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CENTRO UNIVERSITÁRIO MAURÍCIO DE NASSAU 
MEDICINA VETERINÁRIA 
PATOLOGIA ESPECIAL DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS 
Professora: AMANDA DE DEUS FERREIRA ALVES 
 
AULA 
PATOLOGIAS DO SISTEMA RESPIRATÓRIO 
 
CAVIDADE NASAL E SEIOS PARANASAIS 
Fenda palatina (palatosquise) 
A fenda palatina, também chamada de palatosquise, é caracterizada por fenda 
no palato que faz com que haja uma comunicação entre as cavidades nasal e oral. É 
uma alteração mais frequente em bovinos e suínos, particularmente em rebanhos 
endogâmicos (com alto grau de consanguinidade). Apesar de serem alterações 
compatíveis com a vida, em geral os animais com essa condição morrem 
precocemente devido à aspiração de leite e consequente pneumonia. Palatosquise 
pode ou não estar associada à ocorrência de lábio leporino (queilosquise). 
 
Hemorragias 
Alterações circulatórias são comuns devido à irrigação intensa da mucosa 
nasal. O ingurgitamento deve- se ao relaxamento das artérias e à contração da túnica 
média das veias (muito espessa nessa região). Em animais saudáveis, é possível 
observar graus variáveis de hiperemia dos cornetos nasais, caracterizada por 
coloração avermelhada na mucosa nasal, particularmente nos cornetos. Isso se deve 
à função do órgão de aquecimento e umidificação do ar inspirado, o que requer 
abundante suprimento sanguíneo. Portanto, a hiperemia da mucosa nasal não deve 
ser considerada patológica, a menos que esteja associada ao acúmulo de exsudato, 
a erosões ou a ulcerações da mucosa. Hiperemia ativa também é observada nos 
estágios iniciais da inflamação (rinite) aguda. 
Epistaxe é a denominação utilizada para designar os casos em que ocorre 
hemorragia nasal. A despeito da definição de hemorragia nasal, a origem do sangue 
não necessariamente é a cavidade nasal; por exemplo, a hemorragia pela narina pode 
ter origem na nasofaringe ou no sistema respiratório inferior. Nos casos em que a 
hemorragia é proveniente da própria cavidade nasal, a condição é designada como 
rinorragia. A hemorragia nasal originada no trato respiratório inferior, como nos casos 
de hemorragia pulmonar ou brônquica intensa, é chamada de hemoptise. 
Epistaxe pode ter várias causas, como: trauma; exercício intenso em equídeos; 
inflamação; neoplasias; diáteses hemorrágicas; micose da bolsa gutural; e trombose 
da veia cava caudal em bovinos. Epistaxe secundária a traumas pode ocorrer em 
qualquer espécie, sendo mais frequente em cães e em equinos; nesta última espécie 
ocorre principalmente devido ao traumatismo da mucosa nasal causado pela 
introdução de sonda nasogástrica. Epistaxe devida a exercício físico intenso ocorre 
nos equídeos, e, nesses casos, o sangue é originário dos pulmões. Esse processo é 
conhecido como hemorragia pulmonar induzida por exercício. Aproximadamente 75% 
dos cavalos têm hemorragia detectável por endoscopia após exercício intenso, como 
em uma prova de corrida, mas somente 1 a 10% destes apresentam sangramento 
nasal. 
A hemorragia nasal pode ser ocasionada por processos inflamatórios agudos 
ou crônicos nos quais ocorre ulceração da mucosa. Neoplasias associadas à ruptura 
de vasos também são causas importantes de epistaxe. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rinite 
Por definição, rinite se refere ao processo inflamatório da mucosa nasal. Em 
condições normais, a mucosa nasal é abundantemente colonizada por bactérias e 
fungos saprófitas e até mesmo por microrganismos com potencial patogênico. Essa 
situação é contrabalançada pelos fatores de proteção da mucosa nasal, que incluem 
secreção de muco, batimentos ciliares e imunoglobulinas. Contudo, em condições de 
desequilíbrio dos mecanismos de defesa, há favorecimento da colonização e do 
desenvolvimento de organismos patogênicos, resultando em inflamação. 
Frequentemente, a causa primária de rinite é viral, seguida de infecção secundária, 
bacteriana ou micótica. 
Além das causas específicas mencionadas anteriormente, existem fatores 
predisponentes à rinite, entre os quais se destacam: gases nocivos, como amônia e 
H2S (gás sulfídrico), que abundam em ambientes com superlotação de animais, 
ventilação pobre e drenagem inadequada de dejetos; alta concentração de poeira; e 
baixa umidade do ar, que induz à diminuição da secreção e desidratação do muco e, 
consequentemente, à eliminação mais lenta das partículas depositadas sobre a 
camada de muco. 
As rinites podem ser classificadas quanto ao curso em agudas, crônicas ou 
crônicoativas. O processo inflamatório agudo é caracterizado por exsudação, ao 
passo que o processo crônico é caracterizado por alterações proliferativas. As 
situações em que o processo é classificado como crônico-ativo correspondem aos 
casos em que a rinite crônica também apresenta características de um processo 
agudo, havendo associação entre alterações proliferativas e exsudativas. Os 
processos crônicos podem resultar na formação de pólipos nasais que são 
inicialmente sésseis, podendo tornar-se pedunculados. Um exemplo dessa condição 
é o pólipo nasal hemorrágico da região etmoidal do equino ou hematoma etmoidal 
progressivo dos equinos. 
Quanto ao exsudato, as rinites podem ser classificadas em: serosa; catarral; 
catarralpurulenta; purulenta; hemorrágica; fibrinosa; fibrinonecrótica; e 
granulomatosa. 
As consequências de rinite geralmente são discretas, mas pode ocorrer 
broncopneumonia devida à aspiração de exsudato, tromboflebite intracranial, 
abscesso e meningite, porque as veias da cabeça não têm válvulas, podendo ocorrer 
refluxo, além de sinusite, que é a sequela mais comum. 
 
