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7 APG Infarto do miocárdio Infarto: o infarto é uma área tecidual de necrose isquêmica causada por obstrução, seja do suprimento arterial ou da drenagem venosa. A trombose arterial ou embolia arterial é a causa da grande maioria dos infartos, as causas menos comuns de obstrução arterial incluem vasoespasmo local, a hemorragia dentro de uma placa ateromatosa ou a compressão extrínseca do vaso (por exemplo, tumor). Outras causas incomuns de infartos teciduais incluem a torção dos vasos, ruptura vascular traumática ou a compressão vascular por edema ou pelo aprisionamento em um saco herniário. • A trombose venosa pode causar infarto, mas espera-se apenas a congestão, isso porque, nessas situações os canais colaterais se abrem rapidamente e permitem o efluxo vascular. Por isso, infartos causados por trombose venosa ocorrem mais em órgãos com uma única veia aferente. É o caso dos testículos e ovário. Os infartos eles são classificados de acordo com sua cor, ausência ou presença de infecção. Vermelhos (hemorrágicos), brancos (anêmicos) e podem ser sépticos ou assépticos. Infarto vermelho: ocorrem por oclusão venosa, em tecidos frouxos ou esponjosos (por ex pulmão) onde o sangue acumula na área infartada, em tecidos com circulação dupla (pulmão e intestino delgado) que permitem o fluxo sanguíneo de um vaso desobstruído para zona necrótica, em tecidos previamente congestos pelo fluxo venoso lento e quando o fluxo é restabelecido para um local de oclusão arterial com necrose prévia. Infartos brancos: ocorrem com oclusões arteriais em órgãos sólidos (coração, baço e rim) e onde a densidade do tecido limita a penetração de sangue nos leitos capilares adjacentes na área necrótica. Característica histológica dominante do infarto é a necrose coagulativa isquêmica, morte das células por hipóxia. Se a oclusão vascular ocorre pouco antes da morte (minutos a horas), as alterações histológicas podem estar ausentes, pois o tecido morto leva de 4 a 12 horas para exibir alterações microscópicas. A inflamação aguda está presente ao longo das margens dos infartos em poucas horas e bem definidas dentro de 1 a 2 dias. A resposta reparativa começa nas margens preservadas, em tecidos estáveis, a regeneração paraquimentosa pode ocorrer na periferia, mas na maioria dos infartos é substituído por cicatriz. • O cérebro é uma exceção a essas generalizações, pois o infarto do sistema nervoso central resulta em necrose liquefativa (quando o tecido danificado assume a aparência liquida) Fatores que influenciam o desenvolvimento de um infarto: • A oclusão vascular pode provocar efeitos que não causam alterações, ou levam a necrose tecidual. Esses efeitos dependem de algumas variações: Anatomia do suprimento vascular: disponibilidade de um suprimento sanguíneo alternativo (pulmões, fígado, mão e antebraço (suprimento radial e ulnar)) para saber se a oclusão dos vasos causará danos. Velocidade da oclusão: velocidades de oclusões lentas apresentam menor probabilidade de causar infarto, pois aumenta o tempo de desenvolver vias colaterais de perfusão. • Por exemplo, pequenas anastomoses (ligações entre artérias, veias ou órgãos que estabelecem comunicação entre si) interconectam as três arteriais coronárias principais no coração. Se apenas uma das coronárias foi ocluída lentamente, o fluxo dentro dessa circulação colateral pode aumentar o suficiente para impedir o infarto, mesmo quando a artéria coronária estiver bastante ocluída. Vulnerabilidade do tecido à hipoxia: neurônios sofrem danos irreversíveis quando privados de suprimento por apenas 3 ou 4 minutos. Os cardiomiócitos são mais resistentes que os neurônios, mas são sensíveis e morrem por apenas 20 a 30 minutos de isquemia. Hipoxemia: baixa concentração de O2 no sangue, independente da causa, aumenta a probabilidade e extensão de um infarto. INFARTO DO MIOCÁRDIO: O infarto do miocárdio é a morte do músculo cardíaco devido à isquemia grave prolongada. O IM pode ocorrer em qualquer idade, no entanto sua frequência se eleva com a idade. A incidência de IM está correlacionada a predisposições genéticas e comportamentais à aterosclerose. Negros e brancos são igualmente afetados. Durante a meia vida, há aumento relativo de IM nos homens, as mulheres são protegidas durante a vida fértil, mas a queda da produção de estrogênio na pós menopausa geralmente está associada à DAC acelerada, e a cardiopatia isquêmica é a causa de morte mais comum entre as mulheres idosas. • Terapia de reposição hormonal pós menopausa não protege as mulheres, e pode até mesmo piorar. Patogenia: Oclusão arterial coronariana Sequência de eventos: 1. Placa ateromatosa da artéria coronária sofre alteração súbita, consiste em hemorragia intraplaca, erosão ou ulceração, ou ruptura ou fissura. 