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1 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................... 4 2 A IMPORTANCIA DAS RELAÇÕES HUMANAS ............................... 5 2.1 Relação intrapessoal ................................................................... 6 2.2 Relação interpessoal ................................................................... 8 3 LINGUAGEM E SOCIEDADE ............................................................ 9 4 CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIEDADE ............................................ 12 5 INDIVÍDUO, PESSOA E SUJEITO .................................................. 14 5.1 Homem equilibrado ................................................................... 15 5.2 Homem moderado ..................................................................... 15 5.3 Homem evoluído ....................................................................... 16 5.4 O Indivíduo do ponto de vista científico ..................................... 17 5.5 A Pessoa do ponto de vista científico ........................................ 18 5.6 O Sujeito do ponto de vista científico ........................................ 19 6 GRUPOS SOCIAIS .......................................................................... 20 6.1 Processo de formação dos grupos sociais ................................ 22 6.2 Características essenciais dos grupos sociais .......................... 24 6.3 A sociabilidade humana ............................................................ 25 6.4 Socialização Primária ................................................................ 26 6.5 Socialização Secundária ........................................................... 26 6.6 Grupos primários ....................................................................... 31 6.7 Grupos secundários .................................................................. 32 6.8 Grupos intermediários ............................................................... 32 7 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA 32 7.1 O estudo do homem inteiro ....................................................... 34 2 7.2 A antropologia biológica ............................................................ 34 7.3 A antropologia pré-histórica ....................................................... 35 7.4 Antropologia linguística ............................................................. 35 7.5 A antropologia psicológica ......................................................... 35 7.6 A antropologia social e cultural (ou etnologia) ........................... 36 8 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA SOCIOLOGIA ...... 37 8.1 Capitalismo ................................................................................ 38 8.2 Neoliberalismo ........................................................................... 39 8.3 Globalização .............................................................................. 40 8.4 Pólis: uma herança greco-romana ............................................ 41 8.5 Representação social ................................................................ 44 9 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA ....... 49 9.1 A Psicologia Social .................................................................... 50 9.2 O processo grupal ..................................................................... 50 10 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DO DIREITO ........... 51 10.1 O Direito carece de uma Teoria Geral ....................................... 52 10.2 A formação dos grupos sociais no Direito ................................. 53 10.3 Relações de afeto ..................................................................... 55 10.4 Relações de poder .................................................................... 58 11 AGREGADOS SOCIAIS ............................................................... 61 11.1 Multidão ..................................................................................... 62 11.2 Público ....................................................................................... 63 11.3 Massa ........................................................................................ 64 12 MECANISMOS DE SUSTENTAÇÃO ........................................... 64 12.1 Liderança ................................................................................... 66 12.2 Normas e sanções sociais ......................................................... 67 12.3 Símbolos ................................................................................... 68 3 12.4 Valores sociais .......................................................................... 69 12.5 Sistemas de status e papéis sociais .......................................... 70 13 OS GRUPOS SOCIAIS E OS PENSADORES CLÁSSICOS ........ 71 13.1 Auguste Comte .......................................................................... 72 13.2 Sartre ......................................................................................... 74 13.3 Émile Durkheim ......................................................................... 75 13.4 Karl Marx ................................................................................... 78 13.5 Max Weber ................................................................................ 79 14 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................... 80 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................. 81 16 SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS ................................................. 84 4 1 INTRODUÇÃO Prezado aluno! O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que lhe convier para isso. A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser seguida e prazos definidos para as atividades. Bons estudos! 5 2 A IMPORTANCIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Fonte: jjabrasil.com.br Desde os primórdios da humanidade, o ser humano demonstrou a necessidade de conviver em sociedade, construindo assim, um meio facilitador de sua sobrevivência. Precisamente, a ciência do desenvolvimento, cerne de um conjunto de estudos interdisciplinares (área social, psicológica e biocomportamental), dedicou-se na busca dos fenômenos relacionados ao desenvolvimento dos indivíduos. No entanto, segundo concepções interacionistas e sociointeracionistas, a relação indivíduo/meio é indissociável; desse modo, a aprendizagem e o desenvolvimento dos indivíduos ocorrem por meio de trocas sociais. Consequentemente, os seres humanos são seres históricos: sofrem influência do meio e, numa perspectiva dialética, deixam sua marca por onde passam. Entretanto, praticar relações humanas, significa muito mais do que o estabelecimento ou a manutenção de contatos com outros indivíduos. Significa que os homens estejam condicionados em suas relações, por uma atitude, um estado de espírito ou uma maneira de ver as coisas, que os permita compreender seu interlocutor, respeitando sua personalidade, cujaestrutura é, sem dúvida, 6 diversa, em decorrência das diferenças de composição e estrutura de suas necessidades. Ao tratar do grupo social como fonte primordial deste material, serão trazidas à tona os contornos dessa interação humana, pretendendo elucidar a existência da sociedade e do indivíduo, que são dependentes, isto é, nem a sociedade nem o indivíduo existem sem o outro, coexistem ambos. Logo, para compreender mais profundamente os grupos sociais, procurou-se detalhar os seres humanos pela Antropologia, quer nas suas especificidades culturais, na sua relação com a natureza, quer nos seus aspectos físicos, isto é, a cultura, para o conhecimento antropológico, contempla dimensões como a linguagem, os valores, as crenças, os costumes e os rituais, entre outras tantas dimensões. De outro ângulo, têm-se a Sociologia, que nasceu como tentativa de buscar soluções racionais, cientificas, de acordo com a pretensão de Comte, para os problemas sociais resultantes da Revolução Industrial e de decomposição da ordem social aristocrática na França do início do século XIX. Ainda assim, estudiosos relatam que a partir dos gregos, têm-se o nascimento da Filosofia, uma forma inusitada de pensar. O termo “filosofia” possui, no cotidiano dos sujeitos, um sentido amplo, costumeiramente empregado como sinônimo de atividade reflexiva, de qualquer teorização ou pensamento, atribuindo-se a Pitágoras haver se autodenominado filósofo. Nessa situação, a preocupação em conhecer o homem, suas diversas formas de produzir e de sua organização social tem sido a ocupação e o interesse de muitas disciplinas e ciências. 2.1 Relação intrapessoal A relação intrapessoal, também conceituada como “inteligência intrapessoal” é o tipo de relação que o sujeito estabelece consigo mesmo e com os próprios sentimentos e aspirações. Sua premissa é baseada no autoconhecimento, no domínio próprio e a forma como o sujeito se motiva continuamente – e como tudo isso permeia sua vida pessoal e profissional. Estar bem consigo mesmo é o primeiro passo para estar bem com outras pessoas. Quanto mais a pessoa se conhece, maiores são as chances de conquistar seus objetivos – em todos os espectros de sua vida. E justamente a 7 prática do autoconhecimento colabora para que ela possa lidar com as mais diversas circunstâncias da melhor forma possível, tentando evitar frustrações, descontrole ou sentimentos ruins em seu cotidiano, na busca por melhores soluções em seu modo de organização individual. De acordo com o psicólogo Howard Gardner, o cérebro humano possui nove tipos de inteligência, podendo ter um ou mais tipos melhor desenvolvidos do que os outros. Diferentemente da inteligência interpessoal, a inteligência intrapessoal trata-se de uma característica que permite que a pessoa tenha domínio sobre seu comportamento e tome decisões favoráveis em sua vida. Estudos apontam que pessoas com inteligência intrapessoal têm facilidade em questões que dependem apenas delas mesmas, uma vez que possuem um autoconhecimento tão grande que sabem como administrar cada passo que dão, além de saberem reconhecer todas as suas principais características e usá-las para seu desenvolvimento pessoal. Além disso, esses indivíduos têm: Foco e concentração nas atividades desempenhadas; Facilidade de resolução de conflitos; Determinação e persistência para atingir os resultados desejados; Disciplina; Auto compreensão; Autoestima elevada; Independência para criar o próprio caminho; Maior capacidade de realização; Comportamento congruente com princípios e valores; Capacidade de despertar o melhor de si em todas as situações. Não obstante, saber gerir as próprias emoções e comportamentos torna- se um fator determinante para o sucesso profissional e pessoal do cidadão. Tal conquista pode parecer algo árduo para quem pensa não conseguir desenvolver esse tipo de inteligência, porém, o caminho para conquistar a inteligência intrapessoal está no autoconhecimento, pois esse tipo de inteligência é inerente em todos os seres humanos, porém, alguns a possuem com maior desenvolvimento e facilidade, enquanto outros precisam aprimorá-la com o tempo. 8 2.2 Relação interpessoal A relação interpessoal, denominada “inteligência interpessoal” é caracterizada por indivíduos que têm facilidade em entender pessoas a partir de suas motivações, intenções e ambições, no caso de líderes religiosos, professores e também políticos. Isso significa que na perspectiva das relações humanas, o sujeito se torna completo se estiver vivendo no seio de uma vida política, na organização da sociedade, isto é, numa evidência da magnitude do aspecto social, que é condição essencial para o desenvolvimento humano. Avançando no raciocínio das relações humanas, o social e a cultura no desenvolvimento retomam um contexto, no qual Piaget, Wallon e Vygotsky defendem a relevância do meio social para a espécie humana: Para Piaget, o conhecimento vem da construção efetiva e contínua, na relação indivíduo/meio ambiente (natureza, objetos e pessoas); Para Wallon, o ser humano é organicamente social e sua dimensão afetiva é o alvo; Para Vygotsky, a consciência humana se forma ao longo do desenvolvimento humano via mediações e linguagem. O relacionamento interpessoal é um conceito do âmbito da Sociologia e Psicologia, significando uma relação entre duas ou mais pessoas. Este tipo de relacionamento é marcado pelo contexto onde ele está inserido, podendo ser um contexto familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade. Logo, a teoria que demonstra a parte da natureza social do ser humano possibilita que sejam criados vínculos entre os sujeitos. Como pessoa, há uma ampla gama de atividades mentais imanentes, por exemplo, refletir, pressupor, lembrar, saber ou desejar. Sem estes estados mentais e muitos outros seria impossível para um ser humano coordenar seu próprio universo com os outros, ou melhor, o ser humano é um ser complexo em riqueza, cheio de nuances, possuindo inteligência e intuição como um reflexo de sua vontade e força motora, e pode implicar num relacionamento interpessoal de vários níveis, até mesmo envolvendo diferentes sentimentos como o amor, compaixão, amizade, etc., também podendo ser marcado por características e situações como competência, transações comerciais, inimizade, etc., 9 determinado e alterado de acordo com um conflito interpessoal, que surge de uma divergência entre dois ou mais indivíduos. Em suma, essa conexão interpessoal, portanto, explica porque o ser humano tem a capacidade de compreender os estados de consciência de outros interlocutores em uma conversa, ou seja, o ser humano é consciente de si mesmo, pode refletir sobre seus valores, ações e crenças, mas também identificar naturalmente a diferença nos demais. 3 LINGUAGEM E SOCIEDADE Fonte: conceitos.com A tradição de relacionar linguagem e sociedade, ou, mais precisamente, língua, cultura e sociedade, está inscrita na reflexão de vários autores do século XX. Observa-se, assim, que de um lado, as relações entre linguagem e sociedade tinham raízes históricas: língua e sociedade não podem ser concebidas uma sem a outra. Nessa vertente, em que linguagem, cultura e sociedade são consideradas fenômenos inseparáveis, linguistas e antropólogos trabalham lado a lado e, mesmo, de modo integrado. A diversidade linguística e a comunicação, conquanto, são fundamentais para a sobrevivência humana, cujo relacionamento com diferentes públicos se dá num processo de interação, porque tem a capacidade de transmitir um modo de pensar, ser e sentir. Essencialmente para conviver em grupos, os seres 10 humanos dependem exclusivamente da contínua presença do outro, isto é, seria dificultoso agir ou interagir cotidianamente na organização da vida socialsem atravessar o contato com o outro. No que lhe concernem, as habilidades sociais auxiliam os sujeitos a expressar seus desejos, sentimentos e atitudes de forma adequada, seja no âmbito social, familiar e profissional, respeitando normas de comportamento em diversas situações. Integrados ou não à grande corrente estruturalista, a partir dos anos 1930, encontram-se linguistas cujas obras são referências obrigatórias, quando se trata de pensar a questão do social no campo dos estudos linguísticos. Não caberia, aqui, enumerar todos esses estudiosos, mas uma breve referência a alguns nomes, ligados ao contexto europeu: Antoine Meillet, Mikhail Bakhtin, Marcel Cohen, Émile Benveniste e Roman Jakobson. Meillet, aluno de Saussure, filia-se à orientação diacrônica dos estudos linguísticos, mas, para ele, a história das línguas é inseparável da história da cultura e da sociedade: é essa abordagem que pode ser vista em sua obra, sobre a história do latim, Esquisse d´une histoire de la langue latine. A propósito desse linguista francês, cabe destacar sua visão do fenômeno linguístico, bem ilustrada por um trecho de sua aula inaugural no Cólege de France: Ora, q linguagem é, eminentemente, um fato social. Tem-se, frequentemente, repetido que as línguas não existem fora dos sujeitos que as falam, e, em consequência disto, não há razões para lhes atribuir uma existência autônoma, um ser particular. Esta é uma constatação óbvia, mas sem força, como a maior parte das proposições evidentes. Pois, se a realidade de uma língua não é algo de substancial, isto não significa que não seja real. Esta realidade é, ao mesmo tempo, linguística e social (MEILLET, 1906 apud MUSSALIM, 2001, p.24). De uma perspectiva, diferente, outro linguista explicita sua visão sobre a relação entre linguagem e contexto social: A verdadeira substância da língua não é constituída por um sistema abstrato de formas linguísticas, nem pela enunciação monológica isolada, nem pelo ato psicofisiológico de sua produção, mas pelo fenômeno social da interação verbal realizada através da enunciação ou das enunciações. A interação verbal constitui assim a realidade fundamental da língua. (BAKHTIN, 1929 apud MUSSALIM, 2001, p. 25) Por seu turno, todo indivíduo participa de diferentes comunidades linguísticas e todo código linguístico é multiforme e compreende uma hierarquia 11 de subcódigos diversos, livremente escolhidos pelo sujeito falante, segundo a função da mensagem, do interlocutor ao qual se dirige e da relação existente entre os falantes envolvidos na situação comunicativa. Entretanto, fato curioso na apresentação do homem enquanto ser social, é que apesar de as relações humanas e o ato de comunicação terem existido desde a origem da vida, a preocupação científica com essas relações, especialmente no ambiente de trabalho, é relativamente nova: nos Estados Unidos, até 1940, a expressão "relações humanas no trabalho" era muito pouco usada e em 1945, ao findar a Segunda Grande Guerra, a mesma era praticamente ignorada. Por essa razão, atualmente as relações interpessoais são uma realidade inevitável para todos aqueles que trabalham em organizações, posto que, muitas vezes tenham sido estudadas de uma perspectiva negativa, de outro ângulo, os relacionamentos podem facilitar um cumprimento da “necessidade de pertencer”, melhor dizendo, permite integração e afinidade entre colaboradores, auxiliando na execução e sucesso de seus projetos. Se houvesse possibilidade, fazendo voltar os ponteiros do relógio no tempo, para observar o desenrolar dos acontecimentos no início da Revolução Industrial, ver-se-ia que, então, os seres humanos eram incluídos no processo de produção apenas como mais um recurso produtivo, ao lado das matérias- primas e das máquinas, sem qualquer consideração especial. Em outras palavras, o homem nada mais era do que uma máquina que operava outra máquina, ou seja, à medida que as organizações industriais se desenvolviam mais se perdia a possibilidade de contato pessoal direto entre o trabalhador e seu empregador. Naquele momento, a ênfase, era colocada sobre a produção, com um consequente desinteresse pela sorte do trabalhador. Este, então, era obrigado a trabalhar longas horas, em condições desfavoráveis e sob padrões de supervisão tão rígidos que quase não podia manter contato informal com seus colegas e, na maioria dos casos, esse contato humano ocorria fora do ambiente de trabalho, porém, ainda assim, limitado pelas longas horas de atividade na fábrica. Nesse sentido, as interações humanas não podem ser compreendidas como um artifício de manipulação ou maneira de tomar todos felizes. De acordo com tal analogia, pode-se dizer, então, que a comunicação e as relações humanas agem como um “lubrificante”, evitando atritos e tomando o 12 funcionamento da sociedade mais suave. Mas, assim como uma máquina não funciona apenas com uma boa lubrificação, as esferas sociais necessitam de muitas coisas, além de relações humanas. Assim sendo e refletindo no indivíduo como um todo, pretende-se encontrar nas Ciências Humanas uma ampla compreensão dos fenômenos humanos e sociais, observando as trocas que envolvem aspectos cognitivos e socioafetivos fundamentais para a construção individual dos sujeitos e das sociedades, através de um processo recíproco. 