecido daquele jantar? A loira estava doida para me dar e eu acabei a comendo no banheiro da mansão Brown. No entanto, que parte ela não compreendeu de que foi apenas uma foda ocasional? Estou prestes a recusar sua oferta, mas me recordo de que ainda estou com as bolas pesadas e o pau dolorido do tesão despertado pela minha mikró (pequena). Então, por que não? Meu corpo ainda está inflamado e quente do desejo que a Kristen me suscitou. Creio que uma boa foda é o que necessito para apagar essa chama ardente que sinto por ela. De qualquer modo, se eu dispensar a loira, terei que me aliviar com a mão. E é muito mais prazeroso vir em um corpo cálido e feminino. Imediatamente, lanço-a um sorriso sedutor. Ela se aproxima de mim e tenta me beijar, mas eu a impeço a tempo. — Nada de beijos! — adverti. — Tire o vestido! Vamos adiantar essa parte, já que ambos sabemos o que queremos. — Forço um sorriso fogoso. — Quero ver seus peitos generosos se balançando enquanto você chupa o meu pau. — ordenei abrupto. Rapidamente, um sorriso surge em seus lábios quando ela tem a percepção de que eu aceitei sua proposta. Então faz logo o que eu solicitei, ficando somente com uma calcinha minúscula e preta. Sem demora, a loira já põe uma mão no botão da minha calça e liberta o meu cacete. Percebo ela me analisando, gulosa, enquanto manipula o meu pênis duro como uma estaca. Imediatamente, rodeia-me com a boca perita, babando todo o meu membro. Chega a ser cômico o modo que ela tenta demonstrar o quanto é experiente. Tenta acomodar o meu comprimento todo na boca, mas se engasga no processo, fazendo uma cara que não é nada sexy. Como não quero matá-la asfixiada com meu pau, tiro-o da sua boca e ordeno: — Tire a calcinha, apoie-se no sofá e empine seu belo traseiro para mim! Como uma boa submissa, ela obedece. Prontamente, busco um preservativo na minha carteira e envolvo o meu membro. Vou comê-la sem piedade até esfriar o ardor que minha agápi me desencadeou. Porém, quando invisto no corpo à minha frente, tenho a convicção de que será impossível. Quanto mais eu tento esquecê-la, mais a imagem do meu ángelos (anjo) se impregna em minha mente. Ela é como uma droga extremamente viciante. CAPÍTULO 03 KRISTEN COURTNEY Uma semana depois Olho no relógio de pulso e constato que tenho 30 minutos para chegar ao compromisso com uma cliente no ateliê. Necessito de 15 minutos para chegar lá. Mesmo estando adiantada, suspiro exasperada e bato o pé impacientemente contra o piso da entrada enquanto aguardo o Paul trazer o meu carro um lindo. É um Porsche rosa. Presente que ganhei do papai no meu aniversário de 16 anos quando tirei minha carteira de habilitação. Ultimamente, tenho notado o meu pai inquieto. Parece que algo está o desassossegando. Questionei-o ontem à noite, na hora do jantar, mas ele foi evasivo e disse apenas que não era nada com que eu devesse me preocupar. Claro que não acreditei muito. Depois da refeição, ele atendeu uma ligação no celular e foi para o escritório. Para a minha sorte, já faz uma semana que eu não vejo aquele grego intrometido. Naquele dia em que o encontrei pela manhã no corredor, fiz questão de não jantar em casa para não esbarrar com ele. Convidei o Jimmy para comer fora, em um programa de namorados. Depois, meu loiro lindo me levou ao cinema e, por último, trocamos alguns beijos e carinhos no carro antes dele me levar até em casa. Infelizmente, para o meu azar, Apollo ainda se encontrava por lá. Foi uma surpresa desagradável quando eu o avistei na sala com o papai, bebericando um copo de whisky. Ambos conversavam algo, bastante enérgicos, porém interromperam assim que me viram adentrar o espaço do salão com meu namorado. O olhar de Apollo foi logo direcionado na junção das nossas mãos unidas e, apesar do seu semblante tentar aparentar neutralidade, pude detectar uma microexpressão de insatisfação nele. Jimmy os cumprimentou, contudo foi ignorado. Apollo, unicamente, encarava-me com um olhar enigmático, enquanto o papai olhava com desgosto. Para não causar um clima de maior tensão, apenas dispensei Jimmy e o acompanhei até a porta. Quando retornei, despedi-me somente do papai, desconsiderando propositalmente a presença de Apollo. Assim que eu estava subindo as escadas, olhei para trás e percebi que aquele grego abusado estava fitando de modo atrevido o meu traseiro. Aquele filho da mãe! Eu o encarei de modo gelado, repreendendo-o, e continuei a subir o restante dos degraus o mais rápido que consegui, mas antes notei um rastro de sorriso presunçoso em seu rosto petulante. Queria poder ter esbofeteado sua cara arrogante por tamanho atrevimento. Sou dispersada dos meus devaneios quando Paul estaciona o meu carro em frente à mansão. Todo ano, papai insiste para que eu o troque, mas me apeguei ao meu Porsche cor de rosa. Agradeço ao Paul, acomodo-me atrás do volante, pego o celular, coloco-o no suporte e realizo uma chamada para Jimmy. Necessito saber como ele se encontra, já que estava de ressaca ontem. Segundo o mesmo, teve um encontro com um dos novos sócios da boate, acabou se excedendo na bebida e que, por isso, precisava confirmar o almoço que teremos com a dona de uma imobiliária para, enfim, escolhermos o apartamento que queremos comprar. É evidente que possuo algum dinheiro guardado, mas não é tanto. Não quero depender do papai, principalmente sabendo que ele é contra o nosso casamento. Daqui a dois anos, receberei uma vultosa soma em dinheiro, a herança de mamãe. Só poderei recebê-la quando completar 22 anos, como está estabelecido no testamento. Nestes dias, eu estava mais ansiosa do que o normal, nervosa com os últimos acontecimentos. Eu tento ser otimista e fingir que está tudo bem, mas a quem estou querendo enganar? Pensar no casamento me deixa com os nervos à flor da pele. O meu vestido de noiva já está todo finalizado praticamente. Sempre fico emocionada quando vejo os mínimos detalhes da confecção e tento me convencer de que me sinto emotiva dessa maneira por recordar que não terei minha mãe comigo para o meu grande momento. Só que não é apenas isso que me aflige. Por que existe uma ínfima dúvida? Eu amo Jimmy, certo? São tantas perguntas rondando a minha cabeça que, às vezes, fico desorientada. A ligação cai sem ao menos ele atender. Assim, ponho o carro em movimento e sigo para o ateliê. Tentarei contactá-lo mais tarde. Antes de chegar ao estúdio, passo na cafeteria que fica ao lado e pego alguns cafés e cappuccinos, além de alguns donuts caramelizados, já que estou adiantada 5 minutinhos. Em seguida, caminho em passos rápidos até o ateliê. Quando estou perto de chegar lá, quase dou um esbarrão em uma senhora ruiva de olhos amendoados. Ela está vestida elegantemente e seu porte é soberbo. Logo constato que é a senhora Eva Kokkinos. Por sorte, não derrubeinela nenhum item que trago em mãos, ou ela surtaria. — Ah! Finalmente chegou! — a mulher falou soltando fogo pelas ventas. Sua aparência não é nada sutil. — Senhorita Courtney, deveria ser mais criteriosa com seus funcionários. Eu, simplesmente, não consigo lidar com pessoas incompetentes. Isso me faz compreender que houve algum mal-entendido. — Acalme-se, senhora Kokkinos! Tenho certeza de que qualquer equívoco que houve, poderá ser esclarecido. Percebo suas feições presunçosas se abrandarem. — Assim espero, pois sua assistente acabou de me informar que o vestido ainda não está pronto. Minha filha está ansiosa. Sabe o que significa a ansiedade de uma noiva? O casamento se aproxima e minha bonequinha necessita dele. — Levanta as sobrancelhas finas com desprezo. — O que direi a ela? Que por causa de uma parasita inapta, o vestido ainda não está pronto? — indagou com desdém. Detesto pessoas que são ricas e mesquinhas, que se satisfazem em humilhar e pisar em outros por não terem o mesmo padrão social. A mulher à minha frente destila sua altivez e veneno como se fosse superior a qualquer um e nós fôssemos meros vassalos da sua vontade. Eu poderia captar a sua áurea soberba e prepotência de longe. Tento levar a situação com cautela, mas não permitirei que ela humilhe a minha amiga. — Senhora, a Bethany é minha sócia, não uma funcionária. E mesmo que fosse, merece toda a sua consideração. Ela é uma exímia profissional, assim como eu. O que houve foi que sua filha, primeiro, queria um modelo muito pomposo, digno de princesa, e depois desistiu. Então optou por um mais sensual. Demorará alguns dias para realizar as devidas modificações, no entanto ficará como ela deseja, no prazo estipulado. Estamos dentro do prazo. Estou certa? — falei com firmeza, observando a imagem da mulher, que anui a muito contragosto. — E não se preocupe! Eu mesma irei entregar pessoalmente o vestido. — Minha fala parece apaziguá-la. — Muito bem. Assim espero. — falou com uma postura ríspida. Sua pose não esconde sua altivez por ter o sangue nobre. Logo após nos despedimos, depois de eu lhe assegurar que o vestido estará pronto no prazo estimado, adentro o ateliê e já percebo, pela expressão de Bethany, que ela queria ter estrangulado a tal mulher. — Essa mulher é tão intragável quanto a filha. Eu não suporto essas riquinhas metidas. Concordo com ela. — Quero terminar o mais breve possível essa encomenda. Vou conferir pessoalmente com os funcionários da confecção como estão os últimos ajustes. — informei. A manhã passa rápido. Não estou inclinada a desenhar após o ocorrido. Exclusivamente, atendi algumas clientes, fechei umas demandas e fui averiguar pessoalmente os derradeiros arremates no vestido da senhorita Kokkinos na área de produção. Comprovei que tudo seguia como o previsto. Agora faço as observações finais. Depois desse processo finalizado, ligo para o Jimmy. Ele me comunica que não poderá comparecer no combinado com a corretora da imobiliária, justificando que viajará a trabalho no próximo fim de semana. Fico um pouco chateada por ele não ter me avisado antes, mas o compreendo. Depois desmarco o compromisso e sigo sozinha para o almoço com a Bethany. Será que foi por isso que me surgiam algumas dúvidas em relação a esse relacionamento? Contudo, Jimmy é maravilhoso, está sempre bem- humorado e me trata com carinho. É um verdadeiro gentleman. Não deveriam existir essas incertezas. Creio que tenha chegado a hora de eu dar um passo mais decisivo no nosso relacionamento. Considero que quero uma ligação maior com meu namorado. (...) O jantar com o papai é agradável, mas esse clima quebra quando ele menciona algo sobre Apollo estar na cidade. Que saco! Creio que deve ter se mudado para San Diego, porque em quase todas as semanas, esse grego abusado está por aqui. Eu me sinto extremamente irritada com sua presença e, ao mesmo tempo, vulnerável. É como se sua proximidade conseguisse perfurar todas as minhas defesas. Quando vou me deitar, ouço o som de uma mensagem caindo no meu celular. Averiguo a caixa de entrada e vejo que é um e-mail de um endereço que não está na minha lista de contatos. Penso que é estranho, porém abro a mensagem mesmo assim. É do Jimmy. “Kristen, querida, não quero que exista dúvidas do quanto eu te amo. Por esse motivo, quero que conheça um lugar que é o meu refúgio secreto. Pretendo te mostrar todas as facetas que o seu noivo apaixonado deseja revelar e compartilhar com você. Amanhã lhe enviarei um cartão magnético que dá acesso à minha suíte. Não é necessário bater, apenas entre e se surpreenda! Com amor, Jimmy!” Ele finaliza indicando o endereço brevemente abaixo e meu coração acelera dentro do peito. Meu rosto está quente como uma fornalha unicamente por eu constatar ao que pode se referir essa mensagem. Jimmy está querendo o próximo passo. Céus! Eu estou pronta? Mando a indecisão para longe. Claro que estou. Anseio por esse momento tanto quanto ele. Certo? Amanhã mesmo terei que inventar algo para dizer ao papai. Tenho certeza que se eu disser que irei perder a virgindade com meu namorado, ele me colocará em um pedestal para que ninguém me alcance. CAPÍTULO 04 KRISTEN COURTNEY Hoje passei o dia apreensiva e nervosa depois de vasculhar o meu guarda-roupa inteiro em busca de uma vestimenta sexy e sensual. Espero estar fazendo a escolha certa. Caminho lentamente pelo amplo corredor que me levará à suíte master. A música do extenso salão de festas ainda pode ser ouvida daqui de cima. Estou ansiosa, com as mãos suadas e o coração acelerado, prestes a sair pela garganta. Estou parecendo mais uma donzela da renascença que está sentenciada a ir à guilhotina. Rio desse pensamento ridículo. Tenho certeza de que é a melhor decisão. Eu amo o Jimmy. Mas, por que sinto essa angústia dentro do peito, como se algo fosse dar errado? Céus! Por que essa insegurança? Não deveria ser tão difícil perder a virgindade. Não é como se eu estivesse sendo promíscua ou algo do tipo. Ele é o meu noivo, o homem que eu amo. Meu estado de ansiedade deve ser, com certeza, pelo meu nervosismo de noiva. Engulo em seco e me visto de coragem e empoderamento feminino, lançando o pensamento desanimador para longe. Sigo em frente e com determinação. Assim que paro em frente à ampla porta de carvalho conjecturo, penso em bater, porém me recordo das instruções. Noto que está bastante silencioso do lado de dentro. Até parece que não há ninguém lá. É como se ele não esperasse que eu fosse aceitar o seu convite. Almejo fazer uma surpresa. Quero que ele compreenda que eu o amo tanto que estou disposta a dar o próximo passo na nossa relação. Jimmy sempre foi um cavalheiro comigo e nunca avançou nenhum sinal. Aliás, os beijos mais calientes que trocamos, sempre foram de iniciativa minha. Ele nunca ultrapassou essa linha tênue da nossa relação. Sabe que sou virgem e que almejo uma noite especial e romântica entre nós dois. Não sou puritana ao extremo, no entanto anseio por esse momento importante. O qual nunca aconteceu. Nunca tivemos a oportunidade perfeita. Nos poucos encontros mais íntimos que tivemos, simplesmente, faltou aquela chama e a fagulha do desejo intoxicante. Não é como se Jimmy me incendiasse com apenas um olhar de molhar a calcinha, como o Apollo. Caramba! Por que estou fantasiando aquele cachorro sarnento na minha mente justo agora? Estou prestes a transar com o meu noivo e esse cretino surge no meu pensamento? Apollo não passa de um ser egocêntrico e arrogante que pensa que o mundo gira em torno do seu umbigo. É claro que com a quantidade de amantes que entra e sai da sua cama, ele deve se considerar a oitava maravilha do mundo. Bufo frustrada e pego com impaciência o cartão eletrônico que Jimmy me enviou nesta manhã, como ele disse que faria nas instruções do e-mail. Destravo a porta sem fazer barulho e entro no amplo apartamento que está iluminado por pequenas luminárias no teto, deixando o ambiente sob uma certa penumbra sensual e estimulante. Posso observar uma pequena desordempela sala e uma camisa cinza jogada no sofá. Jimmy, com certeza, terá um ataque. Ele tem a mania de ser sempre organizado, não bagunceiro. Sorrio do jeito metódico que o meu noivo tem. Certamente, não está em um dos seus dias habituais. Vou adorar descobrir sua nova faceta. Noto também duas taças e uma garrafa de espumante em um balde de gelo no aparador. Uma leve música romântica vem do quarto. Eu franzo as sobrancelhas. Jimmy está me aguardando no quarto? Penso em chamá-lo e alertá-lo da minha presença, contudo decido ir até lá para lhe fazer uma surpresa. Ele, talvez, tenha dúvidas de que eu aparecerei. Coloco minha bolsa em cima do sofá e sacudo meus cabelos que descem pelas costas formando leves ondas. Também confiro o laço do meu sobretudo. Por baixo dele só estou usando uma lingerie sexy. Caminho nervosa até a entrada do quarto. Meu coração está tremendo com a ansiedade e minhas mãos se encontram suadas. Passo-as levemente pelo meu sobretudo para que possa tirar o excesso de suor delas. Assim que giro a maçaneta lentamente para não fazer barulho, meu corpo trava no lugar. Estou momentaneamente perplexa, apática e deteriorada com a cena impactante que meus olhos contemplam. Minha visão fica turva pelas lágrimas e meu peito sufoca com o panorama perverso à minha frente. Não quero acreditar no que meus olhos estão presenciando. A cena é grotesca demais para qualquer mulher. Levo uma mão à boca para abafar meu horror diante de tudo. Meu coração está em pedaços e sangrando. Eu me sinto a mais vil das mulheres, sem valor algum. O quarto está sob uma luz tênue, igual o restante da sala, e Jimmy está agachado diante de um homem moreno e alto que tem uma tatuagem de dragão nas costas. Ele o chupa com gula e vontade enquanto o rapaz emite gemidos ardorosos de prazer. Observo o ambiente. Posso constatar várias outras peças de roupas espalhadas pelo chão e duas taças vazias sobre o criado-mudo, onde também contém um montinho de pó branco. Droga! Estou horrorizada ainda e totalmente chocada com a descoberta dessa dura realidade sórdida. Enquanto Jimmy leva o pau do seu companheiro cada vez mais fundo à garganta, parecendo um perito chupador de paus, posso perceber que ele também está visivelmente excitado com toda essa perfídia. — Isso! Chupa o meu pau, filho da puta! — o outro rosnou para o Jimmy com uma voz ensandecida pelo tesão. — Vai me dar seu cuzinho gostoso? — perguntou de forma crua. — Sabe como eu gosto de te comer duramente e com força. Isso! Bebe toda a minha vara! — pronunciou entre gemidos. Jimmy para de chupá-lo e o olha com prazer, com um desejo ardente em seus olhos azuis. Nunca senti isso sobre mim antes. Eu me sinto nauseada e suja. É como se ele tivesse me quebrado em mil pedaços. Continua masturbando o homem e lhe lançando um sorriso fogoso. — Ele é todo seu, meu tourão indomável. — sussurrou com a voz rouca e apaixonada. — Cachorro safado! — o desconhecido sussurrou de volta, dando um tapa no rosto de Jimmy, que parece apreciar seu gesto. — Você adora o meu pau na sua raba. Meus olhos continuam absorvendo a visão grotesca do meu noivo fazendo sexo com outro, traindo-me. E não é com uma mulher, e sim com um homem. Isso me deixa mais mortificada ainda. É como se eu não fosse mulher o suficiente para lhe despertar interesse. Sou tão pouco estimulante? Onde falhei? Sei que não tenho grandes atributos notáveis como seios fartos ou uma bunda gigante, contudo, de qualquer maneira, esses fatores não são importantes, afinal, ele não está me traindo com nenhuma siliconada, e sim com um homem. Um homem! Um bolo se forma na minha garganta. Sem pressa, noto o outro rapaz pegar o Jimmy pela garganta, fazendo-o se levantar. Eles se beijam de forma faminta, com as línguas devorando um ao outro. — Fique de quatro na cama! Quero comer sua raba. Vejo o Jimmy obedecendo como um cachorrinho adestrado a ordem do seu parceiro. Não consigo visualizar a outra silhueta. O homem está de costas para mim. Logo pega um pote que está sobre o criado-mudo, colhe um pouco do creme viscoso entre os dedos e o passa no membro, lambuzando-o todo com a substância. Depois disso, posiciona-se atrás de Jimmy e adentra o seu corpo. Os dois gemem alucinados. — Eu vou acabar com o seu cuzinho! — sussurrou com a voz grossa. Aumenta ela a cada estocada. — Isso, amor! Acaba com a sua cadela! — Quer ser minha cadelinha, seu safado? — indagou de forma grosseira. — Eu vou encher esse cuzinho com a minha porra. — Mete com vontade, amor! — pediu sussurrando com luxúria, causando-me vertigem. Por que ele estava comigo se não me ama? Pelo visto, ama esse homem. Dinheiro é a resposta mais óbvia e clara como água límpida. Sempre será assim? Meu sobrenome é um chamariz que atrai malditos caçadores de dotes. Meu pai tem razão: Jimmy é um maldito interesseiro. Meu peito queima e minha boca amarga com o desespero. No quarto, apenas escuto o som frenético dos corpos dos dois amantes envaidecidos e dominados pela luxúria. Quero gritar, correr para bem longe de toda essa insídia e abrandar toda a angústia e revolta que sinto neste instante dentro do peito, mas algo maior me impulsiona a ficar parada, inerte, somente observando a cena paralela e leviana dos dois amantes. É como se fosse um cenário televisivo. Parece que minha mente não está mais presente, apenas meu corpo. Eu só consigo sentir ânsia da cena diante de mim. Que mulher se sentiria diferente ao ver o homem que ama com outro na cama e, ainda, sussurrando juras de amor? Mesmo soluçando baixinho, minha presença não é delatada. Os dois parecem muito entretidos nos seus joguinhos sexuais. Não quero mais presenciar esse espetáculo nefasto. Saio do ambiente o mais rápido que consigo, agarro minha bolsa, em desespero, e abandono o apartamento. Um ódio queima o meu corpo. Só quero socar a cara do Jimmy por ele ter sido tão sórdido comigo. O fato dele ser gay, não é o problema, até porque a vida é sua e ele tem o direito de vivê-la como bem lhe aprouver. Entretanto, não tinha o direito de me arrastar para esse seu abismo profundo e infame, enganar-me com falsas juras de amor e mostrar o casal perfeito que éramos perante a sociedade. Neste instante percebo tudo que deixei passar do meu EX-NOIVO. — gritei internamente em letras garrafais. Burra! Burra! — xinguei-me mentalmente. Como posso ter sido tão estúpida por não ter observado os pequenos detalhes? Jimmy nunca se preocupou realmente com o casamento e jamais demonstrou interesse algum. Sempre elogiou os meus croquis e costumava dar alguns palpites. Sua afeição era por purpurinas. Agora compreendo. Seus gostos detalhados para alguns assuntos femininos eram impecáveis e suas roupas estavam sempre elegantes e em uma perfeita combinação. Nunca tinha nada fora do lugar, nem mesmo um único amassado. Chego ao elevador ainda aos prantos e bato fortemente no painel. Apenas quero sair desse antro de perdição o mais rápido possível. Estou sufocando com a dor gigantesca que está dentro de mim. O elevador para em outro andar e uma velhinha entra. Ela me olha com pena. Tenho certeza que devo estar parecendo algum artista de circo por causa dos olhos completamente borrados de maquiagem. — Está tudo bem, querida? — ela perguntou. Nas suas feições ternas, posso ver, realmente, preocupação com a minha dor. Limpo as lágrimas que ainda teimam em cair pelo meu rosto. O sentimento de traição ainda me corrói por dentro e o meu orgulho de mulher está na sarjeta, jogado na lama. Estou me sentindo um lixo, literalmente. — Vai ficar. — respondi com os olhos petrificados, ainda devido ao choque. — O que houve, querida? Quer conversar? — indagou de maneira simpática. — Percebe-se que você não está bem. Parece até que viu um fantasma. Se quiser, podemos ir para o meu apartamento e tomar um chá. Eu estou indo agora para o meu jogo de xadrez com meus amigos, mas posso desmarcar. — sugeriu solícita. Sorrio para ela, mesmo que meu sorriso seja melancólico e quase sem vida. — Não. Tudo bem. Ou, pelo menos, vai ficar. Apenasacabei de descobrir que meu noivo é um tremendo babaca, que está me traindo. — falei de uma só vez. — Oh, querida! Eu compreendo perfeitamente. Também já passei por isso quando o meu querido George era vivo. Descobri que aquele filho de uma mãe me traía com a secretária. Eu ameacei sair de casa, e quando ele percebeu que iria me perder, recuperou o bom senso e mudou. Despediu ela e me prometeu que nunca mais faria aquilo novamente. Foi difícil no início, mas com muito amor, conseguimos superar esse empecilho. — Suspira como se estivesse recordando. — Quem sabe não se acertem? Pode ser só um romance passageiro. Fungo baixinho e rio ironicamente. Se a senhora de cabelos grisalhos e jeitinho de beata presenciasse o episódio grosseiro que eu acabei de vislumbrar, tenho absoluta convicção de que desmaiaria. A cena que vi a pouco, não demonstrava um sexo casual, e sim dois amantes antigos que se desejavam de modo veemente. — Não existe a mínima possibilidade. — falei por fim. Ela me fita com os olhos espectadores de sabedoria. — Então é porque não há amor verdadeiro. E foi melhor descobrir agora do que depois de casada. Quem sabe um outro amor está mais próximo do que imagina? Sorrio da improbabilidade da situação. A última coisa que estou pensando neste momento é em encontrar um outro amor. Eu nunca mais irei me permitir passar pela mesma humilhação. — pensei com determinação, enxugando os últimos vestígios de lágrimas. CAPÍTULO 05 KRISTEN COURTNEY Depois que o elevador para no térreo, eu me despeço da simpática senhora e sigo pelo amplo saguão do hotel em passos vacilantes até a saída. Meu corpo ainda está tremendo com a descarga chocante da realidade que presenciei há instantes. Meu mundo cor de rosa desmoronou completamente. Não quero retornar para casa agora, pois preciso de um tempo para digerir tudo. Ainda estou com o meu organismo queimando de raiva e ressentimento. Só o que anseio neste momento é sumir. Mesmo com a conversa empática da bondosa senhora do elevador, ainda sinto meus nervos à flor da pele. Eu odeio... Odeio o Jimmy Dawson por ter pisoteado nos meus sentimentos e não ter pensado em mim! Maldito! Só desejo desaparecer. De imediato, decido para onde ir. Pego um táxi que me levará ao meu destino. Meus olhos passeiam pela paisagem do lado de fora sem absorver absolutamente nada. O caos interno que estou vivendo ainda está latente. Quase não me dou conta quando o motorista para em frente ao calçadão da Pacific Beach. — Chegamos, senhorita. — anunciou quando percebeu que eu não demonstrei reação alguma de sair do veículo. Logo me recupero, pago a corrida e salto para fora do táxi. A brisa do mar vem na minha direção imediatamente, ondulando os meus cabelos castanhos e me fazendo arrepiar com o vento gelado que bate em minha pele. Neste momento, é como se o mar compreendesse toda a minha dor e angústia. Caminho pelo calçadão sem rumo certo. Essa praia específica é muito badalada entre os jovens e surfistas, no entanto agradeço a Deus porque, no momento, ela está praticamente deserta. Há apenas alguns turistas caminhando pelo calçadão. Quando dou por mim, já estou indo em direção ao mar. As ondas escuras balançam em um ritmo suave e envolvente, em uma sinfonia doce da natureza. Olho para elas. Ao longe, a lua está esplendorosa, banhando o mar com o seu brilho irradiante, mas nem mesmo o belo panorama diante de mim, faz eu me esquecer da humilhação sofrida há alguns minutos. Sem muito raciocinar, caminho ainda mais em direção ao mar. Sinto o beijar das águas salgadas baterem em minhas botas no seus suaves balanços de vai e vem. É como se algo me puxasse para as profundezas. Quem sabe assim, a minha dor se apagará? O mar é como uma sereia que me cativa e me incentiva a mergulhar em seus mistérios. E eu irei de bom grado neste instante. Nada importa para mim. Apenas quero esquecer a minha degradação e estupidez. Olho minha mão direita e vislumbro o singelo anel de noivado. Melhor dizendo: de mentira. Tudo o que vivenciei, foi uma maldita farsa, um logro manipulado pelo cretino do meu ex-noivo. Tiro com força a aliança de noivado, que está queimando como fogo o meu dedo, e a jogo com muito ódio no mar, fazendo com que o objeto se perca em meio às ondas nebulosas. Eu odeio... Odeio o Jimmy por ter me feito de idiota durante todo esse tempo! Miro a vastidão do mar. Suas profundezas ocultas são cheias de perigos e enigmas a serem desvendados. Seria tão fácil me perder nessa imensidão. Isso aliviaria o meu coração, que se sente sufocado pela humilhação? Se eu me perdesse em nele, curaria a minha dor? Suas águas salgadas sanariam a minha ferida que foi aberta porque eu fui uma estúpida? Eu abri o meu coração para alguém que não merecia. Como fui tão idiota e não percebi antes o charlatão que Jimmy é? As planícies azul-escura refletem o esplendor do céu estrelado. É uma beleza singela propiciada por Deus. Entretanto, esse mar oculta um furor incalculável. E eu, de bom grado, continuo seguindo em direção às ondas revoltas. Contudo, antes que eu adentre mais nos mistérios de suas profundezas, sinto mãos firmes e poderosas me arrastarem para longe do mar. — Solte-me! — gritei irritada, despertando do meu transe letárgico e me debatendo entre os braços fortes. — Ficou louca, Kristen?! O que pretendia fazer? — Fico estática quando ouço essa voz rouca e cheia de uma confiança que chega a me irritar, mas de um timbre extremamente sexy. Oh, céus! O meu subconsciente só pode estar me pregando peças. Não pode ser ele, o senhor mandão e arrogante. — Não é da sua maldita conta. — respondi ríspida. — Por que me ataca? Apenas quero ajudá-la. — afirmou de modo brando. — Pois eu não acredito na sua boa intenção. De boas intenções, o inferno está cheio. — To mikró mou (Minha pequena) está cheia de abrolhos. Acalme-se, omorfiá diki mou (bela minha)! Minha única intenção é protegê-la. — Seus braços continuam firmes ao redor do meu corpo, causando um arrepio fogoso pela minha pele que não é por causa do frio. — Solte-me! — sussurrei de modo ofegante. — Tudo bem, agápi mou. Mas não cometa nenhuma bobagem! — ressaltou. Eu confirmo com a cabeça. Quando me viro em sua direção, posso vê-lo nitidamente, mesmo sob a tênue penumbra que está no local. Vejo seu rosto másculo e de ângulos perfeitos. Ele mantém a barba rala e bem conservada. O que o deixa ainda mais charmoso. Apollo não esta trajado com os seus costumeiros ternos, e seus cabelos fartos e negros estão revoltos pelo vento. Sua roupa é casual: uma calça jeans escura e uma camisa azul-escura de mangas compridas que deixam seus músculos ainda mais em destaque. Uma leve penugem surge pela gola da sua camisa, destacando sua virilidade e minando meus últimos pensamentos coerentes. Ele está tão perfeito sob a luz da lua que chega a ser quase irreal. É muita crueldade da mãe natureza. Até mesmo as suas sobrancelhas são perfeitas. Jimmy sempre mantinha a depilação em dia. O que eu achava super atraente. No entanto, estou apreciando esse outro lado agora, já que estou diante de um homem alfa de verdade. Ele faz cada célula do meu corpo entrar em ebulição enquanto eu absorvo os seus hormônios masculinos como se fosse um imã. A pura testosterona inebria os meus sentidos, agindo no meu corpo como um potente afrodisíaco, fazendo-me esquecer momentaneamente porque devo fugir dele. Esse grego arrogante está sexy para cacete. No mesmo instante que esse pensamento promíscuo fomenta a minha mente, eu me assusto. O homem diante de mim, não passa de um libertino. Não devo desejar cruzar o seu caminho, muito menos fantasiar com ele. — Então, o que pretendia fazer? Tem certeza que ele vale a pena? — questionou de maneira sarcástica. — Eu não pretendia absolutamente nada. — Quer me dizer agora que se eu não tivesse chegado a tempo, você não teria adentrado o mar? Que loucura cometeria? — argumentou como se fosse algum maldito guardião e eu fosse somente uma garota estúpida e inconsequente. — Apenas queria ficar sozinha e decidi caminharum pouco pela praia. É proibido também? Aliás, eu quem deveria questioná-lo. O que faz aqui? — Eu também estava caminhando um pouco pela praia para espairecer as ideias. Que sorte você tem, agápi! Caso contrário, não sei que loucura teria cometido. — Eu não solicitei a sua ajuda. — falei teimosa. Ele suspira impaciente e passa uma mão pelos cabelos, agitando-os ainda mais contra o vento. — Ama-o tanto assim? — Franze o cenho enquanto analisa minhas reações. Abro minha boca e a fecho novamente sem emitir som algum. Ele sabe de algo que aconteceu? Isso é impossível. — Não sei do que fala. — tentei desconversar. — A estupidez que você iria cometer se parecia mais com alguma briguinha de namorados. — disse zombeteiro. — É evidente que não. — protestei. — Então, por que jogou a aliança ao mar? Que droga! Ele tinha que ver aquele episódio da minha pequena falta de descontrole? — É porque eu não tenho mais noivo. — Bufo com o ódio ainda corroendo as minhas entranhas. Sua expressão não demonstra surpresa alguma. Noto até um esboço de sorriso em seu rosto petulante. — Jimmy é um cretino, ordinário. Nunca mais quero vê-lo na minha frente. — frisei. Sinto asco ao recordar da cena promíscua. Minhas emoções ainda estão visivelmente abaladas. — Fique calma, agápi! Ele não merece as suas lágrimas. — Eu não estava chorando. — tentei demonstrar franqueza. Não quero que ele perceba o quão humilhada me sinto. Vejo-o franzir as sobrancelhas, formando um vinco na testa. — Não negue! O seu ataque de nervos é notório. Além do mais, ainda existe um rastro de lágrimas no seu rosto. Apollo, sem pressa, aproxima-se lentamente de mim e me rodeia com os braços fortes. O ar chega a se prender no meu peito quando eu aconchego minha cabeça em seu tórax másculo. — O que está fazendo? — perguntei querendo me desprender do seu domínio. — Pode chamar de apoio solidário. — Por eu ser uma corna? — Merda! Mordo a língua, recriminando-me por ter soltado sem querer. Ele não precisava saber o motivo de eu ter decidido romper meu noivado. Ele ri matreiro da minha escolha de palavras. — Acredite: você não é a única a ter passado por essa situação. E se ele te trocou, é um completo babaca. Você é uma garota linda e incrível. Fico momentaneamente imóvel. Ele me acha bonita? Possivelmente, falou isso apenas para que eu me sinta melhor. Além do mais, não imagina que eu não sou uma corna qualquer. Eu fui trocada por um homem. E esse motivo feriu muito a minha dignidade feminina. Sinto-me uma inútil que nunca, de fato, conseguiu despertar o interesse do noivo. É como se o defeito tivesse sido em mim. — Você só está falando isso para que eu me sinta melhor. — murmurei debilmente. — Não, agápi mou. Só estou dizendo a verdade. — Afaga levemente as minhas costas. Posso ouvir as batidas suaves do seu coração contra o meu rosto e o cheiro amadeirado da sua colônia misturada ao aroma da sua virilidade penetrar nas minhas narinas, fazendo-me sentir coisas que eu não desejo. Tento me afastar, mas ele não permite. — Quer dizer, então, que não me considera uma patricinha mimada? — Ele sempre me provocava, chamando-me de Penélope Charmosa por causa do meu carro rosa. Vagarosamente, levanto minha cabeça para ver sua reação. Ele me dá um sorrisinho torto. — A Penélope Charmosa tem seus encantos. Aliás, muitos encantos. — Seus olhos negros me analisam com cautela. Nas suas pupilas escuras, pude perceber um leve brilho de luxúria? Isso é impossível. Claro que não! É minha mente aturdida me pregando peças novamente porque estou me sentindo desvalorizada como mulher e com a autoestima em frangalhos. É evidente que um dos amigos do meu pai não me olharia com desejo. Muito pelo contrário. Apollo sempre demonstrou que me considera uma patricinha que só sabe torrar a grana do papai com várias futilidades. Ele é como todos os outros: vê a mim, exclusivamente, como uma herdeira sem cérebro e com um cartão de crédito na mão. Se soubesse que a minha desgraça não se resume à traição, mas também por ter sido trocada por um homem, eu seria motivo de chacota e escárnio. De repente, nossos rostos estão muito próximos e eu sinto seu hálito suave contra as minhas bochechas rosadas. Fixo meu olhar nos seus olhos negros que me examinam minuciosamente e intensamente. Posso perceber uma miríades de sentimentos perpassarem pelas suas íris negras. O que está causando um tortuoso formigamento no meu baixo ventre, como se eu ansiasse por algo que ignoro. Fecho os olhos em um convite silencioso, na expectativa dos seus lábios cálidos e fervorosos virem de encontro aos meus. Sinto os seus dedos afagarem suavemente o meu rosto como se estivesse o desenhando e eternizando na memória. Desejo sentir sua boca na minha e o anseio de uma forma visceral. Porém, o beijo não vem. Quando abro os olhos novamente, posso perceber certa resistência por parte dele. É como se travasse uma luta interna. — Seu pai sabe onde você está? — perguntou por fim, quebrando o clima romântico. Romântico? Céus! Só posso estar louca. Considero que devo estar um pouco confusa, mas logo me recupero. — Não. Na verdade, eu disse que viajaria neste final de semana com a Bethany a trabalho. Não vou retornar para casa nessas condições. Preciso ir a um hotel. Pode me soltar agora, por favor? Preciso chamar um táxi. — Espalmo as duas mãos no seu peito firme, tentando afastá-lo. Não sei o que estava pensando há alguns minutos, quando imaginei que tinha visto um rastro de luxúria nos olhos de Apollo. Se uma mulher como eu não conseguiu despertar interesse no próprio noivo, não suscitaria algum desejo em um homem como Apollo Amazzotty. E não posso me esquecer do motivo principal pelo qual fujo dele. Ele é um libertino inveterado. Sempre surgem inúmeras manchetes nos jornais sensacionalistas sobre a vida promíscua que leva o bilionário grego ao redor do mundo. É um gênio nos negócios, entretanto um devasso. Uma vez li uma matéria sobre a orgia que ele promoveu em um dos seus iates nas ilhas caribenhas. Foi uma noitada regada a muita farra, sexo e bebidas. Duas mulheres praticamente seminuas foram flagradas na manhã seguinte deixando a embarcação. É evidente que sua vida de devassidão não é mais exposta porque ele tenta se manter discreto, porém é quase impossível ficar neutro. Principalmente aqui, na América. Sobretudo, o seu nome está ligado a grandes investimentos. Ainda me recordo de que depois que essa notícia vazou, duas horas depois desapareceu feito um passe de mágica, como se nunca tivesse existido. É óbvio que o grego deve ter dado o seu jeitinho para que sumissem com a reportagem sórdida. Cretino convencido! Aposto que pensa que pode ter qualquer mulher aos seus pés. Não duvido, pelo seu extenso histórico de promiscuidade, que muitas mulheres caiam rendidas à sua lábia pervertida. No entanto, suas cantadas não funcionam comigo. Sou blindada ao seu charme grego. Não é como se eu ansiasse gozar dos prazeres que suas amantes obtêm em sua cama de libertino. Quando termino de formular esse pensamento inconsequente, recrimino- me profundamente. Oh, Deus! Creio que o choque recente que tive, acabou de derreter o meu cérebro. Considerar as proezas de Apollo Amazzotty na cama, está fora de questão. CAPÍTULO 06 APOLLO AMAZZOTTY Inferno! Eu tive que seguir a Kristen quando constatei a vulnerabilidade dela ao deixar o hotel. Sua fragilidade fez algo dentro de mim se romper quando eu percebi o quão mal lhe fiz com a minha atitude abrupta. Contudo, ela precisava ter um choque de realidade. Foi fácil saber agora do que ter que descobrir o equívoco depois de casada. Não estou agindo como um puritano ou hipócrita, pois mesmo quando estiver casado, continuarei com os meus casos. A diferença é que eu não estou enganando ninguém. Eleni sabe perfeitamente a vida que levo e que não pretendo abrir mão dela. Entretanto, concordou, de livre espontânea vontade, com os termos do acordo. Sigo o táxi que, por coincidência, estaciona no calçadão da Pacific Beach, próximo ao hotel em que estouhospedado. Vejo a Kristen abandonar o veículo e seguir desorientada pelo calçadão. Ela anda sem rumo por um tempo, mas, logo, eu a observo ir em direção ao mar. Salto do carro o mais rápido que consigo e, de imediato, vou atrás dela. Maldição! Fico estarrecido quando percebo sua intenção, corro o mais depressa que minhas pernas permitem e a agarro pela cintura, trazendo-a de volta à terra firme. Ela ainda não tinha entrado muito no mar, porém, de qualquer modo sua atitude foi impensada. — Solte-me! — Ataca-me enfurecida, tentando se desprender dos meus braços, mesmo não sabendo ainda quem eu sou. — Ficou louca, Kristen?! O que pretendia fazer? — Vejo-a estancar o corpo no lugar ao perceber minha identidade. — Não é da sua maldita conta. — murmurou com rispidez. Seu corpo pequeno e primoroso continua grudado no meu, que está bem consciente do calor delicioso que emana do dela. O seu cheiro floral e doce que se desprende da sua pele deleitosa me deixa cheio de pensamentos impuros e meu corpo reage à sua proximidade, mesmo sabendo que o momento não é propício para a sedução. Porra! Tento me controlar, no entanto o meu pau já está inteirado do traseiro delicioso que está o pressionando. A roupa que ela está usando é sexy para caralho e minha mente pervertida fantasia imediatamente eu a desembrulhando apenas para mim. De repente sou golpeado por um sentimento de raiva genuína quando constato que não sou o felizardo para quem ela se vestiu assim, como uma sedutora. O ódio me toma após a comprovação desse fato. Jimmy deve ser um panaca mesmo. Kristen é muito sentimental por ter pensado em cometer tal ato de loucura por alguém que não tem nenhuma consideração por ela e não a merece. Será que o ama tanto assim? Percebi quando lançou a aliança no mar. Parecia bastante furiosa. Sinto seu corpo pequeno tremer levemente em contato com o meu e, de imediato, eu sinto o fogo do desejo incendiar pelas minhas veias. Logo sou atingido por várias imagens indecentes e pecaminosas de Kristen em minhas fantasias obscenas. Se Josh Courtney sequer sonhasse que eu estou fantasiando com a filhinha dele dessa maneira indecorosa, com certeza, eu seria um homem morto. Instantaneamente, sou privado do seu calor quando ela sai dos meus braços depois de insistir para que eu a solte. Faço-a prometer que não cometerá nenhum ato impensado e ela me olha como se não acreditasse que eu estou diante dela. Seus olhos verdes tão tempestuosos como uma tarde chuvosa em Corfu me incitam a praticar loucuras. — Então, o que pretendia fazer? Tem certeza que ele vale a pena? — perguntei ironicamente, querendo socar a cara daquele babaca. — Não pretendo absolutamente nada. — respondeu com a expressão emburrada. Continuo a questioná-la sobre a insensatez do ato que ela pretendia cometer, mesmo que tente negar. Não quero imaginar o que teria acontecido se eu não tivesse chegado a tempo. Theós (Deus)! E a culpa seria minha. Maldição! Se algo tivesse acontecido com ela, eu nunca me perdoaria. Seu rosto angelical demonstra melancolia e eu fico enfurecido quando percebo os rastros de lágrimas na sua bela face. Maldito! Aperto meu punho com uma certa força desnecessária. Filho da puta! Se Jimmy estivesse em minha frente agora, eu arrebentaria a sua cara de maricas. É nítido que as emoções de Kristen estão estremecidas. — Fique calma, agápi! Ele não merece suas lágrimas. — sussurrei. — Eu não estava chorando. — ela tentou negar, mas é notório o quanto está desestruturada emocionalmente. Theós! Eu deveria estar a quilômetros daqui. Nunca consegui lidar com dramas femininos. Entretanto, algo maior me incita a protegê-la. Sem demora, eu me aproximo dela, enlaço-a em meus braços e a colo no meu corpo. Sinto quando ela aconchega sua cabeça no meu peito. Caralho! Esse gesto me faz experimentar um sentimento estranho de proteção. Por incrível que pareça, não me causa aversão, como em outrora. — O que está fazendo? — Remexe-se em meus braços. — Pode chamar de apoio solidário. — Por eu ser uma corna? Rio da sua colocação de palavras. Se ela soubesse que eu não só tenho conhecimento, como também planejei para que ela flagrasse o seu noivo em seu encontro íntimo e secreto, odiaria a mim, com certeza. Não sei a cena que ela visualizou naquele apartamento, mas sei que Jimmy o usava para se encontrar com a amante. A qual não fiz a mínima questão de me inteirar de quem é. Não faz a menor diferença para mim. Eu só não podia deixar que ele continuasse a enganando e a ludibriando como se fosse uma marionete em suas mãos. Kristen não merecia isso. Ela pode estar sofrendo agora, mas creio que vai superar. Melhor descobrir cedo do que tarde. A não ser que ela, realmente, ame tanto ele que esteja disposta a perdoar a traição. Supor que Kristen escolheria essa alternativa me corrói de raiva. No entanto, o que posso notar no momento é que ela está muito magoada e ferida. E isso esmaga o meu coração. — Acredite: você não é a única a ter passado por essa situação. E se ele te trocou, é um babaca. Você é uma garota linda e incrível. — afirmei o que já é evidente. Ela fica imóvel e eu posso sentir sua respiração suave contra o meu peito. Caralho! É uma sensação indescritível. Na mesma hora me censuro por estar me permitindo usufruir desse tipo de pensamento. Não seria justo com ela. Estou ligado a outra mulher unicamente por um acordo de interesses. O único lugar que teria disponível para Kristen, seria o de amante. E ela não merece isso. — Só está falando isso para que eu me sinta melhor. — sussurrou suavemente. — Não, agápi mou. Estou apenas dizendo a verdade. — afirmei. Afago lentamente as suas costas suaves e a sinto relaxar sob o meu toque. De repente, seu corpo fica rígido entre os meus braços e ela tenta se afastar de mim. Mas eu não permito. — Quer dizer, então, que não me considera uma patricinha mimada? — Seus lindos olhos verdes se chocam com os meus, deixando-me hipnotizado. Kristen é tão linda! Não tem noção do quanto é tentadora para um homem. Olho-a com um desejo indisfarçável, almejando descobrir os seus encantos. Ela está nua por baixo desse sobretudo? Uma lingerie sexy talvez? Minha imaginação libertina começa a moldar a imagem pecaminosa e sensual na minha mente. Porra! Instantaneamente, sinto meu pau latejar dolorosamente entre as pernas. — A Penélope Charmosa tem seus encantos. Aliás, muitos encantos. — sussurrei. Resisto à forte tentação de tombá-la sobre a areia e descobrir os seus fascínios. Seria um modo de aplacar o meu ardor e a fazer se esquecer da traição que presenciou. Theós! O que estou formulando? Não posso usá-la de forma sórdida. Ela não é como as outras mulheres com quem me envolvo. Além do mais, está vulnerável. Inferno! Que tipo de canalha eu sou? A verdade é que eu a desejo imensuravelmente. Kristen fecha os olhos e tudo o que anseio é tomar os lábios suculentos dela entre os meus e saborear o seu doce sabor de mulher. Meus dedos traçam o contorno perfeito e delicado da sua face rosada. Quero gravar cada detalhe na memória. Aproximo meus lábios dos seus, mas antes que eu ceda à luxúria e à tentação, resisto quando percebo um leve ar de vulnerabilidade no seu rosto feminino. Theós! Não posso me aproveitar da sua fragilidade. Imediatamente, mudo o foco do meu pensamento e a questiono se o Josh sabe sobre o seu paradeiro. Colocá-lo no meio do nosso diálogo me fez recuperar a lógica e me recordar do porquê devo mantê-la longe da minha cama. Se ele sequer supor que a filhinha dele me deixa de pau duro, tenho certeza que arrancaria as minhas bolas. — Não. Na verdade, eu disse que viajaria neste final de semana com a Bethany a trabalho. Não vou retornar para casa nessas condições. Preciso ir a um hotel. Pode me soltar agora, por favor? Tenho que chamar um táxi. Mesmo em meio à penumbra, posso notar seu rosto estampando fragilidade e ressentimento. Nem fodendo, permitirei que Kristen, no seu estado de volubilidade, fique sozinha em um hotel. Posso imaginar somente uma solução. Se ela está nessa condição,eu também tenho uma parcela de culpa. É evidente que não vejo outra maneira de protegê-la se não for comigo. Theós! Agradeço que depois do ocorrido no hotel do centro com a tal loira, procurei um local mais calmo e longe da agitação. Estou hospedado em um dos apartamentos do Crystal Pier, um hotel que fica localizado na própria praia de Pacific Beach. É um ponto bastante frequentado por turistas, e como fica perto do mar, eu me sinto em casa. A elegância e a sofisticação dos chalés pitorescos chamam a atenção de imediato. Já me hospedei nesse hotel outras vezes, sempre quando queria um lugar mais familiar. O clima marítimo é um panorama agradável de se contemplar, além do pôr do sol ser um dos mais incomparáveis que já vislumbrei. — Creio que não seja sensato ficar sozinha nesse estado. Sua expressão é de incompreensão. — O que está sugerindo? — questionou. — Eu não posso voltar para casa desse modo. Ainda estou abalada. — Compreendo perfeitamente. Por isso estou sugerindo que fique comigo nesta noite. — Vejo seus olhos verdes se arregalarem ao máximo com minha oferta. Imediatamente esclareço, pois, por mais que Kristen seja uma tentação constante, neste momento só penso em lhe dar o meu apoio. — Não me olhe assim, como uma pequena gazela assustada! Não há segundas intenções na minha proposta. Apenas quero assegurar que você vai estar bem. Estou hospedado no Cristal Píer. Percebo que ela olha em direção ao hotel suspenso no píer. Parece considerar a minha sugestão. — E, então? Irá? Eu não a deixarei sozinha, de qualquer maneira. — assegurei-lhe. — Creio que você ainda está necessitando de um ombro amigo. Ela ri sem humor. — Céus! E você está me oferecendo o seu “ombro amigo” como se fosse uma bolsa de água quente? — Se quer colocar dessa maneira, estou à sua disposição. — Esboço um sorriso matreiro. Penso que provocá-la pode não ser uma boa ideia por causa do seu estado volúvel, porém ela me rebate e demonstra um sorriso. — Saiba que não é nenhuma bolsa de água quente. — Theós! Agora meu ego foi mortalmente ferido. — Faço uma expressão dramática, como se estivesse ofendido realmente. — Duvido muito. Seu ego parece ser à prova de uma bomba atômica. Imagina se um simples arranhão vai fazer algum estrago. — Sua risada gostosa ressoa pelo ar, misturando-se ao ritmo da brisa. — Em minha defesa, posso assegurar que nenhuma mulher nunca reclamou. Muito pelo contrário. — Percebo que já está recuperado. Seu ego se encontra intacto. — Talvez eu tenha um ponto fraco, mas terá que descobrir qual é.