Sinusite 
Sinusite é o termo utilizado para designar a inflamação dos seios paranasais. 
Na maior parte dos casos, a sinusite é uma consequência de rinite e não é detectada 
clinicamente, com exceção dos casos em que ocorre deformidade da face ou 
formação de fístulas por intermédio de ossos do crânio e pele. Entre as causas de 
sinusite, destacam-se: 
• rinite (causa mais frequente) 
• larvas de Oestrus ovis em ovinos; periodontite 
• descorna e fraturas dos ossos do crânio com exposição dos seios 
Nos casos de rinite catarral ou purulenta, frequentemente ocorre 
intumescimento da mucosa nasal com consequente oclusão do orifício de drenagem 
dos seios paranasais. Nesses casos, as secreções e os exsudatos presentes nos 
seios acumulam-se, resultando em sinusite. As larvas de O. ovis, em alguns casos, 
penetram nos seios paranasais dos ovinos, ocasionando sinusite. Cabras também 
podem ser afetadas por O. ovis quando criadas com ovinos parasitados. Nos casos 
de periodontite, dependendo da intensidade do processo inflamatório do periodonto, 
pode ocorrer extensão do processo inflamatório para os seios paranasais. Essa 
condição ocorre principalmente nos equinos, em particular nos animais com mais de 
4 anos de idade. Casos graves de sinusite secundária à periodontite podem resultar 
em deformação facial. Finalmente, nos casos de descorna cirúrgica e fraturas de 
ossos do crânio, há exposição da cavidade dos seios, o que favorece a instalação de 
infecção e, consequentemente, sinusite. 
 
