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Rede de Discipulado 2

Livro sobre discipulado cristão com estudos doutrinários (Bíblia; Deus; criação; providência; pecado; aliança da graça; Jesus; Espírito Santo; eleição; salvação; igreja; batismo; ceia; disciplina; domingo; segunda vinda; ressurreição e juízo). Indicado para grupos pequenos e EBD.

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Prévia do material em texto

REDE	DE	DISCIPULADO	2
ARIVAL	DIAS	CASIMIRO
REDE	DE	DISCIPULADO	2
autor
Arival	Dias	Casimiro
editor	responsável
Alberto	José	Bellan
revisão
Juana	del	Carmen	C.	Campos
Rachel	Negrão	Fernandes	Rocha
capa,	produção	e	diagramação
Z3	IDEIAS	LTDA
imagem	da	capa
Shutterstock	Images
Dados	Internacionais	de	Catalogação	na	Publicação	(CIP)
(Câmara	Brasileira	do	Livro,	SP,	Brasil)
Casimiro,	Arival	Dias
Rede	de	Discipulado	2	/	Arival	Dias	Casimiro	–	Santa	Bárbara	d’Oeste,	SP	:	Z3
Editora,	2015.
1.	Discipulado	(Cristianismo)	2.	Fé	3.	Formação	Espiritual	-	Estudo	e	ensino	4.
Vida	Cristã
I.	Título.
15-01403
CDD-248.4
Índices	para	catálogo	sistemático:
1.	Discipulado	:	Formação	Espiritual	:	Prática	Religiosa	:	Cristianismo	248.4
2ª	Edição
Abril	de	2019
copyright	©	2020
por	Z3	Editora
Todos	os	direitos	reservados	e	protegidos	pela	Lei	9.610	de
19/02/98.	Nenhuma	parte	deste	livro,	sem	autorização	prévia	por
escrito	da	editora,	poderá	ser	reproduzida	ou	transmitida	sejam
quais	forem	os	meios	empregados:	eletrônicos,	mecânicos
fotográficos,	gravação	ou	quaisquer	outros.
Todos	os	direitos	reservados,
na	língua	portuguesa,	por
Z3	Editora	Ltda.
Rua	Floriano	Peixoto,	103
Centro	-	CEP	13450-022
Santa	Bárbara	d’Oeste	-	SP	-	Brasil
Tel:	19	-	3455.1594
vendas@z3ideias.com.br
www.z3ideias.com.br
https://www.z3ideias.com.br
SUMÁRIO
Apresentação
Introdução
Estudos
A	Bíblia	Sagrada
A	Pessoa	de	Deus
A	Criação	de	Todas	as	Coisas
Os	Decretos	e	a	Providência	de	Deus
O	Pecado	Original	e	suas	Consequências
A	Aliança	da	Graç
A	Pessoa	de	Jesus
Os	Ofícios	de	Cristo
A	Pessoa	e	a	Obra	do	Espírito	Santo
Eleitos	para	a	Salvação
A	Aplicação	da	Salvação
A	Igreja	de	Deus
O	Batismo	Cristão
A	Ceia	do	Senhor
Disciplina	na	Igreja
Domingo:	O	Dia	do	Senhor
A	Segunda	Vinda	de	Jesus
A	Ressurreição	do	Corpo	e	o	Juízo	Final
Landmarks
Cover
APRESENTAÇÃO
Sinto-me	honrado	pelo	subido	privilégio	de	apresentar	aos	leitores	esta	nova
obra	de	Arival	Dias	Casimiro,	Rede	de	Discipulado	2.	Faço-o	com	entusiasmo	e
grande	alegria.	E	isso,	por	três	razões	eloquentes:
Em	primeiro	lugar,	porque	conheço	o	autor	desta	obra.	Arival	é	um	homem	de
Deus,	um	servo	fiel	do	Altíssimo,	um	pastor	de	almas,	um	obreiro	aprovado,	um
vaso	de	honra	nas	mãos	de	Deus.	Sua	vida	e	seu	ministério	são	avalistas	de	suas
palavras.	Tenho	a	grata	alegria	de	trabalhar	com	ele,	como	pastor	colaborador	da
Igreja	Presbiteriana	de	Pinheiros.	Sou	testemunha	de	seu	amor	a	Jesus,	de	seu
zelo	pelo	evangelho,	de	sua	dedicação	à	igreja	de	Cristo.	Arival	é	um	homem
apaixonado	pelo	que	faz.	Sua	mente	peregrina,	seu	espírito	irrequieto,	sua	vida
completamente	consagrada	à	causa	do	evangelho	são	realidades	notórias.	Arival
é	um	pregador	ungido,	um	visionário	incomum,	um	pastor	amoroso,	um	escritor
de	escol,	um	plantador	de	igrejas	como	poucos.
Em	segundo	lugar,	porque	conheço	a	obra	deste	autor.	Arival	é	um	homem
estudioso	que	jamais	cessa	de	buscar	as	riquezas	insondáveis	do	evangelho	de
Cristo.	Sua	fidelidade	às	Escrituras	é	uma	verdade	inegociável.	Seu
compromisso	com	as	doutrinas	bíblicas	é	um	fato	incontroverso.	O	texto	que	o
leitor	tem	nas	mãos	é	uma	prova	cabal	do	que	acabo	de	dizer.	O	autor	trata	de
verdades	profundas,	de	doutrinas	pivotais	da	fé	cristã,	e	faz	isso,	com	clareza
diáfana	sem	deixar	de	ser	profundo.	Faz	isso	com	precisão	cirúrgica	sem	deixar
de	ser	completo.
Em	terceiro	lugar,	porque	conheço	a	necessidade	e	a	relevância	desta	obra.
Muito	embora	vivamos	num	paraíso	de	abundante	literatura	cristã,	constatamos
um	gritante	analfabetismo	bíblico	em	terras	brasileiras.	Poucos	são	aqueles	que
se	debruçam	sobre	as	doutrinas	bíblicas	para	examiná-las,	para	vivê-las	e	para
proclamá-las.	Este	livro	atende	a	essa	necessidade.	Minha	oração	é	que	esta	obra
seja	estudada	em	grupos	pequenos,	em	salas	de	Escola	Bíblica	Dominical	e	no
discipulado	pessoal	ou	coletivo.
Que	o	Eterno	Deus,	seja	glorificado	por	este	trabalho	e	que	muitas	pessoas	sejam
alcançadas	por	esta	mensagem	viva,	que	emana	das	Escrituras.
Boa	leitura!
Hernandes	Dias	Lopes
INTRODUÇÃO
A	missão	da	Igreja	é	fazer	discípulos	para	Jesus,	“ensinando-os	a	guardar	todas
as	coisas	que	vos	tenho	ordenado”	(Mateus	28.20).	Tudo	o	que	precisamos
ensinar	e	aprender	a	respeito	de	Jesus	está	registrado	na	Bíblia.	E	para
ensinarmos	corretamente	precisamos	sistematizar	tudo	o	que	a	Bíblia	diz	sobre
um	determinado	assunto.	Por	exemplo,	se	o	assunto	é	“pecado”,	precisamos
estudar	tudo	que	a	Palavra	de	Deus	ensina	sobre	isso.
O	apóstolo	Paulo	chama	de	“sã	doutrina”	todo	o	conteúdo	bíblico	que
precisamos	apreender	e	ensinar.	A	palavra	“sã”	significa	“pura	e	verdadeira”.	E
uma	doutrina	é	o	que	a	Bíblia,	como	um	todo,	nos	ensina	acerca	de	algum	tópico
específico.
Por	que	devemos	apreender	e	ensinar	a	“sã	doutrina”?	Algumas	respostas
bíblicas:	para	desenvolver	a	nossa	maturidade	(Ef	4.14-16);	para	crescer
espiritualmente	(Hb	5.11-14);	para	viver,	orar	e	cantar	a	nossa	fé	(Dt	8.3);	para
não	sermos	enganados	pelo	falso	ensino	(2Tm	4.1-5);	e	para	cumprir	a	Grande
Comissão	(Mt	28.19,20).
O	verdadeiro	discípulo	é	um	“eterno	aprendiz”.	O	verdadeiro	discipulado	é
ensinar	de	forma	sistemática	tudo	o	que	Jesus	ordenou.
Este	volume	do	Rede	de	Discipulado	é	um	complemento	do	primeiro.	O	seu
conteúdo	é	uma	visão	panorâmica	das	principais	doutrinas	bíblicas.	O	seu
propósito	é	fornecer	conteúdo	para	a	fé	do	discípulo.	Desejamos	despertar	o
interesse	do	discípulo	para	aprofundar	o	seu	conhecimento	da	Palavra	de	Deus.
Oramos	para	que	você	estude	as	doutrinas	bíblicas	com	humildade,	oração,
inteligência,	dependência	do	Espírito	Santo,	obediência	e	espírito	de	adoração.
Bom	estudo!
Arival	Dias	Casimiro
Estudo	01
Texto	Básico:	2	Timóteo	3.16,17
A	BÍBLIA	SAGRADA
Introdução
Howard	Hendricks	diz:	“Só	duas	coisas	neste	mundo	são	eternas:	a	Palavra	de
Deus	e	as	pessoas”.	Somente	a	Palavra	e	as	pessoas	duram	para	sempre.	Por	isso
devemos	pregar	a	Palavra	e	amar	as	pessoas.	A	vida	passa,	mas	aquele	que
obedece	a	Palavra	de	Deus	permanece	para	sempre.
Cremos	que	a	Bíblia	é	a	revelação	escrita	da	vontade	de	Deus	para	os	homens.
Conhecemos	a	pessoa	de	Deus	e	aquilo	que	Ele	pensa	e	faz,	por	meio	da	Bíblia.
Aceitamos	a	Bíblia	como	a	nossa	única	regra	de	fé	e	de	conduta.	Cremos
somente	no	que	está	escrito	na	Bíblia	e	praticamos	somente	o	que	ela	exige.	“A
Bíblia,	toda	a	Bíblia	e	nada	mais	do	que	a	Bíblia,	é	a	religião	da	igreja	de	Cristo”
(C.	H.	Spurgeon).
A	palavra	“Bíblia”	é	de	origem	grega	e	significa	“rolos”	ou	“livros”.	A	Bíblia
contém	66	livros	(39	no	Antigo	Testamento	e	27	no	Novo	Testamento),	escritos
por	40	autores,	abrangendo	um	período	de	aproximadamente	mil	e	seiscentos
anos.
O	texto	básico	para	este	estudo	diz:	Toda	a	Escritura	é	inspirada	por	Deus	e	útil
para	o	ensino,	para	a	repreensão,	para	a	correção,	para	a	educação	na	justiça,	a
fim	de	que	o	homem	de	Deus	seja	perfeito	e	perfeitamente	habilitado	para	toda
boa	obra	(2	Tm	3.16,17).	A	partir	dele,	responderemos	a	três	perguntas	sobre	a
Escritura	(BÍBLIA).
1.	QUAL	A	NATUREZA	DA	BÍBLIA?
Toda	a	Escritura	é	inspirada	por	Deus.	Literalmente,	a	Escritura	é	“expirada
por	Deus”	ou	“soprada	por	Deus”.	A	expressão	grega	“theopneustos”	(Theos	=
Deus	+	pneu	=	sopro	ou	expiração).	A	ideia	é	que	a	Bíblia	foi	“soprada”	por
Deus	(Sl	33.6).	Ele	a	inspirou	tanto	na	forma	quanto	no	conteúdo.	A	inspiração
foi	verbal	e	plenária.
Verbal
Por	“verbal”,	entende-se	que	as	palavras	da	Bíblia	foram	dadas	pelo	Espírito
Santo	aos	seus	escritores.	Deus	inspirou-os	na	seleção	das	palavras,	isentando-os
de	erros	no	registro	dos	fatos	e	de	doutrinas.	Claro	que	o	Espírito	Santo	respeitou
suas	características	de	estilo,	vocabulário	e	formação	intelectual.	O	apóstolo
Pedro	explica:	Homens	(santos)	falaram	da	parte	de	Deus,	movidos	pelo	Espírito
Santo	(2	Pe	1.21).
Plenária
Entende-se	que	é	“plena”	e	igualmente	inspirada	em	todas	as	suas	partes.	A
expressão	“toda	a	Escritura”	abrange	dois	aspectos:	(1)	Que	a	inspiração	envolve
as	ideias	e	as	palavrasdos	escritores.	Não	é	possível	inspirar	conceitos	e	ideias
sem	inspirar	palavras
ou	figuras	(2Sm	23.2;	Jo	17.8).	O	Espírito	Santo	inspirou	as	ideias	e	as	palavras
dos	escritores	bíblicos.	(2)	Que	a	inspiração	estende-se	a	todas	as	partes	da
Bíblia.	Inclui	os	sessenta	e	seis	livros:	trinta	e	nove	do	Antigo	Testamento	e	os
vinte	e	sete	do	Novo	Testamento.	Compreende	os	ensinos	doutrinários,
teológicos,	éticos,	fatos	históricos,	poesia	e	descrições	científicas.	A	inspiração
não	é	parcial,	mas	completa.
Tal	conceito	faz	com	que	a	Bíblia	reivindique	para	si	mesma,	alguns	atributos:
(1)	Ela	é	infalível	ou	não	pode	falhar	(Sl	119;	Jo	10.35;	Mt	5.17,18).	(2)	Ela	é
inerrante	em	seus	manuscritos	originais	(Sl	19.7-10;	Pv	30.5).	(3)	Ela	é	completa
e	não	deve	ser	acrescentada	ou	diminuída	(Dt	4.2;	Ap	22.18,19).	(4)	Ela	é	eficaz
e	poderosa	na	sua	ação	(Is	55.10,11;	Hb	4.12,13).	(5)	Ela	é	autoridade	suprema
nas	questões	de	fé	e	comportamento	(Mt	22.29;	Jo	16.17).
Aplicações	práticas:
Crer	na	Bíblia	significa	aceitar	a	sua	autoridade	em	todas	as	áreas	da	nossa	vida.
Crer	na	Bíblia	significa	aceitar	toda	a	oposição	que	essa	fé	produz.
Crer	na	Bíblia	significa	experimentar	as	transformações	que	ela	produz	em
nossas	vidas.
2.	QUAL	A	UTILIDADE	DA	BÍBLIA?
E	útil	para	o	ensino,	para	a	repreensão,	para	a	correção,	para	a	educação	na
justiça	(v.16).
A	Bíblia	nos	conduz	à	salvação
Ela	revela	o	nosso	pecado	e	a	nossa	necessidade	de	salvação.	Estamos
condenados	por	Deus	e	precisamos	de	um	Salvador.	Ela	nos	revela	o	grande
amor	de	Deus,	que	enviou	Jesus	para	morrer	em	nosso	lugar.	Se	crermos	em
Jesus,	ele	nos	salvará	(Jo	3.16-21).	A	Bíblia	é	também	a	fonte	da	nossa	salvação
(Tg	1.18)	e	a	revelação	que	nos	garante	a	certeza	dessa	salvação	eterna	(1Jo	5.9-
13).
A	Bíblia	é	proveitosa	para	nossa	santificação
Ela	é	útil	para	realizar	quatro	serviços	durante	toda	a	nossa	vida	cristã:	(1)	A
Bíblia	nos	ensina.	Aqui	não	se	trata	do	processo	de	ensinar,	mas	do	conteúdo	que
precisa	ser	apreendido	e	vivenciado.	Ela	é	o	que	devemos	aprender	e	praticar
durante	a	nossa	vida.	Ela	é	a	verdade	que	nos	ensina	o	que	é	certo	e	nos	santifica
(Js	1.7,8;	2	Tm	1.13).	(2)	A	Bíblia	nos	repreende.	Ela	nos	reprova	quando
estamos	errados	quer	naquilo	que	pensamos	ou	fazemos.	Ela	mostra	o	nosso
pecado	mais	secreto	e	inconsciente	(Hb	4.12,13).	(3)	A	Bíblia	nos	corrige.	Ela,
depois	de	nos	mostrar	o	erro	doutrinário	ou	comportamental,	é	poderosa	para
endireitar-nos	(Sl	119.11).	Ela	transmite	a	verdade,	expõe	o	erro	e	conduz	a	fazer
o	que	é	certo.	(4)	A	Bíblia	nos	educa	na	justiça.	A	palavra	“educa”	(paideia)
significa	“treinamento”	e	“disciplina”	na	obediência	à	Palavra	de	Deus.	A	graça
de	Deus	nos	educa	na	“justiça”	ou	na	retidão	(Rm	14.17;	Tt	2.11-15).	John
Flavel	diz:	“as	Escrituras	ensinam-nos	a	melhor	maneira	de	viver,	a	mais	nobre
forma	de	sofrer	e	o	modo	mais	confortável
de	morrer”.
Warren	W.	Wiersbe	resume:	“As	Escrituras	são	úteis	para	o	ensino	(aquilo	que	é
certo),	para	a	repreensão	(aquilo	que	é	errado),	para	a	correção	(como	fazer	o
que	é	certo)	e	para	educação	na	justiça	(como	permanecer	no	caminho	certo)”.
3.	QUAL	O	PROPÓSITO	DA	BÍBLIA?
A	fim	de	que	o	homem	de	Deus	seja	perfeito	e	perfeitamente	habilitado	para
toda	boa	obra	(v.17).	A	expressão	“a	fim	de”	(hina)	indica	o	propósito	da
Escritura.	Ela	visa	“o	homem	de	Deus”,	que	pode	ser	um	pastor	como	Timóteo
(1Tm	6.11)	ou	qualquer	cristão	que	se	dedica	a	estudar	e	praticar	a	Palavra	de
Deus.	No	Antigo	Testamento,	Moisés,	Davi	e	Elias	receberam	esse	honroso	título
de	“o	homem	que	pertence	a	Deus”	(Dt	33.1;	2	Cr	8.14;	1Rs	17.18).	Todos	eles
foram	portadores	da	Palavra	de	Deus.
Há	dois	propósitos	básicos	neste	versículo:	(1)	A	Bíblia	aperfeiçoa	o	crente.	A
palavra	traduzida	por	“perfeito”	(artios)	significa	“adequado”,	“completo”,
“suficiente”,	“capaz”	e	“em	boa	forma	ou	bom	estado”.	Não	indica	perfeição
completa,	mas	adequação	para	ser	usado	por	Deus.	A	Palavra	de	Deus	tem	o
propósito	de	aperfeiçoar,	santificar	e	qualificar	o	crente,	levando-o	à	maturidade.
A	purificação	é	pré-requisito	para	alguém	ser	usado	por	Deus	(2Tm	2.21).	Deus
não	usa	vaso	sujo.	(2)	A	Bíblia	capacita	o	crente	para	o	serviço.	O	adjetivo
“habilitado”	significa	“completamente	equipado”,	“suprido	para	o	serviço”.	A
Palavra	de	Deus	equipa	e	capacita	o	cristão	a	realizar	a	obra	de	Deus.	Thomas
Watson	diz:	“A	Bíblia	é	uma	mina	de	diamantes,	um	colar	de	pérolas,	a	espada
do	Espírito;	um	mapa	pelo	qual	o	cristão	navega	para	a	eternidade;	o	roteiro	pelo
qual	anda	todos	os	dias;	o	relógio	pelo	qual	acerta	sua	vida;	a	balança	com	a	qual
pesa	suas	ações”.
4.	QUAL	O	CONTEÚDO	DA	BÍBLIA?
Quais	são	os	livros	que	fazem	parte	da	Bíblia?	Quem	foi	que	decidiu	quantos
livros	a	Bíblia	deve	ter?	Estas	são	questões	do	cânon	das	Escrituras.	A	palavra
“cânon”	significa	“padrão	ou	regra	de	medir”.	O	cânon	é	a	lista	de	todos	os
livros	que	pertencem	à	Bíblia.	Wayne	Grudem	diz:	“A	determinação	precisa	da
extensão	do	cânon	das	Escrituras	é,	portanto,	de	extrema	importância.	Para	que
possamos	confiar	em	Deus	e	obedecer	a	ele	de	modo	absoluto,	precisamos	de
uma	coleção	de	palavras	sobre	as	quais	temos	certeza	serem	as	palavras	do
próprio	Deus	para	nós”.
O	Cânon	do	Antigo	Testamento
Deus	é	o	autor	da	Bíblia.	Foi	Ele	quem	escreveu	a	Lei	em	tábuas	de	pedra	e
ordenou	o	seu	povo	a	obedecê-la	e	preservá-la	(Êx	31.18;	32.16).	Ele	ordenou	a
Moisés	que	escrevesse	a	Torá	ou	os	cinco	primeiros	livros	da	Lei	(Êx	17.14;
24.4;	34.27;	Dt	31.21-26).	Josué	também	continuou	obedecendo	e	escrevendo	o
livro	de	Deus	(Js	1.7,8;	24.26).	Mais	tarde,	os	profetas	continuaram	escrevendo	a
revelação	de	Deus	(1Sm	10.25;	Jr	30.2;	1Cr	29.29;	2Cr	26.22)	até	435	a.C.,	com
o	profeta	Malaquias.	Na	época	de	Jesus,	o	cânon	do	Antigo	Testamento	já	estava
fechado:	“E,	começando	por	Moisés,	discorrendo	por	todos	os	profetas,
expunha-lhes	o	que	a	seu	respeito	constava	em	todas	as	Escrituras”	(Lc	24.27).
“Todas	as	Escrituras”	do	Antigo	Testamento:	Antiga	Lei,	os	Profetas	e	os	Salmos
(Lc	24.44).
O	cânon	do	Antigo	Testamento	é	composto	pelos	seguintes	livros:	Gênesis,
Êxodo,	Levítico,	Números,	Deuteronômio,	Josué,	Juízes,	Rute,	1	Samuel,	2
Samuel,	1	Reis,	2	Reis,	1	Crônicas,	2	Crônicas,	Esdras,	Neemias,	Ester,	Jó,
Salmos,	Provérbios,	Eclesiastes,	Cantares,	Isaías,	Jeremias,	Lamentações,
Ezequiel,	Daniel,	Oseias,	Joel,	Amós,	Obadias,	Jonas,	Miqueias,	Naum,
Habacuque,	Sofonias,	Ageu,	Zacarias,	Malaquias.	Esse	cânon	que	usamos	na
Bíblia	evangélica	é	o	mesmo	do	cânon	hebraico	massorético.
Em	1546,	a	Igreja	Católica	Romana,	em	oposição	à	Reforma	Protestante,	no
Concílio	de	Trento,	incluiu	os	livros	apócrifos	no	Antigo	Testamento:	Tobias,
Judite,	acréscimos	a	Ester,	1	e	2	Macabeus,	Sabedoria,	Eclesiástico	e	Baruc.
Esses	livros	foram	incluídos	pela	Igreja	Romana	para	apoiar	o	ensino	católico	da
oração	pelos	mortos,	salvação	pelas	obras	e	culto	a	imagens.	Mas,	esses	livros
não	faziam	parte	do	cânon	dos	judeus,	não	foram	reconhecidos	por	Jesus	e	pelos
apóstolos,	e	contêm	ensinos	contrários	ao	restante	da	Bíblia.	É	por	isso	que	a
Bíblia	usada	pelos	evangélicos	não	tem	esses	livros	incluídos	pela	Igreja
Católica	Romana.
O	Cânon	do	Novo	Testamento
O	cânon	do	Novo	Testamento	possui	vinte	e	sete	livros:	Mateus,	Marcos,	Lucas,
João,	Atos,	Romanos,	1	Coríntios,	2	Coríntios,	Gálatas,	Efésios,	Filipenses,
Colossenses,	1	Tessalonicenses,	2	Tessalonicenses,	1	Timóteo,	2	Timóteo,	Tito,
Filemon,	Hebreus,	Tiago,	1	Pedro,	2	Pedro,	1	João,	2	João,	3	João,	Judas,
Apocalipse.	Eles	foram	escolhidos	e	preservados	pelo	Espírito	Santo	(Jo	14.26).
Mas,	quais	os	critérios	para	saber	se	o	livro	é	ou	não	inspirado?	A	Igreja
Primitiva	usou	três	testes	de	canonicidade:	(1)	Inspiração	divina:	se	for	inspirado
serve	(2Pe	1.20,21).	(2)	Apostolicidade:	se	foi	escrito	ou	creditado	por	um
apóstolo	(Jo	20.30,31;	1Co	14.37,38).	(3)	Doutrina:	o	ensino	do	livro	está	em
harmonia	com	os	outros	livros	da	Bíblia.
A	posição	dos	Reformadores	quanto	à	base	para	um	livro	ser	considerado
canônico:	(1)	Evidências	internasda	própria	Escritura.	No	texto	bíblico
encontramos	a	ideia	do	aparecimento	de	um	Novo	Testamento	(Jo	14.26;
15.26,27;	16.13);	aceitação	e	reconhecimento	de	coleções	de	livros	apostólicos
(2Pe	3.15,16);	os	escritores	consideravam	seus	escritos	como	autoritativos	(1Co
14.37,38;	Gl	1.6-12;	2Pe	1.20,21;	3.1,2;	Jo	20.30,31);	os	escritores	consideravam
os	seus	escritos	como	algo	que	deveria	ser	lido	em	várias	congregações	(Cl	4.16;
1Ts	5.27).	(2)	Testemunho	interno	do	Espírito	Santo.	É	o	próprio	Espírito	que
convence	o	crente	e	a	igreja	acerca	da	inspiração	de	um	livro.
Aplicações	práticas:
A	Bíblia	nos	ensina,	repreende,	corrige	e	educa	na	justiça.
A	Bíblia	aperfeiçoa	e	capacita	o	crente	para	o	serviço.
Todos	os	livros	da	Bíblia	evangélica	foram	inspirados	por	Deus.
CONCLUSÃO
A	Bíblia	é	a	revelação	escrita	de	Deus.	Ela	foi	escrita	por	homens	inspirados
pelo	Espírito,	de	forma	plenária	e	verbal.	Ela	é	infalível,	eterna	e	eficaz.	Ela	é
necessária,	útil	e	insubstituível.	O	ensino	e	a	pregação	da	Palavra	é	a	primeira
marca	essencial	da	igreja.	Martinho	Lutero	disse:	“Em	qualquer	lugar	que	você
ouça	ou	veja	a	Palavra	ser	pregada,	professada	e	vivida,	não	tenha	dúvida
nenhuma	de	que	ali	está	a	verdadeira	igreja	de	Deus”.
A	igreja	nasce,	vive	e	prevalece	pelo	poder	da	Palavra	de	Deus.
Estudo	02
Texto	Básico:	João	17.3
A	PESSOA	DE	DEUS
INTRODUÇÃO
A	vida	cristã	pode	ser	resumida	em	conhecer	a	Deus	e	a	nós	mesmos.	Agostinho
falava	muito	sobre	a	necessidade	do	duplo	conhecimento.	Em	uma	de	suas
orações	ele	dizia	“Senhor,	permite-me	conhecer	a	Ti,	para	que	conhecendo	a	Ti
eu	conheça	a	mim	e	isso	é	tudo”.	Para	ele,	não	havia	nenhuma	possibilidade	de
alguém	conhecer	a	Deus	sem	que	isso	produzisse	autoconhecimento.
Na	Teologia	Sistemática,	Teontologia	ou	Teodiceia	é	o	estudo	da	pessoa	de
Deus,	sua	existência,	sua	natureza,	seu	caráter,	seus	nomes	e	títulos,	e	sua
revelação.	Nesse	estudo,	há	dois	pressupostos	bíblicos	que	devem	ser
considerados	como	ponto	de	partida:	(1)	Teísmo:	crer	na	existência	de	um	Deus
pessoal,	único	e	transcendental,	mas	que	se	revela	ao	homem	tornando-se
imanente.	Ele	não	apenas	criou	tudo	que	existe,	mas	continua	cuidando,
sustentando	e	protegendo	a	criação.	(2)	Trinitarianismo:	crer	na	existência	de	um
Deus	único,	que	subsiste	em	três	pessoas:	o	Pai,	o	Filho	e	o	Espírito	Santo.
O	estudo	de	hoje	é	sobre	Deus.	Destacaremos	os	pontos	básicos	dessa	doutrina
bíblica.
1.	CONCEITO	DE	DEUS
Deus	é	humanamente	indefinível.	Podemos	apenas	conceituá-lo	de	forma
limitada,	segundo	Ele	mesmo	se	revela.	Na	Bíblia,	Deus	é	apenas	descrito	em
figuras	de	linguagem:	Deus	é	Espírito	(Jo	4.24);	Deus	é	Luz	(1Jo	1.5;	Ap	22.5);
Deus	é	Amor	(1Jo	4.8,16);	e	Deus	é	um	fogo	consumidor	(Hb	12.29).	O	próprio
Deus	diz:	“EU	SOU	O	QUE	SOU”	(Êx	3.14).
C.	S.	Lewis	diz:	“Quando	se	trata	de	conhecer	a	Deus,	toda	a	iniciativa	depende
dEle.	Se	Ele	não	se	quiser	revelar,	nada	do	que	façamos	nos	permitirá	encontrá-
lo”.
A	origem	de	Deus	é	um	mistério.	A	Bíblia	simplesmente	declara:	“No	princípio,
criou	Deus	os	céus	e	a	terra”	(Gn	1.1).	Deus	é	a	sua	própria	causa	e	Ele	não	tem
origem,	princípio	e	fim.	Ele	é	autoexistente	ou	existe	por	si	mesmo.	Ele	é
preexistente	ou	já	existia	antes	de	todas	as	coisas.	A	sua	existência	é	necessária
para	a	criação	(Criador),	para	a	afeição	(Pai),	para	a	moral	(Juiz)	e	para	a
manutenção	(Provedor).
Alguns	teólogos	tentaram	conceituar	a	Deus.	“Deus	é	um	espírito	infinito,
perfeito,	em	quem	todas	as	coisas	têm	a	sua	origem,	substância	e	subsistência”
(Strong).	“Deus	é	espírito,	infinito,	eterno	e	imutável	em	seu	ser,	sabedoria,
poder,	santidade,	justiça,	bondade	e	verdade”	(Breve	Catecismo	de	Westminster).
Mas,	a	conclusão	lógica	é	que	o	finito	jamais	poderá	conceituar	o	infinito.
A	revelação	de	Deus	é	geral	(natural)	ou	especial	(sobrenatural).	A	primeira
fundamenta-se	na	criação	e	tem	como	objetivo	revelar	a	todos	os	homens	a
existência	de	Deus	(Sl	19.1-6;	Rm	1.18).	A	segunda,	baseia-se	na	Bíblia	e	dirige-
se	aos	pecadores	eleitos,	com	o	intuito	de	salvá-los.	É	através	da	Bíblia	que	Deus
promove	a	fé	no	coração	do	pecador,	levando-o	a	conhecer	a	Jesus,	o	qual	lhe	dá
a	vida	eterna	(Jo	20.30,31;	Rm	10.17;	Tg	1.21).
A	Bíblia	revela	que	Deus	é	uma	pessoa.	Ele	é	distinto	dos	deuses	pagãos	e	dos
ídolos	mortos	(Jr	10.14,15).	Ele	é	um	Ser	vivo	e	pessoal	(Sl	42.2;	1Ts	1.9).	Ele
criou	o	universo,	mas	não	é	uma	extensão	dele	(Gn	1.1).	Ele	não	é	uma	energia
cósmica,	mas	uma	personalidade	racional,	moral	e	afetiva,	que	se	relaciona	com
o	homem	(Gn	1.26;	Jo	1.1-3).
Aplicações	práticas:
Deus	é	incompreensível,	mas	pode	ser	conhecido.	O	requisito	absoluto	para	ser
salvo	é	conhecê-lo	(Jo	17.3).
A	revelação	que	Deus	faz	de	si	mesmo	é	a	base	de	todo	o	conhecimento	que
podemos	ter	sobre	Ele	(Dt	29.29).
2.	OS	NOMES	DE	DEUS
A	Bíblia	registra	vários	nomes	de	Deus.	Esses	não	foram	inventados	pelos
homens,	mas	revelados	por	Deus.	Ele	revela	a	sua	identidade	pelo	seus	nomes.
No	Antigo	Testamento,	destacamos	os	principais:	(1)	Elohim.	É	o	primeiro	nome
de	Deus	que	aparece	na	Bíblia	(Gn	1.1).	Significa	“Deus	forte	e	poderoso”.
Ocorre	mais	de	2.000	vezes.	(2)	Yahweh.	Significa	“SENHOR	DEUS”,	o	Deus
da	graça	e	da	aliança.	É	o	segundo	nome	de	Deus	que	aparece	na	Bíblia	(Gn
2.4).	Era	o	nome	mais	sagrado	para	os	judeus	e	aparece	6.519	vezes.	Ele	é	usado
em	combinações:	Jeová	Nissi	(O	Senhor	minha	bandeira),	Jeová-Raah	(O
Senhor	meu	pastor),	Jeová	Rapha	(O	Senhor	que	cura),	Jeová	Shammah	(O
Senhor	está	lá),	Jeová	Tsidkenu	(O	Senhor	Justiça	Nossa),	Jeová	Mekoddishkem
(O	Senhor	que	santifica),	Jeová	Jiré	(O	Senhor	proverá),	Jeová	Shalom	(o
Senhor	é	paz)	e	Jeová	Sabaoth	(O	Senhor	dos	Exércitos).	(3)	Adonai.	Significa
“Senhor”	e	apresenta	a	Deus	como	Governador	e	Mestre.	Aparece	pela	primeira
vez	em	Gênesis	15.2	e	434	vezes	no	total.	(4)	El	Shaddai.	Significa	“Deus	Todo-
Poderoso”	fonte	de	toda	a	satisfação.	Aparece	pela	primeira	vez	em	Gênesis	17.1
e	mais	6	vezes.	El	é	um	nome	de	Deus	que	pode	ser	usado	combinado	com
outros:	El	Elyom	(Deus	Altíssimo	–	Gn	14.18).	El	é	usado	para	descrever	os
ídolos	(Sl	95.3),	homens	(Gn	33.10)	e	governantes	(Êx	21.6).
No	Novo	Testamento,	os	nomes	de	Deus	são:	(1)	Theos.	Significa	“Deus”	e	é
usado	para	expressar	a	divindade,	o	Deus	de	todos	e	de	cada	um	dos	seus	filhos
(At	17.24,	29;	Fp	4.19).	Theos	equivale	a	Elohim.	(2)	Kurios.	Significa
“Senhor”.	Equivale	a	Yahweh	e	Adonai.	Designa	a	Deus	como	o	Poderoso,	o
Senhor,	o	Dono	ou	aquele	que	tem	todo	poder	e	autoridade.	Aplica-se	a	Deus	e	a
Jesus	(At	2.36;	Fp	2.9-11).	(3)	Pater.	Significa	“Pai”	como	“Aquele	que	deu	a
origem”	ou	“Criador”	(Ef	3.15;	Hb	12.9).	É	usado	para	designar	a	relação	entre
Deus	e	os	membros	da	sua	família	(Mt	6.9;	Rm	8.15).
Aplicações	práticas:
Os	nomes	de	Deus	revelam	quem	Ele	é	e	o	que	Ele	pode	fazer.	Em	outras
palavras,	a	sua	identidade	e	os	seus	atos.
Os	nomes	de	Deus	não	são	colocados	pelos	homens,	mas	revelados	por	Ele,	de
forma	progressiva	na	história	da	revelação.
3.	OS	ATRIBUTOS	DE	DEUS
A	igreja	existe	para	proclamar	as	“virtudes”	de	Deus	(1Pe	2.9).	Essas	“virtudes”
são	os	seus	“atributos”,	nos	quais	Ele	se	revela.	Os	atributos	de	Deus	são	marcas
distintivas	do	seu	ser.	L.	Berkhof	define	atributos	como	“as	perfeições	atribuídas
ao	Ser	Divino,	na	Escritura,	que	são	visivelmente	exercitadas	por	Ele	nas	obras
da	Criação,	Providência	e	Redenção”.
Os	atributos	de	Deus	se	classificam	em	duas	categorias:	incomunicáveis	e
comunicáveis.	A	primeira,	são	as	virtudes	exclusivas	de	Deus	que	ninguém
possui.	A	segunda,	são	as	virtudes	que	Deus	possui	e	Ele	comunica	aos	homens.
Seguindo	L.	Berkhof,	apresentamos:
Atributos	Incomunicáveis	(Deus	como	ser	absoluto)
(1)	Autoexistência.	Deus	existe	por	si	mesmo	(Jo	5.26).	Deus	não	precisa	de
nós	e	nem	do	restante	da	criação.	(2)	Imutabilidade.	Deus	é	imutável	em	seu
ser,	nos	seus	planos	e	nas	suas	promessas	(Ml	3.6;	Tg	1.17).	(3)	Infinidade.
Deus	está	livre	de	todas	as	limitações.	Essa	infinidade	alcança	a	absoluta
perfeição	do	seu	Ser	(Mt	5.48),	Sua	eternidade(Sl	90.2;	Ef	3.21);	Sua
imensidade	(At	7.48,49;	At	17.27,28)	e	Sua	unidade,	isto	é,	Ele	é
numericamente	um	e	seu	caráter	é	único	(1Co	8.6;	1Tm	2.5).
Esses	atributos	são	chamados	também	de	naturais,	isto	é,	virtudes	exclusivas	que
só	Deus	possui.	São	quatro	atributos:	onisciência,	onipotência,	onipresença	e
eternidade.
Atributos	Comunicáveis	(Deus	como	Espírito	pessoal)
(1)	A	Espiritualidade	de	Deus.	“Deus	é	Espírito”	(Jo	4.24;	1Tm	1.17).	(2)
Atributos	intelectuais.	O	conhecimento,	a	sabedoria	e	a	veracidade
(fidelidade)	de	Deus	são	perfeitos	em	sua	natureza	e	alcance	(1Sm	2.3;	Jó
37.16;	Rm	11.33;	Is	44.9,10;	Tm	2.13).	(3)	Atributos	Morais.	são	três
gloriosas	virtudes	(a)	Bondade	de	Deus,	que	se	expressa	em	seu	amor,	sua
graça,	misericórdia	e	paciência	(Mc	10.18;	1Jo	4.7,8;	Ef	2.7-9;	Dt	5.10;	Rm
2.4).	(b)	Santidade	de	Deus,	em	sua	natureza	e	manifestação	(Êx	15.11;	1Pe
1.16).	(c)	Justiça	de	Deus	(Sl	119.137).	(4)	Atributos	de	Soberania.	Deus	é
soberano	em	sua	vontade	e	no	exercício	do	seu	poder	(Sl	115.3;	Dn	4.35;	Tg
4.15;	Mt	10.29).
Esses	atributos	são	chamados	também	de	morais,	isto	é,	virtudes	que	Deus
possui	e	não	são	exclusivas,	pois	Ele	as	transmite	aos	homens.	São	cinco
virtudes:	santidade,	justiça,	fidelidade,	misericórdia	e	amor.
Aplicações	práticas:
Os	atributos	de	Deus	são	marcas	distintivas	de	seu	ser.	Ele	é	Espírito
(substância)	e	os	seus	atributos	são	as	qualidades	dessa	substância.
Deus	é	descrito	muitas	vezes	na	Bíblia	por	uma	linguagem	antropomórfica,	isto
é,	Ele	é	representado	mediante	analogias	humanas	(olho,	ouvido,	braço,	mão,	pés
de	Deus).
4.	AS	TRÊS	PESSOAS	DA	TRINDADE
A	doutrina	da	Trindade	é	um	mistério	revelado	na	Bíblia	e	impossível	de	ser
entendida	e	explicada	pelo	homem.	Cremos	que	Deus	é	um	só.	Há	no	Ser	divino
uma	só	essência	indivisível.	Deus	é	um,	na	essência	do	seu	Ser	ou	em	sua
natureza	constitucional.	Somos	monoteístas.	E	podemos	declarar	juntos	com	o
povo	judeu:	Deus	é	o	único	Senhor
(Dt	6.4-9).
A	Bíblia	também	revela	a	existência	das	três	pessoas	distintas	da	Trindade:	Deus,
o	Pai	(Is	63.16;	1Co	8.6;	Tg	1.17);	Jesus,	o	Filho	(Is	9.6;	Jo	1.14,18;	Gl	4.4;	Hb
1.2,3);	e	o	Espírito	Santo	(Gn	1.2;	Sl	104.30;	Jo	14.16;	2Co	3.17).	No	Novo
Testamento	encontramos	o	registro	das	três	pessoas	juntas:	batismo	de	Jesus	(Mt
3.16,17),	batismo	dos	crentes	(Mt	28.19),	dons	espirituais	(1Co	12.4-6),	bênção
apostólica	(2Co	13.14)	e	no	plano	da	salvação	(Ef	1.3-14;	1Pe	1.2;	1Jo	5.7).
As	três	pessoas	são	um	Deus,	uma	unidade	trina.	Não	há	divisão	de	substância,
como	se	uma	parte	fosse	o	Pai,	outra	fosse	o	Filho	e	outra	o	Espírito	Santo.	Uma
única	substância	é	comum	às	três	pessoas.	As	distinções	pessoais	estão	em	suas
relações	interpessoais	e	em	seus	papéis.	O	Pai	tem	uma	relação	paternal	com	o
Filho,	o	qual	é	chamado	de	Unigênito.	O	Espírito	procede	do	Pai	e	do	Filho.	No
plano	da	salvação,	Deus	escolheu	os	salvos,	Jesus	Cristo	morreu	para	efetuar	a
salvação	e	o	Espírito	Santo	efetiva	a	salvação	convertendo	e	selando	o	eleito
salvo	(Ef	1.1-4).
Por	se	tratar	de	um	mistério	revelado	pela	Escritura,	a	doutrina	da	Trindade	é
interpretada	de	forma	equivocada	por	muitos	(arianos,	semiarianos,	sabelianos	e
socinianos).	De	uma	maneira	geral,	há	uma	rejeição	contra	a	pessoa	de	Jesus.
Rejeita-se	o	ensino	bíblico	de	que	Jesus	era	uma	pessoa	com	duas	naturezas:	Ele
era	verdadeiramente	homem	e	verdadeiramente	Deus.	Algumas	seitas	antigas	e
atuais	negam	a	divindade	de	Jesus	vendo-o	apenas	como	um	homem
aperfeiçoado.
Aplicações	práticas:
A	doutrina	da	Trindade	revela	que	Deus	não	é	um	ser	solitário	e	isolado.	Deus	é
relação	e	comunhão.
O	conceito	de	Trindade	não	significa	que	o	cristão	acredita	em	três	deuses
(triteísmo).	Trindade	significa	“triunidade”,	isto	é,	três	em	um.	Há	três	pessoas
na	Divindade	e	estas	três	são	um	Deus,	da	mesma	substância,	iguais	em	poder	e
glória.
CONCLUSÃO
James	I.	Packer	diz	que	“pode-se	saber	bastante	sobre	Deus	sem	conhecê-lo
muito”.	Podemos	ter	um	conhecimento	teórico	ou	retórico	de	Deus,	sem	um
conhecimento	real	ou	pessoal	dEle.	Esperamos	que,	após	este	estudo,	você	sinta
a	necessidade	de	conhecer	mais	a	Deus.	Que	você	possa	dizer	como	Jó:	“Eu	te
conhecia	só	de	ouvir,	mas	agora	os	meus	olhos	te	veem”	(Jó	42.5).
Estudo	03
Texto	Básico:	Gênesis	1.1
A	CRIAÇÃO	DE	TODAS	AS	COISAS
INTRODUÇÃO
A	doutrina	da	criação	é	um	dos	pilares	da	fé	cristã.	Dela	depende	toda	a	verdade
e	ela	é	o	fundamento	da	verdadeira	religião.	Cremos	que	Deus	é	o	Criador	do
universo	e	da	humanidade,	conforme	o	registro	bíblico	de	Gênesis	1-2.	O
cristianismo	não	começa	com	a	aceitação	de	Jesus	Cristo	como	Salvador,	mas
com	a	aceitação	de	Deus	como	criador.	Benjamin	Franklin	disse:	“Crer	que	o
universo	não	tenha	um	Criador,	é	o	mesmo	que	acreditar	que	o	dicionário	é	o
resultado	de	uma	explosão	na	tipografia”.
A	Bíblia,	e	não	a	ciência,	é	o	teste	final	de	toda	a	verdade.	John	MacArthur	Jr
declara:	“A	Bíblia	fornece	uma	explicação	clara	e	convincente	do	começo	do
cosmos	e	da	humanidade.	Não	há	absolutamente	razão	alguma	para	uma	mente
inteligente	negar-se	a	aceitar	que	o	que	temos	é	uma	narrativa	literal	da	origem
do	nosso	universo”.	O	verdadeiro	conhecimento	científico	não	nega	a	existência
de	Deus,	pois	Ele	é	a	fonte	de	toda	sabedoria	e	ciência.	Albert	Einstein	declarou:
“Quanto	mais	acredito	na	ciência,	mais	acredito	em	Deus.	O	universo	é
inexplicável	sem	Deus”.
Hoje	estudaremos	a	doutrina	bíblica	da	criação.
