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Sistema nervoso central e periférico • Como o sistema nervoso opera? O sistema nervoso é responsável por tudo que as pessoas pensam, sentem ou fazem. Essencialmente, cada um de nós é um sistema nervoso. As unidades básicas desse sistema são as células nervosas, chamadas neurônios. Essas células recebem, integram e transmitem informação no sistema nervoso. Redes complexas de neurônios enviando e recebendo sinais constituem a base funcional de toda a atividade psicológica. • O sistema nervoso tem duas divisões básicas O sistema nervoso como um todo está dividido em duas unidades básicas: o sistema nervoso central e o sistema nervoso periférico. O sistema nervoso central (SNC) consiste no cérebro e na medula espinal, ambos contendo números maciços de neurônios. O sistema nervoso periférico (SNP) é constituído por todas as outras células nervosas existentes no restante do corpo. O SNC e o SNP são anatomicamente separados, contudo suas funções são muito interdependentes. O SNP inclui o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo. O componente somático do SNP está envolvido no comportamento voluntário, como ocorre quando você alcança um objeto para ver como o sente. O componente autônomo do SNP é responsável pelas ações menos voluntárias do seu corpo, como controlar a frequência cardíaca e outras funções corporais. • Os neurônios são especializados para comunicação Os neurônios são especializados para comunicação. Ou seja, de maneira diferente das outras células do corpo, as células nervosas são excitáveis. São alimentadas por impulsos elétricos e se comunicam com outras células nervosas por meio de sinais químicos. • TIPOS DE NEURÔNIOS - Os três tipos básicos de neurônios são os neurônios sensoriais, motoneurônios e interneurônios. Os neurônios sensoriais detectam informação oriunda do mundo físico e a transmitem ao longo do cérebro, em geral via medula espinal. 1. Sensoriais - Os nervos sensoriais que fornecem informação a partir da pele e dos músculos são chamados nervos somatossensoriais. 2. Motoneurônios - Os motoneurônios determinam a contração ou relaxamento dos músculos, produzindo assim o movimento. 3. Interneurônios - Os interneurônios se comunicam em circuitos locais ou de curta distância. Ou seja, integram a atividade neural junto a uma única área em vez de transmitir informação a outras estruturas cerebrais ou órgãos do corpo. Os neurônios sensoriais e motoneurônios trabalham juntos para controlar o movimento. Exemplificando, ao usar uma caneta para fazer anotações durante a leitura deste texto, você contrai e relaxa os músculos da sua mão e dos seus dedos para ajustar a pressão exercida pelos dedos sobre a caneta. Quando você quer usar uma caneta, seu cérebro envia uma mensagem via motoneurônios para os músculos dos seus dedos, para que eles se movam de maneiras específicas. Os receptores presentes na sua pele e nos seus músculos enviam mensagens de volta por meio dos neurônios sensoriais, para ajudar a determinar quanta pressão é necessária para segurar a caneta. Essa sinfonia de comunicação neural para uma tarefa tão simples quanto usar uma caneta é notável, ainda que a maioria de nós use o controle motor com tanta facilidade que raramente pensa sobre isso. De fato, nossos reflexos, respostas motoras automáticas, ocorrem antes mesmo de pensarmos sobre elas. Para cada ação reflexa, um punhado de neurônios apenas converte sensação em ação. • ESTRUTURA DO NEURÔNIO - Em adição à execução de diferentes funções, os neurônios exibem uma ampla gama de formatos e tamanhos. Um neurônio típico tem quatro regiões estruturais que participam nas funções de comunicação: os dendritos, o corpo celular, o axônio e os botões terminais. • O potencial de membrana em repouso é negativamente carregado. Quando um neurônio está em repouso, inativo, a carga elétrica do lado interno e do lado externo da membrana é diferente. Essa diferença é o potencial de membrana em repouso. A diferença de carga elétrica ocorre porque a razão íons negativos: íons positivos é maior dentro do neurônio do que no meio externo. Quando um neurônio tem mais íons negativos no seu interior do que no meio externo, é descrito como estando polarizado. O estado polarizado do neurônio em repouso cria a energia elétrica necessária para alimentar os