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CRESCIMENTO E 
DESENVOLVIMENTO MOTOR 
Professora Juliana Montenegro Seron
Reitor
Márcio Mesquita Serva
Vice-reitora
Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva
Pró-Reitor Acadêmico
Prof. José Roberto Marques de Castro
Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação 
Comunitária
Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva
Pró-reitor Administrativo
Marco Antonio Teixeira
Direção do Núcleo de Educação a Distância
Paulo Pardo
Coordenação Pedagógica do Curso
Fabiana Arf
Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico
B42 Design
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos 
que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A 
violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código 
Penal.
Universidade de Marília 
Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 
CEP 17.525–902- Marília-SP
Imagens, ícones e capa: ©freepik, ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia
F385m sobrenome, nome
 nome livro / nome autor. nome /coordenador (coord.) - Marília: 
Unimar, 2021.
 PDF (00p.) : il. color.
 ISBN xxxxxxxxxxxxx
 1. tag 2. tag 3. tag 4. tag – Graduação I. Título.
 CDD – 00000
BOAS-VINDAS
Ao iniciar a leitura deste material, que é parte do apoio pedagógico dos 
nossos queridos discentes, convido o leitor a conhecer a UNIMAR – 
Universidade de Marília.
Na UNIMAR, a educação sempre foi sinônimo de transformação, e não 
conseguimos enxergar um melhor caminho senão por meio de um ensino 
superior bem feito. 
A história da UNIMAR, iniciada há mais de 60 anos, foi construída com base 
na excelência do ensino superior para transformar vidas, com a missão 
de formar profissionais éticos e competentes, inseridos na comunidade, 
capazes de constituir o conhecimento e promover a cultura e o intercâmbio, 
a fim de desenvolver a consciência coletiva na busca contínua da valorização 
e da solidariedade humanas.
A história da UNIMAR é bela e de sucesso, e já projeta para o futuro novos 
sonhos, conquistas e desafios.
A beleza e o sucesso, porém, não vêm somente do seu campus de mais de 
350 alqueires e de suas construções funcionais e conectadas; vêm também 
do seu corpo docente altamente qualificado e dos seus egressos: mais 
de 100 mil pessoas, espalhados por todo o Brasil e o mundo, que tiveram 
suas vidas impactadas e transformadas pelo ensino superior da UNIMAR.
Assim, é com orgulho que apresentamos a Educação a Distância da UNIMAR 
com o mesmo propósito: promover transformação de forma democrática 
e acessível em todos os cantos do nosso país. Se há alguma expectativa 
de progresso e mudança de realidade do nosso povo, essa expectativa 
está ligada de forma indissociável à educação.
Nós nos comprometemos com essa educação transformadora, 
investimos nela, trabalhamos noite e dia para que ela seja 
ofertada e esteja acessível a todos. 
Muito obrigado por confiar uma parte importante do seu 
futuro a nós, à UNIMAR e, tenha a certeza de que seremos 
parceiros neste momento e não mediremos esforços para 
o seu sucesso! 
Não vamos parar, vamos continuar com investimentos 
importantes na educação superior, sonhando sempre. Afinal, 
não é possível nunca parar de sonhar! 
Bons estudos!
Dr. Márcio Mesquita Serva
Reitor da UNIMAR
Que alegria poder fazer parte deste momento tão especial da sua vida! 
Sempre trabalhei com jovens e sei o quanto estar matriculado 
em um curso de ensino superior em uma Universidade de 
excelência deve ser valorizado. Por isso, aproveite cada 
minuto do seu tempo aqui na UNIMAR, vivenciando o ensino, 
a pesquisa e a extensão universitária. 
Fique atento aos comunicados institucionais, aproveite as 
oportunidades, faça amizades e viva as experiências que 
somente um ensino superior consegue proporcionar.
Acompanhe a UNIMAR pelas redes sociais, visite a sede 
do campus universitário localizado na cidade de Marília, 
navegue pelo nosso site unimar.br, comente no nosso blog 
e compartilhe suas experiências. Viva a UNIMAR!
Muito obrigada por escolher esta Universidade para a 
realização do seu sonho profissional. Seguiremos, 
juntos, com nossa missão e com nossos valores, 
sempre com muita dedicação. 
Bem-vindo(a) à Família UNIMAR.
Educar para transformar: esse é o foco da Universidade de Marília no seu 
projeto de Educação a Distância. Como dizia um grande educador, são as 
pessoas que transformam o mundo, e elas só o transformam 
se estiverem capacitadas para isso.
Esse é o nosso propósito: contribuir para sua transformação 
pessoal, oferecendo um ensino de qualidade, interativo, 
inovador, e buscando nos superar a cada dia para que você 
tenha a melhor experiência educacional. E, mais do que isso, 
que você possa desenvolver as competências e habilidades 
necessárias não somente para o seu futuro, mas para o seu 
presente, neste momento mágico em que vivemos.
A UNIMAR será sua parceira em todos os momentos de 
sua educação superior. Conte conosco! Estamos aqui para 
apoiá-lo! Sabemos que você é o principal responsável pelo 
seu crescimento pessoal e profissional, mas agora você 
tem a gente para seguir junto com você. 
Sucesso sempre!
Profa. Fernanda 
Mesquita Serva
Pró-reitora de Pesquisa, 
Pós-graduação e Ação 
Comunitária da UNIMAR
Prof. Me. Paulo Pardo
Coordenador do Núcleo 
EAD da UNIMAR
006 Unidade 01:
042 Unidade 02:
072 Unidade 03:
103 Unidade 04:
Plano de Conhecimento
Primeira Infância
Infância e Adolescência
Idade Adulta e o seu Desenvolvimento 
01UNIDADE
Plano de 
Conhecimento
Introdução
Olá, caro(a) aluno(a). Daremos início à primeira unidade da disciplina de
Desenvolvimento e Comportamento Motor. 
Nesse momento serão trabalhados alguns conceitos básicos que envolvem os
diversos assuntos relacionados ao desenvolvimento e ao comportamento motor,
necessários para que você possa estudar os próximos assuntos e aprender sobre
aspectos do desenvolvimento humano. Para que você se torne o pro�ssional que
atue de maneira e�caz é necessário conhecer cada uma das etapas do
desenvolvimento e os diversos aspectos que fazem parte de cada uma delas.
Depois que conhecer alguns termos que iremos utilizar durante toda disciplina,
você irá compreender o desenvolvimento motor, suas características e
particularidades. Em seguida, aprenderá que existem diferentes modelos
teóricos de desenvolvimento motor e, a partir de alguns referenciais teóricos
selecionados, observará possibilidades de trabalho para o pro�ssional da
Educação Física. 
Vale lembrar que o desenvolvimento humano não é linear nem tampouco �xo,
ou seja, sofre a in�uência de diversos aspectos e pode ser diferente de uma
pessoa para outra, o que justi�ca a necessidade de que você conheça alguns
modelos teóricos de desenvolvimento motor, buscando autores que estudam o
assunto em suas pesquisas. Diante disso, ao término da unidade você irá
conhecer os aspectos que podem interferir no desenvolvimento humano.
Costumeiramente usamos para designar desenvolvimento motor os termos
típico – quando as aprendizagens motoras estão acontecendo conforme o
esperado para determinada idade; e atípico – quando algo nas ações motoras de
um ser humano não acontece de acordo com o esperado e este demonstra não
estar desenvolvendo as habilidades motoras de acordo com as tabelas de
referência. Considerando o exposto, �nalizo a unidade explicando um modelo
teórico de desenvolvimento motor.
Espero ter instigado sua curiosidade. A partir de agora te convido a �car cada vez
mais intrigado e entendido do assunto.
Bons estudos!
Plano de Estudo:
�. Introdução e conceitos;
�. Compreendendo o desenvolvimento motor;
�. Modelos de desenvolvimento humano;
�. Fatores que afetam o desenvolvimento motor;
�. Explanação do modelo teórico do desenvolvimento motor.
Objetivos de Aprendizagem:
�. Conceituar e contextualizar os principais termos utilizados que permeiam o
desenvolvimentomotor;
�. Compreender o desenvolvimento motor a partir de diferentes referenciais
teóricos;
�. Conhecer os fatores que interferem no desenvolvimento motor típico
considerando suas etapas.
Introdução e conceitos
Neste tópico inicial você irá conhecer termos que serão utilizados durante toda a
disciplina. É fundamental que, sempre que necessário, esta unidade seja
retomada. Se achar melhor, monte uma tabela ou mapa mental desses termos
para tê-los sempre à mão. São conceitos que fazem parte dos estudos em
desenvolvimento humano e que dialogam, ou seja, existe uma relação entre
eles, mas cada um tem aspectos especí�cos, que precisam ser conhecidos por
você. Por isso recomendo que, ao estudar o tópico, vá montando anotações e
recorra a elas sempre que precisar.
Desenvol�mento, Maturação, Crescimento,
Aprendizagem e outros Termos
Neste tópico você irá conhecer termos e conceitos que serão utilizados de
maneira recorrente na disciplina e na sua atuação como pro�ssional da
Educação Física. Para tanto, o embasamento teórico se deu em Gallahue e
Ozmun (2013); Tani (2008); Fonseca (2008); Magill (2000) e Haywood e Getchell
(2016).
O desenvolvimento é entendido como o conjunto de processos de natureza
biológica que representa as transformações que ocorrem em um organismo no
decorrer da vida. Em se tratando de desenvolvimento humano, tal processo
está relacionado a aspectos de ordem psíquica, também é fruto das frequentes
relações e interações sociais que constrói, estabelece e promove no decorrer de
sua vida. Sendo assim, em nós, seres humanos, o desenvolvimento abrange
diversos aspectos, sendo: sociológico, biológico e psicológico. Considerando que
tais dimensões funcionam de maneira interativa, formando o ser humano de
maneira integral, temos complexidade e individualidade no mesmo ser.
Ao tratarmos do desenvolvimento motor, falamos do conjunto de modi�cações
no comportamento, nas ações motoras, de acordo com a idade. Constitui um
processo complexo de alterações que, interligadas, envolvem aspectos de
crescimento maturação de sistemas e aparelhos do corpo humano. O
desenvolvimento motor tem início na concepção, se estende por toda a vida e
termina ao morrer. 
Gallahue e Ozmun (2013, p. 30), na obra, considerada a “bíblia” do
desenvolvimento motor, de título Compreendendo o desenvolvimento motor,
apresentam as seguintes concepções (caro(a) aluno(a), recomendo que você
grave este nome, será uma referência fundamental na sua área).
Por crescimento entende-se o
conjunto de modi�cações
morfológicas do ser humano nos
aspectos corporais, como
composição e proporção dos
segmentos, resulta da mensuração
das transformações de hipertro�a –
aumento de massa muscular – e de
hiperplasia – aumento do número
de células em órgãos ou tecidos. O
crescimento é um processo
permeado por mudanças
hormonais complexas, manifestado
em períodos mais e menos intensos.
Portanto, não é um percurso linear e
acaba por ser assimétrico, com
momentos de maior ou menor
estabilidade.
Os termos crescimento e desenvolvimento são usados com
frequência como sinônimos, mas há diferença de ênfase. No seu
sentido mais puro, o crescimento físico refere-se ao aumento do
tamanho do corpo do indivíduo ou de suas partes durante a
maturação. Em outras palavras, crescimento físico é o aumento na
estrutura do corpo provocado pela multiplicação ou aumento das
células. No entanto, o termo crescimento muitas vezes é usado para
se referir à totalidade das mudanças físicas e, assim, torna-se mais
inclusivo, assumindo o mesmo sentido de desenvolvimento. [...] o
desenvolvimento, no seu sentido mais puro, refere-se a mudanças no
nível de funcionamento do indivíduo ao longo do tempo. [...] embora
o desenvolvimento seja visto mais como o surgimento e a ampliação
da capacidade de funcionar em um nível elevado, temos de
reconhecer que o conceito de desenvolvimento é muito mais amplo
e que ele é um processo cuja duração se estende pela vida inteira.
A maturação é uma concepção estritamente biológica, expressa por um
conjunto de modi�cações �siológicas determinadas pelas especi�cidades
genéticas. Apesar de encontrar o seu sentido de forma mais ampla e até mesmo
como sinônimo de desenvolvimento, ou algumas vezes de aprendizagem,
optamos por estabelecer maturação no patamar dos processos internos que
geram alterações morfológicas ou do que tange ao potencial de aprendizagem e
desenvolvimento do ser humano. Sobre maturação, Gallahue e Ozmun (2013, p.
30) apresentam que
refere-se a mudanças qualitativas, que permitem a progressão até
níveis mais elevados de funcionamento. Quando vista a partir de uma
perspectiva biológica, a maturação é primordialmente inata; ou seja,
é determinada geneticamente e resistente a in�uências externas ou
ambientais. A maturação é caracterizada por uma ordem de
progressão �xa, em que o ritmo pode variar, mas a sequência de
surgimento das características, em geral, não varia.
Ao tratarmos de maturação nos referimos aos processos especí�cos que
ocorrem em sistemas, como nervoso, ósseo, entre outros. Mesmo que possamos
olhar aspectos maturacionais de cada um desses sistemas, é fato que existem
entre eles uma espécie de comunicação expressa num mecanismo de regulação
em conjunto, o que faz com que o organismo funcione de maneira harmônica.
Segundo Haywood (2016, p. 21) 
Maturação denota o progresso em direção à maturidade física, ao
estado de integração funcional ideal dos sistemas corporais de um
indivíduo e à capacidade de reprodução. já o desenvolvimento
continua o mesmo depois que se atinge a maturidade física. As
mudanças �siológicas não param ao �nal do período de crescimento
físico: elas ocorrem durante toda a vida.
Aspectos maturacionais são essenciais para o desenvolvimento motor e
interferem nas aprendizagens das pessoas, ou seja, caso uma criança,
adolescente ou adulto não esteja com seus sistemas “maduros” para desenvolver
determinada habilidade ou competência, e isso está intimamente relacionado
com a idade, ela pode não ocorrer. 
O que quero dizer com isso, aluno(a)? Pense na aprendizagem do andar pela
criança, que acontece por volta dos 12 meses de vida. Pois bem, se não há
minimamente a maturação dos sistemas nervoso, ósseo e muscular, a criança vai
conseguir aprender a andar? Re�ita sobre a situação por alguns instantes antes
de continuar seus estudos...
Mas vamos deixar claro que o desenvolvimento humano não depende
exclusivamente da maturação, apesar de existirem linhas teóricas que defendem
tal premissa. Neste material vamos trabalhar com a ideia de que para que o
desenvolvimento ocorra de maneira saudável é necessário um conjunto de
aspectos, entre esses a aprendizagem.
SAIBA MAIS
Aprendizagem é entendida como o conjunto de adequações e ajustes
da resposta a partir de uma vivência, que envolvem estruturas de
tomada de decisão superiores. Constitui-se em processos de
mudanças comportamentais derivados de experiências construídas
em aspectos sócio afetivos, emocionais, neurológicos, ambientais e
relacionais.
Nesse sentido, a aprendizagem motora é o conjunto de processos motores e
cognitivos relacionados às ações e à prática, e que acabam por modi�car o
comportamento motor. A aprendizagem motora vai estudar o desenvolvimento
de aquisições motoras no decorrer da vida, quando, por exemplo, uma criança
passa do não saber andar de bicicleta para o conseguir realizar tal ação motora
com destreza e segurança e de que maneira todo o processo acontece. Nesta
perspectiva serão estudados os aspectos que interferem na aquisição das
habilidades motoras, bem como os mecanismos que atuam nas alterações do
comportamento motor.
De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 32), “aprendizado motor portanto, é
o aspecto do aprendizado em que o movimento desempenha a principal parte.
O aprendizado motor é uma mudança relativamente permanente no
comportamento motor, resultando da prática ou da experiência passada”.
Por controle motor entende-se os movimentos realizados econtrolados, ou seja,
os que são intencionais. Nesse caso são controlados voluntariamente pelo
Sistema Nervoso Central e trabalham de maneira coordenada do sistema
muscular e ósseo, numa relação entre sistema sensorial, meio ambiente e
movimentos corporais. Para Gallahue e Ozmun (2013, p. 33) “é o aspecto do
aprendizado e do desenvolvimento motor que lida com o estudo dos
mecanismos neurais e físicos subjacentes ao movimento humano”.
O termo comportamento motor refere-se às alterações no controle e no
desenvolvimento motor e contempla aspectos de aprendizagem e dos
processos maturativos relacionando a performance na realização dos
movimentos corporais. Sendo assim, o comportamento motor estuda
aprendizagem, controle e desenvolvimento motor. Estudando de que maneiras
os movimentos são apreendidos, bem como as alterações sofridas no decorrer
da vida em resposta aos fatores internos e externos. 
Por habilidade motora entende-se
a execução de uma ação motora
que tenha um objetivo especí�co e,
para tal, requer a realização de
movimentos voluntários do corpo
ou de membros, quais sejam: andar,
correr, saltar, tocar um instrumento,
entre outros. São os movimentos
voluntários realizados pelo corpo
para executar determinada tarefa. 
O termo movimento diz respeito às
mudanças que observamos nas
posições dos segmentos corporais,
que culminam de atos motores
subjacentes.
E para terminar nosso glossário de verbetes fundamentais da disciplina vamos
falar de experiência, entendida como aspectos ambientais que possibilitam a
alteração do desenvolvimento no decorrer do processo de aprendizagem. As
vivências da criança podem interferir no ritmo dos padrões de comportamento
motor que surgem. Por isso é essencial que o ambiente seja saudável e que os
estímulos proporcionados às pessoas sejam coerentes com as etapas de
desenvolvimento, respeitem os níveis maturacionais e os interesses de acordo
com a faixa etária.
Ao iniciarmos esta unidade �z uma sugestão que retomo agora, se, por acaso,
você não fez. Agora que estudou diversos termos que serão utilizados no
decorrer da disciplina, e bem provavelmente durante o curso, bem como em sua
atuação pro�ssional, monte uma tabela ou mapa mental do que foi trabalhado.
Sempre que precisar ou tiver dúvida em relação a um desses verbetes recorra às
suas anotações.
Compreendendo o
desenvol�mento motor
No presente tópico iremos tratar do desenvolvimento motor: noções básicas e
conceituais, aspectos históricos, métodos de estudo do desenvolvimento –
longitudinal, transversal e longitudinal misto. Neste momento buscamos um
aporte teórico essencial para construção dos saberes da disciplina e que irão
contribuir de maneira signi�cativa para as próximas unidades e para a sua
formação pro�ssional.
Noções Básicas e Conceituais
Antes de mais nada, pense por alguns instantes na importância dos movimentos
para a vida das pessoas. Isso mesmo... Pense no cotidiano das pessoas e o quanto
o movimento corporal é fundamental para realização das inúmeras tarefas que
executamos. 
Na verdade, tudo o que fazemos depende e envolve ações motoras, desde
movimentos involuntários, como as batidas do coração ou a respiração, até os
intencionais, como caminhar, digitar e tantos outros que executamos o tempo
todo.
Por isso entender a maneira como tais movimentos são realizados, compreender
o controle motor e aspectos de coordenação, realização de movimentos e de
desenvolvimento é fundamental para entendermos a vida humana.
Ao conhecer o processo de desenvolvimento motor típico – quando se dá de
maneira saudável e de acordo com o esperado para a idade, sem intercorrências
– somos capazes de proporcionar estímulos adequados e orientações essenciais
para que o ensino-aprendizagem ocorra de maneira e�caz.
O que isso quer dizer na prática? Quando os pro�ssionais da Educação, da
Educação Física e até mesmo pais e responsáveis compreendem aspectos do
desenvolvimento, estão aptos a selecionar estratégias, técnicas e atividades
condizentes com as necessidades de desenvolvimento do aluno, o que os
permite construir o planejamento de ensino pautado em referenciais que
estudam o ser humano com base em suas especi�cidades, respeitando cada
etapa de aprendizagem. O resultado são aulas mais signi�cativas para o grupo,
mais relevantes e que realmente desenvolvem habilidades essenciais para
determinada faixa etária e promovem aprendizagens que serão importantes
para os próximos conteúdos a serem aprendidos. 
Pois bem, para essas pessoas, entender de desenvolvimento motor pelos
pro�ssionais que os atendem fornece um suporte consistente que contribui na
intervenção, no processo terapêutico e na prescrição da medicação. 
Compreender os processos de desenvolvimento humano é necessário em
diversos contextos da sua atuação pro�ssional, quais sejam: escola, treinamento
desportivo, academia, clínica, entre outros. Leia com atenção o que Gallahue e
Ozmun (2013, p. 21) dizem sobre o assunto
Você pode estar se perguntando,
mas e aquelas pessoas que têm
desenvolvimento atípico, como
crianças com transtornos do
neurodesenvolvimento: Autismo,
TDAH, De�ciência Intelectual; ou
transtornos especí�cos de
aprendizagem: Dislexia,
Disortogra�a, Disgra�a, entre
outros? De que serve conhecer
aspectos e tabelas de referência de
desenvolvimento motor?
Sem noções sólidas sobre os aspectos do desenvolvimento do
comportamento humano, podemos apenas intuir técnicas
educativas e procedimento de intervenção apropriados. As instruções
com base no desenvolvimento envolvem experiências de
aprendizado que são não apenas adequadas à idade, mas também
apropriadas e divertidas em termos de desenvolvimento. O
fornecimento de instruções é um aspecto importante do processo
ensino-aprendizado. As instruções, entretanto, não explicam o
aprendizado; o desenvolvimento, sim.
E aí? Percebeu a importância de conhecer o desenvolvimento para intervir de
maneira consistente e responsável? Sendo assim, podemos continuar nossos
estudos...
Gostaria de esclarecer que para montagem deste material utilizei referenciais
teóricos signi�cativos sobre o tema, mas que não se con�guram como verdades
absolutas, pode ser que em suas pesquisas e estudos posteriores você encontre
outras perspectivas e diferentes abordagens e linhas teóricas. Permita-se o
debate entre os diferentes olhares e possibilite o diálogo e não o enfrentamento
das teorias. 
Feitos os devidos esclarecimentos, vou apresentar um esquema construído por
David Gallahue e Ozmun (vai aparecer muitas vezes por aqui...) que consiste
numa visão transacional sobre as causas do desenvolvimento motor. Neste
momento gostaria que você observasse a imagem e buscasse exemplos do
cotidiano que explicitem cada um dos fatores. Faça a tentativa!
Figura 1 - Visão tradicional da relação causal no desenvolvimento motor
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 22).
A Figura 1 mostra os diversos aspectos que atuam no desenvolvimento motor do
ser humano e representam a maneira como estão interligados. Justamente por
isso que o pro�ssional da Educação Física deve estar atento às condições para o
desenvolvimento dos seus alunos, lembrando sempre que para que uma
aprendizagem aconteça deve estar em condições favoráveis: individuais,
ambientais e da tarefa, como apresenta a �gura.
Para vencer a relação dicotômica que existe entre os aspectos biológicos e os
ambientais a �m de compreender o desenvolvimento motor, Manoel (2008, p.
34) esclarece que
[...] o desenvolvimento motor, nos últimos anos, é visto como um
processo que envolve a emergência, a aquisição e o aperfeiçoamento
de funções e habilidades a partir de um script que vai sendo escrito
ao longo da experiência. A extensão do script, a gramática sobre a
qual ele opera, é predeterminada pela nossa natureza (biológica)
humana.
É fundamental estudarmos o desenvolvimento como um processo contínuo que
começa ao nascer e se estende durante toda a vida, terminando com a morte.
Por isso devemos estudar o desenvolvimentoem todas as idades, pensando que
ocorre no decorrer da vida e que as aquisições e aprendizagens são progressivas
e contínuas, ou seja, elas acontecem do mais simples para o mais complexo e
dependem de aprendizagens anteriores para que possam evoluir. 
Ficou confuso? 