— Pisco um olho para ela. — No entanto, o que quero saber no momento é se virá comigo. — acrescentei. Percebo que ela parece buscar argumentos para não aceitar, porém, em seu estado frágil, eu não lhe dou chances para incertezas. Pelo menos por esta noite, ficará comigo no chalé. Tento me convencer de que o motivo pelo qual não quero deixá-la sozinha é a sua vulnerabilidade, não o desejo ardente de seduzi-la. Noto ainda um certo ar de tristeza pairando sobre seu semblante. Terei que fazer um esforço supremo para resistir à tentação. Ela me surpreende ao aceitar o convite. CAPÍTULO 07 KRISTEN COURTNEY Caminhamos tranquilamente sobre o píer do hotel que é construído por uma sólida estrutura de madeira. Os chalés são sofisticados e muito charmosos. O vento gelado bate no meu corpo e eu estremeço com o contato. Apollo, percebendo o meu estado, enlaça um braço sobre os meus ombros, oferecendo-me o calor do seu corpo. Eu estremeço novamente, só que diferentemente da primeira vez, não é de frio. Pondero que só pode ser a sensação da brisa do mar. — Eu não tenho um casaco para lhe oferecer no momento, mas não há necessidade de que passe frio, pois eu estou aqui. Eu o observo de relance e ele pisca um olho para mim. Que convencido! — Já disse que você não é nenhuma bolsa de água quente. — provoquei. Um lindo sorriso sensual se estampa nos seus lábios. — Cuidado, Kristen! Está brincando com fogo e pode se queimar, mikró mou (minha pequena). Talvez não esteja preparada para descobrir o quão quente posso ser. Vai querer arriscar, agápi? — rebateu de modo provocante. Céus! Meu rosto está em chamas, meu coração está disparado e eu sinto um leve incômodo entre as pernas. Apollo Amazzotty é um homem intenso e está me tirando o pouco raciocínio que ainda me resta. Não lhe dou nenhuma resposta e continuo andando até ele parar em frente ao chalé, destravar a porta e me dar passagem para que eu adentre. Quando passo por ele, posso ver que o sorriso enigmático ainda permanece em seu rosto. Observo o ambiente. O lugar é incrível. Tem uma pequena cozinha americana dividindo a sala, a qual é composta por sofás, pufes e um requintado painel de parede que acopla uma enorme TV led. Posso observar uma porta que, logo, constato que é o quarto. Um calafrio sobe pela minha espinha quando me percebo em um lugar tão íntimo com o Apollo. Do lado oposto, posso ver uma porta de vidro ampla que dá acesso a uma pequena varanda. — Fique à vontade! — ele sussurrou. Murmuro um “obrigada” e coloco a minha pequena bolsa em um canto qualquer da sala. Depois vou em direção à grande porta de vidro e a abro. Algumas espreguiçadeiras estão dispostas na varanda que oferece uma vista fantástica do mar. É um belo lugar para se contemplar todo o esplendor do pôr do sol. Posso ouvir o suave balanço das ondas se chocarem contra o píer em uma sinfonia agradável e perfeita. Sento-me em uma das espreguiçadeiras e fico olhando ao longe o mar azul. Durante toda a minha vida, procurei ser uma boa filha e sempre tirei as melhores notas. Apesar de ter seguido outro percurso daquilo que meu pai esperava, iniciei meu curso de moda e segui meu próprio sonho. Nunca quis ser conhecida por ser a herdeira Courtney. Desde que Jimmy surgiu na minha vida, há 7 meses, tudo mudou. Eu era uma jovem focada nos projetos do ateliê e, em raras ocasiões, saía para me divertir. Preferia ficar com a cara enfiada no caderno entre um rabisco e outro, dando forma e contorno a belos croquis. Bethany sempre reclamava que eu passava muito tempo trancada naquele ateliê, assim como o papai, só que eu não me importava, porque era o meu sonho se realizando. Eu sempre amava o que fazia; principalmente quando contemplava a felicidade das clientes quando conseguiam, por fim, encontrarem os seus tão almejados vestidos dos sonhos. Eu me sentia realizada desde o início da fabricação até o arremate final e apreciava a satisfação nos olhos das noivas por, enfim, terem encontrado seus vestidos ideais. No entanto, Jimmy mudou meu mundo de cabeça para baixo. Ele saia muito e era muito esbanjador. Assim, eu me tornei um pouco mais negligente com tudo o que conquistei. Mesmo que ele nunca tivesse demostrado claramente que queria sexo comigo, eu supus que só estava aguardando o meu momento, que era um cara incrível por respeitar o meu tempo. Entretanto, a descoberta de hoje me fez perceber o quanto eu estava completamente equivocada. Ele nunca me procurou porque jamais me desejou. Todos os caras que se aproximarem de mim, serão com algum interesse na fortuna Courtney? Sou tirada dos meus devaneios por Apollo me chamando. — Você está bem, Kristen? Faço um “sim” com a cabeça. Somente agora percebo que ele está próximo de mim, estendendo-me um copo com um líquido amarronzado. — É só um pouco de conhaque. Vai ajudá-la a relaxar. Pego o copo de suas mãos e, nesse instante, nossos dedos se chocam e eu sinto uma eletricidade irradiar o meu corpo. Olho para cima e posso ver refletido, nos seus olhos negros, um lampejo de desejo e luxúria que, do mesmo jeito que surgiu, evapora. Apollo solta o copo em minhas mãos como se o meu toque tivesse o queimado. Em seguida, vai para perto da cerca de madeira do chalé, encara o vasto oceano e solta um longo suspiro. Parece estar com os pensamentos perdidos. Fixo na figura enigmática à minha frente. Ele é um homem atraente e experiente. Como seria ter suas mãos tocando o meu corpo? Céus! O que estou pensando? Os acontecimentos da últimahora só podem estar afetando o meu raciocínio. Encaro o líquido de coloração âmbar e decido tomá-lo em apenas um gole. Meus olhos se apertam quando ele desce queimando a minha garganta. Começo a tossir freneticamente, ainda sufocada pela sensação ardente. Caramba! — Com cuidado, Kristen! Deveria ter bebido aos poucos. — ele advertiu tardiamente. Depois de alguns segundos, a sensação alivia e eu já posso sentir um leve relaxamento pelo corpo. — Estou bem. — falei já me recuperando. Ele parece bastante concentrado na paisagem à sua frente. Sua figura imponente preenche o pequeno ambiente e sua aura dominante me deixa sufocada. Será que apenas eu estou sentindo a tensão sexual no ar? — Você me acha atraente? — perguntei sem refletir. Posso observar seu corpo ficar tenso, mas ele não se vira em minha direção. — Que tipo de pergunta foi essa? — respondeu com outra pergunta. Reviro os olhos. — Qual o problema? É uma pergunta simples. Só precisa responder “sim” ou “não”. — frisei. — Naí (sim)... Sim. Eu a acho atraente. Era isso que queria ouvir? Já tem sua resposta. — disse secamente, soltando um longo suspiro. Sua resposta não me encorajou muito, mas continuo tomando coragem para fazer a próxima pergunta. — Faria sexo comigo? — Mordo o lábio inferior com receio de sua resposta. Meu orgulho não aguentaria outro tombo. Desta vez, ele se vira em minha direção, completamente incrédulo com o meu convite. Creio que só posso estar ficando louca. Nem eu mesma acredito que fiz esse tipo de proposta à Apollo Amazzotty. — Theós! O álcool só pode estar fazendo efeito. — Olha-me desconfiado. Tento demonstrar uma confiança que estou longe de sentir. — Eu não estou bêbada. O álcool só me relaxou um pouco. Sinto meu corpo levemente lânguido, mas é somente isso. Estou totalmente sóbria. Não respondeu minha pergunta. Transaria comigo? — enfatizei a proposta. Será que estou sendo ousada demais? Unicamente, quero me divertir um pouco, jogar as regras para o ar e me sentir uma mulher de verdade. Apollo já deve ser acostumado a receber várias sugestões de cunho sexual. Então, por que está agindo como se estivesse ultrajado? Está longe de ser um puritano. — Você quer me usar para dar o troco no seu noivo? É isso que pretende? — questionou como se estivesse ofendido com a minha oferta. Estou fazendo uma pergunta completamente cabível. Por uma noite, exclusivamente, quero ser uma mulher normal e aproveitar os prazeres da vida. E quem seria mais qualificado do que Apollo? Ele é perito na arte sexual, além de ser um homem extremamente rico. O que significa que não iria me querer pelo dinheiro. Seria apenas por mim mesma. Claro... Se eu conseguir lhe despertar algum interesse. Talvez, eu esteja ficando louca. Que tipos de pensamentos nocivos são esses? Estou, praticamente, oferecendo-me a Apollo para ser somente mais uma em sua cama. E, mesmo assim, ele está me rejeitando? Sempre fui uma garota sensata, mas sua presença viril próxima a mim está mandando meu bom senso ao espaço. — Eu não estou querendo dar o troco em ninguém. E Jimmy é meu EX- NOIVO. — enfatizei. — E, acredite: ele não sentiria dor alguma por eu estar transando com outro homem. — afirmei amarga. — Só quero aproveitar um pouco mais a vida e me divertir. Isso é algum crime? — Você está volúvel pelo episódio que vivenciou. Não está pensando com clareza. — Não estou vulnerável. Cansei de seguir as regras. — Theós! É por isso que quer sair por aí transando? — ele indagou em tom de censura. Que hipócrita! Como se ele fosse algum tipo de conservador. Até parece que não sei da sua vida intensa de libertinagem. Constantemente, é é notícia nos tabloides. Sempre é visto com alguma beldade sensual do lado. — Céus! Eu não disse que sairia por aí transando. — É melhor descansar um pouco. Amanhã vai se sentir melhor. Seu pronunciamento foi como um balde de água fria sobre mim. Sinto, mais uma vez, o peso da rejeição. Joguei as minhas fichas e perdi. Fui dispensada novamente. — Ok. Já compreendi que não me acha interessante. — declarei com amargor. — Não coloque palavras na minha boca! — disse entre os dentes. — Não sabe o esforço sobre-humano que estou fazendo para me controlar. O que ele está tentando me dizer? Que me acha atraente? Que também me deseja? — Talvez não precise se controlar. — sussurrei baixinho. Encaro seus olhos negros, que estão tempestuosos quando me fitam e tão revoltos quanto um mar em fúria. Essa tormenta apenas me incita a me perder nela. Posso ver o desejo em suas írises escuras como nunca percebi nas do meu ex-noivo. Compará-los é muita crueldade com o Jimmy. Ambos são totalmente opostos e incomparáveis. Tenho plena convicção de que estou diante de um macho alfa que consegue, com um único olhar somente, abalar todas as minhas estruturas. Oh, Deus! Estou completamente perdida. Por que eu o desejo, ainda que as consequências sejam desastrosas? CAPÍTULO 08 APOLLO AMAZZOTTY — Faria sexo comigo? — Ouço sua voz suave pronunciar. Nesse instante, todo o sangue do meu corpo flui descontroladamente em direção ao meu pau, deixando-o vigoroso e pronto para reivindicá-la. Entretanto, tento recuperar o raciocínio a tempo, antes que cometa alguma estupidez que possa machucá-la. Viro-me em sua direção de modo brusco e a observo morder o lábio inferior. Kristen tenta manter uma postura segura, mas eu posso notar um certo receio e vulnerabilidade de sua parte. Maldição! O que essa garota está fazendo comigo? — Theós! O álcool só pode estar fazendo efeito. Tentação: é isso que Kristen Courtney representa neste instante. Eu a desejo com uma fome visceral e sou como um maldito obsessivo dominado pelos impulsos sexuais. Ainda que eu saiba que ela está fragilizada, necessitando de cuidados e apoio, meu instinto primitivo de acasalamento me estimula a tomá-la com um desejo animal e selvagem. Apenas ela consegue despertar esse violento desejo como nenhuma outra foi capaz. Tenho que exercer um controle ferrenho para me dominar, como o ser racional que sou. — Eu não estou bêbada. O álcool só me relaxou um pouco. Sinto o meu corpo levemente lânguido, mas é somente isso. Estou totalmente sóbria. Não respondeu a minha pergunta. Transaria comigo? Caralho! Essa proposta deveria me deixar com o ego ferido por saber que ela está tentando me usar para aplacar o sentimento de traição que vivenciou. Mas, pelo contrário, só me deixa ainda mais tentado a aceitar. — Você quer me usar para dar o troco no seu noivo. É isso que pretende? — indaguei irritado comigo mesmo por estar conjecturando em concordar com a proposta. Ela logo enfatiza que Jimmy não faz mais parte da sua vida e deixa claro que quer curtir. O que isso significa? Festas e relações sexuais descompromissadas? Sua pronúncia soou como a de uma mulher liberal que está habituada ao mesmo jogo sexual que eu. Contudo, essa sua determinação não me agrada nenhum pouco. Maldição! Não sei porque o simples pensamento de Kristen transando com outro homem me irrita profundamente. Logo descarto essa imaginação imprudente. Ela tem a vida dela e pode fazer o que quiser, mesmo que essa possibilidade me incomode. Ainda que eu tente fazê-la mudar de ideia, parece irredutível. — Ok. Já compreendi que não me acha interessante. — Ouço um tom triste na sua voz. — Não coloque palavras na minha boca! Não sabe o esforço sobre- humano que estou fazendo para me controlar. — sibilei entre os dentes. Ela pensa que eu estou a rejeitando propositalmente. Na sua inocência, não consegue perceber que eu estou apenas a protegendo de mim mesmo. Porra! O que posso lhe oferecer? Só está assim porque se sente destroçada com a traição que presenciou. Onde está a garota sensata de língua afiada que vive fugindo de mim? Quando ela, de forma sensual e provocadora, incita-me a mandar a precaução para longe, é o meu fim. — Talvez não precise se controlar. — Ouço seu sussurro baixinho. — Maldição! Kristen, você é tão inocente que não percebe onde está se metendo. Eu sei perfeitamente o que está pensando agora.Acha que estou a rejeitando, mas, na verdade, só estou te protegendo. E, acredite: nunca agi como um cavalheiro com mulher alguma. — frisei as palavras para que ela possa adquirir um pouco de juízo, porque o meu já está por um fio. Merda! Minha pronúncia parece não ter causado efeito algum nela. Muito pelo contrário. Apenas lhe deu encorajamento. De alguma forma, isso me agrada. Theós! Como me agrada! Prontamente, Kristen vem ao meu encontro. É tão linda e perfeita! Como uma ninfa sedutora, passa levemente a ponta da língua nos lábios. Assim fica difícil controlar o meu tesão. — Não estou falando em algo duradouro, estou sugerindo uma coisa casual. — Seus olhos verdes estão como um mar agitado, evidenciando certo receio, ainda que tente demonstrar o contrário. — Garota, você... — Antes que eu conclua meu raciocínio, ela me interrompe. — Eu não sou uma garota. Sou uma mulher. — sussurrou um pouco irritada. Sem demora, meus olhos recaem sobre seu corpo esbelto diante de mim. Suas pernas longas e torneadas me fazem ansiar em me perder no meio delas. Retorno a minha avaliação para o decote que seu sobretudo deixa entrever e desejo saborear os pequenos montes suaves dos seus seios deliciosos. Maldição! Meu membro volta a inflar, palpitando com agonia. — Tenho plena consciência desse fato. — rosnei com a voz rouca e cheia de luxúria indisfarçável. — Então, não sou tão desejável quanto suas amantes? — provocou-me. Kristen está brincando com fogo. Vejo-a se mover lentamente e se aproximar ainda mais de mim. Quase funde os nossos corpos, dando-me a plena convicção de que é impossível resistir a ela. — Quer ser uma de minhas amantes? — perguntei sarcasticamente. Desta vez, ela me encara irritada. — Seu ego é monumental, Apollo. Não desejo ser uma de suas amantes. O que sugeri foi uma noite apenas, um sexo ocasional. — Dá de ombros como se sua oferta não fosse nada demais. É evidente que eu não me surpreenderia se fosse uma proposta de qualquer outra mulher, pois já estou acostumado a receber várias ardorosas e até mais ousadas do que essa. Porém essa, sem sombra de dúvidas, foi a mais tentadora de todas. Contudo, tenho conhecimento de que seus atos estão sendo movidos pela decepção amorosa e sei que não devo me aproveitar dela. — Claro! A não ser que não me queira realmente. — sussurrou dando um passo vacilante para trás. Agora parece temerosa. Mas já é tarde demais. A química potente que nos consume já ultrapassou a linha tênue que existia entre a razão e a paixão. — Kristen, você não tem ideia do quanto eu estou louco para fodê-la. Nem imagina o quanto estou me segurando para não tombá-la sobre essa espreguiçadeira e lhe tomar de uma forma intensa e selvagem. — rosnei com sinceridade. Noto sua expressão de assustada por causa da minha pronúncia crua, mas não lhe dou tempo de raciocinar. Seguro-a firmemente em meus braços e aperto sua cintura estreita, moldando seu corpo mormaço e deleitoso ao meu. Uma forte corrente elétrica nos envolve e eu sinto toda as vibrações que vem do seu corpo esbelto me inundar. — Tem certeza, agápi? Eu não sou qualquer homem. Não me compare com o palerma do seu ex-noivo! Pode acabar machucada. Não suporto a ideia de ser unicamente um consolo para o seu ego ferido. — Tenho certeza absoluta. Sorrio confiante, sentindo-a completamente entregue ao momento. — Muito bem, agápi! Você fez sua escolha. Prometo que esta noite será inesquecível. — sussurrei no seu ouvido, sentindo seu corpo trepidar. Minhas mãos possessivas a trazem cada vez mais ao meu encontro. Quero sentir cada recôndito do seu corpo perfeito no meu. Kristen me desperta um desejo devastador e insano. Estou ciente do incômodo latejante entre as minhas pernas. O meu pau está quase perfurando o tecido da calça no ardor de se fundir ao seu calor feminino. Entretanto, ela é tão ingênua que parece ignorar o efeito excitante que me causa. Sinto suas pequenas mãos enlaçarem o meu pescoço e noto que ela está um pouco insegura neste instante. — Você não tem noção do quanto está incrivelmente deliciosa dentro desse sobretudo. Desde que eu a vi na praia, tenho me imaginado lhe desnudando. Quero saborear cada pedacinho da sua pele. Ouço-a gemer baixinho. Esse som me deixa ainda mais excitado. Sugo suavemente a doce pele do seu pescoço, sentindo o agonizante palpitar da sua excitação. — Quero desvendar os seus doces segredos de mulher. — sussurrei rouco. Seus olhos verdes com cores de esmeraldas preciosas focam em mim, repletos de desejo. Eu me sinto um maldito sortudo. Quantas vezes fantasiei essa cena na minha mente pervertida? Milhares de vezes imaginei meu doce ángelos esparramada pela cama, com o rosto afogueado depois de eu ter a levado ao limite da inconsciência. Mesmo que eu não mereça esse presente, irei tomá-lo. Estarei sendo tão diferente de Jimmy? — questionei-me internamente. No fim, ambos somos uns malditos canalhas. — Por favor, beije-me! — Ouço-a gemendo baixinho. A pouca sanidade que me resta, já se perdeu há muito tempo. Então colo meus lábios nos seus. Escuto Kristen gemer suavemente enquanto eu penetro a língua na sua boca, saqueando e almejando o seu doce sabor de mulher. Sinto-a tremer entre os meus braços. O fogo da luxúria nos envolve em uma química poderosa e intensa. Aumento a pressão do beijo contra os seus lábios quentes e receptivos que me recebem com deleite e uma volúpia inegável. Minhas mãos pressionam ainda mais as suas costas pequenas, grudando-as ao meu corpo e a fazendo sentir o desejo incontestável que ela me desperta. Seu corpo logo fica tenso sobre o meu. Se ela quiser parar, este é o momento. Eu separo os nossos lábios suavemente e ela geme baixinho, em protesto. — Isso é o que você me causa, Kristen. Estou louco de tesão por você, mikró mou, mas se quiser parar, essa é a hora. Depois que cruzarmos aquela porta, não tem mais volta. — adverti. Seu olhar esverdeado me fita anuviado de desejo e paixão. Eu sorrio internamente. Já obtive a minha resposta. Ela toca no meu rosto, fazendo um leve carinho. O que eu não estou acostumado a receber. Sempre fui duro e frio nos meus relacionamentos com minhas amantes, e nunca permiti que nenhuma ultrapassasse o limite estabelecido. Porém, com Kristen é diferente. Necessito do seu toque, do seu sabor. — Sim. É o que desejo. Não quero que pare. — confirmou, deixando- me em êxtase. Meu sorriso se amplia enquanto eu busco seus lábios macios de modo selvagem e faminto. Aprofundo o beijo, saboreando-a e exigindo absolutamente tudo dela. Seu calor úmido me acolhe de bom grado e eu aumento a pressão do beijo, elevando-o a um patamar sensual. Não sou adepto a eles e sempre os evito por considerá-los íntimos demais. No entanto, do meu ángelos, anseio absolutamente tudo. Ouço-a gemer baixinho enquanto, de modo fogoso, ela afaga a minha nuca. Ambos estamos envoltos pelas labaredas eróticas do tesão. Sem conseguir resistir, eu a levanto em meus braços e ela enrosca as pernas no meu quadril. Sem parar o beijo, levo-a para o quarto. A cada passo, meu membro rígido se choca com o seu centro receptivo, fazendo-a arfar contra os meus lábios. Deposito-a na cama com desespero, admirando toda a sua formosura. — É inegavelmente deliciosa, Kristen. — sussurrei praticamente a devorando. Minha mão ousada busca o laço do seu sobretudo e o desfaz. Depois começo a desabotoar a sua vestimenta. Theós! Sua lingerie cor de vinho é sexy para cacete e me deixa em ponto de bala. Olho para ela, que está com o rosto afogueado e ofegante. Seus lábios estão entreabertos e ainda empolados do recente beijo, deixando-a com uma expressão devastadoramente sexy e devassa. — É genuinamente bela, agápi. — rosnei a livrando completamente do sobretudo. Meu pau palpita bruscamente em um estado agonizante de tesão. A visão primorosa diante de mim apenas me deixa mais alucinado. Meu garotão está louco para sair da sua toca e mergulhar no calor escaldante e feminino. Mas antes terei que prepará-la. Quero saboreá-la languidamente como se degusta um deliciosoaperitivo. Tiro o seu sutiã, descobrindo seus montes pequenos e firmes que cabem com perfeição nas palmas das minhas mãos. — Lindos! — murmurei roucamente e totalmente hipnotizado por tal visão. Manipulo com extrema habilidade seus pequenos botões intumescidos que imploram por atenção enquanto ela não para de gemer. Isso está me deixando ainda mais fora de controle. Com exímia habilidade, abocanho um dos montes tenros. Minha língua rodopia pelo seu botão rosado, deixando-o ainda mais intumescido. Dou a mesma atenção ao outro seio, degustando-o com um inegável deleite e fome. Kristen afaga meus cabelos, instigando-me a continuar com a posse tortuosa e picante. A cada carícia erótica, ela treme de excitação, arqueando as costas e gemendo debilmente. Logo inicio uma trilha de beijos pela sua barriga plana, mordiscando levemente sua pele suave no processo. Seu doce cheiro feminino me deixa enfeitiçado e sua calcinha de tecido escuro não esconde a mancha da sua excitação. Essa constatação me deixa com um sentimento irrefreável de satisfação masculina. — Seus lábios são deliciosos, Kristen, e seus seios são suculentos e irresistíveis. Agora quero provar a sua boceta. Tenho certeza que tem um sabor tão viciante e exótico quanto todo o resto. Percebo que suas bochechas adquirem uma linda coloração rubra por conta da minha fala crua. Desço vagarosamente a calcinha pelas suas pernas torneadas, desvendando o ninho quente que se tornará a minha obsessão. Kristen continua tão focada nas sensações que eu a causo, que só percebe a minha intenção despudorada quando eu estou com a cabeça entre suas pernas. Ela tem uma pequena reação de fechá-las, contudo eu não permito. Grunho roucamente quando fixo o meu olhar na melhor visão que um homem pode ter do paraíso de uma mulher. Caralho! Que boceta linda! Inalo sua adocicada e picante essência como se fosse o mais potente dos afrodisíacos e levo meus dedos às suas dobras vaginais para abri-las. Perfeição! Seu buraquinho estreito, em breve, estará recebendo o meu pau. A fantasia é uma mera sombra da realidade. A verdade é que eu a desejo há muito tempo. Sou um homem faminto em minha própria luxúria. Minha Penélope Charmosa é muito quente. Sua boceta está encharcada e a viscosidade escorre do seu núcleo, não escondendo a sua paixão. O que, unicamente, aumenta a minha obsessão. Mesmo que seja somente por uma noite, quero essa mulher para mim. — Não! — ela sussurrou, tentando me impedir. — Eu disse que não teria mais volta, agápi. Você queria ser minha, e essa é uma das maneiras. — rosnei de desejo, advertindo-a. Começo a deixar uma trilha de beijos no interior da sua coxa macia antes de inserir minha língua entre suas dobras quentes e úmidas. Quando faço isso, sinto ela trepidar sobre o meu rosto. Logo está levantando levemente o quadril em busca de um atrito maior. Safada! Gostosa! Chupo-a com mais avidez. — Oh, Deus! Isso… é tão... — balbuciou coisas desconexas. Ela interrompe a fala no mesmo instante em que eu sugo seu clitóris generosamente. A ponta da minha língua serpenteia a pequena abertura da sua boceta pequena e deliciosa, colhendo o suco quente e viciante da sua excitação. Seus suaves gemidos me deixam delirante e viciado no seu prazer. Kristen tem um sabor único e incomparável, e eu desejo saboreá-la por toda a eternidade. Vejo-a mordendo o dorso da mão para tentar abafar os seus gemidos. Essa atitude me irrita profundamente. Não quero ela resistindo ao prazer que eu lhe proporciono. Não desejo ser privado dos seus doces gemidos que são como músicas luxuriosas para os meus ouvidos. Kristen é uma mulher quente e excepcionalmente fogosa. Essa descoberta me agradou imensamente. Intensifico o seu prazer quando levo um dedo à sua abertura minúscula e apertada. Mesmo que ela já esteja extremamente lubrificada, ouço o seu gemido dolorido em um protesto. Ela é apertada para caralho. Meu cacete responde com uma pontada dolorosa, querendo se libertar e adentrar seu ninho quente. Parece que o babaca do Jimmy nunca a fez gozar. Pela expressão no seu rosto vermelho, só posso imaginar isso. É como se todas as emoções sentidas por ela até então fossem novas descobertas. Parece que o idiota do noivo se preocupava unicamente com o próprio prazer. — Ah! Oh! Por favor, Apollo… Isso é tão bom... Oh, céus! Fico louco de tesão por ouvi-la sussurrando o meu nome desse modo, entregue. Tenho plena convicção de que estou predominando os seus sentidos e a sua mente. Nem que seja limitado a uma noite, quero-a inteira para mim, de mente e corpo. Prontamente, atendendo o seu pedido, insiro outro dedo dentro dela, sondando-a e dedilhando a sua carne molhada e desejosa. Isso é uma agonizante tortura para o meu pau, que lateja com uma avidez inquestionável. Enquanto isso, minha língua trabalha de modo incansável no seu montinho levemente intumescido, preparando-o para o arrebatamento do prazer. Porra! Meus dedos estão completamente lambuzados com sua doce excitação. Isso me deixa ardendo de desejo. Observo seu corpo pequeno ficar tenso e acelero o movimento, conduzindo-a ao deleite supremo. — Goze, Kristen! Quero que me dê seu doce sabor! — sussurrei. Instantaneamente, ela me brinda com seu gozo picante e agridoce que preenche a minha língua e o meu paladar, deixando-me fora dos eixos. Não consigo mais suportar. Tenho que possuí-la. — Oh... — Ofega enquanto seu corpo continua estremecendo como se estivesse sendo atravessado por uma grande descarga elétrica. Depois, ela fica completamente imóvel. Penso que desfaleceu, mas logo percebo sua respiração descompassada e fortemente acelerada retornando à normalidade aos poucos. — Tem que ser agora, Kristen. Eu a desejo muito. — rosnei inflamado pelo tesão. — Sim, sim! Eu também o desejo. — Seus olhos verdes ainda estão anuviados pelo recente gozo. Um sorriso sacana invade o meu rosto quando eu constato a sua doce entrega. Levanto-me da cama o mais breve que consigo e me livro rapidamente de toda a minha roupa. Deixo a boxer por último. Quero que Kristen me toque intimamente, mas estou altamente excitado e tenho certeza de que se ela fizer isso, eu acabarei gozando em suas mãos por causa do tamanho prazer que me domina. Assim que me livro da cueca, meu pau salta vistoso e faminto, em todo o seu fulgor. Fico totalmente nu e ereto na sua direção. Aproximo-me dela e, somente então, comprovo que seu rosto está branco como um papel e seus olhos estão esbugalhados, demonstrando medo. Seu olhar está direcionado ao meu pau. Tenho a plena certeza de que sou um homem acima do padrão. Bem acima, aliás. Mas não era desse modo que eu imaginava que ela me olharia. Seu corpo está tensionado e sua expressão é de assustada. Suas pernas ainda estão entreabertas. Caralho! Que tesão da porra! Ainda posso sentir seu doce gozo em minha língua. A visão devassa da sua bocetinha melada na minha frente me incendeia. Porém, não seria justo com ela, mesmo que me quebre a necessidade de estar dentro dela, de possuí-la e marcá-la como minha. Portanto, eu a questiono. — Parece retraída, Kristen. Quer desistir? CAPÍTULO 09 KRISTEN COURTNEY Apollo é magnífico. Seu corpo másculo e viril parece ter sido esculpido pelos deuses. Sua parede de músculos firmes me faz salivar em um anseio irresistível de tocá-lo. Continuo sentindo os leves tremores do recente gozo que continua percorrendo pelo meu corpo. Quando ele tira a última peça, eu me assusto assim que vejo seu membro grosso e descomunal diante de mim. Céus! É enorme! Isso caberá dentro do meu corpo? Minha respiração se acelera com essa constatação, embora eu já esteja agitada pelo arrebatamento do recente deleite. Inclusive, ainda têm pequenos pontos escuros nas minhas vistas devido à devastadora onda de êxtase que me invadiu. — Parece retraída, Kristen. Quer desistir? — da sua voz, soou sofreguidão. Ele pararia mesmo estando tão excitado? Desfoco minha visão brevemente do seu membro impressionante e encaro seus olhos escuros de desejo. Estão tempestuosos como uma noitede lua cheia e repletos de luxúria e devassidão. Percebo que Apollo faz um supremo esforço para manter o controle. Mas essa é a questão: não desejo que pare. Mesmo temerosa, anseio descobrir outras facetas do sexo e saber mais sobre o prazer desconhecido que ele me proporciona. Nenhum outro amante seria mais qualificado do que Apollo. E ele acabou de confirmar isso. Minhas pernas ainda estão moles e lânguidas do gozo recente e a pressão na minha pélvis palpita incansavelmente, ansiando loucamente a posse viril dele. — Não. — balbuciei lentamente. — Desejo continuar. Ele franze o cenho como se duvidasse. — Sua expressão transparece a de uma garotinha assustada. Resolvo ser sincera. — Não estou assustada, só impressionada. — Olho novamente para o seu pau. E que pau! Não sou uma grande conhecedora de paus, mas esse que está na minha frente... Oh, Deus! Perco até o raciocínio. Brevemente, um sorriso presunçoso se forma em sua face arrogante. — Não se preocupe, gatinha! Prometo que vai gostar. Logo o pânico volta a me dominar quando ele entreabre as minhas pernas e se posiciona entre elas. Eu fito seus olhos escuros, que estão em chamas luxuriantes sobre o meu corpo. E, rapidamente, como veio, o pânico volta a se evaporar. — Não precisa ter medo, agápi mou. Imediatamente, a ponta do seu membro toca em minha intimidade, deslizando para cima e para baixo entre os meus lábios íntimos, fazendo-me sentir um calor escaldante e uma ânsia violenta desconhecida. — Que delícia! Está fervendo por mim, agápi. — murmurou roucamente. — Tão ardentemente molhada! Seu membro se situa na entrada da minha intimidade e, instantaneamente, meu corpo fica tenso e se fecha. Sinto ele pressionar de leve sua cabeça grossa, mas logo estanca novamente. — Porra! Não tenho camisinha. Eu não esperava trazer nenhuma mulher para cá, então... Merda! Não podemos... — sussurrou de modo sôfrego. Um medo maior me atinge. Não quero ser rejeitada novamente. A amargura de ser humilhada por Jimmy ainda está corroendo as minhas entranhas. Não desejo sentir essa onda de autopiedade. — Tudo bem. Estou protegida. — informei. Ele me olha e suas feições demonstram confusão. — Eu tomo anticoncepcional, então não precisa se preocupar com uma possível concepção. — esclareci. Ele ri sarcasticamente. Os seus músculos se encontram tensos agora. — Creio que o sexo é mais do que isso omorfiá mou (minha bela). Já ouviu falar em doença sexualmente transmissível? — Não sou nenhuma ignorante. Eu estou limpa. Nunca fiz sexo sem proteção. — É verdade, já que nunca transei, de fato. — Mas é claro que um homem como você, que troca de amante como troca de camisa... — falei irritada, tentando me livrar do seu corpo e me levantar da cama. Ele não permite. Logo impressa seu corpo vigoroso contra o meu. — Calma, minha beleza! Eu também estou limpo. Apesar de manter meus casos passageiros, nunca transo sem proteção. Só por precaução, irei gozar fora. — Saia de cima de mim, seu grego arrogante! Não sei onde eu estava com a cabeça quando pensei em deixar que você me tocasse. — Estava com a cabeça no meu pau. Apesar de assustada, você o devorava com uma ingenuidade nata. Que convencido! — Não se sinta tão confiante, querido! Já vi muitos outros que são bem mais impressionantes. — tentei demonstrar confiança. Vejo ele fechar a cara e se posicionar no meu corpo. A ponta larga do seu membro pressiona a minha abertura novamente. Dessa vez, com maior precisão e firmeza. — Quer saber? Que vá para o inferno o preservativo! Quero senti-la sem barreira alguma. Há muito tempo anseio por isso. Rapidamente, ele me toma em um beijo selvagem e exigente. Sua língua audaciosa me saqueia e me suga com extrema habilidade. Eu posso sentir meu gosto em seus lábios e isso me atiça em uma chama devassa de prazer. Já não tenho mais nenhum pensamento coerente. Por que deveria resistir? Suas mãos peritas seguem por cada linha do meu corpo, desvendando cada mistério e me preparando mais uma vez para sua posse ousada e viril. Não consigo parar de gemer. Estou dominada pela renovada excitação. O medo não existe mais, somente a necessidade crua de ser preenchida por ele. Estou completamente entregue ao mundo de prazer insano despertado por Apollo. Seu membro roçando no meu clitóris ultrassensível me arranca um arfar delirante e desejoso. Então sua rija masculinidade se instala na minha abertura e, gentilmente, força a entrada no meu canal estreito. Meus músculos cedem à pressão do seu pau potente e eu logo o sinto adentrando o meu sexo úmido. Seu membro se aprofunda em meu calor e eu gemo baixinho. Estou completamente subjugada pelas sensações da sua posse. — Uhh! Que delícia! Você tem uma boceta incrivelmente apertada e deliciosa, agápi. O meu pau está com dificuldade de entrar. — sussurrou rouco de tesão, com a metade do membro instalado dentro de mim. Tento não entrar em pânico, pois não quero parecer uma donzela assustada, mesmo que essa seja a situação. Quero demostrar que sou uma mulher confiante e bem resolvida. Gemo baixinho no seu ombro e arranho suas costas másculas quando sinto outra pontada de dor. Arde como brasas a sua posse. O prazer despertado há poucos minutos está quase sendo completamente esquecido. Ele adentra um pouco mais no meu interior e eu arfo baixinho. Apollo é grande demais e o meu corpo está sofrendo para abrigá-lo dentro de mim. — Poderia ir um pouco devagar, por favor? — Amanhã acordarei toda arrebentada, com certeza. — Acredite, omorfiá dikí mou (bela minha): eu estou pegando leve. Não sei foder devagar. Aprecio uma foda dura e selvagem, mas por você, estou me controlando. Apollo tira seu membro de dentro de mim e me estoca firmemente de novo. Vem uma vibração nova e desconhecida. Sinto-me sendo expandida. O que me causa uma ardência tolerável. Ele está sendo gentil comigo, contudo, logo firma as mãos no meu quadril e, em um impulso forte e preciso, adentra o meu corpo em uma só arremetida dura e decisiva, dilacerando a minha membrana bruscamente. Imediatamente, eu solto um gritinho de dor inesperado. Seu corpo másculo fica totalmente imóvel sobre o meu enquanto lágrimas molham o meu rosto sem que eu tenha controle algum. — O quê? Inferno! — exclamou aturdido, completamente em choque com a constatação da minha virgindade. Ele se ergue um pouco e encara o ponto que nos une. O seu pau está coberto de sangue. — Maldição, Kristen! Por que não me disse antes? — rosnou enfurecido antes de soltar um suspiro pesaroso. — Eu teria sido mais cuidadoso e contido. Não esperava nenhum martírio virginal em minha cama. Além de ser noiva, você já tinha visto outros paus bem mais impressionantes. Recorda? — indagou sarcasticamente a última frase, jogando em minha cara o que eu falei há poucos minutos. — Por favor, não pare! — sussurrei debilmente. Eu não deveria tê-lo provocado, de fato. De um modo ou de outro, ele notaria que eu ainda era virgem. Um medo me assola neste instante. Não quero que ele pare. A dor da invasão inicial já está se atenuando aos poucos e uma nova correnteza de desejo inunda o meu organismo. Senti-lo ainda dentro de mim está me enlouquecendo. Sem pensar muito, ergo um pouco os quadris e fundo os nossos corpos novamente, testando minha sensibilidade à sua intrusão viril. Ouço o seu rugido como o de um animal faminto. — Estou tentando não lhe machucar mais, querida. Sinto muito, agápi. — seu tom de voz saiu suave. Suas mãos enxugam carinhosamente as lágrimas que ainda restam em meu rosto. — Por favor, continue! — sussurrei fechando os olhos. Não quero que ele veja a minha dor refletida se for parar. — Seria impossível parar agora, agápi. Eu a desejo muito, mas antes tenho que prepará-la novamente. — sussurrou de encontro aos meus lábios antes de possuí-los com paixão com a sua boca voraz enquanto o meu corpo é reaquecido pelo desejo incandescente. Sinto quando ele investe mais uma vez no meu núcleo quente, que acolhe seu pau vigoroso centímetro por centímetro. Em uma agonizante tortura, move-se lentamente em umgostoso vai e vem. Eu abro as pálpebras novamente e noto suas feições contraídas. É como se tentasse buscar domínio. — É muito gostosa, Kristen! Está testando todo o meu limite, querida. — sussurrou. Apesar de ainda sentir dor e uma certa ardência, o sentimento de ser totalmente preenchida se sobrepõe e os espasmos frenéticos começam a inundar o meu organismo, preparando-me para algo muito maior. Posso sentir a vibração sexual poderosa que nos envolve. Apollo se movimenta em um ritmo credenciado, levando-me quase a sair de órbita quando sinto seu membro vigoroso me tomar com uma fome renovada de prazer sensual. Ele ginga os quadris com perícia, atingindo-me em lugares estratégicos que nunca imaginei que existissem. Enlaço as pernas em seus quadris masculinos e o vejo entender perfeitamente a minha mensagem. Assim, ele intensifica a sua posse, que se torna bruta e intensa agora. Consigo apenas gemer desvairadamente com seus golpes certeiros que atingem a minha carne íntima e dolorida. Ele abafa meus gemidos com sua boca despudorada, devorando-me sem piedade. Posso senti-lo palpitando dentro de mim, que o recebo com luxúria e perfeição. Um prazer tremendo percorre o meu corpo em pequenas e curtas ondas, imitando as enormes ondas do mar, que são a nossa melodia no momento. — Porra! Que delícia! Essa bocetinha faminta está esganando o meu pau de tão apertada. Suas palavras me fazem estremecer e revirar os olhos. Estou completamente dominada pelo prazer. — Eu quero te marcar como minha. — sussurrou de forma fogosa no meu ouvido, trazendo labaredas de fogo intoxicantes pelo meu corpo e um desejo viciante, sem igual, como nunca imaginei que existisse. Seu corpo másculo me preenche de forma dura e possessiva. — Deseja isso? Quer ser marcada por mim, to mikró mou (minha pequena)? — Investe seu membro longo e espesso mais profundamente, fazendo-me senti-lo em cada recôndito do meu ser. Apollo está me levando a uma loucura inimaginável de prazer. Minhas terminações nervosas o recebem com gula, constantemente querendo mais. Oh, Deus! É como se eu estivesse esperando por ele desde sempre. — Oh... Céus! Creio que já está fazendo exatamente isso... Mas... — Não consigo parar de gemer. Estou totalmente entregue à luxúria. — Sim... Sim... Sim... Faça... Marque-me! — sussurrei febril, envolvida pela paixão do momento. Cretino convencido! Imediatamente, eu o vejo dar um sorriso cafajeste e malicioso. — Boa garota! A fome nos seus olhos negros é imperiosa. Ele eleva minhas pernas, joga-as sobre seus ombros fortes e cavalga em mim de um modo voraz. A umidade da minha intimidade dolorida o recebe com precisão enquanto os nossos sexos se chocam como se estivessem em uma dança antiga e devassa. Sinto-o cada vez mais intenso dentro de mim, alargando-me e me marcando como disse que faria. Fortes espasmos percorrem o meu corpo, transportando-me para outra dimensão de