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É com muita alegria e satisfação que apresentamos os Cadernos de Formação da Escola da Escolha dirigidos ao Novo Ensino Médio. Essa coleção consolida os esforços para a realização de uma das ambições do nosso Instituto: influenciar e apoiar equipes na adoção de processos de gestão e pedagógicos para efetivar o Modelo da Escola da Escolha como política pública bem-sucedida nos estados e municípios onde atua como parceiro. Um desses processos refere-se à oferta de meios para a formação das Equipes Escolares e das Equipes Gestoras dos Programas das Secretarias de Educação, o que não se encerra nos primeiros contatos com o Time ICE e se estende num movimento formativo contínuo que busca assegurar a todos o pleno domínio do entendimento e capacidade de aplicação dos fundamentos do Modelo da Escola da Escolha, seja no cotidiano único, complexo e desafiador do universo escolar, seja no âmbito das Secretarias, na implantação e expansão dos respectivos Programas. Esta coleção é apresentada num conjunto de doze cadernos organizados em cinco volumes assim denominados: O PRIMEIRO VOLUME 1. Caderno Memória e Concepção – Concepção do Modelo da Escola da Escolha 2. Caderno Memória e Concepção – Conceitos 3. Caderno Memória e Concepção – Educação Inclusiva O SEGUNDO VOLUME 4. Caderno Modelo Pedagógico – Concepção do Modelo Pedagógico 5. Caderno Modelo Pedagógico – Princípios Educativos 6. Caderno Modelo Pedagógico – Eixos Formativos O TERCEIRO VOLUME 7. Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Metodologias de Êxito 8. Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Rotinas e Práticas Educativas O QUARTO VOLUME 9. Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Espaços Educativos 10. Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Gestão do Ensino e da Aprendizagem O QUINTO VOLUME 11. Caderno Concepção do Modelo de Gestão - Tecnologia de Gestão Educacional 12. Caderno Escola da Escolha – Palavras Fáceis para Explicar Coisas que Parecem Difíceis Cada volume concentra dois ou três cadernos com temas distintos para os quais existe uma lógica para a leitura, tendo em vista que eles são interdependentes e se complementam entre si, embora não exista uma hierarquização de conteúdos. Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio 5 Orientamos, portanto, que a leitura seja iniciada pelo primeiro volume e assim sucessivamente. Em alguns momentos, no entanto, é possível que a leitura seja alternada com consultas a outros Cadernos ou mesmo que sejam feitas leituras dedicadas à medida que estes sejam citados. O primeiro volume é a nossa “breve história de quase tudo desde o início”. Ele traz o Caderno Memória e Concepção – Concepção do Modelo da Escola da Escolha, onde é apresentada a história da criação do Modelo, de onde partiu a sua motivação, as dificuldades e oportunidades envolvidas, os atores que fizeram parte e que contribuíram para a sua elaboração, bem como a evolução desde a sua implantação no Ginásio Pernambucano em 2003. No final deste Caderno, apresentamos o conjunto de Referências Bibliográficas utilizadas na concepção de todos os Cadernos e recomendadas para os seus estudos. Elas são apresentadas de acordo com os respectivos cadernos e você observará que o mesmo autor se repete em diversas referências. Em destaque encontra-se a obra do Prof. Antônio Carlos Gomes da Costa, predominantemente presente no conjunto das referências. Conhecer o Prof. Antônio Carlos e sua obra é uma tarefa fundamental para todo educador da Escola da Escolha, além de um convite irrecusável para conviver acadêmica e poeticamente com um dos mais imprescindíveis brasileiros. Ainda neste volume, introduzimos os primeiros elementos de natureza conceitual do Modelo com o Caderno Memória e Concepção – Conceitos, onde são apresentados os conceitos sobre temas fundamentais que amparam o seu arcabouço teórico e filosófico. Ainda nessa linha, é apresentado o Caderno Memória e Concepção – Educação Inclusiva, tema transversal à toda formação dos estudantes e dos educadores e basilar neste Modelo, inclusivo por natureza. Na sequência é apresentado o segundo volume e nele encontramos o marco teórico de uma das duas estruturas do Modelo da Escola da Escolha, o Modelo Pedagógico. Sua leitura permanente e atenta é imprescindível para o domínio do Projeto Escolar que se materializa na prática pedagógica. Está dividido em: Caderno Modelo Pedagógico - Concepção do Modelo Pedagógico, Caderno Modelo Pedagógico Princípios Educativos e Caderno Modelo Pedagógico - Eixos Formativos. No terceiro volume são introduzidas as inovações concebidas para trazer do plano teórico-conceitual as ideias elaboradas e dar-lhes corpo no Projeto Escolar a partir de um conjunto de definições que seguem um currículo comprometido com a integralidade da ação educativa. Essa materialidade se mostra nos Cadernos Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Metodologias de Êxito e Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Práticas Educativas. Ainda na sequência das inovações, é apresentado o quarto volume, onde encontramos uma leitura própria do ICE sobre os espaços educativos da escola quanto a sua concepção, funcionalidade e intenção pedagógica para o Ensino Médio. A percepção que trazemos sobre a interrelação entre a Arquitetura e a Educação, bem como sobre a influência nos processos de ensino e de aprendizagem, e por consequência no desenvolvimento de pessoas, é encontrada no Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Espaços Educativos. Neste volume, também apresentamos as inovações quanto à coordenação dos procedimentos, processos e instrumentos da gestão do ensino e da aprendizagem anunciados no Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Gestão do Ensino e da Aprendizagem. O quinto volume traz o marco teórico da segunda estrutura do Modelo da Escola da Escolha: o Modelo de Gestão. Aqui, a leitura dedicada e constante do Caderno Modelo de Gestão – Tecnologia de Gestão Educacional é fundamental para o domínio do Modelo da Escola da Escolha na sua integridade. Em especial, tem-se ainda mais clareza das relações estabelecidas entre o Modelo Pedagógico e o Modelo de Gestão, e do quanto essas duas estruturas coexistem e se conservam mutuamente. A primeira nutre-se dos Princípios e Conceitos, além de instrumentos de planejamento e operacionalização da segunda para transformar o trabalho pedagógico em resultados concretos, mensuráveis, sustentáveis e perenes. A outra faz-se presente no diálogo pedagógico pelo profundo alinhamento conceitual e filosófico que traz seus princípios de base humanista, e integra as tecnologias específicas da comunidade escolar para transformar a visão e a missão da escola em efetiva e cotidiana ação. Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio 7 O Caderno Escola da Escolha – Palavras Fáceis para Explicar Coisas que Parecem Difíceis encerra o quinto volume. Ele é um Caderno “bem diferentão” porque não se encontra em nenhuma das categorias acima (Memória, Pedagógico, Gestão, Inovação...). E o que ele é, afinal? Ora, ele é o que o próprio nome diz: uma coleção de palavras essenciais para ajudar a compreender coisas muito importantes, mas que da forma como são apresentadas parecem complicadas, mas, em essência, não são. Além disso, traz também algumas referências teóricas fundamentais, linhas de pensamento e os seus mestres, e uma ou outra organização cujos estudos são referências importantes para o ICE. A vivência do Time ICE nas escolas brasileiras nos proporciona uma riqueza sem fim de situações sobre as quais aprendemos muito. Trouxemos algumas dessas situações aqui porque elas se transformaram em recomendaçõese são ilustrativas de elementos formativos do Modelo. Para nós, elas valem muito pelo estatuto da experiência que carregam. Bem-vindo à Escola da Escolha! Nela trabalhamos pelos mais importantes projetos brasileiros e, certamente, os mais desafiadores e valiosos para a Equipe Escolar: os Projetos de Vida dos estudantes. Bom estudo! Instituto de Corresponsabilidade pela Educação INSTITUTO DE CORRESPONSABILIDADE PELA EDUCAÇÃO PRESIDENTE Marcos Antônio Magalhães CONSELHEIRO Alberto Toshiktse Chinen EQUIPE DE DIREÇÃO Juliana Zimmerman Liane Muniz Thereza Barreto CRÉDITOS DA PUBLICAÇÃO Organização: Thereza Barreto Coordenação: Amália Ferreira e Johanna Faller Supervisão de Conteúdo: Thereza Barreto Redação: Renata Campos e Thereza Barreto Leitura crítica: Alberto Chinen, Amália Ferreira e Elizane Mecena Edição de texto: Korá Design Revisão ortográfica: Palavra Pronta e Cristiane Schmidt Projeto Gráfico e Diagramação: Korá Design Agradecimento pelas imagens cedidas: Thereza Barreto INSTITUTO DE CORRESPONSABILIDADE PELA EDUCAÇÃO JCPM Trade Center Av. Engenheiro Antônio de Góes, 60 - Pina | Sala 1702 CEP: 51010-000 | Recife, PE Tel: +55 81 3327 8582 www.icebrasil.org.br icebrasil@icebrasil.org.br 5ª Edição | 2021 © Copyright 2020 - Instituto de Corresponsabilidade pela Educação. “Todos os direitos reservados” http://www.icebrasil.org.br/ mailto:icebrasil@icebrasil.org.br Olá, Educador! Esse é o Caderno de Formação – Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Metodologias de Êxito. Nele você conhecerá as inovações concebidas para trazer do plano teórico-conceitual os Princípios Educativos e as ideias elaboradas que dão corpo ao Projeto Escolar e ao seu currículo, ambos profundamente comprometidos com a integralidade da ação educativa e a formação dos estudantes no Novo Ensino Médio. Os temas abordados neste Caderno são: • A Base Nacional Comum Curricular; • As Metodologias de Êxito: • Projeto de Vida; • As Eletivas da Base; • As Eletivas Pré-Itinerário Formativo; • As Eletivas de Itinerário Formativo; • Estudo Orientado; • Práticas Experimentais • Pós-Médio; • Projeto de Corresponsabilidade Social. Desejamos que você realize bons estudos e desenvolva excelentes práticas. Instituto de Corresponsabilidade pela Educação Para a efetivação do projeto escolar à luz dos pressupostos da Escola da Escolha, o Instituto de Corresponsabilidade pela Educação considera a necessidade de articulação entre os elementos que compõem o Modelo Pedagógico e de Gestão para criar no ambiente escolar as condições para que seja oferecida, por meio do currículo, a Excelência Acadêmica, a Formação para a Vida com base na consolidação de valores e a Formação para as Competências necessárias para o século XXI. Para a concepção do currículo do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha, o ICE apresenta uma proposição de organização de matriz curricular que responde às expectativas da formação idealizada no seu Modelo, resguardadas as características locais e especificidades de cada rede de ensino, bem como o ordenamento legal brasileiro quanto à existência de uma matriz que integra a Base Nacional Comum Curricular e uma Parte de Formação Diversificada e a oferta de Itinerários Formativos. Para tanto, tratar o currículo de maneira integrada significa assegurar que a sua Parte de Formação Diversificada ganhe robustez e lugar ao lado dos componentes curriculares da Base Nacional Comum Curricular e sirvam à flexibilidade, diversificação e aprofundamento dos conhecimentos – elementos singulares dos Itinerários Formativos no Novo Ensino Médio. Para a efetivação desses elementos na da Parte de Formação Diversificada, foram adequadas e concebidas novas Metodologias de Êxito. Na perspectiva da integralidade curricular, a Parte de Formação Diversificada não é um complemento ao currículo, mas compõe o currículo em sua plenitude. 14 Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio Há cerca de 20 anos, com o advento da Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (Lei 9.394), foi regulamentada uma base nacional comum para a Educação Básica, a ser considerada nos currículos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar. Mais recentemente, foram homologadas a BNCC da Educação Infantil e Ensino Fundamental, bem como a do Ensino Médio. Estes são documentos normativos que definem o conjunto de aprendizagens essenciais a serem desenvolvidas com base no desenvolvimento em conhecimentos, competências e habilidades. A BNCC não é um currículo, mas um conjunto de orientações para apoiar as Equipes Pedagógicas na concepção dos currículos locais. A BNCC destaca a necessidade de que a educação brasileira caminhe na direção de uma formação humana na perspectiva da sua integralidade (aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais) diante de uma sociedade que deve ser transformada para assegurar justiça, democracia e inclusão. PARA SABER MAIS: LEI Nº 12.796, DE 4 DE ABRIL DE 2013 - Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm#art1 Acessado em 17/09/2017. http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/ldb.pdf Acessado em 17/09/2017. BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR DO ENSINO MÉDIO - Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/04/BNCC_EnsinoMe- dio_embaixa_site.pdf . Acessado em 09/02/2019 http://www.planalto.gov/ http://portal.mec.gov.br/secad/arquivos/pdf/ldb.pdf No Novo Ensino Médio, a BNCC enfatiza os jovens e o protagonismo, bem como as escolas como sendo um campo aberto para a investigação e intervenção, convocando os jovens a atuar de maneira responsável, valorizando o passado e dispostos a abrirem-se para construir algo novo. Está claro no seu texto a importância de se assegurar o atendimento dos anseios e necessidades dos jovens, contemplando elementos que contribuam para a sua inserção no mundo do trabalho e preparados para responder aos desafios e oportunidades trazidas por esse século. A PARTE DIVERSIFICADA No Art.15 das Diretrizes Curriculares Nacionais gerais para a Educação Básica (DCN), em resolução CNE/CEB nº 04/2010, a Parte Diversificada é tratada como elemento que enriquece e complementa a BNCC, relacionando os estudos que considerem as características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia, bem como da comunidade escolar, a despeito dos tempos e espaços curriculares. A consideração de uma Parte Diversificada integrada existe desde a Base Nacional Curricular - BNC de 1996 e na Base Nacional Comum Curricular - BNCC continua a ser considerada, notadamente, como espaço privilegiado para o necessário diálogo entre conhecimento e cultura. “Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, em continuidade à Educação Infantil, ao lado do acolhimento integral à criança e do apoio a sua socialização, a alfabetização e a introdução aos conhecimentos sistematizados pelas diferentes áreas do conhecimento devem se dar em articulação com atividades lúdicas, como brincadeiras e jogos; artísticas, como o desenho e o canto; e científicas, como a exploração e compreensão de processos naturais e sociais. Por essa razão, a orientação curricular para essas etapas precisa integrar as muitas áreas do conhecimento, centradas no letramento e na ação alfabetizadora.” 16 Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio As Metodologias de Êxito são componentes curriculares da Parte de Formação Diversificada que exercem o papel de articuladores entreo mundo acadêmico e as práticas sociais, ampliando, enriquecendo e diversificando o repertório de experiências e conhecimentos dos estudantes. No Novo Ensino Médio, são executadas por meio de aulas e procedimentos teóricos e metodológicos que favorecem a experimentação de atividades dinâmicas contextualizadas e significativas para os estudantes nos distintos Itinerários Formativos. Essa perspectiva de formação expõe a urgência de revisão da prática pedagógica desenvolvida pelos professores com mudanças em conteúdo (o que ensinar enquanto aquilo que tem sentido e valor), método (como ensinar) e gestão (condução dos processos de ensino e de aprendizagem tratando do conhecimento a serviço da vida), profundamente alinhadas com o ideal de formação de uma pessoa autônoma, solidária e competente. A seguir apresentamos uma ilustração das Metodologias de Êxito da Escola da Escolha e como são oferecidas nas três etapas de ensino. Nesse Caderno, apresentamos as Metodologias, o seu conceito, seus mecanismos de operação e os eixos que as estruturam. O Projeto de Vida ocupa a centralidade do Modelo da Escola da Escolha porque é para ele que convergem todas as energias, dedicação, talento e foco da Equipe Escolar. Ao Projeto Escolar cabe prover as condições para a sua elaboração e aos estudantes a sua execução em virtude da excelente formação acadêmica recebida, da base de valores constituída e consolidada pelas experiências vividas e pelo desenvolvimento de um conjunto de competências e habilidades que permitirão ao estudante viver, se posicionar e enfrentar os desafios e oportunidades deste século. No rol de condições providas pelo Projeto Escolar, consta na Parte de Formação Diversificada do Currículo do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha uma Metodologia de Êxito oferecida aos estudantes sob forma de aulas, tanto nos Anos Finais do Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio, denominada Projeto de Vida. No contexto das inovações trazidas pelo Novo Ensino Médio na Escola da Escolha, encontra-se a oferta de Itinerários Formativos enquanto trajetória a ser percorrida pelo estudante em direção ao seu desenvolvimento acadêmico associado aos seus interesses em termos de continuidade dos estudos após a conclusão do Ensino Médio. Para a escolha e decisão acerca do seu Itinerário, aos estudantes serão oferecidos diversos mecanismos de apoio. Na Escola da Escolha, os membros da Equipe Escolar tornam-se “arquitetos de escolhas1” porque todos têm a responsabilidade de organizar o contexto no qual os estudantes aprendem a escolher e a tomar decisões. O refeitório e as salas de aula são igualmente ambientes que fazem parte desse contexto, assim como a natureza e a qualidade das orientações presentes na relação com os estudantes. É no 1º ano que os estudantes enfrentarão a importante decisão sobre o Itinerário Formativo a seguir. Melhor conhecimento sobre si próprio, suas qualidades, forças e limitações, talentos e potencialidades; ampliado repertório de conhecimentos, experiências e valores e competências e habilidades desenvolvidas devem apoiar o estudante nesse processo. As aulas de Projeto de Vida fazem parte dessa estratégia quando também apresentam para discussão e reflexão, a importância de construir um processo decisório orientado por critérios. 1 Conceito empregado pelo Prêmio Nobel de Economia, Richard Thaler. Durante séculos, as escolas têm tido a missão de formar crianças, adolescentes e jovens para “ser alguém na vida”. Partem do pressuposto de que os estudantes “ainda não sejam alguém”, mas que sejam apenas uma tábula rasa ou uma página em branco na qual o professor escreve o que julga adequado e suprime o que for inconveniente, o que resulta, na impressão dos dias de hoje, que se educa para suprir uma suposta falta. Ou seja, partem da ideia de que o estudante “ainda não é alguém” e que deve ser educado em conformidade com aquilo que a escola define “para finalmente ser alguém”. As práticas pedagógicas são projetadas para o tempo futuro, desconsiderando o presente, o lugar onde o jovem está e onde de fato já é alguém, com a sua história, seus sonhos, suas possibilidades e seus limites. O que se faz nesse tempo presente? O que se faz com o estudante que já é ou ainda nem sabe que é, mas potencialmente poderá saber? E o que se faz dele para projetá-lo como uma chance de futuro – que não seja fruto das expectativas e decisões de outra pessoa que não o próprio jovem? Uma educação alinhada com a contemporaneidade compreende que se educa para o estudante se tornar aquilo que é, ou seja, uma educação focada na potência de cada indivíduo, que cuida autonomamente dos próprios atributos, observa a excelência de si e se realiza “no encontro” entre “aquele que é” com “aquele que quer ser”. O que dá sentido ao futuro é a projeção que o ser humano faz de si, a partir da apropriação da história de vida pessoal e do que já é no presente, podendo traçar roteiros sobre os próprios desejos de atuação no mundo. Desse ponto de vista, o desejo não é um atestado do que não se é, não é o lugar de uma falta, mas a manifestação de uma sede criativa de ser mais. O lugar onde se fala e se age está sempre no tempo presente. Por isso, um Projeto de Vida parte da percepção de onde se está para onde se quer chegar. Isso envolve uma reflexão cuidadosa da bagagem que é preciso levar e como adquiri-la: os valores que serão fundamentais nessa travessia permeada de escolhas e conhecimentos necessários para a tomada de decisões nas três dimensões da vida humana (pessoal, social e produtiva) e, finalmente, o sentido da própria existência quando se pensa na autorrealização. Projeto de Vida não é um “projeto de carreira” ou o resultado de um teste de vocações, menos ainda no Ensino Médio. E esse não é o enfoque do Projeto de Vida no Novo Ensino Médio da Escola da Escolha. A vida se realiza em dimensões onde a carreira profissional é um dos elementos fundamentais pelos quais é necessário decidir, assim como o estilo de vida que se quer ter, os valores que nortearão os relacionamentos que se estabelecerão ao longo da vida pessoal e social, dentre tantos outros, que se ordenam e reordenam nos cenários de cada um e que requer uma margem para rever roteiros, mudar estratégias, acrescentar ou suprimir metas, atentar ao que aumenta ou diminui a potência de si, questionar as formas de viver e decidir por quais vias seguir para a plenitude e a alegria de viver. Por isso, a sua elaboração exige uma formação em que os elementos cognitivos, socioemocionais e as experiências pessoais devem constituir uma base a partir da qual o jovem consolide seus valores, conhecimentos e competências para apoiar-se na construção do projeto da sua vida. Um projeto é a representação daquilo que é, diante daquilo que potencialmente será. E Projeto de Vida na Escola da Escolha é uma espécie de “primeiro projeto para uma vida toda”. É uma tarefa para a vida inteira, certamente a mais sofisticada e elaborada narrativa de si, que se inicia nesta escola. DESENVOLVER PROJETO DE VIDA NA ESCOLA É preciso cuidado para não repetir os padrões, dizer para o jovem “o que ele deve ser” ou o que ele “deve fazer para ser alguém”. Mas há a necessidade de incentivá-lo e apoiá-lo no processo de reflexão sobre “quem ele sabe que é” e “quem gostaria de vir a ser” e ajudá-lo a planejar o caminho que precisa construir e seguir para realizar esse encontro. Ele deverá ter descoberto a necessidade de projetar seus sonhos e desejos em forma de ações e terá vivenciado um pouco da experiência de saber que este é um caminho que deve ser construído e cuidado por cada um, com o apoio dos seuseducadores e da sua família. TRANSFORMAR SONHO EM REALIDADE No Modelo da Escola da Escolha o foco é o jovem e o seu Projeto de Vida. Isso significa que todos reúnem os esforços para a sua realização por meio do Projeto Escolar, que se estrutura para esse fim, porque a escola provê as condições para a oferta de uma formação acadêmica de excelência associada a uma sólida formação em valores fundamentais para apoiar os estudantes nas decisões que tomarão ao longo das suas vidas e no desenvolvimento de competências, que os permitirão transitar e atuar diante dos imensos desafios e possibilidades que encontrarão. Esse conjunto deverá criar as condições e apoiar o estudante nas decisões relativas à continuidade dos seus estudos no Ensino Médio, reconhecendo a imprescindibilidade dos processos educativos para a construção de um projeto para a sua vida. O fato de existir no currículo uma metodologia específica não prescinde toda a equipe de educadores de se envolver com a sua realização, na medida em que o Projeto de Vida do jovem é o foco do projeto escolar. Nesse sentido, todos têm contribuições a oferecer e um precioso trabalho a realizar. Sejam os manipuladores de alimentos no refeitório da escola ou os Professores, todos conjugam esforços para apoiar o estudante diante do percurso do seu Projeto, em toda a sua complexidade e oportunidades, por meio da sua competência técnica e experiências pessoais, exercendo influência afirmativa em suas vidas, orientando, apontando caminhos e sempre, sempre inspirando os estudantes na realização de suas visões de futuro. ELABORAR UM PROJETO DE VIDA NO ENSINO MÉDIO No Ensino Médio, a elaboração do Projeto de Vida dos jovens se constitui como a tarefa mais importante do Projeto Escolar porque ela representa a efetivação dos processos educativos postos a serviço do estudante. Jovens concluintes do Ensino Médio com seus Projetos de Vida elaborados de acordo com as suas escolhas e decisões conscientes, refletem a efetividade de um currículo cujos processos asseguraram práticas pedagógicas orientadas pelos Eixos Formativos e um Projeto Escolar plenamente conduzido pelos Princípios Educativos. Nessa escola, uma visão foi realizada e seguramente uma geração autônoma, solidária e competente se apresentará à sociedade com grandes condições de transformá-la. AULAS ESTRUTURADAS DE PROJETO DE VIDA O ICE disponibiliza e cede os direitos de uso para as Secretarias de Educação das aulas estruturadas do 1º e 2º anos a serem ministradas pelos professores formados para esse fim. Essas aulas oferecem subsídios teóricos e práticos para que os jovens iniciem um processo gradual, lógico e reflexivo sobre os seus sonhos e desejos. Por meio de temáticas fundamentais que se relacionam e se complementam, iniciam a reflexão sobre a construção da sua identidade pessoal e social (o ponto de partida), seus valores e princípios e o seu posicionamento diante das distintas dimensões e circunstâncias da vida até compreenderem como transformar em um plano os seus sonhos e estes, em ação. O trabalho ao longo desses anos deve levar o jovem à crença no seu potencial e que ele se sinta motivado e capaz de atribuir sentido à criação do projeto que dá perspectiva ao seu futuro. Esse processo, realizado na especificidade dessa metodologia, mas presente na prática pedagógica de todos os educadores, existe para apoiar o jovem: • no reconhecimento da importância e da imprescindibilidade da educação ao longo de todas as etapas da vida; • na construção de valores que promovam atitudes de não indiferença em relação a si próprio, ao outro e ao seu entorno social; • na sistematização do produto dos seus aprendizados e reflexões, que deverão subsidiar a elaboração do projeto de sua vida. 1º