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LOGÍSTICA EMPRESARIAL
AULA 4
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Rafaela Aparecida de Almeida
CONVERSA INICIAL
Esta aula terá como eixo central as atividades de armazenagem e movimentação de materiais.
A gestão da armazenagem vai muito além da simples guarda de materiais; ela interage com
diferentes elos da cadeia de suprimentos. Para compreender melhor como ocorre essa interação, o
conhecimento sobre as atividades e objetivos da armazenagem são indispensáveis e, portanto, esse
será o foco do tema 1. Na sequência, veremos que existem diferentes tipos de armazéns, adequados
às necessidades de cada organização, desde a posse e a gestão da armazenagem pela empresa, no
modelo próprio, até a terceirização total destes processos para operadores especializados. No
terceiro tema, ampliaremos o conhecimento a respeito das funções e tipos de embalagens e
conheceremos as vantagens e principais tipos de unitização, fatores importantes para a integridade e
movimentação de materiais. Abordaremos ainda os conceitos, objetivos e tipos de movimentação de
materiais, atividade essa que embora não agregue valor aos produtos, se não realizada de forma
eficiente pode elevar os custos logísticos. Por fim, analisaremos a estratégias adotadas pelas
organizações para a terceirização da armazenagem.
Sendo assim, veja a seguir os temas desta aula:
1. Introdução à gestão da armazenagem.
2. Tipos e classificação de armazéns.
3. Conceitos básicos de embalagens e unitização.
4. Movimentação de materiais.
5. Estratégias de terceirização da armazenagem.
CONTEXTUALIZANDO
A gestão de armazenagem não consiste apenas em alocar mercadorias em locais adequados,
pelo contrário, abrange inúmeras rotinas, desde o recebimento de mercadorias, identificação e
guarda de insumos e produtos acabados até a preparação e remessa para os clientes.
Dias (2012) destaca que:
Um método e um sistema adequado para estocar matéria-prima, peças em processamento e
produto acabado permite diminuir os custos de operação, melhorar a qualidade dos produtos e
acelerar o ritmo dos trabalhos. Além disso, provoca redução nos acidentes de trabalho, redução no
desgaste do equipamento de movimentação, menor número de problemas de separação de
entregas, e por consequência, um maior nível de atendimento aos clientes. (p. 49)
Com empresas competindo globalmente por espaço no mercado, vencem aquelas que
conseguem otimizar seus processos, reduzir custos e ter uma visão voltada aos desafios futuros.
Nesse sentido, as organizações terão que estruturar melhor seus ambientes de armazenagem, para
que possam utilizá-los de forma mais inteligente em termos econômicos.
A eficiência logística na armazenagem passa por períodos cada vez mais breves, pois não haverá
interesse em manter produtos em estoque em nenhum ponto da cadeia e por processos, cada vez
mais, automatizados.
Além disso, muitas são as vantagens de se ter uma gestão de armazenagem logística eficiente.
Dentre as quais se destacam:
redução de custos;
maior controle dos níveis de estoque;
distribuição mais rápida dos produtos;
otimização do uso de equipamentos, mão de obra e espaço do armazém;
aumento de produtividade, com controle eficiente de danos e maior integridade dos produtos
entregues;
atendimento adequado à demanda dos clientes, dentro dos prazos acordados;
redução do índice de retorno dos materiais expedidos.
TEMA 1 – INTRODUÇÃO À GESTÃO DA ARMAZENAGEM
Não é raro que pessoas confundam estoque e armazenagem. Mas você saberia dizer qual a
diferença entre esses dois termos?
O estoque pode ser considerado qualquer material, seja ele matéria-prima, em transformação
ou produto acabado que as empresas irão utilizar em seus sistemas produtivos ou para distribuição
física a clientes e consumidores. Já a armazenagem está relacionada à gestão e guarda dos estoques.
De acordo com Morais (2015, p. 98), armazenagem é “o conjunto de atividades de guarda ordenada
de produtos acabados, voltados para o atendimento de necessidades de clientes, no próprio local da
operação ou em locais especificamente construídos para esse fim”.
Se as demandas das empresas pudessem ser conhecidas com exatidão não haveria necessidade
de estocagem. Para ocorrer a perfeita coordenação entre oferta e demanda, seria necessária uma
produção com tempo de resposta instantâneo e um transporte totalmente confiável (Ballou, 2012).
Como isso não ocorre, na maioria dos casos as empresas se veem obrigadas a manter estoque.
