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Apostila Didática 2020
LITERATURA
Capítulo 1 - A arte da palavra
Capítulo 1 - A arte da palavra - Exercícios
67
80
72
95
Capítulo 2 - Estilos de Época
Capítulo 2 - Estilos de Época - Exercícios
LITERATURA
67Curso Enem 2019 | Literatura
A Arte da Palavra CAPÍTULO 1
CAPÍTULO 1
A Arte da Palavra
Em todos os tempos, em todas as culturas, em todos os 
lugares, pessoas diferentes e de diferentes culturas e etnias 
produzem arte.
Toda obra de arte é representação da realidade (o que não 
quer dizer que ela seja a realidade), é um simulacro, é fazer 
simulando. São inúmeras as maneiras de o homem expressar-
se e, a arte, de todas elas, talvez seja a mais sublime. Ela sempre 
ocupou espaço signifi cativo na sociedade.
Toda produção artística pressupõe um criador que expressa 
certa realidade e nos permite a interpretação dela. O contexto 
de sua produção pode nos dar pistas sobre seu signifi cado e 
suas intenções. Toda obra artística interage com um público 
que passa a ser seu interlocutor.
A Literatura é a arte da palavra, ou seja, as palavras são 
recursos artísticos usados no fazer poético, nas quais está a 
essência da Literatura.
Pode-se dizer que a linguagem empregada na literatura 
envolve três aspectos distintos e comunicantes: ela é 
polissêmica, conotativa e subjetiva. Dizer- se polissêmica 
é pensar no processo literário como múltipo em signifi cados. 
Ou seja, é arte dotada de linguagem engendrada, de 
múltiplos sentidos, cujas defi nições são variáveis de acordo 
com o tempo e contexto em que aparecem. Isso confere a ela 
também a característica de ser conotativa em sua essência e 
não ter a obrigatoriedade de transmitir informações objetivas 
sobre a realidade. Já a subjetividade de textos literários está 
relacionada ao ponto de partida e o de chegada: EU.
OBS: linguagem conotativa ≠ linguagem denotativa
Na linguagem conotativa a palavra aparece com outro 
signifi cado, diferente do dicionário. É passível de 
interpretações diferentes , dependendo do contexto no qual 
é empregada. É o sentido fi gurado da palavra.
Já a linguagem denotativa é aquela na qual a palavra 
assume seu sentido literal, ou seja, seu sentido original, o 
do dicionário. O contexto não interfere em seu signifi cado.
Figuras de Linguagem
As fi guras de linguagem são recursos que tornam mais 
expressivas as mensagens contidas nos textos literários. São 
recursos estilísticos usados no “fazer poético”.
Subdividem-se em fi guras de som, fi guras de construção, 
fi guras de pensamento e fi guras de palavras.
Figuras de som
Nas fi guras de som, os efeitos voltam-se para a repetição de 
sons. São aquelas cuja escolha de palavras dá-se em virtude 
de sua pronúncia. Podem ou não ter a intenção de imitar ou 
sugerir os sons produzidos por coisas ou seres.
• Aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos 
fonemas consonantais.
OBS: a representação gráfi ca não precisa ser a mesma. 
“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.” 
“Vozes veladas veludosas vozes,
Volúpia dos vilões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes 
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas”
• Assonância: repetição ordenada de sons vocálicos 
idênticos (mesma representação gráfi ca, mesma entonação e 
mesma tonicidade).
“Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do 
litoral.”
• Onomatopeia: é o processo de formação de palavras ou 
fonemas com o objetivo de tentar imitar o barulho de um 
som, quando são pronunciadas. Ou seja, é a representação 
gráfi ca de sons.
trrrim, trrrim = telefone tocando smack = som de beijo
pow = batida, soco, porrada 
tic-tac = relógio trabalhando
bum! = explosão
sniff sniff = chorando 
bang, bang = tiro auau = latido
miau = miado de gato 
grrr = rugido de raiva
FIGURAS DE 
SOM
FIGURAS DE 
CONSTRUÇÃO
FIGURAS DE 
PENSAMENTO
FIGURAS DE 
PALAVRA
Aliteração Anáfora Antítese Catacrese
Assonância Elipse Paradoxo Metáfora
Onomatopeia Zeugma Apóstrofe Comparação
Paronomasia Assíndeto Eufemismo Metonímia
Polissíndeto Hipérbole Antonimásia
Hipérbato Gradação Sinestesia
Pleonasmo Ironia
Silepse Prosopopeia
68 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 1
Curso Enem 2019 | Literatura
A Arte da Palavra
Ao ódio venceu o amor.
Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio. Dos meus 
problemas cuido eu!
Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas.
Correm pelo parque as crianças da rua.
Na ordem direta seria: As crianças da rua correm pelo parque
• Pleonasmo: repetição de mesma ideia com palavras 
diferentes.
Choramos um choro sentido, mas nos refizemos logo.
A ele resta-lhe a boa oportunidade de provar sua inocência.
• Silepse: concordância com a ideia implícita da palavra.
a) Silepse de número: concordância com a ideia 
implícita de singular ou plural. 
“Corria gente de todos os lados e gritavam.” “A família do 
réu procurou advogado e queriam saber se ele poderia 
ficar em liberdade durante o processo. 
b) Silepse de gênero: concordância com a ideia 
implícita de masculino ou feminino. “Vossa Excelência 
ficou cansado com o discurso.”“Conheci uma criança... 
Mimos e castigos pouco podiam com ele.” 
c) Silepse de pessoa: concordância com a ideia 
implícita no verbo de que a voz do texto também faz 
parte do sujeito.“Os brasileiros somos muito crédulos.” 
“Ambos recusamos praticar este ato.” “Ficamos por aqui, 
insatisfeitos, os seus amigos..”
Figuras de Pensamento
São conhecidos por figuras de pensamento os recursos 
estilísticos utilizados para incrementar o significado das 
palavras no seu aspecto semântico. Ocorre no campo das 
ideias, imprimindo um sentido novo àquele convencional.
• Antítese: uso de palavras opostas sem, necessariamente, 
causarem oposição semântica.
“Em dias frios prefiro tomar sopa quente.” 
“Quando um muro separa, uma ponte une.” 
“Desceu aos pântanos com os tapires; subiu aos Andes com 
os condores.
“Tristeza não tem fim, felicidade sim.”
• Paradoxo: construção sem lógica semântica, quando 
fora de contexto, causada pelo uso de palavras ou ideia que 
anulam-se numa mesma construção.
“Eu fujo ou não sei não, mas é tão duro este infinito espaço 
ultra fechado”.
“Amor é fogo que arde sem se ver; 
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente; 
É dor que desatina sem doer.”
• Apóstrofe: construção em frase ou verso que funciona 
como vocativo.
“Deus, ó Deus! Onde estás, que não me respondes?”
“Mundo! Que é tu para um coração sem amor?!” 
”Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal.”
• Paronomásia: consiste na aproximação de palavras 
de sons iguais ou parecidos, grafia semelhante, mas de 
significados distintos.
“O diretor ratificou que ele mesmo fizera as retificações no 
documento”.
ratificar (= confirmar) e retificar (=corrigir)
Figuras de Construção
As figuras de construção são assim chamadas por que 
apresentam algum tipo de modificação na estrutura da 
oração. Nelas, a lógica da organização frasal é alterada.
• Anáfora: repetição no início de frases ou versos.
“Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres 
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade 
Que ninguém mais deseja tanta poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto da alegria e serenidade”.
“Se você gritasse 
Se você gemesse, 
Se você tocasse
a valsa vienense
Se você dormisse, 
Se você cansasse, 
Se você morresse... 
Mas você não morre, 
Você é duro José!”
• Elipse: consiste na omissão de um termo nunca 
mencionado, facilmente identificável pelo contexto.
“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.” (omissão de 
havia)
“Veio sem pinturas, um vestido leve, sandálias coloridas.” 
(omissão de usando)
• Zeugma: consiste na omissão de um termo já mencionado 
a fim de evitar repetição.
“As quaresmas abriam a flor depois do carnaval, os ipês, em 
julho.”
“A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.”
• Assíndeto: ausência das conjunções.
O cantor interpretava a canção, o público vaiava. Ele insistia, 
o público continuava. Ele parou, quebrou o violão, saiu do 
palco.”
“O vento zunia, as folhas caíam.”
• Polissíndeto:consiste na repetição de conjunções 
ligando termos da oração ou elementos do período.
“E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)”.
• Hipérbato: consiste na inversão da ordem direta (sujeito 
+ verbo + complemento) da frase.
69Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 1A Arte da Palavra
• Eufemismo: suavização de uma ideia.
Enredo é a história que se desencadeia ao longo da
“No mucambo si alguma cunhatã se aproximava dele pra 
fazer festinha (= sexo), Macunaíma punha a mão nas graças 
dela (= órgão sexual feminino), cunhatã se afastava.”
“Eu os vi daquele jeito como vieram ao mundo (= nus).”
“Você faltou com a verdade (= mentiu).”
• Hipérbole: exagero de uma ideia.
“Rios te correrão dos olhos, se chorares.” “Brota esta lágrima 
e cai (...)
Mas é rio mais profundo
Sem começo e nem fim
Que atravessando por este mundo
Passa por dentro de mim.”
• Gradação: apresentação de ideias em ordem gradativa. 
Pode ser em clímax (do menor para o maior) ou em anticlímax 
(de maior para o menor).
“Amor é assim – o rato que sai dum buraquinho: é um ratazão, 
é um tigre leão!”
“O trigo nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se 
mediu-se.”
“Eu era pobre. Era subalterno. Era nada.”
• Ironia: afirmação do contrário daquilo que se quer dizer 
ou do que se pensa.
“Meu marido é um santo “só me traiu 3 vezes.”
“A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar crianças.”
• Prosopopeia: atribuição de características humanas a 
seres inanimados.
“As pedras andam vagarosamente.”
“O livro é um mudo que fala, um surdo
que ouve, um cego que guia.”
“A floresta gesticulava nervosamente diante da
serra.”
“Um Frio inteligente, lúcido e seco percorria o jardim, 
insuflava-se na carne do corpo.“
Figuras de Palavra
As figuras de palavras caracterizam-se por apresentarem 
uma mudança, substituição ou transposição do sentido 
real da palavra, para assumir um sentido figurado mediante 
o contexto. Ou seja, quando um vocábulo adquire um 
significado novo, diferente daquele comumente conhecido.
• Catacrese: emprego do sentido figurado das palavras. 
Muito utilizada na linguagem oral (por exemplo, “perna da 
mesa”), funciona como uma espécie de metáfora desgastada.
asa da xícara
batata da perna
maçã do rosto
pé da mesa
braço da cadeira
coroa do abacaxi
embarcar no trem
enterrar um alfinete no dedo
• Metáfora: um termo substitui outro através de uma 
relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a 
cria. Pode ser entendida como comparação implícita.
“O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais”
“Amar é mudar a alma de casa.”
“A esperança é um urubu pintado de verde.”
“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.”
• Comparação ou símile: comparação explícita causada 
pelo uso do elemento comparativo.
“Meu coração tombou na vida
tal qual uma estrela ferida
pela flecha de um caçador”.
 “Para a florista,
as flores são como beijos
são como filhas,
são como fadas disfarçadas”.
“Meu amor me ensinou a ser simples como um largo de igreja”.
• Metonímia: substituição lógica de uma palavra por outra 
semelhante, mas mantendo uma relação de proximidade 
entre o sentido de um termo e o sentido do termo que o 
substitui.
a) Autor pela obra: 
a. Gosto de ler Machado. (= Gosto de ler os livros de 
Machado de Assis)
b) Continente pelo conteúdo: 
a. Comi um prato de macarrão! (= Comi todo o macarrão 
que estava no prato)
c) Parte pelo todo: 
a. Completou dez primaveras (= Completou dez anos)
d) Singular pelo plural: 
a. A mulher conquistou seu lugar! (= Todas as mulheres 
conquistaram...)
e) Marca pelo produto: 
a. Meu filho adora chicletes. (= Meu filho adora goma de 
mascar)
f) O símbolo pela coisa simbolizada: 
a. A cruz o salvará! (= A fé o salvará)
• Antonomásia: transferência do valor semântico de um 
nome próprio para um nome comum que contenha uma 
característica que remeta ao nome próprio.
“O rei do futebol ainda não perdeu a majestade!” (= Pelé 
ainda não perdeu a majestade)
“O bruxo do Cosme Velho escreveu histórias maravilhosas.” (= 
Machado de Assis escreveu histórias maravilhosas).
• Sinestesia: combinação de termos que remetem a 
diferentes sentidos do corpo humano.
“Esta chuvinha de água viva esperneando luz e ainda com 
gosto de mato longe, meio baunilha, meio manacá, meio 
alfazema.”
“O sol de outono caía com uma luz pálida e macia”.
“Dirigiu-lhe uma palavra branca e fria como 
agradecimento”.
70 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 1
Curso Enem 2019 | Literatura
A Arte da Palavra
Gêneros Literários
Do latim “genus” que significa linhagem, família. O primeiro 
a empregar a palavra “Gênero” como maneira de organizar e 
classificar a produção literária foi Aristóteles que agrupou as 
obras de acordo com características que elas possuíam em co-
mum, ou seja, de acordo com semelhanças. Desde então, esse 
conceito sofreu inúmeras transformações a fim de abarcar 
os diferentes tipos de texto que vêm surgindo. Ao classificar 
uma obra quanto ao seu Gênero, estamos levando em consid-
eração aspectos relacionados ao conteúdo de um texto que 
pode ser pertencente ao Gênero Épico, Lírico ou Dramático.
Gênero Épico
• Narra histórias reais ou fictícias, ambientadas em locais e 
tempos definidos;
• Surgiu na Antiguidade e era usado para narrativas em ver-
sos. Atualmente, caracteriza todas as narrativas independen-
temente da forma como são estruturadas;
• Enredo, personagens, espaço, tempo e ponto de vista são 
elementos estruturadores do Gênero Épico;
• Possui sempre um narrador que é a entidade que transmi-
te a mensagem da narrativa.
Principais Elementos da 
Narrativa
As espécies do gênero épico estruturam-se a partir de alguns 
elementos narrativos. São eles: enredo, voz narrativa, espaço, 
tempo e personagens.
Enredo é a história que se desencadeia ao longo da narrativa. 
Geralmente, seu início tem como tema a contextualizando da 
trama. Quando o enredo atinge a complexidade, o momento 
crucial da história, temos o clímax da narrativa.
Narrador é a voz por traz da narrativa, quem relata todos os 
fatos ocorridos. Trata-se de um ser ficcional (exceto em obras 
autobiográficas) e é a partir do ponto de vista dele que se tem 
o foco narrativo.
• Narrador em primeira pessoa é um narrador persona-
gem que retrata os fatos a partir de seu ponto de vista. Sua 
narrativa é subjetiva e parcial tentando, por vezes, influenciar 
os interlocutores.
• O narrador em terceira pessoa não faz parte da narrati-
va, apenas relata os episódios vividos pelos personagens. En-
tretanto o modo com ele relata a cena pode ser variado:
a) Narrador em terceira pessoa é imparcial. Nega-se a 
subjetividade para que o autor possa ser um observador 
dos acontecimentos que permeiam a narrativa.
b) Narrador em terceira pessoa onisciente é o narrador 
que tem completa consciência sobre o universo intro-
spectivo dos personagens além de ser também onipres-
ente.
c) o Narrador de terceira pessoa observador relata os 
fatos restringindo- se apenas a descrever as característi-
cas externas das personagens, pois ele não participa do 
mundo psicológico do qual esses personagens partici-
pam. É um personagem que não participa ativamente da 
narrativa.
Espaço é o local no qual a narrativa é a ambientada. É 
importante para caracterizar as ações dos personagens bem 
como para a descrição e formação de seus caráteres.
A análise do espaço literário deve estar associada às questões 
sociais, culturais, econômicas e políticas. O local do qual 
se fala, assim como a época, é elemento fundamental para 
identificação do sujeito em um discurso.
O Tempo é muito importante em uma obra. É por meio dele 
que o autor demonstra sua intenção de apresentar a ficção 
mais próxima ou distanciada da realidade. Ele se divide em:
• No tempo cronológico os episódios narrados seguem a 
linha sequencial e linear, assim os fatos acontecem na própria 
realidade.
• No tempo psicológico, como o nome já sugere, a lógica é 
a da mente do personagem, quemescla passado e futuro com 
elementos do tempo presente.
NARRADOR 
PROTAGONISTA 
os principais 
acontecimentos são 
centrados nesta figura.
 NARRADOR
 1a PESSOA - narrador 
personagem
NARRADOR 
TESTEMUNHA é 
personagem, mas 
não é a principal.
3a PESSOA
 SELETIVO: 
influencia o leitor a 
posicionar-se
 NEUTRO: não influencia o 
leitor com observações e 
opiniões.
NARRADOR OBSERVADOR: 
presencia a história, mas só 
tem uma visão dos fatos. 
Não é personagem das ações 
narradas.
NARRADOR ONISCIENTE: 
conhece todos os aspectos 
da história. Descreve 
sentimentos, pensamentos 
e ações.
71Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 1A Arte da Palavra
• O tempo histórico é a narrativa baseada em uma história 
real
• Personagens são os seres que atuam na narrativa. O nome 
que cada um deles possui deve receber atenção por parte 
do leitor, já que eles têm uma complexa significação. 
De acordo com definições teóricas, os personagens são 
classificados em:
• Protagonistas: os que desempenham papel principal 
dentro da narrativa
• Antagonistas: personagens que causam o conflito, não 
necessariamente deve ser uma pessoa, pode ser o clima, o 
momento político, entre outras intervenções na trama.
• Secundários: os que atuam à margem da história, não 
recebem maior destaque. 
Tipos de texto do Gênero Épico:
 
