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Unidade 2 
 
Introdução 
Nesta segunda unidade, estudaremos alguns temas de dois ramos do Direito Privado, o Direito Civil 
e o Direito Empresarial. 
Iniciaremos o Direito Civil estudando os sujeitos de direito, pessoa natural e pessoa jurídica. 
Também serão estudadas a personalidade e a capacidade, e veremos que a capacidade civil se divide 
em de direito e de fato. 
A capacidade é a aptidão que as pessoas têm para serem titulares de deveres e obrigações. Contudo, 
em razão da idade ou do estado de alguém, algumas pessoas são consideradas incapazes. Esta 
incapacidade pode ser absoluta, que é a restrição total aos atos da vida civil, ou relativa, quando o 
sujeito pode praticar alguns atos sem que esteja acompanhado de seu representante legal. 
Serão analisadas, ainda, as pessoas jurídicas, com foco basicamente nas associações e fundações e 
especificando qual a principal diferença entre elas. 
Em um segundo momento, serão analisados o fato jurídico e o negócio jurídico, estabelecendo uma 
diferença entre o fato jurídico em stricto sensu, o ato-fato jurídico e o ato ajurídico. 
No fim da unidade, estudaremos os contratos e veremos seus princípios e a sua classificação. 
 
Das Pessoas Naturais: Personalidade e Capacidade 
Neste tópico, será estudada a questão da pessoa e da personalidade, uma vez que as relações 
jurídicas giram em torno dos sujeitos de direito. Desse modo, é imprescindível abordar as 
pessoas. 
Pessoa e Personalidade 
O que é uma pessoa? Para responder a essa pergunta, deve-se ter conhecimento de que o 
seu conceito é interdisciplinar, ou seja, em cada ciência será trabalhado de uma determinada 
forma. 
A expressão “pessoa”, no sentido jurídico, significa aquele “ser” ou “ente” que possui 
personalidade. É o sujeito de direito e obrigações, seja o ser humano, seja a pessoa jurídica, 
que pode ser pública ou privada. 
O estudo do Direito Civil se inicia com a pessoa natural, inclusive a própria Constituição 
Federal de 1988 consagra, em seu artigo 1º, inciso III, a proteção da denominada pessoa 
humana, em especial a sua dignidade, consagrando o Princípio da Dignidade da Pessoa 
Humana (BRASIL, 1988, on-line). 
O artigo 1º, do Código Civil dispõe que “toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem 
civil” (BRASIL, 2002, on-line). Desse modo, pode-se observar que pessoa natural é o ser 
humano capaz de direitos e deveres e, nesse sentido, “só o ser humano pode ser titular das 
relações jurídicas. No estágio atual do Direito, entendemos por pessoa o ser ao qual se 
atribuem direitos e obrigações” (VENOSA, 2020, p. 124). 
Como visto, a pessoa natural é aquela capaz de ter direitos e deveres; assim, todo ser humano 
é dotado de personalidade jurídica. 
A personalidade jurídica é a aptidão genérica para contrair direitos e deveres na órbita civil, e 
as pessoas que têm personalidade jurídica são chamadas de sujeitos de direitos. Assim, por 
exemplo, para que se realize um contrato ou para que se possa ser proprietário de um carro, é 
necessário possuir personalidade jurídica e, é claro, respeitar os requisitos impostos pela lei. 
Nesse sentido, Gagliano e Pamplona Filho (2002, p. 88) conceituam a personalidade jurídica: 
Personalidade jurídica é a aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações, ou, em 
outras palavras, é o atributo para ser sujeito de direito. 
Adquirida a personalidade, o ente passa a atuar, na qualidade de sujeito de direito (pessoa natural 
ou jurídica), praticando atos e negócios jurídicos dos mais diferentes matizes. 
Como é possível observar, no próprio conceito de pessoa, os animais não se enquadram no 
conceito jurídico de pessoa, portanto, não são sujeitos de direitos, mas considerados meros 
objetos ou coisas, ou seja, são objetos do direito. Esses objetos merecem um destaque 
especial, pois já existem diversos entendimentos doutrinários contrários à visão atual, 
inclusive já há projeto de lei em tramitação para conferi-los como sujeitos de direito. 
Portanto, toda pessoa é capaz de adquirir direitos e contrair deveres, no entanto, uma das 
maiores discussões que temos na ciência do Direito é a seguinte indagação: quando se inicia a 
personalidade jurídica da pessoa natural? Ou seja, quando a pessoa jurídica começa a ter 
direitos e contrair deveres? Tal questionamento será discutido no próximo tópico. 
Início da Personalidade Jurídica 
Conforme o artigo 2º do Código Civil, “a personalidade civil da pessoa humana começa com o 
nascimento, com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro” 
(BRASIL, 2002, on-line). 
Em uma simples leitura desse dispositivo legal, parece-nos que o legislador considerou que a 
pessoa humana adquire personalidade jurídica a partir do nascimento com vida, adotando, 
pois a Teoria Natalista. 
No entanto, esse entendimento não é unânime, até porque o mencionado artigo, em sua 
segunda parte, dispõe que a lei assegura, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
Como bem relaciona Sílvio de Salvo Venosa (2020, p.141), 
O ordenamento brasileiro poderia ter seguido a orientação do Código francês que estabelece 
começar a personalidade com a concepção. Em nosso Código, contudo, predominou a teoria do 
nascimento com vida para ter início a personalidade. O nascituro, contudo, tem direitos 
resguardados em nosso ordenamento, com muitos julgados agasalhados por nossos tribunais. 
A aquisição da personalidade jurídica se inicia a partir do nascimento com vida, e este ocorre 
quando o recém-nascido respira de forma autônoma, ou seja, com o funcionamento do 
aparelho cardiorrespiratório. Com isso, Carlos Roberto Gonçalves leciona que 
Ocorre nascimento quando a criança é separada do ventre materno, não importando tenha o parto 
sido natural, feito com auxílio de recursos obstétricos ou mediante intervenção cirúrgica. O 
essencial é que se desfaça a unidade biológica, de forma a constituírem mãe e filho dois corpos, 
com vida orgânica própria, mesmo que não tenha sido cortado o cordão umbilical. Para se dizer 
que nasceu com vida, todavia, é necessário que haja respirado. (GONÇALVES, 2018, p. 101). 
Observa-se, pois, que é imprescindível ao recém-nascido respirar para ser considerado vivo. 
Existem casos em que, no momento do parto, o feto morre, nessas situações é necessário 
verificar se o feto respirou ou não. Tal constatação é realizada por meio do exame de 
docimasia hidrostática de Galeno. 
Por que é importante a análise da respiração? Porque há reflexos práticos no Direito 
brasileiro que têm base nesta constatação. Por exemplo, imagine o caso de um recém-nascido 
cujo pai já faleceu; é constatado que este recém-nascido respirou, via de consequência, 
nasceu com vida e adquiriu personalidade jurídica. Logo, os direitos sucessórios de seu 
genitor foram transferidos para o recém-nascido. Tendo este falecido logo após o 
nascimento, os direitos sucessórios deixados pelo seu pai, que lhe foram transferidos, acabam 
sendo transmitidos para a sua mãe, e, portanto, os avós paternos nada terão de direitos. Caso 
tenha nascido morto, ou seja, não tenha respirado, nada será transmitido para sua mãe, mas, 
sim, para os avós paternos (GONÇALVES, 2018). 
É possível observar que, em uma análise objetiva, para considerar indivíduos como sujeitos de 
direitos, basta nascerem com vida e, para tanto, basta respirar. No entanto, o nascituro é uma 
questão controversa. 
Existem, ainda, duas teorias que explicam a origem da personalidade civil, uma é a teoria 
concepcionista e a outra é a teoria da personalidade condicionada. Para a teoria 
concepcionista, a personalidade civil é adquirida a partir da concepção, ao passo que a teoria 
da personalidade condicionada resguarda os direitos do nascituro, condicionados ao seu 
nascimento com vida. Consoante já visto alhures, no Brasil adota-se a teoria natalista. 
Capacidade Civil 
Após o estudo da personalidade jurídica ou civil, é importante analisar a capacidade que está 
intimamente ligada à personalidadejurídica. Como já abordado, a personalidade jurídica é a 
possibilidade de alguém ser titular de direitos e deveres. 
Embora pareçam sinônimas, a personalidade difere da capacidade. Gonçalves (2018, p. 126) 
elucida que “afirmar que o homem tem personalidade é o mesmo que dizer que ele tem 
capacidade para ser titular de direitos. Todavia, embora se interpenetrem, tais atributos não 
se confundem, uma vez que a capacidade pode sofrer limitação”. 
A capacidade civil é uma forma de se medir, de mensurar a personalidade jurídica da pessoa 
humana, e o presente estudo da capacidade passa por duas divisões: de direito ou de gozo e 
de fato ou de exercício. 
A capacidade de direito ou de gozo tem um conceito idêntico ao da personalidade jurídica, ou 
seja, a possibilidade de o ser humano contrair direitos e deveres na órbita civil, razão pela 
qual todo ser humano, isto é, toda pessoa natural, tem capacidade de direito ou de gozo com 
o nascimento com vida. O artigo 1º, do Código Civil, disciplina que: “Toda pessoa é capaz de 
direitos e deveres na ordem civil” (BRASIL, 2002, on-line). Desse modo, pode-se afirmar que a 
capacidade de direito ou de gozo é adquirida junto com a personalidade jurídica. 
A capacidade de fato ou de exercício diz respeito à possibilidade de praticar os atos da vida 
civil por si só, isto é, sozinho, independentemente da presença de um terceiro. Ao contrário 
da capacidade de direito ou de gozo, nem todas as pessoas detêm a capacidade de fato ou de 
exercício. Portanto, é correta a afirmativa de que todas as pessoas naturais possuem 
capacidade de direito ou de gozo, enquanto nem todas possuem capacidade de fato ou 
exercício. 
É por meio da capacidade de fato ou de exercício que as incapacidades irão vigorar, essas 
serão abordadas mais adiante. Desse modo, algumas pessoas serão consideradas, de forma 
absoluta ou relativa, incapazes, conforme artigos 3º e 4º do Código Civil, respectivamente 
(BRASIL, 2002, on-line). 
Quando somada a capacidade de direito ou de gozo com a capacidade de fato ou de 
exercício, dizemos que há a capacidade civil plena. 
Nesse cenário, é importante destacar as palavras de Gomes (2019, p. 173), 
A capacidade de direito confunde-se, hoje, com a personalidade, porque toda pessoa é capaz de ter 
direitos. Ninguém pode ser totalmente privado dessa espécie de capacidade. Não obstante, 
admitem-se restrições de caráter especial. Há pessoas que são privadas do gozo de certos direitos. 
. Mas a recíproca não é verdadeira. Pode-se ter capacidade de direito sem capacidade de fato; 
adquirir o direito e não poder exercê-lo por si. A impossibilidade do exercício é, tecnicamente, 
incapacidade. 
Portanto, por meio do estudo da capacidade civil, verifica-se que é possível a pessoa natural 
praticar os atos da vida civil sozinha, e a questão das incapacidades é analisada na capacidade 
de fato ou de direito, que será estudada a seguir. 
Das Incapacidades 
A incapacidade é a impossibilidade de a pessoa natural realizar os atos da vida civil sozinha. O 
estudo das incapacidades visa proteger as pessoas que têm pouco ou nenhum discernimento 
necessário para a prática dos atos da vida civil. 
O civilista Nader (2016, p. 238) leciona que 
Há duas espécies de incapacidade de fato: a absoluta e a relativa. A lei civil discrimina as hipóteses 
de uma e de outra e estabelece efeitos jurídicos distintos para ambas. Enquanto na incapacidade 
absoluta a pessoa fica impedida de praticar, por si mesma, qualquer ato da vida jurídica e por isso a 
lei indica o seu representante na relativa deve participar do ato devidamente assistida por alguém. 
Assim, trata-se de dois tipos de incapacidade, a absoluta e a relativa. Ambas incidirão sobre a 
capacidade de fato ou de exercício, na possibilidade da pessoa realizar os atos da vida civil 
sozinha, sem ajuda de outro. 
A incapacidade visa à proteção dos sujeitos que não possuem ou têm o discernimento 
reduzido. Dessa maneira, a proteção para esses incapazes se dá por meio da presença de 
terceiros que serão os seus representantes ou seus assistentes. Os primeiros substituirão a 
vontade do absolutamente incapaz, que será representado, enquanto os segundos auxiliarão 
e não substituirão a vontade do relativamente incapaz que será assistido. 
Vale ressaltar que o tema das incapacidades a partir do ano de 2016 sofreu grandes 
alterações por conta da lei 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência (BRASIL, 
2015, on-line). 
 
FIQUE POR DENTRO 
Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei 13.146/2015 
O Estatuto da Pessoa com Deficiência, lei 13.146/2015 (BRASIL, 2015, on-line), trouxe profundas 
modificações nas incapacidades e teve o objetivo de promover a adaptação das pessoas com 
deficiência em nossa sociedade, tratando-as com isonomia e com o pleno exercício de sua 
autonomia privada, concedendo-a como regra para a plena capacidade civil. Fique por dentro desse 
assunto acessando o link: https://bit.ly/2JIXL1j. 
 