1.	A	BASE	BÍBLICA	DA	CRIAÇÃO
No	princípio,	criou	Deus	os	céus	e	a	terra	(Gn	1.1).	Assim	começa	a	narrativa
bíblica	da	criação.	Há	cinco	lições	implícitas	neste	versículo:	(1)	Deus	é	o	autor
da	criação.	Deus	(Elohim)	enfatiza	o	poder	e	a	majestade	do	Criador.	Elohim	é
um	substantivo	plural,	que	a	gramática	chama	de	“plural	de	majestade”.	O	Pai
(At	17.24,25;	Ap	4.11),	o	Filho	(Jo	1.3;	Cl	1.16)	e	o	Espírito	Santo	(Gn	1.2;	Jó
33.4)	criaram	juntos	tudo	que	existe.	(2)	Deus	criou	a	partir	do	nada.	Antes	de
Deus	criar	o	universo,	nada	existia	exceto	o	próprio	Deus.	O	verbo	hebraico
“criar”	(barah)	indica	que	tudo	passou	a	existir	sem	material	preexistente	(Sl
33.6,9;	Rm	4.17).	Tudo	veio	do	nada.	A	criação	é	ex	nihilo.	(3)	Deus	criou	tudo
pela	sua	palavra.	Deus	falava	e	tudo	passava	a	existir	(Hb	11.3).	Na	narrativa
de	Gênesis	1.3-26,	repete-se	a	expressão:	“Disse	Deus”.	A	palavra	criadora	de
Deus	gerava	resultado	imediato.	Ele	dizia:	“produza”	e	“assim	se	fez”	(Gn
1.11).	(4)	Deus	criou	tudo:	material	e	espiritual.	A	criação	do	universo	abarca
céus	e	terra	e	tudo	que	neles	existe	(At	4.24;	Ap	4.11).	Todas	as	coisas	visíveis	e
invisíveis	foram	criadas	juntas	e	de	uma	só	vez	(Cl	1.16;	Sl	148.5).	(5)	Deus
criou	tudo	em	seis	dias	(Gn	2.1-3).	A	criação	é	dividida	em	seis	dias	de	trabalho
e	um	de	descanso,	estabelecendo	a	semana	como	uma	unidade	básica	do	tempo.
Os	dias	são	de	24	horas	solares,	definidos	pelo	movimento	de	rotação,	o	giro
que	a	terra	faz	em	seu	próprio	eixo.	Não	há	base	para	o	“teísmo	evolucionista”
que	defende	o	“dia-era”.
Aplicações	práticas:
Deus	é	distinto	da	sua	criação,	pois	Ele	a	fez	e	a	governa.	Deus	é	transcendente.
Deus	criou	tudo	para	revelar	a	sua	glória	(Is	43.7).
Deus	deve	ser	adorado	como	Criador	(Ap	4.11).
2.	A	CRIAÇÃO	DO	HOMEM	E	DA	MULHER
A	narrativa	da	criação	do	homem	é	feita	de	duas	maneiras:	geral	(Gn	1)	e
específica	(Gn	2).	A	primeira	narra	a	ordem	em	que	as	coisas	foram	criadas;	a
segunda,	detalha	a	criação	do	homem	sem	preocupação	com	a	ordem
cronológica.	Vejamos	os	textos	e	aprendamos	as	lições.	Deus	criou	o	homem	de
forma	especial.	Também	disse	Deus:	Façamos	o	homem	à	nossa	imagem,
conforme	a	nossa	semelhança.	Criou	Deus,	pois,	o	homem	à	sua	imagem,	à
imagem	de	Deus	o	criou;	homem	e	mulher	os	criou	(Gn	1.26,27).	Três	lições
básicas:
Deus	criou	o	homem
O	homem	foi	criado	por	Deus	depois	que	tudo	já	estava	feito.	Ele	foi	criado	de
forma	especial.	Enquanto	tudo	foi	criado	por	Deus	pela	sua	poderosa	palavra,	o
homem	foi	criado	diretamente	por	Deus,	a	partir	de	material	já	existente:	Então,
formou	o	SENHOR	Deus	ao	homem	dopó	da	terra	e	lhe	soprou	nas	narinas	o
fôlego	de	vida,	e	o	homem	passou	a	ser	alma	vivente	(Gn	2.7).	Aqui	temos	os
dois	elementos	que	constituem	a	natureza	humana:	o	pó	da	terra	e	a	alma.	O
“fôlego	de	vida”	todos	os	animais	têm	(Gn	1.21,22),	mas	só	o	homem	é	“alma
vivente”	(1Co	15.45).	Não	há	espaço	aqui	para	evolução,	mutação	de	espécie,
sobrevivência	do	mais	apto,	ou	espécie	de	transição.	Deus	fez	o	homem
completo,	diferente	e	especial,	incomparável	a	qualquer	outra	espécie.
Há	três	teorias	sobre	a	composição	dos	elementos	da	natureza	humana:	(1)
Unicotomismo:	defende	que	o	homem	é	uma	unidade	e	que	a	divisão	entre	corpo
e	alma	é	apenas	didática.	(2)	Dicotomismo:	defende	que	o	homem	é	composto	de
corpo	e	alma.	O	corpo	é	a	substância	material	perceptível	aos	sentidos.	A	alma	é
o	elemento	espiritual,	sede	da	consciência,	do	pensamento,	dos	sentimentos	e	da
vontade.	É	a	parte	espiritual	que	continua	existindo	após	a	morte	física	(Gn	2.7;
35.18;	Ec	12.7).	(3)	Tricotomismo:	defende	que	o	homem	é	composto	de	três
partes:	corpo	(parte	material),	alma	(sopro	da	vida)	e	espírito	(princípio	da	vida
racional,	moral	e	espiritual).	Os	textos	mais	usados	são:	Marcos	12.30;	1
Coríntios	15.44-46;	1	Tessalonicenses	5.23;	Hebreus	4.12.
Cremos	que	a	diferença	entre	dicotomismo	e	tricotomismo	é	apenas	da	diferença
entre	a	visão	hebraica	e	grega	do	homem.
Deus	criou	o	homem	à	sua	imagem	e	semelhança
O	que	significa	ser	feito	à	imagem	de	Deus?	Significa	que	o	homem	é	distinto
das	outras	criaturas.	Ele	não	é	um	animal	ou	o	resultado	da	evolução	de	outras
espécies.	Wayne	Grudem	diz:	“O	fato	de	ser	o	homem	à	imagem	de	Deus
significa	que	ele	é	semelhante	a	Deus	e	o	representa”.	João	Calvino	ensinou	que
“imagem	e	semelhança”	engloba	dois	aspectos:	o	geral,	que	envolve	tudo	aquilo
que	a	natureza	humana	sobrepõe	a	todas	as	outras	espécies	animais;	o	especial,
que	envolve	as	qualidades	espirituais	originais	que	dotaram	o	homem	de
verdadeiro	conhecimento,	justiça	e	santidade.	Para	Calvino	a	imagem	total	foi
atingida	pelo	pecado,	mas	apenas	as	qualidades	espirituais	foram	completamente
perdidas.
Entendemos	que	essa	“imagem	e	semelhança”	indica	algo	“similar”	ou	aquilo
que	“representa”	a	outra	pessoa	(Gn	5.3).	Deus	fez	o	homem	à	sua	semelhança
pondo	a	eternidade	no	seu	coração	(Ec	3.11).	O	homem	é	um	ser	pessoal,
autoconsciente	e	capaz	de	se	relacionar	por	amor	e	não	institivamente.	Somos
semelhantes	a	Deus	também	na	conduta	moral,	na	capacidade	de	pensar	e
raciocinar,	no	uso	da	linguagem,	na	criatividade	e	na	complexidade	das	emoções.
Essa	imagem	e	semelhança	dá	ao	homem	uma	dignidade	exclusiva:	“Todo	ser
humano,	por	mais	que	a	imagem	de	Deus	esteja	maculada	pelo	pecado,	pela
doença,	pela	fraqueza,	pelo	envelhecimento	ou	por	qualquer	outra	deficiência,
traz	em	si	ainda	a	condição	de	existir	à	imagem	de	Deus	e	portanto	precisa	ser
tratado	com	dignidade	e	o	respeito	devidos	ao	portador	da	imagem	divina”
(Wayne	Grudem).
Aplicações	práticas:
O	homem	foi	feito	cabeça	e	coroa	da	criação.
O	assassinato	de	um	homem	tem	uma	pena	maior	pelo	fato	de	ele	ser	criado	à
imagem	e	semelhança	de	Deus	(Gn	9.6).
3.	Deus	criou	o	homem	–	macho	e	fêmea
Criou	Deus,	pois,	o	homem	à	sua	imagem,	à	imagem	de	Deus	o	criou;	homem	e
mulher	os	criou	(Gn	1.27).	Deus	criou	homem	e	mulher.	Os	sexos	são	iguais	em
termos	de	pessoalidade,	dignidade	e	importância.	William	Grudem	diz	que	a
criação	do	ser	humano	como	homem	e	mulher	revela	a	imagem	de	Deus	de	três
maneiras:	capacidade	de	relacionamento	interpessoal,	igualdade	de
importância	e	diferença	de	papéis.	O	papel	do	homem	é	ser	líder,	amante,
protetor	e	provedor.	A	mulher	é	diferente	do	homem	e	o	seu	papel	é	auxiliar	o
homem	(Gn	2.18),	cumprir	a	sua	missão	de	mãe	e	edificadora	da	família	(Gn
3.16;	1Tm	2.15	e	Tt	2.4,5)	e	ser	uma	mulher	virtuosa	(Pv	31.10-31).
Na	narrativa	de	Gênesis	2.4-25,	aprendemos:	(1)	O	homem	foi	criado	primeiro
que	a	mulher.	Deus	o	fez	do	pó	da	terra	(vv.4-8).	(2)	O	homem	foi	criado	para
trabalhar.	Deus	planta	um	jardim	e	coloca	o	homem	ali	para	o	cultivar	e	guardar
(vv.8-15).	(3)	Deus	faz	o	pacto	das	obras	com	o	homem,	antes	de	criar	a	mulher
(vv.16,17).	Ele	representa	a	espécie	e	é	o	cabeça	da	mulher	(Rm	5.12;	1Co	11.3).
(4)	A	mulher	é	criada	por	Deus	para	complementar	o	homem	e	ser	a	sua
auxiliadora	idônea	(vv.18-20).	A	mulher	foi	criada	por	causa	do	homem	(1Co
11.9).	(5)	A	mulher	é	feita	a	partir	do	homem	e	não	do	pó	da	terra	(vv.21-23).
Porque	o	homem	não	foi	feito	da	mulher,	e	sim	a	mulher,	do	homem	(1Co	11.8).
(6)	Deus	criou	um	casal	ou	a	família	e	os	abençoou	para	que	a	espécie	humana
fosse	multiplicada	(Gn	1.28;	2.24,25;	5.1-3).	O	sexo	deve	ser	praticado	entre
casados	e	os	filhos	devem	nascer	sob	a	proteção	de	uma	família.
Aplicações	práticas:
A	primeira	mulher	foi	feita	do	homem,	mas	depois	todo	homem	nasce	por	meio
de	uma	mulher.
Deus	fez	os	sexos	diferentes	para	que	os	mesmos	se	complementassem.	Ele
criou	o	casamento	para	sexos	diferentes.
4.	A	CRIAÇÃO	DOS	ANJOS
Deus	criou	o	mundo	visível	e	as	coisas	materiais.	Ele	criou	também	o	mundo
invisível	e	espiritual	(Cl	1.16).	Os	anjos	foram	criados	por	Deus	antes	do	sétimo
dia	da	Criação:	Porque,	em	seis	dias,	fez	o	SENHOR	os	céus	e	a	terra,	o	mar	e
tudo	o	que	neles	há	e,	ao	sétimo	dia,	descansou	(Êx	20.11).	Assim,	pois,	foram
acabados	os	céus	e	a	terra	e	todo	o	seu	exército	(Gn	2.1).	Os	anjos	compõem
parte	do	exército	celestial:	Só	tu	és	SENHOR,	tu	fizeste	o	céu,	o	céu	dos	céus	e
todo	o	seu	exército,	a	terra	e	tudo	quanto	nela	há,	os	mares	e	tudo	quanto	há
neles;	e	tu	os	preservas	a	todos	com	vida,	e	o	exército	dos	céus	te	adora	(Ne	9.6).
A	palavra	“anjos”	aparece	402	vezes	na	Bíblia	e	significa	“mensageiro”	ou
“enviado”.	Wayne	Grudem	define:	“anjos	são	seres	espirituais	criados,	dotados
de	juízo	moral	e	alta	inteligência,	mas	desprovidos	de	corpo	físico”.	A	Bíblia	os
chama	de	“espíritos	ministradores”	(Hb	1.14),	“filhos	de	Deus”	(Jó	1.6;	2.1),
“santo	e	vigilante”	(Dn	4.13,	23)	“santos”	(89.5,7),	“legiões	celestes”	(Sl	148.2)
e	“poderes”	(Ef	1.21).	Quatro	detalhes	importantes	sobre	eles:	(1)	Natureza:
criaturas	espirituais,	incorpóreos,	poderosos,	racionais,	assexuados,	imortais	e
inteligentes.	Eles	não	constituem	uma	raça	como	os	homens,	não	se	reproduzem
e	não	foram	feitos	a	imagem	de	Deus.	Para	os	anjos	que	caíram,	não	há	salvação.
(2)	Quantidade:	somente	Deus	sabe	a	quantidade.	A	Bíblia	cita	números	em
determinadas	situações
(Dt	33.2;	Sl	68.17;	Hb	12.22;	Ap	5.11),	mas	não	número	exato.	(3)	Ordem:	a
Bíblia	revela	que	há	diversas	classes	de	anjos:	(a)	Querubins:	são	aqueles	que
guardam	a	entrada	do	Paraíso	(Gn	3.24),	no	propiciatório	(Êx	25.22)	e	como
meio	de	transporte	para	Deus	(Sl	18.10;	Ez	10.1-22).	(b)	Serafins:	são	aqueles
que	adoram	a	Deus	continuamente,	na	sala	do	trono	(Is	6.2-7).	(c)	Arcanjos:	são
aqueles	que	são	enviados	por	Deus	para	missões	especiais	(Dn	8.16;	9.21;	Lc
1.19,26;	Jd	9;	Ap	2.7).	Dois	nomes	são	citados:	Miguel	e	Gabriel.	(d)	Seres
Viventes:	anjos	que	circundam	o	trono	de	Deus,	adorando-o	dia	e	noite	(Ez	1.5-
14;	Ap	4.6-8).	(4)	Ministério:	os	anjos	são	auxiliares	de	Deus	no	governo	do
universo	(Ef	1.21);	eles	executam	as	ordens	e	os	juízos	de	Deus	(Lc	1.11-19;	At
12.23;	Ap	16.1);	eles	adoram	a	Deus	(Sl	103.20;	148.2;	Lc	2.14);	os	anjos
serviram	a	Jesus	e	servem	a	nós,	filhos	de	Deus	(Mt	4.11;	Sl	91.11,12;	Hb	1.14).
Aplicações	práticas:
Não	adore	a	anjos	e	nem	receba	deles	ensinos	doutrinários	(Gl	1.8;	Ap	19.10).
Não	é	bíblico	o	ensino	de	“anjo	da	guarda”	pessoal.	Os	anjos	são	enviados	por
Deus	para	nos	proteger	de	forma	coletiva	(Sl	91.11,12).
Não	busque	aparições	angelicais.	Caso	Deus	julgue	necessário,	eles	aparecerão
na	hora	certa.
CONCLUSÃO
Reafirmamos	aqui	a	nossa	fé	na	narrativa	bíblica	de	Gênesis	1-3.	Cremos	que	a
criação	foi	um	trabalho	imediato	de	Deus,	já	concluído.	Ela	aconteceu	de	forma
sobrenatural,	pelo	poder	do	Deus	(Elohim)	Onipotente.	Rejeitamos
completamente	o	naturalismo,	com	a	sua	hipótese	evolucionista.	John
MacArthur	Jr.	resume:	“Resumindo,	a	evoluçãofoi	inventada	com	o	objetivo	de
eliminar	o	Deus	de	Gênesis	e,	dessa	forma,	expulsar	o	Legislador	e	apagar	a
inviolabilidade	da	Sua	lei”.
Estudo	04
Textos	Básicos:	Jó	42.2	e	Romanos	8.28
OS	DECRETOS	E	A	PROVIDÊNCIA	DE	DEUS
INTRODUÇÃO
Mark	Twain	diz:	“Há	dois	grandes	dias	na	vida	de	uma	pessoa:	o	dia	que
nascemos	e	o	dia	que	descobrimos	por	que	estamos	aqui”.	O	primeiro	é	fácil:
olhe	para	a	sua	certidão	de	nascimento.	O	segundo	é	mais	difícil:	por	que	Deus
me	criou	e	me	colocou	na	terra,	neste	momento	da	história?	Qual	é	o	propósito
da	minha	existência?	Somente	o	ensino	bíblico	dos	decretos	e	da	providência	de
Deus	poderá	nos	ajudar	a	responder	esta	questão.	Davi	diz:	Os	teus	olhos	me
viram	a	substância	ainda	informe,	e	no	teu	livro	foram	escritos	todos	os	meus
dias,	cada	um	deles	escrito	e	determinado,	quando	nem	um	deles	havia	ainda	(Sl
139.16).	A	nossa	existência	é	um	projeto	divino.	Deus	nos	criou	e	nos	colocou
neste	mundo	para	cumprirmos	um	plano	que	Ele	mesmo	preparou.	O	Senhor	é	o
que	tira	a	vida	e	a	dá;	faz	descer	à	sepultura	e	faz	subir
(1Sm	2.6).
A	doutrina	bíblica	da	criação	pressupõe	duas	doutrinas	fundamentais:	(1)	Os
Decretos	de	Deus.	A	Trindade	planejou	tudo	antes	de	criar.	Tudo	veio	a	existir	a
partir	de	um	plano	elaborado	por	Deus,	que	determinou	o	propósito	de	cada
coisa	ou	pessoa	criada.	(2)	A	Providência	de	Deus.	A	Trindade	preserva	e
governa	tudo	que	foi	criado,	com	sabedoria	e	justiça.	Ela	não	entrega	o	universo
à	sua	própria	sorte	e	nem	abandona	as	suas	criaturas.
Confiar	em	Deus	e	viver	baseado	nesses	ensinos	traze-nos	alguns	benefícios:	Paz
espiritual	por	saber	que	Deus	controla	a	nossa	vida	e	o	nosso	futuro;	esperança	e
consolo	em	meio	às	tragédias	e	os	sofrimentos	da	vida;	e	confiança	e
dependência	de	Deus	em	qualquer	situação.
1.	OS	DECRETOS	DE	DEUS
Jó	declara	ao	Senhor:	Bem	sei	que	tudo	podes,	e	nenhum	dos	teus	planos	pode
ser	frustrado	(Jó	42.2).	Ele	nos	ensina	três	lições:	(1)	Deus	é	onipotente:	Ele	tudo
pode.	Não	há	impossível	para	Deus.	Ele	é	poderoso	para	realizar	tudo	o	que
quiser.	(2)	Deus	age	planejadamente:	Ele	faz	planos.	Os	seus	pensamentos	e
ideias	determinam	tudo	que	acontece	na	nossa	vida.	(3)	Os	planos	de	Deus	são
eficazes:	Nenhum	plano	dele	pode	ser	frustrado.	Ninguém	jamais	poderá	impedir
o	agir	de	Deus.
Os	pensamentos	e	os	planos	de	Deus	podem	ser	considerados	como	os	seus
decretos.	Wayne	Grudem	define:	“Os	decretos	de	Deus	são	os	divinos	desígnios
eternos	por	meio	dos	quais,	antes	da	criação	do	mundo,	ele	determinou	realizar
tudo	que	acontece”.	Os	teólogos	de	Westminster	respondem:	“Os	decretos	de
Deus	são	o	seu	eterno	propósito,	segundo	o	conselho	da	sua	vontade,	pelo	qual,
para	sua	própria	glória,	Ele	predestinou	tudo	o	que	acontece”.
Entendo,	que	os	decretos	de	Deus	revelam	que	Ele	tem	um	plano	ou	propósito
para	tudo	que	existe.	Esse	plano	é	percebido	nas	obras	da	criação,	providência	e
redenção.
De	um	só	fez	toda	a	raça	humana	para	habitar	sobre	toda	a	face	da	terra,
havendo	fixado	os	tempos	previamente	estabelecidos	e	os	limites	da	sua
habitação	(At	17.26).	O	conselho	do	SENHOR	dura	para	sempre;	os	desígnios
do	seu	coração,	por	todas	as	gerações	(Sl	33.11).	Os	gentios,	ouvindo	isto,
regozijavam-se	e	glorificavam	a	palavra	do	Senhor,	e	creram	todos	os	que
haviam	sido	destinados	para	a	vida	eterna	(At	13.48).	Nos	predestinou	para	ele,
para	a	adoção	de	filhos,	por	meio	de	Jesus	Cristo,	segundo	o	beneplácito	de	sua
vontade	(Ef	1.5).	Nele,	digo,	no	qual	fomos	também	feitos	herança,
predestinados	segundo	o	propósito	daquele	que	faz	todas	as	coisas	conforme	o
conselho	da	sua	vontade	(Ef	1.11).
Os	decretos	expressam	a	vontade	ou	o	querer	de	Deus.	Para	L.	Berkhof	não
existe	uma	série	de	decretos,	mas	um	decreto	único	que	é	um	plano
compreensivo	para	tudo	que	existe.	Esse	plano	é	sábio	(Sl	104.24),	eterno	(Ef
1.4),	eficaz	(Is	43.13),	imutável	(Is	46.10),	incondicional	ou	absoluto	(At	2.23),
universal	ou	totalmente	abrangente	(Ef	1.11)	e,	com	referência	ao	pecado,	é
permissivo	(At	14.16).	O	decreto	torna	o	evento	certo	(Mt	16.21;	Lc	18.31-33)	e
os	homens	responsáveis	pelos	seus	atos	(Gn	50.20,	At	2.23;	3.18;	4.27,28).
Nessa	discussão,	se	existe	um	decreto	só	ou	vários,	chegamos	a	uma	dupla
conclusão:	Primeiro,	que	há	uma	lógica	na	ação	divina:	planejar,	criar	e
preservar	(doutrinas	dos	decretos	de	Deus,	da	criação	e	da	providência).
Segundo,	que	na	realização	da	sua	vontade	soberana,	Deus	faz	o	que	quer,	deixa
de	fazer	o	que	não	quer	e	permite	aquilo	que	quer	permitir.	Por	isso,	entendemos
que	os	decretos	evidenciam	a	vontade	do	Deus	soberano,	podendo	ser
classificados	em	três	categorias:	(1)	Decreto	eletivo:	quando	Deus	escolhe	fazer
ou	dar	algo	para	alguém	escolhido	por	ele,	de	forma	incondicional.	Por	exemplo,
Deus	escolheu	pessoas	para	receber	a	salvação	(Ef	1.4,5;	1Co	1.26-29).	(2)
Decreto	preteritivo:	quando	Deus	resolve	não	fazer	ou	não	dar	algo	para	alguém.
Por	exemplo,	Deus	não	aceitou	o	arrependimento	de	Esaú	(Hb	12.16,17).	Deus
não	permitiu	que	Moisés	entrasse	na	terra	prometida,	mas	apenas	a	contemplasse
(Dt	34.4).	Deus	aprovou	a	construção	do	templo,	mas	não	permitiu	que	Davi	o
construísse	(1Cr	28.1-6).	(3)	Decreto	permissivo:	quando	Deus	permite	aquilo
que	Ele	resolveu	permitir.	Por	exemplo,	Israel	andar	nos	seus	próprios	caminhos
(Sl	81.11,12).
A	doutrina	dos	decretos	de	Deus	é	contestada	por	muitos.	A	principal
contestação	é	que	os	decretos	anulam	a	liberdade	humana.	Qual	a	resposta?	O
decreto,	embora	tornando	certo	o	que	vai	acontecer,	não	viola	a	vontade	humana.
Nos	atos	bons,	Deus	opera	sobre	a	pessoa,	e	a	vontade	desta	entra	em	ação.	Nos
atos	maus,	Deus	permite	que	a	pessoa	realize	a	sua	própria	vontade.
Aplicações	práticas:
O	decreto	de	Deus	garante	que	tudo	que	foi	decretado	vai	acontecer.
Quando	Deus	escolhe	alguém	para	a	salvação,	escolhe	também	os	meios	para
alcançar	esse	fim.
A	doutrina	dos	decretos	de	Deus	motiva-nos	à	prática	da	oração.
2.	A	PROVIDÊNCIA	DE	DEUS
O	Deus	que	criou	todas	as	coisas,	não	abandona	a	sua	criação.	Pelo	contrário,	ele
a	mantém,	preservando	e	governando	tudo.	Isso	se	chama	Teísmo.	O	mundo
criado	por	Deus	só	continua	existindo	por	causa	do	seu	cuidado	preservador.
Esse	cuidado	é	chamado	pelos	teólogos	de	“providência	divina”.
A	palavra	“providência”	vem	do	latim	providentia	(gr.	pronoia	–	At	24.2)	e
significa,	essencialmente,	“previsão”	ou	“prever	de	antemão”.	A	palavra
providência,	porém,	não	é	um	mero	sinônimo	de	presciência.	Pelo	contrário,	ela
inclui	um	amplo	sentido	teológico,	tal	como	apresenta	a	Confissão	de	Fé	de
Westminster:	“Pela	sua	muito	sábia	providência,	segundo	a	sua	infalível
presciência	e	o	livre	e	imutável	conselho	da	sua	própria	vontade,	Deus,	o	grande
Criador	de	todas	as	coisas,	para	o	louvor	da	glória	da	sua	sabedoria,	poder,
justiça,	bondade	e	misericórdia,	sustenta,	dirige,	dispõe	e	governa	todas	as	suas
criaturas,	todas	as	ações	e	todas	as	coisas,	desde	a	maior	até	a	menor”.	Observe
que	a	providência	divina	envolve	sustento,	direção,	disposição	e	governo,	sobre
toda	a	criação.	Louis	Berkhof	define	a	providência	como	“o	permanente
exercício	da	energia	divina,	pelo	qual	o	Criador	preserva	todas	as	suas	criaturas,
opera	em	tudo	que	se	passa	no	mundo	e	dirige	todas	as	coisas	para	o	seu
determinado	fim”.
Os	elementos	da	providência
A	providência	abrange	três	elementos	principais:	preservação,	cooperação	e
governo.	1)	Preservação:	Deus	preserva,	pelo	seu	poder,	tudo	que	criou.	O	seu
poder	mantenedor	é	tão	necessário	quanto	o	seu	poder	criador.	L.	Berkhof	define
a	preservação	“como	a	obra	contínua	de	Deus	pela	qual	ele	mantém	as	coisas
que	criou,	juntamente	com	as	propriedades	e	poderes	de	que	as	dotou”.	Deus
preserva	hoje	o	oxigênio	e	a	água	tal	como	foram	criados.	Deus	as	preserva	com
as	mesmas	propriedades.	A	preservação	implica	no	sustento.	É	Jesus	quem
sustenta	“todas	as	coisas	pela	palavra	do	seu	poder”	(Hb	1.3).	É	o	Pai	que
sustenta	a	suas	criaturas	e	cuida	dos	seus	filhos:	Observai	as	aves	do	céu:	não
semeiam,	não	colhem,	nem	ajuntam	em	celeiros;contudo,	vosso	Pai	celeste	as
sustenta.	Porventura,	não	valeis	vós	muito	mais	do	que	as	aves?	(Mt	6.26).	O
salmista	reconhece:	Eis	que	Deus	é	o	meu	ajudador,	o	SENHOR	é	quem	me
sustenta	a	vida	(Sl	54.4).	(2)	Cooperação:	A	cooperação	ou	concorrência	é
quando	“Deus	coopera	com	as	coisas	criadas	em	cada	ato,	dirigindo	as	suas
propriedades	características	a	fim	de	fazê-las	agir	como	agem”	(W.	Grudem).
Por	exemplo:	a	chuva	e	a	neve	podem	ser	explicadas	pelas	leis	naturais,	mas
Deus	as	faz	acontecer	(Jó	37.6-13).	José	foi	vendido	por	seus	irmãos,	mas	era
Deus	quem	estava	enviando	José	para	o	Egito	(Gn	45.4,5).	Alguém	pode	lançar
sorte	ou	cara	ou	coroa,	mas	de	Deus	procede	toda	decisão	(Pv	16.33).	(3)
Governo:	O	governo	de	Deus	é	sábio	santo	e	poderoso.	Ele	governa	todas	as
suas	criaturas	e	todas	as	ações	delas.	W.	Grudem	diz:	“Deus	tem	um	propósito
em	tudo	o	que	faz	no	mundo,	e	providencialmente	governa	e	dirige	todas	as
coisas	a	fim	de	que	cumpram	esses	propósitos	divinos”.	A	extensão	do	governo
providencial	de	Deus	abrange	a	tudo	e	a	todos.	L.	Berkhof	resume	o	ensino	das
Escrituras	sobre	o	governo	providencial	de	Deus:	“(a)	sobre	o	universo	em	geral
(Sl	103.19;	Dn	5.35;	Ef	1.11);	(b)	sobre	o	mundo	físico	(Jó	37.5;	Sl	104.14;
135.6;	Mt	5.45);	(c)	sobre	a	criação	inferior	(Sl	104.21,28;	Mt	6.26;	10.29);	(d)
sobre	os	negócios	das	nações	(Jó	12.23;	Sl	22.28;	66.7;	At	17.26);	(e)	sobre	o
nascimento	do	homem	e	sua	sorte	na	vida	(1	Sm	16.1;	Sl	139.	16;	Is	45.5;	Gl
1.15,16);	(f)	sobre	as	vitórias	e	fracassos	que	sobrevêm	às	vidas	dos	homens	(Sl
75.6,7;	Lc	1.52);	(g)	sobre	coisas	aparentemente	acidentais	ou	insignificantes
(Pv	16.33;	Mt	10.30);	(h)	na	proteção	dos	justos	(Sl	4.8;	5.12;	63.8;	121.3;	Rm
8.23);	(i)	no	suprimento	das	necessidades	do	povo	de	Deus	(Gn	22.8,	14;	Dt	8.3;
Fp	4.19);	(j)	nas	respostas	à	oração	(1	Sm	1.19;	Is	20.5,6;	2	Cr	33.13;	Sl	65.2;	Mt
7.7;	Lc	18.7,8);	e	(k)	no	desmascaramento	e	castigo	dos	ímpios
(Sl	7.12,13;	11.6)”.
Aplicações	práticas:
Deus	tem	o	controle	absoluto	de	tudo	que	existe	no	tempo	e	no	espaço.
Deus	pode	transformar	coisas	ruins	em	benefícios	para	os	que	confiam	nele.
Os	tipos	de	providência
O	governo	de	Deus	sobre	o	universo	todo	é	chamado	de	providência	geral.	O
cuidado	de	Deus	específico	em	cada	parte	do	universo	todo	é	chamado	de
providência	especial.	L.	Berkhof	explica:	“Não	são	duas	espécies	de
providência,	mas	a	mesma	providência	exercida	em	duas	diferentes	relações”.
Contudo,	é	possível	detectar	na	Bíblia,	uma	providência	geral	(o	cuidado	de
Deus	com	o	universo)	e	outra	especial	(o	cuidado	de	Deus	com	os	seus
escolhidos).
Paulo	fala	de	uma	providência	especial:	Sabemos	que	todas	as	coisas	cooperam
para	o	bem	daqueles	que	amam	a	Deus,	daqueles	que	são	chamados	segundo	o
seu	propósito	(Rm	8.28).	Três	lições	importantes:	(1)	A	extensão	da	providência:
todas	as	coisas	cooperam	para	o	bem.	Deus	faz	com	que	todas	as	coisas,	boas	ou
ruins,	cooperem	para	o	nosso	bem.	Sofrimentos,	tribulações,	tentações	e
perseguições	são	males	que	se	transformam	em	bem	(Gn	50.20	e	Ne	4.15).	(2)
Os	limites	da	providência:	aqueles	que	amam	a	Deus	e	são	chamados	por	Ele.
Somente	os	que	amam	a	Deus	são	consolados	(Dt	7.9;	Ne	1.5;	Sl	37.17	e	20;
97.10;	Is	56.6,7;	1Co	2.9	e	8.3;	Tg	1.12).	Somente	os	que	foram	chamados
segundo	o	propósito	de	Deus	e	abraçaram	a	Cristo	(Rm	1.7;	1Co	1.1,2).	(3)	A
certeza	da	providência:	Sabemos	que	todas	as	coisas	cooperam	para	o	bem...
Paulo	sabia	de	duas	maneiras:	por	experiência	(1Co	8.1,4;	2Co	5.1	e	1Tm	1.8)	e
pelo	conhecimento	do	ensino	bíblico	(Gn	45.5-8	e	50.20).
CONCLUSÃO
Concluo	com	um	pensamento	anônimo:	“Providência	é	a	mão	de	Deus	na	luva
da	história.	É	a	obra	de	Deus	pela	qual	Ele	integra	e	combina	eventos	no
universo,	a	fim	de	cumprir	o	seu	desígnio	original	para	o	qual	ele	foi	criado.	É
Deus	sentado	atrás	do	volante	do	tempo.	Providência	refere-se	à	governança	de
todos	os	eventos	de	Deus,	a	fim	de	direcioná-los	para	um	fim.	Ele	é	Deus
tomando	o	que	você	e	eu	chamaríamos	de	sorte,	acaso,	erros,	casualidade	e
costurá-las	para	alcançar	Seu	programa”.
Estudo	05
Texto	Básico:	Romanos	5.12
O	PECADO	ORIGINAL	E	SUAS	CONSEQUÊNCIAS
INTRODUÇÃO
O	pecado	hoje	não	está	sendo	visto	e	tratado	como	pecado,	mas	como	doença.
Tal	tendência	já	foi	denunciada	por	Karl	Menninger,	em	1973,	no	seu	livro:	“O
que	aconteceu	com	o	pecado?”	John	MacArthur	Jr	diz:	“Atualmente,	qualquer
tipo	de	delito	que	o	ser	humano	comete	pode	ser	explicado	como	uma
enfermidade.	O	que	antigamente	denominávamos	pecado	é	mais	facilmente
diagnosticado	como	um	conjunto	de	incapacidades.	Todo	tipo	de	imoralidade	e
de	conduta	maldosa	são	agora	identificados	como	sintomas	desta	ou	daquela
doença	psicológica”.
O	propósito	desta	linha	de	pensamento	é	acabar	com	o	sentimento	de	culpa	e
transformar	pecadores	em	vítimas.
A	Bíblia	encara	o	pecado	como	algo	sério	e	destrutivo.	O	pecado	é	uma
disposição	interior	para	o	mal	que	o	homem	tem	em	si	mesmo.	Ele	é	uma
oposição	voluntária	e	persistente	do	homem	contra	Deus.	Wayne	Grudem	diz:
“Pecado	é	deixar	de	se	conformar	à	lei	moral	de	Deus,	seja	em	ato,	seja	em
atitude,	seja	em	natureza”.
Paulo	diz:	pois	todos	pecaram	e	carecem	da	glória	de	Deus	(Rm	3.23).	A	palavra
“pecado”	(hermaton)	significa	“errar	o	alvo”	ou	“fracassar”.	Todo	pecado	é
também	“transgressão	da	lei”	(anomia)	(1	Jo	3.4),	“injustiça”	(adikia)	(1Jo	5.17),
“passar	dos	limites”	ou	“transgredir”	(Rm	4.15),	(parabaino)	“passo	em	falso	que
induz	à	queda”	ou	“ofensas”	(paraptoma)	(Ef	1.7).	Resumindo,	o	pecado	pode
ser	definido	como	quebra	da	lei	de	Deus	ou	falta	de	conformidade	com	essa	lei,
em	qualquer	aspecto	da	vida,	quer	nos	pensamentos,	nas	palavras	ou	nas	ações.
O	Breve	Catecismo	de	Westminster	diz:	“Pecado	é	qualquer	falta	de
conformidade	com	a	lei	de	Deus	ou	qualquer	transgressão	dessa	lei”.
O	nosso	texto	básico	diz:	Portanto,	assim	como	por	um	só	homem	entrou	o
pecado	no	mundo,	e	pelo	pecado,	a	morte,	assim	também	a	morte	passou	a	todos
os	homens,	porque	todos	pecaram	(Rm	5.12).	Nele	aprendemos	três	lições:
1.	O	PECADO	ENTROU	NO	MUNDO	PELA	DESOBEDIÊNCIA	DE	UM
HOMEM
Portanto,	assim	como	por	um	só	homem	entrou	o	pecado.
Qual	é	a	origem	do	mal?	Ou,	como	foi	que	o	mal	começou	a	existir?	A	teologia
não	tem	uma	resposta	exata	para	esta	pergunta.	Este	assunto	relaciona-se	com	a
origem	do	Diabo.	Jesus	diz	que	o	Diabo	foi	“homicida	desde	o	princípio”	(Jo
8.44).	Ele	é	caluniador	e	assassino.	Ele	furtou	de	Adão	a	imortalidade,	através	da
mentira.	A	palavra	“princípio”	traz	a	ideia	que	o	mal	passou	a	existir	nas	esferas
celestiais	com	a	rebelião	de	anjos,	sob	o	comando	de	Lúcifer	(Ez	28.12-18;	Is
14.12-17;	Jd	6).	Concluímos	que	o	pecado	não	foi	uma	criação,	mas	uma
origem.	Ele	se	originou	no	coração	de	anjos	que	“não	guardaram	o	seu	estado
original”.
A	Bíblia	registra	que	o	pecado	entrou	no	mundo	pelo	ato	de	desobediência	de
Adão.	Esse	pecado	é	chamado	de	“pecado	original”.	Louis	Berkhof	apresenta
três	motivos	para	este	nome:	“Chama-se	pecado	original	(1)	porque	é	derivado
da	raiz	original	da	raça	humana;	(2)	porque	está	presente	na	vida	de	todo	e
qualquer	indivíduo,	desde	a	hora	do	seu	nascimento	e,	portanto,	não	pode	ser
considerado	como	resultado	de	imitação;	(3)	porque	é	a	raiz	interna	de	todos	os
pecados	concretizados	que	corrompem	a	vida	humana”.
O	relato	de	Gênesis	3	diz	que	o	primeiro	homem	foi	criado	em	perfeita
santidade,	mas	com	duas	possibilidades:	continuar	no	estado	de	santidade
original	ou	cair	do	estado	de	santidade	original,	se	desobedecesse	a	Deus.	Tudo
dependia	da	sua	obediência	ao	mandamento:	E	o	SENHOR	Deus	lhe	deu	esta
ordem:	De	toda	árvore	do	jardim	comerás	livremente,	mas	da	árvore	do
conhecimento	do	bem	e	do	mal	não	comerás;	porque,	no	dia	em	que	dela
comeres,	certamente	morrerás	(Gn	2.16,17).	O	homem,	portanto,	possuía
originalmente	o	“livre	arbítrio”	ou	a	liberdade	de	escolher	se	queria	ou	não
permanecer	no	seu	estado	de	santidade	original.
O	pecado	original	ocorreu	porque	Adão	caiu	em	tentação.	Satanás	é	o	agente
sobrenatural	da	tentação.	Foiele,	disfarçado	de	serpente,	que	induziu	Adão	a
pecar.	O	“fruto	proibido”	constituiu	uma	lei	(Gn	2.16,17)	que	devia	ser
obedecida.	Vejam	os	passos	da	tentação.	(1)	O	Diabo	torceu	o	sentido	do	que
Deus	disse:	É	assim	que	Deus	disse:	Não	comereis	de	toda	árvore	do	jardim?
(v.1).	Mas,	Deus	havia	dito:	De	toda	árvore	do	jardim	comerás	livremente.	(2)	O
Diabo	negou	a	veracidade	da	palavra	de	Deus:	“certamente	não	morrerás”.	Deus
disse:	certamente	morrerás.	(3)	O	Diabo	inverteu	as	consequências	do	pecado:
Porque	Deus	sabe	que	no	dia	que	dele	comerdes	se	vos	abrirão	os	olhos	e,	como
Deus,	sereis	conhecedores	do	bem	e	do	mal	(v.5).	Mas,	o	que	Deus	disse	foi:
porque,	no	dia	em	que	dela	comeres,	certamente	morrerás.
O	objetivo	da	tentação	é	levar	o	homem	a	pecar	por	meio	dos	seus	desejos
naturais.	Vendo	a	mulher	que	a	árvore	era	boa	para	se	comer,	agradável	aos	olhos
e	árvore	desejável	para	dar	entendimento,	tomou-lhe	do	fruto	e	comeu	e	deu
também	ao	marido,	e	ele	comeu	(Gn	3.6).	Três	lições:	(1)	Desejo	de	desfrutar	as
coisas:	Eva	observou	que	“a	árvore	era	boa	para	se	comer”.	Isso	é	a	cobiça	da
carne.	(2)	Desejo	de	obter	as	coisas:	Ela	viu	que	a	árvore	era	“agradável	aos
olhos”.	Isso	é	a	concupiscência	dos	olhos.	(3)	Desejo	de	fazer	as	coisas:	Ela	viu
que	a	árvore	era	“desejável	para	dar	entendimento”.	Isso	é	a	soberba	da	vida	(1Jo
2.16,17).	Adão	e	Eva	cederam	à	tentação	e	desobedeceram	a	Deus,	comendo	do
fruto	proibido.	Eles	se	colocaram	em	uma	atitude	de	oposição	a	Deus,	desejando
satisfazer	os	seus	desejos	e	não	fazer	a	vontade	de	Deus.
Aplicações	práticas:
O	pecado	se	relaciona	diretamente	com	Deus	e	com	a	sua	lei.	Quando	eu	peco,
rejeito	a	Deus	e	desobedeço	à	sua	vontade.
O	pecado	é	um	mal	moral.
Deus	não	tenta	a	ninguém,	mas	permite	que	sejamos	tentados
2.	A	MORTE	FOI	A	PRINCIPAL	CONSEQUÊNCIA	DO	PECADO
Portanto,	assim	como	por	um	só	homem	entrou	o	pecado	no	mundo,	e	pelo
pecado,	a	morte.
O	pecado	de	Adão	gerou	várias	consequências.	Tomando	o	texto	de	Gênesis	3,
as	consequências	imediatas	foram:	(1)	Para	a	serpente	ou	o	diabo:	ser	maldita
entre	os	animais,	rastejar	sobre	o	seu	ventre	e	comer	pó	da	terra.	Ela	teria	a	sua
cabeça	esmagada	pelo	descendente	da	mulher,	Jesus	(vv.14,15).	(2)	Para	Eva:
dar	à	luz	em	meio	às	dores	e	ser	liderada	ou	governada	pelo	seu	marido	(v.16).
(3)	Para	Adão:	trabalhar	e	sustentar	com	o	suor	do	seu	rosto	e	morrer,	voltando
ao	pó	da	terra	(vv.17-19).	(4)	Para	a	terra:	produzirá	cardos	e	espinhos
(vv.17,18).	(5)	Expulsão	do	paraíso,	após	provisão	divina	de	vestimentas	(vv.21-
24).
A	principal	consequência	do	pecado	foi	a	morte:	porque,	no	dia	em	que	dela
comeres,	certamente	morrerás.	Trata-se	de	uma	pena	de	morte	que	atinge	o
homem	na	sua	totalidade.	Essa	morte	abrange	três	aspectos:	(1)	Morte	espiritual.
O	rompimento	total	da	comunhão	com	Deus.	Toda	pessoa	que	nasce
naturalmente	está	morta	espiritualmente	(Jo	3.6,7;	5.24;	Ef	2.1;	1Co	2.14,15).
Dene	McGriff	diz:	“O	homem	não	nascido	de	novo	só	sabe	fazer	bem	uma	coisa:
pecar!”.	Ele	está	morto	espiritualmente.	(2)	Morte	física.	A	morte	física	é	a
separação	de	corpo	e	alma.	Não	fomos	criados	para	morrer,	mas	o	pecado
trouxe-nos	a	morte	(Gn	3.19;	Rm	6.23;	1Co	15.12-23).	E	junto	com	a	morte	vêm
todos	os	tipos	de	sofrimentos	e	aflições	(Jo	16.33;	2Co	4.16).	(3)	Morte	eterna.	É
o	ponto	culminante	da	morte	espiritual,	chamada	de	“segunda	morte”	(Ap	2.11),
“condenação	eterna”	(Jo	8.51),	“castigo	eterno”	(Mt	25.46).	Walter	B.	Knight
diz:	“Deus	forma	o	homem;	o	pecado	o	deforma;	a	escola	o	informa,	mas
somente	Cristo	o	transforma”.
A	morte	traz	para	o	homem	a	incapacidade	total.	Ele	perdeu	o	seu	livre	arbítrio
espiritual.	Conforme	Louis	Berkhof,	o	homem	não	regenerado	é	capaz	de	fazer	o
bem	natural,	o	bem	civil	e,	externamente,	o	bem	religioso.	Mas,	ele	é	incapaz
totalmente	de	fazer	algo	que	Deus	aprova	ou	de	cumprir	a	lei	de	Deus.	Ele	é
incapaz	de	fazer	qualquer	bem	espiritual	ou	de	mudar	sozinho	a	sua	condição	de
morto	espiritual	(Jo	1.13;	3.5;	Rm	7.18,	24;	1Co	2.14;
Ef	2.1-8;	Hb	11.6).
Aplicações	práticas:
Bênção	e	maldição	procedem	de	Deus.
As	crianças	nascem	pecadoras,	mesmo	vivendo	um	período	chamado	de
“inocência”	(Sl	51.5;	58.3).
A	morte	espiritual	do	homem	tira	o	seu	livre	arbítrio	espiritual.
3.	A	UNIVERSALIDADE	DO	PECADO
Assim	também	a	morte	passou	a	todos	os	homens,	porque	todos	pecaram.
