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1 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ................................................................................... 4 
2 A IMPORTANCIA DAS RELAÇÕES HUMANAS ............................... 5 
2.1 Relação intrapessoal ................................................................... 6 
2.2 Relação interpessoal ................................................................... 8 
3 LINGUAGEM E SOCIEDADE ............................................................ 9 
4 CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIEDADE ............................................ 12 
5 INDIVÍDUO, PESSOA E SUJEITO .................................................. 14 
5.1 Homem equilibrado ................................................................... 15 
5.2 Homem moderado ..................................................................... 15 
5.3 Homem evoluído ....................................................................... 16 
5.4 O Indivíduo do ponto de vista científico ..................................... 17 
5.5 A Pessoa do ponto de vista científico ........................................ 18 
5.6 O Sujeito do ponto de vista científico ........................................ 19 
6 GRUPOS SOCIAIS .......................................................................... 20 
6.1 Processo de formação dos grupos sociais ................................ 22 
6.2 Características essenciais dos grupos sociais .......................... 24 
6.3 A sociabilidade humana ............................................................ 25 
6.4 Socialização Primária ................................................................ 26 
6.5 Socialização Secundária ........................................................... 26 
6.6 Grupos primários ....................................................................... 31 
6.7 Grupos secundários .................................................................. 32 
6.8 Grupos intermediários ............................................................... 32 
7 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA 32 
7.1 O estudo do homem inteiro ....................................................... 34 
 
2 
 
7.2 A antropologia biológica ............................................................ 34 
7.3 A antropologia pré-histórica ....................................................... 35 
7.4 Antropologia linguística ............................................................. 35 
7.5 A antropologia psicológica ......................................................... 35 
7.6 A antropologia social e cultural (ou etnologia) ........................... 36 
8 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA SOCIOLOGIA ...... 37 
8.1 Capitalismo ................................................................................ 38 
8.2 Neoliberalismo ........................................................................... 39 
8.3 Globalização .............................................................................. 40 
8.4 Pólis: uma herança greco-romana ............................................ 41 
8.5 Representação social ................................................................ 44 
9 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA ....... 49 
9.1 A Psicologia Social .................................................................... 50 
9.2 O processo grupal ..................................................................... 50 
10 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DO DIREITO ........... 51 
10.1 O Direito carece de uma Teoria Geral ....................................... 52 
10.2 A formação dos grupos sociais no Direito ................................. 53 
10.3 Relações de afeto ..................................................................... 55 
10.4 Relações de poder .................................................................... 58 
11 AGREGADOS SOCIAIS ............................................................... 61 
11.1 Multidão ..................................................................................... 62 
11.2 Público ....................................................................................... 63 
11.3 Massa ........................................................................................ 64 
12 MECANISMOS DE SUSTENTAÇÃO ........................................... 64 
12.1 Liderança ................................................................................... 66 
12.2 Normas e sanções sociais ......................................................... 67 
12.3 Símbolos ................................................................................... 68 
 
3 
 
12.4 Valores sociais .......................................................................... 69 
12.5 Sistemas de status e papéis sociais .......................................... 70 
13 OS GRUPOS SOCIAIS E OS PENSADORES CLÁSSICOS ........ 71 
13.1 Auguste Comte .......................................................................... 72 
13.2 Sartre ......................................................................................... 74 
13.3 Émile Durkheim ......................................................................... 75 
13.4 Karl Marx ................................................................................... 78 
13.5 Max Weber ................................................................................ 79 
14 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................... 80 
15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 81 
16 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS ................................................. 84 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é 
semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase 
improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao 
professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o 
tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos 
ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não 
hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de 
atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
2 A IMPORTANCIA DAS RELAÇÕES HUMANAS 
 
Fonte: jjabrasil.com.br 
Desde os primórdios da humanidade, o ser humano demonstrou a 
necessidade de conviver em sociedade, construindo assim, um meio facilitador 
de sua sobrevivência. Precisamente, a ciência do desenvolvimento, cerne de um 
conjunto de estudos interdisciplinares (área social, psicológica e 
biocomportamental), dedicou-se na busca dos fenômenos relacionados ao 
desenvolvimento dos indivíduos. 
No entanto, segundo concepções interacionistas e sociointeracionistas, a 
relação indivíduo/meio é indissociável; desse modo, a aprendizagem e o 
desenvolvimento dos indivíduos ocorrem por meio de trocas sociais. 
Consequentemente, os seres humanos são seres históricos: sofrem influência 
do meio e, numa perspectiva dialética, deixam sua marca por onde passam. 
Entretanto, praticar relações humanas, significa muito mais do que o 
estabelecimento ou a manutenção de contatos com outros indivíduos. Significa 
que os homens estejam condicionados em suas relações, por uma atitude, um 
estado de espírito ou uma maneira de ver as coisas, que os permita compreender 
seu interlocutor, respeitando sua personalidade, cujaestrutura é, sem dúvida, 
 
6 
 
diversa, em decorrência das diferenças de composição e estrutura de suas 
necessidades. 
Ao tratar do grupo social como fonte primordial deste material, serão 
trazidas à tona os contornos dessa interação humana, pretendendo elucidar a 
existência da sociedade e do indivíduo, que são dependentes, isto é, nem a 
sociedade nem o indivíduo existem sem o outro, coexistem ambos. Logo, para 
compreender mais profundamente os grupos sociais, procurou-se detalhar os 
seres humanos pela Antropologia, quer nas suas especificidades culturais, na 
sua relação com a natureza, quer nos seus aspectos físicos, isto é, a cultura, 
para o conhecimento antropológico, contempla dimensões como a linguagem, 
os valores, as crenças, os costumes e os rituais, entre outras tantas dimensões. 
De outro ângulo, têm-se a Sociologia, que nasceu como tentativa de 
buscar soluções racionais, cientificas, de acordo com a pretensão de Comte, 
para os problemas sociais resultantes da Revolução Industrial e de 
decomposição da ordem social aristocrática na França do início do século XIX. 
Ainda assim, estudiosos relatam que a partir dos gregos, têm-se o nascimento 
da Filosofia, uma forma inusitada de pensar. O termo “filosofia” possui, no 
cotidiano dos sujeitos, um sentido amplo, costumeiramente empregado como 
sinônimo de atividade reflexiva, de qualquer teorização ou pensamento, 
atribuindo-se a Pitágoras haver se autodenominado filósofo. Nessa situação, a 
preocupação em conhecer o homem, suas diversas formas de produzir e de sua 
organização social tem sido a ocupação e o interesse de muitas disciplinas e 
ciências. 
2.1 Relação intrapessoal 
A relação intrapessoal, também conceituada como “inteligência 
intrapessoal” é o tipo de relação que o sujeito estabelece consigo mesmo e com 
os próprios sentimentos e aspirações. Sua premissa é baseada no 
autoconhecimento, no domínio próprio e a forma como o sujeito se motiva 
continuamente – e como tudo isso permeia sua vida pessoal e profissional. 
Estar bem consigo mesmo é o primeiro passo para estar bem com outras 
pessoas. Quanto mais a pessoa se conhece, maiores são as chances de 
conquistar seus objetivos – em todos os espectros de sua vida. E justamente a 
 
7 
 
prática do autoconhecimento colabora para que ela possa lidar com as mais 
diversas circunstâncias da melhor forma possível, tentando evitar frustrações, 
descontrole ou sentimentos ruins em seu cotidiano, na busca por melhores 
soluções em seu modo de organização individual. 
De acordo com o psicólogo Howard Gardner, o cérebro humano possui 
nove tipos de inteligência, podendo ter um ou mais tipos melhor desenvolvidos 
do que os outros. Diferentemente da inteligência interpessoal, a inteligência 
intrapessoal trata-se de uma característica que permite que a pessoa tenha 
domínio sobre seu comportamento e tome decisões favoráveis em sua vida. 
Estudos apontam que pessoas com inteligência intrapessoal têm facilidade em 
questões que dependem apenas delas mesmas, uma vez que possuem um 
autoconhecimento tão grande que sabem como administrar cada passo que dão, 
além de saberem reconhecer todas as suas principais características e usá-las 
para seu desenvolvimento pessoal. Além disso, esses indivíduos têm: 
 Foco e concentração nas atividades desempenhadas; 
 Facilidade de resolução de conflitos; 
 Determinação e persistência para atingir os resultados desejados; 
 Disciplina; 
 Auto compreensão; 
 Autoestima elevada; 
 Independência para criar o próprio caminho; 
 Maior capacidade de realização; 
 Comportamento congruente com princípios e valores; 
 Capacidade de despertar o melhor de si em todas as situações. 
Não obstante, saber gerir as próprias emoções e comportamentos torna-
se um fator determinante para o sucesso profissional e pessoal do cidadão. Tal 
conquista pode parecer algo árduo para quem pensa não conseguir desenvolver 
esse tipo de inteligência, porém, o caminho para conquistar a inteligência 
intrapessoal está no autoconhecimento, pois esse tipo de inteligência é inerente 
em todos os seres humanos, porém, alguns a possuem com maior 
desenvolvimento e facilidade, enquanto outros precisam aprimorá-la com o 
tempo. 
 
 
8 
 
2.2 Relação interpessoal 
A relação interpessoal, denominada “inteligência interpessoal” é 
caracterizada por indivíduos que têm facilidade em entender pessoas a partir de 
suas motivações, intenções e ambições, no caso de líderes religiosos, 
professores e também políticos. Isso significa que na perspectiva das relações 
humanas, o sujeito se torna completo se estiver vivendo no seio de uma vida 
política, na organização da sociedade, isto é, numa evidência da magnitude do 
aspecto social, que é condição essencial para o desenvolvimento humano. 
Avançando no raciocínio das relações humanas, o social e a cultura no 
desenvolvimento retomam um contexto, no qual Piaget, Wallon e Vygotsky 
defendem a relevância do meio social para a espécie humana: 
 Para Piaget, o conhecimento vem da construção efetiva e contínua, 
na relação indivíduo/meio ambiente (natureza, objetos e pessoas); 
 Para Wallon, o ser humano é organicamente social e sua dimensão 
afetiva é o alvo; 
 Para Vygotsky, a consciência humana se forma ao longo do 
desenvolvimento humano via mediações e linguagem. 
O relacionamento interpessoal é um conceito do âmbito da Sociologia e 
Psicologia, significando uma relação entre duas ou mais pessoas. Este tipo de 
relacionamento é marcado pelo contexto onde ele está inserido, podendo ser um 
contexto familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade. Logo, a teoria que 
demonstra a parte da natureza social do ser humano possibilita que sejam 
criados vínculos entre os sujeitos. 
Como pessoa, há uma ampla gama de atividades mentais imanentes, por 
exemplo, refletir, pressupor, lembrar, saber ou desejar. Sem estes estados 
mentais e muitos outros seria impossível para um ser humano coordenar seu 
próprio universo com os outros, ou melhor, o ser humano é um ser complexo em 
riqueza, cheio de nuances, possuindo inteligência e intuição como um reflexo de 
sua vontade e força motora, e pode implicar num relacionamento interpessoal de 
vários níveis, até mesmo envolvendo diferentes sentimentos como o amor, 
compaixão, amizade, etc., também podendo ser marcado por características e 
situações como competência, transações comerciais, inimizade, etc., 
 
9 
 
determinado e alterado de acordo com um conflito interpessoal, que surge de 
uma divergência entre dois ou mais indivíduos. 
Em suma, essa conexão interpessoal, portanto, explica porque o ser 
humano tem a capacidade de compreender os estados de consciência de outros 
interlocutores em uma conversa, ou seja, o ser humano é consciente de si 
mesmo, pode refletir sobre seus valores, ações e crenças, mas também 
identificar naturalmente a diferença nos demais. 
3 LINGUAGEM E SOCIEDADE 
 
Fonte: conceitos.com 
A tradição de relacionar linguagem e sociedade, ou, mais precisamente, 
língua, cultura e sociedade, está inscrita na reflexão de vários autores do século 
XX. Observa-se, assim, que de um lado, as relações entre linguagem e 
sociedade tinham raízes históricas: língua e sociedade não podem ser 
concebidas uma sem a outra. Nessa vertente, em que linguagem, cultura e 
sociedade são consideradas fenômenos inseparáveis, linguistas e antropólogos 
trabalham lado a lado e, mesmo, de modo integrado. 
A diversidade linguística e a comunicação, conquanto, são fundamentais 
para a sobrevivência humana, cujo relacionamento com diferentes públicos se 
dá num processo de interação, porque tem a capacidade de transmitir um modo 
de pensar, ser e sentir. Essencialmente para conviver em grupos, os seres 
 
10 
 
humanos dependem exclusivamente da contínua presença do outro, isto é, seria 
dificultoso agir ou interagir cotidianamente na organização da vida socialsem 
atravessar o contato com o outro. No que lhe concernem, as habilidades sociais 
auxiliam os sujeitos a expressar seus desejos, sentimentos e atitudes de forma 
adequada, seja no âmbito social, familiar e profissional, respeitando normas de 
comportamento em diversas situações. 
Integrados ou não à grande corrente estruturalista, a partir dos anos 1930, 
encontram-se linguistas cujas obras são referências obrigatórias, quando se 
trata de pensar a questão do social no campo dos estudos linguísticos. Não 
caberia, aqui, enumerar todos esses estudiosos, mas uma breve referência a 
alguns nomes, ligados ao contexto europeu: Antoine Meillet, Mikhail Bakhtin, 
Marcel Cohen, Émile Benveniste e Roman Jakobson. 
 Meillet, aluno de Saussure, filia-se à orientação diacrônica dos estudos 
linguísticos, mas, para ele, a história das línguas é inseparável da história da 
cultura e da sociedade: é essa abordagem que pode ser vista em sua obra, sobre 
a história do latim, Esquisse d´une histoire de la langue latine. A propósito desse 
linguista francês, cabe destacar sua visão do fenômeno linguístico, bem ilustrada 
por um trecho de sua aula inaugural no Cólege de France: 
Ora, q linguagem é, eminentemente, um fato social. Tem-se, 
frequentemente, repetido que as línguas não existem fora dos sujeitos 
que as falam, e, em consequência disto, não há razões para lhes 
atribuir uma existência autônoma, um ser particular. Esta é uma 
constatação óbvia, mas sem força, como a maior parte das 
proposições evidentes. Pois, se a realidade de uma língua não é algo 
de substancial, isto não significa que não seja real. Esta realidade é, 
ao mesmo tempo, linguística e social (MEILLET, 1906 apud 
MUSSALIM, 2001, p.24). 
De uma perspectiva, diferente, outro linguista explicita sua visão sobre a 
relação entre linguagem e contexto social: 
A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema 
abstrato de formas linguísticas, nem pela enunciação monológica 
isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo 
fenômeno social da interação verbal realizada através da enunciação 
ou das enunciações. A interação verbal constitui assim a realidade 
fundamental da língua. (BAKHTIN, 1929 apud MUSSALIM, 2001, p. 25) 
Por seu turno, todo indivíduo participa de diferentes comunidades 
linguísticas e todo código linguístico é multiforme e compreende uma hierarquia 
 
11 
 
de subcódigos diversos, livremente escolhidos pelo sujeito falante, segundo a 
função da mensagem, do interlocutor ao qual se dirige e da relação existente 
entre os falantes envolvidos na situação comunicativa. Entretanto, fato curioso 
na apresentação do homem enquanto ser social, é que apesar de as relações 
humanas e o ato de comunicação terem existido desde a origem da vida, a 
preocupação científica com essas relações, especialmente no ambiente de 
trabalho, é relativamente nova: nos Estados Unidos, até 1940, a expressão 
"relações humanas no trabalho" era muito pouco usada e em 1945, ao findar a 
Segunda Grande Guerra, a mesma era praticamente ignorada. 
Por essa razão, atualmente as relações interpessoais são uma realidade 
inevitável para todos aqueles que trabalham em organizações, posto que, muitas 
vezes tenham sido estudadas de uma perspectiva negativa, de outro ângulo, os 
relacionamentos podem facilitar um cumprimento da “necessidade de pertencer”, 
melhor dizendo, permite integração e afinidade entre colaboradores, auxiliando 
na execução e sucesso de seus projetos. 
Se houvesse possibilidade, fazendo voltar os ponteiros do relógio no 
tempo, para observar o desenrolar dos acontecimentos no início da Revolução 
Industrial, ver-se-ia que, então, os seres humanos eram incluídos no processo 
de produção apenas como mais um recurso produtivo, ao lado das matérias-
primas e das máquinas, sem qualquer consideração especial. 
 Em outras palavras, o homem nada mais era do que uma máquina que 
operava outra máquina, ou seja, à medida que as organizações industriais se 
desenvolviam mais se perdia a possibilidade de contato pessoal direto entre o 
trabalhador e seu empregador. Naquele momento, a ênfase, era colocada sobre 
a produção, com um consequente desinteresse pela sorte do trabalhador. Este, 
então, era obrigado a trabalhar longas horas, em condições desfavoráveis e sob 
padrões de supervisão tão rígidos que quase não podia manter contato informal 
com seus colegas e, na maioria dos casos, esse contato humano ocorria fora do 
ambiente de trabalho, porém, ainda assim, limitado pelas longas horas de 
atividade na fábrica. 
Nesse sentido, as interações humanas não podem ser compreendidas 
como um artifício de manipulação ou maneira de tomar todos felizes. De acordo 
com tal analogia, pode-se dizer, então, que a comunicação e as relações 
humanas agem como um “lubrificante”, evitando atritos e tomando o 
 
12 
 
funcionamento da sociedade mais suave. Mas, assim como uma máquina não 
funciona apenas com uma boa lubrificação, as esferas sociais necessitam de 
muitas coisas, além de relações humanas. Assim sendo e refletindo no indivíduo 
como um todo, pretende-se encontrar nas Ciências Humanas uma ampla 
compreensão dos fenômenos humanos e sociais, observando as trocas que 
envolvem aspectos cognitivos e socioafetivos fundamentais para a construção 
individual dos sujeitos e das sociedades, através de um processo recíproco. 
4 CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIEDADE 
 
Fonte: portaldoprofessor.mec.gov.br 
Em conformidade com o projeto da modernidade, o indivíduo e a 
sociedade têm sido definidos como entidades naturais e polos que preexistem à 
sua interação. Ainda de acordo com tal perspectiva, onde prevalece uma lógica 
dicotômica, o coletivo é identificado como social. O conceito de coletivo tem sido 
frequentemente utilizado, seja no âmbito da Psicologia, seja no âmbito da 
Sociologia, para designar uma dimensão da realidade que se opõe a uma 
dimensão individual. 
Assimilado desta maneira, o coletivo se confunde com o social, sendo 
representado através de categorias como Estado, Família, Igreja, Comunidades, 
Povo, Nação, Massa ou Classe e investigado no que diz respeito à dinâmica de 
interações individuais ou grupais. Todavia, este modo de apreensão do 
 
13 
 
coletivo/social deriva de uma abordagem dicotômica da realidade característica 
das ciências modernas, cujo efeito, dentre os mais visíveis, é a separação dos 
objetos e dos saberes. 
Conforme se pensava, o homem não “veio do macaco”: esse é um 
equívoco criado em torno de uma ideia que não era do naturalista inglês Charles 
Darwin. Na verdade, o que ele disse é que havia indícios de que homens e 
macacos tinham um ancestral comum que evoluiu com o tempo e se desdobrou 
em vários ramos diferentes, sabendo-se que o ser humano é considerado o único 
espécime dotado de características que se diferenciam do restante dos animais. 
O denominado “gênero Homo”, nos remotos tempos do frio das cavernas, 
no uso de seus instintos de sobrevivência, juntava-se a outros para se aquecer, 
caçar, se proteger e, desta forma, a sociedade nascia de forma rudimentar e 
ainda em evolução. De modo igual, quando se resgata historicamente o tempo, 
o homem pode repensar sua vida e transformá-la à medida em que é sujeito do 
processo de construção da própria história e também do tempo. 
“Ego sum, ego existo”, escrevia Descartes pondo em relevo este Ego que 
permanecerá o fundamento de toda filosofia racionalista ou empirista, através 
das mônadas de Leibniz, a sensação dos empiristas, o eu de Fichte e até mesmo 
os atributos radicalmente separados uns dos outros de Espinosa; fundamento 
presente ainda em nossos dias, quando lemos numa gramática ginasiana, como 
se fosse óbvia, a afirmação: “Eu, não tem plural. Nós é eu e tu”. Nessa 
perspectiva, sendo o Ego o primeiro dado fundamental, o ponto de partida, o 
problema das relações entre os homens, quando se põe, torna-se naturalmenteo problema do “Outro”. Os “outros” homens são assimilados à realidade física e 
sensível. Não são mais do que seres que vejo e ouço, como vejo uma pedra que 
cai e ouço sua queda. 
O problema dos fundamentos ontológicos e epistemológicos da história é 
um aspecto particular do problema ontológico geral das relações do homem com 
seus semelhantes, problema que certos filósofos contemporâneos, partindo 
duma posição cartesiana, designaram pelo nome de problema do “Outro”, que 
seria, contudo, designado de modo mais preciso como o problema do “Nós”. 
 
