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INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL AULA 1 Prof. Juliano de Mello Pedroso 2 CONVERSA INICIAL A compreensão profunda dos sistemas de medição é fundamental para diversas áreas, abrangendo desde a engenharia até as ciências aplicadas. Este estudo oferece uma introdução abrangente a tópicos essenciais nesse domínio, começando pela “Introdução a sistemas de medição”. Nessa etapa, exploraremos os conceitos fundamentais por trás dos sistemas de medição, fornecendo a base necessária para abordar temas mais avançados. Avançaremos para “Medição em malha aberta e fechada”, em que analisaremos as diferentes abordagens de medição e os impactos de operar em malha aberta ou fechada. Investigaremos os “Modos de operação de instrumentos”, compreendendo como os instrumentos desempenham papéis específicos em diversas situações e contextos. Aprofundaremos a discussão na “Análise funcional de instrumentos”, destacando como os instrumentos convertem grandezas físicas em sinais mensuráveis. Por fim, abordaremos as “Técnicas de correção de erro”, cruciais para garantir resultados precisos e confiáveis em qualquer sistema de medição. Esta jornada proporcionará uma compreensão sólida dos conceitos essenciais de instrumentação e medição, preparando-o para empregar esses conhecimentos em diversas aplicações práticas. TEMA 1 – INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS DE MEDIÇÃO A instrumentação industrial desempenha um papel crucial nos processos produtivos, proporcionando monitoramento, controle e otimização de variáveis em ambientes industriais diversos. Esta disciplina engloba uma ampla gama de dispositivos e sistemas destinados a medir e regular parâmetros como temperatura, pressão, nível, vazão e outras grandezas fundamentais. No cerne da instrumentação industrial estão os sensores, atuadores e controladores, que trabalham de forma integrada para garantir a eficiência operacional e a segurança dos processos. Com o avanço da tecnologia, a instrumentação industrial tem passado por uma evolução significativa, incorporando inovações que proporcionam maior precisão, confiabilidade e automação. Um dos marcos nessa evolução é a adoção crescente de instrumentos digitais. Sensores inteligentes, transmissores digitais e sistemas de controle 3 baseados em microprocessadores são elementos-chave nessa transformação. A digitalização não apenas aprimora a precisão das medições, mas também possibilita a comunicação em tempo real, facilitando a integração de sistemas e a tomada de decisões mais informadas. A conectividade é outro aspecto fundamental da moderna instrumentação industrial. A implementação de protocolos de comunicação como Profibus, Modbus e Foundation Fieldbus permite a troca de dados entre instrumentos e sistemas de controle, proporcionando uma visão abrangente e instantânea do status operacional. A ascensão da internet das coisas industrial (IIoT) amplifica ainda mais essa conectividade, permitindo a coleta de dados em larga escala para análises avançadas e manutenção preditiva. Além disso, a instrumentação industrial desempenha um papel crucial na busca por eficiência energética e sustentabilidade. Sensores de consumo energético, por exemplo, auxiliam na identificação de oportunidades para otimizar o uso de recursos, reduzir desperdícios e minimizar impactos ambientais. A segurança operacional também é beneficiada pela instrumentação avançada. Sensores de monitoramento contínuo permitem a detecção precoce de anomalias, contribuindo para a prevenção de falhas e a mitigação de riscos, o que é essencial em ambientes industriais complexos. Em síntese, a instrumentação industrial, impulsionada por inovações tecnológicas, está na vanguarda da eficiência e segurança nos processos industriais modernos. A contínua evolução nesse campo promete não apenas aprimorar a automação e o controle, mas também contribuir para a sustentabilidade e a competitividade da indústria global. Os sistemas de medição desempenham um papel crucial em diversas áreas da ciência, engenharia, indústria e tecnologia, sendo fundamentais para a obtenção de dados precisos e confiáveis. A medição é o processo de atribuição de números ou valores a propriedades físicas de objetos, fenômenos ou substâncias, permitindo a quantificação e a compreensão mais precisa do mundo ao nosso redor. Um sistema de medição consiste em um conjunto organizado de dispositivos, procedimentos e padrões que visam realizar medições de maneira consistente e acurada. A precisão e a confiabilidade de um sistema de medição são essenciais para garantir que os dados obtidos sejam representativos da 4 realidade, proporcionando uma base sólida para análises, decisões e melhorias. Na Figura 1, por exemplo, temos um medidor de pressão numa instalação de gás natural. Figura 1 – Medidor de pressão Crédito: Xmentoys/Shutterstock. Dentro de um sistema de medição, diversos elementos desempenham papéis específicos. Os instrumentos de medição são dispositivos projetados para quantificar uma grande variedade de grandezas físicas, desde comprimentos e temperaturas até pressões e correntes elétricas. Esses instrumentos podem variar em complexidade, indo desde simples réguas e termômetros até avançados sensores eletrônicos. Além dos instrumentos, os sistemas de medição incluem padrões de referência, que são valores conhecidos e aceitos para as grandezas a serem medidas. Esses padrões são fundamentais para calibrar e validar os instrumentos, assegurando que suas leituras sejam precisas e consistentes ao longo do tempo. A rastreabilidade, ou seja, a capacidade de relacionar uma medição a padrões de referência internacionalmente reconhecidos, é um conceito crítico nesse contexto. 5 Os procedimentos operacionais também desempenham um papel crucial em sistemas de medição. Eles definem as práticas e os métodos a serem seguidos quando são realizadas medições, contribuindo para a uniformidade e a reprodutibilidade dos resultados. A validação regular dos procedimentos garante que o sistema de medição esteja sempre alinhado com as melhores práticas e padrões da área. À medida que a tecnologia avança, surgem novos desafios e oportunidades na área de sistemas de medição. A automação, a instrumentação digital e a integração de dados tornam os sistemas de medição mais eficientes e precisos, contribuindo para o avanço contínuo em diversas disciplinas. TEMA 2 – MEDIÇÃO EM MALHA ABERTA E FECHADA Um sistema de medição compreende um conjunto de elementos como sensores, circuitos, cabos, visores, equações e programas de computador, cujo propósito é oferecer informações acerca do valor de uma grandeza física específica conhecida como mesurando. Antes de avançarmos, é relevante considerar alguns pontos para abordar o tema. Um transdutor, por definição, é um dispositivo capaz de converter uma forma de energia em outra. Tomemos como exemplo um cristal de quartzo, que converte deformação em tensão elétrica e vice-versa. Dessa forma, um dispositivo construído com quartzo, utilizado para medir a frequência de vibração de um elemento, é considerado um transdutor. Sensores, por sua vez, integram a categoria de transdutores, pois têm a capacidade de “sentir” variáveis físicas como movimento, temperatura e pressão, transformando-as em sinais elétricos. Logo, o dispositivo de quartzo mencionado anteriormente é também um sensor. Contrariamente, os atuadores, que convertem sinais elétricos em outras grandezas físicas, são transdutores, mas não podem ser classificados como sensores. Um dispositivo de quartzo utilizado como microatuador, operando por meio de sua deformação em resposta a um comando elétrico, é um exemplo de transdutor. Finalmente, designaremos como instrumento um sistema que, além do sensor, incorpora algum nível de processamento na saída dosensor. Em sistemas de controle, a medição desempenha um papel crucial na obtenção de informações sobre o comportamento do sistema e na tomada de 6 decisões para que sejam alcançados os objetivos desejados. As abordagens comumente empregadas são a medição em malha aberta e em malha fechada. Na medição em malha aberta, o sistema não utiliza a informação da saída para ajustar ou corrigir o processo. Em vez disso, a entrada é determinada sem considerar o estado atual do sistema. Na Figura 2 temos um exemplo de medição em malha aberta. Veja que esse é um sistema de certa forma simples. Figura 2 – Medição em malha aberta O sistema não faz ajustes automáticos com base na resposta do sistema. É suscetível a perturbações externas, pois não há correção contínua. Sistemas simples ou processos em que as perturbações são conhecidas e podem ser compensadas diretamente. Na medição em malha fechada, o sistema usa a informação da saída para ajustar a entrada, buscando manter o sistema em conformidade com as especificações desejadas. Na Figura 3 temos um sistema de medição em malha fechada. Note que esse é um sistema mais complexo. Figura 3 – Medição em malha fechada 7 Correções automáticas são aplicadas com base na comparação entre a saída desejada e a saída real. É menos suscetível a perturbações externas devido à retroalimentação contínua. Sistemas complexos ou processos em que é essencial manter as variáveis de saída próximas aos valores desejados. A seguir temos alguns parâmetros para a escolha de cada um dos sistemas de medição. • Malha aberta − Simplicidade de implementação. − Adequada quando as perturbações podem ser previstas e compensadas de antemão. − Menor precisão em ambientes dinâmicos e sujeitos a mudanças imprevistas. • Malha fechada − Melhor capacidade de resposta a perturbações e variações no sistema. − Maior complexidade de implementação, mas oferece maior precisão. − Preferível em sistemas dinâmicos e sujeitos a mudanças significativas. A escolha entre medição em malha aberta e malha fechada depende das características específicas do sistema e dos requisitos de desempenho. Enquanto a malha aberta oferece simplicidade e eficácia em situações controladas, a malha fechada é preferida em sistemas complexos, nos quais a capacidade de adaptação contínua é vital para atender a requisitos dinâmicos e garantir estabilidade ao longo do tempo. Em muitos casos, a integração de ambas as abordagens, conhecida como controle em malha fechada com compensação em malha aberta, é empregada para que sejam obtidos benefícios combinados de eficiência e precisão. TEMA 3 – MODOS DE OPERAÇÃO DE INSTRUMENTOS Examinaremos um dispositivo arbitrário na qualidade de um sistema que tem tanto entradas quanto saídas. Em linhas gerais, quase todo procedimento físico pode ser entendido como um sistema caracterizado por entradas e saídas. Adotando essa abordagem, um dispositivo pode ser retratado conforme evidenciado na Figura 4, em que a variável a ser mensurada é designada como entrada e a indicação fornecida pelo dispositivo é considerada como saída. Nos 8 textos de metrologia, é habitual fazer menção à entrada como sendo o mesurando. Figura 4 – Representação ideal de entrada e saída de um instrumento Os modos de operação dos instrumentos na área de instrumentação industrial desempenham um papel crucial na execução e no controle eficientes dos processos industriais. Esses modos, muitas vezes, refletem as diversas funções e capacidades dos instrumentos utilizados para medir, monitorar e controlar variáveis essenciais nos ambientes industriais. Aqui exploraremos alguns dos modos de operação mais comuns. 3.1 Modo de medição Este é o modo fundamental em que os instrumentos realizam a medição direta de uma grandeza específica, como temperatura, pressão, vazão ou nível. Neste modo, os sensores captam os dados do ambiente e geram saídas proporcionais à grandeza medida. A medição é uma prática essencial em diversas áreas, desempenhando um papel crucial na obtenção de informações precisas e confiáveis. No contexto dos instrumentos de medição, o modo como essa medição é realizada é de suma importância para garantir resultados precisos e relevantes. Um instrumento de medição opera por meio de um modo específico, que se refere à abordagem e à técnica utilizadas para quantificar uma grandeza física desejada. Em primeiro lugar, é crucial compreender que cada instrumento tem um método único de medição, adaptado às características da grandeza a ser mensurada. Os modos de medição variam amplamente, dependendo do tipo de instrumento. Por exemplo, em instrumentos elétricos, o modo de medição pode envolver a aplicação de corrente elétrica ou tensão a uma amostra para determinar propriedades elétricas específicas. Em instrumentos ópticos, como 9 microscópios ou espectrofotômetros, o modo de medição pode ser baseado na análise da luz transmitida, refletida ou absorvida pela amostra. Figura 5 – Medição de pressão (medição normal) Crédito: Sergey Ryzhov/Shutterstock. 3.2 Modo de controle Instrumentos em modo de controle são projetados para influenciar ativamente um processo. Eles recebem informações de sensores, comparam- nas com valores desejados (set points) e, em seguida, ajustam atuadores para manter o processo dentro de parâmetros predeterminados. 3.3 Modo de alarme Este modo é dedicado à detecção precoce de condições anormais. Os instrumentos configurados em modo de alarme monitoram continuamente as variáveis e emitem alertas ou acionam dispositivos de segurança quando os valores ultrapassam limites predefinidos. 10 3.4 Modo de calibração Os instrumentos frequentemente têm um modo específico para calibração, no qual são ajustados para garantir a precisão das medições. Este modo envolve a comparação das leituras do instrumento com padrões conhecidos e a realização de ajustes conforme necessário. Figura 6 – Calibração de equipamento Crédito: Travel mania/Shutterstock. 3.5 Modo de configuração No modo de configuração, os operadores têm acesso às configurações e aos parâmetros do instrumento. Isso permite a personalização de variáveis operacionais, como unidades de medida, limites de alarme e outras características específicas do processo. 3.6 Modo de diagnóstico Instrumentos modernos frequentemente incorporam modos de diagnóstico que monitoram o próprio estado do instrumento. Essa funcionalidade auxilia na identificação de problemas potenciais, facilitando a manutenção preventiva. 11 3.7 Modo de comunicação À medida que a automação industrial avança, muitos instrumentos operam em modos de comunicação. Isso permite a integração em redes industriais, facilitando o monitoramento centralizado e a comunicação com outros dispositivos e sistemas. 3. 8 Modo de economia de energia Em busca de eficiência energética, alguns instrumentos têm modos que otimizam o consumo de energia, reduzindo a atividade quando não são estritamente necessários. 3.9 Modo de manutenção Instrumentos podem ter modos específicos para facilitar procedimentos de manutenção, como troca de sensores, limpeza ou calibração regular. Compreender e utilizar adequadamente esses modos de operação é crucial para maximizar a eficiência operacional, garantir a precisão das medições e manter um ambiente industrial seguro e confiável. A integração harmoniosa desses modos contribui para o desempenho otimizado dos instrumentos na instrumentação industrial. TEMA 4 – ANÁLISE FUNCIONAL DE INSTRUMENTOS A análise funcional de instrumentos na instrumentação industrial é uma abordagem metodológica que busca entender em detalhes as operações e contribuições individuais de cada componente de um instrumento, visando otimizar seu desempenho e eficácia no contexto industrial.Ao iniciar-se a análise funcional, é crucial que sejam identificadas as funções primárias que o instrumento desempenha. Seja a medição precisa de variáveis, o controle de processos, a detecção de falhas ou outras tarefas específicas, compreender claramente essas funções é essencial para avaliar o instrumento em sua totalidade. A decomposição do sistema em componentes menores é parte integrante da análise funcional. Cada sensor, atuador, circuito eletrônico e interface é 12 examinado em detalhes para entender como contribui para o funcionamento global do instrumento. A relação entre as entradas e as saídas do instrumento é explorada minuciosamente. Isso inclui a compreensão do modo como mudanças nas variáveis medidas afetam as leituras e as respostas do instrumento, sendo vital para assegurar a precisão e a sensibilidade desejadas. Além disso, a análise funcional avalia a sensibilidade do instrumento, sua capacidade de detectar variações sutis nas variáveis e a precisão das leituras em comparação com os valores reais. Essa avaliação contribui para garantir a confiabilidade das medições realizadas. Instrumentos de controle passam por uma análise específica da integração de feedbacks de sensores para ajustar atuadores, mantendo variáveis controladas dentro de parâmetros específicos. Isso é crucial para garantir a estabilidade e a eficiência dos processos industriais. A análise funcional também abrange os diferentes modos de operação dos instrumentos, como medição, controle, calibração e diagnóstico. Compreender como esses modos se inter-relacionam é essencial para a operação eficaz do instrumento em diferentes cenários. Além disso, a análise funcional destaca a capacidade do instrumento de responder a condições anormais, como falhas ou variações inesperadas. Essa capacidade é crucial para manter a segurança e a estabilidade do processo industrial. Em um contexto mais amplo, a análise funcional avalia como os instrumentos integram-se em sistemas complexos, operando de forma harmoniosa com outros dispositivos e contribuindo para os objetivos operacionais gerais da indústria. Como uma prática contínua, a análise funcional é ajustada conforme necessário à medida que a tecnologia avança ou as exigências operacionais evoluem. A busca constante por melhorias garante que os instrumentos permaneçam alinhados com os mais altos padrões de desempenho, confiabilidade e eficiência na instrumentação industrial. De maneira geral, é viável analisar um instrumento específico por meio de uma delimitação funcional de seus subsistemas. Tipicamente, um instrumento é composto por mais de um componente. Cada componente individual ou um conjunto deles exerce uma função distinta, e a representação de um instrumento 13 com base nessas funções é conhecida como descrição funcional. Neste tópico, serão abordadas as funções primordiais dos subsistemas de um instrumento, demonstrando-se como é factível realizar sua descrição funcional. Por outro lado, a performance de um instrumento é caracterizada e quantificada em relação às suas propriedades estáticas e dinâmicas. Com o intuito de elucidar a descrição funcional de instrumentos, considere o sistema fictício representado na Figura 7(a). Nesse sistema, almeja-se mensurar a temperatura do líquido no tanque por meio de um sensor de temperatura, especificamente um termopar. Este encontra-se conectado ao transmissor, destacado por um círculo em sua extremidade (como representado na figura). O transmissor assume a responsabilidade de amplificar o sinal e efetuar qualquer condicionamento necessário antes de sua transmissão, abrangendo a compensação da junta de referência e a amplificação e filtragem do sinal. Na configuração considerada, a transmissão ocorre via cabo. Antes de ser apresentado no display, o sinal precisa passar por adequado condicionamento para atender às especificações do elemento de representação, que, nesse caso, é o display. A título de exemplo, é comum transmitir o sinal utilizando-se um laço de corrente. Caso o display requisite um sinal em tensão como entrada, torna-se imperativo realizar uma conversão de “corrente para tensão” como parte do condicionamento de sinal. Dispositivos responsáveis por realizar a conversão de corrente (I) para tensão (V) são frequentemente denotados pelo símbolo I/V. Figura 7 – Descrição funcional de um sistema de medição fictício Na Figura 7(b) está delineada a descrição funcional do sistema em análise, cuja medição é conduzida no meio aquoso. O componente primário 14 responsável pela troca de energia com o meio é o termopar, desempenhando simultaneamente o papel de conversor de variáveis. Sua entrada corresponde à temperatura, enquanto o sinal por ele gerado manifesta-se como uma forma elétrica (tensão). TEMA 5 – TÉCNICAS DE CORREÇÃO DE ERRO Embora exista uma sobreposição em alguns métodos, os “Métodos para minimizar os efeitos de entradas espúrias” e as “Técnicas de correção de erro em instrumentação industrial” têm objetivos ligeiramente diferentes. Vamos destacar as distinções a seguir. 