A	Bíblia	ensina	a	“universalidade	do	pecado”	(Sl	143.2;	Rm	3.10,12,	23;	1Jo
1.8).	Todos	os	homens	pecaram	em	Adão.	Mas,	como	pode	isso?	Deus
estabeleceu	Adão	como	cabeça	ou	representante	da	raça	humana.	As
consequências	do	seu	pecado	foram	transmitidas	a	todos	os	seus	descendentes.	A
Confissão	de	Fé	de	Westminster	resume:	“Nossos	primeiros	pais,	seduzidos	pela
astúcia	e	tentação	de	Satanás,	pecaram,	comendo	do	fruto	proibido.	Segundo	o
seu	sábio	e	santo	conselho,	foi	Deus	servido	permitir	este	pecado	deles,	havendo
determinado	ordená-lo	para	a	sua	própria	glória.	Por	este	pecado	eles	decaíram
da	sua	retidão	original	e	da	comunhão	com	Deus,	e	assim	se	tornaram	mortos	em
pecado	e	inteiramente	corrompidos	em	todas	as	suas	faculdades	e	partes	do
corpo	e	da	alma.	Sendo	eles	o	tronco	de	toda	a	humanidade,	o	delito	dos	seus
pecados	foi	imputado	a	seus	filhos;	e	a	mesma	morte	em	pecado,	bem	como	a
sua	natureza	corrompida,	foram	transmitidas	a	toda	a	sua	posteridade,	que	deles
procede	por	geração	ordinária”	(Capítulo	VI,	1-3).
O	pecado	de	Adão	nos	afeta	de	duas	maneiras:	(1)	Do	ponto	de	vista	legal:
somos	culpados	perante	a	justiça	de	Deus	(Rm	5.18,9).	A	culpa	do	pecado	de
Adão	é	imputada	a	toda	a	sua	descendência	ou	posteridade	(1Co	15.22).	(2)	Do
ponto	de	vista	da	natureza:	herdamos	a	corrupção.	Temos	uma	natureza
pecaminosa.	“Não	somos	pecadores	porque	pecamos,	mas	pecamos	porque
somos	pecadores”.
Os	teólogos	chamam	essa	doutrina	bíblica	de	depravação	total	do	homem.	Isso
significa	que	o	mal	contaminou	o	homem	totalmente:	mente,	coração	e	vontade
(Jr	17.9;	Jo	8.44).	O	homem	pecador	não	tem	capacidade	para	fazer	o	bem
espiritual	ou	para	produzir	a	sua	salvação.	O	pecado	é	como	uma	doença	mortal
e	contagiosa	que	matou	o	homem	(Ef	2.1).	John	MacArthur	Jr.	diz:	“O	pecado
suja	a	alma.	Ele	rebaixa	a	dignidade	da	pessoa.	Obscurece	o	entendimento.
Torna-nos	piores	que	animais,	pois	os	animais	não	podem	pecar.	Polui,
corrompe,	suja.	Todo	pecado	é	vulgar,	repulsivo	e	revoltante	aos	olhos	de	Deus.
A	Bíblia	o	chama	de	imundícia	(Pv	30.12;	Ez	24.13;	Tg	1.21).	O	pecado	é
comparado	ao	vômito,	e	os	pecadores	são	os	cães	que	voltam	ao	seu	próprio
vômito	(Pv	26.11;	2Pe	2.22).	O	pecado	é	chamado	de	lamaçal,	e	os	pecadores
são	os	porcos	que	rolam	nele	(Sl	69.2;	2Pe	2.22).
O	pecado	é	semelhante	ao	cadáver	em	putrefação,	e	os	pecadores	são	os	túmulos
que	contêm	o	mau	cheiro	e	a	sujeira	(Mt	23.27).	O	pecado	transformou	a
humanidade	em	uma	raça	poluída	e	imunda”.
Em	Romanos	3.10-20,	Paulo	descreve	como	o	pecado	afeta	o	homem	na	sua
totalidade.	Todo	homem	é	pecador	e	o	pecado	perverte	o	homem	de	quatro
maneiras:	(1)	O	pecado	perverte	a	personalidade	humana	(Rm	3.10,12).	(2)	O
pecado	perverte	a	conversação	humana	(Rm	3.13,14).	(3)	O	pecado	perverte	a
conduta	humana	(Rm	3.15-17).	(4)	O	pecado	perverte	a	espiritualidade	humana
(Rm	3.18).	O	pecado	está	no	cerne	da	nossa	alma	(Mt	15.19,20).	Pecamos	de
forma	voluntária	e	prazerosa.	A	natureza	humana	ama	o	pecado	e	odeia	a	Deus.
Tentamos	esconder,	negar,	projetar,	racionalizar	e	justificar	o	nosso	pecado.
Tudo	em	vão!	O	nosso	pecado	sempre	nos	acha.	Todos	os	homens	são	pecadores
e	culpados	diante	de	Deus.
CONCLUSÃO
A	antropologia	bíblica	olha	para	o	homem	sob	duas	perspectivas:	(1)	Antes	do
pecado	original.	O	homem	foi	criado	por	Deus	e	ele	era	bom	e	sem	pecado.	Viu
Deus	tudo	quanto	fizera,	e	eis	que	era	muito	bom.	Houve	tarde	e	manhã,	o	sexto
dia	(Gn	1.31).	A	expressão	“muito	bom”	aplica-se	principalmente	ao	homem.	(2)
Após	o	pecado	original.	O	homem	foi	corrompido	em	sua	natureza	pelo	pecado.
Portanto,	assim	como	por	um	só	homem	entrou	o	pecado	no	mundo,	e	pelo
pecado,	a	morte,	assim	tambéma	morte	passou	a	todos	os	homens,	porque	todos
pecaram	(Rm	5.12).	Ele	está	morto	espiritualmente.	Isso	o	torna	incapaz	de
guardar	a	lei	de	Deus	e	merecer	a	salvação	pelas	suas	obras.	Isso	o	faz	incapaz
de	mudar	a	sua	natureza	e	de	voltar-se	para	Deus.
Estudo	06
Texto	Básico:	Hebreus	8.1-13
A	ALIANÇA	DA	GRAÇA
INTRODUÇÃO
Deus	se	relaciona	com	o	homem	através	de	alianças.	Se	as	alianças	não
existissem	jamais	poderíamos	ter	contato	ou	relacionamento	com	Deus.	A	nossa
salvação	depende	e	se	baseia	na	aliança.	Por	isso	precisamos	conhecer	bem	o
ensino	bíblico	sobre	a	aliança.	Charles	Spurgeon	diz:	“A	doutrina	do	pacto	ou	da
aliança	está	na	raiz	da	verdadeira	teologia.	Estou	convencido	de	que	a	maioria
dos	erros	que	os	homens	cometem	sobre	as	doutrinas	das	Escrituras	são	baseados
em	erros	fundamentais	no	que	diz	respeito	aos	pactos	da	lei	e	da	graça”.	O	pacto
das	obras	diz:	“Faça	isso	e	viva,	ó	homem!”.	Mas,	o	pacto	da	graça	diz:	“Faça
isso,	ó	Cristo,	e	viverás,	ó	homem!”
O	conceito	bíblico	de	“aliança”	baseia-se	na	palavra	“berith”	(hebraico)	e
“diatheke”	(grego),	com	o	sentido	básico	de	“prender”	ou	“amarrar”.	Uma
aliança	amarrava	as	partes	envolvidas,	em	direitos	e	deveres,	benefícios	e
punições.	Wayne	Grudem	define:	“Uma	aliança	é	um	acordo	imutável	e
divinamente	imposto	entre	Deus	e	o	homem,	que	estipula	as	condições	do
relacionamento	entre	as	partes”.
Mas,	por	que	Deus	faz	aliança	com	os	homens?	Para	possibilitar	um
relacionamento	exclusivo;	para	expressar	a	Sua	vontade	e	os	Seus	planos;	para
abençoar	as	pessoas	envolvidas;	para	dar	garantias	ao	homem.
Na	Bíblia	identificamos	sete	alianças	de	Deus:	(1)	“Aliança	das	Obras”,	no	Éden
com	Adão	(Gn	1.26-28).	(2)	“Aliança	da	Graça”	revelada	a	Adão,	após	o	pecado
original,	com	a	promessa	de	um	Redentor	(Gn	3.14-19).	(3)	Aliança	com	Noé
(Gn	8.20-9.27).	(4)	Aliança	com	Abraão	(Gn	12.1-3).	(5)	Aliança	com	Moisés,
no	Sinai.	“Antiga	Aliança”	(Êx	19.5,6).	(6)	Aliança	com	Davi	(2Sm	7.5-19).	(7)
Nova	Aliança,	baseada	em	Jesus	Cristo	(Mt	26.26-28).
Na	perspectiva	teológica,	só	há	duas	alianças	entre	Deus	e	os	homens:	aliança
das	obras	e	aliança	da	graça.	Vejamos	as	duas	detalhadamente:
1.	ALIANÇA	DAS	OBRAS
Chama-se	de	“aliança	das	obras”	o	pacto	que	Deus	fez	com	Adão,	no	Éden.	No
texto	de	Gênesis	não	aparece	a	palavra	“aliança”,	mas	a	Bíblia	é	quem	explica:
Pois	misericórdia	quero,	e	não	sacrifício,	e	o	conhecimento	de	Deus,	mais	do	que
holocaustos.	Mas	eles	transgrediram	a	aliança,	como	Adão;	eles	se	portaram
aleivosamente	contra	mim	(Os	6.7).	O	profeta	Oseias	declara	que	Israel,	assim
como	Adão,	transgrediram	a	“aliança”.	A	palavra	“obras”	indica	que	o	desfrutar
das	bênçãos	da	aliança	dependeria	da	obediência	ou	da	“obra”	humana.
A	Confissão	de	Fé	de	Westminster	diz:	“O	primeiro	pacto	feito	com	o	homem
era	um	pacto	de	obras;	nesse	pacto	foi	a	vida	prometida	a	Adão	e	nele	à	sua
posteridade,	sob	a	condição	de	perfeita	obediência	pessoal”.	A	narrativa	de
Gênesis	diz:	E	o	SENHOR	Deus	lhe	deu	esta	ordem:	De	toda	árvore	do	jardim
comerás	livremente,	mas	da	árvore	do	conhecimento	do	bem	e	do	mal	não
comerás;	porque,	no	dia	em	que	dela	comeres,	certamente	morrerás	(Gn
2.16,17).	Três	detalhes	importantes:	(1)	Das	partes:	Deus	e	Adão:	E	o	SENHOR
Deus	lhe	deu	esta	ordem...	Deus	fala	com	Adão	e	lhe	dá	uma	ordem.	Há	duas
partes	envolvidas	e	Deus	é	o	proponente	da	aliança.	Ele	se	apresenta	como
Criador	e	Senhor.	Adão	foi	o	representante	da	raça	humana.	(2)	Do	conteúdo:	o
mandamento	de	Deus.	De	toda	árvore	do	jardim	comerás	livremente,	mas	da
árvore	do	conhecimento	do	bem	e	do	mal	não	comerás.	A	promessa	não	aparece,
mas	está	implícita	no	mandamento.	Se	a	desobediência	traria	morte,	é	óbvio	que
a	obediência	preservaria	a	vida	que	ele	já	possuía.	(3)	Das	consequências:
porque,	no	dia	em	que	dela	comeres,	certamente	morrerás	.	A	obediência
preservaria	a	vida	eterna	e	a	desobediência	geraria	a	morte	espiritual,	física	e
eterna.	Adão	desobedeceu	e	morreu.	Todo	gênero	humano	procedendo	dele
pecou	e	nele	caiu.
A	aliança	das	obras	ainda	está	em	vigor?	Não,	por	causa	da	nossa	inabilidade.
Somos	pecadores	e	jamais	conseguiremos	cumprir	os	requisitos	de	obediência
exigidos	pela	lei	de	Deus.	O	princípio	fica	estabelecido:	quem	conseguir
obedecer	totalmente	a	lei	de	Deus	será	salvo	(Rm	7.10;	10.5;	Gl	3.12).	Mas,
ninguém	conseguirá.
APLICAÇÕES	PRÁTICAS:
O	nosso	relacionamento	com	Deus	se	dá	através	de	alianças.
Devemos	obedecer	a	Deus,	pois	a	obediência	preserva	a	vida	eterna	e	a
desobediência	gera	a	morte	espiritual	eterna.
2.	ALIANÇA	DA	GRAÇA
Após	o	fracasso	de	Adão	em	cumprir	o	pacto	das	obras,	Deus	revela	um	plano
divino	de	redenção:	Porei	inimizade	entre	ti	e	a	mulher,	entre	a	tua	descendência
e	o	seu	descendente.	Este	te	ferirá	a	cabeça,	e	tu	lhe	ferirás	o	calcanhar	(Gn
3.15).	Deus	anuncia	que	haverá	na	história	uma	batalha	espiritual	entre	a
descendência	da	serpente	e	a	descendência	da	mulher.	A	batalha	entre	os	ímpios
contra	os	justos,	entre	os	filhos	de	Deus	e	os	filhos	de	Satanás	(Ap	12).	Jesus	é	o
descendente	da	mulher	que	ferirá	a	cabeça	da	serpente	(Hb	2.14)	e	destruirá
definitivamente	todo	o	poder	da	morte	(1Co	15.20-24).
A	aliança	da	graça	origina-se	em	Deus
As	pessoas	da	Trindade	concordaram	entre	si,	um	plano	para	salvar	o	homem.	O
Pai	escolheu	quem	será	salvo,	o	Filho	morreu	pelos	escolhidos	pelo	Pai,	e	o
Espírito	Santo	aplica	a	salvação	na	vida	daqueles	que	foram	escolhidos	pelo	Pai
e	redimidos	pelo	Filho	(At	13.48;	Ef	1.3-14;	2Ts	2.13,14;	1Pe	1.2).
A	aliança	da	graça	é	unilateral	e	particular
Deus	é	quem	realiza	tudo	para	salvar	os	seus	escolhidos	(Is	53.11,12;	Mt	26.28).
As	partes	dessa	aliança	são	Deus	e	o	seu	povo	redimido.	Jesus	é	o	mediador	(Hb
8.6)	e	o	fiador	da	aliança.	Ele	cumpre	todas	as	exigências	da	justiça	de	Deus,	em
nosso	lugar.	O	Espírito	Santo	nos	concede	a	fé	para	que	creiamos	na	pessoa	e
obra	de	Jesus.	Enfim,	é	tudo	pela	graça	(Ef	2.4-10).
A	aliança	da	graça	é	administrada	em	duas	dispensações:	antiga	aliança
(Velho	Testamento)	e	nova	aliança	(Novo	Testamento)
A	primeira	é	administrada	sob	a	Lei,	por	meio	de	promessas,	profecias,	ritos	e
sacrifícios	praticados	pelos	judeus.	A	segunda	é	administrada	sob	o	Evangelho,
por	meio	da	pregação	da	Palavra	e	administração	dos	sacramentos.	O	povo	de
Deus	é	um	só,	em	todas	as	dispensações.	Há	um	só	evangelho	e	um	só	Redentor
nas	duas	dispensações.	Os	crentes	do	Antigo	Testamento	foram	salvos,	não	pelas
obras	da	lei,	mas	pela	fé	no	Messias	que	viria	(Jo	14.6;	At	4.12;	Rm	4.1-6,	13;	Gl
3.16-29;	Hb	11).	Todos	são	salvos	pela	fé	em	Jesus.
APLICAÇÕES	PRÁTICAS:
A	aliança	da	graça	tem	a	sua	origem	em	Deus.	É	Deus	quem	salva	os	seus
escolhidos.
“Porque	pela	graça	sois	salvos,	mediante	a	fé;	e	isto	não	vem	de	vós;	é	dom	de
Deus.”	Efésios	2.8
3.	A	NOVA	ALIANÇA
A	Aliança	da	Graça	é	chamada	no	Novo	Testamento	de	“Nova	Aliança”	(Mt
26.28).	A	palavra	“nova”	(kainós)	usada	para	descrever	a	“nova	aliança”	indica
que	a	mesma	é	qualitativamente	inédita	e	superior.	O	autor	da	carta	aos	Hebreus
afirma	esta	superioridade	porque	a	mesma	baseia-se	em	“superiores	promessas”
(v.6).	Quais	são	essas	superiores	promessas?
Promessa	da	graça	unilateral
Porque,	se	aquela	primeira	aliança	tivesse	sido	sem	defeito,	de	maneira	alguma
estaria	sendo	buscado	lugar	para	uma	segunda	(v.7).	Qual	o	defeito	da	Antiga
Aliança?	O	defeito	não	estava	na	Aliança,	pois	a	Lei	é	santa	(Rm	7.12),
espiritual	(Rm	7.14)	e	boa	(1Tm	1.8).
O	defeito	estava	na	sua	função:	ela	exigia	que	o	homem	fizesse	o	bem,	mas
falhava	em	lhe	dar	vida	e	poder	para	realizar	o	bem.	Deus,	então,	firma	uma
nova	aliança	(vv.8,9).	Deus	salva	o	homem	graciosamente,	sem	exigir	do
pecador	aquilo	que	ele	não	pode	dar	ou	fazer.	A	lei	será	utilizada	apenas	para
mostrar	ao	homem	o	seu	pecado,	para	que	o	mesmo	possa	ser	salvo	pela	graça.
“Pela	lei	vem	o	pleno	conhecimento	do	pecado”	(Rm	3.20).
Promessa	de	mudança	interior
A	nova	aliança	promete	regeneração	espiritual.	Porque	esta	é	a	aliança	que
firmarei	com	a	casa	de	Israel,	depois	daqueles	dias,	diz	oSenhor:	na	sua	mente
imprimirei	as	minhas	leis,	também	sobre	o	seu	coração	as	inscreverei;	e	eu	serei
o	seu	Deus,	e	eles	serão	o	meu	povo	(v.10).	Três	observações:	(1)	Deus	é	o	autor
da	regeneração.	Ele	é	quem	toma	a	iniciativa	de	firmar	a	nova	aliança	e	de
providenciar	o	seu	total	cumprimento.	(2)	Esta	regeneração	alcançará	a	“casa	de
Israel”	e	a	“casa	de	Judá”.	Essa	casa	não	se	resume	à	nação	de	Israel,	mas	ao
“Israel	de	Deus”.	Compreende	todos	os	eleitos	de	Deus	ou	a	descendência
espiritual	de	Abraão	(Rm	9.8;	Gl	3.13-29).	(3)	A	natureza	da	regeneração	é	uma
mudança	interior.	Ezequiel	descreve	a	regeneração	como	“purificação	pela
água”,	“doação	de	um	coração	e	um	espírito	novos”	e	em	colocar	o	Espírito
Santo	dentro	do	coração	do	homem	(Ez	36.25-28).	Jesus	chamou	a	regeneração
de	“novo	nascimento”	(Jo	3.1-8).	A	expressão:	na	sua	mente	imprimirei	as
minhas	leis,	também	sobre	o	seu	coração	as	inscreverei,	deve	ser	entendida	como
a	obra	que	o	Espírito	Santo	faz	quando	ele	passa	a	morar	em	nós.	A	lei	do
Espírito	substituiu	a	lei	de	Moisés,	como	guia	de	vida	(Rm	8.2).
O	Espírito	opera	a	obediência	à	Lei	(2Co	3.5,6;	Fp	2.13).	João	Calvino	comenta:
“Em	suma,	a	Palavra	de	Deus	nunca	penetra	em	nossos	corações,	pois	são	ferro	e
pedra	enquanto	não	são	amolecidos	por	Ele;	sim,	tem	gravado	neles	uma	lei
contrária,	pois	paixões	perversas	lhe	dominam	o	íntimo,	o	que	nos	conduz	a
rebeldia.	Em	vão	Deus	proclama	sua	lei	pela	voz	humana,	a	menos	que	Ele	a
escreva	em	nossos	corações,	por	seu	Espírito”.
A	regeneração	produzirá	uma	relação	íntima	e	exclusiva	entre	Deus	e	os
regenerados:	e	eu	serei	o	seu	Deus,	e	eles	serão	o	meu	povo	(2Co	6.16;	Ap	21.3).
Trata-se	da	“comunhão	dos	santos”	com	o	Santo.
Promessa	de	conhecimento	universal	de	Deus
A	terceira	promessa	decorre	da	segunda:	E	não	ensinará	jamais	cada	um	ao	seu
próximo,	nem	cada	um	ao	seu	irmão,	dizendo:	Conhece	ao	Senhor;	porque	todos
me	conhecerão,	desde	o	menor	deles	até	ao	maior	(v.11).	Na	Antiga	Aliança
existia	uma	divisão	entre	os	entendidos	e	os	ignorantes	da	lei.	Escribas	e	fariseus
se	achavam	conhecedores	e	praticantes	da	lei,	enquanto	o	povo	era	desprezado.
Na	Nova	Aliança,	porém,	não	existirá	uma	classe	privilegiada:	todos	conhecerão
ao	Senhor.	A	ação	interna	do	Espirito	produzirá	a	unção	do	discernimento
espiritual:	Quanto	a	vós	outros,	a	unção	que	dele	recebestes	permanece	em	vós,	e
não	tendes	necessidade	de	que	alguém	vos	ensine;	mas,	como	a	sua	unção	vos
ensina	a	respeito	de	todas	as	coisas,	e	é	verdadeira,	e	não	é	falsa,	permanecei
nele,	como	também	ela	vos	ensinou	(1	Jo	2.27).
Esse	conhecimento	também	mudaria	em	sua	natureza.	Ele	deixaria	de	ser	teórico
e	passaria	a	ser	íntimo	e	pessoal.	A	presença	do	Espírito	Santo	no	coração	do
homem	produz	uma	nova	maneira	de	se	conhecer	a	Deus.	Em	Oseias	4.6:	“O
meu	povo	é	destruído	por	falta	de	conhecimento”.	Trata-se	do	conhecimento
íntimo	e	profundo	com	Deus.
Promessa	de	perdão	completo	de	pecados
A	última	promessa	da	nova	aliança	é	a	remissão	completa	de	pecado:	Pois,	para
com	as	suas	iniquidades,	usarei	de	misericórdia	e	dos	seus	pecados	jamais	me
lembrarei	(v.12).	Na	antiga	aliança	não	havia	remissão	de	pecado,	mas
recordação	ou	comemoração	anual	de	pecados	(Hb	10.1-3,	18).	Também,	a	Lei
não	prometia	perdão,	pois	a	sua	função	era	revelar	o	pecado	existente	no	homem
(Rm	3.20).	Somente	pelo	sacrifício	único	e	perfeito	de	Jesus	Cristo	é	que	o
perdão	pode	ser	oferecido	aos	que	se	arrependem	e	creem	(At	3.19).
Graças	a	Deus,	o	sangue	de	Jesus	já	resolveu	a	nossa	culpa	diante	de	Deus	(Mt
26.28;	Hb	9.14;	Ap	1.5).
CONCLUSÃO
Há	duas	alianças	principais	na	Bíblia:	aliança	das	obras	e	aliança	da	graça.	Hoje
estamos	sob	a	aliança	da	graça,	em	sua	plenitude.	Por	causa	de	Jesus,	a	aliança
da	graça	é	chamada	de	“nova	aliança”.	A	sua	origem	é	divina,	a	sua	natureza	é
graciosa,	a	durabilidade	é	eterna,	a	sua	qualidade	é	superior,	o	seu	alcance	é
universal,	a	sua	limitação	é	somente	para	os	eleitos	e	o	seu	benefício	é	a	vida
eterna.
Estudo	07
Texto	Básico:	João	1.14
A	PESSOA	DE	JESUS
INTRODUÇÃO
Jesus	Cristo	é	o	tema	principal	da	Bíblia.	A	sua	pessoa	é	o	ponto	culminante	da
revelação	divina.	Jesus	é	o	cerne	da	revelação	escrita	de	Deus.	Ele	é	o	espírito	da
profecia.	Em	Gênesis,	Jesus	é	o	descendente	da	mulher.	Em	Êxodo,	é	o	cordeiro
Pascoal.	Em	Levítico,	é	o	Sacrifício	Expiatório.	Em	Números,	é	a	Rocha	Ferida.
Em	Deuteronômio,	é	o	Profeta.	Em	Josué,	é	o	Capitão	dos	Exércitos	do	Senhor.
Em	Juízes,	é	o	Libertador.	Em	Rute,	é	o	Parente	Divino.	Em	Reis	e	Crônicas,	é	o
Rei	Prometido.	Em	Ester,	é	o	Advogado.	Em	Jó,	é	o	nosso	Redentor.	Nos
Salmos,	é	o	nosso	Socorro	e	Alegria.	Em	Provérbios,	é	a	sabedoria	de	Deus.	Em
Cantares	de	Salomão,	é	o	nosso	Amado.	Em	Eclesiastes,	é	o	Verdadeiro.	Nos
Profetas,	é	o	Messias	Prometido.	Nos	Evangelhos,	é	o	Salvador	do	Mundo.	Nos
Atos,	é	o	Cristo	Ressurgido.	Nas	Epístolas,	é	a	cabeça	da	Igreja.	No	Apocalipse,
é	o	Alfa	e	o	Ômega,	é	o	Cristo	que	volta	para	reinar.	Para	nós,	Ele	é	o	Senhor!
Cristologia	é	o	estudo	da	pessoa	e	obra	de	Jesus.	Costumeiramente,	ele	é
estudado	na	perspectiva	dos	seus	dois	estados:	(1)	Humilhação	(Encarnação,
nascimento,	sofrimento,	morte	e	sepultamento);	e	(2)	Exaltação	(Ressurreição,
ascensão,	entronização	e	segunda	vinda).
Neste	estudo	abordaremos	o	estudo	dos	seus	nomes	e	das	suas	naturezas.
Três	pressupostos	básicos	do	nosso	estudo	sobre	Cristo:	(1)	Jesus	Cristo	foi
plenamente	Deus	e	plenamente	homem	em	uma	só	pessoa.	Ele	foi	uma	pessoa
com	duas	naturezas.	Isso	o	torna	único	e	superior	a	qualquer	líder	espiritual.	(2)
A	obra	de	salvação	realizada	por	Jesus	é	única,	eficaz	e	irrepetível.	Por	isso,	não
há	salvação	em	nenhum	outro	nome	ou	religião	aqui	na	terra.	(3)	A	fé	em	Jesus
distingue	o	cristianismo	das	demais	religiões	existentes	no	mundo.	Jesus	exige
exclusividade	na	adoração	e	singularidade	na	conduta.
1.	OS	NOMES	DE	JESUS
Na	Bíblia,	o	nome	de	uma	pessoa	sempre	revela	o	seu	caráter	ou	algum	fato
relacionado	ao	momento	do	seu	nascimento.	Deus	se	autorrevela	pelos	seus
nomes.	Por	meio	dos	seus	nomes	podemos	conhecer	a	identidade	de	Jesus.
Os	principais	nomes	são:
Jesus
O	nome	Jesus	significa	“Salvador”.	É	a	forma	hebraica	de	“Joshua”,	que
significa	“salvador”	(Js	1.1).	A	escolha	desse	nome	foi	uma	determinação	divina.
Ela	dará	à	luz	um	filho	e	lhe	porás	o	nome	de	Jesus,	porque	ele	salvará	o	seu
povo	dos	pecados	deles	(Mt	1.21).	O	nome	revela	a	missão:	salvação.	Trata-se
de	um	salvador	divino,	para	revelar	que	não	existe	caminho	do	homem	para
Deus,	mas	somente	de	Deus	para	o	homem.	A	salvação	é	exclusiva	e	limitada:
ele	salvará	o	seu	povo.	A	salvação	é	espiritual:	dos	pecados	deles.
Cristo
O	nome	“Cristo”	significa	“o	ungido”.	É	o	nome	oficial	do	Messias.	No	Antigo
Testamento,	os	reis	e	os	sacerdotes	eram	ungidos,	simbolizando	a	capacitação	e	a
autoridade	do	Espírito	Santo.	L.	Berkhof	afirma	que	a	unção	visível	significa	três
coisas:	(1)	designação	para	um	ofício;	(2)	estabelecimento	de	uma	relação
sagrada	e	o	resultante	caráter	sacrossanto	da	pessoa	ungida	(1Sm	24.6;	26.9);	(3)
comunicação	do	Espírito	ao	ungido	(1Sm	16.13).	Jesus	é	o	ungido	do	Espírito:	O
Espírito	do	SENHOR	Deus	está	sobre	mim,	porque	o	SENHOR	me	ungiu	para
pregar	boas-novas	aos	quebrantados,	enviou-me	a	curar	os	quebrantados	de
coração,	a	proclamar	libertação	aos	cativos	e	a	pôr	em	liberdade	os	algemados
(Is	61.1).	Jesus	é	o	objeto	desta	profecia	(Lc	4.16-21).	Ele	é	o	Cristo	para	o
cumprimento	da	grande	missão	de	salvar	os	pecadores	(Jo	1.32).
Filho	de	Deus
O	nome	Filho	de	Deus	indica	a	divindade	essencial	de	Jesus	e	a	sua	relação
pessoal	com	o	Pai.	Tudo	me	foi	entregue	por	meu	Pai.	Ninguém	conhece	o	Filho,
senão	o	Pai;	e	ninguém	conhece	o	Pai,	senão	o	Filho	e	aquele	a	quem	o	Filho	o
quiser	revelar	(Mt	11.27).	L.	Berkhof	diz	que	o	termo	“Filho	de	Deus”	é	aplicado
a	Jesus	em	quatro	sentidos	diferentes:	no	sentido	oficial	ou	messiânico	(Mt
3.17),	no	sentido	trinitário	(Mt	16.16),	no	sentido	natalício	(Lc	1.35)	e	no	sentido
ético	religioso	(Mt	17.24-27).Filho	do	Homem
Jesus	usou	esse	nome	para	descrever	a	sua	humanidade	(Mc	2.27,28),	aos	seus
sofrimentos	(Mt	17.22),	a	sua	divindade	(Jo	3.13,14)	e	a	sua	segunda	vinda	(Mc
16.27,28).
A	origem	do	termo	está	no	Antigo	Testamento	(Sl	8.4;	Dn	7.13).	O	foco
principal	é	apresentar	Jesus	como	homem	perfeito	(Hb	2.5-18).
Senhor
O	nome	Senhor	(kurios)	é	o	nome	que	exalta	a	pessoa	de	Jesus.	Ele	é	o
equivalente	a	“Jeová”	ou	a	tradução	de	“Adonai”.	Jesus	é	o	Senhor	exaltado	(Fp
2.9-11;	Ap	19.16).	É	o	título	da	sua	exaltação:	Esteja	absolutamente	certa,	pois,
toda	a	casa	de	Israel	de	que	a	este	Jesus,	que	vós	crucificastes,	Deus	o	fez	Senhor
e	Cristo	(At	2.36).	Jesus	é	Deus	exaltado.
Salvador
O	nome	Salvador	indica	a	missão	de	Jesus	de	vir	a	este	mundo	para	buscar	e
salvar	o	perdido.	Os	anjos	anunciaram	no	seu	nascimento:	é	que	hoje	vos	nasceu,
na	cidade	de	Davi,	o	Salvador,	que	é	Cristo,	o	Senhor	(Lc	2.11).	O	“Salvador”	é
esperado	por	todos	que	anseiam	pela	salvação	divina.
2.	A	PESSOA	DE	JESUS	CRISTO	(João	1.1-18)
João	inicia	o	seu	livro	falando	sobre	a	identidade	de	Jesus.	Ele	vai	nos	apresentar
a	Jesus,	uma	pessoa	com	duas	naturezas:
Jesus	é	Deus
João	começa	dizendo:	No	princípio	era	o	Verbo,	e	o	Verbo	estava	com	Deus,	e	o
Verbo	era	Deus.	Ele	estava	no	princípio	com	Deus.	Todas	as	coisas	foram	feitas
por	intermédio	dele,	e,	sem	ele,	nada	do	que	foi	feito	se	fez	(vv.	1-3).	Temos
cinco	aspectos	da	divindade	de	Jesus:	(1)	Ele	é	o	Verbo	(logos	=	Palavra):	Jesus
é	o	Verbo	de	Deus	que	nos	revela	a	sua	mente	e	o	seu	coração	(Jo	14.9).
Somente	Jesus	é	o	divino	Revelador	do	Pai	(Jo	1.18;	Hb	1.1).
Em	Jesus,	conhecemos	Deus	de	forma	pessoal.	Nele	vemos,	ouvimos	e
acessamos	ao	Pai.	(2)	Ele	é	Eterno:	No	princípio	era	o	Verbo.	Antes	da	criação,
Jesus	já	existia	(Cl	1.17;	Jo	17.5).	O	verbo	era	indica	uma	existência	contínua	e
intemporal.	Jesus	já	existia	quando	tudo	foi	criado.	Ele	é	anterior	à	criação.	(3)
Ele	é	uma	pessoa:	e	o	Verbo	estava	com	Deus.
O	fato	dEle	estar	com	Deus	no	princípio,	revela	que	Ele	é	uma	pessoa	distinta	do
Pai,	e	que	mantinha	um	relacionamento	pessoal	com	o	mesmo	(Mt	11.27;	Jo
14.21).	(4)	Ele	é	Deus:	e	o	Verbo	era	Deus.	Jesus	tem	a	mesma	natureza	divina
do	Pai	(Jo	10.30).	Ele	é	divino	em	termos	de	essência	e	substância	(Hb	1.3).	Ele
possui	os	mesmos	atributos	do	Pai:	onipotência,	onisciência	e	onipresença.	(5)
Ele	é	o	Criador:	Todas	as	coisas	foram	feitas	por	intermédio	dele,	e,	sem	ele,
nada	do	que	foi	feito	se	fez.	Deus	criou	o	mundo	por	meio	da	sua	palavra	(Gn
1.1;	Sl	33.9).	Jesus	é	a	Palavra,	logo	Deus	criou	tudo	por	intermédio	de	Jesus	(Cl
1.16).	Todas	as	coisas	foram	criadas	por	Ele.
João	usa	duas	metáforas	para	descrever	a	divindade	de	Jesus.	Ele	escreve:	A	vida
estava	nele	e	a	vida	era	a	luz	dos	homens.	A	luz	resplandece	nas	trevas,	e	as
trevas	não	prevaleceram	contra	ela	(vv.4,5).	Duas	palavras-chave	que	nos
ensinam	verdades	profundas:	(1)	Vida.	Ela	se	encontra	ou	se	origina	em	Jesus
(Jo	14.6)	Ela	é	eterna	e	divina	e	consiste	na	comunhão	com	Deus	(Jo	17.3).	Ela	é
o	contrário	de	destruição	e	morte	(Jo	3.16).	Ela	é	recebida	e	experimentada	pela
fé	exclusiva	em	Jesus	(Jo	3.36;	5.24;	6.47).	Fora	dEle,	não	existe	vida	eterna	ou
salvação	(At	4.12).	(2)	Luz.	A	luz	é	uma	manifestação	resplandecente	da	vida.
Jesus	é	a	luz	que	veio	a	este	mundo	(Jo	12.46).	Ele	faz	desaparecer	o	caos	e	as
trevas.	Ele	revela	os	pecados	humanos	(Jo	3.19-21).	Ele	liberta	as	pessoas	das
trevas	e	as	dirige	espiritualmente	(Jo	8.12).	As	trevas	são	hostis	e	se	opõem	à
luz.	As	trevas	se	referem	à	humanidade	caída,	escrava	pela	incredulidade	e	pelo
pecado.	As	trevas	simbolizam	a	ignorância,	a	superstição,	o	perigo	e	a	tristeza.
Aplicações	Práticas:
Por	que	é	necessária	a	divindade	de	Jesus?
A	salvação	vem	de	Deus,	pois	nenhum	ser	humano	tem	poder	para	salvar.	O
homem	é	impotente	para	produzir	a	sua	própria	salvação.	Sendo	assim,	quem
pode	ser	salvo?
Jesus,	fitando	neles	o	olhar,	disse-lhes:	Isto	é	impossível	aos	homens,	mas	para
Deus	tudo	é	possível	(Mt	19.25,26).
Somente	alguém	que	fosse	Deus	infinito	e	eterno	poderia	arcar	com	toda	a	pena
de	todos	os	pecados,	de	tantas	pessoas,	de	tantos	lugares	e	épocas	diferentes.
Aquele	que	não	conheceu	pecado,	ele	o	fez	pecado	por	nós;	para	que,	nele,
fôssemos	feitos	justiça	de	Deus	(2Co	5.26).
Somente	alguém	que	fosse	verdadeiramente	Deus	poderia	reconciliar	Deus	com
os	homens.	Porquanto	há	um	só	Deus	e	um	só	Mediador	entre	Deus	e	os
homens,	Cristo	Jesus,	homem	(1Tm	2.5).
A	testemunha	precursora	da	Luz	foi	João	Batista:	Houve	um	homem	enviado	por
Deus	cujo	nome	era	João.	Este	veio	como	testemunha	para	que	testificasse	a
respeito	da	luz,	a	fim	de	todos	virem	a	crer	por	intermédio	dele.	Ele	não	era	a
luz,	mas	veio	para	que	testificasse	da	luz,	a	saber,	a	verdadeira	luz,	que,	vinda	ao
mundo,	ilumina	a	todo	homem	(vv.6-9).	O	nome	de	João	Batista	significa	“Jeová
tem	sido	gracioso”.
Três	destaques	sobre	ele:	(1)	João	Batista	era	um	homem	que	veio	porque	foi
enviado	por	Deus.	Ele	era	uma	voz	profética	após	quatrocentos	anos	de	silêncio.
Ele	foi	comissionado	por	Deus,	o	que	o	coloca	na	mesma	categoria	de	Moisés	e
dos	profetas	(Êx	3.10-15;	Is	6.8;	Jr	1.4).	A	lei	e	os	profetas	duraram	até	João	(Lc
16.16).	(2)	João	Batista	foi	enviado	como	testemunha	de	Jesus,	para	dizer	ao
povo	que	a	Luz	havia	chegado	ao	mundo	(Is	40.1-11).	Ele	não	era	a	Luz.	Ele
anunciava	a	Jesus,	a	verdadeira	luz	(alethinos	=	significa	real,	genuína	e
verdadeira,	em	oposição	à	luz	que	não	existe).	(3)	João	Batista	foi	enviado	para
dizer	que	Jesus	é	a	luz	que	ilumina	a	todo	homem	no	sentido	de	que	a
iluminação	que	trouxe	é	para	todos	os	homens,	sem	distinção.	A	salvação	será
pregada	a	todos	os	homens,	e	não	para	uma	nação	especial.
Jesus	é	homem
Jesus	é	Deus,	o	Verbo	eterno,	pessoal	e	criador.	Ele	é	a	Vida	e	a	Luz.	Agora,	o
evangelista	João	declara	que	Deus	se	fez	homem:	E	o	Verbo	se	fez	carne	e
habitou	entre	nós	(v.14).
No	tempo	determinado	por	Deus,	ele	enviou	seu	Filho,	nascido	de	mulher	e	sob
a	lei	(Gl	4.4,5).	Deus	tornou-se	homem,	vestiu	a	nossa	humanidade,	exceto	o
nosso	pecado.	A	palavra	“habitou”	(skenoô)	significa	“armou	seu	tabernáculo	ou
a	sua	tenda”	entre	nós	(Êx	25.8).	O	tabernáculo	era	a	tenda	onde	Deus	se
encontrava	com	Moisés	e	com	o	seu	povo.	Jesus	encarnado	é	Deus,
pessoalmente,	vindo	habitar	conosco.
Jesus	se	fez	homem	sem	deixar	de	ser	Deus.	Ele	era	verdadeiramente	Deus	e
verdadeiramente	homem,	de	forma	inconfundível,	imutável,	indivisível	e
inseparável.	Jesus	se	fez	homem	pelo	milagre	do	nascimento	virginal	(Is	7.14;
Mt	1.18-25;	Lc	1.26-38).	Ele	assumiu	a	natureza	humana	e	viveu	sem	pecar	até	a
sua	morte.	Ele	se	identificou	conosco	em	todas	as	nossas	fraquezas	(Jo	4.6,7;
6.53;	8.40;	11.33-35;	12.27;	13.21;	19.28).	João	e	os	outros	discípulos	dizem	que
viram	a	Jesus,	cheio	de	graça	e	de	verdade,	e	vimos	a	sua	glória,	glória	como	do
unigênito	do	Pai	(v.14).	Duas	razões	por	que	eles	viram:	Primeiro,	porque	a
graça	e	a	verdade	vieram	por	meio	de	Jesus	(vv.16,17).	Segundo,	porque	Jesus
revelou	a	si	mesmo	e	também	a	Deus	(v.18).
Aplicações	práticas:
Por	que	é	necessária	a	humanidade	de	Jesus?
Para	ser	o	nosso	representante	e	obedecer	em	nosso	lugar.	Porque,	como,	pela
desobediência	de	um	só	homem,	muitos	se	tornaram	pecadores,	assim	também,
por	meio	da	obediência	de	um	só,	muitos	se	tornarão	justos	(Rm	5.19).
Para	ser	o	nosso	substituto	e	morrer	em	nosso	lugar.	Mas	ele	foi	traspassado
pelas	nossas	transgressões	e	moído	pelas	nossas	iniquidades;	o	castigo	que	nos
traz	a	paz	estava	sobre	ele,	e	pelas	suas	pisaduras	fomos	sarados	(Is	53.5).
Para	ser	o	nosso	exemplo	de	caráter	e	vida.	Aquele	que	diz	que	permanece	nele,
esse	deve	também	andar	assim	como	ele	andou	(1Jo	2.6).
CONCLUSÃO
Qual	é	a	sua	posição	diante	da	mensagem	do	evangelho?	João	apresenta	a
tríplice	reação	das	pessoas	na	sua	época.	(1)	Aqueles	que	não	o	reconhecem.	O
Verbo	estava	no	mundo,	o	mundo	foi	feito	por	intermédio	dele,	mas	o	mundo
não	o	conheceu	(v.10).	O	mundo	é	o	universo	(kosmos)	ou	“todas	as	coisas”.Deus	se	revela	como	criador	através	da	criação,	mas	o	homem	insiste	em	negar	a
sua	existência	(Rm	1.18-21).	Esta	é	a	atitude	de	muitos	hoje.	Não	reconhecem	ou
negam	a	Jesus,	como	o	Filho	de	Deus,	o	Salvador.	(2)	Aqueles	que	não	o
recebem.	Veio	para	o	que	era	seu,	e	os	seus	não	o	receberam.	Jesus	se	revela
pessoalmente	a	Israel,	mas	o	seu	próprio	povo	não	o	recebeu	(Is	1.2,3).	Os
judeus	rejeitaram	a	Jesus	como	o	Messias	prometido.	Eles	odiaram	e	mataram	o
Filho	de	Deus	(Lc	19.14;	Mc	12.6-8).	Até	hoje	os	judeus	esperam	o	Messias.	(3)
Mas,	a	todos	quantos	o	receberam.	Jesus	foi	recebido	por	muitos,	judeus	e
gentios.	E	nos	versos	10-13,	temos	a	revelação	de	como	uma	pessoa	torna-se	um
cristão:	(a)	A	pessoa	recebe	a	Cristo:	a	todos	quantos	o	receberam.	Recebe-se	a
Cristo	crendo	que	Ele	é	conforme	se	apresenta	na	Escritura.	(b)	A	pessoa	é
recebida	por	Deus.	Deu-lhes	o	poder	de	serem	feitos	filhos	de	Deus.	Todo	aquele
que	recebe	a	Jesus	obtêm	o	direito	de	se	tornar	filho	de	Deus	e	o	privilégio	da
adoção	(Gl	3.26;	1Jo	3.1).	(c)	A	pessoa	nasce	de	novo.	Os	quais	não	nasceram	do
sangue,	nem	da	vontade	da	carne,	nem	da	vontade	do	homem,	mas	de	Deus.
Deus	renova	o	coração	humano	fazendo-o	reviver	depois	de	estar	morto	(Ef	2.1;
1Pe	1.23).	Este	novo	nascimento	não	acontece	por	hereditariedade	ou	por
geração	natural	de	pai	e	mãe:	não	nasceram	do	sangue.	Ele	não	acontece	pelo
instinto	natural:	nem	da	vontade	da	carne.	Ele	não	acontece	pela	vontade	do
homem:	nem	da	vontade	do	homem.	Os	verdadeiros	cristãos	são	nascidos	de
Deus	(1Jo	3.9;	5.1).	Somente	pelo	poder	divino	alguém	pode	ser	salvo	e	se
tornar	filho	de	Deus.
Estudo	08
Texto	Básico:	1	Timóteo	2.5
OS	OFÍCIOS	DE	CRISTO
INTRODUÇÃO
Os	três	ofícios	mais	importantes	que	existiram	em	Israel,	no	período	do	Antigo
Testamento	eram:	o	profeta,	o	sacerdote	e	o	rei.
Eram	três	ofícios	distintos	e	com	funções	diferentes.	O	profeta	comunicava	ao
povo	as	palavras	de	Deus.	O	sacerdote	comunicava	a	Deus	as	necessidades	do
povo,	através	dos	sacrifícios,	orações	e	louvores.	O	rei	governava	sobre	o	povo
como	representante	de	Deus.	Esses	três	ofícios	prefiguravam	e	apontavam	à
pessoa	e	à	obra	de	Jesus	Cristo.