4 CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIEDADE Fonte: portaldoprofessor.mec.gov.br Em conformidade com o projeto da modernidade, o indivíduo e a sociedade têm sido definidos como entidades naturais e polos que preexistem à sua interação. Ainda de acordo com tal perspectiva, onde prevalece uma lógica dicotômica, o coletivo é identificado como social. O conceito de coletivo tem sido frequentemente utilizado, seja no âmbito da Psicologia, seja no âmbito da Sociologia, para designar uma dimensão da realidade que se opõe a uma dimensão individual. Assimilado desta maneira, o coletivo se confunde com o social, sendo representado através de categorias como Estado, Família, Igreja, Comunidades, Povo, Nação, Massa ou Classe e investigado no que diz respeito à dinâmica de interações individuais ou grupais. Todavia, este modo de apreensão do 13 coletivo/social deriva de uma abordagem dicotômica da realidade característica das ciências modernas, cujo efeito, dentre os mais visíveis, é a separação dos objetos e dos saberes. Conforme se pensava, o homem não “veio do macaco”: esse é um equívoco criado em torno de uma ideia que não era do naturalista inglês Charles Darwin. Na verdade, o que ele disse é que havia indícios de que homens e macacos tinham um ancestral comum que evoluiu com o tempo e se desdobrou em vários ramos diferentes, sabendo-se que o ser humano é considerado o único espécime dotado de características que se diferenciam do restante dos animais. O denominado “gênero Homo”, nos remotos tempos do frio das cavernas, no uso de seus instintos de sobrevivência, juntava-se a outros para se aquecer, caçar, se proteger e, desta forma, a sociedade nascia de forma rudimentar e ainda em evolução. De modo igual, quando se resgata historicamente o tempo, o homem pode repensar sua vida e transformá-la à medida em que é sujeito do processo de construção da própria história e também do tempo. “Ego sum, ego existo”, escrevia Descartes pondo em relevo este Ego que permanecerá o fundamento de toda filosofia racionalista ou empirista, através das mônadas de Leibniz, a sensação dos empiristas, o eu de Fichte e até mesmo os atributos radicalmente separados uns dos outros de Espinosa; fundamento presente ainda em nossos dias, quando lemos numa gramática ginasiana, como se fosse óbvia, a afirmação: “Eu, não tem plural. Nós é eu e tu”. Nessa perspectiva, sendo o Ego o primeiro dado fundamental, o ponto de partida, o problema das relações entre os homens, quando se põe, torna-se naturalmenteo problema do “Outro”. Os “outros” homens são assimilados à realidade física e sensível. Não são mais do que seres que vejo e ouço, como vejo uma pedra que cai e ouço sua queda. O problema dos fundamentos ontológicos e epistemológicos da história é um aspecto particular do problema ontológico geral das relações do homem com seus semelhantes, problema que certos filósofos contemporâneos, partindo duma posição cartesiana, designaram pelo nome de problema do “Outro”, que seria, contudo, designado de modo mais preciso como o problema do “Nós”. 14 5 INDIVÍDUO, PESSOA E SUJEITO Fonte: ufes.br Ao longo do tempo, observou-se a relação da pluralidade de pessoas com a pessoa singular chamada “indivíduo”, bem como da pessoa singular com a pluralidade. Em tal caso, viver democraticamente em uma sociedade plural é respeitar os diferentes grupos e culturas que a constituem. Para Norbert Elias, as atividades sociais e psíquicas particulares dos indivíduos estão entrelaçadas e estão em processo de (re) estruturação sem fim à vista e sem planejamento num longo prazo, ou melhor, o homem é histórico, não está acabado e permanentemente está em construção pelas suas experiências grupais, sociais e psíquicas particulares. Isto posto, nos processos de construção dos grupos sociais, Coury sistematiza três qualitativos comuns aplicados ao homem moderno. Para cada um a economia psíquica constitui, em concomitância, a síntese sociológica e a explicação histórica, rompendo com o psicologismo que enviesa a análise com a possibilidade individualista/instintiva e coletivista do ser conhecedor. São eles: ‘O homem equilibrado’, ‘O homem moderado’ e ‘O homem evoluído’, conforme segue: 15 5.1 Homem equilibrado O homem equilibrado é aquele que interioriza os conhecimentos sociais e produz o equilíbrio mental enquanto as próprias relações mudam e a sociedade se diferencia e, assim, permite o julgamento de suas pulsões dentro dos mecanismos criados socialmente de aferição da normalidade psíquica — comportamento, hábitos e costumes ditos ‘civilizados’. O equilíbrio psíquico é o centro das inter-relações entre estrutura social e a estrutura mental. Para isto, Norbert Elias destaca que é necessário articular o processo histórico da estrutura social com o da estrutura mental e também observar o equilíbrio psíquico entre as exigências da organização social que os indivíduos juntos constituem e as exigências desses mesmos indivíduos tomados em seu universo privado, porque vivemos numa sociedade complexa, que ao longo dos séculos vem desenvolvendo um processo de individualização da estrutura social como evidencia Elias em “O processo civilizador: uma história dos costumes” e “formação do estado e civilização”. 5.2 Homem moderado O homem moderado compreende-se a economia psíquica no processo de moderação, pois com o aumento da cadeia de interdependência foi se estabelecendo uma maior racionalidade individual (o homem ‘civilizado’), na qual os indivíduos controlam, restringem e moderam seus comportamentos e emoções perante qualquer pessoa. Com efeito, esse indivíduo constrói sua identidade pela representação que faz de si mesmo e por aquelas que lhe remetem — perceptíveis na arte de observar seus semelhantes. Essa dimensão do homem moderado está conectada ao processo de diferenciação/individualização em razão da necessidade de um equilíbrio entre estrutura mental e social para estabelecer relações sociais e desenvolver autocontrole. Coury destaca que, nessa dimensão, a “economia psíquica reside principalmente no fato de que ela permite situar no tempo e no espaço as conjunturas nas quais certas transformações do estado de uma estrutura social se encadearam para resultar numa nova configuração”. Dessa maneira, 16 percebe-se tanto onde e em que espelhos as pessoas notam o olhar dos outros, qual o momento dessa percepção e de suas moderações, podendo até identificar características da pessoa relacionada a algum grupo social. 5.3 Homem evoluído Por último, a economia psíquica do homem evoluído se refere ao processo de evolução que caracteriza a identidade constante de uma pessoa num movimento linear cronológico: Um novo indivíduo aparece, esse ecônomo doravante dotado de uma arte de bem conduzir sua vida. Desse processo decorre nossa capacidade de abarcar a vida de um homem como um todo e de julgá- lo de uma só vez. A economia psíquica do homem civilizado permite essa ‘boa condução’ no tempo, essa boa administração ao longo de sua vida, em seus deslocamentos e em todas as suas relações. O surgimento dessa capacidade nova permite não só encontrar as lógicas que condicionam esse ou aquele comportamento, mas também descobrir as categorias de percepção dos comportamentos observados nos outros (COURY, 2001 apud HONORATO, 2004, p.4). Este processo não descarta os inúmeros avanços e retrocessos da vida dos indivíduos/grupos. Ele valoriza o não planejamento e é provocativo ao impor a problemática do tempo de permanência das identidades sociais: “como, onde e quando a pessoa nota seus semelhantes e se liga duradouramente a eles? ”. Ou seja, qual relação entre o passado e o futuro dos indivíduos e dos grupos sociais? Neste terceiro qualitativo emerge um paradoxo na sociologia do conhecimento: a relativa autonomia do indivíduo caminha junto com a pertinência ao grupo social, bem como ao conhecimento conquistado, e o lugar preponderante assumido pelo ‘eu’ em nossas sociedades não afastou o desejo de estar com outras pessoas que amamos. Na sequência, tendo em vista a atenção de Norbert Elias com a arte de observar, a arte de inovar e com a arte de manejar seus ‘semelhantes’, Coury propõe um instrumento de análise complementar denominado a arte de reagrupar-se. A arte de reagrupar-se permite a percepção — dos e entre indivíduos — dos mesmos interesses para formar juntos num espaço social, grupos até então imperceptíveis e distintos em relação aos indivíduos/grupos nos quais pensam poder estabelecer vínculo social. Ela se desenvolve mediante a produção, 17 difusão e apropriação de formas de agrupamento disponível numa estrutura social. “Essa arte pode decompor-se analiticamente da seguinte forma: a arte da colocação dos indivíduos em presença, as competências dos diferentes porta- vozes e dos representantes, as categorias estéticas de avaliação dos grupos assim objetivados, as repercussões das representações exógenas sobre os produtores”. Coury apresenta dois objetivos para a arte do reagrupamento. O primeiro, desfamiliarizar os pesquisadores com as práticas e formas coletivistas. Trata-se então de analisar o entrelaçamento entre estrutura social e estrutura psíquica. O segundo, resume-se na explicação do acúmulo de competências (política - em sua investigação) e suas desigualdades de apropriação pelos indivíduos. Enfim, o esforço de Coury tanto em sistematizar os três qualitativos comuns aplicáveis ao homem moderno como também em propor a arte de reagrupar-se, tem suas relevâncias e um ponto vulnerável. As relevâncias, de uma certa maneira, foram explicitadas. O ponto vulnerável refere-se quando Coury ancora-se essencialmente nos estudos de Norbert Elias sobre a relação, sociedade e indivíduo, para sistematizar os qualitativos e propor uma relação indivíduo e construção dos grupos sociais. 5.4 O Indivíduo do ponto de vista científico Ao estudar os fenômenos da sociedade, tais como: migração, conflitos sociais e movimentos políticos, as Ciências Sociais apontam para uma interpretação do comportamento humano e suas estruturas sociais, análise dos hábitos e costumes de diversos grupos sociais, bem como suas características religiosas, familiares, organização institucional e também econômica. Cientistas, portanto, denominam um “indivíduo” como todo o organismo vivo que pertence a umaespécie, distinguindo-se dos demais devido as suas características particulares, consistindo num ser individual, conhecido pela sua existência única e indivisível. Este termo, ainda costuma ser utilizado como sinônimo de “cidadão”, ou seja, um “ser humano” inserido num ambiente social. Já para a Sociologia e Filosofia, o indivíduo – como sinônimo de ser humano / cidadão – é aquele que possui uma identidade própria que o distingue dos demais indivíduos, isto é, enfim, os seres “são”; temos a experiência de “ter” (ou 18 ser) um “eu”; somos porque pensam (Descartes diria: penso, logo sou!). Para falar dessa experiência singular de processos de subjetivação, adota-se o termo inglês self (ou selves, no plural), traduzido como “eu”, quando se refere à consciência de si e à identidade. Ou seja, não temos problemas semânticos quando se trata de falar de nossas experiências de sermos “quem somos”. Nada obstante, os sujeitos possuem certa dificuldade de nomear esse “ser” quando teorizam a respeito da vida em sociedade e, nesse âmbito, nem sempre tomam alguns cuidados no uso dessas categorias. Por exemplo, incorporando o gênero de fala próprio aos manuais de metodologia, fala-se de sujeitos, quando há referência aos “participantes” de pesquisas. Por suas conotações “ideológicas”, procuram evitar o uso da palavra “indivíduo”, mas a deixam escapar em seus múltiplos sentidos: individualmente, para se referir a cada um de um grupo e “individualismo” para se reportar a modos de vida pouco solidários. E pessoa? 5.5 A Pessoa do ponto de vista científico No caso da Psicologia Social, não seria este mais um termo a ser considerado dentre as muitas possibilidades de se falar de quem se é e de quem são os outros que compartilham, por querer ou sem querer, de suas vidas? A multiplicidade normativa distingue-se pelo tipo de finalidade, pelo escopo perseguido pela regra em questão, no entanto, tanto a imponente regra jurídica como a regra de conduta de trato social têm em comum o fato de se constituírem como meio de influenciar comportamentos. Nesta abordagem, os usos do termo “pessoa” no contexto da Antropologia tomam por base o texto de Marcel Mauss (2003), na discussão de algumas dicotomias que, às vezes inadvertidamente, atravessam muitos discursos. Em sequência, aborda-se a opção de George Herbert Mead (1969) pelo termo self, de modo a destacar os esforços desse protopsicólogo social para situar a consciência de si em uma perspectiva que alia processos comunicativos (a Filosofia do Ato) e suportes sociais e biológicos sustentados pelo evolucionismo. 19 5.6 O Sujeito do ponto de vista científico Abandonando temporariamente as vertentes de pessoalidade, passaremos à emergência da categoria moderna de indivíduo, fundamentando- nos nas discussões apresentadas por Nikolas Rose (1998; 2001) a respeito das contribuições da Psicologia aos processos de individualização. Apoiada em Michel Foucault (2005), essa discussão permite passar ao nosso próximo tema, a categoria “sujeito” na interface entre processos de objetivação e subjetivação. O paradoxo que assim se instala será abordado por meio do que consideramos ser uma perspectiva integradora: os múltiplos selves propostos por Rom Harré (1998). Não pretendemos chegar a uma conclusão sobre qual conceito padrão deveríamos adotar para nos referirmos a esse ser que somos no âmbito da Psicologia Social que se quer crítica. Mas esperamos poder suscitar o desafio de, pelo menos, entender as implicações históricas, sociais, políticas, existenciais, éticas, dentre muitas outras, da escolha dos termos que usamos para falar do ser que somos, a fim de não cairmos na armadilha da transformação de nossas produções sociais em “entidades”. Afinal, como aponta Harré (1998, p.5), “Criamos uma maneira de falar sobre elas por meio de substantivos, justamente a forma gramatical que a fala sobre entidades usa”. A sociedade é entendida, quer como mera acumulação, coletânea somatória e desestruturada de muitas pessoas individuais, quer como objeto que existe para além dos indivíduos e não é passível de maior explicação. Neste último caso, as palavras de que dispomos, os conceitos que influenciam decisivamente o pensamento e os atos das pessoas que crescem na esfera delas, fazem com que o ser humano singular, rotulado de indivíduo, e a pluralidade das pessoas, concebida como sociedade, pareçam ser duas entidades ontologicamente diferentes. Como sabemos, a sociedade somos todos nós; é uma porção de pessoas juntas. Mas uma porção de pessoas juntas na Índia e na China formam um tipo de sociedade diferente da encontrada na América ou na Grã-Bretanha; a sociedade composta por muitas pessoas individuais na Europa do século XII era diferente da encontrada nos séculos XVI ou XX. E, embora todas essas sociedades certamente tenham consistido e consistam em nada além de muitos 20 indivíduos, é claro que a mudança de uma forma de vida em comum para outra não foi planejada por nenhum desses indivíduos. 6 GRUPOS SOCIAIS Fonte: exame.abril.com.br Partindo da inexorável relação do homem com o mundo no qual está inserido é que se formam os grupos sociais e por essa razão, tais grupos fazem parte da anatomia das sociedades, podendo ser encontrados em todos os lugares e tempos, como meios de atuação comum, no qual, o fenômeno da multiplicidade grupal constitui o pluralismo, configurado pela existência de vários grupos político-sociais (famílias, associações, sindicatos, cooperativas, partidos, clubes de pensamento, sociedades científicas, culturais, desportivas, etc.) entre o indivíduo e o Estado. A Sociologia visa às questões que envolvem as relações existentes entre os indivíduos na vida coletiva; esforçando-se para apreender as diferentes realidades das mais variadas culturas e como se formam as relações que existem no seu interior. O que os homens procuram na história são as transformações do sujeito da ação no relacionamento dialético homem-mundo e as transformações da sociedade humana. Entretanto, os conhecimentos sociológicos, são indispensáveis na discussão da pluralidade cultural, pelas possibilidades que abrem de compreensão de processos complexos, onde se 21 dão interações entre fenômenos de diferentes naturezas. Neste contexto, os grupos sociais são diferenciados, principalmente pela cultura em que vivem, havendo diversas culturas ao invés de uma só e sua serventia está na manutenção da própria sociedade, isto é, seus modos e padrões de vida são amostras de como está a sociedade, como ela funciona e como está sua estrutura naquele momento. Na ausência dessa atitude, o que resulta é um clima de ressentimento, resistência, incompreensão, falta de colaboração e iniciativa, enfim, uma atmosfera que não conduz a um aproveitamento positivo na relação que se estabelece. Se, por outro lado, se manifesta a prática de “relações humanas”, então é possível afirmar, sem medo de errar, que o contato humano estabelecido tenderá para um resultado positivo, eliminando, "a priori", a possibilidade de conflito básico entre as partes, dando a cada uma delas um crédito preliminar que facilitará o desenvolvimento da relação. O sociólogo alemão Norbert Elias em “A sociedade dos indivíduos”, diz que os indivíduos são condicionados socialmente ao mesmo tempo pelas suas autoimagens e por aquelas que lhes são atribuídas pelos outros com quem se relacionam. Quando se resgata historicamente o tempo, o homem pode repensar sua vida e transformá-la à medida que é sujeito do processo de construção da própria história e também do tempo. Pelo fato de não nascermos com um sentido temporal pronto, organizações temporais têm que ser aprendidas juntamente com outros aspectos culturais, conforme explica Elias: "No nosso tipo de sociedade, a vida do homem se mede com exatapontualidade. Uma escala social temporal que mede a idade (tenho doze anos, você tem dez), o indivíduo a aprende e a integra, como elemento social, na imagem de si mesmo e dos demais. Esta subordinação de medidas temporais não somente serve como comunicação sobre quantidades distintas, se não que alcança seu pleno sentido como abreviação simbólica comunicável de diferenças e transformações humanas conhecidas no biológico, psicológico e social” (ELIAS, 1989, apud MARTINS, 2000, p. 80). Em termos simples, a Sociologia é a ciência que se debruça sobre a própria sociedade e todas as suas ramificações, componentes e integrantes; dedicando-se a compreender as formas de interação que as pessoas têm umas 22 com as outras, suas organizações e os fenômenos sociais observados na realidade dos indivíduos. Os conhecimentos sociológicos permitem uma discussão acurada de como as diferenças étnicas, culturais e regionais não podem ser reduzidas à dimensão socioeconômica de classes sociais. As diversas contribuições da Sociologia evidenciam que nos grupos sociais existem normas, hábitos, costumes próprios, divisão de funções e posições sociais definidas, em que os indivíduos, dos primeiros momentos da História aos dias de hoje estabeleceram relações entre si que fazem parte de suas rotinas cotidianas. O olhar sociológico traz-nos sempre uma nova perspectiva sobre situações que aparentemente são de natureza individual, mas que acabam por atingir uma gama muito maior de nossa realidade coletiva. Pode-se tomar como exemplo a situação econômica dos indivíduos, que, embora possa ser uma abordagem bastante particular, pode também ser observada por uma perspectiva mais abrangente, quando se volta para a análise da situação econômica de todo um país. Isso significa abordar toda a cadeia social, as formas como a realidade econômica é afetada e as possíveis consequências desse fenômeno, como o acentuamento da desigualdade social e, possivelmente, o agravamento de outros problemas, como a violência, a fome e a precarização da educação. 