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Apostila Didática 2020 LITERATURA Capítulo 1 - A arte da palavra Capítulo 1 - A arte da palavra - Exercícios 67 80 72 95 Capítulo 2 - Estilos de Época Capítulo 2 - Estilos de Época - Exercícios LITERATURA 67Curso Enem 2019 | Literatura A Arte da Palavra CAPÍTULO 1 CAPÍTULO 1 A Arte da Palavra Em todos os tempos, em todas as culturas, em todos os lugares, pessoas diferentes e de diferentes culturas e etnias produzem arte. Toda obra de arte é representação da realidade (o que não quer dizer que ela seja a realidade), é um simulacro, é fazer simulando. São inúmeras as maneiras de o homem expressar- se e, a arte, de todas elas, talvez seja a mais sublime. Ela sempre ocupou espaço signifi cativo na sociedade. Toda produção artística pressupõe um criador que expressa certa realidade e nos permite a interpretação dela. O contexto de sua produção pode nos dar pistas sobre seu signifi cado e suas intenções. Toda obra artística interage com um público que passa a ser seu interlocutor. A Literatura é a arte da palavra, ou seja, as palavras são recursos artísticos usados no fazer poético, nas quais está a essência da Literatura. Pode-se dizer que a linguagem empregada na literatura envolve três aspectos distintos e comunicantes: ela é polissêmica, conotativa e subjetiva. Dizer- se polissêmica é pensar no processo literário como múltipo em signifi cados. Ou seja, é arte dotada de linguagem engendrada, de múltiplos sentidos, cujas defi nições são variáveis de acordo com o tempo e contexto em que aparecem. Isso confere a ela também a característica de ser conotativa em sua essência e não ter a obrigatoriedade de transmitir informações objetivas sobre a realidade. Já a subjetividade de textos literários está relacionada ao ponto de partida e o de chegada: EU. OBS: linguagem conotativa ≠ linguagem denotativa Na linguagem conotativa a palavra aparece com outro signifi cado, diferente do dicionário. É passível de interpretações diferentes , dependendo do contexto no qual é empregada. É o sentido fi gurado da palavra. Já a linguagem denotativa é aquela na qual a palavra assume seu sentido literal, ou seja, seu sentido original, o do dicionário. O contexto não interfere em seu signifi cado. Figuras de Linguagem As fi guras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as mensagens contidas nos textos literários. São recursos estilísticos usados no “fazer poético”. Subdividem-se em fi guras de som, fi guras de construção, fi guras de pensamento e fi guras de palavras. Figuras de som Nas fi guras de som, os efeitos voltam-se para a repetição de sons. São aquelas cuja escolha de palavras dá-se em virtude de sua pronúncia. Podem ou não ter a intenção de imitar ou sugerir os sons produzidos por coisas ou seres. • Aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos fonemas consonantais. OBS: a representação gráfi ca não precisa ser a mesma. “Esperando, parada, pregada na pedra do porto.” “Vozes veladas veludosas vozes, Volúpia dos vilões, vozes veladas, Vagam nos velhos vórtices velozes Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas” • Assonância: repetição ordenada de sons vocálicos idênticos (mesma representação gráfi ca, mesma entonação e mesma tonicidade). “Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral.” • Onomatopeia: é o processo de formação de palavras ou fonemas com o objetivo de tentar imitar o barulho de um som, quando são pronunciadas. Ou seja, é a representação gráfi ca de sons. trrrim, trrrim = telefone tocando smack = som de beijo pow = batida, soco, porrada tic-tac = relógio trabalhando bum! = explosão sniff sniff = chorando bang, bang = tiro auau = latido miau = miado de gato grrr = rugido de raiva FIGURAS DE SOM FIGURAS DE CONSTRUÇÃO FIGURAS DE PENSAMENTO FIGURAS DE PALAVRA Aliteração Anáfora Antítese Catacrese Assonância Elipse Paradoxo Metáfora Onomatopeia Zeugma Apóstrofe Comparação Paronomasia Assíndeto Eufemismo Metonímia Polissíndeto Hipérbole Antonimásia Hipérbato Gradação Sinestesia Pleonasmo Ironia Silepse Prosopopeia 68 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 1 Curso Enem 2019 | Literatura A Arte da Palavra Ao ódio venceu o amor. Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio. Dos meus problemas cuido eu! Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas. Correm pelo parque as crianças da rua. Na ordem direta seria: As crianças da rua correm pelo parque • Pleonasmo: repetição de mesma ideia com palavras diferentes. Choramos um choro sentido, mas nos refizemos logo. A ele resta-lhe a boa oportunidade de provar sua inocência. • Silepse: concordância com a ideia implícita da palavra. a) Silepse de número: concordância com a ideia implícita de singular ou plural. “Corria gente de todos os lados e gritavam.” “A família do réu procurou advogado e queriam saber se ele poderia ficar em liberdade durante o processo. b) Silepse de gênero: concordância com a ideia implícita de masculino ou feminino. “Vossa Excelência ficou cansado com o discurso.”“Conheci uma criança... Mimos e castigos pouco podiam com ele.” c) Silepse de pessoa: concordância com a ideia implícita no verbo de que a voz do texto também faz parte do sujeito.“Os brasileiros somos muito crédulos.” “Ambos recusamos praticar este ato.” “Ficamos por aqui, insatisfeitos, os seus amigos..” Figuras de Pensamento São conhecidos por figuras de pensamento os recursos estilísticos utilizados para incrementar o significado das palavras no seu aspecto semântico. Ocorre no campo das ideias, imprimindo um sentido novo àquele convencional. • Antítese: uso de palavras opostas sem, necessariamente, causarem oposição semântica. “Em dias frios prefiro tomar sopa quente.” “Quando um muro separa, uma ponte une.” “Desceu aos pântanos com os tapires; subiu aos Andes com os condores. “Tristeza não tem fim, felicidade sim.” • Paradoxo: construção sem lógica semântica, quando fora de contexto, causada pelo uso de palavras ou ideia que anulam-se numa mesma construção. “Eu fujo ou não sei não, mas é tão duro este infinito espaço ultra fechado”. “Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer.” • Apóstrofe: construção em frase ou verso que funciona como vocativo. “Deus, ó Deus! Onde estás, que não me respondes?” “Mundo! Que é tu para um coração sem amor?!” ”Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal.” • Paronomásia: consiste na aproximação de palavras de sons iguais ou parecidos, grafia semelhante, mas de significados distintos. “O diretor ratificou que ele mesmo fizera as retificações no documento”. ratificar (= confirmar) e retificar (=corrigir) Figuras de Construção As figuras de construção são assim chamadas por que apresentam algum tipo de modificação na estrutura da oração. Nelas, a lógica da organização frasal é alterada. • Anáfora: repetição no início de frases ou versos. “Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres Que ninguém mais merece tanto amor e amizade Que ninguém mais deseja tanta poesia e sinceridade Que ninguém mais precisa tanto da alegria e serenidade”. “Se você gritasse Se você gemesse, Se você tocasse a valsa vienense Se você dormisse, Se você cansasse, Se você morresse... Mas você não morre, Você é duro José!” • Elipse: consiste na omissão de um termo nunca mencionado, facilmente identificável pelo contexto. “Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de havia) “Veio sem pinturas, um vestido leve, sandálias coloridas.” (omissão de usando) • Zeugma: consiste na omissão de um termo já mencionado a fim de evitar repetição. “As quaresmas abriam a flor depois do carnaval, os ipês, em julho.” “A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.” • Assíndeto: ausência das conjunções. O cantor interpretava a canção, o público vaiava. Ele insistia, o público continuava. Ele parou, quebrou o violão, saiu do palco.” “O vento zunia, as folhas caíam.” • Polissíndeto:consiste na repetição de conjunções ligando termos da oração ou elementos do período. “E sob as ondas ritmadas e sob as nuvens e os ventos e sob as pontes e sob o sarcasmo e sob a gosma e sob o vômito (...)”. • Hipérbato: consiste na inversão da ordem direta (sujeito + verbo + complemento) da frase. 69Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 1A Arte da Palavra • Eufemismo: suavização de uma ideia. Enredo é a história que se desencadeia ao longo da “No mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra fazer festinha (= sexo), Macunaíma punha a mão nas graças dela (= órgão sexual feminino), cunhatã se afastava.” “Eu os vi daquele jeito como vieram ao mundo (= nus).” “Você faltou com a verdade (= mentiu).” • Hipérbole: exagero de uma ideia. “Rios te correrão dos olhos, se chorares.” “Brota esta lágrima e cai (...) Mas é rio mais profundo Sem começo e nem fim Que atravessando por este mundo Passa por dentro de mim.” • Gradação: apresentação de ideias em ordem gradativa. Pode ser em clímax (do menor para o maior) ou em anticlímax (de maior para o menor). “Amor é assim – o rato que sai dum buraquinho: é um ratazão, é um tigre leão!” “O trigo nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se mediu-se.” “Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.” • Ironia: afirmação do contrário daquilo que se quer dizer ou do que se pensa. “Meu marido é um santo “só me traiu 3 vezes.” “A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças.” • Prosopopeia: atribuição de características humanas a seres inanimados. “As pedras andam vagarosamente.” “O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego que guia.” “A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.” “Um Frio inteligente, lúcido e seco percorria o jardim, insuflava-se na carne do corpo.“ Figuras de Palavra As figuras de palavras caracterizam-se por apresentarem uma mudança, substituição ou transposição do sentido real da palavra, para assumir um sentido figurado mediante o contexto. Ou seja, quando um vocábulo adquire um significado novo, diferente daquele comumente conhecido. • Catacrese: emprego do sentido figurado das palavras. Muito utilizada na linguagem oral (por exemplo, “perna da mesa”), funciona como uma espécie de metáfora desgastada. asa da xícara batata da perna maçã do rosto pé da mesa braço da cadeira coroa do abacaxi embarcar no trem enterrar um alfinete no dedo • Metáfora: um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. Pode ser entendida como comparação implícita. “O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais” “Amar é mudar a alma de casa.” “A esperança é um urubu pintado de verde.” “A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.” • Comparação ou símile: comparação explícita causada pelo uso do elemento comparativo. “Meu coração tombou na vida tal qual uma estrela ferida pela flecha de um caçador”. “Para a florista, as flores são como beijos são como filhas, são como fadas disfarçadas”. “Meu amor me ensinou a ser simples como um largo de igreja”. • Metonímia: substituição lógica de uma palavra por outra semelhante, mas mantendo uma relação de proximidade entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o substitui. a) Autor pela obra: a. Gosto de ler Machado. (= Gosto de ler os livros de Machado de Assis) b) Continente pelo conteúdo: a. Comi um prato de macarrão! (= Comi todo o macarrão que estava no prato) c) Parte pelo todo: a. Completou dez primaveras (= Completou dez anos) d) Singular pelo plural: a. A mulher conquistou seu lugar! (= Todas as mulheres conquistaram...) e) Marca pelo produto: a. Meu filho adora chicletes. (= Meu filho adora goma de mascar) f) O símbolo pela coisa simbolizada: a. A cruz o salvará! (= A fé o salvará) • Antonomásia: transferência do valor semântico de um nome próprio para um nome comum que contenha uma característica que remeta ao nome próprio. “O rei do futebol ainda não perdeu a majestade!” (= Pelé ainda não perdeu a majestade) “O bruxo do Cosme Velho escreveu histórias maravilhosas.” (= Machado de Assis escreveu histórias maravilhosas). • Sinestesia: combinação de termos que remetem a diferentes sentidos do corpo humano. “Esta chuvinha de água viva esperneando luz e ainda com gosto de mato longe, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema.” “O sol de outono caía com uma luz pálida e macia”. “Dirigiu-lhe uma palavra branca e fria como agradecimento”. 