O	Breve	Catecismo	de	Westminster	resume	como	Cristo	exerce	os	três	ofícios:
“Cristo	exerce	as	funções	de	profeta,	revelando-nos,	pela	sua	Palavra	e	pelo	seu
Espírito,	a	vontade	de	Deus	para	a	nossa	salvação	(Jo	1.18;	Hb	1.1,2;	Jo	14.26;
16.13).	Cristo	exerce	as	funções	de	sacerdote,	oferecendo-se	a	si	mesmo	uma
vez	em	sacrifício,	para	satisfazer	a	justiça	divina,	reconciliar-nos	com	Deus	e
fazendo	contínua	intercessão	por	nós	(Hb	9.28;	Rm	3.24-26;	10.4;	Hb	2.17;	7.25;
Is	53.12).	Cristo	exerce	as	funções	de	rei,	sujeitando-nos	a	si	mesmo,
governando-nos	e	protegendo-nos,	contendo	e	subjugando	todos	os	seus	e	os
nossos	inimigos	(Sl	110.3;	At	2.36;	18.9,10;	Is	9.6,7;	1Co	15.26,27)”.
O	nosso	estudo	de	hoje	é	sobre	os	detalhes	de	como	Jesus	exerce	esses	três
ofícios,	em	benefício	do	seu	povo	e	da	sua	igreja.
1.	JESUS	CRISTO	COMO	PROFETA
Revelação	é	o	ato	de	Deus	comunicar	a	sua	existência	e	a	sua	vontade	aos
homens.	A	revelação	de	Deus	é	progressiva.	Ela	começa	no	Antigo	Testamento	e
termina	no	Novo	Testamento.	Por	isso,	em	Hebreus	1.1,2,	o	autor	começa
dizendo	do	passado:	Havendo	Deus	outrora	falado,	muitas	vezes	e	de	muitas
maneiras,	aos	pais,	pelos	profetas	(v.1).	Seis	lições	importantes:	(1)	Quem	falou?
Deus.	Ele	resolveu	comunicar-se	com	as	suas	criaturas.	Assim,	o	conhecimento
que	temos	de	Deus	não	é	por	causa	da	nossa	busca,	mas	da	sua	revelação.	(2)
Quando	Ele	falou?	“Antigamente”	indica	“outrora	ou	no	passado”.	Refere-se	a
todas	as	revelações	feitas	no	Antigo	Testamento,	antes	de	Moisés,	por	meio	dos
profetas,	tanto	nas	Escrituras	como	fora	delas.	Compreende	todo	o	tempo	de
revelação	feita	antes	de	Jesus	Cristo.	(3)	Quantas	vezes	Ele	falou?	“Muitas
vezes”	que	poderia	ser	traduzido	literalmente	em	muitas	partes	ou	porções.
Trata-se	de	uma	prática	que	foi	repetida	de	forma	fracionada.	A	ênfase	recai
sobre	a	natureza	fragmentária	da	antiga	revelação.	(4)	Como	Ele	falou?	“Muitas
maneiras”	significa	diversos	métodos:	visões,	sonhos,	revelações	angelicais,
palavras	e	eventos	proféticos	etc.	Deus	falou	até	por	meio	de	uma	jumenta.	(5)
Para	quem	Ele	falou?	“Aos	pais”	ou	“aos	nossos	ancestrais”	(Jo	7.22	e	Rm	15.8).
A	ênfase	é	sobre	quem	recebeu	a	revelação	ou	aos	destinatários	da	comunicação
divina.	(6)	Por	quem	Ele	falou?	“Pelos	profetas”	indica	que	Deus	fez	uso	do
instrumento	humano	para	se	comunicar	com	o	próprio	homem.	A	palavra
hebraica	para	“profeta”	significa	“boca	de	Deus”.	De	Moisés	a	João	Batista,	a
profecia	foi	falada	e	escrita	como	lei,	história,	salmos	e	profecias.	Deus	também
chamou	e	capacitou	pessoas	com	o	Espírito	Santo	para	falar	da	salvação	de	Deus
(1Pe	1.10-12;	2Pe	1.21).	Os	escritores	bíblicos	receberam	a	revelação	de	Deus.
Eles	foram	inspirados	pelo	Espírito	Santo	para	escreverem	o	que	lhes	foi
revelado.
O	autor	da	carta	aos	Hebreus	continua	falando	sobre	a	revelação	divina:	Nestes
últimos	dias	nos	falou	pelo	Filho	(v.2).	Três	destaques:	(1)	Quando	Ele	falou?
“Nestes	últimos	dias”.	Trata-se	do	período	que	se	inicia	com	a	primeira	vinda	de
Cristo	e	terminará	com	a	sua	segunda	vinda.	São	os	últimos	dias	da	salvação	que
os	profetas	previram	(Jr	23.20;	Mq	4.1).	Vivemos	hoje	os	últimos	dias.	(2)	A
quem	Ele	falou?	“A	nós	nos	falou”.	O	alvo	da	revelação	é	a	geração	presente.	É
através	de	Jesus	que	Deus	nos	fala	hoje.	(3)	Como	Ele	nos	falou?	“A	nós	nos
falou	pelo	Filho”.	“Filho”	é	o	pensamento	principal,	a	ideia-chave.	Jesus	é	o
profeta	maior	e	superior	a	todos	os	profetas	que	existiram	anteriormente	(Dt
18.18;	Jo	5.45-47;	Hb	3.2-6).	Jesus	é	o	Filho	de	Deus,	Filho	único	que	nos
trouxe	a	revelação	definitiva	e	completa.	Ele	não	é	um	mero	veículo	de
revelação,	e	sim	Deus	em	forma	humana	(Jo	14.9).	Esta	revelação	não	é
fragmentária,	mas	completa;	não	parcial,	mas	perfeita;	não	preparatória,	mas
final.
Dois	pontos	ou	princípios	teológicos	que	precisam	ser	destacados:
Jesus	não	era	um	profeta	semelhante	aos	outros,	mas	Ele	mesmo	era	a	fonte
da	revelação	de	Deus
Jesus	é	a	revelação	superior	e	perfeita	de	Deus.	Ninguém	jamais	viu	a	Deus;	o
Deus	unigênito,	que	está	no	seio	do	Pai,	é	quem	o	revelou	(Jo	1.18).	Jesus	é	a
expressão	exata	do	seu	Ser	(Hb	1.3).	Aquele	que	reflete	a	glória	de	Deus
compartilha	da	sua	natureza.	A	palavra	no	grego	é	“caráter”	(character),
comumente	usada	para	um	carimbo	ou	uma	gravação.	Um	carimbo	num	selo	de
cera	terá	a	mesma	imagem	que	a	gravura	no	selo.	Jesus	é	a	expressão	exata	da
natureza	e	da	essência	de	Deus	(Jo	1.1;	Cl	1.15).
Jesus	foi	o	profeta	prometido	por	Moisés	e	reconhecido	pelos	cristãos
primitivos	(Dt	18.15-18;	At	3.22-24),	aclamado	pelo	povo	que	Ele	abençoou
(Lc	7.16;	Jo	4.19;	9.17)
Ele	é	aquele	sobre	quem	foram	feitas	as	profecias	do	Antigo	Testamento,
conforme	ensino	do	próprio	Jesus	(Lc	24.25-27).
Aplicações	Práticas:
Deus	fala	conosco	todos	os	dias,	de	diversas	maneiras.	Devemos	estar	atentos
para	ouvir	a	voz	de	Deus.
Devemos	falar	da	salvação	de	Deus	para	outras	pessoas.	Deus	nos	capacita	com
o	Espírito	Santo	para	fazermos	isso.
Jesus	é	o	profeta	excelente.	É	a	revelação	de	Deus.
2.	JESUS	CRISTO	COMO	SACERDOTE
Enquanto	o	profeta	representava	Deus	perante	o	povo,	o	sacerdote	representava
o	povo	perante	Deus.	Após	descrever	a	pessoa	de	Jesus	Cristo	como	profeta	que
revela	pessoalmente	a	Deus,	o	escritor	da	carta	aos	Hebreus	destaca	a	sua	obra
como	sacerdote:	depois	de	ter	feito	a	purificação	dos	pecados	(v.3).	Jesus	é	o
sumo	sacerdote	perfeito.	Wayne	Grudem	apresenta	três	aspectos	do	ministério
sacerdotal	de	Jesus:	Ele	ofereceu	um	sacrifício	perfeito	pelo	pecado	(Hb	4.14;
9.24-28).Ele	nos	aproxima	continuamente	de	Deus	(Hb	10.19-22).	Ele	ora
continuamente	por	nós	(Hb	7.25).
Em	Hebreus	5.1-10,	o	autor	apresenta	as	qualificações	de	alguém	para	ser
sacerdote	na	Antiga	Aliança	e	como	elas	se	aplicam	a	Jesus	Cristo.
Ser	humano:	tomado	dentre	os	homens
O	sacerdote	é	um	homem	selecionado	dentre	outrospara	representar	os	homens
perante	Deus.	Nenhum	homem	poderá	comparecer	perante	Deus	senão	por
intermédio	de	um	mediador.	Jesus	é	o	nosso	grande	sumo	sacerdote,	homem	e
mediador	perfeito	e	único
(Hb	4.14;	1Tm	2.5).
Ser	escolhido	e	nomeado	por	Deus:	é	constituído
O	sumo	sacerdote	não	se	autodesigna,	mas	é	tomado	e	constituído	por	Deus.
Somente	Deus	pode	constituir	sacerdotes	(Êx	28.29;	Lv	8-9;	Nm	16.18).	A	sua
nomeação	é	nas	coisas	concernentes	a	Deus,	a	favor	dos	homens.	Um	sumo
sacerdote	trabalha	em	uma	via	dupla:	ele	leva	os	problemas	dos	pecadores	até
Deus,	e	traz	as	bênçãos	de	Deus	para	os	pecadores.	Deus	constituiu	a	Jesus	como
sumo	sacerdote	eterno	(Hb	5.5,6;	7.20-28).
Seu	dever	é	oferecer	dons	e	sacrifícios	a	Deus:	para	oferecer	tanto	dons
como	sacrifícios	pelos	pecados
Os	dons	(dora)	são	as	ofertas	de	grãos	e	cereais	(ofertas	de	gratidão)	e	os
sacrifícios	(thysias)	são	os	holocaustos	ou	ofertas	de	sangue	(Lv	1-6).	O
sacrifício	que	Jesus	ofereceu	a	Deus	não	se	repete,	é	perfeito	e	eficaz	para
perdoar	e	purificar	os	nossos	pecados	(Hb	9.1-28).	E,	tendo	sido	aperfeiçoado,
tornou-se	o	Autor	da	salvação	eterna	para	todos	os	que	lhe	obedecem	(Hb	5.9).
O	sacrifício	de	Jesus	foi	perfeito,	por	três	motivos:	Primeiro,	porque	ele	não
precisava	oferecer	sacrifício	algum	por	ele.	Ele	era	impecável	em	sua	natureza
humana.	Segundo,	porque	foi	único	e	definitivo,	enquanto	os	sacrifícios	da	lei
cerimonial	precisavam	ser	repetidos.	Terceiro,	porque	produziu	salvação	eterna
para	todos	que	obedecem	à	fé	ou	ao	evangelho	(At	6.7;	Rm	10.16).	Obedecer	é
confiar	em	Deus.
Ser	solidário	com	as	fraquezas	humanas:	capaz	de	condoer-se	dos
ignorantes	e	dos	que	erram
O	fato	de	ser	humano	e	pecador	faz	do	sumo	sacerdote	uma	pessoa	solidária	e
misericordiosa	com	as	pessoas	que	ele	representa.	“Porque	não	temos	um
sacerdote	que	não	possa	compadecer-se	das	nossas	fraquezas”	(Hb	4.15).	A
palavra	“compadecer”	significa	“simpatizar”,	“sofrer	juntamente	com”.	Jesus	se
identifica	conosco	sentindo	as	nossas	dores	e	sofrimentos.	A	palavra	“fraqueza”
indica	toda	forma	de	necessidade.
Jesus	ora	continuamente	por	nós,	junto	ao	Pai.	Ele	é	o	nosso	intercessor	(Rm
8.34;	Hb	7.25).	Essa	intercessão	de	Cristo	possui	três	características:	(1)	Ela	é
constante.	Jesus	intercede	ininterruptamente	por	nós	para	que	a	nossa	fé	não
desfaleça.	(2)	Ela	é	autorizada.	Jesus	é	um	advogado	justo	que	defende	a	nossa
causa	perante	o	Pai.	É	o	Filho	pedindo	ao	Pai	por	nós	(Jo	14.16;	16.26;	1	Jo
2.1,2).	(3)	Ela	é	eficaz.	A	intercessão	de	Jesus	é	infalível.	O	Pai	sempre	o	ouve
(Jo	11.42).
Aplicações	Práticas:
Como	você	se	sente	sabendo	que	Jesus	é	o	sumo	sacerdote	perfeito,	que	nos
aproxima	de	Deus	e	ora	por	nós?
“Porquanto	há	um	só	Deus	e	um	só	Mediador	entre	Deus	e	os	homens,	Cristo
Jesus,	homem”.	1	Timóteo	2.5
3.	JESUS	CRISTO	COMO	REI.
A.	W.	Pink	definindo	a	soberania	de	Deus,	declara:	“Que	queremos	dizer	com
esta	expressão?	Queremos	afirmar	a	supremacia	de	Deus,	a	realeza	de	Deus,	a
divindade	de	Deus.	Dizer	que	Deus	é	soberano	é	declarar	que	Deus	é	Deus.
Dizer	que	Deus	é	soberano	é	declarar	que	Ele	é	o	Altíssimo,	o	qual	tudo	faz
segundo	Sua	vontade	no	exército	dos	céus	e	entre	os	moradores	da	terra	(Dn
4.35).	Dizer	que	Deus	é	soberano	é	declarar	que	Ele	é	onipotente,	possuidor	de
todo	o	poder	nos	céus	e	na	terra,	de	tal	maneira	que	ninguém	pode	impedir	os
seus	conselhos,	contrariar	os	seus	propósitos	ou	resistir	à	sua	vontade	(Sl	115.3).
Dizer	que	Deus	é	soberano	é	declarar	que	Ele	“governa	as	nações”	(Sl	22.28),
estabelecendo	reinos,	derrubando	impérios	e	determinando	o	curso	das	dinastias,
segundo	o	seu	agrado.	Dizer	que	Deus	é	soberano	é	declarar	que	Ele	é	o	“‘Único
Soberano,	o	Rei	dos	reis	e	Senhor	dos	senhores’	(1	Tm	6.15).	Este	é	o	Deus	da
Bíblia.”
Jesus	Cristo	compartilha	com	Deus	e	com	o	Espírito	Santo	dessa	soberania	e
realeza	originária.	Mas	há	uma	realeza	exercida	por	Cristo	proveniente	da	sua
encarnação.	Após	o	evento	da	sua	morte	e	ressurreição,	Ele	foi	entronizado	nos
céus:	assentou-se	à	direita	da	Majestade,	nas	alturas	(Hb	1.3)	A	palavra	“direita”
significa	“poder”,	“autoridade”	e	“honra”.	Jesus	Cristo	está	assentado	à	direita
de	Deus,	em	posição	de	exaltação	e	honra	(1Pe	3.22).	Louis	Berkhof	define:	“é	o
seu	poder	oficial	de	governar	todas	as	coisas	do	céu	e	da	terra,	para	a	glória	de
Deus	e	para	execução	do	seu	propósito	de	salvação”.	A	natureza	deste	reino	é
espiritual.	Quatro	características	desse	reino:	(1)	Ele	reina	e	governa	sobre	o	seu
povo	e	a	igreja	(Ef	1.22;	At	2.30-36).	(2)	Ele	reina	invisivelmente	nos	corações	e
nas	vidas	dos	crentes	(Is	9.6,7;	Jo	18.36,37).	(3)	Ele	reina	não	pela	força	externa,
mas	pelo	poder	da	Palavra	e	do	Espírito	Santo	(Zc	6.13;	Lc	1.33).	(4)	Ele	reina
no	presente	e	no	futuro.	O	seu	reino	é	uma	realidade	presente	e	uma	esperança
futura	(Mt	12.28;	19.23;	Lc	17.21;	22.29,30).
Após	a	sua	ascensão,	Jesus	foi	exaltado	por	Deus,	que	o	fez	Senhor	e	Cristo	(At
2.36).	Ele	foi	recompensado	pelo	Pai	pelo	seu	trabalho	na	cruz	(Mt	28.18;	Fp
2.9-11).	Jesus	é	o	Senhor	e	não	os	imperadores	romanos.	Em	Roma,	no	local
onde	muitos	cristãos	foram	torturados	e	mortos	pelos	imperadores	romanos,	há
um	memorial	escrito	com	a	seguinte	frase:	“Cristo	está	conquistando,	Cristo	está
reinando	e	Cristo	governa	sobre	todos”.
Tendo	se	tornado	tão	superior	aos	anjos	quanto	herdou	mais	excelente	nome	do
que	eles	(Hb	1.4).	Esse	nome	que	Jesus	recebeu	é	SENHOR.	Ele	reina	também
no	universo,	governando	o	destino	dos	homens	e	nações	para	benefício	da	sua
Igreja.	L.	Berkhof	declara:	“O	reinado	de	Cristo	sobre	o	universo	é	subserviente
ao	seu	reinado	espiritual”.	Jesus	faz	isso	com	o	intuito	de	proteger	o	seu	povo
dos	ataques	das	forças	malignas.
O	reinado	espiritual	de	Cristo	durará	até	que	a	vitória	sobre	todos	os	inimigos	for
consumada.	A	morte	será	a	última	inimiga	a	ser	abolida:	E,	então,	virá	o	fim,
quando	ele	entregar	o	reino	ao	Deus	e	Pai,	quando	houver	destruído	todo
principado,	bem	como	toda	potestade	e	poder.	Porque	convém	que	ele	reine	até
que	haja	posto	todos	os	inimigos	debaixo	dos	pés.	O	último	inimigo	a	ser
destruído	é	a	morte	(1Co	15.24-26).	Quando	a	Igreja	estiver	redimida,	Cristo
devolverá	a	autoridade	ao	Pai.
Aplicações	Práticas:
Como	é	bom	reconhecer	a	soberania	de	Deus	sobre	todas	as	coisas!
Jesus	Cristo	está	assentado	à	direita	de	Deus	e	reina	sobre	tudo	e	sobre	todos.
Jesus	Cristo	protege	o	seu	povo	das	forças	malignas.
CONCLUSÃO
Para	sermos	encorajados	a	não	desistir	na	fé,	precisamos	olhar	para	a
superioridade	de	Jesus.	Ele	é	o	Profeta,	o	Sacerdote	e	o	Rei	do	seu	povo.	Ele	é
incomparável,	insuperável	e	insubstituível.	Olhe	para	Jesus	e	anime-se.
Os	seus	ofícios	são	transmitidos	a	nós,	o	seu	povo:	Somos	profetas	à	medida	que
proclamamos	o	Evangelho	ao	mundo	(Mt	28.18-20);	Somos	sacerdotes	para
oferecer	sacrifícios	espirituais	de	adoração	a	Deus	(1Pe	2.5,9);	Somos	reis
porque	estamos	assentados	nos	lugares	celestiais	com	Cristo	(Ef	2.6).
Estudo	09
Texto	Básico:	João	14.16
A	PESSOA	E	A	OBRA	DO	ESPÍRITO	SANTO
INTRODUÇÃO
Pneumatologia	é	o	estudo	da	doutrina	bíblica	sobre	a	pessoa	e	a	obra	do	Espírito
Santo.	E	se	existe	uma	doutrina	na	Bíblia	que	precisamos	estudar	é	esta.	Há
muitos	estudos	sobre	a	pessoa	do	Pai	e	do	Filho,	mas	poucos	estudos	sobre	a
pessoa	do	Espírito.	Desses	poucos,	a	maioria	é	de	natureza	apologética,	onde
pessoas	usam	os	textos	apenas	para	defender	ou	atacar	práticas	espirituais.
Precisamos	estudar	a	doutrina	bíblica	da	pessoa	e	da	obra	do	Espírito	Santo	por
três	motivos	básicos:	(1)	porque	ela	se	encontra	na	Bíblia	e	deve	ser	conhecida	e
praticada;	(2)	porque	é	por	intermédio	do	conhecimento,	iluminação,	enchimento
e	ação	do	Espírito	que	somos	transformados;	(3)	porque	precisamos	do	poder	do
Espírito	para	realizarmos	a	obra	de	Deus.
Três	princípios	bíblicos	sobre	a	doutrina	do	Espírito	Santo:	(1)	O	Espírito	Santo
é	Deus.Ele	é	igual,	coexistente	e	coeterno	com	o	Pai	e	o	Filho.	Ele	possui	todos
os	atributos	da	divindade.
(2)	O	Espírito	é	quem	converte	o	pecadorque	crê.	Ele	habita,	santifica,
capacita	e	guia	os	crentes,	mantendo-os	firmes	e	perseverantes	na	fé.	(3)	A
ordem	de	Deus	é	para	que	todos	os	crentes	sejam	cheios	do	Espírito	Santo.
1.	OS	NOMES	DO	ESPÍRITO	SANTO
A	Bíblia	usa	vários	nomes	e	títulos	para	identificar	a	pessoa	do	Espírito	e	a	sua
influência.	Deus	(At	5.3,4),	Senhor	(2Ts	3.5),	Bom	Espírito	(Ne	9.21),	Santo
Espírito	(Sl	51.11),	Poder	do	Altíssimo	(Lc	1.35),	Sete	Espíritos	de	Deus	(Ap
1.4),	Espírito	de	adoção,	conhecimento,	conselho,	entendimento,	fogo,	glória,
graça,	julgamento,	poder,	profecia,	revelação,	sabedoria,	santidade,	eterno,	do
temor	do	Senhor,	verdade	e	vida.	Espírito	de	Cristo	(Rm	8.9),	Espírito	de	Deus
(Gn	1.2),	Espírito	do	Filho	(Gl	4.6),	Espírito	do	Pai	(Mt	10.20),	Espírito	do
Senhor	(At	5.9)	e	Espírito	do	Senhor	Deus	(Is	61.1).
Em	João	14-16	temos	o	ensino	de	Jesus	sobre	o	Espírito.	Ele	usa	três	nomes
diferentes	para	o	Espírito:
O	Consolador
A	palavra	“Consolador”	(Parakletos)	significa	“encorajador”	ou	auxiliador	(Jo
14.16,	25;	15.26;	16.7).	A	palavra	era	usada	na	linguagem	jurídica	para	o
advogado	de	defesa	(1Jo	2.1),	isto	é,	alguém	que	ajudava	ou	apoiava	um	réu.	O
sentido	ganha	amplitude,	pois	o	Espírito,	assim	como	Jesus,	não	apenas	foi	um
advogado,	mas	uma	pessoa	que	provê	encorajamento,	conselho,	força,
entusiasmo,	motivação	e	poder.	É	comparável	ao	apoio	e	o	carinho	de	um	pai.
Por	isso	Jesus	diz	“não	vos	deixarei	órfãos”.
A	palavra	“órfãos”	é	encontrada	exclusivamente	neste	texto	e	em	Tiago	(1.27),	e
o	seu	melhor	sentido	é	“destituídos”.	Era	comumente	usada	para	indicar	filhos
destituídos	de	seus	pais	e	de	tudo	aquilo	que	uma	paternidade	responsável
oferece.	Não	vos	deixarei	órfãos!	Jesus	Cristo	não	nos	deixou:	sem	amor	(Jo
13.1);	sem	exemplo	(Jo	13.15);	sem	lei	(Jo	13.34);	sem	recompensa	(Jo14.1);
sem	destino	(Jo	14.6);	sem	serviço	(Jo	14.12);	sem	paz	(Jo	14.27);	sem
esperança	(Jo	14.18).	No	ministério	de	confortar	e	encorajar	o	cristão,	o	Espírito
derrama	amor	divino	no	coração	(Rm	5.5),	testemunha	que	são	filhos	de	Deus
(Rm	8.16),	unge	com	alegria	e	discernimento	(2	Co1.21),	derrama	paz	e
esperança	na	mente	e	no	coração	(Rm	15.13),	concede	alegria	na	luta	(Rm
14.17),	assiste	na	fraqueza	(Rm	8.26),	produz	a	frutificação	espiritual	(Gl	5.22)	e
capacita	para	o	serviço	(1Co	12.11).
O	Espírito	da	verdade
Jesus	usa	outro	nome:	“o	Espírito	da	verdade”	(Jo	14.17;	16.13).	Há	um	duplo
significado:	o	Espírito	é	a	essência	da	verdade	e	o	revelador	do	que	é	verdadeiro.
Por	isso	João	testifica:	o	Espírito	Santo	é	a	verdade	(1Jo	5.6).	Ele	é	o	autor
divino	das	Escrituras	(2Pe	1.20,21),	a	verdade	escrita	(Jo	17.17);	Ele	dá
conhecimento	da	verdade	salvadora	que	é	Jesus	Cristo	(Jo	8.32,36).	Não	existe	a
possibilidade	humana	de	conhecer	as	verdades	de	Deus	senão	pelo	Espírito
Santo.	Uma	mentira	contra	o	Espírito	Santo	foi	instantaneamente	punida	com	a
morte	(At	5.1-11).
O	Espírito	Santo
Jesus	qualifica	o	Espírito	de	santo	(Jo	14.26).	Por	que	Ele	é	chamado	de	Espírito
Santo?	Primeiro,	por	causa	da	sua	natureza	santa	e	perfeita	(1Jo	2.20).	Deus	é
santo	(1Pe	1.16).	Segundo,	por	causa	do	seu	ministério	que	é	o	de	produzir
santidade.	Martyn	Lloyd-Jones	explica:	“Por	que,	pois,	é	Ele	chamado	santo?
Seguramente,	a	explicação	consiste	em	que	é	Sua	obra	especial	produzir
santidade	e	ordem	em	tudo	o	que	Ele	faz	na	aplicação	da	obra	salvadora	de
Cristo”.	E	o	seu	ministério	é	santificar	o	povo	de	Deus	(Sl	51.11;	Rm	1.14).
2.	A	PESSOA	DO	ESPÍRITO	SANTO
Há	um	único	Deus	verdadeiro	que	subsiste	em	três	pessoas:	Deus	Pai,	Deus
Filho	e	Deus	Espírito	Santo.	O	Breve	Catecismo	de	Westminster	resume:	O
Espírito	Santo	é	a	terceira	pessoa	da	Trindade,	procedente	do	Pai	e	do	Filho,	da
mesma	substância	e	igual	em	poder	e	glória,	e	deve-se	crer	nele,	amá-Lo,
obedecê-Lo	e	adorá-Lo,	juntamente	com	o	Pai	e	o	Filho,	por	todos	os	séculos
(Mt	3.16,17;	Mt	28.19;	2Co	13.13;	Jo	15.26	e	16.13,14	e	17.24).
O	Espírito	é	uma	pessoa.	Não	é	uma	força	ou	uma	energia	cósmica	e	impessoal.
Ele	é	uma	personalidade	que	expressa	ideias,	sentimentos	e	comportamentos.	A
Bíblia	demonstra	isso	de	várias	maneiras:	(1)	Argumentos	gramaticais.	E	eu
rogarei	ao	Pai,	e	ele	vos	dará	outro	Consolador,	a	fim	de	que	esteja	para	sempre
convosco	(Jo	14.16).	A	expressão	“outro	Consolador”	indica	que	o	Espírito
Santo	é	alguém	como	Jesus,	uma	personalidade	distinta	do	Pai	e	do	Filho.
Apesar	do	substantivo	“espírito”,	(pneuma)	na	língua	grega,	ser	do	gênero
neutro,	ao	se	referir	ao	Espírito	Santo,	ele	sempre	vem	acompanhado	por	um
pronome	pessoal	masculino	(Jo	15.26;	16.7,8,	13,14).	(2)	Argumentos	pessoais.
A	Bíblia	sempre	apresenta	o	Espírito	Santo	como	uma	pessoa,	atribuindo-lhe
traços	de	personalidade:	inteligência	(1Co	2.10,11	e	Rm	8.27),	vontade	(1	Co
12.11	e	At	13.1-3)	e	emoções	ou	sentimentos	(Ef	4.30	e	Rm	15.30).	Ele	age
como	uma	pessoa:	fala	(Ap	2.7),	intercede	(Rm	8.26),	testemunha	(Jo	15.26),
ensina	(Jo	16.12-14),	chama	e	envia	pessoas	(At	20.28),	convence	(Jo	16.8),
guia	e	orienta	(At	16.6,7).	O	Espírito	é	uma	pessoa,	a	qual	você	pode	blasfemar
(Mt	12.31),	mentir	(At	5.3),	tentar	(At	5.9),	resistir	(At	7.51)	e	obedecer	(At
13.2,3).
Aplicações	Práticas:
O	Espírito	Santo	é	um	Deus	pessoal	e	presente	na	sua	vida?
Existe	conversão	sem	a	ação	do	Espírito	Santo?
3.	A	DIVINDADE	DO	ESPÍRITO
Por	divindade	do	Espírito	Santo	se	entende	que	Ele	é	um	com	Deus,	fazendo
parte	da	Divindade,	coigual,	coeterno	e	consubstancial	com	o	Pai	e	com	o	Filho
(Mt	28.19;	Jo	14.16).	Podemos	constatar	sua	divindade	nos	títulos	e	nomes	que
lhe	são	atribuídos	(veja	os	nomes	acima).	No	que	se	refere	às	obras	divinas,
devemos	entendê-las,	didaticamente,	da	seguinte	maneira:
O	Pai	é	a	origem	da	qual	elas	começam;	o	Filho	é	o	meio	pelo	qual	elas
acontecem;	e	o	Espírito	é	o	executivo	pelo	qual	elas	são	realizadas	ou	aplicadas.
Atributos	divinos	atribuídos	ao	Espírito	Santo:	eternidade	(Hb	9.14),	onipotência
(Gn	1.1,2),	onipresença	(Sl	139.7,8),	onisciência	(1Co	2.20),	soberania	(Jo	3.8),
santidade	(Mt	28.19)	e	vida	(Rm	8.2).	As	obras	de	Deus	são	atribuídas	também
ao	Espírito	Santo:	criação	(Jó	33.4),	inspiração	das	Escrituras	(2	Pe	1.21),
encarnação	de	Cristo	(Mt	1.18)	e	ressurreição	(Rm	8.11).	O	Espírito	Santo	é
Deus.
4.	A	OBRA	DO	ESPÍRITO	SANTO
A	obra	ou	o	ministério	do	Espírito	Santo	é	um	assunto	polêmico.	A	posição	mais
aceita	é	aquela	que	classifica	em	obra	geral	à	parte	da	redenção	e	obra	específica
na	aplicação	da	redenção.	Alguns	chamam	de	o	Espírito	agindo	na	criação	e	na
nova	criação.	A	base	para	tal	divisão	é	doutrina	que	os	reformadores	chamaram
de	Graça	Comum	e	Graça	Especial.
Entendemos,	porém,	que	a	obra	do	Espírito	tem	como	marco	divisor	o
cumprimento	da	promessa	do	derramar	do	Espírito	(At	2).	Observamos	que	o
Espírito	atuou	na	criação	do	universo	e	do	homem	(Gn	1.2,26;	Jó	26.13;	33.4;	Is
40.12,13),	e	na	sustentação	e	preservação	da	criação	(Sl	104.10-30;	139;	Is	40.7).
Todos	que	foram	salvos	e	viveram	pela	fé	antes	do	Pentecostes,	foram	assistidos
pelo	Espírito	Santo.	A	ideia	que	alguns	dos	crentes	do	Antigo	Testamento	não
tinham	o	Espírito	Santo	deve	ser	questionada,	pois	a	salvação	é	para	o	homem
uma	coisa	impossível	(Mt	19.25,26).	Paulo	declara	que	Abraão	e	Davi	foram
justificados	pela	fé	(Rm	4).	Seria	possível	alguém	ser	justificado	pela	fé	sem	a
ação	do	Espírito?
No	Antigo	Testamento,	o	Espírito	Santo	convencia	(Gn	6.3),	vivificava	(Sl
119.25),	iluminava	(Sl	119.27),	conduzia	a	alma	a	Deus	(Sl	65.3,4),	instruía	(Ne
9.20)	e	sustentava	o	crente	(Sl	37.24).	Ele	inspirou	os	profetas	(Ez	2.1,2),
inspirou	as	Escrituras	(2Pe	1.21),	concedeu	dons	aos	crentes	(Gn	41.38;	Êx	31.2-
5;	Nm	11.25	e	27.18;	Jz	6.34)	e	capacitou	os	crentes	para	o	serviço	(Zc	4.6).
No	ensino	de	Jesus	acerca	do	Espírito	Santo,	algumas	tarefas	especiais	lhes	são
atribuídas:	(1)	Ele	ensina	e	relembra	(Jo	14.26).	O	Espírito	trará	à	memória	dos
discípulos	as	coisas	que	Jesus	tinha	dito,	e	assim,	por	sua	inspiração,	eles	serão
habilitados	a	escrevê-las	e	a	pregá-las.	Temos	aqui	a	ação	do	Espírito	no
processode	revelação	e	inspiração	das	Escrituras	(2	Pe	1.20,21).	(2)	Ele	dá
testemunho	de	Jesus	(Jo	15.26).	O	Espírito	testemunha,	testifica,	declara,	fala
bem	do	Filho	confirmando	que	Ele	é	o	único	Salvador	e	Senhor.	Este	é	o
testemunho	externo.	Também	o	Espírito	Santo	testifica	no	coração	do	cristão	que
ele	é	filho	de	Deus,	por	causa	da	fé	em	Jesus	Cristo	(Rm	8.9,	16;	1	Jo.5.10).	Este
é	o	testemunho	interno.	(3)	Ele	convence	o	mundo	(Jo	16.8).	O	verbo
“convencer”	(elegsei)	significa	“trazer	à	luz”,	“expor”,	“mostrar”,	“persuadir”,
“convicção	interior”	(Jo	3.20;	8.46).	O	Espírito	é	o	responsável	pelo
convencimento	interno	das	pessoas	quanto	ao	verdadeiro	sentido	do	pecado,	da
justiça	e	do	juízo.	Há	um	outro	sentido	para	o	verbo	que	é	o	de	“reprovar”,
“corrigir”,	“disciplinar”	e	“punir”	(Mt	18.15;	Lc	3.19).	A	obra	do	convencimento
é	tríplice:	do	pecado,	pois	somos	pecadores	por	natureza	(Rm	3.23);	da	justiça
salvadora	que	nos	é	oferecida	em	Cristo	Jesus	(Rm	5.1);	e	do	juízo	que	será	o
julgamento	daqueles	que	rejeitam	a	salvação	em	Jesus	(Jo	3.18,19).	(4)	Ele	guia
a	toda	a	verdade	(Jo	16.13).	O	Espírito	tem	a	missão	de	guiar,	liderar	e	instruir
aos	homens,	em	seus	corações,	qual	o	significado	de	Cristo	(At	8.31).	Ele	jamais
nos	guiará	à	mentira	ou	ao	erro.	Ele	nos	revela	a	verdade	da	nossa	natureza	caída
e	nos	conduz	à	verdade	santificadora	de	Deus.	(5)	A	obra	principal	do	Espírito	é
glorificar	a	Cristo	(Jo	16.14).	Ninguém	pode	reconhecer	que	Jesus	é	Senhor
senão	pelo	Espírito	(1Co	12.3).	Toda	obra	salvadora	é	realizada	pelo	Espírito	e
toda	obra	do	Espírito	está	vinculada	à	obra	de	Jesus.
Aplicações	Práticas:
Você	crê	que	o	Espírito	Santo	é	Deus?	Relembre	os	atributos	atribuídos	ao
Espírito	Santo.
O	Espírito	Santo	é	quem	nos	convence	do	pecado,	da	justiça	e	do	juízo.
Somente	o	poder	do	Espírito	Santo	pode	transformar	a	nossa	vida.
CONCLUSÃO
Por	que	preciso	do	Espírito	Santo?	Resposta:	para	ser	transformado	por	Deus.
Somente	o	poder	do	Espírito	pode	transformar	a	nossa	vida.
Quando	os	apóstolos	foram	revestidos	pelo	Espírito	Santo	(At	2),	transformações
aconteceram:	o	medo	paralisador	foi	transformado	em	ousadia	e	coragem;	a
vontade	de	desistir	do	ministério	foi	transformada	numa	atitude	de	se	sacrificar
pelo	evangelho;	o	desânimo	apático	foi	convertido	em	alegria	e	contentamento
celestial;	a	sensação	de	derrota	e	solidão	foi	transformada	em	convicção	de
vitória	e	comunhão	com	Deus.
Charles	Swindoll	diz:	“A	força	mais	poderosa	na	sua	vida,	como	cristão,	é	algo
que	você	nem	mesmo	pode	ver.	Ela	é	tão	poderosa	que	lhe	sustenta	eternamente,
até	que	Cristo	venha	e	assegure	o	seu	destino,	enviando-lhe	para	a	eternidade.
Enquanto	isso,	Ele	está	pronto	para	trabalhar	dentro	de	você,	transformando	a
sua	vida.	O	poder	do	Espírito	está	esperando	para	ser	usado”.
Estudo	10
Texto	Básico:	2	Tessalonicenses	2.13-17
ELEITOS	PARA	A	SALVAÇÃO
INTRODUÇÃO
A	Soteriologia	é	o	capítulo	da	Teologia	Sistemática	que	estuda	a	aplicação	da
salvação	na	vida	dos	pecadores.	O	Espírito	Santo	é	o	agente	da	Trindade	que	faz
essa	aplicação.	A	ordem	dessa	aplicação	é:	eleição,	vocação	ou	chamado,
regeneração,	união	mística,	conversão,	justificação,	adoção,	santificação	e
perseverança.
A	eleição	é	o	primeiro	elemento	da	ordem	da	salvação.	Porque	Deus	elegeu,	os
homens	são	salvos.	Tudo	começa	com	a	eleição.	Hermann	Bavinck	diz:	“A
eleição	significa	que	Deus	concede	ao	homem,	graciosa	e	livremente,	a	salvação
que	o	homem	não	possui	direito	e	que	nunca	poderá	alcançar	por	sua	própria
força.	A	eleição	é	a	base	e	a	garantia,	o	coração	e	o	núcleo	da	Aliança	da	Graça”.
Wayne	Grudem	define:	“Eleição	é	um	ato	de	Deus,	antes	da	criação,	no	qual	ele
escolhe	algumas	pessoas	para	serem	salvas,	não	por	algum	mérito	antevisto
delas,	mas	somente	por	causa	de	sua	suprema	boa	vontade”.
A	eleição	é	uma	doutrina	bíblica.	No	Antigo	Testamen-
to:	Êx	19.5,6;	Dt	4.37;	7.6,7;	14.2;	1Sm	12.6;	Sl	33.12;	78.70;	Is	45.4;	65.9;	Jr
1.5.	No	Novo	Testamento:	Mt	20.16;	Mc	13.20;	Lc	18.7;	Jo	6.44;	13.18;	15.16;
At	13.48;	Rm	8.28-30;	9.11-13;	1Co	1.26-29;	Gl	1.15,16;	Ef	1.4,5;	1Ts	1.4;
2Tm	2.10;	Tt	1.1;	1Pe	1.1;	2.9,10;	Ap	17.8.
A	eleição	não	é	uma	maldição,	mas	uma	expressão	do	amor	divino.	Não	é	uma
doutrina	do	Diabo,	mas	de	Deus.	O	termo	“eleição”	(ekgleomai)	significa	que
Deus	escolheu	tendo	em	vista	o	seu	próprio	interesse.	Ele	nos	escolheu	para	si
(Jo	15.16;	At	9.15;	13.48;	2Ts	2.13).	Não	há	no	eleito	nenhum	motivo	ou	razão
para	que	Deus	o	tivesse	escolhido.	A	eleição	é	um	ato	amoroso,	incondicional	e
inexplicável	de	Deus.	“Tente	explicar	a	eleição	e	pode	acabar	perdendo	o	juízo;
tente	livrar-se	dela	e	perderá	a	sua	alma”.	A	eleição	é	também	uma
predestinação.	E	em	amor,	nos	predestinou	para	ele,	para	a	adoção	de	filhos,	por
meio	de	Jesus	Cristo,	segundo	o	beneplácito	de	sua	vontade	(Ef	1.5).	A	palavra
“predestinou”	(prooridzo)	significa	“decidir	ou	determinar	de	antemão”	(At	4.28;
Rm	8.29,30).	Predestinação	é	um	sinônimo	da	eleição.	Deus	nos	escolheu	para	si
e	nos	predestinou	para	fazermos	parte	da	sua	família,	para	sermos	os	seus	filhos
(Jo	1.12;	Rm	8.15;	Gl	4.6,7).	Louve	ao	Senhor!	Agradeça	a	Deus	porque	Ele	o
escolheu	para	a	salvação.
O	texto	básico	que	utilizaremos	como	roteiro	do	nosso	estudo	foi	escrito	por
Paulo:	Entretanto,	devemos	sempre	dar	graças	a	Deus	por	vós,	irmãos	amados
pelo	Senhor	porque	Deus	vos	escolheu	desde	o	princípio	para	a	salvação,	pela
santificação	do	Espírito	e	fé	na	verdade,	para	o	que	também	vos	chamou
mediante	o	nosso	evangelho,	para	alcançardes	a	glória	de	nosso	Senhor	Jesus
Cristo.	Assim,	pois,	irmãos,	permanecei	firmes	e	guardai	as	tradições	que	vos
foram	ensinadas,	seja	por	palavra,	seja	por	epístola	nossa.	Ora,	nosso	Senhor
Jesus	Cristo	mesmo	e	Deus,	o	nosso	Pai,	que	nos	amou	e	nos	deu	eterna
consolação	e	boa	esperança,	pela	graça,	consolem	o	vosso	coração	e	vos
confirmem	em	toda	boa	obra	e	boa	palavra	(2Ts	2.13-17).	Sete	pontos
importantes	sobre	a	eleição:
1.	O	EFEITO	DA	ELEIÇÃO
A	gratidão	a	Deus	é	o	efeito	da	eleição.	Paulo	diz:	Entretanto,	devemos	sempre
dar	graças	a	Deus	por	vós,	irmãos	amados	pelo	Senhor	(v.13).	“Dar	graças”
(eucharisteo)	significa	“expressar	gratidão”	ou	“mostrar-se	satisfeito”	a	Deus.
Trata-se	de	um	dever	contínuo	de	ser	grato.	Paulo	agradece	a	Deus	pela	salvação
dos	irmãos	de	Tessalônica,	reconhecendo	que	a	eleição	foi	a	causa	da	salvação:
Damos,	sempre,	graças	a	Deus	por	todos	vós,	mencionando-vos	em	nossas
orações	e,	sem	cessar,	recordando-nos,	diante	do	nosso	Deus	e	Pai,	da
operosidade	da	vossa	fé,	da	abnegação	do	vosso	amor	e	da	firmeza	da	vossa
esperança	em	nosso	Senhor	Jesus	Cristo,	reconhecendo,	irmãos,	amados	de
Deus,	a	vossa	eleição	(1Ts	1.2-4).	Devemos	ser	gratos	a	Deus	por	Ele	ter	nos
escolhido	para	a	salvação.
O	ensino	da	eleição	no	Novo	Testamento	possui	três	aspectos	práticos:	(1)	A
eleição	é	uma	fonte	de	consolo	para	os	momentos	de	provação	e	sofrimento.
Todas	as	coisas	cooperam	para	o	bem	dos	eleitos	(Rm	8.28-30).	(2)	A	eleição	é	a
maior	motivação	para	evangelização	e	missões.	Se	há	eleitos,	o	nosso	trabalho
será	produtivo	e	podemos	pagar	o	preço	da	missão	(2Tm	2.10).	(3)	A	eleição
existe	para	promover	a	glória	de	Deus.	Diante	da	graça	soberana	de	Deus	resta-
nos	a	humildade	e	o	louvor	a	Deus	(Ef	1.12).
2.	O	AUTOR	DA	ELEIÇÃO
Paulo	continua:	porque	Deus	vos	escolheu	(v.13).	A	causa	da	eleição	é	o	próprio
Deus.	Os	critérios	e	os	motivos	de	escolha	são	conhecidos	somente	por	Ele.	A
eleição	de	Deus	é	incondicional	ou	não	se	baseia	em	condições	humanas.	Ela	é
imutável	e	eficaz	(Rm	11.7).	Deus	não	revelou	a	ninguém,	quantos	e	quem	são
os	eleitos	para	a	salvação.	Também	Ele	não	diz	quando	converteria	alguém.	Ele
mandou-nos	pregar	o	evangelho	a	toda	criatura	(Mc	16.15),	fazer	discípulos	em
todas	as	nações	(Mt	28.18-20),	mas	a	conversão	dos	seus	eleitos	é	Ele	quem
produz.	A	igreja	prega	e	chama,	mas	Deus	é	quem	escolhe.	Porque	muitos	são
chamados	(papel	da	igreja),	mas	poucos	são	escolhidos	(papel	de	Deus).
