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Autor: Rev. Augustus Nicodemos Lopes [Copyright © 2009] – Todos os direitos reservados. 
Kéryx Estudos Bíblicos e Teológicos � Acesse: http://www.keryxestudosbiblicos.com.br 
 
NEOPENTECOSTALISMO: AUGUSTUS NICODEMUS 
Entrevista realizada para a revista Enfoque Gospel. 
ENFOQUE – Como o senhor analisa hoje o cenário 
evangélico brasileiro? 
Augustus: Vivemos um momento de grandes mudanças no 
cenário brasileiro evangélico, mudanças que começaram a 
ser gestadas quando as igrejas evangélicas em décadas 
passadas passaram a abandonar o referencial da Reforma 
protestante, o referencial da própria Escritura Sagrada, a 
Bíblia, e passaram a se entender como um movimento 
voltado para a satisfação das necessidades imediatas e 
materiais dos seus aderentes e a aferir o sucesso espiritual 
pela prosperidade material. As igrejas neopentecostais 
continuam a crescer e continuam a não ter rumo teológico 
algum, escandalizando cada vez mais a opinião pública, 
envergonhando os evangélicos com práticas e costumes 
bizarros e estranhos, e com escândalos que ganham a mídia e que revelam os intestinos dessas igrejas. 
Espanta-me o fato que a teologia da prosperidade continua crescendo apesar de tudo. 
Mas, não é somente isso. Hoje, as igrejas evangélicas pentecostais tradicionais correm o risco de ser 
minadas pelo liberalismo teológico, através dos obreiros e pastores que vão buscar um diploma de 
teologia reconhecido pelo MEC em universidades públicas e seminários dominados pelo velho 
liberalismo teológico. Não há nada errado em almejar um diploma desses, mas é que as instituições 
credenciadas para emiti-los usam o chamado “método científico” para estudar a Bíblia, método esse 
que parte do pressuposto que ela é simplesmente um livro religioso e não a infalível Palavra de Deus. 
As igrejas históricas continuam pequenas e sem muito poder de fogo no cenário nacional, embora 
sejam elas que estejam fornecendo os professores de seminários onde os demais evangélicos vão 
buscar diplomas reconhecidos. São elas, também, que estão na linha de frente provendo informações e 
estudos sobre as questões éticas que estão sendo debatidas hoje no Brasil, como, por exemplo, a lei da 
homofobia. Algumas dessas denominações tradicionais estão totalmente divididas internamente entre 
conservadores, pentecostais e liberais, que lutam por tomar o controle dessas denominações. 
Em outras palavras, não vejo o atual cenário brasileiro evangélico com muito otimismo, embora 
recentemente tenham acontecido algumas coisas que sugerem que nem tudo está perdido. Uma 
 
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Autor: Rev. Augustus Nicodemos Lopes [Copyright © 2009] – Todos os direitos reservados. 
Kéryx Estudos Bíblicos e Teológicos � Acesse: http://www.keryxestudosbiblicos.com.br 
 
denominação histórica que estava muito minada por pastores e professores de teologia liberais deu 
uma reviravolta e cortou toda e qualquer relação com organismos ecumênicos que envolvam o 
catolicismo. Para muitos foi um retrocesso, para mim, um avanço. Percebo igualmente um aumento do 
interesse de muitos, especialmente dos pentecostais, pela teologia reformada, pela teologia 
conservadora séria, erudita e pastoral, que traz um misto de profundidade e piedade. Cresce bastante o 
mercado de livros evangélicos com boa teologia e boa prática. Isso traz alguma esperança. 
ENFOQUE: As igrejas históricas estão conseguindo sobreviver aos furos das neopentecostais? 
Augustus: Em parte. Por um lado, o neopentecostalismo é tão obviamente antibíblico que a tarefa dos 
pastores e líderes das igrejas tradicionais fica mais fácil. Seria mais difícil se o neopentecostalismo 
fosse mais sutil, mais sofisticado. Mas, é um movimento de massas, levado avante no grito, na 
centralização do poder nas mãos de pseudo-bispos e apóstolos que manipulam as massas usando a 
Bíblia como pretexto para recolher milhões e milhões de reais. Não é difícil para qualquer pessoa um 
pouco mais esperta desconfiar do que realmente está acontecendo. 
Por outro lado, o apelo que o neopentecostalismo faz à alma católica dos evangélicos é muito grande: 
objetos ungidos, relíquias, líderes apostólicos, prosperidades, milagres físicos – tudo herança do 
catolicismo na mentalidade brasileira. Mas, muitas igrejas tradicionais já estudaram o assunto e já 
tomaram posição sobre ele. A Igreja Presbiteriana do Brasil, por exemplo, tem veiculado cartas 
pastorais que instruem seus membros sobre o movimento G-12, as práticas da Universal do Reino de 
Deus, coreografia e dança litúrgica, para mencionar alguns. Isso ajuda os membros e pastores 
presbiterianos a ficarem firmes contra essas práticas. 
ENFOQUE: Em sua opinião, qual será o futuro da Igreja Evangélica Brasileira? 
Augustus: Como alguém já disse, “é muito difícil profetizar sobre o futuro”. O presente sugere que 
esse futuro não é róseo. O crescimento vertiginoso entre os evangélicos do pragmatismo, o 
relativismo, o liberalismo, a libertinagem, associado à desorganização e à fragmentação do movimento 
evangélico só pode pressagiar dias maus pela frente, a menos que Deus tenha misericórdia de Sua 
Igreja e intervenha de forma poderosa, como já fez várias vezes no passado. 
O que mais me preocupa quanto ao futuro é que os evangélicos estão cada vez mais achando que os 
valores morais e doutrinários são relativos e cada vez mais abandonando o conceito de verdades 
absolutas e permanentes. Essa tendência é o resultado óbvio da influência do relativismo que permeia 
a cultura brasileira. 
Uma amostragem do relativismo, que desemboca na libertinagem, pode ser encontrada em blogs, 
comunidades no Orkut e sites evangélicos na internet. Há comunidades evangélicas no Orkut, por 
exemplo, onde o sexo entre os jovens cristãos antes do casamento é defendido como se fosse 
absolutamente normal. Os jovens são expostos a todo tipo de doutrinação sem ter o acompanhamento 
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Autor: Rev. Augustus Nicodemos Lopes [Copyright © 2009] – Todos os direitos reservados. 
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de seus pastores e líderes, que via de regra não estão familiarizados com essa forma de comunicação 
ou não têm tempo. Pais e líderes evangélicos ficariam abismados se entrassem nessas comunidades. 
Por um lado, os jovens evangélicos são hoje muito mais bem informados e críticos que os de gerações 
anteriores. Por outro lado, receio que uma nova geração de evangélicos está se formando, em que pese 
o alcance ainda bastante limitado desses meios de comunicação, que verá com naturalidade a 
relativização dos valores morais e dos pontos doutrinários basilares do Cristianismo, com trágicos 
resultados para a fé e o testemunho cristãos.

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