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TRABALHO DE DESENVOLVIMENTO II: 
FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A FELICIDADE E BEM-ESTAR 
NA VIDA ADULTA TARDIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São João Del Rei 
2016
1 
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REI 
 
 
 
 
 
 
 
FATORES QUE CONTRIBUEM PARA A FELICIDADE E BEM-ESTAR 
NA VIDA ADULTA TARDIA 
 
 
 
Alice Luna Melo 
Angélica Santos da Costa 
 
 
 
 
 
Trabalho de Desenvolvimento Humano II apresentado 
ao Curso Psicologia da Universidade Federal de São 
João del-Rei, Campus Dom Bosco, como requisito 
parcial para obtenção de nota referente ao segundo 
semestre de 2016, matéria sob orientação da Professora 
Dr. Adriana Rodrigues Guimarães. 
 
 
 
 
 São João Del Rei 2016
2 
 
 
 
I- FATORES QUE CONTRIBUEM PARA FELICIDADE E BEM-
ESTAR NA VIDA ADULTA TARDIA 
De acordo com PAPALIA, capítulo 18, do livro “Desenvolvimento humano” (2013) os 
adultos mais velhos em geral possuem menos transtornos mentais e estão mais satisfeitos com 
a vida do que os adultos mais jovens. Um estudo demonstrou que os níveis de felicidade são 
altos até os dezoito anos, declina até chegar nos 50 e sobem de novo atingindo seu maior pico 
aos 85(p. 609). Nessa perspectiva, surge uma indagação: Por que os adultos mais velhos se 
sentem mais felizes? 
Podemos talvez dizer que a maior felicidade na velhice reflita uma perspectiva mais 
madura da vida, como também a sobrevivência seletiva dos mais felizes. Algumas variações 
nos cortes e disparidades sociais também podem influenciar os níveis de felicidade em 
determinada época ou geração, porém as disparidades sociais talvez tenham menor impacto na 
velhice, já que as mudanças biológicas, os eventos da vida, a habilidade de lidar com o estresse 
e o acesso à serviços sociais, médicos e de apoio desempenham um papel mais significativo (p. 
609). 
Algumas teorias tentam explicar esses níveis mais altos de felicidade na velhice, partindo 
de alguns pontos centrais, como a personalidade, o estilo de enfrentamento e o papel da 
religiosidade. Nesse sentido, nosso trabalho se desenvolverá na descrição desses três pontos 
centrais. 
A- PERSONALIDADE: INFLUÊNCIAS NO BEM- ESTAR E NA 
FELICIDADE 
De acordo com Papalia, a personalidade é um forte previsor de emotividade e bem-estar 
subjetivo. A autora cita um estudo que acompanhou quatro gerações por 23 anos, constatando 
que emoções negativas, tais como inquietude, tédio, infelicidade e depressão, diminuíram com 
a idade. Em contrapartida, as emoções positivas- entusiasmo, orgulho, interesse e senso de 
realização- permaneceram estáveis até a velhice, e depois declinava ligeiramente aos poucos 
(p. 608). 
Uma possível explicação para esse quadro positivo é dada pela teoria da seletividade 
socioemocional, que diz que à medida que envelhecemos tendemos a procurar atividades e 
outras pessoas que proporcionem gratificação emocional. Além disso, a maior habilidade dos 
mais velhos de controlar suas emoções talvez explique a tendência de serem mais felizes do 
3 
 
 
 