 
 
 
14 
 
 
5 INDIVÍDUO, PESSOA E SUJEITO 
 
Fonte: ufes.br 
Ao longo do tempo, observou-se a relação da pluralidade de pessoas com 
a pessoa singular chamada “indivíduo”, bem como da pessoa singular com a 
pluralidade. Em tal caso, viver democraticamente em uma sociedade plural é 
respeitar os diferentes grupos e culturas que a constituem. Para Norbert Elias, 
as atividades sociais e psíquicas particulares dos indivíduos estão entrelaçadas 
e estão em processo de (re) estruturação sem fim à vista e sem planejamento 
num longo prazo, ou melhor, o homem é histórico, não está acabado e 
permanentemente está em construção pelas suas experiências grupais, sociais 
e psíquicas particulares. 
Isto posto, nos processos de construção dos grupos sociais, Coury 
sistematiza três qualitativos comuns aplicados ao homem moderno. Para cada 
um a economia psíquica constitui, em concomitância, a síntese sociológica e a 
explicação histórica, rompendo com o psicologismo que enviesa a análise com 
a possibilidade individualista/instintiva e coletivista do ser conhecedor. São eles: 
‘O homem equilibrado’, ‘O homem moderado’ e ‘O homem evoluído’, conforme 
segue: 
 
 
15 
 
5.1 Homem equilibrado 
O homem equilibrado é aquele que interioriza os conhecimentos sociais e 
produz o equilíbrio mental enquanto as próprias relações mudam e a sociedade 
se diferencia e, assim, permite o julgamento de suas pulsões dentro dos 
mecanismos criados socialmente de aferição da normalidade psíquica — 
comportamento, hábitos e costumes ditos ‘civilizados’. 
O equilíbrio psíquico é o centro das inter-relações entre estrutura social e 
a estrutura mental. Para isto, Norbert Elias destaca que é necessário articular o 
processo histórico da estrutura social com o da estrutura mental e também 
observar o equilíbrio psíquico entre as exigências da organização social que os 
indivíduos juntos constituem e as exigências desses mesmos indivíduos 
tomados em seu universo privado, porque vivemos numa sociedade complexa, 
que ao longo dos séculos vem desenvolvendo um processo de individualização 
da estrutura social como evidencia Elias em “O processo civilizador: uma história 
dos costumes” e “formação do estado e civilização”. 
5.2 Homem moderado 
O homem moderado compreende-se a economia psíquica no processo de 
moderação, pois com o aumento da cadeia de interdependência foi se 
estabelecendo uma maior racionalidade individual (o homem ‘civilizado’), na qual 
os indivíduos controlam, restringem e moderam seus comportamentos e 
emoções perante qualquer pessoa. Com efeito, esse indivíduo constrói sua 
identidade pela representação que faz de si mesmo e por aquelas que lhe 
remetem — perceptíveis na arte de observar seus semelhantes. Essa dimensão 
do homem moderado está conectada ao processo de 
diferenciação/individualização em razão da necessidade de um equilíbrio entre 
estrutura mental e social para estabelecer relações sociais e desenvolver 
autocontrole. 
Coury destaca que, nessa dimensão, a “economia psíquica reside 
principalmente no fato de que ela permite situar no tempo e no espaço as 
conjunturas nas quais certas transformações do estado de uma estrutura social 
se encadearam para resultar numa nova configuração”. Dessa maneira, 
 
16 
 
percebe-se tanto onde e em que espelhos as pessoas notam o olhar dos outros, 
qual o momento dessa percepção e de suas moderações, podendo até identificar 
características da pessoa relacionada a algum grupo social. 
5.3 Homem evoluído 
Por último, a economia psíquica do homem evoluído se refere ao processo 
de evolução que caracteriza a identidade constante de uma pessoa num 
movimento linear cronológico: 
Um novo indivíduo aparece, esse ecônomo doravante dotado de uma 
arte de bem conduzir sua vida. Desse processo decorre nossa 
capacidade de abarcar a vida de um homem como um todo e de julgá-
lo de uma só vez. A economia psíquica do homem civilizado permite 
essa ‘boa condução’ no tempo, essa boa administração ao longo de 
sua vida, em seus deslocamentos e em todas as suas relações. O 
surgimento dessa capacidade nova permite não só encontrar as 
lógicas que condicionam esse ou aquele comportamento, mas também 
descobrir as categorias de percepção dos comportamentos 
observados nos outros (COURY, 2001 apud HONORATO, 2004, p.4). 
Este processo não descarta os inúmeros avanços e retrocessos da vida 
dos indivíduos/grupos. Ele valoriza o não planejamento e é provocativo ao impor 
a problemática do tempo de permanência das identidades sociais: “como, onde 
e quando a pessoa nota seus semelhantes e se liga duradouramente a eles? ”. 
Ou seja, qual relação entre o passado e o futuro dos indivíduos e dos grupos 
sociais? 
Neste terceiro qualitativo emerge um paradoxo na sociologia do 
conhecimento: a relativa autonomia do indivíduo caminha junto com a 
pertinência ao grupo social, bem como ao conhecimento conquistado, e o lugar 
preponderante assumido pelo ‘eu’ em nossas sociedades não afastou o desejo 
de estar com outras pessoas que amamos. Na sequência, tendo em vista a 
atenção de Norbert Elias com a arte de observar, a arte de inovar e com a arte 
de manejar seus ‘semelhantes’, Coury propõe um instrumento de análise 
complementar denominado a arte de reagrupar-se. 
A arte de reagrupar-se permite a percepção — dos e entre indivíduos — 
dos mesmos interesses para formar juntos num espaço social, grupos até então 
imperceptíveis e distintos em relação aos indivíduos/grupos nos quais pensam 
poder estabelecer vínculo social. Ela se desenvolve mediante a produção, 
 
17 
 
difusão e apropriação de formas de agrupamento disponível numa estrutura 
social. “Essa arte pode decompor-se analiticamente da seguinte forma: a arte da 
colocação dos indivíduos em presença, as competências dos diferentes porta-
vozes e dos representantes, as categorias estéticas de avaliação dos grupos 
assim objetivados, as repercussões das representações exógenas sobre os 
produtores”. 
Coury apresenta dois objetivos para a arte do reagrupamento. O primeiro, 
desfamiliarizar os pesquisadores com as práticas e formas coletivistas. Trata-se 
então de analisar o entrelaçamento entre estrutura social e estrutura psíquica. O 
segundo, resume-se na explicação do acúmulo de competências (política - em 
sua investigação) e suas desigualdades de apropriação pelos indivíduos. 
Enfim, o esforço de Coury tanto em sistematizar os três qualitativos 
comuns aplicáveis ao homem moderno como também em propor a arte de 
reagrupar-se, tem suas relevâncias e um ponto vulnerável. As relevâncias, de 
uma certa maneira, foram explicitadas. O ponto vulnerável refere-se quando 
Coury ancora-se essencialmente nos estudos de Norbert Elias sobre a relação, 
sociedade e indivíduo, para sistematizar os qualitativos e propor uma relação 
indivíduo e construção dos grupos sociais. 
5.4 O Indivíduo do ponto de vista científico 
Ao estudar os fenômenos da sociedade, tais como: migração, conflitos 
sociais e movimentos políticos, as Ciências Sociais apontam para uma 
interpretação do comportamento humano e suas estruturas sociais, análise dos 
hábitos e costumes de diversos grupos sociais, bem como suas características 
religiosas, familiares, organização institucional e também econômica. 
Cientistas, portanto, denominam um “indivíduo” como todo o organismo 
vivo que pertence a umaespécie, distinguindo-se dos demais devido as suas 
características particulares, consistindo num ser individual, conhecido pela sua 
existência única e indivisível. Este termo, ainda costuma ser utilizado como 
sinônimo de “cidadão”, ou seja, um “ser humano” inserido num ambiente social. 
Já para a Sociologia e Filosofia, o indivíduo – como sinônimo de ser humano / 
cidadão – é aquele que possui uma identidade própria que o distingue dos 
demais indivíduos, isto é, enfim, os seres “são”; temos a experiência de “ter” (ou 
 
18 
 
ser) um “eu”; somos porque pensam (Descartes diria: penso, logo sou!). Para 
falar dessa experiência singular de processos de subjetivação, adota-se o termo 
inglês self (ou selves, no plural), traduzido como “eu”, quando se refere à 
consciência de si e à identidade. Ou seja, não temos problemas semânticos 
quando se trata de falar de nossas experiências de sermos “quem somos”. 
Nada obstante, os sujeitos possuem certa dificuldade de nomear esse 
“ser” quando teorizam a respeito da vida em sociedade e, nesse âmbito, nem 
sempre tomam alguns cuidados no uso dessas categorias. Por exemplo, 
incorporando o gênero de fala próprio aos manuais de metodologia, fala-se de 
sujeitos, quando há referência aos “participantes” de pesquisas. Por suas 
conotações “ideológicas”, procuram evitar o uso da palavra “indivíduo”, mas a 
deixam escapar em seus múltiplos sentidos: individualmente, para se referir a 
cada um de um grupo e “individualismo” para se reportar a modos de vida pouco 
solidários. E pessoa? 
5.5 A Pessoa do ponto de vista científico 
No caso da Psicologia Social, não seria este mais um termo a ser 
considerado dentre as muitas possibilidades de se falar de quem se é e de quem 
são os outros que compartilham, por querer ou sem querer, de suas vidas? A 
multiplicidade normativa distingue-se pelo tipo de finalidade, pelo escopo 
perseguido pela regra em questão, no entanto, tanto a imponente regra jurídica 
como a regra de conduta de trato social têm em comum o fato de se constituírem 
como meio de influenciar comportamentos. 
Nesta abordagem, os usos do termo “pessoa” no contexto da Antropologia 
tomam por base o texto de Marcel Mauss (2003), na discussão de algumas 
dicotomias que, às vezes inadvertidamente, atravessam muitos discursos. Em 
sequência, aborda-se a opção de George Herbert Mead (1969) pelo termo self, 
de modo a destacar os esforços desse protopsicólogo social para situar a 
consciência de si em uma perspectiva que alia processos comunicativos (a 
Filosofia do Ato) e suportes sociais e biológicos sustentados pelo evolucionismo. 
 
19 
 
5.6 O Sujeito do ponto de vista científico 
Abandonando temporariamente as vertentes de pessoalidade, 
passaremos à emergência da categoria moderna de indivíduo, fundamentando-
nos nas discussões apresentadas por Nikolas Rose (1998; 2001) a respeito das 
contribuições da Psicologia aos processos de individualização. Apoiada em 
Michel Foucault (2005), essa discussão permite passar ao nosso próximo tema, 
a categoria “sujeito” na interface entre processos de objetivação e subjetivação. 
O paradoxo que assim se instala será abordado por meio do que consideramos 
ser uma perspectiva integradora: os múltiplos selves propostos por Rom Harré 
(1998). 
Não pretendemos chegar a uma conclusão sobre qual conceito padrão 
deveríamos adotar para nos referirmos a esse ser que somos no âmbito da 
Psicologia Social que se quer crítica. Mas esperamos poder suscitar o desafio 
de, pelo menos, entender as implicações históricas, sociais, políticas, 
existenciais, éticas, dentre muitas outras, da escolha dos termos que usamos 
para falar do ser que somos, a fim de não cairmos na armadilha da 
transformação de nossas produções sociais em “entidades”. 
Afinal, como aponta Harré (1998, p.5), “Criamos uma maneira de falar 
sobre elas por meio de substantivos, justamente a forma gramatical que a fala 
sobre entidades usa”. A sociedade é entendida, quer como mera acumulação, 
coletânea somatória e desestruturada de muitas pessoas individuais, quer como 
objeto que existe para além dos indivíduos e não é passível de maior explicação. 
Neste último caso, as palavras de que dispomos, os conceitos que influenciam 
decisivamente o pensamento e os atos das pessoas que crescem na esfera 
delas, fazem com que o ser humano singular, rotulado de indivíduo, e a 
pluralidade das pessoas, concebida como sociedade, pareçam ser duas 
entidades ontologicamente diferentes. 
Como sabemos, a sociedade somos todos nós; é uma porção de pessoas 
juntas. Mas uma porção de pessoas juntas na Índia e na China formam um tipo 
de sociedade diferente da encontrada na América ou na Grã-Bretanha; a 
sociedade composta por muitas pessoas individuais na Europa do século XII era 
diferente da encontrada nos séculos XVI ou XX. E, embora todas essas 
sociedades certamente tenham consistido e consistam em nada além de muitos 
 
20 
 
indivíduos, é claro que a mudança de uma forma de vida em comum para outra 
não foi planejada por nenhum desses indivíduos. 
6 GRUPOS SOCIAIS 
 
Fonte: exame.abril.com.br 
Partindo da inexorável relação do homem com o mundo no qual está 
inserido é que se formam os grupos sociais e por essa razão, tais grupos fazem 
parte da anatomia das sociedades, podendo ser encontrados em todos os 
lugares e tempos, como meios de atuação comum, no qual, o fenômeno da 
multiplicidade grupal constitui o pluralismo, configurado pela existência de vários 
grupos político-sociais (famílias, associações, sindicatos, cooperativas, partidos, 
clubes de pensamento, sociedades científicas, culturais, desportivas, etc.) entre 
o indivíduo e o Estado. 
A Sociologia visa às questões que envolvem as relações existentes entre 
os indivíduos na vida coletiva; esforçando-se para apreender as diferentes 
realidades das mais variadas culturas e como se formam as relações que 
existem no seu interior. O que os homens procuram na história são as 
transformações do sujeito da ação no relacionamento dialético homem-mundo e 
as transformações da sociedade humana. Entretanto, os conhecimentos 
sociológicos, são indispensáveis na discussão da pluralidade cultural, pelas 
possibilidades que abrem de compreensão de processos complexos, onde se 
 
21 
 
dão interações entre fenômenos de diferentes naturezas. Neste contexto, os 
grupos sociais são diferenciados, principalmente pela cultura em que vivem, 
havendo diversas culturas ao invés de uma só e sua serventia está na 
manutenção da própria sociedade, isto é, seus modos e padrões de vida são 
amostras de como está a sociedade, como ela funciona e como está sua 
estrutura naquele momento. 
Na ausência dessa atitude, o que resulta é um clima de ressentimento, 
resistência, incompreensão, falta de colaboração e iniciativa, enfim, uma 
atmosfera que não conduz a um aproveitamento positivo na relação que se 
estabelece. Se, por outro lado, se manifesta a prática de “relações humanas”, 
então é possível afirmar, sem medo de errar, que o contato humano estabelecido 
tenderá para um resultado positivo, eliminando, "a priori", a possibilidade de 
conflito básico entre as partes, dando a cada uma delas um crédito preliminar 
que facilitará o desenvolvimento da relação. 
O sociólogo alemão Norbert Elias em “A sociedade dos indivíduos”, diz 
que os indivíduos são condicionados socialmente ao mesmo tempo pelas suas 
autoimagens e por aquelas que lhes são atribuídas pelos outros com quem se 
relacionam. Quando se resgata historicamente o tempo, o homem pode repensar 
sua vida e transformá-la à medida que é sujeito do processo de construção da 
própria história e também do tempo. Pelo fato de não nascermos com um sentido 
temporal pronto, organizações temporais têm que ser aprendidas juntamente 
com outros aspectos culturais, conforme explica Elias: 
"No nosso tipo de sociedade, a vida do homem se mede com exatapontualidade. Uma escala social temporal que mede a idade (tenho 
doze anos, você tem dez), o indivíduo a aprende e a integra, como 
elemento social, na imagem de si mesmo e dos demais. Esta 
subordinação de medidas temporais não somente serve como 
comunicação sobre quantidades distintas, se não que alcança seu 
pleno sentido como abreviação simbólica comunicável de diferenças e 
transformações humanas conhecidas no biológico, psicológico e 
social” (ELIAS, 1989, apud MARTINS, 2000, p. 80). 
Em termos simples, a Sociologia é a ciência que se debruça sobre a 
própria sociedade e todas as suas ramificações, componentes e integrantes; 
dedicando-se a compreender as formas de interação que as pessoas têm umas 
 
22 
 
com as outras, suas organizações e os fenômenos sociais observados na 
realidade dos indivíduos. Os conhecimentos sociológicos permitem uma 
discussão acurada de como as diferenças étnicas, culturais e regionais não 
podem ser reduzidas à dimensão socioeconômica de classes sociais. As 
diversas contribuições da Sociologia evidenciam que nos grupos sociais existem 
normas, hábitos, costumes próprios, divisão de funções e posições sociais 
definidas, em que os indivíduos, dos primeiros momentos da História aos dias 
de hoje estabeleceram relações entre si que fazem parte de suas rotinas 
cotidianas. 
O olhar sociológico traz-nos sempre uma nova perspectiva sobre 
situações que aparentemente são de natureza individual, mas que acabam por 
atingir uma gama muito maior de nossa realidade coletiva. Pode-se tomar como 
exemplo a situação econômica dos indivíduos, que, embora possa ser uma 
abordagem bastante particular, pode também ser observada por uma 
perspectiva mais abrangente, quando se volta para a análise da situação 
econômica de todo um país. Isso significa abordar toda a cadeia social, as 
formas como a realidade econômica é afetada e as possíveis consequências 
desse fenômeno, como o acentuamento da desigualdade social e, 
possivelmente, o agravamento de outros problemas, como a violência, a fome e 
a precarização da educação. 
6.1 Processo de formação dos grupos sociais 
Segundo o dicionário Aurélio, o vocábulo “grupo” traduz-se em um 
conjunto de pessoas ou de objetos reunidos num mesmo lugar ou ainda um 
conjunto de pessoas que apresentam o mesmo comportamento e a mesma 
atitude, e com um objetivo comum que condiciona a coesão de seus membros: 
um grupo político; um grupo de trabalho, etc., melhor dizendo, a sociedade não 
é mero agregado de seres humanos; constitui-se, em verdade, de um complexo 
labirinto de grupos e relações sociais. 
Vários autores trabalharam com as perspectivas de grupo, evidenciando 
que o ser humano é um ser social e sociável, um ser de relações, estando 
constantemente nos relacionando com outras pessoas, isto é, a vida humana 
passa pela vida em grupo. Logo, em seu nascimento, o ser humano se depara 
 