disparos do neurônio. • OS PAPÉIS DOS ÍONS DE SÓDIO E POTÁSSIO Os íons atravessam a membrana do neurônio, nos canais iônicos. Cada canal é compatível com um tipo específico de íon: canais de sódio permitem que apenas íons de sódio, e não íons de potássio, atravessem a membrana. O fluxo de íons por cada canal é controlado por um mecanismo de controle de fluxo. Quando um canal está aberto, os íons fluem para dentro e fora da membrana celular. Um canal fechado impede essa passagem. Outro mecanismo associado à membrana que contribui para a polarização é a bomba de sódio-potássio. Essa bomba aumenta a concentração de potássio e diminui a de sódio dentro do neurônio, sendo que essa atividade ajuda a manter o potencial de membrana em repouso. • Os potenciais de ação causam a comunicação neural A comunicação neural depende da capacidade de um neurônio de responder à estimulação que chega. Um potencial de ação, também chamado disparo neural, é o sinal elétrico transmitido ao longo do axônio. Esse sinal faz os botões terminais liberarem moléculas químicas que sinalizam para outros neurônios. • AS ALTERAÇÕES DO POTENCIAL ELÉTRICO LEVAM À AÇÃO - Um neurônio recebe sinais químicos dos neurônios próximos por meio de seus dendritos. Ao afetarem a polarização, esses sinais químicos dizem ao neurônio para disparar ou não. Os sinais chegam nos dendritos aos milhares e são de dois tipos: excitatórios e inibitórios. 1. Excitatórios - Os sinais excitatórios despolarizam a membrana celular (i.e., diminuem a polarização diminuindo a carga negativa no interior da célula). Por meio da despolarização, esses sinais aumentam a probabilidade de o neurônio vir a disparar. 2. Inibitórios - Os sinais inibitórios hiperpolarizam a célula (i.e., aumentam a polarização intensificando a carga negativa dentro da célula). Por meio da hiperpolarização, esses sinais diminuem a probabilidade de o neurônio vir a disparar. Quando um neurônio dispara, os canais de sódio presentes na membrana celular se abrem. Os canais abertos permitem que os íons de sódio entrem rápido no neurônio. Esse influxo de sódio faz o interior do neurônio se tornar um pouco mais positivamente carregado do que o meio externo. Conforme os canais de íons de sódio fecham, esses íons param de entrar na célula. Similarmente, conforme os canais de íons de potássio fecham, tais íons param de sair da célula. Assim, no decorrer desse processo, a carga elétrica dentro da célula começa levemente negativa no estado de repouso inicial. À medida que a célula dispara e permite uma maior concentração de íons positivos em seu interior, a carga se torna positiva. • OS POTENCIAIS DE AÇÃO SE DISSEMINAM AO LONGO DO AXÔNIO - Quando o neurônio dispara, a despolarização da membrana celular se desloca ao longo do axônio, como uma onda. Os íons de sódio passam rapidamente por seus canais, causando a abertura dos canais de sódio adjacentes. Assim, como dominós que tombam para a frente, os canais de íon de sódio se abrem em série. O potencial de ação sempre se move pelo axônio, afastando-se do corpo celular e seguindo para os botões terminais. • PRINCÍPIO DO TUDO OU NADA - Qualquer sinal recebido exerce pouca influência sobre a ação do neurônio de disparar ou não. Normalmente, um neurônio é bombardeado por milhares de sinais excitatórios e inibitórios, e seu disparo é determinado pelo número e frequência desses sinais. Quando a soma dos sinais excitatórios e inibitórios leva a uma alteraçãopositiva na voltagem que excede o limiar de disparos do neurônio, um potencial de ação é gerado. Um neurônio dispara ou não, atuando como um interruptor de luz que é ligado ou desligado, e não como um controlador de intensidade de brilho. O princípio do tudo ou nada determina que um neurônio dispara com a mesma potência a cada vez. Em outras palavras, o neurônio não dispara de um modo que possa ser descrito como forte ou fraco. A força da estimulação afeta a frequência de disparos do neurônio: quanto mais intensa for a estimulação, mais frequentes serão os disparos de potenciais de ação. • Os neurotransmissores se ligam a receptores presentes ao longo da sinapse Conforme já observado, os neurônios não tocam uns aos outros. Eles estão separados por um pequeno espaço chamado sinapse, que é o local da comunicação química entre os neurônios. Essas moléculas químicas se deslocam pela