No	prefácio	da	primeira	carta	de	Pedro	lemos:	Pedro,	apóstolode	Jesus	Cristo,
aos	eleitos	que	são	forasteiros	da	Dispersão	no	Ponto,	Galácia,	Capadócia,	Ásia
e	Bitínia,	eleitos,	segundo	a	presciência	de	Deus	Pai,	em	santificação	do	Espírito,
para	a	obediência	e	a	aspersão	do	sangue	de	Jesus	Cristo,	graça	e	paz	vos	sejam
multiplicadas	(1Pe	1.1,2).	Quatro	lições	sobre	a	doutrina	da	salvação:	(1)	A
igreja	é	composta	por	“eleitos”	que	são	“forasteiros”,	das	várias	regiões,	onde	o
evangelho	foi	pregado.	A	igreja	de	Deus	é	universal	e	reúne	todos	os	eleitos	que
já	foram,	dos	que	agora	são	e	daqueles	que	serão	salvos.	(2)	Esses	eleitos	foram
selecionados	por	Deus	Pai.	Ele	fez	a	relação	dos	que	serão	salvos	e	os	escreveu
no	“livro	da	vida”	(At	13.48).	(3)	Esses	eleitos	são	santificados	pelo	Espírito
Santo.	É	o	Espírito	quem	chama,	regenera,	converte,	justifica	e	santifica	(1Co
1.2).	(4)	Esses	eleitos	são	comprados,	perdoados	e	purificados	pelo	sangue	do
Filho.
Paulo,	ao	refletir	sobre	a	doutrina	da	eleição	na	carta	aos	Romanos,	se	volta	para
Deus	em	atitude	de	adoração	(Rm	11.33-36).	Ele	glorifica	a	Deus,	o	autor	da
eleição,	reconhecendo	três	aspectos	da	sua	grandeza:	(1)	Deus	é	profundo	e	rico
em	sabedoria	e	conhecimento.	(2)	Deus	elabora	juízos	e	planos	que	são
insondáveis	e	inescrutáveis	pelo	homem.
(3)	Deus	é	a	origem,	o	meio	e	o	fim	de	todas	as	coisas.	F.	F.	Bruce	resume:
“DEle	todas	as	coisas	procedem;	por	meio	dEle	todas	as	coisas	existem;	a
Ele	todas	as	coisas	retornam:	a	Ele	seja	a	glória	por	todos	os	séculos.
Amém”.
Aplicações	Práticas:
A	eleição	é	um	ato	livre	da	soberana	vontade	de	Deus.	Ele	escolheu	e	não
podemos	compreender	os	seus	critérios	de	escolha.
Devemos	agradecer	a	Deus	porque	Ele	nos	escolheu	para	a	salvação.
Somente	na	eternidade	poderemos	comprender	os	motivos	e	propósitos	da
eleição	divina.
3.	O	OBJETO	DA	ELEIÇÃO
Porque	Deus	vos	escolheu.	Deus	escolhe	pessoas.	Ele	escolhe	individualmente.
Não	é	o	homem	que	escolhe	Deus,	mas	o	contrário.	Jesus	diz:	Não	fostes	vós
que	me	escolhestes	a	mim;	pelo	contrário,	eu	vos	escolhi	a	vós	outros...	(Jo
15.16).	Deus	escolhe	soberanamente	e	os	seus	critérios	de	escolha	não	são
informados	na	Bíblia.
Sabemos	que	a	base	da	escolha	é	o	seu	amor	incondicional.	Nas	cartas	aos
Tessalonicenses,	os	eleitos	são	chamados	de	irmãos	amados	pelo	Senhor	(1Ts
1.4;	2.1,9,14,17;	3.7;	4.1,10,13;	5.1,4,12,13,25-27;	2Ts	1.3;	2.1,13,15;	3.1,6,13).
O	amor	(ágape)	de	Deus	não	se	fundamenta	no	valor	do	objeto	amado.	Ele	não
ama	o	“bonito”	ou	o	“bom”.	Paulo	declara	que	ele	escolhe	os	improváveis,	os
desprezíveis	e	as	coisas	loucas	e	fracas	do	mundo
(1Co	1.26-29).
É	somente	por	causa	da	eleição	que	os	indivíduos	são	salvos	(At	9.15),	formando
a	família	de	Deus	ou	o	povo	escolhido.
4.	O	TEMPO	DA	ELEIÇÃO
Desde	o	princípio.	Deus	escolheu	os	seus	antes	da	fundação	do	mundo.	O	tempo
da	eleição	–	antes	da	fundação	do	mundo	(Ef	1.4).	Antes	da	criação	ou	desde	a
eternidade
(Jr	1.4;	Rm	9.10-13).	Ele	escolheu	antes	que	todos	os	homens	fossem	criados	e
antes	de	existir	o	tempo	(1Co	2.7;	Cl	1.26).
Precisamos	aprender	que	Deus	é	preexistente	à	criação	e	ao	tempo.	Ele	já	existia
antes	de	tudo.	A	História	é	apenas	um	espaço	de	tempo	dentro	da	eternidade	de
Deus.
Aplicações	Práticas:
O	objeto	da	salvação	são	as	pessoas	eleitas.	Ela	não	envolve	anjos	ou	seres	de
outra	espécie.
A	razão	da	eleição	não	está	na	pessoa	escolhida.	Deus	escolheu	de	forma
incondicional.
A	eleição	aconteceu	quando	o	tempo	(cronos)	não	existia	ainda.
5.	O	OBJETIVO	DA	ELEIÇÃO
Para	a	salvação.	A	ênfase	de	Paulo	aqui	é	positiva.	É	a	eleição	para	a	salvação.
E	o	termo	teológico	“salvação”	começa	com	a	eleição	e	se	conclui	com	a
glorificação.	Ele	nos	escolheu	para	sermos	santos	e	irrepreensíveis	perante	Ele
(Ef	1.4).	Observe	que	Deus	não	nos	escolheu	porque	éramos	ou	seriamos,	mas
para	sermos.	A	doutrina	da	eleição	produz	a	salvação,	a	santificação	e	a
glorificação	do	escolhido.	E	aos	que	predestinou,	a	esses	também	chamou;	e	aos
que	chamou,	a	esses	também	justificou;	e	aos	que	justificou,	a	esses	também
glorificou	(Rm	8.30).
Para	alcançardes	a	glória	de	nosso	Senhor	Jesus	Cristo	(v.14).	O	propósito	final
da	nossa	salvação	é	fazer	com	que	Cristo	tenha	preeminência	sobre	todos	os
salvos	(Cl	1.18	e
Fp	2.9,10).	Cristo	reinará	sobre	os	salvos	glorificados.	Todo	eleito	alcançará	a
sua	glorificação.	Nenhum	eleito	de	Deus	ficará	no	meio	do	caminho,	mas
chegará	ao	céu.
6.	OS	MEIOS	PARA	a	SALVAÇÃO	DO	ELEITO
Pela	santificação	do	Espírito	e	fé	na	verdade.	A	salvação	é	aplicada	pela	ação
santificadora	do	Espírito	Santo	(1Pe	1.2).	Deus	escolheu,	Jesus	redimiu	e	o
Espírito	Santo	é	quem	aplica	a	salvação.	Ele	regenera	e	produz	o	novo
nascimento	no	coração	do	eleito	redimido	(Jo	3.5-8).	É	mediante	o	lavar
regenerador	do	Espírito	que	o	eleito	é	salvo	e	santificado	(Tt	3.5-7).
É	o	Espírito	quem	convence	o	eleito	da	sua	condição	de	pecador,	gerando	nele	o
arrependimento	e	dando	a	ele	a	fé	salvadora.	O	eleito	crê	que	Jesus	é	a	verdade
(Jo	14.6)	libertadora.	É	o	Espírito	da	verdade	que	convence	o	eleito	a	crer	na
verdade.
O	Espírito	chama	o	eleito	de	forma	eficaz	e	irresistível,	pela	pregação:	para	o
que	também	vos	chamou	mediante	o	nosso	evangelho	(v.14).	Deus	chama	os
seus	escolhidos	pela	pregação	do	Evangelho.	A	fé	vem	pelo	ouvir	e	o	acolher	a
Palavra	de	Deus	(Rm	10.17).
O	Soberano	Deus	que	elege	a	pessoa	para	ser	salva,	também	elege	os	meios	para
que	o	eleito	seja	alcançado.	Ele	elege	os	meios:	pessoa,	lugar,	tempo	e
circunstâncias	para	promover	a	salvação	de	uma	pessoa.
Aplicações	Práticas:
Deus	só	escolheu	para	a	salvação	ou	também	para	a	perdição?
Quem	é	o	responsável	pela	conversão	do	eleito?
Como	Deus	salva	os	seus	escolhidos?
7.	AS	EVIDÊNCIAS	DA	ELEIÇÃO
Quais	são	as	evidências	de	que	uma	pessoa	foi	eleita	por	Deus?	Primeiro,	essa
pessoa	é	convertida	por	Deus	(At	13.48).	A	salvação	é	a	primeira	evidência	na
vida	de	uma	pessoa	que	foi	escolhida	por	Deus	(1Ts	1.4).	Ninguém	eleito	pelo
Pai,	redimido	pelo	Filho,	deixará	de	crer	pela	ação	do	Espírito	Santo.	Mas,	há
outras	evidências	apontadas	na	Bíblia:
O	eleito	é	alguém	que	permanece	firme	e	leva	uma	vida	de	obediência	e
compromisso	com	a	Palavra	de	Deus
Assim,	pois,	irmãos,	permanecei	firmes	e	guardai	as	tradições	que	vos	foram
ensinadas,	seja	por	palavra,	seja	por	epístola	nossa	(2Ts	2.15).	A	expressão
“assim,	pois,”	liga	este	verso	com	a	exortação	anterior.	Se	somos	eleitos,
devemos:	Permanecer	firmes	e	inabaláveis	na	fé	(Rm14.4;	1Co	16.13;	Fp	4.1).	A
doutrina	da	eleição	dá	estabilidade	espiritual	ao	cristão.	Também	guardar	as
tradições	é	obedecer	os	ensinamentos	autorizados	ou	inspirados	pelo	Espírito
Santo,	seja	oral	ou	escrito.	A	palavra	tradição	representa	a	Escritura	Sagrada
(1Co	11.2;	Cl	2.8).
O	eleito	é	alguém	que	cresce	no	conhecimento	de	Deus	e	na	vida	de
santidade.
Pedro	declara:	Por	isso,	irmãos,	procurai,	com	diligência	cada	vez	maior,
confirmar	a	vossa	vocação	e	eleição;	porquanto,	procedendo	assim,	não
tropeçareis	em	tempo	algum	(2	Pe	1.10).	Como	alguém	pode	confirmar	a	vossa
vocação	e	eleição?	Através	de	uma	vida	piedosa	e	santa.	A	busca	pela
santificação	é	uma	evidência	da	salvação.
O	eleito	é	alguém	que	tem	uma	vida	intensa	de	oração.
A	vida	de	oração	é	uma	evidência	da	eleição	e	uma	prova	da	salvação.	Jesus
disse	que	os	seus	eleitos	devem	orar	dia	e	noite:	Não	fará	Deus	justiça	aos	seus
escolhidos,	que	a	ele	clamam	dia	e	noite,	embora	pareça	demorado	em	defendê-
los?	(Lc	18.7).	Os	seus	escolhidos	são	pessoas	que	oram	(At	9.11).
O	eleito	é	alguém	que	evangeliza	e	ganha	pessoas	para	Jesus	Cristo.
Jesus	disse:	Não	fostes	vós	que	me	escolhestes	a	mim;	pelo	contrário,	eu	vos
escolhi	a	vós	outros	e	vos	designei	para	que	vades	e	deis	fruto,	e	o	vosso	fruto
permaneça;	a	fim	de	que	tudo	quanto	pedirdes	ao	Pai	em	meu	nome,	ele	vo-lo
conceda	(Jo	15.16).	O	fruto	aqui	são	pessoas	que	se	convertem	através	do	nosso
testemunho	e	pregação.
O	eleito	é	alguém	que	pratica	boas	obras
Paulo	declara	que	não	somos	salvos	pelas	obras,	mas	para	as	boas	obras:	Pois
somos	feitura	dele,	criadosem	Cristo	Jesus	para	boas	obras,	as	quais	Deus	de
antemão	preparou	para	que	andássemos	nelas	(Ef	2.10).	O	eleito	é	o	crente	que
está	envolvido	de	forma	produtiva	nos	empreendimentos	de	Deus.
O	eleito	é	alguém	encorajado	por	Deus	a	perseverar	firme	na	fé
Para	concluir,	Paulo	fala	que	o	eleito	recebe	de	Deus,	ânimo	e	força	para
permanecer	firme:	Ora,	nosso	Senhor	Jesus	Cristo	mesmo	e	Deus,	o	nosso	Pai,
que	nos	amou	e	nos	deu	eterna	consolação	e	boa	esperança,	pela	graça,	consolem
o	vosso	coração	e	vos	confirmem	em	toda	boa	obra	e	boa	palavra	(2Ts	2.16,17).
O	eleito	é	amado	por	Deus,	e	agraciado	com	consolação,	esperança	e
confirmação	em	toda	a	sua	vida.
CONCLUSÃO
Por	que	sou	cristão	hoje?	Resposta:	Porque	Deus	me	amou	antes	da	fundação	do
mundo	e	escolheu-me	para	ser	salvo.	Não	há	nenhum	motivo	em	mim	para	que
Ele	tivesse	me	escolhido,	exceto	o	seu	amor	incondicional.	Minha	salvação
deve-se	tão	somente	à	graça.	Por	isso	me	humilho	diante	de	Deus	em	atitude	de
adoração	e	gratidão.
Estudo	11
Texto	Básico:	Romanos	8.30
A	APLICAÇÃO	DA	SALVAÇÃO
INTRODUÇÃO
Só	há	uma	doutrina	bíblica	acerca	da	salvação	do	homem:	salvação	pela	graça	de
Deus,	mediante	a	fé	no	sacrifício	de	Jesus	Cristo.	Ainda	que	haja	tentativas	de
formulação	de	outros	conceitos,	a	Bíblia	é	taxativa:	Porque	pela	graça	sois
salvos,	mediante	a	fé;	isto	não	vem	de	vós;	é	dom	de	Deus;	não	de	obras,	para
que	ninguém	se	glorie	(Ef	2.8,9).	Charles	Hodge	diz:	“É	o	dever	de	todo	teólogo
subordinar	as	suas	teorias	à	Bíblia	e	ensinar	não	o	que	lhe	pareça	verdadeiro	ou
razoável,	mas	somente	aquilo	que	a	Bíblia	ensina”.
Estudamos	a	“ordem	da	salvação”	ou	os	passos	que	Deus	dá	ao	salvar	uma
pessoa.	A	ordem	dessa	aplicação	é:	eleição,	vocação	ou	chamado,	regeneração,
conversão,	justificação,	adoção,	santificação	e	perseverança.	Sabemos	que	isso	é
um	esforço	intelectual	e	didático	para	sistematizar	e	compreender	a	salvação	de
Deus.
1.	O	CHAMADO	EFICAZ
A	esses	Deus	também	chamou	(Rm	8.30).	Deus	chama	os	homens	para	a
salvação	de	duas	maneiras:	(1)	Chamada	externa:	chama	externamente	por
meio	da	pregação,	convidando	os	pecadores	a	crerem	em	Jesus	Cristo	e
receberem	a	salvação	(Mt	11.28-30;	20.16).	Esse	tipo	de	chamado	deve	ser	feito
pela	igreja	a	toda	criatura	ou	a	todas	as	nações	da	terra	(Mc	16.15;	Mt	28.18-
20).	É	a	pregação	do	evangelho	a	todos	os	homens.	(2)	Chamada	interna:
chama	internamente,	de	forma	eficaz,	quando	o	coração	é	regenerado	e	a
vontade	do	ouvinte	é	persuadida	a	render-se	a	Cristo.	Wayne	Gruden	define:	“O
chamado	eficaz	é	um	ato	de	Deus	Pai,	falando	através	da	proclamação	humana
do	evangelho,	pelo	qual	ele	convoca	as	pessoas	para	si	mesmo	de	tal	modo	que
elas	respondem	com	fé	salvífica”.
Quais	são	as	características	dessa	chamada	interna:	(1)	Ela	é	resultado	da
eleição:	Aos	que	predestinou	a	esses	também	chamou	(Rm	8.30).	A	eleição	é	a
causa	da	chamada.	(2)	Ela	é	pessoal	e	individual.	Deus	chama	as	pessoas	pelo
nome	e	individualmente	(Mc	2.13,14).	(3)	Ela	é	poderosa	e	irresistível.	É	Deus
quem	chama	e	quem	recebe	o	seu	convite	não	tem	como	dizer	não	(Lc	18.5,6).
(4)	Ela	é	uma	chamada	do	pior	para	o	melhor.	Ele	chama	das	trevas	à	luz	(1Pe
2.9),	Ele	chama	da	impureza	à	santificação	(1Ts	4.7)	e	Ele	chama	da	solidão	à
comunhão	com	Jesus	(1Co	1.9).	(5)	Ela	é	uma	chamada	imutável	ou	irrevogável.
Nada	e	nem	ninguém	poderá	revogar	a	vocação	de	um	eleito	de	Deus	(Rm
11.29).
2.	REGENERAÇÃO
A	regeneração	acontece	antes	que	o	eleito	responda	ao	chamado	eficaz	com	a	fé
salvadora.	Ninguém	pode	ser	cristão	sem	passar	pela	regeneração.	Mas,	o	que
significa	isto?
L.	Berkhof	define	a	regeneração	como	“aquele	ato	de	Deus	pelo	qual	o	princípio
da	nova	vida	é	implantado	no	homem,	e	a	disposição	dominante	da	alma	é
santificada”.	A	natureza	essencial	da	regeneração	é	uma	mudança	radical	(mente,
emoções	e	vontade),	instantânea	(não	gradual)	e	percebida	pelos	seus	efeitos.
O	clássico	ensino	bíblico	acerca	da	regeneração	está	em	João	3.1-21.	Vejamos	as
suas	características:	(1)	Ela	é	necessária.	Jesus	é	direto	e	objetivo:	A	isto,
respondeu	Jesus:	Em	verdade,	em	verdade	te	digo	que,	se	alguém	não	nascer	de
novo,	não	pode	ver	o	reino	de	Deus	(v.3).	Se	alguém	não	nascer	de	novo.	O
verbo	está	na	voz	passiva	indicando	“ser	gerado	do	alto”	ou	“nascer	de	cima”	(Jo
3.31;	19.11).	Significa	ter	uma	nova	natureza,	novos	princípios,	novos	afetos	e
novos	objetivos	de	vida.	E	esta	necessidade	é	para	todos:	se	alguém	ou	qualquer
pessoa,	até	mesmo	os	mais	religiosos	como	Nicodemos:	Não	te	admires	de	eu	te
dizer:	importa-vos	nascer	de	novo	(v.7).	A	regeneração	é	necessária	para	que
haja	uma	mudança	na	nossa	natureza	espiritual.	(2)	Ela	é	sobrenatural.	Ela	é
nascer	da	água	e	do	Espírito.	Mas,	o	que	significa	isto?	Entendemos,	pela	Bíblia,
que	a	regeneração	se	dá	por	meio	da	ação	conjunta	do	Espírito	Santo	(Ez	36.25-
27)	e	a	Palavra	de	Deus	(Ef	5.26).	Quando	ouvimos	a	Palavra	e	cremos,	o
Espírito	produz	a	regeneração	(Tg	1.18	;1Pe	1.23).	Quem	passa	por	ela,	torna-se
uma	nova	criatura	(2Co	5.17).	(3)	Ela	é	produzida	por	Deus.	O	Espírito	é	o
agente	que	produz	o	novo	nascimento.	E	o	vento	é	uma	das	metáforas	bíblicas
usadas	para	explicar	a	ação	do	Espírito	(Ez	37.9,13;	At	2.2).	Logo,	a	ação	do
Espírito	tem	três	características:	(a)	Ele	age	soberanamente:	o	vento	sopra	onde
quer.	Ninguém	pode	controlar	ou	manipular	a	maneira	do	Espírito	agir.	(b)	Ele
age	de	forma	invisível.	O	coração	humano	é	transformado	sem	que	ninguém
veja.	(c)	Ele	age	irresistivelmente.	Assim	como	a	ação	do	vento,	o	agir	do
Espírito	é	inexplicável	ou	imprevisível,	invisível	e	irresistível.	(4)	Ela	acontece
pela	fé.	Jesus	usa	um	exemplo	da	Escritura	relatado	em	Números	21.4-9.	E	do
modo	por	que	Moisés	levantou	a	serpente	no	deserto,	assim	importa	que	o	Filho
do	Homem	seja	levantado,	para	que	todo	o	que	nele	crê	tenha	a	vida	eterna
(vv.14-15).	Tal	como	Israel	foi	curado	do	veneno	da	serpente,	ao	olhar	para	a
serpente	que	Deus	mandou	hastear	no	deserto,	somos	regenerados	quando
cremos	em	Jesus	e	aceitamos	o	seu	sacrifício	na	cruz,	em	nosso	lugar.	Olhamos
para	ele	na	cruz	e	somos	curados	do	veneno	do	pecado	presente	em	nossa
natureza	(Rm	6.23).	(5)	Ela	produz	vida.	A	regeneração	determina	a	condição
espiritual	da	pessoa:	salvação	ou	condenação	(vv.18-21).	Vida	eterna	ou	morte
eterna,	céu	ou	inferno.
Aplicações	Práticas:
O	que	é	a	ordem	da	salvação?
Qual	a	diferença	entre	chamada	externa	e	chamada	interna?
Por	que	a	regeneração	é	necessária	ao	homem?
3.	CONVERSÃO
Ato	contínuo	à	regeneração	temos	a	conversão.	Wayne	Grudem	define:	“A
conversão	é	nossa	resposta	espontânea	ao	chamado	do	evangelho,	pelo	qual
sinceramente	nos	arrependemos	dos	nossos	pecados	e	colocamos	a	confiança	em
Cristo	para	receber	a	salvação”.
A	conversão	é	voltar-se	do	pecado	para	Deus.	É	o	ato	único	de	dar	as	costas	para
o	pecado	em	arrependimento	e	voltar-se	para	Cristo	em	fé.	Alguns	exemplos
bíblicos	de	conversão:	2Cr	33.12,13;	Lc	18.8,9;	Jo	4.29,39;	At	8.30;	10.44;	9.5;
16.14,	30-33.
Há	dois	elementos	na	conversão:	(1)	Arrependimento:	é	a	mudança	produzida
por	Deus	na	mente,	no	coração	e	na	vontade	do	pecador,	pela	qual	ele	abandona
o
pecado	(At	2.37,38;	16.4).	Sem	arrependimento	não	há	salvação:	Não	eram,	eu
vo-lo	afirmo;	se,	porém,	não	vos	arrependerdes,	todos	igualmente	perecereis	(Lc
13.3).	Deus	notifica	a	todos	os	homens	que	se	arrependam	(At	17.30).	(2)	Fé:
convicção	produzida	no	coração	pelo	Espírito	Santo	levando	a	pessoa	a	confiar
no	Evangelho	e	em	Jesus	Cristo	(Mc	16.16;	At	16.31).
Do	ponto	de	vista	da	salvação,	a	conversão	acontece	uma	só	vez.	Há	casos	de
cristãos	que	precisam	se	converter	de	pecados	e	quedas	(2	Cr	7.14;	Lc	22.32;	Ap
2.5,16,21,22;	3.3,19).	Há	também	conversões	temporárias	ou	falsas	(Mt
13.20,21;	1Jo	2.19;	1	Tm	1.19,20;	2Tm	4.10).
Quais	as	características	da	conversão	verdadeira?	(1)	Ela	é	de	autoria	divina.
Deus	é	o	autor	da	conversão	(Jr	31.18;	Lm	5.21;	Jo	6.44;	At	11.18;	Fp	2.13;	2Tm
2.25).	(2)	Ela	é	necessária	ao	homem	pecador	(Is	55.7;	Jr	18.11;	At	2.38).	(3)	Ela
é	um	ato	único,irrepetível	e	irrevogável.	Uma	vez	convertido,	convertido	para
sempre	(Jo	10.26-30;	1Ts	1.9,10).
4.	JUSTIFICAÇÃO	PELA	FÉ
Após	a	chamada	irresistível,	a	regeneração	e	a	conversão,	Deus	declara	que	o
pecador	está	perdoado	e	não	existe	nenhuma	condenação	contra	ele.	Eis	a
doutrina	da	justificação	pela	fé.	Ela	é	um	ato	único,	exclusivo	e	legal	da	parte	de
Deus,	pelo	qual	Ele	declara	que	nossos	pecados	estão	perdoados,	por	causa	do
sacrifício	substitutivo	que	Jesus	Cristo	fez	por	nós	(Rm	5.1).	O	verbo	“justificar”
(dikaio)	significa	declarar	judicialmente	uma	pessoa	como	justa	ou	que	seu
caráter	está	de	acordo	com	a	lei	(Mt	12.37;	Lc	7.29;	Rm	3.4;	At	13.39;	Gl	3.11).
Calvino	diz	que	“justificado	pela	fé	é	aquele	que,	excluído	da	justiça	das	obras,
agarra-se	à	justiça	de	Cristo	através	da	fé,	e	vestido	com	ela,	aparece	na	vista	de
Deus	não	como	um	pecador,	mas	como	um	homem	justo”.
As	características	dessa	justificação:	(1)	Ela	se	origina	em	Deus.	Ele	é	o	Juiz	que
faz	uma	declaração	legal	de	perdão.	O	homem	é	justificado	por	Deus,	porque	Ele
tomou	a	iniciativa	de	resolver	o	problema	do	pecado	e	da	culpa	humana	(Rm
8.30,	33).	(2)	Ela	é	necessária	a	todos.	A	justificação	é	para	todos	e	sobre	todos,
judeus	e	gentios,	porque	todos	erraram	o	alvo	deixando	de	se	conformar	com	o
propósito	de	Deus.	Pois	todos	pecaram	e	carecem	da	glória	de	Deus	(Rm	3.23).
(3)	Ela	é	gratuita	e	por	sua	graça.	Paulo	diz:	sendo	justificados	gratuitamente,
por	sua	graça	(Rm	3.24).	Nós	somos	justificados	gratuitamente	por	sua	graça.
Primeiro,	ele	usa	o	verbo	na	voz	passiva,	sendo	justificados,	isto	é,	Deus	é	o
autor	da	nossa	justificação.	Segundo,	ele	usa	duas	palavras:	gratuitamente
(dorean=livremente)	“como	um	presente”,	“sem	pagamento”;	e	graça	(charis)
“por	um	favor	imerecido”.	(4)	Ela	é	pela	fé.	A	justiça	de	Deus	é	recebida
mediante	a	fé	(Rm	3.22).	Paulo	não	diz	que	a	justificação	acontece	por	causa	da
fé,	mas,	por	meio	ou	através	da	fé.	Segundo	ele,	a	fé	não	tem	nenhum
merecimento,	mas	é	o	instrumento	ou	a	mão	que	recebe	o	presente.	A
justificação	é	recebida	por	meio	da	fé,	sem	lei	(Rm	3.21),	sem	jactância	(Rm
3.27),	sem	obras	(Rm	3.28),	sem	circuncisão	(Rm	3.30).	(5)	Ela	se	baseia	em
Jesus	Cristo.	É	o	sangue	de	Cristo	que	nos	justifica	ou	a	sua	vida	que	foi
derramada	em	nosso	lugar	(Rm	3.24-26).	A	“propiciação”	é	o	ato	de	Jesus	Cristo
se	colocar	entre	nós	e	Deus,	cobrindo	o	nosso	pecado	com	o	seu	sangue	e
expiando	a	nossa	culpa	(Rm	5.9;	Hb	9.22).	(6)	Ela	acontece	no	presente.	A
justificação	foi	planejada	na	eternidade,	realizada	na	plenitude	dos	tempos	e	é
apropriada	no	momento	em	que	cremos	(Gl	3.24-26).	No	ato	da	conversão
tomamos	posse	da	justificação.	(7)	Ela	produz	resultados.	Justificação	é	resgate
ou	libertação	(1Tm	2.6;	Mt	20.28).	Justificação	é	remissão	do	pecado	e	da	culpa
(Jo	1.29;	Hb	10.1-4).	Justificação	é	reconciliação	com	Deus	(2Co	5.14-21).
Justificação	é	adoção	de	filhos.	Somos	filhos	de	Deus	de	maneira	moral,	legal	e
afetiva	(Rm	8.15-22;	Gl	4.4,5).
Em	síntese,	justiça	só	pelo	sangue,	só	por	Jesus,	só	pela	graça,	só	pela	fé	e	só
para	a	glória	de	Deus.	John	Stott	resume:	“A	fonte	da	nossa	justificação:	Deus	e
a	sua	graça.	A	base	da	nossa	justificação:	Cristo	e	sua	cruz.	O	meio	de
justificação:	a	fé”.
Aplicações	Práticas:
Quais	os	dois	elementos	da	conversão?
O	que	é	a	justificação	pela	fé?
Como	eu	sei	que	fui	justificado	pela	fé	ou	declarado	justo	por	parte	de	Deus?
5.	ADOÇÃO
Wayne	Grudem	diz	que	“adoção	é	um	ato	de	Deus	por	meio	do	qual	ele	nos	faz
membros	de	sua	família”.	A	palavra	“adoção”	(huiothesia)	é	composta	“filho”
(huios)	+	“constituir	legalmente”	(tesias).	Trata-se	de	um	termo	legal	para	a
constituição	de	um	filho	(Rm	8.15,	22;	9.5;	Gl	4.5;	Ef	1.5).
A	adoção	não	é	apenas	um	ato	legal,	mas	uma	expressão	do	amor	de	Deus	(Rm
8.14-17).	Se	fomos	regenerados	por	Deus,	nos	tornamos	participantes	da
natureza	divina:	Mas,	a	todos	quantos	o	receberam,	deu-lhes	o	poder	de	serem
feitos	filhos	de	Deus,	a	saber,	aos	que	creem	no	seu	nome	(Jo	1.12).	E	à	adoção
segue	a	conversão	e	é	resultado	da	fé	salvadora:	Pois	todos	vós	sois	filhos	de
Deus	mediante	a	fé	em	Cristo	Jesus	(Gl	3.23,25).
Quais	são	os	resultados	da	adoção?	(1)	Recebemos	a
natureza	do	Pai	(2Pe	1.4).	(2)	Recebemos	o	Espírito	de	adoção	ou	filial	(Rm
8.15).	(3)	Recebemos	um	novo	nome	de	família	(Ef	3.14,15;	2Jo	3.1).	(4)
Somos	transformados	à	imagem	de	Deus	(2Co	3.18).	(5)	Nos	tornamos	alvos
do	amor	exclusivo	do	Pai	(Jo	17.2,3).	(6)	Somos	disciplinados	pelo	Pai	(Hb
12.6-11).	(7)	Somos	herdeiros	de	Deus	(1Pe	1.3-5;	Rm	8.7).
6.	SANTIFICAÇÃO
Teologicamente	podemos	dizer	que	a	santificação	“é	a	obra	da	livre	graça	de
Deus,	pela	qual	somos	renovados	em	todo	o	nosso	ser,	segundo	a	imagem	de
Deus,	e	habilitados	a	morrer	cada	vez	mais	para	o	pecado	e	a	viver	para	a
retidão”	(Breve	Catecismo	de	Westminster).
A	regeneração	muda	a	nossa	natureza;	a	justificação	muda	a	nossa	posição;	e	a
santificação	muda	o	nosso	caráter.	Wayne	Grudem	diz:	“a	santificação	é	uma
obra	progressiva	da	parte	de	Deus	e	do	homem	que	nos	torna	cada	vez	mais
livres	do	pecado	e	semelhantes	a	Cristo	em	nossa	vida	presente”.
A	natureza	da	santificação
(1)	Ela	é	vocacional.	Fomos	chamados	por	Deus	para	ser	santos	(1Co	6.11;
2Co	7.1;	2Ts	2.13).	(2)	Ela	é	instrumental.	Ela	é	um	processo	crescente	que
começa	na	regeneração	e	cresce	por	toda	a	vida.	Ela	envolve	a	ação
santificadora	de	Deus	(Fp	2.13;	1Ts	5.23)	e	a	consagração	do	homem	(Rm
12.1,2;	1Ts	3.12).	(3)	Ela	é	final.	A	nossa	santificação	se	completará	na	nossa
morte	(Hb	12.23)	e	na	volta	de	Cristo	(1Jo	3.2).	(4)	Ela	é	completa.	A
santificação	envolverá	a	pessoa	toda:	corpo,	alma	e	espírito	(2Co	7.1;	1Ts
5.23).
Os	agentes	da	santificação
(1)	O	Homem.	Ele	ora,	estuda	a	Bíblia,	renuncia	ao	pecado,	se	oferece	a
Deus	e	busca	a	plenitude	do	Espírito	(Lc	18.1;	Jo	17.17;	Rm	6.13	e	Ef	5.17).
(2)	A	Trindade.	Deus	é	o	autor,	Cristo	é	a	base	e	o	Espírito	é	o	agente	da
santificação	(Hb	12.10;	1Co	1.30,31;	Rm	1.4).
Concluindo,	a	santificação	é	progresso	e	crescimento	espiritual.	À	medida	que
crescemos	ficamos	mais	parecidos	com	Cristo.	Experimentamos	o	caráter,	a
beleza	e	a	alegria	de	Cristo.
Aplicações	Práticas:
Somos	filhos	de	Deus	por	regeneração	ou	por	adoção?
Qual	a	diferença	entre	justificação	e	santificação?
Qual	a	participação	humana	no	processo	da	santificação?
CONCLUSÃO
Não	há	entre	os	teólogos	uma	harmonia	de	pensamento	quanto	à	ordem	dos
passos	para	a	salvação.	Chamado	eficaz,	regeneração,	conversão,	justificação
pela	fé	e	adoção	são	passos	que	ocorrem	simultaneamente	no	ato	da	salvação.
Estamos	certos	que	a	salvação	é	realizada	pela	Trindade:	Deus	elege,	Cristo
redime	e	o	Espírito	regenera.	Deus	vocaciona,	Cristo	justifica	e	o	Espírito
converte.	Deus	adota,	Cristo	une-se	ao	pecador	e	o	Espírito	o	santifica.
Estudo	12
Texto	Básico:	1	Pedro	2.9,10
A	IGREJA	DE	DEUS
INTRODUÇÃO
Eclesiologia	é	o	capítulo	da	Teologia	Sistemática	que	ensina	a	doutrina	da	igreja.
Trata-se	de	um	estudo	fascinante,	pois	apresenta	o	projeto	histórico	de	Deus,	na
construção	de	uma	comunidade	perfeita	e	ideal.	A	igreja	é	a	congregação	de
pecadores,	os	quais	estão	sendo	aperfeiçoados	por	Deus.	Nela	todos	são	um	e
iguais	em	Cristo.	Ela	é	a	comunhão	dos	santos,	ou	dos	pecadores	que	são	salvos
em	Jesus.
O	maior	privilégio	que	alguém	pode	desfrutar	nesta	vida	é	participar	da	família
de	Deus.	A	igreja	é	a	família	de	Deus.	Por	isso	ser	membro	da	igreja	não	é
irrelevante	ou	inútil.	Rick	Warren	diz:	“Ser	membro	da	família	de	Deus	não	é
irrelevante	nem	algo	a	ser	negligenciado.	A	igreja	é	o	plano	de	Deus	para	o
mundo.	A	pessoa	que	diz:	‘Não	preciso	de	igreja’	é	soberba	e	ignorante.	A	igreja
é	tão	importante	que	Jesus	morreu	na	cruz	por	ela.	Cristo	amou	a	igreja	e	deu	sua
vida	por	ela”.
A	lição	de	hoje	é	sobre	a	igreja,	sua	natureza	e	ministério.
1.	O	QUE	É	A	IGREJA?
William	Grudem	diz:	“A	igreja	é	a	comunidade	de	todos	os	cristãos	de	todos	os
tempos”.	Isso	inclui	todos	os	verdadeiros	crentes	salvos	no	Antigo	e	Novo
Testamentos.	Elareúne	os	eleitos	e	os	que	foram	chamados	por	Deus.	A
Confissão	de	Fé	de	Westminster	resume:
“A	Igreja	Católica	ou	Universal,	que	é	invisível,	consta	do	número	total	dos
eleitos	que	já	foram,	dos	que	agora	são	e	dos	que	ainda	serão	reunidos	em	um	só
corpo	sob	Cristo,	seu	cabeça;	ela	é	a	esposa,	o	corpo,	a	plenitude	daquele	que
cumpre	tudo	em	todas	as	coisas”	(Ef	1.10,	22,23;	Cl	1.18).
Definir	o	que	é	a	igreja	é	algo	difícil.	Ela	é	tão	esplêndida	e	gloriosa,	que	a
Bíblia	usa	diversas	metáforas	para	dizer	o	que	ela	é:	Noiva,	rebanho	de	Deus,
corpo,	pátria,	família,	edifício	ou	santuário,	lavoura	ou	seara	de	Deus.	Mas,	a
essência	da	igreja	é	ser	povo	de	Deus.	Pedro	declara:	Vós,	porém,	sois	raça
eleita,	sacerdócio	real,	nação	santa,	povo	de	propriedade	exclusiva	de	Deus,	a
fim	de	proclamardes	as	virtudes	daquele	que	vos	chamou	das	trevas	para	a	sua
maravilhosa	luz;	vós,	sim,	que,	antes,	não	éreis	povo,	mas,	agora,	sois	povo	de
Deus,	que	não	tínheis	alcançado	misericórdia,	mas,	agora,	alcançastes
misericórdia	(1Pe	2.9,10).	Pedro	usa	conceitos	do	Antigo	Testamento	para
descrever	a	igreja:	(1)	Raça	Eleita:	assim	como	Israel,	a	igreja	é	formada	pelos
eleitos	de	Deus	(Dt	7.6,8;	Jo	15.16).	A	palavra	“raça”	não	fala	de	“cor”,
“cultura”	ou	“país”.	A	raça	escolhida	por	Deus	é	constituída	por	gente	de	várias
cores,	culturas	e	nações.	É	uma	raça	espiritual.	(2)	Sacerdócio	Real:	assim	como
Israel
(Êx	19.5,6),	a	igreja	é	um	reino	de	sacerdotes	que	serve	ao	Rei,	na	esfera	do
reino	espiritual	(Ap	1.6;	5.10).	Somos	adoradores	de	Deus	por	meio	de	Jesus.	(3)
Nação	Santa:	assim	como	Israel	foi	o	povo	separado	por	Deus	(Lv	19.2;	Is
62.12),	a	igreja	é	formada	por	cidadãos
santos	(Ef	2.19)	e	nossa	cidadania	é	celestial	(Fp	3.20).	(4)	Povo	de	Deus:	assim
como	Israel	era	o	povo	exclusivo	de	Deus	(Is	43.21),	a	igreja	é	o	povo	de
propriedade	exclusiva	de	Deus,	comprada	pelo	sangue	do	Cordeiro	(At	20.28).
Jesus	chama	a	igreja	de	“minha	igreja”	(Mt	16.18)	e	os	cristãos	de	“minhas
ovelhas”	(Jo	10.14	e	Jo	21.16,17).	Pedro	quer	nos	ensinar	que	há	uma
continuidade	entre	o	Israel	do	Antigo	Testamento	e	a	Igreja	do	Novo
Testamento.	Deus	só	tem	um	único	povo	na	História:	o	Israel	de	Deus	(Rm
11.25-27).
Deus	nos	fez	povo	seu	com	um	propósito:	a	fim	de	proclamardes	as	virtudes
daquele	que	vos	chamou	das	trevas	para	a	sua	maravilhosa	luz	(v.9).	O	verbo
“proclamar”	(exangello)	com	este	sentido,	só	aparece	aqui	em	todo	o	Novo
Testamento.	Significa	“publicar	ou	declarar	publicamente,	anunciar”	as	virtudes
de	Deus.	O	que	são	estas	virtudes?	A	palavra	“virtude”	significa	“qualidades,
atributos,	excelências	e	louvores”.	Simon	Kistemaker	diz:	“Eles	devem
proclamar	verbalmente	as	virtudes	louváveis	de	Deus,	seus	feitos,	seu	poder,
glória,	sabedoria,	graça,	misericórdia,	amor	e	santidade”.
Três	destaques	importantes	sobre	o	caráter	multiforme	da	igreja,	na	Teologia
Sistemática:	(1)	A	igreja	visível	e	invisível.	A	primeira	é	a	igreja	que	vemos	e
inclui	todos	que	professam	a	fé	e	se	batizam	publicamente.	A	segunda,	é	a	igreja
como	Deus	a	vê.	Ele	conhece	os	que	são	verdadeiramente	seus.	(2)	A	igreja	local
e	universal.	A	igreja	reúne	crentes	num	local,	numa	cidade,	numa	região	e	no
mundo.	(3)	A	igreja	militante	ou	triunfante.	A	primeira	está	na	terra	lutando	o
bom	combate.	Ela	é	peregrina	e	forasteira	neste	mundo.	A	segunda	está	no	céu,
descansando	das	suas	lutas	e	desfrutando	do	seu	triunfo.
Aplicações	Práticas:
Qual	é	o	conceito	bíblico	de	igreja?
Qual	é	a	metáfora	bíblica	que	melhor	define	a	igreja?
Como	reconhecer	uma	igreja	verdadeira?
2.	QUAIS	OS	PROPÓSITOS	DA	IGREJA?
Qual	o	propósito	da	existência	da	igreja?	Promover	a	glória	de	Deus	através
daquilo	que	ela	é	e	dos	ministérios	que	realiza.
Quanto	aos	seus	ministérios,	a	igreja	se	relaciona	com	Deus,	com	os	seus
membros	e	com	o	mundo.	Wayne	Grudem	propõe	três	ministérios	principais:
Ministério	da	adoração	a	Deus
A	adoração	a	Deus	é	o	seu	propósito	primeiro.	Todo	cristão	é	um	sacerdote	de
Deus.	A	igreja	é	uma	comunidade	de	sacerdotes.	Jesus	Cristo	nos	salvou	e	nos
fez	sacerdotes	para	Deus	(Ap	1.5,6).	Somos	sacerdotes	eternos	e	o	nosso
trabalho	principal	é	adorar	a	Deus.	Logo,	a	nossa	vida	é	um	ato	contínuo	de
adoração	a	Deus,	dividido	em	três	partes:	culto	individual,	culto	familiar	e	culto
coletivo	com	a	igreja.	Lutero	disse:	“Reunir-se	com	o	povo	de	Deus	em	adoração
comum	ao	Pai	é	tão	necessário	para	a	vida	cristã,	quanto	a	oração”.	Cultuar
publicamente	não	é	uma	opção,	mas	um	mandamento	bíblico:	“Não	deixemos	de
congregar-nos,	como	é	costume	de	alguns”	(Hb	10.25).
Ministério	da	edificação	dos	membros
O	propósito	da	igreja	para	consigo	é	a	edificação.	Para	isso	Deus	concede	à
igreja	os	ministros	e	os	ministérios	com	um	duplo	propósito:	aperfeiçoamento
dos	santos	para	o	serviço	e	a	edificação	do	corpo	(Ef	4.12).	Na	medida	em	que
os	crentes	vão	sendo	capacitados	e	instruídos	pelos	pastores	e	mestres,	eles
usarão	os	seus	dons	individuais,	e	a	igreja	vai	se	edificando.
Além	dos	dons	ministeriais	a	igreja	tem	também	os	mandamentos	mútuos	para
cumprir:	Amem	uns	aos	outros	(Rm	12.10);	Aceitem	uns	aos	outros	(Rm	15.7);
Saúdem	uns	aos	outros	(2Co	13.12);	Cuidai	uns	dos	outros	(1Co	12.25);
Sujeitem-se	uns	aos	outros	(Ef	5.21,22);	Suportem	uns	aos	outros	(Cl	3.13)	e
outros.	A	igreja	cuida	de	si	mesma	e	Deus	promove	o	seu	crescimento	na
comunhão	e	amor.
Ministério	da	evangelização	do	mundo
O	terceiro	propósito	da	igreja	é	para	com	os	de	fora.	Se	a	igreja	ficar	apenas	nos
dois	propósitos	iniciais,	ela	deixa	de	ser	igreja	na	essência	da	palavra.	Ela	tem
uma	missão	a	cumprir	no	mundo	que	é	fazer	discípulos	em	todas	as	nações.
“Jesus,	aproximando-se,	falou-lhes,	dizendo:	Toda	a	autoridade	me	foi	dada	no
céu	e	na	terra.	Ide,	portanto,	fazei	discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em
nome	do	Pai,	e	do	Filho,	e	do	Espírito	Santo;	ensinando-os	a	guardar	todas	as
coisas	que	vos	tenho	ordenado.	E	eis	que	estou	convosco	todos	os	dias	até	à
consumação	do	século”	(Mt	28.18-20).	A	missão	contém	quatro	elementos
universais,	cada	um	deles	marcado	pela	palavra	“todo”:	“toda	autoridade”,
“todas	as	nações”,	“todas	as	coisas	que	vos	tenho	ordenado”	e	“todos	os	dias”.
“Há	um	defeito	fatal	na	vida	da	igreja	cristã	do	século	20:	a	falta	de	discipulado
genuíno”	(James	M.	Boyce).	Creio	que	este	defeito	continua	hoje.	Precisamos
voltar	a	ser	uma	igreja	discipuladora,	pois	o	Evangelho	é	o	chamado	ao
discipulado.	O	verdadeiro	evangelho	ensina	que	não	há	graça	sem	cruz,	perdão
sem	arrependimento	e	salvação	sem	renúncia.	Dallas	Willard	afirma	que	“o
maior	desafio	que	a	igreja	enfrenta	hoje	é	a	formação	de	discípulos	autênticos	de
Jesus”.	Fazer	discípulos	é	uma	tarefa	ou	uma	missão	que	envolve	toda	a	igreja.
Todo	cristão	é	um	discípulo	que	faz	novos	discípulos.
