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1PORTUGUÊS
Módulos
49 – Orações subordinadas substantivas
50 – Meio Ambiente
51 e 52 – Prática de Redação (11)
53 – Orações subordinadas adjetivas
54 – Gênero textual – Entrevista
55 – Prática de Redação (12)
56 – Emprego do pronome relativo
57 – Correção, clareza, concisão,
coerência e paralelismo sintático
58 – Prática de Redação (13)
59 – Orações subordinadas
adverbiais
60 – Gênero textual – Artigos de
divulgação científica
61 – Prática de Redação (14)
62 – Concordância nominal
63 – Figuras Sonoras ou de Harmonia
64 e 65 – Prática de Redação (15)
66 – Outros gêneros textuais
Você já aprendeu que a oração subordinada depen de de
outra oração do período, pois funciona como um termo
dessa oração, como se estivesse encaixada nela. A
oração subordinada pode ser substituída por um
substantivo (ou pronome substantivo), adjetivo ou
palavra ou expressão com valor de advérbio,
compondo, dessa maneira, a oração principal.
Para saber se uma oração é subordinada, verifique
• se ela é introduzida por uma conjunção ou por um
pronome relativo; ou
• se não introduzida por conjunção ou pronome
relativo, apresenta o verbo no gerúndio, particí pio
ou infinitivo (esses casos serão estudados mais
tarde);
• se pode ser substituída por um substantivo (ou pro -
nome substantivo), adjetivo ou palavra ou expressão
com valor de advérbio, compondo, desta maneira, a
oração principal.
Exemplos
Meu professor, que nasceu na França, fala bem o
português.
Meu professor, francês, fala bem o português.
No caso, a oração subordinada – que nasceu na França –
• é introduzida por pronome relativo (que);
• pode ser substituída por um adjetivo (francês) que
passa a compor a oração principal.
Exemplos
Observei que eles estão contentes.
Observei o contentamento deles.
Observei isso.
49
Palavras-chave:
Orações subordinadas
substantivas
• Subjetiva • Objetiva direta
• Apositiva • Predicativa
PORTUGUÊS:
PERÍODO COMPOSTO,
CONCORDÂNCIA NOMINAL, FIGURAS SONORAS
E GÊNEROS TEXTUAIS
O saber a gente aprende com os mestres e
os livros. A sabedoria se aprende é com a
vida e com os humildes.
(Cora Coralina)
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2 PORTUGUÊS
A oração subordinada – que eles estão contentes –
• é introduzida por uma conjunção (que);
• pode ser substituída por um substantivo (conten -
tamento) ou pronome substantivo (isso) que passa
a compor a oração principal.
Exemplos
Quando anoiteceu, ele chegou.
À noite, ele chegou.
No caso, a oração subordinada – quando anoiteceu –
• é introduzida por conjunção (quando);
• pode ser substituída por uma expressão com valor
de advérbio (à noite) que passa a compor a oração
prin cipal.
Para saber se uma oração é principal, verifique
• se ela assimila o substantivo, adjetivo, advérbio ou
expressão com valor de advérbio equivalente à
transformação da oração subordinada.
Exemplos
Observei que eles estão contentes.
Observei o contentamento deles.
Observei isso.
A oração principal – Observei – assimilou o substan tivo
contentamento (ou o pronome isso), equiva lente à
oração subordinada transformada.
O termo contentamento deles (ou isso) funciona como
objeto direto da nova oração.
A oração subordinada substantiva desempenha fun ção
sintática própria do substantivo. Pode ser subs tituída
por um substantivo ou pronome substantivo.
Às vezes, não encontramos um substantivo ade quado,
que não altere o sentido da frase, para fazer a substituição.
Mas sempre podemos substituir a oração subordinada
substan tiva pelo pronome substantivo isso (ou contração
do pronome com conjunção, como disso, nisso).
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
desempenham função sintática
própria do substantivo
São introduzidas pelas conjunções integrantes “que” e
“se”.
Funcionam como
• sujeito da principal — subjetiva
• objeto direto da principal — objetiva direta
• objeto indireto da principal — objetiva indireta
• predicativo do sujeito da principal — predicativa
• complemento nominal da principal — completiva
nominal
• aposto da principal — apositiva
Texto para a questão �.
Não importa se você acredita (I) que
sucesso é resultado de sorte ou competência
(II), por que te oferece mos os dois (III): o
melhor servidor com uma imperdível condição
de pagamento.
(Texto de anúncio publicitário)
� (FATEC) – Assinale a alternativa contendo
análise correta de fatos de língua pertinentes a
esse texto.
a) A oração (I) exerce a mesma função sin tá -
tica que a oração (II) – ambas são comple -
mento de verbos.
b) É coerente, no contexto, associar a ideia de
sorte a – imperdível condição de
pagamento – e a ideia de competência a –
o melhor servidor.
c) A redação do texto obedece aos princípios
da norma culta, apresentando clareza e
correção gramatical.
d) O receptor do anúncio é tratado de maneira
uniforme no texto, em 3.a pessoa.
e) A oração III tem equivalente sintático e de
sentido em – portanto te oferecemos os
dois.
Resolução
Em a, o erro está em que a oração (I) exerce a
função de sujeito de “importa”. Ao contrário
do que se afirma em c e em d, a redação da
frase publicitária foge à norma culta na grafia
“por que”, em lugar de “porque” e na mistura
dos pronomes de 2.a e de 3.a pessoa (você e
te). O erro de e está em que a oração analisada
é explicativa, não conclusiva.
Resposta: B
Texto para a questão �.
Há amores que não vingam porque fulano
não consegue decidir se seria bom ou não sair
da casa da mãe, sicrana se pergunta se
deveria casar-se já ou dedicar primeiro uma
década à sua profissão.
(Contardo Calligaris)
� Os termos destaca dos classificam-se
como
a) conjunção integrante, pronome reflexivo,
conjunção integrante e parte integrante do
ver bo.
b) índice de indeterminação, conjunção inte -
gran te, pronome reflexivo e conjunção
integrante.
c) pronome apassivador, pronome reflexivo,
conjunção integrante e conjunção integrante.
d) conjunção integrante, pronome reflexivo,
pronome apassivador e parte integrante do
ver bo.
e) pronome reflexivo, pronome apassivador,
par te integrante do verbo e conjunção inte -
grante.
Resolução
As duas conjunções classificadas como inte -
gran tes introduzem orações subordinadas
subs tantivas objetivas diretas que comple -
mentam, respectivamente, os verbos decidir e
perguntar.
Resposta: A
Exercícios Resolvidos
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3PORTUGUÊS
Exercícios Propostos
� Numa época em que tempo e espaço são exíguos, de ve mos procurar transmitir mensagens verbais conci sas, com poucas
palavras, desde que isso não preju di que a clareza e a expressão completa da informação.
Buscando a economia de palavras, seu desafio é trans formar os períodos compostos a seguir em períodos sim ples, com um só
verbo. Dica: um dos verbos deve ser transformado em subs tantivo.
a) Nossos amigos exigiam que voltássemos imedia tamente.
RESOLUÇÃO:
Nossos amigos exigiam a nossa volta imediata.
b) Nessa situação, preciso que você me apoie.
RESOLUÇÃO:
Nessa situação, preciso do seu apoio.
� Transcreva da tirinha as orações subordinadas substantivas e classifique-as.
RESOLUÇÃO:
a) “que a Terra era chata com monstros e mistérios em volta” – objetiva direta.
b) “que a Terra não passa de uma esfera com átomos” – objetiva direta.
c) “que a Terra é mais chata ainda” – objetiva direta.
Tirinha para a questão �.
ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS
desempenham função sintática própria do substantivo e são subordinadas a uma oração principal.
Funcionam como
• sujeito da principal — subjetiva • objeto direto da principal — objetiva direta
• objeto indireto da principal — objetiva indireta • predicativo do sujeito da principal — predicativa
• complemento nominal da principal — completiva nominal • aposto da principal — apositiva
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4 PORTUGUÊS
� Agora faça o inverso do exercício �, ou seja, converta um período simples em composto. Analise a função sintática do termo
grifado em I e, a seguir, em II, transforme esse termo na oraçãosubor dinada subs tan tiva correspondente, classifican do-a. Preste
atenção na correlação entre o verbo da principal e o verbo da subordinada.
a) I. Comentava-se a fuga do preso.
II. Comentava-se que o preso fugira.
______________________________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Subjetiva
_______________________
b) I. Desejamos o seu ingresso na universidade.
II. Desejamos que você ingresse na universidade.
_________________________________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta
_______________________
c) I. Informei-o da partida de sua amada.
II. Informei-o de que sua amada partira.
__________________________________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta
___________________________
d) I. Minha esperança é o triunfo da paz.
II. Minha esperança é que a paz triunfe.
__________________________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Predicativa
___________________________
e) I. Coloco apenas uma condição: a devolução dos meus documentos.
II. Coloco apenas uma condição: que devolva os meus documentos.
_________________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Apositiva
___________________________
f) I. Havia necessidade de nossa presença na reunião.
II. Havia necessidade de que estivéssemos presentes na reunião.
__________________________________________________________________________________________
Oração Principal Oração Subordinada Substantiva Completiva Nominal
___________________________________
( S )
( OD )
( CN )
( AP )
( PS )
( OI )
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� Classifique as orações subordinadas substantivas em
destaque.
(1) objetiva direta
(2) subjetiva
(3) objetiva indireta
(4) completiva nominal
(5) predicativa
a) ( 2 ) “Pouco importa que nos avaliem pela casca.”
(Carlos Drummond de Andrade)
b) ( 1 ) “Não sei se ela estranhou o calor da minha
alegria (...)” (Rubem Braga)
c) ( 4 ) “Estava convencido de que todos os habitantes
da cidade eram ruins.” (Graciliano Ramos)
d) ( 5 ) “A verdade é que não estava preparado para o
sofri mento.” (Murilo Rubião)
e) ( 3 ) “Certamente não suspeita de que um
desconhecido o vê (...)” (Rubem Braga)
f) ( 2 ) “Era bom que a deixassem em paz.” (Graciliano
Ramos)
Texto referente às questões � e .
� (FAP) – A oração "...que escove os dentes..." é uma subor -
dinada substantiva...
a) subjetiva, pois exerce a função de sujeito da oração
principal.
b) predicativa, pois exerce a função de predicativo do sujeito
da oração principal.
c) apositiva, pois funciona como aposto de um termo da
oração prin cipal.
d) objetiva indireta, pois exerce a função de objeto indireto do
verbo da oração principal.
e) completiva nominal, pois exerce a função de complemento
no minal de um termo da oração principal.
RESOLUÇÃO:
A oração que escove os dentes é sujeito de É muito im por tante.
Resposta: A
(FAP) – Em ...que você escove os dentes... a palavra des -
ta cada é
a) pronome relativo.
b) conjunção subordinativa integrante.
c) pronome substantivo.
d) pronome interrogativo.
e) conjunção adverbial.
Resposta: B
5PORTUGUÊS
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6 PORTUGUÊS
50
Palavras-chave:
Meio ambiente • Ecossistemas • Preservação ambiental
• Mudança climática
Sustentabilidade
A palavra sustentabilidade deriva do latim
sustentare, que significa sustentar, defender, favorecer,
apoiar, conservar e/ou cuidar. O conceito de
sustentabilidade vigente teve origem em Estocolmo, na
Suécia, na Conferência das Nações Unidas sobre o
Meio Ambiente Humano (Unche), em 1972.
https://www.ecycle.com.br/3093-sustentabilidade.html
Segundo a ONU (Organização das Nações
Unidas), desenvolvimento sustentável é definido como
“aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de
suprir suas próprias necessidades”.
A construção do conceito de desenvolvimento
sustentável continuou durante a Cúpula Mundial sobre o
Desenvolvimento Sustentável, da ONU, realizada em
Joanesburgo, África do Sul, em 2010. A Declaração de
Joanesburgo estabelece que o desenvolvimento
sustentável se baseia em três pilares: desenvolvimento
econômico, desenvolvimento social e proteção
ambiental.
https://www.senado.gov.br/noticias/
Jornal/emdiscussao/rio20/
Aquecimento global
O aquecimento global refere-se ao aumento
elevado da temperatura média da Terra. Apesar de ser
um assunto que não é um consenso na comunidade
científica, muitos estudiosos acreditam que esse
fenômeno agravou-se em razão das atividades
humanas. A poluição do ar por meio de queimadas, do
intenso uso de transportes e do aumento da produção
no setor industrial também é associado ao aquecimento
global. As principais consequências desse fenômeno
são o derretimento das calotas polares, o aumento do
nível dos oceanos, a diminuição dos recursos hídricos e
diversas anomalias climáticas, como El Niño e furacões.
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/aquecimento-
global.htm
A principal causa do aquecimento global é a
emissão de gases de efeito estufa.
Existem várias atividades que emitem esses gases,
as principais são:
• Uso de combustíveis fósseis: A queima de
combustíveis fósseis usados em automóveis
movidos a gasolina e óleo diesel libera dióxido de
carbono, considerado o maior responsável pela
retenção de calor.
• Desmatamento: O desmatamento além de destruir
grandes áreas de floresta, também libera gases de
efeito estufa.
• Queimadas: A queima da vegetação libera
quantidades significativas de dióxido de carbono.
• Atividades Industriais: As indústrias que fazem
uso de combustíveis fósseis também são respon -
sáveis pela emissão de gases poluentes. Essa
situação compreende a maior parte da emissão de
gases de efeito estufa em países desenvolvidos.
Consequências
Como vimos, os gases poluentes formam uma
espécie de “cobertor” em torno do planeta. Eles
impedem que a radiação solar, refletida pela superfície
em forma de calor, se dissipe para o espaço.
O aquecimento global provoca uma série de
alterações no planeta, das quais as principais são:
• Mudança na composição da fauna e da flora em
todo o planeta.
• Derretimento de grandes massas de gelo das
regiões polares, ocasionando o aumento do nível do
mar. Isso poderá levar a submersão de cidades
litorâneas, forçando a migração de pessoas.
• Aumento de casos de desastres naturais como
inundações, tempestades e furações.
• Extinção de espécies.
• Desertificação de áreas naturais.
• As secas poderão ser mais frequentes.
• As mudanças climáticas podem ainda afetar a
produção de alimentos, pois muitas áreas
produtivas podem ser afetadas.
https://www.todamateria.com.br/aquecimento-global/
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7PORTUGUÊS
Discurso de Greta Thunberg
Ativista sueca Greta Thunberg discursa
na sede das Nações Unidas
23 setembro 2019
Ativista Greta Thunberg discursou na abertura do Encontro de Cúpula sobre Ação Climática; jovem
sueca, de 16 anos, diz que “o mundo está despertando” para o problema da mudança climática. Trechos
de seu discurso seguem abaixo.
Minha mensagem para os líderes internacionais é de que nós estaremos deolho em vocês.
Isto está completamente errado.
Eu não deveria estar aqui. Eu deveria estar na minha escola, do outro lado do oceano.
E vocês vêm até nós, jovens, para pedir esperança. Como vocês ousam?
Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias. E ainda assim, eu tenho
que dizer que sou uma das pessoas com mais sorte (nesta situação).
As pessoas estão sofrendo e estão morrendo. Os nossos ecossistemas estão morrendo.
“Por mais de 30 anos, a ciência tem sido muito clara. Como vocês se atrevem a continuar
ignorando isto?”
Nós estamos vivenciando o começo de uma extinção em massa. E tudo o que vocês fazem é falar de
dinheiro e de contos de fadas sobre um crescimento econômico eterno.
Como vocês se atrevem?
E como se atrevem a vir aqui e dizer que estão fazendo o suficiente? Quando sabemos que as
políticas e as soluções necessárias não são sequer vistas?
Vocês dizem que estão nos escutando e que compreendem a urgência (deste tema).
A proposta de cortar as nossas emissões pela metade em 10 anos, apenas nos dá uma chance de
50% de ficar abaixo da marca de 1.5°C e existe um risco de desencadear reações irreversíveis em
cadeia que fogem do controle humano.
50% pode ser aceitável para vocês. Mas estes números não incluem outros pontos como feedback,
lacunas e um aquecimento adicional causado pela poluição tóxica do ar ou aspectos de equidade e
justiça climáticos. Estes números também fazem com que a minha geração seja obrigada a ter que
retirar centenas de bilhões toneladas de dióxido de carbono do ar, causadas por vocês, e usando
tecnologia que sequer existe. Então, 50% simplesmente não são aceitáveis. Nós teremos que viver com
as consequências.
“Vocês estão falhando conosco. Mas os jovens já começaram a entender sua traição.”
Obrigada.
https://news.un.org/pt/story/2019/09/1688042#:~:text=Ativista%20Greta%20Thunberg%20discursou%20esta,estaremos%20de%20olho%20em
%20voc%C3%AAs.
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8 PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para as questões de � a
.
A fim de permitir a sua leitura, o excerto verbal da propaganda da
coluna anterior aparece transcrito a seguir:
NÃO DEIXE A NATUREZA IR EMBORA.
AJUDE A DEVOLVER O VERDE DA NOSSA TERRA.
Pássaros, plantas e animais que sempre habitaram nossas
florestas estão sendo extintos ou isolados em pequenas
manchas de verde, cercadas de cidade por todos os lados.
Nosso oxigênio também está indo embora.
É um adeus invisível, mas sensível. Sem árvores, nossas
fontes estão secando, silenciosas, vítimas da erosão provo ca -
da pelo desmatamento. Você pode ajudar a reverter esse
quadro através do site www.clickarvore.com.br, um programa
de reflores tamento inédito no país. Você dá um click e uma
muda de árvore nativa da Mata Atlântica é plantada em seu
nome. Facilmente, gratuitamente. Dê um click e plante uma
árvore agora mesmo. Antes que a natureza desapareça.
(Revista Veja SP)
� (FUVEST) – Sobre o efeito de sentido obtido no texto pelo uso
dos tempos e modos verbais, é possível afirmar:
a) A presença de verbos de ação no presente do indicativo e no
gerúndio apoia a descrição de um quadro ambiental estático e
definitivo.
b) Os verbos de ligação ser e estar, alternados entre o presente e o
pretérito perfeito, indiciam e ratificam a mudança de estado na
paisagem brasileira.
c) Os verbos no futuro do indicativo alertam o leitor para a urgência
de ações restauradoras, a fim de se reverterem os efeitos do
quadro de desmatamento generalizado no país.
d) Os verbos no gerúndio e no imperativo são utilizados, respec -
tivamente, para descrever um processo gradativo de desca rac -
terização ambien tal e para incitar o leitor a tomar uma atitude.
e) A presença de verbos no infinitivo e no presente do subjun ti vo
indica, respectivamente, a irrever sibilidade de um proces so e a
indefinição quanto ao início da onda de destruição ambiental.
Resolução
Os gerúndios “sendo extintos”, “está indo”, “estão secando”
confirmam a ação em processo.
Resposta: D
� (FUVEST) – Estão ausentes quaisquer marcas linguísticas que
façam referência direta ao leitor apenas em:
a) Dê um click e plante uma árvore agora mesmo.
b) Você pode ajudar a reverter este quadro.
c) Nosso oxigênio também está indo embora.
d) É um adeus invisível, mas sensível.
e) Ajude a devolver o verde da nossa terra.
Resolução
Os termos que fazem referência ao leitor: “dê”, “você”, “nosso” e
“ajude”.
Resposta: D
(FUVEST) – Quanto à relação existente, na propaganda, entre
imagem e texto verbal, é correto afirmar que
a) a fotografia da árvore seca, sem folhas, sugere o desma tamento
e o desaparecimento da fauna nativa, dois problemas ambientais
também referidos no texto.
b) a placa na qual se lê a inscrição FUI serve de exemplo ao leitor,
mostrando alguém que já decidiu participar da campanha do
programa de reflorestamento divulgada na propaganda.
c) a fotografia apresenta um exemplar de muda de árvore nativa,
plantada cada vez que alguém dá um click ao acessar o site
www.clickarvore.com.br.
d) a placa presa à árvore ratifica a ideia, exposta no texto, de que o
oxigênio está indo embora, deixando um adeus invisível, mas
sensível.
e) a fotografia da árvore reforça visualmente a informação de que
mudas são plantadas em nome de quem acessa o site divulgado
na propaganda.
Resolução
A casa do joão de barro e a placa “FUI” indicam o desaparecimento
da fauna devido ao desmatamento.
Resposta: A
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9PORTUGUÊS
Exercícios Propostos
Texto para o teste �.
� (2020-2.a aplic.) – Analisando a estrutura
composicional do texto, percebe-se que ele
se insere na esfera
a) institucional, pois propõe regras de conduta para alcançar a
sustentabilidade da vida na Terra.
b) pessoal, pois manifesta subjetividade diante da injustiça
social e econômica dos povos da Terra.
c) publicitária, porque conclama a sociedade para participar de
ações relacionadas à preservação ambiental.
d) científica, pois relata fatos concretos sobre a real situação
do meio ambiente em diferentes pontos do planeta.
e) jornalística, pois apresenta títulos e subtítulos para organizar
as informações sobre a relação do homem com o planeta.
RESOLUÇÃO:
O texto traz um formato característico de publicação
governamental, cujo objetivo é, além de orientar para o fato de
que a Terra passa por um problema crítico, elencar regras que
precisam ser seguidas para que seja construída uma via capaz de
garantir vida sustentável no planeta.
Resposta: A
Texto para os testes � e �.
� (MACKENZIE) – Assinale a afirmação incorreta, conside -
ran do o primeiro período.
a) Houve época em que preservar o meio ambiente era
sinônimo de não mexer nas fontes de riquezas que existem
em estado natural.
b) O modo como atualmente se entende o que é preservar o
meio ambiente implica uma nova maneira de conceber o
crescimento das sociedades humanas.
c) O conceito de preservação ambiental, qualquer que seja ele,
faz supor inquietação com o futuro do ser humano.
d) O surgimento de um novo conceito de preservação
ambiental deve-se ao maior desenvolvimento da capacidade
de raciocínio do homem.
e) O planejamento da relação uso/conservação está na base
do que se entende por uso racional dos recursos naturais.
RESOLUÇÃO:
O erro está em atribuir o novo conceito de preservação ambiental ao
“maior desenvolvimento da capacidade de raciocínio do homem”. O
texto não toca nesse ponto, que é totalmente descabido.
Resposta: D
A carta da Terra
PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da
Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o
seu futuro. Para seguir adiante, devemos reconhecer que,
no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas
de vida, somos uma família humana e uma comunidade
terrestre com um destino comum. Para chegar a este
propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra,
declaremos nossa responsabilidade uns com os outros, com
a grande comunidade da vida e com as futurasgerações.
PRINCÍPIOS
I. Respeitar e cuidar da comunidade da vida.
II. Proteger e restaurar a integridade ecológica.
III. Promover a justiça social e econômica.
IV. Fortalecer a democracia, a não violência e a paz.
O CAMINHO ADIANTE
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de
uma nova reverência face à vida e pelo compromisso firme
de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela
justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.
Disponível em: www.mma.gov.br.
Acesso em: 3 dez. 2017 (adaptado).
O antigo conceito de preservação ambiental, baseado na
intocabilidade dos recursos naturais, há algum tempo foi
superado e substituído por outro que condiciona a
preservação a um novo modelo de desenvolvimento da
civilização, fundamentado no uso racional dos recursos
naturais, para que estes possam continuar disponíveis às
gerações que ainda virão.
A este desenvolvimento, que não esgota, mas conserva
e realimenta sua fonte de recursos naturais; que não
inviabiliza a sociedade, mas promove a repartição justa dos
benefícios alcançados; que não é movido apenas por
interesses imediatistas, mas sim baseado no planejamento
de sua trajetória e que, por estas razões, é capaz de manter-
se no espaço e no tempo, é que damos o nome de
desenvolvimento sustentável.
Washington Novaes
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10 PORTUGUÊS
(MACKENZIE) – Considere as seguintes afirmações sobre
o segundo período do texto.
I. Ao caracterizar o desenvolvimento sustentável, o autor deixa
entrever um outro tipo de desenvolvimento, não desejável.
II. A sociedade que apoia o progresso no atendimento das
necessidades exclusivas do aqui e agora das pessoas
capacita-se para permanecer em constante crescimento.
III. Desenvolvimento sustentável é aquele que, não sendo
predatório, preserva as condições de o crescimento
continuar a ocorrer.
Assinale:
a) se apenas I estiver correta.
b) se apenas I e II estiverem corretas.
c) se apenas I e III estiverem corretas.
d) se apenas II e III estiverem corretas.
e) se todas estiverem corretas.
RESOLUÇÃO:
O erro da afirmação II está em considerar que a sociedade
exclusivamente imediatista se capacita para o desenvolvimento
sustentado, quando na verdade ocorre o contrário, conforme se
depreende do texto. Resposta: C
Texto para os testes de � a .
� (FUVEST-transferência) – Na resposta do entrevistado, a
expressão cujo sentido mais se aproxima da menção, feita pelo
entrevistador, ao fato de as pessoas considerarem a biodiver -
sidade um “assunto um tanto enfadonho” é
a) “dificuldade em perceber” (L. 8).
b) “discurso hermético” (L. 14).
c) “agenda dos setores ambientais” (L. 16-17).
d) “visão (...) reducionista” (L. 19).
e) “problema secundário” (L. 22).
RESOLUÇÃO:
O adjetivo enfadonho significa “monótono, cansativo,
entediante” e o sentido que mais se aproxima desse é hermético:
“difícil de entender e/ou interpretar”.
Resposta: B
� (FUVEST-transferência) – A expressão sublinhada em
“Para mudar essa mentalidade” (L. 10-11) retoma, no texto, a
ideia de que
a) a situação é comparável à que ocorre em outros países.
b) a biodiversidade, a alimentação e a energia são temas
correlatos.
c) os efeitos da biodiversidade na vida das pessoas são por
elas ignorados.
d) os cidadãos não têm acesso à educação e às políticas
públicas.
e) o tema da educação ambiental é assunto de difícil solução.
RESOLUÇÃO:
A expressão “essa mentalidade” refere-se ao trecho anterior: “as
pessoas têm mais dificuldade em perceber como a diversidade
biológica tem impacto em sua vida e está ligada a grandes temas,
como alimentação e energia.”
Resposta: C
(FUVEST-transferência) – O emprego do diminutivo em
“bichinho bonitinho” (L. 18) denota, no texto,
a) carinho.
b) ironia.
c) entusiasmo.
d) intransigência.
e) restrição.
RESOLUÇÃO:
A expressão “bichinho bonitinho” é irônica e diz respeito às
pessoas que acham que a biodiversidade se reduz a isso.
Resposta: B
Leia o seguinte trecho de uma entrevista concedida pelo
biólogo Braulio Dias, secretário executivo da Convenção
sobre Diversidade Biológica, órgão da ONU:
Entrevistador: — De modo geral, as pessoas
acreditam que a biodiversidade não faz parte do seu
dia a dia e consideram o assunto um tanto enfadonho.
Como despertar o interesse pelo tema?
Entrevistado: — No Brasil, mais de 80% da
população mora em cidades. Situação parecida ocorre
em outros países. Longe da natureza, as pessoas têm
mais dificuldade em perceber como a diversidade
biológica tem impacto em sua vida e está ligada a
grandes temas, como alimentação e energia. Para
mudar essa mentalidade, é preciso educação e
políticas públicas acessíveis aos cidadãos. O tema da
biodiversidade é complexo e, portanto, é fácil resvalar
em um discurso hermético, que afasta as pessoas. O
mesmo vale para os discursos apocalípticos. A
biodiversidade não pode estar só na agenda dos
setores ambientais. Não pode ser vista só como um
bichinho bonitinho, um urso panda, um mico-leão.
Essa visão é reducionista e precisa ser ampliada. A
maioria das pessoas reconhece que perder
biodiversidade não é desejável, mas elas ainda
tendem a achar que é um problema secundário, que
só países ricos podem se concentrar na questão e os
países pobres devem gerar emprego, renda e resolver
a violência. Elas não se sentem, como consumidoras,
parte desse problema. Mas são.
(Revista Veja)
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11PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
� O texto acima possui elementos coesivos
que promo vem sua manutenção temática. A
partir dessa perspectiva, conclui-se que
a) a palavra mas, na linha 4, contradiz a afirmação inicial do
texto: linhas 1, 2 e 3.
b) a palavra embora, na linha 6, introduz uma explicação que
não encontra complemento no restante do texto.
c) as expressões: consequências calamitosas, na linha 3, e
efeitos incalculáveis, na linha 9, reforçam a ideia que
perpassa o texto sobre o perigo do efeito estufa.
d) o uso da palavra cientistas, na linha 5, é desnecessário para
dar cre di bilidade ao texto, uma vez que se fala em estudo
no título do texto.
e) a palavra gás, na linha 8, refere-se a combustíveis fósseis e
quei madas, na linha 3, reforçando a ideia de catástrofe.
Resposta: C
Texto para o teste �.
Disponível em: http://orion-oblog.blogspot.com.br.
Acesso em: 6 jun. 2012 (adaptado).
� O cartaz aborda a questão do aquecimento
global. A relação entre os recursos verbais e
não verbais nessa propaganda revela que
a) o discurso ambientalista propõe formas radicais de resolver
os problemas climáticos.
b) a preservação da vida na Terra depende de ações de
dessalinização da água marinha.
c) a acomodação da topografia terrestre desencadeia o natural
degelo das calotas polares.
d) o descongelamento das calotas polares diminui a quanti -
dade de água doce potável do mundo.
e) a agressão ao planeta é dependente da posição assumi da
pelo homem frente aos problemas ambientais.
RESOLUÇÃO:
A sequência da conjugação do verbo “derreter”, no presente
atemporal, sugerida na pergunta, leva à constatação de que nós,
seres humanos agressores do meio ambiente, somos tanto
responsáveis pelos problemas ambientais quanto vítimas dele.
Resposta: E
Texto para o teste
.
Disponível em: http://veja.abril.com.br.
Acesso em: 15 set. 2013 (adaptado).
(ENCCEJA) – Para atrair a atenção do leitor, o gênero capa de revista
geralmente lança mão da linguagem verbal e não verbal. Considerando-se
o texto escrito dessa manchete, a imagem tem a função de
a) reforçá-lo. b) questioná-lo.
c) ridicularizá-lo. d) exemplificá-lo.
RESOLUÇÃO:
A imagem traduz, visualmente, a chamada “Estamos devorando
o planeta” e por transformar seu sentido figurado em literal, ou
seja, o garfo espetado na Terra em direção à boca, causa impacto
que reforça semanticamente a frase.
Resposta: A
AUMENTO DO EFEITO ESTUFA
AMEAÇA PLANTAS, DIZ ESTUDO
O aumento de dióxido de carbono na atmosfera,resultante do uso de combustíveis fósseis e das
queimadas, pode ter conse quên cias calamitosas para o
clima mundial, mas também pode afetar diretamente o
crescimento das plantas. Cientistas da Universidade de
Basel, na Suíça, mostram que, embora o dióxido de
carbono seja essencial para o crescimento dos
vegetais, quantidades excessivas desse gás prejudicam
a saúde das plantas e têm efeitos incalculáveis na
agricultura de vários países.
(O Estado de S. Paulo)
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12 PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
Disponível em: www.hospitalalbertorassi.org.br.
Acesso em: 13 dez. 2017 (adaptado).
� (DIGITAL-2021) – Considerando-se os ele -
mentos constitutivos do texto, esse anúncio
visa resolver um problema relacionado ao(à)
a) falta de cuidado com o meio ambiente.
b) uso indiscriminado de fontes de energia.
c) escassez de água em diversos pontos do planeta.
d) carência de medidas de controle de poluição ambiental.
e) ausência de ações de reciclagem de objetos descar táveis.
RESOLUÇÃO:
O anúncio analisado tem por objetivo incitar as pessoas ao
cuidado com o meio ambiente, buscando a adesão do leitor a
atitudes ecologicamente corretas. Resposta: A
Texto para o teste �.
� O texto e a imagem têm por finalidade induzir
o leitor a uma mudança de comportamento a
partir do(a)
a) consumo de produtos naturais provindos da Amazônia.
b) cuidado na hora de comprar produtos alimentícios.
c) verificação da existência do selo de padronização de
produtos industriais.
d) certificação de que o produto foi fabricado de acordo com
os princípios éticos.
c) verificação da garantia de tratamento dos recursos naturais
utilizados em cada produto.
RESOLUÇÃO:
O texto e a imagem têm por finalidade levar o leitor a consumir
produtos feitos com recursos amazônicos, em cuja elaboração se
respeitem princípios éticos. O selo de garantia indica que foram
respeitados a legislação ambiental e os direitos dos povos
indígenas. Resposta: D
Você sabia que as metrópoles são as grandes consumi -
do ras dos produtos feitos com recursos naturais da
Amazônia? Você pode diminuir os impactos à floresta
adquirindo produtos com selos de certificação. Eles são
encontrados em itens que vão desde lápis e embalagens de
papelão até móveis, cosméticos e materiais de construção.
Para receber os selos, esses produtos devem ser
fabricados sob 10 princípios éticos, entre eles o respeito à
legislação ambiental e aos direitos de povos indígenas e
populações que vivem em nossas matas nativas.
Vida simples. Ed. 74. dez 2008.
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13PORTUGUÊS
As orações subordinadas adjetivas são introduzidas pelos pronomes relativos.
ORAÇÃO SUBORDINADA ADJETIVA
encaixa-se na principal, equivalendo a um adjetivo.
RESTRITIVA EXPLICATIVA
• delimita ou define
mais cla ramente o
seu antece dente;
• não é separada por
vír gu la.
• apresenta uma expli-
ca ção ou pormenor
do an te cedente;
• é separada por
vírgula.
PRONOMES RELATIVOS
QUE
Substitui um termo da oração anterior.
É antecedido por preposição se o nome ou verbo a que
se associa a exigir.
Exemplos: Contou a novidade que todos já conheciam.
Comprou o carro de que gostara. Chegaram os livros
com que vou terminar meu trabalho.
O QUAL
Usa-se, preferencialmente, depois de
pre po sições com mais de uma sílaba.
Substitui o que para evitar ambiguidade.
É antecedido por preposição se o nome ou verbo a que
se associa a exigir.
Exemplos: A testemunha falou a verdade ao juiz
perante o qual depôs. O guia da tur ma, o qual se
atrasou, era novo na em pre sa. (Repare, neste último
exemplo, que o uso do que acarretaria ambi gui da de.)
QUEM
Usa-se com referência a pessoas.
Substitui aquele que.
De preferência, concorda com o verbo na ter cei ra
pessoa do singular.
É antecedido por preposição se o nome ou verbo a que
se associa a exigir.
Exemplos: João foi quem me defendeu.
Foi embora Júlia, por quem todos se apai xo naram.
ONDE
Usa-se com referência apenas a lugar.
Substitui em que, na qual.
Exemplos: Esta é a rua onde moro.
Va mos seguir o caminho por onde passo to dos os dias.
CUJO
Indica posse, vem antecedido de substantivo e seguido
também de substantivo. Não admite artigo posposto.
Substitui substantivo ou pronome
prece dido da preposição de.
É antecedido por pre posição exigida
pelo verbo que o segue.
Exemplos: Recordava apenas dos escri tores de cujos
livros havia gostado.
Visi tava sempre as primas em cuja casa passara a
infância.
53
Palavras-chave:
Orações
subordinadas adjetivas
• Pronomes relativos
• Referência ao antecedente
Observe como o simples uso de vírgulas altera o sentido
da frase.
O homem ambicioso nunca está satisfeito.
O homem que é ambicioso nunca está satisfeito.
Com estas frases, estamos afirmando que
• alguns homens são ambiciosos;
• se o homem é ambicioso, ele nunca está satisfeito.
Assim, a oração “que é ambicioso” restringe o seu
antece dente, “o homem”. Se essa oração fosse eli minada
do período, o sentido do que está sendo afirmado na
oração principal seria alterado. Como está, ela afirma que
só o homem ambicioso nunca está satisfeito. Sem a
oração adjetiva, ela passaria a significar que todo homem
está sempre insatisfeito.
O homem, ambicioso, nunca está satisfeito.
O homem, que é ambicioso, nunca está satisfeito.
Com estas frases, estamos afirmando que todo homem é
ambicioso e nunca está satisfeito. A oração “que é am -
bicioso”, entre vírgulas, introduz uma simples expli ca ção
sobre o antece dente “o homem”. Essa oração po de ria ser
eliminada do perío do sem que o sentido da oração
principal se alterasse. Nesse caso, apenas deixaríamos de
fornecer uma infor mação, um por menor, uma explicação
sobre uma característica dos homens. Portanto, o que aqui
se afirma é que todo homem é ambicioso e nunca está
satisfeito.
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14 PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
� (IBMEC) – Levando-se em conta os
aspectos textuais e visuais da tirinha, assinale
a alternativa correta.
a) A pergunta de Helga, no primeiro qua -
drinho, revela que ela quer pedir o divórcio.
b) O humor da tira se constrói a partir da pos -
sibi lidade de Helga ter se casado por duas
ve zes.
c) A pergunta de Eddie Sortudo, no segundo
quadrinho, evidencia a ideia de que Hagar é
um bom marido.
d) A graça da tira está no fato de Eddie
Sortudo partir da pressuposição de que
Helga não esti ves se se referindo a Hagar,
seu único marido.
e) A fisionomia de Hagar, nos dois qua -
drinhos, denota sua irritação com o fato de
Helga ter se lembrado de seu ex-marido.
Resolução
Como Helga referiu-se a Hagar na 3.a pessoa
(“o marido”), Eddie Sortudo entendeu que se
tra tava de outro homem.
Resposta: D
� (IBMEC) – Considere as afirmações:
I. No primeiro quadrinho, a sequência dos
adjetivos (esbelto, bonito, espirituoso)
resulta na intensificação progressiva de
seus significados, dando origem à figura
de estilo chamada de hipérbole.
II. Se em vez de empregar o verbo “haver”
(para indicar tempo decorrido), Helga
utilizasse o verbo “fazer”, segundo a
norma culta, o período deveria ser assim
reescrito: o que aconteceu com o marido
esbelto, bonito e espirituoso com o qual
casei fazem vinte anos?
III. A oração “com o qual casei” é
subordinada adjetiva restritiva.
Está(ão) correta(s):
a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III.
d) I e II. e) I e III.
Resolução
A oração “com o qual casei” é adjetiva restritiva
porque não se refere a qualquer marido, mas
àquele com quem Helga se casou. Em I, não se
tra ta de hipérbole (exagero), mas sim de gra da -
ção; em II, o verbo fazer, indicando tempo
decorrido, é impessoal, fica na 3.a pessoa do
singular: com o qual casei faz vinte anos.
Resposta: C
Texto para a questão
.
UM BALNEÁRIO HISTÓRICO
Guarujá deve ter herdado o nome
(“guaru-yá”) do termo indígena que indicaria a
passa gem estreita entre a praia das
Pitangueiras, a mais central, e a praia dos
Astúrias,que já foi chamada de praia do
Guarujá.
Além de Pitangueiras e Astúrias, a ilha
tem praias mais recônditas, como Tombo e
Guaíba. Tem ainda praias movimentadas, caso
da Enseada, cuja história se confunde com a
do imigrante de origem libanesa Miguel
Estefno; do Pernambuco / Jequitimar, onde
reinaram a quatrocentona Veridiana da Silva
Prado e o pioneiro Fernando Lee, em cuja ilha
do Arvoredo fazia experimentações com ener -
gias alternativas (eólica, das marés etc.) e cole -
cio nava plantas e aves exóticas.
(Folha de São Paulo, 21 de agosto de 2008.)
(PUC) – Assinale a alternativa que indica a
que se referem os pro no mes sublinhados no
texto “Um Balneário his tórico”, na ordem em
que aparecem,
a) Guarujá; termo indígena; Enseada; Pernam -
buco / Jequitimar; Fernando Lee.
b) termo indígena; praia dos Astúrias;
Enseada; Pernambuco / Jequitimar;
Fernando Lee.
c) Guarujá; Pitangueiras; Enseada; Veridiana
da Silva Prado; Fernando Lee.
d) praia dos Astúrias; termo indígena;
Pernam buco / Jequitimar; Enseada;
Fernando Lee.
e) Guaru-yá; praia dos Astúrias; caso da
Ensea da; Fernando Lee; Veridiana da Silva
Prado.
Resolução
Os antecedentes dos pronomes relativos, ou
seja, os termos que eles retomam, são
sempre contíguos a esses pronomes, em
geral imedia ta mente próximos, como em
todos os casos ocorrentes no texto dado. Não
há possibilidade de confusão neste teste: para
responder cor reta mente, bastava atenção e
adequado enten dimento do texto, que não
oferecia dificuldade.
Resposta: B
Texto para a questão �.
Há o lado policial, ou de guerra, com os
Estados Unidos construindo muros e forta -
lecendo a repressão em suas linhas de junção
com o território mexicano. E há o lado político
e econô mico: o da imigração. Um homem
mexi cano de 35 anos, com nove de instrução,
pode ganhar 132% a mais trabalhando nos
Estados Unidos.
� (FATEC) – As ora ções em cujo interior
estão os verbos construin do e fortalecendo,
destacados no trecho do texto, equivalem a
orações subordinadas adje ti vas (reduzidas de
gerúndio). Assinale a alter nativa em que essas
orações encontram-se desenvolvidas
adequadamente.
a) ... Estados Unidos ainda que construam
muros e que fortaleçam a repressão...
b) ... Estados Unidos, onde se constroem
muros e se fortalecem a repressão...
c) ... Estados Unidos, que constroem muros e
que fortalecem a repressão...
d) ... Estados Unidos logo que constroem
muros e fortalecem a repressão...
e) ... Estados Unidos no qual constroem
muros que fortalecem a repressão...
Resolução
A única alternativa que desenvolve adequada -
men te as duas orações reduzidas de gerúndio
é a c, que as transforma em orações subordi -
na das adjetivas co orde nadas entre si.
Resposta: C
Exercícios Resolvidos
� (IBMEC) – Levando-se em conta os
aspectos textuais e visuais da tirinha, assinale
a alternativa correta.
a) A pergunta de Helga, no primeiro qua -
drinho, revela que ela quer pedir o divórcio.
b) O humor da tira se constrói a partir da pos -
sibi lidade de Helga ter se casado por duas
ve zes.
c) A pergunta de Eddie Sortudo, no segundo
quadrinho, evidencia a ideia de que Hagar é
um bom marido.
d) A graça da tira está no fato de Eddie
Sortudo partir da pressuposição de que
Helga não esti ves se se referindo a Hagar,
seu único marido.
e) A fisionomia de Hagar, nos dois qua -
drinhos, denota sua irritação com o fato de
Helga ter se lembrado de seu ex-marido.
Resolução
Como Helga referiu-se a Hagar na 3.a pessoa
(“o marido”), Eddie Sortudo entendeu que se
tra tava de outro homem.
Resposta: D
� (IBMEC) – Considere as afirmações:
I. No primeiro quadrinho, a sequência dos
adjetivos (esbelto, bonito, espirituoso)
resulta na intensificação progressiva de
seus significados, dando origem à figura
de estilo chamada de hipérbole.
II. Se em vez de empregar o verbo “haver”
(para indicar tempo decorrido), Helga
utilizasse o verbo “fazer”, segundo a
norma culta, o período deveria ser assim
reescrito: o que aconteceu com o marido
esbelto, bonito e espirituoso com o qual
casei fazem vinte anos?
III. A oração “com o qual casei” é
subordinada adjetiva restritiva.
Está(ão) correta(s):
a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III.
d) I e II. e) I e III.
Resolução
A oração “com o qual casei” é adjetiva restritiva
porque não se refere a qualquer marido, mas
àquele com quem Helga se casou. Em I, não se
tra ta de hipérbole (exagero), mas sim de gra da -
ção; em II, o verbo fazer, indicando tempo
decorrido, é impessoal, fica na 3.a pessoa do
singular: com o qual casei faz vinte anos.
Resposta: C
Texto para a questão
.
UM BALNEÁRIO HISTÓRICO
Guarujá deve ter herdado o nome
(“guaru-yá”) do termo indígena que indicaria a
passa gem estreita entre a praia das
Pitangueiras, a mais central, e a praia dos
Astúrias, que já foi chamada de praia do
Guarujá.
Além de Pitangueiras e Astúrias, a ilha
tem praias mais recônditas, como Tombo e
Guaíba. Tem ainda praias movimentadas, caso
da Enseada, cuja história se confunde com a
do imigrante de origem libanesa Miguel
Estefno; do Pernambuco / Jequitimar, onde
reinaram a quatrocentona Veridiana da Silva
Prado e o pioneiro Fernando Lee, em cuja ilha
do Arvoredo fazia experimentações com ener -
gias alternativas (eólica, das marés etc.) e cole -
cio nava plantas e aves exóticas.
(Folha de São Paulo, 21 de agosto de 2008.)
(PUC) – Assinale a alternativa que indica a
que se referem os pro no mes sublinhados no
texto “Um Balneário his tórico”, na ordem em
que aparecem,
a) Guarujá; termo indígena; Enseada; Pernam -
buco / Jequitimar; Fernando Lee.
b) termo indígena; praia dos Astúrias;
Enseada; Pernambuco / Jequitimar;
Fernando Lee.
c) Guarujá; Pitangueiras; Enseada; Veridiana
da Silva Prado; Fernando Lee.
d) praia dos Astúrias; termo indígena;
Pernam buco / Jequitimar; Enseada;
Fernando Lee.
e) Guaru-yá; praia dos Astúrias; caso da
Ensea da; Fernando Lee; Veridiana da Silva
Prado.
Resolução
Os antecedentes dos pronomes relativos, ou
seja, os termos que eles retomam, são
sempre contíguos a esses pronomes, em
geral imedia ta mente próximos, como em
todos os casos ocorrentes no texto dado. Não
há possibilidade de confusão neste teste: para
responder cor reta mente, bastava atenção e
adequado enten dimento do texto, que não
oferecia dificuldade.
Resposta: B
Texto para a questão �.
Há o lado policial, ou de guerra, com os
Estados Unidos construindo muros e forta -
lecendo a repressão em suas linhas de junção
com o território mexicano. E há o lado político
e econô mico: o da imigração. Um homem
mexi cano de 35 anos, com nove de instrução,
pode ganhar 132% a mais trabalhando nos
Estados Unidos.
� (FATEC) – As ora ções em cujo interior
estão os verbos construin do e fortalecendo,
destacados no trecho do texto, equivalem a
orações subordinadas adje ti vas (reduzidas de
gerúndio). Assinale a alter nativa em que essas
orações encontram-se desenvolvidas
adequadamente.
a) ... Estados Unidos ainda que construam
muros e que fortaleçam a repressão...
b) ... Estados Unidos, onde se constroem
muros e se fortalecem a repressão...
c) ... Estados Unidos, que constroem muros e
que fortalecem a repressão...
d) ... Estados Unidos logo que constroem
muros e fortalecem a repressão...
e) ... Estados Unidos no qual constroem
muros que fortalecem a repressão...
Resolução
A única alternativa que desenvolve adequada -
men te as duas orações reduzidas de gerúndio
é a c, que as transforma em orações subordi -
na das adjetivas co orde nadas entre si.
Resposta: C
Utilize a tirinha abaixo para responder os testes � e �.
(Dik Browne, O melhor de Hagar, o Horrível, L&PM)
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15PORTUGUÊS
� Classifique as orações adjetivas destacadas, colo cando R
para as restritivas e E para as explicativas. Coloque vírgula
antes da oração adjetiva, quando se tratar de explicativa.
a) Convocaram os candidatos, mas somente os que falavam
mais de uma língua estrangeira.
Convocaram os candidatos que falavam mais de uma língua
estrangeira.
b) Convocaram oscandidatos e descobriram que eles falavam
mais de uma língua estrangeira.
Convocaram os candidatos que falavam mais de uma língua
estrangeira.
c) Muitas crianças morrem por doenças, mas essas doenças
podiam ser evitadas.
Muitas crianças morrem por doenças que podiam ser
evitadas.
d) Os cremes criados com recurso da nanotec nolo gia atingem
as camadas mais profundas da pele.
Os cremes faciais que são criados com recurso da
nanotecnologia atingem as camadas mais profun das da
pele.
e) A África concentra os maiores bolsões de miséria do planeta
e tem obstáculos quase intransponíveis ao desenvolvi -
mento.
A África que concentra os maiores bolsões de miséria do
planeta tem obstáculos quase intrans poníveis ao
desenvolvimento.