ano 2º ano a. Autoconhecimento b. Reconhecer as suas potencialidades e fragilidades. c. Identificar, desenvolver e integrar as competências para a vida pessoal, social e produtiva. d. Relacionar valores às atitudes e decisões de sua vida. a. As competências dos 4 Pilares do Conhecimento e as habilidades socioemocionais. b. A presença e a integração das competências na vida pessoal, social e produtiva. c. A importância das escolhas e decisões em um Projeto de Vida. a. A criação: • da visão • das premissas. b. A definição: • das metas • das ações. A elaboração: • do cronograma. • do acompanhamento e revisão. competências 1º ano: Identidade, valores e construção de competências. Esse ano dedica-se ao autoconhecimento e reconhecimento da importância dos valores; à existência de competências fundamentais que se relacionam, se integram e que estão presentes nas várias dimensões da vida e à reflexão sobre a importância das escolas e decisões orientadas por critérios e o seu impacto em um Projeto de Vida. Como parte desse processo os jovens documentam suas reflexões no Guia do Jovem Sonhador para a elaboração do Projeto de Vida. No âmbito acadêmico, é no 1º ano que o estudante escolhe e decide pelo Itinerário Formativo que deseja cursar a partir do 2º ano. Essa é apenas uma das decisões que faz parte do conjunto de tantas outras e que compõe a trajetória de construção de um Projeto de Vida. • Autoconhecimento: Conhecer a si mesmo não significa fazer um “mergulho interior”, rendendo-se a especulações subjetivas, o que é uma tarefa sem fim. Conhecer-se é algo que se dá na medida em que o sujeito se modifica, agindo no mundo, se posicionando diante das questões em que é convocado a se manifestar, interagindo com o diverso, em situações inéditas. Conhecer-se é impossível sem as relações de alteridade e é na medida em que se age que se elabora a si mesmo, uma vez que é uma ocasião de se manifestar como se é ou como se deseja ser. Muitas vezes, é o outro que nos revela a nós mesmos. • Identidade: a construção da nossa identidade pessoal nos permite que nos conheçamos e assim possamos nos compreender e aceitar a nós mesmos. Essa é a condição para que tenhamos autoestima, para que gostemos de nós mesmos e é também a condição para que tenhamos um autoconceito. Se gostarmos de nós mesmos, teremos uma ideia afirmativa de como somos. Por sua vez, o autoconceito, é a base para qual repousa a autoconfiança, ou seja, ser capaz de se apoiar nas próprias forças e saber que é possível contar com elas em momentos de dificuldades. Se não temos autoconfiança, não seremos capazes de olhar o futuro sem medo. Olhar o futuro sem medo significa ter uma visão destemida do futuro. E a visão destemida do futuro é a condição para nascer dentro do jovem uma visão que deseja o futuro. É quando nasce o “querer-ser”, nasce uma aspiração, nasce um sonho – embrião para um Projeto de Vida. • Valores: aquilo que tem sentido e significado em nossas vidas, vale. Aquilo ao qual não somos indiferentes, vale. Os valores e princípios que elegemos em nossas vidas são os “faróis” que iluminam o nosso processo de escolha e decisão e nos guiam para a tomada de definições orientadas por critérios. • Competências e habilidades: nos constituímos pela nossa identidade, nossas experiências e conhecimentos, relações e mistérios. Viver no século XXI implica em desenvolver um conjunto imenso e variado de competências e habilidades que nos permitem atuar sobre os seus desafios e oportunidades. • Escolhas e decisões: É notadamente nos anos do Ensino Médio que os estudantes mais questionam sobre si próprios, sua identidade, suas escolhas, alternativas e perspectivas. É também nesse período que eles ampliam suas relações sociais e vínculos. A elaboração do seu Projeto de Vida é a sua grande tarefa e tudo isso num período em que a capacidade intelectual,as descobertas e a polarização das suas emoções e interesses se tornam mais intensas. É tempo de fazer escolhas e tomar decisões importantes e mais complexas do que as que até agora foram feitas, portanto, é tempo de aprender sobre como fazê-las orientadas por critérios. 2º ano: nesse ano, a Elaboração do Projeto de Vida, a projeção do futuro, os planos e a execução de algumas decisões são o enfoque das aulas. Nessa etapa, os jovens continuam a documentar suas reflexões e tomadas de decisões no Guia do Jovem Sonhador para a elaboração do Projeto de Vida. • Futuro e a criação de uma visão, os planos e as decisões. Trata-se de desenvolver quais os desejos que o jovem tem hoje e elaborá-los de maneira concreta, planejando as formas de realizá-los. É pela perspectiva do que se almeja agora, porque os desejos e aspirações são passíveis de serem modificados ao longo do tempo. Por isso, também é importante aprender sobre como se dá o processo de revisão do Projeto de Vida. As ações do planejamento do Projeto de Vida ganham sentido porque são estruturadas com base na Tecnologia de Gestão Educacional – TGE e é por meio de suas metodologias que o jovem aprende sobre a criação de objetivos, definição de metas, prazos etc. • Tomando decisões e planejando minhas ações: Escolhe-se sempre a partir do contingente e provisório. Como em um jogo vivo em que virtualização e a realidade se tensionam incessantemente, movendo o sujeito a encontrar respostas ou, mais importante, formular novas perguntas, sempre em perspectiva, participando ativamente da narrativa do mundo, aberto ao ineditismo e à imprevisibilidade dos encontros que o afetam, mobilizando e propondo novos posicionamentos. Não é, portanto, na reflexão sobre o seu Projeto de Vida, a perspectiva de empregabilidade ou desemprego o que deve orientar, sobretudo num mundo em que, ao valorizar o trabalho intelectual e criativo, como ocorre nas sociedades pós-industriais, convoca-se e desafia-se a atuar em dimensões interdisciplinares. Escolhe- se não a partir de um dever ser exterior, mas de um querer ser manifestado no agora, sempre como fruto dos seus sonhos, desejos e ambições. • 3º ano: dedica-se ao acompanhamento do seu Projeto de Vida. Os estudantes não recebem aulas estruturadas, mas se dedicam inteiramente à vida escolar e ao acompanhamento do seu Projeto de Vida, suas metas e objetivos estabelecidos no ano anterior. O material de registro do estudante se intitula Guia do Jovem Sonhador para a Elaboração do Projeto de Vida e é de uso exclusivo do estudante, ou seja, é fundamental que o professor tenha acesso apenas mediante a sua concordância e permissão. Ali existirão registros pessoais e sua privacidade deve ser respeitada. AVALIAÇÃO EM PROJETO DE VIDA O ICE trata do tema Avaliação da Aprendizagem no Caderno de Formação – Inovações em Conteúdo, Método e Gestão – Gestão do Ensino e da Aprendizagem. Nesse caderno, esclarecemos nossa visão sobre avaliação que não se confunde como instrumento para a atribuição de notas e/ou conceitos, mas como um recurso que auxilia na continuidade da aprendizagem, no desenvolvimento de competências e habilidades, bem como no domínio de conhecimentos que contribuem para o processo de formação integral do estudante. Essa formação refere-se ao ideal de um jovem autônomo, solidário e competente que na escola, encontra as condições para a construção do seu Projeto de Vida. Em se tratando da avaliação da aprendizagem em Projeto de Vida, consideramos: a) A centralidade do Projeto de Vida e a formação de um protagonista demandam a criação de um contexto de aprendizagem muito mais amplo e abrangente no qual estejam presentes competências fundamentais para realizar a formação de um cidadão capaz de decidir, baseado nos seus conhecimentos e valores, que se reconheça como parte da solução de problemas e seja competente para enfrentar os desafios e oportunidades da contemporaneidade. Aqui, os componentes curriculares da Parte de Formação Diversificada ganham ainda mais importância se considerado que, sem exceção, contribuem para o desenvolvimento e domínio das 10 Competências da BNCC. b) A avaliação é processo e, numa perspectiva formativa, os aspectos qualitativos desse processo prevalecem sobre os quantitativos no sentido de criar mecanismos e recursos que assegurem, identifiquem, valorizem e ajustem, quando necessário, o percurso de aquisição da aprendizagem e não apenas comuniquem o que numericamente ela representa. c) Na Metodologia de Êxito Projeto de Vida, a exemplo de qualquer outro componente curricular, a avaliação deve estar presente como estratégia importante que ajuda a redirecionar os processos de ensino e de aprendizagem quando faz uso de variados instrumentos e modelos que atendam não apenas os objetivos previstos no currículo, mas também as necessidades do estudante e da turma, mantendo o foco tanto no individual como no coletivo. Por isso, em Projeto de Vida, os estudantes devem ser avaliados por meio de mecanismos que atendam as especificidades e características da Metodologia. Reiteramos que ao tratarmos de avaliação da aprendizagem não nos referimos meramente à atribuição de notas, conceitos e/ou menções e, sim, à estratégia que fornece elementos para análise do processo de ensino e de aprendizagem e tomada de decisão para a continuidade do desenvolvimento dos estudantes nas suas variadas competências e habilidades. ENTÃO, COMO AVALIAR? Projeto de Vida é a Metodologia de Êxito responsável por estimular o estudante a construir uma visão de si próprio no futuro e como transformar essa visão em um plano a ser executado, aprendendo a definir os seus objetivos, metas, estratégias e ações para realizá-lo. Para isso, são oferecidas aulas que criam condições para intenso processo autorreflexivo e o desenvolvimento de um amplo conjunto de competências e habilidades socioemocionais imprescindíveis para a construção do seu Projeto de Vida – centralidade do Modelo da Escola da Escolha. As aulas também são um meio potentíssimo que junto a outros processos desenvolvidos no Projeto Escolar, contribuem para a formação de um estudante capaz de tomar decisões baseado nas suas crenças e conhecimentos e se colocar no mundo de maneira protagonista e competente. Nesse componente, o ICE considera como imprescindível o acompanhamento do desempenho do estudante quanto à aquisição e desenvolvimento dessas competências e habilidades e é enfático em não indicar a atribuição de notas ou conceitos. A avaliação de competências e habilidades socioemocionais requer um processo especializado, refinado e profundo, diametralmente diferente daquele em que se aplica uma prova na qual as questões revelam se o estudante domina ou não os conteúdos previstos em determinado componente curricular. Uma literatura muito ampla em Psicologia Social e Cognitiva nos dizem que as habilidades socioemocionais têm sido compreendidas como um construto multidimensional, composto por variáveis emocionais, sociais, cognitivas e comportamentais que podem ser desenvolvidas e aprendidas. Aqui, o objeto avaliado é de natureza muito distinta de uma Área de Conhecimento, como acontece nas Eletivas e nas Práticas Experimentais, razão pela qual o ICE considera que deva ser acompanhado o seu desenvolvimento, e não avaliado para efeito de atribuição de nota como representação do desempenho do estudante. Um conjunto extenso de habilidades são desenvolvidas nas aulas de Projeto de Vida, a exemplo do autoconhecimento, autonomia, autorregulação, determinação, perseverança, iniciativa, resolutividade, responsabilidade pessoal e social, entre outras. Para efeito do seu acompanhamento, recursos como autorrelatos dos estudantes e registros dos professores podem ser aplicados, a exemplo do instrumento que aqui apresentamoscomo referência. (referência: Antonio Carlos Gomes da Costa). - Objetivo Avaliar se as habilidades foram totalmente, parcialmente, minimamente ou não desenvolvidas pelo estudante pela descrição minuciosa dos comportamentos observáveis que correspondem ao domínio ou não domínio das capacidades esperadas. Metodologia O nível de domínio de um estudante em relação a uma determinada capacidade aplicando uma escala de apreciação (Wilson Radan) onde os comportamentos observáveis são hierarquizados numa sequência do menor grau de domínio para aquele mais elevado. Instrumentos 1 – Instrumento de autoavaliação: respondido pelo próprio estudante no início e no final do ano letivo 2 – Instrumento de avaliação: respondida pelo professor de Projeto de Vida ao longo do ano. Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio 27 Aqui, apresentamos um modelo de instrumento de avaliação do estudante pelo Professor de Projeto de Vida nas competências Pessoal, Social, Produtiva e Cognitiva. Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio 27 Aqui, um modelo de instrumento de autoavaliação do estudante nas competências Pessoal e Social. Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio 27 O QUE É O QUE NÃO É • Apoio para a construção da identidade do adolescente como ponto de partida para a elaboração do seu Projeto de Vida; • Estímulo àqueles que nem ousam sonhar; • Aquisição, ampliação e consolidação de valores e princípios necessários à vida pessoal, social e produtiva dos estudantes; • Oferta de condições para que o estudante crie expectativas em relação ao futuro e construa uma visão de si próprio; • Fomento à responsabilidade pessoal de cada estudante para que desenvolva suas potencialidades e tome a decisão de ser o principal condutor do seu Projeto de Vida. • • Realização de testes vocacionais e psicológicos; •Julgamento pessoal do seu conjunto de princípios e valores e das suas escolhas e/ou referências pessoais; • Preparação para o mundo do trabalho; • Elaboração de um projeto coletivo. 28 Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio Sou ex-aluna da primeira Escola da Escolha, o Ginásio Pernambucano (2004-2006). Nasci em Nazaré da Mata, pequeno município da zona da Mata de Pernambuco. Aos dois anos, fui com a minha família morar em Recife pois naquele momento buscávamos melhores condições de vida. Filha de mãe solteira, empregada doméstica e analfabeta, desde muito cedo eu ouvia minha mãe dizer “estude para não ter o mesmo futuro que eu”. Essa foi a frase que mais me motivou a querer ter um futuro diferente, pois algo deveria estar errado na vida da minha mãe, que trabalhava de domingo a domingo e ainda assim, nos faltava o básico para viver (casa, alimentação, vestimenta, lazer...). Com extrema dificuldade, cursei todo o Ensino Fundamental em escolas públicas da periferia da cidade do Recife e apenas aos 12 anos fui alfabetizada, fruto, obviamente, das inúmeras vezes em que me faltaram as aulas das disciplinas Português, Matemática, Ciências etc. Quando estava na 8ª série (atual 9º ano), ouvi no noticiário que iria abrir no centro da cidade uma escola em que os estudantes passariam o dia inteiro. Prontamente eu quis me integrar, embora não soubesse ao certo qual era a proposta da escola, mas sabia que teriam três refeições e isso me ajudaria muito, pois eu seria um custo a menos na minha casa, além do fato de estudar no centro da cidade que já é, por si, uma mudança de status para quem mora na periferia. Me inscrevi sem muita esperança e ingressei na escola pelo mérito das minhas notas do histórico escolar dos anos anteriores, o que parecia uma contradição, pois elas não correspondiam, em nada, ao conhecimento que eu dominava. Ao entrar no Ginásio Pernambucano, o porte de sua estrutura física já me dizia que eu não pertencia àquele mundo. No alto dos meus quase 18 anos, me encontrava com autoestima zerada e baixa perspectiva de futuro. Quando começaram as aulas pensei em desistir na primeira semana, pois não entendia nenhum conteúdo ministrado nas aulas. Mas algo de diferente acontece já no primeiro dia, pois fui acolhida por uma equipe sorridente, que falava em sonhos o tempo inteiro, que me diziam que eu seria aquilo que eu quisesse ser! Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio 29 equipe sorridente, que falava em sonhos o tempo inteiro, que me dizia que eu seria aquilo que eu quisesse ser! De De início achei que todos estavam loucos e que era tudo combinado só para atrair os novos estudantes, dada a minha incredulidade em relação à escola. Com o apoio e incentivo dos educadores daquela escola, após um longo e doloroso processo de mudança, decidi ser alguém e fiz a escolha de permanecer, não saindo para trabalhar naquele momento. Não fui uma estudante brilhante, tipo nota 10. Não contribuí positivamente com as metas acadêmicas da escola, nem fui aprovada nos vestibulares das universidades públicas. No entanto, durante os três anos em que fiquei na escola, me tornei competente em outras áreas, pois participei de vários projetos por meio dos quais desenvolvi meu espírito de trabalho em equipe e minhas características de liderança. Por meio disso, recuperei a minha autoestima e projetei a minha vida. Ingressei em uma faculdade privada do Recife e me graduei em Pedagogia, profissão da qual me orgulho. Em 2011, fiz um Mestrado em Comunicação com Fins Sociais na Universidade de Valladolid, na Espanha, e exerço a minha profissão, por meio da qual me mantenho satisfatoriamente. Hoje eu acredito no poder de transformação que a educação tem na vida dos estudantes. Não bastou eu querer ter um futuro diferente, isso muitos também querem. O que mudou o jogo foi a escola estar preparada, não apenas do ponto de vista da estrutura física, mas para atuar de maneira efetiva, garantindo a minha formação integral. Me orgulho muito da minha história e sou eternamente grata a todos que me incentivaram a acreditar que eu poderia ter um Projeto de Vida bem sucedido. P O CONCEITO As Eletivas da Base fazem parte das Metodologias de Êxito da Escola da Escolha localizadas na Parte de Formação Diversificada. São componentes curriculares temáticos, de oferta obrigatória (porém de livre escolha pelo estudante), oferecidos semestralmente, propostos pelos professores e/ou pelos estudantes e objetivam diversificar, aprofundar e enriquecer os conteúdos e temas trabalhados nos componentes curriculares da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Elas possibilitam ao estudante a construção de parte do seu próprio currículo por meio da ampliação, diversificação e aprofundamento de conceitos, conteúdos ou temas da Base Nacional Comum Curricular. Para assegurar esse objetivo, essa relação entre as Eletivas e a BNCC é necessariamente obrigatória As Eletivas da Base constituem uma parte muito importante do currículo do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha e são oferecidas como elemento de grande relevância na perspectiva da ampliação e diversificação do conhecimento característico das suas inovações. Elas cumprem os seus objetivos por meio da exploração de temas e conteúdos presentes nas ciências, nas artes, nas linguagens e na cultura corporal por meio de metodologias dinâmicas e atividades diversificadas. Elas se organizam no currículo por meio de 3 núcleos: ARTICULAÇÃO COM A BNCC TEMAS TRANSVERSAISCRIATIVIDADE O CONCEITO As Eletivas Pré-Itinerário Formativo fazem parte das Metodologias de Êxito da Escola da Escolha localizadas na Parte de Formação Diversificada. São componentes curriculares temáticos, de oferta obrigatória, oferecidos semestralmente, propostos pelos professores e objetivam apresentar aos estudantes os temas e conteúdos da Base Nacional Comum Curricular inerentes a cada um dos Itinerários Formativos oferecidos nos 2º e 3º anos. Estratégica e exclusivamente oferecidas aos estudantes dos 1º anos, as Eletivas Pré-IF funcionam como mecanismos de apoio para introduzir os temas e conteúdos típicos dos Itinerários Formativos e auxiliarem no seu processo de escolha e decisão sobre qual Itinerário cursar a partir do 2º ano. Elas são desenvolvidas de tal modo a assegurar que os estudantes do 1º ano possam conhecer os Itinerários Formativos sob o ponto de vista acadêmico e compreender a presença dos componentes da Base Nacional Comum Curricular, com maior ou menor ênfase e diferentes enfoques, em cada um dos Itinerários. Essa relação entre as Eletivas Pré-Itinerário Formativo e os componentes curriculares da BNCC é necessariamente obrigatória para assegurar que elas cumpram o seu objetivo. As Eletivas Pré-Itinerário Formativo constituem uma parte muito importante do currículo do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha e são oferecidas como elemento de grande relevância na perspectiva da ampliação e diversificação do conhecimento característico das suas inovações. Elas cumprem os seus objetivos por meio da exploração de temas e conteúdos presentes nas ciências, nas artes, nas linguagens e na cultura corporal por meio de metodologias dinâmicas e atividades diversificadas relacionadas a cada um dos Itinerários Formativos oferecidos. Diferentemente das Eletivas da Base, as Eletivas Pré-Itinerário Formativo não podem ser oferecidas como estratégia do Nivelamento das Aprendizagens. Elas se organizam no currículo por meio de 3 núcleos: ARTICULAÇÃO COM A BNCC TEMAS TRANSVERSAIS FOCO NO ITINERARIO FORMATIVO O CONCEITO As Eletivas de Itinerário Formativo fazem parte das Metodologias de Êxito da Escola da Escolha localizadas na Parte de Formação Diversificada. São componentes curriculares temáticos, de oferta obrigatória, oferecidos semestralmente, propostos pelos professores e objetivam aprofundar os temas e conteúdos da Base Nacional Comum Curricular presentes em cada um dos Itinerários Formativos oferecidos nos 2º e 3º anos. Estratégica e exclusivamente oferecidas aos estudantes dos 2º e 3º anos, as Eletivas de Itinerário Formativo aprofundam os temas e conteúdos típicos de cada Itinerário Formativo e permitem que os estudantes se desenvolvam com foco no Itinerário escolhido. São desenvolvidas de tal modo a assegurar que os estudantes dos 2º e 3º anos se aprofundem nos Itinerários Formativos sob o ponto de vista acadêmico e compreendam a presença dos componentes da Base Nacional Comum Curricular em sua maior ênfase em cada um dos Itinerários. Essa relação entre as Eletivas de Itinerário Formativo e os componentes curriculares da BNCC é necessariamente obrigatória para assegurar que elas cumpram o seu objetivo. As Eletivas de Itinerário Formativo constituem uma parte muito importante do currículo do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha e são oferecidas como elemento de grande relevância na perspectiva do aprofundamento do conhecimento característico das suas inovações. Elas cumprem os seus objetivos por meio da exploração de temas e conteúdos presentes nas ciências, nas artes, nas linguagens e na cultura corporal, a depender do Itinerário Formativo relacionado, por meio de metodologias dinâmicas e atividades diversificadas. Diferentemente das Eletivas da Base, as Eletivas de Itinerário Formativo não podem ser oferecidas como estratégia do Nivelamento das Aprendizagens. Elas se organizam no currículo por meio de 3 núcleos: ARTICULAÇÃO COM A BNCC APROFUNDAMENTO NO ITINERÁRIO FORMATIVO FOCO NO ITINERARIO FORMATIVO As Eletivas da Base, Pré-Itinerário Formativo e de Itinerário Formativo apresentam características comuns e diferenças importantes. Todas são de oferta obrigatória, semestrais e propostas pelos professores, que podem considerar uma ampla escuta a partir dos estudantes em torno dos seus temas e áreas de interesse, OS ESTUDANTES E AS ESCOLHAS Ao escolher e decidir por um dos temas das Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF, entre as opções oferecidas, o estudante exercita a sua capacidade de escolha com base num repertório ampliado, aprende a estabelecer critérios valorando o que lhe interessa e o que lhe importa naquele momento de sua vida escolar tendo em vista as suas expectativas e ambições relativas ao seu Projeto de Vida. Ao mesmo tempo, o estudante entende que sua escolha não o impede nem o limita a aprender sobre as demais áreas do conhecimento. Para que as Eletivas cumpram os seus papeis de ampliação, diversificação e aprofundamento, é fundamental que os temas explorados sejam atraentes e tenham sentido para o estudante quanto aos seus interesses e expectativas. Os temas oferecidos nas Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF devem ser planejados por meio de uma rica variedade teórico-conceitual, metodológica e didática. Acima de tudo, elas devem cumprir os seus objetivos junto às especificidades trazidas para os estudantes do 1º ano e do 2º/3º anos. POR QUE OFERECER ELETIVAS NA ESCOLA DA ESCOLHA? A base curricular do Novo Ensino Médio organizada por Itinerários Formativos exige um processo mais global de aprendizagem junto aos estudantes do 1º ano e mais específico para os estudantes dos 2º e 3º anos, necessariamente articulado às várias dimensões do desenvolvimento pessoal, social e emocional do estudante. A Escola da Escolha diversifica a sua oferta por meio de 3 tipos diferentes de Eletivas para que o estudante conheça e diversifique uma grande variedade de conceitos presentes nas áreas de conhecimento ao longo dos 3 anos do Ensino Médio, amplie e aprofunde o seu repertório de conhecimentos presentes nos Itinerários Formativos e descubra o prazer de seguir em busca de mais conhecimentos ao longo da vida, sempre numa perspectiva ampla, considerando as diversas áreas da produção humana. As Eletivas também devem ser uma oportunidade para desenvolver nos estudantes um ampliado conjunto de habilidades essenciais que não estão no estatuto das competências cognitivas apenas. ELETIVAS E PROJETO DE VIDA: O QUE UM TEM A VER COM O OUTRO? Os temas oferecidos nas Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF são escolhidos pelos estudantes a partir do interesse demonstrado na apresentação realizada pelos professores. Na Escola da Escolha, os componentes curriculares são elementos fundamentais do processo de formação e de construção do Projeto de Vida porque ele também se constitui pelas competências e habilidades asseguradas pelo Eixo Formativo da Excelência Acadêmica, ao lado da Formação para a Vida e da Formação de Competências para o Século XXI. Não é possível construir e executar um Projeto de Vida sem se constituir academicamente competente e as Eletivas são uma oportunidade para a ampliação, qualificação e aprofundamento do repertório de conhecimentos do estudante. A contribuição das Eletivas está justamente no diálogo que elas estabelecem entre o conhecimento e as expectativas e sonhos dos estudantes, na ampliação e aprofundamento dos seus repertórios e no enriquecimento possibilitado pelas vivências culturais, artísticas, esportivas, científicas, estéticas e linguísticas presentes no cardápio de temas oferecidos. AMPLIAÇÃO DE REPERTÓRIOS No Novo Ensino Médio da Escola da Escolha, os estudantes iniciam o processo que deverá levá-los a definições mais concretas em relaçãoà visão que têm de si próprios no futuro por meio das aulas de Projeto de Vida e do apoio da Tutoria. Manifestam muitos interesses em relação aos seus Projetos de Vida, mas ainda há muita dificuldade em termos de foco. Para muitos, as escolhas que naturalmente fazem parte dessa fase da vida dizem respeito aos trajetos profissionais, geralmente marcados pela sua condição socioeconômica, o que termina por tornar precoce um conjunto de decisões, a exemplo do ingresso no mundo produtivo sem ainda ter desenvolvido plenamente suas qualificações. Outros constroem essa visão de si próprios no futuro com base num repertório muito restrito de opções, certamente em função das suas próprias trajetórias pessoais ou mesmo pela insuficiência de dados e informações. Mas há muitos que não tomam decisões porque não compreendem que as escolhas e decisões podem ser feitas com base em critérios e se sentem confusos diante das opções. Por essa razão, as Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF não são oferecidas com base exclusivamente no que os estudantes conhecem ou se interessam. Oferecer temas que apenas se relacionem aos interesses conhecidos dos estudantes é limitar a possibilidade de ampliar e diversificar suas experiências e referências, restringindo o seu repertório ao que já conhecem e encurtando, portanto, seu horizonte de escolhas, tão fundamental na construção do Projeto de Vida. Despertar o interesse e a curiosidade dos estudantes em torno de temas ainda desconhecidos é um dos grandes desafios dos professores das Eletivas. Mas a diversificação não se aplica apenas aos temas, mas também ao método utilizado pelo professor, pois as Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF ou Eletivas IF oferecem a oportunidade de aplicar uma grande variedade de recursos didáticos, bem como métodos de ensino e de aprendizagem. Essa variedade cria condições para os estudantes desenvolverem novas habilidades cognitivas, sociais e emocionais necessárias ao seu desenvolvimento e importante para o seu percurso formativo. O PLANEJAMENTO As Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF devem ser planejadas considerando as suas características, público e enfoques. As situações didáticas devem ser variadas e destinadas ao desenvolvimento, integração e consolidação das áreas do conhecimento de forma contextualizada. Por essa razão, o seu eixo metodológico é de orientação interdisciplinar. 