Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

I. Doenças Gengivais
Todas as Gengivites (doenças gengivais) apresentam algumas características em comum:
1) Sinais e sintomas confinados na gengiva;
2) Biofilme inicia e/ou aumenta a severidade da lesão;
3) Sinais clínicos de inflamação:
· Aumento dos contornos gengivais - edema ou fibrose,
· Mudança de cor - vermelho ou vermelho vivo,
· Elevada temperatura sulcular,
· Sangramento espontâneo ou estimulado, 
· Aumento do fluido gengival;
4) Ausência de perda de inserção ou nível de inserção estável em um periodonto reduzido;
5) Reversibilidade da doença pela remoção do fator etiológico;
6) Possível precursor de perda de inserção em torno do dente.
Essas lesões podem ser classificada quanto a extensão como:
1. Localizada: 30% dos sítios envolvidos;
2. Generalizada: > 30% dos sítios envolvidos;
II. Periodontite Crônica
A periodontite crônica (assim como todas as periodontites) apresentam características clínicas semelhantes à gengivite mas com algumas característica específicas:
1) Inflamação gengival
2) Sangramento à sondagem
3) Perda clínica de inserção
4) Bolsas periodontais
5) Retração gengival
6) Reabsorção óssea
7) da mobilidade
8) Surtos de atividade variam de paciente para paciente, e no mesmo paciente em diferentes faces de dentes, pelo tipo de doença, quantidade de perda em cada surto.
Em especial, a Periodontite Crônica apresenta as seguintes características:
1) Ocorre em adultos (> prevalência), e adolescentes
2) Quantidade de destruição relacionada a fatores locais
3) Cálculo supra / subgengival presentes
4) Padrão microbiano variável
5) Surtos de progressão lento a moderado, às vezes progressão rápida
6) Classificada pela extensão e severidade
7) Fatores predisponentes locais - dente ou fatores iatrogênicos
8) Associada com doenças sistêmicas diabetes mellitus, HIV
9) Influenciada pelo fumo e stress
Assim como a Gengivite, a Periodontite Crônica pode ser classificada conforme a Extensão:
A. Localizada - < 30% dos elementos envolvidos;
B. Generalizada - > 30% dos elementos envolvidos;
Mas também podem ser classificadas segundo a Severidade:
· Leve - Perda clínica de inserção de 3 mm
· Moderada - Perda clínica de inserção de 5 mm
· Severa - Perda clínica de inserção _ 7 mm
· Complicada – Presença de defeitos infra-ósseos, reabsorção óssea vertical, lesões de furca.
III. Periodontite Agressiva
Diferentemente da Periodontite Crônica a Periodontite Agressiva possui uma predileção por jovens e uma rápida progressão da doença. A Classificação mostra os seguintes sinais:
1) Pacientes saudáveis, exceto pela presença da periodontite.
2) Rápida perda de inserção e de destruição óssea
3) Característica hereditária
4) Depósitos microbianos são inconsistentes com a perda de inserção.
5) Proporções elevadas de Porphyromonas gingivalis e A. actinomycetemcomitans
6) Anormalidades nos fagócitos
7) Hiper resposta macrófagos, elevados níveis de prostaglandina E2 (PGE2) e interleucina 1(IL-1 )
8) Perda de inserção auto provocada
Esse doença também pode ser classificada quanto a Extensão, contudo de uma forma diferente da Periodontite
Crônica:
A. Localizada - Próximo da puberdade, Resposta com anticorpos à microbiota, Perda de inserção no 1º molar, e incisivos.
B. Generalizada - Episódios pronunciados de perda de inserção, Afeta além de 1ºs molares e incisivos, outros dentes permanentes, Afeta pessoas com menos ou mais de 30 anos, ou mais velhos, Resposta com anticorpos à microbiota.
No entanto, a classificação quanto a Severidade apresenta as mesmas divisões:
· Leve - Perda clínica de inserção de 3 mm;
· Moderada - Perda clínica de inserção de 5 mm;
· Severa - Perda clínica de inserção _ 7 mm;
· Complicada – Presença de defeitos infra-ósseos, reabsorção óssea vertical, lesões de furca;
IV. Periodontite como manifestação de doença sistêmica
Essa classe de Periodontite apresentam uma característica única. Nessas doenças, o indivíduo apresenta uma importante alteração sistêmica que levou a ocorrência de destruição dos tecidos periodontais. Esse indivíduos normalmente apresentam síndromes ou distúrbios severos e em alguns casos fatais.