2. Quando expostas ao colágeno e ao conteúdo necrosado da placa, as plaquetas dão inicio ao processo de aderência, ativação, liberação do conteúdo dos grânulos e agregação para formar o microtrombo. 3. Vasoespasmos é estimulado por mediadores liberados das plaquetas 4. Fator tecidual ativa a via de coagulação, aumenta o volume do trombo 5. Dentro de minutos o trombo pode se expandir para ocluir completamente a luz do vaso Em casos de IM transmural em que ocorre na ausência de uma aterotrombose coronariana típica. Outros mecanismos podem ser responsáveis pela redução do fluxo sanguíneo coronariano. Incluindo: Vasospasmo: com ou sem aterosclerose coronariana, pode estar associado à agregação plaquetária ou devido ao uso de drogas Êmbolos: provenientes do átrio esquerdo associados à fibrilação atrial, a um trombo mural no lado esquerdo Isquemia sem aterosclerose e trombose coronariana detectáveis ou significativas: pode ser causas por distúrbios de pequenos vasos intramurais coronarianos, anormalidades hematológicas, deposição de amiloide nas paredes vasculares, dissecção vascular hipertrófica acentuada, baixa pressão sistêmica, ou proteção inadequada do miocárdio durante a cirurgia cardíaca Resposta do miocárdio: A obstrução de uma artéria coronária reduz fluxo sanguíneo para uma região do miocárdio, causando isquemia e rápida disfunção cardíaca, com comprometimento vascular prolongado acontece a morte dos miócitos. A região irrigada por essa artéria é denominada de área em risco. • Prognóstico depende da gravidade e duração da privação do fluxo. A consequência bioquímica precoce da isquemia é a cessação do metabolismo aeróbico dentro de segundo, levando a produção de fosfatos de alta energia (fosfato de creatinina e trifosfato de adenosina) e ao acúmulo de metabólitos nocivos (ácido lático). A contratilidade do coração cessa dentro de um minuto ou mais após o inicio da isquemia grave. Alterações estruturais, como: relaxamento miofibrilar, depleção de glicogênio e tumefação mitocondrial também se desenvolvem, mas são lesões potencialmente reversíveis. • Somente a isquemia grave (fluxo sanguíneo 10% ou menos do normal) que dura 20 a 30 minutos leva ao dano irreversível (necrose) dos cardiomiócitos. • O retardo no início da lesão permanente do miocárdio justifica o diagnóstico rápido no IM agudo, de modo que permite a intervenção coronariana precoce para estabelecer reperfusão e salvar o miocárdio. Nos estágios iniciais da necrose de miócitos, um aspecto detectável é a ruptura do sarcolema que permite que macromoléculas intracelulares saiam das células necrosadas, cheguem ao interstício cardíaco e penetrem a microvasculatura e os vasos linfáticos. A passagem de proteínas intracelulares do miocárdio para a circulação consiste na base para os exames de sangue que podem detectar o dano irreversível ao miócito, e são importantes para o tratamento de IM. Devidoao padrão de perfusão miocárdica do epicárdio para o endocárdio, a isquemia é mais pronunciada no subendocárdio, assim, lesões irreversíveis de miócitos isquêmicos ocorre primeiramente na zona subendocárdica. Com a isquemia mais extensa, uma frente de morte celular se move através do miocárdio para envolver cada vez mais a espessura e a largura da zona isquêmica. A localização, tamanho e os aspectos morfológicos específicos de um IAM dependem: • Localização, gravidade e velocidade de desenvolvimento das obstruções • Tamanho do leito vascular perfundido pelos vasos obstruídos • Duração da oclusão • Necessidades metabólicas e de O2 do miocárdio em risco • Da extensão dos vasos