RESOLUÇÃO:
A África, que concentra os maiores bolsões de miséria do planeta,
tem obstáculos quase intransponíveis ao desen volvimento.
� (FGV) – Compare as duas frases, observando sua
pontuação.
Assinale a alternativa correta quanto ao sentido dessas frases.
a) A primeira afirma que somente as meninas feias serão
beijadas; as bonitas não.
b) A primeira afirma que todas as meninas da festa são feias –
e serão beijadas.
c) A segunda afirma que todas as meninas da festa são feias
– e serão beijadas.
d) A segunda afirma que somente as meninas bonitas serão
beijadas; as feias não.
e) As duas frases afirmam que as meninas bonitas serão
beijadas.
( R )
RESOLUÇÃO:
Convocaram os candidatos que falavam mais de uma língua
estrangeira.
( E )
RESOLUÇÃO:
Convocaram os candidatos, que falavam mais de uma língua
estrangeira.
( R )
( R )
( E )
RESOLUÇÃO:
Quando separada por vírgula, como no primeiro período, a
oração subordinada adjetiva "que são feias" é explicativa, ou
seja, ela se refere a uma propriedade do conjunto ("as meni nas")
retomado pelo pronome rela tivo. Portanto, no primeiro período,
afirma-se que "as meninas (sem restrição) são feias", e todas
serão beija das. No segundo período, sem vírgula, a oração
adjetiva é restritiva, ou seja, demarca apenas um subconjunto do
grupo a que o pronome relativo se refere. Portanto, no segundo
período, o sentido é que parte das meninas são feias, e apenas
estas serão beijadas.
Resposta: B
Nesta festa, só beijarei as meninas, que são feias.
Nesta festa, só beijarei as meninas que são feias.
Exercícios Propostos
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 15
16 PORTUGUÊS
(UFSCar) – O que não é pronome relativo na opção:
a) “Não há mina de água que não o chame pelo nome, com
arrulhos de namorada.”
b) “Não há porteira de curral que não se ria para ele, com
risadinha asmática de velha regateira.”
c) “— Me espere em casa, que eu ainda vou dar uma espiada
na novilhada parida da vereda.”
d) “— Tenho uma corrente de prata lá em casa que anda atrás
de uma trenheira destas para pendurar na ponta.”
e) “Quem seria aquele sujeito que estava de pé, encostado ao
balcão, todo importante no terno de casimira?”
RESOLUÇÃO:
“Que” equivale a “porque”, é uma conjunção explicativa.
Resposta: C
� Identifique o trecho que apresenta ambiguidade no período
abaixo. Explique como o duplo sentido poderia ser evitado.
� (UNICAMP) – A organização sintática dada a certos
trechos exige do leitor um esforço desnecessário de
interpretação. Abaixo você tem um exemplo disso.
a) Reescreva o trecho, apenas alterando a ordem, de forma a
tornar a leitura mais simples.
b) Com base na solução que você propôs, explique por que, do
ponto de vista da estrutura sintática do português, o trecho
acima oferece dificuldade desnecessária para a
compreensão.
RESOLUÇÃO:
O trecho que apresenta duplo sentido é "que apoiou o pro jeto de
clonagem terapêutica", pois não se sabe a quem se refere, se à
esposa ou ao médico.
A ambiguidade poderia ser evitada com o emprego de o qual,
referindo-se ao médico, ou a qual, referindo-se à esposa.
RESOLUÇÃO:
Alzira Alves Filha, que estava acompanhada de um grupo de
adeptos do Movimento Evangélico Unido, recebeu um colar
indígena feito de escamas de pirarucu e frutos-do-mar ao chegar
ao ancoradouro.
RESOLUÇÃO:
O trecho oferece dificuldade de compreensão porque a oração ad -
jetiva está distante do termo ao qual se refere, Alzira Alves Filha.
A esposa do médico que apoiou o projeto de clonagem
terapêutica festejou a aprovação da lei.
Ao chegar ao ancoradouro, recebeu Alzira Alves Filha
um colar indígena feito de escamas de pirarucu e frutos do
mar, que estava acompanhada de um grupo de adeptos do
Movimento Evangélico Unido.
(Folha de S. Paulo)
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(FGV) – Observe o período e as palavras destacadas.
A respeito das palavras destacadas, pergunta-se:
a) Qual o antecedente de que?
RESOLUÇÃO:
O antecedente do pronome relativo que é “os homens e as
mulheres”.
b) Qual palavra é substituída por as?
RESOLUÇÃO:
O pronome pessoal oblíquo as substitui o substantivo palavras.
c) Que outra forma seria possível usar em lugar de de que?
RESOLUÇÃO:
Em lugar de de que poder-se-ia usar das quais.
Texto para os testes � e �.
� (FUVEST) – A repetição de “precisa viajar” acentua, no
contexto, o valor daquelas experiências que
a) se traduzem na exploração de nossa plena capacidade
imaginativa.
b) concretizam o aprendizado das diferenças que formam a
identi dade pessoal.
c) ratificam a convicção de quem julga conhecer o que apenas
imaginou.
d) acabam comprovando a importância de se viver tudo o que
se planejou.
e) reforçam a simplicidade do prazer de um cotidiano sem
surpresas.
� (FUVEST) – Na frase “...que nos faz professores e
doutores do que não vimos...”, o pronome des tacado retoma a
expressão antecedente
a) “para lugares”.
b) “o mundo”.
c) “um homem”.
d) “essa arrogância”.
e) “como o imaginamos”.
RESOLUÇÃO:
O texto constitui-se num convite ao leitor para se abrir a novas
experiências. Para o autor, as diferenças opositivas são
fundamen tais na formação do caráter do homem. Segundo o
texto, o homem deve “conhecer o frio para conhecer o calor. E o
oposto.” Essa inter pre tação ocorre na alternativa b.
Resposta: B
RESOLUÇÃO:
O pronome relativo, em função de sujeito, retoma o ter mo essa
arrogância.
Resposta: D
O dicionário, imagem ordenada do mundo, constrói-se
e desenvolve-se sobre palavras que viveram uma vida
plena, que depois envelhe ceram e definharam, primeiro
geradas, depois geradoras, como o foram os homens e as
mulheres que as fizeram e de que iriam ser, por sua vez,
e ao mesmo tempo, senhores e servos.
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio
de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si,
com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um
dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para conhecer o calor. E o oposto. Sentir a
distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece
para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo
como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode
ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos,
quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.
(Amyr Klink, Mar sem fim)
17PORTUGUÊS
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18 PORTUGUÊS
1. Entrevista
Tipo de matéria jornalística redigida sob a forma de perguntas e respostas. Reproduz o diálogo mantido entre o
repórter e o entrevistado.
A entrevista desempenha um papel importantíssimo para o desenvolvimento social: ela é crucial para a propagação
do conhecimento, para o posicionamento da crítica e também para que sejam formuladas opiniões a respeito de algo,
alguém ou de um fato.
Esse gênero discursivo instiga a discussão sobre um determinado assunto, tendo como característica principal a
declaração explícita.
Dependendo do que se pretende, existem diferentes tipos de entrevistas: entrevista de emprego, entrevista
jornalística, entrevista psicológica, entrevista comportamental, entrevista social, entre outras.
Uma entrevista pode ser classificada comoaberta (com um tema que é desenvolvido de maneira livre), semiaberta
(possui um roteiro como base, mas segue com o apoio de opiniões e ideias) ou fechada (com questionários). Ela pode
tanto ser feita de modo individual como em grupo, mediante o uso de um questionário, como é o caso do censo
demográfico feito pelo IBGE.
Exemplo:
Fritjof Capra, 81 – Nascimento: Viena (Áustria), 1939. Formação: PhD em teoria física pela Universidade de Viena. Obras: “O
Tao da Física” (1975), “O Ponto de Mutação” (1992), “As Conexões Ocultas”(2002) e “A Visão Sistêmica da Vida” (2014), entre
outros. Cofundador do Centro de Alfabetização Ecológica, em Berkeley (EUA).
Ícone do pensamento sistêmico, o físico e ambientalista austríaco Fritjof Capra, 81, interpreta a pandemia da Covid-19 como
uma resposta biológica da Terra diante de emergências sociais e ecológicas amplamenta negligenciadas.
Para Capra, as mudanças de paradigma necessárias a essas emergências já são possíveis, tanto do ponto de vista do
conhecimento quanto do desenvolvimento tecnológico.
Em quais aspectos o momento presente pode redefinir a condição humana?
O coronavírus deve ser visto como uma resposta biológica de Gaia, nosso planeta vivo, à emergência social e ecológica que
a humanidade criou para si própria. A pandemia emergiu de um desequilíbrio ecológico e tem consequências dramáticas por conta
de desigualdades sociais e econômicas.
Num momento em que o valor do conhecimento científico biológico e tecnológico se mostram tão importantes, qual é
o papel das humanidades?
Se temos todo o conhecimento científico e tecnológico para construirmos um futuro sustentável, porque não o fazemos
simplesmente? Quando refletimos sobre essa questão crucial, rapidamente percebemos que o nível conceitual não conta toda essa
história. Nós também precisamos lidar com valores e éticas, e é por isso que as ciências humanas são mais importantes do que nunca.
Literatura, filosofia, história, antropologia podem todas nos imbuir do compasso moral que tanto falta à política e à economia
atuais.
O que você aprendeu com a pandemia?
Tem sido incrível para mim ver como o coronavírus expôs tantas injustiças ecológicas, sociais e raciais omitidas por décadas
pelas mídias de massa.
Também fiquei espantado de ver como, em um curto espaço de tempo, a poluição quase desapareceu da baía de São
Francisco, na Califórnia (EUA), onde eu vivo, assim como ocorreu em várias das grandes cidades do mundo. Isso me encheu de
esperança quanto à capacidade da Terra de se regenerar.
(Folha de S. Paulo, 10 ago. 2020)
54
Palavras-chave:
Gênero textual – Entrevista • Interlocução
• Opinião
• Crítica
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19PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para a questão �.
ENTREVISTA — TONY BELLOTTO
A LÍNGUA É ROCK
Guitarrista do Titãs e escritor completa dez anos à
frente de programa televisivo em que discute a língua
portuguesa por meio da música
O que o atraiu na proposta de Afinando a Língua?
No começo, em 1999, a ideia era fazer um programa que falasse
de língua portuguesa usando a música como atrativo, principalmente,
para os jovens. Com o passar do tempo, ele foi se transformando num
programa sobre a linguagem usada em letras de música, no
jornalismo, na literatura de ficção e na poesia. Como não sou um cara
de TV, trago a experiência de escritor e músico, e sempre participo de
forma mais ativa do que como um mero apresentador. Estou nas
reuniões de pauta e faço sugestões nos roteiros. Mas o conteúdo é
feito pelo pessoal do Futura.
Quais as vantagens e desvantagens do ensino da língua por
meio das letras de música?
Não sou pedagogo ou educador, então só vejo vantagens, porque
as letras de música usam uma linguagem que é a do dia a dia,
principalmente, dos jovens. A música é algo que lhes dá prazer e,
didaticamente, pode fazer as vezes de algo que o aluno tem a noção
de ser entediante — estudo da língua, sentar e abrir um livro. Ao ouvir
uma música, os exemplos surgem. É a grande vantagem e sempre foi
a ideia do programa.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br.
Acesso em: 8 ago. 2012 (fragmento).
� (2.a aplicação) – Os gêneros textuais são
definidos por meio de sua estrutura, função e
contexto de uso.Tomando por base a estrutura
dessa entrevista, observa-se que
a) a organização em turnos de fala reproduz o diálogo que ocorre
entre os interlocutores.
b) o tema e o suporte onde foi publicada justificam a ausência de
traços da linguagem informal.
c) a ausência de referências sobre o entrevistado é uma estratégia
para induzir à leitura do texto na íntegra.
d) o uso do destaque gráfico é um recurso de edição para ressaltar a
importância do tema para o entrevistador.
e) o entrevistado é um especialista em abordagens educacionais
alternativas para o ensino da língua portuguesa.
Resolução
O diálogo é evidente no texto entre a revista Língua e Tony Bellotto,
pois este responde às perguntas feitas pela revista. Trata-se, portanto,
de uma entrevista.
Resposta: A
Texto para a questão �.
ENTREVISTA COM MARCOS BAGNO
Pode parecer inacreditável, mas muitas das prescrições da
pedagogia tradicional da língua até hoje se baseiam nos usos que os
escritores portugueses do século XIX faziam da língua. Se tantas
pessoas condenam, por exemplo, o uso do verbo “ter” no lugar de
“haver”, como em “hoje tem feijoada”, é simplesmente porque os
portugueses, em dado momento da história de sua língua, deixaram
de fazer esse uso existencial do verbo “ter”. No entanto, temos
registros escritos da época medieval em que aparecem centenas
desses usos. Se nós, bra sileiros, assim como os falantes africanos de
português, usamos até hoje o verbo “ter” como existencial é porque
recebemos esses usos dos nossos ex-colo nizadores. Não faz sentido
imaginar que brasileiros, angolanos e moçambicanos decidiram se
juntar para “errar” na mesma coisa. E assim acontece com muitas
outras coisas: regências verbais, colocação pronominal,
concordâncias nomi nais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas
ainda somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra
língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicentenário
de independência, não faz sentido continuar rejeitando o que é nosso
para só aceitar o que vem de fora.
Não faz sentido rejeitar a língua de 190 milhões de brasileiros para
só considerar certo o que é usado por menos de dez milhões de
portugueses. Só na cidade de São Paulo temos mais falantes de
português do que em toda a Europa!
(Informativo Parábola Editorial, s/d.)
� Na entrevista, o autor defende o uso de formas
linguísticas coloquiais e faz uso da norma-padrão
em toda a extensão do texto. Isso pode ser
explicado pelo fato de que ele
a) adapta o nível de linguagem à situação comunicativa, uma vez que
o gênero entrevista requer o uso da norma-padrão.
b) apresenta argumentos carentes de comprovação cien tífica e, por
isso, defende um ponto de vista difícil de ser verificado na
materialidade do texto.
c) propõe que o padrão normativo deve ser usado por falantes
escolarizados como ele, enquanto a norma coloquial deve ser
usada por falantes não escola rizados.
d) acredita que a língua genuinamente brasileira está em cons trução,
o que o obriga a incorporar em seu cotidiano a gramática normativa
do português europeu.
e) defende que a quantidade de falantes do português brasileiro ainda
é insuficiente para acabar com a hegemonia do antigo colonizador.
Resolução
Apesar de defender no texto o uso de uma língua brasi leira, já
bastante afastada da gramática norma tiva do português europeu, o
autor emprega a norma-padrão porque se trata de um texto a ser
publicado, ou seja, ele “adapta o nível de linguagem à situação
comunicativa”.
Resposta: A
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20 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (UNICAMP-2020)
a) Explique, com base em dois argumentos presentes no
texto, por que, para o autor, escrever dicionários é uma
tarefa política.
RESOLUÇÃO:
Para o autor, o dicionáriofunciona como “meio didático e eficaz
para disseminar o conhecimento”, considerando a grande
contribuição dos idiomas bantos na formação do vocabulário
brasileiro e a relevância da cultura africana no contexto nacio nal.
b) Que crítica o autor faz aos currículos escolares e que
abordagem propõe para o assunto?
RESOLUÇÃO:
O autor critica o fato de que nas escolas o currí culo baseia-se no
princípio de que “nossos an cestrais foram todos escravos”, mas
não enfatiza a realidade que produziu a escravidão. Para ele, é ne -
ces sário “descolonizar o pensamento brasilei ro”, pois entende-se
o continente africano apenas a partir da colonização do Brasil. O
autor pretende que se conheça a história da África antes da
escravidão e a atual, decorrente das ações dos invasores
europeus que usurparam territórios do continente africano.
O dicionarista e historiador Nei Lopes, autor do Dicionário
banto do Brasil, afirmou, em entrevista à Revista Fapesp:
Resolvi elaborar um dicionário para identificar os
vocábulos da língua portuguesa com origem no universo dos
povos bantos, denominação que engloba centenas de
línguas e dialetos africanos. Palavras como babá, baia,
banda, caçapa, cachimbo, dengo, farofa, fofoca e minhoca,
por exemplo, têm origem provável ou com provada em
línguas bantas e o quimbundo pode ter sido o idioma que
mais contribuiu à formação de nosso vocabulário. Ao
constatar tal quantidade de palavras originárias de idiomas
bantos que circulam pelo país, quis comprovar a importância
dessas culturas para o contexto nacional. Assim, escrever
dicionários, para mim, também é uma tarefa política. Percebi
que dicionários funcionam como um meio didático eficaz
para disseminar conhe cimento.
Os currículos costumam começar a abordagem sobre a
África a partir da escravidão, partindo do princípio de que os
nossos ancestrais foram todos escravos. Nos ensinamentos
sobre o assunto, é preciso descolonizar o pensamento
brasileiro, deixando evidente como os grandes centros
europeus espoliaram o continente e que, hoje, a realidade
africana é fruto dessas ações.
(Adaptado de Nei Lopes, O dicionário heterodoxo.
Entrevista concedida a Cristina Queiroz. Revista Fapesp.
Edição 275, jan. 2019. Disponível em
http://revistapesquisa.fapesp.br/
2019/01/10/nei-braz-lopes-o-dicionarista-heterodoxo/.
Acessado em 23/08/2019.)
Exercícios Propostos
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21PORTUGUÊS
Para responder às questões de � e
, leia o trecho de uma
entrevista concedida pelo crítico e historiador americano
Stephen Greenblatt, especialista na obra de Shakespeare.
� (FGV) – Segundo o entrevistado, constitui um traço da
personalidade do tirano a
a) perseguição àqueles que aderem ao ateísmo.
b) tentativa de obter a adesão de outras etnias para conseguir
seus intentos.
c) insegurança no relacionamento com pessoas de outro sexo.
d) tendência de cultivar a vaidade e o autocentramento.
e) obsessão por impor leis, mesmo as mais injustas.
RESOLUÇÃO:
A descrição feita pelo especialista em Shakespeare, Stephen
Greenblatt, deixa evidentes algumas características negativas de
um tirano, entre elas “Um certo narcisismo”, “Um espírito de
intimidação”. Resposta: D
(FGV) – Para atribuir um caráter atemporal à represen ta -
ção das características do tirano presente nas obras de
Shakespeare, o entrevistado se vale do emprego
a) de diferentes modos verbais.
b) do pretérito imperfeito.
c) de várias frases nominais (sem verbo).
d) de formas verbais que expressam hipótese.
e) do presente do indicativo.
RESOLUÇÃO:
Há no texto várias frases nominais, ou seja, sem verbo, “Um
certo tipo de narcisismo”, “Uma certa rudeza”, “Um desprezo
pela lei”, “Um certo tipo de comportamento sexualmente
intimidante”, porém o que dá ao texto um caráter atemporal é o
emprego dos verbos no presente do indicativo: “levanta”,
“comporta”, “pode alcançar”, “defendem”, “pergunta”,
“parece”, “tem”. Resposta: E
Leia o seguinte trecho de uma entrevista concedida pelo
escritor Luiz Ruffato, para responder às questões � e �:
� (FUVEST-TRANSF) – No texto, o autor expressa um
mesmo conceito por meio da palavra “maniqueísmo” e da
expressão
a) “momento de intolerância”.
b) “jogo fatal”.
c) “verdades absolutas”.
d) “pensamento binário”.
e) “supremacia do pensamento único”.
RESOLUÇÃO:
A palavra “maniqueísmo”significa uma visão de mundo dividida
em poderes opostos, ideia retomada pela expressão
“pensamento binário”.
Resposta: D
� (FUVEST-TRANSF) – A expressão sublinhada no trecho
“que até mesmo aquela autora bestseller, (...), já sabia”
contém um pressuposto que revela, por parte do autor,
a) neutralidade.
b) admiração.
c) desapreço.
d) surpresa.
e) ressentimento.
RESOLUÇÃO:
A expressão “até mesmo”, no texto, indica “desapreço,
menosprezo, desconsideração”, sugerindo que a ideia
apresentada sobre verdades absolutas é tão óbvia que até a
autora Erika L. James foi capaz de perceber.
Resposta: C
— Quais são as características de um tirano nas obras de
Shakespeare?
— Shakespeare entendia, e não só ele, mas também sua
época, que um tirano era aquele que governava ilegitimamente,
que fazia isso de acordo com seus próprios interesses e não
com os de seu país. Shakespeare representou certos traços de
personalidade como se fossem característicos do tirano. Um
certo tipo de narcisismo. Um espírito de intimidação, um modo
de mobilizar as pessoas contra inimigos imaginários ou contra
aqueles que são de outra etnia ou religião. Uma certa rudeza.
Um desprezo pela lei. Um certo tipo de comportamento
sexualmente intimidante. A questão que Shakespeare levanta,
insistentemente, é como alguém com essas características,
alguém que se comporta assim, pode alcançar o poder. Porque
as sociedades em geral se defendem contra personalidades
desse tipo — normalmente, elas não sucumbem. Então
Shakespeare se pergunta como é possível que aquilo que
parece ser um Estado saudável ou razoavelmente saudável, no
qual a maioria das pessoas tem no fim das contas o próprio
interesse, possa cair nas mãos de um líder realmente
catastrófico ou de um tirano.
Época, 17.12.18. Adaptado.
— Uma leitura feita sobre a situação política no Brasil é a
de que estamos caindo em uma dicotomia bastante
superficial e, bem no fim, inútil. Você concorda?
— Vivemos hoje um perigoso momento de intolerância.
Joga -se um jogo fatal entre nós (os bons, inteligentes e
honestos) e eles (os maus, burros e corruptos). Acho um
horror qualquer tipo de maniqueísmo ou de fanatismo. Não
é saudável, não leva a lugar algum. As pessoas tornam -se
arrogantes, prepotentes, cegas. Abraçam verdades
absolutas e esquecem- se de algo que até mesmo aquela
autora best-seller, Erika L. James, já sabia: entre o preto e o
branco há pelo menos 50 tons de cinza. O pensamento
binário é autoritário, não aceita divergência, é impositivo,
ditatorial. A democracia é a convergência de opiniões
divergentes. Não a supremacia do pensamento único.
Estado de S. Paulo, 06 abr. 2016. Adaptado.
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22 PORTUGUÊS
Leia um trecho do artigo de Lira Neto para responder às
questões de a �.
(FAMERP) – Segundo o jornalista, o telespectador típico
a) tem dificuldade para entender a Era Vargas.
b) é imaturo.
c) é capaz de entender qualquer explicação.
d) evita mudar de canal.
e) busca informações históricas ao acaso.
RESOLUÇÃO:
Segundo o jornalista, o telespectador típico deve ser imaginado
como “alguém com a idade mental de 14 anos”, ainda que seja
adulto.
Resposta: B
� (FAMERP) – A leitura do trecho permite afirmar que Lira
Neto
a) não pôde dizer aquilo que realmente pensava.
b) pensou em citar uma personagem de desenho animado.
c) imaginou que o repórter se parecia com Homer Simpson.
d) utilizou os filhos como parâmetro para o conteúdo de sua
fala.
e) criou uma distância necessária com o telespectador.
RESOLUÇÃO:
Lira Neto, desconsiderando a orientação, imaginou os próprios
filhos como interlocutores, pois a pater ni dade lhe ensinou adiferença entre “didatismo e o discurso toleirão”.
Resposta: D
� (FAMERP) – Para orientar sua fala na entrevista, Lira Neto
estabeleceu uma relação de equivalência entre:
a) idade mental e limites / pai e crianças.
b) reportagem e canal por assinatura / Era Vargas e conversa.
c) repórter e operador / telespectador e sujeito.
d) lata de cerveja e controle remoto / intervalo e filme.
e) didatismo e clareza / discurso toleirão e parvoíce.
RESOLUÇÃO:
Há equivalência de sentido entre “didatismo” e “clareza”,
“discurso toleirão” e “parvoíce”.
Resposta: E
Leia o trecho de uma entrevista com o cineasta francês Jean
Renoir (1894-1979), filho do conhecido pintor Pierre-Auguste
Renoir, datada de novembro de 1958.
(FAMEMA) – Neste trecho da entrevista, Jean Renoir
reflete sobre
a) a materialidade dos objetos artísticos.
b) o significado dos objetos artísticos.
c) a finalidade dos objetos artísticos.
d) o conteúdo dos objetos artísticos.
e) a origem dos objetos artísticos.
RESOLUÇÃO:
Nesse fragmento, Jean Renoir tece considerações acerca da
constituição provisória de toda e qualquer obra humana, na qual
se encontram os objetos artísticos. De acordo com o cineasta
francês, a materialidade é passível de deterioração, seja uma
sólida obra arquitetônica, seja um artigo veiculado num jornal.
Resposta: A
Cheguei mesmo a me perguntar se toda obra humana
não é provisória – mesmo um quadro, mesmo uma estátua,
mesmo uma obra arquitetônica, mesmo o Partenon. Seja
qual for a solidez do Partenon, o que resta dele é muito
pouco e não temos nenhuma ideia do que era quando
acabara de ser construído. Mesmo o que resta vai
desaparecer. Talvez se consiga, a custa de tanto colocar
cimento nas colunas, mantê-lo por cem anos, duzentos
anos, digamos quinhentos anos, digamos mil anos. Mas,
enfim, chegará um dia em que o Partenon não existirá mais.
Pergunto-me se não seria mais honesto abordar a obra de
arte sabendo que ela é provisória e irá desaparecer, e que, na
verdade, relativizando, não há diferença entre uma obra
arquitetônica feita em mármore maciço e um artigo de jornal,
impresso em papel e jogado fora no dia seguinte.
(Jean Renoir apud Jorge Coli. O que é arte, 2013. Adaptado.)
[...] dia desses, uma equipe de reportagem de um canal
por assinatura veio até minha casa para me entrevistar sobre
a Era Vargas. O repórter que conduziria a conversa advertiu-
me, antes de o operador ligar a câmera: “Pense que nosso
telespectador típico é aquele sujeito esparramado no sofá,
com uma lata de cerveja numa mão e o controle remoto na
outra, que esbarrou na nossa reportagem por acaso, durante
o intervalo de um filme de ação”, detalhou. “É para esse
cara que você vai falar; pense nele como alguém com a
idade mental de 14 anos.”
Sou cortês, mas tenho meus limites. Quase enxotei o
colega porta afora, aos pontapés. Respirei fundo e procurei
ser didático, sem me esforçar para parecer que estava
falando com o Homer Simpson postado ali do outro lado da
lente. Afinal, como pai de duas crianças, acredito que há uma
enorme distância entre o didatismo e o discurso toleirão,
entre a clareza e a parvoíce.
(“A TV virou um dinossauro”. Folha de S.Paulo, 09.07.2017.)
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23PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
A torre de controle de voos de São José dos
Campos (SP) autorizou os pilotos do Legacy,
Joe Lepore e Jan Paladino, a voar na altitude de
37 mil pés até o aeroporto Eduardo Gomes, em
Manaus, apesar de essa altitude, onde estava o
Boeing-737 da Gol atingido e derrubado no
choque com o jato da Embraer, ter se tornado
“contra mão” na rota após Brasília.
Esse foi o primeiro de uma sucessão de
erros que geraram o choque, em 29 de
setembro, matando 154 pessoas. Depois
disso, houve falha na comunicação entre o
Legacy e o Cindacta-1 (Centro de Controle do
tráfego aéreo de Brasília), o transponder (que
alertaria o sistema anticolisão do Boeing) não
estava fun cio nando no Legacy e o avião da Gol
não foi alertado para o risco.
(Eliane Catanhede, “Caixa-preta
do Legacy revela que torre errou.”
Folha de São Paulo, 2/11/06.)
(Texto adaptado para fins de vestibular)
� (PUC) – Entender a função e o sentido das
palavras respon sáveis pela coesão em um texto
é essencial para a sua com preensão. No
primeiro parágrafo do texto acima, você
encontra o trecho: “...apesar de essa altitude,
onde estava o Boeing-737 da Gol atingido e
derrubado no choque com o jato da Embraer, ter
se tornado ‘contramão’ na rota após Brasília”.
Em relação ao uso de apesar e de onde, é
adequado afirmar que
a) enquanto apesar indica finalidade em rela -
ção ao fato expresso na oração anterior,
onde se refere à torre de controles de voos.
b) enquanto apesar indica consequência em
re la ção ao fato expres so na oração anterior,
onde se refere ao Aeroporto Eduardo
Gomes.
c) enquanto apesar indica concessão em rela -
ção ao fato expresso na oração anterior,
onde se refere à altitude de 37 mil pés.
d) enquanto apesar indica condição em
relação ao fato expresso na oração anterior,
onde se refere ao Centro de Controle do
tráfego aéreo em Brasília.
e) enquanto apesar indica proporção em rela -
ção ao fato expresso na oração anterior,
onde se refere à Embraer.
Resolução
Apesar de é locução conjuntiva concessiva,
equivalente a embora, conquanto, se bem
que. As orações con ces sivas admitem alguma
restrição ou contradição relativa ao que se
afirma na oração principal. O ante cedente do
pronome relativo onde é "essa altitude".
Resposta: C
� (FGV) – Escolha a alter nativa que preencha
corretamente as lacunas das frases abaixo.
1. Por acaso, não é este o livro ___________ o
professor se refere?
2. As Olimpíadas _________________ abertura
assistimos foram as de Tóquio.
3. Herdei de meus pais os princípios morais
___________ tanto luto.
4. É bom que você conheça antes as pessoas
___________ vai trabalhar.
5. A prefeita construirá uma estrada do centro
ao morro _______ será construída a igreja.
6. Ainda não foi localizada a arca ___________
os piratas guardavam seus tesouros.
a) de que, cuja, para que, com os quais, sobre
que, em que.
b) que, de cuja, com que, para quem, no qual,
que.
c) em que, cuja, de que, para os quais, onde,
na qual.
d) a que, a cuja, em que, com que, que, em que.
e) a que, a cuja, por que, com quem, sobre o
qual, onde.
Resolução
Os pronomes relativos serão ou não
precedidos de preposição conforme a regência
dos verbos. Sendo assim, temos
– em 1: “a que” (o verbo referir-se rege a
preposição a);
– em 2: “a cuja”( o verbo assistir, na acepção
de “ver”, “estar presente”, rege a preposição a;
– em 3: “por que” (= “pelos quais”) – o
verbo lutar rege a preposição por;
– em 4: “com quem” (o verbo trabalhar está
seguido de adjunto iniciado por com);
– em 5: “sobre o qual” (nesta frase, o verbo
construir aparece modificado por este adjunto
adverbial de lugar: construir algo em algum
lugar);
– em 6: “onde (= na qual) – nesta frase, o
verbo guardar aparece acompanhado por este
adjunto adverbial de lugar: guardar algo em
algum lugar.
Resposta: E
(FGV) – Assina le a alternativa em que a
ausência da prepo sição, antes do pronome
relativo que, está de acordo com a norma culta.
a) É uma quantia vultosa, que o Estado não
dispõe: falta-lhe numerário.
b) Vi claramente o bolso que você pôs o
dinheiro nele.
c) Não interessava perguntar qual a agência
que o remetente enviou a carta.
d) A garota que eu gosto não está namorando
mais. Chegou a minha oportunidade.
e) Essa era a declaração que o alcaide insistia
em fazer.
Resolução
Na alternativa apontada, o pronome relativo
que não precisa vir antecedido de preposição,
pois o verbo fazer é transitivo direto (“fazer a
decla ração”). Em a, o verbo dispor rege
preposição de (“...de que o Estado não
dispõe...”); em b, o verbo pôr admite adjunto
adverbial de lugar com preposição em (“... o
bolso em que você pôs o dinheiro...”); em c, o
verbo enviar rege preposição a ou para (“... a
agência a/para que o remetente enviou a
carta...”); em d, o verbo gostarrege
preposição de (“… ga ro ta de que eu gosto...”).
Resposta: E
VARIÁVEIS
INVARIÁVEIS
MASCULINO FEMININO
Singular
o qual
cujo
quanto
Plural
os quais
cujos
quantos
Singular
a qual
cuja
Plural
as quais
cujas
que
quem
onde
Exercícios Resolvidos
56
Palavras-chave:
Emprego do pronome
relativo
• Antecedente
• Preposição
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24 PORTUGUÊS
� Reescreva a fala do primeiro quadro da tira, adaptando-a à
norma culta. Justifique sua resposta.
� Preencha as lacunas das frases abaixo com o pronome
relativo adequado, precedido ou não de preposição.
cujosa) A menina tinha uma boneca de louça _________________
cabelos lembravam fios de ouro.
com quemb) Eram atores ________________________ nunca simpatizei.
a quec) O livro ____________________ me refiro chama-se O Roteiro
de Deus.
em quemd) São pessoas ___________________ meu pai nunca confiou.
de quee) O dono da empresa apresentou-nos os recursos __________
_____________ ele dispunha.
em que / ondef) A sala _______________________________ estamos é pouco
ventilada.
cujosg) São crianças ____________________ pais não deixaram em
qualquer escola maternal.
por quemh) Ele sempre falava em certos livros e autores _____________
_________________ tinha verdadeira paixão.
quei) Procurou-me aquele Pastor ___________________ tanto me
ajudou nestes anos de luta.
com quemj) O delegado chamou seus subalternos ___________________
manteve uma longa conversa.
� (ITA) – Assinale a opção em que a palavra onde está
corretamente empregada.
a) Após o comício, houve briga onde estavam envolvidos
estudantes de duas escolas diferentes.
b) Os músicos criaram um clima de alegria onde o anfitrião foi
responsabilizado.
c) Foi importante a reforma do estatuto da escola, de onde
resultou melhoria no ensino.
d) Viver em um país onde saúde e educação são valorizadas é
direito de qualquer cidadão.
e) Na reunião de segunda-feira, várias decisões foram
tomadas pelos sócios da empresa, onde também foi
decidido o reajuste das tarifas.
RESOLUÇÃO:
Aquela mulher com quem você está saindo é a esposa do Amaro?
O verbo sair é intransitivo e foi empregado com adjunto adverbial
de companhia introduzido pela preposição "com".
RESOLUÇÃO:
Onde como pronome relativo equivale a lugar em que, no qual,
indicando sempre um lugar físico.
Resposta: D
Exercícios Propostos
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25PORTUGUÊS
� Reúna os períodos, utilizando o pronome relativo indicado
entre parênteses.
a) O acesso à Internet permite a produção de reportagens
mais completas. Os dados da Internet podem ser
consultados por jornalistas de dentro das redações. (cujo)
b) Joana andava despreocupada pelo jardim. O jardim tinha um
regato e flores silvestres. (onde)
� (UFC) – Construa um período com as quatro orações
abaixo, seguindo rigorosamente as instruções contidas nos
parênteses.
RESOLUÇÃO:
O acesso à Internet, cujos dados podem ser consultados por
jornalistas de dentro das redações, permite a produção de
reportagens mais completas.
RESOLUÇÃO:
O jardim, por onde Joana andava despreocupada, tinha um
regato e flores silvestres.
ou
Joana andava despreocupada pelo jardim onde tinha um regato
e flores silvestres.
RESOLUÇÃO:
O parágrafo produzido deverá ser: “O camareiro, cujo nome eu
não lembro, entrou no quarto onde estava o presidente que se
matara.” Está correta também a construção “O camareiro, de
cujo nome eu não me lembro, entrou no quarto onde estava o
presidente que se matara.”
I. O camareiro entrou no quarto. (oração principal)
II. Eu não lembro o nome do camareiro. (oração adjetiva
com cujo)
III. O presidente estava no quarto. (oração adjetiva com
onde)
IV. O presidente se matara. (oração adjetiva com que)
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26 PORTUGUÊS
Texto para a questão .
(FGV)
a) Para obter ênfase na mensagem, o redator desse texto
emprega, de modo reiterado, um determinado recurso
expressivo. Identifique-o e justifique.
RESOLUÇÃO:
O recurso expressivo é a repetição enfática do trecho “que a gente
gostaria de”, que mantém o paralelismo sintático e semântico do
texto.
b) Na frase “Aproximamos as pessoas com quem a gente
gostaria de conviver”, o redator do texto seguiu as regras
da norma-padrão da língua portuguesa escrita ao usar a
preposição “com” exigida pelo verbo “conviver”. Em
outras frases, no entanto, faltou a preposição exigida pelos
respectivos verbos. Reescreva duas destas frases,
inserindo, nelas, a preposição adequada.
RESOLUÇÃO:
Produzimos os eventos a que a gente gostaria de ir.
Investimos nos negócios de que a gente gostaria de participar.
Conectamos as marcas com que a gente gostaria de trabalhar.
� (FUVEST) – Em que frase o espaço em branco deve ser
preenchido apenas com pronome relativo e não com pronome
relativo regido de preposição?
de quea) Trata-se de joias de família ___________________ jamais me
desfarei.
em queb) O candidato expôs planos _____________________ ninguém
confiou.
a quec) Nesta rua, os serviços ___________________ você tem
acesso são inúmeros.
qued) Foi positivo o resultado _______________ a empresa atingiu.
a cujae) Eis o documento ___________________ cópia me refiro.
Texto para a questão �.
� (UNESP) – Assinale a alternativa que preenche,
corretamente, todas as lacunas do trecho acima, pela ordem
dada.
a) que – que – de que
b) que – a que – que
c) a que – que – de que
d) em que – com que – de que
e) a que – com que – que
Resposta: E
Resposta: D
NOSSO MANIFESTO
Produzimos os eventos que a gente gostaria de ir.
Geramos o conteúdo que a gente gostaria de consumir.
Construímos os lugares que a gente gostaria de
frequentar. Criamos os produtos que a gente gostaria de
comprar. Investimos nos negócios que a gente gostaria de
participar. Aproximamos as pessoas com quem a gente
gostaria de conviver. Conectamos as marcas que a gente
gostaria de trabalhar. Simples assim.
Meca Journal, n.° 12, julho 2017
“O espetáculo ____________ assistimos no crepúsculo
do século XX certamente não é o mesmo
_______________ conviveram os nossos antepassados ao
findar o século XIX, que, por sua vez, foi bem diferente
daquele _______________ descreveram os historiadores
do último quartel do século XVIII.”
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27PORTUGUÊS
� (CÁSPER LIBERO) – Assinale a
alternativa cujo texto apresente linguagem
adequada e padrões ideais de coe são e
coerência.
a) A esperada exposição no Espaço Cultural
Universitário foi um sucesso, a despeito do
vandalismo que se registrou no primeiro
dia, quan do um visitante atirou um copo de
refrigerante numa obra de menor
destaque. Os organizado res da mostra
empenharam-se em abafar o incidente para
evitar maiores constrangimen tos.
b) Apesar do vandalismo no primeiro dia da
exposição, esta foi um sucesso que se
regis trou desde o primeiro dia, no Espaço
Cultural Universitário, apesar de nessa
oportunidade um visitante ter cometido um
ato de vandalismo, pois atirou um copo de
refrigerante numa obra de menor
destaque; mas, para evitar maiores
constrangimentos, os organizadores da
mesma empenharam-se em abafar o
incidente.
c) Maiores constrangimentos foram evitados
pelos organizadores da exposição que, do
Espaço Cultural Universitário, se realizou
apesar do vandalismo já no primeiro dia,
onde um visitante atirou um copo de refri -
gerante numa obra de menor destaque.
Ainda assim, a mostra foi um sucesso.
d) Atirando um copo de refrigerante numa
obra de menor destaque, um vândalo
registrou o primeiro dia da mostra no
Centro Cultural Uni ver sitário, que apesar
de tudo foi um sucesso; mas os
organizadores empenharam-se em abafar o
acidente, de modo a evitar maiores
constrangimentos.
e) Mesmo abafando o acidente que se regis -
trou no primeiro dia da exposição, pelos
seus organizadores, ela foi um sucesso: o
vandalis mo ficou por conta do copo de
refrigerante atirado numa obra de menordestaque dessa mostra que se realizou no
Espaço Cultural Universitário.
Resolução
A alternativa apontada é a que apresenta
melhor redação, considerando correção, objeti -
vi dade, coesão e coerência, porque apresenta
o evento, o fato inusitado e o desfecho.
Resposta: A
Correção: obediência às regras gerais da língua, ou seja, às normas gra ma ti cais.
Clareza: qualidade de organizar palavras, frases e períodos para trans mi tir ideias de forma compreensível.
Concisão: habilidade de selecionar palavras com significado preciso para trans mi tir ideias de forma sucinta. O
procedimento oposto é a prolixidade, de fei to que deve ser evitado.
Coerência: capacidade de organizar as ideias, conferindo unidade ao tex to. A sequência lógica entre frases e
parágrafos, a escolha de vo ca bu lá rio adequado, o correto uso dos elementos de ligação e a aplicação do co nhe ci -
men to empírico (baseado na experiência) são necessários para promover a coerência textual.
57
Palavras-chave:Correção, clareza, concisão,
coerência e paralelismo sintático
• Normas gramaticais
• Coerência textual
Exercício Resolvido
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28 PORTUGUÊS
� (UNESP) – As duas frases a seguir apresentam incoe -
rências:
a) Explique a razão da incoerência da primeira frase.
b) Explique a razão da incoerência da segunda frase.
� (FUVEST) – “Se eu não tivesse atento e olhado o rótulo,
o paciente teria morrido, declarou o médico.”
Reescreva a frase acima, corrigindo a impropriedade grama tical
que nela ocorre.
(ITA) – O texto abaixo, da seção “Saúde” do Suplemento
de março/2000, do Caderno Regional Folha Vale, Folha de S.
Paulo, faz parte de uma série de recomendações para
relaxamento dos olhos.
a) Localize, no texto, o trecho em que há um problema de
coerência.
b) Reescreva o trecho de modo a torná-lo coerente.
Nós não temos censura. O que temos é uma limitação do
que os jornais podem publicar.
(Louis Net, ex-vice-ministro da Informação da África do Sul)
Um homem não pode estar em dois lugares ao mesmo
tempo, a menos que ele seja uma ave.
(Sir Boy Roche, deputado do Parlamento Britânico)
RESOLUÇÃO:
A incoerência da primeira frase ocorre entre as palavras censura
e limitação que, no contexto, têm significados seme lhantes, mas
foram empregadas pelo autor como se seus sentidos nada
tivessem em comum.
RESOLUÇÃO:
A incoerência consiste em atribuir às aves a absurda capacidade
de estar em dois lugares ao mesmo tempo.
RESOLUÇÃO:
“Se eu não estivesse atento e não tivesse olhado o rótulo, o
paciente teria morrido”, declarou o médico. (A impropriedade
estava no emprego do auxiliar ter, em vez de estar, com o
particípio atento.)
— Lubrificantes oculares gelados também são muito
eficientes, mas só quando prescritos por um oftalmologista.
— Importante: não jogue água boricada dentro do olho, pois
isto causa irritação. Ela deve ser usada apenas para limpeza
externa ou como compressa gelada.
RESOLUÇÃO:
O “problema de coerência” está no trecho “... são muito
eficientes, mas só quando prescritos por um oftalmologista”. A
segunda afirmação é absurda, pois não se pode aceitar como
lógica, “coerente”, a concepção segundo a qual a prescrição do
oftalmologista possa fazer o colírio ser ou não eficiente. O
médico prescreve um medicamento porque ele é eficiente (em
geral ou no caso específico), não o contrário, ou seja, o
medicamento não é eficiente porque o médico o prescreve.
RESOLUÇÃO:
“Lubrificantes oculares gelados também são muito eficientes,
mas não devem ser usados sem a prescrição de um oftalmo -
logista.”
Exercícios Propostos
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29PORTUGUÊS
� Em uma frase, os termos de mesma função sintática
devem pertencer à mesma classe de palavras, para que se
mantenha o paralelismo gramatical. Os textos abaixo são
exemplos de falta de paralelismo. Reescreva-os de maneira a
torná-los claros.
� (FUVEST) – Nas frases abaixo, há falta de paralelismo
sintático. Reescreva-as, mantendo seu sentido e fazendo
apenas as alterações necessárias para que se estabeleça o
paralelismo.
a) Funcionários cogitam uma nova greve e isolar o governador.
b) Essa reforma agrária, por um lado, fixa o homem no campo,
mas não lhe fornece os meios de subsistência e de produzir.
RESOLUÇÃO:
I. “... sem necessitar de ginástica, medicamentos, dietas, (nem)
rejeitar pratos prediletos ou sair da mesa com apetite.”
A construção paralela exige, em vez do uso de substantivo
(necessidade), um verbo (necessitar).
II. “Em inúmeros invertebrados, aparece a reprodução por ...
macho. O papel dos machos, neste caso, limita-se a
enriquecer o patrimônio genético, ou a corrigir situações de
grave crise.”
ou
“... O papel dos machos, neste caso, limita-se ao
enriquecimento do patrimônio genético, ou à correção de
situações de grave crise.”
RESOLUÇÃO:
Essa reforma agrária, por um lado, fixa o homem no campo, mas
por outro não lhe fornece os meios de subsistência e produção.
Ou: meios de subsistir e produzir.
OBESIDADE TEM CURA...
I. ...sem a necessidade de ginástica, medicamentos, dietas,
rejeitar pratos prediletos ou sair da mesa com apetite.
(Zero Hora, Porto Alegre)
II. Em inúmeros invertebrados, aparece a reprodução por
partenogênese, sem a intervenção do macho. O papel
dos machos, neste caso, limita-se a um enriquecimento
do patrimônio genético, ou a corrigir situações de grave
crise.
(Zero Hora, Porto Alegre)
RESOLUÇÃO:
Funcionários cogitam iniciar uma nova greve e isolar o gover -
nador. Funcionários cogitam uma nova greve e o isolamento do
governador.
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30 PORTUGUÊS
(FGV-adaptada) – Os termos da frase abaixo não
apresentam parale lismo? Reformule o período.
� (FUVEST ) – Um folheto de divulgação traz, em um de
seus tópicos, sobre os deveres do consumidor, um problema
de coerência na sua redação. O tópico é:
a) Ler o manual de instruções antes de utilizar qualquer
equipamento.
b) Obedecer aos cuidados descritos na embalagem para evitar
acidentes.
c) Seguir as recomendações do rótulo quanto ao modo de usar
e armazenar o produto.
d) Ler, na íntegra, todo e qualquer contrato, tão logo venha a
assiná-lo.
e) Respeitar a data de validade para que o produto mantenha
suas características.
Resposta: D
RESOLUÇÃO:
Os termos da frase dada não apresentam o paralelismo
adequado, na enumeração dos objetos do verbo mostrar, pois
dois termos de núcleo nominal (inflexão e firmeza, substantivos)
são coordenados a um termo de núcleo verbal (estar). Uma
possível reformulação do período, para evitar a assimetria
apontada, seria: Ao entrar na sala, mostrou boa inflexão de voz,
segurança e firmeza nos movimentos.
Ao entrar na sala, mostrou boa inflexão de voz, não estar
insegura e firmeza nos movimentos.
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31PORTUGUÊS
1 Para um homem se ver a si mesmo, são
necessárias três cousas: olhos, espelho e
luz. Se tem espelho e é cego, não se pode
ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos,
5 e é de noite, não pode ver por falta de luz.
Logo, há mister luz, há mister espelho e há
mister olhos. Que cousa é a conversão de
uma alma, senão entrar um homem dentro
em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista
10 são neces sários olhos, é necessário luz e é
neces sário espelho. O pregador concorre
com o espelho, que é a doutrina; Deus con -
cor re com a luz, que é a graça; o homem con -
corre com os olhos, que é o conhecimento.
(Padre Antônio Vieira)
� (MACKENZIE) – Nos três primeiros
períodos (linhas 1-7), encontra-se
a) a seguinte sequência de relações: finalida -
de, condição, condição e conclusão.
b) uma passagem do particular para o geral
em três cousas e seu aposto.
c) uma particularização da ideia de homem.
d) a indeterminação do sujeito sintático em
não se pode ver.
e) uma expressão repetida, é mister, que sig -
ni fica é dispensável.
Resolução
Finalidade: “Para um homem...”;condição:
“Se tem espelho e é cego...”; condição: “se
tem espelho e olhos...”; conclusão: “Logo...”.
Resposta: A
� “Como as universida des públicas são
financiadas por im postos pagos por toda a
população, inclusive pelos po bres, no Brasil os
pobres financiam a educação uni versitária dos
ricos.”
A relação semântica que se estabelece entre
as orações do período acima é de
a) causa e consequência. b) comparação.
c) adição. d) conformidade.
e) finalidade.