Essas alterações podem ser divididas em:
1) Distúrbios Hematológicos
2) Fatores Genéticos
V. Doenças Periodontais Necrosantes
As doenças necrosantes são divididas em Gengivite Ulcerativa Necrosante e Periodontite Ulcerativa Necrosante.
GENGIVITE ULCERATIVA NECROSANTE (GUN): Infecção Gengival Aguda, recorrente, de etiologia complexa.
Sua etiologia está sempre relacionada a uma TRÍADE DE FATORES (Bacterianos, Locais e Sistêmicos). Sua característica bacteriana está relacionada a bacilos fusiformes anaeróbios e espiroquetas;
Fatores Locais podem ser considerados gengivite pré-existente, fumo e estresse.
Fatores sistêmicos predisponentes: deficiência nutricional, doenças debilitantes (câncer, aids, discrasias sanguíneas, desordens gastrointestinais), fatores psicossomáticos.
Os sinais clínicos e sintomas são:
1) Necrose da papila gengival (crateras gengivais interproximais, ou também chamada de inversão papilar),
2) Dor;
3) Presença de sangramento gengival espontâneo ou provocado;
4) Regiões de necrose cobertas com pseudomembrana acinzentada;
5) Presença de eritema;
6) Odor fétido,
7) Aumento da salivação.
Podem também apresentar sistemicamente linfoadenopatia local, febre alta, aumento da pulsação, dor de cabeça, insônia, desordens gastrointestinais, perda de apetite, leucocitose, depressão.
Características histológicas – A GUN apresenta um característico aspecto histológico, com diferentes camadas representando o estágio de necrose das células. Essa característica pode ser dividida em:
1) Zona Bacteriana – onde são encontradas as bactérias, com vários morfotipos, incluindo espiroquetas, que são as principais espécies;
2) Zona Rica em Neutrófilos – área com predomínio de neutrófilos em contato com bactérias ,
3) Zona necrótica – Área de desintegração celular e presença de bactérias (espiroquetas e fusiformes);
4) Zona de infiltração por espiroquetas – Tecidos e células bem preservados com presença de espiroquetas, indicando a invasão bacteriana aos tecidos.
PERIODONTITE ULCERATIVA NECROSANTE (PUN)
A Periodontite Necrosante assemelha-se a GUN em diversos aspectos, entretanto apresenta perda de inserção periodontal, diferentemente da gengivite necrosante.
Características: Presença de necrose e ulceração no tecido gengival, pseudomembrana acinzentada, presença de cratera ósseas interproximais, dor espontânea, forte halitose, gosto metálico na boca, aumento da salivação,
sensação de cunha entre os dentes, margem gengival ulcerada contornada por linha eritematosa, sistemicamente pode apresentar linfoadenopatia, febre.
“Não existe suporte científico para classificar GUN e PUN em duas entidades de doenças distintas, provavelmente, a perda de inserção seja o único diferencial entre as duas”
A PUN tem sido utilizada como um marcador para deterioração da resposta imunológica com um valor preditivo de 95% para uma probabilidade de morte nos próximos 24 meses, se não for tratada
VI. Abscessos do Periodonto
Definição: Coleção purulenta localizada numa cavidade, ou no interior dos tecidos devido à destruição tecidual e resposta inflamatória. No Periodonto podem ocorrer 3 tipos de abscessos: Gengival, Periodontal e Periocoronário.
VI. Abscessos do Periodonto
Definição: Coleção purulenta localizada numa cavidade, ou no interior dos tecidos devido à destruição tecidual e resposta inflamatória. No Periodonto podem ocorrer 3 tipos de abscessos: Gengival, Periodontal e Periocoronário.
ABSCESSO GENGIVAL
Definição: Lesão de expansão rápida, dolorosa, localizada e de início súbito. Limita-se a gengiva marginal ou à papila interdental. Geralmente, confinado à gengiva ocorre em áreas anterior e saudáveis.
Características: Abscesso restrito ao tecido gengival ( gengiva marginal livre / área sulco gengival ).
Causa: Resulta da impacção de corpos estranhos, trauma mecânico associado ao acúmulo de placa bacteriana no interior dosulco gengival, relacionado a gengivite pré- existente mas pode ocorrer em áreas sem biofilme;
Sinais clínicos:
· Edema,
· Eritema circunscrito,
· Sem perda de inserção, podendo haver fístula.
· Dor forte, irradiada;
· Desenvolvimento rápido.
