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Anatomia dos órgãos reprodutivos: 
flor 
Apresentação
As flores se reservam à complexa função de guardarem os órgãos reprodutores das plantas, por 
isso são quase sempre belas e, na maioria das vezes, o seu perfume é inebriante para atrair os 
polinizadores. Contudo, também há flores sem estruturas atraentes, mas com um odor repugnante 
para o olfato, o qual não deixa de ser atrativo para determinados tipos de polinizadores. Há plantas 
de espécies carnívoras cuja flores têm características únicas, o que lhes confere particularidades 
bem interessantes, tendo muitas adaptações em sua morfologia.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará a anatomia vegetal e morfologia da flor. Além 
disso, conhecerá um pouco mais sobre as belezas e as raridades desse órgão tão interessante das 
plantas.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar anatomicamente as diferenças nos órgãos reprodutivos.•
Descrever as principais características morfológicas externas da flor.•
Definir a função de cada estrutura da flor para a planta.•
Desafio
Em muitos casos, a polinização envolve relações complexas entre planta e animal; a redução ou 
perda de qualquer um dos dois afetará a sobrevivência de ambos. No Brasil, são conhecidas muitas 
espécies de abelhas. O manejo de polinizadores envolve um profundo conhecimento sobre a 
biologia das espécies, tanto dos agentes polinizadores quanto das plantas a serem polinizadas. 
Assim, são de extrema importância os estudos pautados nas causas que levam ao declínio das 
populações de polinizadores, e que têm, consequentemente, impacto direto nas produções das 
culturas agrícolas. Nesse sentido, deve-se pesquisar técnicas e soluções que busquem o equilíbrio 
dessas populações de polinizadores.
Imagine que você é um pesquisador do Museu de Ciências Naturais e está concentrado em 
determinar a causa da mortandade de abelhas. Apresente subsídios para explicar essa importante 
questão acerca desses polinizadores e explique quais medidas poderiam ser tomadas para resolver 
essa problemática.
Infográfico
A organografia pautada na morfologia externa oferece a base para a identificação dos seres vivos. É 
possível identificar espécies ao tratar de caracteres da anatomia vegetal. Atualmente, outros 
estudos, como a genética e a química constituem um importante suporte a essa identificação. A flor 
é um eixo com folhas modificadas que, em conjunto, constituem o aparelho reprodutor sexual das 
plantas superiores (fanerógamas). Sua principal função é a reprodução, além de contribuir para a 
classificação das plantas (taxonomia) e ter grande importância medicinal, industrial, ornamental, etc.
Neste Infográfico, você vai ver a estrutura morfológica da flor em sua perfeita anatomia vegetal. 
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7446f891-d74d-4cd2-9648-b156ca3f60a0/9c2a4668-4f4c-42e8-b6b7-b0dfd93ef087.jpg
Conteúdo do livro
Você já deve ter parado para pensar sobre o que é realmente uma flor e qual é a função da sua 
existência, além do fato de enfeitarem os parques, avenidas e jardins durante a primavera. A flor 
nada mais é do que o órgão reprodutivo das plantas superiores (angiospermas). Uma flor é 
geralmente constituída por quatro conjuntos de folhas modificadas, denominadas de verticilos 
florais. É também responsável pela polinização, transportando os grãos de pólen das anteras, onde 
eles se formam até o ovário. É por meio desse processo que ocorre a aproximação dos gametas 
femininos e masculinos. O transporte do pólen até o estigma é feito por agentes polinizadores, que 
podem ser o vento, os insetos, os pássaros, etc.
No capítulo Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor, da obra Anatomia e morfologia vegetal, base 
teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender mais sobre essa fascinante estrutura 
que é a flor. Leia atentamente para adquirir mais conhecimento sobre os órgãos que compõem a 
anatomia e a morfologia vegetal das flores.
Boa leitura.
ANATOMIA E 
MORFOLOGIA 
VEGETAL
Anderson Pires 
Anatomia dos órgãos 
reprodutivos: flor
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar anatomicamente as diferenças entre os órgãos reprodutivos.
  Descrever as principais características morfológicas externas da flor.
  Definir a função de cada estrutura da flor para a planta.