Três	destaques	necessários	sobre	os	ministérios	da	igreja:	(1)	Todo	cristão
verdadeiro	é	um	sacerdote	de	Deus	(sacerdócio	universal),	apto	para	servir	ao
Senhor	(Hb	10.19-25;	1Pe	2.5).	(2)	Não	há	hierarquia	espiritual	entre	os
membros	da	igreja	e	a	sua	liderança.	As	diferenças	estão	na	vocação	ministerial,
nos	dons	espirituais	e	no	grau	de	responsabilidade	perante	Deus	(Mc	10.43-46;
1Co	12;	Hb	13.17).	(3)	O	poder	do	Espírito	Santo	é	indispensável	à	Igreja	para	a
realização	do	seu	ministério	(At	1.8;	4.31;	Ef	6.10-20).
Aplicações	Práticas:
Quais	os	propósitos	de	uma	igreja?
Qual	a	importância	do	sacerdócio	universal	dos	crentes?
Posso	ser	cristão	sem	fazer	parte	de	uma	igreja?
3.	QUAIS	OS	ATRIBUTOS	E	MARCAS	DA	IGREJA?
Os	teólogos	reformados	afirmam	que	a	igreja	possui	atributos	quanto	à	sua
natureza	espiritual.	São	três	atributos	fundamentais:	(1)	Unidade:	a	igreja	é	o
corpo	de	Cristo	e	todos	os	seus	membros	estão	espiritualmente	unidos	a	Cristo
(1Co	12.12-31).	A	igreja	é	a	“comunhão	dos	santos”.	Essa	unidade	interna	e
espiritual	deve	evidenciar-se	na	conduta	externa	de	cada	crente.	Todos	devem
buscar	a	preservação	desta	unidade	(Ef	4.1-16).	(2)	Santidade:	a	igreja	é	santa
por	causa	da	obra	santificadora	do	Espírito	Santo.	Ela	é	santa	porcausa	da	sua
posição	em	Cristo	e	santificada	porque	está	em	processo	de	santificação	(1	Co
1.1,2;
1	Pe	2.9,10).	Ela	é	santa	porque	está	no	mundo,	mas	não	é	do	mundo.	Ela	é	santa
porque	é	separada	para	uso	exclusivo	de	Deus	na	obra	missionária.	(3)
Universalidade:	a	igreja	reúne	os	crentes	de	todos	os	tempos	e	locais.	Ela	é
universal	no	sentido	de	congregar	salvos	de	todas	as	tribos,	línguas	e	nações	(Ap
5).
As	marcas	da	igreja	foram	estabelecidas	historicamente,	pelos	reformadores,	à
luz	da	Palavra	de	Deus,	para	identificar	se	uma	igreja	local	é	falsa	ou	verdadeira.
Há	três	marcas	principais:	(1)	A	pregação	e	o	ensino	fiel	das	Escrituras	Sagradas;
(2)	A	administração	correta	e	bíblica	dos	sacramentos	–	batismo	e	santa	ceia;	(3)
O	exercício	fiel	e	amoroso	na	aplicação	da	disciplina	aos	crentes	faltosos.
Diante	do	quadro	tenebroso	que	vivemos	hoje,	no	Brasil,	poderíamos	acrescentar
algumas	mais:	celebração	de	culto	centralizado	em	Deus;	liderança	colegiada
formada	por	homens	humildes	e	servos;	o	exercício	do	amor	entre	os	seus
membros;	ausência	da	comercialização	de	bênçãos	e	benefícios	espirituais;
grande	compromisso	com	missões	e	plantação	de	novas	igrejas.
Três	destaques	importantes	nesse	item:	(1)	A	unidade	da	igreja	é	produzida	pelo
Espírito	Santo.	Nenhuma	igreja	local	pode	produzir	unidade	por	si	mesma,	mas
os	seus	membros	devem	lutar	para	preservá-la	e	aumentá-la.	(2)	A	santidade	da
igreja	indica	que	ela	é	separada	do	mundo	para	se	consagrar	a	Deus.	Santidade
não	significa	ausência	de	erros	e	pecados.	(3)	As	marcas	espirituais	de	uma
igreja	verdadeira	são	necessárias	para	orientar	um	cristão	a	escolher	a	igreja	que
deve	servir.
4.	QUAL	O	GOVERNO	DA	IGREJA?
Quando	falamos	da	igreja	não	podemos	deixar	de	falar	da	sua	organização
humana	e	institucional.	Os	principais	sistemas	são:	episcopal,	católico	apostólico
romano,	congregacional	e	o	sistema	de	igrejas	nacionais.
O	sistema	de	governo	presbiteriano	origina-se	na	reforma	do	século	16.	Os	seus
princípios	são	oriundos	da	Bíblia.	Eis	os	principais:	(1)	Jesus	Cristo	é	o	único
chefe,	o	cabeça,	o	legislador	e	rei	visível	da	igreja.	Nenhum	homem	pode	se
arvorar	dessa	posição	de	Jesus	(Mt	16.18-19;	Jo	13.13;	Ef	1.20-23).	(2)	Jesus
Cristo	exerce	a	sua	autoridade	e	poder	na	igreja	por	meio	da	Sua	Palavra.	Não	é
a	palavra	do	pastor	e	nem	as	decisões	conciliares	que	mandam	na	igreja.	Mas,
Jesus,	por	meio	da	Bíblia,	a	nossa	única	regra	de	fé	e	prática.	A	Bíblia	fala
primeiro	e	por	último.	Somente	as	Escrituras	(2Tm	3.14-17).	(3)	Jesus	Cristo	dá
poder	à	igreja	para	que	a	mesma	o	exerça	em	nome	dele	(Mt	16.18;	28.18-20;	At
1.8).
Ele	deu	à	igreja	os	meios	de	graça	para	que	a	mesma	possa	exercê-los:	a	Palavra
e	os	sacramentos	(batismo	e	santa	ceia	–	Mc	16.15,16;	Lc	22.17-20;	1Co	11.23-
29).	Trata-se	de	poder	espiritual	dado	pelo	Espírito	Santo,	exercido	em	nome	de
Jesus	(At	20.28;	Jo	20.22,23;	1Co	5.4).	(4)	O	poder	da	igreja	reside	na	igreja
local.	A	igreja	local	é	autônoma	na	sua	administração	e	governo.	Ela	exerce	esse
governo	por	meio	de	oficiais:	presbíteros	e	diáconos	(1Tm	3.1-12).	O	sistema	de
governo	é	chamado	de	“democracia	representativa”,	onde	todos	elegem	alguns
para	que	os	eleitos	governem	com	outros	(At	14.23;	1Ts	5.12;
1Tm	5.17;	Tt	1.5-9).	Trata-se	de	um	poder	ministerial	de	serviço	que	deve	ser
exercido	de	acordo	com	a	Palavra	de	Deus	e	sob	a	orientação	do	Espírito	Santo
(At	4.29,30;	Rm	10.14,15;
Ef	5.23).
Aplicações	Práticas
Que	tipo	de	poder	é	exercido	pela	igreja?
O	que	faz	uma	igreja	ser	agradável	a	Deus?
Quais	critérios	devem	ser	usados	para	descrever	a	pureza	de	uma	igreja?
CONCLUSÃO
A	igreja	é	a	corporação	de	pessoas	regeneradas	que	ama	a	Jesus	e	abraça	a	sua
missão.	Ela	é	o	único	empreendimento	histórico	que	Jesus	prometeu	edificar	e
preservar.	Ela	é	a	instituição	mais	preciosa	sobre	a	terra,	pois	foi	comprada	pelo
precioso	sangue	de	Cristo.	Ela	é	a	única	comunidade	terrena	que	continuará
existindo	na	eternidade.	Participar	da	igreja	e	trabalhar	para	a	sua	edificação	é	o
mais	honroso	privilégio	que	podemos	ter	nesta	vida.
Estudo	13
Texto	Básico:	Mateus	28.18-20
O	BATISMO	CRISTÃO
INTRODUÇÃO
Uma	das	marcas	que	identificam	uma	igreja	local	verdadeira	é	a	administração
correta	dos	sacramentos.	Mas,	o	que	é	um	sacramento?	Louis	Berkhof	define:
“Um	sacramento	é	uma	santa	ordenança	instituída	por	Cristo,	na	qual,	mediante
sinais	perceptíveis,	a	graça	de	Deus	em	Cristo	e	os	benefícios	da	aliança	da	graça
são	representados,	selados	e	aplicados	aos	crentes,	e	estes,	por	sua	vez,
expressam	sua	fé	e	sua	fidelidade	a	Deus”.	A	Confissão	de	Fé	de	Westminster
diz:	“Os	sacramentos	são	santos	sinais	e	selos	do	pacto	da	graça,	imediatamente
instituídos	por	Deus	para	representar	Cristo	e	os	seus	benefícios	e	confirmar	o
nosso	interesse	nele,	bem	como	para	fazer	uma	diferença	visível	entre	os	que
pertencem	à	Igreja	e	o	resto	do	mundo,	e	solenemente	obrigá-los	ao	serviço	de
Deus	em	Cristo,	segundo	a	sua	palavra”.
A	palavra	“sacramento”	não	se	encontra	na	Bíblia.	E	pelo	fato	de	a	Igreja
Católica	Apostólica	Romana	ensinar	que	os	sacramentos	por	si	mesmos
concedem	graça	ao	povo,	sem	exigir	fé	dos	que	deles	participam,	alguns
protestantes	(Batistas)	preferem	a	palavra	“ordenanças”	em	lugar	de
“sacramentos”.
Três	princípios	bíblicos	são	necessários	para	a	com-preensão	e	prática	dos
sacramentos:	(1)	Todo	sacramento	possui	um	sinal	externo	ou	visível	(água,	pão
e	vinho)	e	um	significado	interno	e	espiritual	(perdão,	conversão	e	comunhão).	A
relação	entre	o	sinal	e	a	coisa	é	a	essência	do	sacramento.	(2)	Os	sacramentos
não	são	necessários	para	a	salvação,	mas	são	obrigatórios	aos	crentes	por	serem
ordenanças	divinas.	O	sacramento	não	produz	fé,	mas	a	pressupõe.	Muitos	foram
salvos	e	serão	sem	o	uso	dos	sacramentos.	(3)	A	Igreja	de	Deus	é	uma	só	no
Antigo	e	no	Novo	Testamentos.	A	igreja	sempre	praticou	dois	sacramentos:
Circuncisão	e	Páscoa	(AT)	e	Batismo	e	Santa	Ceia	(NT).
Estudaremos	hoje	o	sacramento	do	batismo.
1.	O	BATISMO	DOS	CONVERTIDOS
O	batismo	com	água	é	um	ato	solene	de	admissão	do	batizado	na	igreja.	Ele	é
um	sinal	e	um	selo	do	pacto	da	graça,	de	sua	salvação	em	Jesus	Cristo.	Ele	deve
ser	administrado	uma	só	vez	a	uma	mesma	pessoa.	Somente	os	pastores
ordenados	ao	sagrado	ministério	devem	administrá-lo.	As	igrejas	reformadas
praticam	o	batismo	por	aspersão,	mas	aceitam	e	consideram	a	imersão	como
modo	válido	de	ministração.	Reconhecemos	e	acolhemos	aqueles	irmãos	que
foram	batizados	por	imersão,	em	igrejas	reconhecidas	como	verdadeiramente
evangélicas,	sem	a	necessidade	de	rebatizá-los.	Com	o	propósito	de	esclarecer	a
nossa	posição,	apresentaremos	alguns	argumentos:
Jesus	Cristo,	ao	instituir	o	sacramento	do	batismo,	não	determinou	qual	a
forma	ou	o	modo	de	administrá-lo
E	disse-lhes:	Ide	por	todo	o	mundo	e	pregai	o	evangelho	a	toda	criatura.	Quem
crer	e	for	batizado	será	salvo;	quem,	porém,	não	crer	será	condenado	(Mc
16.15,16).	Ide,	portanto,	fazei	discípulos	de	todas	as	nações,	batizando-os	em
nome	do	Pai,	e	do	Filho,	e	do	Espírito	Santo	(Mt	28.19).	Jesus	ordena	o
batismo,	mas	não	impõe	a	forma	de	batizar,	aspersão	ou	imersão.	Ele	ordena	a
fórmula:	em	nome	da	Trindade.
O	batismo	com	água	não	tem	nenhum	valor	espiritual	se	não	vier
acompanhado	da	regeneração	do	coração,	efetuada	pelo	Espírito	Santo
O	batismo	não	é	garantia	e	nem	meio	de	salvação.	Ele	não	tem	nenhum	poder
espiritual	em	si	mesmo	para	produzir	salvação.	Há	muitas	pessoas	que	foram
batizadas,	mas	nunca	foram	regeneradas.	Elas	fazem	parte	da	igreja	visível,	mas
não	da	invisível.	João	diz	sobre	alguns	que	abandonaram	a	igreja:	Eles	saíram	de
nosso	meio;	entretanto,	não	eram	dos	nossos;	porque,	se	tivessem	sido	dos
nossos,	teriam	permanecido	conosco;	todavia,	eles	se	foram	para	que	ficasse
manifesto	que	nenhum	deles	é	dos	nossos	(1Jo	2.19).	O	batismo	não	salva.
No	Antigo	Testamento	toda	forma	de	“purificação”	era	realizada	por
aspersão
O	verbo	hebraico	“espargir”	(zaraq)	significa	“espalhar”	ou	“aspergir”.	E,	sobre
aquele	que	há	de	purificar-se	dalepra,	aspergirá	sete	vezes;	então,	o	declarará
limpo	e	soltará	a	ave	viva	para	o	campo	aberto	(Lv	14.7).	Assim	lhes	farás,	para
os	purificar:	asperge	sobre	eles	a	água	da	expiação;	e	sobre	todo	o	seu	corpo
farão	passar	a	navalha,	lavarão	as	suas	vestes	e	se	purificarão	(Nm	8.7).	(Leia:
Nm	19.13,19).
Todas	essas	purificações	por	aspersão	são	chamadas	de	“batismos”	no	Novo
Testamento
A	palavra	“batismo”	(baptizo)	foi	usada	nos	clássicos	gregos	com	o	significado
de	“mergulhar”,	“afundar”	e	“imergir”.	Mas,	no	grego	bíblico	(coinê)	é	usado
também	como	“lavar”,	“banhar”,	“limpar	mediante	lavagem”	e	“aspergir”.
Quando	voltam	da	praça,	não	comem	sem	se	aspergirem	(baptizontai);	e	há
muitas	outras	coisas	que	receberam	para	observar,	como	a	lavagem	de	copos,
jarros	e	vasos	de	metal	[e	camas]	(Mc	7.4).	Todas	as	abluções	e	aspersões
cerimoniais	são	chamadas	de	“batismos”:	Os	quais	não	passam	de	ordenanças	da
carne,	baseadas	somente	em	comidas,	e	bebidas,	e	diversas	abluções
(baptismois),	impostas	até	ao	tempo	oportuno	de	reforma	(Hb	9.10;	Hb	6.2).
Paulo	afirma	também	que	todos	os	judeus	foram	batizados	pela	nuvem	e	pelo
mar,	sem	que	houvesse	imersão	(1Co	10.1,2).
O	batismo	cristão	foi	instituído	seguindo	o	modo	do	batismo	dos	judeus,	ou
seja,	por	aspersão
Jesus	ao	instituir	o	sacramento	do	batismo	cristão	não	altera	o	significado	ou	o
uso	da	palavra	(Mc	16.15,16;	Mt	28.19).	O	batismo	de	João	Batista	não	era	o
batismo	cristão,	mesmo	assim	não	há	provas	bíblicas	que	ele	batizava	por
imersão.	Se	na	lei	todas	as	cerimônias	de	purificação	eram	feitas	por	aspersão,
por	que	João	mudaria	a	sua	forma	de	batizar?	João	Batista	estava	batizando	e	os
sacerdotes	e	levitas	vieram	a	ele	e	lhes	perguntaram:	“Quem	és	tu?”	e	ele	disse:
“Eu	não	sou	o	Messias”.	“Eles	disseram	então:	Se	você	não	é	o	Messias,	por	que
você	batiza”?	(Jo	1.25).	Os	sacerdotes	e	levitas	sabiam	que	os	ritos	de
purificação	eram	feitos	por	aspersão	e	seria	um	ato	distinto	do	Messias:	Então,
aspergirei	água	pura	sobre	vós,	e	ficareis	purificados;	de	todas	as	vossas
imundícias	e	de	todos	os	vossos	ídolos	vos	purificarei	(Ez	36.25).	O	Messias
batizaria	por	“aspersão”.
João	Batista	disse:	“Eu	batizo	com	água”	(Jo	1.26).	A	preposição	“com”	(en)	é
usada	para	designar	o	instrumento:	água.	O	instrumento	se	aplica	ao	sujeito	e
não	o	sujeito	ao	elemento.	Logo,	João	só	poderia	batizar	por	aspersão.	Em	Atos,
Lucas	registra:	Então,	me	lembrei	da	palavra	do	Senhor,	quando	disse:	João,	na
verdade,	batizou	com	água,	mas	vós	sereis	batizados	com	o	Espírito	Santo	(At
11.16).	O	batismo	com	o	Espírito	foi	por	aspersão.
Todo	cristão	morreu	e	ressuscitou	com	Cristo,	mas	não	pela	imersão	na
água
Utilizando-se	da	analogia	de	Paulo,	em	Romanos	6,	os	favoráveis	ao	batismo	por
imersão	confundem	“sepultar	na	água”	com	o	“sepultar	com	Cristo”.	Ou,
porventura,	ignorais	que	todos	nós	que	fomos	batizados	em	Cristo	Jesus	fomos
batizados	na	sua	morte?	Fomos,	pois,	sepultados	com	ele	na	morte	pelo	batismo;
para	que,	como	Cristo	foi	ressuscitado	dentre	os	mortos	pela	glória	do	Pai,	assim
também	andemos	nós	em	novidade	de	vida	(Rm	6.3,4).
O	que	Paulo	está	dizendo	não	é	que	somos	sepultados	com	Cristo	pelo	batismo
por	imersão	(sepultados	na	água).	Todo	cristão	morreu	e	ressuscitou	com	Cristo
na	sua	obra	de	redenção.	Morremos	e	ressuscitamos	com	Cristo	para	vivermos
em	novidade	de	vida.	O	batismo	de	adultos	é	um	sinal	desta	identificação.
Os	exemplos	bíblicos	de	batismo	no	Novo	Testamento	reforçam	a	tese	da
aspersão
No	contexto	da	igreja	primitiva,	a	pessoa	era	batizada	no	lugar	onde	se
convertia.	Vejamos	alguns	exemplos:	(1)	O	batismo	de	quase	3.000	em
Jerusalém,	após	o	sermão	de	Pedro	(At	2.41).	Não	havia	rio,	tanque	ou	piscina
para	batizar	tanta	gente	por	imersão.	(2)	O	batismo	do	etíope	eunuco,	por	Filipe,
no	deserto	(At	8.36-38).	“Ambos	desceram	à	água”,	mas	isso	não	significa
imersão.	Essa	expressão	só	aparece	mais	uma	vez	na	Bíblia,	em	Juízes	7.5
(Tradução	da	Septuaginta).	E	a	ideia	não	é	de	imersão.	(3)	O	batismo	de	Paulo:
“a	seguir,	levantou-se	e	foi	batizado”	(At	9.18).	Ele	foi	batizado	em	pé,	numa
casa,	em	Damasco.
Nas	casas	da	época	não	existiam	tanques,	mas	talhas	para	guardar	água.	(4)	O
batismo	de	Cornélio	e	toda	a	sua	casa,	em	Cesareia	(At	10.48).	(5)	O	batismo	de
Lídia	e	toda	a	sua	casa,	em	Filipos	(At	16.14,15).	(6)	O	batismo	do	carcereiro	e
toda	a	sua	família
(At	16.33).	Todos	esses	batismos	só	podem	ter	acontecido	por	aspersão.	A
partir	do	texto,	a	imersão	é	improvável	em	todos	os	casos.
Aplicações	Práticas:
O	batismo	pode	salvar	o	homem?
Você	tem	alguma	dúvida	a	respeito	da	forma	de	batismo	praticada	pelos
presbiterianos?
O	batismo	deve	ser	feito	em	nome	do	Pai,	do	Filho	e	do	Espírito	Santo.
2.	O	BATISMO	DE	CRIANÇAS
Diferentemente	dos	nossos	irmãos	batistas	e	pentecostais,	nós	presbiterianos
(também	reformados,	luteranos	e	metodistas),	batizamos	por	aspersão	e
batizamos	os	nossos	filhos	quando	crianças.	Reconhecemos	a	legitimidade	do
batismo	por	imersão	e	respeitamos	o	ato	de	consagração	que	os	nossos	irmãos
realizam	com	os	seus	filhos.	Desejamos	apresentar	as	razões	bíblicas	e
teológicas	que	nos	levam	a	batizar	crianças.
Só	existe	uma	igreja	de	Deus
A	igreja	é	a	mesma	no	Antigo	e	no	Novo	Testamentos.	Ela	começa,
historicamente,	com	o	chamado	de	Abraão	(Gn	12.1-3).	Ela	foi	comprada	por
Deus,	pelo	sangue	de	Cristo
(At	20.28).	Ela	é	como	uma	única	árvore	de	oliveira,	que	possui	ramos	naturais	e
enxertados	(Rm	11.16-21).	A	igreja	cristã	não	é	uma	nova	árvore,	mas	um	galho
enxertado	no	mesmo	tronco.	A	Igreja	de	Deus	não	começa	no	Pentecostes	como
ensinam	os	dispensacionalistas,	mas	com	o	chamado	de	Abraão	(Gn	12)	e	a
nação	de	Israel.	Com	a	primeira	vinda	de	Jesus,	a	igreja	foi	ampliada	a	todas	as
nações	da	terra	(Gn	17.4;	Rm	4.17,18;	Gl	3.8).	O	Israel	de	Deus	agora	é	uma
única	família	que	congrega	judeus	e	gentios	(Gl	6.16;	Ef	2.19).
Só	existe	uma	igreja	sob	uma	aliança	ou	pacto	da	graça.
Todos	os	crentes	do	Antigo	Testamento	foram	salvos	pela	graça,	mediante	a	fé.
Abraão	foi	salvo	e	justificado	pela	fé:	Ele	creu	no	SENHOR,	e	isso	lhe	foi
imputado	para	justiça	(Gn	15.6;	Rm	4.1-9).	Ele	foi	salvo	da	mesma	maneira	que
somos	salvos	hoje:	Ora,	tendo	a	Escritura	previsto	que	Deus	justificaria	pela	fé
os	gentios,	preanunciou	o	evangelho	a	Abraão:	Em	ti,	serão	abençoados	todos	os
povos	(Gl	3.8).	A	salvação	acontece	sob	o	pacto	ou	aliança	da	graça:
Estabelecerei	a	minha	aliança	entre	mim	e	ti	e	a	tua	descendência	no	decurso	das
suas	gerações,	aliança	perpétua,	para	ser	o	teu	Deus	e	da	tua	descendência	(Gn
17.7).	Essa	aliança	é	a	nova	aliança	baseada	no	sangue	de	Cristo	(Lc	22.20).	Por
isso	Paulo	chama	Abraão	de	“o	pai	de	todos	os	crentes”	(Rm	4.11;	Gl	3.8).	Ele	é
taxativo:	E,	se	sois	de	Cristo,	também	sois	descendentes	de	Abraão	e	herdeiros
segundo	a	promessa	(Gl	3.29).
A	igreja	sempre	teve	dois	sacramentos
A	igreja	no	Antigo	Testamento	celebrava	dois	sacramentos:	a	circuncisão	e	a
Páscoa.	No	Novo	Testamento,	a	circuncisão	é	substituída	pelo	batismo	e	a
Páscoa	pela	Ceia	do	Senhor	(Mt	26.26-30).	Quando	alguém	cria	no	Deus	de
Abraão	e	desejava	fazer	parte	do	povo	de	Deus,	precisava	ser	circuncidado.	A
circuncisão	era	o	sacramento	de	admissão	na	igreja	visível.	O	batismo	substituiu
a	circuncisão	na	igreja	do	Novo	Testamento.	O	batismo	tem	a	mesma	função	da
circuncisão:	sinalizar	uma	mudança	interior	e	inserir	o	novo	discípulo	na	igreja
visível.	Paulo	chama	o	batismo	cristão	de	“circuncisão	de	Cristo”	(Cl	2.11,12).
A	circuncisão	(batismo)	é	um	sinal	da	aliança	aplicado	a	todos
Quando	Deus	estabeleceu	um	pacto	com	Abraão,	Ele	ordenou	a	circuncisão
como	sinal	externo	da	aliança:	Esta	é	a	minha	aliança,	que	guardareis	entre	mim
e	vós	e	a	tua	descendência:	todo	macho	entre	vós	será	circuncidado.
Circuncidareis	a	carne	do	vosso	prepúcio;	será	isso	por	sinal	de	aliança	entre
mim	e	vós	(Gn	17.10,11).	A	partir	daquele	momento,	Abraão	foi	circuncidado
(99	anos),	Ismael	(13	anos)	e	todos	os	homens	e	servos	da	sua	casa	(Gn	17.23-
27).	Após	um	ano,	Isaque	foi	circuncidadoquando	tinha	oito	dias	de	nascido,
conforme	a	ordem	de	Deus	(Gn	21.4).	A	circuncisão	ao	oitavo	dia,	era
simplesmente	um	sinal	e	selo	de	uma	relação	pactual	já	existente.	As	crianças
foram	incluídas	na	circuncisão,	porque	a	promessa	de	Deus	é	para	Abraão	e	seus
descendentes.	E	não	há	no	Novo	Testamento	nenhuma	passagem	que	exclui	as
crianças	do	pacto	ou	da	aliança	da	graça.	Pelo	contrário,	no	primeiro	sermão
após	a	descida	do	Espírito,	Pedro	diz:	Pois	para	vós	outros	é	a	promessa,	para
vossos	filhos	e	para	todos	os	que	ainda	estão	longe,	isto	é,	para	quantos	o
Senhor,	nosso	Deus,	chamar	(At	2.39).	Por	isso,	famílias	inteiras	foram	batizadas
após	os	pais	serem	convertidos	pelo	Senhor	(At	16.15,33;	1Co	1.16).
O	batismo	infantil	envolve	promessas	e	compromissos
Na	aliança	da	graça,	Deus	quer	salvar	a	família	(Hb	11.7;	At	16.31).	Ele	quer	ser
o	nosso	Deus	e	dos	nossos	filhos	(Gn	17.7).	Para	que	isso	aconteça,	os	pais
assumem,	no	ato	do	batismo	de	seu	filho,	o	compromisso	de	viver	e	ensinar	a
Bíblia	para	ele:	Porque	eu	o	escolhi	para	que	ordene	a	seus	filhos	e	a	sua	casa
depois	dele,	a	fim	de	que	guardem	o	caminho	do	SENHOR	e	pratiquem	a	justiça
e	o	juízo;	para	que	o	SENHOR	faça	vir	sobre	Abraão	o	que	tem	falado	a	seu
respeito	(Gn	18.19).	A	tarefa	dos	pais	é	criar	os	filhos	na	Palavra	de	Deus	(Dt
6.4-9;	Sl	78.1-8;	Ef	6.4),	orando,	para	que	Deus	cumpra	fielmente	a	aliança	de
converter	os	filhos	(Sl	103.17,18;	Pv	22.6).
Aplicações	Práticas:
No	ato	do	batismo	os	pais	assumem	o	compromisso	de	viver	e	ensinar	a	Bíblia
para	os	seus	filhos.
Os	pais	são	os	responsáveis	pelo	crescimento	espiritual	de	seus	filhos.
Deus	não	é	Deus	apenas	dos	adultos,	mas	Ele	é	o	Deus	de	toda	a	família.
CONCLUSÃO
Concluindo,	a	Bíblia	ensina	que	os	filhos	dos	crentes	hoje	devem	ser	batizados.
Isso	simboliza	que	eles	são	separados	para	Deus	(1Co	7.14).	Eles	já	nascem
fazendo	parte	da	igreja,	pois	são	semente	santa.	No	ato	do	batismo,	os	pais	se
comprometem	a	criar	seus	filhos	na	Palavra	de	Deus.	E	o	Pai,	graciosamente,	se
compromete	em	cumprir	a	sua	parte.
Respeitamos	aqueles	que	foram	batizados	por	imersão,	mas	reafirmamos	que	o
batismo	por	aspersão	não	é	uma	heresia.	O	batismo	por	aspersão	fundamenta-se
na	Bíblia.
Estudo	14
Texto	Básico:	1	Coríntios	11.17-34
A	CEIA	DO	SENHOR
INTRODUÇÃO
O	batismo	e	a	Ceia	do	Senhor	são	os	dois	sacramentos	da	igreja	de	Jesus.	Eles
são	importantes	porque	foram	instituídos	pelo	Senhor	para	o	bem	espiritual
daqueles	que	fazem	parte	da	igreja.
O	batismo	é	realizado	uma	vez	só	e	simboliza	a	nossa	regeneração	e	a	nossa
incorporação	na	igreja	ou	na	família	de	Deus.	A	Ceia	do	Senhor	deve	ser
celebrada	repetidas	vezes	até	a	volta	de	Jesus,	com	o	intuito	de	nos	lembrar	que
Cristo	é	o	único	sustento	das	nossas	almas.	Ela	lembra-nos	também	quem	somos,
o	que	estamos	fazendo	aqui	e	para	onde	iremos.	Ela	é	um	poderoso	meio	de
graça	e	de	encorajamento	espiritual	na	nossa	caminhada.
A	Confissão	de	Fé	de	Westminster	diz:	“Na	noite	em	que	foi	traído,	nosso
Senhor	Jesus	Cristo	instituiu	o	sacramento	de	seu	corpo	e	sangue,	chamado	Ceia
do	Senhor,	para	ser	observado	em	sua	igreja	até	o	fim	do	mundo,	para	ser	uma
lembrança	perpétua	do	sacrifício	que	em	sua	morte	ele	fez	de	si	mesmo;	para
selar,	aos	verdadeiros	crentes,	todos	os	benefícios	provenientes	desse	sacrifício
para	o	seu	nutrimento	espiritual	e	crescimento	nele,	e	seu	compromisso	de
cumprir	todos	os	seus	deveres	para	com	ele;	e	ser	um	vínculo	e	penhor	de	sua
comunhão	com	ele	e	uns	com	os	outros,	como	membros	do	seu	corpo	místico”.
Os	textos	bíblicos	que	tratam	da	Ceia	são:
Mt	26.26-29;	Mc	14.22-25;	Lc	22.17-20;	1Co	10.16-21;	11.17-34.
Utilizaremos	neste	estudo	o	texto	básico	de	1	Coríntios	11,	porque	o	mesmo
apresenta	uma	gama	maior	de	informações	sobre	o	assunto.	Também,	segundo	os
estudiosos,	essa	carta	foi	escrita	antes	dos	Evangelhos.	Logo,	esta	instrução	de
Paulo	foi	o	primeiro	registro	bíblico	da	instituição	da	Ceia	do	Senhor.
Os	membros	da	igreja	em	Corinto	celebravam	a	Ceia	do	Senhor	de	forma	errada.
Paulo	escreve	para	reprová-los	quanto	ao	erro	e	orientá-los	acerca	da	maneira
correta:	Nisto,	porém,	que	vos	prescrevo,	não	vos	louvo,	porquanto	vos	ajuntais
não	para	melhor,	e	sim	para	pior	(v.17).	Eles	se	reuniam	na	igreja	não	para
celebrar	a	Ceia	do	Senhor,	mas	para	uma	refeição	comunitária:	Quando,	pois,
vos	reunis	no	mesmo	lugar,	não	é	a	ceia	do	Senhor	que	comeis	(v.20).	Eles	não
entendiam	a	Ceia	do	Senhor	como	uma	refeição	simbólica.	Não	tendes,
porventura,	casas	onde	comer	e	beber?	Ou	menosprezais	a	igreja	de	Deus	e
envergonhais	os	que	nada	têm?	Que	vos	direi?	Louvar-vos-ei?	Nisto,	certamente,
não	vos	louvo	(v.22).	Uns	comiam	demais,	outros	passavam	fome	e	outros	se
embriagavam.	Tais	comportamentos	refletiam	divisões	e	desunião	na	igreja.
Paulo,	então,	orienta	a	igreja	quanto	à	celebração	correta	da	Santa	Ceia.
1.	QUAL	A	ORIGEM	DA	CEIA	DO	SENHOR?
O	texto	revela:	Porque	eu	recebi	do	Senhor	o	que	também	vos	entreguei:	que	o
Senhor	Jesus,	na	noite	em	que	foi	traído...	(v.23).	Três	destaques	neste	verso:	(1)
O	autor	da	Ceia:	o	Senhor	Jesus.	Assim	como	Deus	instituiu	a	Páscoa	para	a
igreja	no	Antigo	Testamento,	Jesus	ordena	a	Ceia	do	Senhor	para	a	igreja	do
Novo	Testamento.	Somente	o	Dono	da	igreja	tem	autoridade	e	poder	para
instituir	sacramentos.	O	próprio	Jesus	é	a	origem	e	o	significado	da	Ceia.	(2)
Quando	a	Ceia	foi	instituída:	na	noite	em	que	foi	traído.	Foi	na	noite	anterior	à
crucificação.	Jesus	celebrou	com	os	seus	discípulos	a	festa	da	Páscoa	(Mt	26.17-
25;
Mc	14.12-21;	Lc	22.1-18;	Jo	13).	Ele	lavou	os	pés	dos	discípulos	e	o	traidor	foi
indicado.	Mateus	acrescenta	dois	detalhes:	que	após	a	instituição	da	Ceia,	Jesus
cantou	um	hino	com	os	seus	discípulos	e	depois	partiu	para	o	Monte	das
Oliveiras.	Ali,	ele	lutou	com	Deus	em	oração	e	depois	se	entregou	para	as
autoridades	judaicas.	Ele	se	entregou	para	sofrer,	morrer,	ser	enterrado	e
ressuscitar	(Jo	10.17,18).	(3)	A	retransmissão	da	Ceia:	Porque	eu	recebi	do
Senhor	o	que	também	vos	entreguei.	Paulo	repassava	à	igreja	o	que	havia
recebido	do	Senhor	por	revelação	direta.	Ele	não	recebeu	a	instrução	por	meio
dos	apóstolos
(Gl	1.10-12).	Nem	Paulo	e	nenhum	apóstolo	acrescentou	ou	diminuiu	o	número
de	ordenanças	dadas	por	Jesus.	Mas,	a	Igreja	Católica	Apostólica	Romana
instituiu	por	conta	própria	e	sem	base	bíblica,	cinco	sacramentos	a	mais:
batismo,	eucaristia,	confirmação	(crisma),	confissão	(penitência),	casamento,
ordem	e	extrema	unção	(unção	dos	enfermos).
2.	QUAIS	OS	ELEMENTOS	DA	CEIA	DO	SENHOR?
Os	elementos	da	Ceia	são	dois:	pão	e	vinho.	O	primeiro	representa	o	corpo	de
Jesus	e	o	segundo,	o	sangue	de	Jesus.	Juntos	simbolizam	a	vida	de	Jesus	que	foi
derramada	na	cruz.
O	que	Jesus	fez?	Ele	tomou	o	pão	e	tomou	o	cálice.	O	que	Jesus	disse?	Com
relação	ao	pão:	Isto	é	o	meu	corpo,	que	é	dado	por	vós;	com	relação	ao	cálice:
este	cálice	é	a	nova	aliança	no	meu	sangue.
Há	três	interpretações	com	respeito	ao	significado	desses	elementos,	que	tentam
explicar	a	presença	de	Jesus	Cristo	na	Ceia:	(1)	Transubstanciação:	o	pão	se
torna	carne	e	o	vinho	se	torna	sangue,	mediante	a	oração	feita	pelo	sacerdote.
Cristo	está	presente	nos	dois	elementos,	mas	a	comunhão	é	só	com	um:	o	pão
sem	fermento	(hóstia).	O	fiel	não	deve	mastigar	a	hóstia,	porque	ela	é	o	corpo	de
Cristo,	permanente,	mesmo	após	a	cerimônia.	Esta	é	a	posição	defendida	e
ensinada	pela	Igreja	Católica	Romana.	Essa	posição	entende	a	Ceia	do	Senhor
como	um	sacramento	e	um	sacrifício.	Como	sacramento	(ex	opere	operato)
alimenta	a	alma	por	meio	da	substância	real	de	Cristo	comida	e	bebida.	Como
um	sacrifício,	Cristo	é	realmente	oferecido	de	novo	para	expiação	do	pecado,
repetindo-se	assim	a	obra	consumada	na	cruz.	Trata-se	de	uma	heresia,	pois	o
sacrifício	de	Jesus	foi	único	e	não	se	repete	mais	(Hb	9.25-28).	(2)
Consubstanciação:	o	pão	não	se	transforma	no	corpo,	mas	está	presente	“em,
com	e	sob”	o	pão	durante	a	celebração.	Após,	o	pão	e	vinho	voltam	ao	estado
comum.	Esta	é	a	posição	defendida	pelos	luteranos.	(3)	Presençasimbólica	e
espiritual	de	Cristo:	O	pão	e	o	vinho	representam	o	corpo	e	o	sangue	de	Cristo	de
forma	simbólica.	A	presença	de	Cristo	no	sacramento	não	está	nos	elementos,
mas	no	coração	do	crente.	Participar	do	pão	e	do	vinho	significa	participação
espiritual	dos	benefícios	da	obra	expiatória	realizada	por	Jesus.	Esta	é	a	posição
defendida	por	João	Calvino	e	outros	reformadores.	A	Igreja	Presbiteriana	do
Brasil	também	a	defende	e	ensina.	O	Breve	Catecismo	pergunta:	“O	que	é	a	Ceia
do	Senhor?	A	Ceia	do	Senhor	é	o	sacramento	no	qual,	dando-se	e	recebendo-se
pão	e	vinho,	conforme	a	instituição	de	Cristo,	se	anuncia	a	sua	morte,	e	aqueles
que	participam	dignamente	tornam-se,	não	de	uma	maneira	corporal	e	carnal,
mas	pela	fé,	participantes	do	seu	corpo	e	do	seu	sangue,	com	todas	as	suas
bênçãos	para	o	seu	alimento	espiritual	e	crescimento	em	graça”	(Pergunta	96).
Referências	bíblicas:	1Co	11.23-26;	At	3.21;	1Co	10.16.
Duas	questões	importantes	quanto	à	ministração	da	Ceia:	(1)	Quem	deve
ministrar	a	Ceia	do	Senhor?	A	Bíblia	não	apresenta	uma	posição	clara	sobre	o
assunto.	As	Igrejas	Reformadas	e	a	Presbiteriana	do	Brasil	decidiram	que
somente	os	pastores	ordenados	devem	celebrar.	(2)	Quanto	à	substituição	dos
elementos?	Deve-se	celebrar	a	Ceia	com	pão	e	vinho,	assim	como	o	batismo
deve	ser	feito	com	água.	Tais	elementos	são	universais	e	disponíveis	em	todas	as
culturas	e	nações.
Aplicações	Práticas:
A	Ceia	do	Senhor	nos	lembra	que	Cristo	é	o	único	sustento	de	nossas	almas.
A	Ceia	simboliza	a	vida	de	Jesus	que	foi	derramada	na	cruz.
A	presença	de	Cristo	na	Ceia	está	no	coração	do	crente.
3.	QUAIS	OS	PROPÓSITOS	DA	CEIA	DO	SENHOR?
Há	quatro	propósitos	na	Ceia	do	Senhor	que	devem	ser	lembrados	na	sua
celebração:
Gratidão
E,	tendo	dado	graças	(eukaristeo).	A	Ceia	é	uma	cerimônia	de	gratidão	a	Deus
pela	salvação	em	Cristo	Jesus.	Não	se	trata	de	um	funeral,	mas	de	uma	festa	de
ações	de	graças.	Devemos	agradecer	a	Deus	pela	nossa	redenção	e	pela
salvação	dos	nossos	irmãos.	Devemos	agradecer	a	Deus	pelo	sacrifício	de	Jesus
que	garantiu	a	salvação	dos	eleitos.	Jesus	declara:	porque	isto	é	o	meu	sangue,
o	sangue	da	[nova]	aliança,	derramado	em	favor	de	muitos,	para	remissão	de
pecados	(Mt	26.28).	Ele	não	diz	“derramado	em	favor	de	todos”,	mas	“de
muitos”.	A	sua	expiação,	ainda	que	suficiente	para	salvar	a	todos,	é	eficiente
somente	para	os	eleitos.	Jesus	morreu	pelas	suas	ovelhas.	Ele	amou	a	sua	igreja
e	a	si	mesmo	se	entregou	por	ela	(Jo	10.14,15;	Ef	5.25).	Louvado	seja	Deus	por
tão	grande	redenção.
Memorial
Fazei	isto	em	memória	de	mim.	A	palavra	em	memória	(anamênêsis)	indica	o
trazer	de	novo	à	memória	ou	o	lembrar-se	de	uma	vívida	experiência.	O	objeto	a
ser	trazido	à	memória	é	expresso	pelo	pronome	mim.	Devemos	sempre	nos
lembrar	da	cruz	e	do	sacrifício	realizado	por	Cristo.	Assim	como	a	Páscoa
celebrava	a	libertação	do	cativeiro	no	Egito,	pelo	sangue	aspergido	nas	portas
da	casa,	o	sangue	de	Jesus	é	um	memorial	da	nossa	redenção	(1Co	5.7,8).
Devemos	sempre	nos	lembrar	de	quem	somos	e	o	que	temos	em	Cristo	Jesus.
Comunhão
Porventura	o	cálice	da	bênção	que	abençoamos	não	é	a	comunhão	do	sangue	de
Cristo?	O	pão	que	partimos	não	é	a	comunhão	do	corpo	de	Cristo?	(1Co	10.16).
A	palavra	“comunhão”	significa	“ter	em	comum,	ter	participação	em”	(2Co
8.4;	Fp	2.1).	Mantemos	comunhão	com	Deus	e	uns	com	os	outros	por	causa	do
sangue	de	Jesus.	Por	causa	do	sangue,	somos	perdoados	e	purificados.	Se
dissermos	que	mantemos	comunhão	com	ele	e	andarmos	nas	trevas,	mentimos	e
não	praticamos	a	verdade.	Se,	porém,	andarmos	na	luz,	como	ele	está	na	luz,
mantemos	comunhão	uns	com	os	outros,	e	o	sangue	de	Jesus,	seu	Filho,	nos
purifica	de	todo	pecado	(1Jo	1.6,7).	Trata-se	da	comunhão	dos	santificados	em
Cristo.
Proclamação
Porque,	todas	as	vezes	que	comerdes	este	pão	e	beberdes	o	cálice,	anunciais	a
morte	do	Senhor,	até	que	ele	venha	(v.26).	A	palavra	anunciar	significa
“proclamar	de	forma	solene”.
A	Ceia	proclama	o	sacrifício	de	Jesus	de	forma	visível.
Há	dois	aspectos	importantes	sobre	o	propósito	da	celebração	da	Ceia	do	Senhor
que	precisam	ser	destacados:	(1)	Com	que	frequência	deve	ser	celebrada?	A	sua
celebração	deve	ser	frequente	ou	repetida:	todas	as	vezes	que	comerdes.	Desde	a
Igreja	Primitiva	até	o	período	da	Reforma,	a	Ceia	era	celebrada	todos	os
domingos	(At	20.7;	1Co	16.1,2).
Atualmente,	celebra-se	a	Ceia	uma	a	duas	vezes	por	mês.	(2)	Qual	o	seu	prazo
de	validade?	Perpétua	ou	até	a	segunda	vinda	do	Senhor.	Isso	significa	que,	pela
graça	de	Deus,	haverá	fé	na	terra	até	quando	Jesus	voltar.
4.	QUEM	DEVE	PARTICIPAR	DA	CEIA	DO	SENHOR?
A	Ceia	do	Senhor	é	para	todo	cristão	salvo	e	que	está	integrado	na	comunhão	da
igreja.	Um	descrente	ou	uma	pessoa	não	regenerada	deve	ser	orientado	a	não
participar.
A	preocupação	do	apóstolo	Paulo	é	como	os	crentes	devem	participar	da	Ceia	do
Senhor.	(1)	Evite	participar	indignamente.	Isto	é,	não	reconhecendo	a	dignidade
e	o	valor	espiritual	da	Ceia	do	Senhor.	Por	isso,	aquele	que	comer	o	pão	ou	beber
o	cálice	do	Senhor,	indignamente,	será	réu	do	corpo	e	do	sangue	do	Senhor
(v.27).	Não	trate	as	coisas	sagradas	de	forma	leviana	e	irreverente.	Coloque
diante	do	Senhor	todos	os	seus	pecados	e	suplique	o	seu	perdão.	(2)	Evite
participar	sem	o	autoexame	(dokimazetô	=	testar	ou	provar	como	o	ourives
prova	o	metal).	Antes	de	comer	e	beber,	o	cristão	deve	pedir	perdão	pelos	seus
pecados	e	perdoar	aqueles	que	lhe	ofenderam	(v.28).	O	exame	deve	ter	como
referencial	a	Palavra	de	Deus	e	deve	ser	individual.	Cada	participante	deve
examinar	a	sua	vida	e	não	a	do	outro.	O	objetivo	do	autoexame	não	é	deixar	de
comer,	mas,	de	se	arrepender	dos	seus	pecados,	pedir	perdão	e	assim	comer	e
beber.	A	Ceia	é	uma	oportunidade	de	recomeço.	(3)	Evite	participar	sem
discernimento	do	corpo.	Precisamos	compreender	que	o	corpo	de	Cristo	foi
partido	na	cruz	por	nós.	Também	precisamos	compreender	que	a	igreja	é	o	corpo
místico	de	Cristo	(v.29).	Por	esse	motivo,	as	crianças,	mesmo	batizadas,	não
participam	da	Ceia.