ABSCESSO PERIODONTAL
Definição: Abscesso envolvendo as estruturas periodontais de suporte. SEMPRE há a presença de periodontite / bolsa periodontal.
Características: Presença de reabsorção óssea e perda de inserção.
Causa: Resposta inflamatória a presença de bactérias anaeróbias gram negativas em bolsa periodontais pré-existentes, devido principalmente ao fechamento da abertura da bolsa periodontal decorrente de:
a) presença de corpos estranhos;
b) Raspagem traumática;
c) Jato de Bicarbonato utilizado incorretamente;
d) Desequilíbrio da resposta do indivíduo, em especial indivíduos diabéticos;
e) raspagem incompleta e permanência de processo inflamatório em sua porção apical.
Sinais clínicos: - Edema circunscrito e Eritema;
- Fístula;
- Dor forte;
- Presença de bolsas profundas;
- Extrusão Dental;
- Mobilidade Dental;
- Reabsorção Óssea Severa;
ABSCESSO PERICORONÁRIO (PERICORONARITE)
Definição: Acúmulo localizado de exsudato purulento situado na região do capuz pericoronário de um dente parcialmente irrompido. Geralmente localizado na região de terceiro molar inferior.
Características: Inflamação do tecido gengival cobrindo parcialmente a coroa dental de dentes parcialmente irrompidos;
Causa: Acúmulo de biofilme, Restos Alimentares ou trauma à região;
Sinais clínicos: 
Eritema,
Edema,
Supuração,
Trismo;
Dor irradiada,
Halitose.
Alterações sistêmicas: linfoadenopatia, febre e leucocitose.
Complicações: O abscesso pericoronário pode provocar complicações sérias, até mesmo fatais. Podem invadir orofaringe e base da língua, dificultando deglutição, envolvimento de linfonodos submandibulares, cervicais. Pode levar à Angina de Ludwig, Celulite e Abscesso Peritonsilar.
PLANO DE TRATAMENTO PERIODONTAL
Para a realização de qualquer tratamento periodontal deve-se focar na remoção da causa da doença. Alem disso, outros objetivos devem ser buscados:
· Eliminação dos fatores etiológicos locais e sistêmicos.
· Fechamento biológico das bolsas periodontais
· Redução da mobilidade dentária.
· Retorno dos aspectos de saúde gengival.
· Cessar a perda de inserção conjuntiva.
· Cessar a perda óssea.
· Regeneração periodontal
· Oclusão estável não traumatizante
Dessa forma, deve haver uma sequência correta das fases pela qual o paciente deve ser tratado. Essas fases se iniciam pelo atendimento à Emergências. Após essa fase o paciente é introduzido em uma sequência de 4 fases, como segue:
FASES DO PLANO DE TRATAMENTO
1. EMERGÊNCIAS
2. FASE I - TERAPIA INICIAL + TERAPIA BÁSICA
3. FASE II - TERAPIA CIRÚRGICA
4. FASE III - TERAPIA RECONSTRUTIVA (REABILITAÇÃO)
5. FASE IV - TERAPIA DE SUPORTE / MANUTENÇÃO
Para a avaliação dos resultados, de cada fase individualmente, deve-se realizar uma REAVALIAÇÃO. Essa reavaliação deve ser realizada após um período mínimo de cicatrização (3 semanas) e, dependendo do resultado, o paciente é encaminhado para a próxima fase.
O tratamento não necessariamente passa por todas as fases ou segue uma ordem única. Deve ser individualizado para cada caso, dependendo da resposta às primeiras fases e do tipo de doença apresentada.
Após o atendimento das emergências, todos os pacientes iniciam o tratamento pela Fase I, que inclui a Terapia
Inicial e Terapia Básica.
FASE I - TERAPIA INICIAL
OBJETIVO
Iniciar e dar condição para que o paciente controle adequadamente a placa supragengival e reduza a inflamação tecidual.
Passos Básicos
1) Instruções de higiene oral
2) Remoção do cálculo e placa supra
3) Remoção de áreas de retenção de placa
4) Remoção de dentes condenados
5) Modificação de hábitos iatrogênicos
Assim a Terapia Inicial se inicia pelo controle do biofilme supragengival (mecânico e químico), adjunto a remoção de fatores retentores de placa e exodontia de dentes condenados.
AGENTES QUÍMICOS PARA O CONTROLE DO BIOFILME SUPRAGENGIVAL
Embora existam diferentes técnicas de escovação mecânica, certos pacientes necessitam de um controle químico adjunto para um controle efetivo do biofilme.