sinapse e são recebidas pelos dendritos de outro neurônio. O neurônio que envia o sinal é chamado neurônio pré-sináptico, e aquele que o recebe é chamado neurônio pós-sináptico. Como esses sinais químicos atuam? Dentro de cada botão terminal, estão os neurotransmissores, que são moléculas químicas produzidas no axônio e armazenadas em vesículas (pequenos sacos cheios de líquido). Quando liberados pelas vesículas, os neurotransmissores transmitem sinais ao longo da sinapse para as células pós-sinápticas. • OS NEUROTRANSMISSORES SE LIGAM A RECEPTORES ESPECÍFICOS - Mais de 60 moléculas químicas transmitem informação ao longo do sistema nervoso. Diferentes neurotransmissores influenciam a emoção, o pensamento ou o comportamento. Assim como uma fechadura só abre com a chave correta, cada receptor pode ser influenciado somente por um tipo de neurotransmissor. • Os neurotransmissores influenciam a atividade mental e o comportamento Grande parte do nosso conhecimento sobre neurotransmissores foi aprendida por meio do estudo sistemático sobre como os fármacos e as toxinas afetam emoção, o pensamento e o comportamento. Drogas viciantes, como a heroína, por exemplo, exercem seus efeitos por serem quimicamente similares a neurotransmissores de ocorrência natural. Os receptores são incapazes de diferenciar entre a substância ingerida e o neurotransmissor real liberado a partir de um neurônio pré-sináptico. Ou seja, embora um neurotransmissor se ajuste a um receptor do mesmo modo como uma chave se ajusta à fechadura, o receptor/fechadura não pode distinguir entre um dado neurotransmissor/chave, real e outro falso – ambos abrirão. • Quais são as estruturas cerebrais básicas e suas funções? O tronco encefálico abriga os programas básicos de sobrevivência - A medula espinal é um cordão de tecido neural. O cordão segue por dentro dos orifícios das vértebras a partir do topo da pelve até o interior da base do crânio. Uma de suas funções é a coordenação de reflexos, como o movimento reflexo da sua perna quando um médico golpeia seu joelho, ou como o movimento reflexo do seu braço quando você afasta a mão de uma chama. A função mais importante do cordão é transportar informação sensorial até o cérebro e sinais motores do cérebro para as partes inferiores do corpo, a fim de iniciar ações. Em um corte transversal, pode-se ver que a medula espinal é composta por dois tipos distintos de tecido: a substância cinza, que é dominada pelos corpos celulares dos neurônios, e a substância branca, constituída principalmente por axônios e pelas bainhas de mielina gordurosas que os circundam. A substância cinza consiste principalmente de corpos neuronais com axônios não mielinizados e se comunica apenas com neurônios próximos. A substância branca consiste sobretudo de axônios mielinizados que seguem entre as regiões cerebrais. Na base do crânio, a medula espinal se espessa e se torna mais complexa conforme se transforma no tronco encefálico. O tronco encefálico consiste em medula oblonga (bulbo), ponte e mesencéfalo, abrigando os nervos que controlam as funções mais básicas de sobrevivência, como a frequência cardíaca, a respiração, a deglutição, o vômito, a micção e o orgasmo. Um golpe significativo nessa região pode causar morte. Muitos reflexos emergem a partir daqui, de modo análogo aos reflexos espinais; o reflexo do engasgar é um exemplo. • O cerebelo é essencial ao movimento. O cerebelo é extremamente importante para a função motora, e o dano a diferentes partes produz efeitos muito diferentes. Exemplificando, o dano a nodos pequenos em regiões bem inferiores causa inclinação da cabeça, problemas de equilíbrio e perda da compensação suave da posição do olho para o movimento da cabeça. Tente virar sua cabeça enquanto olha para este livro. Note que os seus olhos permanecem focados no livro. Seus olhos não seriam capazes de fazer isso se uma lesão tivesse afetado a parte de baixo do seu cerebelo. O papel mais evidente do cerebelo está na aprendizagem motora e na memória motora. A região parece ser “treinada” pelo restante do sistema nervoso e opera de modo independente e inconsciente. Exemplificando, o cerebelo permite que você ande de bicicleta sem se esforçar enquanto planeja a sua próxima refeição. De fato, ele pode estar envolvido em processos cognitivos, como planejar, lembrar eventos, usar