Paulo	levanta	uma	questão	muito	importante:	Quais	são	as	consequências	ou	os
resultados	de	não	participarmos	corretamente	da	Ceia	do	Senhor?	Duas
consequências	claras:
(a)	Somos	julgados	e	disciplinados	pelo	Senhor,	com	fraquezas,	doenças	e
mortes:	Eis	a	razão	por	que	há	entre	vós	muitos	fracos	e	doentes	e	não
poucos	que	dormem	(v.30).
(b)	O	objetivo	de	Deus	com	a	disciplina	é	evitar	que	o	cristão	seja
condenado	com	o	mundo.	Porque,	se	nos	julgássemos	a	nós	mesmos,	não
seríamos	julgados.	Mas,	quando	julgados,	somos	disciplinados	pelo	Senhor,
para	não	sermos	condenados	com	o	mundo	(vv.30-32).
Pode	um	cristão	que	está	vivendo	em	pecado	ser	afastado	da	participação	da
Ceia?	Alguns	acham	que	não,	pois	o	direito	de	participar	da	Ceia	é	um	privilégio
espiritual	concedido	por	Cristo,	portanto,	fora	da	legislação	institucional.	A
nossa	posição	é	resumida	pelo	Catecismo	de	Westminster:	“Alguém	que	professa
a	fé,	e	deseja	participar	da	Ceia	do	Senhor,	pode	ser	excluído	dela?	Os	que	forem
achados	ignorantes	ou	escandalosos,	não	obstante	a	sua	profissão	de	fé	e	o
desejo	de	participar	da	Ceia	do	Senhor,	podem	e	devem	ser	excluídos	desse
sacramento,	pelo	poder	que	Cristo	legou	à	sua	Igreja,	até	que	recebam	instrução
e	manifestem	mudança.	(Referências:	1	Co	5.3-5,11;	11.29	;	2Co	2.5-8).”
Aplicações	Práticas:
O	momento	da	Ceia	não	deve	ser	triste,	mas	alegre,	pois	é	uma	festa	de	gratidão.
A	Ceia	do	Senhor	é	uma	oportunidade	de	recomeço.
Participar	da	Ceia	do	Senhor	é	um	grande	privilégio.
CONCLUSÃO
Paulo	conclui	reafirmando	que	a	Ceia	do	Senhor	é	uma	refeição	simbólica	que
visa	a	alimentação	espiritual	do	cristão.	Se	alguém	tem	fome,	coma	em	casa,	a
fim	de	não	vos	reunirdes	para	juízo.	Quanto	às	demais	coisas,	eu	as	ordenarei
quando	for	ter	convosco	(v.	34).	O	tamanho	do	pedaço	de	pão	e	do	cálice	do
vinho	é	pequeno.	A	Ceia	é	uma	celebração	de	natureza	espiritual.
Em	síntese:	todas	as	vezes	que	participamos	da	Ceia	do	Senhor	na	igreja,	com	os
nossos	irmãos,	temos	quatro	oportunidades	deolhar:	(1)	Olhar	para	trás	com
gratidão:	a	cruz.	(2)	Olhar	para	dentro	de	nós:	autoexame.	(3)	Olhar	para	a	frente
com	esperança:	a	segunda	volta	de	Jesus.	(4)	Olhar	para	o	lado:	os	meus	irmãos
que	participam	comigo	na	igreja.
Estudo	15
Texto	Básico:	1	Coríntios	5.1-13
DISCIPLINA	NA	IGREJA
INTRODUÇÃO
Mark	Dever	diz	que	uma	das	marcas	de	uma	igreja	saudável	é	a	prática	regular
da	disciplina	eclesiástica.	Ele	diz:	“Cada	igreja	local	tem	a	responsabilidade	de
julgar	a	vida	e	os	ensinamentos	de	seus	líderes,	e	até	mesmo	de	seus	membros;
particularmente	na	medida	em	que	qualquer	um	deles	possa	comprometer	o
testemunho	da	igreja	quanto	ao	Evangelho	(veja	At	17;	1	Co	5;	1	Tm	3;	Tg	3.1;
2	Pe	3;	2	Jo).	Disciplina	eclesiástica	bíblica	é	simplesmente	obediência	a	Deus	e
uma	simples	confissão	de	que	nós	precisamos	de	ajuda”.
Embora	praticada	desde	a	igreja	primitiva,	a	disciplina	eclesiástica	está	em
extinção	em	muitas	igrejas	hoje.	Muitas	igrejas	têm	se	concentrado	na	luta	pela
pureza	doutrinária,	mas	estão	perdendo	a	guerra	para	o	mundanismo.	Há	muita
gente	pensando	certo	doutrinariamente,	mas	com	uma	vida	errada.	Por	causa
disso,	a	disciplina	está	esquecida.	A	Bíblia,	porém,	enaltece	a	necessidade	e	o
valor	da	disciplina	para	o	bem	do	disciplinado	e	para	a	pureza	da	igreja:	Toda
disciplina,	com	efeito,	no	momento	não	parece	ser	motivo	de	alegria,	mas	de
tristeza;	ao	depois,	entretanto,	produz	fruto	pacífico	aos	que	têm	sido	por	ela
exercitados,	fruto	de	justiça	(Hb	12.11).
A	aplicação	da	disciplina	bíblica	é	uma	das	marcas	da	igreja	verdadeira.	Uma
igreja	que	não	disciplina	os	seus	membros	que	estão	vivendo	em	pecado,	está
errada	e	fora	do	padrão	bíblico.	Tolerância	ao	pecado	dentro	da	igreja	é	pecado.
O	estudo	de	hoje	é	sobre	a	doutrina	bíblica	da	disciplina.	Utilizaremos	um	caso
de	disciplina	na	igreja	em	Corinto.
1.	O	QUE	É	A	DISCIPLINA	E	QUEM	A	INSTITUIU?
A	Bíblia	apresenta	vários	tipos	de	disciplna:	aquela	que	vem	diretamente	de
Deus	(Hb	12.4-13),	a	disciplina	pessoal	(1Co	11.28),	a	disciplina	do	Estado	(Rm
13.1-7)	e	a	disciplina	na	igreja	(Mt	18.15-20).	O	nosso	foco	aqui	é	a	disciplina
eclesiástica.
O	que	é	a	disciplina?
“A	disciplina	eclesiástica	é	o	exercício	da	jurisdição	espiritual	da	igreja	sobre
seus	membros,	aplicada	de	acordo	com	a	Palavra	de	Deus.	Toda	disciplina	visa
edificar	o	povo	de	Deus,	corrigir	escândalos,	erros	ou	faltas,	promover	a	honra
de	Deus,	a	glória	de	nosso
Senhor	Jesus	Cristo	e	o	próprio	bem	dos	culpados”	(Código	de	Disciplina	da
IPB).
Quem	deve	aplicar	a	disciplina?
Jesus	deu	autoridade	espiritual	à	igreja	para	a	aplicação	da	disciplina,	por	meio
de	uma	liderança	humilde,	misericordiosa	e	exemplar	(Mt	18.15-35).
Vários	textos	do	Novo	Testamento	revelam,	que	no	contexto	da	igreja,	a
disciplina	sempre	foi	usada	como	remédio	necessário	para	zelar	por	sua	saúde
espiritual	(Rm	16.17;
2Co	2.5-11;	2Co	13.1,2;	Gl	6.1-5;	2Ts	3.6-15;	1Tm	1.18-20;	5.19-22;	Tt
3.10,11).
Quem	instituiu	a	disciplina?
Deus	é	o	autor	de	toda	disciplina.	Desde	o	Éden,	o	Criador	já	estabeleceu	penas
para	os	que	quebram	princípios	espirituais.	Jesus	instituiu	a	disciplina	na	igreja
(Mt	18.15-20)	com	o	objetivo	de	estabelecer	os	limites	entre	o	mundo	e	a	igreja,
bem	como	combater	o	pecado	dentro	dela.
Quais	os	passos	para	se	aplicar	a	disciplina?
Jesus	orienta	os	seus	discípulos:	Se	teu	irmão	pecar	{contra	ti},	vai	argui-lo	entre
ti	e	ele	só.	Se	ele	te	ouvir,	ganhaste	a	teu	irmão.	Se,	porém,	não	te	ouvir,	toma
ainda	contigo	uma	ou	duas	pessoas,	para	que,	pelo	depoimento	de	duas	ou	três
testemunhas,	toda	palavra	se	estabeleça.	E,	se	ele	não	os	atender,	dize-o	à	igreja;
e,	se	recusar	ouvir	também	a	igreja,
considera-o	como	gentio	e	publicano	(Mt	18.15-17).	Observe	os	passos	que
devem	ser	seguidos	no	processo	da	disciplina:	(1)	Abordagem	individual:	entre
o	ofendido	e	o	ofensor.
(2)	Abordagem	privada:	caso	o	ofensor	não	ouça,	com	a	presença	de	duas	ou	três
testemunhas.
(3)	Abordagem	pública:	quando	o	pecado	é	levado	publicamente	à	igreja.	Caso
não	ouça,	deve	ser	considerado	como	não	crente	ou	tirado	da	comunhão	da
igreja.
Além	desses	passos	bíblicos,	algumas	igrejas	reformadas	usam	um	“Manual	de
Disciplina”.	A	Igreja	Presbiteriana	do	Brasil	tem	o	seu	“Código	de	Disciplina”.
Ele	se	aplica	aos	crentes,	às	igrejas	e	concílios	faltosos.	Nenhuma	pena
disciplinar	poderá	ser	aplicada	sem	que	haja	um	processo	regular.	O	objetivo	é
dar	ao	acusado	o	pleno	direito	de	defesa.
Dois	princípios	espirituais	que	não	devem	ser	esquecidos:	(1)	A	disciplina
eclesiástica	foi	instituída	por	Deus	e	fundamenta-se	no	ensino	bíblico.	(2)	A
disciplina	é	uma	expressão	de	amor.	Quem	ama	disciplina	(Pv	3.11,12;	Jó	5.17).
2.	O	MOTIVO	PARA	A	DISCIPLINA:	O	PECADO	NA	IGREJA
Um	membro	da	igreja	em	Corinto	vivia	deliberadamente	na	prática	do	pecado.
Paulo	denuncia:	Geralmente,	se	ouve	que	há	entre	vós	imoralidade	e	imoralidade
tal,	como	nem	mesmo	entre	os	gentios,	isto	é,	haver	quem	se	atreva	a	possuir	a
mulher	de	seu	próprio	pai	(v.1).	Três	destaques:	(1)	A	natureza	do	pecado:	haver
quem	se	atreva	a	possuir	a	mulher	de	seu	próprio	pai.	Um	membro	da	igreja
possuía	sexualmente	a	mulher	do	seu	pai	ou	a	sua	madrasta.	Eles	viviam
praticando	relações	sexuais.	Trata-se	de	um	incesto	que	era	condenado	pela	lei
de	Deus	(Lv	18.5).	Paulo	não	cita	a	mulher,	pois,	provavelmente,	ela	não	era
membro	da	igreja.	(2)	A	gravidade	do	pecado:	imoralidade	tal,	como	nem
mesmo	entre	os	gentios.	Nem	mesmo	os	gentios	praticavam	e	aceitavam	o
incesto	como	algo	normal	ou	natural.	O	pecado	do	crente	escandalizava	o
mundo.	Nem	mesmo	a	sociedade	devassa	de	Corinto	apoiava	tal	prática.	O
incesto	era	condenado	pela	lei	do	mundo.	Era	uma	falta	grave	que	prejudicava	a
pureza	da	igreja.	(3)	A	dimensão	do	pecado:	Geralmente,	se	ouve	que	há	entre
vós	imoralidade.	A	prática	incestuosa	daquele	irmão	era	pública	e	atingia	toda	a
coletividade.	Todos	na	igreja	sabiam	daquele	relacionamento	ilícito	e	ninguém
tomava	providências.	O	irmão	pecava	por	ação	e	a	igreja	por	omissão.
Realidade	sobre	o	pecado	na	igreja:	Grande	parte	dos	pecados	cometidos	na
igreja	são	acobertados	e	não	denunciados	à	liderança	da	igreja.	Os	pecados	mais
disciplinados	na	igreja	são	os	relacionados	a	sexo,	dinheiro	e	bebida.	Não	se
disciplina	por	pecados	graves	de	omissão.	Pecados	cometidos	por	líderes	da
igreja	são	mais	graves	e	produzem	mais
escândalos	à	vida	da	igreja.
Aplicações	Práticas:
Como	a	liderança	da	sua	igreja	local	age	com	relação	à	disciplina	eclesiástica?
De	modo	geral,	a	disciplina	eclesiástica	tem	sido	aplicada	de	forma	abusiva	ou
tem	sido	negligenciada?
Pecados	cometidos	pelos	membros	da	igreja	devem	ser	denunciados	para	a
liderança?	Qual	a	sua	opinião	sobre	essa	questão?
3.	REAÇÕES	À	DISCIPLINA
A	disciplina	bíblica	sempre	sofreu	contestações	por	parte	de	muitos.	Ela	sempre
é	vista	como	uma	forma	de	despotismo,	discriminação	e	arbitrariedade.	Muitos
criticam	os	líderes	da	igreja	quando	alguém	é	disciplinado,	chamando-os	de
“fariseus”,	ou	“hipócritas”.	Sabemos	que	há	falhas	e	abusos,	mas	os	erros	não
justificam	a	omissão	à	disciplina.
Os	membros	da	igreja	em	Corinto	se	recusaram	a	disciplinar	o	irmão	faltoso.	E,
contudo,	andais	vós	ensoberbecidos	e	não	chegastes	a	lamentar,	para	que	fosse
tirado	do	vosso	meio	quem	tamanho	ultraje	praticou?	(v.2).	Três	motivos	da
recusa:	(1)	A	soberba:	E,	contudo,	andais	vós	ensoberbecidos.	A	igreja	estava
ensoberbecida	com	o	pecado,	se	vangloriando	de	ser	uma	comunidade
acolhedora.	Há	muitas	“igrejas”	que	se	vangloriam	hoje	de	acolher	pessoas	sem
o	arrependimento	para	a	salvação	(Mt	11.20;	Lc	13.3-5;	At	2.38).	(2)	A
insensibilidade:	e	não	chegastes	a	lamentar.	A	palavra	lamentar	significa	“chorar
como	se	tivesse	perdido	um	ente	querido”.	É	o	choro	da	dor	da	perda.	É	triste
quando	o	pecado	não	produz	mais	choro	na	vida	de	uma	igreja	local.	É	feliz	e
bem-aventurado	quem	chora	o	seu	pecado	e	os	pecados	dos	outros:	Bem-
aventurados	os	que	choram,	porque	serão	consolados
(Mt	5.4).	(3)	A	concessão:	para	que	fosse	tirado	dovosso	meio	quem	tamanho
ultraje	praticou?	A	visão	errada	do	pecado	levou	a	igreja	a	não	aplicar	a
disciplina.	Aquele	que	vivia	em	tão	escandaloso	pecado	deveria	ser	afastado	ou
tirado	da	igreja,	até	que	se	arrependesse.
Um	cristão	faltoso,	quando	disciplinado,	reage	hoje	de	três	maneiras	errôneas:
(1)	Desprezando	a	disciplina	ou	fazendo	pouco	caso	dela	(Pv	3.5).	(2)
Desanimando-se	na	fé	e	afastando-se	da	comunhão	da	igreja	(Hb	12.5).	(3)
Ficando	amargurado	e	revoltado	com	a	igreja	e	com	os	irmãos	(Hb	12.15).
A	reação	de	Paulo	quanto	à	omissão	dos	irmãos	de	Corínto	foi	contundente.	Ele
ordena	que	a	igreja	discipline	aquele	irmão.	Eu,	na	verdade,	ainda	que	ausente
em	pessoa,	mas	presente	em	espírito,	já	sentenciei,	como	se	estivesse	presente,
que	o	autor	de	tal	infâmia	seja,	em	nome	do	Senhor	Jesus,	reunidos	vós	e	o	meu
espírito,	com	o	poder	de	Jesus,	nosso	Senhor	(vv.	3,4).	Paulo	diz	que	a	disciplina
deve	ser	aplicada	sob	a	autoridade	apostólica	e	da	igreja.	Tal	autoridade	procedia
de	Jesus,	por	isso	devia	ser	em	nome	e	com	o	poder	de	Jesus.
4.	OS	PROPÓSITOS	DA	DISCIPLINA
Marke	Dever	apresenta	cinco	razões	para	disciplinar	alguém:	“Seguem	cinco
razões	positivas	para	tal	disciplina	corretiva	na	igreja.	Seu	propósito	é	positivo:
para	o	indivíduo	que	está	sendo	disciplinado,	para	outros	cristãos	na	medida	em
que	veem	o	perigo	do	pecado,	para	a	saúde	da	igreja	como	um	todo	e	para	o
testemunho	corporativo	da	igreja.	E,	acima	de	tudo,	nossa	santidade	deve	refletir
a	santidade	de	Deus.	Ser	membro	da	igreja	deveria	significar	alguma	coisa,	não
para	nosso	orgulho,	mas	por	causa	do	nome	de	Deus.	Disciplina	eclesiástica
bíblica	é	outra	marca	de	uma	igreja	saudável”.
Paulo	destaca	três	razões	para	que	aquele	irmão	de	Corinto	fosse	disciplinado:
Promover	a	recuperação	espiritual	do	disciplinado
Entregue	a	Satanás	para	a	destruição	da	carne,	a	fim	de	que	o	espírito	seja
salvo	no	Dia	do	Senhor	(v.5).	A	ideia	é	que	o	cristão	deve	ser	afastado	da
comunhão	da	igreja,	para	que	por	meio	da	excomunhão	ele	arrependa-se	do	seu
pecado.
Impedir	que	o	pecado	se	espalhe	na	igreja
Não	é	boa	a	vossa	jactância.	Não	sabeis	que	um	pouco	de	fermento	leveda	a
massa	toda?	Lançai	fora	o	velho	fermento,	para	que	sejais	nova	massa,	como
sois,	de	fato,	sem	fermento.	Pois	também	Cristo,	nosso	Cordeiro	pascal,	foi
imolado	(vv.6,7).	O	mau	exemplo	de	um	crente	é	muito	nocivo	à	igreja.	Assim
como	o	fermento,	o	pecado	é	contagioso	e	muito	influente.	Precisamos	lutar
contra	o	pecado	e	a	igreja	não	deve	tolerar	membros	escandalosos	e	corruptos.
Manter	a	pureza	das	celebrações	e	da	adoração	ao	Senhor
Por	isso,	celebremos	a	festa	não	com	o	velho	fermento,	nem	com	o	fermento	da
maldade	e	da	malícia,	e	sim	com	os	asmos	da	sinceridade	e	da	verdade	(v.8).
Jesus	morreu	para	santificar	para	si	um	povo	zeloso,	santo	e	produtivo.
Devemos	adorar	a	Deus	em	espírito	e	em	verdade,	com	sinceridade	e	santidade.
O	pecado	prejudica	a	adoração	do	povo	de	Deus.
A	seguir,	Paulo	exorta	a	igreja	a	não	se	associar	com	os	falsos	irmãos.	Ele
reconhece	que	é	impossível	aos	crentes	não	ter	contato	com	os	impuros,
avarentos,	ladrões	e	idólatras	descrentes.	A	não	ser	que	os	crentes	saíssem	do
planeta.	O	seu	conselho,	porém,	é	para	que	os	crentes	tenham	cuidado	com	os
falsos	irmãos.	Mas,	agora,	vos	escrevo	que	não	vos	associeis	com	alguém	que,
dizendo-se	irmão,	for	impuro,	ou	avarento,	ou	idólatra,	ou	maldizente,	ou
beberrão,	ou	roubador;	com	esse	tal,	nem	ainda	comais	(vv.10,11).	Estes	devem
ser	disciplinados	e	até	excomungados	da	igreja:	Pois	com	que	direito	haveria	eu
de	julgar	os	de	fora?	Não	julgais	vós	os	de	dentro?	Os	de	fora,	porém,	Deus	os
julgará.	Expulsai,	pois,	de	entre	vós	o	malfeitor	(vv.12,13).
Aplicações	Práticas:
A	igreja	não	deve	ser	omissa	em	relação	à	disciplina.
Pessoas	escandalosas	e	corruptas	são	maus	exemplos	para	a	igreja	e	devem	ser
disciplinadas.
Os	crentes	devem	ter	sempre	em	mente	que:	“Todas	as	coisas	me	são	lícitas,	mas
nem	todas	convêm.	Todas	as	coisas	me	são	lícitas,	mas	eu	não	me	deixarei
dominar	por	nenhuma	delas”.	1	Co	6.12
CONCLUSÃO
O	valor	primordial	da	disciplina	é	combater	o	pecado	na	igreja.	Através	dela	se
define	o	limite	entre	o	mundo	e	a	igreja.	Ela	ajuda	a	manter	o	sabor	do	sal	e
impedir	que	a	luz	do	testemunho	se	apague.	A	saúde	da	igreja	depende	da	sua
pureza.	Você	pode	ter	disciplina	sem	pureza,	mas	não	pode	ter	pureza	sem
disciplina.
Estudo	16
Texto	Básico:	Apocalipse	1.10
DOMINGO:	O	DIA	DO	SENHOR
INTRODUÇÃO
Domingo	é	o	Dia	do	Senhor.	E	é	dever	de	todos	os	homens,	principalmente	dos
cristãos,	consagrar	esse	dia	inteiramente	ao	Senhor.	Jonathan	Edwards	diz:	“É	a
mente	e	a	vontade	de	Deus	que	o	primeiro	dia	da	semana	deve	ser	especialmente
separado	entre	os	cristãos	para	exercícios	e	deveres	religiosos”.	Entretanto,	a
maioria	dos	que	professam	hoje	a	fé	cristã	não	concorda	com	este	princípio	e	não
guarda	o	domingo.	Domingo	é	dia	de	lazer,	de	correr,	de	trabalhar	e	de	se
divertir.	Domingo	só	não	é	dia	do	Senhor.
A	desobediência	ao	princípio	moral	e	espiritual	do	quarto	mandamento	constitui
um	dos	pecados	mais	comuns	da	presente	geração.	“Os	seus	sacerdotes
transgridem	a	minha	lei	e	profanam	as	minhas	coisas	santas;	entre	o	santo	e	o
profano,	não	fazem	diferença,	nem	discernem	o	imundo	do	limpo	e	dos	meus
sábados	escondem	os	olhos;	e	assim	sou	profanado	no	meio	deles”	(Ez	22.26).
O	propósito	deste	estudo	é	apresentar	o	ensino	bíblico	acerca	do	dia	do	Senhor.
Não	se	trata	de	defender	uma	tradição	puritana	ou	de	um	legalismo	“sabatista”.
Que	possamos	dizer	como	o	salmista:	“Agrada-me	fazer	a	tua	vontade,	o	Deus
meu;	dentro	do	meu	coração,	está	a	tua	lei”	(Sl	40.8).
1.	ENSINO	BÍBLICO	DO	ANTIGO	TESTAMENTO
E,	havendo	Deus	terminado	no	dia	sétimo	a	sua	obra,	que	fizera,	descansou
nesse	dia	de	toda	a	sua	obra	que	tinha	feito.	E	abençoou	Deus	o	dia	sétimo	e	o
santificou;	porque	nele	descansou	de	toda	a	obra	que,	como	Criador,	fizera	(Gn
2.2,3).	Deus	concluiu	a	sua	obra	em	seis	dias	e	no	sétimo	descansou.
Literalmente,	Ele	“cessou”	de	trabalhar.	É	o	repouso	da	tarefa	concluída	não	da
inatividade.	Não	aparece	aqui	a	palavra	“sábado”,	mas	a	raiz	de	onde	se	deriva
tal	vocábulo.	Estabelece-se,	portanto,	à	luz	do	exemplo	divino,	o	descanso
semanal	como	uma	ordenança	da	criação.
A	palavra	“sábado”	aparece	pela	primeira	vez	na	Bíblia	em	Êxodo	16.22-30.
Assim	como	o	maná,	sábado	é	um	presente	de	Deus:	Considerai	que	o	Senhor
vos	deu	o	sábado;	por	isso,	ele,	no	sexto	dia,	vos	dá	pão	para	dois	dias;	cada	um
fique	onde	está,	ninguém	saia	do	seu	lugar	no	sétimo	dia	(v.29).	O	sábado	é	dia
de	repouso,	é	o	“santo	sábado	do	Senhor”	(v.23).	O	sábado	já	é	visto	como	um
mandamento	ou	uma	lei	divina,	nesta	ocasião.
Em	Êxodo	20.8-11,	temos	o	sábado	como	um	mandamento	santo,	justo	e	bom.
Lembra-te	do	dia	de	sábado,	para	o	santificar	(v.8).	Guarda	o	dia	de	sábado,	para
o	santificar,	como	te	ordenou	o	Senhor,	teu	Deus	(Dt	5.12).	A	razão	da
observância	do	sábado	apresentada	no	decálogo	é	dupla:	é	um	memorial	do
descanso	divino	-	lembra-te	do	dia	de	sábado...	(Êx	20.8)	e	uma	comemoração
da	libertação	do	cativeiro	egípcio	-	porque	te	lembrarás	que	foste	servo	na	terra
do	Egito	e	que	o	Senhor,	teu	Deus,	te	tirou	dali	com	mão	poderosa	e	braço
estendido;	pelo	que	o	Senhor,	teu	Deus,	te	ordenou	que	guardasses	o	dia	de
sábado	(Dt	5.15).
Calvino	observa	três	razões	para	o	estabelecimento	divino	deste	mandamento:
Primeiro,	os	fiéis	devem	descansar	de	suas	obras	a	fim	de	deixar	Deus	operar
neles	(Ez	20.12).	Segundo,	a	separação	de	um	dia	específico	para	o	povo	se
reunir	em	culto	a	Deus	-	“santa	convocação”	(Nm	28.25).	Terceiro,	dia	de
descanso	e	folga	para	os	empregados	(Êx	23.12).
Em	Êxodo	23.12,	o	sábado	é	apresentado	como	promotor	do	bem	social:	Seis
dias	farás	a	tua	obra,	mas,	ao	sétimo	dia,	descansarás;	para	que	descanse	o	teu
boi	e	o	teu	jumento;	e	para	que	tome	alento	o	filho	da	tua	serva	e	o	forasteiro.	O
sábado	serve	para	interromper	o	trabalho	em	Israel,	repouso	para	os	animais	e	os
trabalhadores.
O	sábado	também	se	tornouum	“sinal	da	aliança”	entre	Deus	e	Israel.
“Certamente,	guardareis	os	meus	sábados;	pois	é	sinal	entre	mim	e	vós,	nas
vossas	gerações;	para	que	saibais	que	eu	sou	o	Senhor,	que	vos	santifica”	(Êx
31.13).	O	sábado	sinaliza	que	há	uma	relação	de	fidelidade	entre	Deus	e	seu
povo,	a	exemplo	da	circuncisão	(Gn	17.11).
Em	Êxodo	34.21,	estabelece-se	através	da	observância	do	sábado,	o	princípio
espiritual	de	se	confiar	na	providência	de	Deus.	“Seis	dias	trabalharás,	mas,	ao
sétimo	dia,	descansarás,	quer	na	aradura,	quer	na	sega”.	Sendo	uma	nação
agrícola,	a	nação	é	ordenada	a	observar	o	sábado	mesmo	naquelas	épocas	do	ano
em	que	um	dia	de	serviço	seria	importante.	Guardar	o	sábado	é	um	teste	de	fé	na
provisão	de	Deus	(Mt	6.33;	Êx	16.29).	Deus	sempre	dá	porção	dobrada	durante	a
semana	para	aquele	que	santifica	o	dia	de	descanso.
Em	Levítico	23.3,	o	sábado	torna-se	o	dia	oficial	do	culto	em	Israel:	“Seis	dias
trabalhareis,	mas	o	sétimo	será	o	sábado	do	descanso	solene,	santa	convocação;
nenhuma	obra	fareis;	é	sábado	do	Senhor	em	todas	as	vossas	moradas”.	O	culto
é	chamado	de	“Santa	convocação”,	iniciativa	do	próprio	Deus	e	realizado	num
dia	especial,	o	dia	do	Senhor.
O	profeta	Isaías	salienta	as	bênçãos	que	virão	sobre	aqueles	que	obedecem	o
quarto	mandamento:	Se	desviares	o	pé	de	profanar	o	sábado	e	de	cuidar	dos	teus
próprios	interesses	no	meu	santo	dia;	se	chamares	ao	sábado	deleitoso	e	santo
dia	do	Senhor,	digno	de	honra,	e	o	honrares	não	seguindo	os	teus	caminhos,	não
pretendendo	fazer	a	tua	própria	vontade,	nem	falando	palavras	vãs,	então	te
deleitarás	no	Senhor.	Eu	te	farei	cavalgar	sobre	os	altos	da	terra	e	te	sustentarei
com	a	herança	de	Jacó,	teu	pai,	porque	a	boca	do	Senhor	o	disse	(58.13,14).
Outros	textos	proféticos	são	bem	claros:	Ez	20.12,13;	22.8;	23.38;	Jr	17.21-23,
27.
Resumindo,	poderíamos	dizer	que	o	sábado	no	Antigo	Testamento	é	uma
ordenança	divina	a	todos	os	homens	e	um	mandamento	para	o	Seu	povo.	O
objetivo	do	sábado	é	duplo:	cessação	do	trabalho	particular	(descanso)	e
oferecimento	de	serviço	espiritual	a	Deus	(culto).	No	sétimo	dia,	tereis	santa
convocação;	nenhuma	obra	servil	fareis	(Nm	28.25).
Aplicações	Práticas:
O	descanso	semanal	é	uma	ordenança	de	Deus.
É	importante	que	o	povo	de	Deus	tenha	um	dia	específico	para	se	reunir	em
adoração	a	Ele.
Deus	derrama	bênçãos	sobre	aqueles	que	obedecem	aos	Seus	Mandamentos.
2.	O	ENSINO	DO	NOVO	TESTAMENTO
O	sábado	é	visto	no	ensino	do	Novo	Testamento	sob	dois	aspectos:	cerimonial	e
moral.
Cerimonial
O	sábado	cerimonial	alcança	a	sua	plenitude	em	Jesus	Cristo.	Ele	é	o	verdadeiro
descanso.	Tudo	aquilo	que	o	sábado	tipificava	na	lei	cerimonial	torna-se
realidade	em	Jesus.	Ele	é	o	antítipo	do	sábado.	É	por	esta	razão	que	o	apóstolo
Paulo	diz:	Ninguém,	pois,	vos	julgue	por	causa	de	comida	e	bebida,	ou	dia	de
festa,	ou	lua	nova,	ou	sábados,	porque	tudo	isso	tem	sido	sombra	das	coisas	que
haviam	de	vir;	porém	o	corpo	é	de	Cristo	(Cl	2.16,17).	Porque	o	fim	da	lei	é
Cristo,	para	justiça	de	todo	aquele	que	crê	(Rm10.4).	E	ainda	lemos	em	Hebreus:
Ora,	visto	que	a	lei	tem	sombra	dos	bens	vindouros,	não	a	imagem	real	das
coisas,	nunca	jamais	pode	tornar	perfeitos	os	ofertantes...(10.1).	Os	escritores
inspirados	estão	combatendo	o	aspecto	cerimonial	do	sábado	ou	dos	“tempos
santos”.	Alguns	cristãos	podem,	mesmo	após	a	conversão,	querer	agradar	a	Deus
com	a	obediência	da	lei	cerimonial.	O	apóstolo	Paulo	protesta:	Mas	agora	que
conheceis	a	Deus	ou,	antes,	sendo	conhecidos	por	Deus,	como	estais	voltando,
outra	vez,	aos	rudimentos	fracos	e	pobres,	aos	quais	de	novo,	quereis	ainda
escravizar-vos?	Guardais	dias,	e	meses,	e	tempos,	e	anos.	Receio	de	vós	tenha	eu
trabalhado	em	vão	para	convosco	(Gl	4.9-11).	Paulo	combatia	o	ensino	dos
judaizantes.
Moral
O	aspecto	moral	ou	espiritual	do	quarto	mandamento	continua.	Jesus	não	veio
revogar	a	lei,	mas	cumpri-la.	Em	todos	os	textos	nos	Evangelhos	em	que	aparece
o	ensino	de	Jesus	acerca	do	sábado,	em	nenhum	deles	Jesus	revoga	o	princípio
de	se	guardar	o	dia	do	Senhor.	As	controvérsias	com	os	judeus	giraram	sempre
em	torno	daquilo	que	era	permitido	fazer	ou	não	no	sábado.	Então,	lhes
perguntou:	é	lícito	nos	sábados	fazer	o	bem	ou	fazer	o	mal?	Salvar	a	vida	ou	tirá-
la?	Mas	eles	ficaram	em	silêncio	(Mc	3.4).	Em	Marcos	2.27,28,	Jesus	afirma:	“O
sábado	foi	estabelecido	por	causa	do	homem,	e	não	o	homem	por	causa	do
sábado;	de	sorte	que	o	Filho	do	Homem	é	senhor	também	do	sábado”.	Nas
palavras	de	Jesus,	o	estabelecimento	do	sábado	é	anterior	à	lei	de	Moisés.	É	uma
ordenança	da	criação.	Não	se	limita	apenas	aos	judeus,	mas	é	universal.	O	seu
objetivo	é	abençoar	o	homem	e	não	trazer	sofrimento	ao	mesmo.	Assim	sendo,
Jesus	é	Senhor	do	nosso	descanso.
Jesus	também	defende	a	ideia	de	que	o	sábado	não	é	inércia,	mas	atividade.	Não
o	nosso	trabalho,	mas	o	de	Deus.	E	os	judeus	perseguiam	Jesus,	porque	fazia
estas	coisas	no	sábado.	Mas	ele	lhes	disse:	Meu	Pai	trabalha	até	agora,	e	eu
trabalho	também	(Jo	5.16,17).	Aos	sábados	Jesus	ensinava	nas	sinagogas,
pregava	o	evangelho	e	curava	as	pessoas	necessitadas	(Mc	1.21-28;	3.1-6;	6.1-6;
Jo	5.1-18;	9.14).
A	transição	do	sábado	para	o	domingo
A	transição	do	sábado	para	o	domingo,	como	o	dia	de	descanso	dá-se	no	evento
da	paixão	de	Jesus	Cristo.	Jesus	Cristo	ressurgiu	no	primeiro	dia	da	semana	(Mt
28.1;	Mc	16.1:	Lc	24.1;	Jo	20.1).	Cumpriram-se	as	Escrituras.	Jesus	é	o
verdadeiro	sábado,	assim	como	o	verdadeiro	maná,	o	verdadeiro	templo,	o
verdadeiro	sacrifício,	a	verdadeira	Páscoa,	a	verdadeira	circuncisão.	Foi
estabelecida,	em	seu	sacrifício,	a	Nova	Aliança.	Há	então	uma	mudança	no	dia
de	descanso,	do	sábado	para	o	domingo.
É	o	próprio	Cristo	ressurreto	que	escolhe	o	dia	para	se	encontrar	com	seu	povo.
Ao	cair	da	tarde	daquele	dia,	o	primeiro	da	semana...	Passados	oito	dias,	estavam
ali	outra	vez	reunidos	os	seus	discípulos,	e	Tomé	com	eles.	Estando	as	portas
trancadas,	veio	Jesus,	pôs-se	no	meio	e	disse-lhes:	Paz	seja	convosco!	(Jo
20.19,26).	Foi	Jesus	quem	escolheu	o	dia	para	se	encontrar	com	seu	povo.	Os
discípulos	não	foram	atrás,	Ele	veio.	Ele	manifestou	a	sua
presença	dominicalmente.	Oito	dias	depois	não	parece	ser	mera	coincidência.
Por	que	então	o	domingo	e	não	outro	dia	qualquer?	Creio	que	pela	razão	do
próprio	Cristo	ter	sinalizado	para	os	seus	discípulos	ser	essa	a	sua	preferência.
Jesus	é	o	Senhor	do	sábado.
Os	que	discordam	deste	argumento,	defendem	que	o	domingo	foi	observado	pela
Igreja	por	causa	do	decreto	do	Imperador	Constantino,	em	07	de	março	de	321.
Ledo	engano,	o	decreto	simplesmente	regulamentou	o	que	já	era	praticado.
No	primeiro	dia	da	semana,	estando	nós	reunidos	com	o	fim	de	partir	o	pão	(At
20.7)	“Mia	ton	sabbaton”	é	a	expressão	no	grego.	No	primeiro	dia	da	semana,
cada	um	de	vós	ponha	de	parte,	em	casa,	conforme	a	sua	prosperidade,	e	vá
juntando,	para	que	se	não	façam	coletas	quando	eu	for	(1Co	16.2).	“Mia
sabbatou”	é	a	expressão	no	grego.	Nos	dois	textos,	fica	claro	que	a	Igreja
passou	a	guardar	o	novo	sábado,	“o	primeiro	dia	da	semana”,	como	dia	de
culto	coletivo,	apesar	da	Igreja	em	Jerusalém	reunir-se	diariamente	(At	2.46).
Entretanto,	é	na	expressão	“dia	do	Senhor”,	que	aparece	em	Apocalipse	1.10,
que	encontramos	um	argumento	complementar.	Dia	do	Senhor	(kyriakê),
“pertencente	ao	Senhor”.	A	construção	adjetival	sugere	um	título	formal	sobre	o
dia	da	adoração	coletiva	da	Igreja.	“Senhor”	claramente	significa	Cristo,	e	não
Deus	Pai.	Jesus	Cristo	é	o	Senhor.	E	o	senhorio	de	Jesus	é	manifesto	em	sua
ressurreição,	que	ocorreu	no	primeiro	dia	da	semana.	Domingo	é	o	dia	do
Senhor	assim	como	a	Eucaristia	é	a	“Ceia	do	Senhor”	(1	Co	11.20).	A
observância	do	domingo	se	tornou	uma	norma	na	Igreja	Primitiva.	O	primeiro
manual	de	instrução	cristã	Didaquê	diz:	“No	dia	do	Senhor	nos	reunimos	e
partimos	o	pão”	(14.1).
Algumas	similaridades	são	apontadas	entre	o	sábado	e	o	domingo,	Dia	do
Senhor:	Tanto	o	sábado	como	o	domingo	exigem	um	dia	semanal	para	ser
observado.	Um	dia	em	sete;	tanto	o	sábado	como	o	domingo	são	celebrações	da
redenção.O	sábado	é	um	memorial	da	redenção	de	Israel	do	cativeiro	egípcio.	O
domingo,	em	íntima	conexão	com	a	ressurreição	de	Cristo,	celebra	a	redenção
humana	em	Jesus	Cristo.	Assim	como	o	sábado	comemora	a	criação,	o	domingo,
associado	à	ressurreição	de	Cristo,	comemora	a	nova	criação.	Sábado	e	domingo
são	especialmente	dias	de	culto	coletivo;	ambos	os	dias	dão	a	ideia	de
propriedade:	“sábado	do	Senhor”	e	“dia	do	Senhor”;	ambos	são	dias	de	descanso
das	nossas	obras	e	de	atividade	espiritual;	ambos	prometem	um	descanso
escatológico.	No	novo	céu	e	na	nova	terra	não	haverá	noite.	Viveremos	num
eterno	descanso	(Ap	22.5).
Aplicações	Práticas:
Jesus	é	Senhor	do	nosso	descanso.
O	senhorio	de	Jesus	é	manifesto	em	sua	ressurreição,	que	ocorreu	no	primeiro
dia	da	semana.
Domingo	é	o	Dia	do	Senhor.
3.	POR	QUE	NÃO	SE	GUARDA	O	DIA	DO	SENHOR?
Para	identificar	as	causas	da	quebra	do	quarto	mandamento	é	necessário
distinguirmos	dois	grupos:	a	sociedade	sem	Deus	e	a	Igreja.	O	mundo	vive	em
oposição	a	Deus.	Não	podemos	esperar	que	o	mundo	espontaneamente	obedeça
a	lei	de	Deus.	O	mundo	possui	as	suas	próprias	leis	e	está	posto	no	maligno.
Existe	uma	oposição	declarada	entre	os	valores	de	Deus	e	os	valores	da
sociedade	mundana.	Os	valores	mundanos	não	procedem	de	Deus	(1Jo	2.15-17).
A	Igreja,	porém,	em	obediência	a	Deus,	deve	influenciar	o	mundo
com	os	valores	de	Deus.	Se	a	Igreja	não	guarda	o	dia	do	Senhor,	como	poderá
ela	influenciar	o	mundo?
Desejo	apontar	algumas	causas	que,	na	minha	opinião,	têm	contribuído	para	a
profanação	do	dia	do	Senhor.	(1)	A	Natureza	Humana.	A	Bíblia	diz	que	o
coração	do	homem	é	enganoso	e	desesperadamente	corrupto.	A	sua	inclinação	é
sempre	para	desviar-se	de	Deus	e	da	sua	lei.	(2)	A	Ignorância	do	Assunto.	Por
causa	do	analfabetismo	bíblico,	muitos	desconhecem	a	doutrina	bíblica	do	dia	do
Senhor.	Por	outro	lado,	os	pastores	dificilmente	pregam	e	ensinam	sobre	o
assunto.	É	uma	doutrina	antipática	principalmente	se	a	sua	igreja	está	localizada
numa	cidade	grande	e	o	poder	aquisitivo	dos	membros	é	alto.	Muitos	pastores	e
intérpretes	da	Bíblia	afirmam	que	não	é	necessário	observar	o	dia	do	Senhor.	Isto
é	coisa	da	lei	e	dos	Puritanos.	Cada	pessoa	é	livre	para	guardar	o	dia	que	quiser	e
se	quiser.	(3)	Secularização.	Secularização	é	o	processo	em	que	o	sagrado	se
torna	profano.	É	a	deterioração	dos	valores	sacros.	Aquilo	que	a	Palavra	de	Deus
diz	que	é	santo	ou	sagrado	tem	sido	profanado	pela	Igreja,	por	pressão	do
mundo.	(4)	Preconceito	Religioso.	Defender	a	guarda	do	domingo	pode	levar
alguém	a	ser	considerado	legalista	e	fariseu.	(5)	Incredulidade.	Falta	de	fé	por
parte	dos	cristãos	na	providência	e	no	sustento	de	Deus.
Aplicações	Práticas:
Você	tem	influenciado	o	mundo	com	os	valores	de	Deus?
Não	deixe	o	seu	coração	desviar-se	de	Deus	e	da	sua	Palavra.
Cuidado	com	a	secularização!	Não	permita	que	o	sagrado	torne-se	profano!
4.	OS	PURITANOS	E	O	DIA	DO	SENHOR
Os	Puritanos	ingleses	do	século	17	sistematizaram	a	doutrina	bíblica	do
domingo.	O	argumento	principal	era	que	o	quarto	mandamento	tornou	a
santificação	de	um	dia	entre	sete	uma	ordem	moral.	Se	as	nove	leis	morais	do
decálogo	são	permanentes,	o	quarto	mandamento	indubitavelmente	também	é.
“O	primeiro	mandamento	fixa	o	objeto;	o	segundo,	o	meio;	o	terceiro	a	maneira;
e	o	quarto,	o	tempo”	da	adoração,	disse	Jonathan	Edwards.
No	Novo	Testamento,	o	domingo	ou	o	primeiro	dia	da	semana,	tornara-se	o	dia
que	os	homens,	doravante,	deveriam	guardar,	em	obediência	ao	princípio	moral
prescrito	pelo	quarto	mandamento.	Esta	ideia	se	acha	resumida	na	Confissão	de
Fé	de	Westminster,	capítulo	XXI,	7	e	8.
Como	é	lei	da	natureza	que,	em	geral,	uma	devida	proporção	de	tempo	seja
destinada	ao	culto	de	Deus,	assim	também,	em	sua	Palavra,	por	um	preceito
positivo,	moral	e	perpétuo,	preceito	que	obriga	a	todos	os	homens,	em	todas	as
épocas,	Deus	designou	particularmente	um	dia	em	sete	para	ser	um	sábado	(=
descanso)	santificado	por	ele;	desde	o	princípio	do	mundo,	até	a	ressurreição	de
Cristo,	foi	mudado	para	o	primeiro	dia	da	semana,	dia	que	na	Escritura	é
chamado	dia	do	Senhor	(=	domingo),	e	que	há	de	continuar	até	ao	fim	do	mundo
como	sábado	cristão.
Este	sábado	é	santificado	ao	Senhor	quando	os	homens,	tendo	devidamente
preparado	os	seus	corações	e	de	antemão	ordenado	os	seus	negócios	ordinários,
não	só	guardam,	durante	todo	o	dia,	um	santo	descanso	das	suas	obras,
palavras	e	pensamentos	a	respeito	de	seus	empregos	seculares	e	de	suas
recreações,	mas	também	ocupam	todo	o	tempo	em	exercício	público	e
particulares	de	culto	e	nos	deveres	de	necessidade	e	de	misericórdia.
J.I.	Packer,	no	seu	livro	“Entre	os	gigantes	de	Deus”	esboça	o	conceito	puritano
quanto	ao	dia	do	Senhor:	(1)	Guardar	o	domingo	não	significa	inércia,	mas	ação.