INDICAÇÃO:
· Pacientes com ausência de coordenação motora,
· Doenças periodontais agudas,
· Período após cirurgias da cavidade bucal,
· Pacientes com alto risco de cárie,
· Pacientes com uso de aparelhos ortodônticos.
OBJETIVO:
Os agentes químicos buscam reduzir quantitativamente o biofilme e também alterar qualitativamente os tipos microbianos. Esse objetivo se da através de vários processos, sendo divididos em agentes antiadesivos (reduzem adesão do biofilme), antimicrobiana (destroem microrganismos), removedora de placa e antipatogênica (reduzem patogenicidade dos microrganismos).
PROPRIEDADES AGENTES QUÍMICOS:
1) Substantividade: capacidade de adsorção nas superfícies, com posterior liberação em níveis terapêuticos.
2) Biodisponibilidade: tempo de permanência da droga na boca.
3) Seletividade: eficácia da substância contra patógenos bucais.
4) Estabilidade: ser estável à temperatura ambiente.
5) Segurança: baixa toxicidade.
6) Sabor: aceitável.
AGENTES
1. CLOREXIDINA
Definição:
· Bis-biguanida catiônica;
· Encontrada na forma de sais de: gluconato, digluconato, acetato e hidroclorido;
· Amplo espectro de ação;
· Bactericida e bacteriostático;
· Substantividade elevada (8 12hs.);
· Retenção: ligações eletrostáticas reversíveis;
· Além da clorexidina, outras bisbiguanidas são alexidina e a octanidina
Ação
Capacidade de permanecer aderida aos tecidos moles e duros da cavidade bucal.
Sua natureza dicatiônica faz com que a molécula se prenda à película por um cátion, deixando o outro livre para interagir com bactérias. Esse outro cátion se liga fortemente às membranas das células bacterianas. Em baixa concentração aumenta a permeabilidade com perda de componentes intracelulares, já em alta concentração causa precipitação do citoplasma bacteriano e morte celular. Possui efeito imediato e residual. Sua ação é 80% efeito bactericida imediato e sua ação residual – é bacteriostática.
Após o bochecho, 67% da solução é expectorada, 30% retida (película adquirida, proteínas salivares, mucosa bucal, compete com íons cálcio) e 3% engolida.
Forma de Uso
Bochechos de Solução de Digluconato de clorexidina 0,12%.
15ml – 1min. – 2x/dia (12/12 hr)
IMPORTANTE: Intervalo entre aplicação e escovação de 30 minutos, íons livres de monofluorfosfato de sódio, e lauril sulfato de sódio nos dentifrícios reduzem ação e retenção da clorexidina.
Efeitos Colaterais
Provoca manchamento nos dentes e restaurações, coloração da língua, descamação da mucosa, alteração do paladar, maior formação de cálculo, tumefação da parótida.
2. ÓLEOS ESSENCIAIS
Definição:
· Compostos oleosos com potencial bactericida e antiinflamatório.
Compostos: Mentol, Eucaliptol, Hexasorcinol, metilsalicilato, entre outros.
Ação
· Rompe a parede celular bacteriana
· Inibe enzimas bacterianas
· Efeito antiinflamatório (< COX)
· Diminui a quimiotaxia de neutrófilos
Efeitos Colaterais:
· Sensação de queimação (álcool – 26,9%)
· Gosto amargo
· Possibilidade de manchamento dos dentes
· Irritação aos tecidos
Vantagem: Reduz índice de placa em 20 a 34%, reduz gengivite 28 a 34% com uso 02 vezes ao dia após a escovação.
Desvantagem: baixa substantividade.
COMPOSTOS FENÓLICOS: TRICLOSAN
Definição:
· Não iônico
· Amplo espectro de ação (Gram+ ; Gram- ; fungos)
· Baixa toxicidade
· Retentividade aumentada em associação a outros elementos químico
· Biodisponibilidade é veículo-dependente
EFETIVIDADE: Quando associado a sais de Zinco ou copolímeros ou Gantrez® promovem redução de até 30% do acúmulo de biofilme dental e Redução da gengivite variando de 20 a 75%.