70 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 1 Curso Enem 2019 | Literatura A Arte da Palavra Gêneros Literários Do latim “genus” que significa linhagem, família. O primeiro a empregar a palavra “Gênero” como maneira de organizar e classificar a produção literária foi Aristóteles que agrupou as obras de acordo com características que elas possuíam em co- mum, ou seja, de acordo com semelhanças. Desde então, esse conceito sofreu inúmeras transformações a fim de abarcar os diferentes tipos de texto que vêm surgindo. Ao classificar uma obra quanto ao seu Gênero, estamos levando em consid- eração aspectos relacionados ao conteúdo de um texto que pode ser pertencente ao Gênero Épico, Lírico ou Dramático. Gênero Épico • Narra histórias reais ou fictícias, ambientadas em locais e tempos definidos; • Surgiu na Antiguidade e era usado para narrativas em ver- sos. Atualmente, caracteriza todas as narrativas independen- temente da forma como são estruturadas; • Enredo, personagens, espaço, tempo e ponto de vista são elementos estruturadores do Gênero Épico; • Possui sempre um narrador que é a entidade que transmi- te a mensagem da narrativa. Principais Elementos da Narrativa As espécies do gênero épico estruturam-se a partir de alguns elementos narrativos. São eles: enredo, voz narrativa, espaço, tempo e personagens. Enredo é a história que se desencadeia ao longo da narrativa. Geralmente, seu início tem como tema a contextualizando da trama. Quando o enredo atinge a complexidade, o momento crucial da história, temos o clímax da narrativa. Narrador é a voz por traz da narrativa, quem relata todos os fatos ocorridos. Trata-se de um ser ficcional (exceto em obras autobiográficas) e é a partir do ponto de vista dele que se tem o foco narrativo. • Narrador em primeira pessoa é um narrador persona- gem que retrata os fatos a partir de seu ponto de vista. Sua narrativa é subjetiva e parcial tentando, por vezes, influenciar os interlocutores. • O narrador em terceira pessoa não faz parte da narrati- va, apenas relata os episódios vividos pelos personagens. En- tretanto o modo com ele relata a cena pode ser variado: a) Narrador em terceira pessoa é imparcial. Nega-se a subjetividade para que o autor possa ser um observador dos acontecimentos que permeiam a narrativa. b) Narrador em terceira pessoa onisciente é o narrador que tem completa consciência sobre o universo intro- spectivo dos personagens além de ser também onipres- ente. c) o Narrador de terceira pessoa observador relata os fatos restringindo- se apenas a descrever as característi- cas externas das personagens, pois ele não participa do mundo psicológico do qual esses personagens partici- pam. É um personagem que não participa ativamente da narrativa. Espaço é o local no qual a narrativa é a ambientada. É importante para caracterizar as ações dos personagens bem como para a descrição e formação de seus caráteres. A análise do espaço literário deve estar associada às questões sociais, culturais, econômicas e políticas. O local do qual se fala, assim como a época, é elemento fundamental para identificação do sujeito em um discurso. O Tempo é muito importante em uma obra. É por meio dele que o autor demonstra sua intenção de apresentar a ficção mais próxima ou distanciada da realidade. Ele se divide em: • No tempo cronológico os episódios narrados seguem a linha sequencial e linear, assim os fatos acontecem na própria realidade. • No tempo psicológico, como o nome já sugere, a lógica é a da mente do personagem, quemescla passado e futuro com elementos do tempo presente. NARRADOR PROTAGONISTA os principais acontecimentos são centrados nesta figura. NARRADOR 1a PESSOA - narrador personagem NARRADOR TESTEMUNHA é personagem, mas não é a principal. 3a PESSOA SELETIVO: influencia o leitor a posicionar-se NEUTRO: não influencia o leitor com observações e opiniões. NARRADOR OBSERVADOR: presencia a história, mas só tem uma visão dos fatos. Não é personagem das ações narradas. NARRADOR ONISCIENTE: conhece todos os aspectos da história. Descreve sentimentos, pensamentos e ações. 71Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 1A Arte da Palavra • O tempo histórico é a narrativa baseada em uma história real • Personagens são os seres que atuam na narrativa. O nome que cada um deles possui deve receber atenção por parte do leitor, já que eles têm uma complexa significação. De acordo com definições teóricas, os personagens são classificados em: • Protagonistas: os que desempenham papel principal dentro da narrativa • Antagonistas: personagens que causam o conflito, não necessariamente deve ser uma pessoa, pode ser o clima, o momento político, entre outras intervenções na trama. • Secundários: os que atuam à margem da história, não recebem maior destaque. Tipos de texto do Gênero Épico: I. EPOPEIA • mais antigo texto Épico; • poemas de longa extensão; • destaca as aventuras de um povo por meio de feitos heróicos e memoráveis; • possui a figura do herói = amoral, que se comporta como um semi-deus e que representa os interesses de um povo; • possui caráter histórico e social; • narra fatos passados. II. ROMANCE • narrativa longa possui grande números de personagens • possui narrativas secundárias dentro da história principal a fim de formar o caráter das personagens; • o cenário e o tempo são ilimitados; • a análise psicológica = realismo • personagens vivenciam conflitos interiores • os conflitos e as ações desenvolvem-se de maneira simultânea. III. NOVELA • narrativa situada entre o conto e o romance; • pluralidade dramática; • o tempo cronológico; • há diferentes espaços; • personagens mais elaborados que do conto; • há menos acontecimentos; • os conflitos e as ações desenvolvem-se de maneira sucessiva, seqüencial; • é uma narrativa linear. IV. CONTO • narrativa centrada em um fato/acontecimento; • narrativas orais de antigos povos; • possui poucos personagens; • tempo e o espaço são limitados; • uma só célula dramática. V. CRÔNICA • narrativa breve de fatos cotidianos; • possui linguagem coloquial; • possui humor e crítica a aspectos da vida “moderna”; • retrata o presente no contexto da narrativa. Gênero Lírico • do latim “lirycus”, que significa lira; • no passado, os poemas eram acompanhados por instrumentos musicais, ou seja, eram cantados. na antiguidade surgiu o texto lírico acompanhado por flauta ou pela lira; • são textos voltados para a expressão de sentimentos mais individualizados, como as cantigas de ninar, os lamentos pela morte de alguém os cantares de amor; • lirismo é tudo o que é filtrado pela paixão e pela emoção; • ao passarem da forma cantada para a escrita, alguns elementos que aproximam a música da palavra foram mantidos; • a voz presente nos textos líricos é chamada de eu-lírico ou eu-poético; Notas Sobre O Eu-Lírico: • ele ganha sempre forma no modo especial de construção do poema, na seleção das palavras, na sintaxe, no ritmo; • assim, ele se configura e existe diferente em cada texto; • não pode ser confundido com a pessoa do poeta mesmo quando está em primeira pessoa. Tipos de texto do Gênero Lírico: I. ÉCLOGA • texto de caráter pastoril • ambientado no campo • poema que retrata a vida bucólica • muito comum no arcadismo II. SONETO • é um poema composto por quatro estrofes, sendo as duas primeiras com quatro versos (quartetos) e as duas últimas com três (tercetos); • essa forma perpetuou-se por todos os estilos literários, atingindo a contemporaneidade. 72 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 1 Curso Enem 2019 | Literatura A Arte da Palavra III. ELEGIA • trata-se de um poema no qual a temática pauta-se pela morte ou outros acontecimentos tristes; • texto de caráter fúnebre. IV. ODE • é um poema que exalta valores nobres sob um tom entusiástico; • poema em tom de homenagem. V. HINO • ode destinada à exaltação dos deuses da pátria. Gênero Dramático • do grego “drão” que significa fazer, ação; • textos que foram escritos com o objetivo de serem encenados; • o mundo representado apresenta-se como se existisse por si mesmo; • não há interferência de um narrador; • tudo se projeta para o final através da manutenção da expectativa que desemboca no desfecho; • a interdependência das partes é responsável pela tensão que, por sua vez, exige concentração; • atores agem como se fossem independentes do autor; • encenação cênica (linguagem gestual e sonoplastia); • presença de diálogos e monólogos. Tipos de texto do Gênero Lírico I. AUTO • representação que faz uso de alegoria pra fins místico, pedagógico ou moral. • geralmente são peças breves com tema religioso ou profano. II. COMÉDIA • representação de algo inspirado na vida, a fim de criticar ou satirizar os costumes. III. TRAGÉDIA • representação de um fato trágico com o intuito de obter compaixão. IV. FARSA • peça teatral com características caricaturais e ridículas; • tem como objetivo criticar a sociedade e os costumes. EXERCÍCIOS 1. (Enem 2017) Segundo quadro Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. Durante a mutação, ouve-se um dobrado e vivas a Odorico, “viva o prefeito” etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dirceu, Dulcinéa, o vigário e Odorico. Este último, à janela, discursa. ODORICO – Povo sucupirano! Agoramente já investido no cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do povo que me elegeu. Aplausos vêm de fora. ODORICO – Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito seria ordenar a construção do cemitério. Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena. ODORICO – (Continuando o discurso:) Botando de lado os entretantos e partindo pros finalmente, é uma alegria poder anunciar que prafrentemente vocês lá poderão morrer descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de que vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e cheirosa de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso ao padre na hora da extrema-unção, que tem enterro e cova de graça, conforme o prometido. GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012. O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita nesse trecho de O bem amado, é a a) criticar satiricamente o comportamento de pessoas públicas. b) denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras do interior. c) censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos sociais. d) despertar a preocupação da plateia com a expectativa de vida dos Cidadãos. e) questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos gestores governamentais. 