6.1 Processo de formação dos grupos sociais Segundo o dicionário Aurélio, o vocábulo “grupo” traduz-se em um conjunto de pessoas ou de objetos reunidos num mesmo lugar ou ainda um conjunto de pessoas que apresentam o mesmo comportamento e a mesma atitude, e com um objetivo comum que condiciona a coesão de seus membros: um grupo político; um grupo de trabalho, etc., melhor dizendo, a sociedade não é mero agregado de seres humanos; constitui-se, em verdade, de um complexo labirinto de grupos e relações sociais. Vários autores trabalharam com as perspectivas de grupo, evidenciando que o ser humano é um ser social e sociável, um ser de relações, estando constantemente nos relacionando com outras pessoas, isto é, a vida humana passa pela vida em grupo. Logo, em seu nascimento, o ser humano se depara 23 com seu primeiro grupo: a família, em seguida vem o grupo escolar, o grupo de amigos, de trabalho e muitos outros e cada um deles possui suas regras, suas adesões. Através da interação estabelecida entre as pessoas e o sentimento de identidade existente, é que o indivíduo que pretende aderir a determinado grupo deve aceitar e cumprir suas regras; em outras palavras, os grupos mantêm uma organização, sendo capazes de ações conjuntas para alcançar objetivos comuns a todos os seus membros. De fato, o que se propõe é uma análise do indivíduo e sociedade de maneira interdependente entrelaçando estrutura social e estrutura psíquica (autocontrole), possivelmente transferível para compreensão da construção dos grupos sociais. Porém, o próprio Elias reconhece que não conseguiu resolver epistemologicamente o problema indivíduo-sociedade. O que nos falta, sejamos explícitos, são modelos conceituais e, além deles, uma visão global graças à qual nossas ideias dos seres humanos como indivíduos e como sociedade possam harmonizar-se melhor. Não sabemos, ao que parece, deixar claro nós mesmos como é possível que cada pessoa isolada seja uma coisa única, diferente de todas as demais; um ser que, de certa maneira, sente, vivencia e faz o que não é feito por nenhuma outra pessoa; um ser autônomo e, ao mesmo tempo, um ser que existe para outros e entre outros, com os quais compõe sociedades de estrutura cambiáveis, com histórias não pretendidas ou promovidas por qualquer das pessoas que as constituem, tal como efetivamente se desdobram ao longo dos séculos, e sem as quais o indivíduo não poderia sobreviver quando criança, nem aprender a falar, pensar, amar ou comportar-se como um ser humano. Com efeito, de modo sistemático e coerente, dentro de um grupo social, os indivíduos que o integram, desenvolvem uma relação estável, os quais compartilham histórias, objetivos, interesses, valores, princípios, símbolos, tradições e, sobretudo, leis e normas que asseguram as relações interpessoais e o desempenho de determinados papéis entre os sujeitos sociais, mantendo regras de convivência preferencialmente imutáveis, para a garantia de sua continuidade, porém, sem esquecer que a sociedade se transforma. À vista disso, num significado mais amplo, é possível dizer que, onde quer que se estabeleçam e/ou se mantenham contatos entre pessoas, poderá 24 ou não estar presente aquela atitude que se denomina "relações humanas", fazendo alusão a um posicionamento do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky: “nos tornamos nós mesmos através dos outros” ou ainda “eu sou uma relação social de mim comigo mesmo”. 6.2 Características essenciais dos grupos sociais Nos grupos, há duas ou mais pessoas, entre as quais existe interação, isto é, reconhecem-se relações a serem consideradas conjuntamente. A associação possui uma identidade objetiva, própria, distinta dos seus membros, cônscios, por sua vez, dessa circunstância. A individualidade objetiva do grupo manifesta-se pelos caracteres a seguir relacionados: a) Presença específica do todo, ao lado das personalidades particulares dos seus componentes; b) Percepção da unidade com base em quatro elementos: b.1) Consciência da unidade grupal por parte de cada um dos seus membros e da distinção do agregado frente a outros; b.2) Unidade coordenada ou coincidente de conduta dos seus membros, em vista de fins próprios do grupo; b.3) Uma estrutura de papéis e “status” reciprocamente relacionados no seu interior, embora inexistente nos chamados grupos amorfos (por exemplo, as classes sociais); b.4) Sentimento de responsabilidade solidária, por parte dos indivíduos nele inseridos; c) Autonomia do todo frente aos seus componentes, no que se relaciona com modificações em sua estrutura, e à sua duração, desvinculada, em geral, da permanência dos integrantes; d) Formas de conduta objetiva – usos, convenções ou normas – impostas aos respectivos membros. As noções de interação, representação, identidade, intersubjetividade, razão dialógica, movimentos e racionalidade comunicativa complementam outras peculiaridades relativas aos grupos sociais, tais como: Pluralidade de indivíduos: precisa haver mais de uma pessoa; 25 Interação social: os membros do grupo interagem entre si; Organização: precisa haver uma certa ordem no grupo; Objetividade e exterioridade: o grupo está acima do indivíduo; Exterioridade: significa que a existência de um indivíduo não depende de sua participação no grupo; Objetivo comum: há certos valores, princípios e objetivos que unem os membros do grupo; Consciência grupal: pensamentos, ideias e sentimentos são compartilhados pelos membros do grupo; Continuidade: as interações entre os membros do grupo precisam ser duradouras, como ocorre em famílias, numa escola, numa instituição religiosa etc. 6.3 A sociabilidade humana O objeto das ciências históricas é constituído pelas ações humanas de todos os lugarese de todos os tempos, na medida em que tiveram ou ainda têm importância ou influência na existência e na estrutura de um grupo humano e, implicitamente por meio deles, uma importância ou uma influência na existência e na estrutura da comunidade humana presente ou futura. A socialização (efeito de ser tornar social) está relacionada com a assimilação de hábitos culturais, bem como ao aprendizado social dos sujeitos, isso porque é por meio dela que os indivíduos aprendem e interiorizam as regras e valores de determinada sociedade. Socializar é fundamental para a construção das sociedades em diversos espaços. Por meio desse processo, os indivíduos interagem e se integram por meio da comunicação, ao mesmo tempo em que constroem a sociedade, contudo, os processos de socialização da antiguidade e da atualidade são bem distintos, o que decorre da evolução dos meios de comunicação e do avanço tecnológico e podem estar classificados em dois tipos: 26 6.4 Socialização Primária Como o próprio nome já indica, esse tipo de socialização ocorre na infância e se desenvolve no meio familiar. Aqui, a criança tem contato com a linguagem e vai compreendendo as relações sociais primárias e os seres sociais que a compõem. Além disso, é nesse estágio em que são interiorizados normas e valores. A família, entretanto, torna-se a instituição social mais fundamental desse momento. 6.5 Socialização Secundária O indivíduo já socializado primariamente vai interagindo e adquirindo papéis sociais determinados pelas relações sociais desenvolvidas, bem como a sociedade em que está inserido. Se por acaso o sujeito social teve uma socialização primária afetada, isso poderá gerar diversos problemas na sua vida social, uma vez que o primeiro momento de socialização é essencial na construção do caráter do indivíduo. Nessa situação, as primeiras teorias sociológicas surgiram em meados do século XIX, na Europa, voltadas para o problema das relações dos indivíduos entre si e com a sociedade; esse problema tornou-se o foco central dos primeiros estudos realizados. Com a eclosão dos conflitos e das transformações provocadas pelas revoluções sociais, surge o positivismo que se caracterizou como uma nova forma de pensar, cujo foco era organizar e reestruturar a sociedade buscando manter a nova ordem capitalista. O precursor moderno da Sociologia, Saint-Simon, viveu no momento em que eclodiu a Revolução Francesa as transformações políticas que aconteceram com o fim do feudalismo e a ascensão da burguesia; com isso o surgimento de um sistema, denominado sistema industrial, determinou fim definitivo ao antigo regime feudal. O sistema industrial era fundamentado no esclarecimento motivado pela razão científica e de acordo com Saint-Simon a sociedade industrial transformaria a natureza de forma ordeira e pacifica, de modo que os resultados obtidos pudessem assegurar a todos os seus membros a total satisfação de suas necessidades materiais e espirituais. 27 O segundo estado foi definido como metafísico, seria o ela intermediário entre os três estados, onde a explicação da sociedade não passaria apenas pela fundamentação na iniciativa divina: Deus não seria mais o regente absoluto da vida social, e sim uma essência onipresente a ela. E o terceiro estado seria o positivismo e encontraria sua expressão na sociedade capitalista moderna, onde o homem partia de uma concepção antropocêntrica e se colocaria na condição de regente da vida social. Dessa forma, o espírito positivo forneceria os preceitos fundamentais para a concepção de uma unidade para a nova ordem assentada definitivamente na razão. O conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade forma um sistema determinado, que tem sua vida própria; pode-se chamá-lo de consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela não tem por substrato um órgão único; ela está, por definição, difusa em toda extensão da sociedade. [...]. Com efeito, ela é independente das condições particulares onde os indivíduos se encontram; eles passam e ela continua. [...]. Ela é o tipo psíquico da sociedade, tipo que tem suas propriedades, suas condições de existência, seu modo de desenvolvimento, assim como os tipos individuais ainda que de outra maneira. [...]. As funções jurídicas, governamentais, científicas, industriais, em uma palavra, todas as funções especiais são de ordem psíquica, uma vez que elas consistem em sistemas de representações e de ações: contudo elas estão evidentemente fora da consciência comum. (DURKHEIM, 1893, apud OLIVEIRA, 2012, p. 72). O processo de socialização é desencadeado por meio da complexa rede de relações sociais estabelecidas entre os indivíduos durante a vida. Assim, desde criança os seres humanos vão se socializando mediante as normas, valores e hábitos dos grupos sociais que o envolvem. Observa-se que nesse processo, todos os sujeitos sociais sofrem influências comportamentais. Importante notar que existem diferentes processos de socialização de acordo com a sociedade em que estamos inseridos. Para o sociólogo brasileiro Gilberto Freire, a socialização pode ser definida da seguinte maneira: “É a condição do indivíduo (biológico) desenvolvido, dentro da organização social e da cultura, em pessoa ou homem 28 social, pela aquisição de status ou situação, desenvolvidos como membro de um grupo ou de vários grupos”. Qualquer que seja a classe social e a realidade, os processos de socialização são muito diversos; tanto podem ocorrer entre pessoas que vivem numa favela como entre os burgueses que habitam a zona sul de São Paulo, por exemplo, isto é, seja qual for a cor, a etnia, a classe social, todos os seres humanos desde cedo estão em constante processo de socialização, seja na escola, na igreja, na faculdade ou no trabalho. Alguns fatores podem afetar esse processo, tal como um local marcado por guerras. As consequências dos processos de socialização geralmente são positivas e resultam na evolução da sociedade e dos indivíduos. Por outro lado, as pessoas que não se socializam podem apresentar muitos problemas psicológicos, determinados, por exemplo, pelo isolamento social: O ser humano, na sua vivência em sociedade vê-se envolto numa teia de procedimentos aos quais está adstrito, sejam estes de cariz moral, social, religioso ou jurídico (BOBBIO,1960 apud LOURINHO,2011,p.3). Conforme estudos de Darwin em “A Teoria da Evolução”, que mostra como as espécies se desenvolvem, a base da Teoria, evidencia a seleção natural das espécies, explicando como estruturas simples se tornaram seres complexos ao longo de milhões de anos, enfrentando os desafios da sobrevivência. Contudo, qualquer sociedade está permeada por uma normatividade implícita que varia de época para época, de sociedade para sociedade, no qual, a análise histórica perfaz esse conhecimento. Ao ofertar uma resposta à interligação que é feita em volta de todo esse poder da norma, essa força vinculante que obriga, com mais ou menos coercitividade, seja este apanágio do Estado enquanto regente da civilização ou do meio religioso, moral ou do mero trato social que vincula, muito embora de forma distinta, um amplo debate se forma ao redor da filosofia, da religião e da ciência, que entram em cena para construir diferentes concepções sobre a existência da vida humana, há o entendimento de que sem sociedade não existe o indivíduo e sem o indivíduo não existe sociedade. Sendo assim, o fenômeno da “socialização”, tradicionalmente definido como “aprender a conviver com as pessoas”, nunca mereceu o status teórico 29 que tem sido atribuído a temas como cognição, memória e linguagem, no âmbito da perspectiva histórico-cultural. Pesquisas sobre o desenvolvimento das funções mentais superiores (memória, linguagem, etc.) têm recebido atenção privilegiadadesde Vygotsky, e isto certamente se justifica quando se analisa a questão sob uma perspectiva histórico-cultural do desenvolvimento da própria abordagem. ...o conceito de “socialização” manteve-se por muito tempo restrito à aprendizagem da convivência social, e a maciça maioria de estudos sobre o tema ainda hoje se dá com base em perspectivas tradicionais, como a aprendizagem social e o construtivismo piagetiano (COLE, 2004 apud BRANCO, 2006, p.141). Por este ângulo, são três aspectos centrais a serem observados nos processos de civilização e de formação de grupos sociais, por exemplo, se algo deixa de ser um hábitus numa sociedade, é evidência de que, tanto mecanismos de controle social quanto de autocontrole — as restrições de fortes emoções espontâneas em público e a aversão pessoal a estas práticas —, estão atuando no estabelecimento de novos comportamentos e relações, assim configurando novos grupos sociais e alterando as relações de poder nas configurações. Estes três aspectos são relativos aos indivíduos situados num grupo social, ou ainda, num grupo nacional, passando a não existir civilização sem indivíduos que configurem grupos e sociedades. Para tanto, é relevante a passagem do controle social ao autocontrole. Essa passagem é o processo da exteriorização à interiorização. O indivíduo interioriza as paixões, emoções, regulações e representações produzidas nas relações sociais e em suas atividades mentais, e depois as exterioriza através de comportamentos, “hábitus” e relações de poder. Assim, pensamento e ação estão interligados no plano individual em função do social que, dirige o individual (e vice-versa) para um certo limiar de controle exigido e aceito pelos demais indivíduos em sociedade. Há atribuição de representações por parte de indivíduos/grupos para que outros indivíduos se reconheçam ao reconhecimento dos outros, desenvolvendo uma atividade mental denominada economia psíquica. Essa atividade é um 30 importante instrumento de percepção das representações empregadas a uma pessoa porque permite observar e encontrar seus semelhantes. Quanto à existência humana, alguns creem no criacionismo, já outros buscam as respostas na evolução das espécies e outros em seres de outros planetas, entre outras teorias, respectivamente. A teoria criacionista a partir de conceitos judaico-cristãos que se encontram na Bíblia. De religião em religião, todas acreditam que seu “deus” tenha criado a tudo e a todos. Para os que acreditam no criacionismo, portanto, os seres humanos são diferentes das demais criaturas por terem sentimentos, vontade, inteligência, moral, etc. A teoria evolucionista baseia-se nos estudos do cientista inglês Charles Darwin, que propôs o evolucionismo em um de seus livros, “A Origem das Espécies”. Esta tese teve forte impacto na sociedade cristã do século XIX. Duramente criticado pelos religiosos, Darwin continuou suas pesquisas e dentre os aspectos explorados por ele constam: Que o processo de evolução das espécies é gradual e contínuo; Que todos os seres vivos descendem, em última instância, de um ancestral comum; Que o mecanismo pelo qual os seres vivos mudam e evoluem é a seleção natural: os indivíduos mais adaptados ao meio ambiente conseguem melhores resultados na luta pela sobrevivência. De acordo com Darwin, todos os seres vivos tiveram sua evolução a partir de um ancestral comum, no qual, as mudanças ocorridas e as diferenças entre as espécies deram-se pelo processo de seleção natural, no qual os indivíduos que melhor se adaptam ao meio ambiente sobrevivem, deixando descendentes, que por sua vez também sofrem alterações em seu mecanismo biológico e deixam novos descendentes formando um círculo vicioso. Estudiosos e defensores da teoria evolucionista pregam que, em dado momento da evolução, os seres humanos e os macacos tiveram um ancestral em comum. Deste ancestral evoluíram dois grupos diferentes: um deles gerou o macaco e o outro gerou os seres humanos. Organização dos grupos sociais 31 Ao longo da história, conforme visto, os grupos sociais foram percebidos como uma expressão concreta de diferentes formas de vida: A família: da vida doméstica; Os agrupamentos profissionais: da econômica; Os Estados: para a cívica; A Organização das Nações Unidas: da internacional; e, As igrejas: correspondente à espiritual. Dentre as diversas classificações dos grupos, destaca-se a do sociólogo Cooley, cuja proposta divide os grupos em “primários” e “secundários” e, por outro lado, afirma que a ausência de tal fenômeno demarca o que chamou de “desorganização social. Por conseguinte, de acordo com sua estrutura, distingue-os entre primários ou “microgrupos”, secundários ou “macro grupos” e intermediários, destacando-os em grupo familiar, grupo vicinal, grupo educativo, grupo religioso, grupo de lazer, grupo profissional e grupo político. 