I. EPOPEIA
• mais antigo texto Épico;
• poemas de longa extensão;
• destaca as aventuras de um povo por meio de feitos 
heróicos e memoráveis;
• possui a figura do herói = amoral, que se comporta 
como um semi-deus e que representa os interesses de um 
povo;
• possui caráter histórico e social; 
• narra fatos passados.
II. ROMANCE
• narrativa longa possui grande números de personagens
• possui narrativas secundárias dentro da história principal 
a fim de formar o caráter das personagens;
• o cenário e o tempo são ilimitados;
• a análise psicológica = realismo
• personagens vivenciam conflitos interiores
• os conflitos e as ações desenvolvem-se de maneira 
simultânea.
III. NOVELA
• narrativa situada entre o conto e o romance;
• pluralidade dramática;
• o tempo cronológico;
• há diferentes espaços;
• personagens mais elaborados que do conto;
• há menos acontecimentos;
• os conflitos e as ações desenvolvem-se de maneira 
sucessiva, seqüencial;
• é uma narrativa linear.
IV. CONTO
• narrativa centrada em um fato/acontecimento;
• narrativas orais de antigos povos;
• possui poucos personagens; 
• tempo e o espaço são limitados; 
• uma só célula dramática.
V. CRÔNICA
• narrativa breve de fatos cotidianos;
• possui linguagem coloquial;
• possui humor e crítica a aspectos da vida “moderna”;
• retrata o presente no contexto da narrativa.
Gênero Lírico
• do latim “lirycus”, que significa lira;
• no passado, os poemas eram acompanhados por 
instrumentos musicais, ou seja, eram cantados. na antiguidade 
surgiu o texto lírico acompanhado por flauta ou pela lira;
• são textos voltados para a expressão de sentimentos mais 
individualizados, como as cantigas de ninar, os lamentos pela 
morte de alguém os cantares de amor;
• lirismo é tudo o que é filtrado pela paixão e pela emoção;
• ao passarem da forma cantada para a escrita, alguns 
elementos que aproximam a música da palavra foram 
mantidos;
• a voz presente nos textos líricos é chamada de eu-lírico ou 
eu-poético;
Notas Sobre O Eu-Lírico:
• ele ganha sempre forma no modo especial de construção 
do poema, na seleção das palavras, na sintaxe, no ritmo;
• assim, ele se configura e existe diferente em cada texto;
• não pode ser confundido com a pessoa do poeta mesmo 
quando está em primeira pessoa. 
Tipos de texto do Gênero Lírico:
I. ÉCLOGA
• texto de caráter pastoril
• ambientado no campo
• poema que retrata a vida bucólica
• muito comum no arcadismo
II. SONETO
• é um poema composto por quatro estrofes, sendo as 
duas primeiras com quatro versos (quartetos) e as duas 
últimas com três (tercetos);
• essa forma perpetuou-se por todos os estilos literários, 
atingindo a contemporaneidade.
72 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 1
Curso Enem 2019 | Literatura
A Arte da Palavra
III. ELEGIA
• trata-se de um poema no qual a temática pauta-se pela 
morte ou outros acontecimentos tristes;
• texto de caráter fúnebre.
IV. ODE
• é um poema que exalta valores nobres sob um tom 
entusiástico;
• poema em tom de homenagem. 
V. HINO
• ode destinada à exaltação dos deuses da pátria. 
Gênero Dramático
• do grego “drão” que significa fazer, ação;
• textos que foram escritos com o objetivo de serem 
encenados;
• o mundo representado apresenta-se como se existisse por 
si mesmo;
• não há interferência de um narrador;
• tudo se projeta para o final através da manutenção da 
expectativa que desemboca no desfecho;
• a interdependência das partes é responsável pela tensão 
que, por sua vez, exige concentração;
• atores agem como se fossem independentes do autor;
• encenação cênica (linguagem gestual e sonoplastia);
• presença de diálogos e monólogos. 
Tipos de texto do Gênero Lírico
I. AUTO
• representação que faz uso de alegoria pra fins místico, 
pedagógico ou moral.
• geralmente são peças breves com tema religioso ou 
profano.
II. COMÉDIA
• representação de algo inspirado na vida, a fim de criticar 
ou satirizar os costumes.
III. TRAGÉDIA
• representação de um fato trágico com o intuito de obter 
compaixão.
IV. FARSA
• peça teatral com características caricaturais e ridículas;
• tem como objetivo criticar a sociedade e os costumes.
EXERCÍCIOS 
1. (Enem 2017) Segundo quadro
Uma sala da prefeitura. O ambiente é modesto. Durante a 
mutação, ouve-se um dobrado e vivas a Odorico, “viva o prefeito” 
etc. Estão em cena Dorotéa, Juju, Dirceu, Dulcinéa, o vigário e 
Odorico. Este último, à janela, discursa.
ODORICO – Povo sucupirano! Agoramente já investido no 
cargo de Prefeito, aqui estou para receber a confirmação, a 
ratificação, a autenticação e por que não dizer a sagração do 
povo que me elegeu.
Aplausos vêm de fora.
ODORICO – Eu prometi que o meu primeiro ato como prefeito 
seria ordenar a construção do cemitério.
Aplausos, aos quais se incorporam as personagens em cena.
ODORICO – (Continuando o discurso:) Botando de lado os 
entretantos e partindo pros finalmente, é uma alegria poder 
anunciar que prafrentemente vocês lá poderão morrer 
descansados, tranquilos e desconstrangidos, na certeza de 
que vão ser sepultados aqui mesmo, nesta terra morna e 
cheirosa de Sucupira. E quem votou em mim, basta dizer isso 
ao padre na hora da extrema-unção, que tem enterro e cova 
de graça, conforme o prometido.
GOMES, D. O bem amado. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.
O gênero peça teatral tem o entretenimento como uma de 
suas funções. Outra função relevante do gênero, explícita 
nesse trecho de O bem amado, é a 
a) criticar satiricamente o comportamento de pessoas 
públicas. 
b) denunciar a escassez de recursos públicos nas prefeituras 
do interior. 
c) censurar a falta de domínio da língua padrão em eventos 
sociais. 
d) despertar a preocupação da plateia com a expectativa de 
vida dos Cidadãos. 
e) questionar o apoio irrestrito de agentes públicos aos 
gestores governamentais. 
2. (Enem 2018) A Casa de Vidro
Houve protestos.
Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar.
Elas aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam 
pelo mundo exibindo sua alegre habilidade. (O problema é 
que muitos, a maioria, não tinham jeito e eram feios de noite, 
assustadores. Seria melhor prender essa gente – havia quem 
dissesse.)
Houve protestos.
Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais 
e abriram crédito a juros baixos para o agricultor. O dinheiro 
que sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse!
Houve protestos.
73Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 1A Arte da Palavra
Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de 
assaltos) porque precisamos combater a inflação e, como se 
sabe, quando os salários estão acima do índice de produtiv-idade eles se tornam altamente inflacionários, de modo que.
Houve protestos.
Proibiram os protestos.
E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de 
Vidro, para acabar com aquele ódio.
ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro. 1985.
Publicado em 1979, o texto compartilha com outras obras da 
literatura brasileira escritas no período as marcas do contexto 
em que foi produzido, como a 
a) referência à censura e à opressão para alegorizar a falta 
de liberdade de expressão característica da época. 
b) valorização de situações do cotidiano para atenuar os 
sentimentos de revolta em relação ao governo instituído. 
c) utilização de metáforas e ironias para expressar um olhar 
crítico em relação à situação social e política do país. 
d) tendência realista para documentar com verossimilhança 
o drama da população brasileira durante o Regime Militar. 
e) sobreposição das manifestações populares pelo discurso 
oficial para destacar o autoritarismo do momento 
histórico. 
3. (Enem 2018) 
A imagem integra uma adaptação em quadrinhos da obra 
Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Na representação 
gráfica, a inter-relação de diferentes linguagens caracteriza-se 
por 
a) romper com a linearidade das ações da narrativa literária. 
b) ilustrar de modo fidedigno passagens representativas da 
história. 
c) articular a tensão do romance à desproporcionalidade 
das formas. 
d) potencializar a dramaticidade do episódio com recursos 
das artes visuais. 
e) desconstruir a diagramação do texto literário pelo 
desequilíbrio da composição. 
4. (Enem 2018) 
 – Famigerado? [...]
– Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável” ...
– Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entend-
er. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? 
Farsância? Nome de ofensa?
– Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de 
outros usos ...
– Pois ... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em 
dia de semana?
– Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, res-
peito ...
ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa 
a determinados dias da semana remete ao 
a) local de origem dos interlocutores. 
b) estado emocional dos interlocutores. 
c) grau de coloquialidade da comunicação. 
d) nível de intimidade entre os interlocutores. 
e) conhecimento compartilhado na comunicação. 
5. (DET-2018) Leia o fragmento a seguir.
 — "Vosmecê é que não me conhece. Damázio, dos Siqueiras... 
Estou vindo da Serra..."
Sobressalto. Damázio, quem dele não ouvira? O feroz de 
estórias de léguas, com dezenas de carregadas mortes, 
homem perigosíssimo. Constando também, se verdade, que 
de para uns anos ele se serenara — evitava o de evitar. Fie-se, 
porém, quem, em tais tréguas de pantera? Ali, antenasal, de 
mim a palmo! Continuava:
[...] Com arranco, calou-se. Como arrependido de ter começado 
assim, de evidente. Contra que aí estava com o fígado em 
más margens; pensava, pensava. Cabismeditando. Do que, 
se resolveu. Levantou as feições. Se é que se riu: aquela 
74 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 1
Curso Enem 2019 | Literatura
A Arte da Palavra
crueldade de dentes. Encarar, não me encarava, só se fito à 
meia esguelha. Latejava-lhe um orgulho indeciso. Redigiu seu 
monologar.
[...]— "Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me 
ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz-megerado... 
falmisgeraldo... familhas-gerado...?
Fragmento extraído do livro Primeiras Estórias, Editora Nova Fronteira - Rio de 
Janeiro, 1988, pág. 13.
A partir da leitura do trecho anterior, é correto afirmar que em 
termos temáticos,
a) o uso de uma linguagem dicotômica, em termos sociais, 
impede a percepção das esferas do letrado e do iletrado.
b) a preocupação com a retratação do exterior, o físico, é 
abrandada a fim de dar lugar ao mundo psicológico do 
personagem.
c) o uso de períodos curtos, bem como de uma sintaxe 
sinuosa se dá pelo caráter árido da linguagem do sertão.
d) a utilização de neologismos traz ao texto certa erudição 
que contrasta com a literatura vinculada a temas 
populares.
e) a mudança de comportamento de Damásio frente ao seu 
interlocutor se apresenta de maneira a revelar a riqueza 
cultural exaltada pela sociedade brasileira.
6. (Enem 2ª aplicação 2016) 
O bonde abre a viagem,
No banco ninguém,
Estou só, stou sem.
Depois sobe um homem,
No banco sentou,
Companheiro vou.
O bonde está cheio,
De novo porém
Não sou mais ninguém.
ANDRADE, M. Poesias completas. Belo Horizonte: Vila Rica, 1993.
O desenvolvimento das grandes cidades e a consequente 
concentração populacional nos centros urbanos geraram 
mudanças importantes no comportamento dos indivíduos 
em sociedade. No poema de Mário de Andrade, publicado na 
década de 1940, a vida na metrópole aparece representada
pela contraposição entre 
a) a solidão e a multidão. 
b) a carência e a satisfação. 
c) a mobilidade e a lentidão. 
d) a amizade e a indiferença. 
e) a mudança e a estagnação. 
As páginas reproduzidas a seguir fazem parte de publicação do 
Instituto A gente transforma. Seus componentes apresentam-
se assim: “Nós somos um movimento que nasceu a partir de um 
impulso, uma inquietação e entendimento da necessidade de 
valorização do ser humano e seus saberes legítimos ancestrais, 
como ferramenta de transformação e liberdade.” Usam o design 
como ferramenta para expor a alma brasileira, a partir do 
mergulho na cultura dos povos que formam o nosso país.
Observe com cuidado o conjunto abaixo reproduzido.
Ancestralidade
Quando o antigo bogoió foi encontrado na casa de dona 
Chica, em 2012, as artesãs perceberam que o futuro estava no 
passado. Ou melhor, que o futuro estava no conhecimento, na 
ancestralidade, na cultura, na fé e na resistência representada 
pelo artesanato. O artesanato tem o espírito da resistência e 
da rebeldia. Não há peças iguais em Várzea Queimada. Elas 
carregam a personalidade de seus autores. O antigo e o novo 
se misturam na Toca das Possibilidades.
Aqui, não há limites para a criatividade.
(Instituto A gente transforma: Várzea Queimada. p. 8, 9 e 15) 
7. (Puccamp 2017) Sobre o que se tem no texto, afirma-se 
com correção: 
a) Palavras de sentido oposto, que normalmente se 
excluiriam, estão combinadas, para reforçar a expressão, 
em as artesãs perceberam que o futuro estava no passado. 
b) A expressão Ou melhor introduz uma retificação, visto 
que a palavra futuro, usada na frase anterior, não foi 
empregada em seu sentido próprio. 
c) As formas verbais empregadas para expressar as ações, 
em foi encontrado e perceberam, impedem que essas 
sejam entendidas como concomitantes. 
d) Se, em lugar do verbo “haver”, em Não há peças iguais em 
Várzea Queimada, tivesse sido empregado “existir”, este 
verbo deveria também ser usado no singular, para que 
fosse mantida a correção gramatical. 
e) No contexto em que a palavra Aqui foi empregada, 
ela deve ser entendida como reportando aos centros 
produtores de artesanato no Brasil. 
8. (Enem 2017) 
O farrista
Quando o almirante Cabral
Pôs as patas no Brasil
O anjo da guarda dos índios
Estava passeando em Paris.
Quando ele voltou de viagem
O holandês já está aqui.
O anjo respira alegre:
“Não faz mal, isto é boa gente,
Vou arejar outra vez.”
O anjo transpôs a barra,
Diz adeus a Pernambuco,
Faz barulho, vuco-vuco,
Tal e qual o zepelim
75Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 1A Arte da Palavra
Mas deu um vento no anjo,
Ele perdeu a memória...
E não voltou nunca mais.
MENDES. M. História do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1992
A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do 
Modernismo, cujas propostas estéticas transparecem, no 
poema, por um eu lírico que 
a) configura um ideal de nacionalidade pela integração 
regional. 
b) remonta ao colonialismo assente sob um viés iconoclasta. 
c)repercute as manifestações do sincretismo religioso. 
d) descreve a gênese da formação do povo brasileiro. 
e) promove inovações no repertório linguístico. 
9. (Enem 2018) 
Quebranto
às vezes sou o policial que me suspeito 
me peço documentos 
e mesmo de posse deles 
me prendo e me dou porrada
às vezes sou o porteiro 
não me deixando entrar em mim mesmo 
a não ser 
pela porta de serviço
[...]
às vezes faço questão de não me ver 
e entupido com a visão deles 
sinto-me a miséria concebida como um eterno 
começo
fecho-me o cerco 
sendo o gesto que me nego 
a pinga que me bebo e me embebedo 
o dedo que me aponto 
e denuncio 
o ponto em que me entrego.
às vezes!...
CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza. 2007 (fragmento).
Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recor-
rente a presença de elementos que traduzem experiências 
históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência 
revela que o eu lírico 
a) incorpora seletivamente o discurso do seu opressor. 
b) submete-se à discriminação como meio de fortalecimen-
to. 
c) engaja-se na denúncia do passado de opressão e injus-
tiças. 
d) sofre uma perda de identidade e de noção de pertenci-
mento. 
e) acredita esporadicamente na utopia de uma sociedade 
igualitária. 
10. (Enem 2017) 
 Contranarciso
em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
LEMINSKI, P. Toda poesia. São Paulo: Cia. das Letras. 2013.
A busca pela identidade constitui uma faceta da tradição 
literária, redimensionada pelo olhar contemporâneo. No 
poema, essa nova dimensão revela a 
a) ausência de traços identitários. 
b) angústia com a solidão em público. 
c) valorização da descoberta do “eu” autêntico. 
d) percepção da empatia como fator de 
autoconhecimento. 
e) impossibilidade de vivenciar experiências de 
pertencimento. 
11. (Enem 2014) 
17 
 