Resolução
A oração iniciada pela conjunção como (= por -
que, uma vez que, já que, visto que) expressa
causa, cuja consequência é mostrada em
“...no Brasil os pobres financiam a edu cação
univer sitária dos ricos”. Resposta: A
O mesmo tipo de conjunção que substitui
os dois pontos em – E, apesar das promessas
de que o crescimento do PIB reduziria a
pobreza, as desigualdades econômicas se
mantêm: a cada US$ 160 milhões produzidos
no mundo, só US$ 0,60 chega efetivamente
aos mais pobres. – pode ser aplicado em:
a) Os ecoeconomistas só alimentam um pro -
pó sito: poupar os recursos ambientais.
b) Hugo Penteado disse: “a Terra é finita e a
eco nomia clássica sempre ignorou essa
ver dade elementar”.
c) Os ecoeconomistas apontam os vícios das
empresas: o desperdício de matérias-
primas, o estímulo ao consu mismo e a
obsolescência programada.
d) ‘A ecoeconomia não é exatamente nova:
seus prin cípios exponenciais começaram a
surgir na década de 70.
e) Paulo Durval Branco foi enfático ao afirmar:
“as empresas vêm repetindo a palavra
susten ta bilidade como um mantra.”
Resolução
Tanto na frase do enunciado como na da alter -
nativa d, as conjunções que substituem os dois
pontos são as causais porque, já que, visto
que. Em a e c, os dois pontos indicam uma
expli cação e em b e e, uma citação textual.
Resposta: D
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
exercem a função de adjunto adverbial em
relação à oração principal
causais – relação de causa
Ex.: Como você chamou, eu vim.
(porque, visto que, como, uma vez que, já que etc.)
consecutivas – relação de consequência
Ex.: Correu tanto que chegou cansado.
( [tanto] que, [tão...] que, [de tal forma] que etc.)
concessivas – relação de concessão
Ex.: Embora não me conheça bem, confia em mim.
(embora, apesar de que, ainda que, se bem que,
conquanto etc.)
comparativas – relação de comparação
Ex.: Ele observa mais do que fala.
(tal, como, quanto [mais...] do que, [menos...] do
que, [tanto...] quanto etc.)
conformativas – relação de conformidade
Ex.: Conforme afirmaram os meteorologistas, hoje cho veria. (como,
conforme, segundo etc.)
condicionais – relação de condição
Ex.: Comprarei o livro desde que encontre uma edição revisada.
(se, salvo se, caso, contanto que, desde que, a menos que etc.)
proporcionais – relação de proporção
Ex.: Quanto mais falava, mais se confundia.
(à proporção que, à medida que, quanto mais... etc.)
temporais – relação de tempo
Ex.: Assim que entrei, ele saiu.
(quando, enquanto, logo que, assim que, depois que, até que,
apenas, mal, que [= quando] etc.)
finais – relação de finalidade
Ex.: Eles apresentaram a carteirinha a fim de obterem um desconto.
(a fim de que, para que, que [= para que], porque [= para que]
etc.)
Exercícios Resolvidos
59
Palavras-chave:Orações
subordinadas
adverbiais
• Causa • Consequência
• Tempo
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32 PORTUGUÊS
� Identifique a circunstância expressa pela oração desta -
cada, considerando a relação que ela estabelece com o
restante do período.
a) “As três coisas que mais almejamos na vida – felicidade,
liberdade e paz de espírito – são sempre alcançadas quan do
as oferecemos a outra pessoa.” (Peyton Conway March)
RESOLUÇÃO: tempo
b) “A sabedoria suprema é ter sonhos de tamanha grandeza
que não se possa perdê-los de vista enquanto os perse -
gui mos.” (William Faulkner)
RESOLUÇÃO: consequência
c) “Não que eu tenha ódio à lei; mas não tolero opressões de
espécie alguma, ainda que em meu benefício.” (Machado
de Assis)
RESOLUÇÃO: concessão
d) “Há dores secas, como há cóleras mudas.” (Machado de
Assis)
RESOLUÇÃO: comparação
e) “Era só escrever no coração as palavras do espírito, para
que lhe servissem de lembrança.” (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: finalidade
f) “Sonhará uns amores de romance, quase impossíveis?
digo-lhe que faz mal, que é melhor contentar-se com a
realidade; se ela não é brilhante como os sonhos, tem pelo
menos a vantagem de existir.” (Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: condição
g) “Como ia de olhos fechados, não via o caminho...”
(Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: causa
h) “Conforme nos mandara o sargento, ficamos passando
um pelo outro.” (M. Donato)
RESOLUÇÃO: conformidade
� (UFABC)
I. Entregando 60% de sua colheita e café, durante dez anos;
II. uma família de lavradores se tornará proprietária.
A relação de sentido que existe entre as orações I e II
corresponde ao sentido da expressão:
a) ora ... entretanto. b) ou ... ou.
c) se ... então. d) nem ... tampouco.
e) ainda que ... portanto.
(FGV-2020) – Leia a tira Níquel Náusea, de Fernando
Gonsales.
Nas frases “E outra que ele come para digerir de novo” e
“Nojinho agora?”, o termo “para” introduz no enunciado noção
de
a) conformidade, enquanto a pergunta do coelho consiste em
uma advertência à garota para que não o segure.
b) finalidade, enquanto a pergunta do coelho representa
aceitação da expressão de asco da garota.
c) causa, enquanto a pergunta do coelho expressa
desapontamento em relação ao nojo demonstrado pela
garota.
d) finalidade, enquanto a pergunta do coelho expressa repulsa
em relação ao comportamento da garota.
e) conformidade, enquanto a pergunta do coelho demonstra
sua perplexidade diante da atitude da garota.
RESOLUÇÃO:
A preposição “para” estabelece, no contexto, sentido de
finalidade, ao esclarecer que o coelho come um tipo de fezes a fim
de digeri-lo novamente. Já a pergunta do coelho expressa objeção
à expressão da garota, que manifesta aversão ao fato de ele
comer as próprias fezes.
Resposta: D
RESOLUÇÃO:
A relação de sentido entre as orações I e II implica as ideias de
condição e consequência, respectivamente: Se entregar 60% de
sua colheita de café, durante dez anos, então uma família de
lavradores se tornará proprietária. Resposta: C
Exercícios Propostos
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33PORTUGUÊS
Texto para os testes � e �.
�
Entre os recursos expressivos empregados
no texto, destaca-se a
a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-
se à própria linguagem.
b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros
textos.
c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se
pensa, com intenção crítica.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu
sentido próprio e objetivo.
e) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inani -
madas, atribuindo-lhes vida.
� No trecho “Montes Claros cresceu tanto, / (...),/
que já tem cinco favelas”, a palavra que
contribui para esta belecer uma relação de
consequência. Dos seguintes versos, todos de Carlos Drummond
de Andrade, apre sentam esse mesmo tipo de relação:
a) “Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu
não era Deus / se sabias que eu era fraco.”
b) “No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu / a ninar
nos longes da senzala – e nunca se esque ceu / chamava
para o café.”
c) “Teus ombros suportam o mundo / e ele não pesa mais que
a mão de uma criança.”
d) “A ausência é um estar em mim. / E sinto-a, branca, tão
pegada, aconchegada nos meus braços, / que rio e danço e
invento exclamações alegres.”
e) “Penetra surdamente no reino das palavras. / Lá estão os
poemas que esperam ser escritos.”
(FGV) – Observe os períodos:
a) Explique que sentido estabelecem nos períodos os termos
Como e ainda que.
RESOLUÇÃO:
“Como” é, no período, uma conjunção subordinativa causal, pois
indica a causa da oração principal. “Ainda que” é locução
conjuntiva subordinativa concessiva, pois introduz uma oração
que, sem negar a principal,exprime sentido oposto a ela.
b) Reescreva os períodos, substituindo os termos Como e
ainda que por outros de sentido equivalente.
RESOLUÇÃO:
I. Porque (visto que, dado que...) o dólar ocupa lugar central no
sistema monetário global, todos os países devem se preparar
para o fim do período de juros internacionais próximos de
zero que vigora desde 2009.
II. É saudável que o governo brasileiro comece a se mostrar
disposto a reverter, mesmo que (embora, apesar de)
tardiamente, algumas das ações...
RESOLUÇÃO:
A conjunção que estabelece relação de consequência entre as
orações “rio e danço e invento exclamações alegres” e a anterior.
O conectivo que prece dido de palavras como tanto(a), tão,
tamanho(a) estabelece a relação consecutiva.
Resposta: D
RESOLUÇÃO:
No texto de Drummond, a noção de progresso e a visão da cidade
grande aparecem indissoluvelmente associadas a mazelas como
o surgimento de favelas. Trata-se de uma visão irônica do
desenvol vimento. Resposta: C
CIDADE GRANDE
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima-rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.
(Carlos Drummond de Andrade)
I. Como o dólar ocupa lugar central do sistema monetário
global, todos os países devem se preparar para o fim do
período de juros internacionais próximos de zero que
vigora desde 2009.
II. É saudável que o governo brasileiro comece a se
mostrar disposto a reverter, ainda que tardiamente,
algumas das ações...
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34 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (FUVEST-2020) – Considerando o contexto, o trecho “E
não se pense que este nome a alegrou, posto que a
lisonjeasse” (L.4-5) pode ser reescrito, sem prejuízo de
sentido, da seguinte maneira: E não se pense que este nome
a alegrou,
a) apesar de lisonjeá-la.
b) antes a lisonjeou.
c) porque a lisonjeava.
d) a fim de lisonjeá-la.
e) tanto quanto a lisonjeava.
RESOLUÇÃO:
A locução conjuntiva “posto que” é concessiva e pode ser
substituída adequadamente por “apesar de, embora, mesmo que,
ainda que, conquanto, se bem que”. Em b, “antes” indica tempo;
em c, “porque”, causa; em d, “a fim de”, finalidade; em e, “tanto
quanto”, comparação.
Resposta: A
� (UNESP) – Em “Conta ela que seu Afredo, mal viu minha
tia sair, chegou-se a ela com ar disfarçado e falou [...]”, a
conjunção destacada pode ser substituída, sem prejuízo para o
sentido do texto, por:
a) assim como.
b) logo que.
c) enquanto.
d) porque.
e) ainda que.
RESOLUÇÃO:
A conjunção subordinativa temporal “mal” pode ser substituída,
sem prejuízo para o período, por logo que, assim que.
Resposta: B
Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao
fim da comissão das Alagoas, com elogios da
imprensa; a Atalaia chamou-lhe “o anjo da
consolação”. E não se pense que este nome a alegrou,
posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em
Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as novas
amigas, e fazer-lhe perder em um dia o trabalho de
longos meses. Assim se explica o artigo que a mesma
folha trouxe no número seguinte, nomeando,
particularizando e glorificando as outras comissárias –
“estrelas de primeira grandeza”.
(Machado de Assis, Quincas Borba.)
1
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5
6
7
8
9
10
11
Quadro-resumo
PERÍODO COMPOSTO
COORDENAÇÃO SUBORDINAÇÃO
COORDENADAS SUBSTANTIVAS ADJETIVAS ADVERBIAIS
assindéticas
sindéticas
aditivas – relação de
soma (e, nem, não só...
mas também, tanto...
como etc.)
adversativas – relação de
opo sição (mas, porém,
to davia, con tudo, entre-
tan to, no entanto etc.)
alternativas – relação de
al ternância (ou, ou ... ou,
ora ... ora, já ... já, quer
... quer etc.)
conclusivas – relação de
con clusão (logo, portan -
to, por isso, pois [após o
verbo], de modo que,
por conse guinte etc.)
explicativas – relação de
explicação (pois [antes
do verbo], porque, por -
quan to, que etc.)
subjetiva – sujeito
da prin cipal
objetiva direta – obje to
di re to da principal
objetiva indireta – obje -
to in direto da prin cipal
predicativa – predica ti -
vo do sujeito da prin -
cipal
completiva nominal –
com plemento no mi nal
da prin cipal
apositiva – aposto da
prin cipal
desenvolvidas – geral -
men te introduzidas pe -
las con junções inte -
grantes que e se
reduzidas – apre sen -
tam ver bo no infinitivo
pessoal ou impessoal
restritivas
• delimitam ou de fi -
nem mais clara men -
te o seu ante ce -
dente
• não são separa -
das por vír gula
explicativas
• apresentam uma
expli ca ção ou por -
me nor do an te ce -
dente
• são separadas por
vír gula
desenvolvidas – in -
tro duzidas pelos
prono mes relativos
que, o qual, a qual,
os quais, as quais,
cujo, quem, onde
reduzidas – apre sen -
tam ver bo no infi -
nitivo, ge rúndio ou
par ticípio
temporais – relação de tem po (quan do, en quanto,
logo que, assim que, depois que, até que, apenas,
mal, que [= quan do] etc.)
finais – relação de finali dade (a fim de que, para
que, que [= para que], por que, [= para que] etc.)
proporcionais – relação de pro por ção (à pro porção
que, à medida que, quanto mais... etc.)
causais – relação de causa (porque, visto que,
como, uma vez que, já que etc.)
condicionais – relação de condição (se, salvo se,
caso, contanto que, desde que, a menos que etc.)
consecutivas – relação de conse quência ([tanto]
que, [tão...] que, [de tal forma] que etc.)
comparativas – relação de com paração (tal, como,
quan to [mais...] do que, [menos...] do que,
[tanto...] quanto etc.)
conformativas – relação de con for mi dade (como,
con for me, segundo etc.)
concessivas – relação de con cessão (embora,
apesar de que, ainda que, se bem que, con quanto
etc.)
reduzidas – apresentam verbo no infini tivo,
gerúndio ou particípio
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35PORTUGUÊS
60
Palavras-chave:Gênero textual –
Artigos de divulgação científica
• Raciocínio lógico
• Tecnologia
• Genética
A ILUSÃO DE NEUTRALIDADE DA CIÊNCIA
Como a ciência se caracteriza pela separação e pela distinção entre o sujeito do conhecimento e o objeto; como
a ciência se caracteriza por retirar dos objetos do conhecimento os elementos subjetivos; como os procedimentos
científicos de observação, experimentação e interpretação procuram alcançar o objeto real ou o objeto construído
como modelo aproximado do real; e, enfim, como os resultados obtidos por uma ciência não dependem da boa ou
má vontade do cientista nem de suas paixões, estamos convencidos de que a ciência é neutra ou imparcial. (...)
Essa imagem da neutralidade científica é ilusória.
Quando o cientista escolhe uma certa definição de seu objeto, decide usar um determinado método e espera
obter certos resultados, sua atividade não é neutra nem imparcial, mas feita por escolhas precisas. (...)
O racismo, por exemplo, não é apenas uma ideologia social e política. É também uma teoria que se pretende
científica, apoiada em observações, dados e leis conseguidas com a biologia, a psicologia, a sociologia. É uma certa
maneira de construir tais dados, de sorte a transformar diferenças étnicas e culturais em diferenças biológicas
naturais imutáveis e separar os seres humanos em superiores e inferiores, dando aos primeiros justificativas para
explorar, dominar e mesmo exterminar os segundos.
(Marilena Chauí, Convite à Filosofia)
1. O pensamento científico
Ciência é o conjunto de conhecimentos empíricos e
teóricos sobre a natureza elaborados a partir da observação,
descrição, explicação e previsão. A base da ciência,
portanto, é a experiência, e após a repetição da ação
investigada, faz-se a descrição da ação, têm-se a explicação
do evento e sua previsão futura. Ela é dinâmica e está em
permanente construção. O método científico é a
metodologia usada por cientistas na busca do
conhecimento, um conjunto de regras para desenvolver
uma experiência a fim de produzir novos conceitos, bem
como corrigir e integrar conhecimentospré-existentes.
https://educacao.uol.com.br/noticias/2019/12/06/teorias-
conspiratorias-e-pos-verdade-como-a-ciencia-esta-sendo-
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36 PORTUGUÊS
2. Artigo de divulgação científica
O Artigo de Divulgação Científica é um texto informativo (dissertação expositiva), objetivo, claro, com predomínio
da função referencial, impessoal (3.a pessoa), que tem por objetivo divulgar conhecimento científico para o público
leigo, ou seja, para um público não especializado.
Para que haja compreensão do assunto, seja na área de tecnologia, genética ou outra, evita-se a linguagem
estritamente técnica, ou ela é empregada com explicações simples, ou por comparação a outros elementos do
cotidiano do leitor ou ouvinte.
Apresenta conceitos precisos e válidos cientificamente, argumentos de autoridade, resultados de pesquisas e são
publicados em jornais e revistas não especializados com a finalidade de popularizar a ciência.
CIÊNCIA E IGNORÂNCIA
A ciência é uma ilha cercada de incompreensões por todos os lados. A um só tempo, ela
contradiz o senso comum, o misticismo e o pensamento mágico, formas de interpretar o
mundo adotadas pela maioria.
Nos países mais desenvolvidos, as crianças ouvem falar dos princípios que regem a ciência,
já nos primeiros anos da vida escolar. Infelizmente, entre nós, os estudantes entram e saem das
universidades sem noção de como deve ser articulado o pensamento científico.
Quando Galileu Galilei afirmou que a Terra era um dos planetas que giravam ao redor do Sol,
quase foi condenado à morte pela Inquisição. O senso comum era o de que ficávamos parados
no centro do Universo, enquanto o Sol, a Lua e os demais astros orbitavam à nossa volta.
Muito mais fácil para os religiosos defender que a Terra era imóvel, como afirmava a Bíblia,
do que para Galileu explicar os movimentos de translação e rotação, que ninguém conseguia
enxergar nem sentir.
Quando Charles Darwin e Alfred Wallace demonstraram que a vida na Terra —e em
qualquer planeta em que venha a existir— é uma eterna competição por recursos naturais
limitados, na qual os menos aptos perdem a oportunidade de deixar descendentes, a reação foi
tão feroz que 150 anos mais tarde ainda existem contestadores.
No mundo da internet, o senso comum ganhou status de expertise técnica. Ativistas do
movimento antivacina, terraplanistas, charlatães e os defensores de teorias conspiratórias e de
tratamentos de eficácia jamais comprovada divulgam ideias estapafúrdias, como se tivessem o
nível de conhecimento de cientistas brilhantes.
A ciência é uma frágil conquista civilizatória da sociedade, baseada no raciocínio lógico, na
observação empírica, na significância estatística, no confronto de dados e na reprodutibilidade
dos experimentos, regra segundo a qual a repetição de uma experiência deve levar aos mesmos
resultados, independentemente do observador.
Drauzio Varella
Médico cancerologista, autor de “Estação Carandiru”
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37PORTUGUÊS
� (PUC-PR) – O texto que segue foi
publicado no site da revista Galileu.
CIENTISTAS CRIAM VERMES INCAPAZES
DE FICAREM BÊBADOS
Cientistas da Universidade do Texas, em
Austin, conseguiram criar vermes mutantes
que não ficam “bêbados” após ingerir álcool.
Para isso, eles modificaram alguns genes de
Caenorhabditis elegans para prevenir a
intoxicação. Quando vermes "normais" são
colocados em um ambiente que contém
álcool, eles ficam bêbados – cientistas
percebem isso porque eles não se agitam com
tanta rapidez. Mas os vermes modificados
geneticamente conseguiam se mover com a
mesma agilidade, mesmo em um ambiente
com álcool.
A alteração genética impede que o etanol
se prenda (e afete) as moléculas presentes no
cérebro dos vermes. Mas o grande avanço é
que, ao mesmo tempo em que o efeito do
álcool é bloqueado, nenhuma outra função do
cérebro dos bichos é alterada.
Com esse resultado em mãos, pesqui sa -
dores pretendem criar fármacos que cumpram
a mesma função nos humanos do que a
alteração genética dos vermes – ou seja, evitar
que pessoas com problemas de alcoolismo,
por exemplo, fiquem alteradas ao beber.
Fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia
Acesso em 8 de dez. 2014
Com relação ao texto lido, é correto afirmar:
a) Em suas duas ocorrências, o conectivo
mas poderia ser substituído pelo conectivo
portanto, sem alterar o sentido do texto.
b) Os dois travessões, no texto, poderiam ser
substituídos por vírgulas, sem prejuízo ao
sentido do texto.
c) A expressão ou seja poderia ser substituída
pela expressão ou melhor, sem prejuízo ao
sentido do texto.
d) O pronome eles em suas três ocorrências
no texto tem o mesmo referente: vermes.
e) O pronome esse, no 3.° parágrafo, antecipa
a ideia de que pesquisadores pretendem
criar fármacos para evitar que pessoas
alcoólatras fiquem alteradas ao beber.
Resolução
Na passagem, os dois travessões separam,
dentro do período, uma explicação, um
comentário esclarecedor.
Resposta: B
Texto para a questão �.
Há muito se sabe que a Bacia Bauru —
depósito de rochas formadas por sedimentos
localizado entre os estados de São Paulo, Minas
Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato
Grosso do Sul — foi habitada, há milhões de
anos, por uma abundante fauna de
crocodiliformes, um grupo de répteis em que
estão inclusos os crocodilos, jacarés e seus
parentes pré-históricos extintos. Entre as famílias
que por lá viveram está a Baurusuchidae, que, na
região, englobava outras seis espécies de
crocodiliformes exclusivamente terrestres e com
grande capacidade de deslocamento, crânio alto
e comprido lateralmente e com longos dentes
serrilhas. Agora, em artigo publicado na versão
on-line da revista Cretaceous research, um grupo
de pesquisadores das universidades federais do
Rio de Janeiro e do Triângulo Mineiro, em Minas
Gerais, identificaram mais um membro dessa
antiga família.
Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br.
Acesso em: 2 nov. 2013.
� (3.a Aplicação) – A circu -
la ção do conhecimento
científico ocorre de
diferentes maneiras. Por meio da leitura do
trecho, identifica-se que o texto é um artigo de
divulgação científica, pois, entre suas
características,
a) exige do leitor conhecimentos específicos
acerca do tema explorado.
b) destina-se a leitores vinculados a
diferentes comunidades científicas.
c) faz referência a artigos publicados em
revistas internacionais.
d) trata de descobertas da ciência com
linguagem acessível ao público em geral.
e) aborda temas que receberam destaque em
jornais e revistas não especializados.
Resolução
O artigo de divulgação científica caracteriza-se
por apresentar inovações científicas, bem como
por ser elaborado em linguagem compreensível
ao público em geral, não apenas a especialistas.
Resposta: D
Texto para a questão �.
A CIÊNCIA DO HOMEM-ARANHA
Muitos dos superpoderes do querido
Homem-Aranha de fato se assemelham às
habilidades biológicas das aranhas e são
objeto de estudo para produção de novos
materiais.
O “sentido-aranha” adquirido por Peter
Parker funciona quase como um sexto
sentido, uma espécie de habilidade
premonitória e, por isso, soa como um mero
elemento ficcional. No entanto, as aranhas
realmente têm um sentido mais aguçado. Na
verdade, elas têm um dos sistemas sensoriais
mais impressionais da natureza.
Os pelos sensoriais das aranhas, que estão
espalhados por todo o corpo, funcionam como
uma forma muito boa de perceber o mundo e
captar informações do ambiente. Em muitas
espécies, esse tato por meio dos pelos tem
papel mais importante que a própria visão, uma
vez que muitas aranhas conseguem prender e
atacar suas presas na completa escuridão. E por
que os pelos humanos não são tão eficientes
como órgãos sensoriais como os das aranhas?
Primeiro, porque um ser humano tem em média
60 fios de pelo em cada cm2 do corpo, enquanto
algumas espécies de aranha podem chegar a ter
40 mil pelos por cm2, segundo, porque cada
pelo das aranhas possui até 3 nervos para fazer
a comunicação entrea sensação percebida e o
cérebro, enquanto nós, seres humanos, temos
apenas 1 nervo por pelo.
Disponível em: http://cienciahoje.org.br.
Acesso em; 11 dez. 2018. (adaptado).
Como estratégia de progressão do texto, o
autor simula uma interlocução com o público
leitor ao recorrer à
a) revelação do “sentido-aranha” adquirido
pelo super-herói como um sexto sentido.
b) caracterização do afeto do público pelo
super-herói marcado pela palavra “querido”.
c) comparação entre os poderes do super-herói
e as habilidades biológicas das aranhas.
d) pergunta retórica na introdução das causas
da eficiência do sistema sensorial das
aranhas.
e) comprovação das diferenças entre a
constituição física do homem e da aranha
por meio de dados numéricos.
Resolução
A simulação de interlocução no texto ocorre por
meio da pergunta, que pode ser considerada
retórica por não esperar de fato uma resposta,
utilizada como recurso de progressão textual,
na qual o autor emula uma possível dúvida do
leitor para conduzir a discussão.
Resposta: D
Exercícios Resolvidos
C3_2A_Vermelho_PORT_2023_JR.qxp 15/02/2023 19:57 Página 37
38 PORTUGUÊS
� (FUVEST-2021) – O texto a seguir é fragmento de um
artigo de divulgação científica.
a) Retire do texto duas características linguísticas que
permitem classificá-lo como artigo de divulgação científica.
RESOLUÇÃO:
Há várias características que podem ser destacadas: função
referencial, por expor informações acerca de um estudo sobre a
prevalência da mão esquerda ou direita; citação de dados
estatísticos que embasam o estudo; uso de uma analogia didática
para explicar o que é “um par de bases”, conceito específico da
área da genética; linguagem acessível a leigos e menos técnica; a
impessoalidade no emprego 3.a pessoa, o que garante efeito de
objetividade etc. Todos esses fatores revelam o objetivo de
divulgar para o público em geral (não especializado) a descoberta
acadêmica a respeito do complexo processo que define canhotos
e destros.
b) Quais os sentidos, no texto, gerados pelo emprego do dimi -
nutivo nas palavras “letrinha(s)” e “tijolinhos”? Explique.
RESOLUÇÃO:
O diminutivo em “letrinhas”e “tijolinhos” é uma estratégia do
autor para se aproximar do leitor leigo, ou seja, daquele que não
tem muita afinidade com a linguagem técnica empregada nos
textos de divulgação científica. Outra possibilidade de uso do
diminutivo é o fato de se tratar de moléculas, fazendo alusão às
suas minúsculas estruturas.
A preferência pela mão esquerda ou direita
provavelmente é resultado de um processo complexo, que
envolve fatores genéticos e ambientais. O novo estudo,
fruto de uma colaboração internacional, é a maior análise
genética focada em canhotos da história: utilizou dados de
1,7 milhão de pessoas, extraídos de bancos como o UK
Biobank e a empresa privada 23andMe. Comparando os
genomas de destros, canhotos e ambidestros, a equipe
descobriu que há 41 pares de bases ligados às chances de
uma pessoa ser canhota, e sete relacionados a ambidestros.
Um “par de bases” é, grosso modo, uma letrinha do DNA
(A, T, C ou G). Cada gene contém as instruções para fabricar
uma proteína. Uma mudança em uma única letrinha do gene
é capaz de mudar a sequência de tijolinhos que constroem
essa proteína, e, por tabela, sua função. Ou seja: o que os
geneticistas encontraram foram 41 letrinhas de DNA que
aparecem só em pessoas canhotas. Daí até saber o que
exatamente essas letrinhas mudam é outra história.
B. Carbinatto, “Estudo identifica 41 variações no genoma
associadas a pessoas canhotas”. Adaptado.
Exercícios Propostos
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 38
39PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (FUVEST)
a) Transcreva o trecho do texto em que o autor explora, com
fins expressivos, o emprego de termos contra ditórios,
sublinhando-os.
RESOLUÇÃO:
Trata-se do fragmento “(...) um grupo de cientistas construiu uma
traquitana simples, mas extrema mente sofisticada (...)”
O adjetivo simples refere-se a algo “descom pli cado”, e
sofisticado, ao contrário, a algo “com plexo”.
b) Esse excerto provém de um artigo de divulgação científica.
Aponte duas características da linguagem nele empregada
que o diferenciam de um artigo científico especializado.
RESOLUÇÃO:
O artigo científico prima por emprego de terminologia técnica
espe cífica de determinada área do conhecimento em linguagem
denotativa e objetiva.
Esse excerto distancia-se de um artigo científico convencional na
medida em que o autor utiliza linguagem acessível a leigos,
utilizando imagens corri queiras. Além disso, ao usar a 1.a pessoa
do plural, o autor refere-se a experiências compartilhadas entre
ele e os seus leitores. Isso fica evidente, por exemplo, no trecho:
“Somos capazes de andar dezenas de quilômetros por quilo de
feijão ingerido.”
Nosso andar é elegante e gracioso, e também
extremamente eficiente do ponto de vista energético.
Somos capazes de andar dezenas de quilômetros por quilo
de feijão ingerido. Até agora, nenhum sapato, nenhuma
técnica especial de balançar os braços, ou qualquer outro
truque foram capazes de melhorar o número de quilômetros
caminhados por quilo de feijão consumido. Mas, agora,
depois de anos investigando o funcionamento de nossas
pernas, um grupo de cientistas construiu uma traquitana
simples, mas extremamente sofisticada, que é capaz de
diminuir o consumo de energia de uma caminhada em até
10%.
Trata-se de um pequeno exoesqueleto que recobre nosso
pé e fica preso logo abaixo do joelho. Ele mimetiza o
funcionamento do tendão de Aquiles e dos músculos ligados
ao tendão. Uma haste no altura do tornozelo, a qual se
projeta para trás, segura uma ponta de uma mola. Outra
haste, logo abaixo do joelho, segura uma espécie de
embreagem (...).
Fernando Reinach,
www.estadao.com.br, 13/06/2015. Adaptado.
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 39
40 PORTUGUÊS
Para responder às questões de
a �, leia o trecho do livro
O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan,
publicado originalmente em 1995.
1 – Cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele
extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza,
abundância.
(FAMERP-2021) – Depreende-se do texto que
a) os políticos são necessariamente corruptos.
b) a ciência e a tecnologia são ambivalentes.
c) os cientistas e os tecnólogos são necessariamente
corruptos.
d) os políticos corromperam a tecnologia.
e) as pessoas superestimam o potencial destrutivo da ciência.
RESOLUÇÃO:
Segundo o texto, tanto a ciência quanto a tecnologia não só agem
em benefício do homem, mas também atuam para criar males e
destruição, como armas nucleares, gases intoxicantes e
catástrofes que podem dizimar a humanidade. Por isso, o caráter
de ambos é ambivalente, ou seja, ambíguo, pois atuam de forma
a propiciar consequências positivas e negativas.
Resposta: B
� (FAMERP-2021) – Retoma um termo mencionado
anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
a) “Os perigos tecnológicos que a ciência apresenta, seu
desafio implícito ao conhecimento recebido e sua visível
dificuldade são razões para que as pessoas, desconfiadas, a
evitem.”
b) “Os perigos tecnológicos que a ciência apresenta, seu
desafio implícito ao conhecimento recebido e sua visível
dificuldade são razões para que as pessoas, desconfiadas, a
evitem.”
c) “Os cientistas não só conceberam as armas nucleares; eles
também pegaram os líderes políticos pela lapela,
argumentando que a sua nação tinha que ser a primeira a
fabricar uma dessas armas.”
d) “Existe uma razão para as pessoas ficarem nervosas a
respeito da ciência e da tecnologia.”
e) “Os cientistas não só conceberam as armas nucleares; eles
também pegaram os líderes políticos pela lapela,
argumentando que a sua nação tinha que ser a primeira a
fabricar uma dessas armas.”
RESOLUÇÃO:
Na alternativa b, o “a” sublinhado é empregado como pronome
pessoal oblíquo feminino, cuja função é retomar “a ciência”. Na
alternativa a, o “a” grifado é artigo definido feminino,já que
antecede o substantivo “ciência”. Na alternativa c, trata-se de
preposição, pois antecede o verbo “fabricar”. Na alternativa d,
também é preposição, porque faz parte da uma locução
prepositiva “a respeito da”. Na alternativa e, como antecede o
substantivo “armas”, é artigo definido feminino.
Resposta: B
� (FAMERP-2021) – “Embora alguns cientistas ainda sejam
vistos como estranhos ao sistema, criticando corajosamente
os males da sociedade e dando os primeiros avisos sobre
catástrofes tecnológicas potenciais, muitos são considerados
oportunistas submissos ou uma fonte complacente de lucros
empresariais e de armas de destruição em massa — não
importa quais sejam as consequências a longo prazo.”
No contexto em que se encontra, o trecho sublinhado
expressa ideia de
a) consequência.
b) concessão.
c) causa.
d) comparação.
e) condição.
RESOLUÇÃO:
O trecho sublinhado inicia-se com a conjunção “embora” —
conjunção subordinada adverbial concessiva. Esse tipo de
conector insere uma contradição, contraste ou quebra de
expectativa em relação à oração principal (“muitos são
considerados oportunistas submissos ou uma fonte complacente
de lucros empresariais e de armas de destruição em massa”),
como visto no texto em análise. A conjunção “embora” pode ser
substituída, sem prejuízo de sentido, por “apesar de, ainda que,
mesmo que, posto que”, salvo as devidas adequações sintáticas.
Resposta: B
A ciência e a tecnologia não são apenas cornucópias1
despejando dádivas sobre o mundo. Os cientistas não só
conceberam as armas nucleares; eles também pegaram os
líderes políticos pela lapela, argumentando que a sua nação
tinha que ser a primeira a fabricar uma dessas armas. E
assim eles produziram mais de 60 mil armas nucleares.
Durante a Guerra Fria, os cientistas nos Estados Unidos, na
União Soviética, na China e em outras nações estavam
dispostos a expor os seus conterrâneos à radiação — na
maioria dos casos, sem o conhecimento deles — a fim de se
preparar para a guerra nuclear. A nossa tecnologia produziu a
talidomida, os CFCs, o agente laranja, os gases que atacam
o sistema nervoso, a poluição do ar e da água, as extinções
de espécies, e indústrias tão poderosas que podem arruinar
o clima do planeta. Aproximadamente metade dos cientistas
na Terra dedica parte de seu tempo de trabalho para fins
militares. Embora alguns cientistas ainda sejam vistos como
estranhos ao sistema, criticando corajosamente os males da
sociedade e dando os primeiros avisos sobre catástrofes
tecnológicas potenciais, muitos são considerados
oportunistas submissos ou uma fonte complacente de
lucros empresariais e de armas de destruição em massa —
não importa quais sejam as consequências a longo prazo. Os
perigos tecnológicos que a ciência apresenta, seu desafio
implícito ao conhecimento recebido e sua visível dificuldade
são razões para que as pessoas, desconfiadas, a evitem.
Existe uma razão para as pessoas ficarem nervosas a
respeito da ciência e da tecnologia.
(O Mundo Assombrado pelos Demônios, 2006. Adaptado.)
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 40
41PORTUGUÊS
Concordância nominal é a concordância, em gênero e
número, entre o substantivo e seus determinantes –
adjetivos, artigos, pronomes adjetivos e numerais.
Regra geral: o adjetivo, ou palavra com valor de
adjetivo, con cor da em gênero e número com o subs -
tantivo a que se refere.
Exemplos
Cidade morta.
Quinhentos gramas de café.
A inclusão de preposição entre o substantivo e o
adjetivo não impede a concordância.
Exemplos
Pobres dos homens.
Desgraçadas das mulheres.
Há casos especiais, que não obedecem à regra geral. Eles são apresentados no quadro seguinte. Observe que,
em sua maioria, estes são casos que admitem mais de uma possibilidade de concordância: uma que obedece à regra
geral (especificada geralmente na coluna do meio) e outra que contraria essa regra ou foge ao uso corrente
(especificada na última coluna).
Adjetivo posposto
a dois ou mais
substantivos
Adjetivo no plural e no gênero
dos substantivos (facultativo).
No caso de gêneros diferentes,
pre va lece o masculino.
Consciência e dignidade humanas.
Dor e prazer intensos.
Adjetivo concorda com o subs tantivo
mais próximo (facul tativo).
Talento e disciplina rara.
Com substantivos sinônimos, o adje tivo
concorda com o mais pró ximo.
Povo e gente brasileira.
Adjetivo anteposto
a dois ou mais
substantivos
Adjetivo fica no plural quando ele
funcionar como predicativo do objeto.
Encontrei tristonhos a mulher e o jovem.
Adjetivo, funcionando como adjunto
adno minal, concorda com o subs tantivo
mais próximo.
Rara disciplina e talento.
Adequado lugar e momento.
Substantivo
modificado
por dois ou mais
adjetivos no singular
O artigo concorda com o
substantivo no plural.
As bandeiras italiana e brasileira.
O artigo concorda com o
substantivo no singular.
A bandeira italiana e brasileira.
O artigo, no singular, antecede o
subs tantivo e o segundo adjetivo.
A bandeira italiana e a brasileira.
Adjetivo composto
Exceções: flexionam-se os
dois ele men tos.
Surdas-mudas
Normalmente se flexiona
só o último ele mento.
Problemas político-econômicos.
Guerra sino-belgo-soviética.
Um e outro, nem um
nem outro seguidos
de substantivo
O substantivo fica no singular.
Nem um nem outro caso.
Nem uma nem outra coisa.
Se em seguida vier um adjetivo,
ele ficará no plural.
Um e outro caso paralelos.
62
Palavras-chave:
Concordância nominal • Substantivo • Adjetivo
• Advérbio
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 41
42 PORTUGUÊS
Sujeito em grau
absoluto
Se houver artigo ou pronome
demons trativo, o adjetivo concorda
em gênero com o sujeito.
É proibida a entrada.
Esta cerveja é boa.
Se não houver artigo ou pronome
de mons trativo, o adjetivo fica
no masculino.
É proibido entrada.
Cerveja é bom.
Substituição do
predicativo do sujeito
por um pronome
pessoal átono
Se houver artigo ou pronome
demons trativo, o pronome concorda
em gêne ro com o predicativo.
És a enfermeira daqui? Sou-a.
Se não houver artigo ou pronome
demons trativo, emprega-se o
pronome masculino.
És enfermeira? Sou-o.
Possível
Vai para o plural no emprego de
“os mais”, “os menos”,
“os piores”, “os melhores”.
Visitei praias as mais tentadoras possíveis.
Fiz os maiores esforços possíveis.
Escolhi os melhores aposentos pos síveis.
Mantém-se invariável no emprego de “o
mais”, “o pior”, “o melhor”.
Visitei praias o mais possível tentadoras.
Fiz esforços o mais pesados possível.
Escolhi aposentos o melhor possível.
Só, meio, bastante
Se adjetivos, concordam com o
subs tantivo a que se referem.
Não fale com meios termos.
Não suporto meias palavras.
Há problemas bastantes. (suficientes)
Estamos sós.
Se advérbios (significando somente,
um tanto, um pouco e muito),
ficam invariá veis.
Compramos só duas entradas.
As portas estavam meio abertas.
Estão bastante cansados.
Leso, próprio, mesmo,
junto, anexo, incluso,
quite, obrigado
Concordam com o nome a que se refe rem.
Crime de lesa-pátria.
Crime de lesos-direitos.
Nós próprios faremos o trabalho.
Elas mesmas escreveram as cartas.
Os recibos seguem juntos.
As crianças voltaram juntas.
O comprovante segue anexo.
As declarações seguem anexas.
Estão inclusas as taxas e impostos.
Já estou quite com o clube.
Muito obrigada, disse Maria.
Invariáveis:
mesmo (= realmente)
junto com e junto de
em anexo
Menos e alerta Alerta como adjetivo é variável
Invariáveis
Havia menos alunas naquela sala.
Os soldados caminhavam alerta.
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43PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
� (MACKENZIE)
I. Os brasileiros somos todos eternos sonha -
dores.
II. Muito obrigadas! – disseram as moças.
III. Sr. Deputado, V. Exa. está enganado.
IV. A pobre senhora ficou meia confusa.
V. São muito estudiosos os alunos e as alunas
des te curso.
Há uma concordância inaceitável de acordo
com a gramática normativa:
a) em I e II. b) emII, III e V.
c) apenas em II. d) apenas em III.
e) apenas em IV.
Resolução
No item I, ocorre silepse, que é considerada
uma concor dância excepcional, porém aceitá -
vel.
Resposta: E
� (CÁSPER LÍBERO) – Qual das alterna -
tivas abaixo não apresenta incorreções
gramaticais?
a) Compramos duzentas e cinquenta gramas
de con dimentos e especiarias importados.
b) Se for para mim fazer, eu me nego.
c) Hoje, a reunião começará ao meio-dia e
meio, du rando até as três horas.
d) Entre mim e você não existirão acordos.
e) Devem fazer cinco anos que não a vejo...
Resolução
Em a, duzentos e cinquenta gramas; em b, eu
fazer; em c, meio-dia e meia; em e, deve fazer.
Resposta: D
(FATEC) – Assinale a alternativa que
preenche cor retamente as lacunas da frase, na
sequência.
Regina estava ______________ indecisa quanto
________ mandar ________ faturas ________
_________ notas fiscais e se _________ folha
bastaria para o bilhete.
a) meia; à; as; anexo; às; meia.
b) meia; à; as; anexas; as; meia.
c) meio; a; às; anexo; às; meio.
d) meia; a; às; em anexo; as; meio.
e) meio; a; as; anexas; às; meia.
Resolução
“Meio indecisa”: meio é invariável, pois é usa -
do como advér bio; “a mandar”: a é apenas
pre po sição, não ocorrendo cra se, porque o
regido mandar (verbo) não admite artigo; “as
faturas anexas”: as, artigo, e anexas, adjetivo,
concor dam em gênero e número com o
substantivo faturas, a que se re fe rem; “às
notas fiscais”: crase da preposição a, regida
por ane xas, e do artigo as, determinante do
substantivo feminino notas; “meia folha”:
meia, adjetivo, concorda em gênero e número
com o substantivo folha, a que se refere.
Resposta: E
� (INATEL) – Todas as frases estão
corretas em re la ção à concordân cia, exceto
em:
a) É bom pipoca com sorvete.
b) É necessário a presença de uma autoridade
na reu nião.
c) São necessárias muitas horas para concluir
o está gio.
d) É proibido entrada de pessoas sem identi -
ficação.
e) É apropriada a negociação para a melhoria
sa la rial.
Resolução
O correto é: É necessária a presença...
Resposta: B
Preencha as lacunas, efetuando a concordância ou concor dân -
cias cabíveis.
� O amor e a paixão ___________________________________
cegaram-lhe a razão. (excessiva/excessivos)
RESOLUÇÃO:
excessiva/excessivos
� O homem e a mulher ________________________________
desejavam ostentar, um ao outro, todo o seu brilho. (vaido -
sa/vaidosos)
RESOLUÇÃO:
vaidosa/vaidosos
� A moça esperava o dia e o mês _______________________
____________________ . (combinado)
RESOLUÇÃO: combinado(s)
� Na gaveta, havia camisetas e maiô ____________________
____________________ . (novo)
RESOLUÇÃO: novo(s)
RESOLUÇÃO:
o substantivo mais próximo ou com todos os substantivos em
gênero e número.
� “Jorge, _____________________________ a cor e o alento,
caiu”. (perdido)
RESOLUÇÃO:
perdida
� Vi-me cercado de ___________________________________
gentileza e cuidado. (extrema)
RESOLUÇÃO:
extrema
Conclusão:
O adjetivo posposto a uma sequência de
substantivos ligados por “e” pode concordar com
____________________________________________ ou
_____________________________________________ .
Exercícios Propostos
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44 PORTUGUÊS
� Os _________________________________ Chico e Caetano
compareceram ao espetáculo. (famoso)
RESOLUÇÃO: famosos
RESOLUÇÃO:
o mais próximo, nomes próprios, plural.
� ________________________________________ o caderno e
a folha. (Estava rasgado)
RESOLUÇÃO: Estava rasgado, Estavam rasgados
� O juiz declarou ____________________________________ o
comerciante e seus auxiliares. (criminoso)
RESOLUÇÃO: criminosos
� Encontrei _____________________ a casa e o pátio. (vazio)
RESOLUÇÃO: vazios
RESOLUÇÃO: os núcleos do sujeito ou do objeto
� Houve crime de _________________________ -patriotismo.
(leso)
RESOLUÇÃO: leso
� As alunas ________________________________ arruma ram
a sala de aula. (mesmo)
RESOLUÇÃO: mesmas
� Eles ___________________________________ conseguiram
resolver o problema. (próprio)
RESOLUÇÃO: próprios
� A moça disse apenas: muito _________________________ .
(obrigado)
RESOLUÇÃO: obrigada
� As fotocópias seguem ______________________________ .
(anexo)
RESOLUÇÃO: anexas
� No relógio da Matriz deu meio-dia e __________________ .
(meio)
RESOLUÇÃO:
meia
� ___________________________ pessoas ignoravam o plural
desta palavra. (bastante)
RESOLUÇÃO:
Bastantes
� Finalmente ficamos ____________________ . (só)
RESOLUÇÃO: sós
� Agora nós dois estamos ____________________ . (quite)
RESOLUÇÃO: quites
RESOLUÇÃO: o substantivo a que se referem.
� As coisas ficaram ______________________ complicadas.
(bastante)
RESOLUÇÃO: bastante
A mãe estava _____________ chateada com a filha. (meio)
RESOLUÇÃO: meio
________________ nós não iremos à festa. (só)
RESOLUÇÃO: só
Quero que todos fiquem _____________________ . (alerta)
RESOLUÇÃO: alerta
Nota:
Se o verbo de ligação e o predicativo do sujeito
estiverem antes do sujeito composto, ambos pode -
rão concordar com o núcleo mais próximo composto.
Conclusão:
O adjetivo anteposto a uma sequência de subs tan -
tivos ligados por “e” concorda, em gênero e
número, apenas com
___________________________________ . Se os
subs tantivos forem ______________________, o
adjetivo deverá ir para o _______________________ .
Conclusão:
O adjetivo, exercendo a função de predicativo (do
sujeito ou do objeto), concorda com _______________
_____________________________________________ ,
respeitando-se o gênero predominante.
Conclusão:
Leso, mesmo, próprio, obrigado, anexo, incluso,
meio, bastante, só, quite concordam com _________
______________________________________________
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45PORTUGUÊS
O diretor recebeu os ____________________ -assinados.
(abaixo)
RESOLUÇÃO: abaixo
As laranjeiras floresceram ______________________ neste
ano. (menos)
RESOLUÇÃO: menos
RESOLUÇÃO: advérbios
Ele sempre amou mulheres o mais belas ____________
_______________ . (possível)
RESOLUÇÃO: possível
Ele sempre amou mulheres as mais belas ____________
_______________ . (possível)
RESOLUÇÃO: possíveis
Convivi com homens o mais sábios __________________ .
(possível)
RESOLUÇÃO: possível
Convivi com homens os mais sábios _________________ .
(possível)
RESOLUÇÃO: possíveis
RESOLUÇÃO: artigo
É _________________________________________ paciência
para lidar com adolescentes. (necessário)
RESOLUÇÃO: necessário
Com certeza, é _____________________________________
a maior paciên cia do mundo. (necessário)
RESOLUÇÃO: necessária
Maçã é _________________ para o estômago. (bom)
RESOLUÇÃO: bom
Água mineral é _________________ para doenças de pele.
(bom)
RESOLUÇÃO: bom
Esta cerveja é ______________________ . (ótimo)
RESOLUÇÃO: ótima
É ________________________________ entrada de pessoas
estranhas. (proibido)
RESOLUÇÃO: proibido
É _________________________________ a permanência de
pessoas estranhas. (proibido)
RESOLUÇÃO: proibida
RESOLUÇÃO: masculino singular
Ainda não chegaram os instrumentos _________________
__________________________ . (médico-cirúrgico)
RESOLUÇÃO: médico-cirúrgicos
Ela tem olhos ___________________________. (verde-claro)
RESOLUÇÃO: verde-claros
Alunos _______________________________________ são
ensinados por meio de técnicas especiais. (surdo-mudo)
RESOLUÇÃO: surdos-mudos
RESOLUÇÃO: último
Conclusão:
Nas frases acima, bastante, meio, só, alerta, abaixo
e menos ficam invariáveis, pois estão funcionando
como _______________________________________ .
Conclusão:
O adjetivo possível varia de acordo com o
__________ _________________________________ .
Conclusão:
Os adjetivos necessário, bom e proibido ficam no
______________________________________________
quando o sujeito é tomado em grau absoluto, isto é,
sem artigo ou pronome demonstrativo.
Conclusão:
Flexiona-se apenas o ___________________________
elemento do adjetivo composto, com exceção de
surdo-mudo, em que variam os dois elementos.