6.6 Grupos primários São formados por grupos pequenos, também denominados microgrupos sendo estabelecidos por meio de relações duradouras e íntimas. Em tais grupos, os integrantes convivem diretamente, sem a mediação de terceiros e são fundamentais para o desenvolvimento da personalidade e da manutenção das ideias sociais. O relacionamento é de caráter pessoal e o contato direto entre os homens, permite identificação com os demais, na qualidade de pessoas, a partir das experiências vividas e imediatas com os outros. Em razão disso, a proximidade humana aí encontrável serve para formar nos homens nela situados o sentido de humanidade, ideada a partir da autêntica compreensão do valor e da dignidade de cada qual, tendo nas amizades, nas vizinhanças e na família a sua maior expressão. 32 6.7 Grupos secundários São grupos ordenados de forma racional, com objetivos utilitários, donde o relacionamento é de caráter impessoal. Aqui prepondera o vínculo do puro interesse, ao invés dos laços afetivos dos microgrupos. Os grupos secundários, entretanto, possuem grandes dimensões e são mais organizados, os quais envolvem relacionamentos de menor contato, mais formais e institucionais, porém dispõem dos mesmos interesses e objetivos, por exemplo, os grupos formados nas igrejas, nos partidos políticos, dentre outros. 6.8 Grupos intermediários São aqueles em que se complementam as duas formas de contatos sociais, ou seja, os primários e os secundários. Nesse tipo de configuração há existência de contatos maiores e menores. Do ponto de vista das Ciências Sociais, o indivíduo é parte formadora de uma sociedade; esta, por sua vez, é constituída a partir do conjunto de todas as relações sociais que os indivíduos mantêm entre si. Os grupos intermediários podem ocorrer no ambiente escolar, por exemplo, donde desenvolvem-se relações mais íntimas e relacionamentos de menor contato. 7 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA Fonte: cultura.culturamix.com 33 Conforme visto, a vida em sociedade permite ao homem crescimento social, político, cientifico e cultural, mas modula a forma de sua necessidade. Com o início da época moderna (Descartes, Espinoza), a pesquisa antropológica abandona a impostação cosmocêntrica dos filósofos gregos e a teocêntrica dos autores cristãos para enveredar pela antropocêntrica: o homem como ponto de partida da pesquisa filosófica. A Filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos, busca encadeamentos lógicos entre os enunciados, opera com conceitos ou ideias obtidos por procedimentos de demonstração e prova, exigindo a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. Não se trata de dizer “eu acho que”, mas de poder afirmar “eu penso que”. Logo, o conhecimento filosófico é um trabalho intelectual e sendo sistemático, não se contenta em obter respostas para as questões colocadas, mas exige que as próprias questõessejam válidas e, em segundo lugar, que as respostas sejam verdadeiras, estejam relacionadas entre si, esclareçam umas às outras, formem conjuntos coerentes de ideias e significações, sejam provadas e demonstradas racionalmente. Mediante uma análise ampla e refletida, examina o fenômeno “homem” sob os pontos de vista mais importantes, procurando ver antes de mais nada o que ele é: corporeidade, cultura, trabalho, jogo, religião. Somente depois dessa ampla fenomenologia das aparências é que ele procura decifrar e explicar o sentido profundo e completo do homem. Dessa forma, é pertinente dizer que a antropologia se ocupa da dimensão integral do homem, cuja análise abarca sua dimensão cultural e biológica: o homem nunca parou de interrogar-se sobre si mesmo. Em todas as sociedades existiram homens que observaram homens. A reflexão do homem sobre o homem e sua sociedade, e a elaboração de um saber são, portanto, tão antigos quanto a humanidade, e se dera tanto na Ásia como na África, na América, na Oceania ou na Europa, mas, o projeto de fundar uma ciência do homem – uma antropologia- é, ao contrário, muito recente. De fato, apenas no final do século XVIII é que começa a se constituir um saber científico (ou pretensamente científico) que toma o homem como objeto de conhecimento, e não mais a natureza; apenas nessa época é que o espírito científico pensa, pela primeira vez, em aplicar ao próprio homem os métodos até então utilizados na área física ou da biologia. 34 [...]. As sociedades estudadas pelos primeiros antropólogos são sociedades longínquas às quais são atribuídas as seguintes características: sociedades de dimensões restritas; que tiveram poucos contatos com os grupos vizinhos; cuja tecnologia é pouco desenvolvida em relação à nossa; e nas quais há uma menor especialização das atividades e funções sociais. São também qualificadas de “simples”; em consequência, elas irão permitir a compreensão, como numa situação de laboratório, da organização “complexa “de nossas próprias sociedades (LAPLANTINE, 2003, apud CUNHA, 2011, p.11). 7.1 O estudo do homem inteiro Só pode ser considerada como antropológica uma abordagem integrativa que objetive levar em consideração as múltiplas dimensões do ser humano em sociedade. Certamente, os acúmulos dos dados colhidos a partir de observações diretas, bem como o aperfeiçoamento das técnicas de investigação, conduzem necessariamente uma especialização do saber. Porém, uma das vocações maiores de nossa abordagem consiste em não parcelar o homem, mas, ao contrário, em tentar relacionar campos de investigação frequentemente separados. Ora, existem cinco áreas principais da antropologia, que nenhum pesquisador pode, evidentemente, dominar hoje em dia, mas às quais ele deve estar sensibilizado quando trabalha de forma profissional em algumas delas, dado que essas cinco áreas mantêm relações estreitas entre si. 7.2 A antropologia biológica Consiste no estudo das variações dos caracteres biológicos do homem no espaço e no tempo. [...]. Assim, o antropólogo biologista levará em consideração os fatores culturais que influenciaram o crescimento e a maturação do indivíduo. Ele se perguntará, por exemplo: por que o desenvolvimento psicomotor da criança africana é mais adiantado do que o da criança europeia? Essa parte da antropologia, longe de consistir apenas no estudo das formas de crânios, mensurações do esqueleto, tamanho, peso, cor da pele, 35 anatomia comparada das raças e dos sexos, interessa-se em especial - desde os anos 50 - pela genética das populações, que permite discernir o que diz respeito ao inato e ao adquirido, sendo que um e outro estão interagindo continuamente. Ela tem, a meu ver, um papel particularmente importante a exercer para que não sejam rompidas as relações entre as pesquisas das ciências da vida e das ciências humanas. 7.3 A antropologia pré-histórica É o estudo do homem através dos vestígios materiais enterrados no solo (ossadas, mas também quaisquer marcas da atividade humana). Seu projeto, que se liga à arqueologia, visa reconstituir as sociedades desaparecidas, tanto em suas técnicas e organizações sociais, quanto em suas produções culturais e artísticas. [...] O especialista em pré-história recolhe, pessoalmente, objetos do solo. Ele realiza um trabalho de campo, como o realizado na antropologia social na qual se beneficia de depoimentos vivos. 7.4 Antropologia linguística A linguagem é, com toda evidência, parte do patrimônio cultural de uma sociedade. É através dela que os indivíduos que compõem uma sociedade se expressam e expressam seus valores, suas preocupações, seus pensamentos. Apenas o estudo da língua permite compreender: o como os homens pensam o que vivem e o que sentem, isto é, suas categorias psicoafetivas e psicocognitiva; o como eles expressam o universo e o social (estudo da literatura, não apenas escrita, mas também de tradição oral); o como, finalmente, eles interpretam seus próprios “saber-fazer” (área das chamadas etnociências). [...]. Ela se interessa também pelas imensas áreas abertas pelas novas técnicas modernas de comunicação (mass media e cultura do audiovisual). 7.5 A antropologia psicológica Consiste no estudo dos processos e do funcionamento do psiquismo humano. De fato, o antropólogo é em primeira instância confrontado não a 36 conjuntos sociais, e sim a indivíduos. Ou seja, somente através dos comportamentos – conscientes e inconscientes - dos seres humanos particulares podemos apreender essa totalidade sem a qual não é antropologia. É a razão pela qual a dimensão psicológica (e também psicopatológica) é absolutamente indissociável do campo do qual procuramos aqui dar conta. Ela é parte integrante dele. 7.6 A antropologia social e cultural (ou etnologia) Toda vez que utilizarmos a partir de agora o termo “antropologia” mais genericamente, estaremos nos referindo à antropologia social e cultural (ou etnologia), mas procuraremos nunca esquecer que ela é apenas um dos aspectos da antropologia. Um dos aspectos cuja abrangência é considerável, já que diz respeito a tudo que constitui uma sociedade: seus modos de produção econômica, suas técnicas, sua organização política e jurídica, seus sistemas de parentesco, seus sistemas de conhecimento, suas crenças religiosas, sua língua, sua psicologia, suas criações artísticas. Isso posto, esclareçamos desde já que a antropologia consiste menos no levantamento sistemático desses aspectos do que em mostrar a maneira particular com a qual estão relacionados entre si e através da qual aparece a especificidade de uma sociedade. No mundo atual onde os problemas étnicos reaparecem e no qual a demanda pelo reconhecimento das diferenças, sejam elas políticas, sociais, culturais ou de gênero encontra-se na ordem do dia, a Antropologia Social tem dado contribuições importantes em seu esforço para um melhor entendimento das relações humanas. Este campo de saber com sua diversidade, riqueza e heterogeneidade, contribui com um novo olhar sobre a experiência humana no tempo e no espaço. Pois vive-se num mundo de fenômenos desprovidos de conteúdo social, que se originam das condições hostis que invadem a sociedade, dos perigos e incertezas que nos cercam, da ênfase colocada no indivíduo, onde o outro torna- se o nosso inimigo imediato. No individualismo moderno, a impessoalidade converteu-se em indiferença e pouco a pouco, desaprendemos a gostar de gente. Daí que, a Antropologia Social, nos ensina que este outro, muito antes de 37 constituir-se numa ameaça, é alguém que devemos conhecer e respeitar como uma parte de nós mesmos, companheiro e cúmplice da fascinante jornada que empreendemos na universalidade da dimensão que nos "torna" humanos. Em síntese, a Antropologia é uma chave para a compreensão do homem,dado que, uma das maneiras mais proveitosas de se dar a conhecer é traçar-lhe a história, mostrando como foi variando o seu colorido através dos tempos e como deitou ramificações novas que alteraram seu tema de base ampliando-o. 8 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA SOCIOLOGIA Fonte: larousse.fr A atitude filosófica dirigiu-se a indagações referentes ao mundo e às relações que os seres humanos mantêm com ele. Pouco a pouco, porém, descobriu-se que essas questões se referem, afinal, à capacidade humana de conhecer ou pensar. Por isso, as perguntas da Filosofia se dirigiram ao próprio pensamento: o que é pensar, como é pensar, por que há o pensar? - trazendo à memória a famosa escultura Le Penseur do francês Auguste Rodin. Ainda assim, a Filosofia tornou-se o pensamento interrogando-se a si mesmo. No entanto, existencialidades e estruturalistas, marxistas e tomistas, evolucionistas e espiritualistas, ateus e cristãos, todos são concordes em atribuir uma importância fundamental ao estudo do homem. Já a Sociologia surgiu em meados do século XIX, quando já havia ocorrido a Revolução Burguesa na 38 Inglaterra no século XVII e iniciado a Revolução Francesa, no final do século XVIII, em 1789, apresentado como um termo híbrido formado a partir de duas línguas: do latim socio com ideia de social, e do grego logos (razão), que exprime a ideia de “palavra” ou “estudo”; significando, portanto, “estudo do social” ou “estudo da sociedade”. Estes dois movimentos revolucionários implantaram o processo liberal que deu sustentação ao desenvolvimento do modo de produção capitalista e ao Estado Burguês no mundo ocidental, desenvolvendo e consolidando-se, no decorrer do tempo subsequente, no qual o capitalismo assegurou as condições de produção e reprodução do Mundo Moderno. 8.1 Capitalismo A maior parte das criações do intelecto ou da imaginação desaparecem para sempre em um prazo que varia entre de uma hora a uma geração. No entanto, algumas não desaparecem. Pode ser que sofram eclipses, mas retornam, e retornam não como elementos irreconhecíveis de uma herança cultural, mas com a sua roupagem individual, com as suas cicatrizes pessoais que se podem ver e tocar. Essas, perfeitamente pode-se chamar de grandes. Tomada nesse sentido, essa é, sem dúvida, a palavra que aplica à mensagem de Marx. Nas sociedades pré-capitalistas, o trabalho e a venda de produtos eram formas de satisfazer as necessidades de sobrevivência, isto é, o trabalho não era realizado como forma de obter lucros. Com a Primeira Revolução Científica e Tecnológica surge a forma de trabalho assalariado, em que o trabalhador participa do modo de produção apenas com sua força de trabalho. O trabalho passa a ser visto como uma forma de gerar riquezas para alguns (os proprietários), que não fazem nada a não ser que tenham a certeza do lucro. Surge então, no século XV, o que se denomina capitalismo (acumulação do capital para gerar riquezas); na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, partindo da decadência do sistema feudal e do nascimento de uma nova classe social, a burguesia. 39 8.2 Neoliberalismo Os neoliberais (organizadores dos modos de produção) sustentam que os países periféricos (subdesenvolvidos), que têm dívidas enormes com os bancos internacionais, perderam a capacidade de governar e, sob esse argumento, passaram a definir as reformas e ajustes econômicos nos países pobres. A implantação das políticas neoliberais foi facilitada pelos avanços tecnológicos que romperam fronteiras e tornaram as transações financeiras internacionais mais ágeis. Outro fenômeno de transformação nos modos de produção e difusão dos ideais neoliberais foi a globalização, que trouxe como consequência a criação de empresas gigantescas e poderosas que se implantaram em diversas partes do mundo, principalmente nos países pobres em busca de matéria-prima e mão de obra barata. “O neoliberalismo configura-se como uma reação mundial a crise econômica iniciada após a Segunda Guerra Mundial, o que exigiu uma reestruturação do capital para a retomada do ciclo de produção. Essa ideologia propõe o afastamento da intervenção do Estado no mercado econômico e político e tem como principais caraterísticas os conceitos de individualismo, de liberdade e de propriedade (LIMA, 2007 apud PARONETO, 2016, p. 76). O individualismo, a liberdade e a propriedade que o neoliberalismo apregoa desconsideram que as origens das desigualdades sociais são de ordem política e econômica; não são naturais. Sabemos bem que, sobretudo nos países subdesenvolvidos, as pessoas não têm as mesmas oportunidades e condições para se integrarem em uma sociedade que é historicamente marcada pela exclusão dos menos favorecidos. Por isso podemos dizer que avanços tecnológicos, políticas neoliberais e globalização são fenômenos interligados que vão produzir profundas modificações no contexto político, social e econômico no mundo atual. Mas afinal o que é globalização? 40 8.3 Globalização Em contextos amplos, percebemos os efeitos da globalização quando gostos, preferências, hábitos e costumes são modificados e passam a ser incorporados na vida das pessoas. O ponto central da globalização acaba sendo a manutenção de condições que visam o capital e o lucro para os países desenvolvidos, deixando os países e populações mais pobres à margem desse processo. Essa percepção a respeito da globalização, com críticas e constatações sobre a exclusão social e seus efeitos massificadores, tem sido comentada por estudiosos e se revela igualmente em inúmeras oportunidades, inclusive no meio artístico. As teses que consideram que a globalização implica espaços homogêneos e um mundo “sem fronteiras” são as que supõem que as informações, conhecimentos e tecnologias são simples mercadorias, passíveis de serem “transferidas” sob a mediação dos mercados via mecanismos de preço. Nestas análises, credita-se aos avanços nas tecnologias de informação e comunicação a possibilidade de realização conjunta e de coordenação de atividades de pesquisa e desenvolvimento por participantes localizados em diferentes países do mundo, permitindo tanto a integração das mesmas em escala mundial, como a difusão rápida e eficiente das tecnologias e conhecimentos gerados. Por um lado, porque tais avanços supostamente possibilitam uma mais fácil, barata e, portanto, intensa transferência dessas informações e conhecimentos. Por outro lado, porque as difusões das novas tecnologias viriam permitir e promover a intensificação das possibilidades de codificação dos conhecimentos, aproximando-os de uma mercadoria passível de ser apropriada, armazenada, memorizada, transacionada e transferida, além de poder ser reutilizada, reproduzida e licenciada ou vendida indefinidamente e a custos crescentemente mais reduzidos. O entendimento do conceito e das implicações do fenômeno da globalização constitui um ponto de partida na análise das especificidades da Era do Conhecimento. A primeira constatação é a inconsistência conceitual e o forte conteúdo ideológico com que o termo foi moldado. Na percepção dominante, estaríamos caminhando para um mundo sem fronteiras com mercados (de capitais, informações, tecnologias, bens, serviços 41 etc.) tornando-se efetivamente globalizados e para um sistema econômico mundial dominado por “forças de mercado incontroláveis”, sendo seus principais atores as grandes corporações transnacionais socialmente sem raízes e sem lealdade com qualquer Estado-Nação. Tais corporações estabelecer-se-iam em qualquer parte do planeta, exclusivamente em função de vantagens oferecidas pelos diferentes mercados. Assim, apregoa-se que a única forma de evitar tornar-se um perdedor — seja como nação, empresa ou indivíduo — é ser o mais inserido, articulado e competitivo possível no cenárioglobal. Dessa perspectiva, a globalização é apresentada como um mito, um fenômeno irreversível sobre o qual não se pode intervir ou exercer influência. O papel dos Estados nacionais, particularmente da periferia menos desenvolvida, é aqui descrito como extremamente diminuído, senão anulado, só lhes restando a aceitação incondicional e o azeitamento do desenvolvimento das forças econômicas em escala global. 