23 
 
com seu primeiro grupo: a família, em seguida vem o grupo escolar, o grupo de 
amigos, de trabalho e muitos outros e cada um deles possui suas regras, suas 
adesões. 
Através da interação estabelecida entre as pessoas e o sentimento de 
identidade existente, é que o indivíduo que pretende aderir a determinado grupo 
deve aceitar e cumprir suas regras; em outras palavras, os grupos mantêm uma 
organização, sendo capazes de ações conjuntas para alcançar objetivos comuns 
a todos os seus membros. 
De fato, o que se propõe é uma análise do indivíduo e sociedade de 
maneira interdependente entrelaçando estrutura social e estrutura psíquica 
(autocontrole), possivelmente transferível para compreensão da construção dos 
grupos sociais. Porém, o próprio Elias reconhece que não conseguiu resolver 
epistemologicamente o problema indivíduo-sociedade. O que nos falta, sejamos 
explícitos, são modelos conceituais e, além deles, uma visão global graças à 
qual nossas ideias dos seres humanos como indivíduos e como sociedade 
possam harmonizar-se melhor. 
Não sabemos, ao que parece, deixar claro nós mesmos como é possível 
que cada pessoa isolada seja uma coisa única, diferente de todas as demais; 
um ser que, de certa maneira, sente, vivencia e faz o que não é feito por 
nenhuma outra pessoa; um ser autônomo e, ao mesmo tempo, um ser que existe 
para outros e entre outros, com os quais compõe sociedades de estrutura 
cambiáveis, com histórias não pretendidas ou promovidas por qualquer das 
pessoas que as constituem, tal como efetivamente se desdobram ao longo dos 
séculos, e sem as quais o indivíduo não poderia sobreviver quando criança, nem 
aprender a falar, pensar, amar ou comportar-se como um ser humano. 
Com efeito, de modo sistemático e coerente, dentro de um grupo social, 
os indivíduos que o integram, desenvolvem uma relação estável, os quais 
compartilham histórias, objetivos, interesses, valores, princípios, símbolos, 
tradições e, sobretudo, leis e normas que asseguram as relações interpessoais 
e o desempenho de determinados papéis entre os sujeitos sociais, mantendo 
regras de convivência preferencialmente imutáveis, para a garantia de sua 
continuidade, porém, sem esquecer que a sociedade se transforma. 
 À vista disso, num significado mais amplo, é possível dizer que, onde 
quer que se estabeleçam e/ou se mantenham contatos entre pessoas, poderá 
 
24 
 
ou não estar presente aquela atitude que se denomina "relações humanas", 
fazendo alusão a um posicionamento do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky: 
“nos tornamos nós mesmos através dos outros” ou ainda “eu sou uma relação 
social de mim comigo mesmo”. 
6.2 Características essenciais dos grupos sociais 
Nos grupos, há duas ou mais pessoas, entre as quais existe interação, 
isto é, reconhecem-se relações a serem consideradas conjuntamente. A 
associação possui uma identidade objetiva, própria, distinta dos seus membros, 
cônscios, por sua vez, dessa circunstância. A individualidade objetiva do grupo 
manifesta-se pelos caracteres a seguir relacionados: 
a) Presença específica do todo, ao lado das personalidades 
particulares dos seus componentes; 
b) Percepção da unidade com base em quatro elementos: 
b.1) Consciência da unidade grupal por parte de cada um dos seus 
membros e da distinção do agregado frente a outros; 
b.2) Unidade coordenada ou coincidente de conduta dos seus membros, 
em vista de fins próprios do grupo; 
b.3) Uma estrutura de papéis e “status” reciprocamente relacionados no 
seu interior, embora inexistente nos chamados grupos amorfos (por exemplo, as 
classes sociais); 
b.4) Sentimento de responsabilidade solidária, por parte dos indivíduos 
nele inseridos; 
c) Autonomia do todo frente aos seus componentes, no que se relaciona 
com modificações em sua estrutura, e à sua duração, desvinculada, em geral, 
da permanência dos integrantes; 
d) Formas de conduta objetiva – usos, convenções ou normas – impostas 
aos respectivos membros. 
As noções de interação, representação, identidade, intersubjetividade, 
razão dialógica, movimentos e racionalidade comunicativa complementam 
outras peculiaridades relativas aos grupos sociais, tais como: 
 Pluralidade de indivíduos: precisa haver mais de uma pessoa; 
 
25 
 
 Interação social: os membros do grupo interagem entre si; 
 Organização: precisa haver uma certa ordem no grupo; 
 Objetividade e exterioridade: o grupo está acima do indivíduo; 
 Exterioridade: significa que a existência de um indivíduo não depende 
de sua participação no grupo; 
 Objetivo comum: há certos valores, princípios e objetivos que unem os 
membros do grupo; 
 Consciência grupal: pensamentos, ideias e sentimentos são 
compartilhados pelos membros do grupo; 
 Continuidade: as interações entre os membros do grupo precisam ser 
duradouras, como ocorre em famílias, numa escola, numa instituição 
religiosa etc. 
6.3 A sociabilidade humana 
O objeto das ciências históricas é constituído pelas ações humanas de 
todos os lugarese de todos os tempos, na medida em que tiveram ou ainda têm 
importância ou influência na existência e na estrutura de um grupo humano e, 
implicitamente por meio deles, uma importância ou uma influência na existência 
e na estrutura da comunidade humana presente ou futura. 
A socialização (efeito de ser tornar social) está relacionada com a 
assimilação de hábitos culturais, bem como ao aprendizado social dos sujeitos, 
isso porque é por meio dela que os indivíduos aprendem e interiorizam as regras 
e valores de determinada sociedade. 
Socializar é fundamental para a construção das sociedades em diversos 
espaços. Por meio desse processo, os indivíduos interagem e se integram por 
meio da comunicação, ao mesmo tempo em que constroem a sociedade, 
contudo, os processos de socialização da antiguidade e da atualidade são bem 
distintos, o que decorre da evolução dos meios de comunicação e do avanço 
tecnológico e podem estar classificados em dois tipos: 
 
26 
 
6.4 Socialização Primária 
Como o próprio nome já indica, esse tipo de socialização ocorre na infância 
e se desenvolve no meio familiar. Aqui, a criança tem contato com a linguagem 
e vai compreendendo as relações sociais primárias e os seres sociais que a 
compõem. Além disso, é nesse estágio em que são interiorizados normas e 
valores. A família, entretanto, torna-se a instituição social mais fundamental 
desse momento. 
6.5 Socialização Secundária 
O indivíduo já socializado primariamente vai interagindo e adquirindo 
papéis sociais determinados pelas relações sociais desenvolvidas, bem como a 
sociedade em que está inserido. Se por acaso o sujeito social teve uma 
socialização primária afetada, isso poderá gerar diversos problemas na sua vida 
social, uma vez que o primeiro momento de socialização é essencial na 
construção do caráter do indivíduo. 
Nessa situação, as primeiras teorias sociológicas surgiram em meados do 
século XIX, na Europa, voltadas para o problema das relações dos indivíduos 
entre si e com a sociedade; esse problema tornou-se o foco central dos primeiros 
estudos realizados. Com a eclosão dos conflitos e das transformações 
provocadas pelas revoluções sociais, surge o positivismo que se caracterizou 
como uma nova forma de pensar, cujo foco era organizar e reestruturar a 
sociedade buscando manter a nova ordem capitalista. 
O precursor moderno da Sociologia, Saint-Simon, viveu no momento em 
que eclodiu a Revolução Francesa as transformações políticas que aconteceram 
com o fim do feudalismo e a ascensão da burguesia; com isso o surgimento de 
um sistema, denominado sistema industrial, determinou fim definitivo ao antigo 
regime feudal. O sistema industrial era fundamentado no esclarecimento 
motivado pela razão científica e de acordo com Saint-Simon a sociedade 
industrial transformaria a natureza de forma ordeira e pacifica, de modo que os 
resultados obtidos pudessem assegurar a todos os seus membros a total 
satisfação de suas necessidades materiais e espirituais. 
 
27 
 
O segundo estado foi definido como metafísico, seria o ela intermediário 
entre os três estados, onde a explicação da sociedade não passaria apenas pela 
fundamentação na iniciativa divina: Deus não seria mais o regente absoluto da 
vida social, e sim uma essência onipresente a ela. E o terceiro estado seria o 
positivismo e encontraria sua expressão na sociedade capitalista moderna, onde 
o homem partia de uma concepção antropocêntrica e se colocaria na condição 
de regente da vida social. Dessa forma, o espírito positivo forneceria os preceitos 
fundamentais para a concepção de uma unidade para a nova ordem assentada 
definitivamente na razão. 
O conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de 
uma mesma sociedade forma um sistema determinado, que tem sua vida 
própria; pode-se chamá-lo de consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela 
não tem por substrato um órgão único; ela está, por definição, difusa em toda 
extensão da sociedade. 
[...]. Com efeito, ela é independente das condições particulares onde 
os indivíduos se encontram; eles passam e ela continua. [...]. Ela é o 
tipo psíquico da sociedade, tipo que tem suas propriedades, suas 
condições de existência, seu modo de desenvolvimento, assim como 
os tipos individuais ainda que de outra maneira. [...]. As funções 
jurídicas, governamentais, científicas, industriais, em uma palavra, 
todas as funções especiais são de ordem psíquica, uma vez que elas 
consistem em sistemas de representações e de ações: contudo elas 
estão evidentemente fora da consciência comum. (DURKHEIM, 1893, 
apud OLIVEIRA, 2012, p. 72). 
O processo de socialização é desencadeado por meio da complexa rede 
de relações sociais estabelecidas entre os indivíduos durante a vida. Assim, 
desde criança os seres humanos vão se socializando mediante as normas, 
valores e hábitos dos grupos sociais que o envolvem. Observa-se que nesse 
processo, todos os sujeitos sociais sofrem influências comportamentais. 
Importante notar que existem diferentes processos de socialização de acordo 
com a sociedade em que estamos inseridos. 
 Para o sociólogo brasileiro Gilberto Freire, a socialização pode ser 
definida da seguinte maneira: “É a condição do indivíduo (biológico) 
desenvolvido, dentro da organização social e da cultura, em pessoa ou homem 
 
28 
 
social, pela aquisição de status ou situação, desenvolvidos como membro de um 
grupo ou de vários grupos”. 
Qualquer que seja a classe social e a realidade, os processos de 
socialização são muito diversos; tanto podem ocorrer entre pessoas que vivem 
numa favela como entre os burgueses que habitam a zona sul de São Paulo, por 
exemplo, isto é, seja qual for a cor, a etnia, a classe social, todos os seres 
humanos desde cedo estão em constante processo de socialização, seja na 
escola, na igreja, na faculdade ou no trabalho. 
Alguns fatores podem afetar esse processo, tal como um local marcado 
por guerras. As consequências dos processos de socialização geralmente são 
positivas e resultam na evolução da sociedade e dos indivíduos. Por outro lado, 
as pessoas que não se socializam podem apresentar muitos problemas 
psicológicos, determinados, por exemplo, pelo isolamento social: 
O ser humano, na sua vivência em sociedade vê-se envolto numa teia 
de procedimentos aos quais está adstrito, sejam estes de cariz moral, 
social, religioso ou jurídico (BOBBIO,1960 apud LOURINHO,2011,p.3). 
Conforme estudos de Darwin em “A Teoria da Evolução”, que mostra 
como as espécies se desenvolvem, a base da Teoria, evidencia a seleção natural 
das espécies, explicando como estruturas simples se tornaram seres complexos 
ao longo de milhões de anos, enfrentando os desafios da sobrevivência. 
Contudo, qualquer sociedade está permeada por uma normatividade implícita 
que varia de época para época, de sociedade para sociedade, no qual, a análise 
histórica perfaz esse conhecimento. 
Ao ofertar uma resposta à interligação que é feita em volta de todo esse 
poder da norma, essa força vinculante que obriga, com mais ou menos 
coercitividade, seja este apanágio do Estado enquanto regente da civilização ou 
do meio religioso, moral ou do mero trato social que vincula, muito embora de 
forma distinta, um amplo debate se forma ao redor da filosofia, da religião e da 
ciência, que entram em cena para construir diferentes concepções sobre a 
existência da vida humana, há o entendimento de que sem sociedade não existe 
o indivíduo e sem o indivíduo não existe sociedade. 
Sendo assim, o fenômeno da “socialização”, tradicionalmente definido 
como “aprender a conviver com as pessoas”, nunca mereceu o status teórico 
 
29 
 
que tem sido atribuído a temas como cognição, memória e linguagem, no âmbito 
da perspectiva histórico-cultural. 
Pesquisas sobre o desenvolvimento das funções mentais superiores 
(memória, linguagem, etc.) têm recebido atenção privilegiadadesde Vygotsky, e 
isto certamente se justifica quando se analisa a questão sob uma perspectiva 
histórico-cultural do desenvolvimento da própria abordagem. 
 ...o conceito de “socialização” manteve-se por muito tempo restrito à 
aprendizagem da convivência social, e a maciça maioria de estudos 
sobre o tema ainda hoje se dá com base em perspectivas tradicionais, 
como a aprendizagem social e o construtivismo piagetiano (COLE, 
2004 apud BRANCO, 2006, p.141). 
Por este ângulo, são três aspectos centrais a serem observados nos 
processos de civilização e de formação de grupos sociais, por exemplo, se algo 
deixa de ser um hábitus numa sociedade, é evidência de que, tanto mecanismos 
de controle social quanto de autocontrole — as restrições de fortes emoções 
espontâneas em público e a aversão pessoal a estas práticas —, estão atuando 
no estabelecimento de novos comportamentos e relações, assim configurando 
novos grupos sociais e alterando as relações de poder nas configurações. 
Estes três aspectos são relativos aos indivíduos situados num grupo 
social, ou ainda, num grupo nacional, passando a não existir civilização sem 
indivíduos que configurem grupos e sociedades. 
Para tanto, é relevante a passagem do controle social ao autocontrole. 
Essa passagem é o processo da exteriorização à interiorização. O indivíduo 
interioriza as paixões, emoções, regulações e representações produzidas nas 
relações sociais e em suas atividades mentais, e depois as exterioriza através 
de comportamentos, “hábitus” e relações de poder. Assim, pensamento e ação 
estão interligados no plano individual em função do social que, dirige o individual 
(e vice-versa) para um certo limiar de controle exigido e aceito pelos demais 
indivíduos em sociedade. 
Há atribuição de representações por parte de indivíduos/grupos para que 
outros indivíduos se reconheçam ao reconhecimento dos outros, desenvolvendo 
uma atividade mental denominada economia psíquica. Essa atividade é um 
 
30 
 
importante instrumento de percepção das representações empregadas a uma 
pessoa porque permite observar e encontrar seus semelhantes. 
Quanto à existência humana, alguns creem no criacionismo, já outros 
buscam as respostas na evolução das espécies e outros em seres de outros 
planetas, entre outras teorias, respectivamente. 
A teoria criacionista a partir de conceitos judaico-cristãos que se 
encontram na Bíblia. De religião em religião, todas acreditam que seu “deus” 
tenha criado a tudo e a todos. Para os que acreditam no criacionismo, portanto, 
os seres humanos são diferentes das demais criaturas por terem sentimentos, 
vontade, inteligência, moral, etc. 
A teoria evolucionista baseia-se nos estudos do cientista inglês Charles 
Darwin, que propôs o evolucionismo em um de seus livros, “A Origem das 
Espécies”. 
Esta tese teve forte impacto na sociedade cristã do século XIX. Duramente 
criticado pelos religiosos, Darwin continuou suas pesquisas e dentre os aspectos 
explorados por ele constam: 
 Que o processo de evolução das espécies é gradual e contínuo; 
 Que todos os seres vivos descendem, em última instância, de um 
ancestral comum; 
 Que o mecanismo pelo qual os seres vivos mudam e evoluem é a seleção 
natural: os indivíduos mais adaptados ao meio ambiente conseguem 
melhores resultados na luta pela sobrevivência. 
De acordo com Darwin, todos os seres vivos tiveram sua evolução a partir 
de um ancestral comum, no qual, as mudanças ocorridas e as diferenças entre 
as espécies deram-se pelo processo de seleção natural, no qual os indivíduos 
que melhor se adaptam ao meio ambiente sobrevivem, deixando descendentes, 
que por sua vez também sofrem alterações em seu mecanismo biológico e 
deixam novos descendentes formando um círculo vicioso. 
Estudiosos e defensores da teoria evolucionista pregam que, em dado 
momento da evolução, os seres humanos e os macacos tiveram um ancestral 
em comum. Deste ancestral evoluíram dois grupos diferentes: um deles gerou o 
macaco e o outro gerou os seres humanos. 
 
Organização dos grupos sociais 
 
31 
 
Ao longo da história, conforme visto, os grupos sociais foram percebidos 
como uma expressão concreta de diferentes formas de vida: 
 A família: da vida doméstica; 
 Os agrupamentos profissionais: da econômica; 
 Os Estados: para a cívica; 
 A Organização das Nações Unidas: da internacional; e, 
 As igrejas: correspondente à espiritual. 
Dentre as diversas classificações dos grupos, destaca-se a do sociólogo 
Cooley, cuja proposta divide os grupos em “primários” e “secundários” e, por 
outro lado, afirma que a ausência de tal fenômeno demarca o que chamou de 
“desorganização social. Por conseguinte, de acordo com sua estrutura, 
distingue-os entre primários ou “microgrupos”, secundários ou “macro grupos” e 
intermediários, destacando-os em grupo familiar, grupo vicinal, grupo educativo, 
grupo religioso, grupo de lazer, grupo profissional e grupo político. 
6.6 Grupos primários 
São formados por grupos pequenos, também denominados microgrupos 
sendo estabelecidos por meio de relações duradouras e íntimas. Em tais grupos, 
os integrantes convivem diretamente, sem a mediação de terceiros e são 
fundamentais para o desenvolvimento da personalidade e da manutenção das 
ideias sociais. 
O relacionamento é de caráter pessoal e o contato direto entre os homens, 
permite identificação com os demais, na qualidade de pessoas, a partir das 
experiências vividas e imediatas com os outros. Em razão disso, a proximidade 
humana aí encontrável serve para formar nos homens nela situados o sentido 
de humanidade, ideada a partir da autêntica compreensão do valor e da 
dignidade de cada qual, tendo nas amizades, nas vizinhanças e na família a sua 
maior expressão. 
 