Introdução
Você já parou para observar as flores e sentir o seu perfume? Seu fes-
tival de cores e formatos invadindo as cidades e campos na época da 
primavera mostram o quanto elas são estruturas impressionantes. Muitas 
vezes, temos contato com essas estruturas por meio de flores comerciais 
ou ornamentais, como as flores e inflorescências de orquídeas, lírios, 
violetas, dentre tantas outras existentes, muito famosas por seu agradável 
aroma e sua elegância. O ato de dar e receber flores é bastante apreciado, 
podendo-se destacar o simbolismo em relação às rosas, devido às suas 
cores vistosas e ao seu odor agradável. Em meio a tantos significados 
que damos para essas estruturas, as flores se mostram especiais no nosso 
cotidiano e, mesmo que você não perceba, estão por todas as partes, na 
ornamentação de cidades e edificações e até nas sepulturas.
Com toda essa diversidade de formas e aplicações, é importante 
conhecermos mais sobre as flores, analisando sua estrutura e buscando 
compreender suas funções na planta como um todo. As flores contêm as 
partes reprodutivas da planta, tendo como uma de suas principais funções 
garantir a reprodução dos vegetais. Elas estão presentes somente nas 
angiospermas ou fanerógamas (plantas com flores), que são encontradas 
em todos os ambientes terrestres.
Neste capítulo, você vai estudar mais sobre as flores, verificando sua 
morfologia externa e identificando sua contribuição para a planta.
A flor
A fl or tem sua origem no caule, por meio das gemas. Quando reprodutivas, as 
gemas se responsabilizam pela reprodução sexuada, pois dão origem a fl ores. A 
fl or é uma estrutura de desenvolvimento restringida, adaptada e especializada 
na reprodução sexuada, e é encontrada apenas nas angiospermas. As plantas 
angiospermas compõem um grupo de vegetais com sementes que apresentam 
fl ores e frutos e têm ciclo de vida muito característico, com a presença de um 
gametófi to reduzido.
Angiosperma deriva das palavras gregas angeion, que significa vaso ou 
recipiente, e sperma, que significa semente. Esse grupo apresenta duas classes 
predominantes:
  a classe das monocotiledôneas, que compreende gramas, lírios, íris, 
orquídeas, taboas e palmeiras, com quase 90 mil espécies; 
  a classe das eudicotiledôneas, que compreende todas as árvores e os 
arbustos que conhecemos (excluindo-se as coníferas) e várias ervas 
(plantas não lenhosas), com quase 200 mil espécies.
Em várias espécies de angiospermas, os insetos ou outros animais trans-
ferem o pólen de uma flor para os órgãos sexuais de outra flor, o que torna a 
polinização mais direcionada do que a polinização dependente do vento, que 
ocorre na maior parte das gimnospermas. Algumas angiospermas são poli-
nizadas pelo vento, especificamente aquelas espécies que ocorrem em densas 
populações, como gramíneas e espécies arbóreas em florestas temperadas.
A flor é um ramo intensamente modificado, constituído de uma haste, o 
pedicelo, frequentemente possuindo uma porção dilatada terminal, o recep-
táculo. Deste emergem até quatro tipos de folhas ou apêndices modificados, 
chamados órgãos florais: sépalas, pétalas, estames e carpelos (Figura 1) As 
flores se apresentam solitárias ou agrupadas em inflorescências, com uma 
classificação específica de acordo com a sua biologia diferencial. 
Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor2
Figura 1. Ilustração de uma flor completa de angiosperma.
Fonte: Reece et al. (2015, p. 638).
O número e oarranjo dos órgãos florais, assim como sua aparência, de-
terminam em grande parte o aspecto geral da flor. As flores são uma fonte 
de caracteres morfológicos fundamentais para a taxonomia, ou sistemática, 
devido à sua constância ou pouca variabilidade, se comparadas a estruturas 
vegetativas como as folhas. 
Similarmente às folhas da porção vegetativa, os órgãos florais se distribuem 
de maneira helicoidal (acíclica) ou em verticilos (cíclica). Com frequência, 
podem-se obter misturas de arranjos cíclicos e acíclicos em uma ou outra 
estrutura da flor, sendo essa flor referida como hemicíclica. As angiospermas 
são monóclinas, com pistilos e estames inseridos no mesmo receptáculo e 
protegidos por apêndices estéreis, tendo as sépalas a função de proteção, e 
as pétalas, de atração.
3Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor
A função fundamental das flores é a produção de sementes para a formação de novas 
plantas, garantindo a sobrevivência das espécies.