FARINGE E BOLSAS GUTURAIS 
 Faringite geralmente está associada à inflamação dos tratos respiratório ou 
digestório superiores ou de ambos. Processos inflamatórios que envolvem as bolsas 
guturais nos equídeos, em geral, estão associados à inflamação do trato respiratório 
superior, mas também podem se desenvolver como um processo isolado. A seguir, 
são descritas as principais condições inflamatórias desses órgãos. 
Os equídeos podem desenvolver inflamação supurada com empiema das 
bolsas guturais, que é a alteração mais comumente observada nas bolsas guturais. 
Essa alteração está associada a infecções do trato respiratório superior, 
principalmente por Streptococcus equi (agente causador do garrotilho) ou outros 
agentes. Caracteriza-se por acúmulo de exsudato purulento de difícil drenagem na 
bolsa gutural. Como consequência, em algunscasos podem ocorrer otites da orelha 
média por extensão e lesões em nervos cranianos, devido à proximidade dessas 
estruturas. O VII, IX, X, XI e XII são os pares de nervos cranianos mais frequentemente 
afetados. Além disso, também pode haver comprometimento do tronco simpático 
cranial, ossos adjacentes e articulação atlantoccipital. 
 
LARINGE E TRAQUEIA 
Paralisia da laringe ou hemiplegia laríngea 
A hemiplegia laríngea é a causa mais comum de ruído respiratório anormal em 
equinos, o que caracteriza a condição comumente designada como “cavalo roncador”, 
que, além de ruído respiratório anormal, resulta em intolerância ao exercício. Na 
maioria dos casos, a lesão ocorre do lado esquerdo, mas, raramente, pode ser 
bilateral ou afetar o lado direito. A causa do processo é a degeneração idiopática do 
nervo laríngeo recorrente esquerdo, que ocasiona atrofia do músculo cricoaritenoide 
e outros relacionados, cuja principal função é dilatar a laringe. A predileção pelo lado 
esquerdo provavelmente se deve ao fato de que os axônios do nervo do lado esquerdo 
são mais longos do que os do lado direito, o que faz com que o nervo do lado esquerdo 
seja mais suscetível a lesões axônicas causadas, por exemplo, por trauma ou neurite 
consequente à extensão de processos inflamatórios da bolsa gutural. Como 
consequência, ocorre atrofia dos músculos inervados pelo nervo laríngeo recorrente, 
particularmente o músculo cricoaritenoide, o que faz com que a cartilagem aritenoide 
esquerda seja projetada para dentro do lúmen da laringe. A consequência desse 
processo é a interferência do fluxo de ar, principalmente na inspiração durante 
exercício, o que resulta em ruídos anormais. 
 
 
Colapso traqueal 
O colapso traqueal é caracterizado pelo achatamento dorsoventral da traqueia 
devido a uma alteração de seus semianéis cartilaginosos, que formam arcos muito 
abertos, e ao relaxamento da musculatura lisa que os sustenta. Como consequência, 
há diminuição do diâmetro do lúmen traqueal, podendo ocorrer dificuldade respiratória 
e maior suscetibilidade a colapsos respiratórios, devido à protrusão da musculatura 
lisa para o lúmen traqueal durante exercício ou estresse intenso. Essa condição ocorre 
com maior frequência em cães de raças miniaturas, resultando em dispneia ocasional 
e intolerância ao exercício. A etiopatogenia do processo não é conhecida. 
 
 
BRÔNQUIOS E BRONQUÍOLOS 
Os brônquios e bronquíolos são responsáveis pela condução de ar entre a 
porção superior e a inferior do sistema respiratório. Portanto, os brônquios tendem a 
ser envolvidos, por extensão, nas doenças graves do sistema respiratório superior ou, 
mais comumente, nas doenças pulmonares que envolvem particularmente os 
bronquíolos. 
Corpos estranhos podem ser introduzidos nos brônquios e bronquíolos por 
aspiração. Aspiração de corpos estranhos ocorre em todas as espécies domésticas. 
Vários tipos de corpos estranhos podem atingir os brônquios e bronquíolos, por 
exemplo: material sólido, como pedaços de madeira, espigas de trigo, espinhos, 
fragmentos de capim etc.; poeiras, que causam metaplasia das células caliciformes; 
e aspiração de sangue, que pode ser consequência de hemorragias das vias 
respiratórias superiores (aspiração para os brônquios e alvéolos) ou pode ocorrer 
quando o animal é abatido por degola. Nesse caso, grandes extensões da árvore 
brônquica apresentam-se repletas de sangue coagulado. Aspiração de corpos 
estranhos desencadeia processo inflamatório nos brônquios e bronquíolos; portanto, 
aspiração ante mortem de corpos estranhos geralmente está associada a alterações 
circulatórias na mucosa brônquica, como hiperemia e, em alguns casos, edema. 
Essas alterações ante mortem possibilitam a diferenciação do achado de corpos 
estranhos que podem se localizar nas vias respiratórias após a morte, particularmente 
conteúdo gástrico, devido à movimentação do cadáver. Nos casos de deposição post 
mortem, não há nenhuma alteração das mucosas traqueal e brônquica. 
 