5.1 Métodos para minimizar efeitos de entradas espúrias Esses métodos referem-se a estratégias para reduzir ou eliminar a influência de sinais indesejados e interferências ou perturbações externas nos sistemas de medição. Exemplos: isolamento elétrico, blindagem, técnicas de aterramento adequado, filtragem de sinais e posicionamento adequado de sensores para minimizar a interferência são algumas abordagens comumente utilizadas. Minimizar os efeitos de entradas espúrias é fundamental para garantir a precisão e a confiabilidade das medições em sistemas de instrumentação. Diversas técnicas são comumente empregadas para atingir esse objetivo. A utilização de isoladores elétricos é uma prática essencial para prevenir a propagação de sinais indesejados através de circuitos, garantindo que a interferência em um componente não afete outros. Além disso, a aplicação de materiais de blindagem, como malhas metálicas ou revestimentos condutores, protege cabos e componentes eletrônicos contra campos eletromagnéticos externos. A implementação de sistemas de aterramento eficientes é outra medida importante para minimizar a interferência causada por correntes parasitas, proporcionando um caminho de retorno adequado para as correntes indesejadas. A filtragem de sinais, seja por meio de filtros analógicos ou digitais, atenua sinais de frequência indesejada e reduz a presença de ruído nos sistemas de medição. 15 O posicionamento estratégico de sensores também desempenha um papel crucial, minimizando a captação de interferências por meio do distanciamento de fontes de ruído ou do uso de barreiras físicas. A compensação de erros na fonte, através do desenvolvimento de algoritmos ou técnicas para corrigir automaticamente sinais afetados por interferências, assegura leituras mais precisas. A utilização de cabos blindados é uma prática comum para proteger sinais elétricos contra interferências eletromagnéticas externas. A seleção de frequências de operação diferentes para sistemas ou componentes distintos também reduz a probabilidade de interferência mútua. A realização de calibrações regulares é uma estratégia eficaz para compensar qualquer alteração nas características do sistema de medição devido a interferências ou outros fatores externos. O uso de dispositivos de supressão de surto protege os circuitos contra picos de voltagem repentinos, resultantes de interferências elétricas. Em sistemas de comunicação, a aplicação de técnicas de modulação específicas pode ajudar a minimizar a interferência eletromagnética entre diferentes canais. Cada uma dessas técnicas pode ser aplicada de acordo com as características específicas do ambiente industrial e dos equipamentos envolvidos, sendo importante realizaruma análise cuidadosa para determinar a abordagem mais eficaz em cada caso. 5.2 Técnicas de correção de erro em instrumentação industrial Estas técnicas concentram-se em corrigir erros sistemáticos ou aleatórios nos instrumentos de medição, garantindo que as leituras estejam o mais próximo possível dos valores reais. Exemplos: calibração regular, compensação de temperatura e pressão, utilização de sistemas redundantes, feedback e controle para ajuste automático, e métodos específicos para lidar com não linearidades nos sensores. A garantia da precisão e confiabilidade das medições na instrumentação industrial é vital, e a correção de erros desempenha um papel crucial nesse processo. Diversas técnicas e estratégias são empregadas para minimizar ou corrigir imprecisões nos sistemas de medição industrial. A seguir destacamos algumas das principais práticas. 16 • Calibração. Realizar calibrações regulares é uma prática usual. Isso inclui a comparação da saída do instrumento com um padrão conhecido, ajustando-se as leituras conforme necessário. • Compensação de temperatura. Em muitos casos, os sensores são sensíveis à temperatura. Utilizar sensores de temperatura adicionais para medir a temperatura ambiente e compensar as leituras dos sensores principais é uma prática comum. • Compensação de pressão. Assim como a temperatura, a pressão pode afetar as leituras de alguns sensores. A utilização de sensores de pressão adicionais pode compensar variações na pressão ambiente. • Filtragem de sinais. A aplicação de filtros, sejam digitais ou analógicos, ajuda a suavizar leituras ruidosas e eliminar flutuações indesejadas nos sinais dos sensores. • Redundância de sensores. Utilizar múltiplos sensores para medir a mesma grandeza e comparar suas saídas pode ajudar a identificar e corrigir falhas individuais. • Compensação de linearidade e histerese. Em casos nos quais os sensores apresentam respostas não lineares, a calibração do instrumento utilizando-se curvas específicas pode corrigir essas não linearidades. • Feedback e controle. Em sistemas dinâmicos, implementar sistemas de controle que ajustam automaticamente as configurações do instrumento com base nas leituras em tempo real ajuda a manter a precisão. • Correção de erros de atraso. Em sistemas com atraso na resposta, a aplicação de técnicas como compensação de fase pode corrigir erros de tempo. • Manutenção preventiva. Manter os instrumentos limpos, calibrados e em boas condições é uma prática essencial para prevenir erros ao longo do tempo. Adaptar essas técnicas às características específicas do sistema de medição e às condições operacionais da indústria é crucial. Além disso, a documentação adequada dessas técnicas e procedimentos de manutenção é essencial para garantir a qualidade contínua das medições. Embora ambos os conjuntos de técnicas visem melhorar a qualidade das medições, a minimização de efeitos de entradas espúrias está mais diretamente relacionada à redução de interferência externa, enquanto as técnicas de 17 correção de erro concentram-se em ajustar e calibrar os instrumentos para melhorar a precisão intrínseca do sistema de medição. Em resumo, enquanto os métodos para minimizar entradas espúrias atuam mais na prevenção e na redução de interferências externas, as técnicas de correção de erro lidam com aprimoramentos específicos para garantir a precisão dos dados medidos dentro do sistema de instrumentação industrial. FINALIZANDO Ao chegarmos ao final desta etapa, é evidente que cada tópico abordado, desde “Introdução aos sistemas de medição” até “Técnicas de correção de erro”, desempenha um papel vital na construção de um entendimento abrangente e aprofundado. Esperamos que você tenha adquirido insights valiosos sobre a complexidade dos sistemas de medição e as estratégias necessárias para alcançar resultados precisos. Ao explorar o tema “Medição em malha aberta e fechada”, descobrimos como diferentes abordagens impactam a confiabilidade das medições. Investigamos os “Modos de operação de instrumentos” para entender como eles se adaptam a cenários específicos. Na “Análise funcional de instrumentos”, mergulhamos nos princípios por trás das medições, enquanto as “Técnicas de correção de erro” solidificaram a importância da precisão na instrumentação. Que este conhecimento sirva como base para que você explore ainda mais as inovações em medição e instrumentação. Ao encerrar este estudo, destacamos a importância de continuar a busca pelo entendimento aprofundado, essencial para enfrentar os desafios futuros na área de sistemas de medição. Que você aplique esse conhecimento com confiança e eficácia em suas futuras empreitadas profissionais. 18 REFERÊNCIAS AGUIRRE, L. A. Fundamentos de instrumentação. São Paulo: Pearson, 2013. ALVES, J. L. L. Instrumentação, controle e automação de processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. BALBINOT, A.; BRUSAMARELLO, V. J. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 1. ______. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 2. BEGA, E. A. Instrumentação industrial. 3. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2011. FIALHO, A. B. Instrumentação industrial: conceitos, aplicações e análises. 7. ed. São Paulo: Érica, 2010. FRANCHI, C. M. Instrumentação de processos industriais: princípios e aplicações. São Paulo: Érica, 2015. MORAES, C. C.; CASTRUCCI, P. L. Engenharia de automação industrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL AULA 2 Prof. Juliano de Mello Pedroso 2 CONVERSA INICIAL O estudo da instrumentação nos conduz a um fascinante universo de medições e controle, em que compreender a caracterização estática e dinâmica de instrumentos é essencial. A caracterização estática refere-se à capacidade de um instrumento em fornecer leituras precisas em condições de equilíbrio, enquanto a caracterização dinâmica aborda a resposta do instrumento a variações ao longo do tempo. Ambos são fundamentais para avaliar a confiabilidade e a eficácia dos instrumentos em diversas aplicações. A análise de sinais é uma habilidade indispensável para os profissionais de instrumentação. Compreender as características dos sinais, como amplitude, frequência e forma de onda, é crucial para interpretar corretamente as informações fornecidas pelos instrumentos. Esse aspecto do estudo nos leva a explorar técnicas de processamento de sinais e métodos de análise que são vitais para a tomada de decisões precisas em sistemas de controle e medição. Ao adentrarmos nos sistemas eletrônicos para instrumentação, deparamo-nos com a complexidade e a versatilidade necessárias para projetar circuitos capazes de amplificar, filtrar e processar sinais de maneira eficiente. Neste contexto, a integração de componentes eletrônicos e o entendimento de suas características tornam-se peças-chave para o desenvolvimento de sistemas eletrônicos robustos e precisos. Os amplificadores de instrumentação representam uma ferramenta valiosa na instrumentação eletrônica. Projetados para oferecer ganhos diferenciais e rejeição de modo comum, esses amplificadores são fundamentais para amplificar sinais de baixa amplitude, mantendo a fidelidade da informação. Seu papel crucial em aplicações de medição de precisão os torna uma área de estudo essencial neste campo. Os acoplamentos elétricos desempenham um papel vital na transmissão de sinais entre diferentes partes de um sistema. Compreender os diferentes métodos de acoplamento, como acoplamento direto, capacitivo e indutivo, é crucial para garantir a integridade do sinal e minimizar interferências indesejadas. Essa abordagem se revela indispensável para assegurar a confiabilidade dossistemas de instrumentação em ambientes diversos. 3 TEMA 1 – CARACTERIZAÇÃO ESTÁTICA E DINÂMICA DE INSTRUMENTOS A caracterização estática e dinâmica de instrumentos na instrumentação industrial representa uma abordagem essencial para entender o comportamento desses dispositivos em diferentes condições e cenários operacionais. Essa análise aprofundada visa proporcionar uma visão abrangente das capacidades e limitações dos instrumentos, contribuindo para a otimização de processos industriais. Aqui estão alguns aspectos destacados dessas duas abordagens de caracterização: 1.1 Caracterização estática A caracterização estática de instrumentos concentra-se nas propriedades e respostas quando os instrumentos estão em repouso ou sujeitos a mudanças lentas nas variáveis medidas. Alguns pontos-chave incluem: 1.1.1 Sensibilidade Avaliação da resposta do instrumento a pequenas variações nas entradas, fornecendo insights sobre sua capacidade de detectar mudanças sutis. A sensibilidade de um instrumento desempenha um papel crucial na sua capacidade de responder a mudanças na grandeza física que está sendo medida. A caracterização estática dessa propriedade é essencial para compreender a resposta do instrumento em diferentes condições e garantir a precisão das medições realizadas. A sensibilidade de um instrumento pode ser definida como a relação entre a variação na saída do instrumento e a variação correspondente na entrada, mantendo-se as demais condições constantes. Em termos práticos, a sensibilidade reflete a capacidade do instrumento de detectar e responder a pequenas alterações na quantidade que está sendo medida. Ao realizar a caracterização estática da sensibilidade de um instrumento, é necessário considerar vários fatores. Em primeiro lugar, a linearidade da resposta é crucial. Um instrumento linear responde de maneira proporcional à variação na entrada, facilitando interpretações diretas dos resultados obtidos. Além disso, é importante avaliar a histerese, que representa a dependência da resposta do instrumento em relação à trajetória percorrida pela grandeza medida. 4 Outro aspecto relevante na caracterização estática da sensibilidade é a análise da repetibilidade e da precisão. A repetibilidade refere-se à capacidade do instrumento de fornecer resultados consistentes em condições idênticas, enquanto a precisão diz respeito à proximidade dos valores medidos em relação ao valor real da grandeza. Métodos como calibração utilizando padrões conhecidos são comumente empregados na caracterização estática da sensibilidade. Esses procedimentos ajudam a identificar e corrigir possíveis desvios e garantir que o instrumento forneça medições confiáveis em diversas situações. 1.1.2 Precisão Análise da capacidade do instrumento de fornecer leituras consistentes e próximas aos valores reais em condições estáveis. 1.1.3 Linearidade Verificação da relação linear entre as entradas e saídas do instrumento para garantir um comportamento previsível. 1.1.4 Histerese Avaliação da dependência do instrumento em relação à direção das mudanças nas variáveis, examinando se as leituras são afetadas por alterações anteriores nas condições. 1.1.5 Exatidão Comparação entre as leituras do instrumento e os valores reais para garantir a precisão global em diferentes pontos de operação. A exatidão é uma medida crítica da confiabilidade de um instrumento de medição e desempenha um papel fundamental na garantia de resultados precisos e fiéis à realidade. A caracterização estática da exatidão é uma análise aprofundada que busca compreender a capacidade do instrumento de fornecer leituras precisas em relação aos valores reais das grandezas medidas. Ao abordar a exatidão em um instrumento, é imperativo avaliar diversos componentes que podem influenciar a fidedignidade das medições. A precisão absoluta, que expressa o quão próximo um resultado está do valor verdadeiro, é 5 uma consideração essencial. Além disso, a análise de erros sistemáticos e aleatórios, bem como a correção de eventuais desvios, é crucial para garantir a confiabilidade das medições. Na caracterização estática da exatidão, é necessário considerar a incerteza de medição, que representa a faixa na qual o valor real da grandeza medida é esperado com determinada probabilidade. Isso proporciona uma visão holística da confiabilidade do instrumento em diferentes condições e situações operacionais. Métodos de calibração utilizando padrões rastreáveis a normas reconhecidas são frequentemente empregados para realizar a caracterização estática da exatidão. Esses procedimentos permitem identificar e corrigir possíveis fontes de erro, garantindo que o instrumento mantenha um desempenho preciso e confiável ao longo do tempo. 1.2 Caracterização dinâmica A caracterização dinâmica, por outro lado, se concentra nas respostas do instrumento a mudanças rápidas ou perturbações nas variáveis medidas. Aspectos importantes desta abordagem incluem: 1.2.1 Tempo de resposta Avaliação da velocidade com que o instrumento responde a variações nas entradas, crucial para processos que demandam ajustes rápidos. 1.2.2 Frequência de resposta Exame da faixa de frequência na qual o instrumento pode seguir mudanças nas variáveis, essencial em processos dinâmicos. 1.2.3 Amplitude de resposta Verificação da capacidade do instrumento de lidar com variações significativas nas entradas sem saturação ou perda de precisão. 6 1.2.4 Estabilidade dinâmica Avaliação da estabilidade do instrumento durante mudanças transitórias, prevenindo oscilações indesejadas. 1.2.5 Supressão de ruído Identificação da capacidade do instrumento de filtrar e suprimir ruídos indesejados nas leituras, garantindo dados mais confiáveis. Ambas as caracterizações, estática e dinâmica, são fundamentais para entender e aprimorar o desempenho dos instrumentos na Instrumentação Industrial. Essa análise profunda não apenas contribui para a escolha adequada de instrumentos em diferentes aplicações, mas também auxilia na implementação de estratégias eficazes de controle e manutenção preventiva. É uma prática contínua que evolui com os avanços tecnológicos e as mudanças nas demandas operacionais, garantindo que os instrumentos estejam alinhados com os mais altos padrões de eficiência e confiabilidade. TEMA 2 – ANÁLISE DE SINAIS EM INSTRUMENTAÇÃO A análise de sinais desempenha um papel fundamental na instrumentação industrial, oferecendo uma abordagem detalhada para compreender as características e informações contidas nos sinais provenientes dos diversos sensores e instrumentos utilizados em processos industriais. Essa prática possibilita a extração de dados significativos, identificação de padrões e detecção de possíveis anomalias, contribuindo para o monitoramento eficaz e a tomada de decisões informadas. Abaixo, exploramos os principais aspectos da análise de sinais na instrumentação industrial: 2.1 Representação do sinal Na instrumentação, um sinal refere-se a uma representação física de uma grandeza que está sendo medida ou monitorada. Essa grandeza pode ser de natureza diversa, como temperatura, pressão, tensão elétrica, corrente, entre outras. O sinal é a forma como essa informação é codificada e transmitida para ser processada ou exibida por um instrumento de medição. 7 2.1.1 Sinal analógico Natureza contínua: um sinal analógico é caracterizado por uma variação contínua ao longo do tempo ou do espaço. Isso significa que o valor do sinal pode assumir qualquer valor dentro de um intervalo definido, resultando em uma representação suave e contínua da grandeza física. Exemplos comuns incluem formas de onda senoidais ou gráficos contínuos. Representação: os sinais analógicos são representados por uma amplitude que varia de acordo com a grandezamedida. Em instrumentação, esses sinais são frequentemente capturados por sensores e transdutores que geram uma saída proporcional à grandeza física monitorada. 2.1.2 Sinal digital Natureza discreta: ao contrário dos sinais analógicos, os sinais digitais são discretos, representados por valores específicos em momentos determinados. A informação é quantizada em valores discretos, geralmente em formato binário (0s e 1s), o que facilita o armazenamento, processamento e transmissão de dados. Representação: em vez de uma amplitude contínua, os sinais digitais são representados por uma sequência de bits, onde cada bit possui um valor específico. Dispositivos digitais, como computadores e microcontroladores, manipulam esses sinais discretos para processar informações e realizar operações lógicas. 2.2 Diferenças principais Natureza da variação: sinais analógicos têm uma variação contínua, enquanto sinais digitais têm uma variação discreta. Precisão e estabilidade: sinais analógicos podem ser afetados por ruídos e perdas devido à natureza contínua, enquanto sinais digitais são menos susceptíveis a interferências e podem ser mais facilmente recuperados e corrigidos. Armazenamento e processamento: sinais analógicos são mais complexos para armazenar e processar diretamente, enquanto sinais digitais podem ser facilmente manipulados por dispositivos digitais, oferecendo vantagens em termos de precisão e eficiência. 8 A principal diferença entre sinais analógicos e digitais reside na natureza da representação da informação, sendo contínua e suave no caso dos sinais analógicos e discreta e quantizada no caso dos sinais digitais. Na Figura 1 temos de forma visual a diferença entre sinais analógicos e sinais digitais. Figura 1 – Tipos de sinais 2.3 Outras premissas sobre sinais 2.3.1 Domínio do tempo versus domínio da frequência A escolha entre a análise no domínio do tempo ou no domínio da frequência depende da natureza do sinal. No domínio do tempo, observamos como o sinal varia ao longo do tempo, enquanto no domínio da frequência, analisamos as componentes espectrais do sinal. 2.3.2 Filtragem de sinais A aplicação de técnicas de filtragem é crucial para remover ruídos indesejados e destacar as características importantes do sinal. Isso pode envolver o uso de filtros passa-baixo, passa-alta ou band-pass, dependendo dos requisitos específicos. 2.3.3 Transformada de fourier A Transformada de Fourier é frequentemente empregada para converter sinais do domínio do tempo para o domínio da frequência, revelando as diferentes componentes espectrais presentes no sinal. 9 2.3.4 Análise de amplitude e fase A análise de amplitude e fase das componentes do sinal permite compreender a intensidade e o deslocamento temporal das diferentes frequências presentes. 2.3.5 Espectrograma O espectrograma é uma ferramenta valiosa para visualizar como a distribuição espectral do sinal muda ao longo do tempo, fornecendo informações sobre tendências e variações. 