32 
 
6.7 Grupos secundários 
São grupos ordenados de forma racional, com objetivos utilitários, donde 
o relacionamento é de caráter impessoal. Aqui prepondera o vínculo do puro 
interesse, ao invés dos laços afetivos dos microgrupos. 
Os grupos secundários, entretanto, possuem grandes dimensões e são 
mais organizados, os quais envolvem relacionamentos de menor contato, mais 
formais e institucionais, porém dispõem dos mesmos interesses e objetivos, por 
exemplo, os grupos formados nas igrejas, nos partidos políticos, dentre outros. 
6.8 Grupos intermediários 
São aqueles em que se complementam as duas formas de contatos 
sociais, ou seja, os primários e os secundários. Nesse tipo de configuração há 
existência de contatos maiores e menores. 
Do ponto de vista das Ciências Sociais, o indivíduo é parte formadora de 
uma sociedade; esta, por sua vez, é constituída a partir do conjunto de todas as 
relações sociais que os indivíduos mantêm entre si. Os grupos intermediários 
podem ocorrer no ambiente escolar, por exemplo, donde desenvolvem-se 
relações mais íntimas e relacionamentos de menor contato. 
7 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA 
 
Fonte: cultura.culturamix.com 
 
33 
 
Conforme visto, a vida em sociedade permite ao homem crescimento 
social, político, cientifico e cultural, mas modula a forma de sua necessidade. 
Com o início da época moderna (Descartes, Espinoza), a pesquisa antropológica 
abandona a impostação cosmocêntrica dos filósofos gregos e a teocêntrica dos 
autores cristãos para enveredar pela antropocêntrica: o homem como ponto de 
partida da pesquisa filosófica. 
A Filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos, busca 
encadeamentos lógicos entre os enunciados, opera com conceitos ou ideias 
obtidos por procedimentos de demonstração e prova, exigindo a fundamentação 
racional do que é enunciado e pensado. 
Não se trata de dizer “eu acho que”, mas de poder afirmar “eu penso que”. 
Logo, o conhecimento filosófico é um trabalho intelectual e sendo sistemático, 
não se contenta em obter respostas para as questões colocadas, mas exige que 
as próprias questõessejam válidas e, em segundo lugar, que as respostas sejam 
verdadeiras, estejam relacionadas entre si, esclareçam umas às outras, formem 
conjuntos coerentes de ideias e significações, sejam provadas e demonstradas 
racionalmente. 
Mediante uma análise ampla e refletida, examina o fenômeno “homem” 
sob os pontos de vista mais importantes, procurando ver antes de mais nada o 
que ele é: corporeidade, cultura, trabalho, jogo, religião. Somente depois dessa 
ampla fenomenologia das aparências é que ele procura decifrar e explicar o 
sentido profundo e completo do homem. Dessa forma, é pertinente dizer que a 
antropologia se ocupa da dimensão integral do homem, cuja análise abarca sua 
dimensão cultural e biológica: o homem nunca parou de interrogar-se sobre si 
mesmo. Em todas as sociedades existiram homens que observaram homens. 
A reflexão do homem sobre o homem e sua sociedade, e a elaboração de 
um saber são, portanto, tão antigos quanto a humanidade, e se dera tanto na 
Ásia como na África, na América, na Oceania ou na Europa, mas, o projeto de 
fundar uma ciência do homem – uma antropologia- é, ao contrário, muito recente. 
 De fato, apenas no final do século XVIII é que começa a se constituir um 
saber científico (ou pretensamente científico) que toma o homem como objeto 
de conhecimento, e não mais a natureza; apenas nessa época é que o espírito 
científico pensa, pela primeira vez, em aplicar ao próprio homem os métodos até 
então utilizados na área física ou da biologia. 
 
34 
 
[...]. As sociedades estudadas pelos primeiros antropólogos são 
sociedades longínquas às quais são atribuídas as seguintes 
características: sociedades de dimensões restritas; que tiveram 
poucos contatos com os grupos vizinhos; cuja tecnologia é pouco 
desenvolvida em relação à nossa; e nas quais há uma menor 
especialização das atividades e funções sociais. São também 
qualificadas de “simples”; em consequência, elas irão permitir a 
compreensão, como numa situação de laboratório, da organização 
“complexa “de nossas próprias sociedades (LAPLANTINE, 2003, apud 
CUNHA, 2011, p.11). 
7.1 O estudo do homem inteiro 
Só pode ser considerada como antropológica uma abordagem integrativa 
que objetive levar em consideração as múltiplas dimensões do ser humano em 
sociedade. Certamente, os acúmulos dos dados colhidos a partir de observações 
diretas, bem como o aperfeiçoamento das técnicas de investigação, conduzem 
necessariamente uma especialização do saber. 
Porém, uma das vocações maiores de nossa abordagem consiste em não 
parcelar o homem, mas, ao contrário, em tentar relacionar campos de 
investigação frequentemente separados. Ora, existem cinco áreas principais da 
antropologia, que nenhum pesquisador pode, evidentemente, dominar hoje em 
dia, mas às quais ele deve estar sensibilizado quando trabalha de forma 
profissional em algumas delas, dado que essas cinco áreas mantêm relações 
estreitas entre si. 
7.2 A antropologia biológica 
Consiste no estudo das variações dos caracteres biológicos do homem no 
espaço e no tempo. [...]. Assim, o antropólogo biologista levará em consideração 
os fatores culturais que influenciaram o crescimento e a maturação do indivíduo. 
Ele se perguntará, por exemplo: por que o desenvolvimento psicomotor da 
criança africana é mais adiantado do que o da criança europeia? 
 Essa parte da antropologia, longe de consistir apenas no estudo das 
formas de crânios, mensurações do esqueleto, tamanho, peso, cor da pele, 
 
35 
 
anatomia comparada das raças e dos sexos, interessa-se em especial - desde 
os anos 50 - pela genética das populações, que permite discernir o que diz 
respeito ao inato e ao adquirido, sendo que um e outro estão interagindo 
continuamente. Ela tem, a meu ver, um papel particularmente importante a 
exercer para que não sejam rompidas as relações entre as pesquisas das 
ciências da vida e das ciências humanas. 
7.3 A antropologia pré-histórica 
É o estudo do homem através dos vestígios materiais enterrados no solo 
(ossadas, mas também quaisquer marcas da atividade humana). Seu projeto, 
que se liga à arqueologia, visa reconstituir as sociedades desaparecidas, tanto 
em suas técnicas e organizações sociais, quanto em suas produções culturais e 
artísticas. [...] O especialista em pré-história recolhe, pessoalmente, objetos do 
solo. Ele realiza um trabalho de campo, como o realizado na antropologia social 
na qual se beneficia de depoimentos vivos. 
7.4 Antropologia linguística 
A linguagem é, com toda evidência, parte do patrimônio cultural de uma 
sociedade. É através dela que os indivíduos que compõem uma sociedade se 
expressam e expressam seus valores, suas preocupações, seus pensamentos. 
 Apenas o estudo da língua permite compreender: o como os homens 
pensam o que vivem e o que sentem, isto é, suas categorias psicoafetivas e 
psicocognitiva; o como eles expressam o universo e o social (estudo da literatura, 
não apenas escrita, mas também de tradição oral); o como, finalmente, eles 
interpretam seus próprios “saber-fazer” (área das chamadas etnociências). [...]. 
Ela se interessa também pelas imensas áreas abertas pelas novas técnicas 
modernas de comunicação (mass media e cultura do audiovisual). 
7.5 A antropologia psicológica 
Consiste no estudo dos processos e do funcionamento do psiquismo 
humano. De fato, o antropólogo é em primeira instância confrontado não a 
 
36 
 
conjuntos sociais, e sim a indivíduos. Ou seja, somente através dos 
comportamentos – conscientes e inconscientes - dos seres humanos 
particulares podemos apreender essa totalidade sem a qual não é antropologia. 
É a razão pela qual a dimensão psicológica (e também psicopatológica) é 
absolutamente indissociável do campo do qual procuramos aqui dar conta. Ela 
é parte integrante dele. 
7.6 A antropologia social e cultural (ou etnologia) 
 Toda vez que utilizarmos a partir de agora o termo “antropologia” mais 
genericamente, estaremos nos referindo à antropologia social e cultural (ou 
etnologia), mas procuraremos nunca esquecer que ela é apenas um dos 
aspectos da antropologia. Um dos aspectos cuja abrangência é considerável, já 
que diz respeito a tudo que constitui uma sociedade: seus modos de produção 
econômica, suas técnicas, sua organização política e jurídica, seus sistemas de 
parentesco, seus sistemas de conhecimento, suas crenças religiosas, sua 
língua, sua psicologia, suas criações artísticas. 
 Isso posto, esclareçamos desde já que a antropologia consiste menos no 
levantamento sistemático desses aspectos do que em mostrar a maneira 
particular com a qual estão relacionados entre si e através da qual aparece a 
especificidade de uma sociedade. 
No mundo atual onde os problemas étnicos reaparecem e no qual a 
demanda pelo reconhecimento das diferenças, sejam elas políticas, sociais, 
culturais ou de gênero encontra-se na ordem do dia, a Antropologia Social tem 
dado contribuições importantes em seu esforço para um melhor entendimento 
das relações humanas. Este campo de saber com sua diversidade, riqueza e 
heterogeneidade, contribui com um novo olhar sobre a experiência humana no 
tempo e no espaço. 
Pois vive-se num mundo de fenômenos desprovidos de conteúdo social, 
que se originam das condições hostis que invadem a sociedade, dos perigos e 
incertezas que nos cercam, da ênfase colocada no indivíduo, onde o outro torna-
se o nosso inimigo imediato. No individualismo moderno, a impessoalidade 
converteu-se em indiferença e pouco a pouco, desaprendemos a gostar de 
gente. Daí que, a Antropologia Social, nos ensina que este outro, muito antes de 
 
37 
 
constituir-se numa ameaça, é alguém que devemos conhecer e respeitar como 
uma parte de nós mesmos, companheiro e cúmplice da fascinante jornada que 
empreendemos na universalidade da dimensão que nos "torna" humanos. Em 
síntese, a Antropologia é uma chave para a compreensão do homem,dado que, 
uma das maneiras mais proveitosas de se dar a conhecer é traçar-lhe a história, 
mostrando como foi variando o seu colorido através dos tempos e como deitou 
ramificações novas que alteraram seu tema de base ampliando-o. 
8 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA SOCIOLOGIA 
 
Fonte: larousse.fr 
A atitude filosófica dirigiu-se a indagações referentes ao mundo e às 
relações que os seres humanos mantêm com ele. Pouco a pouco, porém, 
descobriu-se que essas questões se referem, afinal, à capacidade humana de 
conhecer ou pensar. Por isso, as perguntas da Filosofia se dirigiram ao próprio 
pensamento: o que é pensar, como é pensar, por que há o pensar? - trazendo 
à memória a famosa escultura Le Penseur do francês Auguste Rodin. 
Ainda assim, a Filosofia tornou-se o pensamento interrogando-se a si 
mesmo. No entanto, existencialidades e estruturalistas, marxistas e tomistas, 
evolucionistas e espiritualistas, ateus e cristãos, todos são concordes em atribuir 
uma importância fundamental ao estudo do homem. Já a Sociologia surgiu em 
meados do século XIX, quando já havia ocorrido a Revolução Burguesa na 
 
38 
 
Inglaterra no século XVII e iniciado a Revolução Francesa, no final do século 
XVIII, em 1789, apresentado como um termo híbrido formado a partir de duas 
línguas: do latim socio com ideia de social, e do grego logos (razão), que exprime 
a ideia de “palavra” ou “estudo”; significando, portanto, “estudo do social” ou 
“estudo da sociedade”. 
Estes dois movimentos revolucionários implantaram o processo liberal 
que deu sustentação ao desenvolvimento do modo de produção capitalista e ao 
Estado Burguês no mundo ocidental, desenvolvendo e consolidando-se, no 
decorrer do tempo subsequente, no qual o capitalismo assegurou as condições 
de produção e reprodução do Mundo Moderno. 
8.1 Capitalismo 
A maior parte das criações do intelecto ou da imaginação desaparecem 
para sempre em um prazo que varia entre de uma hora a uma geração. No 
entanto, algumas não desaparecem. Pode ser que sofram eclipses, mas 
retornam, e retornam não como elementos irreconhecíveis de uma herança 
cultural, mas com a sua roupagem individual, com as suas cicatrizes pessoais 
que se podem ver e tocar. Essas, perfeitamente pode-se chamar de grandes. 
Tomada nesse sentido, essa é, sem dúvida, a palavra que aplica à mensagem 
de Marx. 
Nas sociedades pré-capitalistas, o trabalho e a venda de produtos eram 
formas de satisfazer as necessidades de sobrevivência, isto é, o trabalho não 
era realizado como forma de obter lucros. Com a Primeira Revolução Científica 
e Tecnológica surge a forma de trabalho assalariado, em que o trabalhador 
participa do modo de produção apenas com sua força de trabalho. 
O trabalho passa a ser visto como uma forma de gerar riquezas para 
alguns (os proprietários), que não fazem nada a não ser que tenham a certeza 
do lucro. Surge então, no século XV, o que se denomina capitalismo 
(acumulação do capital para gerar riquezas); na passagem da Idade Média para 
a Idade Moderna, partindo da decadência do sistema feudal e do nascimento de 
uma nova classe social, a burguesia. 
 
39 
 
8.2 Neoliberalismo 
Os neoliberais (organizadores dos modos de produção) sustentam que os 
países periféricos (subdesenvolvidos), que têm dívidas enormes com os bancos 
internacionais, perderam a capacidade de governar e, sob esse argumento, 
passaram a definir as reformas e ajustes econômicos nos países pobres. 
A implantação das políticas neoliberais foi facilitada pelos avanços 
tecnológicos que romperam fronteiras e tornaram as transações financeiras 
internacionais mais ágeis. Outro fenômeno de transformação nos modos de 
produção e difusão dos ideais neoliberais foi a globalização, que trouxe como 
consequência a criação de empresas gigantescas e poderosas que se 
implantaram em diversas partes do mundo, principalmente nos países pobres 
em busca de matéria-prima e mão de obra barata. 
“O neoliberalismo configura-se como uma reação mundial a crise 
econômica iniciada após a Segunda Guerra Mundial, o que exigiu uma 
reestruturação do capital para a retomada do ciclo de produção. Essa 
ideologia propõe o afastamento da intervenção do Estado no mercado 
econômico e político e tem como principais caraterísticas os conceitos 
de individualismo, de liberdade e de propriedade (LIMA, 2007 apud 
PARONETO, 2016, p. 76). 
O individualismo, a liberdade e a propriedade que o neoliberalismo 
apregoa desconsideram que as origens das desigualdades sociais são de ordem 
política e econômica; não são naturais. Sabemos bem que, sobretudo nos países 
subdesenvolvidos, as pessoas não têm as mesmas oportunidades e condições 
para se integrarem em uma sociedade que é historicamente marcada pela 
exclusão dos menos favorecidos. 
Por isso podemos dizer que avanços tecnológicos, políticas neoliberais e 
globalização são fenômenos interligados que vão produzir profundas 
modificações no contexto político, social e econômico no mundo atual. Mas afinal 
o que é globalização? 
 
40 
 
8.3 Globalização 
Em contextos amplos, percebemos os efeitos da globalização quando 
gostos, preferências, hábitos e costumes são modificados e passam a ser 
incorporados na vida das pessoas. O ponto central da globalização acaba sendo 
a manutenção de condições que visam o capital e o lucro para os países 
desenvolvidos, deixando os países e populações mais pobres à margem desse 
processo. Essa percepção a respeito da globalização, com críticas e 
constatações sobre a exclusão social e seus efeitos massificadores, tem sido 
comentada por estudiosos e se revela igualmente em inúmeras oportunidades, 
inclusive no meio artístico. 
As teses que consideram que a globalização implica espaços homogêneos 
e um mundo “sem fronteiras” são as que supõem que as informações, 
conhecimentos e tecnologias são simples mercadorias, passíveis de serem 
“transferidas” sob a mediação dos mercados via mecanismos de preço. Nestas 
análises, credita-se aos avanços nas tecnologias de informação e comunicação 
a possibilidade de realização conjunta e de coordenação de atividades de 
pesquisa e desenvolvimento por participantes localizados em diferentes países 
do mundo, permitindo tanto a integração das mesmas em escala mundial, como 
a difusão rápida e eficiente das tecnologias e conhecimentos gerados. 
Por um lado, porque tais avanços supostamente possibilitam uma mais 
fácil, barata e, portanto, intensa transferência dessas informações e 
conhecimentos. Por outro lado, porque as difusões das novas tecnologias viriam 
permitir e promover a intensificação das possibilidades de codificação dos 
conhecimentos, aproximando-os de uma mercadoria passível de ser apropriada, 
armazenada, memorizada, transacionada e transferida, além de poder ser 
reutilizada, reproduzida e licenciada ou vendida indefinidamente e a custos 
crescentemente mais reduzidos. 
O entendimento do conceito e das implicações do fenômeno da 
globalização constitui um ponto de partida na análise das especificidades da Era 
do Conhecimento. A primeira constatação é a inconsistência conceitual e o forte 
conteúdo ideológico com que o termo foi moldado. 
Na percepção dominante, estaríamos caminhando para um mundo sem 
fronteiras com mercados (de capitais, informações, tecnologias, bens, serviços 
 
41 
 
etc.) tornando-se efetivamente globalizados e para um sistema econômico 
mundial dominado por “forças de mercado incontroláveis”, sendo seus principais 
atores as grandes corporações transnacionais socialmente sem raízes e sem 
lealdade com qualquer Estado-Nação. 
Tais corporações estabelecer-se-iam em qualquer parte do planeta, 
exclusivamente em função de vantagens oferecidas pelos diferentes mercados. 
Assim, apregoa-se que a única forma de evitar tornar-se um perdedor — seja 
como nação, empresa ou indivíduo — é ser o mais inserido, articulado e 
competitivo possível no cenárioglobal. 
 Dessa perspectiva, a globalização é apresentada como um mito, um 
fenômeno irreversível sobre o qual não se pode intervir ou exercer influência. O 
papel dos Estados nacionais, particularmente da periferia menos desenvolvida, 
é aqui descrito como extremamente diminuído, senão anulado, só lhes restando 
a aceitação incondicional e o azeitamento do desenvolvimento das forças 
econômicas em escala global. 
8.4 Pólis: uma herança greco-romana 
Na Grécia Antiga, a pólis era um pequeno território localizado 
geograficamente no ponto mais alto da região, e cujas características eram 
equivalentes a uma cidade-estado. Em Roma, os conceitos de público e privado 
configuram-se em pilares do Direito Romano. Na sociedade grega (polis) tais 
conceitos configuram-se em espaços distintos de atuação do cidadão. 
O surgimento da pólis foi um dos mais importantes aspectos no 
desenvolvimento da civilização grega e está intimamente ligada a uma unidade 
de interesses da coletividade; determinando a configuração de experiências 
políticas e sociais diversas entre os gregos. Os espaços de atuação do cidadão 
são distintos, mas não antagônicos, uma vez que eles dialogam, havendo um 
constante encontro dessas duas dimensões. 
Para elucidação do tema, são trazidas as ideias da filósofa Hannah 
Arendt, que trabalha os conceitos de público e privado, a partir de conceitos 
fundamentais, como: 
 Trabalho: necessário à sobrevivência biológica e se efetiva na 
atividade do animal laborans; 
 
42 
 
 Produção: encontra-se nos domínios do homo faber (que produz 
objetos duráveis com o uso de determinadas técnicas e partilha o 
seu saber de fabricação com outros homens; 
 Ação: é a característica matricial da vida humana em sociedade. 
 
