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AUTOIMUNIDADE Imunologia INTRODUÇÃO ÀS DOENÇAS AUTOIMUNES ● A tolerância a autoantígenos é uma propriedade fundamental do sistema imunológico normal e a falha da autotolerância leva às doenças autoimunes. ● Estamos sempre apresentando nossos antígenos, mas não ativamos as células contra eles, quando ativamos tem-se as doenças autoimunes. ● Autotolerância: não ativar o sistema imune contra os próprios antígenos. ● Falha na autotolerância pode ter etiologia: genética, regulação do sistema imune e ambiental ● Na maioria das vezes são causadas por uma soma de fatores, como predisposição genética e gatilho ambiental. ● Fatores genéticos: HLA DR (antígeno do MHC, a pessoa já nasce com determinado HLA que provoca maior chance de desenvolver autoimunidade), deficiência de C2, C3 e C4. Não tem como se prevenir. ○ A depender do HLA que a pessoa nasce ela combate melhor ou responde pior a determinadas doenças. ○ C2, C3 e C4: complemento que age na eliminação periférica de células autorreativas desencadeando sua apoptose. Se eu não tenho essas moléculas as células autorreativas permanecem. ■ Tipos de eliminação de células autorreativas: central no órgão linfóide secundário e periférico quando ela sai do órgão e fica circulante no sangue. ● Fatores hormonais:mulheres têm mais doenças autoimunes, 10 vezes mais chance, dos 20 aos 60 anos. Isso porque elas têm um sistema imune mais reativo. ● Fatores ambientais: exposição a raios UV-B e uso prolongado de medicamentos. Etilismo, uso de drogas, pouco sono, estresse. ● Falta de regulação do sistema imune: aumento de resposta Th17, infecções recorrentes de fungos que mantém muita resposta Th17. ○ Infecções virais podem desregular o sistema imune, por conta do mimetismo molecular, pois os vírus têm material genético que dão origem a série de proteínas e aminoácidos que podem ser semelhantes às nossas. 1 ● Autoimunidade x infecções virais ● Autotolerância: célula dendrítica apresenta autoantigeno para linfócito T, não este ativa pois tem autotolerância, ficando anérgico, forçado a não ativar nunca mais. Morte da célula dendrítica. ○ Quando o linfócito T reconhece um autoantigeno ou ele é eliminado ou é forçado a entrar em anergia. ○ Não ocorre a ativação com autoantígenos pois falta coestimulação. ● Ativação da APCs: o linfócito T precisa de 3 sinais para a ativar, a célula dendrítica quando apresenta antígeno próprio não causa sinais de coestimulação nem produção de citocinas. ○ Nesse segundo caso ocorre a ativação do linfócito devido a estimulação do vírus na APC fazendo-a apresentar o 2° sinal de ativação, a coestimulação na apresentação de autoantígenos→ doença autoimune. ■ Pegar infecções virais repetidas vezes aumenta a chance de isso acontecer. ○ O ambiente viral estimula a coestimulação contra antígenos próprios. ○ Relembrando: Com o 1° e 2° sinal já ativa o linfócito, o 3° não é essencial, serve para amplificar a resposta. ● Mimetismo molecular: proteínas microbianas e autoproteinas podem ter formatos semelhantes confundindo o sistema imune. ○ Nesse caso ocorre apresentação do antígeno viral pela APC e ativação do linfócito T, porém no tecido existem proteínas parecidas com o antígeno apresentado que podem ser atacadas pelo linfócito, causando doen~[çças 2 autoimunes. ● Diferença de mimetismo para o 2° caso? No 2° caso está apresentando autoantígeno e coestimulação que está acontecendo por causa do ambiente viral, que estimulam uma célula. No caso do mimetismo há apresentação de proteínas virais semelhantes a proteínas próprias. ○ Coestimuladores são proteínas→ B7 (ligante expressado pela célula apresentadora) e CD28 (receptor dos linfócitos TCD4). ● 3 ● Nesses casos, o microrganismo não está presente nas lesões e nem é detectável na pessoa quando a autoimunidade se desenvolve-→ as lesões da doença autoimune não se devem ao vírus mas da resposta imune que pode ser desencadeada ou desregulada pelo microrganismo. Casos de mimetismo molecular ● Nossos HLA-DR tem uma sequência de aminoácidos igual ao citomegalovírus humano. O HLA-DR é muito imunogênico, criando uma resposta imune enorme e ele está presente em quase todas as células→ inflamação sistêmica. ● Sequência da cadeia pesada do IgG que tem compatibilidade da proteína p24 do HIV. O vírus tem que estar circulante para ser combatido e criar antígenos miméticos→ a pessoa com a doença controlada não tem o mesmo risco. ● Mimetismo molecular não ocorre sempre em pessoas imunocompetentes. Em pessoas imunossuprimidas e com infecções virais crônicas têm maiores chances. ● O vírus tem que ser mantido para que o mimetismo molecular aconteça. ● Qual o tamanho do problema? Gigante, pois temos muitas doenças autoimunes diferentes, infecções virais e a prevalência é alta. TOLERÂNCIA ● Autotolerância defeituosa: devido a defeitos na seleção negativa de células T ou B ou na edição de receptor em células B durante a maturação dessas células nos órgãos linfóides geradores. Defeito nas Treg, apoptose defeituosa de linfócitos autorreativos maduros e função inadequada de receptores de inibição. 