2.3.6 Análise de modulação Em sistemas que utilizam técnicas de modulação, a análise de sinais inclui a identificação de padrões de modulação, como amplitude, frequência ou fase modulada, dependendo do caso. 2.3.7 Análise de harmônicos A presença de harmônicos em sinais elétricos é comum e pode ser analisada para identificar distorções indesejadas e melhorar a qualidade da energia. 2.3.8 Análise espectral A análise espectral fornece informações sobre a distribuição de energia ao longo das diferentes frequências presentes no sinal, auxiliando na identificação de eventos específicos. 2.3.9 Análise de formas de onda complexas Em situações onde os sinais são complexos, como formas de onda não senoidais, a análise inclui a utilização de ferramentas matemáticas avançadas, como a Transformada Wavelet, para revelar detalhes mais refinados. 10 2.3.10 Diagnóstico de falhas A análise de sinais é valiosa para o diagnóstico de falhas em equipamentos, identificando padrões anômalos que podem indicar problemas operacionais ou de desgaste. A análise de sinais na Instrumentação Industrial é uma prática dinâmica e contínua, adaptando-se às demandas específicas de cada aplicação. Com a evolução das tecnologias de sensoriamento e processamento de sinais, a capacidade de extrair informações úteis dos sinais torna-se cada vez mais essencial para o monitoramento preciso, controle eficaz e manutenção preventiva em ambientes industriais. TEMA 3 – SISTEMAS ELETRÔNICOS PARA INSTRUMENTAÇÃO Sistemas eletrônicos desempenham um papel central na instrumentação industrial, fornecendo a base tecnológica para a medição, monitoramento e controle de variáveis críticas em processos industriais. Esses sistemas são projetados para oferecer precisão, confiabilidade e flexibilidade em ambientes desafiadores. A seguir, abordamos os principais aspectos relacionados aos sistemas eletrônicos na instrumentação: 3.1 Sensores e transdutores Os sistemas eletrônicos começam com sensores e transdutores, dispositivos que convertem grandezas físicas, como temperatura, pressão ou fluxo, em sinais elétricos mensuráveis. Esses sinais formam a base para as medições subsequentes. Os termos sensor e transdutor estão relacionados, mas têm significados ligeiramente diferentes. Um sensor é um dispositivo que detecta ou mede uma determinada grandeza física, como luz, temperatura, pressão, umidade, movimento etc. Ele converte a informação física em um sinal elétrico ou outro tipo de sinal que pode ser facilmente interpretado e processado. Exemplos comuns de sensores incluem sensores de temperatura, sensores de movimento, sensores de luz, entre outros. Um transdutor é um dispositivo que converte uma forma de energia em outra. Ele pode converter energia mecânica, elétrica, térmica, entre outras 11 formas de energia. Sensores são um tipo específico de transdutor que convertem uma grandeza física específica em um sinal elétrico ou outro tipo de sinal. Além dos sensores, há transdutores que convertem uma forma de energia em outra sem medir uma grandeza. Por exemplo, um alto-falante (exemplificado na Figura 2 é um transdutor que converte um sinal elétrico em ondas sonoras. Enquanto um sensor é um tipo de transdutor, nem todo transdutor é um sensor. Os sensores são transdutores que estão particularmente envolvidos na medição ou detecção de uma grandeza física específica. Figura 2 – Transdutor ou alto-falante Crédito: Lazy Bear/Shutterstock. 3.2 Condicionamento de sinal O condicionamento de sinal é uma etapa crucial. Os sinais provenientes dos sensores muitas vezes precisam ser amplificados, filtrados ou adaptados para garantir uma representação precisa da variável medida antes de serem processados eletronicamente. 12 3.3 Conversão a/d (analógico para digital) Para facilitar o processamento digital, os sinais analógicos são convertidos em formato digital por meio de conversores analógico-para-digital (A/D). Essa etapa é essencial para permitir a manipulação e análise eletrônica dos dados. 3.4 Processamento de sinal Sistemas eletrônicos incorporam unidades de processamento dedicadas para realizar operações matemáticas, filtragem avançada, correção de erros e outras tarefas essenciais para a análise dos dados. 3.5 Unidades de controle Em sistemas de controle, unidades de controle eletrônico são responsáveis por tomar decisões com base nas informações recebidas dos sensores. Elas ajustam atuadores para manter variáveis dentro dos limites desejados. Pode ser um controlador industrial dedicado ou até mesmo um CLP, exemplificado na Figura 3. Figura 3 – CLP (controlador lógico programável) Crédito: Xmentoys/Shutterstock. 13 3.6 Comunicação e interface A comunicação eficiente é fundamental. Sistemas eletrônicosfrequentemente incorporam interfaces de comunicação, como protocolos industriais, para transmitir dados entre instrumentos, sistemas de controle e outros dispositivos. 3.7 Unidades de armazenamento Para registros históricos ou análises posteriores, os sistemas eletrônicos muitas vezes incluem unidades de armazenamento para salvar dados relevantes, permitindo uma avaliação retroativa de desempenho ou identificação de padrões. 3.8 Alimentação e proteção Sistemas eletrônicos requerem fontes de alimentação adequadas e dispositivos de proteção para garantir operação contínua e segura, protegendo contra sobrecargas, surtos elétricos ou outras condições adversas. 3.9 Firmware e software A programação de firmware e software desempenha um papel essencial na configuração e operação dos sistemas eletrônicos. Ela permite a personalização, a implementação de algoritmos de controle e a adaptação às exigências específicas de cada aplicação. 3.10 Manutenção e diagnóstico Sistemas eletrônicos muitas vezes incorporam recursos de autodiagnóstico para detectar falhas, facilitando a manutenção preventiva e a rápida resolução de problemas. 3.11 Evolução tecnológica A rápida evolução tecnológica impulsiona a constante melhoria dos sistemas eletrônicos na Instrumentação Industrial. Avanços em semicondutores, 14 comunicação sem fio e inteligência artificial contribuem para sistemas mais eficientes e adaptáveis. Os sistemas eletrônicos na instrumentação industrial formam uma infraestrutura complexa e interconectada, essencial para o funcionamento eficiente dos processos industriais modernos. Esses sistemas combinam hardware robusto, algoritmos inteligentes e interfaces avançadas para fornecer dados precisos, controle eficaz e insights valiosos para os operadores e engenheiros. TEMA 4 – AMPLIFICADORES DE INSTRUMENTAÇÃO Amplificadores de Instrumentação (AI) são componentes cruciais na instrumentação eletrônica, projetados para amplificar sinais de baixa amplitude, frequentemente provenientes de sensores, de maneira precisa e eficiente. Na Figura 4 temos uma pequena placa com um amplificador soldado de forma artesanal. Figura 4 – Amplificadores operacionais Crédito: Hsyn20/Shutterstock. Esses amplificadores desempenham um papel vital na obtenção de leituras precisas em sistemas de medição, minimizando interferências e ruídos. A seguir, destacamos os principais aspectos relacionados aos amplificadores de instrumentação: 15 Os amplificadores de instrumentação operam com base no princípio de amplificar a diferença de potencial entre duas entradas, comumente referidas como a entrada não inversora (+) e a entrada inversora (-). Eles são especialmente projetados para amplificar o sinal diferencial entre essas entradas, rejeitando sinais comuns, como interferências e ruídos. Figura 5 – Pinagem de um amplificador operacional LM741 O LM741 é um amplificador operacional (op-amp) amplamente utilizado em eletrônica analógica. A pinagem desse circuito integrado é crucial para entender como conectá-lo corretamente em um projeto. A seguir está uma explicação da pinagem do CI LM741: Pinagem do LM741: 1. Offset Null (Nulo de Offset) - Pino 1: • Este pino é utilizado para ajustar o offset do amplificador operacional, permitindo ajustes finos para minimizar a diferença de potencial de entrada quando o sinal de entrada é zero. 2. Inverting Input (Entrada Inversora) - Pino 2: • Este é o terminal de entrada inversora, onde o sinal de entrada é aplicado quando se utiliza o amplificador em configuração inversora. 16 3. Non-Inverting Input (Entrada Não Inversora) - Pino 3: • Este é o terminal de entrada não inversora, onde o sinal de entrada é aplicado quando se utiliza o amplificador em configuração não inversora. 4. V- (V- ou Negativo) - Pino 4: • Este pino é conectado ao lado negativo da fonte de alimentação. 5. Offset Null (Nulo de Offset) - Pino 5: • Veja a descrição do Pino 1. Em alguns casos, o Pino 5 é utilizado em conjunto com o Pino 1 para ajuste do offset. 6. Output (Saída) - Pino 6: • Este é o terminal de saída do amplificador operacional, onde o sinal amplificado é retirado. 7. V+ (V+ ou Positivo) - Pino 7: • Este pino é conectado ao lado positivo da fonte de alimentação. 8. NC (No Connection - Sem Conexão) - Pino 8: • Esse pino é normalmente não utilizado e é deixado sem conexão. Conexão básica do LM741: • O terminal não inversor (Pino 3) e o terminal de saída (Pino 6) são frequentemente conectados juntos quando se utiliza o amplificador operacional em configuração de amplificador de ganho. O LM741 é alimentado simetricamente, o que significa que as fontes de alimentação positiva (V+) e negativa (V-) devem ser fornecidas para o correto funcionamento do amplificador operacional. A polaridade das entradas (não inversora e inversora) é crítica para o funcionamento adequado do amplificador em diferentes configurações. Certifique-se de seguir as especificações do fabricante e as necessidades específicas do seu circuito ao conectar o LM741. Essa pinagem e orientações são fundamentais para garantir o desempenho adequado do amplificador operacional em seus projetos O ganho diferencial é a medida de amplificação aplicada à diferença de potencial entre as entradas do amplificador de instrumentação. Esses 17 amplificadores são configuráveis, permitindo ajustes precisos do ganho conforme as necessidades específicas da aplicação. Uma característica distintiva dos amplificadores de instrumentação é sua alta capacidade de rejeição de modo comum. Isso significa que eles atenuam sinais que estão presentes em ambas as entradas, focando exclusivamente na amplificação da diferença entre elas. Amplificadores de instrumentação são amplamente utilizados em sistemas de medição que envolvem sensores, como termopares, pontes de Wheatstone, células de carga e termorresistências. Sua capacidade de amplificar sinais de baixa amplitude, enquanto rejeitam ruídos, é fundamental para a obtenção de leituras precisas. Muitos amplificadores de instrumentação possuem configurações de ganho programável, permitindo que os usuários ajustem facilmente a amplificação de acordo com as características específicas dos sensores ou das condições do ambiente. Amplificadores de instrumentação geralmente possuem alta impedância de entrada, evitando a carga excessiva nos circuitos de medição e garantindo a fidelidade do sinal original. A resposta em frequência desses amplificadores é projetada para atender às exigências das aplicações de medição, garantindo que a amplificação seja eficaz em uma ampla faixa de frequências. Além das aplicações de medição, os amplificadores de instrumentação são empregados em sistemas de controle, onde sua capacidade de amplificar sinais diferenciais é valiosa para ajustes precisos e controle dinâmico. O design cuidadoso desses amplificadores leva em consideração a minimização de ruídos, garantindo que o sinal amplificado mantenha uma relação sinal-ruído elevada. Muitos amplificadores de instrumentação incluem recursos de proteção contra sobrecarga para garantir a integridade do componente em condições adversas. Os amplificadores de instrumentação são componentes essenciais na Instrumentação Eletrônica, proporcionando amplificação precisa de sinais diferenciais em uma variedade de aplicações industriais. Sua capacidade de rejeitar ruídos e interferências, aliada à flexibilidade de ajuste de ganho, torna- os indispensáveis para sistemas de medição e controle de alta precisão. O 18 amplificador operacional de Instrumentação, comumente conhecido como INA (do inglês Instrumentation Amplifier), é um dispositivo eletrônico projetado para amplificar um sinal de baixo nível, geralmente proveniente de sensores ou transdutores, de uma maneira altamenteprecisa e com uma rejeição eficiente de ruídos comuns. Esse tipo de amplificador é fundamental em aplicações onde a precisão na amplificação de sinais de pequena amplitude é crítica, como em instrumentação científica, médica e de medição. A topologia do INA geralmente consiste em três amplificadores operacionais interconectados de forma específica, proporcionando uma alta impedância de entrada, rejeição de modo comum (CMR – Common Mode Rejection) e flexibilidade nas características de ganho. Principais características do INA: 1. Alta impedância de entrada: • O INA é projetado para ter uma impedância de entrada muito alta, o que significa que ele consome uma quantidade mínima de corrente do sinal de entrada, evitando assim qualquer carga significativa no circuito que está sendo medido. 2. Rejeição de modo comum (CMR): • Uma das características mais notáveis do INA é sua capacidade de rejeitar efetivamente sinais que são comuns tanto às entradas inversoras quanto não inversora. Isso é fundamental para reduzir a influência de ruídos ou interferências que podem ser adicionados ao sinal original. 3. Alta precisão e estabilidade: • O INA é projetado para proporcionar uma amplificação precisa e estável, sendo capaz de manter as características de ganho e rejeição de modo comum ao longo do tempo e em diferentes condições ambientais. 4. Configurabilidade de ganho: • Os INAs frequentemente possuem circuitos que permitem a fácil configuração do ganho do amplificador, permitindo adaptar-se às necessidades específicas de diferentes aplicações. 5. Baixo consumo de energia: 19 • Muitos INAs são projetados para ter um consumo de energia relativamente baixo, tornando-os adequados para aplicações onde a eficiência energética é uma consideração importante. Aplicações típicas do INA: 1. Medição de sensores de pequena amplitude: • O INA é amplamente utilizado em aplicações onde é necessário medir sinais provenientes de sensores de baixa potência, como termopares, células de carga e sensores de pressão. 2. Eletrocardiograma (ECG) e eletroencefalograma (EEG): • Em instrumentação médica, o INA é empregado para amplificar sinais bioelétricos de baixa amplitude para análise precisa, como em ECGs e EEGs. 3. Sistemas de controle e automação: • Em ambientes industriais, os INAs são utilizados para medir e amplificar sinais de sensores que monitoram variáveis críticas em sistemas de controle e automação. 4. Instrumentação científica e de laboratório: • O INA é aplicado em instrumentos de laboratório e científicos para amplificar sinais de sensores e transdutores com alta precisão. TEMA 5 – ACOPLAMENTOS ELÉTRICOS Acoplamentos elétricos são elementos fundamentais em sistemas eletrônicos e de instrumentação, desempenhando um papel crucial na transmissão eficiente de sinais elétricos entre diferentes componentes. Esses acoplamentos são projetados para garantir a integridade do sinal, minimizando interferências eletromagnéticas e proporcionando uma conexão confiável entre circuitos. Abaixo, destacamos os principais aspectos relacionados aos acoplamentos elétricos: O princípio básico dos acoplamentos elétricos é estabelecer uma conexão elétrica entre dois circuitos, permitindo a transferência de sinais sem a necessidade de uma conexão física direta. Isso é alcançado por meio de técnicas 20 como indução magnética, acoplamento capacitivo ou óptico, dependendo do tipo de acoplamento utilizado. No acoplamento indutivo, a transferência de sinal ocorre por meio da variação do fluxo magnético entre duas bobinas próximas. Esse método é eficaz para transmitir sinais em ambientes onde a conexão física direta é impraticável ou indesejada. Em acoplamentos capacitivos, a transferência de sinal é realizada por meio de campos elétricos entre placas capacitivas. Esse método é particularmente útil em aplicações que requerem isolamento elétrico entre os circuitos, prevenindo a passagem de corrente direta. Acoplamentos ópticos utilizam sinais de luz para transmitir informações entre circuitos. Isso é alcançado por meio de dispositivos como LEDs e fotodetectores, garantindo isolamento elétrico e imunidade a interferências eletromagnéticas. Muitos acoplamentos elétricos são projetados com isolamento galvânico, o que significa que não há conexão elétrica direta entre os circuitos acoplados. Isso proporciona vantagens, como prevenção de loops de terra e proteção contra danos elétricos. O 4N35 é um optoacoplador, também conhecido como acoplador óptico ou isolador óptico. Este componente eletrônico é utilizado para isolar eletricamente dois circuitos, permitindo a transmissão de dados ou sinais através de luz, em vez de conexões elétricas diretas. O 4N35 é uma versão específica de optoacoplador que utiliza um fototransistor como o dispositivo receptor de luz. Principais características do 4N35: 1. Estrutura interna: • O 4N35 possui uma estrutura interna que consiste em um emissor de luz (LED) e um fototransistor encapsulados em um mesmo invólucro. A luz emitida pelo LED é direcionada para o fototransistor. 2. Funcionamento: • Quando uma corrente elétrica é aplicada ao LED interno do 4N35, ele emite luz infravermelha. Essa luz é então detectada pelo fototransistor, causando uma variação em sua condutância elétrica proporcional à intensidade da luz. 21 3. Isolamento Elétrico: • O principal propósito do 4N35 é fornecer isolamento elétrico entre a entrada e a saída. Isso é particularmente útil em aplicações onde é necessário evitar o acoplamento direto de sinais entre diferentes partes de um sistema, prevenindo potenciais problemas de interferência ou oscilações. 4. Aplicações: • O 4N35 é comumente utilizado em circuitos de controle, interfaces de comunicação, acionamento de relés, detecção de sinais e em outras situações em que é necessário isolar eletricamente dois circuitos. Pinagem do 4N35: A pinagem específica do 4N35 pode variar dependendo do encapsulamento utilizado, mas geralmente inclui os seguintes pinos: 1. Ânodo do led (A): • Conectado à parte positiva da fonte de alimentação para o LED. 2. Cátodo do led (K): • Conectado à parte negativa da fonte de alimentação para o LED. 3. Coletor do fototransistor (C): • Saída do fototransistor, onde o sinal é obtido. 4. Emitter do fototransistor (E): • Conectado à parte negativa da fonte de alimentação para o fototransistor. Como utilizar o 4N35: Para utilizar o 4N35 em um circuito, é necessário conectar o ânodo e cátodo do led às fontes de alimentação apropriadas e conectar o coletor do fototransistor à parte do circuito que receberá o sinal isolado. O emitter do fototransistor é conectado à referência de terra do circuito. 22 Ao aplicar uma corrente ao led, a luz infravermelha emitida será detectada pelo fototransistor, permitindo a transferência do sinal entre os circuitos de entrada e saída sem uma conexão elétrica direta. O 4N35 é uma ferramenta versátil para lidar com isolamento elétrico em diversas aplicações, proporcionando uma solução eficaz para a transmissão de sinais em ambientes onde o isolamento é crítico. Na Figura 6 temos um exemplo da pinagem e do funcionamento desse CI. Figura 6 – Opto acoplador Acoplamentos elétricos são amplamente empregados em sistemas de instrumentação para transmitir sinais de sensores, transdutores e outros dispositivos de medição. Sua capacidade de garantir a transmissão de sinais precisos e livres de interferências é vital para a obtenção de dados confiáveis. Em aplicações de alta frequência, como comunicações sem fio ou transmissão de dados por radiofrequência, acoplamentos específicos para esse propósito são utilizados para garantir a eficiência na transmissão e recepção de sinais. Acoplamentos magnéticos, além de serem utilizados em acoplamentosindutivos, são comuns em sistemas de energia sem contato, como carregadores de dispositivos eletrônicos sem fio. A escolha do tipo de acoplamento elétrico depende das características específicas da aplicação, como a distância entre os circuitos, a frequência dos sinais a serem transmitidos e a necessidade de isolamento elétrico. 