Exempli�co para esclarecer... Para aprender a correr, a criança deve primeiro
andar, para andar deve aprender a �car em pé, em equilíbrio, e assim
sucessivamente.  De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 23),
O processo de desenvolvimento, e, de modo mais especí�co, o
processo de desenvolvimento motor, deve nos fazer lembrar
constantemente da individualidade do aprendiz. Cada indivíduo tem
um cronograma singular para a aquisição das capacidades de
movimento e das habilidades de movimento. Embora o “relógio
biológico” do indivíduo seja bem especí�co, quando se trata da
sequência de aquisição das habilidades de movimento (maturação), a
taxa e a extensão do desenvolvimento são determinadas
individualmente (experiência) e sofrem drástica in�uência das
demandas de performance das tarefas.
Sobre o desenvolvimento motor Haywood (2016, p. 4-5) aponta que deriva de
diversos aspectos e os aponta ao a�rmar que
Primeiro, é um processo contínuo de mudanças na capacidade
funcional. pense na capacidade funcional como a capacidade de
existir - viver, mover-se e trabalhar - no mundo real. Esse é um
processo cumulativo, em que os organismos vivos estão sempre em
desenvolvimento, mas a quantidade de mudanças pode ser mais ou
menos observável ao longo da vida. Segundo, o desenvolvimento está
relacionado à idade (apesar de não depender dela). À medida que a
idade avança, o desenvolvimento ocorre. Todavia, ele pode ser mais
rápido ou mais lento em diferentes períodos, e suas taxas podem
diferir entre pessoas da mesma idade. Cada indivíduo não
necessariamente avança em idade e desenvolvimento na mesma
proporção. Além disso, o desenvolvimento não para em uma idade
em particular, mas continua ao longo da vida. Terceiro, o
desenvolvimento envolve mudanças sequenciais. Um passo leva ao
passo seguinte, de maneira irreversível e ordenada. essa mudança é
resultado de interações internas do indivíduo e de interações entre o
sujeito e o ambiente. Todos os componentes de uma espécie passam
por padrões previsíveis de desenvolvimento, mas o resultado é
sempre um grupo de indivíduos únicos.
Ainda sobre desenvolvimento motor, temos um pesquisador da área da
Educação Física, com uma abordagem inicialmente desenvolvimentista, Tani
(2008, p. 317), que considera como ótimo o desenvolvimento motor que implica
no
[...] aumento da diversi�cação e complexidade do comportamento
motor. Entende-se por aumento de diversi�cação o aumento na
quantidade de elementos do comportamento e por aumento de
complexidade, o aumento de interação entre os elementos de
comportamento.
No próximo tópico iremos conhecer, de maneira sucinta, os principais aspectos
históricos que permeiam os estudos de desenvolvimento motor. Tais
informações irão contribuir de maneira signi�cativa para compreender a
importância de estudar o tema na sua atuação pro�ssional. O desenvolvimento
motor transversaliza o trabalho do pro�ssional de Educação Física, tendo em
vista que o seu objeto de estudo é o corpo em movimento.
Aspectos Históricos
Os primeiros estudos que tematizam o desenvolvimento motor partiram do
princípio da maturação e foram encabeçados por Arnold Gesell (1928) e Myrtle
McGraw (1935). Os pesquisadores defendiam a ideia de que “o desenvolvimento é
função de processos biológicos inatos, que resultam em uma sequência
universal de aquisição das habilidades de movimento pelo bebê” (GALLAHUE;
OZMUN, 2013, p. 23). Além disso, partiam do pressuposto de que o ambiente
in�uencia o desenvolvimento, mas que de temporariamente, tendo em vista que
os aspectos genéticos se sobrepunham aos fatores ambientais. 
No �nal do século XIX aconteceram alguns estudos sobre a aprendizagem
motora e, nesse momento, foram impulsionados pela Psicologia, com os
pesquisadores Bryan e Harter (1897), ao tratar da aquisição de habilidades de
manejo do código Morse. Posteriormente por Woodsworth (1899), com base na
análise da relação entre precisão e velocidade nos movimentos das mãos.
Franklin M. Henry (1964), a partir da psicologia experimental, considerado um
dos principais pesquisadores das habilidades motoras, propõe estudos da
coordenação motora ampla, observando ações motoras realizadas por todo o
corpo em situações de jogos e ginásios.
Henry teve como discípulos nas décadas de 70 e 80 Dick Schmidt e Craig
Wrisberg, haja vista que Henry in�uenciou diretamente as áreas da Educação
Física e da Cinesiologia – ciência que analisa os movimentos corporais.
Após a segunda guerra mundial surgiram novos estudos sobre o
desenvolvimento motor, por pesquisadores da área da Educação Física que
trabalharam com as potencialidades da performance motora em crianças.
Diferente de Gesell e McGraw, que trabalharam mais com bebês, Espenschade,
Glassow e Rarick (1981) concentraram suas investigações em crianças em idade
escolar.
Depois da década de 60, os estudos acerca do desenvolvimento motor foram
ampliando. Estudantes e pesquisadores se propuseram a investigar a aquisição
dos padrões dos movimentos fundamentais e os meios subjacentes para tais
aquisições, ou seja, quais aspectos interferem nas aprendizagens motoras.
De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 24), 
Durante as décadas de 1980 e 1990, a ênfase do estudo do
desenvolvimento motor de novo mudou de forma drástica. Em vez de
focar o produto do desenvolvimento, como nas abordagens
normativas/descritivas das três décadas precedentes, os
pesquisadores passaram a enfatizar outra vez a compreensão dos
processos subjacentes envolvidos no desenvolvimento motor.
Embora a importância fundamental da hereditariedade tivesse sido
reconhecida, agora era dada uma importância complementar às
condições do ambiente do aprendizado e às exigências especí�cas da
tarefa ou ação motora.
Com o surgimento de novas perspectivas e outras possibilidades de
entendimento do desenvolvimento motor, os olhares para as aprendizagens
foram se expandindo. Isso aconteceu também pois o desenvolvimento infantil foi
sendo mais estudado e as particularidades da infância sendo analisadas e
observadas com mais critérios. Durante muitos anos a criança era vista como um
“adulto em miniatura” e bastava que ela fosse capaz de executar tarefas típicas
da fase adulta para que a ela fossem dadas tarefas típicas da maturidade. 
Para ampliação das aprendizagens, no próximo tópico você irá conhecer alguns
modelos de desenvolvimento humano a partir de diferentes referenciais
teóricos, pesquisadores que se propuseram a estudar o fenômeno do
desenvolvimento humano e, a partir disso, construíram teorias consistentes
sobre o desenvolvimento do ser humano em perspectivas teóricas diversas.
Modelos de desenvol�mento
humano
Neste tópico iremos conhecer algumas teorias que tratam do desenvolvimento
humano em diferentes perspectivas. A proposta aqui é promover a ampliação de
ideias sobre a maneira como acontece o desenvolvimento humano a partir de
diferentes referenciais teóricos. Vale esclarecer que foram selecionados alguns
pesquisadores que podem contribuir para sua aprendizagem, o que não quer
dizer que sejam os únicos. 
Piaget – Teoria do Desenvol�mento
Cognitivo
Uma das teorias mais exploradas pela Educação, idealizada por Piaget, a Teoria
do Desenvolvimento Cognitivo, está entre as mais conhecidas por pesquisadores
do desenvolvimento infantil. Piaget parte do desenvolvimento cognitivo para
construir uma tabela de referenciais de aprendizagem, de acordo com a faixa
etária da criança. Estuda a maneira como se aprende, do nascimento até os 11
anos, principalmente, e sugere organizar em estágios, que podem ser
observados na Tabela 1. 
Distinguindo quatro períodos de desenvolvimento cognitivo, quais sejam:
sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal, Piageta�rma que o sujeito constrói esquemas de assimilação mentais para interpretar
a realidade.
Tabela 1 - Desenvolvimento cognitivo por estágios - Jean Piaget
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 58).
A aprendizagem humana acontece por meio da adaptação, complementada por
processos conhecidos como acomodação e assimilação, como pode ser
observado no esquema a seguir:
Figura 2 - Processos do desenvolvimento cognitivo de acordo com Piaget
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 59).
Nesta perspectiva, Piaget (2011, p. 89) a�rma que 
Levando em conta, então, esta interação fundamental entre fatores
internos e externos, toda conduta é uma assimilação do dado a
esquemas anteriores (assimilação a esquemas hereditários em graus
diversos de profundidade) e toda conduta é, ao mesmo tempo,
acomodação destes esquemas a situação atual. Daí resulta que a
teoria do desenvolvimento apela, necessariamente, para a noção de
equilíbrio entre os fatores internos e externos ou, mais em geral, entre
a assimilação e a acomodação.  
Erik Erikson – Teoria Psicossocial
Conhecida como psicossocial, essa teoria apresenta fases-estágio para estudar o
desenvolvimento humano. Embasado na experiência, Erikson defende que o
desenvolvimento psicossocial sofre in�uência de aspectos motores e da
educação pelo movimento no decorrer da vida, sendo o movimento o
componente fundamental na relação de reciprocidade nas relações parentais.
Para o autor, o contato físico e as experiências corporais oferecem suporte para o
estado psíquico de con�ança ou descon�ança estabelecido (GALLAHUE;
OZMUN, 2013).
A Tabela 2 mostra os estágios e as características da teoria proposta por Erikson.
Para esse momento da sua formação, caro(a) aluno(a), este panorama é
su�ciente, já que a proposta aqui é apresentar teorias que possam dialogar com
o desenvolvimento motor.
Tabela 2 - Desenvolvimento psicossocial organizado em estágios - Erikson
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 55).
Arnold Gesell – Teoria da Maturação
Gesell aborda na teoria da maturação do desenvolvimento e do crescimento que
o aspecto principal para o desenvolvimento dos aspectos físicos e motores do
comportamento humano é a maturação do sistema nervoso. Para o pesquisador,
o desenvolvimento humano está pautado em adquirir uma gama de habilidades
motoras rudimentares pelo bebê, e que essas capacidades atuam como
indicadores fundamentais para o crescimento social e emocional do indivíduo. 
Gallahue e Ozmun (2013, p. 44) esclarecem que Gesell 
descreveu várias idades em que as crianças se encontram em
períodos “nodais” ou então “fora de foco” em relação ao seu
ambiente. O estágio nodal é um período de maturação, durante o
qual a criança exibe elevado grau de domínio em situações no
ambiente imediato, apresenta equilíbrio de comportamento e
geralmente é agradável. Estar fora de fora é o contrário: a criança
exibe um baixo grau de domínio em situações no ambiente imediato,
apresenta desequilíbrio ou problemas de comportamento e
geralmente é desagradável.
Essa teoria atualmente não é largamente aceita, mas já serviu de base para
orientar muitos estudos e pesquisas.
Freud – Teoria Psicanalítica 
A teoria psicanalítica proposta por Freud apresenta estágios e pode ser vista
como um dos primeiros modelos do desenvolvimento humano, centrada na
personalidade, trata de “estágios psicossexuais do desenvolvimento”, que 
[...] re�etem várias zonas do corpo comas quais o indivíduo busca
satisfazer o id (fonte inconsciente de motivos, desejos, paixões e
busca de prazer) em determinados períodos etários gerais. O ego faz
a mediação entre o comportamento de busca do prazer do id e o
superego (senso comum, razão e consciência) (GALLAHUE; OZMUN,
2013, p. 43).
Freud organizou sua teoria nos seguintes estágios: oral, anal, fálico, latente e
genital, com base nos locais de busca de prazer do ser humano e a�rma que,
cada estágio está relacionado com as sensações físicas e com as atividades
motoras.
Robert Ha�ghurst – Teoria do Ambiente
Essa abordagem parte do princípio de que, ao realizar uma tarefa e obter
sucesso, o indivíduo �ca feliz, o que garante êxito nas atividades posteriores. Caso
a realização da tarefa não seja bem sucedida, o resultado será a infelicidade,
desaprovação social e di�culdade. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p.
62), 
Em cada nível do desenvolvimento, a criança encontra novas
demandas sociais. Essas demandas, ou tarefas, surgem a partir de
três fontes. Primeiro, surgem da maturação física. Depois, surgem das
pressões culturais da sociedade, como aprender a ler e a ser cidadão
responsável. A terceira fonte de tarefas é o próprio indivíduo. As
tarefas surgem da personalidade em maturação e dos valores e das
aspirações próprias individuais. 
Para Havighurst, o professor tem papel fundamental nesse processo, pois pode
planejar de maneira adequada o processo de ensino, “identi�cando as tarefas
adequadas a determinado nível de desenvolvimento e tendo plena consciência
de que o nível de prontidão  da criança é in�uenciado por fatores biológicos,
culturais e pessoais”, e que estes, por sua vez funcionam de maneira integrada
(GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 62)
Havighurst organizou as etapas do desenvolvimento da seguinte forma: fase do
bebê e primeira infância – nascimento até 5 anos; segunda infância – 6 a 12 anos;
adolescência – 13 a 18 anos; adultez jovem – 19 a 29 anos; meia-idade – 30 a 60
anos e terceira idade – 60 anos em diante.
Segue uma tabela, trazida por Gallahue e Ozmun (2013), que apresenta os
marcos do desenvolvimento a partir da teoria de Havighurst. Lembrando que as
aprendizagens devem ser observadas de maneira ampla e com certa
�exibilidade, haja vista que o ser humano pode apresentar alterações,
considerando que o que temos em tabelas de referência são aproximações
convenientes e não protocolos rígidos ou enquadramentos que determinam
desenvolvimento humano.
QUADRO - Períodos do desenvolvimento de acordo com a teoria de
Havighurst
A. Fase do bebê e da primeira da infância (do nascimento até os 5
anos)
�. Aprender a andar.
�. Aprender a ingerir alimentos sólidos.
�. Aprender a falar.
�. Aprender a controlar a eliminação das fezes e da urina.
�. Aprender as diferenças sexuais e o modo correto de comportar-se
sexualmente.
�. Aquisição de conceitos e de linguagem para descrição da
realidade social e física.
�. Prontidão para ler.
�. Aprender a distinguir o certo do errado e desenvolver a
consciência.
B. Segunda infância e pré-adolescência (de 6 a 12 anos)
�. Aprender as habilidades físicas necessárias a jogos comuns.
�. Construir uma atitude bené�ca em relação a si mesmo.
�. Aprender a conviver com seus pares.
�. Aprender um papel sexual apropriado.
�. Desenvolver habilidades fundamentais de leitura, escrita e
cálculo.
�. Desenvolver conceitos necessários à vida diária.
�. Desenvolver a consciência, a moralidade e uma escala de valores.
�. Alcançar independência pessoal.
C. Adolescência (de 13 a 18 anos)
�. Manter relações maduras com ambos os sexos.
�. Manter um papel masculino ou feminino
�. Aceitar o próprio físico.
�. Conquistar independência emocional em relação aos adultos.
�. Preparar-se para o casamento e a vida em família.
�. Preparar-se para uma carreira rentável.
�. Adquirir valores e um sistema ético para orientar o próprio
comportamento.
�. Desejar e alcançar um comportamento socialmente responsável.
D. Adulto jovem (de 19 a 29 anos)
�. Escolher um companheiro.
�. Aprender a viver com um parceiro.
�. Formar uma família.
�. Criar os �lhos.
�. Administrar a casa.
�. Iniciar-se em uma pro�ssão.
�. Assumir a responsabilidade cívica.
E. Adulto médio
�. Ajudar os �lhos adolescentes a serem adultos felizes e
responsáveis.
�. Ter responsabilidade social e cívica de adulto.
�. Alcançar resultados satisfatórios na carreira.
�. Participar de atividades de lazer adultas
�. Relacionar-se com o cônjuge como pessoa.
�. Aceitar as mudanças �siológicas da meia-idade.
�. Adaptar-se ao envelhecimentodos pais.
F. Terceira idade (de 60 anos em diante)
�. Adaptar-se à redução da força e da saúde.
�. Adaptar-se à aposentadoria e à redução da renda.
�. Adaptar-se à morte do cônjuge.
�. Estabelecer relações com um grupo de pessoas da mesma idade.
�. Cumprir obrigações sociais e cívicas.
�. Estabelecer um local de moradia satisfatório.
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 62-63).
Fatores que afetam o
desenvol�mento motor
Para começo de conversa re�ita sobre as seguintes questões:
Todas as pessoas têm as mesmas habilidades motoras desenvolvidas?
Existem aprendizagens de movimento corporal que você consegue e outras
pessoas que conhece não conseguem fazer?
Todas as crianças aprendem as ações motoras com a mesma idade?
Pois bem, acredito que suas respostas para as perguntas foram negativas, tendo
em vista que, mesmo entre irmãos gêmeos univitelinos, as aquisições das
habilidades motoras podem ser diferentes.
O que quero dizer com isso? Que apesar de existirem referências e tabelas para o
desenvolvimento humano, e para o motor também, existem aspectos que
interferem e in�uenciam diretamente na aprendizagem humana. E o objetivo
deste tópico é exatamente esse: mostrar para você quais fatores podem afetar o
desenvolvimento das aprendizagens motoras.
Sabendo que existem os fatores individuais, que estão relacionados a cada ser
humano particularmente, os fatores ambientais, que dizem respeito ao meio no
qual a criança está inserida, e, por último, mas não menos importante, existem
os aspectos relacionados às tarefas físicas, como questões étnicas e culturais. É
imprescindível que nós, pro�ssionais da Educação Física possamos conhecer
cada um deles, para olhar o desenvolvimento motor e todas as variáveis que
interferem na evolução saudável.
Fatores Indi�duais
Aqui tratamos dos aspectos genéticos e hereditários. Quando falamos de
similaridades, entendemos que existe uma tendência de que o desenvolvimento
humano aconteça de forma ordenada e previsível, porém existem aspectos
biológicos que podem alterar tal ordem e previsibilidade. 
A direção do desenvolvimento é um desses aspectos individuais, está
relacionada à maturação neuromotora e à progressão cefalocaudal – controle da
musculatura partindo da cabeça em direção aos pés – e proximodistal –
controle da musculatura e dos movimentos, partindo do centro do corpo para as
extremidades, em direção às partes mais distantes.
Assim como no desenvolvimento cefalocaudal, o conceito de
proximodistal aplica-se tanto aos processos do crescimento como à
aquisição das habilidades de movimento. Por exemplo, em relação ao
crescimento, o tronco e a cintura escapular crescem antes dos braços
e das pernas, que crescem antes dos dedos das mãos e dos pés. Na
aquisição das habilidades, a criança mais nova é capaz de controlar os
músculos do tronco e da cintura escapular antes dos punhos, das
mãos e dos dedos. Esse princípio do desenvolvimento é usado com
frequência nos primeiros anos de escola, quando são ensinados os
elementos menos re�nados da escrita antes do ensino dos
movimentos mais re�nados e complexos (GALLAHUE; OZMUN, 2013,
p. 84-85).
Tais aspectos se desenvolvem durante toda a vida e na velhice acontece o
caminho inverso, ou seja, as ações motoras que os membros inferiores e
superiores realizam tendem a perder a destreza e e�cácia. Por isso é necessário
que as pessoas se mantenham ativas durante toda a vida e continuem fazendo
atividades físicas na terceira idade, para que não percam a capacidade de
mobilidade corporal adquirida, tendo em vista que isso acontece
biologicamente.
Outro aspecto é a taxa de
crescimento, que pode sofrer
interferência quando a criança é
acometida por uma doença grave
que, momentaneamente, pode
afetar o seu padrão de crescimento.
Esse fator é resistente à in�uência
externa, ou seja, mesmo que haja
alteração no crescimento no
indivíduo, por doença ou
prematuridade, a tendência é que a
criança recupere os níveis de
crescimento e alcance os colegas
com idade aproximada a sua. Caso
ocorra a permanência no atraso de
crescimento essa diferença pode
afetar o desenvolvimento motor de
maneira signi�cativa e o efeito disso
está relacionado ao tempo de
duração e da gravidade da carência,
O entrelaçamento recíproco é um aspecto do indivíduo que corresponde ao
“entrelaçamento coordenado, progressivo e intrincado dos mecanismos neurais
dos sistemas musculares opostos em uma relação de maturidade crescente”
(GALLAHUE E OZMUN, 2013, p. 85). Está relacionado à capacidade de diferenciar
e integrar mecanismos motores e sensoriais, aumentando de maneira complexa
dois processos diferentes, chamados de diferenciação e integração.
A diferenciação é relativa às ações motoras amplas que vão sendo
progressivamente re�nadas na infância e adolescência. Por exemplo, a pega de
um objeto, primeiro ela é feita com a mão toda de maneira mais global e, à
medida que o movimento vai sendo diferenciado, vai re�nando até que a pega
�ca como pegamos no lápis de maneira madura, por volta dos 7 anos. O controle
desses movimentos re�nados se dá a partir da prática.
A integração acontece quando os músculos opostos e os sistemas sensoriais
interagem de maneira coordenada. A criança mais nova vai dos movimentos
pouco coordenados e imprecisos para ações motoras de�nidas, maduras e
orientadas.
Sobre os processos de diferenciação e integração Gallahue e Ozmun (2013, p. 86)
esclarecem que
[...] tendem a reverter-se quando a idade avança. Conforme a pessoa
envelhece e as capacidades de movimento começam a regredir, a
interação coordenada dos mecanismos sensoriais e motores
frequentemente �ca inibida. O grau de regressão das capacidades do
movimento coordenado não é mera função da idade, mas sofre
grande in�uência dos níveis de atividade e da atitude.
Outro fator individual é a prontidão, que depende da junção de aspectos
biológicos, ambientais e físicos, diz respeito a estar pronto para aprender
determinada tarefa. Algumas variáveis interferem na capacidade de estar apto
para aprender uma nova habilidade de movimento corporal, quais sejam,
maturação psíquica e física, interação de maneira motivada, aprendizado de pré-
requisitos e ambiente rico em estímulos. O aspecto da prontidão sofre in�uência
direta do professor, ou seja, cabe a quem ensina observar se a criança está
“madura” e já possui as aprendizagens necessárias para vivenciar um novo
estímulo, que vai dar origem a uma nova habilidade.
Os períodos de aprendizagem críticos e sensíveis estão relacionados à
prontidão e aos momentos da vida nos quais os indivíduos estão mais
suscetíveis a certos estímulos em relação a outros períodos. Por exemplo, a
da idade em que tal fato ocorrer e
do potencial de crescimento
genético do indivíduo.
criança que não tem nutrição adequada ou carência de experiências motoras na
primeira infância pode sofrer consequências negativas no desenvolvimento em
uma idade mais avançada.
Existem etapas sensíveis amplamente determinadas, durante os quais as
pessoas estão aptas a aprender novas tarefas de forma mais e�caz e efetiva. Vale
destacar que o aprendizado acontece durante toda a vida, ou seja, é possível
aprender novas habilidades motoras ou de outra natureza em qualquer
momento da vida, mas existem períodos em que ocorre a aprendizagem
facilitada, em que existem condições favoráveis para tal.
 O fator que trata das diferenças individuais está relacionado às singularidades
que cada ser humano apresenta, ou seja, cada pessoa possui seu cronograma
próprio de desenvolvimento, que deriva da hereditariedade somada à in�uência
do ambiente. Mesmo que exista uma sequência para o desenvolvimento das
características, o ritmo das aquisições pode variar. 
As habilidades �logenéticas são vistas na perspectiva da maturação, surgem de
forma automática e resistem às in�uências externas, são 
[...] as tarefas de manipulação rudimentares de alcançar, pegar e
soltar objetos; tarefas de estabilidade para adquirir controle sobre a
musculaturaampla do corpo; e as capacidades locomotoras
fundamentais de caminhar, saltar e correr são exemplos do que é
considerado habilidade �logenética (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p.
88). 