A análise da estrutura e da evolução da flor é significativa para a compo-
sição da filogenia das fanerógamas. A partir da flor primitiva, as tendências 
evolutivas gerais se deram nos seguintes sentidos: 
  diminuição do número de elementos;
  disposição espiralada dos elementos, passando à disposição cíclica;
  tépalas indiferenciadas, passando à diferenciação de cálice e corola;
  adnação e integração dos elementos;
  mudança de simetria da flor, de actinomorfa para zigomorfa;
  formação de um hipanto que, passo e passo, funde-se ao ovário, com 
modificação do ovário súpero para o ovário ínfero e reunião das flores 
em inflorescências. 
Segundo Reece et al. (2015), as flores que têm todos os quatro órgãos são 
chamadas flores completas. Aquelas que não evidenciam um ou mais desses 
órgãos são conhecidas como flores incompletas. Por exemplo, algumas não 
apresentam estames funcionais, e outras não possuem carpelos funcionais.
Morfologia externa da flor
Como comentado anteriormente, em geral, as fl ores, ramos reprodutivos dos 
esporófi tos das angiospermas, são compostas de quatro tipos de órgãos fl orais: 
carpelos, estames, pétalas e sépalas (Figura 2).
Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor4
Figura 2. Ilustração de flor adulta com os seus principais órgãos.
Fonte: Adaptada de Wejder tem/Shutterstock.com.
Estigma
Estilete
Filete
Óvulo
Ovário
GINECEU ANDROCEU
Nectário
Eixo floral
Articulação
Pedúnculo
Pétala: Corola
Sépalas: Cálice
Perianto
Conectivo
Antera
Microsporângio
Estame
No momento em que os observamos de cima, vemos que esses órgãos, 
chamados de verticilos, têm disposição concêntrica. Os carpelos e os estames 
são os órgãos reprodutivos; as sépalas e as pétalas são estéreis.
Um carpelo possui um ovário em sua base e um aumento delgado conhecido 
por estilete. No ápice do estilete encontra-se uma estrutura adesiva denomi-
nado estigma, que recebe os grãos de pólen. No interior do ovário estão um 
ou mais óvulos, que se tornam sementes se fecundados; o número de óvulos 
depende da espécie.
Um estame consiste de uma haste nomeada filete e de uma estrutura ter-
minal chamada antera; dentro da antera há câmaras denominadas microspo-
rângios (sacos polínicos) que produzem grãos de pólen. As pétalas são mais 
vivamente coloridas do que as sépalas, anunciando as flores para os insetos e 
mais animais polinizadores. As sépalas, que circundam e protegem as gemas 
florais até então não abertas, frequentemente assemelham-se a folhas mais 
do que os demais órgãos florais. 
Os carpelos formam o primeiro verticilo (mais interno), os estames formam 
o segundo, as pétalas, o terceiro, e as sépalas formam o quarto verticilo (mais 
externo) (Figura 3). Todos são fixados na parte do caule denominada receptá-
culo, conforme vimos anteriormente. Diferentemente dos ramos vegetativos, 
as flores são ramos determinados: elas param de crescer logo que os frutos 
são formados. 
5Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor
Figura 3. Localização dos estames e carpelos nas flores e variação de estruturas florais, 
neste caso, da planta de azevinho.
Fonte: Reece et al. (2015, p. 638).
A flor mostrada na Figura 3 possui um único carpelo; porém, várias espécies 
possuem múltiplos carpelos. De acordo com Reece et al. (2015) na maior parte 
das espécies, dois ou mais carpelos estão fusionados em uma única estrutura; 
o resultado é um ovário com duas ou mais câmaras (lóculos), cada qual com 
um ou mais óvulos. Às vezes, o termo pistilo é utilizado para se referir a um 
único carpelo ou mais carpelos fusionados.
Nas flores especializadas, mais evoluídas, ocorre redução do número de peças flo-
rais, com um encurtamento do eixo floral, constituindo um receptáculo floral mais 
achatado. Nessas flores, as peças florais não se dispõem mais de maneira espiralada, 
apresentando um arranjo cíclico ou verticilado, em que as peças de cada verticilo se 
inserem na mesma altura e formam vários círculos concêntricos.