Bronquite 
Por definição, bronquite se refere à inflamação dos grandes brônquios. 
Contudo, a distinção clara entre um processo inflamatório puramente brônquico e uma 
broncopneumonia é difícil de ser feita na maioria dos casos, tanto macro quanto 
microscopicamente. As causas de bronquite incluem agentes virais, bacterianos, 
micóticos e parasitários, além de gases tóxicos, corpos estranhos (detalhados a 
seguir) e alergênios. A classificação quanto ao curso e ao tipo de exsudato 
(classificação morfológica) é idêntica à dos outros segmentos do trato respiratório, 
discutidos anteriormente, ou seja, as bronquites podem ser do tipo catarral, 
mucopurulento, purulento, fibrinopurulento ou fibrinoso. O curso da bronquite depende 
da natureza e persistência do agente causador, e pode ocorrer resolução completa, 
com re-epitelização e ausência de fibrose. Portanto, na maioria dos casos, as 
consequências de bronquite são discretas, mas o processo pode, eventualmente, 
evoluir para broncopneumonia, broncoestenose ou bronquiectasia. Bronquite crônica 
é mais comum em cães devido à infecção por Bordetella bronchiseptica. A bronquite 
crônica, na maioria dos casos, é de fato caracterizada por um processo do tipo 
crônicoativo. Macroscopicamente, o principal achado é o excesso de muco ou 
exsudato mucopurulento preenchendo a árvore brônquica. A mucosa brônquica está 
espessa, podendo apresentar edema e hiperemia. Ocasionalmente, em casos 
crônicos, podem ser observadas projeções polipoides para dentro do lúmen 
brônquico. 
Dificilmente tem-se a oportunidade de observar as lesões características dessa 
doença por ocasião da necropsia, uma vez que a taxa de letalidade é extremamente 
baixa. Pode haver ausência completa de lesões macroscópicas ou pode haver até 
uma traqueobronquite mucopurulenta. 
 