um prazer inigualável que apenas Apollo me faz sentir. Meus sentidos estão apurados e eu estou prestes a explodir em um gozo violento como nunca imaginei ser concebível. Posso sentir meu corpo crescendo e se abrindo para algo muito mais poderoso e desconhecido. Apollo, percebendo o meu estado febril de excitação, como um exímio conhecedor da área feminina, busca imediatamente o meu calor íntimo, manipulando o meu montinho do prazer. Então gemo enlouquecidamente. — Apollo... Apollo... Eu... Estou morrendo. — Sinto meu coração bater freneticamente enquanto ele me lança um sorriso pretencioso. — Não está morrendo, agápi. Apenas deixe vir! Meu corpo parece uma marionete em suas mãos, deixando-se conduzir às suas vontades em um desejo latente e envolvente que pulsa violentamente em meu baixo ventre sem controle algum. Em mais uma arremetida profunda, finalmente, sou engolfada por uma avalanche poderosa. A sensação é sublime e indescritível. Meu corpo flutua e treme em um turbilhão glorioso de deleite. Com mais algumas estocadas, ouço o rugido feroz de Apollo em total descontrole no mesmo instante em que seu jato potente e quente preenche o meu útero, regozijando-me da sua falta de autodomínio. Seu corpo forte tomba sobre o meu. Sua respiração está acelerada, assim como a minha, e meu coração se encontra em um ritmo frenético. Uma onda gigantesca de satisfação me toma e eu faço um breve carinho nas suas costas másculas. Isso parece tirá-lo do seu estupor. — Devo estar lhe esmagando, agápi. — Abandona o meu corpo e tomba para o lado. Logo sinto um vazio imenso e descabido, no entanto, imediatamente, interrompo o fluxo incoerente de pensamentos. Foi somente sexo, embora tenha sido sensacional. CAPÍTULO 10 KRISTEN COURTNEY Alguns minutos depois — Uau! Isso foi... — sussurrei ainda embargada pelo recente orgasmo enquanto Apollo me puxou para os seus braços. — Estupendo. — completou presunçoso. — Seu convencido! — Olho-o. Não tem como negar: meu rosto ainda demonstra satisfação. — Não sei como passei tantos anos sem sexo. Vejo sua cara se transformar em uma máscara carrancuda. Isso não foi somente sexo, como ele afirmou? Aliás, como ambos afirmamos exclusivamente: sexo em uma noite inconsequente e repleta de luxúria. — Não é sempre assim, Kristen. — assegurou. — O que houve aqui, entre nós dois, foi porque temos uma grande química sexual. Realmente, foi sublime, agápi. Você foi deliciosa e muito quente. Meu rosto incendeia com o seu comentário devasso e presunçoso. — O que está querendo dizer com isso? Que eu vou sentir prazer apenas com você? Que se eu transar com outro, vai ser frustrante? Sinto ele me apertar ainda mais contra o seu corpo enquanto ressalta: — Theós! Kristen, acabamos de ter uma experiência fantástica, e você... — Não conclui seu raciocínio. Em seguida, suspira pesadamente. Parece ter ficado irritado com o assunto. — Apollo... — Imediatamente, ele continua. — O que eu quis dizer é que, às vezes, o sexo pode ser decepcionante, pois é usado como escapatória para fugir de algo. Então, quando acaba, fica o vazio. — Está se referindo agora ao que houve entre nós? Eu o usei para esquecer a minha humilhação? Ou o meu subconsciente apenas desejava uma oportunidade? Deus! São tantos questionamentos incongruentes na minha mente que não quero analisá-los de modo racional. Nesta noite, quero somente sentir. — Não, agápi. Você e muito ingênua. Ambos sabemos que o que houve aqui, entre nós dois, só aumentou mais ainda o fogo e o tesão, mesmo que saibamos que isso não levará a nada. — Claro. Porque foi apenas sexo. — tentei me convencer. — Você gosta de me provocar, mikró mou. É muito ingênua para perceber que o que ocorreu aqui, foi muito mais do que sexo. — E o que foi então? — provoquei. Um sorriso safado surge no seu rosto bonito e ele começa seu ataque sensual. — Eu irei mostrá-la, agápi. Creio que não tenha um nome específico, mas... — Fogoso, começa a beijar meu pescoço. Imediatamente, labaredas luxuriantes incendeiam cada célula do meu organismo. — É uma forte atração sexual... — Começa a elucidar, indo em direção aos meus seios. — Luxúria, desejo... Paixão... — Abocanha com gula o meu monte suave. Sua mão ousada se infiltra entre as minhas coxas e sobem até o meu centro de prazer. Oh, céus! Estou completamente subjugada pelo prazer desatinado que Apollo me suscita. (...) Desperto com o som dos pássaros e o barulho suave das ondas do mar. Olho em volta e observo a pequena desordem que deixamos ontem à noite. Apollo não está mais na cama. Já deve ter se levantado. Eu me movo no colchão e solto um gemido sofrido quando sinto minha intimidade arder dolorosamente. Céus! O grego é insaciável. Ele me fez gozar praticamente a noite inteira. Apenas me deixou quando eu tombei na cama, exausta e satisfeita. Agora minha “amiguinha” está protestando. Minha intimidade está toda dolorida. Também... Com um pauzão daqueles. Não sei nem como coube dentro de mim. Sorrio manhosa. Foi maravilhoso e eu repetiria de novo. Ainda sinto leves correntezas de desejo atravessarem a minha pele. Céus! Logo retorno à realidade.Resolvo me levantar e ir ao banheiro. Em breve terei que ir embora. Na segunda-feira terei que enfrentar toda a situação com meu ex-noivo. Uma forte vertigem me toma somente por eu imaginar a conversa decisiva que irei ter com o Jimmy. O certo é que não terá casamento algum. Por Deus! Ainda bem que os preparativos não estavam adiantados. Tomo uma ducha rápida, revigorando o meu corpo e deixando a água morna levar embora todas as minhas incertezas. Depois que termino o banho, pego o roupão masculino que está no cômodo. Em passos vacilantes, vou até o armário da pia e não encontro nenhuma escova de dentes nova, somente a de Apollo. Bem... já que dividimos tantas coisas ontem à noite, pondero que um item a mais ou a menos não fará diferença. Quando termino, olho-me no espelho, avaliando minhas feições. Meu rosto está mais corado e meus olhos têm um brilho diferente. Chego à seguinte conclusão: estou com cara de uma mulher que foi bem fodida. Instantaneamente, eu me recrimino por esses pensamentos impróprios. Céus! A verdade é que Apollo Amazzotty está me tornando uma devassa. Deixo minha análise de lado e sigo em direção ao quarto. Procuro pelas minhas roupas e avisto meu sobretudo em cima de uma poltrona, meu sutiã sobre o criado-mudo e, por cúmulo, não consigo achar a minha calcinha. Procuro-a por cada canto e não consigo encontrá-la. Deixo para lá. Observo um pequeno guarda-roupa no quarto e sigo até lá. Quando o abro, deparo-me com uma pilha de roupas masculinas. Estão todas organizadas e bem passadas. Sem pensar muito, pego uma camisa branca e a visto. Saio do quarto, sentindo um aroma delicioso de café. De imediato, percebo Apollo na cozinha. Ele parece bastante concentrado no que faz, mas também irritado com algo. Vou sorrateiramente até lá, sento-me em um dos bancos da bancada e fico o observando. Aparenta estar absorvido pelo que faz, pois não nota a minha presença. Enquanto se move pela cozinha de modo desastrado, totalmente fora da sua zona de conforto, eu analiso e percebo que ele, aparentemente, tem um pé de Aquiles. Pelo menos na cozinha não tem muita desenvoltura. Tenta fazer uma omelete enquanto a torradeira dá sinal de que o pão está queimando. Depois vai tentar tirar o pão de lá, que a essa altura está só o torrão. Aí começa a queimar os ovos com o bacon. — Merda! — bradou já bastante irritado. Desliga o cooktop e dispensa os pães queimados na lixeira. Sem hesitar, começo a rir da cena hilária, delatando a minha presença. Ele me olha meio desconcertado. É a primeira vez que eu o vejo assim, já que sempre emana tanta confiança. É difícil imaginá-lo constrangido com algo. — Há quanto tempo está aí? — Tempo o suficiente para ver o meu café da manhã ir para o lixo. — respondi travessa. — Ok. Admito que sou péssimo na cozinha, mas, pelo menos, sei fazer um café. — Aponta para a cafeteira. Sem pressa, pisca um olho para mim e, de modo provocador, dá a volta no balcão e vem até mim. — Não posso deixar uma linda donzela faminta. — Não. — Mordo o lábio inferior. Ele dá um sorriso cafajeste. — Temos leite fresquinho e da fonte também. Quer? Demoro um pouco até compreender a ambiguidade em suas palavras. Seu rosto demonstra lascívia. — Seu safado! — sussurrei. — Quê? Eu não disse nada demais. Só estava oferecendo uma alternativa nutritiva para substituir o café. — falou com uma expressão inocente. Com algumas passadas apenas, Apollo se aproxima de mim e me enlaça pela cintura. Seu olhar quente incendeia o meu corpo enquanto suas pupilas escuras percorrem cada centímetro da minha pele com luxúria. — Está deliciosa com a minha camisa, senhorita Courtney. Ergo uma sobrancelha e enlaço o seu pescoço. — Seu grego abusado! — sussurrei tentando aparentar confiança. Seu olhar devasso está fazendo efeito nas minhas terminações nervosas. Ele me toma em um beijo lascivo. Seus lábios encostam suavemente nos meus, movendo-se com experiência, seduzindo-me e fazendo eu me render à paixão voraz do momento. É tão gostoso o seu beijo que eu quase me esqueço do motivo pelo qual eu deveria impedi-lo de continuar. Então sinto sua mão ousada agarrar com firmeza o meu seio e saio do meu estupor. O combinado foi somente uma noite. E eu não deveria protelar, senão, não resistiria. A muito contragosto, desgrudo os nossos lábios. — Apollo, não podemos. — falei baixinho. Ele me olha sem compreender. — Uma noite apenas. Lembra? — murmurei. Observo sua face tensionar e sua expressão demonstrar desagrado. — Tenho uma proposta para lhe fazer, Kristen. — Meu corpo fica tenso, aguardando suas palavras. — Quero que seja minha pelo final de semana inteiro. Um choque de alegria e algo a mais percorre o meu corpo. É tão errado e perigoso esse jogo. Oh, céus! Meus pensamentos estão em um pandemônio. Muitas coisas aconteceram em tão pouco tempo. Será que a noite foi tão boa assim para ele? Que boba! — recriminei-me. Claro que sim! Foi somente sexo. Todos os homens são muito ligados a isso. Apollo beija o meu pescoço e mordisca um ponto sensível, seduzindo- me como o libertino que é. — Eu retornarei à Grécia na segunda-feira, e nós sabemos que essa atração sexual é mútua e ainda está latente. Quero continuar a explorá-la. — E um final de semana é o suficiente para supri-la? — Quis morder a língua no mesmo instante em que essa pergunta descabida saiu por entre os meus lábios sem que eu pudesse freá-la. Merda! — Tem que ser, agápi. É o que posso oferecer. Sua resposta foi como um baque para mim, mesmo que seja a veracidade dos fatos. O que eu esperava? Foi o combinado. Só posso estar ficando louca por considerar sua proposição. — O que te faz pensar que eu irei aceitar? Ele levanta o rosto, orgulhoso, e franze o cenho. — Sou um excelente negociador, agápi. — Prontamente, as mãos do safado estão nas minhas coxas, apartando-as, e seu corpo viril se situa no meio delas. Meu centro sensitivo, mesmo dolorido, palpita com a ânsia de saborear os deleites do sexo novamente. Apollo parece perceber minha rendição. Ele tem um sorriso maroto na sua bela face e eu sinto vontade de estapeá-lo para tirar esse seu sorrisinho convencido e prepotente. Ainda levo as mãos ao seu peito para afastá-lo, mas não consigo empurrá-lo quando sinto a parede rija do seu tórax másculo e as batidas frenéticas do seu coração sob minhas palmas. Meus pensamentos vasculham vários motivos para eu negar sua proposta, mas meu lado incoerente somente anseia em aceitar. O que teria a perder? Tive a melhor experiência sexual da minha vida, apesar da dor inicial por ser virgem. No entanto, se eu não aceitar, irei me arrepender amargamente? Como seria o meu fim de semana? Trancada em um quarto e me entupindo com um pote de sorvete enquanto esvazio uma caixa de lenços, relembrando e me lamentando o fato de ter sido trocada por outro pelo meu ex-noivo? O pior ainda seria ficar remoendo a angústia de ter sido tão estúpida. Esse tipo de pensamento, sim, apavora-me. — Você não consegue resistir, agápi, nem eu. — murmurou com a voz rouca carregada de desejo. — Então, omorfiá mou, eu necessito saber se você aceitará a minha proposta. Mordo o lábio inferior antes de confirmar. — Sim. Aceito. — respondi sem ponderar mais profundamente o assunto. Minha resposta parece agradá-lo, já que, instantaneamente, surge um sorriso matreiro no seu rosto. — Ainda está sensível? — ele perguntou. Já sei qual é sua intenção. — Claro. Você é enorme. — ressaltei sem pensar. Coro na mesma hora. Eu me arrependo quando vejo um sorriso presunçoso surgir na sua face arrogante. Não desejo inflar ainda mais o seu ego. Ele é um homem experiente e tem consciência do modo que nós, simples mortais, reagimos à sua presença viril. Não quero ser apenas mais uma na sua extensa lista de amantes descartadas. Por isso, é necessário saber jogar seu jogo de luxúria. Com ousadia, sua mão atrevida volta a apertar o meu seio, causando-me uma sensação extremamente gostosa. Entretanto, ainda estou bem dolorida. — E grosso. — O safado acrescentou piscando um olho maliciosamentepara mim. Isso me deixa irritada. Esse grego convencido! Ainda procuro algo para rebater sua análise presunçosa e desinflar o seu ego gigantesco, mas me faltam argumentos. — Nem venha com essa carinha de cafajeste! Eu estou toda arrebentada. Não sei nem como estou andando ainda. Ele me olha com sua cara de infame que me deixa estremecida. — Mas você gostou, agápi. Estava bem fogosa ontem à noite. Cachorro! Ordinário! Convencido! Meu rosto fica vermelho como um tomate quando eu me recordo da noite devassa. — Não estou me queixando, agápi. Muito pelo contrário. Eu me sinto privilegiado pela sua entrega. Você foi muito receptiva ao meu toque. Por acaso, já tinha alguma fantasia comigo? — questionou matreiro, piscando um olho para mim. — Haha! Muito engraçado! A única fantasia que eu tive com você, foi de te esganando. — Você me esganou com perfeição, agápi. — o safado disse maliciosamente. — Pare de me provocar, Apollo! — Ele apenas me olha com um ar risonho. — Achei que não tinha gostado quando soube que eu ainda era virgem. Você ficou bastante irritado. — Confesso que no primeiro momento foi um choque. Eu não esperava que você ainda fosse virgem. Naquele dia, na mansão, quando te questionei sobre as olheiras, você deu a entender que tinha passado a noite com aquele idiota. — Eu só disse aquilo porque você estava me provocando. Ele afaga meu outro seio, deixando-o duro, pesado e desejoso do seu toque. O safado está me seduzindo. — E então, omorfiá mou (minha bela)... Prometo que você não irá se arrepender. — ronronou com sua voz rouca no meu ouvido, eriçando os pelos da minha nuca. — Eu posso tornar nossa manhã ainda mais satisfatória. — Afaga o interior da minha coxa e sobe em uma leve carícia deliciosamente tortuosa. Que devasso! — pensei. — Vai me dar essa bocetinha gostosa? — indagou de modo cru e imoral, deixando-me ainda mais excitada. Meu centro já está encharcado e pronto para recebê-lo. Senhor! Minha calcinha acabou de se desintegrar. Claro... Se eu estivesse achado uma e vestido. Somente com uma única encarada atrevida, esse grego safado me faz sentir labaredas voluptuosas pelo meu organismo. Observo um sorriso de lado se formando na sua bela feição. Não tenho tempo de raciocinar, muito menos de responder absolutamente nada, pois ele toma os meus lábios de um modo selvagem e esmagador, cheio de gula e paixão. Sua mão habilidosa toca em meu corpo, fazendo-o entrar em combustão e querer se derreter no seu calor másculo e potente. Ele espalma o meu seio, deixando-o intumescido e necessitado do seu toque fogoso. Céus! Como desejo me derreter nesse seu calor! Logo sua mão ousada desce, explorando minha barriga, cintura e redescobrindo as áreas erógenas. Ele abre ainda mais as minhas pernas e pressiona a minha área íntima de encontro ao seu membro viril e rígido. Neste momento, seus dedos experientes se infiltram pela abertura da camisa e alcançam o meu montinho do prazer para estimulá-lo. Instantaneamente, solto um gemido sofrido. — Porra, Kristen! Sem calcinha. CAPÍTULO 11 APOLLO AMAZZOTTY Desperto com um leve roçar contra o meu pau, que já está duro como uma barra de ferro. Um corpo curvilíneo e macio está sobre o meu e há cabelos castanhos espalhados por cima do meu peito, que serve de travesseiro. Sua respiração é suave e o cheiro de sexo impregnado na sua doce pele apenas aumenta o meu ardor matinal. Inferno! Isso não deveria ter acontecido. Mas foi impossível repelir sua proposta audaciosa. Kristen Courtney vem sendo a minha maldita obsessão há dois longos anos. Desde que eu a vi pela primeira vez naquele campo de golfe, imaginei-me entre suas esbeltas pernas. Soube, naquele instante, o quanto ela seria perigosa para a minha sanidade. Ela tinha somente 18 anos e conseguiu mexer com todos os meus hormônios como nenhuma outra. Kristen era somente uma adolescente, enquanto eu já era um homem maduro com meus 30 anos. Não aceitei o fato de, pela primeira vez, ter tido minhas estruturas balançadas por uma ninfeta. Para complicar a porra do meu dilema, a mera realização da minha fantasia secreta não conseguiu refrear em absolutamente nada o ardor que sinto por ela. Muito pelo contrário. Isso só me atiçou a me alimentar do fogo da sua paixão. Kristen é bem quente e gostosa, porém malditamente proibida para mim por várias razões que não quero analisar no momento. Porra! E que balela foi aquela de não ter sido somente sexo? Eu estava parecendo mais uma mulherzinha falando. Caralho! É evidente que foi unicamente uma transa. Suspiro em desagrado. A verdade é que não me reconheço quando estou perto da Kristen. Ela me suscita sentimentos contraditórios às minhas ideologias. É como uma feiticeira. Não consigo resistir ao seu encanto sedutor. O seu feitiço é letal para a minha insana obsessão que parece não ter fim. Minha atitude com ela foi inadmissível. Puta merda! Que tipo de cretino eu sou? Nem mesmo o conhecimento da sua fragilidade me impediu de tomá- la e a marcar como minha. Fico me recordando da primeira vez que meu pau adentrou o seu sexo úmido, dos seus músculos extremamente apertados cedendo à minha invasão, da sua boceta gostosa quase me esfolando de tão malditamente apertada que era, do prazer indescritível que ela estava me proporcionando quando, finalmente, conseguiu me aceitar no seu interior, e das paredes aveludadas da sua feminilidade me envolvendo e me acolhendo com plenitude. Pensei que gozaria no mesmo instante como um jovenzinho tolo que não tem nenhum domínio sobre o próprio pau. Kristen me proporcionou um prazer imensurável. Foi uma total surpresa quando eu atravessei a barreira da sua virgindade, escutei seu grito agudo de dor e senti seu corpo se fechando para mim. As lágrimas grossas rolando pelo seu rosto encantador me quebrou. Não foi a minha intenção lhe causar dor. Meu único propósito era lhe proporcionar prazer. Quando eu olhei para a junção dos nossos corpos unidos e notei que meu pau estava todo sujo de sangue, comprovando a perda da virgindade dela, uma forte emoção de posse se instalou no meu ser como nunca imaginei senti-la. O babaca do Jimmy não tinha a tornado mulher. Uma forte euforia me tomou naquele momento. Esse tipo de sentimento foi errado. Em breve estarei ligado a outra mulher e essa noite se tornará unicamente uma experiência satisfatória. De repente Kristen se mexe de novo. Seu corpo quase toca na minha ereção. Maldição! Eu tenho que me levantar da cama imediatamente, ou não responderei pela minha libido insaciável. Ela deve estar cansada da longa maratona de sexo que tivemos, já que eu a fiz gozar sucessivas vezes. Tomei-a de forma dura e intensa repetidamente até vê-la, praticamente, desfalecer de exaustão nos meus braços. Foi a sua primeira vez, portanto eu deveria ter sido mais comedido. Porém, seu corpo me respondeu de forma voluptuosa e ávida, aumentando mais o meu tesão. Então, ela deve estar se recuperando ainda, e antes que eu não consiga me controlar e a ataque como um bárbaro faminto, levanto-me da cama sem despertá-la e vou em direção ao banheiro para controlar minha forte ereção. Assim que controlo a situação, faço minha higiene matinal, retorno ao quarto sem fazer barulho, vou até o pequeno guarda-roupa e escolho algo casual: uma calça e uma camisa. Retiro-me do cômodo em seguida sem focar nela, ou tenho certeza que acabaria cedendo à tentação de olhos verdes. O cheiro da brisa do mar chega às minhas narinas me trazendo uma grande sensação de paz e plenitude. Creio que nunca me senti tão bem em toda a minha vida. Resolvo preparar um café antes que minha gatinha manhosa acorde. Se depender das nossas atividades de ontem à noite, ela está exausta e vai acordar bem faminta. Sorrio presunçoso, ligo a cafeteira e preparo o café enquanto pego alguns ovos e bacons da pequena geladeira embutida. Creio que não seja tão difícil preparar uma simples omelete. Coloco a frigideira sobre o cooktop. Merda! Como liga essa porcaria? Giro o botão algumas vezes, até que, por fim, ele acende. Coloco os ovos dentrode uma tigela, mexo-os um pouco e, depois, coloco-os na frigideira junto com os bacons. Aproveito e ponho algumas fatias de pães na torradeira. Enquanto estou atento às drogas dos ovos, a torradeira começa a indicar que as torradas estão prontas, mas as fatias ficam presas no aparelho por serem grossas demais e não conseguirem saltar. Quando vou tirar as torradas que, a essa altura, estão só o torrões, percebo que os ovos também estão queimando. — Merda! — soltei uma imprecação, já bastante irritado. Desligo o cooktop. Pelo visto, terei que fazer tudo de novo, ou não terá café da manhã algum. No entanto, não estou disposto a passar por outro sofrimento novamente. Portanto, levarei a minha bela para tomar o café no Woody’s, uma lanchonete bastante conhecida e próxima daqui. Ouço uma risada divertida vindo do lado do balcão e, no mesmo instante, avisto minha linda Penélope Charmosa. Ela está vestida apenas com uma camisa branca minha. Ficou gostosa para cacete. Parece uma deusa da luxúria. Logo meu pau começa a dar sinal de vida. Ele sempre reage assim à sua proximidade. Fico sem jeito ao constatar que ela presenciou a minha pequena bagunça. — Há quanto tempo está aí? — questionei já prevendo que ela assistiu a todo o meu desastre na cozinha. Kristen coloca uma mão no queixo, em uma pose bem descontraída. Está muito sexy e gostosa. Só me imagino tirando a minha camisa do seu corpo e mergulhando no seu doce prazer. — Tempo o suficiente para ver o meu café da manhã ir para o lixo. — Seu sorriso é lindo. Eu só consigo pensar safadezas com essa boquinha gostosa. Depois de admitir que sou um fracasso na cozinha, vou em sua direção. — Não posso deixar uma linda donzela faminta. — Não. — Morde o lábio inferior. Esse seu gesto inocente me dá um tesão da porra. — Temos leite fresquinho e da fonte também. Quer? — fiz a pergunta em duplo sentido. Kristen demora um pouco para compreender a dubiedade nas palavras, e quando percebe, cora como uma linda rosa. Sua boca deliciosa se fecha e abre repetidas vezes. Isso me faz imaginar indecências com seus lábios saborosos. Sua ingenuidade me encanta. Ontem à noite, eu estava tão louco de tesão que não consegui gozar nenhuma vez fora do seu corpo. Todas as vezes que eu estava próximo ao êxtase, sua boceta gostosa apertava e latejava ao redor do meu pau, então eu não conseguia me conter. Acabei me despejando no seu interior quente e estreito, não apenas uma, mas consecutivas vezes seguidas. Parecia que eu era o inexperiente. Não sou capaz de me comedir quando estou próximo a ela. — Seu safado! — sussurrou. Já posso notar, pelas suas pupilas, que ela está excitada. Caralho! Essa comprovação faz o meu pau vibrar dolorosamente em seu abrigo. Eu me faço de desentendido e dou um fim à pouca distância que nos separa. Enlaço-a pela cintura e deslizo o meu olhar pelas suas curvas deliciosas e pelo leve insinuar do volume dos seus seios pequenos e firmes. Os quais entrevejo pelo colarinho da camisa, onde tem alguns botões desabotoados. Essa simples visão me tortura. Estou quase salivando como um cachorro guloso para prová-los novamente. Depois de uma breve provocação, meus lábios a tomam em um beijo firme e quente. Eu me aconchego mais ao seu calor, segurando-a firmemente. Enquanto minha língua se insere habilmente entre os seus lábios saborosos e aveludados, minha mão se aventura pela curva insinuante do seu seio. Eu o apalpo e sinto a maciez do seu montículo arrebitado. Posso notar o bico intumescido. Kristen descola os nossos lábios, interrompendo o beijo. — Apollo, não podemos. — murmurou baixinho. Eu a olho sem compreender. — Uma noite apenas. Lembra? Kristen só pode estar brincando. Eu estou louco de tesão, e pela sua expressão, posso ver refletido nela o mesmo fogo que corre em minhas veias. Como pôde vir com essa história de uma noite apenas? Inferno! Realmente, o seu raciocínio está coerente, porém eu não consigo resistir. Desejo-a há longos dois anos e tenho a esperado por todo esse tempo. Quero aproveitar um pouco mais. Não estou preparado para deixá-la ir ainda. E o que ela teria a perder? O idiota do Jimmy? Não seria tola de perdoá-lo. Pelo menos assim suponho. Merda! Não consigo nem pensar naquele mauricinho panaca sem sentir um ódio tremendo e vontade de arrebentar a cara dele por ter machucado a Kristen. Pensando bem, eu teria que agradecê-lo. A ação dele a pôs exatamente onde eu a desejava: na minha cama. Todas as vezes que os via juntos, a vontade de socar a cara dele era grande, e quando ele a beijava, eu tinha que adquirir um esforço hercúleo para não quebrar todos os seus dentes. Definitivamente, ainda não estou disposto a deixá-la ir. Logo uma ideia surge na minha mente. Terei que arriscar. — Tenho uma proposta para lhe fazer, Kristen. — Seu corpo fica rígido nos meus braços. — Quero que seja minha pelo final de semana inteiro. Algo me diz que ainda será pouco, mais já é um começo. Kristen não diz absolutamente nada. Parece ponderar a sugestão. Rapidamente, complemento: — Retornarei à Grécia na segunda-feira, e ambos sabemos que nossa atração sexual é mútua e ainda está latente. Quero continuar a explorá-la. Porra! A verdade é que nossa noite foi incrível e, por conseguinte, a única coisa que posso almejar é repeti-la. O meu pau já está faminto novamente por ela. É quase uma agonia dolorosa. Eu seria um completo idiota se não desejasse reviver os prazeres da noite anterior, mesmo sabendo que tem um prazo determinado para durar o nosso acordo. Ela ainda está indecisa. Percebo que busca argumentos para rechaçar a minha proposta. Contudo, como um exímio negociador que sou, convenço-a. Um fim de semana inteiro tem que ser suficiente para extravasar todo o desejo acumulado durante os longos dois anos. Não posso lhe oferecer nada mais do que isso. Kristen ficará na minha cama, desfrutando de todos os deleites que um bom sexo pode nos propiciar. Já posso constatar, pela sua postura, que ela está completamente refém da nossa luxúria e tesão, assim como eu. Imediatamente, minhas mãos tomam posse do seu corpo e apartam suas coxas esbeltas e roliças. Eu me aconchego no meio delas e meu pau rijo como aço lateja descontroladamente apenas por ter a ciência de que está próximo à sua fonte inesgotável de prazer. Kristen leva uma mão ao meu peito para me afastar, mas eu não permito. Percebo que ela trava uma guerra contra seus pensamentos. Vejo, também, um lampejo de fraqueza perpassar em sua face. Assim, tenho a certificação de que o lado irracional obteve êxito. Inferno! O que está acontecendo é apenas uma foda ocasional, como sucederá com qualquer outra mulher. Todavia, a compreensão de que é Kristen quem está à minha disposição e de que ela, assim como eu, não consegue resistir, deixa-me excitado para cacete. Estou louco para devorá- la. — Ainda está sensível? — perguntei, pois tenho a noção de que extrapolei o limite ontem. Ela é tão deliciosa que eu não possuo forças para me conter. — Claro. Você é enorme. — Ouço sua pronúncia suave e vejo seu rosto ganhar uma linda coloração avermelhada. Ela deve estar sensível ainda, já que eu a tomei por diversas vezes consecutivas ontem sem me refrear e de forma dura. Meu pau se endurece ainda mais apenas por eu me recordar dele sendo envolvido pela boceta apertada dela. Sinto a necessidade de me afundar em seu calor úmido e contraído quando me lembro do modo fogoso que ela me recebeu voluptuosamente em seu interior. Isso faz com que um fogo voraz volte a correr pelas minhas veias. Apalpo seu seio delicioso e sinto seu corpo tremer. Meu garanhão já está louco para montar nela. Provoco-a maliciosamente. Noto que Kristen fica irritada, mas percebo, também, que já está totalmente entregue ao momento. Ela é minha. Esse pensamento animador me faz soltar um rosnado faminto. Estou louco para marcá-la repetidas vezes. Agarro seus seios e massageio os bicos, que logo endurecem e se apontam sob a camisa. Minha mão sobe pelo interior da sua coxa macia. Caralho! Que delícia! Só de imaginar meusdedos próximos à zona do seu prazer, fico louco, com um desejo incontrolado. Continuo a deliciosa inspeção, acariciando lentamente sua coxa sem tocar de fato onde realmente almejo. — Vai me dar essa bocetinha gostosa? — questionei de modo pervertido, observando suas pupilas semicerradas e cheias de desejo. Não espero sua resposta. Prontamente, tomo-a em um beijo cheio de urgência, invadindo sua boca saborosa e saqueando seu delicioso sabor. Toco em seu corpo com reverência, querendo gravar cada pedacinho primoroso dele, e me aconchego mais ainda no meio de suas coxas, fazendo- a notar o meu estado de excitação. Minha enorme protuberância se esfrega no seu centro quente. Neste instante, minha mão busca habilmente o seu calor feminino e o encontra úmido e receptivo. Caralho! Sem nenhuma barreira. — Porra, Kristen! Sem calcinha. — rosnei inflamado pelo desejo. Toco no seu pequeno botão do prazer, que mela os meus dedos com seu líquido precioso. Ela geme desavergonhada no meu ouvido. Não vou conseguir resistir por muito tempo. — Ah! Não consegui achá-la. — Geme com a voz embargada de sensualidade, deixando-me louco de tesão. — Devo reconhecer que é uma delícia encontrá-la assim, agápi. Com rapidez, libero meu pau, que está mais do que pronto para ela. Sondo a sua abertura estreita e o seu calor irradiante. Noto que sua bocetinha pequena ainda está um pouco vermelhinha e inchada. Isso deveria me impedir de tocá-la, mas não suporto quando comprovo o quão excitada ela está. Levo o meu pau às dobras da sua feminilidade em um leve movimento de vai e vem. O brilho da sua excitação melando a ponta larga do meu membro me deixa ainda mais possesso de luxúria. Em uma só investida, possuo-a. Ela geme com a minha posse abrupta e eu aguardo alguns instantes para que sua boceta gostosa se acostume com o meu tamanho. Tomo seus lábios doces, abafando os seus gemidos enquanto me movo vagarosamente no ritmo das ondas do mar. Estou calmo neste instante, diferentemente de ontem à noite, quando a tomei de modo selvagem e intenso como uma tormenta. Kristen geme conforme vou aumentando o movimento, metendo cada vez mais forte e mais fundo na sua bocetinha melada. Ela arranha as minhas costas por cima da camisa quando eu a preencho completamente. Solto um rosnado feroz com a indescritível sensação que me toma. É perfeito estar dentro dela. — Que delícia, Kristen! É muito gostosa e sensual. — Ah... — choramingou. — Seu cretino! Agora não vou conseguir andar durante uma semana. — Mas você estava tão pronta para mim, agápi, que eu não resisti. — Ofereço-a um sorriso fogoso. — Quer que eu pare? — Interrompo o movimento de modo abrupto e, depois, escorrego lentamente para dentro dela, fazendo-a sentir cada milímetro do meu pau no seu interior. Pela luxúria que vejo em seu olhar, tenho a plena certeza de que ela não vai desistir. Apenas olha para mim com um lampejo de fúria nos olhos verdes por eu ter cessado os movimentos de forma inesperada. — Seu grego arrogante! Se não continuar, eu te mato! Tenho vontade de rir da sua falta de controle sexual. Ela nem imagina o quanto está difícil para mim ficar imóvel dentro dela. — Você está quase fazendo isso, agápi. Não sabe o martírio que é para mim ser privado do que mais anseio. — minha voz saiu carregada de lascívia. — Então, o que está esperando? — murmurou debilmente, dominada pela luxúria. Ela semicerra os olhos quando eu começo a gingar os quadris em um ritmo sincronizado. É uma tortura deliciosa ser engolido pelo seu corpo feminino. Suas paredes aveludadas comprimem meu pau com obscenidade. Mesmo sem experiência, Kristen demonstra uma magnificência nata para o sexo. É muito fogosa a minha gatinha. Continuo com os movimentos implacáveis e, logo, posso sentir seu corpo estremecer. Sei que ela está próxima do orgasmo. Então, levo uma mão até o seu ponto do prazer, estimulando-o com lascívia e sofreguidão. Seus gritinhos de deleite são um ritmo perfeito para os meus ouvidos. Tento me controlar o máximo que consigo, mas os espasmos da sua boceta deliciosa no meu pau quando ela chega ao êxtase me causa uma sensação fenomenal. Com apenas mais algumas arremetidas, gozo violentamente dentro dela. Minha respiração está fortemente descompassada e meu coração martela feito louco dentro do peito. — Você é perfeita, Kristen. Ela está mole entre os meus braços, ainda embargada pelo recente orgasmo. Seu arfar se encontra desestabilizado. A muito contragosto, saio de dentro dela e vejo minha porra escorrendo pelas suas pernas, da sua boceta. Um forte sentimento de possessividade retorna com força total. Caralho! Que visão perfeita. Marquei com minha essência a minha mulher. Merda! Eu me recrimino no mesmo segundo que surge o pensamento imprudente. Ela não é minha. Nunca poderá ser. Meu destino já está traçado, e não vai ser uma simples noite com a mulher que vem sendo minha obsessão nos últimos dois anos que irá mudar esse fato e derrubar os meus conceitos. CAPÍTULO 12 KRISTEN COURTNEY Depois da nossa pequena orgia no balcão da cozinha, Apollo me leva para tomar uma ducha rápida no banheiro. Esse homem é insaciável. Assim que percebo seu membro ganhando vida de encontro ao meu traseiro, deixo o safado sozinho na ducha antes que me seduza novamente. Não estou reclamando, mas, realmente, a minha “amiguinha” precisa de um descanso. Quando retorno ao quarto, coloco o meu sobretudo e as minhas botas, que ainda se encontram molhadas. Minhas meias estão totalmente arruinadas em um canto qualquer do quarto. Dou um jeito no meu cabelo com um pequeno pente que encontro em uma cômoda próxima. Neste instante, vislumbro um objeto vermelho entre o vão do criado-mudo e da cama. Percebo que é a bendita calcinha. Coloco-a em seguida. Constato que terei que comprar roupas novas, já que passarei o fim de semana longe de casa. Também vou ter que ligar para o papai e avisar que está tudo bem, pois não quero preocupá-lo. Assim que chego à sala, é exatamente o que faço: ligo para casa. Maria atende e me informa que o meu pai está no seu costumeiro jogo de golfe de final de semana. Ele sempre vai ao clube. Eu me despeço dela depois de deixar o recado de que estou bem e que retornarei apenas no domingo, à noite. Desligo e sigo para a pequena varanda, onde observo ondas persistentes e ritmadas baterem contra o píer, porém não muito fortes. Já posso perceber uma pequena movimentação na praia e alguns jovens e surfistas por ali, para curtir o clima da brisa com os amigos. O meu celular começa a vibrar, fazendo-me dar um pequeno sobressalto. Assim que visualizo o nome no visor, tenho vontade de arremessar o aparelho no mar por causa da tamanha raiva que me toma. Jimmy! Ele deve estar aproveitando o seu fim de semana com o amante e, ainda, tem a cara de pau de me ligar. Que ódio desse cretino! Silencio a chamada e desligo o telefone. No mesmo instante, sinto dois braços fortes me envolverem pela cintura. Apollo beija o meu rosto. — Quem era, Kristen? — Ele tem que estar atento a tudo. — Ninguém importante. — respondi simplesmente. — Alegro-me de ouvir isso, agápi, no entanto vi escrita a palavra “amor”. — falou com deboche. Quando eu o olho sobre o ombro, noto que ele está com a expressão fechada. — Sim. Era o Jimmy. — Suspiro pesarosa e me viro novamente. — Não quero falar com ele, nem falar dele. Jimmy deve estar aproveitando com o ama... — Quase falo, mas interrompo a tempo e logo desconverso quando enlaço os braços ao redor do pescoço forte de Apollo. — Quer saber? Não tem nenhum significado para mim a ligação dele. — Encerro o assunto. — E, então... Não vai me levar para tomar café da manhã? Já estou morrendo de fome. Você tem exaurido as minhas forças desde ontem à noite. — Faço um biquinho. O safado me dá um selinho e, sem demora, direciona os olhos pela minha vestimenta, inspecionando-me minuciosamente. — Theós, Kristen! Essa roupa está muito ousada. Parece uma sedutora. Não quero que nenhum filho da puta a olhe com desejo. Reviro os olhos. Homens! — Deve ser porqueessa era a minha intenção ontem à noite. Eu iria seduzir o meu ex-noivo. Lembra? Vejo ele fechar a cara em uma expressão taciturna por eu ter citado o Jimmy. — No entanto, ao invés disso, eu acabei seduzindo um certo grego. — concluí. Ele abre um sorriso convencido que me irrita demais. Já conheço esse risinho arrogante. — Você se arrependeu, agápi? — Estou prestes a me arrepender se não me levar para comer. Estou faminta porque um certo grego deixou o meu café da manhã queimar. — Eu lhe ofereci leite fresquinho. Não sabe que ele é um alimento rico em proteínas e vitaminas? — o safado sussurrou maliciosamente. Céus! Onde eu fui me meter? Apollo é um sem-vergonha e não tem o mínimo de pudor. Eu posso ser ingênua em alguns pontos, entretanto sei perfeitamente que esse cretino está me provocando. Percebo a luxúria refletida no seu olhar escuro. — Sou alérgica a leite. — Agora é a minha vez de sorrir categoricamente. — Esse é especial, agápi. — De modo indecente, pisca um olho para mim. Que libertino! — Acontece que se você não me levar agora para tomar o meu café, é capaz de eu acabar desmaiando. — Ok. Nada mais justo, Penélope Charmosa. Depois vamos às compras. Não quero aquele bando de marmanjos olhando para você nesse traje sedutor. — Aponta para um grupo de turistas jovens que está na praia. Ergo uma sobrancelha, desafiando-o. — Por que não? — Não brinque comigo, Kristen! Enquanto estiver comigo, é somente minha. — Seu grego mandão! — Sim, agápi. Esse sou eu. Não conseguiria ter chegado onde cheguei se não fosse assim. Em seguida, ele me leva ao Woody’s, uma lanchonete que fica próxima ao calçadão e de frente ao mar. O clima é tão gostoso e aconchegante que quero ficar apreciando mais a vista deslumbrante. Assim degustamos o nosso café da manhã: um delicioso capuccino e sanduíches naturais. Olho para Apollo. Ele está me encarando com um sorriso nos lábios. — Do que está rindo? — Tomo um gole do meu capuccino. — Pensei que tinha dito que é alérgica a leite. — Sua expressão é brincalhona. — Eu amo capuccino. E sei perfeitamente ao que você estava se referindo. Vejo-o estreitar seu olhar negro sobre mim. — Então sabe que não tenho culpa se você me incita desejos libidinosos, ángelos mou. — Apollo, você é tão pervertido. Será que podemos mudar de assunto? Ou só pensa em sexo? — Quando estou com você, é quase impossível pensar em outra coisa, agápi. Meu rosto deve ter adquirido a cor de uma beterraba. Só não o rebato porque posso perceber que a lanchonete está ficando lotada de turistas. Apenas por isso. Depois, Apollo faz questão de me levar às compras. Em menos de uma hora, já estou cheia de sacolas. Levarei anos para usar tudo. Eu insisto em pagar com o meu cartão de crédito, mas ele não permite. Já aproveito para trocar as roupas que eu estava usando por outras novas na própria loja. Por último, passamos na farmácia. Apollo quase me mata de vergonha quando pega uma pomada para assadura na prateleira e mais de 5 pacotes de preservativos. Meu constrangimento é ainda maior quando ele está pagando no caixa e a atendente confere o tamanho das camisinhas. Vejo bem a folgada olhando para as partes íntimas dele como se quisesse conferir o conteúdo. Depois olha para mim com um risinho cúmplice como se dissesse “aproveita, garota”. O safado me lança um sorrisinho de lado e pisca um olho para mim. Em seguida, os dois entram em uma conversa bastante embaraçosa. Neste momento, eu quero socar a cara arrogante desse libertino por ser tão convencido. Saio do local pisando duramente e Apollo me alcança antes que eu me afaste muito. — Qual o problema, agápi? — perguntou como se não compreendesse o vexame que me fez passar. — Você tinha que perguntar se havia camisinhas com sabor no tamanho extra G? É um pervertido mesmo. — Nunca disse o contrário, agápi. — Enlaça-me pela cintura. — Não gostou do sabor de morango? Talvez devesse ter escolhido outro, como chocolate... — Começa a citar vários sabores, deixando-me mortificada. — Uva, menta... — Vo... Você... — falei quase gaguejando. — Não tem limites, Apollo. E para a sua informação, eu não vou te chupar, seu pervertido. — É uma pena, agápi. Não sabe quantas vezes fantasiei essa cena. — Fita meus lábios de modo despudorado. — Só de projetar a imagem desses lábios saborosos no meu pau, fico duro. — Pare com isso, seu libertino! As pessoas estão nos olhando. É capaz de mandarem nos prender por atentado ao pudor. Ele dá um sorriso de um pecador inveterado. — Mas não estou fazendo nada, agápi... — Seu olhar está faminto sobre mim. — Ainda. — complementou de modo devasso. Neste instante, passam duas senhoras, aparentemente, beatas na calçada. A mais idosa olha para mim como se estivesse diante de uma criatura com chifres. Sua expressão é completamente horrorizada, chocada, e seus olhos estão esbugalhados. Tenho plena convicção de que escutaram a nossa conversa. — Estou completamente abismada com a sem-vergonhice dos jovens de hoje em dia. Vamos sair daqui, Ághata, antes que eles comecem a fazer outras coisas impudicas na nossa presença! — falou para sua acompanhante, empinando o nariz aquilino. — Deveria ser chamados os guardas, isso sim, por esses sem- vergonhas estarem quase praticando atos obscenos na nossa presença. Veja só! Estão quase em conjunção carnal. — a outra senhora pronunciou. Seu semblante é de censura. — Deus, tenha misericórdia! Vamos sair daqui, Abigail! À medida que as duas senhoras se distanciam, apresso Apollo antes que elas resolvam voltar novamente e chamarem, realmente, os guardas. Não quero nem conjecturar nós dois virando caso de polícia com direito à manchete, estampados nos principais tabloides de fofocas. Senhor! Não posso nem imaginar uma catástrofe como essa. Tenho certeza de que meu pai teria um infarto ao ler uma matéria sórdida assim. — Vamos sair daqui, Apollo, antes que aquelas duas senhoras resolvam retornar com a polícia! — falei inquieta, indo em direção ao carro. Ele solta uma gargalhada da situação como se não fosse nada demais. — Sim, agápi. Creio que o melhor seja retornar ao hotel para continuarmos nossa diversão. — Abre a porta do carro para que eu entre. Eu me acomodo e, depois, ele dá a volta, acomoda-se ao volante e joga a sacola com os preservativos no porta-luvas. Murmura em seguida: — Seu sabor é viciante. Quero provar do seu mel afrodisíaco novamente o quanto antes, agápi. — O cretino me olha de forma lasciva. Ele não sabe o estranho poder que tem sobre o meu corpo. Apenas o fato de usar essas palavras devassas, reacende uma comichão entre as minhas pernas, mesmo que eu ainda esteja dolorida. (...) O final de semana está incrível. Apollo vem se mostrando uma excelente companhia. Nem mesmo tenho me recordado da existência do Jimmy. Aproveitamos a tardezinha de hoje para contemplar a vista do lindo entardecer. É uma visão inigualável. À noite, Apollo me leva para um luau que vai acontecer por perto. Ele está trajando uma bermuda branca e uma camisa florida bem no estilo havaiano. Eu optei por um vestido branco, leve, e uma coroa de flores. A ornamentação do ambiente está impecável e muito organizada no melhor estilo hula, com muitas decorações coloridas e alguns itens na temática “praia” espalhados pelo vasto espaço, juntamente com muitas flores tropicais e enfeites de bambus distribuídos. Uma grande fogueira está acesa e várias luminárias amareladas garantem a iluminação. Há, também, diversas mesas dispersas pelo lugar com os mesmos elementos de vibe havaiana. Alguns músicos tocam violão, tambores e outros instrumentos. Junto, há alguns dançarinos animando a galera, cantando o aloha. Uma ampla mesa farta está disposta com vários pratos típicos e leves à base de frutas e frutos do mar. As bebidas são