23 A evolução tecnológica continua a impulsionar o desenvolvimento de acoplamentos elétricos mais eficientes, compactos e capazes de lidar com demandas crescentes em termos de velocidade de transmissão e imunidade a interferências. Em resumo, acoplamentos elétricos são elementos essenciais para a transmissão eficaz de sinais em sistemas eletrônicos e de instrumentação. Sua variedade de técnicas e aplicações permite a adaptação a diferentes requisitos, desempenhando um papel fundamental na obtenção de dados precisos e na preservação da integridade do sinal em ambientes desafiadores. FINALIZANDO Nesta abordagem, exploramos os fundamentos da instrumentação, mergulhando na caracterização estática e dinâmica de instrumentos, na análise de sinais, nos sistemas eletrônicos dedicados à instrumentação, nos amplificadores de instrumentação e nos acoplamentos elétricos. Cada um desses tópicos desempenha um papel vital no campo da medição e controle, capacitando-nos a extrair informações valiosas do mundo ao nosso redor. Ao compreender a estática e dinâmica dos instrumentos, a análise de sinais e os sistemas eletrônicos que os impulsionam, ganhamos a capacidade de projetar e operar sistemas de instrumentação robustos e precisos. Os amplificadores de instrumentação, por sua vez, oferecem as ferramentas necessárias para amplificar sinais delicados com confiança, enquanto os acoplamentos elétricos garantem uma transmissão eficiente e confiável desses sinais entre diferentes partes de um sistema. Continuaremos a nossa jornada em conteúdos posteriores, explorando aplicações práticas, desafios comuns e soluções inovadoras no emocionante mundo da instrumentação eletrônica. Este é apenas o começo de uma jornada repleta de descobertas e aprendizado constante. 24 25 REFERÊNCIAS AGUIRRE, L. A. Fundamentos de instrumentação. São Paulo: Pearson, 2013. ALVES, J. L. L. Instrumentação, controle e automação de processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. BEGA, E. A. Instrumentação industrial. 3. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2011. BALBINOT, A.; BRUSAMARELLO, V. J. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 1. _____. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 2. FILHO, A. B. Instrumentação industrial: conceitos, aplicações e análises. 7. ed. São Paulo: Érica, 2010. FRANCHI, C. M. Instrumentação de processos industriais – Princípios e aplicações. São Paulo: Érica, 2015. MORAES, C. C; CASTRUCCI, P. L. Engenharia de automação industrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL AULA 3 Prof. Juliano de Mello Pedroso 2 CONVERSA INICIAL Damos início a esta etapa explorando um fascinante conjunto de dispositivos que desempenham papéis cruciais na instrumentação industrial. Ao longo desta jornada, mergulharemos nos princípios e aplicações dos potenciômetros, extensômetros, LVDTs, encoders e acelerômetros, desvendando as complexidades e a importância desses componentes na medição precisa e no controle de variáveis em ambientes industriais diversos. Iniciaremos nossa exploração com os potenciômetros, dispositivos simples e versáteis que desempenham um papel vital em sistemas de controle e ajuste. Seu papel fundamental na regulação de ganho, controle de volume e ajuste de parâmetros em circuitos elétricos estabelece uma base para compreender a sua aplicação em uma ampla gama de aplicações industriais. Seguiremos para os extensômetros, sensores de deformação que nos permitem medir com precisão a extensão em materiais sujeitos a tensão. Veremos como esses dispositivos sensíveis têm aplicação em testes de materiais, contribuindo para análises estruturais e a compreensão do comportamento de materiais em condições diversas. A próxima parada em nossa jornada é o LVDT, um transdutor magnético que oferece medições precisas de deslocamentos lineares. Exploraremos como sua estrutura diferencial e princípios de indução magnética o tornam uma escolha valiosa em sistemas de automação, controle de processos e medição de posicionamento. Avançaremos para os encoders, dispositivos que traduzem movimentos em sinais elétricos, proporcionando feedback essencial sobre a posição angular ou linear de componentes mecânicos. Descobriremos como os encoders desempenham um papel crítico em sistemas de controle e automação, desde motores industriais até robôs programáveis. Finalmente, exploraremos os acelerômetros, sensores essenciais para medir a aceleração de objetos. Veremos como esses dispositivos são aplicados em setores diversos, desde aeroespacial até monitoramento estrutural, contribuindo para a detecção de movimentos, vibrações e inclinações. Preparem-se para uma etapa repleta de insights e descobertas, em que desvendaremos a importância prática desses dispositivos na instrumentação industrial. 3 TEMA 1 – POTENCIÔMETROS Potenciômetros, também conhecidos como resistores variáveis ou simplesmente pots, são dispositivos eletrônicos versáteis e amplamente utilizados na instrumentação eletrônica e em circuitos elétricos em geral. Esses componentes desempenham o papel crucial de fornecer uma resistência ajustável, permitindo controle manual sobre a corrente elétrica em um circuito. Aqui estão alguns aspectos importantes sobre potenciômetros: O potenciômetro é essencialmente um resistor variável com três terminais: dois extremos e um ponto móvel. O componente permite ajustar a resistência entre o ponto móvel e um dos extremos, alterando assim a divisão da tensão ao longo do resistor. Existem diversos tipos de potenciômetros, mas os mais comuns são o potenciômetro de fio, onde o ajuste é feito manualmente, e o potenciômetro de filme espesso, mais compacto e frequentemente usado em aplicações eletrônicas. Uma das aplicações mais conhecidas de potenciômetros é no controle de volume em dispositivos de áudio, conforme exemplo na Figura 1. Eles permitem ajustar a intensidade do som variando a resistência e, consequentemente, a amplitude do sinal. Em alguns circuitos de iluminação, potenciômetros são utilizados para ajustar a intensidade da luz, proporcionando controle variável sobre a luminosidade. Figura 1 – Potenciômetro de áudio (volume) Crédito: Seveniwe/Shutterstock. 4 Potenciômetros são frequentemente empregados em circuitos de controle de motores para ajustar a velocidade de rotação. Esse uso é comum em ventiladores, ferramentas elétricas e outros dispositivos motorizados. Potenciômetros são essenciais em circuitos de divisão de tensão, onde o ponto móvel é conectado ao terminal central e fornece uma tensão variável proporcional à posição do ajuste. Na Figura 2 temos uma foto real desse componente eletrônico. Figura 2 – Potenciômetro Crédito: Moviephoto/Shutterstock. Em circuitos eletrônicos, potenciômetros são frequentemente utilizados como resistores variáveis em ajustes finos de circuitos analógicos ou como componentes ajustáveis em circuitos de controle. Em sistemas de medição e controle industrial, potenciômetros são empregados para calibração de instrumentos, ajuste fino de circuitos e outras aplicações em que a variação controlada da resistência é necessária. Com o avanço da tecnologia, surgiram os potenciômetros digitais, que substituem o ajuste manual por sinais digitais. Esses componentes são frequentemente controlados pormicrocontroladores e oferecem maior precisão. Os potenciômetros podem ser lineares (cuja variação da resistência é uniforme) ou logarítmicos, mais comuns em aplicações de áudio, em que a 5 variação da resistência é percebida de forma mais equilibrada pelo ouvido humano. Potenciômetros físicos podem estar sujeitos ao desgaste mecânico com o tempo, levando à necessidade de substituição ou manutenção. Nos casos em que a precisão é crítica, potenciômetros digitais podem ser preferíveis. Os potenciômetros desempenham um papel central em uma variedade de aplicações eletrônicas, proporcionando controle variável sobre a resistência e, consequentemente, sobre o comportamento de circuitos elétricos. Sua versatilidade e fácil integração tornam esses componentes essenciais em projetos eletrônicos e sistemas de controle. TEMA 2 – EXTENSÔMETROS Extensômetros são dispositivos de medição projetados para detectar deformações em materiais, proporcionando informações cruciais sobre a tensão ou compressão a que esses materiais estão sujeitos. Amplamente utilizados em testes de materiais, pesquisas estruturais e aplicações industriais, os extensômetros desempenham um papel fundamental na compreensão do comportamento mecânico de diversos materiais. A seguir, destacamos alguns aspectos importantes sobre extensômetros: O extensômetro baseia-se no princípio da mudança de resistência elétrica em resposta à deformação do material. Ele é composto por uma grade metálica ou um fio extensível conectado ao material que está sendo testado. À medida que o material se deforma, a grade ou o fio extensível se esticam, alterando sua resistência elétrica. Na Figura 3 temos uma foto desse sensor. 6 Figura 3 – Strain gauge (extensômetro) Crédito: Jefferson Schnaider. Existem diferentes tipos de extensômetros, incluindo extensômetros de fio, de fita e de película. Cada tipo é projetado para atender a requisitos específicos de aplicação, levando em consideração fatores como material do objeto de teste, faixa de deformação esperada e precisão necessária. A instalação adequada do extensômetro é crucial para obter resultados precisos. Eles são fixados na superfície do material com adesivos ou soldados, dependendo da aplicação. A fixação precisa minimizar interferências externas e garante que o extensômetro responda apenas à deformação do material. A leitura da deformação ocorre por meio da medição da variação de resistência no extensômetro. Essa variação é proporcional à deformação sofrida pelo material. Os dados coletados são frequentemente convertidos em tensão ou compressão, proporcionando informações cruciais para análise estrutural e de materiais. Extensômetros são amplamente utilizados em testes de tração, compressão, flexão e torção para avaliar as propriedades mecânicas de materiais como metais, plásticos, cerâmicas e compósitos. 7 Em aplicações industriais, extensômetros são empregados para monitorar a integridade estrutural de equipamentos e estruturas, possibilitando a detecção precoce de deformações e a prevenção de falhas catastróficas. Na Figura 4 temos um extensômetro instalado. Figura 4 – Extensômetro na prática Crédito: Igor Paszkiewicz/Shutterstock. Em ambientes sujeitos a variações térmicas, os extensômetros autocompensadores são utilizados para compensar automaticamente as variações de temperatura, garantindo medições precisas independentemente das condições ambientais. Extensômetros também são incorporados em sensores de força e torque, proporcionando medições diretas e precisas nessas aplicações. Avanços recentes incluem extensômetros de fibra óptica, que utilizam a mudança na propriedade óptica da fibra para medir deformações. Essa tecnologia oferece maior resistência a ambientes agressivos eletromagneticamente e fisicamente. Extensômetros desempenham um papel essencial em pesquisas e desenvolvimentos de materiais, contribuindo para a compreensão de como diferentes materiais respondem a cargas e deformações, orientando o design de produtos mais seguros e eficientes. 8 Extensômetros são ferramentas indispensáveis em testes mecânicos e análises de materiais, proporcionando dados cruciais sobre a resposta de materiais à deformação. Sua aplicação abrange desde a pesquisa em laboratórios até o monitoramento estrutural em ambientes industriais, desempenhando um papel crucial na garantia da integridade e eficiência de materiais e estruturas. TEMA 3 – LVDT Transdutores diferenciais de indução linear, ou LVDT (do inglês Linear Variable Differential Transformer), são dispositivos de medição precisos e confiáveis amplamente utilizados para converter movimentos lineares em sinais elétricos. Esses transdutores são conhecidos por sua alta precisão, estabilidade e capacidade de operar em ambientes adversos. A seguir, destacamos alguns aspectos importantes sobre os LVDTs: O LVDT opera com base no princípio de transformação eletromagnética. Consiste em um núcleo ferromagnético móvel posicionado entre duas bobinas fixas, conhecidas como primário e secundário. Quando o núcleo se desloca linearmente, ele altera o acoplamento mútuo entre as bobinas, resultando em uma mudança proporcional na tensão induzida nas bobinas secundárias. Figura 5 – Esquema de funcionamento do LVDT Crédito: Jefferson Schnaider. 9 Os componentes principais de um LVDT incluem o núcleo móvel, um cilindro envolvente para proteção, um conjunto de bobinas primárias e secundárias e um núcleo externo que cobre as bobinas secundárias. A configuração simétrica das bobinas proporciona uma resposta linear às mudanças no deslocamento do núcleo. LVDTs são conhecidos por sua excepcional precisão e estabilidade em medições lineares. Eles oferecem uma faixa de medição que pode variar de milímetros a vários centímetros, dependendo do design específico do transdutor. LVDTs são frequentemente utilizados em aplicações onde a precisão na medição linear é crítica. Isso inclui a medição de deslocamentos, deformações e posicionamento em diversos setores, como indústria automotiva, aeroespacial, laboratórios de pesquisa e sistemas de controle de processos. Uma característica notável dos LVDTs é sua robustez e imunidade a ambientes hostis. Esses transdutores são capazes de operar em condições adversas, como alta temperatura, vibrações e ambientes sujeitos a campos magnéticos intensos. Devido à sua alta precisão, LVDTs são frequentemente integrados a sistemas de controle para monitorar e ajustar posicionamento em tempo real. Eles também são utilizados em sistemas de retroalimentação para garantir precisão em movimentos controlados. Na Figura 6 temos um exemplo prático desse sensor. Figura 6 – LVDT na prática Crédito: Wasteresley Lima. Existem diferentes configurações de LVDT, incluindo LVDTs de núcleo livre, que, como o nome já diz, pode se mover livremente, e LVDTs de núcleo 10 preso, onde o núcleo é fixado. A escolha entre essas configurações depende da aplicação específica e dos requisitos de medição. LVDTs são transdutores de deslocamento não-contatantes, o que significa que o núcleo móvel não toca fisicamente as bobinas. Isso resulta em uma operação sem desgaste e uma vida útil prolongada. Com os avanços tecnológicos, surgiram variantes digitais de LVDTs que oferecem saídas digitais para facilitar a integração com sistemas de controle modernos. Em ensaios não destrutivos, os LVDTs são utilizados para medições precisas de deformações e deslocamentos em materiais, contribuindo para avaliações confiáveis da integridade estrutural. Os LVDTs são instrumentos valiosos em aplicações que exigem medições lineares altamente precisas e confiáveis. Sua versatilidade, resistência e capacidade de proporcionar dados precisos em ambientes desafiadores fazem deles uma escolha comum emdiversas indústrias e campos de pesquisa. O LVDT (Transdutor Diferencial de Indução Linear) é um dispositivo sensor amplamente utilizado na indústria para medição precisa de deslocamento linear. Sua tecnologia se baseia em princípios de indução eletromagnética, tornando-o robusto, preciso e altamente confiável em ambientes industriais diversos. A seguir, exploraremos alguns dos usos mais comuns do LVDT na indústria: 1. Medição de deslocamento em máquinas de produção: • O LVDT é empregado extensivamente para medir deslocamentos lineares em máquinas de produção industrial. Ele fornece leituras precisas e repetíveis, permitindo um controle rigoroso dos processos de fabricação, garantindo a qualidade e consistência dos produtos. 2. Controle de posicionamento em sistemas de automação: • Em sistemas automatizados, onde o posicionamento preciso é crucial, o LVDT desempenha um papel vital. Ele é utilizado para monitorar e controlar a posição de componentes, garantindo movimentos precisos e repetíveis em linhas de produção e processos automatizados. 3. Calibração de equipamentos e instrumentos: • O LVDT é empregado em procedimentos de calibração de equipamentos e instrumentos de medição. Sua alta precisão e 11 estabilidade fazem dele uma escolha ideal para garantir a exatidão de diversos dispositivos de medição utilizados na indústria. 4. Testes de resistência e durabilidade de materiais: • Em ambientes de pesquisa e desenvolvimento, o LVDT é utilizado para testar a resistência e durabilidade de materiais, submetendo-os a condições de carga controlada. Isso permite a análise precisa de deformações e deslocamentos, proporcionando insights valiosos sobre o comportamento estrutural dos materiais. 5. Monitoramento de deformações em estruturas: • Na indústria de construção e engenharia civil, o LVDT é empregado para monitorar deformações em estruturas, como pontes, túneis e edifícios. Isso auxilia na detecção precoce de eventuais problemas estruturais, contribuindo para a segurança e manutenção eficiente dessas infraestruturas. 6. Testes em equipamentos de aviação e espaço: • Devido à sua capacidade de fornecer medições precisas em ambientes desafiadores, o LVDT é utilizado em testes de componentes de aeronaves e veículos espaciais. Ele desempenha um papel crucial na avaliação da performance de sistemas mecânicos em condições extremas. 7. Monitoramento de vibrações em equipamentos rotativos: • Em máquinas rotativas, como motores e turbinas, o LVDT é aplicado para monitorar vibrações e deslocamentos associados. Isso contribui para a detecção precoce de problemas mecânicos, possibilitando a manutenção preventiva e minimizando paradas não programadas. O LVDT é uma ferramenta versátil na indústria, oferecendo medições precisas e confiáveis de deslocamento linear em uma variedade de aplicações. Seu uso contribui significativamente para o controle de processos, qualidade de produção e segurança em ambientes industriais exigentes. 12 TEMA 4 – ENCODERS Encoders são dispositivos fundamentais em sistemas de controle e automação, desempenhando um papel crucial na medição precisa de posição, velocidade e direção de rotação em máquinas e equipamentos. Esses dispositivos convertem movimentos rotativos em sinais elétricos ou digitais, fornecendo informações essenciais para sistemas de controle em tempo real. Figura 7 – Encoder na prática Crédito: Pisitpong2017/Shutterstock. A seguir, abordamos aspectos técnicos importantes sobre encoders: Existem dois tipos principais de encoders: encoders incrementais e encoders absolutos. Encoders incrementais emitem pulsos à medida que o eixo rotativo se move, proporcionando informações sobre a quantidade de movimento. Encoders absolutos fornecem informações específicas sobre a posição angular exata, mesmo quando o sistema é desligado e ligado novamente. O funcionamento básico de um encoder é baseado na geração de pulsos elétricos ou digitais à medida que um disco rotativo ou código óptico passa por sensores. Na Figura 8 temos um esquemático do funcionamento do encoder. 13 Figura 8 – Funcionamento do encoder Crédito: HI tecnologia. Nos encoders incrementais, a contagem de pulsos indica a quantidade de movimento, enquanto nos encoders absolutos, cada posição angular possui uma representação única. Encoders ópticos utilizam uma fonte de luz e um detector para ler padrões em um disco rotativo, enquanto encoders magnéticos utilizam sensores magnéticos para detectar variações no campo magnético de um disco magnético. A resolução de um encoder é determinada pelo número de pulsos ou bits disponíveis em uma única revolução. A resolução afeta diretamente a precisão da medição de posição ou movimento, como pode ser visto na Figura 9. Figura 9 – Resolução Crédito: HI tecnologia. Encoders absolutos multivoltas fornecem informações sobre o número total de revoluções e a posição angular dentro da revolução atual. Já os encoders absolutos de uma volta indicam apenas a posição angular dentro de uma única revolução. 