É	o	descansar	das	nossas	obras,	para	dedicar	à	obra	de	Deus.	(2)	Guardar	o
domingo	não	é	um	fardo	entediante,	mas	um	alegre	privilégio.	Durante	o
domingo	devemos	nos	deleitar	no	Senhor	(Is	58.13,14).	(3)	Guardar	o	domingo	é
um	meio	de	graça.	O	domingo	é	um	tempo	durante	o	qual	Deus	quer	ser	buscado
e	conferir	bênçãos	sobre	aqueles	que	o	buscam.	(4)	Não	guardar	o	domingo	atrai
o	castigo	divino.	Pessoas	e	comunidades	entram	em	declínio	espiritual	e	perda
material	por	causa	desse	pecado.
Além	dessas	ideias,	os	puritanos	estabelecem	quatro	princípios	práticos	quanto	à
observância	do	domingo.	(1)	Todo	cristão	deve	se	preparar	com	antecedência
para	o	dia	do	Senhor.	Deve	se	planejar	a	semana	de	tal	forma	que	se	possa
aproveitar	o	máximo	do	domingo.	É	preciso	reconhecer	a	importância	do	dia	do
Senhor	e	preparar	principalmente	o	coração	para	santificá-lo.	A	batalha	pela
observância	do	domingo	é	ganha	na	noite	do	sábado.	(2)	O	culto	público	ocupa
lugar	central	no	dia	do	Senhor.	Domingo	é	dia	de	ir	à	igreja,	à	adoração	coletiva
a	Deus.	Os	cultos	devem	acontecer	pelo	menos	duas	vezes	por	domingo.	(3)	É	da
responsabilidade	do	pai	zelar	pelo	cumprimento	familiar	desse	mandamento.	“O
mandamento	de	guardar	o	dia	do	Senhor	é	especialmente	dirigido	aos	chefes	de
família	e	a	outros	superiores,	porque	estes	são	obrigados,	não	somente	a	guardá-
lo	por	si	mesmos,	mas	a	fazer	que	seja	observado	por	todos	os	que	estão	sob	o
seu	cuidado”	(Catecismo	maior,	pergunta	118)	(4)	Devem	ser	evitadas	atitudes
de	legalismo	e	farisaísmo	no	tocante	ao	dia	do	Senhor.	Resumindo,	o	domingo
puritano	é	um	dia	de	cessação	do	trabalho	terreno	e	um	tempo	de	culto	e
adoração	a	Deus.
A	Igreja	Presbiteriana	do	Brasil	aceita	este	conceito	do	puritanismo	inglês,
introduzindo-o	nos	seus	Princípios	de	Liturgia:
“É	dever	de	todos	os	homens	lembrar-se	do	dia	do	Senhor	(domingo)	e	preparar-
se	com	antecedência	para	guardá-lo.	Todos	os	negócios	temporais	devem	ser
postos	de	parte	e	ordenados	de	tal	sorte	que	não	os	impeçam	de	santificar	o
domingo	pelo	modo	requerido	nas	Sagradas	Escrituras.
Deve-se	consagrar	esse	dia	inteiramente	ao	Senhor,	empregando-o	em	exercícios
espirituais,	públicos	e	particulares.	É	necessário,	portanto,	que	haja,	em	todo	esse
dia,	santo	repouso	de	todos	os	trabalhos	que	não	sejam	de	absoluta	necessidade,
abstenção	de	todas	as	recreações	e	outras	coisas	que,	lícitas	em	outros	dias,	são
impróprias	do	dia	do	Senhor.
Os	crentes,	como	indivíduos	ou	famílias,	devem	ordenar	de	tal	sorte	seus
negócios	ou	trabalhos	que	não	sejam	impedidos	de	santificar	convenientemente
o	domingo	e	tomar	parte	no	culto	público.
Conselhos	e	Pastores	devem	mostrar-se	atentos	e	zelar	cuidadosamente	para	que
o	Dia	do	Senhor	seja	santificado	pelo	indivíduo,	pela	família	e	pela	comunidade”
(Capítulo	1	-	O	Dia	do	Senhor).
Aplicações	Práticas:
Alguns	profissionais	que	trabalham	em	serviços	essenciais	(médicos,	militares,
motoristas	etc.),	são	obrigados	a	trabalhar	no	domingo.	Não	estariam	eles
quebrando	o	quarto	mandamento?	Deus	jamais	exigiu	do	seu	povo	uma	atitude
rígida	e	legalista	em	relação	à	guarda	do	dia	do	Senhor	para	as	atividades
essenciais,	o	trabalho	aos	sábados	era
permitido	como	uma	exceção.	Veja	o	exemplo	dos	guardas	que	trabalhavam	no
templo	e	na	segurançado	rei	(2Rs	11.5-9).	Até	mesmo	os	sacerdotes	e	os
fariseus	reconheciam	essa	concessão	da	lei	(Mateus	27.62-66).
Como	observar	a	guarda	do	domingo	se	temos	a	necessidade	de	comprar	e	pagar
algo	no	domingo?	Primeiro,	é	necessário	que	nos	preparemos	com	antecedência
para	a	guarda	do	domingo.	Segundo,	o	que	Deus	proíbe	é	a	pratica	de	atividades
comerciais	premeditadas	no	seu	dia	(Jr	17.21,22).	Há	procedimentos
emergenciais	que	precisam	ser	realizados	aos	domingos:	um	caso	de	doença,	a
compra	de	remédios,	o	pagamento	de	uma	refeição	ou	de	um	transporte	(táxi	ou
ônibus).	Jesus	estabelece	esses	procedimentos	emergenciais	quando	diz:	“Qual
de	vós,	se	o	filho	ou	o	boi	cair	num	poço,	não	o	tirará	logo,	mesmo	em	dia	de
sábado?”	(Lucas	14.5).
CONCLUSÃO
Domingo,	Dia	do	Senhor,	é	um	dia	especial.	Como	os	outros	dias,	possui	24
horas	e	obedece	ao	calendário	lunar.	Entretanto,	ele	é	diferente	dos	demais	por
ser	um	dia	de	culto.	Domingo	é	o	dia	em	que	o	Deus	da	Nova	Aliança	vem	se
encontrar	com	o	Seu	povo.	“Mas	esse	dia	de	culto	não	pode	ser	um	dia	qualquer,
escolhido	ad	libitum.
Não	se	trata	simplesmente	de	um	dia	de	culto,	mas	sim	um	dia	específico,	a
saber,	o	domingo.	Esse	dia	é	necessário	à	igreja	porque	lhe	lembra	a	vitória	do
Cristo	sobre	a	morte	e	a	vinda	do	Espírito	Santo,	permitindo-lhe	portanto,
celebrar	o	memorial	semanal	dos	eventos	que	a	fizeram	existir”	(J.J.Von	Almen).
Santificar	o	domingo	é	um	ato	de	obediência	ao	Senhor.	É	obedecer	uma
ordenança	da	criação	e	o	princípio	moral	da	Lei,	estabelecido	no	quarto
mandamento.	Santificar	o	domingo	é	consagrar	a	Deus	as	primícias	do	nosso
tempo.	Logo,	todo	nosso	tempo	é	santificado.	Santificar	o	domingo	é	uma
expressão	de	amor	a	Deus	e	ao	próximo.	O	cumprimento	da	lei	é	o	amor.
Estudo	17
Texto	Básico:	Marcos	13.1-37
A	SEGUNDA	VINDA	DE	JESUS
INTRODUÇÃO
Escatologia	é	a	doutrina	das	últimas	coisas.	E	a	mesma	pode	ser	dividida	em:	(1)
Escatologia	individual:	morte	física,	imortalidade	da	alma	e	estado
intermediário.	(2)	Escatologia	Geral:	Segunda	Vinda	de	Jesus	Cristo,
ressurreição	dos	mortos	e	juízo	final.
Iniciaremos	o	estudo	das	últimas	coisas	com	a	Segunda	Vinda	de	Cristo.	Ela	é
doutrina	central	da	Escatologia	bíblica.	Todos	os	eventos	escatológicos	estão
atrelados	a	ela.	Na	sua	primeira	vinda,	Jesus	inaugurou	o	seu	reino,	mas	na	sua
segunda	vinda,	Ele	consumará	o	reino.	Será	um	tempo	de	restituição	e	de
restauração	(At	3.21;	Rm	8.21).	Todas	as	coisas	serão	reveladas	(1Co	4.5)	e
Cristo	será	glorificado	nos	seus	santos	(2Ts	1.10).	Ele	destruirá	a	morte	(1Co
15.25,26)	julgará	a	todos	(Ap	20.11-13)	e	reinará	sobre	todos	(Ap	11.15).
Marcos	13	resume	o	ensino	escatológico	de	Jesus	(Mt	24	–	paralelo).	Ele	foi
proferido	no	Monte	das	Oliveiras	em	resposta	aos	discípulos	que	lhe
perguntaram	quando	e	que	sinais	seriam	dados	antes	de	tudo	acontecer.	Ele	é
conhecido	como	o	“sermão	profético”.	W.	Hendriksen	sugere	o	seguinte	esboço:
(1)	Introdução	(Mc	13.1-4):	local	e	origem	do	sermão	e	a	predição	da	destruição
do	templo.	A	predição	se	cumpriu	literalmente	no	ano	70	d.C,	por	mãos	do
Império	Romano.	(2)	O	Princípio	das	Dores	(13.5-13).	(3)	A	Grande	Tribulação
(13.14-23).	(4)	A	Vinda	do	Filho	do	Homem	(13.24-27).	(5)	A	Lição	da	Figueira
(13.28-31).	(6)	A	necessidade	de	estar	sempre	pronto	para	o	dia	e	hora	da	vinda
de	Cristo.	Três	detalhes	importantes:	(a)	Jesus	não	falou	sobre	a	existência	de
milênio	antes	da	sua	segunda	vinda	e	nem	tampouco	da	existência	de
dispensações.	Ele	chama	de	“últimos	dias”	o	período	entre	a	sua	primeira	e	a	sua
segunda	vinda	(2Tm	3.1;	Hb	1.2).	(b)	Jesus	jamais	falou	que	a	sua	segunda	vinda
seria	em	duas	etapas:	arrebatamento	da	igreja	e	juízo	final.	(c)	Jesus	intercala	os
eventos	contidos	no	julgamento	de	Deus	sobre	Jerusalém,	com	os	eventos	que
acontecerão	no	mundo	antes	da	sua	segunda	volta.
1.	OS	SINAIS	QUE	APONTAM	PARA	A	SEGUNDA	VINDA
A	expressão	“sinais	dos	tempos”	(semeia	ton	kairon)	é	usada	para	descrever
certos	fatos	ou	acontecimentos	que	apontam	e	indicam	a	segunda	vinda	de	Jesus
Cristo.
O	sinal	missionário	ou	da	graça
A	graça	é	manifestada	na	oportunidade	de	salvação,	por	meio	da	fé	em	Jesus
Cristo,	oferecido	pela	pregação	do	evangelho.	Mas	é	necessário	que	primeiro	o
evangelho	seja	pregado	a	todas	as	nações	(v.10).	A	pregação	do	evangelho	ou	a
obra	missionária	necessita	ser	realizada	(é	necessário)	e	deve	ser	a	prioridade	da
igreja	(que	primeiro).
A	missão	da	igreja	é	pregar	o	evangelho	a	todas	as	nações.	“O	período	entre	a
primeira	e	segunda	vindas	de	Cristo	é	a	era	missionária	por	excelência.	Esse	é	o
tempo	da	graça,	um	tempo	em	que	Deus	convida	e	insta	com	todos	os	homens
para	serem	salvos”	(Anthony	Hoekema).
Os	sinais	de	oposição	a	Deus
Há	quatro	sinais	de	oposição	apontados	pelos	estudiosos:	falsa	religião,
tribulação,	apostasia	e	o	anticristo.	(1)	Engano	religioso	(vv.	5,6).	Surgirão	falsos
cristos,	falsos	profetas,	falsos	operadores	de	sinais	e	prodígios.	O	engano	será
algo	consciente	e	inconsciente.	Se	não	houver	uma	intervenção	de	Deus,	até	os
verdadeiros	crentes	serão	enganados.	Jesus,	porém,	garante-nos	que	eles
enganarão	a	muitos,	mas	não	os	eleitos	(vv.	21,22).	(2)	Perseguição	religiosa	(v.
9,12,13).	Por	causa	do	nome	de	Cristo,	os	cristãos	serão	odiados	e	sofrerão
perseguições.	As	perseguições	virão	de	governos	e	até	de	pessoas	da	própria
família.	A	igreja	perseguida	precisa	ter	três	coisas	em	mente:	(a)	Não	se	deixe
enganar	pela	falsidade	religiosa	(vv.	5,22).	(b)	Persevere	até	o	fim,	pois	é
necessário	que	tudo	isto	aconteça	(vv.	7,13).	(c)	Deus	está	no	controle	de	tudo,
cuidando	dos	seus	eleitos	e	abreviando	o	tempo	de	seu	sofrimento	(v.20).	Ele
está	com	a	igreja	perseguida	até	o	fim	(Mt	28.20).	(3)	Os	sinais	do	juízo	de	Deus
(13.7,8).	Jesus	aponta	três	sinais:	(a)	As	guerras	(vv.	7,8)	(b)	Os	terremotos	(vv.
8,24,25).	(c)	As	fomes	(v.8).	Estes	três	sinais	acontecem	simultaneamente	na
História,	aumentando	em	quantidade	e	intensidade	nos	dias	que	antecedem	o	dia
do	Senhor.	São	sinais	do	juízo	de	Deus	sobre	a	humanidade.	(4)	O	Sinal	do
anticristo	(Mc	13.14-23)	A	igreja	de	Jesus	sempre	viveu	sob	tribulação	(Jo
16.33;	2Co	4.17).	Logo,	a	tribulação	é	grande	no	sentido	extensivo.	Mas,	no
verso	19,	lemos:	Porque	aqueles	dias	serão	de	tamanha	tribulação	como	nunca
houve	desde	o	princípio	do	mundo,	que	Deus	criou,	até	agora	e	nunca	jamais
haverá.	Jesus	fala	de	“tamanha	tribulação”,	no	sentido	de	intensidade,	que
caracterizará	“aqueles	dias”,	isto	é,	um	período	que	antecede	a	volta	de	Jesus.
Esse	período	será	de	intensa	angústia	e	de	grande	apostasia.	É	nesse	período	que
aparecerá	a	figura	do	“homem	da	iniquidade”.	A	Igreja	não	será	removida	ou
arrebatada	da	terra	antes	que	essa	tribulação	comece,	pelo	contrário,	os	dias
serão	abreviados	por	causa	da	igreja	(Mt	24.22;	Mc	13.20).	A	segunda	vinda
significará	libertação	da	tribulação	para	o	seu	povo	(2Ts	1.6-8).	Jesus	jamais
ensinou	que	a	sua	segunda	vinda	será	em	duas	etapas,	como	ensinam	os	pré-
tribulacionistas.
Aplicações	Práticas:
A	Segunda	Vinda	de	Cristo	será	um	tempo	de	restituição	e	de	restauração.
A	obra	missionária	deve	ser	prioridade	na	igreja.	A	sua	igreja	local	tem	investido
em	missões?
Você	acha	que	a	Segunda	Vinda	de	Cristo	está	próxima?	Por	quê?
2.	A	FIGURA	DO	ANTICRISTO
A	figura	deste	último	anticristo	é	chamada	por	Jesus,	como	“o	abominável	da
desolação”	(Mc	13.4),	e	foi	profetizado	por	Daniel	(Dn	11.31;	12.11).	Esta
profecia	foi	historicamente	aplicada	a	duas	pessoas:	a	Antíoco	Epifânio	(168
a.C.)	quando	ele	profanou	o	templo	em	Jerusalém,	no	período	dos	Macabeus;	e
aos	romanos	quando	invadiram	Jerusalém	e	destruíram	o	templo,	em	70	d.C.
Por	causa	da	importância	desse	personagem,	incluímos	aqui	o	ensino	de	Paulo:
Ninguém,	de	nenhum	modo,	vos	engane,	porque	isto	não	acontecerá	sem	que
primeiro	venha	a	apostasia	e	seja	revelado	o	homem	da	iniquidade,	o	filho	da
perdição	(2Ts	2.3).	Ele	repete	Jesus:	Ninguém	vos	engane!	Lembre-se	que	a
vinda	do	Senhor	será	antecedida	pela	apostasia	e	pela	revelação	do	homem	da
iniquidade.	Provavelmente,ele	usa	a	mesma	ideia	de	Daniel	–	“o	homem	da
iniquidade”	ou	“o	filho	da	perdição”	(Dn	7.25;	8.25,26).	Antes	da	volta	de	Cristo
haverá	a	manifestação	ou	revelação	de	alguém	que	se	oporá	contra	Deus.	Trata-
se	de	uma	figura	universal.	Vejamos	mais	alguns	detalhes:
As	suas	atividades
O	qual	se	opõe	e	se	levanta	contra	tudo	que	se	chama	Deus	ou	é	objeto	de	culto,
a	ponto	de	assentar-se	no	santuário	de	Deus,	ostentando-se	como	se	fosse	o
próprio	Deus	(2Ts	2.4).	Há	duas	atividades	mencionadas:	(1)	Ele	é	adversário
de	Deus	ou	aquele	que	se	opõe	a	Deus,	à	Palavra	de	Deus,	ao	povo	de	Deus	e	à
obra	de	Deus	(1Co	16.9;	Fp	1.28).	(2)	Ele	exalta	a	si	mesmo	e	quer	receber	a
adoração	que	pertence	somente	a	Deus	(Is	14;	Mt	4.1-11).	Ele	coloca-se	no
lugar	de	Deus	e	arroga	para	si	autoridade	divina,	o	que	produzirá	grande
perseguição	à	igreja	(Mt	24.15,21,22,29).
A	sua	origem	e	existência
Não	vos	recordais	de	que,	ainda	convosco,	eu	costumava	dizer-vos	estas	coisas?
E,	agora,	sabeis	o	que	o	detém,	para	que	ele	seja	revelado	somente	em	ocasião
própria.	Com	efeito,	o	mistério	da	iniquidade	já	opera	e	aguarda	somente	que
seja	afastado	aquele	que	agora	o	detém	(2Ts	2.5-7).	Paulo	esclarece	aos	irmãos
que	o	espírito	da	iniquidade	já	opera	de	forma	invisível	e	contida.	Deus	é
soberano	e	detém	a	iniquidade,	que	um	dia	se	revelará	de	forma	plena	e	visível,
por	meio	de	um	homem.	Várias	interpretações	são	dadas	para	a	expressão	“o
que	o	detém”,	mas	duas	são	as	mais	aceitas:	(1)	A	lei	e	a	ordem	do	estado	de
direito	(Rm	13).	(2)	A	proclamação	do	evangelho	pelos	missionários	a	todas	as
nações	(Mc	13.10;	2Pe	3.9;	Ap	14.6,7).
A	sua	derrota
Então,	será,	de	fato,	revelado	o	iníquo,	a	quem	o	Senhor	Jesus	matará	com	o
sopro	de	sua	boca	e	o	destruirá	pela	manifestação	de	sua	vinda	(2Ts	2.8).	Para
mostrar	aos	seus	leitores	que	tudo	está	sob	o	controle	de	Deus	e	que	no	fim,	o
bem	vencerá,	Paulo	declara	que	o	homem	da	iniquidade	será	revelado	para	ser
destruído	de	uma	vez	por	todas.	O	Senhor	Jesus	o	matará	com	o	sopro	da	sua
boca,	no	dia	da	Sua	Segunda	Vinda.	Só	a	manifestação	de	Cristo	(epifania	–
1Tm	6.14;	Tt	2.13)	será	suficiente	para	derrotar	o	homem	da	iniquidade,	de
forma	total,	súbita	e	rápida.
As	suas	estratégias
Ora,	o	aparecimento	do	iníquo	é	segundo	a	eficácia	de	Satanás,	com	todo	poder,
e	sinais,	e	prodígios	da	mentira,	e	com	todo	engano	de	injustiça	aos	que
perecem,	porque	não	acolheram	o	amor	da	verdade	para	serem	salvos	(2Ts
2.9,10).	Três	lições	importantes:	(1)	O	homem	da	iniquidade	aparecerá
acompanhado	de	poder,	sinais	e	prodígios	mentirosos,	com	o	intuito	de	enganar
as	pessoas	(Mc	13.22;	Ap	13.13,14).	(2)	O	homem	da	iniquidade	realizará	os
seus	sinais	e	prodígios,	pelo	poder	de	Satanás.	Ele	agirá	segundo	a	eficácia	de
Satanás.	(3)	O	homem	da	iniquidade	enganará	aqueles	que	já	estarão
perecendo,	os	quais	não	acolheram	o	amor	e	a	verdade	para	serem	salvos.	O
poder	do	engano	é	para	aqueles	que	já	estão	perecendo	e	não	para	aqueles	que
já	são	salvos.
Os	seus	seguidores
É	por	este	motivo,	pois,	que	Deus	lhes	manda	a	operação	do	erro,	para	darem
crédito	à	mentira,	a	fim	de	serem	julgados	todos	quantos	não	deram	crédito	à
verdade;	antes,	pelo	contrário,	deleitaram-se	com	a	injustiça	(2Ts	2.11,12).	Os
seguidores	do	homem	da	iniquidade	rejeitaram	o	amor	de	Deus,	revelado	na
mensagem	do	Evangelho.	Quais	as	consequências?	(1)	Deus	lhes	enviará	uma
“energia	para	o	engano”	ou	uma	força	poderosa	para	que	eles	creiam	na	mentira
do	anticristo	(2Cr	18.22;	Jo	12.36-43;	Rm	1.24,26,28).	(2)	Haverá	o	juízo	final,
onde	todos	serão	julgados	e	condenados.	(3)	A	sentença	de	condenação	será	a
rejeição	da	verdade	de	Deus,	pela	opção	do	prazer	com	a	injustiça	(Jo	3.17).
Aplicações	Práticas:
Fique	atento!	Não	se	deixe	enganar	pelos	opositores	de	Deus	que	aparecerão	nos
dias	que	antecedem	à	Segunda	Vinda	de	Cristo.
Cuidado!	Os	seguidores	do	homem	da	iniquidade	rejeitam	o	amor	de	Deus!
3.	A	VINDA	DO	FILHO	DO	HOMEM
Quando	a	tribulação	chegar	ao	seu	auge,	o	Senhor	virá.	O	próprio	Jesus	é	quem	a
descreve.
Ela	será	precedida	de	distúrbios	naturais	ou	cataclismos	no	universo
Mas,	naqueles	dias,	após	a	referida	tribulação,	o	sol	escurecerá,	a	lua	não	dará
a	sua	claridade,	as	estrelas	cairão	do	firmamento,	e	os	poderes	dos	céus	serão
abalados	(vv.24,25).	Esses	fenômenos	naturais	estão	ligados	ao	Dia	do	Senhor
(Is	13.9,10;	Jl	2.10,31;	3.15;
At	2.17-21).	Jesus	diz	que	esses	cataclismos	acontecerão	na	sua	segunda	vinda
(Mt	24.29,30;	Lc	21.25-27).
Ela	será	pessoal,	visível,	poderosa	e	gloriosa
Então,	verão	o	Filho	do	Homem	vir	nas	nuvens,	com	grande	poder	e	glória
(v.26).	A	primeira	vinda	de	Jesus	foi	em	humilhação	(Is	53.1-3;	Fp	2.7,8),	mas	a
sua	segunda	vinda	será	pessoal	(At	1.11;	Fp	3.20),	visível	a	todos	os	homens	(Ap
1.7;	Mt	24.29,30)	e	com	grande	poder	e	glória	(1Ts	4.16;	Cl	3.4).
Ela	será	única	e	definitiva
E	ele	enviará	os	anjos	e	reunirá	os	seus	escolhidos	dos	quatro	ventos,	da
extremidade	da	terra	até	à	extremidade	do	céu	(v.	27).	Jesus	exercerá	o	juízo	e
levará	definitivamente	os	seus	eleitos	para	o	céu.	Não	há	milênio,	não	há	vinda
em	duas	etapas,	não	há	arrebatamento	secreto	da	igreja,	não	há	duas
ressurreições	para	justos	e	injustos.	Todos	ressuscitarão	e	serão	julgados	de
uma	vez	só	e	definitivamente	na	segunda	vinda	de	Cristo	(Jo	5.28,29;
1	Ts	4.13-18;	Mt	25.31-46;	Ap	20.11-15).
Mas,	Jesus	alerta-nos:	o	que	devemos	fazer	enquanto	Ele	não	vem?	(1)	Devemos
observar	os	acontecimentos	históricos	à	luz	da	Palavra	de	Deus	(vv.28,29).	(2)
Devemos	entender	que	tudo	no	universo	é	instável,	mas	a	Palavra	de	Deus
permanecerá	(vv.30-32).	(3)	Devemos	ficar	de	sobreaviso,	atentos	e	espertos,
porque	o	dia	da	Sua	volta	já	está	definido	no	calendário	de	Deus,	mas	ninguém
sabe	(vv.32,33).	(4)	Devemos	continuar	servindo	ao	Senhor	e	trabalhando	na	sua
obra,	até	a	sua	volta	(v.34).	(5)	Devemos	vigiar	porque	Ele	virá	inesperadamente
(vv.35-37).
Aplicações	Práticas:
Devemos	estar	sempre	preparados	para	a	Segunda	Vinda	de	Cristo.	A	data	já	está
definida	no	calendário	de	Deus.
Devemos	servir	ao	Senhor	com	alegria	e	vigiar	sempre,	porque	Cristo	virá	de
maneira	inesperada.
Se	Cristo	viesse	hoje,	você	estaria	preparado?
CONCLUSÃO
A	Segunda	Vinda	de	Cristo	é	a	grande	e	última	promessa	da	Bíblia	a	ser
cumprida.
Ela	é	ensinada	no	Novo	Testamento	por	Jesus	(Mt	24.30),	pelos	anjos	(At.1.11)	e
pelos	apóstolos	(At	3.20;	Fp	3.19,20;	1Ts	4.15,16;	Tt	2.13).	O	tempo	da	segunda
vinda	está	definido	por	Deus	e	somente	Ele	sabe	a	data.	Ela	está	sempre	próxima
e	devemos	estar	sempre	preparados.
Estudo	18
Texto	Básico:	1	Tessalonicenses	4.13-18
A	RESSURREIÇÃO	DO	CORPO	E	O	JUÍZO	FINAL
INTRODUÇÃO
A	Escatologia	individual	trata	da	morte	física,	da	imortalidade	da	alma	e	do
estado	intermediário.	Essas	doutrinas	estão	relacionadas	diretamente	ao	ensino
da	ressurreição	do	corpo.	Quatro	conceitos	básicos	da	Bíblia:	(1)	Morte	é	o	fim
da	vida	física	quando	a	alma	se	separa	do	corpo	(Gn	2.7;	Ec	12.7).	Ela	foi
introduzida	no	mundo	e	na	humanidade	através	do	pecado	(Gn	2.17;	Rm
5.12,17).	(2)	A	morte	física	não	põe	fim	à	existência	da	alma.	Justos	e	ímpios
continuam	existindo	após	a	morte	(Dn	12.2;	Mt	10.28;	11.21-24;	Jo	14.3;	2Co
5.1,10).	Deus	é	o	único	que	possui	a	imortalidade	(1Tm	6.15)	e	Jesus	é	quem	a
revela	de	forma	plena	(2Tm	1.10).	(3)	O	estado	das	pessoas	entre	a	morte	e	a
ressurreição	já	é	de	pleno	gozo	na	presença	de	Deus	ou	de	sofrimento	longe	dEle
(Lc	23.43;	2Co	5.8;	Fp	1.23;	Ap	14.13).	Trata-se	de	um	estado	vivo	e
plenamente	consciente	(Lc	16.19-31;	1Ts	5.10).	(4)	A	ressurreição	dos	mortos
acontecerá	conjuntamente	(ímpios	e	justos),	no	último	dia,	por	ocasião	da
Segunda	Vinda	de	Cristo	(Jo	5.28,29;	At	24.14,15;	Ap	20.11-15).
A	lição	de	hoje	trata	sobre	a	ressurreição	do	corpo	e	do	juízo	final.
1.	A	DOUTRINA	DA	RESSURREIÇÃO	DOS	MORTOS.
Paulo	inicia	a	sua	instrução	doutrinária	dizendo:	Não	queremos,	porém,	irmãos,
que	sejais	ignorantes	com	respeito	aos	que	dormem,	para	não	vos	entristecerdes
como	os	demais,	que	não	têm	esperança	(v.13).Três	lições	neste	verso:	(1)	A
realidade	da	ignorância:	Não	queremos,	porém,	irmãos,	que	sejais	ignorantes.
Paulo	usava	esta	expressão	com	frequência	(Rm	1.13;	1Co	10.1;	12.1).	A
ignorância	precisa	ser	combatida	com	a	instrução	da	Palavra	de	Deus,	ministrada
por	pastores	idôneos.	Grande	parte	das	angústias,	preocupações	e	medos	dos
cristãos,	é	resultado	da	ignorância	bíblica.	E	é	no	contexto	da	ignorância	que
proliferam	o	falso	ensino	e	a	superstição	religiosa.	(2)	O	conteúdo	da	ignorância:
com	respeito	aos	que	dormem.	Os	novos	crentes,	influenciados	pelo	pessimismo
do	mundo	grego	e	romano	(paganismo),	não	sabiam	se	os	crentes	que	haviam
morrido	seriam	salvos.	A	Escatologia	Bíblica	tem	sido	ensinada	de	forma
deturpada	durante	séculos.	O	dispensacionalismo	pré-milenista	e	o
arrebatamento	secreto	da	igreja	são	duas	doutrinas	que	não	têm	base	bíblica,	mas
são	ensinadas	e	cridas	por	muitos	irmãos.	(3)	As	consequências	da	ignorância:
para	não	vos	entristecerdes	como	os	demais,	que	não	têm	esperança.	Os	novos
cristãos	estavam	tristes	e	sem	esperança.	Eles	estavam	desconsolados	acerca	dos
crentes	mortos.	Há	muitos	crentes	hoje	que	por	causa	dos	falsos	ensinos	têm
medo	da	escatologia	bíblica.	Não	querem	estudar	o	assunto	e	vivem	sem
esperança	e	o	consolo	que	somente	o	ensino	bíblico
pode	dar.
Paulo,	então	inicia	a	sua	instrução	dizendo	claramente:
Deus	ressuscitará	os	crentes	que	já	morreram
Pois,	se	cremos	que	Jesus	morreu	e	ressuscitou,	assim	também	Deus,	mediante
Jesus,	trará,	em	sua	companhia,	os	que	dormem.	Quatro	ensinamentos	neste
verso:	(1)	A	ressurreição	é	matéria	de	fé:	se	cremos	na	ressurreição	de	Cristo
também	devemos	crer	na	ressurreição	dos	crentes.	Uma	vez	que	Jesus	Cristo,	o
nosso	Salvador,	conquistou	a	morte,	não	precisamos	temer	nem	a	morte	e	nem	o
futuro.	(2)	O	autor	da	ressurreição:	Deus,	por	meio	de	Jesus.	Somente	quem	é
eterno	pode	produzir	a	vida	eterna.	Somente	Deus	é	o	Senhor	da	vida	e	da
morte.	Jesus	é	Deus,	e	quem	crê	nEle,	ainda	que	esteja	morto,	viverá.	(3)	O
tempo	da	ressurreição:	será	na	segunda	vinda.	Ele	trará	os	que	estão	mortos	em
sua	companhia.	São	pessoas	que	estão	com	Jesus	e	virão	com	Ele.	Quem	estiver
morto,	ressuscitará	(Jo	5.28).	(4)	O	objeto	da	ressurreição:	os	que	dormem.	A
palavra	dormir	vem	do	Antigo	Testamento	e	refere-se	a	morrer	(Gn	27.30;	2Sm
7.12).	Ela	é	usada	no	Novo	Testamento
(Mt	27.52;	Jo	11.11-13;	1Co	15.6,18)	para	descrever	a	morte	dos	crentes.	A
palavra	não	indica	um	repouso	inconsciente	(Lc	16.19-31;	23.43;	2Co	5.8),	mas
o	descanso	ou	repouso	das	lutas	(Ap	14.13).
Os	vivos	serão	transformados
Paulo	continua	a	sua	instrução.	O	foco	de	Paulo	aqui	são	os	crentes	de
Tessalônica.	Ele	não	está	falando	que	haverá	duas	ressurreições	(crentes	e
descrentes)	em	dois	momentos	diferentes	(primeiro	a	dos	crentes	e	depois	a	dos
injustos).	Na	segunda	vinda,	Jesus	tratará	a	todos	com	imparcialidade.	Ora,	ainda
vos	declaramos,	por	palavra	do	Senhor,	isto:	nós,	os	vivos,	os	que	ficarmos	até	à
vinda	do	Senhor,	de	modo	algum	precederemos	os	que	dormem	(v.15).	Algumas
lições:	(1)	Dois	grupos	de	crentes	na	volta	do	Senhor:	os	que	estão	vivos	e	os
que	já	morreram.	(2)	Duas	situações:	os	que	já	morreram	ressuscitarão	primeiro
e	os	que	estiverem	vivos	terão	os	seus	corpos	transformados.	(3)	Uma	certeza:	os
crentes	que	estiverem	vivos	jamais	precederão	os	que	já	morreram.
Todos	os	crentes	estarão	para	sempre	com	o	Senhor
Outros	detalhes	são	colocados	por	Paulo:	Porquanto	o	Senhor	mesmo,	dada	a	sua
palavra	de	ordem,	ouvida	a	voz	do	arcanjo,	e	ressoada	a	trombeta	de	Deus,
descerá	dos	céus,	e	os	mortos	em	Cristo	ressuscitarão	primeiro;	depois,	nós,	os
vivos,	os	que	ficarmos,	seremos	arrebatados	juntamente	com	eles,	entre	nuvens,
para	o	encontro	do	Senhor	nos	ares,	e,	assim,	estaremos	para	sempre	com	o
Senhor.	Ele	descreve	os	fatos	didaticamente:	(1)	Jesus	virá	de	forma	majestosa:
Ele	mesmo	dará	a	sua	palavra	de	ordem.	Trata-se	de	uma	ordem	gritada	para	que
os	mortos	ressuscitem	(Jo	5.25).	(2)	Com	a	voz	do	arcanjo	e	o	sonido	da
trombeta,	os	crentes	sobreviventes	serão	transformados	num	piscar	de	olhos
(1Co	15.52).	(3)	Jesus	descerá	do	céu,	de	forma	visível	(Ap	1.7),	audível	(1Ts
4.16,17),	majestosa	(2Ts	1.7)	e	na	condição	de	juiz	(Mt	25.31-46).	(4)	Os	que
morreram	em	Cristo,	ou	crentes,	ressuscitarão	primeiro.	A	ideia	é	que	os	que	já
morreram	não	terão	desvantagem	em	relação	aos	crentes	vivos.	(5)	Crentes
ressuscitados	e	vivos	transformados	se	encontrarão	com	o	Senhor	nos	ares	e
estarão	com	o	Senhor	para	sempre	(Jo	14.1-3).	Todos	os	crentes	se	encontrarão
com	o	Senhor	e	estarão	com	Ele	para	sempre.	Paulo	conclui	a	instrução	dizendo:
Consolai-vos,	pois,	uns	aos	outros	com	estas	palavras	(v.18).	A	ordem	é	de
encorajamento,	consolo	e	ânimo	por	meio	da	Palavra	do	Senhor.	Cada	irmão
deve	animar	um	ao	outro.
Aplicações	Práticas:
O	que	é	pior:	ignorar	ou	conhecer	erradamente	o	ensino	bíblico	da	ressurreição?
Se	Jesus	Cristo	viesse	hoje,	como	ficaria	a	situação	daqueles	que	estão	vivos?
Somente	a	Palavra	de	Deus	conforta	o	coração	enlutado.
2.	O	JUÍZO	DE	DEUS
Os	defensores	da	dupla	ressurreição,	crentes	separados	dos	descrentes,	baseiam-
se	neste	trecho	acima	(1Ts	4.13-18).	A	tese	deles	é	que	Paulo	não	fala	sobre	a
ressurreição	dos	ímpios	porque	ela	acontecerá	em	outro	momento.
Mas,	o	texto	não	ensina	isso.	Paulo	está	escrevendo	para	crentes	a	fim	de
explicar	a	situação	dos	crentes	que	morreram	em	Cristo.	Ele	não	cita	a
ressurreição	dos	ímpios,	porque	não	se	dirige	a	ímpios.
Paulo	continua	o	seu	ensino	na	segunda	carta	aos	Tessalonicenses	1.5-10,	onde	o
tema	é	ampliado.	Paulo	fala	sobre	o	reto	ou	o	justo	juízo	de	Deus.	Ele	faz
algumas	afirmações	importantes	e	complementares:
O	justo	juízo	de	Deus	recompensa	com	paciência	os	cristãos	atribulados
Sinal	evidente	do	reto	juízo	de	Deus,	para	que	sejais	considerados	dignos	do
reino	de	Deus,	pelo	qual,	com	efeito,	estais	sofrendo	(2Ts	1.5).	A	paciência	do
cristão	em	tribulação	é	uma	evidência,	um	sinal	positivo	do	reto	juízo	de	Deus.
Mas,	como	pode	ser	isto?	Deus	retribui	com	perseverança	ao	crente	perseguido,
pois	a	perseverança	na	perseguição	levará	o	crente	ao	céu.	Não	se	trata	de
perseverar	para	ser	salvo,	mas,	a	perseverança	como	algo	que	dignifica	o	crente
a	entrar	no	céu.
O	justo	juízo	de	Deus	retribui	com	tribulação	aqueles	que	perseguem	a
igreja
Se,	de	fato,	é	justo	para	com	Deus	que	ele	dê	em	paga	tribulação	aos	que	vos
atribulam	(2Ts	1.6).	Aqueles	que	perseguem	a	igreja	recebem	como	pagamento
tribulação.	Deus	proíbe	o	cristão	de	promover	a	vingança	(Rm	12.17-20).	A
ênfase	de	Paulo	aqui,	é	que	Deus	dará	a	paga	ou	retribuirá	os	perseguidores	da
igreja.
O	justo	juízo	de	Deus	remunerará	com	vida	eterna	os	cristãos	e	com	eterna
destruição	aqueles	que	não	conhecem	a	Deus
Paulo	diz:	E	a	vós	outros,	que	sois	atribulados,	alívio	juntamente	conosco,
quando	do	céu	se	manifestar	o	Senhor	Jesus	com	os	anjos	do	seu	poder,	em
chama	de	fogo,	tomando	vingança	contra	os	que	não	conhecem	a	Deus	e	contra
os	que	não	obedecem	ao	evangelho	de	nosso	Senhor	Jesus.	Estes	sofrerão
penalidade	de	eterna	destruição,	banidos	da	face	do	Senhor	e	da	glória	do	seu
poder,	quando	vier	para	ser	glorificado	nos	seus	santos	e	ser	admirado	em	todos
os	que	creram,	naquele	dia	(porquanto	foi	crido	entre	vós	o	nosso	testemunho)
(2Ts	1.7-10).	Alguns	detalhes	importantes	e	consoladores:	(1)	Quem	julgará?	O
juízo	final	será	realizado	pela	Trindade.	Algumas	passagens	bíblicas	atribuem	o
juízo	a	Deus	(Rm	14.10;	2Tm	4.8;	1Pe	1.17).	Mas,	a	Bíblia	atribui	a	Cristo,
particularmente,	a	tarefa	de	julgar	(Mt	25.31,32;	Jo	5.27;	At	10.42;	Fp	2.10).
Uma	concessão	que	lhe	foi	atribuída	pelo	Pai,	pelo	fato	dele	ser	o	Mediador	(Jo
5.22).	Paulo	chama	o	juízo	final	de	o	tribunal	de	Cristo	(2Co	5.10).	Os	anjos
serão	os	seus	assistentes	(Mt	13.41-43),	bem	como	os	santos	(1Co	6.2,3;	Mt
19.28;	Lc	22.30).	(2)	Quando	será	o	juízo	final?	Na	segunda	vinda	de	Cristo	ou
na	revelação	do	Senhor	do	céu.	Paulo	usa	a	expressão	“naquele	dia”.	Trata-se	de
um	dia	específico,	desconhecidopelos	homens,	mas	determinado	por	Deus	(Mt
24.36;	2Tm	4.8).	A	natureza	deste	dia	é	de	juízo	divino.	É	o	dia	do	juízo	final.
Ele	voltará	para	julgar	a	terra.	Jesus	se	manifestará	ou	se	revelará,	como	algo	que
estava	escondido	atrás	de	um	véu.	A	palavra	usada	por	Paulo	é	apocalipse,	que
significa	revelar	ou	remover	o	véu	(Lc	17.30;	1Pe	1.7,13).	Será	uma
manifestação	gloriosa.	Três	características	da	manifestação	de	Jesus:	(a)	do	céu,
isto	é,	pública	para	que	todo	olho	possa	vê-lo	e,	também	para	indicar	a	origem
ou	o	lugar	de	onde	Ele	virá	(b)	com	os	anjos	do	seu	poder	para	indicar	a	sua
autoridade	suprema	no	céu	e	na	terra.	Outra	ideia	é	que	os	anjos	virão	com	Ele
para	execução	do	juízo	(Mt	13.41,42;	25.31).	(c)	em	chama	de	fogo	indica	que	o
juízo	do	Senhor	será	a	manifestação	da	sua	santidade	(Is	66.15,16;	2Pe
3.7,11,12).	(3)	Quais	as	partes	que	serão	julgadas	e	as	penas	aplicadas?	São	dois
tipos	de	recompensa	para	dois	tipos	de	pessoas.	(a)	Alívio	ou	descanso	de	toda
forma	de	sofrimento	para	aqueles	que	são	afligidos	e	perseguidos	por	amor	a
Jesus	Cristo	(Jo	16.33).	Em	outras	palavras,	vida	eterna	para	todos	os	que	creram
em	Jesus.	Estes	são	chamados	de	santos	e	Jesus	será	glorificado	neles:	quando
vier	para	ser	glorificado	nos	seus	santos	e	ser	admirado	em	todos	os	que	creram,
naquele	dia.	(Sl	89.15-17;	Is	49.13;	Jo	12.28).	(b)	Vingança	divina	contra	os	que
não	conhecem	a	Deus	e	não	obedecem	ao	evangelho	de	Jesus	(Rm	10.16).	(4)
Quais	a	características	desta	vingança?	Paulo	diz:	Estes	sofrerão	penalidade	de
eterna	destruição,	banidos	da	face	do	Senhor	e	da	glória	do	seu	poder.	Não	se
trata	de	aniquilação	ou	cessação	de	existência,	mas	de	destruição	eterna.	É	uma
existência	eterna	e	consciente,	longe	da	presença	do	Senhor.	É	uma	exclusão	da
presença	do	Senhor	(Mt	7.23;	8.12;	25.30,41).	É	viver	separado	da	presença	e	da
bênção	do	Senhor	(Is	2.10,19,21).	A	Bíblia	inclui	também	os	anjos	e	o	Diabo
(1Co	6.2,3;	2Pe	2.4;	Jd	6;	Ap	20.10-15).
Aplicações	Práticas:
A	doutrina	do	juízo	final	garante	que	haverá	justiça	divina	no	final	do	mundo.
A	doutrina	do	juízo	final	garante	que	a	vingança	pertence	a	Deus,	motivando-nos
ao	exercício	do	perdão.
A	doutrina	do	juízo	final	motiva-nos	a	pregar	o	evangelho	a	toda	criatura.
CONCLUSÃO
Jesus	resumiu	o	ensino	sobre	a	morte	e	o	juízo	final	numa	parábola	(Lc	16.19-
31).	Quatro	grandes	lições	que	não	devem	ser	esquecidas:	(1)	A	morte	é
inevitável:	morre	o	rico	e	o	pobre.	Não	há	distinção	de	cor,	raça,	idade,	grau	de
instrução	ou	de	poder	aquisitivo.	A	morte	é	certa	para	todos.	(2)	A	alma
sobrevive	à	morte:	a	alma	humana	sobrevive	à	morte	física.	Este	é	o	ensino	da
Bíblia,	principalmente	o	ensino	de	Jesus.	(3)	Há	somente	dois	destinos	eternos:
céu	e	inferno.	(4)	Há	coisas	impossíveis	após	a	morte:	é	impossível	mudar	o
estado	eterno	de	quem	já	morreu;	é	impossível	para	alguém	que	já	morreu
conversar	com	alguém	que	vive;	e	é	impossível	Deus	mudar	o	método	que	Ele
próprio	escolheu,	para	produzir	arrependimento	naqueles	que	estão	vivos:	a
pregação	da	Palavra.
Este	livro	foi	composto	pela	Z3	Ideias,
no	outono	de	2019.
	Cover Page
	Rede de Discipulado 2
	A Bíblia Sagrada
	A Pessoa de Deus
	A Criação de Todas as Coisas
	Os Decretos e a Providência de Deus
	O Pecado Original e suas Consequências
	A Aliança da Graç
	A Pessoa de Jesus
	Os Ofícios de Cristo
	A Pessoa e a Obra do Espírito Santo
	Eleitos para a Salvação
	A Aplicação da Salvação
	A Igreja de Deus
	O Batismo Cristão
	A Ceia do Senhor
	Disciplina na Igreja
	Domingo: O Dia do Senhor
	A Segunda Vinda de Jesus
	A Ressurreição do Corpo e o Juízo Final

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