	
23. (Enem 2014) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O objeto escultórico produzido por Lygia Clark, representante do Neoconcretismo, exemplifica o início de 
uma vertente importante na arte contemporânea, que amplia as funções da arte. Tendo como referência a 
obra Bicho	de	bolso, identifica-se essa vertente pelo(a) 
A) participação efetiva do espectador na obra, o que determina a proximidade entre arte e vida. 
B) percepção do uso de objetos cotidianos para a confecção da obra de arte, aproximando arte e realidade. 
C) reconhecimento do uso de técnicas artesanais na arte, o que determina a consolidação de valores 
culturais. 
D) reflexão sobre a captação artística de imagens com meios óticos, revelando o desenvolvimento de uma 
linguagem própria. 
E) entendimento sobre o uso de métodos de produção em série para a confecção da obra de arte, o que 
atualiza as linguagens artísticas. 
 
24. (Enem cancelado 2009) Texto	A	
 
 
 
Texto	B	
	
Metaesquema	I	
 
Alguns artistas remobilizam as linguagens geométricas no sentido de permitir que o apreciador participe da 
obra de forma mais efetiva. Nesta obra, como o próprio nome define: meta — dimensão virtual de 
movimento, tempo e espaço; esquema — estruturas, os Metaesquemas são estruturas que parecem 
76 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 1
Curso Enem 2019 | Literatura
A Arte da Palavra
O objeto escultórico produzido por Lygia Clark, representante 
do Neoconcretismo, exemplifica o início de uma vertente 
importante na arte contemporânea, que amplia as funções da 
arte. Tendo como referência a obra Bicho de bolso, identifica-se 
essa vertente pelo(a) 
a) participação efetiva do espectador na obra, o que 
determina a proximidade entre arte e vida. 
b) percepção do uso de objetos cotidianos para a confecção 
da obra de arte, aproximando arte e realidade. 
c) reconhecimento do uso de técnicas artesanais na arte, o 
que determina a consolidação de valores culturais. 
d) reflexão sobre a captação artística de imagens com meios 
óticos, revelando o desenvolvimento de uma linguagem 
própria. 
e) entendimento sobre o uso de métodos de produção em 
série para a confecção da obra de arte, o que atualiza as 
linguagens artísticas. 
12. (Unicamp 2018) O poema abaixo é de autoria do poeta 
Augusto de Campos, integrante do movimento concretista.
Nesse poema, nota-se uma técnica de composição que con-
siste 
Faz inveja pra gente
Que não tem mulher
No jacutá de preto velho
Há uma festa de yaô
Ôi tem nêga de Ogum
De Oxalá, de lemanjá
Mucama de Oxossi é caçador
Ora viva Nanã
Nanã Buruku
Yô yoo
Yô yooo
No terreiro de preto velho iaiá
Vamos saravá (a quem meu pai?)
Xangô!
VIANA, G. Agó, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997.
A canção Yaô foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, 
em parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto 
mistura o português com o iorubá, língua usada por africanos 
escravizados trazidos para o Brasil. Ao fazer uso do iorubá 
nessa composição, o autor 
a) promove uma crítica bem-humorada às religiões afro-
brasileiras, destacando diversos orixás. 
b) ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se 
mantém viva na produção musical brasileira. 
c) evidencia a superioridade da cultura africana e seu 
caráter de resistência à dominação do branco. 
d) deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza 
a constituição do povo brasileiro. 
e) expressa os rituais africanos com maior autenticidade, 
respeitando as referências originais. 
Leia o fragmento e observe a imagem para responder à 
questão.
A mulher era uma pena na cidade grande.
E a cidade grande se lhe exibia como uma prostituta na vitrine. 
E se insinuava, sorrateira, entre um e outro setor. Vista num 
relance, seu conjunto urbano parecia se erigir em meio aos 
interstícios de sonhos diacrônicos, que, unidos, formavam um 
mosaico por meio de cujo vislumbre o presente e o passado 
conviviam na forma arquitetônica de seus prédios. Era antiga 
e nova ao mesmo tempo. Essa cidade grande se chamava 
Trude e era fruto de um desejo e de uma realidade. 
[...] Então Heloíse Dena passou a sentir muito medo. Não da 
cidade em si, nem dos perigos e dos riscos multiplicados pela 
configuração da urbe imensa. Seu medo era de algo mais 
profundo, menos aparente. No fundo, receava não conseguir 
viver o contexto de uma busca e de um encontro em meio 
a tantos e tão altos prédios. Por essa época, só se sentia 
realmente à vontade dentro de seu carro, quando estava com 
os vidros fechados e as portas trancadas. 
FREITAS, Ewerton. As metades invisíveis. São Paulo: Ixtlan, 2010. p. 130.
a) na disposição arbitrária de anagramas, sem produzir uma 
relação de sentido com o título do poema. 
b) na disposição exaustiva de anagramas, sem produzir 
uma relação de sentido com o título do poema. 
c) na disposição arbitrária de anagramas, para produzir 
uma relação de sentido com o título do poema. 
d) na disposição exaustiva de anagramas, para produzir 
uma relação de sentido com o título do poema. 
13. (Enem 2015) 
Yaô
Aqui có no terreiro
Pelú adié
77Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 1A Arte da Palavra
14. (UEG 2017) Verificam-se, no fragmento e na pintura, 
respectivamente, as seguintes figuras: 
a) catacrese e paradoxo. 
b) hipérbole e catacrese. 
c) metonímia e hipérbole. 
d) paradoxo e prosopopeia. 
e) prosopopeia e metonímia. 
Trenzinho do Caipira
(Para ser cantada com a música 
da Bachianas nº 2, Tocata
 de Villa-Lobos)
[...]
lá vai o trem com o menino 
lá vai a vida a rodar 
lá vai ciranda e destino 
cidade e noite a girar
lá vai o trem sem destino 
pro dia novo encontrar 
correndo vai pela terra 
 vai pela serra 
 vai pelo mar
 cantando pela serra do luar 
 correndo entre as estrelas a voar 
 no ar
 piuí piuípiuí
 no ar
[...]
Ferreira Gullar In: Poema sujo. Letra da Bachianas nº 2 – Tocata – de Heitor 
Villa-Lobos.
15. (DET-2018) A partir da leitura do texto acima, assinale a 
alternativa correta.
a) A métrica irregular se mostra predominante nos versos 
do poema.
b) O poeta traz da oralidade as expressões “lá vai” e “pro”, 
fazendo com que a poesia absorva as incorreções da fala 
brasileira.
c) O texto explicita as diferenças socioculturais brasileiras 
no modo de manejar a língua, trabalhando a formalidade 
discursiva por meio de metaforizações bem construídas.
d) A recorrência de sons semelhantes, como o “erra” de 
“terra”, serra”; o “ar” de “rodar”, girar” “encontrar”, “mar”, 
luar”, “voar” e “ar” ressaltam certa precariedade da 
linguagem popular.
e) A linguagem sugere, no poema, o movimento cíclico das 
rodas da locomotiva, pois o movimento circular faz girar 
a vida, a ciranda, o destino, a cidade e a noite.
Texto para a questão a seguir.
Sonetilho do falso Fernando Pessoa
Onde nasci, morri. 
Onde morri, existo. 
E das peles que visto 
muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti 
posso durar. Desisto 
de tudo quanto é misto 
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto, 
à deusa que se ri 
deste nosso oaristo*,
eis‐me a dizer: assisto 
além, nenhum, aqui, 
mas não sou eu, nem isto.
Carlos Drummond de Andrade. Claro Enigma.
*conversa íntima entre casais. 
Ulisses
O mito é o nada que é tudo. 
O mesmo sol que abre os céus 
É um mito brilhante e mudo ‐ 
O corpo morto de Deus, 
Vivo e desnudo.
Este, que aqui aportou, 
Foi por não ser existindo. 
Sem existir nos bastou. 
Por não ter vindo foi vindo 
E nos criou.
Assim a lenda se escorre 
A entrar na realidade, 
E a fecundá‐la decorre. 
Em baixo, a vida, metade 
De nada, morre.
Fernando Pessoa. Mensagem. 
16. (Fuvest 2019) O oxímoro é uma “figura em que se com-
binam palavras de sentido oposto que parecem excluir‐se 
mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão” 
(HOUAISS, 2001).
No poema “Sonetilho do falso Fernando Pessoa”, o emprego 
dessa figura de linguagem ocorre em: 
a) “Onde morri, existo” (v. 2). 
20 
 
B) o verso Isso	 é	 irônico,	 e	 é	 irônico	 como exemplo de repetição positiva, por valorizar a composição 
musical, mesmo considerando que não acrescenta traço algum de sentido à frase. 
C) como manifestação de traços irônicos de que trata a canção o que se lê na terceira estrofe, porque é 
incomum, e até incoerente, expressar afeto por meio de referências a vídeo	do	Youtube	e celebridades de 
TV. 
D) que em ambos os textos se confessa a incapacidade de traduzir o sentido da palavra “amor”; a diferença 
de atitude afetiva entre os que se expressam deve ser atribuída às determinações do contexto de 
produção, um, do século XXI, o outro, do século XX. 
E) que, na segunda estrofe da canção, em que se entrevê o fingimento na arte, a autora amplia as 
possibilidades de sentido explorando gírias e variações próprias do uso informal da língua. 
 
Leia	o	fragmento	e	observe	a	imagem	para	responder	à	questão.	
A mulher era uma pena na cidade grande. 
E a cidade grande se lhe exibia como uma prostituta na vitrine. E se insinuava, sorrateira, entre um 
e outro setor. Vista num relance, seu conjunto urbano parecia se erigir em meio aos interstícios de sonhos 
diacrônicos, que, unidos, formavam um mosaico por meio de cujo vislumbre o presente e o passado 
conviviam na forma arquitetônica de seus prédios. Era antiga e nova ao mesmo tempo. Essa cidade grande 
se chamava Trude e era fruto de um desejo e de uma realidade. 
[...] Então Heloíse Dena passou a sentir muito medo. Não da cidade em si, nem dos perigos e dos 
riscos multiplicados pela configuração da urbe imensa. Seu medo era de algo mais profundo, menos 
aparente. No fundo, receava não conseguir viver o contexto de uma busca e de um encontro em meio a 
tantos e tão altos prédios. Por essa época, só se sentia realmente à vontade dentro de seu carro, quando 
estava com os vidros fechados e as portas trancadas. 
FREITAS, Ewerton. As	metades	invisíveis. São Paulo: Ixtlan, 2010. p. 130. 
 
 
 
28. (UEG 2017) Verificam-se, no fragmento e na pintura, respectivamente, as seguintes figuras: 
a) catacrese e paradoxo. 
b) hipérbole e catacrese. 
c) metonímia e hipérbole. 
d) paradoxo e prosopopeia. 
e) prosopopeia e metonímia. 
 
	 20 
 
B) o verso Isso	 é	 irônico,	 e	 é	 irônico	 como exemplo de repetição positiva, por valorizar a composição 
musical, mesmo considerando que não acrescenta traço algum de sentido à frase. 
C) como manifestação de traços irônicos de que trata a canção o que se lê na terceira estrofe, porque é 
incomum, e até incoerente, expressar afeto por meio de referências a vídeo	do	Youtube	e celebridades de 
TV. 
D) que em ambos os textos se confessa a incapacidade de traduzir o sentido da palavra “amor”; a diferença 
de atitude afetiva entre os que se expressam deve ser atribuída às determinações do contexto de 
produção, um, do século XXI, o outro, do século XX. 
E) que, na segunda estrofe da canção, em que se entrevê o fingimento na arte, a autora amplia as 
possibilidades de sentido explorando gírias e variações próprias do uso informal da língua. 
 
Leia	o	fragmento	e	observe	a	imagem	para	responder	à	questão.	
A mulher era uma pena na cidade grande. 
E a cidade grande se lhe exibia como uma prostituta na vitrine. E se insinuava, sorrateira, entre um 
e outro setor. Vista num relance, seu conjunto urbano parecia se erigir em meio aos interstícios de sonhos 
diacrônicos, que, unidos, formavam um mosaico por meio de cujo vislumbre o presente e o passado 
conviviam na forma arquitetônica de seus prédios. Era antiga e nova ao mesmo tempo. Essa cidade grande 
se chamava Trude e era fruto de um desejo e de uma realidade. 
[...] Então Heloíse Dena passou a sentir muito medo. Não da cidade em si, nem dos perigos e dos 
riscos multiplicados pela configuração da urbe imensa. Seu medo era de algo mais profundo, menos 
aparente. No fundo, receava não conseguir viver o contexto de uma busca e de um encontro em meio a 
tantos e tão altos prédios. Por essa época, só se sentia realmente à vontade dentro de seu carro, quando 
estava com os vidros fechados e as portas trancadas. 
FREITAS, Ewerton. As	metades	invisíveis. São Paulo: Ixtlan, 2010. p. 130. 
 
 
 
28. (UEG 2017) Verificam-se, no fragmento e na pintura, respectivamente, as seguintes figuras: 
a) catacrese e paradoxo. 
b) hipérbole e catacrese. 
c) metonímia e hipérbole. 
d) paradoxo e prosopopeia. 
e) prosopopeia e metonímia. 
 
