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Farmacologia Aplicada Turma 106 Letícia Iglesias Jejesky 1 Macrolídeos Descobertos em 1952 por Mcguire e Cols. Produtos metabólitos de uma cepa de Streptomyces erythreus. Eritromicina natural A eritromicina é um pró-fármaco – para se tornar ativo precisa do metabolismo de primeira passagem no fígado. Claritromicina e Azitromicina Semissintéticos Muito usado em infecções de vias aéreas superiores. É um antibiótico restrito, com baixa potência e curto espectro. A claritromicina e a Azitromicina são os mais usados. A eritromicina só existe por via oral. A azitromicina tem por via oral e venosa – de 24 em 24h. A claritromicina tem por via oral e venosa – de 12 em 12h. A azitromicina e a claritromicina tem pouca diferença – a maior diferença é que a claritromicina tem maior concentração em cavidades aeradas da face. Ou seja, em situações de otite e sinusite pode ser melhor o uso de claritromicina. Em situações de amigdalite, pneumonia ou infecção de pele, por exemplo, tanto faz usar azitromicina ou claritromicina. A azitromicina é mais barata do que a claritromicina. Mecanismo de Ação Bacteriostáticos Bactericidas somente em altas concentrações e dependendo da sensibilidade do microorganismo Inibem a síntese proteica Ligam-se à subunidade 50S do ribossomo. Impedem a transferência dos aminoácidos conduzidos pelo RNA de transporte (RNAt) para a cadeia polipeptídica em formação Eles inibem a síntese de proteína. Na síntese proteica o que acontece é o aminoácido recebendo o peptídeo em formação (1 da imagem). O macrolídeo atua inibindo o deslocamento do peptídeo em formação para receber o próximo aminoácido – essa é a etapa inibida pelos macrolídeos. Mecanismos de Resistência Bomba de Efluxo Modificação do alvo ribossômico Principal Hidrólise por esterases (Enterobacteriaceae) Staphylococcus aureus, S. epidermidis 50% resistentes S. pneumoniae 15% resistentes Streptococcus pyogenes é rara. Enterobactérias são resistentes Farmacologia Aplicada Turma 106 Letícia Iglesias Jejesky 2 O mecanismo mais comum de resistência para os macrolídeos é o que é bem raro para os aminoglicosídeos – é a chamada mutação/modificação/proteção ribossômica, onde a bactéria altera o seu ribossomo e com isso o antibiótico não consegue se ligar ao seu sítio de ação. O macrolídeo não possui carga elétrica e, por ser um antibiótico que precisa atuar dentro da célula, fica susceptível a bomba de efluxo (expulsão ativa). O gram-negativo entéricos (enterobactérias) produzem enzimas esterases que hidrolisam os macrolídeos – MACROLÍDEO NÃO SERVE PARA ENTEROBACTÉRIA por dois motivos: Elas produzem enzimas esterases e hidrolisam o macrolídeo Enterobactéria causa infecção no intestino e no trato urinário – a saída do macrolídeo é feita através da urina e na bile como metabólito inativo. Sendo assim, o macrolídeo não serve para infecção urinária e gastrointestinal porque sua saída pelas fezes e urina é feita por droga inativa. Atenção! Serve para o trato genital – pois ali chega através do sangue. Para tratar infecções no sistema urinário o antibiótico tem que chegar na urina, já em infecções genitais o antibiótico precisa chegar através do sangue. Staphylococcus aureus e S. epidermidis – podemos guiar pela meticilina. MRSA – não podemos fazer macrolídeo S. aureus meticilina sensível – pode fazer macrolídeo Para estreptococo – tanto pneumococo quanto o pyogenes tem uma sensibilidade boa. O pyogenes não dá resistente ao macrolídeo – ele causa infecção na orofaringe e pele. Não funciona para Enterobactérias – gastrointestinal e urinário. Espectro de Ação Gram positivos (estreptococos, estafilococos, clostrídios, corinebactérias, listéria, Erysipelothrix) Gram-negativos (gonococo, meningococo). Espiroquetas (treponemas, leptospiras). Bacilo da coqueluche, actinomicetos, Chlamydia, Campylobacter, Mycoplasma, Legionella, Gardnerella vaginalis, Vibrio cholerae e a Entamoeba histolytica. É ativa contra o Haemophilus ducreyi, causador do cancroide, mas sua ação é ineficaz contra a maioria das estirpes de Haemophilus influenzae (Eritromicina). Age contra o Calymmatobacterium granulomatis, causador do granuloma inguinal (donovanose), e tem atividade moderada sobre os germes anaeróbios, mas o Bacteroides fragilis é resistente. A eritromicina age contra riquétsias do grupo do tifo (R. prowazekii), mas não tem ação em riquétsias do grupo da febre maculosa (R. rickettsii), o que está relacionado a diferenças na composição do ribossomo entre essas bactérias. Os macrolídeos cobram os Stafilo, desde que sejam sensíveis a meticilina! Pega muito bem estreptococo, incluindo pneumococo. O gram-negativo comunitário a curva está do esquema está no meio – porque o gram-negativo comunitário de via aérea (Haemophilus, Chlamydia, Mycoplasma) os macrolídeos conseguem cobrir. O