8.4 Pólis: uma herança greco-romana Na Grécia Antiga, a pólis era um pequeno território localizado geograficamente no ponto mais alto da região, e cujas características eram equivalentes a uma cidade-estado. Em Roma, os conceitos de público e privado configuram-se em pilares do Direito Romano. Na sociedade grega (polis) tais conceitos configuram-se em espaços distintos de atuação do cidadão. O surgimento da pólis foi um dos mais importantes aspectos no desenvolvimento da civilização grega e está intimamente ligada a uma unidade de interesses da coletividade; determinando a configuração de experiências políticas e sociais diversas entre os gregos. Os espaços de atuação do cidadão são distintos, mas não antagônicos, uma vez que eles dialogam, havendo um constante encontro dessas duas dimensões. Para elucidação do tema, são trazidas as ideias da filósofa Hannah Arendt, que trabalha os conceitos de público e privado, a partir de conceitos fundamentais, como: Trabalho: necessário à sobrevivência biológica e se efetiva na atividade do animal laborans; 42 Produção: encontra-se nos domínios do homo faber (que produz objetos duráveis com o uso de determinadas técnicas e partilha o seu saber de fabricação com outros homens; Ação: é a característica matricial da vida humana em sociedade. Ainda segundo Arendt: Os homens agem e interagem uns com os outros no seio de uma vida política em sociedade; Arendt enquadra o trabalho (labor) e a produção (work) no domínio da esfera privada, enquanto a ação está exclusivamente no plano da esfera pública (politica); O privado é o reino da necessidade, enquanto o público é o reino da liberdade; A ação (política) nunca é equivalente a um trabalho necessário à sobrevivência biológica ou à produção técnica. A ação é uma atividade comunicacional mediada pela linguagem da pluralidade de opiniões no confronto político. Entretanto, os conhecimentos sociológicos, são indispensáveis na discussão da pluralidade cultural, pelas possibilidades que abrem de compreensão de processos complexos, onde se dão interações entre fenômenos de diferentes naturezas. Nesta circunstância, os grupos sociais são diferenciados, principalmente pela cultura em que vivem, havendo diversas culturas ao invés de uma só e sua serventia está na manutenção da própria sociedade, isto é, seus modos e padrões de vida são amostras de como está a sociedade, como ela funciona e como está sua estrutura naquele momento. Na ausência dessa atitude, o que resulta é um clima de ressentimento, resistência, incompreensão, falta de colaboração e iniciativa, enfim, uma atmosfera que não conduz a um aproveitamento positivo na relação que se estabelece. Se, por outro lado, se manifesta a prática de “relações humanas”, então é possível afirmar, sem medo de errar, que o contato humano estabelecido tenderá para um resultado positivo, eliminando, "a priori", a possibilidade de 43 conflito básico entre as partes, dando a cada uma delas um crédito preliminar que facilitará o desenvolvimento da relação. O sociólogo alemão Norbert Elias em “A sociedade dos indivíduos”, diz que os indivíduos são condicionados socialmente ao mesmo tempo pelas suas autoimagens e por aquelas que lhes são atribuídas pelos outros com quem se relacionam. Quando se resgata historicamente o tempo, o homem pode repensar sua vida e transformá-la à medida que é sujeito do processo de construção da própria história e também do tempo. Pelo fato de não nascermos com um sentido temporal pronto, organizações temporais têm que ser aprendidas juntamente com outros aspectos culturais, conforme explica Elias: "No nosso tipo de sociedade, a vida do homem se mede com exata pontualidade. Uma escala social temporal que mede a idade (tenho doze anos, você tem dez), o indivíduo a aprende e a integra, como elemento social, na imagem de si mesmo e dos demais. Esta subordinação de medidas temporais não somente serve como comunicação sobre quantidades distintas, se não que alcança seu pleno sentido como abreviação simbólica comunicável de diferenças e transformações humanas conhecidas no biológico, psicológico e social” (ELIAS, 1989, apud MARTINS, 2000, p. 80). Segundo FREIRE (2006, p. 70), a diferenciação entre público e privado decorre de uma visão política instalada pelo regime republicano. A república – do latim respublica tem significado de “coisa pública”, que remete a ideia de “governo das leis” (e não de homens). Em termos simples, a Sociologia (surgiu no fim do século XVIII e início do século XIX) é a ciência que se debruça sobre a própria sociedade e todas as suas ramificações, componentes e integrantes; dedicando-se a compreender as formas de interação que as pessoas têm umas com as outras, suas organizações e os fenômenos sociais observados na realidade dos indivíduos. Os conhecimentos sociológicos, no entanto, permitem uma discussão acurada de como as diferenças étnicas, culturais e regionais não podem ser reduzidas à dimensão socioeconômica de classes sociais. As diversas contribuições da Sociologia evidenciam que nos grupos sociais existem normas, hábitos, costumes próprios, divisão de funções e posições sociais definidas, em 44 que os indivíduos, dos primeiros momentos da História aos dias de hoje estabeleceram relações entre si que fazem parte de suas rotinas cotidianas. O olhar sociológico traz-nos sempre uma nova perspectiva sobre situações que aparentemente são de natureza individual, mas que acabam por atingir uma gama muito maior de nossa realidade coletiva. Pode-se tomar como exemplo a situação econômica dos indivíduos, que, embora possa ser uma abordagem bastante particular, pode também ser observada por uma perspectiva mais abrangente, quando se volta para a análise da situação econômica de todo um país. Isso significa abordar toda a cadeia social, as formas como a realidade econômica é afetada e as possíveis consequências desse fenômeno, como o acentuamento da desigualdade social e, possivelmente, o agravamento de outros problemas, como a violência, a fome e a precarização da educação. 8.5 Representação social A teoria das representações sociais os conhecimentos, crenças, e ideias que a sociedade adquire por meio da interação social e através das quais se constrói uma realidade comum no interior de cada conjunto social. Além disso, aparece como uma forma de identificação de um grupo. Na representação social, os sujeitos se identificam com o seu grupo social, conquistando uma formação sociocultural que facilitará a comunicação no meio em que se insere, para que funcione como um elo entre o indivíduo e o mundo. Nos últimos anos, o conceito de representação social tem aparecido com grande frequência em trabalhos de diversas áreas, o que leva muitas vezes à indagação sobre o que será, afinal, algo de que tanto se fala. Com efeito, este conceito atravessa as ciências humanas e não é patrimônio de uma área em particular; tendo fundas raízes na Sociologia, e uma presença marcante na Antropologia e na história das mentalidades. A partir dos anos 60, com o aumento do interesse pelos fenômenos do domínio do simbólico, vê-se florescer a preocupação com explicações para eles, as quais recorrem às noções de consciência e de imaginário. As noções de representação e memória social também fazem parte dessas tentativas de explicação. A obra seminal de Moscovici - La Psychanalyse,son image, son 45 public - que contém a matriz da teoria, surge em 1961 na França, causando espécie nos meios intelectuais pela novidade da proposta. Entretanto, foi um rápido momento de impacto que não produziu desdobramentos visíveis. A perspectiva moscoviciana permaneceu encerrada no Laboratório de Psicologia Social da École de Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, e nos laboratórios de colegas como Claude Flament, Jean Claude Abric, no sul da França, e outros também interessados por ela, de forma mais dispersa, na Europa, cuja teoria aparentemente não vinga de imediato, fazendo sua reaparição com força total no início dos anos 80. Como vários outros conceitos que surgem numa área e ganham uma teoria em outra, embora oriundos da sociologia de Durkheim, é na psicologia social que a representação social ganha uma teorização, desenvolvida por Serge Moscovici e aprofundada por Denise Jodelet. Essa teorização passa a servir de ferramenta para outros campos, como a saúde, a educação, a didática, o meio ambiente, e faz escola, apresentando inclusive propostas teóricas diversificadas. Na multiplicidade de relações possíveis, “os seres humanos, como peças de um caleidoscópio, formam e tornam a formar agrupamentos, combinam e voltam a combinar-se em associações inúmeras, dotadas de diferentes estruturas. Muitos são os elementos que podem explicar a gênese das representações sociais; no entanto, nem todos têm a mesma importância. Alguns são essenciais e outros secundários: Torna-se, pois, importante conhecer, compreender, e agir no campo da representação social, respeitando sua organização, quer dizer, a hierarquia dos elementos que a constituem e as relações que esses elementos mantêm, estreitamente, entre si. (ABRIC, 2003, apud, FRANCO, 2004, p.172). A decisão de valorizar o estudo das representações sociais como categoria analítica nas áreas da educação e da psicologia da educação baseia- se na crença de que essa valorização representa um avanço, significa efetuar um corte epistemológico que contribui para o enriquecimento e aprofundamento dos velhos e já desgastados paradigmas das ciências psicossociais. Além disso, não apenas para a educação, mas, de uma maneira mais ampla, para a sociedade do conhecimento, a abordagem e a realização de pesquisas sobre 46 representações sociais podem ser consideradas ingredientes indispensáveis para a melhor compreensão dessa sociedade. Sabe-se que as representações sociais são elementos simbólicos que os homens expressam mediante o uso de palavras e de gestos. No caso do uso de palavras, utilizando-se da linguagem oral ou escrita, os homens explicitam o que pensam, como percebem esta ou aquela situação, que opinião formulam acerca de determinado fato ou objeto, que expectativas desenvolvem a respeito disto ou daquilo... e assim por diante. Essas mensagens, mediadas pela linguagem, são construídas socialmente e estão, necessariamente, ancoradas no âmbito da situação real e concreta dos indivíduos que as emitem. Portanto, para estudá-las, em primeiro lugar é indispensável conhecer as condições de contexto em que os indivíduos estão inseridos mediante a realização de uma cuidadosa “análise contextual”. Isso porque entende-se que as representações sociais são historicamente construídas e estão estreitamente vinculadas aos diferentes grupos socioeconômicos, culturais e étnicos que as expressam por meio de mensagens, e que se refletem nos diferentes atos e nas diversificadas práticas sociais. ... vemos funcionar dois sistemas cognitivos, um que processa associações, inclusões, discriminações, deduções, quer dizer, o sistema operatório, e outro que controla, verifica, seleciona, com a ajuda de regras, lógicas ou não; trata-se de um tipo de metasistema que retrabalha a matéria produzida pelo primeiro (MOSCOVICI, 1976, apud DOISE, 2002, p.30). Há que se considerar que as representações sociais (muitas vezes idealizadas a partir da disseminação de mensagens e de percepções advindas do “senso comum”) sempre refletem as condições contextuais dos sujeitos que as elaboram, ou seja, suas condições socioeconômicas e culturais. Daí a importância de conhecer os emissores não somente em termos de suas condições de subsistência ou de sua situação educacional ou ocupacional. Complementando, Mazzotti diz: Para Moscovici, sujeito e objeto não são funcionalmente distintos, eles formam um conjunto indissociável. Isso quer dizer que um objeto não existe por si mesmo, mas apenas em relação a um sujeito (indivíduo 47 ou grupo); é a relação sujeito-objeto que determina o próprio objeto. Ao formar sua representação de um objeto, o sujeito, de certa forma, constitui, o reconstrói em seu sistema cognitivo, de modo a adequá-lo ao seu sistema de valores, o qual, por sua vez, depende de sua história e do contexto social e ideológico no qual está inserido. (MAZZOTTI, 2002, apud, FRANCO, 2004, p.171). Ainda que a sua importância seja enfatizada em várias ocasiões, o estudo das representações sociais não tem sido suficientemente explorado por grande parte dos educadores e tampouco pelos teóricos da psicologia tradicional sob a falsa alegação de que “entre o que se diz” e o “que se faz” existe um abismo intransponível. De uma maneira geral, as representações sociais são definidas como princípios organizadores das relações simbólicas entre indivíduos e grupos. Seu estudo remete a três hipóteses importantes: I. Uma primeira hipótese é que os diferentes membros de uma população estudada partilham efetivamente certas crenças comuns concernentes a uma dada relação social. As representações sociais (RS) se constroem nas relações de comunicação que supõem referentes ou pontos de referência comuns aos indivíduos ou grupos implicados nessas trocas simbólicas; II. Uma segunda hipótese refere-se à natureza das tomadas de posições individuais em relação a um campo de (RS). A teoria das representações sociais deve explicar como e por que os indivíduos diferenciam entre si nas relações que eles mantêm com essas representações. Isto implica que essas variações nas tomadas de posição individuais são organizadas de uma maneira sistemática; III. Uma terceira hipótese considera a ancoragem das tomadas de posição em outras realidades simbólicas coletivas, como as hierarquias de valores, as percepções que os indivíduos constroem das relações entre grupos e categorias e as experiências sociais que eles partilham com o outro. Segundo a teoria em pauta, a representação social na verdade opera uma transformação do sujeito e do objeto na medida em que ambos são modificados no processo de elaborar o objeto. O sujeito amplia sua categorização e o objeto se acomoda ao repertório do sujeito, repertório o qual, por sua vez, também se modifica ao receber mais um habitante. 48 A representação, portanto, repito, não é cópia da realidade, nem uma instância intermediária que transporta o objeto para perto/dentro do nosso espaço cognitivo. Ela é um processo que torna conceito e percepção intercambiáveis, uma vez que se engendram mutuamente, como no caso do inconsciente agitado ou do complexo visível a olho nu. O processo social no conjunto é um processo de familiarização pelo qual os objetos e os indivíduos vêm a ser compreendidos e distinguidos na base de modelos ou encontros anteriores. A predominância do passado sobre o presente, da resposta sobre o estímulo, da imagem sobre a realidade tem como única razão fazer com que ninguém ache nada de novo sob o sol. A familiaridade constitui ao mesmo tempo um estado das relações no grupo e uma norma de julgamento de tudo o que acontece. (MOSCOVICI, 1961, apud ARRUDA, 2002, p.137). As representações sociais constituem uma espécie de fotossíntese cognitiva: metabolizam a luz que o mundo joga sobre nós sob a forma de novidadesque nos iluminam (ou ofuscam) transformando-a em energia. Esta se incorpora ao nosso pensar/perceber este mundo, e a devolvemos a ele como entendimento, mas também como juízos, definições, classificações. Como na planta, ela significa intensas trocas e mecanismos complexos que, constituindo eles mesmos um ciclo, contribuem para o ciclo da renovação da vida. [...] minha convicção [é] que nesta química reside uma possibilidade de descoberta da pedra filosofal para o trabalho de construção de novas sensibilidades ao meio ambiente. Ou seja, é nela que residem nossas chances de transformar ou, quando menos, de entender as dificuldades para a transformação do pensamento social. ...a representação social é um corpus organizado de conhecimentos e uma das atividades psíquicas graças às quais os homens tornam a realidade física e social inteligível, se inserem num grupo ou numa relação cotidiana de trocas, liberam o poder da sua imaginação. (MOSCOVICI, 1961, apud ARRUDA, 2002, p. 142). A fluidez de conceituação da representação social, com seus múltiplos enunciados, é alvo fácil da crítica. Esta também ataca o fato de que a teoria propõe metodologias variadas e pouco amarradas. Moscovici costuma 49 responder a tais críticas afirmando tratar-se de uma fluidez proposital, que visa permitir desenvolver a teoria e a criatividade dos pesquisadores, na medida em que o interesse maior seria a descoberta e não a verificação, a comprovação. Ao mesmo tempo, ao trabalhar com essa teoria, tentar transmiti-la a pesquisadores iniciantes, percebe-se que a representação social, na interface da psicologia e da sociologia, é uma alternativa de grande plasticidade, que busca captar um fenômeno móvel, por vezes volátil, por vezes rígido, cuja complexidade reforça a dificuldade da sua captação. Perceber uma representação social é fácil, mas defini-la, nem tanto. 9 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DA PSICOLOGIA Fonte: abrapso.org.br A Psicologia é usualmente definida como ciência do comportamento humano e a Psicologia Social é definida como o ramo dessa ciência que lida com a interação humana, no qual, um de seus maiores propósitos é o estabelecimento de leis gerais por meio da observação sistemática, ganhando notoriedade ao procurar estabelecer uma ponte entre a Psicologia e as Ciências Sociais; dentre as quais pode-se destacar não apenas a Sociologia, mas também a Antropologia, a História e, inclusive, a Ciência Política. 50 9.1 A Psicologia Social Para o psicólogo Serge Moscovici, em realidade, é na vida com os outros que pensamento, sentimento e motivação humanos se desenvolvem. Nesse sentido, a Psicologia Social, utilizando-se de seus próprios métodos, particularmente os experimentais, deve tornar-se um tipo de Antropologia da cultura moderna. Seus próprios métodos só deveriam ser utilizados quando há a possibilidade de extrapolarem para outras disciplinas “que se ocupam das mesmas questões, fornecendo-nos bases de dados e orientações teóricas”. Para o psicólogo social, tais leis gerais são desenvolvidas a fim de descrever e explicar a interação social. Essa visão tradicional da lei científica repete-se de uma ou outra forma em quase todas as pesquisas fundamentais do campo, no qual, a Psicologia Social é principalmente vista como um inquérito histórico e diferentemente das Ciências Naturais, ela lida com fatos que são em grande medida irrepetíveis e notadamente instáveis. A Psicologia Social enxerga o individual de modo mais amplo e se interessa por entender como as forças sociais atuam sobre os indivíduos e vice- versa, e é por isso interessa também à Ciência Política, no sentido de que aquilo que é vivido no campo individual contribui de alguma forma para a melhora ou piora da sociedade, para a manutenção ou quebra de paradigmas, implicando nas motivações pessoais de luta pelo poder dominante. Dessa maneira, a realidade das relações entre o individual e o social necessita de modelos ternários, fazendo intervir o outro na construção desta realidade. Em nossas negociações com o outro, com outros indivíduos e grupos, temos consciência que os processos se desenvolvem ao mesmo tempo dos dois lados. Daí a importância das representações sociais, constituindo uma parte importante da realidade social e a modulando. 9.2 O processo grupal O projeto da psicologia societal não implica apenas em um conhecimento dos problemas pertinentes elaborados pelas outras disciplinas, como a 51 Sociologia ou a Antropologia, mas também em uma articulação de nossas análises com aquelas mais societais. Piaget (1932) foi, sem dúvida, um precursor, quando declarava, a propósito de sua análise da mentalidade primitiva, que não havia como retornar a uma “fase pré-sociológica da psicologia”, mas que ele gostaria de “assinalar que nos quadros traçados pela Sociologia há todo um interesse de restabelecer a análise psicológica: há atualmente muito mais paralelismo do que antagonismo entre os estudos sociológicos e as pesquisas psicológicas”. 