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4Gestão Avançada da Organização

Guia sobre Gestão Avançada das Organizações que aborda o papel do gestor em mercados globalizados, globalização e dinâmica de mercados, modelos de negócios sustentáveis; inclui módulos objetivos e exemplos de internacionalização (Gerdau, JBS, Tigre), Deloitte e referência a Bauman.

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Gestão Avançada da Organização
Prof.ª Keila Regina Mota Negrão
Descrição
O papel do gestor nos mercados globalizados. Análise das relações de negócios e perspectivas
organizacionais na contemporaneidade. Apresentação de modelos de gestão sustentável.
Propósito
Compreender as tendências que permeiam o ambiente organizacional na atualidade permite ao gestor
ampliar sua visão de mercado e identificar novas oportunidades de negócios.
Objetivos
Módulo 1
Ambiente global
Reconhecer a dinâmica dos mercados globalizados.
Módulo 2
Negócios sustentáveis
Identificar modelos de negócios sustentáveis.
Introdução
Para falar de Gestão Avançada das Organizações, precisamos entender antes sobre globalização.
Você já ouviu falar em globalização?
Esse é um fenômeno mundial que tem mudado a sociedade nos âmbitos social, econômico, político e
cultural. Com a globalização, ocorre a redução das fronteiras existentes entre os países e há o estímulo à
interação entre eles a partir de trocas culturais, compartilhamento de ideais e acordos econômicos.
Quando a globalização começou?
A seguir, você entenderá quando a globalização teve início e quem são os participantes desse mundo global.
Vamos lá!

1 - Ambiente global
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a dinâmica dos mercados globalizados.
O papel do gestor nos mercados globalizados
Contexto da globalização
Veja o diálogo a seguir que demonstra, de forma realista e criativa, eventos que configuram o contexto da
globalização — alto grau de abertura de mercados e relacionamentos interfronteiras.
O que é globalização?
Confira quando a globalização teve início e quem são os participantes desse mundo global.
Viu como em apenas um acontecimento identificamos a presença de diferentes países? Isso é globalização!
Esse é um fenômeno que está em constante evolução e, como resultado, tem favorecido a presença de
empresas cada vez maiores e capazes de atuar em vários continentes. Surgem, então, verdadeiros impérios
econômicos que se expandem sem limites, fazendo com que a internacionalização passe a ser vista como
uma oportunidade. Consultorias têm sido contratadas para avaliar o panorama dos mercados nacional e
internacional, e acompanhar a movimentação deles e dos governos em todo o mundo.
Exemplo
A Deloitte é um exemplo desse tipo de consultoria. Ela é uma empresa de serviços sediada em Nova York
que possui 700 escritórios em mais de 150 países e cerca de 312.000 profissionais.
A Deloitte se propõe a oferecer uma visão abrangente sobre o pensamento e as intenções do empresariado
nacional, bem como sinalizar as prioridades para o governo quanto à definição de políticas públicas que
impactam a atividade econômica e empresarial, e indicar movimentos e tendências que podem ser

consolidadas a médio e longo prazo, impactando o rumo das organizações e a dinâmica do ambiente de
negócios.
Os resultados gerados por pesquisas desse porte, além de possuir uma amostra relevante, tendem a
orientar as ações estratégicas das empresas a nível local, nacional e internacional.
Quando se acompanham as sinalizações dos governos, os posicionamentos dos blocos econômicos e das
empresas globais e as tendências mercadológicas, é possível pensar em possibilidades de expansão das
relações de negócios, priorizando ações que gerem vantagem competitiva, sem esquecer da
responsabilidade econômica, ambiental e social que cada empresa possui.
Bauman (1999) aponta que a globalização não diz respeito ao que as pessoas ou os gestores desejam ou
esperam, e sim ao que está acontecendo a todos nós, independente do nosso livre arbítrio. Não há como
fugir desse fenômeno. Dessa forma, novos desafios se apresentam à gestão das organizações:
auman
Zygmunt Bauman (19250-2017) foi um sociólogo polonês. Iniciou os seus estudos na Universidade de Varsóvia,
vindo a atuar, posteriormente, na Universidade de Leeds como professor titular. Escreveu diversas obras sobre a
sociedade contemporânea.
Fonte: Frazão, D. (2019)
Com essas ações, é possível que o gestor aproveite as oportunidades proporcionadas pela globalização e
possa se preparar da melhor forma possível para os efeitos negativos desse fenômeno.
Expansão das relações de negócios
Para compreender essa movimentação de mercado proporcionada pela globalização, convidamos você a
conhecer algumas empresas brasileiras que se internacionalizaram junto com a globalização:
Produtos Gerdau.
Gerdau
Essa siderúrgica, originada em Porto Alegre, detém a posição de maior empresa da Região Sul e atua em
12 países nas Américas, Europa e Ásia.
Marcas JBS.
Grupo JBS
Fundada em Goiás, a empresa abrange marcas como Leco, Vigor e Friboi. É considerada uma das maiores
indústrias alimentícias do mundo, operando nos EUA, Austrália, Canadá, México, Porto Rico, entre outros
países.
Produtos Tigre.
Tigre
De Santa Catarina, é uma das empresas brasileiras mais poderosas, presente em mais de trinta países,
liderando a fabricação e distribuição de tubos e conexões.
Produtos Natura.
Natura
Empresa paulista que expandiu sua atuação para a Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Venezuela,
França e EUA, tendo sido premiada por sua visão empreendedora pelo PNUMA (Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente).
Da mesma forma que empresas nacionais expandiram seus negócios para fora do país, outras empresas
estrangeiras também fizeram o mesmo movimento e mantêm unidades em nosso território. Veja alguns
exemplos:
Ford Galaxie 500.
