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ABORTO 
1) Compreender a epidemiologia, tipos e 
manifestação clínica do aborto 
2) Entender os métodos de esvaziamento 
uterino utilizados em abortos (mecanico e 
famacológico) 
3) Compreender a legislação brasileira com 
relação aos casos em que o aborto são 
permitidos. 
 
O abortamento é a expulsão de feto pesando menos de 
500 g ou com menos de 20 semanas de gestação 
podendo ser espontâneo ou provocado. 
 
 
Epidemiologia 
Cerca de 75% dos ovos fertilizados são abortados, e 
em mais da metade deles isso ocorre antes da primeira falha 
menstrual. Em gestações diagnosticadas clinicamente, 10% 
terminam espontaneamente até 12 semanas, 
representando 80% de todos os abortamentos. O 
abortamento representa a complicação mais frequente 
da gravidez. Aproximadamente uma em cada quatro 
mulheres terá um abortamento espontâneo durante sua vida 
reprodutiva. 
Ainda que a real incidência do abortamento seja 
desconhecida, entre 15 e 20% das gestações clinicamente 
diagnosticadas terminam em abortamento. Por meio da 
utilização de testes de alta sensibilidade capazes de 
detectar gestações que ainda não se manifestaram 
clinicamente, também denominadas gestações bio-
químicas, essas taxas podem atingir cifras de até 60% 
 
CLASSIFICAÇÃO 
Quanto à intenção e cronologia, o abortamento pode ser 
classificado da seguinte forma: 
Quanto à intenção: o abortamento pode ser espontâneo, 
se ocorrer sem ação deliberada de qualquer natureza, ou 
induzido (provocado), caso a interrupção da gestação seja 
resultante de interferência intencional antes de alcançadas 
as condições mínimas de sobrevivência extra uterina do 
produto conceptual. 
Quanto à cronologia: o abortamento é denominado como 
precoce se a perda gestacional ocorrer até 12 semanas e 
tardio, se ocorrer entre 12 e 20 semanas de gestação 
 
Etiologia | Fatores de risco 
A incidência de alterações cromossômicas em 
abortamentos esporádicos de 1o trimestre é de 50%. 
Analisando abortos com cariótipo anormal, a síndrome de 
Turner (45,X0) é a alteração mais frequente, com incidência 
de 19% (Tabela 19.1). Abortos trissômicos são vistos para 
todos os autossomos, exceto para os cromossomos 1, 5, 11, 
12, 17 e 19. Trissomia 16, triploidia e tetraploidia são as 
anormalidades autossômicas mais comuns. 
Aproximadamente 80% das trissomias 21 terminam em 
abortamento. 
Os mais comuns fatores de risco identificados em 
mulheres com abortamento precoce são a idade materna 
avançada e a história de perda anterior. A frequência de 
abortamentos precoces clinicamente reconhecidos em 
mulheres com idade de 20 a 30 anos é de 9 a 17%, 
aumentado rapidamente para 20% na idade de 35 anos, 
40% com 40 anos e 80% com 45 anos. 
Qualquer doença materna grave, traumatismo ou 
intoxicação, além de inúmeras infecções, podem levar ao 
abortamento. 
 
ETIOLOGIA 
ALTERAÇÕES CROMOSSÔMICAS 
A maioria dos abortamentos ocorre nas primeiras 12 
semanas de gravidez e 50 a 80% apresentam alterações 
cromossômicas. A proporção de perdas fetais consequentes 
às alterações cromossômicas diminui com a evolução da 
gestação. 
 