1º ano a) Eletivas da Base Enfoque: enriquecimento, a ampliação e a diversificação de temas ou conteúdos relativos aos componentes da Base Nacional Comum Curricular. Carga horária: 4h semanais. Quantidade de Eletivas oferecidas: 2 Eletivas com 2h/semanais cada. Oferta: os estudantes escolhem as Eletivas da Base que desejam cursar a partir de um cardápio de temas propostos pelos professores e/ou estudantes. b) Eletivas Pré-IF Enfoque: introdução dos estudantes no universo produtivo dos Itinerários Formativos sob o ponto de vista dos conhecimentos relativos às áreas de conhecimento para que conheçam as suas características e peculiaridades, ampliando o seu repertório e dessa forma, apoiar a futura escolha quanto ao Itinerário Formativo que deseja cursar a partir do 2º ano. Carga horária: 4h semanais. Quantidade de Eletivas oferecidas: 2 Eletivas Pré-IF a cada semestre com 2h/semanais cada, sendo no 1º semestre focadas em 2 Itinerários Formativos e no 2º semestre, nos 2 Itinerários Formativos que não foram abordados. Oferta: Os estudantes devem, obrigatoriamente, cursar as Eletivas Pré-IF de cada um dos Itinerários, oferecidas pelos professores. * a ordem de oferta das Eletivas associadas aos Itinerários não importa, mas os 4 devem necessariamente ser considerados. 2º ano a) Eletivas da Base Enfoque: enriquecimento, ampliação e aprofundamento de temas e conteúdos relativos aos componentes da Base Nacional Comum Curricular. Carga horária: 2h semanais Quantidade de Eletivas oferecidas: 1 Eletiva a cada semestre com 2h semanais propostas a partir de um cardápio de temas propostos pelos professores e/ou estudantes. Oferta: considerando que sua oferta é semestral, nas duas Eletivas cursadas no ano, o estudante deverá escolher, preferencialmente, as Eletivas cujos temas estão associados aos componentes curriculares relativos às Áreas de Conhecimento que não são foco do seu Itinerário Formativo. Isso permitirá que o estudante dê sequência à sua formação geral nos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular. b) Eletivas de Itinerário Formativo Enfoque: ampliação e aprofundamento de temas conteúdos relativos aos componentes da Base Nacional Comum Curricular associados ao respectivo Itinerário Formativo, assegurando no seu planejamento e execução, os quatro Eixos Estruturantes. Carga horária: 4h semanais Quantidade de Eletivas oferecidas: 2 Eletivas de Itinerário Formativo a cada semestre com 2h/semanais cada. Oferta: Os estudantes escolhem as Eletivas relativas ao seu Itinerário Formativo. 3º ano a) Eletivas da Base Enfoque: enriquecimento, ampliação e aprofundamento de temas e conteúdos relativos aos componentes da Base Nacional Comum Curricular. Carga horária: 2h semanais Quantidade de Eletivas oferecidas: 1 Eletiva a cada semestre propostas a partir de um cardápio de temas propostos pelos professores e/ou estudantes. Oferta: considerando que sua oferta é semestral, nas duas Eletivas cursadas no ano, o estudante deverá escolher, preferencialmente, as Eletivas cujos temas estão associados aos componentes curriculares relativos às Áreas de Conhecimento que não são foco do seu Itinerário Formativo. Isso permitirá que o estudante dê sequência à sua formação geral nos conteúdos da Base Nacional Comum Curricular. b) Eletivas de Itinerário Formativo Enfoque: ampliação e aprofundamento de temas e conteúdos relativos aos componentes da Base Nacional Comum Curricular associados ao respectivo Itinerário Formativo, assegurando no seu planejamento e execução, os quatro Eixos Estruturantes. Carga horária: 6h semanais Quantidade de Eletivas oferecidas: 3 Eletivas a cada semestre. Oferta: Os estudantes escolhem as Eletivas relativas ao seu Itinerário Formativo. PROPOSIÇÃO DE TEMAS Os temas das Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF não são definidos pelo ICE ou pela Secretaria de Educação, mas, pelos professores nas escolas. No entanto, objetivando despertar o interesse e a curiosidade dos estudantes em torno das Eletivas, uma dica é envolvê-los e engajá-los na proposição dos temas. Ao considerar isso, a Equipe Escolar deve assegurar que eles compreendam o que são Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF, tanto no seu conceito e enfoque como na sua operação e objetivos, que são distintos. E para isso, os estudantes podem ser convidados pela Equipe Gestora e Coordenadores de Itinerários Formativos nas primeiras semanas de aula para participar de uma apresentação detalhada orientada pela Coordenação Pedagógica e apoiada pelos Coordenadores de Itinerários Formativos. Essa atividade pode acontecer durante os horários previstos para as Eletivas, enquanto os professores executam o seu planejamento. s Eletivas • Oferta semestral; • Execução semanal em duas aulas sequenciadas; • Ocorrem no mesmo horário para todas as turmas de cada ano; • Títulos atraentes; • Conteúdo provocador da curiosidade e do interesse do estudante; • Metodologias diversificadas; • Diversidade de práticas educativas; • A metodologia de projetos é recomendada, mas não é uma regra. ORGANIZAÇÃO NO HORÁRIO SEMANAL Durante a semana de planejamento, os professores iniciam as suas discussões em torno das áreas/temas/conteúdos a serem explorados, das metodologias utilizadas, dos recursos didáticos requeridos etc.A abordagem interdisciplinar proporcionará um momento rico, permeado pelo debate das diferentes percepções das áreas sob os mesmos temas, tendo um objetivo comum: o estudante. Um produto final como resultado material que expresse a síntese das Eletivas da Base, Eletivas Pré- IF e Eletivas IF ao final do semestre deve ser considerado no planejamento. Isso será valioso para as exposições durante a Culminância (sobre a qual trataremos a seguir). A metodologia de projetos é uma recomendação, não uma regra. O estímulo à atuação protagonista deve ser uma constante em qualquer que seja a opção metodológica, uma vez que a Escola da Escolha trata o estudante como fonte de iniciativa, capaz de ações afirmativas em direção ao autodidatismo. A oferta de Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF com os seus professores de áreas/componentes curriculares diferentes, formados em duplas, é um desenho que enriquece a sua execução, mas isso não é uma exigência. No entanto, para o planejamento, é essencial que professores das distintas áreas que se relacionam ao tema estejam envolvidos. Ou seja, as Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF podem ser planejadas pelos vários professores (que se relacionam com aquela Eletiva) e executada por apenas um professor, que eventualmente contará com a presença do seu colega em determinado dia que fora planejado, conforme cronograma. Para isso, a Coordenação Pedagógica e os Professores Coordenadores de Itinerários Formativos deverão assegurar que as atividades do professor sejam atendidas, sem prejuízo das outras atividades com as quais ele esteja eventualmente envolvido. Nessa direção, recomenda-se que o planejamento das Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF permita que todos os estudantes da turma sejam capazes de participar ativamente de seu processo de ensino e de aprendizagem, por meio de atividades que proporcionem múltiplos meios de representação, ação, expressão e envolvimento. Assim, todos aprenderão com todos, de modo verdadeiramente inclusivo. Definidos e executados os passos, agora é necessário organizar as ideias, conceitos e informações em torno de uma estrutura que conceituamos como Mapa da Eletiva. As Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF devem ter uma dimensão prática, onde o estudante literalmente “viva” a aplicação do conhecimento que produziu. Seu título deve ser atraente para chamar a atenção de todos os estudantes, para provocar a curiosidade em torno do tema e despertar o desejo de “começar a conhecer” ou de “conhecer mais” sobre o que está sendo proposto. Após o planejamento, as Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF devem ser divulgadas para que se inicie o processo de escolha e inscrição pelos estudantes de cada ano. Eles devem ser informados sobre o que é uma Eletiva e de como acontecerá na escola. Devem ser pensadas estratégias para a sua divulgação considerando as distintas condições entre os anos. Expor uma lista das Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF propostas em local de ampla visibilidade nos espaços da escola certamente deverá chamar a atenção! Mapa das Eletivas da Base TÍTULO – deve ser atraente e despertar o interesse dos estudantes. ANO – para qual ano é indicada. COMPONENTES CURRICULARES RELACIONADOS – sempre na perspectiva do eixo interdisciplinar. JUSTIFICATIVA – a razão pela qual está sendo proposta. OBJETIVO – o que pretende ser alcançado. CONTEÚDOS – o que se pretende ensinar. EIXOS ESTRUTURANTES: os Eixos Estruturantes presentes. METODOLOGIA – como se vai trabalhar. RECURSOS DIDÁTICOS – o que será necessário para executar a Eletiva. PROPOSTA PARA A CULMINÂNCIA – como o trabalho será apresentado no final. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – do professor e referências indicadas para o estudante. Mapa das Eletivas Pré-Itinerário Formativo TÍTULO – deve ser atraente e despertar o interesse dos estudantes. ANO – para qual ano é indicada. ITINERÁRIO FORMATIVO – especificar qual IF está sendo abordado. COMPONENTES CURRICULARES RELACIONADOS – sempre na perspectiva do eixo interdisciplinar. JUSTIFICATIVA – a razão pela qual está sendo proposta. OBJETIVO – o que pretende ser alcançado. CONTEÚDOS – o que se pretende ensinar. EIXOS ESTRUTURANTES: os Eixos Estruturantes presentes. METODOLOGIA – como se vai trabalhar. RECURSOS DIDÁTICOS – o que será necessário para executar a Eletiva. PROPOSTA PARA A CULMINÂNCIA – como o trabalho será apresentado no final. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – do professor e referências indicadas para o estudante. Mapa das Eletivas de Itinerário Formativo TÍTULO – deve ser atraente e despertar o interesse dos estudantes. ANO – para qual ano é indicada. ITINERÁRIO FORMATIVO – especificar para qual IF se destina e respectivos cursos, com justificativa. COMPONENTES CURRICULARES RELACIONADOS – sempre na perspectiva do eixo interdisciplinar. JUSTIFICATIVA – a razão pela qual está sendo proposta. OBJETIVO – o que pretende ser alcançado. CONTEÚDOS – o que se pretende ensinar. EIXOS ESTRUTURANTES: os Eixos Estruturantes presentes. METODOLOGIA – como se vai trabalhar. RECURSOS DIDÁTICOS – o que será necessário para executar a Eletiva. PROPOSTA PARA A CULMINÂNCIA – como o trabalho será apresentado no final. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS – do professor e referências indicadas para o estudante. 36 Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio A seguir, apresentamos um exemplo do detalhamento do Mapa da Eletiva elaborado a partir de uma Eletiva da Base proposta: MOLÉCULAS AO CREME TURMAS: 1º ao 3º ano COMPONENTE CURRICULARES RELACIONADOS: Química e Física JUSTIFICATIVA: Com a recente explosão de interesse pela comida e pela culinária surge também a oportunidade de traduzir os princípios químicos e físicos que determinam as propriedades e o comportamento dos nossos alimentos. Há ciência por trás de cada alimento e de cada instrumento usado para prepará-lo. E esse é um conhecimento importante, necessário e ainda muito distante da maioria das pessoas, nas nossas casas e nas escolas. OBJETIVO: Introduzir os conceitos químicos e físicos existentes por trás das atividades mais elementares do cotidiano alimentar. CONTEÚDO: Propriedades do açúcar (por que o mascavo empedra mais? Por que chocolate derrete na boca?); propriedades do sal (qual é o problema do sal?); fogo e gelo (nem todo álcool evapora); líquido e certo (cerveja sem álcool tem álcool); as misteriosas micro-ondas e a química na cozinha. METODOLOGIA: Realização de experimentos para responder as perguntas coletadas junto aos estudantes da escola. RECURSOS DIDÁTICOS: Alimentos e instrumentos de cozinha. PROPOSTA DE CULMINÂNCIA: Criação de uma pequena cidade com pessoas vivendo situações cotidianas no supermercado, restaurante, sala de jantar em residência e refeitório na escola. AVALIAÇÃO: o desempenho dos estudantes poderá ser considerado nos dois componentes curriculares a partir de critérios estabelecidos e pactuados entre os professores, estudantes e Coordenação Pedagógica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: WOLKE, Robert. L. O que Einstein disse ao seu cozinheiro. Rio de Janeiro: Jorger Zahar Editores, 2002. A seguir, apresentamos um exemplo do detalhamento do Mapa da Eletiva elaborado a partir de uma Eletivas Pré-IF: CORES, SENSAÇÕES, SABORES E TRANSFORMAÇÕES TURMAS: 1º ano ÊNFASE NO ITINERARIO FORMATIVO: Ciências da Saúde COMPONENTE CURRICULARES RELACIONADOS: Química, Geografia e História JUSTIFICATIVA: Considerada a importância da cultura da gastronomia na sociedade contemporâneae as possibilidades múltiplas de atuação profissional no setor, em escala individual ou coletiva, a eletiva busca introduzir a percepção sistêmica do processo de concepção e execução do alimento, com foco e na produção de refeições em âmbito familiar contemporâneo como componente cultural e garantia de segurança alimentar. OBJETIVO: Introduzir conceitos histórico-culturais associados à alimentação, ao mesmo tempo em que se planeja e processa ingredientes sob a forma de uma receita, registrando o processo. CONTEÚDO: A eletiva busca compreender a organização do ato de cozinhar e planejar o que se come como uma afirmação de autonomia e segurança alimentar, além de um indicador de qualidade de vida e saúde, articulando conteúdos em direção à área específica de interesse de cada estudante, observando os processos de transformação do alimento na prática em restaurante e exercitando sua própria criação. Ênfases sugeridas de pesquisa: Cadeia produtiva, Alimentação e Saúde, Técnicas e Ingredientes, Sustentabilidade e Geração de Emprego e Renda. METODOLOGIA: Pesquisa de técnicas e ingrediente, visita de campo a restaurante, oficina de culinária, registro visual. RECURSOS DIDÁTICOS: materiais e utensílios de culinária para as atividades práticas, de pesquisa remota, celular com câmera para registro visual do processo e edição, instalação de cozinha ou laboratório adaptável. PROPOSTA DE CULMINÂNCIA: Apresentação de vídeo didático sobre a pesquisa de técnicas e ingredientes até a produção da receita. AVALIAÇÃO: o desempenho dos estudantes poderá ser considerado nos três componentes curriculares a partir de critérios estabelecidos e pactuados entre os professores, estudantes e Coordenação Pedagógica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FLANDRIN, J.L. MONTANARI, M. História da Alimentação. São Paulo: Estação Liberdade, 1998. POLLAN, M. Cozinhar – uma história natural da transformação. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014. SALDANHA, Roberta. Histórias, Lendas e Curiosidades da Gastronomia. Rio de Janeiro: SENAC Rio, 2011. Link para leitura online: <https://www.topleituras.com/livros/historias-lendas-curiosidades-confeitaria- receitas-c7f7> A seguir, apresentamos um exemplo do detalhamento do Mapa da Eletiva elaborado a partir de uma Eletiva IF: CRIANDO UMA REDE DE JUSTIÇA SOCIAL E CUIDADO TURMAS: 2º e 3º ano ESPECÍFICA PARA O ITINERARIO FORMATIVO: Ciências Econômicas e Administrativas COMPONENTE CURRICULARES RELACIONADOS: Artes, Português, História, Geografia, Matemática e Filosofia JUSTIFICATIVA: Considerando-se que ainda que o Brasil tenha presente há décadas a pauta de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, ainda há lacunas a serem preenchidas na proteção a elas, e é preciso trazer essa discussão ao universo dos estudantes em formação, como conteúdo geral de cidadania, mas principalmente como possibilidade de formação, atuação e atividade remunerada com grande potencial de impacto social em geral, e através de artes em particular. OBJETIVO: Capacitar os estudantes para a escolha de temas de interesse na área de Direito, Administração e Economia Criativa em instituições do Terceiro Setor com ênfase em atividades e projetos artísticos. CONTEÚDO: Vamos tratar de ações efetivas e práticas de proteção à criança e ao adolescente através da arte em suas diversas modalidades, e você fará parte desse processo criativo. Você se sente protegido ou vulnerável? E seus amigos? A expressão artística pode dar visibilidade a questões geralmente negligenciadas, além de permitir formação a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. A eletiva propõe identificar demandas na comunidade, discutir ações possíveis de proteção, formação e geração de emprego e renda a partir das artes. METODOLOGIA: pesquisa, tópicos teóricos, grupos de discussão de clipping de mídia e oficinas de criação de microprojetos em artes. RECURSOS DIDÁTICOS: clipping diário de notícias de jornal, projetor para seminário ted/pit, materiais de desenho e rolo de papel kraft e jornal para oficinas e debates, mapa da própria cidade. PROPOSTA DE CULMINÂNCIA: Apresentação em formato ted/pit sobre projetos pleiteando serem incubados. AVALIAÇÃO: o desempenho dos estudantes poderá ser considerado nos seis componentes curriculares a partir de critérios estabelecidos e pactuados entre os professores, estudantes e Coordenação Pedagógica. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: FARIA, H. Desenvolver-se com Arte. São Paulo: Instituto Pólis, 1999. TOZZI, J.A. ONG sustentável: o guia para organizações do terceiro setor. São Paulo: Gente, 2017. PEREIRA, Milton (org.). Gestão para organizações não governamentais. Campinas: UNICAMP, 2013. Disponível em: <http://www.institutofonte.org.br/sites/default/files/Livro%20Gest%C3%A3o%20Para%20Organiza%C3 %A7%C3%B5es%20N%C3%A3o%20Governamentais%20-%202013.pdf> A DIVULGAÇÃO Definidas as Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF, inicia-se a fase de divulgação para a comunidade escolar, que consiste em expor uma lista com os temas em local de ampla visibilidade na escola e na “propaganda” individual feita pelos professores nos intervalos e nas salas de aula durante a semana de inscrição, conforme previsto no planejamento. Há muitas maneiras de realizar essa divulgação e algumas muito criativas como o recurso da “mídia humana”, no qual os professores encarnam os personagens relativos às Eletivas que oferecerão (já imaginou o Bono Vox, líder da banda U2, conversando sobre a paz com Barack Obama, ex-presidente dos EUA, em pleno pátio da escola?). Outra forma é a “Feira das Eletivas”, na qual os professores organizam no pátio da escola suas mesas, expõem materiais ilustrativos (folders, cartazes etc.) e apresentam aos estudantes os conteúdos e objetivos propostos. Vale destacar que na organização semanal dos horários para as Eletivas é necessário o alinhamento com todas as turmas dos respectivos anos para favorecer a troca entre os estudantes e professores, bem como para o desenvolvimento de todas as atividades de forma compartilhada, provocando a curiosidade dos jovens em relação ao que está acontecendo em todas as turmas, a vontade de conhecer, saber e aprender neste momento em que a escola tem uma dinâmica diferenciada e bastante estimulante. Assim, o próximo passo é quando os estudantes poderão se inscrever na Eletiva que lhes chamou mais atenção e despertou sua curiosidade. Com o apoio dos Professores Coordenadores de Itinerários Formativos, os estudantes são orientados a escolher entre as opções divulgadas e inscrever o seu nome, definindo em qual delas participará. O importante aqui é criar condições para que todos os estudantes possam fazer sua escolha, atentando-se para não se escolher “pelo” estudante. Observar também que para as Eletivas oferecidas aos estudantes dos 1º anos, não há indicação por Itinerário Formativo e para essas, eles podem ser orientados no momento da inscrição pela Coordenação Pedagógica, apoiada pelos Professores Tutores. Para os estudantes dos 2º e 3º anos, os Professores Coordenadores de Itinerários Formativos fazem a orientação, sempre apoiados pelos Professores Tutores. AS INSCRIÇÕES Após o processo de divulgação, ocorre o período de inscrições, no qual os estudantes se inscrevem nas Eletivas de livre escolha. A Coordenação Pedagógica e Professores Tutores são responsáveis por organizar e distribuir os estudantes de acordo com os seus interesses e a disponibilidade de vagas. Os estudantes não são organizados pelas suas turmas, mas pelas Eletivas que escolheram. Isso significa que os grupos serão formados por estudantes de várias turmas dos mesmos anos, indistintamente. Aí reside mais um elementode extrema riqueza desta Metodologia de Êxito: possibilitar a multiplicidade de convivência de perfis em termos de maturidade, de histórias de vida, de experiências, de repertórios, de perspectivas, de limites e de possibilidades em torno de um objeto em comum. Se o número de inscrições for superior ao de vagas oferecidas, os estudantes são orientados a escolher entre outras opções apontadas na inscrição. O importante é que, ao final, todos participem de uma Eletiva e tomem conhecimento pela divulgação dos resultados. A EXECUÇÃO Na execução da Eletiva os professores das diferentes turmas deverão trabalhar em parceria na coordenação das aulas de Eletivas para melhor atendimento às especificidades dos estudantes. A cada semestre, o processo se repete. Em se tratando das Eletivas da Base para os estudantes dos 1º anos, eles devem optar por Eletivas diferentes das que vivenciaram no semestre anterior, mesmo que algumas delas sejam oferecidas novamente, sobretudo quando elas foram muito celebradas, bem avaliadas e por isso, procuradas. Não é o que ocorre com os estudantes dos 2º e 3º anos que devem, preferencialmente, optar por Eletivas da Base que não se relacionam diretamente com os seus respectivos Itinerários Formativos. A CULMINÂNCIA Ao final do semestre, são realizadas as Culminâncias das Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF. Elas acontecem em um dia específico, previsto no Calendário Escolar e Agenda Bimestral, dedicado apenas para a realização dessa atividade. Para isso, a escola se prepara para expor o que foi produzido pelos estudantes e professores à toda comunidade escolar, proporcionando um ambiente de compartilhamento de conhecimentos, de experiências, de aprendizados e de proposições de desafios para avançar nos próximos períodos. Os pais/responsáveis podem ser convidados para conhecer as produções dos estudantes, bem como Equipes Escolares e estudantes de escolas que se localizem nas proximidades. Neste dia, todos os estudantes têm a oportunidade de falar sobre o que aprenderam, consolidar as bases acadêmicas que construíram, avaliar as escolhas que fizeram e os valores que agregaram às suas vidas, bem como de se expor às críticas e proposições daqueles para quem apresentarão os seus trabalhos. Os produtos, sob a forma de relatórios de projetos de pesquisa, jogos, robôs, experiências científicas, jornais, dramatizações, músicas, reportagens, HQ, curta-metragem etc., não são apenas apresentados, mas expostos à crítica pública. Todos têm a oportunidade de falar sobre o que aprenderam, as bases acadêmicas que construíram, as escolhas que fizeram e os valores que consolidaram. É um exercício rico de competências que deverá ter sentido e significado por meio do conhecimento gerado pelo e para os jovens, nas diversas dimensões da vida. Para os estudantes dos 1º anos, a Culminância das Eletivas Pré-Itinerário Formativo, em especial, é um momento muito importante porque nela eles encontrarão ainda mais elementos para ajudá-los no processo de escolha e decisão sobre o Itinerário que desejam cursar e cuja definição se dará ao final do ano letivo. A AVALIAÇÃO As Eletivas são componentes previstos na matriz curricular e se submetem, portanto, aos regimentos legais. Os distintos marcos legais das Secretarias