4 ● Central ● Linfócitos imaturos que reconhecem autoantígenos são: deletados (seleção negativa→ linfócitos TCD4 e TCD8), mudam sua especificidade (se forem linfócitos B) ou se tornam linfócitos reguladores (se forem TCD4). ○ Apenas células com receptores de alta afinidade sofrem a deleção. ● Substituição de receptor antigênico autorreativo por outro não autorreativo. ● Ocorrem durante a maturação dos linfócitos nos órgãos linfóides geradores. ● Nesses órgãos são apresentados autoantígenos (do próprio timo ou que vieram do sangue) para os linfóides, e os que são muito reativos sofrem as mudanças citadas. ● Porém, esse sistema não é perfeito e alguns linfócitos autorreativos podem amadurecer e ir para a corrente sanguínea. 5 ● ● As células epiteliais medulares tímicas produzem antígenos de tecidos periféricos devido a presença da AIRE (proteína reguladora autoimune). ○ Ausência dessa proteína→ síndrome poliendócrina autoimune tipo 1. Isso pois sem a AIRE esse antígenos não são exibidos no timo e as células T reativas à eles escapam da deleção e atacam os tecidos próprios. ■ Notaram que na ausência dela há produção de autoanticorpos contra IL-17→ suscetibilidade a candidíase. ● Periférica ● Ocorre no sangue e em tecidos periféricos. Os linfócitos autorreativos podem 6 entrar em anergia, sofrer apoptose ou serem suprimidos pelos Treg. ● É importante para manter a não responsividade a autoantígenos dos tecidos periféricos, para criar uma tolerância a antígenos expressos apenas na vida adulta e complementar os mecanismos centrais (que podem falhar). ● ● Anergia: quando há apresentação de um antígeno a um linfócito T tem a coestimulação ou imunidade inata pode deixar eles incapazes de responder. ○ O sinal 1 prolongado sozinho (sem coestimulação) causa anergia. ○ Elas sobrevivem por alguns dias ou semanas nesse estado quiescente (sem se dividir) e depois morrem. ○ Transdução do sinal induzida pelos receptores de células T é bloqueada. ○ Ativação das ubiquitinas ligases celulares que ubiquitinam as proteínas associadas ao TCR e direcionam para degradação proteolítica nos lisossomos. ■ Perda das moléculas de sinalização e ativação defeituosa das células T. Receptore� inibidore� ● CTLA-4 (antígeno-4 do linfócito citotóxico): da mesma família do CD28 e se liga às moléculas B7. A ausência dele resulta em falha na tolerância periférica. ○ Inibe células T pois quando estas estão ativadas começam a expressar CTLA-4 que “desliga” a ativação adicional dessas células e finaliza a resposta. ○ As Treg também expressam altos níveis de CTLA-4 para prevenir ativação 7 de células responsivas. ○ É inibidor competitivo de CD28 (coestimulação) e reduz a disponibilidade de B7 (que se liga no CD28). ● ● PD-1 (morte celular programada-1): reconhece dois ligantes→ PD-L1, expresso nas APCs e em outras células teciduais ,e PD-L2 (expresso nas APCs). ○ A ligaçãoentre PD-1 e seus ligantes inibe sinais de CD28 e outros coestimuladores em células T inativando-as. ○ É mais importante para finalizar as respostas dos linfócitos TCD8 nos tecidos periféricos enquanto o CTLA-4 limita a ativação inicial de células T nos órgãos linfóides secundários. Célula� T reguladora� ● Sua função é suprimir a resposta imune e manter a autotolerância. ● Apresenta níveis da cadeia alfa do receptor de interleucina-2 chamada CD25 e 8 também altos níveis do fator de transcrição FoxP3. ○ Mutações no gene FoxP3 causam síndrome de IPEX→ deficiência de Treg. ● São geradas pelo reconhecimento de autoantígenos no timo (Treg naturais→ específicas para autoantígenos que são os antígenos do timo) e nos órgãos linfóides secundários (Treg adaptativas ou induzidas→ autoantígenos e antígenos estranhos). ● ● A geração de algumas Treg depende do TGF-ß e da IL-2, que promovem a diferenciação das células T em Treg. ○ As Treg não liberam IL-2, sendo necessário uma célula T normal respondendo a antígenos estranhos ou autoantígenos. 