gram-negativo comunitário genital ele cobre. Mas não cobre os gram-negativos entéricos. OS GRAM-NEGATIVOS COMUNITÁRIOS DE VIA AÉREA E DE TRATO GENITAL OS MACROLÍDEOS COBREM! MAS NÃO COBRE E. COLI, POR EXEMPLO, PORQUE É UMA ENTEROBACTÉRIA. OS GRAM-NEGATIVOS COMUNITÁRIOS DE VIA URINÁRIA E GASTROINTESTINAL OS MACROLÍDEOS NÃO COBREM! O macrolídeo serve para quais sítios infecciosos? Pele e anexos, genitais (uretrite, vaginite, orquite, epididimite), respiratório (alto e baixo). Farmacologia Aplicada Turma 106 Letícia Iglesias Jejesky 3 Não tem concentração adequada no líquor – não serve para SNC Macrolídeo cobre muito bem os microrganismos atípicos porque consegue ter uma boa concentração no meio intracelular – Clamídia, Mycoplasma, Legionella, etc. Lembrando: de todas as classes estudadas até agora, apenas as quinolonas e os macrolídeos se concentram bem no meio intracelular. Farmacocinética Pró-drogas (eritro) – só existe por via oral e fica ativa após passar pelo mecanismo de primeira passagem no fígado. Sofrem inativação no meio ácido do estômago e têm sua absorção reduzida quando administradas junto a alimentos Administradas fora da alimentação e com cápsulas revestidas (eritromicina). Azitro e Claritro são bem absorvidas – não tem interação alimentar, não é pró-droga. Azitro e Claritro tem IV Não tem boa concentração liquórica A concentração na orelha média é 50% da sérica. Maior com claritro. – como já foi dita, a claritromicina tem maior eficácia nas cavidades aeradas. Boa concentração intracelular, principalmente com azitro. – sendo útil para bactérias intracelulares. Metabolismo hepático Eritro é pouco eliminada na urina < 5%. Eliminação biliar. Claritromicina eliminação “in natura” na urina 20-40% Azitro 12% excretados na urina – eliminação biliar São metabolizados no fígado e tem pouca eliminação no fígado. A maioria sai na bile como droga inativa – por isso pode acontecer obstrução dos canalículos de drenagem biliar, gerando a hepatite colestática (colangite) – então o macrolídeo pode dar hepatite. Indicações Pneumonias Azitro ou Claritro isolados, casos leves a moderados Na pneumonia é utilizada a classificação CURB65 para (revisar) para saber se o tratamento é ambulatorial ou hospitalar, auxiliando a determinar o antibiótico para o tratamento. Se a pneumonia for leve-moderada: macrolídeo isolado e tratamento ambulatorial Se a pneumonia for grave: internar e fazer antibiótico IV – deve ser feita cefalosporina de 3ª geração + macrolídeo, que entra no esquema para cobrir os germes atípicos. A quinolona pode ser usada na pneumonia sozinha, porque ela consegue cobrir tanto os germes típicos como atípicos – QUINOLONAS DE 3ª OU 4ª GERAÇÃO. Associados a cefalosporinas para “cobrir atípicos” (Haemophilus, Clamidia,Legionela e Mycoplasma). IVAS (via aérea superior) Azitro ou Claritro Infecções cutâneas e de tecidos moles alternativa aos beta-lactâmicos – principalmente para pacientes que tem alergia. Clamídia – tanto a respiratória quanto a genital Coqueluche Eritro Difteria Eritro – amigdalite membranosa Campilobacter 2ª opção, 1ª quinolona H. pylori Claritro + Amoxi – bactéria gástrica que favorece surgimento de gastrite, úlcera e câncer de estômago. Micobactérias – M. avium – tratamento e prevenção com azitromicina Profilaxia da Febre Reumática e da Endocardite Infecciosa – é preciso evitar o contato com S. pyogenes. A primeira opção é penicilina G benzatina, quem tem alergia pode usar eritromicina ou azitromicina. Paciente que tem lesão valvar e vai fazer procedimento com risco de bacteremia pode fazer profilaxia de endocardite infecciosa com amoxicilina, quem tem alergia pode usar macrolídeo. Ex.: paciente com amigdalite e usa amoxicilina não melhorou receita amoxicilina + clavulanato não melhora troca para azitromicina. Melhora ou piora? Piora, porque está trocando amoxicilina + clavulanato para um antibiótico de espectro mais curto e, além disso, trocando um bactericida por um bacteriostático. Farmacologia Aplicada Turma 106 Letícia Iglesias Jejesky 4 Efeitos adversos Hepatotoxicidade – hepatite colestática – maior parte da droga é eliminada por via biliar, podendo gerar obstrução dos canalículos Toxicidade GI – Estimula a motilidade GI – pode ser usado terapêutico (Eritro) Prolongamento do QT e TV – dificuldade em trazer o cardiomiócito para o estado de repouso (repolarizar). Uma célula não repolarizada despolariza com mais facilidade. A célula fica mais tempo fora do seu estado de repouso – com isso despolariza com mais facilidade – alguns fármacos fazem isso, como é o caso do macrolídeo. Isso favorece morte súbita por taquicardia ventricular e fibrilação ventricular. O tratamento é feito com reposição de magnésio. Febre, eosinofilia e erupções cutâneas – muito raro. Alterações Auditivas transitórias – diferente do aminoglicosídeo, não é uma surdez permanente.