sucos naturais, refrescantes, e alguns drinks coloridos. Dançamos algumas músicas e, depois, degustamos alguns pratos típicos. Enquanto Apollo vai pegar outro drink, um dos dançarinos me oferece um colar havaiano e me chama para dançar a hula, porém antes que eupossa ponderar se aceito, Apollo chega demarcando território. Essa sua atitude arrogante me irrita sobremaneira. Sua expressão está brutalmente aterradora. Parece prestes a cometer um assassinato. O coitado do dançarino some das nossas vistas mais rápido do que o flash. — Theós! Eu te deixo um segundo apenas e já aparece um marmanjo babando em cima de você. — Seria somente uma dança. Não precisava ter sido arrogante. — sussurrei. — Eu vi o jeito que aquele cara te secou e não gostei nenhum pouco. — murmurou quase rosnando. Somente para provocá-lo, sussurro em desafio: — E como ele me olhava? — Com desejo, como se estivesse devorando um suculento filé. — Claro que não. Nem todos são pervertidos igual a você, Apollo. — É tão ingênua, agápi, que não percebe a maldade em sua volta. — É evidente que não. Não sou nenhuma ingênua. Não mais. Ele me analisa com descrença e sussurra baixinho em seguida, para que somente eu possa escutá-lo. — O fato de ter perdido a virgindade, não te torna menos ingênua, agápi. — E qual o problema? Ele solta uma respiração longa e cerra a mandíbula com exasperação. — É apenas minha. Esse é o problema. Não quero nenhum filho da puta lhe cercando. Antes que eu tenha tempo de rebater sua colocação insensata, ele me enlaça possessivamente pela cintura. — Claro... Pelo menos neste fim de semana, é somente minha. — Não percebo coerência nesse seu argumento. — discordei. — Em breve vai perceber a coerência das minhas ações, agápi. — Fala baixinho no meu ouvido, de modo fogoso, o que fará comigo quando chegar ao chalé, descrevendo minuciosamente os detalhes sórdidos. Meu corpo logo se acende com sua pronúncia devassa. — Prometo que a sua boceta vai estar tão encharcada que você vai me implorar para eu fodê-la bem forte e gostoso. — Continua com o seu discurso. Instantaneamente, sinto um formigamento entre as pernas e anseio pela sua posse despudorada. — Depois de eu tê-la levado ao céu com apenas minha língua e meus dedos. Que cretino, libertino gostoso e arrogante! Minha intimidade lateja em resposta às suas palavras indecentes. Não demora muito tempo e retornamos ao chalé. Apollo cumpre exatamente o que prometeu, deixando-me exausta e completamente lânguida com as longas horas de prazer. Em um certo momento, realmente, tenho que implorar para que ele me foda. O que esse grego libertino adorou. (...) O dia seguinte passa muito rápido. Visitamos alguns pontos turísticos próximos à Pacific Beach e uns pubs e restaurantes locais, além de, claro, passarmos metade do dia no chalé fazendo amor... Sexo. Aliás, não posso me esquecer de que é somente sexo. É gostoso, mas é apenas isso. Quando chega o fim da tarde, como é o nosso último dia, consequentemente, o nosso acordo está findando. Contudo, é como se uma parte de mim fosse ficar com o Apollo. Varro esse pensamento ridículo para bem longe. A verdade é que, provavelmente, ele já arranjará, em breve, uma amante para esquentar sua cama. Esse mero pensamento me dilacera e me amargura. CAPÍTULO 13 KRISTEN COURTNEY Quando retorno ao ateliê na segunda-feira, noto tudo calmo demais. Esse fim de semana me propiciou reviravoltas; algumas agradáveis, outras nem tanto. O fato é que eu me sinto diferente. Deve ser por isso que penso que depois do final de semana com Apollo, minha vida não será a mesma. Fiquei o tempo todo com o celular desligado, e assim que cheguei à mansão ontem à noite, coloquei-o para carregar e notei várias ligações de Jimmy. Todas foram ignoradas com sucesso. Suspiro pesarosa, pois tenho conhecimento de que não posso fugir para sempre dessa situação. Quanto mais rápido eu resolver isso, melhor. Bethany saiu para resolver algumas burocracias da empresa enquanto eu me encontro no meu estúdio de criação. Tento fazer alguns rabiscos de uma ideia instantânea que me surgiu de um vestido para um casamento na praia. Minhas mãos trabalham agilmente, realizando a técnica habilidosa e precisa. As linhas puras vão ganhando um contorno gracioso e delicado com uma textura ímpar. Cerca de 15 minutos depois, contemplo a minha criação. Há muito tempo, eu não fazia um vestido tão criativo e inovador em um instante tão curto. Sorrio animada. Parece que o meu final de semana com o grego me rendeu frutos. Estou com a mente fértil, cheia de novas ideias e projetos. Logo meu sorriso se desfaz. Não sei porque cargas d’água estou pensando em Apollo. A essa altura, ele já deve ter retornado à Grécia. Nosso final de semana terá que ficar no passado, que é o lugar de onde pertence. Em uma noite inconsequente, Kristen Courtney vivenciou experiências com um deus grego gostoso que sabe perfeitamente o que fazer com uma mulher e... Céus! Pare imediatamente com esse pensamento ridículo, Kristen! — censurei-me mentalmente. Tenho que focar no meu trabalho. Isso sim. Não quero me envolver em outro relacionamento tão cedo. Aquele fim de semana foi somente uma loucura insensata. Retomo o meu foco para a encomenda da senhorita Kokkinos. Tenho muita pressa em entregar esse pedido. Eu mesma estou supervisionando os últimos arremates dessa confecção de perto, em cada minucioso detalhe. Algumas pedras preciosas terão que ser colocadas em trabalho manual, uma a uma. A senhora e a senhorita Kokkinos são duas esnobes de narizes em pé, porém cliente é cliente. Mesmo sendo do mesmo nível social que as mesmas, não gosto de ter que lidar com esses tipos de pessoas que se acham os melhores do mundo somente pelo título que carregam ou pelos seus famosos sangues “azuis” nas veias. São pessoas pomposas, vazias e sem emoções. Assim que vou iniciar outro rascunho, ouço a porta do estúdio se abrir sem a menor consideração. Quando levanto o meu olhar, dou de cara com um Jimmy bastante irritado. — Até que enfim te encontrei, Kristen. Amorzinho, o que aconteceu com você? Eu te liguei durante o fim de semana inteiro e não consegui te encontrar, minha bonequinha. Eu já estava preocupado. — falou com a cara mais deslavada possível. Neste instante, apenas tenho vontade de socar o seu nariz de falso aristocrata fingido. — Lembrou-se que tinha uma noiva, Jimmy? — perguntei com deboche. — Do que está falando, bonequinha? — Seu tom meloso me deixa possessa de fúria. — Não me chame de bonequinha! — repreendi. — Tem certeza de que estava preocupado comigo, Jimmy? Não foi o que pareceu naquele apartamento, enquanto você estava com o seu amante, quando ambos se encontravam entretidos com tanta luxúria. — soltei de uma vez. Observo sua fisionomia ficar branca como leite. Rapidamente, ele recupera a compostura e solta um riso nervoso. — Amor, quem levantou tamanha calúnia contra mim? É tudo mentira, minha vida. Nesse fim de semana, eu estava em uma burocracia terrível para inaugurar meu novo empreendimento. — tentou me convencer. Pude absorver seu ar de preocupação com o que revelei. Neste momento estou prestes a explodir de tanta raiva. Quem ele pensa que sou? Alguma idiota? — Ninguém me contou, Jimmy. Eu vi com meus próprios olhos. — enfatizei me tremendo de raiva. Não sei nem em que momento fui em sua direção e lhe desferi um tapa na cara. Ele me olha surpreso pela minha atitude, mas não esboça nenhuma reação. Sempre fui uma mulher sensata, todavia cheguei a um ponto que é o meu limite. — Como pôde fazer isso comigo, Jimmy? Por que brincou com os meus sentimentos dessa maneira? O que pretendia com isso? Han? A fortuna Courtney? É por isso que queria se casar comigo? Para me ter como uma esposa de fachada enquanto se divertiria com o seu amante? — interroguei descontrolada. Meus olhos estão cheios de lágrimas. Sinto o meu orgulho ferido. — Calma, bonequinha! Eu não sei o que viu naquele apartamento, mas posso explicar. Você só está nervosa por causa da proximidade do nosso casamento, mas prometo... Eu o interrompo bruscamente. — Não haverá casamento algum. Chega! Acabou! — gritei determinada. — Kristen, não pode estar falando sério. Eu te amo! — Sua expressão é de incredulidade. Solto uma risada histérica. — Ah! Claro que meama! — falei cinicamente. — Por isso estava com o seu amante. — Controlo-me para não pegar qualquer objeto e arremessar na sua cabeça. — Eu não quero saber dos detalhes sórdidos, Jimmy, até porque eu presenciei absolutamente tudo. — Vejo ele arregalar os olhos, aturdido. — Apenas quero que suma da minha vida. Eu fui uma boba nas suas mãos, mas me recuso a continuar sendo. — Estava me espionando? — perguntou como se tivesse cometido algum crime. Que cretino! Se ele me deu todas as coordenadas e até mesmo o cartão magnético para encontrá-lo naquela suíte, pensei que suas pretensões de palavras sugeriram sua vontade de dar o próximo passo na nossa relação. Mas eu estava redondamente enganada. Nunca, de fato, despertei-lhe interesse. — É óbvio que não. Eu confiava plenamente em você. Só queria fazer uma surpresa para o meu noivo e supus que ele também ansiava pelo mesmo. Entretanto, foi eu quem tive a desagradável surpresa. Por que você armou toda aquela encenação para que eu os flagrasse em um momento íntimo dos dois? Percebo ele cerrar o maxilar e respirar fundo, tentando se controlar. — Está louca? Eu não armei nada. Como conseguiu o endereço? Você me viu com meu amante? Franzo o cenho, estranhando as suas perguntas. Por que ele está se fazendo de vítima agora, sendo que providenciou todo o episódio? Não tenho a mínima vontade de saber quem é o seu affair amoroso. — Não é da sua conta como eu consegui essa informação e não tenho interesse algum em saber sobre o seu amante. Só quero que você desapareça da minha vida. — joguei de volta, fazendo-me de desentendida. Se ele não tem a decência de, pelo menos, assumir que planejou tudo, não serei eu que o obrigarei. Ele solta um suspiro, parecendo aliviado por eu não ter interesse em aprofundar o assunto. — Bonequinha, isso só pode ser armação de alguém. Estão querendo nos separar. — tentou angariar a minha simpatia. — Eu vi tudo. Ninguém me disse, Jimmy. Não precisa fingir. — afirmei com os olhos marejados. Quando ele percebe que eu estou irredutível, começa o seu ataque. — Kristen, não pode fazer isso comigo. Sabe que foi por sua culpa que eu busquei outros prazeres. Minha expressão é de choque por esse canalha estar jogando a culpa em mim. Eu me sinto ainda mais humilhada e destroçada, com a autoestima em frangalhos. — Você sempre foi tão correta, a filhinha exemplar do papai... — rechaçou-me. — Uma herdeira fria da alta sociedade. Provavelmente, o meu ar-condicionado é mais quente do que você. Sem raciocinar com coerência, esbofeteio seu rosto arrogante. Ele apenas me olha com uma frieza indisfarçável. Logo meus olhos se enchem de lágrimas com suas palavras ásperas que terminaram de estilhaçar a minha dignidade. — Por que está fazendo isso, Jimmy? — minha voz saiu embargada. — Não queria saber os motivos de eu ter ido procurar um amante? Você é frígida, uma mulher fria que nem um iceberg. — enfatizou cada palavra como se cravejasse uma faca no meu coração. — Nunca me despertou tesão algum como homem. Não passa de uma riquinha mimada do papai que não usa o cérebro. Foi tão fácil seduzi-la, Kristen. Mais fácil do que roubar doces de criança. É uma idiota carente que se derretia por uma dúzia de palavras vazias. — Por que se aproximou de mim então? — Acredito que saiba a resposta. — murmurou. — É rica e, em breve, irá se tornar muito mais. Claro! Como fui tola e ingênua. Dinheiro! Sempre o maldito dinheiro e a fortuna Courtney. — SAI DAQUI! — gritei apontando para a saída. — Ainda não. Você não pode fazer isso comigo, sua vadia. — rebateu com as feições transtornadas, não precisando mais esconder quem realmente é. — Não vou sair dessa relação com um pé na frente e outro atrás. — O que quer dizer com isso? — Dou alguns passos para trás quando vejo que ele se aproxima de mim. — Está com medo, cadela? — ofendeu-me novamente. Não reconheço esse Jimmy que está diante de mim com a expressão dura e feroz. Aparenta querer me liquidar, sendo que sou eu quem tem motivos para isso. Foi ele quem me humilhou. — A única cadela que conheço aqui, é você. — falei destemida, recordando-me do diálogo sórdido dos dois amantes. Arrependo-me quando noto suas feições se transfigurarem em puro ódio. Prontamente, ele vem até mim e golpeia a minha face em um tapa certeiro e forte o suficiente para me fazer cambalear para trás, quase caindo. — Maldita riquinha mimada! Você vai me pagar! Encolho-me com suas palavras. Antes que Jimmy chegue perto o suficiente de mim, avisto um vulto sobre ele que o arremessa contra uma mesa próxima. A mesma se espatifa com o impacto do seu peso. — Você não vai tocar sequer em um único fio de cabelo dela! Ou vai se ver comigo! Compreendeu? — a voz rouca sentenciou. Meu Deus! Rapidamente, constato que é Apollo. Ele vai em direção ao Jimmy com fúria nos olhos e o levanta pelo colarinho da camisa como se o mesmo não pesasse absolutamente nada. Os dois se encaram. Jimmy está com a expressão aterrorizada. Toda sua pose de durão desaparece como poeira no ar e sua palidez demonstra que ele não é tão valentão quando encontra um adversário à altura. — Nunca mais chegará perto da Kristen! Ou, então, irei aniquilar você! — Apollo lhe desfere um murro. O nariz de Jimmy começa a sangrar abundantemente com o golpe e ele começa a gemer de dor. — Porra! Você quebrou o meu nariz! — resmungou. Toda a sua valentia se dissipou e suas lamentações se assimilaram ao de um bebê chorão. — Vou te quebrar muito mais, seu filho da puta, por ter ousado tocar em Kristen com essas mãos imundas! — Apollo rosnou enfurecido, desferindo outro murro. Dessa vez, atingiu o olho esquerdo. Jimmy geme de dor enquanto o grego inicia uma série de golpes, fazendo-o rogar por clemência. Ele não é páreo para a força de Apollo. Imediatamente, eu intervenho, senão Jimmy será morto. — Por favor, Apollo! Solte ele! — Ele me fita sem acreditar no meu pedido. Eu logo explico. — Jimmy não merece que você suje suas mãos nele. — Aproximo-me e seguro em seu braço para tentar impedi-lo de continuar com as agressões. A cara do meu ex-noivo já está bem inchada pelos socos que levou e sua camisa, que é de cor amarelo-claro, está suja com algumas gotas de sangue. Apollo o solta no chão, ainda arfando ruidosamente. Seus punhos continuam cerrados, prontos para recomeçarem outro ataque implacável. Peço para que Jimmy se retire do local. Antes de sair, ele olha em nossa direção com animosidade. Em seguida, sinto os braços calorosos do grego me envolverem e me transmitirem o seu calor. — Você está bem, Kristen? Aquele bastardo te causou algum dano? — questionou preocupado. Neste instante, meu corpo todo está tremendo pela adrenalina que acabei de vivenciar. Logo começo a fungar e caio em um choro angustiado. Apollo me abraça mais fortemente e me faz uma leve carícia nos cabelos. — Calma, mikró mou (minha pequena)! — pediu na tentativa de me consolar. Sem pressa, ele avalia o meu rosto e limpa as lágrimas que, teimosamente, insistem em cair. Então acaricia o local do tapa que Jimmy me acertou. — Filho da puta! — blasfemou. — Eu vou acabar com a raça daquele desgraçado. — Já está pronto para ir atrás dele novamente, mas eu o impeço. — Não, Apollo! Por favor, não me deixe sozinha! — murmurei debilmente, agarrando-me ainda mais ao seu corpo sólido como se fosse um bote salva-vidas. Aspiro seu cheiro masculino que tanto me inebria. O aroma amadeirado está misturado ao de sua essência natural. — Pensei que já tivesse retornado à Grécia. — Irei retornar ainda hoje. Mas antes, eu necessitava ver como você estava, agápi. E cheguei a tempo de ver aquele filho da puta lhe agredindo. — Trinca os dentes. Meu coração se aperta com a menção de ele ir embora. Esse sentimento é tão contraditório. Não posso abrigar nenhuma emoção romântica daquele final de semana na praia. Tento me convencer constantemente de que foi somente sexo. Apenas isso. Tenho certeza de que se eu começasse a nutrir sentimentos por Apollo, ele me devastaria muito mais do que o Jimmy, pois meperderia nele e não saberia como retornar à superfície. Seria como navegar em um mar revolto sem uma bússola, sem rumo certo. Estaria completamente à deriva. — Tudo bem, Apollo. Acabou. Desfiz o noivado. Por sorte, ainda não tínhamos anunciado nenhuma data para o casamento. Se tivesse vazado na mídia, seria um escândalo. — quando falei a palavra “casamento”, percebi ele tencionando o corpo. Logo se recompõe. — Foi a melhor decisão, agápi. — Começa a distribuir pequenos beijos pelo meu rosto, seduzindo-me com seu charme grego. De bom grado, estou prestes a ceder à sua tentação máscula e aos seus tentadores olhos escuros, mas me recordo a tempo do nosso trato e o impeço de prosseguir o seu ataque sensual. — Apollo, alguém pode chegar. — sussurrei sôfrega. — E o nosso acordo já se encerrou. Ele se afasta de mim de forma brusca e eu sinto falta do seu calor. Passa uma mão pelos cabelos, desalinhando-os, e tenta recuperar a compostura. — Theós! Tem toda a razão, agápi. Não podemos. Em breve terei que retornar à Grécia. O que aconteceu entre nós, vai ficar somente como uma doce lembrança. Mesmo que tenha lógica o que ele disse, fico irritada e incomodada com suas palavras. Não é isso que eu queria? Oh, Deus! Estou tão confusa com meus sentimentos. — Claro. Somente um momento promíscuo que tivemos. — tais palavras ásperas saltaram da minha boca tentando me convencer. Apollo me olha como se não tivesse me compreendido bem. — Sim. Apenas um fim de semana regado a muito sexo e luxúria. — sem pressa, confirmou, deixando-me ainda mais devastada. Antes que eu tenha tempo para iniciar outra discussão, Bethany chega ao ateliê. E Apollo, depois de se certificar pela milésima vez se eu estou bem, vai embora, deixando a sensação de uma terrível lacuna no meu coração. CAPÍTULO 14 APOLLO AMAZZOTTY Um mês depois Contemplo, através da janela do meu escritório, o azul intenso do mar Jônico, onde está localizado uma de minhas mansões na Grécia, na ilha de Corfu. Seria um belo panorama a ser admirado se não fossem pelos assombrosos pensamentos desconexos de uma certa americana que vem tirando o meu sossego. Desde que cheguei, há um mês, de viagem dos Estados Unidos da América, minha vida não tem sido a mesma. Minhas noites são tumultuadas por lindos olhos verdes. Na maioria das vezes, acordo com o pau duro como granito, com um tesão insuportável. E quando a busco pela cama, somente encontro o maldito vazio entre os lençóis. Estou sem uma amante fixa, já que acabei rompendo o acordo com a Anélia, uma bela búlgara sedutora. Tento me convencer de que o meu pretexto para ter encerrado o contrato foi exclusivamente porque o nosso prazo já tinha se alongado tempo demais. Ela durou mais que as outras. De alguma maneira, não estava me despertando o mesmo ardor de antes. Faltam apenas alguns meses para o meu casamento com a linda herdeira Eleni, que é de uma família tradicional grega. Nossa união será baseada em um acordo de negócios. Não é como se eu estivesse apaixonado por ela ou algo do gênero. Esse é um tipo de sentimento para os tolos. Nunca estive perto de sentir uma emoção como essa por nenhuma mulher e pretendo me manter assim. É claro que minha empresa no ramo da marinha mercante no transporte de cargas não exige nenhuma fusão ou algo similar. Minha fortuna é sólida devido à minha mente astuta para os negócios e a diversificação em alguns investimentos bem aplicados e rentáveis que adquiri ao redor do mundo. Sou um bilionário pelos meus próprios méritos e me casarei somente porque assim sempre foi o esperado entre as duas famílias. Além disso, é o meu desejo. Prefiro um casamento arranjado e previsível que não me trará grandes surpresas. Ainda poderei continuar com minha liberdade e devassidão. Entretanto, sinto que, de algum modo, aquele fim de semana com a Kristen mudou algo dentro de mim. Se antes eu a desejava na proporção de mil, depois de degustar o seu sabor incomparável e de provar do seu calor incandescente, desejo-a na proporção de 1 milhão. Como uma simples ninfeta pode ter afetado os meus neurônios a esse ponto? Condeno veementemente esses pensamentos desconexos. O único lugar que Kristen poderia ter na minha vida, seria o de amante, e isso, ela não aceitaria. Disso, tenho plena concepção. E de modo nenhum, será por causa de uma simples garota que eu irei mudar meus planos. Aqueles momentos ardorosos em que a tive em minha cama, foram as melhores fodas da minha vida. Devo reconhecer. Uma doce virgem intocada. Porém, foi apenas isso: uma noite prazerosa com a mulher que vem atormentando o meu subconsciente desde o primeiro instante em que pus os meus olhos nela. Contudo, depois de ter degustado os seus doces encantos, tenho certeza que essa maldita obsessão cessará. Em breve, não existirá absolutamente nada. Vou em direção à mesa do meu escritório e pego o porta-retratos que está sobre ela. Analiso as feições delicadas que me deixam fascinados: as duas pedras verdes como esmeraldas que são minha perdição. Maldição! Não devo pensar nela dessa maneira. Com impaciência, guardo o porta-retratos na gaveta da escrivaninha e passo as mãos pelos meus cabelos, bufando. Nas minhas ligações de negócios para Josh, sempre procuro informações sobre a Kristen sem ser muito direto e invasivo. Quando ele me contou que ela rompeu o noivado, estava irradiando felicidade. Demonstrei surpresa e sugeri que a contratasse um segurança. Meu amigo acatou de bom grado a sugestão. Não quero aquele filho da puta do Jimmy atrás dela. Apenas por imaginar uma situação como essa, meu sangue ferve de ódio. Não contei ao Josh o que houve no ateliê para não o deixar preocupado. Além disso, eu teria que ter explicado minha presença lá. A verdade é que eu já tinha deixado uma equipe de segurança exclusivamente para garantir o bem-estar dela. Sento-me na minha poltrona e pego meu recente projeto: um esboço de um luxuoso iate. Uma das paixões que herdei do meu avô materno. Nunca deixei de seguir essa paixão, mesmo depois que assumi o controle dos negócios da família. A parte mais prazerosa do meu trabalho é quando estou com a cara metida nos meus esboços. Um sorriso surge no canto dos meus lábios ao me recordar que essa é mais uma das coisas que Kristen e eu temos em comum. Então, sei perfeitamente o que ela sente quando dá vida às suas criações. É extremamente talentosa. O sorriso morre em meus lábios quando percebo onde esses pensamentos estão me levando. Porra! Até mesmo quando eu estou com os meus projetos? Que estranho feitiço aquela garota me lançou? Ela, por acaso, é um ser mitológico? Uma sereia encantadora de homens, disfarçada entre os meros mortais? Sou tirado dos meus pensamentos turbulentos quando ouço uma leve batida na porta. Guardo o meu projeto e autorizo a entrada. Constato que é a mamá. — Apollo, querido! Como está? Já que não visita mais a sua mamá, decidi vir ver como está o meu filho. — repreendeu-me. Faz somente uma semana que eu não vou visitá-la em sua mansão. Ela ainda é uma mulher bem conservada no auge dos seus 55 anos. Mora em sua própria mansão, em Corfu, somente há alguns quilômetros daqui. Minha irmã Sabrina vive com ela. É uma garota inteligente e doce com seus 18 anos. Depois da morte do patriarca da família há 3 anos, as duas ficaram mais reclusas na ilha e não quiseram retornar à mansão principal em Atenas. Alexandre Amazzotty foi vítima de um acidente de carro enquanto estava aproveitando um fim de semana regado de luxúria com sua atual amante do momento. Contraio minhas feições em puro escárnio ao relembrar. Por isso desejo ainda mais me casar. Tal acordo será perfeito para mim. Desse modo, estarei com o coração blindado além de realizar o sonho de dois amigos de infância: ligar as duas famílias por meio da união dos seus filhos. Panpolos Kokkinos era um amigo de infância do meu pai e, também, albergava o mesmo sonho de unir as duas famílias mais tradicionais da Grécia: a Amazzotty e a Kokkinos. O pai da Eleni não fez bons investimentos nos negócios e, com isso,levou a fortuna da tradicional família à bancarrota. Hoje são aristocratas falidos. A única solução para eles é a fusão das duas empresas. Mesmo que para mim não gere lucro algum, somente mais um gasto desnecessário, eles dependem dessa junção para continuarem no meio da alta elite Grega. Na empresa de Panpolos existem somente divididas, e os chacais dos negócios apenas não degolaram ainda por causa da promessa do acordo. — Não seja dramática, mamá! — Vou até ela e lhe dou um beijo na bochecha. — Sente-se! — Indico o local enquanto me posiciono na minha poltrona. — Eu falei com a senhora ainda hoje pela manhã, quando me assegurou de que estava tudo bem. — Franzo o cenho. — Aconteceu algo com a Sabrina? — Oh! Não, querido. Está tudo em perfeita ordem. Sabrina está perfeitamente bem, estudando bastante, já que em breve iniciará o período de provas. Só me preocupa a sua desconcentração. Naquele dia que jantou lá em casa, estava deveras distraído, como se estivesse com a cabeça longe. Antes que eu possa lhe responder algo, ouço uma leve batida na porta. Autorizo a entrada e percebo que é Agnes, a governanta da casa. Ela é uma funcionária muito eficiente. Nem precisei solicitar o café para vê-la atender prontamente. — Licença, senhor Amazzotty! Senhora! — cumprimentou-nos. — Trouxe um cafezinho grego, como vocês apreciam. — Com um sorriso caloroso, serve a nós. — Obrigado, Agnes! — agradeci. — Obrigada, querida! — minha mãe disse prontamente. — Licença! — Retira-se. Degusto o meu café sob o olhar atento de mamá enquanto ela beberica o seu. Em seguida, questiona-me: — Então, Apollo... Querido, vai me falar sobre o motivo da sua distração? Está pensando em seu casamento com a Eleni? Suspiro pesaroso por ela ter mencionado o meu futuro casamento. Não existe nenhuma dúvida a respeito desse assunto. — Não. Não é por isso. — desconversei. — Já está tudo organizado praticamente. É o que é esperado. Irei cumprir com o acordo. — Filho, consegue ouvir o que está falando? Parece que está indo à forca. — Analisa a minha fisionomia enquanto eu suspiro ruidosamente, tamborilando os dedos sobre a mesa de carvalho. — É evidente que tem dúvidas em relação a esse matrimônio. — afirmou. — Sabe perfeitamente que eu sempre fui contra esse trato. Seu pai está morto, portanto não precisa cumprir com algo que não deseja. Sabe que esse acordo é vantajoso apenas para a família Kokkinos. Para a nossa, não terá nenhuma vantagem. Se estivesse apaixonado por Eleni, tudo bem. Eu estaria plenamente de acordo. Entretanto, vejo como vocês se olham. É como se fossem dois estranhos, Apollo. Não existe amor algum entre ambos. — Eleni é perfeitamente o tipo de esposa que eu quero, mamá. — defendi, tentando me certificar da minha afirmativa. — Perfeita para você, filho? Duvido muito. Eleni é tão esnobe quanto a mãe. Eu me preocupo com a sua felicidade, Apollo. Creio que pode encontrar uma boa garota e se apaixonar. Um sorriso carregado de escárnio estampa os meus lábios. Mamá, como sempre, é uma romântica incurável. Mesmo tendo sofrido em um casamento repleto de traições, ainda se apega ao romantismo. Isso nunca irá acontecer comigo. Será muito mais prático entrar em um casamento de contrato, onde ambas as partes não esperam nada um do outro. A frieza de Eleni me agrada. A expressão de mamá logo muda para uma analítica. É como se tivesse descoberto algo. — Você voltou estranho desde a sua última viagem dos Estados Unidos. Por acaso, encontrou alguma garota por lá que está fazendo você rever os seus conceitos errôneos sobre o amor, Apollo? Alguma americana fisgou o seu coração? Solto uma sonora gargalhada com a ideia desproporcional das suas indagações. — Isso nunca aconteceria, mamá. Não acredito nesse tipo de amor à primeira vista. Eu nunca irei me apaixonar. Prefiro um casamento baseado em lógicas. Esse acordo com a Eleni será bastante útil. — Tem certeza? Sabe perfeitamente que eu nunca apoiei a ideologia do seu pai de fundir as duas empresas somente porque ele era amigo de Panpolos Kokkinos. Ainda dá tempo de desistir desse casamento, filho. Quem sabe encontre uma mulher que te faça mudar de ideia? — Está dizendo isso apenas porque não gosta da minha noiva e minha futura sogra? Ela faz uma cara de descontentamento. — Não. Estou dizendo isso porque eu o amo, meu filho, e sei que não será feliz com a Eleni. E somente para constar, naí (sim): eu acho aquelas duas esnobes e prepotentes. Mas estou unicamente pensando em sua felicidade. — Mamá, não precisa se preocupar. Eu sei o que faço. Estou preparado para seguir em frente com o meu casamento com a Eleni. — Você é cabeça-dura como o seu pai. — advertiu-me. Seu olhar terno recai sobre mim. — Não deixe as escolhas do seu pai interferirem na sua vida, Apollo! Você não é como ele. — disse preocupada. — Ele não está mais aqui. Realmente, eu o amei muito e nunca fui correspondida, no entanto não o culpo por isso. Nosso casamento foi somente um acordo. Acredito que a culpa foi minha por ter quebrado o nosso contrato. De qualquer maneira, fui feliz do meu modo. — Dá um sorriso fraco. — Não se preocupe, mamá! Meu casamento será nesses termos. Conheço bem a Eleni. Ela é uma mulher de temperamento frio. Por esse motivo, acho pouco provável que desencadeie pensamentos românticos acerca da nossa relação; principalmente porque conhece o meu estilo de vida. Caso não dance conforme as regras, irá sair desse casamento sem absolutamente nada. Creio que não irá correr esse risco. — afirmei seguro. Conheço a grande ambição de Eleni por dinheiro e prestígio social. — Ok. Se você está dizendo, não vou mais insistir nesse assunto. — falou cética. — Obrigado, mamá. — agradeci sem me estender mais no assunto. Ela me lança um olhar de insatisfação, contudo não questiona mais o assunto, nem a minha decisão. Aproveita a ocasião para almoçar comigo, na mansão, antes de retornar à sua. Passo a tarde na empresa, em uma reunião entediante com um dos fornecedores. Embora eu esteja bem distraído, ela é bastante proveitosa. Mais tarde, quando retorno da empresa, recebo uma ligação de Eleni. Inferno! O que ela pode querer dessa vez? Sabe que odeio quando ficam no meu pé. — Alô. — atendi no automático. — Apollo, querido! — sua voz fina e irritante sibilou do outro lado. — Precisamos nos encontrar para decidirmos a data do casamento. São tantos preparativos que minha mamá está me deixando louca. — Solta um risinho insuportável. — É necessário escolher a data, os sabores do bolo, os convites, a lista de convidados, o local da festa... Theós! — Suspira. — Eu estava pensando que pode ser em Santorini. O que acha? Ela parece um papagaio. Soltou tudo em uma só tomada. Inferno! E eu lá entendo dessas coisas? Dei carta branca a ela, então não sei o motivo pelo qual está me amolando com essa conversa ridícula. — Faça como achar melhor, Eleni! — pedi querendo dar por encerrada a ligação. — Obrigada, querido! Até já encomendei o meu vestido de noiva. Estou aguardando a entrega. Aproveitei aquela última viagem que fiz à Califórnia para renovar o meu novo guarda-roupa com as últimas tendências da moda. Será uma surpresa quando você o ver. Ele é maravilhoso, bastante suntuoso e com algumas pedras preciosas; digno da realeza. Está sendo feito por uma estilista nova no mercado, mas que tem um futuro promissor pela frente. Ela vem de uma família rica. É claro que eu nunca faria com uma pobretona. — Solta uma risada irritante. Logo sua voz passa para uma melancólica. — Porém, necessito de mais dinheiro. Você é bastante generoso, querido, e eu lhe agradeço, mas tenho que pagar o vestido de noiva, escolher o buffet de casamento, o salão para festas... E... Oh! São tantas coisas! — lamentou. Tão previsível a minha noivinha. Tanto rodeio para me pedir mais dinheiro. Prefiro assim. Pelo menos, não existirá surpresas em nosso matrimônio. — Não se preocupe! Irei transferir agora mesmo para a sua conta uma generosa quantia. — falei secamente. Ouço o seu gritinho de euforia. É tão fácil agradá-la. —Oh, querido! Você é maravilhoso! Mais tarde passarei por aí. — sussurrou. Essa ideia não me anima nenhum pouco. CAPÍTULO 15 KRISTEN COURTNEY Esse já é o quarto dia consecutivo que sou acometida por uma forte crise de enjoos no ateliê. Corro até o banheiro do estúdio, debruço-me sobre o vaso sanitário e coloco todo o meu café da manhã para fora. Respiro fundo, tentando conter a intensa ânsia, mas meu estado apenas piora e o fluxo de vômito vem mais forte. Depois que, finalmente, percebo que cessou o desequilíbrio estomacal, dou descarga no vaso sanitário, vou até a pia, lavo a minha boca e escovo os dentes para tirar o gosto amargo. Atento-me à minha expressão no espelho do armário e me assusto com o que vejo. Meu rosto demonstra palidez e um abatimento considerável. Minha fisionomia, ao todo, parece apática. Céus! O que está acontecendo comigo? Dias após àquele fim de semana inconsequente na praia, fui acometida por uma forte virose na garganta. Precisei tomar fortes antibióticos para combater o problema de saúde. Creio que foi por causa da brusca mudança de temperatura. Agora tem essa crise de náuseas todas as manhãs que me deixa letárgica e fadigada por boa parte do dia. Lavo o meu rosto e o seco com papel toalha. Minha expressão continua horrível. Estou com fortes olheiras ao redor dos olhos que indicam que eu não tenho conseguido dormir direito. Além disso, venho acordando sonolenta e cansada ultimamente. Assim que me recupero um pouco, deixo o banheiro e retorno ao estúdio de criação. Encontro uma Bethany completamente embasbacada com o que aconteceu. Ela me fita bastante preocupada. — Kristen, está doente? Essas crises de enjoos não são normais. — Eu estou bem agora. Não se preocupe! Ficarei melhor no decorrer do dia. — Tento demonstrar segurança. Para tranquilizá-la, forço um sorriso amarelo. Pela sua aparência cética, sei que não a convenci. — Primeiro foi o café. O capuccino que você adorava tomar todas as manhãs, de uma hora para outra, abusou dele e não quer nem mesmo vê-lo em sua frente. Hoje foi o cheiro do meu perfume, que está forte demais e te provoca náuseas. — Deve ser outra virose. Ela examina minhas feições com minúcia, como se buscasse alguma resposta. — E se não for uma simples virose, Kristen? Um gelo sobe pela minha espinha. Meu Deus! Pode ser alguma doença mais grave. Como não pensei nessa possibilidade antes? A minha última bateria de exames foi há um ano, e estava tudo ok. — Acha que pode ser algo mais grave? — perguntei apreensiva. Minhas mãos já estão completamente suadas apenas por eu imaginar essa alternativa. Ela logo me olha espantada por causa da minha pergunta. — Não, Kristen. Claro que não. Não foi bem isso que eu imaginei. Vejamos! Há um mês, você teve um final de semana imprudente e tórrido, regado a muito sexo com seu grego gostoso. — Ele não é meu grego. — enfatizei impaciente. Ela revira os olhos, não acreditando muito no que falei. — A cada cinco palavras que você fala, três são “Apollo Amazzotty”. Você nem mesmo se lamentou pelo fim do seu noivado com Jimmy. Como imaginei, você nunca o amou. — assegurou. — Claro que eu o amava. — tentei parecer eloquente, mas a verdade é que a lembrança de Jimmy fica cada vez mais rara na minha mente. A mesma está sendo tomada pelas recordações de um certo grego arrogante, metido e deliciosamente libertino. Ele está me deixando... confusa. Essa é a palavra exata. Não sei definir o tornado de sentimentos que esse homem me aviva. — Você está se ouvindo, Kristen? — perguntou incrédula. — Creio que tudo não passou de orgulho ferido por Jimmy ter lhe feito de boba, mas amá- lo? Ah! Isso, tenho certeza que nunca aconteceu. Nunca vi seu rosto tão radiante como nestes últimos dias. Claro... Exceto esta semana, já que está mais pálida. Eu já lhe contei quase tudo o que houve naquela fatídica noite em que flagrei o Jimmy me traindo. Apenas lhe omiti alguns detalhes desnecessários, como a proposta inconsequente que fiz à Apollo de apenas uma noite de prazer que se estendeu por um fim de semana inteiro. Sou tirada dos meus pensamentos com a sua próxima pergunta impactante. — Já pensou que pode não ser outra simples virose, Kristen? — Logo lança a bomba. — Você pode estar grávida. — frisou. Imediatamente, meu rosto fica branco como algodão e uma sensação de vertigem me assola. Busco me sentar em uma cadeira próxima, inspiro e solto o ar lentamente, tentando me acalmar. Meu Deus! Isso não pode acontecer. É praticamente impossível. Eu estava, teoricamente, protegida, e depois, Apollo usou preservativo em todas as nossas relações sexuais. — N... Não — murmurei gaguejando. — Não creio. É praticamente impossível. Eu estava protegida e nós usamos preservativos. Bethany me olha como se eu fosse alguma ingênua da época medieval que acredita que os bebês são entregues por cegonhas — Sim, Kristen. Mas, raciocine! Assim que você voltou da praia, foi acometida por uma infecção na garganta e teve que tomar antibióticos fortíssimos. Não sei se sabe, mas isso reduz a eficácia dos anticoncepcionais. E outra: para ter eficácia, não pode falhar nenhum dia. Solto um riso nervoso e engulo em seco, pois nos dois dias que eu estive na praia, não tomei os comprimidos. Mas é certo que eles me protegeriam por algum tempo, não? Neste instante, eu me sinto realmente uma ignorante. — Pela sua expressão, presumo que achou alguma falha nesse método. — ela comentou. — Oh, Bethany! O que farei? Pode existir uma pequena possibilidade. — Em seguida, sou acometida por uma crise de choro. Sinto-me extremamente sensível, além do normal. — Amiga, não fique assim! Se você estiver realmente grávida, não concebeu essa criança sozinha. Tem que contar para o Apollo. Ele vai te apoiar. Continuo fungando baixinho. Essa possibilidade é ínfima. Como eu diria para um libertino como o Apollo que a noite promíscua que tivemos, gerou frutos? — Não! — falei amargurada. — Ele não pode saber de nada. A culpa foi minha. Eu quem insisti que seria seguro. Apollo não queria continuar porque não tinha preservativo e eu o incentivei a prosseguir. — Não, Kristen! Não pode se culpar. Os dois têm a mesma responsabilidade. Foi decisão dele meter o pau em você sem estar devidamente encapado. — argumentou de forma crua. Minha boca se abre e se fecha rapidamente com o seu comentário indecoroso. — Bethany! — repreendi. — O quê? Não falei nada demais. Apenas usei um termo mais vulgar. Ah! Não seja careta, Kristen! Vai dizer que quando estava trepando com o seu deus grego, vocês não falaram algumas obscenidades? — Dá de ombros enquanto eu coro ao me lembrar de algumas indecências que Apollo não apenas falou, mas realizou comigo. — Veja só! Está vermelha como um tomate. Agora está até menos pálida. Uhhh! Aposto que está imaginando o que fizeram naquele final de semana. — Céus, Bethany! — exclamei. — Claro que não estou pensando nele. Estou pensando o que um fim de semana inconsequente pode me trazer. — Arfo desanimada. — Kristen, não adianta sofrer antecipadamente. Vamos fazer assim: aqui perto tem uma farmácia. Eu vou lá comprar alguns testes de gravidez e volto rapidinho. Concordo de forma mecânica e a agradeço. Antes de sair, Bethany me prepara um chá, e depois de comprovar que, realmente, eu estou bem, sai em direção à farmácia. Ainda estou nocauteada com essa possibilidade. O embrulho no estômago já diminuiu um pouco. Se papai souber que, mais uma vez, eu o decepcionei, terá um infarto por minha causa. Deus! Estou angustiada. Quando lhe informei que desfiz o noivado com o Jimmy, ele ficou radiante de felicidade. Nunca foi com a cara do meu ex-noivo e sempre achou que ele não era um bom partido para mim. Considerava-o um bon- vivant sem responsabilidade alguma que estava comigo apenas por eu ser uma herdeira. Dói ter que reconhecer que ele estava certo. Fui uma estúpida por confiar em Jimmy. Depois daquele dia, da nossa discussão no ateliê, tentou entrar em contato comigo outras vezes. Sempre ligava para o meu celular. Nunca atendinenhuma ligação e foi até necessário eu trocar o chip. Quando meu pai soube que ele continuava me importunando por ligações e tentativas de ir à mansão, colocou um motorista à minha disposição e um segurança na minha cola. Ou seja, não saio sozinha mais para lugar algum. Faço uma breve contagem na minha cabeça e percebo que minha menstruação está atrasada. Céus! Meu estado de nervos piora mais ainda quando constato novos elementos que me levam a crer na probabilidade mais concreta de uma gravidez não planejada. Começo a andar de um lado ao outro da sala, roendo minhas unhas. Se Bethany não chegar logo, não terá mais nenhuma delas para contar a história. Passa-se alguns minutos que mais parecem uma eternidade, então ouço a porta se abrir. — Está aqui, Kristen. — Entrega-me um saquinho de papel. Minhas mãos estão trêmulas e frias. — Calma! Sabe como usar isso? — Aponta para o teste. Eu balanço a cabeça de forma afirmativa. Nunca tive a necessidade de recorrer a um desses, mas creio que não seja tão difícil. Sigo para o banheiro, leio as instruções da embalagem e faço o procedimento como está descrito: colho um pouco de urina em um depósito, coloco a tira de teste no recipiente e aguardo os minutos indicados. Minha testa apresenta leves gotículas de suor por conta da apreensão em que me encontro. Assim que passam os minutos estipulados, fixo meu olhar na tira que aponta que eu estou grávida. Parece que meu mundo acabou de desmoronar sob os meus pés. Meu olhar recai para o meu abdômen, sobre a camiseta, e eu passo uma mão levemente pela estrutura ainda plana. Não se nota nenhum indício de gravidez. É difícil acreditar que aqui dentro já existe um embriãozinho. É evidente que eu desejava ser mãe em algum dia da minha vida, porém quando estivesse com minha carreira estabilizada e dentro de uma união estável. Não planejava uma gravidez como resultado de um fim de semana de luxúria guiado pelo sentimento de humilhação e degradação por ter descoberto a traição do meu ex-noivo. Solto uma risada sem humor algum, tentando me convencer desse fato. A verdade é que eu não sofri por Jimmy, apesar de ter me sentido enganada e tola. Foi minha primeira aventura sexual e eu já estou colhendo as consequências. Sou tirada dos meus pensamentos conflitantes quando Bethany bate na porta e pergunta se está tudo bem. Molho um pouco o rosto para tentar recuperar uma boa aparência. Quando saio, vejo ela apreensiva, aguardando a minha resposta. — E então, Kristen? — Estou grávida. — afirmei sem rodeio. É como se eu estivesse anestesiada com a notícia ainda. Ela me abraça, tentando me transmitir tranquilidade. — Vai ficar tudo bem, Kristen. — Espero que sim. Só estou digerindo a informação ainda. Minhas emoções continuam abaladas pela recente descoberta, no entanto o choque maior já passou. Preciso achar um modo de levar essa gravidez. Minhas atitudes tiveram consequências e eu irei arcar com elas. CAPÍTULO 16 KRISTEN COURTNEY Duas semanas depois Minhas mãos seguram fortemente a poltrona do avião enquanto ele faz um pouso seguro no aeroporto internacional Ioannis Kapodistrias, em Corfu, na Grécia. A paisagem ao redor é belíssima para contemplar. A pista de aterrissagem fica próxima ao mar Jônico, fazendo uma bela figura turística. Se não fosse pelo meu estado de nervosismo, eu apreciaria mais a vista. O vestido da senhorita Kokkinos já foi despachado na semana anterior e eu vim pessoalmente conferir os últimos ajustes. Bethany insistiu para vir em meu lugar, mas eu fui incisiva. A minha gravidez transcorre perfeitamente bem, segundo minha médica ginecologista, a doutora Madelyn Smith. Iniciei meu pré-natal há uma semana, e depois das orientações dela, melhorei consideravelmente dos constantes enjoos com algumas dicas simples. Além disso, realizei uma bateria de exames que constaram que minhas taxas estavam com valores normais. Ela só me recomendou a ingestão de algumas vitaminas e uma alimentação equilibrada, saudável. Quando comuniquei ao meu pai sobre a gravidez, percebi que ele ficou desapontado com a minha atitude. Notei na sua expressão o quão desgostoso ficou. Isso me estilhaçou por dentro. Ele queria ir atrás de Jimmy e acabar com a raça dele. No entanto, quando eu lhe disse que Jimmy não é o pai, pude perceber mais um choque perpassar pelo seu rosto. Seu semblante demonstrava tristeza. Eu sempre fui uma filha exemplar, mesmo que não tenha seguido seus passos na empresa. Quis sair de casa e alugar um apartamento, contudo ele não permitiu. Reiterou que me apoiaria e que não era assim que imaginava a chegada do seu primeiro neto, mas, ainda assim, não me