Como visto, as flores completas evidenciam todos os quatro órgãos florais 
básicos. Algumas espécies possuem flores incompletas, faltando sépalas, pé-
talas, estames ou carpelos. Por exemplo, a maior parte das flores de gramíneas 
não possuem pétalas. Algumas flores incompletas são estéreis, sem estames 
e carpelos funcionais; outras são unissexuais, faltando estames ou carpelos.
Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor6
As flores variam em tamanho, aparência, coloração, cheiro, disposição dos 
órgãos e tempo de abertura. Algumas nascem solitárias, ao passo que outras 
estão dispostas em agrupamentos chamativos denominados inflorescências. 
Por exemplo, o girassol, na verdade, é uma inflorescência, consistindo em 
um disco central constituído de centenas de flores incompletas diminutas, 
circundadas por flores estéreis incompletas, que parecem pétalas amarelas, 
conforme mostra a Figura 4.
Figura 4. Exemplo de inflorescência do girassol.
Fonte: Ian 2010/Shutterstock.com.
As flores podem ser diferenciadas conforme a sua estrutura, bem como em 
tamanho, cor e cheiro. Essa diversidade, em grande parte, resulta de adaptações 
a polinizadores específicos. As flores podem ter simetria radial ou bilateral 
(Figura 5). Na simetria radial, sépalas, pétalas, estames e carpelos irradiam 
a partir de um centro. Nesse caso, a flor pode ser dividida por diversas linhas 
imaginárias a partir do eixo central, resultando sempre em partes iguais. Na 
simetria bilateral, a flor pode ser dividida em duas partes iguais somente por 
uma única linha imaginária.
7Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor
Figura 5. Ilustração de diferentes estruturas e simetrias apresentadas nas flores.
Fonte: Reece et al. (2015, p. 638).
Função de cada estrutura da flor
As fl ores são compostas por três principais conjuntos de órgãos apendiculares: 
o perianto (apêndices externos de proteção e, ou, atração de polinizadores), 
o androceu e o gineceu. Vejamos neste tópico as funções de cada um deles 
(APPEZZATO-DA-GLORIA; HAYASHI, 2012; REECE et al., 2015). 
O perianto pode apresentar-se indiferenciado, sendo seus elementos com-
ponentes denominados sépalas; pode, ainda, estar diferenciado em cálice e 
corola. O cálice é o conjunto de peças mais externas, denominadas sépalas, 
frequentemente verdes e de aspecto mais folhoso; já a corola é o conjunto de 
peças denominadas pétalas, constantemente coloridas e de aparência vistosa. 
O androceu compreende o conjunto de estames da flor. Os estames, de 
acordo com o observado nas Figuras 2 e 3, estão, frequentemente, diferen-
ciados em antera e filete (Figura 2), ainda que alguns estames petaloides não 
se diferenciem nessas duas partes. Na maior parte das angiospermas, uma 
antera típica é constituída por quatro esporângios. O número de esporângios 
varia nos distintos táxons, ocorrendo anteras unisporangiadas, bisporangiadas, 
tetrasporangiadas, octosporangiadas e, até mesmo, multisporangiadas.
A antera tetrasporangiada apresenta uma similitude bilateral, estabelecendo 
duas porções equivalentes, denominadas tecas.Cada teca abriga duas urnas, 
as lojas ou sacos polínicos, as quais correspondem aos androsporângios, 
separados por um tecido estéril, o septo (que pode estar retraído ou mesmo 
faltante na antera madura).
Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor8
As tecas da antera estão ligadas entre si e com o filete por intermédio de 
um tecido estéril — conhecido como conectivo, o qual às vezes se expande, 
formando diversos apêndices — ou de um tecido estéril conspícuo separando 
os esporângios. A forma especial dos apêndices do conectivo é um caráter 
diagnóstico imprescindível para vários grupos de plantas, como as Melasto-
mataceae, sendo, inclusive, de grande significado biológico.
Em sua maior parte, os estames evidenciam, como principal função, a 
elaboração de esporos (andrósporos). No entanto, em algumas espécies, parte 
dos estames se modifica em nectários para atrair insetos (estaminódios). Em 
certas espécies, alguns estames são férteis e servem de mantimento aos agentes 
polinizadores, devido a seu conteúdo cheio de proteínas. Similarmente, há 
diversos exemplos de transformação petaloide de estames ou estruturas de 
maneira intermediária entre estames férteis e pétalas, bem como fusões entre 
filetes, fusões de anteras e adnação entre estames e gineceu (ginostêmio das 
Orchidaceae). 