AGENTES OXIDANTES
Compostos: Peróxido de hidrogênio e Peroxiborato de sódio;
Ação
· Afetam componentes celulares (DNA e membrana lipídica) dos microrganismos anaeróbios, através da liberação de oxigênio ativo e de radicaisde hidroxila
· Efeito físico na remoção do biofilme
Efeitos Colaterais:
· Queimaduras;
· Irritação dos tecidos bucais;
· Uso desordenado - desequilíbrio da microbiota bucal
COMPOSTOS QUATERNÁRIOS DE AMÔNIA:
· Composto monocatiônico
· Efetivo contra Gram +
· Aumenta permeabilidade celular - Bactericida
· Baixa substantividade
Compostos: Cloreto de cetilpiridineo 0,05% em veículo alcoólico 18% e Cloreto de Benzalcônio 0,05% ou 0,1%
Desvantagens: substantividade média, manchar superfícies dentais, sensação de queimação. Bochechos duas vezes ao dia, não são aceitos pela ADA, não reduziu placa e gengivite quando comparado a um placebo.
FLUORETOS:
INDICAÇÃO
Prevenção de cárie e tratamento da hipersensibilidade dentinária.
O Fluoreto estanhoso pode ser utilizado por seu efeito antimicrobiano (anti-placa e anti-gengivite), porém, menor do que a clorexidina. Contudo, seus efeitos colaterais são: gosto amargo e pigmentação da superfície dental.
HALITOSE ou MAU-HÁLITO
Um dos focos do controle do biofilme é a redução da halitose.
Definição: Odor desagradável do ar exalado. Não necessariamente apresenta origem bucal. Para ser de origem oral necessita da indicação de Mau hálito BUCAL.
Pode ser: Transitório = associado a períodos de jejum, em especial pela manhã, e influenciado por fatores como redução do fluxo salivar durante a noite.
Permanente = não associado à períodos específicos e está presente durante todo o período do dia, podendo levar a problemas sociais e fobias.
CAUSAS
A maioria (quase 90% em alguns estudos) tem origem oral: gengivite, periodontite e língua saburrosa. Contudo há um papel do acúmulo do biofilme, contribuindo para a ocorrência do mau-hálito.
Algumas bactérias (em especial GRAM negativos anaeróbios) são capazes de produzir compostos como sulfeto de hidrogênio e metilmercaptana, que mostraram relação com o odor fétido. Esses compostos são Compostos Sulforados Voláteis (CSV) e são o principal método de detecção e quantificação do mau-hálito.
Dessa foram, esses compostos são encontrados em grande quantidade na bolsa, sulco gengival e fluido crevicular gengival.
NOTA IMPORTANTE: Para que o CSV possa ser “sentido”, precisa haver sua volatilização (por isso o nome compostos voláteis). Essa é a explicação para que haja uma relação da xerostomia com o mau-hálito.
Esses CSV também auxiliam na progressão da doença, criando um ciclo de produção destes. Além da bolsa e sulco gengival, a língua é também responsável pela presença dos CSV e mau-hálito. No dorso da língua se acumulam células mortas e descamadas, restos de alimentos, bactérias, proteínas plasmáticas, entre outros
produtos que serão quebrados (processo de putrefação) pela ação de bactérias comensais, produzindo e liberando CSV. Em pacientes com língua saburrosa, esse acúmulo é maior, justificando o maior mau-hálito.
Além do enxofre, outros produtos envolvidos: cadaverina, escatol e indol (os quais não contém enxofre).
PROTOCOLOS DE TRATAMENTO DAS ALTERAÇÕES PERIODONTAIS
GENGIVITE ASSOCIADA A PLACA
O tratamento das gengivites associadas a placa usualmente são resolvidas apenas com a FASE I e em seguida o paciente deve ser encaminhado para a FASE IV (Manutenção).
FASE I – Terapia Inicial
1) Orientação e Motivação de Técnica de Escovação para o Paciente
2) Técnica de Bass Modificada ou Técnica de Stillman Modificada
3) Remoção dos fatores de retenção de placa bacteriana:
· depósitos de cálculo supragengival
· excessos de restaurações/ próteses
· selamento de cavidades
Terapia Básica
A raspagem e alisamento SOMENTE é indicada se houver cálculo subgengival, normalmente associado a aumentos gengivais ou pseudobolsas.
PERIODONTITE CRÔNICA, AGRESSIVA e MANIFESTACAO DE DOENCAS SISTEMICAS
O tratamento das periodontites inicia-se da mesma forma que o tratamento das gengivites associadas a placa. Faz-se a
FASE I, com necessidade de Terapia Inicial e Básica, e na reavaliação toma-se a decisão para a próxima fase. Caso tenha sido conseguida saúde periodontal, encaminha-se o paciente para a FASE IV (Manutenção). 