sanguíneos colaterais • Presença, local e gravidade de espasmo arterial coronário • Fatores como: FC, ritmo cardíaco e oxigenação sanguínea. A necrosa ela envolve metade da espessura do miocárdio em 2 a 3 horas do inicio da isquemia grave e envolve toda a espessura dentro de 6 horas. • Em casos que a isquemia subletal crônica tenha induzido uma circulação colateral bem desenvolvida, a progressão da necrose pode seguir uma evolução mais lenta (12 horas ou mais) • Apesar da maioria dos corações apresentarem numerosas anastomoses intercoronarianas (circulação colateral), uma quantidade pequena de sangue circula através dessas. Mas, quando uma artéria coronária é progressivamente estreitada, o sangue flui pelos vasos colaterais com pressão alta e baixa, causando alargamento dos canais. Essa dilatação progressiva e crescimento dos vasos colaterais, estimulados por isquemia, o fluxo sanguíneo é estabelecido para áreas do miocárdio que estariam desprovidos de perfusão adequada. Infarto transmural: causados pela oclusão de um vaso epicárdico são geralmente transmurais. Necrose envolve praticamente toda espessura ventricular na distribuição da artéria afetada. Infarto subendocárdico: última região perfundida do coração, é a área mais vulnerável a qualquer redução do fluxo coronário. Um infarto subendocárdico é normalmente limitado ao terço interior da parede ventricular, sem se estender ao longo de toda parede ventricular até o epicárdio. Pode ocorrer em decorrência da ruptura de uma placa seguida por um trombo coronariano que se torna lisado, antes da necrose se estender. Também pode resultar da redução grave da PA. Microinfarto multifocal: só é visto quando envolve vasos intramurais menores. Pode ocorrer no cenário de vasculite ou espasmo vascular, pode ser devido a adrenalina ou drogas, cocaína ou efedrina. O resultado do vasospasmo pode ser a morte súbita cardíaca ou uma cardiomiopatia isquêmica dilatada. • A partir de alterações características do ECG, o infarto transmural pode ser denominado de infarto do miocárdio com elevação ST e o infarto subendocárdico pode ser denominado de infarto do miocárdio sem elevação ST. As principais arteriais que sofrem oclusão: Artéria coronária descendente anterior esquerda: áreas de infarto envolvem a parede anterior do VE, próximo ao ápice, porção anterior do septo ventricular e o ápice de modo circunferencial. Artéria coronária direita: parede inferior/posterior do VE, porção posterior do septo ventricular, parede livre inferior/posterior do VD em alguns casos Artéria coronária circunflexa esquerda: parede lateral do VE, com exceção do ápice. Alterações histopatológicas: se tornam detectáveis nas primeiras 6 a 12 horas. Fibras onduladas, essas fibras resultam do esforço sistólico vigoroso realizado por fibras viáveis, causando estiramento e dobramento. Nas margens do infarto pode se encontrar a vacuolização, miocitólise, que são os acúmulos intracelulares de sal e agua dentro do reticulo. Musculo necrosado estimula inflamação aguda (acentuada em 1 a 3 dias), após os macrófagos removem os miócitos necrosados (mais visíveis em 3 a 7 dias) e a zona danificada é progressivamente substituída pelo crescimento de um tecido de granulação vascularizado (acentuado em 1 a 2 semanas), com a progressão da cicatrização ele é substituído por tecido fibroso. Cicatrização avançada ao final da 6ª semana, mas a eficiência do reparado depende da extensão da lesão. • A imunossupressão (devido a esteroides) pode prejudicar o vigor da resposta de cicatrização, já que essa precisa de células inflamatórias. As células inflamatórias requerem ainda a vasculatura intacta, como os vasos geralmente sobrevivem apenas nas margens do infarto, há cicatrização no sentido das bordas para o centro. Modificação da área de infarto por meio da reperfusão: objetiva restaurar o fluxo sanguíneo e salvá-lo do risco e limitar o tamanho da área de infarto. • Melhora sobrevida em curto e longo prazo. • A reperfusão imediata é o objetivo preeminente para o tratamento de pacientes com IM, pode ser realizada por intervenções coronarianas: trombólise, angioplastia, instalação de Stent ou cirurgia de enxerto de by-pass da artéria coronária. E