Incapacidade Absoluta 
A incapacidade absoluta é “a falta de aptidão para praticar pessoalmente atos da vida civil” 
(GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2017, p. 41). Ou seja, o absolutamente incapaz não possui a 
capacidade de fato ou de exercício e, no entanto, tem capacidade de direito ou de gozo, uma vez 
que nasceu com vida. 
O Código Civil, em seu artigo 3º, traz um critério meramente objetivo para aferição dos 
absolutamente incapazes, ou seja, o critério etário, uma vez que atualmente apenas os menores de 
16 (dezesseis) anos de idade são considerados absolutamente incapazes (BRASIL, 2002, on-line). 
Até o advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, lei 13.146/2015 (BRASIL, 2015, on-line), eram 
considerados como absolutamente incapazes: os menores de dezesseis anos; os que, por 
enfermidade ou deficiência mental, não tivessem o necessário discernimento para a prática desses 
atos; e os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. 
Como se observa, as pessoas com deficiência que não tinham algum discernimento eram 
consideradas absolutamente incapazes e, ainda, aqueles que, por causa transitória, não podiam 
exprimir sua vontade, como por exemplo uma pessoa em coma. No entanto, com a vigência do 
Estatuto da Pessoa com Deficiência, lei 13.146/2015, apenas são considerados absolutamente 
incapazes para o ato da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos de idade (BRASIL, 2015, on-line). 
Os absolutamente incapazes somente podem praticar atos da vida civil caso estejam representados 
por seus pais ou representante legal. Diga-se, por fim, que, via de regra, as pessoas com deficiência 
são plenamente capazes, desde que maiores de 18 (dezoito) anos de idade. 
Quanto às pessoas com deficiência, cumpre salientar que o Estatuto da Pessoa com Deficiência, lei 
13.146/2015, traz a hipótese da chamada tomada de decisão apoiada, em seu artigo 84, parágrafo 
2º: 
Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal em 
igualdade de condições com as demais pessoas. [...] 
§ 2º É facultado à pessoa com deficiência a adoção de processo de tomada de decisão apoiada 
(BRASIL, 2015, on-line) 
Bem como no artigo 1.783-A, do Código Civil de 2002, que dispõe: 
Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência elege 
pelo menos 2 (duas) pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua 
confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes 
elementos e informações necessários para que possa exercer sua capacidade (BRASIL, 2002, on-line). 
É possível observar que existe a possibilidade de uma pessoa com deficiência, desde que tenha um 
certo discernimento, ter apoiadores de sua confiança que prestem os devidos auxílios no exercício 
de sua capacidade e que não necessariamente serão alguém de sua família. Para tanto, a pessoa 
com deficiência escolherá duas pessoas idôneas para prestar apoio nas decisões deseus atos na vida 
civil. 
Por fim, caso não seja possível realizar a tomada de decisão apoiada, em última hipótese, pode-se 
requerer a curatela da pessoa com deficiência. Segundo o próprio Estatuto da Pessoa com 
Deficiência, essa será medida extraordinária e somente afetará os seus direitos patrimoniais, não 
afetando os seus direitos existenciais. 
É importante frisar que, uma vez requerida a sua curatela e deferida pelo juiz, a pessoa com 
deficiência não será considerada absolutamente incapaz, mas, sim, relativamente incapaz, conforme 
artigo 4º, inciso III, do Código Civil (BRASIL, 2002, on-line), que será adiante estudado. 
Incapacidade Relativa 
As pessoas absolutamente incapazes não podem realizar qualquer ato da vida civil sozinhos, 
somente representados. Por outro lado, “a incapacidade relativa diz respeito àqueles que podem 
praticar os atos da vida civil, desde que haja assistência” (TARTUCE, 2018, p. 122). 
Vale dizer que os relativamente incapazes não têm total capacidade para a realização de atos da vida 
civil. O Código Civil, em seu artigo 4º, considera como relativamente incapazes: 
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: 
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II – os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III – aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; 
IV – os pródigos (BRASIL, 2002, on-line). 
Conforme se observa no inciso I, o legislador, tal qual na incapacidade absoluta, adotou também o 
critério etário para a verificação da incapacidade relativa. Vale dizer, são relativamente incapazes os 
maiores de 16 anos de idade e os menores de 18 anos de idade. 
Em seu inciso II, o legislador reconheceu os ébrios habituais (aqueles que usam, de forma constante, 
bebidas alcoólicas, ou seja, alcoólatras) e os viciados em tóxicos (toxicômanos), que, portanto, têm 
seu discernimento reduzido. Vale ressaltar que isso não alcança aquelas pessoas que se utilizam de 
forma eventual de bebidas alcoólicas ou substâncias entorpecentes, estes responderão 
normalmente pela prática de seus atos. 
O inciso III do artigo supracitado refere-se àquelas pessoas que, por causa transitória ou 
permanente, não puderem exprimir sua vontade, por exemplo, a que sofreu um acidente e está em 
coma. Este diploma legal, para alguns doutrinadores, merece algumas críticas, uma vez que as 
pessoas que não exprimem sua vontade deveriam estar no rol dos absolutamente incapazes, como 
bem assevera Gagliano e Pamplona Filho (2017, p. 57): “se não puderem exprimir vontade alguma, a 
incapacidade não poderia ser considerada meramente relativa”. 
Por fim, existem os pródigos, que são aquelas pessoas que gastam de forma desregrada seu 
patrimônio, como, por exemplo, os viciados em jogos. Conforme o artigo 1.782, do Código Civil, uma 
vez feita sua interdição, o pródigo não poderá realizar, sem a presença de curador, atos de 
emprestar, transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado e praticar, em 
geral, os atos que não sejam de mera administração (BRASIL, 2002, on-line). Como se vê, ficará 
privado de atos que se referem ao seu patrimônio. 
Como se observa, os relativamente incapazes, ao contrário dos absolutamente incapazes, são aptos 
a algumas práticas da vida civil, mas devem estar assistidos pelos seus pais ou representantes legais. 
A Senilidade Traduz Incapacidade? 
O fato de a pessoa estar na terceira idade não a torna incapaz. O Código Civil de 2002 em nenhum 
momento nos indica que uma pessoa idosa é incapaz. Somente são incapazes absoluta ou 
relativamente aqueles que se encontram no rol dos artigos 3º e 4º do Código Civil (BRASIL, 2002, on-
line). É certo que, por exemplo, eventualmente a pessoa senil, tendo algum tipo de doença, como 
Alzheimer grave, pode ser considerada incapaz, mas dependerá sempre de cada caso. 
O envelhecimento é natural a todos e não é por conta da idade que nos tornamos incapazes, mas, 
de fato, ficamos mais vulneráveis com o passar do tempo e, a depender do caso, precisamos de uma 
proteção maior do Estado. É necessário, portanto, valorizar os mais velhos; o envelhecer é o nosso 
caminho natural, e não traduz uma incapacidade. 
Emancipação 
Consoante já visto anteriormente, a incapacidade de fato ocorre quando a pessoa não consegue 
realizar nenhum — ou apenas alguns — ato da vida civil sem a ajuda de um terceiro. No caso de um 
absolutamente incapaz, é necessária a representação dos pais ou do representante legal; já para o 
relativamente incapaz, é imprescindível a assistência dos pais ou do representante legal. 
Conforme o artigo 5º do Código Civil de 2002, a incapacidade civil cessa aos 18 (dezoitos) anos de 
idade, e, ao completar essa idade, a pessoa se torna apta à prática de todos os atos da vida civil 
(BRASIL, 2002, on-line). 
No entanto, a lei possibilita que a pessoa, mesmo que não tenha completado 18 (dezoito) anos de 
idade, possa exercer todos os atos da vida civil. Esta ocasião de capacidade civil plena antecipada é 
promovida pela emancipação. 
Como bem nos explica Farias e Rosenvald (2017, p. 386), 
Através da emancipação são antecipados os efeitos da maioridade civil para pessoas que ainda não 
atingiram os 18 anos de idade, cessando, por conta disso, a sua incapacidade jurídica de fato. Enfim, 
permite-se que uma pessoa – ainda incapaz em face da sua idade – seja considerada, do ponto de 
vista jurídico, plenamente apta, capacitada para a prática dos atos da vida civil, sem necessidade de 
assistência ou representação. Vale dizer, confere plena capacidade a uma pessoa que, em razão de 
sua idade, seria considerada relativamente incapaz. 
As hipóteses previstas de emancipação estão no parágrafo único do artigo 5º, in verbis: 
Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de 
todos os atos da vida civil. 
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: 
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, 
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor 
tiver dezesseis anos completos; 
II – pelo casamento; 
III – pelo exercício de emprego público efetivo; 
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior; 
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, 
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria (BRASIL, 2002, on-
line). 
Mediante o parágrafo único, do artigo 5º, do Código Civil de 2002, observam-se três hipóteses de 
emancipação permitida pelo legislador: voluntária (inciso I, primeira parte), judicial (inciso I, segunda 
parte) e legal (incisos de II a IV) (BRASIL, 2002, on-line). 
A emancipação voluntária (artigo 5º, parágrafo único, inciso I, primeira parte do Código Civil de 
2002) é aquela concedida por ambos os pais ou, na falta de um, apenas por um deles, como, por 
exemplo, em caso de morte de um dos pais do menor emancipado. Essa emancipação voluntária é 
realizada por instrumento público, não necessitando de decisão judicial, e é realizada no Cartório de 
Registros das Pessoas Naturais, contanto que o menor tenha pelo menos 16 (dezesseis) anos de 
idade (BRASIL, 2002, on-line). 
A emancipação judicial (artigo 5º, parágrafo único, inciso I, segunda parte do Código Civil de 2002) é 
aquela concedida por meio de uma sentença judicial, isto é, mediante uma decisão do juiz, nos casos 
em que o menor emancipado é representado por tutor, por exemplo, quando seus pais são falecidos 
e sua avó assume a responsabilidade de seu cuidado (BRASIL, 2002, on-line). 
Existe também a possibilidade de emancipação via decisão judicial, nos casos em que há divergência 
entre os pais do menor emancipado (por exemplo, a genitora do manifesta a vontade de emancipar, 
no entanto, o genitor não concorda), cabendo adecisão final, portanto, ao juiz. 
É importante destacar que, tanto na hipótese da emancipação voluntária quanto na emancipação 
judicial, é imprescindível que o menor emancipado tenha no mínimo 16 (dezesseis) anos de idade. 
A emancipação legal está disposta nos incisos de II a IV, do parágrafo único, do artigo 5º, do Código 
Civil de 2002. São situações que o legislador determinou que, caso aconteçam, tornarão o menor 
emancipado automaticamente por conta da lei. São alguns atos praticados pelo menor que são 
incompatíveis com sua incapacidade, razão pela qual o legislador considerou que, caso ocorram, ele 
se torna totalmente capaz para a prática dos atos da vida civil (BRASIL, 2002, on-line). 
A primeira hipótese disposta no inciso II, do parágrafo único do artigo 5º, do Código Civil de 2002 é o 
casamento. Conforme o artigo 1.517 do Código Civil de 2002, a pessoa com no mínimo 16 
(dezesseis) anos de idade, enquanto não atingida a maioridade civil (artigo 5º, caput, do Código Civil 
2002), desde que com a autorização de ambos os pais ou de seu representante legal, pode casar. 
Veja que a idade núbil (isto é, para o casamento) é 16 (dezesseis) anos de idade, e em nenhuma 
hipótese será possível o casamento se não for atingida esta idade, conforme dispõe o artigo 1.520 
(BRASIL, 2002, on-line). 
Observe que, recentemente, em 12 de março de 2019, foi publicada a lei n. 13.811/2019 (BRASIL, 
2019, on-line), que revogou o artigo 1.520 do Código Civil, que permitia, de forma excepcional, o 
casamento de menores de 16 (dezesseis) anos de idade, para evitar imposição ou cumprimento de 
pena criminal ou em caso de gravidez. Assim, com essa alteração legislativa, em nenhuma hipótese o 
menor de 16 (dezesseis) anos de idade pode se casar. 
Os incisos III e IV, do parágrafo único do artigo 5º, do Código Civil de 2002, tratam de duas hipóteses 
que, na atualidade, dificilmente acontecem. Trata-se do exercício de emprego público efetivo e pela 
colação de grau de ensino superior. 
Quanto ao exercício de emprego público, observa-se que os editais de concursos normalmente 
impõem a idade mínima de 18 (dezoito) anos de idade para exercer o cargo. Sem contar que a lei 
8.112/1990 (regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações 
públicas federais), em seu artigo 5º, inciso V, coloca como requisito para investidura no cargo 
público federal o mínimo de 18 (dezoito) anos de idade, não possibilitando, portanto, a emancipação 
(BRASIL, 1990, on-line). 
Já para a colação de ensino superior, tal regra não é comum, por conta de, normalmente, as pessoas 
colarem grau após os 18 (dezoito) anos de idade. Essa norma era comum na vigência do Código Civil 
de 1916, uma vez que a capacidade civil era atingida com 21 (vinte e um) anos de idade e, como 
havia a possibilidade de colar grau antes de completar a capacidade civil plena, considerava-se que o 
menor foi emancipado (BRASIL, 1916, on-line). 
O Código Civil de 2002, que está vigente, repetiu a regra do Código Civil de 1916 para aqueles que 
realizassem a colação de grau. No entanto, modificou a idade para a maioridade civil, que era de 21 
(vinte e um) anos, para 18 (dezoito) anos, conforme artigo 5º, caput, do Código Civil de 2002, o que 
é muito difícil de ocorrer, mas não impossível, pois já há casos em que o menor colou grau antes dos 
18 (dezoito) anos de idade (BRASIL, 2002, on-line). 
Por fim, a última hipótese legal esculpida no inciso V, do parágrafo único do artigo 5º, do Código Civil 
de 2002, dispõe que o menor de 16 (dezesseis) anos completos será emancipado no caso de ser 
sócio de estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de emprego, desde que, em função 
dele, o menor tenha economia própria. É o caso, por exemplo, de um menor de pelo menos 16 
(dezesseis) anos de idade que trabalha em um shopping como gerente e tem economia própria 
(BRASIL, 2002, on-line). 
A grande polêmica desse dispositivo está no conceito de economia própria. A respeito de uma 
cláusula geral, cabe ao juiz a análise do caso concreto para verificar se o menor possuía economia 
própria, por se tratar de um conceito indeterminado. 
Assim, essas são as hipóteses em que o legislador permite a antecipação da capacidade, uma vez 