9 ● ● Mecanismo de ação das Tregs: ○ Produção de citocinas imunossupressoras IL-10 e TGF-ß, capacidade reduzida das APCs em estimularem as células T (ligação do CTLA-4 nas células reguladoras as moléculas B7 nas APCs, resultando em inibição competitiva da coestimulação), consumo de IL-2 privando outras células desse fator de crescimento. Células B ● Tolerância central: se células B maduras reconhecem autoantígenos na medula óssea elas mudam seus receptores para uma nova combinação. ● Se a edição de receptores falhar elas morrem por apoptose, sofrendo deleção, ou entram em anergia. ● ● Periférica: podem entrar em anergia e deleção ou podem ser impedidas de 10 responder por meio do acoplamento de vários receptores de inibição. ● DOENÇAS AUTOIMUNES ● Existem as sistêmicas (formação de imunocomplexos circulantes como o lúpus eritematoso sistêmico) e as órgão específicas (como a diabetes tipo I) dependendo da distribuição dos autoantígenos que são reconhecidos. ● Qual a pior? Depende do órgão, mas geralmente a sistêmica são piores, são mais difíceis de combater. ● Os principais mecanismos de doenças autoimunes são do sistema humoral→ autoanticorpos. ○ Controlamos melhor respostas celulares que atacam o próprio. ○ Mas também tem respostas celulares para troca de classe de anticorpos→ Linfócitos T auxiliares→ resposta contra peptídeos, auxilia na troca de classe. ● Doenças sistêmicas: esclerose múltipla, artrite reumatóide, vitiligo. ● Não tem cura, apesar de ter tratamento. Isso pois os autoantígenos são persistentes e uma vez que a resposta imune se inicia muitos mecanismos de amplificação são ativados e perpetuam a resposta. ○ Além de que quando ocorre o dano no tecido pelos autoantígenos ocorre alteração de outros antígenos teciduais, ativação de linfócitos específicos para esses antígenos e exacerbação da doença. ● Não necessariamente doenças autoimunes causam inflamação. Doenças órgão-específicas 11 ● Dano celular direto por células T ou autoanticorpos (podem inflamar ou causar distúrbios estimulando ou bloqueando processos inflamatórios): Tireoidite de Hashimoto, diabetes tipo I (destruição das células B do pâncreas que param de produzir insulina e causam hiperglicemia), anemias autoimunes, síndrome de goodpasture. ○ Características principais: inflamação, destruição celular, etc. ● Estímulo ou bloqueio por anticorpos (ac): doença de graves e miastenia gravis ○ O mecanismo não é inflamatório, pode até ser uma consequência, mas o que é a causa principal é estímulo ou bloqueio de mecanismos fisiológicos. Doenç� d� Grave� ● A hipófise produz o hormônio estimulante de tireóide que é reconhecido por um receptor na tireoide que estimula ela a produzir seus hormônios. ● Normalmente existe um mecanismo de feedback: quando tem muitos hormônios eles agem na pituitária dizendo para ela parar de produzir o hormônio estimulante da tireóide. ● A doença age no receptor do hormônio, os anticorpos se ligam nele e causam a superprodução de hormônios da tireóide→ hipertireoidismo. ● Além disso, ainda impede o mecanismo de feedback negativo, causando quadro de hipertireoidismo. ● Clínica: emagrecimento, exoftalmia. ● Nesse caso o autoanticorpo estimula um processo fisiológico Miasteni� gravi� ● Bloqueia com autoanticorpos um processo fisiológico, causando pálpebra caída. ● Normalmente tem sinapse química com acetilcolina e seu receptor no músculo para gerar contração muscular. ● O autoanticorpo tem tropismo com o receptor de acetilcolina e se liga nele competindo com a acetilcolina→ como se pavimentasse os receptores. ● Dessa forma a acetilcolina não liga e não ocorre ativação muscular, diminui a gestão do músculo que não contrai. 12 ● Doenças sistêmicas ● Geralmente o mecanismo é inflamatório→ auto-anticorpos e células T. ● Ex: esclerose múltipla, lúpus eritematoso e artrite reumatoide. Lúpu� eritemat�s� ● Normalmente quando apresenta autoantígeno renal para o linfócito TCD4 ele não é ativado e entra em anergia para morrer ● Porém pode haver ativação pelo peptídeo ou mimetismo molecular e esse linfócito TCD4 autorreativo interage com linfócito B para ativação T-dependente e troca de classe. ● Esses linfócitos, ativados pelo mesmo autoantígeno, se encontram no meio do órgão linfóide secundário, onde o B vai interagir e estimular a produção de citocinas pelo TCD4 para que ele possa trocar de classe de anticorpos. ● O autoanticorpo se liga no rim, ativa cascata de complemento e destrói o tecido renal. Essa destruição causa liberação de outros antígenos e mediadores inflamatórios causando inflamação sistêmica. ● Ocorre ainda mais apresentação de autoantígenos e expansão clonal do linf TCD4. ● Essa inflamação muito grande faz a morte das células no entorno→ estresse causa a apoptose. ● Algumas células não fazem todos os processos da apoptose (para não deixar nada vazar da célula) e liberam todos os seus conteúdos internos, causando inflamação intensa. 13 ● Alguns corpos apoptóticos errôneos (que não foram empacotados direito) são reconhecidos pelo linf B e estimulam ainda mais a produção de autoanticorpos. ● O linf B apresenta esse autoantigeno para o T e causa de novo a produção de autoanticorpos→ prevalece os imunocomplexos, pois tem tantos autoanticorpos que eles polimerizam com os autoantígenos formando complexo→ hipersensibilidade tipo III, deposição deles no endotélio celular, recrutamento de células e inflamação do local→ progressão rápida. ● 14