julgaria e me daria seu suporte. Eu chorei muito e ele me consolou, dizendo que tudo ficaria bem. Ainda insistiu para saber quem é o pai. Fui irredutível em lhe omitir esse detalhe. Tenho certeza de que se soubesse que é o Apollo, iria caçá-lo como um louco por ter mexido com a filhinha dele. — Está bem, moça? — uma jovem em uma poltrona próxima à minha questionou, trazendo-me de volta à realidade. — O avião já aterrizou e você continua aí, parada. Parece que está em choque. — Está tudo bem sim. Obrigada! Eu estava pensativa apenas. Tudo está perfeitamente bem. — Preparo-me para me retirar. Sigo o fluxo dos demais passageiros e tenho todo o cuidado com os preciosos apetrechos que trago em uma caixa, dentro de uma sacola grande. Terei que fazer os retoques finais do traje na senhorita Kokkinos. Ela fez questão de que eu viesse ajustar os últimos detalhes. Já reservei um quarto em um hotel próximo de onde ela me informou que é a sua residência. A senhorita Eleni insistiu para que eu ficasse com sua família na mansão Kokkinos, mas eu declinei do convite. Tenho certeza de que não suportaria ficar com aquela família esnobe. Apenas desejo finalizar esse trabalho o mais breve possível e retornar para San Diego. Depois de passar pela burocracia do aeroporto e pegar minha bagagem, sigo para a saída e pego um táxi. Informo o hotel onde ficarei hospedada. O Grecotel Corfu Imperial fica a 14 quilômetros daqui apenas. Eu o escolhi exatamente pela praticidade oferecida. Aprecio a paisagem da ilha grega enquanto o táxi desliza pelas ruas de Corfu em direção ao meu destino. Mesmo estando na Grécia, acredito que a possibilidade de me encontrar com Apollo seja quase nula. Não nego que estou um pouco eufórica por essa viagem, mas tento me convencer de que é somente pelo fato de concluir com êxito mais um trabalho. E prefiro assim. É claro que, dificilmente, ele moraria em uma ilha. Na verdade, não sei quase nada da sua vida particular, além de que é um magnata grego que coleciona várias amantes ao redor do mundo. Pelo menos é isso que leio nas principais manchetes de tabloides de fofoca. Todavia, com a vida libertina que leva, creio que deve morar na capital, Atenas, ou quem sabe, pode estar em mais uma de suas viagens devassas ao redor do mundo com alguma de suas amantes. Fico bastante irritada com esses pensamentos. Quando o motorista me deixa na entrada do hotel, eu pago a corrida e me dirijo até a recepção para terminar de preencher os dados que faltam. Antes que eu chegue lá, deparo-me com um hóspede no lobby do hotel aparentemente bem ousado. Ele está praticamente me despindo com seu olhar escuro enquanto eu caminho. Céus! Será que todos os gregos são pervertidos? Não lhe dou atenção e continuo seguindo até o balcão da recepção. A recepcionista me atende atenciosamente, e depois de me registrar, passa o cartão do quarto para mim e me entrega um panfleto com informações, guia e principais pontos turísticos que a cidade oferece. Aceito, agradeço-a e me retiro do local. Guardo-o na bolsa já sabendo que não vou utilizá-lo, pois não estou aqui a turismo, somente a trabalho. Acomodo-me no quarto e guardo os poucos pertences que trouxe comigo. Em seguida, vou até a sacada para apreciar a vista magnífica. O resort é maravilhoso. Resolvo tomar um banho relaxante de banheira. Depois, visto uma roupa suave e confortável. Solicito algo leve para comerno quarto. Logo aprecio um delicioso prato típico grego. Pedi uma moussaka. É à base de batata e berinjela, com carne de textura suave e rica em sabor. Meu paladar está maravilhado com essa delícia. Depois ligo para casa a fim de saber como está por lá. Também ligo para a senhorita Kokkinos e confirmo o horário da prova do vestido na manhã seguinte. Depois disso, apenas me deito na confortável cama e aprecio a maciez do colchão. Instantaneamente, como uma pluma, durmo suavemente. (...) Na manhã seguinte, depois de tomar um leve café da manhã no hotel, sigo para a ampla mansão Kokkinos, que fica em uma área nobre. No entanto, está um tanto desgastada. A pintura e os amplos jardins parecem que não veem uma reforma e um podador há um bom tempo. A grama está em um estado lastimável, como se não recebesse água há um longo período. Quando chego na entrada, sou recepcionada pela matriarca, a senhora Kokkinos. — Ah! Olá, senhorita Courtney. Seja bem-vinda! — recebeu-me com cordialidade, bem diferente da primeira vez em que nos encontramos. É evidente que agora me trata melhor por ter conhecimento de que eu sou da mesma classe social que ela. — pensei com desdém. Sua atitude é mesquinha e egoísta. — Espero que tenha feito uma excelente viagem. — comentou por educação. Posso perceber que isso não lhe interessa o mínimo. O brilho nos seus olhos indica esse fato. — Sim. Claro. Fiz uma excelente viagem. — Que maravilha! Eleni já deve estar vindo. Aceita um suco ou um café? — Não. Obrigada! Após alguns minutos, a senhorita Kokkinos aparece. É uma bela ruiva de corpo escultural. Pena que é tão superficial quanto a mãe. Ela me leva até uma sala que reservou para a prova do vestido. O cômodo tem dois espelhos amplos. A senhora Kokkinos nos deixa a sós. — Oh! Estou tão ansiosa. Não sabe como esperei por esse momento. — Eleni sibilou. — Deixe-me ver os apetrechos! Fez as mudanças que solicitei? Quero tudo absolutamente perfeito. Será o casamento do século. — sussurrou. Ela parece bastante animada, mas de um jeito diferente, não do modo apaixonado e romântico que já vi em outras noivas. — Sim. Fiz todas as alterações que a senhorita pediu. Posso dizer que ficou lindo. — Perfeito! Quero que todos me vejam deslumbrante. Em breve serei uma das mulheres mais ricas da Grécia. Espero sair estonteante nas fotos para os principais jornais do país. — seu tom de voz saiu frio como o gelo. Gosto de trabalhar na área de moda, onde admiro o sorriso legítimo de felicidade, o brilho de encantamento no olhar das noivas e o contemplar da realização de um sonho, do grande dia. Contudo, o que posso perceber, aparentemente, pela atitude de Eleni, é que seu casamento é exclusivamente baseado em status, sem amor. Não que eu tenha algo a ver com isso. — Tirou a parte pomposa? — questionou. Depois de ter me dado uma trabalheira para fazer a saia do vestido, ela disse que o queria sem, pois as camadas a faziam parecer uma baleia. Falou que gostaria de algo mais revelador e extremamente sexy em um vestido sem camadas, com transparência e muito brilho. — Sim, senhorita Kokkinos. Então... Vamos prová-lo? Ele já se encontra exposto no cabide próprio. Tiro o revestimento que o cobre, revelando a beleza da peça feita em um tecido nobre. — Sim. Quero muito ver como ficou. Eleni vai para trás do provador que foi colocado no cômodo e eu a auxilio no procedimento. O vestido caiu como uma luva nela, evidenciando suas curvas sensuais. Eu a ajudo a se posicionar de frente ao espelho e ela fica deslumbrada com os ricos detalhes da peça. O brilho das pedras preciosas e a renda diferenciada foi confeccionada exclusivamente para esse modelo. — Oh! Ficou esplêndido! — Solta um risinho, satisfeita. — Quero só ver quando o meu noivo me encarar dentro dele. Apollo não vai resistir. Tenho certeza. Quando ela pronunciou esse nome, subiu um frio pela minha coluna vertebral. Logo dissipo meu pensamento insano para bem longe. Quantos Apollos devem existir na Grécia? É evidente que não pode ser o mesmo que conheço. A possibilidade é quase inexistente, já que ele é um libertino. Eu não o imagino casado e amarrado a uma única mulher. Aquele cretino devasso! Aposto que já deve ter arrumado uma amante para esquentar sua cama. Além do mais, não posso imaginá-lo ligado a uma mulher tão esnobe quanto Eleni. Se bem que formariam um lindo casal: senhor Freezer e senhora Elsa, que é mais fria do que um bloco de gelo. — pensei ironicamente. — Sim. Está muito lindo. Vamos tirá-lo agora? Uma leve tontura me toma. Para não cair, seguro-me em uma mesinha próxima e inspiro lentamente, buscando me estabilizar. — Está tudo bem, senhorita Courtney? — Sim. Já estou me recuperando. É normal no meu estado. — Seu estado? Está doente ou algo do tipo? — Não. Estou grávida. — soltei sem pensar — Grávida?! — perguntou espantada, como se eu tivesse acabado de declarar que cometi um assassinato. — Sim. Mas já estou melhor. — Não dou atenção à sua expressão condenatória. — Não tinha conhecimento de que você é casada. — Vasculha alguma aliança na minha mão. — E não sou. Vejo recriminação no seu olhar. — Ah, claro. Eu tinha me esquecido do quanto vocês, americanas, são bem independentes. — sua colocação saiu mais como uma crítica repreensiva. Solto um suspiro, tentando buscar paciência. É só o que me faltava: uma esnobe querendo me dar lição de moral. — Na verdade, eu nem me imagino sendo mãe. Credo! Apenas por pensar em crianças melequentas e pequenos pirralhos correndo de um lado para o outro, sem controle algum, tenho aversão e até alergia. Pior ainda seria estragar o meu lindo corpinho. — Faz uma careta de puro nojo. — Entendo. Creio que a maternidade, realmente, não combine com a senhorita. — Dou por encerrado o assunto. Já recuperada, auxilio ela a retirar o vestido e o coloco na embalagem original. — E o véu? Onde está? — questionou. Eu aponto para uma mesa menor. — Pode guardá-lo para mim? — pediu. — Claro. — Coloco-o na embalagem. Quando percebo, a porta da sala se abre em um rompante e eu tenho um pequeno sobressalto. Antes de me virar, ouço a voz de um timbre potente que abala todas as minhas estruturas. Mesmo que seja em outra língua, conheço essa voz perfeitamente. — Eleni, que matéria ridícula é essa estampada no “Ethnos”? Eu lhe avisei que não queria nenhuma notícia sobre o nosso casamento na mídia. Precisamos conversar os termos do nosso relacionamento, pois você parece ter se esquecido deles. — objetou bastante irritado. Meu coração acaba de se estilhaçar em um bilhão de pedaços. Minhas mãos estão trêmulas e eu tenho receio de me virar e constatar o que já sei. — Apollo, amor, você quase me pegou em meu traje de noiva. Isso não traz sorte. Quem te deixou entrar? Vou matar aquela empregada incompetente. — a senhorita Kokkinos pronunciou em um inglês perfeito. — Deixe de tolice, Eleni! O assunto que tenho para tratar com você é mais sério. Quero que me explique como aquela matéria foi parar naquele periódico. — exigiu em inglês também. Parece não ter notado a minha presença ainda no ambiente. Meu coração bate feito um louco na minha caixa torácica e minha respiração está acelerada. Só queria que um buraco se abrisse abaixo dos meus pés e me absorvesse. Pelo que posso compreender do diálogo agitado, surgiu alguma manchete inoportuna em algum jornal. — Eu não faço a menor ideia, querido. — ela ressaltou dissimulada. Ambos permanecem com o diálogo em inglês. — Não tenho conhecimento algum de como eles obtiveram essas informações. Sabe que os repórteres são como abutres. Sempre arrumam uma fonte para farejarem o que querem descobrir. — Dá um sorriso cínico. Tenho a minha confirmação de que foi exatamente ela quem forneceu o conteúdo da tal reportagem. Meu Deus! Ainda estou em choque por comprovar que o cretino do Apollo é o noivo da senhorita Kokkinos. Ela acabou de chamá-lo de “amor”. Esse libertino desgraçado me fez de idiota, assim como o Jimmy. Tenho vontade de pegar o vaso de flores que está na mesinha à minha frente elançar contra a cabeça desse cafajeste. Como pôde ter sido tão sórdido comigo? Dormiu comigo sendo comprometido com outra? Grego ordinário! Tudo bem. Tento me acalmar. Não estou sendo hipócrita? Eu também era comprometida naquela noite. No entanto, Apollo sabia perfeitamente que depois da cena que eu presenciei, não existia nenhuma possibilidade do meu compromisso com o Jimmy perpetuar. Esse cretino abusado tinha plena ciência do estado emocional em que eu me encontrava e, mesmo assim, usou- me. Esse pervertido é muito pior do que imaginei. Tento me mover para sair o mais breve possível desse ambiente tóxico, mas não consigo, porque uma sensação de fraqueza parece dominar as minhas pernas. Minhas vistas ficam embaçadas e com alguns pontos negros. Instantaneamente, uma forte vertigem me atinge, fazendo-me perder os sentidos. CAPÍTULO 17 KRISTEN COURTNEY Recupero os sentidos aos poucos, porém preferiria não ter retornado e continuar no buraco negro da inconsciência. — Kristen! Acorde! — Ouço a voz apreensiva de Apollo. Abro os olhos lentamente e percebo que estou acomodada em um divã na sala da senhorita esnobe. Noto que Apollo está próximo a mim, dando leves batidinhas no meu rosto. Sua expressão demonstra preocupação e descrença por me ver aqui. Miserável! Ordinário! Minha vontade é de estapear sua face arrogante. Tenho que me controlar para não gritar aos 4 cantos da mansão o quanto ele é libertino e depravado. Que ódio estou sentindo neste momento desse cafajeste pervertido! — Finalmente despertou. — Demonstra alívio. — É melhor chamar um médico. — Não é necessário. — falei entre os dentes, segurando-me para não esmurrar a cara dele, que está apenas há alguns centímetros do meu rosto. Ele me olha e franze o cenho em apreensão. — Creio que se faz necessário. Você desmaiou sem um motivo aparente e... A bruxa gelada retoma a fala. — Ah! Não exagere, querido! A senhorita Courtney está bem agora. Percebe-se. — Analisa-me sem muita empatia. Em seguida, sinto a facada no meu peito com suas palavras ácidas. — E na condição dela, é normal. Ela está grávida. Observo quando o Apollo cruza o seu olhar com o meu. Sua expressão demonstra choque e incredulidade. Percebo sua face um pouco pálida, mas ele não diz nada. Parece estar digerindo a informação e fazendo algumas contagens. Logo se recupera. — Eleni, pode pegar um copo com água e açúcar para a senhorita Courtney, por favor? — Mas, Apollo... — tentou questionar. Ele lhe lança um olhar que não deixa dúvidas de que foi uma ordem. — Ah! Claro, querido. — Abandona o local. Ele, prontamente, levanta-se e passa as mãos impacientes pelos cabelos. Retorna seu olhar negro e intenso sobre mim. — Theós, Kristen! É verdade isso? — Sua aparência demonstra aflição. Eu, que já me sentia um pouco melhor, em um átimo de segundo, fico sem conseguir raciocinar direito sobre as minhas ações. Levanto-me do divã e vou em sua direção. Com toda a força que possuo, estapeio o seu rosto arrogante e belo. Ele tão somente me encara de volta sem dizer absolutamente nada. — Não é da sua maldita conta, seu cretino! Como pôde fazer isso comigo e com sua noiva? Não tem decência? Enganou tanto eu quanto ela. Eu te odeio, seu... Seu... — Falta-me adjetivos baixos neste momento. Meu repertório é grande, porém não posso me esquecer de que Eleni está prestes a retornar a qualquer instante. — E só não vou arrebentar aquele vaso na sua cabeça porque seria muito difícil explicar para a sua noiva. — Aponto para o objeto em questão que está em cima do aparador. — Não é o que você está pensando, agápi. — Vai me dizer que ela não é sua noiva? — Olho-o com incredulidade. — Não é nada oficial. — sibilou. Que ódio desse salafrário! Ele falou como se não fosse nada demais. — Não é nada oficial? — perguntei sarcasticamente. — Você é um canalha, Apollo! Eu te odeio! Observo quando ele trava o maxilar, atento às minhas emoções. Eu estou fervendo de fúria. — Qual o problema, Kristen? Naquele dia, você não parecia muito preocupada se eu era comprometido ou não, apenas queria me dar a boceta. Lembra? Você é gostosa. Que homem não aceitaria? Que cretino asqueroso! Fez eu me sentir ainda mais humilhada, como se fosse uma qualquer. — Não sabe como me arrependo daquela noite. Terei que tomar um banho com potássio para tirar seus toques repulsivos da minha pele. — rebati com ódio, sentindo meus olhos queimarem com a iminência das lágrimas prestes a virem à tona. Sua expressão se fecha. — Não diga tolices, agápi! Sabe perfeitamente que aquela noite foi magnífica. — Agarra-me pelos ombros e me fita fixamente. — Foi a melhor noite de sexo da minha vida. E ambos sabemos que aquele final de semana não extinguiu o fogo do desejo que existe entre nós, apenas o alimentou ainda mais, omorfiá mou (minha bela). — falou lentamente, acariciando a pele morna do meu braço. Um leve formigamento começa a irradiar o meu corpo. Seu rosto está há alguns milímetros do meu. Eu encaro sua boca máscula, almejando sentir outra vez os seus lábios firmes de encontro aos meus. No entanto, rapidamente, repreendo esse pensamento lascivo. Há alguns minutos, eu estava querendo matá-lo, e agora anseio pelos seus beijos? Que tipo de mulher eu sou? Apollo é uma ameaça para a minha sanidade. Antes que minha racionalidade me abandone de vez, coloco as mãos no seu tórax rígido e o empurro. — Quero que saiba que eu te odeio pelo que está me fazendo passar e... — Antes que eu continue, ele me interrompe abruptamente como se eu não tivesse dito absolutamente nada. — Temos que dar um jeito nessa situação. Minha espinha congela. O que ele está sugerindo? Um aborto? Por Deus! Eu não abortaria essa pequena sementinha de dentro de mim. Mesmo que ainda seja um pequeno embriãozinho, ele não tem culpa do fim de semana inconsequente que eu tive. Meu lado materno já está ativado e eu lutarei com unhas e dentes, como uma verdadeira leoa, para defender o meu bebê. — Não farei um aborto. — sibilei decisiva. Ele me olha atônito e arqueia as sobrancelhas. — Theós! Não sugeri isso. — Mas... — tentei argumentar. — Não coloque palavras na minha boca, agápi! — Lança um sorriso de lado. — De um jeito ou de outro, parece que o destino fez a parte dele e nos uniu. — Não faço a menor ideia do que se refere. Isso não é um problema seu. Esse filho não... — Não insulte minha inteligência, omorfiá mou (minha bela)! Eu sei que não é do tipo que sai da cama de um e logo pula em outra. — Ri com deboche. Cretino arrogante! Eu detesto a sua confiança exagerada. — Que inteligência? Deve ser do tamanho de um grão de arroz. E isso ainda é muito para você. E para a sua informação, eu... — Em um átimo de segundo, ele vem em minha direção como um lobo faminto que está prestes a devorar sua presa. Seus braços me rodeiam e é como se nada existisse ao nosso redor. — Não faça isso, Kristen! Não escolha esse meio, agápi! — Observo seus lábios se comprimirem em uma linha fina. — Eu acabaria com qualquer filho da puta que ousasse te tocar, ángelos mou. — sussurrou. Que hipócrita! — Solte-me, Apollo! Não tem direito algum sobre mim. Um dedo seu desliza suavemente pela minha bochecha. Ignorando minha súplica, posso sentir seu hálito suave vir de encontro ao meu rosto. Seus lábios estão há apenas alguns milímetros dos meus. Sinto meu corpo se arrepiar, fazendo um calor traiçoeiro se aglomerar no meu baixo ventre por causa do contato másculo e viril de Apollo próximo a mim. — Em breve terei, agápi mou. — assegurou. Fecho os olhos para apreciar melhor os seus toques. Eu não deveria estar sentindo isso, mas o meu corpo traiçoeiro o corresponde de um modo irresistível. A porta se abre de repente, fazendo-me dar um passo vacilante para trás e me obrigando a readquirir o resto do meu juízo novamente. Abro os olhos repentinamente. Apollo continua no mesmo lugar, encarando-me com o seu olhar devasso e indecente. Vejo quando seus olhos recaem sobre o meu abdômen ainda plano e um sorriso satisfeito chega aos seus lábios. Enquanto isso, eu continuocom a respiração ofegante, ainda tentando me recuperar aos poucos da devastadora sensação que ele me provoca. — Percebo que a senhorita Courtney se recuperou rapidamente. — Eleni murmurou com desdém. A empregada entra logo atrás, trazendo consigo um copo com água em uma pequena bandeja. Ela me oferece, mas eu o dispenso e ela o coloca na mesinha próxima. Retira-se em seguida. Não sei se Eleni percebeu algo ou não, mas me faço de desentendida igual a mesma. — Sim. De fato, estou perfeitamente bem agora. Eu estava parabenizando o senhor Amazzotty neste momento pelo futuro enlace. — falei de modo seco, dando um sorriso amarelo. Por dentro, estou quebrada. — Formam um belo casal. — elogiei cinicamente. — Ah, sim. Disso, não tenho dúvida. Fui escolhida recentemente como uma das 10 mulheres mais lindas do país. Em breve seremos o casal mais prestigiado de toda a Grécia. — Sorri orgulhosa como se tivesse sido eleita a miss universo. — Não tenho dúvida de que se merecem. — comentei ao acaso, dando de ombros. — Bem... Creio que meu trabalho por aqui já está finalizado, senhorita Kokkinos. Qualquer dúvida, é só entrar em contato comigo. Desejo felicidades ao casal. Se me derem licença, tenho que partir agora. — falei por fim, já pronta para me retirar desse lugar tenebroso. Ouço a voz rouca de Apollo enfatizar: — Eu lhe darei uma carona. Não é bom que fique andando por aí sozinha, depois de ter desmaiado. Cretino descarado! Sei bem o que ele pretende. Forço um sorriso brando que, por trás, ele deve ter percebido toda a minha hostilidade. — Não se faz necessário, senhor Amazzotty. O táxi ainda está me aguardando lá fora. Creio que o senhor precisa conversar um assunto muito sério com sua noiva. Então, se me derem licença, irei me retirar. — Saio pisando duro e deixo o lugar. Assim que o táxi me deixa na porta do hotel, nem mesmo o dispenso. Subo o mais rápido que consigo, jogo todos os meus poucos pertences que trouxe na mala, faço o check-out na recepção do hotel e sigo para o aeroporto. Tentarei pegar um voo antecipado. Pagarei uma fortuna por isso, mas dinheiro não é problema. Tudo que desejo neste momento é retornar para San Diego e esquecer meu encontro com aquele grego sórdido. Enquanto o avião levanta voo e eu encaro o azul intenso lá embaixo, apenas almejo manter uma imensa distância de Apollo Amazzotty. CAPÍTULO 18 APOLLO AMAZZOTTY Estou completamente impactado ainda e nocauteado com a revelação das últimas 72 horas. Em um momento me vi completamente irritado por uma manchete especulando sobre o meu casamento em breve com Eleni Kokkinos, e cheguei furioso à mansão, com a certeza de que ela estava por trás disso, já que adora mídia. Eu não tinha percebido que minha noiva estava acompanhada na sala privativa, mas assim que avistei a figura de Kristen desfalecendo próxima a uma mesinha, meu mundo parou. Senti que meu coração tinha acabado de dar as últimas batidas naquele instante. Corri para lhe auxiliar, averiguei seus sinais vitais e me certifiquei de que ela não tinha se machucado na queda. Sem demora, coloquei-a em um divã próximo e observei suas feições delicadas refletirem fragilidade. Quando ela recuperou os sentidos, pude perceber seus sentimentos demonstrados. Seus olhos verdes flamejavam de puro ódio e sua expressão foi a de alguém que se sentia ferida, ultrajada, ao descobrir que sou comprometido e que lhe omiti esse detalhe. Mal tive tempo de digerir o choque da presença de Kristen e, no outro momento, Eleni jogou aquela bomba sem ao menos compreender que aquela informação mudaria nosso destino para sempre. Ainda não consigo acreditar que vou ser pai. Caralho! Assim que soube dessa notícia, achei que iria desmaiar ali mesmo, na frente de Kristen. Eu me senti sufocado com a novidade, como se estivesse preso em uma armadilha. Mas depois compreendi que, na verdade, é uma benção. Acredito que apenas estava procurando uma oportunidade para vê-la novamente e trazê-la para a minha vida. No momento em que deixei a casa de Eleni, descobri o hotel onde Kristen estava hospedada, mas antes que eu agisse, soube que ela não se encontrava mais lá, pois havia encerrado a sua estadia e pegado o primeiro voo para San Diego. Uma grande raiva me dominou ao constatar que ela estava tentando me evitar e fugir de mim. Entretanto, já é tarde. Kristen é minha. Sorrio satisfeito. Agora, mais do que nunca, ela me pertence e tem algo que é meu. Compreendi que, com Eleni, simplesmente, eu estava tentando levar uma situação que já não era mais viável. Em menos de 48 horas, desfiz meu acordo com ela. A mesma ficou chocada com a minha decisão repentina e implorou para que continuássemos com os preparativos do casamento. Disse que se fosse por causa de alguma amante, ela não se importaria. Todavia, eu sabia que o que lhe afligia era o medo de ficar desamparada, sem a minha ajuda financeira. Então, eu fui irredutível e lhe garanti que continuaria com a mesada que o meu pai fornecia à família Kokkinos. Darei assistência à Panpolos para se reerguer. Coisa que acho difícil se mãe e filha não pararem de gastar como se ainda estivessem em um alto padrão social. A próxima conversa foi com a minha mãe, que ficou radiante quando lhe informei que terminei o meu compromisso com a Eleni. Eu lhe comuniquei também que, em breve, ela será avó. Naquele instante, ficou estática, completamente surpresa, mas ao contrário do que imaginei, depois do baque inicial, reagiu positivamente. E depois de 72 horas me encontro aqui, em San Diego, na mansão Courtney. É um fim de semana e eu já me informei de que Josh está no seu habitual jogo de golfe no clube. Na verdade, foi por isso que escolhi esse horário. Quero encontrar a Kristen sozinha. Solicito à empregada para que não comunique a minha presença. Quero lhe fazer uma surpresa. Ela me leva até a entrada do jardim e me orienta onde Kristen se encontra. O lugar é amplo e com uma variedade diversificada de plantas. Eu já tinha apreciado sua beleza em outras ocasiões. Sigo pelo caminho que é feito de pedras decorativas que deixa o ambiente ainda mais acolhedor e moderno, então avisto a Kristen sob a sombra de um pergolado de madeira. Ela não nota a minha presença. Está debruçada sobre uma mesa de madeira, desenhando alguns rabiscos em um papel. O lugar tem uma atmosfera fresca, harmoniosa, e alguns estofados estão espalhados pelo ambiente, juntamente com uns vasos de plantas que complementam a ornamentação do espaço. Ela está linda em um vestido florido e singelo. Seus cabelos castanhos estão amarrados com uma fita de estampa de bolinhas que me faz lembrar de outra de dois anos atrás. Está mordendo o lábio inferior, bastante concentrada, enquanto desliza o lápis sobre a folha de papel com extrema habilidade e desenvoltura. Fico apenas a admirando. Passam-se alguns minutos. Quando ela termina o desenho, contempla sua obra com um lindo sorriso no rosto de contornos suaves e de uma beleza que me deixa fascinado. Sua tez é natural. Não utiliza nenhum artifício de maquiagem, e, mesmo assim, arrebata o meu fôlego quando apenas admiro sua perfeição. Como percebo que ela não nota minha presença, pois está absorvida pelo que está fazendo, eu anuncio a minha chegada com um leve pigarro. Assim que me avista, seu sorriso morre nos lábios e sua expressão se torna a de alguém irritada. — O que está fazendo aqui, Apollo? — indagou bastante insatisfeita com a minha presença. — Precisamos conversar, Kristen. — Não temos absolutamente nada para conversar. — frisou com exasperação. Suspiro pesarosamente antes de continuar, pois sei que, possivelmente, minha ferinha não facilitará as coisas para mim. — Kristen, eu sei que você está bastante chateada ainda com o que aconteceu, mas precisamos pensar no nosso bebê. — Meu bebê! — Levanta-se da poltrona e vem na minha direção. — Agora, volte para a sua preciosa noiva Eleni! — disse enraivecida. Seria ciúme? — pensei extremamente satisfeito com essa possibilidade. Kristen não é tão imparcial como demonstra ser. — Não seja teimosa,Kristen! Eu não irei embora sem antes conversarmos. — Ok. Então, eu irei. — Ela tenta passar por mim, mas eu não permito e a seguro pelos ombros. — Já falei para deixar de birra. Está se comportando como uma criança mimada. — Vejo ela chispar o rosto e buscar se acalmar. — E para a sua informação, eu não tenho mais nenhuma noiva. Ela logo fixa seus olhos cores de jade nos meus. Posso ver um brilho diferente transpassar por eles. Sua respiração está acelerada e sua tez parece mais suave e exuberante, demonstrando uma iluminação distinta. Deslizo os meus olhos pela sua figura frágil e os esbarro em seu busto, que agora se encontra em um doce balanço de vai e vem sob o decote do vestido devido à sua respiração agitada. Minha boca se enche de água com essa visão deliciosa. O par de gêmeos parecem estar bem maiores. Possivelmente, por causa da gravidez. Kristen percebe que está sendo avaliada, então seu corpo, imediatamente, responde involuntariamente aos meus estímulos. Os bicos dos seus seios ficam proeminentes, despontando sob o tecido fino da vestimenta. Caralho! Sem sutiã. Meu pau reage instantaneamente, enrijecendo dolorosamente dentro das calças. Tudo o que quero neste momento é saboreá-los, traçar os dois montinhos com minha língua e me deleitar do seu sabor único. — Não me interessa! — Tenta se afastar do meu domínio. Seu corpo treme levemente com a aproximação. — Você mente muito mal, agápi. Sei que ficou enciumada por saber que eu iria me casar com outra mulher. Ela bufa irritada. — Seu ego deve ultrapassar a estratosfera, seu... seu grego convencido. E para o seu conhecimento, eu não ligo a mínima. Pouco me importa onde você enfia o seu pau desprezível. Solto uma estrondosa gargalhada sarcástica. — Ele não era desprezível quando estava enfiado em você. Observo-a arregalar os olhos em completo ultraje. — Seu pervertido asqueroso! — atacou-me. — Solte-me! — Esse tipo de diálogo não nos levará a lugar algum, agápi. Portanto, não o acho necessário. O que desejo saber é se você iria me contar sobre o nosso filho. Tenho todo o direito de... — Ela me interrompe bastante furiosa. — Não tem direito de absolutamente nada. — Está enganada se pensa que pode me afastar da vida do meu filho. Foi você quem assegurou que estava protegida. Lembra? — joguei na sua cara. Kristen me encara de modo irônico e com bastante mágoa. Posso ver nitidamente o desprezo nos seus olhos. Tenho a plena convicção de que se eu não estivesse a firmando pelos ombros neste instante, ela me daria um tapa. — E você disse que, por precaução, gozaria fora. — rebateu entre os dentes, jogando de volta para mim a minha incumbência. — Ok. A verdade é que ambos tivemos nossa parcela de responsabilidade. E eu irei arcar com a minha. — Céus! Maldita hora que deixei que um libertino como você me tocasse! — Contorce-se em meus braços para que eu a solte. Esse seu gesto apenas faz com que eu a segure mais firmemente entre os meus braços. — Solte-me! — sibilou. — Não seja infantil, Kristen! Sabe perfeitamente que nosso envolvimento seria inevitável. Ambos estamos fortemente atraídos sexualmente um pelo outro e... — Sou interrompido novamente. — Fale por si, que apenas pensa com o pau! A única coisa que sinto por você, é desprezo. — Você é uma linda mentirosa. Tenho certeza que ainda deve acordar no meio da noite, suada e tremendo de desejo, sentindo um vazio entre as pernas que somente eu posso preencher. Aposto que agora mesmo está com a boceta melada e latejando, querendo o meu pau. — Lanço-a um sorriso safado. Sou recompensado com suas duas írises escuras dilatadas pelo desejo. O verde do seu olhar está mais destacado e brilhoso, e a sua linguagem corporal está demonstrando, inconscientemente, o que ela mais anseia. No entanto, suas palavras hostis tentam negar com afinco. Eu a vejo abrir e fechar a boca rapidamente para rebater a minha pronúncia devassa, mas nenhum som audível sai dela. O choque das palavras parece travar uma luta interna entre a razão e a luxúria. Antes que a razão triunfe, aproveito para tomar seus lábios rosados com urgência em um beijo faminto e devastador. Minha língua adentra o seu interior macio e aveludado, extraindo o seu sabor inigualável e a conduzindo até um prazer deleitável e único. Sou recompensado quando ouço o seu gemido sensual entre o beijo. Seu corpo pequeno e esbelto cabe com perfeição em meus braços, e tudo que desejo neste momento é me perder em seu calor. Penso em tombá-la sobre o estofado mais próximo e exigir seu corpo. Meu pau está obscenamente dolorido com a potente ereção que me domina. Tudo que desejo agora é saborear o néctar delicioso que o corpo dela pode me proporcionar e nos levar ao extremo prazer. Meu pouco controle está por um fio por causa do tamanho tesão que me consome. Estou prestes a fazer exatamente isso, quando ouço um ruído ecoar pelo pergolado. — Que merda está acontecendo aqui?! — Escuto a voz de Josh atrás de mim, fazendo-me readquirir um pouco de juízo. A muito contragosto, afasto meus lábios dos de Kristen, que estão vermelhos e empolados agora por conta do recente beijo. — Está praticamente comendo a minha filha no jardim, Apollo! — vociferou furioso. Kristen me encara completamente estática. Posso ver o medo estampado em seus lindos olhos verdes. Suas feições logo são tomadas pelo pânico. Ela se afasta rapidamente de mim, como se eu fosse alguma ameaça. — Pai, calma! Eu posso explicar. — sussurrou parecendo bastante nervosa. — Não é nada do que o senhor está pensando. — ressaltou tentando acalmar os ânimos. — Não é necessário, Kristen. Eu conversarei com o Josh e resolverei a situação. — falei inalterado. Ela me fita confusa, recriminando-me com seu olhar que pede para que eu me cale e não piore a situação. Contudo, não adianta muito. Imediatamente, Josh parece ligar os fatos e percebe o que houve entre mim e sua filha. Ele arregala os olhos. Sua expressão é de incredulidade. — Seu miserável! Como ousou seduzir a minha filha, Apollo? — pronunciou encolerizado. — Não acredito que me traiu desse modo vil. Eu deveria matá-lo pelo seu atrevimento. Tem o conhecimento de que acabou de quebrar a minha confiança? — Josh, acredite: eu tentei evitar, só que foi mais forte do que eu e... — Não tenho tempo de continuar dizendo absolutamente nada, muito menos de raciocinar com clareza as circunstâncias, porque Josh vem para cima de mim como um touro enfurecido. Antes que eu tenha tempo de detê-lo, ele me acerta um golpe preciso. Seu punho veio diretamente no meu queixo. Instantaneamente, cambaleio para trás, sentindo um gosto metálico de sangue na boca. Caralho! Isso doeu para porra. Apenas cerro os punhos, impotente, sem reação alguma diante do ataque. Se eu quisesse revidar, seria muito fácil, entretanto não farei isso, pois sei que, no fundo, mereci isso por ter agido de modo sórdido com a Kristen. Olho de lado e observo que a expressão dela está alarmada. Noto ainda quando Josh se prepara para desferir outro soco em mim. Agora, Kristen se interpõe entre nós dois. Theós! Não quero que ela se machuque. — Deus! Não consigo nem imaginar que você tocou na minha menininha de modo... — Ele freia a pronúncia a tempo, antes de soltar um palavrão vulgar na presença da filha. — Impróprio. — Kristen não é mais nenhuma menina. Ela é uma mulher. Uma mulher deslumbrante, por sinal. — Sorrio apesar da fisgada de dor que sinto na mandíbula em decorrência do soco. — Cale a boca, seu filho da... — Suspira e bufa irritado. — Ela sempre será a minha menininha. Nem pense que vai usar minha filha como faz com suas amantes! — Pai, a culpa não é do Apollo. Na verdade, fui eu quem o seduzi. De fato, ele não me usou. Eu o usei. E não sou mais nenhuma menininha, pai. Sou uma mulher que fez a sua própria escolha. — defendeu-me. Provavelmente, teme que Josh cometa uma loucura. Seus olhos estão cheios de lágrimas, e isso parte o meu coração. Ela é tão inocente que não percebe que, na realidade, fui eu quem me aproveitei dela e do seu estado emocional. Eagora, ambos arcaremos com o resultado dessa inconsequência. — Não era o que estava parecendo há alguns minutos, quando ele enfiava a língua na sua boca. — Josh esbravejou. Kristen fica com o rosto rubro, como se não acreditasse no que seu pai acabou de falar. Sem pressa, intervenho. É necessário esclarecer essa situação. — Na verdade, eu tenho total consciência dos meus atos e responsabilidades. Por isso estou aqui, Josh. — afirmei determinado Minha expressão está dura, assim como a dele. Nós nos encaramos friamente. Tenho plena convicção de que traí a sua confiança ao seduzir sua filha. Ele deve estar se sentindo magoado. Todavia, não me arrependo de absolutamente nada. — Não quero que briguem, por favor. — Kristen pediu quase em uma súplica. Josh fita a filha e a tranquiliza. Posso perceber o amor paterno que existe aqui. — Não precisa se preocupar, princesa. Não deixarei meu neto sem um pai. Mas antes, eu tinha que deixar minha marca na cara do cretino que ousou seduzir a minha filha. Além do mais, eu necessitava averiguar as intenções dele. Bem... Já que constatei que ele está disposto a arcar com suas responsabilidades, precisamos marcar a data do casamento para o mais breve possível. A simples menção da palavra “casamento” costumava me apavorar e me embrulhar o estômago. Eu me sentia sufocado ao me imaginar preso a alguém. Deve ser por isso que adiei, por tanto tempo, a minha união com a Eleni. Porém, neste instante, tudo o que desejo é me ver ligado à mulher que está na minha frente, com a fisionomia totalmente incrédula. Sua face está branca como cera, demonstrando aversão à proposta. — Eu... Eu... — ela gaguejou. Parece abalada ainda pelo pronunciamento de Josh. — Não me casarei com ele, pai. Não vivemos em uma era medieval que exige que uma mulher se case com um homem apenas porque está grávida. Não sei por qual motivo a sua afirmação me deixa inquieto. O que isso significa? Kristen não quer se casar comigo? — Kristen, querida, não está raciocinando com clareza. Não foi assim que imaginei a chegada do meu primeiro neto, no entanto o Apollo vai se casar com você, querendo ou não. — avisou como se tivesse me obrigando com uma arma na cabeça. — Agápi, é o correto. Estou disposto a pagar a minha sentença. — Quando termino de articular a frase, sou fuzilado pelos seus olhos verdes. — Não complique ainda mais as coisas! Não se faz necessário que realize tamanho sacrifício. Eu não irei me casar com você, e pronto. Merda! Acabei de compreender que escolhi as palavras erradas. — Kristen, querida... — Josh logo se cala quando percebe a feição de determinada da filha. — Pai, eu sei que te decepcionei muito, contudo não irei me casar apenas por causa do bebê. Eu sinto muito. — Retira-se do local o mais rápido possível com algumas lágrimas nos olhos. Theós! Essa mulher vai me deixar louco. A maioria das mulheres morreriam por uma oportunidade de se casar com um magnata grego. Porém, eu acabei de ser dispensado. Merda! Como isso é possível? É uma situação estarrecedora, pois nunca me vi em um dilema como esse. Estou completamente aturdido ainda e com os meus pensamentos em conflito. É quando sinto um tapinha no meu ombro. — É. Parece que você tem uma missão pela frente, Apollo. Eu não irei obrigá-la a se casar, mas você terá que convencê-la. Ou, então, será um homem morto. Eu acabaria com você, Amazzotty. — sibilou tentando aparentar que ainda estava bravo, porém percebi um esboço de um sorriso surgir no canto dos seus lábios. — Vai precisar de um pouco de gelo no seu queixo. Eu bem que queria te arrebentar inteiro. No entanto, creio que não ficará bem nas fotos com um nariz quebrado ou um olho roxo. A mídia sensacionalista poderia especular que você está sendo obrigado a se casar com minha filha. E suponho que Kristen não se agradaria com isso. — Eu me casarei com ela, mas quero que fique claro que isso não é pelo bebê, Josh. Realmente, estou disposto a esse casamento. — Ótimo! Mas esse discurso, você deve dizer para a minha filha, não para mim. E não faça eu me recordar das obscenidades que você fez com ela! Ou, então, vou me esquecer das razões pelas quais estou me segurando para não te arrebentar. Aceno com a cabeça e encaro sua figura esguia sumir pela entrada da mansão. Theós! Kristen vai acabar me deixando de cabelos grisalhos antes da hora. Mas aceito o desafio. Convencerei ela a se casar comigo ou não me chamo Apollo Amazzotty. CAPÍTULO 19 KRISTEN COURTNEY A temperatura está agradável nesta manhã enquanto eu degusto o meu café matinal no jardim. Papai acabou de ir para a empresa e, em breve, eu irei para o ateliê. Aprecio o sabor picante do chá de gengibre que passei a consumir todas as manhãs para atenuar os fortes enjoos que sentia, juntamente com as benditas torradas que me lembram sempre aquele fim de semana em Pacific Beach e um certo deus grego de olhos escuros e perspicazes. Já fazem três dias que não vejo Apollo. Diariamente, ele tem tentado uma aproximação, mas eu não tenho permitido. Quando me liga, não atendo; se manda mensagem, não as respondo; ao me mandar flores, eu as ignoro. Meu pai ainda tentou me persuadir a pelo menos recebê-lo para conversarmos, entretanto fui irredutível. Sinto-me magoada ainda pela forma como descobri que Apollo era comprometido com outra quando nos envolvemos. Tenho a compreensão de que o que tivemos não passou de um fim de semana promíscuo e imoral. O fato de saber que ele terminou o noivado porque descobriu por acaso a minha gravidez, não me acalenta nenhum pouco, pois ele estava decidido a se casar com outra, mesmo depois do que tivemos. Desde aqueles dias, meus sentimentos estão confusos em relação a ele. Há momentos em que eu o odeio por ter sido tão sórdido comigo. Entretanto, em outros, derreto-me igual manteiga em seus braços libertinos. É tão ilógico esse raciocínio. Recrimino-me pela milésima vez por ter correspondido ao seu beijo lascivo no pergolado. Suas palavras indecentes e a constatação da sua ereção contra a minha barriga fizeram eu me sentir poderosa de alguma maneira, e esse tipo de pensamento é tão grotescamente errado. Por Deus! Ele nem ao menos se lembrava da minha existência, já que pretendia se casar com aquela grega esnobe. Sua frase final terminou de rasgar o meu coração. “Estou disposto a pagar a minha sentença”. Recordo-me com dissabor de suas palavras amargas como fel. Não será necessário que ele abandone o seu estilo de vida depravado e libertino por causa de um casamento sem amor, apenas por obrigação, devido a um final de semana indecoroso que deu frutos. Estou decidida: não me casarei somente por causa do bebê. Por sinal, meu anjinho está se comportando perfeitamente bem hoje, pois não está fazendo a mamãe ter uma crise de náuseas. Sorrio como uma boba ao acariciar o meu ventre que está imperceptível ainda, sem qualquer indício de gravidez. Há vezes em que me admiro no espelho do meu closet e acaricio a minha barriga. É difícil imaginar que há um bebê dentro dela. É um sentimento sublime e inexplicável as várias reações que estou sentindo. Daqui a pouco, com certeza, ficarei com a cintura mais larga. 