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46 PORTUGUÊS
Figuras que combinam os elementos sonoros de uma
língua em textos, discursos, poemas etc. para que soem
agradavelmente.
Exemplos
Toda gente homenageia Januária na janela.
(Chico Buarque)
Quando essa preta começa a tratar do cabelo
é de se olhar toda a trama da trança a transa
do cabelo.
(Caetano Veloso)
Chove chuva choverando.
(Oswald de Andrade)
Exemplos
Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam.
(Chico Buarque)
A ponte aponta
e se desaponta
A tontinha tenta
limpar a tinta,
ponto por ponto
e pinta por pinta. (Cecília Meireles)
Exemplos
Quem casa quer casa.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
(Carlos Drummond de Andrade)
Que a morte apressada seja tributo do enten di mento, e a
vida larga atributo da ignorância. (Vieira)
Exemplos
O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe, das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvv... passou.
(Mário de Andrade)
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno.
(Fernando Pessoa)
É comum que as figuras sonoras apareçam mes cladas em
um mesmo texto.
Observe como o poema abaixo apresenta aliteração (cadeia
de sibilantes s: esfera, desce, espaço, veloz, depois, dispõe,
esfera, espera, dispara, direção, nosso, coração), assonância
(cadeia de vogais e) e paronomásia (apara/a para, esfera/espera).
ONOMATOPEIA: sequência de sons que dão uma ideia exata
ou aproximada do objeto ou ação repre sentados.
PARONOMÁSIA: combinação de palavras que apre sentam
semelhança de sons e diferença de sentidos. Trocadilho.
ASSONÂNCIA: repetição do mesmo fonema vocálico ao
longo de um verso ou poema.
ALITERAÇÃO: repetição de fonemas consonantais,
idênticos ou parecidos, no início — ou mesmo no interior —
de várias palavras na mesma frase ou verso.
63
Palavras-chave:
Figuras sonoras ou de harmonia • Aliteração • Onomatopeia
• Paronomásia
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47PORTUGUÊS
Compare estes dois textos:
Texto I
O tempo passa, e com ele os fatos que
cons ti tuem as experiências humanas. Isto não
sig ni fi ca que sejam esquecidas: tudo pode se
con servar enquanto memória afetiva ou apre n -
di zado.
Texto II
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
Manuel Bandeira
�
É correto afirmar que
a) o texto I é mais objetivo que o II, além de
ter um ritmo mais marcado.
b) esses textos consideram a passagem do
tempo de perspectivas opostas.
c) o texto II vale-se de sonoridades que
dotam sua linguagem de intenção
expressiva.
d) o texto II perde, por sua subjetividade, o
poder de expressar uma convicção sobre o
tempo que passou.
e) esses textos adotam formas diferentes de
linguagem com o mesmo objetivo de infor -
mação.
Resolução
As figuras sonoras presentes no poema são a
aliteração do fonema /v/ e a assonância do
fonema vocálico /a /.
Resposta: C
� (ESPM) – O escritor Paulo Lins em seu
romance Cidade de Deus expressa o avanço
da violência no Brasil, nas últimas décadas,
com a frase:
"Falha a fala. Fala a bala."
Nas duas frases só não se pode identificar a
seguinte figura de linguagem:
a) Paronomásia, pelo trocadilho ou jogo de
palavras com apelo sonoro.
b) Aliteração, pela repetição de fonemas
conso nantais.
c) Assonância, pela repetição da vogal "a".
d) Perífrase, pela substituição de "violência"
por um dos elementos que a compõe
(bala).
e) Personificação, pela característica humana
atribuída à "bala".
Resolução
A repetição do fonema /f / configura aliteração,
assim como a semelhança de sons.
Resposta: D
(CÁSPER LÍBERO) – Considere os
seguintes trechos do texto de F. Bonassi e
assinale a alternativa correta.
I. Há sempre a possibilidade, como torres
são derrubadas, que pontes sejam
erguidas.
II. Há épocas em que as elites nos legam
tradições e épocas em que nos legam
traições.
Há épocas em que o interesse cresce mais
do que o desejo e o despejo mais do que o
aluguel.
III. Há épocas que são épicas e épocas que
são poucas.
Nos trechos lidos há, respectivamente,
a) catacrese, eufemismo e hipérbole.
b) antítese, paronomásia e aliteração.
c) paronomásia, anáfora e eufemismo.
d) ironia, sinestesia e aliteração.
e) antítese, rima e metáfora.
Resolução
Em I, a antítese está em derrubadas e
erguidas; em II, a paronomásia está em
tradição e trai ções; em III, há paronomásia em
épicas e épo cas e aliteração na repetição dos
fonemas /p / e /c /.
Resposta: B
Texto para a questão �.
TANTA TINTA
Ah! menina tonta,
toda suja de tinta
mal o sol desponta!
(Sentou-se na ponte,
muito desatenta...
E agora se espanta:
Quem é que a ponte pinta
com tanta tinta?...)
A ponte aponta
e se desaponta.
A tontinha tenta
limpar a tinta,
ponto por ponto
e pinta por pinta...
Ah! a menina tonta
Não viu a tinta da ponte!
(Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo)
� (UFSCar) – Esse poema faz parte de uma
coleção dedicada por Cecília Meireles às
crianças.
a) Cite um dos principais recursos estilísticos
nele utilizados. Exemplifique.
b) A que classe de palavra pertence a palavra
tontinha, no texto? Cite uma de suas
funções na construção desse texto.
Resolução
a) Um dos recursos mais explorados no
poema é a aliteração, mas há também
assonância e paronomásia. Há aliteração na
repetição dos fonemas |t| e |p|; assonância
na reiteração dos fonemas vocá licos,
especialmente do |ô| tônico; paronomásia
no emprego de pala vras parecidas no som
e distintas no sentido, como tonta/tin -
ta/tenta/pinta/ponte/desponta/ponto.
b) Tontinha é um adjetivo substantivado –
portanto, um subs tantivo – com a função,
do ponto de vista da construção sintática,
de retomar de forma explícita a expressão
"menina tonta" (pri meiro verso), a que
remetem os sujeitos elípticos das duas pri -
meiras orações da segunda estrofe.
Quanto à construção formal do poema,
tontinha tem a função de integrar a série de
palavras que compõem a longa aliteração
do |t| e a igualmente longa série de
assonâncias em |õ|.
Exercícios Resolvidos
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 47
48 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (UNESP) – Em “Relâmpago” há um vocábulo onomato -
paico que sugere "movimento rápido, com decisão".
a) Identifique esse vocábulo.
b) Explique as relações semânticas que tal vocábulo apresenta
no contexto do poema.
Texto para a questão �.
� (FUVEST)
a) É correto afirmar que o verbo dormia tem uma conotação
positiva, tendo em vista o contexto em que ele ocorre?
Justifique sua resposta.
b) Identifique, nos três últimos versos, um recurso expressivo
sonoro e indique o efeito de sentido que ele produz. (Não
considere a rima distraída/subtraída.)RESOLUÇÃO:
A palavra onomatopaica zás refere-se tanto ao movimento
rápido e decidido da onça quanto à velocidade do raio com que a
onça é comparada. Zás associa-se também, por proximidade
semântica, ao movimento da flecha, que é mencionada em
seguida.
RESOLUÇÃO:
O vocábulo onomatopaico é zás, cuja sibilância sugere veloci -
dade.
RELÂMPAGO
A onça pintada saltou tronco acima que nem um
relâmpago de rabo comprido e cabeça amarela:
Zás!
Mas uma flecha ainda mais rápida que o relâmpago
fez rolar ali mesmo
aquele matinal gatão elétrico e bigodudo
que ficou estendido no chão feito um fruto de
cor que tivesse caído de uma árvore!
(in RICARDO, Cassiano. Martim Cererê. 6.a ed.,
São Paulo, Comp. Ed. Nacional, 1938.)
(...)
Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
(...).
(Chico Buarque e Francis Hime, Vai passar)
RESOLUÇÃO:
Não. Do contexto depreende-se que a pátria encontrava-se em
uma situação letárgica diante das subtrações ou tenebrosas
transações de que era vítima.
RESOLUÇÃO:
O "recurso expressivo sonoro" está na passagem – tenebrosas
transações. A aliteração da consoantedá relevo à expressão e
reforça a sugestão de soturnidade que a reveste.
Exercícios Propostos
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 48
49PORTUGUÊS
(UNICAMP-2021) – Leia abaixo alguns excertos do poema
Menimelímetros, de Luz Ribeiro, poeta do Slam das Minas de
São Paulo. Esse poema foi apresentado performaticamente
em alguns slams de que ela participou no Brasil.
a) O título Menimelímetros é um neologismo que funde ao
menos duas palavras. Quais são essas palavras? Transcreva
os versos que sintetizam o título do poema.
RESOLUÇÃO:
O neologismo “menimelímetros” funde “meninos + milímetros”,
num processo de formação por aglutinação. “Milímetros” é uma
unidade de medida, assim como “centímetros” e “metros” que
também aparecem no poema. Essas unidades podem referir-se às
estreitas vielas e becos por onde passam os meninos “liso” e
também às armas 9 milímetros que matam o menino “mais
retinto” e “mais fácil de ser extinto”. Nesse sentido, os versos que
melhor sintetizam o título são: “um aviso: quanto mais retinto o
menino / mais fácil de ser extinto / seus centímetros não
suportam 9 milímetros / porque esses meninos / esses meninos
sentem metros”.
b) Na terceira estrofe, há um jogo de palavras. Identifique esse
jogo de palavras e explique a relação de causa e
consequência estabelecida por ele.
RESOLUÇÃO:
O jogo sonoro e semântico ocorre entre as palavras “reforço” e
“reforçam”. A primeira palavra refere-se a “reforço escolar”,
complemento de aulas, mas o final do verso “de ninguém”,
enfatiza o fato de que os meninos do poema nunca receberam
apoio familiar, institucional, social, político. A segunda sugere que
os meninos integram e se tornam reféns da “força” e da “tática
do tráfico”. Assim, a falta de incentivo à educação (“tão tudo fora
das grades escolares”) tem como consequência o estímulo ao
ingresso na criminalidade.
os menino passam liso
pelos becos e vielas
os menino passam liso
pelos becos e vielas
os menino passam liso
pelos becos e vielas
você que fala em becos e vielas
sabe quantos centímetros cabem em um menino?
sabe de quantos metros ele despenca
quando uma bala perdida o encontra?
Sabe quantos nãos ele já perdeu a conta? (...)
esses menino tudo sem educação
que dão bom dia, abrem até o portão
tão tudo fora das grades escolares
nunca tiveram reforço – de ninguém
mas reforçam a força e a tática
do tráfico, mais um refém (...)
que esses meninos sem nem carinho
não tem carrinho no barbante
pensa que bonito se fosse peixinho fora d’água
a desbicar no céu
mas é réu na favela
lhe fizeram pensar voos altos
voa, voa, voa...aviãozinho
e os menino corre, corre, corre
faz seus corres, corres, corres (...)
“ceis” já pararam pra ouvir alguma vez os sonhos
dos meninos?
é tudo coisa de centímetros:
um pirulito, um picolé
um pai, uma mãe
um chinelo que lhe caiba nos pés
um aviso: quanto mais retinto o menino
mais fácil de ser extinto
seus centímetros não suportam 9 milímetros
porque esses meninos
esses meninos sentem metros
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50 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (UNICAMP) – Entre os recursos comuns aos neologismos
de Guimarães Rosa e de James Joyce, estão:
I. Onomatopeia (formação de uma palavra a partir de uma
reprodução aproximada de um som natural, utilizando-se os
recursos da língua); e
II. Derivação (formação de novas palavras pelo acréscimo de
prefixos ou sufixos a palavras já existentes na língua).
Os neologismos que aparecem nas opções abaixo foram
extraídos de obras de Guimarães Rosa (GR) e James Joyce
(JJ). Assinale a opção em que os processos (I) e (II) estão
presentes:
a) Quinculinculim (GR, No Urubuquaquá, no Pinhém) e
tattarrattat (JJ, Ulisses).
b) Transtrazer (GR, Grande sertão: veredas) e monoideal (JJ,
Ulisses).
c) Rtststr (JJ, Ulisses) e quinculinculim (GR, No Urubuquaquá,
no Pinhém).
d) Tattarrattat (JJ, Ulisses) e inesquecer-se (GR, Ave, Palavra).
RESOLUÇÃO:
A palavra “tattarrattat” é formada por repetição fonética para
simular o som de batidas na porta, configurando um exemplo de
onomatopeia. A palavra “inesquecer-se” é formada pelo prefixo
negativo “in-” acrescido ao verbo “esquecer-se”. Trata-se,
portanto, de derivação prefixal.
Resposta: D
Texto para a questão �.
� (UFG) – O fragmento de texto anterior é de um artigo de
Rubem Alves, publicado no encarte Sinapse da Folha de S.
Paulo, em 24 de junho de 2003.
a) Explique a função das aspas no slogan.
b) Interprete o jogo de palavras entre estranha-se e entranha-
se.
RESOLUÇÃO:
As aspas foram empregadas por se tratar de uma citação, no
caso, o slogan criado por Fernando Pessoa.
RESOLUÇÃO:
Trata-se de paronomásia (jogo de palavras próximas pelo som e
distintas pelo significado) entre estranha-se (referência ao sabor
desagradável ou diferente da bebida) e entranha-se (referência à
preferência, à adesão, à opção que cativa).
Fernando Pessoa – quem diria? – foi ideólogo da Coca-
-Cola... Quem me contou foi o professor Ademar Ferreira
dos Santos, educador português, da Escola da Ponte, em
Portugal.
Pois ele, o professor, me contou que, nos idos dos anos
20, Fernando Pessoa, precisando ganhar dinheiro para
sobre viver, passou a trabalhar para uma empresa de pro -
paganda. A Coca-Cola estava chegando, era desconhe cida,
de gosto estranho, e precisava de uma cunha poética que
lhe abrisse o caminho.
Foi então que o escritor português produziu este curtís -
simo slogan: “A princípio estranha-se. Depois, entranha-se”.
Absolutamente genial!
O brasileiro João Guimarães Rosa e o irlandês James
Joyce são autores reverenciados pela inventividade de sua
linguagem literária, em que abundam neologismos. Muitas
vezes, por essa razão, Guimarães Rosa e Joyce são citados
como exemplos de autores “praticamente intraduzíveis”.
Mesmo sem ter lido os autores, é possível identificar alguns
dos seus neologismos, pois são baseados em processos de
formação de palavras comuns ao português e ao inglês.
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 50
51PORTUGUÊS
Você, aluno da 2.a série, estudou desde a 1.a vários gêneros textuais: fábula, artigo de opinião, conto, crônica, além
de tirinhas e charges, entre outros. A interpretação desses gêneros é o foco de várias provas, concursos e
vestibulares.
Neste módulo, você terá a possibilidade de conhecer outros gêneros textuais e responder às questões
interpretativas sobre eles, que aparecem, sobretudo, nas provas do ENEM.
66
Palavras-chave:
Outros gêneros textuais • Gêneros textuais
Exercícios Resolvidos
Texto para a questão �.
INFORMAÇÕES AO PACIENTE — NIMESULIDA
Ação esperada do medicamento: Nimesulida possui propriedades
anti-inflamatórias, analgésicas e antipiréticas.
Cuidados de armazenamento: Nimesulida gotas deve ser
conservado em temperatura ambiente (entre 15° e 30°C), protegido
da luz.
Gravidez e lactação: Informe a seu médico a ocorrência de
gravidez durante o tratamento ou após o seu término. Informe ao
médico se está amamentando. O uso de Nimesulida não é
recomendado para gestantes e mulheres em fase de amamentação.
Cuidados de administração: Siga a orientação do seu médico,
respeitando sempre os horários, as doses e a duração do tratamento.
Caso os sintomas não melhorem em 5 dias, entre em contato com o
seu médico. Recomenda-se utilizar Nimesulida depois das refeições.
Agite antes de usar.
TODO MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO
FORA DO ALCANCE DAS CRIANÇAS.
Disponível em: www.bulas.med.br.
Acesso em: 3 ago. 2012 (fragmento).
� O fragmento de bula apre senta informações ao pa -
ciente sobre as proprieda des do medicamento e
sobre o modo adequado de administrá-lo. Pela
leitura desse texto, o paciente obtém a informação de que o
medicamento deve ser
a) mantido dentro da geladeira, preferencial mente.
b) ingerido num intervalo de seis em seis horas.
c) administrado em horários específicos.
d) tomado por pelo menos uma semana.
e) utilizado somente por adultos.
Resolução
O fragmento da bula afirma que o medicamentodeve ser tomado
após as refeições e, a partir dessa informação, depreende-se que
existe hora específica para sua ingestão.
Resposta: C
Textos para a questão �.
CASADOS E INDEPENDENTES
Um novo levantamento do IBGE mostra que o número de casamentos
entre pessoas na faixa dos 60 anos cresce, desde 2003, a um ritmo 60%
maior que o observado na população brasileira como um todo...
Fontes: IBGE e Organização Internacional do Trabalho (OIT) *Com base no
último dado disponível, de 2008. Veja, São Paulo, 21 abr. 2010 (adaptado).
� Os gráficos expõem dados estatísticos por meio
de linguagem verbal e não verbal. No texto, o uso
desse recurso
a) exemplifica o aumento da expectativa de vida da população.
b) explica o crescimento da confiança na Instituição do casamento.
c) mostra que a população brasileira aumentou nos últimos cinco anos.
d) indica que as taxas de casamento e emprego cresceram na
mesma proporção.
e) sintetiza o crescente número de casa men tos e de ocupação no
mercado de trabalho.
Resolução
Os gráficos apresentam dados que permitem concluir que o número
de casamentos entre pessoas acima dos 60 anos aumentou 44%
entre 2003 e 2008, e o ingresso delas no mercado de trabalho
também cresceu 7 pontos percentuais entre 2003 e 2008.
Resposta: E
Entre pessoas
acima dos 60
44%
Na população
brasileira
28%
Aumento no número de casamentos (entre 2003 e 2008)
... e um fator determinante é que cada vez mais pessoas nessa
idade estão no mercado de trabalho, o que lhes garante a
independência financeira necessária para o matrimônio.
Em 2003
31%
Hoje*
38%
População com mais de 60 anos no mercado de trabalho
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 51
52 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (DIGITAL-2021) – Nessa simulação de ver -
bete de dicionário, não há a predominância
da função metalinguística da linguagem,
como seria de se esperar. Identificam-se elementos que
subvertem o gênero por meio da incorporação marcante de
características da função
a) conativa, como em “(valeu, galera)!”.
b) referencial, como em “é festejar o próprio ser.”
c) poética, como em “é a felicidade fazendo visita.”
d) emotiva, como em “é quando eu esqueço o que não
importa.”
e) fática, como em “é o dia que recebo o maior número de
ligações no meu celular.”
RESOLUÇÃO:
No texto, que simula um verbete, há função emotiva, pois toda a
definição está centrada no uso da 1.a pessoa do singular. A
intenção não é definir objetivamente o sentido da palavra
“aniver sário”, mas sim o que essa data representa subjetiva -
mente para o autor. Porém, o predomínio é da função poética, no
emprego das minúsculas em início de oração, nas comparações e
no trecho em linguagem figurada “é a felicidade fazendo visita.”.
Gabarito oficial: C
Texto para a questão �.
� Todo gênero apresenta elementos
constitutivos que condicionam seu uso em
sociedade. A letra de canção identifica-se
com o gênero ladainha, essencialmente, pela utilização da
sequência textual
a) expositiva, por discorrer sobre um dado tema.
b) narrativa, por apresentar uma cadeia de ações.
c) injuntiva, por chamar o interlocutor à participação.
d) descritiva, por enumerar características de um
personagem.
e) argumentativa, por incitar o leitor a uma tomada de atitude.
RESOLUÇÃO:
O gênero ladainha, em formato de prece, é caracterizado pela
invocação de uma divindade, expressa no texto pela repetição do
vocativo “Senhor”.
Resposta: C
ANIVERSÁRIO (S.M.)
é o dia que recebo o maior número de ligações no meu
celular. é sinônimo de doce. é festejar o próprio ser. é
receber os abraços mais gostosos. é um bolo de chocolate
vegano (obrigado, mãe). é quando eu esqueço o que não
importa. é o dia em que eu me dou folga das folgas que a
vida não me dá. é quando seus amigos se juntam para
comprar a nova coleção de livros do Harry Potter pra você
(valeu, galera)! é a felicidade fazendo visita.
é um balão imaginário que tem gosto de amor e cheirinho de
infância.
DOEDERLEIN, J. O livro dos ressignificados.
São Paulo: Parábola, 2017.
BLUES DA PIEDADE
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem
CAZUZA. Cazuza: O poeta não morreu.
Rio de Janeiro: Universal Music, 2000 (fragmento).
Exercícios Propostos
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53PORTUGUÊS
Texto para a questão
.
Disponível em: www.pmf.sc.gov.br. Acesso em: 11 dez. 2017.
(2021) – Nesse texto, o entrelaçamento de
vários gêneros textuais é um mecanismo
discursivo para
a) destacar a fidelidade dos cães.
b) realçar as vantagens de se adotar um cão.
c) mostrar a dependência decorrente do amor aos cães.
d) enfatizar o interesse das pessoas pela adoção de cães.
e) sensibilizar a comunidade sobre a carência dos cães.
RESOLUÇÃO:
No texto, a mistura de diversos gêneros textuais é um
procedimento utilizado para evidenciar que a adoção de um cão é
um ato vantajoso para quem o faz. Essa atitude é comparável a
um “remédio milagroso”, que provoca uma saudável relação de
afeto e dependência entre o ser humano e o animal.
Resposta: B
Texto para a questão �.
BUSCATO, M.; SEGADILHA, B.; PEDROSA, T.
Disponível em: www.revistaepoca.globo.com.
Acesso em: 28 fev. 2012.
� Em variados momentos de nossa vida,
precisamos interpretar as diferentes
linguagens dos sistemas de comunicação. O
gráfico é um desses sistemas, que, no caso apresentado,
indica que as habilidades associadas à inteligência humana
variam de acordo com a idade. Considerando essa informação,
constata–se que
a) as habilidades verbal e de resolução de problemas
destacam–se entre 40 e 60 anos.
b) a habilidade numérica diminui consideravelmente entre 20 e
40 anos.
c) a habilidade de resolução de problemas piora considera vel -
mente a partir dos 30 anos.
d) as habilidades humanas, em geral, declinam considera vel -
mente a partir dos 40 anos.
e) a habilidade numérica melhora muito na faixa etária entre 60
e 80 anos.
Resposta: A
AMOR [Do lat. amore] Dicionário Aurélio s.m.
Este produto contém:
1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem,
ou de alguma coisa.
2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser, ou a uma
coisa; devoção extrema.
3. Sentimento de afeto ditado por laços de família.
4. Sentimento terno ou ardente por outra pessoa.
5. Adoção, veneração.
6. Afeição, amizade, carinho, simpatia, ternura.
7. Inclinação ou apego profundo a algum valor ou alguma coisa que
proporciona prazer, entusiasmo, paixão.
8. Muito cuidado, zelo, carinho.
9.O objetivo do amor.
Indicação: solidão, carência afetiva, falta de comunicação, carinho em
excesso.
Posologia: Sem restrições.
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 53
54 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (UNICAMP-2021) – ACAPA é um perfil de Facebook, que
publica capas possíveis de revista. O efeito humorístico na
leitura dessa edição de ACAPA decorre mais precisamente do
uso
a) da expressão “terra à vista”, que remete à época em que a
terra ainda era plana.
b) da expressão “abundam birutas”, em referência aos povos
originários do Brasil.
c) do pronome relativo “cujo” para indicar o destino traçado
para a terra plana há 520 anos.
d) da imagem de uma biruta mostrando a direção do vento,
aliada à referência a “birutas” atuais.
RESOLUÇÃO:
O efeito de humor presente na edição de ACAPA ocorre na
polissemia da palavra “biruta”, pois se refere tanto ao
instrumento utilizado para indicar a direção dos ventos, quanto
ao sentido de “insano, amalucado”. No texto, a referência a biruta
como instrumento de navegação aparece no logotipo de ACAPA e
na expressão “ventos e velas”; já a passagem “abundam birutas”
insinua insanidade daqueles que acreditam na “terra plana”.
Resposta: D
(INSPER) – Considere as seguintes informações pre sen -
tes na bula de paracetamol.
Uma mãe, quando foi amamentar seu filho, percebeu que ele
estava febril. Decidiu, então, dar-lhe o paracetamol.Se ela leu
adequadamente a bula, conclui-se que
a) deixou de administrar o medicamento ao filho, à vista da
condição etária deste.
b) administrou o medicamento até a febre do filho ceder
completamente.
c) deixou de administrar o medicamento ao filho, pois o
comprimido excede a dose diária.
d) deixou de administrar o medicamento ao filho, pois é
restrito aos adultos.
e) administrou o medicamento ao filho, sem exceder 1 000
mg/dose durante o tratamento.
RESOLUÇÃO:
Segundo a bula do paracetamol, o medicamento é indicado para
adultos e crianças acima de 12 anos. No enunciado, há a
informação de que a criança é lactente, ou seja, ainda mama,
deduzindo-se que tem menos de 12 anos. Portanto, a mãe não
deveria ministrá-lo ao filho.
Resposta: A
INDICAÇÕES:
Este medicamento é indicado, em adultos, para a redução
da febre e o alívio temporário de dores leves a moderadas,
tais como: dores associadas a resfriados comuns, dor de
cabeça, dor no corpo, dor de dente, dor nas costas, dores
musculares, dores leves associadas a artrites e
dismenorreia.
POSOLOGIA E MODO DE USAR:
Uso oral. Os comprimidos devem ser administrados por
via oral, com líquido. O paracetamol pode ser administrado
independentemente das refeições. Adultos e crianças acima
de 12 anos: 1 comprimido, 3 a 5 vezes ao dia. A dose diária
total recomendada de paracetamol é de 4 000 mg (5
comprimidos de paracetamol 750 mg) administrados em
doses fracionadas, não excedendo 1 000 mg/dose (1
comprimido de paracetamol 750 mg), em intervalos de 4 a 6
horas, em um período de 24 horas.
Duração do tratamento: depende da remissão dos
sintomas.
(http://www.anvisa.gov.br)
“Se Cabral tivesse uma vaga noção d’ACAPA de hoje,
véspera do 22 de abril de 2020, provavelmente teria
desviado o curso de suas caravelas rumo a outras terras.”
(ACAPA. Disponível em https://www.facebook.com/acapabr/.
Acessado em 30/ 04/2020.)
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 54
55PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (CUCO) – GiFs, memes, stickers são gêneros textuais
com larga circulação nas redes sociais. Uma característica
observada no meme é:
a) A frase pode ser utilizada em diferentes contextos e
mantém o humor.
b) A personagem que deu origem ao texto é engraçada.
c) Não é possível compreender o texto sem conhecer o que
deu origem a ele.
d) A circulação do texto é limitada às redes sociais.
e) A frase e a imagem são ambíguas.
RESOLUÇÃO:
Meme é uma frase, informação, imagem que se propaga pelas
redes sociais, tornando-se extremamente popular. O meme sai de
seu contexto de origem e alcança situações diferentes, mantendo
o humor e a ironia.
Resposta: A
Texto para a questão �.
COSTA, C. Superinteressante. Fev. 2011 (adaptado).
� Os amigos são um dos principais indicadores
de bem-estar na vida social das pessoas. Da
mesma forma que em outras áreas, a
internet também inovou as maneiras de vivenciar a amizade.
Da leitura do infográfico, depreen dem-se dois tipos de amizade
virtual, a simétrica e a assimétrica, ambas com seus prós e
contras. Enquanto a primeira se baseia na relação de
reciprocidade, a segunda
a) reduz o número de amigos virtuais, ao limitar o acesso à
rede.
b) parte do anonimato obrigatório para se difundir.
c) reforça a configuração de laços mais profundos de ami zade.
d) facilita a interação entre pessoas em virtude de inte resses
comuns.
e) tem a responsabilidade de promover a proximidade física.
RESOLUÇÃO:
Como a relação assimétrica dispensa permissão da pessoa
“adicionada” ou “seguida” como amigo, ela “facilita a interação
entre pessoas” que partilhem algum interesse.
Resposta: D
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 55
56 PORTUGUÊS
Texto para a questão
.
Essa imagem ilustra a reação dos celíacos
(pessoas sensíveis ao glúten) ao ler rótulos
de alimentos sem glúten. Essas reações
indicam que, em geral, os rótulos desses produtos
a) trazem informações explícitas sobre a presença do glúten.
b) oferecem várias opções de sabor para esses consumidores.
c) classificam o produto como adequado para o consumidor
celíaco.
d) influenciam o consumo de alimentos especiais para esses
consumidores.
e) variam na forma de apresentação de informações
relevantes para esse público.
RESOLUÇÃO:
Como os rótulos de produtos que não contêm glúten apresentam
falta de uniformidade no conjunto de informações importantes
para seu público, as reações desses consumidores são
diversificadas, conforme evidenciam as diferentes expressões dos
“emoticons”.
Resposta: E
Texto para a questão �.
� O texto é resultante do hibridismo de dois
gêneros textuais. A respeito desse
hibridismo, observa-se que a
a) receita mistura-se ao gênero propaganda com a finalidade
de instruir o leitor.
b) receita é utilizada no gênero propaganda a fim de divulgar
exemplos de vida.
c) propaganda assume a forma do gênero receita para divulgar
um produto alimentício.
d) propaganda perde poder de persuasão ao assumir a forma
do gênero receita.
e) receita está a serviço do gênero propaganda ao solicitar que
o leitor faça o doce.
RESOLUÇÃO:
Para a divulgação do produto Açúcar Naturale, o texto mescla
elementos do gênero textual propaganda a elementos do gênero
receita, com verbos no imperativo.
Resposta: C
RECEITAS DE VIDA POR UM MUNDO MAIS DOCE
PÉ DE MOLEQUE
Ingredientes
2 filhos que não param quietos
3 sobrinhos da mesma espécie
1 cachorro que adora uma farra
1 fim de semana ao ar livre
Preparo
Junte tudo com os ingredientes do Açúcar Naturale,
mexa bem e deixe descansar. Não as crianças, que não vai
adiantar. Sirva imediatamente, porque pé de moleque não
para. Quer essa e outras receitas completas?
Entre no site cianaturale.com.br.
Onde tem doce, tem Naturale.
Revista Saúde, n. 351, jun. 2012 (adaptado).
REAÇÕES CELÍACAS AO LER
UM RÓTULO SEM GLÚTEN
Disponível em: www.facebook.com/omeusegredinho.
Acesso em: 9 dez. 2017. (Adaptado).
Não
Contém
Glúten
:)
CURTI!
Sem
Glúten
e com
Sabor
AMEI!
Sem
Glúten
e
Barato
HAHA!
Rótulo
tá todo
errado
:(
GRR!
Sem
Glúten
Barato e
Gostoso
UAU!
Sem
Glúten
mas pode
conter traços
TRISTE!
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 56
Texto para a questão �.
� Para cumprir sua função social, o Estatuto da
criança e do adolescente apresenta caracte -
rísticas próprias desse gênero quanto ao uso
da língua e quanto à composição textual. Entre essas
características, destaca-se o emprego de
a) repetição vocabular para facilitar o entendimento.
b) palavras e construções que evitem ambiguidade.
c) expressões informais para apresentar os direitos.
d) frases na ordem direta para apresentar as informações
mais relevantes.
e) exemplificações que auxiliem a compreensão dos concei -
tos formulados.
RESOLUÇÃO:
Os artigos do Estatuto da criança e do adolescente, como todo
texto legal, devem evitar construções ou palavras que gerem
ambiguidade.
Resposta: B
Art. 2.° Considera-se criança, para os efeitos desta lei, a
pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente
aquela entre doze e dezoito anos de idade. [...]
Art 3.° A criança e o adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da
proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes,
por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e
facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico,
mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade
e de dignidade.
Art 4.° É dever da família, da comunidade, da sociedade em
geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade,
a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissio -
nalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária. [...]
BRASIL. Lei n. 8 069, de 13 de julho de 1990.
Estatuto da criança e do adolescente.
Disponível em: www.planalto.gov.br (fragmento)
57PORTUGUÊS
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58 PORTUGUÊS
Impactos do aquecimento global são mais letais em países pobres,
mostra relatório da ONU
São decrescentes as chances de a humanidade evitar um desastre planetário decorrente
da mudança do clima, cujos desdobramentos já afetam de forma significativa populações e
ecossistemas inteiros.
O prognóstico emerge da segunda parte do AR6, o sexto relatório de avaliação do IPCC,
painel do clima das Nações Unidas – um compilado da melhor ciência produzida sobre o
tema, que busca nortear a ação dos governos.
A primeira, anunciada em agosto de 2021, focalizara as bases físicas da alteração
climática; a atual concentra-se nos impactos, vulnerabilidades e adaptações.
Conduzida por 270 pesquisadores de 67 nações, a extensa revisão científica descreve
um cenário de flagrante desigualdade, em que regiões mais pobres terminam
desproporcionalmente afetadas.
Basta dizer que, de 2010 a 2020, a letalidade de secas, inundações e tempestades em
área altamente vulneráveis, que incluem países da África, Ásia e América Latina, foi de 15
vezes a verificada em nações mais ricas. Além disso, espantosos 40% da população
mundial vive em zonas de risco, altamente suscetíveis à mudança climática.
Se a temperatura média do mundo subir 1,5oC na comparação com os níveis pré-
industriais (o objetivo do acordo de Paris), até 14% das espécies terrestre correrão risco
muito alto de extinção.
Ocorre que a redução de emissões proposta até o momento implica aumento acima de
2,5oC. Nesse cenário, quase um terço da vida sobre a terra pode desaparecer.
E mesmo que o limiar de 1,5oC seja ultrapassado apenas temporariamente, afirma o
relatório, uma série de danos graves e irreversíveis deve afetar de ecossistemas a geração
de energia, passando pela segurança alimentar e pelo abastecimento de água.
(Editorial Folha de S.Paulo, 01/03/2022)
Desigualdades do climaLEITURA OBRIGATÓRIA
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59PORTUGUÊS
* Unidade adotada pelo IPCC. É a quantidade de metano emitido em volume equivalente de gás carbônico (1 tonelada de metano é igual a 28 toneladas
de CO2) **Como desmatamentos e queimadas.
Fontes: IPCC, IBGE, United Nations Framework Convention for Climate Change, World Resources Institute e Seeg (Sistema de Estimativas de
Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa)
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60 PORTUGUÊS
Rascunho
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61PORTUGUÊS
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
Matrícula –
Com base no módulo 50 sobre meio ambiente e nos textos da Leitura Obrigatória, você produzirá um texto sobre
sustentabilidade e pode escolher um dos gêneros textuais: discurso ou artigo de opinião.
TEMA A ❏
Imagine que você foi escolhido entre os
estudantes brasileiros para discursar na
ONU para os líderes mundiais sobre a
necessidade de ações sustentáveis na
exploração dos recursos naturais no
Brasil, para, além da preservação do meio
ambiente, conter o aquecimento global.
TEMA B ❏
A partir dos textos motivadores e com base nos
conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija
texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal
da língua portuguesa sobre o tema “O uso sustentável dos
recursos naturais”, apresentando proposta de intervenção
que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e
relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para
defesa de seu ponto de vista.
51 e 52
Prática de Redação 11
COLÉGIO
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62 PORTUGUÊS
Tema A: O discurso deve ter um vocativo (Senhores líderes mundiais, por exemplo), linguagem culta, objetiva e clara, além
da necessária coerência e coesão entre os parágrafos. O discurso deve ser persuasivo e, portanto, apresentar argumentos
que provoquem no ouvinte uma mudança de pensamento que resulte em ações. Podem ser feitas perguntas retóricas, uso
do imperativo (função conativa), vocativos no corpo do discurso, para promover a adesão do leitor ou ouvinte. Avaliar com
nota alta o discurso bem articulado e persuasivo, em linguagem culta.
Tema B: Usar a grade de critérios do ENEM para a correção.
Competência Critério Peso Nota atribuída
1 Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 2
2
Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das
várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro
dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
2
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 2
4 Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticosnecessários para a articulação das ideias (coesão e coerência). 2
5 Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado,demonstrando respeito aos direitos humanos. 2
Nome do(a) corretor(a): _______________________________________________
Critérios ENEM
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63PORTUGUÊS
O “lugar de fala” é um termo que aparece com frequência em conversas entre militantes de movimentos
feministas, negros ou LGBT e em debates na internet. O conceito representa a busca pelo fim da
mediação: a pessoa que sofre preconceito fala por si, como protagonista da própria luta e movimento.
É um mecanismo que surgiu como contraponto ao silenciamento da voz de minorias sociais por grupos
privilegiados em espaços de debate público. Ele é utilizado por grupos que historicamente têm menos
espaço para falar. Assim, negros têm o lugar de fala - ou seja, a legitimidade - para falar sobre o racismo,
mulheres sobre o feminismo, transexuais sobre a transfobia e assim por diante.
Na prática, o conceito pode auxiliar pessoas a compreenderem como o que falamos e como falamos
marca as relações de poder e reproduz, ainda que sem intenção, o racismo, machismo, lgbtfobia e
preconceitos de classe e religiosos.
Uma crítica à adesão total do “lugar de fala” num debate público é que ele pode restringir a troca de ideias.
Exemplo: um homem ser impedido de falar sobre o feminismo, posição defendida por algumas correntes
do movimento feminista.
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/15/O-que-%C3%A9-%E2%80%98lugar-de-
fala%E2%80%99-e-como-ele-%C3%A9-aplicado-no-debate-p%C3%BAblico
Lugar de falaLEITURA SUGERIDA
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64 PORTUGUÊS
Lugar de falaLEITURA OBRIGATÓRIA
Em seu mais novo livro “O que é lugar de fala?”, a filósofa Djamila Ribeiro discute o conceito
de lugar de fala, cada vez mais presente nos debates de movimentos sociais, especialmente nos
meios virtuais.
Pensando o discurso como manifestação de um imaginário social que reflete poder e controle,
a tese sustentada por Djamila Ribeiro é a de que a consideração e visibilização de lugares de fala
historicamente excluídos é relevante para que se permita dar voz a quem nunca pode falar ou –
falando – nunca ocupou espaços privilegiados em que a fala é efetivamente ouvida.
Em realidade, a ideia de lugar de fala é importante quando se considera que grupos sociais —
independentemente dos indivíduos que os integram — passam por certas vivências comuns
(mesmo quando não queiram ou as neguem), o que é relevante para a forma pela qual contribuem
com a reflexão, a crítica e a construção de saberes.
(Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/publicum/article/download/.../25144>.)
Lugar de fala aparece pela primeira vez no artigo “O problema de falar pelos outros”, da
filósofa panamenha Linda Alcoff, e no ensaio “Pode o subalterno falar?”, da professora indiana
Gayatri Spivak.
O uso mais comum do conceito de lugar de fala busca acabar com a mediação política dos
“privilegiados” que falariam “em nome” e “no lugar” dos “subalternos”quando o assunto são
as desigualdades e as opressões.
Essa tradição defende que há diferentes efeitos de verdade a depender de quem enuncia um
discurso. [...] um homem branco rico e mais velho é ouvido com mais atenção e seus argumentos
são mais considerados do que aqueles de uma mulher jovem, negra e pobre [...] há uma espécie
de contradição performativa, ou seja, embora um homem branco possa estar denunciando o
racismo e o machismo, a sua própria enunciação reafirma a hierarquia social.
O que se tem visto amplamente nas discussões das redes sociais é a banalização da
expressão lugar de fala. As pessoas tendem a crer que uma pessoa branca não pode falar sobre
a questão racial negra por não ser negra. Ou mesmo pessoas brancas dizem que este debate
[sobre questão negra] não é seu lugar de fala. Isso é um equívoco. O lugar de fala pressupõe uma
postura ética. Portanto, você sendo homem ou hétero e não negro, você pode, do seu lugar de
fala, falar sobre negros, mulheres, população trans, ou seja, todas as outras minorias.
(Pablo Ortellado, Filósofo e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP.)
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65PORTUGUÊS
COLÉGIO
55
Prática de Redação 12
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
Matrícula –
Atualmente, devido à relevância do conceito do “local de fala”, tem-se aberto espaço na grande mídia para
a entrevista de pessoas pertencentes a estratos sociais minoritários. Tais entrevistas, por um lado, ajudam a
legitimar o discurso desses grupos, trazendo-os como protagonistas de suas narrativas; porém, por outro,
podem, paradoxalmente, contribuir para dar autoridade absoluta a quem não partilha de determinados ideais
políticos associados a seu grupo, o que pode gerar críticas exaltadas e agressivas aos opositores. Tendo em
vista essas informações e os textos apresentados na coletânea, redija uma dissertação-argumentativa sobre o
seguinte tema: Lugar de fala: reivindicação do direito ao discurso?
|NSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO
• A dissertação deve ser redigida de acordo com a normal padrão da língua portuguesa.
• Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível e não ultrapasse o espaço de 30 linhas da folha de redação.
• Dê um título a sua redação.
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66 PORTUGUÊS
O tema trata de “Lugar de fala”, que é o direito de fala visto sob dois aspectos: qualquer um pode falar sobre situações (afetivas, políticas,
sociais) sem as terem vivenciado ou só têm direito à voz aqueles que passaram pelas experiências que relatam? O “lugar de fala”
defendido por alguns filósofos, é de que os subalternos e os grupos sociais vulneráveis e objetos de violência contínua, como negros,
homossexuais, mulheres, travestis e outros, falem em seu próprio nome, sem a mediação de quem não faz parte do grupo. Assim só
mulheres podem falar sobre problemas relativos às mulheres, assim como negros, homossexuais etc. Essa postura pode silenciar muitos
grupos e indivíduos que não têm acesso à palavra, ou seja, à mídia em geral. Segundo alguns, pode ser uma estratégia de “silenciamento
identitário”. Uma outra parte de filósofos defende que qualquer um pode falar em nome de pessoas ou grupos, mesmo não fazendo parte
desse grupo nem tendo passado por experiências semelhantes. Quem tem acesso à palavra, na mídia, tem obrigação de representar
aqueles que não conseguem esse acesso. Segundo Wladimir Safatle “É quando nos colocamos na posição de qualquer um que temos mais
força de desestabilização. O verdadeiro medo do poder é que você se coloque na posição de qualquer um”.
Critérios de correção UNESP/UNIFESP Peso Nota atribuída
Tema 3,5
Estrutura (gênero/tipo de texto e coerência) 3,5
Expressão (coesão e modalidade: aspectos
gramaticais e escolha lexical) 3,0
Nome do corretor: ___________________________________________
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67PORTUGUÊS
Proposta de Redação
ENEM 2020 – 2.a aplicação
LEITURA
OBRIGATÓRIA
INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO:
1. O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
2. O texto definitivo deve ser escrito à tinta preta, na folha própria, em até 30 linhas.
3. A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o
número de linhas copiadas desconsiderado para a contagem de linhas.
4. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
4.1. tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”.
4.2. fugir do tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
4.3. apresentar parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto.
4.4. apresentar nome, assinatura, rubrica ou outras formas de identificação no espaço destinado ao texto.
TEXTOS MOTIVADORES
TEXTO I
empatia (s.f.)
não é sentir pelo outro, mas sentir com o outro, quando a gente lê o roteiro de outra vida. é ser ator em outro
palco. é compreender. é não dizer ‘eu sei como você se sente’. é quando a gente não diminui a dor do outro.
é descer até o fundo do poço e fazer companhia para quem não precisa. não é ser herói, é ser amigo.
é saber abraçar a alma.
DOEDERLEIN, J. Disponível em : http:// instagram.com/akapoeta. Acesso em: 24 jul. 2020.
TEXTO II
Penso que a nossa geração esteja repleta de pessoas empáticas. Há muitos que sabem sentir a dor do
mundo e que primam por preencher a nossa atmosfera psíquica com as flores da gentileza e o perfume da
gratidão. Esses seres, embora raramente tenham holofotes sobre si, são os verdadeiramente ricos e
poderosos, pois são os seus gestos anônimos, as suas preces silenciosas e seus pensamentos de paz que
espalham centelhas de esperança por toda a Terra. Mas é inegável que muitos ainda não tenham
compreendido que as maiores mazelas do mundo se dão pela falta de empatia dos homens. Por não saber
“ser o outro”, o homem furta, rouba, violenta. O homem achincalha a fé alheia, o sonho alheio. O homem
escraviza o homem. O homem condena povos inteiros, comunidades inteiras à miséria, roubando-lhes as
condições necessárias, de modo que não possam sequer enxergar a própria indignidade. É a falta da empatia
que contamina o mundo com a praga do imediatismo, do consumismo, do uso indiscriminado de recursos
naturais. A falta de empatia faz com que desumanizemos o outro e, com isso, nos tornemos menos humanos,
mais egoístas, mais individualistas, mais competitivos e mais insanos.
Disponível em: https://www.revistapazes.com. Acesso em: 24 jul. 2020 (adaptado).
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68 PORTUGUÊS
TEXTO III
Fonte: MAPA DO ÓDIO 2018.
Disponível em: http://www.generonumero.media. Acesso em: 24 jul. 2020.
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69PORTUGUÊS
COLÉGIO
58
Prática de Redação 13
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
Matrícula –
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de
sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema
“A falta de empatia nas relações sociais no Brasil” apresentando proposta de intervenção que respeite os
direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa
de seu ponto de vista.
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70 PORTUGUÊS
O tema proposto foi: “A falta de empatia nas relações sociais no Brasil”. Apresentaram-se três textos motivadores.
O primeiro, extraído de um dicionário não mencionado,trazia a definição da palavra empatia, a saber, “ser ator em outro
palco”, “descer até o fundo do poço e fazer companhia para quem precisa”, “é ser amigo”. Já o segundo texto, retirado
da Revista Pazes, destacava o fato de haver muitas pessoas dotadas de sentimentos de gentileza e gratidão, em contraste
com tantas outras que respondem pela desumanização do outro – fenômeno refletido no egoísmo, no individualismo, na
competitividade e, por fim, na insanidade. O terceiro texto, o Mapa do Ódio, mostrava várias unidades federativas em
mapas do Brasil, cada qual se caracterizando por um tipo de crime de ódio (gênero, raça, orientação sexual, religião,
origem e feminicídio – este último presente em todas as regiões).
O candidato deveria selecionar, entre os textos motivadores, as ideias e as informações que pudesse incorporar a seu
projeto de texto. Para tanto, seria apropriado enfatizar o significado de empatia, que envolve a experiência de colocar-se
no lugar do outro, experimentar o sofrimento de outrem e, a partir de então, buscar meios de minimizar a dor alheia, de
oferecer conforto aos desamparados – entre outras maneiras de solidarizar-se com quem esteja enfrentando adversidades
– quaisquer que sejam. Caberia, ainda, apontar algumas das causas da ausência de empatia nas relações sociais, entre as
quais sobressai a concentração de renda, geradora de desigualdades que dividem a sociedade em classes superiores e
inferiores, estas últimas integrantes da mão de obra desqualificada, cuja remuneração é quase sempre insuficiente para
assegurar uma sobrevivência digna. O candidato poderia, ainda, mencionar o processo de naturalização das diferenças
sociais, o qual, sob a égide do sistema capitalista, aposta no mérito como meio de ascensão social e econômica, fechando
os olhos para a desigualdade de oportunidades que contribui para aprofundar o abismo social que separa a elite da plebe.
O estímulo à competitividade e ao individualismo viriam na esteira da normalização das injustiças sociais.
Para concluir seu texto, o candidato deveria apresentar uma proposta de intervenção que contemplasse um agente,
responsável por uma determinada ação voltada a combater a falta de empatia, apontando os meios de execução da
proposta, destacando sua finalidade e, por último, apresentando um fechamento do texto.
Competência Critério Peso Nota atribuída
1 Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 2
2
Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das
várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro
dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
2
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 2
4 Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticosnecessários para a articulação das ideias (coesão e coerência). 2
5 Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado,demonstrando respeito aos direitos humanos. 2
Nome do(a) corretor(a): _______________________________________________
Critérios ENEM
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71PORTUGUÊS
Proposta de Redação
FUVEST 2020
LEITURA
OBRIGATÓRIA
TEXTOS MOTIVADORES
TEXTO I
Luis Fernando Verissimo,
As cobras: Antologia Definitiva.