que, como visto, via de regra, a pessoa adquire capacidade civil plena após os 18 (dezoito) anos de 
idade. 
Da Extinção da Personalidade Jurídica 
O artigo 6º do Código Civil dispõe que a existência da pessoa natural termina com a morte (BRASIL, 
2002, on-line). Portanto, pode-se afirmar que o fim da personalidade jurídica ocorre com a morte e 
esta, para fins jurídicos, pode ser dividida entre real e presumida (ou ficta). 
A morte real ocorre quando o cadáver da pessoa existe e sobre isso haverá um atestado médico, 
com as possíveis causas da morte, para que seja feita a certidão de óbito, conforme o artigo 77 da 
Lei de Registros Públicos, lei 6.015/1973: 
Art. 77. Nenhum sepultamento será feito sem certidão do oficial de registro do lugar do falecimento 
ou do lugar de residência do de cujus, quando o falecimento ocorrer em local diverso do seu 
domicílio, extraída após a lavratura do assento de óbito, em vista do atestado de médico, se houver 
no lugar, ou em caso contrário, de duas pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado 
a morte (BRASIL, 1973, on-line). 
É importante salientar que a morte real será diagnosticada a partir da morte encefálica, conforme 
determina a Lei de Transplante de Órgão (lei 9.434/1997), em seu artigo 3º, cessando, portanto, a 
personalidade jurídica do sujeito, isto é, extinguindo a titularidade de direitos e deveres (BRASIL, 
1997, on-line). 
A morte presumida, ou ficta, ocorrerá quando não houver um cadáver, podendo ser dividida entre 
morte presumida com declaração de ausência (ausência — artigos de 22 a 39 do Código Civil) ou 
morte presumida sem declaração de ausência (artigo 7º do Código Civil) (BRASIL, 2002, on-line). 
A morte presumida sem declaração de ausência está disposta no artigo 7º do Código Civil, que assim 
determina: 
Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: 
I – se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; 
II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos 
após o término da guerra. 
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida 
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do 
falecimento (BRASIL, 2002, on-line). 
A morte presumida sem a declaração de ausência poderá ser aplicada quando a morte da pessoa for 
extremamente provável por estar em perigo de vida, como, por exemplo, no caso em que um avião 
cai em alto mar e os corpos que estavam na aeronave não são encontrados; ou ainda no caso de 
pessoa desaparecida em campanha ou feita prisioneira, desde que não encontrada até 2 (dois) anos 
após o fim da guerra. 
Ressalto que, conforme o parágrafo único do artigo 7º do Código Civil (BRASIL, 2002), a morte 
presumida sem declaração de ausência somente poderá ser aplicada depois de esgotadas todas as 
buscas e averiguações dos corpos, e o juiz deverá fixar a data provável do falecimento. 
A morte presumida com declaração de ausência ou simplesmente ausência ocorre quando a pessoa 
desaparece de seu domicílio sem deixar notícias, representante ou procurador que administre seus 
bens, sendo o seu fundamento disposto no artigo 6º, segunda parte do Código Civil: “A existência da 
pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei 
autoriza a abertura de sucessão definitiva” (BRASIL, 2002, on-line). 
Pessoa Jurídica 
Em um simples conceito, a pessoa jurídica seria um grupo de pessoas naturais, criado na forma 
estabelecida pela lei, dotado de personalidade jurídica, para a consecução dos fins comuns. Para 
Fiuza(2015, p. 190), as pessoas jurídicas seriam “entidades criadas para a realização de um fim e 
reconhecidas pela ordem jurídica como pessoas, sujeitos de direitos e deveres”. 
As pessoas jurídicas dividem-se em pessoas jurídicas de Direito Público e de Direito Privado. 
Conforme o artigo 41 do Código Civil, são pessoas jurídicas de Direito Público os entes que integram 
a Administração Pública: a União, os Estados, o Distrito Federal, os territórios, os municípios, as 
autarquias, as associações públicas e demais entidades de caráter geral criadas pela lei. Ainda, 
conforme artigo 44, do Código Civil de 2002, são pessoas jurídicas de Direito Privado: as associações, 
as sociedades, as fundações, as organizações religiosas, os partidos políticos e as Empresas 
Individuais de Responsabilidade Limitada (EIRELI). 
Conforme o artigo 52 do Código Civil, “aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos 
direitos da personalidade” (BRASIL, 2002, on-line). Contudo, é oportuno ressaltar que, embora o 
Código Civil preceitue que se aplica às pessoas jurídicas a proteção aos direitos da personalidade, 
verifica-se que, no capítulo referente à pessoa física, que esta não é abordada como titular dos 
direitos da personalidade; havendo apenas a proteção à pessoa natural. 
Desse modo, podemos concluir que a pessoa jurídica não tem direitos da personalidade, mas tem 
direitos que se assemelham a estes. Logo, são passíveis de proteção, como, por exemplo, o nome 
empresarial, a imagem e a honra. 
Das Associações 
As associações estão dispostas nos artigos de 53 a 61 do Código Civil, e são a união de pessoas que 
se organizam para fins não econômicos (artigo 53, caput). Vale mencionar aqui os ensinamentos de 
Gagliano e Pamplona Filho (2017, p.88), 
O traço peculiar às associações civis, portanto, é justamente a sua finalidade não econômica – 
podendo ser educacional, lúdica, profissional, religiosa etc. Resulta, conforme se anotou, da união 
de pessoas, geralmente em grande número (os associados), e na forma estabelecida em seu ato 
constitutivo, denominado estatuto. 
Nota-se que, pelo fato de não perseguir escopo lucrativo, a associação não está impedida de gerar 
renda que sirva para mantença de suas atividades e pagamento de seu quadro funcional. Pelo 
contrário, o que se deve observar é que, em uma associação, os seus membros não pretendem 
partilhar lucros ou dividendos, como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e mercantis. A 
receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua 
atividade. 
Logo, as associações são pessoas jurídicas que se organizam para fins não econômicos, 
diferentemente de uma sociedade empresarial. Por serem pessoa jurídica, possuem personalidade 
jurídica própria, podendo ser titular de direitos e contrair deveres. 
Das Fundações 
O Código Civil (BRASIL, 2002, on-line) regulamenta as fundações, em seus artigos de 62 a 69, que são 
definidas como “patrimônio dotado de personalidade jurídica e constituído para realizar certo fim 
lícito” (FIUZA, 2015, p. 207). Observe que, ao contrário da associação, as fundações não são 
constituídas por um grupo de pessoas, mas, sim, por um destacamento do patrimônio. 
O doutrinador Venosa (2020, p.286), 
nas fundações, há de início um patrimônio despersonalizado, destinado a um fim. ao contrário as 
sociedades e associações, que são uma reunião de pessoas, uma coletividade, as fundações 
assentam sua razão de ser no patrimônio para certa finalidade. 
Portanto, uma fundação não resulta de união de indivíduos. É necessário ter patrimônio para sua 
constituição, como, por exemplo, uma determinada pessoa natural que resolve instituir uma 
fundação e, por meio de um ato constitutivo, destaca 10 mil livros de sua biblioteca, destaca o 
prédio e seus veículos de sua titularidade e afeta esses bens para constituir uma fundação, seja para 
uma finalidade ideal ou não lucrativa. 
Conforme o artigo 62, do Código Civil (BRASIL, 2002), fundações só poderão ser constituídas para os 
seguintes fins: assistência social; cultura; defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; 
educação; saúde; segurança alimentar e nutricional; defesa, preservação e conservação do meio 
ambiente; promoção do desenvolvimento sustentável; pesquisa científica; desenvolvimento de 
tecnologias alternativas; modernização de sistemas de gestão; produção e divulgação de 
informações; conhecimentos técnicos e científicos; promoção da ética, da cidadania, da democracia 
e dos direitos humanos; e atividades religiosas. 
Dos Fatos Jurídicos 
Os fatos jurídicos estão dispostos no Livro III da parte geral do Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002, 
on-line). O fato jurídico, em sentido amplo, seria todo e qualquer acontecimento por força humana 
ou da natureza que tenha algum tipo de relevância para a ciência do Direito. Aquele que não tem 
qualquer importância para o Direito é chamado de fato ajurídico, como, por exemplo, uma chuva em 
alto-mar. 
Classificação dos Fatos Jurídicos em Sentido Amplo 
A doutrina, de forma didática, classificou os fatos jurídicos, em sentido amplo, em: a) fatos jurídicos 
em sentido estrito; b) ato-fato jurídico; c) negócio jurídico. 
Fatos Jurídicos em Sentido Estrito 
Os fatos jurídicos em sentido estrito, também conhecidos como fatos naturais, são aqueles 
decorrentes da natureza, que tenham uma certa importância na seara jurídica, como, por exemplo, 
uma forte chuva que acarreta enchentes, causando danos materiais em residências. 
Os fatos jurídicos naturais ainda se dividem em: ordinários e extraordinários. Para Gagliano e 
Pamplona Filho (2017, p. 127) 
[...] os fatos jurídicos ordinários são fatos da natureza de ocorrência comum, costumeira, cotidiana: 
o nascimento, a morte, o decurso do tempo. Os segundos, porém, ganham destaque pela nota da 
extraordinariedade, por serem inesperados, às vezes imprevisíveis: um terremoto, uma enchente, o 
caso fortuito e a força maior. 
Assim, todo e qualquer evento decorrente da natureza que tenha importância para o Direito será 
considerado “fato”, que traz repercussões jurídicas para os sujeitos de direitos. 
Ato-Fato Jurídico 
O ato-fato jurídico também é um acontecimento que tem magnitude no âmbito do Direito, e não há 
um diploma legal regulado no título dos fatos jurídicos. No entanto, diferentemente do fato jurídico 
em sentido estrito, o ato-fato jurídico decorre de uma conduta da pessoa natural que independe de 
sua vontade e que produz efeitos jurídicos. 
Os doutrinadores Gagliano e Pamplona Filho (2017, p. 127) elucidam que: 
O ato humano é realmente da substância desse fato jurídico, mas não importa para a norma se 
houve, ou não, intenção de praticá-lo. 
O que se ressalta, na verdade, é a consequência do ato, ou seja, o fato resultante, sem se dar maior 
significância se houve vontade ou não de realizá-lo. 
Para o ato-fato jurídico, o que importa é a consequência do ato, a vontade do sujeito não tem 
relevância. Para fins exemplificativos, pode ser citado o achado de tesouro, disposto nos artigos 
1.264 a 1.266 do Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002). Alguém de férias, andando na praia para 
conhecê-la, encontra uma carteira. Observe que essa pessoa não tinha uma vontade de praticar o 
ato de achar a carteira, entretanto, o fato ocorreu. Logo, a lei também regulamenta o achado de 
tesouro, nos artigos supracitados, fazendo disso, portanto, um ato-fato jurídico. 
Ato Jurídico em Sentido Amplo 
Na lei, o termo “ato” diz respeito a uma conduta humana, logo, ato jurídico em sentido amplo ou ato 
não negocial é todo e qualquer acontecimento decorrente da conduta voluntária de uma pessoa. 
O ato jurídico em sentido amplo é divido em: ato jurídico em sentido estrito e negócio jurídico. 
O ato jurídico em sentido estrito está disposto em um único dispositivo legal, que é o artigo 185 do 
Código Civil de 2002: “aos atos jurídicos lícitos, que não sejamnegócios jurídicos, aplicam-se, no que 
couber, as disposições do título anterior” (BRASIL, 2002, on-line). 
O doutrinador Nader (2016, p. 429) leciona que: 
Em sentido estrito ato jurídico é exteriorização da vontade mediante atos que levam à formação, 
modificação ou extinção de relação jurídica. A construção de um prédio é acontecimento gerador do 
direito de propriedade e que forma uma relação jurídica, onde o proprietário se situa como sujeito 
ativo e a coletividade ocupa o polo passivo, detentora que é do dever jurídico de respeitar aquele 
direito real. 
Como se verifica, o ato jurídico em sentido estrito é toda manifestação de vontade que tem 
repercussão em uma relação jurídica e deve seguir as regras do negócio jurídico, que serão 
estudadas a seguir. 
Negócio Jurídico 
O negócio jurídico é tratado pelo artigo 104 até o artigo 184 do Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002). 
Trata-se do ato jurídico decorrente de uma conduta humana, em que os seus efeitos ocorrem por 
conta da vontade humana, desde que de acordo com os limites da lei. Nas palavras de Tartuce 
(2018, p. 154), 
Esse instituto pode ser conceituado como sendo toda a ação humana, de autonomia privada, com a 
qual os particulares regulam por si os próprios interesses, havendo uma composição de vontades, 
cujo conteúdo deve ser lícito. Constitui um ato destinado à produção de efeitos jurídicos desejados 
pelos envolvidos e tutelados pela norma jurídica. 
É possível verificar que o conceito de negócio jurídico é muito parecido com o de ato jurídico em 
sentido estrito. Ambos decorrem de uma conduta humana, no entanto, sua distinção ocorre nos 
efeitos. 
Enquanto no primeiro os efeitos decorrem das próprias partes, como as cláusulas de um contrato 
em que se discutem; no ato jurídico em sentido estrito os efeitos decorrem diretamente da lei, em 
que a parte adere de forma voluntária a esses efeitos, como na emancipação, sendo necessária a 
vontade. Logo, é um ato jurídico, não um negócio jurídico, pois os efeitos da emancipação são 
produzidos pela lei que, no caso, seria a antecipação da capacidade civil; a pessoa adere os efeitos 
produzidos pela lei. 
Desse modo, o negócio jurídico faz parte dos fatos jurídicos, que necessitam de uma declaração de 
vontade, sob a qual o ordenamento jurídico lhe atribui como querido pelas partes, respeitando, 
principalmente, os elementos de existência, validade e eficácia, impostos pela própria lei (AZEVEDO, 
2002, p. 24). 
Portanto, negócio jurídico seria um ato jurídico que emana da manifestação de vontade, cujos 
efeitos serão por esta regulamentados, desde que os limites impostos pelo ordenamento jurídico 
sejam respeitados. É essencial o respeito aos pressupostos de existência e aos requisitos de validade 
e eficácia. 
Assim, observe que, para haver um negócio jurídico, é necessária uma vontade manifestada pela 
pessoa por meio de uma declaração de vontade, sem qualquer tipo de vício da vontade, bem como a 
produção de efeitos pretendidos pela própria pessoa. 
O doutrinador Nader (2016, p. 432) leciona que 
Em face da importância dos negócios jurídicos na vida das pessoas e de sua reconhecida função 
social na circulação das riquezas, ao mesmo tempo que a ordem jurídica concede ampla faixa de 
liberdade aos declarantes, a fim de ajustarem adequadamente os seus interesses, estabelece 
requisitos mínimos como condição de validade à formação, modificação, conservação e extinção das 
relações jurídicas. 
 