14 Encoders incrementais com dois canais (A e B) geram pulsos defasados, possibilitando a determinação da direção de rotação e uma contagem mais precisa. Encoders absolutos podem utilizar códigos Gray ou binários para representar a posição angular. O código Gray evita erros de interpretação durante transições entre estados. Encoders são amplamente empregados em sistemas de controle de movimento, como em motores servo e motores de passo, para fornecer feedback preciso sobre a posição do eixo. Em alguns casos, encoders podem estar sujeitos a erros, como jitter e deslizamento mecânico. Técnicas como a utilização de encoders incrementais de alta resolução e algoritmos de compensação podem minimizar esses problemas. Em ambientes sujeitos a poeira, umidade e condições adversas, encoders selados são utilizados para proteger os componentes internos e garantir operação confiável. Encoders digitais frequentemente utilizam protocolos de comunicação, como RS-485 ou Ethernet, para transmitir dados em tempo real para os sistemas de controle. Em aplicações que exigem a passagem de eixos ou cabos através do centro do encoder, os encoders absolutos de eixo oco oferecem uma solução eficiente. Além dos encoders rotativos, existem encoders lineares que medem deslocamentos lineares e são aplicados em sistemas de posicionamento linear. Encoders desempenham um papel vital em sistemas de controle, proporcionando feedback preciso sobre a posição e movimento. A escolha do tipo de encoder adequado depende das especificidades da aplicação, como a necessidade de precisão, resolução e resistência a condições adversas. Seja em automação industrial, robótica ou controle de máquinas, os encoders desempenham um papel crucial na eficiência e precisão dos sistemas controlados. TEMA 5 – ACELERÔMETROS O acelerômetro é um dispositivo sensorial crucial em muitas aplicações, desempenhando o papel de medir acelerações lineares específicas ao longo de 15 um ou mais eixos. Esses dispositivos são fundamentais em uma variedade de campos, desde eletrônica de consumo até automotiva, aeroespacial e sistemas de controle industrial. Neste contexto técnico, exploramos os princípios de funcionamento, tipos e aplicações dos acelerômetros, na figura a seguir 10 temos um acelerômetro numa placa para ser utilizado com uma placa de desenvolvimento, por exemplo, o Arduino. Figura 10 – Acelerômetro na prática Crédito: Jefferson Schnaider. Os acelerômetros detectam acelerações lineares traduzindo-as em sinais elétricos proporcionais. O princípio fundamental baseia-se na Lei de Newton, que preconiza que a força exercida em uma massa é diretamente proporcional à aceleração aplicada. Geralmente, os acelerômetros utilizam massa-spring16 systems ou efeitos piezoelétricos para converter a aceleração física em sinais elétricos mensuráveis. Acelerômetros piezoelétricos: utilizam cristais piezoelétricos que geram uma carga elétrica quando submetidos a forças mecânicas. Acelerômetros de capacitância variável: baseiam-se na mudança na capacitância de um capacitor móvel conforme a aceleração. Acelerômetros MEMS (Microeletromecânicos): incluem pequenos elementos de silício que se deformam em resposta à aceleração, alterando a capacitância ou resistência. A maioria dos acelerômetros mede acelerações ao longo de três eixos ortogonais: x, y e z. A designação desses eixos depende da orientação do acelerômetro no espaço tridimensional. Alguns modelos possuem apenas um eixo, enquanto outros são triaxiais ou até mesmo multiaxiais, oferecendo medições em várias direções. Existem diversos usos para esse sensor, a seguir citamos alguns desses usos. Eletrônica de consumo: acelerômetros são comuns em smartphones e dispositivos portáteis para detecção de orientação, controle de jogos e acionamento de recursos como a rotação automática da tela. Na Figura 11 a seguir temos um esquemático de um celular, demonstrando os eixos onde o acelerômetro identifica e rotaciona a tela. Figura 11 – Rotação da tela no celular Crédito: Jefferson Schnaider. 17 Automotivo: são empregados em sistemas de controle de estabilidade veicular, airbags e sistemas de navegação. Aeroespacial: utilizados em aeronaves e satélites para monitorar vibrações, determinar orientação e controlar sistemas de navegação. Saúde e bem-estar: em dispositivos vestíveis, auxiliam na monitorização de atividades físicas, qualidade do sono e até mesmo na detecção de quedas. Indústria: implementados em máquinas e equipamentos para monitorar vibrações, identificar desequilíbrios e aprimorar a eficiência operacional. Principais características Faixa dinâmica: refere-se à amplitude de aceleração que um acelerômetro pode medir sem saturação. Sensibilidade: indica a relação entre a aceleração física e a saída elétrica do sensor. Frequência natural de resposta: representa a frequência na qual o sensor responde melhor às acelerações. A calibração e a compensação de temperatura são aspectos críticos para garantir a precisão dos dados coletados. Também é importante considerar o ruído e as interferências eletromagnéticas. Os acelerômetros desempenham um papel essencial em uma ampla variedade de aplicações, fornecendo dados cruciais para controle, monitoramento e segurança. Com uma gama diversificada de tipos e características, os acelerômetros continuam a ser componentes fundamentais em tecnologias emergentes e estabelecidas. FINALIZANDO Chegamos ao fim desta etapa fascinante, explorando os intricados mundos dos potenciômetros, extensômetros, LVDTs, encoders e acelerômetros. Ao longo desta jornada, adquirimos uma compreensão mais profunda de como esses dispositivos desempenham papéis cruciais na medição precisa e no controle de variáveis em ambientes industriais diversos. Os potenciômetros, com sua simplicidade, oferecem controle fino em circuitos elétricos, enquanto os extensômetros, ao medirem deformações, fornecem insights cruciais sobre o comportamento de materiais. O LVDT, com sua precisão na medição de deslocamentos lineares, destaca-se como uma ferramenta valiosa em automação e controle de processos. 18 Os encoders, tradutores de movimento em sinais elétricos, nos mostraram como podem contribuir significativamente em sistemas de automação e controle de posições. Por fim, os acelerômetros, sensores de aceleração, provaram ser essenciais na detecção de movimentos, vibrações e inclinações em diversos setores industriais. Espero que esta jornada tenha inspirado a compreensão da importância prática desses dispositivos e como eles colaboram para o funcionamento otimizado de sistemas industriais. Continuaremos explorando novos temas posteriormente, ampliando ainda mais nosso entendimento sobre a fascinante área da instrumentação industrial. Até lá, que continuemos a nos encantar com o mundo da engenharia e tecnologia. 19 REFERÊNCIAS AGUIRRE, L. A. Fundamentos de instrumentação. São Paulo: Pearson, 2013. ALVES, J. L. L. Instrumentação, controle, e automação de processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. BEGA, E. A. Instrumentação industrial. 3. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2011. BALBINOT, A; BRUSAMARELLO, V. J. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 1. _____. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 2. BUSTAMANTE FILHO, A. Instrumentação industrial: conceitos, aplicações e análises. 7. ed. São Paulo: Érica, 2010. FRANCHI, C. M. Instrumentação de processos industriais – Princípios e aplicações. São Paulo: Érica, 2015. MORAES, C. C; CASTRUCCI, P. L. Engenharia de automação industrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL AULA 4 Prof. Juliano de Mello Pedroso 2 CONVERSA INICIAL Esta etapa é sobre sensores e instrumentação! Hoje exploraremos uma gama diversificada de sensores utilizados em aplicações industriais e tecnológicas. Nosso foco será em cinco tipos principais de sensores: capacitivos, indutivos, de efeito Hall, ultrassônicos e tacômetros. Esses dispositivos desempenham papéis essenciais para detecção, medição e controle de variáveis físicas e ambientais em uma ampla gama de contextos. Começaremos a nossa jornada explorando os sensores capacitivos, que operam com base na capacidade de detectar mudanças na capacitância de um objeto próximo. Em seguida, veremos os sensores indutivos, que utilizam o princípio da indução eletromagnética para detectar a presença de objetos metálicos. Depois, abordaremos os sensores de efeito Hall, que respondem à presença de campos magnéticos, sendo amplamente utilizados em aplicações como a detecção de posição e velocidade. Posteriormente, vamos explorar os sensores ultrassônicos, que emitem pulsos sonoros de alta frequência e medem o tempo de retorno para determinar a distância até um objeto. Por fim, discutiremos os tacômetros, dispositivos cruciais para medir a velocidade de rotação de um eixo ou motor, essenciais em aplicações que demandam controle preciso de movimento. Ao longo desta etapa, examinaremos os princípios de funcionamento, aplicações e considerações de projeto associadas a cada tipo de sensor. Preparem-se para uma jornada fascinante pelo mundo da instrumentação e do sensoriamento! TEMA 1 – SENSORES CAPACITIVOS Os sensores capacitivos são dispositivos eletrônicos utilizados para detectar a presença ou a proximidade de objetos, sem a necessidade de contato físico. Eles operam com base no princípio da capacitância, que é a capacidade de armazenamento de carga elétrica de um capacitor. Quando um objeto entra na zona de detecção do sensor capacitivo, ele altera o campo elétrico do sensor, o que acarreta uma mudança na capacitância do dispositivo. Essa mudança é então convertida em um sinal elétrico que indica a presença ou a ausência do objeto. A Figura 1 traz um exemplo desse sensor. 3 Figura 1 – Sensor capacitivo Crédito: Sandiwild / Shutterstock. Um sensor capacitivo típico consiste em dois eletrodos paralelos separados por um material isolante. Quando o sensor é alimentado com uma corrente elétrica, um campo elétrico é criado entre os eletrodos. A capacitância do sensor é determinada pela distância entre os eletrodos e pelas propriedades dielétricas do material entre eles. Quando um objeto metálico ou qualquer material com uma constante dielétrica diferente do ar entra na zona de detecção do sensor, ele altera o campo elétrico, o que por sua vezaltera a capacitância do sensor. Essa alteração na capacitância é detectada e convertida em um sinal elétrico que indica a presença do objeto. Os sensores capacitivos são amplamente utilizados em uma variedade de aplicações industriais, por conta da sua capacidade de detectar uma ampla gama de materiais e objetos, incluindo metais, plásticos, líquidos e materiais não condutores. Eles são comumente empregados em sistemas de automação de produção, controle de nível de líquidos, detecção de materiais em linha de produção, sistemas de segurança, detecção de folhas em impressoras e máquinas de embalagem, entre outros. Sua capacidade de operar sem contato 4 físico e sua resistência à interferência ambiental, como poeira, sujeira e umidade, torna-os ideais para uso em ambientes industriais adversos. Ao utilizar sensores capacitivos, é importante considerar alguns aspectos importantes para garantir um funcionamento confiável e eficaz. Por exemplo, a distância de detecção do sensor pode variar dependendo do tamanho, da forma e do material do objeto alvo, bem como das condições ambientais, como temperatura e umidade. Além disso, a influência de objetos próximos com diferentes propriedades dielétricas pode afetar a precisão e a confiabilidade da detecção. Portanto, é essencial selecionar o sensor capacitivo correto e configurá-lo adequadamente de acordo com os requisitos específicos da aplicação. Existem diferentes tipos de sensores capacitivos projetados para atender às diversas necessidades de aplicação na indústria. Eles variam em termos de tamanho, formato, faixa de detecção, sensibilidade, frequência de operação e material do invólucro. Vejamos alguns dos principais tipos, com as características dos sensores capacitivos: • Sensores capacitivos de corpo cilíndrico: apresentam um invólucro cilíndrico com roscas para facilitar a instalação em equipamentos e máquinas. São comumente usados em aplicações em que é necessário detectar a presença ou a proximidade de objetos em uma faixa de distância específica. São robustos, resistentes a choques e vibrações e podem operar em uma ampla faixa de temperatura. • Sensores capacitivos de corpo plano: têm um invólucro plano e compacto, projetado para aplicações onde o espaço é limitado. Eles são frequentemente usados em máquinas e equipamentos em que é necessária uma detecção precisa em áreas estreitas ou de difícil acesso. Apesar de seu tamanho compacto, oferecem um desempenho confiável e uma alta precisão de detecção. • Sensores capacitivos de alta sensibilidade: são projetados para detectar objetos com baixa constante dielétrica, como líquidos, plásticos e materiais não condutores. São capazes de detectar objetos a uma distância maior e com maior precisão, tornando-os ideais para aplicações nas quais a detecção de materiais não metálicos é essencial. • Sensores capacitivos de alta frequência: operam em frequências mais altas em comparação aos sensores capacitivos convencionais, o que lhes 5 permite detectar objetos pequenos com maior precisão e sensibilidade. São comumente usados em aplicações em que é necessário detectar objetos de tamanho reduzido ou materiais com propriedades dielétricas variáveis. Benefícios dos sensores capacitivos: • Alta sensibilidade e precisão na detecção de uma ampla gama de materiais e objetos; • Operação sem contato físico, o que reduz o desgaste e a necessidade de manutenção; • Resistência à interferência ambiental, como poeira, sujeira, umidade e vibrações; • Capacidade de operar em uma ampla faixa de temperatura e condições ambientais adversas; • Facilidade de instalação e integração em sistemas de automação industrial. Desafios dos sensores capacitivos: • Sensibilidade a materiais com diferentes propriedades dielétricas, o que pode afetar a precisão da detecção; • Variações na distância de detecção com base em tamanho, forma e material do objeto alvo; • Custos mais elevados em comparação com outros tipos de sensores, como sensores indutivos ou ópticos; • Limitações na detecção de objetos pequenos ou finos, especialmente em aplicações com materiais não metálicos. Com sua capacidade de operar sem contato físico, considerando ainda a sua resistência a condições ambientais adversas, eles desempenham um papel fundamental na automação de processos industriais. No entanto, é importante considerar características, tipos e desafios ao selecionar e utilizar sensores capacitivos em aplicações industriais específicas. TEMA 2 – SENSORES INDUTIVOS Os sensores indutivos são dispositivos amplamente utilizados na automação industrial, para detectar a presença ou a proximidade de objetos 6 metálicos sem contato físico. Eles operam com base no princípio da indução eletromagnética – a presença de um objeto metálico altera o campo magnético gerado pelo sensor, produzindo uma mudança na saída do dispositivo. Figura 2 – Sensor indutivo Crédito: Pop Nikola / Shutterstock. Os sensores indutivos consistem em uma bobina de indução (indutor) e um circuito eletrônico de detecção. Quando o sensor é energizado, a bobina gera um campo magnético de alta frequência ao seu redor. Quando um objeto metálico entra na zona de detecção do sensor, ele interfere no campo magnético, causando uma mudança na indutância da bobina. Essa variação na indutância é detectada pelo circuito eletrônico, que ativa a saída do sensor, indicando a presença do objeto. Os sensores indutivos são amplamente utilizados em uma variedade de aplicações industriais, devido à sua capacidade de detectar objetos metálicos com rapidez e precisão. Eles são comumente empregados em sistemas de automação de produção, controle de estoque, máquinas de embalagem, sistemas de transporte de materiais, detecção de presença de peças em linhas de montagem, entre outros. Sua capacidade de operar em ambientes industriais 7 adversos, como alta temperatura, umidade e presença de poeira, torna-os ideais para uso em ambientes industriais severos. Ao usar sensores indutivos, é importante considerar alguns aspectos importantes para garantir um funcionamento confiável e eficaz. Por exemplo, a distância de detecção do sensor pode variar dependendo do tamanho, da forma e do material do objeto alvo, bem como das condições ambientais. Além disso, a influência de campos magnéticos externos, vibrações e interferências elétricas deve ser minimizada, para evitar falsas detecções ou falhas no funcionamento do sensor. Existem diferentes tipos de sensores indutivos projetados para atender às diversas necessidades de aplicação na indústria. Eles variam em termos de tamanho, formato, faixa de detecção, material do invólucro e temperatura de operação. Vejamos alguns dos principais tipos, com as características dos sensores indutivos: • Sensores indutivos de corpo cilíndrico: são os mais comuns, apresentando um invólucro cilíndrico com roscas para facilitar a instalação em equipamentos e máquinas. Geralmente têm uma faixa de detecção que varia de alguns milímetros a várias dezenas de milímetros, tornando- os adequados para uma variedade de aplicações industriais. Além disso, são robustos e resistentes a choques e vibrações. • Sensores indutivos de corpo plano: têm um invólucro plano e compacto, projetado para aplicações nas quais o espaço é limitado. São frequentemente usados em máquinas e equipamentos que demandam detecção precisa em áreas estreitas ou de difícil acesso. Apesar de seu tamanho compacto, geralmente apresentam uma faixa de detecção semelhante aos sensores de corpo cilíndrico. • Sensores indutivos de alta temperatura: são projetados para operar em ambientes de alta temperatura, como fundições, fornos e processos de fabricação de metal. São construídos com materiais resistentes ao calor e podem suportar temperaturas de operação de até200°C ou mais, garantindo um desempenho confiável em condições extremas. • Sensores indutivos de detecção de metais ferrosos e não ferrosos: alguns sensores indutivos são projetados para detectar especificamente metais ferrosos ou não ferrosos. Isso é alcançado ajustando-se a frequência de operação do sensor para otimizar a detecção do tipo de 8 metal desejado. Esses sensores são úteis em aplicações em que é preciso diferenciar tipos de materiais metálicos. Benefícios dos sensores indutivos: • Alta confiabilidade e precisão na detecção de objetos metálicos; • Velocidade de resposta rápida, permitindo uma detecção rápida de objetos em movimento; • Operação sem contato físico, o que reduz o desgaste e a necessidade de manutenção; • Robustez e resistência a condições ambientais adversas, como poeira, umidade e vibrações; • Facilidade de instalação e integração em sistemas de automação industrial. Desafios dos sensores indutivos: • Limitações na detecção de materiais não metálicos, como plásticos, vidros e líquidos; • Sensibilidade a campos magnéticos externos, que podem interferir na operação do sensor; • Variações na distância de detecção com base em tamanho, forma e material do objeto alvo; • Custos mais elevados em comparação com outros tipos de sensores, como sensores ópticos ou capacitivos. Com sua capacidade de operar em ambientes adversos e sua resposta rápida e precisa, eles desempenham um papel fundamental na automação de processos industriais. No entanto, é importante considerar características, tipos e desafios ao selecionar e utilizar sensores indutivos em aplicações industriais específicas. TEMA 3 – SENSORES DE EFEITO HALL O efeito Hall é um fenômeno físico descoberto por Edwin Hall em 1879, que descreve a geração de uma diferença de potencial elétrico (tensão) perpendicular à direção da corrente elétrica e a um campo magnético aplicado. Esse fenômeno é comumente utilizado na indústria e em diversas outras aplicações para medir e detectar campos magnéticos, bem como para a medição 9 de correntes elétricas. Nesta etapa, vamos explorar em detalhes o funcionamento, as aplicações e as considerações importantes relacionadas ao efeito Hall. A figura a seguir apresenta um sensor acoplado a um eixo. Figura 3 – Sensor de efeito Hall Crédito: KPixMining / Shutterstock. O efeito Hall ocorre quando um condutor elétrico, através do qual flui uma corrente elétrica, é colocado em um campo magnético perpendicular ao plano do condutor. Como resultado, surge uma diferença de potencial elétrico entre os lados do condutor, perpendicular tanto à direção da corrente quanto ao campo magnético aplicado. A tensão Hall, como é chamada, é proporcional tanto à corrente elétrica quanto ao campo magnético, sendo medida perpendicularmente à corrente e ao campo magnético. O efeito Hall tem uma variedade de aplicações em diferentes áreas, incluindo: • Sensores de velocidade e posição: os sensores de efeito Hall são frequentemente usados em sistemas de controle de motores para medir a velocidade e a posição de rotação dos eixos. Eles também são empregados em sistemas de controle de freio ABS em veículos automotores. 