Bronquiolite 
Geralmente, bronquiolite ocorre como extensão de outros processos, em 
particular de broncopneumonias. Na espécie equina, ocorre a condição chamada de 
complexo bronquiolite-enfisema crônico, também conhecida como asma equina ou 
doença pulmonar obstrutiva crônica. Essa condição afeta principalmente animais 
mantidos em ambientes empoeirados, e, por isso, alguns a classificam como uma 
doença ocupacional do equino. O risco de desenvolvimento da doença aumenta com 
a idade, sendo mais comum em animais com mais de 5 anos de idade. Nesses casos, 
aparentemente como resultado da inalação constante de partículas de poeira, ocorre 
o desenvolvimento de bronquite crônica, que provoca obstrução parcial e intermitente 
das vias respiratórias, particularmente dos bronquíolos. Em geral, há infiltração 
peribrônquica ou peribronquiolar de linfócitos, com acúmulo intraluminal de neutrófilos 
e, ocasionalmente, infiltração de eosinófilos, associada à hipersecreção de muco. 
Além disso, ocorre hipertrofia da musculatura lisa brônquica e hipercontração desta, 
o que é resultado de estímulo direto por mediadores da inflamação ou, indiretamente, 
por estímulo do sistema nervoso autônomo. A etiopatogênese dessa condição envolve 
um processo de hipersensibilidade, desencadeado por antígenos inalados, 
particularmente fungos termofílicos e actinomicetos que crescem em feno mofado, 
poeira e endotoxinas bacterianas. Essa condição resulta em hipoxia e, 
consequentemente, menor tolerância do animal ao exercício ou trabalho. O esforço 
respiratório excessivo crônico, devido à obstrução parcial e intermitente das vias 
respiratórias, resulta em enfisema alveolar e leva à hipertrofia dos músculos oblíquos 
abdominais, que pode ser observada externamente. 
O gato também apresenta um processo semelhante à asma (bronquite alérgica) 
do ser humano. Clinicamente, essa condição afeta principalmente animais adultos e 
se caracteriza primariamente por tosse e dispneia. Aparentemente, a patogênese 
desse processo no gato envolve o mecanismo de hipersensibilidade do tipo I, 
desencadeadopela aspiração de alergênicos, que resulta em inflamação de brônquios 
e bronquíolos, associada à infiltração de eosinófilos. 
O processo inflamatório dos bronquíolos frequentemente evolui para a 
condição conhecida como bronquiolite crônica obliterante, que é uma resposta 
inflamatória inespecífica dos bronquíolos e alvéolos adjacentes a vários agentes 
lesivos. Essa condição tem várias causas, que estão detalhadas a seguir no item 
broncopneumonia, incluindo: infecções virais (p. ex., vírus da influenza) ; gases 
tóxicos, como NH3, H2S e oxigênio puro (concentração de 100%) ; vermes 
pulmonares; e pneumotoxinas. Para que haja o desenvolvimento de bronquiolite 
crônica obliterante, é necessário que ocorram os seguintes eventos: necrose do 
epitélio na junção bronquíolo-alvéolo e acúmulo de exsudato rico em fibrina no lúmen 
bronquiolar, o que estimula a infiltração e a maturação de fibroblastos e de seus 
precursores. A lesão típica, observada microscopicamente, é caracterizada por 
formação polipoide de tecido conjuntivo fibroso, em variados estágios de organização, 
obliterando parcial ou totalmente o lúmen bronquiolar de forma permanente e 
irreversível. 
As consequências da bronquiolite são mais graves do que aquelas secundárias 
à inflamação dos grandes brônquios. Frequentemente, ocorre extensão para o 
parênquima pulmonar, podendo evoluir para broncopneumonia, atelectasia ou 
enfisema. Sequelas de bronquite e bronquiolite crônicas incluem alterações no 
diâmetro luminal dos brônquios e bronquíolos, como a broncoestenose, que 
corresponde à diminuição do lúmen brônquico, e a bronquiectasia, que é a dilatação 
brônquica. 
 
 
PULMÕES 
O exame macroscópico dos pulmões deve ser feito cuidadosamente, e, na 
interpretação, deve-se levar em conta sua coloração, consistência, volume e 
superfície de corte. A coloração normal é rósea, desde que não haja alterações post 
mortem. Logo após a abertura da caixa torácica, a pressão atmosférica interna se 
iguala à externa, levando ao colabamento dos pulmões. O não colabamento já indica 
possibilidade de lesões. A palpação indica a consistência dos pulmões e também 
possibilita localizar abscessos, neoplasias, granulomas, cistos ou outras lesões 
palpáveis. O exame dos linfonodos regionais, apicais e mediastínicos tem importância 
capital no diagnóstico de tuberculose em bovinos. É um exame obrigatório nas linhas 
de inspeção de bovinos em abatedouros. Deve-se fatiá-los totalmente para expor ao 
máximo seu interior, onde as lesões são encontradas. 
 