a linguagem e experimentar a emoção. • As estruturas subcorticais controlam emoções e comportamentos apetitivos: Acima do tronco encefálico e do cerebelo está o prosencéfalo (cérebro), que consiste no dois hemisférios cerebrais (direito e esquerdo). A partir do meio exterior, o aspecto mais notável do prosencéfalo é o córtex cerebral. Abaixo do córtex cerebral, estão as regiões subcorticais, que são assim chamadas por repousarem sob o córtex. As estruturas subcorticais importantes para a compreensão das funções psicológicas incluem hipotálamo, tálamo, hipocampo, amígdala e gânglios basais. Algumas dessas estruturas pertencem ao sistema límbico. • TÁLAMO - O tálamo é a passagem para o córtex, recebendo quase toda a informação sensorial que chega, organizando-a e transmitindo-a para o córtex. A única exceção a essa regra é o sentido do olfato que, sendo o sentido mais antigo e fundamental, tem uma via direta até o córtex. • HIPOTÁLAMO - O hipotálamo é a principal estrutura regulatória do cérebro. É indispensável para a sobrevivência do organismo. Localizado logo abaixo do tálamo, recebe estímulos de quase toda parte do corpo e do cérebro, assim como projeta sua influência praticamente para o corpo todo e para o cérebro. Afeta as funções de muitos órgãos internos, regulando a temperatura corporal, os ritmos corporais, a pressão arterial e os níveis de glicemia. Também está envolvido em muitos comportamentos motivados, entre os quais sede, fome, agressão e comportamento sexual. • HIPOCAMPO E AMÍGDALA - O hipocampo tem seu nome derivado da palavra grega que significa “cavalo marinho”, por ter o formato desse animal. Essa estrutura exerce papel importante na formação de memórias novas e parece executar esse trabalho criando novas interconexões junto ao córtex cerebral a cada nova experiência. O hipocampo pode estar envolvido no modo como recordamos as disposições dos lugares e objetos no espaço, como a disposição das ruas em uma cidade ou o posicionamento dos móveis em um quarto. A amígdala tem seu nome derivado da palavra em latim para “amêndoa”, por ter esse formato. Essa estrutura está localizada imediatamente à frente do hipocampo. A amígdala está envolvida na aprendizagem sobre estímulos biologicamente relevantes, como aqueles importantes para a sobrevivência (Whalen et al., 2013). Tem papel especial na resposta aos estímulos que deflagram o medo. O processamento emocional de estímulos alarmantes na amígdala é um circuito automático que se desenvolveu no decorrer da evolução, para proteger os animais contra danos. A amígdalatambém está envolvida na avaliação da significância emocional de uma expressão facial (Adolphs et al., 2005). Parece fazer parte de um sistema que dirige automaticamente a atenção visual para os olhos ao avaliar as expressões faciais (Kennedy & Adolphs, 2010). Estudos de imagem revelaram que a ativação da amígdala é especialmente forte em resposta a uma face assustada (Whalen et al., 1998). A amígdala também intensifica a função da memória durante os momentos de excitação emocional. Exemplificando, uma experiência assustadora pode ser gravada na sua memória por toda a vida, embora a sua memória do evento possa não ser totalmente precisa. Pesquisas mostram ainda que a excitação emocional pode influenciar aquilo que as pessoas observam em seus ambientes (Schmitz, De Rosa, & Anderson, 2009). • GÂNGLIOS BASAIS - Os gânglios basais são um sistema de estruturas subcorticais decisivas para o planejamento e a produção do movimento. Essas estruturas recebem estímulos de todo o córtex cerebral e os enviam aos centros motores do tronco encefálico. Por meio do tálamo, elas também enviam os estímulos de volta à área de planejamento motor do córtex cerebral. O dano aos gânglios basais pode produzir sintomas que variam dos tremores e rigidez da doença de Parkinson aos movimentos de contorção da doença de Huntington. Além disso, o dano aos gânglios basais pode comprometer a aprendizagem de movimentos e hábitos, como olhar automaticamente para os carros antes de atravessar a rua. Uma estrutura presente nos gânglios basais, o nucleus accumbens, é importante para experimentar a recompensa e o comportamento motivador. Quase toda experiência prazerosa – desde comer algo de que você gosta até olhar uma pessoa que considera atraente – envolve a atividade de dopamina