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ANATOMIA OSTEOMIOARTICULAR DO TÓRAX PROFA.: RAISA BALIEIRO INTRODUÇÃO O tórax é a parte superior do tronco do corpo, situado acima do abdome e abaixo do pescoço. É composto por um arcabouço musculoesquelético bastante resistente, de modo que consiga proteger órgãos nobres, como o coração e os pulmões – situados, dentro da “caixa” torácica. Além dessa função de proteção, o tórax é essencial na dinâmica respiratória, visto que os seus elementos musculares e ósseos auxiliam durante os movimentos de inspiração e expiração. As peças ósseas que constituem a parede torácica são as 24 costelas (12 de cada lado) e o esterno, osso ímpar situado anteriormente. A caixa torácica torna-se completa com o advento da porção torácica da coluna vertebral, situada posteriormente. As costelas podem ser classificadas em verdadeiras e falsas (espúrias), dessas últimas, duas são flutuantes. Essa classificação é dada de acordo com a articulação de uma determinada costela com o esterno. Costelas verdadeiras (Típicas): articulam-se individualmente com o osso esterno a partir das cartilagens costais. Costelas Falsas (Atípicas): articulam-se com o esterno a partir de uma cartilagem costal sobrejacente. Costelas Flutuantes: não possuem qualquer articulação em sua porção anterior. Características comuns em todas as costelas: Primeira costela: apresenta em sua face superior um sulco para artéria subclávia e um para a veia subclávia, separados por um tubérculo, denominado de tubérculo de Lisfranc, que é ponto de inserção para o músculo escaleno anterior. Segunda costela: não possui sulco costal. Apresenta uma área rugosa, a tuberosidade do músculo serrátil anterior. Décima primeira e décima segunda: Articulam- se somente com o corpo de uma única vértebra. Não possuem tuberosidade. São quase retilíneas. Costelas cervicais e lombares O número de costelas pode variar devido à presença de costelas supranumerárias. Na região cervical, essa costela supranumerária articula-se com a sétima vértebra cervical e pode causar síndromes compressivas de elementos neurovasculares, como o plexo braquial, a artéria e veia subclávia. Essas costelas surgem devido à falha no processo embrionário, que, em condições normais, impede que os elementos costais, tanto das vértebras cervicais, quanto lombares, se desenvolvam. Espaço intercostal Os espaços intercostais são intervalos entre uma costela e outra. São numerados de acordo com a costela que forma a margem superior do espaço. Abaixo da décima segunda costela, o espaço intercostal é denominado de espaço subcostal e o nervo ali presente é o nervo subcostal. Esses espaços são preenchidos por músculos e membranas intercostais, assim como vasos e nervos intercostais. Osso Esterno Se articula com as clavículas e com as 7 primeiras costelas. Possui três porções distintas: Manúbrio: contém 3 incisuras, uma superior (jugular) e duas laterais (claviculares). Corpo: O corpo do esterno apresenta faces articulares em sua margem lateral para a articulação com as cartilagens costais da segunda até a sétima costela Processo Xifóide: está no nível da 9° vértebra torácica, apresenta 2 fendas triangulares de Larrey que servem de passagem para vasos. A superfície anterior do esterno é plana e ligeiramente convexa verticalmente. Está em contato direto com a pele e dá origem às fibras do músculo peitoral maior. A superfície posterior está em contato com as vísceras torácicas e nas margens podem ser observadas faces articulares para as sete primeiras cartilagens costais. Ângulo de Louis: projeção anterior do esterno a nível da articulação manubrioesternal. Determina o mediastino e lateralmente a 2° cartilagem costal. Ângulo de Charpy: localizado entre o corpo e o processo xifoide, utilizado para classificar indivíduos em: normolíneos, longilíneos e brevilíneos. Pentalogia de Cantrell: durante o período embrionário o esterno desenvolve-se a partir de duas barras verticais. Essas barras se unem no plano sagital mediano. Em alguns casos, há falha nessa união, em especial, nas porções mais inferiores do esterno. O forame esternal, apesar de ser uma variação anatômica sem manifestações clínicas, pode causar problemas caso esteja presente durante uma punção de medula óssea no esterno ou procedimentos de acupuntura, visto que a agulha pode perfurar o pericárdio ou o coração O limite superior do tórax é denominado de estreito superior do tórax. É formado posteriormente pela margem superior da primeira vértebra torácica, anteriormente pela margem superior do manúbrio e lateralmente pelo primeiro par de costelas e suas cartilagens costais. Nessa região, em especial entre a primeira costela e a clavícula pode haver compressão das estruturas neurovasculares ali presentes. O desfiladeiro cervicotorácico apresenta estreitamento em três regiões: o trígono interescaleno, espaço costoclavicular e espaço subcoracóide. Esse distúrbio neurovascular é denominado de síndrome do desfiladeiro torácico e pode gerar sintomas como parestesia, edema, dor e formigamento e atrofia muscular distal do membro superior. Os ápices dos pulmões situam-se no estreito superior do tórax, ligeiramente acima da primeira costela, esse fato anatômico encontra relevância clínica. Mantém contato com as 7 ou 8 primeiras costelas, enquanto a pleura se estende até a nona ou décima. O ápice do pulmão