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CLOSTRIDIOSES Moléstias Infecciosas e Ornitopatologia Aplicadas a Medicina Veterinária Clostridioses Termo para designar genericamente algumas enfermidades; M.O: Gênero Clostridium Umas das principais fontes de prejuízo na pecuária moderna. Representando 400 mil casos/ano, chegando a R$ 1,1 bi em prejuízos diretos Clostridioses Neurotrópicos: C. botulinum e C. tetani; Histotóxicos: C. chauvoei, C. septicum, C. novyi, C. sordellii e C. haemolyticum; Enterotoxêmicos: C. perfringens A > parte é adquirida por ingestão de toxinas ou contaminação de ferimentos Clostridioses • Gram positivas; • Gênero: Clostridium sp. Capacidade de produzir toxinas Atuam de maneiras distintas Clostridioses Morbidade • Variavel Mortalidade • Próxima a 100% • Botulismo é uma das 3 maiores causas de perdas em rebanhos no Brasil https://www.youtube.com/watch?v=99wyzFjCqTA Controle das Clostridioses em bovinos BOTULISMO Etiologia • C. botulinum • Bacilo Gram positivos • Anaeróbio estrito; • Formador de esporos e putrefativo Em condições anaeróbicas – esporos germinam e produzem toxinas Epidemiologia Toxina Botulínica - Exotoxina potente, neurotrópica, letal por ingestão; Sem cor, sem odor, estável em condições ambientais; Inativada a > 85 ºC; Sintomas de 2 h a 5 dias. Esporos estão presentes: • Água estagnada, • Solo, • Trato digestivo, • Cadáveres de animais. Etiologia Ocorrência Surtos nos animais: • Ingestão de TOXINA via alimentos incorretamente armazenados; • Silagem, ração, feno; • Administração de cama de frango. Ocorrência Surtos nos animais: • Água contaminada; • Intimamente relacionada à osteofagia, decorrente da deficiência de fósforo no solo e em forrageiras Incidência Sistemas extensivos de criação • Manter o cadáver em decomposição no campo - risco a saúde animal: • Favorece e intensifica a contaminação ambiental; • Esporo se desenvolve produzindo toxinas que impregnam: - ossos porosos, - Tendões, - ligamentos Epidemiologia • Categorias de animais + frequente acometidos (osteofagia) • Fêmeas em fase reprodutiva • Machos de engorda • Animais jovens • Associados a ingestão de alimentos • Todas as categorias podem estar envolvidas Mecanismo de ação oToxina botulínica atua no sistema nervoso periférico; oBloqueando a transmissão neuromuscular - Atingindo as MEMBRANAS PRÉ-SINÁPTICAS; oImpede a liberação da ACETILCOLINA nas terminações nervosas; oInibindo a contração muscular - Paralisia. Ingestão exotoxinas Absorvidas e transportadas via corrente sanguínea aos neurônios Afeta SNP, bloqueando a liberação de acetilcolina Impedindo a chegada do impulso nervoso nas junções neuromusculares PROVOCANDO PARALISIA FLÁCIDA Sinais clínicos • Dificuldade na locomoção - Estado mental aparentemente normal • Paralisia flácida progressiva (membros pélvicos), • Decúbito esternal ou lateral, • Poliflexão dos membros e emboletamento, • Movimentos de pedalagem, • Diminuição do tônus da musculatura da língua e cauda, Sinais clínicos • Sialorreia - casos superagudos, • Dificuldade respiratória (com inspiração bifásica predominantemente abdominal), • Bradicardia, • Posição de auto-auscultação com apoio do queixo ao solo; • Diminuição dos movimentos ruminais Sinais clínicos Bom estado nutricional + decúbito permanente + estado mental aparentemente normal Mesmo após paralisia flácida muscular Auxiliam no diagnóstico clínico, diferenciando o botulismo de outras enfermidades do sistema nervoso dos bovinos Alterações macro e microscópicas dos tecidos • Necropsia: não são observadas lesões • Toxina age nas junções neuromusculares • Porções ósseas encontradas no rumem: indicativos de osteofagia e reforçam a suspeita de botulismo Diagnóstico • Epidemiologia; • Histórico de vacinação; • Não suplementação com sal mineral e indícios de osteofagia; • Sinais clínicos de paralisia flácida com estado mental aparentemente normal e respiração bifásica; • Ausência de lesões macro e microscópicas Diagnóstico diferencial • Raiva, • listeriose, • encefalite por herpes vírus bovino-5, • intoxicação por cloreto de sódio e chumbo, • Polioencefalomalacia, • miopatias nutricionais, • intoxicação por Senna occidentalis e antibiótico ionóforo Tratamento • Solução saturada de hidróxido de magnésio • Dois litros por animal, VO • Induz um quadro diarréico - minimiza-se a absorção intestinal da toxina • Antitoxina botulínica • casos clínicos mais amenos podem ser estabilizados • Letalidade chega a 100% É EFICAZ?! Geralmente ineficaz e economicamente impraticável Controle e Profilaxia • Fornecer água de bebida sempre limpa; • Suplementação mineral do rebanho frequentemente; • Conservação do alimento: silagem de milho úmido e rações que fermentaram • Eliminação correta das carcaças no pasto (incinerar); • Vacinação Site: Ourofino