SAIBA MAIS 
Negócio Jurídico: Autonomia da Vontade vs. Autonomia Privada 
Leia o artigo O Paradigma Pós-moderno do Negócio Jurídico e a Necessidade de uma Nova 
Concepção na Contemporaneidade e observe que, atualmente, a manifestação de vontade da 
pessoa para a celebração do negócio jurídico advém de uma autonomia privada e não mais, como 
antigamente, de uma autonomia da vontade. Isso ocorre principalmente pelo fato de que a 
autonomia privada está ligada a um pensamento liberal, e a da vontade estava voltada a um 
pensamento social. 
Saiba mais no link a seguir: https://bit.ly/2V5nM05. 
 
Observe a seguir os elementos Constitutivos do Negócio Jurídico: 
A – Elemento de existência: 
vontade; 
partes; 
objeto; 
forma. 
B – Elemento de validade: 
vontade livre; 
capacidade do agente; 
objeto lícito, possível, determinado ou determinável; 
forma prescrita e não proibida por lei. 
C – Elemento de eficácia: 
condição; 
termo; 
encargo. 
Elemento de Existência 
O primeiro degrau da Escada Ponteana é verificar se o negócio jurídico existe ou não; para tanto, é 
preciso analisar se há vontade, partes, objeto e forma. 
Veja que, como tratado anteriormente, para que exista o negócio jurídico é necessária uma 
manifestação de vontade advinda de uma pessoa natural ou jurídica; ainda, é necessário um 
objeto/bem jurídico, bem como uma forma. Isto é, o modo de exteriorizar essa manifestação de 
vontade, como, por exemplo, de forma escrita, verbal etc. 
Observe que não há como fazer um negócio jurídico, por exemplo, um contrato, sem uma pessoa 
natural ou jurídica. Também não é possível fazer um contrato cujo objeto é nada ou celebrar um 
contrato sem qualquer tipo de vontade. Logo, faltando um desses elementos de existência, o 
negócio jurídico é inexistente. 
Elemento de Validade 
Os elementos de validade do negócio jurídico se encontram a partir do artigo 104, do Código Civil de 
2002, in verbis: 
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: 
I – agente capaz; 
II – objeto lícito, possível, determinado ou determinável; 
III – forma prescrita ou não defesa em lei (BRASIL, 2002, on-line). 
Uma vez constatados os elementos de existência (partes, vontade, objeto e forma), passamos à 
análise dos elementos de validade. As partes devem ser capazes e manifestar a sua vontade e o 
objeto lícito, possível, determinado ou ao menos determinável. A forma para a prática do ato deve 
ser prescrita ou não proibida por lei. Estando ausente um desses elementos, o negócio jurídico é 
inválido. 
Quanto ao elemento agente capaz, é oportuno lembrar que a pessoa é totalmente capaz a partir dos 
18 (dezoito) anos de idade, ressalvadas as hipóteses de emancipação (artigo 5º, parágrafo único e 
incisos, CC/02) (BRASIL, 2002, on-line). As pessoas que são absolutamente incapazes e relativamente 
incapazes poderão realizar negócios jurídicos, desde que representados ou assistidos, 
respectivamente. Assim, se um menor de 16 (dezesseis) anos de idade (absolutamente incapaz) 
celebrar um contrato de compra e venda de uma televisão, este será inválido, pois o agente não 
possui capacidade para tanto. 
Verifique que o elemento vontade não consta descrito no artigo 104 do Código Civil de 2002, e que a 
vontade deve ser livre, isto é, sem qualquer tipo de vício de consentimento, o que será estudado na 
próxima unidade. Por exemplo, imagine uma situação em que determinada pessoa aponta uma 
arma para a cabeça de outra, coagindo-a a assinar um determinado contrato. É possível observar 
que, por conta da coação, a pessoa não manifestou sua vontade, logo, é inválido o contrato firmado. 
O civilista Nader (2016, p. 449) leciona que “o objeto é a razão de ser propriamente do negócio 
jurídico; é o móvel do interesse que leva o agente a praticar o negócio”. 
Na verdade, um negócio jurídico sempre tem um objeto, um bem, e a própria lei estipula como deve 
ser este objeto. 
O objeto deve ser lícito, isto é, um bem que não seja proibido por lei. Imaginem um contrato de 
compra e venda de drogas ilícitas: apesar de ser existente, não é válido, por conter um objeto ilícito. 
Ainda, o bem deve ser possível, e a impossibilidade do objeto pode ser jurídica ou física. A 
impossibilidade jurídica decorre da lei, como, por exemplo, um contrato de herança de uma pessoa 
viva, haja vista que o próprio Código Civil de 2002 proíbe tal prática, sendo impossível realizar esse 
negócio. Já a impossibilidade física é por conta do próprioobjeto ser impossível, como, por exemplo, 
a compra e venda de um imóvel na lua. 
Além do objeto ser lícito e possível, deve ser determinado, ou pelo menos determinável. Ou seja, 
não há como comprar, por exemplo, um boi sem especificar qual boi será adquirido, 
individualizando, assim, o objeto. 
Por fim, para que o negócio jurídico exista, além da forma, ele necessita estar descrito ou pelo 
menos não proibido pela lei. Na grande maioria dos negócios jurídicos, a forma a ser realizada é 
livre, no entanto, existem situações em que o legislador exige formas para a validade do negócio 
jurídico, como, por exemplo, compra e venda de bens imóveis acima de 30 (trinta) salários mínimos. 
Estes negócios precisam ser realizados por escritura pública (artigo 108, CC/02) (BRASIL, 2002, on-
line). 
Portanto, por mais que o negócio jurídico seja existente, se faltar qualquer um desses adjetivos, será 
considerado inválido. 
Elemento de Eficácia 
O elemento eficácia refere-se aos efeitos do negócio jurídico. Após passado pelos elementos de 
existência e validade, normalmente o negócio jurídico já produz todos os seus efeitos; no entanto, 
podem existir situações em que talvez ocorra uma suspensão e até mesmo a resolução da eficácia, 
isto é, pode haver um período de tempo para proteger os seus efeitos ou, até mesmo, para iniciar os 
seus efeitos jurídicos. 
Gonçalves (2016, p. 332) leciona que 
além dos elementos estruturais e essenciais, que constituem requisitos de existência e de validade 
do negócio jurídico, pode este conter outros elementos meramente acidentais, introduzidos 
facultativamente pela vontade das partes, não necessários à sua existência. 
Assim, por tratar de um negócio jurídico, as partes podem inserir cláusulas acidentais que 
modificarão os efeitos naturais, que são: condição, termo e encargo. Embora se trate de elementos 
acidentais, uma vez incluídos pelas partes nos negócios jurídicos, eles possuem total validade. 
Condição 
A condição é a cláusula sob a qual os efeitos do negócio jurídico estão dependendo da ocorrência de 
um evento futuro e incerto, podendo ser uma condição suspensiva (artigo 125, do Código Civil de 
2002) ou resolutiva (artigo 127, do Código Civil de 2002). 
A condição suspensiva é aquela em que, enquanto não ocorrer o evento futuro e incerto, os efeitos 
do negócio jurídico se encontram suspensos, e, quando verificada a ocorrência do evento futuro e 
incerto, seus efeitos se iniciam. Por exemplo, João promete doar um carro para seu filho Lucas se 
este for aprovado no próximo vestibular. Assim, caso Lucas seja aprovado, serão iniciados os efeitos 
do negócio jurídico. 
Já a condição resolutiva é aquela que põe fim aos efeitos do negócio jurídico quando ocorrido o 
evento futuro e incerto. Para fins de exemplo, imagine que João pagaria uma mesada a Lucas até a 
sua aprovação no vestibular. Veja que os efeitos estão sendo produzidos. Lucas está recebendo a 
mesada e, quando aprovado no vestibular, os efeitos do negócio jurídico acabarão, colocando fim à 
sua eficácia. 
Segundo a doutrina, ainda existe a chamada condição possível e impossível. Esta é a condição que 
não é possível se cumprir, dada a sua impossibilidade física ou jurídica. Para fins de exemplo, uma 
compra e venda subordinada à ida ao planeta Júpiter. Logo, uma condição impossível, segundo o 
artigo 124 do Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002, on-line): “Têm-se por inexistentes as condições 
impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível”. Já a condição possível é aquela 
em que há condições de cumprir, como, por exemplo, a doação do carro, em caso de aprovação no 
vestibular. 
Termo 
Diferentemente da condição em que os efeitos se subordinam a um evento futuro e incerto, o termo 
fica vinculado à ocorrência de um evento futuro e certo, podendo ser dividido em termo inicial e 
termo final. 
O termo inicial (artigo 131, do Código Civil de 2002), para Guilherme (2016, p. 76), “é todo fato 
futuro e certo que condiciona os efeitos do negócio jurídico. No caso de pender termo inicial, o 
direito do adquirente permanece intacto, e só estará suspenso até o início do implemento do fato”. 
Assim, imagine que João se compromete a doar um carro a seu filho Lucas daqui a 2 (dois) meses. 
Observe que, no período de dois meses, Lucas terá o automóvel; assim, ele já detém o direito, mas 
ainda não possui sua aquisição, pois o prazo fixado não transcorreu. 
Desse modo, como no termo inicial se iniciam os efeitos, no termo final existe a extinção dos efeitos. 
Por exemplo, João empresta seu carro a seu filho Lucas até o mês que vem, ou seja, implementado o 
mês seguinte, João não emprestará mais o veículo para Lucas. 
Modo ou Encargo 
Como última cláusula do elemento de eficácia, existe o chamado modo ou encargo (artigo 136 do 
Código Civil de 2002). Nas palavras de Venosa (2020, p. 523): 
O encargo ou modo é restrição imposta ao beneficiário de liberalidade. Trata-se de ônus que diminui 
a extensão da liberalidade. Assim, faço doação a instituição, impondo-lhe o encargo de prestar 
determinada assistência a necessitados; doo casa a alguém, impondo ao donatário obrigação de 
residir no imóvel; faço legado de determinada quantia a alguém, impondo-lhe o dever de construir 
monumento em minha homenagem; faço doação de área a determinada Prefeitura, com encargo de 
ela colocar, em uma das vias públicas, meu nome etc. 
O encargo, pois, trata-se de uma prestação a ser imposta para o beneficiário de uma determinada 
liberalidade. Em geral, existe no caso de doações, como no exemplo citado anteriormente. Veja que 
a pessoa doará a casa somente se o outro residir no imóvel, ou seja, quem está recebendo a casa 
tem uma prestação ou um ônus a ser cumprido, que é residir no imóvel. 
Da Interpretação dos Negócios Jurídicos 
Como já mencionado, o negócio jurídico depende da manifestação de vontade do agente. Assim, 
conforme o artigo 112 do Código Civil de 2002 (BRASIL, 2002, on-line) “nas declarações de vontade 
se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem”. Ou seja, 
a declaração de vontade é imprescindível para a celebração do negócio jurídico, buscando, portanto, 
o real motivo de sua celebração. 
Assim, a partir da manifestação de vontade da pessoa, segundo preleciona o artigo 113 do Código 
Civil de 2002 (BRASIL, 2002, on-line) “os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-
fé e os usos do lugar de sua celebração”. Logo, os juristas devem realizar a interpretação do negócio 
jurídico sempre de acordo com a boa-fé objetiva e os costumes do lugar em que foi celebrado. 
O artigo 114 do Código Civil de 2002 dispõe que “os negócios jurídicos benéficos e a renúncia 
interpretam-se estritamente” (BRASIL, 2002, on-line). Ou seja, um exemplo de negócios jurídicos 
benéficos são os contratos de doação, ou contratos de comodato (empréstimo de coisas 
infungíveis). Em razão do benefício auferido por uma das partes, sempre haverá a necessidade de 
interpretar de forma restritiva esses contratos, e não de forma ampliativa. 
Portanto, a declaração de vontade e a forma de sua interpretação são de suma importância, 
especialmente para a validade do negócio jurídico. 
Da Representação 
Os negócios jurídicos geralmente são celebrados pela própria pessoa que manifesta sua vontade no 
âmbito de sua autonomia privada. No entanto, por vezes, há a necessidade de que outras pessoas, 
que não o próprio interessado, celebrem os negócios jurídicos em seu lugar, seja pela escolha da 
pessoa ou por decorrência da lei. 
O doutrinador Gonçalves (2018, p. 327) leciona que “a representação tem o significado, pois, de 
atuação jurídica em nome de outrem. Constitui verdadeira legitimação para agir por conta de 
outrem, que nasce da lei ou do contrato”. 
Nesta hipótese, em que uma pessoa atua em nome de outra, ocorre a representação, que encontra 
previsão legal disposta nos artigosde 115 a 120 do Código Civil. 
A representação pode ser legal ou voluntária. A primeira é decorrente da lei, como no caso dos 
incapazes, que necessitam ser representados e possibilitam a seus representantes o fazerem em seu 
nome; já a representação voluntária “é baseada, em regra, no mandato, cujo instrumento é a 
procuração. A figura da representação não se confunde com a do mandato” (VENOSA, 2020, p. 373). 
Por fim, a respeito da representação, é importante mencionar o chamado negócio jurídico consigo 
mesmo, ou autocontratação. Como se verifica, a representação serve para que uma pessoa atue em 
nome de outra praticando os seus interesses. Assim, o contrato consigo mesmo trata da 
possibilidade de o representante atuar no interesse de dois contratantes por meio de representação 
ou, até mesmo, quando o representante é uma das partes do negócio jurídico. 
Como exemplo, imaginem que João é representado por Lucas no contrato de compra e venda de um 
veículo. No entanto, quem compra o carro de João é o próprio representante Lucas, celebrando, 
pois, um contrato consigo mesmo. Ainda, imaginem a hipótese de que João e Lucas celebram um 
contrato de compra e venda de um veículo e ambos são representados por Mário; assim, também 
há outra hipótese de contrato consigo mesmo. 
Da Invalidade do Negócio Jurídico 
Por invalidade do negócio jurídico deve-se entender as penalidades decorrentes da lei, fazendo com 
que não se produzam os efeitos pretendidos pelas partes, por conta da violação de alguma regra 
jurídica. A invalidade é “a sanção, imposta pela norma jurídica, que determina a privação dos efeitos 
jurídicos do negócio praticado em desobediência ao que prescreve” (DINIZ, 2018, p. 600). 
Existem dois tipos de invalidade a serem estudadas: nulidade absoluta (ou simplesmente nulidade) e 
nulidade relativa (ou anulabilidade). 
A nulidade absoluta, ou nulidade (ato nulo), é um vício tão grave que o ato não poderia sequer 
produzir os seus efeitos. Nesse sentido, Diniz (2018, p. 601) aduz que 
Com a declaração de nulidade absoluta do negócio jurídico, este não produz qualquer efeito por 
ofender, gravemente, princípios de ordem pública. É nulo o ato negocial inquinado por vício 
essencial, não podendo ter, obviamente, qualquer eficácia jurídica. 
Assim, por exemplo, um negócio jurídico celebrado por uma pessoa absolutamente incapaz (menor 
de 16 anos de idade), sem representação de seus pais ou representante legal, é um ato nulo, 
tratando-se de nulidade absoluta. Algumas hipóteses de ato nulo estão dispostas no artigo 166 do 
Código Civil, in verbis: 
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando: 
I – celebrado por pessoa absolutamente incapaz; 
II – for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; 
III – o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; 
IV – não revestir a forma prescrita em lei; 
V – for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade; 
VI – tiver por objetivo fraudar lei imperativa; 
VII – a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar sanção. (BRASIL, 
2002, on-line) 
Já a nulidade relativa, ou anulabilidade (ato anulável), é um vício de menor gravidade, uma vez que 
viola interesses dos particulares. 
O doutrinador Gonçalves (2016, p. 398) diferencia o ato nulo e o anulável, lecionando que 
O negócio é nulo quando ofende preceitos de ordem pública, que interessam à sociedade. Assim, 
quando o interesse público é lesado, a sociedade o repele, fulminando -o de nulidade, evitando que 
venha a produzir os efeitos esperados pelo agente. 
Assim, enquanto o ato nulo ofende os direitos de ordem pública, o ato anulável ofende os direitos 
de ordem privada. 
Algumas hipóteses de anulabilidade são encontradas no artigo 171, do Código Civil de 2002. Ou seja, 
um ato celebrado por um relativamente incapaz ou por vícios decorrentes, erro, dolo, coação, 
estado de perigo e lesão serão estudados na próxima unidade. 
Ademais, é importante trazer em questão outras diferenças entre ato nulo e anulável. O primeiro 
pode ser reconhecido de ofício pelo juiz, isto é, sem provocação de alguém, a qualquer momento em 
que venha a ter conhecimento do vício, bem como pode ser alegado por qualquer interessado ou 
pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir, diante do que disciplina o artigo 168, do Código 
Civil. 
O juiz só poderá reconhecer a anulabilidade de ofício quando a parte prejudicada assim invocá-lo. 
Bem ainda, diferentemente da nulidade absoluta, apenas o particular, que é a pessoa prejudicada, 
pode alegar. 
Ainda, o negócio jurídico nulo não permite sua confirmação e muito menos a convalescência. Ou 
seja, devido ao fato de a nulidade absoluta ocorrer de pleno direito, não há como tentar recuperar 
aquele ato nulo para torná-lo válido, e muito menos ele se tornará válido com o decurso do tempo. 
A nulidade do negócio jurídico deve ser declarada desde o seu início. 
Na anulabilidade, o ato que nasceu anulável pode se convalescer por causa do tempo ou pela 
confirmação das partes. Por exemplo, para um vício do negócio jurídico, se a parte não reclamar no 
prazo de 4 (quatro) anos, aquele negócio jurídico será considerado válido, pois, como dito, é um 
vício menos grave que afetará apenas as partes do negócio jurídico e não uma norma de ordem 
pública. 
Introdução ao Direito das Obrigações 
O Direito obrigacional pode ser entendido como a relação estabelecida entre o credor e o devedor 
no âmbito patrimonial, que tem por objetivo a satisfação e o cumprimento de certa prestação 
avença de determinada maneira, no tempo e espaço convencionados ou especificados por lei. 
A obrigação marcadamente se apresenta como uma relação jurídica transitória, de viés econômico, 
pela qual o devedor deve satisfazer uma determinada prestação, positiva ou negativa, visando o 
adimplemento do ajustado (AZEVEDO, 2002). 
Conforme Tartuce (2017, p. 233), a obrigação pode ser conceituada como 
[...] a relação jurídica transitória, existente entre um sujeito ativo, denominado credor, e outro 
sujeito passivo, o devedor, e cujo objeto consiste em uma prestação situada no âmbito dos direitos 
pessoais, positiva ou negativa. Havendo o descumprimento ou inadimplemento obrigacional, poderá 
o credor satisfazer-se no patrimônio do devedor. 
Dessa forma, as obrigações representam importante instituto jurídico na seara civil, tendo em vista 
que relações jurídicas de cunho patrimonial são celebradas a todo momento, não se restringindo a 
obrigações pontuais entre os pactuantes. Pelo contrário, seus efeitos se propagam para além dos 
envolvidos, visto que é por meio do estabelecimento e do adimplemento obrigacional que os bens e 
serviços são postos em circulação. 
Fonte das Obrigações 
As fontes que determinam as obrigações jurídicas podem surgir por força de lei, pela comunhão de 
vontades entre os contraentes, pelos atos unilaterais de vontade e também por atos ilícitos. 
A obrigação civil deriva da lei quando o próprio comando legal determina sobre a forma de se 
adimplir a prestação. Nos dizeres de Farias e Rosenvald (2017, p. 117), 
[...] nos sistemas jurídicos legislados de origem romano-germânica a lei é fonte mediata de todas as 
obrigações, pois, a partir dela, podemos atribuir força vinculativa aos diferentes fatos geradores das 
relações obrigacionais. Com efeito, é a lei que demarca os limites dos fatos jurídicos [...]. 
Ainda, nos dizeres dos autores, "[...] a conjugação da lei com uma conduta humana é o pressuposto 
necessário à concreção de um fato jurídico do qual emanam as relações jurídicas envolvendo 
direitos subjetivos e obrigações de prestar [...]" (FARIAS; ROSENVALD, 2017, p. 118). 
É importante destacar que a simples existência da norma não pode e não deve convertê-la em fonte 
de uma obrigação. Para que assim possa ser considerada como obrigação, é necessária a existência 
prévia de um fato, um acontecimento, uma situaçãoconcreta na qual a lei possa ser aplicada, tendo 
em vista que tais eventos são pressupostos para os preceitos legais. 
A título de exemplo, pode-se citar o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). A obrigação do seu 
recolhimento só se concretiza nas situações em que a parte compelida a satisfazer a obrigação é 
proprietária, ou por força de contrato (como é o caso, entre outros, do locatário de um imóvel). 
A obrigação jurídica, também, tem como fonte a vontade das partes, que se materializa pelo mútuo 
consenso, por um contrato. O acordo entre as partes faz nascer uma obrigação entre os contraentes, 
de caráter vinculante. É mister mencionar que, para a celebração de tal convenção, devem ser 
observados os preceitos legais para a validade dos negócios jurídicos, dispostos no artigo 104 do 
CC/2002, que requer agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, por forma 
prescrita ou não defesa em lei. 
A manifestação de vontade pode ser expressa ainda de forma unilateral. Dessa maneira, os atos 
dessa espécie decorrem da manifestação de um único sujeito, por meio de declaração, pelo caráter 
volitivo de apenas um agente, a exemplo da realização de um testamento, de doação ou da 
promessa de recompensa. 
Por fim, e não menos importante, existem os atos ilícitos, que também são fonte das obrigações. A 
prática de uma conduta contrária aos preceitos legais e danosa a outrem faz nascer a obrigação de 
indenizar. Tal obrigação, também denominada de responsabilidade civil, em apertada síntese, pode 
ser entendida como o dever jurídico de recomposição do bem violado ao seu estado originário. 
Elementos da Relação Obrigacional 
Os elementos da relação obrigacional podem ser entendidos como os componentes constitutivos da 
relação jurídica. Modernamente podem ser detectados três elementos no conceito de obrigação. 
Observe a Figura 2.1, que nos apresenta os elementos da relação obrigacional. 
 