busca: dissolver, alterar mecanicamente ou desviar a lesão que precipitou o infarto agudo. • Benefícios da reperfusão estão correlacionados com: rapidez que o fluxo sanguíneo coronário é restabelecido (primeiras 3 a 4 horas são criticas), extensão da restauração do fluxo e a correlação com a extensão da lesão. • • Reperfusão pode acarretar complicações deletérias incluindo arritmias, e dano sobreposto a isquemia original. Essa lesão microvascular pode resultar em hemorragia e tumefação endotelial que oclui os capilares. • • Aspectos clínicos: Pode-se diagnosticar o IM por sintomas clínicos, testes laboratoriais para detectar a presença de proteínas do miocárdio no plasma e alterações características no ECG. Apresentam dor torácica prolongada. Mais de 30 minutos, descrita com sensação constritiva de facada ou aperto, associado a pulso fraco e rápido. Transpiração profusa (diaforese), náusea e vomito. Dispneia decorrente da contratilidade deficiente e a congestão e edema pulmonares. Porém, em até 25% o inicio é assintomático e a doença é descoberta no ECG ou testes laboratoriais. A avaliação laboratorial é baseada na medida dos níveis sanguineos de proteínas que extravasaram dos miócitos danificados de modo irreversível. As mais uteis são troponina T e I especificas do coração e a fração MB da creatina cinase CK-MB. Diagnostico é estabelecido quando os níveis desses biomarcadores estão elevados no sangue. E a velocidade de aparecimento dele depende de: localização intracelular e peso molecular, fluxo sanguíneo e drenagem linfática na área do infarto e a velocidade de eliminação do marcador no sangue. Troponinas I e T: são mais sensíveis, são as proteínas que regulam a contração mediada pelo calcio), elas não são normalmente detectada na circulação, após IM os níveis de ambas começam a elevar em 3 a 12 horas e atingem o pico por volta de 12 a 48 horas. A CK é uma proteína expressa no cérebro, miocárdio e musculo esquelético, assim, não é especifica, já que pode ser elevada por lesão do musculo esquelético. A CK-MB começa a se elevar dentro de 3 a 12 horas do inicio do IM, picos atingidos em 24 horas, retornando ao normal em 48 a 72 horas. Tempo de elevação da CK-MB, cTnt, cTnI: 3 a 12 horas CK-Mb e a cTnI: atinge pico em 24 horas CK-MB retorna ao normal em 48 a 72 horas, a cTnI em 5 a 10 dias e a cTnT em 5 a 14 dias. Consequencias e complicações: Metade das mortes decorrentes do IM ocorre dentro de 1 hora do inicio, mais comumente devido a arritmia fatal. Intervenções terapêuticas: Morfina para melhorar dor e sintomas de dispneia Reperfusão imediata para salvar o miocárdio Agentes antiplaquetários (aspirina, inibidores do receptor P2Y12 e inibidores da GPIIb Terapia anticoagulantecom heparina Nitratos para induzir vasodilatação e reverter o vasospasmo Betabloqueadores para diminuir a demanda miocárdica por oxigênio e reduzir o risco de arritmias Antiarrítmicos para tratar arritmia IECAS para limitar a dilatação ventricular Suplementação de oxigênio para melhorar a saturação Apesar das intervenções ainda pode se apresentar as seguintes complicações: Disfunção contrátil: anormalidades na função do VE, grau de insuficiência ventricular esquerda com hipotensão, congestão vascular pulmonar e transdução para os espaços pulmonares intersticiais. Pode progredir para edema. Área de infarto ventricular direito pode causar insuficiência cardíaca direita associada ao represamento de sangue. Arritmias por conta do envolvimento do sistema de condução no IM Ruptura do miocárdio. Essa ocorre com mais frequência de 2 a 4 dias após o IM, quando necrose de coagulação, infiltração neutrofilica e a lise do tecido conjuntivo já estão enfraquecidos. Os fatores de risco para ruptura incluem idade acima de 60 anos. Aneurisma ventricular Pericardite como resultado da inflamação miocárdica Expansão da área do infarto, pode haver estiramento desproporcional, adelgaçamento e dilatação da região de infarto. Disfunção do musculo papilar Insuficiência cardíaca crônica O risco e o prognóstico vão depender do tamanho da área, localização e fração de espessura. • Os segmentos não infartados do ventrículo sofrem hipertrofia e dilatação, num processo de