TEXTO II
Somente numa sociedade onde exista um clima
cultural, em que o impulso à curiosidade e o amor à
descoberta sejam compreendidos e cultivados, pode a
ciência florescer. Somente quando a ciência se torna
profundamente enraizada como um elemento cultural
da sociedade é que pode ser mantida e desenvolvida
uma tecnologia progressista e inovadora, tornando-se,
então, possível uma associação íntima e vital entre
ciência e tecnologia. Essa associação é uma
característica da nossa época e certamente essencial
para a manutenção de uma civilização com os níveis
presentes de população e qualidade de vida.
Oscar Sala, O papel da ciência na sociedade. 1974.
Disponível em
http://www.revistas.usp.br/revhistoria. Adaptado.
TEXTO III
Quanta do latim
Plural de quantum
Quando quase não há
Quantidade que se medir
Qualidade que se expressar
Fragmento infinitésimo
Quase que apenas mental
Quantum granulado no mel
Quantum ondulado no sal
Mel de urânio, sal de rádio
Qualquer coisa quase ideal
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
Canto de louvor
De amor ao vento
Vento arte do ar
Balançando o corpo da flor
Levando o veleiro pro mar
Vento de calor
De pensamento em chamas
Inspiração
Arte de criar o saber
Arte, descoberta, invenção
Teoria em grego quer dizer
O ser em contemplação
Sei que a arte é irmã da ciência
Ambas filhas de um Deus fugaz
Que faz num momento
E no mesmo momento desfaz
Esse vago Deus por trás do mundo
Por detrás do detrás
Cântico dos cânticos
Quântico dos quânticos
Gilberto Gil, Quanta. 1997.
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72 PORTUGUÊS
Rascunho
TEXTO IV
Nós criamos uma civilização global em que os
elementos mais cruciais – o transporte, as comuni -
cações e todas as outras indústrias, a agricultura, a
medicina, a educação, o entretenimento, a proteção
ao meio ambiente e até a importante instituição
democrática do voto – dependem profundamente da
ciência e da tecnologia. Também criamos uma
ordem em que quase ninguém compreende a
ciência e a tecnologia. É uma receita para o desastre.
Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém
mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de
ignorância e poder vai explodir na nossa cara.
Carl Sagan, 1996.
TEXTO V
Algo muito estranho está acontecendo no mundo atual.
Vivemos melhor que qualquer outra geração anterior.
Pessoas são saudáveis graças às ciências da saúde.
Moram em residências robustas, produto da engenharia.
Usam eletricidade, domada pelo homem devido ao seu
conhecimento de química e física. Paradoxalmente, essas
mesmas pessoas ligam seus computadores, tablets e
celulares para adquirir e disseminar informações que
rejeitam a mesma ciência que é tão presente em suas
vidas. Vivemos num mundo em que pessoas usam a
ciência para negar a ciência.
Alicia Kowaltowski, Usando a ciência para negar a ciência. 2019.
Disponível em https://www.nexojornal.com.br/. Adaptado.
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73PORTUGUÊS
COLÉGIO
61
Prática de Redação 14
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
Matrícula –
PROPOSTA DE REDAÇÃO DA FUVEST 2020
Considerando as ideias apresentadas nos textos e também outras informações que julgar pertinentes, redija
uma dissertação em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema: o papel da ciência no
mundo con temporâneo.
Instruções:
• A dissertação deve ser redigida de acordo com a nor ma-pa drão da língua portuguesa.
• Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível e não ultrapasse o espaço de 30 linhas da folha de redação.
• Dê um título a sua redação.
A Banca Examinadora propôs o tema: O papel da ciência no mundo contemporâneo. O candidato contou com cinco
textos que deveriam ser considerados em sua redação. No primeiro, uma tira de Luís Fernando Veríssimo, As cobras, uma
personagem perguntava à outra se não teria sido ela a inventora da roda. À resposta afirmativa seguia-se uma declaração
de arrependimento. Já o segundo texto, de Oscar Sala, louvava o “impulso à curiosidade e o amor à descoberta” como
imprescindíveis ao florescimento da ciência, o que possibilitaria sua integração com a tecnologia. No terceiro texto, a letra
de Quanta, do compositor Gilberto Gil, buscava estabelecer uma relação entre ciência e arte, apresentadas como “irmãs”,
ambas “filhas de um Deus fugaz que faz num momento e no mesmo momento desfaz”.
No quarto texto, o astrônomo Carl Sagan destacava a importância da ciência e da tecnologia, responsáveis pelos
avanços civilizatórios– desde o transporte até o meio ambiente, passando pela medicina e alcançando até mesmo a
“instituição democrática do voto”. O último texto, da professora e pesquisadora Alícia Kowaltowski, chamava a atenção
para um paradoxo presente na atualidade: as mesmas pessoas que usufruem dos benefícios gerados pelas ciências da
saúde e pela engenharia – entre outros avanços – usariam as diversas ferramentas tecnológicas disponíveis para propagar
informações destinadas a desacreditar a ciência.
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74 PORTUGUÊS
Após refletir sobre as ideias e informações contidas nos textos, o candidato deveria proceder à própria análise do
assunto. Caberia, entre outras possibilidades, reconhecer a relevância dos avanços científicos, graças aos quais se poderia
contar com uma qualidade de vida sem precedentes na história. Outro aspecto que poderia ser abordado dizia respeito ao
desconhecimento ou à incompreensão do significado das descobertas científicas e tecnológicas, o que representaria,
segundo especialistas, uma “receita para o desastre”. Seria apropriado, ainda, destacar uma tendência crescente na
sociedade contemporânea: a negação da ciência, disseminada nas redes sociais por pessoas supostamente esclarecidas,
as quais, contraditoriamente, renegariam aquilo que lhes teria proporcionado acesso ao melhor das conquistas
civilizatórias. Como exemplo dessa “negação”, caberia mencionar as “teorias conspira tórias”, entre as quais se
destacariam os movimentos antivacinação e o terraplanismo.
Para concluir seu texto, o candidato poderia sugerir uma presença mais atuante da ciência no cotidiano da população,
tanto por meio da divulgação de artigos científicos quanto por meio de alertas contra tentativas de desqualificar a ciência.
Uma outra opção seria traçar uma perspectiva em relação ao papel da ciência.
Critérios Fuvest Nome do(a) corretor(a): __________________________________________
Competência Critério Peso Nota atribuída
1
Tipo de texto e abordagem do tema
• Adequação ao gênero (dissertativo) e ao tema proposto.
• Habilidade de compreender a proposta de redação e relacionar
adequadamente os trechos que integram uma eventual coletânea.
• Capacidade crítico-argumentativa.
De 0 a 4
2
Estrutura
COESÃO: capacidade de estabelecer relações semânticas significa -
tivas entre palavras e expressões. Uso adequado de conectivos.
COERÊNCIA: capacidade de relacionar e organizar os argumentos.
Habilidade de planejamento e construção significativa do texto.
De 0 a 3
3
Expressão
Domínio do padrão culto escrito da língua (incluindo vocabulário
diversificado, ortografia, morfologia, sintaxe e pontuação). Clareza
na expressão das ideias.
De 0 a 3
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75PORTUGUÊS
Proposta de Redação
UNESP 2022
LEITURA
OBRIGATÓRIA
TEXTO 3
Época: Como a felicidade se tornou uma tirania?
Pascal Bruckner: No século XVIII, felicidade já deixara de ser um direito para se tornar um dever. Mas essa inversão de valores só se consolidou
no século XX, depois de 1968, quando se fez uma revolução em nome do prazer, da alegria, da voluptuosidade. A partir do momento em que o
prazer se torna o principal valor de uma sociedade, quem não o atinge vira um indivíduo fora da lei.
Época: Sofrimento virou doença?
Pascal Bruckner: Sempre detestamos o sofrimento, é normal. A novidade é que agora as pessoas não têm mais o direito de sofrer. Então, sofre-
se em dobro. Querer que as pessoas se calem sobre a dor física ou psicológica é apenas agravar o mal.
(Pascal Bruckner. “O mal da felicidade”. http://revistaepoca.globo.com, 16.02.2018.)
TEXTO 4
TEXTO 1
É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
(Vinicius de Moraes/Baden Powell. “Samba da bênção”.
In: Vinicius de Moraes. Livro de letras, 2015.)
TEXTO 2
(André Dahmer. Malvados, 2019.)
Naomi Osaka afirmou na capa da revista Time há alguns dias: “It’s ok to not be ok”. A tenista, que havia
abandonado Roland Garros para cuidar de sua saúde mental, confirmou em um texto em primeira pessoa a
pressão que sofreu nos últimos meses. Falou também da importância de trazer à tona o debate sobre a saúde
mental em nosso tempo, e não só no esporte: “Espero que as pessoas entendam que está bem não estar bem,
e está bem falar disso. Há pessoas que podem ajudar e, em geral, há luz no fim de qualquer túnel.”
(Noelia Ramírez. “‘Tudo bem não estar bem’, o lema da nova era que dá adeus ao pensamento positivo”.
https://brasil.elpais.com, 15.07.2021. Adaptado.)
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76 PORTUGUÊS
Rascunho
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77PORTUGUÊS
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-
argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
“Tudo bem não estar bem”?: A tristeza em tempos de felicidade compulsória
Comentário à proposta de Redação
“Tudo bem não estar bem”?: A tristeza em tempos de felicidade compulsória: este o tema proposto, a ser desenvolvido numa
dissertação. O candidato contou com quatro textos de apoio para sua produção. No primeiro, o trecho de uma música composta nos idos
da Bossa Nova – 1967 – por Vinícius de Moraes e Baden Powel exalta a alegria como algo melhor que a tristeza, ressalvando porém a
importância desse sentimento como componente essencial à beleza da poesia, da música. No segundo texto, a tira Ditadura da alegria,
do cartunista André Dahmer, traz um diálogo entre as personagens sobre a imposição da alegria, ainda que obtida de forma artificial, por
meio de medicamentos que comprometem inclusive o discernimento das pessoas acerca da real necessidade dessas “pílulas da
felicidade”. O terceiro texto apresenta um fragmento de entrevista concedida à revista Época pelo filósofo Paul Bruckner que, embora
remeta o fenômeno de imposição da felicidade ao século XVIII, destaca que essa obrigatoriedade se intensificou no século XX, quando se
promoveu a contracultura “em nome do prazer, da alegria, da voluptuosidade”, repudiando qualquer manifestação de sofrimento, que
passou a ser visto como “fora da lei”. O autor ainda alerta contra a potencialização de dores físicas e psicológicas quando as pessoas são
privadas do direito a sofrer. No último texto, matéria do jornal El País reproduz capa da revista Time estampando a tenista Naomi Osaka,
que surpreendeu o mundo ao abandonar um dos torneios mais importantes do tênis para cuidar da saúde mental. A polêmica declaração
da tenista – “It’s ok to not be ok” (“tudo bem não estar bem”) – teria gerado um debate não apenas sobre o peso da pressão por
resultados, mas também sobre sua defesa do direito de não estar bem, de poder contar com a ajuda de outras pessoas, afirmando haver
“luz no fim de qualquer túnel”.
Esse tema deve ter levado o candidato a reconhecer, primeiramente, o bombardeio de estímulos que atingem a sociedade
contemporânea, visando a produzir alegria, contentamento e tantos outros sentimentos “positivos”. Nesse contexto, caberia mencionar,
64 e 65
Prática de Redação 15
COLÉGIO
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78 PORTUGUÊS
por exemplo, a “positividade tóxica”, expressão criada para traduzir a obrigatoriedade de estar bem, de buscar dentro de si mesmo a fonte
do bem-estar, neutralizando qualquer sentimento negativo. As redes sociais também poderiam ser lembradas como um “mundo
paralelo”, habitado por pessoas bonitas, ricas, famosase naturalmente felizes. Seria apropriado apontar algumas das consequências
dessa nociva influência sobre o comportamento das pessoas, sobretudo dos jovens, em geral mais vulneráveis e suscetíveis a “modelos
de felicidade”. Caso desejasse, o candidato poderia sugerir a criação de mais espaço para opiniões destoantes daquilo que se propaga
como um ideal a ser alcançado, independentemente de ser inatingível.
Critérios de correção UNESP/UNIFESP Peso Nota atribuída
Tema 3,5
Estrutura (gênero/tipo de texto e coerência) 3,5
Expressão (coesão e modalidade: aspectos
gramaticais e escolha lexical) 3,0
Nome do corretor: ___________________________________________
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 78
79PORTUGUÊS
PORTUGUÊS:
PRÉ-MODERNISMO – MODERNISMO
Módulos
33 – Antônio de Alcântara Machado:
Brás, Bexiga e Barra Funda
34 – Triste Fim de Policarpo Quaresma –
Pré-Modernismo e visão crítica
sobre a República Oligárquica (I)
35 – Manuel Bandeira
36 – Triste Fim de Policarpo Quaresma –
Pré-Modernismo e visão crítica
sobre a República Oligárquica (II)
37 – Modernismo luso: Fernando
Pessoa ortônimo
38 – Heterônimos de Fernando Pessoa:
Álvaro de Campos
39 – Heterônimos de Fernando Pessoa:
Ricardo Reis e Alberto Caeiro
40 – Modernismo no Brasil e a Era
Vargas: o projeto ideológico-
político predomina sobre o de
renovação estética
41 – Segunda Geração Modernista –
Poesia: Jorge de Lima
42 – Cecília Meireles
43 – Carlos Drummond de Andrade (I)
44 – Carlos Drummond de Andrade (II)
Carlos Drummond de Andrade
(1902-1987)
Texto para o teste �.
A gurizada assustada espalhou a notícia na noite.
— Sabe o Gaetaninho?
— Que é que tem?
— Amassou o bonde!
(ALCÂNTARA MACHADO, Antônio de. Brás, Bexiga
e Barra Funda. In: Novelas Paulistanas.
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 82.)
� (MODELO ENEM) – Em Brás, Bexiga e Barra Funda, um dos
principais instrumentos expressivos da narrativa é o diálogo, que, conforme
o exemplo acima atesta, costuma aparecer sem o verbo declarativo que
serviria para introduzi-lo. Tal expediente tem como resultado
a) adaptar o padrão culto à modernidade.
b) contrapor estilos literários diferentes.
c) imprimir maior agilidade à narrativa.
d) reproduzir o português italianado.
e) parodiar o gênero conto.
Resolução
Sem os verbos dicendi, que servem para introduzir diálogos em
discurso direto (como no presente caso) ou indireto, a narrativa ganha
mais agilidade, pois não tem a interrupção provocada pela
intervenção do enunciador da história.
Resposta: C
Textos para o teste �.
Texto 1
Foi-se chegando devagarinho, devagarinho. Fazendo beicinho.
Estudando o terreno. Diante da mãe e do chinelo parou. Balançou o
corpo. Recurso de campeão de futebol. Fingiu tomar a direita. Mas
deu meia volta e varou pela esquerda porta adentro.
Eta salame de mestre!
(ALCÂNTARA MACHADO, Antônio de. “Gaetaninho”.
Brás, Bexiga e Barra Funda. In: Novelas Paulistanas.
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 80.)
33
Palavras-chave:Antônio de Alcântara
Machado: Brás, Bexiga
e Barra Funda
• Primeira Geração Modernista
• Prosa modernista
• Linguagem modernista
Exercícios Resolvidos
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 20:12 Página 79
80 PORTUGUÊS
Texto 2
Lancia Lambda, vermelhinho, resplendente, pompeando na rua.
Vestido do Camilo, verde, grudado à pele, serpejando no terraço. (...)
— Per Bacco, doutor! Mas io tenho o capital. O capital sono io. O
doutor entra com o terreno, mais nada. E o lucro se divide ao meio.
(ALCÂNTARA MACHADO, Antônio de. “A Sociedade”.
Brás, Bexiga e Barra Funda. In: Novelas Paulistanas.
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 98.)
� (MODELO ENEM) – Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) é uma
das obras mais representativas do início do Modernismo brasileiro.
Os dois excertos transcritos corroboram a vinculação com esse
período estético, já que apresentam
a) temática focada na depreciação de elementos estrangeiros.
b) abordagem preocupada em ironizar o cotidiano moderno.
c) narrativa centralizada nos problemas da sociedade urbana.
d) linguagem afastada do apego ao purismo da norma culta.
e) atenção voltada para as proezas do universo masculino.
Resolução
Os dois textos apresentam linguagem que se afasta do rigor da
norma culta, seja pela incorporação de marcas de coloquialismo
(“devagarinho” e “eta”, no texto 1), seja pela utilização de palavras
advindas de língua estrangeira, mais especificamente, no presente
caso, do italiano (“Per Bacco”, “io”, “sono io”, no texto 2).
Resposta: D
Texto para os testes
e �.
CORINTHIANS (2) VS. PALESTRA (1)
(...)
Delírio futebolístico no Parque Antártica.
Camisas verdes e calções negros corriam, pulavam, chocavam-se,
embaralhavam-se, caíam, contorcionavam-se, esfalfavam-se,
brigavam. Por causa da bola de couro amarelo que não parava, que
não parava um minuto, um segundo. Não parava.
— Neco! Neco!
Parecia um louco. Driblou. Escorregou. Driblou. Correu. Parou.
Chutou.
— Gooool! Gooool!
Miquelina ficou abobada com o olhar parado. Arquejando.
Achando aquilo um desaforo, um absurdo.
Aleguá-guá-guá! Aleguá-guá-guá! Hurra! Hurra! Corinthians!
Palhetas subiram no ar. Com os gritos. Entusiasmos rugiam.
Pulavam. Dançavam. E as mãos batendo nas bocas:
— Go-o-o-o-o-o-ol!
(...)
(ALCÂNTARA MACHADO, Antônio de. Brás, Bexiga e Barra Funda.
In: Novelas Paulistanas. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 82.)
(FUVEST – modificado – MODELO ENEM) – Nas obras de
arte, o que inclui os textos literários, a escolha da forma não é
arbitrária, mas mantém relação com o conteúdo. Esse fenômeno
ocorre no excerto acima, em que o uso de frases curtas e de formas
verbais simples serve para
a) caracterizar o estilo conto.
b) parodiar o padrão realista-naturalista.
c) relatar os fatos com mais dinamismo.
d) retardar o efeito do tempo na ação.
e) marcar o tempo de duração do jogo.
Resolução
O emprego de formas verbais simples e frases curtas torna a leitura
mais ágil, contribuindo para imitar o dinamismo da cena apresentada,
que é uma partida de futebol.
Resposta: C
� (FUVEST – modificado – MODELO ENEM) – O Modernismo
marcou-se pela busca da espontaneidade na linguagem literária, o
que não dispensa o emprego de recursos expressivos como as
figuras de linguagem. O texto apresentado exemplifica essa
característica, como se comprova no uso de metonímia em
a) “Achando aquilo um desaforo”.
b) “Miquelina ficou abobada com o olhar parado”.
c) “E as mãos batendo nas bocas”.
d) “Calções negros corriam, pulavam”.
e) “Palhetas subiram no ar”.
Resolução
A metonímia está em mencionar a vestimenta (“calções negros”) no
lugar da pessoa que a usa (o jogador).
Resposta: D
Antônio Castilho de Alcântara Machado d’Oliveira (1901-1935)
integrou a corrente antropofágica do Modernismo brasileiro, o que
revela uma filiação ao mentor dessa vertente, Oswald de Andrade.
Essa filiação é também percebida na incorporação da linguagem
elíptica e alusiva. No entanto, Alcântara Machado afasta-se do
radicalismo oswaldiano ao fundir as rupturas sintáticas e metáforas
lancinantes com o dialeto ítalo-paulistano. É o que se vê em Brás,
Bexiga e Barra Funda, prosa leve, bem-humorada, entre a crônica e
o conto, que retrata de maneira colorida o cotidiano dos primeiros
imigrantes italianos no Brasil.
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81PORTUGUÊS
Exercícios Propostos
Texto para as questões de � a �.
GAETANINHO
— Xi, Gaetaninho, como é bom!
Gaetaninho ficou banzando1 bem no meio da rua. O
Ford quase o derrubou e ele não viu o Ford. O carroceiro
disse um palavrão e ele não ouviu o palavrão.
— Eh! Gaetaninho! Vem pra dentro.
Grito materno sim: até filho surdo escuta. Virou o rosto
tão feio de sardento, viu a mãe e viu o chinelo.
— Subito2!
Foi-se chegando devagarinho, devagarinho. Fazendo
beicinho. Estudando o terreno. Diante da mãe e do chinelo
parou. Balançou o corpo. Recurso de campeão de futebol.
Fingiu tomar a direita. Mas deu meiavolta instantânea e
varou pela esquerda porta adentro.
Eta salame3 de mestre!
Ali na Rua Oriente a ralé quando muito andava de bonde.
De automóvel ou carro só mesmo em dia de enterro. De
enterro ou de casamento. Por isso mesmo o sonho de
Gaetaninho era de realização muito difícil. Um sonho.
O Beppino por exemplo. O Beppino naquela tarde
atraves sara de carro a cidade. Mas como? Atrás da Tia
Peronetta que se mudava para o Araçá4. Assim também
não era vantagem.
Mas era o único meio? Paciência.
Gaetaninho enfiou a cabeça debaixo do traves seiro.
Que beleza, rapaz! Na frente quatro cavalos pretos
empenachados levavam a Tia Filomena para o cemitério.
Depois o padre. Depois o Savério noivo dela de lenço nos
olhos. Depois ele. Na boleia5 do carro. Ao lado do cocheiro.
Com a roupa marinheira e o gorro branco onde se lia:
ENCOURAÇADO SÃO PAULO. Não. Ficava mais bonito de
roupa marinheira mas com a palhetinha nova que o irmão
lhe trouxera da fábrica. E ligas pretas segurando as meias.
Que beleza, rapaz! Dentro do carro o pai, os dois irmãos
mais velhos (um de gravata vermelha, outro de gravata
verde) e o padrinho Seu Salomone. Muita gente nas
calçadas, nas portas e nas janelas dos palacetes, vendo o
enterro. Sobretudo admirando o Gaetaninho.
Mas Gaetaninho ainda não estava satisfeito. Queria ir
carregando o chicote. O desgraçado do cocheiro não
queria deixar. Nem por um instantinho só.
Gaetaninho ia berrar mas a Tia Filomena com a mania
de cantar o Ahi, Mari! todas as manhãs o acordou.
Primeiro ficou desapontado. Depois quase chorou de
ódio.
(...)
O jogo na calçada parecia de vida ou morte. Muito
embora Gaetaninho não estava ligando.
— Você conhecia o pai do Afonso, Beppino?
— Meu pai deu uma vez na cara dele.
— Então você vai amanhã no enterro. Eu vou!
O Vicente protestou indignado:
— Assim não jogo mais! O Gaetaninho está
atrapalhando!
Gaetaninho voltou para o seu posto de guardião. Tão
cheio de responsabilidades.
O Nino veio correndo com a bolinha de meia. Chegou
bem perto. Com o tronco arqueado, as pernas dobradas,
os braços estendidos, as mãos abertas, Gaetaninho ficou
pronto para a defesa.
— Passa pro Beppino!
Beppino deu dois passos e meteu o pé na bola. Com
todo o muque. Ela cobriu o guardião sardento e foi parar
no meio da rua.
— Vá dar tiro no inferno!
— Cala a boca, palestrino6!
— Traga a bola!
Gaetaninho saiu correndo. Antes de alcançar a bola
um bonde o pegou. Pegou e matou.
No bonde vinha o pai de Gaetaninho.
(...)
Às dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da
Rua do Oriente e Gaetaninho não ia na boleia de nenhum
dos carros do acompanhamento. Ia no da frente dentro de
um caixão fechado com flores pobres por cima. Vestia a
roupa marinheira, tinha as ligas, mas não levava a palhetinha.
Quem na boleia de um dos carros do cortejo mirim
exibia soberbo terno vermelho que feria a vista da gente
era o Beppino.
(ALCÂNTARA MACHADO, Antônio de. “Gaetaninho”.
Brás, Bexiga e Barra Funda. In: Novelas Paulistanas.
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 79-82.)
1 – Banzar: cismar, matutar.
2 – Subito (italiano; pronúncia: súbito): imediatamente.
3 – Salame: drible.
4 – Araçá: cemitério de São Paulo.
5 – Boleia: compartimento fronteiro superior do carro, onde fica o
cocheiro.
6 – Palestrino: palmeirense. O time de futebol Palmeiras chamava-se
então Palestra Itália.
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82 PORTUGUÊS
� Qual era o sonho de Gaetaninho? E por que era de
“realização muito difícil”?
RESOLUÇÃO:
Gaetaninho desejava andar de carro, o que era um sonho de
“realização muito difícil”, pois, no local onde morava, as pessoas
pobres, como ele, andavam de carro somente em dias de enterro
ou casamento.
� (modificado) – Situada no contexto da
moder ni zação da cidade de São Paulo na
década de 1920, a narrativa utiliza recursos
expressivos inovadores, como
a) o registro informal da linguagem e o emprego de frases
curtas.
b) o apelo ao modelo cinematográfico com base em imagens
eruditas.
c) a representação de elementos urbanos e a prevalência do
discurso indireto livre.
d) a encenação crua da morte em contraponto ao tom solene
do discurso.
e) a percepção irônica da vida assinalada pelo uso reiterado de
exclamações.
RESOLUÇÃO:
Alcântara Machado procurou retratar, em sua obra, o cotidiano
dos italianos pobres na cidade de São Paulo no início do século
XX, por meio de uma linguagem informal e estruturas frásicas
simplificadas. [Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do
ENEM.]
Resposta: A
(MODELO ENEM) – Alcântara Machado, como escritor
modernista, utiliza o registro coloquial-irônico, adequado ao
ambiente e à situação social das personagens. No entanto, o
destaque dessa variedade linguística não impede que se utilize
também a norma-padrão, como se constata em
a) “Fazendo beicinho.”
b) “Então você vai amanhã no enterro.”
c) “... varou pela esquerda...”
d) “Eta salame de mestre!”
e) “— Traga a bola!”
RESOLUÇÃO:
A frase “Traga a bola!” obedece à norma-padrão, pois apresenta
o imperativo na terceira pessoa do singular (você). O uso dessa
forma de tratamento pode até indicar informalidade, mas não
consiste, por si só, em coloquialismo. [Competência 8,
Habilidades 25 e 26 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
� O conto é formado por pequenos blocos narrativos que
mostram diversos momentos do protagonista. Apesar da
surpresa do final, nota-se que a morte está presente em várias
partes do texto. Releia com atenção o conto e localize três
passagens em que haja referências diretas ou indiretas à
morte.
RESOLUÇÃO:
“Gaetaninho ficou banzando bem no meio da rua. O Ford quase
o derrubou e ele não viu o Ford.”; “Ali na Rua Oriente a ralé
quando muito andava de bonde. De automóvel ou carro só
mesmo em dia de enterro. De enterro ou de casamento.”; “Que
beleza, rapaz! Na frente quatro cavalos pretos empenachados
levavam a Tia Filomena para o cemitério.”; “O jogo na calçada
parecia de vida ou morte.”; “Gaetaninho saiu correndo. Antes de
alcançar a bola um bonde o pegou. Pegou e matou.”; “Às
dezesseis horas do dia seguinte saiu um enterro da Rua do
Oriente e Gaetaninho não ia na boleia de nenhum dos carros de
acompanhamento. Ia no da frente dentro de um caixão fechado
com flores pobres por cima.”
Imigrantes italianos recém-chegados
à Hospedaria de Imigrantes,
na cidade de São Paulo, no final do
século XIX. Vale a pena visitar o
Museu da Imigração. Fica próximo à
estação Bresser-Mooca do metrô.
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83PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
Textos para o teste .
Texto 1
BRASIL
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
Sois cristão?
Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval
(ANDRADE, Oswald de.
Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade.
In: Cadernos de Poesia do Aluno Oswald (Poesias Reunidas).
São Paulo: Círculo do Livro, 1981. p. 165.)
Tia Filomena teve um ataque de nervos quando soube do
sonho de Gaetaninho. Tão forte que ele sentiu remorsos. E
para sossego da família alarmada com o agouro tratou logo
de substituir a tia por outra pessoa numa nova versão de
seu sonho. Matutou, matutou, e escolheu o acendedor da
Companhia de Gás, Seu Rubino, que uma vez lhe deu um
cocre danado de doído.
Os irmãos (esses) quando souberam da história
resolveram arriscar de sociedade quinhentão no elefante.
Deu a vaca. E eles ficaram loucos de raiva por não haverem
logo adivinhado que não podia deixar de dar a vaca mesmo.
(ALCÂNTARA MACHADO, Antônio de. “Gaetaninho”.
Brás, Bexiga e Barra Funda. In: Novelas Paulistanas.
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 81.)
� (MODELO ENEM) – Os textos muitas vezes expressam o
universo histórico-social em que estão inseridos. O excerto
acima é exemplo do que se acabade afirmar, pois nele seu autor,
preocupado em valorizar aspectos da identidade nacional, revela
a) o caráter solene de uma cena do cotidiano.
b) o costume familiar de respeitar o luto.
c) a amizade sólida estabelecida entre irmãos.
d) a prática instituída de apostar no jogo do bicho.
e) a ambição comprometedora do equilíbrio familiar.
RESOLUÇÃO:
Os irmãos de Gaetaninho, inspirados no sonho que o protagonista
teve a respeito do enterro de Tia Filomena, resolvem apostar no
elefante, mas o animal sorteado foi a vaca. Revela-se aqui um
costume brasileiro, incorporado pela comunidade de imigrantes
italianos: o jogo do bicho. [Competência 5, Habilidades 15 e 16 e
Competência 6, Habilidade 20 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
Texto 2
No começo a arrogância indígena perguntou meio
zangada:
Carcamano pé de chumbo
Calcanhar de frigideira
Quem te deu a confiança
De casar com brasileira?
O pé de chumbo poderia responder tirando o cachimbo
da boca e cuspindo de lado: A brasileira, per Bacco!
Mas não disse nada. Adaptou-se. Trabalhou. Integrou-se.
Prosperou.
E o negro violeiro cantou assim:
Italiano grita
Brasileiro fala
Viva o Brasil
E a bandeira da Itália!
(ALCÂNTARA MACHADO, Antônio de. “Artigo de Fundo”.
Brás, Bexiga e Barra Funda. In: Novelas Paulistanas.
Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1988. p. 81.)
(MODELO ENEM) – Os dois textos, apesar de
pertencerem a gêneros e autores diferentes, apresentam
afinidade de ideais e estão inseridos no mesmo contexto
estético: o Modernismo. Prova dessa compatibilidade é o fato
de os dois textos
a) abordarem de forma irônica e iconoclasta os eventos
históricos relacionados à colonização nacional.
b) estabelecerem uma oposição entre a frieza do elemento
europeu e a simpatia do afro-americano.
c) apresentarem a prevalência do conteúdo historiográfico
para a compreensão da produção literária.
d) darem atenção aos diversos grupos étnicos que ajudaram a
compor a identidade brasileira.
e) comprovarem o costume modernista de eliminar as
fronteiras entre gêneros em prosa e em verso.
RESOLUÇÃO:
As personagens dos dois textos representam os diferentes
grupos étnicos que acabaram compondo o povo brasileiro: no
poema “Brasil”, o português, o indígena e o negro; em “Artigo de
Fundo”, o nativo, a brasileira (levando a entender que se trata de
uma descendente de português), o italiano e o negro.
[Competência 5, Habilidade 16 e Competência 7, Habilidade 22
das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
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84 PORTUGUÊS
� O Modernismo no Brasil defendeu o uso de uma linguagem
mais próxima da espontaneidade, afastando-se do academicismo
que imperava em grande parte da literatura do final do século XIX.
No entanto, esse despojamento não deve ser entendido como
despreocupação com o trabalho estético da linguagem. Prova
disso são os contos de Brás, Bexiga e Barra Funda, em que um
elemento modernista se manifesta no emprego que, em
diversos momentos, o autor faz da metonímia (figura de
linguagem que consiste em substituir um termo por outro,
quando eles se associam por contiguidade ou proximidade, em
relações como causa e efeito, autor e obra, continente e
conteúdo, parte e todo, entre outras), como se vê em
a) “As bananas na porta da QUITANDA TRIPOLI ITALIANA
eram de ouro por causa do sol.” (“Amor e Sangue”)
b) “Tia Filomena teve um ataque de nervos quando soube do
sonho de Gaetaninho.” (“Gaetaninho”)
c) “A Rua Barão de Itapetininga é um depósito sarapintado de
automóveis gritadores. As casas de moda (AO CHIC
PARISIEN SE, SÃO PAULO-PARIS, PARIS ELEGANTE)
despe jam nas calçadas as costureirinhas que riem, falam
alto, balançam os quadris como gangorras.” (“Carmela”)
d) “— É. Eu já pensei nisso. Mas sem capital o senhor
compreende é impossível... / — Per Bacco, doutor! Mas io
tenho o capital. O capital sono io. O doutor entra com o
terreno, mais nada. E o lucro se divide no meio. / O capital
acendeu o charuto.” (“A Sociedade”)
e) “Não adiantava nada que o céu estivesse azul porque a alma
de Nicolino estava negra.” (“Amor e Sangue”)
RESOLUÇÃO:
A metonímia está na substituição do possuidor pela coisa pos -
suída, pois o capital, aqui, é o capitalista, o italiano endinheirado
que entabula um negócio com o “quatrocentão” a quem falta
capital. Em a e c não há metonímias, mas metáforas (“As bana -
nas... eram de ouro...”, “A Rua Barão de Itapetininga é um
depósito...” etc.).
Resposta: D
Antônio Castilho de ALCÂNTARA MACHADO d’Oliveira (1901-1935):
Descendente de veteranos das campanhas do Império, juristas, senadores e
professores, Alcântara Machado preferiu ser escritor. Além de romancista e
contista, foi historiador (tem uma monografia sobre Anchieta), jornalista e
repórter em Pathé Baby e Cavaquinho e Saxofone, além de superintendente da
Rádio Sociedade Record de São Paulo. A atividade radiofônica acabou por levá-lo,
a partir de 1932, à política, em que se classificava como “um intelectual do
centro”. Foi redator e colaborador das revistas Terra Roxa e Outras Terras,
Antropofagia e Nova, todas ligadas à corrente primitivista. Aproximando-se da
linguagem elíptica e alusiva e das experiências radicais de Oswald de Andrade,
cultivou uma prosa leve e bem-humorada, despojando-se dos efeitos
meramente ornamentais, dando o nome exato às coisas ou usando a palavra
direta. Foi quem melhor aplicou os processos e invenções de Oswald de
Andrade, ao fundir as rupturas sintáticas e “metáforas lancinantes” com o
vocabulário ítalo-paulistano dos bairros de São Paulo, como se observa em
Brás, Bexiga e Barra Funda, de 1927.
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85PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para os testes de � a
.
Havia bem dez dias que o Major Quaresma não saía de casa.
Estudava os índios. Não fica bem dizer “estudava”, porque já o fizera
há tempos (...). Recordava (é melhor dizer assim), afirmava certas
noções dos seus estudos anteriores, visto estar organizando um
sistema de cerimônias e festas que se baseasse nos costumes dos
nossos silvícolas e abrangesse todas as relações sociais. (...) A
convicção que sempre tivera de ser o Brasil o primeiro país do mundo
e o seu grande amor à pátria eram agora ativos e impeliram-no a
grandes cometimentos.
(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)
� (MACKENZIE – modificado – MODELO ENEM) – Na análise
literária, é importante prestar atenção à maneira como o enunciador do
texto transmite informações para o leitor. De acordo com esse
quesito, para a compreensão do texto acima, é necessário perceber
que
a) o protagonista, tecendo comentários livremente, apresenta ao
leitor ações e intenções da personagem quixotesca.
b) o narrador se revela preocupado com a precisão ao relatar as
ações do protagonista idealizador.
c) o narrador manifesta suas dúvidas quanto aos fatos ocorridos, em
virtude de seu desconhecimento do universo focalizado.
d) o narrador-personagem, ao estabelecer paralelo entre o passado e
o presente do Major, manifesta sua decepção pela ingenuidade do
sonhador.
e) o narrador-personagem anuncia o fim trágico do protagonista e
ironiza seu perfil fantasioso e idealista.
Resolução
A preocupação do narrador com a “precisão ao relatar as ações do
protagonista idealizador” revela-se nas passagens do texto em que
ele se corrige, em busca de maior exatidão: “não fica bem dizer”, “é
melhor dizer assim”.
Resposta: B
� (MACKENZIE – modificado) – “A convicção que sempre tivera de
ser o Brasil o primeiro país do mundo e o seu grande amor à pátria eram
agora ativos e impeliram-no a grandes cometimentos.” Nesse trecho,
a) há uma inadequação no que se refere à regência, pois convicção
exige um complemento introduzido pela preposição de.
b) substituindo-se “do mundo” por “mundial”, o sentido original é
alterado.
c) substituindo-se “pátria” por “aquela pátria”, o acento indicativo
da crase (em “à pátria”) deve ser eliminado, de acordo com a
norma culta.
d) “eram” tem sujeito composto,constituído por “o Brasil” e “a
pátria”.
e) o pronome o (impeliram-no) refere-se a “o seu grande amor”.
Resolução
Considerar o Brasil “o primeiro país do mundo” significa atribuir-lhe
primazia entre todos os demais países do mundo; considerá-lo “o
primeiro país mundial” equivale a tomá-lo como primeiro país
internacional, ou seja, primeiro país de caráter cosmopolita, que
transcende o caráter nacional e atinge condição universal.
Resposta: B
(MODELO ENEM) – Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima
Barreto, pertence ao Pré-Modernismo (1902-1922), período literário
que teve como uma de suas mais importantes características a
análise crítica da realidade brasileira. O excerto apresentado
comprova essa tendência, por
a) retomar a forma como o Realismo-Naturalismo enalteceu a nação
brasileira.
b) fazer da emotividade do enunciador uma estratégia
argumentativa.
c) antecipar o Modernismo na adoção de posturas estéticas
iconoclastas.
d) reavaliar o nacionalismo ufanista que marcou, por exemplo, o
Romantismo.
e) apresentar a sucessão temporal de forma lógica, à semelhança
dos realistas.
Resolução
Triste Fim de Policarpo Quaresma é um romance que se notabilizou
pelo nacionalismo quixotesco e trágico de seu protagonista, o que
pode ser notado no trecho, por exemplo, quando o narrador revela a
convicção dessa personagem de que o Brasil seria “o primeiro país
do mundo”. Trata-se, portanto, de uma reavaliação do “nacionalismo
ufanista que marcou, por exemplo, o Romantismo” brasileiro
(1836-1881), principalmente em sua vertente indianista.
Resposta: D
34
Palavras-chave:Triste Fim de Policarpo
Quaresma – Pré-Modernismo
e visão crítica sobre a
República Oligárquica (I)
• Lima Barreto
• Prosa pré-modernista
• Romance pré-modernista
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86 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �. a) mergulhando em elucubrações que o fazem esquecer as
questões patrióticas que costumava colocar em primeiro
plano.
b) comparando questões políticas do plano nacional a
consagrados fatos históricos pertencentes ao contexto
europeu.
c) crendo em um perfil do marechal Floriano Peixoto que não
corresponde à personalidade comprovada pelos fatos.
d) analisando o alcance das atitudes do presidente em um
contexto político tumultuado como o da República
Oligárquica.
e) assumindo uma postura submissa diante da índole
opressora que marcou a presidência ditatorial de Floriano
Peixoto.
RESOLUÇÃO:
O protagonista, Policarpo Quaresma, crê que o marechal Floriano
Peixoto representa de maneira digna e respeitável o cargo de líder
de um país como presidente da República, deixando de lado a
índole desleixada do governante, evidente não só em seu aspecto
físico, mas também em seu histórico profissional. A personagem
principal de Triste Fim de Policarpo Quaresma revela, portanto,
um caráter quixotesco, ou seja, de sonhador desconectado da
realidade. [Competência 5, Habilidade 16 e Competência 6,
Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
� (MODELO ENEM) – Triste Fim de Policarpo Quaresma
pertence ao Pré-Modernismo (1902-1922), período literário
que, por ser transição entre os séculos XIX e XX, marcou-se
pelo sincretismo de elementos antimodernistas e modernistas.
Entre as características herdadas da literatura do século XIX,
está o apego ao código literário do Naturalismo, como se
percebe na
a) desvalorização de figuras célebres da política brasileira.
b) correlação entre os traços físicos e os psicológicos.
c) paródia de uma importante personalidade nacional.
d) análise psicológica por meio do discurso indireto livre.
e) oposição entre a perspectiva do opressor e a do oprimido.
RESOLUÇÃO:
O Naturalismo caracteriza-se pela abordagem biofisiológica do
comportamento humano, ou seja, pela vinculação do caráter aos
mecanismos biológicos de funcionamento do corpo. Dessa forma,
os aspectos físicos e os psicológicos estariam correlacionados,
como se vê no texto em análise: a indolência física de Floriano
Peixoto é coerente com a indolência de sua psique. [Competência 5,
Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
Quaresma pôde então ver melhor a fisionomia do
homem que ia enfeixar1 em suas mãos, durante quase um
ano, tão fortes poderes, poderes de Imperador Romano,
pairando sobre tudo, limitando tudo, sem encontrar
obstáculo algum aos seus caprichos, às suas fraquezas e
vontades, nem nas leis, nem nos costumes, nem na
piedade universal e humana.
Era vulgar e desoladora. O bigode caído; o lábio inferior
pen dente e mole a que se agarrava uma grande mosca2; os
traços flácidos e grosseiros; não havia nem o desenho do
queixo ou olhar que fosse próprio, que revelasse algum
dote superior. Era um olhar mortiço3, redondo, pobre de
expres sões, a não ser de tristeza que não lhe era individual,
mas nativa, de raça; e todo ele era gelatinoso — parecia não
ter nervos.
Não quis o major ver em tais sinais nada que lhe
denotasse o caráter, a inteligência, o temperamento. Essas
coisas não vogam4, disse ele de si para si.
O seu entusiasmo por aquele ídolo político era forte,
sincero e desinteressado. Tinha-o na conta de energético,
de fino, de supervidente, tenaz e conhecedor das
necessida des do país, manhoso talvez um pouco, uma
espécie de Luís XI forrado de um Bismarck5. Entretanto,
não era assim. Com uma ausência total de qualidades
intelectuais, havia no caráter de Floriano uma qualidade
predominante: tibieza6 de ânimo; no seu temperamento,
muita preguiça. Não a pre guiça comum, essa preguiça de
nós todos; era uma preguiça mórbida, como que uma
pobreza de irrigação nervosa, provinda de uma insuficiente
quantidade de fluido no seu organismo. Pelos lugares que
passou, tornou-se notável pela indolência7 e desamor às
obrigações de seus cargos.
(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)
1 – Enfeixar: reunir.
2 – Mosca: porção de barba sob o lábio inferior.
3 – Mortiço: sem vivacidade, amortecido.
4 – Vogar: importar, ter importância.
5 – Luís XI, Bismarck: respecti vamente, rei da França (século XV) e
estadista prussiano (1815-1898), ambos de caráter empreendedor.
6 – Tibieza: fraqueza.
7 – Indolência: preguiça, apatia.
� (MODELO ENEM) – A crítica literária costuma qualificar o
protagonista de Triste Fim de Policarpo Quaresma (1915, ano
de publicação) como uma personagem quixotesca, ou seja,
como um sonhador desconectado da realidade. O trecho acima
comprova essa característica, pois mostra o protagonista
Exercícios Propostos
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87PORTUGUÊS
(MODELO ENEM) – Por se inserir no Pré-Modernismo,
Triste Fim de Policarpo Quaresma apresenta a coexistência de
procedimentos literários tradicionais, vindos do século XIX, e
modernistas, que se consagrariam no século XX. Entre os
últimos, está a utilização de uma linguagem simples e direta,
em nome da clareza da comunicação, mesmo que para isso
haja desvios da norma culta. Esse fenômeno pode ser visto no
último parágrafo do texto em análise, em que se nota um
desvio do padrão culto no que se refere à regência em
a) “O seu entusiasmo por aquele ídolo político”.
b) “Tinha-o na conta de energético”.
c) “Pelos lugares que passou”.
d) “tornou-se notável pela indolência”.
e) “desamor às obrigações de seus cargos”.
RESOLUÇÃO:
O verbo passar, no sentido em que é empregado no texto, rege a
preposição por: “passar por algum lugar”. Reescrito de acordo
com a norma culta, o trecho em questão deveria ser: “pelos
lugares por que passou”. [Competência 5, Habilidade 16 e
Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
� (MODELO ENEM) – A linguagem despojada de Lima
Barreto em Triste Fim de Policarpo Quaresma é coerente com a
forma direta com que faz sua crítica, dispensando a sutileza.
Essa característica é captável no texto transcrito, em que o perfil
que é feito do marechal Floriano Peixoto apresenta um tom
a) ridículo, graças ao destaque à descrição com feitio
caricatural.
b) combativo, por meio da adoção doponto de vista das
classes pobres.
c) panfletário, com o qual o autor veicula sua posição político-
partidária.
d) cômico, através do qual o narrador reverbera a índole
cômica brasileira.
e) crítico, por meio do qual se mostra adesão à versão da
História oficial, enaltecedora.
RESOLUÇÃO:
Lima Barreto é consagrado por assumir em sua obra um tom
ridicularizador nas críticas que faz. É o que se percebe na maneira
como descreve o marechal Floriano Peixoto, chegando a chamá-lo
de “gelatinoso”, “pobre de expressões”, dono de “olhar mortiço”
e de “traços flácidos e grosseiros”, “sem nervos”, com uma
“ausência total de qualidades intelectuais”. [Competência 5,
Habilidade 16 e Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do
ENEM.]
Resposta: A
� Associando seus conhecimentos de História do Brasil à
leitura atenta do texto, o que se depreende sobre a
personalidade do marechal Floriano Peixoto em relação a seu
título e a seu poder presidencial?
RESOLUÇÃO:
Embora seja denominado “Marechal de Ferro”, a descrição
apresentada no texto sugere o oposto da força, com a imagem
clara da falência física, intelectual e política, decorrente do
conjunto de expressões depreciativas que caracterizam uma
personagem de personalidade fraca.
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88 PORTUGUÊS
Texto para os testes de a �.
(MODELO ENEM) – Durante o ato de comunicação, o que
inclui um diálogo, diferentes procedimentos linguísticos
podem ser acionados em nome de determinados objetivos. Na
discussão apresentada no texto, por exemplo, Ricardo Coração
dos Outros utiliza a comparação com a intenção de
a) mostrar como, mesmo sendo produtor de arte popular, é
capaz de dominar técnicas consideradas eruditas.
b) tentar interromper uma discussão acalorada, por meio do
desvio do foco com a introdução de um outro assunto.
c) argumentar em favor do uso de procedimentos técnicos
para o desenvolvimento de habilidades naturais.
d) ironizar aqueles que se entregam a polarizações e esquecem
a existência de outras áreas do conhecimento.
e) equiparar economicamente sua área de atuação profissional,
artística, à área de atuação em discussão, a agrícola.
RESOLUÇÃO:
Ricardo Coração dos Outros utiliza a comparação para
argumentar em favor do uso de fertilizantes: se algo natural,
como seu talento na música, é incrementado por meio de
procedimentos técnicos, da mesma forma a fertilidade natural de
um solo pode ser incrementada por meio de aditivos.
[Competência 7, Habilidade 21 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
� (MODELO ENEM) – Em um romance, muitas vezes o
narrador se isenta de apresentar explicitamente o caráter e os
ideais de uma personagem, fazendo que outros expedientes
os revelem. No excerto, por exemplo, o diálogo entre Policarpo
Quaresma e o doutor, marido de Olga, evidencia, para o leitor
do texto,
a) o patriotismo fanático de Policarpo Quaresma.
b) o apoio de Quaresma ao governo de Floriano Peixoto.
c) a modernidade da agricultura defendida por Policarpo.
d) a falta de recursos de Policarpo para modernizar a lavoura.
e) a indiferença com que Quaresma passou a lidar com a pátria.
RESOLUÇÃO:
No diálogo apresentado no excerto, podemos ver Quaresma
defendendo sua tese de que as terras brasileiras são as mais
férteis do mundo, não aceitando a possibilidade de outras terem
essa preeminência. Além disso, não crê ser necessário utilizar
fertilizantes para incrementar a qualidade agrícola de nosso solo.
Sua recusa em aceitar ideias baseadas não em opiniões, mas em
fatos, revela seu patriotismo fanático, ou seja, sem base lógica.
[Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: A
� Qual máxima se pode associar à tentativa, positivista, de
Policarpo Quaresma de provar a fertilidade e produtividade das
nossas terras?
a) “Nem tudo o que reluz é ouro.”
b) “Em se plantando, tudo dá.”
c) “Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.”
d) “Não se deve atirar pérolas aos porcos.”
e) “Casa de ferreiro, espeto de pau.”
RESOLUÇÃO:
A máxima “Em se plantando, tudo dá” pode ser associada à
crença de Policarpo Quaresma de que as terras brasileiras eram
generosamente férteis, de fácil cultivo, e que bastaria, portanto,
plantar, que os “frutos” viriam “naturalmente”.
Resposta: B
Encontrou o marido e o padrinho a conversar. Aquele
per de ra um pouco de sua morgue; havia mesmo ocasião
em que era até natural. Quando ela chegou, o padrinho
exclamava:
— Adubos! É lá possível que um brasileiro tenha tal
ideia! Pois se temos as terras mais férteis do mundo!
— Mas se esgotam, major, observou o doutor.
Dona Adelaide, calada, seguia com atenção o crochet1
que estava fazendo; Ricardo ouvia com os olhos
arregalados; e Olga intrometeu-se na conversa:
— Que zanga é essa, padrinho?
— É teu marido que quer convencer-me que as nossas
terras precisam de adubo... Isso é até uma injúria!
— Pois fique certo, major, se eu fosse o senhor, aduziu2
o doutor, ensaiava uns fosfatos...
— Decerto, major, obtemperou3 Ricardo. Eu, quando
comecei a tocar violão, não queria aprender música... Qual
música! Qual nada! A inspiração basta!... Hoje vejo que é
preciso... É assim, resumia ele.
Todos se entreolharam, exceto Quaresma, que logo
disse com toda a força d’alma:
— Senhor doutor, o Brasil é o país mais fértil do mundo,
é o mais bem dotado e suas terras não precisam “emprés -
timos” para dar sustento ao homem. Fique certo!
— Há mais férteis, major, avançou o doutor.
— Onde?
— Na Europa!
— Europa!
— Sim, na Europa. As terras negras da Rússia, por
exemplo.
O major considerou4 o rapaz durante algum tempo e
exclamou triunfante:
— O senhor não é patriota! Esses moços...
(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)
1 – Crochet (francês): crochê/croché.
2 – Aduzir: alegar, expor.
3 – Obtemperar: comentar, ponderar com humildade.
4 – Considerar: olhar atenta e minuciosamente.
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89PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Textos para os testes � e �.
Texto 1
AUTORRETRATO
Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional. tuberculoso
(BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1983. p. 395.)
Texto 2
POEMA DE SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
(...)
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra Completa.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1964. p. 53.)
�
Esses poemas têm em comum o fato de
a) descreverem aspectos físicos dos próprios autores.
b) refletirem um sentimento pessimista.
c) terem a doença como tema.
d) narrarem a vida dos autores desde o nasci mento.
e) defenderem crenças religiosas.
Resolução
Em ambos os poemas, reflete-se um senti men to pessimista. O eu
lírico, em “Autorretrato”, afirma, entre outras coisas, que é “poeta
ruim”, “arquiteto falhado”, “músico falhado”, “um tísico
profissional”. Em “Poema de Sete Fa ces”, o eu lírico é inadaptado à
vida, é gauche, fraco, espantado diante do absurdo do mundo.
Resposta: B
� No verso “Meu Deus, por que me abandonaste”,
do texto 2, Drummond reto ma as palavras de
Cristo na cruz, pouco antes de morrer. Esse
recurso de repetir palavras de outrem equivale a
a) emprego de termos moralizantes.
b) uso de víciode linguagem pouco tolerado.
c) repetição desnecessária de ideias.
d) emprego estilístico da fala de outra pessoa.
e) uso de uma pergunta sem resposta.
Resolução
O próprio enunciado afirma que se trata de “re petir palavras de outrem”.
Portanto, trata-se de “emprego estilístico da fala de outra pessoa”.
Resposta: D
35
Palavras-chave:
Manuel Bandeira • Primeira Geração Modernista• Poesia modernista
• Lírica modernista
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90 PORTUGUÊS
Textos para as questões de � a
.
Texto 1
PROFUNDAMENTE
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
*
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. In: Poesia Completa e Prosa.
4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. p. 217-218.)
Texto 2
PREPARAÇÃO PARA A MORTE
A vida é um milagre.
Cada flor,
Com sua forma, sua cor, seu aroma,
Cada flor é um milagre.
Cada pássaro,
Com sua plumagem, seu voo, seu canto,
Cada pássaro é um milagre.
O espaço, infinito,
O espaço é um milagre.
O tempo, infinito,
O tempo é um milagre.
A memória é um milagre.
A consciência é um milagre.
Tudo é milagre.
Tudo, menos a morte.
— Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres.
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da Tarde. In: Poesia Completa e Prosa.
4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. p. 355.)
� (MODELO ENEM) – Os dois poemas foram publicados
por Manuel Bandeira em momentos diferentes: o primeiro,
em 1930; o segundo, em 1963. Apesar de desenvolverem o
mesmo tema, diferenciam-se por
a) estabelecerem uma oposição entre a postura modernista e
a reflexiva.
b) revelarem a contraposição entre um enfoque cotidiano e
um emotivo.
c) abordarem a morte de forma pessoal e universal,
respectivamente.
d) apresentarem a mudança da postura iconoclasta para a
religiosa.
e) instituírem a passagem da análise da juventude para a da
velhice.
RESOLUÇÃO:
Os dois poemas têm como tema a morte. A principal diferença
entre eles deve-se ao fato de que “Preparação para a Morte” trata
esse assunto de forma genérica, enquanto “Profundamente” o
faz de forma particular, pessoal, já que o eu lírico fala do fim da
vida de entes queridos. [Competência 7, Habilidade 22 das
Competências do ENEM.]
Resposta: C
Exercícios Propostos
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91PORTUGUÊS
� Em “Profundamente”, a forma verbal dormindo tem o
mesmo sentido nas duas diferentes estrofes em que aparece?
Justifique sua resposta?
RESOLUÇÃO:
Na primeira parte do poema, em que o eu lírico relata fatos de sua
infância, o verbo dormir é empregado em sentido denotativo,
significando “repousar no sono”. Na segunda parte, no momento
de enunciação do poema — a fase adulta do eu poemático —, o
verbo dormir tem valor conotativo, figurado, sendo metáfora de
“estar morto”.
(MODELO ENEM) – A poesia modernista deu especial
atenção ao que, de certa forma, é o objetivo do texto literário:
a busca do inusitado, seja no plano temático, seja no plano
formal. “Preparação para a Morte” é exemplo dessa
preocupação, pois apresenta como elemento-surpresa
a) a abordagem reflexiva, contrariando os ditames
modernistas, que impunham o destaque ao cotidiano banal.
b) o enfoque objetivo, provocado pela enumeração, em
linguagem conotativa, dos milagres ligados à vida.
c) a ausência do eu lírico, mesmo em se tratando da confissão
de emoções vivenciadas pelo enunciador.
d) o contraste entre o último verso, que bendiz a morte, e o
resto do poema, que enumera os milagres da vida.
e) a oscilação entre o tom sério e introspectivo e a abordagem
jocosa comum aos poemas-piada do Modernismo.
RESOLUÇÃO:
A surpresa do final deve-se ao fato de o poeta bendizer a morte,
quando todo o poema é uma celebração do “milagre da vida”.
Essa exaltação, que ocorre no verso final, pode significar que a
morte, não sendo um milagre, é algo raro na vida, em que tudo é
milagre. É, portanto, algo grandioso, com seu poder de encerrar
todos os milagres. Deve-se notar que a palavra fim pode ter, no
texto, dois sentidos: a morte não só seria o término dos milagres,
mas todos os milagres (toda a vida) tenderiam para a morte,
teriam-na como finalidade. Ou seja, nesse sentido, sem a morte
nada na vida seria milagre. [Competência 6, Habilidade 18 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
Texto para as questões � e �.
� (MODELO ENEM) – A palavra que serve de título ao
poema refere-se à teoria ou arte de fazer poesia. A utilização
desse termo indica que o poema tem por objetivo
a) desprezar, por meio da ênfase à função metalinguística, a
intertextualidade com o Parnasianismo.
b) enfatizar, por meio da utilização da função fática, a
necessidade de contato com o público leitor.
POÉTICA
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto
[expediente protocolo e manifestações
[de apreço1 ao Sr. diretor
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no
[dicionário o cunho vernáculo2
[de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos3 universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula4 ao que quer que
[seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de cossenos secretário do
[amante exemplar com cem modelos
[de cartas e as diferentes maneiras
[de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente5 dos bêbados
O lirismo dos clowns6 de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. In: Poesia Completa e Prosa.
4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. p. 207.)
1 – Apreço: respeito.
2 – Cunho vernáculo: pureza, correção de linguagem.
3 – Barbarismo: vício de linguagem, estrangeirismo.
4 – Capitular: render-se, entregar-se.
5 – Pungente: comovente.
6 – Clown (inglês; pronúncia aproxi mada: claun): palhaço.
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92 PORTUGUÊS
c) revelar, por meio do emprego da função referencial, as duas
formas de manifestação da poesia moderna.
d) demonstrar, por meio da função emotiva, a forma entusias -
mada com que o poeta concilia tradição e modernidade.
e) apresentar, por meio do destaque à função poética, uma
proposta pessoal de produção literária.
RESOLUÇÃO:
Em “Poética”, Manuel Bandeira apresenta uma proposta do fazer
poético que busca o abandono das formas convencionais de
poesia — vistas como vazias por apego ao formalismo — em
nome de uma literatura focada na liberdade de forma e de
conteúdo. Para a expressão desse ideal, o enunciador valeu-se
não só da variabilidade extrema da extensão dos versos (alguns
extremamente curtos, outros extremamente longos), como
também do emprego de uma linguagem marcada por expressões
inusitadas, o que, em resumo, configura a função poética.
[Competência 5, Habilidade 16 e Competência 6, Habilidade 19 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
� Associe os temas abaixo aos trechos de “Poética”:
A. Crítica ao apego à norma culta.
B. Condenação da poesia como cópia de modelos.
C. Reprovação da poesia apegada a formalidades.
D. Defesa do emprego do verso livre.
E. Inspiração em exemplos de desapego a modelos.( C ) “Do lirismo funcionário público com livro de ponto
[expediente protocolo e manifestações
[de apreço ao Sr. diretor”
( A ) “Abaixo os puristas”
( D ) “Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis”
( B ) “Será contabilidade tabela de cossenos secretário do
[amante exemplar com cem modelos de cartas
[e as diferentes maneiras de
[agradar às mulheres, etc.”
( E ) “Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare”
O escritor e poeta brasileiro Manuel Bandeira (1886-1968). Local
desconhecido, 1965. – Fotografia: Folhapress.
Conciliando tradição e modernidade, o verso
metrificado e o verso livre, valorizando o lirismo
terno, baseado no cotidiano simples e banal,
Manuel Bandeira tornou-se um dos maiores
poetas da literatura brasileira, influenciando
poetas-admiradores, como Carlos Drummond
de Andrade e Vinícius de Moraes.
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93PORTUGUÊS
Texto para o teste . Texto para o teste �.
CAMELÔS
Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão:
O que vende balõezinhos de cor
O macaquinho que trepa no coqueiro
O cachorrinho que bate com o rabo
Os homenzinhos que jogam boxe
A perereca verde que de repente dá um pulo que
[engraçado
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa
[alguma.
Alegria das calçadas
Uns falam pelos cotovelos:
— “O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai
[buscar um pedaço de banana para eu acender o
[charuto. Naturalmente o menino pensará:
[Papai está malu...”
Outros, coitados, têm a língua atada.
Todos porém sabem mexer nos cordéis como o tino
[ingênuo de demiurgos de inutilidades.
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroicos da
[meninice...
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes
[uma lição de infância.
(BANDEIRA, M. Estrela da Vida Inteira.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.)
Uma das diretrizes do Mo der nis mo foi a
percepção de elementos do cotidiano como
matéria de inspiração poética. O poema de
Manuel Bandeira exemplifica essa tendência e alcança
expressividade porque
a) realiza um inventário dos elementos lúdicos tradi cionais da
criança brasileira.
b) promove uma reflexão sobre a realidade de pobreza dos
centros urbanos.
c) traduz em linguagem lírica o mosaico de elementos de
significação corriqueira.
d) introduz a interlocução como mecanismo de constru ção de
uma poética nova.
e) constata a condição melancólica dos homens distantes da
simplici dade infantil.
RESOLUÇÃO:
A partir de uma situação cotidiana, o camelô vendendo
brin que dos, o poema revela o sen ti do lírico dessa cena: a
perma nência “dos mitos heroicos da meninice”, que tira
momenta neamente os homens da vida melancólica.
Resposta: C
NAMORADOS
O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
— Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo,
com a sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
— Você não sabe quando a gente é criança e de repente
vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
— A gente fica olhando...
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
— Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
— Antônia, você é engraçada! Você parece louca.
(BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa & Prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.)
� No poema de Bandeira, importante repre sen -
tante da poesia modernista, destaca-se como
característica da escola literária dessa época
a) a reiteração de palavras como recurso de construção de
rimas ricas.
b) a utilização expressiva da linguagem falada em situações do
cotidiano.
c) a criativa simetria de versos para reproduzir o ritmo do tema
abordado.
d) a escolha do tema do amor romântico, caracterizador do
estilo literário dessa época.
e) o recurso ao diálogo, gênero discursivo típico do Realismo.
RESOLUÇÃO:
A utilização literária da linguagem coloquial, assim como a
temática do cotidiano, são pontos importantes do programa
literário do Modernismo, do qual Manuel Bandeira foi figura
central. Construções como “sabe quando?” e o emprego de “a
gente” como pronome impessoal ou como equivalente a “nós”
são traços característicos da linguagem coloquial brasileira.
Resposta: B
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94 PORTUGUÊS
MANUEL Carneiro de Sousa BANDEIRA Filho (1886-1968): Nascido em Recife, é uma
das maiores figuras da literatura brasileira e um dos maiores poetas de língua
portuguesa. Sua obra é, em certa medida, o acompanhamento lírico de sua vida — uma
obra, pois, em constante mutação, mas que manteve as linhas essenciais do tom e do
temperamento característicos do poeta. Tentou estudar Arquitetura em São Paulo, mas
teve de ir à Europa para se tratar de uma tuberculose, doença então dificilmente curável
e quase sempre mortal, evocada em alguns de seus poemas. Com o início da Primeira
Guerra Mundial, retornou ao Brasil e então iniciou uma longa espera pela morte, pois,
durante toda sua vida, nunca se sentiu totalmente a salvo da doença. Essa circunstância
corresponde à razão biográfica de a morte ser um dos temas mais presentes em seus
poemas. Estreou como poeta herdeiro do Simbolismo, com leves toques parnasianos
(A Cinza das Horas, 1917), mas, no livro seguinte, Carnaval (1919), desenvolveu suas
tendências “decadentistas” e modernistas, chegando a compor versos livres e a satirizar
a desgastada rigidez parnasiana. Isso levou o poeta, em 1922, a unir-se ao grupo
modernista de São Paulo promotor da célebre Semana de Arte Moderna (à qual ele não
compareceu por razões de saúde). Pouco mais tarde, em O Ritmo Dissoluto (1924) e principalmente em Libertinagem (1930),
esses procedimentos poéticos inovadores irão diversificar-se e conviver com formas tradicionais de poesia, que ele continuou a
cultivar. A primeira grande qualidade a destacar na poesia de Manuel Bandeira é o caráter coloquial, fiel à fala terna e simples do
cotidiano brasileiro — o que não quer dizer que o poeta escreveu trivialidades. Bandeira é um poeta intensamente musical, tanto
na poesia metrificada quanto (o que é mais difícil) nos poemas escritos em versos livres. A infância de moleque recifense e a
morte sempre próxima, como já foi dito, estão entre os temas mais característicos e constantes de sua obra. Ligada à temática
da morte, uma das fontes da poesia de Manuel Bandeira é a saudade de amigos e parentes que se foram — a presença
milagrosa dos mortos na enternecida lembrança dos vivos. É o tema ubi sunt (“onde estão?”), antiquíssima interrogação da
poesia que comparece em alguns de seus poemas mais admiráveis, como “Evocação do Recife” e “Profundamente”.
Leitura complementar
A seguir, leia mais dois poemas de Manuel Bandeira:
A FILHA DO REI
Aquela cor de cabelos
Que eu vi na filha do rei
— Mas vi tão subitamente —
Será a mesma cor da axila,
Do maravilhoso pente?
Como agora o saberei?
Vi-a tão subitamente!
Ela passou como um raio:
Só vi a cor dos cabelos.
Mas o corpo, a luz do corpo?...
Como seria o seu corpo?...
Jamais o conhecerei!
(BANDEIRA, Manuel. Estrela da Manhã. In: Poesia Completa e Prosa.
4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. p. 230.)
PNEUMOTÓRAX1
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
— Respire.
........................................................................................
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo
[e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
(BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. In: Poesia Completa e Prosa.
4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1993. p. 206.)
1 – Pneumotórax: retenção de ar ou gás no tórax. Também se diz da
drenagem para a eliminação desse ar ou gás.
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95PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para os testes � e �.
Quaresma viveu lá, no manicômio, resignadamente, conversando
com os seus companheiros, onde via ricos que se diziam pobres,
pobres que se queriam ricos, sábios a maldizer da sabedoria,
ignorantes a se proclamarem sábios; mas, deles todos, daquele que
mais se admirou, foi de um velho e plácido negociante da Rua dos
Pescadores que se supunha Átila1. Eu, dizia o pacato velho, sou Átila,
sabe? Sou Átila. Tinha fracas notícias da personagem, sabia o nome
e nada mais. Sou Átila, matei muita gente — e era só.
Saiu o major mais triste ainda do que vivera toda a vida. De todas
as cousas tristes de ver, no mundo, a mais triste é a loucura; é a mais
depressora e pungente.
Aquela continuação da nossa vida tal e qual, com um desarranjo
imperceptível, mas profundo e quase sempre insondável, que a
inutiliza inteiramente, faz pensar em alguma cousa mais forte que
nós, que nos guia, que nos impele e em cujas mãos somos simples
joguetes. Em vários tempos e lugares, a loucura foi considerada
sagrada, e deve haver razão nisso no sentimento que se apodera de
nós quando, ao vermos um louco desarrazoar, pensamos logo que já
não é ele quem fala, é alguém, alguém que vê por ele, interpreta as
cousas por ele, está atrás dele, invisível!...
(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)
1 – Átila: rei dos hunos, governou o maior império europeu de seu tempo,
desde o ano 434 até sua morte, em 453. Muitas lendas retratam-no como um
imperador violento e cruel.
� (FAMERP) – A leitura do primeiro parágrafo permite concluir que
o major Quaresma ficou admirado com o negociante da Rua dos
Pescadores especialmente devido
a) à discrepância entre sua serenidade e a imagem que ele fazia de
si próprio.
b) à paz de espírito que ele havia alcançado, mesmo sendo um
assassino.
c) ao grau de erudição exibido por um homem pertencente à classe
trabalhadora.
d) à maneira como ele agia contraditoriamente, ao maldizer a própria
sabedoria.
e) à ignorância quanto a fatos históricos, pouco condizente com sua
classe social.
Resolução
No texto, o narrador caracteriza o negociante insano como um
“pacato velho”, isto é, um homem de idade avançada que aparentava
tranquilidade, justamente o contrário do que esse senhor afirmava,
pois, em seu estado de loucura, dizia ser Átila, imperador conhecido
como “Praga de Deus” ou “Flagelo de Deus”, devido à crueldade
contra os inimigos.
Resposta: A
� (FAMERP – MODELO ENEM) – Embora o texto seja narrativo,
há nele trechos em que o tom argumentativo, característico da
dissertação, se faz presente, como se observa em
a) “daquele que mais se admirou, foi de um velho e plácido negociante
da Rua dos Pescadores que se supunha Átila” (1.o parágrafo).
b) “Quaresma viveu lá, no manicômio, resignadamente, conver -
sando com os seus companheiros” (1.o parágrafo).
c) “ricos que se diziam pobres, pobres que se queriam ricos, sábios
a maldizer da sabedoria, ignorantes a se proclamarem sábios” (1.o
parágrafo).
d) “Saiu o major mais triste ainda do que vivera toda a vida” (2.o
parágrafo).
e) “De todas as cousas tristes de ver, no mundo, a mais triste é a
loucura” (2.o parágrafo).
Resolução
Na passagem, narra-se a experiência de Policarpo Quaresma durante
o período em que ele esteve internado num manicômio, local de onde
saiu imensamente triste. No final do 2.° parágrafo, o narrador
envereda para a reflexão de caráter geral, característica da dissertação.
Resposta: E
Texto para o teste
.
Chamou-me o bragantino e levou-me pelos corredores e pátios
até ao hospício propriamente. Aí é que percebi que ficava e onde, na
seção, na de indigentes, aquela em que a imagem do que a Desgraça
pode sobre a vida dos homens é mais formidável. O mobiliário, o
vestuário das camas, as camas, tudo é de uma pobreza sem par. Sem
fazer monopólio, os loucos são da proveniência mais diversa,
originando-se em geral das camadas mais pobres da nossa gente
pobre. São de imigrantes italianos, portugueses e outros mais
exóticos, são os negros roceiros, que teimam em dormir pelos
desvãos das janelas sobre uma esteira esmolambada e uma manta
sórdida; são copeiros, cocheiros, moços de cavalariça, trabalhadores
braçais. No meio disto, muitos com educação, mas que a falta de
recursos e proteção atira naquela geena social.
(LIMA BARRETO, A. F. Diário do Hospício e
O Cemitério dos Vivos. São Paulo: Cosac & Naify, 2010.)
No relato de sua experiência no sanatório onde
foi interno, Lima Barreto expõe uma realidade
social e humana marcada pela exclusão. Em seu
testemunho, essa reclusão demarca uma
a) medida necessária de intervenção terapêutica.
b) forma de punição indireta aos hábitos desregrados.
c) compensação para as desgraças dos indivíduos.
d) oportunidade de ressocialização em um novo ambiente.
e) conveniência da invisibilidade de grupos vulneráveis e periféricos.
Resolução
A estrutura do poder político-ideológico tem como conveniência
afastar os lesados sociais e mentais do convívio social, prendendo-os
no sanatório.
Resposta: E
36
Palavras-chave:Triste Fim de Policarpo
Quaresma – Pré-Modernismo
e visão crítica sobre a
República Oligárquica (II)
• Lima Barreto
• Prosa pré-modernista
• Romance pré-modernista
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96 PORTUGUÊS
Texto 2
— Vai casar-se, Dona Olga? Parabéns.
— Obrigada, fez ela.
— Quando é, Olga? Perguntou Dona Adelaide.
— Lá para o fim do ano... Tem tempo...
E logo choveram perguntas sobre o noivo e afloraram as
considerações sobre o casamento.
E ela se sentia vexada1; julgava, tanto as perguntas
como as considerações, impudentes2 e irritantes; queria
fugir à conver sa, mas voltavam ao mesmo assunto, não só
Ricardo, mas a velha Adelaide, mais loquaz3 e curiosa que
comu mente. Esse suplício que se repetia em todas as
visitas quase a fazia arrepender-se de ter aceitado o pedido.
Por fim, achou um subterfúgio4, perguntando:
— Como vai o general?
— Não o tenho visto, mas a filha sempre vem aqui. Ele
deve andar bem, a Ismênia é que anda triste, desolada —
coitadinha!
Dona Adelaide contou então o drama que agitava a
pequenina alma da filha do general. Cavalcânti, aquele Jacó
de cinco anos5, embarcara para o interior, há três ou quatro
meses, e não mandara nem carta nem um cartão. A menina
tinha aquilo como um rompimento; e ela, tão incapaz de um
sentimento mais profundo, de uma aplicação mais séria de
energia mental e física, sentia-o muito, como coisa irreme -
diável que absorvia toda sua atenção.
Para Ismênia, era como se todos os rapazes casadouros
tivessem deixado de existir. Arranjar outro era problema
insolúvel, era trabalho acima de suas forças. Coisa difícil!
Namorar, escrever cartinhas, fazer acenos, dançar, ir a
passeios — ela não podia mais com isso. Decididamente
estava condenada a não se casar, a ser tia, a suportar
durante toda a existência esse estado de solteira que a
apavorava. Quase não se lembrava das feições do noivo,
dos seus olhos esgazeados6, do seu nariz duro e
fortemente ósseo... A Quinota ia casar-se, o Genelício já
estava tratando dos papéis; e ela que esperara tanto, e fora
a primeira a noivar-se, ia ficar maldita, rebaixada diante de
todas.
(...)
Nas horas de entrega da correspondência, tinha ainda
uma alegre esperança. Talvez? Mas a carta não vinha, e
voltava ao seu pensamento: não casar.
Dona Adelaide, acabando de contar o desastre da triste
Ismênia, comentou:
Texto 1
— Sabe, padrinho, vou casar-me.
— É verdade, confirmou o pai. A Olga vai casar-se e nós
vínhamos preveni-lo1.
— Quem é teu noivo? perguntou Quaresma.
— É um rapaz...
— Decerto, interrompeu o padrinho sorrindo.
E os dois acompanharam-no com familiaridade e conten -
tamento. Era um bom sinal.
— É o Senhor Armando Borges, doutorando. Está
satisfeito, padrinho? fez Olga gentilmente.
— Então é para depois do fim do ano.
— Gostas muito dele? indagou o padrinho.
Ela não sabia responder aquela pergunta. Queria sentir
que gostava, mas estava que não. E por quecasava? Não
sabia... Um impulso do seu meio, uma coisa que não vinha
dela — não sabia... Gostava de outro? Também não. Todos
os rapazes que ela conhecia não possuíam relevo2 que a
ferisse, não tinham o “quê”, ainda indeterminado na sua
emoção e na sua inteligência, que a fascinasse ou
subjugasse3. Ela não sabia bem o que era, não chegava a
extremar4 na percepção das suas inclinações a qualidade
que ela queria ver dominante no homem. Era o heroico, era
o fora do comum, era a força de projeção para as grandes
coisas; mas nessa confusão mental dos nossos primeiros
anos, quan do as ideias e os desejos se entrelaçam e se
embara lham, Olga não podia colher e registrar esse anelo5,
esse modo de lhe representar e de amar o indivíduo
masculino.
E tinha razão em se casar sem obedecer à sua
concepção. É tão difícil ver nitidamente num homem, de
vinte a trinta anos, o que ela sonhara que era bem possível
tomasse a nuvem por Juno6... Casava-se por hábito de
sociedade, um pouco por curiosidade e para alargar o
campo de sua vida e aguçar a sensibilidade. Lembrou-se
disso tudo rapidamente e res pondeu sem convicção ao
padrinho.
— Gosto.
(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)
1 – Prevenir: avisar.
2 – Relevo: algo que se sobressai.
3 – Subjugar: dominar.
4 – Extremar: distinguir.
5 – Anelo: desejo.
6 – Tomar a nuvem por Juno: enganar-se.
Exercícios Propostos
Textos para as questões de � a �.
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� (MODELO ENEM) – A análise do foco narrativo é
importante para a compreensão da dinâmica de um romance
ou de um conto: se está em primeira pessoa, a visão dos fatos
é parcial, mas sua captação é mais viva, pois é feita por alguém
que estava mergulhado no calor dos acontecimentos, fator que
é perdido quando a narração se dá em terceira pessoa, a qual,
em compensação, está mais próxima da totalidade dos
eventos. Com base nessas considerações, nota-se que o foco
narrativo dos dois textos apresentados é de
a) primeira pessoa, o que facilita ao leitor perceber as
emoções suscitadas pela comunicação de um casamento
próximo.
b) terceira pessoa, o que possibilita ao narrador emocionar-se
diante das experiências vividas por todas as personagens.
c) primeira pessoa, o que abre caminho para a fidelidade na
expressão de questões de natureza afetiva, como um
matrimônio.
d) terceira pessoa, o que permite que o narrador, onisciente,
exponha ao leitor o complexo universo interior das
personagens.
e) primeira pessoa, o que condiz com o espírito crítico dos
escritores pré-modernistas, apegados ao padrão realista.
RESOLUÇÃO:
Nos dois textos, o narrador não é uma das personagens — é,
portanto, de terceira pessoa. O foco narrativo em terceira pessoa
possibilita a onisciência, ou seja, que o narrador mergulhe na
mente das personagens, para expor ao leitor os pensamentos
mais íntimos e complexos — no caso, a problemática feminina
diante da necessidade de casamento. [Competência 6, Habilidade
18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
— Merecia um castigo isso, não acham?
Coleoni interveio com brandura e boa vontade:
— Não há razão para desesperar. Há muita gente que
tem preguiça de escrever...
— Qual! Fez Dona Adelaide. Há três meses, Senhor
Vicente!
— Não volta, disse Ricardo sentenciosamente.
— E ela ainda o espera, Dona Adelaide? perguntou Olga.
— Não sei, minha filha. Ninguém entende essa moça.
Fala pouco, se fala diz meias palavras... É mesmo uma
natureza que parece sem sangue nem nervos. Sente-se a
sua tristeza, mas não fala.
— É orgulho? Perguntou ainda Olga.
— Não, não... Se fosse orgulho, ela não se referia de vez
em quando ao noivo. É antes moleza, preguiça... Parece
que ela tem medo de falar para que as coisas não venham
a acontecer.
— E os pais que dizem a isso? indagou Coleoni.
— Não sei bem. Mas, pelo que pude perceber, o
incômodo do general não é grande e Dona Maricota julga
que ela deve arranjar “outro”.
— Era o melhor, disse Ricardo.
— Eu creio que ela não tem mais prática, disse sorrindo
Dona Adelaide. Levou tanto tempo noiva...
E a conversa já tinha virado para outros assuntos,
quando a Ismênia veio fazer a sua visita diária à irmã de
Quaresma.
Cumprimentou todos e todos sentiram que ela penava.
O sofrimento dava-lhe mais atividade à fisionomia.
As pálpebras estavam roxas e até os seus pequenos
olhos pardos tinham mais brilho e expansão. Indagou da
saúde de Quaresma e depois calaram-se um instante. Por
fim Dona Adelaide lhe perguntou:
— Recebeste carta, Ismênia?
— Ainda não, respondeu ela, com grande economia de
voz.
Ricardo moveu-se na cadeira. Batendo com o braço num
dunkerque7, veio atirar ao chão uma figurinha de biscuit8,
que se esfacelou em inúmeros fragmentos, quase sem
ruído.
(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma)
1 – Vexado: envergonhado.
2 – Impudente: sem pudor.
3 – Loquaz: falante.
4 – Subterfúgio: pretexto.
5 – Jacó de cinco anos: alusão à parábola bíblica em que Jacó teve de
aguardar sete anos para se casar com a amada Raquel. Refere-se a
Cavalcânti, que enganou Ismênia por cinco anos e fugiu.
6 – Esgazeado: espantado.
7 – Dunkerque (dunquer que): pequeno armário envidraçado em que se
colocam enfeites e bibelôs.
8 – Biscuit (francês): porcelana fina.
97PORTUGUÊS
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98 PORTUGUÊS
� (MODELO ENEM) – A compreensão de uma comunicação
leva em conta informações subentendidas, muitas delas já
apresentadas em outros momentos da interlocução. Esse
quesito se faz necessário no texto 1, já que, quando o narrador
diz, após o quinto discurso direto, que “era um bom sinal”, ele
se refere ao fato de
a) o fanatismo nacionalista de Quaresma não se transformar
em xenofobia que impeça o casamento de Olga.
b) o major não agir mais de forma agressiva, mas amistosa, o
que indicava que sairia em breve do hospício.
c) o protagonista já estar desenvolvendo raciocínio lógico,
deixando, portanto, de apresentar sinais de loucura.
d) a personagem principal já estar mais resignada porque sua
amada, Olga, prefere casar-se com outro, o doutor
Cavalcânti.
e) o clima hostil entre Vicente Coleoni, italiano, e Policarpo
Quaresma, brasileiro nacionalista, já se ter dissipado.
RESOLUÇÃO:
Quando Olga comunica a seu padrinho que irá se casar, ele
pergunta com quem. Ela responde que vai se unir a um rapaz,
informação que recebe como réplica um “decerto”, que equivale
a “óbvio”. Para a moça e seu pai, o fato de Quaresma captar a
obviedade de relações lógicas era um bom sinal de que estaria
recuperado da crise mental. [Competência 6, Habilidade 18 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
(MODELO ENEM) – A literatura de Lima Barreto
caracterizou-se por abordar os valores sociais dos primeiros
anos da República no Brasil. Um deles é captado na
apresentação das personagens Olga e Ismênia, que, mesmo
com personalidades diferentes ou até mesmo contrárias,
acabam representando
a) a futilidade social, que é perceptível na curiosidade a
respeito da vida alheia.
b) a falência familiar, que decorre da Revolta da Armada.
c) a discriminação de gênero, que se dá pela oposição entre
homens e mulheres.
d) a anulação dos antagonismos, que resulta no afastamento
dos contrários políticos.
e) a condição feminina, que determina o destino da mulher:
casar-se.
RESOLUÇÃO:
O primeiro texto mostra Olga, uma mulher determinada,
entregando-se a um casamento com alguém que não lhe inspira
amor, tampouco admiração. No segundo, Ismênia sente-se um
fracasso existencial por seu noivo ter desaparecido, o que
significa que as portas para o matrimônio lhe foram fechadas. Em
ambos os casos, portanto, tem-se a configuração da opressão
estrutural da mulher, pelo fato de sua existência ser determinada
pelo matrimônio — o grande objetivo de sua vida, para a
sociedade, seria o casamento, o que faz que muitas se vejam
obrigadas a unir-se a um homem com o qual nem têm afinidade
(como no caso de Olga), pois, se não conseguirem esse enlace,
passama ser vistas, até por si mesmas, como fracassadas (que é
o que ocorre com Ismênia). [Competência 5, Habilidade 15 e
Competência 7, Habilidade 22 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
� (MODELO ENEM) – Uma narrativa não precisa se
construir em ordem rigorosamente cronológica, podendo
conter interrupções que atendam a diferentes necessidades
estilísticas. Nos dois textos, o comentário do narrador
a) apresenta digressões metalinguísticas que servem para
mostrar os dotes literários do enunciador.
b) antecipa o estilo modernista, baseado na subversão dos
padrões convencionais da literatura.
c) introduz explicações que ajudam a entender o contexto que
envolve os fatos narrados.
d) antecipa acontecimentos que mudarão a vida das
personagens, o que ajuda a eliminar o suspense.
e) opõe o ponto de vista das personagens ao do major, que
ridiculariza Olga e Ismênia.
RESOLUÇÃO:
Nas interrupções, o narrador introduz explicações sobre o que o
casamento (ou a não realização dele) representa para cada uma
das personagens: para Olga, trata-se de um misto de pressão
social, curiosidade e falta de perspectiva; para Ismênia, não se
casar é uma agonia, pela possibilidade de se tornar uma
solteirona. [Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
� (MODELO ENEM) – Em uma narrativa, diversas vozes
podem se manifestar, como a do narrador e as das
personagens. Nos dois textos em análise, por exemplo, para
relatar os pensamentos de Olga e Ismênia, utiliza-se o discurso
a) retrospectivo (flashback), de que é exemplo a passagem:
“Lembrou-se disso tudo rapidamente e respondeu sem
convicção ao padrinho.”
b) indireto, de que é exemplo a passagem: “Dona Adelaide
contou então o drama que agitava a pequenina alma da filha
do general.”
c) indireto livre, de que é exemplo a passagem: “E por que
casava? Não sabia... Um impulso do seu meio, uma coisa
que não vinha dela — não sabia...”
d) direto, de que é exemplo a passagem: “Ricardo moveu-
se na cadeira. Batendo com o braço num dunkerque, veio
atirar ao chão uma figurinha de biscuit”.
e) indireto livre, de que é exemplo a passagem: “mas nessa
confusão mental dos nossos primeiros anos, quando as
ideias e os desejos se entrelaçam e se embaralham, Olga
não podia colher e registrar esse anelo”.
RESOLUÇÃO:
Uma das técnicas narrativas empregadas para a expressão dos
pensamentos de uma personagem é o discurso indireto livre, por
meio do qual o narrador insere, em seu próprio discurso e,
portanto, sem verbos declarativos ou de elocução, aquilo que
corresponde à fala “interior” ou pensamento da personagem. É
exatamente o que ocorre no trecho transcrito na alternativa c, no
qual o narrador torna manifesto o questionamento de Olga acerca
das razões por que se casaria com Armando Borges.
[Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
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99PORTUGUÊS
(MODELO ENEM) – No estilo literário, eventos sem
relação de causa/efeito acabam se relacionando em virtude da
alusão simbólica. Assim, no segundo texto, o bibelô quebrado
por Ricardo Coração dos Outros simboliza
a) o jeito estabanado dos artistas, desconectados da realidade.
b) a aversão ao gosto suburbano, qualificado como
provinciano.
c) o desrespeito masculino com relação à preocupação
ornamental.
d) a fragilidade do destino, mais especificamente o de
Ismênia.
e) o furor de quem se vê incapaz de resolver injustiças sociais.
RESOLUÇÃO:
A expressiva imagem do bibelô que Ricardo, por acidente, faz
despedaçar-se alude a todo o contexto do que está sendo
discutido na cena. Simboliza, portanto, a fragilidade dos desejos,
dos sonhos de felicidade e da própria vida dos seres humanos.
Refere-se em particular à Ismênia, casadoura, abandonada pelo
futuro marido depois de cinco anos de noivado. [Competência 6,
Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
� No capítulo III, lê-se: “... Não era raro que, após longa
conversa com a filha, Dona Maricota viesse ao marido e
dissesse: ‘Chico, arranja-me vinte mil-réis que o Cavalcânti
precisa comprar uma Anatomia’...”. No texto 2, sabe-se que
Cavalcânti, já noivo de Ismênia por muitos anos, desapareceu.
O que é possível concluir disso?
RESOLUÇÃO:
É possível concluir que Cavalcânti só se relacionava com Ismênia
por interesse financeiro: o financiamento de seus estudos de
Odontologia.
Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922). Sua
existência atribulada de homem negro o encaminhou à
revolta, ao alcoolismo e ao sanatório. Em linguagem simples,
algumas vezes panfletária, retratou com realismo os
subúrbios, as transformações e os contrastes sociais na
Belle Époque carioca. Foi um crítico da República Oligárquica.
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100 PORTUGUÊS
Fernando Pessoa (1888-1935) participou da
introdução do Modernismo em Portugal, em 1915, cujo
marco inicial é a publicação da revista Orpheu.
A obra de Pessoa desperta a admiração dos leitores e
o enorme interesse de estudiosos em todo o mundo.
Uma de suas características distintivas é que o poeta
assume diver sas personalidades (heterônimos) ao
escrever seus textos.
Um mundo fragmentado
O período compreendido entre o final do século XIX e
o início do século XX divide-se entre a euforia pelas
conquistas do progresso e o desalento pela crise
socioeconômica que desembocou na Primeira Guerra
Mundial (1914-1918).
A agitação intelectual e espiritual oriunda desse
ambiente de incertezas gerou múltiplas propostas de
concepção artística — as vanguardas europeias: Futu rismo,
Expressionismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo etc.
Portugal, de um lado, vivencia fortes tensões internas
(enfraquecimento da monarquia e surgimento da
República) e, de outro, logra o avanço cultural trazido na
bagagem de intelectuais que viviam fora do país e a ele
regressam por causa do conflito mundial.
Cercado por artistas como Mário de Sá-Carneiro e Almada
Negreiros, entre outros, desponta Fernando Pessoa, diretor
da revista Orpheu, introdutora, como já mencionado, do
Moder nismo em Portugal, em 1915, com poemas e prosas
que iam do Ultrassimbolismo ao Futurismo.
A multiplicidade do pensamento artístico refletia o
questionamento e a reinterpretação a que tudo estava
sujeito naquele momento.
As várias faces de um poliedro
Fernando Pessoa procura compreender o Universo por
meio de uma poética experimental. Segue al gu mas linhas
de pensamento como o Sensacionismo, segundo o qual a
realidade é semelhante a um poliedro, em que somente
uma ou algumas faces são visíveis. Como o ponto de vista
individual é sempre limitado, frag mentado, Pessoa, para
aumentar sua consciência, dispõe-se a ver o mundo tal
qual os outros o veem: quanto mais abundantes e
diversas forem as perspectivas de observação, maior e
mais preciso será o conhecimento do todo.
O poeta isola-se do mundo em que vive para alcançar a
amplitude, compondo as diferentes personalidades por meio
das quais realiza sua obra: os heterônimos e o ortônimo.
Heterônimo: pensar, sentir e escrever
como outro o faria
A heteronímia implica um exercício extremo:
esquecer-se do próprio eu a fim de criar uma persona -
lidade, uma sensibilidade e um estilo diferentes do seu,
para, dessa maneira, produzir uma obra de arte.
Pessoa desdobra-se em vários poetas, como Álvaro
de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e Fernando
Pessoa “ele-mesmo” (o ortônimo), para ficar apenas nos
mais impor tantes.
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
(...)
(Fernando Pessoa)
Fernando Pessoa – Heterônimo (1978),
de António Costa Pinheiro (1932-2015).
Óleo sobre tela, 150 x 200 cm,
Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa.
37
Palavras-chave:Modernismo luso:
Fernando Pessoa
ortônimo
• Modernismo em Portugal
• Poesia modernista
portuguesa
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101PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para o teste �.
O QUINTO IMPÉRIO
Triste de quem viveem casa,
Contente com o seu lar,
Sem que um sonho, no erguer de asa,
Faça até mais rubra a brasa
Da lareira a abandonar!
Triste de quem é feliz!
Vive porque a vida dura.
Nada na alma lhe diz
Mais que a lição da raiz —
Ter por vida a sepultura.
Eras sobre eras se somem
No tempo que em eras vem.
Ser descontente é ser homem.
Que as forças cegas se domem
Pela visão que a alma tem!
(...)
(PESSOA, Fernando. Mensagem. In: Obra Poética.
3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 84.)
� (MODELO ENEM) – Nos poemas de Mensagem, Fernando
Pessoa associa a abordagem poética à lírica reflexiva. Exemplo desse
processo é “O Quinto Império”, em que a voz poemática trabalha a
linguagem de maneira expressiva para defender a tese de que os
homens são
a) descontentes, em razão de não poderem se lançar livremente às
aventuras que suas almas desejam por estarem apegados aos
valores do cotidiano pragmático burguês.
b) frustrados, pois têm consciência de que o conforto de suas casas
é insuficiente para lhes retirar o desejo constante de aventuras em
outros espaços e realidades.
c) satisfeitos, conscientemente, com o conforto que conquistaram,
mas ainda assim insatisfeitos em sonhos, inconscientemente,
pois continuam a desejar mais conforto.
d) infelizes quando estão contentes com aquilo que têm a seu redor,
pois, satisfeitos em seus limites cotidianos, se privam do sonho e
da constante aventura do espírito.
e) realizados quando focados em sua realidade imediata,
compensando, assim, o ceticismo quanto às possibilidades de
aventura e felicidade que se abrem para a humanidade.
Resolução
O que se afirma na alternativa d pode ser verificado na primeira
estrofe do poema.
Resposta: D
Texto para o teste �.
O MOSTRENGO
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: “Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?”
E o homem do leme disse, tremendo:
“EI-Rei D. João Segundo!”
“De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?”
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
“Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu, e disse:
“EI-Rei D. João Segundo!”
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
“Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De EI-Rei D. João Segundo!”
(PESSOA, Fernando. Mensagem.
Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2015. p. 133-134.)
� (MODELO ENEM) – Em Mensagem, os fatos ligados à
Expansão Marítima Portuguesa são apresentados de maneira
poética, conotativa e, muitas vezes, metafísica. Nesse sentido, o que
desperta a oposição ao mostrengo refere-se
a) ao desejo dos portugueses de descobrirem o caminho para as
Índias, revelando-se seu espírito materialista.
b) à ambição lusitana a respeito das riquezas com o comércio
asiático, abrindo-se caminho para um novo mundo.
c) à vontade portuguesa de desvendar o mistério, franqueando as
fronteiras interpostas aos homens.
d) à ânsia europeia de propagar a fé católica em nome do Império,
inaugurando-se o eurocentrismo.
e) ao medo dos súditos de atender à ambição do monarca, que
temem mais que ao mostrengo.
Resolução
O que se afirma na alternativa c pode ser verificado nos versos 22 e
23: “Aqui ao leme sou mais do que eu / Sou um Povo [os
portugueses] que quer o mar que é teu.”
Resposta: C
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:47 Página 101
102 PORTUGUÊS
A obra ortônima de Fernando Pessoa incorpora desde a tradição
lírica portuguesa até as inovações modernistas. Os versos
frequentemente apresentam métrica regular e são rimados. Note,
a partir dos exercícios a seguir, algumas de suas características.
Texto para o teste �.
Texto para os testes � e
.
ISTO
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
(PESSOA, Fernando. Poemas Escolhidos.
São Paulo: Globo, 1997.)
� Fernando Pessoa é um dos poetas mais
extraor dinários do século XX. Sua obsessão
pelo fazer poético não encontrou limites.
Pessoa viveu mais no plano criativo do que no plano concreto
e criar foi a grande finalidade de sua vida. Poeta da “Geração
Orfeu”, assumiu uma atitude irreverente. Com base no texto
e na temática do poema “Isto”, conclui-se que o autor
a) revela seu conflito emotivo em relação ao processo de
escritura do texto.
b) considera fundamental para a poesia a influência dos fatos
sociais.
c) associa o modo de composição do poema ao estado de
alma do poeta.
d) apresenta a concepção do Romantismo quanto à expressão
da voz do poeta.
e) separa os sentimentos do poeta da voz que fala no texto,
ou seja, do eu lírico.
RESOLUÇÃO:
Em sua obra dita “ortônima” (isto é, atribuída a seu nome, não a seus
heterônimos), como é o caso do poema transcrito, Pessoa separa
analiticamente a emoção expressa no poema (isto é, a emoção do eu
lírico) da experiência real do poeta, como fica explícito nesse poema
e no célebre “Autopsicografia” (“O poeta é um fingidor...”).
[Competência 5, Habilidades 15 e 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
SOU UM EVADIDO
Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte,
ando fugido das autoridades
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.
(Fernando Pessoa, Obra Poética)
� (UNIFESP – modificado – MODELO ENEM) – Na
construção de um poema, o autor pode dar sentidos novos às
palavras, assim como apresentar raciocínios inusitados,
tornando seu texto expressivo. Coerente com o espírito
modernista, esse processo se dá em “Sou um Evadido”, em
que a ação abordada é uma fuga
a) do anonimato.
b) da identidade.
c) da multiplicidade.
d) do meio.
e) da aparência.
RESOLUÇÃO:
O poema “Sou um Evadido” aborda o núcleo da poética de
Fernando Pessoa, que é a desintegração da unidade psicológica,
acarretando a divisão da personalidade em heterônimos, como
Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, entre outros. A
segunda estrofe, por exemplo, evidencia a dispersão de Fernando
Pessoa em outros seres ficcionais. [Competência 5, Habilidades
15 e 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
Exercícios Propostos
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103PORTUGUÊS
(UNIFESP – modificado – MODELO ENEM) – No contex -
to do século XX, a poesia de Fernando Pessoa tem como tema
recorrente a complexidade que cerca a identidade do
enunciador. Ter em mente essa informação ajuda a entender
“Sou um Evadido”, permitindo perceber que decorre da
evasão empreendida pelo eu lírico
a) sua cisão interna.
b) seu desprezo pelo mundo.
c) seu desejo de morrer.
d) a ausência de esperança.
e) seu isolamento social.
RESOLUÇÃO:
A evasão do eu lírico tem como consequência a cisão de sua
integridade psicológica, pois a fuga empreendida é da própria
alma que define o ser. [Competência 5, Habilidades 15 e 16 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: A
Texto para as questões de � a .
� Identifique o oxímoro do último verso e explique por que a
expressão apontada é um exemplo dessa figura de linguagem.
RESOLUÇÃO:
O oxímoro presente no último verso é a expressão “outrora
agora”, em que um vocábulo contraria o conceito expresso pelo
outro.
