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Sumário
AULA 1 – INTRODUÇÃO À HP 12C .............................................................................. 3
Exercício AULA 1 ................................................................................................................................................. 7
AULA 2 – CONHECENDO A CALCULADORA ............................................................. 8
Exercício AULA 2 ............................................................................................................................................... 15
AULA 3 – CONFIGURANDO SUA CALCULADORA ................................................... 16
Exercício AULA 3 ............................................................................................................................................... 22
AULA 4 – REGISTRADORES, FUNÇÕES E CÓDIGOS DE ERROS .......................... 23
Exercício AULA 4 ............................................................................................................................................... 30
AULA 5 – INTRODUÇÃO À MATEMÁTICA FINANCEIRA E DIAGRAMA DE FLUXO
DE CAIXA ..................................................................................................................... 31
Exercício AULA 05 ............................................................................................................................................ 35
AULA 6 – JUROS SIMPLES E JUROS COMPOSTOS ................................................ 36
Exercício AULA 06 ............................................................................................................................................ 43
AULA 7 – SÉRIES UNIFORMES, NÃO UNIFORMES E AMORTIZAÇÃO................... 44
Exercício AULA 07 ............................................................................................................................................ 51
AULA 8 – TAXAS DE JUROS E DESCONTOS ........................................................... 53
Exercício AULA 08 ............................................................................................................................................ 59
AULA 9 – GESTÃO DE CUSTO E FORMAÇÃO DE PREÇO ...................................... 61
Exercício AULA 9 ............................................................................................................................................... 83
AULA 10 – MERCADOS FINANCEIROS ..................................................................... 84
Exercício AULA 10 ............................................................................................................................................ 97
AULA 11 – ESTATÍSTICA I .......................................................................................... 98
Exercício AULA 11 .......................................................................................................................................... 132
AULA 12 – ESTATÍSTICA II ....................................................................................... 133
Exercício AULA 12 .......................................................................................................................................... 142
AULA 13 – CONTABILIDADE .................................................................................... 144
Exercício AULA 13 .......................................................................................................................................... 152
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Aula 1 – Introdução à HP 12c
De todas as máquinas financeiras atualmente disponíveis no
mercado, a HP 12C é, provavelmente, a mais antiga. Foi lançada
em 1981, dentro da clássica série de calculadoras 10C, composta
pelas máquinas HP 10C, 11C, 12C, 15C e 16C, todas lançadas
entre os anos de 1981 a 1985 e com pequenas diferenças entre
elas, veja nos modelos abaixo.
Modelo 10c
Modelo 11c
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Modelo 12c
Modelo 15c
Modelo 16c
Suas características principais incluem o fato de possuir mais
de 120 funções específicas para usos em negócios, que permitem
trabalhar com 20 diferentes fluxos de caixa, operações com taxas
internas de retorno e valores presentes líquidos.
É caracterizada por trabalhar com lógica RPN (do inglês
Reverse Polish Notation, ou notação polonesa reversa) – o que
permite uma entrada mais rápida de dados e a execução mais
eficiente dos cálculos.
Apresenta, ainda, de acordo com o site da HP baterias de
longa duração, tamanho pequeno e conveniente, além de
programação através do teclado. É intitulada como a calculadora
que não morreria, sendo a mais antiga e mais bem vendida
calculadora de todo o mundo. Embora outros modelos mais novos
e com muito mais recursos tenham sido lançados posteriormente,
as vendas da velha HP 12C seguem boas.
Alguns catálogos de vendas destacaram a superioridade
mecânica de outras máquinas, como a HP 17BII (apresentada
como 15 vezes mais rápida que a 12C e com capacidade de
5
armazenamento e processamento quatro vezes superior) ou a HP
19BII (15 vezes mais rápida e com capacidade nove vezes
superior de processamento de informações). Seguem imagens.
Modelo HP 17Bii Modelo HP 19Bii
E quais seriam as razões da persistência do uso da velha HP 12C
a ponto, por exemplo, de justificar sua aplicação em um texto
escrito longos 20 anos depois? Eis algumas justificativas:
1) É uma calculadora puramente RPN, sem opções
algébricas para confundir o comprador, ou o usuário. As
calculadoras mais novas, HP 17B e 19B, foram lançadas em
versões algébricas, rapidamente substituídas pelas
versões BII, com RPN opcional;
2) Os compradores, geralmente profissionais ligados a
áreas de negócios, são sempre ligeiramente conservadores
– o que os tornam aficionados pela HP 12C, já tradicional
no mercado;
3) Possui uma excelente aparência;
4) Como todas as outras calculadoras da série 10C, possui
uma boa e sólida aparência “feita como um tijolo”,
especialmente quando comparadas com outros modelos de
calculadoras disponíveis no mercado;
6
5) Ela já se tornou parte do “elegante uniforme executivo
de negócios”, o que a distingue facilmente dos modelos
mais simples.
6) Talvez forneça as funções apropriadas, de forma
apropriada e pelo preço mais justo possível.
De um modo geral, as duas principais características da
calculadora poderiam ser representadas por sua robustez (bem
cuidada, a máquina dura indeterminadamente) e simplicidade (é
fácil de operar, possuindo as principais funções necessárias em
matemática financeira, por exemplo).
Com a evolução das planilhas eletrônicas, como o Excel,
igualmente será apresentado neste curso, os usos da HP 12C
ficaram limitados a rápidas operações, ou cálculos mais simples.
Didaticamente, ainda representa um excelente recurso, em
função de executar as principais funções financeiras e apresentar
um custo muito mais baixo que um microcomputador portátil, por
exemplo.
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Exercício AULA 1
1- Qual é a calculadora financeira mais antiga do mercado?
2- Quando foi lançada?
3- Composta por quais outras máquinas?
4- Quantas funções possui?
5- O que é RPN?
6- Quais as justificativas para a resistência do uso da HP12C?
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Aula 2 – Conhecendo a Calculadora
Depois de tantas contas feitas “no braço”, chegou à hora de
resolvê-las usando a HP-12C. Uma HP-12C moderna opera sob a
forma de dois sistemas: algébrico (como todas as outras
calculadoras convencionais) e o RPN.
RPN o que é?
Como funciona?
RPN, Notação Polonesa Inversa também conhecida como
notação pós-fixada, foi criado por Jan Lukasiewicz, matemático
polonês, nos anos 20 e aplicado pelo filósofo e cientista da
computação australiano Charles Hamblin em meados dos anos
1950, para habilitar armazenamento de memóriade endereço
zero. A diferença entre estes dois sistemas está na forma de
entrada dos dados. No sistema algébrico as calculadoras
executam cálculos de uma forma direta, ou seja, obedecendo à
seqüência natural da Matemática. Para fazermos à operação 2 +
3, tecla-se primeiro 2, depois o +, e em seguida o 3 e,
finalmente, a tecla =. Resultado: 5. No sistema RPN a entrada de
dados é feita introduzindo primeiro os dados, separados pela
tecla ENTER. Tal sistema torna os cálculos extensos muito mais
rápidos e simples. É o sistema RPN que será explorado neste
curso. Para entendermos melhor isso, vamos dar uma olhada na
calculadora e em seus comandos e funções.
Linha Financeira
Teclas Especiais
Ligar e
Desligar
Acesso à
função
laranja
Acesso à
função
azul
Acesso à
memória
Entrada
http://pt.wikipedia.org/wiki/Fil%C3%B3sofo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Computa%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Austr%C3%A1lia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Hamblin
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anos_1950
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anos_1950
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Vamos testar de forma prática.
Com sua HP12C em mãos, vamos fazer o mesmo cálculo
proposto anteriormente, mas agora no Sistema RPN.
1º passo: Ligar sua HP12C. Pressione ON;
2º passo: Caso seu visor apresente algum número diferente de
zero, limpe-o usando a CLx;
3º passo: Depois pressione a tecla f (função laranja) e a seguir a
tecla 2 para o visor apresentar 2 casas decimais;
4º passo: Agora aperte 2, pressione ENTER e em seguida 3. Por
último, a tecla +. Resultado: 5.
Ela não é mais difícil que as calculadoras convencionais, ela
é diferente. Por ser diferente não estamos acostumados com esse
processo. Por ser diferente é que vamos estudá-la em detalhes.
Setores do Teclado
Vamos dividir a calculadora em setores para facilitar a
compreensão.
Setor de Entrada de Dados: Essas teclas permitirão a
você introduzir os dados dos seus problemas na máquina. O
ponto substitui a nossa vírgula.
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Setor de Operações Básicas: Essas operações são as
velhas conhecidas divisão, multiplicação, subtração e soma.
Setor de Potência e Raiz:
yx - Eleva um número y qualquer (base) a um número x
qualquer (expoente)
1/x – Calcula o inverso deste número, por exemplo, o inverso do
número 2 é 0,5.
√x - Calcula a raiz quadrada de um número x (função azul).
Atenção: Essa função calcula apenas a raiz quadrada de um
número. Raiz cúbica, quarta, etc., só através do artifício
matemático de elevar um número a um expoente fracionário.
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Setor de Porcentagem: O cálculo da porcentagem dá o
resultado de se aplicar uma taxa x, expressa como partes de cem
(por cento), a um valor base y. Uma expressão genérica para um
cálculo de porcentagem está mostrada logo abaixo da
calculadora.
Setor de Limpeza: Limpar um registro do visor substitui o
número dele por zero. A limpeza da memória de programa
substitui as instruções existentes por "g GTO 00". Há várias
operações de limpeza na HP 12c, como mostrado na tabela
abaixo.
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Teclas Significado
CLX Limpa os valores contidos no visor
f CLEAR REG (f
CLX)
Limpa tudo, exceto a memória de
programação
f CLEAR Σ Limpa os registros estatísticos, os registros
da pilha operacional e o visor
f CLEAR FIN Limpa os registros financeiros
f CLEAR PRGM Limpa a memória de programação (quando
no modo PRGM)
Setor Financeiro: É o setor mais utilizado na sua HP 12C
em matemática financeira. Quando entrarmos neste assunto,
falaremos especificamente de cada tecla.
Setor Calendário: Os cálculos financeiros dependem dos
períodos de tempo, por esta razão a habilidade de manipular
datas é importante. Saber o número de dias entre duas datas ou
calcular uma nova data dada a partir de uma data de referência e
um número de dias entre elas são partes freqüentes dos
problemas de finanças.
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Setor de Armazenamento/Recuperação de Dados: Aqui
esta o HD da sua HP12C.
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Setor de Troca-Troca: R↓ armazena os dados de X,Y e Z
enquanto LST x recuperar dados que estavam no visor antes da
última operação executada.
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Exercício AULA 2
1- Quais os dois sistemas usados pela HP12C?
2- Fale sobre o RPN
3- O teclado da HP12C é dividido em setores. Quais são eles?
4- Cite 4 teclas da calculadora e seus significados.
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Aula 3 – Configurando sua calculadora
Para saber se a calculadora está funcionando normalmente,
existem alguns procedimentos de teste que podem ser efetuados,
como:
Auto-teste dos circuitos
Teste automático
Com a calculadora desligada, pressione e mantenha
pressionada a tecla [x] (ou [+]) e depois ligue a HP12C,
pressionando a tecla [ON].
Solte a tecla [ON] e depois a tecla [x] (ou [+]).
Um auto-teste será realizado. Se o mecanismo da máquina
estiver funcionando corretamente, dentro de aproximadamente
25 segundos (durante os quais no visor será exibida a palavra
“running” piscando) todos os indicadores do visor serão exibidos
(a exceção do ‘*’: indicador de bateria fraca).
Se aparecer a expressão "Error 9" (veja imagem abaixo) ou
não aparecer nada, a calculadora está com problemas.
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Teste semi-automático
Com a calculadora desligada, pressione e mantenha
pressionada a tecla [÷] e depois ligue a HP12C, pressionando a
tecla [ON]. Solte a tecla [ON] e depois a tecla [÷]. Para
verificar todas as teclas da HP, nesta opção de teste é necessário
pressionar TODAS as teclas da máquina, da esquerda para a
direita, de cima para baixo. Ou seja, é necessário pressionar
todas as teclas, da tecla [N] até a tecla [÷], depois da tecla [yx]
até a tecla [x], da tecla [R/S] até a tecla [-], pressionando, na
passagem, a tecla [ENTER] e, por último, da tecla [ON] até a
tecla [+], passando, também, pela tecla [ENTER]. Assim, a tecla
[ENTER] deverá ser pressionada em duas passagens distintas.
De forma similar ao teste anterior, se o mecanismo da
máquina estiver funcionando corretamente, após pressionar todas
as teclas na ordem descrita, o visor indicará o número 12 no
centro. Se aparecer a expressão "Error 9" não aparecer nada, a
calculadora está com problemas.
Funções amarelas e azuis
Como forma de economizar teclas, a HP emprega o recurso
de atribuir à mesma tecla, diferentes funções. Algumas teclas da
HP apresentam legendas em branco (função principal), em
amarelo ou em azul. Para empregar uma função "amarela" é
necessário pressionar a tecla [f] antes. Para empregar uma
função "azul" é necessário pressionar a tecla [g] antes.
Exemplo: a tecla [i] apresenta outras duas funções
adicionais: a função [INT] em amarelo e a função [12÷].
Para usar a função [i] basta pressionar a tecla [i]. Para usar a
função [INT] é necessário pressionar, antes, a tecla [f] (note
que o visor indicará que tecla [f] foi pressionada) e depois a tecla
[INT]. De forma similar, para usar a função [12÷] é necessário
pressionar a tecla [g] (note que o visor indicará que tecla [g] foi
pressionada) e depois a tecla [12÷].
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Observações complementares
Lembre-se que quando a tecla [f] ou [g] é pressionada,
somente as funções em amarelo ou azul serão ativadas. Caso as
teclas [f] ou [g] tenham sido pressionadas de forma indesejada,
para cancelar a operação, basta pressionar as teclas [f]
[PREFIX].
Formatar exibição de casas decimais
Embora sempre trabalhe internamente com valores com
muitas casas decimais, a HP12C permite a exibição de um
número de casas decimais pré-fixado. Para fixar um número de
casas decimais, pressione a tecla [f] e depois o número de casas
decimais desejado. Por exemplo, para trabalhar com 2 casas
decimais, basta pressionar [f] 2. Para exibir 4 casas decimais,
pressione[f] 4.
Importante lembrar
Embora exiba valores com um número de casas decimais
predefinido, internamente a máquina processará um número com
um maior número de casas decimais. Em cálculos sucessivos, os
valores das etapas intermediárias exibidas no visor, podem,
portanto, ser diferentes do valor final exibido.
Assim, evite transcrever valores para o papel e depois para a
calculadora. Tente sempre usar as pilhas e os registradores da
calculadora.
Selecionar ponto ou vírgula
A HP12C permite usar o ponto ou a vírgula como separador
de casas decimais. Para trocar a opção em vigor, desligue a
máquina, pressione a tecla [.] e depois ligue a máquina,
liberando primeiro à tecla [ON] e depois a tecla [.].
Automaticamente, a HP12C trocará o separador de casas
decimais.
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Notação de números muito grandes ou muito pequenos
A HP permite a realização de cálculos com números que
sejam maiores que 10-100 e menores que 10100. Já que o visor só
permite a exibição de números com até 10 algarismos, números
muito grandes ou muito pequenos são exibidos sob a forma de
notação científica, onde a mantissa é apresentada primeiramente.
E, depois, o expoente de 10 que multiplica a mantissa. Por
exemplo, 14 milhões multiplicados por 24 milhões serão exibidos
na HP como sendo [3,360000 14]. Note a existência de
espaço entre 3,360000 e 14. O primeiro número [3,360000] é a
mantissa e o segundo [14] é o expoente de 10 que está
multiplicando a mantissa. De outra forma: 14.000.000 x
24.000.000 = 336.000.000.000 = 3,360000 x 10 .
Uma forma de trabalhar com valores muito grandes na HP é
viabilizada pela tecla [EEX] que representa o expoente de 10 que
multiplica o número que está sendo digitado. A função será mais
bem descrita a seguir.
Indicação de bateria fraca
Caso a bateria da máquina esteja fraca, aparecerá um
indicador [*] piscando no canto inferior esquerdo.
Para evitar um desgaste antecipado da bateria, deve-se
evitar colocar a calculadora próxima a fontes de campos
eletromagnéticos, como alto-falantes automotivos, aparelhos de
som, televisores, etc.
Lógica RPN
Note que a HP12C não possui uma das principais teclas de
calculadoras algébricas comuns que é a tecla de igualdade. A
razão dessa inexistência consiste no fato da HP trabalhar com
uma lógica matemática diferente: a lógica RPN.
Enquanto em uma operação algébrica comum, os operandos
devem ser intercalados por operadores, na lógica RPN os
operandos devem ser colocados primeiramente e, depois, devem
ser colocados os operadores.
A notação pré-fixada recebeu o nome de Notação Polonesa,
em homenagem a Jan Lukasiewicz (já falamos sobre ele,
anteriormente). A HP ajustou a notação pós-fixada para o teclado
20
das calculadoras, mediante o uso de pilhas para armazenamento
dos operandos e funções específicas para o manuseio das pilhas.
Pilhas de Registradores
Outra característica da HP é representada pela pilha de
registradores. Embora apenas um dos registradores da máquina
seja sempre exibido (o visor, também denominado registrador X),
existem outros, dispostos em forma de "pilha", que permitem e
facilitam a realização de cálculos sucessivos.
Conforme visto na representação anterior, o visor é
denominado Registrador X. Além dele, existem outros
registradores, como o Y, Z e T. Quando um número é digitado na
máquina, ele é automaticamente inserido no Registrador X
(visor). Ao pressionar a tecla [ENTER], o número é duplicado,
sendo seu valor copiado para o registrador Y. As operações da
máquina são quase sempre efetuadas com os registradores X e Y.
Assim, sugere-se que, antes de iniciar operações sucessivas
na HP, deve-se fazer a limpeza da pilha. Para limpar a pilha,
basta pressionar as teclas [f] [REG].
Last X
T
Z
Y
X
Registradores
da HP 12C
Outros
Registradores
Visor
21
A tecla [ENTER] consiste no principal mecanismo para a
operação de pilhas da HP 12C. Ao pressionar [ENTER], os
registradores são "empurrados" para cima na pilha, sendo o
conteúdo do visor (registrador X) duplicado. Quando as
operações são efetuadas, a calculadora opera os registradores X
e Y, mantendo o resultado no visor (registrador X).
É importante destacar que a única ocasião em que à tecla
[ENTER] deve ser pressionada é quando se deseja dois números
que estão sendo introduzidos consecutivamente, um número
imediatamente após o outro. Apenas nestas ocasiões o [ENTER]
deve ser utilizado.
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Exercício AULA 3
1- Quais os testes que devem ser efetuados para verificar se a
calculadora está funcionando corretamente?
2- Quais são as três cores utilizadas na HP12C?
3- Como identificamos que a bateria está fraca?
4- Cite os registradores da HP12C.
23
Aula 4 – Registradores, Funções e Códigos de Erros
Algumas funções da HP são próprias para as operações
envolvendo a pilha de registradores. Deve-se destacar:
[R↓]: rola a pilha para baixo.
[X↔Y]: troca a posição dos registradores X e Y;
[LST X]: recupera o último registrador X;
[CLX]: limpa o registrador X (apenas);
[f] [REG]: limpa todos os registradores da HP (não apenas a
pilha), incluindo os registradores financeiros e os estatísticos.
Registradores adicionais
Um outro conjunto de registradores da HP pode ser utilizado
mediante o emprego das teclas:
[STO] - do inglês STORE, armazene. Armazena valores em um
registrador que pode variar de 0 a 9 (vinte opções disponíveis);
[RCL] - do inglês RECALL, recupere. Recupera valores
armazenados na função [STO].
Registradores Estatísticos
Um grupo de funções e recursos especiais da HP12C permite
a execução de cálculos estatísticos básicos.
Para isso, é necessário entrar com os dados necessários,
empregando a função [Σ+]. Caso algum valor errado tenha sido
incluído, pode-se excluí-lo mediante a tecla [Σ-]. Naturalmente,
antes de armazenar valores nos registradores estatísticos é
necessário limpar o conteúdo anterior mediante a função [f] [Σ].
Funções estatísticas básicas:
[f] [Σ]: limpa valores armazenados nos registradores
estatísticos.
[Σ+]: acrescenta dados aos registradores estatísticos da HP12C.
[Σ-]: subtrai dados aos registradores estatísticos da HP12C.
É interessante observar que a HP12C não armazena os
dados individuais, mas, sim, um conjunto de somatórios, descrito
na tabela seguinte. Dos somatórios armazenados é possível
construir as principais medidas estatísticas como a média, o
desvio-padrão e o coeficiente de correlação, que serão abordadas
posteriormente.
24
Quadro 1: Registradores estatísticos da HP12C
Registrador Estatístico Registrador da HP
N: número de dados armazenados R1 : Registrador 1
ΣX: somatório de X R2 : Registrador 2
ΣX2: somatório de X ao quadrado R3 : Registrador 3
ΣY: somatório de Y R4 : Registrador 4
ΣY2: somatório de Y ao quadrado R5 : Registrador 5
ΣXY: somatório de (X vezes Y) R6 : Registrador 6
Assim, para recuperar o número de elementos incluídos nos
somatórios (n) basta recuperar o registrador 1: [RCL] 1. Para
recuperar o Σ XY basta recuperar o registrador 6: [RCL] 6.
Registradores Financeiros
Podem ser de dois tipos básicos: registradores de séries
uniformes e registradores de fluxos de caixa (séries não
uniformes).
Séries uniformes: os registradores de séries uniformes são
representados pelas teclas localizadas logo abaixo do visor : [n],
[i], [PV], [PMT] e [FV].
Séries não uniformes: Os registradores de séries não uniformes
são ativados através das funções [g] [CF0] e [g] [CFj] e
armazenados nos registradores numéricos. Podem ser
armazenados até 20 registradores de fluxos de caixa não
uniformes. As principais funções são representadas pelas teclas:
[f][NPV] e [f] [IRR].Registradores e funções financeiras serão abordados neste
curso com mais detalhes em capítulos de matemática financeira.
25
Funções algébricas
As funções algébricas da HP 12C permitem a realização de
cálculos matemáticos elementares. As principais funções são
representadas pelos operadores algébricos básicos [+], [-], [x],
[÷], que, respectivamente, efetuam as operações de soma,
subtração, multiplicação e divisão.
Funções percentuais
São três as funções que facilitam cálculos percentuais da HP
12C:
[%]: calcula a percentagem fornecida no registrador X em cima
do registrador Y.
[%T]: calcula quantos por cento do registrador X o registrador Y
vale.
[∆%]: calcula a variação percentual existente entre os
registradores Y e X, nesta ordem.
Funções de datas
É importante ressaltar que a HP só permite cálculos com
datas entre 15/10/1582 e 25/11/4046. Antes de começar a
trabalhar com cálculos de data na HP 12C é necessário configurar
a notação empregada.
Para isso, antes de colocar as datas na máquina, deve-se
selecionar uma das opções representadas nas funções :
[g] [D.MY]: configura a HP para trabalhar no modo de notação
dia.mês.ano;
[g] [M.DY]: configura a HP para trabalhar no modo de notação
mês.dia.ano.
Como, no Brasil, é adotada a convenção de notação de datas
no formato dia, mês e ano, recomenda-se que o indicador D.MY
esteja sempre ativado.
[g] [DATE]: com base no registrador Y, calcula a data futura ou
passada acrescida do número de dias presente no registrador X.
[g] [∆DYS]: calcula o número de dias corridos existentes entre
as datas fornecidas nos registradores Y e X.
26
Funções estatísticas
Um grupo de recursos extremamente úteis da HP 12C está
representado nas funções estatísticas da calculadora. Através de
funções estatísticas simples, é possível obter-se algumas
estatísticas básicas como a média, o desvio-padrão, a média
ponderada, o coeficiente de correlação e variáveis interpoladas.
[g] [ ] - calcula a média aritmética simples dos valores de X e
Y armazenados no modo de somatório.
[g] [s] - calcula o desvio padrão amostral dos valores de X e Y
armazenados no modo de somatório.
[g] [ W] - calcula a média ponderada dos valores de X e Y
armazenados no modo de somatório.
Funções estatísticas aplicáveis à análise de regressão e
correlação
A análise de regressão/correlação é facilitada na HP 12C
através de duas funções principais :
[g] [ ,r] - interpola ou extrapola o valor de X com base em
outros valores de X e Y armazenados no modo de somatório.
Também calcula o coeficiente do valor de correlação r;
[g] [ŷ,r] - interpola ou extrapola o valor de Y com base em
outros valores de X e Y armazenados no modo de somatório.
Também calcula o coeficiente do valor de correlação r.
Funções financeiras
A seguir serão apresentadas as principais funções financeiras
da HP12C. Todas estas funções serão abordadas com maior
profundidade durante o módulo de Matemática Financeira. É
importante ressaltar a necessidade do correto uso de dois
indicadores (“flags”) fundamentais nos cálculos que envolvem
matemática financeira na HP12C:
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Flag Ativa Desativa Descrição
C [STO]
[EEX]
STO] [EEX] Quando ativado indica a
opção de cálculo de juros
compostos nas parcelas
fracionárias de períodos não
inteiros. Quando não ativado,
indica que nas parcelas
fracionárias de períodos não
inteiros o cálculo no regime
de juros compostos ocorrerá
mediante juros simples.
BENGIN [g] [BEG] [g] [END] Quando ativado, indica que a
série calculada é antecipada
(primeira prestação paga no
ato). Quando desativado,
indica cálculos com séries
postecipadas, onde o
pagamento da primeira
prestação é diferido.
Funções financeiras de séries uniformes:
[n]: número de períodos da série;
[i]: taxa da série (válido para uniformes e não uniformes);
[PV]: do inglês Present Value, valor presente da série;
[PMT]: do inglês Payment, valor da prestação (ou pagamento)
da série;
[FV]: do inglês Future Value, valor futuro da série.