Nesse sentido, Russo (2013) acrescenta que a melhor forma de armazenagem é não necessitar
dela. No entanto, normalmente, é impossível eliminar a necessidade de estocagem. Dessa forma,
enquanto houver descompasso entre o ritmo de produção e o de vendas, haverá necessidade de
armazenagem em algum ponto da cadeia de suprimentos e quanto melhor for a sua gestão, menores
serão os custos e maior será a eficiência do processo.
1.1 ATIVIDADES DA ARMAZENAGEM
A gestão da armazenagem é muito mais do que o simples armazenamento de itens: ela envolve
processos como o da Figura 1.
Figura 1 – Armazenagem
Crédito: Iconic Bestiary/Shutterstock.
Segundo Morais (2015), as principais atividades da armazenagem são:
manutenção do controle de itens: registro de todas as movimentações (entrada, localização e
saída) dos produtos guardados;
minimização do esforço físico total: dá-se pelo posicionamento dos produtos na estrutura de
armazenagem, de acordo com a forma pela qual eles serão movimentados;
recebimento dos materiais: verificação dos materiais entregues a partir da solicitação
realizada;
identificação dos produtos: cadastro e codificação;
guarda: garantia da integridade do produto em ambiente adequado;
picking: coleta e separação dos produtos a serem despachados;
preparação da remessa: uso correto de embalagens e processo de unitização;
despacho: envio dos pedidos aos destinatários;
manutenção do sistema de informação: garantia de que as informações alimentadas no
sistema de gestão do armazém sejam atualizadas e confiáveis.
1.2 OBJETIVOS DA ARMAZENAGEM
Os objetivos da armazenagem dependem do segmento da empresa e dos tipos de produtos que
ela armazena e estão voltados, essencialmente, à garantia da integridade física dos produtos, da
maximização da utilização do espaço físico disponível e do atendimento das demandas do mercado
consumidor.
Esses objetivos podem ser ainda mais específicos, de acordo com Russo (2013) e Morais (2015):
atendimento pontual aos clientes: visa garantir a disponibilidade de produtos quando da
solicitação de clientes;
controle dos itens estocados: registro das movimentações (entrada, localização e saída) dos
produtos armazenados;
maximização do uso do espaço: diz respeito ao aproveitamento da área e do volume
disponível para armazenagem;
aproveitamento eficaz dos recursos humanos e dos equipamentos: otimizar atividades de
forma que haja uso eficaz dos recursos disponíveis;
facilidade de acesso aos itens estocados: a agilidade para encontrar itens em estoque se dá
pelo layout apropriado e sistemas de localização;
qualidade na armazenagem: diz respeito ao ambiente e a fatores como boa iluminação dos
corredores, limpeza e segurança nos procedimentos;
proteção total dos itens: integridade dos itens estocados, o que exige procedimentos de
segurança a fim de evitar avarias, perdas/deterioração;
eficiência na movimentação dos itens: visa direcionar os esforços na direção da garantia de
movimentações eficientes e seguras;
comunicação com clientes: garantir informações precisas sobre a existência de produtos, sua
disponibilidade e data de remessa.
Esses objetivos são atingidos quando a gestão da armazenagem é bem gerenciada, e, para que
isso ocorra, é necessário conhecimento dos conceitos e das atividades relacionadas a esse processo.
O grande desafio dos gestores logísticos é atingir todos esses objetivos simultaneamente, ou ao
menos buscar o maior número deles com vistas a tornar o processo de armazenagem cada vezmais
eficiente e eficaz.
TEMA 2 – TIPOS E CLASSIFICAÇÃO DE ARMAZÉNS
A gestão adequada da armazenagem é uma das tarefas elementares de quem trabalha com
logística. É preciso fazer a gestão correta do espaço, ter acuracidade nos estoques e realizar a guarda
de materiais de modo que estejam disponíveis quando forem necessários para as atividades da
empresa. Parte importante desse processo é a escolha por um local de armazenamento, que não
precisa, necessariamente, ser um espaço físico da própria empresa.
A seguir, vamos conhecer os quatro principais tipos de armazéns: próprio, público, terceirizado e
contratado.
2.1 ARMAZÉM PRÓPRIO
Classifica-se como armazém próprio aquele que é operado pela empresa proprietária das
mercadorias armazenadas. Esse espaço não precisa necessariamente ser de propriedade da empresa,
podendo ser alugado de outro proprietário. Nesse modelo a empresa é responsável por fazer a
gestão do espaço, definir processos, contratar funcionários para manter o controle, prover segurança
e realizar todas as atividades referentes à manutenção do armazém.