2. (Enem 2018) A Casa de Vidro Houve protestos. Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar. Elas aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam pelo mundo exibindo sua alegre habilidade. (O problema é que muitos, a maioria, não tinham jeito e eram feios de noite, assustadores. Seria melhor prender essa gente – havia quem dissesse.) Houve protestos. Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais e abriram crédito a juros baixos para o agricultor. O dinheiro que sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse! Houve protestos. 73Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 1A Arte da Palavra Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de assaltos) porque precisamos combater a inflação e, como se sabe, quando os salários estão acima do índice de produtiv-idade eles se tornam altamente inflacionários, de modo que. Houve protestos. Proibiram os protestos. E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de Vidro, para acabar com aquele ódio. ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro. 1985. Publicado em 1979, o texto compartilha com outras obras da literatura brasileira escritas no período as marcas do contexto em que foi produzido, como a a) referência à censura e à opressão para alegorizar a falta de liberdade de expressão característica da época. b) valorização de situações do cotidiano para atenuar os sentimentos de revolta em relação ao governo instituído. c) utilização de metáforas e ironias para expressar um olhar crítico em relação à situação social e política do país. d) tendência realista para documentar com verossimilhança o drama da população brasileira durante o Regime Militar. e) sobreposição das manifestações populares pelo discurso oficial para destacar o autoritarismo do momento histórico. 3. (Enem 2018) A imagem integra uma adaptação em quadrinhos da obra Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Na representação gráfica, a inter-relação de diferentes linguagens caracteriza-se por a) romper com a linearidade das ações da narrativa literária. b) ilustrar de modo fidedigno passagens representativas da história. c) articular a tensão do romance à desproporcionalidade das formas. d) potencializar a dramaticidade do episódio com recursos das artes visuais. e) desconstruir a diagramação do texto literário pelo desequilíbrio da composição. 4. (Enem 2018) – Famigerado? [...] – Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável” ... – Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entend- er. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa? – Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos ... – Pois ... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana? – Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, res- peito ... ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana remete ao a) local de origem dos interlocutores. b) estado emocional dos interlocutores. c) grau de coloquialidade da comunicação. d) nível de intimidade entre os interlocutores. e) conhecimento compartilhado na comunicação. 5. (DET-2018) Leia o fragmento a seguir. — "Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras... Estou vindo da Serra..." Sobressalto. Damázio, quem dele não ouvira? O feroz de estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. Fie-se, porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, antenasal, de mim a palmo! Continuava: [...] Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em más margens; pensava, pensava. Cabismeditando. Do que, se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela 74 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 1 Curso Enem 2019 | Literatura A Arte da Palavra crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu monologar. [...]— "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz-megerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...? Fragmento extraído do livro Primeiras Estórias, Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 13. A partir da leitura do trecho anterior, é correto afirmar que em termos temáticos, a) o uso de uma linguagem dicotômica, em termos sociais, impede a percepção das esferas do letrado e do iletrado. b) a preocupação com a retratação do exterior, o físico, é abrandada a fim de dar lugar ao mundo psicológico do personagem. c) o uso de períodos curtos, bem como de uma sintaxe sinuosa se dá pelo caráter árido da linguagem do sertão. d) a utilização de neologismos traz ao texto certa erudição que contrasta com a literatura vinculada a temas populares. e) a mudança de comportamento de Damásio frente ao seu interlocutor se apresenta de maneira a revelar a riqueza cultural exaltada pela sociedade brasileira. 6. (Enem 2ª aplicação 2016) O bonde abre a viagem, No banco ninguém, Estou só, stou sem. Depois sobe um homem, No banco sentou, Companheiro vou. O bonde está cheio, De novo porém Não sou mais ninguém. ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Vila Rica, 1993. O desenvolvimento das grandes cidades e a consequente concentração populacional nos centros urbanos geraram mudanças importantes no comportamento dos indivíduos em sociedade. No poema de Mário de Andrade, publicado na década de 1940, a vida na metrópole aparece representada pela contraposição entre a) a solidão e a multidão. b) a carência e a satisfação. c) a mobilidade e a lentidão. d) a amizade e a indiferença. e) a mudança e a estagnação. As páginas reproduzidas a seguir fazem parte de publicação do Instituto A gente transforma. Seus componentes apresentam- se assim: “Nós somos um movimento que nasceu a partir de um impulso, uma inquietação e entendimento da necessidade de valorização do ser humano e seus saberes legítimos ancestrais, como ferramenta de transformação e liberdade.” Usam o design como ferramenta para expor a alma brasileira, a partir do mergulho na cultura dos povos que formam o nosso país. Observe com cuidado o conjunto abaixo reproduzido. Ancestralidade Quando o antigo bogoió foi encontrado na casa de dona Chica, em 2012, as artesãs perceberam que o futuro estava no passado. Ou melhor, que o futuro estava no conhecimento, na ancestralidade, na cultura, na fé e na resistência representada pelo artesanato. O artesanato tem o espírito da resistência e da rebeldia. Não há peças iguais em Várzea Queimada. Elas carregam a personalidade de seus autores. O antigo e o novo se misturam na Toca das Possibilidades. Aqui, não há limites para a criatividade. (Instituto A gente transforma: Várzea Queimada. p. 8, 9 e 15) 7. (Puccamp 2017) Sobre o que se tem no texto, afirma-se com correção: a) Palavras de sentido oposto, que normalmente se excluiriam, estão combinadas, para reforçar a expressão, em as artesãs perceberam que o futuro estava no passado. b) A expressão Ou melhor introduz uma retificação, visto que a palavra futuro, usada na frase anterior, não foi empregada em seu sentido próprio. c) As formas verbais empregadas para expressar as ações, em foi encontrado e perceberam, impedem que essas sejam entendidas como concomitantes. d) Se, em lugar do verbo “haver”, em Não há peças iguais em Várzea Queimada, tivesse sido empregado “existir”, este verbo deveria também ser usado no singular, para que fosse mantida a correção gramatical. e) No contexto em que a palavra Aqui foi empregada, ela deve ser entendida como reportando aos centros produtores de artesanato no Brasil. 8. (Enem 2017) O farrista Quando o almirante Cabral Pôs as patas no Brasil O anjo da guarda dos índios Estava passeando em Paris. Quando ele voltou de viagem O holandês já está aqui. O anjo respira alegre: “Não faz mal, isto é boa gente, Vou arejar outra vez.” O anjo transpôs a barra, Diz adeus a Pernambuco, Faz barulho, vuco-vuco, Tal e qual o zepelim 75Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 1A Arte da Palavra Mas deu um vento no anjo, Ele perdeu a memória... E não voltou nunca mais. MENDES. M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1992 A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do Modernismo, cujas propostas estéticas transparecem, no poema, por um eu lírico que a) configura um ideal de nacionalidade pela integração regional. b) remonta ao colonialismo assente sob um viés iconoclasta. c)repercute as manifestações do sincretismo religioso. d) descreve a gênese da formação do povo brasileiro. e) promove inovações no repertório linguístico. 9. (Enem 2018) Quebranto às vezes sou o policial que me suspeito me peço documentos e mesmo de posse deles me prendo e me dou porrada às vezes sou o porteiro não me deixando entrar em mim mesmo a não ser pela porta de serviço [...] às vezes faço questão de não me ver e entupido com a visão deles sinto-me a miséria concebida como um eterno começo fecho-me o cerco sendo o gesto que me nego a pinga que me bebo e me embebedo o dedo que me aponto e denuncio o ponto em que me entrego. às vezes!... CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza. 2007 (fragmento). Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recor- rente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico a) incorpora seletivamente o discurso do seu opressor. b) submete-se à discriminação como meio de fortalecimen- to. c) engaja-se na denúncia do passado de opressão e injus- tiças. d) sofre uma perda de identidade e de noção de pertenci- mento. e) acredita esporadicamente na utopia de uma sociedade igualitária. 10. (Enem 2017) Contranarciso em mim eu vejo o outro e outro e outro enfim dezenas trens passando vagões cheios de gente centenas o outro que há em mim é você você e você assim como eu estou em você eu estou nele em nós e só quando estamos em nós estamos em paz mesmo que estejamos a sós LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras. 2013. A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No poema, essa nova dimensão revela a a) ausência de traços identitários. b) angústia com a solidão em público. c) valorização da descoberta do “eu” autêntico. d) percepção da empatia como fator de autoconhecimento. e) impossibilidade de vivenciar experiências de pertencimento. 11. (Enem 2014) 17 23. (Enem 2014) O objeto escultórico produzido por Lygia Clark, representante do Neoconcretismo, exemplifica o início de uma vertente importante na arte contemporânea, que amplia as funções da arte. Tendo como referência a obra Bicho de bolso, identifica-se essa vertente pelo(a) A) participação efetiva do espectador na obra, o que determina a proximidade entre arte e vida. B) percepção do uso de objetos cotidianos para a confecção da obra de arte, aproximando arte e realidade. C) reconhecimento do uso de técnicas artesanais na arte, o que determina a consolidação de valores culturais. D) reflexão sobre a captação artística de imagens com meios óticos, revelando o desenvolvimento de uma linguagem própria. E) entendimento sobre o uso de métodos de produção em série para a confecção da obra de arte, o que atualiza as linguagens artísticas. 