Ford
Uma das primeiras empresas a chegar ao Brasil junto com outras montadoras de veículos, como
Volkswagen e GM. A subsidiária brasileira iniciou as operações em 1919 e lançou o primeiro automóvel, o
Ford Galaxie 500, em abril de 1967.
Produtos Johnson & Johnson.
Johnson & Johnson
No quesito monopólio, é uma das empresas que mais se sobressai, visto que controla a maior parte do
mercado mundial de higiene, atuando em mais de noventa países. No Brasil, está presente nos segmentos
farmacêutico e médico-hospitalar, além de atender o consumidor final.
Produtos Microsoft.
Microsoft
Fundada em 1989, a filial brasileira possui onze escritórios e gera oportunidades para milhares de outras
empresas e profissionais, além de se destacar pela responsabilidade social que assume em projetos
voltados para a comunidade.
Cartão Visa.
Visa
Presente no Brasil desde 1971, deu início a suas atividades junto ao Bradesco. A partir de 1986, passou a
funcionar por conta própria, oferecendo soluções para pagamentos. Atualmente, o foco da empresa são
as moedas digitais.
Produtos Nestlé.
Nestlé
De origem suíça, é uma das maiores empresas com atuação no setor de alimentos e bebidas do Brasil,
desde 1976.
As empresas transnacionais são o último estágio de um longo processo de internacionalização da
economia, que teve seu início no fenômeno da globalização ao final do século XX. Elas surgiram devido às
seguintes demandas:
Usar mão de obra barata.
Controlar mercados e facilitar exportações.
Controlar fornecedores de matérias-primas.
Eliminar barreiras alfandegárias.
Ampliar a capacidade de inovação.
Organizações transnacionais
Características das empresas transnacionais
O que as empresas transnacionais possuem em comum?
Elas possuem uma estrutura mais dispersa, pulverizando o capital acionário. As suas filiais têm mais
autonomia e seus produtos podem ser adaptados para atender às peculiaridades dos países onde estão
instaladas. A Shell é um exemplo de empresa transnacional.
Como você pode perceber, a globalização impulsionou a internacionalização das empresas, proporcionando
inúmeras vantagens às organizações. Vejamos quais são:
A aproximação das fronteiras associada à facilidade de comunicação proporcionada pela internet,
possibilita a compra de produtos a partir de qualquer lugar do mundo. Atualmente, somos 120 milhões de
brasileiros conectados à internet. Jovens, brasileiros e norte-americanos podem usar a mesma marca de
tênis. Pessoas em qualquerlugar do mundo podem ouvir a mesma música. Um programa de televisão pode
Livre comércio de mercados
Avanços tecnológicos
Melhores opções de alocação de recursos
Compartilhamento de tecnologias
Barateamento de produção
Maior mobilização de pessoas em torno de questões importantes e difusão de culturas.
ser realizado em vários países. É só pensar nos programas de culinária ou nos shows de talentos que você
assiste na TV ou no smartphone.
Exemplo
O Spotify, famoso aplicativo sueco de streaming de música e um dos maiores serviços de áudio online, que
conta com uma comunidade de mais de 400 milhões de usuários no mundo, de acordo com relatório da
empresa no fim de 2021.
A circulação de produtos, caracterizada pela rapidez, possibilita que uma pessoa compre produtos da China
ou de outros países com facilidade e pague como quiser. Além disso, é possível ter acesso a marcas que
antes eram disponibilizadas apenas em pontos específicos. Esses recursos abriram novas fronteiras de
negócios para as organizações.
A globalização, no entanto, não traz apenas benefícios; é importante destacar os pontos negativos
decorrentes do mundo globalizado em que vivemos:
Menor controle de �uxos �nanceiros
Maior possibilidade de crises
Interdependência �nanceira entre os países
Alta volatilidade de capitais e hegemonia cultural
De acordo com Saroldi (2011), essa hegemonia cultural ocorre porque, uma vez que toda troca de
mercadorias tem como pano de fundo determinada cultura, nunca se trata apenas de transferência de
produtos e sim de ritos e hábitos culturais. As fronteiras organizacionais ultrapassam os fatores comerciais
atrelados a um produto ou serviço. O consumidor adquire também um conjunto de valores, crenças,
tradições e hábitos de determinada cultura.
Qual é o resultado disso tudo?
Todos comem as mesmas comidas, vestem-se do mesmo jeito, usam as mesmas frases e assistem ao
mesmo seriado! A Netflix é um exemplo da relação entre globalização e cultura.
Por falar em globalização da cultura, você reconhece a frase a seguir?
“Lidere seu exército e esmague o inimigo! O Trono de Ferro é seu por direito! O inverno
está chegando.”
Se sim, provavelmente foi um dos milhões de fãs que assistiram à famosa série Game of Thrones! O que,
para alguns, é sinal de liberdade para escolher; para outros, significa homogeneização cultural. Para
perceber isto, basta olhar para os lados e você verá que esse fenômeno faz parte dos mercados
globalizados.
Perspectivas organizacionais na contemporaneidade
Uma pesquisa realizada pela ADP (2016) contou com a participação de 2 mil funcionários de empresas.
Essas organizações possuíam 250 ou mais empregados no Brasil, Estados Unidos, Canadá, México, Chile,
Reino Unido, França, Alemanha, Holanda, Austrália, China, Índia e Cingapura. Com esse estudo, foi possível
indicar as cinco principais tendências que afetarão o ambiente de trabalho global nos próximos anos. São
elas:
DP
É uma empresa global que oferece soluções de tecnologia para a Gestão do Capital Humano e da Folha de
Pagamento. Atende mais de 740 mil clientes em mais de 140 países.