	
78 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 1
Curso Enem 2019 | Literatura
A Arte da Palavra
b) “E das peles que visto / muitas há que não vi” (v. 3-4). 
c) “Desisto / de tudo quanto é misto / e que odiei ou senti” 
(v. 6‐8). 
d) “à deusa que se ri / deste nosso oaristo” (v. 10‐11). 
e) “mas não sou eu, nem isto” (v. 14). 
17. (UERN 2015) Assinale a alternativa que apresenta, 
respectivamente, a classificação dos textos. 
Busque Amor novas artes, novo engenho,
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
(Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 1961. Fragmento.)
Porém já cinco sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados,
Prosperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite, estando descuidados
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem, que os ares escurece,
Sobre nossas cabeças aparece.
(Camões, L. V. Os Lusíadas. Abril Cultural, 1979. São Paulo. Fragmento.)
a) Épico e lírico. 
b) Lírico e épico. 
c) Lírico e dramático. 
d) Dramático e épico. 
e) E) Épico e Épico.
18. (Enem 2017) 
Aí pelas três da tarde
Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde inve-
jáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, 
aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço,seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o 
homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansa-
do, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repen-
te sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco 
quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais 
escribas mais severos, dê um largo “ciao” ao trabalho do dia, 
assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco 
mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que es-
tiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você 
não sabia antes como era conduzida. Convém não responder 
aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a 
intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na me-
dida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das 
meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo como e reti-
rasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mí-
nimas, quem sabe até em pelo, mas sem ferir o decoro (o seu 
decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa 
verdade provisória, toda mudança de comportamento.
NASSAR, R. Menina a caminho. São Paulo: Cia. das Letras. 1997.
Em textos de diferentes gêneros, algumas estratégias argu-
mentativas referem-se a recursos linguístico-discursivos mo-
bilizados para envolver o leitor. No texto, caracteriza-se como 
estratégia de envolvimento a 
a) prescrição de comportamentos, como em: “[...] largue 
tudo de repente sob os olhares a sua volta [...]”. 
b) apresentação de contraposição, como em: “Mas não 
exagere na medida e suba sem demora ao quarto [...]”. 
c) explicitação do interlocutor, como em: “[...] (espécie da 
qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um 
tanto excluído) [...]”. 
d) descrição do espaço, como em: “Nesta sala atulhada de 
mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes 
dividiram entre si o bom-senso do mundo [...]”. 
e) construção de comparações, como em: “[...] libertando aí 
os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo 
como se retirasse a importância das coisas [...]”. 
19. (Enem 2016) 
Primeira lição
Os gêneros de poesia são: lírico, satírico, didático, épico, ligeiro.
O gênero lírico compreende o lirismo.
Lirismo é a tradução de um sentimento subjetivo, sincero e 
pessoal.
É a linguagem do coração, do amor.
O lirismo é assim denominado porque em outros tempos os 
versos sentimentais eram declamados ao som da lira.
O lirismo elegíaco compreende a elegia, a nênia, a endecha, o 
epitáfio e o epicédio.
Elegia é uma poesia que trata de assuntos tristes.
Nênia é uma poesia em homenagem a uma pessoa morta.
Era declamada junto à fogueira onde o cadáver era incinerado.
Endecha é uma poesia que revela as dores do coração.
Epitáfio é um pequeno verso gravado em pedras tumulares.
Epicédio é uma poesia onde o poeta relata a vida de uma 
pessoa morta.
CESAR, A. C. Poética, São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
No poema de Ana Cristina Cesar, a relação entre as definições 
apresentadas e o processo de construção do texto indica que 
o(a) 
a) caráter descritivo dos versos assinala uma concepção 
irônica de lirismo. 
b) tom explicativo e contido constitui uma forma peculiar 
de expressão poética. 
c) seleção e o recorte do tema revelam uma visão pessimista 
da criação artística. 
d) enumeração de distintas manifestações líricas produz 
um efeito de impessoalidade. 
e) referência a gêneros poéticos clássicos expressa a adesão 
do eu lírico às tradições literárias. 
79Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 1A Arte da Palavra
Fernando Pessoa. Mensagem. 
20. (Enem 2018)
Eu sobrevivi do nada, do nada
Eu não existia
Não tinha uma existência
Não tinha uma matéria
Comecei existir com quinhentos milhões e quinhentos mil 
anos
Logo de uma vez, já velha
Eu não nasci criança, nasci já velha
Depois é que eu virei criança
E agora continuei velha
Me transformei novamente numa velha
Voltei ao que eu era, uma velha
PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org.). Reino dos bichos e dos animais é meu nome.
Rio de Janeiro: Azougue, 2009.
Nesse poema de Stela do Patrocínio, a singularidade da ex-
pressão lírica manifesta-se na 
a) representação da infância, redimensionada no resgate da 
memória. 
b) associação de imagens desconexas, articuladas por uma 
fala delirante. 
c) expressão autobiográfi ca, fundada no relato de 
experiências de alteridade. 
d) incorporação de elementos fantásticos, explicitada por 
versos incoerentes. 
e) transgressão à razão, ecoada na desconstrução de 
referências temporais. 
21. (Enem 2018) 
Ó Pátria amada.
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa fl âmula
— “Paz no futuro e glória no passado.”
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um fi lho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos fi lhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!
Hino Nacional do Brasil. Letra: Joaquim Osório Duque Estrada.
Música: Francisco Manuel da Silva (fragmento).
O uso da norma-padrão na letra do Hino Nacional do Brasil é 
justifi cado por tratar-se de um(a) 
a) reverência de um povo a seu país. 
b) gênero solene de característica protocolar. 
c) canção concebida sem interferência da oralidade. 
1 A 7 A 13 B 19 A
2 C 8 B 14 E 20 E
3 D 9 A 15 E 21 B
4 C 10 D 16 A
5 B 11 A 17 B
6 A 12 D 18 D
GABARITO
d) escrita de uma fase mais antiga da língua portuguesa. 
e) artefato cultural respeitado por todo o povo brasileiro. 
Curso Enem 2019 | Literatura80 Literatura | Curso Enem 2019
CAPÍTULO 2
Estilos de Época
Estilos de Época
ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES
Trovadorismo Idade Média
Feudalismo: nobreza, clero, 
servos
Cruzadas
Teocentrismo
Formação do Estado 
português
Amor cortês
Vassalagem amorosa
Cantigas lírico-amorosas de 
Amor e de Amigo 
Cantigas satíricas de escárnio 
e de maldizer 
Novelas de cavalaria
Paio Soares de Taveirós D. 
Dinis
Pero da Ponte
Martim Codax
Humanismo Crise do feudalismo
Surgimento da burguesia
Teocentrismo e 
antropocentrismo
Início do estudo das obras 
Greco- latinas
Revolução de Avis
Reconhecimento dos valores 
humanos 
Denúncia em relação às 
classes dominantes
Criação da imprensa = música 
e poesia independentes
Surgimentos de novos tipos 
de texto: 
Historiografi a
Prosa doutrinária
Poesia palaciana
Teatro (auto)
Fernão Lopes
Gil Vicente
Garcia de Resende
Classicismo Ascensão da burguesia 
Centralização do poder 
Reforma Protestante
Grandes Navegações
Invenções e progresso 
científi co
Culto aos clássicos 
Neoplatonismo
Mitologia Greco-latina 
Antropocentrismo 
Racionalismo
Linguagem erudita
Dolce stil nuovo
Estaticidade e sobriedade 
clássicas
Camões
Sá de Miranda 
Antônio Ferreira 
João de Barros
Barroco Estados absolutistas
Contrarreforma"; Companhia 
de Jesus e Concílio de Trento
Desaparecimento do rei D. 
Sebastião
Domínio espanhol sob 
Portugal
Rebuscamento da forma 
(Cultismo) 
Rebuscamento do conteúdo 
(Conceptismo) 
Tentativa de conciliar opostos
Preferência por aspectos 
dinâmicos, dramáticos
Padre Antônio Vieira
D. Francisco Manuel de Melo
Padre Manuel Bernardes
Frei Luis de Sousa
Portugal
CAPÍTULO 2
81Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES
Arcadismo Iluminismo
Independência dos EUA 
Revolução Francesa
Primeira Revolução Industrial 
Liberalismo econômico
Ascensão política da 
burguesia 
Expulsão dos jesuítas de 
Portugal
Fundação das arcádias
Novo interesse pelos clássicos 
Predomínio da razão 
Restabelecimento do 
equilíbrio 
Simplicidade
Desprezo aos exageros 
barrocos 
Carpe diem
Locus amoenus
Inutilia truncat
Áurea mediocritas
Fugere urbem
Literatura de elite
Universalismo
Linguagem erudita
Mitologia pagã
Regras e convenções
Bocage
Antônio Dinis da Cruz e Silva
Filinto Elisio
Nicolau Tolentino 
Marquesa de Alorna
RomantismoTriunfo da burguesia 
Popularização das artes 
Liberalismo econômico 
Napoleão invade Portugal
Vinda da Família Real para o 
Brasil
Individualismo
Subjetivismo
Fuga da realidade
Literatura aproxima-se do 
povo Nacionalismo
Linguagem popular 
Religiosidade cristã 
Liberdade de criação
Almeida Garret
Alexandre Herculano 
Camilo Castelo Branco 
Soares de Passos João de 
Deus
Soares de Passos
Realismo e Naturalismo Segunda Revolução Industrial 
Cientifi cismo
Objetividade
Predomínio da razão
Observação, análise e 
denúncia dos males sociais 
Criação do romance de 
análise
Aceitação dos determinismos 
científi cos
Eugênio de Castro
Antônio Nobre 
Camilo Pestanha
Simbolismo Neocolonialismo 
Ultimato Inglês
Musicalidade
Sinestesia
Valorização da intuição 
Sugestão, evocação da 
realidade 
Mergulho no inconsciente
Eugênio de Castro Antônio 
Nobre Camilo Pestanha
Modernismo Primeira Guerra Mundial 
Revolução Russa
Ascensão dos Estados Unidos 
a potência mundial