que os adultos mais jovens e experimentarem com menos frequência e fugacidade as emoções 
negativas. Nesse caso, os traços de personalidade também podem influenciar as emoções e 
consequentemente seu sentimento de bem-estar geral e de satisfação com a vida (p. 608). 
Os traços de personalidade Big Five é baseado em dois momentos: neuroticismo e 
extroversão. E ainda, pode-se pensar em termos de conscienciosidade, amabilidade e abertura 
para o novo, para entender essa relação. Pessoas com personalidade extrovertida tendem a ter 
altos níveis de emoção positiva e estão mais propensas a manter essa positividade ao longo da 
vida. Já as pessoas com personalidade neurótica tendem a reportar mais emoções negativas do 
que positivas, e tendem ser mais negativas na medida que envelhecem. O neuroticismo é um 
bom previsor do estado de espírito e de transtornos de humor, e pessoas que possuem esse traço 
de personalidade costumam viver menos, pois normalmente usam de drogas para lidar com suas 
emoções negativas e estresse. A confiabilidade, a amabilidade e a abertura para o novo também 
estão relacionados com maior nível de emoção positiva, porém a personalidade extrovertida 
está altamente mais relacionada. E diferentemente, a conscienciosidade ou confiabilidade, 
prevê saúde e mortalidade, visto que pessoas conscienciosas tendem a evitar comportamentos 
de risco e ao mesmo tempo se envolver em atividades que promove saúde (p. 608). 
B- ENFRENTAMENTO E SAÚDE MENTAL 
 Enfrentamento é o pensamento ou comportamento de adaptação visando reduzir ou 
aliviar o estresse advindo de condições prejudiciais, ameaçadoras ou desafiantes. É um 
importante aspecto da saúde mental. Há duas abordagens teóricas ao estudo do enfrentamento: 
as defesas adaptativas e o modelo de avaliação cognitiva (p. 609). 
A autora descreve que as defesas adaptativas: Segundo Valiant em seus estudos, na 
velhice, as pessoas que apresentaram melhor adaptação psicossocial foram os mesmos que, 
quando adultos, haviam usado defesas madura como o altruísmo, humor, persistência, 
antecipação e sublimação, isto é, foram capazes de redirecionar emoções negativas para 
atividades positivas (p. 609). 
As defesas adaptativas podem mudar a percepção das realidades que as pessoas são 
incapazes de modificar. Elas podem ser inconscientes ou intuitivas. (p. 609). 
Já no modelo de avaliação cognitiva: as pessoas escolhem as estratégias de enfrentamento 
com base no modo como percebem e analisam uma situação. Ocorre enfrentamento quando 
uma pessoa percebe uma situação como extenuante ou como acima de seus recursos, 
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demandando um esforço incomum. O enfrentamento inclui qualquer coisa que um indivíduo 
pensa ou faz para tentar se adaptar ao estresse, independentemente do quão bem isso funcione. 
Uma vez que a situação está sempre mudando, o enfrentamento é um processo dinâmico 
contínuo; escolher a estratégia mais apropriada exige uma contínua reavaliação da relação entre 
a pessoa e o ambiente (p. 609). 
 As estratégias de enfrentamento podem ser focadas no problema ou focadas na emoção. 
O enfrentamento focado no problema visa a eliminar, administrar ou melhorar uma condição 
estressante. Geralmente ele predomina quando uma pessoa vê uma chance realista de mudar 
uma situação. O enfrentamento focado na emoção, dirige-se ao "sentir-se melhor". Ele 
administra ou regula a resposta emocional a uma situação estressante para aliviar seu impacto 
físico ou psicológico(podendo ser proativo ou passivo). Essa forma de enfrentamento tende a 
predominar quando uma pessoa conclui que pouco ou nada pode ser feito em relação à própria 
situação (p. 600- 610). 
Em geral, adultos mais velhos utilizam mais enfrentamento enfocado na emoção do que 
pessoas mais jovens. O enfrentamento focalizado na emoção é menos adaptativo do que o 
enfrentamento focalizado no problema, mas isso só é verdadeiro quando algo pode ser feito em 
relação ao problema. Quando não há solução disponível, talvez o mais adaptativo seja controlar 
as emoções negativas. E quando esses dois tipos de enfrentamento são utilizados juntos, isso 
permite uma variedade mais ampla e flexível de respostas a eventos estressantes (p. 610). 
Ao que parece, com a idade, as pessoas desenvolvem um repertório mais flexível de 
estratégias de enfrentamento. Pessoas mais velhas podem utilizar enfrentamento focado no 
problema, mas também podem ser mais capazes do que pessoas mais jovens de utilizar a 
regulação de emoção quando a situação parece exigir isso. A capacidade dos adultos mais 
velhos de regularem suas emoções pode ajudar a explicar por que eles tendem a ser mais felizes 
e mais alegres do que adultos mais jovens (p. 610). 
Às vezes, o enfrentamento focado na emoção pode ser muito adaptativo seu uso flexível 
em situações apropriadas, caracterizando em uma estratégia de enfrentamentomadura. Por 
exemplo, pode ser especialmente útil para lidar com o que se chama de perda ambígua: perdas 
que não são totalmente definidas ou não tiveram desfecho, como a perda de um ente querido 
devido ao mal de Alzheimer ou a distância da terra natal, que imigrantes idosos podem sentir 
durante toda a vida (p. 610). 
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Os estilos de enfrentamento não estão relacionados apenas ao bem-estar psicológico e 
emocional. Geralmente, a felicidade está relacionada com maior saúde. Pesquisas sugerem que 
o enfrentamento adaptativo está relacionada a saúde por meio de hormônios do estresse. Pessoas 
mais velhas que usavam de estratégias de enfrentamento focado no problema e procuravam 
apoio social diante de eventos estressantes, tinham níveis mais baixos de cortisol durante a vida. 
( p. 610-611). 
C- INFLUÊNCIAS DA RELIGIOSIDADE E ESPIRITUALIDADE 
NA SAÚDE E FELICIDADE 
A medida que envelhecem as pessoas se preocupam cada vez mais com a religião. Ela 
parece ter um papel fundamental como ponto de apoio para os idosos. Possíveis explicações 
incluem apoio social, encorajamento de se levar uma vida saudável, a percepção de uma medida 
de controle sobre a vida mediante a oração, a redução de estresse, e a criação de estados 
emocionais positivos e a fé em Deus como modo de interpretar os infortúnios (p. 611). 
 Estudos sugerem que o envolvimento religioso do idoso tem um impacto positivo sobre 
a saúde física e mental. Uma análise citada no capítulo, constatou uma redução de 25% no risco 
de mortalidade entre adultos saudáveis que frequentavam serviços religiosos semanalmente. 
Outros estudos demonstram a existência de uma associação positiva entre religiosidade ou 
espiritualidade e níveis de saúde, bem-estar, satisfação conjugal e função psicológica, e uma 
associação negativa com o suicídio, delinquência, criminalidade e uso de drogas. A razão disso 
advêm do fato das pessoas que participam de uma igreja estão mais propensas a se envolver em 
comportamentos saudáveis e dispõem de níveis mais altos de apoio social. É provável que a 
participação em outras tradições ou comunidades religiosas funcione da mesma maneira (p. 
611). 
 
II- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
PAPALIA, Diane E. Desenvolvimento humano. 12º.ed. São Paulo, ARTMED, 2013.

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