As habilidades ontogenéticas resultam de estímulos do ambiente e de
oportunidades de aprendizagem. Exemplos como andar de bicicleta, nadar, não
aparecem de maneira automática, mas devem ser aprendidos ou vistos e
experimentados para que possam ser aprendidos pela criança, são fortemente
in�uenciados por aspectos culturais e ambientais. De acordo com Gallahue e
Ozmun (2013, p. 88),
Embora haja uma tendência biológica para o desenvolvimento de determinadas
habilidades em função de processos �logenéticos, seria simplista pressupor que,
sozinha, a maturação é responsável pelo desenvolvimento motor. A extensão ou
domínio de qualquer habilidade de movimento voluntário depende, em parte,
da ontogenia, ou seja, do ambiente. Em outras palavras, oportunidades de
prática, estímulo e instrução, a ecologia ou condições do ambiente contribuem
signi�cativamente para o desenvolvimento das habilidades de movimento ao
longo da vida.
Apesar de existirem fatores individuais, �cou bastante claro que o papel do
professor, dos estímulos e das vivências a serem oferecidas ao indivíduo
constituem-se como essenciais na formação e no desenvolvimento das
habilidades motoras. A aprendizagem depende de diversos aspectos, mas é
imprescindível que seja oferecido à criança um ambiente saudável e favorável
para aquisição de habilidades e competências quando se trata de movimento
humano.
Fatores Ambientais
Quando falamos de fatores ambientais nos concentramos no comportamento
das pessoas que convivem com as crianças, nas relações parentais estabelecidas
e na maneira como tais relacionamentos afetam o desenvolvimento humano.
O aspecto conhecido como estimulação e privação diz respeito ao nível de
experiências a que o ser humano é submetido. O quanto o treinamento e a
exposição a estímulos interferem no desenvolvimento de habilidades. Em
contrapartida a carência e escassez de vivências pode “atrasar” tais
aprendizagens. Apesar de existir um potencial biológico para que determinada
habilidade seja desenvolvida, é fato que quando a criança é estimulada a
experimentar diversas possibilidades de ação motora, o resultado é um
repertório de habilidades e nível de destreza de acordo com o esperado para a
idade ou até mesmo avançado se comparado com uma criança da mesma idade
que vive em condições ambientais desfavoráveis em se tratando de estímulos
ambientais.
Tal aspecto é facilmente observado quando olhamos os intervalos escolares.
Vemos meninos e meninas da mesma idade, mas com níveis de habilidades
motoras bastante diversi�cados.
A premissa básica para
entendermos esse aspecto é que as
crianças aprendem e passam
grande parte da infância agindo por
imitação. Isso mesmo, as crianças
imitam muitas coisas que estão ao
seu redor. O que justi�ca muitas
vezes os pais “não saberem” a
origem de determinados
comportamentos, gestos ou falas de
seus �lhos. O fator conhecido como
laços trata da interação recíproca
que se estabelece entre mãe e �lho,
pai e �lho, entre outras. Esta relação
mútua pode atuar de maneira
signi�cativa no ritmo e na extensão
do desenvolvimento da criança. 
Fatores das Tarefas Físicas
Neste item precisamos olhar para aspectos como: etnia, classe social, gênero,
formação étnica e cultural e, sem qualquer tipo de preconceito, olhar para tais
fatores como passíveis de in�uenciar o crescimento e o desenvolvimento motor.
Vamos exempli�car de maneira simples: se pensarmos na coordenação motora
óculo pedal, quem desenvolve mais facilmente? Meninos ou meninas? 
Pois bem, de maneira geral, por questões culturais, os meninos são orientados
para o futebol e suas habilidades muito precocemente, o que interfere na
aquisição e aprimoramento das habilidades. 
Evidente que muitas a�rmativas que fazíamos há algum tempo já não podem
ser feitas atualmente, e assim as coisas vão sendo modi�cadas. Mas, como
pro�ssionais que lidam diariamente com desenvolvimento humano, é
necessário re�etir sobre diversas situações que fazem parte do nosso cotidiano e
da nossa atuação pro�ssional.
ATENÇÃO
A prematuridade é um aspecto bastante observado quando vamos
tratar de desenvolvimento humano, mas especi�camente das
aquisições motoras. O nascimento prematuro pode acarretar efeitos a
longo prazo e ocasionar diferenças nas aquisições motoras no decorrer
da vida do indivíduo. Quando o bebê é submetido aos estímulos
adequados e tem os atendimentos necessários, muitas vezes acaba
progredindo de maneira satisfatória e acaba alcançando níveis de
desenvolvimento de acordo com o esperado para a idade. Porém, se
não houver um acompanhamento adequado e atendimento
necessário, a criança pode ter seu desenvolvimento afetado.
O aspecto que se refere aos transtornos de alimentação trata de situações
como obesidade, compulsão alimentar, anorexia/bulimia, e entre crianças,
adolescentes e adultos podem afetar de maneira acentuada o crescimento e
desenvolvimento motor. A obesidade e o sobrepeso aumentam o risco do
aparecimento de doenças graves, como diabetes e hipertensão e estão
associadas a várias situações negativas de saúde, como colesterol elevado,
problemas hormonais, entre outros. 
A compulsão alimentar é um transtorno no qual o indivíduo apresenta
descontrole nos episódios de alimentação com intervalos e quantidades
irregulares. A anorexia/bulimia é um transtorno psíquico que deriva da aversão à
comida e na autoinanição, podendo resultar em atraso no desenvolvimento ou
até mesmo levar à morte.
O nível de aptidão física de uma pessoa afeta no desenvolvimento motor,
quando falamos das condições de força, velocidade, �exibilidade, resistência,
entre outras capacidades relacionadas ao condicionamento físico, estamos
também falando do desenvolvimento das habilidades motoras. Quanto mais
treinamos e nos exercitamos, melhores são as nossas capacidades e
consequentemente melhor será nosso condicionamento físico.
O aspecto que trata da biomecânica trata dos princípios mecânicos do
movimento corporal, numa relação com estabilidade, locomoção e manipulação.
O ser humano é capaz de movimentar-se de muitas formas, mas é importante
conhecermos alguns movimentos básicos que dão suporte para que todos os
outros movimentos sejam aprendidos e realizados. Entre eles podemos citar o
equilíbrio corporal, que dá base para muitos movimentos que realizamos. Como
podemos andar se não somos capazes de manter o corpo em equilíbrio, em
bipedia? O equilíbrio corporal sofre a ação da gravidade sobre o corpo e a
maneira como respondemos corporalmente a ela.
A força em situações como aplicação e recepção está relacionada à capacidade
de contração e relaxamento que permite executar diversas ações motoras e
serve de pré-requisito para que o corpo realize e aprenda uma variedade de
movimentos corporais cada vez mais complexos.
O modelo teórico do
desenvol�mento motor
Metodologicamente, o desenvolvimento motor é categorizado de acordo com a
idade cronológica, por meio da distribuição em grupos a partir das faixas etárias
correspondentes. Nesse sentido, Gallahue e Ozmun (2013) destacam que não são
protocolos fechados, mas sim escalas de tempo aproximadas que mostram os
comportamentos observáveis durante um período da vida.
A vida humana tem como uma das características justamente passar por
diversas transformações no seu decorrer e por diversas etapas: ovo, embrião, feto,
recém-nascido, criança, adolescente, adulto, idoso. Tais fases perpassadas pelo
ser humano parte do conjunto de funções básicas peculiares ao processo como
um todo, que são crescimento, desenvolvimento e maturação, incorporado às
dimensões cognitiva, afetiva e social. É fundamental que possamos olhar o
desenvolvimento humano de maneira holística, ou seja, como um todo, no qual
as dimensões cognitiva, afetiva e motora atuam e funcionam de maneira
integrada, para que possamoscontribuir de maneira signi�cativa em suas
aprendizagens. Os domínios do desenvolvimento humano não atuam de
maneira isolada ou independente, mas de forma interativa. Vou exempli�car...
Quando estamos emocionalmente desestabilizados nossa capacidade de
aprendizagem, ou seja, nossa cognição, acaba sendo afetada. A condição afetiva
do ser humano interfere na cognitiva e nos movimentos corporais e assim por
diante.
Já que mencionamos os domínios de desenvolvimento humano, vamos
entender de maneira sucinta cada um deles:
Domínio motor: caracteriza as estruturas para identi�car os movimentos
corporais humanos. Atualmente, usamos o termo Psicomotor para designar esse
domínio, por entender que mente e corpo são aspectos indissociáveis e se
re�etem nas habilidades motoras. São as transformações progressivas no
comportamento motor, que ocorrem a partir de condições ambientais,
interagindo com ambientes favoráveis de aprendizado. Nesse domínio estão as
ações motoras básicas e fundamentais, como andar, correr, saltar, pegar, lançar
etc. Além dessas, também as habilidades esportivas, laborais e especí�cas, como
pilotar um avião. 
Domínio cognitivo: são as mudanças progressivas nas habilidades de
pensamento, raciocínio e ação. É constituído de diversos processos mentais, tais
como: atenção, concentração, memória, entre outros.
Domínio afetivo: diz respeito à capacidade de interação e relacionamento que o
ser humano aprende no decorrer da vida. As pessoas utilizam o movimento para
se relacionarem com o mundo ao seu redor, com as pessoas, com os objetos,
com a natureza. Esse domínio trata dos comportamentos sociais que são
aprendidos quase em sua totalidade e podem ser melhorados.
É de suma importância conhecer os domínios do desenvolvimento, tendo em
vista que existe uma inter-relação entre eles. Nosso comportamento motor
responde aos estímulos decorrentes das demais dimensões do desenvolvimento
humano.
Quando tratamos do desenvolvimento motor, buscamos referências que possam
contribuir para entender as aquisições e aprendizagens no decorrer da vida, do
nascimento até a velhice. Para nos ajudar no entendimento das aprendizagens
motoras, irei apresentar a famosa “ampulheta” do desenvolvimento motor,
proposta por Gallahue e Ozmun (2013), que mostra as etapas distribuídas por
faixa etária.
A ideia é que você comece a se familiarizar com ela. Para tanto, gostaria que
você observasse a imagem a seguir e pensasse por alguns instantes em crianças
e adolescentes do seu convívio, se assim for possível, que estejam em cada uma
das etapas.
Figura 3 - Fases e estágios do desenvolvimento motor
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 69).
Essa ampulheta apresenta as etapas do desenvolvimento motor, que, neste
momento do material, serão brevemente apresentadas. Cada uma das etapas
mostradas será devidamente tratada nas próximas unidades. Fique tranquilo(a),
aluno(a), que ao término desta disciplina você irá conhecer todas as fases do
desenvolvimento motor de maneira detalhada, a �m de que tais conhecimentos
possam auxiliar sua prática.
Vale ressaltar que tal ampulheta sofreu algumas alterações, ao considerar que
existem aspectos que interferem no desenvolvimento da motricidade, e ampliou
o modelo para o que será apresentado na sequência. Observe com atenção
quais alterações foram realizadas e tente, como num jogo das diferenças,
detectar tais modi�cações. A nova versão foi chamada “ampulheta triangulada”.
Figura 4 - Ampulheta triangulada proposta por Gallahue e Ozmun
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 76).
E então? Observou as inserções? Veja o que Gallahue e Ozmun (2013, p. 76)
a�rmam sobre a �gura
Preenchimento da ampulheta individual com “areia” (i.e., substância
da vida). A ampulheta representa a visão descritiva (produto) do
desenvolvimento. O triângulo invertido representa a visão explicativa
(processo) do desenvolvimento. Ambas são úteis à compreensão do
desenvolvimento motor à medida que o indivíduo se adapta
continuamente às mudanças na busca constante pela aquisição e
manutenção do controle motor e da competência no movimento.
Essa ampulheta fornece a visão descritiva de desenvolvimento humano,
mostrando as fases típicas e os estágios de acordo com a faixa etária, do
nascimento até a velhice. O triângulo invertido que atravessa a �gura consiste
numa orientação visual para observarmos aspectos como hereditariedade, meio
e a maneira como interferem na realização das tarefas de aquisição e
desenvolvimento das habilidades motoras.
É fundamental estar atento(a) aos aspectos que interferem no desenvolvimento
motor, como os autores colocam na imagem: hereditariedade e ambiente.
Aspectos que podem ser herdados geneticamente e que fazem diferença na
aquisição e desenvolvimento de aprendizagens motoras e aspectos ambientais
como uma variável essencial na aprendizagem das ações motoras pelas pessoas.
Na segunda, os pro�ssionais que passam pela vida do indivíduo consistem em
elementos fundamentais, ou seja, os estímulos recebidos pelas crianças serão
decisivos no seu desenvolvimento saudável ou não. Esteja sempre atento(a) para
a escolha das atividades e intervenções a serem realizadas para que sejam
coerentes com as necessidades, interesses e etapas de desenvolvimento do
grupo que atende.
Como podemos observar na própria ampulheta o desenvolvimento motor está
organizado em estágios: re�exivo, rudimentar, fundamental e especializado.
Essas etapas vão do nascimento até por volta de 12 anos de idade. A partir de 12
anos o ser humano vai especializando os movimentos que já aprendeu e vai
aprimorando suas habilidades motoras aprendidas anteriormente. 
Sobre o assunto Gallahue e Ozmun (2013, p. 80) esclarecem que
A aquisição de competências no movimento é um processo
extensivo, que começa com os movimentos re�exos iniciais do
recém-nascido e continua por toda a vida. O processo pelo qual o
indivíduo passa pelas fases dos movimentos re�exo, rudimentar e
fundamental, até chegar, �nalmente, a fase das habilidades do
movimento especializado e in�uenciado por fatores da tarefa, do
indivíduo e do ambiente.  
Para esta unidade do material �caremos por aqui. Daqui em diante iremos
conhecer cada etapa do desenvolvimento motor e suas particularidades.
SAIBA MAIS
Vamos falar sobre Psicomotricidade?
Durante a unidade tratamos do Desenvolvimento Motor numa
perspectiva essencialmente desenvolvimentista e foram apresentadas
diversas perspectivas teóricas e a fundamentação pautada em autores
que, em seus estudos, privilegiaram as ações motoras como objeto de
estudo. Neste momento trago uma ciência que tem por objetivo
ampliar o olhar para a aprendizagem e para a realização dos
movimentos corporais.
Diante disso, apresento a de�nição de Psicomotricidade de acordo
com a Associação Brasileira de Psicomotricidade (2019, on-line) e
convido você a se encantar por essa área, que olha para os
movimentos humanos de maneira mais abrangente e além da simples
execução física deles.
“’Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma
concepção de movimento organizado e integrado, em função das
experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua
individualidade, sua linguagem e sua socialização.’ (Associação
Brasileira de Psicomotricidade)
‘A Psicomotricidade baseia-se em uma concepção uni�cada da pessoa,
que inclui as interações cognitivas, sensório motoras e psíquicas na
compreensão das capacidades de ser e de expressar-se, a partir do
movimento, em um contexto psicossocial. Ela se constitui por um
conjunto de conhecimentos psicológicos, �siológicos, antropológicos e
relacionais que permitem, utilizando o corpo como mediador, abordar
o ato motor humano com o intento de favorecer a integração deste
sujeito consigo e com o mundo dos objetos e outros sujeitos.’ (Costa,
2002)
‘Em razão de seu próprio objeto de estudo, isto é, o indivíduo humano
e suas relações com o corpo, a Psicomotricidade é uma ciência
encruzilhada... que utiliza as aquisições de numerosasciências
constituídas (biologia, psicologia, psicanálise, sociologia, linguística...)
Em sua prática empenha-se em deslocar a problemática cartesiana e
reformular as relações entre alma e corpo: O homem é seu corpo e
NÃO - O homem e seu corpo’. (Jean-Claude Coste, 1981)
A psicomotricidade pode também ser de�nida como o campo
transdisciplinar que estuda e investiga as relações e as in�uências
recíprocas e sistémicas entre o psiquismo e a motricidade.
Baseada numa visão holística do ser humano, a psicomotricidade
encara de forma integrada as funções cognitivas, sócio-emocionais,
simbólicas, psicolinguísticas e motoras, promovendo a capacidade de
ser e agir num contexto psicossocial. A psicomotricidade possui as
linhas de atuação educativa, reeducativa, terapêutica, relacional,
aquática [...]”.
Fonte: Associação Brasileira de Psicomotricidade (2019).
REFLITA
“Se uma pessoa não pode aprender da maneira que é ensinada, é
melhor ensiná-la da maneira que pode aprender” (Marion
Welchmann).
O desenvolvimento depende de história e contexto. Cada pessoa
desenvolve-se dentro de um conjunto especí�co de circunstâncias ou
condições de�nidas por tempo e lugar. Os seres humanos in�uenciam
seu contexto histórico e social e são in�uenciados por eles. Eles não
apenas respondem a seus ambientes físicos e sociais, mas também
interagem com eles e os mudam (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006).
02
Primeira Infância
UNIDADE
Introdução
Caro(a) estudante,
É com satisfação que dou início à nossa Unidade II desta disciplina. Durante
nossos estudos você terá a oportunidade de compreender o começo do
desenvolvimento infantil, quando pensamos numa perspectiva cronológica. Isso
mesmo. Vamos começar esta caminhada estudando o desenvolvimento motor
antes do ser humano ter nascido, na fase que chamamos de pré-natal, olhando
para aspectos que acontecem durante a gestação, no que se refere ao
crescimento e desenvolvimento. Com base nas teorias de desenvolvimento que
já estudamos, estamos falamos da origem das aprendizagens e do
comportamento motor.
Pensando em contribuir em sua formação de maneira signi�cativa, iremos
explorar aspectos do desenvolvimento desde a fase pré-natal, por entender que
nesse período acontecem diversas situações que devem ser aprendidas e que
interferem na vida futura e nas intercorrências ao longo do desenvolvimento.
Neste momento da disciplina nós iremos conhecer a base da ampulheta
proposta por Gallahue e Ozmun (2013), que foi apresentada a você na primeira
unidade, a dos movimentos re�exos, que são aqueles realizados pelo bebê, e a
fase dos movimentos rudimentares, ou seja, iremos explorar o desenvolvimento
motor do nascimento até 2 anos de idade. 
Se buscarmos historicamente, durante muito tempo a infância não era vista com
suas particularidades e especi�cidades. A criança era vista como “adulto em
miniatura” e socialmente bastava que ela fosse capaz de realizar as tarefas
típicas da vida adulta para que ela assumisse diversas responsabilidades, dando
adeus à infância e tudo àquilo que uma criança precisa para se desenvolver
como ser humano.
Hoje existem inúmeros estudos que apontam para o quanto esse período da
vida é fundamental para as etapas futuras e o quanto existe uma base de
aprendizagens que acontece na infância e que são aprendizagens essenciais e
habilidades necessárias, que serão utilizadas em muitas outras demandas, como
na alfabetização, por exemplo.
Vamos, então, conhecer as duas primeiras fases do desenvolvimento motor:
movimento re�exo e movimento rudimentar?
Plano de Estudo:
�. Fase pré-natal e infantil;
�. Re�exos infantis e estereótipos rítmicos;
�. Habilidades motoras rudimentares;
�. Percepção infantil.
Objetivos de Aprendizagem:
�. Conceituar e contextualizar os aspectos que afetam no desenvolvimento
motor e que acontecem na fase pré-natal;
�. Compreender as características do crescimento infantil nas fases pré-natal
e no período da infância no que tange o desenvolvimento motor;
�. Entender as particularidades do desenvolvimento desde o período
gestacional até a infância;
�. Conhecer as etapas de desenvolvimento motor do movimento re�exo e do
movimento rudimentar;
�. Entender a percepção infantil e de que maneira são desenvolvidas as
percepções.
Fase pré-natal e infantil
Neste tópico iremos começar a explorar o desenvolvimento motor, partindo da
etapa pré-natal, que corresponde aos 9 meses ou 40 semanas de gestação, que
pode, por diversos fatores, durar mais ou menos tempo. Vamos apresentar aqui
uma série de aspectos que podem acontecer nesse período e podem também
ser controlados, e, por sua vez, impactam o desenvolvimento motor do bebê e
no decorrer da vida. Em seguida iremos tratar da taxa de crescimento pré-natal
e infantil, sabendo que em nenhum momento da vida o corpo humano cresce
como desde a concepção até os dois anos aproximadamente. 
Pensando na velocidade de crescimento que acontece nesse período de que
formas o movimento se comporta? E as aprendizagens motoras?
Neste tópico iremos conhecer aspectos da gestação que interferem no
desenvolvimento, ou seja, condições de antes ou durante a gravidez que
aumentam o risco da criança ter intercorrência e consequências no seu
desenvolvimento. Em seguida vamos entender como acontece o crescimento
pré-natal e durante a infância.
Fatores Pré-Natais que Afetam o
Desenvol�mento
Existem diversos fatores que afetam o desenvolvimento da criança e podem
inclusive interferir futuramente no aprendizado de diversas habilidades e que
acontecem durante a gestação. 
Os fatores nutricionais e químicos estão relacionados à alimentação da mãe
durante o período da gravidez. Se tais aspectos irão realmente interferir no
desenvolvimento vai depender de algumas variáveis, tais como: “a condição do
feto, o grau de abuso nutricional ou químico, a quantidade ou dosagem, o
período da gravidez” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 100). O risco para o feto se dá
quando existe um ou mais desses fatores apresentados.
Especi�camente como aspecto nutricional temos a má nutrição pré-natal, que
podem ter como resultado a má nutrição do feto, da placenta ou da mãe. A
nutrição materna adequada signi�ca que a mulher não ingere a quantidade
necessária de nutrientes diariamente, o que contribui signi�cativamente para a
saúde geral da mãe e do bebê e, em alguns casos, impede de�ciências de
nascimento. Existem diversos estudos que associam determinados nutrientes a
menor incidência de doenças, como, por exemplo, a ingestão do ácido fólico e a
redução de deformidades do tubo neural que ocasiona a mielomeningocele ou
espinha bí�da.
Um dos aspectos químicos que pode causar danos no desenvolvimento infantil
é o uso de medicamentos e drogas pela mãe. Como a parede da placenta é
“porosa”, é possível que substâncias a penetrem e atinjam o feto. Medicamentos
comprados rotineiramente nas farmácias, sem necessidade de receita ou
acompanhamento médico podem causar danos para o feto. Por isso o cuidado
com a gestante e os medicamentos a serem usados durante a gravidez são
necessários, principalmente em determinados períodos da gestação.
Você já deve ter lido algo ou ouvido falar em doenças que acometem o universo
infantil e que podem ser associadas ao uso de determinados remédios. Muitas
vezes são pesquisas em andamento ou especulações, mas existe uma relação
íntima do uso de medicamentos com o desenvolvimento do bebê e o
surgimento de doenças. Sempre que for considerada a possibilidade de que
uma disfunção seja associada ao uso de medicamentos durante a gestação
devem ser considerados os seguintes fatores: período da gravidez que foi
tomado, dose, tempo que tomou o remédio, predisposições genéticas do feto,
interação dos quatro aspectos.
A tabela a seguir mostra alguns exemplos de medicamentos que ocasionam
efeitos na criança quando usados durante a gestação.
Tabela 1 - Efeitos de medicamentos usados durante a gestação que podem
afetar o desenvolvimento
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p.111).
Por outro lado, existem aqueles medicamentos que são “necessários”, ou seja,
que a mãe precisa tomar, pois estão em tratamento médico ou por mal-estar.
Evidente que quando existe o acompanhamento médico saudável, o pro�ssional
vai receitar remédio em último caso. Vários medicamentos, sem receita,
apresentam potencial para prejudicar o desenvolvimento do feto. A tabela a
seguir mostra algumas doenças que a mãe pode ter, qual medicação é
administrada e quais seus possíveis efeitos.
Tabela 2 - Drogas usadas durante a gestação e seus possíveis efeitos no bebê
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 112).
Por último vamos falar sobre o uso de drogas lícitas e ilícitas durante a gravidez.
Você já ouviu falar sobre a Síndrome Alcoólica Fetal ou do Alcoolismo Fetal? Pois
bem, está relacionada ao abuso de álcool durante a gestação e a maneira como
tal hábito afeta o desenvolvimento do feto. Essa síndrome, além de causar
alterações nas características faciais, traz como consequências atrasos no
desenvolvimento psicomotor. 