Totalitarismo
Segunda Guerra Mundial 
Guerra Fria
Conquista espacial
Terceira Revolução Industrial 
Dissolução da União Soviética
Rejeição da tradição
Liberdade de criação 
Vanguardas Europeias
Teixeira de Pascoaes Mário de 
Sá-Carneiro
Fernando Pessoa e seus 
heterônimos
José Régio 
José Saramago
82 Literatura | Curso Enem 2019
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
ESTILOS DE ÉPOCA
BRASIL
ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES
Quinhentismo 1500: descobrimento do 
Brasil.
 1530: início das expedições 
de exploração e povoamento.
 1534: criação das capitanias 
hereditárias.
 1549: vinda dos jesuítas 
(catequese dos índios e 
fundação dos primeiros 
colégios).
Literatura documental 
sobre o Brasil escrita 
por portugueses (que 
acompanhavam as 
expedições) e por viajantes 
estrangeiros
Literatura pedagógica dos 
jesuítas visando à catequese 
dos índios e à orientação 
moral e espiritual dos colonos
Padre José de Anchieta
Pero Vaz Caminha
Barroco Ciclo da cana-de-açúcar
Bahia e Pernambuco: centros 
econômicos e culturais
Bandeiras 
Invasões
Rebuscamento da forma 
(cultismo ou gongorismo). 
rebuscamento do conteúdo 
(conceptismo)
Tentativa de conciliação 
de opostos e culto dos 
contrastes
Preferência por aspectos 
dramáticos. 
Presença do gênero sermão
Bento Teixeira
Gregório de Matos
Guerra
Padre Antônio Vieira
Arcadismo Ciclo da mineração
Mudança do eixo econômico 
e cultural para Minas Gerais e 
Rio de Janeiro
Inconfi dência Mineira
Novo interesse pelos clássicos
Racionalismo.
Equilíbrio, harmonia
Simplicidade, desprezo aos 
exageros barrocos (inutilia 
truncat)
Fugere urbem. 
Fingimento poético 
Pseudônimos pastoris
Carpe diem
Universalismo
Linguagem erudita
Cláudio Manuel da Costa 
(Glauceste Satúrnio).
Tomás Antônio Gonzaga 
(Dirceu).
Silva Alvarenga (Termindo 
Sipílio).
Santa Rita Durão.
Romantismo Independência do Brasil
Primeiro Reinado
Abdicação
Regência
Segundo Reinado
Revoltas Internas e Guerras 
Guerra do Paraguai.
Abolição
Proclamação da República
Individualismo
Subjetivismo
Fuga da realidade através do 
sonho, da morte, da natureza, 
do tempo, da infância, da 
boemia (escapismo)
emoção
Liberdade de criação. 
nacionalismo
Linguagem popular
POESIA: 1a geração 
nacionalista ou indianista); 
2a geração byroniana ou do 
mal do século, 3 a geração 
condoreira; 
PROSA: romance urbano 
ou de costume, indianista e 
regionalista
Gonçalves de Magalhães.
Gonçalves Dias.
Àlvares de Azevedo.
Casimiro de Abreu. 
Castro Alves
83Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES
Realismo Segunda Revolução 
Industrial.
Cientifi cismo: socialismo, 
científi co, positivismo, 
evolucionismo, determinismo
Libertação dos escravos 
Fim da Monarquia
Proclamação da República. 
Imigração.
Análise psicológica.
Romance documental
Expressão indireta
Cientifi cismo: positivismo e 
determinismo
Valores anticlericais, 
antimonárquicos e 
antirromânticos
Retrato do real que permita 
denunciar aspectos negativos 
da sociedade
Racionalismo 
Objetividade
Criticidade
Temas de interesse coletivo 
(adultério, corrupção, etc.)
Machado de Assis
Raul Pompéia
Naturalismo Independência do Brasil
Primeiro Reinado
Abdicação
Regência
Segundo Reinado
revoltas internas e guerras 
Guerra do Paraguai. Abolição
Proclamação da República
Literatura a serviço da ciência.
Personagens tratadas com 
olhar científi co
Olhar racional e objetivo para 
a realidade
Cientifi cismo: positivismo e 
determinismo
Expressão direta - 
anticlericais, antimonárquicos 
e antirromânticos
Retrato do real que permita 
denunciar aspectos negativos 
da sociedade
Aluísio Azevedo
Inglês de Sousa 
Domingos Olímpio
Parnasianismo Independência do Brasil 
Primeiro Reinado
Abdicação
Regência
Segundo Reinado
Revoltas Internas e Guerras 
Guerra do Paraguai 
Abolição
Proclamação da República
Racionalismo
Objetivismo
Impessoalidade para com o 
Objeto do poema
Perfeição formal
Arte pela arte
Olavo Bilac
Raimundo Correia
Alberto de Oliveira
Simbolismo neocolonialismo no Brasil 
Primeira República. 
Revolta da Armada. 
Revolta Federalista. 
Canudos.
Idealismo
Misticismo
Metafísica
Valorização da intuição, dos 
sentidos e das sensações.
sugestão, evocação da 
realidade 
Mergulho no inconsciente. 
Musicalidade
Mistério
Ideal da arte absoluta
Correspondências simbólicas 
entre o mundo visível e as 
essências
Cruz e Sousa
Alphonsus de Guimarães
84 Literatura | Curso Enem 2019
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
ESTILOS DE ÉPOCA CONTEXTO HISTÓRICO CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS AUTORES
Pré- Modernismo República do café-com-leite
economia cafeeira
Imigrações
Urbanização de São Paulo 
agitações sociais
Desejo de mostrar o Brasil 
real aos brasileiros
Crítica à realidade social e 
econômica
Linguagem mais próxima do 
texto jornalístico
Produção conservadora 
com características realistas/
naturalistas e parnasiano- 
simbolistas
Produção inovadora com 
visão crítica da realidade para 
denunciar desequilíbrios 
sociais
Euclides da Cunha
Lima Barreto
Monteiro Lobato 
Augusto dos Anjos
Modernismo Imigração 
Industrialização 
Expansão das cidades
Crescimento da pequena 
Burguesia e do proletariado
PRIMEIRA FASE (1922- 1930): 
ruptura com modelos 
tradicionais, experimentação, 
coloquialismo, humor e 
nacionalismo exacerbado. 
Predomínio da poesia
SEGUNDA FASE (1930-
1945): consolidação das 
conquistas da primeira fase, 
amadurecimento formal.
prosa: era do romance, 
regionalismo
poesia: coexistência do 
verso livre e do metrifi cado; 
temática social e lírico-
introspectiva
TERCEIRA FASE (1945- ...):
prosa: pesquisa formal e de 
linguagem, tensão regional/ 
universal.
poesia: geração de 45 – 
preocupação universalista 
concretismo e poesia-práxis 
– experimentação com a 
linguagem da poesia social
Contracultura
Alta cultura x cultura de 
massa
PRIMEIRA FASE 
Mário De Andrade, Oswald de 
Andrade E Manuel Bandeira
SEGUNDA FASE
Carlos Drummond de 
Andrade, Vinicius de Moraes, 
Cecília Meireles, Murilo 
Mendes, Jorge de Lima, 
Graciliano Ramos, Jorge 
Amado, José Lins do Rego, 
Rachel de Queiroz e Érico 
Veríssimo
(3ª FASE)
TERCEIRA FASE
João Cabral de Melo Neto, 
Ferreira Gulllar, Ana Cristina 
César, Guimarães Rosa, Clarice 
Lispector e Rubem Fonseca
85Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
Literatura 89
TROVADORISMO
Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, 
Troutbeck, Inglaterra
Ilumninura do Tacuinum, c.1400
Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de 
Martim Codax
Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna 
(1255-1319)
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
Literatura 89
TROVADORISMO
Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, 
Troutbeck, Inglaterra
Ilumninura do Tacuinum, c.1400
Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de 
Martim Codax
Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna 
(1255-1319)
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
Literatura 89
TROVADORISMO
JesusCristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, 
Troutbeck, Inglaterra
Ilumninura do Tacuinum, c.1400
Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de 
Martim Codax
Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna 
(1255-1319)
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
Literatura 89
TROVADORISMO
Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, 
Troutbeck, Inglaterra
Ilumninura do Tacuinum, c.1400
Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de 
Martim Codax
Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna 
(1255-1319)
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
TROVADORISMO
Jesus Cristo e São Pedro. Vitral igreja de Jesus, Troutbeck, 
Inglaterra
Crevole Madonna. c.1284, de Duccio di Buoninsegna (1255-
1319)
Ilumninura do Tacuinum, c.1400
Pergaminho Vindel com as sete cantigas de amigo de Martim 
Codax
86 Literatura | Curso Enem 2019
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
90 Literatura
HUMANISMO
Um banqueiro e sua esposa, Quentin Metsys. 
CLASSICISMO
Sandro Botticelli , O nascimento da vênus 
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
90 Literatura
HUMANISMO
Um banqueiro e sua esposa, Quentin Metsys. 
CLASSICISMO
Sandro Botticelli , O nascimento da vênus 
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
HUMANISMO
CLASSICISMO
Um banqueiro e sua esposa, Quentin Metsys.
Sandro Botticelli , O nascimento da vênus
87Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
Literatura 91
Leonardo Da Vinci , Monalisa 
Michelangelo, A Criação de Adão 
Leonardo da Vinci, A dama do arminho 
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
Leonardo Da Vinci , Monalisa
Michelangelo, A Criação de Adão
Leonardo da Vinci, A dama do arminho
88 Literatura | Curso Enem 2019
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
92 Literatura
QUINHENTISMO
Terra Brasilis, mapa de Lopo Homem, da obra Atlas Miller, 1515-1519. 
Oscar Pereira da Silva / Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500, 19002
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
QUINHENTISMO
Terra Brasilis, mapa de Lopo Homem, da obra Atlas Miller, 1515-1519.
Oscar Pereira da Silva / Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500, 19002
89Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
Literatura 93
BARROCO
Caravaggio, Judite decapitando Holofernes. 
Bernini, Êxtase da Santa Teresa. 
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
BARROCO
Caravaggio, Judite decapitando Holofernes.
Bernini, Êxtase da Santa Teresa.
90 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
ARCADISMO
ROMANTISMO
Balthasar Paul Ommeganck - Paisagem do rio com pastor e ovelhas
Navio Em Mares Tempestuosos – Ivan Aivazovsky Constantinovich
91Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
Conde de Clarac – Floresta virgem do Brasil
Pedro José Pinto Peres – Elevação da cruz em Porto Seguro
92 Literatura | Curso Enem 2019
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
96 Literatura
Rodolfo Amoedo, Nu 