ALTERAÇÕES ENDÓGENAS 
- Defeitos na fase lútea 
A implantação ovular em endométrio pobremente 
preparado, em consequência à produção deficiente de 
progesterona pelo corpo lúteo, foi aventada no passado 
como causa de abortamento espontâneo e habitual. 
Atualmente, os defeitos da fase lútea são considerados 
causa pouco provável de abortamento e sua pesquisa não 
faz mais parte da rotina diagnóstica do abortamento 
habitual. O diagnóstico é baseado, sobretudo, na biópsia 
endometrial e na dosagem sérica de progesterona, e ambos 
os métodos apresentam deficiências. Até o momento, não 
existem estudos randomizados que demonstrem que a 
deficiência lútea seja uma entidade verdadeira e também 
não há evidência científica de alta qualidade que apoie o uso 
de progesterona para prevenção do abortamento. 
- Diabetes Mellitus 
A taxa de abortamento encontra-se aumentada em 
mulheres com diabetes mellitus tipo 1 que não estão 
metabolicamente controladas no início da gravidez. Em 
contrapartida, aquelas que se encontrem adequadamente 
controladas ou que apresentem diabetes mellitus subclínico 
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527732802/epub/OEBPS/Text/chapter19.html#tab19-1
não apresentam maior risco de perda fetal ou de 
malformação. 
- Tireopatias 
A incidência de abortamento mostra-se aumentada em 
pacientes com evidente tireopatia. Alguns estudos têm 
demonstrado que pacientes com abortamento apresentam 
maior incidência de anticorpos antitireoidianos, mesmo na 
ausência de doença tireoidiana. Por outro lado, outros 
estudos não encontraram relação causal entre a taxa de 
abortamento e a presença desses anticorpos. Em relação 
ao abortamento habitual, o papel dos anticorpos 
antitireoidianos é controverso. Atualmente, a solicitação 
desses anticorpos na rotina diagnóstica para casos de 
abortamento habitual não encontra embasamento científico. 
- Síndromes dos ovários policísticos 
A síndrome dos ovários policísticos afeta cerca de 10% das 
mulheres em idade reprodutiva e tem sido considerada 
causa de abortamento, inclusive de abortamento habitual. 
Os possíveis mecanismos responsáveis pelo abortamento 
em pacientes com síndrome dos ovários policísticos são: 
maior resistência à insulina, com consequente 
hiperinsulinemia e elevação do hormônio luteinizante, 
obesidade e hiperandrogenismo. Alguns estudos têm 
mostrado que o tratamento preconcepcional e durante a 
gravidez com metformina diminui a taxa de abortamento em 
pacientes com essa síndrome.outro lado, resultado de 
metanálise envolvendo 17 estudos prospectivos com 
distribuição aleatória das pacientes não demonstrou menor 
incidência de abortamento em mulheres que fizeram uso de 
metformina antes da concepção. 
INFECÇÕES 
Teoricamente, as infecções maternas (bacterianas ou vi-
rais) podem ocasionar abortamento por lesões da decídua, 
da placenta, das membranas ovulares e do produto 
conceptual. A relação entre abortamento tardio e infecção 
materna pelo Treponema pallidum é bem estabelecida, 
entretanto, para microrganismos como Chlamydia 
trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Streptococcus 
agalactiae, herpes-vírus, citomegalovírus e Listeria 
monocytogenes, embora sejam implicados na gênese do 
abortamento espontâneo, não há uma relação causal bem 
estabelecida. 
CAUSAS UTERINAS 
- Sinéquias intrauterinas (síndrome de 
Asherman) 
- Miomas 
- Incompetência cervical 
MALFORMAÇÕES UTERINAS 
Têm incidência de 10 a 15% no abortamento habitual.. As 
malformações uterinas deformam a cavidade uterina e 
prejudicam o desempenho reprodutivo, acentuando a 
incidência de abortamentos, parto pré-termo, crescimento 
intrauterino restrito (CIR), ruptura uterina e apresentações 
anômalas. A insuficiência cervical está frequentemente 
associada aos defeitos congênitos uterinos, o que explica 
por que o útero arqueado, a malformação mais leve, 
também ocasiona mau prognóstico obstétrico. O útero 
septado é o de pior prognóstico em virtude da má 
vascularização do septo. 
Os úteros didelfo, bicorno e septado estão associados a 
taxas de parto pré-termo 2 a 3 vezes mais elevadas do que 
na população geral. 
- Defeitos da fusão dos ductos de Muller 
FATORES IMUNOLÓGICOS 
As causas imunológicas relacionam-se com abortamentos 
de repetição e têm sido exaustivamente estudadas nos 
últimos anos. Elas podem ser divididas em autoimunes e 
aloimunes. 
CAUSAS AUTOIMUNES: Pacientes com doenças 
autoimunes apresentam maior probabilidade de perda fetal, 
contudo somente a síndrome antifosfolípide (SAF) 
apresenta como critério de definição a presença de perda 
fetal. Os anticorpos antifosfolipídicos (anticorpo 
anticardiolipina, anticorpo anticoagulante lúpico e anti-
beta2-glicoproteína I), estão implicados em várias 
complicações obstétricas, como abortamentohabitual, 
restrição do crescimento fetal (RCF), prematuridade, 
doença hipertensiva específica da gestação, descolamento 
prematuro de placenta (DPP) e óbito fetal. 
Os anticorpos antifosfolipídicos são famílias heterogêneas 
de imunoglobulinas G (IgG) e M (IgM) e, menos 
frequentemente, imunoglobulina A (IgA), que reagem contra 
fosfolípides de membrana carregados negativamente ou 
contra as proteínas ligadas a fosfolípides envolvidos com a 
coagulação. 
CAUSAS ALOIMUNES 
O termo aloimune diz respeito a diferenças genéticas entre 
indivíduos da mesma espécie. A teoria aloimune para 
abortamentos de repetição baseia-se em resposta materna 
anormal para antígenos paternos, ou do trofoblasto. 
Partindo-se do princípio de que a desigualdade antigêni-ca 
entre mãe e feto é fundamental para o progredir da 
gestação, na presença de histocompatibilidade materno-fe-
tal exagerada pode ocorrer uma resposta imunológica 
alterada e paradoxal (agressora), ocasionando rejeição 
materna aos tecidos fetais, semelhante ao observado em 
transplantes. Esse descontrole do mecanismo imune normal 
provavelmente ocorre na interface materno-fetal, podendo 
envolver aumento de atividade de células natural killer 
uterinas, que regulam o crescimento da placenta e do 
trofoblasto, a imunomodulação local e o controle da invasão 
trofoblástica. O diagnóstico do fator aloimune se baseia no 
tipo do antígeno leucocitário humano (HLA) do casal, na 
detecção in vitro do fator bloqueador da mu-lher (cultura 
mista de linfócitos) e na atividade das células natural 
killer.26 
A utilização de imunoterapia para tratar casais com 
abortamento de repetição de causa aloimune tem como 
objetivo suprimir a atividade das células natural killer. A 
imunoterapia pode ser passiva (imunoglobulina intravenosa) 
ou ativa (injeção intradérmica de linfócitos paternos). Os 
estudos demonstram resultados conflitantes a respeito dos 
resultados com imunoterapia. A maioria dos estudos 
prospectivos e bem controlados tem falhado em demonstrar 
os benefícios da imunoterapia em mulheres com 
abortamento de repetição. 
TROMBOFILIAS HEREDITÁRIAS 
Trombofilia é um termo utilizado para descrever alterações 
que predispõem à ocorrência de trombose. Consistem em 
trombofilias hereditárias as deficiências da antitrombina e 
das proteínas C e S e as mutações do gene da protrombina, 
do fator V de Leiden e dos genes da enzima 
metilenotetraidrofolato redutase. A literatura a respeito da 
associação de trombofilias hereditárias e abortamento 
habitual é controversa. Existem estudos retrospectivos 
relacionando a presença de trombofilias hereditárias com 
abortamento recorrente. 
DROGAS E AGENTES NOCIVOS 
Tabagismo: A associação entre tabagismo e abortamento 
tem sido admitida por muitos estudos; contudo, a maioria 
não depura adequadamente algumas variáveis de confusão. 
Mulheres que fumam mais que 10 cigarros/dia apresentam 
maior risco de abortamento. Vasoconstrição e danos 
placentários podem estar implicados na gênese do 
abortamento em fumantes. 
Álcool: Estudos observacionais têm relatado, ainda que de 
forma inconsistente, que o consumo moderado ou excessivo 
de álcool na gestação se relaciona com maior risco de 
abortamento. Apesar da difícil interpretação desses estu-
dos, uma vez que existem variáveis de confusão, as 
gestantes deveriam evitar o consumo habitual de álcool por 
seu efeito teratogênico e pelo pouco conhecimento a 
respeito do nível de segurança na gestação. 
Cafeína: Alguns estudos relatam que mulheres que 
consomem pelo menos 500 mg/dia de cafeína apresentam 
maior risco de abortamento. 
TRAUMA 
Frequentemente, atribui-se a ocorrência de abortamento a 
algum tipo de trauma, como queda ou trauma abdominal 
direto. No início da gestação, no entanto, o produto 
conceptual se encontra bem protegido dos traumas 
abdominais. No trauma grave, o produto conceptual pode 
sofrer trauma direto ou, ainda, sofrer consequências 
danosas em função do estado hemodinâmico materno. 
 