Alterações circulatórias 
 
Edema pulmonar 
Em condições normais, o líquido que extravasa dos capilares alveolares não 
alcança a luz alveolar, porque as junções do epitélio alveolar são mais oclusivas do 
que as junções do endotélio vascular. O excesso de líquido é drenado por via linfática, 
o que é favorecido pela baixa pressão no conjuntivo frouxo subpleural. Contudo, se a 
quantidade de líquido no interstício ultrapassa a capacidade de drenagem linfática, 
ocorre extravasamento para o interior do alvéolo. Edema pulmonar é caracterizado 
pelo acúmulo de líquido nos alvéolos pulmonares, proveniente dos vasos sanguíneos. 
É uma complicação comum em muitas doenças pulmonares. O fluido de edema que 
se acumula no alvéolo se mistura ao surfactante alveolar, e, em consequência dos 
movimentos respiratórios, ocorre formação de espuma, o que compromete ainda mais 
as trocas gasosas nos alvéolos, por impedir a entrada do ar inspirado no interior dos 
alvéolos. 
As causas de edema pulmonar são as mesmas causas gerais de edema, ou 
seja: aumento da pressão hidrostática, aumento da permeabilidade vascular, 
diminuição da pressão oncótica e obstrução da drenagem linfática. Cada uma dessas 
causas está detalhada a seguir. 
 
Atelectasia 
Por definição, atelectasia é a expansão incompleta do pulmão, que pode ser 
localizada ou generalizada, e resulta no colapso de alvéolos previamente preenchidos 
por ar. Portanto, morfologicamente, a atelectasia é caracterizada pela condição na 
qual os alvéolos pulmonares encontram-se sem ar e sem nenhum outro conteúdo em 
seu interior. 
 
Enfisema 
Ao contrário do que ocorre na espécie humana, na qual o enfisema pulmonar é 
uma alteração que frequentemente resulta em alterações clínicas importantes, na 
maioria das espécies domésticas o enfisema pulmonar não carece de importância 
clínica, com exceção dos equinos. Por definição, enfisema pulmonar significa 
distensão excessiva e anormal dos alvéolos associada à destruição de paredes 
alveolares, o que caracteriza excesso de ar nos pulmões, ou seja, condição contrária 
à atelectasia. Nas espécies domésticas, o enfisema pulmonar pode ser de dois tipos: 
alveolar e intersticial. 
 
Broncopneumonia 
A característica mais importante para classificar um processo pneumônico 
como broncopneumonia é o local de origem do processo inflamatório, o qual, nesse 
caso, é a junção bronquíoloalvéolo. Nas broncopneumonias, os agentes causadores 
chegam ao pulmão por via aerógena ou broncogênica. Existem várias razões para a 
maior suscetibilidade dessa área. Uma dessas razões é ser esse o principal local em 
que ocorre deposição de pequenas partículas, com diâmetro entre 0,5 e 0,2 μm. O 
motivo para maior deposição nessa área é a diminuição abrupta da velocidade do 
fluxo de ar no momento em que o ar entra nos alvéolos, o que possibilita a 
sedimentação das partículas na junção bronquíoloalvéolo. Outra razão é o fato de a 
junção bronquíoloalvéolo não ter a proteção do lençol mucociliar, como os brônquios 
e bronquíolos, e também não ter um sistema de fagocitose por macrófagos 
semelhante ao que ocorre nos alvéolos. 
A localização das lesões nos casos de broncopneumonias é cranioventral, 
característica importante para o reconhecimento macroscópico dessa condição. A 
predileção pelas porções cranioventrais se deve aos seguintes fatores: menor 
extensão das vias respiratórias que suprem essa região, o que proporciona menor 
eficiência na filtragem do ar inspirado pelo lençol mucociliar; maior turbilhonamento 
do ar nessa área, o que pode causar maior desgaste do epitélio; e a ação da 
gravidade, que dificulta a eliminação das partículas infecciosas e de exsudato dessas 
porções do pulmão. 
Entre os fatores predisponentes à broncopneumonia, um dos mais importantes 
é o agrupamento de animais. Além de aglomeração de animais, qualquer fator que 
comprometa os mecanismos de defesa do pulmão, principalmente a diminuição da 
eficiência do lençol mucociliar e dos macrófagos alveolares, predispõe à 
broncopneumonia. 
 