Dentre suas principais vantagens, destacam-se:
flexibilidade de ajustes físicos que permitam mudanças no espaço;
flexibilidade para ajustes estratégicos e possibilidade de projetar as instalações para atender às
necessidades específicas de manuseio de materiais ou de novas políticas da empresa;
maior controle operacional, o que permite manter operações eficientes e alto nível de serviço;
possibilidade de que as operações integradas ou demais processos logísticos internos tenham
ajustes de acordo com as necessidades de cada empresa.
É comum o armazém próprio ser utilizado por indústrias e grandes empresas de diversos setores,
como automotivo, metalúrgico, moveleiro, alimentício, de eletrônicos, entre outros. Ao decidir por
esse tipo, a empresa precisa avaliar se a taxa de retorno é compensatória analisando os gastos com a
mão de obra e as despesas para a gestão armazém.
2.2 ARMAZÉM PÚBLICO
São geralmente usados por empresas que querem diminuir os custos com armazém próprio.
Esses locais são especializados e fazem cobrança de taxas de manuseio e armazenagem, que
costumam ser baseadas no peso ou na cubagem das mercadorias.
Ballou (2012) ressalta que os armazéns públicos podem ser divididos em seis subcategorias:
Armazém geral: utilizado para o manuseio de qualquer tipo de mercadoria e permitindo o
manuseio de um amplo leque de itens.
Armazém para granéis: indicado para o manuseio e armazenagem de produtos a granel, como
produtos químicos líquidos e petróleo.
Armazém refrigerado: usado para armazenagem de produtos que exijam baixa temperatura
para conservação ou conservação especial, como medicamentos e alimentos.
Armazém de commodities especiais: usado para a acomodação de grandes volumes, como
pneus, grãos, algodão e madeira.
Armazéns alfandegados: necessitam de uma licença do governo para funcionar, visto que
neles são manuseadas mercadorias que entram e saem do país antes do pagamento dos
impostos exigidos por lei.
Armazéns de móveis e utensílios domésticos: utilizados para guardar itens de difícil
armazenagem, como móveis e utensílios domésticos. Por apresentarem as especificações
necessárias para cada tipo de material estocado, permitem um retorno de investimento maior
do que os outros tipos de armazéns.
A grande vantagem do modelo de armazenagem pública é que ele tem as especificações
necessárias para cada tipo de material estocado. Mas podemos citar ainda custos mais baixos, uma
vez que as taxas de cobrança são feitas de acordo com a frequência e o tempo de uso do espaço
contratado.
2.3 ARMAZÉM TERCEIRIZADO
Esse modelo é indicado para empresas que buscam se concentrar em sua atividade fim e que
não querem se preocupar com o gerenciamento do armazém. Nesse caso, a organização passa as
responsabilidades para uma empresa terceirizada, que fará a gestão da armazenagem. Dentre suas
vantagens destacam-se: redução de despesas com colaboradores, redução de desperdícios, perdas e
danos aos produtos, e alto grau de especialização da contratada. No entanto, não permite à
contratante adaptar os processos de armazenagem ou fazer o controle de estoque da sua maneira.
2.4 ARMAZÉM CONTRATADO
Esse modelo combina as vantagens do armazém próprio e público e é confundido, muitas vezes,
com o modelo terceirizado. Portanto, vale destacar que, na terceirização, todo o processo é feito por
outra empresa e que na contratação, apenas o espaço físico é alugado para armazenagem.
No armazém contratado, a empresa terceiriza seu sistema de armazenagem, passando toda a
responsabilidade para a empresa contratada. Nesse caso, a empresa utiliza um espaço de depósito
que não é seu, mas possui a flexibilidade de manter sua equipe especializada como responsável pelos
processos logísticos. Ballou (2012) ressalta que sua vantagem está na possibilidade de obter
contratos mais vantajosos com menores taxas junto à contratada e períodos mais longos de aluguel.
E em contrapartida, deve assumir o pagamento do aluguel pelo período especificado em contrato e
custos com a contratação de pessoal.
Cada tipo de armazém possui suas vantagens e desvantagens, mas o que fazer para não errar na
escolha de uma estrutura de armazenamento compatível com as demandas e necessidades de cada
negócio? Conhecer os diferentes tipos de armazéns pode facilitar na hora de fazer uma boa escolha,
mas além disso é importante realizar um planejamento adequado de armazenamento, considerando
as características dos produtos da empresa e o orçamento disponível.