3 torradas, 1 copo de suco de laranja, 1 xícara de chá de gengibre e, por último, meu manjar favorito: minha taça de banana com aveia, mel e nozes picadas. Minha boca se enche de água apenas por contemplá-lo. Assim que coloco a primeira colherada na boca, fecho os olhos para apreciar melhor o sabor. Sinto o gosto doce do mel com a fruta macia e suculenta em contraste com a crocância das nozes e cereais. Quase gemo com a sensação deliciosa nas minhas papilas gustativas. Depois pego outra colherada... E outra... E quando percebo, já degustei toda a guloseima. Algo me chama a atenção e eu avisto a figura imponente de Apollo me observando. Ele demonstra um sorriso brando e satisfeito no seu rosto viril e insolente. Fico furiosa ao constatar sua autoconfiança exacerbada. Ele está trajando um sobretudo social negro e uma camisa azul-escura. Está deliciosamente irresistível. Parecom isso, Kristen! Esse tipo de devaneio é completamente incorreto. — Apollo! — seu nome deslizou por entre os meus lábios de forma involuntária antes que eu tivesse controle de detê-los. Imediatamente, seu olhar indecente mapeia o meu rosto e meu corpo, quase os incendiando. — Está belíssima, agápi. — elogiou sem desviar os olhos da minha figura trêmula. — Precisamos conversar sobre o casamento, mikró mou. Sei que ainda deve estar ressentida, Kristen, mas devemos deixar nossas desavenças de lado e pensar no nosso bebê. — Seu rosto demonstra uma expressão de seriedade. — É por estar pensando no MEU bebê, que estou determinada a me manter assim. — enfatizei decisiva. — Não seja egoísta, Kristen! Eu também tenho os meus direitos. — Está me chamando de egoísta? Talvez você seja um hipócrita. Eu não quero um casamento sem amor. E é pelo bem do meu filho que me determinei a não aceitar nenhum “sacrifício”. Ouço o seu suspiro em desalento. Ele fita o chão por um breve segundo e depois volta a me encarar com uma segurança inquestionável. — Kristen, aquela foi uma infeliz escolha de palavras. É evidente que eu estou disposto a me casar com você. Ninguém me obrigaria a algo se eu não estivesse veridicamente inclinado. Além do mais, o que é esse sentimento chamado amor perto do fogo da luxúria que nos consome? Reviro os olhos, visivelmente chateada ainda. Mais uma vez voltamos ao quesito sexo. Parece até que ele respira sexo. Tudo em Apollo se resume a isso. Forço um sorriso cínico enquanto replico causticamente a sua inquisição. — Claro. Até o fogo da luxúria se dissipar e surgir uma amante que seja mais quente e interessante. E, então? O que restará para nós? O ressentimento e o rancor? Esse é o seu mundo, Apollo, não o meu. Observo seus olhos castanhos se escurecerem com a afronta do meu questionamento. — Diabos! Do que fala, Kristen? — resmungou entre os dentes. — Você não tem nenhum pingo de decência, Apollo. Traiu sua noiva comigo. — acusei com desdém. — Provavelmente, mantinha até mesmo uma amante fixa em algum lugar do planeta. Pelo seu histórico de libertinagem, isso não me surpreenderia nenhum pouco. — Não existe nenhuma amante. Que ódio desse libertino devasso! Ele não faz a menor ideia de como suas palavras me ferem, porque eu sei que são mentiras. Quanto tempo levará para ele arrumar outra? Creio que sua cama não deve ficar vazia por muito tempo. Odeio me sentir insegura perto de um homem como Apollo, que parece exalar poder de sedução em cada poro do seu corpo. Por que tem que ser tão sedutor? Eleni é uma grega excepcionalmente bela. Como ela mesma se referiu, é uma das mulheres mais bonitas do seu país. No entanto, não conseguiu prender o interesse de Apollo que, mesmo assim, era visto com várias das suas amantes em orgias. Como eu, uma simples estilista, almejaria tal feito, se não consegui prender nem a atenção do meu ex-noivo? Afasto uma lágrima solitária que, teimosamente, insiste em deslizar pelo meu rosto. Não quero ter esse sentimento de rejeição. Céus! Malditos hormônios que fazem eu me sentir ainda mais fragilizada! Apollo, percebendo o meu conflito emocional, vem ao meu auxílio. — Theós! Está sentindo alguma dor, agápi? No mesmo instante, ergo uma mão, rejeitando a sua aproximação. Não permito que Apollo chegue mais perto, já sabendo do efeito devastador que ele me causa. — Não. São apenas os hormônios. — esclareci. Em seguida, Maria aparece no jardim para retirar a mesa e saber se eu necessito de algo mais. — Kristen, podemos dar uma volta pelo jardim? — ele perguntou. Tenho vontade de lhe responder grosseiramente, mas me controlo. Percebendo minhas feições de emburrada, ele complementa. — Por favor, agápi! — pediu gentilmente. Sem outra alternativa, concordo, mas procuro manter uma certa distância. Quando chegamos em um banco branco de madeira, onde a sombra de uma densa árvore oferece um clima mais fresco, eu me sento. Apollo permanece em pé, com as mãos nos bolsos do sobretudo, observando-me com aquele olhar escuro e intenso que emana uma autoconfiança inabalável. Como permanece calado, unicamente me olhando, eu retorno ao assunto. — Então, Apollo, se nós nos casássemos, como garante que não aconteceria o mesmo comigo? Quanto tempo levaria para você se cansar de mim e arranjar uma amante mais interessante? Céus! Por que estou ponderando aceitar sua proposta? Por causa do bebê, óbvio. Não tem outro motivo. Vejo quando ele solta um suspiro exasperado, considerando a minha pergunta. — Theós, Kristen! Por que tem que complicar tanto as coisas? Em primeiro lugar, eu não traí Eleni deliberadamente. Nós tínhamos um acordo bastante conveniente para ambos. O nosso casamento seria baseado somente em negócios, já que meu pai e o dela eram amigos desde a infância e sempre almejaram esse matrimônio. Eu, simplesmente, não me importei. O nosso acordo não envolvia sentimentos românticos, nem essa balela toda. — explicou cético. — E isso significa que você poderia sair por aí, transando com outras mulheres? — perguntei chocada, sentindo um leve embrulho no estômago. Já sei a resposta. Ele apenas dá de ombros antes de responder. — Bem... Colocando em termos práticos, seria resolutamente isso. Engulo em seco, sentindo um nó na garganta e um frio angustiante na minha barriga ao imaginar esse tipo de acordo... Imaginá-lo fazendo as mesmas coisas obscenas que fez comigo, com outras mulheres. Isso me quebra por dentro. — E você deseja o mesmo tipo de acordo comigo? — questionei em um fio de voz. Ele franze o cenho e seu semblante demonstra confusão. — Explique, Kristen! — Você deseja que sigamos o mesmo tipo de acordo que você tinha com a senhorita Kokkinos? Desse modo, manterá a sua liberdade para que possa explorar sua vida promíscua na cama com outras mulheres enquanto aparentamos ser um casal perfeito aos olhos da sociedade. — concluí. Noto ele cerrar a mandíbula em sinal de impaciência e irritação. — Inferno! De onde tirou esse disparate? — praguejou. Não dou ouvidos à sua pergunta e o recrimino com o olhar enquanto continuo. — Creio que eu poderia tentar um casamento como esse. É claro que para isso, não teríamos uma vida sexual como casal, pois eu não iria correr o risco de pegar alguma doença sexualmente transmissível. Um calafrio sobe pela minha espinha apenas por imaginar o quanto já me arrisquei. Céus! Como fui irresponsável e imprudente. Quando fito o seu rosto novamente, posso perceber transpassar uma expressão de pura incredulidade nele. Na mesma hora, gargalho por dentro ao contemplar suas feições antagônicas à proposta. — Ficou louca? Não tocar em você? Nem fodendo aceitaria algo tão bizarro e absurdo! — rechaçou a proposta veementemente. — E para a sua informação, eu não tenho nenhuma doença sexualmente transmissível. Faço exames regularmente e posso provar. Além do mais, não sou negligente ou estúpido. Nunca faço sexo sem proteção. Você foi uma exceção. — Dá um sorriso presunçoso que me irrita ao extremo. — Devo me sentir privilegiada? — perguntei mordazmente. — E não vejo por qual razão um acordo como esse seria bizarro. Creio que esse é o melhor acordo que poderia existir entre nós dois. Poderíamos conviver pacificamente bem em um casamento como esse. Temos que pensar no bem- estar do bebê. Então, essa é uma proposta viável e perfeitamente racional. Desse modo, todos ganharíamos e não teríamos falsas expectativas em relação a esse casamento. — falei com uma segurança que estou longe de sentir. Continuo em sequência. — É claro que seguiremos a mesma linha de coerência para ambos. Se desejarmos manter algum caso, que sejamos extremamente discretos. Neste momento, percebo sua bela face máscula exibir uma expressão completamente estarrecedora e indignada. — Agora tenho absoluta certeza de que você ficou completamente louca. Eu acabaria com qualquer filho da puta que ousasse sequer pôr os olhos no que é meu. — rosnou duramente. — Que hipócrita! — Reviro os olhos. Observo ele fazer um extremo esforço para adquirir um pouco de controle,soltando um suspiro desolado. Posso perceber a tensão no seu rosto e nos seus ombros se suavizarem. Apollo demonstrou bastante aversão à possibilidade de eu me envolver com outro homem. Seria ciúme? Que dissimulado! E ele pode se envolver com outras mulheres? — Kristen, seja racional! Por que você está falando na possibilidade de um casamento fracassado se nem ao menos, de fato, começamos? — murmurou de modo brando. — Só para constar, a palavra “fracasso” não existe no meu dicionário. Que dissimulado! A palavra que ele deveria riscar do seu dicionário, é “traição”. Isso sim. Eu não serei feita de boba, nunca mais. — Por que esse medo tolo me aflige? — Respiro fundo antes de começar a explicar. — Vejamos! A possibilidade de eu sair destroçada é grande. Não suportaria isso, Apollo. Acredito que seguir um acordo como esse, seria o ideal para ambos. Nós poderemos ser amigos e, desse modo, você poderá continuar com sua vida devassa que tanto lhe agrada. Não serei contrária que sigamos o mesmo tipo de acordo que você tinha com a senhorita Kokkinos. É óbvio que terá que ser de forma discreta, como eu já citei. Isso quer dizer: nada de manchetes sobre suas orgias em iates, nem nada do tipo. — frisei ao me recordar das várias notícias sórdidas que já rodearam o seu nome. — Caso eu me interesse por outra pessoa, também serei prudente. — Dou de ombros, como se estivéssemos falando de algo irrelevante e trivial. Seus olhos se arregalam no mesmo instante. Parece irritado com o meu atrevimento de formular tais proposições. Suas pupilas escuras chispam em fogo, repreendendo-me e me dando mais encorajamento para provocá-lo. — Está fora de si se pensa que concordarei com esse despropósito. Nenhum outro homem te tocará. — E o que sugere? Que eu viva como uma monja e faça votos de castidade enquanto você desfila com suas amantes por aí? — perguntei ironicamente. — Eu não serei feita de tola outra vez. — É evidente que não, agápi. No entanto, você será apenas minha. Se arranjar um amante, não sei que tipo de atrocidades eu poderia cometer. Porém, esteja certa de que as cometerei sem o mínimo remorso. Nem ouse pensar ou sonhar com essa possibilidade. É somente minha, e ponto! Apollo é um hipócrita. Ele pode cornear quem quiser, mas quando se trata dele, o assunto é diferente. — Eu nem sequer vou responder a essa sua análise infame. E não esteja tão convencido! Eu ainda não aceitei nada. Ouço o seu suspiro pesaroso. — Kristen, por que não nos dá uma chance? Não acha que o nosso filho merece o melhor, como a segurança de uma família estabilizada? Eu quero ser um pai presente. O que você teria a perder arriscando? Talvez, inconscientemente, eu tenha feito exatamente aquilo porque já queria esse filho com você. Mesmo sabendo dos riscos, não me comedi nenhuma vez. Pode não estar parecendo, mas me agrada muitíssimo a chegada desse bebê, mikró mou (minha pequena). — Planejou me engravidar? — Estreito os olhos e analiso sua postura enigmática. — Claro que não, agápi. Você disse que estava segura. Recorda? Eu só disse que assumi o risco ao deixar o meu prazer ir para dentro de você. — Dá de ombros. — Na verdade, não existe um método 100 por cento seguro. — Mas eu não te enganei. — justifiquei. — Realmente, estava tomando anticoncepcional para regular os hormônios, no entanto em uma taxa baixa que não era própria para evitar a concepção, como minha médica me explicou. Além do mais, fui acometida por uma virose na garganta na semana que retornei da praia e tive que tomar antibióticos. Isso cortou qualquer efeito que a pílula teria. Some isso tudo aos dois dias que não tomei o anticoncepcional! Tivemos uma maré gigantesca de azar. — Finalizo com um suspiro, amargurada. — Não diga tolices, agápi! Tudo estava conspirando ao nosso favor. Também usei preservativo. Mesmo assim, nosso bebê já tinha sido concebido. — disse orgulhoso. — Não existe outra alternativa, mikró, senão o casamento, e ponto. Eu estou aqui por vocês e vamos fazer dar certo, omorfiá mou (minha bela). Mordo o lábio inferior e fico pensativa por alguns instantes, pois, realmente, eu não tinha pensado por esse ângulo. É evidente que eu quero que meu filho ou filha tenha a presença da figura paterna. E Apollo, por outro lado, parece que está disposto a se esforçar para me fazer concordar com esse casamento. Ainda tento assimilar a ideia de ele se tornar o meu marido. E se eu não aceitasse sua proposta e ele acabasse se casando com outra? Reflito essa possibilidade. Será que suportaria ver isso? Apenas ao imaginar essa perspectiva, sinto-me deteriorada. Fui uma tola. Já estou envolvida emocionalmente. A questão é: eu arriscaria? E se não eu arriscar, irei me arrepender pelo resto da vida pelo simples fato de não ter tentado? Por não ter nos dado uma oportunidade? — Então, agápi, o que me diz? — Já posso visualizar um rastro de sorriso presunçoso nos seus lábios. — Aceita se casar comigo? Tenho vontade de desmanchar o seu sorriso arrogante com um sonoro “não”, entretanto não quero agir de modo infantil. Mando a incerteza para longe e respondo, tentando demonstrar confiança. — Sim, Apollo. Aceito. — Tento me convencer de que é somente pelo bebê. — Prometo que não irá se arrepender, agápi. — garantiu bastante satisfeito. Ele tira um estojo do bolso do sobretudo e meus olhos se enchem de água quando contemplam o lindo anel de ouro cravejado com um único diamante. Apollo me estende a mão para que eu me levante do banco. Depois, desliza a aliança pelo meu dedo. Quando termina de fazer isso, beija a minha mão, que está trêmula, fazendo-me sentir o calor dos seus lábios cálidos sobre a minha pele sedosa. Uma quentura gostosa se espalha pelo meu corpo e se concentra em áreas perigosas. Céus! O efeito Apollo Amazzotty. Rapidamente, recolho minha mão. Ele apenas me olha com um sorriso matreiro. — Tenho conhecimento de que agi como um tolo antes, ángelos mou. Eu deveria ter seguido meus instintos, não meus conceitos. — E o que os seus instintos lhe alertavam? Ele encara a minha figura, repousa seu olhar sobre o meu ventre e retorna sua inspeção ao meu rosto novamente. Então um resquício de sorriso possessivo preenche seus lábios. — Depois do nosso fim de semana sublime, eu só desejava levá-la a uma ilha deserta e a manter lá, agápi, apenas para mim. Não sabe como foi difícil deixá-la partir no final do nosso trato. Fico perplexa com a sua colocação. — Não faria isso. Não creio que agiria como um grego neandertal. — Estou descrente. — Por você, eu cometeria muitas loucuras, agápi. Não duvide! — Posso ver um pesar passar pelo seu rosto. De imediato, ele é dissipado. — Teremos um contrato também? — Tenho convicção de que isso é algo comum no nosso meio. Poucos casamentos são como foram os dos meus pais: por amor. Ele toca em meu queixo delicadamente, fazendo-me encará-lo. — Não será necessário, agápi. Só para constar, omorfiá mou (minha bela), esse casamento será vitalício. — enfatizou seguro, lançando-me um olhar sedutor. O grego já veio preparado e confiante de que eu aceitaria. Só espero ter tomado a melhor decisão. CAPÍTULO 20 KRISTEN COURTNEY 4 semanas depois O nervosismo tomou conta das minhas emoções à medida que se aproximava o grande dia. Essas 4 semanas foram de muita correria. Apollo queria que nos casássemos em uma semana, mas eu fui irredutível. Se for para casar, eu quero o meu casamento dos sonhos, com direito a um digníssimo vestido de noiva e uma festa esplendorosa, apesar do pouco tempo para organizar tudo. Bethany, que também é uma jovem estilista, ficou à frente da administração do ateliê. Eu a escolhi para ser minha madrinha de casamento. Como não me casaria com o vestido que desenhei para a minha união com Jimmy — nem Apollo aceitaria —, tive que ir à Nova York, na badalada loja de departamento para noivas, a Kleinfeld, onde realizei um sonho: vestir um vestido feito por Pnina Tornai, uma estilista do alto escalão no meio fashion para noivas. Ela, com certeza, foi uma grande inspiração para mim quando decidiingressar no meio da moda e desenvolver meu dom para os designs de noivas. Escolhi um modelo clássico e sensual que não mostra muito, mas é de tirar o fôlego. A criação não é ousada, nem audaciosa, ou Apollo surtaria se eu optasse por algo assim. Ainda pensei em provocá-lo, escolhendo algo bem sensual e revelador, mas a verdade é que esses modelos não fazem o meu estilo. Prefiro um mais conservador e discreto. O meu vestido é elegante, sem cauda, levemente rodado e com algumas camadas primorosas. A parte posterior tem um corte perfeito, uma discreta transparência nos lugares certos e um rico bordado único que emoldura as curvas do meu corpo com perfeição, sem apertar o meu abdômen. Já estou com quase 3 meses de gravidez, mas meu ventre mostra um leve inchaço apenas. É quase imperceptível a minha barriga de gestante. Tudo foi muito corrido e apressado. Conheci a mãe de Apollo, que veio da Grécia especialmente para me conhecer e me ajudar na organização da festa de casamento. A senhora estava radiante por eu ter sido apresentada a ela. A irmã dele, Sabrina, veio perto do dia da cerimônia por conta das provas escolares. Apollo não ficou muitos dias nos Estados Unidos. Depois que aceitei seu pedido de casamento, aproveitou para fazer algumas viagens de negócios pela Europa e adiantou alguns dos seus empreendimentos. Senti sua falta, mesmo que ele tenha me ligado todas as noites para saber como eu e o bebê estávamos. Aquele safado aproveitava para me falar algumas obscenidades por telefone que me faziam ficar constrangida e quente ao mesmo tempo. A senhora Lídia, mãe de Apollo, é uma simpatia de pessoa. Fizemos vários almoços juntas enquanto ela me ajudava a providenciar os detalhes do casamento, junto com a cerimonialista responsável pela organização da festa. Será uma cerimônia para poucos convidados, no jardim da mansão. Algumas vezes, ela ressaltava o quanto estava contente pelo casamento do filho. — Eu sabia que Apollo encontraria uma boa moça e, finalmente, casaria por amor. Você é linda, querida! Theós (Deus) escutou minhas orações de mãe. — Sorri meiga e emocionada. Eu apenas sorria nesses momentos, pois não queria contradizê-la e dizer que o nosso casamento é unicamente pelo nosso filho. Ela ainda continuou o diálogo. Aparentemente, não era de acordo com o casamento de Apollo e da Senhorita Kokkinos. — Nunca acreditei no casamento dele com a Eleni, mas Apollo é um cabeça-dura que não me dava ouvidos. Ainda bem que você, querida, apareceu na vida dele para resgatá-lo de uma união infeliz. Tenho certeza de que foi por isso que notei um certo brilho diferente no olhar de Apollo quando retornou à Grécia. Mas não poderia imaginar que já estivesse apaixonado. Ela, provavelmente, não faz ideia de que eu já tinha o conhecimento de que o casamento de Apollo e Eleni eram um acordo frio, baseado apenas em status e dinheiro. Parece uma romântica incurável que acredita em contos de fadas mesmo onde não existe. Eu até a convidei para que ficasse hospedada na nossa mansão, mas ela foi irredutível. Ainda compartilhou da alegria de saber que eu já estou carregando o seu primeiro neto e não me recriminou, nem me julgou por ter me envolvido com seu filho enquanto ele ainda estava comprometido com a Eleni. Pelo contrário. Parecia bastante aliviada pelo rompimento do noivado. Quase tive um treco quando faltavam três dias apenas para o casamento e li a manchete veiculada no principal jornal da cidade sobre a nossa união. Impressa em letras garrafais, dizia: “O bilionário grego, Apollo Amazzotty, foi fisgado pela bela herdeira Courtney que saiu de um relacionamento e logo embarcou em outro”. Abaixo do título da matéria especificava que a cerimônia aconteceria em 3 dias na própria mansão Courtney e que seria uma celebração mais reservada, somente para a família e amigos mais próximos. Fiquei receosa com que Apollo pensasse que tinha sido eu a responsável pela reportagem ardilosa, ainda me recordando do modo que ele reagiu, indignado, quando soube que seu compromisso com a Eleni foi publicado no jornal. Assim que eu o inteirei sobre a matéria, ele pareceu não se importar. Ainda estou deitada, meditando sobre como a minha vida está prestes a mudar completamente daqui a poucas horas. É quando um “bip” no meu celular me chama a atenção, indicando a entrada de uma mensagem. É Apollo. Quando passo os olhos pelo visor do aparelho e a leio, meu coração bate descoordenado. “Estou contando os minutos para que você seja minha definitivamente, agápi, e não apenas por um mero fim de semana. Há dois anos, encontrei uma garota incrível em um campo de golfe. Eu tinha acabado de fazer um “hole-in-one” e estava em êxtase, mas quando te avistei naquele momento, soube que, finalmente, você era a peça que faltava na minha vida.” Não repondo a mensagem, apenas releio com as mãos ainda trêmulas. O que isso quer dizer? Que ele está disposto a fazer o máximo para dar certo o nosso relacionamento? Não pode significar que ele me ama. Claro que não. Absolutamente, não. Tenho que reforçar que esse casamento é apenas pelo bem do nosso bebê. Se eu não estivesse grávida, ele se casaria com outra. Não posso me esquecer disso. Saio dos meus devaneios quando ouço a porta se abrir e se fechar abruptamente. É Bethany entrando no quarto sem bater. — Kristen! Por Deus! Ainda está assim? Faltam poucas horas para o seu casamento. Levante essa bunda preguiçosa da cama! Espreguiço-me, olho para ela sorrindo e me sento na cama. Mesmo sabendo que é um casamento conveniente, estou estranhamente feliz. — Não exagere! Ainda tenho alguns momentos para apreciar a minha vida de solteira. Além do mais, a celebração será apenas na tardezinha. — Uau! Devo chamar os gogoboys? — Ri. — Creio que se o grego descobrisse, faria picadinho dos dançarinos. O que seria um desperdício. Devemos arriscar? — Faz uma careta engraçada. Sei que Bethany só está brincando, mas pelo que conheço do meu futuro marido, acredito que ele surtaria se presenciasse algo assim. Sorrio com a ideia. — Provavelmente, não seria muito sensato. — Rio e mudo de assunto. — Como estão os preparativos lá embaixo? — Nem me fale! Tem um exército lá, no jardim, flores, mesas e cadeiras por todos os lados. Aquela cerimonialista é muito eficiente, apesar de ter uma cara de megera autoritária. — Solta uma risadinha. Logo sua expressão se suaviza e seus olhos azuis se fixam sobre mim. — Está ficando lindo, Kristen. E o arco de flores, onde irá acontecer a realização da cerimônia, está definitivamente maravilhoso. Sabe que nunca fui romântica, mas se eu arrumasse um grego lindo como um deus, também me casaria na mesma hora. — Pisca um olho. — Agora, vamos! Levante-se! — pediu animada. Sorrio e tento me convencer de que estou tomando a melhor decisão. Levanto-me, sigo para o banheiro, faço minha higiene pessoal e me preparo para a maratona que Bethany reservou para mim. Ontem fomos ao SPA, onde passei por uma mini agonizante tortura de depilação e massagem relaxante. Tive direito a um verdadeiro exército da beleza. Meus cabelos estão tão macios quanto cetim, caindo em ondas suaves pelas minhas costas. Quando finalizo minhas higienes, retorno ao quarto. Uma farta refeição leve e saudável já me aguarda. Maria está ainda mais cuidadosa com a minha alimentação, pois diz que tenho que comer por dois agora. Logo depois se inicia o “dia da noiva”, como Bethany nomeou. Tudo passa rápido enquanto eu sou submetida a vários tratamentos estéticos de pedicure, manicure e cabeleireiro. O exército da beleza acabou de deixar o quarto. Eu já me encontro com o vestido posto. Quando me olho no espelho do closet, vejo que estou deslumbrante. Ele caiu como uma luva em mim. Seus detalhes são delicados e primorosos. Descartei o véu e optei por utilizar uma coroa de flores naturais, já que o casamento será realizado no jardim. Bethany já se retirou a algum tempo para se arrumar e tomar seu lugar de madrinha. Assim que saio do quarto e chego ao topo da escada, posso ver meu pai na sua base me aguardando.Quando percebe minha presença, olha para mim com lágrimas nos olhos de tão emocionado. Está me fazendo ficar emotiva também. — Está bela, filha! — murmurou com a voz levemente embargada. Depois limpa a garganta e me oferece o seu braço quando eu chego à base da escadaria. — Agora, vamos, querida! Preciso lhe entregar a um certo grego. E por falar nisso, não deixe que ele saiba: creio que você fez uma boa escolha. Sorrio discretamente. É visível que o papai não está mais magoado pelo que aconteceu. Assim que chegamos ao jardim, os músicos começam a entoar a marcha nupcial instrumental. Ela ecoa pelo ambiente. Os olhares de todos os convidados se voltam para mim no instante em que eu piso no tapete branco. Apollo e o juiz de paz estão posicionados nos seus respectivos lugares, próximos à entrada do arco de flores. Meu noivo me recebe com um sorriso caloroso. Seus olhos negros me admiram com extrema devoção. Ele está magnífico no seu terno branco gelo com alguns detalhes em preto e uma gravata borboleta. Sua barba está bem aparada e sua habitual aparência demonstra toda a sua imponência e confiança. Assim que meu pai me entrega a ele, ouço-o sussurrar baixinho com um tom de advertência: — Cuide bem do meu tesouro, Apollo! Ele esboça um sorriso satisfeito que faz com que meu coração bata mais forte dentro do peito. — Não se preocupe, Josh! Cuidarei dela com a minha própria vida. Ela se tornou o meu maior tesouro também. — afirmou me encarando com a força do seu olhar escuro que me deixa desestabilizada. Uma torrente de emoções me toma nesse momento, deixando-me com as mãos trêmulas e os olhos marejados. Malditos hormônios! Tento veementemente colocar a culpa neles, mas a realidade é que, bem lá no fundo, já sei porque aceitei esse casamento. Não é apenas pelo bebê. Não quero admitir para mim mesma, entretanto sinto que existe um sentimento superior envolvido. Não quero nomeá-lo, muito menos analisá-lo profundamente, mas o que sinto está enraizado em mim. Não sei em que momento isso aconteceu, porém já estou calorosamente envolvida pelo charme do grego. Por isso, percebo o meu coração se esmagar e dilacerar ao imaginar esse cretino, libertino, com outra. Quando fito seus olhos intensos, noto que eles parecem tão verdadeiros que eu fico tentada a me entregar e a acreditar na sua promessa de que tudo dará certo. Contudo, como poderia, se o nosso relacionamento surgiu de modo inusitado e estamos ligados por um único motivo: a criação do nosso bebê? E não posso me esquecer do que ele acabou de dizer: “Ela se tornou”. Claro! Isso é por eu estar carregando o seu filho. Prontamente, Apollo envolve sua mão calorosa na minha. O contraste é perceptível. Enquanto a dele está calma e firme, a minha está fria e trêmula. — Está belíssima, agápi! — murmurou com a voz rouca enquanto acariciava levemente a minha mão para me tranquilizar. — Obrigada! — sussurrei em um fio de voz que saiu embargada pela emoção. Sem demora, o juiz dá início à cerimônia em um discurso formal e breve de poucos minutos. Enuncia por último as perguntas tradicionais sobre ser de livre e espontânea vontade que ambos estejamos aqui, presentes. Apollo responde de modo rápido e incontestável, já eu demoro um pouco mais, ganhando um leve aperto na mão. Quando olho de lado, percebo o seu rosto um pouco tenso. Assim que, finalmente, digo “sim”, suas feições se suavizam. Depois acontece a troca de alianças. Os votos trocados teriam um significado verdadeiro se o nosso casamento não fosse baseado por eu estar carregando o seu bebê. Quando o juiz anuncia o “pode beijar a noiva”, apenas dou um leve selinho nele. E assim que vou me retirar, ele não permite, firma-me pelos ombros e me encara com seus olhos negros e devassos. — Creio que podemos fazer melhor do que isso, agápi. Quero que todos saibam a quem você realmente pertence agora. — sussurrou. Ele me enlaça pela cintura, aconchegando-me ao seu corpo potente e viril. Sua pegada é firme e seu toque incendeia a minha pele, mesmo que por cima do tecido. Vagarosamente, segura o meu queixo com a outra mão, guiando meu rosto em direção ao seu. De forma calorosa, seus lábios firmes tomam posse dos meus suavemente e amorosamente, arrancando-me doces suspiros. Céus! Eu não deveria estar correspondendo com tanta lascívia. No entanto, é impossível não fazer isso enquanto Apollo degusta meus lábios como se apreciasse um saboroso vinho ou uma deliciosa fruta. Saio da bolha sensual em que me encontro quando uma chuva de aplausos chega aos meus ouvidos. Empurro levemente seu tórax rijo. Assim, ele abandona meus lábios a muito contragosto, quase grunhindo pela repentina interrupção. Os convidados, sem pressa, começam a se aproximarem e nos cumprimentam, desejando felicitações. — Oh, meu Theós! Vocês são tão lindos juntos! Formam um belo casal. Sua noiva é linda, filho. — a mãe de Apollo falou se aproximando de nós e nos parabenizando. Quando Lídia se afasta, ele sussurra baixinho no meu ouvido: — Não vejo a hora de estarmos sozinhos finalmente, agápi. Esse beijo apenas me deixou sedento. Estou louco pelo prato principal. — Todo o meu corpo se estremece com a promessa sensual velada na sua voz quente e devassa. — Venha! Agora, teremos que cumprimentar os convidados. Será uma verdadeira tortura aguentar a longa recepção. — Sorri safado, levando as mãos aos lábios. — Mas, por fim, é minha. — sussurrou ternamente. Depois disso, Apollo me conduz até o local reservado para a sessão de fotos com os convidados e alguns amigos. É claro que algumas fotos serão entregues à imprensa. Logo após isso, ele me leva à pista destinada para a dança dos noivos, onde estreamos com a música selecionada por mim: “Shallow” instrumental. Em seguida, dançamos uma música grega com os convidados. A dança consiste em uma roda grande. Ficamos de mãos dadas enquanto as pessoas se deixam guiar pelo ritmo contagiante da melodia. As demais pessoas que não participam, aplaudem euforicamente. Todos parecem bastante animados e felizes com o casamento, menos meu primo, o Thomas, que está com o semblante fechado e taciturno. Percebi isso quando olhei de soslaio em sua direção. Ele estava em uma mesa mais afastada dos demais enquanto bebericava uma taça de champanhe, demonstrando tédio. Após muitas danças, quando Apollo percebe que eu estou cansada, leva-me até a mesa reservada aos noivos, onde está sua mãe. A Sabrina está dançando animadamente na pista com um dos filhos de um sócio do papai. Ele, por conseguinte, conversa animado com o pai do rapaz. Os garçons e garçonetes servem os aperitivos e as bebidas com muita agilidade e competência. — Eu sabia, filho, que você iria encontrar uma mulher linda e que te fizesse feliz. — Lídia enfatizou com um sorriso radiante no rosto. Apollo não diz nada, apenas lhe lança um sorriso terno enquanto leva um copo de wisky à boca. Uma boca sensual que me faz pensar em coisas que eu não deveria. Céus! Sinto o meu rosto quente ao imaginá-la cobiçosamente em certas partes do meu corpo. Dissipo rapidamente os pensamentos lascivos e me viro para o lado oposto quando vejo as feições de Lídia demonstrarem apreensão assim que ela me encara. Deus! Ela percebeu algo? — Kristen, querida, parece um pouco afadigada. — minha sogra observou. — Apollo, filho, creio que se pretendem ir para a Grécia ainda nesta noite, devem sair um pouco mais cedo. Apollo decidiu que quando a festa de casamento terminar, viajaremos no seu jatinho particular para a Grécia. Ele me disse que passaremos alguns dias na ilha de Mykonos, em lua de mel. Meu corpo entra em ebulição quando imagino as promessas ardentes que estão explícitas no olhar devasso dele. — É o que mais desejo, mamá. — pronunciou com um sotaque quente e sensual, fazendo os pelos dos meus braços enriçarem. Vejo seu semblante ser tomado por um rastro de preocupação. — Está bem, agápi? — Sim. Estou bem. Apenas meus pés estão me matando. — Esboço um sorriso tranquilizador. Em um determinado momento, depois que a refeição principal já foi servidae o auge da festa passou, eu estou sozinha na mesa enquanto o Apollo conversa com o papai. Provavelmente, já está se despedindo. Lídia foi ao banheiro com a Sabrina. Uma das garçonetes vem na minha direção para me dar um recado. — Senhora Amazzotty, alguém deseja vê-la. A pessoa disse que quer lhe desejar felicitações pelo casamento e que vai estar a aguardando perto daquela árvore, ali. — Aponta para o local. Franzo o cenho. Quem pode ser? E por que não veio se despedir aqui? Estranho. Em passos vacilantes, vou até o local indicado pela garçonete. Como está um pouco escuro, tenho dificuldade de distinguir alguma silhueta por perto. Parece que o convidado já se cansou de esperar e foi embora. Assim que dou meia volta para retornar à área destinada à festa, avisto um vulto sair das sombras e se materializar na minha frente. Dou um pequeno sobressalto para o lado e, imediatamente, reconheço o Jimmy. Ele está perfeitamente estiloso, como sempre. Suas roupas estão impecáveis. Suas duas mãos estão no bolso do casaco e seu olhar é neutro sobre mim. — Jimmy! — sussurrei em um fio de voz. — O que faz aqui? — Olá, Kristen. Vejo que já se recuperou do fim do nosso noivado e que me trocou rapidamente por outro. — suas palavras foram sarcásticas. — Demorou quanto tempo para abrir as pernas para o grego? — jogou de forma cáustica. Minha expressão é de puro horror. Não sei por qual motivo ele veio ao meu casamento e está me atacando. Como passou pela segurança? — Não é da sua conta. — rebati. — Claro que é da minha maldita conta. — Tensiona os músculos da mandíbula. — Você me condenou tanto pelo meu insignificante deslize e fez o mesmo? Há quanto tempo vinha me traindo como uma vagabunda? — Céus! Eu não sou obrigada a ouvir isso. Preparo-me para me retirar do local, mas logo sinto o seu agarre firme no meu braço, impedindo-me de me mover. Quando me viro em sua direção, posso sentir seu hálito fétido de álcool. — Solte-me, Jimmy! Seu sorriso é perverso. Ele começa a alisar a pele do meu braço, causando-me náuseas. Tento me afastar, mas o idiota não permite. — Ainda não, baby. Sentiu minha falta, querida? Poderíamos nos divertir muito. — Sua fala me suscita um mal-estar repentino e meu corpo fica tenso no mesmo instante. Ele, por acaso, sofre de bipolaridade? Em um momento me ataca e no outro me apazigua? — Eu disse para me soltar agora! — exigi firme, dando um impulso para ele me deixar livre. Porém, seu agarre se torna, abruptamente, mais forte e intenso. — Ou vai fazer o que, Kristen? Venha! Vamos dar uma volta! Precisamos conversar. — sentenciou. Meu corpo congela. Eu não estava atenta ao meu redor, mas logo percebo um movimento repentino e uma silhueta surgir entre nós, desprendendo-me do agarre de Jimmy. — Não ouse tocar suas mãos sujas na minha mulher, seu verme! — Apollo vociferou, dando um soco nele. O que o derrubou no chão. Jimmy ri debochado. Parece que está fora de si. Provavelmente, é efeito do álcool ou até de outras coisas. — Sua mulher? — fez pouco caso, mesmo estando com os lábios visivelmente cortados e sangrando. — Ela já foi minha muito antes de ser sua. — provocou. Parece não temer a morte. Do que vejo na fisionomia do meu marido, ele está transfigurado pelo ódio, parecendo um animal raivoso prestes a atacar sua vítima. Sua postura tensa demonstra toda a irritabilidade do momento e seus lábios estão comprimidos severamente. Antes que Apollo tenha tempo de começar um ataque contra o Jimmy, uso meu corpo como barreira física para evitar que ele cometa alguma loucura. Abraço-o e suplico: — Por favor, Apollo! Não vale à pena. — Meus olhos estão marejados por lágrimas. Uma intensa movimentação surge no jardim. São os seguranças. Eles, de modo eficaz, pegam o Jimmy e o levam para fora da mansão com um comando de Apollo. — Por que interveio por ele? Jimmy é um idiota. É uma tola se ainda o ama. — a insatisfação na sua voz foi perceptível. — Claro que não. Apenas não quero estragar o que deve ser o dia mais importante para uma noiva: o seu casamento. — falei indignada com a sua suposta interpretação dos fatos. Ele solta um suspiro profundo e me abraça. — Tem razão, agápi. Mas eu não suporto ver esse cara perto de você. Não sabe o tremendo esforço que eu fazia sempre que via ele tocando em sua pele suave e cheirosa. — Passa levemente o nariz pelo meu pescoço, em uma delicada carícia. — Quando o Jimmy beijava os seus doces lábios, tudo que eu queria era poder esmurrar a cara dele por ousar tocar em você. Mas, no fim, não podia. Você era dele. — Fico estática e totalmente incrédula. Apollo está com ciúme? — Entretanto, agora é minha. E não vou permitir que ele ou nenhum outro te roube de mim. — Toma meus lábios com urgência e desespero, com uma paixão luxuriante e uma intensidade incomparável. Sua língua perita sonda a minha boca como uma abelha sedenta em busca do néctar. Eu gemo entre os seus lábios, querendo aprofundar ainda mais o beijo, mas ele se afasta de mim com uma inegável relutância. — Inferno! — Solta um suspiro frustrado. — Não podemos fazer sexo no jardim. Provavelmente, os convidados ficariam chocados. — disse em um tom jocoso, embora eu tenha percebido um leve sofrimento em sua voz. Ele acaricia a minha bochecha, que deve estar completamente rubra agora. — Eu a desejo tanto, agápi! Não vejo a hora de estarmos sozinhos. Quero vê-la cavalgando gostoso no meu pau. Deseja isso também? — perguntou no meu ouvido de modo indecoroso, causando uma contração deliciosa na minha pélvis. Minha respiração fica instável na mesma hora. Assim que me recordo das suas palavras anteriores, recobro um pouco da minha racionalidade, saio do seu domínio e me recrimino por permitir que tenhamos chegado a tal ponto. — Seu convencido! Nós não estávamos fazendo sexo no jardim. Ele ergue uma sobrancelha e me olha com uma completa descrença. — Ainda não. Mas, acredite, agápi: eu tive que fazer um esforço tremendo para resistir à tentação de não te levar para trás daquela árvore e te reivindicar. Seu pai foi um verdadeiro tirano neste último mês que antecedeu o casamento. Nem sequer podíamos sair juntos. Já estou quase subindo pelas paredes de tanto tesão acumulado. Não tive alternativa, a não ser adiantar alguns negócios para poder ter alguns dias a mais na nossa lua de mel. Deus! Meu marido é um pervertido. Antes que eu caia no seu jogo de sedução, afasto-o. — Você é um libertino indecoroso, Apollo. É melhor nós retornarmos à festa antes que deem por nossa falta e venham nos procurar. — Eu tento me retirar, mas suas mãos possessivas me agarram pela cintura. — Creio que já seja hora de nos retirarmos, querida. Meu jatinho já está nos aguardando. Então, vamos nos despedir dos convidados e seguir para o aeroporto! Ah! E, não se esqueça: permaneça com o vestido de noiva! Eu quero tirá-lo. — O safado pisca um olho para mim com malícia enquanto segura minha mão e me leva até o local da festa. CAPÍTULO 21 KRISTEN AMAZZOTTY Pela janela do jatinho, contemplo os pequenos pontos luminosos abaixo. Assim que nos despedimos da nossa família e amigos, Apollo não quis ficar mais um segundo na mansão. Pareceu bastante apressado para deixar o país. Questionei-o sobre a mãe e a irmã não virem no mesmo voo que o nosso, e ele disse que elas iriam em outro, já que não teríamos o mesmo destino. Aliso nervosamente as pontas dos meus cachos feitos pelo babyliss enquanto fixo meus olhos verdes em Apollo. Sua expressão é enigmática e imponente. Ele está sentado na poltrona diante de mim e seu porte é magnífico. Suas feições estão relaxadas. Meu marido se livrou da gravata e do paletó há alguns minutos e está trajando apenas uma camisa branca que se encontra com alguns botões abertos. É perceptível o surgimento de alguns pelos no seu tórax. Seus olhos negros como a noite não me abandonam em um só instante. Tento desviar a visão dele, mas me prendo ao seu peito desnudo. Céus! A constatação de que, agora, ele é o meu marido e que dividiremos a mesma cama, não só por algumas noitesde luxúrias inconsequentes apenas, deixa- me quente. Posso sentir a minha intimidade úmida e desejosa. Assusto-me com esse último pensamento. Estou me tornando tão pervertida quanto Apollo. Ele está com um copo de whisky na mão e, em um gole somente, toma todo o conteúdo do cálice. De imediato, sua figura viril vem em minha direção, fazendo o meu coração disparar mais forte. — Venha, agápi! — Estende-me uma mão. — Precisa descansar um pouco. — Dá um sorriso safado de lado que me deixa com as pernas bambas. — Estou bem. — Não seja teimosa, querida! Eu não suportarei as longas horas de voo, e creio que você também não. Precisamos descansar. — sua voz soou rouca e firme, e seu olhar tem um brilho malicioso e distinto. Sem outra alternativa, coloco uma mão na sua, que está cálida e inabalável. Olho para cima e esbarro em seu olhar escuro sobre mim, repleto de sedução. Assim que ele me conduz até uma porta, eu me deparo com um compartimento. É um quarto com uma cama e várias pétalas de rosas vermelhas espalhadas pela colcha branca e pelo piso. Esse safado planejou tudo. Sei bem a sua ideia de descansar. Seus braços potentes me aconchegam no seu calor e eu sinto o corpo rígido dele nas minhas costas. Ele coloca o meu cabelo para o lado e distribui uma trilha de beijos sensuais pelo meu pescoço, fazendo com que meu corpo todo se estremeça com sua lascívia desenfreada. — Theós, agápi! Devo estar com as bolas roxas de tanto tesão reprimido. Desde que iniciei minha vida sexual, nunca passei tantos dias sem sexo. Meu corpo todo fica tenso neste instante. O que ele quis dizer com isso? Que não ficou com outra mulher desde aquele nosso encontro indecoroso? Seria verdade? Um sorriso surge no meu rosto sem que eu possa contê-lo. Não posso negar o quanto essa informação aquece o meu coração. É tão errado isso. Não quero me iludir, mas a verdade é que senti a falta dele também. Imediatamente, Apollo começa a desabotoar o meu vestido. A coroa de flores, ele já tinha retirado na mansão. — Kristen, querida, não podia ter escolhido um modelo com zíper? Está deliciosa dentro desse vestido, mas quero contemplá-la nua. — sussurrou no meu ouvido com uma voz rouca e ávida de tesão. — Pensei que tivesse gostado do meu modelo. — Sabe perfeitamente que está irresistível, agápi, mas eu estou a ponto de rasgar o tecido. — reclamou. — Não ouse! — exigi em reprimenda. Ao mesmo tempo, é impossível não rir da sua avidez incontestável. Seus dedos trabalham impacientemente ao lidar com os botões do tecido. Assim, posso perceber que Apollo é um perito nessa área. Então, recordo-me do quão libertino ele é. Meu coração fica apertado ao imaginar as várias amantes que teve para adquirir essa habilidade. Logo espanto esse pensamento desconexo para longe. Odeio ficar insegura perto dele. De repente, o vestido cede e se amontoa aos meus pés. Sinto o seu arfar mais potente na minha nuca quando ele me desnuda da vestimenta. Estou trajando somente uma minúscula calcinha branca de renda com cinta liga e saltos. Optei por não usar um sutiã. Todo o cansaço anterior dá lugar a uma intensa energia sexual despertada pelo libertino do meu marido. Apollo rosna fogoso no meu ouvido enquanto suas mãos possessivas se acoplam aos meus seios, massageando os bicos sensíveis e intumescidos. — Kristen, eísai ypérochos (você é magnífica) e está me deixando louco de tesão. Estou louco para fodê-la! — meu marido safado sussurrou. Ele beija delicadamente a lateral do meu pescoço. Posso sentir o leve roçar da sua barba rala me causando uma sensação inebriante. — Minha esposa gostosa! Para provocá-lo, roço meu traseiro na sua robusta ereção, que está dura como pedra, e ganho outro gemido sôfrego do meu grego pervertido. — Kristen, Kristen! Minha safada adora brincar com fogo. Creio que esse belo traseiro delicioso mereça umas boas palmadas. — Rebate minha provocação desferindo um tapa estalado no meu bumbum. — Ai! — fingi um protesto, mas, na verdade, seu gesto apenas me excitou. — Quero apreciá-la e contemplar toda a sua formosura. Aposto que essa bocetinha já deve estar toda babada, querendo o meu pau. Porra! Nem acredito que você é minha agora. Minha mulher! — afirmou de forma possessiva, sussurrando no meu ouvido. O que causou um leve arrepio pelo meu corpo. Ele me vira em seus braços. Seus olhos estão quentes e suas írises escuras absorvem cada curva do meu corpo. O seu olhar devasso de predador deveria me retrair e fazer eu querer me esconder da sua lascívia, entretanto me instiga a querer descobrir novos prazeres que apenas Apollo é capaz de me proporcionar. Realmente, estou encharcada por ele. — Theós! Kristen, você está extremamente linda e sexy para caralho. Ele me pega em seus braços potentes e me deposita suavemente sobre o colchão. Percebo que nossos corpos entrelaçados estão refletidos no teto do avião. Não sei dizer se é um espelho, mas reflete a nossa imagem em uma cena sexy e bastante caliente. — Está tão gostosa que temo não me conter, agápi! — Abocanha o meu seio e o toma com gula, mordiscando o mamilo. Isso me desperta um desejo libidinoso e um formigamento crescente entre as pernas. Com uma mão, ele dá a mesma atenção à outra mama, apertando-a e a manipulando, alternando entre uma e outra com lambidas e mamadas que me levam à loucura. Meus seios, de um certo modo, parecem mais sensíveis e responsivos, causando uma sensação singular e incrivelmente prazerosa; ainda mais com o atrito da barba sob minha pele suave. Sinto vibrações que se irradiam por todo o meu corpo. Leves gemidos saem da minha boca sem controle algum. — São deliciosos, agápi! E estão muito sensíveis. Apollo começa a distribuir pequenos beijos pelo meu colo e vai em direção à minha barriga, onde ele acaricia e venera com devoção. Depois, afasta levemente as minhas pernas, fica no meio delas e fixa seus olhos atrevidos na minha feminilidade, que está desejosa e encharcada, ansiando pelo seu toque. Céus! Eu estou queimando de luxúria. — Quero provar sua doce e pequena boceta, sentir o seu sabor único e excepcional. Estou faminto, agápi. — Devora-me com o olhar cobiçoso. — Ah! — arfei mordendo o lábio ao sentir ele deslizar a ponta do nariz por cima do tecido da minha calcinha, aspirando o meu cheiro feminino. — Tão molhada, agápi! — falou cobiçosamente