10 • Medidores de corrente e campo magnético: o efeito Hall é utilizado em medidores de corrente elétrica e em instrumentos de medição de campo magnético, como medidores de Gauss e magnetômetros. • Interruptores magnéticos: o efeito Hall é utilizado em interruptores magnéticos, para detectar a presença de campos magnéticos e acionar dispositivos elétricos, como relés eletromagnéticos. • Sensores de corrente em eletrônica de potência: em eletrônica de potência, os sensores de efeito Hall são usados para medir correntes em circuitos de alta potência, como em inversores de frequência e sistemas de alimentação de energia. Ao usar sensores de efeito Hall, é importante considerar alguns aspectos importantes para garantir um desempenho confiável e preciso. Por exemplo, a sensibilidade do sensor pode variar com a temperatura ambiente, o que pode afetar a precisão das medições. Além disso, interferências magnéticas externas podem influenciar as leituras do sensor, exigindo medidas de proteção e blindagem adequadas. Existem diferentes tipos de sensores de efeito Hall, projetados para atender às diversas necessidades de aplicação em diferentes áreas. Vejamos alguns dos principais tipos de sensores de efeito Hall: • Sensores lineares: fornecem uma saída analógica proporcional à intensidade do campo magnético aplicado. São frequentemente usados em medidores de campo magnético e em aplicações de posicionamento linear. • Sensores de comutação: fornecem uma saída digital que muda de estado quando um campo magnético atinge um certo limite de intensidade. São comumente usados em interruptores magnéticos e em sistemas de detecção de proximidade. • Sensores de corrente: são usados para medir correntes elétricas em circuitos de alta potência. Geralmente consistem em um elemento sensor de efeito Hall integrado em um núcleo de ferrite, colocado em torno do condutor que transporta a corrente. • Sensores de velocidade: são usados para medir a velocidade de rotação dos eixos em motores elétricos e sistemas de transmissão. Benefícios dos sensores de efeito Hall: 11 • Alta sensibilidade e precisão nas medições de campos magnéticos e correntes elétricas; • Alta confiabilidade e durabilidade devido à ausência de partes móveis e contato físico. • Resposta rápida e ampla faixa dinâmica de operação; • Baixo consumo de energia e custo relativamente baixo em comparação com outros tipos de sensores. Desafios dos sensores de efeito Hall: • Sensibilidade à temperatura ambiente, o que pode afetar a precisão das medições; • Vulnerabilidade a interferências magnéticas externas, o que pode influenciar nas leituras do sensor; • Limitações na resolução e na faixa de medição em alguns casos específicos de aplicação. Com sua sensibilidade, precisão e resposta rápida, eles desempenham um papel fundamental em sistemas de controle e monitoramento em diversas áreas da indústria e da tecnologia. No entanto, é importante considerar suas características, tipos e desafios ao selecionar e utilizar sensores de efeito Hall em aplicações específicas. TEMA 4 – SENSORES ULTRASSÔNICOS Os sensores ultrassônicos são dispositivos que utilizam ondas sonoras de alta frequência para detectar a presença, a distância e a direção de objetos em um determinado ambiente. Eles são amplamente utilizados em diversas aplicações industriais, automotivas, médicas e de automação, devido à sua capacidade de fornecer medições precisas e confiáveis em diferentes condições ambientais. Nesta etapa, veremos em detalhes o seu funcionamento, aplicações e considerações importantes pertinentes aos sensores ultrassônicos. 12 Figura 4 – Sensor de distância ultrassônico Crédito: 1 / Adobestock. Os sensores ultrassônicos emitem pulsos de ondas sonoras de alta frequência (ultrassom) em direção a um objeto alvo, medindo o tempo que leva para o pulso refletido retornar ao sensor. Com base no tempo de retorno e na velocidade do som no meio, o sensor pode calcular a distância até o objeto. Isso é feito usando o princípio de ecolocalização, semelhante ao uso de sonar por morcegos e golfinhos. Os sensores ultrassônicos geralmente consistem em um transdutor que emite e recebe os pulsos ultrassônicos, juntamente com circuitos eletrônicos para processar os sinais. Os sensores ultrassônicos apresentam uma ampla gama de aplicações em várias indústrias e campos, incluindo: • Detecção de obstáculos em veículos: são usados em sistemas de auxílio ao estacionamento, sistemas de freios automáticos e sistemas de prevenção de colisões em veículos automotores. • Medição de nível em tanques ereservatórios: são utilizados para medir o nível de líquidos ou sólidos em tanques, reservatórios e silos em processos industriais. • Detecção de presença e posicionamento em automação industrial: são empregados em robótica industrial, sistemas de transporte de materiais e máquinas de embalagem para detectar a presença e a posição de objetos. 13 • Mapeamento e navegação em robótica e veículos autônomos: são usados em robôs móveis e veículos autônomos, para mapeamento do ambiente e detecção de obstáculos. Ao usar sensores ultrassônicos, é importante considerar alguns aspectos para garantir um desempenho confiável e preciso. Por exemplo, a velocidade do som no meio pode variar com a temperatura e a umidade, o que pode afetar as medições. Além disso, interferências acústicas e reflexões múltiplas podem ocorrer em ambientes complexos, exigindo técnicas avançadas de processamento de sinais, para filtrar os dados e obter resultados precisos. Existem diferentes tipos de sensores ultrassônicos projetados para atender às diversas necessidades de aplicação. Vejamos alguns dos principais tipos: • Sensores de distância de curto alcance: são projetados para medir distâncias curtas, geralmente até alguns metros. São usados em aplicações como sistemas de estacionamento automático e detecção de objetos em robótica. • Sensores de distância de longo alcance: são projetados para medir distâncias maiores, geralmente até várias dezenas de metros. São utilizados em aplicações como monitoramento de tráfego e detecção de obstáculos em veículos autônomos. • Sensores de nível ultrassônicos: são projetados para medir o nível de líquidos ou sólidos em tanques, reservatórios e silos. São usados em aplicações industriais, agrícolas e ambientais. • Sensores ultrassônicos de imagem: são usados em aplicações de mapeamento e reconstrução 3D de ambientes, como robótica móvel e inspeção industrial. Benefícios dos sensores ultrassônicos: • Alta precisão e confiabilidade nas medições de distância e posição; • Grande alcance de detecção, permitindo a medição em distâncias variadas; • Operação em ambientes adversos, como baixa luminosidade, poeira e fumaça; • Não são afetados por mudanças na cor, textura ou transparência dos objetos. 14 Desafios dos sensores ultrassônicos: • Sensibilidade a variações na temperatura e na umidade, o que pode afetar a precisão das medições; • Reflexões e interferências acústicas em ambientes complexos, exigindo técnicas avançadas de processamento de sinais; • Custo relativamente alto em comparação com outros tipos de sensores, como sensores infravermelhos ou de contato. Com sua capacidade de fornecer medições precisas e confiáveis em diferentes condições ambientais, eles desempenham um papel fundamental na melhoria da eficiência e segurança em uma ampla gama de aplicações. TEMA 5 – TACÔMETROS Os tacômetros são dispositivos utilizados para medir a velocidade de rotação de um eixo ou de um sistema mecânico. Eles desempenham um papel crucial em uma variedade de aplicações industriais, automotivas e de engenharia, fornecendo informações essenciais sobre o desempenho e o funcionamento de máquinas e equipamentos. Neste momento, vamos explorar em detalhes seu funcionamento, os tipos e as aplicações, com considerações importantes sobre os tacômetros. Figura 5 – Medidor de rotação de motores Crédito: DiversePixels / Shutterstock. 15 Os tacômetros operam com base no princípio da contagem de pulsos ou no princípio da indução magnética. No primeiro método, um sensor de velocidade montado no eixo ou em uma parte rotativa do sistema gera pulsos elétricos proporcionais à velocidade de rotação. O tacômetro conta esses pulsos em um determinado intervalo de tempo e calcula a velocidade de rotação com base na frequência dos pulsos. No segundo método, o tacômetro utiliza um sensor magnético para detectar mudanças no campo magnético causadas pela rotação de um imã permanente ou por dentes de engrenagens metálicas. A variação do campo magnético é convertida em um sinal elétrico proporcional à velocidade de rotação. Os tacômetros apresentam uma ampla gama de aplicações em diversos setores, incluindo: • Indústria automotiva: são usados em veículos para medir a velocidade de rotação do motor, o que é essencial para o funcionamento do sistema de injeção de combustível, além de controle de ignição, sistema de transmissão e sistema de controle de velocidade. A figura a seguir traz um exemplo desse medidor, que você já deve ter visto em um carro. Figura 6 – Medidor de rotações em um carro Crédito: Artic_photo/ Shutterestock. 16 • Indústria de manufatura: são empregados em máquinas-ferramenta, tornos, fresadoras, prensas e outros equipamentos industriais para monitorar a velocidade de rotação durante o processo de usinagem e fabricação. • Indústria aeroespacial: são utilizados em motores de aeronaves e hélices para monitorar a velocidade de rotação e garantir um funcionamento seguro e eficiente. • Indústria naval: são empregados em motores de navios e embarcações para monitorar a velocidade de rotação dos eixos e hélices, bem como em guinchos e sistemas de elevação. Ao usar tacômetros, é importante considerar alguns aspectos para garantir medições precisas e confiáveis. Por exemplo, a instalação correta do sensor de velocidade e a calibração adequada do tacômetro são essenciais para obter resultados precisos. Além disso, a manutenção regular do sistema de medição e a proteção contra vibrações e condições ambientais adversas são importantes para garantir o desempenho confiável do tacômetro ao longo do tempo. Existem diferentes tipos de tacômetros projetados para atender às diversas necessidades de aplicação. Vejamos alguns dos principais tipos de tacômetros: • Tacômetros mecânicos: utilizam mecanismos mecânicos, como um cabo enrolado em um carretel ou uma roda dentada acoplada ao eixo, para medir a velocidade de rotação. São simples e robustos, mas podem ser limitados em termos de precisão e resposta rápida. • Tacômetros eletrônicos: utilizam sensores elétricos, como sensores de efeito Hall ou sensores magnéticos, para medir a velocidade de rotação. Eles são mais precisos e oferecem uma resposta mais rápida do que os tacômetros mecânicos, sendo amplamente utilizados em aplicações industriais e automotivas. • Tacômetros ópticos: utilizam um feixe de luz para medir a velocidade de rotação, geralmente por meio de um sensor fotoelétrico e uma marcação ou refletor montado no eixo rotativo. Oferecem alta precisão e resolução, sendo utilizados em aplicações de alta velocidade e precisão. Benefícios dos tacômetros: 17 • Fornecem informações essenciais sobre a velocidade de rotação de sistemas mecânicos e motores; • Permitem o monitoramento e o controle preciso de processos industriais e operações de máquinas; • Contribuem para a segurança e eficiência de veículos automotivos, aeronaves e equipamentos industriais; • Permitem a detecção precoce de falhas e problemas de desempenho em sistemas mecânicos e motores. Desafios dos tacômetros: • Sensibilidade a condições ambientais adversas, como vibrações, umidade e temperaturas extremas; • Necessidade de calibração regular e manutenção do sistema de medição para garantir medições precisas; • Limitações na resposta em tempo real em alguns sistemas de tacômetros, especialmente em ambientes de alta velocidade. Com sua capacidade de fornecer medições precisas e confiáveis, eles contribuem para a segurança, a eficiência e o desempenho de uma ampla gama de equipamentos e sistemas. No entanto, é importante considerar suas características, tipos e desafios ao selecionar e utilizar tacômetros em aplicações específicas. FINALIZANDO Chegamos ao final de nossa exploração sobre os diversostipos de sensores e sua importância na instrumentação moderna. Espero que tenha aproveitado esta etapa e tenha adquirido um entendimento sólido sobre os sensores capacitivos, indutivos, de efeito Hall, ultrassônicos e tacômetros. Lembrem-se de que esses dispositivos desempenham papéis cruciais em uma variedade de aplicações, desde automação industrial até eletrônica de consumo, garantindo precisão, eficiência e segurança em diversos processos. Continuem explorando e aprofundando seus conhecimentos nesse fascinante campo da tecnologia. Se tiverem alguma dúvida adicional, não hesitem em procurar mais recursos ou meios de aprendizado. Com isso, encerramos esta etapa. 18 INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL AULA 5 Prof. Juliano de Mello Pedroso 2 CONVERSA INICIAL Esta etapa trata sobre Sensores e medição de grandezas físicas! Aqui, iremos explorar cinco tipos essenciais de sensores e dispositivos de medição: sensores de deformação, sensores de pressão, medição de vazão, medição de nível e sensores óticos. Cada um desses elementos desempenha um papel fundamental em diversas aplicações industriais, ambientais e tecnológicas, permitindo-nos obter dados precisos e relevantes sobre o mundo ao nosso redor. Vamos começar nossa jornada compreendendo os sensores de deformação, que são projetados para detectar e medir mudanças na forma ou tamanho de um objeto quando submetido a forças externas. Em seguida, exploraremos os sensores de pressão, que desempenham um papel crucial na medição e controle de pressões em sistemas hidráulicos, pneumáticos e de processos industriais. Após isso, abordaremos a medição de vazão, que é essencial para monitorar e controlar o fluxo de líquidos ou gases em uma ampla variedade de processos industriais, desde a produção de alimentos até o controle de processos químicos. Em seguida, discutiremos a medição de nível, fundamental para determinar a quantidade de líquido ou material em um recipiente, tanque ou reservatório. Por fim, exploraremos os sensores óticos, que utilizam princípios de luz e detecção para realizar tarefas como detecção de presença, medição de distância e identificação de objetos. Ao longo desta etapa, examinaremos os princípios de funcionamento, aplicações e considerações de projeto associados a cada tipo de sensor e dispositivo de medição. Preparem-se para uma jornada empolgante pelo mundo da instrumentação e sensoriamento! TEMA 1 – SENSORES DE DEFORMAÇÃO Os sensores de deformação são dispositivos projetados para medir a deformação ou tensão em materiais sujeitos a cargas mecânicas. Eles desempenham um papel crucial em uma variedade de aplicações industriais, desde a monitorização da integridade estrutural de pontes e edifícios até a medição da carga em componentes de máquinas. Neste tópico, exploraremos 3 em detalhes o funcionamento, os tipos, as aplicações e as considerações importantes relacionadas aos sensores de deformação. Figura 1 – Sensor de deformação Crédito: Francesco Scatena/Shutterstock. Os sensores de deformação operam com base no princípio da mudança na resistência elétrica de materiais quando sujeitos a uma carga mecânica. O sensor geralmente consiste em um elemento de detecção, como uma grade ou fio fino, feito de um material condutor, como o metal. Quando uma carga é aplicada ao material, ele se deforma, resultando em uma mudança na resistência elétrica do elemento de detecção. Essa mudança na resistência é então medida por meio de circuitos elétricos e convertida em uma leitura de deformação ou tensão. Os sensores de deformação têm uma ampla gama de aplicações em várias indústrias e campos, incluindo: • Monitoramento estrutural: utilizado para monitorar a integridade estrutural de pontes, edifícios, túneis e outras infraestruturas civis sujeitas a cargas mecânicas, ajudando a detectar e prevenir potenciais falhas; • Testes de materiais: empregados em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento para testar e caracterizar materiais, medindo sua 4 resposta à carga mecânica e avaliando suas propriedades mecânicas, como elasticidade, rigidez e resistência; • Controle de qualidade na indústria: usados em processos de fabricação para monitorar e controlar a qualidade de produtos e componentes, garantindo que estejam dentro de especificações de tolerância e resistência; • Medição de carga em componentes mecânicos: empregados em máquinas e equipamentos industriais para medir a carga em componentes mecânicos, como eixos, molas e estruturas, ajudando a otimizar o projeto e a manutenção. Ao usar sensores de deformação, é importante considerar alguns aspectos para garantir medições precisas e confiáveis. Por exemplo, a seleção adequada do tipo de sensor, a instalação correta no local de medição e a calibração regular são essenciais para obter resultados precisos. Além disso, a compatibilidade do sensor com o material e as condições ambientais do ambiente de operação devem ser consideradas. Existem diferentes tipos de sensores de deformação projetados para atender às diversas necessidades de aplicação. Aqui estão alguns dos principais tipos: • Extensômetros: são dispositivos que medem a deformação em um material por meio da mudança na resistência elétrica de um fio ou grade condutora fixada à superfície do material. Eles são amplamente utilizados em testes de materiais e monitoramento estrutural; • Células de carga: são sensores de deformação utilizados para medir a carga aplicada a um componente mecânico, convertendo a deformação mecânica em um sinal elétrico proporcional à carga. São comumente usados em balanças, guindastes e sistemas de pesagem; • Strain Gauges: são sensores de deformação sensíveis que consistem em uma fina folha de material condutor, como a constante elástica do fio. Quando o material é esticado ou comprimido, a resistência elétrica do material muda, permitindo a medição da deformação. 5 Figura 2 – Strain gauge Crédito: Mathew/Adobe Stock. • Fornecem medições precisas e confiáveis da deformação e tensão em materiais e componentes mecânicos; • Permitem a detecção precoce de potenciais falhas estruturais e a implementação de medidas preventivas; • Contribuem para o aumento da eficiência e segurança em processos industriais e operações de engenharia; • São versáteis e podem ser adaptados a uma variedade de aplicações e materiais. Desafios dos sensores de deformação: • Sensibilidade a variações nas condições ambientais, como temperatura, umidade e vibração; • Necessidade de calibração e manutenção regular para garantir medições precisas e confiáveis; • Limitações na faixa de medição e na resolução em alguns casos específicos de aplicação. Com sua capacidade de fornecer medições precisas e confiáveis da deformação e tensão em materiais e componentes mecânicos, eles são https://stock.adobe.com/br/contributor/208500127/mathew?load_type=author&prev_url=detail 6 essenciais para garantir a segurança, eficiência e confiabilidade em uma ampla gama de aplicações. No entanto, é importante considerar suas características, tipos e desafios ao selecionar e utilizar sensores de deformação em aplicações específicas. TEMA 2 – SENSORES DE PRESSÃO Os sensores de pressão são dispositivos fundamentais na medição e controle de pressão em uma variedade de aplicações industriais, automotivas, médicas e de consumo. Esses sensores desempenham um papel essencial ao fornecer informações precisas sobre a pressão em sistemas e processos, permitindo monitoramento, controle e segurança. Aqui, exploraremos em detalhes o funcionamento, os tipos, as aplicações e as considerações importantes relacionadas aos sensores de pressão. Os sensores de pressão funcionam com base em diferentes princípios demedição, incluindo piezoelétrico, capacitivo, resistivo, piezorresistivo e de semicondutores. No entanto, o princípio mais comum envolve a conversão da pressão aplicada em uma mudança mensurável em uma grandeza elétrica, como tensão, corrente ou resistência. Por exemplo, em sensores piezorresistivos, a pressão aplicada deforma um material piezorresistivo, alterando sua resistência elétrica, que é então convertida em um sinal elétrico proporcional à pressão. Os sensores de pressão são amplamente utilizados em diversas áreas, incluindo: • Indústria automotiva: são empregados em sistemas de controle de motor, sistemas de freios ABS, sistemas de controle de emissões, sistemas de airbag, sistemas de monitoramento de pneus e muitas outras aplicações automotivas. Na figura 3 temos o um exemplo do que é um medidor de pressão dos pneus. 7 Figura 3 – Medidor de pressão nos pneus Crédito: Tetrisme/Shutterstock. • Indústria de processos: são utilizados em sistemas de controle de processos industriais, como medição de pressão em tubulações, tanques e vasos, monitoramento de sistemas de fluidos e controle de processos químicos e petroquímicos; • Indústria médica: são empregados em equipamentos médicos, como ventiladores, monitores de pressão arterial, bombas de infusão, equipamentos de análise de gases e muitas outras aplicações médicas; • Indústria de consumo: são utilizados em dispositivos de consumo, como smartphones, smartwatches, medidores de pressão arterial domésticos, aspiradores de pó robóticos e muitos outros dispositivos eletrônicos. Ao selecionar e usar sensores de pressão, é importante considerar vários fatores, como faixa de pressão, precisão, resposta dinâmica, compatibilidade com o meio, temperatura de operação, necessidade de calibração e manutenção, entre outros. Além disso, é essencial garantir que o sensor seja adequado para a aplicação específica e que atenda aos requisitos de desempenho e segurança. Existem diversos tipos de sensores de pressão disponíveis, cada um com suas características e princípios de funcionamento. Aqui estão alguns dos principais tipos: • Sensores piezorresistivos: esses sensores usam a variação na resistência elétrica de um material piezorresistivo para medir a pressão. 