10 OS GRUPOS SOCIAIS NA PERSPECTIVA DO DIREITO Fonte: veja.abril.com.br No estudo da palavra “direito” nota-se que sua origem está num vocábulo do latim: directum ou rectum, que significa “reto” ou “aquilo que é conforme uma régua”. Esta concepção, ainda, se somou à noção positivista, vez que em suas diversas acepções, conforme veremos, consolidou-se o “pressuposto de uma regra a determinar o que é ‘certo’ e uma autoridade ou chefe a impô-la”. O vocábulo “direito” encontra, pois, uma pluralidade de significações que refletem diferentes realidades, mas que, embora não se limitando ao significado vinculado a sua origem latina, carrega sempre consigo este pressuposto de ser uma regra a determinar o que é certo. Assim, pode significar: 52 Norma: quando, por exemplo, se diz que “o direito proíbe uma conduta”. Este é o sentido mais comum que se dá à palavra “direito”, sendo que inúmeras definições correntes se referem à acepção do direito como lei, ou como um conjunto de normas, como as referências positivistas mais comuns; Faculdade: quando, numa expressão, se diz que “o cidadão tem o direito de propor uma ação”. Este é o mesmo sentido dado pelo jurista alemão Rudolf von Ihering quando propõe que direito “é o interesse protegido pela lei”. Esta acepção é, pois, uma ideia de direito subjetivo, já que reflete um poder, uma faculdade reconhecida ao sujeito. Desse modo, o Direito é entendido como um sistema de disciplina social fundado na natureza humana que, estabelecendo nas relações entre os homens uma proporção de reciprocidade nos poderes e deveres que lhes atribui, regula as condições existenciais dos indivíduos e dos grupos sociais e, em consequência, da sociedade, mediante normas coercitivamente impostas pelo poder público. Mas esta concepção é imprecisa, pois é incapaz de dar conta de toda a complexidade do fenômeno jurídico, reduzindo-o à mera legalidade. 10.1 O Direito carece de uma Teoria Geral Norberto Bobbio, autor considerado clássico ainda em vida, feito de notável apreço, resume na obra em análise: “Teoria da Norma Jurídica”, não apenas um exaltar de uma concepção jurídica, mas um verdadeiro contributo para uma Teoria Geral do Direito. A Teoria da Norma Jurídica afirmou-se como o paradigma e todas as considerações e análises críticas às teorias jurídicas suas contemporâneas são o seu bastante alicerce que cimentam o fortalecimento de uma doutrina que ainda hoje se releva como fundamental e necessária para fazer face aos problemas do Direito atual. Norberto Bobbio parte da definição de direito como “um conjunto de normas ou regras de conduta” de forma a acentuar o cariz de normatividade. Todavia, pode-se refletir que o ser humano na sua vivência em sociedade, vê-se envolto numa teia de procedimentos aos quais está adstrito, sejamestes 53 de cariz moral, social, religioso ou jurídico, uma vez que, toda e qualquer sociedade está permeada por uma normatividade implícita que varia de época para época, de sociedade para sociedade. A multiplicidade normativa distingue- se pelo tipo de finalidade, pelo escopo perseguido pela regra em questão, no entanto, tanto a imponente regra jurídica como a regra de conduta de trato social têm em comum o fato de se constituírem como meio de influenciar comportamentos. 10.2 A formação dos grupos sociais no Direito A civilização grega antiga, através do helenismo, dos romanos antigos, da Igreja Ortodoxa Bizantina Antiga, da Cultura Islâmica Medieval, da Igreja Católica Romana Medieval e do renascimento cultural e das reformas religiosas na Europa da Idade moderna, legou a humanidade ocidental os principais conhecimentos nas áreas das Leis, Ciências, Filosofia, Política e Artes. Na área das Leis, o Direito Romano Antigo, o Direito Canônico da Igreja Católica Medieval, O Direito Português da época da descoberta das Américas, o direito da maioria dos países ocidentais na atualidade são herdeiros culturais do modus pensanti e operanti da civilização grega antiga. A civilização grega antiga se divide em quatro períodos a saber: Período Homérico: entre os anos 1100 e 800 a.C.; período em que os poemas Ilíada e Odisseia, atribuídos ao poeta Homero, teriam aparecido; Período Arcaico: entre os anos 800 e 500 a.C.; período de formação da cidade-Estado grega, a pólis – a sociedade era dirigida por uma aristocracia formada por clãs que monopolizavam o poder e a cidadania, vivendo em opulência e ciosa de seus valores e direitos tradicionais. Em direção ao fim do período, o poder começa a ser disputado pelos tiranos, com apoio de um sistema militar reformado, enquanto que a expansão marítima e comercial abria para outras pessoas um maior campo de oportunidades de enriquecimento e ascensão social e trazia para a Grécia uma variedade de influências culturais; 54 Período Clássico: século a.C. entre os séculos V e IV a.C.; período de consolidação e hegemonia das cidades-Estado de Atenas e Esparta (pólis) e do apogeu da cultura grega; Período Helenístico: chama-se civilização helenística a que se desenvolveu fora da Grécia, sob influxo do espírito grego. Esse período inicia entre 323 a.C., data da morte de Alexandre, o Grande, e termina 30 a.C., quando romanos conquistaram o Egito. Para o estudo do Direito de Família grego antigo é especialmente importante o período clássico (o período de apogeu da civilização grega) e suas relações com as suas instituições jurídico-políticas. Impulso Associativo No entanto, vários estudiosos intentam explicar o impulso associativo do ser humano, constituindo significativo subsídio doutrinário para a averiguação das principais teorias da ciência do Estado: Platão: interpreta a dimensão social do homem como um fenômeno contingente; para ele o homem é um ser etéreo, é essencialmente alma e se realiza em sua plenitude e perfeição, alcançando a felicidade ao contemplar as ideias, que se localizam em um mundo denominado topos uranos, ou lugar celeste. Para esta atividade não necessita de ninguém, cada alma se basta, existindo e se realizando por conta própria, independentemente das outras. Mas, por causa de uma grande culpa, que não é explicada em sua teoria, as almas perderam sua condição original de espiritualidade absoluta e caíram na Terra, sendo obrigadas a assumir um corpo físico para expurgar suas culpas e purificar-se. Sendo Platão, portanto, a sociabilidade é uma consequência da corporeidade e dura apenas enquanto as almas estiverem ligadas ao corpo físico, material; Aristóteles: de maneira oposta, entende que a sociabilidade é uma propriedade essencial do homem. Na sua visão, o homem é constituído de corpo e de alma, essencialmente. E, por esta constituição, não pode se auto realizar, sendo necessário criar vínculos sociais para satisfazer suas próprias necessidades e 55 vontades. É a natureza do homem que o impulsiona a querer associar-se e interagir com os demais. A sociedade, portanto, é uma criação humana e se tem sua base firmada em um contrato, que pode ser alterado ou desfeito; Hobbes: com suas ideias apresentadas na obra “Leviatã”, defendia que o homem é um ser mau e antissocial por natureza, enxergando seus semelhantes como concorrentes a serem dominados ou destruídos. O constante estado de guerra, de conflitos e brutalidade teria levado os homens a firmarem um contrato entre si, transferindo o poder de se autogovernar, seus direitos e liberdades ao Estado, que deveria impor ordem e segurança a todos; Rousseau: em “O contrato social”, afirma que o homem, ao revés do entendimento de Hobbes, é essencialmente bom e livre. A sociedade e o aparecimento da propriedade privada é que o corrompe, dando início aos inúmeros conflitos sociais. A solução encontrada por ele para extirpar os conflitos seria a organização de um Estado que só se guie pela vontade geral, e não pelos interesses particulares. O instrumento pelo qual se perfaz essa sociedade é o contrato social, pelo qual cada indivíduo transfere ao Estado a sua pessoa, todos os seus direitos e suas coisas. Ante o exposto, entendemos que a sociedade é fruto da própria natureza humana, de uma necessidade natural de interação. O homem tem necessidade material e espiritual de conviver com seus semelhantes, de se desenvolver e de se completar. No entanto, essa interdependência recíproca não exclui a participação da consciência ou da vontade humana. Consciente de que necessita da vida social o indivíduo procura melhorá-la e torná-la mais viável. 10.3 Relações de afeto As relações humanas, como mediadoras da materialidade e mediadas por ela, se encontram no campo da reciprocidade, que é também a condição de possibilidade para qualquer agrupamento humano. Em todos os lugares e 56 épocas os seres humanos estabeleceram relações entre si, sejam elas de afeto ou de poder. Em múltiplas situações, as pessoas comunicam entre si diretamente e enquanto membros de uma coletividade estão subordinadas às mesmas leis ou preceitos e, devido à interação social, os grupos têm de manter alguma forma de organização ao realizar ações conjuntas de interesse comum. A palavra "organização", aqui, designa tanto a ação interna pela qual o grupo define suas estruturas quanto o grupo em si mesmo enquanto uma atividade estruturada no campo prático, seja na matéria trabalhada ou em outros grupos. No entanto, as relações sociais, que fundam os processos individuais, são caracterizadas por tensões, equilíbrios e estão vinculadas tanto à solidariedade quanto à coação. O homem constrói sua individualidade de forma contraditória, pois, ao se singularizar, ele é apoiado e constrangido. É singularizado pelo nome que recebe, pelo ato de saudação do outro, pelos papéis atribuídos e expectativas postas. Sobre isso, diz Janet: Os homens em meio aos quais vivemos nos dão uma certa função social e nos forçam a preenchê-la. Eles nos atribuem um caráter particular e frequentemente nos educam para que conservemos esse caráter. Enfim e sobretudo, eles nos dão um nome único, nos coagem a conservá-lo, a nos distinguir de outros homens que têm outros nomes (JANET, 1936, apud GÓES, 2000, p. 120). Fato curioso é que enquanto a Filosofia ocupava-se com questionamentos sobre “De onde vim? ”, “Onde estou? ”, “Para onde vou? ”, a História registrava fatos e os relatava, inicialmente de forma oral e mais tarde, com auxílio acadêmico. Na Filosofia, entende-se como afeto, em seu senso comum, as emoções positivas que se referem a pessoas e que não têm o caráter dominantemente totalitário da paixão. Os afetos são emoções que acompanham algumas relações interpessoais, das quais ficaexcluída a dominação pela paixão. Daí a temporalidade indicada pelo adjetivo afetuoso que traduz atitudes como a bondade, a benevolência, a inclinação, a devoção, a proteção, o apego, a gratidão, a ternura, etc. À vista disso, a Filosofia é entendida como o estudo das inquietações e problemas da existência humana, dos valores morais, estéticos, do conhecimento em suas diversas manifestações e conceitos, visando à verdade; 57 porém, sem se considerar como verdade absoluta, nem tentando achar essa máxima como verdade absoluta. Sua origem como ciência, ou mesmo como forma de estudo das inquietações humanas, surge no século VI a.C, na Grécia antiga, que é chamada de “o berço da Filosofia ocidental”, trazendo os primeiros pensadores Tales, Pitágoras, Heráclito e Xenófanes que, na época, concentravam seus esforços para tentar responder racionalmente às questões da realidade humana. Os filósofos, entretanto, dedicavam seus estudos desde coisas extremamente abstratas como o “Ser enquanto ser” passando por questões exatas como as reações químicas, queda de corpos, fenômenos naturais, etc. Numa época em que praticamente tudo era explicado através da mitologia e da ação dos deuses, esses pensadores buscavam racionalmente explicar qual a fundamentação e a utilidade dos valores morais na sociedade da época. Também queriam identificar as características do conhecimento puro, as origens das coisas e outras indagações que surgiam conforme o caminhar intelectual da época. Na idade antiga e idade média, a Filosofia teve o seu ápice, abordando praticamente todas as áreas científicas conhecidas, além de indagar e buscar esclarecer questões pertinentes da época. Já a História é uma ciência que investiga o passado da humanidade e o seu processo de evolução, tendo como referência um lugar, uma época, um povo ou um indivíduo específico. A História que estuda as mudanças e permanências ocorridas na sociedade, procura perceber o modo como às pessoas viviam nos tempos antigos e como vivem hoje, bem como a relação entre aqueles tempos e os tempos atuais, ou seja, averigua o tempo passado e também o presente. A investigação dos seres humanos no tempo e no espaço relaciona-se a cada povo, com sua cultura, seu jeito próprio de viver e se organizar. Não existe cultura superior ou inferior, uma vez que, cada cultura organiza-se conforme a necessidade do grupo e sua relação com o espaço em que vive. Cada cultura vivenciará e marcará a passagem do tempo de diferentes formas ou ritmos: os chamados “tempos históricos”. Os vestígios produzidos pelo homem na sua passagem pela terra são chamados de fontes históricas. A história não é feita apenas pelos grandes personagens, mas por todos; isto é, por pessoas comuns, isto é, grupos, como o dos idosos, soldados, artesãos, o dos pobres, dos ricos, o das mulheres etc.; 58 e instituições sociais, como a igreja, a Câmara dos Deputados, o exército etc.; todos, portanto, sujeitos da História. Pelo fato de os seres humanos não nascerem com um sentido temporal pronto, organizações temporais têm que ser aprendidas juntamente com outros aspectos culturais, conforme explica Elias: "Eis uma constatação indiscutível: o homem é uma realidade extremamente complexa. Isso é verdade, antes de tudo, na ordem das ações. Ele exerce atividades, de todo gênero: conhece, estuda, escreve, fala, trabalha, joga, reza, canta, ama, sofre, diverte-se, come, etc. E cada uma destas atividades suscita questões e problemas de difícil solução. Mas a complexidade acentua-se ainda mais quando se passa do plano da ação ao do ser. Então nos perguntamos: quem é este indivíduo singular que chamamos Eu e que qualificamos como pessoa? O que é que permite a seu corpo explicar as mencionadas atividades, muitas das quais transcendem tão abertamente os confins da materialidade?" (MONDIN, 1981, apud CARNEIRO, 2009, p. 1). 10.4 Relações de poder Assim como os indivíduos são responsáveis por formar a sociedade, a sociedade também atua diretamente na formação do indivíduo, visto que este, desde que nasce, deve aprender a seguir as regras e condutas morais que são ditadas pelo ambiente social que habita e, ao contrário da ideia de singularidade que gira em torno do indivíduo, uma sociedade deve apresentar alguns padrões que servem para unir e organizar os indivíduos. No entanto, vale lembrar que também existem diferentes sociedades, sendo que cada uma costuma apresentar as suas peculiaridades, principalmente ligadas a cultura e as tradições das pessoas que as compõem. A sociedade brasileira, por exemplo, é formada não só por diferentes etnias, como também por imigrantes de diferentes países; além disso, as migrações colocam em contato grupos diferenciados. Nesse sentido, sabe-se que as regiões brasileiras têm características culturais bastante diversas e que a convivência entre grupos diferenciados nos planos social e cultural muitas vezes é marcada pelo preconceito e pela discriminação. Desse modo, poder apresentado nas Ciências Sociais, é fenômeno de importância fundamental, comparável à energia, em relação à física. O seu 59 conhecimento é básico para o Direito Político, pois a Constituição é o instrumento jurídico destinado a domar-lhe o exercício, mediante o encontro das formas institucionais adequadas para tanto. Para Max Weber, “o poder significa uma possibilidade de um homem ou de um grupo de homens realizar sua própria vontade, dentro de uma relação social, mesmo em face da resistência de outros”, isto é, a relação mercantil gera um laço social mesmo sem passar por relações pessoais íntimas, na medida em que esse laço não se esgota no único ato da troca, mas se enraíza e participa do processo de reprodução das instituições sociais Entretanto, trata-se de um potencial para a realização de fins e compreende o conjunto de meios de que um homem pode dispor para inclinar as vontades dos semelhantes, obrigando-os a cumprirem uma orientação, a seguirem uma rota por ele traçada e identifica-se como uma energia capaz de produzir alterações na realidade. Orienta-o uma vontade cujo fim é estabelecer uma regularidade de comportamentos, uma atuação contínua por meio de disciplina, isto é, uma ordem. Seu pressuposto é a diferenciação hierárquica, pela qual um ou alguns atores_ aquele ou aqueles que o exercem_ estão em plano superior, orientando os outros, a eles subordinados, ou seja, a hierarquia se estabelece porque a pessoa ou as pessoas, situadas em nível mais alto, têm a posse dos recursos apropriados para obter dos demais a conduta pretendida. Portanto, o poder é sem dúvida, uma relação humana, social, em cujo processo se conjugam dialeticamente dominação e dependência. Na sua análise é necessário ultrapassar as perspectivas usuais a respeito. Seja a Sociologia, que o considera como a medida, o signo manifesto da dimensão repressiva ínsita à vida social; seja a jurídico-formal, cuja colocação é em termos de lei e de soberania de Estado. Se a primeira é simplista, a segunda vê apenas as formas terminais. Nenhuma delas consegue identifica-lo nas suas fontes, esparsas em toda sociedade, as quais, pelo constante inter-relacionamento, cristalizam as estruturas sociais. O poder está presente em toda parte. O seu processo compreende múltiplas relações espelhadas ganglionarmente por todo o corpo social, a que conferem suas características, a respectiva identidade. Ao exame microscópico constata-se não apenas um poder, mas poderes difusos em todo ambiente. Daí a definição de sociedade, formulada por Loewenstein, como “um sistema de 60 relações de poder cujo caráter pode ser político, social, econômico, religioso, moral, cultural, ou de outro tipo”. Os exemplos são prontamente multiplicáveis. O exercício de um cargo no governo, de uma função burocrática, de representação partidária ousindical. A pressão do credor sobre seus devedores, da empresa sobre seus empregados. O carisma dos condutores de massas. A influência sobre a opinião pública resultante da propaganda, das pregações dos pastores religiosos, dos artigos dos jornalistas, da palavra dos professores e sábios. Ressalta a exatidão da advertência de Foucault, de “que se deve compreender o poder, primeiro, como a multiplicidade de correlações de força imanentes ao domínio onde se exercem e constitutivas de sua organização; o jogo que, através de lutas e afrontamentos incessantes, as transforma, reforça, inverte; os apoios que tais correlações de força encontram umas nas outras, formando cadeias ou sistemas ou, ao contrário, as defasagens e contradições que as isolam entre si; enfim, as estratégias em que as originam e cujo esboço geral ou cristalização institucional toma corpo nos aparelhos estatais, na formulação da lei, nas hegemonias sociais”. Para uma análise mais precisa, convém identificar os tipos de poder, de acordo com os princípios causadores de dominação e dependência. Fávila Ribeiro aponta quatro espécies: O poder político, em que se relacionam autoridade e coerção; O poder econômico, onde estão vinculadas a riqueza e a necessidade; O poder social, em cujo processo de relação figuram a opinião pública e a sua manipulação; O poder cultural, lidando saber e ignorância. O poder, se não encontra barreira, tende a crescer sem limites e a tornar-se opressivo, despótico. Nos dias atuais, é comum formarem-se enormes concentrações dele, com o consequente aumento dos fatores de dependência, sendo dificultoso resistir a um centro de dominação dessa natureza, pois, consoante a clássica formulação de Montesquieu “só o poder freia o poder”. “... o poder não pertence a um indivíduo, mas ao grupo do qual se origina, substituindo enquanto este permanecer”. (ARENDT, 1970, apud DOBROWOLSKI, 1985, p. 101). 