de Educação (estaduais e municipais) que tratam da avaliação da aprendizagem normatizam os critérios para aprovação ou retenção nos componentes curriculares da Parte de Formação Diversificada. No entanto, isso não significa que não devam existir mecanismos de avaliação. Considerando as referências teóricas assumidas pelo ICE quanto ao tema avaliação, na Escola da Escolha, avaliar é uma ação de questionamento da escola sobre o que ela deve fazer para atender de todas as formas possíveis cada um dos seus estudantes. Partindo desse princípio, as Metodologias de Êxito concebidas pelo ICE e presentes no Novo Ensino Médio na Escola da Escolha, são meios para o desenvolvimento de um extenso conjuntode competências e habilidades imprescindíveis para a formação do estudante para que atue e enfrente os desafios e oportunidades presentes neste século2. Nesse sentido, atribuir notas ou conceitos ao desempenho de um estudante quanto à aquisição ou não de uma habili dade, além de ser um recurso equivocado sob o ponto devista teórico e metodológico, é restritivo porque reduz a uma dimensão (a nota), proces sos, metodologias, práticas e recursos que são mobilizados para assegurar que a escola seja o lu gar onde são providas todas as condições para a construção de um projeto mais ambicioso que ape nas a formação acadêmica dos estudantes. Nas Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF, a exemplo de qualquer outro componente curricular, a avaliação deve estar presente como estratégia importante que ajuda a redirecionar os processos de ensino e de aprendizagem quando faz uso de variados instrumentos e modelos que atendam não apenas os objetivos previstos no currículo, mas também as necessidades do estudante e da turma, mantendo o foco tanto no individual como no coletivo. Portanto, as Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF devem ser avaliadas por meio de mecanismos que 2 Aqui vale destacar que as Eletivas notadamente contribuem para o desenvolvimento e domínio das seguintes Competências Gerais da BNCC: 1 Conhecimento; 2 Pensamento Científico, crítico e criativo; 3 Repertório Cultural; 4 Comunicação; 5 Cultura Digital; 6 Trabalho e Projeto de Vida; 7 Argumentação. atendam às suas especificidades e características. Ao tratarmos de avaliação da aprendizagem não nos referimos meramente à atribuição de notas, conceitos e/ou menções e, sim, à estratégia que fornece elementos para análise do processo de ensino e de aprendizagem e tomada de decisão para a continuidade do desenvolvimento dos estudantes nas suas variadas competências e habilidades. Assim, para a avaliação das Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF, com metodologia específica, duração e oferta semestral, que objetivam ampliar, diversificar e aprofundar os conteúdos e temas da BNCC, sendo essa a sua mais enfática característica porque apoia, inclusive, na aquisição e domínio dos próprios componentes da Base, apresentamos o seguinte modelo de avaliação: - Sendo desenvolvida em profunda articulação com os temas e conteúdos referentes aos componentes curriculares da BNCC, consideramos que os esforços e desempenho do estudante nas Eletivas da Base, Eletivas Pré-IF e Eletivas IF sejam reconhecidos e estimulados, sendo os seus resultados avaliados e validados para efeito da composição da avaliação daqueles componentes curriculares com as quais as Eletivas estão mais diretamente ligadas. UM EXEMPLO: na Eletiva da Base “Do passado ao presente: Shakespeare de um jeito diferente” que expressamente faz uso de temas e conteúdos relativos à Literatura, Teatro e Poesia, o desempenho do estudante deve ser considerado e repercutirá nas médias obtidas em Português e Arte, tendo em vista que os temas e conteúdos destes componentes curriculares foram predominantemente trabalhados nessa Eletiva. Esse resultado pode incidir nas médias bimestrais ou mesmo ser considerada como mais um resultado no conjunto de outros dos componentes curriculares. Por óbvio, a ponderação desses valores deve ser prerrogativa da Secretaria de Educação. No entanto, como contribuição derivada das experiências vividas e acumuladas pelo ICE, apresentamos duas alternativas para consideração desta Secretaria, a partir de um cenário hipotético onde: p1 = prova 1 p2 = prova 2 s1 = seminário 1 E = Eletiva Digamos que o sistema de avaliação da Secretaria de Educação considera que a média do bimestre é resultado da aplicação dos seguintes instrumentos:2 provas e 1 seminário. Nesse caso, o desempenho na Eletiva “Do passado ao presente: Shakespeare de um jeito diferente” poderia ser considerado como mais um parâmetro a compor esse conjunto, como no exemplo a seguir: 𝑝1 + 𝑝2 + 𝑠1 + 𝐸 4 4 7 + 6 + 8 + 6 = 6,75 é a média do bimestre em Português. 4 8 + 5 + 8 + 7 = 7,0 é a média do bimestre em Arte. 4 . Ainda nesse mesmo cenário hipotético, o resultado dessa Eletiva poderia ser considerado como parâmetro com atribuição de peso. Nesse caso, o desempenho na Eletiva poderia corresponder a um dado percentual a incidir na média do bimestre e cujo valor (ou peso) deve, por óbvio, ser arbitrado pela Secretaria de Educação. Apresentamos um exemplo dessa aplicação onde o resultado da Eletiva “Do passado ao presente: Shakespeare de um jeito diferente” corresponde a 20% da média final do bimestre: 𝑝1 + 𝑝2 + 𝑠1 x 0,8 + E x 0,2 3 (7 + 6 + 8) × 0,8 + 6 × 0,2 = 6,8 é a média do bimestre em Português. 3 (7 + 6 + 8) × 0,8 + 8 × 0,2 = 7,2 é a média do bimestre em Arte. 3 Por fim, consideramos que a nota obtida pelo estudante também seja resultado da aplicação de critérios de qualidade que considere a sua participação nos processos de planejamento, execução e avaliação das atividades realizadas; envolvimento pessoal e disposição em atuar de maneira colaborativa e contributiva com o grupo; atitude proativa diante do conhecimento; domínio do conteúdo e competências, além da aplicação do que aprendeu em situações práticas. Para isso, diferentes instrumentos de avaliação podem ser utilizados, tais como: fichas para registro do desempenho do estudante, portfólios, observação rotineira pelo professor e uso de agenda, análise crítica dos produtos gerados e apresentados na Culminância, entre outros. Ele desafia e estimula os jovens, mobiliza questionamentos e hipóteses, dúvidas e certezas temporárias, criando nos estudantes a necessidade pela busca de respostas, sendo eles os próprios empreendedores dessa busca. Assim, suas aulas devem prover formas criativas e estimulantes para criar novas estruturas conceituais. Para isso, deve considerar o respeito às individualidades cognitiva, afetiva e social; a importância do estímulo à constante curiosidade; favorecer a vivência e experimentação; o envolvimento, a autonomia e a criatividade na criação de soluções. O professor contribui no desenvolvimento dos estudantes de forma deliberada, compartilhando conhecimentos, valores, atitudes e habilidades que lhes permitam transformar o seu “querer ser” em “ser”, em ampliar cada vez mais o seu acervo de “assuntos para se pensar a respeito”, “de assuntos para se descobrir” e “de assuntos para saber mais”. Esse é o universo fantástico das Eletivas da Base, Eletivas Pré-Itinerário Formativo e Eletivas de Itinerário Formativo. • É curioso, idealista, criativo, proativo, apaixonado pela construção do conhecimento e anseia por novidades; • Gosta de inovações, de pesquisa, de colocar em prática ideias diferentes. Profissionalmente está sempre aberto a novas perspectivas e novas experiências, enxergando-se como um permanente aprendiz; • É capaz de estimular a curiosidade de todos os estudantes, cria oportunidades de aprendizagem variadas, possibilitando descobertas e novas experiências a partir da identidade do jovem; • Entende que seu papel é de educar o jovem em todas as suas dimensões, estimulando o conhecimento teórico-prático, o pensamento crítico, analítico e propositivo, a iniciativa, o foco no futuro com a presença das habilidades socioemocionais; • É sensível às necessidades variadas do jovem e suas diferentes bagagens e está comprometido com o sucesso de todos; • Acredita que a troca de conhecimento entre professores, professores e estudantes e entre estudantes é fundamental para o enriquecimento do processo de aprendizagem; • Está ciente de que a parceria com a família maximiza o aprendizado dos jovens; • Tem uma visão otimista do mundo, tolera incertezas e ambiguidades; • É entusiasta do trabalho em uma comunidade de aprendizagem colaborativa; • Acredita que a escola deve utilizar as novas tecnologias como ferramentas para melhorar a qualidade da aprendizagem; • É capaz de planejar atividades e itinerários formativos que exploram elos e possibilidades de trocas entre conteúdos disciplinares; • Reconhece a importância de avaliações constantes do desempenho dos jovens e professores com o objetivo de ajustar o processo de aprendizagem e de alcançar as metas estabelecidas; • A partir de diferentes interpretações e críticas, se interessa por outras perspectivas além da sua e é capaz de rever e expandir sua própria visão; • Proporciona ampliação na visão de mundo dos jovens, auxiliando-os no processo para se tornarem indivíduos autônomos; • É capaz de trabalhar de um modo integrado com os demais professores por meio do planejamento e da realização de atividades compartilhadas ou pela integração de conteúdos afins. ATUAÇÃO DO EDUCADOR O Educador é um arquiteto da aprendizagem, um líder, um organizador e um coautor de acontecimentos, junto aos jovens, oferecendo-lhes espaços e condições para o desenvolvimento pleno de seu potencial nas dimensões da racionalidade, da afetividade, da corporeidade e da espiritualidade. A seguir, apresentamos algumas sugestões de temas para as Eletivas. Observe que aqui não apresentamos o Mapa da Eletiva, apenas uma pequena fração do seu roteiro para inspirar a criação de outras. Seus títulos são criativos, como sugerimos que devam ser as Eletivas na Escola da Escolha: Componentes curriculares envolvidos: Filosofia, Arte, Português e História Conteúdo: Eugene Ionesco, Luigi Pirandello e Bertold Brecht participam de um talk show mediado por Salvador Dali e discutem temas contemporâneos na ótica e na perspectiva com a qual cada um dos dramaturgos concebeu suas obras. Proposta de Culminância: Realização de do talk-show. Componentes curriculares envolvidos: Matemática e História Conteúdo: A teoria da aleatoriedade é fundamentalmente uma codificação do bom senso, mas é também uma área em que grandes especialistas cometeram erros incríveis e apostadores acertaram também. Para isso é preciso fazer uso dos estudos de probabilidade por meio de repetições dos experimentos propostos para identificação da frequência de ocorrências e da probabilidade frequentista. A questão é que poucos de nós estão preparados para lidar com o aleatório em nossas vidas e por isso não percebemos o quanto o acaso interfere em nossas vidas cotidianamente. Isso é ciência também. Proposta de Culminância: Realização de uma dramatização envolvendo os personagens pesquisados. Componentes curriculares envolvidos: História e Biologia Conteúdo: As origens da ciência por meio do resgate das raízes da espécie humana. Proposta de Culminância: Realização de um jornal com as suas várias edições e matérias. Componentes curriculares envolvidos: História e Arte Conteúdo: As primeiras cidades não surgiram de um dia para o outro. A transformação das aldeias em cidades foi um desenvolvimento gradativo e natural que ocorreu quando o estilo de vida agrícola sedentário se firmou ao longo de um período de centenas ou milhares de anos. Mas, se a linguagem falada é uma característica natural da espécie humana, a escrita, contudo, é um traço definidor da civilização humana e teve de ser inventada no contexto da organização social. Proposta de Culminância: Realização de um jornal com as suas várias edições e matérias. Componentes curriculares envolvidos: Química e Biologia. Conteúdo: Além de estar entre as causas de graves problemas de saúde,a exemplo de alguns tipos de câncer, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, o consumo excessivo de açúcar pode aumentar o risco de depressão e estresse, além de prejudicar conexões neurológicas. Proposta de Culminância: Exibição de documentário elaborado durante o período da Eletiva para levantar os hábitos e as consequências do consumo exagerado de açúcar da população escolar. Componentes curriculares envolvidos: Química e História Conteúdo: De meados do Século XIV até o fim do XVIII um grupo de moléculas contribuiu para a desgraça de milhares de pessoas. A estimativa varia de 40 mil a milhões. Muitas dessas pessoas foram acusadas de bruxaria e a maioria eram mulheres pobres e idosas. Algumas delas eram herboristas competentes no uso de plantas locais para curar doenças e mitigar dores. As ervas podem ser curativas, mas podem ser igualmente nocivas. Proposta de Culminância: Simulação de um empório com a demonstração de ervas curativas e de ervas nocivas à saúde. Componentes curriculares envolvidos: Química e História Conteúdo: Napoleão fracassou na Rússia em 1812 por causa de um botão. Os botões das roupas dos soldados franceses eram constituídos de estanho. Quando submetido a temperaturas extremamente baixas, o estanho se esfarela! Tá explicado? E se as propriedades moleculares do estanho fossem diferentes e os botões não tivessem esfarelado? E se os franceses tivessem expandido sua conquista mais ao leste, como estaria a geografia política mundial contemporânea? E tudo por causa de um botão! Proposta de Culminância: Análise dos 17 grupos moleculares que produziram os grandes impactos na engenharia, na medicina e no direito. Componentes curriculares envolvidos: Química e Geografia Conteúdo: Por que se preocupar com os refrigerantes e todas as bebidas carbonatadas que ingerimos? É preciso se preocupar? Há relação entre o gás carbônico liberado para a atmosfera pela respiração e pela eructação (pelo arroto, falando claramente!) e o efeito estufa? O gás carbônico é um dos chamados gases do efeito estufa reconhecidos como causadores da elevação da temperatura média da Terra. Mas, essa conta fecha? Proposta de Culminância: Exibição sobre como é feita a medição da temperatura da terra e as consequências do efeito estufa na vida cotidiana. Para apoiar a adequada compreensão do conceito e aplicação dessa Metodologia de Êxito no Ensino Médio, apresentamos uma breve síntese do que são e do que não são as Eletivas da Base, Eletivas Pré-Itinerário Formativo e Eletivas de Itinerário Formativo: O QUE É O QUE NÃO É • Proposição de desafios ao alcance dos estudantes; • Espaço de continuidade dos trabalhos já desenvolvidos em sala de aula; • Temáticas de estudo que dialogam com compromisso frente aos Projeto de Vida dos estudantes; assumidos pela • Ambiente individualizado de aprendizagem ou fechado em pequenos grupos; • Inovação: Explora a liberdade metodológica de ensino dos professores; • Espaço de estímulo à ampliação de ideias, experimentação e desenvolvimento de habilidades e competências; • Metodologia de ensino sem correspondência com as necessidades dos estudantes. • Momento para atuação do professor e dos estudantes como pesquisadores em ação; • Espaço de práticas pedagógicas interdisciplinares. • Desenvolvimento dos conteúdos de forma descontextualizada das demais áreas de conhecimento; Espírito gregário Entusiasmo Capacidade de Planejamento Foco Capacidade de iniciativa Esforço Eletivas mento Curiosidade Autodidatismo Resolutividade Outros Esse é um exemplo de Eletiva da Base que apoiou o nivelamento das aprendizagens não adquiridas nas séries anteriores e identificadas na avaliação diagnóstica, levou ao domínio dos conteúdos e das competências exigidas para aquela série e, posteriormente, enriqueceu e aprofundou o conhecimento que os estudantes traziam. Nessa escola havia 200 estudantes dos quais 80 se inscreveram na primeira vez em que a Eletiva da Base “O mundo que cabe na palma da minha mão”. O CONCEITO Para os seres humanos, aprender a estudar é uma condição fundamental à continuidade do desenvolvimento de diversas competências. Para os estudantes do Novo Ensino Médio, à medida que avançam, precisam se aprofundar nas diversas áreas do conhecimento que constituem os Itinerários Formativos e isso exige o domínio de certas habilidades. Mesmo na vida adulta, para além da escola, quando estiver executando o seu Projeto de Vida, o estudo é continuará a ser uma atividade permanente, num mundo em que as mudanças são cada vez mais rápidas e intensivas de conhecimento. No Novo Ensino Médio da Escola da Escolha, o jovem será sempre estimulado ao desenvolvimento de habilidades, tanto cognitivas como sociais e emocionais e a cultivar o desejo de continuar a aprender ao longo de sua vida. O Estudo Orientado é uma Metodologia de Êxito que tem como uma de suas importantes estratégias, a criação de uma rotina na escola que contribua para a melhoria da aprendizagem de todos. O componente curricular Estudo Orientado é uma Metodologia de Êxito da Parte de Formação Diversificada concebida no Modelo da Escola da Escolha na perspectiva de que a Escola ofereça as condições para que a fruição do currículo ocorra de forma plena e possa ser usufruído pelos adolescentes e jovens de maneira significativa. A todos devem ser oferecidos espaços para as suas aprendizagens e condições para que eles tenham capacidade de se organizar para seus próprios estudos. Essas condições, no conjunto de outras, deverão contribuir para as suas escolhas e decisões que, em essência, colaborarão para a construção do projeto mais importante, que é o Projeto de Vida. O espaço destinado ao Estudo Orientado deve ser constituído por um conjunto de práticas didático- pedagógicas com foco no desenvolvimento de competências e habilidades que formam um jovem capaz de, ao final do 1º ano do Ensino Médio, escolher e decidir pelo Itinerário Formativo que deseja cursar a partir do 2º ano e, na sequência, ser capaz de analisar e refletir sobre os impactos e consequências das suas escolhas, no sentido de confirmar (ou não) as suas ambições e expectativas quanto ao seu Projeto de Vida. Por óbvio, o Estudo Orientado deverá apoiar o estudante para se organizar e assumir as responsabilidades inerentes à sua condição de jovem, praticando o que foi aprendido por meio da adequada utilização dos tempos planejados para a realização dos seus estudos. Além de a escola oferecer a condição (tempo, ambiente e recursos) para que o jovem receba a orientação adequada para estudar, para cumprir suas tarefas, para utilizar-se das variadas técnicas de leitura, análise e manipulação de dados e informações, todos na escola contribuirão ao estimulá-los a QUERER estudar (ter uma atitude positiva para o estudo); PODER estudar (desenvolver habilidades e utilizar-se delas) e SABER estudar (utilizar estratégias que favoreçam sua aprendizagem). Para que o Estudo Orientado faça sentido e tenha significado e valor em sua vida, o estudante precisa compreender a relação entre estudos e esforços e as suas ambições e expectativas quanto a realização do seu Projeto de Vida. Sem a clara compreensão dessa relação, dificilmente o Estudo Orientado cumprirá os seus objetivos de formação. Além de competências e habilidades específicas para a formação acadêmica de excelência, será imprescindível acrescentar aos momentos de aprendizagem elementos que promovam nos jovens a criatividade e a curiosidade, o pensamento crítico, a capacidade de solucionar problemas, a atitude autocorretiva e de autorregulação, a perseverançae a paciência, as habilidades de comunicação e o uso adequado da informação, a atitude colaborativa e a iniciativa, a capacidade de organização e compromisso com sua aprendizagem – elementos importantíssimos presentes nos Eixos Estruturantes que constituem os Itinerários Formativos do Novo Ensino Médio. Cabe à escola ensinar as práticas e estratégias associadas ao estudo, especialmente a leitura e a produção de textos, as operações matemáticas e a articulação dos conhecimentos para compreensão e atuação no mundo. Para isso, é preciso criar situações educativas em que os jovens possam fazer uso de estratégias, lendo e compartilhando com colegas seu aprendizado. Portanto, devemos propor, desde os primeiros anos, diversas atividades na rotina escolar como a visita à Biblioteca para localizar determinada informação ou ler para resolver questões e dúvidas de um grupo de jovens, coletar dados e empregá-los de forma pertinente, entre outras. Essas situações, quando bem planejadas e sistematizadas, permitem que os jovens compreendam e desempenhem constantemente a tarefa de estudar de forma eficiente. O Estudo Orientado é uma Metodologia de Êxito que objetiva oferecer um tempo qualificado destinado à realização de atividades pertinentes aos diversos estudos. Inicialmente orientado por um professor, o estudante aprende métodos, técnicas e procedimentos para organizar, planejar e executar os seus processos de estudo visando ao autodidatismo, à autonomia, à capacidade de auto- organização e de responsabilidade pessoal. Não deve ser confundido com “tempo para realizar as tarefas”, mas para realizar quaisquer atividades relativas às necessidades exigidas pelos estudos, entre elas as próprias tarefas. O Estudo Orientado surgiu da necessidade de ensinar os estudantes a estudar por meio de técnicas de estudo e da importância de criar uma rotina na escola que contribuísse para a melhoria da aprendizagem. Quando o estudante estuda, está criando outras oportunidades de aprender, desenvolvendo novas habilidades e praticando o exercício do “aprender a aprender”, fundamental para o cultivo do desejo de continuar a aprender ao longo da sua vida, como anunciado no “Relatório: Educação, Um Tesouro a Descobrir”, citado no Caderno de Formação –Princípios Educativos. O ESTUDO ORIENTADO NO NOVO ENSINO MEDIO E OS SEUS OBJETIVOS No Novo Ensino Médio da Escola da Escolha, apoiar os estudantes para atendimento das necessidades derivadas das suas escolhas com vistas à sua vida após a conclusão do Ensino Médio compõe o racional para a concepção do currículo. É nesse espírito que situamos os objetivos do Estudo Orientado, na medida em que ele busca promover junto aos estudantes o apoio necessário para sua aprendizagem, num processo reflexivo e dialógico para que, de maneira permanente, sistemática e objetiva, usufruam das situações didáticas planejadas para o desenvolvimento de habilidades relacionadas à sua capacidade de auto- organização, autodidatismo, didatismo, entre outras. Os procedimentos, avanços e dificuldades encontradas no desenvolvimento do Estudo Orientado também interessam (e muito!) ao Professor Tutor das respectivas turmas. Aqui, o trabalho articulado, integrado e colaborativo entre professores de Estudo Orientado e Professores Tutores é imprescindível. Por meio do Estudo Orientado incentiva-se também a cooperação, a socialização e a solidariedade entre os estudantes. Como o ambiente de estudo mais usualmente compartilhado (a sala de aula), é comum a todos, isso possibilita a troca de conhecimento e experiências. É uma oportunidade para estimular uma das mais genuínas práticas dos adolescentes e jovens solidários e protagonistas: as atividades de monitoria. Por que? Porque quando um estudante é estimulado e coloca à disposição de um colega aquilo que sabe, aliado ao seu tempo e talento, está se dispondo a fazer parte (com o que sabe) da solução do problema do seu colega (que ainda não sabe). Portanto, são desenvolvidas não apenas habilidades cognitivas, mas também habilidades socioemocionais. No 1º ano, a expectativa é de que os jovens já possuam algumas habilidades construídas e um melhor desempenho para estudar com autonomia. Porém, são conhecidas as evidências reveladas pelos resultados das avaliações quanto ao baixo desempenho dos nossos estudantes, em especial no Ensino Médio, o que justifica a realização do Nivelamento das aprendizagens imediatamente após o ingresso no 1º ano. A orientação dos estudos será sempre necessária ao longo do seu percurso formativo tendo em vista a complexificação dos níveis de ensino que aumenta com a progressão para o 2º ano do Novo Ensino Médio, etapa na qual espera-se que os estudantes já tenham conseguido superar as necessidades de aprendizagem acumuladas ao longo do Ensino Fundamental . AVALIAÇÕES SEMANAIS NA AGENDA DO ESTUDO ORIENTADO Criar uma cultura de estudos na escola é uma das estratégias mais eficazes na direção da Formação para a Excelência Acadêmica. Assegurar uma rotina permanente de estudos junto aos estudantes é uma das ações para realizar essa estratégia e por isso a criação de tempos qualificados para a realização dos estudos torna-se fundamental. Ter clareza sobre isso e investir nessa estratégia é uma das medidas mais acertadas para um Plano de Ação bem sucedido. Por essa razão, no Estudo Orientado para o Ensino Médio constam não apenas os tempos destinados às aulas e aqueles que posteriormente serão destinados à realização dos estudos propriamente ditos, mas constam também dois tempos semanais destinados à realização de avaliações semanais dos componentes curriculares da BNCC – sendo essa uma ação extremamente eficaz. Apesar de alguns aspectos importantes dos marcos legais permanecerem sem definição clara do Ministério da Educação, em especial aqueles que se referem à realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), é oportuno realizar simulados tendo em vista a composição dos componentes curriculares na perspectiva dos Itinerários Formativos para os estudantes dos 2º e 3º anos, uma vez confirmada a tendência inicial do Ministério da Educação em realizar a avaliação do ENEM em duas perspectivas: tanto com enfoque mais geral quanto com enfoque nas especificidades dos Itinerários. Nesse sentido, os simulados para os 2º e 3º anos podem ser alternados entre elementos gerais dos componentes da BNCC e elementos mais específicos dos Itinerários. Na Escola da Escolha, seguimos na expectativa de que os processos formativos sejam instalados nas escolas na perspectiva de uma formação integral capaz de preparar os estudantes para submeterem- se a avaliações de suas competências, domínios e habilidades. Essas avaliações, que podem ser chamadas de “Avaliação de Bloco”, “Avaliação de Módulo” ou qualquer outro (não importa qual nome), desde que sejam realizadas, fazem parte da programação do Estudo Orientado e devem ser realizadas sempre nos 2 últimos horários da segunda-feira. Há um motivo muito objetivo para