 
 
 
 
 
 
De maneira geral, as características macroscópicas da broncopneumonia são 
áreas de consolidação ou hepatização (a consistência da área lesionada fica 
semelhante à do fígado) cranioventrais, de coloração vermelho-escura ou 
acinzentada, localizada nas porções cranioventrais, sempre seguindo a orientação 
lobular. Podem ocorrer coalescência e comprometimento de todo o lobo. Ao corte, 
observa-se superfície úmida, quando o processo é supurado (exsudato 
mucopurulento ou purulento nas vias respiratórias), ou superfície ressecada, quando 
o exsudato é do tipo fibrinoso. 
A broncopneumonia apresenta evolução cronológica das lesões com 
características morfológicas distintas. Inicialmente, ocorre a fase de congestão, que é 
seguida da hepatização vermelha; posteriormente, a hepatização cinzenta e, 
finalmente, a fase de resolução. 
 
Nos casos em que a fase de resolução não evolui de forma satisfatória, podem 
ocorrer complicações, como: atelectasia; fibrose do parênquima pulmonar 
(proliferação de tecido conjuntivo fibroso); bronquiectasia, que é mais comum nos 
bovinos; necrose com formação de abscessos, cujas causas mais comuns incluem 
Trueperella (Arcanobacterium) pyogenes nos ovinos, suínos e bovinos, Bordetella 
bronchiseptica nos cães e Streptococcus sp. nos equinos – eventualmente, os 
abscessospulmonares podem provocar erosão vascular e hemorragia fatal ou podem 
se romper para dentro da cavidade pleural, causando pleurite e piotórax; pleurite com 
formação de aderências; e morte por hipoxia associada à toxemia. 
 
Pneumonias 
Por definição, pneumonia é o termo utilizado para designar uma inflamação que 
envolve o pulmão. Existem outros termos aplicáveis aos processos inflamatórios do 
pulmão, como pneumonite, que se refere a um processo crônico, proliferativo, 
localizado no interstício (septos alveolares, conjuntivo peribrônquico e 
peribronquiolar). O termo pneumonite é empregado como sinônimo de pneumonia 
instersticial. Alveolite é um termo utilizado durante a fase exsudativa da pneumonia 
intersticial, ou pneumonite. Tendo em vista que o emprego de todos esses termos 
para designar inflamação pulmonar pode ser extremamente confuso, será utilizado 
exclusivamente o termo pneumonia para designar todos os diferentes tipos de 
respostas inflamatórias que ocorrem nos pulmões. 
As pneumonias podem ser classificadas quanto ao curso em superaguda, 
aguda, subaguda e crônica. Quanto ao tipo de exsudato produzido, as pneumonias 
podem ser classificadas em catarral, fibrinosa, purulenta, hemorrágica, necrótica e 
granulomatosa, sendo a combinação entre esses tipos bastante comum; por exemplo, 
catarropurulenta, fibrinonecrótica ou fibrinohemorrágica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outra forma extremamente importante de classificação dos processos 
pneumônicos se refere ao local de início do processo. Essa classificação é a base dos 
padrões anatômicos de pneumonia; segundo ela, os processos pneumônicos podem 
ser divididos em: broncopneumonia, que se inicia na junção bronquíolo-alvéolo; 
pneumonia lobar, que também tem início na junção bronquíolo-alvéolo, porém 
apresenta evolução rápida; e pneumonia intersticial (pneumonite), que se inicia no 
interstício. 
 