Funções financeiras de séries não uniformes:
[g] [CF0]: do inglês Cash Flow 0, armazena o fluxo de caixa na
data zero;
[g] [CFj]: do inglês Cash Flow j, armazena o fluxo de caixa na
data j (j entre 1 e 20);
[g] [Nj]: armazena o número de fluxos de caixa repetidos;
[f] [NPV]: do inglês Net Present Value, calcula o valor presente
líquido de um fluxo de caixa não uniforme.
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Funções de programação
Um recurso útil da calculadora HP 12C em determinadas
situações consiste na possibilidade de programar a máquina.
Existem várias funções e recursos de programação, como:
[R/S]: do inglês RUN/STOP, solicita ou interrompe a execução
de um programa;
[f] [P/R]: do inglês PROGRAM/RUN, colocada a calculadora no
modo de programação (PROGRAM) ou de execução (RUN);
[f] [PSE]: do inglês PAUSE, fornece uma pausa de cerca de 1
segundo na execução do programa;
[f] [PRGM]: do inglês CLEAR PROGRAMS, limpa os programas
registrados na memória da calculadora;
[g] [GTO]: do inglês GO TO, executa um desvio de rotina em
programa, com instrução do tipo “vá para”;
[SST]: do inglês STEP, executa o programa passo a passo;
[g] [BST]: do inglês BACK STEP, volta um passo na execução do
programa.
Códigos de erro
Eventualmente, na operação da HP 12C pode ocorrer alguma
falha, resultando em um procedimento incorreto, muitas vezes
indicado por uma mensagem de erro. As principais mensagens de
erro da calculadora serão descritas a seguir:
Error 0: erro em operações matemáticas.
Exemplos: divisão de número por zero, raiz quadrada de número
negativo, logaritmo de número menor ou igual à zero, fatorial de
número não inteiro.
Error 1: ultrapassagem da capacidade de armazenamento e
processamento da máquina : a magnitude do resultado é igual ou
superior a 10100.
Por exemplo, fatorial de 73. Note que a mensagem de erro não
aparece: apenas uma série de noves aparece no visor.
Error 2: operações estatísticas com erro.
Por exemplo, média com n igual a 0.
Error 3: erro no cálculo da taxa interna de retorno (IRR). Neste
caso, a mensagem informa que o cálculo é complexo, podendo
envolver múltiplas respostas e não poderá prosseguir, a menos
que você forneça uma estimativa para a taxa interna de retorno
(IRR).
29
Error 4: erro em operações com a memória da calculadora.
Por exemplo : tentativa de introdução de mais de 99 linhas de
programação; tentativa de desvio (GTO) para uma linha
inexistente em um programa; tentativa de operação com os
registradores de armazenamento (R5 a R9 ou R.0 a R.9);
tentativa de utilização de um registrador ocupado com linha de
programação.
Error 5: erro em operações com juros compostos.
Provavelmente, algum valor foi colocado com o sinal errado
(todos os valores têm o mesmo sinal), ou os valores de i, PV e PF
são tais, que não existe solução para n.
Error 6: problemas com o uso dos registradores de
armazenamento. O registrador de armazenamento especificado
não existe, ou foi convertido em linha de programação. O número
de fluxos de caixa inseridos foi superior a 20.
Error 7: problemas no cálculo da taxa interna de retorno (IRR).
Não houve troca de sinal no fluxo de caixa.
Error 8: problemas com o calendário. Pode ser decorrente do
emprego de data inapropriada ou em formato impróprio;
tentativa de adição de dias além da capacidade da máquina.
Error 9: problemas no auto-teste. Ou o circuito da calculadora
não está funcionando corretamente, ou algum procedimento no
auto-teste apresentou falhas.
30
Exercício AULA 4
1- Quantos são os tipos de registradores?
2- E quais são eles?
3- Quais são os registradores de: série unifome e não-uniforme.
4- Quais são os operadores da função percentual?
5- Fale sobre os códigos de erro.
31Aula 5 – Introdução à Matemática Financeira e Diagrama de
Fluxo de Caixa
Conceituação e importância do estudo da matemática
financeira
Podemos conceituar matemática financeira, de maneira
simplista, é o ramo da matemática que tem como objeto de
estudo o comportamento do dinheiro ao longo do tempo. Avalia-
se a maneira como este dinheiro está sendo ou será empregado
de maneira a maximizar o resultado, que se espera positivo. Com
as ferramentas adequadas pode-se também comparar entre duas
ou mais alternativas, aquela que mais benefícios nos trarão, ou
menos prejuízo acarretará.
Na atual economia, que se diz globalizada, não se concebe
qualquer projeto, seja de que área for, em que o aspecto
financeiro não seja um dos mais relevantes para sua execução.
No dia a dia das famílias ocorre o mesmo fenômeno. Discute-se
cada vez mais o último IGP (Índice Geral de Preços), a inflação ou
deflação, a taxa de juros básicos da economia, a famosa SELIC
divulgada após longas reuniões do COPOM.
Enfim, números, índices e taxas que em princípio nos parece
saídos de algum caldeirão alquímico, mas que na verdade são
sempre variações sobre o mesmo tema: Estatística,
matemática pura e matemática financeira.
Para exemplificarmos melhor imagine a decisão entre
comprar aquele fogão em 10 vezes “sem juros” ou pouparmos o
dinheiro para comprarmos o mesmo produto à vista.
Quais os custos envolvidos nessa decisão?
Como avaliar monetariamente a decisão?
Pois é. Quantas vezes já não nos vimos diante deste e de
outros dilemas, que podem parecer simples, mas, se você não
possuir alguns conhecimentos básicos, parecem insolúveis?
Então, a matemática financeira se ocupa em estudar e
fornecer as tais ferramentas adequadas para a tomada de decisão
com a maior precisão possível.
Se na vida pessoal já temos que tomar decisões que nos
afetarão por um bom tempo, imagine na vida de uma empresa
32
cujo faturamento, na maioria das vezes é bastante superior a
renda de uma família.
Note que as decisões são, basicamente, as mesmas. O que
muda são os efeitos e o grau de precisão com que os cálculos
devem ser feitos.
Assim o estudo da matemática financeira se reveste de vital
importância para qualquer pessoa que almeje entender o mundo
atual tal qual ele se apresenta: Fluxos de capital em corrente pelo
mundo, tornando economias, hoje estáveis, em instáveis de uma
hora para outra. Decisões de cunho social, sendo tomadas
considerando como mais relevantes aspectos financeiros.
Enfim, o dinheiro ditando as regras em quase todos, senão
todos os aspectos de nossas vidas.
Já não cabe discutir se isso é bom ou mau, até porque não
dá para se discutir aquilo que não entendemos. Cabe-nos tentar
compreender essa nova realidade, da melhor maneira possível
para, aí sim tentarmos altera-la para o que julgamos melhor.
Elementos básicos em Matemática Financeira
Por mais práticos que possamos querer ser, alguns princípios
básicos devem ser seguidos. Assim iniciaremos nosso estudo da
maneira tradicional e iremos aos poucos demonstrando a
aplicação dos conceitos nas atividades da empresa.
A seguir os termos mais comumente encontrados nos
relacionamentos financeiros:
Capital: Valor aplicado através de alguma transação financeira.
Nas operações de crédito pode ser conhecido como Principal (aí
embutidos impostos como o IOC). Também pode ser tratado
como Valor Atual, Valor presente ou Valor Aplicado.
Note que o mais importante não é a maneira como ele é
chamado, mas sim o fato de que é sobre ele que incidirão os
encargos financeiros, também conhecidos como juros.
Juros: Representam à remuneração do capital empregado, seja
pelo Banco seja pela Empresa. Quando você aplica um capital em
algo, está tomando uma decisão de adiar um consumo, certo?
Assim, você espera obter de alguma forma um “prêmio” por ter
deixado de consumir e ter poupado. Esse prêmio é representado
pelo juro que você recebe caso aplique num Fundo de
33
Investimento de um Banco, Poupança ou empreste o dinheiro a
algum amigo.
Montante: É a soma do capital com os juros. Pode também ser
chamado de valor futuro (capital empregado mais à soma dos
juros no tempo correspondente).
As notações mais comumente apresentadas pelas publicações são
representadas abaixo.
C = Capital;
n = número de períodos (dias, meses, anos ou simplesmente nº.
de parcelas);
j = juros simples decorridos n períodos;
J = juros compostos decorridos n períodos;
r = taxa percentual de juros;
i = taxa unitária de juros (i = r/100);
P = principal ou valor atual;
M = Montante de capitalização simples;
S = Montante de capitalização composta.
Observação: Note que existem notações em letras
maiúsculas e minúsculas e que têm sentidos diferentes.
Diagrama de Fluxo de Caixa
Um diagrama de fluxo de caixa, é simplesmente a
representação gráfica numa reta, dos períodos e dos valores
monetários envolvidos em cada período, considerando-se uma
certa taxa de juros ‘i’.
Traça-se uma reta horizontal que é denominada eixo dos
tempos, na qual são representados os valores monetários,
considerando-se a seguinte convenção:
*dinheiro recebido - seta para cima.
*dinheiro pago - seta para baixo.
34
Exemplo:
Veja o diagrama de fluxo de caixa a seguir:
O diagrama da figura acima, por exemplo, representa um
projeto que envolve investimento inicial de 800, pagamento de
200 no terceiro ano, e que produz receitas de 500 no primeiro
ano, 200 no segundo, 700 no quarto e 200 no quinto ano.
Convenção:
Dinheiro recebido - flecha para cima Þ valor positivo
Dinheiro pago - flecha para baixo Þ valor negativo
Vamos agora considerar o seguinte fluxo de caixa, onde C0,
C1, C2, C3, ..., Cn são capitais referidos às datas, 0, 1, 2, 3, ..., n
para o qual desejamos determinar o valor presente (PV).
O problema consiste em trazer todos os capitais futuros para
uma mesma data de referencia. Neste caso, vamos trazer todos
os capitais para a data zero. Do diagrama de fluxo de caixa visto
acima, concluímos que o valor presente - PV - do fluxo de caixa
será:
PV = C0+ + + +...+
500
200
700
200
800
200
0
1 2
3
4 5
1%
0 1 2 3 4 n
C0
C1
C2
C3
C4
Cn
C1 C2 C3 Cn
(1+i)¹ (1+i)² (1+i)³ (1+i)n
35
Exercício AULA 05
1 - Numa loja de veículos usados, são apresentados ao cliente
dois planos para pagamento de um carro:
Plano A: dois pagamentos, um de $ 1.500,00 no final do sexto
mês e outro de $ 2.000,00 no final do décimo segundo mês.
Plano B: três pagamentos iguais de $ 1.106,00 de dois em dois
meses, com início no final do segundo mês.
Sabendo-se que a taxa de juros do mercado é de 4% a.m., qual o
melhor plano de pagamento?
2 - Um certo equipamento é vendido à vista por $ 50.000,00 ou a
prazo, com entrada de $ 17.000,00 mais três prestações mensais
iguais a $ 12.000,00 cada uma, vencendo a primeira um mês
após a entrada. Qual a melhor alternativa para o comprador, se a
taxa mínima de atratividade é de 5% a.m.?
3 - Um equipamento pode ser adquirido pelo preço de $
50.000,00 à vista ou, a prazo conforme o seguinte plano:
Entrada de 30% do valor à vista, mais duas parcelas, sendo a
segunda 50% superior à primeira, vencíveis em quatro e oito
meses, respectivamente. Sendo 3% a.m. a taxa de juros do
mercado, calcule o valor da última parcela.
Observação: Utilize sua calculadora e apresente os Fluxos
na resolução do exercicio.
36
Aula 6 – Juros Simples e Juros Compostos
A cobrança de juros não é prática exclusiva da era moderna.
Há indícios históricos de que ocorria desde tempos remotos, na
era pré-urbana, quando a atividade econômica era
fundamentalmenteagrícola. Exemplo: alguém, que por algum
motivo tinha um cavalo disponível, podia emprestá-lo a outro que
precisava de um cavalo para ajudá-lo em sua colheita.
Entretanto, quem emprestou não estava interessado apenas
em receber o cavalo de volta após algum tempo. Desejava
também uma parte dos grãos que o cavalo contribuiu para
produzir, ou seja, era a cobrança de juro sobre o empréstimo do
cavalo.
Com o advento da moeda e, mais tarde, dos intermediários
financeiros (bancos), as coisas se sofisticaram. Mas o conceito
fundamental continua tão simples quanto essa história do cavalo.
Conceitos básicos do juro simples
A forma mais elementar de uma operação de empréstimo
financeiro é graficamente representada na figura abaixo, uma
pessoa recebe do credor um valor C e, depois de um período de
tempo T, paga ao credor um valor M, correspondente ao valor C
acrescido dos juros.
T (periodo)
C é denominado capital, valor atual ou valor presente.
M é denominado montante ou valor no horizonte.
A taxa de juro i é a proporção de C correspondente ao
acréscimo. Assim:
C (crescimento)
M (pagamento)
37
M = C + Ci = C(1 + i)
É praxe a indicação dos juros em termos percentuais.
Portanto, p = 100i ou i = p/100, onde p é o valor do juro em
percentual. E a fórmula anterior pode ser escrita:
M = C (1 + p/100)
Se i é a taxa para um período de referência T, a taxa it para
um período diferente t é, no critério dos juros simples, dada pela
proporção aritmética:
it = it / T
De outra forma, pode-se dizer que, se i é a taxa de juro
simples para um período T, a taxa in para n períodos T é dada
pelo produto:
in = n i
(equivale à substituição t = n T na fórmula anterior).
Na aplicação dos juros simples, as taxas são, portanto,
proporcionais. Se i é a taxa para um período, a relação ‘M = C +
Ci = C (1 + i)’ para n períodos é assim escrita:
Mn = C (1 + n i). Onde Mn é o montante após n períodos.
Exemplo: uma pessoa tomou R$ 1.000,00 emprestados para
pagar em seis meses com juros simples de 2% ao mês.
Determinar o valor a ser pago.
A taxa decimal é i = 2/100 = 0,02. Portanto, M6 = 1000 (1
+ 6 × 0,02) = R$ 1.120,00.
Na praxe comercial, o período-base é, em geral, o ano.
Exemplo: juros de 0,12 ou 12% ao ano. São também comuns as
seguintes definições para períodos fracionários:
• Juro exato: usa a proporção correspondente aos dias do
ano, it = i t / 365.
• Juro comercial: considera o ano com 360 dias, it = i t /
360, e o período t deve ser dado em múltiplos de 30 dias
(meses).
38
• Juro ordinário: mesmo critério do comercial, it = i t /
360, mas o período t pode ser dado em qualquer número de dias.
Notar que os mesmos conceitos de juros são válidos para
investimentos, isto é, C pode ser o valor aplicado e M o resgate
do investimento com o acréscimo dos juros.
Exemplo: um capital de R$ 10.000,00 é aplicado por 135
dias em um fundo que rende 12% ao ano. Calcular o montante
após esse período considerando juro simples ordinário.
A taxa anual é i = 12/100 = 0,12. Segundo definição
anterior, i145= 0,12 145 / 360 ≈ 0,048. Aplicando a formula que
já conhecemos:
M = 10000 (1 + 0,048) = R$ 10.480,00.
Exemplo: se uma aplicação rende 12% ao ano, calcular o
tempo necessário para dobrar o capital investido considerando
juros simples. Usa-se a relação Mn=C (1 + n i). Neste caso,
Mn=2C e i=12/100 = 0,12. Substituindo, 2C=C(1+0,12n).
Resolvendo, n≈8,33 anos.
39
Juro Composto
No conceito de juro composto, os juros dos períodos
anteriores são acumulados para o período seguinte em forma de
progressão geométrica.
No exemplo da figura abaixo, cada retângulo numerado
representa um período T, ao qual corresponde uma taxa de juro i.
De acordo com a relação a formula do montante do capitulo
anterior, o montante M1 (final do período 1) correspondente ao
capital C no início do mesmo período é dado por:
M1=C(1+i).
Esse valor é o capital para o início do segundo período.
Assim, M2=M1(1 + i)=C(1+i)(1+i)=C(1+i)
2. Para o último
período, M12=C(1+i)
12. Generalizando para n períodos,
Mn=C(1+i)
n
C M
1
=
C
(1
+
i)
01 02 03 04 05
06 07 08 09 10 12 11
M
2
=
M
1
=
C
(1
+
i)
=
C
(1
+
i)
²
M12=C(1+i)
12
40
Considerando os n períodos equivalentes a um único período
de taxa in, pode-se fazer a igualdade Mn=C(1+i)
n=C(1+in).
Simplificando, in=(1+i)
n−1.
Essa fórmula calcula, portanto, a taxa de juro composto in
para n períodos de taxa de juro i. Ela pode ser rearranjada para
indicar a taxa por período i em função da taxa dos n períodos in:
i=(1+in)
1/n−1
Supõe-se agora a relação da formuia acima com k períodos,
ik=(1+i)
k−1. Se é conhecida a taxa in para n períodos, substitui-
se o valor de i dado pela formula acima nessa relação e o
resultado é: ik=(1+in)
k/n−1. Ou seja, a taxa para k períodos é
calculada em função da taxa para n períodos.
Em razão do fato de o capital de um período ser igual ao
montante (capital mais juros) do período anterior, juros
compostos são também denominados juros capitalizados ou juros
sobre juros.
Na maioria dos países, inclusive o Brasil, as operações
financeiras são quase sempre calculadas com juros compostos. É
necessário, entretanto, prestar atenção a alguns conceitos de
praxe para evitar equívocos:
• Taxa nominal: é um valor apenas de referência, adotado
para um determinado período (em geral, um ano), com menção
dos períodos a capitalizar. Exemplo: 36% ao ano capitalizados
mensalmente.
• Taxa do período (proporcional): é a taxa nominal
proporcional a cada período de capitalização. No exemplo
anterior, o seu valor é 36% / 12 = 3% ao mês.
• Taxa efetiva: é a taxa de juros compostos, calculada com
a taxa por período, para o número de períodos desejados.
Exemplo: no caso de 36% ao ano capitalizados
mensalmente, a taxa por período é p = 36% / 12 = 3% ao mês.
Ou i = p/100 = 0,03. Para um ano (12 meses), a taxa efetiva é
calculada segundo igualdade:
i12=(1+0,03)
12−1≈0.426 ou 42,6%.
41
Na forma genérica, é comum o uso da notação i(m), onde i é
a taxa nominal para o ano e m é o número de capitalizações por
ano (não é expoente). Assim, a taxa do período é i(m)/m.
Substituindo em in=(1+i)
n−1 e reagrupando,
(1+i(m)/m)m=i+1. Onde i é a taxa anual efetiva equivalente a i(m).
n 1% 2% 3% 4% 5% 6% 7% 8% 9% 10% 12% 15% 18%
1 1,010 1,020 1,030 1,040 1,050 1,060 1,070 1,080 1,090 1,100 1,120 1,150 1,180
2 1,020 1,040 1,061 1,082 1,103 1,124 1,145 1,166 1,188 1,210 1,254 1,323 1,392
3 1,030 1,061 1,093 1,125 1,158 1,191 1,225 1,260 1,295 1,331 1,405 1,521 1,643
4 1,041 1,082 1,126 1,170 1,216 1,262 1,311 1,360 1,412 1,464 1,574 1,749 1,939
5 1,051 1,104 1,159 1,217 1,276 1,338 1,403 1,469 1,539 1,661 1,762 2,011 2,288
6 1,062 1,126 1,194 1,265 1,340 1,419 1,501 1,587 1,667 1,772 1,974 2,313 2,700
7 1,072 1,149 1,230 1,316 1,407 1,504 1,606 1,714 1,828 1,949 2,211 2,660 3,185
8 1,083 1,172 1,267 1,369 1,477 1,594 1,718 1,851 1,993 2,144 2,476 3,059 3,759
9 1,094 1,195 1,305 1,423 1,551 1,689 1,838 1,999 2,172 2,358 2,773 3,518 4,435
10 1,105 1,219 1,344 1,480 1,629 1,791 1,967 2,159 2,367 2,594 3,106 4,046 5,234
11 1,116 1,243 1,384 1,539 1,710 1,898 2,105 2,332 2,580 2,853 3,479 4,652 6,176
12 1,127 1,268 1,426 1,601 1,796 2,012 2,252 2,518 2,813 3,138 3,896 5,350 7,288
13 1,138 1,294 1,469 1,665 1,886 2,133 2,410 2,720 3,066 3,452 4,363 6,153 8,599
14 1,149 1,319 1,513 1,732 1,980 2,261 2,579 2,937 3,342 3,797 4,887 7,076 10,147
15 1,161 1,346 1,558 1,801 2,079 2,397 2,759 3,172 3,642 4,177 5,474 8,137 11,974
16 1,173 1,373 1,605 1,873 2,183 2,540 2,952 3,426 3,970 4,595 6,130 9,358 14,129
17 1,184 1,400 1,653 1,948 2,292 2,693 3,159 3,700 4,328 5,054 6,866 10,761 16,672
18 1,196 1,428 1,702 2,0262,407 2,854 3,380 3,996 4,717 5,560 7,690 12,375 19,673
A tabela acima dá os resultados de (1 + i)n, onde i = p/100,
para diversos valores de p e n. Naturalmente, ela é desnecessária
diante de calculadoras e programas como planilhas de cálculo.
Mas em provas, o seu uso pode ser solicitado.
42
Comparação juros simples e compostos
O gráfico da Figura acima faz a comparação do montante M
de um capital C = R$ 100,00 em relação ao período em meses,
para juros simples e compostos de i = 0,01 (ou 1%) por mês.
De acordo com fórmulas já vistas,
• Juros simples: M = 100 (1 + 0,01 n).
• Juros compostos: M = 100 (1 + 0,01)n.
Essas fórmulas permitem deduzir (e o gráfico demonstra)
que, para a mesma taxa por período, juros compostos produzem
resultados mais elevados por serem progressões geométricas.
Juro Composto 1% ao mês
Juro Simples 1% ao mês
100
110
120
130
140
150
160
170
M(R$)
0 6 12 18 24 30 36 42 48
43
Exercício AULA 06
1-Um capital é aplicado do dia 5 de maio ao dia 25 de novembro
do mesmo ano, a uma taxa de juros simples ordinário de 36% ao
ano, produzindo um montante de R$ 4.800,00. Nessas condições,
calcule o capital aplicado, desprezando os centavos.
2- A quantia de R$10.000,00 foi aplicada a juros simples exatos
do dia 12 de abril ao dia 5 de setembro do corrente ano. Calcule
os juros obtidos, à taxa de 18% ao ano, desprezando os
centavos.
3- Indique, nas opções abaixo, qual a taxa unitária anual
equivalente à taxa de juros simples de 5% ao mês.
a) 0,6 a.a
b) 60% a.a
c) 6,0 a.a
d) 6% a.a
4- Os capitais de R$20.000,00, R$30.000,00 e R$50.000,00
foram aplicados à mesma taxa de juros simples mensal durante
4, 3 e 2 meses respectivamente. Obtenha o prazo médio de
aplicação desses capitais.
Observação: Utilize sua calculadora e apresente os calculos
na resolução do exercicio.
44
Aula 7 – Séries Uniformes, Não Uniformes e Amortização
Séries Uniformes
Uma série uniforme de valores monetários (pagamentos ou
recebimentos), na qual todas as prestações (PMT, R ou T) têm
um mesmo valor, no regime de juros compostos, é usualmente
conhecida por modelo Price.
Problemas fundamentais:
a) Dado PMT achar PV
b) Dado PV achar PMT
c) Dado PMT achar FV
d) Dado FV achar PMT
Dado PMT achar o PV
Este problema envolve a obtenção do valor presente PV, a
partir do valor de cada prestação PMT de uma série uniforme de n
prestações, dada uma taxa de juros i, e consiste na solução da
seguinte fórmula:
)
)1(
1)1(
(
n
n
ii
i
PMTPV
O fator )
)1(
1)1(
(
n
n
ii
i
é denominado Fator de Valor Atual, cujas
principais notações são: FVA (i, n), FRP (i, n) ou ainda Ani e cujos
valores constam das tabelas financeiras.
Dado PV achar PMT
Este problema envolve a obtenção do valor PMT de cada
prestação, sendo as prestações em número n, a partir do valor
presente PV, dada uma taxa de juros i e consiste na solução da
seguinte expressão:
)
)1(
)1(
(
1
n
n
i
ii
PVPMT
45
O fator )
)1(
)1(
(
1
n
n
i
ii
é denominado Fator de Recuperação de
Capital, cujas principais notações são: FRC (i, n), FPR (i, n) ou
ainda Ani e cujos valores constam das tabelas financeiras.
Dado PMT achar FV
Este problema consiste em determinar o montante
acumulado FV, no final de n períodos, a partir da capitalização
das n prestações de valor PMT, a uma dada taxa de juros i,
mediante a aplicação da seguinte fórmula:
)
1)1(
(
i
i
PMTFV
n
O fator
)
1)1(
(
i
i n
é denominado Fator de Acumulação de
Capital, cujas principais notações são: FAC (i, n), FRS (i, n) ou
ainda Sni e cujos valores constam das tabelas financeiras.
Dado FV achar PMT
Este problema envolve a obtenção do valor PMT de cada
prestação, sendo as prestações em número n, a uma dada taxa
de juros i, a partir do valor futuro FV e consiste na solução da
seguinte relação:
)
1)1(
(
ni
i
FVPMT
O fator )
1)1(
(
ni
i
é denominado Fator de Formação de
Capital, cujas principais notações são: FFC (i, n), FSR (i, n) ou
ainda 1 / Sni e cujos valores constam das tabelas financeiras.
46
Série Não Uniforme
Se alguma regra da série uniforme não for respeitada (uma
entrada para várias saídas iguais e consecutivas),teremos uma
série não uniforme, ou seja, os prazos entre as parcelas podem
variar, o valor das parcelas são diferentes ou podem haver
entradas e saídas intercaladas no fluxo. Portanto as fórmulas
válidas para a série uniforme não fazem sentido para a série
uniforme. O procedimento para cálculo da taxa na série não
uniforme é o mesmo da série uniforme, ou seja, tentativa e erro.
A taxa também é conhecida como Taxa Interna de Retorno.