REALISMO
Arrufos, Belmiro de Almeida
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
96 Literatura
Rodolfo Amoedo, Nu 
REALISMO
Arrufos, Belmiro de Almeida
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
REALISMO
Rodolfo Amoedo, Nu
Arrufos, Belmiro de Almeida
93Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
Literatura 97
NATURALISMO
A dificuldade da pobreza, 1889, Thomas Benjamin Kennington
A colheita, 1880, Julien Dupré
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
NATURALISMO
A difi culdade da pobreza, 1889, Thomas Benjamin Kennington
A colheita, 1880, Julien Dupré
94 Literatura | Curso Enem 2019
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
98 Literatura
MODERNISMO
Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, 
Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela 
– 61 X 51 Cm
Tarsila Do Amaral
Retrato De Oswald De Andrade,1922
Lasar Segall - Duas Amigas, 1913
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
98 Literatura
MODERNISMO
Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, 
Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela 
– 61 X 51 Cm
Tarsila Do Amaral
Retrato De Oswald De Andrade,1922
Lasar Segall - Duas Amigas, 1913
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
98 Literatura
MODERNISMO
Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, 
Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela 
– 61 X 51 Cm
Tarsila Do Amaral
Retrato De Oswald De Andrade,1922
Lasar Segall - Duas Amigas, 1913
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
98 Literatura
MODERNISMO
Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes, 
Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela 
– 61 X 51 Cm
Tarsila Do Amaral
Retrato De Oswald De Andrade,1922
Lasar Segall - Duas Amigas, 1913
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
MODERNISMO
Anita Malfatti - Mulher De Cabelos Verdes,
Lasar Segall - Duas Amigas, 1913
Tarsila Do Amaral
Retrato De Oswald De Andrade,1922
Anita Malfatti - O Homem Amarelo, 1915 Óleo S/ Tela – 
61 X 51 Cm
95Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
Literatura 99
Tarsila Do Amaral - Abapuru, 1928
EXERCÍCIOS 
1. 
Tudo no mundo começou com um sim. Uma 
molécula disse sim a outra molécula e nasceu 
a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-
história da pré-história e havia o nunca e havia o 
sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o 
universo jamais começou.
[…]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver 
respostas continuarei a escrever. Como começar 
pelo início, se as coisas acontecem antes de 
acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia 
os monstros apocalípticos? Se esta história não 
existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir 
é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo 
o que estou escrevendo. […] Felicidade? Nunca vi 
palavra mais doida, inventada pelas nordestinas 
que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o 
resultado de uma visão gradual — há dois anos e 
meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É 
visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais 
tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora 
mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que 
justificaria o começo — como a morte parece dizer 
sobre a vida — porque preciso registrar os fatos 
antecedentes.
LISPECTOR, C. A hora da estrela. 
Rio de Janeiro: Rocco, 1988 (fragmento).
A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha 
a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com 
a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da 
escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade 
porque o narrador 
a) observa os acontecimentos que narra sob 
uma ótica distante, sendo indiferente aos 
fatos e às personagens. 
b) relata a história sem ter tido a preocupação 
de investigar os motivos que levaram aos 
eventos que a compõem. 
c) revela-se um sujeito que reflete sobre 
questões existenciais e sobre a construção 
do discurso. 
d) admite a dificuldade de escrever uma história 
em razão da complexidade para escolher as 
palavras exatas. 
e) propõe-se a discutir questões de natureza 
filosófica e metafísica, incomuns na narrativa 
de ficção. 
2. O poema de Oswald de Andrade remonta à ideia 
de que a brasilidade está relacionada ao futebol. 
Quanto à questão da identidade nacional, as 
anotações em torno dos versos constituem 
a) direcionamentos possíveis para uma leitura 
crítica de dados histórico-culturais. 
b) forma clássica da construção poética 
brasileira. 
c) rejeição à ideia do Brasil como o país do 
futebol. 
d) intervenções de um leitor estrangeiro no 
exercício de leitura poética. 
e) lembretes de palavras tipicamente brasileiras 
substitutivas das originais. 
3. Manta que costura causos e histórias no seio de 
uma família serve de metáfora da memória em 
obra escrita por autora portuguesa
O que poderia valer mais do que a manta para 
aquela família? Quadros de pintores famosos? Joias 
de rainha? Palácios? Uma manta feita de centenas 
de retalhos de roupas velhas aquecia os pés das 
crianças e a memória da avó, que a cada quadrado 
apontado por seus netos resgatava de suas 
lembranças uma história. Histórias fantasiosascomo a do vestido com um bolso que abrigava 
um gnomo comedor de biscoitos; histórias de 
traquinagem como a do calção transformado em 
farrapos no dia em que o menino, que gostava 
de andar de bicicleta de olhos fechados, quebrou 
o braço; histórias de saudades, como o avental 
que carregou uma carta por mais de um mês... 
Muitas histórias formavam aquela manta. Os 
protagonistas eram pessoas da família, um tio, 
uma tia, o avô, a bisavó, ela mesma, os antigos 
donos das roupas. Um dia, a avó morreu, e as tias 
passaram a disputar a manta, todas a queriam, 
mais do que aos quadros, joias e palácios deixados 
por ela. Felizmente, as tias conseguiram chegar a 
um acordo, e a manta passou a ficar cada mês na 
casa de uma delas. 
Capítulo 2 – ESTILOS DE ÉPOCA
Tarsla do Amaral - Abapuru, 1928
EXERCÍCIOS
1. (Enem 2017) A lavadeira começou a viver como uma ser-
viçal que impõe respeito e não mais como escrava. Mas essa 
regalia súbita foi efêmera. Meus irmãos, nos frequentes desli-
zes que adulteravam este novo relacionamento, geram darde-
jados pelo olhar severo de Emilie; eles nunca suportaram de 
bom grado que uma índia passasse a comer na mesa da sala, 
usando os mesmos talheres e pratos, e comprimindo com os 
lábios o mesmo cristal dos copos e a mesma porcelana das 
xícaras de café. Uma espécie de asco e repulsa tingia-lhes o 
rosto, já não comiam com a mesma saciedade e recusavam-se 
a elogiar os pastéis de picadinho de carneiro, os folheados de 
nata e tâmara, e o arroz com amêndoas, dourado, exalando 
um cheiro de cebola tostada. Aquela mulher, sentada e muda, 
com o rosto rastreado de rugas, era capaz de tirar o sabor e o 
odor dos alimentos e de suprimir a voz e o gesto como se o 
seu silêncio ou a sua presença que era só silêncio impedisse 
o outro de viver.
HATOUM. M. Relato de um certo Oriente. São Paulo: Cia das Letras, 2000.
Ao apresentar uma situação de tensão em família, o narrador 
destila, nesse fragmento, uma percepção das relações huma-
nas e sociais demarcada pelo 
a) predomínio dos estigmas de classe e de raça sobre a inti-
midade da convivência. 
b) discurso da manutenção de uma ética doméstica contra 
a subversão dos valores. 
c) desejo de superação do passado de escassez em prol do 
presente de abastança. 
d) sentimento de insubordinação à autoridade representa-
da pela matriarca da família. 
e) rancor com a ingratidão e a hipocrisia geradas pela mu-
danças nas regras da casa. 
2. (Enem 2ª aplicação 2016) 
Anoitecer
A Dolores
É a hora em que o sino toca,
mas aqui não há sinos;
há somente buzinas,
sirenes roucas, apitos
afl itos, pungentes, trágicos,
uivando escuro segredo;
desta hora tenho medo.
[...]
É a hora do descanso,
mas o descanso vem tarde,
o corpo não pede sono,
depois de tanto rodar;
pede paz – morte – mergulho
no poço mais ermo e quedo;
desta hora tenho medo.
Hora de delicadeza,
agasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos,
bicando em mim, meu passado,
meu futuro, meu degredo;
desta hora, sim, tenho medo.
ANDRADE, C. D. A rosa do povo. Rio de Janeiro: Record, 2005 (fragmento).
Com base no contexto da Segunda Guerra Mundial, o livro 
A rosa do povo revela desdobramentos da visão poética. No 
fragmento, a expressividade lírica demonstra um(a) 
a) defesa da esperança como forma de superação das atro-
cidades da guerra. 
b) desejo de resistência às formas de opressão e medo pro-
duzidas pela guerra. 
c) olhar pessimista das instituições humanas e sociais sub-
metidas ao confl ito armado. 
d) exortação à solidariedade para a reconstrução dos espa-
ços urbanos bombardeados. 
e) espírito de contestação capaz de subverter a condição de 
vítima dos povos afetados. 
3. (Enem 2ª aplicação 2016) Do amor à pátria
São doces os caminhos que levam de volta à pátria. Não à pá-
tria amada de verdes mares bravios, a mirar em berço esplên-
dido o esplendor do Cruzeiro do Sul; mas a uma outra mais 
íntima, pacífi ca e habitual – uma cuja terra se comeu em crian-
ça, uma onde se foi menino ansioso por crescer, uma onde 
se cresceu em sofrimentos e esperanças plantando canções, 
amores e fi lhos ao sabor das estações.
MORAES, V. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987.
96 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
O nacionalismo constitui tema recorrente na literatura român-
tica e na modernista. No trecho, a representação da pátria ga-
nha contornos peculiares porque 
a) o amor àquilo que a pátria oferece é grandioso e elo-
quente. 
b) os elementos valorizados são intimistas e de dimensão 
subjetiva. 
c) o olhar sobre a pátria é ingênuo e comprometido pela 
inércia. 
d) o patriotismo literário tradicional é subvertido e motivo 
de ironia. 
e) a natureza é determinante na percepção do valor da pá-
tria. 
 