PLEURA E CAVIDADE TORÁCICA 
Pneumotórax 
Pneumotórax é a condição na qual há acúmulo de ar dentro da cavidade 
torácica, o que resulta em perda de pressão negativa intratorácica e, 
consequentemente, comprometimento da expansão e atelectasia pulmonar. Pode ser 
uni ou bilateral, já que a cavidade pleural do lado esquerdo é completamente separada 
do lado direito pelo mediastino. As causas de pneumotórax podem ser agrupadas em 
traumática e espontânea. O pneumotórax de origem traumática está associado à 
perfuração da parede torácica, que geralmente é acidental, mas que também pode 
ser iatrogênica nos casos de coleta transtorácica de biopsia pulmonar. Os casos de 
pneumotórax espontâneo são raros e são consequências de lesões pulmonares que 
resultam em ruptura da pleura visceral e passagem de ar do parênquima pulmonar 
para a cavidade pleural. A condição que leva à maioria dos casos de pneumotórax 
espontâneo é a ruptura de bolhas enfisematosas. 
Como consequência de pneumotórax, pode ocorrer atelectasia adquirida por 
compressão. Caso o processo seja contido e a quantidade de ar acumulada na 
cavidade torácica seja pequena, este pode ser totalmente absorvido sem 
comprometimento marcante da função respiratória. Contudo, se a condição for 
bilateral e se a quantidade de ar na cavidade torácica for grande e acumular-se em 
curto período de tempo, o animal pode morrer por insuficiência respiratória decorrente 
da incapacidade de expansão pulmonar durante a inspiração. 
 
Hérnia diafragmática 
Hérnia diafragmática é a condição na qual há deslocamento de vísceras 
abdominais para dentro da cavidade torácica em decorrência de ruptura ou solução 
de continuidade do diafragma. Essa condição pode ser congênita ou adquirida. Na 
maioria dos casos, o processo é adquirido e de origem traumática. 
Macroscopicamente, há comunicação entre as cavidades abdominal e torácica por 
meio de abertura no diafragma. Observam-se órgãos abdominais, principalmente 
segmentos do intestino, do estômago e do fígado, dentro da cavidade torácica. Essas 
lesões estão associadas a graus variados de atelectasia pulmonar. Embora a hérnia 
diafragmática frequentemente provoque a morte do animal em curto período de 
tempo, a evolução do processo e o estabelecimento do quadro de insuficiência 
respiratória podem progredir lentamente, ocasionando a morte do animal até mesmo 
semanas após o trauma e ruptura do diafragma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hidrotórax 
Hidrotórax nada mais é do que a manifestação de edema na cavidade torácica. 
Caracteriza-se pelo acúmulo de líquido no tórax. Nesse caso, o líquido é um 
transudato, ou seja, transparente, amarelo-claro, inodoro, não coagula quando em 
contato com o ar, contém poucas células e tem densidade menor que a de um 
exsudato. 
As causas de hidrotórax são também as causas gerais de edema, que incluem: 
diminuição da pressão oncótica do sangue; aumento da pressão hidrostática; aumento 
da permeabilidade vascular; e obstrução da drenagem linfática, que é rara, mas pode 
estar associada a neoplasias envolvendo os linfonodos e vasos linfáticos. As causas 
específicas mais frequentemente associadas a hidrotórax são: insuficiência cardíaca 
congestiva, hipoproteinemia, anemia, neoplasia na superfície pleural e pancreatite. 
Como consequência de hidrotórax ocorre atelectasia compressiva, cuja 
intensidade e extensão são proporcionais ao volume de líquido acumulado na 
cavidade torácica. 
 
Hemotórax 
 
Hemotórax é caracterizado pela presença de 
sangue na cavidade torácica. As causas mais comuns 
desse processo são: traumatismos, erosão de vasos por 
neoplasias malignas ou por processo inflamatório, 
defeitos de coagulação e ruptura de aneurisma. O 
hemotórax pode ter consequências pulmonares e 
sistêmicas. Ocorre atelectasia compressiva, que é 
proporcional ao volume de sangue acumulado na cavidade torácica. Do ponto de vista 
sistêmico, caso o volume de sangue seja grande, pode ocorrer hipovolemia e, 
consequentemente, morte por choque hipovolêmico. 
 
 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA 
Santos, R.L & Guedes, R.M.C. Sistema Respiratório. In: Santos, R.L & Alessi, A.C. 
Patologia Veterinária, 2. ed. Rio de Janeiro: Roca, 2016.