61 Para evitar o funcionamento desembestado de poderes imensos, é indispensável o controle do seu crescimento exagerado e da sua propensão totalitária, disciplinando condutas e desempenhos, através de normas jurídicas exequíveis, isto é, dotadas de poder. Essas regras tendem a aumentar a capacidade de resistência dos dominados, a fim de aplainar o desnível hierárquico e restabelecer, dessa maneira, o imprescindível consenso. Cumpre ainda dar meios para que os detentores nas diversas ordens, inclusive os grupos sociais, tenham condições de se contrastar entre si, mantendo uma saudável estrutura pluralista, com oportunidades para todos, porquanto o equilíbrio entre os poderes é essencial para evitar o despotismo de qualquer deles. 11 AGREGADOS SOCIAIS Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br Qualquer sociedade está permeada por uma normatividade implícita que varia de época para época, de sociedade para sociedade, no qual, a análise histórica perfaz esse conhecimento. Os agregados sociais caracterizam-se numa reunião de pessoas frouxamente aglomeradas que, apesar da proximidade física, têm um mínimo de relações sociais, isto é, são as formas pelas quais os indivíduos se reúnem em função de um objetivo ou vontade comuns. 62 A maioria das pessoas dele participante se desconhece e o contato entre elas é limitado e de pequena duração, adquirindo três formas peculiares, que são multidão, massa e público. A imagem acima, por exemplo, demonstra os protestos de Hong Kong, em 2014, que reuniram uma multidão nas ruas pedindo pela democracia, e mesmo numa aglomeração, há pouco contato primário, isto é, não há uma hierarquia definida. 11.1 Multidão Uma multidão é um agregado pacífico ou tumultuoso de pessoas ocupando determinado espaço físico. Um exemplo de uma multidão é um grupo de pessoas se juntando para observar um fenômeno. As principais características da multidão são: Proximidade física: há contato direto, porém temporário, entre os componentes de uma multidão. O indivíduo tem de estar necessariamente presente no agregado social; Anonimato e ausência de status: o nome e posição social/profissional/econômica das pessoas que se integram à multidão não têm importância. Os componentes são anônimos, pois não levam consigo sua posição social ao se integrarem na multidão; Falta de organização: mesmo que haja um líder, não há um conjunto de normas ou posições definidas ou uma divisão de trabalho. A interação é geralmente desordenada e descontrolada, espontânea e imprevisível; Objetivos comuns: a multidão compartilha algum interesse, ato ou emoção. Porém, a interação não leva em consideração as personalidades sociais distintas. A multidão pode ser fanática e buscar seus objetivos sem restrições; Indiferenciação: não há espaço para as diferenças individuais se manifestarem. Isto torna os membros iguais; Segurança e poder: devido à presença de outros, os participantes podem fazer ou falar coisas que não fariam ou falariam se estivessem sozinhos; 63 Inter excitação: os componentes se deixam perder momentaneamente no “espírito da multidão”. Entretanto, as multidões podem ser assim classificadas em: Multidões casuais: têm existência momentânea e organização frouxa. Exemplo: pessoas contemplando um incêndio; Multidões convencionais: o comportamento se expressa de modo preestabelecido, tendo duração limitada. Exemplo: espectadores de um jogo de futebol; Multidão ativa: geralmente agressiva, é caracterizada pela existência de um objetivo. Exemplos: motins, revoltas, linchamentos; Multidão em pânico: há um estímulo dentro do próprio grupo que intensifica os sentimentos de pânico. Exemplo: pessoas que fogem de um terremoto; Multidão expressiva: há movimentos físicos que têm a finalidade de afrouxar a tensão. Exemplos: o Carnaval, as comemorações de rua após a seleção de um país vencer a Copa do Mundo. 11.2 Público O público é um agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos. É baseado não em contato físico, mas na comunicação recebida através de diversos meios de comunicação, isto é, o público é um conjunto de indivíduos em que é praticamente igual ao número de pessoas que expressam e recebem opiniões. A opinião do público pode se transformar em ação efetiva, mesmo contra o sistema de autoridade vigente e também ser relativamente autônomo em suas ações. Há diferença entre multidão e público, pois a integração dos indivíduos que formam o público é geralmente intencional. Já na multidão, a integração é ocasional. Os modos de pensar, sentir e agir do público constituem o que é conhecido como opinião pública; sobressaindo na opinião pública, três características básicas: 64 A primeira delas é o acesso à informação. Só há opinião pública quando os indivíduos de uma sociedade têm acesso livre às informações da atualidade; A segunda característica é a livre discussão. Diante das informações recebidas, cada indivíduo pode tomar uma posição; A terceira característica é a tentativa de fazer com que a opinião se transforme em ação, ou seja, que as opiniões sobre assuntos de interesse da nação influenciem e determinem as ações do governo. 11.3 Massa O grupo de indivíduos que se comporta como massas tende a ser manipulado, pois reage de forma impensada, não tendo consciência de grupo, porém, a massa não tem autonomia; praticamente inexiste a formação de opinião independente gerada por meio da discussão, sendo diferente do público, pois consiste num agrupamento relativamente grande de pessoas separadas, que não se conhecem. É formada por indivíduos que recebem opiniões formadas, que são veiculadas pelos meios de comunicação de massa, ou ainda, um conjunto de elementos em que a organização da comunicação pública torna difícil ou até impossível uma resposta efetiva às opiniões externadas publicamente. 65 12 MECANISMOSDE SUSTENTAÇÃO Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br Ao observarmos a Sociedade, ou melhor, ao observarmos as formações sociais concretas, constatamos que todos seus movimentos e acontecimentos são reproduzidos a partir de conjuntos de indivíduos, intermediados pelas Instituições, que são as formas estruturadas das relações sociais. Nunca é o indivíduo isolado a causa da ação social; é sempre o indivíduo como membro ou agente de um grupo ou Instituição que conduz, junto e por causa de outros indivíduos, qualquer acontecimento social. O indivíduo só existe na sociedade, quando se encontra inserido em alguma de suas subestruturas, que lhe darão todo o referencial e o sentido para seu comportamento. Os grupos sociais necessitam de certos mecanismos para que possam permanecer coesos e estruturados, como a liderança, as normas e sanções e os símbolos. Esta inserção do indivíduo processa-se em duas vias: a) para o interior da personalidade, constituindo de fora para dentro tudo aquilo que o indivíduo é: seus valores, seus sentimentos, seus ideais; e b) para o exterior do indivíduo, em seus relacionamentos e em sua atuação social. Desse modo, entende-se por grupo social, consoante definição operativa da Badia, “uma pluralidade de pessoas em situação estável, uniforme e formal (às vezes institucionalizada, em sentido sociológico), de interação ativa ou potencial, que se cristaliza em um sistema de valores interiorizados, e por isso mesmo, compartilhados, e se traduz 66 em atitudes e comportamentos comuns”. (GURVITCH, 1977 apud DOBROWOLSKI, 1985, p. 2). É em grupo que o homem se percebe como homem e passa a agir de uma forma pautada e reconhecida pelos outros; é em grupos que o homem compartilha da vida de seus semelhantes; e, finalmente, é em grupo que o homem aprende que é igual aos outros, mas é único seu ser-este-homem-em- particular. Sem o grupo, não existiria Identidade, é preciso haver outros, com quem se tem algo em comum, para ser-se um. Antes da Identidade, vem a ‘idem-tidade’. Idem = assim como o outro. Porém, são muitos os grupos na sociedade sendo diversas as estruturas coletivas que interligam o homem com o conjunto dos homens. No processo de estudo de uma sociedade, a Sociologia preocupa-se com uma série de aspectos que influenciam a existência dos agrupamentos de sujeitos sociais. Esses “aspectos” ou, melhor dizendo, “mecanismos” são características específicas de um grupo social e que servem como ponto de apoio para a coesão dos seus diferentes integrantes. Entre os diferentes mecanismos de sustentação de um grupo social, destacaremos alguns pelo grau de influência que exercem sobre o grupo e seus integrantes. Precisamos levar em consideração que, antes de tudo, os sujeitos que integram um grupo social não estão amarrados e fatalmente condenados a submeterem-se a esses mecanismos, uma vez que possuem sua individualidade e a capacidade, ainda que sob as fortes ameaças de sanções negativas, como veremos, de escolher ou criar seu meio de convivência de acordo com suas necessidades ou desejos. 12.1 Liderança A liderança é possivelmente um dos maiores catalizadores de mobilizações sociais que podemos observar. Debaixo de uma liderança, grupos sociais organizam-se diante de um ideal comum, em nome da resolução de um ou vários problemas ou qualquer outro tipo de ação. O autor alemão Max Weber dedicou-se a estudar as formas de dominação em uma sociedade democrática e, consequentemente, as formas como uma 67 liderança estabelece-se ou é estabelecida. Embora os recortes de Weber sejam muitos e variados, em face da complexidade de seus trabalhos, abordaremos rapidamente as duas principais formas de liderança: a carismática e a burocrática. A liderança carismática, ou pessoal, estabelece-se em torno da admiração da persona de um indivíduo, ou seja, a exaltação das qualidades individuais do líder em questão, que passa a ter o seu domínio legitimado (reconhecido) por aqueles que escolheram segui-lo ou adotá-lo como representante de suas vontades. Os reflexos desse tipo de liderança são observáveis em várias áreas de uma sociedade, tanto nas atividades políticas e econômicas quanto nas religiosas. Esse tipo de liderança é estabelecido de forma muito pessoal e emotiva, o que muitas vezes constrói laços de caráter irracional entre o grupo e seu líder. Essa é uma das razões que justificam o poder dos líderes carismáticos em serem responsáveis por algumas das maiores mobilizações sociais de nossa história, como é o caso de Adolf Hitler e a mobilização da nação alemã em torno dos ideais defendidos pelo nazismo. Em tal caso, a liderança burocrática, ou a liderança institucional, é estabelecida dentro da estrutura de uma organização institucional. Ela depende de uma hierarquia estabelecida dentro de um corpo burocrático, como o governo de um Estado. Referimo-nos a ela como uma forma de domínio legal, em que o líder é estabelecido como tal de acordo com as leis e regras burocráticas que regem a organização em questão. O líder legal tem seu poder de dominação assegurado pela instituição à qual pertence, independentemente de suas características pessoais. 12.2 Normas e sanções sociais As normas sociais compõem os pilares fundamentais de todas as organizações sociais. Elas estabelecem o que é considerado desejável ou reprovável no comportamento dos integrantes de um grupo, sendo elas as responsáveis pela condução das ações dos seres humanos em sociedade. As normas de uma sociedade refletem ou incorporam traços da cultura vigente do meio em que vigora, de modo que, a partir delas, os sujeitos moldem seu 68 comportamento e suas interações. O poder de regular o comportamento socialmente aceitável é mantido por meio das sanções sociais, que nada mais são do que o instrumento que garante a conformidade do sujeito com as regras estabelecidas. As sanções sociais são aplicadas de acordo com as ações ou comportamento do indivíduo, podendo ser uma recompensa que reforçará a ação em questão ou, então, uma punição que repreenderá o sujeito por comportar-se fora das normas estabelecidas. As recompensas podem ser a conquista da admiração por parte dos demais pelas “boas maneiras”, enquanto as punições podem ser tanto simbólicas, como o isolamento social e a marginalização do sujeito, quanto físicas, como a utilização da força em um ato violento. 12.3 Símbolos Os símbolos possuem papel fundamental na construção da identidade de um grupo social. É por meio deles que o grupo simplifica e comunica as características que compõem sua identidade. O símbolo é algo que possui valor ou significado atribuído por aqueles que o utilizam, de forma que, ao utilizá-lo, o sujeito pretende passar uma mensagem ao seu interlocutor acerca de algum aspecto que lhe seja relevante. O exemplo mais comum e compreensivo que temos são as bandeiras nacionais dos países. Aqueles que se representam pela bandeira de um país buscam passar a mensagem de que se identificam com as qualidades atribuídas à sua nacionalidade. Outro exemplo são os significados que algumas cores possuem em determinadas situações, como a cor preta, que pode ser o símbolo do luto em algumas culturas. A língua de uma nação é também um conjunto de símbolos estruturados de forma a permitir a comunicação. Essa ocorrência é estudada pela Linguística, a área do conhecimento que se dedica a entender as formas como interagem os significados e significantes, bem como os seus usos em uma sociedade e sua influência na formação de nosso pensamento. 69 12.4 Valores sociais É grande o dissenso na literatura sobre o que são os valores. Por exemplo, no livro clássico sobre a psicologia das normas sociais, Sherif (1936/1964) definiu os valores como normas sociais. Mais tarde, Kluckhohn (1968) propôs que um valor seria umaconcepção explícita sobre o que é desejável. Para essa abordagem, os valores são categorias de orientação e são uma derivação direta das necessidades humanas básicas. No entanto, os valores são apresentados como o conjunto de características de uma determinada pessoa ou organização, que determinam a forma como estas se comportam e interagem com outros indivíduos e com o meio ambiente. Os valores chamados de humanos são valores e princípios baseados nos conceitos morais e éticos. Eles definem a forma de relacionamento entre as pessoas e, por consequência, o relacionamento e o funcionamento de uma sociedade. Desta forma, estes valores podem ser considerados como a base dos relacionamentos humanos e sociais, funcionando como um conjunto de normas que pautam as interações humanas e as decisões. A lista de necessidades básicas que originariam os valores seriam aquelas especificadas por Maslow (1954) na sua teoria sobre a hierarquia das necessidades individuais. Os valores afetam a maneira que as pessoas percebem o mundo, suas decisões, preferências e suas ações, influenciados pelos contextos sociais (FISCHER, 2011 apud ESTRAMIANA, 2016, p.334). Os valores humanos ocupam um lugar de destaque no conjunto dos conceitos psicossociais considerados centrais para a compreensão dos fenômenos de interesse de estudo das ciências sociais. A sua relevância está relacionada está relacionada tanto com o desenvolvimento de métodos de medida de sistemas de valores, quanto com a teorização recente que tem identificado nos valores motivações-bases que explicam o comportamento dos indivíduos, as ações dos atores sociais e o rumo que as sociedades seguem no transcorrer da história. Todavia, ao vincular os valores às necessidades ou às motivações individuais, a maioria das definições aqui apresentadas parecem distanciar os valores do seu aspecto mais central – 70 a sua natureza social, ainda que a importância de fatores sociais para os valores tenha sido realçada nessas abordagens. 12.5 Sistemas de status e papéis sociais Apesar de semelhantes, os conceitos de status e papel social definem duas coisas distintas. A ideia de “status social” está ligada às diferentes funções que um sujeito pode ocupar no interior da sociedade em que vive. Em uma empresa, por exemplo, o patrão tem direitos e deveres, além de privilégios, diferentes dos de seus empregados, ou ainda, numa escola, os direitos e deveres do professor são diferentes dos de seus alunos. Na sociedade, o indivíduo ocupa posições sociais que lhe dão maior ou menor destaque, prestígio social e poder, sendo a posição ocupada pelo indivíduo no grupo social ou na sociedade denominada de “status social”. Contudo, se o compreendermos como um sujeito oriundo das classes médias, por exemplo, podemos enxergar quais hábitos, vínculos e funções que podem definir seu status no meio em que vive. Para tanto, são avaliados o tipo de posto de trabalho ocupado, os locais de lazer frequentados, o partido político ao qual se está filiado e a posição do sujeito no núcleo familiar. O fundamental papel constitutivo da cultura no desenvolvimento humano dá-se nas experiências cotidianas de participação nas práticas socioculturais do grupo, nas interações sociais (ROGOFF, 1990, apud BRANCO, 2006, p. 17). Os estudos sociológicos costumam grifar a existência de dois tipos de status: o status atribuído, em que alguém ocupa determinada posição independente de suas próprias ações (como “irmão mais velho” ou “filho de empresário”) e; o status adquirido, situação em que a pessoa age em favor de certa condição (como “especialista” ou “criminoso”). Todavia, na sociedade o indivíduo ocupa tantos “status” quantos são os grupos sociais a que pertence. O conceito de “papel social”, por sua vez, aparece justamente para explicar quais seriam os direitos e deveres que uma pessoa tem ao ocupar um determinado status social, isto é, são os comportamentos que o grupo social 71 espera de qualquer pessoa que ocupe certo status social. Dessa forma, o papel social envolve todo o tipo de ação que a própria sociedade espera no momento em que um de seus integrantes ocupa certo “status”. Exemplificando de forma simples, podemos dizer que o médico deve salvar vidas, a mãe cuidar de seus filhos e o professor repassar conhecimento para os alunos. Entretanto, não há status que não corresponda há um papel social, e vice- versa. Assim como uma pessoa tem diversos status, ela desempenha simultaneamente diversos papéis na vida social. Na compreensão de algumas culturas, a relação entre o status e o papel social pode demonstrar algumas diferenças bastante interessantes. Realizando um contraponto entre duas sociedades, é possível analisar que indivíduos com status sociais semelhantes são levados a desempenhar diferentes funções. Na área da saúde, por exemplo, pode-se pensar em um curandeiro de uma tribo indígena e o médico de alguma sociedade capitalista. Enquanto o primeiro vive em contato com a comunidade e se utiliza de rituais religiosos para cumprir a função de curar pessoas, esperamos que um médico esteja em um consultório e que domine o uso de uma série de procedimentos científicos para realizar essa mesma tarefa. 