remodelamento ventricular. No inicio é um mecanismo compensatório, mas como já estudado, com o tempo há necessidade de uma maior demanda por O2 e deprimir a função cardíaca. Tratamento inicial (sala de emergência/ambulância) • Oxigênio suplementar: administração de oxigenioterapia suplementar em pacientes com IAM apresentando hipoxia com saturação menor que 90 ou sinais clínicos de desconforto respiratório. • Analgesia e sedação: dor precordial e ansiedade levam a hiperatividade do sistema nervoso simpático. Esse estado aumento o nível de consumo de O2 pelo miocárdio e predispõe aparecimento de taquiarritmias. Terapia antianginosa deve ser realizada com beta bloqueadores e nitratos. • Controle glicêmico: a maioria dos pacientes admitidos com IAM apresentam um quadro de diabetes. Esses indivíduos apresentam maior taxa de sangramento. Assim nesses pacientes pretende-se evitar episódios de hipoglicemia que pode causar aumento da área de IAM. • Terapia anti-isquemica: reduzir o consumo de O2. Diminuindo a FC, PA e a contratilidade. Ou aumentar a oferta de O2, ofertando oxigênio ou vasodilatação. • Nitratos: efeito vasodilatador, diminui o retorno venoso ao coração e o volume diastólico final do VE, reduz consumo de O2 pelo coração. Observam efeitos vasodilatadores nas artérias coronárias normais e aterosclerótica, redirecionando o fluxo. • Betabloqueadores: inibem os efeitos das catecolaminas circulantes. Diminuem a FC, PA e a contratilidade, provocando redução no consumo de oxigênio. • Antiplaquetários: AAS Resumo do Tratado de Cardiologia: Os fatores de risco e a inflamação crônica consequente promovem muito do desenvolvimento da aterosclerose, embora muitos pacientes já apresentem uma predisposição para a ruptura da placa independente de fatores de risco tradicionais. Após a ruptura há uma exposição de substancias que promovem a ativação plaquetária, a geração de trombina e formação do trombo. O trombo resultando impede o fluxo sanguíneo e leva ao desequilibro entre a oferta e a demanda de oxigênio, se esse desequilíbrio for grave e persistir, leva à necrose. Uma placa considerada propensa para ruptura ou erosão é aquela que evolui para uma morfologia que inclui um núcleo necrótico preenchido com lipídios e células inflamatórias e coberto por uma placa fibrosa fina e inflamada. A inflamação estimula a superexpressao de enzimas que degradam os componentes da matriz EXC da placa, as proteínas podem ser produzidas por macrófagos e mastócitos ativados. Além disso, estresses intraluminal, tônus vasomotor coronariano pela taquicardia e ruptura de microvasos combinam-se para produzir a ruptura da placa. • PA, FC, viscosidade sanguínea, níveis plasmáticos de cortisol e níveis plasmáticos de epinefrina se elevam em momentos de estresse, esses fatores podem agir em conjunto para produzir uma maior propensão à ruptura da placa e a trombose coronariana. • A ruptura da placa expõe substancias trombogênicas que podem produzir um trombo extenso na artéria relacionada com o infarto. • Rede colateral adequada que evite a necrose pode resultar em episódio clinicamente assintomático, além de que muitas das rupturas são assintomáticas por não ocluírem o vaso. • Efeitos celulares da hipoxia: perda da produção de ATP. Lesão irreversível pode iniciar em 20min. Necrose completa em 6 hrs. • Trombose coronariana oclusiva é muito mais comum em infarto transmural, já os infartos subendocárdicos ocorrem na presença de artérias coronária subocluídas ou quando região infartada possui circulação colateral suficiente. • Alterações microscópicas são de difícil identificação até que pelo menos 6 a 12 horas tenham decorrido do inicio da necrose. • A avaliação histológica do IM revela estágios do processo de cicatrização. Padrões de necrose miocárdica: Necrose por coagulação: resultada de isquemia grave e persistente, células musculares ficam estáticas no estado relaxado. O tecido exibre miofibrilas alongadas, microvasos congestionados e fagócitose das células musculares necróticas. Necrose com banda de contração: isquemia grave seguida de reperfusão. Miocitólise: isquemia grave prolonga pode causar vacuolização miocitária denominada de miocitólise. É potencialmente