Se não é certo que tenha sido feliz no passado, em que
momento, de acordo com o verso final, o eu lírico situa a
felicidade de que teria saudade?
RESOLUÇÃO:O eu lírico situa sua felicidade no passado (“outrora”), mas a
percepção de felicidade ocorre no presente (“agora”). Ou seja: a
felicidade está no passado quando evocado no presente, mas
talvez não estivesse no passado tal como foi vivido.
Pobre velha música!
Não sei por que agrado,
Enche-se de lágrimas
Meu olhar parado.
Recordo outro ouvir-te.
Não sei se te ouvi
Nessa minha infância
Que me lembra em ti.
Com que ânsia tão raiva
Quero aquele outrora!
E eu era feliz? Não sei:
Fui-o outrora agora.
(PESSOA, Fernando. Cancioneiro. In: Obra Poética.
3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 140-141.)
� O texto tematiza a saudade de um passado que não se
sabe se foi realmente feliz. No verso final, porém, o eu lírico
situa sua felicidade no tempo, por meio de uma contradição,
um paradoxo — um oxímoro (figura frequente no Fernando
Pessoa ortônimo). Explique, dando atenção aos termos que
indicam tempo, e também ao sentido que eles carregam, por
que o raciocínio é paradoxal.
RESOLUÇÃO:
O eu poemático mostra contradição ao dizer que a felicidade que
ele sente pertence ao passado, como indicam a forma verbal fui
e o advérbio outrora, pois a sensação dessa felicidade ocorre, na
verdade, no presente, como indica o advérbio agora. Em resumo,
o que ele declara que é do passado é uma noção construída no
presente.
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104 PORTUGUÊS
O único livro publicado durante a vida de Fernando Pessoa foi
Mensagem (1934). Seus versos dialogam com Os Lusíadas
(1572), poema épico de Camões, embora ex plicitamente não o
mencionem. O nacionalismo presente na obra, entretanto, é
saudosista e mítico (celebram-se os mitos, não propriamente os
fatos nacionais), atingindo proporções univer sais, ao questionar
o mistério da condição humana e o destino de um povo.
Textos para o teste �.
� (MODELO ENEM) – O lamento das mulheres, nas
estrofes transcritas do episódio do “Velho do Restelo” (texto 1),
é plenamente justificável, já que a frota de Vasco da Gama
deixou Portugal com 170 homens, dos quais apenas 55
retornaram vivos a Portugal. Esse sofrimento corroboraria a
posição do Velho do Restelo, que condena as navegações por
causa das grandes perdas humanas nelas ocorridas e da
possibilidade de derrocada do Império Luso. Entretanto,
Fernando Pessoa contraria essa visão negativa, defendendo a
ideia de que o perigo e a glória caminham juntos, como se vê em
a) “Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de
Portugal!”.
b) “Por te cruzarmos, quantas mães choraram”.
c) “Quantos filhos em vão rezaram!”.
d) “Quantas noivas ficaram por casar”.
e) “Deus ao mar o perigo e o abismo deu, / Mas nele é que
espelhou o céu.”
RESOLUÇÃO:
A ideia negativa de perigo está na afirmação de que o mar é um
lugar arriscado em que se pode morrer. A ideia que lhe é
concomitante e positiva é a de que este mesmo mar, local
arriscado, tem em si a beleza de espelhar o céu. Quem o
conquistar alcançará o sublime. [Competência 6, Habilidade 22
das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
Texto 1
CANTO IV
EPISÓDIO DO VELHO DO RESTELO
90
Qual vai dizendo: “Ó filho, a quem eu tinha
Só pera refrigério, e doce emparo para – amparo
Desta cansada já velhice minha,
Que em choro acabará, penoso e amaro,
Por que me deixas, mísera e mesquinha?
Por que de mi te vas, ó filho caro, mim – vás
A fazer o funéreo enterramento,
Onde sejas de pexes mantimento?” peixes
91
Qual em cabelo: “Ó doce e amado esposo,
Sem quem não quis Amor que viver possa,
Por que is aventurar ao mar iroso ides
Essa vida que é minha e não é vossa?
Como, por um caminho duvidoso,
Vos esquece a afeição tão doce nossa?
Nosso amor, nosso vão contentamento,
Quereis que com as velas leve o vento?”
(CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas.
3. ed. Porto: Porto Editora, 2006. p. 187.)
Texto 2
MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador1 sobressair-se,
Tem que passar além da dor. [ultrapassar os limites
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(PESSOA, Fernando. Mensagem.
Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2015. p. 147.)
1 – Bojador: cabo na costa do Saara Ocidental.
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105PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para os testes de � a
.
PECADO ORIGINAL
Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da Humanidade.
O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.
Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
Que é daquela nossa verdade — o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza — o propósito à mesa de depois?
Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.
Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?
Quantos Césares fui!
Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligência, e com alguma razão —
Meu Deus! meu Deus! meu Deus!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
(CAMPOS, Álvaro de. Poesias de Álvaro de Campos.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 388.)
� (MODELO ENEM) – Álvaro de Campos é o heterônimo de
Fernando Pessoa que está ligado de forma mais imediata e intensa
ao complexo contexto histórico, político, filosófico e psicológico do
início do Modernismo. Coerente com essa visão de ser e estar no
mundo, o eu poemático de “Pecado Original” emprega a linguagem
de maneira poética e expressiva para
a) defender a autenticidade psicológica do homem.
b) fundir a psicologia aos ideais do Cristianismo.
c) moralizar questões de natureza psicológica.
d) problematizar a realidade do ser humano.
e) afastar rotulações de maneira negativista.
Resolução
Os versos de Álvaro de Campos problematizam a existência humana,
que, de acordo com o eu lírico, se vê reduzida a uma realidade, entre
tantas outras possíveis — como “o sonho à janela da infância”,
“o propósito à mesa de depois”.
Resposta: D
� (MODELO ENEM) – A arte do Modernismo tem como uma de
suas características marcantes apresentar interpretações inéditas e
muitas vezes inusitadas da realidade. “Pecado Original” atende a
essa proposta por defender a tese de que a história da humanidade
poderia ser contada por quem
a) respeitasse o caráter inenarrável dos feitos das grandes
personalidades.
b) tivesse capacidade de conciliar a essência e a aparência dos fatos
do mundo.
c) tivesse consciência de todas as possibilidades de vida que não se
realizaram.
d) conseguisse realizar as inúmeras possibilidades que se abrissem
a sua existência.
e) entendesse a maneira como a literatura pode ajudar a entender
fatos históricos.
Resolução
A resposta a este teste retoma a resposta dada ao teste anterior e
acrescenta o dado de que, segundo os versos, a verdadeira história
da humanidade deveria contemplar não só o que, de fato, se realizou,
mas também todas as possibilidades de vida que não se realizaram.
Resposta: C
(MODELO ENEM) – Álvaro de Campos é o heterônimo de
Fernando Pessoa que assume muitas vezes uma postura
desencantada e até mesmo depressiva. Em “Pecado Original”, esse
sentimento vem associado à consciência do eu lírico de que sua vida
é fruto, não de realizações, mas de malogros, como se percebe em
a) “A verdadeira história da Humanidade”.
b) “O que há é só o mundo verdadeiro”.
c) “Somos todos quem nos supusemos”.
d) “Que é de mim, que sou só quem existo?”
e) “Quantos Césares fui!”
Resolução
Quando o eu lírico exclama “Quantos Césares fui!”, ele expressa, de
maneira conotativa, a consciência das inúmeraspossibilidades de
sucesso (“Césares”) que não se realizaram, que se perderam no
passado e acabaram fazendo parte de sua identidade fracassada.
Resposta: E
38
Palavras-chave:Heterônimos de
Fernando Pessoa:
Álvaro de Campos
• Poesia modernista portuguesa
• Poesia heteronímica
• Poesia futurista
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106 PORTUGUÊS
Texto para as questões � e �. � Álvaro de Campos está numa situação de quem não
aceita o mundo nem se sente aceito por ele. Qual o
reconhecimento por seu trabalho?
RESOLUÇÃO:
O eu lírico não se sente reconhecido por seu trabalho, do qual
leva apenas o cansaço.
“... pus em Campos toda a emoção
que não dou nem a mim, nem à vida.”
(Fernando Pessoa em carta a Adolfo
Casais Monteiro,1935)
Álvaro de Campos,
desenho de Almada Negreiros.
Álvaro de Campos é o heterônimo mais irrequieto de Fernando
Pessoa. É engenheiro, cosmopolita, modernista, apaixonado pelo
progresso, mas também depressivo, entediado, exagerado. Seus
versos são geralmente livres e sem rima, muitas vezes intensos
como os de seu mestre americano Walt Whitman (1819-1892).
Podem-se identificar três fases em sua obra: I. a do “Opiário” (ou
decadentista), II. a futurista e III. a entediada, pessoal.
OPIÁRIO
Ao Senhor Mário de Sá-Carneiro
É antes do ópio que a minh’alma é doente.
Sentir a vida convalesce e estiola cura – adoece
E eu vou buscar ao ópio que consola
Um Oriente ao oriente do Oriente.
(...)
Perdi os dias que já aproveitara.
Trabalhei para ter só o cansaço
Que é hoje em mim uma espécie de braço
Que ao meu pescoço me sufoca e ampara.
(...)
(CAMPOS, Álvaro de. Poesias de Álvaro de Campos.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 301-302.)
� (MODELO ENEM) – Em um poema, é comum as palavras
apresentarem sentidos especiais, coerentes com as intenções
de seu enunciador. Em “Opiário”, o vocábulo “oriente” foi
empregado de forma inusitada, representando
a) a influência da cultura oriental no mundo ocidental.
b) o anseio de uma sociedade diante de valores estrangeiros.
c) a fuga de uma realidade que causa mal-estar ao eu lírico.
d) o contraste entre a cultura oriental e a cultura ocidental.
e) a angústia do enunciador diante da chegada de novos
valores do Oriente.
RESOLUÇÃO:
O eu lírico almeja um consolo para seu mal-estar diante da vida,
foge à realidade em busca de um Oriente apaziguador — “Um
Oriente ao oriente do Oriente”. [Competência 5, Habilidade 16 e
Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
Exercícios Propostos
Baudelaire, Poe, Mallarmé e Pessoa
(1983), de Júlio Pomar (1926-2018).
Col. Manuel de Brito.
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107PORTUGUÊS
Texto para o teste
. Texto para a questão �.
ODE TRIUNFAL
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!
(...)
(CAMPOS, Álvaro de. Poesias de Álvaro de Campos.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 306.)
(MODELO ENEM) – No início do século XX, várias
vanguardas surgiram, apresentando novas formas de
produção de arte e abrindo caminho para o advento do
Modernismo, que incorporou essas propostas estéticas. A
influência da vanguarda pode ser vista em “Ode Triunfal”, em
que o eu poemático adota o estilo
a) expressionista, ao extravasar suas angústias de forma
exagerada e grotesca.
b) futurista, ao cantar de forma entusiasmada o universo da
máquina e da técnica.
c) cubista, ao dar vazão aos vários prismas emotivos do
mundo da modernidade.
d) dadaísta, ao incorporar elementos gráficos que atentam
contra o sentido.
e) surrealista, ao colocar em relevo imagens oníricas em
discurso delirante.
RESOLUÇÃO:
“Ode Triunfal” fala, de forma entusiástica, do mundo moderno,
das máquinas, da tecnologia. Vincula-se, portanto, ao Futurismo.
[Competência 5, Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
TABACARIA
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de milhões do mundo que ninguém
[sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente
[por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente
[certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos
[seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos
[brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada
[de nada.
(...)
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de
[pensar?
(...)
(CAMPOS, Álvaro de. Poesias de Álvaro de Campos.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 362-363.)
� No poema “Tabacaria”, há entusiasmo pela modernidade
e pelos avanços tecnológicos, como em “Ode Triunfal”?
Justifique.
RESOLUÇÃO:
Não, em “Tabacaria” não há o entusiasmo pela modernidade,
mas sim a sensação angustiada de quem nada espera da vida.
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108 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �. b) Além das sensações recebidas, a que outras o poeta se
refere no segundo quarteto?
RESOLUÇÃO:
Além das sensações exteriores, o eu lírico concebe sensações,
vale dizer, inventa-as, imagina-as.
(FUVEST) – Nos tercetos, o eu lírico volta às sensações
recebidas.
a) Ele tem consciência daquilo que sente? Explique.
RESOLUÇÃO:
Perdido nas sensações, sem saber se elas seriam tais quais
parecem a si mesmo, o eu lírico também não tem certeza daquilo
que sente: “Nem nunca, propriamente reparei, / Se na verdade
sinto o que sinto.” Ele não tem, portanto, consciência do que
sente.
b) O que significa, no contexto, “sou um pouco ateu”?
RESOLUÇÃO:
Essa expressão manifesta o ceticismo do eu lírico, que duvida das
sensações e de si mesmo.
� (FUVEST) – “Quando olho para mim não me percebo.”
a) O que significa “percebo” no verso?
RESOLUÇÃO:
Percebo significa, no verso, “reconheço, entendo”.
b) “As sensações que a meu pesar concebo.” – O que
significa a expressão “a meu pesar”?
RESOLUÇÃO:
A meu pesar significa “contra a minha vontade” ou “pesarosa -
mente”.
Quando olho para mim, não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir,
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente, reparei
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
(CAMPOS, Álvaro de. Poesias de Álvaro de Campos.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 301.)
� (FUVEST) – Esse soneto de Álvaro de Campos,
heterônimo de Fernando Pessoa, trata das sensações.
a) O que acontece com o eu lírico diante de suas próprias
sensações? Por quê?
RESOLUÇÃO:
As sensações estão de tal forma introjetadasno confuso eu lírico,
que ele não mais distingue a exterioridade e a interioridade,
perdido no labirinto do sentir e do pensar. Expressando a
vertente sensacionista da poética de Álvaro de Campos, esse
soneto coloca o problema da identidade, central em Fernando
Pessoa, em relação ao sujeito das sensações: o que sou consiste
no que sinto (“O ar que respiro, esse licor que bebo / Pertencem
ao meu modo de existir”), mas “nem sei bem se sou eu quem em
mim sente”. Ou seja: o eu lírico identifica-se com as sensações,
confunde-se com elas, mas tem dúvida a respeito de ser ou não
o sujeito que produz esse conjunto de sensações. Em outras
palavras: sou o que sinto, confundo-me com minhas sensações e
me perco nelas, mas não sei se sou eu quem de fato as sente.
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109PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para os testes � e �.
As rosas amo dos jardins de Adônis,
Essas volucres amo, Lídia, rosas, efêmeras, de vida curta
Que em o dia em que nascem,
Em esse dia morrem.
A luz para elas é eterna, porque
Nascem nascido já o sol e acabam
Antes que Apolo deixe
O seu curso visível.
Assim façamos nossa vida um dia,
Inscientes, Lídia, voluntariamente, ignorando
Que há noite antes e após
O pouco que duramos.
(REIS, Ricardo. Odes de Ricardo Reis.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 259.)
� (MODELO ENEM) – Ricardo Reis é um heterônimo, ou seja,
uma personalidade poética criada por Fernando Pessoa. Apesar de
ser fruto da imaginação de um poeta modernista, seu estilo apresenta
marcas de um estilo tradicional, que se percebe tanto no uso
reiterado de hipérbatos, como na
a) rejeição às conquistas da era moderna.
b) oposição entre o universo rural e o urbano.
c) referência a elementos da cultura clássica.
d) subordinação da felicidade à natureza.
e) crítica ao desespero diante da efemeridade.
Resolução
Ricardo Reis é o heterônimo de Fernando Pessoa cuja poesia está
voltada para o passado, mais especificamente a Antiguidade clássica
greco-romana. Essa vinculação é percebida não só pelo uso intenso
de hipérbatos, como apontado no enunciado do teste, mas também
pela referência a elementos do repertório cultural helenístico, como a
mitologia (Adônis, Apolo), assim como pelo ideal do carpe diem.
Resposta: C
� (FAMERP – modificado) – A imagem da rosa
a) simboliza toda a natureza, com a qual o eu lírico está envolvido e
da qual ele depende para que sua vida seja satisfatória.
b) representa a delicadeza e a beleza do amor que o eu lírico sente,
declara e tem a intenção de dividir com sua amada.
c) metaforiza a ideia da efemeridade da vida, a fim de defender que
cada dia deve ser aproveitado sem preocupações com o passado
ou com o futuro.
d) substitui inicialmente a imagem da mulher amada, Lídia, a fim de
enaltecer sua beleza e delicadeza.
e) colabora para definir uma perspectiva de mundo centrada no
indivíduo, a flor, deixando a coletividade, o jardim, em segundo
plano.
Resolução
Ricardo Reis aborda a temática da efemeridade da vida, como se
nota, por exemplo, em “O pouco que duramos”. O eu lírico convida
a amada, Lídia, a viver intensamente o tempo presente, retomando-se,
assim, o lugar-comum clássico do carpe diem (“aproveita o momento
presente”), característica recorrente na poética desse heterônimo de
Fernando Pessoa.
Resposta: C
Textos para o teste
.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
(Alberto Caeiro)
(modificado) – A tira Hagar e o poema de Alberto
Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
expressam, em linguagens diferentes, uma
mesma ideia: a de que a compreensão que temos do mundo é
condicionada, essencialmente,
a) pela capacidade de cada interlocutor.
b) pelo alcance perceptivo do observador.
c) pelo senso de humor de cada um.
d) pela idade do observador.
e) pela altura do ponto de observação.
Resolução
Tanto no quadrinho de Dik Browne como no fragmento de Alberto
Caeiro, a compreensão que se tem do mundo é condicionada
essencialmente pelo que se vê: Hagar não vê que a Terra é redonda
e, por isso, discorda da opinião de seu interlocutor; Caeiro vê, a partir
de sua aldeia, tanto quanto poderia ver a partir de qualquer outra, e
por isso sua aldeia não seria menor que nenhuma outra.
Resposta: B
39
Palavras-chave:Heterônimos de
Fernando Pessoa: Ricardo
Reis e Alberto Caeiro
• Poesia modernista
portuguesa
• Poesia heteronímica
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110 PORTUGUÊS
Texto para os testes de � a
. � (MODELO ENEM) – O poema apresentado é típico de
Ricardo Reis, pois nele há uma retomada do universo cultural
clássico. O eu lírico recorre a esse repertório helenístico para
convidar sua amada, Lídia, a
a) abandonar a modernidade em nome da tradição.
b) duvidar da aparência apaziguadora dos elementos da
natureza.
c) aproveitar de forma racional o momento presente.
d) adaptar o universo da mitologia ao da realidade imediata.
e) aceitar a superioridade da natureza em relação à realidade
do homem.
RESOLUÇÃO:
Como a vida passa irreversivelmente, o que nos sobra é
aproveitar o tempo presente; daí o convite a Lídia — uma forma
discretíssima do convite amoroso tradicional da poesia do carpe
diem. [Competência 7, Habilidade 23 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
(MODELO ENEM) – Na construção de um texto, diversos
expedientes são ativados para que seu enunciador atinja a
função poética. No texto analisado, Ricardo Reis cita diferentes
percalços com a intenção primeira de
a) caracterizar a existência como negativa porque é
inconstante.
b) opor as experiências objetivas às experiências subjetivas.
c) comparar a emotividade moderna à emotividade clássica.
d) mostrar as desventuras tanto do eu lírico quanto de sua
amada.
e) convencer a amada a passar pela vida de maneira calma.
RESOLUÇÃO:
Na última estrofe, o eu lírico aponta as fontes de desequilíbrio que
deveriam ser evitadas: os “amores”, os “ódios”, as “paixões”
exaltadas, as “invejas” e os “cuidados” (preocupações). Compara-os
aos obstáculos enfrentados por um rio, que, apesar deles, passa
inexoravelmente. Sua intenção é convencer a amada de que,
assim como o rio, devemos passar sossegadamente pelos
percalços da vida. [Competência 7, Habilidade 23 das Matrizes do
ENEM.]
Resposta: E
Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena
[cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
E sempre iria ter ao mar.
(...)
(REIS, Ricardo. Odes de Ricardo Reis.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 256.)
� (MODELO ENEM) – No processo de enunciação, as
palavras, frases e orações são empregadas de maneira a
atingir determinados objetivos. No excerto acima, Ricardo
Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, compara a existência
humana a um rio com a intenção de
a) destacar a concomitância entre os acontecimentos da
natureza e as experiências do homem civilizado.
b) mostrar a relatividade, bem como a precariedade do
progresso tecnológico imposto ao homem.
c) relacionar ironicamente a trajetória humana, perene, com a
do rio, efêmera.
d) convencer sua interlocutora a respeito do caráter
irreversível da passagem do tempo em nossas vidas.
e) diferenciar a expectativa racional manifestada pelo
enunciadorda expectativa emotiva da interlocutora.
RESOLUÇÃO:
Ricardo Reis associa a imagem do rio à da vida, porque, como
aquele, esta passa irreversivelmente: “fitemos o seu curso e
aprendamos / Que a vida passa”. [Competência 7, Habilidade 23
das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
Exercícios Propostos
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Texto para o teste �. � Explique a aparente contradição existente no texto a seguir:
(...)
O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.
(...)
(CAEIRO, Alberto. O Guardador de Rebanhos.
In: PESSOA, Fernando. Obra Poética. 3. ed.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. p. 207.)
� (MODELO ENEM) – O poema acima é de Alberto Caeiro,
heterônimo de Fernando Pessoa que é o mestre dos outros
heterônimos e até do próprio ortônimo. Como é comum em
seu fazer poético, sua contemplação da realidade faz que ele
a) acredite que a filosofia e a poesia aproximam o homem da
essência do mundo exterior.
b) proponha a fusão do homem com a natureza para melhor
formular seus conceitos sobre ela.
c) investigue a veracidade das sensações por meio da
atividade de natureza filosófica e poética.
d) considere a realidade um mistério desvendável pela
abordagem das impressões sensoriais.
e) valorize a experiência direta e imediata dos sentidos, isenta
da influência do pensamento.
RESOLUÇÃO:
Alberto Caeiro acredita serem as coisas exatamente como as
percebemos por meio dos sentidos, sem mistério e sem as
suposições incertas do pensamento. Por meio da filosofia ou da
poesia, o homem afasta-se do real e aproxima-se de suas ideias.
Caeiro afirma em uma entrevista: “Os outros poetas têm cantado
a Natureza subordinando-a a eles, como se eles fossem Deus; eu
canto a Natureza subordinando-me a ela, porque nada me indica
que eu sou superior a ela, visto que ela me inclui...”. [Competência
5, Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
Falaram-me em homens, em humanidade,
Mas eu nunca vi homens nem vi humanidade.
Vi vários homens assombrosamente diferentes entre si,
Cada um separado do outro por um espaço sem homens.
(Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos)
RESOLUÇÃO:
Não há contradição, porque a palavra “humanidade” refere-se ao
conceito, enquanto “homens”, ao concreto, ao indivíduo.
111PORTUGUÊS
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112 PORTUGUÊS
Texto para o teste .
a) O que nós vemos das coisas são as coisas.
Por que veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seriam iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
b) (...)
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
c) O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda
(...)
d) (...)
Porque tudo é como é e assim é que é,
E eu aceito, e nem agradeço,
Para não parecer que penso nisso...
e) No meu prato que mistura de Natureza!
As minhas irmãs as plantas,
As companheiras das fontes, as santas
A quem ninguém reza...
RESOLUÇÃO:
O desequilíbrio provocado pela doença manifesta-se no fato de
as plantas serem chamadas “as minhas irmãs”, “santas” — um
modo de expressão condenado pelo poeta, pois vai além do que
a realidade física mostra. Quando sadio, ele afirma: “Para que hei
de chamar minha irmã à água, se ela não é minha irmã?”
Resposta: E
As quatro canções que seguem
Separam-se de tudo o que penso,
Mentem a tudo o que eu sinto,
São do contrário do que eu sou...
Escrevi-as estando doente
(...)
(Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos)
Qual dos seguintes trechos de Alberto Caeiro é oposto ao
seu discurso habitual?
“... pus no Caeiro todo o meu poder
de despersonalização.” (Fernando
Pessoa em carta a Adolfo Casais
Monteiro, 1935)
Alberto Caeiro,
desenho de Almada Negreiros.
Alberto Caeiro ocupa posição central na obra de Pessoa, pois não
ostenta a inquietação interior das outras personagens e aceita o
mundo como é. “Poeta da Natureza”, é um pastor simples que viveu
obscuro, desconhecido e morreu jovem. Busca a objetividade
absoluta e crê que “pensar é estar doente dos olhos”. Propõe a
contemplação da realidade por meio das sensações, sem a
intermediação do pensamento: “saber ver sem estar a pensar”.
Aproxima-se do Zen-Budismo ao libertar-se do próprio eu — tão
procurado por Pessoa — e, no íntimo da fantasia dos heterônimos,
desconstrói a ilusão. Seu estilo apresenta versos livres, brancos,
discurso simples, direto, vocabulário restrito e redundante.
“... pus em Ricardo Reis toda a minha
disciplina mental, vestida da música que
lhe é própria.” (Fernando Pessoa em carta
a Adolfo Casais Monteiro, 1935)
Ricardo Reis,
desenho de Almada Negreiros.
Representante do pensamento clássico, Ricardo Reis é rígido, ético,
valoriza o momento presente (carpe diem) e lamenta a morte e a
precariedade da vida. Expõe logicamente o ideário pagão e declara-se
discípulo de Caeiro, cujos paganismo espontâneo e serenidade
perante o Universo aprecia. Seus versos são medidos, brancos e
revelam o mesmo apreço do mestre pela Natureza (locus amoenus),
entretanto, na procura do equilíbrio contido dos clássicos, deixa de
lado a espontaneidade, e sua simplicidade é elaborada pelo intelecto.
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113PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para o teste �.
O bonde abre a viagem,
No banco ninguém,
Estou só, stou sem.
Depois sobe um homem,
No banco sentou,
Companheiro vou.
O bonde está cheio,
De novo porém
Não sou mais ninguém.
(ANDRADE, M. Poesias Completas.
Belo Horizonte: Wa Rica, 1993.)
� O desenvolvimento das grandes cidades e a
consequente concentração populacional nos
centros urbanos geraram mudanças importantes
no comportamento dos indivíduos em sociedade. No poema de Mário
de Andrade, publicado na década de 1940, a vida na metrópole
aparece representada pela contraposição entre
a) solidão e multidão.
b) carência e satisfação.
c) mobilidade e lentidão.
d) amizade e indiferença.
e) mudança e estagnação.
Resolução
A oposição entre solidão e multidão é sintetizada nos versos “Estou só”
e “O bonde está cheio”. A ideia de multidão como perda da
individualidade é confirmada no último verso: “Não sou mais ninguém”.
Resposta: A
Texto para o teste �.
COMO SE VAI DE SÃO PAULO A CURITIBA (1928)
Os tempos mudaram.
O mundo contemporâneo pulsa em ritmos acelerados. Novos
fatores revelam conveniência de outros métodos.
Surgem, no decurso dos nossos dias, motivos que nos
convencem de que cada município deve levar a sério o problema da
circulação rodoviária.
Para facilitar a ação administrativa.
Para uma revisão das suas possibilidades econômicas.
Ritmo de ruralização.
Costurar o país com estradas alegres, desligadas de horários.
Livres e cheias de sol como um verso moderno!
(BOPP, R. Poesia Completa de Raul Bopp.
Rio de Janeiro: José Olympio; São Paulo: Edusp, 1998.)
� Nos anos de 1920, a necessidade de modernizar
o Brasil refletiu-se na proposta de renovação
estética defendida por artistas modernistas
como Raul Bopp. No poema, o posicionamento favorável às
transformações da sociedade brasileira aparece diretamente
relacionado à experimentação na poesia. A relação direta entre
modernização e procedimento estético no poema deve-se à
correspondência entre
a) a discussão de tema técnico e a fragmentação da linguagem.
b) a afirmação da mudança dos tempos e a inovação vocabular.
c) a oposição à realidade rural do país e a simplificação da sintaxe.
d) a adesão ao ritmo de vida urbano e a subjetividade da linguagem.
e) a exortação à ampla difusão das estradas e a liberdade dos versos.Resolução
Ao lado da exortação pela difusão de estradas “alegres, desligadas de
horários” a costurar o país, o eu lírico tematiza e realiza uma das
propostas estéticas dos poetas modernistas no que se refere ao
ritmo dos versos, que agora se aproximam da prosa e apresentam-se
sem métrica regular.
Resposta: E
Primeiro bonde elétrico de São Paulo.
40
Palavras-chave:Modernismo no Brasil e a Era
Vargas: o projeto ideológico-
político predomina sobre o de
renovação estética
• Literatura modernista
• Modernismo e sociedade
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114 PORTUGUÊS
Texto para os testes de � a
. � (MODELO ENEM) – “Verbo Crackar” é prova de que a
literatura modernista, mesmo em sua fase mais radical, nunca
deixou de se dedicar a questões estéticas. Exemplo desse
fenômeno é a utilização da polissemia com efeito irônico, como
se nota em
a) “Eu empobreço de repente / Tu enriqueces por minha
causa”.
b) “Eles escafedem a massa”.
c) “Sê pirata”.
d) “Sede trouxas”.
e) “Oxalá que eu tivesse sabido que esse verbo era irregular”.
RESOLUÇÃO:
O adjetivo irregular remete tanto à característica de determinados
verbos, cuja conjugação apresenta alteração no radical, quanto ao
contexto de disfunções ou atitudes ilícitas que cercam as
atividades econômicas, principalmente as ligadas à especulação
financeira, ainda mais durante uma crise. [Competência 6,
Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
(MODELO ENEM) – A produção literária está conectada
implícita ou explicitamente ao contexto histórico-social em que
é realizada. Dessa forma, é plausível notar que “Verbo Crackar”,
texto de Memórias Sentimentais de João Miramar, obra
publicada em 1924, revela
a) o alcance variado das vicissitudes da especulação
financeira.
b) a instabilidade econômica e política durante a crise do café.
c) a falta de maior alcance de sentido e de análise social de um
poema-piada.
d) a volatilidade monetária fruto da conjuntura do período que
antecedeu a Primeira Guerra Mundial.
e) o espírito oportunista que marcou os primeiros anos da Era
Vargas.
RESOLUÇÃO:
A palavra crackar, presente no título do poema, remete à crise
financeira denominada crack (ou crash). Esse desastre econômico
permitiu perceber como o universo das atividades financeiras traz
um conjunto variado de consequências, tanto positivas, para os
espertalhões, quanto negativas. [Competência 5, Habilidade 15
das Matrizes do ENEM.]
Resposta: A
VERBO CRACKAR
Eu empobreço de repente
Tu enriqueces por minha causa
Ele azula para o sertão
Nós entramos em concordata
Vós protestais por preferência
Eles escafedem a massa
Sê pirata
Sede trouxas
Abrindo o pala
Pessoal sarado.
Oxalá que eu tivesse sabido que esse verbo era
[irregular.
(ANDRADE, Oswald de. Memórias Sentimentais de João Miramar.
2. ed. São Paulo: Globo, 1990. p. 98.)
� (MODELO ENEM) – O texto acima é típico do Primeiro
Tempo Modernista por assumir uma postura iconoclasta, ou
seja, por rejeitar a tradição estética. Essa atitude é perceptível na
a) preocupação com questões econômico-sociais.
b) conjugação de um estrangeirismo de forma inusitada.
c) subordinação da língua portuguesa à inglesa.
d) utilização da linguagem voltada sobre si mesma.
e) progressão temática estabelecida entre os versos.
RESOLUÇÃO:
Faz parte da tradição das aulas de língua portuguesa o exercício
de conjugação verbal. O poema de Oswald de Andrade subverte
essa herança cultural ao parodiar essa tarefa pedagógica por meio
da adaptação de um termo da língua inglesa, crack, e da
associação dele, de forma jocosa e satírica, a várias situações
relacionadas a uma crise econômica: empobrecimento (“Eu
empobreço”) que causa enriquecimento alheio (“Tu enriqueces
por minha causa”), fuga de golpistas (“Ele azula para o sertão”),
concordata (“Nós entramos em concordata”) e protesto (“Vós
protestais”). Detalhe: a metalinguagem não chega a constituir um
elemento iconoclasta, pois está inserida na tradição literária,
como atestam alguns sonetos camonianos, ou o Sermão da
Sexagésima, do Padre Antônio Vieira, para citar alguns exemplos.
Além disso, não há subordinação da língua portuguesa à inglesa,
mas o contrário, já que o verbo crack recebe a desinência da
primeira conjugação, a mais comum em nosso idioma.
[Competência 5, Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
Exercícios Propostos
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115PORTUGUÊS
Textos para os testes de � a �.
Texto I
CIDADE PREVISTA
Guardei-me para a epopeia
que jamais escreverei.
Poetas de Minas Gerais
e bardos do Alto Araguaia,
vagos cantores tupis,
recolhei meu pobre acervo,
alongai meu sentimento.
O que eu escrevi não conta.
O que desejei é tudo.
Retomai minhas palavras,
meus bens, minha inquietação,
fazei o canto ardoroso,
cheio de antigo mistério
mas límpido e resplendente.
Cantai esse verso puro,
que se ouvirá no Amazonas,
na choça do sertanejo
e no subúrbio carioca,
no mato, na vila X,
no colégio, na oficina,
território de homens livres
que será nosso país
e será pátria de todos.
Irmãos, cantai esse mundo
que não verei, mas virá
um dia, dentro em mil anos,
talvez mais... não tenho pressa.
Um mundo enfim ordenado,
uma pátria sem fronteiras,
sem leis e regulamentos,
uma terra sem bandeiras,
sem igrejas nem quartéis,
sem dor, sem febre, sem ouro,
um jeito só de viver,
mas nesse jeito a variedade,
a multiplicidade toda
que há dentro de cada um.
Uma cidade sem portas,
de casas sem armadilha,
um país de riso e glória
como nunca houve nenhum.
Este país não é meu
nem vosso ainda, poetas.
Mas ele será um dia
o país de todo homem.
(Carlos Drummond de Andrade, in A Rosa do Povo)
Texto II
(...)
Não eram bem treze horas e já o 35 desembocava no
parque Pedro II outra vez, à vista do Palácio das Indústrias.
Estava inquieto mas modorrento, que diabo de sol pesado
que acaba com a gente, era por causa do sol. Não podia
mais se recusar o estado de infelicidade, a solidão enorme,
sentida com vigor. Por sinal que o parque já se mexia bem
agitado. Dezenas de operários, se via, eram operários
endomingados, vagueavam por ali, indecisos, ar de quem
não quer. Então nas proximidades do palácio, os grupos se
apinhavam, conversando baixo, com melancolia de
conspiração. Polícias por todo lado.
O 35 topou com o 486, grilo quase amigo, que policiava
na Estação da Luz. O 486 achara jeito de não trabalhar
aquele dia porque se pensava anarquista, mas no fundo era
covarde. Conversaram um pouco (...). Pararam bem na
frente do Palácio das Indústrias que fagulhava de gente nas
sacadas, se via que não eram operários, decerto os
deputados trabalhistas, havia até moças, se via que eram
distintas, todos olhando para o lado do parque onde eles
estavam.
Foi uma nova sensação tão desagradável que ele deu de
andar quase fugindo, polícias, centenas de polícias,
moderou o passo como quem passeia. Nas ruas que davam
pro parque tinha cavalarias aos grupos, cinco, seis,
escondidos na esquina, querendo a discrição de não
ostentar força e ostentando. Os grilos ainda não faziam mal,
são uns (palavrão)! O palácio dava ideia duma fortaleza
enfeitada; entrar lá dentro, eu!...
(Mário de Andrade, “Primeiro de Maio”, in Contos Novos)
� (FATEC) – Considere as afirmações abaixo a respeito dos
textos I e II:
I. No texto I, a experiência do sujeito lírico, num tempo
histórico marcado pela injustiça e pela desigualdade, não
eliminou seu desejo utópico; no texto II, a experiência do
protagonista revela sua progressiva compreensão do tempo
histórico e de sua incapacidade para transformá-lo sozinho.
II. No texto I, o sujeito lírico, isolado, trata de seus sonhos
pessoais e sabe que eles envolvem problemas individuais
a serem superados com coragem; no texto II, o
protagonista, embora solitário, deseja unir-se a seus
companheiros, mas só vê operários covardes.
III. A realização da utopia do sujeito lírico, no texto I, inclui a
ação daqueles que puderem dar continuidade a seus
desejos de um mundo livre; no texto II, o mundo surgerepresentado como conflito de classes (operários e
instituições que defendem interesses patronais).
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IV. O sujeito lírico, no texto I, entende que a criação da poesia,
sozinha, não pode alterar a realidade e, desse ponto de
vista, tem semelhanças com a personagem 35, do texto II,
que gostaria de comemorar o 1.° de Maio junto com
operários, mas se vê cercado pelos policiais.
São corretas apenas as afirmações:
a) I e II.
b) III e IV.
c) I, II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
RESOLUÇÃO:
As afirmações I, III e IV são corretas, levando-se em conta o
conjunto das obras de que foram extraídos os textos I e II: no caso
de Drummond, os poemas sociais de A Rosa do Povo; no caso de
Mário de Andrade, o conto “Primeiro de Maio”. No texto I, os
problemas não são individuais. No texto II, a covardia é atribuída
ao 35.
Resposta: D
� (FATEC) – “Estava inquieto mas modorrento, que diabo de
sol pesado que acaba com a gente, era por causa do sol. Não
podia mais se recusar o estado de infelicidade, a solidão
enorme, sentida com vigor.” Com relação a esse trecho do
texto II, considere as seguintes afirmações:
I. O narrador revela que o dia excessivamente quente
provoca na personagem (identificada como 35) sensações
físicas, como o torpor, e mentais, como a consciência
alienada.
II. As duas vozes que surgem no texto — narrador e
consciência da personagem — indicam diferentes níveis
de compreensão da realidade.
III. O narrador atribui a infelicidade da personagem 35 a
fatores externos, ambientais, responsáveis por sua
inquietação e solidão.
IV. A personagem atribui ao sol a razão de seu mal-estar, mas
o narrador sabe que o 35 está a um passo de descobrir os
motivos da infelicidade que já sente.
São corretas apenas as afirmações:
a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I e III.
e) II e IV.
RESOLUÇÃO:
Em I, o erro está na afirmação de que “O dia excessivamente
quente provoca na personagem... sensações... mentais, como a
consciência alienada”. A afirmação III está errada porque, no
trecho transcrito, o narrador não apresenta as causas da
infelicidade da personagem.
Resposta: E
(FATEC) – Os textos I e II apresentam recursos
expressivos que podem ser interpretados em função do
contexto da enunciação. Desse ponto de vista, leia as
seguintes afirmações:
I. “Uma cidade sem portas” e “uma pátria sem fronteiras”,
do texto I, expressam o desejo de uma organização social
em que não há medo de invasões de nenhuma espécie e
um mundo internacionalizado, que supera o conceito de
país-nação.
II. “Uma pátria sem fronteiras”, do texto I, indica um mundo
livre, e, nesse sentido, significa o oposto da imagem
“fortaleza enfeitada”, do texto II.
III. A imagem da terra “sem igrejas nem quartéis”, no texto I,
sugere que o sujeito lírico atribui a essas instituições a
defesa de interesses que são de todos os homens.
IV. As expressões “fagulhava de gente nas sacadas” e
“operários endomingados”, do texto II, indicam que há
muitas pessoas na sacada do Palácio das Indústrias e que
os operários não surgem ali em sua espontaneidade
cotidiana.
São corretas apenas as afirmações:
a) I, II e IV.
b) II, III e IV.
c) I, II e III.
d) I e III.
e) II e IV.
RESOLUÇÃO:
O erro da afirmação III está em atribuir a “defesa de interesses
que são de todos os homens” a instituições.
Resposta: A
� (FATEC) – A relação de sentido que há entre as orações do
período “Foi uma nova sensação tão desagradável que ele deu
de andar quase fugindo” está igualmente presente em:
a) “O palácio dava ideia duma fortaleza enfeitada; entrar lá
dentro, eu!...”
b) Tanto quanto ele, os outros operários fingiam participar, mas
estavam andando sem rumo.
c) Os sentimentos da personagem 35 são tão fortes como os
do poeta de “Cidade Prevista”.
d) O poeta aspira tanto a contribuir para a transformação social
quanto outros escritores.
e) Sua solidão era tamanha que não pôde mais esconder as
razões de sentir-se mal.
RESOLUÇÃO:
No período dado, a relação entre as orações é de causa e
consequência, relação formulada através da correlação entre uma
palavra intensiva na oração principal (tão) e a conjunção
consecutiva (que) introdutora da oração subordinada. A mesma
estrutura encontra-se no período da alternativa e, com o mesmo
tipo de correlação (tamanha... que).
Resposta: E
116 PORTUGUÊS
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:48 Página 116
117PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Leia abaixo duas passagens do poema “Olá! Negro”, de Jorge de Lima:
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!
E és tu que a alegras ainda com os teus jazzes,
com os teus songs, com os teus lundus!
(...)
Não basta iluminares hoje as noites dos brancos com teus
jazzes.
Olá, Negro! O dia está nascendo!
O dia está nascendo ou será a tua gargalhada que vem
vindo?
(LIMA, Jorge de. Poesias Completas.
Rio de Janeiro: J. Aguilar; Brasília:
INL, 1974. vol. 1, p.180-181.)
� (UNICAMP) – Considerando o livro Poemas Negros como um
todo e a poética de Jorge de Lima, é correto afirmar que o último
verso citado
a) manifesta o desprezo do negro pela situação decadente da cultura
do branco.
b) realiza a aproximação entre a alegria do negro e uma ideia de
futuro.
c) remete à vingança do negro contra a violência a que foi submetido
pelo branco.
d) funciona como um lamento, já que o nascer do dia não traz justiça
social.
Resolução
É evidente a associação entre a “alegria do negro e uma ideia de
futuro” nos versos que encerram o poema “Olá! Negro”, do livro
Poemas Negros, de Jorge de Lima. Assim, a herança que os negros
ofereceriam ao porvir não se restringiria à enorme contribuição
histórica em termos de riqueza econômica e musical, mas também
no que se refere a um atributo de seu próprio modo de ser: a alegria,
notável mesmo em momentos mais cruéis da vida.
Resposta: B
Texto para o teste �.
No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de que no
Brasil havia duas literaturas independentes dentro da mesma língua:
uma do Norte e outra do Sul, regiões segundo ele muito diferentes
por formação histórica, composição étnica, costumes, modismos
linguísticos etc. Por isso, deu aos romances regionais que publicou o
título geral de Literatura do Norte. Em nossos dias, um escritor
gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar com bastante engenho que
no Brasil há, em verdade, literaturas setoriais diversas, refletindo as
características locais.
(ANTÔNIO CÂNDIDO. A Nova Narrativa.
A Educação pela Noite e Outros Ensaios.
São Paulo: Ática, 2003.)
� (modificado) – Com relação à valorização, no
regionalismo brasileiro, do homem e da
paisagem de determinadas regiões nacionais,
sabe-se que
a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temática
essencialmente urbana, colocando em relevo a formação do
homem por meio da mescla de características locais e dos
aspectos culturais trazidos de fora pela imigração europeia.
b) a arte de José de Alencar, representante, sobretudo, do romance
urbano, retrata a temática da urbanização das cidades brasileiras e
das relações conflituosas entre as raças que de alguma forma
entraram na composição de nossa nacionalidade.
c) a literatura do Nordeste se caracteriza pelo acentuado realismo no
uso do vocabulário, pelo temário local, expressando a vida do
homem em face da natureza agreste, e assume frequentemente
o ponto de vista dos menos favorecidos.
d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos expoentes é
Machado de Assis, põe em relevo a formação do homem
brasileiro, o sincretismo religioso, as raízes africanas e indígenas
que caracterizam nosso povo.
e) o indianismo romântico de Gonçalves Dias e José de Alencar
retrata a problemática do homem urbano em confronto com a
modernização do país promovida pelo liberalismo burguês e pela
Independência em 1822.
Resolução
O romance do Nordeste retrata a miséria e a opressão social sofrida
pelo sertanejo, somadas às dificuldades enfrentadas no meio inóspito
em que se desenrolam suas histórias.
Resposta: C
41
Palavras-chave:SegundaGeração
Modernista – Poesia:
Jorge de Lima
• Poesia modernista
• Lírica modernista
• Poesia regionalista
C3_2A_Vermelho_PORT_2022_JR.qxp 28/04/2022 19:48 Página 117
118 PORTUGUÊS
Texto para os testes � e �.
� (MODELO ENEM) – O poema acima é exemplo de uma
das vertentes estilísticas de Jorge de Lima: o regionalismo.
Prova da filiação a essa linha estética está na lógica de
exposição do poema, que se manifesta por meio da/do
a) menção a fenômenos climáticos que ressaltam a relação do
homem com o ambiente natural.
b) enumeração de diferentes elementos que compõem o
contexto cultural nordestino.
c) alusão a figuras religiosas que atestam a defesa do misticismo
por parte do enunciador.
d) associação de nomes de personalidades históricas a
topônimos do Nordeste.
e) emprego do discurso direto para aludir ao caráter
eminentemente oral da cultura nordestina.
RESOLUÇÃO:
Marca essencial da literatura regionalista é o destaque a
elementos que caracterizam um determinado lugar do país. O
poema em análise pertence a essa vertente ao fazer uma
enumeração de diferentes elementos que compõem o repertório
histórico-cultural do Nordeste: a seca, a enchente, Pedra Bonita,
Pajeú, Cabeleira, Lampião. [Competência 5, Habilidades 15 e 17 e
Competência 6, Habilidade 20 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
� (MODELO ENEM) – O poema apresentado pertence a
Poemas Negros, obra que tem como temas principais o
Nordeste e o legado do negro no Brasil. Nota-se, no corpo
desse livro, a desconstrução do negativismo. Parte desse
processo é perceptível em “Nordeste” — primeiro poema do
livro —, pois seu enunciador adota em seu discurso um tom
a) resignado e ufanista.
b) irônico e histórico.
c) afetivo e idealizador.
d) imperativo e revolucionário.
e) místico e neutro.
RESOLUÇÃO:
O poema “Nordeste” apresenta inúmeras marcas de afetividade,
a começar pelo uso recorrente de exclamações, assim como pela
forma simpática com que o eu lírico se refere a alguns dos
elementos citados: “Irmã enchente”, “minha madrasta Seca”,
“anjinhos”, “meus irmãos”. Além disso, elementos negativos são
idealizados, sem a carga pesada atestada pela História: a seca, o
massacre de Pedra Bonita, os estupros e assassinatos praticados
por Lampião. [Competência 5, Habilidade 15 e Competência 6,
Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
NORDESTE
Nordeste, terra de São Sol!
Irmã enchente, vamos dar graças a Nosso Senhor,
que a minha madrasta Seca torrou seus anjinhos
para os comer.
São Tomé1 passou por aqui?
Passou, sim senhor!
Pajeú2! Pajeú!
Vamos lavar Pedra Bonita3, meus irmãos,
com o sangue de mil meninos, amém!
D. Sebastião ressuscitou!
S. Tomé passou por aqui?
Passou, sim senhor.
Terra de Deus! Terra de minha bisavó
que dançou uma valsa com D. Pedro II.
São Tomé passou por aqui?
Tranca a porta, gente, Cabeleira4 aí vem!
Sertão! Pedra Bonita!
Tragam uma virgem para D. Lampião5!
(LIMA, Jorge de. Poemas Negros.
São Paulo: Cosac Naify, 2014. p. 19.)
1 – São Tomé: entre os índios tupis, existia um mito de que Sumé era
um velho branco de barba e cabelos compridos que aparecera antes
dos europeus e ensinou aos indígenas conhecimentos ligados à
agricultura, à medicina e à organização social. Os portugueses, ao
tomarem conhecimento dessa crença, associaram a entidade mágica
ao apóstolo São Tomé.
2 – Pajeú: um dos líderes guerreiros do conflito de Canudos.
3 – Pedra Bonita: em 1838, no sertão de Pernambuco, um grupo de
fanáticos assassinou mais de 200 pessoas, pois acreditava que o
sangue delas, banhando as duas pedras que marcavam o local,
ressuscitaria D. Sebastião.
4 – Cabeleira: trata-se do nome com que ficou consagrado José
Gomes, bandido extremamente violento que aterrorizou o sertão de
Pernambuco no final do século XVIII. É considerado o precursor da
figura do cangaceiro, ou seja, do bandido sertanejo nordestino.