no nucleus accumbens e faz você querer o objeto ou a pessoa com quem está tendo a experiência. Quanto mais desejáveis são os objetos, mais eles ativam o circuito de recompensas básico em nossos cérebros. • O córtex cerebral é subjacente à atividade mental complexa O córtex cerebral é a camada externa dos hemisférios cerebrais e confere ao órgão sua aparência enrugada distintiva (em latim, córtex significa “casca” – a casca das árvores; entretanto, o córtex cerebral não é parecido com casca e tem a consistência de “ovo cozido”). Cada hemisfério tem seu próprio córtex. É o local de todos os pensamentos, percepções detalhadas e comportamentos complexos. Permite-nos compreender a nós mesmos, as outras pessoas e o mundo exterior. Estendendo o nosso próprio interior ao mundo, é também a fonte de cultura e comunicação. Cada hemisfério cerebral tem quatro “lobos”: occipital, parietal, temporal e frontal. • O corpo caloso, uma ponte maciça de milhões de axônios, conecta os hemisférios e permite que a informação flua entre eles. • Os lobos occipitais constituem a parte traseira da cabeça. Dedicados quase exclusivamente à visão, incluem muitas áreas visuais. Sem dúvida, a maior dessas áreas é o córtex visual primário, principal destino da informação visual. • Os lobos parietais são dedicados parcialmente ao toque. Seu trabalho é dividido entre os hemisférios cerebrais. O hemisfério esquerdo recebe a informação do toque proveniente do lado direito do corpo, enquanto o hemisfério direito recebe a informação do toque proveniente do lado esquerdo do corpo. Em cada lobo parietal, essa informação é direcionada para o córtex somatossensorial primário, uma faixa situada na parte frontal do lobo, que segue do topo do cérebro descendo até as laterais. O córtex somatossensorial primário agrupa as sensações de proximidade. As sensações nos dedos das mãos, por exemplo, são sensações de proximidade na palma das mãos. O lobo parietal também está envolvido na atenção. Um acidente vascular cerebral ou outro dano à região parietal direita pode resultar no distúrbio neurológico da heminegligência. Pacientes com essa síndrome falham em perceber qualquer coisa que esteja à sua esquerda, ainda que os olhos estejam funcionando perfeitamente bem. Olhando em um espelho, conseguem fazer a barba ou se maquiar somente no lado direito da face. Se dois objetos forem segurados na frente deles, somente verão aquele que estiver à direita. Ao serem solicitados a desenhar um objeto simples, esses pacientes desenharão somente sua metade direita. • Os lobos temporais contêm o córtex auditivo primário, a região cerebral responsável pela audição. Também junto aos lobos temporais estão as áreas visuais especializadas (para reconhecimento de objetos detalhados, como as faces), além do hipocampo e da amígdala (ambos essenciais à memória, conforme discutido antes). • Os lobos frontais são essenciais ao planejamento e movimento. A parte mais traseira dos lobos frontais é o córtex motor primário. O córtex motor primário inclui neurônios que se projetam diretamente para a medula espinal, para mover os músculos do corpo. Suas responsabilidades estão divididas até a parte mediana do corpo, assim como as das áreas sensoriais. Exemplificando, o hemisfério esquerdo controla o braço direito, enquanto o hemisfério direito controla o braço esquerdo. O restante dos lobos frontais consiste no córtex pré-frontal, que ocupa cerca de 30% do cérebro nos humanos. Há muito tempo, para os cientistas, aquilo que torna os seres humanos únicos no reino animal é o nosso córtex pré-frontal, extraordinariamente amplo. No entanto, há evidência de que aquilo que separa os humanos dos outros animais não é o espaço ocupado pelo córtex pré-frontal, e sim a complexidade e a organização dos circuitos pré-frontais – o modo como as diferentes regiões junto ao córtex pré-frontal estão conectadas (Bush & Allman, 2004; Schoenemann, Sheehan, & Glotzer, 2005). Partes do córtex pré-frontal são responsáveis pelo direcionamento e manutenção da atenção, manutenção das ideias na mente enquanto as distrações bombardeiam as pessoas a partir do meio exterior, e desenvolvimento e execução de planos. Todo o córtex pré-frontal é indispensável para a atividade racional, sendo também especialmente importante para muitos aspectos da vida social humana, como a compreensão