13 OS GRUPOS SOCIAIS E OS PENSADORES CLÁSSICOS Fonte: comunidadeculturaearte.com 72 As ciências históricas e humanas não são, pois, de uma parte, como as ciências físico-químicas, o estudo de um conjunto de fatos exteriores aos homens, o estudo de um mundo sobre o qual recai sua ação. São ao contrário a análise dessa própria ação, de sua estrutura, das aspirações que animam e das alterações que sofre. De outra parte, não sendo a consciência mais do que um aspecto real, mas parcial da atividade humana, o estudo histórico não tem o direito de limitar-se aos fenômenos conscientes, devendo vincular as intenções conscientes dos agentes da história à significação objetiva de seu comportamento e de suas ações. Os primeiros sociólogos construíram conceitos voltados para a tentativa de interpretar por critérios científicos da realidade social; daí o primeiro choque vivido pela Sociologia, já que o seu objetivo era corrigir os problemas sociais por meio da razão e não pelos comuns critérios científicos, isto é, buscando cobrir o comportamento dos indivíduos enquanto seres sociais, destacando que o alcance dos estudos sociológicos vai desde as particularidades das experiências individuais até a generalidade das relações sociais no contexto de um grupo ou de vários grupos. Assim mesmo, implica numa compreensão sadia que toda pessoa traz consigo, em todas as circunstâncias, necessidades materiais, sociais e psicológicas, na procura de satisfação e direção de seu comportamento neste ou naquele sentido. 13.1 Auguste Comte Se as pessoas são diferentes entre si, também a composição e estrutura das necessidades variam de indivíduo para indivíduo. Diante disso, o nome do pensador francês Auguste Comte (1798-1857) está indissociavelmente ligado ao positivismo, corrente filosófica que ele fundou com o objetivo de reorganizar o conhecimento humano e que teve grande influência no Brasil. Comte também é considerado o grande sistematizador da Sociologia. O filósofo viveu num período da história francesa em que se alternavam regimes despóticos e revoluções. A turbulência levou não só a um descontentamento geral com a política como a uma crise dos valores tradicionais. A linha de pensamento de Comte se baseou no afastamento radical da teologia ou metafísica da existência humana, afirmando que toda a vida humana 73 tinha passado pelas mesmas fases históricas distintas e que, se o indivíduo pudesse compreender este progresso, poderia resolver os problemas sociais. Embora a Sociologia tenha surgido a partir da tentativa intelectual de Comte, foi só no século XIX como aparecimento dos problemas sociais decorrentes da Revolução Industrial, que a Sociologia tomou proporção, surgindo como a ciência responsável para solucionar esses problemas. Desse modo, Comte propôs uma ciência chamada, em um primeiro momento, de “Física Social” e, depois, de Sociologia e, era essa que seria capaz de aplicar o método de observação e experimentação das ciências da natureza na sociedade. Comte também foi o primeiro teórico a estabelecer as raízes do positivismo. Segundo o pensador, o positivismo era o que o ser humano tinha criado de mais profundo e organizado: a observação e o entendimento da natureza com base no trabalho científico. Politicamente, o positivismo seria expresso pelo trabalho integrado entre ciência e política, visando ao desenvolvimento da sociedade. Para explicar a sua teoria positivista, o filósofo estabeleceu a Lei dos Três Estados, que descrevia os três estágios de desenvolvimento da humanidade: Estado teológico: o ser humano, em seus primórdios, necessitava encontrar explicações para os fenômenos naturais. Essas explicações eram fornecidas por narrativas mitológicas e religiosas, pois, ao não conseguirem explicar a natureza, os homens criaram seres sobrenaturais para fundamentarem as suas explicações; Estado metafísico: esse segundo ponto de desenvolvimento consiste no início da Filosofia. O ser humano já não se contentava mais com as explicações religiosas e passou a formular teorias racionais para conjecturar as possíveis causas dos efeitos observados na natureza. Nesse estágio, ainda há a prevalência do raciocínio sem a observação da própria natureza; Estado positivo: esse estágio seria o mais desenvolvido da humanidade. O ser humano entendeu que, para encontrar respostas sobre a natureza, ele deveria procurar as explicações na própria natureza. Nesse ponto, haveria o desenvolvimento das ciências e de um modo de pensar o mundo por meio do entendimento desse como algo que está dado fisicamente. O estágio positivo seria marcado pela Física, pela Biologia (ciência que, 74 junto com a Sociologia, seria a mais desenvolvida para Comte) e pela busca incessante do progresso. Contudo, esse método encontraria as mesmas estruturas e leis que existem na Física, porém na sociedade, nascendo aí a Sociologia, que seria mais bem delimitada, com o pensador Émile Durkheim, que criou um método de operação próprio para a Sociologia. 13.2 Sartre Jean Paul Sartre (1905-1980), filósofo e crítico francês discute sobre a formação dos grupos sociais e atribui à composição dialética dos grupos, o conceito de “serialidade”, ou seja, o processo que denota a dispersão e a solidão dos homens, e na medida que é superado, ocorre a constituição de um grupo social, por meio do processo inicial denominado “fusão social”. Como exemplo, podemos citar a fila de um banco, donde as pessoas permanecem juntas, porém, sem interação e integração. Essa falta de interação, já denota a inexistência de um grupo social. Segundo Sartre, a práxis do indivíduo é o que fundamenta a História humana ao mesmo tempo em que se constitui no fator básico capaz de determinar as ações dos grupos humanos. O grupo, assim, surge a partir de uma relação espontânea contra a vida serial e se apresenta como uma organização livre de indivíduos, a qual se constitui como "negação" do coletivo na medida em que é uma agregação forçada pela situação dada, e contra ela. Sartre argumenta ainda que a consciência de um grupo se forma porque cada integrante capta a sua condição e a dos demais como vistas por consciências alheias para quem esse conjunto de pessoas existe como objeto de observação. Assim, essa seria a forma mais elementar do grupo, caracterizada por ele como grupo-em-fusão: nasce com base numa estrutura material dada (um bairro, por exemplo) e a partir da necessidade ou de um perigo comum, ao qual reage com uma prática comum. No grupo, a práxis individual redescobre a sua capacidade de agir de acordo com uma finalidade, que sempre está ligada a um determinado incidir sobre a realidade. Os indivíduos tornam-se membros de uma intersubjetividade, onde todos reconhecem o Outro como um "mesmo", e com ele desenvolvem uma relação de reciprocidade imediata. "É o comportamento de uma multidão 75 percorrida por uma vontade de ação comum", onde todos visam uma solução a partir de um perigo exterior, uma ameaça que paira sobre todos. O grupo, apesar de motivado por esta práxis grupal, não pode existir como um "Ser-concreto", algo fixo e permanente, pois a liberdade aqui agrupada não possui nada de concreto que estabeleça o grupo em bases definitivas de existência. Uma vez conquistado o fim comum, o grupo sofre uma ameaça de dissolução: ele se dispersa enquanto práxis comum e cada integrante volta a sentir-se em práxis individual. Para conservar-se em atividade, o grupo deve lançar-se em novos projetos. Segundo Sérgio Moravia, Sartre possui um mérito que é o de ter analisado cuidadosamente as estruturas, os atos formais e invariáveis através dos quais o grupo-em-fusão procura permanecer como tal, não se dissolvendo na série novamente. O risco de à ação do grupo, extingue-se a evidência de uma práxis comum. Desta forma, para impedir que o grupo se dissocie em novas práticas individuais, propõe-se a si mesmo como um fim para seus membros, constituindo-se em novas formas de grupo, sendo a primeira delas o grupo juramentado. Os indivíduos, neste caso, mantêm sua reciprocidade não mais através de uma "solicitação concreta e real", mas na base de um ato formal de "juramento". O grupo, assim, tende a definir e controlar a prática individual no quadro de uma prática coletiva. 13.3 Émile Durkheim David Émile Durkheim (1858 – 1917) foi um sociólogo, filósofo, antropólogo e psicólogo francês, considerado “pai da Sociologia” por ter dedicado sua carreira ao estudo desta ciência e fundado a Escola Sociológica Francesa, no qual, baseou–se nas ideias de Augusto Comte para formular sua teoria. Citado como referência na área, ao lado de grandes nomes como Karl Marx e Max Weber, elaborou teorias importantes, como a do “fato social”, que são as maneiras coletivas de agir, pensar e sentir; estudando o comportamento das pessoas em sociedade, as novas configurações pós Revolução Industrial e a influência dos laços sociais e religiosos. Isso denota que, para Durkheim, há 76 formas e padrões pré-estabelecidos de um grupo social, por haver características próprias, que devem ser estudados de maneira singular. Durante a sua vida o intelectual presenciou o período em que compreendeu o ápice do capitalismo monopolista europeu e a sua primeira grande crise interna, além da Segunda Revolução Industrial e a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Quanto a relação indivíduo/sociedade, Durkheim acreditava que a sociedade predominaria sobre o indivíduo, uma vez que ela é que imporia a ele o conjunto de normas de conduta social. Ele tinha como foco a emancipação da Sociologia em relação as filosofias sociais, tentando construí-la como disciplina cientifica rigorosa, dotada de métodos sistematizados, objetivando definir com clareza o objeto e as aplicações dessa nova ciência partindo dos paradigmas e modelos teóricos das ciências naturais. Durkheim diferenciava-se do filósofo e economista francês Conde de Saint-Simon (Claude-Henri de Rouvroy) e do filósofo e sociólogo francês Auguste Comte por ter desenvolvido a sistematização de seu pensamento sociológico, já que seus conceitos foram além da reflexão filosófica, constituindo um corpo elaborado e metódico de pressupostos teóricos sobre o problema das relações sociais. Entretanto, a sociologia durkheimiana visava o todo e não as partes, ou seja, apesar de ser composto por inúmeros indivíduos era a sociedade que prevalecia sobre elas. O cientista publicoualgumas obras importantes para o desenvolvimento da Sociologia, que se tornaram marcos metodológicos para a história das ciências sociais e tem como obras principais: “A divisão do trabalho social” (1893), “As regras do método sociológico” (1895) e “O suicídio” (1897). Dentre elas, a obra “As Regras do Método Sociológico”, se destaca como a primeira voltada para a discussão e definição de um método de pesquisa sociológica produzida por um pensador social. Essa obra causou grande impacto nos meios intelectuais, já que delimitava a especificidade do campo de estudo da Sociologia, distinguindo-a das preocupações da Psicologia. Solidariedade mecânica Durkheim afirmava que a Sociologia deveria voltar-se também para outro objetivo fundamental: a comparação entre as diversas sociedades; para isso ele 77 estabeleceu um novo campo de estudo, a morfologia social, que consistiria na classificação das espécies sociais. Tendo como percussor de passagem a solidariedade mecânica para a solidariedade orgânica, que seria o motor de transformação histórica de toda e qualquer espécie de sociedade. Na obra De la Division du Travail Social, Durkheim buscou esclarecer que a existência de uma sociedade, está baseada no grau de consenso produzido entre os indivíduos. Esse consenso produzido foi chamado pelo sociólogo de “solidariedade”, pois, para ele, existem dois tipos: a mecânica e a orgânica. A solidariedade mecânica imperou na história de todas as sociedades anteriores ao começo da Revolução Industrial e do capitalismo, nelas a identificação social dos indivíduos se davam por meio dos laços familiares, religiosos, de tradição e costumes; sendo completamente autônomos em relação ao problema da divisão social do trabalho. Em função disso, a solidariedade mecânica é característica das sociedades ditas “primitivas” ou “arcaicas”, ou seja, em agrupamentos humanos de tipo tribal formado por clãs. Nestas sociedades, os indivíduos que a integram compartilham das mesmas noções e valores sociais tanto no que se refere às crenças religiosas como em relação aos interesses materiais necessários a subsistência do grupo. Justamente por essa correspondência de valores é que assegurar-se-á a coesão social. Solidariedade orgânica De modo distinto, existe a solidariedade orgânica que é a do tipo que predomina nas sociedades ditas “modernas” ou “complexas” do ponto de vista da maior diferenciação individual e social (aplicado às sociedades capitalistas). Além de não compartilharem dos mesmos valores e crenças sociais, os interesses individuais são bastante distintos e a consciência de cada indivíduo é mais acentuada. A solidariedade orgânica se manifestava de modo peculiar a sociedade capitalista moderna, em função direta da divisão acelerada de trabalho, que nessa sociedade exerceria influência decisiva em todos os setores da organização social. Durkheim concebe as sociedades complexas como grandes organismos vivos, onde os órgãos são diferentes entre si (que neste caso 78 corresponde à divisão do trabalho), mas todos dependem um do outro para o bom funcionamento do ser vivo. A crescente divisão social do trabalho faz aumentar também o grau de interdependência entre os indivíduos. Em consequência, a divisão econômica do trabalho social é mais desenvolvida e complexa e se expressa nas diferentes profissões e variedade das atividades industriais. Logo, Durkheim emprega alguns conceitos das ciências naturais, em particular da biologia (muito em uso na época em que ele começou seus estudos sociológicos) com objetivo de fazer uma comparação entre a diferenciação crescente sobre a qual se assenta a solidariedade orgânica. Coesão social Para garantir a coesão social, portanto, onde predomina a solidariedade orgânica, a coesão social não está assentada em crenças e valores sociais, religiosos, na tradição ou nos costumes compartilhados, mas nos códigos e regras de conduta que estabelecem direitos e deveres e se expressam em normas jurídicas: isto é, o Direito. Observe a seguir dados coletados por Emile Durkheim para melhor assimilação do tema: 13.4 Karl Marx Outro importantíssimo estudioso responsável pela formação da Sociologia foi Karl Marx (1818 – 1883). Marx não tinha como objetivo estabelecer ideias para a sociologia, apenas pretendia analisar e propor explicações para os problemas decorrentes daquela época: desemprego, miséria, desigualdades sociais, etc. Os conceitos de Marx deram ênfase na crítica de uma dominação com base econômica, sofrendo diversas inflexões e desdobramentos. Marx estabeleceu importantes conceitos para compreender o funcionamento do capitalismo, como o “mais-valia” e as formas de exploração das classes trabalhadoras. A sociologia marxista nasceu nos últimos anos do século XIX, depois das obras de Saint-Simon, Comte e Spencer, obras que são mais programas do que investigações concretas, e atingiu seu ponto culminante com os trabalhos de E. 79 Durkheim e dos durkheimianos e, na Alemanha, com os de Max Weber. Ora, havia, parece-nos, no pensamento desses investigadores uma noção insuficiente da objetividade, pois faziam com que dependessem unicamente da inteligência, da penetração e da honestidade individual do pensador, desconhecendo a identidade do sujeito e do objeto nas ciências humanas e suas consequências para sua natureza e seus métodos. É mérito do mais importante aluno de Max Weber, Georg Lukács (que se tornou marxista em seguida), ter posto claramente esse problema. Ao abordá-lo, novamente, partimos das três obras principais que colocaram o referido problema no século XX: E. Durkheim, Regras do Método Sociológico, Max Weber, Estudos sobre a Teoria da Ciência e G. Lukács, História e Consciência de Classe. 13.5 Max Weber Max Weber (1864 – 1920) teve uma linha de pensamento mais aproximada de Durkheim, onde os dois estudiosos defendiam a objetividade em relação ao método científico. No entanto, enquanto Durkheim se preocupava com a análise objetiva da sociologia, Weber pretendia tomar a compreensão da ciência, diferenciando também da análise crítica de Marx. Weber foi importante no sentido de direcionar as ciências sociais para a imparcialidade, passo fundamental para o surgimento do sociólogo como profissão. Weber via o mercado como o resultado de duas formas de interação social – a troca, que está simultaneamente orientada para o parceiro e para os concorrentes, e a competição (luta sobre os preços entre o cliente e o vendedor e entre concorrentes, tanto vendedores como clientes). Estabelece-se então uma ideia fundamental em relação à visão econômica do mercado, qual seja, a noção de luta e, consequentemente, de poder, que introduz uma dimensão política no coração de um fenômeno econômico. No mercado encontram-se em conflito interesses opostos, e a troca efetivada representa uma situação de equilíbrio. 80 14 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na construção deste texto, objetivou-se analisar a situação do homem em sociedade, demonstrando que ao nascer, cada indivíduo pode ser muito diferente, conforme sua constituição natural, mas é apenas na sociedade que o mesmo se transforma num ser mais complexo. Portanto, não se objetivou esgotar o assunto, mas servir de fonte de consulta para revisitar conceitos históricos relativos ao estudo do homem e ampliar conhecimentos acerca da formação dos grupos sociais quanto à composição de seus gostos, preferências, valores e visões de mundo. Assim sendo, praticamente desde o nascimento, os seres humanos estão destinados à convivência, primeiro com os pais, depois os irmãos e em seguida com o passar dos anos, e uma vez mais maduros, com a pessoa com quem se compartilha a vida e seus projetos pessoais. Sem dúvida, a constituição característica da pessoa tem uma influência inerradicável em todo o seudestino, pois, ao crescer num grupo é que o ser humano aprende uma fala articulada, na companhia de outras pessoas e gradativamente desenvolve um tipo específico de sagacidade e controle dos instintos, isto é, mesmo dentro de um mesmo grupo, as relações conferidas a essas pessoas e suas histórias individuais nunca são exatamente idênticas. Nada obstante, viver em sociedade é uma necessidade essencial de todos os seres humanos, cabendo então, neste breve material, essa peculiaridade que consiste na formação da vida em sociedade, que foi se formando ao longo dos séculos e do avanço tecnológico, econômico e político, levando as pessoas a aceitarem uma série de regras e normas para ordenar a vida social; entendida como alguma forma ou grau de regulação mútua entre organismos da mesma espécie, existente na natureza sob muitas formas diferentes. 81 15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARENDT, Hannah. 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