4. (Enem 2017) Zé Araújo começou a cantar num tom tris-
te, dizendo aos curiosos que começaram a chegar que uma 
mulher tinha se ajoelhado aos pés da santa cruz e jurado em 
nome de Jesus um grande amor, mas jurou e não cumpriu, 
fingiu e me enganou, pra mim mentiu, pra Deus você pecou, o 
coração tem razões que a própria razão desconhece, faz pro-
messas e juras, depois esquece.
O caboclo estava triste e inspirado. Depois dessa canção que 
arrepiou os cabelos da Neusa, emendou com uma valsa mais 
arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas bonita que só a 
gota serena. Era a história de uma boneca encantadora vista 
numa vitrine de cristal sobre o soberbo pedestal. Zé Araújo 
fechava os olhos e soltava a voz:
Seus cabelos tinham a cor/ Do sol a irradiar/ Fulvos raios de 
amor./ Seus olhos eram circúnvagos/ Do romantismo azul dos 
lagos/ Mãos liriais, uns braços divinais,/ Um corpo alvo sem par/ 
E os pés muito pequenos/ Enfim eu vi nesta boneca/ Uma perfeita 
Vênus.
CASTRO, N. L. As pelejas de Ojuara: o homem que desafiou o diabo. São Paulo: 
Arx, 2006 (adaptado).
O comentário do narrador do romance “[...] emendou com 
uma valsa mais arretada ainda, cheia de palavras difíceis, mas 
bonita que só a gota serena” relaciona-se ao fato de que essa 
valsa é representativa de uma variedade linguística 
a) detentora de grande prestígio social. 
b) específica da modalidade oral da língua. 
c) previsível para o contexto social da narrativa. 
d) constituída de construções sintáticas complexas. 
e) valorizadora do conteúdo em detrimento da forma. 
5. (Enem 2015) 
da sua memória
mil
e
mui
tos
out
ros
ros
tos
sol
tos
pou
coa
pou
coa
pag
amo
meu
ANTUNES, A. 2 ou + corpos no mesmo espaço. São Paulo: Perspectiva, 1998.
Trabalhando com recursos formais inspirados no Concretismo, 
o poema atinge uma expressividade que se caracteriza pela
 