Fonte: Site da ADP
Liberdade
Poder de escolha sobre como, onde e em que horário trabalhar. É a hora e a vez do trabalho remoto.
Conhecimento
Adoção da tecnologia como o principal instrumento de aprendizado e registro de novos conhecimentos no
meio corporativo.
Estabilidade
Menos emprego e mais empregabilidade, com profissionais atuando sob demanda, e não por contratos de
longo prazo.
rabalho remoto
É uma tendência cada vez mais incorporada por empresas e profissionais do meio corporativo. Em linhas
gerais, o trabalho remoto significa trabalho a distância e pode ser realizado em qualquer lugar. Você decide
onde quer trabalhar.
Para conhecer um pouco mais sobre essa modalidade de trabalho, leia o artigo Times remotos: o que aprendi
liderando 25 pessoas no Olist, de Osvaldo Santana, publicado no dia 6 de abril de 2018, no site Endeavor.
ro�ssionais atuando sob demanda
A flexibilização das leis trabalhistas tem sido uma tendência com o surgimento de novas profissões e o
desaparecimento ou automação de outras. A Accenture — multinacional que presta consultoria na área de
gestão, tecnologia da informação e outsourcing — realizou um estudo no qual defende a transformação digital
responsável por meio do investimento na educação dos trabalhadores, já que é impossível prever quais serão
as profissões do futuro. A pesquisa também avalia as probabilidades de automação de tarefas rotineiras em
países da América Latina. Além disso, demonstra que as habilidades sociais e cognitivas são cada vez mais
requeridas e devem ser desenvolvidas por quem deseja manter sua empregabilidade em alta.
Autogestão
O protagonismo do profissional no trabalho e o desafio de gerenciar sua própria carreira.
Signi�cado e propósito
O salário não será o fator decisivo para reter o profissional se a atividade não estiver conectada às
aspirações pessoais e ao propósito da pessoa.
Você deve ter percebido que essa pesquisa apresenta novos formatos, tanto para as organizações quanto
para os profissionais nos ambientes globais e confirma a possibilidade de se fazer negócios de elevada
escalabilidade. O fato é que o ambiente global e a Indústria 4.0 mudaram a forma como consumimos
produtos e serviços.
Indústrias inteiras estão sendo afetadas. É difícil encontrar alguém que nunca tenha usado serviços de
economia compartilhada, responsáveis por movimentar a economia, conectar pessoas e facilitar a vida de
todos nós. Veja, a seguir, alguns dos serviços mais utilizados.
ndústria 4.0
Também chamada de Quarta Revolução Industrial, é a aplicação da tecnologia no mundo de negócios,
geralmente associada à inteligência artificial, robótica, computação em nuvem ou internet das coisas.
Uber
Empresa que oferece serviço
de transporte privado.
Airbnb
Empresa que oferece serviço
on-line de hospedagem.
IFood
Empresa que oferece serviço
de entrega de comida.
Perceba que a quebra das barreiras e limites organizacionais abriu espaço para outras possibilidades de se
fazer negócios. Bauman (1999) afirma que, se a globalização tanto divide como une, para essas empresas,
escolher a colaboração fez muito mais sentido; afinal, nenhuma organização sobrevive de forma isolada.
O movimento de cooperar para competir no ambiente empresarial tem relação direta
com a busca de estratégias mais e�cientes, e as empresas já descobriram que essa
jornada colaborativa pode ser um caminho para a manutenção da vantagem
competitiva sustentada.
(PORTER, 2009, n.p.)
A seguir, você encontrará uma situação e, diante dela, deverá tomar uma decisão. Vamos lá!
Considerando o seu perfil e as características dos trabalhos remoto e alocado, qual emprego você
escolheria?
O trabalho remoto proporciona inúmeros benefícios, entre eles, o de trabalhar de sua casa ou em um
coworking (espaço alugado para que pessoas de diferentes empresas possam exercer as suas
funções). Algumas empresas que já aderiram ao trabalho remoto, inclusive, disponibilizam aos
funcionários os recursos financeiros necessários para que ele monte o seu escritório em casa, ou
alugue um espaço para desenvolver as suas atividades.
Para alguns profissionais, esta modalidade de trabalho também oferece mais comodidade,
flexibilidade e qualidade de vida. Essa tendência já chegou e veio para ficar. O Brasil é considerado
Trabalho remoto 
um dos países em que o número de trabalhadores, nessa modalidade, mais cresce. É a hora e a vez
do trabalho remoto.
No trabalho alocado, você tem o benefício de trabalhar com uma equipe reunida, e a facilidade de
tomar as decisões necessárias, para a realização das atividades, de forma rápida – uma vez que
todos estão reunidos em um mesmo local. Nessa modalidade, as pessoas tendem a desenvolver um
espírito de equipe, criando um ambiente colaborativo.
Trabalho alocado 
Empregabilidade e mercado de trabalho
Confira agora as tendências do mercadode trabalho.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Empresas que conseguem expandir as relações de negócios, adotando uma estrutura mais flexível,
pulverizando o capital acionário e dando autonomia a suas filiais para adaptação de produtos e serviços
às particularidades do país onde atuam, são denominadas:
A Multinacionais.
B Transnacionais.
C Internacionais.
D Nacionais.
Parabéns! A alternativa B está correta.
As empresas transnacionais conferem mais autonomia às suas filiais, adaptam o produto às
peculiaridades de outros países e têm uma estrutura mais dispersa.
Questão 2
Uma das tendências de expansão das relações de negócios na contemporaneidade é a chamada
economia compartilhada (Uber, AirBnB, Rappi, Ifood e Yellow). Esse modelo se refere:
E Unidades de negócio.