Conforme preconiza Gonçalves (2018), o primeiro elemento da relação obrigacional é o 
elemento subjetivo. O referido elemento representa os sujeitos da relação jurídica, o sujeito 
ativo (o credor da prestação) e o sujeito passivo (o devedor da prestação). 
O segundo elemento constitutivo da relação obrigacional é o elemento objetivo, ou material. 
Este caracteriza-se por portar o objeto da obrigação, o que deve ser satisfeito, adimplido, 
derivado de uma conduta humana e mais comumente conhecido por prestação. 
Finalmente, o terceiro elemento representa o vínculo jurídico ou o elemento imaterial, que 
concatena os sujeitos subjetivos. Dito de outro modo, conecta o credor ao devedor. 
Classificação das Obrigações 
As obrigações são classificadas pela doutrina segundo vários parâmetros. As modalidades das 
obrigações, também compreendidas como espécies, são enquadradas e definidas de acordo 
com os fundamentos que a elas podem ser aplicados. 
Não existe um consenso entre os doutrinadores, de modo que a classificação a seguir 
apresentada tomará por base a doutrina de Gonçalves (2011, p. 53), segundo o qual, 
as obrigações são distinguidas, basicamente, quanto ao objeto, em obrigações de dar, fazer e não 
fazer [...]", tendo em vista que as obrigações de dar e de fazer são tidas como obrigações positivas e 
a obrigação de não fazer como uma prestação negativa. 
Nessa perspectiva, as obrigações podem ser reconhecidas quanto ao objeto; aos elementos; à 
multiplicidade de objetos; aos sujeitos; à exigibilidade; à finalidade; ao momento do 
cumprimento ou satisfação; aos elementos acidentais; e quanto à liquidez, conforme disposto 
em seguimento. 
Quanto ao Objeto 
A obrigação quanto ao objeto refere-se à situação em que o devedor se obriga a entregar ou 
restituir alguma coisa ao credor. 
O civilista Gonçalves (2011, p. 58) assevera que 
A obrigação de dar consiste, assim, quer em transmitir a propriedade ou outro direito real, quer na 
simples entrega de uma coisa em posse, em uso ou à guarda. Implica ela a obrigação de conservar a 
coisa até a entrega e a responsabilidade do devedor por qualquer risco ou perigo desde que esteja 
em mora quanto à entrega ou, mesmo antes dela, se a coisa estava a risco ou responsabilidade do 
credor. 
Assim, a obrigação consiste em entregar um bem a uma determinada pessoa, seja por 
disposição legal, seja mediante um contrato que já fora firmado entre as partes. Este tipo de 
obrigação se subdivide em obrigação de dar coisa certa — quando será necessária a 
especificação do objeto quanto à quantidade, à qualidade e ao gênero — e obrigação de dar 
coisa incerta — de caráter impreciso quanto à qualidade, mas de precisão indicativa de 
quantidade e gênero —, conforme disposição do artigo 243 do Código Civil. 
Exemplificando, a entrega de "10 sacas de café tipo A" caracteriza uma obrigação de dar coisa 
certa, pois especifica o gênero (café), a quantidade (10 sacas) e a qualidade (tipo A), enquanto 
a entrega de "10 sacas de café" caracteriza uma obrigação de dar coisa incerta, pois 
especifica o gênero (café) e a quantidade (10 sacas), mas é indeterminável quanto à qualidade. 
Cabe recordar, como nos ensina Figueiredo e Figueiredo (2017), que os bens jurídicos são 
assim considerados quando, em toda sua utilidade, podem ser objetos de um direito 
subjetivo. 
Dessa forma, as 10 sacas de café tipo A representam bens móveis, na medida que são 
passíveis de deslocamento (contudo, embora sejam bens móveis, por ocasião de sua 
movimentação, não podem ocorrer qualquer tipo de ruptura, destinação econômica ou 
alteração de seu teor e matéria); divisíveis, pois sua repartição não altera sua essência; 
consumíveis, uma vez que sua utilização importa na destruição da própria substância, sendo 
impossível o seu retorno ao estado de origem; e fungíveis, pois podem ser substituídos por 
outros que guardem similitude quanto à espécie, à qualidade e à quantidade. 
Quanto aos Elementos 
Os elementos da obrigação representam os sujeitos, as partes envolvidas e as pessoas físicas 
e jurídicas que celebram entre si uma pactuação contratual, por meio da qual determinada 
obrigação deverá ser adimplida. Assim, quanto aos elementos, as obrigações podem ser 
classificadas como simples, quando existe apenas um credor, um devedor e um objeto (ou 
prestação) para ser satisfeito; ou como complexas, quando um ou mais elementos encontram-
se multiplicados, quer seja pela existência de multiplicidade de credores e devedores, quer 
seja pela existência de duas ou mais prestações (GONÇALVES, 2018). 
A título de ilustração, pode haver uma multiplicidade de devedores (se Pedro e Maria 
compram o apartamento de Carlos), uma multiplicidade de credores (se Tício vende para 
Mévio e Caio sua moto), ou uma multiplicidade de objetos (se João obrigou-se a entregar para 
Tício uma vaca e um bezerro). 
Quanto à Multiplicidade de Objetos (Prestações) 
Quanto à multiplicidade de objetos ou prestações, as obrigações podem ser classificadas 
como cumulativa ou conjuntiva e alternativa ou disjuntiva. 
O civilista Carlos Roberto Gonçalves (2011, p. 55) defende que 
As obrigações compostas com multiplicidade de objetos, por sua vez, podem ser cumulativas, 
também chamadas de conjuntivas, e alternativas, também denominadas disjuntivas. Nas primeiras, 
os objetos apresentam-se ligados pela conjunção “e”, como na obrigação de entregar um veículo e 
um animal, ou seja, os dois, cumulativamente. Efetiva-se o seu cumprimento somente pela 
prestação de todos eles. 
Nas alternativas, os objetos estão ligados pela disjuntiva “ou”, podendo haver duas ou mais opções. 
No exemplo supra, substituindo-se a conjunção “e” por “ou”, o devedor libera-se da obrigação 
entregando o veículo ou o animal, ou seja, apenas um deles e não ambos. Tal modalidade de 
obrigação exaure-se com a simples prestação de um dos objetos que a compõem. 
Diante do conceito exposto, verifica-se que, nas obrigações cumulativas, todas as prestações 
devem ser adimplidas, não cabendo exceção. Já na obrigaçãoalternativa, também 
denominada disjuntiva, o devedor tem a faculdade de cumprir uma obrigação ou outra, e tal 
escolha cabe somente a ele, salvo disposição em contrário, nos termos do artigo 252, do 
Código Civil. 
Quanto à multiplicidade de prestações, a obrigação está caracterizada pela existência de uma 
obrigação principal e de uma obrigação facultativa, que pode vir a substituir a obrigação 
principal, o que constitui uma prerrogativa do devedor, podendo este substituir a obrigação 
principal pela facultativa. 
Quanto à Multiplicidade de Sujeitos 
Quanto à multiplicidade de sujeitos, as obrigações podem ser classificadas como divisível, 
indivisível ou solidária. 
A obrigação indivisível é aquela que tem por objeto uma coisa ou um fato que não pode ser 
dividido entre os sujeitos, ao contrário da divisível, que pode ser dividida nos termos do artigo 
258, do Código Civil. 
A solidariedade ocorre quando, em uma relação obrigacional, existe mais de um credor ou 
devedor, com direito a receber a dívida por completa. Na solidariedade, as obrigações 
independem da divisibilidade ou não da prestação na medida em que decorre de imposição 
legal. 
A solidariedade pode ser dividida em ativa e passiva, a depender dos sujeitos. É ativa quando 
existe mais de um credor com direito a exigir o adimplemento da prestação, e passiva quando 
todos os devedores são responsáveis pelo cumprimento da obrigação. 
Um exemplo de solidariedade ativa pode ser detectado nos casos de conta bancária da 
titularidade de um casal. Ambos os titulares dessa conta poderão movimentá-la por meio da 
realização de saques, de todo ou de parte do valor aí depositado, podem inclusive contrair 
empréstimos. Se um deles realiza um empréstimo, o banco começa a debitar as respectivas 
parcelas, mas não libera o crédito, e qualquer um dos titulares da conta tem o direito de exigir 
do banco a liberação do empréstimo para a conta bancária. 
Tomando por base o mesmo casal com titularidade da mesma conta bancária, caso um deles 
realize determinado contrato de empréstimo que não consiga honrar, ambos os titulares 
ficam corresponsabilizados pelo adimplemento, podendo ser cobrada a totalidade dos 
recursos de qualquer um dos titulares, o que se denomina solidariedade passiva. 
Dessa forma, a solidariedade independe da possibilidade ou não de divisibilidade do objeto da 
prestação. Existindo vários devedores solidários passivos, cada um deles responde pela 
totalidade da dívida. 
Quanto à Exigibilidade 
A exigibilidade é o critério pelo qual se considera a possibilidade ou não de cobrança em juízo 
da prestação não adimplida. Para que uma obrigação seja exigível, faz-se necessário que o 
título executivo que a instrumentaliza seja certo, líquido e exequível. 
A certeza da existência do título e, por conseguinte, da obrigação, faz-se presente quando o 
referido documento traz em seu bojo todas as características que permitem definir quem são 
as partes contratantes (credor e devedor), qual a obrigação e qual a natureza dessa obrigação 
(se consiste um uma obrigação de dar, fazer ou não fazer). 
Quanto à liquidez, a exigibilidade do título só poderá ser constatada nos casos em que se 
possa mensurar os limites da obrigação. Dessa forma, se a obrigação consistir, por exemplo, 
em entregar sacas de café, para que a obrigação seja líquida, faz-se necessário determinar a 
quantidade de sacas. 
Já em relação à exequibilidade, é necessário que cada título avençado entre as partes respeite 
o preconizado por positivação legal. Dessa forma, o instrumento contratual, principal título 
executivo civil, não será exequível caso não tenha a assinatura de duas testemunhas, como 
determinado por lei. 
Assim, satisfeitos os critérios expostos, diz-se que a obrigação pode ser exigível, sendo 
denominada de civil, quando é possível exigir sua satisfação via judicial, nos casos de não 
pagamento da prestação pelo devedor. A obrigação também pode ser uma natural, quando 
não é possível opor ao devedor inadimplente nenhuma medida legal por se tratar de mero 
dever de ordem moral ou social, a exemplo das relações creditícias, vinculando os cônjuges 
ou mesmo pai e filho. 
Quanto à Finalidade 
Em relação à finalidade, as obrigações podem ser de meio, resultado ou garantia. 
As obrigações de meio são aquelas em que o devedor precisa utilizar de toda a sua técnica, 
conhecimento e expertise para a consecução da obrigação sem, contudo, garantir o resultado 
final. Nas obrigações de resultado, ao contrário das de meio, o devedor se vê compelido à 
garantia do resultado final da prestação. Já as de garantia são aquelas destinadas a propiciar 
maior segurança ao credor, de tal modo que o devedor assume a obrigação de resultado e a 
de garantia por via indenizatória. 
Quanto ao Momento do Adimplemento 
As obrigações podem ser de execução imediata, quando seu cumprimento se exaure em um 
único ato; de trato sucessivo ou periódica, quando sua satisfação ocorrerá em um 
determinado lapso temporal; e diferida, quando a satisfação da obrigação ocorre em um único 
momento, porém em data futura. 
Quanto aos Elementos Acidentais 
A obrigação pode também ser classificada quanto à presença de elementos acidentais. O 
doutrinador Gonçalves (2016, p. 611) leciona que 
[...] os elementos acidentais (acidentalia negotti) consistem em estipulações acessórias, que as 
partes podem facultativamente adicionar ao negócio, para modificar alguma de suas 
consequências naturais, como a condição, o termo e o encargo ou modo. 
Dessa forma, a obrigação é dita pura quando qualquer elemento acidental se faz ausente, 
produzindo de imediato seus efeitos; condicional, quando satisfação depende de um evento 
futuro e incerto; a termo, quando o adimplemento está condicionado a um evento futuro e 
certo; e com encargo ou modo, quando uma incumbência é imposta ao credor da prestação. 
Quanto à Liquidez 
Por fim, a obrigação pode ser líquida ou ilíquida. 
A obrigação líquida caracteriza-se por ser certa quanto à sua existência e valor. Em 
contrapartida, a obrigação ilíquida depende de prévia apuração para que seja possível sua 
satisfação. 
Inadimplemento e Extinção das Obrigações: Teoria do Inadimplemento 
Quando o devedor não satisfaz tempestivamente a obrigação por ele assumida no tempo e 
lugar ou na forma avençada pelas partes, diz-se que a prestação não foi adimplida. 
A depender de como ocorreu o descumprimento da obrigação, o inadimplemento pode ser 
categorizado segundo os critérios de causa e feitos. 
Cabe mencionar que a frustração de satisfazer a prestação não se origina apenas pelo 
descumprimento do avençado, mas também pode ser oportunizada pela prescrição ou 
decadência, pelo não implemento da condição. 
Fato é que o Código Civil dispõe de forma enfática que, não cumprida a obrigação, nasce para 
o devedor o dever de indenizar. Com fundamento no artigo 389 do mesmo diploma, "[...] não 
cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização 
monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorário de advogado [...]" 
(BRASIL, 2002, on-line). 
Dessa forma, descumprida a satisfação, nasce o dever de indenizar. No entanto, o dever de 
indenizar a contraprestação devida, face ao descumprimento de uma pactuação originária, 
requer como requisito a culpa, não respondendo o devedor pela ocorrência de fato 
invencível, alheio a sua vontade, resultante de caso fortuito e força maior. 
Interessa saber agora quando o devedor incide ou não na culpa, para que seja possível saber 
se o dever da reparação nasceu para o omisso. 
Espécies de Inadimplemento 
O inadimplemento de uma obrigação pode ser analisado sob dois enfoques. 
O primeiro deriva da falta da satisfação permanente, caracterizando o inadimplemento 
absoluto e, por outro lado, a postergação de seu cumprimento, mais comumente conhecido 
como mora. 
Assim, os institutos do inadimplemento das obrigações estabelecidas pelas partes podem ser 
categorizadose estudados tomando como cerne suas consequências, a saber: o 
inadimplemento relativo ou absoluto involuntário, o inadimplemento absoluto voluntário e o 
inadimplemento relativo voluntário (ou mora), que serão apreciados a seguir. 
Inadimplemento Relativo ou Absoluto Involuntário 
O inadimplemento de uma obrigação pode ser considerado como absoluto ou relativo 
involuntário. 
O inadimplemento absoluto consiste da completa impossibilidade de pagamento por parte do 
devedor do acordado com o credor. 
Na lição de Gonçalves (2018, p. 728), o adimplemento é absoluto “quando a obrigação não foi 
cumprida nem poderá sê-lo de forma útil ao credor. Mesmo que a possibilidade de 
cumprimento ainda exista, haverá inadimplemento absoluto se a prestação tornou-se inútil ao 
credor”. 
Se por um lado, no inadimplemento absoluto, a satisfação da obrigação se tornou inútil ao 
devedor; no relativo, a prestação, mesmo que descumprida, ainda se apresenta útil e 
vantajosa para o credor. 
O inadimplemento será relativo quando a prestação for descumprida, porém, mesmo com 
este cenário, o seu cumprimento ainda se apresenta viável para o credor. É o caso, por 
exemplo, de uma agência turística que comercializa pacotes turísticos para a Disney. 
Devido a uma paralisação das empresas aéreas, as viagens com saída nesse período não 
ocorrerão, motivadas por um fato alheio à vontade das agências de turismo. Entretanto, após 
o término do movimento grevista, a agência poderá agendar nova data de partida para os 
adquirentes da viagem. 
Em que pese a nova data não ser a pactuada (ocorrência de descumprimento obrigacional), o 
credor poderá usufruir de sua viagem, ou seja, o adimplemento da obrigação ainda se mostra 
útil ao credor. 
Por outro lado, o inadimplemento é absoluto quando a falta de satisfação da obrigação torna-
a completamente inútil ao credor. Por exemplo, no caso de uma relação obrigacional cujo 
objeto da prestação compreenderia a apresentação de um cantor na festa de 15 anos da filha 
do credor. 
O devedor não compareceu para cumprir a obrigação por motivos alheios a sua vontade. Na 
data agendada para o cumprimento da obrigação, o devedor sofreu um acidente de trânsito 
que o deixou gravemente ferido e precisou de um período de 20 dias de internação para se 
recuperar. 
Apesar da situação trágica, o fato é que a sua ausência arruinou a celebração. A filha do 
credor nunca mais fará 15 anos, ou seja, o cumprimento da obrigação fora da data estipulada, 
a posteriori, torna-se imprestável, inútil e desnecessário para o credor. 
Resta claro, pelas situações-problema anteriormente descritas, que tanto o inadimplemento 
relativo como o inadimplemento absoluto involuntário são modalidades de descumprimento 
obrigacional que carecem do elemento culpa. Ambos são fundados em fatos totalmente 
alheios à vontade dos envolvidos, não havendo que se falar em indenização por perdas e 
danos com fulcro no artigo 393, do Código Civil, relativo ao caso fortuito e à força maior. 
Inadimplemento Absoluto Voluntário 
O inadimplemento absoluto voluntário, ao contrário do inadimplemento absoluto 
involuntário, é aquele que ocorre pela aspiração, pelo querer, pelo propósito e pela vontade 
do devedor em inadimplir. 
Retornando as situações anteriormente descritas, caso a agência de turismo tenha 
desmarcado a viagem à Disney motivada pela diminuta venda de pacotes para a data em 
questão (sendo o voo fretado, a venda de um número pequeno de pacotes acarretaria 
prejuízos para a empresa), ou ainda, caso o não comparecimento do cantor à festa de 15 anos 
do credor tenha sido ocasionado pelo recebimento de uma nova proposta de outro credor, 
muito mais vantajosa financeiramente, para o mesmo dia e hora da obrigação anteriormente 
pactuada, ambos responderão pelo descumprimento obrigacional determinado pela culpa. 
Levado a efeito, nos termos do artigo 389, do Código Civil, eles deverão ser compelidos ao 
ressarcimento por perdas e danos, mais juros com atualização monetária, acrescido de 
honorários advocatícios. 
Mora 
A mora pode ser entendida como o retardamento, o atraso, o adiamento ou a procrastinação 
no cumprimento da obrigação em virtude da inobservância do tempo, lugar ou forma 
pactuada para seu adimplemento, conforme indica o artigo 394 do Código Civil. 
Insta mencionar que tanto o devedor quanto o credor podem incidir em mora. O devedor 
(mora solvendi ou debendi) incide em mora por não poder ou não querer pagar o credor. Já o 
credor (mora accipiendi ou credendi) se constitui em mora quando não deseja a satisfação da 
obrigação, furtando-se ao recebimento. 
Para que seja caracterizada a mora solvendi ou debendi, concorrem três fatores: a exigibilidade 
imediata da obrigação, a inexecução culposa e a constituição em mora. 
Nos dizeres de Pereira (2015, 290), a exigibilidade imediata: 
[...] pressupõe ainda a liquidez e a certeza. Para que se diga em mora, é necessário, pois, e antes de 
tudo, que exista uma dívida, e que esta seja certa, a saber, decorra de obrigação (convencional ou 
não) uma prestação determinada. A certeza não acompanha apenas a obrigação pecuniária ou a 
de dar, mas está presente ainda na de fazer e não fazer. Certa é a obrigação caracterizada por seus 
elementos específicos. Líquida quando, além da certeza do débito, está apontado o seu montante 
ou individuada a prestação [...]. 
Quanto à culpa, como fator de caracterização da mora solvendi ou debendi, o autor (2015, p. 
290) assim se posiciona: 
A culpa do devedor é outro elemento essencial para caracterizar a mora. Importante mencionar 
que não há mora, se não houver fato ou omissão a ele imputável [...]. Não obstante a culpa, a parte 
debitoris é susceptível de verificação presumida [...]. Tal presunção é iuris tantum, e não iuris et de 
iuri [...]. De conseguinte, envolve escusativa para o devedor e consequente ausência de mora a 
verificação de um acontecimento de força maior, ainda que transitório; a falta de cooperação; o 
atraso na autorização do poder público sempre que seja requisito do ato, e outros semelhantes. 
E como último fator a caracterizar a mora solvendi ou debendi, temos a constituição do 
devedor em mora, ocorrência que permite ao credor interpelar o devedor judicialmente, 
objetivando o ressarcimento pelos prejuízos sofridos face ao atraso no adimplemento 
prestacional. O doutrinador Pereira (2015, p. 292) assinala que o devedor será compelido a 
indenizar o atraso, "[...] mediante o pagamento de juros moratórios legais ou convencionais 
[...]", cabendo frisar que o referido pagamento não substitui a obrigação originária que ainda 
continua devida. 
A culpa do devedor é outro elemento essencial para caracterizar a mora. 
O já citado doutrinador leciona que “é importante mencionar que não há mora, se não houver 
fato ou omissão a ele imputável [...]. Não obstante a culpa, a parte debitoris é susceptível de 
verificação presumida [...]. Tal presunção é iuris tantum, e não iuris et de iuri [...]” (PEREIRA, 
2015, p 294). 
De conseguinte, envolvem escusativa para o devedor e consequente ausência de mora: a 
verificação de um acontecimento de força maior, ainda que transitório; a falta de cooperação; 
e o atraso na autorização do poder público sempre que seja requisito do ato e outros 
semelhantes. 
Não obstante tal presunção, quando as obrigações forem provenientes de atos ilícitos, o 
devedor será considerado em mora desde o momento que o praticou, em conformidade com 
o artigo 398 do Código Civil. 
Além disso, não há de olvidar-se que o devedor pode voluntariamente cumprir com todas as 
prestações a que se comprometeu, devolvendo a obrigação ao seu status natural, mesmo com 
a mora experimentada, sem necessidade de interpelação judicial. Isso é denominado de 
purgação da mora. 
A purgação sempre poderá ser realizada pelo devedor com o intuito de se desvencilhar do 
inadimplemento, com exceção dos casos em que o cumprimento tardio da obrigação se 
tornou imprestável, dado que o inadimplemento,antes relativo, agora se revela absoluto. 
Já a mora accipiendi ou credendi se qualifica quando o credor, por motivo alheio à vontade do 
devedor, não deseja que a obrigação seja adimplida. 
A mora pressupõe como requisitos: que a obrigação já esteja vencida, que a recusa em 
receber seja injustificada e que o credor se constitua em mora. Cabe destacar que o credor 
responderá ainda pela mora nas situações em que a recusa de recebimento da prestação 
ocasionar oneração do devedor pela oscilação do montante devido. 
 