8 Eles são comumente usados em aplicações automotivas, industriais e médicas devido à sua alta precisão e resposta rápida; • Sensores capacitivos: esses sensores medem a variação na capacitância de um elemento sensor devido à deformação causada pela pressão. Eles são frequentemente usados em aplicações de alta precisão, como instrumentação de laboratório e aplicações de monitoramento de processos; • Sensores piezoelétricos: esses sensores usam a propriedade piezoelétrica de certos materiais para converter a pressão em um sinal elétrico. Eles são frequentemente usados em aplicações de alta temperatura e alta pressão, como em ambientes industriais agressivos; • Sensores de Silício Microeletromecânicos (MEMS): esses sensores são fabricados usando tecnologia de microfabricação e são amplamente utilizados devido ao seu baixo custo, tamanho compacto e boa precisão. Eles são comuns em dispositivos eletrônicos de consumo e aplicações automotivas. Benefícios dos sensores de pressão: • Fornecem medições precisas e confiáveis da pressão em uma variedade de aplicações; • Contribuem para o monitoramento, controle e segurança de sistemas e processos; • Permitem a detecção precoce de falhas e problemas de desempenho em equipamentos e sistemas; • São versáteis e podem ser adaptados a uma ampla gama de aplicações e condições de operação. Desafios dos sensores de pressão: • Sensibilidade a variações nas condições ambientais, como temperatura, umidade e vibração; • Necessidade de calibração e manutenção regulares para garantir medições precisas e confiáveis; • Limitações na faixa de medição, precisão e resolução em alguns casos específicos de aplicação. Com sua capacidade de fornecer medições precisas e confiáveis, eles são essenciais para garantir o desempenho, a segurança e a eficiência de uma 9 ampla gama de equipamentos e sistemas. No entanto, é importante considerar suas características, tipos e desafios ao selecionar e utilizar sensores de pressão em aplicações específicas. TEMA 3 – MEDIÇÃO DE VAZÃO A medição de vazão é uma prática essencial em uma ampla gama de aplicações industriais, ambientais e de engenharia. Ela envolve a quantificação do volume de fluido que passa por um ponto específico em um determinado intervalo de tempo. A precisão e a confiabilidade dessas medições são vitais para o controle de processos, otimização de recursos e garantia da qualidade do produto final. Neste tópico, exploraremos os princípios de medição de vazão, os tipos de dispositivos utilizados e suas aplicações em diferentes setores. Existem diversos métodos para medir a vazão de fluidos, cada um baseado em diferentes princípios físicos. Alguns dos métodos mais comuns incluem: • Medição de vazão volumétrica: baseia-se na medição direta do volume do fluido que passa por um ponto em um determinado intervalo de tempo. Isso pode ser feito usando dispositivos como medidores de deslocamento positivo, rotâmetros e medidores de turbina; • Medição de vazão de velocidade: determina a vazão com base na velocidade do fluido em um ponto específico. Esse método inclui dispositivos como medidores de velocidade ultrassônica, medidores de velocidade de vortex e medidores de velocidade eletromagnéticos; • Medição de vazão de pressão diferencial: utiliza a queda de pressão por meio de uma restrição no fluxo para determinar a vazão. Esse método é comumente empregado em medidores de orifício, bocais e tubos Venturi. A medição de vazão é aplicada em uma variedade de setores e processos, incluindo: • Indústria de processos: utilizada para monitorar e controlar o fluxo de fluidos em plantas químicas, refinarias de petróleo, usinas de energia e outras instalações industriais; 10 • Indústria alimentícia: aplicada para medir a vazão de líquidos e gases em linhas de produção de alimentos e bebidas, garantindo precisão e consistência nos processos de fabricação; • Tratamento de água e efluentes: essencial para monitorar e regular o fluxo de água em sistemas de abastecimento de água, estações de tratamento de águas residuais e processos de dessalinização. Figura – Medidor de fluxo de água Crédito: Fotomake/Shutterstock. Indústria de petróleo e gás: utilizada em operações de perfuração, produção e refino de petróleo e gás para medir o fluxo de fluidos em tubulações e equipamentos. Ao selecionar e implementar sistemas de medição de vazão, é crucial considerar fatores como o tipo de fluido, faixa de vazão, precisão requerida, compatibilidade química, temperatura e pressão de operação, bem como os requisitos de manutenção e calibração. Existem diversos dispositivos disponíveis para medir a vazão de fluidos, cada um com suas características e princípios de funcionamento. Alguns dos principais tipos incluem: 11 • Medidores de deslocamento positivo: esses medidores contam o volume de fluido deslocado por um pistão, engrenagens ou lâminas em um compartimento de medição. Eles são adequados para líquidos viscosos e não condutores, como óleos e produtos químicos; • Medidores de velocidade ultrassônica: utilizam transdutores ultrassônicos para medir o tempo de trânsito de um sinal ultrassônico por meio de um fluido. A velocidade do fluido é então calculada com base no tempo de trânsito e na distância entre os transdutores; • Medidores de orifício: consistem em uma placa com um orifício que restringe o fluxo de fluido. A queda de pressão pelo orifício é medida e utilizada para calcular a vazão; • Medidores de turbina: possuem uma hélice ou rotorque gira proporcionalmente ao fluxo de fluido. A velocidade de rotação do rotor é convertida em um sinal elétrico que é proporcional à vazão. Benefícios da medição de vazão: • Permite o controle preciso de processos industriais, garantindo a eficiência e a qualidade do produto; • Contribui para a conservação de recursos, como água e energia, por meio da otimização do consumo e do desperdício; • Facilita a detecção precoce de vazamentos, falhas e problemas de desempenho em sistemas de tubulações e equipamentos; • Ajuda a garantir o cumprimento de regulamentos ambientais e de segurança em diferentes setores e indústrias. Desafios da medição de vazão: • Seleção adequada do dispositivo de medição para atender às exigências específicas da aplicação; • Manutenção e calibração regulares para garantir a precisão e a confiabilidade das medições ao longo do tempo; • Influência de fatores externos, como temperatura, pressão e características do fluido, na precisão das medições; • Custo inicial e investimento contínuo em equipamentos e sistemas de medição de vazão. Com sua capacidade de fornecer medições precisas e confiáveis da vazão de fluidos, esses sistemas são essenciais para garantir o desempenho, a 12 eficiência e a segurança em uma ampla gama de processos e operações. No entanto, é fundamental considerar os requisitos específicos da aplicação e os desafios associados à seleção e implementação de sistemas de medição de vazão. TEMA 4 – MEDIÇÃO DE NÍVEL A medição de nível é uma prática fundamental em uma variedade de aplicações industriais, ambientais e de engenharia, envolvendo a determinação do nível de um líquido ou sólido em um recipiente ou tanque. Essas medições são essenciais para o monitoramento de processos, controle de estoque, prevenção de transbordamentos e garantia da segurança e eficiência operacional. Neste tópico, exploraremos os princípios de medição de nível, os diferentes tipos de dispositivos utilizados e suas aplicações em diversos setores. Na Figura 5 temos um exemplo desse tipo de sensor. Figura 5 – Sensor de nível Crédito: Thelimestock/Adobe Stock. A medição de nível pode ser realizada utilizando diversos métodos, cada um baseado em diferentes princípios físicos. Alguns dos métodos mais comuns incluem: • Medição de nível por pressão: baseia-se na medição da pressão exercida pelo líquido ou sólido em um ponto específico do tanque. A 13 pressão é convertida em uma leitura de nível usando um transmissor de pressão; • Medição de nível por flutuador: utiliza um flutuador que se movimenta de acordo com o nível do líquido, acionando um sensor de posição que converte o movimento em um sinal elétrico proporcional ao nível; • Medição de nível por radar ou ultrassom: envia-se um pulso de ondas eletromagnéticas ou ultrassônicas em direção à superfície do líquido, medindo o tempo de retorno do sinal para calcular a distância e, portanto, o nível do líquido. A medição de nível é aplicada em uma ampla variedade de setores e processos, incluindo: • Indústria química e petroquímica: utilizada para monitorar o nível de produtos químicos em tanques de armazenamento, garantindo a segurança e a prevenção de vazamentos; • Indústria de alimentos e bebidas: aplicada para controlar o nível de ingredientes em tanques de preparação, fermentação e armazenamento, garantindo a consistência e a qualidade dos produtos; • Tratamento de água e efluentes: essencial para monitorar o nível de água em reservatórios, estações de tratamento e sistemas de drenagem, garantindo o abastecimento adequado e a prevenção de inundações; • Indústria de petróleo e gás: utilizada para monitorar o nível de líquidos em tanques de armazenamento, tanques de petróleo bruto e reservatórios de água de processo. Ao selecionar e implementar sistemas de medição de nível, é crucial considerar fatores como o tipo de líquido ou sólido, o ambiente de operação, a faixa de medição, a precisão requerida, a compatibilidade química e as necessidades de manutenção e calibração. Existem diversos dispositivos disponíveis para medir o nível de líquidos e sólidos, cada um com suas características e princípios de funcionamento. Alguns dos principais tipos incluem: • Transmissores de pressão: utilizam um sensor de pressão para medir a pressão exercida pelo líquido ou sólido em um ponto específico do tanque, convertendo-a em um sinal elétrico proporcional ao nível; 14 • Medidores de nível por flutuador: consistem em um flutuador que se move com o nível do líquido, acionando um sensor de posição, como um potenciômetro ou interruptor de nível, que fornece um sinal elétrico proporcional ao nível; • Medidores de nível por radar ou ultrassom: utilizam pulsos de ondas eletromagnéticas ou ultrassônicas para medir a distância até a superfície do líquido, calculando, assim, o nível; • Medidores de nível por capacitância: baseiam-se na variação da capacitância entre um sensor e a superfície do líquido, que é afetada pelo nível do líquido. Benefícios da medição de nível: • Permite o monitoramento e o controle precisos de processos industriais, garantindo a eficiência operacional e a qualidade do produto; • Contribui para a prevenção de transbordamentos, vazamentos e desperdício de líquidos, reduzindo os riscos de segurança e impactos ambientais; • Facilita a automação de sistemas de controle de processo, otimizando a utilização de recursos e aumentando a produtividade. Desafios da medição de nível: • Influência de fatores externos, como temperatura, pressão e características do fluido, na precisão das medições; • Necessidade de calibração e manutenção regulares para garantir a precisão e a confiabilidade das medições ao longo do tempo; • Seleção adequada do dispositivo de medição e posicionamento correto no tanque para evitar interferências e obter medições precisas. Com sua capacidade de fornecer medições precisas e confiáveis do nível de líquidos e sólidos, esses sistemas são fundamentais para garantir o desempenho e a qualidade em uma ampla gama de processos e operações. No entanto, é fundamental considerar os requisitos específicos da aplicação e os desafios associados à seleção e implementação de sistemas de medição de nível. 15 TEMA 5 – SENSORES ÓTICOS Os sensores óticos desempenham um papel crucial em uma variedade de aplicações industriais, automotivas, médicas e de consumo, fornecendo informações valiosas sobre características óticas de objetos, como cor, forma, tamanho e posição. Esses sensores utilizam princípios óticos para detectar e medir mudanças na luz refletida, transmitida ou absorvida por objetos, permitindo a detecção de presença, contagem, inspeção de qualidade, posicionamento e controle de processos. Neste tópico, exploraremos os princípios de funcionamento, os diferentes tipos e as aplicações dos sensores óticos em diversos setores. Na Figura 6 temos um exemplo desse tipo de sensor. Figura 6 – Sensor ótico Créditos: MOLPIX/Shutterstock. Os sensores óticos operam com base em diversos princípios óticos, incluindo reflexão, transmissão, absorção, refração, difração e polarização da luz. O tipo de sensor ótico utilizado depende das características do objeto a ser detectado ou medido e das condições ambientais da aplicação. Alguns dos tipos comuns de sensores óticos incluem: 16 • Sensores de reflexão: detectam a luz refletida por um objeto e são amplamente utilizados em aplicações de detecção de presença, contagem e inspeção de qualidade; • Sensores de transmissão: detectam a luz transmitida por um objeto e são empregados em aplicações de detecção de materiais transparentes ou semitransparentes, como vidro, plástico e líquidos; • Sensores de difração: utilizam padrões de interferência de luz para detectar a presença ou a ausência de objetos,e são comumente usados em aplicações de contagem de peças e detecção de pequenos objetos. Os sensores óticos são amplamente utilizados em uma variedade de setores e aplicações, incluindo: • Indústria automotiva: são empregados em sistemas de visão computacional para detectar obstáculos, identificar sinais de trânsito, monitorar a posição e o movimento de veículos e realizar inspeções de qualidade em linhas de produção; • Indústria eletrônica e semicondutores: utilizados em processos de fabricação para inspeção de chips, detecção de falhas, alinhamento de componentes e medição de precisão; • Indústria farmacêutica e de alimentos: aplicados em sistemas de embalagem para garantir a integridade e qualidade dos produtos, verificar rótulos, códigos de barras e tampas e realizar inspeções de qualidade; • Automação industrial: utilizados em sistemas de controle de processos para monitorar a posição e o movimento de peças, detectar defeitos em superfícies, realizar alinhamento e posicionamento precisos e controlar a qualidade do produto. Ao selecionar e implementar sistemas de sensores óticos, é fundamental considerar fatores como o tipo de aplicação, as características do objeto a ser detectado, as condições ambientais, a precisão requerida, a distância de detecção e as necessidades de integração com outros sistemas. Existem diversos tipos de sensores óticos disponíveis, cada um com suas características e aplicações específicas. Alguns dos tipos mais comuns incluem: • Fotocélulas: detectam a presença ou ausência de um objeto com base na interrupção do feixe de luz entre um emissor e um receptor; 17 • Sensores de cor: identificam a cor de um objeto com base na refletância espectral da luz e são utilizados em aplicações de classificação, seleção e controle de qualidade; • Sensores de barreira: utilizam um feixe de luz para detectar a presença de um objeto em uma determinada área e são frequentemente empregados em sistemas de segurança e controle de acesso; • Sensores de distância a laser: medem a distância até um objeto com base no tempo de viagem de um pulso de luz laser e são usados em aplicações de posicionamento e controle de movimento. Benefícios dos sensores óticos: • Oferecem alta precisão e sensibilidade na detecção de objetos e características óticas; • Permitem a realização de inspeções rápidas e precisas de produtos em linhas de produção; • São versáteis e podem ser adaptados a uma variedade de aplicações e condições ambientais; • Contribuem para a automação de processos industriais, aumentando a eficiência e a produtividade. Desafios dos sensores óticos: • Sensibilidade a condições ambientais, como luz ambiente, poeira e umidade, que podem afetar o desempenho do sensor; • Necessidade de calibração e ajuste para garantir a precisão e a confiabilidade das medições ao longo do tempo; • Custo inicial e investimento contínuo em equipamentos e sistemas de sensores óticos. Com sua capacidade de oferecer detecção precisa e sensível de objetos e características óticas, esses sensores são essenciais para garantir o desempenho, a eficiência e a qualidade em uma ampla gama de processos e operações. No entanto, é fundamental considerar os requisitos específicos da aplicação e os desafios associados à seleção e implementação de sistemas de sensores óticos. 18 FINALIZANDO Chegamos ao final etapa sobre sensores de deformação, sensores de pressão, medição de vazão, medição de nível e sensores óticos. Espero que tenham aproveitado essa exploração e tenham adquirido um entendimento mais profundo sobre esses elementos essenciais da instrumentação moderna. É crucial lembrar que esses dispositivos desempenham papéis vitais em uma ampla gama de indústrias e aplicações, desde o controle de qualidade até a segurança de processos e a eficiência operacional. Continuem explorando e aprofundando seus conhecimentos nesse campo fascinante da tecnologia, e estejam sempre atentos às novas tendências e desenvolvimentos. Se tiverem mais alguma dúvida ou desejar continuar a discussão sobre esses temas, não hesitem em buscar mais recursos ou se conectar com outros profissionais da área. INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL AULA 6 Prof. Juliano de Mello Pedroso 2 CONVERSA INICIAL Nesta etapa, mergulharemos nos fundamentos e nas tecnologias por trás dos termopares, RTDs, termistores, pirômetros e medidores de radiação infravermelha. Esses dispositivos desempenham um papel crucial em uma ampla gama de setores, desde o controle de processos industriais até a pesquisa científica de ponta. Vamos explorar como cada um funciona, suas características distintivas e suas aplicações práticas. Preparem-se para uma jornada emocionante pelo mundo da medição de temperatura de alta precisão! TEMA 1 – TERMOPARES Os termopares são dispositivos de medição de temperatura amplamente utilizados em uma variedade de aplicações industriais, científicas e de engenharia. Eles funcionam com base no princípio do efeito Seebeck, que estabelece uma relação entre a diferença de temperatura e a diferença de potencial elétrico em um circuito composto por dois metais diferentes. Nesta temática, exploraremos os princípios de funcionamento, os tipos, as aplicações e as considerações importantes relacionadas aos termopares. Um termopar é composto por dois condutores metálicos diferentes unidos em uma extremidade, chamada de junção de medição, e conectados a um instrumento de medição na outra extremidade. Quando a junção de medição é submetida a uma diferença de temperatura em relação à junção de referência, é gerada uma diferença de potencial elétrico, conhecida como força eletromotriz (FEM) termoelétrica, que é medida pelo instrumento de medição e convertida em uma leitura de temperatura. Na Figura 1 temos um exemplo desse sensor. 