isso. O senso comum em torno da avaliação ainda se refere a “auditoria sobre aprendizagem”, ou seja, é muito provável que leve algum tempo até que os estudantes compreendam e convivam com a ideia de que essa avaliação não tem como objetivo “verificar a aprendizagem de um determinado período de ensino e punir, caso não identifique avanço”. Por essa razão, ainda levará algum tempo até que eles compreendam que o objetivo dessa avaliação é ajudá-los a instituir uma rotina de estudos de modo que eles não necessitem “estudar para se dar bem nas provas”, mas se mantiverem uma rotina adequada de estudos, estarão devidamente preparados para quaisquer situações, inclusive para submeterem-se às provas. Se as Avaliações Semanais do Estudo Orientado forem realizadas nas quartas-feiras, por exemplo,a tendência é que os estudantes dediquem sua atenção à preparação para essas avaliações e não prestem atenção às demais atividades dos outros dias. É o que a experiência acumulada mostrou ao ICE e por essa razão assumimos que a eficácia dessa ação se mostra quando ela se realiza nas segundas-feiras, nos dois últimos horários. Ao se realizar nas segundas-feiras, os estudantes passaram a estudar nos finais de semana até entenderem que não era necessário abrir mão definitivamente do lazer e do descanso, porque, afinal, estudar muito e estudar direito não são a mesma coisa. Ao entender isso, estudando um pouco todos os dias (hábito e rotina), não abrem mão do descanso e do lazer e realizam as avaliações nas segundas-feiras. Quando essas avaliações acontecem no início da manhã, a probabilidade de os estudantes chegarem atrasados é muito grande porque inicialmente não há valorização dessa ação (pelo contrário!). AVALIAÇÕES SEMANAIS NA AGENDA DOS ESTUDANTES DO 1º ANO Os blocos de provas acontecem sequenciadamente nas semanas, conforme indicação abaixo. O agrupamento dos componentes curriculares como exibido é uma proposição que considera o equilíbrio de “peso”, mas aqui apresenta-se apenas uma sugestão. Semana 1 – Português e Filosofia Semana 2 – História e Química Semana 3 – Geografia e Matemática Semana 4 – Língua Estrangeira e Biologia Semana 5 – Sociologia e Física Encerrada a 5º semana, aplica-se um Simulado para o ENEM (incluindo produção de texto), exatamente nos moldes de como essa prova acontece, respeitando-se o mesmo rigor quanto ao horário e critérios de fiscalização. Realizado o simulado, recomeça a aplicação seguindo a mesma sequência… Essas provas devem ser objetivas, com no máximo 20 questões, elaboradas pelos próprios professores das escolas e sob a orientação da Coordenação de Itinerário Formativo Coordenadores de Área que reportarão ao Coordenador Pedagógico (responsável por todo o processo). Para que não representem altos custos para a escola, já que implica em muitas reproduções, é necessário estabelecer um padrão de fonte, tamanho, espaçamento, não utilização de figuras etc. Isso deve ser definido previamente pela Coordenação Pedagógica e divulgado junto aos professores. É necessário haver muita disciplina e controle nesse processo. Os professores não podem esquecer que essas avaliações não substituem os demais instrumentos que eles utilizam em suas práticas. Nestas eles aplicam as questões subjetivas, mais ou menos questões, realizam nos dias da semana que assim for definido, enfim, fazem parte de outro processo. A correção deve ser realizada pelos professores por meio dos gabaritos e os seus resultados divulgados junto aos estudantes periodicamente. Os resultados dos simulados devem ser exibidos sob a forma de gráficos objetivando demonstrar a evolução das turmas (para cada turma) e de cada estudante individualmente para que sirva de parâmetro para os seus planos de estudo e para os professores como referências para os seus trabalhos. Muitas experiências se mostraram eficazes quando os resultados dessas provas são contabilizados para efeito de pontuação nas respectivas disciplinas. A depender do sistema de avaliação da Secretaria de Educação, deve ser incorporada nos termos que couber, ou seja, podem ser consideradas como parte da média do bimestre de maneira ponderada, pode valer como uma das notas do bimestre, pode valer como pontos etc., sempre alinhado ao sistema de avaliação vigente na Secretaria. O objetivo não é essencialmente avaliar domínios, mas assegurar a rotina de estudos, por isso a Avaliação Semanal é parte das ações do Estudo Orientado. AVALIAÇÕES SEMANAIS NA AGENDA DOS ESTUDANTES DOS 2º e 3º ANOS Conforme recomendado, podem ser realizados simulados seguindo duas direções: ▪ avaliações dos componentes curriculares da BNCC com enfoque mais geral; e ▪ avaliações dos componentes curriculares com enfoque na sua exploração a partir dos Itinerários Formativos. O Estudo Orientado é uma oportunidade para aprender a planejar, a organizar e a executar suas atividades de estudo. É uma oportunidade para conhecer melhor suas dificuldades e aprender a buscar o apoio necessário, desenvolvendo um conjunto de habilidades: ORGANIZAÇÃO PESSOAL Ao ingressar no 1º ano do Ensino Médio, o jovem ainda necessita de apoio e orientação para lidar com as “novidades” trazidas por essa etapa de ensino. Ainda se mostra evidente a necessidade de aquisição de hábitos relativos à sua organização quanto ao seu tempo, ao atendimento das suas necessidades, à organização dos seus pertences como o material didático e outros objetos, à disposição e conservação dos seus materiais escolares, incluindo a sua mochila também. E o melhor tipo de apoio é aquele que encoraja os jovens a assumirem responsabilidade por si mesmos e por seu trabalho. À medida que os jovens se desenvolvem e as demandas pela capacidade de organização aumentam, muitas vezes em razão de ter mais componentes curriculares, mais professores, tarefas diferenciadas e mais complexas, bem como por causa de uma rotina mais diversificada com novos ambientes de aprendizagem para as aulas e trabalhos educativos, e como a organização pessoal não lhes vem naturalmente, precisamos enquanto educadores favorecer a conquista desta habilidade por meio de uma atuação conjunta de todos da escola, assim promovendo: • Um espaço de trabalho organizado, com os materiais escolares bem dispostos e acessíveis, com instrumentais que favoreçam a aprendizagem do manejo do tempo como calendário, agenda, relógios, horários; • Uma rotina estável e um planejamento eficaz da aula para que o jovem compreenda e tenha condições de desenvolver sua autorregulação, não dispersando por não saber o que vai acontecer até o final do tempo de aula; • A estruturação das atividades, por exemplo dividindo as tarefas mais complexas em componentes mais simples. Apoiando o estudante na compreensão de que pode dividir uma tarefa ou trabalho escolar em etapas ou fases, favorecendo a execução por conta própria; • A elaboração de um sistema de apoio ao estudante para seu controle pessoal de materiais que vão e voltam da escola, a composição de seu estojo, sua mochila com os seus cadernos, livros; • Uma atenção maior para os estudantes do 1º ano do Ensino Médio quanto ao uso dos armários individuais nos momentos de buscar e guardar os materiais, bem como quanto à organização interna e limpeza; • O apoio dos pais para a limpeza das mochilas pelo menos semanal, a organização do uniforme, o controle das tarefas de casa, o estímulo e a valorização dos estudos e conquistas dos seus filhos. Atenção, responsabilidade e organização do que é preciso para estudar fazem parte não apenas da vida escolar, mas também expressam uma maneira de ser e estar no mundo. Estes hábitos e atitudes ocupam um papel importante no processo de aprendizagem, aspectos característicos da autonomia. É preciso ensinar e apoiar os jovens a assumirem responsabilidade por si mesmos e por seu trabalho, a aprender a priorizar ou direcionar sua aprendizagem de acordo com os seus interesses e necessidades. A COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA No século XXI, aprender a ler e escrever é constituir-se capaz de usufruir do direito de atuar no mundo cultural historicamente produzido pelo homem, portanto, ensinar a ler e escrever é realizar a mediação cultural que implica aproximar os jovens à mais ampla diversidade de textos, modelar seus usos, a revelar suas características e seus propósitos. A escola deve assegurar esse direito como uma via de democratização da sociedade, já que a desigualdade social é, primeiro, uma desigualdade cultural. Uma mediação cultural eficiente no Ensino Médio não significaapenas colocar livros ao alcance dos jovens. Ela requer experiências pedagógicas reflexivas, estruturadas e combinadas com os professores, de tal modo que os estudantes tenham acesso a todo tipo de textos, linguagens, familiarizem-se com suas estruturas, com seus usos e seus poderes, suas funções e funcionalidades. A necessidade de realização da mediação cultural refere-se tanto aos jovens como às suas famílias, pois as dificuldades escolares estão relacionadas com as rupturas da harmonia cultural entre as famílias e a escola. A redução da barreira cultural, colocando a cultura da linguagem escrita ao alcance de todos os jovens e conferindo- lhe sentido social além do ambiente da sala de aula, aponta para oferecer um meio privilegiado de aprendizagem, de desenvolvimento da autonomia pessoal, uma ferramenta de comunicação e intercâmbio entre os grupos culturais e sociais e uma garantia de funcionamento democrático da sociedade. O domínio da língua significa a possibilidade de utilizá-la como uma ferramenta eficaz de expressão, comunicação e interação. Isso implica em estimular os jovens a utilizar a linguagem para pensar, criar, processar informações variadas, divertir-se, desenvolver a autoestima e a identidade. Esse é um aspecto imprescindível que no Ensino Médio já deve ter consolidado o domínio da língua, a compreensão do código e sua utilização para o estabelecimento de múltiplas interações. HABILIDADES METACOGNITIVAS Quando ingressam na escola, as crianças reorganizam gradativamente seus antigos conhecimentos para que possam servir de alicerce para as novas aquisições, que também vão sendo reorganizadas para poderem ser incorporadas aos conhecimentos prévios do sujeito. Essa dimensão de controle metacognitivo é de grande interesse no contexto educacional, já que é aprendendo a controlar seus próprios mecanismos de aprendizagem, que a criança se capacita para “aprender a aprender”. O que exige, portanto, a participação ativa do jovem em três momentos distintos do processo: antes (planejamento), durante (controle) e depois (avaliação). Segundo Flavell citado por Yavas (1988), é na fase intermediária da infância, período compreendido entre os 04 e os 08 anos de idade, que as crianças percebem como podem controlar seus processos intelectuais. Por outro lado, os autores também destacam a influência do fator escolarização, pois mesmo que os professores não se ocupem de ensinar estratégias às crianças, o próprio meio escolar, com as atividades e tarefas que lhe são próprias, se encarrega de fazê-lo. À medida que a criança é confrontada com a resolução de problemas cognitivos, como repetir, agrupar, classificar, evocar os conteúdos que as situações de aprendizagem lhe trazem, elas necessitam utilizar-se das estratégias de que dispõem, o que as leva ao aperfeiçoamento das mesmas e à aquisição de novas estratégias, confirmando a ideia de Vygotsky (1984) de que, o ingresso no ambiente escolar favorece a conscientização da criança acerca de seus próprios processos mentais. FLAVELL, J.H. Metacognitive development. In: SCANDURA, J.M.;BRAINERA, C.J. (eds.) “Structural process models of complex human behavior.” Alphen an den Rijn, the Netherlands, Sijthoff and Nordhoff, 1978 As habilidades metacognitivas são estratégias que as crianças usam para aprender e com elas conseguem desenvolver a autorregulação de sua própria aprendizagem. Seus conhecimentos prévios articulam-se com novos conhecimentos para gerar novas aprendizagens. O QUE GANHA QUEM APRENDE A ESTUDAR? As metodologias utilizadas nos momentos de Estudo Orientado devem promover e estimular o desenvolvimento de competências cognitivas, que para Antonio Carlos Gomes da Costa visa o desenvolvimento intelectual, a gestão do conhecimento, a exemplo da capacidade de compreensão, análise e síntese, e pode ser ilustrada nas aprendizagens do pilar do Aprender a Conhecer e suas respectivas habilidades metacognitivas: • Aprender a aprender (autodidatismo) - diz respeito à busca permanente e insaciável de conhecimento pelo homem. Aprender como aprender resulta em atitudes como a curiosidade e o gosto por ter contato com o novo em todos os espaços, seja na escola, no tempo livre, no lazer, nos relacionamentos; Ensinar o ensinar (didatismo) – relaciona-se com as habilidades didáticas. É quando alguém motiva o outro a conhecer, a querer conhecer e ser capaz de construir conhecimentos com os outros e transmitir-lhes o que sabe, apoiando no desenvolvimento e nas descobertas; • Conhecer o conhecer (construtivismo) – Trata-se de preparar o ser humano para produzir conhecimentos, não apenas assimilá-los, tirá- lo da reduzida e fragmentada dimensão de aplicador de conhecimentos, convidando-o a dar um salto qualitativo para produtor de conhecimentos. As aulas de Estudo Orientado devem ter como foco cada jovem em sua individualidade, levando em consideração suas modalidades de aprendizagem e favorecendo o desenvolvimento de habilidades importantes para sua vida e sua formação acadêmica, indo além do que é trabalhado em sala de aula como a auto-organização, a autonomia (algumas das habilidades da competência pessoal do Pilar Aprender a Ser – um dos princípios do Modelo), a resolutividade, a capacidade de organização do tempo e do espaço, sem necessariamente ter a presença dos professores. O espaço de tempo de Estudo Orientado no Ensino Médio deve promover e garantir um trabalho que amplie o desenvolvimento das competências e habilidades imprescindíveis para a continuidade dos estudos e atuação na sociedade do conhecimento como a leitura e a escrita, a capacidade de fazer cálculos e de resolver problemas. PLANEJAMENTO E EXECUÇÃO DAS AULAS Nas aulas de Estudo Orientado os estudantes entram em contato com os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular de forma diferenciada, contando com a atenção do professor às suas necessidades e o apoio dos colegas no desenvolvimento das atividades propostas. A monitoria dos estudantes como atuação protagonista deve ser valorizada neste espaço de aprendizagem. Baseadas nas avaliações diagnósticas que acontecem no início do ano e o diagnóstico de cada estudante e sua turma, as aulas para os estudantes dos 1º anos devem ser planejadas para o atendimento das maiores necessidades apresentadas por meio de trabalhos de grupos com objetivos específicos, estratégias didáticas estimulantes e desafios propostos com a intenção de fomentar as conquistas e o cumprimento de etapas importantes. A priorização do que deve ser estudado está relacionada aos indicadores de desempenho dos estudantes. A Equipe Escolar deve fazer uso do Modelo de Gestão para que o Modelo Pedagógico (na articulação entre Base Nacional Comum Curricular e sua Parte de Formação Diversificada) aponte a direção para que os jovens superem possíveis dificuldades e/ou potencializem o que já sabem mediados pelo professor de Estudo Orientado. As relações interpessoais no contexto escolar, promovidas pelo trabalho em grupo, favorecem a aprendizagem em várias dimensões. É no grupo que se aprende a cooperar e a compartilhar, o que faz com que consideremos o trabalho em grupos um espaço importante de aprendizagem e desenvolvimento de habilidades, conforme tratado no Caderno Eixos Formativos e Caderno Espaços Educativos. Nas aulas dos 1º anos, os grupos devem preservar as seguintes características: heterogeneidade, identidade, um líder e a corresponsabilidade na aprendizagem de todos. Os estudantes também devem ter a oportunidade de escolher seus pares para o trabalho, e recomenda-se que a formação dos grupos de trabalho tenha pouca duração, sejam periódicos, e após as avaliações, aconteça a formação de novos grupos. Nas aulas dos 2º e 3º anos, recomendamos que os estudantes sejam organizadosa partir dos seus Itinerários Formativos. Para o planejamento das aulas de Estudo Orientado é preciso sempre levar em consideração: • Espaço de trabalho: cuidar para que seja iluminado, arejado e com os materiais necessários à atividade, evitando interrupções frequentes (banheiro, água, calor, frio etc.); ] Domínio do tempo: incentivar o hábito de utilização de agenda e calendário para registro dos compromissos, eventos escolares, tarefas e entregas de trabalho; • Rotina diária: são muitos os benefícios de ter horários previsíveis para as atividades, rotinas consistentes tornam mais fáceis as transições; • Domínio do Espaço: as aulas podem ocorrer fora da sala de aula, em diferentes espaços da escola (Biblioteca, pátios, laboratórios etc.) e devem ser ajustadas de acordo com as necessidades de cada turma. Para planejar e exercitar o cumprimento da rotina de atividades nos diferentes espaços de aprendizagem, é preciso elaborar os mapas, percursos entre salas, armários, refeitório etc.; • Estilos de Aprendizagem: estar atento, respeitar e ajudar os estudantes a descobrirem seus estilos, suas formas de aprender e de criar sentido e significado para os conteúdos. Que sentidos fazem mais sentido? • Aquisição de habilidades básicas: proporcionar o exercício contínuo destas habilidades – leitura, escrita, aritmética, resolução de problemas - com a intensidade que os estudantes necessitem, aproveitar o tempo e criar as oportunidades que forem necessárias para as práticas em todo o percurso do Ensino Médio. As aulas de Estudo Orientado são oferecidas semanalmente para cada ano/turma, de acordo com a matriz curricular e são realizadas em horários previamente definidos no conjunto dos demais componentes curriculares. Recomendam-se no mínimo quatro aulas semanais para cada turma, num conjunto de aulas que é regido por um professor e objetiva instalar a rotina de organização e planejamento de estudos na vida dos estudantes pelo domínio de algumas competências. É importante instalar a rotina de estudos na vida dos estudantes pelo domínio de habilidades que favoreçam as suas aprendizagens e desenvolver atitudes que cultivem o desejo de continuar a aprender ao longo da vida. Ao final das aulas, espera-se que os estudantes consigam aperfeiçoar seus horários de estudos a partir do que aprenderam e consigam estudar de forma autônoma. AS AULAS NO 1º ANO Aos estudantes são oferecidas aulas com dois enfoques diferentes; uma aula estruturada (com material didático concebido e oferecido pelo ICE), por semana, cujo como enfoque é o aprendizado sobre responsabilidade, organização pessoal e técnicas de estudo para a realização das suas atividades. As demais aulas se destinam a oportunizar o tempo e as condições essenciais para os estudantes darem sequência aos seus estudos e cumprimento das obrigações acadêmicas – elementos fundamentais para lidar com a complexidade que encontrarão a partir do 2º ano quando estarão inseridos no universo do Itinerário Formativo que escolheram. A distribuição das 6 aulas considera o tempo equivalente a 2 aulas semanais para a realização de avaliações semanais dos componentes curriculares da BNCC como estratégia para a criação e manutenção da rotina de estudos e três demais aulas para realização dos estudos e cumprimento das obrigações acadêmicas de cada estudante. AS AULAS NO 2º e 3º ANOS São oferecidas aulas para que os estudantes realizem e cumpram as suas obrigações acadêmicas, bem como para a realização de estudos eletivos, a depender dos seus interesses e necessidades – elementos fundamentais para a sequência dos seus estudos e para lidar com a complexidade do Itinerário Formativo que escolheram. Não são oferecidas aulas estruturadas porque é esperado que os estudantes tenham desenvolvido as competências e habilidades no ano anterior. A distribuição das aulas considera o tempo equivalente a duas aulas semanais para a realização de avaliações semanais dos componentes curriculares da BNCC como estratégia para a criação e manutenção da rotina de estudos, alternadas com avaliações referentes aos respectivos Itinerários Formativos e aulas para realização dos estudos e cumprimento das obrigações acadêmicas de cada estudante. Estudo Orientado apoia o Projeto de Vida porque desenvolve competências que permitem ao estudante aprender a fazer escolhas, priorizar ou direcionar sua aprendizagem de acordo com os seus interesses e necessidades. Além de organizar a rotina de estudo e ensinar o estudante a estudar, o Estudo Orientado provê, a partir do exercício do planejamento, da organização e da execução de atividades, condições que contribuem para a elaboração do Projeto de Vida. Por meio disso, o estudante conhece melhor suas dificuldades e pode encontrar apoio para a realização dos seus ideais. No Ensino Médio, espera-se que os estudantes consigam estabelecer uma sólida relação entre estudar e suas razões/objetivos para concluir a Educação Básica e dar sequência ao Projeto de Vida, além de cultivar o desejo de continuar aprendendo ao longo da vida. Para que as aulas de Estudo Orientado apoiem cada estudante em suas necessidades, é preciso que os professores conheçam, ainda que minimamente, os seus estilos de aprendizagem. É preciso buscar de forma criativa modos de atender a todos sem que com isso alguns possam ser estigmatizados no processo. Propor atividades baseadas no desenho universal da aprendizagem é um caminho para isso, por meio de atividades que considerem os perfis de como cada um aprende. Para tanto, é interessante que as atividades propostas pelos professores possibilitem: múltiplos meios de representação, de ação e expressão e de envolvimento dos estudantes. A organização dos horários de estudo de cada turma, sob a orientação de um mesmo professor, ou mais de um, é determinada pela distribuição de carga horária feita pela escola. Assim, uma turma pode ter vários professores de Estudo Orientado e outras apenas um. Caso seja necessário, o professor de Estudo Orientado pode encaminhar um estudante para outro professor para que este possa esclarecer dúvidas referentes a outros componentes curriculares, desde que ele esteja disponível naquele horário. Além disso, pode também permitir que os estudantes acessem outros espaços da escola para pesquisa (biblioteca e laboratórios). Por isso, antes do início das aulas de Estudo Orientado, é importante que os estudantes conheçam os espaços da escola e as condições de uso de cada um deles, ou seja, como funcionam e qual o horário que podem ter acesso. Além das condições físicas, é necessário explicar como todas as pessoas que trabalham na escola podem apoiá-los nas condições de estudo adequadas (professores, Coordenador, Gestor etc.). O principal foco da aplicação do Estudo Orientado neste Modelo é a aprendizagem dos estudantes. Portanto, cabe ao professor incentivar a autonomia intelectual, estimulando-os a descobertas dentro dos seus próprios recursos mentais e ritmo pessoal. ESTRATÉGIAS DE SALA DE AULA A cooperação em sala de aula pode ser um fator importante para a inclusão das pessoas com deficiência, pois permite interação e troca entre os estudantes. O desenvolvimento de estratégias pode ser decisivo para criar esse ambiente de cooperação em que os estudantes que têm mais habilidades em alguma matéria possam ajudar aqueles com menos habilidades. Uma dificuldade comum aos jovens é não saber como administrar o próprio tempo, entender e aceitar a necessidade de estabelecer rotinas em sua vida. Assim, sempre que o professor achar necessário, é importante criar espaços nos horários de Estudo Orientado para que todos falem sobre o seu tempo: se faltou tempo para fazer o que foi pedido, se alguma matériatomou muito tempo, se conseguiram fazer todas as tarefas da semana, se foi fácil dar conta das tarefas, como estudou, se o estudo foi produtivo e, principalmente, se eles conseguiram perceber o que aprenderam. ESTUDO ORIENTADO E PROTAGONISMO TEM TUDO A VER Nos horários de Estudo Orientado de sua turma, o Líder pode assumir, com apoio e supervisão do professor, a condução de uma atividade de extrema importância, caracterizada pelo alto nível de corresponsabilidade e compromisso: a liderança do Plano de Atividades ou Plano de Estudos da Turma. Trata-se de um conjunto de fichas com o nome de todos os estudantes para o registro da frequência e da atividade a qual cada um está dedicado naquele horário de Estudo Orientado. Essas fichas ficam armazenadas numa pasta sob a responsabilidade do líder de Turma. Ao final do horário de Estudo Orientado, o Líder entrega a pasta à Coordenação Pedagógica, encarregada de fazer os encaminhamentos posteriores necessários. Além de refletir com os colegas sobre a responsabilidade do uso adequado do horário de Estudo Orientado, os Líderes de Turma comunicam aos professores responsáveis pelos respectivos horários, sobre a agenda de atividades de sua turma, bem como a distribuição das tarefas às quais cada um está dedicado. Dessa maneira, professores e Coordenação Pedagógica acompanham o tempo dedicado e o foco a que cada estudante está destinando o seu tempo durante os horários de Estudo Orientado. Ter conhecimento desses dados é importante e apoia o Tutor do estudante, o Coordenador Pedagógico, os professores ou qualquer outra pessoa disposta a ajudar o estudante caso identifique a necessidade de orientá-lo a melhor dedicar o seu tempo às atividades que requeiram o seu foco prioritário porque teve acesso a dados sistematizados da rotina de estudos do estudante. Outra ação de grande importância do Líder de Turma é o registro, com o apoio dos professores, de todas as demandas dos componentes curriculares (trabalhos, provas, pesquisas, seminários etc.) prescritas pelos professores para assegurar que seja preservado o devido equilíbrio, sem sobrecarregar os estudantes e assegurar que as atividades sejam mantidas pelos professores conforme planejado. À medida que os professores prescrevem, o Líder de Turma ajuda os professores a localizar no Plano de Atividades da Turma os dias e horários para apresentação/entrega. Esse é um importante instrumento de diálogo/negociação entre os professores e estudantes e uma maneira de favorecer o desenvolvimento de habilidades como planejamento, flexibilidade, organização etc. Durante