Sobre o uso de álcool e tabaco na gestação Gallahue e Ozmun (2013, p. 113)
explicam que
Embora o álcool e o tabaco sejam considerados por muitos como
drogas que alteram a mente ou o humor, nos falaremos elas em
separado por causa da frequência de uso e para ampli�car os
potenciais perigos. Foi relatado variavelmente que há mais de um
milhão de mulheres alcoolistas em idade fértil. O feto é afetado duas
vezes mais rápido do que a mãe pelo consumo de álcool e com o
mesmo nível de concentração.
O uso de álcool e tabaco durante a gestação é muito mais comum do que
imaginamos e pode trazer consequências signi�cativas no desenvolvimento do
feto e para as aquisições psicomotoras da criança.
Não podemos esquecer do uso de drogas ilícitas, como maconha, cocaína,
anfetaminas, entre outras. Só para você ter uma ideia, o uso de cocaína durante a
gestação indica para os bebês risco de mortalidade, morbidade e distúrbios de
desenvolvimento e de comportamento a longo prazo. 
Observe a Tabela 3 e veja as possíveis decorrências do uso de drogas ilícitas.
Tabela 3 - Efeitos do uso de drogas ilícitas na gestação e recém-nascidos
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 113).
Muitas vezes a mãe não fornece tais informações sobre a gestação do bebê, ou
seja, ela pode não dizer que fez uso de drogas durante a gravidez, mas é
fundamental que os pro�ssionais que trabalham com aprendizagem e
desenvolvimento humano tenham conhecimento de que tais in�uências
existem e podem ser a causa de disfunções no desenvolvimento da criança.
Nesse sentido, o que devemos fazer? Buscar estratégias para estimular essa
criança/adolescente, buscando amenizar suas di�culdades e dar condições para
que ele tenha autonomia e possa desenvolver o maior número de habilidades
possível.
Vamos agora conhecer os aspectos hereditários que podem afetar o
desenvolvimento. No caso estão relacionados aos genes, aos aspectos genéticos
do indivíduo e podem ser expressos de duas formas: transtornos com base em
cromossomos ou distúrbios baseados em genes.
Nos transtornos com base em cromossomos podemos citar a Síndrome de
Down como um dos mais conhecidos. A também chamada Trissomia do 21 afeta
os pares cromossômicos da ordem genética do ser humano e traz diversas
consequências de ordem fenotípica. Quando observamos o desenvolvimento
motor de uma criança com Síndrome de Down, temos os seguintes distúrbios:
“(1) atrasos no surgimento e inibição dos re�exos primitivos e posturais, (2)
hipotonia e hiper�exia e (3) atrasos substanciais no alcance dos marcos motores”
(GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 115).
Vamos parar um pouco aqui, aluno(a)... Com a inclusão e o aumento signi�cativo
de pessoas com de�ciência nas escolas e convivendo socialmente amparadas no
princípio da equidade, acredito que é fundamental olhar para este público, que
tem direito de acessibilidade e de aprendizagem. Não podemos esquecer jamais
que o nosso trabalho deve se pautar no direito que TODOS têm de aprender.
Agora podemos continuar!
Os distúrbios baseados em genes são os defeitos genéticos e variam muito
quanto às consequências. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 116), 
Nesse sentido, vou fazer aqui uma
orientação breve e e�caz. Sempre
que você tiver que contribuir na
aprendizagem e no
desenvolvimento de uma pessoa
com de�ciência, busque estudar o
diagnóstico e saber quais são as
limitações, causas, consequências,
quadro clínico, aspectos
neurobiológicos, comorbidades,
entre outros. Só assim é possível que
o seu trabalho seja realmente
assertivo e promova os estímulos
necessários para atender o indivíduo
dentro das suas capacidades. Além
disso é essencial conhecer e explorar
as potencialidades do sujeito,
valorizando, assim, aquilo que é
capaz de fazer e não somente
enfatizando sua di�culdade.
A gravidade do defeito depende de o gene mutante se encontrar em
um cromossomo autossômico ou ligado ao sexo, em um único gene
ou também no seu correspondente. Atraso e retardo no
funcionamento motor e cognitivo em geral não estão presentes em
mutações autossômicas dominantes. 
A tabela a seguir apresenta, de forma sucinta, o defeito no gene e a condição
que deriva dele e pode ser explorada a �m de entender esse fator.
Tabela 4 - Problemas com genes comuns no nascimento
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 118).
Como fatores pré-natais que afetam o desenvolvimento humano temos ainda os
ambientais, como a exposição à radiação e aos poluentes químicos – chumbo e
mercúrio, por exemplo. 
Os problemas médicos, como doenças sexualmente transmissíveis, infecções
maternas, desequilíbrios hormonais, incompatibilidade do fator Rh, gravidez na
adolescência e a Toxoplasmose, também podem afetar o desenvolvimento do
feto e, consequentemente, o decorrer da vida e das aprendizagens futuras.
Por essas e outras razões que fazer o acompanhamento médico, bem como ter
os cuidados necessários da mãe e do bebê durante a gravidez, é essencial e pode
diminuir os casos de de�ciências e distúrbios que acometem o desenvolvimento
infantil.
Evidente que algumas das situações apresentadas não podem ser controladas e
estão relacionadas a alterações genéticas, mas existem diversas intercorrências
que podem ser tratadas ou evitadas com cuidados básicos que envolvem saúde
pública, maternagem, entre outros.
Crescimento Pré-Natal e Infantil
Esse tópico irá tratar da taxa de crescimento, desde a concepção até o �nal do
período que temos um bebê, aos 2 anos de idade. Vale ressaltar que em nenhum
outro momento da vida crescemos em tamanho e mudamos as proporções
como acontece da concepção até a infância, considerando crescimento típico e
saudável, sem intercorrências ou qualquer doença ou problemas que possam
interferir no crescimento.
O crescimento começa na concepção e segue de maneira ordenada durante o
período pré-natal. Espermatozóide e óvulo se fundem na fecundação, formando
o zigoto, que vai se implantar na parede uterina e, nesse momento, começa a
gravidez. Da segunda semana até o segundo mês é o período chamado de
embrionário, do terceiro mês até o parto temos o período fetal. Mas quando
tratamos de desenvolvimento, consideramos o desenvolvimento por trimestre.
Na imagem vemos a proporção de crescimento de 14 dias após a formação do
zigoto até 15 semanas de gestação, num desenho do embrião em tamanho real.
Figura 1 - Esquema de um embrião - tamanho real
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 131).
Na tabela a seguir você pode observar os marcos de desenvolvimento
embrionário e fetal durante a gestação.
Tabela 5 - Crescimento e desenvolvimento pré-natal
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 133).
Após o nascimento, o crescimento infantil é ainda mais impressionante. O bebê
nasce como um ser muito pequeno, indefeso, com repertório de movimentos
bastante restrito e de posição predominantemente horizontal e torna-se uma
criança que tem tamanho maior, autonomia para realizar ações motoras, posição
corporal verticalizada e �sicamente ativa,em menos de 12 meses. Sobre o
assunto Gallahue e Ozmun (2013, p. 132-134) escrevem que
O crescimento físico do bebê tem in�uência de�nida sobre o seu
desenvolvimento motor. O tamanho da cabeça, por exemplo, afeta o
desenvolvimento das capacidades de equilíbrio. O tamanho da mão
in�uencia o modo de contato com objetos de tamanhos diferentes, e
o desenvolvimento da força in�uencia o surgimento da locomoção.
Ao observar a �gura a seguir você pode perceber a relação de proporção das
partes do corpo, o tamanho da cabeça em relação ao tronco, por exemplo, como
vai mudando com o passar do tempo. O esquema mostra até 12 anos, quando
consideramos ainda como criança (a partir dessa idade já temos a adolescência).
Figura 2 - Modi�cações na forma e proporção do corpo antes e após o
nascimento
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 134).
No segundo ano de vida o crescimento do corpo ainda é rápido, mas diminui um
pouco em relação ao primeiro ano. Existe uma pequena diferença na altura e no
peso dos meninos em relação ao das meninas. Daqui para frente o crescimento
da cabeça diminui, o de tronco é moderado e os membros passa a ser mais
rápido. Nesse caso, mãos e pés passam, a partir dos anos, a crescer mais
rapidamente, o que chamamos, na Unidade I, de proximodistal. Se, porventura,
você sentir necessidade, volte e dê uma olhada quando tratamos dos conceitos
cefalocaudal e proximodistal.
Re�exos infantis e estereótipos
rítmicos
Neste tópico, se, por acaso, você tem ou teve contato com algum bebê, vai
reconhecer facilmente o conteúdo que irei apresentar. Vamos estudar os re�exos
e os padrões de comportamento motor estereotipados que os bebês fazem e
que mostram informações relevantes para compreendermos o desenvolvimento
da motricidade humana.
Os recém-nascidos parecem se movimentar de maneira aleatória e somente em
uma direção. Realizam movimentos espontâneos que aparentemente parecem
não ter sido estimulados. Em outras situações parecem executar um movimento
especí�co quando são tocados em determinada parte do corpo, como, por
exemplo, quando tocamos a palma da mão do bebê e ele responde fechando os
dedos, como se segurasse o nosso dedo. Esses movimentos, chamados de
re�exos, aparecem logo ao nascer e vão sumindo com a idade.
Por mais que pareçam aleatórios,
existem algumas ações motoras que
o bebê realiza e que são
consideradas marcos referenciais no
desenvolvimento, que são base para
outras habilidades posteriores de
locomoção, alcance para pegar e
postura ereta. Vamos pensar
naquela lógica de realização de
movimento que já havíamos
comentado... Aprendemos a andar
porque anteriormente nos
colocamos em bipedia, a correr
porque desenvolvemos a
capacidade de andar com destreza
e assim vamos compondo um
repertório de habilidades motoras
que acontecem de maneira
contínua e progressiva.
Para você ter uma ideia, existem até nomes – como re�exo de Moro – para os
movimentos re�exos que o bebê precisa realizar para que seja avaliado seu
desenvolvimento. O médico pediatra vai fazer as devidas análises investigando
com manobras simples a resposta do recém-nascido, muitas vezes são
diagnosticados distúrbios do Sistema Nervoso Central somente observando os
movimentos re�exos realizados pelo recém-nascido.
Os re�exos primitivos são aqueles relativos à conquista de nutrição e de proteção
que o bebê instintivamente necessita. Começam na fase fetal e duram o
primeiro ano de vida, são eles: re�exo de Moro e de alarme, que acontece
quando “coloca-se o bebê na posição supino e dá-se um tapinha em seu
abdome ou produz-se alguma sensação de insegurança de apoio”, como mostra
a �gura a seguir, em quem (a) é a fase de extensão e (b) é a fase de �exão
(GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 143).
Figura 3 - Re�exo de Moro - duas fases
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 144).
Esse re�exo pode ocorrer até o sexto mês de vida, passado esse período, se ele
persistir pode ser indicativo de disfunção neurológica. Conseguem perceber
porque é tão importante conhecer as etapas do desenvolvimento motor e suas
peculiaridades?
Além desse, temos como primitivos os re�exos de busca e sucção, quando o
bebê, ao ser estimulado ao redor da boca virar a cabeça em direção à fonte de
estimulação. Os re�exos mãos-boca, “quando se esfrega levemente a base da
palma, causa contração dos músculos do queixo, erguendo-o” (GALLAHUE;
OZMUN, 2013, p. 145).
Outro movimento re�exo do bebê é o de preensão palmar, quando há o
estímulo palmar, os dedos se fecham em volta do objeto, sem usar o polegar. É
uma pega bastante forte a ponto de sustentar a criança se for suspendida. Esse
re�exo acontece do nascimento até quatro meses de vida e 
A intensidade da resposta tende a aumentar durante o primeiro mês
e diminui aos poucos depois disso. Uma preensão fraca ou a
persistência do re�exo após o primeiro ano pode ser um sinal de
atraso no desenvolvimento motor ou de hemiplegia, quando ocorre
em um único lado (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 145).
Mais duas formas de movimentos são consideradas primitivas: re�exos de
Babinski e preensão plantar e re�exos tônicos assimétricos e simétrico do
pescoço. O primeiro é aquele ocorrido ao tocar a sola do pé do bebê, que
provoca a extensão dos dedos e posteriormente, com o sistema neuromuscular
maduro a resposta é a contração dos dedos quando estimulamos a sola dos pés.
O segundo está relacionado à posição que a cabeça assume quando colocamos
o bebê em posição supino ou com o corpo de lado, conforme mostra a imagem
abaixo, na qual (a) é o re�exo tônico assimétrico do pescoço e (b, c) representam
o re�exo tônico simétrico do pescoço:
Figura 4 - Re�exo tônico assimétrico e simétrico do pescoço.
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 147).
Existem também os re�exos posturais, que são: o Re�exo de endireitamento
labiríntico e óptico, quando a criança é colocada em pé e inclinada para frente,
para trás ou para um dos lados e ela responde ao estímulo tentando voltar a
posição ereta com a cabeça, tem a ver com a visão e com a necessidade de
equilíbrio corporal da criança.
No re�exo de endireitamento labiríntico, os impulsos que emergem
do otólito do labirinto fazem com que o bebê mantenha o
alinhamento apropriado da cabeça em relação ao ambiente, inclusive
quando outros canais sensórios (i.e., a visão e o tato) são excluídos. O
re�exo de endireitamento labiríntico surge pela primeira vez em
torno do segundo mês e persiste até cerca de 6 meses de idade,
quando a visão geralmente se toma um fator importante. O re�exo
continua ao longo do primeiro ano como re�exo de endireitamento
ótico. Esse último, junto com seu similar mais primitivo, ou seja, o
re�exo de endireitamento labiríntico, ajuda o bebê a colocar a cabeça
e o corpo na posição ereta e a manter essa posição e contribui para o
movimento do bebê para a frente, que ocorre em torno do �nal do
primeiro ano (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 147).
O Re�exo de �exão dos braços para manter a posição ereta pelo bebê, se o
seguramos pelos braços sentado e inclinamos o corpo para trás, a tendência é
que ele �exione os braços para voltar à posição, como quando brincamos de
serra, serra. Os Re�exos de paraquedas e de extensão “são movimentos
protetores dos membros na direção da força aplicada” (GALLAHUE; OZMUN,
2013, p. 149), conforme mostra a �gura:
Figura 5 - Re�exo de paraquedas
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 149).
Os Re�exos de endireitamento do pescoço e do corpo acontecem quando
colocamos o bebê na posição supina, com a cabeça de lado, e o corpo vai se
movimentando de acordo com os movimentos que a cabeça realiza, buscando
estar alinhado com a cabeça. O Re�exo de engatinhar é quando colocamos o
bebê na posição pronada e pressionamos a sola do seu pé, num movimento
re�exo ele vai se colocar na posição de engatinhar, tanto com as pernas quanto
com os braços.
O Re�exo primário de marcha automática é quando o bebê é colocado na
posição ereta sob uma superfície plana e ele “anda”, faz a troca da passada,
como se estivesse andando.O Re�exo de nadar é aquele que vemos em
propagandas ou reportagens sobre bebês, que consiste em colocar o bebê
dentro da água na posição pronada, de maneira re�exa, a resposta do bebê é se
movimentar como se estivesse realmente nadando, a impressão que temos é
que ele sabe nadar.
Todos os movimentos re�exos apresentados são fundamentais no
desenvolvimento do bebê e tem um tempo de duração para acontecer. Eles
demonstram que existe ou não um SNC que está se desenvolvendo de maneira
saudável e que não existe nenhuma intercorrência, mostra um desenvolvimento
neurotípico. A tabela a seguir é um resumo das aprendizagens do bebê e pode
te ajudar a veri�car diferentes aspectos dessa etapa do desenvolvimento.
Tabela 6 - Marcos do desenvolvimento do bebê
Fonte: Haywood (2016, p. 104-105).
Estereótipos Rítmicos
Quanto aos estereótipos rítmicos, eles são comportamentos motores que o bebê
faz repetidas vezes espontaneamente e tem um certo ritmo nos movimentos,
eles nos mostram que o desenvolvimento motor humano acontece num sistema
auto-organizado, dedicado em ampliar o controle motor. 
A partir de pesquisas realizadas existem mais de 40 comportamentos desta
natureza e podem ser observados em diversas partes do corpo, quais sejam:
pernas e pés, torso, braços, mãos e dedos, cabeça e face.
Nas pernas e pés o que vemos com maior frequência são os chutes. No torso, o
mais comum é aquele em que o bebê, quando colocado de barriga para baixo,
faz um arco com as costas e vira uma “canoa”. Movimentos estereotipados
rítmicos de braços, mãos e dedos mais frequentes são acenar e esmurrar. E com
a cabeça e face são os que fazem “não” e “sim”.
É fundamental �car atento à persistência desses comportamentos após 1 ano de
idade, quando eles fazem parte do desenvolvimento motor infantil e a maneira
com que o bebê os realiza. Alterações observadas quanto à frequência,
persistência ou tipologia podem ser indicativo de alguma alteração no
desenvolvimento do SNC e devem ser comunicados aos pro�ssionais que
acompanham o bebê.
Vale lembrar que na carteira de acompanhamento do bebê, na qual são
colocadas as vacinas e as consultas médicas, existe uma tabela de referência
com alguns marcos de desenvolvimento, que pode ser utilizada como
demonstrativo das aprendizagens.
Habilidades motoras
rudimentares
Dando continuidade aos nossos estudos, iremos conhecer aspectos do
desenvolvimento motor que estão na segunda fase da ampulheta do Gallahue e
Ozmun. Lembra dela?
Isso mesmo, vamos falar da etapa conhecida como Fase Motora Rudimentar.
Neste tópico iremos aprender sobre três categorias de movimentos essenciais
para o desenvolvimento infantil, que acontecem normalmente entre 1 e 2 anos
de idade, a de estabilidade, locomoção e manipulação, que são classi�cadas de
acordo com a intencionalidade. Diversas aprendizagens acontecem nesse
período e são a base para aprendizagens futuras.
Para que a criança �que em pé, um longo caminho de controle de partes do
corpo vai sendo percorrido, desde o controle de cabeça e pescoço, em seguida o
de tronco. Feito isso a criança vai aprender a sentar, num primeiro momento
com o apoio, até conseguir �rmar o tronco para que sente sem apoio e então
consiga �car em pé. Primeiro ela �ca em pé segurando em objetos e buscando
contato para se equilibrar, até que é capaz de �car em bipedia com segurança.
Todas essas etapas precisam ser ultrapassadas para que a criança possa começar
a andar. Esse processo é uma das categorias de movimento, chamada de
estabilidade, que, segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 159) “é a mais básica das
três categorias de movimento, pois todo movimento voluntário envolve um
elemento de estabilidade”.
Na tabela a seguir você pode observar as tarefas de estabilidade numa
sequência desenvolvimental, bem como a respectiva idade que ocorre tal
aprendizagem na fase motora rudimentar.
Tabela 7 - Capacidades de estabilidade rudimentar - sequência e idade
aproximada
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 160).
Enquanto você estiver estudando as aquisições motoras da fase rudimentar, e
durante a disciplina, tente pensar numa criança aprendendo e vivendo cada
uma das aprendizagens. 
Uma das necessidades básicas do bebê é explorar o espaço ao seu redor e a
categoria da locomoção dá condições para tal. Aqui encontramos ações
motoras, tais como rastejar, engatinhar e executar a marcha ereta. É
fundamental que uma habilidade não substitua a outra e que o bebê realize
todas para que ocorra o desenvolvimento saudável. Comumente ouvimos
comentários sobre o fato de que a criança andou sem ter engatinhado, do ponto
de vista do desenvolvimento motor não é recomendado que isso ocorra, pois os
estímulos e habilidades desenvolvidas ao engatinhar são essenciais para
aprendizagens futuras.
O rastejar consiste em se locomover pelo espaço de barriga para baixo,
arrastando o corpo sob a superfície, de modo que o bebê é capaz de controlar a
cabeça, o pescoço e o tronco. Geralmente usa os braços para se locomover e
pode alcançar objetos que estão a sua volta, deslizando o tronco pelo espaço.
Engatinhar é diferente, é uma evolução do rastejar, já que o tronco não tem
contato com o chão. Nesse movimento braços e pernas se movimentam em
oposição de maneira rítmica e coordenada para realizar a ação.
A marcha ereta ou andar envolve estabilidade corporal. Assim que o bebê
conseguir se colocar em pé de forma equilibrada ele vai, então, iniciar a
realização da passada, que, num primeiro momento, vai ser executada de
maneira imprecisa, irregular e hesitante. Até conseguir realizar o andar com
segurança e maturidade, para, então, realizar algumas variações dessa
habilidade, como andar de lado ou de costas.
Na tabela a seguir você poderá visualizar as capacidades locomotoras
rudimentares de acordo com a idade.
Tabela 8 - Capacidades locomotoras rudimentares - sequência e idade
aproximada
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 162).
Por �m, neste tópico veremos as capacidades manipulativas, que, assim como
as outras, acontecem no decorrer de uma série de estágios. Essas capacidades
possibilitam ao ser humano ter o mundo ao alcance das suas mãos, promovem o
primeiro contato com objetos no ambiente imediato. Estamos falando de ações
motoras como alcançar, de preensão e de soltar.
Nos primeiros meses de vida o bebê começa a ajustar os olhos com as mãos
para estar em contato com objetos, por vezes alternando o olhar entre o objeto
desejado e a mão. Isso acontece como preparação para que, posteriormente ele
possa alcançá-lo e segurá-lo.
A preensão está relacionada ao movimento que o bebê realiza quando
colocamos algo na palma se sua mão e ele o pega. Até o quarto mês de vida essa
ação motora é re�exa e não intencional. A partir de 5 meses o bebê tem
capacidade para alcançar o objeto e estar em contato com ele, já tem �rmeza
para isso. Aos 10 meses o movimento de preensão já é coordenado e realizado
em um movimento único e contínuo. Aos 14 meses sua capacidade de preensão
já é muito semelhante à de um adulto. Essa habilidade é fundamental para o
desenvolvimento da escrita da criança, estimular a pega de diferentes objetos
desde os primeiros meses de vida vai fazer com que a criança adquira destreza
na realização de tal habilidade.
O soltar é nossa última capacidade rudimentar manipulativa e consiste em abrir
a mão e deixar o objeto que está segurando sair da mão. Até os 14 meses a
criança não tem domínio motor para realizar tal ação, ela somente segura o
objeto. A partir dos 6 meses de vida é capaz de segurar e, por vezes, ela balança o
chocalho e parece até estar com “raiva”, num movimento até frenético, o que é
justi�cado quando sabemos que, na verdade, ela ainda não sabe soltar.
Quando ela aprende a soltar os objetos, passa a executar essa ação motora como
uma brincadeira e “solta” repetidamente para que o adulto pegue. Com 18
meses a criança já tem domínio motor para realização de movimentos, como
alcançar, pegar e soltar, ou seja, existe uma gama de movimentosque já
possibilita uma série de brincadeiras.
Observe a tabela das capacidades manipulativas e esteja atento para as ações
especí�cas a serem aprendidas e com que idade deve acontecer.
Tabela 9 - Capacidades manipulativas rudimentares - sequência e idade
aproximada
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 165).
Vale ressaltar que desenvolver as capacidades de estabilidade, locomoção e
manipulação dependem de maturação biológica e neuromotora e de
aprendizado, ou seja, a criança vai adquirir tais habilidades mediante estímulos,
ambiente favorável e saúde do SNC e bom funcionamento do corpo. Lembrando
que essas capacidades servem de base para as aquisições que iremos aprender
nas próximas unidades desta disciplina e que estão na fase do movimento
fundamental e na fase do movimento especializado.