3 Figura 1 – Termopar Crédito: Aicandy/Adobe Stock. Os termopares são amplamente utilizados em uma variedade de aplicações, incluindo: • Indústria metalúrgica: são empregados para monitorar a temperatura em fornos, fornalhas, forjamento, fundição e tratamento térmico de metais; • Indústria química e petroquímica: utilizados em processos de destilação, reações químicas, refinarias, plantas de processamento e armazenamento de produtos químicos; • Indústria de alimentos e bebidas: aplicados em fornos, estufas, tanques de fermentação, pasteurizadores e processadores de alimentos para controle de temperatura e segurança alimentar; • Indústria farmacêutica: empregados em equipamentos de esterilização, autoclaves, secadores, fermentadores e processadores de medicamentos para garantir a qualidade e a conformidade com regulamentações. Ao selecionar e usar termopares, é crucial considerar fatores como faixa de temperatura, precisão, estabilidade, resposta térmica, compatibilidade química, ruído elétrico, vibração e custo. Além disso, é essencial realizar calibração regular para garantir medições precisas e confiáveis ao longo do tempo. Existem vários tipos de termopares disponíveis, cada um com diferentes combinações de materiais condutores e faixas de temperatura. Os tipos mais 4 comuns são designados por letras, como tipo K, tipo J, tipo T, tipo E, tipo N, entre outros. Cada tipo de termopar possui características específicas de temperatura, precisão, sensibilidade e aplicação. • Tipo K (Cromel-Alumel): é o tipo mais comum de termopar, com faixa de temperatura de -200°C a 1.372°C, adequado para aplicações em atmosferas oxidantes e redutoras; • Tipo J (Ferro-Constantan): possui faixa de temperatura de -210°C a 760°C e é frequentemente utilizado em aplicações de baixa temperatura e em atmosferas oxidantes; • Tipo T (Cobre-Constantan): tem faixa de temperatura de -200°C a 350°Ce é adequado para aplicações em baixas temperaturas e ambientes corrosivos; • Tipo E (Cromel-Constantan): tem faixa de temperatura de -200°C a 900°C e é frequentemente utilizado em aplicações de baixa temperatura e em ambientes corrosivos. Benefícios dos termopares: • Ampla faixa de temperatura de operação, cobrindo desde temperaturas muito baixas até temperaturas extremamente altas; • Alta sensibilidade e resposta rápida a mudanças de temperatura; • Baixo custo e fácil substituição em caso de falha; • Resistência a choques mecânicos e vibrações em comparação com outros tipos de sensores de temperatura. Desafios dos termopares: • Sensibilidade a ruídos elétricos e interferências de radiofrequência; • Necessidade de calibração regular devido à degradação ao longo do tempo; • Limitações na precisão e estabilidade em comparação com sensores de temperatura mais caros, como termorresistências de platina. Com sua capacidade de operar em uma ampla faixa de temperatura e oferecer alta sensibilidade e resposta rápida, os termopares são essenciais para o monitoramento e controle de processos em diversos setores. No entanto, é importante considerar as características específicas de cada tipo de termopar e 5 os desafios associados à sua seleção e uso para garantir medições precisas e confiáveis ao longo do tempo. TEMA 2 – RTD Os RTDs (Resistance Temperature Detectors) ou termorresistências são dispositivos de medição de temperatura amplamente utilizados devido à sua alta precisão e estabilidade ao longo do tempo. Eles operam com base na variação da resistência elétrica de um material condutor em resposta a mudanças na temperatura. Neste tópico, exploraremos os princípios de funcionamento, os tipos, as aplicações e as considerações importantes relacionadas aos RTDs. Os RTDs são geralmente feitos de platina de alta pureza devido à sua alta resistência à temperatura e linearidade de resposta. Quando a temperatura aumenta, a resistência elétrica do RTD também aumenta de maneira previsível e consistente. Essa variação na resistência é medida por um circuito elétrico e convertida em uma leitura de temperatura usando uma equação de calibração específica para o tipo de RTD utilizado. Na Figura 2 temos um exemplo desse equipamento. Figura 2 – RTD Crédito: Preecha B/Shutterstock. Os RTDs são utilizados em uma variedade de aplicações, incluindo: 6 • Indústria de processos: são empregados em sistemas de monitoramento e controle de temperatura em tanques, tubulações, reatores e fornos em indústrias químicas, petroquímicas e farmacêuticas; • Automação industrial: utilizados em sistemas de controle de processos para garantir a temperatura adequada em máquinas, equipamentos e ambientes de produção; • Indústria alimentícia: aplicados em equipamentos de processamento, refrigeração e armazenamento para garantir a segurança alimentar e a qualidade dos produtos; • Laboratórios e pesquisa científica: utilizados em experimentos e análises que requerem medições precisas e estáveis de temperatura. Ao selecionar e usar RTDs, é crucial considerar fatores como faixa de temperatura, precisão, estabilidade, tempo de resposta, compatibilidade química e mecânica, custo e requisitos de calibração. A seleção do RTD adequado para uma aplicação específica depende das características do ambiente, dos requisitos de precisão e das condições operacionais. Existem vários tipos de RTDs disponíveis, cada um com diferentes materiais de construção, faixas de temperatura e características de desempenho. Alguns dos tipos mais comuns incluem: • RTD de Platina: feitos de platina de alta pureza, esses RTDs oferecem alta precisão, estabilidade e linearidade em uma ampla faixa de temperatura, tornando-os ideais para aplicações industriais e científicas exigentes; • RTD de Níquel: feitos de ligas de níquel, esses RTDs são mais econômicos do que os RTDs de platina, mas geralmente oferecem menor precisão e estabilidade em comparação; • RTD de Níquel-Iron (NiFe): também conhecidos como termistores de níquel, esses RTDs são feitos de uma liga de níquel-ferro e oferecem uma resposta rápida a mudanças de temperatura, mas podem ser menos precisos em comparação com RTDs de platina. 7 Benefícios dos RTDs: • Alta precisão e estabilidade ao longo do tempo, tornando-os ideais para aplicações que exigem medições precisas e confiáveis de temperatura; • Linearidade de resposta em uma ampla faixa de temperatura, facilitando a calibração e a interpretação dos dados; • Resistência a choques mecânicos, vibrações e ambientes hostis, garantindo a confiabilidade em condições adversas; • Baixa sensibilidade a interferências elétricas e magnéticas, resultando em medições mais precisas e confiáveis. Desafios dos RTDs: • Custo inicial mais elevado em comparação com outros tipos de sensores de temperatura, como termopares e termistores de níquel; • Limitações na faixa de temperatura em comparação com outros tipos de sensores, especialmente RTDs de platina em altas temperaturas; • Sensibilidade a variações na resistência dos cabos de ligação e terminais de conexão, que podem afetar a precisão das medições. Com sua capacidade de oferecer medições precisas e confiáveis em uma ampla faixa de temperatura, os RTDs são essenciais para uma variedade de aplicações industriais, científicas e de engenharia. No entanto, é importante considerar as características específicas de cada tipo de RTD e os desafios associados à sua seleção e uso para garantir medições precisas e confiáveis ao longo do tempo. TEMA 3 – TERMISTORES Os termistores são dispositivos de temperatura sensíveis à resistência elétrica que encontram aplicações em uma variedade de campos, desde eletrônicos até automotivos e médicos. Eles operam com base na variação da resistência elétrica em resposta às mudanças de temperatura, sendo classificados em dois tipos principais: NTC (Negative Temperature Coefficient) e PTC (Positive Temperature Coefficient). Neste tópico, examinaremos os princípios de funcionamento, os tipos, as aplicações e as considerações importantes relacionadas aos termistores. Na Figura 3 temos um exemplo de um tipo desse equipamento. 8 Figura 3 – Termistor Crédito: Cristian Storto/Shutterstock. Os termistores são feitos de materiais semicondutores, cuja resistência elétrica varia inversamente (no caso de NTC) ou diretamente (no caso de PTC) com a temperatura. Quando a temperatura aumenta, a resistência elétrica de um NTC diminui, enquanto a de um PTC aumenta. Essa variação da resistência elétrica pode ser medida e utilizada para determinar a temperatura ambiente. Os termistores têm uma ampla gama de aplicações, incluindo: • Controle de temperatura: são usados em sistemas de controle de temperatura, como termostatos e aquecedores, para manter ambientes específicos a uma temperatura desejada; • Compensação de temperatura: são empregados em circuitos eletrônicos para compensar as variações de temperatura e garantir a estabilidade do funcionamento dos dispositivos; • Medição de temperatura: são utilizados como sensores de temperatura em dispositivos médicos, automotivos, industriais e de consumo para medir e monitorar a temperatura ambiente; • Proteção contra sobretemperatura: são empregados em circuitos de proteção contra sobreaquecimento em equipamentos eletrônicos, baterias e motores elétricos. Ao selecionar e usar termistores, é essencial considerar fatores como faixa de temperatura, precisão, estabilidade, tempo de resposta, sensibilidade, 9 confiabilidade e custo. A seleção do tipo adequado de termistor para uma aplicação específica depende das características do ambiente, dos requisitos de precisão e das condições operacionais. Existem dois tipos principais de termistores: • NTC (Negative TemperatureCoefficient): como o nome sugere, a resistência elétrica de um NTC diminui à medida que a temperatura aumenta. Eles são frequentemente usados em aplicações de controle de temperatura e medição de temperatura devido à sua resposta rápida e sensibilidade; • PTC (Positive Temperature Coefficient): ao contrário dos NTCs, a resistência elétrica de um PTC aumenta com o aumento da temperatura. Eles são comumente empregados em aplicações de proteção contra sobreaquecimento, onde a resistência elétrica aumenta rapidamente em caso de superaquecimento, interrompendo a corrente elétrica. Benefícios dos termistores: • Alta sensibilidade e precisão na medição de temperatura; • Resposta rápida às mudanças de temperatura, permitindo o controle eficiente da temperatura em sistemas dinâmicos; • Baixo custo em comparação com outros sensores de temperatura, como termopares e termorresistências de platina; • Ampla disponibilidade em diferentes formas, tamanhos e configurações para atender a diversas necessidades de aplicação. Desafios dos termistores: • Limitações na faixa de temperatura de operação em comparação com outros sensores de temperatura; • Precisão limitada em comparação com sensores de temperatura mais caros, como termorresistências de platina; • Variações na resposta devido a fatores como envelhecimento, degradação e mudanças na composição do material. Com sua alta sensibilidade, resposta rápida e custo acessível, os termistores desempenham um papel importante em sistemas de controle de temperatura, circuitos de proteção e medição de temperatura. No entanto, é importante considerar as características específicas de cada tipo de termistor e 10 os desafios associados à sua seleção e uso para garantir medições precisas e confiáveis ao longo do tempo. TEMA 4 – PIRÔMETROS Os pirômetros são dispositivos de medição de temperatura que operam com base na detecção da radiação térmica emitida por um objeto. Eles são amplamente utilizados em uma variedade de aplicações industriais, científicas e de engenharia, onde a medição precisa e sem contato da temperatura é essencial. Neste tópico, exploraremos os princípios de funcionamento, os tipos, as aplicações e as considerações importantes relacionadas aos pirômetros. Na Figura 4 temos um equipamento que usa o pirômetro. Figura 4 – Termômetro a laser Crédito: Nikkytok/Shutterstock. Os pirômetros operam com base no princípio da radiação térmica, onde todos os objetos emitem radiação eletromagnética em função de sua temperatura. Essa radiação é detectada pelo pirômetro e convertida em uma leitura de temperatura. Existem dois tipos principais de pirômetros: os ópticos e os de radiação. • Pirômetros ópticos: utilizam um sistema de lentes para focalizar a radiação térmica de um objeto em um sensor, onde a temperatura é determinada com base na intensidade da radiação detectada; 11 • Pirômetros de radiação: detectam a radiação térmica de um objeto sem a necessidade de óptica, utilizando sensores de radiação térmica que convertem a energia radiante em um sinal elétrico proporcional à temperatura. Os pirômetros têm uma ampla gama de aplicações em diferentes setores, incluindo: • Indústria metalúrgica: utilizados em processos de fundição, forjamento, laminação e tratamento térmico para monitorar e controlar a temperatura de metais e ligas; • Indústria cerâmica: empregados em fornos de queima e esmaltação para garantir a temperatura adequada durante o processo de fabricação de produtos cerâmicos; • Indústria alimentícia: aplicados em fornos, secadores e estufas para controlar a temperatura durante o processamento, cozimento e secagem de alimentos; • Pesquisa científica: utilizados em laboratórios e instalações de pesquisa para medições precisas de temperatura em experimentos e análises científicas. Ao selecionar e usar pirômetros, é fundamental considerar fatores como faixa de temperatura, precisão, resolução, tempo de resposta, emissividade do objeto, distância de medição, ambiente operacional e requisitos de calibração. A seleção do pirômetro adequado para uma aplicação específica depende das características do objeto a ser medido, das condições ambientais e das necessidades de medição. Além dos pirômetros ópticos e de radiação, existem diferentes tipos de pirômetros projetados para atender a diversas necessidades de medição e aplicação: • Pirômetros de Infravermelho (IR): detectam a radiação térmica na faixa do infravermelho próximo e são amplamente utilizados em aplicações industriais devido à sua capacidade de medição sem contato e rápida resposta; • Pirômetros de dois comprimentos de onda: utilizam dois sensores de radiação em diferentes comprimentos de onda para compensar os efeitos da emissividade do objeto na medição de temperatura; 12 • Pirômetros portáteis: são dispositivos compactos e portáteis, ideais para medições rápidas e temporárias de temperatura em campo. Benefícios dos pirômetros: • Medições sem contato, que permitem a medição da temperatura de objetos inacessíveis ou em movimento; • Amplas faixas de temperatura de operação, que cobrem desde temperaturas extremamente baixas até temperaturas extremamente altas; • Alta precisão e resolução, que possibilitam medições precisas em uma variedade de aplicações industriais e científicas; • Tempo de resposta rápido, que permite a captura rápida de mudanças na temperatura e o controle eficiente de processos. Desafios dos pirômetros: • Sensibilidade à emissividade do objeto, que pode afetar a precisão das medições, especialmente em superfícies metálicas brilhantes; • Influência de fatores ambientais, como poeira, umidade e gases, que podem distorcer as medições; • Custos iniciais mais elevados em comparação com outros tipos de sensores de temperatura, como termopares e termorresistências. Com sua capacidade de oferecer medições precisas e rápidas sem contato, os pirômetros desempenham um papel crucial no monitoramento e controle de processos em diversos setores. No entanto, é importante considerar as características específicas de cada tipo de pirômetro e os desafios associados à sua seleção e uso para garantir medições precisas e confiáveis ao longo do tempo. TEMA 5 – MEDIDORES À RADIAÇÃO INFRAVERMELHO Os medidores de radiação infravermelha são dispositivos projetados para medir a quantidade de radiação infravermelha emitida por um objeto ou superfície. Esses dispositivos são amplamente utilizados em uma variedade de aplicações industriais, científicas e médicas, devido à sua capacidade de medir a temperatura sem contato e com alta precisão. Neste tópico, exploraremos os princípios de funcionamento, os tipos, as aplicações e as considerações 13 importantes relacionadas aos medidores de radiação infravermelha. Temos um exemplo desse equipamento na Figura 5. Figura 5 – Medidor à radiação infravermelho Crédito: Vchal/Shutterstock. Os medidores de radiação infravermelha operam com base no princípio da detecção da radiação térmica emitida por um objeto ou superfície. A radiação infravermelha é uma forma de radiação eletromagnética que está associada à temperatura de um objeto. Os medidores de radiação infravermelha usam sensores sensíveis à radiação infravermelha para converter a energia radiante em um sinal elétrico proporcional à temperatura do objeto, que pode ser exibido como uma leitura de temperatura. Os medidores de radiação infravermelha têm uma ampla gama de aplicações, incluindo: • Indústria metalúrgica: são utilizados para medir a temperatura de metais em processos de fundição, forjamento, laminação e tratamento térmico; • Indústria química e petroquímica: empregados para medir a temperatura em reatores, torres de destilação, trocadores de calor e tanques de armazenamento; • Indústria alimentícia: utilizadospara medir a temperatura de alimentos em processos de cozimento, resfriamento, congelamento e armazenamento; 14 • Aplicações médicas: aplicados em termômetros sem contato para medir a temperatura corporal e em equipamentos médicos para monitorar a temperatura de pacientes durante procedimentos médicos. Ao selecionar e usar medidores de radiação infravermelha, é fundamental considerar fatores como faixa de temperatura, precisão, distância de medição, emissividade do objeto, ambiente operacional e requisitos de calibração. A seleção do medidor adequado para uma aplicação específica depende das características do objeto a ser medido, das condições ambientais e das necessidades de medição. Existem vários tipos de medidores de radiação infravermelha disponíveis, cada um com diferentes características e funcionalidades: • Medidores de radiação infravermelha de ponto único: medem a temperatura de um único ponto de um objeto, sendo ideais para medições pontuais e de alta precisão; • Medidores de radiação infravermelha de varredura: varrem uma área maior de um objeto para medir a distribuição de temperatura em uma superfície, sendo úteis para inspeção e monitoramento de processos; • Termômetros infravermelhos sem contato: são dispositivos portáteis e de mão, projetados para medir a temperatura a distância sem contato físico com o objeto, sendo amplamente utilizados em aplicações médicas e industriais. Benefícios dos medidores de radiação infravermelha: • Medição sem contato, que permite a medição da temperatura de objetos inacessíveis ou em movimento; • Amplas faixas de temperatura de operação, que cobrem desde temperaturas extremamente baixas até temperaturas extremamente altas; • Alta precisão e rapidez de medição, que permitem a captura rápida de mudanças na temperatura e o controle eficiente de processos; • Não interferem na temperatura do objeto medido, tornando-os ideais para aplicações sensíveis ao calor. 15 Desafios dos medidores de radiação infravermelha: • Sensibilidade à emissividade do objeto, que pode afetar a precisão das medições, especialmente em superfícies metálicas brilhantes; • Influência de fatores ambientais, como poeira, umidade e gases, que podem distorcer as medições; • Necessidade de calibração regular para garantir a precisão e a confiabilidade das medições ao longo do tempo. Com sua capacidade de oferecer medições precisas e rápidas sem contato, os medidores de radiação infravermelha desempenham um papel crucial no monitoramento e controle de processos em diversos setores. No entanto, é importante considerar as características específicas de cada tipo de medidor e os desafios associados à sua seleção e uso para garantir medições precisas e confiáveis ao longo do tempo. FINALIZANDO E assim concluímos nossa exploração pelos diversos tipos de sensores de temperatura. Espero que tenham adquirido uma compreensão mais profunda sobre os termopares, RTDs, termistores, pirômetros e medidores de radiação infravermelha, bem como suas aplicações e características únicas. À medida que avançamos em direção a um futuro cada vez mais tecnológico, o conhecimento desses dispositivos se torna fundamental para inovações em várias indústrias. Continuem explorando e aprendendo, pois o mundo da medição de temperatura está cheio de desafios e oportunidades fascinantes. 16 REFERÊNCIAS AGUIRRE, L. A. Fundamentos de Instrumentação. São Paulo: Pearson, 2013. ALVES, J. L. L. Instrumentação, controle, e automação de processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. BEGA, E. A. Instrumentação Industrial. 3. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2011. BALBINOT, A.; BRUSAMARELLO, V. J. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 1. (BVMB) ______. Instrumentação e fundamentos de medidas. 3. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2019. v. 2. (BVMB) FILHO, A. B. Instrumentação Industrial: Conceitos, Aplicações e Análises. 7. ed. São Paulo: Érica, 2010. (BVMB) FRANCHI, C. M. Instrumentação de Processos Industriais – Princípios e Aplicações. 1. ed. São Paulo: Érica, 2015. (BVMB) MORAES, C. C.; CASTRUCCI, P. L. Engenharia de automação industrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. (BVMB) Conversa inicial TEMA 1 – Introdução aOS sistemas de medição TEMA 2 – medição em malha aberta e fechada TEMA 3 – Modos de operação de instrumentos TEMA 4 – Análise Funcional de Instrumentos TEMA 5 – Técnicas de correção de erro FINALIZANDO REFERÊNCIAS CONVERSA INICIAL 1.1 Caracterização estática 1.1.1 Sensibilidade 1.1.2 Precisão 1.1.3 Linearidade 1.1.4 Histerese 1.1.5 Exatidão 1.2 Caracterização dinâmica 1.2.1 Tempo de resposta 1.2.2 Frequência de resposta 1.2.3 Amplitude de resposta 1.2.4 Estabilidade dinâmica 1.2.5 Supressão de ruído 2.1 Representação do sinal 2.1.1 Sinal analógico 2.1.2 Sinal digital 2.2 Diferenças principais 2.3 Outras premissas sobre sinais 2.3.1 Domínio do tempo versus domínio da frequência 2.3.2 Filtragem de sinais 2.3.3 Transformada de fourier 2.3.4 Análise de amplitude e fase 2.3.5 Espectrograma 2.3.6 Análise de modulação 2.3.7 Análise de harmônicos 2.3.8 Análise espectral 2.3.9 Análise de formas de onda complexas 2.3.10 Diagnóstico de falhas 3.1 Sensores e transdutores 3.2 Condicionamento de sinal 3.3 Conversão a/d (analógico para digital) 3.5 Unidades de controle 3.6 Comunicação e interface 3.7 Unidades de armazenamento 3.9 Firmware e software 3.10 Manutenção e diagnóstico 3.11 Evolução tecnológica FINALIZANDO REFERÊNCIAS Conversa inicial Conversa inicial FINALIZANDO