Vamos imaginar que no exemplo da série uniforme as 2 últimas
prestações estão sendo pagas juntas no 3º mês (o fato do valor
das parcelas ser diferente caracteriza uma série não uniforme).
PV = 15.000,00
n = 3
IRR = ? (Internal Rate of Return)
Como a forma de calcular a taxa é similar ao da série
uniforme, precisamos “trazer” os lançamentos para o instante
inicial.
2% 3% 4% 5%
1º Lançamento 4.015,59 3.976,60 3.938,37 3.900,86
2º Lançamento 3.936,85 3.860,78 3.786,89 3.715,10
3º Lançamento 7.719,32 7.496,66 7.282,48 7.076,38
Total 15.671,76 15.334,04 15.007,74 14.692,34
NPV -671,76 -334,04 -7,74 -307,66
Antes de continuarmos com o cálculo para determinar a
taxa, podemos observar que para cada taxa sugerida foi
4.095,90 4.095,90 8.191,80
15.000,00
0 1 2 3
47
calculado o NPV (Net Present Value), valor presente líquido, que
representa o somatório dos lançamentos (incluindo o valor inicial)
calculados no instante inicial do fluxo.
Podemos afirmar com certeza que a taxa procurada está
entre 4 % e 5%. Fazendo mais algumas tentativas:
4,0%=> Somatório das parcelas descapitalizadas: R$ 15.007,74
4,1%=> Somatório das parcelas descapitalizadas: R$ 14.975,71
4,02%=> Somatório das parcelas descapitalizadas: R$ 15.001,32
4,03%=> Somatório das parcelas descapitalizadas: R$ 14.998,12
4,024%=> Somatório das parcelas descapitalizadas: R$ 15.000,04
4,025%=> Somatório das parcelas descapitalizadas: R$ 14.999,72
Se utilizarmos novamente 9 casas decimais o resultado é:
4,024125812%.
O quadro abaixo mostra que, a série não uniforme e a série
uniforme, possuem os mesmos conceitos em relação ao cálculo
da taxa.
Saldo Devedor Taxa de Juros Saldo Corrigido Prestação
1º mês 15.000,00 4,024125812 15.603,62 4.095,90
2º mês 11.507,72 4,024125812 11.970,81 4.095,90
3º mês 7.874,91 4,024125812 8.191,81 8.191,80
Algumas vezes, devido a arredondamentos, aparecem
pequenas diferenças.
É interessante observarmos que o fato de haver um
lançamento maior e conseqüentemente uma prazo menor fez que
a taxa da série não uniforme (4,024%) fosse maior que a da
série uniforme (3,625%).
Amortização
Segundo o Dicionário Eletrônico Aurélio:
Amortizar
1. Passar (bens, haveres, etc.) para corporações de bens de mão-
morta [V. bens de mão-morta.]
2. Extinguir (dívida) aos poucos ou em prestações.
3. Abater (parte de uma dívida), efetuando o pagamento
correspondente:
Amortização
1. Ato de amortizar.
48
2. Cada uma das parcelas das dívidas amortizáveis. Amortização
de ações. Jur.
1. Operação pela qual as sociedades anônimas, dos fundos
disponíveis e sem redução do capital, distribuem por todos os
acionistas, ou por alguns deles, a título de antecipação, somas de
dinheiro que caberiam às ações em caso de liquidação.
O valor da amortização está embutido no valor das parcelas
ou pagamentos:
Valor_parcela= juro + amortização
Se uma dívida não for amortizada ela nunca acabará.
Sistema Francês
No sistema francês as prestações são fixas e os valores de
amortização crescentes. A tabela price é uma adaptação do
sistema francês.
Relembremos o exemplo da série uniforme:
Vamos imaginar um financiamento de R$ 15.000,00 com 4
prestações de R$ 4.095,90, já sabemos que a taxa deste fluxo é
3,625080076%.
Sld.
Devedor
Taxa de
Juros
Sld.
Corrigido
Prestação Juros Amortização
1º mês 15.000,00 3,625080076 15.543,76 4.095,90 543,76 3.552,14
2º mês 11.447,86 3,625080076 11.862,85 4.095,90 414,99 3.680,91
3º mês 7.766,95 3,625080076 8.048,51 4.095,90 281,56 3.814,34
4º mês 3.952,61 3,625080076 4.095,90 4.095,90 143,29 3.952,61
Saldo corrigido: Saldo devedor x (1 + Taxa de juros / 100);
Saldo devedor: Saldo corrigido (mês anterior) - Prestação (mês
anterior) ou
Saldo devedor: Saldo devedor (mês anterior) - Amortização
(mês anterior);
Prestação: Juro + Amortização.
Sistema de Amortização Constante
49
Também conhecido por SAC, neste sistema as amortizações
possuem valor fixo e as prestações valores decrescentes.
O valor da amortização é obtido a partir da divisão do valor
da dívida pelo número de parcelas.
Se no exemplo anterior fosse adotado o SAC, teríamos o
seguinte:
15.000,00
Valor_amortização = ------------- => Valor_amortização = 3.750,00
4
Obtemos o seguinte quadro:
Mês Sld. Dev. Taxa Juros Sld. Corr. Prestação Juros Amortiz.
1º 15.000,00 3,625080076 15.543,76 4.293,76 543,76 3.750,00
2º 11.250,00 3,625080076 11.862,85 4.157,82 407,82 3.750,00
3º 7.500,00 3,625080076 7.771,88 4.021,88 271,88 3.750,00
4º 3.750,00 3,625080076 3.885,94 3.885,94 135,94 3.750,00
Sistema de Amortização Misto
Também conhecido por SAM, neste sistema os valores de
amortização são obtidos a partir da média aritmética entre os 2
sistemas anteriores.
Mantendo o exemplo:
Mês Sist. Francês SAC SAM
1º 3.552,14 3.750,00 3.651,07
2º 3.680,91 3.750,00 3.715,46
3º 3.814,34 3.750,00 3.782,17
4º 3.952,61 3.750,00 3.851,31
50
Obtemos o seguinte quadro:
Mês Sld. Dev. Taxa Juros Sld. Corr. Prestação Juros Amortiz.
1º 15.000,00 3,625080076 15.543,76 4.194,83 543,76 3.651,07
2º 11.348,93 3,625080076 11.760,34 4.126,87 411,41 3.715,46
3º 7.6330,47 3,625080076 7.910,19 4.058,89 276,72 3.782,17
4º 3.851,30 3,625080076 3.990,91 3.990,91 139,61 3.851,30
Obs.: Foi feito um pequeno ajuste para eliminarmos a diferença.
51
Exercício AULA 07
01- Um investidor aplicou durante 4 meses R$ 2.000,00. A taxa
de 3 % a.m. permaneceu constante por todo o período. Qual era
o valor que o investidor tinha ao final de cada mês?
02- Na aquisição de um bem financiado em 48 meses, as parcelas
ficaram no valor de R$ 680,00 cada. Sabendo que a taxa de juros
cobrada foi 1,5% a.m., determine o valor desse bem.
03- Uma pessoa deposita anualmente $ 7.500,00 numa conta
especial particular. Qual será o saldo daqui a 60 meses, para um
juros de 8 % a.a. concedida pelo banco?
04- Considere um empréstimo de R$ 20.000,00 com taxa de
juros de 2% a.m. e prazo de 5 meses.
04.1) Complete a tabela considerando o Sistema Francês de
amortização e prestação de R$ 4.243,17.
Mês Saldo Devedor Saldo Corrigido Prestação Juros Amortização
04.2) Com as mesmas informações, complete a tabela
considerando o Sistema de Amortização Constante.
Mês Saldo Devedor Saldo Corrigido Prestação Juros Amortização
52
04.3) Com as mesmas informações, complete a tabela
considerando o Sistema de Amortização Misto.
Mês Saldo Devedor Saldo Corrigido Prestação Juros Amortização
53
Aula 8 – Taxas de Juros e Descontos
Taxas de Juros
É a taxa de juros em que a unidade referencial de seu tempo
coincide com a unidade de tempo dos períodos de capitalização.
Exemplos: 1% ao mês, capitalizados mensalmente;
12% ao ano, capitalizados anualmente.
Tendo em vista a coincidência nas unidades de medida dos
tempos das taxas de juros e dos períodos de capitalização,
costuma-se dizer simplesmente: 1% ao mês e 12% ao ano.
Taxas Proporcionais
São taxas de juros fornecidas em unidades de tempo
diferentes que, ao serem aplicadas a um mesmo capital, durante
um mesmo prazo, produzem um mesmo montante ao final
daquele prazo, no regime de juros simples.
Exemplos: 12% ao ano e 1% ao mês;
12% ao ano e 3% ao trimestre;
12% ao ano e 6% ao semestre.
As taxas proporcionais podem ser assim relacionadas:
ia = is x 2 = iq x 3 = it x 4 = im x 12 = id x 360
Taxas Equivalentes
São taxas de juros fornecidas em unidades de tempo
diferentes que, ao serem aplicadas a um mesmo capital, durante
um mesmo prazo, produzem um mesmo montante no final
daquele prazo, no regime de juros compostos.
54
Cálculo da taxa equivalente:
ieq = [(1 + i)
p/q – 1] . 100
onde: ieq= taxa equivalente (que se quer calcular);
i = taxa fornecida;
p = período desejado (para o qual se deseja calcular a
taxa equivalente);
q = período fornecido (aquele a que se refere a taxa
fornecida).
Taxa Nominal
É a taxa de juros em que a unidade referencial de seu tempo
não coincide com a unidade de tempo dos períodos de
capitalização. A taxa nominal é sempre fornecida em termos
anuais e os períodos de capitalização podem ser semestrais,
quadrimestrais, trimestrais, mensais ou diários.
Exemplos: 10% ao ano, capitalizados mensalmente
24% ao ano, capitalizados semestralmente
A taxa efetiva correspondente é assim calculada:
100].1)1[( nN
n
i
i
onde: iN = taxa nominal
n = número de períodos de capitalização
Taxa Over
Trata-se de uma taxa nominal cuja unidade de referência de
seu tempo é o mês e a unidade de referência do período de
capitalização é o dia útil.
Exemplo:2% a.m., por dia útil
55
A taxa efetiva correspondente é calculada por:
100].1)
30
1[( no
i
if
Onde i0 = taxa over
n = número de dias úteis do mês
Taxa Bruta e Taxa Líquida
Taxa bruta de uma aplicação financeira é a taxa de juros
obtida considerando o valor da aplicação e o valor de resgate
bruto, sem levar em conta o desconto do imposto de renda que é
retido pela instituição financeira.
Taxa líquida de uma aplicação financeira é a taxa de juros
obtida considerando o valor da aplicação e o valor de resgate
líquido, levando em conta o desconto do imposto de renda que é
retido pela instituição financeira.
Taxa Aparente e Taxa Real
Há que se distinguir duas componentes nas taxas correntes
de mercado: uma destinada a preservar a moeda contra a
inflação e outra destinada a remunerar em termos reais o capital.
A taxa real é o rendimento (ou custo) de uma operação
depois de expurgados os efeitos inflacionários.
A relação entre as taxas é a seguinte:
)1).(1()1( jria
onde, por período: ia = taxa aparente;
r = taxa real;
j = taxa de inflação
56
Desconto Racional Simples (ou ‘Por Dentro”)
É obtido pela diferença entre o valor nominal (N ou FV) e o
valor atual (V ou PV) de um título que é descontado “n” períodos
antes de seu vencimento.
).1(
..
).1( ni
niN
ni
N
NVNDr
onde: N = valor nominal do título;
i = taxa de desconto por período;
n = número de períodos de antecipação.
E o valor descontado racional:
).1().1(
..
ni
N
ni
niN
NDNV rr
Desconto Comercial Simples (ou “Por Fora”)
É obtido multiplicando-se o valor nominal (N ou FV) pela
taxa de desconto por período (i) e este produto pelonúmero de
períodos de antecipação (n).
niNDc ..
E o valor descontado comercial:
).1(.. niNniNNDNV cc
Desconto Bancário Simples
É o desconto comercial acrescido de uma taxa de
administração ou de serviço cobrada sobre o valor nominal do
título.
).(... hniNNhniNDb
onde: N = valor nominal do título;
i = taxa de desconto por período;
57
n = número de períodos de antecipação;
h = taxa de administração ou de serviço.
E o valor descontado bancário:
)].(1[).( hniNhniNNDNV bb
Ao invés de uma taxa de administração cobrada sobre o
valor nominal do título, é comum a cobrança de uma tarifa, que
pode ser uma tarifa por título descontado ou uma tarifa por
operação.
sdescontadotítulosntfniNDb º... ou TFniNDb ..
onde: N = valor nominal do título;
i = taxa de desconto por período;
n = número de períodos de antecipação;
tf = tarifa cobrada por título descontado;
TF = tarifa cobrada pela operação (independente
do número de títulos descontados).
E o valor descontado bancário:
sdescontadotítulosntfniNDNV bb º.).1(
ou
TFinNDNV bb )1(
Taxa Efetiva (if)
É aquela que, aplicada sobre o valor descontado, durante o
prazo de antecipação, permite reproduzir o valor nominal ao final
do período.
a) Taxa efetiva no desconto racional simples. É a própria taxa
aplicada no cálculo do desconto.
58
b) Taxa efetiva no desconto comercial simples
100).
1
(
n
Vc
N
if
c) Taxa efetiva no desconto bancário simples
100).
.1
(
ni
i
if
Desconto Racional Composto (ou “Por Dentro”)
É obtido pela diferença entre o valor nominal (N ou FV) e o
valor atual (V ou PV) de um título que é descontado “n” períodos
antes de seu vencimento.
n
n
n i
iN
i
N
NVNDr
)1(
]1)1[(
)1(
Observação: embora exista matematicamente, o desconto
comercial não é praticamente utilizado pelo mercado no regime
de juros compostos.
59
Exercício AULA 08
01- Um produto que custa R$80,00 está sendo vendido por
R$75,00. Qual a taxa de desconto oferecido?
02- Um determinado produto é vendido à vista com desconto de
12%. Qual a taxa de juros que será paga por quem optar pela
compra com cheque pré-datado para 30 dias?
03- Uma pessoa possui R$1.000,00 aplicados à taxa de 5% a.m.,
uma televisão que custa R$1.000,00 é vendida com desconto de
5% para pagamento à vista. A televisão deve ser comprada à
vista ou com cheque pré-datado para 30 dias?
04- Complete a tabela:
Taxa Desc. Taxa Juros Taxa Desc. Taxa Juros
2,00000 2,00000
3,00000 3,00000
6,00000 5,00000
12,00000 10,00000
22,50000 15,00000
24,00000 20,00000
05- Um posto de gasolina oferece as seguintes condições de
pagamento: Cheque para 90 dias ou desconto de 5% para
pagamento à vista. Qual a taxa de juros mensal paga por quem
opta pelo pagamento em cheque?
06- Quais são as taxas equivalentes?
06.1) 25 % a.a. em 180 dias?
06.2) 21 % a.a em 30 dias?
06.3) 20,5 % a.a. em 61 dias?
06.4) 5 % a.m. em 90 dias?
06.5) 22 % a.a. em 91 dias?
06.6) 0,1 % a.d. em 180 dias?
60
07- Há 5 dias foi aplicado R$10.000,00 em um fundo de
investimento cuja cota valia 3,098768650, hoje a cota vale
3,114072297.
07.1) Qual o percentual de variação da cota?
07.2) Quanto valerá a cota ao final de 30 dias de aplicação se
forem mantidas as mesmas condições de valorização?
08- Um banco anunciou indevidamente um CDB (Certificado de
Depósito Bancário) que dobraria o valor investido em 180 dias.
08.1) Qual seria a taxa ao ano deste CDB?
08.2) Qual a taxa ao ano do CDB, sabendo-se que o investimento
correto dobra o capital investido em 2 anos?
61
Aula 9 – Gestão de Custo e Formação de Preço
A primeira coisa que pensamos quando desenvolvemos um
produto, quando revendemos um produto ou apenas quando
estamos interessados em lucrar por um trabalho é: ‘Por quanto
vender?’.
A priori, devemos nos basear nos seguintes fatores:
- Cobrir custos;
- Maximizar ganhos:
* Financeiros;
* De penetração;
* Imagem (goodwill);
* Solidez (a longo prazo).
Outra pergunta comum é: ‘Quanto o cliente está disposto
a pagar?’.
Para chegar a uma conclusão mais correta, devemos nos
perguntar algumas coisas:
*Quem é efetivamente o meu cliente e o meu consumidor?
*Quem são os meus competidores?
*Como os meus clientes valorizam o meu produto?
*Quanto e como podem pagar?
*Como convencer os clientes?
*Meu produto (realmente) é melhor do que o da concorrência?
Depois de descobrir por quanto você pode vender, você
precisa saber por quanto consegue vender. Eis os
questionamentos que te ajudaram a achar mais uma resposta:
Preciso levar em conta o custo direto/indireto/fixo/variável,
as despesas variaveis de venda, custos de logistica, impostos,
custos de comunicação e promoção e custos financeiros.
Lembre-se sempre que é muito importante saber quem é
sua concorrência, onde estão posicionados (produtos, escala,
tecnologia, preços e condições de pagamento, logistica usada,
abastecimento, armazenagem/distribuição, valor da imagem,
nicho ou massa dirigida), também é importante avaliar a
estrutura do mercado: competição, monopolio, direferenciação,
etc.
Parece complexo e dificil passar por todo esse processo
apenas para elaboração de um preço, mas é exatamente esse
processo que diferencia o sucesso do fracasso. Só com muito
trabalho e pesquisa uma empresa nova se mantem no mercado.
62
Para ajudar nesse processo, abaixo seguem formulas:
[Preço unitário - Custo unitário] x Quantidade
[Px - Cx] x Qx
Ponto de equilíbrio
[Px - Cx] x Qx = 0
Sendo X > 0
Margem de contribuição
Px – CVx
Px
Conheça os 6 pecados capitais na gestão de custo e
elaboração de preço:
* Fazer preço apenas em função da concorrência;
* Fazer preço apenas em função do custo;
* Fazer rateio dos custos fixos aos produtos;
* Definir produtos e preços pelo viés das vendas;
* Focar FOB e não CIF;
* Não considerar que só o bolso do consumidor final é que sente
os custos totais;
Vale ressaltar também que custo e preço não servem apenas
para se ter lucro e/ou não ter prejuizo. Veja abaixo para a Gestão
de Custos é importante:
Valorização
* custos de estoques;
* custos de produtos;
* preços;
* lucros;
* interface contábil, fiscal e tributária.
Controle
* eficiência;
* consumo de materiais;
* processos;
* mão de obra;
* gerencial/departamental/ setorial.
63
Planejamento
* planejamento, programação e controle de produção e de
estoque;
* análise de resultados;
* análise de investimentos;
* política comercial;
* política econômico-financeira (orçamento, fluxo de caixa,
preços, etc);
* “Make-or-buy”.
Além de:
* Projetar produtos e serviços;
* Identificar qual etapa do processo de produção deve ser
aprimorado;
* Tomada de decisão de onde deve ser direcionado os
investimentos;
* Negociação de preços e especificações de produtos;
* Manter estrutura de canais de distribuição adequadas.
Sabemos que manter a competitividade de uma empresa
sempre em alta é um dos grandes desafios enfrentado por todas
as empresas. A vasta literatura acerca do tema propicia infinitos
recursos para o desenvolvimento da sustentação da vantagem
competitiva. Portanto vale ressaltar que geralmente as
tradicionais soluções de curto prazo desenvolvidas pelas
empresas nem sempre têm clareza e detalhamento da melhor
direção a ser seguida, pois a vantagem competitiva geralmente
está intimamente ligada à estruturação da cadeia de valores da
empresa.
Uma ferramenta útil para sustentar a competitividade é a
gestão estratégica de custos. Ela tenta compreender onde a
empresa estará amanhã diante de todas as variáveis que
envolvem o ambiente empresarial.
Tendo assim uma visão diferente se compararmosa
estratégias puramente simples que geralmente refere-se aos
planos da alta administração para alcançar os objetivos
almejados pela empresa.
A gestão estratégica de custos "é o uso de custos para
desenvolver e identificar estratégias superiores que produzirão
uma vantagem competitiva" (Hansen; Mowen; 2001, p. 423)
Sendo assim a gestão estratégica de custos surge como uma
alternativa de entender às demandas do sistema econômico com
64
relação as variáveis vividas nos mercados buscando a melhoria
continua da competitividade.
Classificação de Custos
A partir da conceituação de custos, as empresas utilizam-se
de várias formas ou métodos para transferí-los aos preços de
venda de seus produtos. Tais métodos são chamados de sistemas
de custos e sua aplicação está fundamentada numa prévia e
rigorosa classificação e controle dos variados gastos envolvidos
nas atividades empresariais.
Os custos, em qualquer empresa, podem ser classificados
sob vários critérios:
a. Com base na estrutura da empresa: classificação
funcional.
Numa empresa industrial, por exemplo, suas principais
funções são a de Fabricação ou Produção, Administração e
Comercialização ou Vendas. Para a finalidade de construir
controles mais refinados de custos pode ainda comportar outras
divisões, tais como, Distribuição, Finanças, Tributação, etc.
b. Com base na sua variação com o volume de produção e
vendas: classificação proporcional.
Em relação ao seu comportamento face as oscilações no
volume de produção e vendas, os custos podem ser fixos (quando
independem do nível de produção e/e vendas) ou variáveis
(quando guardam uma relação diretamente proporcional com o
nível de atividades da empresa).
Dessa forma, num dado período de tempo, são variáveis os
gastos com matérias primas, componentes, energia elétrica,
salários da mão-de-obra direta, tributação, comissões; tais
despesas acompanham rigorosamente o sentido da variação do
nível de atividades da empresa: aumentam ou diminuem
conforme o volume de unidades produzidas e vendidas no
período.
Por outro lado, são fixos os gastos com depreciação do
capital imobilizado em máquinas, equipamentos, móveis,
instalações, etc.; com salários do pessoal indireto da produção
(tais como, supervisores, encarregados, etc.); com salários do
65
pessoal administrativo; com alugueis, taxas, seguros, despesas
financeiras (que dependem exclusivamente do volume de
empréstimos para capital de giro que a empresa tomou), etc; tais
gastos tendem a permanecer em torno de um determinado
patamar, para uma ampla faixa de variação do volume de
produção e vendas, num dado período de tempo.
c. Com base na sua caracterização no produto: quanto à
possibilidade de sua identificação no produto.
Os gastos podem ser diretos (quando são prontamente
caracterizados no produto - na unidade produzida -, via sua
composição física, seu processo de produção ou de
comercialização) ou indiretos (quando são gastos gerais
relacionados a atividades auxiliares, paralelas ou correlatas às
atividades produtivas e, portanto, não relacionados a nenhum
produto em particular).
Assim são diretos todos os gastos com insumos materiais e
energéticos; embalagens; salários da mão de obra direta;
comissões sobre as vendas; tributação (ICMS, IPI, COFINS, etc),
entre outros; são indiretos, os gastos administrativos,
financeiros, gastos com o processo de produção não associados à
unidade produzida tais como, a depreciação das máquinas e
equipamentos, os salários do pessoal de supervisão, materiais de
limpeza e lubrificação, etc.
d. Com relação ao fluxo de saídas do caixa no período.
Face à existência ou não de contrapartida de caixa no
período os gastos podem implicar em desembolso (saídas de
valores monetários, tais como alugueis, salários, impostos, etc)
ou podem ser gastos atribuídos ou imputados ao período (tais
como, depreciação, parcelas dos encargos sociais constituídas de
previsões de despesas que podem ou não ocorrer - p. ex.,
provisão de depósitos para rescisão por justa causa, etc).
É possível, a partir da classificação exposta, construir os
principais instrumentos de dimensionamento, análise e controle
estratégico de custos e resultados, relacionados ao movimento
66
das empresas em períodos determinados, como passaremos a
abordar nos tópicos que se seguem.
Análise Econômica de Custos: Custos – Volumes – Lucros
A utilização por parte do empreendimento de recursos
produtivos geradores de custos fixos (que independem, em
amplas faixa, das oscilações no nível de atividades) resulta no
estabelecimento de relações específicas entre o nível de
atividades operacionais (volume de produção e vendas) e o
montante de lucros obtido. Tais relações caracterizam-se pela
ocorrência do efeito de alavancagem operacional, que ocasiona a
variação mais do que proporcional dos lucros a partir de uma
dada modificação no volume de produção e vendas.
A análise desse fenômeno permite responder questões
estratégicas para o funcionamento dos empreendimentos no
mercado tais como:
- Em que medida o volume de atividades operacionais
afeta o montante e a margem de lucro?
- O que se pode esperar em termos do montante e da
margem de lucro a partir de oscilações no nível de
atividades operacionais da empresa?
- A partir de que volume de produção e vendas a empresa
pode obter lucros em suas operações produtivas?
Um dos conceitos que auxilia a abordagem das questões
colocadas é o de ponto de nivelamento econômico (o chamado
“break-even point”). Num projeto ou numa empresa em
funcionamento este ponto representa um volume de produção e
vendas (expresso em volume físico, valor monetário ou como
proporção da capacidade instalada) que satisfaça a seguinte
igualdade:
L=RT-CT, com L=0, ou seja,
RT=CT (1)
sendo, RT=q*pv (2)
onde:
RT = Receita total do período
q = quantidade vendida no período.
67
pv = preço unitário de venda.
L = Montante de Lucro obtido.
CT = Custos Totais = CF + CVT, em (1):
RT = CF + CVT ou
RT - CVT = CF (3)
CF = Custos Fixos do período.
CVT = Custos Variáveis Totais
sendo, CVT = q*v (4), e
v = custos variáveis unitários.
De (1), (2) e (3) temos
q*pv=CF+q*v ou
CF =q*(pv-v) (5)
onde, (pv - v) = mcp , sendo
mc = margem de contribuição unitária do produto, então
CF = q * mcp (6)
Temos ainda que:
MC = RT - CVT e MC / RT = IMC
Ou, RT * IMC = RT - CVT (7), com
MCT = Margem de contribuição total.
IMC = índice da margem de contribuição total.