5 – Lampião: o apelido pelo qual era conhecido o mais famoso
cangaceiro, Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938).
Exercícios Propostos
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119PORTUGUÊS
Na “Nota preliminar” escrita para a primeira edição do livro
Poemas Negros (1947), de Jorge de Lima, Gilberto Freire, autor
de Casa-Grande & Senzala, afirma que, devido à
“interpenetração de culturas, entre nós tão livre”, e graças ao
“cruzamento de raças, o Brasil vai-se adoçando numa das
comunidades mais genuinamente democráticas e cristãs do
nosso tempo”, reflexão polêmica e improcedente desse
sociólogo, que elide a crueldade inerente ao escravismo e suas
consequências, ao ver “doçura na democracia étnica”. Leia a
seguir o poema “Democracia” e responda aos testes
e �:
� (UNICAMP – modificado – MODELO ENEM) – No texto
literário há indissolubilidade entre forma e conteúdo. É o que
se observa no poema de Jorge de Lima, na associação do
plano temático — a ideia da democracia como ligada à mistura
de culturas — com o plano formal, por meio da/do
a) apresentação de opinião discordante do senso comum.
b) emprego de tom enfático como valorização afetiva.
c) incorporação de palavras advindas de diferentes etnias.
d) predomínio da metrificação e estrofação livres.
e) adoção de marcas recorrentes do registro coloquial.
RESOLUÇÃO:
A ideia de democracia apresentada no poema implica o
entrecruzamento de diferentes culturas. Tal processo é
representado em “Democracia” por meio da coexistência de
termos advindos de diferentes culturas. Em outras palavras: a
língua portuguesa que o brasileiro herdou do colonizador
incorporou palavras indígenas, como “jenipapo”, “tapioca” e
“pipoca”, bem como “moleque”, que é palavra de origem
africana. [Competência 6, Habilidades 18 e 20 das Matrizes do
ENEM.]
Resposta: C
DEMOCRACIA
Punhos de rede embalaram o meu canto
para adoçar o meu país, ó Whitman.
Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-olhados,
catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,
carumã me alimentou quando eu era criança,
Mãe-negra me contou histórias de bicho,
moleque me ensinou safadezas,
massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,
bebi cachaça com caju para limpar-me,
tive maleita, catapora e ínguas,
bicho-de-pé, saudade, poesia;
fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,
dizendo coisas, brincando com as crioulas,
vendo espíritos, abusões, mães-d’água,
conversando com os malucos, conversando sozinho,
emprenhando tudo que encontrava,
abraçando as cobras pelos matos,
me misturando, me sumindo, me acabando,
para salvar a minha alma benzida
e meu corpo pintado de urucu,
tatuado de cruzes, de corações, de mãos-ligadas,
de nomes de amor em todas as línguas de branco, de
[mouro ou de pagão.
(LIMA, Jorge de. Poesias Completas. Rio de Janeiro:
J. Aguilar; Brasília: INL, 1974. vol. 1, p.160, 164-165.)
(UNICAMP – modificado – MODELO ENEM) – Jorge de
Lima, como poeta modernista, desenvolve uma arte preocupada
em abordar a identidade nacional, apresentada como fruto de
uma interpenetração de culturas. Um dos episódios relatados
em “Democracia” que contém esse sincretismo é
a) a menção ao poeta norte-americano Walt Whitman.
b) a pintura com jenipapo contra mau-olhado.
c) a necessidade cristã de abraçar hóspedes.
d) a referência às “línguas de branco, de mouro ou de pagão”.
e) a tenacidade em se ocupar com a salvação da alma.
RESOLUÇÃO:
Há mistura étnica e cultural nas línguas que formaram o
português na variante brasileira. [Competência 6, Habilidade 20
das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
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Texto para o teste �. Texto para o teste .
OLÁ! NEGRO
Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos
e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor
tentarão apagar a tua cor!
E as gerações dessas gerações, quando apagarem
a tua tatuagem execranda,
não apagarão de suas almas a tua alma, negro!
Pai-João, Mãe-negra, Fulô, Zumbi,
negro-fujão, negro cativo, negro rebelde
negro cabinda, negro congo, negro iorubá,
negro que foste para o algodão de USA
para os canaviais do Brasil,
para o tronco, para o colar de ferro, para a canga
de todos os senhoresdo mundo;
eu melhor compreenda agora os teus blues
nesta hora triste da raça branca, negro!
Olá, Negro! Olá, Negro!
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro!
(LIMA, Jorge de. Obras Completas.
Rio de Janeiro: Aguilar, 1958.)
O conflito de gerações e de grupos étnicos
repro duz, na visão do eu lírico, um contexto
social assinala do por
a) modernização dos modos de produção e consequente
enrique cimento dos brancos.
b) preservação da memória ancestral e resistência negra à
apatia cultural dos brancos.
c) superação dos costumes antigos por meio da incorporação
de valores dos colonizados.
d) nivelamento social de descendentes de escravos e de
senhores pela condição de pobreza.
e) antagonismo entre grupos de trabalhadores e lacunas de
heredi tariedade.
RESOLUÇÃO:
Nos versos, a preservação da cultura ancestral dos negros está
assegurada, por mais que se tente renegá-la. A musicalidade
dessa cultura persiste e contrapõe-se ao tédio, à apatia dos
brancos.
Resposta: B
MARIA DIAMBA
Para não apanhar mais
falou que sabia fazer bolos:
virou cozinha.
Foi outras coisas para que tinha jeito.
Não falou mais:
Viram que sabia fazer tudo,
até molecas para a Casa-Grande.
Depois falou só,
só diante da ventania
que ainda vem do Sudão;
falou que queria fugir
dos senhores e das judiarias deste mundo
para o sumidouro.
(LIMA, Jorge de. Poemas Negros.
Rio de Janeiro: Record, 2007.)
� O poema de Jorge de Lima sintetiza o
percurso de vida de Maria Diamba e sua
reação ao sistema opressivo da escravidão.
A resistência dessa figura feminina é assinalada no texto pela
relação que se faz entre
a) o uso da fala e do desejo de decidir o próprio destino.
b) a exploração sexual e a geração de novas escravas.
c) a prática na cozinha e a intenção de ascender socialmente.
d) o prazer de sentir os ventos e a esperança de voltar à África.
e) o medo da morte e a vontade de fugir da violência dos
brancos.
RESOLUÇÃO:
Maria Diamba, para mudar o seu destino e deixar de apanhar,
declara que sabe fazer bolos, para poder trabalhar na cozinha da
casa-grande. Cala-se mediante a exploração sexual que passa a
sofrer, mas fala a si mesma, “diante da ventania” vinda do Sudão,
do seu desejo de fugir “dos senhores e das judiarias [daquele]
mundo”.
Resposta: A
120 PORTUGUÊS
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Texto para as questões � e �.
� A que se referem os versos “O sangue de Pai João se
sumiu no sangue bom / Como um torrão de açúcar bruto /
Numa panela de leite”?
RESOLUÇÃO:
Nesses versos, evidencia-se “uma segunda con tri buição do negro:
a contribuição étnica, sua presença impor tante no caldeamento
de raças que definiu ao longo dos séculos a etnia brasileira”
(Rodolfo Ilari), miscigenada.
PAI JOÃO
Pai João secou como um pau sem raiz. —
Pai João vai morrer.
Pai João remou nas canoas. —
Cavou a terra.
Fez brotar do chão a esmeralda
Das folhas — café, cana, algodão.
Pai João cavou mais esmeraldas
Que Paes Leme.
A filha de Pai João tinha peito de
Turina para os filhos de ioiô mamar:
Quando o peito secou a filha de Pai João
Também secou agarrada num
Ferro de engomar
A pele de Pai João ficou na ponta
Dos chicotes.
A força de Pai João ficou no cabo
Da enxada e da foice.
A mulher de Pai João o branco
A roubou para fazer mucamas.
O sangue de Pai João se sumiu no sangue bom
Como um torrão de açúcar bruto
Numa panela de leite. —
Pai João foi cavalo pra os filhos de ioiô montar.
Pai João sabia histórias tão bonitas que
Davam vontade de chorar.
Pai João vai morrer.
Há uma noite lá fora como a pele de Pai João.
Nem uma estrela no céu.
Parece até mandinga de Pai João.
(Jorge de Lima)
� No poema “Pai João”, de Jorge de Lima, evidencia-se a
existência de uma dívida histórica. De que dívida se trata?
RESOLUÇÃO:
“Jorge de Lima credita antes de mais nada ao negro o fato de ter
sustentado com seu suor os principais ciclos econômicos que
fizeram a história do país” (Rodolfo Ilari).
121PORTUGUÊS
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122 PORTUGUÊS
Textos para o teste
. Essas duas cenas de ciúme concluem dois textos diferentes de
Jorge de Lima. A primeira cena pertence ao conhecido poema
modernista “Essa Negra Fulô”; a segunda, ao poema
“História”, de Poemas Negros (1947).
(UNICAMP) – Em relação a “Essa Negra Fulô”, o poema
“História”, especificamente, representa
a) a reiteração da denúncia das relações de poder, muito
arraigadas no sistema escravocrata, que colocam no
mesmo plano violências raciais e sexuais.
b) a passagem de uma caracterização da mulher negra como
sedutora para uma postura solidária em relação à escrava,
que explicita as estratégias compensatórias de que se vale
para sobreviver.
c) a permanência de uma visão pitoresca sobre a situação da
mulher negra nos engenhos de açúcar, que oculta os
mecanismos de poder que garantiam sua exploração.
d) a superação da visão idílica da vida na senzala, graças a uma
postura realista e social, que revela a violência das relações
entre senhores e escravos.
RESOLUÇÃO:
Em “Essa Negra Fulô”, o eu poemático associa as condições
subumanas a que eram submetidos os negros a aspectos
sedutores de uma escrava. Fulô é caracterizada por seu grande
poder de atração. Em “História”, o enunciador explicita “as
estratégias compensatórias de que se vale para sobreviver”, ou
seja, a escrava volta-se para a magia e a proteção dos orixás, após
sofrer toda sorte de violências. Essa invocação mística é um
recurso compensatório diante da condição sexualizada e sofrida
da mulher escrava.
Resposta: B
O Sinhô foi açoitar
sozinho a negra Fulô.
A negra tirou a saia
e tirou o cabeção,
de dentro dele pulou
nuinha a negra Fulô.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!
Ó Fulô! Ó Fulô!
Cadê, cadê teu Sinhô
que Nosso Senhor me mandou?
Ah! Foi você que roubou,
foi você, negra Fulô?
Essa negra Fulô!
(LIMA, Jorge de. Poesias Completas.
Rio de Janeiro: J. Aguilar;
Brasília: INL, 1974. v. 1, p. 121.)
A Sinhá mandou arrebentar-lhe os dentes:
Fute, Cafute, Pé-de-pato, Não-sei-que-diga,
avança na branca e me vinga.
Exu escangalha ela, amofina ela,
amuxila ela que eu não tenho defesa de homem,
sou só uma mulher perdida neste mundão.
Neste mundão.
Louvado seja Oxalá.
Para sempre seja louvado.
(Idem. p. 164.)
JORGE Matheus DE LIMA (1893-1953): Alagoano de União dos Palmares e
descendente de senhores de engenho, foi poeta, romancista, pintor, biógrafo,
ensaísta, tradutor e político. Formou-se em Medicina, conciliando o exercício da
profissão de médico com uma intensa atividade literária. A evolução de sua poesia
foi rica e acidentada, partindo do Parnasianismo crepuscular e do Simbolismo,
aderindo depois ao Modernismo. Numa primeira fase, destacam-se duas vertentes:
a poesia nordestina, de cunho memorialista, apoiada nas recordações da infância de
menino de engenho e no folclore africano, e a poesia mística e católica. Em seguida,
parte para uma poesia de grande complexidade de forma e conteúdo, associando
elementos neobarrocos à visão surrealista e alucinada, fundindo erudição,
reminiscências da infância, alusões bíblicas e profanas. Suas obras poéticas são: XIV
Alexandrinos (1914), O Mundo do Menino Impossível (1925), Tempo e Eternidade
(1935, em colaboração com Murilo Mendes), A Túnica Inconsútil (1938), Poemas
Negros (1947), Livro de Sonetos (1949), Obra Poética (incluindo os anteriores e mais
Anunciação e Encontro de Mira-Celi, 1950) e Invenção de Orfeu (1952), entre outras.
Fotografia: Folhapress.
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123PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para o teste �.
CÂNTICO VI
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
(MEIRELES, C. Antologia Poética.
Rio de Janeiro: Record, 1963.)� A poesia de Cecília Meireles revela concepções
sobre o homem em seu aspecto existencial. Em
“Cântico VI”, o eu lírico exorta seu interlocutor a
perceber, como inerente à condição humana,
a) a sublimação espiritual graças ao poder de se emo cionar.
b) o desalento irremediável em face do cotidiano repeti tivo.
c) o questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas.
d) a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente.
e) um receio ancestral de confrontar a imprevisi bilidade das coisas.
Resolução
O verso final sugere que a “sublimação espiritual” ocorre como
término de uma trajetória de vida em que os sentimentos passam por
ciclos de morte e reno vação.
Resposta: A
Texto para o teste �.
EPIGRAMA N.° 8
Encostei-me em ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.
(Cecília Meireles)
� (UNIFESP – modificado – MODELO ENEM) – Cecília Meireles
pertence ao grupo poético que marcou presença na literatura
brasileira da década de 1930. Coerente com essa tendência, o eu
lírico em “Epigrama n.° 8” reconhece que a pessoa em quem depôs
sua vida representava
a) uma relação incerta, por isso os desenganos vividos seriam
inevitáveis.
b) um sentimento intenso, por isso tinha certeza de que não sofreria.
c) um caso de amor passageiro, por isso se sentia enganado.
d) uma angústia inevitável, por isso seria melhor aquele amor.
e) uma opção equivocada, por isso sempre teve medo de amar.
Resolução
As imagens de onda e nuvem sugerem a incerteza da relação,
ressaltada ainda no fato de o eu lírico reconhecer sua entrega a
alguém cujo destino se caracterizava por fragilidade. O quarto verso
sugere os “desenganos” a que se refere a alternativa a.
Resposta: A
A escritora brasileira Cecília Meireles, em 1964. – Fotografia:
Folhapress.
42
Palavras-chave:
Cecília Meireles • Segunda Geração Modernista• Lírica modernista
• Poesia neossimbolista
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124 PORTUGUÊS
Cecília Meireles (1901-1964) é poeta de traços neossimbolistas
que se vinculou à vertente espiritualista da Segunda Geração
Modernista (1930-1945). O poema a seguir é típico dessa
vertente, pois se refere a um modo de estar no mundo sob a
perspectiva da reinvenção e da transcendência:
II. A intensa repetição da palavra “vida” — equivalente a
dizer “a vida mesmo” ou “a vida verdadeira” — vem
acompanhada da necessidade de recriá-la.
III. A princípio, a imagem da lua sugere ao eu poético a
possibilidade de libertação. No entanto, essa redenção é
frustrada ao ser associada à noite escura, que também é
algo perceptível no mundo físico, mas com conotação
negativa.
IV. A maiúscula alegorizante em “Figura” dá um valor
absoluto a esse ser, ao qual o sujeito poético pretende
alcançar, com “a libertação das algemas”, abandonando o
ilusório mundo inferior.
Está correto o que se afirma em
a) I e II, somente.
b) II e III, somente.
c) III e IV, somente.
d) I, II e III, somente.
e) I, II, III e IV.
RESOLUÇÃO:
Todas as afirmações são corretas.
Resposta: E
Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da
morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e
outras mortes ocorridas na família acarreta ram muitos
contratempos materiais, mas, ao mesmo tem po, me deram, desde
pe que nina, uma tal familiaridade com a Morte que docemente
aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno (...). Em toda a
vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A
noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento
mesmo da minha personalidade.
(Cecília Meireles, Manchete,
Rio de Janeiro, 3 out. 1953, p. 49.)
REINVENÇÃO
A vida só é possível
reinventada.
Anda o sol pelas campinas
e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas…
Ah! tudo bolhas
que vêm de fundas piscinas
de ilusionismo… — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
Vem a lua, vem, retira
as algemas dos meus braços.
Projeto-me por espaços
cheios da tua Figura.
Tudo mentira! Mentira
da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço…
Só — no tempo equilibrada,
desprendo-me do balanço
que além do tempo me leva.
Só — na treva,
fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
reinventada.
(MEIRELES, Cecília. Vaga Música.
In: Poesia Completa. 4. ed. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1994. p. 239-240.)
� Leia as seguintes afirmações sobre o texto e responda ao
que se pede:
I. Os versos iniciais instauram uma atmosfera de realidade
física, ligada ao movimento do sol, captada pela visão.
Entretanto, esse mundo sensível é tomado como ilusão.
Exercícios Propostos
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125PORTUGUÊS
Romanceiro da Inconfidência (1953) incorpora à obra de Cecília
Meireles a temática social e a valorização do nacional (tão caras
aos modernistas), embora sob um viés diferente, ligado ao
universalismo temático e não ao simples registro do cotidiano. O
romanceiro, gênero que remonta à Idade Média, é uma
composição poética narrativa constituída de romances
(narrativas populares em versos, de caráter lírico e histórico). A
sensibilidade da artista deixa de lado o âmbito pessoal e
transfere-se para a observação da história brasileira em tom lírico
e épico, mas não propriamente ufanista, pois, mais que louvar os
feitos heroicos de um povo, reflete sobre a ganância, o poder e
a fragilidade do destino humano, desde o início da mineração até
o apogeu e a decadência dessa atividade econômica. Como o
ouro e o diamante, a liberdade brilhou intensamente nas Minas
Gerais do século XVIII; mas, como o ouro e o diamante, a
liberdade se esvaiu com a punição dos Inconfidentes.
Texto para as questões � e
.
� O romance “Das Ideias” apresenta um panorama amplo
das Minas Gerais do século XVIII. Indique a que se referem as
seguintes passagens do texto.
a) “Os rios todos virados. / Toda revirada, a terra.” (versos 1 e 2):
RESOLUÇÃO:
Esses versos referem-se à atividade mineradora.
b) “Anjos e santos nascendo / em mãos de gangrena e lepra.”
(versos 11 e 12):
RESOLUÇÃO:
Os versos 11 e 12 fazem alusão às esculturas barrocas criadas pelo
escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814).
ROMANCE XXI OU DAS IDEIAS
(...)
Os rios todos virados.
Toda revirada, a terra.
Capitães, governadores,
padres, intendentes, poetas.
5 Carros, liteiras douradas,
cavalos de crina aberta.
A água a transbordar das fontes.
Altares cheios de velas.
Cavalhadas. Luminárias.
10 Sinos. Procissões. Promessas.
Anjos e santos nascendo
em mãos de gangrena e lepra.
Finas músicas broslando1
as alfaias2 das capelas.
15 Todos os sonhos barrocos
deslizando pelas pedras.
Pátios de seixos. Escadas.
Boticas. Pontes. Conversas.
Gente que chega e que passa.
20 E as ideias.
(...)
Doces invenções da Arcádia!
Delicada primavera:
pastoras, sonetos, liras
— entre as ameaças austeras
25 de mais impostos e taxas
que uns protelam e outros negam.
Casamentos impossíveis.
Calúnias. Sátiras. Essa
paixão da mediocridade
30 que na sombra se exaspera.
E os versos de asas douradas,
que amor trazem e amor levam...
Anarda. Nise. Marília...
As verdades e as quimeras.
35 Outras leis, outras pessoas.
Novo mundo que começa.
Nova raça. Outro destino.
Plano de melhores eras.
E os inimigos atentos,
40 que, de olhos sinistros, velam.
E os aleives3. E as denúncias.
E as ideias.
(MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência.
In: Poesia Completa. 4. ed. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1994. p. 520-522.)
1 – Broslar: bordar, enfeitar; tem sentido figurado no poema.
2 – Alfaia: móvel ou objeto de uso doméstico, ornamento, paramento
em cultos religiosos.
3 – Aleive: calúnia, mentira, traição.
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126 PORTUGUÊS
c) “poetas” (verso 4) e “Doces invenções da Arcádia! / Delicada
primavera: / pastoras, sonetos, liras” (versos 21, 22, 23):
RESOLUÇÃO:
“Poetas”refere-se aos escritores do Arcadismo que foram
também inconfidentes. Os versos “Doces invenções da Arcádia! /
Delicada primavera: / pastoras, sonetos, liras” aludem a
elementos que fazem parte do estilo árcade, vigente no século
XVIII, quando os poetas compunham textos bucólicos de suaves
idílios, com a presença da tópica do locus amoenus (lugar ameno).
d) “Marília...” (verso 33):
RESOLUÇÃO:
“Marília” é pseudônimo da musa inspiradora de Dirceu (Tomás
Antônio Gonzaga, poeta do Arcadismo). [“Anarda” e “Nise”,
citadas no mesmo verso, são pseudônimos de musas inspiradoras
de Glauceste Satúrnio (Cláudio Manuel da Costa, outro poeta do
Arcadismo).]
(MODELO ENEM) – O último verso de cada estrofe do
poema “Das Ideias”, tanto por seu caráter reiterativo (ele é o
refrão), quanto por seu caráter singular (ele é o único de três
sílabas métricas), quebra o ritmo do poema. Esse
procedimento poético foi adotado para representar
a) a capacidade dos poetas árcades de usar o engenho
artístico com o objetivo de fugir de um contexto adverso.
b) a correlação entre o universo clássico do Arcadismo e a
dinâmica complexa vivida no Brasil-Colônia.
c) o desejo do eu poemático de adotar os ideais árcades como
compensação a seu cotidiano urbano opressor.
d) a influência do racionalismo em Vila Rica e suas
consequências no plano estético e político.
e) o estereótipo do poeta como um indivíduo alheio ao
contexto social, em razão de sua entrega a questões
filosóficas.
RESOLUÇÃO:
O refrão faz referência às ideias liberais, provenientes do
Iluminismo, que vão se infiltrando no Brasil-Colônia, como
ocorreu nas 13 colônias inglesas na América do Norte, o que abriu
caminho para a independência dos EUA, em 1776. O verso
“As ideias” conota a alteração do ritmo de vida da colônia e o do
próprio poema, remetendo à nova visão de mundo que chegava
ao Brasil. [Competência 5, Habilidade 15 e Competência 6,
Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
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127PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �. Os versos fazem alusão à prisão do inconfidente e poeta
Tomás Antônio Gonzaga. Os versos dispõem-se com
deslocamento espacial e foram compostos com tipos de letras
diferentes. A partir desse comentário, responda:
� O que significam as aspas nas estrofes mais à direita e
compostas em itálico? Nessas estrofes, há intertextualidade
com o estilo árcade ou neoclássico? Por quê?
RESOLUÇÃO:
De um lado, nas estrofes da esquerda, há uma voz a narrar que
Gonzaga esteve bordando o vestido do enxoval para o casamento
próximo; de outro, nas estrofes mais à direita, em itálico, as aspas
introduzem outra voz enunciadora, a indagar sobre o destino
daquele poeta pertencente ao Arcadismo. Há intertexto com o
estilo dessa escola literária no emprego de expressões ligadas ao
campo (“pastora”, “zagal”, “prado”).
� Os diferentes recursos gráficos empregados por Cecília
Meireles são como um itinerário a guiar os leitores para
distinguir a multiplicidade de vozes desse texto polifônico. Que
tipo de questionamento aparece entre parênteses?
RESOLUÇÃO:
O questionamento que aparece entre parênteses — “(Mas quem
lê na névoa / o amargo sinal?)” — é de cunho universal, não se
tratando, portanto, de algo específico ao caso de Gonzaga, mas
de uma reflexão a respeito da fragilidade da condição humana,
submetida à impossibilidade de se prever o futuro infausto que
aguarda o ser.
ROMANCE LIV OU DO ENXOVAL INTERROMPIDO
Aqui esteve o noivo,
de agulha e dedal,
bordando o vestido
do seu enxoval1.
Em maio, era em maio,
num maio fatal;
feneciam rosas
pelo seu quintal.
Por estrada e monte,
neblina total.
No perfil da lua,
um nimbo2 mortal.
(Mas quem lê na névoa
o amargo sinal?)
(...)
“Sabeis, ó pastora,
daquele zagal3
que andara num prado
sobrenatural?
Teria inimigo?
Teria rival?”
(...)
De prata era a agulha,
e de ouro, o dedal.
Em sonho traçava,
com doce espiral
de brilhantes flores,
novo madrigal4.
(...)
“Sabeis, ó pastora,
daquele zagal,
que agora não borda
seu rico enxoval?”
(MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência.
In: Poesia Completa. 4. ed. Rio de Janeiro:
Nova Aguilar, 1994. p. 577-579.)
1 – Era costume entre a elite de Vila Rica (atual Ouro Preto) o noivo
bordar o enxoval daquela com quem ia se casar.
2 – Nimbo: nuvem espessa e cinzenta, de baixa altitude.
3 – Zagal: pastor, aquele que cuida do gado.
4 – Madrigal: composição poética concisa que exprime um pensa -
mento fino, terno, galante e que, em geral, se destina a ser musicada.
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128 PORTUGUÊS
Indique o trecho que associa a delicadeza do ato de bordar
ao fazer poético de Gonzaga.
RESOLUÇÃO:
A associação entre a delicadeza do bordado e a construção de um
poema encontra-se no trecho “Em sonho traçava, / com doce
espiral / de brilhantes flores, / novo madrigal.”
� Nas estrofes mais à esquerda, há índices do desfecho
desditoso de Tomás Antônio Gonzaga. Aponte-os.
RESOLUÇÃO:
As expressões que apontam para um desfecho trágico são: “maio
fatal”, “feneciam rosas”, “nimbo mortal” e “amargo sinal”.
Texto para os testes � e
.
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
pelo vosso impulso rodam...
(...)
(...)
Perdão podíeis ter sido!
— sois madeira que se corta,
— sois vinte degraus de escada,
— sois um pedaço de corda...
— sois povo pelas janelas,
cortejo, bandeiras, tropa...
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência, a vossa!
Éreis um sopro na aragem...
— sois um homem que se enforca!
(MEIRELES, Cecília. Obra Poética.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1985.)
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129PORTUGUÊS
� O fragmento destacado foi transcrito do
Romanceiro da Inconfidência, de Cecília
Meireles. Centralizada no episódio histórico
da Inconfidência Mineira, a obra, no entanto, elabora uma
reflexão mais ampla sobre a seguinte relação entre o homem
e a linguagem:
a) A força e a resistência humanas superam os danos
provocados pelo poder corrosivo das palavras.
b) As relações humanas, em suas múltiplas esferas, têm seu
equilíbrio vinculado ao significado das palavras.
c) O significado dos nomes não expressa de forma justa e
completa a grandeza da luta do homem pela vida.
d) Renovando o significado das palavras, o tempo permite às
gerações perpetuar seus valores e suas crenças.
e) Como produto da criatividade humana, a linguagem tem seu
alcance limitado pelas intenções e gestos.
RESOLUÇÃO:
Os versos transcritos apresentam a linguagem como princípio de
“todo o sentido da vida” e especificam o poder das palavras em
diversas esferas da experiência humana: o amor, o sonho, a
audácia, a calúnia, a fúria, a derrota, a liberdade, a morte.
[Competência 1, Habilidade 4 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
(FUVEST) – A “estranha potência” que a voz lírica ressalta
nas palavras decorre de uma combinação entre
a) fluidez nos ventos do presente e conteúdo fixo no passado.
b) forma abstrata no espaço e presença concreta na história.
c) leveza impalpável na arte e vigor nos documentos antigos.
d) sonoridade ruidosa nos ares e significado estável no papel.
e) lirismo irrefletido da poesia e peso justo dos aconte -
cimentos.
RESOLUÇÃO:
As palavras são tanto forma abstrata no espaço, como indicam os
versos “sois de vento, ides no vento / no vento que não retorna,
/ e,em tão rápida existência, / tudo se forma e transforma!”,
como também presença concreta na história, decretaram o
enforcamento de Tiradentes em praça pública em 1792, como se
nota nos versos “— sois madeira que se corta, / — sois vinte
degraus de escada, / sois um pedaço de corda... / — sois povo
pelas janelas, / — cortejo, bandeiras, tropa...”
Resposta: B
CECÍLIA Benevides de Carvalho MEIRELES (1901-1964): Foi jornalista,
pintora, poeta, escritora e professora. Como poeta da Segunda Geração, seu
estilo era principalmente neossimbolista, sendo a principal representante da
vertente espiritualista ou intimista do Modernismo brasileiro. Seus temas
incluíam sobretudo o tempo efêmero e a vida contemplativa, tratados com tom
de desencanto e nostalgia. O oceano, o espaço e a solidão são as três
constantes fundamentais de sua poesia. Cecília Meireles também realizou
poesia social, no Romanceiro da Inconfidência, e, mesmo nesse campo, a
poeta afirmou sua subjetividade ao fato histórico. Como professora, contribuiu
para promover reformas educacionais e defendeu a construção de bibliotecas
infantis. Entre 1935 e 1938, lecionou na Universidade do Distrito Federal do Rio
de Janeiro. Suas obras poéticas são: Espectros (1919), Baladas para El-Rei
(1925), Viagem (1939), Vaga Música (1942), Mar Absoluto (1945), Doze
Noturnos de Holanda (1952), Romanceiro da Inconfidência (1953), Canções
(1956), Poemas Escritos na Índia (1962), Antologia Poética (1963), Ou Isto ou
Aquilo (1965), entre outras.
Fotografia: Acervo UH / Folhapress.
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130 PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para o teste �.
CONFIDÊNCIA DO ITABIRANO
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
(...)
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil;
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia Completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.)
� Carlos Drummond de Andrade é um dos
expoentes do movimento modernista brasileiro.
Com seus poemas, penetrou fundo na alma do
Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas
humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal
e o particular, como se percebe claramente na construção do poema
“Confidência do Itabi rano”. Tendo em vista os procedimentos de
construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas,
conclui-se que o poema transcrito
a) representa a fase heroica do Modernismo, devido ao tom
contestatório e à utilização de expressões e usos linguísticos
típicos da orali dade.
b) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a
apresentação objetiva de fatos e dados históricos.
c) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade,
por intermédio de imagens que representam a forma como a
sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.
d) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade
do poeta e da poesia em comparação com as prendas resgatadas
de Itabira.
e) apresenta influências românticas, uma vez que trata da
individualidade, da saudade da infância e do amor pela terra natal,
por meio de recursos retóricos pomposos.
Resolução
“Confidência do Itabirano” evidencia a visão crítica do eu sobre o
meio e ressalta a influência que o segundo tem sobre o primeiro.
Resposta: C
Texto para o teste �.
SENTIMENTAL
Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.
(...)
— Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
“Neste país é proibido sonhar.”
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Seleta em Prosa e Verso.
Rio de Janeiro: Record, 1995.)
� A respeito do uso e da predominância das funções
da linguagem no texto de Drummond, pode-se
afirmar que(,)
a) por meio dos versos “Ponho-me a escrever teu nome” (v. 1) e
“esse romântico trabalho” (v. 5), o poeta faz referências ao seu
próprio ofício: o gesto de escrever poemas líricos.
b) a linguagem essencialmente poética que constitui os versos “No
prato, a sopa esfria, cheia de escamas” (v. 3) e “debruçados na
mesa todos contemplam” (v. 4) confere ao poema uma atmosfera
irreal e impede o leitor de reconhecer no texto dados constitutivos
de uma cena realista.
c) na primeira estrofe, o poeta constrói uma linguagem centrada na
amada, receptora da mensagem, mas, na segunda, ele deixa de
se dirigir a ela e passa a exprimir o que sente.
d) em “Eu estava sonhando...” (v. 10), o poeta demonstra que está
mais preocupado em responder à pergunta feita anteriormente, e,
assim, dar continuidade ao diálogo com seus interlocutores, do
que em expressar algo sobre si mesmo.
e) no verso “‘Neste país é proibido sonhar’” (v. 12), o poeta abandona
a linguagem poética para fazer uso da função referencial, informan -
do sobre o conteúdo do “cartaz amarelo” (v. 11) presente no local.
Resolução
Na referência ao ato de escrever o nome da amada, num “trabalho”
cujo teor lírico é sugerido no adjetivo “romântico”, há metalinguagem.
Resposta: A
43
Palavras-chave:Modernismo luso:
Carlos Drummond de
Andrade (I)
• Segunda Geração Modernista
• Poesia modernista
• Lírica modernista
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131PORTUGUÊS
Texto para as questões � e �.
� Na época de sua primeira publicação, em 1928 na Revista
de Antropofagia e em 1930 em Alguma Poesia, esse poema
causou muita estranheza e foi muito ridicularizado pelos
adversários do Modernismo. Uma estrofe ficou famosa como
exemplo do que seria o “absurdo” da poesia moderna. Qual
lhe parece ser a estrofe que mais se presta à ridicularização e
à acusação de falta de sentido?
Drummond, em sua Antologia Poética (1962), dividiu sua
poesia em nove áreas temáticas (entre aspas estão as expres -
sões com que o poeta descreve cada tema):
RESOLUÇÃO:
É a penúltima estrofe, iniciada com o verso “Mundo mundo vasto
mundo”, que era vista como “gozação” do poeta ou como
simples estupidez. É curioso, no entanto, que nessa estrofe haja
alusão a um verso memorável de outro poeta mineiro, Tomás
Antônio Gonzaga: “Eu tenho um coração maior que o mundo.”
1) o indivíduo: “um eu todo retorcido” (o indivíduo, na
poesia de Drummond, é complicado, torturado,
fragmentado);
2) a terra natal: “uma província: esta” (a profunda, dura,
triste relação com o lugar de origem, Itabira, Minas Gerais,
que o indivíduo abandona, mas que não o abandona);
3) a família: “a família que me dei” (sem qualquer
sentimenta lismo — bem ao contrário —, o indivíduo
interroga, sem alegria, a misteriosa realidade da família
— a família que existe nele, em seu corpo, e é parte de
suas emoções e de seu imaginário);
4) amigos: “cantar de amigos” (título que joga com os
“cantares” ou “cantigas de amigo” medievais; são
home na gens a figuras admiradas, próximas ou
distantes, como Ma chado de Assis, Charles Chaplin,
Mário de Andrade ou Manuel Bandeira, em poemas às
vezes de grande penetração crítica);
5) o choque social: “na praça de convites” (o espaço
social, em que o indivíduo se expõe ao apelo dos
outros e vive os dramas coletivos);
6) o conhecimento amoroso: “amar-amaro” (ou o amor
amargo: nada romântico ou sentimental, o amor em
Drummond é uma forma amarga de conhecimento —
conhecimento do outro, de si, do mundo);
7) a própria poesia: “poesia contemplada” (as “artes
poéticas” de Drummond: poemas sobre o quê e o
como da poesia);
8) exercícios lúdicos: “uma, duas argolinhas” (jogos com
as palavras— atividade aparentemente infantil, mas
poética em sua essência e responsável por alguns dos
mais espantosos e complexos poemas de Drummond);
9) uma visão, ou tentativa de, da existência: “tentativa de
exploração e de interpretação do estar-no-mundo”
(questões e conjecturas sobre a existência, o “estar-aqui”,
sobre o que há “no meio do caminho”).
POEMA DE SETE FACES
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche1 na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo,
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma Poesia.
In: Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 5.)
1 – Gauche (francês; pronúncia gôch): desajeitado (sentido literal:
esquerdo).
Exercícios Propostos
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132 PORTUGUÊS
� Em qual das nove áreas temáticas anteriormente
apresentadas pode ser incluído o “Poema de Sete Faces”?
Leia o poema e o excerto da crônica para responder às
questões
e �:
(FUVEST – adaptada) – Que relação de sentido liga a
imagem “pão de nuvens” (v. 4-5) ao verso “tudo, no coração,
é ceia” (v. 10)? Justifique.
RESOLUÇÃO:
Há uma relação de convergência entre a expressão “pão de
nuvens” e o verso “tudo, no coração, é ceia”, pois ambas as
passagens fazem referência ao que supre o espírito, isto é, o
alimento para a alma. Ao chegar ao Hotel Toffolo, o eu lírico é
informado de que já tinha passado a hora de se servir o jantar.
Entretanto, isso não o incomoda, pois a cidade de Ouro Preto
“serve o pão das nuvens”, o “repasto é interior”, o que lembra a
passagem bíblica “nem só de pão vive o homem”.
� (FUVEST – adaptada) – As atitudes dos dois grupos à
mesa do Hotel Toffolo, no poema e na crônica, são
equivalentes? Explique.
RESOLUÇÃO:
Em ambos os textos, as atitudes dos grupos à mesa do Hotel
Toffolo são equivalentes, pois há uma confraternização marcada
por um estado de alma sublime, superior às contingências físicas
e ideológicas. No excerto da crônica, as divergências políticas,
que poderiam impedir a convivência à mesa, são superadas em
função do prazer que essa reunião traz aos convivas, “com
impecável benignidade de espírito, sem o menor azedume ou
nojo pela paixão ou opinião contrária”. No poema, há também a
sublimação, embora não houvesse jantar, “o repasto é interior”,
pois “tudo, no coração, é ceia”.
RESOLUÇÃO:
O poema poderia ser arrolado no item 1, “um eu todo retorcido”,
pois é evidente a temática do indivíduo. O próprio poeta assim o
classificou. Mas não seria absurdo considerar o poema como
uma exploração das questões existenciais, e aí ele se incluiria
também no item 9.
IV. HOTEL TOFFOLO
E vieram dizer-nos que não havia jantar.
Como se não houvesse outras fomes
e outros alimentos.
Como se a cidade não nos servisse o seu pão
5 de nuvens.
Não, hoteleiro, nosso repasto é interior,
e só pretendemos a mesa.
Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras.
Tudo se come, tudo se comunica,
10 tudo, no coração, é ceia.
(Carlos Drummond de Andrade,
“Estampas de Vila Rica”, in Claro Enigma)
(...) A população de Ouro Preto nutre convicções e
paixões, como qualquer outra, mas cultiva-as in petto [no
íntimo], com impecável benignidade de espírito, sem o
menor azedume ou nojo pela paixão ou opinião contrária.
Essas preferências diversas confraternizam, não raro, junto
à mesa no Hotel Toffolo, e chega-se à conclusão de que
política não vale positivamente uma boa cerveja.
(Carlos Drummond de Andrade,
“Contemplação de Ouro Preto”, in Passeios na Ilha)
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133PORTUGUÊS
Texto para o teste �. d) no anseio de divulgar hábitos enraizados, negligenciados por
seus antepassados.
e) na certeza da exclusão, revelada pela indiferença de seus
pares.
RESOLUÇÃO:
A angústia com a autoimagem corporal tem como raiz o conflito
entre um modelo imposto e as certezas de ser autêntico e único.
Uma das passagens que exemplifica esse conflito é: “Que é ser? É
ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de
mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?”
Resposta: A
VERBO SER
QUE VAI SER quando crescer? Vivem perguntando em
redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer?
Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a
ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou
obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou
ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser.
Esquecer.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e Prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1992.)
� A inquietação existencial do autor com a
autoimagem corporal e sua corporeidade
desdobra-se em questões existenciais que
têm origem
a) no conflito do padrão corporal imposto contra as
convicções de ser autêntico e singular.
b) na aceitação das imposições da sociedade seguindo a
influência de outros.
c) na confiança no futuro, ofuscada pelas tradições e culturas
familiares.
Escultura de Carlos Drummond de Andrade no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro. Obra de Leo Santana, instalada
em 2002 para comemorar o centenário de nascimento do poeta. – Fotografia: Alamy Stock Photo / Fotoarena.
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134 PORTUGUÊS
(UNICAMP) – Leia com atenção os dois fragmentos a seguir,
extraídos do poema de Carlos Drummond de Andrade cujo título,
“Procura da Poesia”, também indica seu tema. Com pare-os e
explique como o tema é desenvolvido em cada um deles.
RESOLUÇÃO:
O tema dos versos é a elaboração da própria poesia — trata-se,
portanto, de um metapoema (poema sobre poesia) ou um poema
metalinguístico (tema 7 da lista do autor). No fragmento 1, o
poeta, por meio de negativas, fala sobre o que por si só não é
poesia: os acontecimentos, as emoções, a vida pessoal, o corpo.
No fragmento 2, por meio de afirmativas, o poeta define a
essência do poético: o mergulho no mundo das palavras. Ou seja,
o fragmento afirma que poesia se faz fundamentalmente com
palavras, com a exploração de seus significados, sons e “faces
secretas”.
�
(adaptado) – O fragmento 2 ilustra o seguinte
tema constante entre autores modernistas:
a) a nostalgia do passado colonialista revisitado.
b) a preocupação com o engajamento político e social da lite -
ratura.
c) o trabalho quase artesanal com as palavras, despertando
sentidos novos.
d) a produção de sentidos herméticos na busca da perfeição
poética.
e) a contemplação da natureza brasileira na perspectiva
ufanista da pátria.
Fragmento 1
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais
[não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão
[infenso à efusão lírica.
Fragmento 2
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta,sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
RESOLUÇÃO:
Embora a ideia de “trabalho artesanal” pareça arbitrária em rela -
ção ao texto, a única alternativa aceitável é a c. [Competência 5,
Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (1902-1987): Nasceu em Itabira, Minas Gerais,
numa família de fazendeiros e mine ra dores. Expulso de um colégio de padres, fez
estudos de Farmácia em Belo Horizonte, mas dedi cou-se ao jornalismo. Ainda nessa
cidade, travou con tato com o Modernismo paulista e fez parte do grupo fundador de A
Revista, que divul gava em Minas as ideias renovadoras do movimento. Como
funcionário público, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde viveu até o fim da vida.
Iniciou-se na poesia em meados da década de 1920, já sob influência do Modernismo.
Daí para diante, ao longo de mais de cinquenta anos, Drummond compôs uma série
de mais de vinte livros de poesia, dos quais os primeiros dez são, não só um dos
maiores tesouros da língua portuguesa, mas também um dos mais admiráveis conjuntos de poemas de toda a
literatura mundial do nosso tempo. Sua produção poética mais importante foi publicada entre 1930 (Alguma Poesia)
e 1962 (Lição de Coisas). Do período posterior, a coletânea mais importante é A Paixão Medida, de 1980. Muito apre -
ciado também como prosador, Drummond escreveu crônicas (muitas), contos (alguns) e uns poucos artigos literários.
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135PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Texto para os testes � e �.
CIDADE GRANDE
Que beleza, Montes Claros.
Como cresceu Montes Claros.
Quanta indústria em Montes Claros.
Montes Claros cresceu tanto,
ficou urbe tão notória,
prima rica do Rio de Janeiro,
que já tem cinco favelas
por enquanto, e mais promete.
(Carlos Drummond de Andrade)
�
Entre os recursos expressivos empregados no
texto, destaca-se a
a) metalinguagem, que consiste em fazer a linguagem referir-se à
própria linguagem.
b) intertextualidade, na qual o texto retoma e reelabora outros textos.
c) ironia, que consiste em se dizer o contrário do que se pensa, com
intenção crítica.
d) denotação, caracterizada pelo uso das palavras em seu sentido
próprio e objetivo.
e) prosopopeia, que consiste em personificar coisas inanimadas,
atribuindo-lhes vida.
Resolução
No texto de Drummond, a noção de progresso e a visão da cidade grande
aparecem indissolu vel mente associadas a mazelas, como o surgi mento
de favelas. Trata-se de uma visão irônica do desenvolvimento.
Resposta: C
� No trecho “Montes Claros cresceu tanto, / (...), /
que já tem cinco favelas”, a palavra que contribui
para estabelecer uma re lação de consequência.
Dos seguintes versos, todos de Carlos Drummond de Andrade, apre -
sentam esse mesmo tipo de relação:
a) “Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu não era
Deus / se sabias que eu era fraco.”
b) “No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu / a ninar nos
longes da senzala e nun ca se esqueceu / chamava para o café.”
c) “Teus ombros suportam o mundo / e ele não pesa mais que a mão
de uma criança.”
d) “A ausência é um estar em mim. / E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços, / que rio e danço e invento excla -
mações alegres.”
e) “Penetra surdamente no reino das palavras. / Lá estão os poemas
que esperam ser escri tos.”
Resolução
A conjunção que estabelece relação de consequência entre as
orações “rio e danço e invento exclamações alegres” e a anterior. O
conectivo que precedido de palavras como tanto(a), tão, tamanho(a)
estabelece relação consecutiva.
Resposta: D
Texto para o teste
.
REVELAÇÃO DO SUBÚRBIO
Quando vou para Minas, gosto de ficar de pé, contra a vidraça
[do carro1,
vendo o subúrbio passar.
O subúrbio todo se condensa para ser visto depressa,
com medo de não repararmos suficientemente
em suas luzes que mal têm tempo de brilhar.
A noite come o subúrbio e logo o devolve,
ele reage, luta, se esforça,
até que vem o campo onde pela manhã repontam laranjais
e à noite só existe a tristeza do Brasil.
(Carlos Drummond de Andrade,
in Sentimento do Mundo, 1940)
1 – Carro: vagão ferroviário para passageiros.
(FUVEST) – No poema de Drummond, a presença dos motivos
da velocidade, da mecanização, da eletricidade e da metrópole
configura-se como
a) uma adesão do poeta ao mito do progresso, que atravessa as
letras e as artes desde o surgimento da modernidade.
b) manifestação do entusiasmo do poeta moderno pela industria -
lização por que, na época, passava o Brasil.
c) marca da influência da estética futurista da Antropofagia na
literatura brasileira do período posterior a 1940.
d) uma incorporação, sob nova inflexão política e ideológica, de
temas característicos das vanguardas que influenciaram o
Modernismo antecedente.
e) uma crítica do poeta pós-modernista às alterações causadas, na
percepção humana, pelo avanço indiscriminado da técnica na vida
cotidiana.
Resolução
Publicado em 1940, Sentimento do Mundo é obra em que
Drummond deixa de lado o espírito iconoclasta modernista do início
de sua carreira poética, assumindo uma dicção menos elíptica e mais
linear. Ainda assim, não abandona ingredientes da fase precedente,
como a referência a elementos do progresso, da técnica e da
modernidade (o trem e a sua velocidade, a caracterização da realidade
urbana), que agora convivem com preocupações sociais, uma “nova
inflexão política e ideológica” (de fundo socialista).
Resposta: D
44
Palavras-chave:
Carlos Drummond de
Andrade (II)
• Segunda Geração Modernista
• Poesia modernista
• Lírica modernista
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136 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �. � (MODELO ENEM) – Umas das principais características
do Modernismo brasileiro é o emprego, de forma expressiva,
do registro coloquial de nossa língua. Em “No Meio do
Caminho”, essa característica está presente
a) na ordem direta da oração.
b) na ausência de rimas.
c) no uso de versos livres.
d) no emprego do verbo ter.
e) na economia de adjetivos.
RESOLUÇÃO:
O verbo ter com sentido de “existir” é uma marca típica do
português coloquial brasileiro. A utilização desse registro
linguístico de forma tão repetitiva foi outro motivo do escândalo
provocado por “No Meio do Caminho”, pois, na época de sua
vinda a público, exigia-se que a poesia respeitasse a norma culta,
que não admitia tal emprego — existir só pode ser substituído por
haver. [Competência 5, Habilidade 16 e Competência 8, Habilidade
25 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
� Em qual dos temas drummondianos pode ser incluído o
poema “No Meio do Caminho”? Por quê?
RESOLUÇÃO:
O poema pode ser incluído no tema 9, de pesquisa do sentido da
existência (“tentativa de exploração e de interpretação do estar-
no-mundo”). O próprio poeta assim o classificou. Isso porque a
pedra do poema tem sentido simbólico e, em qualquer
interpretação que se dê a ela, algum aspecto da existência estará
simbolizado: um crítico falou em “obstáculo”, qualquer obstáculo
na vida; outro falou em “cansaço existencial”. De qualquer forma,
a pedra indica uma dificuldade, um evento que perturba o curso
normal da vida.
NO MEIO DO CAMINHO
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma Poesia.
In: Poesia Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002. p. 16.)
� O poema acima já foi objeto de várias interpretações,
podendo a pedra ser tomada em múltiplos sentidos. Desde
que foi publicado, em 1928, o poema deu lugar também a
grande escândalo. Qual parece ser o motivo do escândalo?
RESOLUÇÃO:
O motivo do escândalo parece ter sido a novidade agressiva, o
inusitado do tom e da forma do poema. A principal