O filete da maior parte dos estames apresenta um único feixe vascular, 
que se desenvolve de forma radial com o xilema em sua porção central. Em 
seção transversal, observa-se uma epiderme cutinizada, com finos tricomas 
ou papilas, em algumas espécies, e estômatos, envolvendo um parênquima 
fundamental, frequentemente com pigmentos e poucos espaços intercelulares.
Os nectários podem estar presentes tanto no filete quanto na antera. Na 
maior parte das vezes, o filete é prolongado; no entanto, pode apresentar-se 
limitado ou mesmo faltante. Às vezes, os filetes se apresentam livres ou 
unidos, formando um único tubo (estames monadelfos), dois grupos (estames 
diadelfos) ou mais de dois fascículos (estames poliadelfos). 
Nas Asteraceae (Compositae), é corriqueiro a concrescência das anteras, 
assim como, em outras plantas, o androceu pode incluir estames estéreis 
(estaminódios). A aparência das tecas e dos esporângios nessas plantas é 
uma propriedade topológica surpreendentemente variável e benéfica para 
a taxonomia. As anteras apresentam deiscência (abertura espontânea) por 
intermédio das fendas longitudinais ou transversais, poros ou valvas, liberando 
os gametófitos masculinos (andrófitos) na direção do centro da flor (anteras 
introrsas) ou para sua periferia (anteras extrorsas). 
O gineceu (Figura 2) compreende todos os carpelos da flor, podendo 
ser constituído por um único carpelo (gineceu unicarpelar) ou por diversos 
carpelos (gineceu pluricarpelar). O carpelo está constituído pelo estigma, pelo 
estilete e pelo ovário. O ovário é a porção basal dilatada do carpelo, de cuja 
superfície interna emergem excrescências formadas por tecidos epidérmicos 
9Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor
e subepidérmicos (placenta) para o interior da cavidade central (lóculo), da 
qual se originam os rudimentos seminais (óvulos). 
Os padrões mais comuns de placentação são o axilar, o parietal, o central-
-livre e o básico. No caso do gineceu pluricarpelar, o ovário apresenta carpelos 
livres ou concrescidos. No primeiro caso, é apocárpico, e, no segundo, sincár-
pico. No ovário sincárpico, todo o carpelo pode armazenar sua individualidade, 
formando lóculos separados, individualizados a partir de septos — nesse 
caso, ele é plurilocular. Similarmente, pode perder a individualidade, devido 
à ausência das paredes separadoras (septos), de forma que resulte em um 
único lóculo — trata-se do ovário sincárpico unilocular. Se os carpelos são 
livres, o termo pistilo é correspondente em significado ao termo carpelo. Se, 
porém, os carpelos são concrescidos, os termos não são equivalentes, visto 
que cada carpelo constitui somente uma subunidade interna do pistilo, o qual 
é considerado composto. 
A posição do gineceu com relação ao eixo floral e aos demais órgãos da flor 
é de fundamental importância para sua descrição. Se os carpelos se inserem 
na parte mais alta do receptáculo, e os demais órgãos florais, mais abaixo, o 
ovário é chamado de súpero, e a flor é hipógina. Se os demais órgãos florais 
estão inseridos no eixo floral à meia altura do ovário, este recebe o título de 
médio, e a flor é perígina. O ovário é ínfero e a flor é epígina se o ovário se 
posiciona abaixo do nível de divergência dos órgãos florais periféricos.
O estigma é a porção do carpelo receptora de grãos de pólen (andrófitos) 
e, usualmente, constitui-se de papilas que eliminam substâncias e que ajudam 
na adesão, na hidratação e na difusão dos grãos de pólen, estimulando o 
desenvolvimento do tubo polínico. O estilete é a haste que suporta o estigma, 
frequentemente delgada e especializada na orientação dos tubos polínicos em 
desenvolvimento, podendo, às vezes, estar faltante. Nesse caso, o estigma é 
séssil. O estigma e o estilete exercem frequentemente atividades fundamentais 
no processamento de identificação e seleção dos andrófitos nos sistemas de 
incompatibilidade (APPEZZATO-DA-GLORIA; HAYASHI, 2012). 