Ainda segundo Arendt: 
 Os homens agem e interagem uns com os outros no seio de uma 
vida política em sociedade; 
 Arendt enquadra o trabalho (labor) e a produção (work) no domínio 
da esfera privada, enquanto a ação está exclusivamente no plano 
da esfera pública (politica); 
 O privado é o reino da necessidade, enquanto o público é o reino 
da liberdade; 
 A ação (política) nunca é equivalente a um trabalho necessário à 
sobrevivência biológica ou à produção técnica. A ação é uma 
atividade comunicacional mediada pela linguagem da pluralidade 
de opiniões no confronto político. 
Entretanto, os conhecimentos sociológicos, são indispensáveis na 
discussão da pluralidade cultural, pelas possibilidades que abrem de 
compreensão de processos complexos, onde se dão interações entre 
fenômenos de diferentes naturezas. 
Nesta circunstância, os grupos sociais são diferenciados, principalmente 
pela cultura em que vivem, havendo diversas culturas ao invés de uma só e sua 
serventia está na manutenção da própria sociedade, isto é, seus modos e 
padrões de vida são amostras de como está a sociedade, como ela funciona e 
como está sua estrutura naquele momento. 
Na ausência dessa atitude, o que resulta é um clima de ressentimento, 
resistência, incompreensão, falta de colaboração e iniciativa, enfim, uma 
atmosfera que não conduz a um aproveitamento positivo na relação que se 
estabelece. Se, por outro lado, se manifesta a prática de “relações humanas”, 
então é possível afirmar, sem medo de errar, que o contato humano estabelecido 
tenderá para um resultado positivo, eliminando, "a priori", a possibilidade de 
 
43 
 
conflito básico entre as partes, dando a cada uma delas um crédito preliminar 
que facilitará o desenvolvimento da relação. 
O sociólogo alemão Norbert Elias em “A sociedade dos indivíduos”, diz 
que os indivíduos são condicionados socialmente ao mesmo tempo pelas suas 
autoimagens e por aquelas que lhes são atribuídas pelos outros com quem se 
relacionam. Quando se resgata historicamente o tempo, o homem pode repensar 
sua vida e transformá-la à medida que é sujeito do processo de construção da 
própria história e também do tempo. Pelo fato de não nascermos com um sentido 
temporal pronto, organizações temporais têm que ser aprendidas juntamente 
com outros aspectos culturais, conforme explica Elias: 
"No nosso tipo de sociedade, a vida do homem se mede com exata 
pontualidade. Uma escala social temporal que mede a idade (tenho 
doze anos, você tem dez), o indivíduo a aprende e a integra, como 
elemento social, na imagem de si mesmo e dos demais. Esta 
subordinação de medidas temporais não somente serve como 
comunicação sobre quantidades distintas, se não que alcança seu 
pleno sentido como abreviação simbólica comunicável de diferenças e 
transformações humanas conhecidas no biológico, psicológico e 
social” (ELIAS, 1989, apud MARTINS, 2000, p. 80). 
Segundo FREIRE (2006, p. 70), a diferenciação entre público e privado 
decorre de uma visão política instalada pelo regime republicano. A república – 
do latim respublica tem significado de “coisa pública”, que remete a ideia de 
“governo das leis” (e não de homens). Em termos simples, a Sociologia (surgiu 
no fim do século XVIII e início do século XIX) é a ciência que se debruça sobre 
a própria sociedade e todas as suas ramificações, componentes e integrantes; 
dedicando-se a compreender as formas de interação que as pessoas têm umas 
com as outras, suas organizações e os fenômenos sociais observados na 
realidade dos indivíduos. 
Os conhecimentos sociológicos, no entanto, permitem uma discussão 
acurada de como as diferenças étnicas, culturais e regionais não podem ser 
reduzidas à dimensão socioeconômica de classes sociais. As diversas 
contribuições da Sociologia evidenciam que nos grupos sociais existem normas, 
hábitos, costumes próprios, divisão de funções e posições sociais definidas, em 
 
44 
 
que os indivíduos, dos primeiros momentos da História aos dias de hoje 
estabeleceram relações entre si que fazem parte de suas rotinas cotidianas. 
O olhar sociológico traz-nos sempre uma nova perspectiva sobre 
situações que aparentemente são de natureza individual, mas que acabam por 
atingir uma gama muito maior de nossa realidade coletiva. Pode-se tomar como 
exemplo a situação econômica dos indivíduos, que, embora possa ser uma 
abordagem bastante particular, pode também ser observada por uma 
perspectiva mais abrangente, quando se volta para a análise da situação 
econômica de todo um país. 
Isso significa abordar toda a cadeia social, as formas como a realidade 
econômica é afetada e as possíveis consequências desse fenômeno, como o 
acentuamento da desigualdade social e, possivelmente, o agravamento de 
outros problemas, como a violência, a fome e a precarização da educação. 
8.5 Representação social 
A teoria das representações sociais os conhecimentos, crenças, e ideias 
que a sociedade adquire por meio da interação social e através das quais se 
constrói uma realidade comum no interior de cada conjunto social. Além disso, 
aparece como uma forma de identificação de um grupo. 
Na representação social, os sujeitos se identificam com o seu grupo 
social, conquistando uma formação sociocultural que facilitará a comunicação no 
meio em que se insere, para que funcione como um elo entre o indivíduo e o 
mundo. Nos últimos anos, o conceito de representação social tem aparecido com 
grande frequência em trabalhos de diversas áreas, o que leva muitas vezes à 
indagação sobre o que será, afinal, algo de que tanto se fala. Com efeito, este 
conceito atravessa as ciências humanas e não é patrimônio de uma área em 
particular; tendo fundas raízes na Sociologia, e uma presença marcante na 
Antropologia e na história das mentalidades. 
A partir dos anos 60, com o aumento do interesse pelos fenômenos do 
domínio do simbólico, vê-se florescer a preocupação com explicações para eles, 
as quais recorrem às noções de consciência e de imaginário. As noções de 
representação e memória social também fazem parte dessas tentativas de 
explicação. A obra seminal de Moscovici - La Psychanalyse,son image, son 
 
45 
 
public - que contém a matriz da teoria, surge em 1961 na França, causando 
espécie nos meios intelectuais pela novidade da proposta. Entretanto, foi um 
rápido momento de impacto que não produziu desdobramentos visíveis. 
A perspectiva moscoviciana permaneceu encerrada no Laboratório de 
Psicologia Social da École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, e 
nos laboratórios de colegas como Claude Flament, Jean Claude Abric, no sul da 
França, e outros também interessados por ela, de forma mais dispersa, na 
Europa, cuja teoria aparentemente não vinga de imediato, fazendo sua 
reaparição com força total no início dos anos 80. 
Como vários outros conceitos que surgem numa área e ganham uma 
teoria em outra, embora oriundos da sociologia de Durkheim, é na psicologia 
social que a representação social ganha uma teorização, desenvolvida por Serge 
Moscovici e aprofundada por Denise Jodelet. Essa teorização passa a servir de 
ferramenta para outros campos, como a saúde, a educação, a didática, o meio 
ambiente, e faz escola, apresentando inclusive propostas teóricas diversificadas. 
Na multiplicidade de relações possíveis, “os seres humanos, como peças 
de um caleidoscópio, formam e tornam a formar agrupamentos, combinam e 
voltam a combinar-se em associações inúmeras, dotadas de diferentes 
estruturas. Muitos são os elementos que podem explicar a gênese das 
representações sociais; no entanto, nem todos têm a mesma importância. 
Alguns são essenciais e outros secundários: 
Torna-se, pois, importante conhecer, compreender, e agir no campo da 
representação social, respeitando sua organização, quer dizer, a 
hierarquia dos elementos que a constituem e as relações que esses 
elementos mantêm, estreitamente, entre si. (ABRIC, 2003, apud, 
FRANCO, 2004, p.172). 
A decisão de valorizar o estudo das representações sociais como 
categoria analítica nas áreas da educação e da psicologia da educação baseia-
se na crença de que essa valorização representa um avanço, significa efetuar 
um corte epistemológico que contribui para o enriquecimento e aprofundamento 
dos velhos e já desgastados paradigmas das ciências psicossociais. Além disso, 
não apenas para a educação, mas, de uma maneira mais ampla, para a 
sociedade do conhecimento, a abordagem e a realização de pesquisas sobre 
 
46 
 
representações sociais podem ser consideradas ingredientes indispensáveis 
para a melhor compreensão dessa sociedade. 
Sabe-se que as representações sociais são elementos simbólicos que os 
homens expressam mediante o uso de palavras e de gestos. No caso do uso de 
palavras, utilizando-se da linguagem oral ou escrita, os homens explicitam o que 
pensam, como percebem esta ou aquela situação, que opinião formulam acerca 
de determinado fato ou objeto, que expectativas desenvolvem a respeito disto 
ou daquilo... e assim por diante. Essas mensagens, mediadas pela linguagem, 
são construídas socialmente e estão, necessariamente, ancoradas no âmbito da 
situação real e concreta dos indivíduos que as emitem. 
Portanto, para estudá-las, em primeiro lugar é indispensável conhecer as 
condições de contexto em que os indivíduos estão inseridos mediante a 
realização de uma cuidadosa “análise contextual”. Isso porque entende-se que 
as representações sociais são historicamente construídas e estão estreitamente 
vinculadas aos diferentes grupos socioeconômicos, culturais e étnicos que as 
expressam por meio de mensagens, e que se refletem nos diferentes atos e nas 
diversificadas práticas sociais. 
... vemos funcionar dois sistemas cognitivos, um que processa 
associações, inclusões, discriminações, deduções, quer dizer, o 
sistema operatório, e outro que controla, verifica, seleciona, com a 
ajuda de regras, lógicas ou não; trata-se de um tipo de metasistema 
que retrabalha a matéria produzida pelo primeiro (MOSCOVICI, 1976, 
apud DOISE, 2002, p.30). 
Há que se considerar que as representações sociais (muitas vezes 
idealizadas a partir da disseminação de mensagens e de percepções advindas 
do “senso comum”) sempre refletem as condições contextuais dos sujeitos que 
as elaboram, ou seja, suas condições socioeconômicas e culturais. Daí a 
importância de conhecer os emissores não somente em termos de suas 
condições de subsistência ou de sua situação educacional ou ocupacional. 
Complementando, Mazzotti diz: 
Para Moscovici, sujeito e objeto não são funcionalmente distintos, eles 
formam um conjunto indissociável. Isso quer dizer que um objeto não 
existe por si mesmo, mas apenas em relação a um sujeito (indivíduo 
 
47 
 
ou grupo); é a relação sujeito-objeto que determina o próprio objeto. Ao 
formar sua representação de um objeto, o sujeito, de certa forma, 
constitui, o reconstrói em seu sistema cognitivo, de modo a adequá-lo 
ao seu sistema de valores, o qual, por sua vez, depende de sua história 
e do contexto social e ideológico no qual está inserido. (MAZZOTTI, 
2002, apud, FRANCO, 2004, p.171). 
Ainda que a sua importância seja enfatizada em várias ocasiões, o estudo 
das representações sociais não tem sido suficientemente explorado por grande 
parte dos educadores e tampouco pelos teóricos da psicologia tradicional sob a 
falsa alegação de que “entre o que se diz” e o “que se faz” existe um abismo 
intransponível. 
De uma maneira geral, as representações sociais são definidas como 
princípios organizadores das relações simbólicas entre indivíduos e grupos. Seu 
estudo remete a três hipóteses importantes: 
I. Uma primeira hipótese é que os diferentes membros de uma população 
estudada partilham efetivamente certas crenças comuns concernentes a uma 
dada relação social. As representações sociais (RS) se constroem nas relações 
de comunicação que supõem referentes ou pontos de referência comuns aos 
indivíduos ou grupos implicados nessas trocas simbólicas; 
II. Uma segunda hipótese refere-se à natureza das tomadas de posições 
individuais em relação a um campo de (RS). A teoria das representações sociais 
deve explicar como e por que os indivíduos diferenciam entre si nas relações 
que eles mantêm com essas representações. Isto implica que essas variações 
nas tomadas de posição individuais são organizadas de uma maneira 
sistemática; 
III. Uma terceira hipótese considera a ancoragem das tomadas de posição 
em outras realidades simbólicas coletivas, como as hierarquias de valores, as 
percepções que os indivíduos constroem das relações entre grupos e categorias 
e as experiências sociais que eles partilham com o outro. 
Segundo a teoria em pauta, a representação social na verdade opera uma 
transformação do sujeito e do objeto na medida em que ambos são modificados 
no processo de elaborar o objeto. O sujeito amplia sua categorização e o objeto 
se acomoda ao repertório do sujeito, repertório o qual, por sua vez, também se 
modifica ao receber mais um habitante. 
 
48 
 
A representação, portanto, repito, não é cópia da realidade, nem uma 
instância intermediária que transporta o objeto para perto/dentro do nosso 
espaço cognitivo. Ela é um processo que torna conceito e percepção 
intercambiáveis, uma vez que se engendram mutuamente, como no caso do 
inconsciente agitado ou do complexo visível a olho nu. 
O processo social no conjunto é um processo de familiarização pelo 
qual os objetos e os indivíduos vêm a ser compreendidos e distinguidos 
na base de modelos ou encontros anteriores. A predominância do 
passado sobre o presente, da resposta sobre o estímulo, da imagem 
sobre a realidade tem como única razão fazer com que ninguém ache 
nada de novo sob o sol. A familiaridade constitui ao mesmo tempo um 
estado das relações no grupo e uma norma de julgamento de tudo o 
que acontece. (MOSCOVICI, 1961, apud ARRUDA, 2002, p.137). 
As representações sociais constituem uma espécie de fotossíntese 
cognitiva: metabolizam a luz que o mundo joga sobre nós sob a forma de 
novidadesque nos iluminam (ou ofuscam) transformando-a em energia. Esta se 
incorpora ao nosso pensar/perceber este mundo, e a devolvemos a ele como 
entendimento, mas também como juízos, definições, classificações. 
Como na planta, ela significa intensas trocas e mecanismos complexos 
que, constituindo eles mesmos um ciclo, contribuem para o ciclo da renovação 
da vida. [...] minha convicção [é] que nesta química reside uma possibilidade de 
descoberta da pedra filosofal para o trabalho de construção de novas 
sensibilidades ao meio ambiente. Ou seja, é nela que residem nossas chances 
de transformar ou, quando menos, de entender as dificuldades para a 
transformação do pensamento social. 
...a representação social é um corpus organizado de conhecimentos e 
uma das atividades psíquicas graças às quais os homens tornam a 
realidade física e social inteligível, se inserem num grupo ou numa 
relação cotidiana de trocas, liberam o poder da sua imaginação. 
(MOSCOVICI, 1961, apud ARRUDA, 2002, p. 142). 
A fluidez de conceituação da representação social, com seus múltiplos 
enunciados, é alvo fácil da crítica. Esta também ataca o fato de que a teoria 
propõe metodologias variadas e pouco amarradas. Moscovici costuma 
 
49 
 
responder a tais críticas afirmando tratar-se de uma fluidez proposital, que visa 
permitir desenvolver a teoria e a criatividade dos pesquisadores, na medida em 
que o interesse maior seria a descoberta e não a verificação, a comprovação. 
Ao mesmo tempo, ao trabalhar com essa teoria, tentar transmiti-la a 
pesquisadores iniciantes, percebe-se que a representação social, na interface 
da psicologia e da sociologia, é uma alternativa de grande plasticidade, que 
busca captar um fenômeno móvel, por vezes volátil, por vezes rígido, cuja 
complexidade reforça a dificuldade da sua captação. Perceber uma 
representação social é fácil, mas defini-la, nem tanto. 
9 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA 
 
Fonte: abrapso.org.br 
A Psicologia é usualmente definida como ciência do comportamento 
humano e a Psicologia Social é definida como o ramo dessa ciência que lida com 
a interação humana, no qual, um de seus maiores propósitos é o 
estabelecimento de leis gerais por meio da observação sistemática, ganhando 
notoriedade ao procurar estabelecer uma ponte entre a Psicologia e as Ciências 
Sociais; dentre as quais pode-se destacar não apenas a Sociologia, mas também 
a Antropologia, a História e, inclusive, a Ciência Política. 
 
50 
 
9.1 A Psicologia Social 
Para o psicólogo Serge Moscovici, em realidade, é na vida com os outros 
que pensamento, sentimento e motivação humanos se desenvolvem. Nesse 
sentido, a Psicologia Social, utilizando-se de seus próprios métodos, 
particularmente os experimentais, deve tornar-se um tipo de Antropologia da 
cultura moderna. Seus próprios métodos só deveriam ser utilizados quando há 
a possibilidade de extrapolarem para outras disciplinas “que se ocupam das 
mesmas questões, fornecendo-nos bases de dados e orientações teóricas”. Para 
o psicólogo social, tais leis gerais são desenvolvidas a fim de descrever e 
explicar a interação social. 
Essa visão tradicional da lei científica repete-se de uma ou outra forma 
em quase todas as pesquisas fundamentais do campo, no qual, a Psicologia 
Social é principalmente vista como um inquérito histórico e diferentemente das 
Ciências Naturais, ela lida com fatos que são em grande medida irrepetíveis e 
notadamente instáveis. 
A Psicologia Social enxerga o individual de modo mais amplo e se 
interessa por entender como as forças sociais atuam sobre os indivíduos e vice-
versa, e é por isso interessa também à Ciência Política, no sentido de que aquilo 
que é vivido no campo individual contribui de alguma forma para a melhora ou 
piora da sociedade, para a manutenção ou quebra de paradigmas, implicando 
nas motivações pessoais de luta pelo poder dominante. 
Dessa maneira, a realidade das relações entre o individual e o social 
necessita de modelos ternários, fazendo intervir o outro na construção desta 
realidade. Em nossas negociações com o outro, com outros indivíduos e grupos, 
temos consciência que os processos se desenvolvem ao mesmo tempo dos dois 
lados. Daí a importância das representações sociais, constituindo uma parte 
importante da realidade social e a modulando. 
9.2 O processo grupal 
O projeto da psicologia societal não implica apenas em um conhecimento 
dos problemas pertinentes elaborados pelas outras disciplinas, como a 
 
51 
 
Sociologia ou a Antropologia, mas também em uma articulação de nossas 
análises com aquelas mais societais. 
Piaget (1932) foi, sem dúvida, um precursor, quando declarava, a 
propósito de sua análise da mentalidade primitiva, que não havia como retornar 
a uma “fase pré-sociológica da psicologia”, mas que ele gostaria de “assinalar 
que nos quadros traçados pela Sociologia há todo um interesse de restabelecer 
a análise psicológica: há atualmente muito mais paralelismo do que antagonismo 
entre os estudos sociológicos e as pesquisas psicológicas”. 
10 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DO DIREITO 
 
Fonte: veja.abril.com.br 
No estudo da palavra “direito” nota-se que sua origem está num vocábulo 
do latim: directum ou rectum, que significa “reto” ou “aquilo que é conforme uma 
régua”. Esta concepção, ainda, se somou à noção positivista, vez que em suas 
diversas acepções, conforme veremos, consolidou-se o “pressuposto de uma 
regra a determinar o que é ‘certo’ e uma autoridade ou chefe a impô-la”. 
O vocábulo “direito” encontra, pois, uma pluralidade de significações que 
refletem diferentes realidades, mas que, embora não se limitando ao significado 
vinculado a sua origem latina, carrega sempre consigo este pressuposto de ser 
uma regra a determinar o que é certo. Assim, pode significar: 
 