Formas clínicas 
Constituem tipos clínicos de abortamento: 
•Ameaça de abortamento 
•Abortamento inevitável 
•Abortamento completo 
•Abortamento incompleto 
•Abortamento infectado 
•Abortamento habitual 
•Insuficiência cervical. 
 
 
 
Ameaça de abortamento 
■Quadro clínico: Consiste, fundamentalmente, em 
hemorragia, que traduz anomalia decidual e/ou 
descolamento do ovo, e dor, sinal de contração uterina. 
▶ Hemorragia. É o elemento mais comum e costuma ser o 
primeiro a revelar distúrbios na evolução da gravidez. De 
modo geral, o fluxo sanguíneo na fase de ameaça é menor 
do que na interrupção inevitável. Os sangramentos 
precoces, de longa duração, escuros e do tipo “borra de 
café” são considerados mais sérios. Aproximadamente 30% 
das gestações apresentam sangramento no 1o trimestre, e 
metade delas resultam em aborto. 
 
Definições das formas de abortamento. 
•Ameaça de abortamento: gravidez complicada por 
sangramento antes de 22 semanas 
•Abortamento inevitável: o colo está dilatado, mas o 
produto da concepção não foi eliminado 
•Abortamento completo: todo o produto da concepção 
foi eliminado sem a necessidade de intervenção 
médica ou cirúrgica 
•Abortamento incompleto: alguma parte do produto da 
concepção foi eliminada, mas não a sua totalidade; 
podem estar retidos feto, placenta ou membranas 
•Abortamento infectado: abortamento (geralmente 
incompleto) complicado por infecção intrauterina 
•Abortamento retido: gravidez na qual já existe a morte 
fetal (em geral por semanas) sem a sua expulsão 
•Abortamento habitual: dois ou mais abortamentos 
consecutivos 
 
▶ Dores. Precedem, acompanham e geralmente sucedem 
a hemorragia. São provocadas por metrossístoles fugazes e 
intermitentes. Contrações regulares, como as do trabalho de 
parto, espelham processo irreversível. Deve ser lembrado 
que o abortamento, muitas vezes, é precedido pela morte 
do embrião, e as perdas sanguíneas e as cólicas, antes de 
constituírem ameaça, anunciam interrupção inevitável. 
▶ Exame físico. Confirma, exceto nas primeiras semanas, 
o útero aumentado, cujo volume é proporcional à data da 
amenorreia. O toque não é esclarecedor, pois não existem 
modificações cervicais. O exame especular pode afastar 
causas ginecológicas da hemorragia. 
 
 
Abortamento inevitável 
■Quadro clínico 
Nas amenorreias de curta duração em que o ovo é 
pequeno, o processo pode ser confundido com 
menstruação, diferenciando-se dela pela maior quantidade 
de sangue pela presença de embrião e decídua ao exame 
do material eliminado. 
Esse mecanismo é raro após 8 semanas. O cório 
frondoso bem desenvolvido fixa o ovo à decídua. 
A partir de 8 semanas, o processo de abortamento 
adquire, progressivamente, as características do trabalho de 
parto. 
O diagnóstico não oferece dificuldades. O episódio é, 
quase sempre, precedido por período de ameaça de 
abortamento; excepcionalmente, pode manifestar-se pela 
primeira vez no estágio de iminente expulsão. 
As hemorragias tendem a ser mais abundantes que as 
da fase de ameaça, e o sangue apresenta cor viva. 
O volume do útero corresponde à data da amenorreia, 
exceto quando a morte do ovo é antiga. O colo mostra-se 
permeável, notando-se as membranas herniadas pelo 
orifício externo na cavidade uterina. 
O quadro clínico inconfundível dispensa exames 
complementares. 
Abortamento precoce (até 12 semanas) 
Ocorre antes de 12° semanas de gestação. 
Abortamento tardio (após 12 semanas) 
Ocorre entre a 12° e a 20° semana de gestação. 
O ovo está muito desenvolvido, e a cavidade uterina, 
volumosa. Por serem suas paredes finas e moles, o 
esvaziamento instrumental torna-se perigoso. A expulsão é 
acelerada pela administração de ocitocina em grandes 
doses: perfusão venosa de solução de 10 unidades em 500 
mℓ de lactato de Ringer ou misoprostol, por via vaginal, 400 
μg a cada 4 h. Eliminado o ovo, ese a expulsão não foi 
completa, o remanescente é extraído com pinça adequada. 
 