SAIBA MAIS 
A Onerosidade Excessiva no Ordenamento Jurídico Brasileiro 
O artigo desenvolvido por Luciana de Oliveira Leal Halbritter traz à tona a problemática da 
superveniência de situações fáticas que podem levar ao desequilíbrio das prestações contratuais, 
dando ensejo à considerável desigualdade entre as partes e impossibilitando o cumprimento da 
obrigação. Tal fato caracteriza a onerosidade excessiva, que, se não adequadamente revista, leva ao 
enriquecimento sem causa por parte de um dos contratantes em detrimento do outro. 
Independentemente do aspecto volitivo manifestado na relação contratual, a tutela jurisdicional não 
pode se abster no sentido de reequilibrar essa equação, permitindo e determinando a revisão 
contratual. A partir dessa premissa, o artigo trabalha a temática, contrapondo o princípio da força 
obrigatória dos contratos, da autonomia da vontade e da rescisão contratual. 
Saiba mais lendo “A Onerosidade Excessiva no Ordenamento Jurídico Brasileiro”, de Luciana de 
Oliveira Leal Halbritter: https://bit.ly/2XeDKI8. 
 
Conceito de Contrato 
O Código Civil (BRASIL, 2002, on-line) traz, entre os artigos 421 e 480, regras sobre o 
contrato, mas seguiu a mesma regra do código anterior, não conceituando o contrato. 
O conceito surgiu a partir do momento que as pessoas passaram a viver em sociedade e se 
relacionar. 
O doutrinador Tartuce (2017, p. 398) leciona que: 
O contrato é um ato jurídico bilateral, dependente de pelo menos duas declarações de vontade, 
cujo objetivo é a criação, a alteração ou até mesmo a extinção de direitos e deveres de conteúdo 
patrimonial. Os contratos são, em suma, todos os tipos de convenções ou estipulações que possam 
ser criadas pelo acordo de vontades e por outros fatores acessórios. 
O contrato nada mais é que um negócio jurídico bilateral; é um ato de relações jurídicas 
concretas que visa regular uma série de ações. É um ato jurídico em sentido amplo, cujo 
elemento principal é a vontade humana de criar um negócio jurídico com objetivo patrimonial. 
Em resumo, o contrato é um negócio jurídico bilateral ou plurilateral, que cria, modifica ou 
extingue direitos e obrigações, de caráter patrimonial. 
SAIBA MAIS 
Formação do Contrato 
A formação de um contrato é composta por diversas fases até chegar à sua finalização, que ocorre 
com a assinatura. Para saber mais a respeito, convido você a assistir à aula do professor Stanley 
Costa por este link: https://www.youtube.com/watch?v=M4ROGs9FE48. 
 
Ao analisarmos os componentes do conceito, chegamos à seguinte construção: de início, o 
contrato é espécie do gênero negócio jurídico, e, para isso, necessita ser composto por 
interesses das partes (pelo menos duas), físicas ou jurídicas. Além disso, seu objeto deve ser 
lícito, e com finalidade específica. O artigo 104 do Código Civil (BRASIL, 2002, on-line) serve 
como base para essa fundamentação, pois apresenta os requisitos das validades do negócio 
jurídico: agente capaz, objeto lícito e forma prescrita e não defendida em lei. 
Esse formato de conceito clássico com fundamentação constitucional, fundado na doutrina 
italiana, como já vimos na introdução, só visa o amparo à patrimonialidade, deixando as 
questões existenciais e extrapatrimoniais desamparadas. É o que vem sendo amparado agora 
pela doutrina, que está ampliando o conceito para olhar as situações que envolvem questões 
existenciais, como a proteção individual da dignidade da pessoa humana e os interesses 
difusos e coletivos, visando a função social do contrato. 
Vamos passar a analisar, em virtude de todos os componentes dos conceitos, os princípios 
que devem ser observados no contrato. Para saber mais, leia a seguir: https://bit.ly/34d7XJ3. 
 
FIQUE POR DENTRO 
Contratos 
Você sabe tudo sobre a nova modalidade de contratos? Convido você a realizar a leitura do texto 
bárbaro de Tartuce, que discorre sobre a nova modalidade de contratos que ferem o princípio da 
dignidade humana, como as pessoas setas. Vale a pena ler, para ficar por dentro dessa modalidade 
que versa sobre questões extrapatrimoniais que ferem regras constitucionais. 
O Contrato de Trabalho Intermitente é uma nova modalidade de contratação do trabalhador, 
expressamente prevista na Reforma Trabalhista. Vale a pena ler esse artigo, que mostra como a 
prestação de serviço de forma descontínua pode existir legalmente, gerando vínculo entre as partes. 
Fique por dentro! Acesse este link a seguir: https://bit.ly/2V5qzq5. 
 
Ao observar e ler as referências apontadas no Fique por Dentro e no Saiba Mais, você 
pode aprender que os contratos não permeiam apenas o Direito Civil, mas também 
outros ramos do Direito, como o Trabalhista. Isso ocorre porque a Reforma 
Trabalhista trouxe uma nova figura, o trabalho intermitente, no qual apenas com um 
contrato é possível impor regras que alteram o horário laboral, bem como a duração 
https://bit.ly/34d7XJ3
do trabalho. É necessário que você tenha esta visão ao fazer esse estudo: contratos 
fazem parte do seu cotidiano em diversas áreas da sua vida. 
 
SAIBA MAIS 
Contratos de Adesão 
Os contratos de adesão são uma modalidade contratual que tem seu conteúdo já 
preestabelecido por uma das partes com o objetivo de impor regras unilaterais, que 
não ensejam um dos elementos válidos de um contrato: acordo de vontades. Em 
razão disso, as cláusulas que prejudicam as partes são consideradas cláusulas 
abusivas. Para saber mais a respeito, acesse este link: 
http://periodicos.redebatista.edu.br/index.php/RJ/article/viewFile/229/1 
 
Princípios Contratuais 
Os princípios se apresentam como força normativa no sistema jurídico, explicando o 
que deve ser feito ou evitado, e trazem equilíbrio nas relações jurídicas, para que não 
haja prejuízo para uma das partes. 
Em nosso ordenamento jurídico, a lei é a fonte principal do Direito, mas os princípios 
gerais do Direito são de especial relevância, já que, no mundo moderno, as mudanças 
acontecem tão rapidamente que o legislador não consegue acompanhar. Para 
solucionar tais lacunas, podem ser aplicados a jurisprudência, a doutrina e os 
princípios, que funcionam como equilíbrio nas relações. 
Assim define Reale (1986, p. 60): 
Princípios são, pois, verdades ou juízos fundamentais, que servem de alicerce ou 
garantia de certeza a um conjunto de juízos, ordenados em um sistema de conceitos 
relativos a da porção da realidade. Às vezes também se denominam princípios certas 
proposições que, apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são 
assumidas como fundantes da validez de um sistema particular de conhecimentos, 
como seus pressupostos necessários. 
E Rothenburg (1999, p. 51) completa: 
Os princípios são compreendidos de acordo com uma concepção sistêmica do 
ordenamento jurídico. Por sua própria definição, eles reportar-se-iam a um conjunto 
concatenado, enquanto “mandamentos nucleares”, base ou fundamento, “traves 
mestras jurídico-constitucionais”. 
Esses autores seguem a análise dos principais princípios que norteiam a formação dos 
contratos. 
Princípio da Obrigatoriedade dos Contratos 
O contrato é celebrado, via de regra, entre pessoas capazes e livres para dispor dos 
bens que quiserem, em igualdade de condições para negociar entre elas, pactuando 
obrigações para o seu cumprimento. 
Ao pactuar cláusulas, as partes se vinculam ao cumprimento dessas, como se o 
contrato fosse lei entre elas. Ou seja, as partes se obrigam a cumpriro contrato 
firmado. Esse princípio da obrigatoriedade é conhecido como pacta sunt servanda. 
 