52 
 
 Norma: quando, por exemplo, se diz que “o direito proíbe uma 
conduta”. Este é o sentido mais comum que se dá à palavra 
“direito”, sendo que inúmeras definições correntes se referem à 
acepção do direito como lei, ou como um conjunto de normas, 
como as referências positivistas mais comuns; 
 Faculdade: quando, numa expressão, se diz que “o cidadão tem o 
direito de propor uma ação”. Este é o mesmo sentido dado pelo 
jurista alemão Rudolf von Ihering quando propõe que direito “é o 
interesse protegido pela lei”. Esta acepção é, pois, uma ideia de 
direito subjetivo, já que reflete um poder, uma faculdade 
reconhecida ao sujeito. 
Desse modo, o Direito é entendido como um sistema de disciplina social 
fundado na natureza humana que, estabelecendo nas relações entre os homens 
uma proporção de reciprocidade nos poderes e deveres que lhes atribui, regula 
as condições existenciais dos indivíduos e dos grupos sociais e, em 
consequência, da sociedade, mediante normas coercitivamente impostas pelo 
poder público. Mas esta concepção é imprecisa, pois é incapaz de dar conta de 
toda a complexidade do fenômeno jurídico, reduzindo-o à mera legalidade. 
10.1 O Direito carece de uma Teoria Geral 
Norberto Bobbio, autor considerado clássico ainda em vida, feito de 
notável apreço, resume na obra em análise: “Teoria da Norma Jurídica”, não 
apenas um exaltar de uma concepção jurídica, mas um verdadeiro contributo 
para uma Teoria Geral do Direito. 
A Teoria da Norma Jurídica afirmou-se como o paradigma e todas as 
considerações e análises críticas às teorias jurídicas suas contemporâneas são 
o seu bastante alicerce que cimentam o fortalecimento de uma doutrina que 
ainda hoje se releva como fundamental e necessária para fazer face aos 
problemas do Direito atual. Norberto Bobbio parte da definição de direito como 
“um conjunto de normas ou regras de conduta” de forma a acentuar o cariz de 
normatividade. 
Todavia, pode-se refletir que o ser humano na sua vivência em sociedade, 
vê-se envolto numa teia de procedimentos aos quais está adstrito, sejamestes 
 
53 
 
de cariz moral, social, religioso ou jurídico, uma vez que, toda e qualquer 
sociedade está permeada por uma normatividade implícita que varia de época 
para época, de sociedade para sociedade. A multiplicidade normativa distingue-
se pelo tipo de finalidade, pelo escopo perseguido pela regra em questão, no 
entanto, tanto a imponente regra jurídica como a regra de conduta de trato social 
têm em comum o fato de se constituírem como meio de influenciar 
comportamentos. 
10.2 A formação dos grupos sociais no Direito 
A civilização grega antiga, através do helenismo, dos romanos antigos, da 
Igreja Ortodoxa Bizantina Antiga, da Cultura Islâmica Medieval, da Igreja 
Católica Romana Medieval e do renascimento cultural e das reformas religiosas 
na Europa da Idade moderna, legou a humanidade ocidental os principais 
conhecimentos nas áreas das Leis, Ciências, Filosofia, Política e Artes. 
Na área das Leis, o Direito Romano Antigo, o Direito Canônico da Igreja 
Católica Medieval, O Direito Português da época da descoberta das Américas, o 
direito da maioria dos países ocidentais na atualidade são herdeiros culturais do 
modus pensanti e operanti da civilização grega antiga. 
A civilização grega antiga se divide em quatro períodos a saber: 
 Período Homérico: entre os anos 1100 e 800 a.C.; período em 
que os poemas Ilíada e Odisseia, atribuídos ao poeta Homero, 
teriam aparecido; 
 Período Arcaico: entre os anos 800 e 500 a.C.; período de 
formação da cidade-Estado grega, a pólis – a sociedade era 
dirigida por uma aristocracia formada por clãs que monopolizavam 
o poder e a cidadania, vivendo em opulência e ciosa de seus 
valores e direitos tradicionais. Em direção ao fim do período, o 
poder começa a ser disputado pelos tiranos, com apoio de um 
sistema militar reformado, enquanto que a expansão marítima e 
comercial abria para outras pessoas um maior campo de 
oportunidades de enriquecimento e ascensão social e trazia para a 
Grécia uma variedade de influências culturais; 
 
54 
 
 Período Clássico: século a.C. entre os séculos V e IV a.C.; 
período de consolidação e hegemonia das cidades-Estado de 
Atenas e Esparta (pólis) e do apogeu da cultura grega; 
 Período Helenístico: chama-se civilização helenística a que se 
desenvolveu fora da Grécia, sob influxo do espírito grego. Esse 
período inicia entre 323 a.C., data da morte de Alexandre, o 
Grande, e termina 30 a.C., quando romanos conquistaram o Egito. 
Para o estudo do Direito de Família grego antigo é especialmente 
importante o período clássico (o período de apogeu da civilização 
grega) e suas relações com as suas instituições jurídico-políticas. 
 
Impulso Associativo 
No entanto, vários estudiosos intentam explicar o impulso associativo do 
ser humano, constituindo significativo subsídio doutrinário para a averiguação 
das principais teorias da ciência do Estado: 
 Platão: interpreta a dimensão social do homem como um 
fenômeno contingente; para ele o homem é um ser etéreo, é 
essencialmente alma e se realiza em sua plenitude e perfeição, 
alcançando a felicidade ao contemplar as ideias, que se localizam 
em um mundo denominado topos uranos, ou lugar celeste. Para 
esta atividade não necessita de ninguém, cada alma se basta, 
existindo e se realizando por conta própria, independentemente 
das outras. Mas, por causa de uma grande culpa, que não é 
explicada em sua teoria, as almas perderam sua condição original 
de espiritualidade absoluta e caíram na Terra, sendo obrigadas a 
assumir um corpo físico para expurgar suas culpas e purificar-se. 
Sendo Platão, portanto, a sociabilidade é uma consequência da 
corporeidade e dura apenas enquanto as almas estiverem ligadas 
ao corpo físico, material; 
 Aristóteles: de maneira oposta, entende que a sociabilidade é 
uma propriedade essencial do homem. Na sua visão, o homem é 
constituído de corpo e de alma, essencialmente. E, por esta 
constituição, não pode se auto realizar, sendo necessário criar 
vínculos sociais para satisfazer suas próprias necessidades e 
 
55 
 
vontades. É a natureza do homem que o impulsiona a querer 
associar-se e interagir com os demais. A sociedade, portanto, é 
uma criação humana e se tem sua base firmada em um contrato, 
que pode ser alterado ou desfeito; 
 Hobbes: com suas ideias apresentadas na obra “Leviatã”, defendia 
que o homem é um ser mau e antissocial por natureza, enxergando 
seus semelhantes como concorrentes a serem dominados ou 
destruídos. O constante estado de guerra, de conflitos e 
brutalidade teria levado os homens a firmarem um contrato entre 
si, transferindo o poder de se autogovernar, seus direitos e 
liberdades ao Estado, que deveria impor ordem e segurança a 
todos; 
 Rousseau: em “O contrato social”, afirma que o homem, ao revés 
do entendimento de Hobbes, é essencialmente bom e livre. A 
sociedade e o aparecimento da propriedade privada é que o 
corrompe, dando início aos inúmeros conflitos sociais. A solução 
encontrada por ele para extirpar os conflitos seria a organização de 
um Estado que só se guie pela vontade geral, e não pelos 
interesses particulares. O instrumento pelo qual se perfaz essa 
sociedade é o contrato social, pelo qual cada indivíduo transfere ao 
Estado a sua pessoa, todos os seus direitos e suas coisas. Ante o 
exposto, entendemos que a sociedade é fruto da própria natureza 
humana, de uma necessidade natural de interação. O homem tem 
necessidade material e espiritual de conviver com seus 
semelhantes, de se desenvolver e de se completar. No entanto, 
essa interdependência recíproca não exclui a participação da 
consciência ou da vontade humana. Consciente de que necessita 
da vida social o indivíduo procura melhorá-la e torná-la mais viável. 
10.3 Relações de afeto 
As relações humanas, como mediadoras da materialidade e mediadas por 
ela, se encontram no campo da reciprocidade, que é também a condição de 
possibilidade para qualquer agrupamento humano. Em todos os lugares e 
 
56 
 
épocas os seres humanos estabeleceram relações entre si, sejam elas de afeto 
ou de poder. Em múltiplas situações, as pessoas comunicam entre si 
diretamente e enquanto membros de uma coletividade estão subordinadas às 
mesmas leis ou preceitos e, devido à interação social, os grupos têm de manter 
alguma forma de organização ao realizar ações conjuntas de interesse comum. 
 A palavra "organização", aqui, designa tanto a ação interna pela qual o 
grupo define suas estruturas quanto o grupo em si mesmo enquanto uma 
atividade estruturada no campo prático, seja na matéria trabalhada ou em outros 
grupos. No entanto, as relações sociais, que fundam os processos individuais, 
são caracterizadas por tensões, equilíbrios e estão vinculadas tanto à 
solidariedade quanto à coação. O homem constrói sua individualidade de forma 
contraditória, pois, ao se singularizar, ele é apoiado e constrangido. É 
singularizado pelo nome que recebe, pelo ato de saudação do outro, pelos 
papéis atribuídos e expectativas postas. Sobre isso, diz Janet: 
Os homens em meio aos quais vivemos nos dão uma certa função 
social e nos forçam a preenchê-la. Eles nos atribuem um caráter 
particular e frequentemente nos educam para que conservemos esse 
caráter. Enfim e sobretudo, eles nos dão um nome único, nos coagem 
a conservá-lo, a nos distinguir de outros homens que têm outros nomes 
(JANET, 1936, apud GÓES, 2000, p. 120). 
Fato curioso é que enquanto a Filosofia ocupava-se com questionamentos 
sobre “De onde vim? ”, “Onde estou? ”, “Para onde vou? ”, a História registrava 
fatos e os relatava, inicialmente de forma oral e mais tarde, com auxílio 
acadêmico. Na Filosofia, entende-se como afeto, em seu senso comum, as 
emoções positivas que se referem a pessoas e que não têm o caráter 
dominantemente totalitário da paixão. Os afetos são emoções que acompanham 
algumas relações interpessoais, das quais ficaexcluída a dominação pela 
paixão. Daí a temporalidade indicada pelo adjetivo afetuoso que traduz atitudes 
como a bondade, a benevolência, a inclinação, a devoção, a proteção, o apego, 
a gratidão, a ternura, etc. 
À vista disso, a Filosofia é entendida como o estudo das inquietações e 
problemas da existência humana, dos valores morais, estéticos, do 
conhecimento em suas diversas manifestações e conceitos, visando à verdade; 
 
57 
 
porém, sem se considerar como verdade absoluta, nem tentando achar essa 
máxima como verdade absoluta. Sua origem como ciência, ou mesmo como 
forma de estudo das inquietações humanas, surge no século VI a.C, na Grécia 
antiga, que é chamada de “o berço da Filosofia ocidental”, trazendo os primeiros 
pensadores Tales, Pitágoras, Heráclito e Xenófanes que, na época, 
concentravam seus esforços para tentar responder racionalmente às questões 
da realidade humana. 
Os filósofos, entretanto, dedicavam seus estudos desde coisas 
extremamente abstratas como o “Ser enquanto ser” passando por questões 
exatas como as reações químicas, queda de corpos, fenômenos naturais, etc. 
Numa época em que praticamente tudo era explicado através da mitologia e da 
ação dos deuses, esses pensadores buscavam racionalmente explicar qual a 
fundamentação e a utilidade dos valores morais na sociedade da época. 
Também queriam identificar as características do conhecimento puro, as origens 
das coisas e outras indagações que surgiam conforme o caminhar intelectual da 
época. Na idade antiga e idade média, a Filosofia teve o seu ápice, abordando 
praticamente todas as áreas científicas conhecidas, além de indagar e buscar 
esclarecer questões pertinentes da época. 
Já a História é uma ciência que investiga o passado da humanidade e o 
seu processo de evolução, tendo como referência um lugar, uma época, um povo 
ou um indivíduo específico. A História que estuda as mudanças e permanências 
ocorridas na sociedade, procura perceber o modo como às pessoas viviam nos 
tempos antigos e como vivem hoje, bem como a relação entre aqueles tempos 
e os tempos atuais, ou seja, averigua o tempo passado e também o presente. 
A investigação dos seres humanos no tempo e no espaço relaciona-se a 
cada povo, com sua cultura, seu jeito próprio de viver e se organizar. Não existe 
cultura superior ou inferior, uma vez que, cada cultura organiza-se conforme a 
necessidade do grupo e sua relação com o espaço em que vive. Cada cultura 
vivenciará e marcará a passagem do tempo de diferentes formas ou ritmos: os 
chamados “tempos históricos”. 
 Os vestígios produzidos pelo homem na sua passagem pela terra são 
chamados de fontes históricas. A história não é feita apenas pelos grandes 
personagens, mas por todos; isto é, por pessoas comuns, isto é, grupos, como 
o dos idosos, soldados, artesãos, o dos pobres, dos ricos, o das mulheres etc.; 
 
58 
 
e instituições sociais, como a igreja, a Câmara dos Deputados, o exército etc.; 
todos, portanto, sujeitos da História. Pelo fato de os seres humanos não 
nascerem com um sentido temporal pronto, organizações temporais têm que ser 
aprendidas juntamente com outros aspectos culturais, conforme explica Elias: 
"Eis uma constatação indiscutível: o homem é uma realidade 
extremamente complexa. Isso é verdade, antes de tudo, na ordem das 
ações. Ele exerce atividades, de todo gênero: conhece, estuda, 
escreve, fala, trabalha, joga, reza, canta, ama, sofre, diverte-se, come, 
etc. E cada uma destas atividades suscita questões e problemas de 
difícil solução. Mas a complexidade acentua-se ainda mais quando se 
passa do plano da ação ao do ser. Então nos perguntamos: quem é 
este indivíduo singular que chamamos Eu e que qualificamos como 
pessoa? O que é que permite a seu corpo explicar as mencionadas 
atividades, muitas das quais transcendem tão abertamente os confins 
da materialidade?" (MONDIN, 1981, apud CARNEIRO, 2009, p. 1). 
10.4 Relações de poder 
Assim como os indivíduos são responsáveis por formar a sociedade, a 
sociedade também atua diretamente na formação do indivíduo, visto que este, 
desde que nasce, deve aprender a seguir as regras e condutas morais que são 
ditadas pelo ambiente social que habita e, ao contrário da ideia de singularidade 
que gira em torno do indivíduo, uma sociedade deve apresentar alguns padrões 
que servem para unir e organizar os indivíduos. 
No entanto, vale lembrar que também existem diferentes sociedades, 
sendo que cada uma costuma apresentar as suas peculiaridades, principalmente 
ligadas a cultura e as tradições das pessoas que as compõem. A sociedade 
brasileira, por exemplo, é formada não só por diferentes etnias, como também 
por imigrantes de diferentes países; além disso, as migrações colocam em 
contato grupos diferenciados. Nesse sentido, sabe-se que as regiões brasileiras 
têm características culturais bastante diversas e que a convivência entre grupos 
diferenciados nos planos social e cultural muitas vezes é marcada pelo 
preconceito e pela discriminação. 
Desse modo, poder apresentado nas Ciências Sociais, é fenômeno de 
importância fundamental, comparável à energia, em relação à física. O seu 
 
59 
 
conhecimento é básico para o Direito Político, pois a Constituição é o instrumento 
jurídico destinado a domar-lhe o exercício, mediante o encontro das formas 
institucionais adequadas para tanto. Para Max Weber, “o poder significa uma 
possibilidade de um homem ou de um grupo de homens realizar sua própria 
vontade, dentro de uma relação social, mesmo em face da resistência de outros”, 
isto é, a relação mercantil gera um laço social mesmo sem passar por relações 
pessoais íntimas, na medida em que esse laço não se esgota no único ato da 
troca, mas se enraíza e participa do processo de reprodução das instituições 
sociais 
 Entretanto, trata-se de um potencial para a realização de fins e 
compreende o conjunto de meios de que um homem pode dispor para inclinar 
as vontades dos semelhantes, obrigando-os a cumprirem uma orientação, a 
seguirem uma rota por ele traçada e identifica-se como uma energia capaz de 
produzir alterações na realidade. Orienta-o uma vontade cujo fim é estabelecer 
uma regularidade de comportamentos, uma atuação contínua por meio de 
disciplina, isto é, uma ordem. Seu pressuposto é a diferenciação hierárquica, 
pela qual um ou alguns atores_ aquele ou aqueles que o exercem_ estão em 
plano superior, orientando os outros, a eles subordinados, ou seja, a hierarquia 
se estabelece porque a pessoa ou as pessoas, situadas em nível mais alto, têm 
a posse dos recursos apropriados para obter dos demais a conduta pretendida. 
Portanto, o poder é sem dúvida, uma relação humana, social, em cujo 
processo se conjugam dialeticamente dominação e dependência. Na sua análise 
é necessário ultrapassar as perspectivas usuais a respeito. Seja a Sociologia, 
que o considera como a medida, o signo manifesto da dimensão repressiva ínsita 
à vida social; seja a jurídico-formal, cuja colocação é em termos de lei e de 
soberania de Estado. Se a primeira é simplista, a segunda vê apenas as formas 
terminais. Nenhuma delas consegue identifica-lo nas suas fontes, esparsas em 
toda sociedade, as quais, pelo constante inter-relacionamento, cristalizam as 
estruturas sociais. 
O poder está presente em toda parte. O seu processo compreende 
múltiplas relações espelhadas ganglionarmente por todo o corpo social, a que 
conferem suas características, a respectiva identidade. Ao exame microscópico 
constata-se não apenas um poder, mas poderes difusos em todo ambiente. Daí 
a definição de sociedade, formulada por Loewenstein, como “um sistema de 
 
60 
 
relações de poder cujo caráter pode ser político, social, econômico, religioso, 
moral, cultural, ou de outro tipo”. Os exemplos são prontamente multiplicáveis. 
O exercício de um cargo no governo, de uma função burocrática, de 
representação partidária ousindical. A pressão do credor sobre seus devedores, 
da empresa sobre seus empregados. O carisma dos condutores de massas. A 
influência sobre a opinião pública resultante da propaganda, das pregações dos 
pastores religiosos, dos artigos dos jornalistas, da palavra dos professores e 
sábios. 
Ressalta a exatidão da advertência de Foucault, de “que se deve 
compreender o poder, primeiro, como a multiplicidade de correlações de força 
imanentes ao domínio onde se exercem e constitutivas de sua organização; o 
jogo que, através de lutas e afrontamentos incessantes, as transforma, reforça, 
inverte; os apoios que tais correlações de força encontram umas nas outras, 
formando cadeias ou sistemas ou, ao contrário, as defasagens e contradições 
que as isolam entre si; enfim, as estratégias em que as originam e cujo esboço 
geral ou cristalização institucional toma corpo nos aparelhos estatais, na 
formulação da lei, nas hegemonias sociais”. 
Para uma análise mais precisa, convém identificar os tipos de poder, de 
acordo com os princípios causadores de dominação e dependência. Fávila 
Ribeiro aponta quatro espécies: 
 O poder político, em que se relacionam autoridade e coerção; 
 O poder econômico, onde estão vinculadas a riqueza e a necessidade; 
 O poder social, em cujo processo de relação figuram a opinião pública e 
a sua manipulação; 
 O poder cultural, lidando saber e ignorância. 
O poder, se não encontra barreira, tende a crescer sem limites e a tornar-se 
opressivo, despótico. Nos dias atuais, é comum formarem-se enormes 
concentrações dele, com o consequente aumento dos fatores de dependência, 
sendo dificultoso resistir a um centro de dominação dessa natureza, pois, 
consoante a clássica formulação de Montesquieu “só o poder freia o poder”. 
“... o poder não pertence a um indivíduo, mas ao grupo do qual se 
origina, substituindo enquanto este permanecer”. (ARENDT, 1970, 
apud DOBROWOLSKI, 1985, p. 101). 
 