ABORTAMENTO EM CURSO 
O abortamento em curso é caracterizado clinicamente por 
sangramento moderado ou intenso, acompanhado de dor 
abdominal em cólica, geralmente de forte intensidade. No 
exame físico, dependendo da intensidade da hemorragia, 
pode-se evidenciar anemia, taquicardia e hipotensão arte-
rial. No exame especular, observa-se sangramento ativo 
proveniente do canal cervical, geralmente com presença de 
restos dos produtos da concepção. O orifício interno do colo 
uterino encontra-se dilatado no exame de toque vaginal. A 
ultrassonografia pode evidenciar o descolamento ovular 
com saco gestacional em posição baixa e dilatação cervical. 
Abortamento completo 
Quando o abortamento ocorre no primeiro trimestre 
da gravidez, principalmente nas 10 semanas iniciais, é 
comum a expulsão completa dos produtos da 
concepção. Rapidamente, o útero se contrai e o 
sangramento, juntamente às cólicas, diminui de intensidade. 
O orifício interno do colo uterino tende a fechar-se em 
poucas horas. 
É frequente até 8 semanas de gestação. Considera-se 
abortamento completo quando, após a expulsão do ovo, 
cessam as cólicas e o sangramento reduz-se a perdas muito 
discretas. Só a evolução do caso confirma o diagnóstico. 
▶ Ultrassonografia. “Útero vazio” é a indicação certa de 
abortamento completo. Ecos intrauterinos centrais e 
escassos ou moderados podem representar coágulos 
sanguíneos, decídua, glândulas endometriais e placenta. As 
mesmas considerações que fizemos para o abortamento 
inevitável são aqui pertinentes. 
Ao exame ultrassonográfico, pode não haver evidência de 
conteúdo uterino; algumas vezes, porém, observa-se 
mínima quantidade de conteúdo heterogêneo e líquido. 
Apesar da falta de consenso, a medida da espessura 
endometrial de até 15 mm ao corte longitudinal mediano do 
útero à ultrassonografia transvaginal tem sido considerada 
indicativa de abortamento completo. 
 
 
Abortamento incompleto 
O abortamento incompleto e mais frequente após 10 
semanas de gravidez. Nesses casos, ocorre a 
eliminação parcial dos produtos da concepção. O 
sangramento vaginal persiste e, por vezes, torna-se 
intermitente. O volume uterino é menor que o esperado 
para a idade gestacional e, no exame de toque, o orifício 
interno do colo uterino geralmente se encontra pérvio; 
contudo, algumas vezes pode se apresentar fechado, 
sendo o diagnóstico realizado pelos achados 
ultrassonográficos. À ultrassonografia, observa-se a 
presença de conteúdo intrauterino de aspecto 
amorfo e heterogêneo, com presença ou não de 
líquido. A medida da espessura endometrial ao corte 
longitudinal mediano do útero à ultrassonografia acima 
de 15 mm tem sido considerada indicativa de 
abortamento incompleto (Figura 5). Classicamente, o 
tratamento de escolha é o esvaziamento cirúrgico do 
conteúdo uterino, por curetagem ou aspiração manual 
intrauterina de cardíaca após 11 dias de ultrassonografia 
transvaginal que visualizou saco gestacional com 
vesícula vitelínica. Muitas vezes, para confirmação 
diagnóstica, tanto nos casos de aborto retido quanto 
naqueles de gestação anembrionada, torna-se 
necessária a repetição do exame ultrassonográfico no 
prazo de uma semana. 
■Quadro clínico Está relacionado com a eliminação parcial do 
ovo, que causa hemorragia persistente e é terreno propício à 
infecção. O abortamento incompleto é comum após 8 semanas 
de gestação, quando as vilosidades coriônicas ficam aderidas 
ao útero. Nos abortamentos tardios, a paciente consegue 
distinguir páreas e o concepto e, geralmente, informa a 
eliminação apenas do feto. O sangramento não cessa, é 
intermitente, pode ser intenso, e ocorre porque os restos 
ovulares impedem a contração uterina adequada. As cólicas 
persistem. O útero, amolecido, tem volume aumentado, mas o 
escoamento do líquido amniótico e, comumente, do feto reduz 
suas dimensões, que não são as previstas pela idade da 
gravidez. O colo está entreaberto. 
▶ Ultrassonografia. Massa focal ecogênica caracteriza o 
diagnóstico de restos ovulares (Figura 19.5). 
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527732802/epub/OEBPS/Text/chapter19.html#fig19-5
 