TEMA 3 – CONCEITOS BÁSICOS DE EMBALAGENS E UNITIZAÇÃO
Garantir a integridade dos materiais armazenados com maior agilidade nas movimentações,
reduzindo o número de avarias, é premissa básica de um sistema de armazenagem. Nesse sentido,
destacam-se dois fatores importantes: as embalagens e a unitização, que estudaremos a seguir.
3.1 EMBALAGENS
Nogueira (2012, p. 59) define embalagem como “invólucros, recipientes ou qualquer forma de
acondicionamento removível, ou não, destinado a cobrir, empacotar, envasar, proteger ou manter,
especificamente ou não, os produtos”.
Ballou (2012) destaca três aspectos importantes da embalagem do produto:
Promoção e uso do produto: a embalagem serve como meio de atrativo para divulgar o nome
da empresa aos clientes, servindo como uma espécie de anúncio.
Proteção para o produto: auxilia na redução de ocorrências de danos e perdas devido a
roubos e danos físicos ao produto durante suas movimentações.
Instrumento para aumento da eficiência da distribuição: a embalagem permite maior
eficiência no manuseio, armazenagem e movimentação de produtos.
Nogueira (2012) e Morais (2015) ainda destacam como funções da embalagem, sob o ponto de
vista da logística:
identificar o produto;
conter e proteger o produto;
informar sobre as características do produto;
facilitar o manuseio;
facilitar a armazenagem;
facilitar o transporte e movimentação;
auxiliar no empilhamento;
otimizar a utilização cúbica do depósito e dos veículos.
Quanto à sua classificação, Nogueira (2012) destaca:
Quadro 1 – Classificação de embalagens
As embalagens são destinadas principalmente para a proteção do produto durante suas
movimentações e transporte, de forma que sejam preservadas sua forma e integridade nos processos
de carga, descarga e entrega.  Nesse sentido, Nogueira (2012) destaca como principais tipos de
embalagem:
Quadro 2 – Principais tipos de embalagens
Créditos: Gearstd / Shutterstock; MSG64 / Shutterstock; Oleksiy Mark / Shutterstock; Mumemories / Shutterstock; Africa Studio
/ Shutterstock; vipman / Shutterstock.
O importante é encontrar sempre a embalagem que melhor se adeque ao tipo de mercadoria, a
unidade de transporte e as movimentações pelas quais o produto irá passar. Tal cuidado permitirá o
cumprimento de um dos princípios básicos da logística, de entregar o produto na qualidade e com a
integridade esperada pelo cliente.
Outroponto importante a ser considerado é que as embalagens devem ser adequadas a cada
tipo de modal. Por exemplo, para o transporte de cargas soltas no modal aéreo, precisamos
considerar que na maioria dos casos haverá movimentação em pista, sujeita a intempéries, como
chuva, por exemplo. Então a embalagem deverá ser adaptada a esse tipo de situação, com cobertura
plástica, com filme stretch, com cintamento ou cantoneiras. Quando não houver o conhecimento
técnico suficiente por parte da empresa, é importante recorrer à transportadores ou operadores
logísticos que apresentarão as melhores alternativas.
3.2 UNITIZAÇÃO
De acordo com Razzolini Filho (2012, p. 99), unitizar é o ato de tornar único, com a finalidade de
“facilitar a movimentação de mercadorias, agilizar os processos de carga e descarga, proteger as
mercadorias e reduzir os custos no sistema logístico”. Para Dias (2012, p. 50), trata-se de “uma carga
constituída de embalagens de transporte, arranjadas ou acondicionadas de modo que possibilite o
seu manuseio, transporte e armazenagem por meios mecânicos, como uma unidade” permitindo
maior eficiência dos equipamentos de movimentação e transporte.
Morais (2015) destaca como principais vantagens da unitização:
minimização do custo hora/homem;
redução de custos com manutenção e maior controle de inventário;
agilidade na estocagem;
redução do número de movimentações;
redução do número de acidentes e de sinistros;
aumento da proteção aos materiais;
economia nos custos de movimentação;
melhor aproveitamento dos equipamentos de movimentação;
uniformização do local de estocagem;
facilidade e agilidade nos pontos de embarque e desembarque;
racionalização do espaço de armazenagem, com melhor aproveitamento vertical da área de
estocagem.