reversível, isquemia sem necrose. Apoptose: apoptose ou morte celular programada. • Quando reperfusão ocorre suficientemente precoce. Entre 15 a 20 minutos. Essa reperfusão pode impedir o desenvolvimento de necrose. Infartos reperfundidos mostrar uma mistura de necrose, hemorragia necrose de coagulação. A reperfusão do miocárdio infartado acelera a liberação de proteínas intracelulares filtradas, produzindo um valor de pico exagerado e precoce de substancias como a fração MB da creatina cina CK-MB e troponinas T e I especificas. Causas não ateroscleróticas do infarto agudo do miocárdio: embolismo coronário que possui como causa: endocardite infecciosa e endocardite trombótica não bacteriana, trombos murais, volvas protéticas, neoplasias, ar introduzido no momento da cirurgia cardíaca e deposito de calcio provenientes da manipulação das valvas calcificadas na cirurgia. Processos inflamatórios podem simular a doença aterosclerótica e predispor a uma aterosclerose verdadeira. Doença virais ocasionalmente precedem o IM em pessoas jovens. A aortite sifilítica pode produzir estreitamento acentuado ou oclusão de um ou de ambos os óstios coronários, ao passo que a arterite de Takayasu pode resultar em obstrução das artérias coronárias. Arterite necrotizante, poliarterite nodosa, síndrome do linfonodo mucocutâneo (doença de Kawasaki), lúpus eritematoso sistêmico e arterite de células gigantes podem causar oclusão coronariana. Níveis terapêuticos de radiação mediastinal podem provocar aterosclerose coronariana,43 com subsequente infarto. O IM também pode se originar do envolvimento da artéria coronária em pacientes com amiloidose, síndrome de Hurler, pseudoxantoma elástico homocisteinúria. A cocaína pode causar o IM em pacientes com artérias coronárias normais, IM preexistente, doença documentada das artérias coronárias ou espasmo da artéria coronária. As causas adicionais sugeridas incluem o seguinte:(1) embolias coronarianas (provavelmente provenientes de um pequeno trombo mural, um prolapso da valva mitral ou um mixoma); (2) doença arterial coronariana em vasos muito pequenos para serem visualizados pela arteriografia coronariana ou trombose arterial coronariana com recanalização subsequente; (3) distúrbios hematológicos (p.ex., policitemia vera, cardiopatia cianótica com policitemia, anemia falciforme, coagulação intravascular disseminada, trombocitose e púrpura trombocitopênica trombótica) que causam trombose in situ na presença das artérias coronárias normais; (4) aumento da demanda de oxigênio (p. ex., tirotoxicose, uso de anfetamina); (5) hipotensão secundária à sepse, perda de sangue ou agentes farmacológicos; e (6) variações anatômicas, como origem anômala de uma artéria coronária, fístula arteriovenosa coronariana ou uma fonte miocárdica Referências: Fisiopatologia Porth Bases patológicas da doença – Robbins Tratado de doença cardiovasculares Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021 A maioria dos nociceptores é polimodal, ou seja, respondem a mais de um tipo de estímulo, mas existem aqueles que são unimodais, mecânicos térmicos ou químicos. Estão presentes na maioria dos tecidos corporais, incluindo ossos, órgãos internos, vasos, coração. No encéfalo, estão ausentes, sendo encontrados somente nas meninges. Os nociceptores podem ficar mais sensíveis e causar hiperalgia em razão da liberação de substâncias que modulam sua excitabilidade, como a bradicinina, histamina, prostaglandinas e a substância P. A substância P é produzida pelos nociceptores e causa sensibilização dos mesmos ao redor da lesão. As informações são levadas à medula por fibras A gama ou C e estabelecem sinapses com neurônios da região da coluna posterior. Os nociceptores das vísceras entram na medula pelo mesmo caminho dos exteroceptores, e as duas formas de informação se misturam, dando origem ao fenômeno de dor referida, na qual a ativação de um nociceptor visceral dá origem a uma sensação cutânea. O exemplo mais comum é o do infarto do miocárdio, em que o nociceptor está no coração, mas a dor é localizada na parede torácica superior ou no braço esquerdo. Os mecanismos por meio dos quais o encefálico pode controlar a dor serão abordados