Trata-se de determinar o volume de produção ou vendas a
partir do qual a empresa passa a obter resultado positivo para
suas operações produtivas, vale dizer, o volume a partir do qual
as receitas totais superam os custos totais.
Assim a partir das equações (1), (2), (4), (5) e (6) pode-se
obter os seguintes resultados:
a. Ponto de nivelamento econômico expresso em
quantidade (para uma empresa monoprodutora):
q = CF / mcp
b. Ponto de nivelamento econômico expresso em valores
monetários (para as empresas multiprodutoras):
Para quase todas as empresas o ponto de nivelamento
expresso em quantidade não faz sentido, pois elas possuem uma
68
ampla variedade de produtos. Por isso é necessário expressar o
nivelamento em valores monetários. Assim, de (3) e (7) tem-se:
IMC * RT = CF ou
RT = CF / IMC
Para a utilização deste conceito, que estima o ponto de
nivelamento econômico da empresa, deve-se observar as
seguintes condições:
a. No período analisado a composição e o volume físico da
produção deve ser igual à das vendas.
b. A margem de contribuição deve ser positiva e tanto os custos
variáveis unitários como os preços devem ser uniformes, ou
invariantes do ponto de vista técnico.
c. A capacidade e a produtividadeda produção são conhecidas e
não se alteram.
d. As funções de custos utilizadas são previsíveis.
Dimensionamento e Controle de Custos
A partir da classificação vista no ítem anterior é possível
identificar a estrutura de custos (a composição dos gastos com os
recursos produtivos utilizados) de um empreendimento.
Complementando-a com a estrutura de receitas (a
composição das vendas) pode-se obter o resultado econômico do
período, o que propicia a análise econômica das atividades
produtivas, bem como uma série de informações de muita
utilidade para o controle de custos em vários níveis, para o
processo decisório estratégico empresarial e, fundamentalmente,
para a escolha e construção de sistemas de determinação de
custos de referência para a fixação de preços de vendas para os
produtos.
A discussão deste tópico deve ter como ponto de partida e
pano de fundo a preocupação com a taxa de retorno da empresa,
objetivo básico dos empreendimentos capitalistas. Tanto a
margem de lucro quanto a rotação do capital produtivo estão
diretamente ligadas à estrutura de custos e receitas.
69
Portanto, e tendo presente as diferentes classificações
anteriormente discutidas, deve-se entender a estrutura de custos
e o demonstrativo de receitas, custos e resultado econômico para
determinados períodos, como instrumentos “ex-ante” para
decisões estratégicas e “ex-post” para revisões corretiva-
estratégicas dos resultados das atividades produtivas analisadas.
Estrutura de Custos
Formalmente, a estrutura de custos mostra a participação de
cada elemento de custo no total dos gastos da empresa, num
dado período. Estão aí registrados o quanto se "gastou" para
fabricar os produtos da empresa, desde a aquisição de insumos
materiais até sua entrega aos clientes.
Evidentemente, as estruturas são específicas de cada
empresa, refletindo sua estrutura administrativa, o padrão
tecnológico empregado na produção, o número de pessoas
ocupadas nas diferentes atividades (diretamente produtivas ou
não), a estrutura comercial, a política de vendas praticada, e
assim por diante.
Por outro lado, observa-se que a estrutura de custos das
empresas pode revelar diferenças significativas entre os diversos
empreendimentos produtivos. Tais diferenças são reflexos a
utilização de diferentes tipos e quantidades de recursos
produtivos, de distintos portes dos empreendimentos e, até
mesmo, em empresas semelhantes (do mesmo ramo, porte e
padrão tecnológico), de diferentes formas ou estratégias
utilizadas para a gestão dos recursos disponíveis.
Em suma, a partir da construção da estrutura de custos é
possível o acompanhamento da evolução da participação dos
diferentes ítens de custos no conjunto das atividades
empresariais; a ordenação e a definição de estratégias específicas
para a administração dos principais grupos; o nível estimado do
resultado econômico obtido e, finalmente, informações acerca dos
métodos mais adequados para a apropriação dos custos aos
produtos fabricados e vendidos pela empresa.
Os passos mais importantes para a elaboração da estrutura
de custos, construção de sistemas de custeio e determinação dos
preços de venda dos produtos numa empresa qualquer, podem
ser observados em seguida num exemplo numérico.
70
Dimensionamento de Custos, Receitas e Resultado
Econômico
É necessário um exame mais preciso de alguns conceitos e
procedimentos antes de mostrar as principais formas de
dimensionamento das grandezas mais relevantes para o
controle gerencial-estratégico dos resultados obtidos
correntemente pelas empresas.
A providência inicial é compatibilizar os custos variáveis de
produção e as receitas no período de referência.
Em primeiro lugar, o conceito de receita das vendas de um dado
período - convencionalmente, um mes, a partir da frequência
usual de emissão dos principais instrumentos de informações
contábeis -, refere-se ao valor das receitas geradas, ou seja, o
valor originado de todas as entregas aos clientes, efetuadas ao
longo do período, independente das vendas terem sido feita para
recebimento à vista, dentro do mes de referência, ou a qualquer
prazo de recebimento, em função de eventuais financiamentos
concedidos aos clientes. Dessa forma, é sempre possível
determinar, com absoluta precisão, o valor da receita das vendas
mensais nas empresas.
Por outro lado, os custos de produção devem ser os custos
do volume vendido, ou seja, os custos variáveis de produção
devem ser referidos ao mesmo conjunto de produtos que compõe
a receita das vendas do período. Nesse caso, o dimensionamento
não é tão simples nem tão direto como foi visto para as receitas
das vendas.
O método mais utilizado para determinar os valores dos
custos variáveis de produção, compatíveis com as receitas das
vendas, é o do seu cálculo a partir da associação das quantidades
vendidas de cada produto com suas respectivas especificações
técnicas de insumos materiais e de parâmetros dos processos
produtivos. Disso resulta, a possibilidade da determinação das
quantidades físicas globais utilizadas de cada um dos insumos
materiais utilizados, bem como dos insumos energéticos, dos
tempos de produção em cada um dos setores produtivos, dos
serviços produtivos adquiridos de terceiros e dos demais recursos
produtivos geradores de custos variáveis de produção (tal
procedimento é conhecido como “explosão das vendas” nos
custos variáveis de produção dos produtos).
71
A partir das quantidades globais e dos correspondentes
custos unitários no período de referência, calculam-se os
respectivos valores totais dos custos dos recursos geradores de
custos variáveis de produção acima indicados (mais detalhes
serão apresentados no exemplo ilustrativo apresentado na
próxima seção).
Os custos variáveis de vendas, de distribuição e de
tributação, por seu turno, são determinados com absoluta
precisão, pois todos os mais importantes (comissões, fretes e
impostos, por exemplo) são expressos como alíquotas ou taxas
percentuais do preço de venda.
Os custos fixos, conceitualmente, são característicos do
período e não associados às quantidades produzidas ou vendidas,
sendo, portanto, de obtenção simples e direta, em qualquer
período de referência.
Dessa forma, devidamente compatibilizados custos e
receitas do período de referência, é possível obter-se uma boa
estimativa, em qualquer das suas agregações mais relevantes do
ponto de vista da avaliação gerencial-estratégica do
funcionamento da empresa, vale dizer, como excedente bruto da
empresa (resultado econômico), como excedente bruto da
atividade (LAJI, lucro antes do juros e do imposto de renda) ou
como excedente líquido dos proprietários da empresa (lucro
depois do imposto de renda).
É apresentado a seguir um conjunto de informações de uma
empresa hipotética, para o período de um mes, que permite a
construção de todos os instrumentos mais utilizados para o
controle e dimensionamento de custos, além de possibilitar a
elaboração das planilhas de custos de produtos e a determinação
do preço de venda a partir dos custos totais e lucros unitários
atribuídos aos produtos.
A empresa em questão é de pequeno porte contando com 72
pessoas ocupadas sendo, 54 empregados na produção (48
operários, 1 encarregado geral, 3 supervisores de setor e 2
auxiliares gerais), 8 pessoas ocupadas na administração geral
(incluindo 3 diretores-proprietários), 10 pessoas ocupadas no
setor de vendas (3 na administração das vendas, 3 vendedores
externos e 4 vendedores no sistema “telemarketing”).
72
A empresa fabrica apenas dois produtos (A e B) com as
seguintes características principais no período analisado:
Quadro I
Informações/Produtos A B
Receita Tota 60.000 140.000
Quantidade Vendida 1.500 7.000
Quantidade Produzida 1.650 8.400
Preço Unitário de Venda 40 20
No quadro I observa-seque, em função das diferenças entre
as quantidades produzidas e vendidas, resulta um incremento dos
estoques de produtos acabados no período. O movimento físico e
monetário dos volumes produzidos e vendidos bem como as
oscilações dos estoques estão ilustrados no quadro II.
Quadro II
Informações/Produtos A B
Estoque
Inicial
Quantidade
Valor (U.S. $)
50
1.277
200
2.554
Produção Quantidade
Valor1 (U.S. $)
1.650
42.141
8.400
107.268
1
O valor unitário utilizado tanto para avaliar os volumes produzidos, vendidos e o estoque inicial foi o preço de
venda subtraído da margem de lucro, dos custos diretos de vendas e distribuição e dos custos tributários, todos
avaliados pelas médias obtidas na estrutura de custos e demonstrativo de resultados. Ou seja, a avaliação do
movimento dos estoques de produtos acabados é feita pelo valor de produção, incluindo os gastos específicos de
fabricação (diretos e indiretos) e os demais gastos fixos/indiretos gerais da empresa (de administração, vendas,
distribuição e financeiros). Dessa forma os estoques ficam avaliados pelos chamados “custos de casa”. No exemplo,
o valor médio de tais custos, obtido na própria estrutura de custos do período, é de 0,6389.
73
Vendas Quantidade
Valor (U.S. $)
1.500
38.330
7.000
88.390
Estoque
Final2
Quantidade
Valor (U.S. $)
200
5.108
1.600
20.432
A especificação técnica dos produtos (a quantidade de
insumos materiais consumida por unidade de produto) e os
preços unitários dos insumos materiais e serviços produtivos de
terceiros, utilizados na produção constam no quadro III.
Quadro III
Insumos MP1
(kg)
MP2
(kg)
MP3
(kg)
MP4
(kg)
Serv. Prod. De 3os
A
B
0,250
0,115
0,750
0,275
1,500
-
-
2,000
1,000
-
Custos
(s/impostos)
8,00 5,00 2,00 2,00 3,20
A quantidade e os valores em moeda dos insumos
correspondentes aos volumes produzido e vendido são os
seguintes:
Quadro IV
Insumos MP1 MP2 MP3 MP4 S. Total
MP
Serv. Prod. de
3os
No Volume Vendido
(kg)
A
B
Total
375
805
1.180
1.125
1.925
3.050
2.250
-
2.250
-
14.000
14.000
-
-
-
1.500
-
1.500
(U.S.$)
A
B
3.000
6.440
5.625
8.525
4.500
-
-
28.000
13.125
44.065
4.800
-
2
A expressão utilizada para a determinação do estoque final do mês foi a seguinte:
Estoque final = Estoque inicial + Produção do mês - Vendas do mês
Observe-se que tal expressão é válida para as quantidades (volumes físicos). Para os valores expressos em moeda a
validade fica condicionada à igualdade dos “custos de casa” do mês anterior e do atual, ou seja, à não variação de
custos de produção no período.
74
Total 9.440 15.250 4.500 28.000 57.190 4.800
No Volume produzido
(kg)
A
B
Total
412
966
1.378
1.237
-
3.547
2.475
2.310
2.475
-
-
-
-
16.800
16.800
1.650
-
1.650
(U.S.$)
A
B
Total
3.300
7.728
11.028
6.187
11.550
17.737
4.950
-
4.950
-
33.600
33.600
14.438
52.878
67.315
5.280
-
5.280
O movimento das compras, consumo na produção e
estoques de insumos está apresentado no Quadro V. Por outro
lado, o Quadro VI ilustra os principais parâmetros característicos
das atividades produtivas nos quatro setores em que se desenrola
o processo de produção da empresa examinada.
Quadro V
Insumos MP1 MP2 MP3 MP4 Serv.Prod.
de 3os
Estoque
Inicial
(kg)
(US$)
459,50
3.676,00
1.773,75
8.868,75
2.475,00
4.950,00
16.800,00
33.600,00
1.650,00
5.280,00
Compras (kg)
(US$)
1.389,00
11.112,00
3.473,75
17.368,75
2.300,00
4.600,00
15.000,00
30.000,00
2.000,00
6.400,00
Consumo (kg)
(US$)
1.378,50
11.028,00
3.547,50
17.737,50
2.475,00
4.950,00
16.800,00
33.600,00
1.650,00
5.280,00
Estoque
Final3
(kg)
(US$)
470,00
3.760,00
1.700,00
8.500,00
2.300,00
4.600,00
15.000,00
30.000,00
2.000,00
6.400,00
Quadro VI
Setores I II III IV
Número de operários 10 16 14 8
Horas.homens disponíveis
4 1.800 2.880 2.430 1.440
Horas.homens trabalhadas
5 1.530 2.448 2.066 1.224
3
A expressão utilizada para a determinação do estoque final do mês foi a seguinte:
Estoque final = Estoque inicial + Compras do mês - Consumo do mês
Observe-se que tal expressão é válida para as quantidades (volumes físicos). Para os valores expressos em moeda a
validade fica condicionada à igualdade entre os custos médios do estoques iniciais e os preços de aquisição do mês
corrente, ou seja, a não variação dos preços dos insumos em dois meses sucessivos.
4
Corresponde ao número de operários do setor multiplicado por 180 horas trabalhadas no mês por operário (cerca
de 22,5 dias com jornada de 8 horas).
75
Massa de Sal.e E.S.(US$)66 4.742 5.927 7.113 5.928
Sal.e E.S./h.h.t.(US$) 3.10 2.42 3.44 4.84
Tempo de
Produção (h.h.t.)
Prod. A
Prod. B
0,400
0,200
0,250
0,150
0,250
0,200
0,105
0,213
Insumo Energético Total (US$) 300 400 200 1.100
Insumo Energético/h.h.t.(US$) 0,196 0,163 0,097 0,899
Os custos variáveis de vendas tem as seguintes
características:
- A taxa de Comissão paga sobre o valor das vendas varia por
produto e corresponde a 5,5% para o produto A e 4,5% para o
produto B.
- As vendas da empresa cobrem várias regiões do país, sendo
que as alíquotas de ICMS variam entre 9%, 12% e 18% do preço
de venda. A distribuição percentual regional das vendas é a
seguinte: região com alíquota 9%: 60%; região com alíquota
12% : 30% e região com alíquota 18%: 10%.
- As alíquotas de PIS e COFINS, são, respectivamente de 0,65%
e 2,00% aplicadas sobre o preço de venda dos produtos.
- Por outro lado, as taxas de fretes oscilam entre 0,2% e 0,8% do
valor total do produto transportado.
Finalmente, a distribuição do investimento em máquinas,
equipamentos, móveis, veículos pelos diversos setores da
empresa é mostrada a seguir.
Quadro VII
Setores Máquinas, Equipamentos, Veículos e
Instalações
(1) (2) (3)
Produção - Total
I
II
III
IV
600.000 600.000
100.000 100.000
150.000 150.000
50.000 50.000
300.000 300.000
Administração Geral 36.000 24.000 60.000
5
Correspondem às horas homens disponíveis corrigidas pelo grau de ocupação do setor. Para simplificar, todos os
setores foram considerados com grau de ocupação em torno de 85%.
6
Correspondem aos Salários mais Encargos Sociais médios multiplicado pelo número de operários do respectivo
setor; por exemplo, para o setor I, o salário médio é de R$ 270,97, adicionado de Encargos Sociais de 75%, ou
R$203,22 totaliza um valor de R$474,20 que multiplicado por dez operários, gera uma massa de salários mais
encargos sociais de R$4.742,00.
76
Administração de Vendas 36.000 12.000 48.000
Distribuição 84.000 84.000
Total Geral 672.000 120.000 792.000
(1) Investimentos Fixos com período de depreciação de 10
anos.
(2) Investimentos Fixos com período de depreciação de 5
anos.
A partir dos dados do Quadro VII, foi utilizado o para efeito de
cálculo da quota mensal de depreciação o método de depreciação
linear, com Valor Residual nulo. A expressão utilizada foi a
seguinte:
Qd = (VA - VR)/ Td
Onde:
Qd = Quota mensal de depreciação.
VA = Valor atual de reposição do bem.
VR = Valor residual do bem (valor de venda ao final de sua vida
útil econômica na empresa).
Td = tempo de depreciação (em meses)
A estrutura de custos, receitas e resultado econômico do
período consta no quadro VIII.
77
Quadro VIIIDemonstrativo de Custos, Receita e Resultado Econômico.
Período: 1 mes
Valores Absolutos em U.S.$
Custos Absolutos
Valores
(%)
RT=100
(%)
CT=100
1. Fabricação
1.1 Variáveis
- Insumos materiais (s/ impostos)
-Insumos energéticos
- Salários e Encargos Sociais
- Serviços Produtivos de Terceiros
- Fretes sobre compras de insumos
1.2. Fixos
- Salários e Encargos Sociais
- Depreciação de máquinas e equip.
- Gastos gerais de produção
104.093
88.844
57.190
2.000
23.710
4.800
1.144
15.249
7.900
5.000
2.349
52.0
44.4
28.6
1.0
11.9
2.4
0.6
7.6
4.0
2.5
1.2
63.1
53.9
34.8
1.2
14.4
2.9
0.7
9.3
4.8
3.0
1.4
2. Administração
- Salários e Encargos Sociais
- Pro labore e Encargos Sociais
- Telecomunicações
- Materiais de escritórios
- Depreciação de máquinas e equi.
- Gastos gerais de administração
13.400
5.100
5.800
600
200
700
1.000
6.7
2.6
2.9
0.3
0.1
0.4
0.5
8.2
3.1
3.5
0.4
0.1
0.4
0.6
3. Vendas e Distribuição
3.1 Variáveis
- Comissões
- Fretes
3.2 Fixos
- Salários e Encargos Sociais
- Telecomunicações/Telemarketing
- Depreciação máq., equip. e veículos
- Gastos Gerais
16.700
10.200
9.600
600
6.500
1.700
2.100
1.910
800
8.4
5.1
4.8
0.3
3.3
0.9
1.1
1.0
0.4
10.2
6.2
5.8
0.4
4.0
1.0
1.3
1.2
0.5
4. Financeiros
- Juros de financia/to Capital de Giro
- Gastos gerais
3.800
3.300
500
1.9
1.7
0.3
2.3
2.0
0.3
5. Tributações
- ICMS (extinta)
- PIS/COFINS
Custos Totais
Receita Total s/ IPI
26.900
21.600
5.300
164.893
200.00
13.5
10.8
2.7
82.4
100.0
16.4
13.1
3.2
100.0
-
Resultado Econômico 35.107 17.6 -
Resumidamente, o demonstrativo de receitas, custos e resultado
econômico apresentado no quadro acima, foi construído a partir
dos seguintes procedimentos:
78
a. A receita representa o total das vendas entregues no
mes. Ou seja, corresponde (na hipótese de que todas as
vendas entregues aos cliente no período tenham sido
registradas fiscal/ contabilmente) ao valor total das notas
fiscais emitidas.
Os custos foram assim determinados:
a.1. Custos variáveis de produção: exceto os custos dos fretes
sobre as compras dos insumos materiais, os demais custos
variáveis de produção (insumos materiais, insumos energéticos,
salários e encargos sociais da mão de obra direta e serviços
produtivos de terceiros) referem-se ao volume vendido. Tal
procedimento tem a finalidade de compatibilizar os custos e as
receitas do período, de tal forma que o resultado econômico seja
obtido pela comparação de grandezas homogêneas.
a.2. Custos variáveis de vendas, distribuição e tributários: tais
custos (comissões, fretes sobre vendas, ICMS, PIS, COFINS), já
estão referidos ao valor das vendas do período.
a.3. Demais custos fixos: correspondem aos gastos relativos ao
período, pois conceitualmente independem do volume produzido
e/ou vendido.
A utilização de demonstrativos, do tipo do que foi aqui
apresentado, para a determinação estimativa do resultado
econômico das atividades de uma empresa e para informar sua
gestão estratégica, apresenta algumas restrições que devem ser
levadas em conta em qualquer análise.
Em primeiro lugar, há a possibilidade de que os valores
registrados para determinadas despesas no período possam
extrapolar tal período do ponto de vista da utilização efetiva dos
recursos produtivos correspondentes. Isso coloca a necessidade
de estender o período de análise, tanto para fazer frente ao
problema citado, como para tornar as estruturas mais
representativas da atividade da empresa, em função da
possibilidade de frequentes mudanças na composição das suas
vendas. Em geral, os problemas colocados nestes dois primeiros
ítens são amenizados pela utilização de períodos móveis e mais
extensos do que um mes (trimestres, semestres).
79
Além disso, quando se trabalha com períodos mais longos,
e, em economias como a brasileira -quase sempre afetadas por
fortes desvalorizações da unidade monetária em função do
processo inflacionário -, torna-se necessária a compatibilização da
unidade de medida (a moeda nacional) para que se possa fazer
comparações ao longo do tempo, ou mesmo para que se possa
operar (adicionar ou subtrair) dados de períodos sucessivos
(como trimestres ou semestres móveis, p.ex.).
Tal compatibilização é obtida pela correção dos valores pelos
índices disponíveis (o mais indicado e mais complexo é o
chamado “índice interno de inflação” de cada empresa) ou pela
utilização da taxa de câmbio de alguma das moedas, dentre as
chamadas “moedas fortes” (U.S. dolar, p.ex., como foi feito na
ilustração apresentada no presente trabalho).
Custos e Formação do Preço de Venda
É possível analisar os resultados obtidos no período ao nível
dos produtos. Para isso, torna-se necessário a construção de
Sistemas de Custeio que constituem-se em métodos de
dimensionamento de custos para as unidades produzidas e
vendidas.
Há dois tipos básicos de sistemas de custos. O primeiro, o
de construção mais simples, é o chamado Sistema de Custo
Direto (ou Variável) que consiste numa metodologia de
dimensionamento de custos que atribui ao produto tão somente
aqueles custos que lhes sejam característicos, ou passíveis de
identificação na unidade produzida ou vendida que, como foi
visto, correspondem aos custos diretos.
O conceito de custo do produto é, nesse sistema,
rigorosamente expresso, sendo que todos os demais custos que
não sejam característicos do produto são tratados,
coerentemente, como gastos gerais do conjunto das atividades da
empresa, portanto, não atribuídos às unidades produzidas ou
vendidas
Um exemplo de planilha deste sistema, aplicada ao cálculo
dos custos dos produtos da empresa em estudo, é apresentado
no Quadro IX, ao final do texto. O segundo tipo de método para
dimensionamento dos custos de produtos é o Sistema de Custo
Total. Este sistema baseia-se na atribuição de todos os gastos
aos produtos, independentemente de que sejam ou não
80
característicos ou passíveis de identificação na unidade produzida
ou vendida.
O conceito de custo do produto, neste caso, se concretiza
como custo total atribuído ao produto, ou seja, como a soma dos
gastos diretos (característicos dos produtos) e dos gastos
indiretos (do conjunto da empresa) atribuídos aos produtos
segundo critérios arbitrários, previamente estabelecidos.
O Sistema de Custo Total permite, portanto, mesmo que de
um modo estimativo e, necessariamente, sob algum grau de
arbitrariedade, a determinação do preço de venda do produto a
partir dos seus custos totais e de uma dada margem de lucro.
A equação do preço unitário de venda, a partir de um
sistema de custeio integral por taxas, seria a seguinte:
pv = cap + (m * pv) ou, pv = cfa /(1 -m)
onde:
pv = preço de venda unitário calculado
cap = custos atribuídos ao produto, sendo,
cap = cvp + cfa
cvp = custos variáveis do produto, sendo,
cvp = cv1 + cv2
cv1 = custos variáveis que independem do preço de venda.
cv2 = custos variáveis que dependem do preço de venda
cfa = custos fixos atribuídos ao produto, sendo:
cfa = cf1 + cf2
cf1 = custos fixos que independem do preço de venda.
cf2 = custos fixos que dependem do preço de venda.
m = valor absoluto da margem (%) de lucro do produto.
Dessa forma a primeira providência para a implantação do
Sistema de Custo Total deve ser a definição dos critérios para a
atribuição dos custos fixos (previamente classificados) aos
produtos.
Há duas formas que são mais comumente utilizadas para a
construção de Sistemas de Custos Totais. A primeira delas é
chamada de Sistema de Custeio por Absorção e envolve a criação
de Centros de Custos associados às várias funções,
departamentos, setores, áreas, atividades relevantese, quando
possível, aos próprios produtos da empresa.
81
Este sistema possibilita, ademais da determinação de
parâmetros para o cálculo do custo unitário dos produtos, o
desenvolvimento de controles da utilização dos recursos em cada
uma divisões estabelecidas; é evidente, que as informações
assim obtidas são extremamente úteis para alicerçar qualquer
análise crítica com vistas ao desenvolvimento da estrutura da
organização.
A segunda, denominada Sistema de Custeio por Taxas
(índices ou "over-head"), resulta na atribuição dos custos
indiretos aos produtos através de relações entre os vários grupos
de gastos da empresa, que podem ser medidas na própria
estrutura de custos, ou, quando se tratar de relações em valor,
medidas pelo quociente entre o montante de gastos e a base de
cálculo de custo unitário escolhida.
Evidentemente, é possível a construção de Sistemas de
Custeio Total que resultem da combinação dos dois principais
métodos descritos acima.