Quando falamos de unitização, provavelmente a primeira imagem que vem à mente é a de um
palete ou um container, mas estas são apenas as formas mais usuais e conhecidas. Há uma grande
diversidade de materiais disponíveis no mercado: produtos a granel, bobinas de papel, chapas de
aço, entre muitos outros. Então imagine como unitizar esses diferentes materiais.
De acordo com Razzolini Filho (2012) e Morais (2015), os principais tipos de unitização são:
Paletização: nesse sistema são utilizadas plataformas de madeira, aço, alumínio ou plástico, nas
quais as mercadorias ficam agregadas, sendo o tipo mais comum o palete padrão Brasil (PBR)
com dimensões de 1,00 x 1,20 m. Usualmente utilizada para movimentação de cargas com
empilhadeiras ou paleteiras.
Figura 2 – Paletização
Crédito: Siwakorn1933/Shutterstock.
Pré-lingagem: utilizada para unificar materiais embalados em sacos ou fardos que são
amarrados por cintas com alças ou olhais, possibilitando a formação de lings para içamento ou
arriamento. Visam proporcionar maior agilidade no manuseio por meio do uso de guindastes,
permitindo o aumento da velocidade de carregamento e descarregamento.
Figura 3 – Pré-lingagem
Crédito: Amarin Jinathum/Shutterstock.
Cintamento: trata-se de um sistema no qual diversas unidades de um produto são presas umas
às outras por meio de cintas, fitas ou arames (geralmente descartáveis), formando uma unidade
de movimentação.
Figura 4 – Cintamento
Crédito: Siwakorn1933/Shutterstock.
Enfardamento: tipo de autounitização para materiais de grande volume que podem ser
acondicionados sob a forma de fardos prensados, os quais são contidos por cintas sintéticas ou
de aço para a movimentação de materiais como algodão, sucatas, polpa de celulose etc.
Figura 5 – Enfardamento
Crédito: BAO-Images Bildagentur/Shutterstock.
Conteinerização: utilizado tanto para acondicionar a carga quanto como unidade ou
equipamento de transporte, podendo variar seu formato de acordo com características e
dimensões do produto, ou com o modal utilizado.
Container marítimo: utilizado para transportes internacionais, com a possibilidade de uso em
diferentes modais, sem a necessidade de recarregamentos intermediários em diferentes
unidades de transporte.
Figura 6 – Container marítimo
Crédito: igorwall/Shutterstock.
Container aéreo: utilizado para o transporte de cargas no modal aéreo; visa o máximo
aproveitamento da capacidade das aeronaves e a minimização de riscos de furtos, danos à
carga e exposição a intempéries.
Figura 7 – Container aéreo
Crédito: mipan/Shutterstock.
Razzolini Filho (2012) destaca que a unitização permite a racionalização dos espaços em veículos
e armazéns onde as cargas aguardam sua movimentação para a próxima etapa do sistema logístico,
possibilitando reduzir custos, otimização da capacidade produtiva e, como consequência, o repasse
desses benefícios aos clientes.
TEMA 4 – MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS
Figura 8 – Movimentação de materiais ou transporte interno
Crédito: Zeynur Babayev/Shutterstock.
A movimentação de materiais, também conhecida como transporte interno, diz respeito ao
movimento de produtos dentro dos almoxarifados, entre as linhas de produção, nas áreas de
armazenagem e em área externas da empresa. Morais (2015, p. 111) a define como “a operação ou
conjunto de operações que envolvem a mudança de localização de objetos de uma estação de
trabalho para outra ou para sua armazenagem interna ou externa, em uma mesma unidade industrial,
depósito ou terminal”.
Ballou (2012) acrescenta que o manuseio interno de produtos e materiais corresponde ao
transporte de pequenas quantidades de bens por distâncias relativamente curtas, em depósitos,
fábricas ou no transbordo entre modais de transporte. Tal atividade tem como principal objetivo a
movimentação de mercadorias de forma rápida e com baixo custo.
4.1 OBJETIVOS DO PROCESSO DE MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS
A movimentação interna é uma das ações que mais ocorrem dentro de uma cadeia de
suprimentos. Ballou (2012) ressalta que por se tratar de uma ação que ocorre repetidas vezes,
pequenas ineficiências, em qualquer movimento, podem resultar em grandes custos. Por essa razão, é
vista como uma atividade que não agrega valor para o produto, mas sim custos. Assim, é
fundamental um bom planejamento visando a redução dos custos de mão de obra, materiais,
equipamentos, perdas e outros.