o Estudo Orientado, o Líder de Turma chama a atenção para o Plano de Atividades da Turma e alerta sobre as suas prioridades. Componentes curriculares Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Lí n gu a Po rt u gu es a Responder questionário da pág. 10 M at em át ic a Prova Bloco I Resolver exercícios do Capítulo II Fí si ca Prova Bloco I Ler e resumir texto do capítulo V B io lo gi a Prova Bloco I Fazer pesquisa sobre os seres vivos. Espírito gregário Autonomia Entusiasmo Autogestão Foco Estudo Orientado Planejamento Esforço Autodidatismo Responsabilidade Outros Outros Outros AVALIAÇÃO DO ESTUDO ORIENTADO O Estudo Orientado é uma Metodologia de Êxito que oferece tempo e espaço qualificados para que o estudante aprenda a se organizar para os estudos; seja estimulado a estudar por meio de técnicas, estratégias e instrumentos adequados que favoreçam a sua aprendizagem; compreenda e reconheça que pode desenvolver habilidades que muitas vezes desconhece e cultive o gosto e o desejo de continuar a aprender ao longo da sua vida. Trata-se de desenvolver a habilidade denominada autodidatismo e o Estudo Orientado trabalha de maneira expressa o seu desenvolvimento. Nesse componente, o ICE considera a avaliação e o acompanhamento do desempenho do estudante, porém, sem atribuição de notas ou conceitos. Essa posição se fundamenta no reconhecimento de que o objeto a ser avaliado, qual seja, as habilidades desenvolvidas, requer um processo totalmente diferente de aplicar uma prova, por exemplo, na qual as questões devem ser capazes de revelar se o estudante domina o conteúdo relativo. Para o acompanhamento do desenvolvimento das habilidades do estudante, podem ser utilizadas fichas para registros do processo identificados pelos professores e aqueles revelados pelo autorrelato do estudante sobre o seu desempenho; feedback para comunicar os avanços e, se for o caso, também suas dificuldades, entre outras estratégias. Para esse acompanhamento, examinar os comportamentos observáveis que revelam a presença ou ausência de habilidades como autonomia, autorregulação, compromisso, iniciativa, capacidade de concluir o que inicia, resolutividade, espírito colaborativo, autodidatismo, responsabilidade pessoal e social, entre outras, é de extrema importância para identificar o impacto dessa Metodologia nos esperados avanços junto ao seu autodesenvolvimento e no domínio dos conteúdos e competências dos componentes curriculares da BNCC 3. Nesse sentido, considerar a qualidade da participação do estudante nos processos de autogestão, planejamento, execução e atendimento dos compromissos; envolvimento pessoal e disposição em contribuir com o grupo e a capacidade de aplicar o que aprendeu nas situações práticas é efetivamente o que se espera enquanto impacto dessa Metodologia. O estudante é estimulado a pactuar consigo mesmo as metas a serem cumpridas, tanto em relação ao resultado de aprendizagem na dimensão cognitiva, quanto aos comportamentos e habilidades socioemocionais que favoreçam as suas aprendizagens e autodesenvolvimento. Aqui, as evidências reveladas pelos autorrelatos podem ser um grande aliado neste processo de avaliação e acompanhamento, além do exame dos comportamentos observáveis pelos professores. Ainda na composição do Estudo Orientado, trazemos a Avaliação Semanal como parte das estratégias indicadas que devem contribuir para instituir, junto ao estudante, uma rotina de estudos como prática diária, permanente e eficaz. Essa estratégia deve apoiar o estudante a reconhecer que estudar é uma ação muito mais ampla que apenas se preparar para realizar uma prova. O estudante que consegue instituir uma rotina de estudos, processa adequadamente aquilo que é ensinado e/ou descoberto, e mantém atualizadas as referências de cada um dos componentes curriculares. Nessa condição, ele está preparado para realizar avaliações sem submeter-se a uma agenda de estudos estressante, intensa e muitas vezes, improvisada e de baixa efetividade na véspera de avaliações, como se o ato de estudar existisse apenas para atender a realização de uma prova e não como parte constituinte do seu desenvolvimento. 3 Notadamente, o Estudo Orientado contribui para o desenvolvimento e domínio das seguintes Competências Gerais da BNCC: 1 - Conhecimento; 2 - Pensamento Científico, crítico e criativo; 10 - Responsabilidade e Cidadania. Para apoiar a adequada compreensão do conceito e aplicação dessa Metodologia de Êxito no Ensino Médio, apresentamos uma breve síntese do que é e do que não é o Estudo Orientado: O QUE É O QUE NÃO É • É suporte didático para a compreensão dos conteúdos e para a progressão dos estudos dos jovens; • É momento em que aprender a estudar deve ser o centro da prática de ensino do professor orientador de estudo; • É criação, por parte dos estudantes, de hábitos de estudo de forma independente e criativa; • É oportunidade de acompanhamento sistemático por parte do professor sobre o processo de aprendizagem dos jovens; • Écondição para os jovens estabelecerem relações entre o conhecimento e sua aplicação na vida cotidiana; • É oportunidade para o professor verificar a eficácia do seu próprio trabalho na condução do ensino e trabalhar articulando sua prática com as demandas dos estudantes; • É uma Metodologia que deve favorecer o desenvolvimento da autoconfiança dos jovens na sua capacidade de aprender a aprender. • Não é um momento em que estudar se resume a fazer tarefas, ler ou copiar; • Não é permitir que os jovens se mantenham “soltos” nas atividades de estudo; • Não é momento para o professor dar continuidade ao conteúdo visto em suas aulas; • Não é orientar os jovens sem se basear no Plano de Estudo ou de Atividades da turma; • Não é permitir que os jovens brinquem ou destinem o tempo ao lazer; • Não é, para o professor, tempo para realização de outras atividades que não seja apoiar o estudo dos jovens; • Não é propor atividades pedagógicas descoladas dos resultados pactuados pela Equipe Escolar em seu Plano de Ação. Para começo de conversa, as Práticas Experimentais não são práticas desarticuladas dos elementos teóricos e conceituais das aulas de Matemática, Física, Química e Biologia, mas, parte indissociável. O CONCEITO A busca do desenvolvimento social com equidade tem sido, ao longo dos séculos, um objetivo permanente das civilizações. Para se atingir esta condição, todavia, sabe-se hoje que existe uma série de pressupostos: • Desenvolvimento social pressupõe desenvolvimento econômico; • Desenvolvimento econômico pressupõe desenvolvimento tecnológico; • Desenvolvimento tecnológico pressupõe desenvolvimento do conhecimento; • Desenvolvimento do conhecimento pressupõe uma educação de qualidade. Uma educação tecnológica de qualidade pressupõe o ensino das Ciências Naturais fundamentado em uma sólida base matemática, de forma que teoria e prática se complementem e o estudante se estimule e se excite ao descobrir que entender os fenômenos da natureza é entender a própria essência da vida. A beleza da ciência reside na ideia de que a certeza teórica, enquanto certeza absoluta deve ser abandonada para dar lugar ao que Popper (1982) afirma, ou seja, há um progresso que pode ser ultrapassado e que permanece incerto. Hoje, à luz de toda a riqueza de descobertas produzidas pela humanidade, havemos de concordar com esse teórico em que “a história das ciências, como a de todas as ideias humanas, é uma história de sonhos irresponsáveis, de teimosias e de erros.” Karl Popper (1902 – 1994), filósofo austro-húngaro, foi um dos grandes filósofos liberais da Ciência do Século XX. Porém, a ciência é uma das raras atividades humanas, talvez a única, em que os erros são sistematicamente assinalados e, com o tempo, constantemente corrigidos. É evidente que as Ciências Naturais e o método científico contribuíram sobremaneira para o desenvolvimento dos múltiplos saberes da humanidade: medimos, pesamos e analisamos o Sol; avaliamos o número de partículas que constituem nosso universo; deciframos a linguagem genética que informa e programa toda organização viva; domesticamos a energia nuclear e, assim, atingimos progressos tecnológicos em todos os domínios da atividade humana. Sem nos darmos conta, usamos o tempo todo as ferramentas científicas de pensamento: perguntamos muito – crianças usam o “por que isso ou aquilo...?” o tempo inteiro –, fazemos hipóteses e pensamos nas possíveis consequências das nossas ações, nas relações causais e em como podemos mudar coisas de forma a obtermos os resultados desejados para atingirmos nossos sonhos e objetivos. Tudo isso, no formato de um método, está presente na vida de um cientista. Então, a Ciência é este esforço natural da condição humana, e o Cientista é esta figura que em todos nós pode ser educada! GRAÇAS ÀS CIÊNCIAS... É a tecnologia que hoje nos permite a comunicação entre indivíduos de maneira praticamente ubíqua; possibilita-nos as múltiplas formas de entretenimento sem sair de casa; fornece-nos o acesso rápido à informação acumulada pela humanidade no decorrer de toda sua história; oferece-nos diagnósticos médicos cada vez mais precisos, aumentando a qualidade e a expectativa de vida das pessoas. Some- se a este conjunto de conquistas a comprovação de que os anos de escolaridade de uma população são um dos principais definidores do seu PIB per capita. Neste mundo que se renova a cada dia, uma vez que as mudanças ocorrem cada vez mais rapidamente, vemos não só aplicação das ciências e das tecnologias crescer e mudar a vida de todos nós, como o seu vocabulário técnico sendo usado nas nossas conversas. Esse crescimento “exponencial” acelerado pela “fibra óptica” que leva informações “quase na velocidade da luz” quando comparada aos antigos fios de cobre, nos traz muitos benefícios e certamente alguns desafios. Não basta mais apenas ler e decodificar as palavras, é preciso entender conceitos, fazer relações, pensar nas suas aplicações, adaptações e pensar crítica e eticamente. Assim, há a necessidade de uma alfabetização com um conceito expandido, conhecida como “Alfabetização Científica”. De forma resumida, a Alfabetização Científica4 trata do conhecimento e entendimento dos conceitos e processos científicos necessários para a tomada de decisões pessoais, participação na sociedade e nas atividades econômicas. Uma pessoa alfabetizada cientificamente possui maior facilidade para perguntar, buscar respostas, descrever, explicar, predizer situações com base em fatos e conhecimento científico, argumentar e comunicar. 4 https://www.discovermagazine.com/the-sciences/what-is-scientific-literacy-02 Acesso em 4 de janeiro de 2021 https://www.discovermagazine.com/the-sciences/what-is-scientific-literacy-02 Porém, como se alfabetiza cientificamente? A Alfabetização Científica depende diretamente de um processo de desenvolvimento do Pensamento Científico. De acordo com o material produzido pelo ICE sobre este tema5, seu desenvolvimento na educação básica passa pelos eixos do Conhecimento, da Pesquisa e dos Projetos, como podemos ver na tabela a seguir. Cabe destacar que o desenvolvimento do Pensamento Científico e da Alfabetização Científica, diferentemente da alfabetização em uma língua, dependem de uma forte integração entre os docentes das diferentes áreas do conhecimento que, oportunizando práticas e vivências, apoiam o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo dos estudantes, das aprendizagens essenciais6 e, talvez também graças às ciências, seu Projeto de Vida. CIÊNCIAS DA NATUREZA E MATEMÁTICA NA ESCOLA DA ESCOLHA A escola é o espaço que agrega o binômio ciência-formação, segundo a interação educador-educando. Aprender Ciências significa, por um lado, aproximar-se das grandes linhas do pensamento científico e, por outro, desenvolver o pensamento lógico. É assim que nos tornamos capazes de analisar uma situação; de identificar seus aspectos relevantes e secundários e, dessa forma, elaborar uma explicação acerca dela; de descobrir implicações e estabelecer suas interrelações; de levantar hipóteses para, então, confirmá-las ou negá-las. Uma vez que competências e conhecimentos do mundo das ciências e matemática são cada vez mais demandadas na sociedade do conhecimento e avançam rapidamente, promovendo o seu desenvolvimento econômico e social, este somente pode se sustentar e expandir se o protagonismo juvenil estiver no centro das ações. Se o conhecimento científico é acolhido pelos estudantes na sua formação básica, é de esperar-se que como adultos farão uso das ciências, da matemática e da tecnologia para solução de problemas locais e mundiais, em prol do bem estar e da felicidade. 5 Material do educador – Aulas dePensamento Científico (ICE) 6 http://novoensinomedio.mec.gov.br/#!/guia Acessado em 4 de janeiro de 2021 http://novoensinomedio.mec.gov.br/#!/guia As ciências da natureza e matemática podem ser ferramentas de transformação, iniciando no mundo da escola e expandindo-se mundo afora, uma vez que na sua essência a ciência demanda protagonismo e não há cientista que não seja protagonista e não há protagonista que não se utilize de algum dos meios da ciência para realizar seu Projeto de Vida. Dentro dos Quatro Pilares da Educação – um dos Princípios Educativos do Modelo da Escola da Escolha – as ciências da natureza e a matemática podem atuar como catalisadores das ações de autonomia, responsabilidade e superação de limites (“aprender a ser”), da aprendizagem e construção do conhecimento em uma perspectiva também de produção do conhecimento (“aprender a conhecer”), na construção de soluções por meio da aplicação do conhecimentos, da construção de modelos, ensaios, protótipos e metodologias adequadas a cada objetivo (“aprender a fazer”) e na construção coletiva de soluções que aprimoram a convivência e a colaboração, essencial na ciência (“aprender a conviver”). PRÁTICAS EXPERIMENTAIS NAS CIÊNCIAS DA NATUREZA E EM MATEMÁTICA NO NOVO ENSINO MÉDIO DA ESCOLA DA ESCOLHA No 1º ano do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha as Práticas Experimentais devem estar alinhadas aos componentes curriculares Matemática, Física, Química e Biologia da BNCC, sendo ministradas pelos respectivos professores, enquanto nos 2º e 3º anos, a realização das Práticas deve estar alinhada com as áreas de conhecimento dos Itinerários Formativos. Essas mudanças trazem alterações na forma da aplicação das Práticas Experimentais em cada ano – oportunizando aos estudantes, após um contato básico com a ciência no 1º ano, um aprofundamento mais alinhado com suas escolhas de Itinerários Formativos e possivelmente mais engajador – mas não altera a essência das Práticas Experimentais na Escola da Escolha. As Práticas Experimentais em Ciências da Natureza e Matemática estão localizadas na Parte de Formação Diversificada do Currículo para ampliar as oportunidades de aprendizagem por intermédio da experimentação – prática cuja importância é inquestionável no ensino das Ciências e Matemática e deve ocupar lugar destacado na sua condução. As práticas experimentais não são ou não deveriam ser meras comprovações de teorias tendo em vista que elas existem para que os estudantes vivenciem a ciência como ela é, com alegrias, acertos, frustrações e erros. Trata-se de uma trajetória interativa, social, dinâmica, feita e refeita por pessoas diferentes, muitas vezes apenas em busca da solução de um problema em comum. Ainda assim, o aspecto formativo das atividades práticas experimentais tem sido, de maneira geral, negligenciado ao caráter superficial, mecânico e repetitivo em detrimento dos aprendizados teórico-práticos que se mostram dinâmicos, processuais e significativos. A formação de uma atitude científica está intimamente vinculada ao modo como se constrói o conhecimento e por isso, na Escola da Escolha, os Laboratórios de Ciências e de Matemática são potencialmente mais que recursos didáticos. Eles são, em essência, espaços privilegiados de ressignificação da experiência porque contribuem para o desenvolvimento de conceitos científicos, além de permitir que os estudantes aprendam como abordar objetivamente fenômenos e como desenvolver soluções para problemas complexos. As aulas realizadas nos laboratórios de Ciências e de Matemática proporcionam espaços de vital importância para que o estudante seja atuante construtor do próprio conhecimento, aproprie-se e do método científico e solucione problemas criativamente, descobrindo que a Ciência é mais do que aprendizagem de fatos. As práticas e experimentos desenvolvidos nos laboratórios devem permitir uma ampliação do grau de compreensão do mundo que cerca o jovem no seu cotidiano, dando-lhe suporte conceitual e procedimental para enxergar o seu entorno e encontrar explicações. Muitos dos fenômenos naturais pressupõem transformações e estas podem ser compreendidas a partir da maneira pela qual lidamos com o conceito de substância, por exemplo, como no ciclo da água, na combustão e na digestão. O mundo artificial também utiliza substâncias e o homem tem, historicamente, desenvolvido conhecimentos e práticas para usá-las em benefício próprio, bem como da humanidade. No ensino de Ciências e de Matemática, a atividade experimental exerce importante papel na superação de problemas conhecidos na educação científica fundamental, por sua característica interdisciplinar, proporcionando desenvolvimento integral, dinâmico e globalizado, superando a visão de ciência compartimentalizada, estanque em relação a outros conhecimentos, dissociada, portanto, do mundo e da vida. A Ciência é o entendimento de que, nesta área, as verdades são temporais! AS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS E OS PROFESSORES DE ÁREA DE CIÊNCIAS DA NATUREZA E DE MATEMÁTICA DO NOVO ENSINO MEDIO DA ESCOLA DA ESCOLHA As Práticas Experimentais objetivam estimular nos professores de Ciências da Natureza e de Matemática a convicção de que as atividades desenvolvidas nos laboratórios devem permitir uma profunda ampliação do grau de compreensão do mundo que cerca o estudante no seu cotidiano, dando-lhe suporte conceitual e procedimental para enxergar o seu entorno e encontrar explicações. O estudante deve ser levado a entender que nas ciências não existem perguntas proibidas nem “vacas sagradas”, mas buscas permanentes. Um olhar crítico e alguma dose de ceticismo são elementos chave para quem pratica ciências e matemática, áreas nas quais até mesmo os grandes cientistas sempre serão eternos estudantes. As mudanças apresentadas no Novo Ensino Médio demandam ajustes na atuação dos professores com relação às Práticas Experimentais. Uma atuação mais aproximada entre os professores em virtude dos Itinerários Formativos pode favorecer a construção de soluções interessantes, tanto para os estudantes do 1º ano que ainda escolherão os Itinerários, quanto para os dos 2º e 3º anos cujos Itinerários estarão em curso. As práticas são parte do planejamento elaborado pelos professores e não atividades consideradas extraordinárias. Um conjunto de experimentos em Ciências Naturais e em Matemática deve ser priorizado pelos professores de modo que que nenhum estudante conclua o Ensino Médio tendo deixado de conhecer e experimentar, para citar alguns exemplos, a comparação de quantidades de reagentes e produtos envolvidos em transformações químicas e aprendido a estabelecer a proporção entre as suas massas; a identificar modelos que descrevem a constituição do átomo e composição de moléculas simples; a planejar e executar experimentos que evidenciem que todas as cores de luz são formadas pela composição das três cores primárias da luz e que a cor de um objeto está relacionada à cor da luz que o ilumina; a ler e interpretar as tabelas e redigir textos escritos com o objetivo de analisar e sintetizar conclusões sobre os experimentos, coleta de dados, organização, registro e construção de diferentes tipos de gráficos para representá-los, bem como a interpretação das suas informações. No Novo Ensino Médio, a BNCC7 afirma que a Matemática e suas Tecnologias devem ter o foco na construção de uma visão integrada da área, aplicada à realidade, levando em conta as vivências cotidianas dos estudantes. Devem ser realizadas ações para provocar processos de reflexão e abstração, que deem sustentação a diversos modos de pensar, entre eles, os criativos, analíticos e sistêmicos. No que diz respeito às Ciências da Natureza e suas Tecnologias, a BNCC diz que se espera diversificação de situações-problema e que os jovens possam aplicar modelosde maior nível de abstração e de propostas de intervenção em contextos mais amplos e complexos. A ampliação de habilidades investigativas, análises quantitativas e avaliação e comparação de modelos explicativos também estão no centro das propostas. AS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS CONTRIBUEM PARA O CONHECIMENTO DOS ESTUDANTES ACERCA DOS ITINERÁRIOS FORMATIVOS Da perspectiva das Práticas Experimentais na Escola da Escolha – alinhadas aos componentes curriculares da BNCC e ao espírito do Novo Ensino Médio, as atividades com os estudantes devem ter uma aplicação diferenciada dos tradicionais métodos de comprovação utilizados em experimentos. Essa abordagem deve ser mais engajadora e conectada com a realidade, diversificada e contextualizada de modo a atribuir sentido ao experimento realizado pelos estudantes. Tomemos por exemplo uma Prática Experimental que envolva a Matemática e a Química presentes na nossa na alimentação. São amplamente conhecidas as recomendações da sociedade médica e organizações de saúde quanto ao consumo moderado de sal. A depender da intensidade desse consumo, alterações importantes podem causar diversos problemas relacionados ao coração e aos rins, apenas para citar dois deles. 7 http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf Acessado em 6 de janeiro de 2021. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf Abaixo uma tabela para exemplificar, de forma simples, algumas possibilidades: AS PRÁTICAS RELACIONADAS AO ESTUDO DO SÓDIO OU OUTROS ELEMENTOS PODEM ENVOLVER: COMPETÊNCIA ESPECÍFICA DA BNCC TRABALHADA HABILIDADES DA BNCC Coleta, análise e tabulação de dados nutricionais de diversos alimentos, inclusive propondo que os estudantes usem informações do que mais consomem, fazendo inicialmente uma análise individual e depois de toda a turma. Competência 1 (MAT) – Utilizar estratégias, conceitos e procedimentos matemáticos para interpretar situações em diversos contextos, sejam atividades cotidianas, sejam fatos das Ciências da Natureza e Humanas, das questões socioeconômicas ou tecnológicas, divulgados por diferentes meios, de modo a contribuir para uma formação geral. (EM13MAT101) Interpretar criticamente situações econômicas, sociais e fatos relativos às Ciências da Natureza que envolvam a variação de grandezas, pela análise dos gráficos das funções representadas e das taxas de variação, com ou sem apoio de tecnologias digitais. Competência 2 (MAT) – Propor ou participar de ações para investigar desafios do mundo contemporâneo e tomar decisões éticas e socialmente responsáveis, com base na análise de problemas sociais, como os voltados a situações de saúde, sustentabilidade, das implicações da tecnologia no mundo do trabalho, entre outros, mobilizando e articulando conceitos, procedimentos e linguagens próprios da Matemática. (EM13MAT 202) Planejar e executar pesquisa amostral sobre questões relevantes, usando dados coletados diretamente ou em diferentes fontes, e comunicar os resultados por meio de relatório contendo gráficos e interpretação das medidas de tendência central e das medidas de dispersão (amplitude e desvio padrão), utilizando ou não recursos tecnológicos. Competência 1 – (CNT) Analisar fenômenos naturais e processos tecnológicos, com base nas interações e relações entre matéria e energia, para propor ações individuais e coletivas que aperfeiçoem processos produtivos, minimizem impactos socioambientais e melhorem as condições de vida em âmbito local, regional e global. (EM13CNT104) Avaliar os benefícios e os riscos à saúde e ao ambiente, considerando a composição, a toxicidade e a reatividade de diferentes materiais e produtos, como também o nível de exposição a eles, posicionando-se criticamente e propondo soluções individuais e/ou coletivas para seus usos e descartes responsáveis. Considerando o exemplo apresentado, percebe-se que são inúmeras as possibilidades, inclusive relacionadas à formulação de questões de investigação junto aos estudantes, além do desenvolvimento de experimentos. AS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS CONTRIBUEM PARA O APROFUNDAMENTO DOS ESTUDANTES E OS SEUS ITINERÁRIOS FORMATIVOS Ampliando o espectro e estendendo o exemplo para o 2º e 3º ano do Novo Ensino Médio, temos os Eixos Estruturantes e os Itinerários Formativos. No Novo Ensino Médio os Eixos Estruturantes são os novos hubs de conhecimento sob os quais são integrados os Itinerários Formativos. Presentes nas Práticas Experimentais, eles oportunizam aos estudantes experiências educativas profundamente associadas à realidade contemporânea e promovem a sua formação pessoal, profissional e cidadã. Isso acontece porque os estudantes são mobilizados em torno de situações de aprendizagem que os permitem produzir conhecimentos, criar, intervir na realidade e empreender projetos presentes e futuros. No Novo Ensino Médio da Escola da Escolha, os Eixos Estruturantes estão presentes nas Práticas Experimentais. Vejamos: EIXOS ESTRUTURANTES DESCRIÇÃO PRESENÇA NAS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS Investigação Científica Este eixo tem como ênfase ampliar a capacidade dos estudantes de investigar a realidade, compreendendo, valorizando e aplicando o conhecimento sistematizado, por meio da realização de práticas e produções científicas relativas a uma ou mais Áreas de Conhecimento, à Formação Técnica e Profissional, bem como a temáticas de seu interesse. A partir da base criada nas Práticas Experimentais, a iniciação cientifica deve ser usada pelos os estudantes em outros temas para investigar e analisar situações nos diversos contextos relativos às Áreas de Conhecimento por meio do levantamento e teste de hipóteses sobre variáveis ou situações; seleção e sistematização dos levantamentos e pesquisas bibliográficas e experimentais levando a conclusões e posicionamentos sobre o objeto do estudo. Processos Criativos Este eixo tem como ênfase expandir a capacidade dos estudantes de idealizar e realizar projetos criativos associados a uma ou mais Áreas de Conhecimento, à Formação Técnica e Profissional, bem como a temáticas de seu interesse. Ao ser estruturada e organizada com base em processos investigativos, produz modelos, protótipos e experimentos que agregando inovações e levando a soluções de problemas identificados. Mediação e Intervenção Cultural Este eixo tem como ênfase ampliar a capacidade dos estudantes de utilizar conhecimentos relacionados a uma ou mais Áreas de Conhecimento, à Formação Técnica e Profissional, bem como a temas de seu interesse para realizar projetos que contribuam com a sociedade e o meio ambiente. Não se aplica Empreendedorismo Este eixo tem como ênfase expandir a capacidade dos estudantes de mobilizar conhecimentos de diferentes áreas para empreender projetos pessoais ou produtivos articulados ao seu projeto de vida. Pela criação de oportunidades para a aplicação dos conhecimentos e recursos mobilizados nas diversas Áreas de Conhecimento com aplicação de processos e meios inovadores, incluindo o uso de tecnologias apropriadas que podem dar o suporte necessário para o desenvolvimento de produtos ou serviços de características inovadoras. A RELAÇÃO ENTRE AS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS E OS ITINERÁRIOS FORMATIVOS Os Itinerários Formativos, de acordo com o MEC8, são definidos como um conjunto de unidades curriculares que possibilitam ao estudante aprofundar seus conhecimentos e se preparar para o prosseguimento de estudos ou para o mundo do trabalho, ajustados às suas preferências e ao seuprojeto de vida. Na Escola da Escolha foram definidos quatro Itinerários Formativos, listados abaixo. As Práticas Experimentais são Metodologias de Êxito que se apresentam como parte importante para o sucesso dos Itinerários Formativos, disponíveis aos estudantes do 2º e 3º ano do Novo Ensino Médio. Seguindo o exemplo relacionado à alimentação, que anteriormente apresentou conexões com a BNCC, podemos fazer um exercício simplificado de possibilidades dentro de cada um dos Itinerários Formativos, conforme a tabela abaixo. ITINERÁRIOS FORMATIVOS DA ESCOLA DA ESCOLHA EXEMPLOS DE CARREIRAS RELACIONADAS PRESENÇA DAS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS Ciências Exatas e Tecnologias Engenharia; Bacharelado e Licenciatura em Física, Química e Matemática; Geologia Questões envolvendo composição e conservação de alimentos, logística, transporte, e até mesmo formato de embalagens para reduzir custos, emissões de carbono, oferecem amplas oportunidades de uso de matemática e ciências. Ciências da Saúde Medicina, Ciências, Biomédicas, Odontologia, Psicologia, Farmácia, Educação Física Impactos de ingredientes na saúde humana e animal (física e psicológica), tipos de exames e tratamentos abrem, a partir da aplicação da matemática e das ciências, oportunidades de um grande benefício para as pessoas, governos e negócios. Ciências Econômicas e Administrativas Administração, Ciências Contábeis, Direito e Economia A complexidade dos cálculos de impostos, suas diferentes legislações no país e viabilidade de um negócio podem ser assuntos que relacionam a matemática, assim com aspectos científicos. Ciências Humanas e Sociais e de Linguagens Pedagogia, Licenciatura: Arte, Línguas, Filosofia, Geografia, História, Sociologia A clareza e a comunicação dos dados de uma embalagem, a culinária local a questão cultural são estudos importantes que podem levar – com o apoio das ciências e matemática – ajudam a ampliar os horizontes dessas áreas. 