61 
 
Para evitar o funcionamento desembestado de poderes imensos, é 
indispensável o controle do seu crescimento exagerado e da sua propensão 
totalitária, disciplinando condutas e desempenhos, através de normas jurídicas 
exequíveis, isto é, dotadas de poder. 
Essas regras tendem a aumentar a capacidade de resistência dos 
dominados, a fim de aplainar o desnível hierárquico e restabelecer, dessa 
maneira, o imprescindível consenso. Cumpre ainda dar meios para que os 
detentores nas diversas ordens, inclusive os grupos sociais, tenham condições 
de se contrastar entre si, mantendo uma saudável estrutura pluralista, com 
oportunidades para todos, porquanto o equilíbrio entre os poderes é essencial 
para evitar o despotismo de qualquer deles. 
11 AGREGADOS SOCIAIS 
 
Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br 
Qualquer sociedade está permeada por uma normatividade implícita que 
varia de época para época, de sociedade para sociedade, no qual, a análise 
histórica perfaz esse conhecimento. Os agregados sociais caracterizam-se 
numa reunião de pessoas frouxamente aglomeradas que, apesar da 
proximidade física, têm um mínimo de relações sociais, isto é, são as formas 
pelas quais os indivíduos se reúnem em função de um objetivo ou vontade 
comuns. 
 
62 
 
A maioria das pessoas dele participante se desconhece e o contato entre 
elas é limitado e de pequena duração, adquirindo três formas peculiares, que 
são multidão, massa e público. A imagem acima, por exemplo, demonstra os 
protestos de Hong Kong, em 2014, que reuniram uma multidão nas ruas pedindo 
pela democracia, e mesmo numa aglomeração, há pouco contato primário, isto 
é, não há uma hierarquia definida. 
11.1 Multidão 
Uma multidão é um agregado pacífico ou tumultuoso de pessoas 
ocupando determinado espaço físico. Um exemplo de uma multidão é um grupo 
de pessoas se juntando para observar um fenômeno. 
As principais características da multidão são: 
 Proximidade física: há contato direto, porém temporário, entre os 
componentes de uma multidão. O indivíduo tem de estar necessariamente 
presente no agregado social; 
 Anonimato e ausência de status: o nome e posição 
social/profissional/econômica das pessoas que se integram à multidão 
não têm importância. Os componentes são anônimos, pois não levam 
consigo sua posição social ao se integrarem na multidão; 
 Falta de organização: mesmo que haja um líder, não há um conjunto de 
normas ou posições definidas ou uma divisão de trabalho. A interação é 
geralmente desordenada e descontrolada, espontânea e imprevisível; 
 Objetivos comuns: a multidão compartilha algum interesse, ato ou 
emoção. Porém, a interação não leva em consideração as personalidades 
sociais distintas. A multidão pode ser fanática e buscar seus objetivos sem 
restrições; 
 Indiferenciação: não há espaço para as diferenças individuais se 
manifestarem. Isto torna os membros iguais; 
 Segurança e poder: devido à presença de outros, os participantes 
podem fazer ou falar coisas que não fariam ou falariam se estivessem 
sozinhos; 
 
63 
 
 Inter excitação: os componentes se deixam perder momentaneamente 
no “espírito da multidão”. 
Entretanto, as multidões podem ser assim classificadas em: 
 Multidões casuais: têm existência momentânea e organização frouxa. 
Exemplo: pessoas contemplando um incêndio; 
 Multidões convencionais: o comportamento se expressa de modo 
preestabelecido, tendo duração limitada. Exemplo: espectadores de um 
jogo de futebol; 
 Multidão ativa: geralmente agressiva, é caracterizada pela existência de 
um objetivo. Exemplos: motins, revoltas, linchamentos; 
 Multidão em pânico: há um estímulo dentro do próprio grupo que 
intensifica os sentimentos de pânico. Exemplo: pessoas que fogem de um 
terremoto; 
 Multidão expressiva: há movimentos físicos que têm a finalidade de 
afrouxar a tensão. Exemplos: o Carnaval, as comemorações de rua após 
a seleção de um país vencer a Copa do Mundo. 
11.2 Público 
O público é um agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos. 
É baseado não em contato físico, mas na comunicação recebida através de 
diversos meios de comunicação, isto é, o público é um conjunto de indivíduos 
em que é praticamente igual ao número de pessoas que expressam e recebem 
opiniões. A opinião do público pode se transformar em ação efetiva, mesmo 
contra o sistema de autoridade vigente e também ser relativamente autônomo 
em suas ações. 
Há diferença entre multidão e público, pois a integração dos indivíduos que 
formam o público é geralmente intencional. Já na multidão, a integração é 
ocasional. Os modos de pensar, sentir e agir do público constituem o que é 
conhecido como opinião pública; sobressaindo na opinião pública, três 
características básicas: 
 
64 
 
 A primeira delas é o acesso à informação. Só há opinião pública 
quando os indivíduos de uma sociedade têm acesso livre às 
informações da atualidade; 
 A segunda característica é a livre discussão. Diante das informações 
recebidas, cada indivíduo pode tomar uma posição; 
 A terceira característica é a tentativa de fazer com que a opinião se 
transforme em ação, ou seja, que as opiniões sobre assuntos de 
interesse da nação influenciem e determinem as ações do governo. 
11.3 Massa 
O grupo de indivíduos que se comporta como massas tende a ser 
manipulado, pois reage de forma impensada, não tendo consciência de grupo, 
porém, a massa não tem autonomia; praticamente inexiste a formação de opinião 
independente gerada por meio da discussão, sendo diferente do público, pois 
consiste num agrupamento relativamente grande de pessoas separadas, que 
não se conhecem. 
É formada por indivíduos que recebem opiniões formadas, que são 
veiculadas pelos meios de comunicação de massa, ou ainda, um conjunto de 
elementos em que a organização da comunicação pública torna difícil ou até 
impossível uma resposta efetiva às opiniões externadas publicamente. 
 
65 
 
12 MECANISMOSDE SUSTENTAÇÃO 
 
Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br 
Ao observarmos a Sociedade, ou melhor, ao observarmos as formações 
sociais concretas, constatamos que todos seus movimentos e acontecimentos 
são reproduzidos a partir de conjuntos de indivíduos, intermediados pelas 
Instituições, que são as formas estruturadas das relações sociais. 
Nunca é o indivíduo isolado a causa da ação social; é sempre o indivíduo 
como membro ou agente de um grupo ou Instituição que conduz, junto e por 
causa de outros indivíduos, qualquer acontecimento social. O indivíduo só existe 
na sociedade, quando se encontra inserido em alguma de suas subestruturas, 
que lhe darão todo o referencial e o sentido para seu comportamento. 
Os grupos sociais necessitam de certos mecanismos para que possam 
permanecer coesos e estruturados, como a liderança, as normas e sanções e os 
símbolos. Esta inserção do indivíduo processa-se em duas vias: a) para o interior 
da personalidade, constituindo de fora para dentro tudo aquilo que o indivíduo é: 
seus valores, seus sentimentos, seus ideais; e b) para o exterior do indivíduo, 
em seus relacionamentos e em sua atuação social. 
Desse modo, entende-se por grupo social, consoante definição 
operativa da Badia, “uma pluralidade de pessoas em situação estável, 
uniforme e formal (às vezes institucionalizada, em sentido sociológico), 
de interação ativa ou potencial, que se cristaliza em um sistema de 
valores interiorizados, e por isso mesmo, compartilhados, e se traduz 
 
66 
 
em atitudes e comportamentos comuns”. (GURVITCH, 1977 apud 
DOBROWOLSKI, 1985, p. 2). 
É em grupo que o homem se percebe como homem e passa a agir de 
uma forma pautada e reconhecida pelos outros; é em grupos que o homem 
compartilha da vida de seus semelhantes; e, finalmente, é em grupo que o 
homem aprende que é igual aos outros, mas é único seu ser-este-homem-em-
particular. Sem o grupo, não existiria Identidade, é preciso haver outros, com 
quem se tem algo em comum, para ser-se um. 
Antes da Identidade, vem a ‘idem-tidade’. Idem = assim como o outro. 
Porém, são muitos os grupos na sociedade sendo diversas as estruturas 
coletivas que interligam o homem com o conjunto dos homens. No processo de 
estudo de uma sociedade, a Sociologia preocupa-se com uma série de aspectos 
que influenciam a existência dos agrupamentos de sujeitos sociais. Esses 
“aspectos” ou, melhor dizendo, “mecanismos” são características específicas de 
um grupo social e que servem como ponto de apoio para a coesão dos seus 
diferentes integrantes. 
Entre os diferentes mecanismos de sustentação de um grupo social, 
destacaremos alguns pelo grau de influência que exercem sobre o grupo e seus 
integrantes. Precisamos levar em consideração que, antes de tudo, os sujeitos 
que integram um grupo social não estão amarrados e fatalmente condenados a 
submeterem-se a esses mecanismos, uma vez que possuem sua individualidade 
e a capacidade, ainda que sob as fortes ameaças de sanções negativas, como 
veremos, de escolher ou criar seu meio de convivência de acordo com suas 
necessidades ou desejos. 
12.1 Liderança 
A liderança é possivelmente um dos maiores catalizadores de 
mobilizações sociais que podemos observar. Debaixo de uma liderança, grupos 
sociais organizam-se diante de um ideal comum, em nome da resolução de um 
ou vários problemas ou qualquer outro tipo de ação. 
O autor alemão Max Weber dedicou-se a estudar as formas de dominação 
em uma sociedade democrática e, consequentemente, as formas como uma 
 
67 
 
liderança estabelece-se ou é estabelecida. Embora os recortes de Weber sejam 
muitos e variados, em face da complexidade de seus trabalhos, abordaremos 
rapidamente as duas principais formas de liderança: a carismática e a 
burocrática. 
A liderança carismática, ou pessoal, estabelece-se em torno da admiração 
da persona de um indivíduo, ou seja, a exaltação das qualidades individuais do 
líder em questão, que passa a ter o seu domínio legitimado (reconhecido) por 
aqueles que escolheram segui-lo ou adotá-lo como representante de suas 
vontades. Os reflexos desse tipo de liderança são observáveis em várias áreas 
de uma sociedade, tanto nas atividades políticas e econômicas quanto nas 
religiosas. 
Esse tipo de liderança é estabelecido de forma muito pessoal e emotiva, 
o que muitas vezes constrói laços de caráter irracional entre o grupo e seu líder. 
Essa é uma das razões que justificam o poder dos líderes carismáticos em serem 
responsáveis por algumas das maiores mobilizações sociais de nossa história, 
como é o caso de Adolf Hitler e a mobilização da nação alemã em torno dos 
ideais defendidos pelo nazismo. 
Em tal caso, a liderança burocrática, ou a liderança institucional, é 
estabelecida dentro da estrutura de uma organização institucional. Ela depende 
de uma hierarquia estabelecida dentro de um corpo burocrático, como o governo 
de um Estado. Referimo-nos a ela como uma forma de domínio legal, em que o 
líder é estabelecido como tal de acordo com as leis e regras burocráticas que 
regem a organização em questão. O líder legal tem seu poder de dominação 
assegurado pela instituição à qual pertence, independentemente de suas 
características pessoais. 
12.2 Normas e sanções sociais 
As normas sociais compõem os pilares fundamentais de todas as 
organizações sociais. Elas estabelecem o que é considerado desejável ou 
reprovável no comportamento dos integrantes de um grupo, sendo elas as 
responsáveis pela condução das ações dos seres humanos em sociedade. As 
normas de uma sociedade refletem ou incorporam traços da cultura vigente do 
meio em que vigora, de modo que, a partir delas, os sujeitos moldem seu 
 
68 
 
comportamento e suas interações. O poder de regular o comportamento 
socialmente aceitável é mantido por meio das sanções sociais, que nada mais 
são do que o instrumento que garante a conformidade do sujeito com as regras 
estabelecidas. 
As sanções sociais são aplicadas de acordo com as ações ou 
comportamento do indivíduo, podendo ser uma recompensa que reforçará a 
ação em questão ou, então, uma punição que repreenderá o sujeito por 
comportar-se fora das normas estabelecidas. As recompensas podem ser a 
conquista da admiração por parte dos demais pelas “boas maneiras”, enquanto 
as punições podem ser tanto simbólicas, como o isolamento social e a 
marginalização do sujeito, quanto físicas, como a utilização da força em um ato 
violento. 
12.3 Símbolos 
Os símbolos possuem papel fundamental na construção da identidade de 
um grupo social. É por meio deles que o grupo simplifica e comunica as 
características que compõem sua identidade. O símbolo é algo que possui valor 
ou significado atribuído por aqueles que o utilizam, de forma que, ao utilizá-lo, o 
sujeito pretende passar uma mensagem ao seu interlocutor acerca de algum 
aspecto que lhe seja relevante. 
O exemplo mais comum e compreensivo que temos são as bandeiras 
nacionais dos países. Aqueles que se representam pela bandeira de um país 
buscam passar a mensagem de que se identificam com as qualidades atribuídas 
à sua nacionalidade. Outro exemplo são os significados que algumas cores 
possuem em determinadas situações, como a cor preta, que pode ser o símbolo 
do luto em algumas culturas. 
A língua de uma nação é também um conjunto de símbolos estruturados 
de forma a permitir a comunicação. Essa ocorrência é estudada pela Linguística, 
a área do conhecimento que se dedica a entender as formas como interagem os 
significados e significantes, bem como os seus usos em uma sociedade e sua 
influência na formação de nosso pensamento. 
 
69 
 
12.4 Valores sociais 
É grande o dissenso na literatura sobre o que são os valores. Por 
exemplo, no livro clássico sobre a psicologia das normas sociais, Sherif 
(1936/1964) definiu os valores como normas sociais. Mais tarde, Kluckhohn 
(1968) propôs que um valor seria umaconcepção explícita sobre o que é 
desejável. Para essa abordagem, os valores são categorias de orientação e são 
uma derivação direta das necessidades humanas básicas. 
No entanto, os valores são apresentados como o conjunto de 
características de uma determinada pessoa ou organização, que determinam a 
forma como estas se comportam e interagem com outros indivíduos e com o 
meio ambiente. Os valores chamados de humanos são valores e princípios 
baseados nos conceitos morais e éticos. Eles definem a forma de 
relacionamento entre as pessoas e, por consequência, o relacionamento e o 
funcionamento de uma sociedade. 
Desta forma, estes valores podem ser considerados como a base dos 
relacionamentos humanos e sociais, funcionando como um conjunto de normas 
que pautam as interações humanas e as decisões. A lista de necessidades 
básicas que originariam os valores seriam aquelas especificadas por Maslow 
(1954) na sua teoria sobre a hierarquia das necessidades individuais. 
Os valores afetam a maneira que as pessoas percebem o mundo, suas 
decisões, preferências e suas ações, influenciados pelos contextos 
sociais (FISCHER, 2011 apud ESTRAMIANA, 2016, p.334). 
Os valores humanos ocupam um lugar de destaque no conjunto dos 
conceitos psicossociais considerados centrais para a compreensão dos 
fenômenos de interesse de estudo das ciências sociais. 
A sua relevância está relacionada está relacionada tanto com o 
desenvolvimento de métodos de medida de sistemas de valores, quanto com a 
teorização recente que tem identificado nos valores motivações-bases que 
explicam o comportamento dos indivíduos, as ações dos atores sociais e o rumo 
que as sociedades seguem no transcorrer da história. Todavia, ao vincular os 
valores às necessidades ou às motivações individuais, a maioria das definições 
aqui apresentadas parecem distanciar os valores do seu aspecto mais central – 
 
70 
 
a sua natureza social, ainda que a importância de fatores sociais para os valores 
tenha sido realçada nessas abordagens. 
12.5 Sistemas de status e papéis sociais 
Apesar de semelhantes, os conceitos de status e papel social definem 
duas coisas distintas. A ideia de “status social” está ligada às diferentes funções 
que um sujeito pode ocupar no interior da sociedade em que vive. Em uma 
empresa, por exemplo, o patrão tem direitos e deveres, além de privilégios, 
diferentes dos de seus empregados, ou ainda, numa escola, os direitos e 
deveres do professor são diferentes dos de seus alunos. 
Na sociedade, o indivíduo ocupa posições sociais que lhe dão maior ou 
menor destaque, prestígio social e poder, sendo a posição ocupada pelo 
indivíduo no grupo social ou na sociedade denominada de “status social”. 
Contudo, se o compreendermos como um sujeito oriundo das classes médias, 
por exemplo, podemos enxergar quais hábitos, vínculos e funções que podem 
definir seu status no meio em que vive. 
 Para tanto, são avaliados o tipo de posto de trabalho ocupado, os locais 
de lazer frequentados, o partido político ao qual se está filiado e a posição do 
sujeito no núcleo familiar. 
O fundamental papel constitutivo da cultura no desenvolvimento 
humano dá-se nas experiências cotidianas de participação nas práticas 
socioculturais do grupo, nas interações sociais (ROGOFF, 1990, apud 
BRANCO, 2006, p. 17). 
Os estudos sociológicos costumam grifar a existência de dois tipos de 
status: o status atribuído, em que alguém ocupa determinada posição 
independente de suas próprias ações (como “irmão mais velho” ou “filho de 
empresário”) e; o status adquirido, situação em que a pessoa age em favor de 
certa condição (como “especialista” ou “criminoso”). Todavia, na sociedade o 
indivíduo ocupa tantos “status” quantos são os grupos sociais a que pertence. 
O conceito de “papel social”, por sua vez, aparece justamente para 
explicar quais seriam os direitos e deveres que uma pessoa tem ao ocupar um 
determinado status social, isto é, são os comportamentos que o grupo social 
 
71 
 
espera de qualquer pessoa que ocupe certo status social. Dessa forma, o papel 
social envolve todo o tipo de ação que a própria sociedade espera no momento 
em que um de seus integrantes ocupa certo “status”. Exemplificando de forma 
simples, podemos dizer que o médico deve salvar vidas, a mãe cuidar de seus 
filhos e o professor repassar conhecimento para os alunos. 
Entretanto, não há status que não corresponda há um papel social, e vice-
versa. Assim como uma pessoa tem diversos status, ela desempenha 
simultaneamente diversos papéis na vida social. Na compreensão de algumas 
culturas, a relação entre o status e o papel social pode demonstrar algumas 
diferenças bastante interessantes. 
Realizando um contraponto entre duas sociedades, é possível analisar que 
indivíduos com status sociais semelhantes são levados a desempenhar 
diferentes funções. Na área da saúde, por exemplo, pode-se pensar em um 
curandeiro de uma tribo indígena e o médico de alguma sociedade capitalista. 
Enquanto o primeiro vive em contato com a comunidade e se utiliza de rituais 
religiosos para cumprir a função de curar pessoas, esperamos que um médico 
esteja em um consultório e que domine o uso de uma série de procedimentos 
científicos para realizar essa mesma tarefa. 
13 OS GRUPOS SOCIAIS E OS PENSADORES CLÁSSICOS 
 