24. (Enem cancelado 2009) Texto A Texto B Metaesquema I Alguns artistas remobilizam as linguagens geométricas no sentido de permitir que o apreciador participe da obra de forma mais efetiva. Nesta obra, como o próprio nome define: meta — dimensão virtual de movimento, tempo e espaço; esquema — estruturas, os Metaesquemas são estruturas que parecem 76 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 1 Curso Enem 2019 | Literatura A Arte da Palavra O objeto escultórico produzido por Lygia Clark, representante do Neoconcretismo, exemplifica o início de uma vertente importante na arte contemporânea, que amplia as funções da arte. Tendo como referência a obra Bicho de bolso, identifica-se essa vertente pelo(a) a) participação efetiva do espectador na obra, o que determina a proximidade entre arte e vida. b) percepção do uso de objetos cotidianos para a confecção da obra de arte, aproximando arte e realidade. c) reconhecimento do uso de técnicas artesanais na arte, o que determina a consolidação de valores culturais. d) reflexão sobre a captação artística de imagens com meios óticos, revelando o desenvolvimento de uma linguagem própria. e) entendimento sobre o uso de métodos de produção em série para a confecção da obra de arte, o que atualiza as linguagens artísticas. 12. (Unicamp 2018) O poema abaixo é de autoria do poeta Augusto de Campos, integrante do movimento concretista. Nesse poema, nota-se uma técnica de composição que con- siste Faz inveja pra gente Que não tem mulher No jacutá de preto velho Há uma festa de yaô Ôi tem nêga de Ogum De Oxalá, de lemanjá Mucama de Oxossi é caçador Ora viva Nanã Nanã Buruku Yô yoo Yô yooo No terreiro de preto velho iaiá Vamos saravá (a quem meu pai?) Xangô! VIANA, G. Agó, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997. A canção Yaô foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, em parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto mistura o português com o iorubá, língua usada por africanos escravizados trazidos para o Brasil. Ao fazer uso do iorubá nessa composição, o autor a) promove uma crítica bem-humorada às religiões afro- brasileiras, destacando diversos orixás. b) ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva na produção musical brasileira. c) evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter de resistência à dominação do branco. d) deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza a constituição do povo brasileiro. e) expressa os rituais africanos com maior autenticidade, respeitando as referências originais. Leia o fragmento e observe a imagem para responder à questão. A mulher era uma pena na cidade grande. E a cidade grande se lhe exibia como uma prostituta na vitrine. E se insinuava, sorrateira, entre um e outro setor. Vista num relance, seu conjunto urbano parecia se erigir em meio aos interstícios de sonhos diacrônicos, que, unidos, formavam um mosaico por meio de cujo vislumbre o presente e o passado conviviam na forma arquitetônica de seus prédios. Era antiga e nova ao mesmo tempo. Essa cidade grande se chamava Trude e era fruto de um desejo e de uma realidade. [...] Então Heloíse Dena passou a sentir muito medo. Não da cidade em si, nem dos perigos e dos riscos multiplicados pela configuração da urbe imensa. Seu medo era de algo mais profundo, menos aparente. No fundo, receava não conseguir viver o contexto de uma busca e de um encontro em meio a tantos e tão altos prédios. Por essa época, só se sentia realmente à vontade dentro de seu carro, quando estava com os vidros fechados e as portas trancadas. FREITAS, Ewerton. As metades invisíveis. São Paulo: Ixtlan, 2010. p. 130. a) na disposição arbitrária de anagramas, sem produzir uma relação de sentido com o título do poema. b) na disposição exaustiva de anagramas, sem produzir uma relação de sentido com o título do poema. c) na disposição arbitrária de anagramas, para produzir uma relação de sentido com o título do poema. d) na disposição exaustiva de anagramas, para produzir uma relação de sentido com o título do poema. 13. (Enem 2015) Yaô Aqui có no terreiro Pelú adié 77Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 1A Arte da Palavra 14. (UEG 2017) Verificam-se, no fragmento e na pintura, respectivamente, as seguintes figuras: a) catacrese e paradoxo. b) hipérbole e catacrese. c) metonímia e hipérbole. d) paradoxo e prosopopeia. e) prosopopeia e metonímia. Trenzinho do Caipira (Para ser cantada com a música da Bachianas nº 2, Tocata de Villa-Lobos) [...] lá vai o trem com o menino lá vai a vida a rodar lá vai ciranda e destino cidade e noite a girar lá vai o trem sem destino pro dia novo encontrar correndo vai pela terra vai pela serra vai pelo mar cantando pela serra do luar correndo entre as estrelas a voar no ar piuí piuípiuí no ar [...] Ferreira Gullar In: Poema sujo. Letra da Bachianas nº 2 – Tocata – de Heitor Villa-Lobos. 15. (DET-2018) A partir da leitura do texto acima, assinale a alternativa correta. a) A métrica irregular se mostra predominante nos versos do poema. b) O poeta traz da oralidade as expressões “lá vai” e “pro”, fazendo com que a poesia absorva as incorreções da fala brasileira. c) O texto explicita as diferenças socioculturais brasileiras no modo de manejar a língua, trabalhando a formalidade discursiva por meio de metaforizações bem construídas. d) A recorrência de sons semelhantes, como o “erra” de “terra”, serra”; o “ar” de “rodar”, girar” “encontrar”, “mar”, luar”, “voar” e “ar” ressaltam certa precariedade da linguagem popular. e) A linguagem sugere, no poema, o movimento cíclico das rodas da locomotiva, pois o movimento circular faz girar a vida, a ciranda, o destino, a cidade e a noite. Texto para a questão a seguir. Sonetilho do falso Fernando Pessoa Onde nasci, morri. Onde morri, existo. E das peles que visto muitas há que não vi. Sem mim como sem ti posso durar. Desisto de tudo quanto é misto e que odiei ou senti. Nem Fausto nem Mefisto, à deusa que se ri deste nosso oaristo*, eis‐me a dizer: assisto além, nenhum, aqui, mas não sou eu, nem isto. Carlos Drummond de Andrade. Claro Enigma. *conversa íntima entre casais. Ulisses O mito é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus É um mito brilhante e mudo ‐ O corpo morto de Deus, Vivo e desnudo. Este, que aqui aportou, Foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo E nos criou. Assim a lenda se escorre A entrar na realidade, E a fecundá‐la decorre. Em baixo, a vida, metade De nada, morre. Fernando Pessoa. Mensagem. 16. (Fuvest 2019) O oxímoro é uma “figura em que se com- binam palavras de sentido oposto que parecem excluir‐se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão” (HOUAISS, 2001). No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o emprego dessa figura de linguagem ocorre em: a) “Onde morri, existo” (v. 2). 20 B) o verso Isso é irônico, e é irônico como exemplo de repetição positiva, por valorizar a composição musical, mesmo considerando que não acrescenta traço algum de sentido à frase. C) como manifestação de traços irônicos de que trata a canção o que se lê na terceira estrofe, porque é incomum, e até incoerente, expressar afeto por meio de referências a vídeo do Youtube e celebridades de TV. D) que em ambos os textos se confessa a incapacidade de traduzir o sentido da palavra “amor”; a diferença de atitude afetiva entre os que se expressam deve ser atribuída às determinações do contexto de produção, um, do século XXI, o outro, do século XX. E) que, na segunda estrofe da canção, em que se entrevê o fingimento na arte, a autora amplia as possibilidades de sentido explorando gírias e variações próprias do uso informal da língua. Leia o fragmento e observe a imagem para responder à questão. A mulher era uma pena na cidade grande. E a cidade grande se lhe exibia como uma prostituta na vitrine. E se insinuava, sorrateira, entre um e outro setor. Vista num relance, seu conjunto urbano parecia se erigir em meio aos interstícios de sonhos diacrônicos, que, unidos, formavam um mosaico por meio de cujo vislumbre o presente e o passado conviviam na forma arquitetônica de seus prédios. Era antiga e nova ao mesmo tempo. Essa cidade grande se chamava Trude e era fruto de um desejo e de uma realidade. [...] Então Heloíse Dena passou a sentir muito medo. Não da cidade em si, nem dos perigos e dos riscos multiplicados pela configuração da urbe imensa. Seu medo era de algo mais profundo, menos aparente. No fundo, receava não conseguir viver o contexto de uma busca e de um encontro em meio a tantos e tão altos prédios. Por essa época, só se sentia realmente à vontade dentro de seu carro, quando estava com os vidros fechados e as portas trancadas. FREITAS, Ewerton. As metades invisíveis. São Paulo: Ixtlan, 2010. p. 130. 28. (UEG 2017) Verificam-se, no fragmento e na pintura, respectivamente, as seguintes figuras: a) catacrese e paradoxo. b) hipérbole e catacrese. c) metonímia e hipérbole. d) paradoxo e prosopopeia. e) prosopopeia e metonímia. 20 B) o verso Isso é irônico, e é irônico como exemplo de repetição positiva, por valorizar a composição musical, mesmo considerando que não acrescenta traço algum de sentido à frase. C) como manifestação de traços irônicos de que trata a canção o que se lê na terceira estrofe, porque é incomum, e até incoerente, expressar afeto por meio de referências a vídeo do Youtube e celebridades de TV. D) que em ambos os textos se confessa a incapacidade de traduzir o sentido da palavra “amor”; a diferença de atitude afetiva entre os que se expressam deve ser atribuída às determinações do contexto de produção, um, do século XXI, o outro, do século XX. E) que, na segunda estrofe da canção, em que se entrevê o fingimento na arte, a autora amplia as possibilidades de sentido explorando gírias e variações próprias do uso informal da língua. Leia o fragmento e observe a imagem para responder à questão. A mulher era uma pena na cidade grande. E a cidade grande se lhe exibia como uma prostituta na vitrine. E se insinuava, sorrateira, entre um e outro setor. Vista num relance, seu conjunto urbano parecia se erigir em meio aos interstícios de sonhos diacrônicos, que, unidos, formavam um mosaico por meio de cujo vislumbre o presente e o passado conviviam na forma arquitetônica de seus prédios. Era antiga e nova ao mesmo tempo. Essa cidade grande se chamava Trude e era fruto de um desejo e de uma realidade. [...] Então Heloíse Dena passou a sentir muito medo. Não da cidade em si, nem dos perigos e dos riscos multiplicados pela configuração da urbe imensa. Seu medo era de algo mais profundo, menos aparente. No fundo, receava não conseguir viver o contexto de uma busca e de um encontro em meio a tantos e tão altos prédios. Por essa época, só se sentia realmente à vontade dentro de seu carro, quando estava com os vidros fechados e as portas trancadas. FREITAS, Ewerton. As metades invisíveis. São Paulo: Ixtlan, 2010. p. 130. 28. (UEG 2017) Verificam-se, no fragmento e na pintura, respectivamente, as seguintes figuras: a) catacrese e paradoxo. b) hipérbole e catacrese. c) metonímia e hipérbole. d) paradoxo e prosopopeia. e) prosopopeia e metonímia. 