Para Morais (2015), os objetivos de movimentação de materiais incluem:
redução de custos: relacionada à otimização do uso de mão de obra, materiais e
equipamentos.
aumento da capacidade produtiva e de utilização do armazém: relacionada ao aumento da
produção, afeta a capacidade de armazenagem necessária e sua distribuição dos produtos.
melhor distribuição: melhoria da circulação, definição da localização estratégica do
almoxarifado para atender às operações e aos clientes, melhoria dos serviços de usuários e
maior disponibilidade de produtos.
Além dos objetivos específicos citados pelo autor, destacam-se:
eliminação ou redução das movimentações, quando possível;
melhorias no fluxo de materiais no armazém, envolvendo o recebimento, a movimentação e a
expedição, a partir da definição dos caminhos preferenciais entre origem e destino dos
materiais;
minimização da distância e estoque de produtos em processo, a partir de uma estruturação que
permita reduzir as distâncias percorridas pelos equipamentos de movimentação;
maximização do uso dos recursos, programando a movimentação, de forma que os
colaboradores e equipamentos não permaneçam ociosos.
aumento da segurança, reduzindo o risco de acidentes, de perdas com refugo, quebras,
desperdício e desvios.
Conclui-se, portanto, que os objetivos da movimentação interna vão muito além de reduzir
deslocamentos, mas envolvem ações de proteção e monitoramento durante os deslocamentos.
Quando cada etapa desses processos é trabalhada com segurança, baixo custo e eficiência, a
empresa só tende a ganhar, já que os materiais dificilmente sofrerão danos e estarão sempre
disponíveis na quantidade e local corretos.
4.2 TIPOS DE MOVIMENTAÇÃO DE MATERIAIS
De acordo com o porte da organização, os materiais movimentados e os recursos financeirosdisponíveis, destacam-se três tipos de movimentação:
Quadro 3 – Tipos de movimentação de materiais
Créditos: Itsanan / shutterstock; Golden Sikorka / shutterstock; Chesky / shutterstock.
Os equipamentos utilizados nas movimentações mecanizadas podem ser motorizados ou não,
sendo os mais usuais: as paleteiras, as transpaleteiras e as empilhadeiras. Estas últimas são utilizada
para cargas mais pesadas, principalmente no transporte de cargas paletizadas e para distâncias
maiores.
Figura 9 – Paleteiras
Crédito: Iconic Bestiary/Shutterstock.
A movimentação com equipamentos mecanizados traz benefícios como:
menor uso da força de trabalho braçal;
redução dos tempos de carga e descarga;
redução do custo de movimentação de materiais;
aumento de produção e capacidade de estocagem;
movimentação mais segura, com menor índice de acidentes e danos aos materiais.
Em um cenário cada vez mais competitivo, organizações de maior porte e com alto número de
unidades movimentadas têm investido na automatização de suas movimentações internas.
Dentre os exemplos mais comuns destacam-se:
Figura 10 – Esteiras, robôs e transelevadores
Crédito: gualtiero boffi; Dmitry Kalinovsky; Baloncici/Shutterstock.
O uso da automatização permite um maior controle das movimentações, redução dos espaços
de armazenagem, redução de mão de obra e aumento da capacidade, produtividade, segurança e
eficiência logística e, por consequência, a redução de custos. No entanto, é indicada para empresas
de grande porte e com alta capacidade financeira, uma vez que a implementação desses sistemas
envolve o desenvolvimento de estudos e projetos além do alto investimento financeiro.
TEMA 5 – ESTRATÉGIAS DE TERCEIRIZAÇÃO DA ARMAZENAGEM
A logística vem passando por grandes transformações nas últimas três décadas. A conectividade
e as constantes evoluções na tecnologia da informação demandam maior nível de especialização e
eficiência logística por parte das organizações. Entretanto, nem todas conseguem acompanhar a
velocidade dessa evolução e focar, ao mesmo tempo, em seu negócio principal ou seu core business.  
Nesse contexto, o serviço de armazenagem terceirizada passou a ser uma estratégia adotada por
empresas de todos os portes. Com a terceirização da armazenagem, essa tarefa fica sob
responsabilidade de empresas especializadas, permitindo aos seus gestores focar em outras
atividades importantes, como o desenvolvimento de novos produtos e serviços.
Vejamos mais vantagens de terceirizar a armazenagem a seguir.
5.1 VANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO DA ARMAZENAGEM
Maior disponibilidade de espaço: transferir seu estoque para a empresa terceirizada permite o
remanejamento ou ampliação de outras áreas, por exemplo, o espaço disponível para linhas de
produção e desenvolvimento de produtos.