Os rudimentos seminais são os precursores das sementes; dessa forma, o 
seu estudo é de primordial valia para a percepção da estrutura e da função 
destas. Os rudimentos seminais possuem origem nas camadas subdérmicas da 
borda das folhas carpelares ou, com menor frequência, na porção laminar, no 
momento em que as placentas surgem na face interna do carpelo. Em alguns 
casos, surgem de placentas centrais, certamente constituídas por tecido axial 
associado ao tecido carpelar. Morfologicamente, estão constituídos por núcleo, 
tegumento(s), calaza, rafe e funículo. 
Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor10
O núcleo da flor é o esporângio, ou seja, o órgão no qual acontece o processo 
da esporogênese. Este é o local no qual o esporo viável origina o gametófito 
feminino, o qual, por sua vez, após a polinização, origina o embrião e o 
endosperma. O núcleo é envolvido por um ou dois tegumentos, que ultrapas-
sam o esporângio, arqueando-se sobre seu ápice para gerar a micrópila, com 
finalidade de orientar a passagem do tubo polínico.
Os tegumentos protegem e nutrem o núcleo e, na semente madura, partici-
pam na formação do envoltório da semente, juntamente com parte da calaza 
e a rafe (parte do funículo que se desenvolve conjuntamente ao núcleo, em 
rudimentos seminais anátropos). A base dos rudimentos seminais denomina-
-se calaza e é a essa região que frequentemente chegam terminais de feixes 
vasculares, com função nutritiva, oriundos da placenta e que percorrem o 
funículo. O rudimento seminal é ligado à placenta a partir de um pedúnculo, 
o funículo (APPEZZATO-DA-GLORIA; HAYASHI, 2012).
A polinização é o ato de reprodução das plantas, que consiste na transferência do 
pólen da parte masculina da flor para a parte feminina; pode ocorrer de forma direta, 
indireta ou cruzada.
Como vimos, a flor é o órgão responsável pela reprodução das angiosper-
mas, cujo processo ocorre de acordo com a representação da Figura 6. 
11Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor
Figura 6. Ilustração do ciclo de vida das angiospermas.
Fonte: Reece et al. (2015, p. 640).
Seja qual for a fase nuclear considerada, cada ciclo biológico está formado 
por um conjunto de células vegetativas, originadas, por mitoses sucessivas, 
por meio de determinadas células reprodutoras (esporo, zigoto ou estrutura 
similar, como gemas adventícias, propágulos, etc.), constituindo uma geração. 
Appezzato-da-Gloria e Hayashi (2012) colocam que na maior parte das plantas, 
o ciclo de vida envolve duas fases ou gerações: a esporofítica (diploide) e a 
gametofítica (haploide), com particularidades alternantes.
Em uma pteridófita isosporada qualquer (como a samambaia, mostrada na 
Figura 7), constata-se que a geração reinante é o esporófito, definido por um 
rizomacom folhas apresentando vernação circinada. Na face dorsal dessas 
folhas surgem os esporângios, reunidos em soros, cuja disposição varia nas 
famílias e nos gêneros, sendo uma peculiaridade considerável para a sua clas-
sificação. Nos esporângios, diversas células-mãe sofrem meiose, resultando na 
produção de esporos haploides. Encerra-se, dessa maneira, a fase esporofítica, 
Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor12
com a elaboração de esporos, em um processo de reprodução assexuada. Ao 
germinar, cada esporo origina um protalo, que constitui o gametófito. Com a 
diferenciação dos gametângios, formam-se os anterídios e os arquegônios, res-
ponsáveis pela fabricação dos gametas masculinos (anterozoides) e femininos 
(oosferas), mutuamente. Ocorre o encontro dos gametas, nascendo, da oosfera 
fecundada, o novo esporófito. A fase sexuada está diretamente condicionada 
ao ciclo gametofítico dessa pteridófita. 
Figura 7. Foto de uma pteridófita isosporada (samambaia).
Fonte: inthason99/Shutterstock.com.
Já nas angiospermas, há dois tipos de gerações, que se caracterizam pelo 
tipo de células reprodutoras das quais provêm ou pelo tipo de células que 
geram. A geração assexuada, chamada de esporófito, fabrica esporos a partir 
da divisão reducional de suas células (meiose). A geração sexuada, denomi-
nada gametófito, origina gametas por divisão celular equacional (mitose). 