78 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 1 Curso Enem 2019 | Literatura A Arte da Palavra b) “E das peles que visto / muitas há que não vi” (v. 3-4). c) “Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti” (v. 6‐8). d) “à deusa que se ri / deste nosso oaristo” (v. 10‐11). e) “mas não sou eu, nem isto” (v. 14). 17. (UERN 2015) Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a classificação dos textos. Busque Amor novas artes, novo engenho, Para matar-me, e novas esquivanças; Que não pode tirar-me as esperanças, Que mal me tirará o que eu não tenho. (Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 1961. Fragmento.) Porém já cinco sóis eram passados Que dali nos partíramos, cortando Os mares nunca doutrem navegados, Prosperamente os ventos assoprando, Quando uma noite, estando descuidados Na cortadora proa vigiando, Uma nuvem, que os ares escurece, Sobre nossas cabeças aparece. (Camões, L. V. Os Lusíadas. Abril Cultural, 1979. São Paulo. Fragmento.) a) Épico e lírico. b) Lírico e épico. c) Lírico e dramático. d) Dramático e épico. e) E) Épico e Épico. 18. (Enem 2017) Aí pelas três da tarde Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde inve- jáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço,seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansa- do, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repen- te sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo “ciao” ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que es- tiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na me- dida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como e reti- rasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mí- nimas, quem sabe até em pelo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. NASSAR, R. Menina a caminho. São Paulo: Cia. das Letras. 1997. Em textos de diferentes gêneros, algumas estratégias argu- mentativas referem-se a recursos linguístico-discursivos mo- bilizados para envolver o leitor. No texto, caracteriza-se como estratégia de envolvimento a a) prescrição de comportamentos, como em: “[...] largue tudo de repente sob os olhares a sua volta [...]”. b) apresentação de contraposição, como em: “Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto [...]”. c) explicitação do interlocutor, como em: “[...] (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído) [...]”. d) descrição do espaço, como em: “Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom-senso do mundo [...]”. e) construção de comparações, como em: “[...] libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como se retirasse a importância das coisas [...]”. 19. (Enem 2016) Primeira lição Os gêneros de poesia são: lírico, satírico, didático, épico, ligeiro. O gênero lírico compreende o lirismo. Lirismo é a tradução de um sentimento subjetivo, sincero e pessoal. É a linguagem do coração, do amor. O lirismo é assim denominado porque em outros tempos os versos sentimentais eram declamados ao som da lira. O lirismo elegíaco compreende a elegia, a nênia, a endecha, o epitáfio e o epicédio. Elegia é uma poesia que trata de assuntos tristes. Nênia é uma poesia em homenagem a uma pessoa morta. Era declamada junto à fogueira onde o cadáver era incinerado. Endecha é uma poesia que revela as dores do coração. Epitáfio é um pequeno verso gravado em pedras tumulares. Epicédio é uma poesia onde o poeta relata a vida de uma pessoa morta. CESAR, A. C. Poética, São Paulo: Companhia das Letras, 2013. No poema de Ana Cristina Cesar, a relação entre as definições apresentadas e o processo de construção do texto indica que o(a) a) caráter descritivo dos versos assinala uma concepção irônica de lirismo. b) tom explicativo e contido constitui uma forma peculiar de expressão poética. c) seleção e o recorte do tema revelam uma visão pessimista da criação artística. d) enumeração de distintas manifestações líricas produz um efeito de impessoalidade. e) referência a gêneros poéticos clássicos expressa a adesão do eu lírico às tradições literárias. 79Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 1A Arte da Palavra Fernando Pessoa. Mensagem. 20. (Enem 2018) Eu sobrevivi do nada, do nada Eu não existia Não tinha uma existência Não tinha uma matéria Comecei existir com quinhentos milhões e quinhentos mil anos Logo de uma vez, já velha Eu não nasci criança, nasci já velha Depois é que eu virei criança E agora continuei velha Me transformei novamente numa velha Voltei ao que eu era, uma velha PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org.). Reino dos bichos e dos animais é meu nome. Rio de Janeiro: Azougue, 2009. Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da ex- pressão lírica manifesta-se na a) representação da infância, redimensionada no resgate da memória. b) associação de imagens desconexas, articuladas por uma fala delirante. c) expressão autobiográfi ca, fundada no relato de experiências de alteridade. d) incorporação de elementos fantásticos, explicitada por versos incoerentes. e) transgressão à razão, ecoada na desconstrução de referências temporais. 21. (Enem 2018) Ó Pátria amada. Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde-louro dessa fl âmula — “Paz no futuro e glória no passado.” Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um fi lho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte. Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos fi lhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil! Hino Nacional do Brasil. Letra: Joaquim Osório Duque Estrada. Música: Francisco Manuel da Silva (fragmento). O uso da norma-padrão na letra do Hino Nacional do Brasil é justifi cado por tratar-se de um(a) a) reverência de um povo a seu país. b) gênero solene de característica protocolar. c) canção concebida sem interferência da oralidade. 1 A 7 A 13 B 19 A 2 C 8 B 14 E 20 E 3 D 9 A 15 E 21 B 4 C 10 D 16 A 5 B 11 A 17 B 6 A 12 D 18 D GABARITO d) escrita de uma fase mais antiga da língua portuguesa. e) artefato cultural respeitado por todo o povo brasileiro. Curso Enem 2019 | Literatura80 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Estilos de Época Estilos de Época ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES Trovadorismo Idade Média Feudalismo: nobreza, clero, servos Cruzadas Teocentrismo Formação do Estado português Amor cortês Vassalagem amorosa Cantigas lírico-amorosas de Amor e de Amigo Cantigas satíricas de escárnio e de maldizer Novelas de cavalaria Paio Soares de Taveirós D. Dinis Pero da Ponte Martim Codax Humanismo Crise do feudalismo Surgimento da burguesia Teocentrismo e antropocentrismo Início do estudo das obras Greco- latinas Revolução de Avis Reconhecimento dos valores humanos Denúncia em relação às classes dominantes Criação da imprensa = música e poesia independentes Surgimentos de novos tipos de texto: Historiografi a Prosa doutrinária Poesia palaciana Teatro (auto) Fernão Lopes Gil Vicente Garcia de Resende Classicismo Ascensão da burguesia Centralização do poder Reforma Protestante Grandes Navegações Invenções e progresso científi co Culto aos clássicos Neoplatonismo Mitologia Greco-latina Antropocentrismo Racionalismo Linguagem erudita Dolce stil nuovo Estaticidade e sobriedade clássicas Camões Sá de Miranda Antônio Ferreira João de Barros Barroco Estados absolutistas Contrarreforma"; Companhia de Jesus e Concílio de Trento Desaparecimento do rei D. Sebastião Domínio espanhol sob Portugal Rebuscamento da forma (Cultismo) Rebuscamento do conteúdo (Conceptismo) Tentativa de conciliar opostos Preferência por aspectos dinâmicos, dramáticos Padre Antônio Vieira D. Francisco Manuel de Melo Padre Manuel Bernardes Frei Luis de Sousa Portugal CAPÍTULO 2 81Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES Arcadismo Iluminismo Independência dos EUA Revolução Francesa Primeira Revolução Industrial Liberalismo econômico Ascensão política da burguesia Expulsão dos jesuítas de Portugal Fundação das arcádias Novo interesse pelos clássicos Predomínio da razão Restabelecimento do equilíbrio Simplicidade Desprezo aos exageros barrocos Carpe diem Locus amoenus Inutilia truncat Áurea mediocritas Fugere urbem Literatura de elite Universalismo Linguagem erudita Mitologia pagã Regras e convenções Bocage Antônio Dinis da Cruz e Silva Filinto Elisio Nicolau Tolentino Marquesa de Alorna RomantismoTriunfo da burguesia Popularização das artes Liberalismo econômico Napoleão invade Portugal Vinda da Família Real para o Brasil Individualismo Subjetivismo Fuga da realidade Literatura aproxima-se do povo Nacionalismo Linguagem popular Religiosidade cristã Liberdade de criação Almeida Garret Alexandre Herculano Camilo Castelo Branco Soares de Passos João de Deus Soares de Passos Realismo e Naturalismo Segunda Revolução Industrial Cientifi cismo Objetividade Predomínio da razão Observação, análise e denúncia dos males sociais Criação do romance de análise Aceitação dos determinismos científi cos Eugênio de Castro Antônio Nobre Camilo Pestanha Simbolismo Neocolonialismo Ultimato Inglês Musicalidade Sinestesia Valorização da intuição Sugestão, evocação da realidade Mergulho no inconsciente Eugênio de Castro Antônio Nobre Camilo Pestanha Modernismo Primeira Guerra Mundial Revolução Russa Ascensão dos Estados Unidos a potência mundial Totalitarismo Segunda Guerra Mundial Guerra Fria Conquista espacial Terceira Revolução Industrial Dissolução da União Soviética Rejeição da tradição Liberdade de criação Vanguardas Europeias Teixeira de Pascoaes Mário de Sá-Carneiro Fernando Pessoa e seus heterônimos José Régio José Saramago 82 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época ESTILOS DE ÉPOCA BRASIL ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES Quinhentismo 1500: descobrimento do Brasil. 1530: início das expedições de exploração e povoamento. 1534: criação das capitanias hereditárias. 