Percepção infantil
Vamos terminar esta unidade falando das percepções infantis. O objetivo deste
tópico é tratar dos sentidos humanos e de como eles se desenvolvem. Existe
uma relação bastante estreita do sistema perceptivo com o motor, o que
Gallahue e Ozmun (2013) denominam de sistema perceptivo-motor.
Antes de começarmos nossos estudos pelas percepções humanas e como elas
se formam na infância e porque devemos estudá-las, gostaria de dar algumas
dicas. Sempre que tiver que selecionar uma atividade ou estratégia para
crianças, lembre-se da seguinte ordem: CORES-FORMAS-DESENHOS-IMAGENS-
NÚMEROS-LETRAS.
Achou estranho? Eu explico! Coloquei na ordem o que nós, seres humanos,
captamos primeiro e identi�camos visualmente. As cores são os elementos de
mais fácil identi�cação pela visão humana, em seguida vem as formas simples:
círculo, quadrado, triângulo, retângulo – depois você pode colocar outras formas,
tanto geométricas como não geométricas. Então use desenhos, que são
representações. Depois utilize as imagens, como as fotos. Os números e as letras
são símbolos que representam quantidades e sons, respectivamente. Para a
criança a linguagem simbólica vai sendo apreendida no decorrer da infância e
demora um pouco para internalizar. Você pode misturar os elementos nas
brincadeiras, atividades e jogos que vai aplicar.    
Voltando... Primeiro vamos entender o que signi�ca percepção, segundo
Gallahue e Ozmun (2013, p. 174) 
[...] refere-se a qualquer processo em que informações sensórias ou
sensações são interpretadas ou recebem signi�cado em relação ao
que está ocorrendo com a própria pessoa. O perceptivo-motor refere-
se ao processo de organização das informações recebidas e das
informações armazenadas, que leva a um ato ou a uma performance
motora evidente. Todo movimento voluntário envolve um elemento
de percepção. Os estudiosos do desenvolvimento motor devem
preocupar-se com o desenvolvimento perceptivo por sua importante
ligação entre os processos perceptivo e motor.
Os sentidos são a nossa porta de conexão com o meio externo, todas as
informações são captadas pelos sentidos humanos. 
No bebê a percepção se desenvolve mais rápido que a motricidade. Existem
alguns sentidos que são extremamente aguçados no bebê. Como ele reconhece
a mãe, se até os 6 meses de vida ainda não tem visão nítida?
O neonato não tem acuidade visual, mas responde a intensidade da luz. Com 6
meses, devido à maturidade do sistema nervoso central e do periférico a
acuidade visual, já tem a visão nítida.
A Tabela 10 mostra o desenvolvimento da percepção de acordo com o tempo de
vida do bebê. Lembrando que o estímulo adequado é fundamental nesse
período e que a criança deve estar exposta a brinquedos e objetos que sejam
condizentes com a idade dela e respeitem sua etapa de desenvolvimento.
Na verdade, o reconhecimento da
mãe, assim como em outros
animais, se dá pela voz e pelo cheiro.
O bebê passa todo o período da
gestação ouvindo a voz da mãe
como uma caixa acústica, por isso
quando nasce reconhece com
facilidade a voz da mãe e responde
quando ouve. Você já deve ter visto
alguns vídeos que circulam na
internet em que o bebê está
chorando e se acalma quando uma
peça de roupa da mãe é colocada
próxima a ele. O cheiro faz com que
a criança entenda a presença da
mãe e �que calma.
Tabela 10 - Desenvolvimento de determinadas capacidades sensoriais dos
bebês
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 184).
Estimular o bebê com sons, músicas infantis, aromas e cheiros, sabores e gostos,
texturas e a�ns é fundamental para o desenvolvimento das percepções e de
todo sistema sensorial. Sempre com cautela e respeitando o desenvolvimento
infantil e suas particularidades. A alimentação, de acordo com a Organização
Mundial de Saúde, deve ser de fonte exclusivamente materna até os seis meses
de vida. Passado esse tempo, é fundamental que a criança seja estimulada a
ingerir alimentos in natura, pouco processados e com menos aditivos possível.
(BRASIL, 2002)
SAIBA MAIS
Integração sensorial – O que é, qual sua importância e
dicas de como estimular
A Integração Sensorial é a capacidade de receber, organizar e
processar a informação que chega pelos diferentes canais sensoriais
(olhos, ouvidos, mãos, pés, boca e pele) e produzir uma resposta
motora adequada. Parte das habilidades de autoajuda está na
consciência do próprio corpo, onde e em qual posição no ambiente e
isso se desenvolve através do processamento sensorial.
As crianças que apresentam desordens de processamento sensorial
poderão exibir atrasos nas aquisições motoras grossas e �nas, de
equilíbrio, de coordenação, de comportamento e di�culdade na
transição alimentar (deixar a mamadeira e passar a comer frutas,
papas e alimentos em pedaços).
Crianças com T21 podem apresentar diferenças na forma de processar
os estímulos sensoriais tendo como resultado �nal, di�culdade nas
habilidades motoras, na alimentação e na exploração de objetos e
brinquedos (limitando o brincar).
Isso acontece devido ao atraso no desenvolvimento cerebral e pode se
agravar por internações frequentes no início da vida e pela eventual
superproteção dos pais e cuidadores.
A boa notícia, é que a estimulação sensorial correta pode leva à
adaptação, resultando na melhora das respostas ao ambiente, da
percepção corporal, da exploração do meio e do comportamento no
geral.
Adiante, algumas dicas de como estimular o sistema sensorial em
casa:
Sempre que possível, permita que a criança ande descalça em
diferentes superfícies – areia, grama, piso gelado, terra, tapetes,
cimento.
Na hora da alimentação, ofereça pedaços maiores do que ela
estiver comendo, para que segure na mão, passe no rosto, faça
“meleca” com a comida, experimentando as diferentes sensações
e texturas dos alimentos.
No banho, deixe que a água do chuveiro caia em seu rosto, de
forma gradual para não assustar. Mude a temperatura da água
sempre que possível.
Passe pelas mãos, pés e rosto, texturas diferentes, vindas de peças
de roupas, bolinhas, brinquedos, gelo, algodão…
Faça massagem com hidratante ou óleo (prescrito pelo pediatra)
diariamente.
Faça gelatina colorida em forminha de gelo, coloque em uma
bacia e permita que a criança brinque, experimente o sabor e a
textura (inclusive pelo corpo).
Brinque de massinha de modelar, massinha de areia, água, tinta
guache, giz de cera, sempre buscando sensações diferentes.
Brincar de pular, correr, subir e descer de locais também é um
ótimo estímulo.
É importante saber que cada criança pode ter um distúrbio
diferente, sendo necessária uma avaliação especí�ca, que pode ser
realizada por terapeuta ocupacional ou �sioterapeuta, com um
plano terapêutico individualizado.
Se a criança tiver oportunidades, ela tentará experimentar, explorar,
saber o que ela pode fazer com tudo o que está a sua volta. Desde que
seja seguro, deixe-a livre para testar e descobrir o mundo!
Fonte: Biemann (2019).
REFLITA
A motricidade animal adaptou-se em termos sensório-motores à
Natureza e transformou alguma da sua ecologia, mas a motricidade
humana (no sentido de atos, gestos e ações), em particular as praxias
aprendidas culturalmente, transformou radicalmentea Natureza e
criou um novo mundo envolvimental, ou seja, criou a Civilização,
preservou e transmitiu a Cultura, o que é algo diferente e de uma
superioridade e excelência experiencial verdadeiramente
incomensurável. 
Fonte: Fonseca (2018, p. 10).
03
Infância e 
Adolescência
UNIDADE
Introdução
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à Unidade III da disciplina Desenvolvimento e
comportamento motor. Nesta unidade iremos começar conhecendo a fase
motora fundamental e o que tem de mais importante nesse período, até chegar
na adolescência. 
Vamos percorrer um caminho de aquisições de habilidades motoras que vai de 3
a 7 anos, a fase fundamental, e de 7 a 14 anos ou mais, a fase especializada. 
Lembra da ampulheta do Gallahue e Ozmun? Falei que iríamos retomar
algumas vezes durante nossos estudos, não é?!
Lembre-se que o desenvolvimento humano não pode ser algo engessado e que,
apesar de existirem padrões de aquisições e aprendizagens, é necessário sempre
observar os aspectos que interferem no desenvolvimento. Cada criança é única
e, portanto, o tempo de aprendizagem pode ser diferente de uma para outra, o
que não muda é a ordem, a sequência. 
Na fase motora fundamental é que acontece o amadurecimento de capacidades
motoras essenciais, como coordenação, lateralidade, equilíbrio, estruturação
temporal, estruturação espacial, consciência corporal, esquema corporal, que são
um pré-requisito para realização de muitas tarefas que executamos em nosso
cotidiano, como ler, escrever, dirigir, entre outras.
Na fase motora especializada todo repertório motor adquirido vai sendo
aprimorado. Nessa etapa ocorre a associação dos movimentos maduros e
re�nados e dos movimentos complexos e especí�cos, e esses, por sua vez,
sofrem adaptações de acordo com as condições de determinada atividade, do
cotidiano ou de uma prática desportiva.
Convido você para estudar comigo essas duas fases marcantes no
desenvolvimento da motricidade e que devem ser observadas com cuidado, pois
são determinantes em muitos aspectos do desenvolvimento humano.
Plano de Estudo:
�. Conceitos e De�nições de crescimento e desenvolvimento na infância;
�. Habilidades motoras fundamentais;
�. Conceitos e De�nições de crescimento e desenvolvimento na adolescência;
�. Habilidades motoras especializadas.
Objetivos de Aprendizagem:
�. Conceituar e contextualizar o crescimento e o desenvolvimento no período
da infância e da adolescência;
�. Compreender a fase motora fundamental, bem como as aprendizagens
que fazem parte desta etapa;
�. Estudar as características da fase da adolescência a partir do
desenvolvimento motor num diálogo com as dimensões social afetiva e
cognitiva;
�. Entender a fase motora especializada e suas particularidades.
Crescimento e desenvol�mento
na infância
O desenvolvimento na fase da infância é demarcado por modi�cações que são
incrementadas regularmente nos diversos domínios: cognitivo, socioafetivo e
psicomotor. O peso, a altura e a massa muscular durante a infância aumentam
regularmente. O crescimento nesse período não é tão intenso quanto na fase de
bebê, diminui gradativamente até o famoso “estirão”, que acontece na
adolescência – falaremos sobre ele ainda nesta unidade.
Sobre o crescimento na infância, Gallahue e Ozmun (2013, p. 189) a�rmam que
As proporções corporais mudam acentuadamente durante o início da
infância devido às várias taxas de crescimento do corpo. De modo
gradual, o peito torna-se mais largo do que o abdome, e a protrusão
do estômago diminui. Quando os pré-escolares chegam ao primeiro
ano da escola, as suas proporções corporais lembram bastante as de
crianças mais velhas. No início da infância, o crescimento ósseo é
dinâmico, e o sistema esquelético e particularmente vulnerável à má
nutrição, fadiga e doenças. Os ossos consolidam-se em um ritmo
rápido no início da infância e apresentam um atraso de crescimento
de cerca de três anos em crianças que sofrem privações.
Quanto ao desenvolvimento no início da infância, a principal ocupação da
criança é brincar, considerada equivalente ao trabalho para o adulto. Brincar para
a criança é coisa séria. A criança brinca para entender o mundo ao seu redor, e
pela vivência com as brincadeiras ela vai ampliando seu repertório de
habilidades, tanto motoras quanto cognitivas e socioafetivas. 
O brincar das crianças e o modo primário pelo qual aprendem sobre
seus corpos e potencialidades de movimento. Também é um
importante facilitador do crescimento cognitivo e afetivo da criança
mais nova, assim como importante recurso para o desenvolvimento
tanto das habilidades amplas quanto das �nas (GALLAHUE; OZMUN,
2013, p. 193-194).
Nesse período as crianças irão desenvolver funções cognitivas essenciais que
resultam em pensamento lógico e na capacidade de formular conceitos. Piaget
(2011), que nos conhecemos na Unidade I desta disciplina, com sua teoria do
desenvolvimento cognitivo, deu o nome de pré-operatória a essa fase. Alguns
aspectos são bastante recorrentes na criança, quais sejam, o egocentrismo e a
visão do mundo a partir de si mesmas; o entendimento das coisas de forma
literal; senso de autonomia e de iniciativa; aumento da curiosidade e exploração;
experimentação de novas ações motoras; formação do autoconceito; imaginação
criativa, entre outras.
Sendo assim, os pro�ssionais devem entender as características de
desenvolvimento, os limites e as potencialidades das crianças nessa etapa.
Somente assim é possível organizar de maneira e�caz as experiências e vivências
que representam as necessidades e os interesses dos alunos, bem como estar
condizente com o nível de desenvolvimento do grupo.
A seguir você irá conhecer as principais características de desenvolvimento,
separadas por domínio: motor, cognitivo e afetivo. Para �ns didáticos, organizei
em formato de quadro algumas das aprendizagens essenciais que acontecem
durante o período que estamos estudando.
Nessa etapa é necessário oferecer experiências em que a criança possa vivenciar
diversas possibilidades de movimentos e explorar ambientes e materiais
diversi�cados. As atividades devem buscar estimular a resolução de problemas,
Quadro 1 - Características de cada um dos domínios do desenvolvimento
humano: motor, cognitivo e afetivo
DOMÍNIO DO
DESENVOLVIMENTO
HUMANO
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
MOTOR
Altura entre 83,8 e 119,4 cm, peso entre 11,3 e 24 kg para meninos e
meninas;
Rápido desenvolvimento das percepções, mas confusão frequente das
sensações corporais, senso de direção e espaço-temporal;
Controle de esfíncteres com episódios esporádicos de eliminação de urina
e fezes;
Facilidade de realização de movimentos unilaterais, mas os bilaterais como
skipping com di�culdade.
Tem bastante energia e correm mais do que andam, descansam em
períodos bastante curtos;
Vestem-se sozinhas, precisando de auxílio para ações re�nadas como
abotoar ou ajustar as roupas;
Funções e processos corporais regulados;
Meninos e meninas são �sicamente bastante similares;
Coordenação motora ampla de�nida, porém, a �na em processo;
Di�culdade de esforço visual de curta distância por tempo prolongado.
COGNITIVO
Consegue verbalizar ideias e pensamentos;
Imaginação fantasiosa que permite imitar ações e símbolos;
Capacidade investigativa e de descoberta;
Aprende por meio das brincadeiras e das práticas o como e o porquê das
coisas do mundo;
Transita da necessidade de autossatisfação para estabelecimento dos
comportamentos sociais.
AFETIVO
São egocêntricas e tem di�culdade de compartilhamento e de
convivência;
Temem viver novas situações e precisam se sentir seguras;
Diferenciam certo de errado;
Crianças com 2 e 4 anos tem comportamento instável, enquanto com 3 e 5
anos demonstram estabilidade comportamental e docilidade;
Desenvolvem rapidamente o autoconceito, precisando de orientação
coerente e reforço positivo constante.
Fonte: a autora.
otimizando a criatividade e fomentando a curiosidade. À medida que a criança
vai aprendendo o queestá sendo ensinado, é fundamental que o nível de
complexidade da tarefa vá sendo intensi�cado, para que haja o desa�o e ocorra o
aprendizado. 
A correta execução das ações motoras deve ser trabalhada, mas não com ênfase
na performance de movimento. Lembre-se: todo movimento tem técnica. Se
porventura a criança aprende que pode andar na ponta dos pés, assim ela irá
fazer, e fazendo o movimento da maneira errada pode prejudicar seu
desenvolvimento. O trabalho com a criança deve ser pautado no respeito às
diferenças, entendendo que cada uma tem um ritmo de aprendizagem próprio,
desde que o progresso seja visível em seu desenvolvimento. 
A abordagem deve ser sempre multissensorial, ou seja, aquela que privilegia a
diversidade de experiências e vivências, fazendo uso da estimulação sensorial
em todos as possibilidades.
Existem alguns aspectos que interferem na curva de crescimento e no
desenvolvimento infantil, quais sejam: nutrição precária e inadequada – pobreza
em nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo, de�ciências
prolongadas e excessos alimentares; exercícios e lesões que causam hipertro�a
ou atro�a dos músculos ou lesões na placa de crescimento; doença, clima,
emoções e condições incapacitantes; tendências seculares, que estão
relacionadas ao aumento na taxa de crescimento de determinada geração.
Esteja atento às características que envolvem o crescimento das crianças e aos
aspectos que devem ser considerados quando tratamos do desenvolvimento
infantil. Sempre olhe o desenvolvimento de maneira integral, a partir de diversos
aspectos, considerando que os domínios funcionam numa inter-relação. O
pro�ssional responsável vai ter consciência de que o desenvolvimento
psicomotor está associado a questões sociais e afetivas, que, por sua vez, têm
uma relação direta com a cognição e aspectos da inteligência humana.
Habilidades motoras
fundamentais
Entre 2 e 7 anos de idade a criança está na fase que desenvolve as habilidades
motoras fundamentais (HMFs), é nesse período que deve ocorrer a exposição
intensa da criança a uma multiplicidade de experimentações e vivências que
possibilitem aquisição efetiva de condutas motoras básicas, expressas numa
sequência formada por estágios e etapas que representam de maneira
progressiva a aquisição das habilidades motoras.
Tais habilidades derivam das aprendidas na etapa anterior, dos movimentos
rudimentares, que já estudamos. Sobre a fase que iremos estudar agora,
Gallahue e Ozmun (2013, p. 207) a�rmam que
Agora as crianças são capazes de explorar o potencial de seus corpos
quando se movimentam no espaço (locomoção), tem maior controle
sobre a própria musculatura em oposição a gravidade (estabilidade)
e dispõem de crescente habilidade no estabelecimento de contatos
controlados e precisos com os objetos do seu ambiente
(manipulação).
É uma fase que serve para descobrir como executar vários movimentos de
estabilização, locomoção e manipulação, inicialmente de maneira isolada e
depois combinados. Como, por exemplo, primeiro a criança anda, pega ou lança,
executa um movimento de cada vez. Nessa etapa ela vai aperfeiçoar a execução
dessas habilidades isoladamente e vai aprender a executar de maneira
combinada, ou seja, ela vai andar lançando uma bola e pegando ao mesmo
tempo. 
A �gura a seguir mostra, de maneira esquemática, a ação motora de pegar a
bola e de que forma os aspectos do ambiente e o propósito da tarefa operam
sobre a pessoa executando o movimento, gerando o resultado.
Figura 1 - Exemplo de pegar uma bola: restrições em ação
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 207).
Se, por um lado, é importante compreender como as restrições
atuam sobre a criança, resultando em um nível especí�co de
performance, por outro, o mais importante é considerar que as
restrições da tarefa e do ambiente podem ser manipuladas por
professores, técnicos e médicos para promover o seu
desenvolvimento motor (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 207-208).
As limitações individuais, ambientais, e da tarefa interferem na performance
motora da criança, mas podem ser modi�cadas pelos professores, técnicos ou
médicos, a �m de contribuir no desenvolvimento de habilidades motoras.
As crianças que estão em desenvolvimento dos padrões motores fundamentais
aprendem a reagir de maneira controlada e com competência motora aos
diversos estímulos. O controle motor vai aumentando gradativamente mediante
prática, e o movimento passa a ser executado de maneira segura, discreta e
contínua. 
Essas HMFs são in�uenciadas por fatores maturacionais, ambientais e por fatores
da tarefa, que consiste no quanto a criança está exposta a esses estímulos.
Embora a maturação tenha um papel signi�cativo na aprendizagem e
desenvolvimento dos padrões de movimento, não pode ser vista como única
in�uência. As condições ambientais, como oportunidades de vivência, instrução
e cenário, ocupam papel fundamental no nível máximo que os padrões de
movimento alcançam.
Por que é tão importante que a criança desenvolva de maneira saudável as
HMFs? Para responder a essa pergunta, convido os pesquisadores que têm me
auxiliado na montagem de todo este material, Gallahue e Ozmun (2013, p. 208): 
O desenvolvimento das HMFs e essencial para o alcance da
pro�ciência em vários esportes, jogos e danças de uma cultura. Elas
consistem em blocos básicos para um movimento e�ciente e efetivo
e oferecem às crianças modos de explorar os seus ambientes, de
adquirir conhecimentos sobre o mundo ao seu redor. As HMFs em
desenvolvimento podem ser consideradas como letras ou caracteres
de um alfabeto em uma cartilha para aprendizes. Esses caracteres
fornecem a base para o aprendizado das palavras (habilidades
motoras combinadas), que depois permitiram às crianças a produção
de sentenças e parágrafos (habilidades esportivas e sequências de
dança especí�cas) por meio da reestruturação das letras em várias
combinações. Se os princípios básicos dos caracteres e das letras não
forem assimilados, as crianças terão um desenvolvimento linguístico
de�ciente.
Todo movimento aprendido passa por etapas. Inicialmente a execução é
imprecisa e, mediante prática é que a criança é capaz de executar com destreza.
A maestria na execução das ações motoras vai depender da orientação que é
dada e da repetição da vivência. Numa situação de avaliação psicomotora é
possível saber em qual estágio a criança se encontra com base na execução da
tarefa. Os estágios que iremos conhecer agora são: inicial, elementar e maduro.
Estágio inicial: são as primeiras tentativas de execução dos movimentos.
Geralmente aos 2 anos de idade os movimentos de locomoção, manipulação e
estabilização da criança estão na fase inicial. Evidente que pode ser diferente de
uma criança para outra, mas de maneira geral é o que acontece. Nesse estágio
os movimentos são caracterizados por elementos que faltam, que são restritos
ou marcados em sequência, nos quais a criança usa o corpo de maneira
exagerada, realizados com di�culdade.
Estágio elementar/emergente: aqui os movimentos já mostram maior controle
motor e coordenação rítmica, realizados de maneira sincronizada entre
elementos de tempo e espaço. Os movimentos são mais coordenados, mas
ainda restritos e exagerados. Crianças com desenvolvimento típico evoluem
signi�cativamente nessa fase, muitas vezes vemos até mesmo adultos com
desenvolvimento estagnado nesse estágio.
Estágio maduro/pro�ciente: as ações motoras são realizadas de maneira
coordenada, controlada e mecanicamente e�ciente. A maior parte das HMFs
podem ser adquiridas por crianças entre 5 e 6 anos de idade com maestria. As
habilidades manipulativas, como rebater, derrubar, entre outras, por
necessitarem de acompanhamento e interceptação de objetos, acabam se
desenvolvendo um pouco depois, devido aos requisitos e motores serem mais
so�sticados para execução dessa tarefa.
A �gura a seguir apresenta a aprendizagem do chute, desde o estágio inicial até
que o movimento seja realizado com maturidade. Pode-se observar que,a cada
etapa, a criança vai modi�cando o gesto motor e isso está relacionado aos
diversos aspectos que já foram apresentados neste material.
Segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 208) 
Figura 2 - Sequência da aprendizagem do chute
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 235).
O desenvolvimento das HMFs e essencial para o alcance da
pro�ciência em vários esportes, jogos e danças de uma cultura. Elas
consistem em blocos básicos para um movimento e�ciente e efetivo
e oferecem às crianças modos de explorar os seus ambientes, de
adquirir conhecimentos sobre o mundo ao seu redor. As HMFs em
desenvolvimento podem ser consideradas como letras ou caracteres
de um alfabeto em uma cartilha para aprendizes. Esses caracteres
fornecem a base para o aprendizado das palavras (habilidades
motoras combinadas), que depois permitiram às crianças a produção
de sentenças e parágrafos (habilidades esportivas e sequências de
dança especi�cas) por meio da reestruturação das letras em várias
combinações. Se os princípios básicos dos caracteres e das letras não
forem assimilados, as crianças terão um desenvolvimento linguístico
de�ciente. De modo similar, no desenvolvimento motor, a capacidade
de movimentar-se com facilidade, combinando várias HMFs, �ca
comprometida quando a criança não adquire a competência motora
básica durante os primeiros anos.