A
ao compartilhamento do acesso a bens e serviços com base em processos
colaborativos.
B
a negócios que conectem trabalhadores/freelancers ao home office, de acordo com a
necessidade das empresas, gerando economia tanto para o empregador quanto para os
colaboradores.
C
à adoção de estruturas que permitem a uma empresa transferir para outra suas
atividades principais, reduzindo a estrutura operacional e desburocratizando a
administração.
D
a um contrato de cessão de um fator de produção de uma empresa para outra, cujo
objetivo principal é a redução de custos.
E à terceirização das atividades principais de uma organização privada.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Investir em negócios que priorizem a economia compartilhada pode ser uma excelente opção no
mercado globalizado.
2 - Negócios sustentáveis
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car modelos de negócios sustentáveis.
Características de negócio sustentável
Sustentabilidade corporativa
Já percebeu como, em determinados contextos profissionais, as suas decisões podem afetar a vida de toda
uma comunidade, seja de forma positiva ou negativa? Então observe a situação a seguir.
Aconteceu um grande festival de música na sua cidade. Para aqueles que aproveitaram o festival, ficam
boas lembranças. Mas, para toda a comunidade, ao desmontar a estrutura física dos palcos, banheiros e
outras áreas, e seguir viagem para fazer o festival em outras cidades, ficam os resíduos e os transtornos
causados pela situação. Se essa companhia seguisse fazendo festivais de tal forma, em diferentes cidades
ao longo dos anos, quais seriam as consequências? Até quando a companhia conseguiria lucrar, sem ter
que assumir as consequências negativas de sua atividade? É uma situação sustentável, na sua opinião?
Claro que, hoje, até por questões legais, dificilmente, um festival aconteceria dessa forma, pois a empresa
seria obrigada a recolher e dar destino aos resíduos produzidos. Porém, antes do conceito de
sustentabilidade corporativa surgir e do homem perceber a necessidade urgente de pensar no futuro,
festivais como esses e outras situações de falta de responsabilidade socioambiental estavam presentes
nas comunidades em que vivemos.
Imagine que você é o gestor da companhia que organizou o festival e, após o término do evento, percebe
que, no local, restou uma grande quantidade de lixo acumulado. O que você faz diante disso?

Desmonta toda a estrutura e segue viagem.

Reúne uma equipe e faz a limpeza do local.
Como você pode perceber, a situação que vimos é um caso de sustentabilidade corporativa. Sob essa
perspectiva, a empresa passa a assumir uma postura mais comprometida com o meio ambiente e com a
sociedade. A seguir, vamos conhecer as dimensões da sustentabilidade que nos ajudam a determinar se
uma empresa é, de fato, sustentável.
Dimensões da sustentabilidade
Se consultarmos o dicionário, vamos encontrar a seguinte definição para sustentabilidade:
“Qualidade ou propriedade do que é sustentável, do que é necessário à
conservação da vida; conceito que, relacionando aspectos econômicos, sociais,
culturais e ambientais, busca suprir as necessidades do presente sem afetar as
gerações futuras.”
Em 1987, a Comissão Mundial de Meio Ambiente definiu o desenvolvimento sustentável como a capacidade
de satisfazer às necessidades presentes sem comprometer as gerações futuras quanto ao atendimento de
suas próprias necessidades (GOLLO, 2009).
Seguindo essa mesma linha, em 1994, John Elkington lançou o termo Triple Bottom Line - Tripé da
Sustentabilidade, em seu artigo The Triple Bottom Line: What is It and How does it Work?. A proposta do
autor é definir o conceito de sustentabilidade sob as perspectivas econômica, social e ambiental. Dessa
forma, uma empresa sustentável deve desenvolver um negócio que seja:
ohn Elkington
Consultor e autor britânico, mundialmente conhecido por seu trabalho em grandes empresas. Foi um dos
precursores da responsabilidade socioambiental corporativa.
O artigo The Triple Bottom Line: What is It and How does it Work? foi publicado no site IBR Indiana Business
Review.
Conforme diz Luciano Munck (2013), uma empresa efetivamente sustentável precisa ser conduzida
considerando não só o fator econômico, mas também seus impactos ambientais e o relacionamento com
seus colaboradores e demais partes interessadas.
A sustentabilidade é mais do que o simples cuidado com os recursos naturais!
Para que uma organização seja sustentável, é necessário que ela tenha ideias renováveis e gerencie suas
atividades para lucrar de forma responsável, com foco na perpetuação da companhia. Agora reflita:
Será que existem empresas no Brasil que conseguem atender às três perspectivas e atuar de forma
sustentável?
Ao refletir sobre sustentabilidade corporativa, você consegue lembrar de alguma marca nacional?
Se você pensou na Natura, está bem conectado com o tema!
A Natura foi a empresa brasileira que teve a melhor posição (14ª) no ranking do The Global 100 em 2018,
que elencou 100 empresas com as melhores práticas de sustentabilidade corporativa no mundo.
De acordo com Barbosa (2018), para chegar a essa lista, a publicação seleciona empresas de todos os
setores com base em indicadores como energia, emissões de carbono, consumo de água, resíduos sólidos,
capacidade de inovação, pagamentos de impostos, a relação entre o salário médio do trabalhador e o do
CEO, planos de previdência corporativos e o percentual de mulheres na gestão. Vejamos quais foram as
outras empresas brasileiras presentes no ranking do The Global 100 em 2018:
he Global 100
É uma lista da Corporate Knights, publicação canadense especializada em responsabilidade social e
desenvolvimento sustentável. Anualmente, são listadas as 100 empresas com as melhores práticas de
sustentabilidade corporativa no mundo e o resultado é publicado no Fórum Econômico Mundial.