1549: vinda dos jesuítas (catequese dos índios e fundação dos primeiros colégios). Literatura documental sobre o Brasil escrita por portugueses (que acompanhavam as expedições) e por viajantes estrangeiros Literatura pedagógica dos jesuítas visando à catequese dos índios e à orientação moral e espiritual dos colonos Padre José de Anchieta Pero Vaz Caminha Barroco Ciclo da cana-de-açúcar Bahia e Pernambuco: centros econômicos e culturais Bandeiras Invasões Rebuscamento da forma (cultismo ou gongorismo). rebuscamento do conteúdo (conceptismo) Tentativa de conciliação de opostos e culto dos contrastes Preferência por aspectos dramáticos. Presença do gênero sermão Bento Teixeira Gregório de Matos Guerra Padre Antônio Vieira Arcadismo Ciclo da mineração Mudança do eixo econômico e cultural para Minas Gerais e Rio de Janeiro Inconfi dência Mineira Novo interesse pelos clássicos Racionalismo. Equilíbrio, harmonia Simplicidade, desprezo aos exageros barrocos (inutilia truncat) Fugere urbem. Fingimento poético Pseudônimos pastoris Carpe diem Universalismo Linguagem erudita Cláudio Manuel da Costa (Glauceste Satúrnio). Tomás Antônio Gonzaga (Dirceu). Silva Alvarenga (Termindo Sipílio). Santa Rita Durão. Romantismo Independência do Brasil Primeiro Reinado Abdicação Regência Segundo Reinado Revoltas Internas e Guerras Guerra do Paraguai. Abolição Proclamação da República Individualismo Subjetivismo Fuga da realidade através do sonho, da morte, da natureza, do tempo, da infância, da boemia (escapismo) emoção Liberdade de criação. nacionalismo Linguagem popular POESIA: 1a geração nacionalista ou indianista); 2a geração byroniana ou do mal do século, 3 a geração condoreira; PROSA: romance urbano ou de costume, indianista e regionalista Gonçalves de Magalhães. Gonçalves Dias. Àlvares de Azevedo. Casimiro de Abreu. Castro Alves 83Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES Realismo Segunda Revolução Industrial. Cientifi cismo: socialismo, científi co, positivismo, evolucionismo, determinismo Libertação dos escravos Fim da Monarquia Proclamação da República. Imigração. Análise psicológica. Romance documental Expressão indireta Cientifi cismo: positivismo e determinismo Valores anticlericais, antimonárquicos e antirromânticos Retrato do real que permita denunciar aspectos negativos da sociedade Racionalismo Objetividade Criticidade Temas de interesse coletivo (adultério, corrupção, etc.) Machado de Assis Raul Pompéia Naturalismo Independência do Brasil Primeiro Reinado Abdicação Regência Segundo Reinado revoltas internas e guerras Guerra do Paraguai. Abolição Proclamação da República Literatura a serviço da ciência. Personagens tratadas com olhar científi co Olhar racional e objetivo para a realidade Cientifi cismo: positivismo e determinismo Expressão direta - anticlericais, antimonárquicos e antirromânticos Retrato do real que permita denunciar aspectos negativos da sociedade Aluísio Azevedo Inglês de Sousa Domingos Olímpio Parnasianismo Independência do Brasil Primeiro Reinado Abdicação Regência Segundo Reinado Revoltas Internas e Guerras Guerra do Paraguai Abolição Proclamação da República Racionalismo Objetivismo Impessoalidade para com o Objeto do poema Perfeição formal Arte pela arte Olavo Bilac Raimundo Correia Alberto de Oliveira Simbolismo neocolonialismo no Brasil Primeira República. Revolta da Armada. Revolta Federalista. Canudos. Idealismo Misticismo Metafísica Valorização da intuição, dos sentidos e das sensações. sugestão, evocação da realidade Mergulho no inconsciente. Musicalidade Mistério Ideal da arte absoluta Correspondências simbólicas entre o mundo visível e as essências Cruz e Sousa Alphonsus de Guimarães 84 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES Pré- Modernismo República do café-com-leite economia cafeeira Imigrações Urbanização de São Paulo agitações sociais Desejo de mostrar o Brasil real aos brasileiros Crítica à realidade social e econômica Linguagem mais próxima do texto jornalístico Produção conservadora com características realistas/ naturalistas e parnasiano- simbolistas Produção inovadora com visão crítica da realidade para denunciar desequilíbrios sociais Euclides da Cunha Lima Barreto Monteiro Lobato Augusto dos Anjos Modernismo Imigração Industrialização Expansão das cidades Crescimento da pequena Burguesia e do proletariado PRIMEIRA FASE (1922- 1930): ruptura com modelos tradicionais, experimentação, coloquialismo, humor e nacionalismo exacerbado. Predomínio da poesia SEGUNDA FASE (1930- 1945): consolidação das conquistas da primeira fase, amadurecimento formal. prosa: era do romance, regionalismo poesia: coexistência do verso livre e do metrifi cado; temática social e lírico- introspectiva TERCEIRA FASE (1945- ...): prosa: pesquisa formal e de linguagem, tensão regional/ universal. poesia: geração de 45 – preocupação universalista concretismo e poesia-práxis – experimentação com a linguagem da poesia social Contracultura Alta cultura x cultura de massa PRIMEIRA FASE Mário De Andrade, Oswald de Andrade E Manuel Bandeira SEGUNDA FASE Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Graciliano Ramos, Jorge Amado, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e Érico Veríssimo (3ª FASE) TERCEIRA FASE João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gulllar, Ana Cristina César, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Rubem Fonseca 85Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época Literatura 89 TROVADORISMO Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, Troutbeck, Inglaterra Ilumninura do Tacuinum, c.1400 Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de Martim Codax Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna (1255-1319) Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA Literatura 89 TROVADORISMO Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, Troutbeck, Inglaterra Ilumninura do Tacuinum, c.1400 Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de Martim Codax Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna (1255-1319) Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA Literatura 89 TROVADORISMO JesusCristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, Troutbeck, Inglaterra Ilumninura do Tacuinum, c.1400 Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de Martim Codax Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna (1255-1319) Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA Literatura 89 TROVADORISMO Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, Troutbeck, Inglaterra Ilumninura do Tacuinum, c.1400 Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de Martim Codax Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna (1255-1319) Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA TROVADORISMO Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, Troutbeck, Inglaterra Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna (1255- 1319) Ilumninura do Tacuinum, c.1400 Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de Martim Codax 86 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época 90 Literatura HUMANISMO Um banqueiro e sua esposa, Quentin Metsys. CLASSICISMO Sandro Botticelli , O nascimento da vênus Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA 90 Literatura HUMANISMO Um banqueiro e sua esposa, Quentin Metsys. CLASSICISMO Sandro Botticelli , O nascimento da vênus Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA HUMANISMO CLASSICISMO Um banqueiro e sua esposa, Quentin Metsys. Sandro Botticelli , O nascimento da vênus 87Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época Literatura 91 Leonardo Da Vinci , Monalisa Michelangelo, A Criação de Adão Leonardo da Vinci, A dama do arminho Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA Leonardo Da Vinci , Monalisa Michelangelo, A Criação de Adão Leonardo da Vinci, A dama do arminho 88 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época 92 Literatura QUINHENTISMO Terra Brasilis, mapa de Lopo Homem, da obra Atlas Miller, 1515-1519. Oscar Pereira da Silva / Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500, 19002 Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA QUINHENTISMO Terra Brasilis, mapa de Lopo Homem, da obra Atlas Miller, 1515-1519. Oscar Pereira da Silva / Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500, 19002 89Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época Literatura 93 BARROCO Caravaggio, Judite decapitando Holofernes. Bernini, Êxtase da Santa Teresa. Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA BARROCO Caravaggio, Judite decapitando Holofernes. Bernini, Êxtase da Santa Teresa. 90 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época ARCADISMO ROMANTISMO Balthasar Paul Ommeganck - Paisagem do rio com pastor e ovelhas Navio Em Mares Tempestuosos – Ivan Aivazovsky Constantinovich 91Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época Conde de Clarac – Floresta virgem do Brasil Pedro José Pinto Peres – Elevação da cruz em Porto Seguro 92 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época 96 Literatura Rodolfo Amoedo, Nu REALISMO Arrufos, Belmiro de Almeida Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA 96 Literatura Rodolfo Amoedo, Nu REALISMO Arrufos, Belmiro de Almeida Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA REALISMO Rodolfo Amoedo, Nu Arrufos, Belmiro de Almeida 93Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época Literatura 97 NATURALISMO A dificuldade da pobreza, 1889, Thomas Benjamin Kennington A colheita, 1880, Julien Dupré Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA NATURALISMO A difi culdade da pobreza, 1889, Thomas Benjamin Kennington A colheita, 1880, Julien Dupré 94 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época 98 Literatura MODERNISMO Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela – 61 X 51 Cm Tarsila Do Amaral Retrato De Oswald De Andrade,1922 Lasar Segall - Duas Amigas, 1913 Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA 98 Literatura MODERNISMO Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela – 61 X 51 Cm Tarsila Do Amaral Retrato De Oswald De Andrade,1922 Lasar Segall - Duas Amigas, 1913 Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA 98 Literatura MODERNISMO Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela – 61 X 51 Cm Tarsila Do Amaral Retrato De Oswald De Andrade,1922 Lasar Segall - Duas Amigas, 1913 Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA 98 Literatura MODERNISMO Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela – 61 X 51 Cm Tarsila Do Amaral Retrato De Oswald De Andrade,1922 Lasar Segall - Duas Amigas, 1913 Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA MODERNISMO Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, Lasar Segall - Duas Amigas, 1913 Tarsila Do Amaral Retrato De Oswald De Andrade,1922 Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela – 61 X 51 Cm 95Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época Literatura 99 Tarsila Do Amaral - Abapuru, 1928 EXERCÍCIOS 1. Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré- história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou. […] Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o que estou escrevendo. […] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes. Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual — há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo — como a morte parece dizer sobre a vida — porque preciso registrar os fatos antecedentes. LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1988 (fragmento). A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem. c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso. d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas. e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção. 2. O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia de que a brasilidade está relacionada ao futebol. Quanto à questão da identidade nacional, as anotações em torno dos versos constituem a) direcionamentos possíveis para uma leitura crítica de dados histórico-culturais. b) forma clássica da construção poética brasileira. c) rejeição à ideia do Brasil como o país do futebol. d) intervenções de um leitor estrangeiro no exercício de leitura poética. e) lembretes de palavras tipicamente brasileiras substitutivas das originais. 