Diante disso, as atividades motoras precisam auxiliar os alunos no conhecimento
do próprio corpo e no domínio do repertório das habilidades fundamentais, a �m
de contribuir de forma positiva para desenvolver as capacidades psicomotoras,
cognitivas e socioafetivas.
Quando tratamos das habilidades motoras fundamentais estamos falando de
manipulação, tais como: arremessar, pegar, chutar, volear, rebater. É
fundamental entendermos que, para que tais ações motoras sejam aprendidas,
é necessário que a criança seja ensinada e que as etapas sejam respeitadas, da
inicial, passando pela elementar, até que a realização do gesto motor esteja
madura. O tempo de prática destinado a aprender as habilidades de
manipulação, bem como as estratégias utilizadas farão diferença na aquisição
delas. 
Como habilidade de locomoção temos cinco possibilidades no desenvolvimento
motor: corrida, galope, skip, saltos e saltitos. Para ilustrar o desenvolvimento
progressivo de uma das capacidades, trago a seguir uma �gura que mostra o
skipping.
A Criança e seu Desenvol�mento Físico
Nesse tópico iremos tratar da aptidão física relacionada à saúde e aptidão
motora das crianças. Segundo especialistas, esse assunto deve preocupar não
somente professores de Educação Física, mas também médicos, técnicos e
demais pro�ssionais da Educação, pois está relacionado à diversos aspectos,
como alimentação, atividade física e hábitos de vida. Para esta disciplina iremos
focar nas capacidades físicas, mas é preciso estar atento a todos os aspectos que
envolvem a saúde das crianças, desde os nutricionais até as práticas de lazer e
exposição aos equipamentos eletrônicos.
Figura 3 - Sequência da aprendizagem do skipping
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 256).
Nos últimos anos o número de criança com indícios de sobrepeso e obesidade
vem se tornando cada vez mais signi�cativo. O que torna necessário que
olhemos para esse tema com cuidado e que o tornemos um dos conteúdos
escolares. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 274)
A de�nição de aptidão física e um passo necessário para o
estabelecimento de padrões para crianças. Embora não haja
consenso a respeito do termo aptidão física, usaremos a seguinte
de�nição como guia: “aptidão física e um estado positivo de bem-
estar, in�uenciado por atividade física regular, constituição genética e
adequação nutricional". Em termos mais especí�cos, pode ser
dividida em aptidão física relacionada à saúde e aptidão motora ou
relacionada a performance.
  A aptidão física em crianças com menos de 6 anos é pouco estudada e
encontramos uma carência de informações sobre o tema na literatura. Você
pode estar pensando que são questões relacionadas somente aos adultos, mas
não são. 
E quando falamos de aptidão física relacionadas à saúde, a que habilidades nos
referimos? Estamos falando da capacidade de resistência cardiovascular, força
muscular, �exibilidade, resistência muscular e composição corporal. Quanto aos
componentes da aptidão motora tem-se: coordenação, equilíbrio, velocidade,
agilidade e potência.
Consegue perceber o quanto é essencial que possamos olhar para a aptidão
física no desenvolvimento do ser humano durante a infância e adolescência?! Se
pararmos para pensar, são esses componentes que citamos que nos possibilitam
realizar todos os movimentos corporais que nos permitem viver de maneira
saudável.
Na sequência irei colocar duas tabelas que estão presentes no livro
Compreendendo o desenvolvimento motor, do Gallahue e Ozmun, que irão
fornecer diversos elementos para entender as capacidades relacionadas à
aptidão física. Vale ressaltar que a criança deve ser “testada” de acordo com a
etapa de desenvolvimento em que se encontra e com suas condições. Cada
criança tem um tempo de aprendizagem e deve ser estimulada para que possa
desenvolver habilidades e competências que lhe permitam ter uma vida
saudável.
Tabela 1 - Medidas de aptidão física relacionada à saúde
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 284).
O desenvolvimento motor e as aprendizagens dependem dos componentes
apresentados, como coordenação e equilíbrio. Assim que a criança demonstra
controle de coordenação e equilíbrio, está apta a melhorar a capacidade de força
muscular. As medidas de aptidão motora melhoram de maneira linear.
Tabela 2 - Medidas de aptidão física relacionada ao desempenho
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 285).
Desenvol�mento Perceptivo-Motor
O desenvolvimento perceptivo-motor tem uma relação íntima com o
desenvolvimento motor infantil. Embora progridam em ritmos diferentes, as
capacidades motoras são afetadas pelas perceptivas e vice-versa. 
Todos os movimentos voluntários que realizamos estão envolvidos com um
elemento da percepção. A partir do nascimento a criança interage com o
ambiente por meio das percepções e das ações motoras. Em torno de 2 anos os
olhos já estão anatomicamente e �siologicamente prontos, porém as
habilidades perceptivas ainda não estão maduras. Por isso a criança consegue
olhar �xamente em determinado objeto, acompanhar sua movimentação e
avaliar aspectos desse elemento, como tamanho e forma, ainda assim, carecem
de muito re�namento.
O desenvolvimento motor sofre in�uência da acuidade visual, da percepção das
imagens planas, percepção de profundidade e coordenação visomotora. Na
criança as habilidades de percepção visual são restritas quando comparadas às
do adulto. Quanto mais vivências e experiências estimularem o aprendizado
motor perceptivo da criança, melhor ela desenvolverá a plasticidade de reação às
situações motoras diversas.
São aspectos do desenvolvimento da percepção visual infantil: acuidade visual –
capacidade de diferenciar detalhes em ambientes estáticos e dinâmicos –,
percepção da �gura-fundo – separar visualmente os objetos dos seus vizinhos –,
percepção de profundidade – condição de avaliar a distância dos elementos em
relação a si mesma –, coordenação visomotora – integrar olhos e mãos para
rastrear e pausar em objetos ao redor. Esses aspectos são desenvolvidos na
criança até os 12 meses de vida.
Geralmente as crianças que apresentam falhas na aprendizagem perceptivo-
motora sofrem restrições ambientais ou estímulos precários.
Famos sobre perceptivo-motor até agora e buscamos ajuda de Gallahue e
Ozmun (2013, p. 298) para esclarecer porque os termos estão juntos neste tópico.
Há hífen no termo perceptivo-motor por duas razões. Em primeiro
lugar, signi�ca que a atividade de movimento voluntário depende de
algumas formas de informação perceptiva. Todos os movimentos
voluntários envolvem um elemento de consciência perceptiva,
resultante de algum tipo de estimulação sensorial. Em segundolugar, o hífen indica que o desenvolvimento das capacidades
perceptivas do indivíduo depende, em parte, da atividade motora. As
capacidades perceptivo-motoras são aprendidas. Assim, elas usam o
movimento como um importante meio de concretização do
aprendizado. 
São considerados componentes perceptivos-motores a consciência corporal, a
consciência espacial, a consciência direcional que, envolve lateralidade e
direcionalidade, a consciência temporal, que envolve o ritmo. Esses aspectos
devem ser trabalhados nas aulas de Educação Física e nos diversos momentos
de estimulação que fazem parte das atividades escolares. Os programas de
estimulação psicomotora privilegiam o trato com as habilidades apresentadas,
haja vista que são essenciais para o desenvolvimento do ser humano nas
dimensões cognitiva e socioafetiva, e contribuem para a formação do aluno de
maneira integral. A seguir você pode observar quais fatores estão relacionados
aos componentes perceptivo-motores.
Figura 4 - Fatores relacionados aos componentes perceptivo-motores
Consciência corporal
Conhecer as partes do corpo
Conhecer o que as partes do corpo podem fazer
Saber como fazer para que as partes do corpo se movimentem
com e�ciência
Consciência espacial
Localização subjetiva
Localização objetiva
Autoespaço
Espaço geral
Consciência direcional
Lateralidade
Direcionalidade
Consciência temporal
Sincronização
Sequência
Ritmo
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 301).
É de suma importância que os pro�ssionais da Educação conheçam
detalhadamente os aspectos do desenvolvimento infantil; saibam as habilidades
motoras que devem ser aprendidas, as percepções que a criança desenvolve, a
relação entre as aprendizagens motoras e as percepções e tudo mais que faz
parte do repertório motor. Todos esses aspectos são decisivos nas aprendizagens
futuras e servem de base para algumas aprendizagens formais que acontecem
na escola, como aquilo que devemos aprender em Língua Portuguesa,
Matemática, Geogra�a, entre outras disciplinas que contemplam a grade
curricular da escolarização.
Muitas vezes di�culdades de aprendizagem são justi�cadas por situações de
dé�cits psicomotores ou atrasos/falhas no desenvolvimento motor, que ocorrem
por diversos fatores que já foram explorados neste material.
Para terminar o tópico, falaremos sobre o autoconceito na infância. Por
autoconceito entendemos: crença de que podemos nos descrever, em palavras,
para os outros. Está relacionado com a imagem ou percepção que a criança tem
de si mesma e como se vê. A construção do autoconceito começa na infância e
perpassa a vida de uma pessoa. Devemos estar sempre atentos ao modo como a
criança constrói uma ideia de si mesma, e isso deve ocorrer de maneira saudável.
A formação do autoconceito pela criança tem muita in�uência do meio e da
maneira como as relações são estabelecidas.
Frases como “ela é preguiçosa” ou “ele não sabe escrever/ler” são destrutivas
no processo de formação do autoconceito e acabam contribuindo
negativamente no entendimento que a criança faz de si mesma. Certa vez, li
uma frase em algum lugar, que faz muito sentido para o assunto e eu gostaria
de compartilhar com você. A frase era assim: uma criança agredida
verbalmente e menosprezada pelos pais não é capaz de deixar de amá-los,
então deixa de amar a si mesma...
Forte não?! Mas é exatamente isso que acontece. O meio e a maneira como o
adulto conceitua a criança interfere no entendimento que faz de si mesma e na
maneira como ela irá também formar o autoconceito, porque as crianças têm no
adulto a referência e buscam nele a segurança que precisam.
A família atua como primeiro espelho para a criança se construir como ser
humano, e posteriormente ela vai encontrando outras possíveis referências para
que possa se espelhar, como na escola, os professores, o grupo de amigos na
adolescência, entre outros.
Crescimento e desenvol�mento
na adolescência
Chegou a hora de falarmos da etapa da adolescência, uma fase da vida tão cheia
de particularidades, que precisa ser vista e entendida em suas características.
Neste tópico vamos tratar do crescimento e da maturidade biológica na
adolescência. Iremos conhecer o que seria o famoso estirão que acontece nesse
período da vida e que interfere nas aprendizagens motoras. Trataremos de
puberdade e outros assuntos relacionados à adolescência.
A passagem da infância para a adolescência é demarcada por um conjunto de
acontecimentos físicos e culturais, que, juntos, cooperam para o crescimento e
desenvolvimento motor. As pesquisas apontam que o período da adolescência
tem se estendido devido à associação de implicações biológicas e culturais.
Durante a adolescência ocorre a aceleração da curva do crescimento. Dos
meninos entre 12 e 17 anos, normalmente 1 ano após o aumento dos testículos;
eles crescem em torno de 10 centímetros no ano de crescimento máximo. Das
meninas acontece entre 9,5 e 13,5 anos; elas crescem 9 centímetros no ano de
crescimento máximo. Geralmente os meninos �cam mais fortes e altos que as
meninas. No aspecto crescimento existem essas diferenças entre os gêneros.
No início da adolescência temos aumentos somatizados de peso e altura. A
idade, duração e intensidade do estirão vão variar de acordo com a genética e
com aspectos individuais. De acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 315), 
A puberdade depende de aspectos
genéticos e ambientais e tem início
em diversas idades. A adolescência é
a preparação para a vida adulta, que
sofre in�uência de aspectos
biológicos, considerando que no
�nal da infância e início da
adolescência temos o aparecimento
da maturação sexual. O marco inicial
da vida adulta é, culturalmente, a
independência �nanceira e
emocional da família.
O genótipo (herança genética) estabelece as fronteiras do
crescimento individual. No entanto, o fenótipo do indivíduo, ou seja,
o modo como o seu genótipo se expressa em características
observáveis e mensuráveis, como altura e peso, pode ser in�uenciado
pelas condições do ambiente, como nutrição e exercício. Para cada
genótipo, é possível haver expressão de uma ampla variedade de
genótipos. Ainda que pudéssemos responder por todos os fatores
genéticos que contribuem para a altura e o peso de uma pessoa, seria
impossível prever com exatidão quais seriam as medidas de altura e
de peso, pois ambos são modelados, em certo grau, pelo fenótipo
singular de cada um (p. ex., fatores ambientais).
O estirão a que nos referimos dura em torno de 4 anos e meio. É variável,
enquanto alguns estão terminando o processo, outros ainda nem iniciaram. Na
�gura a seguir você pode ver o pico de velocidade da altura de homens e
mulheres em números, de acordo com a faixa etária.
Figura 5 - Pico de altura em relação à idade
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 317).
Em relação ao peso, as mudanças durante a adolescência são grandes.
Geralmente o pico de velocidade é mais demorado nos meninos que nas
meninas. Porém nas meninas acontece entre 6 a 12 meses antes do que
acontece nos meninos.
Nos meninos o ganho de peso ocorre devido ao aumento da massa muscular e
da altura, que são bastante signi�cativos na adolescência. Sendo que o peso é
bastante afetado por fatores ambientais, como hábitos alimentares. O ganho de
peso pode ser observado na �gura a seguir.
Figura 6 - Ganho de peso em relação à idade
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 319).
Habilidades motoras
especializadas
Estamos no último tópico desta unidade. Aqui iremos conhecer a etapa do
desenvolvimento motor em que ocorre o aprimoramento dos movimentos
fundamentais adquiridos nas etapas anteriores. Isso mesmo! Durante os anos
anteriores, a criança, que agora já não está mais na infância e sim na
adolescência, vai adquirindo um repertório diversi�cado de habilidades motoras
e passando por cada um dos estágios do desenvolvimento motor, conforme a
ampulheta proposta por Gallahue e Ozmun (2013), que estamos utilizando como
referência na disciplina. Lembrou da conhecida ampulheta propostapor
Gallahue e Ozmun?
A fase que antecede a que iremos estudar agora é a das habilidades motoras
fundamentais. Entre 2 e 7 anos acontece o aprendizado de uma série de ações
motoras de locomoção, manipulação e estabilização. A partir disso, tudo o que
foi aprendido na fase motora fundamental será aprimorado, re�nado e
especializado de maneira elaborada e combinada, na fase motora especializada,
como o próprio nome diz. Os movimentos passam a ser aplicados como
instrumentos em diversas atividades motoras, cada vez mais complexas, com
maior nível de exigência. Estão presentes em situações do cotidiano, em
situações recreativas e nas diversas modalidades esportivas.
Para que o indivíduo passe para a etapa do movimento especializado, deve estar
pro�ciente na etapa do movimento fundamental, conforme mostra a Figura 7.
Figura 7 - Relação entre habilidades motoras fundamentais e especializadas
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 333).
Como nas demais fases do desenvolvimento motor, aqui também as
aprendizagens acontecem em estágios, quais sejam: transitório, de aplicação e
permanente.
No estágio transitório, que vai dos 7 aos 10 anos, o indivíduo é capaz de fazer
associações, combinações e aplicações das habilidades motoras fundamentais
no desempenho das habilidades especializadas nas modalidades esportivas. De
acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 334), “é caracterizado pelas primeiras
tentativas do indivíduo de re�nar e combinar habilidades de movimento
pro�cientes. Esse é o período em que os aspirantes a atleta aprendem a treinar
para aumentar a habilidade na performance”.
Dos 11 aos 13 anos temos o estágio de aplicação, no qual ocorre a busca por
participar de atividades especí�cas. Cresce quantitativamente a habilidade, a
precisão de movimentos, o desempenho motor. Nesse estágio são exploradas
habilidades mais complexas que serão utilizadas em atividades avançadas.
Ocorre a participação mais intensa em esportes que exigem maior precisão de
movimentos. Durante este estágio 
[...] o indivíduo torna-se mais consciente dos valores e das limitações
físicas pessoais e, de modo adequado, foca certos tipos de esporte
em ambientes tanto recreativos como competitivos. A ênfase está em
melhorar a pro�ciência. A prática e fundamental para desenvolver
graus de habilidade mais elevados (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 334).
O próximo é o estágio permanente, a partir dos 14 anos, considerado o auge do
desenvolvimento motor, de�nido como período da diversidade de movimentos
que foram adquiridos e serão utilizados no decorrer da vida. No entanto, quando
pensamos em conteúdos para ensinar algum esporte especi�camente, em
especial para crianças, é fundamental que o professor tenha um conjunto de
conhecimentos a respeito da etapa de desenvolvimento que a criança está, bem
como suas características, para que o trabalho seja feito com responsabilidade,
respeitando a necessidade de aprendizagem e o ritmo de cada faixa etária. 
O estágio que estamos conhecendo também pode ser conhecido como estágio
de uso ao longo da vida. Conforme Gallahue e Ozmun (2013, p. 335), 
[...] os indivíduos em geral reduzem a abrangência de suas buscas
esportivas, escolhendo algumas poucas atividades para engajamento
regular em ambientes competitivos, recreativos ou cotidianos. Maior
especialização e re�namento das habilidades ocorrem no estágio de
treinamento para competir e para participar. A maximização da
performance e o objetivo-chave desse estágio. Das habilidades
esportivas em que se adquiriu domínio, e colocada ênfase no nível
ótimo da preparação de aptidão física, psicológica e tática. As
atividades ao longo da vida são escolhidas com base em interesses,
capacidades, ambições, disponibilidade e experiências prévias do
indivíduo. Nesse estágio, muitas vezes, as oportunidades de
participação são limitadas, em função das crescentes
responsabilidades e dos compromissos.
Interessante pensar que quanto mais habilidades e potencial de movimento
temos, menores são as oportunidades de praticarmos esportes não é mesmo?!
Considerando que quanto mais velhos, mais responsabilidades diversas
assumimos, com estudos, trabalhos e outras tarefas e, por vezes, não
conseguimos tempo para vivenciar modalidades esportivas variadas e encontrar
aquela que mais nos familiarizamos. É evidente que quanto mais velhos �camos,
se não seguimos carreira de atleta ou não fazemos parte de algum time ou
equipe desportiva, acabamos praticando menos esporte, em virtude da rotina de
atividades.
SAIBA MAIS
POR QUE A ATIVIDADE FÍSICA NA INFÂNCIA É IMPORTANTE?
Uma das maiores alegrias da vida é ver uma criança correndo e
brincando, dançando e se divertindo, com saúde e disposição, seja nos
parques, na rua, ou em uma sala cheia de brinquedos. Ou seja,
qualquer atividade física na infância.
Mas, é impressão minha, ou quase não estamos mais vendo crianças
andando de bicicleta, de patins, correndo, e subindo em árvores?
Sim, é verdade, a nova tecnologia chegou para todos, até para as
crianças.
Não precisamos ir muito longe para ver uma criança de quatro anos já
com o celular do pai, do irmão, mexendo e vendo animações virtuais,
pulando e saltitando apenas com os dedinhos, mas seu corpo
extremamente parado em uma cadeira, sofá, ou até mesmo no chão,
onde a interação acontece apenas entre ela e sua tela, do celular ou
tablet.
E aí que chega a seguinte interrogação: e a socialização com as demais
crianças? E a fantasia de ser criança? E o movimento motor para
chegar à idade adulta? E a saúde, aonde �ca?
Pois o corpo necessita de movimentos, o ser humano necessita de
interação, socialização, precisa manipular e sentir, precisa tocar, e a
infância é o período onde as descobertas entram!
Portanto, o texto abaixo descreve a importância da atividade física na
infância e os benefícios do exercício físico. Vamos lá?
Atividade física na infância
A atividade física na infância, ou o movimento do corpo, tem um papel
essencial para o desenvolvimento infantil! Esses movimentos
expressam emoções, ampliam a postura corporal, auxiliam na
linguagem corporal, e desenvolvem a capacidade afetiva e intelectual.
Habilidades Motoras do Movimento
Caminhar
Correr
Saltar
Habilidades Manipulativas do Movimento
Arremesso de Objeto
Chute de Bola
Recepção de Algum Item,
Ou até como Cortar um Papel
Habilidades Estabilizadores do Movimento
Tentar Manter a Postura Vertical
Ter Domínio do Corpo
Rolar
Andar sobre uma Faixa
Corda no Chão
Todas essas habilidades devem ser estimuladas dentro da atividade
física na infância, e uma vez que esta etapa não seja trabalhada, a
criança perde, e infelizmente não recupera na idade adulta.
As mudanças do desenvolvimento motor e até afetiva ou emocional,
ocorre no período da educação infantil, e é na infância onde se
constroem o desenvolvimento psicológico e as habilidades motoras, e
isto inclui atividades/ brincadeiras das crianças na infância.
O brincar no trabalho pedagógico é uma tarefa estratégica, utilizando
de atividades para garantir o aprimoramento das habilidades motoras.
E conforme esta criança avança com a idade, essas funções que foram
desenvolvidas ao longo do período auxiliam na melhora da capacidade
de seus movimentos e habilidades e uma maior capacidade de
controlar seus movimentos.
O brincar é onde a fantasia toma conta da realidade, e assim as
atividades vão acontecendo naturalmente.
Freire (1997) a�rma que a criança é para ser educada e não adestrada,
sendo assim, as atividades desenvolvidas pelas crianças devem levá-las
a pensar, a terem consciência da ação corporal que estão realizando.
Independentemente de qual seja o conteúdo escolhido, os processos
de ensino e aprendizagem devem considerar as características dos
alunos em  todas as suas dimensões:
�. Cognitiva
�. Corporal
�. Afetiva
�. Ética
�. Estética
�. Relação Interpessoal
�. Inserção Social
É com toda clareza que a infância é uma fase importantíssima para os
desenvolvimentos de habilidades e comportamentos,que perduram
ao longo da vida.
Benefícios da atividade física na infância
Há 3 décadas ainda víamos crianças brincando nas ruas, com seus
colegas e vizinhos de porta, víamos mais crianças andando de bicicleta
e brincando de pique esconde.
Os parques muitas vezes eram morros de areia de construção, os
tijolos dos vizinhos, e qualquer objeto que levasse a criança a imaginar
uma situação no seu mundo imaginário.
Porém, hoje temos crianças presas em paredes de tijolos, chamadas
casas, que mais parece uma prisão com muitos equipamentos
eletrônicos.
O nível de obesidade infantil está se tornando algo comum na
sociedade atual.
Isso, porque a falta de espaço no ambiente de casa, a falta de estrutura
das cidades grandes, e dos colégios e escolas fazem com que a criança
se desmotive para brincar ou fazer qualquer atividade, gerando assim
um corpo parado, sem movimento, e atrás de telas virtuais.
E para piorar: uma imensidade alimentos industrializados, devido à
praticidade do dia a dia. Os tornando assim, seres pequeninos, acima
do peso, depressivos e com doenças que antes aparecia apenas em
pessoas adultas ou idosas.
A prática da atividade física pode aumentar a autoestima de qualquer
pessoa, mas para a criança, gera uma alegria imensurável, aquele
sorriso no rosto, as mãos sujas de manipular algo diferente, a
socialização de um convívio com demais crianças da mesma idade, o
humor e a autocon�ança.
A socialização com outras crianças é essencial, porque há brincadeiras
individuais, mas há outras brincadeiras que são coletivas e que
precisam deste convívio, e dentro dessas brincadeiras há regras, que
devem ser orientadas a todos pelo professor, que tem papel essencial
nesta etapa.
Pois os jogos coletivos ou brincadeiras que envolvam ganhos e perdas,
levam a criança a lidar com este equilíbrio.
A questão de saúde e estética também é importante, pois hoje o
índice de crianças com diabetes e colesterol elevado, e um
circunferência abdominal altíssima, faz com que haja uma re�exão
sobre o quão doente será este indivíduo na idade adulta.