 
Com o advento das novas regras mundiais que começaram a analisar o desequilíbrio 
que alguns contratos traziam às partes, após a segunda metade do século XIX, essa 
obrigatoriedade passou a não poder ser absoluta, mas sim relativa. Deste modo, 
possibilitou que o Estado fosse ingerido para resolver ou revisar questões oriundas de 
contratos. 
O Código Civil incorporou ao seu texto a cláusula rebus sic stantibus (contratos devem 
ser cumpridos), que dita que, se o contrato for de prestação continuada, e se tornar 
excessivamente gravoso à parte contratante, pode ser rescindido. Essa possibilidade 
de rescisão encontra a sua fundamentação nos artigos 478 a 480 do Código Civil c/c 
artigos 156 a 157: 
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das 
partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude 
de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do 
contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. 
Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente 
as condições do contrato. 
Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes, poderá ela 
pleitear que a sua prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-la, a fim de 
evitar a onerosidade excessiva. 
 
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de 
salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume 
obrigação excessivamente onerosa. 
Parágrafo único. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz 
decidirá segundo as circunstâncias. 
 
Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por 
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da 
prestação oposta. 
§ 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em 
que foi celebrado o negócio jurídico. 
§ 2o Não se decretará a anulação do negócio, se for oferecido suplemento suficiente, ou se 
a parte favorecida concordar com a redução do proveito (BRASIL, 2002, on-line). 
Como exemplo desse princípio, podemos citar o contrato de locação, por meio do 
qual as partes se comprometem mutuamente a obrigações, e o que foi pactuado deve 
ser cumprido. 
Assim, resta claro que, apesar da obrigatoriedade que o contrato impõe, existe a 
possibilidade de as cláusulas serem revistas. 
Princípio da Autonomia da Vontade 
Esse princípio consiste na liberdade que os contratantes têm de firmar ou não o 
contrato, bem como seus termos, ou ainda resolvê-los e alterá-los. 
Essa liberdade de vontade passou por alterações, uma vez que, no atual Código Civil, 
foi necessário impor limites a essa autonomia de vontade. O Código determina que, 
em razão da função social que o contrato tem, devem ser proibidos e anuláveis 
conteúdos que tragam desigualdade e lesão entre as partes. Transparência e lealdade 
são exigidas nos contratos. 
A liberdade contratual deve ser exercida com responsabilidade, boa-fé, probidade, 
igualdade e supremacia do interesse público. Para Azevedo (2002, p. 23), “a 
autonomia da vontade patenteia-se, a cada instante, no ambiente dos contratos, que 
nascem sob sua influência direta. É a vontade, que, ao manifestar-se, retrata o 
interesse da pessoa física ou jurídica, no meio social”. 
Essa liberdade deve ser ampla, permitindo às partes estarem nas mesmas condições 
de igualdade. 
O artigo 421 do Código Civil reza a respeito da liberdade de contratar, limitando a 
função social, além do artigo 425 do mesmo codex: 
Art. 421. A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato. 
(Redação dada pela Lei nº 13.874, de 2019) 
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da 
intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual. (Incluído pela Lei nº 
13.874, de 2019) 
 
Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais 
fixadas neste Código (BRASIL, 2002, on-line). 
É possível citar um exemplo às avessas. Nos Estados Unidos, é permitido contratar 
uma barriga de aluguel para gerar uma criança. Já no Brasil, tal modelo contratual não 
é permitido, pois, mesmo que as partes estejam de comum acordo, o ato fere as 
normas legais. Nessa nova visão, as partes têm o direito de determinar o conteúdo do 
negócio, mas este deve estar limitado aos ditames da lei. 
Princípio da Função Social do Contrato 
Os contratos devem determinar que os homens precisam se compreender e se 
respeitar, encontrando entendimento e negociação sadia de seus interesses. Ou seja, 
devem ser equilibrados, e, para que essa concepção vigore nos contratos, o Estado 
teve de lançar mão de normas, interferindo na vontade particular e tornando sua 
vontade soberana, com o objetivo de impedir lesões. 
Esse princípio desempenha o papel relevante à sociedade, impondo um sistema 
jurídico de ordem pública que proíbe abusos nas contratações, devendo o contrato 
ser um meio de realizar o fim social, ou seja, manter os valores sociais do Estado. 
O doutrinador Gonçalves (2016, p.779) leciona que: 
o dispositivo supratranscrito subordina a liberdade contratual à sua função social, com 
prevalência dos princípios condizentes com a ordem pública. Considerando que o direito de 
propriedade, que deve ser exercido em conformidade com a sua função social, proclamada 
na Constituição Federal, viabiliza-se por meio dos contratos, o novo Código estabelece que 
a liberdade contratual não pode afastar-se daquela função. 
Desta forma, a liberdade vigente nos contratos está intrinsecamente ligada à função 
social de um contrato, proibindo contraprestações que não sejam equivalentes entre 
si. 
Como exemplo, é possível citar que, se as partes pactuarem cláusulas contratuais que 
causem danos e infrinjam as normas ambientais, o contrato será anulado e terá seus 
efeitos obstados por descumprimento da função social. 
Em resumo, a função social do contrato nada mais é do que uma imposição legal de 
dever contratual, por meio do qual as partes devem cumprir obrigações justas e 
equilibradas que não violem o interesse coletivo. 
Princípio da Boa-fé 
A boa-fé é a essência dos entendimentos entre as partes, pois é o estado de espírito 
que leva a parte a praticar um negócio em segurança, assegurando o acolhimento do 
que é lícito. Na boa-fé deve haver lealdade, honestidade e segurança nas tratativas 
negociais, na celebração e na execução e extinção do contrato. 
É um princípio que atua na verificação do comportamento das partes, considerando a 
conduta correta sobre certas circunstâncias que tornam a ação válida ou inválida. Está 
imbuída da consciência de que a conduta foi proba. 
Segundo Martins (2000, p. 16), 
A boa-fé guarda em si uma antiga e (hoje) notória distinção entre a chamada boa-fé 
subjetiva e a boa-fé objetiva. Aquela, considerada como a concepção na qual o sujeito 
ignora o caráter ilícito de seu ato, esta, um pouco mais exigente, considera-se como a que 
não protege o sujeito que opera em virtude de um erro ou de uma situação de ignorância o 
seu comportamento não é o mais adequado conforme a diligência socialmente exigível. 
Esse princípio tem duas acepções básicas: a primeira, de que a boa-fé objetiva é um 
estado psicológico, um comportamento; e a segunda, de que a boa-fé objetiva é uma 
regra de conduta contratual. 
Assim, nas relações contratuais, a boa-fé é uma regra geral, adotada pelo Código Civil 
no artigo 44 e, via de regra, presente em todos os contratos. 
Princípio da Liberdade Contratual 
Por este princípio, deve-se entender que os particulares têm a possibilidade de 
regulamentar seus próprios interesses. Contudo, esse princípio tem sido objeto de 
restrições, pois a liberdade contratual possibilita estabelecer o conteúdodo contrato. 
Consoante já exposto anteriormente, a liberdade contratual para fixar as regras dos 
contratos foi limitada pelo artigo 421 do Código Civil, já que vários tipos de contrato, 
como os de adesão, dependem de aprovação prévia de organismos do governo. 
Na vigência do Código Civil de 1916 (BRASIL, 1916, on-line), a autonomia da vontade 
e a força obrigatória do contrato eram considerados elementos de garantia da 
segurança jurídica. Entretanto, com a promulgação da Constituição (BRASIL, 1988, 
on-line) e o Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990, on-line), iniciou-se uma 
nova fase para os contratos, que objetivava assegurar “[...] a liberdade de escolha e a 
igualdade nas contratações” e o “[...] justo equilíbrio entre direitos e obrigações das 
partes” (PEREIRA, 2015, p. 22). 
O Código Civil de 2002, no parágrafo único do artigo 2.035 e nos artigos 421 e 422, 
elencou a liberdade contratual e concretizou os limites desse princípio. Vejamos as 
palavras de Venosa (2011, p.317): 
[...] ao contrário do que inicialmente possa parecer, o contrato, e não mais a propriedade, 
passa a ser o instrumento fundamental do mundo negocial, da geração de recursos e da 
propulsão da economia. É certo que se trata de um contrato sob novas roupagens, distante 
daquele modelo clássico, mas se trata, sem sombra de dúvida, de contrato. [...] Por 
conseguinte, neste momento histórico, não podemos afirmar que o contrato esteja em 
crise, estritamente falando, nem que a crise seja do direito privado. A crise situa-se na 
própria evolução da sociedade, nas transformações sociais que exigem do jurista respostas 
mais rápidas. O novo direito privado exige do jurista e do juiz soluções prontas e 
adequadas aos novos desafios da sociedade. E o direito das obrigações, e em especial o 
direito dos contratos, que durante tantos séculos se manteve avesso a modificações de 
seus princípios, está a exigir reflexões que refogem aos dogmas clássicos. 
Restou claro que, apesar de as partes terem liberdade para pactuar, ficam obrigadas a 
cumprir as regras da legislação em vigor, que têm por objetivo preservar as partes de 
qualquer cláusula abusiva. 
Princípio do Consensualismo 
Esse princípio exprime que o contrato exige o consenso das partes e se sustenta pela 
vontade delas. Para a validade desse princípio, é suficiente haver acordo de vontades 
para gerar formação válida dos contratos. 
Conforme o doutrinador Gomes (2019, p. 37), “[...] no Direito hodierno vigora o 
princípio do consentimento, pelo qual o acordo de vontades é suficiente à perfeição 
do contrato. Em princípio, não se exige forma especial”. 
Assim, não sendo determinada uma forma para a qual o contrato seja firmado, o 
contrato pode ser formalizado por qualquer meio. Vale lembrar que esse princípio não 
se aplica aos contratos de adesão. 
Princípio da Imprevisão 
Esse princípio possibilita que todos os contratos com a cláusula rebus sic stantibus 
(como as coisas estão), que têm trato sucessivo e dependência futura, podem ser 
revistos, desde que as circunstâncias que envolveram a contratação sejam 
modificadas. 
Suponhamos que um engenheiro se obrigue a fornecer material e mão de obra para a 
construção de um imóvel, por R$1 milhão, sendo que R$150 mil são os honorários. 
Em razão da imprevisão do mercado, tornou-se inviável ao devedor cumprir a 
obrigação, e o valor do material passou para R$1 milhão, além da mão de obra. Diante 
disso, precisa haver uma radical alteração no contrato, para que não haja desequilíbrio 
contratual. 
Princípio da Onerosidade Excessiva 
Esse princípio permite que o desequilíbrio no contrato, que o torna impossível de 
cumprir, seja revisto. Visa coibir que haja lesão objetiva a um dos contratantes, e só 
benefícios à outra parte. 
O Código de Defesa do Consumidor (BRASIL, 1990, on-line), em seu artigo 39, 
considera prática abusiva exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva. 
Essa lesão deve ser considerada objetivamente, pois deve ser provado o nexo de 
causalidade, ou seja, prejuízo e desequilíbrio. 
 
SAIBA MAIS 
Princípio da Boa-fé 
Esse texto do professor Tartuce discorre sobre a aplicação do princípio da boa-fé 
objetiva no Direito de Família, trazendo essa interdisciplinaridade entre as matérias. 
Vale a pena ler e observar as especificidades dessa área do Direito. Para saber mais a 
respeito, acesse este link: http://www.ibdfam.org.br/assets/upload/anais/48.pdf. 
 
REFLITA 
Caríssimo(a) aluno(a), as súmulas são resumos de vários julgamentos de um tribunal 
sobre determinada matéria, quando esses têm decisões no mesmo sentido. Em razão 
disso, trouxemos para você algumas súmulas do Superior Tribunal de Justiça 
relacionadas à abusividade das cláusulas, com o objetivo fazê-lo refletir sobre os 
contratos que já vêm preenchidos com cláusulas e não expressam a vontade de 
ambas as partes. 
Vamos ler a súmula 381 do STJ que trata do tema: 
“Súmula 381 STJ 
SÚMULA N. 381 Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, 
da abusividade das cláusulas. Referências: CPC, art. 543-C. CDC, art. 51. Resolução n. 
8/2008-STJ, art. 2º, § 1º.” 
Essa Súmula 381 é considerada um “ato falho” por partir do princípio de que nos 
contratos bancários existem cláusulas abusivas, por não poderem ser conhecidas de 
ofício pelo julgador. Em resumo, essa norma diz que o juiz não pode conhecer de 
ofício cláusulas abusivas, mesmo que as verifique nos contratos. Pense sobre essa 
mudança que privilegia as grandes corporações e prejudica o consumidor. É 
constitucional? 
Fonte: Brasil (2008, on-line). 
 