 
Abortamento infectado 
O abortamento infectado, principalmente em países em 
que a lei proíbe a interrupção da gestação, muitas vezes 
encontra-se intimamente ligado à ilegalidade, sendo 
sua prática realizada em condições inadequadas. 
Cerca de 13% das mortes maternas que ocorrem no 
mundo são decorrentes do abortamento induzido de 
forma clandestina. Como a estimativa de morte materna 
é de 510 mil por ano, preveem-se 67 mil mortes anuais 
em virtude da prática do abortamento clandestino. Além 
disso, o abortamento clandestino está associado com 
considerável morbidade e pelo menos 1:5 (20%) 
mulheres terá infecção do trato genital, o que pode 
acarretar futura infertilidade. As bactérias envolvidas no 
abortamento infectado são aeróbias e anaeróbias, e 
merecem destaque: estreptococos beta-hemolíticos, 
Enterococcus spp., Escherichia coli, Peptos-treptococcus 
spp., Bacteroides fragilis e Clostridium spp. A infecção 
que se inicia no útero (endomiometrite) pode se 
propagar para os anexos (anexite), peritônio pélvico 
(pel-viperitonite), cavidade peritoneal (peritonite 
generalizada) e, ainda, disseminar-se por via 
hematogênica (sepse). 
O quadro clínico depende do grau de comprometimento 
da paciente. Nos casos de endomiometrite, geralmente 
se observam hipertermia, sangramento vaginal 
discreto (que pode ser acompanhado de saída de 
material purulento oriundo do canal cervical), dores 
abdominais em cólica e útero doloroso à palpação. 
No toque vaginal, o colo uterino apresenta-se 
geralmente pérvio e doloroso à mobilização. No 
exame especular, observa-se saída de material 
purulento proveniente do canal cervical e podem 
estar presentes lacerações cervicais denunciadoras 
de abortamento provocado de forma clandestina. Nos 
casos mais graves, a paciente pode apresentar peritonite 
generalizada, sepse, insuficiência renal e coagulopatia. 
O tratamento é clínico e cirúrgico e consiste, 
principalmente, em tratar a hipovolemia, combater a 
infecção e reparar cirurgicamente as lesões e lacerações 
decorrentes do método utilizado para o abortamento 
 
Os microrganismos causadores são os existentes na 
flora normal do sistema genital e dos intestinos: cocos 
anaeróbios (peptococos, peptostreptococos), E. coli, 
bacteroides, Clostridium perfringens. 
A classificação clínica mais utilizada é feita em três formas: 
I, II e III. (endomiometrite, pelveperitonite e peritonite). 
Abortamento retido/ gestação anembionada 
Denomina-se aborto retido a ocorrência de morte 
embrionária ou fetal antes de 20 semanas de gravidez, 
associada à retenção do produto conceptual por 
período prolongado de tempo, por vezes dias ou 
semanas. 
Geralmente, as pacientes relatam cessação dos sintomas 
associados à gravidez (náuseas, vômitos, ingurgitamento 
mamário). Pode ocorrer sangramento vagina, na maioria 
das vezes em pequena quantidade, de forma semelhante ao 
observado nos casos de ameaça de abortamento. O volume 
uterino é menor que o esperado para a idade gestacional e 
o colo uterino encontra-se fechado ao exame de toque. À 
luz da moderna obstetrícia, a ultrassonografia tem 
contribuído de forma importante o diagnóstico de morte do 
produto conceptual nos casos em que ela não se manifestou 
clinicamente. Atualmente, por meio de ultrassonografia 
transvaginal, denomina--se morte do produto 
conceptual a ausência de atividade cardíaca em 
embriões com comprimento cabeça-nádegas maior ou 
igual a 7 mm. 
Em alguns casos, ocorre a reabsorção do embrião antes da 
confirmação ultrassonográfica ou o desenvolvimento deste 
não chega a ocorrer. Essa situação recebe o nome de 
gestação anembrionada. Os principaiscritérios, por meio 
de ultrassonografia transvaginal, são: não visualização de 
embrião com diâmetro interno médio do saco ges-
tacional maior ou igual a 25 mm . Outros sinais de 
gestação inicial não evolutiva à ultrassonografia 
transvaginal são a ausência de embrião com atividade 
cardíaca após 2 semanas de ultrassonografia transvaginal 
que evidenciou saco gestacional sem vesícula vitelínica ou, 
ainda, ausência de embrião com ativida- 
 
 
Abortamento habitual 
O abortamento habitual ou recorrente é definido como a 
perda de duas ou mais gestações. Esse conceito é 
considerado inovador, haja vista que a maioria dos autores 
continua definindo abortamento habitual como a perda de 
três ou mais gestações consecutivas. O abortamento 
habitual, também denominado recorrente, classicamente é 
definido como a ocorrência consecutiva de três ou mais 
abortamentos espontâneos e incide em cerca de 1 a 2% 
das mulheres. Essa incidência é superior à esperada caso 
esse fosse um fenômeno que sucedesse ao acaso, visto que 
cerca de 15 a 20% das gestações clinicamente 
reconhecidas terminam em abortamento. Assim, 
teoricamente, o risco de recorrência espontâneo e aleatório 
de três abortamentos consecutivos em uma mesma mulher, 
quando hígida, é em torno de 0,3 a 0,4%. As causas do 
abortamento habitual são várias e podem ser divididas 
em genéticas, anatômicas, endócrinas, infecciosas e 
imunológicas 
 
 
■Exames diagnósticos 
Podem ser assim enumerados •Cariótipo do casal •Avaliação 
citogenética no material de abortamento •Ultrassonografia 
transvaginal 3D •Dosagem dos anticorpos antifosfolipídios 
•Dosagem de TSH e de anti-TPO •Dosagem de testosterona 
livre/total. 
Não se consegue reconhecer a causa de mais de 50% dos 
casos de abortamento habitual. 
 