E a atividade física in�uencia nesta questão, pois um corpo ativo, é um
corpo saudável!
Muito se questiona que exercício físico para a criança é prejudicial,
porém a atividade física pode ser uma brincadeira ativa na qual a
criança se movimenta brincando, e os benefícios, são muitos. Dos
quais:
Estimula o Crescimento e Desenvolvimento
Melhora Postura e Equilíbrio
Fortalece Ossos, Músculos e Articulações
Tem Domínio do Corpo
Autoestima Elevada
Socialização
Promove a Saúde
Minimiza a Obesidade e Depressão
Minimiza Doenças relacionadas ao Sedentarismo
Devemos ressaltar que toda atividade, brincadeira ou exercício, deve
entreter e ser do gosto da criança, para que seja algo prazeroso. E
assim seja aproveitada a atividade física na infância.
Concluindo…
O exercício físico ou qualquer atividade, é bem-vinda em qualquer
idade da vida, porém, é na infância que os movimentos são
trabalhados.
A atividade deve ser inserida desde os primeiros meses da vida,
estimulando esta criança a manipular objetos diferenciados,
engatinhar, segurar e puxar.
É importante que qualquer atividade seja feita de forma prazerosa, e
que este importante do movimento do corpo perdure até a velhice.
A atividade física na infância, de forma bem orientada, só trará
benefícios ao corpo e a mente. Muito além do lado estético, temos a
saúde, porém a mente deve estar em equilíbrio também!
Fonte: Zapelini (2018).
REFLITA
“Na brincadeira, a criança está sempre acima da média da sua idade,
acima de seu comportamento cotidiano; na brincadeira, é como se a
criança estivesse numa altura equivalente a uma cabeça acima da sua
própria altura”.
Fonte: Vigotski (2008, p. 35).
04
Idade Adulta e o seu 
Desenvolvimento
UNIDADE
Introdução
Chegamos à quarta e última unidade desta disciplina. Pois bem, caro(a) aluno(a),
nesta etapa iremos falar sobre a idade adulta e os processos de envelhecimento.
Conheceremos a maneira como o corpo humano responde, com o passar do
tempo, às mudanças que acontecem. 
A gente sempre ouve expressões como: “depois dos 30 o metabolismo �ca
lento... depois dos 40 a gente come menos e precisa se exercitar o dobro...
ah, você vai ver como as coisas mudam depois dos 50 anos...”
Nesta unidade do material iremos falar exatamente disso, sobre as modi�cações
�siológicas, anatômicas, comportamentais, entre outras, que levam o nosso
corpo – isso mesmo, NOSSO CORPO, porque todos iremos envelhecer, é o curso
natural da vida – a funcionar de maneira diferente. 
É evidente que as pessoas percebem os resultados dessas mudanças. É por isso
que os pro�ssionais que, de certa forma, atuam no desenvolvimento humano,
precisam ter conhecimento sobre as transformações relacionadas à idade nos
diversos sistemas que afetam o corpo humano e de que maneiras a sua atuação
pode contribuir nessa jornada de envelhecimento.
Nesta unidade buscaremos entender os efeitos que manter-se �sicamente ativo
têm sobre o processo de envelhecimento e como a atividade física é importante
para a manutenção da saúde, na previsão da longevidade e do envelhecimento
saudável.
A expectativa de vida da população vem aumentando signi�cativamente nas
últimas décadas, o que nos resta saber é de que maneira isso tem acontecido. É
fato que o envelhecimento implica em diversas limitações e di�culdades,
inclusive físicas. Agora, a maneira como as pessoas querem passar por essa etapa
é fruto das escolhas feitas por cada um.
Vamos lá conhecer a idade adulta e os aspectos que envolvem o envelhecimento
do ser humano.
Plano de Estudo:
�. Conceitos e De�nições de desenvolvimento motor na idade adulta;
�. Conceitos e de�nições da terceira idade;
�. Aspectos do desenvolvimento motor e da vida do idoso.
Objetivos de Aprendizagem:
�. Conceituar e contextualizar o desenvolvimento motor da idade adulta;
�. Compreender as especi�cidades do desempenho motor do adulto;
�. Entender as alterações �siológicas que acontecem na fase adulta;
�. Conhecer aspectos da terceira idade;
�. Compreender a importância do desenvolvimento psicossocial para o idoso.
Entendendo a idade adulta
Dando início ao primeiro tópico desta unidade, iremos falar sobre a idade adulta.
Da mesma maneira que o crescimento e o desenvolvimento nas outras fases da
vida podem ser afetados por condições adversas, isso também acontece na fase
adulta, considerando que a execução das tarefas motoras nessa etapa pode
sofrer comprometimento devido a processos sofridos pelo sistema �siológico em
função da idade pelo envelhecimento. 
Atualmente são utilizados alguns termos para designar essa fase, tais como:
adultez, adultescência, andragogia, adultidade, entre outros. A alguns desses
nem estamos familiarizados ainda, mas adianto que a ideia é olhar para essa
etapa da vida, assim como �zemos com as outras, entendendo que existem
características peculiares e que devem ser estudadas. Quando compreendemos
aspectos especí�cos de cada etapa da vida humana somos capazes de buscar
meios para passar por cada fase, respeitando suas características e da maneira
mais saudável possível.
A idade adulta é permeada por fatos e feitos que levam as pessoas a agir, pensar
e tomar decisões de modos distintos, não estamos vivendo mais uma fase de
aprendizagens e de vivências que possibilitam estar em constante equilíbrio
emocional. Não podemos generalizar, mas “ser adulto” implica em ter know-how
para lidar com muitas demandas e ainda enfrentar, no decorrer dessa etapa, as
mudanças �siológicas que acontecem. As demandas a que me re�ro são
relativas à pro�ssão, relacionamentos, vida pessoal, entre outras.
Muitas vezes o envelhecimento traz como consequência restrições na realização
de determinadas ações motoras ou di�culdades na execução de tarefas que, até
então, eram realizadas com certa facilidade. Conforme a idade vai avançando,
aspectos das nossas dimensões motora, cognitiva e afetiva interagem de
maneiras diferentes e acabamafetando nosso comportamento motor. De
acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 379), 
Quando entramos na vida adulta, vivenciamos uma série de
mudanças físicas e �siológicas que afetam o nosso comportamento.
De modo similar, a medida que damos prosseguimento a nossa vida,
mudanças em nossas capacidades afetivas e cognitivas alteram o
modo como respondemos ao ambiente. Conforme abordado nos
capítulos anteriores, esses domínios não são mutuamente exclusivos,
mas estão intricadamente inter-relacionados. As suas relações �cam
evidentes quando um indivíduo mais velho compensa a redução do
tempo de reação relacionada à idade usando estratégias cognitivas
diferentes para realizar a tarefa. Nós também vemos a associação
entre os diferentes domínios quando indivíduos mais velhos
apresentam declínios na auto competência e na autoestima à
medida que mudanças na força muscular relacionadas à idade
começa a limitar as suas capacidades de realização das habilidades
funcionais na vida diária.
Nesta unidade vamos conhecer as
diversas mudanças que ocorrem na
vida adulta. Vale ressaltar que o
desenvolvimento deriva da
interação entre aspectos individuais,
da natureza da tarefa e das
condições ambientais. Podemos
destacar que existem mudanças
�siológicas relacionadas à idade que
acontecem no sistema
musculoesquelético, no sistema
nervoso central, no sistema
circulatório e respiratório, na
composição corporal e nos sistemas
sensoriais. Lembrando que existe
uma relação entre o domínio motor
e o psicossocial já que a prática de
exercícios tem um efeito sobre os
aspectos psicológicos
especi�camente em adultos de
meia-idade e idosos. Fique tranquilo
que todos esses assuntos serão
tratados no decorrer desta unidade. 
Vale ressaltar que a expectativa de vida da população tem aumentado década
após década, com base em pesquisas e dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro
de Geogra�a e Estatística (IBGE), anualmente. Fato esse que acontece em
decorrência de vários fatores, entre eles, a melhoria na qualidade de vida, a
prevenção de doenças, o cuidado e o tratamento de doenças que antes
causavam a morte, a melhoria na saúde pública, as condições de saneamento
básico, o surgimento de vacinas e prevenção contra diversos males que
acometiam a vida adulta.
Para você ter uma ideia, quem nascia no ano de 1900 tinha como expectativa de
vida em torno de 47 anos, o que em números atuais seria considerado absurdo,
já que a média de vida atual é de 77 anos. 
Apesar do cenário ser favorável e muitas mudanças ambientais terem favorecido
o aumento na expectativa de vida das pessoas, as características individuais
constituem papel determinante se a pessoa vai ou não seguir a tendência atual
de viver até 80 ou 90 anos com qualidade de vida.
A neurociência nos traz que o término da adolescência ocorre em torno de 24
anos, o que nos leva a entender que a fase adulta começa a partir de então. De
acordo com Silva (2004), a idade adulta vai de 25 a 44 anos – adulto-jovem –, o
envelhecimento, por sua vez, é classi�cado em quatro etapas, a saber: meia-
idade (45 a 59 anos), idoso (60 a 75 anos), ancião (75 a 90 anos) e velhice extrema
(90 anos em diante).
Na idade adulta ocorrem algumas mudanças �siológicas que merecem nossa
atenção. Entenda que essas modi�cações são gradativas e dependem de
diversos aspectos. Já vimos que os fatores ambientais interferem de maneira
signi�cativa no desenvolvimento motor do ser humano. Adultos ativos
�sicamente e que buscam hábitos de vida saudáveis, de certa forma, “retardam”
os efeitos do envelhecimento. Por outro lado, aqueles que contrariam essa lógica
costumam antecipar as consequências do envelhecimento.
O sistema musculoesquelético tem diversas funções e acaba sofrendo algumas
alterações com o envelhecimento, como a redução da estatura. Para você ter
uma ideia, as mulheres podem perder 5 cm entre 25 e 75 anos. Doenças como a
osteoporose e a osteopenia podem acometer pessoas na idade adulta. Atividade
física regular e exercícios apropriados podem contribuir para minimizar os
sintomas dessas doenças, mantendo a força muscular que sustenta a coluna.
Com a osteoporose ocorrem mudanças esqueléticas, como na estatura e no
encurvamento da coluna, como mostra a imagem a seguir.
Vale ressaltar que existem diversos fatores de risco associados à osteoporose e
que, diante da incidência de casos que podemos encontrar, coloco neste
material uma tabela que os apresenta de maneira clara e objetiva.
Figura 1 - Mudanças esqueléticas com osteoporose
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 386).
Outro aspecto �siológico que muda na idade adulta é a força muscular e acaba
afetando diretamente os músculos e as articulações. Usamos a força em diversas
situações da vida diária e em atividades esportivas, a massa muscular diminui à
medida que são reduzidos o número e tamanho das �bras musculares. Isso
acontece de meados para o �nal da vida adulta. A perda progressiva da massa
muscular que acontece com o envelhecimento é chamada de sarcopenia.
Atingimos nosso vigor máximo de força muscular antes dos 30 anos, depois
disso ocorre a redução natural. Segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 287)
Tabela 1 - Fatores de risco associados à osteoporose
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 388).
A força muscular é essencial para a performance de habilidades
motoras, sejam elas relacionadas a performance esportiva de alto
nível ou a vida funcional diária. Com a idade, a estrutura e a função do
sistema musculoesquelético mudam. Estruturalmente, os indivíduos
apresentam a sarcopenia ou atro�a da massa muscular esquelética. A
massa muscular diminui à medida que se reduzem o número e o
tamanho das �bras musculares de meados até o �nal da vida adulta.
Do ponto de vista funcional, a redução na força muscular parece ser
paralela a essa perda de tecido muscular. 
Os mesmos autores a�rmam que
Há uma tendência geral nas mudanças na função muscular
relacionadas com a idade, mas se observa, também, imensa
variabilidade entre os indivíduos. A perda de massa muscular
observada à medida que os anos passam também e afetada pelos
níveis individuais de atividade física e uso muscular. Além disso, as
demandas da função muscular de várias tarefas afetam o resultado
da performance da tarefa (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 390).
Além da força muscular, as articulações e os tecidos conjuntivos também sofrem
modi�cações, pois parecem perder a �exibilidade. Em torno de 20 anos temos o
ápice da �exibilidade articular e, depois disso, nossa capacidade de �exibilidade
vai degradando à medida que os anos passam. A maior parte disso resulta da
perda de água que ocorre no tecido conjuntivo e que tem efeito sob os
ligamentos e tendões, aumentando sua rigidez. Em idosos as consequências são
observadas nas atividades da vida diária, com a perda da estabilidade articular.
Algumas doenças estão relacionadas à perda da mobilidade articular, as artrites,
como a osteoartrite, que causa não somente limitação em determinadas ações
motoras, mas pode restringir por completo alguns movimentos.
Ainda pensando nas alterações �siológicas que ocorrem a partir da idade adulta,
temos as mudanças no Sistema Nervoso Central (SNC) – cérebro e medula
espinhal. Ocorre a perda de neurônios que não serão substituídos. De acordo
com Gallahue e Ozmun (2013, p. 392),
Outras manifestações que parecem estar relacionadas com a idade
são as formações anormais, incluindo entrelaçamentos
neuro�brilares, placas senis e acumulação de lipofuscina. Essas
formações com frequência são chamadas de marcadores da idade,
pois aparecem no cérebro mais velho e aumentam em número
enquanto continua o processo de envelhecimento. 
Além disso, o cérebro humano, ao envelhecer, recebe uma quantidade menor de
oxigênio, o que pode causar hipóxia, que prejudica o funcionamento neurológico
típico. Algumas doenças, como o Alzheimer, são decorrentes do funcionamento
anormal do SNC. 
Vale ressaltar que existe a neuroplasticidade, que é a capacidade que o cérebro
temde se reorganizar e de se modi�car. É um processo contínuo de
reorganização dos circuitos neuronais, que possibilita que o idoso mantenha a
saúde neurológica, mesmo considerando as alterações que o sistema nervoso
sofre com o avançar da idade. 
Os sistemas respiratório e circulatório também têm suas funções reduzidas com
o envelhecimento. Quando envelhecemos nosso coração e vasos sanguíneos
passam por modi�cações que podem interferir no seu funcionamento. As
paredes das artérias perdem elasticidade, tornando-as mais rígidas, a formação
de gordura nas paredes das artérias são alguns dos exemplos de consequências
do envelhecimento no sistema circulatório, que afetam as tarefas cotidianas das
pessoas e podem causar doenças cardiovasculares. Mais alterações podem
acontecer no sistema circulatório, como: as válvulas do coração e os vasos
engrossam e enrijecem, interferindo na sua e�cácia.
Os órgãos que fazem parte da respiração também mudam com o
envelhecimento. Problemas posturais podem causar alterações na respiração,
comprimindo o tórax e di�cultando o trabalho dos pulmões. Ocorre a diminuição
da absorção máxima de oxigênio, uma parte resulta do envelhecimento, outra se
dá em virtude da falta de atividade física. Nesse sentido o treinamento aeróbico
em adultos seria o mais recomendado, tendo em vista que potencializa os níveis
de oxigênio no corpo e melhora sua capacidade de absorção. Além de que
atividade aeróbica melhora o potencial cognitivo, justamente em função do
aumento do volume de oxigênio.
A composição corporal é modi�cada com o advento da idade adulta e o passar
dos anos. Ocorre o aumento do peso corporal geral e da massa corporal até os 60
anos, depois dessa idade a tendência é diminuir. A gordura abdominal aumenta
e essa gordura localizada está relacionada a condições como diabetes e
obesidade. Dois fatores são considerados signi�cativos nesse processo de ganho
de peso, o estilo de vida das pessoas, que têm o nível de atividade física reduzido,
e a diminuição natural da taxa metabólica basal, que representa a e�cácia do
gasto energético. Segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 396) 
Quando ganham peso além do que é considerado saudável, os
adultos mais velhos reduzem a sua mobilidade, o funcionamento
físico e a independência. Assim, aumenta o risco da necessidade de
serviços de apoio, e a capacidade de realizar as atividades da vida
diária se reduzem.
A visão é o sentido que predomina nas habilidades de movimento, a diminuição
da qualidade visual com a idade avançada pode impactar diretamente as
atividades funcionais e adaptativas. Uma doença oftalmológica comum em
decorrência do envelhecimento e que interfere na qualidade visual das pessoas
é a cataratas. Com intervenção cirúrgica é possível resolver o problema, mas é
fato que as pessoas idosas têm sua competência visual reduzida e isso acaba
interferindo na realização de atividades e tarefas do cotidiano.
A audição não é considerada primordial na realização da maior parte das tarefas
motoras, pois “as informações auditivas podem ser extremamente valiosas para
fornecer feedback em uma série de situações de movimentos” (GALLAHUE;
OZMUN, 2013, p. 398), mesmo assim, é essencial saber que consiste em um dos
aspectos que sofre com o avanço da idade e pode prejudicar o convívio social e
situações do cotidiano dos idosos.
Por �m, com o avanço da idade, ocorrem alterações na propriocepção, que,
segundo Gallahue e Ozmun (2013, p. 399),
[...] refere-se ao senso de posição e consciência do corpo. Um dos
principais métodos de recepção de informações proprioceptivas é
por meio do sistema vestibular. A principal função do sistema
vestibular é fornecer informações relativas aos movimentos e a
posição da cabeça.
Comumente adultos e idosos sentem tonturas e vertigens. Tal fato pode estar
relacionado às alterações na propriocepção e no sistema vestibular. 
ATENÇÃO
A idade adulta e o envelhecimento modi�cam os sistemas sensoriais.
Os olhos e os ouvidos mudam anatomicamente com a idade, o que
altera a captação da informação e, consequentemente, a emissão das
informações visuais, auditivas e proprioceptivas para o cérebro ocorre
de forma insu�ciente ou distorcida. 
No próximo tópico desta unidade iremos conhecer alguns aspectos da idade
adulta a partir do desempenho motor e do desenvolvimento psicossocial do ser
humano.
O adulto e o desenvol�mento
Neste tópico iremos abordar o desempenho motor do ser humano na idade
adulta. Portanto vamos conhecer aspectos da performance motora de pessoas
com idade entre 25 e 59 anos, conforme apresentamos no início desta unidade.
Para começarmos essa conversa, apresento uma a�rmação de Gallahue e
Ozmun (2013, p. 280) sobre os aspectos que interferem no desempenho motor
de uma pessoa: 
O comportamento motor exibido por um indivíduo depende da
interação de uma série de variáveis categorizadas por: (1) a natureza
da tarefa; (2) as condições ambientais; e (3) as características
cognitiva, afetiva e psicomotora do indivíduo. A natureza da tarefa
envolve elementos como o grau de di�culdade, duração e
necessidade de velocidade ou precisão. O adulto mais velho cuja
visão está enfraquecida as vezes não é capaz de realizar bem uma
tarefa especí�ca que envolva velocidade. No entanto, se não houver
exigências de tempo, o indivíduo consegue completar a tarefa com
elevado grau de sucesso.
O ser humano tem uma melhoria das capacidades motoras adquiridas na
infância durante a adolescência e atinge seu máximo potencial de
desenvolvimento das habilidades motoras na vida adulta. Isso mesmo, entre 25 e
30 anos atingimos o ápice do desempenho motor, quando estamos com níveis
excelentes do estado físico e �siológico e acontece a etapa de estabilização. Já
desenvolvemos e aprimoramos muitas habilidades motoras e agora somos
competentes na realização. Usamos nosso repertório motor com maestria e em
diversas e complexas situações da vida diária e em eventos desportivos quando
necessário.
Existem algumas diferenças do primeiro para o segundo grupo citado, entre 25 e
44 anos de idade é que ocorre o período da estabilização e que temos o auge da
performance e da maturação do sistema motor. Contudo a partir dos 45 anos
ocorre o leve declínio do desempenho motor em detrimento das alterações que
foram estudadas no tópico 1 desta unidade.
Vamos entender que entre 25 e 44 anos o indivíduo executará as tarefas motoras
do cotidiano com competência e, à medida que a idade vai avançando os
declínios na performance motora vão acontecendo. De acordo com Gallahue e
Ozmun (2013, p. 410),
A maioria dessas mudanças envolve declínio na realização bem-
sucedida de tarefas. Essas mudanças prejudiciais à performance
motora resultam de degeneração nos sistemas �siológicos
relacionada com a idade, fatores psicológicos relacionados com a
idade, mudanças ambientais, demandas da tarefa ou alguma
combinação dessas quatro variáveis. [...] A interação de diversas
variáveis, algumas relacionadas com a idade, dita se o indivíduo vai
experimentar declínio em uma tarefa motora especí�ca.
Quando pensamos no sistema motor, alguns sistemas �siológicos sofrem
alterações e merecem ser estudados neste tópico. São eles: tempo de reação,
equilíbrio e controle postural, marcha e atividades da vida diária (AVDs).
O tempo de reação é o intervalo de tempo entre captar o estímulo do meio e
iniciar a resposta motora, como, por exemplo, acionar o pedal do freio ao sinal de
pare ao dirigir. O tempo de reação é um componente primordial para realização
de muitas tarefas motoras que realizamos.
Nessa etapa, a curva de
desenvolvimento está estável,
considerando que atingimos o limiar
máximo de competência na
performance motora. É evidente
que isso acontece desde que as
condições ao longo da vida tenham
sido favoráveis e o indivíduo
mantenha-se ativo �sicamente. A
idade adulta, por sua vez, ainda é
dividida em dois momentos,
conforme já mencionado
anteriormente, de 25 a 44 anos
temos o chamado adulto-jovem e
com idadeentre 45 a 59 anos está o
grupo da meia-idade.
Uma vez que os outros sistemas estão envolvidos, o tempo de receber o
estímulo, assim como o tempo de integração motora e de descarga motora vão
prejudicar o tempo de reagir, causando a demora na resposta motora nas
diversas tarefas diárias. Desse modo, a execução da maior parte das ações
motoras pode signi�car algum tipo de perigo sempre que o tempo de reação
está prejudicado. Caminhar num trajeto com desnível ou frear bruscamente no
trânsito, quando necessário, podem ser tarefas difíceis, pois há necessidade de
reagir rapidamente.
Quando acometidos por essa di�culdade, adultos de meia-idade acabam
optando por realizar as tarefas mais devagar e com maior precisão, uma vez que
não são mais capazes de executar determinadas ações motoras com rapidez.
O equilíbrio e controle postural consistem em controlar a posição corporal no
espaço com estabilidade e orientação. O controle da posição do corpo é
essencial para a realização de diversas tarefas do cotidiano, envolve basicamente
dois sistemas: musculoesquelético e neurológico. Os elementos do sistema
musculoesquelético, necessários para manutenção do equilíbrio, são: a
amplitude de movimento das articulações do corpo; �exibilidade da espinha;
especi�cidade muscular; interações biomecânicas dos segmentos corporais
conectados. Quanto aos componentes neuronais, têm-se: os processos motores,
que envolvem a organização dos grupos musculares na execução de
determinado movimento; o processo sensorial, que envolve a relação entre os
sistemas visual, vestibular e somatossensorial; e os processos mentais
superiores, que envolvem o processamento das informações captadas pelos
sentidos e a resposta motora a ser realizada.
Os adultos com mais idade têm maneiras diferentes dos jovens para recuperar a
estabilidade depois de sofrer alguma perturbação do equilíbrio corporal. E
alguns aspectos devem ser considerados – peso, altura e tamanho do pé – como
decisivos para orientação e equilíbrio das pessoas.
O controle postural tem uma estreita relação com o tempo de reação, sendo um
aspecto essencial para o desempenho motor. Nas ações motoras que realizamos
diariamente está presente o desequilíbrio postural em diversos momentos. Para
tanto, é necessário aplicar práticas que possibilitem manter o equilíbrio e a
orientação da postura corporal. Tais estratégias devem ser adotadas tanto nas
situações que ocorrem o desequilíbrio, quanto naquelas em que se pode
antecipar para evitar a perda do equilíbrio postural.