Classificação dos Contratos 
Os contratos são classificados em: típicos ou atípicos; bilaterais ou unilaterais; 
impessoais ou pessoais; consensuais ou formais; contratos de direito real; onerosos 
ou gratuitos; e comutativos ou aleatórios. 
O civilista Gonçalves (2016, p. 832) leciona que 
Os contratos agrupam-se em diversas categorias, suscetíveis de subordinação a 
regras peculiares. É importante distingui-las, pois o conhecimento de suas 
particularidades é de indubitável interesse prático, tornando-se quase indispensável 
quando se tem em mira fins didáticos. 
É importante distinguir as várias classificações, porque elas refletem na ordem prática. 
Contratos Típicos ou Atípicos 
Os contratos podem ser ou não previstos no Código Civil, podendo ser típicos (com 
previsão legal) ou atípicos (sem previsão legal). 
São exemplos de contratos típicos: os contratos de locação de imóveis urbanos 
(regulados pela lei nº 8.245/91) e os de incorporação imobiliária (regulados pela lei nº 
4.591/64). 
Por outro lado, são exemplos de contratos atípicos: o contrato de cessão de clientela, 
o contrato de hospedagem de bagagens e o contrato de mudança. 
Contratos Bilaterais ou Unilaterais 
Os contratos podem ser unilaterais de acordo com os efeitos criados pela vontade 
das partes, quando apenas uma delas assume prestação em favor da outra. Por 
exemplo: o contrato de doação pura. 
Em contrapartida, os contratos bilaterais estendem seus efeitos sobre ambas as 
partes, criando prestações recíprocas. É importante verificar que a bilateralidade 
depende também de a prestação de uma parte se reverter em proveito da outra; por 
exemplo, os contratos de compra e venda, locação, permuta e sociedade. 
Há ainda os contratos plurilaterais, nos quais se tem a presença de duas ou mais 
pessoas no acordo de vontades, observando que as múltiplas declarações de vontade 
não se confundem com as situações em que há dois ou mais agentes em cada polo da 
relação, como encontramos nos casos de obrigações solidárias. 
Contratos Impessoais e Pessoais 
O contrato será impessoal quando o devedor for fungível, interessando apenas que a 
dívida seja paga e não quem pagou. Vejamos um exemplo: se João me deve 
R$100,00, não tem problema que Maria e José me entreguem tais R$100,00. 
Será pessoal quando o contrato especificar a pessoa que deve satisfazer a prestação, 
como na contratação de um arquitetorenomado para fazer uma obra específica. Ou, 
caso um ator famoso seja contratado para gravar um filme e desista, não será aceito o 
filho no lugar dele. Quando a obrigação é de fazer um serviço, em geral o contrato é 
personalíssimo. 
Contrato Consensual ou Formal 
O contrato é consensual quando é criado para formar um vínculo e criar uma 
obrigação, bastando conjugação da vontade das partes. A doutrina traz como 
exemplo a doação de bens móveis (artigo 541 do Código Civil), comodato (artigo 579 
do Código Civil), mútuo e depósito (artigo 627 do Código Civil). 
O contrato é formal quando exige uma forma de solenidade específica em lei para 
formar a obrigação. Como exemplo, João promete emprestar a casa de praia para 
Maria passar o verão (Comodato), e só haverá contrato após a ocupação efetiva da 
casa por Maria. 
O artigo 108 do Código Civil (BRASIL, 2002, on-line) determina que a escritura 
pública na compra de um imóvel é o contrato formal. 
Contrato de Direito Real 
Os contratos visam constituir ou transmitir direitos reais, que, por sua vez, visam a 
transmissão da posse para constituir, por exemplo, os contratos de compromisso de 
compra e venda, hipoteca e direito de superfície. 
Trata-se do campo do Direito Patrimonial, cujas regras tratam do poder dos homens 
sobre as coisas apropriáveis, bens que são úteis e raros que despertam interesse 
econômico, tal qual um imóvel, um carro, um quadro, um livro ou até mesmo uma joia. 
Contrato Oneroso e Gratuito 
Será oneroso o contrato que ambas as partes têm a intenção de auferir proveito 
econômico com o negócio. Por exemplo, os contratos bilaterais, em que ambas as 
partes ganham e perdem. 
O contrato será gratuito quando não existe intenção econômica, como no caso da 
doação. Este tipo de contrato só beneficia uma das partes, então geralmente todo 
contrato unilateral é gratuito, como na doação e no empréstimo. 
Contrato Comutativo e Aleatório 
Essa classificação só interessa aos contratos onerosos. Será comutativo quando o 
contrato tem prestações, além de recíprocas, certas e equivalentes entre as partes. 
Ou seja, os contratos são comutativos quando há uma equivalência entre a prestação 
(vantagem) e a contraprestação (sacrifício), por exemplo: compra e venda, troca e 
locação. 
Já o aleatório se dá quando a prestação de uma ou de ambas as partes depende de 
um acontecimento incerto, e uma das partes terá mais vantagem do que a outra, a 
depender de um fato futuro e imprevisível. No caso de seguro, por exemplo, a 
prestação só será cumprida pelo segurador se ocorrer algum sinistro com o segurado. 
Contratos Principais e Acessórios 
São autônomos os contratos cuja existência é autônoma, independentemente da 
existência de outro. Por exemplo, o contrato de locação. 
Os contratos acessórios são os pactuados na dependência de outros para existirem, 
como a fiança, a hipoteca e o penhor, que, para existirem, dependem da formalização 
de um contrato de empréstimo. 
Contratos Paritários e de Adesão 
São contratos paritários aqueles que verificam a equivalência de material das partes 
no momento da instituição de regras contratuais. É uma espécie de contrato 
intimamente vinculado ao princípio da autonomia de vontade, em que as partes estão 
em igualdade de condições para discutir os termos do ato do negócio e fixar as 
cláusulas e condições contratuais. 
Em contrapartida, os contratos de adesão são aqueles em que todas as cláusulas e 
condições são estipuladas unilateralmente, por uma das partes. É um modelo de 
contrato em que as partes não têm liberdade para acordarem as cláusulas, restando a 
uma parte apenas aceitar o que foi previamente redigido e imposto à outra. Não há 
negociação e acordo entre as partes; são regras preestabelecidas. Como exemplos do 
cotidiano, temos o contrato de seguro, de fornecimento de água, de eletricidade e de 
transporte. 
O contrato de adesão está elencado no artigo 54 do Código de Defesa do 
Consumidor, que diz: 
Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela autoridade 
competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou 
serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu 
conteúdo (BRASIL, 1990, on-line). 
Pode-se então dizer que os contratos de adesão são importantes nas relações de 
consumo, desde que atendam à sua função social e os abusos sejam proibidos para 
que haja equilíbrio contratual, garantindo paridade entre consumidor e empresa. 
O artigo 424 do Código Civil dispõe sobre os contratos de adesão: “Nos contratos de 
adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente 
resultante da natureza do negócio” (BRASIL, 2002, on-line). E, por fim, o artigo 423 
do mesmo Código contempla mais uma característica dos contratos de adesão: 
“Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-
se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente” (BRASIL, 2002, on-line). 
Agora que você já conheceu tudo sobre as classificações de contratos, convido-o a 
reforçar o conteúdo com o infográfico a seguir: 
CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS 
São exemplos de contratos típicos os de locação de imóveis urbanos (regulados pela 
lei nº 8.245/91) e os de incorporação imobiliária. 
Os contratos podem ser unilaterais de acordo com os efeitos criados pela vontade 
das partes. Como exemplo temos o contrato de doação pura. 
O contrato será impessoal quando o devedor for fungível, interessando apenas que a 
dívida seja paga e não quem pagou. 
Comodato. Podemos citar o exemplo do empréstimo de casa. 
Contratos de compromisso de compra e venda, hipoteca e direito de superfície. 
Nos contratos onerosos, ambas as partes ganham e perdem, ou seja, todos ganham. 
Já o contrato gratuito só beneficia uma das partes, então geralmente todo contrato 
unilateral é gratuito, como na doação e no empréstimo. 
São comutativos quando existe uma equivalência entre a prestação (vantagem) e a 
contraprestação (sacrifício), por exemplo: compra e venda, troca e locação. E são 
aleatórios quando a prestação de uma ou de ambas as partes depende de um 
acontecimento incerto. 
Contratos de locação. 
São contratos paritários aqueles que verificam a equivalência de material das partes 
no momento da instituição de regras contratuais. 
Sociedade de Responsabilidade Limitada 
A sociedade limitada é uma espécie de sociedade empresarial, na qual a 
responsabilidade dos sócios é limitada ao montante das cotas subscritas por cada 
sócio que é denominado de cotista. 
Esse tipo empresarial constitui-se mediante contrato social levado a registro na Junta 
Comercial, subscrita por, pelo menos, dois sócios. 
No contrato social deve constar o valor do capital social. Este valor é dividido em 
cotas e distribuído entre os seus sócios. Cada sócio deve subscrever uma quantidade 
de cotas, efetuando o respectivo pagamento, com o qual a sociedade inicia. 
Os sócios devem integralizar as suas cotas dentro do prazo de 5 (cinco) anos. 
O doutrinador Tomazette (2017, p. 443) elucida que “os sócios possuíam uma ampla 
liberdade para disciplinar suas relações internas no contrato social, vale dizer, podiam 
disciplinar tudo que não fosse matéria de ordem pública e que não fosse disciplinado 
no decreto e em suas remissões”. 
Em virtude dessa liberdade, nada impede que os sócios integralizem o capital em 
prazo inferior a 5 (cinco) anos, desde que esta obrigação conste no contrato social. 
O sócio deve efetuar o pagamento de suas cotas nos prazos estabelecidos no 
contrato social. O ideal é que o pagamento seja efetuado em dinheiro, mas nada 
impede que seja efetuado em bens suscetíveis de valor econômico mediante prévia 
avaliação. 
Neste sentido, menciona Tomazette (2017, p. 450), 
Nas sociedades limitadas, o capital só pode ser formado por dinheiro ou bens, não se 
admitindo a contribuição em serviços, uma vez que o capital social é a garantia dos 
credores e a contribuição em serviços não teria comocumprir esse papel de garantia. 
Se o sócio for casado e optar por integralizar a sua parte mediante pagamento de bem 
imóvel, deverá obter a autorização do respectivo cônjuge. Se, porventura, o sócio for 
menor, será necessária a autorização judicial para integralização do capital social 
mediante bem imóvel. 
Caso o sócio se torne inadimplente com o pagamento de suas cotas, ele pode ser 
excluído da sociedade mediante consenso dos demais sócios, ou ter suas cotas 
reduzidas. 
O sócio pode ceder as suas cotas de modo parcial ou integral. Não havendo previsão 
contratual, o sócio poderá ceder suas cotas sem a concordância dos demais. Contudo, 
essa regra encontra uma exceção: a cessão de cotas sem autorização dos demais 
sócios só é possível se for para outro sócio. Se a transferência fora para um terceiro, 
estranho à sociedade, é necessário que haja a autorização de, pelo menos, ¼ do 
capital social. 
Independentemente de ser sócio ou não, a sociedade só pode ser administrada por 
pessoa física, sendo vedada a administração feita por pessoa jurídica. Os poderes do 
administrador se restringem ao prazo convencionado entre as partes, admitindo 
prorrogação, desde que novo pacto tenha sido feito. 
Microempresa 
A microempresa tem o objetivo de incentivar a atividade empresarial e permitir que 
as pessoas que estão na informalidade se estabeleçam de forma legal, em especial por 
causa do disposto na Constituição Federal, artigo 170, IX, que garante expressamente 
tratamento diferenciado para microempresa e empresa de pequeno porte. 
O diferencial dessas empresas é o seu enquadramento tributário, pois o valor do 
faturamento bruto anual não pode ultrapassar R$360.000,00. 
A sistematização do artigo 170 da Constituição Federal ficou a cargo da lei 
complementar 123/2006. 
Sociedade Anônima 
A sociedade anônima é aquela que se forma com, pelo menos, duas pessoas, que são 
denominadas de acionistas. 
O doutrinador Simão Filho (2012, p. 128) define a sociedade anônima como “aquele 
tipo social cujo capital social é dividido em ações e a responsabilidade dos sócios é 
limitada ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas”. 
Ao contrário das sociedades limitadas, o sócio é chamado de acionista e as cotas são 
denominadas ações. Além disso, a responsabilidade dos acionistas é limitada pelo 
preço da emissão das ações. 
A sociedade anônima pode ter qualquer objeto, desde que não seja contrário ao 
Direito e tenha sempre um fim lucrativo. 
Trata-se de um tipo societário que permite a participação do pequeno investidor na 
sociedade mediante a compra de ações. 
Valores Mobiliários 
Existem duas espécies de sociedades anônimas: a de capital fechado e a de capital 
aberto, conforme os valores mobiliários de sua emissão estejam ou não admitidos à 
negociação em bolsa ou no mercado de balcão. 
Os valores mobiliários são todos os papéis emitidos pelas sociedades anônimas para 
captação de recursos financeiros no mercado. 
O doutrinador Simão Filho (2012, p.137) elucida que os “valores mobiliários são 
títulos emitidos por sociedades anônimas com a finalidade de possibilitar a captação 
de recursos para as atividades empresariais e cumprimento de seu fim social junto ao 
público investidor”. 
Um exemplo de valor mobiliário são as ações comercializadas, que possuem a 
natureza de título de crédito. 
Ação 
Consoante já dito anteriormente, o acionista é o sócio da sociedade anônima, que 
possui ações. A principal obrigação dos acionistas consiste em efetuar o pagamento 
das ações subscritas. 
Simão Filho (2012, p.137) leciona que “as ações são unidades representativas de 
parcela do capital social da sociedade anônima”. 
Portanto, diante do conceito anteriormente exposto, percebe-se que as ações 
representam uma parcela do capital social. 
As ações se classificam quanto à espécie em ordinárias ou preferenciais; e, quanto à 
forma, em nominativas ou escriturais. 
As ações ordinárias são aquelas que conferem a seus acionistas os direitos comuns, 
autorizando participar das decisões das ações. Não lhes concede qualquer privilégio 
ou garantia. 
As ações preferenciais, ao contrário, são aquelas que concedem privilégios aos 
acionistas, que recebem um tratamento diferenciado, como, por exemplo, a divisão 
dos dividendos. 
As ações nominativas são aquelas que devem ser registradas em nome de seu 
acionista, proprietário, em livro de registro próprio. Em caso de transferência destas 
ações, o seu registro é necessário. 
As ações escriturais não necessitam de um certificado no momento de sua cessão, 
estas ficam em contas bancárias e a sua transferência ocorre por intermédio de uma 
transferência bancária. 
Capital Social 
Outra particularidade é que este tipo societário não se forma por um contrato social, 
mas por vários atos, constituindo o seu estatuto. 
Compete ao estatuto, dentre outras funções, fixar o valor do capital social, que sofre 
uma correção monetária anual. Este valor deve ser expresso em moeda nacional e 
pode ser constituído por qualquer espécie de bens, móveis ou imóveis, corpóreos ou 
incorpóreos, desde que suscetíveis à avaliação em dinheiro. É exigido que sejam 
efetuadas três avaliações, por três peritos diferentes. 
 
Considerações Finais 
Todo ser humano adquire personalidade após o seu nascimento. A personalidade é a 
medida da capacidade. Por capacidade deve-se entender a aptidão para ser titular de 
direitos e obrigações na vida civil. 
As pessoas adquirem a sua capacidade a partir do nascimento com vida, contudo, não 
podem, imediatamente, exercer esta capacidade. Por tal razão, esta se divide em de 
direito e de fato. Todos têm capacidade de direito desde o nascimento, contudo, nem 
sempre podem exercê-la, pois falta a capacidade de fato. 
Diante do nível da incapacidade, a pessoa é denominada de incapaz absoluto ou 
relativo. O incapaz absoluto precisa de alguém que o represente para todos os atos 
da vida civil. Já o relativo é assistido por seu representante legal e pode praticar 
alguns atos sem o intermédio de ninguém. 
Da mesma forma que as pessoas físicas possuem capacidade, o mesmo ocorre com as 
pessoas jurídicas. As pessoas jurídicas podem ser classificadas como de Direito 
Público e Privado. As de Direito Privado podem ser classificadas como associações e 
fundações. Enquanto as associações configuram-se em uma sociedade de pessoas, 
com vistas a um objetivo, as fundações compreendem um conjunto de bens destinado 
a um fim determinado pelo seu próprio instituidor. 
Tanto as pessoas físicas quanto as jurídicas participam de negócios jurídicos. 
As pessoas físicas e jurídicas celebram contratos. O contrato pode ser entendido 
como um ato jurídico, firmado entre duas ou mais pessoas com o fim de criar, alterar 
ou extinguir algum direito. Existem contratos típicos (aqueles que encontram previsão 
legal no Código Civil) e contratos atípicos (aqueles que não encontram previsão legal). 
 
	Das Pessoas Naturais: Personalidade e Capacidade
	Pessoa e Personalidade
	Início da Personalidade Jurídica
	Capacidade Civil
	Das Incapacidades
	Classificação das Obrigações
	Quanto ao Objeto
	Quanto aos Elementos
	Quanto à Multiplicidade de Objetos (Prestações)
	Quanto à Multiplicidade de Sujeitos
	Quanto à Exigibilidade
	Quanto à Finalidade
	Quanto ao Momento do Adimplemento
	Quanto aos Elementos Acidentais
	Quanto à Liquidez
	Inadimplemento e Extinção das Obrigações: Teoria do Inadimplemento
	Espécies de Inadimplemento
	Inadimplemento Relativo ou Absoluto Involuntário
	Inadimplemento Absoluto Voluntário
	Mora
	Conceito de Contrato
	Princípio da Autonomia da Vontade
	Princípio da Função Social do Contrato
	Princípio da Boa-fé
	Princípio da Liberdade Contratual
	Princípio do Consensualismo
	Princípio da Imprevisão
	Princípio da Onerosidade Excessiva

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