 
■Quadro clínico e diagnóstico 
Exibindo quadro clínico característico, a 
insuficiência cervical é uma das principais causas de 
abortamento habitual tardio ou de parto pré-termo 
extremo. A “dilatação cervical é sem dor” e o feto nasce 
vivo e morfologicamente normal. A insuficiência cervical 
costuma ser precedida por história de traumatismo cervical 
causado por conização, laceração cervical no parto ou 
dilatação exagerada do colo em casos de interrupção 
provocada da gravidez e defeitos müllerianos. 
As características da história de insuficiência cervical 
são: •História de um ou mais abortamentos no 2o trimestre 
•História de perdas fetais cada vez mais precoces 
•História de dilatação cervical indolor até 4 a 6 cm •História 
de lesão cervical causada por: 
◑Conização do colo 
◑Lacerações cervicais intraparto ou dilatação 
traumática para abortamento provocado. 
Secreção mucoide vaginal e dilatação de 4 a 6 cm sem 
desconforto apreciável ou percepção de contrações 
reforçam o diagnóstico. A dilatação cervical com 
herniação das membranas visualizadas ao exame especular 
configura o quadro de insuficiência cervical aguda (Figura 
19.11). 
As perdas gestacionais ocorrem tipicamente no 2o 
ou no início do 3o trimestre, com cada interrupção 
ocorrendo mais cedo do que a anterior. 
Não há nenhum teste diagnóstico pré-concepcional 
recomendado para confirmar insuficiência cervical. O 
achado sonográfico de colo curto no 2o trimestre, embora 
esteja associado a risco aumentado de parto pré-termo, não 
é suficiente para diagnosticar a insuficiência cervical, 
quando está ausente a história clínica. 
 
MÉTODOS 
CONDUTA EXPECTANTE 
→ Nos últimos anos, tem aumentado o interesse por 
métodos não cirúrgicos de tratamento do abortamento 
precoce (até 12 semanas de gravidez), também 
denominado perda gestacional precoce, ou falha 
gestacional precoce. 
→ A alteração do perfil dos abortamentos, sobretudo em 
países desenvolvidos, fez com que crescesse o interesse 
por métodos não cirúrgicos de tratamento. 
→ A conduta expectante tem sido utilizada em casos 
selecionados de perda gestacional precoce, com taxas 
variadas de sucesso, dependendo principalmente do tipo 
de abortamento e dos sintomas das pacientes. 
→ Em casos de abortamento incompleto, esse tipo de 
conduta tem sido empregado há alguns anos e mostra 
resultados estimulantes. 
→ A eliminação completa dos produtos da concepção 
após 3 dias (espessura endometrial inferior a 15 mm) 
ocorreu em 79% das pacientes submetidas à conduta 
expectante, enquanto no grupo tratado por dilatação e 
curetagem, a taxa de sucesso foi de 98%. 
→ TRATAMENTO MEDICAMENTOSO 
Tratamento 
São concomitantes ao esvaziamento uterino: 
 
•Anti-infecciosos de largo espectro: 
 
◑Prescrever inicialmente: clindamicina, 800 a 900 mg IV 
de 8/8 h + gentamicina, 240 mg/dia em 100 mℓ de solução 
de NaCl a 0,9% em infusão venosa por 30 min. Se não 
resolver em cerca de 24 a 48 h, deve-se associar 
ampicilina, 1 a 2 g IV de 6/6 h 
 
◑Após 48 a 72 h afebril: amoxicilina, 500 mg por via oral 
(VO) de 8/8 h, durante 7 a 10 dias 
 
•Ocitócicos: ocitocina, derivados ergóticos 
 
•Sangue, solutos glicosados ou salinos, lactato de 
Ringer, em função de anemia, desidratação, condições 
circulatórias, depleção de eletrólitos 
 
•Nos casos graves com choque séptico, deve-se seguir o 
tratamento descrito no Capítulo 24 
 
•Na peritonite, os abscessos devem ser drenados pelo 
fundo de saco posterior ou pela via alta, dependendo da 
localização. O diagnóstico ultrassonográfico dos 
abscessos resolve controvérsias sobre sua sede e 
extensão 
 
•Na infecção causada por Clostridium, está indicada, por 
vezes, a histerectomia total com anexectomia bilateral, 
sendo inoperante o esvaziamento. 
 
O tratamento medicamentoso do abortamento, 
especialmente o de primeiro trimestre, representa uma 
nova alternativa para aquelas mulheres que não 
querem ser submetidas ao tratamento cirúrgico. 
→ O misoprostol, um análogo sintético da 
prostaglandina E1, foi originalmente comercializado para 
tratamento e prevenção de úlcera péptica em pacientes 
que fazem uso crônico de anti-inflamatórios não 
hormonais. 
→ Entretanto, por seus efeitos na contratilidade uterina e 
no esvaecimento cervical, esse medicamento tem sido 
utilizado na prática obstétrica em várias situações, como 
no esvaecimento cervical pré-curetagem, no tratamento 
medicamentoso do abortamento e do óbito fetal, na 
indução do trabalho de parto e na hemorragia pós-parto. 
→ Em consequência de sua efetividade, da excelente 
relação custo-benefício, da facilidade de armazenamento 
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527732802/epub/OEBPS/Text/chapter19.html#fig19-11
https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527732802/epub/OEBPS/Text/chapter19.html#fig19-11
e dos seus poucos efeitos colaterais, o misoprostol tem 
sido empregado com sucesso no tratamento do 
abortamento precoce. 
 