O esporófito é um indivíduo de organização complexa, desenvolvendo-se 
a partir de uma oosfera fecundada (zigoto), resultada da singamia entre um 
gameta masculino e a oosfera, o gameta feminino. Seu desenvolvimento 
culmina com a formação de uma flor ou inflorescência, produzindo dois tipos 
de esporos: andrósporos (micrósporos) e ginósporos (megásporos), em seus 
respectivos esporângios, androsporângios (microsporângios) e ginosporângios 
(megasporângios), constituindo um esporófito heterosporado. Até essa fase 
do ciclo biológico, os eventos de formação dos esporos não estão interligados 
13Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor
de modo direto com a reprodução sexuada (APPEZZATO-DA-GLORIA; 
HAYASHI, 2012).
Os gametófitos podem ser masculinos ou femininos, dependendo dos ga-
metas que formam. Os gametófitos masculinos são os andrófitos (ou grãos de 
pólen), e os femininos são os ginófitos (ou sacos embrionários). O endosperma 
possui origem na união de outro gameta masculino com a célula-média dos 
ginófitos, servindo somente como fonte de energia e nutrientes ao embrião 
esporofítico em desenvolvimento. 
Os gametófitos das plantas com sementes são plantas sexuadas, ou seja, 
indivíduos que correspondem aos gametófitos cordiformes (protalos) das 
pteridófitas. Na pteridófita utilizada como exemplo (samambaia), o gametófito 
autotrófico é hermafrodita, uma vez que origina os dois gametângios, o anterí-
dio e o arquegônio. Nas angiospermas, os gametófitos constituem os próprios 
gametângios simplificados, dependentes nutricionalmente do esporófito, e são 
unissexuais, ou seja, são plantas que produzem somente gametas masculinos 
ou somente gametas femininos.
Acesse o link a seguir e verifique as pesquisas que estão sendo desenvolvidas sobre 
a rosa do deserto, a quinta mais comercializada no mundo.
https://goo.gl/6HPuUN
APPEZZATO-DA-GLÓRIA, B.; HAYASHI, A. H. Raiz. In: APPEZZATO-DA-GLÓRIA, B.; CAR-
MELLO-GUERRIRO, S. M. Anatomia vegetal. 3. ed. Viçosa (MG): Editora UFV, 2012. p. 267-281.
REECE, J. B. et al. Biologia de Campbell. 10. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.
Leituras recomendadas
BONA, C.; BOEGER, M. R.; SANTOS, G. O. Guia ilustrado de anatomia vegetal. Ribeirão 
Preto: Editora Holos, 2004.
Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor14
CUTLER, D. F.; BOTHA, T.; STEVENSON, D. W. Anatomia vegetal: uma abordagem aplicada. 
Porto Alegre: Artmed, 2011.
DICKISON, W. C. Integrative plant anatomy. Califórnia: Academic Press, 2000.
FANH, A. Anatomia vegetal. Madrid: H. Blume Ediciones, 1990.
RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biologia vegetal. 7. ed. Rio de Janeiro: Guana-
bara Koogan, 2007.
TAIZ, L. et al. Fisiologia e desenvolvimento vegetal. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.
15Anatomia dos órgãos reprodutivos: flor
Dica do professor
A flor tem como objetivo principal a atração de agentes polinizadores, de modo que consiga a 
continuidade de sua espécie por meio da polinização. A polinização, a qual é geralmente realizada 
por insetos (entomofilia), aves (ornitofilia) e morcegos (quiropterofilia), também pode contar com 
outros agentes como o vento (anemofilia) e a água (hidrofilia). Normalmente as flores se atribuem 
de cores, odores e variações na sua anatomia para atrair maior número de agentes, ampliando com 
eficiência a perpetuação da espécie. Os insetos têm a habilidade de notar tons de cores como o 
amarelo e o vermelho, o que se torna um mecanismo muito eficaz. Depois de atraídos, 
os polinizadores se alimentam, retiram o néctar das plantas e acabam levando o pólen de uma para 
outra, permitindo que haja uma grande variedade genética.
Nesta Dica do Professor, você vai ler sobre a polinização, sua importância e os agentes envolvidos 
no seu processo.
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Exercícios
1) As flores são estruturas exclusivas das angiospermas e têm como uma de suas funções 
principais atrair polinizadores. A atração é feita principalmente pela coloração de suas 
pétalas e pelo odor por elas exalado. 
Entre as alternativas a seguir, marque aquela que indica corretamente o nome dado ao 
conjunto de pétalas de uma flor.
A) Cálice.