8 http://novoensinomedio.mec.gov.br/#!/guia Acessado em 07 de janeiro de 2021. http://novoensinomedio.mec.gov.br/#!/guia CONTRIBUIÇÃO DAS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS E OS ITINERÁRIOS FORMATIVOS DO NOVO ENSINO MÉDIO DA ESCOLA DA ESCOLHA As Práticas Experimentais têm o poder de alavancar e ampliar o aprofundamento das aprendizagens e desenvolvimento de competências presentes nos Itinerários Formativos do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha. Para o estudante cujo Projeto de Vida está alinhado aos Itinerários Formativos que envolvem as áreas das Ciências Naturais e Matemática, as Práticas Experimentais oferecem oportunidades de ir muito além do conteúdo básico trabalhado nos componentes curriculares ao longo do 1º ano. Além de colocar os conteúdos e conhecimentos em prática, os Itinerários Formativos são o espaço nos qual o estudante interessado nas carreiras técnicas e científicas dará os primeiros passos no desenvolvimento da postura científica e os conhecimentos passam então, a fazer sentido na sua vida. Já para o estudante cujo Projeto de Vida segue pelos caminhos dos Itinerários Formativos das Ciências da Saúde, Ciências Econômicas e Administrativas, Ciências Humanas e Sociais e Linguagens, as Práticas Experimentais contribuem para o seu futuro de uma maneira muito mais profunda do que se pode imaginar. Um estudante que não possui acesso às Práticas Experimentais possui dificuldades muito maiores de seguir e criar procedimentos, entender e dar instruções, interpretar e criar gráficos, identificar problemas e buscar conhecimentos, elaborar hipóteses e aplicar a criatividade para propor soluções, identificar riscos e assumir responsabilidades. Projetando o cenário contemporâneo e o que se espera das próximas gerações em termos de atuação mais responsável, solidária e socialmente mais colaborativa, torna-se evidente que ter acesso aos conhecimentos advindos das Práticas Experimentais é essencial para todos os estudantes, a despeito do Itinerário Formativo que seja a sua escolha. Conforme amplia-se o entendimento do papel das Práticas Experimentais no Novo Ensino Médio, fica claro que a sua integração com os componentes curriculares da BNCC e os Itinerários Formativos é um novo desafio para os professores. São necessárias novas formas de colaborar e organizar o trabalho pedagógico. Recursos como os Mapas Conceituais – que podem ser construídos tanto no papel quanto em formato digital por diversas ferramentas –, podem contribuir significativamente para a construção de projetos que envolvam investigação científica, processos criativos, empreendedorismo, conteúdos de componentes curriculares, habilidades e competências e suas distintas aplicações na vida pessoal e profissional dos estudantes. Ao mesmo tempo em que todo o novo processo é um desafio, há nele uma grande oportunidade, potencializada pelo currículo da Escola da Escolha, que com o Novo Ensino Médio, passa a oferecer aos estudantes ainda mais amplas possibilidades de atuação protagonista ao trilhar o caminho para o seu futuro. AVALIAÇÃO DAS PRÁTICAS EXPERIMENTAIS As Práticas Experimentais são previstas na matriz curricular como um componente curricular da Parte de Formação Diversificada e se submetem, portanto, aos regimentos legais. Estão presentes na prática pedagógica na forma de aulas realizadas em profunda articulação com os elementos teóricos e conceituais de Matemática, Física, Química e Biologia. Os distintos marcos legais das Secretarias de Educação (estaduais e municipais) que tratam da avaliação da aprendizagem normatizam os critérios para aprovação ou retenção nos componentes curriculares da Parte de Formação Diversificada. No entanto, isso não significa que não devam existir mecanismos de avaliação. Considerando as referências teóricas assumidas pelo ICE quanto ao tema avaliação, na Escola da Escolha, avaliar é uma ação de questionamento da escola sobre o que ela deve fazer para atender de todas as formas possíveis cada um dos seus estudantes. Partindo desse princípio, as Metodologias de Êxito (que são os componentes curriculares da Parte de Formação Diversificada) concebidas pelo ICE e presentes no Novo Ensino Médio na Escola da Escolha, são meios para o desenvolvimento de um extenso conjunto de competências e habilidades imprescindíveis para a formação do estudante para que atue e enfrente os desafios e oportunidades presentes neste século. Nas Práticas Experimentais, a exemplo de qualquer outro componente curricular, a avaliação deve estar presente como estratégia importante que ajuda a redirecionar os processos de ensino e de aprendizagem quando faz uso de variados instrumentos e modelos que atendam não apenas os objetivos previstos no currículo, mas também as necessidades do estudante e da turma, mantendo o foco tanto no individual como no coletivo. Portanto, as Práticas Experimentais devem ser avaliadas por meio de mecanismos que atendam às suas especificidades e características. Ao tratarmos de avaliação da aprendizagem não nos referimos meramente à atribuição de notas, conceitos e/ou menções e, sim, à estratégia que fornece elementos para análise do processo de ensino e de aprendizagem e tomada de decisão para a continuidade do desenvolvimento dos estudantes nas suas variadas competências e habilidades Nesse sentido, o mesmo racional proposto para as Eletivas também se aplica nas Práticas Experimentais quanto à aplicação dos resultados do desempenho do estudante nas práticas ser utilizado na média bimestral dos componentes curriculares acima citados. Assim, para a avaliação das Práticas Experimentais, apresentamos o seguinte modelo de avaliação: Sendo desenvolvida em profunda articulação com os temas e conteúdos referentes aos componentes curriculares da BNCC Matemática, Física, Química e Biologia, nas Práticas Experimentaistambém consideramos que os esforços e desempenho do estudante devam ser reconhecidos e estimulados, sendo os seus resultados avaliados e considerados para efeito da composição da avaliação de Matemática, Física, Química e Biologia UM EXEMPLO: nas Práticas Experimentais de Física, que expressamente fazem uso de temas e conteúdos relativos a esse componente curricular, o desempenho do estudante deve ser considerado e repercutirá nas médias obtidas. Esse resultado pode incidir nas médias bimestrais ou mesmo ser considerado como mais um resultado no conjunto de outros desse componente curricular. Por óbvio, a ponderação desses valores deve ser prerrogativa da Secretaria de Educação. No entanto, como contribuição derivada das experiências vividas e acumuladas pelo ICE, apresentamos duas alternativas para consideração desta Secretaria, a partir de um cenário hipotético onde: p1 = prova 1 p2 = prova 2 s1 = seminário 1 P = Práticas Experimentais Digamos que o sistema de avaliação da Secretaria de Educação considera que a média do bimestre é resultado da aplicação dos seguintes instrumentos: 2 provas e 1 seminário. Nesse caso, o desempenho na Prática Experimental de Física, poderia ser considerado como mais um parâmetro a compor esse conjunto, como no exemplo a seguir: 7 + 6 + 8 + 6 = 6,75 é a média do bimestre em Física 4 Ainda nesse mesmo cenário hipotético, o resultado Prática Experimental poderia ser considerado como parâmetro com atribuição de peso. Nesse caso, o desempenho na Prática Experimental poderia corresponder a um dado percentual a incidir na média do bimestre e cujo valor (ou peso) deve, por óbvio, ser arbitrado pela Secretaria de Educação. Apresentamos um exemplo dessa aplicação onde o resultado da Prática Experimental de Física corresponde a 20% da média final do bimestre: 𝑝1 7 + 6 + 8 x 0,8 + 6 x 0,2 = 6,6 é a média do bimestre em Física. 3 Por fim, consideramos que a nota obtida pelo estudante também seja resultado da aplicação de critérios de qualidade que considere a sua participação nos processos de planejamento, execução e avaliação das Práticas Experimentais realizadas; envolvimento pessoal e disposição em atuar de maneira colaborativa e contributiva com o grupo; atitude proativa diante do conhecimento; domínio do conteúdo e competências, além da aplicação do que aprendeu em situações práticas. Para isso, diferentes instrumentos de avaliação podem ser utilizados, tais como: fichas para registro do desempenho do estudante, portfólios, observação rotineira pelo professor e uso de agenda, análise crítica dos produtos gerados e apresentados nas Práticas. No Caderno Palavras Fáceis para Explicar Coisas que Parecem Difíceis encontra-se uma breve orientação sobre como organizar um rodízio para uso dos laboratórios e assegurar turmas menores, oferecer melhor atendimento do professor nos experimentos e maior rotatividade dos estudantes nos laboratórios. O CONCEITO Ao chegar no 3º ano do Ensino Médio, os jovens vivem o momento de consolidação de algumas decisões construídas e amadurecidas ao longo de uma importantíssima tarefa: a elaboração do seu Projeto de Vida. São muitas reflexões sobre qual o caminho a tomar para a sua formação profissional e suas decisões se tornam tão mais complexas quanto menos eles forem apoiados e tenham dedicado tempo e atenção ao planejamento do seu Projeto de Vida. Esse não é um momento simples, e tampouco as escolhas se constituem de decisões a serem tomadas em função de apenas uma variável ou referência. Mais do que nunca o apoio dos professores se torna essencial nesse momento diante da missão de acompanhá-los nessa reflexão e decisão, apoiando-os na construção do seu próprio marco lógico e levando-os a pensar sobre o fato de que talvez adorem alguma área da atividade humana (paixão) e até sejam bons nessa área (talento), mas também precisam considerar formas de prover seu autossustento (necessidade). Por outro lado, não é recomendável limitá-los a uma reflexão que os leve a vislumbrar uma profissão que remunere bem (necessidade), mas que não lhes traga felicidade (paixão) ou não explore seus dotes (talento). Há muitas variáveis a considerar, conflitos a compor o natural cenário de expectativa e ansiedade e um conjunto importante de questões sobre as quais o estudante ainda se debruçará para refletir de forma a confirmar seus sonhos e, principalmente, ter clareza quanto às condições de materializá-los. Durante seu processo de escolarização, o jovem deverá ter se apropriado de uma série de conhecimentos e informações, mas não apenas de natureza acadêmica. Há outra dimensão igualmente importante para sua tomada de decisão, que se refere à compreensão das relações dinâmicas do mundo produtivo e das muitas possibilidades que ele tem diante de si. O PÓS-MÉDIO NA ESCOLA DA ESCOLHA Essa preparação encontra-se na Parte Diversificada do Currículo como parte das estra tégias da Escola da Escolha para apoiar os estudantes do 3º ano do Ensino Médio naquilo que é o seu foco, seja o ingresso na universidade ou a inserção no mundo do trabalho ou outra área do campo produtivo, numa ação que complemente a sua formação de orientação acadêmica. Na Preparação Pós-Médio os professores elaboram a cada semana os Aulões dos componentes curriculares, integrando as disciplinas de modo a favorecer a compreensão dos estudantes no marco lógico-conceitual adotado pelas avaliações utilizadas pelo ENEM. E uma vez a cada mês, destinam 2h da carga horária à aplicação do material elaborado intitulado Pós- Médio: Um Mundo de Possibilidades, onde consta um conjunto de referências, informações e orientações fundamentais para a conclusão do processo de apoio ao Projeto de Vida iniciado no 1º ano. Esse conteúdo deve ser trabalhado desde diferentes perspectivas, que incluem não só a expectativa de inserção no mundo do trabalho, mas Inovações em Conteúdo, Método e Gestão • Metodologias de Êxito • Ensino Médio 71 a consideração de múltiplas oportunidades de atuação produtiva que podem variar no tempo, de acordo com as trajetórias, os desejos e as possibilidades de cada estudante, tendo em vista aquilo que foi planejado no seu Projeto de Vida. QUAL É O ASSUNTO No Caderno Pós-Médio: Um Mundo de Possibilidades apresentamos os seguintes temas: • O ingresso na universidade, os principais cursos universitários existentes no país, seus sistemas de avaliação e dicas para o estudante se dar bem nas provas; • Informações sobre os cursos do ensino técnico e os cursos superiores tecnológicos como uma das possibilidades de acesso mais rápido ao mercado de trabalho; • A carreira militar nas Forças Armadas, seja na Aeronáutica, no Exército ou na Marinha, oferece oportunidades de inserção no mundo do trabalho e de ascensão profissional qualificada entre os postos de combate (armas), chefia (intendência) e especialização técnica (quadros); • A educação empreendedora e o perfil do empreendedor, principais tipos de empresas e seus setores, conceitos gerais de administração; • As exigências do mercado de trabalho, o primeiro currículo, atitudes para não se conseguir um emprego; empregabilidade e trabalhabilidade: palavras-chave da esfera produtiva do século XXI. COMO TRABALHAR O MATERIAL Diferentemente do que foi trabalhado nos 1º e 2º anos, quando os estudantes tiveram 2h de aulas semanais de Projeto de Vida, o Caderno Pós-Médio: um Mundo de Possibilidades não traz aulas, mas um conjunto robusto de referências, informações e orientações que deverão auxiliar o trabalho que o próprio professor organizará para apoiar os estudantes.O conteúdo poderá ser utilizado da forma que melhor se adequar ao trabalho idealizado pelo professor, considerando sua opção metodológica, seja na forma de debates, oficinas, painéis, seminários, palestras, etc. “Scientia est potentia” Esse aforismo de origem latina que significa “conhecimento é poder”, é atribuído a Francis Bacon9 e vem sendo reconceituado desde então, de Hobbes a Foucault e Bourdieu10. Conhecer, saber... ter e compartilhar podem ser os lados de uma equação sugestiva de que ter conhecimento é um indicador de domínio, de influência, de poder. A razão instrumental e a técnica – essência do pensamento de Bacon –, foi fundamental para combater a falsa ciência do século XVII. No entanto, esse status atribuído ao conhecimento passou a ser fortemente questionado pela filosofia contemporânea quando pôs dúvidas sobre a relação entre conhecimento e poder tendo em vista que o desenvolvimento das ciências naturais não apenas trouxe progressos como também nos levou a massacres gigantescos com as guerras do século XX. Essa constatação aproxima outro elemento fundamental à vida humana: a sensibilidade e a sua presença na delicada relação entre o conhecimento e o domínio, ou, o poder. Há mais conhecimento, informações e ideias para tornar a vida melhor do que em qualquer outro momento histórico da humanidade, mas, milhões de pessoas ainda não vivem em melhores condições, apesar de tudo o que conhecemos e produzimos como humanos. Passamos à seguinte equação: há uma expressiva abundância de conhecimento, talvez até suficiente para mudar as circunstâncias de muitas pessoas, mas há quem tenha conhecimento e não tenha o poder para usá-lo. Há quem tenha poder, mas não age com base em todo o conhecimento possui. Há também quem tenha o conhecimento e poder, mas não age, mesmo sabendo que muitas 9 Francis Bacon (1561/1626), foi um político, ensaísta, cientista e filósofo inglês do século XVII, reconhecido pela sua obra onde a ciência era exaltada como benéfica para o homem. Ocupou-se especialmente de temas como a metodologia científica e o empirismo e é considerado um dos grandes colaboradores para o desenvolvimento da história da ciência moderna e reconhecido defensor do método experimental contra a ciência especulativa clássica. 10 Thomas Hobbes (1588/1679) foi um matemático, teórico político e filósofo inglês do século XVII, considerado um dos principais expoentes da Filosofia Política, defensor do Estado forte e com o poder centralizado. Pierre Félix Bourdieu (1930/2002) foi um sociólogo francês e um dos maiores pensadores das ciências humanas do século XX. Sua extensa obra tem relevante contribuição para diversas áreas do conhecimento, especialmente na educação e cultura. Michel Foucault (1926/1984), foi um filósofo e teórico social francês do século XX conhecido pelas suas críticas às instituições sociais e por suas teorias gerais relativas ao poder e à complexa relação entre poder e conhecimento. https://pt.wikipedia.org/wiki/Matem%C3%A1tica https://pt.wikipedia.org/wiki/Ci%C3%AAncia_pol%C3%ADtica https://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia https://pt.wikipedia.org/wiki/Inglaterra https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia https://brasilescola.uol.com.br/cultura/ https://pt.wikipedia.org/wiki/1984 https://pt.wikipedia.org/wiki/Fil%C3%B3sofo https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_social https://pt.wikipedia.org/wiki/Poder https://pt.wikipedia.org/wiki/Conhecimento vidas poderiam ser melhores se houvesse ação com base nesse conhecimento. Chegamos à constatação possível de que “conhecimento não é necessariamente poder”, mas, sim que “ação é poder” porque a aplicação correta do conhecimento pode ser a determinante mais importante para a transformação da vida de milhões de pessoas. Compreender como e quando aplicar o conhecimento é a chave porque ter o conhecimento e não agir o torna inútil. O conhecimento é abundante, acessível para muitos e até portátil, mas para significar poder, precisa ser aplicado porque poder é ter a capacidade de agir sobre as informações para gerar os melhores resultados. Por que nós - pessoas e sociedade – nem sempre transformamos em ação aquilo que conhecemos? Conhecimento é o estado de consciência ou compreensão obtido pela experiência vivida ou por estudos realizados. 11 Todos nós temos algum tipo de conhecimento sobre algo, aprendemos ao longo da vida por diversas fontes, inclusive pela experiência social, e podemos aplicar o que sabemos com diversos fins, melhorando as nossas próprias vidas e a de outras pessoas também. O conhecimento muda a forma como entendemos o mundo e como reagimos a ele. Quanto mais aprendemos, quanto mais conhecemos, mais capacidade temos de fazer escolhas e assumir decisões baseadas em conhecimento e informação. Mas, de que conhecimento estamos falando? 12 11 COSTA, Sérgio Francisco. Método científico: os caminhos da investigação. São Paulo: Harbra, 2001. 12 A Filosofia categoriza o conhecimento em três grandes domínios: pessoal, procedimental e proposicional. O primeiro se relaciona com a experiência vivida, o segundo se refere ao conhecimento de como fazer algo e o terceiro se refere a Conhecimento é poder apenas quando realmente o compreendemos e o aplicamos. Conhecimento é poder quando muda nossas vidas, e aqui reside um dos maiores desafios da educação contemporânea: desenvolver a capacidade de aplicar na vida prática aquilo que aprendemos. Quando optamos por não comer de forma saudável, fazer pausas no trabalho para evitar o esgotamento, adotar hábitos que nos ajudam a viver melhor ou agir em benefício de outros, não nos perguntamos o que precisa ser feito porque já sabemos. Mas, entre conhecimento e ação há uma grande diferença (da qual a indústria farmacêutica, inclusive, muito se beneficia). Todos nós sabemos da importância de uma alimentação melhor, de economizar um pouco mais para o futuro, de cultivar melhores ambientes de convivência e de tantas outras coisas. Mas não agimos com base nesse conhecimento em virtude de inúmeras barreiras, seja porque não aceitamos como verdade, porque somos muito ocupados para agir, não temos confiança ou coragem para agir sobre isso ou ainda, ou não temos as habilidades colaborativas para trabalhar com outras pessoas. O CONCEITO Ao apresentarmos o Novo Ensino Médio na Escola da Escolha, trazemos no Caderno de Formação – Concepção do Modelo Pedagógico uma reflexão importante sobre o quanto o domínio do conhecimento acadêmico, que no passado foi determinante na projeção das nossas vidas, hoje é reconhecidamente insuficiente na formação dos jovens na perspectiva de superação dos desafios, assim como na fruição das oportunidades deste século. Mais do que nunca, no século XXI, conhecimento não é poder... conhecer e aplicar, sim. E para isso, a Escola da Escolha considera no Projeto Escolar, o desenvolvimento de um currículo onde a presença de competências e habilidades socioemocionais coexistem junto às competências cognitivas, assim como os valores e princípios e a prática pedagógica é realizada para assegurar os domínios necessários para a construção dos Projetos de Vida dos estudantes, orientados a partir de conhecimentos, escolhas e decisões. No Novo Ensino Médio da Escola da Escolha, o jovem é estimulado a aplicar na vida prática os conhecimentos que são frutos de sua experiência acadêmica, pessoal, social e cultural. O Projeto de Corresponsabilidade Social é uma Metodologia de Êxito da Parte de Formação Diversificada do currículo, concebida para ampliar as oportunidades afirmações gerais sobre a verdade sobre o mundo e como o conhecemos. desse exercício, articulando os conhecimentos do plano teórico advindos dos componentes curriculares da BNCC, levando-os à prática e experimentando os resultados da aplicação daquilo que aprendem. Como Metodologia de Êxito, o Projeto de CorresponsabilidadeSocial foi concebido como uma das inovações associadas à implantação do Novo Ensino Médio na Escola da Escolha. O PROJETO DE CORRESPONSABILIDADE SOCIAL NO NOVO ENSINO MEDIO O marco lógico-racional aplicado na concepção do Novo Ensino Médio da Escola da Escolha define como norte uma abertura para as oportunidades do Projeto de Vida dos estudantes após a conclusão dessa etapa de ensino, ao mesmo tempo que eles experimentam as relações entre o currículo e as áreas de conhecimento. Isso significa que o currículo oferece aos estudantes uma base de formação geral com os componentes da BNCC (no 1º ano) e, na sequência, os introduz na experiência da flexibilização, aprofundamento e diversificação desses componentes presentes nos Itinerários Formativos. Uma das grandes responsabilidades do Projeto Escolar é criar as condições de apoio para o atendimento de necessidades muito específicas dos estudantes: a escolha e decisão do Itinerário Formativo ao final do 1º ano e a sua plena vivência no 2º e 3º anos. A Metodologia de Êxito Projeto de Corresponsabilidade Social é uma das estratégias concebidas pelo ICE para a oferta desse apoio aos estudantes dos 2º e 3º anos. Por meio do seu desenvolvimento, espera-se que os estudantes se integrem a um universo muito rico em possibilidades de aplicação daquilo que aprendem, atribuindo sentido e significado porque o fazem articulado ao desenvolvimento de projetos sociais, inicialmente no contexto mais circunscrito à comunidade escolar e, posteriormente, no contexto da sociedade em geral. Essa experiência educativa deverá agregar à sua percepção, ainda em construção, sobre o mundo produtivo em sua relação com os Itinerários Formativos e as várias possibilidades de atuação, incluindo o empreendedorismo social. CORRESPONSABILIDADE... PROJETO... SOCIEDADE..., O