Otimização de recursos financeiros: possibilita empregar menos recursos na renovação de
equipamentos e manutenção e conservação do armazém, além da redução de custos com
contratação e salários de colaboradores especializados.
Adequação do espaço à demanda: ao terceirizar a armazenagem, a contratante pagará apenas
pelo espaço ocupado e movimentações realizadas, evitando custos emergenciais causados pela
falta de espaço ou prejuízos pela ociosidade de espaço.
Localização privilegiada: a empresa contratante poderá optar por armazéns situados próximos
às suas plantas ou mais próximos de seus principais clientes, facilitando a distribuição física.
Outro ponto é que, usualmente, os armazéns terceirizados possuem localização privilegiada,
próxima às estradas que dão acesso a grandes centros industriais.
Serviços/sistemas especializados: possuem modernos sistemas de gestão de armazenagem,
com softwares e equipamentos de alta tecnologia. Contam ainda com equipes treinadas e
qualificadas e, em alguns casos, podem até mesmo oferecer serviços de consultoria
personalizados à realidade de cada contratante.
Satisfação dos clientes: o alto nível de especialização possibilita que as movimentações de
mercadorias sejam realizadas de forma mais rápida e eficaz, aprimorando o atendimento aos
clientes, além de reduzir o número de reclamações por envios de produtos errados.
Apesar de todas as vantagens apresentadas, a decisão de terceirizar ou manter armazéns
próprios deve envolver estudos detalhados. O importante é que, independentemente da escolha, a
empresa consiga reduzir custos, aumentar o retorno sobre o investimento e, acima de tudo, aumentar
o nível de atendimento entregue a seus clientes. 
TROCANDO IDEIAS
Você conhece algum case de sucesso de empresas que conseguiram maior eficiência logística ou
redução de custos com alterações em seus processos de armazenagem ou movimentação de
materiais?
Leia o fragmento de texto a seguir:
A DHL, uma divisão da Deutsche Post do setor de logística internacional e correio expresso está
utilizando robôs para atender a demanda sempre crescente de seus consumidores. Em diversas de
suas unidades, robôs trabalham lado a lado com seres humanos em tarefas complexas. Os robôs
possuem sensores que funcionam como olhos e podem controlar a força necessária para interagir
com qualquer objeto e precisão de manipulação com erro máximo de um milímetro. Os drones são
outra tecnologia relativamente nova que já começa a se fazer presente na cadeia de suprimentos,
tanto na entrega quanto no trabalho dentro do armazém. (IMAM, 2018)
Acesse o fórum da disciplina e troque ideias com seus colegas a respeito do uso de novas
tecnologias e da automatização de armazéns. Conte a eles o que você já conhece a respeito e qual
sua opinião.
NA PRÁTICA
Leia o estudo de caso a seguir da empresa Riachuelo:
Se a Riachuelo - maior empresa de moda do Brasil - fosse hoje um filme, o seu roteiro seria
um sucesso aclamado pelos maiores críticos.
Isso porque nos últimos anos a empresa revolucionou toda a sua estratégia, implantando um novo
modelo de negócio. A Riachuelo passou, desde então, a substituir coleções inteiras em semanas (ou
dias), de acordo com o interesse dos seus consumidores. Ou seja, em vez de produzir a maior parte
de uma coleção antes de ela chegar às lojas, eles passaram a esperar o desempenho das vendas
para decidir o que seria fabricado ou não.
Tal estratégia baseia-se no conceito conhecido na indústria como produção push and pull,
traduzindo, produção puxada e empurrada. A produção empurrada, inicia-se antes do pedido de
compra do cliente e é mais voltado para estoque. Nesse caso, leva-se em conta o histórico de
vendas de um determinado produto e o comportamento do mercado. Já a produção puxada não se
utiliza de estoques, sendo o cliente o personagem principal, pois é ele quem determina o início
da produção, ou seja, a produção inicia-se apenas a partir da demanda do cliente.
É nesse momento, então, que se iniciaria o clímax do enredo, para que esse novo modelo de
operações funcionasse a Riachuelo precisava de um centro de distribuição que fosse a cabeça de
toda essa estratégia, capaz de coordenar todos os pedidos que chegavam, separá-los e entregá-los,
muitas vezes, unitariamente e mais de uma vez por semana para cada loja. Além disso, a Riachuelo
passaria em breve a operar também o seu e-commerce e se tornaria uma empresa omnichannel.