A expressão geral para o cálculo do preço de venda a partir
dos custos e da margem de lucro esperada ou atribuída aos
produtos, cujo cálculo encontra-se na planilha contida no quadro
X, é a seguinte:
pv =[cv1 + cf1] / [1 - (cv2+ cf2+ m)] , onde:
pv = preço de venda unitário calculado.
cv1 = custos variáveis de processamento
cf1 = custos fixos de processamento e despesas fixas
administrativas gerais, de vendas e distribuição.
cv2 = custos variáveis de distribuição e vendas, custos variáveis
de tributação
cf2 = custos fixos financeiros.
m = margem(%) de lucro esperada
Observe-se que na equação do preço de venda apresentada
acima, a base de cálculo (o numerador da expressão) é formada
pelos custos (diretos de produção e indiretos atribuídos ao
produto) cuja determinação é autônoma e independente do
próprio preço de venda. Por outro lado, e complementarmente,
considerou-se que os custos cuja determinação unitária é função
do preço de venda são: Comissões de Vendas e Fretes de
Entregas; custos fixos de vendas e entrega (considerados
globalmente); custos financeiros; ICMS, PIS e COFINS.
82
Uma expressão mais geral para o cálculo do preço de venda
unitário, dados o custo total unitário e a margem de lucro
esperada para os produtos, pode ser vista em seguida.
pvc = BC * M, onde,
pvc = preço de venda unitário calculado
BC = Base de Cálculo para o preço de venda, correspondendo ao
conjunto dos custos do produto cuja determinação unitária
independe do preço de venda, em função da natureza do gasto
ou das características da modalidade do sistema de custeio total
em uso.
M = Multiplicador dos custos, cuja determinação unitária é função
do preço de venda, sendo,
M = 1 / [1 - (Σ ti + m)], onde:
ti = Valores absolutos das taxas ou índices percentuais dos
custos que são expressos em função do preço de venda, em
função da natureza do gasto ou da modalidade do sistema de
custeio total em uso.
m = Valor absoluto da margem de lucro esperada ou definida
como meta para o produto.
Se, alternativamente, o objetivo for a estimativa do percentual da
margem de lucro (mc) obtida a partir do preço de venda efetivo
(Pve), a expressão geral é a seguinte:
mc = {1 - [Σ ti + (BC / Pve)]} * 100%
83
Exercício AULA 9
01- Em que devemos nos basear para descobrimos por quanto
devemos vender um produto?
02- Quais as fórmulas usadas na elaboração de um preço?
03- Liste três coisas que são importantes na Gestão de Custo.
04- Como podem ser classificados os custos de uma empresa?
05- Explique com suas palavras o que é BREAK-EVEN POINT.
06- O que significa cada letra das fórmulas abaixo:
a) q= CF/MCT
b) RT=CF/IMC
07- Qual o conceito de receita de vendas citado em sua apostila?
08- Qual a diferença entre custos variáveis de venda e custos
fixos?
09- Os custos variáveis têm algumas características. Cite três
delas.
10- O quadro VIII foi construído a partir de quais procedimentos?
(responda resumidamente)
11- O que é Sistema de Custeio?
12- Quais são os dois tipos básicos de Sistemas de Custo?
13- Quais as duas formas mais utilizadas para a construção de
Sistemas de Custos Totais?
84
Aula 10 – Mercados Financeiros
Mercado Financeiro pode ser definido como sendo o processo
onde os recursos excedentes da economia (poupança) são
direcionados para o financiamento de empresas e de novos
projetos, desta forma estimulando o crescimento da economia. Já
o Sistema Financeiro Nacional, é a composição de instituições
responsáveis pela captação de recursos financeiros, pela
distribuição e circulação de valores e regulação dos processos.
A consolidação do mercado financeiro brasileiro ocorreu de
forma efetiva, por volta de 1964, quando houve a promulgação
de três leis que marcaram profundas alterações na estrutura do
sistema financeiro nacional:
1. Lei nº 4380 – 21/08/64: instituiu a correção monetária
nos contratos imobiliários de interesse social, trouxe a
criação do Banco Nacional de Habitação e a criação do
Sistema Financeiro de Habitação.
2. Lei n° 4595 – 31/12/64: estabeleceu as características e
as áreas específicas de atuação das instituições financeiras e
transformação do SUMOC ( Superintendência da Moeda e do
Crédito, que é autoridade monetária antes da criação do
Bacen, Banco do Brasil, e Tesouro Nacional)
3. Lei n°4728 – 14/07/65: estruturou o mercado de capitais
e estabeleceu medidas para seu desenvolvimento.
Desde então, o sistema financeiro brasileiro passou a ter
maior diversificação do número de intermediários financeiros não
bancários, com áreas específicas e bem determinadas de atuação.
Em paralelo, houve uma ampliação considerável nas regras de
ativos financeiros, aumentando as opções para aplicação em
poupanças e criando melhores condições no processo de
intermediação.
As Bolsas assumiram portanto, a característica institucional,
com as reformas do Sistema Financeiro Nacional e do mercado de
capitais nos anos de 1965 e 1966, passando a ser, então
associações sem fins lucrativos, com autonomia administrativa,
financeira e patrimonial.
Após essas transformações, ocorreu também a criação da
Comissão de Valores Mobiliários, pela Lei n° 6385, de 07/12/76.
Vimos um novo marco na história do mercado financeiro
85
brasileiro recentemente. Dia 26/03/08, quando a Bovespa
anunciou oficialmente, o início do processo de fusão com a BM&F.
A Nova Bolsa, nome provisório da nova instituição que
surgiu com a fusão, será a terceira maior do mundo, e a segunda
maior das Américas.
Autoridades Monetárias
As autoridades de apoio são entidades responsáveis pela
normatização e execução das operações de emissão de moeda.
CMN – Conselho Monetário Nacional
É a entidade superior do Sistema Financeiro, tendo o papel
de órgão regulador. Possui poder deliberativo máximo do Sistema
Financeiro Nacional. O CMN é responsável por fixar as diretrizes
da política monetária, creditícia e cambial do País. É constituído
pelos seguintes membros:
- Ministro de Estado da Fazenda;
- Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão;
- Presidente do Banco Central do Brasil.
Competências
- Estabelecer as diretrizes gerais das políticas monetária, cambial
e creditícia;
- Regular as condições de constituição, funcionamento e
fiscalização das instituições financeiras;
- Disciplinar os instrumentos de política monetária e cambial.
86
Objetivos
- Conciliar o volume dos meios de pagamento com as
necessidades da economia nacional, certificando-se de queo
volume é suficiente para acompanhar o processo de
desenvolvimento do país.
- Assumir o papel de regular o valor interno da moeda, para
prevenir ou corrigir os possíveis surtos inflacionários ou
deflacionários de origem interna ou externa, e qualquer
desequilíbriooriginado de fenômenos conjuntural.
- Assumir o papel de regular o valor externo da moeda, e
equilibrar o balanço de pagamento do País, com o objetivo de
utilizar da melhor forma os recursos em moeda estrangeira.
- Tornar favorável as condições de desenvolvimento da economia
nacional nas diferentes regiões do País, por meio de orientação
sobre a aplicação dos recursos das instituições financeiras, sejam
elas públicas ou privadas.
- Cuidar para que as instituições e os instrumentos financeiros
estejam sempre sendo aperfeiçoados, visando a maior eficiência
do sistema de pagamentos e de mobilização de recursos
- Cuidar para que as instituições financeiras tenham sempre
liquidez e solvência.
- Papel de órgão coordenador e regulador das políticas monetária,
creditícia, orçamentária, fiscal e da dívida pública, tanto interna
como externa.
- Autorização de emissão de papel moeda.
- Aprovação de orçamentos monetários feitos pelo Banco Central
do Brasil. Junto ao CMN, há a Comissão Técnica da Moeda e do
Crédito (COMOC), com o papel de assessoramento técnico na
formulação da política da moeda e do crédito no país.
BACEN – Banco Central do Brasil
Atua como órgão executivo do sistema financeiro, tendo
como responsabilidade cumprir e fazer cumprir os regulamentos
do sistema e as normas expedidas pelo CMN. São de sua
competência todas as atribuições listadas abaixo:
- Emissão do papel-moeda e moeda metálita dentro das
condições e dos limites autorizados pelo CMN;
- Execução e controle dos serviços do meio circulante;
87
- Receber os recolhimentos compulsórios dos bancos comerciais e
os depósitos voluntários das instituições financeiras e bancárias
que operam no País;
- Realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições
financeira quando for necessário;
- Responsável por regular a execução da compensação de
cheques e outros papéis;
- Dentro do enfoque de política monetária, realizar operações de
compra e venda de títulos públicos federais;
- Responsabilidade de executar o controle de crédito;
- Fiscalizar as instituições financeiras, e puni-las quando for
necessário;
- Emissão de títulos de responsabilidade própria, de acordo com
as condições estabelecidas pelo CMN;
- Autorizar o funcionamento de todas as instituições financeiras;
- Deixar definida as condições para o exercício de quaisquer
cargos de direção nas instituições financeiras;
- Estar atento sobre a interferência de outras empresas nos
mercados financeiros e de capitais;
- Ter controle do fluxo de capitais estrangeiros em circulação no
País, de forma que possa garantir o funcionamento do mercado
cambial.
Em suma, sua atuação funciona como um protetor da moeda
nacional, para que possa garantir que o mercado financeira e a
economia do País sejam robustos e tenham equilíbrio.
Autoridades de Apoio
As autoridades de apoio são instituições que podem atuar
como instituições financeiras normais auxiliando na execução da
política monetária (como o Banco do Brasil) ou normatizando um
setor específico (como a CVM).
88
CVM - Comissão de Valores Mobiliários
Órgão normativo, voltado para a fiscalização, disciplina e
desenvolvimento do mercado de valores mobiliários não emitidos
pelo Sistema Financeiro e pelo Tesouro Nacional. Possui
autonomia para normatizar a atuação dos diversos integrantes do
mercado, devendo zelar pela regularidade e confiabilidade do
mercado, portanto, normatiza e persegue a sua padronização.
Tem plena competência para julgar e punir eventuais
irregularidades cometidas no mercado. A CVM possui uma
estrutura destinada à orientação dos investidores, ou então, para
que esteja apta para acolher suas denúncias e sugestões.
Resumidamente, os objetivos essenciais da CVM, são
caracterizados:
- estimular a aplicação de poupança no mercado acionário;
- executar o funcionamento eficiente das bolsas de valores e
instituições auxiliares que operem neste mercado;
- proteger os titulares de valores mobiliários contra
irregularidades da emissão dos títulos, e contra atos ilegais de
manipulação dos preços dos valores mobiliários nos mercados
primários e secundários;
- fiscalizar a emissão, registro, distribuição, e negociação de
títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital aberto.
Banco do Brasil – BB
Está se ajustando aos poucos, à estrutura de um banco
múltiplo tradicional, porém em muitos casos, ainda opera como
agente financeiro do Governo Federal. É o principal executor da
política oficial de crédito rural.
Mantém algumas funções que não são próprias de um banco
comercial comum, uma vez que são atividades caracterizadas
como de parceiro principal do governo federal na prestação de
serviços bancários, pois age como principal executor dos serviços
bancários de interesse do Governo Federal.
89
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social –
BNDES
É a principal instituição financeira de fomento do País, tendo
como objetivos básicos:
- Auxiliar o desenvolvimento econômico e social do País;
- Fortalecer o setor empresarial nacional;
- Estimular o surgimento de novos pólos de produção, atenuando
os desequilíbrios regionais;
- Proporcionar a integração do desenvolvimento das atividades
agrícolas, industriais e de serviços;
- É encarregada também de gerir o processo de privatização das
empresas estatais.
Caixa Econômica Federal – CEF
É a instituição financeira que fica responsável por
operacionalizar as Políticas do Governo Federal para habitação
popular e saneamento básico, sendo caracterizada cada vez mais
como o banco de apoio ao trabalhador de baixa renda.
Entre suas principais atividades estão a captação de recursos
em cadernetas de poupança, em depósitos judiciais e a prazo, e
sua aplicação em empréstimos vinculados à habitação.
Quase a totalidade dos recursos obtidos junto ao Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço – FGTS – são direcionados para
as áreas de saneamento e infra-estrutura urbana. A CEF cuida da
administração de loterias, de fundos e de programas.
Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional –
CRSFN
Tem como responsabilidade julgar os recursos e interpostos
das decisões relativas à aplicação de penalidades administrativas
pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários e
Secretaria de Comércio Exterior.
Em sua composição, há oito conselheiros com as devidas
competências e conhecimentos em mercado financeiro e de
capitais. São eles:
- Um representante do Ministério da Fazenda;
- Um representante do Banco Central;
- Um representante da Caixa Econômica Federal;
90
- Um representante da Comissão de Valores Mobiliários.
Quatro representantes das entidades de classe, do mercado
financeiro e de capitais, indicados por solicitação do Ministro da
Fazenda. As entidades de classe quem integram o CRSFN são as
seguintes:
- Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas);
- Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento);
- CNBV (Comissão de Bolsas de Valores);
- Febraban ( Federação Brasileira das Associações de Bancos);
- Abel (Associação Brasileira das Empresas de Leasing);
- Adeval (Associação das Empresas Distribuidoras de Valores);
- AEB ( Associação de Comércio Exterior do Brasil).
As quatro primeiras entidades listadas possuem assento no
Conselho como membros-titulares, e os demais como suplentes.
Ambos são nomeados pelo Ministro da Fazenda, com mandatos
de dois anos.
Instituições Financeiras
A atividade de intermediação financeira exerce alguns papéis
importantes dentro do panorama do mercado financeiro
brasileiro. Deve, entre outros, minimizar a incerteza e os riscos a
níveis compatíveis com as exigências de maximização dos
ganhos, tendo que proporcionar cada vez mais segurança e
agilidade no julgamento e previsão de melhores retornos.
Abaixo estão listados os tipos de instituiçõesfinanceiras, e
um breve conceito sobre o papel de cada uma:
Bancos Comerciais: os bancos comerciais são
intermediários financeiros que transferem recursos dos agentes
superavitários para os deficitários. Entre suas principais
atividades, estão: podem descontar títulos, fazer operações de
abertura de crédito, fazer operações de crédito rural, de câmbio e
comércio internacional, podem realizar captação de depósitos à
vista e a prazo fixo, obtenção de recursos com instituições oficiais
para repasse aos clientes, entre outras atividades que ajudam na
circulação do dinheiro.
Bancos de Desenvolvimento: são agentes de
financiamento, que apóiam empreendimentos que contribuam
para o desenvolvimento do país. É usado para o fortalecimento
91
da estrutura de capital das empresas, desenvolvimento do
mercado de capitais. Seu objetivo é promover o desenvolvimento
do País, aumentando o nível de competitividade brasileira. Desta
forma, eleva a geração de emprego, e reduz as desigualdades.
Cooperativas de Crédito: normalmente, as cooperativas
atuam em setores primários da economia, ou então são formadas
pelos funcionários das empresas. Atuando no setor primário,
melhoram a comercialização dos produtos rurais e facilitam para
que cheguem até os consumidores. Já nas empresas, oferecem
crédito aos funcionários, que contribuem mensalmente para
manter a mesma. As operações de cooperativa são exclusivas
para os cooperados.
Bancos de Investimentos: os bancos de investimentos
fazem captação de recursos através de CDB e RDB, de venda de
cotas de fundos de investimentos, de capitação e repasse de
recursos. Os recursos adquiridos são direcionados a empréstimos
e financiamentos para aquisição de bens de capital pelas
empresas ou subscrição de ações e debêntures. Os bancos de
investimento não podem utilizar os recursos para
empreendimentos mobiliários, e possuem limites para
investimento no setor estatal.
Sociedades de Créditos, Financiamentos e
Investimentos: este tipo de instituição pode captar recursos
através de letras de câmbio, e sua função é financiar bens de
consumo duráveis aos consumidores através de crediário. Como é
uma atividade de alto risco, o passivo das financeiras é limitado a
12 vezes seu capital mais reservas.
Sociedades Corretoras: as sociedades corretoras servem
como intermédio para terceiros, para que estes possam operar
com títulos e valores mobiliários. Para serem formadas, as
corretoras dependem do Bacen, e para poderem exercer suas
atividades, dependem da CVM. Entre suas atividades, as
corretoras podem participar do lançamento de ações, auxiliando
na distribuição, podem administrar carteiras e fundos de
investimentos, podem intermediar operações de câmbio. As
corretoras contam com profissionais especializados em análise de
mercado, de setores da economia e de companhias. Dão o
92
suporte para que os investidores tirem suas dúvidas e saibam
sobre as melhores oportunidades de mercado.
Sociedades Distribuidoras: algumas de suas principais
atividades são: a intermediação de oferta pública e distribuição
de títulos e valores mobiliários, fazem a administração e custódia
das carteiras de títulos e valores mobiliários, cuidam da
formação, organização e administração de fundos e clubes de
investimento, podem operar no mercado acionário por conta de
terceiros, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores
mobiliários, incluindo ouro financeiro; podem fazer a
intermediação com as bolsas de valores e de mercadorias;
realizam lançamentos públicos de ações; podem operar no
mercado aberto e podem intermediar operações de câmbio. As
sociedades distribuidoras são supervisionadas pelo Bacen.
Sociedade de Arrendamento Mercantil: as sociedades de
arrendamento mercantil fazem operações com leasing, nas quais
o locatário tem a opção de, no final do contrato, renovar o
contrato, adquirir o bem por um valor residual ou devolver o bem
locado à sociedade. A captação de recursos se dá através da
emissão de debêntures.
Associações de Poupança e Empréstimo: são sociedades
civis, onde a captação de recursos se dá através de caderneta de
poupança. O principal objetivo é o financiamento imobiliário, e
todos os associados possuem direito à participação nos
resultados.
Sociedades de Crédito Imobiliário: são voltadas ao
público de maior renda. A captação de recursos se dá através de
Letras Imobiliárias, depósitos de poupança e repasses de CEF. Os
recursos captados são destinados ao financiamento imobiliário
diretos ou indiretos.
Investidores Institucionais: os principais são:
Fundos Mútuos de Investimentos: condomínios abertos que
aplicam seus recursos em títulos e valores mobiliários, co o
objetivo de oferecer aos condomínios maiores retornos e menores
riscos.
93
Entidades Fechadas de Previdência Privada: são aquelas mantidas
por contribuição de grupo de trabalhadores e da mantenedora.
Parte de seus recursos deve ser destinada ao mercado acionário,
por determinação legal.
Seguradoras: são definidas como instituições financeiras
conforme determinação legal. O Bacen determina o percentual
limite a ser destinado aos mercados de renda fixa e variável.
Companhias Hipotecárias: são constituídas sob a forma
de sociedade anônima. Possuem como objetivo, a concessão de
financiamentos destinados à produção, reforma, ou
comercialização de imóveis aos quais não se aplicam as normas
do Sistema Financeiro de Habitação. As companhias hipotecárias
dependem da autorização do Bacen para funcionarem. Entre os
objetivos, estão o financiamento imobiliário, administração de
crédito hipotecário. Principais operações passivas são as letras
hipotecárias, debêntures, empréstimos e financiamentos no País
e no Exterior. E, suas principais operações ativas, são
financiamentos imobiliários, aquisição de créditos hipotecários,
refinanciamentos de créditos hipotecários e repasses de recursos
para financiamentos imobiliários. Possuem também, como
operações especiais, a administração de créditos hipotecários de
terceiros e de fundos de investimento imobiliário.
Agências de Fomento: as agências de fomento têm como
objetivo conceder financiamento de capital fixo e de giro. Estão
sob o controle da Unidade da Federação, e devem ser
constituídas como sociedade anônima de capital fechado.
Possuem fachada de instituição financeira, mas não podem captar
recursos junto ao público, fazer redesconto, ter conta reserva no
Bacen, contratar depósitos interfinanceiros como depositante ou
depositária, e não podem ter participação societária em outras
instituições financeiras. As agências de fomento devem formar e
manter, permanentemente, fundo de liquidez no mínimo a 10%
do valor de suas obrigações, devendo ser integralmente aplicado
em títulos públicos federais.
Bancos Múltiplos: são instituições financeiras que possuem
pelo menos duas das seguintes carteiras: comercial, de
investimento e/ou desenvolvimento, de crédito, financiamento e
investimento. Sendo que a carteira de desenvolvimento somente
94
poderá ser operada por banco público. O banco múltiplo deve ser
constituído por no mínimo duas carteiras, sendo que uma delas,
obrigatoriamente, deve ser comercial ou de investimento.
Bancos Cooperativos: são bancos comerciais ou bancos
múltiplos formados, obrigatoriamente, com carteira comercial.
Possui como acionistas controladores as cooperativas centrais de
crédito, as quais devem deter no mínimo 51% das ações com
direito a voto. Sua principal restrição é limitar suas operações e
apenas uma UF, o que garante a permanência dos recursos onde
são gerados, estimulando o desenvolvimento local.
Dinâmica dos Mercados
Como introdução ao tópico, pode-se falar sobre o intermédio
do mercado financeiro entre os agentes deficitários e
superavitários, e seu papel de alocar os recursos dos agentes
superavitários da economia oupoupadores, para os agentes
deficitários da economia ou tomadores de recursos. São
necessidades opostas que se complementam, pois os agentes
deficitários precisam buscar recursos para financiar seus
investimentos e, da mesma forma, que os agentes superavitários
querem aplicar seus recursos mediante a remuneração de sua
poupança.
A intermediação financeira cuida para que haja conciliação
dos interesses quanto a prazo, montante e taxa de juros. Ela
assume, portanto, os riscos das operações e o cumprimento das
obrigatoriedades.
Começando pelo papel do Tesouro Nacional, que é
responsável pela administração do orçamento do governo federal.
É através da captação de recursos pelas instituições bancárias,
tributos e contribuições federais que o Tesouro Nacional forma o
caixa necessário para a execução financeira das contas do
governo. Ou seja, se há déficit público, cabe ao Tesouro emitir
títulos da dívida pública, para poder financiá-lo. Os títulos são
leiloados pelo Banco Central.
Neste fluxo, o Banco Central assume o papel de
disponibilização de moeda e crédito para toda a economia. O
banco central compra e vende títulos emitidos pelo Tesouro, para
que possa controlar a oferta monetária na economia. A venda de
títulos pelo Tesouro é usada para pagar as contas do governo, já
95
a venda de títulos pelo Banco Central ocorre, apenas quando há
excesso de oferta monetária, e portanto com a venda, ocorrerá a
redução de dinheiro em poder público e dos bancos,
conseqüentemente, a contração dos meios de pagamentos.
Desta forma, o Banco Central exerce controle sobre a
circulação da moeda, aquecendo ou esfriando a economia,
conforme as medidas usadas por meio de seus instrumentos de
atuação. Dentre seus instrumentos de controle, estão: a taxa de
reservas compulsórias, que significam aumentar o diminuir o
dinheiro disponível nos bancos, e conseqüentemente, aumentar
ou diminuir valores disponíveis para os empréstimos, e taxas
cobradas, pois o valor da moeda ficará mais caro caso diminua o
volume disponível, e o valor da moeda ficará mais barato, caso
haja maior volume de moeda disponível para os empréstimos.
Operações de mercado aberto, comprando e vendendo
títulos da dívida pública federal. Taxa de redesconto, pode
estimular ou desencorajar os bancos a tomar empréstimos do
Banco Central. Se aumentar a taxa de redesconto, fará com que
os bancos evitem ao máximo não precisarem utilizar o
empréstimo do banco central, e no caso contrário, da queda da
taxa de redesconto, ocorrerá uma expansão na oferta monetária.
Definido de forma clara os papéis do Banco Central e do
Tesouro Nacional, podemos falar sobre o papel dos bancos, para
dar seqüência ao fluxo de dinâmica do mercado. A forma de
captação dos bancos é através da emissão de CDI (através de
outros bancos, entre si), através de títulos privados CDB/RDB/LC
(através do público),devolvendo ao público na forma de
empréstimo, ou então utilizando os recursos para compra de
ativos de outros bancos ou de títulos do Governo. Outra forma de
captação é através da venda de cotas dos fundos, direcionando
estes recursos também para aquisição de títulos públicos e
privados.
Sistema de Pagamento Brasileiro – SPB
É um conjunto de regras, procedimentos, instrumentos de
controle e sistemas operacionais integrados, usados na
transferência de recursos financeiros entre clientes, bancos,
câmaras de liquidação e compensação e o Bacen. Possui como
objetivo administrar o processo de compensação e liquidação de
pagamentos por meio eletrônico.
96
O SPB faz com que as instituições financeiras credenciadas
ao Banco Central do Brasil, estejam ligadas, através da utilização
de certificados digitais para autenticar e verificar a identidade dos
participantes em todas as operações realizadas.
O SPB é reconhecido internacionalmente como um dos sistemas
de compensação mais eficientes do mundo. Possui um elevado
grau de automação, um grande volume de documentos
processados, operações em tempo real e um alto nível de
segurança.
97
Exercício AULA 10
01- O que é Mercado Financeiro?
02- Que são as instituições que compõem o Sistema Financeiro
Nacional?
03- Em que ano a consolidação do Mercado Financeiro Brasileiro
ocorreu? E o que aconteceu em 1976 e 2008 de importante para
o Mercado Brasileiro?
04- Quantas e quais são as autoridades monetárias brasileiras?
05- As instituições financeiras exercem alguns papeis importantes
no Mercado Financeiro Brasileiros, quais são eles?
06- Escolha duas das principais instituições financeiras e fale
sobre seu papel no Mercado Financeiro.
07- Na sua apostila falamos de forma superficial sobre um
assunto muito importante pra você: Tesouro Nacional. Com a
ajuda do seu Instrutor, pesquise e elabore um breve resumo
(mínimo de uma página) sobre este assunto.
08- Qual o papel assumido pelo Banco Central nas transações do
Tesouro Nacional?
09- O que são as taxas de Reservas Compulsórias?
10- O que significa SPB e o que ele faz?
98
Aula 11 – Estatística I
Por ser um conteúdo complexo e extenso, será dividido em
duas partes A primeira com 90% do conteúdo e com exercicios
teoricos e a segunda, finalizando o conteúdo e com exercícios
práticos. Vamos iniciar por algumas definições:
Estatística: ramo da matemática aplicada.
Antiguidade: os povos já registravam o número de habitantes,
nascimentos, óbitos. Faziam "estatísticas".
Idade média: as informações eram tabuladas com finalidades
tributárias e bélicas.
Sec. XVI: surgem as primeiras análises sistemáticas, as
primeiras tabelas e os números relativos.