Após a absorção, o misoprostol é transformado em seu 
metabólito farmacologicamente ativo, o misoprostol 
ácido. 
 → Ocorre metabolização hepática e menos de 1% de 
sua forma ativa é excretada pelos rins. As concentrações 
plasmáticas de misoprostol ácido aumentam 
rapidamente após administração oral, atingindo o pico 
máximo 30 minutos após a ingestão e depois declinando 
rapidamente. 
→ O pico máximo plasmático, quando aplicado na 
vagina, é inferior ao da administração oral; porém, a 
concentração plasmática do misoprostol é sustentada 
por período superior a 4 horas. 
Estudo a respeito da farmacocinética de diferentes vias 
de administração do misoprostol (oral, sublingual, vaginal 
e vaginal com adição de água) determinou que a 
administração sublingual proporcionou maior pico 
máximo plasmático e concentração plasmática 
semelhante à observada com a administração pela via 
vaginal com adição de água, demonstrando que a via 
sublingual apresenta grande potencial de aplicabilidade. 
→ Os principais efeitos adversos do misoprostol, que 
costumam ser dose-dependentes, são náuseas, vômitos, 
diarreia, hipertermia e tremor.Embora outras 
prostaglandinas (E2 e F2-alfa) possam causar infarto do 
miocárdio e broncoespasmo, esses efeitos não foram 
descritos com misoprostol. 
→ A dose tóxica de misoprostol ainda não foi 
determinada; contudo, doses cumulativas de até 2.200 
mg administradas por período de 12 horas têm sido bem 
toleradas, sem efeitos adversos importantes. 
→ Para o tratamento da perda gestacional precoce, a 
maioria dos estudos preconiza a administração de 800 
mg de misoprostol por via vaginal a cada 24 horas, por 
até 2 dias, com taxa de sucesso (abortamento completo) 
supe-rior a 80% nos casos de aborto retido e gestação 
anem-brionada. 
 
→ O uso do misoprostol no tratamento do abortamento 
do primeiro trimestre tem se mostrado efetivo e seguro. 
Existem dúvidas, no entanto, principalmente a respeito 
da segurança do emprego dessa medicação no segundo 
trimestre da gravidez, sobretudo nas pacientes com 
cicatriz uterina prévia, uma vez que existem relatos de 
rotura uterina nessas situações. 
→ Há necessidade de mais estudos, com maior 
casuística, para se avaliar os riscos e benefícios do 
emprego do misoprostol, no segundo trimestre da 
gravidez, em pacientes com cicatriz uterina prévia. 
 
TRATAMENTO CIRÚRGICO 
→ O tratamento clássico para abortamentos, tanto de 
primeiro quanto de segundo trimestres, é a curetagem 
uterina, com eficácia próxima a 100%. 
 
A complicação mais frequente é a infecção, atingindo até 
10% dos casos, seguida de esvaziamento uterino 
incompleto (2 a 3%). 
→ O tratamento é cirúrgico, por meio da cerclagem do 
colo uterino, realizada na gravidez. Há duas técnicas de 
cerclagem vaginal, Shirodkar e McDonald, e uma de 
cerclagem transabdominal. 
→ Complicações com menos de 1% incluem laceração 
cervical, perfuração uterina, lesão de órgãos pélvicos e 
hemorragia. 
 
A conduta cirúrgica está ocorrência de rotura uterina. 
Há necessidade de mais estudos, com maior casuística, 
para se avaliar os riscos e benefícios do emprego do 
misoprostol, no segundo trimestre da gravidez, em 
pacientes com cicatriz uterina prévia. 
 
Nos EUA, a mortalidade por abortamento espontâneo é 
inferior a 1:100.000 casos. 
→ indicada nas situações de urgência, como nos casos 
de sangramento moderado ou intenso, na presença de 
infecção e ainda para aquelas mulheres que não desejam 
esperar a eliminação espontânea ou medicamentosa dos 
produtos da concepção. 
→ Nas últimas décadas, como tratamento alternativo à 
curetagem uterina e à aspiração elétrica a vácuo, tem-se 
preconizado a aspiração manual intra uterina em casos 
de abortamento de primeiro trimestre. 
→ A aspiração representa um sistema de tecnologia 
simples, com material de baixo custo, que pode ser 
reutilizado após esterilização. O instrumental é composto 
por uma seringa de 60 mL de válvula simples ou dupla, 
que é acoplada à cânula de plástico flexível de espessura 
variável (3 a 12 mm). Existem vários estudos 
comparando a aspiração com a curetagem uterina. 
 Existem vários estudos comparando a aspiração com a 
curetagem uterina. De ma-neira geral, esses estudos 
evidenciam que ambos os métodos são seguros e 
eficientes no tratamento da perda gestacio-nal precoce; 
contudo, a aspiração proporciona uma importante 
diminuição da necessidade de internação hospita-lar e 
dos custos envolvidos no tratamento do abortamento. 
→ Os tempos de realização do procedimento e 
internação foram significativamente menores no grupo de 
pacientes submetidos à aspiração, e o decréscimo da 
concentração de hemoglobina, após o procedimento 
cirúrgico, foi maior no grupo submetido a dilatação e 
curetagem. 
 