a) interrupção da fluência verbal, para testar os limites da 
lógica racional. 
b) reestruturação formal da palavra, para provocar o estra-
nhamento no leitor. 
c) dispersão das unidades verbais, para questionar o senti-
do das lembranças. 
d) fragmentação da palavra, para representar o estreita-
mento das lembranças. 
e) renovação das formas tradicionais, para propor uma 
nova vanguarda poética. 
6. (Enem 2017) TEXTO I
TEXTO II
Na sua produção, Goeldi buscou refletir seu caminho pessoal 
e político, sua melancolia e paixão sobre os intensos aspectos 
mais latentes em sua obra, como: cidades, peixes, urubus, ca-
veiras, abandono, solidão, drama e medo.
ZULIETTI, L. F. Goeldi: da melancolia ao inevitável. Revista de Arte, Mídia e Políti-
ca. Acesso em: 24 abr. 2017 (adaptado).
O gravador Oswaldo Goeldi recebeu fortes influências de 
um movimento artístico europeu do início do século XX, que 
apresenta as características reveladas nos traços da obra de 
97Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
a)
b)
c)
d)
e)
7. (Enem PPL 2014) 
Cena
O canivete voou
E o negro comprado na cadeia
Estatelou de costas
E bateu coa cabeça na pedra
ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001.
O Modernismo representou uma ruptura com os padrõesfor-
mais e temáticos até então vigentes na literatura brasileira. Se-
guindo esses aspectos, o que caracteriza o poema Cena como 
modernista é o(a) 
a) construção linguística por meio de neologismo. 
b) estabelecimento de um campo semântico inusitado. 
c) uso da técnica de montagem de imagens justapostas. 
d) configuração de um sentimentalismo conciso e irônico. 
e) subversão de lugares-comuns tradicionais. 
8. (Enem PPL 2014) A mitologia comparada surge no sécu-
lo XVIII. Essa tendência influenciou o escritor cearense José 
de Alencar, que, inspirado pelo estilo da epopeia homérica 
na Ilíada, propõe em Iracema uma espécie de mito fundador 
do povo brasileiro. Assim como a Ilíada vincula a constituição 
do povo helênico à Guerra de Troia, deflagrada pelo roman-
ce proibido de Helena e Páris, Iracema vincula a formação do 
povo brasileiro aos conflitos entre índios e colonizadores, atra-
vessados pelo amor proibido entre uma índia — Iracema — e 
o colonizador português Martim Soares Moreno. 
DETIENNE, M. A invenção da mitologia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998 
(adaptado). 
A comparação estabelecida entre a Ilíada e Iracema demons-
tra que essas obras 
a) combinam folclore e cultura erudita em seus estilos es-
téticos. 
b) articulam resistência e opressão em seus gêneros literá-
rios. 
c) associam história e mito em suas construções identitá-
rias. 
98 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
d) refletem pacifismo e belicismo em suas escolhas ideoló-
gicas. 
e) traduzem revolta e conformismo em seus padrões alegó-
ricos. 
Vida obscura
Ninguém sentiu  o  teu espasmo obscuro 
ó ser humilde entre os humildes seres, 
embriagado, tonto de prazeres, 
o mundo para ti foi negro e duro.
Atravessaste no silêncio escuro 
a vida presa a trágicos deveres 
e chegaste ao saber de altos saberes 
tornando-te mais simples e mais puro.
Ninguém te viu o sofrimento inquieto, 
magoado, oculto e aterrador, secreto, 
que o coração te apunhalou no mundo,
Mas  eu que sempre te segui os  passos 
sei que a cruz infernal prendeu-te os braços 
e o teu suspiro como foi profundo!
 (SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova  Aguilar, 1961)
9. (Enem 2014) Com  uma obra  densa e expressiva no Simbo-
lismo brasileiro, Cruz e Souza  transpôs para seu  lirismo uma  
sensibilidade em conflito com a realidade  vivenciada. No  so-
neto, essa percepção traduz-se em
a) sofrimento tácito diante  dos  limites impostos  pela  
discriminação.
b) tendência  latente ao  vício como resposta ao isolamento 
social.
c) extenuação condicionada  a  uma rotina de  tarefas 
degradantes.
d) frustração amorosa canalizada para as atividades 
intelectuais.
e) vocação  religiosa  manifesta na  aproximação com a fé  
cristã.
). 
10. (Enem 2017) 
A obra de Rubem Valentim apresenta emblema que, basean-
do-se em signos de religiões afro-brasileiras, se transformam 
em produção artística. A obra Emblema 78 relaciona-se com o 
Modernismo em virtude da 
a) simplificação de formas da paisagem brasileira. 
b) valorização de símbolos do processo de urbanização. 
c) fusão de elementos da cultura brasileira com a arte 
europeia. 
d) alusão aos símbolos cívicos presentes na bandeira 
nacional. 
e) composição simétrica de elementos relativos à 
miscigenação racial. 
11. (Enem 2018) Certa vez minha mãe surrou-me com uma 
corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangren-
tas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia 
nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enro-
laram-me em panos molhados com água de sal – e houve uma 
discussão na família . Minha avó, que nos visitava, condenou 
o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à 
toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era 
o nó.
RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.
Num texto narrativo, a sequência dos fatos contribui para a 
progressão temática. No fragmento, esse processo é indicado 
a) pela a alternância das pessoas do discurso que 
determinam o foco narrativo. 
b) utilização de formas verbais que marcam tempos 
narrativos variados. 
c) indeterminação dos sujeitos de ações que caracterizam 
os eventos narrados. 
d) justaposição de frases que relacionam semanticamente 
os acontecimentos narrados. 
e) recorrência de expressões adverbiais que organizam 
temporalmente a narrativa. 
12. (Enem 2018) Dia 20/10
É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de 
beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber. É 
preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para 
balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem 
esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preci-
so poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso. É 
preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para 
verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. 
É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é 
tempo não morrer na via pública.
TORQUATO NETO. In: MENDONÇA, J. (Org.) Poesia (im)popular brasileira. São 
Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012.
O processo de construção do texto formata uma mensagem 
por ele dimensionada, uma vez que 
a) configura o estreitamento da linguagem poética. 
b) reflete as lacunas da lucidez em desconstrução. 
99Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
c) projeta a persistência das emoções reprimidas. 
d) repercute a consciência da agonia antecipada. 
e) revela a fragmentação das relações humanas. 
13. (Enem 2018) Somente uns tufos secos de capim empe-
drados crescem na silenciosa baixada que se perde de vista. 
Somente uma árvore, grande e esgalhada mas com pouquíssi-
mas folhas, abre-se em farrapos de sombra. Único ser nas cer-
canias, a mulher é magra, ossuda, seu rosto está lanhado de 
vento. Não se vê o cabelo, coberto por um pano desidratado. 
Mas seus olhos, a boca, a pele – tudo é de uma aridez sufocan-
te. Ela está de pé. A seu lado está uma pedra. O sol explode.
Ela estava de pé no fim do mundo. Como se andasse para 
aquela baixada largando para trás suas noções de si mesma. 
Não tem retratos na memória. Desapossada e despojada, não 
se abate em autoacusações e remorsos. Vive.
Sua sombra somente é que lhe faz companhia. Sua sombra, 
que se derrama em traços grossos na areia, é que adoça como 
um gesto a claridade esquelética. A mulher esvaziada emu-
dece, se dessangra, se cristaliza, se mineraliza. Já é quase de 
pedra como a pedra a seu lado. Mas os traços de sua sombra 
caminham e, tornando-se mais longos e finos, esticam-se para 
os farrapos de sombra da ossatura da árvore, com os quais se 
enlaçam.
FRÓES, L. Vertigens: obra reunida. Rio de Janeiro: Rocco. 1998.
Na apresentação da paisagem e da personagem, o narrador 
estabelece uma correlação de sentidos em que esses elemen-
tos se entrelaçam. Nesse processo, a condição humana con-
figura-se 
a) amalgamada pelo processo comum de desertificação e 
de solidão. 
b) fortalecida pela adversidade extensiva à terra e aos seres 
vivos. 
c) redimensionada pela intensidade da luz e da exuberância 
local. 
d) imersa num drama existencial de identidade e de origem. 
e) imobilizada pela escassez e pela opressão do ambiente. 
14. (Enem 2018) O trabalho não era penoso: colar rótulos, 
meter vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las 
em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, 
separá-las em dúzias... Era fastidioso. Para passar mais rapid-
amente as oito horas havia o remédio: conversar. Era proibi-
do, mas quem ia atrás de proibições? O patrão vinha? Vinha 
o encarregado do serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao 
trabalho. Mal viravam as costas, voltavam a taramelar. As 
mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas 
intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se 
completou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram 
mestras.O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o 
tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de corpo 
que convida, um quebrar de olhos que promete tudo, à toa, 
gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais 
quente. A própria inteligência se transformou. Tornou-se mais 
aguda, mais trepidamente.
REBELO, M. A estrela sobe. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.
O romance, de 1939, trazer à cena tipos e situações que espe-
lham o Rio de Janeiro daquela década. No fragmento, o narra-
dor delineia esse contexto centrado no 
a) julgamento da mulher fora do espaço doméstico. 
b) relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo. 
c) destaque a grupos populares na condição de 
protagonistas. 
d) processo de inclusão do palavrão nos hábitos de 
linguagem. 
e) vínculo entre as transformações urbanas e os papéis 
femininos. 
15. (Enem 2018) 
o que será que ela quer 
essa mulher de vermelho 
alguma coisa ela quer 
pra ter posto esse vestido 
não pode ser apenas 
uma escolha casual 
podia ser um amarelo 
verde ou talvez azul 
mas ela escolheu vermelho 
ela sabe o que ela quer 
e ela escolheu vestido 
e ela é uma mulher 
então com base nesses fatos 
eu já posso afirmar 
que conheço o seu desejo 
caro watson, elementar: 
o que ela quer sou euzinho 
sou euzinho o que ela quer 
só pode ser euzinho 
o que mais podia ser
FREITAS, A. Um útero é do tamanho de um punho. São Paulo: Cosac Naify, 2013.
No processo de elaboração do poema, a autora confere ao eu 
lírico uma identidade que aqui representa a 
a) hipocrisia do discurso alicerçado sobre o senso comum. 
b) mudança de paradigmas de imagem atribuídos à mulher. 
c) tentativa de estabelecer preceitos da psicologia feminina. 
d) importância da correlação entre ações e efeitos causados. 
e) valorização da sensibilidade como característica de 
gênero. 
16. (Enem 2018) 
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a 
imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás 
de casa. 
Passou um homem e disse: Essa volta que o 
rio faz por trás de sua casa se chama enseada. 
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que 
fazia uma volta atrás de casa. 
Era uma enseada. 
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro; Best Seller. 2008.
100 Literatura | Curso Enem 2019 
CAPÍTULO 2
Curso Enem 2019 | Literatura
Estilos de Época
O sujeito poético questiona o uso do vocábulo “enseada” 
porque a 
a) terminologia mencionada é incorreta. 
b) nomeação minimiza a percepção subjetiva. 
c) palavra é aplicada a outro espaço geográfico. 
d) designação atribuída ao termo é desconhecida. 
e) definição modifica o significado do termo no dicionário. 
17. (Enem 2018) Aconteceu mais de uma vez: ele me aban-
donou. Como todos os outros. O quinto. A gente já estava jun-
to há mais de um ano. Parecia que dessa vez seria para sem-
pre. Mas não: ele desapareceu de repente, sem deixar rastro. 
Quando me dei conta, fiquei horas ligando sem parar – mas 
só chamava, chamava, e ninguém atendia. E então fiz o que 
precisava ser feito: bloqueei a linha.
A verdade é que nenhum telefone celular me suporta. Já ten-
tei de todas as marcas e operadoras, apenas para descobrir 
que eles são todos iguais: na primeira oportunidade, dão no 
pé. Esse último aproveitou que eu estava distraído e não de-
sceu do táxi junto comigo. Ou será que ele já tinha pulado 
do meu bolso no momento em que eu embarcava no táxi? 
Tomara que sim. Depois de fazer o que me fez, quero mais é 
que ele tenha ido parar na sarjeta. [...] Se ainda fossem embora 
do jeito que chegaram, tudo bem. [...] Mas já sei o que vou 
fazer. No caminho da loja de celulares, vou passar numa pa-
pelaria. Pensando bem, nenhuma das minhas agendinhas de 
papel jamais me abandonou.
FREIRE, R. Começar de novo. O Estado de S. Paulo, 24 nov. 2006.
Nesse fragmento, a fim de atrair a atenção do leitor e de esta-
belecer um fio condutor de sentido, o autor utiliza-se de 
a) primeira pessoa do singular para imprimir subjetividade 
ao relato de mais uma desilusão amorosa. 
b) ironia para tratar da relação com os celulares na era de 
produtos altamente descartáveis. 
c) frases feitas na apresentação de situações amorosas 
estereotipadas para construir a ambientação do texto. 
d) quebra de expectativa como estratégia argumentativa 
para ocultar informações. 
e) verbos no tempo pretérito para enfatizar uma 
aproximação com os fatos abordados ao longo do texto. 
18. (Unesp 2019) Tal movimento não era apenas um mov-
imento europeu de caráter universal, conquistando uma 
nação após outra e criando uma linguagem literária univer-
sal que, em última análise, era tão inteligível na Rússia e na 
Polônia quanto na Inglaterra e na França; ele também provou 
ser uma daquelas correntes que, como o Classicismo da Re-
nascença, subsistiu como fator duradouro no desenvolvimen-
to da arte. Na verdade, não existe produto da arte moderna, 
nenhum impulso emocional, nenhuma impressão ou estado 
de espírito do homem moderno, que não deva sua sutileza e 
variedade à sensibilidade que se desenvolveu a partir desse 
movimento. Toda exuberância, anarquia e violência da arte 
moderna, seu lirismo balbuciante, seu exibicionismo irrestrito 
e profuso, derivaram dele. E essa atitude subjetiva e egocêntri-
ca tornou-se de tal modo natural para nós, tão absolutamente 
inevitável, que nos parece impossível reproduzir sequer uma 
sequência abstrata de pensamento sem fazer referência aos 
nossos sentimentos.
(Arnold Hauser. História social da arte e da literatura, 1995. Adaptado.)
O texto refere-se ao movimento denominado 
a) Barroco. 
b) Arcadismo. 
c) Realismo. 
d) Romantismo. 
e) Simbolismo. 
19. (Unesp 2018) Expressionismo: Termo aplicado pela crítica 
e pela história da arte a toda arte em que as ideias tradicionais 
de naturalismo são abandonadas em favor de distorções ou 
exageros de forma e cor que expressam, de modo premente, 
a emoção do artista. Neste sentido mais geral, o termo pode 
ser aplicado à arte de qualquer período ou lugar que conce-
da às reações subjetivas um lugar de maior importância que à 
observação do mundo exterior.
(Ian Chilvers (org.). Dicionário Oxford de arte, 2007.)
De acordo com essa definição, pode ser considerada expres-
sionista a obra: 
a) 
b) 
101Curso Enem 2019 | Literatura
CAPÍTULO 2Estilos de Época
c) 
20. (Unifesp 2018) O Surrealismo buscou a comunicação 
com o irracional e o ilógico, deliberadamente desorientando 
e reorientando a consciência por meio do inconsciente. (Fiona 
Bradley. Surrealismo, 2001.)
d) 
e) 
Verifi ca-se a infl uência do Surrealismo nos seguintes versos:
a) Um gatinho faz pipi.
Com gestos de garçom de restaurant-Palace
Encobre cuidadosamente a mijadinha.
Sai vibrando com elegância a patinha direita:
– É a única criatura fi na na pensãozinha burguesa.
(Manuel Bandeira, “Pensão familiar”.)
b) A igreja era grande e pobre. Os altares, humildes.
Havia pouca fl ores. Eram fl ores de horta.
Sob a luz fraca, na sombra esculpida
(quais as imagens e quais os fi éis?)
fi cávamos.
(Carlos Drummond de Andrade, “Evocação Mariana”.)
c) Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade, “No meio do caminho”.)
d) E nas bicicletas que eram poemas
chegavam meus amigos alucinados.
Sentados em desordem aparente,
ei-los a engolir regularmente seus relógios
enquanto o hierofante armado cavaleiro
movia inutilmente seu único braço.
(João Cabral de Melo Neto, “Dentro da perda da memória”.)
 
e) – Desde que estou retirando
só a morte vejo ativa,
só a morte deparei
e às vezes até festiva;
só morte tem encontrado
quem pensava encontrar vida,
e o pouco que não foi morte
foi de vida severina.
(João Cabral de Melo Neto, “Morte e vida severina”.)
1 A6 A 11 B 16 B
2 C 7 C 12 D 17 C
3 B 8 C 13 A 18 D
4 A 9 A 14 E 19 E
5 D 10 C 15 A 20 D
GABARITO

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