ao constatar o quão excitada estou. Com um sorriso presunçoso, ele confessa: — De fato, ángelos mou, quanto mais provo do seu prazer luxuriante, mais faminto me torno. É uma fome voraz que explode em minhas veias de modo insaciável. — sua voz saiu rouca e desejosa. — Minha pequena ninfa sedutora! Ele desprende a cinta liga e a desliza juntamente com a calcinha pelas minhas pernas em uma tortura deliciosa, acariciando minha pele suavemente no processo. Tira as minhas sandálias e faz uma leve massagem nos solados dos meus pés, ativando minhas terminações nervosas. Não sabia que era uma área tão sensível. Apollo volta sua atenção para o meio das minhas pernas. Eu estou totalmente exposta — exceto pelas meias — e ele está praticamente com a cara enfiada entre minhas pernas, olhando-me de modo obsceno. Penso em levar as mãos até a minha área íntima e cobri-la, no entanto ele parece ler meus pensamentos e logo adverte: — Não faça isso, agápi! Sua boceta é linda e deliciosa. Não pode me despojar de desfrutar da minha fonte infinita de prazer. — Por que você é um pervertido, Apollo? — sussurrei de modo sôfrego, totalmente entregue à luxúria. A inibição foi mandada para longe. Ele sorri malicioso. — Está tão exuberante esparramada em minha cama, que parece uma deusa do Olimpo. E eu sou simplesmente um vassalo, pronto para atender sua vontade. Perco o resto da minha racionalidade quando ele começa a sondar a parte interna das minhas coxas com beijos suaves e ardorosos. Minha pele queima com sua luxúria. — Como pode querer me negar esse prazer, esposa? — seu tom foi rouco e cheio de promessa sensual. — Apollo... Ohh! Minha sanidade se perde no ar quando ele abre os meus lábios vaginais encharcadosque molham os seus dedos experientes. — Porra, Kristen! Sua boceta está gotejando, ansiosa pela minha posse. Eu estou louco para me aprofundar no seu calor, mas antes careço de sentir o seu sabor, o manjar dos deuses, em minha boca. — afirmou com a voz desejosa. Sua boca quente e faminta sonda o meu canal com a língua ardorosa. Seu contato áspero e molhado na minha vagina me faz estremecer com a fricção atrevida e audaciosa que força a minha entrada. Com movimentos habilidosos e em espiral, ele lambe meus fluidos com gula. Sua língua talentosa faz círculos entre o meu ponto central do prazer e minha abertura estreita. Enquanto suaves gemidos saem dos meus lábios involuntariamente, observo a nossa imagem refletida no teto de modo pecaminosamente devasso. Eu estou com as pernas arreganhadas e Apollo se encontra entre elas, sorvendo do meu prazer. A cena deveria me deixar cheia de pudor, contudo me deixa ainda mais quente e excitada. Instantaneamente, vibrações poderosas atingem com força o meu baixo ventre e se irradiam poderosamente para o restante do meu corpo, fazendo-me sair de órbita. É quando sou bruscamente nocauteada por um orgasmo fenomenal que sacode todo o meu ser. Um grito agudo escapa da minha garganta sem controle algum. Tenho absoluta certeza de que foi possível escutá-lo da cabine do piloto. No entanto, não estou me importando com nada. Ainda inebriada pelas sensações, uma grande satisfação me toma e um sorriso de deleite preenche o meu rosto. Aproveito o prazer sexual como uma devassa. — É espantosamente saborosa, agápi, mas eu anseio muito mais. Apollo se ergue e eu posso ver o seu sorriso orgulhoso por ter me feito gozar gostoso apenas com a língua perita. No momento seguinte, ele começa a se livrar das roupas como um selvagem desesperado. Sua beleza máscula logo se revela. Ele parece ser esculpido de mármore. Seu tórax rijo salpicado por alguns pelos me deixa com ânsia de tocá-lo. Quando eu o vejo tirar a última peça, ofego levemente ao contemplar toda a sua potência masculina. Já era tão grande assim? Seu membro potente e grosso com as veias saltadas, apesar de me fazer salivar agora, também me causa apreensão. Devo ter demonstrado algo nas minhas feições, pois ele avisa: — Kristen, querida, não precisa temer. — Não estou com medo, mas agora tem o bebê e... Apenas tenha cuidado com essa anaconda desenfreada! Seu rosto rapidamente evidencia um ar leve e divertido. CAPÍTULO 22 APOLLO AMAZZOTTY — Anaconda desenfreada? — perguntei em um tom matreiro, quase não contendo o forte tesão que minha esposa me provoca. Caralho! Kristen é minha esposa agora. Essa comprovação me deixa ainda mais louco e com um desejo insano de marcá-la como minha. A verdade é que a longa abstinência só me deixou ainda mais sedento de luxúria por ela. Minha agápi, há muito tempo, já tinha me feito perder a parte racional. Mesmo estando longe, dominava meus pensamentos mais indecentes. — Confesso que é a primeira vez que o chamam assim. — Não me interessa saber como suas amantes chamam essa... Essa... coisa. — Percebo que ela está irritada. — Calma, minha ferinha ciumenta! A anaconda tem dona agora. — Eu não estou com ciúme. — falou entre os dentes. — Mas se agir de forma sórdida comigo, não gostará das consequências. — advertiu. — Kristen, tudo o que desejo neste momento é você. Resolutamente, é a única. Não percebe que estou quase perdendo o controle? Necessito de você, agápi. Vejo ela morder o lábio inferior. Estou quase gozando apenas por contemplá-la esparramada na cama, saciada e com o rosto corado. Ela continua com as pernas esbeltas levemente entreabertas. A visão da sua boceta saborosa faz o meu pau pulsar com força, louco para incendiar no seu calor interno. Meu rosto reflete a satisfação masculina de saber que eu fui o responsável pelo orgasmo poderoso que a assolou minutos atrás. Ainda posso sentir seu sabor agridoce na minha língua e seu cheiro de mulher. Minha deusa do Olimpo é um afrodisíaco potente para os meus sentidos de macho Alpha. Aproximo-me lentamente e fico entre suas pernas. Trazendo-a para a beirada do colchão, esfrego lentamente o meu pau na sua boceta melada. É quando sou recompensado com um gemido fervoroso. — Você me quer, ángelos mou (meu anjo)? — Sei que ela está louca de tesão, mas necessito ouvir dos seus lábios. Ela me olha ardentemente e solta um pequeno ofego quando eu toco a cabeça do meu membro em seu montinho inchado para provocá-la. — Quer que eu a tome de modo despudorado? — questionei. — Ah... Você é tão pervertido, Apollo! — sussurrou mordendo o lábio inferior. Enquanto isso, eu introduzo somente a cabeça robusta do meu pau na sua fenda úmida e apertada. Depois, retiro-o de volta, sem aprofundar o movimento. Imediatamente, Kristen geme em protesto. — Pare de brincar comigo, grego safado! — Necessito ouvir a palavrinha mágica. Quer que eu a foda deliciosamente, ángelos mou? — Sim! Sim! É isso que desejava ouvir? — Naí (Sim). Sempre, ángelos mou. Adoro ver o seu descontrole quando eu estou lhe tomando de jeito duro e forte. Afundo-me no seu interior quente e apertado, soltando um rugido feroz de satisfação ao vislumbrar sua boceta deliciosa se esticando para me acolher dentro de si enquanto mela a minha longa extensão com o seu líquido precioso. É uma cena indecente e excitante para caralho. Um forte sentimento me preenche neste instante. Kristen será a minha perdição ou salvação? Estou disposto a ir até os confins da terra por ela. Meu sangue ferve ferozmente, acelerado nas veias, com a ânsia premeditada de desejo por essa mulher. Anseio reivindicá-la como minha e a marcar para toda a eternidade. Prossigo nas estocadas com um ritmo lento e sensual enquanto minhas mãos exploram suas zonas erógenas com uma inegável satisfação masculina. Kristen não para de gemer despudoradamente. O que me deixa perto de perder o ínfimo controle que me resta. Percebo que ela observa avidamente os nossos corpos fervorosos indecentemente refletidos no teto do avião. A imagem obscena parece deixá- la ainda mais excitada. Seus quadris vão de encontro aos meus movimentos famintos, tomando-me cada vez mais para dentro do seu corpo. Porra! Tão malditamente apertada! Sua boceta deliciosa ordenha o meu pau com perfeição, fazendo-me buscar um controle insano para não me derramar antes da hora dentro dela. Saio do seu interior e ouço um som lamurioso de protesto. — De quatro, esposa! — Aperto levemente a cabeça do meu pau para não gozar. Kristen me fuzila indecisa com seus olhos verdes ardentes de luxúria, mas obedece. Provavelmente, deve estar me xingando por dentro pela interrupção abrupta. Sorrio satisfeito. Que esposa quente e fogosa eu tenho! Que visão perfeita é o traseiro redondo e empinado dela à minha disposição! Sua boceta deliciosa brilha com seu néctar gostoso. — Apollo... Continue! — Ela geme, inclina-se e morde a colcha da cama. — Seria impossível parar, agápi. Perfeita, ángelos mou! — Desfiro um tapa em seu belo traseiro. Rapidamente, posiciono-me na sua abertura. A ponta do meu membro a pressiona e ela empina a bunda para trás para que eu adentre o seu interior. Minha safada gostosa anseia por me ter montando duramente e fortemente nela como um antigo guerreiro espartano que chega em casa faminto dos longos dias da guerra e só quer estar com sua amada. Porém, contenho o meu ardor sôfrego. Desejo possuí-la até ela se desmanchar de prazer em meus braços. Kristen geme quando eu me acomodo em seu canal quente e estreito, ao me sentir lhe alargando nessa nova posição. Ela consegue me sentir ir mais fundo em seu interior. Vou alternando entre penetrações fundas e rasas para não a machucar até vê-la acostumada com o meu tamanho. Aperto as duas polpas do seu belo traseiro arredondado e as estapeio. — Kristen, querida, tome o quanto quiser de mim! — sussurrei a estimulando a rebolar no meu pau. — Ah, Apollo! Por... favor! — Geme enquanto remexe levemente os quadris, testando sua resistência. Estou completamente dominado por um prazer insano.Sinto uma forte pressão nas bolas e uma vontade imensa de gozar enquanto ela rebola gostoso no meu pau, retendo-o no seu interior. Ah! Minha esposa gostosa sabe como enlouquecer um homem — o seu homem — sem ao menos ter a consciência desse feito. Já posso notar que ela também está prestes a ser arrebatada. As constantes contrações em volta do meu eixo duro em seu interior estão quase me levando a romper em um glorioso êxtase. Ouço seu leve arfar de prazer e descontrole. Suas pernas se encontram trêmulas e, logo, com extrema maestria, eu tomo as rédeas do jogo sensual e a conduzo ao auge supremo, estimulando o seu ponto dolorido de prazer. Enquanto aumento os movimentos das arremetidas, prendo os seus cabelos em uma mão e a tomo com uma vontade irrefreável. Assim, ela explode, contorcendo-se em espasmos longos e intensos. Quase que instantaneamente, eu vou junto em um clímax fervoroso que me transpassa dos pés à cabeça, fazendo com que eu exploda dentro dela todo o meu prazer, rugindo ardorosamente. Kristen tomba sobre a cama e me leva praticamente em seguida. Sem demora, eu a aconchego sobre meu peito e beijo sua testa, que está com algumas gotículas de suor. Observo seu rosto corado que demonstra todo o deleite do momento e sinto sua respiração ofegante, aos poucos, voltando ao normal enquanto ela me fita com um sorriso satisfeito. — Theós, agápi! Que delícia! Estou viciado em você. — Uau! Nunca imaginei que consumaríamos o nosso casamento em um avião. Até me esqueci brevemente que estamos em pleno voo. — Leva uma mão ao seu rosto rubro. — Céus! Tenho certeza de que os meus gritos devem ter sido ouvidos da cabine. — Você, como sempre, é ardorosa, agápi, e se entrega com muita voluptuosidade. Isso me incendeia. Quanto aos pilotos, eles são pagos para não verem, nem ouvirem absolutamente nada. — assegurei. — Seu safado! Já tinha planejado tudo. Sorrio presunçosamente. — Claro que sim, agápi. Todos esses meses sem tê-la, foi um verdadeiro flagelo para mim. Josh pegou pesado comigo. Eu nem podia te levar para um simples jantar. Ela olha para mim, provocadora. Seus lábios rosados como morango me convidam a provar sua doçura. Não resisto e lhe dou um breve selinho enquanto a aconchego melhor sobre meu peito. — Meu pai não é bobo. Ele sabia bem o jantar que você queria. — É, minha gostosa, mas eu garanto que você iria estar bem comida no final da noite. — sussurrei malicioso. — Apollo! — Repreende-me com um sorriso. — O quê? Eu quis dizer “bem servida”. — Eu sei, seu safado. — murmurou com um sorriso nos lábios. — Mas a verdade, agápi, é que eu não suportaria mais um instante sem tocá-la. Kristen afaga levemente os pelos do meu peito e eu percebo uma expressão tristonha perpassar pelo seu rosto. — Creio que não. Afinal, iria se casar com a Eleni. — comentou insegura. Merda! Ela ainda está se recordando daquele episódio com a Eleni. Eu deveria ter encerrado o meu acordo com ela assim que retornei à Grécia. Entretanto, não quis admitir para mim mesmo que já estava completamente enfeitiçado pela minha ninfa sedutora. — Ángelos mou, eu reconheço que se tivesse me casado com a Eleni, teria cometido um erro enorme. Mas tenho você comigo agora. Tudo deveria ser como estar. Com poucos minutos, ouço o seu ressonar suave contra o meu peito, indicando que ela cedeu ao cansaço e adormeceu em meus braços. Caralho! Sempre que eu terminava de fazer sexo, era cada um para o seu lado, e pronto. Veementemente, eu detestava qualquer tipo de carinho depois do ato sexual que arremetesse um envolvimento emocional. Porém, com Kristen é diferente. Anseio pela sua paixão como nunca desejei qualquer outra coisa. Quero seus beijos e pensamentos ardorosos apenas para mim. Na festa de casamento, eu simplesmente tive um acesso de fúria assim que percebi que aquele babaca do Jimmy estava tocando na minha mulher. Quando aquele desgraçado sugeriu que Kristen tinha sido dele, senti uma torrente de furor muito grande percorrer o meu organismo. Eu teria sido capaz de acabar com ele apenas com os meus punhos. Se Kristen não tivesse me impedido, eu teria feito isso sem remorso. Uma onda cáustica me corrói somente por eu supor que ela ainda pode nutrir algum sentimento por aquele filho da puta. Ela é minha! Afago levemente o seu rosto, venerando toda a sua formosura de menina-mulher que me enlouquece. Seu corpo desnudo ainda está febril do recente prazer compartilhado, fazendo-me fantasiar indecências. Meu pau logo reage com uma fisgada dolorosa. Porra! Que insensível eu sou! Kristen deve estar cansada da longa recepção do casamento e, além disso, está grávida, carregando o meu filho, e tudo o que penso é nas obscenidades que desejo fazer com ela. Saio da cama o mais depressa possível e cubro o seu corpo primoroso da minha libido insaciável. É assim que me sinto com ela. Resolvo tomar uma ducha rápida. Necessito clarear a mente e esfriar o meu ardor. CAPÍTULO 23 KRISTEN AMAZZOTTY Desperto com os sons do mar ao longe. As cortinas estão fechadas, entretanto percebe-se que o sol já está alto no céu. Eu estava tão cansada quando cheguei ontem à noite que Apollo me carregou no colo até o carro. Recostada nos seus braços fortes e no seu peito rígido, senti-me protegida. Assim que chegamos na sua mansão de Mykonos, ele me colocou em uma cama suave como uma pluma e eu capotei de exaustão. Espreguiço-me no colchão e percebo que estou sozinha na cama, vestida apenas com uma camisola rosa bebê de seda. Como não me lembro de tê-la colocado, imagino que meu marido fez esse trabalho. Meu corpo está recuperado depois do longo descanso. Como minha última refeição foi um lanche rápido no avião, estou me sentindo faminta. Assim, resolvo me levantar e tomar um banho relaxante antes de ir procurar algo para comer. Depois da ducha breve, envolvo-me em um roupão branco que encontro no banheiro e sigo para o quarto. Encontro um ambiente claro pela abertura das amplas cortinas de seda e uma pequena mesa farta disposta com vários pratos saborosos. Minha boca se enche de água quando sinto o aroma delicioso chegar às minhas narinas. Sem mesmo me trocar, vou correndo para conferir o pequeno banquete de filé de peixe, salada grega, uma generosa fatia de torta de legumes e um molho branco que não sei identificar. Assim que o provo, constato que é um aperitivo de iogurte com alguns temperos. É bastante saboroso e refrescante. Há, também, um delicioso suco de pêssego. Eu estava degustando com tanta voracidade os quitutes diante de mim que não notei quando alguém entrou no quarto. Assim que finalizei a refeição, é que percebi Apollo me admirando. — Finalmente despertou, agápi. Eu já estava preocupado. — Desculpe! Eu estava muito cansada, e a confusão com o fuso horário me deixou ainda mais exausta. Acho que acabei estragando algum plano para hoje. — comentei sem graça. Apollo está com uma calça escura jeans e uma camisa azul de mangas longas que destaca ainda mais a sua latente masculinidade. Seu olhar é atento e reflete apreensão quando se fixa na minha figura. — Claro que não, agápi. Ainda temos muitos dias para aproveitar a nossa lua de mel. Vou te mostrar todas as belezas de Mykonos. Contudo, o que me preocupa é o seu bem-estar e do bebê. Espero não ter sido muito intempestivo durante a viagem. É que não consigo resistir a você. — Dá um sorriso safado. — Estamos bem. — assegurei acariciando levemente a minha barriga por cima do roupão. Percebo que ele acompanha o meu movimento com o olhar orgulhoso. — Foi apenas o cansaço normal da festa de casamento e da longa viagem. — Caralho! Nem acredito que tem um garotão aí dentro. Ergo uma sobrancelha de modo inquisitivo. — Pode ser que seja uma menina. — lembrei-o em um tom divertido. De fato, ainda não tem como saber o sexo do bebê. Aliás, terei que mudar de ginecologista. Apollo já entrou em contato com a minha médica e repassou os dados para uma nova doutora daqui, da Grécia. Provavelmente, já saberei algo a mais sobre o sexo do bebê na minha próxima consulta. — Depoisteremos uma menininha linda igual a você, agápi. Seu elogio afaga a minha autoestima, pois sei que estarei tão gorda quanto um hipopótamo em breve. Percebo quando ele vem na minha direção em passadas rápidas. Seu olhar é quente sobre o meu corpo. Apollo toca na minha barriga por cima do roupão e, apenas agora, eu me dou conta de que estou completamente nua por baixo dele. Sua palma é calorosa sob o tecido, fazendo-me sentir tal calor se irradiar por todo o meu corpo em ondas fervorosas de excitação. A constatação do prazer irresistível que suas mãos peritas causam no meu corpo me deixa em chamas. É claro que só pode ser os hormônios. Tento me convencer disso, mas nem mesmo assim consigo acreditar nesse raciocínio falho. — Pois, eu tenho certeza de que é uma menina. — rebati para provocá- lo. Safado convencido! Agora mesmo é que torcerei para ser uma menina, apenas para contrariá-lo. — Ficará decepcionada, Kristen. — afirmou seguro, piscando um olho para mim. — Mas, na verdade, não me importo de que seja uma menina ou um menino. Fico feliz somente por saber que é da mulher que vem me atormentando durante dois longos anos e que, agora, é minha finalmente. — Ele me pega no colo e eu solto um gritinho em protesto. — Vou cair. — Suspiro. — Nunca, mikró mou. — Apollo, por que está sugerindo que eu o atormentei por dois anos se nunca notou a minha presença antes? Mal dirigia a palavra a mim quando estava na América. Tenho certeza de que sempre me achou uma herdeira rica e egocêntrica. Ele me olha, descrente das minhas palavras. — Herdeira rica e egocêntrica? Impossível, ángelos mou (meu anjo). É muito generosa e sempre está à frente do evento beneficente anual que a corporação Courtney realiza. E sobre ser o meu pequeno tormento há dois longos anos, creio que não compreenderia, querida. Você era muito jovem ainda para perceber o desejo silencioso que me suscitava. — Deita-me no colchão macio. — Não sabe como era difícil tirá-la do meu pensamento, mesmo estando longe. — Levemente, desliza o nariz sobre a curva do meu pescoço, causando um calafrio gostoso pelo meu corpo. — Por mais que eu procurasse em outros braços o alívio do momento, eram apenas meras ilusões. — O que isso quer dizer? — Olho-o de soslaio e deduzo que ele não me confessará nada. — Talvez não esteja atenta aos mínimos detalhes, ángelos mou. Descobrirá quando chegar o momento. — Exibe um sorriso descarado. — Está nua por baixo desse roupão, agápi? — perguntou já sabendo a resposta. Grego abusado! Já está querendo me enredar ao seu charme. Apollo inicia uma trilha de beijos pelo meu colo enquanto sua mão petulante sobe pela lateral do meu corpo, deixando-o febril e queimando feito brasas. Que inexplicável poder ele exerce sobre o meu ser? É certo que uma aura de sensualidade nos envolve e nos embarga em uma tormenta de paixão. Ainda estou ardida pelo nosso último encontro no avião, mas o anseio com uma urgência inegável. Quando olho o relógio em cima do criado-mudo e constato a hora, empurro o Apollo. Ele me olha sem entender nada. — Céus! Perdi completamente a noção do tempo. Preciso ligar para o papai e lhe comunicar que está tudo bem. Que horas deve ser em San Diego? — Não sei nem mesmo onde coloquei o celular. — Calma, ángelos mou! Não se preocupe! Já liguei para o Josh ainda cedo, pela manhã, e lhe informei que estava tudo bem. Agora é madrugada na América. — Obrigada! — Suspiro aliviada. — Por nada, agápi. Agora... Vejamos! Onde paramos mesmo? — inquiriu com um sorriso cobiçoso. Grego safado! Como consegue a tamanha façanha de dominar os meus sentidos? Naquela noite, com as emoções embotadas ainda pela recente traição, eu estava inclinada a admitir que foi unicamente pela dor da rejeição que lhe fiz aquela proposta leviana. Entretanto, o meu subconsciente já não o deseja e eu só aproveitei o ensejo? É tangível que o meu corpo já o notou, mas são tantas dúvidas que permeiam essa relação. Não quero ter falsas esperanças quanto a esse casamento. Sem esperar por resposta, Apollo leva suas mãos intrépidas ao laço do roupão e me despe da vestimenta. Seu olhar atrevido examina com admiração cada centímetro da minha pele exposta, provocando um comichão latejante entre as minhas pernas. — Theós! Tão perfeita e macia! — exclamou de modo ardoroso. — Presumo que necessite descansar um pouco mais, querida. — o safado ressaltou com as intenções pecaminosas evidentes nas suas írises escuras. Ele me cativa na sua sedução até eu sucumbir ao seu charme grego. Neste instante, sinto suas mãos calorosas roçarem vagarosamente no interior da minha coxa. Céus! As sensações são enlouquecedoras. Quando ele se apossa dos meus lábios com volúpia e premência, eu perco a direção como um barco à deriva e apenas deixo fluir. (...) Os dias se passaram muito rápido no paraíso tropical. Apollo tem sido uma companhia mais do que perfeita, pois sempre está atencioso comigo e com o bebê. Em algumas vezes até me faz esquecer que estamos em um casamento por conveniência, pois ficamos cada vez mais sintonizados como um casal. Mykonos, com suas casinhas brancas, é um espetáculo à parte. A ilha é bastante frequentada pelos turistas. Nós percorremos o centro de lojas luxuosas nas vielas estreitas, onde Apollo me presenteia com um novo “guarda-roupa” e não permite que eu pague por nada. — Vou levar uma eternidade para usar tudo isso. — Faço um biquinho. — E, em breve, nenhuma dessas peças lindas vai caber em mim. Daqui a pouco estarei que nem uma bola de tão gorda. — lamentei. Ele me dá um selinho. — Vai ficar uma linda bolinha carregando o meu filho. Não sabe como me sinto orgulhoso. — falou presunçosamente. — Além do mais, eu não me importo. Amo presenteá-la, ángelos mou. — Eu já disse que será uma menina. Irá perder. Ele não diz nada, apenas levanta uma sobrancelha de maneira arrogante. Em todas as tardes caminhamos pela praia de mãos dadas enquanto assistimos ao belo entardecer e vemos o sol mergulhar na imensidão do mar, dando lugar ao brilho da lua. Visitamos alguns pontos turísticos de Mykonos e registramos vários momentos. Sempre enviamos fotos para o papai e minha sogra Lídia, que já retornou a Corfu com Sabrina. A ilha é um lugar alegre e bem agitado. A vida noturna é outra atração bastante tentadora. Apollo me levou em algumas baladas e não me deixou sozinha por um minuto sequer. Parece um guardião antigo protegendo a sua donzela. Como eu quase nunca saía para me divertir, estou adorando todas essas badalações. Em todas as manhãs, acordo em seus braços aconchegantes e com o corpo ainda lânguido das intensas noites de prazer. E a exuberância das praias? Elas são outra beleza à parte. São esplêndidas! Os mares são de um azul sem igual. Navegamos de iate e visitamos assim uma praia e outra. Até passamos brevemente pela Paradise, que fica no sul da ilha. Lá, as noites têm um clima bem mais agitado, diferentemente das suas manhãs, que são bem tranquilas. Fiquei visivelmente chocada quando, em uma das manhãs, de um iate, avistei algumas pessoas andando nuas pela praia, como vieram ao mundo. Apollo me explicou que aquela parte específica é destinada a praticantes do naturalismo. Acabamos de retornar do centro de Mykonos. Estamos no nosso último dia de lua de mel. Depois de uma tarde descansando e fazendo amor, Apollo resolve me levar em um restaurante local, já que será a nossa última noite na ilha. É um lugar essencialmente grego, com uma culinária rica e saborosa do mediterrâneo. Apesar do ambiente ter um ar mais despojado e festeiro, o clima é agradável. De aperitivo, ele sugere tzatziki, que é uma coalhada seca com hortelã acompanhada do famoso molho grego feito à base de iogurte. É uma iguaria muito gostosa. Depois dos vários aperitivos e de uma conversa deleitável com o meu marido, em um determinado momento, noto que o restaurante contempla um volume já considerável de clientes. Enquanto aprecio a salada, que é servida como entrada, observo que em uma mesa próxima, uma morena belíssima nos analisa atentamente.Ela está acompanhada por um senhor mais velho, mas isso não a impede de ficar nos encarando descaradamente. Percebo que Apollo não a notou ainda, todavia a mulher o olha de um modo sedutor e ávido, sem disfarçar o seu interesse. — Apollo, creio que seja melhor irmos embora. — falei inquieta na cadeira. Ele me olha preocupado. — Qual o problema, agápi? Eu pensei que estivesse gostando. — Sim. Eu estou gostando. Mas suponho que esteja um pouco tarde. E como iremos viajar cedo amanhã... — Lanço-o um sorriso amarelo após ter dado uma desculpa qualquer. O clima acolhedor de antes se torna nebuloso neste momento. — Ainda está cedo, agápi. Em breve iremos. Além disso, não provamos o prato principal. Acredito que você vai amar a sobremesa daqui. É uma delícia. — Pisca um olho para mim. Sorrio para ele, esforçando-me para ignorar a presença inoportuna da tal mulher a nos observar. Degusto outra das delícias gregas. Por mais que o prato seja saboroso, está difícil me concentrar nas suas especiarias. Unicamente, quero que esse jantar termine o mais breve possível para irmos embora, mas meu pensamento não é atendido. Quando percebo que o senhor que está acompanhando a bela dama vai em direção ao banheiro, a tal morena voluptuosa se levanta da mesa e vem na nossa direção. Sinto um peso no meu coração, como se algo ruim fosse acontecer. CAPÍTULO 24 KRISTEN AMAZZOTTY Meu corpo todo fica tenso enquanto a desconhecida caminha elegantemente. Sua postura determina a confiança de uma mulher adepta a desafios. Ela me analisa de forma criteriosa, como uma rival faria com a outra. Graças a Deus, estou trajada a altura, ou me sentiria inferior com seus olhos castanhos me fitando com desdém e desprezo nítidos. — Apollo, querido! Há quanto tempo! — sussurrou com uma voz melodiosa e extremamente irritante. Percebo meu marido elevar seu olhar para a mulher, bastante surpreso. Noto, pela sua postura, ele ficar visivelmente desconfortável. Assim, acabo de ter minha confirmação de que ambos já tiveram — ou, talvez, até mesmo ainda mantenham — um envolvimento amoroso. — Ah... senhorita Demyankov. Há quanto tempo, não? — tentou conservar um tom neutro que não me convenceu em nada. A morena apenas franze as sobrancelhas bem delineadas de forma irônica. — Apollo, acredito que não precisamos de tantas formalidades. Afinal, somos amigos íntimos. — Olha-me de um jeito superior. Seus seios fartos estão quase pulando do decote bastante ousado. Respiro fundo, procurando me manter impassível. Agradeço a Deus neste momento por estar degustando uma sopa, porque, assim, não tem nenhuma faca na mesa. Ou não sei que espécie de desatino eu cometeria. Neste momento, o meu apetite já evaporou, deixando apenas uma angústia no lugar. — Foi por essa criança que você me trocou, Apollo? — Dá um sorriso ardiloso e cheio de veneno. — Ora! Tenho certeza de que se cansará dessa pirralha em breve. — Suas longas unhas pintadas de vermelho passam pelo braço dele em uma leve carícia sedutora. — E eu estarei aqui, querido, aguardando-o. Ele tira a mão dela do seu braço com impaciência e visivelmente irritado. — Anélia! — sua voz saiu profunda e intimidadora. — Creio que deu para notar que eu estou acompanhado. Então, poupe-nos de uma situação vexatória! — Mas, querido... — protestou. — Por favor, não continue! — ele exigiu. — Eu estou em lua de mel com a minha esposa. Nós agradeceríamos se você pudesse nos dar privacidade. Não é mesmo, querida? — Cobre a minha mão com a sua. Cretino! Ordinário! Acabei de descobrir que além de Eleni, na época em que nos envolvemos, ele também mantinha uma amante. Essa possibilidade, para mim, já era real, no entanto ter a constatação é muito diferente. Essa descoberta me deixa inflamada de indignação. Sinto-me furiosa e enganada. Estou passando por outro momento humilhante. Essa cena ridícula é apenas porque Apollo não consegue reter o pau dentro das calças. A quem estou querendo iludir? Eu já tinha conhecimento da sua fama de devasso. Por isso, sempre fugia dele. Eu sabia que ele acabaria me machucando e que essa decepção seria mil vezes pior do que a traição de Jimmy. Apollo deve ter um imenso harém de amantes ao redor do mundo. Quantas outras descobrirei ainda? Retiro minha mão de baixo da sua, demonstrando toda a minha insatisfação. Tenho vontade de dar na cara desses dois sem-vergonhas sórdidos, mas respiro fundo, buscando me acalmar. Anélia me olha estarrecida. Seus olhos estão esbugalhados pela surpresa. — Es...posa? Mas... Sempre pensei que você se casaria com a Eleni. — gaguejou sem acreditar. Depois recupera a compostura e sorri sedutoramente. — Bem... Mas, no fim, não importa quem é a sua esposa. Certo, Apollo? Você disse que continuaríamos do mesmo modo, querido. Lembra? — Um sorriso desdenhoso surge nos seus lábios pintados de vermelho. — Eu não me incomodo, de fato, com quem seja sua esposa. — Já chega, Anélia! — ele pronunciou. Meu corpo todo treme de raiva e de indignação. Em um átimo de segundo, todo o meu autocontrole se dissipa como uma nuvem. Eu jogo o guardanapo sobre a mesa e me levanto da cadeira. — Realmente, não faz diferença. Amanhã mesmo darei entrada nos papéis do divórcio e ele estará descompromissado. Assim, você poderá fazer um bom proveito das sobras. — Minha vontade é de meter a mão na cara desses dois salafrários. Estou fervendo de fúria. Apollo, percebendo o clima mais tenso, logo intervém. — Kristen, querida, acalme-se! Pense no bebê! A mulher diante de mim fica lívida e sua boca se abre e fecha rapidamente. Sua expressão é de quem ficou perplexa por ter escutado Apollo revelar o meu estado. — Bebê? — Sua primeira reação é de choque, mas um sorriso presunçoso logo se forma em seus lábios. — Um golpe da barriga. — asseverou. — Não acredito que caiu nessa armadilha. Se eu já soubesse que você é tão sentimental assim, teria usado essa mesma artimanha. Mas sempre se mostrou tão frio. — Cale-se, Anélia! — ele a repreendeu. — Já foi longe demais com as suas palavras infames. Se não se retirar agora mesmo, vou solicitar que os seguranças façam isso. Meus olhos estão marejados de lágrimas, pois sei que, no fundo, suas palavras ácidas têm uma verdade incontida. Mesmo que não tenha sido minha intenção engravidar propositalmente para prendê-lo em um logro, é verídico que esse casamento existe somente por causa do bebê. De imediato, sem pensar muito na minha atitude, pego a taça de vinho tinto de Apollo e a despejo na cabeça da tal amante. Ela me olha. Está horrorizada com a minha ação. Sua expressão é impagável. O sorriso arrogante morre nos seus lábios cores de carmim, dando um realce à sua feição estarrecedora e bastante cômica. O vinho desce pelo seu cabelo e corpo, manchando o tecido do seu vestido de grife que deve ter custado uma fortuna. Provavelmente, foi presente de algum amante. — Ficou completamente louca! — gritou, chamando a atenção dos clientes. — Você ainda não me viu louca. — ressaltei completamente ensandecida. Pego o restante da sopa que está no prato e repito o mesmo procedimento da taça de vinho, fazendo uma verdadeira lambança nos cabelos escuros dela, onde se forma uma mistureba esbranquiçada. Sua fisionomia é totalmente ultrajada enquanto ela tira a gosma branca que escorre pela sua cara. — Kristen, acalme-se! — Apollo pediu, tentando se aproximar de mim. O que eu não permito. — Não me toque! — Fuzilo-o com o olhar. — Quer saber? Vocês se merecem. E eu me recuso a fazer parte dessa sujeira. — Abandono o restaurante sob o olhar atento de alguns clientes. Assim que saio do local, fico totalmente desnorteada. Apollo acabou de cravar uma faca no meu coração. O restaurante em que estávamos, fica próximo à praia. Sem rumo certo, corro em direção a ela, tentando buscar algum refúgio. Minha garganta queima com o sufoco da humilhação e lágrimas inundam os meus olhos, turvando a minha visão. Só quero ficar sozinha e procurar um lugar seguro, longe daqueles dois sórdidos. Entretanto, a areia da praia me impede de prosseguir commovimentos mais ligeiros, e isso faz com que Apollo me alcance. Sinto seus dois braços fortes me rodearem. — Solte-me, seu cretino! Libertino! Eu te odeio! — rosnei bastante irritada. — Acalme-se, ángelos mou! Por que saiu daquele modo abrupto do restaurante? Poderia ter se machucado. Theós! — falou exasperado. Ele me abraça e me aconchega contra o seu peito forte. Sinto o seu perfume amadeirado invadir os meus sentidos. Estou muito magoada e só quero socá-lo. — Amanhã mesmo irei embora para a América e darei entrada nos papéis do divórcio. Nunca mais quero ouvir falar em seu nome. Por mim, pode viver como bem aprouver com o seu harém. — avisei. — Não diga tolices, agápi! — sussurrou afagando as minhas costas, buscando me tranquilizar. — Por que tem que ser tão sórdido comigo? — lastimei. — Kristen, querida, eu sei que não sou bom o suficiente para você. Sim... Admito que já fiz muitas coisas das quais não me orgulho, mas você não percebe que aquele logro foi tudo armação de Anélia? Rio sarcasticamente. — Vai negar que ela foi sua amante? — perguntei ácida. — Theós! Não. Não vou negar que ela já foi minha amante. Mas, preste atenção na colocação: “FOI” é a palavra exata. Está no passado. É lá onde ela pertence. Anélia estava apenas lhe afrontando, mikró mou, e testando o território. Você caiu feito um patinho na provocação dela. Não temos nada há alguns meses. Mais precisamente, desde quando você entrou na minha vida. — E como posso acreditar que você está falando a verdade? Sua lista de libertinagem é longa. Eu sempre lia em alguns tabloides sobre as suas farras com as mais belas mulheres. Ouço o seu suspiro pesaroso contra os meus cabelos. Delicadamente, ele toca em meu rosto com mãos suaves, fazendo-me encará-lo. Seus olhos negros estão brilhantes e calorosos sobre mim. — Kristen, eu sei que não sou um poço de virtude. Minha reputação com as mulheres não é das melhores, porém nunca as enganei. Todas sabiam que era exclusivamente sexo que eu buscava e aceitavam. No entanto, estou tentando o meu melhor com você e nosso filho. Creio que mereço pelo menos uma oportunidade, agápi. Suas palavras aquecem o meu coração, contudo sinto receio de me entregar às miríades de emoções que Apollo me suscita e acabar me machucando. Relembrando bem toda a cena do restaurante, percebo que agi como uma tola, uma menininha insensata. Apollo, em nenhum momento, deu a entender que ansiava retomar o caso dos dois. Aquela mulher é ardilosa e se comportou daquela maneira por puro despeito de ter sido descartada. — Mas... — Tento argumentar, mas me faltam elementos para contradizê-lo. — Uma chance, agápi. — sussurrou no meu ouvido enquanto me embalava em seus braços calorosos. Concordo com a cabeça, permitindo-me aproveitar a sensação inebriante e protetora que somente ele me causa. Agora, com os pensamentos mais serenos, percebo que agi de modo inapropriado. Paguei um mico e tanto no restaurante. Porém, sorrio quando repriso na minha mente a imagem da tal mulher com aquela gosma branca escorrendo pelos seus cabelos e cara. Ela se parecia mais com o boneco de marshmallow dos caça- fantasmas. Aquele episódio foi engraçado. Anélia deve ter ficado furiosa. — Pelo menos, posso tirar uma coisa boa disso tudo. — ele disse, fazendo-me olhá-lo. Um sorriso petulante está formado em sua face. Esse grego patife está se divertindo com a situação. — Do que está rindo? — questionei. — Você estava com ciúme. — Essa não foi uma pergunta. Ele afirmou. Grego abusado! O ensejo do restaurante apenas serviu para inflar o seu ego. — Eu não estava com ciúme. — afirmei veementemente. — Apenas não tolerarei que me façam de idiota. — Minha ferinha ciumenta! — Ergue-me no colo. — Apollo, ponha-me no chão! Você tem que parar com essa mania de ficar me carregando por aí. — Mas eu gosto de carregá-la, agápi. Além do mais, não vou correr o risco de perdê-la de vista. Agora, vamos para casa! — Leva-me em direção ao carro. CAPÍTULO 25 KRISTEN AMAZZOTTY Duas semanas depois Estou feliz aqui, na ilha, como nunca pensei que estaria um dia. Apollo continua cuidadoso comigo e com o bebê. Na primeira semana que retornamos da lua de mel, eu realizei a minha primeira consulta com a nova doutora, Catarina Antoniou. Ela me atendeu, colocou um gelzinho gelado em cima da minha barriga, deslizou um aparelho sobre ele e focou as imagens do monitor, onde eu tive o primeiro vislumbre do meu bebê. Eu me emocionei profundamente quando observei aquela “manchinha” ainda sem muita forma no visor. Minha barriga ainda está bem pequena. Há apenas um imperceptível volume se formando. Como eu uso roupas mais folgadas na maioria das vezes, é sutil o meu estado gestacional. Eu chorei muito naquele momento enquanto Apollo unicamente limpava as minhas lágrimas que desciam incontrolavelmente. Ele sussurrava palavras meigas para me tranquilizar. Eu também pude perceber seus olhos com algumas lágrimas contidas ao se deparar com aquele ponto no monitor. O sexo do bebê não foi identificado naquela consulta, mas, mesmo assim, optamos por não saber. Descobriremos apenas no meu parto. Depois, a doutora informou que o feto estava perfeito e saudável, e que a gestação transcorria bem. Já faz dois dias que Apollo está viajando. Eu sinto constantemente a sua falta, mesmo que ele me ligue várias vezes durante o dia para saber como eu e o bebê estamos. Por sorte, a viagem é nacional. Surgiu um imprevisto com alguma das mercadorias que estavam sendo despachadas no porto de Piraeus, em Atenas. Como o colaborador não conseguiu resolver, exigiu a presença de Apollo. Ele, a muito contragosto, teve que ir. Prometeu que voltaria o mais breve possível. Com o meu marido viajando, minha sogra me convidou para conhecer o centro da cidade. O estilo remetente à arquitetura francesa do lugar é muito charmoso e a atmosfera é bem agradável e acolhedora. Caminhamos entre as ruas e avenidas. Quando avisto em uma das vitrines de uma loja um lindo macacãozinho amarelo com uns sapatinhos, gorrinho e luvinhas, simplesmente me encanto e acabo comprando. É o primeiro presente que compro para o bebê. Depois de conhecer vários lugares, paramos em um café para comer algo. — Espero que esteja gostando da Grécia, querida. Não sabe como eu estou feliz por contemplar a alegria do meu filho pelo casamento. Eu sabia que, um dia, ele encontraria a mulher certa e se apaixonaria. — Creio que esteja enganada, senhora Lídia. Apollo não está apaixonado por mim. Ele está feliz, mas é pela chegada do bebê. Na verdade, tivemos um começo meio inesperado e eu acabei engravidando. O que acabou estragando os planos dele de se casar com a senhorita Kokkinos. — desabafei. — Mas é somente isso. — Pode me chamar apenas de Lídia querida. Não sabe como fiquei contente por essa quebra de acordo. Ele não seria feliz com a Eleni. Ela é muito esnobe. — Faz uma careta. — Na verdade, nunca suportei ela, muito menos a mãe esnobe. — foi sincera. — Nisso, tenho que concordar. Ambas têm os narizes muito em pé. Rimos juntas. Em seguida, ela me olha consideravelmente. — Kristen, não tenha dúvida de que o meu filho te ama! Ele pode demorar um pouco para demostrar esse sentimento, pois não teve um bom exemplo do que é um casamento saudável. Por isso, acredita veementemente que os seus genes puxaram aos do pai, que era um homem frio que vivia tendo um caso atrás do outro. — Ela me lança um olhar triste. — Eu sinto muito. — lamentei. Reconheço o peso de uma traição, pois senti na pele a dor de ser ferida. — Tudo bem, querida. Eu já superei. De certa forma, eu fui feliz ao meu modo. Ela dá um sorriso meigo, pega em minha mão e me assegura: — Oh, querida! É muito jovem ainda para perceber algumas situações. Mas eu digo com convicção de mãe que Apollo te ama. E não é só pelo bebê. É claro que ele está irradiante com a chegada do herdeiro também, contudo lhe ama de verdade. — Isso é impossível. — Estou sem acreditar. — Talvez esteja enfrentando o mesmo dilema dele. Por isso não consegue enxergar. Olhosapaixonados dificilmente conseguem perceber um palmo diante do nariz. É por esse motivo que, muitas vezes, as pessoas cometem algumas tolices. No entanto, releve e sejam felizes! — Sorri para mim. O que ela está sugerindo? Que eu estou apaixonada pelo meu marido? Neste momento, é como se uma grande venda destampasse os meus olhos. A quem estou querendo enganar? Sim! Eu amo aquele grego abusado. Minha negação vinha do fato de eu querer blindar o meu coração para ele não ser estilhaçado, porque sabia que se, de algum modo, eu me entregasse a essas emoções, Apollo acabaria o esmiuçando. E não sei se esse órgão vital teria conserto. Não posso me esquecer que esse casamento foi somente por causa do bebê. — pensei melancólica. Depois de uma manhã bastante proveitosa, nós nos despedimos e retornamos cada uma à sua mansão. À tarde, converso com a Bethany sobre como estão os negócios na loja. Ela me informa que está tudo perfeitamente em ordem e que as produções cresceram. Desse modo, ela teve que contratar mais alguns funcionários e até mais um estilista, já que as encomendas estão a todo o vapor. O que me deixa mega contente. Nesta semana lhe enviei 5 novos modelos inspirados em Mykonos. (...) A noite está gélida, a chuva cai em torrentes e o vento bate contra a vidraça da janela. Dá para constatar que, lá fora, está desabando um temporal e tanto. Neste momento, eu me sinto sozinha. Meu coração está sufocando de saudade. Anseio que Apollo esteja aqui comigo. Meu sono está tumultuado e agitado. Várias vezes me reviro na cama. Logo depois, sinto a presença de algo sólido junto a mim, transmitindo-me calor, segurança e sussurrando palavras acolhedoras no meu ouvido. Eu me entrego ao mundo do inconsciente. Em um determinado momento, quando não sinto o calor másculo próximo a mim, reviro-me no colchão e desperto. Quando percebo que há um vulto perto da janela, meu coração palpita forte, dando cambalhotas dentro do peito. Instantaneamente, constato que é Apollo. Ele está apenas com uma calça de moletom. Parece distraído olhando a chuva torrencial lá fora. Ainda tenho um certo medo de ser unicamente uma miragem à minha mente, então fico com receio de chamá-lo e o ver se desintegrar como fumaça. Entretanto, arrisco mesmo assim. — Apollo! — Ele desvia seu olhar da paisagem do lado de fora e olha para mim com um sorriso charmoso que estremece minhas estruturas. — Você está aqui. — sussurrei manhosa. Levanto-me da cama e vou ao seu encontro. Eu preciso senti-lo e saber que, realmente, ele não é uma ilusão da minha cabeça caótica. Apollo me recebe com um abraço caloroso que aquece o meu coração. — Sim, agápi. Sempre vou estar em qualquer lugar por você. — Veio neste temporal? Vejo-o confirmar com a cabeça. Meu coração se aperta ao imaginar que ele se arriscou nessa tempestade. — Eu não conseguiria ficar mais um segundo longe de você, agápi. — Captura meus lábios em um beijo doce e envolvente que faz cada poro do meu corpo incendiar. — Não sabe como eu desejava ter os seus beijos e tocar na sua pele. Eu estava morrendo de saudade. — Afasta brevemente os nossos lábios e me toma com mais volúpia, fundindo