 
ACOMPANHAMENTO 
No acompanhamento pós-abortamento, a paciente deve 
retornar para receber o resultado do exame 
anatomopatológico do produto do abortamento. Nos 
casos em que não se obtém material do produto do 
abortamento para análise anatomopatológica 
(abortamento completo, conduta expectante ou 
medicamentosa), a paciente deve retornar após duas 
semanas para realizar hCG urinário qualitativo 
(sensibilidade de 25 mUI/mL) e, então, receber alta se 
hCG negativo. A positividade de hCG urinário após duas 
semanas da eliminação do produto da concepção requer 
ultrassonografia transvaginal e dosagem sérica seria-da 
de beta-hCG para verificar a possibilidade de eventual 
erro diagnóstico é provável gravidez ectópica ou de 
doença trofoblástica gestacional. As pacientes que não 
desejam engravidar precocemente devem realizar 
anticoncepção. Pode-se inserir dispositivo intrauterino 
após esvaziamento uterino, com exceção dos casos de 
abortamento infectado ou prescrever anticoncepção 
hormonal. Aquelas mulheres que desejam engravidar 
não precisam postergar a concepção por longo período e 
podem tentar uma nova gravidez assim que estiverem 
física e psicologicamente aptos. 
 
Resumo 
O abortamento é a complicação mais frequente da gravidez. 
Aproximadamente uma em cada quatro mulheres terá um abortamento 
espontâneo durante sua vida reprodutiva. A maioria dos abortamentos 
ocorrem nas primeiras 12 semanas de gestação e 50 a 80% 
apresentam alterações cromossômicas. Aproximadamente 40 a 50% 
das mulheres que apresentaram sangramento vaginal no início da 
gestação abortaram. A ultrassonografia é exame fundamental no 
diagnóstico do tipo de abortamento. Cerca de 13% das mortes 
maternas são decorrentes do abortamento provocado de forma 
clandestina. Isso equivale a 67 mil mortes por ano. O tratamento 
cirúrgico é a forma mais comum de tratamento do abortamento, porém, 
as condutas expectante e medicamentosa têm sido empregadas com 
sucesso, sobretudo no abortamento do primeiro trimestre. 
Legislação 
Em nosso país, o aborto induzido é considerado crime contra a 
vida humana previsto pelo Código Penal Brasileiro desde 1984. 
Fazer um aborto induzido pode acarretar em detenção de um a 
três anos para a mãe que causar o aborto ou que dê permissão 
para que outra pessoa o cometa. Neste último caso, a pessoa 
que realizou o procedimento pode pegar de um a quatro anos 
de prisão. Quando o aborto induzido é provocado sem o 
consentimento da mãe, a pessoa que o provocou pode pegar 
de três a dez anos de reclusão. Situações em que o aborto não 
é considerado crime contra a vida humana. 
 
O aborto no Brasil somente não é qualificado como crime 
em três situações: 
 
 Quando a gravidez representa risco de vida para a 
gestante. 
 Quando a gravidez é o resultado de um estupro. 
 Quando o feto for anencefálico, ou seja, não 
possuir cérebro. Esse último item foi julgado pelo 
STF em 2012 e declarado como parto antecipado 
com fins terapêuticos. 
 
As gestantes que se enquadrarem em uma dessas três 
situações tem respaldo do governo para obter gratuitamente o 
aborto legal através do SUS (Sistema Único de Saúde). Alguns 
países consideram o aborto legal e, as gestantes brasileiras 
que optarem pelo procedimento nestes países, não estão 
passíveis de punição, uma vez que o aborto fora do território 
nacional não poderá ser considerado como crime. 
 
Consequências do abordo clandestino 
Por ser considerado crime previsto de reclusão, muitas 
mulheres procuram clínicas clandestinas que apresentam 
condições precárias e profissionais sem a qualificação 
necessária para conduzir o procedimento Por isso, a prática 
realizada fora do ambiente hospitalar e nas condições descritas 
acima é responsável por cerca de pouco mais de 70 mil mortes 
de mulheres ou lesões permanentes por ano em todo o mundo. 
Mesmo sendo considerada crime em muitos países, a prática 
do aborto totaliza aproximadamente 44 milhões anuais. 
 
O Código Penal Brasileiro pune o aborto provocado na forma 
do auto-aborto ou com consentimento da gestante em seu 
artigo 124; o aborto praticado por terceiro sem o consentimento 
da gestante, no artigo 125; o aborto praticado com o 
consentimento da gestante no artigo 126; sendo que o artigo 
127 descreve a forma qualificadado mencionado delito. No 
Brasil, admite-se duas espécies de aborto legal: o terapêutico 
ou necessário e o sentimental ou humanitário (JESUS, 1999). 
No Reino Unido, leis promulgadas em 1967 e 1990 têm tentado 
elucidar quando um aborto pode ser considerado necessário, 
sem muito êxito. A mulher que reivindica autorização para o 
aborto precisa ser avaliada por dois médicos que devem chegar 
a um consenso e ratificar que há risco de vida para a mulher ou 
risco para a vida ou má formação do feto. O aborto deve ser 
realizado 
 
ESPÉCIES DE ABORTO 
O aborto pode ser natural, acidental, criminoso, legal ou 
permitido. O aborto natural não é crime e ocorre quando há uma 
interrupção espontânea da gravidez. O acidental, também não 
é crime, e pode ter por origem várias causas, como 
traumatismos, quedas etc. O aborto criminoso é aquele vedado 
pelo ordenamento jurídico. O aborto legal ou permitido se 
subdivide em: a) terapêutico ou necessário: utilizado para 
salvar a vida da gestante ou impedir riscos iminentes à sua 
saúde em razão de gravidez anormal; b) eugenésico ou 
eugênico: é o feito para interromper a gravidez em caso de vida 
extra-uterina inviável. O aborto miserável ou econômico social 
praticado por motivos de dificuldades financeiras, prole 
numerosa. O aborto honoris causa é feito para salvaguardar a 
honra no caso de uma gravidez adulterina ou outros motivos 
morais. 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1033702/c%C3%B3digo-penal-decreto-lei-2848-40

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