3. Manta que costura causos e histórias no seio de uma família serve de metáfora da memória em obra escrita por autora portuguesa O que poderia valer mais do que a manta para aquela família? Quadros de pintores famosos? Joias de rainha? Palácios? Uma manta feita de centenas de retalhos de roupas velhas aquecia os pés das crianças e a memória da avó, que a cada quadrado apontado por seus netos resgatava de suas lembranças uma história. Histórias fantasiosascomo a do vestido com um bolso que abrigava um gnomo comedor de biscoitos; histórias de traquinagem como a do calção transformado em farrapos no dia em que o menino, que gostava de andar de bicicleta de olhos fechados, quebrou o braço; histórias de saudades, como o avental que carregou uma carta por mais de um mês... Muitas histórias formavam aquela manta. Os protagonistas eram pessoas da família, um tio, uma tia, o avô, a bisavó, ela mesma, os antigos donos das roupas. Um dia, a avó morreu, e as tias passaram a disputar a manta, todas a queriam, mais do que aos quadros, joias e palácios deixados por ela. Felizmente, as tias conseguiram chegar a um acordo, e a manta passou a ficar cada mês na casa de uma delas. Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA Tarsla do Amaral - Abapuru, 1928 EXERCÍCIOS 1. (Enem 2017) A lavadeira começou a viver como uma ser- viçal que impõe respeito e não mais como escrava. Mas essa regalia súbita foi efêmera. Meus irmãos, nos frequentes desli- zes que adulteravam este novo relacionamento, geram darde- jados pelo olhar severo de Emilie; eles nunca suportaram de bom grado que uma índia passasse a comer na mesa da sala, usando os mesmos talheres e pratos, e comprimindo com os lábios o mesmo cristal dos copos e a mesma porcelana das xícaras de café. Uma espécie de asco e repulsa tingia-lhes o rosto, já não comiam com a mesma saciedade e recusavam-se a elogiar os pastéis de picadinho de carneiro, os folheados de nata e tâmara, e o arroz com amêndoas, dourado, exalando um cheiro de cebola tostada. Aquela mulher, sentada e muda, com o rosto rastreado de rugas, era capaz de tirar o sabor e o odor dos alimentos e de suprimir a voz e o gesto como se o seu silêncio ou a sua presença que era só silêncio impedisse o outro de viver. HATOUM. M. Relato de um certo Oriente. São Paulo: Cia das Letras, 2000. Ao apresentar uma situação de tensão em família, o narrador destila, nesse fragmento, uma percepção das relações huma- nas e sociais demarcada pelo a) predomínio dos estigmas de classe e de raça sobre a inti- midade da convivência. b) discurso da manutenção de uma ética doméstica contra a subversão dos valores. c) desejo de superação do passado de escassez em prol do presente de abastança. d) sentimento de insubordinação à autoridade representa- da pela matriarca da família. e) rancor com a ingratidão e a hipocrisia geradas pela mu- danças nas regras da casa. 2. (Enem 2ª aplicação 2016) Anoitecer A Dolores É a hora em que o sino toca, mas aqui não há sinos; há somente buzinas, sirenes roucas, apitos afl itos, pungentes, trágicos, uivando escuro segredo; desta hora tenho medo. [...] É a hora do descanso, mas o descanso vem tarde, o corpo não pede sono, depois de tanto rodar; pede paz – morte – mergulho no poço mais ermo e quedo; desta hora tenho medo. Hora de delicadeza, agasalho, sombra, silêncio. Haverá disso no mundo? É antes a hora dos corvos, bicando em mim, meu passado, meu futuro, meu degredo; desta hora, sim, tenho medo. ANDRADE, C. D. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 2005 (fragmento). Com base no contexto da Segunda Guerra Mundial, o livro A rosa do povo revela desdobramentos da visão poética. No fragmento, a expressividade lírica demonstra um(a) a) defesa da esperança como forma de superação das atro- cidades da guerra. b) desejo de resistência às formas de opressão e medo pro- duzidas pela guerra. c) olhar pessimista das instituições humanas e sociais sub- metidas ao confl ito armado. d) exortação à solidariedade para a reconstrução dos espa- ços urbanos bombardeados. e) espírito de contestação capaz de subverter a condição de vítima dos povos afetados. 3. (Enem 2ª aplicação 2016) Do amor à pátria São doces os caminhos que levam de volta à pátria. Não à pá- tria amada de verdes mares bravios, a mirar em berço esplên- dido o esplendor do Cruzeiro do Sul; mas a uma outra mais íntima, pacífi ca e habitual – uma cuja terra se comeu em crian- ça, uma onde se foi menino ansioso por crescer, uma onde se cresceu em sofrimentos e esperanças plantando canções, amores e fi lhos ao sabor das estações. MORAES, V. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987. 96 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época O nacionalismo constitui tema recorrente na literatura român- tica e na modernista. No trecho, a representação da pátria ga- nha contornos peculiares porque a) o amor àquilo que a pátria oferece é grandioso e elo- quente. b) os elementos valorizados são intimistas e de dimensão subjetiva. c) o olhar sobre a pátria é ingênuo e comprometido pela inércia. d) o patriotismo literário tradicional é subvertido e motivo de ironia. e) a natureza é determinante na percepção do valor da pá- tria. 4. (Enem 2017) Zé Araújo começou a cantar num tom tris- te, dizendo aos curiosos que começaram a chegar que uma mulher tinha se ajoelhado aos pés da santa cruz e jurado em nome de Jesus um grande amor, mas jurou e não cumpriu, fingiu e me enganou, pra mim mentiu, pra Deus você pecou, o coração tem razões que a própria razão desconhece, faz pro- messas e juras, depois esquece. O caboclo estava triste e inspirado. Depois dessa canção que arrepiou os cabelos da Neusa, emendou com uma valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que só a gota serena. Era a história de uma boneca encantadora vista numa vitrine de cristal sobre o soberbo pedestal. Zé Araújo fechava os olhos e soltava a voz: Seus cabelos tinham a cor/ Do sol a irradiar/ Fulvos raios de amor./ Seus olhos eram circúnvagos/ Do romantismo azul dos lagos/ Mãos liriais, uns braços divinais,/ Um corpo alvo sem par/ E os pés muito pequenos/ Enfim eu vi nesta boneca/ Uma perfeita Vênus. CASTRO, N. L. As pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o diabo. São Paulo: Arx, 2006 (adaptado). O comentário do narrador do romance “[...] emendou com uma valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que só a gota serena” relaciona-se ao fato de que essa valsa é representativa de uma variedade linguística a) detentora de grande prestígio social. b) específica da modalidade oral da língua. c) previsível para o contexto social da narrativa. d) constituída de construções sintáticas complexas. e) valorizadora do conteúdo em detrimento da forma. 5. (Enem 2015) da sua memória mil e mui tos out ros ros tos sol tos pou coa pou coa pag amo meu ANTUNES, A. 2 ou + corpos no mesmo espaço. São Paulo: Perspectiva, 1998. Trabalhando com recursos formais inspirados no Concretismo, o poema atinge uma expressividade que se caracteriza pela a) interrupção da fluência verbal, para testar os limites da lógica racional. b) reestruturação formal da palavra, para provocar o estra- nhamento no leitor. c) dispersão das unidades verbais, para questionar o senti- do das lembranças. d) fragmentação da palavra, para representar o estreita- mento das lembranças. e) renovação das formas tradicionais, para propor uma nova vanguarda poética. 6. (Enem 2017) TEXTO I TEXTO II Na sua produção, Goeldi buscou refletir seu caminho pessoal e político, sua melancolia e paixão sobre os intensos aspectos mais latentes em sua obra, como: cidades, peixes, urubus, ca- veiras, abandono, solidão, drama e medo. ZULIETTI, L. F. Goeldi: da melancolia ao inevitável. Revista de Arte, Mídia e Políti- ca. Acesso em: 24 abr. 2017 (adaptado). O gravador Oswaldo Goeldi recebeu fortes influências de um movimento artístico europeu do início do século XX, que apresenta as características reveladas nos traços da obra de 97Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época a) b) c) d) e) 7. (Enem PPL 2014) Cena O canivete voou E o negro comprado na cadeia Estatelou de costas E bateu coa cabeça na pedra ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001. O Modernismo representou uma ruptura com os padrõesfor- mais e temáticos até então vigentes na literatura brasileira. Se- guindo esses aspectos, o que caracteriza o poema Cena como modernista é o(a) a) construção linguística por meio de neologismo. b) estabelecimento de um campo semântico inusitado. c) uso da técnica de montagem de imagens justapostas. d) configuração de um sentimentalismo conciso e irônico. e) subversão de lugares-comuns tradicionais. 8. (Enem PPL 2014) A mitologia comparada surge no sécu- lo XVIII. Essa tendência influenciou o escritor cearense José de Alencar, que, inspirado pelo estilo da epopeia homérica na Ilíada, propõe em Iracema uma espécie de mito fundador do povo brasileiro. Assim como a Ilíada vincula a constituição do povo helênico à Guerra de Troia, deflagrada pelo roman- ce proibido de Helena e Páris, Iracema vincula a formação do povo brasileiro aos conflitos entre índios e colonizadores, atra- vessados pelo amor proibido entre uma índia — Iracema — e o colonizador português Martim Soares Moreno. DETIENNE, M. A invenção da mitologia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998 (adaptado). A comparação estabelecida entre a Ilíada e Iracema demons- tra que essas obras a) combinam folclore e cultura erudita em seus estilos es- téticos. b) articulam resistência e opressão em seus gêneros literá- rios. c) associam história e mito em suas construções identitá- rias. 98 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época d) refletem pacifismo e belicismo em suas escolhas ideoló- gicas. e) traduzem revolta e conformismo em seus padrões alegó- ricos. Vida obscura Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro ó ser humilde entre os humildes seres, embriagado, tonto de prazeres, o mundo para ti foi negro e duro. Atravessaste no silêncio escuro a vida presa a trágicos deveres e chegaste ao saber de altos saberes tornando-te mais simples e mais puro. Ninguém te viu o sofrimento inquieto, magoado, oculto e aterrador, secreto, que o coração te apunhalou no mundo, Mas eu que sempre te segui os passos sei que a cruz infernal prendeu-te os braços e o teu suspiro como foi profundo! (SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961) 9. (Enem 2014) Com uma obra densa e expressiva no Simbo- lismo brasileiro, Cruz e Souza transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito com a realidade vivenciada. No so- neto, essa percepção traduz-se em a) sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação. b) tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social. c) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes. d) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais. e) vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã. ). 10. (Enem 2017) A obra de Rubem Valentim apresenta emblema que, basean- do-se em signos de religiões afro-brasileiras, se transformam em produção artística. A obra Emblema 78 relaciona-se com o Modernismo em virtude da a) simplificação de formas da paisagem brasileira. b) valorização de símbolos do processo de urbanização. c) fusão de elementos da cultura brasileira com a arte europeia. d) alusão aos símbolos cívicos presentes na bandeira nacional. e) composição simétrica de elementos relativos à miscigenação racial. 11. (Enem 2018) Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangren- tas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enro- laram-me em panos molhados com água de sal – e houve uma discussão na família . Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó. RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998. Num texto narrativo, a sequência dos fatos contribui para a progressão temática. No fragmento, esse processo é indicado a) pela a alternância das pessoas do discurso que determinam o foco narrativo. b) utilização de formas verbais que marcam tempos narrativos variados. c) indeterminação dos sujeitos de ações que caracterizam os eventos narrados. d) justaposição de frases que relacionam semanticamente os acontecimentos narrados. e) recorrência de expressões adverbiais que organizam temporalmente a narrativa. 12. (Enem 2018) Dia 20/10 É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preci- so poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso. É preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo não morrer na via pública. TORQUATO NETO. In: MENDONÇA, J. (Org.) Poesia (im)popular brasileira. São Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012. O processo de construção do texto formata uma mensagem por ele dimensionada, uma vez que a) configura o estreitamento da linguagem poética. b) reflete as lacunas da lucidez em desconstrução. 99Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época c) projeta a persistência das emoções reprimidas. d) repercute a consciência da agonia antecipada. e) revela a fragmentação das relações humanas. 13. (Enem 2018) Somente uns tufos secos de capim empe- drados crescem na silenciosa baixada que se perde de vista. Somente uma árvore, grande e esgalhada mas com pouquíssi- mas folhas, abre-se em farrapos de sombra. Único ser nas cer- canias, a mulher é magra, ossuda, seu rosto está lanhado de vento. Não se vê o cabelo, coberto por um pano desidratado. Mas seus olhos, a boca, a pele – tudo é de uma aridez sufocan- te. Ela está de pé. A seu lado está uma pedra. O sol explode. Ela estava de pé no fim do mundo. Como se andasse para aquela baixada largando para trás suas noções de si mesma. Não tem retratos na memória. Desapossada e despojada, não se abate em autoacusações e remorsos. Vive. Sua sombra somente é que lhe faz companhia. Sua sombra, que se derrama em traços grossos na areia, é que adoça como um gesto a claridade esquelética. A mulher esvaziada emu- dece, se dessangra, se cristaliza, se mineraliza. Já é quase de pedra como a pedra a seu lado. Mas os traços de sua sombra caminham e, tornando-se mais longos e finos, esticam-se para os farrapos de sombra da ossatura da árvore, com os quais se enlaçam. FRÓES, L. Vertigens: obra reunida. Rio de Janeiro: Rocco. 1998. Na apresentação da paisagem e da personagem, o narrador estabelece uma correlação de sentidos em que esses elemen- tos se entrelaçam. Nesse processo, a condição humana con- figura-se a) amalgamada pelo processo comum de desertificação e de solidão. b) fortalecida pela adversidade extensiva à terra e aos seres vivos. c) redimensionada pela intensidade da luz e da exuberância local. d) imersa num drama existencial de identidade e de origem. e) imobilizada pela escassez e pela opressão do ambiente. 14. (Enem 2018) O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, separá-las em dúzias... Era fastidioso. Para passar mais rapid- amente as oito horas havia o remédio: conversar. Era proibi- do, mas quem ia atrás de proibições? O patrão vinha? Vinha o encarregado do serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as costas, voltavam a taramelar. As mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se completou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram mestras.O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de corpo que convida, um quebrar de olhos que promete tudo, à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais quente. A própria inteligência se transformou. Tornou-se mais aguda, mais trepidamente. REBELO, M. A estrela sobe. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. O romance, de 1939, trazer à cena tipos e situações que espe- lham o Rio de Janeiro daquela década. No fragmento, o narra- dor delineia esse contexto centrado no a) julgamento da mulher fora do espaço doméstico. b) relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo. c) destaque a grupos populares na condição de protagonistas. d) processo de inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem. e) vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos. 15. (Enem 2018) o que será que ela quer essa mulher de vermelho alguma coisa ela quer pra ter posto esse vestido não pode ser apenas uma escolha casual podia ser um amarelo verde ou talvez azul mas ela escolheu vermelho ela sabe o que ela quer e ela escolheu vestido e ela é uma mulher então com base nesses fatos eu já posso afirmar que conheço o seu desejo caro watson, elementar: o que ela quer sou euzinho sou euzinho o que ela quer só pode ser euzinho o que mais podia ser FREITAS, A. Um útero é do tamanho de um punho. São Paulo: Cosac Naify, 2013. No processo de elaboração do poema, a autora confere ao eu lírico uma identidade que aqui representa a a) hipocrisia do discurso alicerçado sobre o senso comum. b) mudança de paradigmas de imagem atribuídos à mulher. c) tentativa de estabelecer preceitos da psicologia feminina. d) importância da correlação entre ações e efeitos causados. e) valorização da sensibilidade como característica de gênero. 16. (Enem 2018) O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa. Passou um homem e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada. Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa. Era uma enseada. Acho que o nome empobreceu a imagem. BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro; Best Seller. 2008. 100 Literatura | Curso Enem 2019 CAPÍTULO 2 Curso Enem 2019 | Literatura Estilos de Época O sujeito poético questiona o uso do vocábulo “enseada” porque a a) terminologia mencionada é incorreta. b) nomeação minimiza a percepção subjetiva. c) palavra é aplicada a outro espaço geográfico. d) designação atribuída ao termo é desconhecida. e) definição modifica o significado do termo no dicionário. 17. (Enem 2018) Aconteceu mais de uma vez: ele me aban- donou. Como todos os outros. O quinto. A gente já estava jun- to há mais de um ano. Parecia que dessa vez seria para sem- pre. Mas não: ele desapareceu de repente, sem deixar rastro. Quando me dei conta, fiquei horas ligando sem parar – mas só chamava, chamava, e ninguém atendia. E então fiz o que precisava ser feito: bloqueei a linha. A verdade é que nenhum telefone celular me suporta. Já ten- tei de todas as marcas e operadoras, apenas para descobrir que eles são todos iguais: na primeira oportunidade, dão no pé. Esse último aproveitou que eu estava distraído e não de- sceu do táxi junto comigo. Ou será que ele já tinha pulado do meu bolso no momento em que eu embarcava no táxi? Tomara que sim. Depois de fazer o que me fez, quero mais é que ele tenha ido parar na sarjeta. [...] Se ainda fossem embora do jeito que chegaram, tudo bem. [...] Mas já sei o que vou fazer. No caminho da loja de celulares, vou passar numa pa- pelaria. Pensando bem, nenhuma das minhas agendinhas de papel jamais me abandonou. FREIRE, R. Começar de novo. O Estado de S. Paulo, 24 nov. 2006. Nesse fragmento, a fim de atrair a atenção do leitor e de esta- belecer um fio condutor de sentido, o autor utiliza-se de a) primeira pessoa do singular para imprimir subjetividade ao relato de mais uma desilusão amorosa. b) ironia para tratar da relação com os celulares na era de produtos altamente descartáveis. c) frases feitas na apresentação de situações amorosas estereotipadas para construir a ambientação do texto. d) quebra de expectativa como estratégia argumentativa para ocultar informações. e) verbos no tempo pretérito para enfatizar uma aproximação com os fatos abordados ao longo do texto. 18. (Unesp 2019) Tal movimento não era apenas um mov- imento europeu de caráter universal, conquistando uma nação após outra e criando uma linguagem literária univer- sal que, em última análise, era tão inteligível na Rússia e na Polônia quanto na Inglaterra e na França; ele também provou ser uma daquelas correntes que, como o Classicismo da Re- nascença, subsistiu como fator duradouro no desenvolvimen- to da arte. Na verdade, não existe produto da arte moderna, nenhum impulso emocional, nenhuma impressão ou estado de espírito do homem moderno, que não deva sua sutileza e variedade à sensibilidade que se desenvolveu a partir desse movimento. Toda exuberância, anarquia e violência da arte moderna, seu lirismo balbuciante, seu exibicionismo irrestrito e profuso, derivaram dele. E essa atitude subjetiva e egocêntri- ca tornou-se de tal modo natural para nós, tão absolutamente inevitável, que nos parece impossível reproduzir sequer uma sequência abstrata de pensamento sem fazer referência aos nossos sentimentos. (Arnold Hauser. História social da arte e da literatura, 1995. Adaptado.) O texto refere-se ao movimento denominado a) Barroco. b) Arcadismo. c) Realismo. d) Romantismo. e) Simbolismo. 19. (Unesp 2018) Expressionismo: Termo aplicado pela crítica e pela história da arte a toda arte em que as ideias tradicionais de naturalismo são abandonadas em favor de distorções ou exageros de forma e cor que expressam, de modo premente, a emoção do artista. Neste sentido mais geral, o termo pode ser aplicado à arte de qualquer período ou lugar que conce- da às reações subjetivas um lugar de maior importância que à observação do mundo exterior. (Ian Chilvers (org.). Dicionário Oxford de arte, 2007.) De acordo com essa definição, pode ser considerada expres- sionista a obra: a) b) 101Curso Enem 2019 | Literatura CAPÍTULO 2Estilos de Época c) 20. (Unifesp 2018) O Surrealismo buscou a comunicação com o irracional e o ilógico, deliberadamente desorientando e reorientando a consciência por meio do inconsciente. (Fiona Bradley. Surrealismo, 2001.) d) e) Verifi ca-se a infl uência do Surrealismo nos seguintes versos: a) Um gatinho faz pipi. Com gestos de garçom de restaurant-Palace Encobre cuidadosamente a mijadinha. Sai vibrando com elegância a patinha direita: – É a única criatura fi na na pensãozinha burguesa. (Manuel Bandeira, “Pensão familiar”.) b) A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes. Havia pouca fl ores. Eram fl ores de horta. Sob a luz fraca, na sombra esculpida (quais as imagens e quais os fi éis?) fi cávamos. (Carlos Drummond de Andrade, “Evocação Mariana”.) c) Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas. Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra. (Carlos Drummond de Andrade, “No meio do caminho”.) d) E nas bicicletas que eram poemas chegavam meus amigos alucinados. Sentados em desordem aparente, ei-los a engolir regularmente seus relógios enquanto o hierofante armado cavaleiro movia inutilmente seu único braço. (João Cabral de Melo Neto, “Dentro da perda da memória”.) e) – Desde que estou retirando só a morte vejo ativa, só a morte deparei e às vezes até festiva; só morte tem encontrado quem pensava encontrar vida, e o pouco que não foi morte foi de vida severina. (João Cabral de Melo Neto, “Morte e vida severina”.) 1 A6 A 11 B 16 B 2 C 7 C 12 D 17 C 3 B 8 C 13 A 18 D 4 A 9 A 14 E 19 E 5 D 10 C 15 A 20 D GABARITO