A reportagem com a lista completa das 100 empresas mais sustentáveis foi publicada no dia 29 de janeiro de
2018 por Vanessa Barbosa no site da Revista Exame com o título As 100 empresas mais sustentáveis do
mundo em 2018.
18º lugar
Companhia Elétrica de Minas Gerais (CEMIG)
49º lugar
Banco do Brasil
52º lugar
Engie Brasil Energia
Olhe só que curioso: as empresas brasileiras listadas entre as 100 melhores em práticas de sustentabilidade
corporativa pertencem a diferentes áreas de atuação. Isso nos mostra que não é a natureza do negócio da
empresa que vai viabilizar que ela tenha práticas sustentáveis, e sim a maneira como ela executa suas
atividades e se relaciona com o meio ambiente e com as pessoas do entorno.
Para se tornar sustentável, a empresa precisa repensar não apenas o que faz, mas
também como faz.
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de
Interesse Público) cuja missão é mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem seus negócios de
forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável.
Como você pode perceber, as empresas são vistas como poderosos agentes públicos que têm a
responsabilidadede respeitar os direitos dos cidadãos individuais. Segundo Philippi Jr. (2017), essa é uma
78º lugar
Banco Santander Brasil
tendência global que busca reformular os negócios a partir da adesão e aplicação dos princípios de
sustentabilidade. É um processo que exige o comprometimento das empresas com questões
socioambientais.
Diagnóstico socioambiental
O diagnóstico resulta do estudo e da análise de indicadores e variáveis que caracterizam uma situação.
Realizar o diagnóstico socioambiental permite identificar as necessidades e os problemas prioritários
juntamente com suas respectivas causalidades, além de apontar os recursos e as potenciais oportunidades
de desenvolvimento para melhorar as práticas sustentáveis de uma organização.
“O diagnóstico está diretamente relacionado à estratégia socioambiental adotada pela empresa. Ao avaliar
as demandas sociais e os impactos ambientais, a empresa pode identificar oportunidades e ameaças
ambientais e forças e fraquezas internas para definir as ações urgentes, as medidas corretivas, inovações
de médio e longo prazo na área de atuação e inovações em novos negócios” (BARBIERI, 2016).
O diagnóstico está diretamente relacionado à estratégia socioambiental adotada pela
empresa. Ao avaliar as demandas sociais e os impactos ambientais, a empresa pode
identi�car oportunidades e ameaças ambientais e forças e fraquezas internas para
de�nir as ações urgentes, as medidas corretivas, inovações de médio e longo prazo na
área de atuação e inovações em novos negócios.
(BARBIERI, 2016, n.p.)
Veja a seguir um exemplo de diagnóstico socioambiental:
iagnóstico Socioambiental
A matriz SWOT, conhecida no Brasil como Matriz FOFA, mede as forças (S de strengths), fraquezas (W de
weaknesses) do negócio – fatores internos –, oportunidades (O de opportunities) e ameaças (T de threats) do
macroambiente – fatores externos. Muito utilizada pelas empresas durante o planejamento estratégico e para
novos projetos, ela consiste em uma análise detalhada da situação do negócio no cenário econômico, o que
ajuda o empreendedor na tomada de decisão.
A seguir, veja detalhes sobre cada um dos 4 pontos de análise da matriz SWOT:
Oportuniddes
Entrar em novo mercado.
Estar entre os primeiros a oferecer uma versão ambientalmente correta de um produto tradicional.
Reduzir custos e economizar recursos.
Garantir a sobrevivência da empresa a longo prazo por meio de uma boa imagem em termos ambientais.
Aumentar a performance dos colaboradores com a definição de novos objetivos de projeção ambiental.
Ameaças
Regulamentação ambiental exigindo investimentos adicionais ou tornando os produtos não rentáveis.
Ampliação da intervenção estatal contrária à empresa.
Maior participação de concorrentes no mercado com produtos verdes.
Diminuição da identificação dos funcionários com a empresa, resultando em dificuldade para reter e recrutar
pessoal.
Forças
Produtos ambientalmente amigáveis.
Processos eficientes, poupadores de energia e materiais.
Sem geração de resíduos tóxicos.
Boa imagem cultivada pela empresa, considerada verde e limpa.
Administração e funcionários comprometidos com a preservação ambiental.
Capacitação em desenvolvimento de novos produtos.
Clima propício para realização de inovações.
Fraquezas
Produtos que não são reciclados facilmente.
Embalagens feitas com materiais não recicláveis.
Presença de processos poluidores.
Geração de resíduos perigosos.
Empresa considerada poluidora pela população local.
Administração e funcionários não são comprometidos com a preservação ambiental.
Pouca ou nenhuma capacitação em desenvolvimento de novos produtos.
Certi�cações
As certificações podem ser consideradas atestados formais ou selos externos de qualidade emitidos por
autoridades independentes, após uma avaliação de evidências. As pessoas podem receber certificados por
cursos de pós-graduação ou títulos de doutorado, emitidos por universidade reconhecida e avaliada pela
CAPES. Organizações ou processos de organizações também podem receber certificados.
Exemplo
Uma biblioteca de uma faculdade pode receber o selo de qualidade em gestão ISO 9001:2015, o que não
quer dizer que seus livros são bons e de alta qualidade, mas sim que a biblioteca é bem gerenciada e isso
foi comprovado após acreditação ou auditoria por instituição reconhecida.
As certificações podem ser individual ou organizacional. Vejamos alguns exemplos desses tipos de
certificações:
Individual
Certificação Profissional de Gestão de Projetos (PMP);
Certificado C2 Proficiency, de proficiência em inglês.