em campo Vacinas: Ourovac Poli BT ou Ourovac 10TH https://www.youtube.com/watch?v=NxQ-MwGSy_Q CARBÚNCULO SINTOMÁTICO •Manqueira; •Não contagiosa; •Altamente fatal •C. chauvoei; •Bovinos, ovinos e caprinos • Amplamente distribuído no ambiente (solo, poeira, água e parte da flora bacteriana); • Bovinos de seis meses a três anos de idade; • Em geral, em bom estado nutricional; • Curso da doença: 24-72 horas mm esquelética Distribuem nos tecidosLuz intestinal SINAIS CLÍNICOS: Quando observados: • Elevação tempertura; • Depressão; • Anorexia; • Claudicação severa • DIAGNÓSTICO: Isolamento bacteriano ACHADOS PÓS MORTEM: • Rápida putrefação • ↑ de volume de membros e creptação • Corte no mm → liquido sero-sanguinolento, bolhas de gás e odor de manteiga rançosa. TÉTANO Tétano Mal dos sete dias Etiologia Clostridium tetani Encontrado em: • Solos contaminados e em fezes de animais domésticos. Clostridium tetani • Quando maduros, C. tetani perde seus flagelos; • Desenvolve um esporo terminal e se assemelha a uma “raquete de squash”; • Esporos são extremamente estáveis no ambiente, mantendo a capacidade para germinar e causar doença. Clostridium tetani • Produz três exotoxinas: - Toxina não espasmogênica; - Tetanolisina (promove necrose tissular) - Tetanospasmina (produz os SC do tétano) Epidemiologia • Altamente letal; • Acomete todos os mamíferos • Equinos são + sensíveis; • Ovinos + frequente que em bovinos • Em consequência da castração ou feridas de tosquia Epidemiologia • Ocorrência esporádica; • Surtos: após práticas zootécnicas • Aplicação de vermífugos ou vacinas com o uso de equipamentos não higienizados; • Contaminação da pele por poeira ou lama durante tais práticas Epidemiologia Em ruminantes: • corte e cura de umbigo feito sem assepsia adequada (porta de entrada para os esporos) - tétano neonatal • retenção de placenta após parto distócico feito sem assepsia - tétano puerperal. Etiopatogenia • Os casos naturais surgem principalmente • Infecções profundas e perfurantes, que favorecem a anaerobiose • Feridas purulentas, pois os germes piogênicos consomem o oxigênio, criando um ambiente favorável à proliferação 51 Etiopatogenia Feridas são infectadas com esporos do agente Esporos germinam e se multiplicam Produzem a toxina Mecanismo de ação TETANOSPASMINA Terminações nervosas Liga-se Fluxo retrógrado Sistema nervoso periférico (local do ferimento) Neurônios Sistema nervoso central Impedindo a liberação dos neurotransmissores Ácido gama amino butírico (GABA) e glicina Sinais Clínicos Porque ocorre rigidez muscular? • Falta de inibição dos neurônios motores inibitórios; • Período de incubação: 7 a 21 dias Quais sinais os animais que entraram em contato com a exotoxina irão apresentar? Sinais Clínicos • Orelhas eretas, • cólicas, desidratação, constipação intestinal, timpanismo, • Espasmo de cauda, rigidez e hiperestesia dos membros Sinais Clínicos • Rigidezprogressiva da mm voluntária com espasmos tetânicos, • Trismo mandibular, • Marcha trôpega, • Prolapso de terceira pálpebra, FRATURAS DAS VÉRTEBRAS Sinais Clínicos • agalactia, • ataxia, • cianose, • febre, • excitação, • miotonia, • dispnéia, • opistótono, • hiperestesia, • disfagia, • midríase, • taquicardia, • incontinência urinária, • vômitos, • regurgitação, • morte súbita A morte resulta de parada respiratória. 62 https://www.youtube.com/watch?v=ZOWlEbex23w Diagnóstico do Tétano • O diagnóstico é extremamente simples • Apresentação clínica da doença • Geralmente a doença se apresenta após algum evento traumático ou cirúrgico, fato que deve ser questionado durante a anamnese do animal • Esfregaço direto corado pelo Gram ou cultura anaeróbia de material da ferida e baço • PCR para a detecção da toxina tetânica em feridas 66 Tratamento do tétano • Antibióticos (Penicilina + Estreptomicina, IM) • Administração de relaxantes musculares (Acepromazina, IM) • Manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico e nutricional • Tratamento do foco da infecção e anulação da toxina residual Neutralização das toxinas ainda é um assunto controverso, especialmente com relação à dosagem e a via de administração da antitoxina tetânica 67 Tratamento Tétano • Soro antitetânico • 5.000 UI e 50.000 UI, IV, IM ou SC • Não atravessa a barreira hematoencefálica • Tem efeito somente sobre as toxinas circulantes que ainda não estão ligadas aos receptores 68 Tratamento Tétano • Acomodar o animal em uma baia com cama alta • Proteger da luz (fotossensibilidade) • Evitar ruídos (“tampar” as orelhas) 69 Controle e Profilaxia • Vacinação Protocolo: • 1° dose: Momento da desmama • 2° Dose: Após 30 dias • 3° Dose: Após 60 dias • Seguido do reforço anual • Medidas de assepsia e anti- sepsia nas práticas de manejo https://www.youtube.com/watch?v=GA1R_Lg7RzA A aula não acabou!