B) Corola.
C) Androceu.
D) Gineceu.
E) Sépala.
2) As angiospermas compõem um grupo de vegetais com sementes que apresentam flores, 
frutos e um ciclo de vida muito característico. A flor é um ramo altamente modificado, 
apresentando apêndices especializados. Nesse sentido, marque a alternativa que complete 
corretamente a seguinte sentença:
O ramo das flores é constituído de uma haste, o ______________, geralmente com uma porção 
terminar, e o _________________, de onde emergem as sépalas, __________, estames e 
carpelos.
A) pedicelo; receptáculo; pétalas.
B) receptáculo; pedicelo; pétalas.
C) óvulo; pétalas; receptáculo.
D) óvulo; receptáculo; pedicelo.
E) receptáculo; pétalas; óvulo.
As flores são ramos reprodutivos dos esporófitos das angiospermas, compostas de quatro 
tipos de órgãos florais: carpelos, estames, pétalas e sépalas. Avalie as sentenças a seguir e 
3) 
assinale as corretas.
I. Os carpelos e os estames são os órgãos reprodutivos. 
II. As sépalas e as pétalas são estéreis. 
III. No ápice do estilete encontra-se uma estrutura adesiva denominada estilete.
A) Apenas a afirmativa I é verdadeira.
B) Apenas a afirmativa II é verdadeira. 
C) Apenas a afirmativa III é verdadeira.
D) As afirmativas I e II são verdadeiras.
E) As afirmativas II e III são verdadeiras.
4) As flores têm uma morfologia que permite serem simétricas ou mesmo assimétricas.
Com relação ao plano de simetria da flor, qual das alternativas está correta?
A) As flores simétricas são bilaterais ou radiais, o que permite que se divida a flor em partes 
iguais.
B) Na simetria radial, a flor não pode ser dividida em partes iguais, somente na simetria bilateral.
C) Na simetria bilateral, sépalas, pétalas, estames e carpelos irradiam a partir do centro.
D) Na simetria radial, a flor pode ser dividida em duas partes iguais somente pela única linha 
imaginária.
E) As flores assimétricas podem ser radiais e/ou bilaterais, o que não permite que se divida a flor 
em partes iguais.
5) As flores são estruturas das plantas superiores adaptadas para a reprodução, ou seja, 
perpetuação das espécies. 
Sobre a polinização, ato da reprodução das plantas, é correto afirmar que:
A) consiste na transferência do pólen da parte feminina para a masculina.
B) consiste na transferência degametas da parte masculina da flor para a parte feminina.
C) consiste na transferência do pólen da parte masculina da flor para a parte feminina.
D) A polinização é o ato de reprodução das plantas que pode ocorrer de forma apenas direta.
E) consiste na transferência do pólen da parte masculina da semente para a parte feminina.
Na prática
A anatomia vegetal tem relevante destaque na Agronomia, principalmente na fitotecnia, afinal, o 
corpo do vegetal é o seu principal recurso. As práticas agriculturáveis exigem uma atenção especial 
na relação dos diferentes vegetais com os diversos manejos, pois o corpo deste está 
dinamicamente relacionado com essas práticas.
Neste Na Prática, você vai ver mais sobre esse assunto.
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9ccb2cb5-1244-4cbb-8d8e-49931a0881d1/451faa93-019d-4835-b3ba-e9a8ba276b19.jpg
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Morfologia externa de flores e inflorescências, germinação do 
pólen, anatomia dos estames e do gineceu
Neste site você vai ver imagens de microscopia eletrônica para visualizar melhor as estruturas da 
flor.
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Sistemas de polinização de espécies brasileiras
Este artigo da Universidade Federal de São Carlos apresenta um material sobre sistemas de 
polinização baseados em espécies brasileiras.
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Aspectos da reprodução de angiospermas
Neste material você vai poder aprofundar os seus conhecimentos a respeito de detalhes do 
conteúdo, de forma sintética, como em uma aula.
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https://www.ibilce.unesp.br/#!/departamentos/zoologia-e-botanica/laboratorios/anatomia-vegetal/disciplinas/morfologia-vegetal/aulas-praticas/flor/
http://www.fapesp.br/eventos/2014/03/polinizacao/Kayna_Agostini.pdf
https://www2.ib.unicamp.br/profs/fsantos/bt682/2013/Aula8/Aula8-Reproducao.pdf

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