direito encontra relevância clínica em duas situações: a) nas punções venosas profundas (veia subclávia direita) que podem levar a um pneumotórax; b) na possibilidade do tumor de Pancoast avançar para região cervical e comprometer a cadeia simpática cervicotorácica, levando à Síndrome Claude-Bernard-Horner. O coração está situado entre o terceiro e o quinto espaço intercostal. Algo em torno de ¾ do coração está situado no lado esquerdo da parede torácica. Essa projeção do coração na parede é denominada de precórdio (ou região precordial). A margem superior do coração pode ser determinada por uma linha vertical na terceira articulação esternocostal, enquanto a margem inferior pode ser determinada por uma linha levemente inclinada para a esquerda sobre a junção xifoesternal. O ápice do coração, está situado no quinto espaço intercostal, à esquerda, em geral, logo abaixo do mamilo. O fígado ocupa um grande espaço na cavidade abdominal e está em contato com a cúpula (direita) diafragmática. Sendo assim, mantém relações com as costelas inferiores e o processo xifoide. O baço situa-se entre a nona e a décima primeira costela. Os rins estão localizados na parede posterior do abdome; o rim esquerdo tem relação com a décima primeira e o esquerdo com a décima segunda costela. Artrologia do Tórax Articulação da Cabeça das Costelas A cabeça de cada costela típica articula-se com as fóveas costais de duas vértebras torácicas adjacentes, assim como, o disco intervertebral situado entre elas. As exceções a essa regra podem ser encontradas na 1°, 11° e 12° costela. Articulação Costotransversa O tubérculo de uma costela típica se articula com a fóvea costal do processo transverso da vértebra de mesmo número. Permite movimentos de deslizamento, elevação e depressão das extremidades esternais das costelas resultando nos movimentos de “braço de bomba” e “alça de balde”. Articulações Costocondrais São articulações cartilaginosas constituídas pela extremidade esternal das costelas e cartilagem hialina. Em geral, são desprovidas de movimento. Articulações Intecondrais São dadas entre a 6° e a 7°, a 7° e 8° e a 8° e 9° cartilagens costais. São do tipo sinovial plana e possuem uma pequena cavidade sinovial. Entre a nona e a décima cartilagem costal, a articulação é fibrosa. Articulação Esternocostal Constituída pelo esterno e as sete primeiras cartilagens costais: a 1° se articula com o manúbrio; a 2° com o manúbrio e o corpo; da 3° até a 6°, somente com o corpo; e a 7° se articula com o corpo e o processo xifoide. Articulação Esternoclavicular Formada pela extremidade esternal da clavícula, o manúbrio do esterno e parte dacartilagem costal da primeira costela. É reforçada por 4 ligamentos: esternoclavicular anterior, esternoclavicular posterior, interclavicular e costoclavicular. Miologia do Tórax Músculos que unem os MMSS ao tórax Peitoral Maior: tem sua origem na extremidade esternal da clavícula, do manúbrio e do corpo do esterno e das cartilagens costais da 3° a 7° costela e tem sua inserção na crista do tubérculo maior do úmero. Ação: flexão, adução e rotação interna do ombro. Inervaçaõ: nervos peitorais medial e lateral. Peitoral Menor: está profundamente ao peitoral amior, se origina da 3° a 5° costela e tem sua inserção no processo coracoide da escápula. Ação: adução de ombro e na insp forçada eleva as costelas. Inervação: nervo peitoral medial. Subclávio: tem sua origem na primeira costela e inserção na superfície inferior da clavícula. Ação: tracionar o ombro para frente e para baixo, na insp forçada eleva a 1° costela. Inervação: nervo subclávio. Serrátil Anterior: tem sua origem na face externa das primeiras oito costelas e insere-se na margem medial da escápula. Ação: estabilização e movimentação da escápula. Inervação: nervo torácico longo Escaleno Anterior: tem sua origem nos processos transversos de C3 a C6 inserindo-se na 1° costela. Ação: flexão de pescoço e elevação da 1° costela na insp forçada. Escaleno Médio: tem sua origem nos processos transversos de C2 a C7 e se insere na primeira costela. Sua ação é semelhante a ação do escaleno anterior e sua inervação se da pelos nervos espinais cervicais inferiores. Escaleno Posterior: tem origem nos processos transversos de C5 a C7 e se insere na 2° costela. Ação: flexão de pescoço e elevação da 2° costela. Músculos intrínsecos da respiração Intercostais Externos: tem origem na margem inferior de uma costela e inserção na margem superior da costela seguinte. Sua ação é aumentar o volume da caixa torácica na inspiração. Inervação: nervos intercostais Intercostais Internos: tracionam as costelas para baixo diminuindo o volume da capacidade torácica durante a expiração. Também é inervado pelos nervos intercostais. Diafragma: é o musculo que separa a cavidade torácica da cavidade abdominal. É o principal musculo da respiração. Possui 3 grandes orifícios que permitem a passagem da aorta (hiato aórtico), da veia cava inferior (forame da veia cava inferior) e do esôfago (hiato esofágico). É inervado pelo nervo frênico. Escápula Alada: ocorre em decorrência de lesão do nervo torácico longo que resulta em perda da função do serrátil anterior. Hérnia de Hiato: ocorre devido ao aumento da pressão na cavidade abdominal ou fraqueza no hiato esofágico, parte do estômago pode subir por esse orifício. Essa condição pode causar refluxo gástrico e azia.