QUE TUDO ISSO TEM A VER? Para denominar esta Metodologia de Êxito, essas palavras não foram escolhidas aleatoriamente. Elas foram escolhidas porque representam claramente o espírito presente na Escola da Escolha. Vamos compreender? Corresponsabilidade é uma das premissas da Escola da Escolha. Ela expressa o espírito gregário, comprometido e engajado, presente entre todos aqueles que devem agir, somar esforços e compartilhar responsabilidades para assegurar o sucesso do projeto escolar. Todos esses adjetivos correspondem à atitude esperada de toda a comunidade que se faz por educadores, estudantes, famílias e parceiros. Ao conceber uma metodologia que tem por natureza servir de meio para que os estudantes desenvolvam a capacidade de aplicar o que conhecem, o que aprendem e o que produzem como conhecimento em situações reais e práticas que agreguem valor à sociedade, é quase mandatório que esse adjetivo a qualifique. Mas, por que não responsabilidade social? Com certeza você já deve ter visto muitos equipamentos públicos como praças, jardins, quadras esportivas e outros com uma plaquinha onde se vê escrito: “Praça adotada pela empresa tal” ou “Esse parque é mantido pela empresa XPTO”. Podemos ver isso em muitos lugares e essa é uma ação muito importante que assegura a recuperação ou, às vezes, a manutenção desses equipamentos. É possível afirmar que estas iniciativas são importantes e são consideradas como ações de responsabilidade social. Mas, não necessariamente uma ação de corresponsabilidade social. Como definir estas ações? O Instituto ETHOS de Empresas e Responsabilidade Social, considera responsabilidade social como sendo a forma de gestão definida pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as futuras gerações, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. Corresponsabilidade social é uma responsabilidade compartilhada que expressa o espírito gregário presente entre todos aqueles que somam esforços e compartilham responsabilidades para assegurar o sucesso de uma iniciativa. Nas ações de corresponsabilidade social, todos são considerados autores de uma ação e respondem conjuntamente pelo que fazem, seja o resultado bem sucedido ou não. Para o professor Antonio Carlos Gomes da Costa, a perspectiva de alianças sociais estratégicas entre os três setores da sociedade13, concretizam e expressam a ética da corresponsabilidade. Ele também considera que a corresponsabilidade é o novo paradigma das ações sociais das empresas e organizações no século XXI. Responsabilidade social e corresponsabilidade social podem ser parecidas, mas não são a mesma coisa. Quando uma empresa adota uma praça que está mal cuidada, com equipamentos quebrados e jardins destruídos e a recupera, devolvendo para a comunidade um equipamento apropriado como ele deve ser, isso é responsabilidade social. A iniciativa é bem-vinda, mas não garante que a praça será preservada e os seus equipamentos serão usados como devem ser. E por quê? Porque não foi uma ação de corresponsabilidade social, não foi uma ação que envolveu compartilhamento de responsabilidades e decisões. Para ser corresponsável, a empresa não apenas recupera a praça, mas ela também desenvolve ações para transformar, ou seja, ela desenvolve ações educativas14 que modificam a forma como os usuários daquela praça passam a usufruir daquele espaço, com mais consciência, sem danificá-lo, fazendo uso correto daquilo que é de uso público. Quando isso acontece, ou seja, quando ocorre uma transformação social, todos podem usufruir da praça sabendo que quanto mais preservá-la, mais tempo de vida útil ela terá. As dinâmicas da sociedade contemporânea exigem cada vez mais que as práticas educativas interajam com as transformações e exigências da atualidade. Nesse sentido, a Metodologia de Êxito Projeto de Corresponsabilidade Social responde a essa perspectiva quando mobiliza os estudantes em torno da aplicação dos conhecimentos que também são adquiridos pelas relações estabelecidas entre os componentes curriculares da BNCC, tanto na sua formação geral como nos Itinerários Formativos. Mas não se trata de uma aplicação pontual, esporádica ou descontextualizada, mas sim uma aplicação por meio de projetos juvenis de natureza social, que articula e integra protagonismo, conhecimento, curiosidade, desejo e ação comunitária. Para definir projeto social, trazemos dos depoimentos de jovens participantes do Programa Aprendiz Comgás15, uma conceituação muito especial porque é 13 O 1º setor é o Estado, as entidades e pessoas jurídicas estatais que existem para atender, obrigatoriamente, os interesses públicos e coletivos em geral. Já o 2º setor é a iniciativa privada composta por pessoas físicas e pessoas jurídicas sempre submetidas ao regime jurídico privado. E o 3º setor é a zona de intersecção entre a iniciativa privada e o setor estatal que atende os interesses públicos e coletivos, não tem fins lucrativos, forma vínculos com o estado, mas não integra o estado e não é o estado. 14 O ICE sendo socialmente corresponsável pela recuperação do Ginásio Pernambucano. Para saber mais, consulte o Caderno de Formação – Concepção do Modelo da Escola de Escolha. 15 Para conhecer o programa, visite: https://aprendizcomgas.org.br/ Acesso em 10 de janeiro de 2021. https://aprendizcomgas.org.br/ simbolizada pela simplicidade, objetividade e clareza daqueles jovens: “Projeto Social, uma coisa que: ...2. É complexa. 4. Exige dedicação, paciência, persistência. 5. Precisa de muito interesse no assunto central, interesse grande, quase amor – que pode depois se revelar passageiro, paixão de verão que não sobre serra. 7. Exige responsabilidade: você vai criar uma expectativa nas pessoas e, acima de tudo, em você mesmo. 8. Pede sempre uma nova solução: criatividade;flexibilidade; visão.” É pela mobilização dos jovens engajados nos Projetos de Corresponsabilidade Social que serão desenvolvidas competências (pessoais, sociais, produtivas e cognitivas); habilidades (como planejamento e gestão, entre outras); valores (como a solidariedade e a generosidade); exercitada a aplicação do que aprendem, bem como despertados os desejos em torno de causas que os envolvam e engajem na plenitude do seu Protagonismo, da sua capacidade empreendedora e de uma visão (e uma utopia!) mais ampliada sobre o coletivo, aqui simbolizado pela sociedade. Desenvolver projetos, comprometer-se e engajar-se com a sua execução e resultados, impactos e beneficiários por meio do enriquecimento, aprofundamento e a diversificação do conhecimento nas suas distintas manifestações é também um dos caminhos para a autonomia dos estudantes e para a ampliação da sua desenvoltura na criação de soluções para problemas reais – alguns dos elementos fundamentais para a consecução dos seus Projetos de Vida. O MÉTODO, O PROTAGONISMO E OS EIXOS ESTRUTURANTES Situado na Parte de Formação Diversificada do currículo, o Projeto de Corresponsabilidade Social se desenvolve por meio de as aulas cujo enfoque é orientar a elaboração e realização de projetos fortemente orientados pela investigação científica, porque faz uso do aprofundamento de conceitos das ciências e os aplica em procedimentos de investigação. Para isso, recorre-se à criatividade e à imaginação para elaborar processos/produtos e experimentos para gerar ideias e soluções. O Protagonismo é extremamente estimulado e exercitado nos Projetos de Corresponsabilidade Social na medida em que os estudantes são mobilizados a empreender essas ideias e soluções, associadas aos conhecimentos de uma ou mais áreas, para agregar valor à sociedade na forma de intervenções. AS AULAS As aulas estão organizadas na matriz curricular na oferta de duas aulas semanais para os estudantes do 2º ano e quatro aulas semanais para os estudantes dos 3º anos. São ministradas por professores de quaisquer áreas de conhecimento para quem o ICE disponibiliza material estruturado orientador com a sugestão de temas para os seus planejamentos. O 2º ANO Aos estudantes são oferecidas aulas que têm como enfoque o estudo sobre conceitos como Empreendedorismo Social, Organizações Sociais, Projetos Sociais, parcerias, tecnologia social, entre outros. Esse conjunto de aulas se destina a orientar formar uma base de conhecimentos sobre as possibilidades de atuação no mundo produtivo e as diversas formas de participação social, para posterior desenvolvimento de um projeto de intervenção ainda no âmbito da comunidade escolar no qual aplique os conhecimentos relacionados aos componentes curriculares da BNCC, não exclusivamente aqueles inerentes ao Itinerário Formativo em curso. 3º ANO São oferecidas aulas para que os estudantes desenvolvam um projeto de intervenção social no âmbito da sociedade em geral, fazendo uso dos conhecimentos relacionados aos componentes curriculares da BNCC, não exclusivamente aqueles inerentes ao Itinerário Formativo em curso. Os estudantes do 3º ano também apresentam ao final do ano letivo um relatório no O desenvolvimento de um projeto pressupõe a definição de uma metodologia de trabalho e, aqui, recomendamos a Pesquisa-Ação em virtude das suas características, para citar algumas: • É participativa; • Supõe uma forma de ação planejada, de caráter social; • O pesquisador tem claramente uma ação destinada a resolver um problema. qual sintetizam as formas utilizadas para estender o seu conhecimento ao plano prático do projeto desenvolvido. A ORGANIZAÇÃO DOS GRUPOS DE PESQUISA E INVESTIGAÇÃO E A ELABORAÇÃO DOS PROJETOS Os estudantes do 2º e 3º anos se agrupam (em seus respectivos anos) a partir de diferentes Itinerários Formativos, ou seja, estudantes dos vários Itinerários pode se constituir como um grupo em torno de um mesmo tema com enfoques para estudo, investigação e pesquisa distintos. Os temas a serem pesquisados são indicados pelos professores, devidamente alinhados com os Coordenadores dos Itinerários Formativos. Essa forma de organização deverá assegurar maior riqueza na produção, exploração e compartilhamento de experiências e conhecimentos em virtude do que será agregado como inerente a cada Itinerário, além, por óbvio, das experiências e riquezas trazidas individualmente por cada estudante. Como recomendação, indicamos que os grupos sejam constituídos por dez estudantes16, no máximo, livremente organizados a partir dos critérios estabelecidos em acordo com os Professores Coordenadores de Itinerários Formativos. 16 A recomendação do ICE para o limite de dez estudantes se fundamenta no cuidado com a quantidade de projetos a serem desenvolvidos e a qualidade do apoio a ser oferecido pelos professores. Num cenário hipotético de uma escola com 8 turmas de 2º e 3º anos, com 40 estudantes por classe, teremos 64 grupos de projetos que demandarão apoio de professores. Diante de um cenário como esse, há viabilidade para a oferta desse apoio na escola? A CONSTITUIÇÃO E DURAÇÃO DOS PROJETOS Definidos os grupos dos estudantes dos 2º e 3º anos nas suas respectivas séries, aos professores caberá a prerrogativa de definição dos temas a serem oferecidos aos grupos. Essa definição poderá ser estabelecida a partir de critérios como: relevância, impacto, contribuição à aprendizagem dos estudantes na perspectiva do aprofundamento, entre outros. Nesse sentido, recomendamos uma ampla discussão entre os professores, liderados pelos Coordenadores de Itinerários Formativos. Essa prerrogativa é importante, embora os professores também possam instalar um grande diálogo com os estudantes sobre os critérios para a seleção e definição dos temas, tendo em vista a sua pertinência, relevância, viabilidade etc. Ainda nessa fase, os grupos discutirão os métodos de investigação e os demais elementos que constituem o projeto, apoiados pelos professores. Aqui passa a ser de grande utilidade a aplicação dos conhecimentos relativos a métodos de pesquisa e investigação científica aprendidos pelos estudantes durante o 1º ano, como tema que antecedeu a oferta das Eletivas de Base no 1º semestre17. A duração dos projetos deve ser semestral para permitir que os estudantes participem do desenvolvimento de 4 projetos ao longo dos dois anos. No entanto, se em virtude das suas características, um projeto requerer um tempo maior para o seu desenvolvimento (um ano), isso deve ser analisado pelos Professores Coordenadores de Itinerários Formativos e professores. A NECESSÁRIA ORIENTAÇÃO DE NATUREZA ACADÊMICA E OS PROFESSORES- ORIENTADORES A presença e contribuição dos professores dos respectivos Itinerários Formativos é imprescindível para assegurar a devida orientação de natureza científica aos projetos propostos pelos estudantes. Para assegurar o enriquecimento e alargamento dos conhecimentos que não são típicos ou inerentes a determinado Itinerário, mas que eventualmente estejam presentes no desenvolvimento dos projetos, é necessário que os estudantes sejam orientados pelos professores daquelas áreas. Essa situação pode naturalmente acontecer em virtude de ser facultado aos estudantes se organizarem livremente, com outros colegas exclusivamente dos seus Itinerários ou, de maneira mais ampliada e diversificada, com colegas de outros Itinerários, sempre respeitando a quantidade indicada de estudantes por grupo. Podemos apresentar como exemplo um grupo de estudantes do Itinerário Formativo de Saúde que 17 Para saber mais sobre o tema Metodologia da Pesquisa Científica oferecida aos estudantes no 1º ano, consultar o Caderno de Formação - Metodologias de Êxito – Eletivas de Base. desenvolve um projeto sobre doenças tropicais das regiões ribeirinhasdo norte brasileiro que se associam aos estudantes do Itinerário Formativo de Ciências Humanas cujo interesse localiza-se em investigar o comportamento social e econômico das populações dessa região. Aqui, os professores de História e Geografia, assim como os professores de Biologia podem trabalhar juntos na orientação acadêmica aos estudantes, assegurando a exploração dos temas pelas diferentes “lentes” das distintas áreas. Flexibilização, diversificação e muito enriquecimento associados e assegurados pelo conhecimento dos professores, curiosidade e abertura dos estudantes. Aos estudantes do 3º ano, os professores orientam a elaboração dos projetos e também o trabalho acadêmico onde os estudantes sintetizam o produto do que aprenderam no campo teórico e na sua transposição para o campo da prática com a aplicação dos seus conhecimentos materializados nos Projetos de Corresponsabilidade Social. A AVALIAÇÃO Assim como nas demais Metodologias de Êxito, a avaliação do Projeto de Corresponsabilidade Social deve ser considerada no contexto das suas especificidades como componente curricular da Parte de Formação Diversificada18. Com metodologia específica, objetiva oportunizar aos estudantes a aplicação do conhecimento aprendido nos componentes curriculares da BNCC. Nessa perspectiva, Projeto de Corresponsabilidade Social assegura a integralização entre a Parte de Formação Diversificada e a BNCC 19. Sendo desenvolvida em profunda articulação com os temas e/ou conteúdos referentes aos componentes curriculares relativos aos respectivos Itinerários Formativos, os esforços e desempenho do estudante neste componente curricular devem ser reconhecidos e estimulados, sendo os seus resultados avaliados e considerados para efeito da composição da avaliação daqueles componentes curriculares com os quais o Projeto está mais diretamente ligado. UM EXEMPLO: num Projeto para desenvolvimento de mecanismos para o combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, desenvolvido por estudantes do Itinerário Formativo Saúde, no qual estão expressamente presentes temas relativos às arboviroses, doenças infecciosas, ações de prevenção à doença, medidas sanitárias etc., o desempenho do estudante deve ser considerado e repercutirá nas médias obtidas em Biologia e Química, tendo em vista que os temas e conteúdos destes componentes curriculares são predominantemente trabalhados nesse projeto. Esse resultado pode incidir nas médias 18 Recomendamos a leitura do Caderno de Formação – Gestão do Ensino e da Aprendizagem. 19 Aqui vale destacar que o Projeto de Corresponsabilidade Social notadamente contribui para o desenvolvimento e domínio das seguintes Competências Gerais da BNCC: 1 Conhecimento; 2 Pensamento Científico, crítico e criativo; 4 Comunicação; 5 Cultura Digital; 6 Trabalho e Projeto de Vida; 7 Argumentação; 8 Autoconhecimento e autocuidado; 10 Responsabilidade e Cidadania. bimestrais ou mesmo ser considerada como mais um resultado no conjunto de outros dos componentes curriculares. Por óbvio, a ponderação desses valores deve ser prerrogativa da Secretaria de Educação. No entanto, como contribuição derivada das experiências vividas e acumuladas pelo ICE, apresentamos duas alternativas para consideração das Secretarias, a partir de um cenário hipotético onde: p1 = prova 1 p2 = prova 2 s1 = seminário 1 P = Projeto Digamos que o sistema de avaliação da Secretaria de Educação considera que a média do bimestre é resultado da aplicação dos seguintes instrumentos: 2 provas e 1 seminário. Nesse caso, o desempenho no Projeto poderia ser considerado como mais um parâmetro a compor esse conjunto, como no exemplo a seguir: 𝑝1 + 𝑝2 + 𝑠1 + 𝑃 4 7 + 6 + 8 + 6 = 6,75 é a média do bimestre em Biologia. 4 8 + 5 + 8 + 7 = 7,0 é a média do bimestre em Química. 4 Ainda nesse mesmo cenário hipotético, o resultado da nota atribuída ao Projeto poderia ser considerado como parâmetro com atribuição de peso. Nesse caso, o desempenho no Projeto poderia corresponder a um dado percentual a incidir na média do bimestre e cujo valor (ou peso) deve, por óbvio, ser arbitrado pela Secretaria de Educação. Apresentamos um exemplo dessa aplicação onde o resultado do Projeto corresponde a 20% da média final do bimestre: 𝑝1 + 𝑝2 + 𝑠1 3 × 0,8 + 𝑃 × 0,2 9+4+5 3 × 0,8 + 7 × 0,2 = 6,6 é a média do bimestre em Biologia 8+8+6 3 × 0,8 + 8 × 0,2 = 7,4 é a média do bimestre em Química. Por fim, a nota obtida pelo estudante também deve ser resultado da aplicação de critérios de qualidade que considerem: a sua participação nos processos de planejamento, execução e avaliação das atividades realizadas; envolvimento pessoal e disposição em atuar de maneira colaborativa e contributiva com o grupo; atitude proativa diante do conhecimento; domínio do conteúdo e competências; além da aplicação do que aprendeu em situações práticas. Para isso, diferentes instrumentos de avaliação podem ser utilizados, tais como: fichas para registro do desempenho do estudante, portfólios, observação rotineira pelo professor e uso de agenda, análise crítica dos produtos gerados e apresentados durante o desenvolvimento do Projeto. A relação entre Projeto de Vida e Projeto de Corresponsabilidade Social: o que um tem a ver com o outro? Projeto de Corresponsabilidade Social apoia o Projeto de Vida porque oportuniza a experiência de conhecer, no plano prático, a aplicação de conhecimentos no desenvolvimento de projetos de intervenção social, exercitando o Protagonismo e a capacidade de ser propositor de soluções. Além disso, o permite conhecer com maior abrangência o universo de conhecimentos aplicados no Itinerário Formativo escolhido, fortalecendo as suas escolhas quanto ao seu Projeto de Vida. Além disso, também oportuniza ao estudante exercitar a habilidade de análise de um problema e usar o seu conhecimento para buscar soluções, exercitando a proatividade e a capacidade de execução e de conclusão daquilo que inicia. No Novo Ensino Médio, espera-se que os estudantes consigam estabelecer uma sólida relação entre aquilo que aprende e a sua aplicação criteriosa na perspectiva de contribuir para um mundo onde o bem-estar de todos seja um valor. Para apoiar a adequada compreensão do conceito - - e aplicação dessa Metodologia de Êxito no Novo Ensino Médio da Escola da Escolha, apresentamos uma breve síntese do que é e do que não é o Projeto de Corresponsabilidade Social. O QUE É O QUE NÃO É • É estratégia para o desenvolvimento da capacidade de aplicar no plano prático aquilo que aprende; • É uma oportunidade para desenvolver potenciais habilidades como aquelas relacionadas ao empreendedorismo; • É criação, por parte dos estudantes, de vínculos, de compromisso e engajamento em torno de um projeto comum; • É oportunidade de ampliar, diversificar e aprofundar conhecimentos em áreas não afins àquela definida como prioritária pelo estudante; • É condição para os jovens estabelecerem relações entre o conhecimento e sua aplicação na vida cotidiana; • É oportunidade para o professor verificar a eficácia do seu próprio trabalho na condução do ensino e trabalhar articulando sua prática com as demandas dos estudantes, agora num plano mais prático; • É uma Metodologia que deve favorecer o desenvolvimento da autoconfiança dos jovens na sua capacidade de aprender a aprender e aprender a fazer. • Não é um momento em que os estudantes vão montar um negócio; • Não é um momento em que não há o que estudar porque não “se parece com uma aula normal”; • Não é momento para o professor dar continuidade ao conteúdo visto em suas aulas; • Não é orientar os jovens sem se basear nas necessidades definidasnos seus projetos; • Não é, para o professor, tempo para realização de outras atividades que não seja apoiar o projeto dos estudantes. O PAPEL DO PROFESSOR O papel do professor nas aulas do Projeto de Corresponsabilidade Social é levar os estudantes a compreender a importância de aplicar na vida real e prática aquilo que aprende, fazendo uso de critérios nessa aplicação. O professor desafia e estimula os estudantes, mobiliza questionamentos e hipóteses, dúvidas e certezas, mobiliza a criação de um propósito em torno de uma causa à qual os seus conhecimentos devem servir. Para isso, deve considerar o respeito às individualidades cognitiva, afetiva e social; a importância do estímulo à constante curiosidade; favorecer a vivência e experimentação; o envolvimento, a autonomia e a criatividade na criação de soluções de maneira colaborativa e contributiva. O professor contribui no desenvolvimento dos estudantes de forma deliberada, compartilhando seus conhecimentos, experiências, valores e atitudes que lhes permitam ampliar cada vez mais o seu acervo de aprendizados e competências. O PERFIL DO PROFESSOR • É colaborativo, idealista, criativo, proativo, apaixonado pela construção do conhecimento e anseia por resultados; • Gosta de inovações, de pesquisa, de colocar em prática ideias diferentes. Profissionalmente está sempre aberto a novas perspectivas e novas experiências, enxergando-se como um permanente aprendiz; • É capaz de estimular a curiosidade de todos os estudantes, cria oportunidades de aprendizagem variadas, possibilitando descobertas e novas experiências a partir da identidade do jovem; • Entende que seu papel é de educar o jovem em todas as suas dimensões, estimulando o conhecimento teórico-prático, o pensamento crítico, analítico e propositivo, a iniciativa, o foco no futuro; • É sensível às necessidades variadas do jovem e suas diferentes bagagens e está comprometido com o sucesso de todos; • Acredita que a troca de conhecimento entre professores, professores e estudantes e entre estudantes é fundamental para o enriquecimento do processo de aprendizagem; • Está ciente de que a parceria com a família maximiza o aprendizado dos jovens; • Tem uma visão otimista do mundo, tolera incertezas e ambiguidades; • É entusiasta do trabalho em uma comunidade de aprendizagem colaborativa; • Acredita que a escola deve utilizar as novas tecnologias como ferramentas para melhorar a qualidade da aprendizagem; • É capaz de planejar atividades e itinerários formativos que exploram elos e possibilidades de trocas entre conteúdos dos componentes curriculares e os Itinerários Formativos; • A partir de diferentes interpretações e críticas, se interessa por outras perspectivas além da sua e é capaz de rever e expandir sua própria visão; • É inspiração para os estudantes; • Proporciona ampliação na visão de mundo dos jovens, auxiliando- os no processo para se tornarem indivíduos autônomos; • É capaz de trabalhar de um modo integrado com os demais professores e coordenadores por meio do planejamento e da realização de atividades compartilhadas ou pela integração de conteúdos afins. ATUAÇÃO DO PROFESSOR O Professor é um arquiteto da aprendizagem, um líder orientado pela Pedagogia da Presença, um organizador e um coautor de acontecimentos junto aos estudantes. Crê no Protagonismo como mecanismo de atuação legítima da juventude e oportuniza espaços e condições para o pleno desenvolvimento do seu potencial. ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. 4. ed. São Paulo: Mestre Jou, 2000. COSTA, Sérgio Francisco. Método científico: os caminhos da investigação. São Paulo: Harbra, 2001. ICE - Instituto de Corresponsabilidade pela Educação. Cadernos de Formação Concepção do Modelo Pedagógico. 4ª Ed. Vol. 4. Recife, 2020. ICE - Instituto de Corresponsabilidade pela Educação. Cadernos de Formação Inovações em Conteúdo, Método e Gestão do Ensino e da Aprendizagem. 4ª Ed. Vol. 10. Recife, 2020. JAPIASSU, Hilton Ferreira. Introdução ao pensamento Epistemológico. Rio de Janeiro, Livraria Francisco Alves Editora, 1992. SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma Ciência Pós-Moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1989. THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez & Autores Associados, 1988. TRIPP, David. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 3, p. 443-466, set./dez. 2005. Aqui encerramos o Caderno Inovações em Conteúdo, Método e Gestão - Metodologias de Êxito. Esperamos que ele tenha apoiado a sua trajetória na apropriação dos conhecimentos teóricos essenciais para dar suporte à sua atuação no Novo Ensino Médio na Escola da Escolha. Considere, sempre, que essa leitura deve ser uma entre muitas a serem realizadas e que os estudos em torno do Modelo para assegurar o seu pleno domínio demandam método, dedicação e associação com outros dispositivos, a exemplo dos estudos tanto individual quanto coletivos, reflexão acerca da própria prática pedagógica realizada e sua efetividade e a ampliação do acervo de referências tanto teóricas quanto práticas a serem incorporadas no processo formativo que agora se inicia na sua trajetória como educador de uma Escola da Escolha. As referências bibliográficas utilizadas na concepção desse Caderno e recomendadas para os seus estudos podem ser encontradas no Caderno Concepção do Modelo da Escola da Escolha.