meu corpo ao dele. Posso sentir sua rígida ereção vir de encontro ao meu abdômen. Essa constatação deixa meu organismo em brasas. — Está excitado? — perguntei ofegante. O safado me olha com malícia. — Eu sempre estou excitado com você, agápi. Grego abusado! A verdade é que eu também o desejo. De modo ousado, olho dentro dos seus olhos repletos de tesão e espalmo uma mão no seu tórax rígido. Então, vou a descendo vagarosamente, sentindo a musculatura dele retesar sob o meu contato. Quando chego ao seu pau, por cima da calça, sinto-o dar um solavanco. Contorno seu sexo duro e potente, podendo constatar o quanto ele está animado. — Você parece um tarado, Apollo. Só pensa em sexo. — sussurrei manhosa, sentindo o fogo da luxúria percorrer as minhas veias. — Naí, agápi. Só com você. Eu sou tarado pela sua boceta e pelo seu corpo. Creio que, agora, irei me tornar um dependente da sua boquinha saborosa também. — disse malicioso, sem pudor algum. Terei que colocar um zíper na boca imoral dele. — Safado! — sussurrei ofegante. Sorrio e continuo a exploração, acariciando o seu membro rígido. Céus! Essa coisa parece ser maior sempre que a vejo. Contudo, não me intimido. Será uma nova intimidade a compartilharmos, pois nunca o toquei dessa maneira atrevida antes, apesar de já ter tido certa curiosidade. Ele sempre me instigava de modo despudorado para que eu o tocasse, mas sem me apressar, porque aguardava o meu momento. De maneira audaciosa, moldo a rígida extensão e me recordo do quão magnífico ele é. Um enorme volume está formado, forçando o tecido da calça e pedindo por liberação. Ouço-o arfar, cheio de tesão, quando eu o aperto mais ardorosamente em minhas mãos. — Kristen, querida, está me enlouquecendo. — sussurrou. Mordo levemente o seu queixo, atrevendo-me a ousar um pouco mais. — É esta a minha intenção. Quero tocá-lo de um modo diferente hoje, marido. — falei, deixando claro o que realmente desejo. — Caralho, Kristen! Estou quase gozando. Levo uma mão ao cordão da sua calça e brinco um pouco nessa região. Sinto Apollo trepidar sob o meu toque, e minha feminilidade palpita em antecipação das maravilhosas sensações que ele consegue me proporcionar. Desfaço o laço da calça, mostrando o meu intuito. — Vai chupar meu pau, agápi? Eu coro. Que depravado! — Apollo, você é tão despudorado. Necessita de um vedador nessa boca indecente. Ele sorri malicioso. — Você gosta, agápi, quando eu falo sacanagem no seu ouvido enquanto estou te fodendo. Filho da mãe convencido! Realmente, quando ele sussurra indecências no meu ouvido, meu corpo entra em ebulição. Posso sentir que suas obscenidades surtem efeito sem nem mesmo ele me tocar. Sinto minha intimidade úmida e pronta para recebê-lo. Que estranho fascínio Apollo usa em mim? — Eu a desejo muito, agápi. Talvez não consiga durar muito. — Suas palavras me dão o encorajamento que necessito. Almejo fazê-lo perder o controle. — Tire o pijama, Kristen! Quero ver seus seios. — Apalpa-os por cima do tecido de cetim. Grego atrevido! Minha vontade é de estapear sua mão cobiçosa. Entretanto, a sensação deliciosa que seu toque causa nos meus mamilos intumescidos, está me deixando em chamas flamejantes de luxúria. Sem demora, ele me auxilia a me livrar da peça e seu olhar escuro queima sobre a minha pele desprotegida. Saio da forte atração que ele me provoca e prossigo no meu objetivo. De algum modo, anseio veementemente por essa nova experiência. Quero sentir sua carne rígida entre os meus dedos e sua textura entre os meus lábios. Preciso desfrutar do seu sabor, assim como ele faz comigo. Tento parecer uma mulher confiante, mesmo estando um pouco nervosa com a nova exploração. Deslizo vagarosamente até o chão. Céus! Seu volume já é enorme e está a ponto de estourar a calça. Pela barraca formada, tenho certeza que o safado está sem cueca. Com as mãos ainda trêmulas, desço sua calça até os tornozelos e... Putz! Caramba! Sua anaconda surge na minha frente tão dura como um mastro de ferro. Sua estrutura bela e magnífica me faz salivar apenas por eu me imaginar degustando o seu sabor. Porém, um receio de não saber o que estou fazendo, domina-me. Eu seria capaz de deslocar minha mandíbula com sua geringonça enorme na minha boca. Além de ser grande, é bem grosso. Céus! Neste instante, uma certa insegurança me toma e eu hesito. CAPÍTULO 26 APOLLO AMAZZOTTY Uma verdadeira tormenta está desabando em Corfu. Depois de solucionar o ocorrido no Porto de Pireus e normatizar a papelada para o despache da mercadoria, decidi retornar para casa ainda hoje. Meu peito já não suporta mais a saudade que sinto da minha esposa. A viagem seguia tranquila no meu iate, até eu ser pego por uma tempestade intensa. A sorte é que eu já estava quase chegando em casa. Intempéries como essas, pode ser fatal em alto mar. Quando desço no Porto de Corfu, o motorista já estáme aguardando sob o denso aguaceiro. Mesmo que eu esteja com uma capa de chuva, acabei me molhando, já que a tempestade está incessante. Quero fazer uma surpresa para a minha agápi. Por isso não mencionei nada sobre o meu possível regresso ainda hoje. Chego à mansão embaixo da forte chuva. Depois de me livrar da capa, vou direto para o meu quarto. Quando adentro o cômodo, vejo minha esposa deitada na cama e um abajur de luz tênue aceso sobre a cômoda, iluminando suas belas feições de ángelos. Percebo que a colcha está toda revirada, indicando que ela estava tentando conciliar o sono. Quero acreditar que sua insônia foi por minha causa, por sentir a minha falta, mas não albergarei tamanha ilusão. Apenas o fato de estarmos nos dando bem como casal, já me agrada demais. Contudo, é claro que, um dia, almejo ganhar o seu coração, sem nenhum indício de outro homem dentro dele. Eu me corroo de ciúme apenas por considerar que ela ainda aloja algum sentimento por aquele infeliz do ex-noivo. Não me arrependo de nada do que fiz, porque, finalmente, ela é minha. Sorrio quando contemplo um rastro de um sorriso no momento em que deslizo um dedo pela sua bochecha suave. Meu corpo, de imediato, reage à proximidade com a minha esposa. Depois me afasto e sigo para o banheiro a fim de reprimir o forte ardor que só ela me desperta. Tomo um banho quente. Há muitos anos não pego um resfriado, no entanto não posso facilitar. Após a ducha, visto apenas uma calça de moletom. Mesmo com o clima frio, sinto o meu corpo em chamas somente pela consciência do corpo deleitoso de Kristen tão perto do meu. Assim que saio do closet, avisto sua figura pequena se remexer na cama. Parece ter despertado. Quando vou até lá, constato que ela ainda dorme, embora se revire entre os lençóis como se ansiasse por algo. Para acalmá-la e sem despertá-la, deito-me ao seu lado e a aconchego entre o meu peito. Instantaneamente, sinto-a se acalmar. É como se tivesse conhecimento de que eu estou aqui. Após eu sussurrar palavras de aconchego, ela volta a dormir serenamente. — Eu te amo, minha menina! I monadikí mou agápi (Meu único amor)! — falei suavemente no seu ouvido, embalando-a em meus braços. O corpo primoroso da minha mulher está colado ao meu, e a consciência de que eu não a sinto há dois dias, trazem pensamentos obscenos para mim. Sou assolado por um ardor irrefreável. Caralho! Isso é tão malditamente impróprio. Minha esposa está dormindo serenamente enquanto eu só penso em obscenidades com ela. Meu pau está rígido e doloroso. Em um salto, abandono a cama antes que eu não consiga resistir à tentação de olhos verdes e a reivindique para mim. Sigo em direção à janela e fico olhando a paisagem lá fora. Quem sabe, dessa maneira, eu consiga refrear a minha libido? Tento me distrair com a chuva açoitando as árvores, porém é impossível, porque o quarto todo está impregnado com o cheiro da minha mulher. Logo ouço um sussurro me chamando. — Apollo! — Viro-me em sua direção. — Você está aqui. — afirmou sem parecer muito convencida da minha presença. Rapidamente, ela vem ao meu encontro e eu a recebo com um abraço acolhedor. Kristen me aperta como se tivesse medo de que eu suma de repente. Eu sorrio. — Sim, agápi. Sempre vou estar em qualquer lugar para você. Neste momento, ela me olha preocupada. — Veio neste temporal? Faço um sinal positivo. Eu seria capaz de enfrentar muitas outras tormentas se a recompensa final fosse ela. — Eu não conseguiria ficar mais um segundo longe de você, agápi. — Apodero-me dos seus doces lábios ardorosos. — Não sabe como desejei ter os seus beijos e tocar na sua pele. Eu estava morrendo de saudade. — Volto a esmagar seus lábios contra os meus de um modo selvagem. Sinto seu corpo quente se fundir ao meu. Cada curva perfeita sua se encaixa a mim com precisão. Caralho! Estou com o pau a ponto de explodir por causa do tesão que minha mulher me incita. — Está excitado? — Ouço o seu arquejo baixinho. Ela deve ter constatado a minha barraca contra a sua barriga. Minha ereção não é nada modesta neste instante, pois está demonstrando todo o seu vigor. — Eu sempre estou excitado com você, agápi. — sussurrei de modo libidinoso. Logo constato um brilho ousado no seu olhar. A minha esposa provocadora está se tornando cada vez mais confiante em cada ato sexual. O que me deixa em êxtase. Ela me encara com seus olhos verdes misteriosos que escondem o seu encanto de menina-mulher que me deixa louco. De modo audaz, minha pequena espalma uma mão contra o meu peito e a escorrega lentamente pelo meu tórax. É uma carícia leve e um simples roçar entre peles, mas... Caralho! Parece que todo o sangue do meu corpo está fluindo insanamente para o meu pau, que agora está tão sólido quanto uma rocha. Meu corpo todo fica tenso com a expectativa do seu toque. Logo depois, Kristen, de modo ousado, sussurra algo sobre eu ser um tarado por sexo. Eu sorrio com malícia. Realmente, devo reconhecer que em boa parte do dia, quando não estou com ela, imagino-a em minhas fantasias mais imorais e nas várias maneiras como quero foder sua boceta gostosa. — Naí, agápi. Só com você. Eu sou tarado pela sua boceta e pelo seu corpo. Creio que, agora, irei me tornar um dependente da sua boquinha saborosa também. — Safado! — seu sussurro saiu abafado. Kristen, de maneira petulante, continua com os seus afagos, contornando o meu membro. Ele pulsa descontroladamente e ansioso em suas mãos. Gemo de tesão quando a minha esposa ardorosa e safada aperta o meu pau com ímpeto por cima da calça. Ela nunca havia me tocado de forma tão íntima antes, mesmo comigo sempre a incitando. — Kristen, querida, está me enlouquecendo. — sussurrei sôfrego. Ela, decidida, morde levemente o meu queixo, espalhando uma sensação arrebatadora por todo o meu corpo. — É esta a minha intenção. Quero tocá-lo de um modo diferente hoje, marido. Porra! Estou quase gozando somente com as palavras de luxúria da minha esposa. Mesmo que ela não tenha citado nenhum linguajar impróprio, deixou meu corpo como uma barragem prestes a estourar, pois estou imaginando agora a sua boca ardorosa sorvendo o meu pau de modo lascivo, como sempre fantasiei. — Caralho, Kristen! Estou quase gozando. — Minhas palavras obscenas parecem fazê-la adquirir mais coragem. Sem pressa, ela brinca com o cordão da minha calça. Estremeço sob o seu toque meramente por divagá-la libertando o meu pau do seu confinamento. — Vai chupar meu pau, agápi? — perguntei só para provocá-la. Kristen não faz ideia de quantas vezes projetei essa fantasia em minha mente pervertida. Percebo um lindo nuance de rosa cobrir suas bochechas, mas ela logo se recupera. — Apollo, você é tão despudorado. Necessita de um vedador nessa boca indecente. — sussurrou ofegante. — Você gosta, agápi, quando eu falo sacanagem no seu ouvido enquanto estou te fodendo. — murmurei me recordando das suas doces entregas. Quando ela está próxima ao êxtase, explode com algumas palavras indecentes e cruas. — Eu a desejo muito, ángelos mou. Talvez não consiga durar muito. — Percebo sua postura determinada. O que me deixa ainda mais aceso de tesão. — Tire o pijama, Kristen! Quero ver os seus seios. — Minhas mãos moldam os seus dois montículos já pontudos com o meu contato. Quero ver seus seios pontudos enquanto gozo na sua boca quente e macia. Com presteza, auxilio ela a se livrar da vestimenta. Antes que eu tenha tempo de retornar minha devoção aos seus montículos suculentos, Kristen volta sua atenção ao seu objetivo. Caralho! Quando a vejo se ajoelhando diante de mim como uma submissa sensual, meu cacete vibra indecentemente, duro e pronto para ela. Observo-a levar a mão até o cós da minha calça e a deslizar vagarosamente pelas minhas pernas, até os tornozelos, libertando a minha agonizante ereção do seu enclausuramento. Percebo que ela analisa descaradamente o meu pau, mas, ao mesmo tempo, noto certo receio nela. — Toque-me, Kristen! — sussurrei, incentivando-a. Eu necessito do seu contato na minha pele. Mesmo que eu me desintegreem suas mãos devido ao tamanho tesão que me domina, almejo o seu tato. Imediatamente, conduzo sua mão pequena até o meu pau e... Putz! Caralho! A sensação é sublime. Ter sua palma pequena e sedosa rodeando o meu membro é malditamente perfeito. Solto um pequeno grunhido quando Kristen a move em um delicioso vai e vem pelo meu eixo, que pulsa incontrolavelmente contra sua mão macia e ardente. Tenho que fazer um controle sobre-humano para não vir à tona no mesmo instante. Minha esposa está diante de mim em uma posição de completa submissão, entretanto sou eu quem estou dominado totalmente pela sensação carnal inigualável que ela me proporciona. Em suas mãos, sou como um menininho indefeso inteiramente entregue ao seu feitiço de mulher. Em alguns momentos, Kristen parece um pouco insegura, em outros mais ousada. Cada vez que suas carícias se aprofundam, fica mais difícil conter meu entusiasmo. Nunca estive tão perto de gozar em um sexo oral com apenas alguns manejos. Porra! E ela ainda nem colocou a boca no meu pau. O espetáculo despudorado que tenho à minha mercê, deixa-me cheio de ardor. Meu líquido pré-ejaculatório lambuza a cabeça do meu pau e Kristen o espalha com seus afagos fervorosos por toda a minha extensão. Provavelmente, nem percebeu que estou prestes a vir. Logo a observo levando a língua aos lábios, umedecendo-os. Está pronta para me degustar. Com ousadia, ela leva os lábios rosados até a cabeça do meu membro e... Puta que pariu! A sensação é devastadora. Sua boca úmida e quente me englobando está me deixando louco. Sinto arrepios sucessivos causados pela excitação e noto que Kristen está completamente absorvida pela experiência. É inegável a sua satisfação ao me provar. Meu membro não cabe todo em sua boca e ela parece um pouco inexperiente para tentar uma garganta profunda, porém a conexão com seus lábios e mãos de fada é perfeita. A textura da sua língua molhada e quente rodopiando a cabeça sensível do meu membro está quase me levando ao espaço. Ela ordenha meu pau com uma desenvoltura nata, apesar de ser apenas uma amadora. Suas carícias estão quase me levando ao delírio. Repetidos rugidos escapam da minha boca por causa do tamanho prazer que ela me submete. — Está bom assim? — ela perguntou para me provocar, porque sabe que eu estou ao ponto de não resistir. Minha pequena feiticeira sedutora! — Se me der mais prazer do que está me proporcionando, agápi, creio que não suportarei. — murmurei louco de tesão. Ela retoma os seus movimentos febris sobre o meu membro. Sentindo que meu ápice já está próximo, prendo o seu cabelo com uma mão e penetro em sua boca, respeitando o seu limite. Caralho! A cena é linda e sexy. Kristen me olha sedutoramente com a boca preenchida pelo meu pau. Eu sinto o meu membro crescer e latejar em sua cavidade. Estou prestes a explodir, mas tento me conter o máximo que posso para segurar o gozo, entretanto as sensações são libidinosamente deliciosas para suportar. Quando ela intensifica suas ações, tocando em meu saco como uma perita sedutora, percebo que não durarei muito tempo. — Kristen, querida, eu vou gozar. Então, se não quiser que eu venha em sua boca, é melhor se afastar. — sussurrei em um fio de voz, quase perdendo o ínfimo controle que ainda me resta. Se ela não quiser provar a minha essência, pode se afastar para eu gozar em seus peitos divinos. — Dê-me o seu prazer, marido! — pediu de modo atrevido. Esse é o meu fim. Minha estrutura estremece e meu gozo sai em um jato violento, enchendo a boca safada dela com a minha essência. Rosno ensandecido, completamente subjugado pelo indescritível prazer que minha pequena feiticeira me proporciona. Meu coração está martelando, descoordenado e louco dentro do peito. Uma sensação de alívio me toma. Olho para o ángelos mou (meu anjo). Neste momento, estou me recuperando do estupendo orgasmo que me assolou. Apesar disso, continuo com o pau semiereto vendo a minha esposa sedutora limpando os últimos vestígios da minha porra dos seus doces lábios. Puta que pariu! O seu gesto provocante me deixa com um tesão desenfreado. Kristen é um potinho de surpresa, minha fantasia íntima que nunca terá fim. Quanto mais tento desvendar os seus mistérios de ninfa, mais me surpreendo. Com um sorriso malicioso, questiono: — Está preparada, ángelos mou? A noite está apenas começando. Vou saboreá-la demoradamente como se degusta um delicioso manjar. Eu a possuirei com a força de uma tormenta. — Pisco um olho para ela e me livro da minha vestimenta. — Vou meter tanto nessa bocetinha que, provavelmente, você ainda estará me sentindo amanhã. Pego a Kristen no colo e sigo para a cama. — É o que mais desejo, marido. — falou com ousadia. Deposito-a suavemente sobre o colchão, contemplando toda a sua perfeição. A cada dia fico mais encantado com o seu desabrochar de menina-mulher na cama. — Minha gatinha manhosa! É muito bela, agápi! Ainda mais assim, quando está totalmente entregue depois do prazer. Mesmo que eu, ainda, não tenha lhe proporcionado nenhum. Ela sorri sedutoramente. — Eu senti prazer, marido, de um jeito diferente. Você me deixou excitada. — Morde o lábio inferior. Ela leva uma mão ao seu seio e massageia o bico pontudo delicioso enquanto conduz a outra mão ao seu centro de prazer por cima do shortinho do pijama e toca em seu pontinho dolorido com movimentos circulares. Caralho! Seu entusiasmo despudorado faz meu pau se erguer com energia renovada. Rapidamente, seu olhar ardoroso recai sobre o meu membro, que lateja faminto com a ânsia do seu calor. — Agora é a minha vez de me deliciar da sua calidez, agápi. — Termino de despi-la da última peça. — Vou lamber cada pedacinho da sua pele deliciosa, começando por aqui. — Englobo o seu seio com uma mão libidinosa e aperto o mamilo delicado entre os dedos enquanto ouço o seu rosnado sensual. — Depois vou chupar cada recôndito da sua boceta deliciosa até fazê-la implorar pela minha posse. Levo minha boca até o seu monte suave e sugo o mamilo pontudo. À medida que ele cresce, intumesce em meus lábios, deixando-me louco com o seu sabor. Chupo-o com brusquidão, fazendo-a soltar um gemido de luxúria por seus seios estarem mais responsivos. Kristen parece uma bela sereia sedutora com os cabelos esparramados pelo colchão, pronta para o ato sexual. Depois de levá-la ao limite com os meus dedos hábeis e a minha língua irreverente, não tarda muito para que eu esteja a tomando de modo selvagem e sensual. Enquanto o lado de fora é assolado por um temporal desregrado, dentro do quarto somente se pode ouvir os sons ardorosos de dois amantes famintos e desejosos que necessitam um do outro. Kristen está tão sedenta de luxúria quanto eu. Só a deixo quando ela cai esgotada nos meus braços pela intensa maratona sexual. Meu peito se enche de regozijo quando contemplo seu rosto de ángelos demonstrando todo o deleite da nossa paixão. Tão somente assim, permito-me mergulhar no mundo do inconsciente, tendo a certeza de que mesmo não a merecendo, é malditamente certo ela estar dormindo em meus braços. CAPÍTULO 27 KRISTEN AMAZZOTTY 2 dias depois Acordo com o corpo todo lânguido da noite anterior. Meu marido é uma tempestade sexual na cama e está me deixando tão insaciável quanto ele. Ainda me sinto ardida por causa da sua posse impetuosa e gulosa. Mesmo assim, é uma sensação deliciosa ter sua marca em mim. Meus seios estão com alguns arranhões causados pela sua barba. Mas não me importo, porque gosto da pegada mais intensa que o meu grego tem. Viro-me na cama e percebo uma linda rosa amarela no travesseiro. Sorrio como uma boba com o singelo gesto. Pego-a e aspiro o seu delicado perfume. Quem diria que o meu grego é um homem romântico? Depois que faço minhas higienes e visto uma roupa confortável, desço. Agnes me avista e me cumprimenta em um inglês carregado de sotaque, no entanto bastante compreensivo. — Bom dia, senhora! Vai tomar o seu café agora? — perguntou simpática, ajeitando um lindo arranjo de flores sobre a mesa. — Bom dia, Agnes! Agora não.— Sorrio. — O meu marido já saiu? — O senhor Amazzotty está no escritório, senhora. — Ele já tomou café da manhã? — Acabei de lhe servir apenas um café no escritório. — Obrigada! — Caminho para lá. Quando chego perto da porta, penso em bater, mas retraio a mão a tempo e decido entrar. Quero lhe fazer uma surpresa. Logo avisto sua figura imponente junto à janela. Ele está distraído, conversando no celular. — Então, Josh, como anda o processo da nova auditoria? — Percebo que ele está falando com o papai sobre negócios. Como não quero interrompê-lo, aguardo-o encerrar a ligação. — Perfeito! Em breve terá o relatório em mãos. — Vejo ele suspirar impaciente. — Claro. Só dará um pouco de trabalho se o miserável tiver desviado o montante para algum banco na Suíça. O que é o mais provável. Isso demandaria mais algum tempo para os especialistas rastrearem o dinheiro. Ainda tem toda uma burocracia envolvida até o bloqueio da conta. O patife deve ter sido esperto e colocado no nome de algum laranja. A não ser que seja algum amador. O que duvido muito. Meu pai está passando por algum problema na empresa? Tudo indica que sim. Agora, recordando bem, lembro-me que alguns dias antes do casamento, eu sempre o notava inquieto, como se algo grave o atormentasse. É claro que eu constantemente lhe perguntava se ele estava passando por algum inconveniente. No entanto, o mesmo desconversava e mudava de assunto para não me preocupar. Deus! Como fui cega e não percebi antes! Neste instante, Apollo se vira e me avista. Percebo o seu corpo ficar um pouco tenso, mas sua fisionomia se suaviza rapidamente. — Ah... Josh, eu preciso desligar. Minha esposa está aqui. — Faz uma pausa. — Ok. Não se preocupe! Mantenha-me informado! — Encerra a ligação e guarda o aparelho. Sem demora, ele vem na minha direção e me recebe com um abraço e um selinho. — Bom dia, agápi! Não ouvi quando você bateu na porta. — Bom dia! Na verdade, eu não bati. — Lanço-o um sorriso amarelo enquanto ele ergue uma sobrancelha, zombeteiro. — Estava falando com o papai? — Sim. Espero-o mencionar algo mais, porém percebo que ele não dirá nada. — O que está acontecendo na compania do meu pai, Apollo? — resolvi perguntar sem rodeio. Ele me analisa e um vinco se forma em sua testa. Parece ponderar o quanto escutei. — Não adianta mentir. Eu escutei algo sobre desvio para algum banco da Suíça. Ouço seu suspiro exausto. — Theós! Não quero que você se aflija à toa, agápi. Sinto vontade de quebrar algo na sua cabeça e o fuzilo com o olhar. — Ou me fala agora, ou eu mesma ligarei para o papai. Se ele se recusar a me dizer algo, eu irei até San Diego e descobrirei. — falei resoluta. — Ok, agápi. — Suspira pesaroso. — Seu pai suspeita de lavagem de dinheiro na empresa, mas todas as providências já estão sendo tomadas. — Por que eu sou sempre a última a saber? — indaguei chateada. — Venha aqui, mikró mou (minha pequena) irritadinha! — Enlaça-me pela cintura. — Josh quer apenas poupá-la. Não há nada concreto. Se houve fraude ou não, deu tudo ok no primeiro relatório, contudo seu pai continua com dúvidas ainda. Por isso indiquei uma excelente firma para ele. Em breve sairá uma análise mais minuciosa sobre isso. — Encerra o assunto. — Obrigada, Apollo! — Eu o abraço e ele me dá um beijinho na testa. Depois analisa as minhas feições. Seu olhar está intrigado como se ele não compreendesse o que sua atitude envolveu. — Por que está me agradecendo? — Por ter confiado em mim. Foi um gesto muito importante. — Eu confio em você, agápi. — Lança-me um sorriso divertido. — Agora... Creio que o meu garotão precisa de alimento. Vamos tomar café? Depois terei que ir ao escritório. Tenho uma reunião com um novo cliente. Além disso, tenho um novo projeto para concluir. — Leva-me para fora do escritório. Meu marido é cheio de mistérios. Além de ser um CEO bem sucedido na área da marinha mercante no que diz respeito a transporte de cargas internacionais, ele, também, é um brilhante engenheiro naval que desenha e constrói suas próprias embarcações. Fiquei admirada quando o flagrei em uma manhã com seus desenhos. Amei descobrir que temos uma grande paixão por rabiscos. Uma simples folha de papel e um lápis fazem artes por meio de nossas mãos talentosas. Só não vou retrucar esse grego convencido por dizer que minha menininha é um garotão, porque estou com um excelente humor. (...) Na parte da tarde, Apollo comunica que chegará um pouco mais tarde em casa, pois surgiu um imprevisto na empresa que necessitará da sua presença. Desse modo, passo a tarde desenhando alguns modelos de croquis inspirados nas ilhas gregas. Muitos casais vêm de diferentes partes do mundo para se casarem em Santorini, portanto estou fazendo uma coleção voltada exclusivamente a essa temática. Depois de traçar alguns esboços, resolvo ir fazer uma caminhada pela praia. Gosto de andar todos os dias com Apollo de mãos dadas pela areia do mar, mas como ele chegará tarde hoje, eu terei que ir sozinha. Estou muito ociosa de exercícios físicos ultimamente. Troco de roupa, optando por uma calça de moletom e uma camiseta leve. Calço os meus tênis, pego o meu mighty player, que já está conectado à minha lista de músicas favoritas do Spotify, apanho o meu fone sem fio e sigo para a minha caminhada. Não me distancio muito da mansão. Como a praia é próxima, fico caminhando por perto, pela vastidão de areia. Faço alguns alongamentos leves. O mar é um espetáculo de um azul profundo. Ele me convida a um mergulho, porém como não estou apropriadamente vestida para esse propósito, desligo o meu mighty e fico somente curtindo o som da maré e o clima gostoso do momento. Admiro o belo entardecer. Antes que fique muito tarde e escureça, resolvo retornar para a mansão por um caminho um pouco mais íngreme que economizará o meu tempo. Começo a subir o pequeno monte de areia. Instantaneamente, os pelos dos meus braços eriçam. Não sei por qual motivo. É como se algo ruim estivesse prestes a suceder. Sinto que alguma coisa sombria me observa. Céus! Devo estar paranoica. Creio que estou assistindo muitas séries de suspense. Deve ser isso. Quando não estou nem na metade do caminho, um vulto surge repentinamente no meu campo de visão e minha espinha congela no mesmo instante. A figura, que até pouco tempo era indistinta, agora, percebo que se trata de uma mulher em um traje todo branco. Não é uma roupa qualquer, e sim um vestido de noiva. O susto me faz estacar completamente no lugar. Ela está de costas para mim e, dos seus lábios, ouço o sibilar de uma marcha nupcial. Meu coração bate desregrado na caixa torácica devido ao pavor que me domina. Parece até que estou presa em um filme de terror. O que estou vivenciando se assemelha àquelas lendas urbanas de noiva no cemitério. Só muda que é em um cenário totalmente diferente. Será que alguém está querendo me pregar uma peça? Penso em seguir de volta até a praia e pegar o outro caminho, contudo não dá tempo, porque a mulher logo se vira em minha direção com um sorriso diabólico que congela até a minha alma. Não pode ser. Eu conheço esse vestido. E pior ainda: conheço essa mulher. CAPÍTULO 28 KRISTEN AMAZZOTTY Eleni! — meu subconsciente gritou. O que ela está planejando com esse teatro? Seus olhos castanhos me encaram e eu posso ver puro ódio refletido neles. Observo-a levantar um pouco do tecido do vestido para não o arrastar pelo chão e vir em minha direção. — Ora, ora! O que temos aqui? A pequena ladra de maridos. — Olha causticamente para mim, fuzilando-me com total hostilidade. Sua postura demonstra todo o desprezo que ela sente por mim. Tento levar a situação numa boa. Eleni parece não estar com o seu psicológico estabilizado. Por um lado, eu a entendo. Deve estar se sentindo ferida pelo modo brusco como Apollo rompeu o noivado. Em um momento, ela tinha um futuro totalmente seguro, e no outro lhe tiraram absolutamente tudo. Deve ter sido um choque para ela ser trocada porque outra engravidou. Eu a compreendo, de certa maneira. Mesmo que o seumatrimônio com Apollo fosse unicamente um acordo, ela deve ter visto o seu mundo desmoronar do dia para a noite. Pelo pouco que conversei com minha sogra, ela deu a entender que a família Kokkinos está passando por grandes dificuldades financeiras, e o casamento com Apollo seria a única saída para os levar à alta elite grega novamente. É claro que a união, consequentemente, tiraria eles da bancarrota. — Senhorita Kokkinos, eu não sei ao que se refere. Não obriguei o Apollo a romper o acordo, nem nada do tipo. — defendi-me. — Cale a porra da sua boca, sua puta maldita! — Trucida-me com o olhar gélido. — Você não passa de uma vadia! Não sabe como eu a odeio! — esbravejou. — Está vendo a porcaria do seu vestido? — Começa a rasgar o tecido da saia, formando uma poça de farrapos nos seus pés. — Não sabe como me arrependo de ter encomendado ele com uma meretriz como você. Larápia de noivos! — Eleni, cale-se! Eu não permitirei que me insulte. Sei que deve estar magoada, mas eu não participei de nenhum ardil. — falei firmemente, sem me intimidar. Ela solta uma risada maléfica e me olha sarcasticamente. — Vai negar que foi a puta do meu noivo? Que eram amantes? O pior é que eu o coloquei diretamente em suas mãos com a notícia da gravidez. — Ri com ironia. — Fui tão estúpida que não percebi os mínimos detalhes naquele dia: o seu desmaio quando ele entrou na sala, a palidez no rosto de Apollo quando eu mencionei o seu estado... — Olha-me intensamente. — Maldita a hora em que lhe recebi em minha casa! Só trouxe desgraça sobre a minha vida! — acusou-me. Ela está ressentida. Até certo ponto, é compreensível o seu amargor, pois já vivenciei esse tipo de experiência antes. O sentimento de ser traída é horrível. Logo, eu também sou tomada por uma raiva profunda. Tudo isso é culpa daquele grego libertino e inescrupuloso. É inegável que ele agiu de forma sórdida comigo e com Eleni. Estava comprometido com uma e transando com outras. No fim, portou-se igual ao Jimmy: como um grande escroto. — Eu não era amante de Apollo. Sei que não é justificativa, mas foi somente um fim de semana e eu não tinha conhecimento de que ele era comprometido. Que era um libertino, eu sabia. Tanto que o evitava. Entretanto, eu não tinha ciência de que Apollo estava noivo. Caso contrário, nunca teria me envolvido com ele. — Cadela mentirosa! — vociferou. — Você sempre quis me roubá-lo. Pensa que não sei do seu plano sórdido? — expôs algo sem nenhuma coerência. — Veio à Grécia exatamente para isso. Já tinha o propósito de roubar o meu noivo e usurpar o meu lugar. — enfatizou debilmente. — Está completamente demente. — acusei-a. — Nunca ambicionei nada que é seu. Nem sabia que você tinha alguma ligação com Apollo. Ela começa a rir escandalosamente. A sua gargalhada de escárnio mais se assemelha a um elefante tocando trombeta. — Ele não te ama. Não pode amar ninguém porque o coração dele é tão frio que, há muito tempo, congelou. Não existe espaço para o amor lá. Apollo só se casou com você por causa do golpe da barriga que aplicou nele. — assegurou. — Se não fosse por esse bebê maldito, ele teria se casado comigo. Sua afirmação mesquinha é como se fosse uma pedra enorme esmagando o meu peito. Eu já tinha conhecimento desse fato, mas vê-lo sendo proferido por uma mulher tão esnobe quanto Eleni, faz eu me sentir mal. Meu coração está sufocado com o peso da verdade. Tudo o que vivi com Apollo, não passou de uma simples quimera, de uma mera projeção da minha mente apaixonada. No fim dessa ilusão, apenas me machucarei. Quanto tempo levará para esse logro se dissipar como uma nuvem? É um dissabor amargo no fundo da alma que tão somente me fere de maneira profunda. Até que ponto eu continuarei aceitando essa situação, sendo masoquista? Meus olhos se enchem de lágrimas. Estou na eminencia de romper na frente de Eleni Kokkinos. Eu levo uma mão à minha barriga e ela acompanha minuciosamente cada movimento. — Maldito pimpolho! — esganiçou aos berros, percebendo meu gesto protetor sobre o meu ventre. Um olhar ardiloso toma conta da sua feição. — Se esse pequeno estorvo não existisse, tenho certeza de que Apollo voltaria para mim. — Agora, eu tenho plena convicção de que você está completamente maluca. Não chegará perto do meu bebê! Antes, eu arranco cada fio do seu aplique de quinta. — berrei como uma verdadeira leoa na proteção da sua cria. — É original. — relampejou consternada com a minha ofensa às suas madeixas falsas. Não me importo com o seu falso ultraje. Estou bufando neste instante, mas de pura raiva. Que Eleni não ouse tentar nada contra o meu bebê! Ou ela me conhecerá de verdade. — Você pode falar o que quiser comigo, mas não ouse ameaçar o meu filho! — exigi. Minhas emoções ainda estão abaladas com esse encontro catastrófico com Eleni. Não permitirei que ela faça mal nenhum ao meu bebê. Sinto fagulhas de raiva percorrerem o meu organismo. Só quero meter a mão na cara dessa esnobe sem noção. Suspiro, buscando controle. Não posso agir por impulso. É perceptível que ela está desequilibrada. Não me rebaixarei ao seu nível, afinal, ela não está se lamentando porque perdeu um grande amor, nem nada do tipo. Está se lamentando meramente porque perdeu sua galinha de ovos de ouro. — Se me der licença agora, eu preciso voltar para casa. Como pode ver, já está ficando tarde. — falei determinada. Tento passar por Eleni e seguir adiante com o meu percurso, porém ela não permite e segura o meu braço com uma certa força. — Espera! Eu ainda não terminei com você. — protestou. Rio sem humor algum. — Terminar comigo? Você não vai nem começar. Eu não tenho nada a ver com o acordo de faz de contas que você tinha com o Apollo. E meu bebê está fora dessa equação. — Minha expressão está carrancuda. — Agora, solte-me! — Tento me mostrar inabalável, mas por dentro estou uma espécie de vulcão prestes a vir à tona. — Maldita! Eu vou acabar com você! — Desfere-me um tapa. Apesar de eu ficar um pouco tonta e sem reação por conta de não estar esperando pela agressão, rapidamente me recupero e agradeço a Deus por estar com uma roupa maleável que me permite uma melhor execução dos meus movimentos. Sem demora, livro-me do seu agarre doloroso no meu braço e lhe devolvo o tapa em uma sonora bofetada. Ela fica surpresa com a minha atitude. Não a espero se reestabelecer, apenas prendo os seus cabelos entre os dedos e arranco um tufo de fios ruivos que saem do aplique. Eleni está pasma com a minha ação. Ao notar suas madeixas em minhas mãos, fica histérica. — Pequena selvagem! — bradou. Seus olhos estão vermelhos com um genuíno ódio. Quando ela vem de novo em minha direção como uma vaca indomável, apenas desvio do seu caminho e deixo o pé de propósito na frente para que ela tropece. Ela cai com a cara esnobe no chão. — Espero que tenha aprendido a lição. — Começo a me afastar. Ouço seus murmúrios de lamentação: — Por favor, Kristen! Ajude-me! Acho que você quebrou o meu braço. Não tenho como me levantar. Olho para trás e vejo que, realmente, o seu estado é deplorável. Ela geme de dor. Eu deveria deixá-la à própria sorte e seguir o meu caminho, contudo não consigo agir de modo ardiloso como ela. Retorno novamente para ver o seu estado. Ainda está deitada no chão. Sua cara está toda ralada e suja de poeira, e da sua boca está saindo um filete de sangue. Ela não parece ter quebrado o braço, mas sua expressão é de um cachorro vira-lata no meio da rua. Totalmente diferente de alguns minutos atrás, quando parecia um cachorrinho de madame. — Tudo bem. Eu a ajudarei porque não sou maquiavélica como você. Porém, nunca mais ouse ameaçar o meu bebê! Se tem algo pendente entre você e Apollo, sugiro que resolva com ele. Meu filho não tem culpa de nada. Estendo um braço para que Eleni possa se firmar nele e se levantar. Ela faz isso, todavia não para mim. Unicamente tira a poeira da sua vestimenta, que se encontra arruinada. — Obrigada, Kristen! — sussurrou a contragosto. Levo um choque. Não acredito que a senhorita esnobe acabou de me agradecer.— Tudo bem. Parece que não quebrou o braço afinal. — Não. Ele está bem. — admitiu. — Você é uma pessoa generosa, Kristen. Entretanto, tenha cuidado! Essa sua bondade pode lhe pôr em perigo. — Limpa o sangue dos lábios. Por um instante sinto um calafrio percorrer minha espinha. Quando olho para o seu rosto arrogante, posso contemplar um sorriso maléfico se desenhar em seus lábios. — É uma estúpida. Nunca acredite no inimigo! Ele usará qualquer método sujo para atrair sua presa. — advertiu. — Do que está falando? Antes que eu tenha tempo de prever sua ação, ela me empurra, fazendo com que eu perca o equilíbrio. Como eu estou próxima da beirada do monte de areia, sinto a pequena barreira sumir sob os meus pés. Um grito agonizante escapa do fundo da minha garganta e eu saio rolando ladeira abaixo. Minha única reação é proteger o meu bebê de alguma forma. No entanto, como não tenho muito o que fazer, chego à base do pequeno monte e bato com a cabeça em uma pequena pedra. Meu corpo está dolorido e eu sinto o sangue verter da minha fonte. Olho para cima e vejo a figura bizarra de Eleni comemorando a sua intrepidez. — Não se preocupe, pequena vadia! Amanhã mesmo estarei consolando o Apollo em seu velório. — Solta uma estrondosa gargalhada e some do meu campo de visão, voltando a sibilar a canção da marcha nupcial. Tento me mover, mas não consigo. Ainda estou paralisada pelo estupor da queda. Então sinto algo molhado entre as minhas pernas e tenho a percepção de que estou perdendo o meu bebê. Lágrimas grossas rolam pelo meu rosto e minha visão começa a ficar turva. Antes que eu fique completamente inconsciente, solto um grito de “socorro” que sai atravessando a minha garganta e se une ao som da brisa do mar. Foi meu último ato de desespero de mãe para tentar salvar o meu bebê. Depois, sinto o meu corpo imergir no abismo da escuridão profunda. CAPÍTULO 29 KRISTEN AMAZZOTTY Estou em um lugar calmo, num jardim secreto repleto de flores. É uma espécie de labirinto. Parece que o estreito caminho me levará a algum lugar especial. Então me deixo ser guiada pelo belíssimo panorama ao meu redor. O aroma das rosas me traz tranquilidade. Mas, como é possível? Sentimos cheiros em sonho? Continuo seguindo o percurso e me deparo com um local mais aberto e espaçoso no jardim, onde noto um balanço infantil amarrado a uma densa árvore. Ele se move sozinho com a força do vento. Aproximo-me com o coração apertado. Quando chego perto, avisto um ursinho jogado no chão e percebo uma sensação angustiante me dominar. Começo a escutar o som de um choro de bebê. Olho por todos os lados à sua procura e não o encontro em lugar algum. Uma angústia me toma e, imediatamente, flashes dos últimos acontecimentos com a Eleni espocam em minha mente como um filme lento e horrendo. Recordo-me dela, da nossa discussão na pequena barreira de areia, do sangue... Muito sangue... E do meu rosto molhado por lágrimas. Logo Eleni se materializa em minha frente com um sorriso cruel. — Eu te disse, Kristen, para não ficar no meu caminho. Agora não existe mais bebê algum e Apollo voltará a ser meu. — Sua postura é imperiosa e seus olhos soberbos me analisam como se eu fosse um inseto repugnante que ela deve eliminar. Uma dor se instala no meu peito e eu só quero gritar. — Não, não, não! — sussurrei querendo sair do pesadelo. Enquanto a figura fria some sob um denso nevoeiro sombrio, eu apenas ouço sua estrondosa gargalhada ressoar pelo labirinto. Em um átimo de segundo, desperto. Meu corpo está todo suado e meu coração disparado. É como se houvesse uma percussão dentro do meu peito. Percebo que as lágrimas no meu rosto são reais e um sentimento de vazio se apodera de mim. Olho ao redor, atordoada. Estou rodeada por paredes brancas. Sons de vários “bips” penetram nos meus ouvidos e, de imediato, eu constato que estou em um hospital. Meu corpo está dolorido e alguma coisa pinica a minha mão quando tento movê-la. Assim, detecto a inserção de uma agulha no meu braço, indicando a aplicação de algum medicamento na veia. Minha roupa de corrida foi substituída por uma camisola azul hospitalar. Um lençol fino cobre o meu corpo parcialmente. Olho para a minha barriga e observo um amontoado sobre o lençol. Instantaneamente, uma ânsia me domina. Quero tocar no meu ventre e sentir o meu bebê dentro de mim, porém tenho medo de não notar absolutamente nada. Oh, Deus! Por favor! Que o meu pequeno ainda esteja aqui! — roguei veementemente em uma súplica. Neste momento, ouço um burburinho do lado de fora do cômodo. Alguns instantes se passam e a porta é aberta em um rompante. Observo uma figura aflita adentrar o quarto. Apollo! Sua expressão é torturada e de pura desolação. Percebo os seus cabelos revoltos, fora do lugar, como se ele tivesse feito gestos impacientes repetidas vezes com a mão. Sua figura máscula e angustiada se aproxima de mim. Posso notar em seus olhos algumas lágrimas reprimidas. Ele me examina meticulosamente sobre o estreito colchão. No seu rosto, além do desespero inicial, posso ver também um alívio ao constatar que estou bem. Entretanto, eu não estou. Meu coração está fragmentado e nunca mais voltará a ser o mesmo. A perda de um filho é dolorosa e massacrante. Minhas feições se endurecem. Por um lado, não me esqueço que a dor que sinto neste momento foi causada por Apollo em parte. Eu sabia que ele acabaria me machucando. — Kristen! — Aproxima-se lentamente de mim e tenta tocar na minha mão, que está sobre o leito. Eu o impeço e a afasto para longe do seu alcance. Ele me olha angustiado, sem compreender o meu gesto. — Não me toque! — sussurrei baixinho. Vejo o seu semblante se tornar incrédulo com a minha postura. — O que aconteceu, ángelos mou? Quase fiquei louco quando soube que aconteceu um incidente com você. — Está preocupado, sem compreender nada da minha atitude. Que hipócrita! Se estou passando por todo esse martírio, o único responsável é ele, por ter agido como um libertino. Encaro-o ressentida e o fulminando com o olhar. Quero que ele sinta todo o meu desprezo, mesmo que no seu semblante já tenha a dor que está sentindo por terem me machucado. — O que aconteceu? — devolvi a pergunta de modo mordaz. Sinto um nó corroendo a minha garganta. Quero feri-lo. Sem que eu possa controlar, uma enxurrada de palavras ácidas sai da minha boca como um vulcão sem controle expelindo suas lavas. — É que eu te odeio. Por sua culpa, perdi o meu bebê. — falei com a voz elevada. Neste instante, as lágrimas vêm em torrentes, molhando o meu rosto, e o choro sufoca o meu calvário. O aperto no meu coração se torna uma aflição por somente eu supor a possibilidade dessa perda. As lágrimas que pareciam contidas nos olhos de Apollo, vêm à tona e molham o seu rosto belo e arrogante. Neste instante, ele parece tão frágil quanto eu. — Theós! Acalme-se, agápi! Precisa repousar e... — Tenta me tocar novamente, mas eu o rejeito e me afasto dele. Quase me fundo ao colchão para fugir do seu toque. — Eu disse para não se aproximar de mim. Você me faz mal, Apollo. — sussurrei magoada, limpando as lágrimas e buscando algum controle. Tento abafar a dor dentro de mim, mesmo sabendo que esse tipo de sofrimento é impossível abrandar. Tiraram um pedaço de mim. Necessito de um tempo para digerir tudo. Agora preciso de um momento apenas meu. No meu caso, tenho que me recompor da minha tristeza. Como diz o ditado, “lamber minhas feridas”. Será que, algum dia, o tempo curará o meu coração partido? Unicamente rogo que esse medo agonizante que sinto, passe, e que não exista mais nenhuma sombra de incerteza. Ainda movida pela dor da perda, encaro o Apollo firmemente e enfatizo determinada: — Quando eu sair daqui, quero o divórcio. Desse modo, você poderá retomar o seu antigo acordo com a Eleni. Não tem porque continuarmos casados se não existe mais bebê algum. Ele me olha estarrecido e chocado com minhas palavras tão objetivas e contundentes. — Kristen, do que está falando? Você deve estar um pouco confusa com o que aconteceu e... —