Caso o sucesso tenha sido parcial, pode-se optar pela FASE II (Cirurgias Periodontais). Ao fim da FASE II, com o restabelecimento da saúde periodontal, faz-se o encaminhamento do paciente para a FASE IV (Manutenção).
FASE I – Terapia Inicial
1) Orientação e Motivação de Técnica de Escovação para o Paciente
2) Técnica de Bass Modificada ou Técnica de Stillman Modificada
3) Remoção dos fatores de retenção de placa bacteriana:
· depósitos de cálculo supragengival
· excessos de restaurações/ próteses
· selamento de cavidades
Terapia Básica
A raspagem e alisamento pode ser realizada com os diferentes instrumento - sem acesso cirúrgico - associada ou não a irrigação com soro fisiológico, iodo ou gluconato de clorexidina a 0,12%;
FASE II – Somente se necessário.
FASE IV – Manutenção.
OBS: No caso das periodontites agressiva e manifestação de doenças sistêmicas, pode-se utilizar antibioticoterapia associada a terapia mecânica para aumentar o sucesso do tratamento, visto que nesses casos espera-se um resultado pior.
ABSCESSO GENGIVAL
Por tratar-se de uma condição aguda, o tratamento do abscesso gengival não se inicia pela FASE I e sim segue os seguintes passos:
1) Drenagem via sulco;
2) Remoção do elemento estranho;
3) Curetagem;
4) Bochecho de água morna e sal (Herrera et al., 2000);
5) Controle químico de placa;
ABSCESSO PERIODONTAL
Da mesma forma que no abscesso gengival, trata-se de uma condição aguda. Faz-se então:
1) Drenagem via sulco;
2) Raspagem e alisamento radicular;
3) Cirurgia de acesso;
4) Bochecho de água morna e sal (Herrera et al., 2000);
5) Controle químico de placa;
6) Antibioticoterapia (no caso de envolvimento sistêmico);
ABSCESSO PERICORONARIO
No caso do abscesso pericoronário, faz-se o tratamento em duas fases: Tratamento da fase aguda e da fase crônica.
Tratamento da Fase Aguda
1) Descontaminação delicada
2) Curetagem
3) Irrigação
4) Controle químico de placa
5) Antibioticoterapia (env. sistêmico)
Com a melhora da inflamação e sintomatologia, faz-se o tratamento da fase crônica.
Tratamento na fase crônica
1) Remoção tecido pericoronário (cunha distal)
2) Extração dental
GENGIVITE ULCERATIVA NECROSANTE
Da mesma forma que nos abscessos, trata-se de processos agudos. Faz-se então um atendimento imediato e um tratamento tardio, ou da fase crônica.
Tratamento Imediato
1) Descontaminação suave manual e ultra-sônica (biofilme, cálculo supragengival, pseudomenbrana)
2) Irrigação subgengival com água oxigenada 10v diluída em soro fisiológico (3:1)
3) Prescrição de bochecho de água oxigenada diluída em água (2:1) até a remissão dos sintomas (4X/dia) e de Digluconaco de Clorexidina 0,12%, por 2 a 3 semanas.
Na fase crônica:
1) Intensificação do controle de placa supra e subgengival através de higiene oral e instrumentação periodontal;
2) Caso necessário, melhora do contorno gengival por meio de gengivectomia / gengivoplastia;
3) Em alguns casos indicar tratamento medico para complemento nutricional.
PERIODONTITE ULCERATIVA NECROSANTE
Tratamento da fase aguda:
· Remoção da pseudomembrana, placa bacteriana e tecido necrosado com instrumentos manual ou ultra-som,
· Controle de placa químico (clorexidina).
Tratamento da fase crônica:
1) Controle mecânico da placa bacteriana;
2) Raspagem e alisamento radicular,
3) Correção estética cirúrgica, se necessário.
LESÃO ENDODÔNTICA – PERIODONTAL:
O tratamento das lesões endo-perio dependem do diagnóstico do dente:
Para Lesões Endodôntica Primária Periodontal Secundária, faz-se o tratamento endodôntico e aguarda o período de cicatrização. Nesses casos é esperado redução total ou parcial da bolsa periodontal. Caso a redução seja parcial, faz-se
a raspagem e alisamento radicular. Para Lesões Periodontal Primária ou C
Para Lesões Periodontal Primária ou Combinadas, não é necessário aguardar o período de cicatrização pois a doença periodontal foi o principal, ou adjunto, fator etiológico. Assim, faz-se o tratamento endodôntico e o tratamento periodontal
sem aguardaro período de reparo.