daquilo que as pessoas estão pensando, se comportar de acordo com as normais culturais e contemplar a própria existência. O córtex pré-frontal confere o sentido de si mesmo e a capacidade de empatia com os outros ou de sentir culpa por prejudicar outras pessoas. • O CÓRTEX PRÉ-FRONTAL DE PERTO - Os psicólogos aprenderam muito daquilo que sabem sobre o funcionamento de diferentes regiões cerebrais por meio do estudo diligente de indivíduos cujos cérebros foram danificados por doença ou lesão. Talvez o exemplo histórico mais famoso de dano cerebral seja o caso de Phineas Gage. O caso de Gage forneceu a base das primeiras teorias modernas sobre o papel do córtex pré-frontal na personalidade e no autocontrole. Infelizmente, o acidente (sofreu um acidente com uma haste de ferro) de Gage acarretou alterações significativas de personalidade. Enquanto o antigo Gage era considerado por seus subordinados “o funcionário mais eficiente e capaz de todos”, o novo era diferente. Conforme escreveu posteriormente um dos médicos que cuidou dele: “O equilíbrio ou balanço, por assim dizer, entre suas faculdades intelectuais e propensões animais aparentemente tinha sido destruído. Ele se mostrava vacilante, irreverente e indulgente em momentos de grosseira irreverência... impaciente para com restrições ou conselhos que conflitassem com seus desejos... Sendo uma criança quanto à capacidade intelectual e suas manifestações, mostrava as paixões animais de um homem forte” (Harlow, 1868, p. 340). Resumindo, Gage “não era mais o Gage”. A reconstrução da lesão de Gage por meio do exame de seu crânio esclareceu que o córtex pré-frontal tinha sido a área mais danificada (Damasio, Grabowski, Frank, Galaburda, & Damasio, 1994).Estudos recentes de pacientes com lesões nessa região cerebral revelaram uma relação particular com fenômenos sociais, como respeitar normas sociais, entender aquilo que as outras pessoas estão pensando e se sentir emocionalmente conectado aos outros. Indivíduos com dano nessa região não apresentam geralmente problemas de memória ou conhecimento geral, mas com frequência têm distúrbios profundos envolvendo a capacidade de acompanhar os outros. • Como o cérebro se comunica com o corpo? Lembre-se de que o sistema nervoso periférico (SNP) transmite várias informações para o sistema nervoso central (SNC), além de responder às mensagens oriundas do SNC para realização de comportamentos específicos ou ajustes corporais. Na produção de atividade psicológica, porém, esses dois sistemas interagem com modo diferente de comunicação junto ao corpo, o sistema endócrino. • O sistema nervoso periférico inclui os sistemas somático e autônomo Lembre-se que o SNP tem dois componentes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo. O sistema nervoso somático (SNS) transmite sinais sensoriais aos SNC via nervos. Receptores especializados presentes na pele, nos músculos e nas articulações enviam informação sensorial para a medula espinal, que a retransmite ao cérebro. Além disso, o SNC envia sinais por meio do SNS para os músculos, as articulações e a pele, a fim de iniciar, modular ou inibir o movimento. O segundo componente principal do SNP, o sistema nervoso autônomo (SNA), regula o ambiente interno do corpo estimulando as glândulas (como as glândulas sudoríparas) e mantendo os órgãos internos (como o coração). Os nervos incluídos no SNA também transportam sinais somatossensoriais a partir das glândulas e dos órgãos internos para o SNC. • DIVISÕES SIMPÁTICA E PARASSIMPÁTICA Dois tipos de sinais, simpático e parassimpático, viajam do sistema nervoso central para os órgãos e as glândulas que controlam sua atividade. Para entender esses sinais, imagine que você ouve um alarme de incêndio. Um segundo após ouvir o alarme, sinais são emitidos para partes do seu corpo dizendo-lhes para se preparar para a ação. Como resultado, o sangue flui para os músculos esqueléticos; há liberação de epinefrina, que aumenta a frequência cardíaca e a glicemia; seus pulmões captam mais oxigênio; seu sistema digestivo suspende a atividade como forma de conservar energia; suas pupilas se dilatam para maximizar a sensibilidade visual e você transpira para manter a refrigeração. Essas ações preparatórias são impulsionadas pela divisão simpática do sistema nervoso autônomo. Se realmente houver um incêndio, você