Fonte: comunidadeculturaearte.com 
 
72 
 
As ciências históricas e humanas não são, pois, de uma parte, como as 
ciências físico-químicas, o estudo de um conjunto de fatos exteriores aos 
homens, o estudo de um mundo sobre o qual recai sua ação. São ao contrário a 
análise dessa própria ação, de sua estrutura, das aspirações que animam e das 
alterações que sofre. De outra parte, não sendo a consciência mais do que um 
aspecto real, mas parcial da atividade humana, o estudo histórico não tem o 
direito de limitar-se aos fenômenos conscientes, devendo vincular as intenções 
conscientes dos agentes da história à significação objetiva de seu 
comportamento e de suas ações. 
Os primeiros sociólogos construíram conceitos voltados para a tentativa 
de interpretar por critérios científicos da realidade social; daí o primeiro choque 
vivido pela Sociologia, já que o seu objetivo era corrigir os problemas sociais por 
meio da razão e não pelos comuns critérios científicos, isto é, buscando cobrir o 
comportamento dos indivíduos enquanto seres sociais, destacando que o 
alcance dos estudos sociológicos vai desde as particularidades das experiências 
individuais até a generalidade das relações sociais no contexto de um grupo ou 
de vários grupos. Assim mesmo, implica numa compreensão sadia que toda 
pessoa traz consigo, em todas as circunstâncias, necessidades materiais, 
sociais e psicológicas, na procura de satisfação e direção de seu comportamento 
neste ou naquele sentido. 
13.1 Auguste Comte 
Se as pessoas são diferentes entre si, também a composição e estrutura 
das necessidades variam de indivíduo para indivíduo. Diante disso, o nome do 
pensador francês Auguste Comte (1798-1857) está indissociavelmente ligado ao 
positivismo, corrente filosófica que ele fundou com o objetivo de reorganizar o 
conhecimento humano e que teve grande influência no Brasil. 
Comte também é considerado o grande sistematizador da Sociologia. O 
filósofo viveu num período da história francesa em que se alternavam regimes 
despóticos e revoluções. A turbulência levou não só a um descontentamento 
geral com a política como a uma crise dos valores tradicionais. 
A linha de pensamento de Comte se baseou no afastamento radical da 
teologia ou metafísica da existência humana, afirmando que toda a vida humana 
 
73 
 
tinha passado pelas mesmas fases históricas distintas e que, se o indivíduo 
pudesse compreender este progresso, poderia resolver os problemas sociais. 
Embora a Sociologia tenha surgido a partir da tentativa intelectual de Comte, foi 
só no século XIX como aparecimento dos problemas sociais decorrentes da 
Revolução Industrial, que a Sociologia tomou proporção, surgindo como a 
ciência responsável para solucionar esses problemas. 
Desse modo, Comte propôs uma ciência chamada, em um primeiro 
momento, de “Física Social” e, depois, de Sociologia e, era essa que seria capaz 
de aplicar o método de observação e experimentação das ciências da natureza 
na sociedade. Comte também foi o primeiro teórico a estabelecer as raízes do 
positivismo. Segundo o pensador, o positivismo era o que o ser humano tinha 
criado de mais profundo e organizado: a observação e o entendimento da 
natureza com base no trabalho científico. Politicamente, o positivismo seria 
expresso pelo trabalho integrado entre ciência e política, visando ao 
desenvolvimento da sociedade. 
Para explicar a sua teoria positivista, o filósofo estabeleceu a Lei dos Três 
Estados, que descrevia os três estágios de desenvolvimento da humanidade: 
 Estado teológico: o ser humano, em seus primórdios, necessitava 
encontrar explicações para os fenômenos naturais. Essas explicações 
eram fornecidas por narrativas mitológicas e religiosas, pois, ao não 
conseguirem explicar a natureza, os homens criaram seres sobrenaturais 
para fundamentarem as suas explicações; 
 Estado metafísico: esse segundo ponto de desenvolvimento consiste no 
início da Filosofia. O ser humano já não se contentava mais com as 
explicações religiosas e passou a formular teorias racionais para 
conjecturar as possíveis causas dos efeitos observados na natureza. 
Nesse estágio, ainda há a prevalência do raciocínio sem a observação da 
própria natureza; 
 Estado positivo: esse estágio seria o mais desenvolvido da humanidade. 
O ser humano entendeu que, para encontrar respostas sobre a natureza, 
ele deveria procurar as explicações na própria natureza. Nesse ponto, 
haveria o desenvolvimento das ciências e de um modo de pensar o mundo 
por meio do entendimento desse como algo que está dado fisicamente. O 
estágio positivo seria marcado pela Física, pela Biologia (ciência que, 
 
74 
 
junto com a Sociologia, seria a mais desenvolvida para Comte) e pela 
busca incessante do progresso. Contudo, esse método encontraria as 
mesmas estruturas e leis que existem na Física, porém na sociedade, 
nascendo aí a Sociologia, que seria mais bem delimitada, com o pensador 
Émile Durkheim, que criou um método de operação próprio para a 
Sociologia. 
13.2 Sartre 
Jean Paul Sartre (1905-1980), filósofo e crítico francês discute sobre a 
formação dos grupos sociais e atribui à composição dialética dos grupos, o 
conceito de “serialidade”, ou seja, o processo que denota a dispersão e a solidão 
dos homens, e na medida que é superado, ocorre a constituição de um grupo 
social, por meio do processo inicial denominado “fusão social”. Como exemplo, 
podemos citar a fila de um banco, donde as pessoas permanecem juntas, porém, 
sem interação e integração. Essa falta de interação, já denota a inexistência de 
um grupo social. 
Segundo Sartre, a práxis do indivíduo é o que fundamenta a História 
humana ao mesmo tempo em que se constitui no fator básico capaz de 
determinar as ações dos grupos humanos. O grupo, assim, surge a partir de uma 
relação espontânea contra a vida serial e se apresenta como uma organização 
livre de indivíduos, a qual se constitui como "negação" do coletivo na medida em 
que é uma agregação forçada pela situação dada, e contra ela. Sartre argumenta 
ainda que a consciência de um grupo se forma porque cada integrante capta a 
sua condição e a dos demais como vistas por consciências alheias para quem 
esse conjunto de pessoas existe como objeto de observação. Assim, essa seria 
a forma mais elementar do grupo, caracterizada por ele como grupo-em-fusão: 
nasce com base numa estrutura material dada (um bairro, por exemplo) e a partir 
da necessidade ou de um perigo comum, ao qual reage com uma prática comum. 
 No grupo, a práxis individual redescobre a sua capacidade de agir de 
acordo com uma finalidade, que sempre está ligada a um determinado incidir 
sobre a realidade. Os indivíduos tornam-se membros de uma intersubjetividade, 
onde todos reconhecem o Outro como um "mesmo", e com ele desenvolvem 
uma relação de reciprocidade imediata. "É o comportamento de uma multidão 
 
75 
 
percorrida por uma vontade de ação comum", onde todos visam uma solução a 
partir de um perigo exterior, uma ameaça que paira sobre todos. 
O grupo, apesar de motivado por esta práxis grupal, não pode existir como 
um "Ser-concreto", algo fixo e permanente, pois a liberdade aqui agrupada não 
possui nada de concreto que estabeleça o grupo em bases definitivas de 
existência. Uma vez conquistado o fim comum, o grupo sofre uma ameaça de 
dissolução: ele se dispersa enquanto práxis comum e cada integrante volta a 
sentir-se em práxis individual. Para conservar-se em atividade, o grupo deve 
lançar-se em novos projetos. 
Segundo Sérgio Moravia, Sartre possui um mérito que é o de ter analisado 
cuidadosamente as estruturas, os atos formais e invariáveis através dos quais o 
grupo-em-fusão procura permanecer como tal, não se dissolvendo na série 
novamente. O risco de à ação do grupo, extingue-se a evidência de uma práxis 
comum. Desta forma, para impedir que o grupo se dissocie em novas práticas 
individuais, propõe-se a si mesmo como um fim para seus membros, 
constituindo-se em novas formas de grupo, sendo a primeira delas o grupo 
juramentado. Os indivíduos, neste caso, mantêm sua reciprocidade não mais 
através de uma "solicitação concreta e real", mas na base de um ato formal de 
"juramento". O grupo, assim, tende a definir e controlar a prática individual no 
quadro de uma prática coletiva. 
13.3 Émile Durkheim 
David Émile Durkheim (1858 – 1917) foi um sociólogo, filósofo, 
antropólogo e psicólogo francês, considerado “pai da Sociologia” por ter 
dedicado sua carreira ao estudo desta ciência e fundado a Escola Sociológica 
Francesa, no qual, baseou–se nas ideias de Augusto Comte para formular sua 
teoria. 
Citado como referência na área, ao lado de grandes nomes como Karl 
Marx e Max Weber, elaborou teorias importantes, como a do “fato social”, que 
são as maneiras coletivas de agir, pensar e sentir; estudando o comportamento 
das pessoas em sociedade, as novas configurações pós Revolução Industrial e 
a influência dos laços sociais e religiosos. Isso denota que, para Durkheim, há 
 
76 
 
formas e padrões pré-estabelecidos de um grupo social, por haver 
características próprias, que devem ser estudados de maneira singular. 
Durante a sua vida o intelectual presenciou o período em que 
compreendeu o ápice do capitalismo monopolista europeu e a sua primeira 
grande crise interna, além da Segunda Revolução Industrial e a eclosão da 
Primeira Guerra Mundial. Quanto a relação indivíduo/sociedade, Durkheim 
acreditava que a sociedade predominaria sobre o indivíduo, uma vez que ela é 
que imporia a ele o conjunto de normas de conduta social. 
Ele tinha como foco a emancipação da Sociologia em relação as filosofias 
sociais, tentando construí-la como disciplina cientifica rigorosa, dotada de 
métodos sistematizados, objetivando definir com clareza o objeto e as aplicações 
dessa nova ciência partindo dos paradigmas e modelos teóricos das ciências 
naturais. 
Durkheim diferenciava-se do filósofo e economista francês Conde de 
Saint-Simon (Claude-Henri de Rouvroy) e do filósofo e sociólogo francês 
Auguste Comte por ter desenvolvido a sistematização de seu pensamento 
sociológico, já que seus conceitos foram além da reflexão filosófica, constituindo 
um corpo elaborado e metódico de pressupostos teóricos sobre o problema das 
relações sociais. Entretanto, a sociologia durkheimiana visava o todo e não as 
partes, ou seja, apesar de ser composto por inúmeros indivíduos era a sociedade 
que prevalecia sobre elas. 
O cientista publicoualgumas obras importantes para o desenvolvimento 
da Sociologia, que se tornaram marcos metodológicos para a história das 
ciências sociais e tem como obras principais: “A divisão do trabalho social” 
(1893), “As regras do método sociológico” (1895) e “O suicídio” (1897). Dentre 
elas, a obra “As Regras do Método Sociológico”, se destaca como a primeira 
voltada para a discussão e definição de um método de pesquisa sociológica 
produzida por um pensador social. Essa obra causou grande impacto nos meios 
intelectuais, já que delimitava a especificidade do campo de estudo da 
Sociologia, distinguindo-a das preocupações da Psicologia. 
Solidariedade mecânica 
 Durkheim afirmava que a Sociologia deveria voltar-se também para outro 
objetivo fundamental: a comparação entre as diversas sociedades; para isso ele 
 
77 
 
estabeleceu um novo campo de estudo, a morfologia social, que consistiria na 
classificação das espécies sociais. 
Tendo como percussor de passagem a solidariedade mecânica para a 
solidariedade orgânica, que seria o motor de transformação histórica de toda e 
qualquer espécie de sociedade. Na obra De la Division du Travail Social, 
Durkheim buscou esclarecer que a existência de uma sociedade, está baseada 
no grau de consenso produzido entre os indivíduos. Esse consenso produzido 
foi chamado pelo sociólogo de “solidariedade”, pois, para ele, existem dois tipos: 
a mecânica e a orgânica. 
A solidariedade mecânica imperou na história de todas as sociedades 
anteriores ao começo da Revolução Industrial e do capitalismo, nelas a 
identificação social dos indivíduos se davam por meio dos laços familiares, 
religiosos, de tradição e costumes; sendo completamente autônomos em relação 
ao problema da divisão social do trabalho. 
Em função disso, a solidariedade mecânica é característica das 
sociedades ditas “primitivas” ou “arcaicas”, ou seja, em agrupamentos humanos 
de tipo tribal formado por clãs. Nestas sociedades, os indivíduos que a integram 
compartilham das mesmas noções e valores sociais tanto no que se refere às 
crenças religiosas como em relação aos interesses materiais necessários a 
subsistência do grupo. Justamente por essa correspondência de valores é que 
assegurar-se-á a coesão social. 
 
Solidariedade orgânica 
De modo distinto, existe a solidariedade orgânica que é a do tipo que 
predomina nas sociedades ditas “modernas” ou “complexas” do ponto de vista 
da maior diferenciação individual e social (aplicado às sociedades capitalistas). 
Além de não compartilharem dos mesmos valores e crenças sociais, os 
interesses individuais são bastante distintos e a consciência de cada indivíduo é 
mais acentuada. 
A solidariedade orgânica se manifestava de modo peculiar a sociedade 
capitalista moderna, em função direta da divisão acelerada de trabalho, que 
nessa sociedade exerceria influência decisiva em todos os setores da 
organização social. Durkheim concebe as sociedades complexas como grandes 
organismos vivos, onde os órgãos são diferentes entre si (que neste caso 
 
78 
 
corresponde à divisão do trabalho), mas todos dependem um do outro para o 
bom funcionamento do ser vivo. A crescente divisão social do trabalho faz 
aumentar também o grau de interdependência entre os indivíduos. 
Em consequência, a divisão econômica do trabalho social é mais 
desenvolvida e complexa e se expressa nas diferentes profissões e variedade 
das atividades industriais. Logo, Durkheim emprega alguns conceitos das 
ciências naturais, em particular da biologia (muito em uso na época em que ele 
começou seus estudos sociológicos) com objetivo de fazer uma comparação 
entre a diferenciação crescente sobre a qual se assenta a solidariedade 
orgânica. 
 
Coesão social 
Para garantir a coesão social, portanto, onde predomina a solidariedade 
orgânica, a coesão social não está assentada em crenças e valores sociais, 
religiosos, na tradição ou nos costumes compartilhados, mas nos códigos e 
regras de conduta que estabelecem direitos e deveres e se expressam em 
normas jurídicas: isto é, o Direito. 
Observe a seguir dados coletados por Emile Durkheim para melhor 
assimilação do tema: 
13.4 Karl Marx 
Outro importantíssimo estudioso responsável pela formação da Sociologia 
foi Karl Marx (1818 – 1883). Marx não tinha como objetivo estabelecer ideias 
para a sociologia, apenas pretendia analisar e propor explicações para os 
problemas decorrentes daquela época: desemprego, miséria, desigualdades 
sociais, etc. Os conceitos de Marx deram ênfase na crítica de uma dominação 
com base econômica, sofrendo diversas inflexões e desdobramentos. Marx 
estabeleceu importantes conceitos para compreender o funcionamento do 
capitalismo, como o “mais-valia” e as formas de exploração das classes 
trabalhadoras. 
A sociologia marxista nasceu nos últimos anos do século XIX, depois das 
obras de Saint-Simon, Comte e Spencer, obras que são mais programas do que 
investigações concretas, e atingiu seu ponto culminante com os trabalhos de E. 
 
79 
 
Durkheim e dos durkheimianos e, na Alemanha, com os de Max Weber. Ora, 
havia, parece-nos, no pensamento desses investigadores uma noção 
insuficiente da objetividade, pois faziam com que dependessem unicamente da 
inteligência, da penetração e da honestidade individual do pensador, 
desconhecendo a identidade do sujeito e do objeto nas ciências humanas e suas 
consequências para sua natureza e seus métodos. É mérito do mais importante 
aluno de Max Weber, Georg Lukács (que se tornou marxista em seguida), ter 
posto claramente esse problema. Ao abordá-lo, novamente, partimos das três 
obras principais que colocaram o referido problema no século XX: E. Durkheim, 
Regras do Método Sociológico, Max Weber, Estudos sobre a Teoria da Ciência 
e G. Lukács, História e Consciência de Classe. 
13.5 Max Weber 
Max Weber (1864 – 1920) teve uma linha de pensamento mais 
aproximada de Durkheim, onde os dois estudiosos defendiam a objetividade em 
relação ao método científico. No entanto, enquanto Durkheim se preocupava 
com a análise objetiva da sociologia, Weber pretendia tomar a compreensão da 
ciência, diferenciando também da análise crítica de Marx. Weber foi importante 
no sentido de direcionar as ciências sociais para a imparcialidade, passo 
fundamental para o surgimento do sociólogo como profissão. 
Weber via o mercado como o resultado de duas formas de interação social 
– a troca, que está simultaneamente orientada para o parceiro e para os 
concorrentes, e a competição (luta sobre os preços entre o cliente e o vendedor 
e entre concorrentes, tanto vendedores como clientes). Estabelece-se então 
uma ideia fundamental em relação à visão econômica do mercado, qual seja, a 
noção de luta e, consequentemente, de poder, que introduz uma dimensão 
política no coração de um fenômeno econômico. No mercado encontram-se em 
conflito interesses opostos, e a troca efetivada representa uma situação de 
equilíbrio. 
 
 
 
 
 
80 
 
 
14 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Na construção deste texto, objetivou-se analisar a situação do homem em 
sociedade, demonstrando que ao nascer, cada indivíduo pode ser muito 
diferente, conforme sua constituição natural, mas é apenas na sociedade que o 
mesmo se transforma num ser mais complexo. Portanto, não se objetivou 
esgotar o assunto, mas servir de fonte de consulta para revisitar conceitos 
históricos relativos ao estudo do homem e ampliar conhecimentos acerca da 
formação dos grupos sociais quanto à composição de seus gostos, preferências, 
valores e visões de mundo. 
Assim sendo, praticamente desde o nascimento, os seres humanos estão 
destinados à convivência, primeiro com os pais, depois os irmãos e em seguida 
com o passar dos anos, e uma vez mais maduros, com a pessoa com quem se 
compartilha a vida e seus projetos pessoais. Sem dúvida, a constituição 
característica da pessoa tem uma influência inerradicável em todo o seudestino, 
pois, ao crescer num grupo é que o ser humano aprende uma fala articulada, na 
companhia de outras pessoas e gradativamente desenvolve um tipo específico 
de sagacidade e controle dos instintos, isto é, mesmo dentro de um mesmo 
grupo, as relações conferidas a essas pessoas e suas histórias individuais nunca 
são exatamente idênticas. 
 Nada obstante, viver em sociedade é uma necessidade essencial de 
todos os seres humanos, cabendo então, neste breve material, essa 
peculiaridade que consiste na formação da vida em sociedade, que foi se 
formando ao longo dos séculos e do avanço tecnológico, econômico e político, 
levando as pessoas a aceitarem uma série de regras e normas para ordenar a 
vida social; entendida como alguma forma ou grau de regulação mútua entre 
organismos da mesma espécie, existente na natureza sob muitas formas 
diferentes. 
 
 
 
 
81 
 
 
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