Organizacional
Certificação ISO 14000, de gestão ambiental;
Certificação OHSAS 18001 para promoção de ambiente seguro e saudável (saúde ocupacional);
SA8000, que certifica o sistema de gestão da responsabilidade social de uma empresa;
Certificação florestal FSC (Forest Stewardship Council).
Ecoempreendedorismo
Conceito
O consumo consciente também faz parte de uma atitude sustentável. Sobre isso, vamos analisar a situação
a seguir.
De forma inesperada, seu celular novinho apresenta problemas. Você leva na assistência técnica para trocar
as peças necessárias, porém, ao receber o orçamento do serviço, percebe que o valor cobriria o preço de um
celular novo.
Diante dessa situação, o que você faria?
Ao optar para o conserto do celular, você evita o acúmulo de equipamentos que, em muitos casos,
não passam por descarte adequado. Desta forma, você contribuirá para a preservação do meio
ambiente.
Faço outros orçamentos e envio para o conserto 
Depois de um tempo, ao arrumar a sua gaveta, perceberá que lá já existe outro telefone antigo – seja
por estar, de fato, quebrado, ou por ter se tornado obsoleto.
Infelizmente, muitas empresas, principalmente as de bens de consumo, adotam a chamada obsolescência
programada, ou seja, desenham e fabricam seus produtos para curtos ciclos de produção-consumo-
descarte, visando garantir novas vendas para manterem-se competitivas no mercado. Uma das principais
consequências disso é o descarte.
Será que as empresas estão preparadas ou se organizam para minimizar os
impactos dos resíduos provenientes da produção crescente?
Muitas empresas já estão adotando práticas conscientes e muitas outras estão surgindo no contexto do
chamado ecoempreendedorismo, que, segundo Marta Torezam, líder da área de acesso a mercados do
Sebrae – MT, vai além da preservação da fauna ou da flora. Nesse novo modelo de pensar e agir, a
competição e a cooperação caminham juntas, à medida que rompem com o conceito de que é preciso um
perder para o outro ganhar.
O ecoempreendedorismo surge como uma tendência de as organizações atenderem às demandas de
sustentabilidade, ou seja, de estarem atentas e organizadas não só para maximizar os resultados
econômicos, mas também para agregar valor socialmente e neutralizar o possível impacto ambiental
negativo de suas práticas. Nesse contexto, surgiram oportunidades de criação de negócios prioritariamente
focados em atender demandas, solucionar problemas ou, pelo menos, minimizar impactos socioambientais.
Compro um novo celular e guardo o antigo na gaveta 
Exemplo
Os restaurantes naturais, que crescem em várias cidades do Brasil, são um exemplo de
ecoempreendedorismo. A preocupação com o aumento da obesidade e com a qualidade da alimentação
oferecida em muitos restaurantes possibilitou o investimento de empreendedores em buffets com uma
alimentação mais natural.
São muitas as oportunidades para o ecoempreendedorismo. Quando a criatividade do brasileiro se encontra
com as demandas da sociedade, podem surgir negócios rentáveis e sustentáveis. É aqui que chegamos a
um novo conceito: ecoinovação.
Schumpeter ensinou que inovar não é só criar um novo produto ou aperfeiçoá-lo, mas
também criar um novo método de produção, abrir um novo mercado, conquistar uma
nova fonte de mão de obra ou de matérias-primas, criar uma nova forma de
organização dos negócios.
(AMATO NETO, 2015, n.p.)
Exemplos de ecoinovaçãoAo citar Schumpeter, unindo o conceito de inovação ao universo da sustentabilidade, Amato Neto (2015)
apresenta uma série de exemplos:
Novos bens
Os produtos ecológicos, eletroeletrônicos que consomem menos energia, carros movidos a combustíveis
menos poluentes e agricultura orgânica.
Novos métodos de produção
O emprego do manejo sustentável dos recursos e geração de menos resíduos a cada etapa da
transformação.
Novos mercados
Os chamados mercados verdes, abertos pelas novas fases do processo produtivo, como a remanufatura e a
reciclagem.
Novas fontes de matérias-primas e mão de obra
O entendimento dos resíduos como matérias-primas para uma nova produção e buscar como mão de obra
parceiros que desenvolvem atividades extrativistas e de manejamento sustentável.
Novas formas de organização empresarial
As redes de cooperação, os arranjos locais e as organizações virtuais, envolvendo corporações
transnacionais, micro, pequenas e médias empresas, cooperativas etc.
A ecoinovação não precisa ser disruptiva, ou seja, não precisa transformar o mercado, o setor existente ou
redefinir seu funcionamento. Ela pode ser menor, mais simples e baseada em pequenas mudanças que
geram impacto socioambiental.
Se cada empresa fizer a sua parte, o resultado será a diminuição dos efeitos negativos da atividade
corporativa no planeta.
Dica
O documentário Uma verdade inconveniente, lançado em 2006 e vencedor de cinco prêmios Oscar, incluindo
o de melhor documentário, demonstra um exemplo de efeito negativo da atividade corporativa no planeta,
que é o caso do efeito estufa.
Quer ver alguns exemplos de como aplicar ecoinovação no seu cotidiano?
Você pode passear no parque usando o serviço de locação de bicicletas motorizadas.
Você também pode ir para o trabalho usando o serviço de locação de patinetes motorizados.
Esses exemplos mostram como diferentes empresas aproveitaram a onda dos aplicativos e identificaram
nas dificuldades de mobilidade urbana, no trânsito que faz muitos brasileiros perderem horas do seu dia, a
oportunidade de oferecer esse tipo de transporte alternativo. Você já experimentou?