Sec. XVIII: a estatística com feição científica é batizada por
Godofredo Achenwall. As tabelas ficam mais completas, surgem
as primeiras representações gráficas e os cálculos de
probabilidades. A estatística deixa de ser uma simples tabulação
de dados numéricos para se tornar "O estudo de como se chegar
a conclusão sobre uma população, partindo da observação de
partes dessa população (amostra)".
Métodos Científicos: Destacamos o método experimental e o
método estatístico.
Método Experimental: Consiste em manter constante todas as
causas, menos uma, que sofre variação para se observar seus
efeitos, caso existam. Ex: Estudos da Química, Física, etc.
Método Estatístico: diante da impossibilidade de manter as
causas constantes (nas ciências sociais), admitem todas essas
causas presentes variando-as, registrando essas variações e
procurando determinar, no resultado final, que influências cabem
a cada uma delas.
Ex: Quais as causas que definem o preço de uma mercadoria
quando a sua oferta diminui?
99
Seria impossível, no momento da pesquisa, manter
constantes a uniformidade dos salários, o gosto dos
consumidores, nível geral de preços de outros produtos, etc.
A Estatística
É uma parte da matemática aplicada que fornece métodos
para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de
dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões.
A coleta, a organização ,a descrição dos dados, o cálculo e a
interpretação de coeficientes pertencem à estatística
descritiva, enquanto a análise e a interpretação dos dados,
associado a uma margem de incerteza, ficam a cargo da
estatística indutiva ou inferencial, também chamada como a
medida da incerteza ou métodos que se fundamentam na teoria
da probabilidade.
Organização De Dados Estatísticos
Fases do método estatístico:
1º - Definição Do Problema: Saber exatamente aquilo que
se pretende pesquisar é o mesmo que definir corretamente o
problema.
2º - Planejamento: Como levantar informações? Que dados
deverão ser obtidos? Qual levantamento a ser utilizado?
Censitário? Por amostragem? E o cronograma de atividades? Os
custos envolvidos?, etc.
3º - Coleta de dados: Fase operacional. É o registro sistemático
de dados,com um objetivo determinado.
Dados primários: quando são publicados pela própria pessoa ou
organização que os haja recolhido. Ex: tabelas do censo
demográfico do IBGE.
Dados secundários: quando são publicados por outra
organização. Ex: quando determinado jornal publica estatísticas
referentes ao censo demográfico extraídas do IBGE.
100
OBS: É mais seguro trabalhar com fontes primárias. O uso
da fonte secundária traz o grande risco de erros de transcrição.
Coleta Direta: quando é obtida diretamente da fonte. Ex:
Empresa que realiza uma pesquisa para saber a preferência dos
consumidores pela sua marca.
* coleta contínua: registros de nascimento, óbitos, casamentos;
* coleta periódica: recenseamento demográfico, censo industrial;
* coleta ocasional: registro de casos de dengue.
* coleta indireta: é feita por deduções a partir dos elementos
conseguidos pela coleta direta, por analogia, por
avaliação,indícios ou proporcionalização.
4º - Apuração Dos Dados: Resumo dos dados através de sua
contagem e agrupamento. É a condensação e tabulação de
dados.
5º - Apresentação Dos Dados: Há duas formas de
apresentação, que não se excluem mutuamente. A apresentação
tabular, ou seja é uma apresentação numérica dos dados em
linhas e colunas distribuídas de modo ordenado, segundo regras
práticas fixadas pelo Conselho Nacional de Estatística. A
apresentação gráfica dos dados numéricos constitui uma
apresentação geométrica permitindo uma visão rápida e clara do
fenômeno.
6º - Análise E Interpretação Dos Dados: A última fase do
trabalho estatístico é a mais importante e delicada. Está ligada
essencialmente ao cálculo de medidas e coeficientes, cuja
finalidade principal é descrever o fenômeno (estatística
descritiva).
Definições Básicas Da Estatística
Fenômeno Estatístico: é qualquer evento que se pretenda
analisar, cujo estudo seja possível a aplicação do método
estatístico. São divididos em três grupos:
Fenômenos de massa ou coletivo: são aqueles que não
podem ser definidos por uma simples observação. A estatística
101
dedica-se ao estudo desses fenômenos. Ex: A natalidade na
Grande Vitória, O preço médio da cerveja no Espírito Santo, etc.
Fenômenos individuais: são aqueles que irão compor os
fenômenos de massa.
Ex: cada nascimento na Grande Vitória, cada preço de
cerveja no Espírito Santo, etc.
Fenômenos de multidão: quando as características observadas
para a massa não se verificam para o particular.
Dado Estatístico: é um dado numérico e é considerado a
matéria-prima sobre a qual iremos aplicar os métodos
estatísticos.
População: é o conjunto total de elementos portadores de, pelo
menos, uma característica comum.
Amostra: é uma parcela representativa da população que é
examinada com o propósito de tirarmos conclusões sobre a essa
população.
Parâmetros: São valores singulares que existem na população e
que servem para caracterizá-la. Para definirmos um parâmetro
devemos examinar toda a população.
Ex: Os alunos do 2º ano da FEEVALE têm em média 1,70
metros de estatura.
Estimativa: é um valor aproximado do parâmetro e é calculado
com o uso da amostra.
Atributo: quando os dados estatísticos apresentam um caráter
qualitativo, o levantamento e os estudos necessários ao
tratamento desses dados são designados genericamente de
estatística de atributo.
Variável: É o conjunto de resultados possíveis de um fenômeno.
Variável Qualitativa: Quando seu valores são expressos por
atributos: sexo, cor da pele,etc.
102
Variável Quantitativa: Quando os dados são de caráter
nitidamente quantitativo, e o conjunto dos resultados possui uma
estrutura numérica, trata-se portanto da estatística de variável e
se dividem em:
Variável Discreta ou Descontínua: Seus valores são
expressos geralmente através de números inteiros não negativos.
Resulta normalmente de contagens.
Ex: Nº de alunos presentes às aulas de introdução à
estatística econômica no 1º semestre de 2007: mar=18, abr=30,
mai=35, jun=36.
Variável Contínua: Resulta normalmente de uma mensuração, e
a escala numérica de seus possíveis valores corresponde ao
conjunto R dos números Reais, ou seja, podem assumir,
teoricamente, qualquer valor entre dois limites.
Ex.: Quando você vai medir a temperatura de seu corpo com
um termômetro de mercúrio o que ocorre é o seguinte: O filete
de mercúrio, ao dilatar-se, passará por todas as temperaturas
intermediárias até chegar na temperatura atual do seu corpo.
Exemplos:
. Cor dos olhos das alunas: qualitativa
. Índice de liquidez nas indústrias gaúchas: quantitativa
contínua
. Produção de café no Brasil: quantitativa contínua
. Número de defeitos em aparelhos de TV: quantitativa
discreta
. Comprimento dos pregos produzidos por uma empresa:
quantitativa contínua
. O ponto obtido em cada jogada de um dado: quantitativa
discreta
Amostragem
Métodos Probabilísticos
Exige que cada elemento da população possua determinada
probabilidade de ser selecionado. Normalmente possuem a
mesma probabilidade. Assim, se N for o tamanho da população,
a probabilidade de cada elemento ser selecionado será 1/N.
103
Trata-se do método que garante cientificamente a aplicação
das técnicas estatísticas de inferências. Somente com base em
amostragens probabilísticas é que se podem realizar inferências
ou induções sobre a população a partir do conhecimento da
amostra.
É uma técnica especial para recolher amostras, que
garantem, tanto quanto possível, o acaso na escolha.
Amostragem Casual ou Aleatória Simples
É o processo mais elementar e freqüentemente utilizado. É
equivalente a um sorteio lotérico. Pode ser realizada numerando-
se a população de 1 a n e sorteando-se, a seguir, por meio de um
dispositivo aleatório qualquer, x números dessa seqüência, os
quais corresponderão aos elementos pertencentes à amostra.
Ex.: Vamos obter uma amostra, de 10%, representativa
para a pesquisa da estatura de 90 alunos de uma escola:
1º - numeramos os alunos de 1 a 90.
2º - escrevemos os números dos alunos, de 1 a 90, em pedaços
iguais de papel, colocamos na urna e após mistura retiramos, um
a um, nove números que formarão a amostra.
OBS: quando o número de elementos da amostra é muito
grande, esse tipo de sorteio torna-se muito trabalhoso. Neste
caso utiliza-se uma Tabela de números aleatórios, construída de
modo que os algarismos de 0 a 9 são distribuídos ao acaso nas
linhas e colunas.
Amostragem Proporcional Estratificada:
Quando a população se divide em estratos (sub-populações),
convém que o sorteio dos elementos da amostra leve em
consideração tais estratos, daí obtemos os elementos da amostra
proporcional ao número de elementos desses estratos.
104
Ex: Vamos obter uma amostra proporcional estratificada, de
10%, do exemplo anterior, supondo, que, dos 90 alunos, 54
sejam meninos e 36 sejam meninas. São portanto dois estratos
(sexo masculino e sexo feminino). Logo, temos:
Sexo Populacão 10% Amostra
Masc. 54 5,4 5
Femin. 36 3,6 4
Total 90 9,0 9
Numeramos então os alunos de 01 a 90, sendo 01 a 54
meninos e 55 a 90, meninas e procedemos o sorteio casual com
urna ou tabela de números aleatórios.
Amostragem Sistemática
Quando os elementos da população já se acham ordenados,
não há necessidade de construir o sistema de referência. São
exemplos os prontuários médicos de um hospital, os prédios de
uma rua, etc. Nestes casos, a seleção dos elementos que
constituirão a amostra pode ser feita por um sistema imposto
pelo pesquisador.
Ex: Suponhamos uma rua com 900 casas, das quais
desejamos obter uma amostra formada por 50 casas para uma
pesquisa de opinião. Podemos, neste caso, usar o seguinte
procedimento: como 900/50 = 18, escolhemos por sorteio casual
um número de 01 a 18, o qual indicaria o primeiro elemento
sorteado para aamostra; os demais elementos seriam
periodicamente considerados de 18 em 18. Assim, suponhamos
que o número sorteado fosse 4 a amostra seria: 4ª casa, 22ª
casa, 40ª casa, 58ª casa, 76ª casa, etc.
Amostragem Por Conglomerados (ou Agrupamentos)
Algumas populações não permitem, ou tornam
extremamente difícil que se identifiquem seus elementos. Não
obstante isso, pode ser relativamente fácil identificar alguns
subgrupos da população. Em tais casos, uma amostra aleatória
simples desses subgrupos (conglomerados) pode se colhida, e
uma contagem completa deve ser feita para o conglomerado
105
sorteado. Agrupamentos típicos são quarteirões, famílias,
organizações, agências, edifícios etc.
Ex: Num levantamento da população de determinada cidade,
podemos dispor do mapa indicando cada quarteirão e não dispor
de uma relação atualizada dos seus moradores. Pode-se, então,
colher uma amostra dos quarteirões e fazer a contagem completa
de todos os que residem naqueles quarteirões sorteados.
Métodos Não Probabilísitcos
São amostragens em que há uma escolha deliberada dos
elementos da amostra. Não é possível generalizar os resultados
das pesquisas para a população, pois as amostras não-
probabilísticas não garantem a representatividade da população.
Amostragem Acidental
Trata-se de uma amostra formada por aqueles elementos que
vão aparecendo, que são possíveis de se obter até completar o
número de elementos da amostra. Geralmente utilizada em
pesquisas de opinião, em que os entrevistados são
acidentalmente escolhidos.
Ex: Pesquisas de opinião em praças públicas, ruas de
grandes cidades;
Amostragem Intencional
De acordo com determinado critério, é escolhido
intencionalmente um grupo de elementos que irão compor a
amostra. O investigador se dirige intencionalmente a grupos de
elementos dos quais deseja saber a opinião.
Ex: Numa pesquisa sobre preferência por determinado
cosmético, o pesquisador se dirige a um grande salão de beleza e
entrevista as pessoas que ali se encontram.
Amostragem Por Quotas
Um dos métodos de amostragem mais comumente usados
em levantamentos de mercado e em prévias eleitorais. Ele
abrange três fases:
106
1ª - classificação da população em termos de propriedades que
se sabe, ou presume, serem relevantes para a característica a ser
estudada;
2ª - determinação da proporção da população para cada
característica, com base na constituição conhecida, presumida ou
estimada, da população;
3ª - fixação de quotas para cada entrevistador a quem tocará a
responsabilidade de selecionar entrevistados, de modo que a
amostra total observada ou entrevistada contenha a proporção e
cada classe tal como determinada na 2ª fase.
Ex: Numa pesquisa sobre o "trabalho das mulheres na
atualidade", provavelmente se terá interesse em considerar: a
divisão cidade e campo, a habitação, o número de filhos, a idade
dos filhos, a renda média, as faixas etárias etc.
A primeira tarefa é descobrir as proporções (porcentagens)
dessas características na população. Imagina-se que haja 47% de
homens e 53% de mulheres na população. Logo, uma amostra de
50 pessoas deverá ter 23 homens e 27 mulheres. Então o
pesquisador receberá uma "quota" para entrevistar 27 mulheres.
A consideração de várias categorias exigirá uma composição
amostral que atenda ao n determinado e às proporções
populacionais estipuladas.
Séries Estatísticas
Tabela: É um quadro que resume um conjunto de dados
dispostos segundo linhas e colunas de maneira sistemática.
De acordo com a Resolução 886 do IBGE, nas casas ou
células da tabela devemos colocar :
* um traço horizontal ( - ) quando o valor é zero;
* três pontos ( ... ) quando não temos os dados;
* zero ( 0 ) quando o valor é muito pequeno para ser expresso
pela unidade utilizada;
* um ponto de interrogação ( ? ) quando temos dúvida quanto à
exatidão de determinado valor.
Obs: O lado direito e esquerdo de uma tabela oficial deve
ser aberto.
107
Série Estatística: É qualquer tabela que apresenta a
distribuição de um conjunto de dados estatísticos em função da
época, do local ou da espécie.
Séries Homógradas: são aquelas em que a variável
descrita apresenta variação discreta ou descontínua. Podem ser
do tipo temporal, geográfica ou específica.
a) Série Temporal: Identifica-se pelo caráter variável do fator
cronológico. O local e a espécie (fenômeno) são elementos fixos.
Esta série também é chamada de histórica ou evolutiva.
ABC VEÍCULOS LTDA.
Vendas no 1º bimestre de 2006
Período Unidades Vendidas
Jan/96 20000
Fev/96 10000
Total 30000
b) Série Geográfica: Apresenta como elemento variável o fator
geográfico. A época e o fato (espécie) são elementos fixos.
Também é chamada de espacial, territorial ou de localização.
ABC VEÍCULOS LTDA.
Vendas no 1º bimestre de 2006
Filiais Unidades Vendidas
São Paulo 13000
Rio de Janeiro 17000
Total 30000
108
c) Série Específica: O caráter variável é apenas o fato ou espécie.
Também é chamada de série categórica.
ABC VEÍCULOS LTDA.
Vendas no 1º bimestre de 2006
Marca Unidades Vendidas *
Fiat 18000
Gm 12000
Total 30000
Séries Conjugadas: Também chamadas de tabelas de
dupla entrada. São apropriadas à apresentação de duas ou mais
séries de maneira conjugada, havendo duas ordens de
classificação: uma horizontal e outra vertical. O exemplo abaixo é
de uma série geográfica-temporal.
ABC VEÍCULOS LTDA.
Vendas no 1º bimestre de 2006
Filiais Janeiro/06 Fevereiro/06
São Paulo 10000 3000
Rio de Janeiro 12000 5000
Total 22000 8000
Gráficos Estatísticos: São representações visuais dos
dados estatísticos que devem corresponder, mas nunca substituir
as tabelas estatísticas.
Características: Uso de escalas, sistema de coordenadas,
simplicidade, clareza e veracidade.
Gráficos de informação: São gráficos destinados
principalmente ao público em geral, objetivando proporcionar
uma visualização rápida e clara. São gráficos tipicamente
expositivos, dispensando comentários explicativos adicionais. As
legendas podem ser omitidas, desde que as informações
desejadas estejam presentes.
Gráficos de análise: São gráficos que prestam-se melhor
ao trabalho estatístico, fornecendo elementos úteis à fase de
análise dos dados, sem deixar de ser também informativos. Os
gráficos de análise freqüentemente vêm acompanhados de uma
tabela estatística. Inclui-se, muitas vezes um texto explicativo,
109
chamando a atenção do leitor para os pontos principais revelados
pelo gráfico.
Uso indevido de Gráficos: Podem trazer uma idéia falsa
dos dados que estão sendo analisados, chegando mesmo a
confundir o leitor. Trata-se, na realidade, de um problema de
construção de escalas.
Classificação dos gráficos: Diagramas, Estereogramas,
Pictogramas e Cartogramas.
1 - Diagramas:
São gráficos geométricos dispostos em duas dimensões. São
os mais usados na representação de séries estatísticas. Eles
podem ser:
1.1 - Gráficos em barras horizontais.
1.2 - Gráficos em barras verticais (colunas).
Quando as legendas não são breves usa-se de preferência os
gráficos em barras horizontais. Nesses gráficos os retângulos têm
a mesma base e as alturas são proporcionais aos respectivos
dados. A ordem a ser observada é a cronológica, se a série for
histórica, e a decrescente, se for geográfica ou categórica.
1.3 - Gráficos em barras compostas.
1.4 - Gráficos em colunas superpostas.
Eles diferem dos gráficos em barras ou colunas
convencionais apenas pelo fato de apresentar cada barra ou
coluna segmentada em partes componentes. Servem para
representar comparativamente dois ou mais atributos.
1.5 - Gráficos em linhas ou lineares.
São freqüentemente usados para representação de séries
cronológicas com um grande número de períodos de tempo. As
linhas são mais eficientesdo que as colunas, quando existem
intensas flutuações nas séries ou quando há necessidade de se
representarem várias séries em um mesmo gráfico.
110
Quando representamos, em um mesmo sistema de
coordenadas, a variação de dois fenômenos, a parte interna da
figura formada pelos gráficos desses fenômenos é denominada de
área de excesso.
1.6 - Gráficos em setores.
Este gráfico é construído com base em um círculo, e é
empregado sempre que desejamos ressaltar a participação do
dado no total. O total é representado pelo círculo, que fica
dividido em tantos setores quantas são as partes. Os setores são
tais que suas áreas são respectivamente proporcionais aos dados
da série. O gráfico em setores só deve ser empregado quando há,
no máximo, sete dados.
Obs: As séries temporais geralmente não são representadas
por este tipo de gráfico.
2 - Estereogramas:
São gráficos geométricos dispostos em três dimensões, pois
representam volume. São usados nas representações gráficas das
tabelas de dupla entrada. Em alguns casos este tipo de gráfico
fica difícil de ser interpretado dada a pequena precisão que
oferecem.
3 - Pictogramas:
São construídos a partir de figuras representativas da
intensidade do fenômeno. Este tipo de gráfico tem a vantagem de
despertar a atenção do público leigo, pois sua forma é atraente e
sugestiva. Os símbolos devem ser auto-explicativos. A
desvantagem dos pictogramas é que apenas mostram uma visão
geral do fenômeno, e não de detalhes minuciosos.
4 - Cartogramas:
São ilustrações relativas a cartas geográficas (mapas). O
objetivo desse gráfico é o de figurar os dados estatísticos
diretamente relacionados com áreas geográficas ou políticas.
Distribuição de Freqüência
É um tipo de tabela que condensa uma coleção de dados
conforme as freqüências (repetições de seus valores).
111
Tabela primitiva ou dados brutos: É uma tabela ou relação de
elementos que não foram numericamente organizados. É difícil
formarmos uma idéia exata do comportamento do grupo como
um todo, a partir de dados não ordenados.
Ex : 45, 41, 42, 41, 42 43, 44, 41 ,50, 46, 50, 46, 60, 54,
52, 58, 57, 58, 60, 51
ROL: É a tabela obtida após a ordenação dos dados
(crescente ou decrescente).
Ex : 41, 41, 41, 42, 42 43, 44, 45 ,46, 46, 50, 50, 51, 52,
54, 57, 58, 58, 60, 60
Distribuição de freqüência sem intervalos de classe: É a
simples condensação dos dados conforme as repetições de seu
valores. Para um ROL de tamanho razoável esta distribuição de
freqüência é inconveniente, já que exige muito espaço. Veja
exemplo abaixo
Dados Freqüência
41 3
42 2
43 1
44 1
45 1
46 2
50 2
51 1
52 1
54 1
57 1
58 2
60 2
Total 20
112
Distribuição de freqüência com intervalos de classe:
Quando o tamanho da amostra é elevado, é mais racional
efetuar o agrupamento dos valores em vários intervalos de
classe.
Classes Freqüências
41 |------- 45 7
45 |------- 49 3
49 |------- 53 4
53 |------- 57 1
57 |------- 61 5
Total 20
Elementos de uma Distribuição de Freqüência (com
intervalos de classe)
Classe: são os intervalos de variação da variável e é simbolizada
por i e o número total de classes simbolizada por k.
Ex: na tabela anterior k = 5 e 49 |------- 53 é a 3ª classe,
onde i = 3.
Limites De Classe: são os extremos de cada classe. O menor
número é o limite inferior de classe (li) e o maior número, limite
superior de classe (Li).
Ex: em 49 |------- 53,... l3 = 49 e L3 = 53.
O símbolo |------- representa um intervalo fechado à
esquerda e aberto à direita.
O dado 53 do ROL não pertence a classe 3 e sim a classe 4
representada por 53 |------- 57.
Amplitude Do Intervalo De Classe: é obtida através da
diferença entre o limite superior e inferior da classe e é
simbolizada por hi = Li - li.
Ex: na tabela anterior hi = 53 - 49 = 4.
Obs: Na distribuição de freqüência c/ classe o hi será igual
em todas as classes.
Amplitude Total Da Distribuição: é a diferença entre o limite
superior da última classe e o limite inferior da primeira classe. AT
= L(max) - l(min).
Ex: na tabela anterior AT = 61 - 41= 20.
113
Amplitude Total Da Amostra (ROL): é a diferença entre o
valor máximo e o valor mínimo da amostra (ROL).
Onde AA = Xmax - Xmin.
Em nosso exemplo AA = 60 - 41 = 19.
Obs: AT sempre será maior que AA.
Ponto Médio De Classe: é o ponto que divide o intervalo de
classe em duas partes iguais.
Ex: em 49 |------- 53 o ponto médio x3 = (53+49)/2 = 51,
ou seja x3=( l3 + L3 )/2.
Método prático para construção de uma Distribuição de
Freqüências c/ Classe
1º - Organize os dados brutos em um ROL.
2º - Calcule a amplitude amostral AA.
No nosso exmplo: AA = 60 - 41 = 19
3º - Calcule o número de classes através da "Regra de
Sturges":
n
i
nº de classes
3 |-----| 5 3
6 |-----| 11 4
12 |-----| 22 5
23 |-----| 46 6
47 |-----| 90 7
91 |-----| 181 8
182 |-----| 362 9
Obs: Qualquer regra para determinação do nº de classes da
tabela não nos levam a uma decisão final; esta vai depender, na
realidade de um julgamento pessoal, que deve estar ligado à
natureza dos dados.
No nosso exemplo: n=20 dados, então ,a princípio, a regra
sugere a adoção de 5 classes.
4º - Decidido o nº de classes, calcule então a amplitude do
intervalo de classe h > AA / i.
No nosso exemplo: AA/i = 19/5 = 3,8 .
114
Obs: Como h > AA/i um valor ligeiramente superior para
haver folga na última classe. Utilizaremos então h = 4
5º - Temos então o menor nº da amostra, o nº de classes e
a amplitude do intervalo. Podemos montar a tabela, com o
cuidado para não aparecer classes com freqüência = 0
(zero).
No nosso exemplo: o menor nº da amostra = 41 + h = 45,
logo a primeira classe será representada por 41 |------- 45.
As classes seguintes respeitarão o mesmo procedimento.
O primeiro elemento das classes seguintes sempre serão
formadas pelo último elemento da classe anterior.
Representação Gráfica de uma Distribuição
Histograma, Polígono de freqüência e Polígono de
freqüência acumulada.
Em todos os gráficos acima utilizamos o primeiro quadrante
do sistema de eixos coordenados cartesianos ortogonais. Na linha
horizontal (eixo das abscissas) colocamos os valores da variável e
na linha vertical (eixo das ordenadas), as freqüências.
Histograma: é formado por um conjunto de retângulos
justapostos, cujas bases se localizam sobre o eixo horizontal, de
tal modo que seus pontos médios coincidam com os pontos
médios dos intervalos de classe. A área de um histograma é
proporcional à soma das freqüências simples ou absolutas.
Freqüências simples ou absoluta: são os valores que
realmente representam o número de dados de cada classe. A
soma das freqüências simples é igual ao número total dos dados
da distribuição.
Freqüências relativas: são os valores das razões entre as
freqüência absolutas de cada classe e a freqüência total da
distribuição. A soma das freqüências relativas é igual a 1 (100%).
Polígono de freqüência: é um gráfico em linha, sendo as
freqüências marcadas sobre perpendiculares ao eixo horizontal,
levantadas pelos pontos médios dos intervalos de classe. Para
realmente obtermos um polígono (linha fechada), devemos
completar a figura, ligando os extremos da linha obtida aos
pontos médios da classe anterior à primeira e da posterior à
última, da distribuição.
115
Polígono de freqüência acumulada: é traçado marcando-
se as freqüências acumuladas sobre perpendiculares ao eixo
horizontal, levantadas nos pontos correspondentes aos limites
superiores dos intervalos de classe.
Freqüência simples acumulada de uma classe: é o
total das freqüências de todos os valores inferiores ao limite
superior do intervalo de uma determinada classe.
Freqüência relativa acumulada de um classe: é a
freqüênciaacumulada da classe, dividida pela freqüência total da
distribuição.