estará fisicamente preparado para fugir. Se o alarme for falso, seu coração voltará ao estado de batimento normal estável, sua respiração se tornará lenta, a digestão de alimento voltará ao normal e a transpiração cessará. Esse retorno ao estado normal será impulsionado pela divisão parassimpática do SNA. Ansiedade, excitação sexual, tristeza. São também exemplos em que a divisão simpática e parassimpática atua. • O sistema endócrino se comunica por meio de hormônios Assim como o sistema nervoso, o sistema endócrino é uma rede de comunicação que influencia os pensamentos, os comportamentos e as ações. Ambos os sistemas trabalham juntos para regular a atividade psicológica. Exemplificando, a partir do sistema nervoso, o cérebro recebe informação sobre potenciais ameaças ao organismo. O cérebro se comunica com o sistema endócrino para preparar o organismo para lidar com essas ameaças. As principais diferenças entre os dois sistemas estão no modo e na velocidade da comunicação: enquanto o sistema nervoso é rápido e usa sinais eletroquímicos, o sistema endócrino é mais lento e usa hormônios. Os hormônios são substâncias químicas liberadas na circulação sanguínea pelas glândulas endócrinas desprovidas de ductos, como o pâncreas, a tireoide e os testículos ou ovários. • EFEITOS HORMONAIS SOBRE O COMPORTAMENTO SEXUAL - As principais glândulas endócrinas a influenciar o comportamento sexual são as gônadas: os testículos em indivíduos do sexo masculino, e os ovários em indivíduos do sexo feminino. Os dois hormônios gonadais principais são idênticos em ambos os sexos. A diferença está na quantidade: os andrógenos, como a testosterona, são mais prevalentes no sexo masculino, enquanto os estrogênios, como o estradiol e a progesterona, são mais prevalentes no sexo feminino. • As ações do sistema nervoso e do sistema endócrino são coordenadas Todos os sistemas de comunicação descritos neste capítulo ligam os processos neuroquímicos e fisiológicos aos comportamentos, pensamentos e sentimentos. Por fim, o sistema endócrino está sob controle do SNC. O cérebro interpreta os estímulos externos e internos, para então enviar sinais ao sistema endócrino. O sistema endócrino responde iniciando vários efeitos sobre o corpo e o comportamento. O sistema endócrino é controlado primariamente pelo hipotálamo, por meio de sinais destinados à glândula hipófise, que está localizada na base do hipotálamo. A ativação neural faz o hipotálamo secretar um de seus numerosos fatores de liberação. Esse fator de liberação específico faz a hipófise liberar um hormônio também específico para esse fator, e o hormônio então viaja pela circulação sanguínea até os locais endócrinos ao longo do corpo. Quando o hormônio chega aos locais-alvo, provoca a liberação de outros hormônios, e isso afeta as reações corporais ou comportamentos. A hipófise muitas vezes é referida como a “glândula mestra” do corpo: liberando hormônios na circulação sanguínea, controla todas as outras glândulas e governa processos importantes, como desenvolvimento, ovulação e lactação. O hormônio do crescimento (GH), um hormônio liberado pela glândula hipófise, estimula os ossos, as cartilagens e o tecido muscular a crescerem ou os ajuda a se regenerar após as lesões. Todas essas conexões ilustram como o SNC, SNP e sistema endócrino atuam juntos para garantir a sobrevivência do organismo. Esses sistemas impulsionam os comportamentos que fornecem ao corpo as substâncias específicas no momento em que são necessárias. • Exercícios para reforçar o conteúdo ensinado: 1. O que é um neurônio e quais suas funções? 2. Qual a composição do SNC? 3. Qual a composição do SNP? 4. Quais são os tipos mais básicos de neurônios? 5. Quais são as 4 regiões estruturais do neurônio? 6. O que é um potencial de ação? 7. Quais são os 2 tipos de sinais que chegam aos dendritos? 8. O que são neurotransmissores? Qual é a sua função? 9. O que compõe o tronco encefálico e quais são as suas principais função? 10. Quais são as principais estruturas subcorticais mais importantes para a compreensão das funções psicológicas? 11. Quais são os lobos presente no nosso cérebro? 12. Qual a principal função do sistema nervoso somático e do sistema nervoso autônomo? Referências: Livros: Ciência Psicológica (Michael Gazzaniga; capítulo 2) Desvendando O Sistema nervoso (Bear; Capítulo 2)