Outro conceito que articula as relações entre organizações, ecossistemas e sociedade é o de ecogestão.
Nesse conceito, além de se preservar o meio ambiente, deve-se cuidar da relação com as pessoas ao seu
redor, sejam clientes, fornecedores ou moradores da comunidade do entorno. Organizações que se
relacionam com outras, mesmo que sejam as suas concorrentes, de forma harmoniosa e respeitosa,
também estão nesse caminho.
Cuidar das relações com as pessoas e demais organizações é um passo para a construção ou manutenção
de um ecossistema saudável, equilibrado e harmonioso. O cenário é propício para relações favoráveis com a
sociedade, construindo uma imagem sólida e coerente com as práticas da organização.
A ecogestão precisa estar alinhada à estratégia da organização e ser parte da filosofia da companhia. Além
disso, deve acontecer em todas as áreas e departamentos, sendo o fio condutor das tomadas de decisão e
de processos de transformação nas áreas de marketing, finanças, gestão de pessoas ou produção e
operações. No caso da área de produção, um fator relacionado à ecogestão é a mudança no paradigma,
saindo da lógica de produção enxuta, cujo foco é redução de desperdícios no processo produtivo, para a da
produção sustentável, minimizando custos ambientais e sociais.
Exemplo
A Samsung é um caso de empresa que adotou um sistema de ecogestão com o slogan Planet First.
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Para conhecer o sistema de ecogestão da Samsung, busque em seu navegador a política de sustentabilidade
da empresa. Procure o slogan PlanetFirst: A Terra é a nossa prioridade, e saiba qual sua filosofia, sua visão e
seu objetivo. Você encontrará, também, as regras e diretrizes das ações na empresa; o processo de certificação
dos produtos; informações ecológicas sobre os produtos; e o status da certificação de local de trabalho.
É na contramão do consumismo que surge o minimalismo, um modelo de consumo sustentável, que tem
como pano de fundo a preocupação com o meio ambiente, apostando na redução de produtos e na vivência
de mais experiências. Além disso, existem inúmeras outras tendências de negócios sustentáveis. Foi nessa
linha que a FIESP publicou o Guia Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o
setor de negócios. Esse documento fala sobre a produção e o consumo como fator de competitividade em
um mercado de concorrência crescente. Apresenta também alternativas em produção e consumo
sustentáveis e oportunidades de negócios para as empresas, como a lógica de menos resíduo e mais
produção e a gestão sustentável na cadeia de valor.
uia Produção e Consumo Sustentáveis: tendências e oportunidades para o setor de negócios
Esse guia foi criado a partir de uma parceria entre a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e
o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e tem como objetivo engajar o setor industrial
do Brasil na promoção de políticas e práticas sustentáveis na produção e no consumo, especificamente as
médias e pequenas empresas.
Um exemplo bem conhecido é a alimentação vegana. Há pessoas que querem se alimentar de forma
saudável, mas não sabem como cozinhar ou não têm tempo. Portanto, investir nessa área pode ser
interessante. Ao criar alimentos congelados saudáveis ou fazer entregas, as chances de ter um bom público
podem ser grandes.
Existem diversas formas de empresas cooperarem entre si. Dentre as mais conhecidas, temos as parcerias
entre empresas e governos; e empresas que estabelecem parcerias para o fornecimento de materiais e
equipamentos específicos. Você já imaginou que empresas concorrentes também podem estabelecer
parcerias entre si? Então analise a situação a seguir.
Duas empresas
Confira agora o projeto de duas empresas que atuam no mesmo segmento.
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Você, como gestor de uma das empresas, o que faria diante dessa situação? Apoia a parceria, pois aposta
no crescimento da empresa, ou rejeita a parceria, pois acha que é um risco alto?
Resposta
De fato, essa é uma decisão estratégica que precisa ser tomada levando em consideração diversas
variáveis. Algumas empresas, por exemplo, que aderiram a esse tipo de parceria, interromperam seu acordo
e venderam suas operações. Apesar de parecer uma nova modalidade, esse tipo de parceria já existe e vem
ganhando cada vez mais força. Por meio da colaboração, as empresas tornam-se mais competitivas,
considerando que são concorrentes do mesmo setor, e com isso conseguem reduzir os custos de produção,
com consequente aumento de suas receitas. O movimento de cooperar para competir no ambiente
empresarial tem relação direta com a busca de estratégias mais eficientes, e as empresas já descobriram
que essa jornada colaborativa pode ser um caminho para a manutenção da vantagem competitiva
sustentada.
Objetivos globais para o desenvolvimento sustentável
Ao longo dos anos, as empresas transformaram suas políticas e práticas influenciadas por tendências
locais ou internacionais. Com a globalização, as decisões tomadas pela Assembleia Geral das Nações
Unidas, como a adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) pelos 193 Estados-membros,
imediatamente reverberam nas políticas e práticas de organizações do mundo todo. Veja a seguir a
descrição dos 17 objetivos:
1
Erradicação da pobreza
2
Fome zero e agricultura sustentável
3
Saúde e bem-estar
4
Educação de qualidade
5
Igualdade de gênero
6
Água potável e saneamento
7
Energia limpa e acessível
8
Trabalho decente e crescimento econômico
9
Indústria, inovação e infraestrutura
10
Redução e desigualdades
11
Cidades e comunidades sustentáveis
12
Consumo e produção responsáveis
13
Ação contra a mudança global do clima
14
Vida na água
15
Vida terrestre
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e suas 169 metas são um direcionamento para a nova
Agenda Universal. Elesbuscam concretizar os direitos humanos e alcançar a igualdade de gênero. São
integrados, indivisíveis e equilibram as dimensões econômica, social e ambiental do desenvolvimento
sustentável.