Para isso, eles foram em busca de um parceiro que oferecesse soluções integrais e flexíveis, com
capacidade de unir diversos modelos operacionais, tanto de cabides, quanto de caixas, como de
itens de alto valor agregado.
A partir de estudos realizados durante sete meses, sua parceira, a empresa SSI SCHÄFER
implementou em uma área de 100.000 m² um sistema complexo que compreende operações de
encabidados, de caixas e produtos de alto valor agregado. Contando com mais de 100 docas entre
recebimento (algumas destinadas exclusivamente para produtos encabidados) e expedição. Um
translog com extensão superior a 5.000 metros transportam as roupas penduradas, as quais são
separadas primeiro por categorias e posteriormente por loja.
Na área de caixas,a SSI SCHÄFER implementou o sistema Miniload, com robôs dedicados a
armazenar e retirar as caixas automaticamente. Também foram instalados carrosséis operando no
conceito de separação produto ao homem, estações de separação put to light, armazéns verticais
Logimat para armazenagem de produtos de alto valor agregado e carrosséis operando como buffer
de expedição de caixas. Tudo isso conectado através de aproximadamente 5 quilômetros de
esteiras.
Como o ritmo da reposição das peças é “puxado” pelo ritmo das vendas nas lojas e não
“empurrado” pela produção da fábrica, os estoques foram drasticamente reduzidos e as vendas
aumentaram substancialmente
Se a Riachuelo fosse um filme, sem dúvida nenhuma o protagonista do enredo seria o seu
consumidor; já a intralogística – pouco conhecida pela maioria – o seu diretor. (SSI-Schaefer,
[S.d.])
Saiba mais
Para saber mais sobre este case, assista também ao vídeo disponível em: <https://www.yout
ube.com/watch?v=DhTGLYgoPKk&feature=emb_logo>.
Com base nas informações apresentadas no case e do conhecimento adquirido nesta aula sobre
armazenagem e movimentação de materiais, desenvolva as atividades a seguir:
a) Contextualize por que o estudo e a implementação de um novo sistema de armazenagem
permitiu à Riachuelo implantar o novo modelo de negócio pautado no sistema puxado de produção.
b) Explique a estratégia adotada pela Riachuelo para a redução de seus estoques.
c) Cite e justifique a qual tipo de movimentação de materiais o case se refere.
FINALIZANDO
Um dos grandes desafios da logística é a redução ou eliminação dos estoques, e sabemos que,
devido às ineficiências logísticas, a grande maioria das organizações precisa armazenar insumos ou
produtos acabados a fim de atender seus clientes no menor tempo possível. Vimos nesta aula que a
gestão da armazenagem envolve atividades que vão desde a guarda, manutenção e controle dos
estoques até o atendimento pontual de clientes. Estudamos ainda a importância das embalagens e
da unitização para a realização das movimentações internas, de forma a garantir a integridade e
segurança dos produtos. Finalizamos abordando a questão da terceirização da armazenagem.
Em tempos de tantas tecnologias, facilidades e busca incessante pelo diferencial competitivo,
devemos estar preparados para dar suporte às organizações, buscando e apresentando sempre as
melhores alternativas para otimização de processos, redução de custos e aumento do nível de
serviço.
https://www.youtube.com/watch?v=DhTGLYgoPKk&feature=emb_logo
REFERÊNCIAS
BALLOU, R. H. Logística empresarial: transporte, administração de materiais, distribuição física.
São Paulo: Atlas, 2012.
DIAS. M. A. Logística, transporte e infraestrutura. São Paulo: Atlas, 2012.
ESTUDO de caso Riachuelo. SSI Schaefer, s.d. Disponível em: <https://www.ssi-schaefer.com/pt-
br/setores-de-mercado/fashion-logistics/estudo-de-caso-riachuelo-439388>. Acesso em: 15 fev.
2021.
MORAIS, R. R. Logística empresarial. Curitiba: InterSaberes, 2015.
NOGUEIRA, A. S. Logística empresarial: uma visão local com pensamento global. São Paulo:
Atlas, 2012.
RAZZOLINI FILHO, E. Transporte e modais: com suporte de TI e SI. Curitiba: InterSaberes, 2012.
RUSSO, C. P. Armazenagem, controle e distribuição. Curitiba. InterSaberes, 2013.
UM MORDOMO no armazém. IMAM, 2018. Disponível em: <https://www.imam.com.br/logistica/
noticias/armazenagem/3134-um-mordomo-no-armazem>. Acesso em: 15 fev. 2021.

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