Quanto tratamos da marcha estamos falando do caminhar, que, a princípio,
parece uma tarefa simples de ser executada. Mas que, por exigir a interação do
SNC, dos músculos, das articulações de vários sistemas sensoriais, além de
aspectos gravitacionais e ambientais, torna-se uma ação motora complexa. De
acordo com Gallahue e Ozmun (2013, p. 418-419) 
Neurologicamente, caminhar inclui a combinação intrincada de
ações voluntárias e re�exas. Os músculos e as articulações do
tornozelo, do joelho, da pelve e, em certo grau, do tronco e dos
ombros são componentes vitais de um padrão de marcha e�ciente. O
processo da marcha utiliza informações obtidas dos sistemas visual,
auditivo e vestibular, e também de outros sistemas. As forças
relacionadas com a gravidade terrestre estão envolvidas na constante
alteração do centro de gravidade do corpo e no constante
restabelecimento da base de apoio durante o ciclo da caminhada.
Condições ambientais, como a superfície ou os objetos colocados no
caminho de quem está andando, podem alterar o padrão da marcha.
Basicamente três elementos fazem parte da execução da marcha: progressão –
padrão rítmico para ativar os músculos de pernas e do tronco, movimentando o
corpo na direção pretendida –; controle postural – recompor e manter a postura
adequada – e adaptação – julgar mudanças ambientais e do organismo e
adequar de imediato.
A execução da marcha acontece em duas fases, a primeira é a de apoio, na qual
os dois pés estão no chão, seguida da fase de balança, que temos um dos pés no
ar e o outro no chão. Na fase de apoio ocorre uma pressão contrária à superfície,
que impulsiona o corpo na direção pretendida. Na fase do balanço é preciso
responder aos propósitos de progressão, bem como do controle da postura,
além disso, é necessário fazer ajustes quanto aos possíveis obstáculos. Numa
progressão normal de marcha, cada fase corresponde a 50% da execução, caso
haja qualquer alteração nesse percentual podemos entender que houve
modi�cação no padrão do movimento.
E, por �m, vamos falar das
atividades da vida diária, as AVDs.
Aqui os adultos jovens e os de meia-
idade não sofrem grandes prejuízos
na execução dessas tarefas, pois
estão relacionadas às ações motoras
cotidianas, como escovar os dentes,
levantar-se da cama, trocar de
roupas, tomar banho, entre outras.
Apesar de ocorrer um declínio das
capacidades motoras em adultos de
meia-idade, geralmente até os 59
anos é possível realizar tais
atividades sem a necessidade de
auxílio, salvo em caso de doenças.
Quando falamos de indivíduos �sicamente ativos, então, a chance de
continuarem realizando as AVDs sem grande comprometimento aumenta
signi�cativamente. O que acontece é que, com o passar dos anos, é necessário
que sejam feitas algumas adaptações ambientais para que as pessoas possam
executar as AVDs sem di�culdade, como colocar barras de apoio no banheiro,
assim, mesmo com a perda parcial da capacidade de equilíbrio corporal, a
pessoa pode realizar, de maneira independente, suas atividades.
O trabalho com atividades motoras, principalmente em adultos de meia-idade,
deve privilegiar a melhora das capacidades motoras necessárias para realização
das AVDs, tendo em vista que a ideia é praticar atividade física para não sofrer os
efeitos do envelhecimento, nem tampouco antecipar os danos causados pela
degeneração de alguns sistemas, como já estudamos nesta disciplina. 
A proposta para este grupo deve ser pautada em melhoria das capacidades
físicas e de coordenação, para que possam continuar realizando as tarefas do
cotidiano de maneira independente.
Outro aspecto que precisamos estar atentos no desenvolvimento humano é o
psicossocial, que se inter-relaciona com o domínio motor. Gallahue e Ozmun
(2013, p. 400) a�rmam que 
Vários aspectos do domínio motor in�uenciam o estado psicológico e
as características sociais dos adultos. O exercício, um estilo de vida
�sicamente ativo e a capacidade de realizar as habilidades da vida
diária são fatores orientados para o movimento que tem efeito
positivo sobre o modo como os adultos sentem-se a respeito de si
mesmos e também sobre o modo como os outros os veem. Declínios
progressivos na ‘performance motora, a redução da força muscular e
a incapacidade de realizar as tarefas domésticas são condições do
domínio motor que afetam de modo negativo as perspectivas
psicológicas e as interações sociais dos adultos. Em numerosas
situações, o domínio motor interage com o domínio psicossocial.
Quando há melhora da autoestima do indivíduo e da sua imagem
corporal após vários meses de treinamento com peso ou quando
adultos se reúnem para a caminhada matinal no calçadão da cidade,
observamos in�uências positivas da performance motora sobre o
comportamento psicossocial.
Em contrapartida, quando pessoas com problemas motores precisam
frequentar clínicas especializadas e �cam inseguras ou deprimidas, são
observados aspectos negativos. Fatores psicológicos e motores interagem de
diversas formas. Quando as pessoas participam de programas de exercícios
físicos, logo são percebidas melhoras em estado de depressão, consciência da
imagem corporal, sensação de bem-estar, entre outros.
Em virtude das mudanças causadas pelo envelhecimento, muitas pessoas
apresentam di�culdade em lidar com a imagem corporal de maneira saudável, o
que pode ocasionar até mesmo transtornos psíquicos.
O idoso em questão
Os tópicos 3 e 4 desta unidade serão destinados a falar doidoso em especial, ou
seja, iremos falar de pessoas que tem 60 anos ou mais. No tópico 3 iremos
conhecer as principais alterações �siológicas que acontecem e as mudanças no
desempenho motor advindas da idade avançada, bem como as necessidades da
pessoa idosa e os cuidados necessários para melhor atendê-los no tocante às
limitações motoras. 
A área da ciência que estuda o processo de envelhecimento é chamada de
Gerontologia. Assim como nas outras fases do desenvolvimento humano, é
necessário olhar para as particularidades da vida e do funcionamento do
organismo do idoso para poder intervir e contribuir de maneira expressiva e
signi�cativa, ajudando esse grupo, que tem necessidades especí�cas, a
envelhecer da melhor forma possível, respeitando sua condição. 
Sugiro que, se você tem interesse em trabalhar com idosos, leia com atenção o
Estatuto do Idoso, basta uma pesquisa rápida na internet e você terá acesso ao
documento na íntegra #�caadica.
Quem se dedica a estudar a gerontologia vai conhecer disciplinas como a
biologia, a psicologia e a sociologia, a �m de entender esse grupo a partir de
diferentes perspectivas para “tentar identi�car os mecanismos que fazem a
pessoa envelhecer e o modo como isso afeta a vida cotidiana dos indivíduos”
(GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 382).
Podemos retomar alguns desses prejuízos causados pelo envelhecimento, quais
sejam: mobilidade articular em decorrência da rigidez das articulações, tendões
e ligamentos, chegando até ao rompimento em casos graves; fraturas ósseas
com facilidade como resultado de quedas devido à perda da força muscular e
di�culdade de equilíbrio e controle postural; doenças do SNC, como Parkinson,
Alzheimer ou demência, que interferem na capacidade de realização de tarefas
simples do cotidiano; além das perdas no funcionamento do sistema sensorial,
como visão e audição. 
Em muitos casos, a debilidade relacionada ao envelhecimento acontece em
decorrência do estilo de vida das pessoas, do comportamento, da alimentação e
de fatores ambientais, portanto, podem ser modi�cadas. 
Lembra que falamos sobre o desempenho motor em adultos jovens e de meia-
idade? Então, todos aqueles danos causados pelo envelhecimento, a partir dos
60 anos são intensi�cados. Algumas perdas são até mesmo irreversíveis, como é
o caso do equilíbrio e do controle postural. Para diminuir os danos causados, é
necessário dispor de estratégias que possam compensar as di�culdades. Praticar
atividade física, enfatizando o trabalho de �exibilidade articular, pode melhorar a
força muscular, melhorando a estabilidade e a habilidade articular. A atividade
física é reconhecidamente a alternativa na diminuição das quedas decorrentes
das di�culdades causadas pelo envelhecimento.
Nos idosos especi�camente a habilidade da marcha �ca comprometida em
diversos aspectos, como: velocidade curta; extensão do passo reduzida; ritmo
diminuído; amplia a largura do passo; ampliação da fase de apoio; aumenta o
tempo que �ca em duplo apoio; diminui a fase de balanço; reduz o balanço dos
braços; diminui a �exão de quadril, joelho e tornozelo; o pé �ca mais plano ao
chocar do calcanhar com o solo; estabilidade dinâmica reduzida no apoio;
contrai a potência para gerar impulso; redução da potência de absorção no
choque de calcanhar.
A partir dos 60 anos algumas perdas
são intensi�cadas quanto à
capacidade de realização de
movimento corporal. No tópico 1
desta unidade vimos diversos
aspectos que sofrem mudanças
com o avanço da idade e com o
envelhecimento. Pense que a cada
década o prejuízo nas condições
�siológicas vai aumentando, a perda
das capacidades é gradativa e o
surgimento de doenças em
decorrência do envelhecimento é
fato.
Esse conjunto de mudanças no caminhar dos idosos os torna mais suscetíveis a
quedas ou perdas do equilíbrio corporal. A tabela a seguir mostra alguns fatores
de risco em relação a quedas e quais seriam as estratégias de intervenção.
Gallahue e Ozmun (2013) apresentam uma tabela com sugestões para auxiliar os
idoso nas atividades da vida diária em ambiente doméstico:
Tabela 2 - Fatores de risco de queda e possibilidades de intervenção
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 419).
Os mesmos autores trazem ainda algumas orientações para auxiliar adultos mais
velhos quando vão adquirir novas habilidades, que podem ser vistas na tabela a
seguir:
Tabela 3 - Auxílio nas atividades da vida diária em ambiente doméstico
Corrimãos �rmes nas escadas
Vãos de portas largos para facilitar o acesso de aparelhos que
ajudam na locomoção
Barras de apoio no boxe do chuveiro e perto da banheira
Superfície não escorregadia na banheira
Fácil acesso a equipamentos e objetos usados nas AVDs
Grade na beirada da cama, quando necessário
Aquecimento ou resfriamento de acordo com as necessidades
Boa iluminação
Corredores e lances de escadas desobstruídos
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 421).
Tabela 4 - Sugestões para auxiliar os idosos ao adquirir novas habilidades
Fornecer mais aprendizado ativo do que passivo
Ensinar procedimentos, e não apenas conceitos
Fornecer oportunidades para modelagem do comportamento
necessário
Treinar em pequenos grupos
Oferecer oportunidades práticas extensivas
Fornecer apoio ambiental
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 422).
É de suma importância conhecer as especi�cidades dessa etapa da vida, a �m
de poder atender esse grupo de pessoas que tem necessidades especiais e
carece de atendimento que respeite suas demandas. 
Vale ressaltar que o envelhecimento é um processo que faz parte da vida de
todas as pessoas e que pode ser passado de maneira saudável quando o
indivíduo opta por um estilo de vida pautado em atividade física regular e
adequada, alimentação balanceada e cuide das condições psicológicas, fator
esse que iremos tratar no próximo e último tópico desta unidade.
O idoso e a �da social
No presente tópico iremos estudar aspectos do desenvolvimento psicossocial do
idoso, bem como a sua socialização. Lembrando que estamos falando de
pessoas com mais de 60 anos de idade que, por vezes, dependendo do estilo de
vida, são acometidas por doenças ou sofrem limitações decorrentes do
envelhecimento e precisam de auxílio para realizar as atividades e tarefas da vida
diária. Não é regra que todas as pessoas com mais de 60 anos terão as mesmas
limitações e condições de vida que carecem de ajuda. Com o aumento da
expectativa de vida e mudanças nos hábitos cotidianos é possível ter uma
velhice saudável e poder viver bem apesar das condições e restrições causadas
pelo envelhecimento.
Uma das alternativas para uma velhice melhor é manter uma vida social.
Existem grupos de idosos no mundo que estão se organizando para morar
juntos em comunidades e envelhecer entre os pares. O que é considerada uma
prática saudável para pessoas idosas, que, por vezes, acabam a vida sozinhas. 
Envelhecer bem é um conceito multidimensional e envolve “o engajamento
apoiado em atividades sociais e produtivas, a manutenção de um elevado
funcionamento físico e cognitivo e a prevenção de doenças e incapacitações”.
(GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 404) Na Tabela 5 você pode observar algumas
percepções errôneas sobre os adultos mais velhos que são muito comuns na
sociedade.
Quadro - Ideias equivocadas sobre adultos mais velhos
EXEMPLOS DE CONCEPÇÕES ERRÔNEAS COM BASE EM
ESTEREÓTIPOS NEGATIVOS
�. A maioria das pessoas mais velhas é pobre.
�. A maioria das pessoas mais velhas é incapaz de se ajustar à
in�ação.
�. A maioria das pessoas mais velhas é frágil e tem problemas de
saúde.
�. A maioria das pessoas mais velhas mora mal.
�. Os idosos são impotentes como força política e precisam de
alguém para os defender.
�. A maioria das pessoas mais velhas são empregados inadequados:
são menos produtivos, e�cientes, motivados, inovadores e
criativos do que os trabalhadores mais jovens. A maioria dos
trabalhadores mais velhos é propensa a acidentes.
�. As pessoas mais velhas são mentalmente mais lentas e mais
esquecidas; são menoscapazes de aprender coisas novas.
�. As pessoas mais velhas tendem a ser intelectualmente rígidas e
dogmáticas. A maioria das pessoas mais velhas tem seu caminho
de�nido e é incapaz de mudar.
�. A maioria das pessoas mais velhas é socialmente isolada e
solitária. A maioria se desengajou da sociedade ou foi
desengajada por ela.
��. A maioria das pessoas mais velhas �ca con�nada em clínicas
assistenciais por longo tempo.
EXEMPLOS DE PERCEPÇÕES ERRÔNEAS BASEADAS EM
ESTEREÓTIPOS POSITIVOS
�. Os idosos têm condição �nanceira relativamente boa; eles não são
pobres, na verdade se encontram em boa situação econômica. Os
seus benefícios são generosamente fornecidos pela classe
trabalhadora da sociedade.
�. Os idosos são uma força política potente, que vota e participa de
modo unido e em grande número.
�. As pessoas mais velhas fazem amigos muito facilmente. Elas são
gentis e sorridentes.
�. A maioria das pessoas mais velhas é madura, experiente, sábia e
interessante.
Existe uma visão estigmatizada na sociedade de que o idoso é “incapaz”, o que
torna essa fase da vida ainda mais complicada aos olhos de quem a vive. Por isso
é fundamental conhecer uma base cientí�ca sobre as características deste
período. 
Pensando ainda no conceito do “envelhecer bem”, a �gura a seguir mostra uma
interseção dos fatores que levam a esse objetivo.
Em relação ao desenvolvimento psicossocial do idoso, é fundamental falarmos
do papel da família nesse processo, que tem como propósito proteger, oferecer
afeto e garantir a sua identidade social. Consideram-se modi�cações na
�. A maioria das pessoas mais velhas são muito bons ouvintes e
especialmente pacientes com as crianças.
�. A maioria das pessoas mais velhas é muito gentil e generosa com
os �lhos e os netos.
Figura 2 - Fatores que resultam no envelhecimento saudável
Fonte: Gallahue e Ozmun (2013, p. 405).
estrutura familiar e na sua evolução, nos papéis tradicionais e nas relações entre
as diversas gerações que fazem parte de um mesmo núcleo familiar. Tudo isso
pode interferir signi�cativamente na qualidade das relações estabelecidas. 
Pesquisas mostram que trabalhadores mais velhos tendem a ser mais estáveis,
ter menos faltas e se envolver menos em acidentes do que jovens. Atualmente
vemos a crescente participação de pessoas que, mesmo depois da
aposentadoria, continuam atuando no mercado de trabalho de maneira formal
ou na informalidade, pois muitas vezes são os mais velhos que provem por maior
parte do sustento de uma família. Tais aspectos sociológicos mudam as relações
sociais do idoso, que é visto como economicamente ativo na sociedade
contemporânea.
Quando falamos dos fatores de socialização e pensamos num processo
excelente de envelhecimento no que tange às relações interpessoais, devemos
conhecer duas abordagens: a Teoria da Atividade e Teoria do
Desengajamento. 
A primeira “sugere que, à medida que �cam velhos, os adultos precisam de
interação com outras pessoas e atividade física continuada para �carem felizes e
satisfeitos” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 403).
As abordagens são opostas no entendimento do que seria envelhecer bem e a
segunda propõe que “à proporção que envelhece, a pessoa começa a perder os
relacionamentos, aos poucos abandona os interesses do passado, e, no �nal,
afasta-se da sociedade” (GALLAHUE; OZMUN, 2013, p. 403).
Ambas apresentam uma visão do processo de envelhecimento com base na
socialização e consideram como marco sociológico para o adulto mais velho a
aposentadoria. Interessante pensar que algumas pessoas desejam e degustam,
outras fogem e outras sofrem com esse momento. 
Numa relação com o domínio motor, Gallahue e Ozmun (2013, p. 403) a�rmam
que
Os aspectos do domínio motor podem ter papel benefício ou
prejudicial nas várias etapas desse processo. A manutenção de um
estilo de vida �sicamente ativo pode reduzir a apreensão a respeito
das mudanças de vida representadas por esse evento. A participação
em esportes por toda a vida ou em atividades de lazer, como golfe,
tênis, ciclismo ou caminhadas, pode abrandar de algum modo as
transições potencialmente difíceis da aposentadoria, fornecendo
desa�os e diversão ao aposentado, dentro de uma estrutura que
pode ser regulada por expectativas realistas. Além disso, como
descrito em vários exemplos nos capítulos anteriores, permanecer
�sicamente ativo pelo maior tempo possível pode ajudar a retardar o
surgimento de problemas de saúde e a dependência em relação a
outras pessoas para a performance das habilidades da vida diária.
Outro aspecto social que precisa ser apresentado e discutido é a discriminação
dos idosos, que diz respeitos aos preconceitos. A ideia de que os idosos têm
de�ciências motoras e cognitivas e devem ser tratados como crianças é um
exemplo disso. Existe uma aversão às pessoas mais velhas por acharem que têm
pouco valor para a sociedade ou que somente consomem recursos.
Adolescentes e adultos mais jovens consideram os idosos menos aptos na
realização de atividades físicas, inferiorizando-os.
Vale ressaltar que isso não é uma regra social e que muitas vezes acontece em
decorrência de aspectos culturais e da maneira como os idosos são vistos
socialmente. Conhecer para educar as pessoas de todas as idades quanto à
necessidade de respeitar os idosos e compreender que muitas situações que
acontecem com eles são em decorrência das mudanças advindas do
envelhecimento é papel da sociedade, das famílias e do poder público. A�nal de
contas, um dia todos seremos idosos e estaremos no mesmo lugar que eles
estão atualmente.
SAIBA MAIS
A Importância da Atividade Física na Terceira Idade
Os padrões que marcam as normas de conduta social vão se
aproximando cada vez mais do lema de se ter uma vida saudável,
considerando a atividade física como um elemento a mais na forma de
viver e nos hábitos diários. Se o corpo é o instrumento que permite que
uma pessoa se desloque, se relacione se expresse e intervenha em seu
meio social, é justo cuidar bem dele.
Já por volta dos 30 anos de idade os indivíduos começam a perder
massa muscular e possuem uma forte tendência a aumentar o
percentual de gordura. E perda de massa muscular signi�ca perda de
força, o que tende a se agravar com o tempo. O envelhecimento traz
consigo inúmeras transformações no corpo do idoso; e a diminuição
do desempenho físico talvez seja o mais percebido pelas pessoas. Isso
porque na terceira idade o organismo já não é como antes; os corpos
não são mais tão �exíveis e os movimentos não são tão ágeis. As
articulações perdem mobilidade e elasticidade, as lesões
degenerativas como a osteoporose transformam o osso de um estado
consistente para esponjoso; o aparelho bronco-pulmonar sofre
alterações, inclusive o pulmão tem seu peso reduzido; no sistema
cardiovascular, a capacidade do coração diminui, a pressão se eleva,
diminuindo a circulação sanguínea. Certos indivíduos da terceira idade
possuem a reserva funcional tão baixa que atividades cotidianas
aparentemente fáceis (banhar-se, vestir-se e alimentar-se sozinho)
tornam-se bastante difíceis.
A diminuição da força muscular é o fator mais diretamente
relacionado com a independência funcional de idosos. E o
sedentarismo como fator agregado chega a ser assustador ao se
avaliar as consequências para a saúde. Segundo pesquisas, o idoso tem
perda de até 5% da capacidade física a cada 10 anos, e tem
possibilidade de recuperar 10% dessa capacidade através de atividades
físicas adequadas.
A atividade física oferece importantes benefícios à população da
terceira idade, tais como, a prevenção e diminuição de problemas
cardiovasculares, pulmonares, auxilio no controle da diabetes, artrite,
doenças cardíacas, fortalecimento muscular, manutenção da
densidade óssea entre outros benefícios; proporcionando melhorias
signi�cativas no equilíbrio, na velocidade de andar, no re�exo, na
ingestão alimentar, diminuição da depressão, e prevenindo a tão
temida osteoporose e suas consequências degenerativas.
Jáé comprovado que a hipertro�a muscular e a força aumentada, tem
um impacto substancial nas atividades da vida diária e na atividade
funcional do idoso, uma vez que os protege contra lesões.
Evidenciando uma vez mais, que a prática de exercícios produz efeitos
protetores contra a evolução de doenças crônicas degenerativas,
aumenta a expectativa de vida, e acima de tudo melhora o estado de
saúde do indivíduo, o que faz do exercício uma importante estratégia
de Saúde Pública.
Os problemas musculoesqueléticos preexistentes podem ser um
impedimento para o começo de uma atividade, pois mais de 50% dos
idosos envolvidos em programas de exercícios desenvolvem lesões que
são exacerbações de condições preexistentes. Lembrando ainda, que a
osteoartrose afeta 85% de todas as pessoas com 70 anos de idade ou
mais. Ou seja, é importante saber se (e quais) as atividades limitam
essa população. Por isso, é imperativo que a atividade seja orientada
por um pro�ssional competente e responsável, que observe e respeite
o limite do idoso.
Dentre tantas opções de atividades físicas, o ideal é que o idoso
escolha uma onde possa executar exercícios que lhe agradem e
motive, gerem bem estar e qualidade de vida; seja ela a musculação, a
yoga, o pilates, a caminhada, a natação, etc. Pois, a prática regular de
atividade física de maneira adequada às necessidades e realidade
física, psicológica e social do idoso, pode signi�car a diferença entre
uma vida autônoma ou não.
Fonte: Dias (2004).
REFLITA
“A vida seria in�nitamente mais feliz se pudéssemos nascer aos 80
anos e gradualmente chegar aos 18”
Escrito por Mark Twain (1835-1910,) inspirou o conto de F. Scott
Fitzgerald, dando origem ao �lme “O curioso caso de Benjamin
Button”
“Vivemos em uma cultura obcecada com a juventude que está
constantemente tentando nos dizer que, se não somos jovens, e não
estamos brilhando, e não somos gostosos, que não importamos. Eu
me recuso a deixar que um sistema ou uma cultura ou uma visão
distorcida da realidade me digam que eu não sou importante. Eu sei
que só sabendo quem e o que você é, você pode começar a aproveitar
a plenitude da vida. Todos os anos devem nos ensinar uma lição
valiosa. Se você entende a lição realmente depende só de você”
(Oprah Winfrey).
	Plano de
Conhecimento
	Primeira Infância
	Infância e 
Adolescência
	Idade Adulta e o seu Desenvolvimento
	título aula 5
	título aula 6
	título aula 7
	título aula 8
	título aula 9
	título aula 10
	título aula 11
	título aula 12
	título aula 13
	título aula 14
	título aula 15
	título aula 16

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