Os objetivos e metas estimularão a ação para os próximos 15 anos em áreas de
importância crucial: pessoas, planeta, prosperidade, paz e parceria.
(ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 2015, n.p.)
Vale ressaltar que a ONU criou a Agenda 2030: um plano de ação para as pessoas, planeta e prosperidade,
buscando fortalecer a paz universal com mais liberdade. A ideia é que todos os países e partes interessadas
atuem em parceria na implementação desse plano. As empresas que alinharem suas ações aos objetivos e
metas propostos na Agenda 2030 terão um diferencial competitivo internacionalmente.
NU
A Organização das Nações Unidas, também conhecida pela sigla ONU, é uma organização internacional
formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.
16
Paz, justiça e instituições e�cazes
17
Parcerias e meios de implementação
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Milton é dono de uma pequena empresa que produz marmitas e as distribui em regiões próximas. Ao ler
sobre ecoinovação, teve a ideia de trocar as embalagens de isopor por recipientes biodegradáveis,
elevando um pouco o custo, mas com excelente aceitação dos clientes e aumento significativo dos
pedidos. Considerando seus conhecimentos sobre gestão sustentável, assinale a alternativa correta:
Parabéns! A alternativa B está correta.
A
O que ele fez não foi ecoinovação, já que não redefiniu o funcionamento do mercado ou
do setor existente.
B
Ele fez ecoinovação, uma vez que pequenas mudanças, capazes de gerar impacto
socioambiental, também são válidas.
C
Ele fez ecoinovação, pois qualquer mudança nas práticas organizacionais pode se
encaixar nesse conceito.
D
O que ele fez não foi ecoinovação, visto que a mudança na embalagem gera um impacto
muito pequeno no meio ambiente.
E Não, pois não atende à perspectiva ambiental.
A ecoinovação é caracterizada, principalmente, pelo impacto socioambiental, podendo ser de grandes
proporções ou não. Movimentos pequenos, como o narrado na questão, são o início da
institucionalização de práticas de sustentabilidade em pequenas e médias empresas.
Questão 2
A Energia Verde é uma empresa que trabalha com energia renovável, com ações pautadas no respeito
ao meio ambiente. Apesar de lucrativa, a organização tem apresentado sérios problemas quanto ao
relacionamento com colaboradores e outras partes interessadas. Podemos dizer que a Energia Verde é
adepta da sustentabilidade corporativa?
Parabéns! A alternativa B está correta.
Para atender à perspectiva social, a empresa deve prezar pelo relacionamento com colaboradores e
demais partes interessadas por meio da adoção de políticas e práticas justas e coerentes, buscando
uma relação saudável a longo prazo.
A Sim, pois atende a todas as perspectivas do tripé da sustentabilidade.
B Não, pois não atende à perspectiva social.
C Não, pois não atende à perspectiva econômica.
D Não, pois não atende à perspectiva ambiental.
E Sim, pois atende simultaneamente às perspectivas social, econômica e ambiental.
Considerações �nais
Discutimos o papel do gestor no contexto dos mercados globalizados, caracterizados pela quebra das
barreiras organizacionais e abertura de outras possibilidades de negócios. Também destacamos como a
transformação digital poderá afetar o ambiente de trabalho nos próximos anos.
Você aprendeu a desenvolver novos negócios dentro uma perspectiva sustentável, como é o caso do
ecoempreendedorismo, que cresce no meio corporativo a partir da criação de negócios específicos para
atender às demandas da comunidade, solucionar problemas e minimizar impactos socioambientais, visando
à construção coletiva de um ecossistema saudável, equilibrado e harmonioso para todos nós.
Podcast
Ouça agora as tendências que permeiam o ambiente organizacional na atualidade.
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Para conhecer melhor sobre a flexibilização das leis trabalhistas, leia o texto América Latina: competências
para o trabalho na era das máquinas inteligentes, disponível no site da Accenture.
Para conhecer um pouco mais sobre a indústria 4.0, leia o texto A indústria 4.0 e os artesãos da era digital de
Marcelo Souza, publicado no site HSM.
Para conhecer um pouco mais sobre a ferramenta Matriz SWOT, leia o artigo Matriz SWOT: Entenda como
usar e as vantagens para sua empresa, publicado no dia 15 de janeiro de 2015 no site Endeavor.
Confira as indicações que separamos especialmente para você!
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discutidos neste material.
Referências
AMATO NETO, J. A era do ecobusiness: criando negócios sustentáveis. Barueri: Manole, 2015.
AUTOMATIC DATA PROCESSING. ADP. O Futuro do Trabalho (FOW) - Conheça as principais tendências que
irão afetar o ambiente de trabalho global nos próximos anos. 2016. Consultado na internet em: 16 mar.
2020.
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DO KLICK EDUCAÇÃO. Joseph Alois Schumpeter - Economista dos EUA de origem austríaca. Educação UOL.
Publicado em: 17 ago. 2015.
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Encontro de Sustentabilidade em Projeto do Vale do Itajaí, 2009.
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contexto brasileiro. Dissertação (Mestrado em Administração). Faculdade Meridional – IMED Passo Fundo,
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MUNCK, L. Gestão da sustentabilidade nas organizações: um novo agir frente à lógica das competências.
São Paulo: Cengage Learning, 2013.
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PORTER, M. E. Infopédia. Porto: Porto editora, 2003-2020.
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TOURINHO, I. Arte, atualidade e ensino. In: CUNHA, D. S. S.(org.). Guarapuava: Unicentro, 2013.
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