CLASSE fi xi fri Fi Fri
50 |-------- 54 4 52 0,100 4 0,100
54 |-------- 58 9 56 0,225 13 0,325
58 |-------- 62 11 60 0,275 24 0,600
62 |-------- 66 8 64 0,200 32 0,800
66 |-------- 70 5 68 0,125 37 0,925
70 |-------- 74 3 72 0,075 40 1,000
Total 40 1,000
fi = freqüência simples;
xi = ponto médio de classe;
fri = freqüência simples acumulada;
Fi = freqüência relativa
Fri = freqüência relativa acumulada.
Obs: uma distribuição de freqüência sem intervalos de
classe é representada graficamente por um diagrama onde cada
valor da variável é representado por um segmento de reta
vertical e de comprimento proporcional à respectiva freqüência.
Medidas de Posição
São as estatísticas que representam uma série de dados
orientando-nos quanto à posição da distribuição em relação ao
eixo horizontal do gráfico da curva de freqüência.
116
As medidas de posições mais importantes são as medidas de
tendência central ou promédias (verifica-se uma tendência dos
dados observados a se agruparem em torno dos valores
centrais).
As medidas de tendência central mais utilizadas são: média
aritmética, moda e mediana. Outros promédios menos usados
são as médias: geométrica, harmônica, quadrática, cúbica e
biquadrática.
As outras medidas de posição são as separatrizes, que
englobam: a própria mediana, os decis, os quartis e os percentis.
Média Aritmética =
É igual ao quociente entre a soma dos valores do conjunto e
o número total dos valores.
= ΣXí/n
Onde xi são os valores da variável e n o número de valores.
Dados não-agrupados: Quando desejamos conhecer a média dos
dados não-agrupados em tabelas de freqüências, determinamos a
média aritmética simples.
Ex: Sabendo-se que a venda diária de arroz tipo A,
durante uma semana, foi de 10, 14, 13, 15, 16, 18 e 12 kilos,
temos, para venda média diária na semana de:
.= (10+14+13+15+16+18+12) / 7 = 14 kilos
Desvio em relação à média: é a diferença entre cada
elemento de um conjunto de valores e a média aritmética, ou
seja:
di = Xi -
No exemplo anterior temos sete desvios:
d1 = 10 - 14 = - 4 , d2 = 14 - 14 = 0 , d3 = 13 - 14 = - 1 ,
d4= 15 - 14 = 1 , d5 = 16 - 14 = 2 , d6 = 18 - 14 = 4 ...e.
d7 = 12 - 14 = - 2.
117
Propriedades da média aritmética
1ª propriedade: A soma algébrica dos desvios em relação à
média é nula.
No exemplo anterior: d1+d2+d3+d4+d5+d6+d7 = 0
2ª propriedade: Somando-se (ou subtraindo-se) uma
constante (c) a todos os valores de uma variável, a média
do conjunto fica aumentada (ou diminuída) dessa
constante.
Se no exemplo original somarmos a constante 2 a cada um
dos valores da variável temos:
Y = 12+16+15+17+18+20+14 / 7 = 16 kilos ou
Y = .+ 2 = 14 +2 = 16 kilos
3ª propriedade: Multiplicando-se (ou dividindo-se) todos os
valores de uma variável por uma constante (c), a média do
conjunto fica multiplicada (ou dividida) por essa
constante.
Se no exemplo original multiplicarmos a constante 3 a cada
um dos valores da variável temos:
Y = 30+42+39+45+48+54+36 / 7 = 42 kilos ou
Y = x 3 = 14 x 3 = 42 kilos
Dados agrupados:
Sem intervalos de classe: Consideremos a distribuição
relativa a 34 famílias de quatro filhos, tomando para variável o
número de filhos do sexo masculino. Calcularemos a quantidade
média de meninos por família:
Nº de meninos freqüência = fi
0 2
1 6
2 10
3 12
4 4
total 34
118
Como as freqüências são números indicadores da
intensidade de cada valor da variável, elas funcionam como
fatores de ponderação, o que nos leva a calcular a média
aritmética ponderada, dada pela fórmula:
=Σxi.fi/Σfi
xi fi xi.fi
0 2 0
1 6 6
2 10 20
3 12 36
4 4 16
total 34 78
Onde 78 / 34= 2,3 meninos por família
Com intervalos de classe: Neste caso, convencionamos que
todos os valores incluídos em um determinado intervalo de classe
coincidem com o seu ponto médio, e determinamos a média
aritmética ponderada por meio da fórmula:
=Σxi.fi/Σfi
Onde Xi é o ponto médio da classe.
Ex: Calcular a estatura média de bebês conforme a tabela
abaixo.
Estaturas (cm) freqüência = fi ponto médio = xi xi.fi
50 |------------ 54 4 52 208
54 |------------ 58 9 56 504
58 |------------ 62 11 60 660
62 |------------ 66 8 64 512
66 |------------ 70 5 68 340
70 |------------ 74 3 72 216
Total 40 2.440
119
Aplicando a fórmula acima temos: 2.440 / 40.= 61. logo.
= 61 cm
Média Geométrica = g
É a raiz n-ésima do produto de todos eles.
Média Geométrica Simples:
ou
Ex.: Calcular a média geométrica dos seguintes conjuntos de
números:
a) { 10, 60, 360 }.: = ( 10 * 60 * 36 0) ^ (1/3)......R: 60
b) { 2, 2, 2 }........: = (2 * 2 * 2 ^ (1/3).................R: 2
c) { 1, 4, 16, 64 }: = (1 * 4 * 16 * 64 ) ^(1/4)......R: 8
Média Geométrica Ponderada:
ou
Ex - Calcular a média geométrica dos valores da tabela
abaixo:
xi fi
1 2
3 4
9 2
27 1
Total 9
=(12*34*92*271)(1/9)...................R: 3,8296
120
Média Harmônica - h
É o inverso da média aritmética dos inversos.
Média Harmônica Simples: (para dados não agrupados)
ou
Média Harmônica Ponderada: (para dados agrupados em
tabelas de freqüências)
Ex.: Calcular a média harmônica dos valores da tabela
abaixo:
classes fi xi fi/xi
1 |--------- 3 2 2 2/2 = 1,00
3 |--------- 5 4 4 4/4 = 1,00
5 |--------- 7 8 6 8/6 = 1,33
7 |--------- 9 4 8 4/8 = 0,50
9 |--------- 11 2 10 2/10 = 0,20
total 20 4,03
R: 20 / 4,03 = 4,96
OBS: A média harmônica não aceita valores iguais a zero
como dados de uma série.
A igualdade g = h.= , só ocorrerá quando todos os
valores da série forem iguais.
OBS: Quando os valores da variável não forem muito
diferentes, verifica-se aproximadamente a seguinte relação:
g = ( .+ h ) /.2
121
Demonstraremos a relação com os seguintes dados:
z = { 10,1 ; 10,1 ; 10,2 ; 10,4 ; 10,5 }
Média aritmética = 51,3 / 5 = 10,2600
Média geométrica= = 10,2587
Média harmônica = 5 / 0,4874508 = 10,2574
Comprovando a relação:
10,2600 + 10,2574 / 2 = 10,2587 = média geométrica.
Moda - Mo
É o valor que ocorre com maior freqüência em uma série de
valores.
Desse modo, o salário modal dos empregados de uma
fábrica é o salário mais comum, isto é, o salário recebido pelo
maior número de empregados dessa fábrica.
A Moda quando os dados não estão agrupados.
A moda é facilmente reconhecida: basta, de acordo com
definição, procurar o valor que mais se repete.
Ex: Na série { 7 , 8 , 9 , 10 , 10 , 10 , 11 , 12 } a moda é
igual a 10.
Há séries nas quais não exista valor modal, isto é, nas quais
nenhum valor apareça mais vezes que outros.
Ex: { 3 , 5 , 8 , 10 , 12 } não apresenta moda. A série é
amodal.
Em outros casos, pode haver dois ou mais valores de
concentração. Dizemos, então, que a série tem dois ou mais
valores modais.
Ex: { 2 , 3 , 4 , 4 , 4 , 5 , 6 , 7 , 7 , 7 , 8 , 9 } apresenta
duas modas: 4 e 7. A série é bimodal.
A Moda quando os dados estão agrupados
a) Sem intervalos de classe: Uma vez agrupados os dados, é
possível determinar imediatamente a moda: basta fixar o valor da
variável de maior freqüência.
122
Ex: Qual a temperatura mais comum medida no mês abaixo:
Temperaturas Freqüência
0º C 3
1º C 9
2º C 12
3º C 6
R: 2º C é a temperatura modal, pois é a de maior freqüência.
b) Com intervalos de classe: A classe que apresenta a
maior freqüência é denominada classe modal. Pela definição,
podemos afirmar que a moda, neste caso, é o valor dominante
que está compreendido entre os limites da classe modal. O
método mais simples para o cálculo da moda consiste em tomar o
ponto médio da classe modal. Damos a esse valora denominação
de moda bruta.
Mo = ( l* + L* ) / 2
Onde l* = limite inferior da classe modal e L* = limite
superior da classe modal.
Ex: Calcule a estatura modal conforme a tabela abaixo.
Classes (em cm) Freqüência
54 |------------ 58 9
58 |------------ 62 11
62 |------------ 66 8
66 |------------ 70 5
R: a classe modal é 58|-------- 62, pois é a de maior
freqüência. l* = 58 e L*= 62
Mo = (58+62) / 2 = 60 cm (este valor é estimado, pois
não conhecemos o valor real da moda).
123
Método mais elaborado pela fórmula de CZUBER:
Mo = l* + (d1/(d1+d2)) x h*
l*= limite inferior da classe modal
L*= limite superior da classe modal
d1= freqüência da classe modal - freqüência da classe anterior
à da classe modal
d2= freqüência da classe modal - freqüência da classe
posterior à da classe modal
h*= amplitude da classe modal
Mo =58+((11-9)/((11-9)+(11–8))x4 Mo=59,6
Obs: A moda é utilizada quando desejamos obter uma
medida rápida e aproximada de posição ou quando a medida de
posição deva ser o valor mais típico da distribuição. Já a média
aritmética é a medida de posição que possui a maior
estabilidade.
Mediana - Md
A mediana de um conjunto de valores, dispostos segundo
uma ordem ( crescente ou decrescente), é o valor situado de tal
forma no conjunto que o separa em dois subconjuntos de mesmo
número de elementos.
A mediana em dados não-agrupados
Dada uma série de valores como, por exemplo:
{5,2,6,13,9,15,10}
De acordo com a definição de mediana, o primeiro passo a
ser dado é o da ordenação (crescente ou decrescente) dos
valores: {2,5,6,9,10,13,15}
O valor que divide a série acima em duas partes iguais é
igual a 9, logo a Md = 9.
124
Método prático para o cálculo da Mediana:
Se a série dada tiver número ímpar de termos: O valor
mediano será o termo de ordem dado pela fórmula :
(n+1)/2
Ex: Calcule a mediana da série {1,3,0,0,2,4,1,2,5}
1º - ordenar a série {0,0,1,1,2,2,3,4,5}
n = 9 logo (n+1)/2 é dado por (9+1)/2=5, ou seja, o 5º
elemento da série ordenada será a mediana
A mediana será o 5º elemento = 2
Se a série dada tiver número par de termos: O valor
mediano será o termo de ordem dado pela fórmula:
[(n/2)+(n/2+1)]/2
Obs: n/2 e (n/2 + 1) serão termos de ordem e devem ser
substituídos pelo valor correspondente.
Ex: Calcule a mediana da série {1,3,0,0,2,4,1,3,5,6}
1º - ordenar a série {0,0,1,1,2,3,3,4,5,6}
n = 10 logo a fórmula ficará: [(10/2 )+(10/2+1)]/2
[(5+6)]/2 será na realidade (5º termo+6º termo)/2
5º termo = 2
6º termo = 3
A mediana será = (2+3) / 2 ou seja, Md = 2,5.
A mediana no exemplo será a média aritmética do 5º e 6º termos
da série.
Notas:
- Quando o número de elementos da série estatística for ímpar,
haverá coincidência da mediana com um dos elementos da série.
- Quando o número de elementos da série estatística for par,
nunca haverá coincidência da mediana com um dos elementos da
125
série. A mediana será sempre a média aritmética dos 2
elementos centrais da série.
- Em uma série a mediana, a média e a moda não têm,
necessariamente, o mesmo valor.
- A mediana, depende da posição e não dos valores dos
elementos na série ordenada. Essa é uma da diferenças
marcantes entre mediana e média (que se deixa influenciar, e
muito, pelos valores extremos). Vejamos:
Em { 5, 7, 10, 13, 15 } a média = 10 e a mediana = 10
Em { 5, 7, 10, 13, 65 } a média = 20 e a mediana = 10
-Isto é, a média do segundo conjunto de valores é maior do que a
do primeiro, por influência dos valores extremos, ao passo que a
mediana permanece a mesma.
A mediana em dados agrupados
a) Sem intervalos de classe: Neste caso, é o bastante identificar
a freqüência acumulada imediatamente superior à metade da
soma das freqüências. A mediana será aquele valor da variável
que corresponde a tal freqüência acumulada.
Ex.: Conforme tabela abaixo:
Variável xi Freqüência fi
Freqüência
acumulada
0 2 2
1 6 8
2 9 17
3 13 30
4 5 35
total 35
126
Quando o somatório das freqüências for ímpar o valor
mediano será o termo de ordem dado pela fórmula :
Σfi+1
2
Como o somatório das freqüências=35 a fórmula ficará:
(35+1)/2=18º termo = 3.
Quando o somatório das freqüências for par o valor mediano
será o termo de ordem dado pela fórmula:
Ex: Calcule Mediana da tabela abaixo:
Variável xi Freqüência fi Freqüência acumulada
12 1 1
14 2 3
15 1 4
16 2 6
17 1 7
20 1 8
total 8
Aplicando fórmula acima teremos: [(8/2)+ (8/2+1)]/2 = (4º
termo + 5º termo) / 2 = (15 + 16) / 2 = 15,5
b) Com intervalos de classe: Devemos seguir os seguintes
passos:
1º) Determinamos as freqüências acumuladas ;
2º) Calculamos ;
127
3º) Marcamos a classe correspondente à freqüência acumulada
imediatamente superior à . Tal classe será a classe
mediana;
4º) Calculamos a Mediana pela seguinte fórmula:
M Md = l* + [( - FAA ) x h*] / f*
l* = é o limite inferior da classe mediana.
FAA = é a freqüência acumulada da classe anterior à classe
mediana.
f* = é a freqüência simples da classe mediana.
h*= é a amplitude do intervalo da classe mediana.
Ex:
classes freqüência = fi Freqüência acumulada
50 |------------ 54 4 4
54 |------------ 58 9 13
58 |------------ 62 11 24
62 |------------ 66 8 32
66 |------------ 70 5 37
70 |------------ 74 3 40
total 40
= 40 / 2 =.20, logo.a classe mediana será 58 |---------- 62
l* = 58 FAA = 13 f* = 11 h* = 4
Substituindo esses valores na fórmula, obtemos:
Md = 58 + [ (20 - 13) x 4] / 11 = 58 + 28/11 = 60,54
OBS: Esta mediana é estimada, pois não temos os 40
valores da distribuição.
Emprego da Mediana
128
Quando desejamos obter o ponto que divide a distribuição
em duas partes iguais.
Quando há valores extremos que afetam de maneira
acentuada a média aritmética.
Quando a variável em estudo é salário.
Separatrizes
Além das medidas de posição que estudamos, há outras
que, consideradas individualmente, não são medidas de
tendência central, mas estão ligadas à mediana relativamente à
sua característica de separar a série em duas partes que
apresentam o mesmo número de valores.
Essas medidas - os quartis, os decis e os percentis - são,
juntamente com a mediana, conhecidas pelo nome genérico de
separatrizes.
Quartis - Q
Denominamos quartis os valores de uma série que a dividem
em quatro partes iguais. Precisamos portanto de 3 quartis (Q1 ,
Q2 e Q3) para dividir a série em quatro partes iguais.
Obs: O quartil 2 ( Q2 ) sempre será igual a mediana da
série.
Quartis em dados não agrupados
O método mais prático é utilizar o princípio do cálculo da
mediana para os 3 quartis. Na realidade serão calculadas " 3
medianas " em uma mesma série.
Ex 1: Calcule os quartis da série: {5, 2, 6, 9, 10, 13, 15 }
- O primeiro passo a ser dado é o da ordenação (crescente ou
decrescente) dos valores: { 2, 5, 6, 9, 10, 13, 15 }
- O valor que divide a série acima em duas partes iguais é igual a
9, logo a Md = 9 que será = Q2 = 9
- Temos agora {2, 5, 6 } e {10, 13, 15 } como sendo os dois
grupos de valores iguais proporcionados pela mediana(quartil 2 ).
Para o cálculo do quartil 1 e 3 basta calcular as medianas das
129
partes iguais provenientes da verdadeira Mediana da série
(quartil 2).
Logo em { 2, 5, 6 } a mediana é = 5 . Ou seja: será o
quartil 1 = Q1 = 5
em {10, 13, 15 } a mediana é =13 . Ou seja: será o quartil 3 =
Q = 13
Ex 2: Calcule os quartis da série: { 1, 1, 2, 3, 5, 5, 6, 7, 9,
9, 10, 13 }
A série já está ordenada, então calcularemos o Quartil 2 =
Md = (5+6)/2 = 5,5
- O quartil 1 será a mediana da série à esquerda de Md : { 1, 1,
2, 3, 5, 5 }
Q1 = (2+3)/2 = 2,5
- O quartil 3 será a mediana dasérie à direita de Md : {6, 7, 9, 9,
10, 13 }
Q3 = (9+9)/2 = 9
Quartis para dados agrupados em classes
Usamos a mesma técnica do cálculo da mediana, bastando
substituir, na fórmula da mediana,
E fi/2, por k E fi/4, sendo k o número de ordem do quartil.
Assim, temos:
Q1 = . l* + [(E fi / 4 - FAA ) x h*] / f*
Q2 = . l* + [(2.E fi / 4 - FAA ) x h*] / f*
Q3 = . l* + [(3.E fi / 4 - FAA ) x h*] / f*
Ex 3 - Calcule os quartis da tabela abaixo:
classes freqüência = fi Freqüência acumulada
50 |------------ 54 4 4
54 |------------ 58 9 13
58 |------------ 62 11 24
62 |------------ 66 8 32
66 |------------ 70 5 37
70 |------------ 74 3 40
total 40
130
- O quartil 2 = Md , logo:
= 40/2=20, logo a classe mediana será 58 |---------- 62
l*=58
FAA=13 f*=11 h*=4
Q2=l*+[(2.E fi/4-FAA)xh*]/f*
- Substituindo esses valores na fórmula, obtemos:
Md = 58 + [ (20 - 13) x 4] / 11 = 58 + 28/11 = 60,54 = Q2
- O quartil 1 : E fi / 4 = 10
Q1 = . l* + [(E fi / 4 - FAA ) x h*] / f*
Q1 = 54 + [ (10 - 4) x 4] / 9 = 54 + 2,66 = 56,66 = Q1
- O quartil 3 : 3.E fi / 4 = 30
Q3 = . l* + [(3.E fi / 4 - FAA ) x h*] / f*
Q3 = 62 + [ (30 -24) x 4] / 8 = 62 + 3 = 65 = Q3
Decis - D
A definição dos decis obedece ao mesmo princípio dos
quartis, com a modificação da porcentagem de valores que ficam
aquém e além do decil que se pretende calcular. A fórmula básica
será: k .E fi / 10 onde k é o número de ordem do decil a ser
calculado. Indicamos os decis: D1, D2, ... , D9. Deste modo
precisamos de 9 decis para dividirmos uma série em 10 partes
iguais.
De especial interesse é o quinto decil, que divide o conjunto
em duas partes iguais. Assim sendo, o quinto decil é igual ao
segundo quartil, que por sua vez é igual à mediana.
Para D5 temos: 5.E fi / 10 = E fi / 2
Ex: Calcule o 3º decil da tabela anterior com classes.
k= 3 onde 3 E fi / 10 = 3 x 40 / 10 = 12.
Este resultado corresponde a 2ª classe.
D3 = 54 + [(12 - 4) x 4] / 9 = 54 + 3,55 = 57,55 = D3
Percentil ou Centil
Denominamos percentis ou centis como sendo os noventa e
nove valores que separam uma série em 100 partes iguais.
131
Indicamos: P1, P2,... , P99. É evidente que P50 = Md; P25 = Q1
e P75=Q3.
O cálculo de um centil segue a mesma técnica do cálculo da
mediana, porém a fórmula será: k .E fi / 100, onde k é o número
de ordem do centil a ser calculado.
Dispersão ou Variabilidade: É a maior ou menor
diversificação dos valores de uma variável em torno de um valor
de tendência central (média ou mediana) tomado como ponto de
comparação.
A média - ainda que considerada como um número que tem
a faculdade de representar uma série de valores - não pode, por
si mesma, destacar o grau de homogeneidade ou
heterogeneidade que existe entre os valores que compõem o
conjunto.
Consideremos os seguintes conjuntos de valores das
variáveis X, Y e Z:
X = { 70, 70, 70, 70, 70 }
Y = { 68, 69, 70 ,71 ,72 }
Z = { 5, 15, 50, 120, 160 }
Observamos então que os três conjuntos apresentam a
mesma média aritmética = 350/5 = 70
Entretanto, é fácil notar que o conjunto X é mais homogêneo
que os conjuntos Y e Z, já que todos os valores são iguais à
média. O conjunto Y, por sua vez, é mais homogêneo que o
conjunto Z, pois há menor diversificação entre cada um de seus
valores e a média representativa.
Concluímos então que o conjunto X apresenta dispersão nula
e que o conjunto Y apresenta uma dispersão menor que o
conjunto Z.
132
Exercício AULA 11
01- O que é Estatística?
02- Quais são as fases do método estatístico?
03- Escolha três tipos de Amostragem e explique-as.
04- Como são classificados os gráficos?
05- Explique cada uma das siglas abaixo:
a) fi
b) xi
c) fri
d) Fi
e) Fri
06- O que são medidas de posição?
07- Quais são as medidas de tendência mais utilizadas?
8- Quais são as três propriedades da média aritmética?
9- O que é Moda?
10- Explique cada um dos elementos da fórmula de CZUBER.
11- O que é mediana?
12- Quando devemos empregá-la?
13- O que é percentil ou centil?
133
Aula 12 – Estatística II
Medidas De Dispersão Absoluta
Amplitude total: É a única medida de dispersão que não
tem na média o ponto de referência.
Quando os dados não estão agrupados a amplitude total é a
diferença entre o maior e o menor valor observado:
AT = X máximo - X mínimo.
Ex: Para os valores 40, 45, 48, 62 e 70 a amplitude total
será: AT = 70 - 40 = 30
Quando os dados estão agrupados sem intervalos de classe
ainda temos:
AT = X máximo - X mínimo
Ex:
xi fi
0 2
1 6
3 5
4 3
AT = 4 - 0 = 4
* Com intervalos de classe a amplitude total é a diferença
entre o limite superior da última classe e o limite inferior da
primeira classe. Então:
134
AT = L máximo - l mínimo
Ex:
Classes fi
4 |------------- 6 6
6 |------------- 8 2
8 |------------- 10 3
AT = 10 - 4 = 6
A amplitude total tem o inconveniente de só levar em conta
os dois valores extremos da série, descuidando do conjunto de
valores intermediários. Faz-se uso da amplitude total quando se
quer determinar a amplitude da temperatura em um dia, no
controle de qualidade ou como uma medida de cálculo rápido sem
muita exatidão.
Desvio quartil: Também chamado de amplitude semi-
interquatílica e é baseada nos quartis.
Símbolo: Dq e a
Fórmula: Dq = (Q3 - Q1) / 2
Observações:
1 - O desvio quartil apresenta como vantagem o fato de
ser uma medida fácil de calcular e de interpretar. Além do mais,
não é afetado pelos valores extremos, grandes ou pequenos,
sendo recomendado, por conseguinte, quando entre os dados
figurem valores extremos que não se consideram representativos.
2- O desvio quartil deverá ser usado preferencialmente
quando a medida de tendência central for a mediana.
3- Trata-se de uma medida insensível ã distribuição dos
itens menores que Q1, entre Q1 e Q3 e maiores que Q3.
Ex: Para os valores 40, 45, 48, 62 e 70 o desvio quartil
será:
Q1 = (45+40)/2 = 42,5
Q3 = (70+62)/2 = 66
Dq = (66 - 42,5) / 2 = 11,75
135
Desvio médio absoluto - Dm
Para dados brutos: É a média aritmética dos valores
absolutos dos desvios tomados em relação a uma das seguintes
medidas de tendência central: média ou mediana.
para a Média = Dm = E | Xi - | / n
para a Mediana = Dm = E | Xi - Md | / n
As barras verticais indicam que são tomados os valores
absolutos, prescindindo do sinal dos desvios.
Ex: Calcular o desvio médio do conjunto de números
{-4,-3,-2,3,5}
=-0,2 e Md = - 2
Tabela auxiliar para cálculo do desvio médio:
Xi Xi - | Xi - | Xi - Md | Xi - Md |
- 4 (- 4) - (-0,2) = -3,8 3,8 (- 4) - (-2) = - 2 2
- 3 (- 3) - (-0,2) = -2,8 2,8 (- 3) - (-2) = - 1 1
- 2 (- 2) - (-0,2) = -1,8 1,8 (- 2) - (-2) = 0 0
3 3 - (-0,2) = 3,2 3,2 3 - (-2) = 5 5
5 5 - (-0,2) = 5,2 5,2 5 - (-2) = 7 7
E = 16,8 E = 15
Pela Média: Dm=16,8/5= 3,36
Pela Mediana: Dm=15/5=3
Desvio Padrão - S
É a medida de dispersão mais geralmente empregada, pois
leva em consideração a totalidade dos valores da variável em
estudo. É um indicador de variabilidade bastante estável. O
desvio padrão baseia-se nos desvios em torno da média
aritmética e a sua fórmula básica pode ser traduzida como : a
136
raiz quadrada da média aritmética dos quadrados dos desvios e é
representada por S .
A fórmula acima é empregada quando tratamos de uma
população de dados não-agrupados.
Ex: Calcular o desvio padrão da população representada
por -4, -3, -2, 3, 5.
Xi
- 4 - 0,2 - 3,8 14,44
- 3 - 0,2 - 2,8 7,84
- 2 - 0,2 - 1,8 3,24
3 - 0,2 3,2 10,24
5 - 0,2 5,2 27,04
E = 62,8
Sabemos que n=5e 62,8/5=12,56.
A raiz quadrada de 12,56 é o desvio padrão = 3,54
Obs: Quando nosso interesse não se restringe à descrição
dos dados mas, partindo da amostra, visamos tirar inferências
válidas para a respectiva população, convém efetuar uma
modificação, que consiste em usar o divisor n - 1 em lugar de n.
A fórmula ficará então:
Se os dados -4, -3, -2, 3, 5 representassem uma amostra o
desvio padrão amostral seria a raiz quadrada de 62,8/(5 -
1)=3,96
O desvio padrão goza de algumas propriedades, dentre as
quais destacamos:
1ª = Somando-se (ou subtraindo-se) uma constante a todos os
valores de uma variável, o desvio padrão não se altera.
137
2ª = Multiplicando-se (ou dividindo-se) todos os valores de uma
variável por uma constante (diferente de zero), o desvio padrão
fica multiplicado ( ou dividido) por essa constante.
Quando os dados estão agrupados (temos a presença de
freqüências) a fórmula do desvio padrão ficará:
ou , quando se trata de
uma amostra.
Ex: Calcule o desvio padrão populacional da tabela abaixo:
Xi f i Xi.f i . f i
0 2 0 2,1 -2,1 4,41 8,82
1 6 6 2,1 -1,1 1,21 7,26
2 12 24 2,1 -0,1 0,01 0,12
3 7 21 2,1 0,9 0,81 5,67
4 3 12 2,1 1,9 3,61 10,83
Total 30 63 E = 32,70
- Sabemos que E fi = 30 e 32,7 / 30 = 1,09.
- A raiz quadrada de 1,09 é o desvio padrão= 1,044
- Se considerarmos os dados como sendo de uma amostra o
desvio padrão seria: a raiz quadrada de 32,7/(30-1)= 1,062
Obs: Nas tabelas de freqüências com intervalos de classe a
fórmula a ser utilizada é a mesma do exemplo anterior.
Variância - S2
É o desvio padrão elevado ao quadrado. A variância é uma
medida que tem pouca utilidade como estatística descritiva,
porém é extremamente importante na inferência estatística e em
combinações de amostras.
138
Medidas De Dispersão Relativa
Coeficiente de Variação de Pearson - CVP
Na estatística descritiva o desvio padrão por si só tem
grandes limitações. Assim, um desvio padrão de 2 unidades pode
ser considerado pequeno para uma série de valores cujo valor
médio é 200; no entanto, se a média for igual a 20, o mesmo não
pode ser dito.
Além disso, o fato de o desvio padrão ser expresso na
mesma unidade dos dados limita o seu emprego quando
desejamos comparar duas ou mais séries de valores,
relativamente à sua dispersão ou variabilidade, quando expressas
em unidades diferentes.
Para contornar essas dificuldades e limitações, podemos
caracterizar a dispersão ou variabilidade dos dados em termos
relativos a seu valor médio, medida essa denominada de CVP:
Coeficiente de Variação de Pearson (é a razão entre o desvio
padRão e a média referentes a dados de uma mesma série).
CVP = (S / ) x 100
O resultado neste caso é expresso em percentual, entretanto
pode ser expresso também através de um fator decimal,
desprezando assim o valor 100 da fórmula.
Ex: Tomemos os resultados das estaturas e dos pesos de
um mesmo grupo de indivíduos:
Discriminação Média Desvio Padrão
Estaturas 175 cm 5,0 cm
Pesos 68 kg 2,0 kg
- Qual das medidas (Estatura ou Peso) possui maior
homogeneidade?
Resposta: Teremos que calcular o CVP da Estatura e o CVP do
Peso. O resultado menor será o de maior homogeneidade (menor
dispersão ou variabilidade).
CVP estatura = ( 5 / 175 ) x 100 = 2,85 %
CVP peso = ( 2 / 68 ) x 100 = 2,94 %.
139
Logo, nesse grupo de indivíduos, as estaturas apresentam
menor grau de dispersão que os pesos.
Coeficiente de Variação de Thorndike - CVT
É igual ao quociente entre o desvio padrão e a mediana.
CVT = ( S / Md ) x 100%
Coeficiente Quartílico de Variação - CVQ
Esse coeficiente é definido pela seguinte expressão:
CVQ = [(Q3 - Q1) / (Q3 + Q1)] x 100%
Desvio quartil Reduzido – Dqr
Dqr = [(Q3 - Q1) / 2Md ] x 100%
Medidas de Assimetria
Uma distribuição com classes é simétrica quando:
Média = Mediana = Moda
Uma distribuição com classes é:
Assimétrica à esquerda ou negativa quando:
Média < Mediana < Moda
Assimétrica à direita ou positiva quando:
Média > Mediana > Moda
Coeficiente de assimetria
A medida anterior, por ser absoluta, apresenta a mesma
deficiência do desvio padrão, isto é, não permite a possibilidade
de comparação entre as medidas de duas distribuições. Por esse
motivo, daremos preferência ao coeficiente de assimetria de
Person:
140
As=3(Média-Mediana)/Desvio Padrão
Escalas de assimetria:
| AS | < 0,15 assimetria pequena
0,15 < | AS | < 1 assimetria moderada
| AS | > 1 assimetria elevada
Obs: Suponhamos AS= -0,49 a assimetria é considerada
moderada e negativa
Suponhamos AS= 0,75 a assimetria é considerada
moderada e positiva
Medidas de Curtose
Denominamos curtose o grau de achatamento de uma
distribuição em relação a uma distribuição padrão, denominada
curva normal (curva correspondente a uma distribuição teórica de
probabilidade).
Quando a distribuição apresenta uma curva de freqüência
mais fechada que a normal (ou mais aguda ou afilada em sua
parte superior), ela recebe o nome de leptocúrtica.
Quando a distribuição apresenta uma curva de freqüência
mais aberta que a normal (ou mais achatada em sua parte
superior), ela recebe o nome de platicúrtica.
A curva normal, que é a nossa base referencial, recebe o
nome de mesocúrtica.
Coeficiente de curtose
C1 = (Q3 - Q1) / 2(P90 - P10)
Este coeficiente é conhecido como percentílico de curtose.
Relativamente a curva normal, temos:
C1 = 0,263 curva mesocúrtica
C1 < 0,263 curva leptocúrtica
C1 > 0,263 curva platicúrtica
O coeficiente abaixo ( C2 )será utilizado em nossas análises:
141
Onde S é desvio padrão.
C2 = 3 curva mesocúrtica
C2 > 3 curva leptocúrtica
C2 < 3 curva platicúrtica
142
Exercício AULA 12
01- Calcule as seguintes medidas descritivas para o conjunto de
dados, supondo que eles representam:
a) uma amostra
b) uma população
83, 92, 100, 57, 85, 88, 84, 82, 94, 93, 91, 95
• medidas de posição: média, mediana, moda e 3º decil;
• medidas de dispersão: amplitude total; desvio médio, desvio
padrão e coeficiente de variação.
02- Considerando o conjunto de dados do exercício 1, verifique o
que acontece com a mediana, a média e a variância de uma série
de dados quando:
a) cada observação é multiplicada por 2;
b) soma-se 10 a cada observação;
c) de cada observação subtrai-se 3 e multiplica-se por ¼;
d) subtrai-se a média de cada observação;
e) de cada observação subtrai-se a média e divide-se pelo desvio
padrão.
03- Na cidade A, a média de salários é de 1000 unidades
monetárias (u.m.) e o 3º quartil é de 600 u.m.
a) Escolhendo-se um trabalhador, ao acaso, na cidade A, o que é
mais provável: ganhar mais ou menos do que 600 u.m.?
b) Em uma cidade B, a média de salários é de 700 u.m. e a
variância é praticamente zero, Em qual cidade você procuraria
emprego? Justifique.
143
04- Quer se estudar o número de erros de impressão de um livro,
Para isso escolheu-se uma amostra de 50 páginas, encontrando-
se o seguinte número de erros por página:
Erros Número de Páginas
0 25
1 20
2 3
3 1
4 1
a) Qual o número médio de erros por página?
b) E número mediano?
c) Qual o desvio padrão?
d) Represente graficamente a distribuição.
e) Se o livro tem 500 páginas, qual o número de erros esperados
no livro?
05- Observando-se a freqüência de casos de raiva por idade em
uma população obteve-se o primeiro quartil igual a quatro anos,
e a mediana igual a sete anos, Sabendo-se que a distribuição é
simétrica, indique o valor da média.
06- Considere a distribuição de notas de 2 turmas, A e B,
compare as 2 distribuições com base nas medidas abaixo:
a) Turma A: média = 6 ; variância = 2
Turma B: média= 6 ; variância = 1
b) Turma A:
Nota mínima=1; 1º quartil=3; 2º quartil=4,5;
3º quartil=7; Nota máxima= 8.
Turma B:
Nota mínima=2; 1º quartil= 3; 2º quartil= 6;
3º quartil= 9; Nota máxima= 10.
144
Aula 13 – Contabilidade
O estudo organizado de qualquer assunto deve começar por sua
definição. Deste modo, torna-se inevitável a pergunta:
O que é Contabilidade?
A palavra contabilidade deriva do latim computare (contar,
computar, calcular). Apesar disso, não se deve confundir a
Contabilidade com a Matemática. O contabilista não precisa
conhecer Matemática com profundidade. Na maioria das vezes,
bastam-lhe os conhecimentos matemáticos básicos necessários a
qualquer profissional. Portanto, quem não gosta de Matemática
não precisa necessariamente detestar Contabilidade.
A definição adequada da Contabilidade exige a sua divisão
em duas áreas: Contabilidade teórica e Contabilidade prática.
Contabilidade Teórica
Quando abordamos a Contabilidade como teoria,
procuramos definir aquilo de que ela trata, estuda seus princípios
e suas possíveis aplicações. Ou seja, a Contabilidade como teoria
estabelece princípios e regras de conduta a serem seguidas pelos
profissionais da área contábil, com o objetivo de aprimorar e
padronizar os procedimentos por eles adotados. Isto tem como
efeito a uniformidade de conduta profissional e permite a
comparação dos trabalhos realizados pelos contabilistas. Em sua
abordagem teórica, dizemos que a Contabilidade é uma ciência.
Ciência é o conjunto organizado e aprofundado de
conhecimentos sobre um determinado assunto. Diferente da
Matemática, a Contabilidade não é uma ciência exata. Para que
as técnicas contábeis sejam aplicadas de maneira uniforme, são
necessários princípios e regras a serem observados por todos os
profissionais da área contábil. Abordada pela perspectiva teórica,
a Contabilidade pode ser definida como:
Ciência que estuda o patrimônio do ponto de vista
econômico e financeiro, bem como os princípios e as técnicas
necessárias ao controle, à exposição e à análise dos elementos
patrimoniais e de suas modificações.
O 1º Congresso Brasileiro de Contabilidade, realizado em
1924, definiu a Contabilidade como:
145
"A ciência que estuda e pratica as funções de orientação, de
controle e de registro dos atos e fatos de uma administração
econômica."
Contabilidade Prática
A Contabilidade prática envolve o uso de técnicas ou
procedimentos por meios dos qual a Contabilidade teórica e seus
princípios são postos em prática. A Contabilidade como prática
envolve o registro das operações de uma entidade em livros
mantidos com essa finalidade. Sua função é controlar o
patrimônio de uma determinada pessoa ou organização, com o
objetivo de fornecer informações sobre ele ao público
interessado.
O contabilista pode ser a pessoa que se dedica ao estudo da
ciência contábil (Contabilidade teórica) ou o profissional que atua
na prestação de serviços contábeis, aplicando as técnicas
contábeis (Contabilidade prática).
Objetivo da Contabilidade
O objetivo é o assunto do qual a ciência cuida. Pensando
desta forma, o objetivo ou assunto do qual trata a Contabilidade
é o patrimônio.
Por intermédio da Contabilidade, o administrador de uma
empresa, ou até mesmo de uma residência, pode, por exemplo:
(1) gerenciar melhor os recursos disponíveis;
(2) obter informações úteis ao planejamento de suas atividades;
(3) saber o custo do que é produzido ou consumido;
(4) apurar o lucro ou prejuízo;
(5) controlar e reduzir despesas e aumentar receitas;
(6) prevenir e identificar erros e fraudes.
Em resumo, por meio da Contabilidade, podemos ter o
controle e o conhecimento detalhado do estado em que se
encontra nosso patrimônio e acompanhar a sua evolução, seja na
exploração de um determinado negócio, seja em nossa própria
residência.
146
Finalidade
A Contabilidade é mantida com a finalidade de fornecer
informações sobre o patrimônio de uma determinada pessoa.
Essas informações são destinadas às pessoas interessadas no
patrimônio.
Pessoas Interessadas nas Informações Contábeis
As pessoas que têm interesse na divulgação das informações
contábeis podem ser divididas em 2 grupos:
1 - público interno - os administradores e os acionistas ou
sócios controladores;
2 - público externo - os acionistas ou sócios não controladores,
bancos, fornecedores, governo, etc.
Os administradores necessitam das informações contábeis
para melhor desempenhar as funções de gestão do patrimônio.
Para eles, essas informações podem ser úteis ao planejamento,
ao controle, à tomada de decisões. A Contabilidade pode informar
ao administrador qual é o produto mais rentável, quanto custa
produzir um bem ou serviço, qual será o resultado provável num
determinado nível de produção e venda etc.
Uma das principais preocupações da legislação que rege as
sociedades anônimas é a proteção aos acionistas não
controladores. Os controladores têm o poder de nomear os
administradores, e estes irão agir de acordo com os interesses
daqueles. Ocorre que muitas vezes os interesses dos
controladores são conflitantes com os interesses dos não
controladores. Para os acionistas não controladores, as
informações contábeis são um instrumento importante na
fiscalização da atuação dos controladores. De acordo com esta
ótica, a Lei das Sociedades por Ações (Lei nº. 6.404/76) exige a
publicação das demonstrações contábeis das sociedades
anônimas.
Como parte do público externo, os bancos, fornecedores e
financiadores em geral querem saber se a empresa apresenta
situação econômico-financeira que lhe permita assumir e saldar
dívidas; os clientes precisam verificar se ela tem condições de
147
realizar adequadamente o fornecimento de bens ou serviços; o
governo deve fiscalizar se o pagamento dos tributos está sendo
feito da maneira correta.
Funções da Contabilidade
Entre as funções da Contabilidade, temos:
1 – função administrativa – controlar o patrimônio;
2 – função econômica – nas empresas, a função econômica
consiste na apuração do lucro ou prejuízo, ou seja, na apuração
do resultado econômico.
Identificação dos Aspectos Patrimoniais
A identificação dos elementos que compõem o patrimônio
(bens, direitos, obrigações) diz respeito ao seu aspecto
qualitativo. Já a mensuração destes elementos, a sua
identificação em valores monetários, diz respeito ao aspecto
quantitativo. A Contabilidade se ocupa dos dois aspectos: da
identificação dos elementos patrimoniais (aspecto qualitativo) e
da mensuração, da indicação do valor em moeda, destes
elementos (aspecto quantitativo).
Áreas ou Ramos da Contabilidade
Para efeitos didáticos, a Contabilidade normalmente é
dividida em áreas ou ramos. Esta divisão tem por objetivo o
aprimoramento das técnicas aplicadas a determinadas atividades
ou pessoas e o estudo de aspectos específicos da Contabilidade.
As áreas da Contabilidade podem ser estudadas de forma
autônoma. No entanto, elas não são matérias independentes,
pois têm o mesmo objeto que a Contabilidade, ou seja, tratam do
mesmo assunto: o patrimônio. Assim, a Contabilidade pode ser
dividida em: Contabilidade Geral, Contabilidade de Custos,
Contabilidade Bancária, Contabilidade Pública, Contabilidade de
Seguros; Análise das Demonstrações, Auditoria etc.
Campo da Aplicação da Contabilidade
O principal campo de aplicação da Contabilidade são as
aziedas.
148
Azienda é o patrimônio considerado juntamente com a
pessoa que tem sobre ele poderes de administração e
disponibilidade. O conceito de azienda reúne o patrimônio e a
pessoa que o administra:
Azienda = Patrimônio + Gestão
Gestão é o ato de administrar, de gerir os bens, direitos e
obrigações, além dos recursos humanos. Considerado o
patrimônio de uma determinadaempresa, a partir do momento
em que passe a ser administrado, com o objetivo de lucro, ele irá
sofrer modificações significativas. Surge, então, a Contabilidade,
como instrumento necessário ao controle e informação dos
efeitos provocados pelos fatos decorrentes da gestão patrimonial.
O patrimônio pode ser administrado com finalidade
econômica ou social. Na administração com fins econômicos, o
objetivo é o lucro. As pessoas jurídicas que têm finalidade
econômica são denominadas empresas. Já as pessoas jurídicas
que têm finalidades sociais (filantrópicas, científicas, religiosas)
são denominadas associações.
Empresa e azienda são conceitos diferentes. Empresa é uma
espécie de azienda. Empresa é uma azienda com finalidade
lucrativa.
A Contabilidade também é aplicada as entidades sem
finalidade lucrativa, como é o caso da União, dos Estados, dos
Municípios, das Autarquias. Essas entidades são pessoas jurídicas
de direito público. A elas é aplicável a Contabilidade Pública.
Para entender a diferença entre azienda e patrimônio, imagine
um patrimônio que não esteja sendo administrado. Por ele não
estar sofrendo alterações significativas, de pouca importância
seria o trabalho do contabilista. Entretanto, quando este
patrimônio começa a ser gerido com uma finalidade qualquer,
temos a azieda. Em razão das diversas modificações a que o
patrimônio fica sujeito, o trabalho do contabilista ganha
destaque, sendo por meio dele que as alterações patrimoniais
serão controladas e informadas.
Apesar de o patrimônio poder ter como titular pessoa física
ou jurídica, trataremos quase que exclusivamente das pessoas
jurídicas, especialmente daquelas que têm finalidade lucrativa: as
sociedades empresariais.
149
Na prática, os registros contábeis são mantidos somente por
pessoas jurídicas a isto obrigadas por lei.
Titular do Patrimônio
Pessoa Física
A pessoa natural ou física é o ser humano, sem distinção de
sexo, idade, raça. A partir do momento em que nasce com vida, a
pessoa natural pode ser titular de um patrimônio e adquirir bens
e direitos ou contrair obrigações, inclusive por herança. Com a
morte, natural ou presumida, o patrimônio é transferido aos
sucessores (herdeiros ou legatários).
No direito romano, não se reconhecia personalidade aos
escravos. Eles eram tratados como bens.
Pessoas Jurídicas
Além de reconhecer a personalidade da pessoa natural, a lei
também reconhece a personalidade da pessoa jurídica (ente
moral).
Existem as pessoas jurídicas resultantes da união de duas ou
mais pessoas, físicas e/ou jurídicas, para o desenvolvimento de
atividades de interesse comum. Quando o objetivo é econômico,
quer dizer, se há finalidade lucrativa, a pessoa jurídica é
denominada sociedade ou sociedade empresária. Se não há fins
lucrativos, associação.
Nem sempre a pessoa jurídica é formada pelo agrupamento
de duas ou mais pessoas. A Lei nº. 6.404/76, art. 251, admite a
constituição de pessoa jurídica, mediante escritura pública, tendo
como único acionista uma sociedade brasileira.
Há também a fundação. Para criá-la, seu fundador, por
instrumento público ou testamento, deve destinar bens livres
para esse fim e especificar a que ela se destina. O fundador pode
declarar, se quiser, a maneira como a fundação deverá ser
administrada.
A pessoa jurídica adquire personalidade a partir do registro
de seus atos constitutivos no órgão estabelecido pela legislação.
Quer dizer, para ser legalmente reconhecida como titular de
um patrimônio, a pessoa jurídica deve ter uma cópia do seu
contrato social ou estatuto social regularmente arquivada no
órgão responsável pelo registro de sociedades. O distrato
(desfazimento da sociedade) também depende de registro. As
150
sociedades que não têm contrato ou estatuto validamente
registrado são sociedades irregulares ou de fato, constituindo-se
num agrupamento de bens, direitos e obrigações sem
personalidade jurídica. Não obstante, elas têm capacidade
processual e são representadas ativa e passivamente em juízo
pela pessoa a quem cabe a administração de seus bens.
O patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o
patrimônio de seus sócios. Os bens, direitos e obrigações são da
sociedade, e não de seus sócios. Assim, quando um empregado
da sociedade procura a Justiça para reclamar direitos
trabalhistas, a princípio, a ação é proposta contra a pessoa
jurídica.
As sociedades são representadas ativa e passivamente por
seus administradores.
Empresário e Sociedade Empresária
O titular do patrimônio explorado com finalidade econômica
pode ser o empresário ou a sociedade empresária. Ele é o titular
do empreendimento, ou melhor, a pessoa que desenvolve a
atividade ou empresa.
Uma atividade pode ser explorada por meio de empresa
individual ou de empresa coletiva. A empresa individual é
explorada por pessoa física (empresário), em seu próprio nome, e
não se confunde com a pessoa jurídica. A pessoa física titular da
empresa individual responde com seu patrimônio, de forma
ilimitada, pelas obrigações assumidas na exploração da atividade.
O empreendimento explorado por pessoa jurídica é
denominado empresa coletiva.
Em sentido estrito, o empresário ou a sociedade empresária
é o titular do negócio (o sujeito de direito); e a empresa é o
próprio negócio ou atividade desenvolvida (o objeto).
Na prática, porém, é muito comum o uso da palavra
"empresa" no sentido de sociedade empresária.
Dissolução, Liquidação e Extinção
Para que uma sociedade seja extinta, é necessário que haja
a sua dissolução.
A dissolução da sociedade é o ato pelo qual se desfaz o
vínculo contratual entre os sócios, com o objetivo de se extinguir
151
a pessoa jurídica. Uma vez dissolvida a sociedade, são tomadas
as medidas necessárias para que os seus compromissos
pendentes sejam solucionados e ela seja extinta. A extinção é
equivalente à morte da pessoa jurídica. A dissolução caracteriza o
início da liquidação.
Na fase de liquidação, ocorre a realização do ativo e o
pagamento das obrigações, representadas pelo passivo exigível.
Após o pagamento das dívidas, o saldo, se positivo, é rateado
entre os sócios, de acordo com a participação de cada um.
Dissolução Liquidação Extinção
O liquidante é a pessoa encarregada de proceder a
liquidação da sociedade. Em geral, os próprios sócios são
nomeados liquidantes. Mas o estatuto ou os sócios em assembléia
podem determinar que pessoa não pertencente à sociedade seja
nomeada liquidante.
Na liquidação judicial, como é o caso da falência, quem
nomeia o liquidante é o juiz.
Pago o passivo e rateado o ativo remanescente, o liquidante
deve convocar a assembléia geral para a prestação final das
contas.
Aprovadas as contas, encerra-se a liquidação e a companhia
se extingue.
A extinção significa o fim da pessoa jurídica, seu
desaparecimento. Uma vez extinta, a sociedade deixa de ser
sujeito de direitos e obrigações, ou seja, perde sua
personalidade.
152
Exercício AULA 13
01- O Primeiro Congresso Brasileiro de Contabilistas, realizado na
cidade do Rio de janeiro, de 17 a 27 de agosto de 1924, formulou
um conceito oficial para Contabilidade. Assinale a opção que
indica esse conceito oficial.
a) Contabilidade é a ciência que estuda o patrimônio do ponto de
vista econômico e financeiro, observando seus aspectos
quantitativo e específico e as variações por ele sofridas.
b) Contabilidade é a ciência que estuda e pratica as funções de
orientação, de controle e de registro relativas à administração
econômica.
c) Contabilidade é a metodologia especial concebida para captar,
registrar, reunir e interpretar os fenômenos que afetam as
situações patrimoniais, financeiras e econômicas de qualquer
ente.
d) Contabilidade é a arte de registrar todas as transações de uma
companhia que possam ser expressas emtermos monetários e de
informar os reflexos dessas transações na situação econômico-
financeira dessa companhia.
e) Contabilidade é a ciência que estuda e controle o patrimônio
das entidades, mediante registro, demonstração expositiva,
confirmação, análise e interpretação dos fatos nele ocorridos.
02- Assinale a função econômica da Contabilidade:
a) Apurar lucro ou prejuízo
b) Controlar o patrimônio
c) Evitar erros e fraudes
d) efetuar o registro dos fatos contábeis
e) verificar a autenticidade das operações
03- Considera-se ramo contábil:
a) a auditoria
b) a fiscalização
c) o planejamento
d) o controle
e) a metodologia
153
04- A palavra ‘azienda’ é comumente usada em Contabilidade
como sinônimo de fazenda, na acepção de:
a) conjunto de bens e haveres
b) mercadorias
c) finanças públicas
d) grandes propriedades rurais
e) patrimônio, considerado juntamente com a pessoa que tem
sobre ele poderes de administração e disponibilidade
05- O campo de aplicação da Contabilidade é a azienda, que é um
ente cuja existência verifica-se a partir da reunião dos seguintes
elementos essenciais:
a) patrimônio, trabalho e organização.
b) contabilidade, patrimônio e gestão.
c) planejamento, organização e controle.
d) patrimônio, trabalho e administração.
e) registro, orientação e controle.
06- O patrimônio, que a contabilidade estuda e controla,
registrando todas as ocorrências nele verificadas.
"Estudar e controlar o patrimônio, para fornecer informações
sobre sua composição e variações, bem como sobre o resultado
econômico decorrente da gestão da riqueza patrimonial."
As proposições indicam, respectivamente:
a) o campo de aplicação e o conceito da Contabilidade
b) a finalidade e as técnicas contábeis da Contabilidade
c) o objeto e finalidade da Contabilidade
d) a finalidade e o conceito da Contabilidade.
e) o campo de aplicação e o objeto da Contabilidade.
154
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